vampire nightmare
História por Lini W. | Revisão por Letii


Capítulo I – Caça e Caçador

O relógio da torre marcava quase uma da manhã, a lua cheia iluminava a velha Londres, que mesmo a essa hora tinha uma vida noturna agitada. O ar gélido da madrugada deixaria a pele descoberta de qualquer mortal arrepiada. Nuvens pesadas eram carregadas suavemente pelo vento, que uivava anunciando um temporal. Sua visão aguçada era privilegiada pela vista que a altura da torre do Big Ben lhe proporcionava, o casaco preto esvoaçante era mais pela moda do que pelo frio, já que sua pele era tão gelada quanto o vento. Os olhos claros mais atentos que os de uma águia varriam a cidade de cima a baixo, atrás de uma presa. Hoje era noite de caçar, noite que o sopro da morte chegaria a alguma infeliz alma sem sorte. O longo cabelo castanho estava rebelde por causa da ventania, deixando a criatura com um ar sexy e despojado. Nos lábios, um sorriso brincava vez ou outra, inspirando o oxigênio que não precisava, inalando todos os odores do ambiente, fechou os olhos apreciando a sensação de liberdade que sentia.

“Uma mão firme segurando os cabelos da nuca e a outra pressionando a fina cintura denunciavam quem estava no comando. Ele era dominador, ela podia sentir, e o pior, ela gostava. Roçando os lábios no pescoço, depositou um pequeno beijo ali, fazendo-a se arrepiar, a respiração fazia uma suave carícia, ela mantinha os olhos fechados, entregue. Ele subiu o rosto, fitando-a agora, roçou os lábios nos entreabertos dela e disse sedutoramente convicto: “Você vai ser minha”.

abriu os olhos de súbito, como se para dissipar a lembrança. Era algo sujo e errado, era doloroso lembrar que cedeu aos desejos da carne, e se odiava por ter gostado tanto. Mas estava certa de que nunca mais se repetiria.
Fechou os olhos novamente e deu um passo em direção à beira do parapeito, com outro passo, o corpo caía com uma leveza sobrenatural em direção a rua. A queda mataria qualquer pessoa comum, mas não , uma imortal. Tocou a calçada como se não tivesse pulado de 96 metros de altura, os braços esticados rente ao corpo, um dos joelhos flexionados quase encostando no chão e outro dobrado, a cabeça baixa, deixando os cabelos formarem uma cortina emoldurando o rosto oval e branco como papel.

O pub Red Lion, localizado na conhecida Carnaby Street, estava abarrotado de pessoas, as luzes amarelas davam um ar mais aconchegante, a música pop não deixava as pessoas paradas por muito tempo, embora o local não fosse próprio para dançar. Garçons servindo cervejas de um lado para outro, risos, e alguns insistentes soltavam a fumaça do cigarro infestando o ambiente, mas a maioria já estava tão alta que nem ligava mais. Um grupo de jovens, em especial, comemorava o aniversário de um tal de Jimmy, a maioria já não estava mais sóbrio, como era de se esperar. Casais embalados pela música ambiente faziam a festa em um canto e, em outro, os que queriam uma noite mais sossegada. John Marshall, o dono, estava atrás do balcão no lugar de Sierra, a menina de aparelho que sempre ficava no caixa. Ela estava doente naquela semana, o que foi uma pena para James Gosling, um freguês assíduo, já que adorava perturbar a pobre Sierra com suas cantadas de quinta. James era um dos muitos bêbados daquela noite, John sabia como lidar com ele, e já estava se preparando para ligar para algum táxi levá-lo para casa.
- Eu vou a pé, John! Nem pense em tirar esse telefone do gancho. – disse James, em um tom que era para ser ameaça, mas não passou de uma fala enrolada de bêbado. Vendo que o homem de quarenta anos não estava tão mal assim, como de costume, John acenou com a cabeça e deixou James Gosling sair cantarolando uma canção de pirata porta afora.
James ia andando a passos lentos pela rua, lamentando a ausência de Sierra. “Justo essa noite em que ela ia ser minha?” ele pensava. Tirou o maço de cigarros do bolso da jaqueta e o acendeu, deu mais alguns passos e chutou uma pedrinha, ou pelo menos tentou, já que se desequilibrou e caiu sentado na calçada.
- Diabos! – exclamou irritado.

Meia hora antes...

Os saltos das botas bem polidas ecoavam no chão, a atenção voltada para as mentes ao seu redor, à procura de sua vítima de hoje. Andando perto de um pub resolveu entrar, o lugar estava cheio e o cheiro de álcool era quase palpável, amendoins caídos por todas as mesas redondas, e pessoas rindo e falando alto. Sentou em uma mesa, que por sorte estava vazia, apenas observando. Um garçom muito alto e magro se aproximou e perguntou se a moça queria algo, ele parecia meio inseguro perto dela. Aquela presença feminina era demais para ele, seria isso? Talvez sim, mas creio que o seu instinto o alertasse do perigo. “Corra!” era o que seus sentidos diziam. Ela pediu uma taça de vinho tinto, ele voltou momentos depois e depositou a taça sobre a mesa com uma mão trêmula, a garota segurou o riso com aquela cena.
Olhou novamente ao seu redor, inalou o ar e sorriu suavemente, a fome estava aumentando, seus olhos deviam estar mais escuros do que realmente eram. Mas não oferecia perigo. Irônico, não? Pelo menos não para todas as pessoas ali presentes. A mente vagando pelo ambiente, caçando. O dedo fino e alvo passava em movimentos circulares na borda da taça de vinho. Não iria beber, pelo menos não vinho. O líquido que a sustentava era mais glorioso que uma simples garrafa de rum. Ela beberia vida, o sangue quente correndo por sua garganta era o que a mantinha viva. O poder que aquele líquido vermelho possuía era tanto que podia manter vivo o que já estava morto. Humanos não sabem o quão especiais são. Possuem tanta vida que outros seres precisam pegar um pouco do que lhes tem em abundância no organismo, pois para que um vampiro siga com sua existência, humanos têm que morrer. É o que chamam de cadeia alimentar.
Uma pessoa chamou sua atenção, mesmo com os pensamentos embaralhados pela bebida era nítida a podridão vinda daquele ser. E o que ele fizera em um passado recente era prova de quão repugnantes os seres humanos podem ser. Sua vítima fora eleita.


- Boa noite. – a voz feminina tão melodiosa quanto a de anjos soou.
O homem sentado com as pernas esticadas olhou para cima, meio atordoado. Um sorriso que ele julgou ser galanteador surgiu em seu rosto. Mas, após ver o semblante perverso da belíssima mulher a sua frente, seu sorriso morreu aos poucos. Algo estava errado, naquele rosto angelical não poderia habitar tal expressão assassina. A mulher puxou o homem pela gola da camisa, deixando-o a sua altura, os pés dele não tocavam o chão, e ela nem parecia fazer esforço.
- Olá, qual o seu nome? – a moça sorriu simpática. Ele nada respondeu, estava congelado no lugar, com os olhos arregalados.
- Nome! – ela rosnou exibindo os caninos pontiagudos.
- Ja... James. – ele disse com esforço.
- Bom, James, receio que essa noite você seja a caça.
O sorriso diabólico tomava conta de seu semblante. Com calma, para apreciar o momento, abriu a boca levemente. Expondo os dentes, tocou a jugular do pobre indefeso, que apenas soltou um grito estrangulado quando os lábios da vampira tocaram a pele quente, rasgando-a e ingerindo o seu elixir da vida. As batidas do coração de James eram aceleradas, mas, a medida que o sangue era sugado de seu corpo, o coração diminuía seu ritmo enquanto os olhos de James reviravam em agonia. Antes de ser tomado pela morte, os de reviravam de prazer, ela apertou os ombros do homem quase chegando a quebrá-lo, tamanha sua força. Com um último gole, soltou o corpo. estava imóvel, os braços esticados com as palmas das mãos para cima, a respiração ofegante, olhava para o céu negro apreciando a sensação que sentia, e, agora, seu sorriso pintado de vermelho.
O corpo imóvel e sem vida de James jazia em um beco qualquer. Um sorriso satisfeito estampado na face, os olhos mais claros agora. Estava alimentada. tinha o hábito de perguntar o nome de suas vítimas, achava que deveria pelo menos saber antes de lhes tirar a vida. Fazia isso há alguns séculos, toda essa carga histórica presa em um corpo de 20. A vampira não tinha receio de matar, no começo sentia-se cruel, mais desumana do que já era em si. Via como um pecado brutal tirar a vida de pessoas, apesar do desejo latente que tomava o seu corpo e a fazia matar. A fome era sua pior inimiga no início, mesmo relutando, uma hora cedia. Era mais forte do que ela, a necessidade, a vontade de ter aquele líquido correndo por suas veias. Fazendo seu corpo pulsar novamente. Sentia-se viva. Agora matar para se alimentar fazia parte de sua rotina, bem, teve muitos anos para se acostumar. Não sentia mais culpa, encarava como algo tão natural, quase banal, me atrevo a dizer. Mas não matava por esporte, não, e apenas as pessoas que achava que não mereciam viver. Não que se achasse uma deusa para julgar quem vive e quem morre, era apenas um critério para suas escolhas. Optava por pessoas de mau caráter, como assassinos, pedófilos, estupradores. Claro que nem sempre encontrava um desses por aí. Então tinha um método diferente, escolhia vitimas, mas não as matava, apenas hipnotizava e sugava um pouco, o bastante, às vezes mais de uma vitima por noite. Então por que não fazer sempre assim, em vez de matar? Não parece o mais correto? Sim, parece, mas não é a opção mais agradável, além de tirar de circulação um mau elemento da sociedade, ainda havia o desejo assassino, que todos os vampiros carregam dentro de si. Mesmo aqueles que se acham bons. Ó, mesmo esses tem de vez em quando a vontade de matar. Ninguém é cem por cento bom, ainda mais um vampiro.

Capítulo II - Bem vinda ao lar

Sunnyside, Queens, New York City, sete e quarenta da noite.


O alaranjado no horizonte e o azul escuro da noite se misturando denunciavam que o sol acabara de se pôr, ou seja, o despertar das criaturas noturnas. Na velha mansão dos as luzes foram acesas automaticamente instantes antes do escurecer. Ali, os moradores ganhavam vida à noite. A grande mansão possuía inúmeros cômodos e a maioria deles possuía um caixão. Estranho? Não para vampiros.
A família era uma das mais poderosas da cidade de Nova York, o clã tinha três principais membros, começando por Arthur, um vampiro de aparência nobre que possuía os cabelos levemente brancos, sempre penteados para trás, e os olhos azuis hipnotizantes, tinha por volta dos 50 anos, era o líder. Arthur tinha fama de tirano e irredutível, sempre bem determinado e solitário. Depois na hierarquia vinha Adam, criação de Arthur. Adam era jovem, tinha 17 anos quando fora transformado, cabelos pretos e olhos castanhos amendoados, possuía uma pequena pinta no canto da boca e não possuía muita estatura. E por último, mas não menos importante, , jovem de 20 anos, com o cabelo castanho longo e ondulado, com olhos cinzentos expressivos, sua pele era alva e o corpo esguio.
No grande escritório da mansão, adornado com uma grande quantidade de livros antigos e decorado com móveis na cor mogno, em uma mesa ao fundo, sob a luz de um abajur, Arthur analisava alguns papéis, quando a porta foi aberta e um Adam sorridente entrou.
- Noite, velho! – acenou feliz.
- Olha o respeito, moleque, não te criei para falar assim. – Arthur o repreendeu severamente. – E o que faz aqui? Não deveria estar a caminho do aeroporto?
- Aeroporto? – o mais jovem perguntou, coçando a cabeça sem entender.
- Você esqueceu de novo, não é? – O vampiro mais velho olhou com descrença, vendo o semblante confuso de Adam dar lugar uma expressão de compreensão e pânico, os olhos se arregalaram, girou os calcanhares e correu porta a fora.
Os portões da mansão se abriram e a BMW saiu cantando pneu. Adam dirigia perigosamente rápido. Perigo para os outros, afinal ele era um vampiro.
- Ela vai cortar nossas cabeças! – a voz histérica de Eddie quebrou o silêncio.
O vampiro sentado no banco do carona era o braço direito de Adam, os dois eram como unha e carne, ou como diria , Eddie era vadia e Adam o cafetão. Eddie era gordinho e de pele morena, e sempre muito fiel à família . Apesar de ter uma certa implicância com .
O aeroporto não estava com muito movimento, sendo fácil reconhecer a figura que procuravam, usando um jeans justo, ankle boots, uma blusa vermelho sangue, jaqueta de couro, e óculos escuros. estava apoiada em uma das pernas, de braços cruzados, com suas malas ao lado. Quando Eddie e Adam chegaram perto, não muito perto, ela retirou os óculos.
- Muito bonito, seus panacas! Estou há uma hora aqui plantada! – vociferou e saiu marchando por entre eles, batendo em seus ombros com força.
- Olha, , foi mal. – Adam olhava para a irmã do seu lado.

Minutos antes...

Adam e Eddie colocavam as malas no carro enquanto olhava para as próprias unhas. Ela se dirigiu para a porta do carona, quando...
- Hey, eu vou na frente! – Eddie se proclamou.
- Vai porra nenhuma!
abriu a porta do carro e ia entrar quando Eddie infantilmente se meteu entre ela e o banco.
- Vamos parar de criancice! – Adam disse do banco do motorista.
- Eu vou na frente! – puxou Eddie, que rosnou, ela o olhou com raiva e no mesmo instante ele se arrependeu. arrancou a cabeça de Eddie com as duas mãos. Brincadeira! Isso é o que se passou na mente de , ela apenas empurrou Eddie para o lado e sentou no banco.


- Não tem perdão, vocês dois são uns patetas mesmo! - rosnou e cruzou os braços visivelmente inconformada.
Adam e Eddie carregavam as malas de pela escadaria que dava acesso a porta principal da mansão, a vampira por sua vez olhava algo no celular. A porta dupla de entrada foi aberta por Luz, uma das seguranças e empregadas. Luz tinha os cabelos pretos e lisos na altura dos ombros, os olhos castanhos e lábios carnudos, uma das favoritas de Arthur.
- Bem vinda de volta, senhorita. – Luz fez uma breve reverência. – O mestre a aguarda no escritório.
assentiu e se dirigiu ao encontro de Arthur, sendo seguida pelo irmão e por Eddie. A vampira abriu as portas de correr do escritório encontrando o seu criador de costas para si, em frente à janela, com as mãos para trás, a posição que denunciava que ele estava pensativo e planejando algo.
- Arthur?
chamou como para alertá-lo de sua presença. Ele virou-se lentamente, abandonando a visão da chuva que começava a cair.
- Minha criança, que bom que voltou! – ele disse dando-lhe o que considerava um abraço, apenas encostando as mãos nos braços da jovem. O vampiro mais velho não era dado a afetos.
- Londres é fabulosa, mas já estava com saudades de casa. – lhe sorriu exibindo os dentes perfeitamente brancos e alinhados.
- E chegou no momento certo. – Eddie deixou escapar.
encarou os três vampiros presentes, esperando uma explicação.
- Tenho uma notícia para vocês, o clã dos s está declarando guerra de vez. – Arthur passou a mão pelos cabelos.
- Ah, mas nós já estamos nesse pé de guerra há muito tempo. – falou abanando o ar.
- Dessa vez é sério, . – insistiu Adam.
- Nevi e Ella Lefreve virão fazer uma visita em alguns meses e eles querem hospedá-los na mansão . Olha o absurdo! Temos que acabar com eles antes disso. Se não conseguirmos o apoio dos Lefreve vamos ficar em maus lençóis perante a sociedade vampírica, temos que fechar essa aliança. – Arthur sentou em sua cadeira apoiando os cotovelos sobre a mesa, seus dedos longos e finos formando um ângulo.
- E o que faremos, mestre? – Eddie todo curioso.
- Não é óbvio, meus pupilos? – Arthur levantou-se e deu a volta na mesa, ficando de frente para os três vampiros mais novos. – Vamos exterminar o clã .
Um trovão cortou o céu, fazendo um barulho estrondoso, iluminando a sala e as feições dos quatro ali presentes, revelando suas faces distorcidas por caretas de perversão, com sorrisos diabólicos exibindo seus caninos que continham toda a vontade de rasgar uma garganta. Naquela noite de ventania, meus caros, o mal em forma de criaturas sugadoras de sangue elaboraria um massacre.

Capítulo III – Conheça os

Os sapatos de couro tocavam o chão batido levantando poeira e espalhando pedrinhas, a calça jeans de lavagem escura era um pouco justa e acompanhava os movimentos do corpo com exatidão, a camisa social preta tinha as mangas arregaçadas até os cotovelos e os primeiros botões abertos revelavam parte do peitoral definido. Para completar o visual descolado os cabelos de um tom loiro escuro eram meio bagunçados, os lábios formavam uma fina linha, a expressão não estava relaxada, os olhos castanhos como os de um felino caçando analisavam a espelunca à sua frente, ou inferninho, se preferir. O nariz anguloso e fino inspirou o ar, e um sorriso sacana brotou em seus lábios, mostrando os dentes pontiagudos. Abriu a porta com um empurrão, fazendo-a bater de encontro a parede propositalmente, as pessoas que estavam dentro pararam para observar o recém chegado, exceto uma, mas logo voltaram a beber como se o mundo fosse acabar. Com passos largos se encaminhou até o balcão e pediu um whisky.
- Ah, e uma dose de Balkan para a senhorita. – indicou com a cabeça a mulher ao lado.
Após o bartender servir-lhe a bebida e a da moça, o recém chegado resolveu se aproximar, sentou-se no banco ao lado da mulher de cabelos longos e castanhos, que vestia uma jaqueta de couro.
- Você quer me embebedar, por acaso, ? – ela perguntou virando seu rosto para o dele com um olhar irônico e com um misto de sentimentos.
- , só quero pagar uma bebida a uma velha amiga. Mas se você quiser ficar bêbada eu não a impedirei. – ele lhe mandou um sorriso torto.
Com um gole ela bebeu o conteúdo alcoólico e o olhou desafiadora.
- Eu não vou ficar bêbada, para sua infelicidade, . – ela lhe sorriu irritantemente sedutora e levantou-se, fazendo a ala masculina toda dali prestar atenção em seus movimentos, o que não passou despercebido por . Ele conteve um rosnado preso na garganta, de repente ficou se perguntando de onde surgira essa sensação em relação à ela. Continuou seguindo-a até o lado de fora.
- Uma hora vamos ter que falar sobre isso. Não adianta você fugir, amor. – Ele, em uma velocidade sobre-humana, se pôs em sua frente. Ela franziu o cenho em desaprovação.
- Não temos nada para falar.
- Não se faça de desentendida, , o que houve naquela noite...
- Eu estava bêbada e você se aproveitou, foi isso que aconteceu! Aconteceu, está no passado e no passado é que ficará! Entendeu? Não significou nada! – Ela terminou com um rosnado e tentou passar por ele, mas foi segurada pelo braço.
- Não ouse dizer que não sentiu nada naquela noite, , você nunca foi uma boa mentirosa.
ainda a segurava e os dois encaravam os olhos um do outro com tamanha intensidade, ela o fuzilava com o olhar ameaçador e ele tentava lhe passar uma mensagem silenciosa. puxou o braço com força e caminhou para longe dele.
- Eu não vou ficar correndo atrás de você, ! Mas você ainda vai admitir que sentiu algo! – ele gritou, dessa vez sem impedi-la.
entrou no seu Camaro e saiu cantando pneu, deixando para trás um vampiro com um misto de sensações revigorantes e, ao mesmo tempo, angustiantes. estava feliz por ela ter voltado. Depois da noite que passaram juntos simplesmente sumiu, ele não tentou encontrá-la, sabia que a vampira precisaria de um tempo para digerir o ocorrido, mas agora ela estava de volta e as cartas teriam que postas na mesa. não iria desistir, ele sabia que ela havia sentido algo, não foi apenas sexo, havia um misto de sentimentos nunca expressados, que até eles mesmos desconheciam, mas estava diferente depois daquela noite, ele estava aquecido por dentro, como nunca se sentira em toda sua existência e ainda não sabia identificar o que estava se passando em sua cabeça, mas relutava à ideia de estar amando. Isso não, ó não! Até porque como poderia amar aquele ser petulante e encantador? Deveria ser algo novo e passageiro, afinal não se renderia ao amor. E ele bem sabia que também não, orgulhosa do jeito que era seria incapaz de admitir qualquer sentimento.
Resignado com a situação, o vampiro montou em sua Harley Davidson de cor preta, colocou seu óculos aviador e saiu estrada afora. Quando chegou a residência dos pode ver a movimentação do lado de dentro da grande mansão de pedra. Os carros estacionados denunciavam que sua “madrasta” estava dando uma de suas famosas festas. Juliete é uma vampira de descendência francesa, de cabelos castanhos acobreados e olhos verdes, possui um corpo voluptuoso e tem uma personalidade cativante e vívida, adora dar festas, está sempre por dentro da moda e adora viajar, mas não se engane, por trás dessa doçura existe uma mulher determinada e vingativa que faz tudo para conseguir o que quer.
subiu os degraus correndo em velocidade humana, abriu a porta encontrando um dos empregados carregando uma bandeja com taças de champanhe, algumas com um líquido vermelho que ele julgou, pelo cheiro, ser sangue.
- , querido, que bom que chegou! – Juliete se aproximou espalhafatosa com os braços estendidos em direção a , colocando suas mãos nas bochechas do jovem vampiro. Uma vampira, que reconheceu como sendo a velha amiga da familia, Jewel, chamou Juliete e esta se retirou.
- Mano, onde se enfiou? Juliete já estava preocupada que não fosse aparecer para a festinha. – Vincent sussurrou chegando perto do irmão.
Vincent tinha seus 25 anos de mortal, olhos esverdeados e os cabelos em um tom de loiro branco, bem ralos na cabeça e. assim como , possuía porte atlético. Vincent demonstrava ser um cara pacífico e sociável, o único problema era ser facilmente influenciável.
- Hey, Vin. Ah, fui a um bar, nada demais.
Os dois jovens vampiros adentraram ao enorme salão que tinha a esquerda do hall principal. No piso de madeira bem polida eram refletidos os lustres de cristal, as paredes nas cores branca e creme tinham finas linhas em marrom desenhadas, ali presentes estavam membros da alta sociedade vampírica, em torno de uns 10 vampiros, como a famosa estilista Margareth Owen, com seus cabelos tom de licor e suas sobrancelhas espessas, o contador mais famoso entre os vampiros, Juan Escobar e claro, Liam , o dono da festa, com sua barba por fazer e olhos amendoados, alto e robusto, sua personalidade era marcante, meio egocêntrico, inflexível e seguro de si.
Liam se aproximou da lareira e pediu a atenção dos convidados.
- Boa noite, meus caros, primeiramente gostaria de agradecer a presença de todos. E em segundo, venho por meio desta festa fazer-lhes um pedido, ou melhor, um convite, para que juntem-se à mim em uma difícil batalha. Como sabem, o clã e os não se acertam há algumas décadas, desde que eles vieram de Londres e se enfiaram em Nova York. Pois bem, se nós nos juntarmos governaremos as noites de nossa cidade em poder absoluto. E eles que voltem para Londres ou morram! – as expressões eram de deleite enquanto o vampiro discursava. Todos ali presentes foram convidados por não terem afinidades com os e todo vampiro que se preze tem sede de poder, e uma união com uma família influente como os só traz lucros e benefícios.
- Dou até o final da festa para pensarem. – encerrou Liam.
- Belo discurso, meu querido. – Juliete depositou um suave beijo em sua bochecha.

Capítulo IV – Pesadelo?

O sol ainda nascia no horizonte, dissipando aos poucos a escuridão e dando lugar ao céu alaranjado do amanhecer. O grande astro surgia em meio às nuvens, fazendo contornos dourados, dando a impressão de que todo o céu era moldado por fios de ouro. Quando as pessoas começavam a se levantar certas criaturas iam para seus caixões abrigarem-se do sol.
No quarto parcialmente escuro retirava os sapatos e a jaqueta, colocando-a sobre uma cadeira. No recinto havia uma enorme cama de dossel na cor branca encostada à parede norte, e do lado oposto, o caixão cor de vinho. A vampira deixou seu corpo repousar sobre o acolchoado de sua “cama” e suspirou, os olhos abertos fitando o teto branco, agora amarelado pela claridade da lâmpada, com o braço esquerdo puxou da tampa do caixão e fechou-o. Ficando no breu total, fechou os olhos, aos poucos seus sentidos iam se apagando e ela já estava quase beirando ao inconsciente, entregando-se aos subúrbios do submundo desconhecido, onde sua mente ficava como uma tela em branco para ser pintada com as mais diversas cores e tons. Só que nesse dia a tela seria pintada novamente com as mesmas tintas e a mesma figura ia surgir em meio aos traços, um rosto. Um único rosto capaz de atormentar e seduzir ao mesmo tempo, capaz de despertar vários sentimentos, desde o desejo mais latente ao total desprezo. Nas últimas semanas tinha sido a sua obra de arte favorita.

corria com toda sua velocidade sobre-humana, as árvores eram só borrões verdes que ficavam para trás, o vestido branco esvoaçante, na altura dos joelhos estava meio rasgado e com fiapos soltando-se da barra, a vestimenta com corte “v” lhe favorecia o colo farto, os pés descalços mal tocavam o solo úmido, o cheiro de terra molhada poderia ser apreciado se não estivesse com pressa.
- Não pode fugir, docinho. – ele disse em tom de zombaria.
Podia ouvir os passos velozes atrás de si, ele não desistiria e a estava quase alcançando, ela sabia, não demoraria para estar nos braços daquele cretino, seu sangue ferveu só de pensar. A alguns metros havia um declínio no terreno, ela teria que dar um belo salto para ganhar tempo. Impulsionou seu corpo para cima, parecia uma bailarina com tamanha graça, mas quando estava prestes a tocar o solo novamente sentiu algo se chocando contra suas costas e braços firmes a seguravam pela cintura, a impulsionando para baixo. Ela soltou um rosnado rebelde e se debateu quando chegaram ao chão. O vampiro a mantinha sobre controle, segurava-lhe os punhos acima da cabeça e seu corpo fazia pressão no dela, mantendo-a presa contra a terra. Ela debatia-se e o xingava com inúmeros palavrões, ele tinha um sorriso satisfeito no rosto.
- Eu avisei, , agora seja uma boa menina e fique quietinha. – ele disse com calma.
- Vá se ferrar, !
- Por que é tão difícil, pequena? Por que não admite o que sente por mim? Seria mais fácil do que eu ficar te perseguindo, não acha?
- O que sinto por você é nojo! Deixe-me em paz!
- Não foi isso que pareceu naquela noite…
- Ah, lá vem você, seu imundo!
- Olha a boca,
- Vai fazer o que? Me bater? Vá em frente, mas não sairá ileso, isso te garanto.
- Não, prefiro fazer outras coisas…- sorriu de lado, os olhos emanando pura diversão e algo mais, arregalou suas orbes cinzentas.
- Não se atreva, seu pervertido! – disse trêmula.
- Ah, eu me atrevo…
Lentamente aproximou seu rosto e ficou a encarando intensamente, como se pedindo permissão. prendeu a respiração, agora imóvel, passiva, hipnotizada pelo olhar do vampiro. Quando ele acabou com a distância entre suas bocas, fechou os olhos no mesmo instante, mas manteve os seus abertos, só fechando quando movimentou suavemente seu maxilar para iniciar o beijo. À medida que o beijo ganhava intensidade, o vampiro afrouxava os punhos de ferro que mantinham os braços de presos, ela instintivamente levou suas mãos para as costas de , arranhando-as levemente, suas línguas travavam uma batalha equilibrada. Quando passou uma de suas pernas envolvendo a cintura dele, ele soltou um rosnado baixo durante o beijo. O ritmo foi diminuindo até eles ficarem apenas com os narizes encostados um no outro.
- , eu…
- Shhh, não estrague o momento, seu tagarela. – ela lhe sorriu docemente.


Os grandes olhos da vampira abriram-se de repente, com o braço esquerdo ela empurrou a tampa do caixão fazendo um estrondo ecoar. Em segundos estava em pé, com a respiração ofegante. Levou as mãos aos cabelos e os puxou com força como se com esse gesto pudesse apagar o sonho. Andando de um lado para o outro, entre a cama e o caixão, tentava inutilmente acalmar-se. Em um súbito momento de ira, levou sua mão até um vaso de flores e o arremessou contra a parede. O pequeno artefato de cristal espatifou-se, fazendo os milhares de pedaços espalharem-se pelo carpete. checou as horas, embora seu relógio biológico vampírico lhe informasse que estava quase anoitecendo. Ela precisava sair dali, queria voltar para Londres mesmo sabendo que a lembrança daquele ser desprezível a acompanharia, pelo menos estaria longe. Não, não poderia deixar sua família em um momento como esse, não agora que precisariam de todos os aliados que estivessem ao alcance. Rosnou contrariada, jogando-se na cama de casal, ficou com os braços esticados e as penas parcialmente para fora da cama. “, seu verme, o que você fez comigo?” Ao pronunciar seu nome, mesmo que mentalmente, sentiu seu estômago afundar. Levantou-se irritada indo em direção ao closet, escolheu um vestido curto azul marinho e sandálias pretas com tiras de couro. Foi em direção ao banheiro e tomou um banho rápido, vestiu-se e desceu a escadaria sinuosa lentamente. A casa estava silenciosa até demais, era noite de caça.

Capítulo V – Deusa da noite

A temperatura baixava gradualmente, o inverno se aproximava, isso podia ser sentido na pele, literalmente, dos mortais, claro. O letreiro de neon azul iluminava a entrada da boate. Nix era o nome. Uma longa fila de pessoas esperava do lado de fora do badalado estabelecimento. Assim como uma bagatela dos negócios de Nova York o local pertencia aos vampiros, mas humanos frequentavam.
Logo a direita, na entrada, havia uma escada que levava ao segundo piso, onde ficava o bar e uma pista de dança simples, o primeiro piso era a pista de dança principal com o chão de acrílico que era iluminado por luzes esbranquiçadas, o teto era adornado com outras luzes de diversas cores. No bar era servido desde água sem gás às mais elaboradas bebidas. As pessoas normais e os vampiros iam para se divertir, e claro, cheios de segundas intenções.
A música que dava o ritmo ao começo da noite era I gotta feeling, do Black Eyed Peas, corpos se balançavam e agitavam o ambiente, o DJ, de sua cabine, acenava, pessoas bebendo aqui e acolá, logo estariam bêbadas e sorridentes topando fazer as maiores loucuras de suas vidas.
- Daí eu disse pra ela que se quisesse possuir esse corpinho teria que fazer por merecer. – Eddie contava suas anedotas e Adam ria, os dois já estavam quase entregues ao coma alcoólico e riam de qualquer baboseira, isso que não fazia muito tempo que estavam ali, eles ficavam bêbados fácil. Fracotes, como debochava .
- Hey, Mortícia! Venha cá, megera! – Eddie acenava feliz.
- O que você quer, urubu? – aproximou-se, acabara de chegar.
- Só queremos que se divirta! – Adam disse dando um golinho em sua vodka.
- Maricas!! – gritou Eddie explodindo em risadas ao ver o amigo beber devagar.
- Estou degustando. – deu de ombros.
os observava atônita, não sabia se saia dali e fingia que não os conhecia ou se enfiava uma estava em cada um.
Eddie deu um belo gole em seu cuba libre, bebida de mulherzinha segundo , e gritou:
- HEY, ADAM, ATÉ O CHÃO! – puxou o vampiro para a pista de dança.
- Viadagem pura esses dois. – comentou para si, sorrindo.
- Eu os acho divertidos. – uma voz conhecida sussurrou em seu ouvido.
congelou no lugar, a respiração ficou acelerada, e seu coração, se não estivesse morto, estaria pulsando vergonhosamente. Ela girou o corpo e se pôs na defensiva, se afastando dois passos para trás. ergueu sua sobrancelha irônico.
- Você tem que ficar mais atenta, , eu poderia tê-la atacado fácil, fácil.
- Você? Me atacar? – desdenhou.
- Não esqueça que nossas famílias são rivais, na verdade, eu terei que atacá-la cedo ou tarde.
Os dois encararam-se com máscaras duras, afinal, era a realidade, uma hora o confronto chegaria.
- Mal posso esperar para chutar esse teu traseiro branquelo. – disse em tom superior.
- Naquela noite você não se importou de apertá-lo, se bem me lembro…
- Argh! – rosnou, virando-se para ir embora. - Eu devia chutá-lo no cérebro para ver se esquece disso. Eu já esqueci!
- Mentirosa! – irritou-se e puxou o braço de , os dois ficaram encarando-se novamente, olhares fixos, respirações descompassadas, narizes a poucos centímetros de distância, quando suas bocas estavam perigosamente perto…
- AH MULEQUE! EU ME DIVIRTO! – Eddie surgiu no meio da multidão puxando, novamente, Adam.
deu uma última olhada em e saiu de perto.
A vampira inconformada com aquele mais novo encontro sentou-se em um dos pufes espalhados pelo andar superior e bebericou seu drinque. As primeiras notas de Bad Romance, da Lady Gaga, começaram. Ela levantou seus olhos até o outro lado do recinto e sua mão fechou em torno do copo, quebrando-o, tamanha sua força. Os olhos semicerrados não perdiam um movimento daquela biscate sobre aquele infeliz. estava com uma mulher, uma vampira, sobre si, ao beijos. Para ver aquilo era como enfiar uma estaca em seu coraçãozinho mau. Uma súbita raiva aflorou dentro de si, nunca antes sentida, e ao mesmo tempo parecia que seu peito estava em carne viva, a ferida pulsava e ardia. Naquela noite, caros leitores, a vampira que se julgava incapaz de sentimentos, conheceu um dos mais avassaladores: o ciúme. Sua vontade era ir até lá e dar uma surra na vadia e arrastar pelos cabelos. E para ficar mais interessante, com sua visão de vampira, pode ver a faceta de deleite de , ele sabia que ela o estava observando, isso deixou constrangida e ao mesmo tempo revoltada, ele fazia de propósito, para atingi-la. Como sabia que ele a estava olhando de volta, cantou com a música, sabendo que ele entenderia o recado. Seus lábios cantaram silenciosamente o refrão:
Caught in a bad romance (Presa em um romance ruim)
Ele lhe sorriu cafajeste. Ela rosnou.
“Ok, , esse jogo dois podem jogar” pensou maldosa, um plano formava-se em sua mente. Levantou-se lentamente, ainda o encarando, e sumiu por entre as pessoas. a procurava com os olhos, ignorando quase completamente a vampira que lhe beijava o pescoço. A música parou de tocar e as pessoas pararam para ver o que acontecia, uma luz branca iluminou uma silhueta no meio da pista, as pessoas se afastaram e Poker Face começou a tocar. A figura feminina se mexia sensual ao som da música. Logo a plateia masculina ficou interessada e uma roda formou-se para apreciar o espetáculo, levantou-se de supetão e abriu caminho até conseguir uma visão privilegiada. Ele sabia que cada mente ali a desejava e isso o deixava em alerta. Suas narinas inflaram quando um homem moreno, alto e musculoso aproximou-se dançando no ritmo, olhou para o vampiro com sorriso nos lábios e cantou:
I'll get him hot, show him what I've got (Eu vou deixá-lo excitado, mostrar o que eu tenho)
estava de costas para o humano que se aproximara, ele mantinha as mãos em sua cintura, e mexiam seus quadris no balanço da música. nem piscava, seus punhos cerrados e o maxilar trincado. O homem desceu suas mãos para os quadris da vampira, ela sabia que estava ficando quente ali, e que não deveria deixá-lo passar do limite, mas ela precisava ir até o fim. Ela se virou de frente para o homem e passou suas delicadas mãos em seu rosto até o tórax, olhou para a esquerda e piscou para , virou-se de costas de novo, e desceu até o chão, deixando seu corpo em contato com o parceiro de dança.
I won't tell you that I love you (Eu não vou dizer que te amo)
Kiss or hug you (Beijar ou te abraçar)
Cause I'm bluffin' with my muffin (Porque eu estou blefando com as minhas fantasias)
Bom, essa foi a gota d’água. empurrou as pessoas que estavam se aglomerando em sua frente e invadiu a pista de dança, puxou o humano pela gola da camisa e o encarou de perto, expondo seus caninos com rosnado no peito, o jogou para a multidão e agarrou , pondo-a em seu ombro, fazendo-a ficar de cabeça pra baixo. Ela se debatia e o xingava socando suas costas.
- Minha calcinha, ! Me põe no chão, seu ogro!
Ele fingia que não a ouvia e saiu da boate, indo até o estacionamento, lá a colocou no chão e a encarou.
- Seu idiota! – ela berrou.
- Você queria dar um showzinho lá dentro? Parabéns, conseguiu! Quer que eu aplauda? – ele estava visivelmente nervoso, andava de um lado para o outro. – Você tem ideia…? – ele fez uma pausa e parou de andar, ficando de perfil para ela. Ele suspirou, ela ia retrucar quando ele voltou a falar. – Você tem ideia do que eu senti quando… quando você estava lá? – ele a encarou com uma cara de dor. estava em choque, não esperava aquela reação, aquelas palavras, o que elas significavam.
- Você não entende? – ele chegou perto e a segurou pelos braços – Você é minha! – ele disse frio, como se impondo aquilo. Mas seus olhos eram de uma súplica entregue, ele queria que o coração dela o aceitasse.
Para seu estômago estava dando adeus, pois as borboletas nele o estavam levando para fora de seu corpo. A sensação acolhedora era dominante, ela queria chegar mais perto. Parecia que o mundo ao redor deles não existia, o que os mantinha ali era a presença um do outro, nada mais importava, seus rostos próximos, as respirações tornaram-se uma só, um pouco mais…
- MORTÍCIA, CADÊ TU, MULHER? – Eddie saiu cambaleante da boate, rebocando Adam.
Ambos, e , rosnaram quando foram interrompidos.
- OLHA, EDDIE, O INIMIGO! ATACAR! – Adam, mais bêbado ainda, disse apontando para .
- Vocês dois! – chamou – Vamos para casa, essa noite já deu o que tinha que dar.
- Nããão, senhorita! Eu sei o que vocês estavam fazendo! Podem terminar…- Eddie disse todo enrolado pondo um dedo na cara de .
- O que, Ed, o que eles estavam fazendo? – Adam parecia confuso e olhava para cada um ali.
- Nada que seja da sua conta. – o cortou e deu meia volta em direção ao seu carro.
ficou surpresa por não insistir no que estavam fazendo, ou no que estavam quase fazendo, e um tanto decepcionada. Talvez ele tenha recobrado o juízo, se é que um dia já teve.

Capítulo VI – Conversa de academia

- Aaaah, que dor! Eu não sabia que vampiros podiam ter ressaca desse jeito! É tão injusto ser imortal e não poder encher a cara sem sua cabeça quase explodir depois. – dizia Adam, deitado no chão da academia. – E de quem foi a ideia de treinar, hein?
- Da que não conseguia dormir e nos arrastou para cá. Vadia sem coração. – resmungou Eddie, também deitado no chão, que era coberto por um grande colchonete azul marinho, era uma espécie de tatame. estava mais a frente socando um saco de areia.
Todos estavam vestidos para malhar, usava um short de laicra e uma regata branca, Adam um abrigo, e Eddie uma calça preta brilhante colada ao corpo, com uma camiseta do New York Dragons.
- Ah, zinha linda, boneca… Você poderia me explicar o que estava fazendo com o inimigo? – Eddie perguntou ao acaso. socou o saco com tamanha força que arrebentou a corrente que o prendia ao teto.
- Nada, Eddie, ele estava me aporrinhando. Eu estava quase dando uma surra naquele cretino.
- Ah é? – o moreno perguntou semicerrando os olhos. – Dando uma surra com a boca? – sorriu divertido. engasgou com o ar.
- COMO É? – sobressaltou-se Adam, ficando sentado, encarando a irmã com os olhos esbugalhados. Logo se lembrando da dor, levando a mão à cabeça.
- Ah, não se faça de desentendido, Adam! – Eddie sacudiu freneticamente o dedo na direção do vampiro. - O senhor sabe que eles estavam quase numa pegação explícita. – foi a vez de arregalar os olhos.
- Você perdeu a noção do perigo? - Ela correu e tampou a boca de Eddie. – Se Arthur escutar uma coisa dessas, me mata!
- , - Adam usou um tom de voz sério. – isso é verdade? Você e o …?
- Não! – soltou um grito agudo. A vampira deu uma risadinha de nervoso.
- Oh meu Deus! ! – Adam histérico. – Você e ele…? Você e ELE? Oh meu Deus! – Adam estava chocado, a boca abriu-se em “o”.
- É, Mortícia, você está em maus lençóis. – Eddie riu.
- Eu estou ferrada! – A vampira desesperou-se e sentou no chão em posição de índio, escondendo o rosto nas mãos.
- Ah, mas isso nós já sabemos. – Eddie deu de ombros, ela rosnou e ele engoliu em seco.
- Temos que garantir que Arthur não saiba disso. – Adam parecia pensativo. – E isso não pode se repetir, , nunca.
- Eu sei disso! - ela disse rápido, olhando para os pés.

Capítulo VII – Gatunos

A mansão dos estava totalmente iluminada, porém silenciosa. Na grande sala de estar estava a família. Liam sentado em uma poltrona de veludo vermelho, Juliete sentada com as pernas cruzadas no grande sofá bordado em dourado, Vincent em pé escorado na lareira, e com as mãos nos bolsos dos jeans, próximo à janela. Para completar o “time” uma fiel escudeira da família, Laila, em pé do lado da porta dupla da sala. Seu cabelo loiro quase branco, os olhos azuis, rosto de boneca, mas uma assassina e lutadora sem igual.
- Soube por fontes seguras que os tem um plano para ganhar a simpatia dos Lefevre – começou Liam. – Mas nós vamos sair na frente, hoje à noite vocês três me trarão a joia mais cara do mundo.- Juliete fungou inconformada com o fato de a joia não ser para ela.

Enquanto isso, em outro lugar…

- Seu cabeça oca! Dá pra andar logo com isso? – resmungou baixo.
- Minha doce Mortícia… ESTOU FAZENDO O MELHOR AQUI! DÁ LICENÇA? - Eddie inconformado.
- Shhh! – Adam deu um tapa na cabeça de Eddie.
Os três estavam tentando desativar o alarme de segurança da joalheria.
- Eu aqui tentando fazer o meu trabalho digno e honesto e a outra me pentelhado! – Eddie falava sozinho enquanto e Adam esperavam.
- É bom que o retardado saiba o que está fazendo. – disse para o irmão.
- Eu ouvi, tá legal? – Eddie respondeu carrancudo.
Houve um click em algum lugar e a luz verde se transformou em vermelha.
- Que bom que não vamos parar na cadeia por causa do rolha de poço. – caminhou a frente deles. Adam só teve tempo de se atirar em cima de Eddie, que estava prestes a acertar com um chute.
- Pra que lado agora, minha gente? – Eddie, já recomposto, olhava da esquerda para a direita.
O ambiente estava escuro, mas para eles não era problema, enxergavam perfeitamente. A grande joalheria de três andares tinha as mais belas peças de diamantes e das mais diversas cores, mas uma em especial trouxe os vampiros até ali naquela noite. O grande diamante rosa, o mais caro e cobiçado do mundo.
- Vamos procurar. – disse indo para o terceiro andar. – Adam, você fica com o térreo. E Eddie o segundo.
- Quem disse que ela é “the boss”? – Eddie olhou para Adam, que revirou os olhos.
Depois de alguns minutos espiculando o local, Eddie pega o walkie talkie do bolso.
- Aqui é o Falcão Negro para Peru e Pata Choca, cambio.
- Que diabos é isso, urubu? – irritada.
- Fale em codinomes, Pata. Cambio.
- Por que eu tenho que ser o Peru? Cambio. – Adam perguntou chateado.
- Era isso ou Pinto. Cambio. - Eddie segurando a risada.
- Por que você fica com o mais legal? Cambio. – Adam ainda chateado.
- Ah, vão ter essa conversa num motel! – revoltada.
- Por que num motel, Pata? Cambio. – Adam incorporou o personagem.
- Porque vocês só falam de pinto e de peru. – quase riu. Quase. – Cambio. – ela frisou para sacanear.
- Ouviram isso? – Adam estava sério agora.
Os três vampiros pararam de gracinhas e ficaram em posição defensiva, passos podiam ser ouvidos do lado de fora da joalheria. E não eram humanos.

Do lado de fora…

- Sentem esse cheiro? Chegamos tarde, eles já estão aí. – Vincent comentou. Vamos pegá-los! – Laila disse empolgada e de uma maneira nada amigável. a olhou desconfiado.
Os três recém chegados entraram e depararam-se com os outros vampiros em uma linha reta, separados por apenas alguns metros de distância.
- Ora, ora… Se não são os ! – disse em deboche. – Estão aqui para levar uma surra? – riu pelo nariz.
- Vocês é quem vão voltar com os caninos quebrados! – Adam respondeu grosseiro.
Em um impulso Laila pulou em direção à Adam, mas chocou-se contra a vampira em defesa do irmão. Em seguida Vincent e Eddie estavam engalfinhados e Adam e trocavam socos. Um rosnado alto pode ser ouvido e, logo após, o som de vidro se quebrando, pegou Laila pelos cabelos e chocou o rosto da loira contra o balcão.
- Uhh! É isso aí, Mortícia, arrebenta! – Eddie na torcida. Mas nesse momento levou um soco bem dado no maxilar.
deu uma rasteira em Adam, mas este levantou-se girando o corpo e indo em direção ao com um chute alto. desviou, abaixando-se, e logo em seguida agarrando Adam pela cintura, ambos foram de encontro à parede. Um estrondo ecoou e um buraco na parede fora feito. Os dois levantaram-se cheios de pó, mas sem cessar o combate.
estava no teto, jogou seu corpo para baixo e chutou as costelas de Laila. A loira, por sua vez, correu escada acima, sendo seguida por .
Vincent e Eddie trocavam socos e chutes dignos de filmes de artes marciais. Para se vingar e quebrar alguma coisa, Eddie jogou Vincent contra o corrimão da escadaria.
No andar de cima, Laila puxou pela jaqueta e a chocou contra a parede e depois a atirou contra o lado oposto, fazendo-a quebrar uma mesa.
- Você se acha a dona do mundo, não é mesmo? – Laila perguntou, aproximando-se de uma um tanto zonza.
- Do que está falando? – perguntou enquanto tentava se levantar.
- Não se faça de inocente! – ela rosnou e chutou o estômago de , que caiu no chão novamente. Laila abaixou-se e levantou o rosto da morena pelos cabelos. – Você e o meu ! Você vai morrer, , e vai deixá-lo para mim! - riu entre um gemido e outro.
- Pode ficar com aquele otário. Eu não o quero! – Laila puxou pela perna, a girou, lançando-a para o teto. caiu deitada de bruços, tossindo.
- MENTIROSA! - gritou a loira. Ela ia dar mais um chute, mas virou-se e segurou sua perna, girando-a e fazendo-a cair. – Você não vai nos separar, ! Não depois de tantos anos juntos! – Laila parecia uma maníaca possessiva falando. Para ficou claro, eles tinham um caso, isso pareceu afetá-la mais do que os golpes.
Em um súbito momento, as duas correram e se chocaram no ar, caindo com tudo no chão. Em poucos segundos outro estrondo e as duas estavam de volta ao primeiro andar. O chão do segundo piso havia cedido. , mais rápida do que nunca, em meio aquele pó todo, pegou um pedaço de cimento e acertou Laila na cabeça, fazendo-a desmaiar.
- CORRE, CAMBADA! – Eddie gritou esganiçado sacudindo um colar na mão, chutou Vincent para longe e correu através da porta de vidro, sendo seguido por e Adam, este estava sangrando pelo nariz. Toda essa pancadaria pelo sorriso de Ella Lefevre.

Capítulo VIII - A Serpente

- Sabe, , seria bom que você dirigisse com os olhos abertos. – sugeriu Adam do lado do carona, segurando o banco com força.
- De pleno acordo! – falou Eddie com o rosto entre eles, atrás.
O veículo parou no grande estacionamento da boate Nix, a noite estava limpa e com uma temperatura amena para a época do ano.
Os três vampiros saíram do carro e foram em direção a entrada do estabelecimento, o local como sempre estava cheio de gente.
- Ah que ótimo, olha quem está chegando. – disse Eddie apontando para trás com o polegar.
Os outros dois se viraram para ver e se depararam com e Laila caminhando próximos com as mãos quase entrelaçadas. manteve os olhos fixos naquela cena e sentiu algo ruim dentro de si e, claro, a vontade de socar aquele rosto lindo e chutar a vadia.
- Vamos entrar de uma vez. – de repente ficou mal humorada.
A sensação ruim de antes não havia passado, e agora a vampira já não tinha certeza se fora por causa do . O sentimento de pânico parecia crescer dentro de si e algo estava errado, muito errado ali. De repente sua mente passou a buscar pela memória uma lembrança muito antiga, bem nítida e marcante veio à tona.

A lua cheia estava no seu ponto mais alto, o céu completamente limpo, a calmaria da madrugada fazia o vilarejo parecer deserto, a quietude era assombrosa, pois nem os barulhos irritantes de grilos eram ouvidos. Em um chalé mais afastado, próximo a um córrego, uma pequena luz lutava contra a escuridão. Ao lado da vela acesa uma garotinha, encolhida perto da janela, olhava o céu a espera de uma estrela cadente para realizar seu desejo. Um arrepio involuntário passou pelo seu corpo. Algo estava errado, ela sentia, sempre sabia quando uma tempestade estava se aproximando, mas dessa vez era pior, era algo mais devastador que uma tormenta, era algo que deixaria marca.
Uma neblina inesperada começou a se formar no córrego e lentamente ia aumentando de proporção. Logo o vilarejo estava tomado pela densa névoa, e a garotinha assustada apagou a vela e encolheu-se. O vento soprou mais forte, formando um redemoinho. Sob a luz da lua e envolto pela névoa uma criatura surgiu, camuflado na escuridão, o ser sem alma e sem pena de quem possuísse uma, marchava lentamente. A cada passada o frio aumentava, lágrimas grossas caiam dos olhos da pequena garota, ela sabia que algo ruim estava ali, ela sentia a presença. A porta do chalé abriu-se lentamente, sem produzir ruído algum, a neblina se alastrou pela entrada e uma sombra apareceu, os soluços da garotinha eram mais altos agora. Ele estava ali, na sua frente. Com toda a coragem que tinha ela ergueu a cabeça e se deparou com íris vermelhas como o fogo, o manto negro cobrindo aquele ser que carregava nas costas a morte de vários inocentes. Ele possuía cabelos brancos feito leite e extremamente ralos, quem o visse de longe poderia pensar que era careca. Aquele ser trazia consigo todo o mal que nenhum ser humano nunca poderia imaginar, as mãos pálidas e as unhas compridas parecendo de vidro mostravam o quão sobrenatural ele era. Ele sorriu para a pequena .
- Ah... Eu encontrei... - a voz baixa e musical soou. – Perfeita... Você possui dois lados minha criança, há em você a sombra de uma criatura poderosa, ah... Mas eu vejo, sim... Ainda não está pronta... Ó, não ainda... Mas estará... E quando estiver, vamos nos encontrar novamente... – Ele se aproximou, fazendo-a recuar. – Não tenha medo, não vou machucá-la. – sorriu mostrando os dentes pontiagudos.
Ele estendeu a mão, pegando o pulso da menina, uma luz avermelhada formou-se sob a palma da criatura. Uma queimação a pequena garota sentiu no local. Estava marcada, não só o seu corpo, mas sua alma também. Com uma gargalhada cruel ele transformou-se em uma grande cobra preta com olhos vermelhos e, como num passe de mágica, desapareceu. A névoa que invadia a casa se transformou em chamas, em segundos o velho chalé estava tomado por elas, não conseguiu salvar os pais que dormiam. Ela correu para fora da casa, ficando de joelhos na grama, vendo aqueles que lhe deram a vida perder a deles. Olhou para o pulso esquerdo, na parte interna, agora com uma serpente enrolada em um punhal, a pequena tatuagem representava um destino incerto e eternamente amaldiçoado.


abriu os olhos, pegou sua vodka e bebeu de uma só vez, estaria suando, se isso fosse possível. Lembrar do passado só piorou a estranha sensação, a mesma sensação de quando ele veio. Ela sabia o que isso significava, mas relutava em aceitar, negaria até o último momento. O lugar parecia estar ficando pequeno, precisava sair dali. Marchou em direção à saída, apressada. Parecia que o ar não lhe entrava nos pulmões, que iria sufocar, mesmo não precisando respirar. No lado de fora a sensação não melhorou muito.
- ! – estava em seu encalço.
- Me deixa, ! – ela apertou o passo.
- Precisamos conversar. – ele a puxou pelo braço.
- Agora não é uma boa hora, . – o ar parecia rarefeito e uma tontura a atingiu.
Por reflexo a segurou antes que caísse. Ele a mantinha firme em seus braços, o rosto tenso e preocupado, nunca vira um vampiro assim.
- O que houve? O que você tem? – sua voz era urgente.
- Nada. – tentou desvencilhar-se. Ela foi para mais longe dele cambaleante.
- ! – usou um tom de alerta. – O que há? – tentou aproximar-se novamente.
não sabia explicar o mal estar dentro de si, algo estava vindo à tona, ela sentia. De repente ela soltou um grito agudo e caiu de joelhos com as mãos na cabeça, preocupado correu e a acolheu em seu abraço protetor. Ele não sabia o que fazer, o que estava se passando. A vampira levou a mão ao pulso esquerdo, a mesma dor da cabeça se concentrava ali, queimando, como na vez em que fora feita.
Do nada, como se fosse puxada para uma outra realidade, estava em um cemitério, mas não um cemitério qualquer, ele estava destruído e havia fogo em todo o lugar, o céu parecia estar em chamas, ela podia sentir a presença maligna ali, criaturas começaram a rastejar, cobras negras indo em direção a uma enorme cripta. olhava aquilo tudo atônita. O fogo saiu de dentro da cripta e dele surge uma criatura, arregalou os olhos e sentiu o pânico tomando conta de si. Era ele, a terrível criatura daquela noite, que matou seus pais e que a marcou. Ele havia retornado.
- Olá, minha criança. – Ele disse com sua voz mansa e rouca. – Nos encontramos de novo.
- Não! Isso não é real! – desesperou-se.
- Ó, acredite, minha querida, isso é tão real quanto você.
- O que você quer? – cuspiu as palavras.
- O que eu quero? Eu quero o mundo! Eu sou Arok, o senhor dos loucos! - sua risada soou macabra.
- ! !- a chacoalhava nervoso. – Por favor, amor, acorde. - estava inconsciente nos braços de .
- O que você fez? – Adam gritou vindo em direção aos dois.
A vampira abriu os olhos assustada e encarou , mesmo os dois tão próximos não a fez esquecer o que vira. Ela levantou apressada e saiu correndo a toda velocidade vampírica.

Cemitério de Fairview, Halifax

O vento uivava como um lobo sua melodia na noite escura, ele parecia correr por entre as árvores do velho cemitério, seu sopro e o farfalhar das folhas eram ouvidos. O som de uma coruja mostrava que apesar da paisagem parecer deserta, era um erro achar que nada se escondia no escuro. A noite, por mais sombria que fosse, mantinha o ar majestoso, mostrando, àqueles capazes de ver, sua beleza fantasmagórica.
Os apreciadores da lua poderiam vê-la em sua plenitude, a grande esfera branca jogava feixes de luz sobre a terra escura, iluminando o caminho de uma criatura distinta. Sua natureza se misturava ao que a cercava, tornando ela e o ambiente noturno um só. Seus instintos mais primitivos eram despertados pela noite, o lado mais animal, pode-se dizer mais letal e natural afloravam.

Capítulo IX – Surprise

O céu negro era iluminado pelos trovões que cortavam a escuridão, deixando para trás marcas de terror em pequenas crianças que não conseguiam dormir naquela noite, talvez não em apenas crianças, mas também em criaturas do submundo que foram eleitas pelo mal. A vampira de longos cabelos castanhos andava sem rumo pelo Central Park, um lugar que julgava calmo e acolhedor. Ela precisava de paz naquele momento, porém suas emoções estavam em conflito e a sensação de morte não lhe deixava. Sua marca e cabeça ainda doíam, mas não tanto quanto antes. Sentou-se em um banco e ficou admirando as árvores balançarem no ritmo do vento. baixou a cabeça e deu um sorriso triste.
- Eu sabia que ela estaria aqui! Eu sempre tenho razão. – a voz estridente de Eddie cortou o silêncio.
- Eu sempre tenho razão... Blargh! - Adam numa tentativa falha de imitar a voz do amigo.
Os dois sentaram-se um de cada lado de , e Eddie pigarreou.
- Então, dona Mortícia, pode começar a falar. – o moreno intimou.
- Olha, , não queremos pressionar. – Adam olhou feio para Eddie, este por sua vez mostrou-lhe a língua.
- Ah, queremos sim! Anda, , vai falando, desembucha, menina. – Eddie deu um tapinha em seu ombro.
virou-se para ele com uma sobrancelha erguida, sua típica poker face.
- Eu não devo satisfação a vocês, debilóides.
- Eu disse que era pra chegar com jeitinho, palerma! – Adam espichou-se por trás de e sussurrou para Eddie como se não fosse ouvir.
- Tá legal – Eddie levou as mãos para o alto – não vamos insistir.
- Quando quiser conversar, estaremos aqui pra você, só estamos preocupados. – Adam tocou-lhe o ombro. – Agora vamos embora que vai cair o maior temporal.
Quando os três vampiros chegaram, a casa estava completamente escura, os outros membros do clã estavam viajando a negócios e provavelmente se esbaldando na caçada, a casa estava só pra eles esta noite.
- Poderíamos dar uma festa! Colocar uns balões e confetes – Eddie fez uma dancinha estranha.
- Ah, vai sonhando...- Adam cortou-o.
- Você parece uma velha!
- E você uma bichona. – Adam deu de ombros. E olhou de canto para , que estava quieta. Estranho. Ela não perderia a oportunidade de mandar alguém calar a boca.
Já em seu quarto observava sua imagem refletida no grande espelho ao lado de seu closet, ela vestia sua camisola preta de seda, ia até o meio das coxas e seu colo volumoso ficava em evidência pelo corte em v da peça. Levou sua mão à tatuagem e a acariciou, com um suspiro cansado, um soluço escapou. Lágrimas não vinham mais desde que se tornara imortal. Seu corpo ficou rígido de repente e se virou rapidamente para a sacada. Ele estava ali.
- ? O que faz aqui? Isso é invasão, sabia?
Ele nada respondeu, apenas saiu de sua posição escorada no batente da sacada e ficou ereto, observando-a de cima a baixo. Seu interior se aqueceu ao vê-la e o desejo lhe consumia.
- Só vim checar se você estava bem.
ficou sem palavras naquele momento. Ele poderia ser mais fofo? Não! Esses pensamentos não poderiam acontecer.
- Estou ótima. Pode ir embora.
- Não é o que parecia há segundos atrás. Você estava chorando. O que há? Pode confiar em mim.
- Confiar no inimigo? Muito sensato de minha parte.
- Não quero ser seu inimigo... Quero ser seu... - ele deixou a frase no ar. Ela prendeu a respiração. Com passos lentos ele se aproximava e ela recuava.
- Eu sonho com você todas as noites, . Deixe-me mostrar-lhe o que sinto.
- Você só pode estar louco. – ela disse em um sussurro, suas bocas próximas, quase se roçando.
- Louco por você. – ele acariciou a face delicada dela, fazendo-a fechar os olhos. –Por que negar o que sentimos? Se quando estamos juntos nada parece mais certo. Seu corpo com o meu é como um quebra-cabeças completo. Seu cheiro com o meu forma um perfume perfeito, sua boca com a minha têm um sabor delicioso. Não vê, meu amor? Fomos feitos um para o outro.
Por um momento parecia entregue ao encanto do vampiro, mas um choque de realidade a despertou.
- E a Laila nessa história? – ela o empurrou pra longe com um rosnado. Ele bufou inconformado.
- O que tem ela?
- Como o que tem ela? Vocês têm um caso! Não seja cachorro e assuma! – o olhava com raiva.
- Isso foi há muito tempo. Está tudo acabado.
- Bem, parece que pra ela não está!
- ... - ele segurou a risada para não irritá-la mais - você está com ciúmes?
- O que? – a voz da vampira saiu mais alta do que pretendia. – Claro que não, , não seja ridículo! Por favor!
- Sei... - ele voltou a se aproximar e ela novamente recuou. – Vamos parar com esse joguinho, eu... eu gosto de você, .
Ok, agora era a hora em que a vampira iria desmaiar. Ela estava estática, sem piscar, apenas encarando os olhos castanhos brilhantes de quando ele disse aquilo. Mas ele queria dizer mais, queria dizer que a amava, porém isso seria demais para ela, e ele sabia.
Não havia mais o que ser dito, palavras não poderiam descrever o que os dois sentiram quando envolveu a cintura fina da vampira com seus braços másculos, ela colocou suas pequenas mãos em seus ombros largos e uma foi até o cabelo macio dele. levou seus rosto até o dela e sem hesitar tocou os lábios macios de sua vampira. O beijo era calmo e profundo, as mãos grandes dele passeavam pelas costas dela, deixando um rastro quente de desejo. Ela usou suas unhas afiadas para arranhar-lhe o peitoral, ele correspondeu com um rosnado baixo, fazendo-a sorrir. Ela foi devagar o empurrando até a borda da cama. Agora estava sentado com em seu colo. Ela alternava suas mãos entre os cabelos dele e suas costas. Ele usava suas duas mãos para fazer pressão nos glúteos dela, fazendo-a soltar suspiros excitantes. friccionava seu quadril no de , fazendo-o apertá-la mais contra si. As línguas não se cansavam do trabalho de se massagearem. subiu sua mão para cima até o ombro dela, deslizando as alças da camisola. separou-se dele apenas para rasgar-lhe a camisa de botões.
- Ui, que selvagem. Gostei. – ele brincou. Ela apenas deu-lhe um tapa no ombro desnudo e voltou a beijá-lo.
Meio com pressa inverteu as posições, ficando por cima de na cama, ela mantinha as pernas entreabertas para acomodá-lo. beijava os seios dela sem pudor algum, sugando e apertando os mamilos sem medir força, fazendo-a gemer seu nome, o que o deixava em êxtase.
- , por favor. – ela pediu baixinho.
- Hmm? – ele segurou o riso e ela revirou os olhos.
- Você tem que estragar o momento?
- Você me quer? – ele ignorou a pergunta dela e a olhou fundo nos olhos, esperando uma resposta. Ela hesitou e correspondeu o olhar intensamente.
- Mais que tudo. – ele abriu um sorriso que mal lhe cabia na face e ela o puxou para um beijo caloroso.
As últimas peças de roupas já estavam perdidas em algum lugar do quarto. beijava faminto o pescoço de e ela erguia o quadril em direção a ereção dele.
- Calma, pequena. – ele murmurou rouco. Ela bufou contrariada e ele sorriu.
- , se você não colocar isso pra dentro de mim agora eu juro que te mato! - ela rosnou.
Ele a penetrou de uma vez, rápido e preciso, fazendo-a soltar um grito de surpresa e prazer. Agora estavam completos. Sem pensar, iniciou os movimentos, sentindo o calor que emanava dela e sussurrando seu nome.
- Tão apertada. Ah! – ele grunhiu em seu ouvido com sua voz sensual. – Gostosa. – ela gemeu em resposta.
Com uma mão ele puxou o cabelo dela e a beijou, começando a acelerar os movimentos. Ela desceu suas delicadas mãos aos glúteos firmes dele, apertando-os e silenciosamente pedindo por mais velocidade.
Ambos estavam no limite, estava quase explodindo, apertou os seios dela com a mãos livre e pediu baixinho:
- Goza pra mim, .
Foi o que precisava para agarrar-se com mais força nos ombros de , soltando um grito agudo de prazer. Mais duas investidas e ele derramou-se dentro dela, deixando seu corpo cair sobre ela. As respirações ofegantes denunciavam o cansaço e a satisfação.
- Isso... foi... Wow. – disse entre lufadas de ar. Ela lhe sorriu e o puxou para se aconchegar em seu colo, acariciando seus cabelos loiros.
Tudo parecia tão certo naquele momento, respirava tranquilamente e parecia serena deitada sobre seu peito. Até que de supetão a porta do quarto da vampira é aberta. Os dois que antes estavam quase entregues ao mundo dos sonhos sentaram-se de repente, cobria o colo com o lençol e olhava com os olhos arregalados para a porta. estava estático ao seu lado.
- , BANDIDA! VOCÊ ESTAVA FORNICANDO COM O INIMIGO? – Eddie exaltado com as mãos na cabeça.
- Hehe... Eu... bem... Oh Gosh! Que vergonha! Ser pega em flagrante pelo Gordo e o Magro. – enterrou o rosto nas mãos.
- Só queríamos avisar que Arthur está chegando. – Adam disse sem emoção.
- Espera aí, não vão contar? – perguntou confuso.
- Não queremos ver encrencada. – Adam deu de ombros.
- Ah, você não quer, mas e eu? – Eddie dizia chateado. Adam deu-lhe um tapa na cabeça.
- Obrigado por não contarem. – disse envergonhada, mas agradecida.

Eddie e Adam saíram do quarto discutindo a hipótese de chantagear mais tarde. apressou-se em vestir-se. Ele olhou para a vampira que já estava novamente com a camisola, ele se aproximou.
- , eu...
- Não diga nada, apenas me dê um tempo. – ela disse abraçando o próprio corpo, numa clara posição para mantê-lo longe. – Estou confusa e não é o melhor momento para discutirmos isso.
- Vai fazer que nem da outra vez? Depois que transamos você some no mundo? Encare as coisas, , você não é mais criança. – Ele disse um pouco irritado.
- Não me peça pra agir como se soubesse o que estou fazendo, ! – ela alterou o tom de voz, encarando-o furiosa.
- Só estou pedindo que siga seu coração!
- Mas quem disse que ele é sensato?
- O coração nunca mente, . Apenas pense. – ele disse suspirando calmamente.
Quando voltou-se para a janela, soltou um grito de dor e jogou-se de joelhos no chão com as mãos na cabeça. voltou-se pra ela e a amparou.
- ? Fala comigo! – Ele a segurava enquanto ela soluçava e mantinha as mãos na cabeça.
- O que houve? – Adam abriu a porta do quarto, seguido de Eddie.
- Eu não sei, de repente ela ficou assim. – tinha a voz urgente.
- Ele... - disse sussurrando – Ele está lá fora. – assim que terminou de falar apagou.

Capítulo X - Cause you and I, we were born to die

O rosnado de Arthur era alto e forte, estava deitada em uma mesa de mármore na cripta abaixo da mansão, onde estavam Arthur, Eddie, Adam e . Arthur estava borbulhando de ira após saber que sua preciosa cria estava de caso com um , e agora estava agoniado, pois estava em uma espécie de coma.
- Você se considere morto de vez, ! Nunca mais tocará nela! – Arthur ameaçava e apenas o olhava.
- O que vamos fazer? E quem está lá fora? – Eddie olhava apreensivo.

Em um lugar sombrio no subconsciente da vampira...

piscou os olhos algumas vezes e enxergou o céu, aquele céu estranhamente familiar, pintado de vermelho. Levantou-se desajeitadamente e olhou em volta, estava de volta ao velho cemitério.
- Trouxe você aqui para fazer-lhe um convite.- a voz assombrosa saiu do meio do fogo. E a imagem da criatura demoníaca sorria-lhe acolhedoramente, quase paternal.
- Não quero nada com você! Deixe-me em paz! – gritou e deu meia volta. Ele a puxou sem usar as mãos e a manteve perto de si.
- Não entende que foi marcada? É o destino, , estamos ligados até a morte e além. E a Terra é o nosso parque de diversões. Não vê? Juntos seremos imbatíveis. Aceite tornar-se como eu e terá poderes sem limites. Não me faça achar que fiz a escolha errada. Porque não fiz, menina. Você será como eu, um ser vil, um demônio!
- Eu não quero ser como você, desgraça! – rugiu.
- Pois bem... Então morrerá como os seus amigos! – a raiva era explícita na voz do demônio.
As chamas tomaram o corpo de sem que ela pudesse fazer algo para impedir. Quando ela abriu os olhos novamente viu ao seu redor aqueles que mais amava, tirando Eddie. Ela não amava Eddie! Ou pelos menos achava que não. Havia despertado daquele sonho maluco.
- ... - Arthur acariciou-lhe o rosto, ela sentou-se e encarou-os.
- Acho que nos deve uma explicação do que está acontecendo com você. – disse sério.
- Está bem... Um demônio, ele me marcou quando eu era uma criança. – ela ergueu a marca para todos – E agora ele veio atrás de mim para me juntar a ele. Mas eu recusei, então ele virá para me matar e quem entrar em seu caminho.
- Sabe que não vamos permitir, não é? – Adam disse, olhando-a.
- Ele é uma criatura sobrenatural até pra nós. Não creio que possamos matá-lo. – disse com receio.
- Mas não vamos entregá-la de bandeja pra ele! – disse irritado. sorriu com a demonstração de afeto por si.
- Tenho que concordar com o dessa vez. Vamos descobrir um jeito de detê-lo. Eddie e Adam, pesquisem como matamos um demônio. , é melhor você ficar na cripta, estará mais segura aqui. – Arthur parecia preocupado, o cenho franzido não deixava transparecer o contrário. Eddie e Adam assentiram e foram cumprir a tarefa.
- Arthur, não creio que eu esteja segura em lugar nenhum. Ele pode me encontrar facilmente.
- Eu fico com você. – decretou, certo de que Arthur não se oporia. E de fato não o fez. A situação pedia que se unissem.
A chuva não dava trégua naquela noite, raios e relâmpagos travavam uma batalha sem vencedor no céu, iluminado a mansão dos . Parecia que estavam eufóricos com o que aconteceria naquela noite sombria. Dois destinos ligados pelo mal teriam um fim, ou um novo começo. vestida para matar, como brincou , esperava na cripta, vestida com seus jeans favoritos e uma camisa de mangas compridas preta, tinha em suas mãos um pergaminho, lia atentamente o manuscrito antigo. analisava um punhal com o desenho de um dragão, com um rubi no cabo. Eddie e Adam jogavam pedra, papel, tesoura. Arthur estava sentado em uma poltrona de pedra e estava imóvel.
- Eu deveria fazer isso. – o ancião levantou-se.
- Não. Já falamos sobre isso, a responsabilidade é minha. – disse irritada. - E ele não virá sozinho, vocês terão com o que se ocupar.

“Um vampiro virar demônio é possível quando o mesmo é marcado por um da espécie. Isso é um acontecimento secular e raro, apenas a criança nascida sob um signo ruim é capaz de carregar tamanho mal. A única forma de matar um demônio desses é com a chamada Adaga do Dragão. Diz a lenda que a adaga possui poderes sobrenaturais, pois seu interior é feito com uma presa de dragão e batizada em um ritual com o sangue do mesmo.” Era essa a mensagem do velho pergaminho.
O relógio de parede anunciou meia noite, trovões cada vez mais audíveis tomavam o céu. Lá fora a criatura diante dos portões dava seus passos lentos e atrás de si seus vampiros de guarda. A longa capa do demônio estava em uma dança silenciosa com a ventania. O sorriso estampado na face leitosa de Arok era sádico. Com um salto ele pulou os portões. Na porta de entrada da mansão estava parada com o punhal, era escoltada por , Arthur, Eddie e Adam. Naquela noite sangue seria derramado de ambos os lados.
olhou para o seu lado direito e encarou os olhos de , ele a encarou de volta em uma despedida silenciosa. Com um rosnado um dos seguidores de Arok tomou a iniciativa do ataque, fazendo com que Eddie desse um grito de guerra com sua vozinha aguda, partindo para cima também. Logo em seguida, os outros foram motivados a atacar também. A luta entre os vampiros era como uma valsa, apesar de não ensaiada, ainda assim graciosa. A chuva já havia deixado todos molhados, o chão era escorregadio, as estacas que todos seguravam eram miradas nos corações, afiadas e prontas para matar. Arok tirou sua capa, revelando-se para a, até então imóvel, . Ela rosnou quando viu que ele trazia consigo uma estaca. Os dois foram ao encontro um do outro no mesmo instante, passou a adaga próxima ao peito de Arok, este, por sua vez, desviou, virando-se e investindo contra a vampira. A luta parecia programada, cada movimento de ataque era bloqueado, e cada tentativa de furar um ao outro era por pouco. Um raio caiu na torre da mansão, fazendo um clarão banhar e iluminar a todos, estava obtendo sucesso em sua luta. Arthur acabara de finalizar mais um vampiro, quando outro cravou a estaca por trás em suas costas, o vampiro mais velho gritou e se afastou. acabou com o qual machucara Arthur. Eddie fazia umas espécies de cambalhotas no ar, que confundia os vampiros, Adam tentava imitá-lo.
Agora o jogo estava equilibrado, cinco contra cinco. Um vampiro se chocou contra seu mestre e o fez cambalear. aproveitou a chance e deu uma rasteira em Arok, o senhor da noite caiu e puxou consigo, os dois rolavam pelo chão tentando ganhar vantagem. Em um segundo tudo parecia bem, até que os outros vampiros puderam distinguir rosnados de dor. Alguém fora atingido e não fora de raspão. estava de costas para todos, levantou-se de cima de Arok, os outros pararam de lutar, Arok tinha um sorriso nos lábios como se soubesse de algo, e tinha o punhal cravado em seu coração. suspirou aliviado e os capangas de Arok fugiram. deu uns passos para trás e caiu de joelhos, correu até ela e viu que a vampira tinha uma estaca no peito.
- … não… por favor…
A vampira nada respondeu, apenas o encarou e de repente o brilho em seu olhar se apagou. Estava morta. Os soluços de eram altos e ele a abraçava apertado. Adam e Eddie soluçavam baixinho em pé ao lado do corpo. Arthur se afastou e olhou para o céu. A chuva havia parado e agora o céu enegrecido dava espaço à lua cheia mais bonita que o ancião já vira.
- Eu te amo. Muito. – disse no ouvido de e a encarou como se esperasse que ela abrisse os olhos. Mas ela não o fez.
Os olhos de nunca mais seriam os mesmo, com aquele brilho, cheio de vida.

“Porque tu livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés da queda.” Salmo 116

N/A: Colé, menines?!?! *flashes e pupurinas* Lini W. na área... Então, minhas lindas, chegamos ao fim dessa fic! E quero que me digam o que acharam, viu? E só tenho a agradecer a todas e a cada uma! E um mega agradecimento a minha betalicious Letii *----* até a próxima, talvez mais cedo do que pensam haha q- beijos, tchê!

Nota da Beta: Hey, pessoa! Só pra avisar que se você encontrar qualquer erro na fic pode entrar em contato comigo por e-mail ou pelo twitter. E não custa nada deixar um comentário pra fazer uma autora feliz, porque ela merece.
Letii

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