
Capitulo I
O cetim passava por seu corpo, sua textura leve e delicada cobrindo-o. A cor vibrante combinava com seu tom de pele, levemente bronzeado pelos raios de sol que tomara naquela tarde. Ela inalou fundo o perfume que acabara de borrifar sobre si mesma, sentindo o doce cheiro invadir seu nariz.
Ouviu a porta bater, em seguida, passos que se aproximavam cada vez mais do lugar em que estava. Seu perfume doce foi substituído por um cheiro diferente. Um novo perfume, um masculino. Forte, mas concentrado. Doce, mas ousado. Anestesiante, ela pensou.
Era o perfume dele.
- Você está linda, - falou em sua voz mais perfeita, aproximando o rosto em seu pescoço – como sempre.
estremeceu, sentindo a respiração do garoto próxima a ela. Seu perfume a fazia ficar tonta, deslumbrada. Fechou os olhos e sorriu.
- E você continua o mesmo. - respondeu, virando seu rosto para olhá-lo em seus olhos.
Um calafrio veio a sua espinha. Ela sorriu. Olhar em seus olhos sempre a fazia ter essa sensação.
sorriu, tocando seus lábios com seu dedo. fechou os olhos novamente, sentindo o toque dele nela. Ele passou seus dedos em seu queixo e pescoço, parando em sua nuca.
abriu os olhos. olhava para ela. Suspirou fundo, ainda encarando-o anestesiada.
Ele se aproximou, tocando com os lábios, os seus. Uma nova onde de calafrios percorreu sua espinha. Ela sorriu entre o beijo.
- Ela já chegou? - perguntou, interrompendo o beijo. assentiu com a cabeça, suspirando.
- Então você não deve deixá-la esperando. - falou, em sua voz mais fria.
Ele tirou sua mão de sua nuca, deixando cair em sua cintura, enquanto beijava-a novamente, dessa vez, um beijo rápido.
Ele queria poder ficar lá por mais tempo, queria não ter que descer. Mas havia uma pessoa no andar inferior que o esperava. Sua namorada estava lá, enquanto ele estava ali, com outra em seus braços. Sabia o quanto errado isto era. Sabia que se ela descobrisse, sofreria.
Por mais que ele estivesse errando, ele não queria a ver sofrer.
Por mais que soubesse, ele não conseguia parar.
era como um ímã, que o fazia querer ficar sempre por perto.
Ele amava as duas. Pena que só descobriu que amava, quando estava com as duas.
O que uma não tinha, a outra completava.
Jodie era linda, carinhosa. era sexy, deslumbrante. Jodie era responsável, sempre pensava duas vezes antes de fazer algo. era intuitiva, imprevisível.
- Em que você tanto está pensando? - a garota em seus braços perguntou, passando seus dedos por sua bochecha.
sorriu fraco, beijando o canto de sua boca.
Soltou seus braços, que a envolviam e deu um passo para trás. suspirou e sorriu, despedindo-se dele.
Quando descesse, não era mais a de . Era apenas , conhecida do casal.
Todo aquele fingimento a deixava angustiada. Mas ela sabia que era o único jeito de tê-lo.
Desceu as escadas passando sua mão pelo corrimão, enquanto analisava as pessoas conversando, bebendo e dançando a música lenta que ecoava por todo o salão. Seu olhar prendeu-se ao casal parado perto da pilastra de mármore escuro. A mão, que antes envolvia sua cintura, agora estava no queixo dela.
sentiu seu pulso acelerar.
Acalme-se, ordenou para si mesma. Desviou o olhar para o garoto que entrava em sua frente, parado ao final da escada. Sua mão estendida e um largo sorriso estampando sua delicada face.
- Olá . - o cumprimentou, pegando em sua mão.
- Você está linda, sabia? - ele falou, beijando-lhe o rosto.
- Já me disseram antes.
Ela sorriu.
- Quer dançar?
assentiu com a cabeça, deixando ser guiada até o centro do grande salão, onde a música estava mais alta. passou sua mão por sua cintura, outra entrelaçando as outras duas. deu um sorriso, encostando seu queixo no ombro do garoto. Deixou ser guiada por ele, que se movia por passos lentos conforme a musica que ouviam. a virou, fazendo-a ficar de frente para pilastra de mármore escuro. Alguém a encarava sério.
não desviou o olhar, mesmo sabendo que se alguém perceptivo notasse a troca de olhares entre eles, desconfiaria de algo. Mas não havia pessoas perceptivas naquele salão.
Era o que ela pensava.
Na parte menos movimentada daquele salão, escorado no parapeito da varanda, Dominic observava a curiosa cena em que passava por seus olhos naquele momento. Tragou fundo seu cigarro, jogando o toco ainda aceso por cima de seus ombros.
Algo ali estava acontecendo. Pôde observar a maneira que ambos se encaravam. E se tratando de , ele não esperava nada. Algo estava acontecendo, e seria ele a pessoa a descobrir.
Deu um largo e malicioso sorriso, andando em direção ao casal que dançava suavemente no centro do salão.
Capitulo II
Com bastante esforço, conseguiu desviar o olhar daqueles intensos e enigmáticos olhos azuis que a fitavam do outro lado do salão movimentado. Já estava sentindo calafrios. Se notasse, pensaria outras coisas. Definitivamente não era o que interpretaria.
A garota fixou seu olhar ao vulto se aproximando, arregalando seus olhos ao ver quem era.
- Dominic, - cumprimentou cordialmente, na maneira mais fria que conseguiu, parando bruscamente de dançar, deixando seu parceiro confuso.
- . - ele cumprimentou-a calorosamente, segurando um risinho irritante em seus lábios.
Sua voz a fez sentir-se enjoada.
- A que lhe devo o prazer de sua presença? - perguntou sarcasticamente.
- Uma dança? - Dominic referiu a pergunta a , que assentiu com a cabeça transparecendo estar um pouco confuso com a interrupção e o estranho diálogo, se desvencilhou dos braços da garota.
queria gritar “O que você pensa que está fazendo?” para ambos. Para Dominic, que teve coragem suficiente de dirigir a palavra a ela. por deixá-lo se aproximar.
Dominic sorriu novamente, vendo se retirar sem expressão.
- O que você quer? - a voz controlada da garota retomou sua atenção fazendo com que repreendesse uma risadinha. Aquilo o contagiava.
- Não posso querer dançar com você? - Dominic fez uma voz inocente. não caiu essa. Era Dominic DeMille.
- O que você quer? - perguntou novamente, entre dentes. Preocupando-se ruidosamente em manter o nervosismo e irritação.
Dominic riu. Aproximou lentamente seus lábio no pescoço descoberto da garota. Tocou-os levemente perto do cordão de prata que cintilava ali e observou sua reação paralisada e controlada pela raiva.
- Te avisar que sei do seu segredo. - sussurrou perto de seu ouvido.
Jogar no verde, era isso.
parou a dança, sentindo suas pernas enfraquecerem de repente. Do que ele falava? Olhou em seus olhos por um segundo, evitando firmar o gesto. Ele riu, percebendo sua reação. Rapidamente pegou sua mão, agora fria e suada, e a girou sincronizando com a música nova que começara a soar em seus ouvidos.
- Garotos comprometidos, é esse tipo que te atrai?
A garota sentiu uma incomodação em sua garganta.
- Devo então, arranjar uma namorada? Quem sabe não pareço atraente para você... - ele continuou com seu pensamento alto.
- Do que você está falando? - a garota perguntou tentando inutilmente deixar sua voz firme.
Dominic riu sombriamente, ainda com sua boca colada em seu pescoço. Tanta aproximação a deixava enojada.
Não. Ele não iria dizer a ela, não agora. Como uma boa informação, vem uma boa recompensa.
Uma recompensa para deixá-lo de boca fechada. Aquele era o plano.
Riu novamente, afastando-se da garota confusa que parecia congelada no meio do salão.
engoliu em seco, ainda concentrada no ponto vago em que olhava. Acordou do transe só quando percebeu alguns casais esbarrando em suas costas. Andou até o banheiro mais próximo, desorientava e confusa. O nó em sua garganta ainda a incomodava.
Olhou no espelho e viu seu estado. Não teria enganado ninguém, não com aquela cara.
Dominic DeMille teria notado algo diferente, ou era um blefe?
Se realmente tivesse notado, ele manteria sua boca fechada? Ou teria uma recompensa por seu silêncio?
Ela riu vagamente. Era de Dominic DeMille que estava falando. Certamente havia algo de ruim a enfrentar. Ela sabia disso.
- Por que você ficou mal humorado de repente? - a garota perguntou, virando seu tronco para ele, assim fixando melhor o olhar de ambos.
Ela teria percebido?
- Mal humorado? - fez-se de desentendido. Jodie revirou os olhos para ele. Sim, ela notara a mudança de humor. - Dor de cabeça... - falou, desviando o olhar da garota para o casal dançando no meio do salão. Jodie deu ombros, sem importância, virando novamente seu corpo para frente.
"Por que ?", ele pensou amargamente. "Não poderia ser Greg Corner?", observou o estranho garoto com vestes horrorosas, cabelo oleoso e óculos com aros de metais."Não, tinha que dançar justamente com
! Olha para ele, como segura ela!"
Bebeu um gole de seu uísque rapidamente, deixando a bebida arder em sua garganta. Olhou de rabo de olho para sua namorada, abraçada a ele e conversando com duas pessoas ao seu lado, e voltou a atenção para o casal logo a frente.
não estava mais nos braços de . Dominic DeMille a guiava na musica lenta.
Sentiu seu estômago doer, uma raiva intensa tomou conta de seu corpo, assustando-o por sentir algo tão estranho.
"Que porra Dominic DeMille estava fazendo ali?"
"Que porra estava pensando para deixá-lo se aproximar?"
Jodie olhou para ele, percebendo a agitação que movia seu corpo naquele instante.
Não, ela não poderia notar isso, ele pensou.
Agora era a hora de ser um ator.
voltou seu olhar a namorada, sorriu um sorriso falso e a beijou.
"E se realmente for verdade?" analisava todas as opções. Se verdadeira ou não, era melhor avisar a , assim deixou claro em sua cabeça, passando novamente a mão fria e molhada por seu rosto. Abriu novamente a porta do banheiro, procurando intensamente apenas uma pessoa. Seu olhar subiu do chão gelado do salão ao casal que calorosamente se beijava encostado a pilastra de mármore. fechou rapidamente os olhos, tentando tirar aquela cena de sua cabeça. Era doloroso só tê-la em mente.
estava ocupado demais para se importar com uma coisa dessas, ela pensou secamente. Evitando olhar, pegou um copo de uísque puro da bandeja dourada que apareceu na sua frente. Agradeceu ao garçom que sorria gentilmente e procurou sair rapidamente do salão, desvencilhando das pessoas que apareciam em seu caminho.
Capítulo III
Uma luz invadiu o quarto, fazendo com que seus olhos apertassem com a claridade vinda da janela. Os abriu, esfregando com sua mão, enquanto xingava mal humorada. Levantou a cabeça, ignorando o máximo as pontadas que viam.
Porra de uísque .
Cambaleou até o espelho, vendo a imagem horrorosa. Era o reflexo da noite anterior.
balançou a cabeça, movendo-se até o banheiro. Precisava de um banho.
Ouviu passos vindos do corredor. Revirou os olhos, acendendo seu cigarro. Virou seu corpo para o lado de dentro do quarto, fechando a porta de vidro da varanda aberta em que estava. Olhou rapidamente para a garota nua em sua cama.
Ela não vai acordar nunca?, pensou, impaciente. Os passos se aproximavam, agora estavam próximos a porta entreaberta. Uma garota vestida em um hobby preto extremamente curto apareceu na porta de seu quarto, com uma caneca em suas mãos.
Dominic prendeu seu olhar ao corpo da garota, sem se importar em olhar seu rosto. Ela se aproximou, antes trancando a porta. Ele caminhou até ela, pondo suas mãos em sua cintura. Ela sorriu, o beijando.
A garota nua, deitada na cama, se mexeu. Dominic interrompeu o beijo e a olhou. Ela retribuiu com um olhar malicioso. Voltou sua atenção a que estava em seus braços, empurrando para cama, a fazendo ficar ao lado da garota nua.
Algo o estava incomodando ao olhar aquela cena.
Avaliou a situação, a sim, o hobby.
Ele ajoelhou na cama, puxando a garota para si, tirando seu hobby, nem um pouco delicado. Olhou no relógio em cima de sua cabeceira, enquanto aquelas duas garotas preocupavam-se em beijar seu pescoço.
Merda, eram dez horas.
- Agora não, garotas. – sua voz fria e arrogante sussurrou. Elas se entreolharam, sem entender. Dominic revirou os olhos. - Movam-se. - ordenou.
As garotas levantaram rapidamente, catando suas roupas espalhadas por todo cômodo luxuoso.
Ele fechou os olhos, tragando o cigarro em sua mão. Uma batida na porta, fez com que voltasse a realidade.
- DeMille... – ouviu uma voz falar, mas parou bruscamente, olhando as garotas se vestindo apressadas.
Dominic abriu os olhos. Isaac estava parado a porta de seu quarto, paralisado.
- Desculpe interromper – falou, provavelmente embaraçado.
As garotas apressaram o passo, passando por ele e saindo do cômodo. Dominic riu da cara de Isaac.
- Quem eram? – perguntou, virando para trás, olhando-as pelo corredor.
- Não me faça perguntas difíceis, Isaac - sorriu.
Isaac riu com ele, olhando seu relógio prateado de pulso.
- Estamos atrasados.
secou seus cabelos, passando o ar quente por entre eles. Fechou os olhos, ainda sentindo as pontadas em sua cabeça que a incomodaram. Ainda sentia sede, mesmo após todos os copos de água que tomara. Suspirou fundo, ajeitando novamente o cabelo com as mãos. Andou até o quarto, procurando seu celular que tocava.
, leu no visor.
Sentiu-se ridícula ao notar uma agitação em sua barriga. Atendeu com pressa a chamada, mas era tarde demais. Ele já havia desligado. Bufou, revirando os olhos.
Passou seu olhar ao espelho, paralisada com o pensamento repentino.
Dominic DeMille.
Lembrou da noite passada, lembrou do diálogo repugnante que teve com ele. Ela precisava avisar a .
Seu celular tocou novamente em sua mão, a tirando do transe. Olhou no visor, era uma mensagem.
Por que a demora? , leu.
Revirou os olhos novamente, sorrindo. sempre odiava quando demorava.
Pegou sua bolsa, passando pelo seu corpo. Foi até a mesinha ao lado de sua cama desarrumada e pegou as chaves do carro.
Iria encontrar .
Uma regra fácil e simples de ser lembrada. Uma regra a qual cabia a todos os moradores daquela redondeza: pais viajando, festa.
E hoje, aquela regra se prendia a residência dos .
O sol estava forte naquele final de manhã, ótimo. Mais calor, menos roupa.
encarou a piscina, que agora se enchiam de pessoas. Mas ele não estava olhando para as pessoas, estava olhando para um lugar vago, acreditando que o tempo ali, passaria mais rápido. Se achava ridículo ao sentir ansiedade em seu peito, a agonia de não vê-la.
Pessoas e mais pessoas chegavam. Ele olhava em seus rostos, procurando apenas um conhecido, mas encontrou outro, aquele que definitivamente não queria.
O que Dominic DeMille fazia ali?
Por um momento pensou em expulsa-lo, mas repensou. Não, ele não iria se estressar com ele. Se ele quiser ficar, que fique. Após aquela festa, ficaria ciente de quem era o responsável pelas melhores.
apressou o passo, atravessando o longo gramado que havia ali. Era tudo tão verde!
Sentiu seu salto afundando e correu logo para a porta no mesmo momento que seu corpo colidiu com outro em sua frente.
- Isaac? – olhou o garoto que acabara de dar um encontrão.
O que Isaac fazia ali? Aquela não era uma festa na mansão DeMille.
- Desculpa, não vi você.
O olho do garoto percorreu seu colo, descendo as suas coxas. Típico, ele era amigo de Dominic.
revirou os olhos. Não queria manter uma conversa amigável com o braço direito daquele por quem tinha nojo. Continuou a andar até a porta abrindo-a em seguida. Seus pensamentos estavam longe. Viu Isaac e lembrou-se novamente do diálogo com seu desprezível amigo. Será que ele realmente sabia sobre ela e ? Ele desconfiara vendo a reação da garota, ao tocar no assunto?
Ela foi convincente? Era a pergunta que a preocupava mais.
não sabia mentir, era uma péssima atriz. Se dependesse disso para viver, estaria completamente ferrada.
Ainda bem que tinha dinheiro.
Ela precisava ao menos avisar a . Fazer o que não fez na noite anterior, onde o mesmo estava ocupado demais aos beijos com sua namorada - a palavra doía até em seus pensamentos – e ela, bêbada demais para ter diálogos sérios.
saberia o que fazer, ele sempre sabia.
.
Ela riu, repetindo o nome dele em sua cabeça. No mesmo momento em que sorriu, seu olhar encontrou com o dele. Seu coração acelerou, sua mão suou. E novamente se sentiu patética por sentir todas aquelas coisas clichês que antes abominava.
Ele sorriu levemente para ela, o que a fez ter vontade de sair correndo em direção a ele e o beijar até ficarem sem fôlego. Ficou com vontade de apertá-lo com todas suas forças depositadas em seu corpo e respirar fundo seu perfume até que desmaiasse intoxicada.
Ela não podia fazer nada disso. Se fizesse, saberiam de seu segredo.
Ela acenou para ele e virou para o lado, pegando uma taça de champanha que o garçom oferecera. teve vontade de mandar todos para o inferno e fazer o que tinha vontade: beijá-lo sem precisar esconder.
Infelizmente ela não podia mandar todos para o inferno, muito menos o beijar na frente de todos. Bosta.
Continuou ali, bebendo e conversando com algumas pessoas que apareciam em sua frente. Courtney lhe contou sobre sua viagem a Irlanda. Sobre como os irlandeses tinham um jeito sexy. Como se importasse com sua estúpida viagem a Irlanda, como se importasse com o jeito dos irlandeses. Ela tinha . Não tinha como queria, mas de qualquer forma, tinha.
Era o que importava.
Revirou os olhos, finalizando a tediosa conversa com a garota e andou em direção as escadas, minutos depois de ver seu garoto subir e dar uma olhada significativa a ela. Não pensou duas vezes.
Seu coração acelerava conforme subia os degraus. Ela respirou fundo antes de abrir a porta entreaberta.
Dominic passou a língua delicadamente pelos lábios carnudos da garota em sua frente. Seus pensamentos variavam enquanto fazia isso.
O nome dela é Ann?
Definitivamente é Ann, ela não tem cara de Amber.
Abriu os olhos e olhou em volta da sala movimentada. Observou a garota parada perto do bar, conversando com uma baixinha.
.
Afastou a suposta Ann de seus braços, a deixando confusa com a reação.
- Já chega, Ann. – falou secamente.
- É Aimee. – a garota corrigiu.
- Que seja, não me importo. – Dominic revirou os olhos, saindo dali.
Havia coisas mais interessantes para se fazer.
Parou no centro da sala, ainda observando a garota. Para onde ela estava olhando? Seguiu seu olhar, que se dirigia até a escada.
estava parado nela.
Por um momento pensou ter visto uma balançada de cabeça feita por ele, em direção a . Ele estava imaginando algo.
Não. Ele não estava.
Ficou inquieto ao perceber que a garota se movia até a escada, enquanto o mesmo que estava ali, subia.
Algo estava acontecendo, agora ele tinha certeza absoluta.
sentiu como se fosse desmaiar ao subir as escadas. Seu coração disparado a deixava desconfortável. Suas mãos continuavam frias, suas pernas bambas dificultando andar normal.
A terceira porta daquele corredor estava entreaberta. Era o quarto dele.
Sabia, pois não era a primeira vez que subia essas escadas, nem a primeira vez que passava por aquela porta.
Ele estava parado em frente a janela, observando-a entrar. Seu sorriso fazia com que sentisse socos no estômago. Como sempre.
- Eu estive esperando por você a festa toda, - falou, estendendo sua mão até ela. – pensei que não vinha.
sorriu, respirando fundo. Tinha que se acalmar. Seu coração não diminuía o compasso fazendo ficar frustrada.
Entrelaçou sua mão a dele, que também estava fria e encostou sua cabeça em seu peito. passou a mão de leve por suas costas, parando em sua cintura. Encaixou seu rosto por entre os cabelos da garota, respirando fundo. sorriu ao ouvir seu coração. Batia tão rápido como o dela.
- Não sei por que isso acontece toda vez que te vejo. – ele falou, notando o motivo pela qual ela sorria.
- Eu acho que sei o motivo. – ela olhou em seus olhos, sorrindo ainda mais. Ele sorriu com ela.
E então a beijou. Seus lábios passavam levemente por seu queixo. fechou os olhos.
Iria desmaiar?
Entrelaçou uma de suas mãos em seu cabelo macio, sentindo sua textura. desceu seus lábios em seu pescoço, traçando o caminho com selinhos delicados.
Sim, ela iria desmaiar se ele continuasse com aquilo.
Naquele momento, esqueceu novamente de tudo. Esqueceu-se de algo que horas antes, a fazia congelar só de pensar: Dominic DeMille e a possibilidade de que seus momentos com fossem revelados.
Mas nada naquilo era importante quando a beijava daquela forma. Não importava que fosse errado estar com ele, quando o mesmo está com outra.
Jodie não era importante aquela hora, pois o que ela dela, naquele momento não era mais. Naquele momento, era de .
Foda-se Jodie, corna, agora longe, passando seu tempo na casa de algum parente. Foda-se Dominic DeMille, desprezível, provavelmente deveria estar comendo alguém naquele exato momento.
Era o que ela pensava.
Capítulo IV
O som de seus passos era quase inaudível, sua respiração não fazia nenhum barulho. Era preciso cuidado, ou então estragaria tudo. Caminhou pelo corredor, decidindo em qual das inúmeras portas entraria ou colocaria o ouvido, assim podendo ouvir algo que tanto esperava.
Gemidos, talvez? Riu maliciosamente com o pensamento.
Ele estava certo, sabia que estava. Mas era Dominic DeMille. Precisava ver para crer. E claro, queria muito ver.
Não fora preciso abrir várias portas, ou encostar o ouvido nas mesmas. Havia uma porta que estava entreaberta. Sorriu com sua sorte.
- Ela poderia viajar todos os dias... - A ouviu dizer com uma voz abafada. Espiou perigosamente pela porta, a vendo abraçada com . – Assim teríamos mais tempo.
Dominic processou rapidamente a informação, captando e entendendo perfeitamente do que se tratava. Sim, ele estava certo.
Queria ouvir mais, ver mais... Mas aquela era uma atitude que o colocaria em risco. Ele estava à vista do casal, se não fossem tão distraídos. Não deixaria que sua curiosidade acabasse com o plano que tinha em mente.
Pegou rapidamente seu celular do bolso e tirou uma foto, que saiu em qualidade perfeita no momento perfeito. Um beijo.
Céus, como amava a tecnologia!
Fechou a porta tomando o devido cuidado para que não o escutassem. Não queria que mais ninguém visse aquilo, o privilégio de presenciar tal cena deveria ser só dele. Via cada vez mais oportunidades se formando daquilo. Virou as costas para a porta. Abriu o a foto no celular mais uma vez, sorrindo.
Como seu coração não parava com aquilo? se perguntava, em meio ao sorriso que abria em seu rosto. beijava-lhe o pescoço delicadamente, seus lábios passando suavemente por sua clavícula. Ele fechou os olhos, respirando fundo o perfume que vinha de seus cabelos, agora presos por entre seus dedos. A garota abriu os seus, gostando do que via. Adorava quando ele se deixava se envolver por completo. Adorava quando Jodie não passava por sua cabeça e adorava não vê-lo estragar o clima para ir ao seu encontro, como sempre fazia.
Aquela noite ele seria dela, somente dela. Isso soava como um alívio.
- Quero te levar em um lugar amanhã. – falou, segurando o rosto de com suas mãos.
- Um lugar? Que lugar? – A garota perguntou curiosa.
- Você só vai saber quando chegar lá – riu vendo a expressão de desgosto da menina quando falou isso.
- É uma surpresa?
- Se você não estragar, será. – desfez o sorriso que tinha acabado de deixar transparecer. Droga, ele não deixaria escapar algo.
- Por que essa cara, minha linda? – aproximou seu rosto do dela. – Quando te conheci, você adorava surpresas – sorriu ao lembrar. Era inevitável não sorrir.
- Surpresas são legais quando sou eu quem as faço. Assim não tem graça, . – A garota cruzou os braços no ombro dele, voltando a fazer sua típica cara de garota mimada.
- Bom... Se você quiser fazer alguma surpresa pra mim lá, eu não vou achar ruim... – Os olhos do garoto brilharam com a luxúria que tomou conta e seu mais sexy e malicioso sorriso foi aberto, logo envolvido pelos lábios de .
- Hora de ir, Isaac. – Adentrou a porta da biblioteca, assustando o garoto semi nu que ali estava. A mulher que estava com ele, parecia ser uns quatro anos mais velha. Seus olhos castanhos arregalados de susto e sua pele levemente rosada por causa da vergonha de a flagrarem naquela hora. Isaac a empurrou, vestindo seu suéter e o resto de suas vestes espalhadas pela escrivaninha bagunçada. Dominic ria discretamente da cena, escorado na porta. A mulher passou rapidamente por ele, o fazendo inconscientemente virar seu rosto para analisá-la de costas.
- Bonitas pernas. – falou quando ela passou. A mesma não fez questão de virar, deveria ser de vergonha, pouco o importava.
- O que foi dessa vez? – Isaac estava vermelho. Não de vergonha, supôs, mas de raiva. Ele sabia que o amigo odiava que o interrompam, mas, fazer o que? Era divertido!
- Meu jogo é melhor para se entreter do que a secretária dessa mansão. – revirou lentamente os olhos e sorriu em seguida, vendo a cara desentendida de Isaac.
- Jogo? Que jogo? – perguntou confuso. As coisas aleatórias que Dominic falava, às vezes soavam como se fosse só para ele mesmo, o que sempre o deixava confuso e curioso.
- Eu te mostro em outro lugar... – falou, assim que viu duas garotas completamente bêbadas entrando pela porta da biblioteca.
- Vamos, anda logo Isaac! – chamou o rapaz, que observava a loira baixinha que cambaleava no lugar que minutos antes, ele estava semi nu.
Pensa, pensa, pensa! falava para si mesma, olhando a mala em cima de sua cama, uma enorme mala para falar a verdade. Tinha colocado todos os tipos de roupas, tanto de frio quanto de calor. Não sabia para onde iria com e não duvidava de todos os lugares possíveis. Ele era imprevisível, como ela. Pensava como ela. E, pensando como ela, qualquer lugar era possível.
Era isso que a deixava aflita.
Uma batida na porta de seu quarto a despertou do transe em que se encontrava. Olhou para o lado e caminhou para até ela, a destrancando-a. Paris, o mordomo de sua casa estava parado em sua porta, seu olhar cauteloso e gentil.
- Senhorita, a limusine te espera na porta... Senhor Adams? – Paris perguntou, um pouco confuso. Provavelmente não conhecia esse amigo de . É claro, ele não existia.
- Sim, já vou – prendeu um riso, vendo a cara de seu mordomo. Adams seria o disfarce de . Usava outros nomes por precaução. Todo cuidado era pouco em relação a eles.
Seu coração bateu mais forte ao abrir a porta do carro preto parado em frente a sua mansão.
Sua mão suou um pouco ao ver o garoto encostado no banco, usando roupas brancas e leves.
Gostoso, foi seu primeiro pensamento.
- Olá. – Ele sorriu.
- Olá Adams. – gargalhou, não pôde evitar. fez uma careta, depois riu junto com a garota. – Sério , Adams?
- Você que sugeriu! – rebateu, apontando para ela.
- Eu estava brincando... E estávamos falando sobre Família Adams! Não era pra você levar a sério! – riu.
- Ah, eu gostei de Adams. Fico misterioso.
- Fica ridículo! – balançou a cabeça.
- Eu sei que no fundo você achou sexy...
olhou para ele, esquecendo-se do que falava antes. Onde aquele garoto comprou essa bata que o deixou tão lindo? Ele definitivamente não deveria a torturar dessa forma...
- Que foi? – notou que a garota ficou distante por um momento. Chegou mais perto, passando a mão em sua bochecha.
- Amei sua roupa... – ela falou de repente.
- Amei suas coxas descobertas. – ele respondeu sem pensar. não conseguiu não rir de sua resposta inesperada. Era uma de suas qualidades que mais gostava. E, era uma das qualidades em que ambos tinham. O abraçou, sentindo o cheiro que tanto amava, e que tanto sentia falta quando estava longe.
Estar longe era o mesmo que vê-lo com Jodie. Pensar nela fazia seu coração doer, por mais que não admitisse para si própria. E ficar daquele jeito, não era uma de suas opções naquele momento. Ela não estragaria sua surpresa.
Capítulo V
Não conseguia entender como um lugar poderia ter tão variados tons de verde como aquele; como uma simples estátua de mármore poderia ficar tão bonita em meio ao lindo jardim. Ela não conseguia entender sua fascinação por aquele lugar. já tinha visto de tudo. Das mais belas casas e mansões, até os mais antigos e luxuosos castelos. Mas nada a fascinou tanto como aquilo que seus olhos viam.
Uma bonita mansão antiga, de cores escuras que davam um ar medieval ao lugar. Não parecia ser real. Se não sentisse o aperto forte da mão de ao seu lado, juraria que estava sonhando.
- Gostou? – o ouviu perguntar. Era uma pergunta óbvia, dava para ver pelo modo de como seus olhos brilhavam.
- Parece que estou em um dos livros que minha mãe lia para mim, quando criança... – a garota sussurrou. sorriu, vendo a forma como admirava a antiga casa de seus avós. Pensou primeiro em levá-la até sua casa de praia, mas achou que aquele lugar tinha algo mais especial. Algo mágico, como em um conto de fadas.
E, já tinha usado a casa de praia em um final de semana com Jodie.
Jodie.
Não! Ele não pensaria nela naquele momento. Não podia. Mas era algo inevitável. Era confuso o modo que se sentia naquele momento. Como alguém podia sentir-se tão feliz, mas ao mesmo tempo tão vazio e podre por dentro? Ele não conseguia entender.
Na verdade, ele não queria entender o que estava na cara. Estar ali com parecia certo naquele momento, mas se analisasse bem a situação, era errado por causa de Jodie.
Jodie, sua namorada de longa data. Jodie, a garota que sempre amou e que vem enganando por todo esse tempo.
Ele sabia disso, sempre soube. Mas também era inevitável não pensar em .
Isso fodia com tudo.
Continuou calado, vendo a garota andar pelo jardim. Seus pensamentos estavam longes.
, a terceira ponta do triângulo que ele mesmo criou. , a garota que surgiu do nada em sua vida, e agora não conseguia tirá-la dela. Parecia tão certo estar com ela ali, naquele momento. Era algo tão bom, mesmo sabendo o quão errado era para ambas as pontas do triângulo.
sabia perfeitamente como se sentia em relação à situação toda delicada e complicada. Mas, sua parte egoísta o levava a distrair-se. O levava a não pensar naquilo.
Era o que ele estava tentando fazer no momento.
- Vou ter que pedir para que me convide a entrar na casa, ? – a garota passou a mão por seu rosto. fechou os olhos, esquecendo do que pensava momentos antes. Desceu sua mão até a mão da garota e a levou até a porta da mansão, destrancando-a com a chave em seu bolso.
- Se você não fosse rico, sugeriria que virasse fotógrafo. – A voz grave e divertida de Isaac falou da varanda de seu quarto de hotel. DeMille riu. Olhou novamente para seu celular. A foto do novo – ou velho? – casal. Um clique perfeito, admitiu a si mesmo.
- Que idéia medíocre, Isaac.
- É sério, olha pra foto! – o rapaz caminhou até ele, pegando o celular. Dominic revirou os olhos, sorrindo.
- O que pretende fazer com ela? – Isaac o olhou, seus olhos verdes cheios de curiosidade.
- Com ela quem? ou a foto?
- Com as duas. – Os dois sorriram.
- Tenho uma imaginação muito fértil para ambas... – Dominic disse, bebendo um gole de sua cerveja. Isaac não comentou mais o assunto, apenas olhou a foto que o amigo tirou. Seja lá o que tivesse planejando, algo bom não ia acontecer. Não para .
O fraco sol que se punha tocava suas costas nuas, a aquecendo fracamente. A seda dourada roçava por suas coxas, dando-a uma sensação de leveza e maciez. A garota abriu os olhos, encontrando os dele. tirou o cabelo que cobria seu rosto, passando por trás de sua orelha. Aproximou seu rosto do dela, e ali ficou, quase tocando seus narizes. continuou a olhá-lo, algo que adorava fazer, principalmente quando o tinha tão perto.
Seu dedo indicador percorreu os traços do garoto, que ao senti-la, fechou seus olhos. encostou suas testas e o abraçou forte, apenas para sentir sua presença. Aquilo faria com que não duvidasse de que era um sonho.
- Tá com fome? – perguntou a ela. balançou negativamente a cabeça, ainda o apertando. A barriga de roncou alto, a fazendo rir.
- Mas você está. Vem, vamos comer. – o soltou, se remexendo na cama, procurando suas vestes espalhadas pelo carpete. O rapaz confirmou com a cabeça, ainda sem tirar os olhos dela. A mesma percebeu o olhar que caia sob ela, e corou levemente, fingindo não notar que estava sendo observada. Vestiu rapidamente sua lingerie, levantando da cama a procura de seu vestido.
estava com o pensamento longe. Era um pensamento errado. estava ali em sua frente, nunca estivera tão linda apenas de lingerie vermelha e com os cabelos negros soltos, tocando-lhes no ombro e costas. Sua pele bronzeada reluzia no sol. Mesmo que estivesse fraco, era lindo de se ver e admirar.
Mas ele se prendia a pensar em Jodie. Sua Jodie... Tão diferente da garota que via em sua frente. Sua pele tão branca como a neve não reluzia no sol e seus cabelos não caiam no ombro, e sim tocavam no queixo, espetados e repicados. Jodie não ficava tão linda como em sua lingerie vermelha, mas era adorável vê-la com sua favorita azul celeste.
Era errado pensar nela enquanto estava ali, parada em sua frente, o esperando sair do transe. Sacudiu a cabeça, desviando aqueles pensamentos que o atormentavam e segurou a mão da garota, levando-a para fora do grande quarto daquela mansão.
- Entendeu bem o que disse, Isaac? – Dominic repetiu, tentando por um momento ser paciente com o rapaz em sua frente, que afirmava com a cabeça, pensativo. Provavelmente estaria pensando no porquê de ter que fazer o que acabara de lhe pedir. Dominic não iria dizer. Sua definição de confiança só se prendia a ele mesmo, Isaac era um boneco que usaria naquele plano.
Riu da palavra, era algo que achava divertido.
- Você quer que eu vá até a casa de e peça para te encontrar? – Isaac repetiu a pergunta.
- Sim. – ele já começara a perder a paciência e isso não deveria acontecer.
- Por que não liga, ou vai você mesmo até lá? – Isaac parecia confuso. Sua expressão demonstrava relutância com o que fora proposto a fazer.
- Porque eu gosto de suspenses, meu caro Isaac. Suspenses não me deixam com tédio. – Dominic revirou os olhos. – Pelo que conheço de , ligar não a faria vir até aqui. Se fosse até lá, ela não me atenderia... Enviar-te até lá, a deixaria curiosa. – Dominic não se prendeu de rir maliciosamente por um momento. Isaac continuou relutante, mas se calou. Teimar para que ele mesmo faça isso não iria adiantar.
O som do eco daquela campainha soava por toda a vazia mansão. Não havia muitas pessoas, a não serem os empregados que ali trabalhavam. Não era o horário comum de seu patrão chegar em casa, nem sua mulher voltar antecipadamente de sua longa viagem e a única filha do casal viajara mais cedo, avisando-o que só retornaria após dois dias.
Paris estranhou a inesperada visita àquela mansão. Abriu a porta, não reconhecendo os cachos do rapaz, nem seus olhos muito verdes. Aquele nunca tinha vindo até ali, não era conhecido.
- Com licença, se encontra? – Isaac perguntou o mordomo parado em sua frente, tentando esconder seu nervosismo de estar ali. Desde o começo não achara uma boa idéia, discordando de seu amigo, que insistira que sim.
certamente o mandaria se lascar, ou pior.
- Desculpe-me, mais a senhorita viajou mais cedo. – Paris respondeu educadamente. Notou o quanto o rapaz ficara desapontado e aliviado ao mesmo tempo, mas não mencionou nada. Não era de sua intromissão.
- Viajou? - Isaac parou por um momento. Lembrou da foto mais cedo.
Será?
- Sim, viajou. – Paris continuou falando educadamente ao rapaz, que parecia mais confuso ainda.
- Com o ?
- Com quem senhor?
- . – Isaac repetiu. Se os fatos que acabara de ligar fossem verdadeiros, a novidade para Dominic seria muito bem aproveitada.
- Creio que foi com o senhor Adams... – Paris falou, tentando lembrar o nome que ouvira mais cedo, quando abriu a porta.
- Adams? – Isaac não se lembrava de nenhum Adams. – Para onde foram?
Paris suspeitou de sua curiosidade repentina. Não tinha ordens – óbvias – a passar informações a estranhos.
- Desculpe senhor, a senhorita não falou mais nada, se me der licença, vou voltar a meus afazeres. – falou então, antes de fechar delicadamente a porta de entrada.
Isaac bufou, pegando seu celular e dando meia volta até seu carro. Alguém não iria gostar dessa notícia.
- Não conhecemos nenhum Adams. Não faz sentido algum! – O solado de seu sapato chocando-se com o piso de madeira de seu quarto definitivamente o irritava. Isaac estava o irritando, andando de um lado para outro. Talvez sua irritação não fosse pelo motivo do barulho insuportável naquele momento, e sim com a notícia que recebera segundos antes. Era pra estar recebendo naquele exato momento e não noticias que só atrapalhava o que já havia planejado. Dominic DeMille não gostava de imprevistos.
- Primeiro, Isaac, faça o favor de ficar parado um segundo. – falou, mantendo a calma. – Está me dando náuseas vê-lo de um lado para outro. – revirou os olhos. Isaac parou. – Segundo, você, por incrível que pareça, está certo. Não conhecemos nenhum Adams... – Dominic calou-se, pensando por um momento naquele nome. De certo, não conhecia nenhum. Se ele não conhecia, era provável que também não. Faziam parte do mesmo círculo daquela sociedade alta, apesar de que não se dava ao trabalho de falar com as mesmas pessoas que a garota falava. Dominic só se referia a alguém quando fosse necessário.
Suas pecinhas de madeira, como gostava de chamá-los.
- Ela não conhece nenhum Adams, porque não existe algum... – supôs. Fazia sentido. Lembrou da foto de seu celular. Ela não viajaria com outro. Se viajasse, o que pensaria sobre isso? Pensou. Isaac continuava o olhando, calado. Nunca o interrompia quando estava daquela forma. Agradecia a ele por isso. Não gostava de ser interrompido.
- e estão juntos. Quem é Adams? – Dominic pensou alto, mais como uma pergunta para si mesmo.
- também está com Jodie... Pode ser um trato. Cada um fica com dois ao mesmo tempo. – Isaac sorriu maliciosamente quando supôs isso.
- Não. não aceitaria isso. – Dominic descartou. era egoísta demais para dividir algo, ainda mais uma mulher. Ele podia, ela não.
- deve estar com Jodie, então está livre. – Isaac insistiu novamente.
- Não... Ela viajou. Não a vi na casa do . – Dominic se lembrou da festa a qual conseguiu a foto que agora estava no seu celular. Certamente, se Jodie estivesse lá, não haveria foto. não era burra a esse ponto.
- Se ela viajou... está livre. – Isaac pensou alto.
- É isso que vamos descobrir. – Dominic levantou, impaciente de tanto fazer suposições. Não gostava delas. Não gostava do talvez, da dúvida. Tinha que estar com a certeza clara.
Pegou seu blazer e suas chaves. Ele mesmo tiraria suas dúvidas.
- Por que aqui? – perguntou, pisando na grama molhada com os pés descalços. O barulho da fonte ao lado era o único daquele lugar, fora o som das árvores em movimento.
Porque já usei a casa de praia com Jodie, pensou. Continuou calado.
-Gosto daqui. – falou depois de um tempo. Olhou em volta. Realmente gostava. O fazia lembrar-se de alguns momentos de sua infância. Aquela casa o trazia lembranças boas.
caminhou até a fonte, deixando a água fria escorrer pela sua mão. caminhou, até ficar parado ao lado da garota. Segurou seu quadril e a girou para perto dele. Ela passou a mão molhada por seu cabelo, fazendo-o formar uma careta. Ela riu, beijando a ponta de seu nariz.
- Vamos entrar? – a garota perguntou. – Quero ver como aquela fogueira da sala de jantar fica quando acesa. É enorme.
- É bonito de se ver... – sorriu, lembrando de ter falado a mesma coisa à seu avô, quando mais novo.
-Ele não está? – Dominic repetiu. A empregada da casa dos afirmou com a cabeça. – Que horas volta?
- O senhor não deve voltar hoje. – ela falou, se arrependendo depois. Não podia dar informações daquela forma, mas não conseguiu. Aquele garoto na sua frente a fazia ficar nervosa, algo no jeito dele, em sua fala.
- Para onde viajou?
- Não sei senhor... – a empregada falou, olhando para seus sapatos. Dominic bufou. Aproximou, tocando-lhe o queixo com seus dedos.
- Por favor... É um assunto urgente. – fez sua melhor cara desesperadora, como se aquilo realmente fosse.
- Ele falou... Ele... – a moça prendeu a respiração. – Foi para a casa de campo.
- Muito obrigado. – Dominic sorriu docemente para moça, que sentiu seu coração acelerar. Deu meia volta, entrando novamente com o carro.
- A única casa de campo da família pertence àqueles velhos, não é? – Dominic perguntou, pensando. Isaac afirmou com a cabeça. Eram velhinhos muito insuportáveis.
- Meu pai falou que eles estão viajando com os Clements.
Dominic DeMille ligou rapidamente as coisas. Sorriu. Agora não tinha mais dúvidas.
A noite fresca parecia agradável aos seus olhos, mas a vontade de dar uma volta pelos arredores do hotel não pareceu acanhá-la naquele momento. Continuou deitada na cama de seu quarto, tentando concentrar-se no livro em suas mãos. Mas quem queria enganar? Ela mesma? Jodie não conseguir prestar atenção em nenhuma palavra que lia. Sua cabeça estava em outro lugar, mais precisamente em . Por que ele não ligou até agora? A garota prometeu a si mesma que não faria, esperaria que ele mesmo ligasse. Prendeu-se de sua vontade de rançar o telefone do gancho e voltou ao livro. Esperaria mais um pouco. Ele iria ligar, assim como prometeu.
Bufou, jogando o livro para cima da TV ligada no baixo volume e levantou de sua cama. No momento que fez, surpreendeu-se com o barulho abafado e estridente vindo de seu celular de dentro da bolsa. Riu de si mesma, pelo ataque exagerado e correu até sua bolsa. Olhou no visor do celular e sorriu. Só podia ser ele.
Volte mais cedo para mim. Estarei te esperando.
Capítulo VI
- Como tem certeza de que ela não vai me reconhecer? – estava parado na porta do carro de Dominic DeMille, confuso por estar ali após ter recebido uma ligação de Isaac.
- Ela não vai te reconhecer. – Isaac afirmou.
- Jodie Graham não vai acreditar que eu sou o motorista de , vai por mim cara. - parecia relutante e confuso, já começava a dar trabalho.
- Só a faça entrar no carro, não estrague a surpresa de . Ele me parte no meio se fizer. – Isaac mentiu, assim como fora planejado mais cedo. Dominic precisava de alguém para pegá-la no aeroporto. Não poderia ser ele mesmo, nem Isaac. Escolheu aleatoriamente qual das pecinhas de madeira usaria para aquilo. serviria.
- Não sabia que era tão romântico... Quer dizer, ele não tem cara de fazer esse tipo de surpresa para a Graham. Nunca o vi fazendo. – pensou por um momento. Não era tão próximo do casal, mas sabia perfeitamente como eram. O estranho era que não falava muito com ele, a ponto de pedir essa ajuda. Não sabia o porquê daquilo. Também não sabia que Isaac e eram próximos. Nunca tinha os vistos juntos.
A ligação que recebera mais cedo era de Isaac, pedindo para que o garoto se passasse pelo motorista de e levasse Jodie Graham até a antiga casa de campo de sua família.
Mas, por que não pedira ao próprio motorista? Fora a primeira pergunta que fez, ao ouvir Isaac no telefone. A explicação do mesmo foi que não queria ajuda de seus empregados.
não questionou mais, mesmo continuando a achar estranho toda essa história na qual se metera.
Por mais que quisesse o dia lás fora ensolarado, não fazia questão de sair daquela cama, nem se estivesse. O dia que amanheceu nublado, coberto de nuvens só o favoreceu a continuar deitado ali, com sua garota em seus braços. Era uma perfeita sintonia ouvir sua respiração calma junto da sua. Queria poder ficar ali para sempre, apenas sentindo o cheiro que emanava de seus longos cabelos. espreguiçou-se, abrindo seus olhos e encontrando os dele. Sorriu.
- Bom dia, meu amor. – sussurrou para ele. beijou sua testa, levemente.
- Dormiu bem? – perguntou a ela.
- Melhor impossível. – a garota respondeu, o abraçando. Queria poder acordar todos os dias daquela forma.
- Infelizmente meu plano foi arruinado... Vai chover. – olhou a janela que havia na lateral do imenso quarto. A cortina meio aberta dava vista para as grossas camadas de nuvens que se formavam. suspirou. Queria poder ir até a cachoeira, mas com a chuva, seu desejo fora dificultado.
- O que faremos então? – perguntou a garota, sugerindo mentalmente que ficassem ali naquela cama, como fizeram no dia anterior.
- Sou bom na cozinha. – falou. Parou por um segundo. Cozinhar era algo que sempre fazia para Jodie. Por um momento, lembrou-se dela e se perguntou o que estaria fazendo nesse momento.
- ? – o chamou pela segunda vez. – Dormindo ainda? – riu, passando a mão na bochecha do garoto, que desviou os olhos para baixo.
- Vem, vamos lá para baixo. – falou, levantando-se.
- Vai cozinhar? – ela perguntou, o agarrando pelos ombros.
- Acho que o cozinheiro já fez isso... – desfez do abraço da garota, puxando-a gentilmente pela mão, enquanto inúmeros pensamentos tomavam conta de sua mente.
A incrível sensação de ansiedade parecia aumentar conforme o carro adentrava a pequena estrada, agora lameada devido à chuva fina que começara a cair. O frio na barriga era gostoso e ao mesmo tempo incomodo. Jodie não queria ficar daquela forma, ao encontrá-lo, mas era inevitável. Olhou para fora do carro que balançava um pouco e voltou seu olhar ao rapaz que dirigia. Ele devia ser novo no emprego, nunca o vira antes. Passou uma mão na outra, que soava um pouco e riu levemente, achando patética sua reação.
fora excepcionalmente surpreendente, ao comprar uma passagem de volta e mandar seu motorista apanhá-la. Jodie sabia o tanto que o garoto queria vê-la, fazendo isso. Assim como ela queria vê-lo, abraçá-lo e senti-lo em seus braços. Fechou os olhos, imaginando como seria a casa de campo dos . Já ouvira seu pai a citar algumas vezes, como a magnífica relíquia da família, mas nunca tinha a visitado. Sempre esperava que , algum dia, a levasse lá, e finalmente, esse dia chegara. Ela estava ansiosa.
O carro parou. Jodie fixou seus olhou para fora do vidro embaçado, mas não pôde ver muita coisa. A chuva engrossara, dificultando sua visão do local.
- Não tenho muita bagagem, só essa. – ela falou, apontando para uma bolsa larga e cheia, que havia em seu colo. - Obrigada por me trazer até aqui. – disse, antes de abrir o carro, deixando a chuva entrar dentro. Correu até a escadaria da mansão, e subiu, cobrindo-se com a bolsa.
O que não adiantou muita coisa. Estava encharcada.
observou a menina por um instante, e então deu meia volta com o carro. Não iria entrar, como fora combinado com Isaac. De acordo com ele, era só levá-la e sair. Agradeceu por não ter que ficar, já estava achando aquela história muito esquisita, e se entrasse e ouvisse o oferecer algo para tomar, acharia que estava ficando louco.
Aquele cômodo era para estar em uma temperatura agradável por ser de madeira, mas o frio ainda a incomodava. A lareira acesa a sua frente aquecia suas pernas descobertas. Seu tronco estava morno, entre os braços de , que a aconchegava. O garoto cantava baixinho em seu ouvido, enquanto ela acariciava sua nuca com sua mão. Poderiam ficar assim para sempre.
Ou não.
assustou-se ao ouvir o barulho da campainha estridente daquela casa. O mundo se acabava em água ali do lado de fora, não era possível que alguém pensasse ao menos em enfrentar aquela chuva.
- Tem alguém aí? – perguntou, olhando para o hall de entrada. Uma silhueta meio borrada mexia-se no vidro embaçado.
- Parece que sim, vou lá olhar. – levantou, deixando o cobertor que cobria seus ombros cair ao lado da garota e caminhou até o hall de entrada, abrindo a porta a sua frente. Seu rosto se empalideceu ao fazer.
A corrente devasta de ar frio fez os pêlos de seu braço arrepiarem-se, mas ele tinha certeza que não era esse o motivo de sua reação. Só foi piscar duas vezes, para digerir em sua mente que aquilo era uma miragem reformulada apenas pela culpa que tentava esconder durante esses dois dias, que sentiu o abraço molhado da garota em seu pescoço e o perfume cítrico que costumava usar. Não conseguiu retribuir o abraço, ainda estava confuso com sua presença.
- Viu um fantasma, foi? – A garota brincou. – Eu te molhei todo, me desculpa... Não pude evitar! – Jodie sorriu.
O transe em que se encontrava aos poucos fora substituido por pânico. estava na sala, Jodie no hall.
Merda.
- O que está fazendo aqui? – Perguntou em meio a sua respiração pesada. A garota enrugou sua testa por um segundo ao ver a expressão do rapaz.
- Você me trouxe até aqui, esqueceu? – Jodie falou, antes de abraçá-lo novamente. não ouviu sua resposta, apesar de querer ouvir. Sua cabeça martelava tentando arranjar um jeito dela não ver .
- Espere aqui, já venho. – beijou sua testa molhada e saiu do hall rapidamente. Como já esperava, estava desesperada, o mais longe possível do hall, abaixada atrás do sofá.
- Que porra ela faz aqui, ? – sussurrou, sem dar conta das palavras que saiam de sua boca.
- Eu não sei! Ela não pode te ver!
- O que eu faço? – estava agoniada. Medo e desespero passavam por sua voz.
- Fica aqui, eu vou fazer com que ela não te veja subindo as escadas. – Ordenou à garota, que concordou com a cabeça. Levantou de repente e caminhou apressado até o hall. Jodie tirava o casaco molhado que se cobria e tentava pegar algo em sua pequena bagagem.
- Vem, vamos para cozinha... Você deve estar com fome, certo? – improvisou algo rapidamente, sem que a garota notasse o tamanho nervosismo em que se encontrava.
aproveitou a brecha que o garoto formava e subiu rapidamente as escadas. Seu coração acelerado não a ajudava a manter a calma. Recolheu suas roupas pelo quarto e as enfiou na bolsa. Respirou fundo, antes de descer com cuidado para não ser vista. E agora? Iria embora? Pensou. Certamente não poderia ficar naquela casa, não podia correr o risco. Abriu a porta da mansão com bastante cautela e enfrentou a chuva que ali caia.
O nome poderia ser substituído por Desespero. Era só o que ele era naquele momento. Tentava manter a calma, enquanto a distraia na cozinha. Balançava a cabeça quando achava que devia e procurava manter sua expressão interessada no assunto que a ouvia tagarelar. Coisas como fotos no pôr-do-sol fantástico e idas á pubs diferentes não faziam sentido naquele momento. estava ali. Jodie não podia vê-la. Não! Era só o que se passava por sua cabeça.
- Eu tenho uma surpresa para você. – falou rapidamente, depois de formular a idéia em sua mente. Jodie sorriu. não era muito de fazer surpresas. O garoto realmente estava a surpreendendo naquele dia.
- Já volto – ele falou, beijando-lhe a testa. – Não saia daqui! – assegurou, antes de sair da cozinha. Correu até a sala. não estava lá. Um alívio desceu sob seu corpo. Subiu as escadas em um pulo, vasculhando o quarto. Suas malas não estavam mais lá assim como nenhum de seus pertences. Não havia provas, se tivesse alguma desconfiança. Perfeito!
Abriu o armário próximo a cama, tirou de lá uma pequena caixinha de madeira envernizada. Um brasão preto cobria a parte de cima. Pretendia dar para , mas as variáveis que se encontrava o fez mudar de pessoa. Jodie receberia. A tal “surpresa” improvisada, que na verdade fora uma desculpa para checar se estava tudo em ordem. Jodie não precisava saber, nem . Tudo estava bem.
Era o que pensava e esperava. Ele estava errado.
Que pena!
Capítulo VII
Deparou-se em uma situação que nunca esperara passar. A vergonha que começou a sentir era mais forte do que qualquer outro sentimento. Não sabia ao certo se vergonha era o sentimento correto que definia o que se passava por trás de todos os turbulentos pensamentos.
Certamente era vergonhoso o estado em que estava, sozinha em meio à estrada lameada, com uma mala no braço. Tudo isso para não ser apanhada.
Ela agora estava confortável, nos braços dele. Provavelmente sorrindo. pensou amargamente, imaginando a cena. Ela não estava enganada. Que esperta!
não precisava passar por isso. Aquilo era humilhante, nunca se sentira tão mal em toda sua vida. Nunca passou por nada parecido, até agora.
Que diabos ela fazia ali? Como ela sabia que estava lá? O mesmo prometera que não contaria nada a ela, nem a ninguém. Não era possível, entre todos os lugares do mundo, Jodie adivinharia que o namorado estaria logo ali.
Namorado.
Essa palavra a deixava arrepiada, com náuseas e ao mesmo tempo desesperada. Por mais que a traísse com , Jodie sempre seria sua namorada, palavra que ansiava um dia ser chamada.
Balançou a cabeça, limitando-se pensar nesse assunto.
Não podia.
Estar com havia consequências, desde o começo ela sabia disso, e aceitara que assim fosse. Pensar desta forma a fazia viver em um clichê de amor proibido constante, e não era essa a intenção que queria. Ela estava errada, mas não se remoía com o fato de estar. Ele estava errado, mas sabia que também não se remoía. Eram egoístas demais para isso.
Olhou o celular, tampando-o dos pingos de chuva que ainda caiam. Havia sinal. Discou o número do ponto de táxi que conhecia e ficou aliviada quando ouviu na outra linha a moça informar que chegariam em breve.
- Obrigada por me trazer até aqui. – a garota sussurrou em seu ouvido. afastou seus lábios de seu pescoço e a olhou confuso. Não foi ele. Mas seja lá quem for, não poderia saber o porquê do motivo que o levara até aquela casa.
- Quem te trouxe? – perguntou. Sabia que não podia perguntar uma coisa dessas. Na cabeça da garota, ele a trouxe. Então ele planejou tudo. Se tivesse planejado, saberia. Não perguntaria. Jodie o olhou mais confusa que ele, mas depois suavilizou o olhar, beijando-lhe no queixo.
- Seu motorista, oras! Ah, não sabia que você contratava pessoas tão novas... – Lembrou-se do rapaz que a trouxera. Deveria ter a mesma idade, ou uns dois anos mais velho.
- Ah, sim... – pigarreou, e disfarçando, voltou a beijar o colo nu da garota, que fechou os olhos com o ato.
Iria conversar com seu motorista depois que saíssem de lá e esclarecer algumas coisas que ainda o deixava no escuro.
A exaustão que tomava conta de seu corpo foi aliviada pela descarga de água quente que agora passava por suas costas. O cheiro suave da espuma permanecia no ar, misturando-se ao vapor quente, deixando o banheiro um lugar agradável. poderia ficar ali por muito tempo. Se aquele lugar era um que a deixasse sem preocupações e agonias, poderia ficar para sempre, sem problemas.
Mas não podia. Isso a irritava.
Desligou a água e se enrolou na toalha que havia do lado de sua banheira, pisou no chão molhado e frio, e quis, por um momento, voltar ao lugar onde estava naqueles quarenta minutos, mas olhou para seus dedos enrugados e consentiu que já passou da hora de sair dali. Uma batida fraca na porta do banheiro a ajudou a não voltar atrás com a ideia. Caminhou até a porta, abrindo-a e encontrando Paris, sem graça por estar ali naquele momento.
- Sim? – se escondeu atrás da porta.
- Senhorita, um amigo seu a espera no hall, mando subir?
Um amigo? ?
- Sim, pode mandar subir. – falou sem pensar.
É claro que aquela visita seria tão agradável quanto .
A raiva subiu pela cabeça ao ver que a pessoa parada na porta de seu quarto, minutos depois de Paris sair daquele aposento, não era a que esperava. A figura mais detestável e desprezível que infelizmente conhecia estava parada a sua frente, seu olhar preso em suas coxas descobertas, seu meio sorriso estampado com nenhum pudor e respeito. estava enojada.
- O que faz aqui? – perguntou sem paciência à Dominic DeMille, que revirou os olhos e caminhou até sua cama, tirando seus sapatos. permaneceu parada, sem reação. Ele era inacreditável.
- Vim por outros motivos, mas se estiver afim de uma rapidinha, não irei reclamar. – ele disse, rindo logo em seguida.
A garota sentiu seu sangue subir.
Ignorar era o que poderia ser feito naquele momento. Queria expulsa-lo dali, sua presença a fazia sentir-se mal. Mas iria ser pior. Se Dominic veio até ali, algo teria a dizer. E ela queria falar também, em relação a o que ouviu de sua boca, dias atrás. Queria ter certeza de que ele não sabia de nada. Ele não podia saber.
Caminhou até seu closet, jogando a toalha no carpete antes de entrar. Foda-se se ele estava ali, não se importava com o que ele via ou deixava de ver. Estava nervosa demais para se preocupar. Vestiu uma bermuda e um moletom e voltou até o quarto, ainda ignorando sua presença.
- Gostava da roupa de antes. – Dominic provocou. bufou enquanto deitava na sua cama, ainda tentando o ignorar.
- O que você realmente quer aqui, DeMille? – soltou, não aguentando mais. – O que você quer?
- Quero um diálogo.
- Está tendo, desembucha.
- Estive curioso esses últimos dois dias. - começou, dando uma pausa. Olhou para , que parecia entediada com o que ouvia. Ela não ficaria assim logo após terminar a frase. - Gostou da surpresinha agradável? – Voltou seu olhar à , que prendeu o dela em seu rosto, tentando analisá-lo até descobrir do que se tratava. A garota se mexeu, até ficar sentada na cama. Não podia ser, podia?
- Do que você está falando? – ela perguntou. Tinha que estar errada.
- Aproveitou a terceira companhia? Conte-me, ... Rolou ménage a trois?
empalideceu.
- Foi você! – ela gritou, levantando-se em um pulo da cama. Rapidamente assimilou tudo o que aconteceu naquele final de semana. Jodie chegando mais cedo de viagem, indo até aquela casa... Não poderia ser coincidência. Coincidências não existiam para ela. Muito menos essa.
- Não me deixe sedento por mais informações... Estou extremamente curioso. – Novamente, o sorrisinho que tanto a irritava se fez em seu rosto, a deixando totalmente sem consciência de seus atos. avançou até Dominic, não se importando se estava prestes a chorar de raiva ou desespero. Ele agarrou seu pulso antes mesmo de deixá-la chegar mais perto e apertou um pouco.
- Por que você fez isso? – gritou. – Você quase arruinou tudo!
- Posso fazer pior, você sabe muito bem disso. – Disse.
Então, ela sentiu um frio por entre sua espinha. Um calafrio desagradável passou por sua barriga. Sentiu medo, agonia e desespero ao ouvir aquilo.
Ele sabia. E o pior, é que não ia deixar barato.
- O que você quer? O que te manterá calado? – Limpou rapidamente a lágrima que escorria em seu rosto. Ele não pareceu se comover. Ela não queria que fizesse isso. Ao contrário, seus olhos brilharam com sua reação.
- Já parou para pensar o quanto patética você se tornou por causa dele? – Dominic soltou seu pulso, voltou até a beirada da cama e sentou, olhando para a garota sem expressão. – Já parou para pensar que talvez ele nunca fizesse a pergunta que você acabou de me fazer?
Confundir era o que ele queria, pensou. Estava certa.
- Não te interessa. Você não o conhece como eu. – cuspiu as palavras, a raiva transparecendo nelas.
- Estou te perguntando justamente porque sei que é você que o conhece muito bem. – Dominic sorriu para ela. Tão frio e impiedoso.
- Anda, o que você quer? – ela perguntou mais uma vez, temendo a resposta que estava prestes a ouvir.
- Não falarei agora, só estou te avisando.
Isso ela não entendeu. Ele não iria falar agora. Por que diabos Dominic DeMille se deu ao trabalho de vir até ela somente para falar isso? Certamente ele sabia que isso a deixaria agoniada, mais do que ela já estava.
Para ele, aquilo era um jogo. E ele estava amando jogar naquela hora.
Levantou de sua cama, calçando novamente os sapatos que tirara assim que chegou, e ajeitou a gola de sua camiseta. Deu um último sorrisinho para a garota e saiu do quarto, sem dizer uma palavra.
sentiu seu corpo descer até o chão. Não tinha controle sob ele.
Também não tinha controle sob Dominic. Isso a amedrontava.
Ele não tinha motivos para estar se preocupando tanto com isso, fazia por prazer. O tédio o levava a isso. Era repugnante.
Encostou sua cabeça no joelho e naquela posição permaneceu. Sua cabeça girava, seus pensamentos a agoniavam. Ela não queria se sentir assim, não mais. Ergueu a cabeça e olhou para frente. Não iria chorar por isso. Seja lá o que Dominic estava planejando, ela não iria deixar que isso a afetasse. Prometeu a si mesma que não iria se deixar levar pelo seu relacionamento incerto com . Aquele sentimento que se apossava dela enquanto voltava para casa, e que continuou até achar algum meio de relaxar, não iria a atingir novamente como daquela forma. Era patético, como DeMille citou.
nunca foi patética, e não era por causa daquilo que seria.
Não fazia sentido.
Essa frase martelava em sua cabeça durante todo o percurso de volta para a casa. A brecha que encontrou, perguntou ao motorista que ordem o levou até ali com Jodie. O estranho é que não houve ordem. Não queria perguntar à garota qual motorista a deixou naquela casa, mas queria muito saber quem era. Estava confuso demais.
Era melhor esquecer isso, pensou. Algum mal entendido entre seus empregados a fez ser levada até lá. Algum deles deve ter se confundido, achado que a garota que ia com ele era realmente Jodie, e não .
Era melhor deixar pra lá.
Respirou fundo, por entre seus cabelos, que caíam em seu peito. Gostava de vê-la dormir. Ver Jodie dormindo era algo que o acalmava, por mais que tudo estivesse tão confuso e desesperador.
Assim continuou, até sentir que o carro não se movimentava mais. Ele estava em casa.
- Totalmente brega. – ouviu uma voz estridente de dentro do cômodo. Não ligou. Continuou fumando seu cigarro, ignorando sua presença no quarto. Fechou a porta de vidro que dava para sacada e acendeu outro. Ouviu a porta se abrir em seguida. Não fez questão de virar para vê-la, por mais falta de roupa que a via ali.
- Você vai? – ela balançou o papel em suas mãos. A cor era opaca, sua escritura era escura e dourada. Um convite.
- Eu vou, você não. – Dominic falou. Sabia que essas palavras a afetaria. Ela queria ir, estava na cara. Não se importou.
- Com quem você vai? – a garota perguntou. Dominic finalmente olhou para ela, ou melhor, para seus seios expostos. Deliciosos, pensou.
- Com uma garota que não tenha uma voz tão fina a ponto de me deixar com dor de cabeça. – sua grosseria a fez mudar a feição em seu rosto, para pior. – Pegue suas coisas, tenho uma reunião daqui a meia hora, não as quero aqui.
Virou novamente para a vista de sua sacada, sem nem ao menos olhá-la novamente. Pegou o convite que a garota jogou no chão e observou. Realmente era brega, de mau gosto. Mas aquele evento era tradicional entre todos os membros dali, do qual era o mundo que ele vivia. Mais uma das desculpas para os mais velhos gastarem o dinheiro desnecessário que acumulava conforme o tempo passava, mais uma desculpa para exibir e competir quem tinha a montanha mais alta de libras, dólares e derivados insignificantes. Não era tão ruim participar desse baile, a qual era feito todo ano por mera falta do que fazer. Pelo menos o status de cada um subia naquela sociedade fechada em que se encontravam. Fazer caridade era algo bom, todos adoravam. E aqueles dali, se importavam muito em ser adorados.
Bem vindos à realeza! Ou algo muito próximo dela.
- Já recebi o convite Paris, muito obrigada. – a garota abriu a porta pela metade, atendendo o chamado do mordomo que a incomodava. Era o que menos queria naquele momento.
- Tem certeza, senhorita? Um rapaz acabou de me entregar esse aqui no hall.
Ela não teria o sossego que desejava.
Abriu a porta por inteiro, pegando o convite da mão de Paris. O mordomo pediu licença e se retirou, deixando-a estática na porta de seu quarto. Um envelope preto vinha junto do convite já conhecido. Deixou o papel opaco de lado e abriu o envelope.
Tenho certeza de que ficará extremamente saciável com a roupa que comprei especialmente para você. Te encontro às 22h.
Tão nojento e repugnante que não havia dúvidas de quem era o remetente.
Quando pensava que já tinha visto todas as atrações do circo, uma apresentação extra se iniciava. Ao contrario daquela situação, ficaria eufórica. Não foi o que aconteceu.
Paris voltava para o corredor, praticamente sendo carregado pela enorme caixa que tentava segurar. Era preta e larga. sabia o que tinha ali dentro.
- Deixaram isso para você, senhorita. – o mordomo falou gentil.
- É, eu sei, Paris. – sua falta de paciência a impedia de retribuir a gentileza. Pegou a grande caixa com dificuldade, a levando até a cama de seu quarto. Abriu sem demonstrar cuidado.
Me poupe, fora a única frase que conseguiu formular em sua cabeça.
Capítulo VIII
Seus cabelos, que antes eram bagunçados de um jeito moderno e elegante, agora estavam retos, na altura da linha do queixo. O veludo em seu ombro caia de uma forma sexy, porém delicada. A cor clara do tecido deslumbrava seu olhar. Ele estava hipnotizado.
Jodie estava realmente perfeita naquela noite.
- Já te disse que você parece um agente do FBI com essa roupa? – a garota riu ao pé da escada, entrelaçando suas mãos com as de , que as estendia até ela.
- Eu sou um, mas não conte a ninguém. – brincou, beijando sua bochecha.
- Seu segredo estará a salvo comigo, pode deixar. – Jodie sorriu, caminhando até a porta de entrada de sua casa.
A palavra segredo o fez lembrar-se de . Sabia que a conversa ali não tinha nada a ver com a garota, e não soube explicar a si mesmo o porquê da relação com ela naquele momento.
Certamente ela iria a essa festa, por menos divertida que fosse. Era quase uma obrigação para ela e sua família. Eles eram os co-organizadores, um cargo inútil feito só para mostrar que participavam de algo.
Como ela estaria? Não falara com ela desde o acontecimento do fim de semana, não sabia como reagir em sua frente, não sabia de sua reação.
Com quem iria? Para essa pergunta, só tinha uma resposta em mente: Apenas com seus pais, ajudando-os no evento.
Alguém se surpreenderia naquela noite.
Gostava de como o tom da madeira envernizada caía sob a luz fraca do lustre. O salão à sua volta era sofisticado e luxuoso, algo que sempre gostara de apreciar. Gostava também da parte que o fazia distrair-se, o bar. Era no canto do salão, em frente ao grande palco, onde ocorreria o leilão de velharias inúteis, extremamente caras e dispensáveis a seu ponto de vista. Dominic preferia gastar seu dinheiro com mulheres a gastar com aquilo. Nada como um bom sexo.
Com um movimento, estralou seu pescoço, analisando as pessoas que chegavam se aglomerando entre espaço vazio que antes havia. Dominic já estava ali no bar havia algum tempo, desde que chegara. tinha a obrigação de organizar o evento com seus pais recém-chegados de sua longa viagem. Como a garota era sua acompanhante, ele teria que chegar mais cedo também. Não reclamara, nem um pouco. Ele já sabia. Era mais um ponto positivo para saciar as variadas e exóticas bebidas que ali serviam.
E a palavra acompanhante soava como algo pervertido.
Olhou no relógio de pulso, constatando que já estava na hora da garota descer as escadas. Tomou o ultimo gole que ainda restava em seu copo e o deixou ali, caminhando em direção ao centro, olhando para o andar superior. Um casal interrompeu seus passos, o fazendo parar ali e observá-los. entrava no local, acompanhado de Jodie Graham. Olhou para as pernas da garota. Sexy, porém a cor nude que tanto insistia em usar o fazia quase broxar. poderia passar a comprar roupas melhores para a garota, ela teria mais potencial.
Dominic riu.
Não teria esse tipo de problema com . Teria certeza de que sua roupa – ou falta dela – o deixaria satisfeito. Como ele adorava aquele jogo!
Seus olhos insistiam em vasculhar o local. Sua ansiedade controlada o deixava agoniado ali. Jodie ainda não notara, nem poderia.
Queria vê-la. Queria olhar em seus olhos e ter a certeza que de estava tudo bem entre eles, mesmo com o que acontecera durante o fim de semana desastroso.
não sabia que o presente que receberia estava agora pendurado no pescoço da garota ao seu lado. O colar com o pingente do brasão de sua família. Ela não precisaria saber disso.
Estava desesperado para ouvir sua voz e desculpar-se pelo descuido (de que até agora não saberia como passara a ser isso) e ouvi-la dizer que compreende. Olhou em volta e não a encontrou entre as pessoas. Passou seu olhar a escada e ali, congelou.
Seu vestido diminuto chamou-lhe a atenção. Suas coxas descobertas pareciam fartas aos seus olhos, deixando sua vista mais interessante. Dominic sorriu maliciosamente, vendo a garota relutante caminhar até ele. Estendeu sua mão a ela, que a recebeu com um olhar desagradável.
- Vamos lá, , eu sei que você pode se sair melhor. – Soprou em seu ouvido, provocando-a. A garota revirou os olhos e afastou, caminhando em direção a sua mãe. Sentiu um aperto um pouco forte em seu braço, não desconfiou quem era.
- Já vim acompanhada com você, vai me obrigar a ficar do seu lado até isso acabar também? – perguntou, controlando o nervosismo causado por aquela aproximação. Dominic sorriu de lado.
- Gostaria de uma companhia agradável até o bar... – falou baixinho, olhando para seus lábios.
- E o que me levaria até isso?
O rapaz passou a mão por seu pescoço, girou levemente até que percebesse para onde apontava. Do outro lado do salão, um casal entre muitos outros se destacava por sua beleza e elegância.
segurava sua mão, enquanto a garota conversava com o casal do lado. O rosto do rapaz não estava voltado para a conversa. Seus olhos inexpressivos encaravam . Havia também um olhar confuso e duvidoso. Ela estava acompanhada de Dominic para demonstrar que ainda sentia mágoas pelo acontecimento do final de semana? Ou apenas porque gostava de sua companhia?
Algo estava errado.
não queria apostar em sua segunda opção, mas a primeira não fazia tanto sentido, ela não guardaria mágoas a ponto de fazer aquilo, não com Dominic. Talvez com , o seu antigo estepe antes de começar a se envolver com ele.
parou por um segundo. Lembrou-se da festa em que vira dançando com Dominic, estranhou a aproximação, como estava estranhando agora. Não fazia sentido, ou fazia.
Ele não queria suspeitar daquilo que seus pensamentos o levavam.
No pouco tempo que se encaravam, viu sua expressão mudar várias vezes. Viu a olhar confuso, depois pensativo. O viu encarar de uma forma agressiva, e depois indiferente.
A última expressão foi a que doeu.
Parada ali, ao lado de Dominic, com sua mão em seu pescoço, não sentia nada. Nenhum incomodo, não demonstrava. Diferente de , vendo-o abraçado com Jodie, que ria enquanto conversava. Sentia vontade de chorar, ou sair dali e nunca mais precisar vê-los juntos. Ele então pensava de uma forma diferente da dela, e por mais que não quisesse admitir para ele e para ela mesma, aquilo machucava. Muito.
Desviou o olhar, e caminhou junto de Dominic até o bar. Sua companhia não a agradava, mas no momento, algumas taças de Martini era algo que a deixaria mais relaxada.
- Gosto de você boazinha. – o viu rir, aquela risada que odiava.
- Você pode, por favor, por um segundo, não comentar algo que me faça querer te bater? – disse, mais suplicando para si mesma do que para ele. Sua cabeça começara a doer, não por estar tomando sua segunda taça, mas sim pelo estresse que aquela situação causava.
- Gosto de agressividade. – Dominic falou, antes de beber sua bebida, tão forte que o cheiro chegava a suas narinas, mesmo um pouco distante.
revirou os olhos, era melhor sair dali.
- Acho que esse foi o presente que mais significou algo para mim... – falou baixinho, encostada em seu peito. Ela poderia falar o que quisesse agora, não havia pessoas ali para interromper.
Pela primeira vez, naquele baile, estavam sozinhos. Jodie poderia aproveitar de sua companhia.
olhou o cordão dourado em seu pescoço, reluzia de uma forma elegante, apesar de tradicional. O pequeno pingente, olhando de perto, revelava as iniciais de sua família, algo que todos da mesma usavam. Era uma tradição os membros presentearem aquilo, como um significado de importância, de integridade.
havia pensado em dar a , era uma forma de dizer tudo aquilo que omitia. Uma forma de mostrar a ela o quanto importante era. Mas, o cordão cabia melhor em Jodie, afinal, não poderia usar em público.
Puxou a garota em seus braços para mais perto, gostava dela ali. Beijou-lhe o rosto, uma forma carinhosa que sempre fazia com ela. A viu sorrir e fechar os olhos.
parou seu olhar no salão, e mudou sua reação ao ver , ainda com aquela companhia que tanto o confundia e o irritava. Viu por um segundo, a garota se levantar e caminhar até o toalete feminino. A vontade de ir até lá era grande, mas o risco não valia a pena, ou valia?
Capítulo IX
Sentiu seu braço sendo puxado, sentiu o mármore frio em suas costas nuas e sentiu um peso sob seu corpo. Dominic podia ser repugnante quando queria.
Ficou estática quando percebeu quem fazia isso. Não era ele que a pressionava na parede ao lado do toalete feminino.
O perfume que costumava a deixar anestesiada impregnava-se em suas narinas.
não podia ficar daquela forma, não naquela hora.
- O que você quer? Adrenalina? – pela primeira vez, sua ironia que tanto sabia como fazer, fora usada com .
- Eu tenho que ser breve, para ninguém notar minha falta ou nos pegar aqui. – ele falou baixinho, olhando para o corredor que ainda estava vazio.
- Veio para uma rapidinha então? - ela riu friamente, olhando o garoto que a encarava confuso.
- O que está fazendo com o Dominic? – ele perguntou de repente, a deixando surpresa.
- Por que finge que se importa? – Ele foi respondido com uma pergunta.
- Quem disse que não me importo? – não entendia onde ela queria chegar.
- É o que aparenta. – não queria sentir novamente tamanha indiferença e frieza num único olhar.
permaneceu mudo, ainda que tivesse passado um pouco de tempo após ter falado. A garota o encarou, procurando não mudar o modo como continuaria falando. Analisou sua expressão confusa e com raiva. Ele estaria com ciúmes?
- Responde. – disse, a seriedade em sua voz poderia ser confundida com arrogância, mas analisando bem, – o que estava fazendo no momento – não era isso. Sim, ele estava com ciúmes.
O barulho de passos aproximando fez com que se afastasse rapidamente. entrou novamente pela porta do banheiro antes de ser vista com ele ali.
- Estava te procurando. – disse, entrelaçando sua mão. Sentiu que sua temperatura estava fria.
- Eu fui ao toalete. – não mentiu. Só omitiu sua companhia.
Jodie ficou calada, apenas o olhando. Havia algo errado com sua expressão.
- Está tudo bem? - Essa não era a pergunta certa a ser feita, mas não soube formular aquela que queria que obtivesse uma resposta.
- Sim. Vamos? – a abraçou, levando-a para fora do corredor. Ele não queria que ela desconfiasse de algo. Só havia ali. Para Jodie, poderia ser qualquer uma, mas ele não queria arriscar.
- Vou ao toalete também. – disse a garota, desfazendo-se de seu abraço.
Assustou-se ao ouvir o ranger da porta. Seus pensamentos estavam tão longes, que se esqueceu de que ainda estava no banheiro. Olhou para a companhia que ali tinha e ficou imóvel.
Preferia a companhia agradável de Dominic DeMille à dela.
- Boa noite. – a ouviu falar sorrindo simpaticamente.
- Que festa adorável, não é? – Sua fala poderia soar ironicamente, devido a todas as circunstancias. Jodie não estava à parte dela, diretamente.
- Linda festa, dê meus parabéns à sua mãe. – falou, antes de entrar na cabine.
- Darei, obrigada. – Tentou ser sutil, por mais que uma parte de sua consciência gritava para não ser. Continuou parada ali, em frente ao grande espelho. Poderia ser uma cena engraçada de se ver, mas aos seus olhos, era algo agonizante.
Jodie saiu da cabine, caminhou em direção à pia ao lado de e a olhou, através do espelho.
- Bonito vestido. – ela elogiou. Na verdade, achava um pouco vulgar, mas é claro que não falaria em sua frente.
procurou algo que pudesse elogiar, já que não poderia falar o mesmo do seu. Não gostava daquela cor.
Fixou seu olhar em algo que naquela hora, chamava mais atenção do que o esperado.
- Bonito colar. – disse, tentando esconder a surpresa.
Era um presente de , não havia como negar. O ouviu citá-lo meses atrás, da tradição familiar daquele pingente. Dá-lo a alguém era como demonstrar uma importância inexplicável. Um gesto tão simples que significava algo tão grande.
não soube disfarçar a inveja que sentia no momento, nem a decepção. Sentiu-se ridiculamente infantil por chegar a pensar que aquele pingente, um dia, estaria em seu pescoço. Que comentara sobre aquele presente porque um dia era ela que iria o receber.
- Com licença. – disse, antes de deixar o banheiro.
Caminhou apressadamente em direção ao centro do salão. Olhou em volta e só viu alguns conhecidos. Ela não precisava de conhecidos.
Avistou no fundo do salão conversando com seu pai. era quem ansiava no momento: um amigo. não desabafaria, apenas se distrairia.
Seguiu com pressa até ele, mas foi impedida por uma mão segurando o braço.
- Você não cansa de fazer isso? – Estava irritada, prestes a gritar com ele. Foda-se as pessoas em sua volta.
- É engraçado te ver assim. – Ele bebeu um gole de sua bebida.
imaginou como ele ainda não estava caindo de bêbado. Era algo que não entendia, nunca o via bêbado.
passava ao seu lado no instante seguinte, Jodie vinha atrás, segurando sua mão.
Nenhum dos dois dirigiu-lhe um olhar sequer, nem mesmo de esguelha.
deu meia volta e seguiu até os fundos do salão, esbarrando em algumas pessoas. Aquela noite já estava a fazendo mal, de uma forma que não desejaria a ninguém.
Respirou fundo, estava tremendo de nervosismo, ou algo que não sabia explicar o que era. A imagem de Jodie olhando para o pingente não saia de sua cabeça. Pensamentos iam e voltavam até ela. A noite em que ficara na chuva, por conta de , a noite que começara aquele relacionamento, tão confuso e complicado.
Um labirinto sem saída.
Na verdade, ela tinha uma saída, ela só não queria a aceitar.
Encostou-se à pilastra que havia do lado de fora, abaixou a cabeça e assim ficou, até perceber que não estava sozinha, como gostaria.
O cheiro forte de bebida não enganava.
- Antes que cuspa qualquer palavra infame, vá para o inferno. – falou, sem fazer questão de virar o corpo. Ouviu passos aproximando. Dominic parou ao seu lado, olhando para um ponto vago no meio do jardim que ali havia.
- Eu não ia falar nada. – Jogou o conteúdo de seu copo na grama. Apoiou-se na pilastra, colocando o vidro ao lado da escada de entrada.
- Mas, já que você pediu, não posso deixá-la na expectativa.
- Por favor, DeMille. Eu estou cansada. – virou, olhando em seu rosto. – Estou cansada de tudo isso. – abaixou a cabeça, queria ficar sozinha.
Por alguns segundos, suspirou fundo. A vontade de chorar e o nervosismo começaram a passar, aos poucos ela se acalmava.
Dominic voltou sua atenção ao jardim. A musica do salão era abafada ouvindo-se do local de onde estavam.
- Você se envolveu em algo que desde o começo sabia que não era para se envolver. – falou.
levantou sua cabeça e o encarou. Pela primeira vez não quis revidar, não quis revirar seus olhos e sair dali.
Pela primeira vez ouvia de sua boca algo correto.
- Essas coisas não se escolhem, não quis me envolver. Eu deixei me envolver.
- Um ato tolo, você deve admitir.
- Não tenho orgulho do que faço, nunca tive. – olhou para ele. Ele estava atento ao que a garota falava. Não era o Dominic que sempre soltava uma piadinha. Dessa vez ele parecia estar realmente interessado.
- Você fala isso porque nunca deixou se envolver, nunca sentiu o que sinto agora. – Continuou, após notar que era ouvida. – Mas é algo que não é fácil. Às vezes sinto como se estivesse presa a isso. E o pior, eu quero ficar presa. – Sentiu vontade de chorar ao ouvir suas próprias palavras, mas só porque estava tendo aquela conversa com alguém que nunca imaginaria estar ouvindo-a, não iria entregar-se facilmente. Chorar só iria ser uma demonstração de quão fraca era.
- Então você quer continuar presa a ser o papel de amante? – Sua pergunta era quase agressiva aos seus ouvidos, ela não gostava de ouvir essa palavra. A lágrima que caiu em seu rosto foi involuntária.
Pela primeira vez, deixou que Dominic se aproximasse. Sentiu passar as costas de sua mão pela parte molhada de seu rosto, limpando a lágrima que não deveria ter caído.
- Ele não gosta de você. – Pela primeira vez, Dominic soltou o que realmente pensava. Fora baixo, mas fora o suficiente para que ouvisse. Ela o olhou de uma forma confusa, dando espaço para uma explicação.
- Ele não deixaria você dessa forma, se gostasse.
- Não o deixo ver a forma que fico. – ela disse, colocando sua mão sob a dele. Ele a olhou.
Parou por um momento. Aquela aproximação era perigosa. Por mais que quisesse se aproximar de , não era daquela forma. Dominic DeMille não poderia falar aquele tipo de coisa para ela. Não era ele.
Não soube explicar o porquê daquelas palavras e gestos. Aquilo era estranho para ele. Dominic não era o tipo de que gostava de pisar no desconhecido.
- só está interessado no sexo, assim como eu. – falou, dando um sorrisinho.
tirou sua mão bruscamente de seu rosto. Sabia que Dominic a surpreenderia, ou melhor, a decepcionaria.
Estava bom demais para ser verdade.
se afastou, por mais que o quisesse longe dali, não tinha forças para pedir ou suplicar. Sentou no banco que havia ali perto do salão, o lugar estava vazio, não dava para ouvir o barulho vindo da parte inferior. Exatamente como queria.
Sentiu alguém sentar-se do seu lado, e apenas fechou os olhos. Respirou fundo, querendo sumir dali.
Dominic permaneceu calado.
- Continue dessa forma, é o melhor que você faz. – disse, friamente.
- O que queria que eu falasse? Que está realmente apaixonado por você? – ele indagou.
- Eu o conheço melhor que você. Eu sei que isso ele está, se não, essa historia não continuaria até hoje. – falava mais para si mesma do que para o garoto ao seu lado. No fundo, ela não estava certa de tudo aquilo que repetia todos os dias, de tudo aquilo que soltava para Dominic agora.
- Não há paixão mais egoísta do que a luxúria. – foi a ultima coisa que ouviu, antes de vê-lo se afastar, entrando no salão novamente.
Capítulo X
Por mais que visse as luzes do lado de fora de sua janela ficarem cada vez mais fortes avisando-a de que já amanhecera, não conseguia dormir. Ficar sem dormir não era algo bom para seu humor, não mesmo.
A última frase daquela noite martelava em sua cabeça, impedindo-a de ter qualquer outro tipo de pensamento. Nunca pensou que ficaria dessa forma com algo que ele falara.
estava preocupada com algo que Dominic DeMille falara. Aquilo soara perturbador.
O barulho da maçaneta de seu quarto a tirou daquele transe em que se encontrava. A silhueta de sua mãe aparecia em seu quarto. A garota não teve tempo de fechar os olhos.
- O que faz acordada à essa hora, filha? – Assustou-se, vendo suas olheiras. devia estar horrível.
- Não consegui pegar no sono. – falou a verdade, o que era algo óbvio.
- O que aconteceu? – Sua mãe não era das mais presentes, nem das mais interessadas, mas mesmo assim, ela tinha seus momentos.
Certamente, cinco e quarenta da manhã não era um bom momento.
- Garotos nos deixam sem sono, às vezes. – foi sincera. Sabia que sua mãe não perguntaria algo que não falasse, gostava disso nela.
- Problemas com ? – ela passou a mão por sua franja, caída em seu rosto. Ajeitou-se na cama e a olhou, esperando outra resposta sincera.
a fitou. Há quanto tempo não conversavam?
foi um estepe. Claro, que não usara essa palavra à sua mãe, quando a pegou com ele em um momento inoportuno na sala de visitas. Sua mãe não entenderia.
Mas aquilo fazia muito tempo, fora antes de começar a se envolver naquilo que nunca deveria ter pensado em fazer. Fora antes de sentir qualquer coisa relacionada àquilo que estava a deixando tão confusa e agoniada.
A vida é tão mais fácil para aqueles que não se apaixonam.
- É, algo parecido. – não mentiu. Se sua mãe se referia a coisas do coração, ou algo dessa forma, estava falando sobre. Só omitiu a pessoa.
Se dependesse dela, sua mãe nunca precisaria saber disso. Não conseguia imaginar a forma que reagiria se soubesse.
se arrepiou.
A resposta vaga não a fez perguntar mais nada. Apenas deu um beijo na testa da filha e levantou-se, alegando que se atrasaria para o vôo.
Não poderia deixar os negócios de lado.
- Seu pai deve ficar até amanhã. – falou. Ela estranhou. Geralmente, era seu pai que viajava mais cedo, sua mãe dormia até mais tarde, ou comprava a mais nova coleção de Navi Archaar.
- Boa viagem. – falou para ela, que sorriu docemente, saindo pela porta do quarto.
Viu-se sozinha novamente. Levantou um pouco, até ficar sentada e sentiu o quão cansada estava, tanto psicologicamente, quanto fisicamente.
Seu humor hoje estaria insuportável.
- Não o vi secar todas as garrafas do bar ontem. – comentou de repente. Sua voz arrastada demonstrava o quão entediado estava. Apertou novamente o controle remoto, mudando os canais sem ao menos ver o que se passava.
- Meu interesse era outro ontem, Isaac. – Dominic não estava com vontade de conversar naquela manhã. Sua cabeça doía levemente, fazendo-o quase se arrepender de ter aberto o vinho mais velho da adega de seu hotel e acabado em meio gole sozinho, no hall de entrada vazio, devido à hora.
Ficar ali, sozinho, o fazia refletir a ultima coisa que mencionara a ela. Refletir era algo que o tirava a paciência.
Dominic DeMille preferia a ação.
Isaac levantou, olhando o relógio. O mesmo dirigiu-se até a porta do luxuoso quarto de hotel e olhou para trás.
- Você não vai à reunião?
O olhar astuto e insignificante de Dominic já respondia sua pergunta.
Parece que hoje não seria um dia com sorrisos.
Seus olhos se abriram devagar, podendo observar a luz natural procedente por trás das cortinas pesadas que cobriam metade da parede ao fundo do cômodo. Sentiu alguém passar levemente a mão sob seus cabelos que agora deveriam estar embrenhados e levantados. Sorriu levemente para a garota que o observava.
- Bom dia, dorminhoco. – falou, beijando-lhe delicadamente os lábios.
- Bom dia. – sua voz arrastada e sonolenta fez com que Jodie risse. sentiu seus braços passarem por debaixo de seu corpo, o confortando-o para mais perto. Ela continuou com a outra mão, acariciando sua nuca, descendo até seu ombro nu.
- Não tem coisa melhor que acordar com você do lado. – sussurrou a ela, que agradeceu com um beijo dado na ponta de seu nariz. Ele fez careta.
- Sempre achei essa sua mania engraçada. – Jodie falou de uma forma divertida. O garoto revirou os olhos. Não fazia porque gostava.
- Que horas são? – perguntou.
- Hora do almoço. – Jodie olhou para a janela, que irradiava o sol forte. – Meus pais estão esperando no Pátroklos tem meia hora. Você dorme demais!
riu.
- A gente já tem que ir? – sua voz arrastada poderia ser interpretada como um convite intencional. Jodie entendeu.
- Não necessariamente. – falou, antes de se aproximar, dando-lhe um beijo no pescoço. fechou os olhos, prendendo com as mãos o curto cabelo da menina. A puxou para mais perto, fazendo-a ficar por cima. Jodie sorriu para ele, enquanto traçava beijos por entre seu peito, descendo sua cabeça até o elástico de sua cueca.
fechou novamente seus olhos, seu coração palpitava por entre seu peito. Sua respiração já começara a ficar falha.
Algo veio em sua mente, perdendo a concentração – ou falta dela.
Olhou para a garota, seus cabelos longos e escuros roçavam por entre sua coxa.
Não. Ordenou a si mesmo. Olhou de novo para a garota e viu Jodie, se aproximando de sua boca e o beijando fervosamente. Ela se separou, tentando ocupar-se com seu pescoço, era seu ponto fraco, e novamente, teve a visão da garota de cabelos escuros, pôde sentir até o doce cheiro que costumava emanar de seu corpo. Adorava o cheiro de .
E então, em seus pensamentos, não era ele que recebia seus agrados. Dominic DeMille sorria enquanto sentia a língua quente saciar o lóbulo de sua orelha.
empurrou a garota em seus braços por impulso.
Jodie franziu o cenho, tentando entender a reação inesperada. Viu o garoto levantar da cama e caminhar até a janela.
- ? – procurou entender algo que tivesse feito errado, algo que o tivesse incomodado. Ela não entendia nada.
- É melhor nos vestirmos, Jodie... – falou, sua expressão tão confusa quanto sua fala. Pela feição da garota, viu que a mesma pareceu ofendida com sua reação. Com razão, mas aquilo não era algo que discutiria agora. Seus pensamentos não estavam ordenados a ponto de explicar aquilo que nem ele entendia.
Sentido era uma palavra que esclarecia algo, mas mesmo esclarecendo não fazia sentir-se bem.
O que ouvira de Dominic poderia até fazer sentido à ela, de que seu relacionamento com não era recíproco. Eles só se conectavam na parte do sexo. Mas saber e aceitar isso não era fácil para .
Há algum tempo atrás, gostava de lidar com o difícil, gostava de ser desafiada e gostava ainda mais de provar que podia qualquer coisa. Talvez isso a tivesse levado a .
Hoje, analisando bem, ela não pensava da mesma forma que gostaria continuar pensar. Hoje ela era uma fraca.
limpou a lágrima teimosa que caiu, ela não choraria mais por aquilo. Levantou da cama, na esperança de que sua determinação durasse por mais tempo, que tudo que pensara na noite em que permaneceu acordada, continuaria ali, em sua mente.
Ela não deixaria pisoteá-la da forma que vinha fazendo, não mais.
Para ela, a música ambiente não passava de chiados. A comida grega era enjoativa e exótica a ponto de ser comparada a algo estranho e nojento. A claridade do local incomodava sua íris.
Não ouvia nada a não ser míseros murmúrios de pessoas a sua volta. Ela não ligava para o que falavam.
- Jodie! – a advertência de sua mãe fez com que sua atenção fosse voltada àquela mesa, a qual seus pais e namorado a encavaram esperando uma resposta.
Ela não lembrava a pergunta.
- Não gosto de comida grega. – falou algo aleatório. Seu pai a fitou provavelmente em análise de seu comportamento, procurando achar o problema que a fazia ficar desatenta.
O problema estava ao seu lado, vestido com o cashmere vinho que ganhou da própria garota no natal do ano anterior, exalando a fragrância deliciosa de seu perfume que costumava a deixar com vontade de abraçá-lo durante sua vida toda.
Por mais que estivesse com o perfume preferido dela, a blusa que ela adorava, Jodie no momento o odiava.
Talvez ódio não seja a palavra certa. Talvez a própria garota não quisesse admitir o que realmente sentia.
Rejeição doía. Misturada a vergonha e confusão de sentimentos e palavras não ditas só deixavam as coisas piores.
Nada era pior de que ter seu pai analisando seu comportamento. Ela odiava psicólogos.
Recuou ao sentir os dedos de por entre seu ombro descoberto. Agradeceu mentalmente que seus pais não tivessem visto seu gesto. Do contrário, começariam um questionário a respeito, imaginando uma série de coisas que não faziam sentido algum e a deixariam mais nervosa do que o estado em que se encontrava. Seu pai talvez ficasse feliz ao saber que fora rejeitada, pelo menos o ato não foi completo, ou sequer começado.
É o que todo pai sonha.
Percebeu que a fitava, mas evitou a troca de olhares. Ele não tentou mais uma aproximação, como pedido de desculpas nem de explicação. Nem ele sabia ao certo o que explicar.
Em meio a todos os pensamentos nervosos que ainda continha na mente de Jodie, um em questão a fez se remexer na cadeira, levantar rapidamente sem dar uma palavra aos três que a encaravam sem entender, e seguir até a parte de fora do restaurante. Encostou-se à parede maciça azulada e arfou.
Talvez ele não a quisesse mais. Talvez não sentisse a mesma coisa que antes.
Dentre seus pensamentos, esses poderiam realmente ser aquilo perto do que se chamaria de verdade, daquilo que não foi dito.
Ela estava supondo, não queria que fosse verdade. Sentiu suas mãos tremerem, sentiu-se sufocada e sentiu-se pior vendo-o aparecer na porta do restaurante.
- O que aconteceu? – ele perguntou, aproximando-se da garota.
- O que não aconteceu? É o que venho a me perguntar durante esse tempo. – Jodie foi rude, tentando esconder o que passava em sua cabeça segundos antes de aparecer.
Ele entendeu do que se tratava, era óbvio. Não respondeu.
Ela continuou a encará-lo, queria a resposta. Dolorosa resposta.
- Querida? – a voz de sua mãe tirou-lhe a concentração. Parou de fitá-lo e a olhou, forçando uma mudança em sua feição. – Vamos?
Era claro que sua mãe estaria desconfiada. Seu pai permaneceu calado, provavelmente analisando seu comportamento. Ela ignorou.
Pegou a mão de e seguiu até o carro que os esperavam, deu-lhe um beijo rápido antes de entrar, o que fez com que sua mãe aliviasse o rosto preocupado. Estava tudo bem, era o que Jodie queria passar a ela.
A mesma repetia essa frase em sua cabeça.
Capítulo XI
Alguns são capazes de obstruir e destruir tudo à sua volta para somente possuir aquela nota que segurava em suas mãos. Alguns são capazes de pensar e fazer o pior, somente para aumentá-las. Quanto maior o volume, maior o prazer.
Dizem que o dinheiro não tem a mínima importância, desde que se tenha muito. Aquilo se encaixava perfeitamente na vida que vivia, que todos à sua volta viviam.
olhou em volta, analisando as pessoas que começavam a entrar no local até então vazio. A janela escura de vidro impedia a visão do lado de fora, mas ele pôde ver perfeitamente a limusine preta estacionada em frente ao grande hotel. Pôde ver a garota sair e caminhar lentamente até a entrada, dando um grato sorriso à recepcionista que a atendia. Pôde ver sua feição, ao deixar que seus olhares se encontrassem e pôde sentir a reação de seu corpo sob eles.
- Eu só vim por sua causa, de verdade. – falou se aproximando do garoto e lhe dando um abraço. Ela olhou em volta com uma careta.
- Não gosto daqui. – ela disse.
- Nem eu. – riu. - Te chamei porque sei que é uma boa companhia.
Ela não era uma boa companhia, não hoje. Pensou.
- Por que essa cara? – ele a observou, a puxando para fora do hall de recepção.
- Não dormi direito. – ela respondeu, lembrando o motivo de não ter conseguido.
Dominic DeMille.
Esse nome também a fez lembrar-se de quão idiota estava sendo só por estar ali naquele lugar, o hotel dele. Não queria se deparar novamente com suas frases que a confundiam e irritavam, não queria lidar com sua arrogância e muito menos com sua bipolaridade, como demonstrara na noite anterior.
se arrepiou.
Ela ficaria longe, por mais que fosse impossível não cumprimentar o anfitrião. Por um momento ela odiou os habituais jantares com renda para a caridade que Henry DeMille fazia.
Por um momento odiou o jeito como ele sorria arrogante e ao mesmo tempo de uma maneira luxuriante, assim como seu filho.
Fodam-se os pobres, ela não queria estar ali.
- O que foi? – perguntou a ela, logo após de passarem pela entrada do salão de jantar até a mesa com seu nome. piscou.
Ela poderia continuar ali, ela poderia evitar Dominic.
- , eu preciso fazer uma ligação. – beijou seu rosto, desvencilhando-se do garoto e caminhando até o bar, segurando sua bolsa até ver que ele acreditara na desculpa. Ele girou o corpo e saiu de sua visão, provavelmente indo cumprimentar outras pessoas que, para ela, eram tão insignificantes como a mensagem que acabara de checar.
Encontre-me depois do jantar, na minha casa. Despistarei Jodie. PS: Adams diz que sente saudades.
Em outro momento, ela riria com essa mensagem. Sentiria um desconforto em seu estomago e abriria um sorriso no canto de seus lábios. Não foi o que fez naquela hora.
Fechou com força o celular e balbuciou para o barman a bebida mais forte daquele hotel. Fez careta só de sentir o cheiro e nem quis saber como ficara seu rosto, após o gole.
Ele foi rápido ao apagar a mensagem que acabara de mandar, certificando-se que realmente a mandou. Jodie falava baixo no telefone, entendeu que era com alguma amiga e pediu mentalmente para que ela não a convidasse para o jantar. Uma já era difícil se livrar, duas era praticamente impossível.
Jodie fechou o celular e o entregou, ainda evitando seu olhar. notou que mesmo ela virando o rosto, era um olhar triste e desanimador, que ela tentava passar por raivoso. Ele a conhecia bem demais.
- Allana vem? – ele perguntou como que puxasse conversa sem interesse. Por dentro, ansiava pela resposta. Uma resposta negativa.
- Não, ela viaja à Paris amanhã. – Jodie falou. Pensou por um momento. Falaria agora que também iria, para ver sua reação? – , algum problema eu passar a noite na sua casa hoje? – Jodie optou pela segunda tentativa, o plano B. Se certificaria que o ocorrido de mais cedo não passara de um estresse momentâneo. Certificaria de que tudo o que veio pensando aquela tarde não era verdade. Ele não iria terminar. Ele ainda sentia alguma coisa por ela, ainda havia desejo.
- Hoje não dá, meu amor... – ele falou, passando a mão por seu rosto. – Ficarei até tarde no escritório com meu pai. – A desculpa de que ajudaria não era uma boa desculpa. não se importava em ajudar, seu pai também não precisaria de nenhuma ajuda. Seus empregados eram pagos para isso. fora convincente no olhar e no toque, Jodie não desconfiaria.
Ele não a queria. Doeu reformular isso em sua mente. não trocaria uma noite com ela pela companhia de seu pai, por mais agradável que ele fosse.
Engoliu em seco, escondendo o nervosismo e tomou em um gole o resto do vinho da taça a sua frente. Sabia o quão fraca era, mas aquilo não pareceu ter importância no momento. Sua garganta ansiava por álcool.
pegou um copo cheio do garçom que oferecia e deixou-se distrair, olhando para o bar.
Por que estaria sozinha ali? Um pensamento passou em sua cabeça.
Ela veio. Compareceu até o jantar, no hotel dele. Obviamente permaneceria longe, assim evitando qualquer especulação. sabia muito bem como funcionava, ele fazia o mesmo.
Riu friamente. No fundo não queria acreditar, mas o que via e pensava levavam a isso.
Dizem por aí que não se pode tomar impressões precipitadas, que às vezes atitudes vistas de longe podem ser totalmente diferentes quando vistas de perto. deveria saber disso.
Um. Dois. Três.
Contou antes de se levantar. Riu debilmente com o ato e reação, e voltou à cadeira a qual estava sentada. Não deveria beber outro copo. Ou deveria?
Jodie riu.
A risada a fez sentir-se mais leve, e então se deu conta que gostava de rir daquele jeito. Olhou em volta e notou que o prato que comia não estava mais ali, notou que o salão não estava tão cheio assim e notou que sua taça fora recolhida. Sentiu-se brava.
Olhou para cima, sentindo a cabeça girar e mordeu um pouco o lábio dormente. conversava com alguém desconhecido. Por que não estava cuidando dela? Foi o que pensou.
Ele não a quer. Outro pensamento.
E então, notou que havia lágrimas pretas manchando seu vestido roxo púrpura. Notou que não chorava lágrimas pretas, sua consciência ainda transparecia lucidez, o que a fez perceber que era sua maquiagem que escorria por entre as lágrimas que derramava.
Levantou, depositando toda sua força nas pernas que insistiam em permanecer moles e cambaleou até a porta do salão. notou um movimento atrás e percebeu que sua namorada não estava onde a vira pela ultima vez. Vasculhou com os olhos pelo salão de jantar e a viu escorar na parede ao lado da porta. Correu até ela, sendo cuidadoso para não chamar atenção. Não queria que ela fosse comentada como bêbada da vez. Isaac tinha esse posto há muito tempo.
Arrependeu-se de ter tomado aquela bebida, não lembrava nem seu nome. Viu Dominic tomar uma vez e logo soube que era a mais forte. O nome do garoto a fez revirar. Olhou para frente e mostrou-lhe o dedo do meio ao barman que a encavara com censura, avisando em seu olhar Não te sirvo nem mais um copo, ordens do hotel. Quis gritar que apenas com o talão que continha em sua bolsa, compraria aquele maldito bar com todas as bebidas dentro, e ainda o faria dançar em cima, sedento pelo seu dinheiro. não achou uma cena agradável o ver dançando, ele era gordo.
Trocaria o barman, então.
Levantou do banquinho e quase escorregou. Não riu disso, estava nervosa demais. Queria arranjar outro barman.
- ? Onde se meteu? – Sentiu alguém a segurar, impedindo de outro escorregão e viu um preocupado, ou em sua visão turva, um gostoso.
- Você poderia ser o meu barman, definitivamente. – ela falou, sua voz saiu arrastada e ela riu com isso.
- Barman? , você bebeu quantos copos hoje? - ele a levantou, depositando mais força em seu braço.
- Copos? Eu não bebo em copos. – ela balbuciou.
Ele riu e então sentiu uma mão gelada tocar-lhe o ombro. Virou e viu Dominic DeMille encarando , sua sobrancelha arqueada o incomodou.
- Não permitimos pessoas nesse estado aqui. – ele sussurrou, ainda olhando para a garota.
- Me desculpe por ela, já estamos de saída. – segurou em sua cintura, impedindo-a de cambalear.
- Você vestirá Black Tie by Hugo Boss! – falou feliz, antes de rir descontroladamente.
- O que? – Dominic enrugou a testa. estava no ponto, pensou.
- Ela fica repetindo essas coisas sem sentido. – se explicou pela garota.
- Vem. – Dominic se moveu rapidamente, tirando de seus braços. ficou sem entender. Dominic revirou os olhos. – Ela veio até mim. Por que acha que viria hoje, se nem sua mãe se deu ao trabalho? – Isso o convenceria.
permaneceu calado.
- Ela não veio por sua causa. – O olhou nos olhos, tinha suas dúvidas. Suspirou. – Se viesse, teria desfrutado de sua companhia. Você se perguntou onde ela estava, pois bem, estava comigo. – mentiu. Sabia que estava sozinha, pois a viu no bar durante quase todo o jantar. Sabia que a procurava, pois estava inquieto em sua mesa, que por sinal, era de costas para o bar, o que impedia uma visão ampla. pareceu acreditar, pois se moveu lentamente, desistindo de segurar a outra parte da garota e saiu do salão, sem ao menos perguntar a ela.
As pessoas não devem acreditar em tudo que ouvem. A seleção daquelas que podem ser confiáveis deve ser feita delicadamente, e, ainda assim, devem sempre manter um passo atrás. O aconselhável é que confie somente em si mesmo. precisaria desse discurso.
- Sai de perto de mim! – ela falou alto, deslizando as costas pelo corredor vazio. correu até ela, ajoelhando em sua frente.
- Jodie, o que foi? – ele não entendia. Obviamente estava bêbada, ele não entendia o que ela sussurrava para si mesma.
- O que foi, ? O que tanto olha? – indagou, tampando o rosto em seguida. – Não sou atraente, pode ir embora.
- O que? O que foi, Jodie? – tentava tirar suas mãos de seu rosto.
- Sai! Eu não sirvo mais, não é mesmo? – ela fungou. – Você já pode ir agora! – quis gritar, mas não teve forças.
- Do que você está falando, meu amor? – ele tentava entender, e, aos poucos, foi conseguindo juntar as frases sem sentido que a garota falava com o acontecimento de manhã.
- Você não me quis! Você não me quer mais! Vá embora então! – Sentia-se patética, mas não conseguia parar de falar, muito menos de soluçar. Odiou o vinho naquele momento.
- Meu amor, não fale isso. – sussurrou. Doía vê-la daquela forma, falando aquelas palavras a ele. não entendia o que passou por sua cabeça, ao ver . Não conseguiu explicar a ela o porquê de ter visto, nem podia.
- Eu nunca vou te deixar, Jodie, não fale isso, por favor. – ele suplicou a ela, que soluçou em seu peito, o abraçando com força.
- Promete!
permaneceu calado. Tamanha agonia de vê-la naquele estado fazia com que ficasse nervoso, sem saber o que fazer.
- Prometo. Eu nunca vou te deixar. – falou, querendo que a garota parasse de chorar, apenas.
Poderia estar bêbada, vulnerável à sensibilidade e à raiva que já fora depositada no barman. Mas não era surda. cambaleou para o lado em reação ao que acabara de ouvir e ver.
- , me leve pra fora daqui. – Tentou desvencilhar dos braços. Eles pareciam mais fortes agora. Dominic riu. Tamanha sorte de presenciar a cena.
queria sair dali, já estava consciente o suficiente para correr dali. Outra cena deles não, por favor. Era o que pedia em sua mente.
- Vamos. – sussurrou em seu ouvido, passando por entre o casal abraçado no corredor. deixou uma lágrima escorrer, olhando para eles, que pareciam distraídos demais para notar sua presença. estava distraído demais para notá-la ali.
Deixou ser guiada pelos braços fortes, até então pensando que era e arfou, quando os viu se beijarem.
Jodie, eu nunca vou te deixar. Permanecia perfurando seus pensamentos, invadindo sua mente e a fazendo chorar, sendo carregada até o elevador. Ela queria sumir, queria apagar. não estava longe disso.
Desviou o olhar do casal para os braços fortes que a colocavam para dentro do elevador vazio e notou o quanto diferentes eram. O cheiro também era diferente.
olhou para frente e notou que a distancia entre seus corpos era mínima, e aquela boca parecia convidativa no momento. Só assim esqueceria .
Dominic se aproximou, beijando sua boca sem convite algum. cedeu. Entregou-se ao beijo, antes de sentir-se leve. Antes de se confundir com a mistura de cores que seus olhos transmitiam até o preto os invadir.
Capítulo XII
Respirou profundamente, antes de virar-se para o outro lado. A maciez era convidativa, o cheiro dali a agradava, mesmo que irreconhecível. A sonolência ainda atrapalhava o raciocínio, ela ainda estava adormecida.
Aos poucos, as imagens distorcidas de seu sonho foram ficando distantes, ela já podia sentir o colchão que afundava toda vez que ela se mexia. O colorido tornou a ficar preto.
Suas pálpebras estremeceram com a forte dor que sentiu. As abriu, incomodada com as pontadas em sua cabeça. Levantou em um pulo, as fechando. Talvez com aquele gesto, o mal estar passaria. Girou seu corpo para fora e abaixou a cabeça, vomitando ali mesmo.
- Droga, era novo. – Lembrou-se do tapete irlandês que seu pai trouxera para ela na semana anterior. Uma mistura de tons pastéis deixava o ambiente de seu quarto mais agradável, o tapete combinava com os outros cômodos, quase da mesma cor. Faziam um degradê de cores junto com sua cama, em um tom marrom mais fechado. Ela gostava.
abriu o olho e continuou fitando o tapete. Ela ainda estava bêbada?
Não havia tapete irlandês em um tom pastel, aquele que acabara de sujar com seu vômito era de um vermelho vinho. Levantou o olhar, notando que não estava no lugar onde pensava que estaria, onde realmente deveria estar. Aquele quarto era desconhecido. Não se lembrava de entrar ali, muito menos se lembrava de ter tirado a metade de suas roupas.
Aquilo a assustou.
Tentou recordar algo que fizesse sentido, mas só lembrou-se de algum barman deixando-a brava, mesmo assim, era uma lembrança falha e confusa.
Andou pelo quarto, ainda sentia levemente uma tontura causada pelo álcool em excesso, o cômodo estava vazio. A porta de vidro que dava acesso à varanda do quarto estava aberta. caminhou até lá, tendo a visão de outros prédios e do resto da cidade. E então, se situou.
Correu até o quarto novamente, vestindo a roupa jogada no sofá que ali havia e saiu de lá o mais rápido que pode. Ainda no elevador, teve a sensação de estar sendo sufocada. Tamanho era o desespero, tamanha a vontade de chorar.
O que fizera na noite anterior? Ela tinha quase certeza de que apagara.
Aquele era o quarto de Dominic DeMille, só ele morava em seu próprio hotel, no único quarto de sua cobertura.
Como viera parar ali? Por que só vestia apenas calcinha e sutiã? Ela estava apagada.
Alguém a levou até o quarto, alguém tirou suas roupas. Não quis pensar no depois.
Ela sabia exatamente quem era esse alguém, e isso a fez chorar, agora de raiva.
As unhas cravadas às costas expostas faziam com que sua respiração ficasse pesada a cada movimento. Já era evidente que não havia mais algum autocontrole sob seu corpo e mente, entorpecida no momento. Ele se saciava de todos seus sentidos. Sua audição aguçada, prestando atenção a cada gemido abafado que a garota soltava. O olfato, apreciando o cítrico cheiro que emanava de sua pele suada. O paladar, degustando de seus lábios tão deliciosos, avermelhados devido aos beijos que dava nela. Seu tato, que rapidamente o ajudava precisamente a descobrir a calça que usava, colocando suas coxas a mostra.
não pensava em nada além daquilo, além do que fazia no momento. Ele não queria pensar.
Estava prestes a saciar a vontade incontrolável, estava chegando próximo ao êxtase que segundos depois o deixaria sem fôlego. Os gemidos aumentavam, conforme sua velocidade.
E então, algo tirou-lhe a concentração.
Foi a primeira pessoa que pensou em recorrer. Não queria ir para casa, não queria ter que, novamente, deitar em sua cama. Aquilo não a distrairia, pelo contrário, pensar pioraria sua situação.
Ela tocou a campainha do apartamento inúmeras vezes. Tamanho nervosismo e ansiedade de vê-lo que não se importou de avisar para o porteiro. Ele já a conhecia, mas ficou na dúvida se ainda se recordava da garota. Fazia tanto tempo que não ia até lá...
A porta a sua frente foi aberta apressadamente. olhou bem para seu rosto rosado, seu cabelo bagunçado e sua camisa pelo avesso. Adentrou mais um pouco o olhar para o cômodo interior e viu uma silhueta se mexendo rapidamente, parecia estar se vestindo.
- Atrapalho algo? – Por mais que precisasse ouvir sua voz como consolo, sentiu-se desconfortável com a cena com que se deparara.
Sua visão foi invadida pela garota, saindo apressada, sem falar nenhuma palavra enquanto passava por . Apenas uma olhada rápida. Poderia ser vergonha, poderia ser raiva.
não soube diferenciar.
Percebeu que parecia confuso e um tanto assustado. Ele permaneceu calado, olhando para a porta do elevador, que estava se fechando.
- Eu... – enxugou a lágrima que ainda caia, e olhou para o elevador a suas costas. – Desculpa, não quis interromper. Não sabia, eu... Não sabia... – falou, se embolando em suas próprias palavras que soavam nervosas.
- Não se preocupe. – Seu olhar vagou para a porta do elevador fechado, e então voltou para ela. Algo não estava normal. – Não se importe com a Agatha, depois converso com ela. Você é mais importante. O que aconteceu, ? – observou a menina que tremia levemente. As sobrancelhas unidas pela preocupação.
- Eu... – Ela queria falar. Veio até ele para isso, para desabafar, se acalmar e sentir-se melhor. Os olhos de sob ela eram intensos. Seu desespero já era passado para ele. Não havia ordem nos pensamentos da garota, muito menos sentido.
- Calma, ... – ele a abraçou, fazendo com que agradecesse por isso mentalmente. Era isso o que ela queria, era isso que a acalmava.
- Me arrependi do que fiz. – falou em meio ao soluço. Estava se referindo à beber demais e não lembrar de nada. A falta de mais palavras para explicar isso ao garoto fez com que pensasse que se referia a outra coisa. – ... Eu transei com Dominic DeMille. – Os soluços já aumentavam.
O motivo do choro não era apenas ter transado. novamente esqueceu-se de mencionar a parte em que estava apagada. Falar algo pela metade faz com que a imaginação complete aquela que falta. A imaginação pode ser muito fértil. Ou não. Pode ser algo óbvio, lógico.
A firmeza depositada no abraço fora perdendo a força, se afastava dois passos da garota. Sentia nojo, sentia raiva. Então, aquilo que ouvira da boca dele era verdade. não fora até o jantar em seu hotel por sua causa, e sim por causa dele. Por que a garota viria até ele para contar isso? Já não era suficiente fazê-lo sentir-se ridículo todas as outras vezes? Já não era o suficiente o esforço ele tentar continuar a amizade, sem misturar seus sentimentos?
Aquilo o corroeu por dentro, tamanha dor fora substituída por raiva. Ele agora olhava para ela sem realmente a enxergar.
- Preciso ir atrás da Agatha, . – sussurrou. Ela levantou o olhar. Arrepiou-se com a feição que via. fechou a porta atrás de si e desviou da garota, seguindo pelo corredor.
Ir até ali certamente era um erro, pensou. Se a confusão a atrapalhava a raciocinar, agora já não pensava em mais nada.
Só pode-se contar consigo mesmo, ao contrário, fica-se exposta à decepção, levando-os ao precipício de uma queda, às vezes, dolorosa demais para se agüentar. sentiu isso na pele, ao ver seu melhor amigo virar-lhe as costas. Contou três vezes, ignorando o nó formando-se em sua garganta. Não iria chorar.
Também não iria aceitar ser tratada daquela forma, ainda mais naquele momento. estava com raiva. Raiva do acontecimento da noite anterior, raiva do acontecimento que acabara de presenciar. Andou apressadamente pelo corredor, não se importava se fazia barulho com seus saltos usados na noite anterior, que acabavam com os dedos de seus pés. Não sabia que horas eram, o sol ainda estava fraco. Tentou não pensar na cena de com aquela garota, dele virando-se e indo encontrá-la. Agatha não era importante.
Quando deu por si, já estava na porta de fora do grande prédio, avistando-o na esquina, gesticulando com as mãos. Ele falava com a menina, que virava as costas e entrava em um táxi.
- A sensação é boa? – Perguntou rispidamente ao garoto que vinha em sua direção. Ele ainda a olhava com aqueles olhos, o ultimo olhar que vira antes de se virar. – Gostou de ser ignorado?
- Quem é você para falar de ignorar? – retrucou, sua voz elevando um tom. A veia de seu pescoço pulsava. Ele tentou se controlar.
- Posso falar muito bem disso, acabo de ser. – ela falou. Sem querer, deixou uma lágrima cair. Odiava chorar quando o nervosismo era maior que seu controle. Limpou rapidamente.
- Experimente ser ignorado por anos, é uma ótima sensação. – disse gelidamente. Um sorriso sarcástico transpareceu. lembrou-se de Dominic. Era uma das características que a fazia sentir o sangue subir a cabeça. Contou até três novamente.
- Qual o seu problema? – A garota falou, ainda com raiva, mas uma raiva moderada.
- Qual o seu problema, ? Eu que te pergunto! – explodiu. Infelizmente, não tinha o autocontrole que ela aparentava ter em situações como essa. – Por que veio até mim, falar que transou com aquele verme? Queria que eu sentisse nojo de você, ou pena? – Seus olhos estavam arregalados, ele já estava gritando. – Se foi isso que veio fazer, fez um bom trabalho. – Sorriu o sorriso que ela odiava, novamente.
o imitou involuntariamente.
- Se quer sentir pena de alguém que foi usada, pode sentir.
- Novamente, quem é você para falar de ser usada? – não acreditava no que ouvia. Anos e anos foi como um boneco para ela. Depositou tudo o que sentia e acreditava na garota à sua frente. E agora recebia isso.
- Você sabia no que estava se metendo, você não é burra, . – ele sussurrou. tombou a cabeça de lado. Ele estava falando de que? De quem? ? Aquele não era o assunto.
não sabia, não podia saber.
- O que? – tentou não gaguejar.
- Não se faça de idiota, por que sei que não é. – Novamente, o sorriso que tanto detestava surgiu em sua face. O tremor em suas mãos obrigava-a a fechá-las em punho. – Você não é burra o suficiente para não saber no que esta se metendo, quando se fala de Dominic DeMille. – pronunciou as ultimas palavras com repugnância.
Alívio. Foi o que sentiu. não estava referindo-se à . A garota não soube explicar o porquê de ter associado as palavras dele com seu segredo. Na verdade, ela sabia sim o porquê de ter associado, mas aquilo não era importante no momento. Aquilo não a incomodava. a incomodava.
- Você acha que eu sabia o que iria acontecer com Dominic? – gritou. Se soubesse que DeMille a usaria, aproveitando-se de seu momento de inconsciência, certamente não iria até lá.
O pensamento de era um pensamento ridículo, o argumento não era plausível.
- Então você agora é inocente? Se relaciona com Dominic DeMille e espera que ele não queira sexo? Faz do mesmo jeito, e depois se arrepende? – A ironia em sua voz era de se deixar levar pelos impulsos e vontades, que naquele momento, pedia permissão para agredi-lo.
- Do que você tá falando, ? – ela o olhava como se fosse algum louco, não tinha mais paciência para estabelecer um autocontrole em sua voz. Não se importava de estar no meio de uma avenida. – Antes de falar algo a mim, meça as palavras. - Voltou a falar em um tom normal, sua raiva estava sendo controlada. A frieza voltava. As lágrimas que caíram em seu rosto estavam sendo limpas. voltava a si.
- Antes de falar algo, se informe o suficiente. – falou gelidamente à ele, que manteve-se calado, um pouco surpreso com a mudança em sua feição. – Não tenho nenhum tipo de relação com Dominic DeMille que não se refira ao meu ódio e desprezo que sinto.
- Então agora você contradiz o que disse mais cedo?
- O que exatamente lhe disse?
- Arrependeu-se do que fez. Citou o detalhe de ter transado com ele. – A palavra fora frisada em sua voz com nojo e raiva.
- Pois bem, aquela hora eu estava fora de mim, como percebeu. Recorri até você, como sempre faço. Poderia me chamar de inocente por isso, ou burra. – sorriu friamente. – Eu me arrependo de não ter dosado a quantidade que ingeri de álcool. – A garota continuou. permanecia calado, apenas escutando. – Me arrependo de não ter plena consciência depois disso. Não me lembro de muitas coisas, eu estava no bar. Lembro de acordar em uma cama. A cama dele - Sua voz estremeceu, percebeu. Os olhos da garota marejaram-se, mas ela não queria que as mesmas caíssem.
- Você está me dizendo... Que não estava com Dominic? – Olhou para seus olhos. Aqueles eram tão verdadeiros quanto sua fala.
- Não. Eu estava no bar, depois acordei em seu quarto. Eu não me lembro de ter feito nada. Eu não queria fazer nada, muito menos com ele. – era fraca, se sentia fraca. As lágrimas voltavam a cair, mesmo com a garota passando a mão em seu rosto, apressadamente.
- Ele... Fez algo com você? Sem que você quisesse? – a abraçou com força. apoiou seu rosto no ombro e soluçou. Permaneceu calada. Não queria responder.
O silêncio já era uma resposta.
- Espere aqui em casa. – falou, beijando-lhe a testa. Afastou-se da garota, acenando para um táxi parado do outro lado da rua.
- Esperar? ? – puxou seu braço, mas ele desvencilhou. Entrou no táxi e acenou para a garota, que parecia estar congelada.
Capítulo XIII
Coração acelerado, mãos suadas e respiração falha. No momento, não eram sintomas de alguém apaixonado. Quem dera fosse.
não sabia o que fazer. Se ficasse parada, seus próprios pensamentos fariam com que entrasse em colapso nervoso. Não queria pensar. Se ficasse andando de um lado para outro, ficaria eufórica, mais impaciente do que já estava. Aquilo não era bom.
Mal conseguia respirar ao fitar a janela, seu reflexo era frio, rígido e demasiadamente real. O celular em suas mãos estava prestes a ser jogado pelo vidro, tamanha ansiedade e raiva que sentia. Poderia ligar mais uma vez, mas o cansaço físico e psicológico a impedia.
Poderia pegar um táxi e ir até o hotel de Dominic DeMille, certamente o encontraria lá, ou melhor, os encontraria lá.
Poderia fazer tudo aquilo, mas optou por continuar estática em frente a janela. Optou por não fazer qualquer movimento, o medo do inesperado. Odiava fazer isso, odiava esperar acontecer. era mais do tipo de fazer acontecer. Mas ela já não estava sendo a mesma fazia algum tempo. A falta de coragem, suas lamúrias e insegurança já haviam a consumido. Essa atitude, ou falta dela, a deixava cansada.
Talvez devesse mudar um pouco as coisas. Mas não agora. Agora não era o momento para analisar seu próximo passo sobre determinados assuntos.
Bufou impaciente, jogando o celular sobre o sofá com força e voltando a andar em círculos no eixo do próprio corpo. Esperar. Era o que estava fazendo, esperando. Como sempre.
segurou indelicadamente os cabelos com ambas as mãos, olhou novamente a janela na esperança de ver os faróis do carro de ou qualquer outro carro. Algo que a fizesse esquecer, mesmo que por alguns míseros segundos, a agonia em que se encontrava. Olhar através da janela já não adiantava. Não era uma questão de quanto mais deseja, mais rápido realiza. não voltaria tão cedo. não iria ao hotel, nem ao inferno atrás dele, se Dominic DeMille estivesse do seu lado. Poderia denominar aquilo como egoísmo, ou covardia. Não ligou. Mas um nome ou dois naquele momento não faria realmente grande diferença.
Respirou profundamente, sentindo-se desconfortável naquela sala vazia. De repente, o apartamento luxuoso de parecia pequeno demais para ela, o ar não circulava normalmente ali. Seus músculos tensos imploravam a maciez de sua cama. Seu corpo implorava por um banho. Era hora de ir para casa, o encontraria lá.
Reflexos não mentem, mas distorcem parte da realidade. Não mostram quem você é, mas como você está. E o que viu refletido novamente no vidro da janela de seu quarto foi seu semblante pálido e magro em contraste com a noite escura lá fora. Levou a mão ao rosto na esperança de ser uma ilusão, uma peça pregada pelo cansaço. Talvez fosse o vidro.
Andou calmamente até o amplo e áureo banheiro da suíte para se ver melhor, numa iluminação melhor. Talvez a imagem refletida também se tornasse melhor.
Ainda estava lá. A palidez fantasmagórica, o arroxeado do cansaço abaixo dos olhos. Tudo em seu rosto. Tudo estampado para lembrá-la da noite anterior. Quando Dominic...
fechou os olhos com força tentando afastar aqueles perturbadores pensamentos. A vaga lembrança dos acontecimentos. Lágrimas escaparam sorrateiras marcando o caminho triste e incerto por onde passavam. Olhou-se no espelho, apoiando as duas mãos na bancada de mármore italiano creme. Inspirou profundamente todo o ar que seus pulmões agüentaram e o soltou com calma, deixando que saísse de seu corpo com a leveza que gostaria de sentir agora.
Os olhos vermelhos não escondiam mais nada. Todos os seus sentimentos vindo à tona de uma vez.
Raiva. Mágoa. Desprezo. Vergonha. Culpa. Pena.
Todos eles, sentia por si mesma.
Ela teve vontade de partir em mil pedaços a silenciosa verdade que exauria suas forças gritando a ela através do que via refletido. Mas de que adiantaria? Explicações que teria que dar? Conserto para pagar o grandioso espelho de sua suíte? Não. Não valia a pena. Muita coisa não valia, mas ultimamente não ligava muito para isso, não é mesmo? Quem era ela para falar de valores? Então, que mal haveria? Nenhum. Estava mais uma vez evitando os avisos de sua consciência já prejudicada pelo misto de emoções e pensamentos dentro de si.
ergueu o braço com o punho cerrado na altura do queixo. Respirou fundo. Estava prestes a desferir um golpe no meio do reflexo, bem no rosto, quando o barulho da porta de seu quarto batendo a fez parar.
- . - Deixou o pensamento falar por ela.
Respirou fundo, tentando aparentar uma calma que destoava de seu alarme. O coração palpitante, as mãos suadas, respiração falha. Mais uma vez não eram sintomas de paixão, eram de alívio.
Ela sorriu para sua imagem deprimente e saiu do banheiro com o sorriso ainda nos lábios. Esse logo se desfez ao entrar em seu campo de visão o último ser humano que esperava ou queria ver.
- Fora! - Gritou à pessoa sentada familiarmente em uma poltrona macia e larga em forma de concha.
- Qual o seu problema, afinal? - Dominic perguntou calmamente a olhando com os olhos semicerrados e com uma mão apoiada no braço da poltrona e em sua boca.
- Meu problema? - Ela continuou a gritar estupefata. Trotou com um olhar animal até ele. - Meu problema sempre foi e será você, DeMille!
Não reagiu. Permaneceu da mesma forma calma e observadora. Deixou que ela falasse.
- Como ousa vir aqui? - se afastou um pouco e apontou um dedo ao rosto dele, que só levantou uma sobrancelha, como odiava seu jeito. - Você é ou muito cínico ou um verdadeiro canalha. Conhecendo você como eu conheço, posso afirmar que é os dois.
Dominic sorriu, e depois o desfez.
calou-se e deixou que um desconfortável silêncio da parte dele a atingisse. Foi estranho o que sentiu. Esperava outra coisa dele, não essa imagem estática de pedra esculpida. Perfeitamente esculpida, devia admitir.
Ele se mexeu e tirou a mão que descansava na frente de sua boca.
Então ela viu. Um círculo vermelho no canto da boca parte do lábio inchada com um corte. arregalou momentaneamente os olhos.
- Não sabia que estava tão falido a ponto de aceitar emprego como guarda-costas. - Dominic falou, astuto e irônico.
- Não o mandei até lá, acredite. Não sou tão egoísta a tal ponto. - Lágrimas quentes desciam, no momento não era tristeza, era raiva.
- Presumo que você seja o tipo de pessoa que tira conclusões precipitadas antes mesmo de procurar saber o que realmente aconteceu. - Ele falou calmamente.
sentia a aspereza em sua voz, a frieza.
- , escute bem o que te direi agora e veja se entende de uma vez por todas. - Aí estava o Dominic DeMille e seu cinismo. Contraiu rapidamente os olhos. - Eu não curto necrofilia, está bem?
o olhou confusa. Era mesmo isso que ele estava dizendo? Observou-o caminhar até ela, que sentou inconscientemente em sua cama. Observou-o tocar-lhe o queixo. Paralisou.
- Eu gosto de ação, sexo é feito a dois. Se fosse só para eu fazer algo sozinho, me masturbaria. - Mesmo o carinhoso gesto de encaixar o contorno do rosto dela em suas mãos tinham uma ironia, um cinismo oculto quando se tratava de Dominic. - Você acordou sem suas roupas porque vomitou nelas. E no meu tapete novo. Obrigado por isso, aliás. Um tapete persa caríssimo, não teria o mesmo valor sem a magnífica mancha fedida que me deu de presente.
Olhou para suas vestimentas jogadas no carpete de seu quarto. Lembrava de vestir uma blusa, saia e um colete. Não se lembrava do colete ali. Era exatamente para onde todo o vômito foi.
- Você tirou a minha roupa? - Ela perguntou chocada. Dominic revirou os olhos. Desamassou um pano preto de suas mãos.
- Da próxima vez deixo como está. E, ao contrario da imagem que tem de mim, não sou um pervertido doente. Eu não tentaria algo com uma garota inconsciente. - Jogou o colete que estava em suas mãos no chão, ao lado da garota, que olhou o movimento, confusa. Permaneceu seu olhar na roupa jogada ao seus pés.
- Então quer dizer que... - Ela mesma se interrompeu levando a mão a boca.
- Exatamente. Mandou seu amante me bater à toa. - Ele voltou a jogar-se na poltrona. - Aliás, quanta ironia, não acha?
O olhou mais uma vez, confusa. Tudo relacionado a ele era enigmático e tinha mais facetas que um diamante lapidado.
- A amante tem um amante. Quase me faz rir. - Sorriu zombeteiro. o encarou com raiva. - Não faça essa cara, meu amor, dá rugas.
- DeMille, eu quero que saia do meu quarto, da minha casa e da minha vida. - falou da mesma forma calma que ele. - Agora!
Ele se levantou num salto e a segurou pela nuca deixando seus rostos bem próximos, com as respirações misturadas. O cheiro de menta e uísque que vinha da boca dele invadiram o sistema olfativo de que, no susto, nada fez para afastá-lo.
- Tem certeza de que é exatamente isso que quer? - Sua voz sutil exalava sentida emoção. Roçou sua testa suavemente na dela e depois os narizes.
estava paralisada pela surpresa. Tanto pela atitude dele quanto pelo que sentiu. Estava honestamente tentada a beijá-lo. Abriu a boca sem dizer palavra alguma. Não sabia o que dizer, nada estava fazendo sentido mais. Ele alisava a bochecha dela com o polegar esperando por ela. Fechou os olhos tentando analisar a frase dele.
- Eu...
Dominic não deixou que ela terminasse a frase. Ainda segurando a nuca delicada de , ele a puxou, colocando delicadamente seus lábios em sua mandíbula. Suavemente deixou seu corpo pesar sobre o dela, que acompanhou o movimento dele deitando-se vagarosamente na cama. Levou sua mão ao cabelo dele e o segurou entrelaçando-o em seus dedos finos. Dominic mantinha sua mão, sobre a blusa, na cintura dela. Suas mãos dançavam entre a barra. E então, congelaram.
Dominic a encarou, seu olhar frio novamente a penetrando.
- Antes de dar qualquer passo, verifique onde pisa. - Dominic falou, se levantando. - pagará, assim como você.
- Você não pode me ameaçar novamente. - retrucou.
- Quem disse que não? Ainda resta uma carta na manga.
- Não se atreva.
- Jodie Graham ficaria feliz de ser informada. Pessoas não gostam de se sentir excluídas.
- Não se atreva! - gritou, antes de vê-lo sair, fechando a porta de seu quarto.
Ela andou a passos duros até a porta, abrindo-a. Não o encontrou no corredor. Bateu com toda a força que conseguiu. A grande porta de madeira imperial reverberou e ela pôde sentir o tremor.
Talvez fosse apenas ela tremendo de tanta raiva, tanto ódio. Dele e dela. E de . Se não fosse ele, não estaria naquela situação agora. Coagida por Dominic.
Jogou-se na cama e entre as almofadas e travesseiros ficou a fitar o teto deixando seu pensamento alçar vôo.
Talvez não fosse tão ruim assim todos ficarem sabendo do caso dela com . Ninguém tinha que opinar, todos ali tinham mais segredos do que um cofre de banco suíço. Jodie ficaria arrasada e terminaria com ele, nunca mais iria querer vê-lo. E ela se veria livre de Dominic a tempo, não era?
Não.
A negação vinha da voz no fundo de sua cabeça. A mesma que a irritava e a confundia. A mesma que estava correta, na maioria das vezes.
Por mais que quisesse, por mais egoísta que fosse, não queria as coisas daquela forma.
Certamente não era com Jodie que se importava, e sim com a atitude de perante a toda situação. A pergunta correta seria se era realmente capaz de largá-la. Se desprender de toda aquela farsa, assim, fazendo o caminho se abrir para ambos.
A resposta a estremecia. Ela sabia que teria conseqüências. já não se importava com o que falavam a seu respeito, mas não sabia se importava. Ele tinha tudo, todos. A incerteza de que trocaria tudo por ela a deixava naquela expectativa. Naquela ânsia. Não queria pensar positivo, com medo de estar errada. Evitava pensar o contrário, prevenindo-se da dor. Poucas pessoas trocariam o ouro pela prata.
Capítulo betado por Letícia Andrade
Capítulo XIV
Sentada na mesma posição durante algum tempo, já se pode perceber o formigamento por entre os dedos dos pés, avermelhados pela má circulação. Já se pode perceber que olhar para o relógio não fará com que ele gire mais rápido. Se parar, o tempo não parará com ele.
Analisar fatos e pensamentos não era sua diversão, sempre evitara. Há algum tempo vinha fazendo isso, algo que aos poucos foi se tornando inevitável, incontrolável. Antes que pudesse parar, se distrair com outra coisa, os mesmos pensamentos já estavam a consumindo sem que quisesse...
Sentia a pele úmida de suor ardendo ao sol quente. Seus pés mexiam-se conforme as batidas da música que soava alta em seus ouvidos, impedindo-a de qualquer outro barulho que interrompesse o transe em que estava. A melodia rápida era contagiante, se bebesse mais alguns copos daquela bebida colorida que reluzia à sua frente, poderia subir na cadeira de sol que estava deitada e dançaria.
Ela não estava bêbada o suficiente, ainda bem.
Virou seu corpo para cima, sentindo o calor agora em sua barriga descoberta. O biquíni branco e verde fazia com que o bronzeado de sua pele destacasse. Era invejável a qualquer par de olhos, se sentia satisfeita.
Fechou os olhos, voltando a se concentrar na música e então sentiu uma sombra invadir a sua frente. Abriu-os novamente, mas o sol bateu direto, mesmo protegidos pelos grandes óculos de sol.
- Oi. – sentiu sua boca ser pressionada levemente, o gosto de protetor solar em sua língua.
- Oi, . – respondeu, ainda com suas bocas unidas, colocando seus óculos para cima. O garoto sorriu e se afastou.
- Bonito biquíni.
desceu seu olhar para o próprio corpo e riu.
- Obrigada.
Poderia prestar atenção na história que o garoto começara a contar empolgado. Poderia participar da conversa, opinando e rindo. O monólogo era tedioso.
A visão atrás de era mais convidativa.
a encarava maliciosamente. fazia exatamente aquilo que sabia que não poderia estar fazendo, ela estava devolvendo o olhar. Um erro, grande erro.
Diversão.
Em uma fração de segundos, desviou seu olhar para o garoto ao seu lado, que ainda contava a ela algo insignificante no momento. Voltou a olhar atrás e viu que a beijava. Riu.
A diversão não estava naquela cena, mas no que aquela representava. Com certeza a beijava para que a distraísse, não percebesse para onde olhava. Assim, não desconfiaria.
A garota em seus braços já pensava diferente, ela notou que olhava para , mas quando a beijou, seus sentimentos falavam mais alto. Era assim que Jodie Graham pensava, com o coração.
Concordando ou não, no fundo, as pessoas sabem a verdade. Tentam apenas mesclá-la, em meio à fantasias e sonhos. Alguns chamam de Amor, o correto seria chamar de Ilusão, uma camuflagem para enganar a realidade.
Hoje, é preciso pensar desta forma. É preciso enxergar o que olhos não vêem, o fogo que a fumaça cobre. Todos alguma hora percebem que as circunstâncias mudam, só não tem a certeza de que mudam para melhor.
Não se pode dar ao luxo de ser entregue e Jodie Graham fazia exatamente o contrário.
O lençol que a pouco se embrulhava agora era contorcido pelos seus dedos inquietos. Doía lembrar. Ter todos aqueles pensamentos detalhados em sua mente a impedia de raciocinar corretamente. Era masoquismo querer continuar com aquelas lembranças que a machucavam pouco a pouco. não prestava, soubera desde o princípio. Desfazer-se de seus problemas enquanto este não evoluísse seria o certo a fazer.
era o problema, só demorou um pouco de tempo até chegar a essa conclusão.
Era como uma bola de neve, aos poucos aumentando. Agora já não tinha apenas um problema, ganhara outro de brinde. Dominic DeMille certamente lhe daria maiores dores de cabeça.
Passara aquela noite pensando se era melhor impedi-lo ou se era melhor deixá-lo. Analisando a situação em que se encontrava, era melhor não expor. Não agora. Acabaria tudo o que tinha – ou não tinha - com . Já era algo necessário a se fazer.
Naquela noite também chegara à conclusão que não sabia lidar com ameaças. Dominic vinha se aproveitando disso. Mas, pensando bem, só ameaças não são válidas. Ele não tinha exatamente uma carta na manga, como falara. Tinha apenas palavras, especulação de uma história. O que vale é o que está escrito. No caso dele, não tinha provas. Quem acreditaria em algo que venha de sua boca? Era insanidade.
sorriu. Analisar fatos não era exatamente o pior a se fazer.
O vestido azul-petróleo talvez fosse a melhor opção para se vestir naquela noite. Por um lado, sua mente gritava para que vestisse algo que chamasse melhor a atenção, o vermelho berrante estendido em sua cama, quem sabe. Mas não. Aquela não era a intenção, por mais que no fundo ainda quisesse que fosse.
Ela não voltaria atrás. Não provocaria mais, não queria aquilo.
- Apenas uma conversa, isso basta. – Repetiu para si mesma, enquanto delineava seus olhos com camadas pretas de rímel. Nada mais.
não se sentia ela mesma. Não pela ausência de roupas de marca, que de longe chamavam atenção, não pelo seu cabelo amarrado, dificilmente desta forma, já que era adepta aos fios longos e soltos.
Pegou o celular em cima da bancada do banheiro e o fitou por alguns estantes. A mensagem de era quase uma imploração explícita para que se encontrassem.
Já fazia algum tempo.
Contando mentalmente, não se viam desde o episódio que não se recordava muito bem.
Apenas uma frase ainda martelava em sua cabeça, essa cena se repetia constantemente.
ajoelhado, seus dedos acariciavam o queixo de Jodie, enquanto falava para ela que nunca a deixaria. Só de pensar nisso, a ânsia voltava novamente.
Se nunca iria a deixar, porque continuava com tudo aquilo?
Assumiu estar cansada, precisava de um basta, só não tinha total certeza se conseguiria tê-lo.
Era preciso prestar atenção nos mínimos detalhes. A cautela demasiada era necessária se quisessem manter o anonimato. Aquelas eram as regras desde o início.
Não levantariam suspeitas se não deixassem provas pelo caminho, era o que sempre falava. Hoje, não se preocupou tanto como das outras vezes. Não escolheu um lugar desconhecido, onde o risco de encontrar alguém conhecido era menor. Ou algum quarto de hotel. Não cogitou a última idéia. Evitaria a idéia de ficar sozinha com no mesmo local.
Talvez o bar daquele hotel tivesse sido uma boa escolha. Era calmo, o que ajudaria no diálogo. Havia várias pessoas no local, o que facilitaria a resistir a tentação. Respirou fundo antes de sair do táxi. Não queria entregar o jogo desde o início, ser pego de surpresa o faria ficar sem reação, então com a ausência dela, não voltaria atrás com sua escolha.
Esse era o plano.
Repetiu inúmeras vezes em sua mente, enquanto caminhava sem pressa até o rapaz sentado na mesa de canto, com o olhar distraído para seu copo quase vazio. A vestimenta o deixava mais sério, o que, antes, a garota preferia o termo “sexy”.
Era preciso foco.
- Não vim vestida para ocasiões especiais. – Apenas disse, sentando do outro lado da mesa. O garoto levantou o olhar para ela e sorriu, olhando em seguida para sua própria roupa.
- Tive que vestir, falei à Jodie que iria a uma reunião da empresa. – falou, aproximando sua mão por cima da mesa até a da garota. recuou.
Jodie.
Foco.
percebeu a mudança em seu olhar. Seu rosto de alguma forma estava diferente. Permaneceu calado durante alguns segundos. Ela tinha algo a dizer. Soube assim que a viu entrar no local. costumava ser um enigma, mas, ainda assim, conseguia decifrar algumas atitudes e pensamentos, por menores e difíceis. Seus olhos sempre a desvendavam.
Observou-a pedir seu drink, dar o primeiro gole nervoso e fitar o nada. Depois, a observou tombar a cabeça de lado e olhá-lo ruidosamente.
Foi aí que seu coração acelerou.
- Quero que seja sincero. – sua feição trazia uma seriedade a qual desconhecia. Trazia frieza.
- Eu serei. – respondeu assim como fora pedido. A curiosidade surgia, conforme olhava por mais tempo em seus olhos. Aquele castanho nunca fora uma incógnita para ele, até aquele momento.
- Diga-me, , - desviou o olhar para a taça, fazendo círculos em sua entrada com seu dedo. – Por que ainda me procura?
Ele parou por um momento, mas não perdeu a visão da garota.
- Por que pergunta isso?
- Por favor, responda. – disse firme, ainda encarando a taça em sua mão. – Não faça uma pergunta por cima.
- Você sabe o que sinto. – Não sabia se isso ao certo esclareceria algo em sua mente tão confusa como a dele, mas fora algo que falou espontaneamente.
- Não sei se tenho certeza disso. – olhou em seus olhos. Estremeceu, vendo-os a fitar com tanta intensidade. Era como se tentasse penetrá-la, expor todos seus pensamentos para que pudesse entendê-la. Como defesa, ela abaixou o olhar novamente.
- O que te faz duvidar, ? Eu não entendo. – colocou a mão em seu queixo, forçando-a a olhar em seus olhos. – Sempre fui sincero, sempre te falei o que sinto por você. – ele falou baixo.
- Atitudes valem mais do que palavras, . – A garota afastou sua mão de seu rosto.
Ele desviou o olhar para seu copo, não sabia o que falar.
- Se gostasse tanto quanto fala, se me amasse do jeito que demonstra quando estamos juntos, não me deixaria dessa forma. Não estaríamos dessa forma.
O silêncio que pairava os cortava por dentro, a tensão entre eles era evidente pela forma que se mexiam, evitavam olhares e pela respiração falha. Essa era quase como uma entrega.
- De que forma seria diferente? – perguntou, depois de alguns segundos em silêncio. – Não seriamos nós se não fôssemos assim.
balançou a cabeça negativamente, mais para ela mesma. Engoliu em seco. Palavras lhe faltavam. Quando isso ocorre, deve-se simplesmente calar. Era o que sempre falava.
Não conseguiu.
- Poderíamos ser, se quiser... – As palavras formadas saíram de repente. Não estava nos planos uma segunda opção, outra alternativa. Não havia plano B.
- O que quer dizer?
- É preciso fazer escolhas para continuar seguindo em frente. – disse. Desta vez, fazendo questão de fitar seus olhos.
Era a vez de ficar mudo. Palavras fugiam quando tentava formá-las em sua boca. Não tinha o que falar.
Dizem que, em determinadas situações, o silencio é a melhor resposta, permanecê-lo, às vezes é a melhor forma de demonstrar seu sentimento.
não deveria ter seguido esse conselho naquele momento.
Ela segurou a vontade de chorar, abaixando novamente sua cabeça e levantando da mesa, deixando-o ali, sozinho e confuso. Ele nada fez, apesar de entender o porquê de ela ter levantado. Sentiu seus olhos sendo umedecidos aos poucos.
Era como se sua mente estivesse despedaçada.
Os pensamentos que restavam, agora não passavam de cacos, machucando-os.
Era um desafio para ele, achar palavras que explicavam seu real sentimento entre todos os outros que passavam por cima, confundindo-o cada vez mais. Além de confuso, a dor em seu peito o fazia ter a sensação de coração apertado, pescoço sendo sufocado e seus olhos sendo expostos ao fogo, ardendo. O pior de olhá-la atravessar aquela porta não era vê-la indo embora, mas era não ter certeza de que algum dia voltaria.
Nota da Autora: Eu sei, demorei muito pra mandar a att. Novamente eu travei, e não consegui sair de um parágrafo. Quem escreve, sabe o quanto é HORRÍVEL querer escrever, mas não saber exatamente o que. Esse capítulo não saiu exatamente como eu esperava, e também não foi muito grande, mas eu espero que vocês entendam. Esses dias agora, vou tentar escrever enquanto não viajo pro Rio de Janeiro, e quando voltar, eu volto novamente para minhas tentativas. Não desistam de ler a fic, ok? É um travo viu?
Obrigada @thadebrinks por me ajudar, as meninas do group lindas que toda vez me deixam de boca aberta quando me citam nas n/as *-*
O que acharam do capítulo, do rumo que está tomando? Eu amo sugestões, criticas e comentários viu, danadas? Curtam as férias e até logo (assim espero)!
Nota da Beta: Qualquer erro, mandem um email diretamente para scheffer.lara@gmail.com. Xx