Capítulo 1 “There's a storm coming up
And I gotta prepare myself
'Cause this feeling's getting
Stronger everyday” – JB
POV’S EMY
Era nosso segundo ano em Stanford. Eu e minha amiga de infância, Lily ou Lils, como todos a chamavam, morávamos em um república da faculdade. Era uma república mista e não aquelas só de garotas ou só de garotos como todos estão acostumados. A escola queria aproximar seus alunos, e estava dando certo, mas tinham alguns que se aproximavam demais, como a Lily. Ela namora Nick, um de meus amigos mais próximos, assim como ela e Adam. Eles namoravam já havia algum tempo, se não me engano há um ano e pouco. Eu não tenho namorado. Ninguém gosta de mim... A propósito, meu nome é Emily, mas podem me chamar de Emy.
Eu curso direito em Stanford, assim como Lily; Nick cursa Engenharia Aérea; Adam, nosso loiro e melhor amigo, estuda Medicina. Vivíamos duvidando que o loiro fosse mesmo médico um dia, e ele ficava bravo com a gente:
- Eu que não deixo você colocar seus dedos em mim! – disse Nick que estava abraçado com Lily no sofá. Eles não se desgrudavam.
- Meu, você ainda vai implorar para eu te atender. – disse ele. – Você vai estar com câncer e eu vou ser o único médico a saber a cura!
- Nossa, agora ele faz milagre também! O que mais você vai descobrir? A cura da AIDS? – brincou Lily.
Ela ganhou como resposta uma almofadada na cara. Não preciso dizer que mais de uma almofada voou na sala. Não foi só a gente que começou a jogar, a república inteira entrou na brincadeira, que foi interrompida pela nossa inspetora, Sra. Rachel. A mulher já estava acostumada com guerras de almofada, comida, tênis, bola, água, bexiga e por aí vai. Não é muito simples conviver com doze adolescentes.
Ela mandou todo mundo para o quarto, certificando-se de que cada “namorado” e “namorada” havia ido de fato para seus respectivos quartos.
Já era tarde e amanhã tínhamos aula. Subi a escada, entrei no corredor à direita e passei pela última porta. Eu dividia o quarto com a Lils e a Fany, uma intercambista da Coréia do Sul.
- Emy, por que suas coisas estão na minha cama? – perguntou Lily, pegando uma calça jeans minha.
- Ah, não tinha lugar na minha.
Não tinha mesmo. Não dava nem para ver minha cama. Ela estava encoberta de livros, roupas e mais livros.
- Folgada pra... – Lily ia dizendo.
- Hey, calma, eu tiro. – eu disse infeliz. Ia ter que jogar minhas roupas no chão... Eu só me ferrava.
Não demoramos muito para dormir. Fany foi a primeira, ela tinha o sono muito pesado. Lils foi logo em seguida. Fiquei no computador até tarde. Não conseguia dormir, não tinha sono. Então desliguei o laptop e saí para o corredor. Desci a escada e fui para a cozinha que surpreendentemente estava com a luz acesa.
- Quem ta aí? – perguntei. Eu sei que pareceu uma daquelas frases de filme de terror, mas eu não pude evitar.
Fui em direção à geladeira, mas de repente:
- Ah! – uma coisa agarrou minha perna.
Olhei para baixo, quase desmaiando de susto. Era o Nick.
- Meu, você tem problema? – perguntei. – Vai tomar no cú!
Ele se matava de rir.
- Não tem graça. – eu disse. – O que você ta fazendo aqui?
- Não to conseguindo dormir. – respondeu ele, falando de um jeito infantilizado.
- Pesadelo? – perguntei. Ele pareceu uma criança falando aquilo.
- Não. – disse ele abrindo a geladeira. – E você? Sonhando com o bicho-papão?
- Cala a boca. – eu disse cruzando os braços. Eu ainda tava traumatizada pelo susto.
Olhamo-nos e começamos a rir. Parecíamos dois idiotas. Quando nos recuperamos, peguei dois copos. Ele colocou leite nos dois.
- Quente ou frio? – perguntou ele.
- Como se você não soubesse... Frio, né? – eu disse. Ele colocou no copo e brindamos.
Sentei no balcão, mas Nick, não satisfeito, começou a me perturbar:
- Vem cá, você não tem educação mesmo, né? Além de não ter me agradecido, ainda senta no balcão? - ele fingia estar indignado.
- Você é chato assim ou você ta se esforçando muito? - já estava rindo de seu desempenho.
- Eu sou bom nisso, né? - ele riu, me acompanhando.
- Além do mais, não fez mais que sua obrigação. – eu disse, logo depois tomando um gole de leite. Ele me respondeu com um leve tapa na cabeça, que me fez quase morrer engasgada. Filho da puta!
Nick costumava me encher muito o saco. Dizem que quando um garoto perturba muito uma garota, isso tem um significado. Comecei a achar que havia uma segunda intenção por trás disso... Não sei se era isso que ele está tentando fazer, até porque ele namora a minha melhor amiga. Enfim, depois de eu ter me recuperado da tentativa de homicídio do Sr. Nicholas, voltamos à conversar.
- Você tem prova amanhã, não tem? - perguntei.
- Tenho... - disse e em seguida virou o copo de leite na boca.
- Você não estudou, né? Não deveria estar dormindo pelo menos? Ao invés de judiar de uma pobre coitada como eu?
Acho que ele não me ouviu, estava muito ocupado tirando o "bigode” causado pelo leite, com a língua. Cara, nunca pensei que diria isso sobre essa cena, mas isso foi sexy!
- Ahn? - depois de se lamber, o lesado perguntou.
- O que? - eu ainda estava meio desnorteada.
- O que você perguntou, cabeção? – esse era o apelido carinhoso que Lily, Nick e Adam usavam para me chamar. Quanto amor!
- Eu perguntei alguma coisa? – da minha boca não saía coisa com coisa.
- Você ta muito estranha! - ele riu sozinho. - Deve estar na hora do bebê dormir.
Não pude nem ao menos rir. Afinal, ele tinha razão. Eu estava muito estranha, mas só com ele que isso aconteceu. Eu raramente ficava sem palavras com alguém, isso nunca acontecia. Achei melhor subir para meu quarto logo, não queria mais ficar na cozinha com o Nick.
Eu não era eu mesma.
Naquela noite, tive um sonho esquisito. A cena de Nick lambendo seu bigode se repetia inúmeras vezes em minha mente. Mas a imagem era intercalada com o rosto de Lily. Acordei de manhã com Nick lambendo seu bigode de leite fugindo da minha cabeça. O quarto estava vazio. Desci para a cozinha.
- Bom dia. – eu disse. Não dava para cumprimentar todo mundo, era muita gente.
Dezesseis vozes responderam, mas só pude ouvir a do Nick.
- O que tem de comida? - eu sei que é uma frase meio ogra, mas eu tava com fome, meu!
- Adivinha? – disse Adam, tomando um gole de seu suco de laranja.
- Pão. – respondeu Fany, uma das encarregadas do café naquele dia. – E bolo também.
Ela tinha um sotaque tão engraçado e meigo ao mesmo tempo. Esse era sempre o café da manhã quando ela era encarregada da cozinha.
- Mas você não para de comer. – disse Nick. – Já comeu ontem de madrugada.
- Você tá comendo. – respondi.
- Olha o meu tamanho e olha o seu. – disse ele mostrando seu braço.
Que braço forte. Jesus do Céu! (é nessas horas que eu viro cristã) Ele abaixou a manga, mas eu continuava a olhar pro lugar onde os bíceps estavam.
- Emy? – perguntou Lils. – Emily?
- Fala. – eu disse olhando para ela.
- Tá tudo bem aí?
- Claro, só fiquei com um pouco de inveja dos braços dele... Fiquei me imaginando como eu ficaria com eles. – menti.
- Acho que combina. – disse Adam. – Só precisa malhar um pouquinho.
Ele pegou no meu braço e o mediu.
- Nossa, que coisa fina!
- Quando somos magras, vocês garotos reclamam, quando somos gordas, também. Afinal o que vocês querem?
- Um pouco de carne. – disse Nick e mediu Lily com os olhos.
- Hey! - disse ela envergonhada, fechando a jaqueta até o pescoço.
Os dias se passaram e eu não sabia ainda o que tava acontecendo comigo. Meu problema com Nick piorava a cada dia. Era só ele fazer ou falar alguma coisa que eu simplesmente adorava. Eu adorava tudo o que ele fazia! Um simples “oi” dele era adorável. E eu apenas não sabia por quê.
Um dia, eu e Lily estávamos conversando na aula de Direito Criminal. Lembrávamos de quando estávamos no colegial.
- Nossa, você se lembra daquele garoto... – Ela parou para pensar - Harry, não é? – Ela questionou por fim.
- Ah, lembro sim! Ele era tão bonito...
- Lembro que tudo o que ele fazia você achava bonito e contava para mim. Era tão engraçado! Você era tão idiotinha. – ela dizia rindo.
- Hey!
Essa minha palavra foi resposta para duas coisas. Primeira: eu não era idiotinha, posso ser um pouco boba, mas idiota não. Segunda: eu gostava do Harry e tudo que ele fazia era bonito, a mesma coisa estava acontecendo com Nick. Significava que eu gostava dele?
-... Algumas vezes notamos algo que ninguém mais parece enxergar. – dizia o professor, essa frase me abriu os olhos.
Eu gostava de Nick!
Good Lord! Jesus Cristo! Isso era mau, feio, horrível, errado, terrível, péssimo... Não me veio outras palavras ruins para descrever.
Não conversei com Lils durante o resto da aula. Não conseguia encarar minha amiga, minha melhor amiga! Eu não podia fazer isso. Era o namorado dela, pelo amor de Deus! Fruto proibido.
Amigas primeiro, garotos depois. Frases assim vinham na minha cabeça e não saiam mais! “Ela é sua amiga” era uma das frases mais repetidas.
A semana inteira se passou e eu me afastei um pouco de meus amigos. Não podia olhar direito para Lily depois da descoberta do que eu sentia por Nick. Não conseguia olhar para Nick sem ter vontade de abraçá-lo e enchê-lo de beijos. A única pessoa com quem me sentia confortável de verdade era com Adam, meu melhor amigo desde que pisei na faculdade.
Era sexta-feira à noite. Nick e Lily saíram para passar um tempo juntos, o que eu dei graças a Deus, eu assistia televisão com o povo da república quando percebi que Adam não estava entre nós. Ele morreu? Não. Fui ver se ele estava lá em cima.
Subi a escada e, ao invés de virar a direita no corredor, virei à esquerda para o lado dos garotos, entrei na última porta. Lá estava o loiro, deitado na cama, com um controle de videogame na mão. Seu colega de quarto, Kevin, se olhava no espelho, arrumando o cabelo.
- Encontro, Kevin? – perguntei.
- Claro que sim. É a única coisa que faz esse aí tomar banho. – disse Adam pausando o jogo e olhando para mim.
- Bonita? – perguntei. Kevin respondeu que sim com a cabeça. – Loira? Morena? Ruiva?
- Loira. – respondeu com um sorrisinho.
- Por que os garotos preferem loiras?
- Não s... – respondia Adam.
- É porque você é loiro. – eu disse. – Você já sabe como é difícil ser geneticamente mais burro do que os outros.
- Você É loira! – disse ele.
- Ah é... – eu disse pegando uma mecha do meu cabelo e examinando-a por algum tempo. – Esqueci.
Kevin riu. Adam jogou seu travesseiro em mim.
- Pro seu governo, eu também gosto de loiras, mas não sei por quê.
- Ai, ai... Você não muda, Adam! Cuidado, Emy. Ah, e não quebre meu recorde, Doutor. – disse o garoto e saiu pela porta.
- Vai ficar parada na porta mesmo? – perguntou Adam, sentando-se na cama para me dar espaço.
Sentei-me.
- Quer jogar? – perguntou. Olhei para a tela da televisão. O jogo era aqueles de tiro, tinha que matar alguns zumbis. Não era boa nesses jogos. Olhei no fundo dos olhos dele. – O de sempre?
- Sim. – respondi abrindo um sorriso.
- Comprei uma nova versão. – ele disse e me entregou a guitarra.
- Rock Band! – comemorei. E pulei em cima dele, abraçando-o. Eu adorava aquele jogo!
Ele pegou o microfone. Começamos a jogar. Uma coisa que Adam realmente sabia fazer era cantar. A voz dele era envolvente e gostosa de ouvir. Quando ele pegava um violão... Qualquer garota que estivesse ao seu lado se apaixonava.
Capítulo 2: “You’re hurting me now
You take me down and you don’t even know it
You think it’s a joke
But baby you don’t know, you don’t even notice
You’re hurting me now” – Sai
Cansei de jogar, apertar o botão da guitarra realmente cansava meus dedos. Deitamos na cama e ligamos a televisão. Eu gostava de passar o tempo com Adam, eu não tinha que me esforçar quando estava com ele. Sabia que sempre teria seu ombro amigo em qualquer situação. Era por isso que eu tinha certeza de que ele poderia me ajudar ou, pelo menos, me ouvir. Precisava compartilhar esse sentimento horrível que estava dentro de mim com alguém.
- Adam...
- Fala. - colocou seus fortes braços atrás da cabeça e pôs-se a olhar para mim.
- O que a gente faz quando está gostando de alguém?
- Tenta ficar com esse alguém...
- Mesmo se essa pessoa for proibida? – Eu falava sério, mas ele riu e continuou.
- Como assim “proibida”?
- Sei lá, eu tenho medo de estragar a amizade. – Passei a encarar o teto.
Adam hesitou por um instante, mas ainda com seus olhos em mim e com um meio sorriso no rosto, prosseguiu.
- Estragar a amizade?
- É! Ele não é pra mim...
- Como assim? – 1, 2, 3, vamos lá, Emy!
- Ele é da Lily! – senti minhas mãos esfriarem e percebi que subitamente Adam já se encontrava sentado na beira da cama. O peitoral que estava por baixo da minha cabeça simplesmente sumira.
- Você gosta do Nick? – ele dizia baixo, de costas para mim.
- A cada segundo mais. – consegui ouvir seu suspiro de onde eu estava. Acho que ele ficou abalado. – O que eu faço, Adam?
- O que você faz?! Não acredito que você veio até aqui pra me dizer que você ta apaixona pelo namorado da sua melhor amiga! Você não tem vergonha na cara?
Com as mãos ainda frias, senti meu rosto ficar quente. Pensei em dizer algo, mas tudo que vinha à minha cabeça era um sonoro “Você tem razão.”
- Você tem noção de quantas pessoas você pode machucar com isso? Como é que você pode dizer isso com tanta certeza!? Deveria estar pensando que está enganada e estar tentando esquecê-lo ao invés de vir aqui assumir o seu amor!
Eu me sentei virada para a porta, não queria ouvir o que ele tinha para me dizer. Ele, por sua vez, já estava andando pelo quarto, de um lado para o outro, com a mão na cintura, visivelmente irado, procurando mais argumentos para o seu sermão.
- “Eu gosto do Nick”. Você NÃO pode gostar do Nick, caralho!
Eu não sabia o que fazer: se eu corria, se eu esperava ele acabar, ou esperava ele me dar um soco na cara... Aquela situação pedia um pedido de desculpas, mas não tem porque eu me desculpar com o Adam! Ele não tem nada a ver com isso, não consigo entender.
- Adam, ta bom. Eu já entendi.
- Entendeu o que? Que você é uma galinha fura olho? Eu tenho nojo de você!
- Para de falar essas coisas!
- Parar por quê? Você sabe que eu tenho razão.
- Mas eu não tenho culpa!
- Claro que tem! Eu escolhi gostar de... – Ele não completou o que iria dizer.
- Escolheu o que, Adam? A gente não escolhe quem a gente gosta.
- É, eu sei, e eu vou sofrer as consequências por isso...
- O que?
- Ah, vai embora. – Ainda com as mãos na cintura, olhando para baixo, ele abriu a porta para que eu saísse.
Apenas dei graças a Deus por ele ter me mandado embora de uma forma até que passiva. Nunca o vi daquele jeito, e para mim isso é sério, mas não para ele chegar a esse ponto.
Talvez ele estivesse certo, eu não podia me convencer de que eu gostava do Nick. O melhor a fazer é esquecê-lo, ou pelo menos tentar.
POV’S LILY
Nick e eu voltamos para a república mais tarde do que planejávamos. Este foi simplesmente o melhor dia da minha vida!
Pela primeira vez, Nick disse que me amava. É claro, que eu respondi um “eu também”, porque eu não sabia o que era amar até o dia em que ele apareceu em minha vida. Eu estava completamente apaixonada.
- Eu não quero dormir...
- Mas eu quero, Nick! – dizia descontraída, sentada no sofá com ele, supostamente, ao meu lado – Vai! Sai de cima de mim, se alguém vir a gente aqui...
- Não pega nada, Lils...
- Claro que pega! Vai amor, por favor.
- Tá bom... Mas você não vai dar nem um beijinho de boa noite?
Ele fez cara de pidão, e eu, obviamente, cedi. O que era pra ser um “beijo de boa noite” se tornou um “amasso” sem nem ao menos eu perceber.
Cortei subitamente o melhor beijo que Nick já havia me dado quando ouvi alguma coisa e pude ouvi-lo reclamar para si mesmo algo como “Ah, logo agora que estava ficando bom”, aquilo me fez rir internamente. Olhei para trás e me deparei com Emy, com sua melhor cara de boba de todas!
- Nossa! Ainda bem que é você! – dizia com uma mão sob meu peito, eu realmente havia me assustado. Ela ainda não havia expressado nenhuma reação após a minha fala - O que foi, Emy? Por que você ta parada aí? – eu disse em meio a risos.
- É, meu! Junte-se a nós e à nossa brincadeirinha! – Nick brincou, piscando logo em seguida.
- Controle-se, homem! – brinquei também.
Eu e Nick rimos. Mas Emy não. Ela ainda estava lá, parada. Agora, ela fingia um sorriso. Sorriso esse que ela visivelmente tentou fazer transparecer, mas ele não apareceu. Aquilo me preocupou, mas o idiota do meu namorado ria.
- Qual é o seu problema, Emy?
Desta vez, ela respondeu. Gaguejando, mas respondeu:
- Er... Eu... – abaixou a cabeça e ergueu-a com um leve sorriso no rosto – Eu... Estou com sede...
Assim que terminou de dizer, seu “sorriso” desapareceu novamente e ela se retirou.
Nick e eu ficamos nos olhando por um tempo sem saber o que fazer, mas depois de um tempo ele tentou me beijar de novo.
- Nicholas!
- O que foi??
- Seu insensível!
Agora fui eu quem me levantei abandonando Nick no sofá, sem entender muita coisa. Às vezes ele é bem burrinho, mas tudo bem, ninguém é perfeito, né?
Fui em direção à cozinha para conversar com Emy e me deparei com a mesma Emy com o olhar perdido que estava na sala agora a pouco.
- Está tudo bem, Emy? – disse, me sentando à sua frente.
- Está. – ela ainda não me olhava.
- Seu copo ta interessante aí? – brinquei e ela sorriu. - Pode olhar pra mim, eu deixo!
- Sua besta! – ela disse agora, quase rindo.
- Tá, então fala o que houve. Você ficou assustada com alguma coisa que você viu? Ou sei lá... Nunca vi você ficar tão... Er, assustada por me ver beijando o meu namorado! – disse descontraída, mas essa frase fez com que ela parasse imediatamente de sorrir.
- Não houve nada. Só estava com sede e sono. – Eu apenas assenti com a cabeça. Se ela não quisesse me contar o que estava acontecendo, eu não ia forçá-la. – Agora que já matei a sede, vou dormir. Boa noite, Lils.
- Espera! Vou com você. – ela deu de ombros e foi na minha frente.
Emy conseguiu fazer com que aquele dia deixasse de ser 100% perfeito. Mas tudo bem, vai ver ela só estava com sono mesmo.
No dia seguinte, fui acordada por gritos e chacoalhões. Era Fany querendo saber tudo o que acontecera no dia anterior.
Todas as vezes que eu saía com o Nick era assim: Fany e Emy se juntavam para ouvir se havia alguma novidade. Eu realmente estava com muita vontade de dizer a elas que o Nick disse que me amava, e teria feito isso ontem se Emy não estivesse de mau humor.
Só por esse motivo, levantei animada e logo me pus a falar. Fany ouvia tudo entusiasmadamente, batendo palminhas e sorrindo sem parar, já Emy estava agarrada a uma almofada, dando mais atenção a ela do que a mim, a única vez em que ela se manifestou foi quando eu contei o clímax da história:
-... Aí ele olhou nos meus olhos e disse “Eu te amo”.
- Ahhhhhh! Que lindo! Aí sim hein, Lils! – Fany dizia cada vez mais animada, o que me animava também.
- É sério que ele disse isso? – ela disse baixo, num volume quase inaudível.
- É!! – eu respondi no mesmo nível de animação de Fany, que não parava de bater palminhas.
- Mas tipo, sério... Sério mesmo?
- Aham!!
- Essa é poderosa, não é não, Emy? – Fany brincou.
- Muito. – ela ainda não demonstrava emoção.
- Você não está feliz por mim, amiga? – arqueei a sobrancelha.
- Claro que sim! Estou em choque de tão feliz! Parabéns, Lils! – ela sorriu e me abraçou.
- Temos que sair para comemorar!
- Calma, Fany, também não foi nenhum pedido de casamento, nem nada! – Ri.
- Mas é que eu quero ir ao jogo de baseball de hoje...
- Hm, o Chang vai jogar, né? – Emy indagou. Chang era um oriental por quem Fany tinha uma queda.
- Vai!!
- Hã, bem danadinha essa Fany, viu! – Emy brincou novamente. Por que com a Fany ela agia normalmente?
Então estava decidido: iríamos assistir ao jogo dos meninos naquela tarde. Informei Nick e ele disse que faria pontos para mim, ele não é fofo? Ah! Adam prometeu que faria pontos para mim também, então não teríamos como perder!
Os meninos saíram antes para que pudessem se trocar e se aquecer. Enquanto eu ajudava Fany com algumas matérias de humanas, a aérea da Emy escrevia algo. Uma poesia ou uma música, provavelmente.
O tempo passou rápido e logo estávamos nos dirigindo ao estádio. Assim que pisamos lá, nossos amigos vieram nos recepcionar. Nick me deu um selinho e juntou-se ao Adam para mexer com a Fany.
- Nossa, Fany, toda essa produção é pra mim? – Adam disse, abraçando-a pela cintura.
- Claro que não, Adam. Ela não gosta de loiros. Todos nós sabemos que eu faço o tipo dela! – Nick se aproximou, olhando-a de um jeito sedutor e passando a mão em seus cabelos.
Emy e eu já nos segurávamos para não rir, pois já sabíamos o que tinha por vir.
- Hey! – ela deu um tapão na mão de Nick e empurrou Adam para longe. – Vocês querem apanhar? - dizia séria, com aquele sotaque que tornava tudo mais engraçado.
Ah! Acho que me esqueci de avisar, Fany não tolera qualquer tipo de aproximação e/ou elogios vindo de garotos, ela já parte pra porrada.
Nick logo se afastou rindo, mas Adam quis brincar com fogo:
- Calma, gatinha! – Adam se aproximava.
- Do que você me chamou, seu bobão? – ele se aproximava cada vez mais e, quando quase apoiou suas duas mãos na cintura de Fany novamente, ela o alertou – Melhor você não dar mais nenhum passo...
Ele hesitou por um momento, cruzou os braços em frente à ela e com um sorriso maroto no rosto disse:
- Por quê? O que é que você vai fazer?
- Eu vou chutar seu saco... – dizia a sul-coreana apontando o dedo em sua cara enquanto Emy, Nick e eu nos matávamos de rir. – Eu sempre quis fazer isso! – Ela virou para nós e se confessou. O que apenas fez com que ríssemos mais.
Adam, loiro que só ele, não obedeceu às ordens da Fany e ousou colocar suas mãos nela. Ela também não hesitou em chutar suas partes íntimas com toda a sua força, fazendo com que o coitado se curvasse de dor, quase vomitando, e nós ríssemos. Sério, eu já estava sem ar.
- Eu avisei, seu ocidental!
- Ai, Fany! Pegou pesado, meu! Como eu vou jogar agora? Tá doendo demais! – ainda se contorcendo de dor com as mãos lá.
- Essa doeu em mim! – Nick havia parado de rir, ele era o único que entendia o que seu amigo estava passando.
- Ih, não vai poder mais ter filhinho! – Emy brincou, fazendo com que todos rissem. Com exceção de Adam.
- Nossa, que engraçado! Ninguém falou com você. – Adam, que estava todo brincalhão até agora, olhou sério (até demais) para Emy, fazendo com que um silêncio constrangedor se formasse.
- Ei, cara! Pega leve aí com a Emy, meu... – disse Nick. Adam deu de ombros.
- Deixa eu ir lá, preciso de um pouco de gelo pra poder fazer pontos pra Lils e pra gata da Fany!
- Vou te deixar aleijado, moleque! – Fany gritou para Adam, que já havia dado as costas rindo.
- Eita... Que bicho mordeu esse cara? – Eu perguntei descontraída.
- Não sei... – Emy havia voltado a ficar séria.
- Relaxa, Emy, foi efeito do chute da Fany! Mas fica calma que eu vou fazer pontos pra você também pra recompensar, ta?
Emy sorriu timidamente. Mas por que timidamente? Se bobear até a bunda do Nick ela já viu!
Nick me deu um selinho, se despedindo. E iria dar um beijo em Fany, mas ela disse:
- Nem pense nisso.
Então eles fizeram um toque doido que eles inventaram e em seguida ele beijou a Emy, que corou levemente. Sim! Ela ficou vermelha! Claro que eu achei aquilo extremamente estranho.
Nick saiu e eu fui perguntar a Emy o que estava acontecendo.
- Tá tudo bem aí?
- Claro! – ela sorriu.
- Por que você tá vermelha? – perguntei desinibida.
- Eu? Vermelha? Não viaja, Lils! Deve ser o blush...
- Você não usa blush. – ela me olhou como se não soubesse do que eu estava falando. - Claro que tá vermelho! Quer ver? – Me virei para pedir a opinião da nossa sábia Fany. – Fany? Fany?
- Ali oh! – Emy apontou para a arquibancada, Fany já estava devidamente posicionada, olhando Chang se alongar. – Essa daí não perde tempo! – Emy disse e eu ri.
Capítulo 3: “So thank you for showing me
That best friends can not be trusted
And thank you for lying to me
Your friendship, the good times we had
You can have them back” – Simple Plan
É, acho que ela não estava vermelha, devia ser só paranóia da minha cabeça. Eu tenho certeza de que tudo está bem e ela continua sendo a mesma melhor amiga de anos atrás.
Resolvemos nos sentar perto da Fany logo, antes que ela começasse a gritar por nós.
Ganhamos o jogo! Viva! Nick e Adam fizeram vários pontos para mim. Meu namorado também conseguiu fazer pontos para Emy. Ele jogou muito bem, como sempre.
Todos voltamos para a república felizes pela vitória, só a Emy parecia não estar tão feliz assim. Nem com a pequena comemoração que fizemos em casa ela se animou. Estranho...
Não foi só eu que percebi que ela estava agindo de um jeito diferente, a Fany também. A sul-coreana ficou perguntando a noite inteira o motivo de tanta insatisfação da Emy. A garota insistia que não era nada, mas isso simplesmente não era normal dela. O pior de tudo é que ela passou o final de semana todo assim. E quando ela finalmente se animava...
- Meu, não sei como vocês mulheres conseguem passar por isso. – disse Adam. Nós estávamos assistindo um documentário na televisão sobre partos.
- É nojento. – disse Nick.
- Por isso é que eu vou morrer virgem. – disse a Fany.
- E o Chang?
- Ah, Lils, eu só quero namorar com ele. Não precisamos ficar se agarrando...
- Como você vai namorar se você nem deixa os garotos tocarem em você?
- Ela não deixa você tocar nela, loiro. – disse Emy sorrindo.
- Ainda bem que eu estava falando com a Fany, não é mesmo? – disse o loiro. Emy se afundou no sofá.
Foi a partir daí que eu comecei a reparar numa coisa: o Adam também estava agindo diferente, mas era só com a Emy. Será que tinha acontecido alguma coisa entre os dois na noite em que eu e o Nick saímos? Uhh...
A Emy não queria me contar nada, talvez o Adam me contasse. Eles juntos seria perfeito. Resolvi ter uma conversinha com o loiro, então, quando o filme acabou e nós subimos para os quartos, puxei o loiro para o banheiro do corredor. Ainda bem que o Nick não viu nada.
- Isso é sequestro. – disse ele.
- Eu não acredito que você não contou para mim. – eu disse sussurrando.
- O que?
- Sobre você e a Emy.
- Emy? Espera.
Ele obviamente estava tentando entender do que eu falava.
- Ah, por favor, não se faça de desentendido. Se abre!
- Como você descobriu?
- Tá na cara.
- Não tá não. – ele disse como uma criança mimada, eu o encarei como se fosse evidente a resposta. – Agora não adianta mais...
- Como assim? Vocês ficaram juntos, isso é perfeito! – eu disse fazendo uma dancinha que na hora pareceu legal, mas agora que eu me lembro não foi tão boa assim...
- O que? – perguntou ele. – Nós não... O quê? Por que você pensou que...? Meu Deus, quem dera...
- Como?
- Como o que?
- Você não ficaram. Mas você queria...
- Er... N... N-não. – a resposta do loiro pareceu um remix.
- Você gosta da Emy! – minha voz de repente ficou aguda, muuuito aguda.
- Dá pra falar mais alto?! Acho que os vizinhos não ouviram.
- Ah, isso é perfeito! – comemorei, desta vez com pulinhos. – Fala pra ela!
- Não.
- Por quê?
- Porque... – ele parou, engoliu a seco e depois suspirou. – ela gosta de outro cara.
Nesse momento eu pude ver o quanto o loiro gostava da minha amiga. Sua voz estava baixa quando respondeu, estava cheia de tristeza. Sua expressão era igual a de um cão sem dono, era a solidão aparecendo. Meu Deus, ele amava a Emy!
Mas como é que ele sabe que a Emy gosta de outra pessoa e eu não? Isso não faz nenhum sentido.
- Lily? Cadê você, Lily? – a voz de Fany me chamava no corredor. Adam e eu nos olhamos.
- Eu saio primeiro. – eu disse. Ele concordou com a cabeça.
Dei um abraço apertado no garoto e saí do banheiro.
- Fala, cabeção! – falei para a oriental que estava em frente à porta do banheiro.
- Ah, te achei. Você pegou meu trabalho? O professor vai me matar se eu não entregar amanhã.
- Por que eu pegaria seu dever? Você cursa Gastronomia! Não tem nada a ver com Direito.
- Ah é, né... Enfim tenho que encontrar, mas ta difícil, a Emy já ta dormindo e a luz ta apagada.
Nesse momento, Adam abriu a porta do banheiro e saiu. Acho que o loiro não percebeu que eu ainda estava no corredor. Garoto estúpido!
- O que vocês dois estavam fazendo no banheiro? – Ela fez uma cara desconfiada – Juntos, ainda por cima? – Não sabia o que responder, então olhei para Adam exigindo que ele respondesse.
- Eu estava pedindo uns conselhos para a Lily de como te conquistar, baby. – disse ele chegando mais perto da Fany.
- Se você der mais um passo eu chuto seu saco!
Adam riu e desceu para a sala. Não pude evitar de rir também.
- Precisa se trancar no banheiro pra pedir conselho agora? – Ei! Essa coreana tá ficando xereta demais!
- É o Adam, Fany! – Eu tentava disfarçar. – Vai entender!
- Menino idiota! Ah, acho que sei onde deixei. – entrou em nosso quarto e não demorou muito, voltou ao corredor com uma folha nas mãos. - Acho que não é isso... – Ela avaliava a frente e o verso da folha – É seu?
- Deixa eu ver.
Peguei o papel e reconheci a caligrafia da Emy.
I shouldn't love you
but I want to,
I just can't turn away
I shouldn't see you
but I can't move
I can't look away
And I don't know
How to be fine, when I'm not
Cause I don't know
How to make a feeling stop
[chorus]
Just so you know
this feeling's taking control of me
and I can't help it
I won't sit around
I can't let it win now
Thought you should know
I've tried my best to let go, of you
but I don't want to
I just gotta say it all before I go
Just so you know
It's getting hard to, be around you
There's so much I can't say
Do you want me to hide the feelings
and look the other way
And I don't know
how to be fine, when I'm not
Cause I don't know
How to make a feeling stop
[chorus]
Just so you know
this feeling's taking control of me
and I can't help it
I won't sit around
I can't let it win now
Thought you should know
I tried my best to let go, of you
but I don't want to
I just gotta say it all before I go
Just so you know
This emptiness is killing me
and I'm wondering why I've waited so long
Looking back I realize,
it was always there just never spoken
I'm waiting here...
been waiting here
[chorus]
Just so you know
this feeling's taking control of me
and I can't help it
I won't sit around
I can't let it win now
Thought you should know
I tried my best to let go, of you
but I don't want to
I just gotta say it all before I go
Just so you know
Uma das coisas que Emy fazia quando estava entediada ou precisava desabafar era escrever músicas. Ela sabia se expressar melhor por elas. Ela também cantava e tocava instrumentos, assim como Nick e Adam.
- Oh, meu Deus! Preciso contar pro Adam. – A cada verso lido o meu sorriso se alargava mais.
- O quê?
- Nada, Fany. Depois eu te falo! – Segui em disparada em direção à escada.
Eu estava radiante. Emy e Adam eram perfeitos um para o outro. Desci saltitante e para a minha sorte, ele estava ali, logo no fim da escada, sentado no sofá.
- Ela gosta de você! – eu disse estendendo o papel da música.
- Hã?
Ele pegou o papel e o leu. Quando terminou, olhou para mim por um instante e depois voltou sua atenção ao papel. Seu olhar era de raiva, mas ao mesmo tempo de tristeza. Os lindos olhos verdes de Adam estavam lacrimejando.
- Então? – perguntei feliz.
Nesse momento ele fez uma coisa extremamente chocante: rasgou a música de Emy.
- Adam! Seu estúpido! Por que você fez isso, meu?
- É sério que você não entendeu ainda, Lily?
- Entender o que? Que vocês dois se amam? Não precisa mais tentar esconder, eu... – Adam não me deixou terminar.
- Ela não gosta de mim!
- Mas é claro que... – Mais uma vez fui interrompida.
- Ela gosta do Nick!
O chão sumiu sob os meus pés, o ar desapareceu de meus pulmões. As palavras de Adam eram inacreditáveis. Tão inacreditáveis que eu não acreditei.
- Não, Adam. Acho que você se confundiu! – O choque foi tanto que as palavras saiam muito devagar da minha boca, em um volume quase inaudível, já que todo o meu cérebro tentava digerir a informação. – Isso é impossível! O Nick é o amor da minha vida e a Emy, bom, Emily é a minha melhor amiga!
- Pensa comigo, Lily. Você sabe que isso não é impossível! Veja como sua melhor amiga têm agido nesses últimos dias. Ela está estranha, não está?
- Mas como você...? – Ele não me deixava terminar nenhuma frase!
- Ela me contou. Disse que gostava dele cada vez mais.
Ele cuspia essas palavras com um evidente nojo em suas falas. Era óbvio o seu ódio. Ele queria ser a pessoa por quem Emy se apaixonara.
Como Emy era capaz de fazer isso conosco? Aquela fura-olho! Eu não sabia se gritava, se corria, se batia no Nick por ele ser tão gostoso e sensual, se batia no Adam por me contar, ou se matava a Emily por me trair!
Nenhumas das opções citadas anteriormente foram executadas por mim. Decidi que o melhor a fazer era... Dormir.
- Eu sinto muito. – Adam pronunciou-se depois de algum tempo me olhando enquanto eu estava com uma evidente cara de boba.
- Não sinta, Adam. Isso não vai ficar assim! Não somos nós que estamos perdendo nada, é ela quem está. – Ele sorriu tentando se conformar. – Eu vou dormir agora. Mas relaxa, loiro! A gente vai ficar bem. – Eu estava fingindo ser forte e inquebrável e estava dando certo. Adam me abraçou. – Eu te amo, boa noite.
- Também te amo, boa noite.
Entrei no quarto e pude ver a traidora dormindo tranquilamente em sua cama. Como ela consegue deitar sua cabeça no travesseiro e dormir com essa cara de anjo enquanto ela sustenta uma traição a sua melhor amiga? Bom, vai ver eu não signifique tanto assim pra ela.
Tive vontade de acordá-la e esclarecer toda aquela história, questioná-la, discutir com ela, sufocá-la com o travesseiro, mas me contentei em dar um olhar mortal para Emy e me deitar em minha nova melhor amiga: minha cama. Ela, com certeza, nunca vai querer me tirar o namorado.
Não consegui dormir direito. Tinha pesadelos com Emy e Nick juntos, com a loira planejando minha morte, com ela enfiando uma faca em minhas costas... Pode parecer dramática, mas eu sou assim e ela era de fato uma traidora.
Capítulo 4: “Jealous don't you know your girl is jealous
She can't help but be suspicious
Can't you see, that girl is jealous
So better make it right” – Alanis Morrisete
POV’S NICK
Sabe quando você sabe que tem alguma coisa errada, mas todos ao seu redor se recusam a contar o que? Bem, foi isso que aconteceu pelo menos uma semana após o jogo que se passou. O ambiente era pesado e eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Era frustrante! Quando eu perguntava para Lily o que tinha acontecido ela falava muito, inventava histórias, mas no fim, não falava nada. Se eu perguntava para Adam, ele me dizia “Cara, eu não sei, mas se você descobrir me conta, gatão”. Aquele viado! Com a Emy e a Fany era a mesma coisa, a única diferença é que a Emy usava o pretexto que estava cansada.
Depois de muito refletir sobre isso, minha conclusão foi a seguinte: Adam e Lily estavam brigados com Emy. O motivo? Não faço ideia. Claro que minha teoria era evidente, já que Emy não andava mais conosco. Acho que eu era o único com quem ela ainda falava, eu e a Fany.
- Tem certeza de que está tudo bem? – perguntei um dia desses para ela, quando estávamos voltando para a república. Lily tinha ficado na escola terminando um trabalho.
- Tenho, Nick. É a milésima vez que eu falo isso! – disse ela aparentemente achando graça.
- Eu quero saber o que está acontecendo.
- Não é nada. Daqui a pouco as coisas voltam ao normal.
- Mas eu quero...
- Que menino insistente!
- Eu não sou insistente! Vocês que são muito vagos e estão escondendo alguma coisa de mim.
- Por que você não está com o Adam? – perguntou ela de repente.
- Ah, você ta meio sozinha esses dias aí...
Parei de falar. Ela tinha abaixado a cabeça. O meu maior problema era essa minha mania de falar tudo que penso sem medir as palavras.
- Ah, desculpa. Eu... er...
- Não foi nada. Fica com a sua namorada. Está tudo bem, mesmo.
- Mesmo? Mesmo, mesmo?
- Você parece criança de vez em quando. – disse ela voltando a sorrir.
- Hey! Não pareço não. – cruzei os braços e fiz biquinho.
Ela ficou me olhando sem dizer nada, apenas sorrindo. Logo desfiz minha pose infantil.
- Acho melhor entrarmos. – eu disse notando que nós estávamos parados em frente à porta já fazia um bom tempo.
Passamos pela porta e avistamos a sala de jantar cheia, estavam fazendo macarrão.
- É melhor pegarmos um prato logo. – eu disse.
- Não vou jantar. Acabei de comer um negócio na aula. Boa noite, Nick.
Ela ia se virando, mas eu peguei sua mão e a puxei de volta. Dei um abraço, que ela retribuiu. Eu sabia que ela precisava daquilo.
- Boa noite, Emy.
Ela subiu a escada.
Quando me virei para a cozinha, vi que Lily acabara de chegar.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou ela deixando a bolsa em cima do sofá.
- Hã?
- Você abraçando a Emy... Não sabia que vocês se abraçavam para dar boa noite.
- Ah, parecia que ela estava precisando de um abraço e... Ela é nossa amiga. – Eu realmente não entedia sua implicância.
- Claro. Ela é sua amiga... – Ela disse passando por mim sem nem ao menos olhar na minha cara - Macarrão! Estou morrendo de fome.
E foi pra cozinha ignorando o fato de ter me deixado com cara de idiota para trás. Não entendi nada, então, pra esquecer meus problemas, fui comer.
Ela já estava se servindo quando entrei no recinto.
- E com você? Aconteceu alguma coisa? – Definitivamente alguma coisa está acontecendo, agora o que era... Eu não sei!
- Comigo? Claro que não! – Mais uma vez ela falava sem olhar para mim – Quer que eu te sirva, Nick? – Tá bom então, pelo menos isso.
- Por favor. – Entreguei o prato a ela.
Sentamo-nos. Ela estava muda.
- Você percebeu que você nem me cumprimentou?
- Bom, a minha intenção era chegar aqui e poder falar pro meu namorado como foi o meu dia, te abraçar, te beijar... Eu estava até feliz...
- Eu ainda estou aqui, amor. Pode me contar como foi o seu dia, me abraçar, me beijar... – Eu sorria, mas ela não.
- Pois é, daí eu chego em casa depois de um dia cansativo de apresentação de seminário e o escambal e só pra variar você está com a Emy! E se não bastasse, estão se abraçando. – Soltei uma risada fraca, é sério que ela estava se queixando disso?
- Lily, você não está falando sério, está?
- Não, Nick, não estou! Porque nada do que eu faço é sério pra você, não é mesmo? Eu sou um zero a esquerda agora!
- Isso não é verdade...
- Quando foi a última vez que você ME abraçou, hein? – Respirei fundo. Aqui vamos nós de novo.
- Não precisamos discutir sobre isso...
- Não precisamos ou você não quer discutir sobre isso?
- Lily, eu...
- Tudo bem, Nick! Eu já tive demais por hoje! Até perdi a fome! – Ela disse, se levantou e saiu. – Boa noite! - Ela gritou já da sala.
Ai, ai... Eu amo tanto essa garota que eu gosto até dessas crises bobas dela!
Mas pô! Não precisava sentir ciúmes da Emy, né? Emily é a irmã dela! E minha irmã também! Há coisas que simplesmente não consigo entender, antes eu acreditava que era por eu ser meio lerdo mesmo, como o bobão do Adam sempre fala, mas agora creio que eu não esteja entendendo porque nada mais faz sentido.
Bom, seja o que for, não posso deixar minha menina dormir chateada comigo. Eu preciso que ela durma feliz e sonhe comigo, já que eu vou sonhar com ela, nos encontraremos nos nossos sonhos! Tá, isso foi meio gay, mas o que eu posso fazer se estou apaixonado? Eu pelo menos espero que isso seja amor, e não por eu ter visto aquele corpo sarado do Adam tantas vezes no vestiário! Gente, que corpo! (...) Brincadeira!
Emily não estava no quarto. Fany dormia como uma pedra. Lily estava de bruços na cama. Não hesitei em me deitar ao seu lado. Seu rosto estava virado para o outro lado, e assim ela permaneceu.
Passei meu braço em volta de sua cintura, e ainda assim ela não se moveu.
- Então quer dizer que se um tarado invadisse o seu quarto e te agarrasse você não iria nem tentar se defender? – Brinquei, sussurrando em seu ouvido.
- O único tarado desse alojamento é você, Nick! – Ela disse séria, me fazendo rir.
- Isso significa que eu posso te agarrar? – Sim, era nisso mesmo que eu estava pensando! Não há melhor jeito para fazer as pazes, não?
Ela não respondia. Nem quando eu passei a beijar o seu cangote. Eu me questionava se ela estava morta, dormindo, se eu não prestava mais, ou se era só um gelo.
- Vai fingir de morta mesmo? – Sim, optei por esta opção.
- Não estou fingindo de morta, estou agindo do jeito que você queria que eu fosse...
- Morta? – Eu ri.
- É, você queria que eu não existisse! Ou eu não queria existir, aí todos poderiam ser felizes! E eu não ia ser obstáculo para ninguém e não seria traída!
- O que? – O que tinha no macarrão dela?
- Nada, Nick, você não vai entender...
- É, pior que eu sei que não vou entender mesmo... – Desta vez ela riu baixinho - Ei! Olha pra mim... – Ela obedeceu, deitando-se de lado para que ficássemos frente a frente. – Não fica brava comigo, tá bom? Seja o que for que eu te fiz, eu não fiz por mal...
- Eu é que peço desculpas, Nick. Não foi você que fez, você não tem culpa por ter nascido assim...
- Assim como?
- Tão lindo! – Ela sorria.
- Você me acha lindo?
- Acho!
- Hm, bom saber! E o que mais?
- Um cara inteligente, simpático, engraçado...
- Uau, você acha que eu sou tudo isso mesmo? – Falávamos entre selinhos e sorrisos. – E o que mais?
- Cheiroso!
- E o que mais?
- Gostoso!
- Vai, estamos chegando lá!
- Eu não vou falar o que você quer que eu fale! – Ela falava entre risos.
- É só completar a frase: O Nick é bom de...
- Pára! Seu tarado!
- Parar por quê? Não é assim que você gosta?
- Você é ridículo, sabia?
- E você é incrível, sabia?
- Eu te amo...
- E eu te amo mais...
E finalmente ela me deu o que eu queria!
Calma, não foi bem isso que ela me deu! Ela me deu um beijo, daquele bem bom, saca? E poderíamos ter partido para um amasso ou algo mais se a porta não se abrisse.
Eu literalmente caí da cama!
- Ai meu Deus, o que foi isso? – Emy perguntou assustada, acendendo a luz. Ela estava apenas de roupão. A garota tinha acabado de fechar os olhos.
- Er... Oi!
- Wow! Vocês estavam... – Ela engoliu em seco. – Juntos?
- Bom, eu acho que sim né, já que nós somos namorados! – Lily pronunciou esta frase com muito gosto, como se isso fosse uma ofensa para a Emy.
– Por favor, digam que vocês estão vestidos! – ela disse ainda com os olhos fechados.
- Claro que estamos!
- Ufa! Er... É que vocês conhecem as regras... Se a Sra. Rachel pega vocês aqui...
- É, você tem razão, me desculpe, Emy! – eu ainda tava achando estranha a resposta da Lily. Ela tinha sido grossa, ela nunca era grossa!
- Não, está tudo bem, Nick! – Ela passou a sorrir com serenidade.
- Boa noite, Lils - Beijei novamente a minha namorada.
- Boa noite, Emy! – A beijei na bochecha. - Vê se veste uma roupa da próxima vez, falou? Não é legal uma garota ficar pelada na frente de um garoto desta maneira, sua indecente! – Eu fingia uma indignação.
- Eu sou indecente? Vocês estavam quase num processo de reprodução humana e eu sou indecente? – Ela ria me desafiando.
- Aff! Eu odeio quando você está certa!
- Eu sempre tô certa!
- Vai dormir, vai! – Me retirei dali.
- Idiota! – Pude ouvir ela dizer, ainda rindo.
Desta experiência pude chegar a uma conclusão definitiva sem nenhuma sombra de dúvidas: Lilian e Emily definitivamente não eram mais amigas.
Capítulo 5 “And stop the madness before it explodes
Before is out of our control
Lets stop the madness before it explodes
We gotta let it go
Before it all explodes” – Bruno Mars
ADAM POV’S
Acho que esses últimos dias foram os mais estranhos da minha vida. É difícil a minha situação. Não sei como falo com o meu melhor amigo e companheiro de quarto e de cama (ui!), porque a garota que eu gosto está apaixonada por ele. Não estou falando com a Emy, a traíra por quem estou apaixonado e queria dividir a cama (se é que me entendem...), porque não consigo vê-la sem pensar que ela gosta do Nick. Mesmo assim desejo do fundo do meu coração apenas trocar uma palavra com ela.
A minha vontade era trancar Nick em um porão e prender Emy em uma casa comigo. Ela só sairia de lá quando tivesse esquecido o meu amigo e se apaixonasse por mim. Era um bom plano, mas não funcionava nem nos filmes, não funcionaria aqui também.
O pior de tudo é que eu não podia demonstrar nada para a Lils, porque ela já tinha problemas o suficiente na cabeça.
Um dia, um maldito de um dia para ser mais exato, estávamos assistindo TV. Eu, Lily e Nick. Quando a Fany, meu chuchuzinho, e a Emy chegaram e sentaram-se no outro sofá. A morena imediatamente se levantou bufando.
Nick olhava sua namorada ir embora, indignado, foi quando explodiu:
- Volta aqui agora, Lilian! – Ela parou de andar e voltou-se para ele com um meio sorriso no rosto, como se fosse rir.
- Desculpa, você ta falando comigo? – Ela perguntou irônica.
- Você é a Lilian aqui, não é? – Ela balançou a cabeça como forma de reprovação e continuou o seu caminho.
Nick estava descontrolado, inconformado talvez.
- Que porra está acontecendo aqui? – Ele gritou – Ninguém vai sair daqui enquanto alguém me esclarecer o que está havendo! – Nick nunca gritava, a não ser que ele estivesse muito bravo, e eu só o tinha visto assim uma vez em toda a minha vida.
Ele também se levantou e ficou no caminho da namorada, que parou imediatamente e se pôs de braços cruzados em frente a ele.
- Você quer saber o que está acontecendo? Você quer mesmo saber a porra que está acontecendo aqui? – Ela também já estava alterada. – Acontece que essa cretina fica se insinuando pra você!
- Como? – Nick e Emy juntaram suas vozes.
- Ontem foi a gota d’água! Ela sempre se troca no banheiro e naquele dia ela veio só de roupão pro quarto! Coincidência? Acho que não!
- Ah, por favor, Lils! – disse Nick com mais calma – Ela nunca faria isso! Eu sou seu namorado e você é a melhor amiga dela!
- Ela está sim se insinuando para você, Nick. – apoiei a morena.
- Não, não estou!
- Você nunca foi de abraçar ele e agora toda hora...
- Pelo amor de Deus, Lily! Você ainda não esqueceu isso? Foi um simples e inocente abraço!
- Não teve nada de inocente... – murmurou Lily.
- Claro que teve, foi só um abraço! – foi a vez de Emy. – Você está exagerando, Lily.
- Não estou não e você sabe disso. Não se finja de santa!
- Lily... – disse Nick se aproximando da namorada e pegando em suas mãos. - É com você que eu namoro.
- Então fala pra ela parar... – Ambos falavam baixo agora.
- Ela não está fazendo nada.
- Você não pode ser tão lerdo assim! – me intrometi.
A lerdeza de Nick era frustrante!
- O que? – ele me questionou.
- Você ainda não percebeu que...
Olhei para Emy, que olhava para mim com uma expressão de súplica. Não consegui continuar a falar, ela era tão linda... Por que simplesmente não podia ser minha?
- Deixa pra lá. Você vai acabar descobrindo de qualquer jeito.
Subi para o meu quarto, Kevin estava lá. Não pensei duas vezes: tranquei a porta. Não queria ver a cara do Nick, não queria ver aquela cara de bobo dele que não é nem um pouco mais bonita do que a minha. Deixá-lo de fora era minha horrível vingança por ele ter feito Emy se apaixonar por ele. Sou mau.
Umas duas horas depois, ouvi alguém batendo na porta: Era o cara.
- Adam? Kevin? Eu não to conseguindo abrir a porta... Tem alguém aí?
- Só tem maldade nesse seu coração. – Kevin me disse e eu ri.
- Adam, é sério, não tem graça!
- Estamos presos. – inventei. – Acho que fechei a porta com muita força.
- Seu loiro burro! – ele falou isso e começou a rir. – Se bem que isso é pleonasmo.
- Falo aí, Sr. Inteligência.
- Kevin, bate nele por mim?
- Ta louco? Ele é três vezes maior que eu!
- Viadinho medroso!
- Drag Queen mal vestida! – disse Kevin.
- Que xingamento gay, mano! – Não pude deixar de falar, eu achei aquilo muito estranho, do fundo do meu coração.
Silêncio...
- Acho que você vai ter que dormir na sala.
- Claro que não, tenho namorada pra que? Boa noite.
- Cretino. – murmurei.
Deu para ouvir os passos de Nick indo embora.
- Por que você fez isso?
- Não sei... – Kevin ia abrindo a boca novamente, então continuei. - Não enche, cara. Tenho que estudar.
No dia seguinte, acordei e Kevin já havia saído. Eu estava sozinho. Me levantei, fui pro banheiro e voltei de lá cheirosão. Quando voltei para o quarto, tinha uma acompanhante.
- Por que você não disse pro Nick? – A voz dela parecia um bisturi, cortava tudo que estava por perto (há, vou ser um ótimo médico).
- Emy, você não... Eu não estou falando com você! Vai embora.
- Não desconverse. Por que, Adam?
Ela chegou tão perto de mim que seria necessário apenas um pequeno movimento para que nos beijássemos.
- Eu... eu...
- E eu ainda não entendi porque você ficou tão emputecido com isso... Fala, Adam. – ela já havia se distanciado de mim para fechar a porta.
- Não te interessa.
- Claro que interessa, porque sou eu que estou correndo risco aqui, não sou? Você não tem nada a perder.
- Eu já perdi.
- O que?
- Nada. Você não entendeu, Emy? Fora do meu quarto!
- Você era meu melhor amigo, agora... – ela se aproximou novamente. – Eu te odeio.
- Que bom. O sentimento é mútuo. – Disse como se aquilo não significasse nada para mim e na verdade, era bem o contrário disso.
Ela me olhou ofendida e o próximo movimento era evidente: um soco bem dado na minha cara. Acho que tinha exagerado com a última frase, mas sempre fui assim, nunca soube quando parar.
A porta se abriu, fazendo aparecer um Nicholas muito feliz.
- Fizeram as pazes? – Perguntou ele sorrindo.
- Não. – Respondemos.
Emy andou para sair do quarto, mas no caminho parou ao lado de Nick e falou:
- Seu amigo é um idiota. – E foi embora.
- O que aconteceu?
- Pela milésima vez: Não sei, meu.
Saí do quarto também. Encontrei Lily lá embaixo.
- Bom dia! – disse ela e me deu um beijo na bochecha. – Ou não, pelo estado do seu queixo.
- Bom dia. E pelo jeito pra você foi uma boa noite também. – E sim, eu estava com o queixo roxo do soco da Emy. Ela era magrinha, mas tinha força!
- Fiz as pazes com Nick, se é que você me entende.
- Ah... Tá bom, então... Er... Me perdi... Eu ia falar alguma coisa e... Mas que droga, você não precisava falar isso!
- Relaxa, loiro. Vem pro campus comigo?
- E o Nick?
- Vai ficar. Ele só tem aula depois do almoço.
O tempo que Lily e eu passamos juntos foi realmente muito bom. Era bom perceber que nem tudo mudara e que nossa amizade continuava a mesma. Éramos definitivamente melhores amigos e, nos últimos dias, temos passado muito tempo juntos!
- Hey, Lils, será que você pode me ajudar lá embaixo?
- Do que você precisa, amor?
- Hm, sou seu amor agora? – Brinquei e ela tacou a borracha que estava em sua mão em mim.
- Cala a boca! Você entendeu! Imbecil!
- Calma, querida! – Falei em tom de zombação. – O meu problema se chama “louça”...
- Ah, nem vem! Já lavei a louça quando era sua vez, três vezes seguidas, e você sabe que eu odeio isso!
- Ah, Lils, por favor... Minhas mãos de médico não servem pra isso...
- Nem as minhas de advogada!
- Por favor, eu fico te devendo uma! – Eu já estava implorando, e eu sabia que ela faria! Ou melhor, ela sabia que era melhor ela fazer, porque eu não pararia de encher o seu saco enquanto ela não dissesse sim. Quando eu não tinha esse corpo escultural, era mais ou menos assim que eu ganhava as meninas!
- Ah, mas que saco! – Ela passou por mim e desceu as escadas em direção a cozinha. Eu a segui. - Eu não devia ser tão legal assim! – pondo a mão na massa.
- Mas você é, fazer o que!
- Não vem querer puxar meu saco, não! – É, ela está estressada de verdade.
- Tá bom, desculpa, você não é!
- O que? Vai ficar me chamando de chata mesmo? Olha que desse jeito eu não faço mais nada pra você!
- Ei, calma aí, gatinha... – Desencostei do batente da porta e fui ampará-la.
Alguma coisa estava errada. Quando ela está de TPM ela fica assim mesmo, mas ela já tava de TPM semana passada. Não me pergunte como eu sei disso.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntei já com a mão em seu ombro, olhando em seus olhos. Ela abaixou a cabeça e visivelmente segurou o choro. Eu não gosto de ver a palhaça da minha amiga assim! – Ei, calma aí, Lily! O que está acontecendo? Conversa comigo, eu sou seu amigo, esqueceu? – ela não respondeu, apenas me abraçou.
Eu a segurei com força, queria que ela soubesse que não estava sozinha. Eu sabia muito bem porque ela estava assim e como ela estava se sentindo.
Passei a afagar seus cabelos e pude sentir meu peito molhar. Ela estava chorando. Eu não sabia o que falar e apenas continuava a abraçando forte, acariciando seus cabelos que, por sinal, exalavam um cheiro muito bom que eu nunca tinha percebido antes e que não queria parar de sentir. De certa forma, eu também estou deveras machucado e aquele cheiro doce que vinha de seus cabelos me acalmava. Quase do mesmo jeito que o meu corpo a acalmava, já que pude sentir que ela havia parado de chorar.
Continuamos abraços. Continuei sentindo seu cheiro e ela, o meu corpo.
- Hãm, hãm! – Alguém pigarreou, mas Lily não se moveu. Virei meu rosto para o outro lado para ver quem era. Era o Nicholas com cara de poucos amigos. – Será que eu atrapalho?
Quando ouviu sua voz, Lily se soltou de mim sem nenhuma pressa, enxugou seu rosto molhado, ainda de costas para Nick, e passou por ele direto, subindo as escadas com certa pressa.
Nick manteve a mesma pose durante toda a cena, as mãos na cintura. Agora ele me encarava.
- O que foi? – Perguntei.
Ele respirou fundo antes de me responder.
- Nada, Adam, não foi nada!
- Que bom então! – eu o encarava com a mesma soberba.
Eu amo muito o Nick, sério! Se eu fosse uma mina todo mundo sabe que eu daria pra ele sem nem pensar nas consequências! Mas, como amigo, como irmão e como namorado ele tem pisado muito na bola!
Eu queria muito ser capaz de dar um toque pra ele, mas eu simplesmente não consigo! Eu não posso pedir pra ele se afastar da Emy, porque ele é a única pessoa que ela tem agora! Mas dói demais ver esses dois juntos pra lá e pra cá, e não é só em mim! Dói em Lily também. E dói mais ainda saber que enquanto nós dois estamos na fossa, a Emy está tendo o que ela quer: o Nick!
Depois de uma intensa troca de olhares, Nick desistiu. E a mim, restou a louça, que foi lavada com muito desgosto pela minha pessoa.
(...)
As noites demoravam muito mais para passar do que as tardes. Durante a tarde, se não estou na aula, estou jogando alguma coisa, conversando com alguns amigos ou com a Lily. Antes eu tinha o Nick também, mas agora a Emy ocupa muito o espaço da sua agenda. Enfim, durante a noite a TV é a minha única companhia e ela é muito chata! E como o sono não vem, só me resta ela...
Bati na porta e não obtive resposta, resolvi abrir de fininho pra ver se ela estava pelo menos acordada.
Ela estava.
- Oi... Posso entrar?
- Claro, loiro! – ela sorriu pra mim. Entrei e me joguei em sua cama, onde ela estava sentada.
- Tá melhor? – Nossa, cara, eu sou muito fofo, pode falar!
- Estou, seu abraço me fez bem. – sorri como resposta. – É difícil ter um milhão de amigos, um pseudo-namorado e ainda assim se sentir só! – ela disse descontraída. Sim, ela melhorou!
- Ai, ai... Eu não sei o que significa “solidão”, as mulheres não largam do meu pé! Acho que a mamãe passou mel! – eu disse convencido e ela riu.
- Ai, como é besta!
- Eu to mentindo?
- Mas é claro! Tem tanta mulher no seu pé que você está no quarto da garota deprimida às dez horas da noite de uma sexta-feira! - Maldita! Ela adora me tirar!
- Desculpa se eu te dei preferência dessa vez, ta? – fingi indignação.
- Ah, vai fazer drama agora? – Fiz que sim com a cabeça enquanto cruzava os braços e fazia biquinho. Porra, eu to virando viado! – Oh, meu Deus! Vem cá vem? – Ela me puxou pra um abraço e sem querer, ou querendo, não sei, encostou minha cabeça em uma região bem macia e farta de sua dianteira, enquanto afagava meus cabelos.
Ta, definitivamente eu não sou viado e se for pra ganhar isso como recompensa, farei esta cena com mais frequência!
- Eita, o que é isso? – Fany abriu a porta e ficou parada lá, com cara de espanto.
- O bebê ta triste... – Lily disse e eu concordei.
- Ih, vocês dois são estranhos... – Fany disse entrando definitivamente no quarto e fechando a porta em seguida.
- O que foi, amor da minha vida? – Eu perguntei e ela disse “Aff” – Ta com ciúmes, coisa gostosa?
- Que é isso! – Ela respondeu inconformada, partindo pra cima de mim e me socando de verdade – Retira o que você disse! – Ela continuava a me espancar, tudo o que eu fazia era tentar me proteger com os braços.
Lily morria de rir!
- Pede arrego logo, Adam! – Ela dizia, agora de longe, em sua cama só cabia eu e Fany.
- Arrego! – Tentei gritar entre os socos.
- Eu acho bom mesmo! Seu bobão!
Lily ainda tentava respirar. Eu gosto de vê-la rindo e de irritar a Fany também, portanto...
- Ei, Fany!
- Que é? – Ela gritou.
- Me desculpa...
- Seu idiota... – Resmungou.
- Mas é que... Quando você me bate, eu gamo mais! – Eu terminei e Lily caiu na gargalhada de novo, desta vez eu a acompanhei.
Fany parou imediatamente de guardar seus livros e virou para Lily com cara de súplica:
- Como você aguenta isso? – Lily não parava de rir. – Aff, Lily! Você já foi mais legal! Já foi mais legal... Tô te falando! – Ela disse e saiu do quarto resmungando.
- Ai... Enfim, ar! – Lily disse depois de um longo suspiro.
- Ela ta na minha, né?
- Nossa, totalmente na sua! – ironizou.
- Mas então, agora você já riu bastante, né? Agora pode começar...
- Começar com o que, loiro? – disse ela, encostando-se a sua cômoda, que ficava em frente a cama onde eu estava muito bem acomodado, obrigado.
- Por que a senhorita estava chorando há algumas horas atrás?
- Ah, porque eu sou besta! – disse com descaso.
- Ah, pelo amor de Deus, fala algo que eu não saiba, por favor, né! – ela me mostrou a língua, me chamando de idiota.
- Mas é sério, não liga praquilo... Eu estou bem, de verdade...
- Sei... E cadê o Nick?
- Não sei, pergunta pra Emy! – Agora ela voltou a se irritar. – Eu to até com nojo desse nome!
- Calma, você sabe que não adianta ficar assim... – Quem eu estou tentando enganar? - Mas você o Nick não tinham feito as pazes?
- Naquele dia a gente fez...
- Por favor, me poupe dos detalhes! – Eu disse com nojo e ela riu baixinho.
- Então, fizemos as pazes. E ele é o meu Nick quando estamos sozinhos, só que ele tem ficado mais com ela do que comigo, e como eu não falo mais com aquela traíra, nunca estamos perto... – Ela abaixou a cabeça e continuou num volume menor – Acho que estou perdendo meu namorado...
- Ei, para com isso, meu! Levanta essa cabeça! – Ela tentou sorrir. – Vem cá, senta aqui. – Eu batia na cama, indicando onde ela deveria sentar.
Ela se sentou e eu passei o braço em volta de seus ombros.
- Preciso te contar um segredo. – ela sorriu. E eu me aproximei para cochichar em seu ouvido... Aquele cheiro me tomou. E eu esqueci o que eu ia falar. Sem dar por mim, fiquei cheirando-a.
- Vai ficar me fungando mesmo? – Ela disse rindo e me chamando pra Terra. Fingi que foi proposital.
- Calma, faz parte do suspense! – ela riu. – O Nick te ama... – Eu disse por fim.
A porta mais uma vez se abriu. Ê, quarto movimentado!
- Amor, eu preciso saber se... – Nick entrou olhando para um CD que estava em suas mãos, mas assim que nos viu abraçados, fechou a cara. – Nossa, mas será que eu atrapalho de novo?
- Não, meu caro, estávamos justamente falando sobre você.
- Ta, sei...
- É verdade, Nick, mas... Desculpa, Adam, eu não acredito mais no que você acabou de me dizer... – Ela disse e mais uma vez se levantou e saiu.
Nick me olhava e mexia sua cabeça em sinal de reprovação.
- Que foi, brother?
- Eu não posso nem dizer que não foi nada de novo, né, Adam? – Ta, ele ta com ciúmes. Sinceramente, ele não tem nem direito de sentir ciúmes da gente, somos apenas amigos, ao contrário dele e daquela outra linda lá.
- Mas não foi nada!
- Sabe quantas vezes eu falei com a minha namorada hoje?
- Não...
- Nenhuma! – Ele entrou no quarto e fechou a porta. – E sabe com quem ela estava todas as vezes que eu tentei me aproximar? – Eu respirei pra responder, mas ele não me deu tempo. – Com você! – Ele respirou fundo, já estava vermelho. Ele está muito esquentadinho pro meu gosto. – Agora me responda, você acha isso certo?
- Acho, ou você preferiria que ela ficasse sozinha? Porque é assim que ela está, meu amigo. Você não está dando assistência!
- Eu não dou assistência? O que você quer dizer com isso? Pelo amor de Deus, vocês não ficaram juntos, né? Se ficaram, eu arrebento a sua cara agora!
- Baixa a bola aí, meu! É óbvio que nós não ficamos e nem vamos ficar! Relaxa!
- Relaxa? Você não entendeu a mensagem ainda? Eu quero você muito longe dela!
- Nicholas, ela é minha amiga, caralho! A melhor que eu tenho! E sempre foi assim e sempre vai ser! Ao invés de você vir até aqui me encher o saco, por que você não muda as suas atitudes ao invés de ficar fazendo a menina sofrer?
- Quem ta fazendo alguém sofrer aqui? Ela me ama, eu a amo, ta tudo certo! Ela não precisa de mais ninguém, porque eu sou tudo pra ela!
- Aff, você ta ouvindo as palavras que estão saindo da sua boca?
- Adam, escuta aqui... – ele finalmente passou a falar como uma pessoa normal e se sentou do meu lado – Eu não estou aqui pra saber o que você ta pensando sobre isso, eu só te quero longe, mas muito longe mesmo, do que é meu!
- Mais uma vez, porque eu acho que se tem alguém aqui que não está entendendo as coisas, esse alguém é você! Enfim, você está se ouvindo? Você não era assim, Nicholas. Pensa só um pouquinho, uma vez na sua vida, e não vai ser difícil compreender que você está errado e ta deixando a Lily, minha melhor amiga, pessoa que eu nunca vou abandonar, de lado!
- Isso não é verdade, e você acha que isso te dá o direito de roubar a mulher alheia? Logo você, cara? Meu irmão, meu parceiro! Minha mina! – Eu comecei a rir.
- O que? Eu? Roubar a sua namorada?
- É exatamente isso que você ta fazendo, e eu não vejo graça!
- Nick, só vou te dar um toque! Do jeito que você ta fazendo a carruagem andar, não vai precisar que ninguém a roube pra você a perder...
- O que...? – Ele ia dizendo, mas...
- Meu! Esse quarto nunca fica vazio, não? Eu quero ouvir meu Super Junior em paz!
- Fany, delírio em forma de mulher... – eu disse encerrando assim a discussão.
- Cala boca, seu... Seu ordinário! – O ódio era evidente em suas palavras.
- Ordinário? – perguntei entre risadas.
- Aprendi hoje. - Ela esboçou um pequeno sorriso, que logo sumiu. - Agora sai daqui, moleque!
- Você prefere esses veadinhos a mim?
- Super Junior não é veado.
- Ah, é sim!
- Você não sabe do que você ta falando!
- Claro que eu sei, eles são gays e se relacionam entre si e quando... – Não tive tempo para concluir minha tese.
Fany começou a me bater novamente e, desta vez, com um pouquinho mais de força. Acho que o novo passatempo dela é me fazer de saco de pancadas, tenho as marcas até hoje...
- Retira o que disse! Retira o que disse!
- Eles são super machos, pronto, falei.
- Agora...
- To saindo.
Não tinha percebido, mas o Nick já havia saído há algum tempo.
Capítulo 6 “On the floor, I'm just a zombie
Who I am is not who I wanna be
I'm such a tragedy
With every move I die” – Ke$ha
POV’S EMY
Quem disse que você não pode se divertir quando se está brigada com seu melhor amigo e sua melhor amiga e quando se está apaixonada pelo namorado desta última? Eu descobri um modo infalível: fazer novos amigos. Mas não qualquer um, tem que ser uns amigos bem loucões.
Conheci uma garota que cursa Moda, o nome dela é Amanda e só está fazendo faculdade pra ficar bêbada e ir a festas. Sim, nessa ordem.
Depois que comecei a andar com ela, o meu dia se passava basicamente assim: de manhã com Nick, de tarde com o povo do Direito e de noite com ela. Saímos praticamente toda a noite e voltávamos, quer dizer, eu voltava pra casa beeeem tarde e, de vez enquando, um pouco bêbada... Ta bom, muito bêbada.
Uma manhã dessas, Nick finalmente perguntou o que estava acontecendo. Na realidade, ele já havia questionado isso antes, porém ele se contentava quando eu dizia apenas um “nada”, seguido de um sorriso incentivador.
- Não está acontecendo nada, Nick. – repeti pela milésima oitava vez.
- Não está acontecendo nada, Emy? Você acha que pode me enganar assim?
- Eu não estou tentando te enganar... – Ele me interrompeu.
- Ou você acha que é normal essas suas dores de cabeça e essa quantidade de café e água que você tem tomado? E você odeia café!
- Só quero me hidratar um pouco...
- Ah, pra cima de mim não, né, Emy? Você não é assim! Não era de sair e encher a cara! Eu me lembro muito bem que era você que sempre me mandava maneirar no álcool.
- As pessoas mudam, Nick. E agora eu... Eu gosto disso! Sabe, isso me deixa muito alegre, feliz...
- Não é felicidade, Emy. É bebida. E... Aqueles caras com quem você tem saído...
“Aqueles caras”- puff - Como se ele se importasse! Sim, eu estava saindo com uns caras, ta bom, com vários caras, mas eu só estava fazendo isso pra tentar esquecer de... bom, dele! Eu tinha cansado de ficar sozinha pelos cantos, quieta. Eu nunca fiquei quieta na minha vida, não era na universidade que eu ia ficar!
- O que tem eles?
- Qual deles é o seu namorado?
- Namorado, Nick? Por favor... você sabe que eu não tenho nenhum. É só uma noite.
- Só uma noite? – Ele segurou o riso.
- Não é porque eu fico com alguém, que eu tenho que me prender a essa pessoa, você deveria saber disso.
- É, eu sei, minha amiga... Relacionamentos são difíceis! – ele disse e isso surpreendentemente tirou minha dor de cabeça.
- Por quê? Você e a Lily estão mal?
- É. Ela não larga do Adam e ele dela. Ele disse que...
- Você já falou com ela? – ele respondeu negativamente com a cabeça. Por mais que eu esteja apaixonada por ele, Lily, por incrível que pareça, ainda era minha amiga. – Ela é sua namorada, não o ridículo do Adam.
- Falar com ela? Tem certeza? Vou falar o que?
- O que você está sentindo. Que você gosta... – as palavras se amontoaram na minha garganta, meu coração apertou. -... dela. Ela vai entender.
- Por isso que eu te amo.
Ele disse e me abraçou. Ô, menino, não faz isso não! Era um abraço tão acolhedor que ficaria para sempre nele. Se ele soubesse como eu desejava aquele peitoral que se encostava em mim, aqueles braços que me envolviam naquele abraço... E o cheiro, aquele cheiro de homem... Mas ele se separou de mim e com isso meu paraíso particular foi desfeito.
- Só vou fazer isso se você tomar jeito. – disse ele. – Volte a ser...
Ele pegou o celular e começou a mexer nele.
- Volte a ser ela!
A foto que ele me mostrava era a da temporada de futebol americano. Lá estavam ele e Lily, vestidos com roupas normais, Adam com o uniforme e eu com minha roupa de cheerleader de Stanford.
- Vou tentar, além do mais, os treinos começam semana que vem, vai ser bom ter uma rotina.
Ouvi risadas e reconheci as de Lily entre elas. Olhei para trás para verificar e era ela mesma.
- Vai lá, brother. Depois me conta o resultado.
- Você vai tomar jeito, cabeção?
- Vou, papai. – Ri. - Agora vai, tenho que encontrar a Amanda, ela ficou com meu sapato ontem a noite.
- Olha lá, hein! – Ele partia saltitante, quando virou repentinamente - Hey, almoçamos juntos?
- E a Lily?
- Poderíamos almoçar juntos.
- Não força, Nick.
Fui pegar o elevador e quem me aparece? Adam. Acho que nunca na minha vida chorei por causa de um homem, mas aquele maldito me fez chorar.
- Eu vou de escada. – ele disse.
- Não seja bobo. Não precisa ficar exercitando toda hora esse seu corpinho. – O problema era que eu não conseguia ficar brava com ele.
- Corpinho? Isso aqui é um corpão, minha filha.
O elevador chegou e entramos nele sorrindo. Olhamos novamente um pro outro e os sorrisos morreram instantaneamente. Ele me odiava e eu nem sabia o porquê. Além do mais, nossa amizade não significava nada pra ele. Os sorrisos se transformaram em pensamentos ruins.
- Então, acho que vai chover. – ele disse.
- Por favor, Adam. Você não é obrigado a falar comigo. Se você não for responder minha pergunta, é melhor ficar quieto. – a raiva subia cada vez mais. A vontade de dar outro soco na cara dele crescia.
- Que pergunta?
- Você sabe muito bem, loiro.
- Não vou...
- Chegou. Tchau.
Saí andando, Mandy me esperava do lado de fora com seu New Beatle vermelho. Ela buzinava.
- Ta demorando!
- Desculpa, mulher!
- Quem é esse? Já vi ele em algum lugar.
- Adam, aquele que eu te falei. Ele joga baseball e futebol americano.
- Ah... deve ser disso. Ele é bonito. O que ele cursa?
- Medicina.
- Ele deve ser aluno do Tom.
- Tom?
- É. Aquele professor que eu... Bom, eu te contei a história.
- Eu preferia que não tivesse.
- Muito delicinha esse seu amigo... Pegava ele fácil, fácil.
- Hey! Ta louca? Ele é o Adam, ninguém pega ele, ele pega alguém.
- Isso pode mudar.
- Cala boca e dirige logo, meu! Ele é da Fany.
Comecei a rir, mas ela não me entendeu e ligou o rádio.
- Hoje aconselhei o Nick a falar com a Lily.
- O que? – ela freou o carro bruscamente. – Por quê?
- Porque sou boazinha.
- Pensei que você não quisesse mais ser boazinha.
- Não quero, mas é a minha natureza. É mais forte que eu! E, por favor, não fique parada no meio de uma rua movimentada. Ta atrapalhando o trânsito.
- Que se foda o trânsito!
Olhamos pela janela, todo mundo nos xingando, os carros buzinando. Nos olhamos novamente e começamos a rir.
- Prometi pro Nick que ia parar de sair. – ela já tinha voltado a dirigir.
- Você vai?
- Não. Eu gosto disso. Acho que ele acha que é ruim porque nunca experimentou...
- O que ele é? Santo?
- Não, mas o pai dele era pastor... Só pra você ter noção, ele cantava músicas gospel quando era pequeno. Tinha uma voz tão fina, dava até dó...
Na aula de Direito de Família sentei-me no fundo com as garotas que já conhecia. Um tempo depois, chegando atrasada, entrou Lily. Ela estava radiante. Com um sorriso de orelha a orelha. Ela só ficava assim quando ela e o Nick... Bem, isso mesmo. Só significava uma coisa: eles tinham feito “as pazes”.
O grande filósofo uma vez dissera: “Vamos beber pra esquecer os problemas”. Genial! Essa noite com certeza eu beberia muito. Só de pensar que na noite passada eles pertenceram um ao outro, uma tristeza corrói o meu peito... E fui eu quem deu a ideia...
- Bonito, hein, dona Lilian?
- Desculpa, professor!
- Você está feliz ou é impressão minha?
- Nicholas!!! – Os amigos de Lily gritavam e riam entre eles.
- Hm, já entendi... – O professor olhou de lado para Lily e ela corou.
Alguém avisa esses merdas de que tem alguém aqui que ainda se machuca com esses comentários?! Obrigada.
Eu rezava para que as aulas acabassem logo, hoje a noite seria boa! Mandy prometeu me levar à boate mais top das redondezas!
(...)
Eu já estava pronta: vestido curto, maquiagem dark e o cabelo preso em um rabo de cavalo bem alto e apertado. Eu sei, eu estava linda!
Aguardava impacientemente na sala de estar. O Interfone nada de tocar!
- Hum, hoje tem, hein! – Kevin disse enquanto passava pela sala. – Ah, se eu pudesse, hein, Emy! – Legal, eu devo estar muito bem mesmo, fazia um tempo que eu não recebia uma cantada do Kevin.
Nick vinha logo atrás. Meu sonho era que ele me elogiasse também, mas eu sei que isso não iria acontecer e por diversos motivos.
- Ah, não, Emily!
- O que foi?
- Lá vai você se enfiar naqueles puteiros de novo!
- Nick! Cuidado com o que você fala!
- Ta, desculpa... Mas...
- Não precisa se explicar...
- Mas você precisa!
- Nick, eu vou sair e ponto, você quer que eu fique trancada aqui fazendo o que?
- Sei lá, meu... Estudando?
- Nick! – A voz de Lily o chamava.
- Vai que a patroa ta chamando! – Ele sorriu.
- Essa vai ser a última vez?
- Não prometo nada... – Ele fez cara de decepção.
- Se cuida, amo você! – Ele me beijou na testa e saiu. Alguém manda ele parar de falar que me ama também?
Nas baladas eu sempre demorava um pouco para me soltar, até que me apresentaram a bebiba. Eu enchia a cara logo no começo da festa e depois fazia loucuras na pista de dança.
Eu estava dançando com muita vontade, o que fazia com que todos olhassem para mim. De repente senti mãos em volta da minha cintura e me virei. Era um loiro muito, muito gato e essas foram as únicas informações que o meu cérebro embriagado conseguiu captar.
Ele segurava fortemente a minha cintura e me acompanhava na dança. A bebida começou a fazer mais efeito e eu já me via descendo até o chão e subindo, roçando meu corpo no dele. Parei em frente a ele, ainda dançando e passei meus dois braços em volta de seu pescoço, colando nossos corpos. Suas mãos estavam firmes em minha cintura e me apertavam cada vez mais contra ele.
Eu o fitava e percebi que seus olhos miravam minha boca, mordi meu lábio inferior ao perceber que ele se aproximava ainda mais de mim. Seus lábios encostaram-se nos meus e eu, num ato meio bêbado ou de desejo, puxei seu rosto para mais perto. Ele pediu passagem e eu logo cedi. Nossas línguas se tocaram, e o meu desejo aumentava mais. Beijávamo-nos apressadamente, como se quiséssemos descobrir cada canto de ambas as bocas. Sua mão já percorria todas as minhas costas e às vezes puxava a barra do meu vestido. Finalizei o beijo com uma mordida em seu lábio e o fitei. Estávamos os dois ofegantes e vermelhos, devido ao calor.
(...)
Não me lembro quando e com quem cheguei em casa. Só sabia que não foi com o carro da Mandy. Na verdade, um Camaro azul petróleo me deixou na porta da república e eu automaticamente subi as escadas. Abri a porta e fui me jogar no sofá, não queria ir pro quarto, mas percebi que ele estava ocupado.
- Pelo amor de Deus, vocês são o que? Dois animais?
O casal caiu do sofá.
- Você por acaso ta no cio, Lily?
Falei isso subindo a escada. Fui pro banheiro lavar meu rosto. Ouvi barulhos que não conseguia definir, mas dava para perceber que era uma pequena discussão.
Quando entrei no quarto, o abajur de Lily estava aceso.
- Muito obrigada, Emily. – disse a garota extremamente irônica.
- Sempre que precisar.
Detalhe: só fiquei sabendo disso nesses detalhes porque a Santa Fany me contou no dia seguinte.
- Você não lembra mesmo de nada?
- Nada... Só sei que minha cabeça ta doendo.
- Ah, você deve ter caído, ta com uma marcona no pescoço e no ombro... – doce e inocente Fany.
Eu tentei cobrir aquelas marcas que não eram resultado de uma queda, mas de... É.
- Você não era assim, Emy. Tá dando mancada.
- É, já me disseram isso, mas...
Meu celular tocou:
- Alô?
“Ufa, você ta viva”, disse a voz de Mandy do outro lado da linha.
- Como assim?
“Ah, aquele cara lá não te matou e jogou o corpo no rio.”
- Hã?
“Meu, você não lembra dele, né? Ah... Você e o loiro lá estavam se pegando, aí eu disse que a gente tinha que ir embora e nós duas fomos, mas eu não consegui achar o carro. Nisso encontramos o loiro de novo e ele nos levou pra casa. Ele me deixou na minha casa e disse que te deixava na república. Eu falei pra você dormir aqui, mas você falou que não precisava.”
- Ah, é, eu to viva. Agora, tchau, vo pra aula.
“Hey, amanhã tem outra top, a gente vai, né?”
- Demorou.
Nesse dia teve almoço com o Nick.
- Desculpa por ontem a noite, mas eu imaginava que você já estivesse em casa uma hora dessas... – ele disse.
Não respondi, fingi que estava ocupada tomando meu refrigerante.
- Já que você prometeu pra mim que não ia mais fazer isso... E antigamente, você costumava cumprir as suas promessas.
- Quando os treinos voltarem eu paro, Nick.
- O que os treinos têm a ver com isso?
- Vou ter alguma coisa pra fazer. Você não sabe pelo que estou passando.
- Então me fala. – ele pegou minha mão. Ele podia ao menos avisar quando fosse fazer isso! Meus pulmões se esvaziaram.
- Hum... Acho que vou comprar um sorvete. Você quer? – me levantei.
- Quero. – respondeu ele depois de um suspiro.
Fui até a fila e comprei um de chocolate diet para ele (sim, além de tudo ele era diabético) e um de morango para mim.
- Olha só quem é! – disse um cara chegando por trás de mim.
- Você pode tirar as suas patas de mim, por favor? – eu disse reconhecendo como sendo um cara de uma noite aí.
- Ah, numa noite dessas, você estava pedindo justamente o contrário...
- Eu disse pra me largar! – Ele não mexeu um músculo, então enfiei os dois sorvetes em seu peito.
- Você ta louca?
- Eu disse pra você me largar!
- Uns dias atrás você não tava negando fogo e agora... – ele pegou meus pulsos.
- Hey! Larga ela!
Era o Nick.
- Não se mete, cara. Cada um tem a sua pu...
Foi a vez do punho de Nick conversar com o rosto do cara, que quase caiu no chão. Ele soltou meus pulsos.
- Nunca trate uma garota assim, principalmente ela.
Nick já estava se preparando para acabar com o cara, mas eu o puxei para trás.
- Vamos embora, Nick. – ele resistia. – Por favor, Nick.
Ele olhou para mim.
- Você ta bem?
Concordei com a cabeça. Fomos embora para o campus de Engenharia Aérea.
- Você tem que parar de ficar com idiotas como aqueles.
- Os caras legais não querem ficar comigo.
- Por que alguém não ficaria com você? – ele disse olhando nos meus olhos. Voltei a ser cristã: Meu DEUS!!
- Perdemos os sorvetes...
Ele riu.
- Pra mudar de assunto, você é sutil como um elefante.
- Eu sei. Essa é minha melhor qualidade.
(...)
Novamente em frente ao espelho, vestida com um vestido preto justo e curto, passando maquiagem pesada e pensando o quão bêbada vou ter que ficar para esquecer que na verdade sou uma garota tímida e insegura.
E lá estava eu novamente num lugar escuro, barulhento e com Mandy ao meu lado. Fui ao bar e fiquei na dúvida se pedia um refrigerante ou alguma coisa com vodka. É, eu ainda estava sóbria e eu realmente gostava de refrigerante. Era um sinal para pegar alguma coisa com álcool.
Comecei a dançar com Mandy e toda vez que nossos copos esvaziavam, íamos enchê-los imediatamente. Não era muito difícil me deixar bêbada, não precisamos ir abastecer os copos muitas vezes. Não demorou muito também para aparecer outras amigas de Mandy. Uns caras começaram a dançar ao nosso redor. Quando dei por mim, só estávamos eu e uma garota. Todas já tinham ido... Hm, isso aí.
Fui encher meu copo e quando estava voltando para o lugar em que estava, alguém me puxou pela cintura. Eu já estava bem bêbada, então me deixei levar. Dancei com a pessoa sem ao menos olhar para ela. Mas quando olhei fiquei confusa. Eu o conhecia. Era um cara loiro, alto e forte. Não era o Adam, eu tinha certeza, mas eu o conhecia...
- Não ta lembrando, né? – disse em meu ouvido.
- Não.
- Te levei pra casa na outra noite e...
Não pensei em mais nada e o beijei. Sua mão se posicionou em minha cintura e cada vez me puxava mais pra perto, eu o abraçava fortemente e podia sentir cada músculo seu se contrair para me tocar. Seus lábios percorreram um longo trajeto do meu ombro para o meu pescoço e finalmente, para a minha boca novamente. Devorávamo-nos. Um querendo mais do que o outro, ele definitivamente estava mais voraz do que na outra noite.
De repente, meu celular vibrou e eu reclamei mentalmente por isso. Era uma mensagem de Mandy. Virei de costas para o loiro que beijava meu pescoço fervorosamente.
“Estamos nos camarotes, é só dar seu nome. Tenho uma surpresa pra você”
- Nossa, eu sinto muito mesmo, mas a minha amiga está me chamando... – eu disse.
- Não tem problema, eu vou com você!
Segurei sua mão e o guiei até o camarote. O segurança perguntou meu nome:
- Emily Collen e ele está comigo.
O cara nos deixou entrar. Lembro-me de subir uma escada. Os camarotes eram no piso superior. Vi Mandy em uma mesinha rodeada de homens.
- E aí, mulher? Demorou... Mas posso ver que estava acompanhada. – ela disse. – Achei um amigo meu que conhece o filho do dono disso aqui e agora estamos aqui. – Ela dizia enquanto estreitava os olhos para analisar a minha companhia. Sim, ela estava muito louca. - Ei, esse não é o cara da última vez?
- É sim. – respondi. - Qual é a surpresa?
Ela apontou para mesa e foi aí que eu percebi a carreira de cocaína sobre ela. Um dos rapazes estava ocupado com outra.
- Mandy, eu...
- Posso? – perguntou meu “acompanhante”.
- Claro. – respondeu minha “amiga”.
Ele se juntou aos outros ao redor da mesa.
- Mandy, eu disse pra você que eu não me meto com drogas.
- Emy, você disse que queria aproveitar a vida. É assim que se aproveita.
- Eu não...
- Você quer esquecer o Nick ou não?
- Vai lá, já estou indo.
- Nossa, mas até bêbada você é uma cagona!
Ela resmungou e foi se juntar aos outros animais. Peguei meu celular e apertei o número 1 da discagem rápida. Adam atendeu.
“Alô?”, perguntou a voz de sono dele.
Eu tinha me esquecido completamente que não nos falávamos mais. Desliguei. E fui me juntar aos meus “amigos”.
Não quis provar. Isso ia contra todos os meus princípios. Todo mundo ao meu redor parecia muito louco. Um dos caras começou a ter um treco e levaram ele para fora do camarote. Comecei a ficar com medo.
O loiro me descobriu no sofá e começou a me beijar novamente. Só que agora suas mãos iam para dentro do meu vestido. Tirei as mãos dele de lá e me levantei. Lágrimas teimosas saíam de meus olhos. Eu queria meus amigos de verdade, eu queria a república. Não pensei duas vezes e liguei para o número 3 da minha discagem rápida.
“Alô?”
- Vem me buscar?
Capítulo 7 “I'm so sick of love songs
So tired of tears
So done with wishing you were still here
Said I'm so sick of love songs so sad and slow
So why can't I turn off the radio?” – Ne-Yo
POV’S LILY
- E aí, amor? Gostou do passeio? – Estávamos no mesmo sofá onde Emy havia nos interrompido na noite anterior. Permanecíamos sentados frente a frente e o sorriso de Nick quase me fazia esquecer os problemas... Eu disse quase...
- Claro que eu gostei. Só de poder ficar com você já é muito bom... Mas a gente não pode fingir que não está acontecendo nada entre nós.
- Tem certeza de que você quer falar sobre isso?
- Tenho, Nick. E não tente me beijar ou mudar de assunto... Isso tem que ser resolvido!
- Hm, e "isso" o que, exatamente?
- Isso, Nick! Você sabe o que está acontecendo, só não sei se você sabe o quanto isso está me machucando... Meu, você sabe que eu não ligo pra essas coisas de você sair, não me ligar... Você merece ter uma vida. Mas a partir do momento que você está dedicando a sua vida a outra pessoa... Eu não sei se isso é certo.
- Mas, Lily, eu só me dedico a você! Eu já disse: é você que eu namoro!
- Só que não tá parecendo, Nick! Esse é o problema. A gente faz as nossas coisas, dá uns beijinhos de vez em quando... Mas é isso que é namorar pra você? Se for assim, eu quero ser sua amiga, porque é justamente da sua amizade que eu estou sentindo falta... A gente já nem conversa mais!
- Não, nem vem com essa de ser minha amiga, porque eu te amo muito pra ser só seu amigo...
- Nick, eu...
- Você não está pensando em terminar comigo, está? – Eu não respondi. Eu não sabia o que fazer. Meus olhos já lacrimejavam. – Lilian, escuta aqui. – Ele respirou fundo e segurou as minhas mãos enquanto se atentava a olhar em meus olhos. – Eu não sei por que é tão difícil de acreditar nisso, mas eu preciso que você acredite no que eu vou te dizer, tá bom? – Concordei com a cabeça enquanto ele se aproximou, diminuindo o volume de sua voz. – Eu te amo! Você sabe mais do que ninguém que essas três palavras significam muito pra mim... E eu sei que significam pra você também... Eu nunca disse isso pra nenhuma outra namorada além de você! Claro, eu amo os meus amigos e a minha família, mas em especial, eu amo você!
Ai, Jesus! Como se respira mesmo? Como é que eu consigo ficar brava com essa criatura? Eu já nem me lembro mais porque comecei essa conversa.
Isso não está certo... Ele me tem nas mãos.
É, e eu posso dizer isso literalmente, já que agora eu estava em suas mãos. Nick me beijava tão docemente, tão tranquilamente. Eu sabia que hoje não teríamos pressa para acabar.
A cada toque seu a confirmação do porquê eu me apaixonara por ele vinha com mais intensidade, eu sentia (e creio que ele também) que fomos realmente feitos um para o outro. Eu espero realmente que sejamos para sempre, porque eu acho que nenhum beijo, nenhum abraço, nenhum amasso vai ser tão bom quanto os de Nicholas. Ele é o homem da minha vida.
Já estávamos ambos sem camiseta e Nick já não estava tão calmo assim. Sua mão alcançara o fecho do meu sutiã quando o seu escandaloso celular tocou.
- Nick ... – Eu tentava pará-lo. - ... Acho que... Seu celular está tocando. – Era óbvio que estava! Mas a verdade é que eu também não queria que ele parasse.
- Ahn... – Depois de me despir, ele passou a beijar o meu pescoço e aquilo realmente me excitava! – Deixa pra lá...
O telefone havia parado. Mas não demorou muito, ele voltou a tocar.
- Ah... Vai que é importante, amor... – Meu subconsciente me xingava eternamente por isso, mas... Vai que é importante!
- Alô?
- Quem é, Nick? - Pela sua cara, coisa boa não era. Tratei logo de me vestir, porque por aquele olhar eu pude saber que a nossa festa acabou ali.
- Onde você está?
- Quem é? – Ele nem sequer olhou pra mim. É melhor ele não me obrigar a perguntar novamente!
- To indo, não sai daí!
Ele se levantou do sofá enquanto vestia a camiseta, apressado.
- Nicholas! – Ele finalmente me deu atenção. – Explicações, por favor?
- Eu tenho que ir, amor! – Ele me deu um selinho rápido e saiu literalmente correndo.
Fiquei sem entender nada. O que será que tinha acontecido? Alguém teria morrido? E o mais importante: onde o meu namorado foi?
Meia hora depois, eu ainda estava naquele sofá, agora vestia pijamas, mas a preocupação não me deixou dormir e as minhas perguntas foram respondidas com Nick chegando abraçado à Emy.
- O que é isso? – Perguntei chocada com a cena. Emy, visivelmente embriagada e com cara de quem havia chorado muito, nem sequer olhou para mim.
- Hoje não, Lils. – disse meu namorado.
- Mas...
- Hoje não. – Repetiu secamente.
Ele subiu as escadas com ela e ouvi uma porta se fechando. Eu estava furiosa. Não subi para não encontrar com Emy no nosso quarto.
Acabou que eu adormeci no sofá.
(...)
Puta que pariu, mas quem diria que esse sofá é extremamente desconfortável para dormir! Isso foi pior do que quando acampei numa floresta aos dez anos de idade: passei frio, tinha uma madeira nas minhas costas e o pior... Nunca me senti tão desamparada.
Depois de me queixar mentalmente de todas as minhas dores e ter xingado o sofá de todos os palavrões que eu conheço, me lembrei por que eu havia dormido lá. Aquela vontade estúpida de chorar, que eu pensei que só garotinhas idiotas tivessem, veio com muita força, mas fui forte e decidi que não choraria mais por aquele motivo. Afinal, acabou. Portanto, o que eu podia chorar, eu já deveria ter chorado.
(...)
- Bom dia, coisa linda! – A espontaneidade de Adam me fez sorrir assim que eu entrei na cozinha.
- Bom dia, gatão! – Tentei ser simpática no mesmo nível, mas isso é praticamente impossível. – Posso saber o motivo de tanta felicidade? – Perguntei enquanto caminhava em direção à geladeira.
- Sabe, hoje de manhã eu acordei e vim direto tomar café da manhã, só que no caminho eu vi uma bunda pra cima no sofá... – Ele falava no mesmo tom de alguém que recorda de boas lembranças.
Instantaneamente parei de procurar o bolo de chocolate na geladeira e passei a encará-lo. Ele fez uma cara de desentendido, mas quando cruzei os braços ele me mediu e aí sim se tocou:
- Ah, a bunda era sua! – Ele começou a rir sozinho, eu não pude evitar e passei a rir com ele.
- Às vezes você é muito estúpido, doutor!
- Nossa, foi mal... Mas o seu namorado não deveria deixar você usar esse tipo de roupa...
Broxei na hora e o sorriso desapareceu do meu rosto.
- Que foi? Eu disse alguma coisa de errado?
- Eu não tenho mais namorado...
- O que? – Ai, como é lesado!
- Eu e o Nick terminamos. Quero dizer, eu não contei isso para ele ainda, mas ele já deve saber...
- Ah, que pena, Lily! Bem que eu notei que aquele boiola estava meio depressivo ontem antes de dormir...
- É, não tinha mais jeito, Adam. Só não sei como vai ser sem ele...
- Mas como foi? Vocês brigaram?
- Não, muito pelo contrário. A gente estava até... Você sabe o que...
- Claro que eu sei, vocês não sabem fazer outra coisa!
- Cala a boca!
- Mas é a verdade! Mas então, o que foi? Ele broxou, então você não quer mais ele?
- Adam!
- O que foi? É você quem está dizendo!
- Deixa eu terminar, por favor?
- Go ahead!
- Então, eu quase terminei com ele, só que ele começou a me falar umas coisas e eu acabei cedendo... Aí, estávamos lá... Só que o telefone dele tocou. – Adam fez um sinal para que eu continuasse. – E era aquela vadia bêbada da Emy! – Adam ria da minha expressão para me referir a ela.
- E aí?
- E aí que o filho da puta do seu amigo se levantou e foi embora atrás daquela cretina!
- Nossa, que mancada!! – Adam nem tentou esconder seu desapontamento. – Caralho, ele mandou muito mal nessa!
- É, eu sei...
Não demorou muito e já estávamos rindo descontroladamente, como sempre fazíamos. Realmente, quando nos juntamos nada pode nos segurar. Nosso nível de besteirol fica muito mais forte.
Então é isso. Decidi que não vou sofrer, ou pelo menos não vou demonstrar que estou sofrendo.
Como hoje é domingo, fui ao shopping com a Fany. Ela queria ver se encontrava alguns DVDs de umas bandas coreanas.
- Lily, até quando você e a Emy não vão se falar?
- Sei lá, Fany. Às vezes eu até sinto falta dela, mas ela não deve sentir a minha. Sem contar que a Emily, minha amiga, morreu e colocaram uma cachaça baladeira no lugar dela, né? – Fany ria.
- Ai, Lils, eu queria poder dizer que você está errada, mas...
- É, eu não estou! – Agora eu ria com ela.
- E o Nick? Não vai ter volta?
- Não sei, Fany, ele me decepcionou muito... Eu não quero falar sobre ele, de verdade.
- Tudo bem, mas eu acho que ele não morre mais...
Nick caminhava em nossa direção, ao lado de dois caras quase tão lindos quanto ele. Ele sorria para nós, mas é claro que eu não retribuí.
- Oi, Nickiiie! – Ai, Fany! Agora não é hora de ser simpática.
- Oi, Fanyy! – Ele disse imitando seu sotaque, e eu quase ri.
- Oi, Lils. – Ele disse sem o mesmo entusiasmo.
- Fany, tem certeza que a loja coreana é pra esse lado? – Eu tentei puxar um assunto qualquer para evitá-lo.
- Responder o meu "oi" não vai te matar, Lilian...
- Oi, Nicholas! – Disse séria e eu pude ver a tristeza em seu olhar. – Vamos, Fany?
Eu acho bom que ele esteja sofrendo. Desejo que você sofra muito mais, Nicholas! Do fundo do meu coração!
(...)
O tempo passa rápido com a Fany e quando demos por nós já estava escurecendo.
No estacionamento, eu não achava as chaves do carro.
- Ê, merda! Onde está a porra dessa chave agora?
- Calma, Lily! Tá aí... Em algum lugar!
- Tá no bolso lateral, Lils. – Pude ouvir a voz de Emily, mas me virei só para me certificar de que não era nenhuma alucinação do inferno.
Não era nenhuma alucinação do inferno, devia ser o inferno mesmo, porque ela estava lá. Eu a ignorei e continuei revirando a bagunça da minha bolsa, no bolso central.
- Pára de ser teimosa! – Ela enfiou a mão no bolso lateral da minha bolsa e de lá tirou as chaves do carro. – De nada! – Ela sorria vitoriosa enquanto largava as chaves na minha mão.
- Nossa, se você ao menos soubesse o que eu estou com vontade de fazer agora... – O ódio era evidente em minhas falas.
- Hm, deixa eu adivinhar... Me agradecer? É, seria o normal... – Ela continuava com aquele sorriso nojento no rosto.
- Emily! Não provoca. – Fany tentava evitar o que estava previsto.
- Emy! Cadê você? – Desta vez era a voz de Nick que falava e, mais uma vez, me virei para ver se não era nenhuma alucinação do inferno... – Ah, você tá aqui. – Ele disse, chegando até nós para me provar que sim, aquilo era uma amostra grátis do inferno.
- É, sabe como a Lily é, né? Eu vim ajudar ela a achar a chave do carro.
- Nossa, mas vocês dois estão muito bem acompanhados! Pelo visto o casal teve uma ótima tarde no shopping. – Eu me encostei no carro com os braços cruzados. Os dois parados em minha frente.
- Nós não somos um casal, Lily! – Nick tentou se defender.
- Mas sim, tivemos uma ótima tarde no shopping! Obrigada por se preocupar! – Mano, essa garota tá me tirando do sério!
- Vamos, Lily! Deixa os dois aí!
Obedeci a Fany e a minha vontade era jogar o carro em cima daquela cretina! Mas respirei fundo e percebi que eu não estava cumprindo o meu papel de "fingir que a Emily não existe".
No caminho, me distraí falando dos problemas da Fany e ouvindo suas músicas.
(...)
- Lily? Não vem jantar? – Kevin invadira o meu quarto.
- Kevin! Você sabia que eu poderia estar sem roupa?
- E você sabia que eu queria correr esse risco? – Claro, meu travesseiro voou em sua cabeça.
- Seu cachorro!
- Cachorro, Lily? Isso é elogio! Quer me ofender, me chama de baitola!
- Mas isso eu sei que você não é... – Ele sorriu convencido.
- Então eu só lamento!
- Idiota! – Eu já estava rindo.
- Então, você vem? Ou você vem agora ou você fica sem comida!
Descemos às escadas conversando e dando risada. Kevin também era uma boa companhia.
O barulho que vinha da cozinha era alto. Hoje todos resolveram jantar aqui pelo visto.
- Ê, cambada! Vamos falar mais baixo, por favor? – Eu entrei tentando botar moral, mas o silêncio foi de um segundo e começaram a me vaiar, ou algo parecido.
A confusão que eu causei acabou rápido, mas sempre tem um pra gritar por último:
- BAUXITA!
Todo mundo olhou para ele e riu. É...
Sentei-me entre Kevin e Fany, pude ver Nick e Emy na outra ponta, mas isso não me abalou.
Enquanto comíamos, perguntei sobre Adam:
- Gente, cadê o loiro?
- Mas você, a amiguinha preferida dele, que deveria saber, não acha? – Penny, a puta da república, se pronunciou. Ela é louca pra dar pro Adam, mas ele diz que o "júnior" dele não se esconde em qualquer toca.
- É, eu deveria, só que ele anda fugindo de uns decotes que são esfregados na cara dele... E como você está aqui, ele deve estar em qualquer lugar onde você não esteja. E como era pra ele estar aqui, eu não sei onde ele se encontra.
- IÉÉ! - Bauxita gritou, fazendo com que todos rissem novamente.
- Ele saiu com uns amigos, Lily... Já deve estar voltando. – Nick me respondeu.
- Obrigada, Nicholas.
Era estranho ter ele por perto, mas não poder agir como eu agia antes... Acho que vou levar um tempo para me acostumar com essa situação. Tenho que me conformar que... Acabou.
O jantar estava demorando mais pra acabar hoje do que de costume, já que a conversa coletiva mantinha nossas bocas ocupadas demais para mastigar a comida.
Passaram-se uns 15 minutos até que Adam surgiu estonteante, devo admitir.
- Ah, mas que bonitinho! Todo mundo jantando junto! – Ele disse, gozador como sempre, e as meninas riram e os meninos gritaram alguns xingamentos, como é de praxe. – Boa noite, querida! – Ele disse enquanto passou por Nick e lhe deu um beijo na bochecha.
Fany ria. Acho que essa é a única coisa que Adam faz capaz de fazer a Fany dar risada, fingir ter um caso com Nick.
- Ei, gatinha! Não fica com ciúmes, não! Ele sabe que eu durmo com ele pensando em você! – Mais uma vez os risos tomavam conta do ambiente.
- Argh! Sai daqui, seu nojento! – Fany já não ria - Eu vou enfiar esse garfo no seu olho!
- Nossa, mas que gatinha selvagem!
- Adam, senta aí, meu! E para de causar! – Eu tentava, sem sucesso, parar de rir.
- Ai, ai... A vida é bela!
- Posso saber onde o senhor estava vestido desse jeito?
- E com "desse jeito" você quer dizer "sexy"?
- Olha, dessa vez a resposta é sim!
- Ah! Eu sabia! Sempre soube que você tinha uma queda por mim! Ou você acha que eu nunca reparei no jeito que você olhava pra esse corpaço aqui!
- Benhê, será pedir demais pra você, pra que você escolhesse entre você ou o seu ego pra permanecer neste recinto?
- Não, benzinho, claro que não! Mas só se você parar de cuidar das minhas conversas, que ainda não chegaram nesse lado da mesa... E aí, pode ser? – Nick o olhou tão sério... E ele fica tão sexy quando está bravo... Ai, ai, um dia eu esqueço esse cara! – Ei, Lils... Vamos pra um lugar onde a gente possa conversar SEM QUE NINGUÉM CUIDE!
- Não precisa gritar, Adam. Dá pra ouvir muito bem daqui tudo o que você fala...
- Eu acho que além de não ter chegado a esse lado da mesa, a conversa também não chegou no pu...
- Tá bom, Adam! Vamos lá!
Abandonei a minha deliciosa comida e puxei Adam pela mão rapidamente, já que o clima esquentou muito rápido ali. Eu poderia ter deixado ele, pelo menos, ter terminado a sua última frase, né? Ele só ia dizer uma verdade!
Fomos para a varanda, a noite estava linda e quente.
- Então, agora sim... Respondendo à sua pergunta, eu estou sexy assim, porque eu fui pra um bar com uns amigos... Consegui alguns telefones... – Ele enfiou a mão no bolso da calça, me mostrando vários papéis com números e nomes de garotas.
- Hm, Adam pegador!
- Isso é uma redundância!
- Ah, desculpa aí! – Ríamos – Mas o negócio é o seguinte, mano: Você foi pro bar e me deixou aqui sozinha! Nossa, eu não tenho nada pra fazer dentro dessa república sem você! Os rapazes são uns tarados e as garotas, umas putas! Assim fica difícil, cara...
- Pô, foi mal aí, irmão! – Ele disse de um jeito meio maconhado, visivelmente me zuando. Retribuí com um tapa em seu musculoso braço. – Ai, Lily! Você precisa parar de... tentar me fazer cócegas! – Ele gargalhava na minha cara e sua risada era contagiante.
- Cócegas, Adam? E o que você acha disso então? - Fechei a mão e dei um soco nele.
Adam ria cada vez mais e como ele me fazia rir, eu estava cada vez mais batendo com menos força, já que minha barriga já doía de tanto dar risada!
Eu continuava investindo toda a minha força sobre ele, e quando consegui parar de rir, percebi que quem estava sobre ele era, literalmente, eu!
Um silêncio desconfortável se formara.
- Er... Acho que eu não devia estar aqui... – Agora ele soltou uma risada tímida, mas gostosa.
- Relaxa! – Ele sorria, nunca tinha reparado no belo sorriso que Adam tinha... Esses lábios carnudos... – Eu sei que tudo isso foi uma desculpa, porque você estava desde o princípio tentando me seduzir!
- Idiota! – Eu disse enquanto me "desmontava" dele.
- Ei, deita aqui do meu lado...
- Ahn... O que? – Sim, isso se tornou muito estranho de repente.
- Deita aqui do meu lado, sua besta! A visão do céu é muito boa, para a nossa sorte, hoje temos muitas estrelas para olhar!
O obedeci e ele tinha razão, o céu estava lindo!
- Mas então... Eu não te vi hoje cedo, senão teria te convidado para vir comigo...
- Ah, tudo bem. Desta vez passa...
- Mas e aí? Eu vi a sua mensagem... Eles estão juntos mesmo?
- Não sei, loiro... Mas agora também o Nick pode fazer o que ele quiser, ele já não me deve mais explicações...
- Pois é, é uma pena que tenha acabado assim. Eu ainda não tive a oportunidade de falar com ele, mas assim que eu o fizer, eu te trago novas informações! – Eu ri.
- Valeu! Mas como vocês estão? De boa?
- De boa na lagoa, suave na nave... Ou... Sustentando uma falsidade. Você tem as três opções.
- Falsidade? Por quê?
- Porque aparentemente ele está com a minha mina e eu, com a mina dele. Não dá pra gente continuar se amando como nos amávamos... Antes, éramos loucos apaixonados, agora, somos apenas amantes. Nossa relação é só sexo, sexo, sexo, sexo, sexo, sexo, sexo, sexo, sexo...
- Tá, Adam! Já entendi! Você pode, por favor, parar de me fazer rir... Isso já tá ficando dolorido!
- Ah, minha filha, você já fez outras coisas que foram doloridas e nem por isso você pediu pra parar...
- Adam!
- Desculpa, tava pensando no Nick ainda... Ai, ai, aqueles braços...
- Adam...? – Eu não conseguia parar de rir.
- Pronto, agora eu foquei!
- Mas então, loiro... Você não tá com a mina dele, porque nós somos brothers. Não é a mesma coisa entre ele e aquela lá...
- Mas ele não pensa assim. Ele acha que ele e "aquela lá" são brothers e que eu e você temos um caso...
- Aff, ele é louco.
- É, eu sei...
O silêncio mais uma vez martelou...
- Adam...
- Chora!
- Você me acha ciumenta?
- Ciumenta? Você? Não mesmo!
- Ah, eu fiquei pensando se eu podia estar meio paranóica...
- Não, você não está, Lils. O Nick sempre foi conquistador, sempre teve amigas e você nunca ligou! Você só ficou assim com a Emy, porque ela era a sua melhor amiga... Sei lá, eu acho que deve ser isso!
- É, deve ser...
A freqüência da presença do silêncio aumentava cada vez mais.
- Lils...
- Fala!
- Você acha que o Nick é melhor do que eu?
- Essa pergunta foi séria, doutor?
- Sim, meretíssima.
- Er... Bom, eu não sei... Em que aspecto?
- Como... Ahn... Homem!
- Adam, eu não te conheço como "homem", como você quer que eu responda?
- Não to falando na cama, cabeçuda! – Ele ria e eu ria de constrangimento.
- Então você explica direito, caramba!
- Como namorado... Calma, antes que você diga que nunca me namorou, deixa eu terminar...
- Sim, senhor.
- Então, se você fosse uma garota qualquer e ficasse 20 minutos comigo e com ele, só nos observando conversar e tal... Você acha que essa garota gostaria mais de mim ou dele?
- Depende da garota, loiro. Você faz mais o tipo falador. É carismático, engraçado, meio matraca de vez enquando, mas a sua animação é de espantar qualquer tristeza e pelo que eu ouvi e pelo o que eu te conheço você é o tipo de cara que deve fazer qualquer garota se sentir A mulher. É respeitador, sabe os limites de tudo, é um ótimo companheiro, alguém com quem se pode sempre contar, um bom conselheiro, seu olhar acalma, o seu sorriso é extremamente lindo, o seu corpo... Bom, você sabe! A sua voz pode ser tão suave quanto à brisa que nos refresca essa noite, o seu abraço é de longe o mais acolhedor, aconchegante... Um porto seguro.
- Você tava falando de mim mesmo? – Nossa, o que foi que deu em mim?
- Foi mal, eu me empolguei.
- Não precisa se desculpar, eu gostei do que eu ouvi! Gostei até demais!
- De nada, então...
- Será que todas me vêem assim?
- Não sei... Mas deveriam.
- Obrigado, Lils! Isso significa muito mais vindo de você, parceira! Mas e o Nick?
- Vocês são bem parecidos, Adam. Hm... Deixa eu ver o que eu posso dizer sem parecer uma louca apaixonada por ele...
- Isso é impossível!
- Claro que não...
- Eu quero ver então!
- Eu vou falar o que ele tem de diferente, já que vocês são bem parecidos... Enquanto você faz o tipo pegador, ele já é mais come quieto, afinal, ele é bem mais tímido do que você, já que você não tem um pingo de vergonha na cara!
- Ê laiá, tava bom demais pra ser verdade...
- Fica quieto que a dama está falando! – Ele riu do que eu dissera – O Nick é mais romântico, ele tenta se fingir de durão, mas tem o coração mole... Às vezes, ele é meio autoritário, mas não com as mulheres, só com os homens mesmo, ele gosta de liderar as coisas, gosta de estar no comando.
- Disso você sabe bem, né...
- Você é muito inconveniente, esqueci de mencionar isso! Enfim, ele beija muito bem, um beijo capaz de fazer qualquer uma correr atrás dele pra sempre por outro beijo daquele!
- "Eu não sou mais uma louca apaixonada" – Ele disse com uma voz feminina, quer dizer, ele tentou.
- Eu disse que eu ia TENTAR não parecer ser. Ah, você é meio surdo e tem o raciocínio lento também!
- Não adianta tentar queimar meu filme agora, já sei que eu sou o máximo pra você!
- E tem o ego inflado!
- Lilian, Lilian... Quem diria que você sente tudo aquilo por mim, hein? – Ele sorria. – Então quer dizer que esse sorriso aqui é extremamente lindo?
- Nunca mais te elogio, imbecil!
- E a minha voz, suave como essa doce brisa que nos refresca...
- Fazer o que, a sua voz é linda mesmo!
- Ah, tava demorando pra começar a dar em cima de mim de novo... – Ele disse virando olhos como quem se queixava.
- Adam!
- Eu to te zuando, cabeção! Relaxa! – Ele me puxou para um abraço. Minha cabeça encostava-se ao seu peitoral e, como eu já disse, seu abraço me confortava. Eu poderia ter ficado ali para sempre, mas logo seu queixo bagunçava o meu cabelo e eu tive que sair do meu "porto seguro"
- Ai, ai! O meu cabelo!
- Você sente dor no cabelo agora?
- Sinto!
- Ridícula!
- Adam!
- Que foi?
- Pára de me ofender!
- Você me xinga, me bate, me faz de escravo sexual o tempo todo e eu não falo nada! – Me mantive de braços cruzados e a expressão de Adam demonstrava um claro "você venceu". – Tá, foi mal... – Continuei "emburrada". Por que eu e Adam fazemos tanto isso? – O que você quer? Que eu me ajoelhe? – Ele ria. Ainda com cara de bunda, estiquei meu braço até o violão que sempre ficava na varanda e o entreguei a Adam. – Você quer que eu cante pra você? – Fiz que sim com a cabeça. – Tá vendo como você abusa de mim?
- Vai, doutor! Eu quero ouvir Lucky!
- Essa música me deixa muito mais sexy e sedutor do que eu já sou, você não merece ver isso...
- Toca essa porra logo, caralho!
- Se não o que? Vai pegar um chicote? – É incrível como eu não tenho moral...
- Não duvida não, hein...
- Ai, ai, você é engraçada! Bom, deixa eu te proporcionar o prazer de ouvir a minha doce voz...
Ele limpou a garganta e começou com aquela batida suave no violão.
Ah, quando ele disse que ficava mais sexy e sensual cantando essa música, ele não estava mentindo não! Agora eu entendo por que tantas garotas tentam se aproximar de mim... É nele que elas querem chegar!
Adam cantava divinamente bem e isso não era segredo para ninguém! Quando chegava a parte de Colbie, ele afinava a voz, me fazendo rir.
Assim que ele terminou de cantar, passei a aplaudir e assoviar, ele dizia "Obrigado, obrigado".
- Muito bom, doutor! Se nada der certo, você DEVE viver de música.
- Ah, obrigado, Lils! Mas eu espero que os meus planos dêem certo!
- Casal, desculpa atrapalhar o super encontro romântico de vocês na varanda, com direito à serenata e o escambal, mas a Sra. Rachel pediu pra avisar vocês que já está na hora de dormir.
- "Nós não somos um casal, Nicholas" - Eu disse com voz de deboche, para relembrar o que ocorreu hoje à tarde.
- Mas sim, estamos tendo um super encontro! Obrigado por se preocupar! – Há! Fala se esse Adam não é foda! Sim, eu mandei uma mensagem para ele com todos os detalhes do que ocorrera e, pelo visto, ele não se esqueceu de nenhum.
- Eu não me preocupo. Só que as risadas de vocês não deixam ninguém dormir! E se vocês não estão nem aí se vocês têm aula amanhã, respeite-nos, porque nós estamos. – O quarto de Nick fica bem próximo à varanda, então provavelmente nós realmente estávamos o incomodando.
- Foi mal, cara. Mas relaxa, e dá próxima vez que você sair do quarto, não saia de lá sem o seu senso de humor não, falou?
- Há. Agora uma boa noite pra vocês... – Ele respirou fundo e continuou. - Casal. – Concluiu com nojo, se retirando e batendo a porta com força, em seguida.
- Hm, bicha má! – Adam disse, me fazendo rir.
- Ele quase conseguiu estragar o nosso "super encontro romântico". - eu disse e rimos juntos.
- É... Mas nada pode nos deter, super Lily!
- Eu concordo com você, super Adam!
- Hm... Topa uma corrida até o quarto?
- Demorou!
Eu disse e saímos em disparada. Essa era a nossa brincadeira predileta, desde... Sempre!
É o seguinte: Saímos correndo, batendo os pés com força na escada, então quanto mais barulho melhor! E então, quando chegamos à nossa cama, temos que deitar e gritar: "Querida, cheguei!" o mais alto possível.
O objetivo? Ah, é acordar todo mundo, ouvir uns palavrões bem feios antes de dormir, se der sorte ver um companheiro de quarto se assustar pra valer e o melhor: Levar uma advertência! Ê...! Mentira, essa é apenas a conseqüência.
Enfim, depois de ouvir uns xingamentos vindos até do quarto da Sra. Rachel, o sorriso se mantinha no meu rosto, e no meu coração a certeza de que eu tinha o melhor amigo de todos: Adam Overstreet.
Capítulo 8 “Blame it on the vodka,
blame it on the henny
Blame it on the blue tap, got you feeling dizzy
Blame it on the a-a-alcohol
Blame it on the a-a-alcohol” – Jamie Foxx ft. T-Pain
POV’S NICK
Eu nunca tinha aberto o meu coração para uma menina antes, pelo menos não daquele jeito. Terminar com ela foi estranho e arrancou um pedaço de mim. Ta, pode parecer que estou na fossa, mas... Ah, quem eu quero enganar? Eu to na fossa! Eu amava aquela garota! E de repente, por causa de não sei o que, acabou. Eu queria saber o que eu fiz de errado...
E é duro ver o meu “melhor amigo”, a pessoa que deveria estar me apoiando neste momento, dando todo suporte à ela. Não que ela não mereça isso, afinal, eles também são “melhores amigos” ou sei lá o que eles têm... Mas o que eu não consigo enxergar é o que eles têm contra mim e a Emy. Nós éramos um quarteto perfeito de amigos e de repente nossa amizade desmoronou por um motivo que ainda é meu desconhecido. E pelo rumo das coisas parece que é Adam e Lily versus eu e Emy, o que não significa que somos um casal! Um garoto e uma garota não podem ser amigos agora?
Na república, descobri um grande amigo em Kevin, agora estávamos sempre juntos, ele virou meu parceiro.
- Meu, eu já te disse que eles vão perder! Esses Dodgers são horríveis! – Kevin dizia.
- Cala a boca, cara! Eles só estão 4 pontos atrás...
- Do que vocês estão falando? – chegou Emy toda arrumada pra sair, de novo.
- Baseball! – Respondemos em uníssono.
- Ah... Vai, Yankees! – disse ela.
- Vai sair de novo?! – Não pude deixar de perguntar.
- Sim, senhor.
- Ah, Emy, você vai acabar... Você lembra o que aconteceu da última vez!
- Você vai vir comigo pra me “proteger”? – Ela perguntou, fazendo aspas com os dedos e respondendo a própria pergunta em seguida. - Não. Então não posso fazer nada.
- Quer saber...
Levantei do sofá e subi a escada. Entrei no meu quarto e vi Adam jogando Rock Band com uma cara meio desanimada. Comecei a tirar a camisa e a calça.
- Agora, amor? Não to muito afim... – disse aquele baitola. – Tudo bem, vai pegar o chantilly e o chocolate...
- Hum, que delícia!
Terminei de me trocar.
- Aonde o gatão vai? – perguntou o loiro.
- Vou sair. Vou voltar meio tarde.
- Você ta pensando que eu sou uma mulher-objeto, você me usa e me joga fora? Seu bofe sem coração!
- Relaxa, bi! Depois eu te recompenso! – Não sei o que se passa entre nós, mas esse cara ainda me faz dar risada!
Desci as escadas e fui até o sofá.
- Você não vai fazer nenhuma burrada hoje, Emy!
- Você também vai? – perguntou o Kevin.
- Você vai? – Ela parecia não acreditar e eu não entendi o porquê, mas ela mantinha um sorriso no rosto.
- Você acabou de me convencer... – Eu disse, piscando para ela em seguida.
- Vocês dois não...?
- Ugh, não, Kevin! – disse Emy. – Sem ofensas, Kevin, mas não!
O celular dela tocou.
- A Mandy chegou. Vamos?
Descemos. Deparei-me com o brinquedo vermelho que chamavam de carro. Uma garota buzinava. Eu nunca tinha visto aquela tal de Mandy antes e não fazia ideia de como ela era. Entrei no carro. A luz não me permitia ver o seu rosto direito, mas de onde eu estava sentado pude ver que suas pernas eram muito... Belas!
- Resolveu trazer toda sua bagagem?
- São meus seguranças. Esse é o Nick – Mandy me mediu e deu um sorrisinho para Emy. Hã? – e esse é o Kevin.
Ela também o mediu, mas não deu um sorrisinho. Eu já sabia o motivo, eu sou mais gostoso do que ele.
Logo já havíamos chegado ao nosso destino: o inferno! É claro que eu já fui à baladas antes, mas essa era diferente... Era tipo, muito do mal. Tinha uma galerinha do mal do lado de fora, tinha uns carros do mal estacionados na frente, até os seguranças eram do mal!
Respirei fundo e saí do carrinho de brinquedo vermelho.
Chegamos na porta e Mandy deu o nome dela e o da Emy. Elas iam entrando, só as duas.
- Emy! – chamei-a.
- Ah, é! Desculpa aí. Eles estão com a gente.
- Nossa, que poderosa! – disse Kevin e estalou o dedo.
- Sou foda! Na verdade, a Mandy conhece uns caras bonzões aí e...
- Deve ser uns caras do mal. – eu pensei em voz alta.
- Nick, se você quiser ir embora, tudo bem. Eu te levo de volta.
- Não precisa. Se você gosta disso, não deve ser ruim. Além disso, você disse que te ajuda a esquecer das coisas.
- Então vem, guys.
Ela pegou a minha mão e a de Kevin e nos levou para o bar, onde Mandy já estava com seu copo. Pedi uma coisa que eu não fazia ideia do que era, só sabia que tinha álcool. Até quis pedir um whisky, mas achei que eu ia parecer muito um rapper ou um cafetão.
Depois de muitas doses eu fiquei bem doidão. As garotas tinham me abandonado para dançar, o Kevin já tava se pegando com uma garota do meu lado e eu... Bem, eu não fazia ideia do que fazer! Eu estava bêbado e perdido. Era ridículo!
Virei para meu outro lado e achei uma ruiva (acho) que até que era bonita.
- Oi. – eu disse. Eu tava afim de conversar com alguém.
- Oi. – ela disse, na verdade eu não ouvi porra nenhuma, só li seus lábios. Resolvi chegar mais perto da minha nova amiga.
- Sou Nick.
- Sabrina. Você é muito cheiroso. – Ela disse vindo cheirar o meu cangote.
- Ah, valeu. Eu... Tomo banho. – Sim, eu disse isso.
Ela riu, tomou mais um gole da sua bebida e do nada a louca começou a me beijar! O que eu fiz? Ah, eu sou bonzinho, mas não sou boiola!
Ela se apertava cada vez mais contra o meu corpo. Fiz uma coisa que só pude fazer com a Lily depois de alguns meses juntos: apertei com gosto o bumbum dela. Oh, yes! Eu fiz isso sim! Sou safado ou não sou? Quem é o papai agora?
Mas, depois de conhecer quase todo o corpo, resolvi partir pra outra. Bebi mais umas doses esperando Kevin terminar com uma outra garota.
- Vamos pra outro lugar.
- Embora?
- Não!
Eu tava felizão. Comecei a dançar e andar ao mesmo tempo. Estava à procura de mais vítimas para eu caçar (uh, sou cachorrão). A noite toda se passou assim. Acho que nunca tinha beijado tanto na minha vida! Encontramos com a Emy e a Mandy por sorte, se elas tivessem demorado mais um pouquinho para demonstrar que eram nossas amigas, provavelmente teriam sido as próximas presas. Meu nível de embriaguez só me deixava distinguir mulher de homem, apenas isso. Zoamos um pouquinho dançando ao redor de casais ou simplesmente se jogando em cima deles e os separando. Quase arrumei briga por causa disso, mas Mandy jogou seu charme pra cima do cara e ele esqueceu.
Entramos no carro. Eu fui atrás com a Emy e o Kevin foi na frente com a sua predadora, porque com a Mandy é assim, é ela quem vai pra cima.
O carro começou a balançar e, em uma reação ao mal-estar, deitei minha cabeça para trás.
- Nick, você ta bem?
- To um pouco tonto, né? – Ela ria. – Mas to de boa...
- É que parece que você...
- Ah, não se preocupa! E valeu por me trazer aqui... Até que é legal. – Passei meu braço sobre o ombro dela, fazendo com que ela encostasse a cabeça no meu peito.
- Er... Não foi nada...
- Obrigado mesmo. Eu só queria que a Lilian estivesse aqui pra...
- Ah, tava demorando... – Ela se soltou de mim.
- Pra ela se divertir! – Eu tinha noção de que o que eu estava falando era de difícil compreensão para os ouvintes, mas não sei por que, não calava a porra da minha boca. – Ela é nossa amiga, não é, Emy? – Ela não respondeu. – Não é, Emy? – falei um pouco mais alto.
- Calma, Nick! É, ela é nossa amiga, sim...
- Mas eu não quero ser amigo dela... – Senti meus olhos lacrimejarem. – Eu não quero só amizade, Emy! Ela nunca vai entender?
- Deita aqui, deita? – Emy batia em seu colo.
Eu a obedeci.
- Só assim pra essa porra ficar quieta, hein! – Pude ouvir Mandy dizer.
Meus olhos iam fechando e... Apaguei.
Só acordei no elevador da república. Kevin me servia de apoio.
- Hã?
- Calma, Nick. Já estamos chegando. – A doce voz da Emy dizia.
Não me lembro como cheguei ao meu quarto, só lembro de alguém tirando o meu sapato e a minha camiseta.
- Agora é festa no quarto? – era a voz de Adam.
- Cala a boca, Adam.
- Emy? O que você ta fazendo aqui?
- Ajudando! E, Kevin, vê se para de fazer barulho, cacete! – Ele devia estar muito bêbado também. – Adam, tira a calça do Nick depois, não é legal dormir de jeans... Boa noite pra vocês!
- Opa! Com o maior prazer!
Com os olhos entreabertos, pude ver que a silueta de Emy abandonara o quarto.
Senti Adam obedecendo Emy e arrancando as minhas calças sem o mesmo cuidado e delicadeza que os meus sapatos e camiseta foram tirados.
Meus olhos já nem abriam mais, mas eu estava acordado.
- Ei, Adam, vai tomar no seu cú! – Eu disse assim que ouvi que ele havia deitado. Não consigo explicar porque eu fiz isso.
- Ah, de nada por ter te ajudado... – Vi que ele não me levava a sério.
- É sério, cara, vai se fuder! Você é... Um filho da puta! – Nem eu estava entendo as palavras que saíam da minha boca.
- Ta bom, bêbado ingrato, vai dormir!
- Eu vou te pegar, cara! Vai ter volta...
- Nicholas, caralho! Cala a porra dessa boca, sua bicha escrota do caralho! – Kevin, com palavras tão tombaleantes quanto às minhas, tentou me parar. A minha embriaguez que me fez desmaiar, fez com que eu o obedecesse. Mas ainda assim, pude ouvir Adam dizer: “Idiotas.”
O que veio depois, ou se teve alguma coisa a mais... Virou lenda! Só sei que no dia seguinte eu estava com uma puta dor de cabeça.
- Cara, tem como você apontar esse lápis? Esse barulho de lápis esfregando no papel ta fazendo minha cabeça doer demais!
- Mas até de ressaca é fresco! Puta que pariu! – Adam ria de mim. Ele pegou seus milhares de livros e seu lápis barulhento e se retirou do quarto.
Já era mais de meio dia, então resolvi levantar da cama. Tudo rodou. Minha cabeça estava pesada... Como a Emily resiste a isso e eu não? Acho que eu nunca bebi tanto na minha vida... Eu ia saindo do quarto quando me dei conta que estava só de cueca. Voltei e vesti uma blusa de moletom e uma bermuda.
Fui para a cozinha atrás de qualquer líquido. Lily estava estudando lá, sozinha. Sorri sozinho ao vê-la... Já estou com saudades dela, e ela, pelo visto, não deve nem se dar ao trabalho de pensar em mim de vez em quando...
Eu não sou mais nada pra ela, mas ela ainda é o amor da minha vida, eu não queria que ela me visse daquele jeito... Abaixei a cabeça e coloquei o capuz, mas a minha estupidez se esqueceu que isso não me torna invisível. Fui direto para a geladeira, mas eu não poderia ficar sem desejá-la bom dia.
- Bom dia, Lils.
- Bom dia, Nicholas. – Poxa, por que ela fica me chamando pelo meu nome? Só para me machucar?
Ela não havia tirado os olhos de seu livro, mas eu sentei à sua frente, e aí sim, ela me notou.
- Nossa senhora! O que aconteceu com você? – Eu devia estar muito mal mesmo, porque até falar comigo, ela falou.
- Nossa, eu to mal assim?
- Ai, Nicholas... Você bebeu, né? – Concordei com a cabeça. – Você sabe que álcool vira glicose no sangue e o senhor por acaso tem diabetes?
- Sei... – Vergonha.
- Já mediu a sua diabetes?
- Não...
- Ai, Nicholas! – Ela fica tão fofa se preocupando comigo!
Lily se levantou, pegou o meu medidor de glicose e uma xícara de café.
- Toma! Mede a sua diabetes e toma isso... Vai ser bom pra sua ressaca...
- Obrigado, Lily, de verdade – Eu não conseguia parar de sorrir, eu estava surpreso e admirado com a sua atitude.
- Não precisa me agradecer... E vê se fecha essa blusa! Não ta calor pra você ficar com esse peito de fora!
Ela pegou suas coisas e se retirou.
Às vezes ela me lembra a minha mãe, e eu sei que ela fala desse jeito autoritário só pra fingir que está brigando comigo, mas na verdade ela morre de preocupação...
Ela voltou. Ficou lá, parada por um tempo...
- Posso te ajudar? – Eu não sabia o que falar! Não me julguem!
- Voltei só pra dizer que eu não me preocupo com você, ta bom?
- Ta... – Até parece!
- Que bom que entendeu... – Ela continuou lá. – Mas, se por acaso você está tentando se matar, você está no caminho certo, Nicholas!
Desta vez ela se retirou permanentemente. Acho que só ela acredita nessa pose de malvada que ela tem. Eu sinto falta de suas broncas...
Depois de obedecer todas as recomendações da minha ex-namorada (preciso usar essa expressão pra ver se me acostumo com ela), resolvi ir para o meu quarto desejando encontrar um silêncio considerável lá. Doce ilusão...
Adam e Kevin, aqueles viciados, estavam jogando vídeo-game. Por que é tão difícil pra eles entenderem que eles NÃO são aqueles personagens, portanto, eles NÃO precisam gritar pelas dores da animação! Tá, do que eu to reclamando? Eu faço a mesma coisa!
Resolvi sair dali e o único lugar onde eu pensei em poder encontrar a paz era o quarto das meninas. Para minha sorte ele estava vazio. Deitei na cama de Emy e, com a minha cabeça ainda latejando, lá adormeci.
- Nick?! O que você ta fazendo aqui? – Aquela voz que ontem era doce, hoje soava muito aguda.
- Ai, ai, Emy! Fala mais baixo... – Eu resmunguei e ela riu.
- Exagerou na dose, né, bonitão?
- É, um pouco...
- E ia ser desse jeito que você pretendia “cuidar de mim”? – Ela gostou mesmo desse negócio de fazer aspas com os dedos!
- Não vai se repetir...
- Ah, é? E se resolvesse seguir o seu exemplo, huh?
- É o que você deveria fazer! Estou te dando uma lição de vida! – Tentei dar a volta por cima.
- Ah, lição de vida?
- É! Se você for uma boa menina, você vai passar o domingo assim, que nem você está agora: Linda e sem dores. Mas se você quiser ser uma bad girl, você vai ficar na pior, com dor de cabeça, com sede, com a glicose alta, olheiras e etc...
- Então eu posso continuar saindo e fazendo tudo o que eu fiz na noite passada, é isso? – Ela sorria vitoriosa.
- Não, não foi bem isso que eu quis dizer... – Eu procurava por argumentos, mas eles não vinham. – Eu quis dizer que...
- Não adianta! Perdeu, playboy!
- Não vai me dar chances pra eu me redimir?
Ela balançava a cabeça negativamente.
- É, eu sinto muito.
- Poxa, como eu vou poder viver sem a sua absolvição?
- É, eu sei... É duro, né? Mas você supera, eu acredito em você!
- Acredita mesmo?
- Acredito!
- Ah, sendo assim, eu posso viver... – Eu agia feito um idiota, mas Emy ria mesmo assim. Isso é que é amiga!
- E agora vou deixar você dormir, ta bom?
- Nossa, além de acreditar em mim, você é boazinha assim?
- Pra você ver, meu querido! – Ela falava de um jeito como quem esnobava e aquilo me fez rir. E fez a minha cabeça doer mais também.
- Ta, agora vai embora, vai... Você fala agudo demais! – Falei “zoando”, mas era sério!
- Ei, me respeita! Só não taco nada na sua cabeça por respeito a sua ressaca!
- Poxa, ressaca merece respeito agora...
- Nossa, como você é chato! Não te dou mais moral!
- Mano, para de falar!
- Para você primeiro... Não to falando sozinha! – obedeci. – Ei, não me deixa no vácuo!
- Só to obedecendo!
- Virou cão mandado agora?
- Tudo é assunto pra você, hein? Puta que pariu! – Ela riu.
- Ta, já enchi o seu saco, agora eu vou de verdade... – Ela ia indo mesmo. – Tolinho! – Ela disse da porta.
- Por quê?
- Acreditou mesmo que eu ia ser boazinha com você? Seu trouxa!
Eu ria enquanto ela saia e fechava a porta.
No meio da noite, Emy pediu que eu fosse para o meu quarto. Fany e Lily já dormiam e eu estava curado!
(...)
Já estávamos em uma quinta-feira, a semana passara muito rápido.
Os dois primeiros dias ainda foram bem constrangedores, eu não estava satisfeito com o que eu havia feito no fim de semana. Sabe, na hora é a coisa mais gostosa do mundo sair pegando qualquer mini-saia que passar na sua frente, mas agora que eu estou sóbrio, eu ficou pensando em como eu sou um cachorro, cretino, safado, prostituto!
Eu queria ser como aqueles meus dois amigos e não ligar pra nada e apenas aproveitar, eu até tentei fingir assim, mas na segunda, enquanto andava pelo campus, algumas (muitas) meninas me pararam no caminho com uns “Você lembra de mim?” e umas eram até barangas que eu nunca pegaria de cara limpa, devo confessar. Isso só alimentou a minha imagem de “moleque piranha”.
Estava comentando sobre isso com a Emy enquanto fazíamos algumas tarefas da faculdade, porque sim, nós ainda somos estudantes... Ou deveríamos ser.
- Ah ta. Além de bêbado é mentiroso agora?
- É sério, Emy, to me sentindo mal... Eu sempre critiquei quem tratava as mulheres daquele jeito e eu chego lá e passo o rodo? Isso não é legal.
- Aff, para de ser fofo! - Ela disse colocando a mão na boca em seguida, como se tivesse dito alguma coisa muito errada, eu não entendi. Apenas ri.
- Fofo? Eu pensei que você ia me chamar de viado ou algo assim!
- E foi isso o que eu quis dizer... – Ele me parecia um pouco aérea.
- E depois ainda se acha no direito de chamar alguém de brisado... – Eu pensava alto.
- Como é que é? – Ela arqueava as sobrancelhas.
- Não, nada... – Sim, eu tenho medo dela. – Ei, sabe aquele dia que eu tava de ressaca?
- Hm, o que tem?
- Sabe quem falou comigo? – Mano, eu sei que eu estava com uma cara de idiota, eu não consigo evitar.
- Quem, gatinho selvagem? – ela perguntou. Não pude evitar de rir.
- Bom... – eu ia dizendo, mas acho que, pela cara dela, ela já sabia de quem eu falava. - A Lily! Tinha que ver, ela só faltou morrer de preocupação! – falei mesmo assim.
- Ai, Nick! Como você é besta! – Ela ria – E por isso você não quer mais ir pras balada, brother?
- Não, quero dizer, acho que não... – Ela riu mais. – E quem disse que eu não quero ir pras baladas? – Minha vez de rir. – Com a culpa, eu lido depois...
- E com a Lily, Sr. Pirigueto?
- Ela não tem mais nada a ver com a minha vida. Ela cuida da dela e eu da minha.
- Hum, gostei de ver, é assim que se fala, djow!
- É, até porque acho que ela e o Adam estão ficando...
- E você chegou a essa conclusão sem cuidar da vida dela? Ah, ta. Eu acredito sim!
- Fica quieta, Emy! Eu cuidei da vida dele, não dá dela!
- Ah ta, aí é justo! – Por que ela gosta tanto de ficar me tirando?
- Nossa, nem falei com ele essa semana...
- E eu já nem sei quantas semanas faz que eu não falo com ele...
- E ainda não me contaram o porquê...
- Ah, Nick. Vai ver era melhor você não saber mesmo. Estamos bem como estamos!
- Quem você ta tentando enganar? Ninguém ta bem desse jeito, não! – Eu disse e ela riu.
- É, você tem razão... Mas ainda temos um ao outro! E eu prometo não te decepcionar! – Ela dizia com um sorriso sincero no rosto, um sorriso daqueles que te faz sorrir também.
Apoiei a minha mão sobre a dela. Adam entrou na sala de estudos na mesma hora.
- Atrapalho? – Ele pareceu muito incomodado com a cena de um amigo segurando a mão de sua “irmã”, bom, pelo menos por consideração.
- Olha, na realidade... – Ele ia me levando a sério, e com cara de poucos amigos ia se retirar.
- Ei! Calma aí, eu to zoando! – Eu ri, mas ele nem sequer sorriu.
Sentou-se a uma cadeira de distância, na mesma mesa, e lá começou a devorar seus entediantes livros de anatomia.
Continuei de onde havia parado:
- Obrigado, Emy. É verdade, tudo isso estaria sendo muito mais difícil sem você.
Adam se intrometeu:
- Ou não estaria acontecendo se não fosse por ela...
- Cara, qual é o seu problema? – Abandonei sua mão sobre a mesa e me virei para ele.
- Nenhum, Nick. Foi mal, não queria atrapalhar o casal, mas você sabem, aqui não é lugar de namorar.
- Loiro, você sabe muito bem que eu e Nick não temos nada!
- Ah, querida, isso por que ele só sabe pensar na Lily né, porque se não, eu duvido que você já não teria dado o bote!
- Adam, se liga! Não fala assim com ela!
- Nossa, Nick, se você soubesse como você fica insuportável defendendo ela...
- Do mesmo jeito que você fica insuportável rondando a Lily 24h? Ah, é... Sei bem como é isso. – Adam balançava a cabeça negativamente, com um sorriso no rosto.
Por que é sempre assim? Eu me altero e ele fica com essa cara de bobo, fingindo que não estamos brigando e que ele não está com a mesma vontade de socar a minha cara, como eu estou de socar a dele.
- Meninos, não briguem! Eu acho que vocês precisam conversar. Vocês são melhores amigos, ou não são? Vocês querem mesmo perder a amizade de vocês assim?
- Você poderia começar aplicando esses conselhos na sua própria vida, né, Emy?
- Adam, por favor, não to com saco pra você hoje!
- Porque com a Lils você não tentou conversar e... – Ela o interrompeu.
- Cala a sua boca! 1º: Ela quem decidiu parar de falar comigo sem conversar e 2º: Você tem seus próprios problemas, então você poderia parar por um minuto de bancar o advogado dela. – Nossa, ela mandou muito nessa!
Adam se calou.
- É isso mesmo. Era exatamente esse silêncio que eu esperava de você! – Ela disse e se retirou em seguida, abandonando todos aqueles livros lá... Ei! Sou eu que vou ter que carregar tudo àquilo depois! Oh shit!
- Pior que eu não tenho nada pra te dizer...
- Eu muito menos. Só te digo que a minha consciência está limpíssima! – Ele disse e eu ri. – O que foi?
- “Só te digo que a minha consciência está limpíssima” – O imitei com uma voz de madame gordona. Ele riu. – Você não pode abandonar a sua homossexualidade por nenhum instante, né?
- Não dá, cara... É mais forte do que eu.
Então é isso: Não discutiríamos sobre isso hoje.
- Vai fazer alguma coisa no sábado?
- Não, eu não quero sair pra encher a cara com você! – Adam tentava me sacanear.
- Ah, que engraçadinho! E você nunca ficou bêbado, né, seu viado?
- Já, mas nunca mandei você tomar no cú, ir se fuder e nem te chamei de filho da puta...
- E também nunca vai esquecer isso?
- É que é foda, cara... Não foi uma coisa sem noção. Parecia que você queria mesmo dizer aquilo.
- Ta, talvez eu quisesse... – Ou talvez vamos discutir sobre isso hoje.
- Oi?
- É, loiro! Talvez eu quisesse te mandar tomar no cú e talvez eu te ache um tremendo de um filho da puta mesmo!
- E eu poderia saber por quê?
- Eu já te disse, cara, eu te avisei uma vez e você não respeitou a minha opinião...
- Eu não sei do que você ta falando...
- Claro que sabe! Você não é tão idiota assim!
- Olha, Nick, não to afim de brigar com você, de verdade, mas você ta caçando! E quem procura acha, filhote. Paciência tem limite e você ta esgotando a minha!
- Ah, calma lá! Não tenta fugir do assunto não! E ta pra nascer o cara que vai me meter medo!
Levantei da cadeira.
- Fugir do que? – ele fez o mesmo.
- A Lily, Adam! Você me tirou a Lily! A única pessoa que eu me importava de verdade!
- Ainda essa história, cara? Eu não tenho nada a ver com o que aconteceu entre vocês dois! - ele jogou o lápis que estava em sua mão na mesa.
- Não tem outro motivo pra ela ter terminado comigo...
- Você estava se fingindo de surdo e mudo em todas as suas discussões? Ela nunca escondeu o que ela tava sentindo...
- Mas ela só deve ter se importado com isso, porque ela ta gostando de você e estava procurando por uma desculpa pra terminar comigo.
- Nossa, por favor, pare de ver filmes de meninas!
- Eu to falando sério, Adam. Você como meu “melhor amigo”- imitei a Emy com o bang das aspas com os dedos. – deveria ter me apoiado...
Nesse momento já estávamos nos encarando, já em posição de briga. Mas ele se afastou.
- Mas eu estava o tempo todo aqui, cara. – abrindo os braços como se para mostrar a si mesmo.
- Estava o tempo todo aqui, só que do lado dela...
- Eu já te disse que... – Eu o interrompi.
- Ta, eu sei, ela tava sozinha. Mas você poderia ter me dando um toque, falar o que de fato está se passando nessa história da Emy e vocês... Por que esse ódio repentino?
- Tem muito lorota nesse angu. Não posso te contar...
- Por quê? Por que eu sou o ÚNICO que não posso saber de porra nenhuma? Mano, eu também devo estar no meio dessa história e vocês ficam com essa de um não falar com o outro e quem está se fudendo sou eu! Fui eu quem perdeu a melhor namorada de todas, sou eu que sei como a Emy ta sofrendo e se mutilando por dentro e sou quem perdeu o melhor amigo! Agora você acha isso justo?
- Não, eu não acho justo, Nick. Mas eu não posso fazer nada. A única que pode te contar é a Emy e eu a Lily só não trouxemos isso à tona ainda pela Emy. Foi ela quem pediu. E nós ainda gostamos muito dela.
- Puff...
Ele voltou a se sentar e dar atenção ao livro de anatomia. Sentei também. Ficamos em silêncio por um tempo. Mas tinha uma coisa que eu ainda não conseguia tirar da cabeça.
- Você gosta muito dela, não é?
- Quem? – Adam tinha ficado vermelho. Ih... Não gostei.
- Da Lily.
- Ah... Demais, cara. Eu a amo muito, do fundo do meu coração! Não consigo ficar mal quando estou perto dela... – não consegui esconder a expressão de raiva, mas pô! Bastava responder sim ou não, caralho! – Calma, não do jeito que você ta pensando. Eu digo, do mesmo jeito que você sente com a Emy, sabe?
- Eu não me sinto assim com a Emy...
- Não?
- Eu consigo ficar mal perto dela... – Adam ficou quieto e eu fiquei pensando. Então completei – Mas daí eu escuto seus conselhos e ela transforma as minhas lágrimas em sorrisos...
- Ai, viu? – Ele também pareceu incomodado. – E você tem chorado é, seu boiola?
- Desculpa se eu tenho sentimentos, ta? Você acha que eu sou só um corpinho gostoso? – ele riu. - Foram só duas vezes... Eu gosto de verdade da Lily, por que ninguém acredita?
- Eu acredito!
- Mas eu não consigo acreditar em você... – Ele riu. – To falando sério, loiro. Pra mim, vocês dois têm alguma coisa...
- Cara, você ta viajando...
- Não to, não. E eu ouvi aquele dia, você cantando pra ela “Lucky, I’m in love with my best friend”.
- Nick, pára de ser ridículo, vai!
- É sério, meu! Isso é coisa que se cante? Você cantava essa música com a Emy e só com ela. Eu até pensei que você...
- É só uma música, para de ser chato!
- Ta, parei... – Ficamos em silêncio por um tempo, mas eu ainda não tinha colocado pra fora toda a minha revolta. – Mas você precisa ficar tanto com ela? – voltando ao assunto da morena.
- Eu não fico tanto com ela assim...
- Ah, fica sim! Fiquei sabendo que vocês saíram juntos...
- Saímos! Eu, ela e mais umas sete pessoas! Relaxa, cara! E eu fiquei sabendo que você encheu a cara! – Ele disse e em seguida riu.
- Pois é, foi um pequeno deslize.
- Pequeno? Você não conseguia nem andar!
- É, talvez eu tenha exagerado um pouquinho...
- Um pouquinho?!?!
- Ta, já entendi, Adam! Eu sei que eu sou um moleque piranha! – Eu disse e ele riu.
- Ah, essa é boa!
- Mas olha você fugindo do assunto...
- A gente já não tinha terminado?
- Não, ainda não.
- Então vai, Nick. Interrogue-me mais um pouquinho... – Ele parecia já estar de saco cheio... Quem se importa? Muahaha!
- Vocês já se beijaram? – Ele riu alto.
- Nossa, todo o dia! Bem que você disse que ela era boa nisso! – Ele ria, mas eu não vi graça. – Preciso avisar que eu estou zoando?
- Por favor.
- Ah, ta.
- Ta, se vocês nunca se beijaram... Você acha que a beijaria?
- Sei lá, cara...
- Não, Adam. A resposta é “sim” ou “não”. – Odeio repostas vagas!!
- Depende, se eu não a conhecesse, “sim”. Mas como somos muito amigos, “não”.
- Isso significa que se ela fosse pra cima de você com toda aquela beleza e boa saúde, você não iria pará-la?
- Responde se você beijaria a Emy primeiro?
- Isso não faz diferença, a Emy nunca foi sua namorada!
- Mas era a melhor amiga da sua...
- Sim.
- Você ficaria com a loira??! – Ele pareceu não acreditar. Confesso que respondi sim para ele se sentir “livre” pra ser honesto na resposta dele.
- Claro, por que não? Depois de uns bons drinks! – Ele riu. – Zueira! Ela é linda, legal... Eu ficaria sim!
- Bom saber...
- Não vai contar pra Lily, hein!
- Relaxa!
- Sua vez...
- Eu não devo responder isso pra você... Você já é meio paranóico...
- Ta, então isso é um sim, você ficaria com a Lily, agora conta a novidade... – O ódio de repente voltou a estar presente.
- É, você é bipolar...
- Não sou não... E namorar? Você a namoraria?
- Aff, começou! Eu vou nessa, cara!
- Responde, ta com medinho do que eu posso fazer com você dependendo da sua resposta? – Eu falei sério, mas ele achou que eu estava de brincadeira.
- É, to me cagando. Tchau, Nick gostosão!
- Vadia!
Capítulo 9 “I was inviting her into my heart
But she was riding in some other man’s car
…
Guess I was wrong, but see I’m strong
Won’t take long for me to move on” Ne-Yo
POV’S ADAM
Tentei me distrair desses problemas envolvendo a Lily e aqueles dois. Fui para o treino de futebol americano. Ainda bem que pelo menos esse esporte o Nick não pratica. Mas como tudo nessa minha maldita vida de sofredor [não, ele não é corintiano!] não é fácil, as líderes de torcida estavam treinando também.
Vi Emy vestida com um shorts de ginástica e uma camiseta branca esbanjando toda sua boa forma. Ela corria junto com as outras para se aquecer. O problema é que não importa onde ela está, ela sempre se destaca. Mesmo no meio de mais quinze meninas bonitas usando shorts curtos e apertados e regatas.
- Hey, Adam! – disse Chang, o amor da Fany. Como ela pode querer esse oriental ao invés de mim?! O cretino jogou a famosa e querida bola oval em mim. Infeliz! – Para de secar a garota, meu.
- Não to secando ninguém!
- Ah ta. Isso não é ficar secando? – ele ficou olhando vidrado para as garotas correndo, sem ao menos piscar.
- Af, cala a boca! – eu ri. – Não tenho essa cara de idiota.
- Você que pensa, quarterback.
O técnico nos chamou e disse que íamos fazer um treino especial por causa do jogo da semana que vem contra os Spartans de San Jose State. Mesmo que o time oponente não fosse difícil, tínhamos que começar a temporada bem.
Saí do treino quebrado, só porque fiz umas piadinhas com a minha defesa, ela deixou os zagueiros passarem e me derrubarem. Isso aconteceu muitas vezes! Eu andava como se tivesse amputado as pernas, se isso é possível...
Eu estava no vestiário, tomando um banho, ficando cheirosinho. Enquanto os outros também se banhavam, o que não é uma cena muito bonita de se ver, se é que me entende. Bom, tinha um cara novo, vamos dizer que ele era... Hm... Bem dotado, quer dizer, ele tinha três pernas, cara! Não que eu fique reparando, mas é verdade. Eu tava com medo daquele negócio sair rastejando pelo vestiário e... Bem... Por isso eu terminei meu banho bem rápido.
Saí para a parte dos armários todo sexy, enrolado na minha toalha, e me deparei com uma coisa bem estranha. Estavam nos assaltando!
- What the hell? – não pude deixar de falar.
- Ah! – cinco garotas gritaram. Pelo que entendi, elas eram novos membros das cheerleaders. Acho que era uma prova para serem aceitas de verdade.
As garotas saíram correndo com cuecas na mão. Claro que elas olhavam para trás pra dar uma conferida nesse corpo gostoso que Deus me deu.
- Será que elas...? – fui checar meu armário para ver se minha cueca tava lá. – Droga!
- Perdeu isso? – Emy saiu de trás de um armário. Não, ela não é o Mário!
Bom, vamos dizer que meu amigão embaixo da toalha levantou. Eu sei, pareci um adolescente entrando na puberdade, mas é bom deixar claro que isso não acontece com frequência! Entretanto, aquela garota era muito... Não é todo dia que uma Emy aparece no vestiário masculino usando toda aquela pouca roupa, com um sorriso safado no rosto e ainda por cima com sua cueca na mão. Coloquei a mão na frente para esconder my dude. Ela pensou que eu só estava com vergonha.
- Er, valeu. Pode devolver agora.
- Não.
- Hã?
- Não vou devolver até você me explicar porque você ficou tão bravo.
- Eu já disse...
- Você não disse nada, loiro.
Eu queria pegar a cueca da mão dela, mas eu tinha que esconder, bom...
- Emy, por favor...
- Não, loiro! – ela parecia se divertir um pouco.
- Tira esse negócio de perto de mim! – a voz de algum cara ia saindo do chuveiro.
Emy saiu correndo do vestiário. Com a minha cueca.
Encontrei com a loira no elevador da república.
- Minha cueca. – eu disse com a mão estendida.
- Não.
- Já pode me devolver agora.
- Não.
- O que você vai fazer com ela?
- Vudu. – nessa hora a porta abriu e ela saiu. Tenho que admitir que me assustei um pouco. Eu meio que acreditava nessas coisas.
- Isso não existe. – eu disse para parecer mais corajoso e cético.
- Então por que parece que você ta com medo? – ela dizia rindo. – Eu sou uma bruxa, loiro.
- Você é besta, loira. Isso sim.
Já estávamos dentro de casa, ela subia as escadas, fui junto.
- Por que você ta me seguindo?
- Quero minha cueca.
- Isso? – ela tirou da bolsa.
- Me dá!
Começou a disputa pela cueca, eu tentava pegar da mão dela e ela fugia. Como aquela garota sabia segurar uma cueca! Não soltava nem a pau!
- Devolve!
- Não! – nós riamos bastante.
- Que é isso? – a voz da amada Fany nos parou.
Não ousei contar a Lily o que aconteceu. Ela ia achar que eu tava traindo a amizade dela conversando com a traidora que era a Emy. Ela ia ficar mal, assim como eu estava por ter gostado tanto daquele momento com a loira.
(...)
Como manter esse corpo sarado que eu tenho não é nada fácil, lá estava eu fazendo a minha musculação sagrada diária na academia do Campus.
Se passado umas duas horas, eu já havia terminado o meu treino e corria na esteira, quando o meu celular tocou:
- Adam! Onde você ta? – Era uma Lily extremamente animada do outro lado da linha, sorri ao ouvir a sua animação.
- Tô na academia, sua louca. O que você tem? – Eu sorria.
- Eu estou muito feliz! E preciso compartilhar isso com você!
- Tudo bem, então... Onde você ta?
- Não importa. Não se mova, estou indo para aí!
Após uns 15 minutos, uma Lily extremamente sorridente gritou ao me ver:
- Adam!
- É, esse sou eu. – ainda mantinha o riso em minha fala. Será que ela bebeu? Parei a esteira e fui ao seu encontro. Ela me abraçou com muita força. – O que ta pegando? – perguntei enquanto nos abraçávamos.
- O Mário!
- O que?
- O Mário!! – Os olhos dela quase lacrimejavam de emoção. – Ai, você ta suado! – Ela finalmente ficou normal e se queixou enquanto se “secava” – Mas continua sexy, não tanto quando o Mário, mas você tem potencial! – E ela voltou ao seu estado de insanidade.
- Ta, você não está bem... Senta aí, relaxa que eu vou tomar uma ducha e aí a gente vai tomar um sorvete, ta bom?
- Sim, senhor gostosão! – Ela disse assim que tirei a camisa e sequei meu rosto com ela. Eu apenas ri.
- Lily! Controle-se, mulher!
- Ta bom, eu vou tentar. – Ela parecia uma criança falando.
Dei as costas e a ouvi gritar:
- Uh, delícia! Assim você me mata! – Ela gargalhou sozinha logo em seguida.
(...)
Nós dois pedimos sorvete de flocos. Agora estávamos fora do Campus, numa sorveteria que era a mais ou menos umas duas quadras dali.
- Ta melhor agora?
- Agora eu to! Foi mal, perdi a noção! – Ela ria constrangida e eu a acompanhava.
- Supernormal vindo de você, minha amiga.
- Ei! Me respeita, seu loiro!
- E aí, quem é Mário?
- Não, calma. Vou falar a notícia mais antiga primeiro, é que eu só soube agora... Você não vai nem acreditar! – Ela era toda engraçada.
- Diz aí!
- O Nick chorou por mim! – Ela disse e eu ri. – O que foi?
- Você acha que ele ia chorar por você? Ele chorou porque ele tava bêbado!
- Ai, Adam! Como você é mau! – Coitada, tirei toda a felicidade da garota.
- É só a verdade... – Eu ainda ria. – Você achou mesmo que ele tinha chorado por você?
- Para de rir, seu cretino! Ai, é nessas horas que eu sinto falta da... Quero dizer, de uma amizade feminina... Uma amiga ia xingar ele junto comigo e não ficar rindo que nem uma hiena de mim.
- Não tinha um bicho mais bonitinho pra me comparar, não?
- Ai, Adam! Para de ser filho da puta! – Agora ela ria também.
- Mas me conta do Mário agora... – Eu não sei por que, mas eu comecei a não gostar desse cara agora. Ele deixou a Lils feliz demais...
- Não.
- Por que não?
- Porque você não merece saber... Vou procurar alguma moradora de rua que queira ouvir as minhas histórias. Você não é uma mulher!
- Oh, nossa! Fico feliz em saber! – Ríamos.
- Adam!
- Mas eu não sou mesmo mulher!
- Ai, eu desisto. Do que você quer falar, seu imbecil?
- Do Mário...
- Que Mário?
- Aquele que eu não quero que te coma atrás do armário... – Ela começou a rir novamente, cuspindo o sorvete. - Eca, com toda essa classe você conquista até dois Mários!
- Cala a boca e para de rir de mim!
...
- Fala, Lils!
- Já disse que não!
- Vai, por favor, sou seu melhor amigo ou não sou?
- Chantagem não vale! Mas tudo bem, eu to com vontade de compartilhar isso com alguém.
- Go ahead.
- Então, você se lembra de quando a gente veio pra Stanford e eu ainda não namorava o Nick e eu achava um cara da turma dele muito gato?
- Lembro, você não parava de falar daquele merda!
- Pois é, ele me chamou pra sair!
- E essa alegria toda é por causa disso?
- Por causa disso?? É o MÁRIO! – Eu fiquei olhando pra ela com uma cara de “E...?” – Ai, que saudade da Emily! – Eu ri – Olha os pecados que você me obriga a dizer!
- Então como seu amigo eu digo que você não vai sair com o Mário, sinto muito.
- Como meu amigo, você não tem nenhuma moral pra decidir isso, doutor...
- Mas como seu melhor amigo...
- Não, nem assim.
- Mas você ama o veado do Nick!
- Mas a vida continua!
- Como você faz isso, hein?
- Isso o que?
- Isso! Você não se abala com as coisas... Devo admitir que eu queria ser como você!
- Você também é forte, loiro! Sua “machesa” me impressiona!
- “Machesa”? – Eu ria – Como você entrou na faculdade?
- Eu to te elogiando, não reclama não!
- Ta, obrigado então. – Eu ainda ria. Mas logo fiquei sério. – Mas então, minha vez de contar...
- Abra o seu coração!
- Eu tive uma recaída... – decidi contar pra morena.
- Não entendi...
- No treino.
- Continuo sem entender...
- Puta, que saudade do Nick! Ele pega as coisas bem mais rápido do que você! – Eu ria e ela tacou sorvete em mim. – Ai, isso é gelado!
- Você mereceu! Mas continua, cabeção!
- Eu estava lá, treinando como de costume, só que Emy também estava... – Ela fez um sinal para que eu continuasse. – Não sei se foi por aquele uniforme sexy que as cheerleaders usam, mas... Eu a quis muito! – Lily se calou. – É, eu sei. Eu sou ridículo.
- Não, você não é. Você é fofo, está apaixonado... Emy seria mil vezes mais feliz se tivesse escolhido você. – Ela tentava sorrir. - Qualquer uma seria... – Ela sussurrou.
- O que você quer dizer com isso?
- Nada... – Ela engoliu em seco. – Você não vai chamar a Emy pra sair!
- Não vou mesmo! - Eu ri – Mas por que você disse isso?
- Porque se eu não vou sair com o Mário, você não vai sair com a Emy!
- Ah, claro. Isso é justo! Então vai ouvir o meu conselho?
- Não sei, você precisa ter uma explicação...
- Eu não quero. – Ela riu alto. – O que? – Eu realmente não entendia.
- “Eu não quero”, você acha o que? Que manda em mim agora?
- Não, mas minha vontade deve ser respeitada!
- Aff, fica quieto! – Ela ainda ria, mas eu não estava brincando!
Mas é verdade... Por que eu não queria que ela saísse com o Mário? Talvez seja porque a ideia dela sair, beijar, ou qualquer coisa com aquele cara não fez bem a minha mente. Aquilo realmente me incomodou.
Eu já perdi a Emy, se a Lily se render a esse Mário aí eu vou perdê-la também! E sabe, eu acho que todo homem precisa de uma amiga mulher, e para mim, era a Lils, minha parceira!
(...)
Está tudo tão diferente... Eu sinto falta dos velhos tempos e dos velhos amigos.
Ninguém consegue se igualar ao que éramos. É uma pena muito grande que o nosso elo tenha se quebrado. Sem Emy ou Nick, Lily é a minha fonte de risadas, conselhos e alegrias. Eu a amo cada dia mais. Quando estou com ela, até consigo me esquecer das coisas ruins, mas ainda assim... Maldita foi a hora em que eu me apaixonei pela Emily! Maldita a hora em que ela se apaixonou pelo Nick! Por que tem que ser assim? Coitado do antigo casal real da história, foi destruído por nós. Sim, “nós”. Eu sei que se naquele bendito dia eu tivesse ajudado a minha amiguinha, toda essa revolta não teria acontecido. Mas eu sou ciumento demais pra aturar esse tipo de coisa! E que coisa mais absurda! O namorado da melhor amiga! Aff! Olha eu revolts de novo!
Saí com os caras do futebol para tentar me distrair, talvez até me animar. Até que isso aconteceu. Era bom conversar com caras de vezes em quando, por mais que eu gostasse de sair com a Lily, eu precisava de algum amigo, senão, eu ia virar uma menininha!
Voltei do barzinho com minha gatona: minha moto, the Love of my life. Eu a adorava porque além de ser uma boa moto e me levar para os lugares que eu quero, ela atrai várias garotas. Quem não resistiria a um gatinho como eu em uma moto como aquela?
Enfim, estava dirigindo quando me deparei com uma cena até que engraçada. Uma Emy parada no acostamento chutando o pneu de um Mustang preto, o carro de Nick. Encostei minha tchutchuca a frente.
- Ah, alguém, graças a Deus! Adam!
- O que aconteceu?
- Não sei! Ele não quer ligar. Me ajuda?
- Esse é o carro do Nicholas?
- Sim, é o carro do NICK.
- Por que você não liga pra ele te ajudar? O carro é dele.
Ela me encarou por um tempo e depois simplesmente pegou o celular.
- Deixa pra lá. Pode ir embora. – Ela falava duro.
- Tudo bem.
Peguei minha moto e dei partida. Acelerei. Andei uns 200 metros.
- Droga! – virei a moto e voltei. – Como aconteceu isso?
- Aconteceu... De repente... – Ela falava me analisando, com a sobrancelha direita arqueada, sinal de que ela tinha estranhado minha volta.
- O que afinal... – Abri o capô. – você ta fazendo com esse carro?
- Eu e o Nick estamos dividindo, já que eu e a Lily... Bem, deixei o Willy com ela.
Willy era o carro das duas. Elas compraram um carro juntas no início da faculdade. Era um mini cooper azul. Foi a Emy quem deu o nome de Willy. Por quê? Eu não sei... Mas era legal.
Comecei a examinar o motor. Cara, se aquilo fosse um corpo seria tão fácil, mas todas aquelas peças juntas estavam me confundindo. Fiquei um bom tempo mexendo nele e acabei sujando minhas mãos e minha roupa de graxa. Achei um ferro que eu julguei estar frouxo e tentei apertar... Só que o bagulho tava duro pra caralho! Tive que tirar a camisa pra não arrebentar a minha mão.
- Você nunca mais vai tentar ser amiga dela?
- É... hmm... Qual foi a pergunta?
- Você tava me secando?
- O que? – só agora tirando os olhos do meu abdômen. – Não! Eu não...
Ela ficou muito vermelha e começou a rir. Ela fazia isso quando estava com vergonha. Eu me divertia com a situação.
- Deixa eu dar uma olhada nesse motor, loiro.
- Agora você é uma expert? – Ela ficou do meu lado e nós dois olhamos o motor. Ambos sem entender nada.
- Acho que é isso. – Ela disse e mexeu em alguma coisa que espirrou óleo em mim.
- Hey! Ah, você vai ver.
- Não! – Sujei minha mão com o óleo e limpei no braço dela. Começamos a rir. Quando finalmente paramos, ficamos encarando o motor.
- Ah, deixa pra lá, Adam. Eu espero o Nick...
Acidentalmente minha mão colocou-se em cima da dela, que estava apoiada no capô do carro.
- Emy, eu... Er... Você... Não acha isso nem um pouco errado?
- Você acha que eu sinto orgulho disso? – Minha mão ainda estava em cima da dela. Nós dois as olhávamos.
- O Nick não é o cara pra você. – Eu disse. Eu queria gritar que eu gostava dela.
Ela se virou para mim com a sobrancelha arqueada, mas logo a abaixou. Ficamos de frente um pro outro. Estávamos tão perto que se eu não fosse menino direito eu podia pegá-la pela cintura e sabe lá o que fazer depois.
- Eu... – Acredite se quiser: eu ia falar, mas o celular dela tocou.
- Alô? Oi, Nick. – ela suspirou de alivio. – Então, não me mata. Promete? Sabe seu carro? Ele não ta funcionando. Acho que eu quebrei...
Ela começou a andar e explicar o que tinha acontecido e onde ela estava. Ela desligou o telefone e voltou.
- Seu namorado ta vindo?
- Vai começar de novo? O Nick e eu não...
- Percebeu que você não para de falar nele?
- Você que fica falando dele!
- Você não para de falar do cara, sua vida ta girando em torno dele, vocês dividem o mesmo carro e você me diz que não tem nada com ele?
- Ele é a única pessoa que eu tenho. Você me abandonou. Você... Você era o meu melhor amigo! E nem tentou me ajudar quando...
- Agora a culpa disso tudo é minha?
- Qual é o seu problema?!
- Você!
- Então vai embora, Adam. Não to te obrigando a ficar aqui.
Ela virou de costas para mim e ficou olhando a rua vazia. Voltei minha atenção para o motor. Era questão de honra eu fazer aquele carro funcionar! Enquanto eu me matava pra fazer aquele carro andar, Emy se sentou no chão da rua e ficou olhando pro céu.
Não se passaram nem dez minutos e o Nick chegou com aquela brancura de perna usando um shorts de correr. Veado!
- Vim o mais rápido que pude. – ele disse para a Emy que imediatamente tinha se levantado. – Vim correndo.
- Imagino.
- Adam? - Me virei para ele. – O que...?
- Ele tava passando e resolveu parar pra ajudar... – Emy tratou logo de explicar.
- Claro que ajuda tirar a camiseta e se sujar de graxa. – disse Nick cruzando os braços e sorrindo. Tava pegando raiva daquele moleque.
- Você deveria ter vindo voando, né, Super Nicholas, para salvar sua donzela em perigo... Mas veio correndo. Nada heróico da sua parte.
- Tirar a camiseta por acaso é bem heróico, não é? Bom saber.
Já estávamos nos encarando com um passo de distância um do outro.
- Parem, vocês dois. Adam, coloca sua blusa, por favor.
- Até agora você não tinha reclamado. – ela revirou os olhos.
- Cala a boca, dude. – disse Nick, que logo se voltou para Emy. – Entra no carro e tenta dar partida quando eu falar.
Ele foi até o motor e mexeu em alguma coisa sem ao menos se sujar!
- Vai, loira. – o carro ligou normalmente. Quase me matei. Porra, tinha me sujado a toa! É pra acabar!
- Ah, thanks, God! – disse Emy e abraçou o cara. Ele me olhou com um olhar vitorioso. Filho de uma égua! - O que era?
- É que você forçou demais a marcha e aí uma peça afrouxou um pouco e o carro não ligava quando engatava a primeira. Igual da primeira vez.
- Ah, eu nunca me acostumo com esse carro manual. Depois de tanto tempo dirigindo o Willy... Nossa, fui muito burra agora!
- Relaxa, é normal. Você só precisa se acostumar mais.
Eu ia colocando minha camiseta.
- Adam, er... Obrigada. – Ela disse sem olhar em meus olhos.
- É, cara, valeu por TENTAR. – Ah, filho de uma égua é pouco para esse Nick.
Não falei nada. Subi na minha moto e acelerei.
Capítulo 10 “Close the door, throw the key
Don't wanna be reminded, don't wanna be seen
Don't wanna be without you
My judgement is clouded
Like tonight's sky” – One Direction
POV’s EMY
Nick e eu estávamos dentro do carro e eu não conseguia parar de olhar para aqueles músculos de suas pernas se contraindo ao pisar no acelerador ou na embreagem. Eu sei, meio tarado da minha parte, mas eu simplesmente não conseguia evitar. Acho que eu tava no cio...
- Que foi? – ele perguntou sem tirar os olhos da rua.
- Hã? Nada. Por quê?
- Ah, você ta quieta... E você nunca, jamais, em hipótese alguma, fica quieta.
- Isso foi um elogio?
- Eu sempre te elogio. – Ele tirou o olhar da rua para sorrir para mim por um instante.
- Own. – eu disse e logo em seguida, sem querer, juro que foi sem querer mesmo, alisei sua perna de leve. Pude ver um sorriso malicioso se formar em seu rosto.
Comecei a ter meu ataque de vergonha: meu rosto queimou e comecei a rir sem ter motivo algum. Ele ria de mim.
- Risada engraçada, meu!
Não percebi, mas ainda estava com a mão na perna dele. Resolvi tirar de lá, mas ele colocou a dele em cima da minha.
- Obrigado por tudo, Emy. Mesmo.
- Oxi, ta se despedindo, é?
- Não. É sério. Você tem sido ótima.
- Ah... – Sorria fraco. Simplesmente não tinha o que dizer. O que eu realmente queria falar, eu não podia. – Obrigada. Você também.
Olhei para fora e fiquei brisando por um tempo, mas ele interrompeu meus pensamentos.
- Quem você acha que ganharia, eu ou o Adam?
- Como assim?
- Se nós dois saíssemos na porrada, quem ganharia?
- Hm... Ah, não sei...
- Para de fazer doce!
- Não to fazendo doce! Eu só acho que...
- O Adam? – Comecei a rir. – Por que ele?
- Ah, meu, você pode ser bombadão e tudo mais, mas ele joga futebol e... Bom, você é da paz e ele... Ele dá 1 dólar pra não entrar numa briga, mas dá 100 pra não sair dela!
- Eu podia acabar com ele... Fácil.
- Você quer acabar com ele? – Eu acho engraçado essa cede de briga que os homens têm.
Nick tirou sua mão de cima da minha, eu já tinha até esquecido que ela ainda estava lá. Desta vez, tirei-a de cima da perna branquela, porém sexy dele.
- Como foi que ele chegou lá? Você ligou pra ele? – Abri a boca para responder, mas ele continuou - E tirar a camiseta? Que truque mais imbecil pra chamar a atenção de uma garota!
- Nick, é o Adam! Pra que ele chamaria minha atenção?
- Você é bonita, inteligente, boa companhia, engraçada... Qualquer um gostaria de chamar sua atenção.
- Aff, meu! Para de mentir! Você mente que nem sente... E para com esse negócio de brigar com os outros. Não é legal.
- Ah, não diga que não passou pela sua cabeça brigar com a Lily também. Você não quer saber quem ganharia?
- Ah, sou boa em discutir, mas não tenho muita paciência para ficar ouvindo os outros falarem besteira. Não demoraria para eu virar as costas e ir embora.
- Mas e se partisse pra porrada?
- Ah, nós dois sabemos a resposta: Ela me derrubaria fácil, fácil. Já viu a força com que ela corta a bola de vôlei? – Ele riu com sutileza.
- É, você tem razão, mas, enfim, vamos sair essa noite?
- O Kevin e a Mandy vão. Eu não posso ir, tenho que terminar de preparar um seminário.
- Ah, então eu...
- Vai sim! O lugar é bem legal e alguém sóbrio tem que me contar como foi.
- Tá bom. Eu vou, mas não vai ter graça sem você.
- Você nem fica perto de mim quando a gente vai pra balada! Só fica pegando as menininhas.
Ele abaixou a cabeça e deu um sorriso sem graça.
- Falando desse jeito parece...
- Que você pega todas? É verdade!
- Todas não...
- É, só as meninas direitas você não pega.
- E lá tem menina direita?
- Hey! Eu sou direita!
- Puff...
- “Puff” o caralho. Eu sou um anjo! Nem to bebendo mais. E nem ficando com os carinhas.
- Sobrou alguém pra você ficar? – Perguntou ele rindo.
- Não sou eu quem passa o rodo, meu filho.
Chegamos à republica.
- Eu não passo o rodo!
- Passa o que então? A vara?
- Olha o palavreado, loira. Isso não é coisa que um anjo fale.
Fui estudar no quarto de Nick. Ele ficou jogando vídeo game enquanto eu consultava meu Código Penal. Justo? Acho que não.
Nem desci para jantar, ele trouxe um pedaço de pizza e uma esfiha para mim.
- Tem certeza que não vai? – Perguntou ele enquanto pegava a roupa para tomar banho pela segunda vez desde que chegamos. – It’s Friday!
- Eu realmente preciso fazer isso. Mas vai lá pegar geral.
- Eu não... – Ele respirou fundo - Deixa pra lá.
Foi só o Nick sair do quarto para o Kevin aparecer por lá. Ô, menino chato! Ele ficava me cutucando, me fazendo cócegas, bagunçando meu cabelo, contando piada idiota que me faz morrer de rir. Quando o Nick voltou cheirosinho, eu não tinha escrito nem cinco linhas! Ele se juntou ao Kevin e começou a me importunar. Inferno!
Por volta da meia-noite eles finalmente saíram para pegar a Mandy na casa dela e eu tive minha paz.
Diacho de trabalho difícil! Teve uma hora que não estava conseguindo fazer nada. O sono estava se apoderando do meu corpo, então resolvi abaixar a cabeça só por alguns minutos e... Apaguei.
Lembro-me de alguém ter falado comigo e me levado até para algum lugar, suponho que seja meu quarto. Não lembro muito bem. Só sei que acordei na minha cama.
Desci para o café da manhã e percebi que tinha acordado muito tarde, porque para começar, não havia café nem pão e o Nick já estava acordado conversando com o Bauxita (aquele que grita bauxita toda hora).
- Bom dia. – os dois me responderam. – Que horas são?
- 12:00. – disse o Bauxita. – Você dorme demais, velho.
- Ah, eu tava com sono, meu...
- Hey, tenho que te mostrar um negócio. Vou pegar o violão. – ele adorava me mostrar os solos de violão que ele conseguia fazer.
- Então, cadê o Kevin?
- Ele e a Mandy... Bom, eu deixei os dois na casa dela.
- Eita. De novo?
- To te falando, quando eles acabarem essa fase de sair se reproduzindo com estranhos, eles vão acabar namorando.
- Acho que daqui uns 20 anos essa fase acaba.
De tarde, combinei de sair com a Fany. Fazia tempo que não íamos à algum lugar juntas. E eu sentia falta daquela coreana.
- Se quiser eu falo com ele. Falo pra um dia ele sair com a gente. – falávamos sobre o Chang.
- Não, Emy. Eu tenho vergonha... Ele... Ah, ele é tão lindo... hihihihi.
- Como você quer namorar ele se você tem vergonha de falar com ele?
- Ah, é só a gente andar de mão dada e... É, você tem razão, mas vai ser estranho você falar com ele, vocês não se conhecem direito.
- Pede pra Lily falar com o Adam. Ele agora é amigo do Chang.
- Nossa, é verdade! Mas o Adam vai ficar falando aquelas coisas na frente do Chang? Eu acabo com ele se ele fizer isso! Menos um ocidental no mundo.
A tarde foi bem agradável.
Aquela noite, Nick ia sair de novo, mas dessa vez eu ia com ele. Kevin já havia voltado com a Mandy, ela ia se arrumar lá na república. Estávamos nos maquiando em frente ao espelho da porta do armário quando ouvimos um:
- Com licença. – Era a voz da Lily. Ela queria abrir a outra porta.
- Ah, você deve ser a Lily. Sou a Mandy, prazer em conhecê-la.
Lily levantou a sobrancelha e soltou um:
- Oi. – Pegou a coisa que queria e saiu do quarto.
- Que garota animada.
Fomos com o carro do Nick. Os garotos não queriam andar com o “carro de veado” da Mandy. Era a inauguração da balada, então estava bem luxuosa e bem frequentada. Tinha até alguns famosos como David Henrie, Miley Cyrus e Emma Roberts. Mandy nos conduziu direto para o bar e pediu uma bebida com o nome engraçado. Os garotos pediram absinto. Eita porra, eu sei. Eu pedi uma simples Coca Cola. Eu disse que não bebia mais.
O lugar estava lotado. Achamos uma brechinha no meio dos outros e começamos a dançar. Eu e a Mandy tínhamos até uma coreografia para a música que tocava, de tanto que ouvíamos nas baladas. Mas acabei ficando sozinha com o Nick, já que um cara a puxou pro canto. O Kevin? Ele estava em outro canto.
Não conseguia dançar despreocupadamente quando eu e Nick ficamos sozinhos. E por algum milagre, nenhum conhecido nosso de outras baladas tinha aparecido ainda. O Nick se aproximou, ele já estava bem soltinho com a sua segunda dose de absinto. Fechei os olhos e comecei a dançar também. Era só eu não olhar para ele que a vergonha sumia. Então, de repente, ele me pegou pela cintura e me puxou para perto de seu corpo. Dançávamos com os corpos colados.
Sua boca encostou-se à minha e começou a dar selinhos de leve. Fiquei sem reação por alguns segundos e depois simplesmente coloquei meus braços sobre seus ombros e o beijei de volta. Eu esqueci absolutamente tudo o que estava a minha volta.
Nick me puxava cada vez mais para si com seus braços fortes. Eu amassava seus cachos de cabelo com a mão. Ele passou a beijar meu pescoço e foi descendo até o meu ombro. Quando meu celular vibrou, ele não parou por causa disso, era uma mensagem de Mandy para nos encontrarmos com ela no bar.
- É a Mandy. – Disse quando ele já estava a beijar minha orelha. - No bar. – Continuei.
- Não... Vamos ficar aqui mesmo – Ele recomeçou a me beijar, chegando à minha boca novamente.
O beijei de volta. E não me encontrei nem com Mandy nem com Kevin até a hora de irmos embora. Os encontrei do lado de fora, Mandy usava o casaco do garoto. Ah, ele era um bêbado fofo.
- Caralho, esperei no bar tanto tempo e você nem apareceu, my bitch.
- Já disse pra não me chamar de bitch, Mandy. Eu não sou sua bitch, você é a minha.
- Ah, é. E vocês dois aí?
Nick estava me abraçando por trás e tirou meu cabelo do caminho para beijar meu ombro.
- Vai demorar muito? – É, talvez o Kevin não fosse um bêbado tão fofo assim.
Andamos até o carro. Fui dirigindo com Nick ao meu lado, Mandy e Kevin atrás. Ligamos o rádio e começamos a cantar extremamente alto, ou se preferir, gritar. Nick colocou a mão em minha perna, acariciando-a levemente.
Deixei a Mandy no apartamento dela e fui para a república. Antes de entrar no meu quarto, Nick me pegou novamente pela cintura e me encostou na parede.
- Boa noite, Nick. – E ele me beijou.
Eu não podia fugir de seus beijos por causa da parede, mas eu também não queria. Uma de suas mãos escorregou para baixo da minha cintura e encontrou meu quadril e depois minhas coxas. Entrei num transe e só saí dele quando ouvi o Kevin saindo do banheiro masculino. Terminei o beijo com uma mordidinha em seu lábio inferior e o empurrei para a outra parede do corredor.
- Boa noite. – ele finalmente respondeu.
Entrei no meu quarto me sentindo a mulher mais feliz do mundo. Dormi instantaneamente.
Quando acordei no dia seguinte e fui escovar os dentes, comecei a pensar na noite anterior.
- Ah, não foi real. – eu disse para mim mesma depois de cuspir a espuma.
Eu não tinha ficado com o Nick, jogador de baseball, músico, futuro engenheiro aéreo, eu tinha beijado o Nick-bêbado. Eles não eram a mesma pessoa. É surpreendente o que o absinto faz com um ser humano.
Encontrei com ele enquanto eu descia as escadas, ele subia.
- Bom dia. – ele disse colocando-se no degrau abaixo do qual eu estava, fazendo com que ficássemos quase da mesma altura.
- Oi. Er... Vou tomar tetê!
- Eu vou com você.
Descemos até a cozinha e me sentei à mesa. As coisas do café da manhã ainda estavam lá. A Sra. Rachel sempre tirava a mesa mais tarde no domingo, porque todos acordavam bem mais tarde nesse dia. Misturei o chocolate em pó com o leite.
- Não precisa tomar tudo de uma vez, loira. – Eu praticamente não parava para respirar, mas é que eu não sabia o que falar com ele.
- Estou com fome.
Ficamos sem falar nada. Eu esperava que ele dissesse que não estava bêbado ontem à noite e que me beijou porque realmente queria, mas aí não seria verdade.
- Emy. – chamou a Fany, se aproximando da cozinha, quebrando o gelo. – Eu falei com a Lily sobre o nosso plano. Ela vai conversar com o Adam e pedir para ele não fazer aquelas coisas chatas que ele faz.
- Sério? Depois você me conta tudo, tá bom? Acho que o Chang se apaixona por você de primeira.
- Awn, podia, né?
- Chang? Ainda gosta desse cara? E meus sentimentos, Fany, não significam nada pra você? – perguntou Nick.
- Ah, Nickie... – ela falava “Nick” de um jeito diferente. – Você também fica fazendo essas coisas?! Você é um cara legal, não pode fazer isso, não pode.
- Fany, cabeção! – disse o Bauxita e deu um tapinha na cabeça dela, de leve.
- NA CABEÇA, NÃO! – Logo ela já estava correndo atrás dele para espancá-lo. Fany não suporta que batam em sua cabeça, ela acha que isso a deixa burra.
Comecei a rir e Nick se juntou a mim.
(...)
Depois de apresentar meu seminário, fui liberada, então fiquei andando por aí quando encontrei com Nick. Ainda não tinha resolvido como lidar com esse negócio de ter ficado com o Nick-bêbado.
- Não entra mais na aula não, mocinho?
- Eu tentei, mas eu tava mais dormindo do que assistindo a aula. Resolvi ficar por aqui mesmo... E você?
- Apresentei aquele seminário hoje e saí mais cedo.
- Então 'bora tomar um milk shake?
- Nunca recuso um.
Depois de pegarmos os Milk-shakes, diet pro Nick, é claro, ficamos andando pelo campus. Estávamos conversando animadamente quando veio a pausa e logo depois a frase:
- Então, loira, sobre aquela noite...
- Foi besteira, eu sei.
- Como?
- Você tava bêbado e eu estava lá... E...
- Não tem nada a ver! Eu queria fazer aquilo.
- Ah, ta. E eu quero andar pelada agora, segura meu Milk-shake. Por favor, Nick, não precisa mentir.
- Eu não preciso mesmo! Por isso estou falando a verdade!
Olhei para ele com descrença. E ele sorriu torto, tirando o copo da minha mão e colocando junto ao seu no chão. Ainda com o mesmo sorriso no rosto, ele colocou a mão em minha nuca, e com os olhos em minha boca, foi me puxando cada vez mais perto. Quando nossas testas já havia se colidido, ele passou a roçar o seu nariz no meu e disse baixinho:
- Eu não tomei nada agora. – Daí, meus queridos, quem sorriu fui eu.
Não demorou muito, estávamos nos beijando. Bem ali, no meio do campus, onde qualquer um poderia ver... Ih, caralho!
- Nick... – Eu tentava pará-lo - Eu não acho que...
- Sh... Só me beija. – Eu o obedeci por alguns segundos, porque é realmente muito difícil parar de beijar esse cara! Ele é bem melhor do que eu imaginei no meu melhor sonho! Mas, enfim, eu tinha que pará-lo.
- Não, Nick... É sério. Podem nos ver...
- É, você tem razão. – Eu o olhei e, sem querer, ri. – O que foi?
- A sua boca... Ela fica muito vermelha depois que você beija!
- E você acha isso engraçado, é?
- Acho!
- E o que você acha disso, então?
Ele abriu o copo de um os Milk shakes que estavam no chão e passou no meu nariz.
- Nick!
- Que foi? Tá achando ruim?
Dito isso, ele passou Milkshake no meu queixo, na minha bochecha, e por fim, na minha boca.
- Ah, sim! Agora tá muito engraçado. – Não sei por que, e não sei mesmo, ele estava se divertindo. – Para de rir, seu bobo! Agora eu to toda suja!
- Oh, dó! Quer que eu te limpe, quer?
Não tive tempo para responder, Nick mais uma vez me segurava pela cintura e passou a literalmente lamber todos os locais afetados.
- Eca! Seja mais nojento, por favor!
- Nojento nada, não sabia que na linguagem dos cachorros isso é demonstração de afeto? E nem vem que eu vi que você se arrepiou.
- Ah, e você é cachorrão agora?
- Você gosta desse termo?
- É... Interessante - Eu ria.
- Então eu posso ser seu cachorrão!
- Ai, Nick, como você é besta! – Dei um selinho nele e o empurrei, já que ele ainda não havia largado a minha cintura – Para de ser tão atraente!
- Não pede o que eu não posso fazer, por favor!
- Besta! Você acha que alguém nos viu?
- Não, Emy. Relaxa! Nem a Lily nem o namorado veado dela estão aqui...
- Eles não são namorados, Nick. Acredite.
- Tá, que seja, mas nada pode nos deter, gatinha! – Mais uma vez ele ia me beijar.
- Se acalma, menino! Tá no cio, é? – Ele riu. – Mas e se contarem pra eles... Ou pra Fany... Eu não quero mais problemas...
- Eu não vou deixar ninguém te importunar, tá bom? Que mal tem dois jovens se beijarem?
- Tá legal. Quem é você e o que você fez com o Nick que nunca foge das regras?
- Você não prefere o Nick cachorrão? – Vish, ele levou mesmo a sério isso.
- Nick, para de falar isso em voz alta! – Eu ria constrangida.
- Você prefere que eu diga isso só pra você, não é? – Ele disse ao pé do meu ouvido, beijando o meu pescoço logo em seguida. Eu apenas ri. Mais de nervoso do que da piada.
Qual é a dificuldade de ele entender que aqui é um lugar público? Quanto fogo! Agora entendo porque ele e a Lily sempre... Ah! Credo! Não quero pensar nisso...
Sinto que estou pecando só em pensar nisso, mas... Agora o Nick é meu!
Capítulo 11 “I have faltered, I have stumbled,
I have found my feet again.
I've been angry, and I've been shaken,
Found a new place to begin” – Delta Goodrem
POV's LILY
Meu pai me ensinou uma frase, que eu carrego pra vida: "A vida é bela, é nóis que fode ela", portanto, decidi que minha vida seria bela e nada foderia ela!
Por que estou pensando nisso? Bom, é que... Por um momento eu senti falta de Nick. Eu sei, eu sei... Não estou cumprindo com o meu combinado de fingir que ele está queimando no inferno, porém foi só por alguns minutos, só perdi uma lágrima.
Por que eu acreditei que ele me amava? Se há uma coisa que o meu pai também me diz desde sempre é que "homem NENHUM presta", e eu sempre acreditei nisso, até o momento em que eu me apaixonei. Sim, foi pelo Nick. E, mais uma vez, eu sei: Eu não deveria ter esquecido a tese do meu velho e confiado naquela raça maldita. Uma raça chamada homem.
Esta semana era aniversário da minha querida irmã mais nova. Ela tem, agora, quinze anos e não pensa em Justin Bieber ou qualquer ídolo teen do tipo, ela só tem olhos para uma pessoa: Adam Beaumont, a minha biscate!
Não é normal sairmos da Califórnia durante as aulas, porém, Adam seria o meu presente para Lucy esse ano.
- Você não acha que vai ser gay eu dirigir esse carro?
- Já que você não quer que eu vá dirigindo, o Willy é a única opção...
- Não, temos a minha máquina ainda!
- Eu não tenho coragem de viajar numa moto, Adam!
- Vamos, Super Lily! Seria uma super aventura!
- Ah não, Super Adam! Dessa vez eu passo...
- Poxa, você vai mesmo me obrigar a tirar a minha potranca da garagem?
- Por que você fica chamando os seus automóveis desse jeito? Coitados! – Eu ria. – Não, loiro... Aquele é de estimação...
- Mas é uma ocasião especial, nós vamos à sua casa... – Eu já ia soltar um "Own" e abraçar ele, mas ele prosseguiu – Tenho que mostrar pro seu irmão que tô com um carro melhor do que o dele.
- Nossa, obrigada. Você também é muito importante pra mim, seu cretino.
- E CLARO que por você eu tiro o carro da garagem.
- Agora não adianta mais, já estou magoada.
- Oh, não tem perdão?
A cena já estava montada: meus braços já estavam cruzados, já tinha um bico no meu rosto e tanto Adam quanto eu estávamos falando de um jeito infantilizado. Eu sei... Um dia a gente para com isso.
- Vem cá, vem? Eu vou te dar carinho...
- Promete que não vai bagunçar o meu cabelo?
- Vem pra cá! – Ele me puxou pra um abraço. E como ele é muito mais alto do que eu, sua cabeça estava acima da minha, e eu pude sentir que mais uma vez ele me cheirava. Qual é o problema dele, afinal? Deu que ele resolveu que eu era um apoio e ele decidiu ficar lá.
- Adam...
- Hm... – Ele falava como se estivesse sendo acordado agora.
- Posso sair?
- Não...
- Mas... Eu me esqueci de avisar a Sra. Rachel.
- Eu já avisei...
- Mas, Adam, meu amor, sua cabeça é pesada e eu não quero ficar com câimbra no pescoço. – Ele me soltou.
Entramos no carro e eu já me sentia mais gostosa só por estar no banco da carona. Imaginem o Adam, então! Não é todo dia que você desfila com um carro daquele pelo Campus.
- Aff! Você não sabe nem ser romântica!
- Aquilo era pra ser romântico? – Eu ria – Acho que você devia pedir uma aulas pro... – Me calei assim que percebi que ia falar um palavrão.
- Pra quem, Lils?
- Pro... Mário!
- Para de mentir, você ia falar Nick!
- Tá, eu ia mesmo. Ele é romântico, vai…
- Ele é romântico, é legal, é bonito, é inteligente, tem todas as garotas... O que é que ele não tem, hein?
- Nossa, Adam! Preciso te avisar que você está sendo ridículo?
- Não, eu sei disso. São só momentos. Eu tento fazer isso de vez em quando pra mostrar pro mundo que eu sou modesto. Não deve ser fácil pra quem vê de fora suportar a ideia de que alguém pode ser tão lindo e bacana como eu!
- Claro, você é sempre muito modesto...
- Mas agora a gente tá chegando à sua casa e lá todas as mulheres me amam... Não tem como nem tentar ser menos bom.
- Ser "menos bom" deve ser muito legal, né? Depois fala de mim! – Ele riu – Você e suas loirices!
- Mas eu não tô exagerando, né?
- Claro que está! Acho que com todas as mulheres você fez referência as minhas cachorras, só se for!
- Ah tá! Primeiro que EU sou o presente da sua irmã, já começa aí. E outra, sua mãe me ama muito! Você não tem nem ideia!
- Que ow! Sai dessa!
- É sério, Lils! Da última vez que a gente veio aqui, ela disse que queria que eu fosse o seu namorado e não o Nick!
- Ai, que vergonha! Ela não disse isso!
- Disse! Com todas as palavras! – Adam se divertia – E eu sei que você também...
- Eu também o que?
- Também paga um pau pra mim que eu sei! Quem sabe o desejo da sua amada mãe não se realize?
- Credo, nem brinca com isso! Seria incesto!
- Que incesto o que! Eu já vi você sem roupa!
- Adam!
- O que? Eu to sendo sincero!
- Quando você viu?
- Você não vai querer os detalhes...
- Ah, eu vou sim!
- Uma vez, eu ia falar com você... Só que você tava se trocando de costas pra porta... Aí eu fiquei lá pra ver...
- Nossa, mas que cretino! – Não deu outra, ele já estava apanhando. – Tarado! Safado! Cachorro, sem vergonha!
- Calma aí, meu! – Ele ria muito – Eu to dirigindo!
- Que se foda! Seu tarado!
- Para, Lily! – Ele ainda ria. – Pode se confessar agora...
- Eu nunca te espiei trocando de roupa... Você fica tirando a roupa sem cerimônias mesmo...
- Você gosta, né? Se não fosse por isso, você ia lá olhar no buraco da fechadura, não ia?
- Claro, todo dia antes de dormir!
- Ah há!
- Preciso avisar que eu estou brincando?
- Mas eu sei que é a verdade! Vai, Lils, te contei uma coisa que eu jurei nunca contar pra ninguém, agora é sua vez!
- Ah, desculpa se eu não sou tarada!
- Ah, tá bom! Pra cima de mim, Lily? Acho que não...
- Tá, eu admito...
- Hm, to curioso!
- Mas não é pra me zoar!
- Vai logo, meu! Eu sou seu amigo!
- Por isso mesmo... Eu não devo dizer isso em voz alta... – Ele disse um "vai logo" e daí eu desembuchei – A sua boca... Er... Eu sempre tive vontade de morder... Pronto, falei!
Ele começou a gargalhar.
- Adam, você disse que não me zoaria!
- Não. Na verdade, eu disse que era seu amigo. Mas relaxa, Lils! Essa boquinha aqui é irresistível mesmo. – Ele disse fazendo biquinho.
- Boquinha? É, agora você foi modesto!
- Ah, fia da puta! – Ele disse me dando um pedala.
- Ai! Não me bate!
E foi nesse clima de descontração que passamos as duas horas dentro do possante.
(...)
Estávamos sentados à mesa do jantar. Lucy quase não havia encostado em sua comida, estava ocupada demais admirando Adam.
- Ei, Lu! Será que você poderia parar de secar o meu amigo, por favor? – Eu disse de boca cheia, já quase rindo.
- Para de ser chata, Lils. – Adam ria constrangido. E sim, por mais incrível que pareça, ele fica tímido quando admirado por suas “fãs”. E sim também: Ele tem muitas delas.
- Lily, não fale de boca cheia! – Minha querida mãe me advertiu.
- Ai, não tem um pingo de educação essa menina, viu!
- Concordo total, mano! Ainda bem que ela foi pra Califórnia, porque ela ta longe de ser um bom exemplo pra nossa irmãzinha...
O meu irmão e o Adam adoram se juntar pra praticar bullying com a minha pessoa. Thanks, God, Nick e Emy não estão aqui também para ajudá-los.
- Falou o bom exemplo da casa, né? A única coisa que você sabe fazer é ir pra academia.
- Eu trabalho lá, com licença!
- Passa!
- Eu não sou cachorro pra passar!
- Ah não, vocês dois não vão começar! – Dessa vez, meu pai se pronunciou. – Vocês têm as mesmas discussões desde os 5 anos de idade!
- É, tem gente que não amadurece...
- Ah, agora falou o frangão, né?
- É! O sujo falando do mal lavado! – Resolvi ajudar o meu brother.
- Frango? Eu? Olha pra esses músculos, cara!
- Que músculos? Calma aí que eu vou pegar a minha lupa pra tentar ver alguma coisa! – Ele disse e logo em seguida se esticou para fazer o nosso toque comigo!
- Você não é tão maior do que eu assim...
- Vamos falar de outra coisa, crianças? Você ainda não me disse por que o Nick e a Emy não vieram...
Minha mãe costuma sempre estar a par de tudo o que acontece na minha vida, porém, não contei nada a ela sobre o Nick e a Emy.
Não sei que fim essa história vai levar, mas eu ainda amo os dois, espero que um dia tudo volte ao normal, acho difícil isso acontecer, mas ainda tenho esperanças. E caso eu contasse isso aos meus pais, eles não olhariam para nenhum dos dois com os mesmos olhos e isso não seria legal.
- Ah, mãe... É que eles tinham prova hoje e amanhã. Não podiam perder o dia... – Eu disse e Adam sorriu pra mim, mostrando que a minha resposta foi convincente o bastante.
- Mas mandaram um abraço pra vocês. – Ele completou.
- E como eles estão? Ele ta cuidando de você direitinho, filha?
- Muito bem, pai. – Que mentira mais horrível! – E eles estão bem sim! Como sempre...
- Já pegou a Emy, ou ainda não, seu loiro lerdo?!
- Não se refira dessa forma a uma mulher, seu ordinário! – Adam imitava um homossexual na sua maneira de falar, fazendo com que todos à mesa rissem.
- E a resposta é não.
- Eu não quero ficar com ela... Você sabe, Lucas, se eu quisesse...
- Boa piada! Mas você ta demorando demais, cara. Vou voltar atrás na minha decisão, hein!
- Há, muito engraçado!
- Eu acho que a Emy não te merece, Adam... – Até que enfim, minha irmã se pronunciou.
- Eu também acho, gatinha. Você sabe que eu to esperando você crescer, né? – Ele disse com um sorriso tão encantador no rosto que fez até o meu pai suspirar, cara!
Ficamos para a sobremesa, conversamos mais um pouco. Meu irmão foi levar a namorada, que atrasada como sempre, chegou só na hora da sobremesa, em casa; uma amiga da minha irmã veio dormir aqui em casa, mas na verdade eu sei que a minha irmã a convidou para tarar o Adam junto com ela; e quando era umas 10h da noite, caímos na estrada novamente.
Eu dormi no caminho. Acordei no susto, com Adam tentando me pegar no colo.
- Ah! O que é isso!? – Ele riu.
- Calma, é que você não queria acordar...
- Ah, desculpa. E... Pode deixar, eu vou andando mesmo. – Rimos juntos. – Credo, sono dá um frio, né? – Eu alisava os meus braços na tentativa de me aquecer. Adam me abraçou.
- Para que servem os amigos se não para aquecer os outros?
- Pelo menos pra isso você serve, né? Você é um amigo meio inútil, não acha? – Eu fiz piada. Ele ameaçou me “desabraçar”. – A-hã! Nem pense nisso!
- Como se você fosse muito útil... – O olhei de canto. – Tá. Você é útil... Ah, mas eu também sou!
- É, doutor. Eu tava só brincando. – Eu ria de sua ingenuidade. – De que decisão o Lucas tava falando?
- A decisão de pegar a Emy...
- O que?!
- Uma vez ela bebeu e pediu pra ficar com ele, só que eu tava com ele na hora, daí eu falei pra ele não pegar ela... E tive que contar pra ele que eu...
- Eu já sei que você gosta dela, não precisa ficar com medo de falar isso! – Eu ria.
- Mas é que eu não gosto de falar isso em voz alta.
Ele abriu a porta da república pra mim e me deu passagem para passar. What a gentleman!
- Obrigada, doutor.
- Pise em mim, super Lily! – Ele disse, me fazendo rir muito.
- Como assim, cara? O “de nada” ainda não saiu de moda. – Agora, ele ria também.
- Você não sabe que quando um cara abre a porta para uma garota, ele está submisso a ela? E com esse poder, o que as mulheres fazem? Pisam na gente. Só estou pedindo o que você já faz.
- Que absurdo, loiro, eu não abuso de você! – Me dei conta de que havia esquecido a minha bolsa dentro do carro. – Adam, meu amor, lindo, maravilhoso... – Me aproximei dele e passei a olhá-lo com cara de cãozinho sem dono.
- O que você quer, Lily?
- É que eu... Esqueci minha bolsa dentro do seu carro.
- Ah, não, Lils! Tá um puta frio lá fora e eu preciso dormir, amanhã você pega! – Ele já estava há uns dez metros de mim, quase subindo as escadas. Fui atrás dele, tentando falar do jeito mais meigo possível.
- Ah, loiro! Por favor, por favor! É que eu não consigo dormir sem saber que o meu celular ta ali do lado... – Ela havia parado com as mãos na cintura, mas ainda não tinha se virado para mim. – Com uma foto nossa de descanso de tela... – Agora, ainda sem dizer nada, ele se virou para mim, já sorrindo malicioso. Com certeza, ele tava me xingando dentro da cabeça dele! – Por favor?
- Ai, Lily! O que você não pede sorrindo que eu não faço chorando? Depois fala que não abusa de mim... – E partiu.
Não demorou nada, ele já estava de volta.
- Nossa, mas que loiro mais lindo que acabou de passar por essa porta! – Ele ria.
- Nem vem, sua chantagista!
- Valeu, Adam! – Me levantei para agradecê-lo com um beijo na bochecha. – Ai! Lindo e gelado!
- Tá frio lá for a, sabia, gatinha? E eu fui pra lá sem blusa, porque a madame não pode dormir sem o celular!
- Credo... Ficou bravo?
- Claro que não, eu to brincando! Vem aqui me dar um abraço de pazes. – What? Suspeito...
- Abraço de pazes? A gente nunca fez isso antes...
- Nossa, vai negar um abraço pro seu melhor amigo?
- Não, claro que não, vem cá!
Assim que nos abraçamos, ele começou a se vingar de mim: meteu suas enormes mãos gélidas por debaixo da minha blusa e começou a esfriar minhas quentes costas.
- Ai, ai! Para, Adam! Para, por favor! – Eu me contorcia, mas ele é muito mais forte do que eu.
A luz da sala se acendeu e paralisamos.
- O que ta acontecendo aqui? – O Nick estava ofegante, como se corresse para lá. Por que ele sempre aparece nessas horas?
Adam finalmente tirou suas mãos de mim, mas a sensação ainda estava fria, enquanto ele pensou alto “Ah, agora minha mão ta quentinha.”, mas não alto o suficiente para Nick ouvir, ainda bem.
- Er... Eu estava indo pro banheiro quando eu ouvi você pedindo para o Adam parar com alguma coisa... Pensei que você precisasse de ajuda...
* - Own, que lindo! Vem cá agora e me beija, seu gostoso! – Ah ta! Eu queria ter coragem de dizer isso em voz alta, mas o máximo que saiu foi um sorriso e:
- Obrigada por se preocupar, Nick.
- O que você pensou, cara? Que eu tava abusando dela? – Adam parecia ofendido.
- Sei lá, Adam! Já vi que ta tudo bem...
- É claro que ta, ela ta comigo! – Eu dei uma discreta cotovelada nele, mas ele nem se queixou. Eu odeio como ele esnoba a minha força. – Sempre que a Lily estiver comigo, por mais que ela esteja gritando, não precisa se preocupar que com certeza ela estará bem!
Nick quase arregalou os olhos quando ouviu isso, engoliu seco e perguntou:
- E ela tem... Er... Gritado muito estando com você?
- Você sabe que eu levo as mulheres à loucura... – Ele disse sorrindo e cruzando os braços em seguida. Aí ele apanhou de verdade. E dessa vez ele não pode ignorar a minha força, porque eu a usei pra valer!
- Claro que não! Fica quieto, seu loiro! Nick, isso não é verdade! Ele ta brincando, sabe como ele é, né?
- Sei... Sei bem como ele é... Mas tudo bem, isso não me importa. – Até parece! Pensa que me engana!
Eu esperava que ele fosse embora, mas ele ficou lá como quem queria conversar. Eu o ajudei.
- Meus pais e os meus irmãos te mandaram um abraço e disseram que estão com saudades. – Ele sorriu com sinceridade assim que terminei de falar e aquilo quase fez meu coração transbordar de felicidade.
- Ah, sério? Poxa, que legal! Também estou com saudades! Como está aquele trouxão do seu pai? - Ele perguntou descontraído.
- Ainda perguntando se você está cuidando de mim “direitinho” – Ele riu fraco.
- Sempre a mesma pergunta! Mas... Eles não sabem que...
- Não!
- Ah...
- É...
- E foi pra lá que vocês foram hoje?
- Não é da sua conta! – Adam disse só para que eu ouvisse e eu ri. Nick percebeu que Adam falara algo que me fez rir, mas ignorou.
- Foi, foi sim...
- Eu mandei uma mensagem pra Lucy... Desejando feliz aniversário...
- É, ela me mostrou...
- Foi uma festa de família? – Ele perguntou engolindo seco novamente. – Tipo só a família e os namorados, como sempre? – Ele parecia desconfortável perguntando aquilo. E eu sabia muito bem onde ele queria chegar.
- Foi, Nick! E foi muito divertido, você perdeu! – Adam se pronunciou colocando um fim na nossa conversa amistosa depois de um mês de separação.
- É, eu perdi... – Não sei se era o sono, mas ele estava cabisbaixo ao voltar a subir as escadas. No meio, ele voltou-se à mim novamente.
- Já passou da meia-noite?
- Já. 00h02m agora...
- Ah... Hoje é dia 21 de setembro. – E sumiu na escuridão do corredor do andar de cima.
Credo, assim que ele terminou de dizer, só faltou eu chorar! Eu esperei tanto pelo dia de hoje...
- O que foi, Lily? O que é que tem que hoje é dia 21? Não precisa brincar de muda agora.
- É que hoje a gente faria aniversário, Adam. Um ano de namoro... Mas não tem mais namoro. Eu já não posso mais pensar em um presente de aniversário, ou em palavras bonitas pra escrever uma carta e o pior: não tenho mais o Nick. – As lágrimas corriam de meus olhos. Lágrimas que segurei por tanto tempo.
- Não fica assim, Lily! Acontece...
- E por que você ficou agindo daquele jeito na frente dele?
- Ah, é que ele me tirou do sério recentemente, só quis dar o troco.
- Eu poderia ter feito as pazes com ele! Eu poderia ter gritado “Vem aqui e me beija” quando essa frase passou pela minha cabeça! Eu nunca mais vou ter outra oportunidade! Vou ficar sozinha pra sempre, porque agora ele deve achar que a gente ta junto! – Eu meio que... Gritava e chorava ao mesmo tempo. Eu sei, ridículo. Mas é o que o amor me faz.
- Ele já acha que a gente ta junto mesmo... E você vai brigar comigo agora? – Ele estava calmo, pelo menos parecia estar.
- Não!
- Então para de falar assim comigo!
- Tá bom!
- Você ainda ta gritando...
- Ah, boa noite! – Peguei minha bolsa e fui para o meu quarto.
Assim que encostei a cabeça no travesseiro, ele não me pareceu confortável como é de praxe. Algo estava muito, muito errado. E eu sabia muito, muito bem o que era.
(...)
Abri a porta do quarto à frente de fininho, torcendo para que ninguém me visse. Desejei muito dar um beijo em Nick, até me aproximei de sua cama para admirá-lo dormir, mas o Adam fez “psiu” e eu quase caí de susto e ele quase se matou de rir.
Joguei-me em cima dele, tapando sua boca.
- Silêncio, loiro! Podem me descobrir.
- O que você ta fazendo aqui? – Sussurrávamos.
Saí de cima dele e me deitei de lado à sua frente, que também estava de lado, de frente para mim.
- Eu só queria te pedir desculpas. Eu acho que te magoei. Eu sei como você fica mal quando eu brigo com você por causa do Nick.
- É, eu fiquei mal mesmo. Não tava conseguindo dormir...
- Nem eu. Só queria que você me desculpasse mesmo. Você é muito legal comigo, muito bom pra mim. Não quero te decepcionar.
- Me desculpe também, por ter estragado a sua chance de reconciliação “com aquele Zé ruela!” - Ele se referiu a Nick em voz alta e pude ouvi-lo revirar na cama. Eu tampava a boca de Adam enquanto nós dois ríamos.
- Coitado! Mas enfim, acho que não nos reconciliaríamos de qualquer forma... Tá tudo bem entre a gente então?
- Sempre!
- Então eu vou indo...
- Não! Fica mais um pouco...
- Mas aqui não dá nem pra gente conversar...
- Eu não quero conversar...
- O que? – Eu não havia conseguido ouvir o seu último sussurro.
- Estamos conversando muito bem até agora...
- Tá bom, então. Depois não reclame. Mas, enfim, eu fiquei pensando né... E você realmente não merece ficar aguentando uma garota carente e desesperada. Eu não sei porque eu sou assim, o ruim de me apegar as pessoas é que pra desapegar é um problema! Com todos os meus namorados foi a mesma coisa, eu nem gostava deles como eu gosto do Nick, mas dizer adeus foi muito difícil, sem contar que eu estou sempre por uma gota d’água com todo mundo... E com você, coitado, nem por uma gota d’água... Nunca tenho paciência contigo né, loiro?
- Nossa, você gosta de falar, né, amiguinha?
- Você quem pediu!
- Eu queria conversar, não ouvir um monólogo!
- Ai, seu estúpido! Eu vou embora... – Eu tentei me virar para sair da cama, mas ele me segurou e, sem querer, ficamos mais próximos.
- Não! Me desculpe, só estava te provando que eu mereço a sua falta de paciência comigo.
Eu sorri ao ouvir isso, ele provavelmente não viu. Aquele quarto estava um breu danado. Eu só tinha noção da nossa proximidade devido ao fato de eu estar sentindo sua quente respiração e seu hálito fresco.
- Mas ainda assim, eu me acho má com você de vez em quando! Eu vou ser mais legal, tudo bem? – Involuntariamente, levei minha mão a sua cabeça e passei a mexer no seu cabelo. – Vou tentar pelo menos. – Ele riu pelo nariz.
- Eu gosto disso...
- Do que?
- Cafuné...
- Ah, eu também gosto de fazer... E seu cabelo é tão bom de passar a mão! – Ele riu com sutileza.
- É, você já me disse isso antes... Lily, se você se arrepender de gritar comigo mais vezes, você vai vir aqui no meio da noite pra se desculpar?
- Não sei, loiro! Que pergunta estranha! – Eu ri – Por que você ta perguntando isso?
- Nada... Eu só gostei do seu pedido de desculpas...
Senti que ele apoiou sua mão em minha cintura e eu paralisei no mesmo instante.
- Que foi, Lils? Continua mexendo no meu cabelo, vai! – Ele disse enquanto apertava minha cintura, e colocava suas mãos, desta vez quentes, embaixo da minha blusa, acariciando a minha lombar.
- Adam... É você? – Ele riu.
- O que?
- Com as mãos em mim?
- É... – Ele falava como se isso fosse muito normal. Não sei como ele podia estar tão calmo, meu coração já estava à milhão!
- E... Você... Acha... Isso certo? – As palavras saiam com dificuldade da minha boca.
- Você não acha? – Percebi que nossos rostos estavam ainda mais perto, nossos lábios quase se selando. – Não tenha medo... – Ele roçava seus lábios nos meus. Eu estava assustada e, ao mesmo tempo em que eu queria fugir, eu estava gostando da adrenalina.
- Eu não tenho medo. – Pronunciei com os olhos já fechados, Adam sabia muito bem o que fazer depois.
Começou com um beijo calmo, mas logo nossos lábios e línguas trabalhavam tão rápido que quase nós mesmos não tínhamos controle sobre eles. Ele me apertava contra o seu corpo e eu podia facilmente sentir que ele estava ereto, o que também é muito excitante. Adam beija como ninguém e usa suas mãos como ninguém também, um pacote completo que, cá entre nós, eu queria aproveitar até o fim.
Porém, nossas respirações se tornaram ofegantes muito rápido e estava difícil controlar os "sons" de ambas as partes. Havia duas testemunhas presentes, tínhamos que parar.
- Adam... O Kevin e o Nick estão aqui ainda... – Enquanto eu falava, ele beijava meu pescoço ou mordiscava meu queixo.
- Eles têm o sono pesado...
- O Nick levanta toda hora pra ir ao banheiro...
- Diabético de merda!
- Adam, não fala assim!
- Ah, não, Lily, não me brocha não, vai! Não vai ficar defendendo ele agora, se não eu...
- Se não você o que?
- Eu acabo com você!
- Acaba comigo? Como? Você acha que eu tenho medo de você?
- Você quer pagar pra ver, né?
Adam subiu em cima de mim e, segurando os meus braços acima da minha cabeça, passou a beijar meu colo e depois voltava para minha boca enquanto massageava meus seios.
Sua boca estava descendo cada vez mais. E só aí, então, eu fui muito forte e tive que agir racionalmente.
- Adam, para. – Ele voltou a subir e eu pensei que ele havia entendido. Mas aí ele chegou aos meus seios de novo e... – Adam!
- O que? Você não ta curtindo?
- Não, muito pelo contrário... Mas aqui não dá! A gente já ta abusando da sorte...
- Então vamos pra outro lugar...
- Não...
- Pro meu carro?
- Não, doutor! – Ele se rendeu e deitou ao meu lado novamente.
- Poxa, olha como você me deixou... – Ele apertou o meu quadril contra o dele. – Isso é maldade...
- Adam, para de ser tarado!
- Isso não é ser tarado, é ser homem!
- Não to falando disso... To falando da sua mão no meu bumbum! – Ele riu.
- Ah, já coloquei a mão em lugares piores hoje! – Eu o bati! – Eu não to mentindo e você sabe disso...
- Eu sei, mas... Você não acha isso nem um pouco errado? – Eu perguntei e ele riu. – Do que você ta rindo? Isso é muito sério...
- Eu sei, Lils... É que eu perguntei exatamente a mesma coisa pra Emy...
- Tá vendo só? O mundo dá voltas...
- Pois é! E não, eu não acho errado. Você está solteira, eu também...
- É... Mas, nossa! A gente quase fez sexo! E foi a primeira vez que a gente ficou!
- Por que você ta falando no passado? Como você deve estar sentindo, eu ainda estou muito afim, se você quiser...
- Adam! É sério, cara...
- Eu to falando sério também, Lily. Eu gosto de você... Eu não queria fazer sexo, eu queria fazer amor... – Eu ri. – O que foi? Tentei ser romântico como você falou...
- É, ta precisando de um pouco mais de treino. É tão estranho ouvir essas coisas vindo de você... E tipo, porra! Você ainda ta com a mão na minha bunda, você, Adam! O meu melhor amigo!
- Eu não to tão espantado... Você é mulher, eu sou homem... Somos seres humanos, com extintos e desejos, nunca vamos poder nos arrepender do que não fizemos...
- É, você tem um pouco de razão...
- Eu quero me arrepender de você... – Ele disse e me beijou.
- É, ta precisando de muito treino! – Ele riu.
- Você ainda não realizou o seu desejo...
- Que desejo, Adam? Já disse que agora e aqui não vai rolar nada!
- Hm, então quer dizer que não sou só eu que está com essa ideia maravilhosa na cabeça?
- Hã? Do que você ta falando? – Sim, eu dei bobeira.
- Eu tava falando de você morder essa linda boca que vos fala. Mas, se você quiser realizar o outro desejo, estamos aí!
- Ridículo! – Eu ria. – Cadê a sua boca?
- Hm... – Ele me beijou – Aqui...
Demos um beijo rápido, e no final, eu mordi aqueles lábios macios, carnudos e saborosos! Assim que o fiz, Adam sorriu e seus lábios foram fugindo de mim.
- Adam, para de sorrir, eu quero mais! – Ele riu, e desta vez eu fui pra cima dele, eu o beijei, um beijo menos chocho do que ele me dera e então o mordi. Que boca mais gostosa!
- Gostou, né?
- Aham... Mas por que você fica sorrindo? Isso atrapalha!
- É que eu também gosto... – Ele veio para me beijar novamente, mas eu me esquivei. – O que foi?
- Hora de dar tchau, eu to com muito medo deles acordarem! A gente já nem ta falando tão baixo assim...
- Eu falo baixinho! Você fica? – Ele voltou a sussurrar de verdade.
- Não dá, eles vão acordar...
- Mas eu quero tanto ficar aqui com você... Tá tão gostoso... – Ele agarrou mais forte.
- Eu também queria, muito. Mas... Sabe como é, né? Boa noite.
- Não! Dorme aqui. Eu vou pra lá... Tá muito frio pra você ir pra lá com esse seu micro pijama. Me lembre de comprar um pijama decente pra você!
- Besta! Mas eles vão ver que...
- Que você dormiu aqui, mas que se foda! Se você ficar gripada, não vou poder te beijar...
Ai meu Deus, isso não é um sonho ou um pesadelo, não sei? Eu vou acordar amanhã e não saber o que fazer com o Adam e nem como lidar com os outros? E eu vou mesmo começar a ficar com o Adam no dia em que eu faria um ano de namoro com o cara que eu sou apaixonada?
- Tudo bem, me convenceu...
- Boa noite, super Lily!
- Boa noite, super Adam! Vá direto pra minha cama!
- O que? Acha que eu sou como você e vou ficar olhando a Emy dormir, por favor, né! Sou muito macho!
- Ah, desculpa aê!
- E outra. Não sou tão insensível assim. Depois de agora, eu vou dormir pensando em você...
- Own, que lindo!
- Mas é só nessa noite, na próxima eu penso nela de novo, ta bom? – Ele disse já rindo!
- Que cretino! Nem com gripe nem sem, você não me beija mais! – Ele ria mais e eu já estava mandando ele se calar.
- Não vai ser difícil fazer você mudar de ideia... Eu sou O Adam, esqueceu?
- Como Super Lily, eu sou imune aos seus poderes, esqueceu?
- Oh shit!
- Vai lá, vai, loiro! A gente não para de conversar nunca!
- É verdade, Lily. Somos foda.
- Na cama a gente esculacha... – Rimos juntos.
- Agora é verídica essa história aê! Ai, ai... Nada de ficar olhando pro Nick também, hein!
- Ai, não pede o que eu não posso evitar.
- É sério, Lils! Eu sou ciumento...
- Tchau, Adam.
- Não se importa com os meus sentimentos?
- Não... Adeus, Adam.
- Olha lá, hein!
- Não me faça chamar o Nick!
- Ah, vai se fuder, ow! – Ele saiu do quarto enquanto ria.
A real é que realmente Kevin e Nick têm o sono pesado. E ainda bem, porque se não eu não iria dormir tão feliz quanto agora.
Capítulo 12 “You can call it pure torture
Watching your every move with her
Oh, just the thought of it,
Knowing what goes on between you
makes me sick "– Demi Lovato
POV's ADAM
Sabe aquela sensação de que todo o ar do seu corpo acabou?
Não, você provavelmente não sabe, porque possivelmente nunca tentaram te sufocar com um travesseiro.
Foi assim, desta maneira delicada, que eu fui acordado na manhã de hoje.
- Morre, desgraçado! Maníaco! Tarado!
- Fany! Para, pelo amor de Deus! – Essa foi a única frase inteira que eu consegui dizer. Todas as outras seguintes foram tapadas pelo travesseiro.
- Morre!! Morre!!
- Fany, o que você ta fazendo? – Eu ouvi a voz de uma Emy desesperada! – Solta isso!
- Não encosta em mim! Eu to dando o que ele merece! Morre, desgraçado!
Agora eu finalmente consegui respirar. Emy entrou numa luta com ela e conseguiu tirá-la de cima de mim.
- Você não vai escapar de mim, seu ocidental maldito!
Enquanto eu voltava a respirar, olhei para a minha linda coreana e nos seus olhos tudo o que havia era ódio.
- O que foi que eu te fiz? Enlouqueceu?
- Você entrou aqui pra abusar de mim! Tarado!
- O que!? – Eu não sabia se eu ria ou corria enquanto eu podia.
- É! Eu descobri seu plano! E fala pra Lily não olhar mais na minha cara, porque ela é sua cúmplice!
- Mas eu...
- AAAHHH!!!
Ela conseguiu escapar daqueles bracinhos finos da Emy, o que não era muito difícil, e voltou a me atacar. Foram socos, chutes, cotoveladas e chineladas por todo meu corpo. Tenho que admitir que aquela porra doía! E era uma donzela me agredindo, eu não podia revidar.
- Fany! – Eu e Emy gritávamos. Ela ainda tentava segurar a coreana.
Começou a juntar gente dentro do quarto. Todos com a cara amassada e assustados.
Nick dominava o bando, seguido por Kevin, Lily, Penny e... Ah, boa parte da república.
- O que ta acontecendo aqui?
- Ajuda aqui, Nick! Segura a Fany! – Emy continuava se esforçando para tentar segurá-la.
- Não me segura, Nickie, ele merece morrer!
- Fany, para com isso! – Lily saiu da porta e veio correndo tentar segurar a Fany também. Ela estava descontrolada.
- Qué panhá, Lily? Não vem também!
- Calma, gatinha! Vamos conversar. – Lily tentou dialogar. – Vem aqui, me conta o que aconteceu.
- Me conta você! Sua cúmplice!
- Cúmplice?
- É. Você deixou ele dormir aqui! – Silêncio geral.
- Ele... Dormiu aqui? - Nick parecia tentar entender o que foi dito.
- É, Nickie! Queria abusar de mim...
- Mas como? Eu vi ele na cama dele ontem a noite! – Kevin se pronunciou.
- E onde você dormiu, Lily? – perguntou Penny, com aquela voz super irritante dela.
- Eu... Eu...
- Ela dormiu na minha cama! – Respondi simplesmente. O que aquela menina tava fazendo ali, velho? Ela não tinha nada a ver com a história.
- Na cama do Adam, Lily? – Nick questionou também.
- É... – Ela parecia com medo de responder.
- Ah, bem que eu ouvi umas coisas ontem à noite... – Kevin começou a sorrir maliciosamente pra mim. – Pegador! – Ele completou.
- Er... Você não ouviu nada, Kevin. Para de fumar, vai!
- Ouvi sim! Eu tenho certeza do que eu ouvi!
- E o que você ouviu? – Aquela fofoqueira desgraçada perguntou novamente.
- Ah, você sabe né... Coisas tipo... – Ele começou a fazer sons estranhos que constrangeram a todos e a Fany só não foi pra cima dele, porque a Lily estava abraçada com ela.
- Para de ser mentiroso, Kevin! Não teve nada disso! Eu só fui lá porque eu estava me sentindo um pouco mal e ele é o Doutor da república, não é? – Nossa, ela nem gaguejou pra mentir.
- É, ela estava sentindo algumas algias intra abdominais próximas à região pélvica.
- Ah... – Fizeram coro como se tivessem entendido e eu ri por dentro.
- E aí? Isso a impedia de deitar na cama dela?
- Não, cara. É que ela estava com muita dor mesmo. Aí eu perguntei se ela queria ficar por lá mesmo e, sem opção, eu vim pra cá.
O povo começou a deixar o quarto. Só restou eu, Nick e as donas do quarto.
- Essa história ta meio estranha... – Murmurou Emy para Fany.
- Ah, agora que ta tudo muito bem, eu preciso ir... – Lily tentava fugir dali.
- Lily! Calma aí... – Eu não podia falar na frente deles – Precisamos terminar aquilo lá... – Nick olhava desconfiado.
- Eu sei, loiro. Depois nos falamos, eu preciso treinar... Tenho um jogo a vencer amanhã! Vocês vão? – Ela olhou em volta. Todos fizeram que sim com a cabeça. – Então demorou, até mais tarde!
- Lily, espera! – Ela parou na porta. – Tá fugindo de mim? – Ela riu.
- Não, claro que não! Obrigada por ontem... – Ela segurou o riso e eu sorri de volta.
(...)
Estávamos todos sentados na arquibancada.
- Vai, Lily, acaba com elas! Quero ver sangue! – Eu gritava.
- Não é futebol, cara. – Disse Chang.
- Vai, Fany. Torce comigo! – Peguei o braço dela e comecei a balançar.
Ela virou para me dar um tapa, mas lembrou-se que o amado Chang dela estava ali.
- Vai, Lily! – Ela torceu. Eu precisava andar mais com aquele cara, só assim ela não me batia.
O jogo estava difícil e muito emocionante. Lily estava no saque. Faltava só um ponto para nosso time ganhar o último set.
Me levantei para mandar força positiva e gritar seu nome com mais intensidade.
- Vai, Lily!
Logo, o mesmo grito se repetiu ao meu lado e eu cometi o pecado de tirar os olhos da quadra para ver quem era. Era Emy, como quem levantou no impulso para gritar, nem largou a mão do infeliz... Perdi as forças das pernas e eu realmente pensei que eu ia cair pra trás quando vi aquilo... De mãos dadas... Nick e Emy...
Chacoalhei a cabeça e engoli seco, tentando me concentrar no jogo novamente. Perdi o saque. Nosso time já tinha vencido. A arquibancada veio abaixo. Nick e Emy se abraçavam. Até Fany cumprimentou Chang! E eu não tinha forças nem para sorrir. Até que Lily depois de comemorar com suas companheiras de time, olhou pra mim e começou a pular e gritar : “É nosso! O nacional é nosso!” e aí, é duro dizer isso, mas eu fingi uma animação. Mas depois coloquei minha cabeça no lugar e me animei de verdade!
- Aqui é Lily, porra! Você que fez! – Ela estava radiante.
Chacoalhei aqueles nojentos também.
- É NOSSO!
Depois do time adversário ir embora, o que demorou um pouquinho, teve a entrega das medalhas com direito a peixinho e tudo no final. Tivemos até uns prêmios meio nada a ver tipo “A jogadora mais fashion”, que devia se chamar a jogadora mais gostosa, porque foi a Lily que ganhou, e outro como “Saque mais Poderoso” e...
- O vencedor do prêmio “Torcedor mais Animado vai para: Nicholas Reed.”
Olhei para o lado e não achei o cara. Ele não estava mais ali. Emy não estava mais ali. Caralho, eles não podiam fazer o que eu estava pensando. Isso seria...
- Nicholas? – chamou o cara novamente.
Uma das jogadoras saiu para procurá-lo. Quando voltou, fez sinal negativo e depois cochichou alguma coisa no ouvido da Lily. As duas foram saindo da quadra. Eu as segui. Queria parabenizar a morena pelo belíssimo jogo.
Quando estava quase alcançando as duas, elas pararam. Também parei automaticamente e olhei para onde Lily olhava.
Nick estava encostado na parede com seus braços envolvendo Emy, suas mãos na cintura dela. Os dois se beijavam fervorosamente. A mão de Nick ia descendo, mas Emy a impediu de ir ainda mais baixo. Como se impedir que ele colocasse a mão na bunda dela tornasse a cena menos indecente!
Eu queria separá-los e esmurrar a cara daquele cretino. Queria que ele sentisse a dor que eu estava sentindo naquele momento. Mas eu estava paralisado.
- Achei melhor que você visse com os próprios olhos. – disse a colega de time da Lily.
Foi aí que eu olhei para a morena. Esqueci completamente dos meus problemas. O olhar dela era deprimente. Lágrimas rolavam em suas maçãs do rosto.
- Lily... – Tentei pegar sua mão, mas ela fugiu de mim.
Ela saiu andando na direção oposta ao “casal”. Passou direto por mim, sem dizer uma palavra. Não olhei novamente para a cena. Sabia que se eu olhasse, não conseguiria me conter em separá-los e fazer os dois pedirem desculpas de joelhos para Lily. Virei as costas e fui embora também.
Quando cheguei à República, subi direto para o meu quarto. Abri a porta e encontrei Lily sentada em minha cama. Bem, não a Lily-normal, era a Lily-sexy-e-vestida-com-um-babydollpreto sentada em minha cama.
- Oi, loiro. – Ela olhou pra mim. Seu rosto estava vermelho e seus olhos inchados de chorar.
- Er... – Foi a coisa mais inteligente que consegui dizer.
Ela levantou.
- Andei pensando sobre aquela noite e...
Foi aí que resolvi pensar com minha cabeça de cima.
- Você não quer fazer isso, Lily.
- É claro que eu quero. – Ela pegou minha mão e começou a me puxar para a cama.
- Eu não acho que seja uma boa ideia, você ainda está abalada... – Ela descia a alça do baby-doll. – Pelo amor de Deus, cobre isso, mulher!
Joguei o travesseiro em cima dela. Eu não podia olhar aquilo, senão eu ia começar a pensar com a cabeça debaixo e aí...
- Adam, você viu os dois. Não é possível que você não queira fazer nada a respeito.
- Eu quero, mas... Não é certo.
- Quem sabe isso tudo não aconteceu para nós dois... – Ela colocou sua mão em minha perna.
Me levantei num pulo e a encarei. Puta que pariu, ela era muito gostosa!
- Foda-se. – Tranquei a porta e voltei para a cama.
Lily jogou-se contra meu peito e começou a me beijar. Seus lábios eram macios e seu hálito fresco. Ela passou os braços envolta do meu pescoço e sentou-se em meu colo. O beijo foi deixando de ser delicado, transformando-se em voraz em frações de segundos. As mãos de Lily desciam cada vez mais, passando pelo meu peito, abdômen e finalmente para o zíper da minha calça. Apertei-a ainda mais contra meu corpo e ouvi um barulho saído de sua garganta, que julguei ser de satisfação.
Abri os olhos e vi uma morena possuída pela luxúria. Comecei a me concentrar em seu pescoço. Eu adorava pescoços. Ela começou a arfar com meus beijos sendo distribuídos por todos os lugares alcançáveis de seu corpo. Ela começou a rebolar ligeiramente em cima do meu colo, o que me fez automaticamente colocar as mãos em seus seios. De repente senti uma dor e percebi que a garota arranhou a lateral do meu corpo por baixo da blusa que não demorou muito para ser arrancada de mim.
Pensei em pedir licença para arrancar-lhe o sutiã, mas acabei concluindo que estragaria tudo se eu falasse alguma coisa. Então simplesmente o abri. Lily fez com que eu me deitasse. E depois disso? A censura não me permite dizer. Isso é uma narração de família, pelo amor de Deus!
Na manhã seguinte, acordei e percebi que estava sozinho na cama. Levantei-me e vi que Lily dormia na cama de Nick.
- Ah, muito obrigado, Srta. Lily. – Eu disse e joguei a travesseiro na garota.
- Hã? – Ela acordou num susto. – Ah, bom dia.
- O que você ta fazendo aí?
- Ah, você é muito espaçoso. Tava me empurrando. Não foi nada romântico, sabia disso?
- Pensei que não quisesse romance, só sexo.
- Nossa, obrigada por me fazer sentir como uma prostituta.
- Eu é que to me sentindo um prostituto. Você vem, abusa do meu corpinho, faz o que quer com ele e depois me abandona no meio da noite pra dormir em outra cama?
- Adam...
Começaram a bater na porta.
- Já acordou, vagabundo? – Era a voz de Kevin. – E não adianta fingir que não, porque eu ouvi sua voz. E... Tem mais alguém aí dentro? Eu ouvi outra voz. Filho da puta! Você nos deixou pra fora só pra transar?!
- Kevin, olha o palavreado. – A voz da Sra. Rachel. – Adam, abra a porta, se não esse menino não vai ter sossego.
- Já vou.
Lily olhou para mim como quem não tinha ideia do que fazer.
- Embaixo da cama. – Falei e ela obedeceu.
Abri a porta e Kevin e Nick entraram furiosos.
- Você tem noção de onde eu tive que dormir, cara? – disse Kevin. – No sofazinho. De dois lugares! Com meus 1,86m de altura tive que dormir na merda de um sofá de DOIS LUGARES!
- Alguém acordou de mau humor hoje. – Eu disse sorrindo.
- DOIS LUGARES!
- Por que não dormiu no grande?
- Porque o Nick tava nele.
- Pensei que ele fosse dormir com a Emy.
Nick olhou para mim surpreso.
- O quê? Você acha que ninguém viu os dois se pegando fora da quadra?
- Er... Eu...
- Ah, cala a boca. – Eu disse e saí.
Encontrei com Emy na cozinha. Pensei que ter passado a noite com a Lily fosse me fazer esquecer dessa garota, mas não era bem assim. Eu só me sentia mais corajoso. Eu estava vingado, mesmo que a Emy não soubesse, eu tinha dormido com a melhor amiga dela. Muahahaha. Eu era mau. E não podia negar que aquilo tudo foi muito bom.
- Parabéns! – Eu disse e a abracei. Eu estava brincando com fogo.
- Por quê?
- Ah, por conseguir o que queria não se importando com quem você machucasse no caminho. – Eu sorria. Nada como a ironia...
- Loiro, do que...?
- Você e o Nick formam um casal perfeito, sabia?
- Como...?
- Eu vi. Quer dizer, quem não viu, não é mesmo? Sério. Vocês dois: perfeitos.
- Por que está sendo tão agressivo?
- Não estou agressivo. Só estou feliz por vocês dois.
- Ah, por favor, eu sei o que é ironia. E você não é nada sutil, Adam.
Abri a geladeira e tirei o suco de laranja de lá de dentro.
- É melhor você colocar logo uma camiseta. Se a Fany vir esses arranhões na sua costela vai perguntar por que você brigou com um cachorro.
- Eu não...
- Eu sei que você não brigou com um. Mas você não vai querer explicar pra ela que foi uma garota, não é?
A garota virou de costas e começou a andar. Ela usava um pijama curto... Oh, yes.
- Quer dizer que você fica olhando pro meu corpo, é? – Resolvi provocar.
- Assim como você olhou pro meu agora. – Ela disse sem virar para trás.
Eu ri sozinho e, enquanto bebia meu suco, refletia sobre toda essa reviravolta que a minha vida tomara. Meu sorriso se alargou ao me lembrar da noite passada, nada como um perigo pra apimentar qualquer coisa. Por mais que Lily só tenha feito aquilo por raiva, ninguém nunca havia me dominado daquele jeito, foi uma das minhas melhores, er... Você sabe.
Pra ela com certeza não foi assim, creio que as meninas precisam estar apaixonadas para que uma noite se torne a melhor para elas, pelo menos é o que os filmes dizem. Para nós, homens, não é assim que funciona. Traga um vinho e uma mulher gostosa que toda noite pode ser inesquecível. Não que com ela tenha sido assim. Eu me odeio por isso, mas eu ainda estou apaixonado pela Emy, mas não posso deixar de admitir que o meu sentimento por Lily veem mudando dia-a-dia. Quem sabe assim eu não esqueço de vez a Emily.
Capítulo 13 "Everyone I talk to is just another not you
Makes me wonder how we're so far apart
I'm tired of imitations running out of patience
Tryin' to replace
Replace your heart" - The Wanted.
NICK'S POV
Era só o que me faltava! Adam começar a acasalar no nosso quarto! Depois de examinar a minha cama e me certificar que não havia nenhum sinal de reprodução humana naquele lençol, fiquei em paz e fui atrás de Emy. Não havia a desejado bom dia ainda.
No meio do caminho, lembrei de pegar meu violão. Emy vai me ajudar com uma música.
Na volta, uma surpresa: Lily estava de lingerie abrindo a porta do meu quarto. Nossa, que saudade de tudo isso! Confesso que mesmo depois de já conhecer aquele corpo até do avesso, fiquei desconcertado.
- Lily? – Ela pulou de susto e corou na hora, tentando, em vão, se cobrir com as mãos. – Er... – Tentava não analisá-la, mas não era muito fácil. – Posso ajudar?
- Não... Er... Eu já... To de saída! – Ela pareceu lembrar-se de alguma coisa e então mudou sua resposta. - Não, não pode, Nicholas.
- Uau! Bom dia pra você também.
- Pode ter certeza que o meu dia vai ser muito bom... – Ela sorriu maliciosa e eu realmente não entendi o que ela quis dizer com aquilo.
Só sei que ela me tirou a oportunidade de interrogá-la perguntando por que ela estava vestida daquele jeito e tentando entrar ou saindo do meu quarto...
(...)
Emy estava largada no sofá, rindo de algum programa idiota que só ela acha graça. Eu sempre dou mais risada dela se divertindo com aquelas coisas do que do programa em si.
- Bom dia, gatinha! – Dei-lhe um beijo na bochecha.
- Bom dia, tigrão! Rawn. – Ela, rindo, segurou o meu queixo e me devolveu um selinho. Ai, ai! Tão destemida essa minha nova muié!
Sentei-me ao seu lado.
- Eu terminei a música... – Comecei a falar. Ela jogou suas pernas em cima de mim e minhas mãos automaticamente foram para cima delas.
- Qual?
- Aquela que a gente começou junto, mas você abandonou... – Ela riu.
- Eu não abandonei! Apenas esqueci...
- Tudo bem, linda! Eu terminei, quer ouvir?
- Quero! – Ela cruzou as pernas, estilo indiozinho, e ficou sorrindo me esperando começar.
Eu comecei a tocar... E terminei. Qual é? Só tive tempo pra melodia!
- Ah, pensei que você ia cantar pra mim!
- É que eu ainda não sei a letra dessa música... – Ela riu mais uma vez. É fofo como ela consegue me achar engraçado.
- Se precisar de ajuda, estamos aí! Ou por que não, um pouco de inspiração? – Ela sorriu sugestivamente.
- Ah, agora você ta falando a minha língua! – Não teve outra, tive que beijá-la.
Meu nível de capiciosidade havia subido um ponto agora: Nos beijamos dentro do “território do inimigo”.
- Ah, mano! To falando que eu nem vi o jogo direito! Com aqueles mini shorts é impossível conseguir olhar pra bola! – Era a voz de Kevin, falando alto como sempre, nos alertou a tempo de nos separarmos.
- Você vai à festa do time hoje? – A pergunta de Adam não foi respondida. Kevin resolveu zoar com a minha cara.
- Ê, casal! Não adianta fingir que não tava acontecendo nada... Eu acho muito difícil o meu caro amigo Nick estar de fato assistindo esse programa idiota!
- Ei! Não fala assim!
- Ah é, a idiota da Emy gosta! – Emy riu e uma almofada voou.
- Fica quieto, imbecil!
- O que o amor não faz, não é mesmo? Até xingar os outros ela xinga feliz agora! – Adam Ironia Beaumont, esse deveria ser seu verdadeiro nome.
- Pára de ser invejoso, cara!
- Invejoso? Eu? Há! Muito engraçado. Inveja do que? – Ele olhou com descaso pra Emy.
- Inveja, porque eu sou capaz de fazer alguém feliz e você não! – Fui capaz de ouvir o suspiro de Emy daqui.
- Você que pensa... Eu tava exatamente fazendo alguém muito feliz ontem à noite... E cara, quanta felicidade!
- Ah, esse é o meu garoto! – Kevin e ele fizeram um high-5. – Enfim, vocês vão no jantar hoje à noite, casal?
- Kevin, pára! – Emy ordenou.
- Calma, senhora Reed! – Ele e Adam riam. Às vezes eles são tão idiotas.
- Besta! Que jantar?
- Ah, eles não devem ter sido convidados... – Adam tentou se desfazer de nós.
- Ah, vocês estão falando da festa do time de vôlei? Claro que vamos, eu sou o melhor torcedor, esqueceram? – Adam pareceu não gostar da minha resposta. Ele odeia que eu seja melhor do que ele em qualquer coisa.
- Demorou! Depois a gente combina um esquenta então, brothers!
- Demorou! – Emy respondeu por nós dois.
- Gente, beber faz mal à saúde... – Adam dizia quando já estavam saindo.
(…)
- A gente vai mesmo?
- Vamos, Nick. Agora eu já me troquei e o Kevin e a Mandy estão nos esperando pro nosso “esquenta”.
- A Mandy foi convidada?
- Ela vai com o Kevin. Esse é o único casal que falta se assumir. – Ela disse meio rindo, e eu a acompanhei.
Ela estava tão linda se ajeitando em frente ao espelho que eu não resisti. Tive que abraçá-la por trás para poder admirar aquela bela imagem refletida no espelho mais de perto. Ela começou a sorrir e não deu 5 segundos, ela perguntou:
- O que foi?
- Nada... Só estou admirando a sua beleza... – Ela riu fraco enquanto cruzava seus braços sobre os meus, erguendo sua cabeça para olhar diretamente para mim.
- Acho que você deveria se atentar a outro fato...
Direcionei o meu olhar àqueles lindos olhos azuis.
- E que fato é esse?
- O fato de que nós formamos um lindo casal! – Ela voltou a olhar para o espelho, orgulhosa. Eu a imitei.
- Qualquer um faz um casal bonito com você... – A beijei na bochecha e me sentei na cama que estava logo atrás de nós.
- Você poderia ter concordado pelo menos, né?
- Ah, não precisa ficar brava! – Eu não podia concordar com aquilo. Ainda. Eu sei que é uma questão de tempo até eu esquecer aquela outra pessoa...
- Às vezes parece que você não está muito afim desse relacionamento... – Ela se virou para mim. – Eu gostaria que você se abrisse pra mim, só um pouquinho assim! – Ela demonstrava com as mãos. – Eu já ficaria feliz.
Eu a puxei pela mão e ela ficou de pé entre as minhas pernas.
- Eu tenho outros jeitos de me abrir pra você... – A enlacei pela cintura e ela apoiou suas mãos em meus ombros, já sorrindo. – Cada beijo... – Eu dizia entre beijos – É uma nova... Mensagem.
- Ah... E que mensagem... Você está passando agora?
- Você vai ter que adivinhar!
Beijamos-nos com tranquilidade. Posso dizer que Emy e eu já conhecemos muito bem a boca um do outro e cada beijo seu, não sei como isso é possível, se torna mais gostoso.
- Hãm-Hãm! Será que interrompo o casal? – Emy se assustou, quis se desprender de mim, mas eu a segurei com força. Era só o Kevin! E, ah! Todo mundo já sabe...
- Interrompe! – Eu respondi e Emy riu.
- Tem duas pessoas esperando por vocês e ao invés de vocês irem logo, vocês ficam aí se beijando! Quanta indecência! Aposto que o papai e a mamãe de vocês ficam falando pra todos: “Oh! Meu filhotinho estuda em Stanford!”, mal sabem eles que a última coisa que vocês fazem aqui é estudar! Ficam nessa de rodízio de namorados aí... – Ele finalmente respirou. – Não consigo entender essa modernidade...
Emy e eu já estávamos rindo desde a palavra “filhotinho”.
- É, cara! Acho que eu devia parar com isso e ser como você, né?
- Obviamente. – Não sei como ele conseguia ter a cara tão lavada.
- Não faça isso, Nick! Esse daí não tem futuro!
- “Não faça isso, Nick! Esse daí não tem futuro!”- Ele a imitava com uma voz irritante. – Sai pra lá, Emily! Você que me trouxe pra essa vida!
- Ah, pronto! Tem que rir pra não chorar...
- O que é que você ta falando, Kevin? Pelo menos ela vai passar de ano...
- Ah, me desculpe se eu gosto demais dessa instituição e quero ficar aqui o máximo possível! – Ríamos, sim, desde àquela hora.
Fomos para um barzinho próximo à boate que seria a festa. É, eu também pensei que seria um jantar para os professores, técnico do time e tal... Mas parece que tem uma balada embaixo e um restaurante no mezanino. Ainda bem que eu tomei umas antes de ir pra lá, porque confesso que eu não teria coragem de fazer absolutamente nada com a Emy na frente da Lily.
Chegando lá, a pista de dança tinha no máximo cinco pessoas, então fomos direto para o mezanino. Todos cumprimentavam as meninas e o técnico do time. Lily estava de costas para a escada e seu vestido tinha um decote muito grande nas costas, que me fez elogiá-la muito, em pensamento, claro. Sendo assim, fiz uma coisa muito errada, e eu tenho noção disso. Assim que Lily se virou para nós, eu, disfarçadamente, soltei a mão de Emy.
Para minha surpresa, ela sorriu para nós. Ou seja, ou ela estava bêbada, ou ela estava muito feliz, o que equivale a um porre, então... Tanto faz.
- Oi, gente!
- E aí, gatinha! Eu já te disse isso, mas como todo mundo deve ter vindo aqui pra dizer isso... Parabéns pelo título! – Eles se abraçaram.
- Ah, aí sim, hein! – Eles improvisaram um toque louco que rendeu risadas de todos, até da Mandy, que veio xingando a Lily o caminho inteiro. – E essa linda moça que te acompanha, jovem rapaz? – Ela fingiu estar séria. – Desencalhou? – Ela voltou a rir.
- Nossa, tão engraçada... E não, ainda não desencalhei. Essa é a nossa amiga, Mandy. Mas pra você é Amanda, porque você não é legal e descolada como nós! – Ele fez estralhinhos no ar.
- Ai, como é idiota... Enfim, olá, Amanda! Muito prazer, seja bem-vinda a este lugar abençoado por Oriximiná! – Emy riu baixinho, esse era o santo que elas criaram e seguiam.
- Aja como uma pessoal normal, por favor? Vai assustar a garota. – Kevin a reaprendeu, mas Mandy incrivelmente ria!
- Deixa ela, Kevin! – Ela bateu nele de leve. – Obrigada, Lily. – Elas se cumprimentaram. – A gente já se conheceu, mas você não deve se lembrar... Não é? – Lily fez que não com a cabeça, como quem lamentava por isso. – Tudo bem! Essa apresentação foi melhor do que a outra.
Era vez de Emy dizer alguma coisa.
- Parabéns, Lily! – Foi tudo o que ela conseguiu.
- Obrigada! – Ela respondeu sorrindo. E isso significa que agora é minha vez.
- Foi um ótimo jogo, vocês mereceram! – Eu sorria com sinceridade e ela aparentemente também. Eu não queria que acabasse ali. Eu tinha que tirar algum proveito dessa simpatia que a atacou hoje! – Parabéns, de verdade! – Eu dei um passo à frente para abraçá-la e ela retribuiu.
Ela tava tão boazinha que eu acho que até se eu tentasse beijá-la ela ia deixar e depois sorrir e me agradecer. É, talvez não seja para tanto. Só sei que, aquele decote nas costas dela me foi muito propício e creio que ela percebeu que minhas mãos estavam deslizando demais por ali, já que ela me empurrou tão discretamente quanto eu fui quando chegamos.
- Er... Bonito vestido! – Eu sorri malicioso e ela riu timidamente.
- Então... – Ela ainda mantinha o sorriso de constrangimento no rosto - Aproveitem aí!
- Ai, tava demorando demais já! – Kevin reclamou e Lily bateu nele novamente.
(...)
Estávamos nós quatro em uma mesa. Já havíamos cumprimentado todo mundo que conhecíamos. Tinha muita gente desconhecida para a minha surpresa.
- Boa noite, senhores. – Uma voz grossa falou e eu sorri ao ver quem era.
- E aê, cara! Quanto tempo! – Nos abraçamos forte. Eu sorria de verdade e ele também.
- Mas quem é vivo sempre aparece! – Kevin levantou para cumprimentá-lo enquanto eu cumprimentava a bela loira que o acompanhava.
- Lucas! – Eles se abraçaram tão forte que confesso que pensei em separá-los. Ele até levantou ela, pra vocês terem noção. – Nossa, que saudade! – É, eles eram amigos, mas não era pra tanto.
- Pois é, loira! Não me ligou mais, não foi mais lá em casa...
- É... Alguns problemas... – Ele olhou pra mim.
- Depois eu explico.
- Demorou então!
Ele e sua namorada Rebecca se sentaram conosco. E ficamos um bom tempo relembrando o passado.
- Por que a bicha do Adam não ta aqui com vocês?
- Ah, sei lá! Graças a Deus eu nem vi ele hoje! – Não consegui esconder minha revolta.
- Ele ta bem ali... Com a minha irmã... – Nossa, eu só parei de olhar pra ela por 15 minutinhos e ela já estava cercada por dois loiros!?
- É, faz parte daquela explicação lá...
- Ah... Entendi!
- E a Lily? Você não está lá grudado com ela, deixando todo mundo enojado com tanto mel como sempre, por quê?
- Explicação...
- VOCÊS TERMINARAM? – Sim, ele é escandaloso. Lily virou assustada e correu até nós.
- Er... Do que vocês estão falando? E... Lucas! O que você ta fazendo nessa mesa?
- Eles são meus brothers também, brother!
- Ta... Então... – Ela parecia estar pensando em alguma coisa.
Ela veio até mim e cochichou em meu ouvido: “Ele não pode saber”. Depois ela foi até Emy e Kevin e presumo que ela disse a mesma coisa.
- Segredinhos agora?
- Não, maninho! Imagina!
- Ta bom, me engana que eu gosto! Então você e o Nick terminaram e você não conversa mais com a Emy porque ela roubou seu namorado. É isso, maninha? – Ele perguntava com os braços cruzados.
Eu não entendi porque ele não pode saber, mas beleza.
- Não! Claro que não! – Ela começou confiante, mas então sua voz ficou baixa. – A Emy nunca faria isso comigo... – Ela recuperou a coragem. – Você sabe disso!
Emy baixou a cabeça e eu também fiquei com vontade de me esconder ou abraçar Lily e dizer que queria ela de volta, ou abraçar Emy e dizer que ela não tinha culpa de nada.
- Nossa, é verdade! – Ele riu sozinho. – Brisei agora!
- É... – Todos forçaram um sorriso.
Lily voltou para o Adam e o outro loiro misterioso e nós ficamos zoando a namorada de Lucas que estava quase muda.
- Cala boca, Rebecca. Você fala demais, meu. – disse Kevin.
- Sua voz já ta me irritando... – Foi minha vez.
- Credo, gente! Deixa a menina em paz, vocês nem conhecem ela direito... – Emy tentou protegê-la.
- Ah, ela já ta acostumada. – O namorado da garota contribuiu.
- É mesmo... Só levo patada desse menino. – A menina finalmente se pronunciou.
- Eu sou mó bonzinho com você! Na verdade, sou bonzinho com todo mundo. – E deu um beijo nela.
- Você? Bonzinho? Você me obrigou a vestir o uniforme do New York Giants, tirar foto e colocar na internet, só para eu poder colocar o pé na sua casa. – Emy protestou.
- Ah, ficou boa a foto, vai!
- Você me obrigou a correr 5 quilômetros, pagar 100 flexões e 100 abdominais só para poder entrar lá. E só na terceira visita você deixou eu usar o banheiro da sua casa! – Adicionei. Mas não devia ter me lembrado disso.
- E comigo? Ele me obrigou a tirar a roupa e ficar deitado de bunda pra cima na cama dele esperando ele sair do banho!
Kevin comentou e automaticamente todos à mesa riram, com exceção de Rebecca, que quase cuspiu a sua bebida.
- É sério isso, Lucas? – Ela parecia assustada.
- Não! Claro que não! Essa porra branca nunca nem chegou perto da minha casa! – Lucas parecia indignado com a história. – Mas eu gostei da ideia... Se quiser ir pra lá mais tarde... – Ele falava sério. Desta vez quem se assustou foi o Kevin.
- Sai pra lá! Ta me estranhando? Sou muito macho!
- É... Super macho. Nunca me esqueço daquele dia que você pediu pra eu... – Mandy ia contando e rindo ao mesmo tempo, mas de repente seu riso se conteve. – Opa! Esqueci que tem mais gente aqui...
- Ah, pode contar agora, amiguinha! – Emy tentou convencê-la.
- Não posso... Mas o fato é: O Kevin é suspeito...
- Vish, Kevin! Se até sua mina ta te denunciando, eu vou ser obrigado a acreditar que você queima a rosca! – Me juntei ao bullying com o Kevin.
- Eu não sou mina dele... – Mandy disse quase num sussurro.
- É... Ela não é minha mina e... É sério mesmo que você tem dúvida de quanto eu sou macho, Mandy?
Ela apenas riu timidamente e bebeu o que restava em sua taça.
A presença de Lucas fazia com que todas as memórias do meu namoro com a Lily viessem como um tsunami: O primeiro beijo, a primeira visita a casa da garota, a primeira vez que ela conheceu a minha família e eu a dela, a primeira vez que nós... Não, eu não podia pensar nisso. Não ali com aquele monte de gente. E além do mais, nós tínhamos terminado e ela não me queria mais. Tanto isso é verdade que ela só quer saber de loiros agora... Não pude deixar de perceber que ela guiava um deles até a nossa mesa.
- Emy! Olha só quem ta aqui! – É. Ela provavelmente estava bêbada, ou esqueceu que ela e a Emy não são mais amigas, ou está fingindo muito bem para o irmão dela.
O que mais me incomodou não foi essa falsidade da Lily, mas sim a reação de Emy diante daquele cara. Ela paralisou.
Ele percebeu:
- Oi, Emy. – Como eu entendo muito de sedução, pude perceber que ele estava tentando seduzir a MINHA namorada com aquele sorriso barato, aqueles olhos azuis baratos e aquela roupa com estilo demais que só um veado teria coragem de usá-la e aquele cabelo brilhoso... Aposto que é oleoso!
- Chace? – Ela forçava um sorriso. Ela estava evidentemente surpresa.
Vasculhei minha memória a procura do nome do cara, eu já tinha ouvido... Só não lembrava o que eu tinha escutado sobre ele.
- E aí, cara! – Disse Lucas se levantando e o abraçando normalmente, como todo homem se abraça. Caralho, todo mundo conhecia esse sujeito, menos eu?
- Chace, esse é o pessoal. – Ela apoiou a mão em seu ombro enquanto nos apresentava pra ele. – Gente, esse é o Chace. Ele estudava com a gente no colegial.
- Ah, que legal... – Eu disse e logo me virei para frente novamente. Eu não consigo tentar ser simpático com alguém que eu não vou com a cara.
- Quanta simpatia! – Pude ouvir Lily reclamar. – Então, Chace... Viu que ela não morde? – Voltei a observar àquela cena.
- Vi... – Ele a mediu de cima a baixo. Fiquei com vontade de dar um fim àquela putaria, mas aí eu estaria agindo como um idiota ciumento e esse não sou eu, é o Adam. – Onde eu sento? – Já tava todo soltinho... Cuzão.
Ele resolveu puxar uma cadeira ao lado de Lucas. Ficaram lembrando do passado por um tempo enquanto nós ficamos falando de qualquer coisa mais interessante. Porém, não demorou muito, aquele absorvente de atenção resolveu puxar Emy para seu “grupinho de conversas privadas” e o pior: Ela foi. Cretina...
Mais uma vez o resto do grupo se entretia com outro assunto, mas eu não conseguia parar de tentar ouvir o que eles falavam. Foi em vão, só conseguia ouvir quando eles riam. E eu não gostava de ouvir suas risadas, ou melhor, não gostava de ver que eles estavam se divertindo.
A pista de dança foi aberta e Lily e Adam dançavam como se aquilo fosse a última coisa que eles fariam na vida. Aquilo me incomodou. Mas já tinha tanta coisa me incomodando naquela noite que resolvi tentar deixar isso pra lá.
Será que Emy me daria um pouco de atenção agora?
- Emy... – Tentei. Ela não ouviu. – Emy?
Ta, eles não vão parar de trocar piadinhas um com o outro mesmo? Foi aí que eu tive uma brilhante idéia: Simplesmente me levantei e puxei-a pela mão até a pista de dança. Eu estava puto. E bêbado. Não estava cambaleando nem nada, bebi apenas o suficiente para minha sinceridade aflorar. É bom ninguém se meter no meu caminho hoje.
“Don’t stop the party” começou a tocar assim que chegamos ao nosso destino. Ainda não tinha olhado para Emy para poder medir o seu grau de irritação com a minha atitude naquele momento.
Começamos a dançar. Minhas mãos estavam em sua cintura. Ela se aproximou do meu ouvido e eu pensei que seria um momento romântico apesar de tudo. Me enganei.
- Você, por acaso, ta tentando parecer um idiota? Devo te informar que você está conseguindo... – Credo, quanta delicadeza!
- Eu não estou tentando nada... Se não quiser dançar, pode voltar pro seu amiguinho loiro!
- É sério que você ta sendo um idiota por causa dele?
- Não estou sendo um idiota...
- Claro que ta, Nick! Você me fez deixar o garoto falando sozinho!
- Pelo amor de Deus! O Lucas ta lá com ele!
- Nick...
- O que?
- Pára com isso, vai. Ta ficando ridículo e você sabe que você não é assim...
- Ah, me desculpa... É que eu fui obrigado a ficar encarando o teto boa parte do tempo... Vocês dois parecem ter assunto demais...
- Encarar o teto? Do mesmo jeito que você ficou encarando a Lily?
- O que? – Eu ri de verdade.
- Ah, vai dizer que tava reparando em como o vestido dela era bonito?!
- Mas é um vestido bonito... – É, eu sei. Muita cara de pau.
A essa altura do campeonato ela já me empurrava para se afastar. Eu não deixei.
- Vai fugir agora?
- Não to fugindo...
- Então só finge que ta tudo bem e dança... Tão olhando pra gente. – Tratei logo de encarnar o personagem e fiz uma dança excêntrica. Emy pelo menos riu.
- Que é isso, Nick? Ta tentando me envergonhar?
- O que? Dança também!
Ela começou a dançar normalmente, ainda rindo. E eu parei de bancar o palhaço. Estávamos temporariamente de bem...
Adam, todo suado, se aproximou de nós:
- O casal já ta em crise? – Ele dizia em tom de brincadeira. Ta tudo muito estranho hoje.
- Não, não. Sua mãe não tem me dado muito trabalho. – Eu disse e Emy riu.
- O que? – Adam perguntava sorrindo. Coitado, acho que ele não ouviu. Loser.
- Nada, não...
- Ta bom, então... É pra você ir lá em cima buscar sua medalha. Infelizmente seu buquê de flores já murchou. Sinto muito.
- Vish, agora você é parte do comitê de organização do time de vôlei de Stanford? – O zoei e ele riu. Sim, ta tudo errado!
- Vai logo, antes que eu me irrite e te mande tomar no cú! – Ah, agora sim!
(...)
A cada dia aquele maldito loiro de cabelos luminosos como os raios de sol se tornava mais próximo de Emy. E até agora, o que consegui pegar dessa história é que eles já ficaram em uma balada recentemente. Ou seja, eu tenho motivos para exagerar nas minhas discussões à vontade!
Não sei qual é o problema de solidão desse cara, mas todo santo dia quando não para o celular, ele liga na república para falar com a Emy. Porra, eu não ligo que ela fale com outro cara. Não sou ciumento e nunca vou ser. Mas eu assumi uma coisa com ela e ela deveria se comprometer da mesma forma. Simplesmente isso. Não é pedir demais.
Para complicar a minha situação, parece que tem mais um casal assumido vindo por aí, não que eu já não desconfiasse antes, mas a confirmação deles é ainda mais frustrante: Lily e Adam. Eu os vi andando abraçados. Aquilo não era abraço de amigo.
(...)
Eu estava deitado na minha cama, tentando resolver uns calculus, quando Kevin entrou, reclamando de alguma coisa.
- Nossa, cara. To putão! – Eu ri de leve.
- O que aconteceu dessa vez?
- Sabe a Mell?
- Qual?
- Aquela loira gostosa do 1º ano de Engenharia também...
- Ah, inesquecível aquela lá...
- Pois é! Você ta ligado que nesse sábado eu ia pegar ela, né?
- To, to ligado...
- Então, cara! Mas aquele baitola do Joe, da sala dela, ta comendo a mina, meu!
- Mas como você fala bem, né, meu amigo? Incrível como só sai palavra bonita da sua boca...
- Ah, foda-se! Estou no meio de uma crise...
- Mano, relaxa o bumbum aí, vai.... Alguém está tentando estudar...
- Não, mas essa você vai querer ouvir! Sabe quem ta comendo bem também?
- Quem, Kevin? – Eu já tava de saco cheio, mas ele é meu amigo, ouvi-lo não vai me matar.
- O Adam! Ta pegando a Lily!
- Ta, e a novidade?
- Eu disse que ele tava comendo bem... – A lapiseira caiu acidentalmente da minha mão.
Não respondi. Na verdade, nada passava pela minha cabeça a não ser aquelas palavras: “comendo bem”.
- Só você não ta se alimentando direito nesse quarto. Se é que me entende... – E deu uma piscadinha. Será que ele achava que eu era burro o suficiente para não ter entendido essa piadinha?
- Já acabou?
- É... Mau humor é um sinal dessa abstinência...
- Ai, Kevin... Vai tomar no seu cú antes que eu me esqueça, vai? Vê se eu to lá na esquina... Qualquer coisa, mas me deixa em paz.
- Eu conheço um lugar que não é muito caro pra...
- Mano, vai se fuder!
- Olha, me fuder não, mas eu te garanto que eu vou fuder alguém! – E ele, finalmente, saiu do quarto.
Agora só devo agradecer ao Kevin por ter tirado completamente a minha atenção da única coisa realmente útil na minha vida e me fazer ficar pensando naqueles dois juntos... O meu “melhor amigo” e a minha “namorada”... Agora eu sei do que Lily tanto se queixava. E já que é para eu me sentir como ela se sentiu, vou igualar o placar.
Quando dei por mim já havia aberto a porta do quarto de Emy. Ela estava sentada em sua cama falando ao telefone:
- Você quem sabe, Chace. – De novo aquele cara?! Não pensei duas vezes, peguei o telefone da mão dela e desliguei. – Nick, o que...?
Comecei a beijá-la. No começo, ela simplesmente ficou estática enquanto eu fazia todo o trabalho, mas não demorou muito para finalmente retribuir. Suas mãos já estavam em meu cabelo, as minhas, já por baixo de sua blusa. Nossos lábios não ficavam separados por mais de um segundo, os beijos ficavam cada vez mais intensos. Um desejo súbito me dominou e eu precisava saciá-lo.
Ela foi mais rápida do que eu e, num instante, já havia tirado minha camiseta, suas mãos agora estavam em meus ombros. Minha boca percorria todo o seu colo, mas me lembrei que ela ainda estava vestida, então, simplesmente me livrei desse obstáculo e achei o que eu queria. Minhas mãos acariciavam suas costas macias, o que a deixava visivelmente arrepiada, e encontraram também o fecho de seu sutiã. Mas algo me parou e não pude ir mais além.
Eu não podia fazer isso com ela. Eu não podia usá-la para empatar com a Lily numa competição que nem existia de fato.
Capítulo 14 “I am standing in the distance
You can take your time
And I will be there waiting
Never far behind” – Aly & AJ
EMY’S POV
- Nick...? – Eu queria dizer “Parou por quê?”, mas eu simplesmente não podia.
- Eu não acho que a gente deve passar daqui... – Agora minha vontade era dizer “Então você veio fazer o que aqui, cacete?”, mas também não seria legal.
- Tudo bem, eu concordo com você...
- Eu só queria que você parasse de conversar com aquele cara...
- Ah, ta. Me engana que eu gosto! – e ele riu.
- Ta, na verdade... Eu vim aqui com segundas, terceiras e quartas intenções, mas você sabe...
- Sei.
- Sabe? – Ele pareceu confuso - O que é que você sabe?
- Eu sei que você não gosta tanto de mim assim pra chegar a esse ponto... – Eu dizia com tranquilidade e Nick engoliu em seco.
Chace apareceu em um bom momento e tem me ajudado a abrir os meus olhos para muitas coisas e uma dessas coisas é que Nick é muito melhor sendo amigo do que namorado. Confesso que é até estranho chamá-lo assim... Não acho que tenhamos sido namorados de fato em momento nenhum. Eu sei, botei tudo a perder por causa desse sentimento, mas as pessoas cometem equívocos, somos seres errantes. E não é por isso que temos que insistir no mesmo erro, temos que superá-lo e seguir adiante.
- Não... Não é bem assim...
- É assim, sim, Nick. Ta tudo bem, de verdade. A gente tentou...
- Você ta terminando comigo?
- Não to terminando, porque você nunca perguntou se eu queria namorar com você na verdade, né... – Eu disse em tom de piada e ele riu.
- Agora é tarde demais? – Ele ainda brincava.
- Ah, eu acho que sim...
- Caralho, será que eu nunca vou terminar um relacionamento? – Eu ri de verdade.
- Quem sabe na próxima.
- Não. Eu espero, de verdade, que da próxima vez o relacionamento não termine...
- Aff, para de ser romântico, por favor!
- Por quê? Ta com medo de se render aos meus encantos logo depois de ter me dado um pé na bunda?
- Para de ser exagerado, menino! Eu não te dei um pé na bunda!
- Aquilo foi o que então?
- Fui eu dizendo minha opinião.
Silêncio. Aproveitei e vesti a minha blusa.
- Emy, não é por causa daquele cara não, né?
- O que?
- Não é por causa daquele loiro que... Bom, que você acha melhor a gente não...
- O que ele tem a ver com isso?
- Eu odiaria perder praquele cara.
- Isso não é uma competição e eu não sou um troféu! Me respeita, moleque.
- Você não respondeu minha pergunta.
- Você quer saber se eu gosto dele? Não, não gosto. E... não fui eu que parei aquilo, foi você, então...
- Então eu que to afim daquele cara?
- Não, seu idiota! Para de se fazer de burro que esse papel não combina com você...
- Nossa, agora que você ta solteira a fera ta solta, né?
- O que? – Eu só podia rir de uma coisa dessas. De onde esse cara tira essas expressões?
- Mas então... Eu parei uma coisa que nós dois ficaríamos com peso na consciência depois, já você, colocou um ponto final em tudo.
- Por que esse drama? Você nem queria nada comigo, a gente nem tinha nada sério...
- Mas você me chutou!
- É, você não ta muito bem... Quem sabe o Chace não pode te dar uns conselhos? Ele é muito bom nisso...
- Ta tentando me irritar?
- To conseguindo?
- Com sucesso.
- Yes!
- Gostava mais de você há 30 minutos atrás...
- Ah, que bom...
- Emy!
- O que foi?
- Eu tenho sentimentos!
- Você ta parecendo a menininha da situação...
- É, eu to sentindo isso também...
- E eu acho que tem uma menininha que agiria exatamente como você está agindo agora...
- Ahh, eu sei! Eu não consigo apagar essa pessoa do meu cérebro!
- Você não precisa apagar...
- Ela ta “namorando”, você não sabia? – Ele dizia enojado.
- Sério? Com quem?
- Com aquele veado metido do Adam!
- Nossa, que legal!
- Legal, Emily? Sério?
- Não... Er... Eu quis dizer, nossa, justo com aquele veado metido do Adam?
- Ta. Valeu a tentativa...
- Eu acho que você deve tentar fazer as pazes com todo mundo...
- Sério mesmo que você não está com nem um pouquinho de dor nesse seu coração de pedra por ter me chutado?
- Pela milésima vez, EU NÃO TE CHUTEI! E... Só to seguindo um conselho...
- “Do Chace”- Ele disse com uma voz fina e estranha, que podia ser a voz de qualquer Zé, menos a minha!
- Exatamente... Ele é genial e...
- AAAAHH! Para com isso!! – Ele cobria os ouvidos. – Lalalalalalalala...
- Ah, muito maduro, Nicholas.
- Mano... Ta vendo só? To ficando louco... Acho que o Kevin tem razão...
- Em que?
- É a falta de sexo...
- Nicholas!
- Ah, agora que você me chutou, você voltou a ser um homem pra mim, portanto, MANO, faz tempo que eu não...
- Não termine isso!
- Ah, você sabe... Eu gosto muito disso...
- Nick, você está me assustando...
- É minha vingança por você ter me chutado.
- PUTA QUE PARIU!
- Emy, não fala palavrão! – Disse Fany, entrando no quarto. – AH! Nick, põe essa camiseta, garoto! – Ela voltou-se a mim novamente - O que é que você ta fazendo com um cara pelado no nosso quarto?
- Ele não ta pelado, Fany! – Eu ria – Cuidado com o que você fala...
- Mas vocês não estão namorando? Namorados ficam pelados! – Ai, ai... Tão inocente.
- Não somos namorados, amor da minha vida. A Emy me chutou...
- Mas que porra, moleque chato do caralho! Se eu falar que eu te chutei você vai parar com essa putaria?
- Emy!
- Perdão, Fany. Ele mereceu.
- Eu mereci? Ainda estou me curando de um chute e você me fala essas palavras feias? Vamos, Fany! Vamos fugir desse poço de palavras feias enquanto podemos!
Ele tentou correr puxando Fany pela mão, mas ela se agarrou à cômoda e Nick quase foi pro chão. Eu já morria de rir. Ele se recompôs rápido e saiu correndo com os braços abertos gritando “Estou livre, estou livre”. Na minha opinião, ele devia correr direto pro hospício, isso sim!
- Aff, o que deu nele?
- Um chute, minha amiga... Um chute.
- Mas você não estava apaixonada por ele?
- Estava, mas o Chace...
- Outro, Emy?! Você se apaixona muito fácil.
- Eu não estou apaixonada pelo Chace! Ele é meu amigo e andou me aconselhando.
- Então você e a Lily vão voltar a se falar?
- Acho que não. Isso não vai mudar o fato de que eu traí a amizade dela... – abaixei a cabeça. Ainda era difícil admitir a merda que eu tinha feito com a minha vida.
- Bom, você nunca vai saber se não falar com ela.
- Tem razão. Mas primeiro eu preciso arrumar minha vida, lidar com esses sentimentos... Nossa, que frase profunda!
Meu celular tocou. Era uma mensagem de Chace falando que ele estava vindo pra república.
- Ah, tenho que ir, Fany. O Chace está vindo.
- Vou com você, também vou sair com o Chang...
Imediatamente parei de andar e encarei a coreana. Ela sorria pra mim com suas bochechas vermelhas de vergonha.
- Vai, Coreia! Como isso aconteceu?
- Ah, depois do jogo de vôlei, começamos a conversar e... Ele é tão legal! Um verdadeiro cavalheiro oriental e ele é tão lindo!
- Vocês estão...
- Não sei. Quer dizer, hoje é nosso primeiro encontro, só eu e ele.
Foi aí que reparei na roupa da garota. Ela não estava usando jeans, camiseta larga, moletom e tênis ou crocs, como era de costume. Assobiei em aprovação.
- Ah, Emy... – Disse envergonhada.
Descemos para a sala e sentamo-nos no sofá. Lá também estavam Adam, Lily, Bauxita e Penny.
- Nossa, que gatinha oriental! – disse Adam.
- Cala a boca, moleque!
- Fany, não saia com aquele tarado do Chang, saia comigo. Você não vai se arrepender.
- Você vai apanhar, to te falando... – Disse Bauxita.
- Ai, se eu recebesse uma proposta dessas do Adam... – Penny se abanou com a mão. P-A-T-É-T-I-C-A!!! Como resposta, o loiro colocou o braço sobre os ombros da Lily.
- Emy, interfone pra você. - Disse Nick chegando por trás dos “pombinhos” e os olhando com cara de nojo.
Ele chegou perto de mim e sussurrou no meu ouvido.
- É o seu amiguinho loiro. – Eu ri. A tentativa de fazer Lily ficar com ciúmes era ridícula.
- Obrigada. – Eu me levantei. – Ah, não vou poder esperar seu príncipe vir te buscar, Fany. Desculpa.
- Relaxa, Emy.
- Bom, tchau, gente.
Todos responderam, até mesmo Lily e Adam. Nick me acompanhou até a porta.
- Você vai me deixar aqui sozinho pra sair com esse cara?
- Pensei que já tivéssemos deixado esse assunto pra trás.
- Mas, Emy... – Ele pegou minha mão. – Ele não parece ser boa pessoa. Você viu como ele chegou aqui e roubou você de mim.
Não pude deixar de rir. Ele colocou minha mão em seu peitoral.
- Você pode sentir meu coração partindo? – Ficamos nos encarando por alguns segundos e depois caímos na risada.
- Essa sua tentativa de deixar a Lily com ciúmes...
- Poderia funcionar se você cooperasse...
- Ah, cala a boca. Isso é besteira. Não é pelo ciúmes que você vai voltar com a Lily. Quanto mais você provocá-la, mais ela vai querer te provocar. Agora, se o senhor me dá licença...
- Nossa, primeiro o chute e depois isso?
Dei risada e saí. Encontrei com Chace e sua moto lá embaixo. Bom, não era a Harley Davidson do Adam, mas era uma moto legal.
- Olá, senhor. – Eu o cumprimentei com um beijo na bochecha.
- Demorou... – Disse com um sorriso. Era como se seu sorriso estivesse embutido em seu rosto. Isso era tão confortante e animador.
- Ah, e para sua informação, eu tive uma conversa com Nick. Somos apenas amigos agora.
- Então eu deveria te cumprimentar de um jeito diferente?
- Não. Por que deveria?
- Brincadeira. Sobe aí, loira. – Disse me dando um capacete e colocando o seu.
Fomos para um pequeno restaurante de comida japonesa do outro lado da cidade. Ele pediu a comida, para mim aquilo tudo era igual. Só fiz um pedido: não poderia ter peixe, que só de pensar em colocar na minha boca, me dava ânsia. O que eu comi? Sushi com vegetais. Era melhor que nada... A comida chegou e comecei a sofrer com aqueles malditos palitinhos.
- Ah, que inferno! – reclamei. Meu sushi tinha caído de novo.
- Faz assim, olha. – Ele pegou meu palito ou, como todos os seres humanos conhecem, rachi, e espetou no sushi. Ficou parecendo um espetinho de sushi.
- Que mágico! – Por que eu nunca tinha pensado nisso?
- Mas se quiser a gente pede garfo e faca...
- Não. É questão de honra comer que esse negócio aqui. Mesmo que eu coma do jeito errado. – Ele riu.
- Teimosa como sempre...
- Eu não sou teimosa.
- É sim. No colégio você cismava que eu gostava da Cherry, lembra? Até brigamos por isso.
- E aí você me beijou para provar que eu estava errada.
- E você me deu um tapa na cara e disse que a Cherry nunca ficaria comigo se ela soubesse daquilo.
- Isso não é teimosia...
- Não é teimosia insistir que eu gostava de alguém mesmo depois de ter te beijado... – Ele sorria.
- O nome disso é insistência.
- Insistência, teimosia, cada um chama do que quiser.
- Ah, fica quieto e come seu peixe morto.
- Assim você estraga a bela imagem que eu tenho do meu sashimi...
- É a pura verdade.
- Então ta, quando você estiver comendo um hambúrguer, vou falar sobre o boi morto também.
Eu sorri e mordi minha “comida”.
- Sobre o Nick, como foi que aconteceu?
- Ah, aconteceu umas coisas e aí eu falei que eu sabia que ele não gosta de mim como “namorada”. – Indiquei as aspas. Contei tudo o que aconteceu até a parte que a Fany chegou no quarto, menos a parte em que o Nick implicava com ele, claro.
- Então a Lily está namorando com o Adam?
- Ah, eles não parecem estar namorando. Eles parecem mais aquele tipo de amigos com benefícios. Sabe?
- Isso não te dá ideias? - Perguntou ele e piscou pra mim. Joguei meu rachi nele. – É brincadeira!
- Você não sabia da Lily e do loiro? Você tem andado bastante com eles ultimamente.
- Ah, eu suspeitava... Eles também não ficam esfregando na cara de todo mundo.
- Hm...
- Emy, que foi?
- Nada.
- Você nunca perde a oportunidade de falar alguma coisa. Um “hm” nunca é o suficiente pra você.
- Não foi nada. Sério. – menti novamente.
- Fala. – e colocou sua mão em cima da minha. Achei aquilo estranho...
- É o Adam. Eu ainda não sei por que ele não é mais meu amigo. Eu não fiz nada pra ele, Chace. Ele nem tentou me ajudar como você tem feito. E não havia outro motivo para...
- Como você sabe?
- O que?
- Que não tinha outro motivo para ele se afastar de você. – vasculhei minha mente tentando achar alguma coisa.
- Porque não havia. Nós éramos melhores amigos. Eu nunca fiz nada que pudesse magoá-lo.
- E se gostar do Nick o magoasse?
- Por que o magoaria? A Lily, eu entendo, mas ele...
- Nossa, você pode ser muito lerda quando quer.
- O que?
- Bom... – ele suspirou e olhou para sua mão ainda em cima da minha. – Eu e o Adam ficamos bem amigos nos últimos dias.
- Deve ser por causa de toda essa loirice. – Ele sorriu.
- Você também é loira.
- Às vezes eu esqueço disso...
- Bom, ele andou me contando algumas coisas e...
- Ele falou mal de mim? – Eu estava começando a ficar preocupada.
- Não. Ele... Eu não devia estar falando isso...
- Fala logo, cacete!
- Ele gosta de você.
- Quê?! – não era possível, eu devia ter escutado errado.
- Ele gosta ou gostava de você. – não respondi. - Era tipo apaixonado por você.
Comecei a rir. Por quê? Ah, aquilo era a piada mais engraçada do mundo. O Adam apaixonado... Hahaha.
- É sério.
- Chace, eu sei que você está amigo do Adam e tudo mais, mas eu o conheço e ele não se apaixona.
- Ele falou pra mim, Emy. Saiu da boca dele.
Meu sorriso desapareceu. Um flashback começou a passar pela minha cabeça: as brigas sobre o motivo pelo qual ele não falava comigo, a sua aproximação com a Lily...
- Meu Deus!
- E é por isso que ele não fala mais com você. Mais sushi?
- Você acha que eu vou querer comer mais depois dessa notícia?
- Comer distrai.
Tirei minha mão debaixo da dele. Eu não precisava mais de conforto.
- Mas por que ele não falou disso comigo?
- Sei lá. Medo de levar um fora, timidez...
- Esse era você no colegial, Chace. O Adam não é assim.
- Você ficaria com ele?
- Se ele não fosse meu amigo...
- Viu? Por isso ele não disse nada.
Eu só tinha certeza de uma coisa: eu precisava falar com o Adam imediatamente. Ta bom, não tão rápido assim, eu ainda tinha que terminar meu refrigerante.
Não voltei muito tarde para a república. Subi para casa com apenas uma coisa em mente: encontrar o meu “ex” amigo loiro. Lily estava no sofá.
- Oi, Lily. – Eu disse com receio de ela me mandar tomar no cu.
- Oi.
- Er... Você sabe onde o Adam está?
- Acho que na garagem. Deve estar cuidando da garota dele...
- Obrigada.
Desci para a garagem e vi o loiro cuidando de sua moto.
- Adam? Oi. – Ele levantou o olhar.
- Oi, Emy. – Ele disse casualmente, mas sem olhar em meus olhos.
- Er... Eu precisava te perguntar uma coisa...
- Olha, se for perguntar por que eu não sou mais seu amigo, já vou te dizendo que é perda de tempo e...
- Não é sobre isso. – Me aproximei dele. – O Chace me disse uma coisa e... Er... Você gosta de mim, Adam?
Ele me olhou com seus olhos verdes arregalados.
- É verdade?
- Er... Bom... Eu... Eu gostava. – Voltou a olhar para a moto. – Mas isso não tem mais importância. Você está com o Nick e eu...
- Com a Lily?
- Não... Ah, sei lá... Mais ou menos... O importante é que você não significa mais nada pra mim.
- Ai. Essa doeu... – Virei de costas e comecei a andar.
- Não foi isso que eu quis dizer... – Ele pegou meu braço. Eu me virei para ele e depois só o que fiz foi esperar que ele continuasse. Suas mãos deslizaram do meu braço para a minha mão. – Eu queria que fosse fácil assim...
- Por que você não me disse antes?
- Você só me via como amigo, não ia querer ficar comigo, muito menos namorar...
- Você queria namorar?! – Adam nunca foi desses de compromisso sério, então eu realmente devia significar alguma coisa pra ele.
- Ah, Emy... Esquece isso. Não adiantou nada. No final, perdi sua amizade de qualquer jeito. – Ele largou a minha mão e voltou a dar atenção a sua moto.
Eu sabia que era a minha vez de dizer alguma coisa.
- Não perdeu nada, Adam... – Ele apenas virou o rosto pra mim, mas se mantinha agachado – Quero dizer, a não ser que você realmente esteja me odiando muito ainda e não queira mais ser meu amigo... – Ele riu baixo, mas continuou agachado. – E aí, quer voltar a ser amiguinho da sua amiguinha aqui?
Ele se levantou e se pôs a minha frente com os braços cruzados como se pensasse em alguma coisa. Algo tipo "eu topo com uma condição".
- Você volta "se" o que, Adam? – Traduzi seus pensamentos.
- Ah, continua boa nisso! – Rimos juntos. – Só se você me der o dedinho.
Ele disse e rimos juntos em seguida novamente. Demos os dedinhos e nos abraçamos.
- Eu senti sua falta, loiro!
- Eu também, gatinha! – Continuamos abraçados, apenas matando a saudade. - Seu namorado não vai gostar de nos ver abraçados.
- Ele não é meu namorado.
- Eu vi vocês dois juntos.
- Eu sei.
- E você faz aquilo com qualquer um? Vamos ali pra um canto então! – Eu ri, mas bati nele e me afastei.
- Continua um cuzão... – Ele sorriu como quem dizia "Pois é, fazer o que?" - Eu sei o que você e a Lily fizeram naquele dia que os outros ficaram trancados do lado de fora do quarto. E vocês ainda são amigos, não é?
- É, mas a gente meio que tá namorando mesmo... – Não sei por que eu não gostei de ouvir aquilo.
- Entendi...
- Mas não é de verdade... – Ele tentou se explicar vendo a minha visível decepção.
- Como assim, loiro?
- Sabe... Aquela história de amizade colorida... Então...
- Ta, já entendi, Adam. – Eu simplesmente não queria mais ouvir sobre aquela história.
- Não, calma... Você não entendeu... Não é da Lily que eu gosto, assim... Desse jeito... O que a gente tem é mais carnal e...
- Ta, me poupe os detalhes, por favor!
Eu pensei que tudo voltaria ao normal depois que nos reconciliássemos, mas Adam e Lily juntos não é normal!
- Ah... Eu e o Nick estávamos tendo alguma coisa também... – Disse só pra não sair perdendo.
- Estavam? No passado mesmo?
- Pois é, não deu certo...
- Você que é uma cuzona! Olha pra bola de neve que esse seu amor platônico repentino por ele causou! – Ele me dava bronca em tom de piada, mas ainda assim era uma bronca e eu sei que aquelas palavras eram sinceras.
- Eu já sei de tudo isso, doutor...
O silêncio predominou por um breve tempo.
- Então fica assim?
- Assim como?
- Somos amigos?
- É... Por mim sim, mas será que você vai conseguir resistir a mim? – Brinquei.
- Aff, fica muito mais sexy quando eu falo isso! – Ri alto.
- Se você não vai resistir, fala logo, não precisa desviar do assunto!
- Para de brincar com os meus sentimentos, sua insensível! – Ele fez voz de afetado. E eu o abracei ainda com um sorriso em meu rosto.
- Ah, eu senti muito, muito a sua falta! – O abraçava com força.
- Eu também, loira... Pode apostar!
- Bom, tenho uns trabalhos a fazer agora... Obrigada por me dar o dedinho, Adam. Me desculpe por tudo...
- Você deveria falar isso pra Lily, você roubou o namorado dela.
- É, eu sei... Mas vai aceitar ou não vai, não vou dizer aquela palavra em voz alta de novo! – Voltei a ser eu mesma.
- Tá, eu te perdôo então, porque eu tenho muito amor a minha vida e sinto que você pode me agredir a qualquer momento. – Sorri ao ouvir isso.
- E você acha que a sua amiga lá seria capaz de fazer o mesmo?
- Eu não tenho a mínima ideia... Ela é meio imprevisível, como você já sabe... Se você pegar ela de bom humor...
- Então eu vou lutar pelo perdão da Lils e você, do Nick...
- Ahn?
- Ele tentou, mas... Nada faz ele tirar aquela menina da cabeça... E olha, meu filho... Tentei até os meus melhores artifícios! – Brinquei.
- Ugh! Guarda isso pra você! – Rimos. – E outra... Ele ficou com você primeiro!
- Ah, mas nós pensamos que...
- Pensaram errado, éramos só muito bons amigos até vocês servirem de inspiração pra gente...
- O que era isso afinal? Uma competição?
- Duro admitir, mas acho que no fundo acabou sendo... - Ele riu baixo, eu o acompanhei. - Vou tentar te ajudar com a Lils, acho que agora que a poeira ta mais baixa, ela vai te perdoar...
- Tomara, loiro! Eu quero a minha vida de volta... - Ele sorriu para me confortar.
- Bom, se depender de mim... Bem vinda de volta.
Capítulo 15
"Why be afraid
To make an honest mistake
If you acknowledge the pain
And you wanna change
You can get through anything" - Demi Lovato
LILY’S POV
Tudo estava bem agitado em Stanford, o pessoal estava no maior pique para a festa que os seniores estavam organizando para comemorar o fim da semana de provas.
Aquele povo sabe como fazer uma festa!!
A minha maior preocupação no momento é que roupa eu vou usar. Mentira, não é isso não. Eu até queria que fosse, mas... A única coisa que passa pela minha cabeça é que o Adam estava descaradamente conversando com a Emily! E o pior, ele sorria enquanto falava com ela!
Ele pensou que eu não tinha presenciado essa traição e até veio me contar depois sobre essa conversa... Mas eu parei de ouvir assim que ele pronunciou o nome daquela garota. Eu já estava me acostumando com essa minha nova vida e grupo de amigos, mas não. Acho que ela não consegue me ver satisfeita com nada que ela tem que dar uma estragadinha.
O que aconteceu foi o seguinte: eu estava estudando para minha última prova quando de repente a porta do minúsculo escritório da república abriu. Era o Nick.
- Lily, oi.
- Oi. – Voltei minha atenção para o livro. Ele provavelmente devia estar procurando a Emy...
O garoto simplesmente ficou parado como um tonto olhando para mim. Fechei meu livro e olhei para ele.
- Pois não? – Eu não estava muito simpática aquele dia. Eu estava com raiva do loiro e também tinha a TPM...
- Eu queria falar com você.
- Fala, ta esperando o que?
- Você vai ser grossa comigo? – Revirei os olhos. – Tchau.
Ele voltou a abrir a porta, desta vez para ir embora.
- Espera. Desculpa. – Sim, eu tenho remorso. E ser grosseira com o Nick é como espancar um panda, é impossível e ilegal. – Fala.
- Bom, eu queria... Er... Não quero que as coisas fiquem desse jeito.
- Desenvolva...
- Eu não quero ficar sem dar “bom dia” pra você de manhã, não quero fingir que não te conheço quando passo por você no campus... A gente passou por muita coisa juntos e não podemos simplesmente ignorar a existência um do outro.
- O que você quer? Você me trocou pela minha melhor amiga.
- Ah, você já superou isso. – Tive vontade de perguntar “Quem disse?”, mas me detive. – E eu não estou fazendo drama com você e o Adam. Ou você esqueceu que ele era meu melhor amigo também?
- Nem me fale daquele cachorro!
- O que o filho da puta fez pra você? – Ele estava visivelmente pronto para caçar o loiro.
- Nada. Quer dizer, não é culpa dele... Na verdade é mais ou menos, mas ela também...
- Do que você ta falando?
- Ah, ele estava conversando com a Emy.
- Sei... Ela meteu uma ideia na cabeça de pedir desculpas para todo mundo. Acho que foi pedir para ele.
- E o cretino aceitou. Absurdo!
- Hey, aceitar as desculpas de alguém é muito nobre. E você, como é uma lady, devia aceitar as minhas.
- As suas o que? – Por um instante me distrai xingando na minha cabeça a Emy de alguns nomes feios.
- Desculpas.
- Ah, por quê?
- Porque esse negócio já foi longe demais e está ficando ridículo nós não nos falarmos mais.
Fiquei olhando para ele. Nick estava sentado na cadeira ao meu lado com seus cotovelos apoiados nas pernas. Seus olhos transbordavam serenidade e ao mesmo tempo pediam pelo meu perdão. Não consegui olhar para eles por muito tempo. Eu simplesmente não resistia aos olhos. Quando namorávamos, a cada dia eu me apaixonava ainda mais por seus olhos castanhos.
Ele ficou impaciente esperando pela minha resposta e levantou-se.
- Espera. – pedi pela segunda vez.
- Então...
Suspirei e abaixei o olhar.
- Lily...
- Você não pode vir aqui, pedir desculpas e pensar que tudo vai voltar ao normal. Não é tão fácil esquecer as coisas como certas pessoas fazem...
- Se você pelo menos tentasse...
- Eu não tenho que tentar, nem você. Tudo tem que acontecer naturalmente e vir aqui e requisitar minha amizade não é exatamente natural...
- Tudo bem.
Ele começou a abrir a porta novamente.
- Nick, não me leve a mal...
- Relaxa, Lily. Amanhã a gente se vê. Boa noite.
E ele saiu. Soltei meu corpo na cadeira e comecei a encarar o teto. Que Constituição coisa nenhuma! Eu tinha coisas mais importantes com que me preocupar. Mas depois de cinco minutos resolvi parar de ficar revoltada com o Adam e simplesmente esquecer por uma noite a conversa com o Nick. Meu futuro dependia disso.
Quando saí do escritório, a república estava deserta. Me assustei ao encontrar Adam no corredor.
- Estudou bastante, gatinha?
- Gatinha... Para de ser falso, menino.
- Ta seca, ta grossa...
- E cansada também. – Nossa, como eu tava brava com ele!
- Boa noite. – ele se aproximou e me deu um beijo na testa.
Sua mão foi parar em minha cintura. O cretino queria me beijar?! Depois de falar com aquelazinha? É muito cara de pau!
- Boa noite. – Me afastei.
- Lily, vem cá.
- Não...
- Mas... Relaxa, você vai ir bem na prova amanhã.
- Não é isso.
- Então o que?
- Não... Vai procurar alguém pra conversar. Talvez a Emy esteja sem fazer nada.
Falei isso e entrei no meu quarto, fechando a porta na cara do loiro.
(...)
O dia da bendita festa chegou! Era pra eu estar bem mais animada para isso. Pode não parecer, mas as festas de Stanford são bem requisitadas, ainda mais essa que vem antes das férias, mas simplesmente nada ocorreu como eu planejei. No ano passado, essa festa foi bem mais interessante, eu tinha a Emy, o Adam e, claro, o Nick. Mas agora, nem o Adam está mais comigo do jeito que deveria estar nesta altura do campeonato.
Eu já estava devidamente vestida e maquiada. Modestamente, o meu interior definitivamente não havia abalado o meu exterior. Não hoje.
- Lily! – Fany batia na porta – Posso entrar?
- Entra! – Gritei de volta.
- Uau! – Ela exclamou assim que me viu, sorri constrangida. Pois é, tenho meus momentos de timidez.
- Uau digo eu, menina! – Fany estava usando um vestido curto, pela primeira vez em sua vida! Nada que a deixasse vulgar nem nada, ela estava simplesmente linda. – Quem te viu, quem te vê, hein, Fany?
- Para, Lils! Eu tenho vergonha...
- É só a verdade...
- Eu to te esperando já faz um tempão! O Chang disse que me encontrava lá, mas eu não tenho coragem de sair da república desse jeito!
- Com “desse jeito”, você quer dizer maravilhosamente deslumbrante?
- Para de mentir!
- Eu não to brincando!
- Ta, cala a boca. Vamos logo. – Essa é a Fany sendo Fany.
É, talvez eu tenha demorado um pouco mais no banho mesmo, todos já estavam lá. Para a minha infelicidade e descontentamento, Chang estava com Adam e Kevin. Eu realmente pretendia ignorar o Adam hoje.
Fany logo correu para os braços de seu amado e o beijou. Sim, ela não era a mesma. Eu o cumprimentei e em seguida cumprimentei Kevin.
- Ei, Lils, ainda não te avisaram que você deveria ser proibida de usar decote E saia ao mesmo tempo.
- Ah, me deixa, vai... A saia da nossa princesa oriental ta mais curta do que a minha...
- Eu sei, mas é que em você... – Adam o cortou.
- Em você nada, Kev! Abaixa esse pinto aí! – Ele o empurrou de leve e comentou comigo: - Ele já quase agarrou a Emy hoje! - Como ele OUSA falar dela comigo?? Eu simplesmente fechei a cara. Ele pegou a minha mão – Nem oi você me deu...
- É, mas pelo visto a Emy te deu “oi”, não é?
- Lily, isso é extremamente desnecessário.
- Claro, agora que ela está livre pra ficar com você, não é?
- Claro que não! Não fala besteira, por favor... Vem aqui. – Ele me puxou para um abraço e eu apenas não resisti em ir até ele, mas não retribuí o abraço. Ele não merece... Apesar que... Meu ódio não havia me deixado reparar em como ele estava produzido hoje. Se um Adam todo fedido e suado já é bom, imaginem quando ele está todo arrumado e cheiroso?
Ele tentou me beijar. Eu não deixei.
- Adam, não... Você não quer fazer isso...
- É claro que eu quero. – Ele agia como se realmente nada tivesse acontecido entre “a gente”. Ele não se importa com os meus sentimentos?
- Dá licença, eu vou beber alguma coisa...
Quando me aproximei, vi que Nick estava sentado no bar. Automaticamente mudei meu caminho. Mas já não adiantava, ele já tinha me visto.
- Lils! – Me voltei para ele novamente, indo em direção ao bar, como se eu não tivesse tentado fugir anteriormente. – Oi!
- Oi, Nick! – Tentei ser simpática.
- Você está muito bonita. – Ele tentou disfarçar pra me medir, mas ele não é muito bom nisso.
- Obrigada. – Eu queria elogiá-lo também, mas meu estado de espírito está muito baixo agora pra eu ser capaz de fazer qualquer comentário bondoso.
- O que você vai querer? – Hm, sério que ele quer me pagar uma bebida?
- Não sei se eu deveria aceitar...
- Ah, fala sério, né, Lily! É só uma bebida! – Ele disse descontraído e eu sorri. Eu realmente não pensei que sorriria tão cedo. Valeu, Nick!
- Bom, sendo assim... Eu quero um energético...
- Só isso? – Ele perguntou e eu estranhei sua pergunta.
- Por quê? – Ri – O que você ta bebendo?
- Uma cuba básica...
- Eita, você não era assim... Tsc, tsc, tsc – Brinquei.
- Eu to só começando! – Balancei a cabeça em reprovação. Claro, de brincadeira.
Nick estava muito sorridente, seu sorriso era realmente encantador. Ele estava muito conversativo também.
- E você? Ta fazendo o que aqui sozinha?
- Bom, não estou tecnicamente sozinha... Só vim beber alguma coisa mesmo...
- Ah, entendi... – Ele parou de sorrir.
- Não! Não foi isso o que eu quis dizer...
- Não, tudo bem, vocês deram certo pelo menos.
- Definitivamente não, Nick. – Eu ri, não me perguntem por que. – O “tecnicamente” não sozinha é porque o pessoal está lá e eu aqui, mas eu estou com eles, entendeu?
- Ah ta, agora sim.
- E você?
- Bom, estou com um pessoal também. Algumas pessoas você não conhece ainda... Mas a Emy foi mostrar onde era o fumódromo pra eles e não voltou mais. To só esperando...
Confia: sempre tem uma “Emy” pra estragar qualquer coisa, até um simples diálogo com uma pessoa muito especial, com quem você não falava há muito tempo.
- Ah... – Engoli em seco – Bom, boa espera pra você, eu acho que vou voltar para a “minha turma” – fiz aspas com as mãos.
- Mas você nem bebeu seu energético...
- Ah, eu sei que você vai se virar bem com ele... – Ele concordou com certo pesar nos olhos, mas um sorriso no rosto.
Não pude deixar de perceber a secada que ele me deu enquanto eu levantava. Parecia aqueles véios tarados que ficam sentados na porta dos botecos. Provavelmente era a vodka já correndo por suas veias.
Encontrei-me com a Fany, seu namorado e o Chace.
- Lily, vem comigo lá no armário do zelador?
- Pra que? – Realmente estranhei sua pergunta.
- Sujei minha roupa e lá tem tira-manchas...
- Tudo bem.
Saímos do salão e começamos a andar pelo corredor. Paramos em frente à porta.
- Você tem a chave?
- Tenho sim. – e Fany tirou de sua bolsa uma chave.
A garota destrancou a porta, me empurrou para dentro e voltou a trancá-la.
- Fany? O que foi isso?
- Ah, agora entendi... – uma voz atrás de mim disse. Me virei para olhar e havia uma Emily sentada no chão. – Oi.
- Vocês vão ter que resolver essa situação. – disse a voz da coreana do outro lado da porta. – Só vou soltar vocês quando fizerem as pazes.
Comecei a bater na porta.
- Não adianta. Ela não vai abrir.
- Como você sabe?
- Eu ofereci até dinheiro para eles.
- Eles?
- A Mandy também está nessa. Ah, e o Chace também.
- De repente todo mundo virou traidor? – me sentei no chão também. Emy e eu ocupávamos todo o chão do armário.
- Não precisa dar indireta. Estamos sozinhas, Lils.
Não respondi. Achei melhor analisar minhas unhas. Fiquei entediada e resolvi pegar o celular e tive a brilhante ideia de ligar para o Adam vir me tirar de lá.
- Não adianta. Eles tiraram os chips dos nossos celulares.
- Como?
- Sei lá. Se não acredita em mim, tenta ligar pro Adam. – Como ela sabia que era pro loiro que eu ia ligar? Tentei. Eu estava sem linha.
O ambiente estava pesado, até o ar parecia estar mais denso. Ficamos mais ou menos uma meia hora sem falar nada. Me assustei até com um suspiro de Emy. A loira viu que eu pulei e começou a dar risada, me juntei a ela.
Parecíamos duas idiotas rindo. Por que riamos? Não sei...
- Você estragou tudo. – ela disse ainda rindo.
- O quê? – parei de rir. Ela fez o mesmo.
- Eu ia dizer uma coisa séria e você se assusta com um suspiro?
- Então não devia ser tão importante... Se um suspiro te parou...
Ela respirou fundo, como que percebendo que fazer com que eu me convencesse de suas desculpas não seria tão fácil como foi com o Adam, aquele loiro estúpido.
- Olha, a gente ta aqui presa a quase uma hora. Não vão nos soltar se não resolvermos de vez esse assunto.
Ela me esperou dizer alguma coisa, mas eu nada falei.
- Olha, eu não quis que nada disso acontecesse.
- Ah, por favor... – cruzei os braços.
- É sério, Lily. Eu não queria que vocês dois terminassem. Eu realmente não queria.
- Você é tão hipócrita...
- Não sou. Eu sempre achei que vocês dois formam o casal mais perfeito do mundo, mas aquilo simplesmente aconteceu. E eu tentei esquecer de tudo, mas você descobriu e se afastou e aí o Nick começou a se aproximar de mim, com pena por eu estar sozinha e...
Revirei os olhos. Vê se pode? Ela realmente estava tentando me convencer de que ela era a vítima?
- Ele nunca quis te deixar, Lily. E quando você terminou com ele, ele ficou muito mal. Até começou a beber...
- Culpa sua.
- Eu não botei nenhuma garrafa na boca dele. O Nick já é grande o suficiente para tomar as próprias decisões. E você também não estava ajudando ficando assim tão próxima do Adam. – impressão minha ou tinha uma pitada de ciúmes na última frase da loira?
- Agora a culpada sou eu? Você se apaixona pelo meu namorado, rouba ele de mim, parte o coração do melhor amigo e a culpada sou eu?!
- Eu não disse isso. Eu assumo a culpa toda.
- Bom, você conseguiu o que queria, tem o Nick todinho pra você.
- Eu nunca tive o Nick. Ele sempre foi seu. – revirei os olhos novamente.
Emy suspirou e abaixou a cabeça. O silêncio voltou a reinar sobre o armário. Eu queria ser daquelas que faz escândalo, que discute em voz alta, mas essa simplesmente não era eu. Quanto mais raiva eu tinha da situação, mais calma eu conseguia ficar.
- Desculpa. – disse Emy, levantando a cabeça.
Fiquei chocada. A loira odiava pedir desculpas. Ela dificilmente admitia que estava errada e quando o fazia, nunca se desculpava. Mas numa situação dessas era o mínimo que ela podia fazer.
- Eu estraguei tudo, eu sei, mas juro que eu não queria. – Lágrimas já saíam de seus olhos azuis. – Eu sinto muita falta da minha irmã e eu sei que não tem como tudo voltar a ser como antes, mas eu só queria que você soubesse o quão arrependida eu estou. Eu fui uma cretina, traíra, safada, vadia e eu sinto muito. Eu realmente sinto. Eu não tinha falado com você até agora porque eu estava morrendo de vergonha. O que eu fiz não foi legal. Eu nunca devia ter feito isso com a minha melhor amiga, mas eu só quero que você saiba que não tem nenhum dia que eu não sofra por ter acontecido. E...
Ela afastou as lágrimas dos olhos. Até eu estava com vontade de chorar. Dava para ver no olhar da garota que ela realmente estava sofrendo com a história toda. Eu pensei que vê-la sofrer fosse fazer eu me sentir melhor, mas foi muito pelo contrário, abriu um buraco no meu coração.
- Não importa o que aconteça com nós duas depois que sairmos desse armário, mas, por favor, Lily, fala com o Nick. Vocês dois tem muito que conversar. Ele te ama demais e não sei se algum dia vai conseguir esquecer você. Você é a única na vida daquele menino.
Eu não conseguia responder. Tinha tantas coisas na minha cabeça nesse momento. Mas por incrível que pareça, Nick não era nenhuma delas. O assunto era a Emy. Ela sempre fora minha melhor amiga, eu a considerava uma irmã... Eu não sabia se algum dia eu a perdoaria, mas ela parecia tão arrependida e...
- ... Promete que vai falar com ele?
- Quê? – eu estava tão presa em meus pensamentos que tinha parado de ouvir as desculpas da garota.
- Promete que vai falar com o Nick?
- Ele não tem nada a ver com o assunto.
- Sério? Eu pensei que tinha...
- O problema aqui é você ter se apaixonado por ele...
- Já está ficando chato repetir que eu não quis que isso acontecesse. Eu não mando no meu coração. E eu acho que eu queria tanto ter uma coisa como vocês tinham que acabei achando que só aconteceria se fosse com ele, mas eu estava enganada. Eu não precisava do Nick, eu só precisava de alguém para ser meu Nick, sabe, para ser meu melhor amigo, meu namorado, meu companheiro... E ele estava debaixo do meu nariz...
- Ele quem?
- Quê?
- Ele quem?
- Ele quem o que?
- Para de me confundir, menina! – ela riu e eu sorri também.
Ela se levantou, pulou minha perna e começou a bater na porta.
- Socorro! A gente ta presa! Pelo amor de Deus, tem alguém morrendo aqui dentro!
- O que você ta fazendo?
- Eu já falei tudo o que eu tinha pra falar. Pra que ficar sentada te esperando aceitar minhas desculpas se isso nunca vai acontecer?
Foi a minha vez de abaixar a cabeça. Ah! Meus pensamentos estavam cheios, mas resolvi ignorá-los e tomei coragem de desabafar também.
- Calma, Emy... Não é bem assim que as coisas funcionam... - Ela parou de bater na porta e se voltou para mim novamente. - Você não é a única que está se sentindo mal com tudo isso e eu sei que você tem noção disso, mas já que a gente vai ficar aqui por muito tempo, eu também quero usar o meu direito de falar.
- Claro, Lils. - Ela sorriu com serenidade enquanto voltava a se sentar - Foi mal nem ter tentado te ouvir... Pensei que você não quisesse falar...
- Ah, minha amiga, você acha que eu ia perder essa oportunidade? - Rimos juntas, mas eu sabia que no fundo ela temia o que eu tinha a dizer. - Bom, eu sei muito bem que você não manda no seu coração e blábláblá... Mas em que lugar desse seu coração eu estava o tempo todo? Agora você ta aqui, chorando arrependida, e ao contrário do que eu imaginei, eu não me diverti te vendo sofrer, mas você foi muito egoísta desde o começo disso tudo, e todos saíram perdendo... E eu nunca na minha vida pensei que pudesse sentir essa coisa tão ruim me arrebentando por dentro, eu espero, Emy, do fundo do meu coração, que você nunca seja traída, porque essa é a pior sensação que um ser humano é capaz de sentir. Quero dizer, pelo menos foi pra mim a experiência mais dolorosa que eu já tive que enfrentar.
Eu não chorava e não entendo o porquê, mas talvez seja porque a ferida é doída, mas já está cicatrizada.
- Ta tentando fazer com que eu me sinta pior? Ta conseguindo... - ela ironizou.
- Não, Emy... Longe disso! Eu ouvi como você se sente, agora estou contando como me senti... Sem ressentimentos...
- Claro, sem ressentimentos...
É obvio que havia ressentimentos, mas nos devíamos passar por cima disso... O silêncio mais uma vez tomou o lugar, mas eu o afastei assim que tive coragem.
- Fala sério, né, Emily, sua cabeçuda, de onde você tirou que eu aceitar as suas desculpas seria uma coisa que "nunca iria acontecer"? - Eu pensei alto, rindo, e evidentemente ela não sabia como agir.
- Então você aceita as minhas desculpas? - Ela questionou um pouco mais animada.
- Claro, cabeção! - Não conseguíamos conter nossos sinceros sorrisos enquanto nos abraçávamos.
- Eu senti sua falta. - Dissemos juntas e rimos em seguida.
- O verde é meu, o tapa é seu! - Não tive nem tempo de reação, Emy já havia atingido a minha cabeça com um tapa.
- Taí uma coisa que não me fez muita falta... - Eu disse e mais uma vez nós rimos juntas. Não sei se a gente estava mais besta do que o usual ou era só a saudade uma da outra mesmo.
- Eu soube do Mário!! - Ela disse repentinamente, como se fosse algo que ela não podia esquecer de falar.
- Ah, nem deu em nada...
- Por quê?
- O Adam veio com uma ideia de que se eu ficasse com ele, eu ia acabar deixando ele de lado... Aí eu resolvi esquecer o gostoso do Mário, pela amizade do Adam...
- Vocês não tinham ficado ainda quando o Mário pediu pra ficar com você, né?
- Não, ainda não...
- Então, se eu conheço aquele loiro safado, ele já estava com segundas intenções com você.
- Não sei... Acho que não... A única pessoa com quem ele sempre teve segundas intenções foi você, Emy!
- Ah, nada a ver, Lils! Às vezes ele brincava diferente comigo porque você tinha namorado! Ele não ia falar aquelas besteiras pra você, né?
- Até parece!!! - Falei já rindo da ingenuidade daquela jovem pimpante. - Hm, ficou sem grace, né?
Até zoando com a cara dela eu já estava. Eu me sinto muito "eu" ao lado dela, é algo muito natural, por mais que seja estranho... Por um momento eu até já havia esquecido porque havíamos brigado.
- É muito louco tudo isso... O Adam Beaumont, nosso irmão, gostava mesmo de mim? - As palavras saíam de sua boca com uma pitada de descrença.
- Com toda certeza!
- E não foi nem um pouco estranho pra você, Lils? Você sabe...
- O que? Ficar com o loiro?
- É...
- Ah, no começo foi muito estranho! Como se eu tivesse cometendo o pior de todos os pecados já cometidos na face da Terra, mas agora...
Ela riu de leve e perguntou:
- Agora o que, Lily? Começou, termina! Quero saber de tu-do.
Eu ria de sua reação.
- Tudo, tudo mesmo? - Perguntei maliciosa.
- Principalmente isso! - Ela respondeu tão maliciosa quanto eu e, mais uma vez, rimos juntas.
- Ai, fiquei com vergonha agora...
- Ah, pra cima de mim não, né?
- Ta, foi estranho no começo, mas ele fez com que aquilo deixasse de ser estranho muito rápido... Ele é muito atraente, você e o resto do mundo sabem disso... E ele usa isso muito bem, simplesmente irresistível...
- Hmm... E como vocês se aproximaram desse jeito... Mais... Mais carnal?
- Ah, Emy... Ele tava carente, eu também... Mais eu do que ele, né, por motivos óbvios, e aí ele tinha dado umas brexas e logo depois a gente viu você e o Nick se beijando, e eu não vou negar, fiz só por raiva do Nick mesmo. E depois, a gente se conhece muito bem, numa situação dessas é difícil não confundir as coisas...
- Eu te entendo, eu também confundi as coisas, eu acho... Me precipitei, me iludi... Fui bem tolinha, devo admitir.
- E bem vaquinha também, né? - Eu falei brincando, por mais que fosse verdade, e ela levou na brincadeira também.
- Ah, que venham as piadinhas! - Ela abriu os braços como quem se rendia.
Ok, vamos aos fatos: Eu queria, do fundo do meu coração, estar com raiva da Emy ainda. Meu plano era nunca mais falar com ela, mas quem eu to tentando enganar, fingindo que sua amizade não é essencial pra mim? Ela errou, eu errei, o Adam errou e o Nick também. Somos seres humanos e errar é com a gente mesmo, mas perdoar também!
- Ta, agora como que a gente avisa aqueles cretinos que estamos prontas pra sair daqui?
- Pois é, loira... Eles levaram nosso único meio de comunicação...
- Ah, é sua vez de bater na porta e ficar gritando...
Obedeci. O que é certo, é certo.
Chamei vários nomes, gritei algumas coisas bizarras, até demos umas risadas, mas nada de alguém aparecer. Me rendi, me jogando no chão novamente:
- Cansei... Daqui a pouco alguém aparece...
- Ah, tudo bem, Lils... Relaxa aí...
- Eu queria que o Nick tivesse aqui pra me fazer uma massagem... Ele faz massagem muito bem... Ele já fez em você? - Perguntei por pura curiosidade. Eu sei, sou muito troxa, e minha pergunta foi pior ainda.
- Não, não fez, não... Pode ficar despreocupada. Aliás, a gente não fez quase nada demais... - Ela meio que ria de mim. Cretina! Tudo bem, desta vez passa. Haha.
- Besta! Entretanto, fico feliz em saber! - Eu não ia mentir, né? - Emy, eu te amo, mas... Nossa, sinto tanta falta dele, você podia ter escolhido qualquer outro namorado meu! - Eu falei brincando e ela me acompanhou.
- Ai, Lils, isso parte o meu coração... Eu já pedi desculpas, você já aceitou, mas acho que só vou me sentir bem mesmo quando vocês voltarem... Ele também sente muito a sua falta!
- Pior que ele tem sido muito legal comigo esses dias e agora eu paro pra pensar e vejo que eu fui uma cavala com ele, coitado...
- Ele acha que você e o Adam estão em um relacionamento super sério...
- Aff, nada a ver... Eu e o Adam somos muito bons amigos... Quando a gente ficava junto não era mais Lily e Adam, era apenas um homem e uma mulher, sabe?
- É, eu não entendi não, mas eu sei que é do Nick que você gosta e...
A porta foi aberta com uma puta duma estupidez e ainda bateu na cabeça da Emy. Tenho a leve impressão de que a cabeça dessa menina atrai os objetos.
- Ai, caralho! - Emy disse levando a mão a região atingida.
Era o Chace na porta, então ela continuou:
- Precisava dessa estupidez? – Massageando o couro cabeludo. - O que foi que aconteceu?!
Ele respirou fundo e perguntou:
- Fizeram as pazes?
- Sim!
- Ta, então eu devo informar que ta rolando o maior quebra pau lá fora, talvez seja até melhor vocês ficarem aqui...
- Como assim, Chace? - Questionei.
- O Adam e o Nick tão achando que isso aqui é o UFC!
Emy riu e eu quis nocauteá-la, por mais que a piadinha tenha sido engraçadinha.
Não deu tempo de muita coisa, levantei imediatamente e segui guiada pelo barulho de toda aquela confusão com os dois loiros logo atrás de mim.
Quando chegamos lá, logo nos intrometemos na roda. Tentávamos inutilmente separar aqueles dois. Nick e Adam estavam cegos pelo ódio, ciúmes, raiva e embriaguez.
- Adam, para com isso, por favor! - Eu estava bastante assustada e Adam não ajudava.
- Eu vou matar esse filho da puta! - Ele gritava.
- Vem então! Vai ficar se escondendo atrás da mulherzinha? - Nick disse se livrando de Emy facilmente.
- A única mulherzinha aqui é você! - Adam disse e Nick partiu pra cima de Adam, mas eu não me intimidei, e Emy tentou segurar Nick novamente.
- Me larga, Emy. Eu não quero te machucar.
- Só tenta machucar ela pra você ver o que te acontece!
- Você não vai fazer nada, como você não fez até agora! Quem ta sangrando aqui é você!
Adam tentou ir para cima de Nick novamente, mas desta vez eu estava, ainda entre os dois, virada completamente para Nick, e o loiro meio que me empurrou pra cima dele. Quase fui esmagada.
- Parem, vocês dois! - Emy gritou enquanto eu era esmagada.
Tomei forças, empurrei Nick e tentei mantê-lo àquela distância enquanto Emy tratou de cuidar de Adam.
- Aproveita aí enquanto você pode! Você sabe que quando isso acabar as duas ainda vão vir atrás de mim.
Isso foi a gota d' água para Adam. Ele foi com tudo dessa vez e se não tivéssemos saído da frente a tempo, teria sobrado pra gente.
A pancada foi tão forte que Nick foi ao chão. Não demorou muito para o quadro da briga se inverter e assim aconteceu algumas vezes até intervirmos de novo. Como ninguém estava fazendo nada? Aqueles dois iam se matar!
Kevin e Chace vieram para nos ajudar, porque evidentemente, mais um segundo ali, seriamos as próximas a serem socadas e só assim conseguimos separá-los e levantá-los do chão, mas ainda assim não paravam de discutir:
- Não foi bem isso que a Lily disse ontem a noite.
Adam parecia estar dedicado apenas a insultar Nick, que era segurado por Kevin com muito esforço agora.
- Você tinha razão, ela é muito gostosa! - Se não fosse Chace ter largado Adam para segurar o Nick também, uma tragédia teria acontecido.
- Lava a sua boca pra falar dela!
- Ah, é... Ela usa a boca muito bem também!
Adam estava sendo um estúpido, mas eu estava tão horrorizada e eles tão bêbados que eu não estava nem levando em consideração.
- Cara, adoro o jeito que ela rebola em cima do meu...
Algo inédito, graças à Oriximiná, aconteceu. Se ele tivesse terminado o que ele estava prestes a dizer, quem ia bater nele seria eu!
Emy foi pra cima do loiro! O beijou com vontade, só assim para ele calar a boca. Eles perderam totalmente a noção e, como não paravam de se beijar, começaram a ser ovacionados pelo público que assistia a briga, deixando eu e Nick um tanto quanto constrangidos, apesar de eu estar muito feliz, principalmente pelo Adam, por dentro.
- Já podem me soltar, caralho! - Nick estava uma pilha! Ele se soltou dos dois e foi em direção à saída do salão do campus, fui atrás dele. Era a minha chance.
O encontrei sentado na calçada, umas duas ruas à frente, onde a música do salão já não alcançava. Essa é uma das coisas que eu adoro nele, ele gosta do silêncio e da tranquilidade tanto quanto eu.
- Nick! - Ele se virou pra mim enquanto eu me sentava ao seu lado - Ta tudo bem?
- Ta... - Ele respondeu e se voltou para frente novamente.
- Não ta não, Nick. Você ta todo machucado... - Eu falava analisando os ferimentos em seu rosto, um corte em seu supercílio sangrava bastante.
- Para, Lils. Você vai se sujar, daqui a pouco passa... - Ele tirou a minha mão de seu rosto com delicadeza, mas eu sentia certa aspereza em suas palavras.
- Não vai, não. E você não pode ficar sangrando desse jeito, você sabe que você tem...
- Diabetes, eu sei! Esse não é o meu maior problema...
- É sim... - Voltei a analisá-lo, agora passava a mão por sua mandíbula. - Dói aqui? - Apertei.
- Ai, ai! - Ele reclamou enquanto se esquivava.
- Vai ficar roxo... E, Nick, isso não vai parar de sangrar! - Aquilo realmente me preocupava. - Você ta com frio?
- Um pouco...
- Ah, mas você vai ter que tirar a camisa.
Falei já o auxiliando a tirá-la, ele tava tão grogue que nem se opôs. Coloquei a camisa dele sobre seu ferimento que sangrava muito.
- Vamos pra casa! - Falei já em pé, tentava puxá-lo pela mão.
- Eu não quero ir com você... - É, ele evidentemente estava bravo comigo, o porque eu não sei...
- Vamos, Nick. - Agachei para ficar a sua altura - Deixa eu cuidar de você... - Falei automaticamente acariciando seu rosto.
Ele sorriu e sem dizer nada se levantou e foi andando na frente, mas logo me deixou alcançá-lo, não falou comigo, mas me deixou andar a seu lado.
Ainda bem que a república não era tão longe dali. Quando chegamos, pedi que o garoto fosse tomar um banho, mas ele estava tão cambaleante que fiquei com medo que se machucasse mais ainda, então o pus debaixo do chuveiro e o ajudei.
Nick estava mudo, não sei se era por causa da bebida ou se ele estava realmente zangado comigo, mas descartei essa possibilidade, já que ele me deixou tirar sua roupa e colocá-lo embaixo do chuveiro. Ele provavelmente estava naquela fase "deprimida" da embriaguez, já que enquanto a água caía sobre sua cabeça, pude perceber lágrimas rolando junto com a água. Aquilo com certeza foi o que mais me deixou triste também. Tive vontade de agarrá-lo ali mesmo e prometer fazê-lo feliz pra sempre.
Enrolei-o em uma toalha e o deixei sentado em minha cama enquanto eu ia até o seu quarto buscar uma roupa pra ele. O vesti em seu pijama e peguei a maleta de primeiros socorros.
- Ai, isso arde! - Ele finalmente se manifestou.
- Calma, já vai passar.
E então ele se calou novamente. Resolvi puxar conversa enquanto fazia um curativo.
- Você ta chateado comigo? Eu te fiz alguma coisa?
- Na verdade, eu estou sim...
- Terminei. - Sentei-me ao seu lado para ouvi-lo.
- Sabe qual foi o golpe que mais doeu de todos que eu recebi do Adam hoje? - Ele nem esperou eu tentar responder. - Foi o que ele falou de você. Dói mais que tudo saber que você se deitou com ele!
- Nick, eu...
- Você o que, Lily? Nada do que você disser vai mudar o que já ta feito! E eu tive que ouvir tudo calado, porque ele não tava inventando! Vocês realmente ficaram juntos e não deve ter sido só uma vez!
- Nick, é melhor a gente dormir e conversar amanhã...
- Por que não agora? Por que eu to bêbado? É, estou um pouco alcoolizado, mas totalmente consciente, o que te impede de conversar comigo? É por que eu não sou mais nada seu, é isso?
- Nicholas!
- Me diz!
- Cala a boca!
- O que?
- É, só fica quietinho...
- Como você...
Resolvi seguir o método politicamente correto da minha sábia amiga Emy de como calar uma boca.
Meu Deus, como eu sentia falta daqueles lábios! E aparentemente ele também sentiu falta dos meus. Nos beijávamos com muita vontade e logo eu já estava deitada com Nick sobre mim, mas ele começou a passar a mão em minha coxa e percebi que era hora de parar. Eu não devia nem ter começado isso.
Ele respirava fundo e me olhava bem no fundo dos olhos. Não dissemos nada.
Levantei da minha cama e fui ao banheiro tirar a maquiagem e tal. Será que depois de tudo o que aconteceu, as coisas poderiam mesmo voltar ao normal?
Quando saí do banheiro, Nick já estava em sono profundo. Resolvi dormir na cama da Emy e sonhar com aquele cara que estava há poucos metros de distância ao meu lado.
Capítulo 16 "Give a little time to me or burn this out,
We'll play hide and seek to turn this around,
All I want is the taste that your lips allow,
My, my, my, my, oh give me love." - Ed Sheeran
ADAM’S POV
Wow! Da onde tudo aquilo saiu?
Eu estava puto e de repente a loira me beijou! Eu devia ter ficado puto antes. Eu não conseguia parar de beijá-la. Ela poderia ir embora se eu parasse e isso eu não queria. O pessoal ao redor assoviava e torcia e eu não pude deixar de sorrir, foi aí que ela se afastou.
- Bom, é isso aí. – e começou a andar para longe de mim.
Fui atrás dela. Ela não ia conseguir fugir tão fácil. Consegui alcançá-la quando já estávamos em um dos corredores da escola.
- O que foi aquilo, Adam? Como aquilo aconteceu?
- Não sei. Foi você que me beijou! – ela segurou um sorriso.
- Não to falando disso. Estou falando de você e do Nick...
- Você não pode por um segundo esquecer desse cara? – ela revirou os olhos. Era sempre o Nick... “Nick” pra cá, “Nick” pra lá...
- “Esse cara” era seu melhor amigo!
- Era!
- Ah, eu não vou discutir com você.
- Então me beija.
- Você ta bêbado.
- Como se isso fizesse diferença pra você.
- Você ta sendo um imbecil. – ela voltou a andar.
Peguei no braço dela e a puxei para os meus. Olhei no fundo dos olhos azuis da loira. Eu nunca tinha conseguido esquecê-la. Agora ela estava tão perto...
- Me beija. – pedi mais uma vez.
- Eles já foram embora. – apareceu o Chace no corredor. Alguém tinha que atrapalhar.
Ela conseguiu sair dos meus braços.
- Fala pra Mandy que eu vou pra casa dela. Você, loiro, vem comigo.
Opa! Eu ia me dar bem!
Mas quando entrei no carro, apaguei. Só lembro de ter aberto os olhos dentro de um elevador. Fechei-os de novo e quando voltei a abri-los, estava num lugar desconhecido. Eu já estava sem minha camiseta e calça.
- Ah, eu disse para você entrar no chuveiro. – disse a loira aparecendo na porta do banheiro. Percebi que estava parado de frente para o box.
- Desculpa. – entrei debaixo da água fria. – Cacete!
Ela riu e voltou para sei lá onde ela estava antes.
Fiquei sentindo a água fria cair sobre mim e acabei me acostumando com ela. Fechei o chuveiro quando já estava me sentindo melhor da bebedeira. Comecei a procurar a toalha, mas não achei nenhuma e quase me sequei com o piso do chão, mas a loira apareceu.
- Procurando isso? – ela parecia estar se divertindo.
- Obrigado. – comecei a me secar.
- Olha, umas roupas limpas. – ela colocou-as em cima da pia.
Me abaixei para secar as pernas e o vômito subiu, sujei praticamente o chão inteiro do banheiro.
- Merda!
- Relaxa. Na primeira gaveta tem escova de dente nova e na porta da direita tem anticéptico... Eu vou buscar um pano.
- Deixa que eu te ajudo. – quando ela voltou eu já estava bem melhor. Limpamos tudo direitinho. Se a faculdade não desse certo, poderíamos abrir uma empresa de limpeza.
- Vai para o quarto que eu já vou para lá em um minuto.
Obedeci. É, acho que eu ia me dar bem...
Me sentei na cama e esperei. Emy apareceu por lá com uma maletinha de primeiros socorros e um saco de gelo. Ou ela achava que eu tinha fetiche por enfermeiras ou eu não ia me dar bem mesmo. A garota sentou-se ao meu lado.
- Vocês não deviam ter feito isso... – e colocou meu cabelo para trás, analisando meu rosto. Comecei a me aproximar mais do rosto dela, quando estava quase encostando meus lábios nos seus, ela disse:
- Agora não, Adam. – e colocou o saco de gelo no meu queixo. Ficamos em silêncio por um tempo.
- Hey, falando em gelo... – eu não gosto de silêncio. - Sabe quanto pesa um urso polar?
- Não. Quanto?
- O suficiente para quebrar o gelo.
Ela começou a rir.
- Viu? Deu certo.
- Você é besta.
- E sexy. Não esquece do sexy. – ela sorriu e revirou os olhos.
- Passa essa pomada na barriga e nas costelas. Você levou muitos socos aí... É para roxos e tals...
- Eu não preciso disso. Não apanhei muito.
- Claro que precisa. Não é necessário fazer pose de machão pra mim, loiro.
- É sério, não preciso. Quem é o doutor aqui?
- Ninguém. Você não se formou ainda.
- Não acredito que você teve a coragem de dizer isso em voz alta! – ela riu. – Você é tão má...
Ela abriu a pomada, colocou um pouco em seu dedo e começou a passar na minha costela. Como ela sabia exatamente onde estava doendo?
- Você veio reclamando de dor nas costelas no caminho pra cá. – ela me respondeu. Ela sempre fazia isso. Sempre adivinha o que eu estava pensando. – Agora deita e vê se tenta dormir.
Fiz o que ela disse, mas não fechei os olhos, continuei encarando a loira. Emy sentou-se ao meu lado e tirou o saco de gelo das minhas mãos.
- Por que o Nick e não eu? – perguntei. Ela suspirou.
- Amanhã a gente conversa.
- Pensei que você não quisesse conversar porque eu estava bêbado. Agora eu já estou consciente o suficiente para a gente conversar.
- Adam, amanhã é melhor.
- Então me beija.
- Não é assim que funciona...
- Por que você me beijou hoje?
- Amanhã...
- Que se foda amanhã, eu quero saber hoje.
- Descansa. Amanhã a gente conversa. Boa noite. – e beijou minha testa.
- Era um pouco mais pra baixo que eu queria meu beijo de boa noite.
Ela sorriu e beijou meu nariz. Depois apagou a luz do abajur e consegui senti-la levantar da cama e ouvir o som da porta do quarto encostando. Apaguei.
(...)
- Nossa, mas você é bem gostoso mesmo, né? - Mandy me media... Ah, já entendi! Ereção matinal, não é minha culpa, eu não posso evitar.
- Gostoso é o Kevin, Amanda! Já viu aquela bundinha? - Ela continuava a me olhar... - Ei, olha pra mim enquanto conversamos!
- Mas eu to olhando pra você...
- Mas não pra esse "eu"... Ah, eu tenho um rosto bonitão também, não deve ser tão difícil...
- Eu sei, é que isso ta muito chamativo e... Você me conhece!
- É, já ouvi muitas coisas sobre você...
Ia saindo da sala em direção a cozinha. Era minha primeira vez naquela casa, mas eu já sabia onde estavam todos os cômodos. No caminho perguntei sobre a Emy.
- Cadê a loira? - gritei.
- Ela foi comprar...
E a porta se abriu. Era Emy com algumas sacolas.
- Bom dia... - E ela olhou pra mim. - Adam, mas o que é isso?? - Ela tapou os olhos com uma das mãos.
Resolvi dar uma ajeitada.
- Vocês são muito exageradas, não é pra tanto... - Oh yes, baby! Não sabia que eu era super dotado.
- A única coisa exagerada aqui é o tamanho do seu pinto! Pra que tudo isso, menino? - Mandy veio dizendo.
- Ora, ora, ora... Se não é a cara metade do Kevin! - Eu disse e Emy riu.
Sentamos à mesa e as mulheres me serviram. É, to gostando disso aqui...
- Nenhuma dor mesmo? Mas isso é impossível! Você apanhou mais do que a minha mãe apanhava do meu pai! - Mandy disse rindo, mas nos mantivemos sérios. Isso explica alguns comportamentos dessa menina... - Pode rir, gente! É que mamãe é meio sadomasoquista, ela gostava de umas porradas durante, vocês sabem... - Ela ainda ria como se fosse engraçado. - Enfim, você apanhou bastante, Adam!
- Claro que não, pelo que eu me lembro foi uma briga super equilibrada. E é, estou com algumas dores aqui do lado... Mas daqui a pouco passa...
- E nenhuma dor de cabeça, nada? - Foi a vez de Emy questionar.
- Não! Ressaca é coisa de maricas!
- Desculpa aí, machão!
(...)
- Nossa, já ta na hora do almoço! Vamos voltar pra república, Adam? Estão esperando por nós...
- Vocês querem uma carona? Aí eu aproveito e falo com o Kevin, ela vai me ajudar num trabalho...
- O Kevin ajudar em um trabalho? - Ri sozinho. - De moda, ainda por cima, conta outra, Amanda! Admite que quer ver ele.
- Eu? Querer ver alguém? Até parece... Vão querer ou não?
- Vamos logo, Mandy. - A linda Emily respondeu.
Quando descemos do carro, Emy começou a me atualizar:
- As coisas parecem estar bem quentes por aqui. A Lily ta se escondendo do Nick, porque ela quer que conversemos nós quatro juntos primeiro...
- Que??
- Também não entendi...
- E nós, quando vamos conversar?
- Nós quatro primeiro... Depois cada um resolve o seu assunto...
- Mas isso não é justo... - Fiquei pensativo por um tempo - E eu precisava falar com a Lily antes...
Não deu tempo de terminar, assim que entramos, Lily correu até nós.
- Pensei que viriam só na hora do jantar!! Tive que ficar no quarto da Penny até agora, mais um minuto lá e não me restaria mais nenhuma dignidade! - Emy e eu rimos de seu comentário.
A Lils é de fato bem engraçada. Queria perguntar se estava tudo bem entre a gente, mas seria no mínimo controverso perguntar isso na frente da loira. E Nick logo apareceu pra estragar também...
- Lilian! Onde é que você tava? - Ele parecia um pouco irritado.
Ele estava sem camisa e pude ver que ele não estava todo roxo naquela região como eu, mas pelo menos eu não tinha nenhum curativo no meio da cara...
- Aqui, Nick... - Ela sorria descaradamente.
- Oi, Emy... - Ele sorriu para a moça e nem olhou pra mim, voltou a falar com a Lily. Aquilo me irritou mais do que se ele tivesse me xingado! Filho da puta! - Como assim "aqui"? To te procurando desde a hora que eu acordei e você não estava em nenhum lugar dessa porra!
- Fala direito com ela! - Me intrometi. Quem ele ta pensando que é?
- Fica na sua! Falou o cara que tava falando na frente de todo mundo que ela rebolava em cima de você!
Eu engoli em seco. Não sabia se era verdade o que ele estava dizendo.
- É verdade isso? - Sussurrei no ouvido de Emy enquanto Nick voltava a falar com Lils.
- Você disse isso e mais um pouco... - Não sabia onde me esconder! Que mancada com a Lils!
- Me desculpa, Lily... É que eu ainda não superei, você sabe o que...
- Tudo bem, Nick. Precisamos conversar. Todos nós - Ela disse olhando para nós.
- Eu não tenho nada pra falar com esse cara...
- Eu que não tenho nada pra falar com você! - Me defendi.
- Gente, para com isso... Já somos bem grandinhos. E se até a Lily conseguiu me perdoar, por que vocês não conseguiriam resolver isso também? - Ai, ai... Ela sempre tem a coisa certa a dizer!
- A gente planejou um piquenique! - Lily anunciou animada.
- Piquenique é coisa de baitola...
- Sou obrigado a concordar.
- Mas, Nick, a gente já fez vários piqueniques!
Ele se constrangeu e eu continuei:
- Não disse?! - Comentei e todos riram, até o boiola do Nick.
As meninas realmente haviam feito as pazes. Elas conversavam e riam das besteiras que falavam como se absolutamente nada tivesse acontecido entre elas. Tenho que confessar que as invejo por isso.
Elas nos guiavam até uma parte meio deserta do campus, o lugar era gramado e, devido ao sol, nos sentamos perto de uma árvore. Elas forraram o chão com uma toalha e colocaram um monte de comida em cima. Emy, Lily e eu conversávamos numa boa, mas Nick estava calado. Só se dirigia a Emy de vez em quando. To pouco me fodendo pra ele, mas aquilo estava se tornando desagradável e Emy começou a falar:
- Ta, agora que a gente já comeu, acho que podemos começar a abrir os nossos corações. - Ela sorria. Seu cabelo ondulado balançava com a brisa, eu sorria só de observá-la. Isso é estar apaixonado?
- Quem começa? - Lily perguntou animada. Ninguém se manifestou por um tempo.
-Nick? - Emy tentou.
- Primeiro as damas...
- Tudo bem. - Ela sorria para ele. - Bom... É... O que eu falo?
- Fala do que você sentiu todo esse tempo... O que você quer que aconteça... Sei lá! - Lils tentou ajudar.
- Ta... Bom, eu me senti muito realizada no começo, mas não demorou muito pra que eu percebesse o grande erro que eu cometi... Eu senti muito a falta de vocês - Ela segurou a minha mão e a de Lily - Mas a gente tem que tirar proveito de tudo, né?
- Hmm... - Interrompi e os outros riram.
- Não desse jeito, seu imbecil! - Ela ria - O que eu quero dizer é que foi bom poder contar com o Nick também, ele me ajudou bastante.
- A gente sabe bem disso... - Comentei.
- Não desse jeito... - Ela hesitou por um instante. - Apesar de que ele ajudou desse jeito também! - Ela riu nervosa enquanto olhava para Lily para ver se ela já estava prestes a atacá-la ou não. Mas ela tava de boa... Até riu junto com a loira... Quem diria! - Mas eu só queria, mais uma vez, te agradecer, Nick. Você mostrou que realmente é o meu melhor amigo e que eu vou sempre poder contar com você.
Seus olhos estavam marejados. Ela o abraçou. Queria não sentir ciúmes, mas eu senti. Quanto a Lily... Ou ela estava fingindo que tava achando tudo lindo ou ela tava explodindo por dentro. Por fora, ela apenas sorria. Tanto eu quanto ela sabemos que não tinha mais nenhuma malícia entre aqueles dois, do mesmo jeito que isso já não existe entre nós.
- Ai, cacete! Não queria chorar! - Ela enxugava as lágrimas que restavam em seu lindo rosto. - Já fiz a minha parte... Quem é o próximo? Adam? - Ela me cutucou.
- A sua amiguinha você não agita, né?
- Claro, girl power, brother! - Ela disse e riu muito, seguida por Lily.
- Que porra é essa, Emily? - Lily questionou aos risos.
- Ela é loira, Lils... Não tente entender...
- Ah, falou o negão-azul, né?
- Negão-azul, não... Eu tenho a cor do pecado.
- Adam, sinto lhe informar, mas você é tão loiro quanto eu...
- Não sou, não! Para de falar isso! - Fiz birra. Cara, eu juro que um dia eu paro com isso.
- Ta bom então, né... - Lily debochava. - Vai falar ou vai ficar enrolando, negão?
- Também sou a favor do cavalheirismo...
- Demorou todo esse tempo pra falar isso? Really, Adam, really? - Ela fingia estar inconformada - Então... Foi bem difícil pra mim também e eu espero que tudo volte ao seu respectivo lugar. - Ela respirou fundo. - Quem é o próximo?
- Ah, assim não vale, Lils. - Nick finalmente disse alguma coisa. Ele estava visivelmente ansioso para ouvir o que a morena tinha a dizer.
- Eu tenho vergonha de falar...
- Para de graça, vai! Você é a mais sem vergonha depois de mim aqui! - Ela riu.
- Você é muito cara de pau, né? Bom, então vou começar por você... Também agradeço por tudo que você fez por mim, você também mostrou ser o melhor amigo de todos, ótima companhia e alguém que ficou o tempo todo do meu lado, ouvindo as minhas reclamações, que agora eu paro pra pensar e percebo que eu reclamo demais mesmo, e talvez a gente tenha se aproximado demais nesse período, mas isso foi só pra nos unir mais. E eu sei que já to falando demais, mas para desfazer essas caras de bunda da senhorita Emily e desse mocinho ao meu lado, quero deixar claro que tudo que aconteceu entre mim e o Adam foram atos inconsequentes que nunca mais vão se repetir, visto que amamos outras pessoas e nascemos para sermos amigos.
- Ta aí uma pessoa que não poupa palavras! Pode respirar agora, Lily! - Emy fez piada e todos riram.
- Eu sei, gente, é que quando eu começo é difícil parar!
- E você para por aí, Lils? - Nick perguntou.
- Não... - Ela hesitou, mas continuou. - Eu sinto sua falta, Nick. Muito. Nunca senti tanta falta de alguém assim.
- Aww, que lindo! - Emy botou pilha.
- Vai se foder, Emy! - Lily disse entre dentes. - Eu nunca quis ficar sem você...
E foi a vez dela de chorar. Nick deixou de tentar fingir que tem o coração de pedra e a abraçou. Abraçando-o ela chorou mais. Ele chorou também que eu vi... Vai ser nosso segredinho.
Mas... Qual é? Todo mundo só vai chorar pelo Nick aqui? Brincadeira!! Mas é verdade...
- Depois a gente conversa. - Nick sorriu para Lily. - Quebrando a ordem das "damas primeiro" eu vou continuar, tudo bem pra você, Adam? - As meninas seguraram para não rir. Bitches.
- HA! Nossa, que engraçadinho você...
- Eu acho que eu aprendi muitas coisas com tudo isso que aconteceu e uma dessas coisas é a confiança... Ou a falta dela: faltou confiança na Emy, ela não acreditou nela mesma e se martirizou muito tempo por isso.
- "Martirizou"... Fala que nem homem!
- Cala a boca e fala na sua vez!
- Rapazes...
- Ta, continuando... Aí depois faltou a bicha loira confiar na Emy, e a Lily confiar em mim... Aí depois eu fiz com que vocês perdessem a confiança em mim do mesmo jeito que vocês totalmente me fazem ter dúvidas quanto a vocês. Certas coisas eu simplesmente não consigo esquecer...
Será que ele esqueceu que foi por culpa dele que tudo isso começou? Ele não pode ficar se fazendo de coitado agora...
- Ninguém ta aqui pra esquecer nada, seu idiota... O que passou, passou.
- Você fala como se fosse muito simples...
- E não é simples?
- Se é tão simples assim, por que a gente não sentou e conversou antes, imbecil?
Ta. Eu não sabia o que dizer.
- Ta vendo? Não é tão simples assim...
- Ta, que seja! Eu já perdoei todos vocês por suas respectivas mancadas, porque eu acho que a gente tem que simplesmente virar a página, caramba! Somos amigos ou não somos? A gente já passou por tanta coisa juntos, já planejamos tantas coisas... Será que a gente deve mesmo deixar tudo morrer assim? - Todos ficaram calados. Aposto que estavam pensando nas minhas sábias palavras. - E sim, além de lindo, eu sei a coisa certa a dizer!
- Ah, coitado... - Lily mais uma vez debochou. Vou cortar essa menina qualquer hora...
- Lilian, se não fosse a tensão do momento eu te responderia uma coisa agora... - Ela corou. Nick e Emy se entreolharam provavelmente pensando besteira. Ah, eles estão pensando certo mesmo...
- Para de enrolar, doutor, e diz o que tem que ser dito logo!
- O que é que tem que ser dito, Lils?
- Você sabe muito bem do que eu to falando... Você espera por essa oportunidade há um tempo... - Foi a minha vez de corar. Eu não sou muito bom com essas coisas.
Eu a olhei e ela sorria, mas através de seus olhos eu podia perceber que ela estava apreensiva e isso de fato não ajudava. E se ela dissesse que não me queria nem fudendo, se levantasse e saísse? Com que cara eu ia ficar? Eu não quero que a Lily e muito menos o Nick fiquem sentindo pena do pobre chutado!
- Vai, Adam!
- Não me pressiona, mulher!
- Pode falar, Adam. Seja o que for, eu prometo não levantar e sair andando, você não vai passar vergonha... Relaxa, brother!
- Na moral, que magia é essa que você usa? - Ela ria.
- Na verdade... Acho que você é meio previsível...
- Bom, depois a gente conversa melhor... Mas eu só queria te dizer que ontem você conseguiu transformar todo um dia que estava sendo um pé no saco, em um dos melhores da minha vida, eu só queria te agradecer...
Ela estava visivelmente tímida e não sei como, mas isso a tornava mais linda.
- Imagina, Adam... - Ela sorria - Amigos são pra essas coisas... - Droga!! Tudo o que eu não queria ouvir: "amigos"... Será que vai ser tão difícil assim sair desse nível?
Olhei para Lily por um instante e ela entendeu que eu estava perguntando "E agora?? O que eu faço??" e então ela gesticulou para que eu continuasse.
- Claro... Você é uma ótima amiga, Emy... Mas será que é tão difícil pra você perceber? - Ela engoliu em seco. - Eu gosto muito de você, Emily! Estou totalmente apto a dizer aquelas "três palavras" pra você, mas só não vou fazer isso agora pra não te pressionar... Você me conhece, sabe que eu nunca senti isso por alguém! E eu nem consigo decifrar o que eu estou sentindo, mas eu sei que eu só sinto quando estou com você!
Eu ia parar por aqui... Já me expus demais por hoje.
Pelo visto, ela também resolveu parar por ali. Sem nem começar, já que ela permaneceu quieta e eu não conseguia decifrar o seu olhar.
- Vai, Emily! - Lily me ajudou. Eu não precisava de uma plateia neste momento, mas até que está sendo bem útil...
- Eu... Er... Eu não sei o que dizer...
- Sabe sim, Emy! Fala logo! - Lily continuava. Emy a olhou com aquela cara de eu-vou-te-matar.
- Adam... Fico muito feliz em saber que eu significo tudo isso pra você e você sabe que você é muito especial pra mim, mas... É muita informação pra minha cabeça, então tudo que eu te peço é um pouco de tempo e paciência comigo...
- Qualquer coisa que você precisar! - Tentei sorrir. Na verdade, eu não queria sorrir.
- Vem cá, loiro! - Nos abraçamos. Espero sentir esse perfume com muito mais frequência...
- Ok, está quase tudo de volta no lugar e o sol já está indo embora, acho que está na hora de irmos também... - Lily começou - Eu amo muito vocês, mas temos que nos prometer uma coisa: de hoje em diante não vão mais existir segredos entre a gente, pode ser? - Todos concordamos - E ninguém mais vai cobiçar o homem ou mulher alheio!
- Tava demorando... - Emy comentou e nós rimos.
- Eu te amo, loira!
- Eu também te amo! - Elas se abraçaram. - Vamos passar muito tempo juntas agora! Temos que recuperar o tempo perdido!
- Eu discordo, Emy...
- O que?! - Ele as separou.
- Claro, ué... Ela vai ter que dar atenção pro namorado dela...
Um enorme sorriso se abriu no rosto de Lily. Ta aí uma coisa que eu poderia já ter aprendido com o Nick... Ele tem certa facilidade em fazer as meninas se apaixonarem e ficarem suspirando ao redor dele pelas coisas que ele fala.
O casal se abraçou.
- Arrumem um quarto, vocês dois! - Lily riu.
- Mas a gente só se abraçou, nem fizemos nada...
- Eu sei, gatinha... Mas tudo começa com um abraço... Eu já sei quais são os próximos passos, ainda mais vindo de vocês...
- Pois é, Adam. Tudo vai voltar a ser como era antes, eu voltar a assistir você e o Kevin jogando videogames enquanto esses dois ficam trancados no meu quarto... - O casal se divertia com as nossas queixas.
- Vocês falam como se a gente fosse super tarados e pervertidos, ou algo assim... - Foi a vez de Nick pontuar.
- Exatamente! - Eles riam – E, Emy, eu posso facilmente achar outra ocupação pra você: você ainda pode ir pro meu quarto, mas o Kevin não precisa estar lá e nem o videogame estar tecnicamente ligado...
- Adam! - Ela me deu um tapa no ombro e soltou uma risadinha.
- Isso é um sim, doutor... - Nick esclareceu. Espera... Ele ta falando comigo agora? Nossa, a Lily realmente consegue mudar o humor desse otário... E eu ainda não consigo parar de sentir raiva dele.
- Nicholas! - Ela o atingiu também.
- Ei! Não bate no meu namorado! - Lily brincou.
- Seu o que? - Aquele veado, digo, o Nick, perguntou sorrindo.
- Meu namorado. - Lils encheu a boca pra falar e sorria de volta e foi aí que Nick não aguentou mais se fazer de difícil e a beijou de leve.
- Eu adoro ouvir você dizendo isso... - Esses porras não conseguiam parar de sorrir um pro outro, seria bonitinho se fosse algum desses filmes de garotas que a Emy já me obrigou a assistir, mas na vida real isso é nojento! Pelo menos pra mim... Apesar que... Se fosse eu e a loira no lugar deles, acho que eu pensaria de outra forma...
Capítulo 17 "Young hearts, I believe that we are not far
From becoming who we truly are
Love is on its way
Dreamers, you see everything in color
While the world is getting darker
Love is on this way" - Jonas Brothers.
NICK’S POV
Voltamos para a República conversando e trocando piadas entre a gente. Se não fosse por até mesmo a voz de Adam estar me incomodando, eu diria que tudo estava voltando ao normal.
Eu segurava a mão de Lily e esse simples gesto significava muito pra mim. Eu não via a hora de segurar outras partes... Er... Eu sei, talvez Adam e Emy tenham um pouco de razão, mas é que eu sinto muito a falta dela... E faz muito tempo desde a última vez que... Ah! Por que eu to falando sobre isso mesmo?
Enfim, já estávamos em frente ao nosso alojamento quando a apreensão me pegou de fato. Agora, antes de qualquer coisa, eu teria que conversar com a Lily e ter aquela DR que já está sendo adiada há tempo demais. Eu não sei por que eu quero ter essa conversa, sendo que eu tenho certeza que não vou gostar de ouvir que ela e Adam estiveram transando, mas algo em mim me obrigava a não desistir dessa ideia.
Queria poder pedir uns conselhos para o Adam, mas aí me lembrei que ele é o causador da minha angústia.
- Hm, olha só quem está de mãos dadas! - Kevin estava na sala quando entramos. Não pude deixar de sorrir.
- Cadê a Mandy, Kevin? - Emy perguntou.
- Ai, ai... Que Mandy? Aquela que está perdidamente apaixonada por mim?
- Ah, então quer dizer que vocês dois finalmente se renderam um ao outro? - Comentei.
- Eu? Me render a alguém? Até parece! - Adam riu alto do que Kevin falara.
- Ouvi algo muito parecido hoje de manhã... - Emy riu com ele.
- Vocês são soul mates, cara! - Conclui.
- Foi o que eu disse pra Amanda também! - Fazer o que? Nós ainda temos uma conexão!
- Chama ela de Mandy, Adam...
- Mas eu não sou intimo dela, vocês, bêbados, que são... - Lily riu.
- Você pelo menos já falou com ela... E eu?
- Não se sinta excluída, Lils... Você não ta perdendo muita coisa... - Adam comentou e mais uma vez Lily achou graça.
- Qual é, doutor? Não fala assim dela, seu filho de uma égua!
- Calma aí, Kev. - Adam ria. - Eu to brincando... E a propósito, ela tem um ótimo gosto!
- O que?
- Esquece...
- Ela deu em cima dele, não é? - Ele perguntava para Emy.
- O que você acha? - Respondi. Eu já conheço bem essa garota...
- É, ela chegou aqui falando de como o seu pinto era grande... - Lily riu alto.
- Gente, que baixaria! - Ela comentou.
- Ah, falou a santa!
- Eu sou mesmo, ta?
- Ah, por favor! Em nome de Jesus Cristinho, né, Lils? Essa não cola mais com a gente...
- Cristinho, Kev? Really?
- Qual é? Não se pode mais louvar ao Senhor nessa casa?
- Cara, você vai arder no inferno... - Comentei.
- Vamos, gente? Temos muito o que fazer! - Emy falou.
- É verdade... Vamos lá em cima comigo, Nick?
- Olha lá, Santa Lilian entrando em ação...
- Fica na sua, moleque!
- Ui, nervosinha! Melhor eu tomar cuidado, porque esse seu namorado aí é bem boladão, hein!
- Idiota. - Todos ríamos. Esse Kevin é um palhaço mesmo!
Íamos subindo as escadas quando Lily parou e chamou o Kevin, que voltou a falar sobre o que Mandy havia dito sobre o Adam.
- Kevin, se ela ficou impressionada com o Adam, significa que ela, ainda bem, não conheceu o Nick completamente... - Ela continuou subindo, rindo.
- Você conheceu, né, gatinho? - Comentei e Kevin riu.
- A verdade é que eu estou muito bem servido lá naquele meu quarto... - Rimos mais uma vez.
Lá em cima pudemos ouvir Adam reclamar:
- Vai ter volta, Lilian!
- Você não devia ter desmerecido o pinto do Adam desta forma... - Comentei e ela riu assim que entramos em seu quarto.
Não entendi porque eu fiz esse tipo de comentário, mas tudo bem... Sentei ao seu lado e apenas olhava para frente, vendo seu reflexo através do grande espelho do guarda roupas. Sempre me perguntei pra que um guarda roupa todo espelhado desse jeito, mas agora percebi uma utilidade.
É incrível como essa garota me atrai. Para mim, ela é a mais linda, mais gostosa, mais inteligente, mais legal, mais engraçada e ela era só minha, até agora... Me incomoda saber que outra pessoa que eu conheça também tenha se apossado deste corpo que estou contemplando agora. Pior ainda que tenha sido o Adam esta pessoa... Eu já tinha me esquecido de tudo isso até alguns segundos atrás, mas agora que lembrei não consegui evitar que isso me abalasse.
Ao contrário de mim, ela me olhava diretamente.
- Nick, eu pensei que você quisesse conversar...
- Eu quero...
- Então fala... E pode olhar pra mim também, não sou tão feia assim... - Ela brincou e eu sorri de canto.
- Eu não sei como começar... - Seus olhos já estavam me hipnotizando, na menor deixa, eu já esqueceria todos os motivos que estavam me incomodando naquele momento e a amaria.
- Tenta, pelo menos...
- Ta... Lily, eu... Eu preciso que você saiba que eu te amo muito e, você sabe, nunca tinha me apaixonado assim. Você me faz sentir bem, me traz felicidade e sem você eu pude perceber que eu não chego muito longe. Você é a minha motivação pra tudo e você nunca saiu dos meus pensamentos por mais que eu tentasse. Eu amava ser seu namorado e eu pensei que fosse recíproco, eu seria seu, e você seria minha... - Respirei fundo. Eu realmente não queria repetir aquilo em voz alta. - Mas aí você se entregou pro Adam... - Pude ver o arrependimento em seus olhos, que imediatamente começaram a lacrimejar. - Eu sei, eu fiquei com a Emy primeiro e eu sei que eu te traí e te feri e o escambal a quatro, mas isso não justifica o que você fez, Lily... Eu nunca nem fiquei pelado perto da Emy e no fundo era tudo porque você estava na minha cabeça, se eu fosse pensar com a debaixo, você sabe... Mas não. Eu resolvi respeitar a mulher que eu amo, e o que eu ganho em troca? A minha namorada e o meu melhor amigo transando embaixo do meu nariz! - A essa altura do campeonato eu já havia até esquecido das coisas boas que passamos, só conseguia imaginá-los juntos e isso estava me matando.
- Nick, eu sei que eu perdi completamente a razão a partir do momento em que isso aconteceu entre eu e ele... E eu nem tenho muito que explicar, não sei nem se agora você quer me ouvir mais... Mas eu preciso ser justa e só te pedir que você perdoe o Adam, porque ele não tem muita culpa... Eu fiquei com muita raiva quando vi você e a loira juntos e simplesmente fiquei com Adam pra dar o troco... Soa mal isso, mas... Imagine que você tem uma namorada, mas você termina com ela porque Adam, seu melhor amigo, repentinamente começa a gostar dela e o seu relacionamento vai se desgastando por esse motivo e, de repente, você já está com os dois pés na lama porque Adam e a sua garota se aproximam ainda mais depois da sua separação e Emy, sua melhor amiga e melhor amiga da sua namorada, está o tempo todo ao seu lado, se mostrando uma verdadeira companheira, ao contrário da cachorra da sua namorada que parece nem ter se importado em te perder, já que ela tem o Adam e aparentemente preferiu ficar com ele. Aí, eis que um colega do seu time te chama pra ver a sua namorada e o seu melhor amigo no maior amasso. Logo depois, Emy vem cheia de amor pra dar, te consolando... Eu duvido que você faria diferente! E o Adam ainda tentou resistir, mas eu insisti e ele não aguentou ficar dizendo que aquilo era errado por muito tempo... E isso foi muiito estranho no começo, mas nós nos acostumamos a isso... Por isso se repetiu...
-... Muitas vezes?
- Isso não vem ao caso, mas se você queria saber se a gente ficou junto... Sim, a...
- Já entendi, Lilian! - Interrompi.
- Mas, Nick... Eu te amo. – Olhei-a bem no fundo dos olhos, eu sabia que aquilo era verdade. - Eu só quero o seu bem, mas você tem que me entender também. Você não me pediu desculpas, mas saiba que eu já perdoei você e a Emy. Vocês erraram. Eu e Adam também erramos, mas é errando que se aprende, e eu aprendi que é só com você que eu posso ser feliz! Ao seu lado eu não tenho medo de nada, me sinto forte, me sinto querida, me sinto capaz de fazer qualquer coisa! Fico até dizendo esse monte de coisas melosas que normalmente só passam pela minha cabeça, mas eu nunca tenho coragem de dizer em voz alta. - Ela riu de leve e eu a acompanhei. - Eu mais sofri com isso tudo do que qualquer outra coisa, doía demais te ver com ela e não comigo... E se um dia você desejou que eu fosse mais ciumenta, saiba que eu nunca senti tanto ciúmes na minha vida!
Não pude esconder o meu sorriso ao ouvir isso, eu realmente já pedi que ela fosse mais ciumenta. É, às vezes eu sou meio babaca.
- Então... Será que você também é capaz de superar essa história e me perdoar?
- Lils... - Respirei fundo e permaneci em silêncio.
- Tudo bem, já entendi... - Ela se levantou.
Esperei ela chegar até a porta.
- Lilian!
- O que foi, Nick? Eu já entendi que você não consegue perdoar isso que aconteceu... - Ela começou a chorar. Tive que levantar e ir até ela. - Eu não sei o que eu vou fazer agora... - Ela não parava de falar - Eu nunca vou conseguir te esquecer, mas também não posso ficar aqui implorando que você...
- Lily! - Eu meio que sorria e ela me olhava sem entender - Onde é que você pensa que vai? Quem foi que disse que eu consigo ficar sem você?
Ela ergueu o rosto sorrindo e aquele sorriso faz qualquer coisa valer à pena.
- Nicholas! - Ela me empurrou. - Não me assusta... - Ela disse, já me abraçando. Que saudade de tê-la tão perto. Ficamos um tempo nos abraçando bem forte. - Você me perdoa, então?
- Só se você me perdoar primeiro.
E nos beijamos. Enfiei a mão embaixo de seu cabelo e com minha mão em sua nuca a puxava pra mais perto, como se isso fosse possível. Sorriamos. Beijávamos-nos fervorosamente enquanto eu a conduzia ao caminho contrário da porta. Quando chegamos perto de sua cama, ela se sentou e logo eu fiz com que ela se deitasse.
Tirei a camiseta, porque realmente estava sentindo calor agora. Ela passou suas mãos pelo meu peitoral e abdômen, mas logo passou a arranhar minhas costas enquanto eu erguia uma de suas pernas para mais perto do meu corpo, puxei-a pela coxa com um pouco mais de força e ela riu de leve. Eu alisava sua perna com vontade, mas aquele shorts estava realmente me atrapalhando, eu consegui chegar ao fecho quando a porta se abriu.
- Nick, eu esqueci o que era pra eu... Opa! Acho que não cheguei em boa hora... - Adivinhem? Sim, era o Kevin. Saí de cima de Lily e fui até a porta. - Ou melhor, devia ter chego daqui uns 30 segundinhos, aí você já teria conseguido abrir esse shorts...
- Sai daqui, Kevin! - O empurrei pra fora.
- É sério, cara! O que tem que fazer aqui? - Era sobre o trabalho de matemática que ele devia fazer para recuperar nota. Essa era a terceira vez que eu explicava.
Expliquei mais uma vez, só por cima... Eu sabia que se eu dissesse simplesmente "sai daqui", ele não iria embora.
- Valeu, pegador! Você ta bem gostoso, hein? - Ele passou a mão em mim.
- Sai pra lá, ow!
- Vai lá, safadinho! Não deixa a Lily esperando...
- Idiota!
Eu ia entrando quando ele gritou:
- Não esqueçam da camisinha! Uhul, Santa Lilian em ação!
- Ai, que vergonha! - Tranquei a porta.
- Não liga pro Kevin! - Me reaproximei. - Onde estávamos?
Ela riu e eu tratei logo de beijá-la novamente, eu estava realmente muito feliz. Eu tirei seu shorts, depois sua camiseta, o sutiã e finalmente sua calcinha... Nos divertimos bastante antes daquilo de fato acontecer, minha cueca foi a última peça a ser retirada. Hoje eu estava me satisfazendo, mais dando prazer do que quando ela faz a maior parte do serviço comigo. Brincamos tanto antes de chegar nos finalmente que eu quase não aguentei segurar por muito tempo. Lily não estava escondendo que estava gostando e aquilo me excitava ainda mais, foi realmente difícil esperar que ela atingisse o clímax antes de mim. Mas como homem crescido e não mais um moleque, consegui evitar a ejaculação precoce. E mesmo ofegantes, nem eu, nem Lily conseguíamos parar de sorrir.
- Eu te amo, Lily! - Finalmente tomei ar para conseguir sussurrar em seu ouvido.
- Eu também te amo, Nick.
- Eu to falando sério, Lily. Não é porque a gente acabou de transar, eu realmente te amo! - Ela riu.
- Eu também realmente te amo, Nicholas!
Fiquei namorando seu rosto.
- Você é linda, sabia?
- Por que você está dizendo isso, Nick? - Ela ria timidamente.
- Porque é a verdade, uma garota como você tem que ouvir isso todos os dias! - eu acariciava o seu rosto.
- Own, você que é lindo, Nick! Eu tenho muita sorte! - Foi a minha vez de sorrir.
- Eu não quero nunca mais ficar longe de você...
- Se depender de mim, isso nunca mais vai se repetir...
- Você promete?
- Eu prometo e você?
- Eu também prometo! - A beijei novamente.
- Nick, eu to meio que me sentindo nas nuvens agora... - Ela ria. - Acho que nunca me senti assim antes...
- Eu também... Queria simplesmente ficar aqui pra sempre, o que você acha?
- Eu topo!
- Você topa? Então fechou! Imagina que lindo a gente tendo nossos filhos e os criando aqui dentro desse quarto!
- Aí sim, hein! A gente podia criar um idioma e ensinar pras nossas crianças!
- Boa! Assim elas não iam conseguir se comunicar com as outras pessoas e não iam querer sair daqui do nosso cafofo!
- E você ta pensando em fabricar quantos?
- Bom, primeiramente, sou a favor da gente continuar treinando bastante pra que nossos filhos sejam tão lindos quanto os pais e depois de muito, mas muito treino mesmo, tipo três vezes por dia... A gente podia ter uns sete... Esse é o seu número da sorte, não é?
- Três vezes por dia...! - Ela ria - Como se você aguentasse!
- Como é que é, Lily?
- Ah, Nick... Vamos combinar, não sei como você não ta dormindo ainda! - Ela ria.
- Ta... Sou obrigado a concordar, mas não é minha culpa, é você que requer muita energia... E eu não disse que precisa ser três vezes seguidas, eu disse três por dia... Pra ser modesto ainda... - Ela riu mais.
- Claro, agora sim soa como um plano perfeito! Mas eu tava pensando... Se tivesse sete pimpolhos dentro desse quarto... Como é que a gente continuaria treinando pros próximos?
- Hm, você tem razão! Suspende as crianças! Vamos ficar só eu e você pra sempre dentro desse quarto! - Ela riu.
- Você é besta...
- E você me ama mesmo assim... Acho que mais besta ainda é você!
- É, você tem razão... - Ela ficou pensativa - Acho que nós dois somos muito bestas, por isso a gente se merece... - Ela concluiu seu pensamento e nós dois rimos juntos sem nenhum motivo.
- Nossa, olha essa conversa que a gente teve, cara! Isso porque a gente não bebeu nada!
- Pois é!
- Lils, preciso recuperar as energias agora... Vocês mulheres nem se cansam, né? Isso é uma injustiça!
- Vocês que são fracos! Dorme bem, Nicholas. - Ela me deu um selinho demorado. E ia se levantar.
- Ei! A gente vai ficar aqui pra sempre, lembra?
- Claro, claro... Só vou vestir a calcinha e o sutiã... Vai que alguém entra aí...
- Você tem razão... - Também vesti minha cueca.
Lily deitou do meu lado e eu adormeci sob seu olhar.
Capítulo 18 "I trade my soul for a wish
Pennies and dimes for a kiss
I wasn't looking for this
But now you're in my way" - Carly Rae Jepsen
EMY’S POV
- Aqueles dois não vão sair do quarto tão cedo... – Comentei após Kevin deixar Adam e eu praticamente sozinhos na sala.
- Emy... – Ele me olhou com seus lindos olhos verdes e pegou minha mão. – Eu...
- O que vocês estão assistindo? – Penny, a vadia inconveniente, sentou-se ao nosso lado.
- O nome do programa é “Sai daqui agora”. – Adam disse respirando fundo. É, ela realmente chegou em um mau momento.
- Nossa, Adam! Eu não vou atrapalhar.
- Tarde demais... – Me levantei e comecei a subir a escada. - Depois a gente conversa, loiro.
Eu sei, coitado do Adam ter que ficar sozinho com aquela menina, mas é que eu realmente não suporto ela... E tenho aversão a sua irritante voz.
Fui para o meu quarto, mas percebi que ele estava “ocupado”, vamos dizer assim, e além de tudo ele estava trancado, tudo o que me restava era o quarto dos meninos.
Era boa a sensação de poder entrar lá sem ter que ficar preocupada se o Adam poderia chegar ou não, e a essa altura do campeonato eu to mais é esperando mesmo que ele venha até aquele quarto! Ou não... OMG, o que eu dizendo? Ou o certo seria "pensando"? Enfim, lá tinha umas roupas minhas perdidas, sempre frequentei muito aquele quarto, uma coisa ou outra eu sempre acabava esquecendo... Calma. Isso soou um pouco entranho. Eu o frequentava, mas apenas pela vista da sacada ou pelo videogame, eu juro! Só por isso!
Peguei minhas roupas e fui para o banheiro ao lado. No chuveiro, comecei a pensar em tudo o que tinha acontecido nos últimos dias: eu e Lily amigas, ok, Lily e Nick juntos, perfeito, Adam querendo conversar comigo...
Nos últimos dias, eu... Nossa, é estranho realmente dizer essas palavras, mas... Nos últimos dias, eu tenho ficado louca de ciúmes da Lily com o loiro. Toda vez que eu o vejo é como se... Meu, isso não era para acontecer! Qual é o meu problema? Eu vou precisar mesmo que a Lily sempre fiquei com um cara pra eu despertar interesse por ele ou eu simplesmente me apaixono rápido demais como a Fany diz? Será que eu já amei alguém? Será que eu to amando agora? Ai, ai... O pior de tudo é saber que eu mesma vou ter que encontrar as respostas pra essas perguntas e mais horrível ainda é saber que eu posso magoar o Adam mais uma vez. Vejam só, eu nunca gostei de alguém por muito tempo e se eu fizer o que meu coração e o Adam querem que eu faça, pode ser que daqui a um tempo eu pare de gostar do loiro e parta o coração dele. E isso não pode acontecer!
É bom esse efeito que a água e o som do chuveiro estão causando em mim. Essa reflexão está me deixando um pouco confusa, mas ainda assim ela pode e vai ter que ser útil!
Então o Adam me ama, eu também o amo. Seria eu capaz de vê-lo com os mesmos olhos que ele me vê agora? Ah, vamos lá! Não deve ser nem um pouco complicado, já que ele É diferente. Ele é capaz de te proteger se você está com medo de um estúpido filme de terror, ele coloca duzentos canudos na boca só porque você duvidou que ele fizesse, ele sabe fazer a dança do acasalamento, ele consegue lamber o próprio cotovelo (o que seria estranho, mas ele consegue fazer isso ficar legal), ele consegue arrotar o alfabeto, ele é capaz de peidar a hora que quiser, e isso é um talento que deve sim ser reconhecido! Ah! E falando em talento, ele canta! E como canta! É de fato encantador! Uau, e eu consigo ser bem brega de vez em quando, mas posso ir além disso, confessando que ele sabe ser convencido de um jeito muito legal, ele sabe sorrir de um jeito muito legal, ele tem um corpo, muito, muito, muito legal mesmo, ele é inteligente, futuro médico, sabe colocar meus pés no chão e ao mesmo tempo me levar às nuvens, consegue facilmente me fazer rir...
Me peguei sorrindo.
-... é o Adam. – O tempo todo, bem embaixo do meu nariz...
Espero do fundo do meu coração não estar me enganando novamente, mas enxergando essas coisas, consigo até dizer porque não deu certo com o Nick. Primeiro que ele não é pra mim, estamos todos cansados de saber, e segundo que eu estava procurando o Adam nele o tempo inteiro! Como eu posso ser tão lesada!?
Tirei a espuma do corpo e me sequei. Vesti aquela camiseta roxa, com aquele short verde tom de "meleca de nariz", e eu sei, não tava nada fashion, mas eu precisava parar de adiar e precisava falar com o Adam, e tinha que ser AGORA!
- Por favor, esteja aí. Por favor, esteja aí. – Repeti até abrir a porta do quarto dos meninos com cautela e encontrar Kevin e Adam jogando Rock Band. Minha barriga se encheu de borboletas ao ver o loiro. Como eu sou boba...
- Emy! – Estranhamente foi um coro animado do Kevin e Adam.
- Então quer dizer que vocês compraram uma bateria e nem me chamaram para brincar... – Tentei esquecer as borboletas. – Cretinos.
- Oh! Que grande pecado cometemos! Será que você seria capaz de nos perdoar? - Ele disse com ironia. Cretino (ele é tão cretino que vai tornar esse xingamento repetitivo).
- Levanta e me deixa brincar então, seu cretino! – Kevin obedeceu e eu me sentei no seu lugar.
- Que música? – Perguntou aquela voz bonita...
- A que for mais fácil! - Eu disse com sinceridade e ele riu.
A música começou a tocar.
- Er, Kev... Já não ta na hora de você ir embora? – Adam perguntou.
- Não. Hoje eu não vou sair, não.
- Tem certeza? E aquele negócio que você disse que tinha que fazer? – Pela primeira vez no jogo e na vida, Adam Beaumont errou uma nota!
- Que negócio, velho?
- Aquela coisa que você ia fazer lá naquele lugar...
- Que coisa? Você ta louco? Hoje eu vou ficar de boa...
- Aquele bagulho, cara. – O loiro já tinha largado a guitarra. Ele ia fazer a gente perder a música...
- Velho, é sério, eu...
- Você. É. Muito. Burro. – Adam disse pausadamente.
Eu não tirei os olhos da tela, mas pude perceber que Adam me indicava.
- Ah, é verdade. Preciso, er... Ir naquele lugar, er... dar um trato na minha fêmea.
- Manda um beijo pra Mandy. – eu disse.
- Ela não é minha fêmea...
- Só é sua alma gêmea.
- Vocês dois parem de gracinha senão eu não arredo o pé daqui e vocês vão ficar sem se relacionarem nesse quarto! Ta parecendo quarto de motel isso aqui já! – Foi minha vez de errar a nota e me virar para olhar o garoto.
- Nada disso vai acontecer, Kevin!
- Não? - Adam perguntou e eu sorri sem graça.
Resolvi brincar:
- Não com o Kevin aqui, né!
- Claro, obviamente!
- Sei, vocês querem ficar de melações um com o outro: "Oh, Emily como eu te amo!" -- "Oh, Dr. Beaumont, como fui tola de não perceber antes, eu te amo muito mais!" "Oh, oh, oh..." - Ele falava enquanto desmunhecava.
Nem eu, nem Adam rimos. Afinal, Kevin pela primeira vez na vida estava falando uma verdade!
- Gente, pode dar risada! Meu trabalho é entreter! - Kev fazia pose.
O loiro e eu apenas nos olhamos, mas eu não consegui sustentar o olhar e estávamos todos calados.
- Aff, seus estranhos! Ta vendo só? É por isso que eu não me apaixono! Fala sério... Povo mais lesado... - Kevin saiu resmungando, eu ria por dentro.
Adam me olhou como se se desculpasse e nós simplesmente começamos a rir.
- Ah, nós perdemos... – quando me recuperei do riso e olhei para a tela da TV. – A gente nunca perdeu antes!
- Pra tudo se tem uma primeira vez... – Ele estava sentado na cama e girou o meu banquinho para que ficássemos de frente um pro outro. Levantei a sobrancelha. – Como a primeira vez que você se apaixona perdidamente pela melhor amiga.
Meu rosto queimou. E não consegui conter o sorriso. Ele gostou disso, porque também sorriu.
- E essa melhor amiga é a que está na minha frente agora, só pra esclarecer... - Ele ainda sorria e meu rosto ainda queimava.
- Não precisa explicar. Você acha que eu sou burra, loiro? – Claro, essa é a melhor frase que eu poderia ter dito nesse momento! Como eu sou estúpida, mas pelo menos Adam sorriu, não deve ter sido tão ruim assim.
- Eu só quis dizer que geneticamente você é desprovida de inteligência e... – Será que nós nunca conseguiríamos ter uma conversa séria e profunda? Levantei minha mão para dar um tapinha no ombro dele em resposta, mas ele a pegou no meio do caminho.
Ele atrapalhou minha oportunidade de pegar em seus bíceps! Como ele pôde?! Levantei minha outra mão, mas ele também a pegou. Maldito reflexos rápidos... Me levantei da cadeira e comecei a puxar para ele me soltar. Já riamos das minhas inúteis tentativas, até que ele se jogou na cama e me levou junto. Finalmente soltou minhas mãos, porém na queda ele me puxara e eu estava em cima dele. Adam começou a levantar seu tronco para me beijar, mas eu o detive.
- O-ou... Rápido demais!
- Eu to esperando há mais de um ano... – Ele me roubou um beijo e eu me levantei da cama não conseguindo esconder meu sorriso. – Volta aqui...
Ele me puxou para perto novamente. Agora ele estava sentando na beira da cama e eu em pé a sua frente.
Ele dizia tanto através daquele olhar e eu estava gostando tanto do jeito que ele estava me olhando... Como pode? É realmente difícil acreditar que eu de fato fui escolhida por alguém tão lindo e especial, tanto por dentro quanto por fora.
- Eu daria qualquer coisa pra saber o que você ta pensando agora... - Ele passou a sorrir.
- Não deve ser tão difícil... Eu sei o que você ta pensando!
- Será por que eu te disse? - Ele falava em um tom como que me chamando de burra. Hãn!
- Ei, o seu processo de me conquistar ainda não está completo, cuidado com o que você fala! - Ele riu.
- Claro que ta! O download já se completou, o programa já está instalado e eu já até comecei a usar! - Adam usou um tom convencido dessa vez.
- Eu não entendi direito o que você disse, mas quem te garante que o programa já ta pronto pra rodar?
- Ai, ai... Loiras... Emy, eu te conheço muito bem e... É o Adam aqui, né? - Ele dizia como se fosse a coisa mais óbvia do planeta e aquilo me fez rir alto.
- Você não consegue parar de se achar em nenhum momento, né? - Ele ria comigo.
- É mais forte do que eu, eu juro! Não foi o que eu planejei pra esse momento, mas é que quando eu começo... É bem complicado parar...
- Percebi...
- Mas tem outras coisas que funcionam exatamente do mesmo jeito...
- Tipo?
- Tipo quando eu começo a pensar em você...
Eu não sabia qual era o meu problema, mas meu cérebro não estava formulando as frases que eu realmente precisava dizer. Eu apenas sorri. Foi só um sorriso, mas foi sincero. Adam me sorriu de volta, o sorriso mais lindo que eu já vi na minha vida, bem ali na minha frente! Mas logo ele se foi, ou pelo menos ele tentou parar de sorrir. Ele me beijou. Começou suavemente, mas infelizmente a minha futilidade o fez parar:
- Adam, a gente não pode fazer isso.
- Por que não?
- Porque eu to mal vestida. – Eu disse que era futilidade... Ele riu.
- E daí? Daqui a pouco nem vestida vai estar... – Olhei para ele em reprovação, mas não consegui segurar por muito tempo e ri.
- É sério, eu to uma baranga.
- Você nunca ta baranga. – Revirei os olhos.
Ele começou a bagunçar o cabelo, colocou a camiseta pra dentro da calça e a levantou o máximo que ele pode, e pra fechar com chave de ouro, ficou vesgo.
– Pronto, agora eu to um barango.
Comecei a rir.
- Nunca achei que isso fosse possível...
- E não é. Eu continuo irresistível. – Ele mostrou seus músculos. – E você também. Por isso a gente tem que ficar junto. Somos bonitos demais para ficar com outras pessoas.
- Mas não é justo com o mundo.
- Pois é, mal começamos e já estou te ensinando lições pra vida! E ela não é justa, meu chuchuzinho! – Ele ia chegando mais perto. Mesmo com o cabelo bagunçado e calça pra cima, o garoto ainda estava lindo.
Quando estávamos novamente encostando nossos lábios...
- Com licença. – Abri a porta do quarto e estava prestes a sair.
- Aonde você vai?
- Me trocar, a gente vai sair.
- Pra onde?
- A gente vai sair com a sua potranca para algum lugar legal. Vai pensando aí. - Saí, mas voltei. - Ah! Esqueci de uma coisa.
- De me beijar? - Ele sorriu com malícia.
- Isso também, mas... Não me chama mais de chuchuzinho não, ta bom? - Eu pedi e ele riu.
- Por que!?? Você não achou super meigo? - Ele disse de um jeito afeminado, me fazendo rir.
- Exatamente, gosto de machos!! - enfatizei a última palavra.
- Claro, querida. Está com a pessoa certa. - Ele disse engrossando a voz.
- Lindo! - Eu ri e saí de verdade.
Desci para a lavanderia. Devia ter alguma roupa minha decente em algum lugar dali. Achei um jeans e uma blusinha bonita. Me troquei lá mesmo. A única coisa que não tava bonita era meu chinelo, mas pelo menos eu não estava usando a minha meleca de nariz... Passei no banheiro, arrumei meu cabelo e escovei os dentes. Ainda bem que tinha um perfume meu lá. Tinha uma jaqueta de couro da Fany atrás da porta do banheiro também, claro que a peguei.
Encontrei com ele na porta da república. Ele estava um loiro muito do fiu-fiu.
- Oi. – Eu disse e beijei sua bochecha. – Quanto tempo!
- De onde saiu tudo isso?
- Isso o que?
- Essa roupa? Esse perfume? Você ta arrasando! – E estralou os dedos no ar.
- Segredo...
- Vamos? – Ele abriu a porta e a fechou nas minhas costas.
- Cadê a chave da sua garota?
- Hoje eu vou ficar com a minha outra garota. – Gostei muito de ser chamada daquilo, devo admitir.
Ele abriu a porta da saída de emergência. Subimos a escada e demos no terraço. Nós da república deixávamos algumas cadeiras de praia no lugar e de vez em quando fazíamos um churrasco, chamávamos todo mundo que conhecíamos, desde os vizinhos do prédio ao povo da faculdade.
Eu não tinha percebido, mas o loiro estava com uma mochila e tirou dela a toalha que usamos no piquenique e tirou duas latinhas de Coca Cola.
- Nossa, que fartura! – Eu disse e me deitei no chão.
- Aqui é tudo top. – Ele se sentou ao meu lado. – O céu, a garota e o bonitão aqui, obviamente. - Eu ri com ele, mas estranhamente ele logo se calou.
- Aconteceu alguma coisa? - Me sentei e perguntei olhando diretamente naqueles olhos verdes.
- Ainda não, eu preciso de só mais um empurrãozinho pra acontecer de verdade... - Mais uma vez, estranhamente ele se levantou e encostou no parapeito do terraço e ficou a observar o céu. Fui atrás dele.
- Me fala, Adam!
- A gente ainda não se resolveu. Eu não te disse o que eu tenho pra dizer e não ouvi o que eu queria ouvir também... E isso é bem desesperador pra mim... Não aguento mais.
- Então pode botar pra fora! - Eu o incentivei e ele riu pelo nariz. - Não aguenta mais o que?
- Eu não aguento mais não poder te ter... Eu preciso de você, de verdade. – Eu apenas sorri. Mas na verdade queria dizer “eu também”. – Eu quero poder te chamar de minha namorada e te abraçar e te beijar toda hora que eu tiver vontade! Eu quero que você vá a minha casa, conheça a minha família e eu a sua; quero poder te ligar mesmo quando não tiver nada a dizer; eu quero sentir que você precisa de mim tanto quanto eu preciso de você; eu quero que você me ligue dizendo que está com saudades quando eu não estiver por perto, eu quero poder te contar como foi o meu dia, todos os dias... – Ele parou de falar, respirando profundamente para tomar fôlego.
Seus olhos não desgrudavam dos meus em nenhum instante, fazendo com que eu não conseguisse desviar o olhar. Logo percebi que esses olhos estavam mais próximos de mim do que antes e senti mãos macias acariciarem os meus braços, enlaçando-os em volta de sua cintura logo em seguida.
Meu coração já não batia regularmente devido à proximidade do outro corpo, mas eu não conseguia desviar de seus olhos.
Adam finalmente concluiu o que estava dizendo:
- Eu quero você!
Dito isto, ele fechou os olhos, os mesmos que me mantinham hipnotizada até agora, e eu apenas o imitei, já esperando sentir seus lábios se encontrarem com os meus. Assim que se encontraram, senti um sorriso se formar em sua boca e aquilo me completou. Meus braços de sua cintura foram para a sua nuca e os dele agarraram a minha cintura, juntando os nossos corpos.
Devidamente posicionados, Adam finalmente realizou o meu desejo e finalmente eu senti sua língua tocar a minha, fazendo com que um arrepio percorresse todo o meu corpo. Beijávamo-nos apaixonadamente enquanto eu acariciava seus cabelos e ele me puxava cada vez mais contra seu corpo, fazendo com que eu apenas o desejasse mais. Ele me pressionou completamente contra o parapeito (sem perceber o risco que estava colocando a minha vida), partindo então para o meu pescoço, o qual ele chupou forte, deixando com certeza uma marca ali.
Eu me arrepiava e sentia prazer enquanto ele beijava meu pescoço e, sem que eu nem ao menos percebesse, eu puxava levemente seus cabelos que estavam entre os meus dedos, e mais uma vez senti que ele sorrira. Eu não sei o que se passava, mas agora eu tinha certeza de que era eu quem o queria! E sendo assim voltamos a nos beijar mais apressados do que românticos agora. Mas creio que nós dois raciocinamos por um segundo e paramos de nos beijar pouco a pouco.
O Adam cheio de atitude fugira por um instante, abandonando ali um cara tímido e constrangido.
- Er, desculpa... Normalmente eu consigo me controlar... – Ele dizia acanhado enquanto coçava sua nuca.
- Ahn... Está tudo bem... Eu acho. – Ambos estávamos tímidos devido ao súbito acontecido, gerando um silêncio constrangedor que tratei logo de quebrar. – Tirando por essa marca que você deve ter deixado no meu pescoço né, não vai dar nem pra disfarçar. – Eu disse fazendo piada e ele riu junto comigo.
- Isso é uma prévia do que você pode ter sendo minha namorada... – Ele disse sorrindo de lado e piscando em seguida.
- Ô, louco! – Eu ria alto – Tira esse tarado de dentro de você!
- Ta, já passou. Mas você não me disse nada...
- Sobre? O seu beijo? Você manda bem!
- Não – ele ria – Não estou falando do óbvio, estou falando do que você está tentando evitar...
- Não estou tentando evitar nada e... – ele me interrompeu.
- Emy! – Disse em represália.
- Ta, foi mal... Eu não sei... Eu nunca tive um namorado de verdade antes, não sei se eu sei fazer isso...
- Então deixa eu te ensinar, me dê a oportunidade de ser feliz ao seu lado, de te fazer feliz... – Eu estava de cabeça baixa, então ele a levantou e passou a olhar em meus olhos. – Quando eu não estou com você, eu só sei pensar em você! Isso pode soar clichê, eu sei, mas é a verdade. – Ele segurava minhas mãos - Desde que eu te conheci, eu me pego pensando involuntariamente em você, imaginando como seria tal situação se você estivesse lá e essas coisas. Eu to até meio bobo por causa desse sentimento, mas eu fiquei completamente vulnerável, totalmente aos seus pés. E antes eu me perguntava o porquê, mas eu já aceitei o motivo de tudo isso. E este motivo é você...
Senti meus olhos lacrimejarem, então me esforcei para não deixá-las descer. Eu não gosto de chorar e seria muito bom se ele não me obrigasse a fazer isso.
- Nossa, loiro, você faz eu me sentir tão especial, acho que ninguém nunca sentiu isso por mim. Eu queria até te pedir desculpas, porque em 90% do tempo, eu não falo sobre os meus sentimentos e eu tenho medo que você pense que eles não existam...
Adam carregava uma ternura no olhar que eu nunca havia reparado antes e sorria a cada palavra que eu dizia.
– Eles existem! E como existem! – Ele afagou meu rosto. - E os que estão relacionados a você estão cada vez maiores, de um jeito que eu nunca havia sentido antes. E eu nunca me imaginei de frente pra um cara tão lindo e perfeito, como eu estou agora, falando sobre o que eu sinto por ele, talvez porque eu nunca pensei que eu seria “namorada” de alguém um dia... Mas eu não posso mais tentar evitar algo só porque tenho medo do desconhecido... Eu vou ter que namorar um dia, e se esse dia tiver que ser hoje, que seja! E se o louco que quer me namorar vai ser você, eu tenho certeza que eu vou a garota mais feliz do mundo! E...
O Doutor conseguiu a proeza de transformar o seu grande sorriso em um sorriso ainda maior, e eu creio que nunca fiquei tão feliz por vê-lo feliz. Por isso parei de falar.
Nos abraçávamos fortemente, apenas um sentindo o cheiro e a pele do outro, e eu desejava que aquele momento nunca acabasse, porque eu poderia ficar em seus braços para sempre, que com certeza eu não iria me importar.
Eu nunca tinha falado isso para um cara na minha vida. Eu não acreditava que esse tipo de amor podia acontecer. Acho que era por isso que sempre achei que gostava dele como amigo, mas sempre foi mais que isso, eu só não sabia o que era.
Capítulo 19 “Move and more I start to realize
I can reach my tomorrow
I can hold my head up high
And it's all because you're by my side” – JB
POV’S LILY
Acordei mais feliz que um ganhador da loteria, mais feliz que peão em dia de pagamento, mais que porco no chiqueiro... OK, já chega de comparações... Eu estava feliz e ponto. Se eu estava desse jeito por ter acordado ao lado do meu homem, imagina quando descemos juntos a escada e eu pude ver Adam e Emy abraçados no sofá. YAY!
- Bom dia, Lilian e Nicholas. – disse a loira.
- Bom dia, Emily e Adam. – eu disse, ela corou.
- Nick, sua mãe ligou. Falou pra você ligar pra ela.
- Que horas são?
- Onze e meia da manhã.
- Parece que alguém teve muita atividade pra fazer à noite... – disse Adam e foi minha vez de ficar vermelha e bater no loiro, claro.
- E vocês dois? – perguntei assim que meu namorado saiu pra falar com a minha sogra.
- A gente não teve atividades noturnas! – a loira respondeu como se tivesse se defendendo de alguma coisa.
- Não foi isso que eu perguntei. – eu disse rindo da atitude dela. – Calma, minha filha.
- É meio óbvio, né, Lils?
- Então vocês estão namorando?
- Não, a gente está só fingindo, na verdade... Tudo uma armação para o final daquele drama não ser tão ruim.
- Sempre sarcástica... – Nick tinha voltado. – Hey, surpresa: minha mãe vem me visitar.
- Ah, que legal! – eu realmente gostava da Sra. Reed.
- O problema é que ela ainda acha que você é uma cretina que partiu o coração do filho dela. – meu sorriso se dissolveu.
- Mas acho que ela vai entender assim que explicarmos para ela...
- É o que eu espero.
- Você contou que nós voltamos?
- Então...
- Você é muito idiota! – foram três tapas na cabeça dele.
- Não é melhor ela descobrir quando chegar aqui?
- Não, seu burro!
- Até o Adam sabe que não.
- Hey! – Emy desculpou-se com um beijo.
- Se já tivesse falado ela teria se acostumado com a ideia. – esclareci para ele. O Nick podia ser bem burro às vezes.
- Eu ligo agora.
- Não, aí vai parecer que eu mandei você ligar e vai ser pior.
Dois dias depois ela chegou. Nick foi buscá-la no hotel e me levou junto. Oh, God...
- Oi, mãe. – ela esperava junto a entrada do hotel com Joe, irmão do Nick.
- Nick, que saudade, filho. – e o abraçou. Respirei fundo e saí do carro.
- Oi... – eu disse timidamente.
- Lily?! – coro da sogra e do cunhado, mas a entonação dela era de raiva e a dele, felicidade.
- Er, esqueci de contar que nós voltamos.
Denise olhou para ele e depois para mim com um olhar de desaprovação. Mas Joe quebrou a tensão:
- Que ótimo! – e me abraçou. – Estava errado do jeito que estava.
- Concordo. – e Nick pegou minha mão. – Vamos? O Adam ta louco pra ver a senhora, mãe.
- Cara, vocês não tinham brigado ou alguma coisa assim?
- Por que vocês brigaram? - a sogra.
- Vish, longa história... – respondi com toda minha simpatia e descontração. Ou ela tinha ficado surda ou ela estava muito brava comigo...
No carro foi um silencio total da parte da minha sogrinha, quer dizer, ela falava, mas só com o Nick ou o Joe... Será que ela não gostava mais de mim mesmo? Ela me tratava tão bem antes...
A chegada na república foi uma festa. Adam era muito querido pela família do Nick, ele, meu namorado e meu cunhado começaram a conversar e a rir alto enquanto minha sogra conversava com a Sra. Rachel sobre o dia-a-dia da república. Foi então que Emy desceu:
- Mãe, lembra da Emy, né?
- Claro que lembro. Ela é sua amiga. Foi aquela que te ajudou quando a Lily te deixou... – comentário mais inútil da existência da minha sogra.
- Oi, Sra. Reed. Mas a Lily nunca deixou o Nick, pelo menos não de verdade... – minha amiga tentou consertar.
- Sei... Enfim, obrigada por ajudar meu filho.
- Sei bem como ela ajudou... – Kevin, que passava, comentou. Eu e Emy não podemos deixar de rir, Denise ficou sem entender nada.
- Oi, Emy. Tudo bem? – Joe pegou a mão da loira e a beijou.
- Hey, sai pra lá, Joe. Essa aqui já tem... – Adam puxou Emy para seus braços.
- Namorado. – ela disse e deu um selinho no loiro.
- Foi mal... O inútil do meu irmão não me conta as novidades...
- Lily, é o seu dia de fazer o almoço. Hoje eu não faço nem a pau, fiz minha unha hoje e...
- Ninguém liga para suas unhas, Penny. – Adam disse, fazendo com que todos nós caíssemos na risada. – É brincadeirinha. – Não era...
- Eu te ajudo, Lils. – Nick.
- Lils, você pode passar a receita daquele mousse pra minha mãe? To com mó vontade e ela não sabe... – Joe disse e Denise o desaprovou com o olhar.
- Claro! – eu disse com toda minha simpatia, ela apenas sorriu amarelo e foi até a cozinha.
Comecei a falar a receita enquanto arrumava os ingredientes para o almoço. Eu ia caprichar, estava tentando reconquistar o coraçãozinho da sogra, oxi...
- Isso não é ótimo? Eu aqui na cozinha com as duas mulheres da minha vida? – Nick comentou tentando quebrar o clima tenso que se formara.
Eu sorri com a tentativa dele e ele me abraçou por trás, dando um beijo em meu pescoço.
- Então, como isso aconteceu? – perguntou a sogra.
- Ah, a gente se entendeu... E você sabe que eu a amo, mãe. – corei.
Derrubei um monte de panelas no chão, fazendo aquele famoso barulho alto e irritante.
- O que você ta fazendo? – sussurrou Nick enquanto me ajudava a pegar as panelas. – Você nunca usa as panelas lá de cima.
- Eu quero fazer uma coisa especial.
- Pra que?
- Pra sua mãe voltar a gostar de mim. – Ele riu. – Não ri da minha cara, me ajuda!
Guardamos as panelas no lugar e comecei a cortar os ingredientes.
- Mãe, sabia que a Lily quase gabaritou a última prova dela? E olha que eu nem a ajudei a estudar... – Isso era ele tentando ajudar?
- Que bom. Mas e você, gabaritou a sua?
- Não. Mas não fui mal também.
- Nicholas...
- É que eu não conseguia me concentrar direito. Eu fiquei muito mal por causa da separação e dos rolos, mas agora estou mais feliz do que nunca e... – Ele estava piorando as coisas. Eu estava a ponto de enfiar aquela faca na barriga dele só pra ele calar a boca.
- Por que você terminou com meu filho, Lily? – a pergunta veio do nada, ainda bem que eu estava de costas para ela, porque assim ela não viu minha cara de susto.
- Eu estava com ciúmes do Nick com a Emy. E ele estava com ciúmes de mim com o Adam, então...
- Entendi. Mas nunca ficou claro pra você que o Nick te ama? – Que tipo de pergunta é essa??
Quando me virei para olhá-la, me descuidei e passei a faca pelo que pensei ser a carne, mas na verdade era meu dedo.
- AH! – gritei e soltei a faca.
- Que foi? – Emy veio correndo. Nick já examinava meu dedo. – Isso é sangue? – afirmei com a cabeça. – Ai, não...
Se não fosse pelo Adam que estava chegando, ela teria caído desmaiada no chão. Se meu dedo não estivesse doendo, eu teria rido muito.
- Ela faz isso quando vê sangue... – foi tudo que eu pude falar.
- Ai, meu Deus, Lily querida, você está bem? – a Denise de antigamente tinha voltado.
- To sim, só ta doendo um pouco.
- Vamos lavar isso...
- Não! Tem que estancar o sangue primeiro. – o Dr. Adam disse, mas Denise olhou feio pra ele e o loiro pegou a loira no colo e a levou para o sofá.
- Nick, sai de perto, você ta atrapalhando.
- Também te amo, mãe. – mas meu namorado parou de me abraçar e encostou-se ao balcão.
Denise cuidou do meu dedo. Limpou, estancou o sangue, fez curativo...
- Obrigada. – eu disse.
- Você não devia estar cortando a carne daquele jeito.
- Eu queria te impressionar... Fazer você gostar de mim de novo. – minha sinceridade falou mais alto que minha vergonha.
- Lily, eu estava brava com você... Você realmente magoou meu filho.
- Eu fiquei magoada também. A última coisa que eu queria era ter terminado com ele, mas agora nós estamos juntos de novo e eu não vou fazer nada para mudar isso.
Eu falava isso tudo de cabeça baixa. Eu sempre tive vergonha de falar essas coisas...
- É bom mesmo. – disse ela. – Eu vi como ele a olha e como você olha para ele, faz com que eu me lembre dos primeiros anos de namoro com seu sogro...
- Quem sabe um dia eu e o Nick não temos uma família tão boa quanto a sua...
Nessa hora, Nick chegou e eu quis me matar. Não era pra ele ouvir aquilo. Meninos às vezes entram em pânico quando nos ouvem conversando de casamento com suas mães. Mas meu menino não é qualquer um, ele é diferente porque ao invés de surtar, ele se aproximou de mim, pegou minha mão com todo o cuidado e a beijou. Após esse gesto, ele me deu um beijo na testa e ficou olhando da mãe dele para mim, repetidas vezes.
- Que foi?
- Nada. Só estou feliz por vocês duas estarem aqui.
- Ta bom...
- Er, eu preciso sair. Eu encomendei uma sobremesa e vou buscar.
- Vai lá. Eu ajudo a Lily na cozinha.
Continua...
Nota da Beta: Hey, pessoa! Só pra avisar que se você encontrar qualquer erro na fic pode entrar em contato comigo por e-mail ou pelo twitter. E não custa nada deixar um comentário pra fazer uma autora feliz, porque ela merece.
Letii