
Fic por: Isabela H.
Beta-Reader: Lara Scheffer
PRÓLOGO
Mais uma noite em que eu mal dormi, pensando em onde e como está o meu bebê. Mais uma noite em que, se eu pego no sono, acordo assustada com algum pesadelo horrível a envolvendo. Acordo sabendo que o pior dos pesadelos é o que eu estou vivendo. Dez longos dias sem ela. Dez dias que parecem uma eternidade. Dez tristes dias sem a sua presença, sem o seu sorriso, sem ouvir seu chorinho, sem o seu olhar, sem seus lindos e brilhantes olhos , sem poder segurá-la em meu colo e enchê-la de beijos. Dez dias sem a minha princesinha, sem a minha boneca, sem a minha menina, sem a minha filha.
Desde que ela sumiu, desde que foi tirada de meus braços, sinto-me vazia, sem vida. Não sei mais o que fazer, não tenho forças para reagir. Mas eu irei. Ela é o meu bem mais precioso, o meu maior tesouro e eu a quero de volta em casa, quero poder niná-la em meu colo e velar seus sonhos, como sempre fazia. Eu quero e eu preciso da minha comigo. A minha linda, a pessoa mais importante da minha vida, que foi tirada de mim de uma maneira tão fria, de uma maneira tão cruel. Eu preciso encontrá-la, e eu irei. Mesmo que para isso eu tenha que enfrentar tudo e todos. Mesmo que para isso eu tenha que ir até o fim do mundo. Mesmo que eu tenha que fazer tudo sozinha. Mesmo que eu tenha que fazer justiça com as minhas próprias mãos. É a minha filha, a pessoa que eu mais amo na vida, a pessoa que mais precisa de mim. Eu a encontrarei. E isso não irá demorar.
CAPÍTULO UM
A lua cheia que brilhava no alto do céu bastante negro indicava que já era noite. Lá fora, uma chuva fina caía e um vento frio entrava pela janela da sala da casa de .
Ela estava deitada em seu sofá de cor clara, com a cabeça sobre uma almofada e as mãos sobre sua barriga. Estava fazendo cinco anos de namoro com e iria aproveitar essa ocasião para contar o que vinha perturbando seus pensamentos há poucos meses. Não que ela não tivesse gostado da novidade, porque ela tinha amado, mas porque não sabia qual seria a reação do seu namorado.
Havia preparado um jantar especial, mas já era tarde e ainda não havia chegado. Ele estava no ensaio de sua banda, mas depois iria à casa de .
Sua demora estava fazendo com que sua namorada ficasse mais nervosa do que já estava, mas ela sabia que uma hora ele iria chegar.
Ela havia cochilado naquele sofá, mas acordou quando sentiu alguém mexendo em seu cabelo de uma forma carinhosa. Abriu os olhos e um largo sorriso apareceu em seu rosto. Era ele. Era quem ela tanto esperava.
- Me desculpe pela demora, meu amor. O ensaio da banda só acabou agora, porque os meninos demoraram um pouco para chegar. – disse , aproximando seus lábios dos de , em um beijo rápido.
- Tudo bem, eu entendo. – forçou um sorriso e sentou-se no sofá.
- Mas você até dormiu me esperando. Vi que você preparou um jantar para nós dois, teve todo esse trabalho para nada. – sentou-se ao lado da namorada e a abraçou de lado. – E você está gelada! Espera, vou buscar um edredom lá no quarto. – disse e saiu.
estava demorando muito para quem havia ido buscar um edredom em um quarto que nem ficava longe da sala. O medo de era que ele tivesse visto alguma coisa no quarto e descoberto sobre a gravidez antes mesmo de ela contar.
- ! Não está achando o edredom? Está no lugar de sempre: na parte de cima do armário. – disse ela, em voz alta.
Ele não respondeu nada, mas apareceu na sala logo em seguida. Além do edredom, havia uma caixa em sua mão direita. Uma caixa de presente. Aproximou-se de e sentou-se novamente ao seu lado.
- O que é isso, ? – perguntou, assim que ele entregou para ela a tal caixa e voltou a abraçá-la, mas, dessa vez, cobrindo os dois com o edredom que trouxera.
- É o seu presente. Não esqueci que estamos fazendo cinco anos de namoro hoje. Abra a caixa!
- Na verdade, cinco anos e um dia. Estamos de madrugada. – disse e riu, abrindo com cuidado a caixa do presente.
- Ok, essa eu mereci. – forçou uma triste expressão.
- Estou brincando, seu bobo, e... Meu Deus, ! Que lindo! Eu amei! – a garota beijou o namorado.
- Esse colar com o símbolo do infinito representa o nosso amor. Representa o que eu sinto por você. O que eu jamais conseguirei expressar com palavras. Posso usar todas as músicas, todas as palavras bonitas que eu conheço, mas nunca será o suficiente. O meu amor por você é o maior do mundo. Não há pessoa que eu ame mais e que queira passar o resto da minha vida. Quando eu não estiver aqui e você sentir saudade de mim, você pode olhar para esse colar e para aquela lua tão linda que está lá no céu iluminando essa nossa noite tão especial e irá me sentir, de alguma forma, aqui com você. Eu te amo, . Mais do que qualquer coisa e mais do que você possa imaginar. – disse ele, colocando o colar em sua namorada, que já se desmanchava em lágrimas.
- Você queria me fazer chorar? Era esse o propósito? Porque se era, você conseguiu. Eu estou completamente sem palavras para tudo isso. Então eu faço minhas as suas palavras. Eu te amo tanto, mas tanto... - abraçou seu namorado fortemente.
Os dois ficaram juntos naquele sofá, sem dizer uma única palavra, por um bom tempo. tinha sua cabeça encostada no peito de enquanto ele voltava a mexer em seu cabelo, fazendo com que ela fechasse os olhos. Eles costumavam ficar assim às vezes, só para aproveitar o momento que tinham juntos.
Conheceram-se quando ela ainda tinha dezoito anos e ele dezenove. A prima de , , é uma das melhores amigas de . Talvez a melhor. E foi a amizade das duas que fez os dois se conhecerem. Desde então, não se largaram mais. Foi uma espécie de amor à primeira vista, mesmo que isso pareça meio idiota. Para eles, entre as coisas relacionadas ao amor, nada era idiota. Um tinha um amor incondicional pelo outro e todas as pessoas de fora sabiam disso. Formavam um lindo casal, talvez o mais lindo de todos.
Os dois tinham terminado a faculdade recentemente. Ela havia cursado Pedagogia, porque gostava muito de crianças e também amava ensinar. Mesmo que o salário não fosse lá mil maravilhas, ela quase não precisava daquele dinheiro mesmo. Fazia por amor. Vinha de uma família com bastante dinheiro. Já ele, havia cursado Economia. Não gostava disso, mas havia feito só para agradar seu pai. Sua família tinha as mesmas ou talvez até mais condições que a de .
Além disso, tem uma banda com seus amigos. Uma banda que está no começo do sucesso, mas que já se pode prever um grande futuro.
Após um tempo daquela maneira, sentou-se direito no sofá e olhou para com uma expressão séria. Ela estava pensando em como contar para ele sobre sua gravidez e ainda estava com medo de sua reação, mesmo com toda aquela demonstração de amor que tivera.
- Aconteceu alguma coisa que eu deveria saber, ? – ele perguntou, preocupado.
- Não. Está tudo bem. – pensou um pouco – Na verdade, eu preciso te contar uma coisa.
- Eu sei que precisa. Te conheço muito bem e sei que quando você fica assim é porque tem alguma coisa para me contar.
- É que... Eu não sei como te contar. Não sei por onde começar.
- Pelo começo! – disse, como se fosse óbvio, mas ela sabia que era apenas para descontrair. – Vem aqui, não precisa ter medo de me contar as coisas. Sabe que pode falar comigo sobre tudo. – puxou-a para perto.
- Eu sei, amor. Mas não é tão simples assim.
- Apenas me conte, . Estou ficando preocupado agora. – segurou levemente o queixo dela para que ela olhasse para ele.
- Eu estou grávida. – disse, em um impulso.
O silêncio reinou naquela sala, estava olhando para todos os lugares possíveis, menos para os olhos de , que a essa hora já estava chorando.
- Fala alguma coisa, . Por favor! – pediu, virando o rosto dele para ela.
- O que você quer que eu diga? Que eu amei a notícia e que estou preparado para brincar de casinha nesse momento da minha vida? – qualquer um poderia perceber a raiva que ele estava sentindo apenas pelo tom de sua voz.
- E você acha que eu também não estou assustada? Eu tenho 23 anos, ! Eu sou tão nova quanto você. Mas agora já está feito, esse bebê já está dentro de mim e eu não posso fazer nada. – alterou o tom de voz.
- Pode sim. Você pode tirá-lo daí. – disse, com descaso.
- Está louco? Eu jamais faria isso com o meu bebê. Eu não o perderia por nada. Eu já o amo, ele já faz parte da minha vida. Eu pensei que você fosse se assustar, que não gostaria da ideia no início, mas que me apoiaria e não que me mandaria tirar o nosso bebê. – a garota chorava, agora de soluçar.
- Eu não vou perder a minha vida por causa disso, . A banda está começando a fazer sucesso, está precisando de mim. Eu não posso me ausentar, não posso deixar os meninos agora. Eu não quero isso.
- E a sua banda é mais importante do que um bebê seu que está para nascer? A sua banda é mais importante do que eu? Depois de todas essas coisas que você me disse, ... Eu realmente acreditei em todas elas porque eu também me sinto assim em relação a você. Mas vejo que da sua boca saíram apenas mentiras, apenas coisas da boca para fora.
- Eu não menti, . Eu te amo. Eu sinto todas as coisas que eu te disse, eu quero passar o resto da minha vida com você. Mas não estou preparado para uma criança agora. Desculpe-me, mas eu não posso. Sou eu ou essa criança na sua vida. Você pode escolher.
- Eu não acredito que você está me pedindo uma coisa dessas! Não vou escolher entre vocês dois, não vou fazer nada de ruim para o meu bebê, . Sinto muito...
- Então eu vou embora. E sou eu quem sente muito. Eu realmente te amo. Sempre amarei. – virou as costas e saiu pela mesma porta que havia entrado quando chegou, deixando ali, chorando e realmente muito magoada.
O que ela temia havia acontecido. não soubera lidar com a situação, foi apenas covarde e a deixou sozinha, esperando um filho dele. Ou uma filha. Para ela, isso não importava. Queria mesmo era que a criança nascesse com saúde e pudesse ser feliz apenas com ela, sem a presença do pai. Daria todo o amor que tinha e o que não tinha para aquela criança. Cuidaria dela sozinha. Ela sabia que, mesmo ainda com medo, era extremamente capaz de fazer isso.
não teve tempo nem de contar que já estava de três meses e que não tinha contado porque não conseguira forças para isso. Talvez tivesse sido melhor ela não contar para ele e apenas ir embora. Mas ele era o pai, tinha o direito de saber. Ela tinha esperanças de que ele aceitasse e que eles vivessem felizes para sempre, diferente do que aconteceu naquela sala.
Já estava quase amanhecendo e ela continuava acordada, não conseguiu pregar os olhos hora nenhuma. Só pensava no ocorrido e em como viveria sozinha dali para frente. Não totalmente sozinha, porque ainda tinha suas amigas. Mas viveria sem a presença dele. A pessoa que ela tanto amava e que, em poucos minutos, conseguiu quebrar seu coração em pedacinhos. Pensou em ir atrás dele, mas achou melhor não. Não iria se humilhar também.
A lua já estava dando lugar ao sol e o negro céu a um lindo céu azul. deitou-se novamente no sofá, como estava antes de chegar e repetia mais para ela do que para qualquer outra pessoa que ficaria tudo bem.
- Vai ficar tudo bem, meu bebê. Somos só nós dois agora, mas a mamãe promete que vai ficar tudo bem. – repetia várias vezes enquanto passava as mãos pela barriga, em uma tentativa de acariciar a criança que ali estava.
CAPÍTULO DOIS
- Mamãe, me ajude! Eu vou cair. – falava enquanto usava suas mãozinhas para apoiar na beirada do grande buraco em que se encontrava.
- Não se solta, meu amor! Se segure com força que a mamãe vai te ajudar. – dizia enquanto tentava chegar perto de sua filha e desesperou-se ao ver que não conseguia sair de onde estava.
- Mamãe! Minha mão está doendo... Eu não vou conseguir! Eu estou caindo! – disse, com medo e lágrimas nos olhos. - Eu te amo muito, mamãe! Nunca se esqueça disso. – suas mãozinhas largaram a beirada e ela desapareceu na profundidade daquele lugar.
- NÃO! – acordou extremamente assustada, com a respiração falha, o corpo suado e tremendo. Levou suas mãos à sua barriga em questão de segundos, como se quisesse se certificar de que seu bebê ainda estava ali. – Foi só um pesadelo, só um pesadelo... Está tudo bem. Ela está aqui comigo. Está segura aqui dentro. – respirou fundo e em seguida começou a chorar.
A vida não estava sendo fácil. Não como ela achou que seria. Já havia passado dois meses desde que contara sobre a gravidez para e, obviamente, ela ainda não havia superado o término do namoro. Ao mesmo tempo em que estava super feliz porque em poucos meses teria sua filha ali com ela, estava triste e assustada. Triste porque sentia falta de e, apesar de tudo, de todas as rudes declarações daquela noite, ela ainda o amava e seria assim por um bom tempo. O amor que sentia por ele era tão grande e tão verdadeiro que ela não sabia lidar com o vazio que ele deixara, não sabia como viver sem ele e era isso que mais a assustava.
levantou-se de sua cama, ainda chorando, e caminhou lentamente em direção a uma espécie de sofá que ficava encostado em uma das paredes de seu quarto e debaixo de uma das janelas. Sentou-se ali e encolheu suas pernas, cruzando seus braços em volta delas e abaixando sua cabeça. Pensou em ligar para , mas era de madrugada e com certeza ela já estaria dormindo. Além disso, não queria perturbá-la ainda mais com seus problemas.
Durante esse tempo, sempre esteve ali com ela. Sempre ligava para saber se estava tudo bem e sempre ia à casa de . Mesmo sendo prima e amiga de , mostrava-se muito mais amiga de do que dele. Tentava ao máximo não tocar no nome do primo, mas achava que deveria conversar com ele agora que já havia passado um bom tempo do ocorrido. Ela não queria. Não achava necessário. Se tivesse ficado feliz, ela não estaria passando por tudo aquilo. E mais, se ele tivesse pensado sobre o assunto e chegado à conclusão de que estava de cabeça cheia no momento, que apenas ficou assustado, mas que queria tanto quanto ela criar aquela criança, ele viria até ela e falaria todas essas coisas. O errado era ele, não ela. Então, não seria ela quem correria atrás. Por mais que quisesse isso, ela teria que ser forte.
Encostou sua cabeça do lado esquerdo daquele lugar e resolveu abrir a cortina que, por ser curta, cobria apenas a janela. A única iluminação que existia no quarto vinha da luz da lua e das estrelas, que enfeitavam o lindo céu daquela madrugada.
At night when the stars
Light up my room
I sit by myself
Talking to the moon
não morava tão longe da casa de . De carro, deveria gastar apenas uns dez minutos. Mas da janela de seu quarto não dava para ver a casa dele, o que por um lado era bom e, por outro, não tão bom assim. Ela não o via desde aquele dia e o pouco que sabia sobre ele, ficava sabendo pela sua amiga ou então por algum dos amigos de banda dele, que também eram seus amigos. Queria saber se ele ainda sentia o amor que disse sentir por ela.
Queria que aquilo tudo não passasse de um pesadelo, queria saber que, em algum momento, entraria pela porta da frente e a encheria de beijos e carinho quando soubesse da novidade. Diria que estava super feliz e que não via a hora de ter o bebê fazendo bagunça dentro daquela casa. sabia que ele seria um excelente pai.
Try to get to you
In hopes you're on
The other side
Talking to me too
Durante esse tempo, costumava ficar naquela janela e pensar sobre tudo o que tinha vivido ao lado dele. Costumava imaginar se ele também estaria pensando nela, se ele também sentia sua falta, se perdia boa parte do seu sono, ou até mesmo se não conseguia dormir, por ficar pensando nela, como ela ficava pensando nele.
ficou ali por um bom tempo, apenas pensando sobre as coisas da sua vida. Apenas pensando nele. Resolveu deitar-se novamente e tentar dormir mais um pouco. Assim que amanhecesse, ligaria para e pediria que ela fosse até sua casa para lhe fazer companhia, conversar e lhe distrair um pouco.
Acordou e imaginou ser um pouco tarde. Olhou para o relógio que ficava em cima da sua mesa de cabeceira, notando que já passava do meio dia. Escutou um barulho vindo do andar de baixo e assustou-se. Ninguém tinha a chave da sua casa. Ninguém além dele. Sentiu uma pontinha de felicidade e esperança, mas ao mesmo tempo medo. E se não fosse ele? E se fosse algum ladrão ou alguma coisa do gênero? Vestiu seu roupão por cima da camisola branca e o amarrou bem de leve em cima de sua barriga que já possuía um bom tamanho para quem estava no quinto mês de gestação.
Desceu as escadas com cuidado para não fazer nenhum barulho. Notou que o barulho vinha da cozinha e foi andando lentamente até a mesma. Quando estava chegando mais perto, conseguiu enxergar cozinhando alguma coisa e sentiu-se aliviada.
- ! Quer me matar do coração? – disse, fingindo estar brava.
- Perdão, mamãe. Mas lembra que você me deu a chave por motivo de alguma emergência? Eu não quis te assustar, mas cheguei aqui há séculos e você estava dormindo como um anjinho. Fiquei com pena e não quis te acordar. – foi em direção a amiga e a abraçou, em seguida passou a mão em sua barriga. – Bom dia, bebê da madrinha. Sua mamãe está cuidando bem de você?
- Tinha me esquecido disso. E é claro que cuido. Quem é a pessoa mais importante da minha vida? Quem? A coisa mais linda da vida da mamãe! – sorriu bobamente.
- Agora venha comer alguma coisa, . Você precisa se alimentar direito por causa da minha afilhada linda. – puxou uma das cadeiras para que a amiga sentasse. – Sabe, eu estava pensando... Nós deveríamos ir ao shopping depois do almoço. Você já está grávida de cinco meses e quase não comprou as coisas para o bebê. Não pode deixar para a última hora. – disse, séria.
- Você tem razão. Podemos ir hoje, só preciso terminar de comer, tomar banho e me arrumar. Minha filha não pode nascer e não ter o que vestir, onde dormir e todas essas coisas...
e mais conversaram do que almoçaram. não havia contado sobre o pesadelo que tivera a noite e nem sobre ter chorado por causa de . Achou que não deveria falar sobre isso e estragar o bom começo de dia que estava tendo. Tomou seu banho, passou uma leve maquiagem e vestiu-se com um lindo vestido azul que possuía um laço e marcava perfeitamente sua linda barriga e, nós pés, estava usando uma sapatilha na cor creme.
Fez o mesmo caminho que havia feito quando acordou e chegou até a sala, onde a esperava pacientemente.
- Vamos, mamãe. Só volto com você na hora que já tivermos comprado um shopping e meio de roupinhas e coisas necessárias. – pegou a chave de seu carro em cima da mesinha de centro e foi em direção à porta, quando ouviu sua amiga gritar e começar a chorar em seguida. - ! O que aconteceu? – correu em direção à amiga.
- Ela mexeu, . Minha princesinha mexeu! Eu posso senti-la aqui dentro agora... Não que eu não sentisse antes, mas agora é diferente. – disse ainda chorando, mas dessa vez era choro de felicidade.
- Ai, meu Deus. Que linda! – abraçou a amiga. – Bebê, a tia também quer sentir você mexendo aí. Seja brava e dê um chutão na sua mamãe para eu sentir, vai. – sorriu.
- Sinta, . Ela está mexendo ainda. – colocou a mão da amiga sobre a sua barriga. – Sentiu?
- Senti. Se eu estou me sentindo feliz, imagino a sensação que não é para você, .
- É a coisa mais emocionante do mundo. Se o pai dela estivesse aqui para dividir esse momento comigo... - sua expressão agora era triste.
- Mas eu estou aqui! Sou a madrinha babona e é isso que conta. Vamos ao shopping agora, ela deu sinal de vida porque está braba com você. Aliás, está braba desde o dia do exame em que você descobriu que é menina. Ela quer coisas rosa, mamãe. Vamos lá comprar coisas fofas para ela! – tentou animar a amiga, puxando-a para fora da casa, em direção ao carro.
- Olha que lindo esse vestidinho, ! – disse , empolgada e mostrando um lindo vestido rosa que estava na vitrine de uma das lojas do shopping.
- Ela vai poder usá-lo quando tiver uns oito meses, . É muito grande. – riu da amiga.
- Para isso que existem tamanhos, dona . É só ver se tem um menorzinho. Vamos entrar lá, não custa nada.
- Está bem, vamos ver. Mas depois temos que passar nas outras lojas e ainda ver os móveis. Quero fazer tudo ou pelo menos boa parte disso hoje. Aproveitar que eu estou disposta. – disse, indo em direção à loja.
voltou para casa com ajudando-a a carregar as sacolas de compras. Haviam comprado muitas coisas para a filha de , até mesmo coisas que ela não usaria tão cedo. Compraram mamadeiras, roupinhas, brinquedinhos, pelúcias, praticamente todo o enxoval e móveis. Os móveis chegariam em alguns dias e tinha pouco tempo para mandar pintarem o quartinho que seria do bebê. Dava para perceber, de longe, que aquela criança seria muito mimada e amada. Tanto pela sua mãe, quanto por e os outros amigos. Os pais de estavam no Brasil e não poderiam acompanhar sua gravidez, mas eles ficaram sabendo de tudo por telefone.
Terminaram de colocar dentro da casa todas as sacolas de compras e dirigiu-se novamente para o carro. Iria embora para sua casa. queria que a amiga continuasse ali com ela. Não gostava muito da ideia de ter que ficar sozinha, mas, ao mesmo tempo, queria que a amiga fosse para casa descansar. Já tinha tomado muito de seu tempo naquele dia, merecia um descanso.
subiu para o seu quarto e tomou um bom e demorado banho. Colocou uma roupa confortável e se deitou. Ficou por um bom tempo acariciando sua barriga e conversando um pouco com ela.
Flashback
- Vamos, ! Já estamos atrasadas e ainda temos que passar na casa do . Aquele imbecil deixou o carro sei lá onde e ainda nos faz ir buscá-lo. – disse e bufou.
- Deixa de graça, . Não custa nada... Você que fica aí nessa implicância eterna com o . – revirou os olhos. – Vamos, ele já deve estar estranhando a demora. Ou não, né? Sabe a namorada que tem.
As amigas iriam encontrar com os outros amigos e iriam para uma festa um pouco longe dali. estava sem carro e teria que ir de carona com sua prima e a namorada, que iriam em um carro só. Depois de mais ou menos dez minutos dirigindo, estacionou em frente à casa do primo e desceu do carro para chamá-lo. Tocou a campainha e esperou. Assim que o namorado abriu a porta de casa, fez uma expressão confusa.
- Oi, amor. – disse , beijando os lábios de sua namorada e a abraçando de lado.
- Oi, . E quem é essa coisa fofa? – perguntou sobre o bebê que segurava, apertando as bochechas do mesmo.
- É filho da filha da amiga da minha mãe. – notou a expressão ainda mais confusa da namorada. – Vou ter que cuidar dele por hoje, amor. Não vou poder ir com vocês. Mas não tem problema você ir... Eu vou ter que ficar cuidando do Gabe mesmo. A mãe dele precisou sair, deixou com a avó que saiu agora pouco com a minha mãe. – beijou carinhosamente a testa de .
- Tem certeza? Eu poderia ficar aqui e ajudá-lo.
- Não. Não perca a noite por isso também. Vá com a e os outros amigos. Vou ficar bem aqui.
- Tudo bem então. Mas qualquer coisa me ligue, ok? Se precisar de algo ou sei lá... – beijou o namorado. – Bom, tenho que ir antes que a me atropele. – disse após ouvir a amiga buzinar pela milésima vez.
- Divirta-se e juízo, . Eu te amo!
- Eu te amo, .
chegou no carro e logo resolveu voltar. Não queria ir para aquela festa sem , não o deixaria ali sozinho. Avisou que ficaria na casa de e que ela poderia ir encontrar com o resto do pessoal na tal festa. concordou e deixou a amiga ali, como ela havia pedido. Tocou novamente a campainha da casa de e esperou que ele viesse abrir.
- Amor? – mostrou-se confuso. – Você não tinha ido com a ? O que aconteceu?
- Não quis te deixar aqui sozinho. Vou ficar e te ajudar. Não posso deixar meu amor cuidando de um bebê sozinho... Sabe-se lá o que ele é capaz de fazer, não é mesmo, Gabe? – brincou com o bebê que estava no colo de , fazendo-o rir.
- Então vamos entrar. Está frio aqui fora. – pegou na mão direita da sua namorada, levando-a para dentro da casa.
Após brincarem muito com Gabe e depois de ter dado banho nele, resolveram deitar na cama de enquanto dava a mamadeira para Gabe, que estava visivelmente com fome, pelo jeito que tomava o líquido que continha lá dentro.
- Ele é muito fofo. Veja só essas perninhas... Dá vontade de apertar. – sorriu para o bebê.
- Iria machucá-lo, . Ninguém aqui quer machucar o lindo Gabe! – riu.
- Mas apertar de um jeito carinhoso, . Ele é todo gordinho, é tipo um ímã para ser apertado. – Gabe prestava atenção no que eles conversavam, como se estivesse entendendo tudo o que estavam falando.
- É verdade. Mas não é nosso, não podemos...
- É, mas a mãe dele não está aqui.
- Espere termos os nossos. Você vai poder apertá-los de um jeito carinhoso até cansar. Eles serão lindos e gordinhos assim também.
- Não sabia que você queria ter filhos...
- Com você eu quero. Quero ter quatro. Dois meninos e duas meninas. Elas têm que ser parecidas com você. Tão lindas quanto... E eu irei cuidar delas como eu cuido de você. Não deixarei nenhum idiota chegar perto e ninguém machucá-las. Ou eu acabo com quem fizer isso.
- Os meninos têm que ser parecidos com você. E também não irão poder ficar saindo com qualquer uma por aí.
- Claro que sim! Homens precisam disso.
- De sair com qualquer uma? Bom saber, ! Então é isso que você faz quando eu não estou por aqui? Sai com qualquer uma? – fingiu estar irritada com o namorado.
- Não, . Não é assim, você sabe que, por enquanto, é a única mulher da minha vida. É a única que eu amo. – disse com os olhos brilhando.
- Por enquanto? – perguntou, confusa.
- Sim. Porque depois teremos nossas filhas e elas também serão mulheres da minha vida.
- Eu te amo. – sorriu para .
- Eu te amo muito mais, . – aproximou-se da namorada e a beijou com uma certa dificuldade, já que Gabe a essa hora já se encontrava dormindo no meio dos dois. Passou o braço por cima do bebê e abraçou , fazendo com que os três ficassem bem pertinho um do outro.
Naquele momento, tudo que passava pela cabeça de , era como seria quando fosse um filho ou uma filha deles ali no meio dos dois. Pensou em como seria passar várias noites em claro por causa do choro do bebê e em todos os momentos de emoção e alegria. Ele queria aquilo. Um dia. Mas ele queria.
Usou a outra mão que não estava abraçando , para fazer carinho em seu cabelo e via fechar os olhos enquanto ele fazia isso. Não existia, para eles, nada melhor do que ficarem juntinhos.
Fim de Flashback
despertou de suas lembranças quando sua filha tornou a mexer dentro de sua barriga. Lembrou que precisava comer alguma coisa e sentou-se na beirada de sua cama, criando coragem para ir até a cozinha pegar algo para comer.
Ela não conseguia entender o que tinha de diferente em ter um bebê agora ou depois. já havia deixado bem claro que queria ter filhos com ela e não apenas um. Além disso, eles nem eram tão novos assim. Não era como se ela tivesse dezesseis anos e ele dezessete. Ela tinha vinte e três e ele vinte e quatro anos. Os dois já estavam totalmente adeptos a responsabilidades. Mas, ao mesmo tempo em que não era mais tão novo, tinha uma mentalidade de como se fosse. Agiu exatamente como um adolescente em crise quando descobre que a garota que ele nem namora está grávida. Com e era diferente, mas, ao mesmo tempo, pela reação de , era totalmente igual.
Ela só gostaria de saber se ele estava bem, se ele pensava no bebê que iria nascer daqui alguns meses e até mesmo se ele lembrava-se disso. Mas ele não dava sinal de vida. Nem para saber se ela estava viva ainda, carregando uma filha dele em seu ventre. E era assim em todo final de tarde, encontrava-se pensando naquele que a fez e que ainda a fazia sofrer tanto. Aquele que ela ama. E ela tinha um pouco de esperança de que, em qualquer lugar que ele estivesse, pensasse um pouco nela também.
E a pergunta que a perseguia em todos os dias era: Será que um dia ela teria ali, como costumava ter?
CAPÍTULO TRÊS
(Recomendo que leiam o capítulo escutando essa música)
- O que aconteceu, ? Onde está a ? – perguntava impacientemente para o namorado, totalmente preocupada sobre o que ele dissera.
- Ela está no hospital aqui do centro, . Venha para cá, mas se acalme. Chame um táxi, não venha dirigindo. – imaginou o desespero da namorada em saber que sua amiga estava em um hospital. Sabia que ela tinha pensado no pior dos acontecimentos e não queria que ela corresse qualquer tipo de risco indo ao hospital dirigindo, nervosa do jeito que deveria estar. – Ouviu, ? Venha de táxi. Aqui eu explico tudo!
- Já estou indo para aí. Não deixe que nada de ruim aconteça com ela, . Por favor, não deixe... – pediu, já com a voz embargada pelo choro, como se seu namorado fosse capaz de reverter a situação. Como se ele fosse capaz de fazer algo por e pelo bebê, mas, na verdade, nem ele sabia direito o que ela tinha. Apenas sabia o que havia acontecido.
Flashback
dormia tranquilamente enquanto, lá fora, o dia clareava. Não em seu quarto, que ficava totalmente escuro pelas cortinas.
Acordou assim que seu celular despertou, indicando dez horas da manhã. Ela já estava em seu oitavo mês de gravidez e sua barriga já estava enorme. Enorme e linda. Se antes já era muito linda, com a gravidez, estava ainda mais. Não havia escolhido o nome para o bebê, mesmo o dia do nascimento estando tão próximo, queria que fosse um nome especial, que tivesse algum significado para ela.
Levantou de sua cama ainda com preguiça e foi direito para o banheiro. Após tirar toda roupa que vestia, entrou no box para tomar seu banho. Ficou mais do que o necessário lá dentro, talvez para despertar e mandar toda aquela preguiça embora. Depois de ter tomado seu banho, passou o óleo que passava todos os dias em sua barriga, para que sua pele não ficasse feia depois que o bebê nascesse. realmente se cuidava. Não queria qualquer tipo de marca indesejável pelo seu corpo e, pela maneira com que se preocupava, ela não teria.
Escovou os dentes, terminou de secar seu cabelo, de passar uma leve maquiagem e saiu do banheiro enrolada em seu roupão de banho. Procurou por uma roupa confortável e bonita em seu enorme guarda-roupa branco. Acabou escolhendo uma legging preta e uma blusa que cobria perfeitamente sua barriga. Nos pés, como em praticamente toda sua gravidez, sapatilhas, mas que dessa vez eram lilás, com um laço em cima. Colocou alguns casacos por causa do frio que fazia e desceu para comer alguma coisa antes de sair.
estava indo à escola trabalhar já havia alguns dias. Não era aceitável o que ela estava fazendo, mas como além de professora ela era dona da escola, ninguém poderia opinar em alguma coisa. Na verdade, até podiam. O que não podiam era fazer com que ela não fosse para lá.
Não estava trabalhando desde todo o drama de quando contou para que estava grávida. Havia perdido as forças e a única coisa que gostava de fazer era ficar em casa. E agora, com a vinda de sua filha estando tão próxima, resolveu voltar a trabalhar.
Aquilo tinha dois motivos: estava ansiosa para poder olhar nos olhos de sua filha e, trabalhando, sabia que o tempo passaria mais rápido. Além disso, ela trabalhava na rua da casa de e conseguia ver por lá, às vezes. Por mais que ele a tivesse feito sofrer, vê-lo, mesmo que de longe, a fazia bem.
Terminou de tomar seu café da manhã e resolveu que iria mais cedo para a escola. Ainda encontraria com as turmas da parte da manhã que saíam ao meio dia.
Chamou um táxi para levá-la ao local, já que não estava dirigindo há um bom tempo e não demorou muito para que chegasse a sua escola.
Foi recebida com muito carinho por todas as professoras e funcionárias, que a chamavam de louca por estar trabalhando em suas condições. Foi para a sala que costumava dar aulas para crianças de seis anos, antes de contratar uma substituta. Substituta essa que não ligava para o fato de estar ali e de toda a atenção da aula ser voltada para ela. Seus aluninhos a enchiam de perguntas sobre sua filha, alguns chegavam perto e faziam carinho em sua barriga, outros tinham medo de machucá-la e outros tinham ciúmes da professora que era tão querida por eles.
- Bom dia, meus amores. – sorriu para eles.
- Bom dia, senhorita . – a turma disse, em coro.
- Professora, é verdade que a senhora comeu uma melancia com sementes e cresceu uma aí dentro, por isso sua barriga está assim? – perguntou Nick, um dos alunos, sendo acompanhado pelas risadas de todos os outros da turma.
- Deixa de ser burro, Nick. Ela está grávida. Todas as grávidas ficam assim. Daqui a pouco nascerá o bebê e depois ela perderá essa barriga aí. Ou você acha que somos todos melancias brotadas nas barrigas de nossas mães? – argumentou Carrie, a que era mais inteligente da turma.
- Não fale assim com ele, Carrie. É normal que tenham dúvidas. – segurou o riso. – Mas não comi melancia com sementes, apenas estou grávida. E assim como você mesma disse, daqui a pouco minha filha nascerá. Na verdade, daqui um mês. – disse, fazendo com que seus olhos brilhassem só de imaginar sua pequena ali com ela. – Vou pegar umas tintas e já volto. – saiu da sala em seguida.
Virou o corredor à esquerda e entrou em uma das salas: a sala de Artes. Não encontrava as tintas em nenhum lugar, até avistá-las na última prateleira de um armário de madeira que ficava no fundo da sala.
Não havia ninguém por perto, teria que arrumar um jeito de pegar ou fazer todo o trajeto de antes para procurar ajuda. Decidiu pela primeira opção. Ao andar até o fim da sala, agarrou o colar que usava em um dos diversos lugares que lá existiam, fazendo com que ele soltasse de seu pescoço. Era o colar que havia lhe dado na última vez em que se falaram. Segurou o colar em uma de suas mãos, até que pegasse as tintas e pudesse arrumá-lo. Abriu a escada que ficava próxima ao armário e subiu para que desse altura para alcançar as tintas.
Em questão de segundos, um de seus alunos entrou correndo pela sala, gritando seu nome, assustando-a. Com o susto, deixou as tintas caírem no chão, perdeu a força nas pernas, pisou em falso no degrau em que estava e caiu.
- Querido... Chame alguém para me ajudar! Corra! – falou, com certa dificuldade, suplicando para aquela criança, que no mesmo momento correu por aquele corredor em busca de ajuda. começou a gritar pelas fortes dores que sentia e estava visivelmente apavorada. Não por ela, mas por sua filha. Não queria que nada de mal acontecesse com ela. Não demorou para que enxergasse tudo preto e desmaiasse.
Open up next to you and my secrets become your truth
And the distance between that was sheltering me comes in full view
Hang my head, break my heart built from all I have torn apart
And my burden to bear is a love I can't carry anymore
All I have, all I need, he's the air I would kill to breathe
Holds my love in his hands, still I'm searching for something
Out of breath, I am left hoping someday I'll breathe again
It hurts to be here
I only wanted love from you
It hurts to be here
What am I gonna do?
Fim de Flashback
Aquele ambiente branco, com pessoas vestidas de branco indo de um lado para o outro sem parar, cuidando de pessoas que chegavam a todo o momento, umas em estado grave, como o de , outras em estado não tão grave assim, era de causar calafrios. Ninguém gosta de frequentar hospitais.
chegou desesperada àquele lugar. Conseguiu avistar seu namorado facilmente e correu para saber o que tinha acontecido com sua amiga.
- Não me diga que ela está mal, . Não me diga que ela perdeu o bebê... – já soluçava, esperando o pior. Abraçou o namorado em um impulso, molhando a blusa dele com suas lágrimas.
- Eu não sei, . Até agora não deram notícias. Eu só sei que ela caiu na escola que ela trabalha e tiveram que correr com ela para cá. – disse, enquanto passava a mão pela cabeça de , na tentativa de acalmá-la.
- Na escola? O que ela estava fazendo lá? Ai, meu Deus... É claro! A sua casa fica na mesma rua e o vive lá. É claro que a foi lá para vê-lo. E também é por isso que você ficou sabendo antes de mim, estava mais próximo. Até sem estar perto dela, ele só faz merda. – podia-se ver claramente a raiva nos olhos de , que cuspia as palavras quando se tratava de seu primo.
- Acalme-se, . Parece que ela estava lá trabalhando já havia alguns dias, mas vejo que nem para você ela contou. Provavelmente porque sabia que você a impediria... Me ligaram da escola e eu corri para lá. estava lá em casa e também ficou sabendo, mas achou melhor não vir ao hospital. – sabia que a namorada faria algo a respeito, que não deixaria se livrar de mais essa.
- Achou melhor? Ele não tem que achar nada. O garoto só tem feito merda na vida da , a única coisa boa que ele deixou para ela e fez questão de abandonar foi esse bebê que nós nem sabemos se está bem. Eu preciso falar com ele, . Ele precisa me ouvir. – como o esperado, ela queria fazer alguma coisa. E iria.
Pegou o celular em sua bolsa e discou o número do primo, que demorou para atender o celular.
- Não iria me atender, certo?
- Certo, mas porque já sei o motivo da sua ligação. Você acha que eu não fiquei triste em saber? Você acha mesmo que eu quero algum mal para a ? Eu ainda a amo, . É muito mais forte e maior do que eu. – sua voz estava um pouco falhada, parecia que estava chorando antes de ligar.
- Você a ama? Tem certeza disso, ? Você a deixou esperando uma filha sua. Uma garotinha que nem sabemos se ainda está viva. Você propôs a ela um aborto e simplesmente foi embora. Isso é amar? Não, . Isso está longe de ser amor. – disse, irritada com o primo.
- Você não entende, ... Eu queria estar ao lado dela, mas eu não podia. A banda precisava de mim naquele momento e eu não teria tempo para cuidar de uma criança. E você disse filha, quer dizer que é... – mal pode terminar a frase, sendo interrompido por .
- Pare de falar antes que eu tome ainda mais nojo de você. De todas as vezes que eu ouvi a chorar por sua causa e dizer que gostaria que você estivesse ao lado dela enquanto a filha crescia em seu ventre, eu a encorajava a te procurar, a falar com você. Mas eu agradeço por minha amiga ser tão decidida e não ter feito isso. Você não merece a , . Nem nunca irá merecer. Agora vê se some de vez da vida dela e pare de fazer merda. Pare de fazê-la sofrer. Ela merece ser feliz. Ela e a filha dela. – desligou o telefone em seguida, sem dar tempo para que pudesse responder qualquer coisa. Não queria mais escutá-lo, o pouco que escutou fora o suficiente.
voltou para onde o namorado estava. Visto que, involuntariamente, tinha ido para outro canto do hospital enquanto falava no celular.
Estava tão impaciente quanto , esperando por uma resposta. Esperando por alguma notícia de sua amiga e o bebê. abraçou a namorada, que voltara a soluçar em seu ombro. Era a melhor amiga dela que estava lá dentro. Era uma parte da vida dela. Precisava saber se as duas estavam bem e o que elas tinham.
Um médico alto que aparentava ser um pouco mais velho que vinha pelo corredor. Perguntou quem estava esperando por . e levantaram das poltronas e seguiram em direção ao médico. Sua expressão não era das melhores.
- O que minha amiga tem? Ela ficará bem? E o bebê, como está a garotinha? – perguntou tudo de uma vez e a abraçou de lado.
- O bebê está bem, mas sua amiga chegou aqui em estado grave. Estava perdendo sangue e precisamos fazer uma cesariana de emergência. O bebê é prematuro. De oito meses, como devem saber, mas está bem. Vai ter que ficar na incubadora para receber todos os cuidados necessários, mas não se preocupem, ele não corre risco de vida. Vocês podem vê-lo, mas apenas pelo vidro. – e suspiraram aliviados com a notícia, mas ainda não sabiam nada sobre .
- E a ? Onde ela está? Podemos vê-la? – continuou fazendo inúmeras perguntas, notando novamente a expressão do médico, que continuava não sendo das melhores.
- Como disse, sua amiga chegou aqui em estado grave. Fizemos de tudo para salvá-la e salvar o bebê. – congelou no lugar que estava, antes mesmo do médico terminar de falar. – Todos os procedimentos necessários foram feitos e as duas estão salvas, mas a senhorita ainda não acordou. – começou a chorar impulsivamente, mas era um choro de alívio. – Ela reagiu bem a tudo e deve demorar um pouco para acordar por causa da medicação, mas assim que isso acontecer, vocês poderão vê-la também. Agora, se me dão licença, preciso cuidar de outros pacientes. Qualquer coisa, peçam para me chamar. – logo saiu, voltando pelo mesmo caminho que tinha feito para chegar até e o namorado.
- Elas estão bem, . Elas estão bem... – deu um beijo de leve na testa de , que sorriu. – Mas eu preciso vê-las. Eu preciso. Minha afilhada deve ser a coisa mais linda desse mundo. – voltou a sorrir.
- Nós iremos vê-las. Mas já sabe, a é só depois que acordar e não poderemos chegar perto do bebê. Aliás, havia escolhido o nome para ela? É meio estranho não ter um nome para chamá-la. – limpou as lágrimas que ainda molhavam o rosto de . Agradecia mentalmente por estar tudo bem com sua amiga e a filha dela. Não suportaria ver sua namorada sofrer e nem perder sua amiga.
- Não. Ela ainda não tinha decidido isso. Terá que decidir quando acordar. Venha, . Quero ver minha afilhada logo. – puxou o namorado para o fim do corredor, onde ficava o elevador que os levaria até o andar que o bebê estava.
Flashback
estava em sua casa, conversando sobre coisas da banda com . Estavam debatendo sobre músicas, quais entrariam e quais não entrariam na setlist da turnê que fariam dali alguns meses, até que o celular de tocou. Ele atendeu o celular e logo sua expressão mudou de animado para preocupado.
ficou sem entender o porquê de o amigo ter ficado daquela forma.
- Estou indo para aí agora. Obrigado por avisar. – desligou o celular, procurando logo sua chave de casa e a chave de seu carro.
- O que aconteceu, cara? – pareceu preocupado.
- . se acidentou na escola e eu preciso ir até lá na escola, parece que querem me entregar algumas coisas e depois irei até o hospital. Também preciso ligar para , mas ligo do hospital. Ela vai querer sair agora de casa e estaremos os dois nervosos. Preciso saber o que aconteceu primeiro. – finalmente achou seu chaveiro e caminhou rapidamente em direção à porta.
- ! Vá para o hospital. Eu vou até a escola, pego as coisas da e trago para cá. Corra para lá, vá saber o que aconteceu e como ela está. – se ofereceu. – Eu queria ir com você, mas eu não posso. Apenas vá! – falou alto e correu para fora, indo em direção ao seu carro para dirigir até o hospital.
saiu da casa de desesperado. Estava preocupado com a ex-namorada e com o bebê que ela esperava. Não poderia fazer nada em relação a isso, tinha certeza de que não queria vê-lo nem pintado de ouro. A única coisa que poderia fazer naquele momento era pegar as coisas dela na escola e levá-las para a casa de . Não queria que nada de mal acontecesse com ela, nem com o bebê.
Apesar de tudo que fizera, ele a queria por perto, por mais que não pudesse ter.
Chegou à escola e foi encaminhado à sala que acontecera o acidente com . A professora que o levou até lá percebeu o estado do garoto e preferiu deixá-lo sozinho. Ele precisava daquilo.
Caminhou lentamente em direção ao lugar exato e pôde ver as tintas ainda caídas no chão, um pouco de sangue e mais para o lado, o colar que havia dado de presente para ela. O colar com o símbolo do infinito. Então ela ainda o usava. Apesar de tudo, ela usava o colar. O colar que representava o amor deles. Pegou do chão e ficou por alguns segundos olhando firmemente para aquilo.
Sentiu seus olhos encherem de lágrimas e suas pernas fraquejarem, logo seu corpo foi escorregando pela parede do local, fazendo-o cair no chão. encontrava-se ali, totalmente vulnerável, e o som de seu choro havia tomado conta da grande sala de Artes. Ainda segurava o colar, tendo lembranças e mais lembranças de momentos que passara junto com e imaginando como seria se eles ainda estivessem juntos. Se ele não tivesse sido infantil ao ponto de deixá-la grávida, aquilo não teria acontecido. Para ele, a culpa era somente dele. Se ele estivesse ainda ao seu lado, teria a impedido de trabalhar e teria impedido o acidente.
Agora ele estava sem notícias, não sabia se ela e o bebê corriam risco de vida, mas pelas manchas de sangue que estavam naquele chão, imaginou que sim. Estava assustado e se sentia arrependido de todas as coisas que havia feito.
- Eu tenho que vê-la... Tenho que falar que estou arrependido e que a quero de volta. Quero fazer parte da vida dela e da vida do bebê que está para nascer, quero tê-los aqui comigo. Não irei suportar se algo de ruim acontecer com ela, com a minha ... – repetia para si mesmo naquela sala, ainda tomado pelo choro. Sua voz saía com certa dificuldade e algumas frases eram inaudíveis. Bateu sua cabeça na parede em que estava encostado, como se aquilo fosse fazê-lo acordar para a vida. E permaneceu ali, triste, arrependido e com medo de ser tarde demais.
I'm out here alone just tryin' to get home to tell you I was wrong… 'Cause I know there's no life after you.
Fim de Flashback
CAPÍTULO QUATRO
- Eu... Eu gostaria de ver uma pessoa. – disse o homem para uma das recepcionistas do hospital.
- Eu não deveria deixá-lo entrar agora porque não está mais no horário de visitas, mas abrirei uma exceção. – disse a mulher, que sabia muito bem com quem estava falando: . - Quem o senhor gostaria de ver?
- . Eu não sei em qual quarto ela está e eu gostaria muito que a senhora não comunicasse que eu estive aqui. – pediu.
- Tudo bem. Irei levá-lo até o quarto da senhorita . Acompanhe-me. – disse a recepcionista, indo em direção ao corredor que dava para o elevador que os levariam ao quarto de . Ela estava em um dos quartos do terceiro andar, fazendo-os chegar rapidamente ao local. - É o segundo quarto de lá para cá. – apontou a mulher. - Não demore. – disse e saiu.
caminhou até chegar à porta do quarto que estava, ensaiando o que deveria falar para ela. Isso se ele resolvesse entrar.
Chegou até a porta e pôde constatar que ela estava um pouco aberta, facilitando sua visão da parte de dentro do local. Viu que estava dormindo, assim como a criança deitada no berço ao lado. Achou que aquilo fosse como um sinal, daqueles que mostram para a pessoa que é melhor ela não falar com a outra. E foi o que ele fez. Entrou em passos calmos para que não acordasse a ex-namorada, nem o bebê. Era a primeira vez que ele iria ver a filha e estava ansioso por isso. Sua vontade era ter ido ao hospital no mesmo dia, mas não teve coragem o suficiente. Sabia que as duas já estavam bem, pois teve notícias delas pelo .
Andou lentamente em direção à , olhando-a nos olhos, por mais que os dela estivessem fechados. Queria poder abraçá-la e dizer que ele estaria ali para tudo e que estava arrependido de todas as coisas que havia dito naquele dia, mas não conseguiu.
Ficou apenas observando-a por algum tempo, até ter coragem de chegar perto de sua filha. Assim que chegou ao lado do bercinho em que ela se encontrava e após olhar para ela, não pode evitar que lágrimas caíssem de seus olhos.
- Olá, pequena. Você não sabe quem eu sou, mas espero que um dia você tenha essa oportunidade... – dizia baixinho, para que não acordasse . - Eu sou o seu papai, mas fiz coisa errada e eu e a mamãe não estamos mais juntos. – sentia, cada vez mais, lágrimas e mais lágrimas saindo de seus olhos. - Você é tão linda... Tão pequena e tão frágil. Não sei como fui capaz de dizer que não queria criá-la... Eu estava errado, princesa, mas agora é meio tarde para isso. – continuou falando baixinho, por mais que a filha não estivesse entendendo nada do que ele estava falando. Arriscou a passar as pontas dos dedos pelo rostinho pequeno da menina, para fazer carinho, mas parou quando ela ameaçou se mexer. - Eu tenho que ir, antes que a mamãe acorde, ela não iria gostar de me ver por aqui... Mas olha, eu queria que você soubesse que o papai te ama e que espera poder fazer parte da sua vida também, viu? Fica boazinha logo para poder sair desse lugar feio e ir para a sua casa que, por sinal, é bem bonita. – não conseguiu conter os soluços, passando rapidamente pela cama de e repetindo o gesto que fizera com sua filha, saindo do quarto em seguida.
Chegou na recepção do hospital, passando quase correndo por todos que ali estavam, sem sequer falar com a recepcionista que havia o ajudado a entrar no quarto de .
Estava se sentindo muito mal até para isso. Foi em direção ao seu carro, entrando nele e, instantaneamente, cruzou seus braços sobre o volante, colocando sua cabeça por cima deles, deixando com que o seu choro viesse realmente à tona, fazendo com que o único barulho que pudesse ser ouvido ali fosse aquele.
Ficou daquela forma por mais alguns minutos, até juntar forças para dirigir e voltar para casa.
O tempo parecia passar mais devagar enquanto encontrava-se naquele hospital. Sua filha ainda precisava dos cuidados médicos, mas estava bem e, em poucos dias, iria para casa.
A garotinha já podia ficar no mesmo quarto que sua mãe, podendo receber todo o amor que essa tinha por ela. não via a hora de poder ir embora e levar a filha consigo, não gostava nem um pouco de estar naquele lugar, muito menos de saber que sua filha precisava ficar ali por mais alguns dias.
A noite estava muito fria aquele dia, não que isso fosse alguma novidade. ainda dormia e sua filha também, em uma espécie de berço ao lado da cama da mãe. Ouviu o choro da menina e acordou assustada, pegando-a no colo na mesma hora.
- O que foi, meu amor? – perguntou à filha, como se ela fosse capaz de entender as palavras ditas pela mãe e a responder, mas ela apenas continuou chorando. levantou-se com cuidado, balançando a garotinha de leve em seu colo, na tentativa de acalmá-la. - Não chora, minha princesinha. A mamãe está aqui com você... Não é choro de cólica, mas você mamou não há tanto tempo também. Ainda está com fome, gordinha? – sentou-se na cama, encostada em alguns travesseiros para que conseguisse alimentar o bebê, que na mesma hora se acalmou. fazia carinho na filha com uma das mãos, fazendo-a fechar os olhinhos. Não conseguia deixar de sorrir quando olhava para ela. Amava a garotinha de uma forma que nunca pensou que fosse possível amar alguém.
Não demorou muito para que a pequena voltasse a dormir e a colocasse de volta onde estava, para fazer o mesmo que a filha. Os dias ali costumavam ser muito cansativos, deixando-a exausta. Não via a hora de poder voltar para casa.
Finalmente, havia chegado o dia de buscar sua filha no hospital. A mãe, como previsto, teve alta antes da filha, mas não deixava de ir a todo o momento ao hospital, cuidar de sua garotinha. Tinha ido em casa tomar banho, arrumar algumas coisas que estivessem fora do lugar, pegar outra bolsa com coisas para o bebê e voltar para buscá-la.
Escolhera para ser o nome de sua filha por um motivo bobo e também por gostar do nome. tinha uma aluninha que gostava muito dela e de juntos, estava sempre perto deles quando ele ia buscá-la no trabalho e também era bem apegado a essa aluninha de , pelo amor que ela tinha com eles. Foi o que a fez escolher o mesmo nome da menina para sua filha, sabia que, se estivessem juntos, aprovaria sua escolha.
Foi em direção ao quarto de para certificar se estava tudo perfeito para quando ela chegasse.
Era tudo perfeitamente decorado. Uma das paredes era em um tom de rosa, com as outras brancas. A iluminação era em uma espécie de alto relevo, onde flores pareciam sair do teto, revelando as luzes. No centro da parede rosa, havia um mural de fotos prateado e em vidro, que em breve seria preenchido com fotos da garotinha. Em uma das brancas, havia uma decoração em tecido. O berço era branco, assim como os outros móveis. As cortinas eram em um tom de rosa, para combinar com o resto do quarto. Havia prateleiras brancas, com bonecas de pano coloridas em rosa e lilás, uma poltrona para quando tivesse que amamentar , um cantinho com algumas pelúcias, almofadas coloridas, também em rosa e lilás, e uma espécie de colchãozinho, para quando a filha quisesse brincar.
havia preparado um banheiro para a filha, com o trocador, a banheira e todas as outras coisas que um bebê precisa, além de um mini closet para guardar as roupinhas da menina.
olhou por toda a extensão do quarto, pegando a bolsa que estava em cima da poltrona e saindo em seguida. Estava usando um vestido soltinho, já que ainda não estava com o mesmo corpo de antes, calçava sapatilhas e tinha o cabelo preso em um rabo de cavalo alto.
Desceu a escada rapidamente, ansiosa para ir logo ao hospital. Saiu de casa e um táxi já a esperava, levando-a para buscar sua filha. Não demorou mais do que vinte minutos para que chegasse ao local.
Desceu do táxi, dando o dinheiro da corrida para o motorista, que logo seguiu para outro lugar. Caminhou em passos largos até chegar à entrada do hospital, indo ao balcão e dando um breve aviso de que estava subindo para buscar a filha. Uma das recepcionistas a seguiu, tentando segurá-la ali.
- A senhorita não pode subir agora... Nós avisaremos quando puder. – disse rapidamente, antes que pegasse o caminho para o elevador. Ela não parou de andar, mas ainda tinha a recepcionista ao seu encalço.
- E por que não? Aconteceu alguma coisa com a minha filha e não me avisaram? – sua voz tinha um tom de preocupação, o que fez com que ela andasse mais rápido em direção ao elevador. - Me responda! O que aconteceu com a minha filha? – olhou para a mulher.
- Nada... É que... Bom, um senhor chegou aqui e pediu para subir, dizendo que... – ela foi interrompida por , que agora tinha uma expressão confusa no rosto, além de toda a preocupação.
- E o que tem a ver esse homem com a minha ? Com licença, eu vou subir agora mesmo. – virou-se para entrar no elevador, ainda sendo seguida pela mulher, que aparentava medo tanto em seu rosto quanto em sua voz. Ela não disse mais nada, vendo que não iria desistir de subir.
Chegaram ao terceiro andar e foi para o local onde agora a filha ficava, junto com outros bebês. Para sua surpresa, alguém estava com sua filha no colo, fazendo-a correr para ver quem era, já que não era nenhum médico, julgando pela roupa que ele estava. Na verdade, ela sabia muito bem de quem se tratava, conheceria aquela pessoa mesmo se ela estivesse tão longe que só pudesse enxergar uma parte sua e ainda com dificuldade. Conhecia todos os traços daquela pessoa melhor do que ninguém.
- ? O que faz aqui? Como teve acesso à ? Você não tem esse direito... Devolva minha filha agora. – estava nervosa, pegou do colo de na mesma hora, não dando tempo nem para que ele respondesse ou tentasse continuar com a filha. – E vocês desse hospital, como deixam alguém desconhecido subir? Ele poderia ter levado a minha filha! – olhou para a mulher que a encarava com a mesma expressão de antes.
- Desculpe. Ele disse que era o pai. Os pais têm acesso aos bebês, não tinha como não deixá-lo subir. Eu tentei fazer com que a senhorita não o encontrasse aqui, ele havia conversado conosco e explicado a situação, disse que queria ver a filha, mas que você não iria gostar. Sentimos pena por ele ser o pai e deixamos. – a mulher tentou se explicar.
- Tudo bem. Agora, por favor, me dê licença que eu preciso conversar com ele. – disse e a mulher logo saiu, indo para outra sala que ficava no mesmo corredor, provavelmente para pegar os papéis que teria que assinar para levar embora.
olhava diretamente nos olhos de , querendo saber o que ela queria falar com ele. Tinha medo de que ela o proibisse de ver sua filha, sabia que a raiva dela por ele era enorme, fazendo isso ser totalmente possível de acontecer.
- , eu... Eu só queria ficar um pouco perto dela. Eu sou o... – não conseguiu terminar a frase por causa de , que começou a falar.
- Não diga que é o pai quando você não é. Você não esteve presente durante a minha gravidez, não acompanhou cada momento da ainda aqui dentro de mim. Não foi aos exames, não ouviu o coraçãozinho dela bater pela primeira vez e também não estava lá quando eu quase a perdi. Você sabia que eu quase perdi a pessoa mais importante da minha vida? – assentiu com a cabeça. – Claro, você devia estar na casa do quando tudo aconteceu. E, bom, um pai estaria presente em um momento como esse, não é verdade? Mas você não estava. Você a recusou no momento em que soube que eu estava grávida, . – falava enquanto a olhava de uma maneira triste e arrependida, sentindo-se culpado mais uma vez por tudo que aconteceu com ela.
- Eu sei, . Eu sei de tudo isso e principalmente que eu errei. Me arrependo pelas coisas que eu te disse naquela noite e por tudo que eu te fiz passar. Eu só... Acho que estava assustado demais. Acho que o sonho de ser conhecido mundialmente falou mais alto naquele momento. Mas eu estou aqui agora, eu sempre estou por aqui quando você não está. , por mais que você diga que não e por mais que eu entenda, também é minha filha e eu quero fazer parte da vida dela. Eu a amo, . Não me peça para ficar longe da vida dela, não me proíba de vê-la... Eu te peço, , eu suplico que não faça isso comigo. Me faça pagar por tudo que eu te fiz de qualquer forma, menos dessa. Ela não tem culpa e ela precisa de um pai também... – disse, o tempo todo sendo observado por , que agora também o olhava nos olhos, sem saber o que dizer. Ele não poder conter as lágrimas, só de pensar em ter que ficar longe da filha.
- Tudo bem, . Não vou proibi-lo de ver a , mas isso só vai acontecer quando eu estiver por perto. Nada de levá-la para a sua casa ou alguma coisa parecida... Eu não deveria estar fazendo isso, eu não queria, mas eu sei que você tem esse direito, por mais idiota que tenha sido. – disse, por fim, podendo ver a expressão de alívio tomando conta do rosto de , que deu um largo sorriso com a resposta. – Mas agora vá embora daqui, por favor. Irei levá-la para casa, se quiser vê-la, me ligue antes. – virou as costas para o ex-namorado e caminhou lentamente até a sala em que a recepcionista havia ido, carregando em seu colo, podendo ouvir um “Obrigado” vindo de .
assinou todos os papéis necessários e ouviu todas as recomendações do médico com extrema atenção. Seguiria tudo à risca para que nada de indesejável acontecesse com a sua garotinha. e haviam levado as duas para casa, pois já haviam combinado que buscariam e levariam e para casa naquele dia. Ficaram um pouco na casa da amiga, mas logo foram embora para que ela pudesse descansar e curtir um pouco a filha, além de pensar em tudo que havia acontecido naquele dia, naquele hospital.
Os amigos concordavam com sobre ela deixar ver a criança, até porque, bem ou mal, ele era o pai. Eles haviam visto mudança em desde o acidente com e sabiam que ele realmente amava aquela criança, assim como dizia amar .
Mas esse já era outro caso.
O relógio marcava cinco e quarenta da tarde. estava no quarto de , tentando acalmá-la de todas as formas possíveis, mas nada fazia a garotinha parar de chorar. A mãe já estava ficando preocupada, pensando em ligar para alguém ou para o médico, mas preferiu tentar fazer aquilo sozinha. Talvez a menina estivesse apenas estranhando a casa, por ter passado um bom tempo no hospital. Com ela em seu carrinho, caminhou para fora do quarto, indo para outro cômodo que ficava no fim do corredor. Lembrou-se de que costumava ficar ali por horas, apenas por um motivo: era a sala onde ficava o seu piano. Por muito tempo, durante sua gravidez, não teve a companhia de ninguém, apenas dele. Sentou-se e colocou o carrinho de ao seu lado.
começou a tocar a introdução de Black Star, da Avril Lavigne, lentamente. Em súbito, focou toda a sua atenção para o som que saía do instrumento. Cantou os primeiros versos da canção e a olhava, de uma maneira que parecia estar maravilhada. Aumentou a velocidade em que tocava, cantando suavemente. Logo a pequena canção havia terminado e pôde perceber quieta, apenas prestando a atenção na mãe, fazendo-a sorrir brevemente. Aquilo que havia a acalmado por tanto tempo, agora também acalmava a filha.
Levantou-se e pegou a garotinha no colo, com medo de que ela voltasse a chorar. Tirou daquele cômodo e a levou de volta para seu quarto, balançando-a de leve. Depois de algum tempo ninando a menina, conseguiu fazê-la dormir, colocando-a de volta em seu berço e ficando ali, apenas observando a filha dormir.
tinha que recomeçar a vida, mais por sua filha do que por ela mesma. Havia aguentado tudo sozinha até agora, por que, de um dia para o outro, iria precisar de alguém para ajudá-la? O que não saía de sua mente era como seria dali para frente, com sempre por perto. Não sabia como reagiria ou se suportaria vê-lo depois do que aconteceu, depois de ele não ser mais seu, como costumava ser.
CAPÍTULO CINCO
O jardim da casa de estava completamente enfeitado com o tema da Cinderella, para o aniversário de um ano de , que aconteceria naquela tarde. Durante esse tempo, teve que conviver praticamente todos os dias com , que estava sempre por perto querendo ver a filha. Para a surpresa de , ele estava se mostrando um pai muito presente, diferente do que ele demonstrou quando ela contou sobre sua gravidez. Ela estava conseguindo lidar muito bem com a presença dele, por mais que ainda fosse um pouco difícil encarar a vida daquela forma, com os dois separados. Tentava não pensar muito nisso, apenas na felicidade da filha deles, que agora estava completando um aninho.
Como era de se esperar, a primeira palavra de foi mamãe, quando pensou que seria papai. Isso rendeu muitos dias de risadas entre os pais, pois ficava alfinetando por causa da primeira palavra de . A garotinha ficava cada dia mais linda e mais parecida tanto com o pai, quanto com a mãe. Era a mistura perfeita dos dois.
- Meu amor, você precisa tomar banho agora. Vem com a mamãe! – Disse para a garotinha que estava distraída com a decoração da festa. caminhou até sua mãe em passos curtos, fazendo sorrir com aquele pequeno pedaço de gente andando pelo jardim. Pegou a filha no colo e a levou para dentro da casa.
Ao chegar no banheiro do quarto de , a garotinha mostrou-se impaciente, forçando para descer do colo da mãe e poder andar por ali sozinha.
- Papai, cadê? – perguntou , fazendo bico para a mãe.
- Papai está em casa, pequena. Daqui a pouco ele chega para a sua festa, mas você precisa tomar banho e ficar bem mais linda para ele. O que acha? – começou a tirar a roupinha da filha, para que pudesse dar banho nela.
- Festa! – bateu as mãozinhas, em sinal de felicidade.
já tinha terminado de dar banho em e estava colocando a roupa que ela usaria na festa. Era um clássico vestido azul da Cinderella - mas de frio, por causa do tempo em Londres - para combinar com a decoração da festa. A menina havia ficado linda naquela roupinha, realmente como uma princesinha, fazendo a mãe sorrir ao vê-la daquele jeito.
Ouviu a porta abrir lá embaixo e imaginou que fosse a babá de , Lauren, que tinha ido buscar alguma coisa no mercado. havia contratado Lauren quando completou oito meses e ela decidiu que voltaria a trabalhar na escola. Não poderia levar a filha consigo e também não poderia deixá-la com o pai, que também tinha os seus compromissos. se dava muito bem com a babá, o que foi muita sorte, já que ela não gostava muito de ficar com outras pessoas que não fossem seus pais.
- Lauren? – gritou para que a pessoa pudesse escutar do andar de baixo.
- Sim, sou eu. – respondeu a babá, também gritando.
- Estou no quarto da ! – disse e, em menos de um minuto, pôde ver a babá entrando no quarto, indo em direção à menina. – Preciso tomar banho e me arrumar, ainda bem que você chegou agora. – entregou a filha para Lauren, dando um beijo na testa da garotinha, fazendo-a sorrir para a mãe. – A mamãe já volta, tá? – disse, e balançou a cabeça, concordando com o que a mãe dissera.
foi para seu quarto, entrou em seu banheiro e tomou um banho demorado. Aproveitava o tempo que ficava no banho para pensar nas coisas que estavam acontecendo em sua vida. Saiu de lá e foi se trocar. Colocou uma calça skinny preta, uma camisa branca e um casaco, estampado com flores, por cima. Nos pés, calçava uma sapatilha preta, já que, provavelmente, teria que ficar indo atrás de a festa inteira ou, até mesmo, com ela no colo. Precisava de algo confortável. Voltou para o quarto da filha e a encontrou brincando no cantinho que tinha o colchão e a babá ao seu lado, cuidando para que ela não fizesse nada que pudesse estragar o vestido da festa.
Ouviram a campainha tocar e sabiam que já eram os convidados chegando, talvez , que deveria ser o primeiro a chegar, por ser o pai. desceu para atender a porta com no colo, que estava eufórica na esperança de ser chegando. Para a decepção da menina, não era seu pai, mas alguns amiguinhos que tinham ido com suas babás e mamães.
A festa já havia começado há um bom tempo, mas nada de chegar. brincava com os seus amiguinhos, mas sempre chegava perto da mãe para perguntar de seu pai. até estava preocupada, tentara ligar para , mas a ligação caía apenas na caixa postal. Depois de mais alguns minutos, pôde vê-lo chegando com uma mulher ao seu lado. Essa mulher era Dakota, sua namorada. Os dois estavam namorando há poucos meses, mas ele nunca a tinha levado à casa de .
- Papai! – avistou o pai de longe e foi em direção ao mesmo, abraçando-o pela perna. - Sodádi. disse, ignorando a mulher que estava ao lado dele.
- Saudade também, minha pequena. O papai demorou, mas chegou. Desculpa, tá? – pegou a menina no colo, abraçando-a e dando um beijo em sua testa.
- Tá. – ela disse, simplesmente, ainda ignorando a mulher.
- Oi, ! Parabéns! – Dakota se pronunciou, tentando pegar no colo, mas a garotinha apenas virou o rosto, escondendo-o no ombro de seu pai. tentou fazê-la cumprimentar Dakota, mas foi em vão. – Deixa ela, . É criança... Não gosta de mim e eu entendo, aposto que queria os pais juntos. – riu, direcionando o olhar para , que encarava tudo de longe.
Dakota e estavam indo para uma das mesas, mas o parou no meio do caminho, puxando-o para conversar. Fez sinal para que Dakota continuasse o caminho e esperasse por lá.
- Aconteceu alguma coisa? Pensei que não viria mais. – disse , olhando atentamente para o ex-namorado, que ainda tinha em seu colo.
- Por favor, , quando eu faltaria o aniversário de um ano da minha filha? Apenas tive alguns problemas... Quer dizer, Dakota teve alguns problemas com roupas e essas coisas de mulher, por isso atrasei. Mas estou aqui agora. – disse de uma vez, esperando alguma reação de .
- Você a trouxe sabendo que não gosta dela. – apontou, disfarçadamente, para Dakota.
- não tem noção das coisas ainda, deve apenas ter ciúmes de mim. – deu de ombros, fazendo se remexer em seu colo, querendo descer para continuar brincando com os amigos. a soltou e a deixou ir. Seguiu o caminho feito pela filha, mas indo para a mesa que Dakota estava, junto com outros amigos, inclusive e .
- Não sei como ele pôde trazê-la, . É aniversário da filha dele que, inclusive, não gosta dessa mulherzinha que ele arrumou. – conversava com a amiga, a única que seria capaz de entendê-la naquele momento.
- Não é de agora que eles estão juntos, . Você já deveria ter acostumado com isso e deveria ter arrumado alguém também, não pode ficar sozinha para sempre.
- Eu não quero, . Não agora. E ainda acho que ele fez a coisa errada. Já não basta ter que aguentá-la quando vai para a casa do pai? Desse jeito, vou acabar proibindo de levar para a casa dele mais uma vez. – disse , ainda desconfortável com a situação de estar no mesmo ambiente que a atual namorada de seu ex-namorado.
- Deixa isso pra lá, . Não estrague o dia da sua filha... – a amiga tentou acalmá-la e ela concordou com a cabeça. – Vem, vamos voltar pra lá, está quase na hora do parabéns. – levou a amiga para onde estavam antes.
Depois de muitas músicas, crianças pulando, gritando, brincando, correndo de um lado para o outro, a festa acabou, restando no lugar apenas , Dakota, , e a babá. , mesmo cansada e com sono, estava fazendo manha para que o pai não fosse embora. Passou os pequenos braços pelo pescoço do pai, escondendo seu rostinho, como havia feito antes, apenas para que ele não a entregasse para sua mãe.
- O papai tem que ir, princesa... Mas eu prometo que volto amanhã. – disse , tentando fazer a filha concordar com a sua ida.
- Não! – exclamou a pequena, ameaçando começar a chorar. olhou para , demonstrando que não sabia o que fazer, para que ela o ajudasse.
- Bebê, você entra agora com a mamãe, toma banho, coloca um pijama bem quentinho, dorme e aí amanhã, quando você acordar, o papai já vai estar aqui. – tentou pegar a filha do colo do pai, mas a menina ainda o agarrava.
- Não. Papai, fica. – choramingou , passando uma das mãos pelos olhinhos, demonstrando sono.
- , fica. Eu pego um táxi e vou para casa. – Dakota estava visivelmente irritada com a situação. Por mais que fosse namorada de , não gostava do fato de ele ter uma filha com outra mulher. Principalmente porque essa filha fazia com o que o vínculo entre e fosse ainda maior.
- Viu só? O papai vai ficar, então. – disse e abriu um largo sorriso, soltando o pescoço do pai. Dakota foi até ele, unindo seus lábios em um beijo que mais parecia algum tipo de provocação à , que fingiu não estar presenciando aquilo.
Depois disso, Dakota foi embora. e subiram com até o seu quarto, para que a menina pudesse tomar outro banho e, finalmente, dormir. resolveu que ele daria o banho nela, visto que a garotinha não queria largá-lo por nada no mundo. Entrou no banheiro da pequena, arrumando sua banheira com todas as coisas necessárias para o banho.
estava totalmente agitada no banho, batendo os bracinhos na água, deixando seu pai todo molhado.
- Cadê a garotinha que estava caindo de sono agora pouco? – riu baixo, enxugando a água que havia em seu rosto, fazendo gargalhar. – Olha... É feio molhar o papai, sabia? A sujinha aqui é você. – disse, mas a pequena apenas gargalhava e batia as perninhas na água, jogando seus brinquedinhos com uma certa força, para que molhasse ainda mais o seu pai.
- Água, papai. Água! - estava se divertindo com aquilo e , sem que percebesse, observava tudo do quartinho da filha, com um sorriso nos lábios.
terminou de dar o banho em , saindo todo molhado, como se fosse ele quem tivesse tomado o banho. Por sorte, havia deixado algumas roupas na casa de , para imprevistos como esse. Trocou-se, como havia feito com ela anteriormente, e voltou para o quarto de . Como lá não teria como ele deitar na cama com a filha, já que só tinha o berço, falou para que ele fosse para seu quarto, porque não conseguiria dormir se o pai não estivesse ao seu lado. Ela sempre ficava assim quando o pai estava por perto, não queria nunca que ele fosse embora e, quando ele ficava mais tempo, só dormia se ele estivesse ao seu lado.
Deitou-se ao lado de , que segurou o dedo indicador do pai com a mãozinha direita, talvez fosse para ter certeza de que ele não a deixaria ali sozinha.
- Você quer que o papai conte alguma história? – perguntou para a pequena ao seu lado.
- Não, quelo música. – respondeu, fazendo seu pai pensar em algo para cantar para ela dormir. Estava acostumada a dormir com música, mas porque sempre tocava piano para a filha e também cantava. Claro que tinham os momentos de histórias, mas ela sempre gostava mais quando tinha música.
virou-se para a filha, ainda com ela segurando seu dedo indicador, e começou a cantar baixo, para que a pequena pudesse dormir. continuava observando os dois, ainda sem que percebesse. Ela gostava dos momentos entre pai e filha. Gostava de como sua filha sorria ao estar perto do pai e de como sorria ao estar perto da filha. Era como se eles realmente fossem uma família feliz. Os três.
- When I was younger I saw my daddy cry and curse at the wind. He broke his own heart and I watched as he tried to reassemble it. And my momma swore that she would never let herself forget. And that was the day that I promised I'd never sing of love if it does not exist, but darling, you are the only exception... - cantava a primeira música que veio em mente e olhava atentamente para ele, fechando os olhinhos de vez em quando, claramente lutando contra o sono, apenas para que pudesse ficar mais tempo com seu pai.
tinha os olhos cheios de lágrimas enquanto algumas já escorriam, deixando-a com o rosto vermelho. Resolveu que era a hora de sair dali, indo para o quarto de .
Fechou a porta do quarto para ficar segura de que ninguém a escutaria, seu corpo foi escorregando lentamente pela porta, enquanto ela ainda chorava, agora com mais intensidade. Em seu quarto, já dormia e continuava com a filha, fazendo carinho em seu rostinho com a mão que ela não estava segurando. E era de momentos como esse que queria fazer parte, por mais que ela não gostasse de admitir nem para si mesma. estava tão perto, mas, ao mesmo tempo, tão longe.
And up until now I had sworn to myself that I'm content with loneliness, because none of it was ever worth the risk. You are the only exception.
CAPÍTULO SEIS
Cinco meses haviam se passado após o aniversário de . Cinco meses após ter fraquejado por . Cinco meses que a mesma resolvera fingir que nada havia acontecido, que estava tudo bem e que não ligava para o fato de ter o homem que amava em sua casa todos os dias, sem ao menos poder tocá-lo ou deixá-lo saber disso. Cinco meses a mais vivendo em uma mentira, em uma realidade que ela queria que fosse diferente. E que, na verdade, ele também queria. estava decidido a deixar Dakota para tentar reatar o namoro com e poder morar com ela e a filha, mas tinha medo. Medo de que ela não o aceitasse de volta. Medo de que ela não sentisse mais o mesmo. Principalmente, por ela mostrar-se tão forte e tão segura quando estava perto dele, como se realmente não ligasse para o fato de os dois estarem separados, como se não se importasse mais com ele.
A pequena estava deitada no tapete da sala, rolando no chão com Bud, o cachorro que havia comprado para ela. Bud era um lindo labrador preto e gostava de como ela gostava dele. Os dois brincavam naquela sala enquanto preparava algumas coisas para a aula que daria mais tarde. Bud pegava os brinquedos de com a boca, fazendo a mesma gargalhar e ajudar o cachorro a pegar os brinquedinhos.
- Bud, não! – gritou para que o cachorro soltasse os brinquedos, assustando a filha, que fez bico para chorar. – Mamãe não está brava com você, meu amor. É que o Bud não pode ficar babando nessas coisas e depois você ficar colocando as mãozinhas e colocando-as na boca também. – pegou a filha no colo para que ela não chorasse. A pequena apenas olhou para a sua mãe, abraçando-a em seguida. – Quer ir à piscina? Está quente hoje.
- Piscina! – balançou as perninhas em sinal de comemoração. Adorava quando a mãe ia com ela para a piscina e ficava lá por um bom tempo. Talvez porque isso era sinal de que ela só sairia para trabalhar em um dos horários e teria tempo para .
- Então, vamos subir e trocar de roupa. Depois iremos para a piscina. – levantou-se com no colo, indo para a escada que dava para o andar de cima. – Lauren, vou subir com a e depois estarei na área da piscina, qualquer coisa é só ir lá. – falou alto para que a babá escutasse.
Depois de algum tempo trocando a roupa de e depois trocando a sua, estavam prontas para ir à piscina. havia colocado um biquíni rosa na filha. Rosa de bolinhas, com babadinhos e lacinhos do lado. Totalmente fofo, ainda mais em , que qualquer coisa ficava lindo. Colocou Havainas, também na cor rosa, na filha, com um elástico prendendo seu pézinho atrás. estava com um biquíni preto, já que tinha recuperado seu corpo de antes da gravidez. Desceu com a filha e foi para a área da piscina, entrando em sua parte rasa com no colo. Ela batia as perninhas e os bracinhos dentro da água, na tentativa frustrada de querer nadar e ainda sozinha.
Ficaram dentro da piscina por um bom tempo, apenas brincando. havia levado alguns brinquedos de para lá e a pequena pôde se divertir bastante.
- Avião, mamãe! – disse a pequena, erguendo mais os bracinhos para que a mãe pudesse levantá-la e rodá-la como se fosse mesmo um avião.
- Ai, meu Deus. Que pesada essa minha filha! – riu da mãe e tentou imitar o barulho de um avião com a boca, fazendo agora, sua mãe rir.
- goida. – fez gargalhar com o que dissera.
- É, gorda! Gordinha e linda da mamãe. – encheu a pequena de beijos, colocando-a na beira da piscina. – Acho que a gente deve entrar agora, já brincamos bastante e a mamãe precisa trabalhar. – mudou sua expressão na mesma hora, fazendo bico para chorar.
- Não, mamãe. – começou a chorar, agarrando o corpo da mãe.
- Prometo que não vou demorar hoje, mas preciso ir, princesa. Lauren vai ficar com você até a mamãe chegar, o que acha? – subiu para a beira da piscina, ficando em pé e pegando no colo, em busca da toalha que estava em cima de uma das cadeiras do lugar.
- Não. – continuou chorando, não se afastando de nem para que ela pudesse enrolar a pequena na toalha.
- ... – pensou em algo para tentar convencer a filha, mas nada veio em mente. Resolveu apenas continuar andando, indo para dentro da casa para que pudesse tomar banho, dar banho em e sair para trabalhar. Não sabia o que tinha acontecido para que ela ficasse daquela forma. Sabia que Lauren cuidava muito bem da pequena e que não tinha motivos para ela não gostar da babá. Além disso, costumava aceitar numa boa a ideia da mãe ter que trabalhar, sabia que ela sempre voltava para casa.
Terminou de dar banho na filha e de trocá-la, deixando-a com a babá e indo para seu quarto fazer o mesmo. Colocou uma roupa confortável para ir à escolinha dar aula e, dessa vez, não ficar resolvendo nada depois do horário para voltar cedo, como havia prometido à .
- Senhorita , é o senhor no telefone. – disse a babá, entregando o telefone para .
- Oi, . – tentava tirar o telefone da mão de sua mãe, querendo poder falar com seu pai também.
- Oi, ... Bom, eu liguei porque estou indo à casa do e queria saber se você concorda de eu levar comigo. Passo aí agora para buscá-la e ainda é perto de onde você trabalha. – estava receoso e isso estava estampado em sua voz.
- Não, . Acho melhor não... Não quero ficar expondo-a por nada. Digo, todo mundo sabe que ela é sua filha e sempre tem algum curioso atrás de você, te fotografando, querendo saber da sua vida... Ela é muito pequena, não quero isso para ela. – disse, séria. Realmente não queria aquilo para a filha. Não queria que ela fosse vítima dessas pessoas que não tem mais o que fazer, a não ser ficar falando da vida dos outros. Não queria a filha em capas de revistas e em sites na de fofoca na internet.
- Mas, , é a casa do , vou parar na porta dele e entrar na casa. Não ficarei indo para lá e para cá com a nossa filha. – sua voz saía quase em uma súplica.
- Já disse que é melhor não. vai ficar com a Lauren, você pode passar aqui mais tarde, quando voltar da casa do , mas ela não vai com você.
- Tudo bem, então. Diga a ela que a amo e que depois irei passar aí para vê-la. Beijo, .
- Pode deixar. Beijo, . – desligou. Uma parte dela queria concordar com ele, queria deixar ir com o pai, mas outra parte dizia que não e era justamente essa que ela obedecia.
- Papai pediu para dizer que te ama, meu amor, e que mais tarde virá te ver. – Pegou a filha, novamente, dos braços da babá, enquanto ela tinha os olhos brilhando pelo que a mãe dissera sobre seu pai. – Viu só? Talvez o papai chegue antes da mamãe e aí você vai poder ficar com ele aqui. É melhor vê-lo do que ir para a escola comigo, certo? – a pequena concordou levemente com a cabeça, ganhando um beijo na testa.
- Agora deixe sua mãe ir trabalhar, . Vou te levar ao parque hoje, aí você vai brincar com seus amiguinhos e nem vai ver o tempo passar. – disse Lauren, tentando fazer a garotinha se soltar do colo da mãe e ir para o dela.
- Não. Quero a mamãe. – ainda teimava, não soltando .
- Não torne isso difícil, filha. A mamãe já disse que vai voltar... Fica aqui com a Lauren, vocês irão ao parque e depois seu pai virá aqui. Mais tarde a mamãe chega e pronto, a gente pode brincar ou fazer o que você quiser. – soltou a filha do colo à força, entregando-a com os olhos cheios de lágrimas para a babá e indo para a porta. desceu do colo da babá e agarrou as pernas da mãe, já com as lágrimas descendo de seus olhos, fazendo abaixar-se e abraçá-la muito forte, também com os olhos cheios de lágrimas. – A mamãe te ama, princesa. Não se esqueça disso nunca, tá bom? – abraçou a filha mais uma vez, levantando-se e indo para o trabalho.
nunca tinha visto um dia demorar tanto para passar. Talvez fosse pela ansiedade de querer ir para casa ver sua filha, principalmente por tê-la deixado daquela maneira. Ainda não tinha entendido o motivo para aquilo tudo, mas podia ser porque estava crescendo e entendendo ainda melhor o que é ficar longe dela. A pequena queria poder passar mais tempo com ela, como as outras crianças costumavam a passar com suas mães. sentia muito por não poder dar total atenção à filha, mas sabia que, de certa forma, ela teria que continuar trabalhando, teria que continuar deixando com uma babá, por mais que doesse muito deixá-la em casa. Ainda estava na hora do intervalo, teria mais duas horas de trabalho pela frente. Talvez tivesse sido melhor deixar com o pai, pelo menos ela teria alguém da família por perto.
Resolveu ligar para para que ela pudesse ir à sua casa ver como as coisas estavam por lá.
- ?
- ! Aconteceu alguma coisa?
- Não... Quer dizer... Eu só estou preocupada. não queria deixar eu vir trabalhar e estava sentida com isso. Eu só queria pedir para que você fosse lá em casa, se não for te atrapalhar, e ver como ela está. Eu queria sair daqui agora, mas não posso deixar as crianças.
- Eu vou, . Sem problemas. Mas fica calma, não deve ser nada, ela só deve estar querendo passar mais tempo com você, querendo mais atenção... E ?
- O que tem ele? – perguntou, não entendendo aonde a amiga queria chegar.
- Não foi vê-la hoje? – fez respirar aliviada, sabendo que a conversa não tomaria o rumo que ela não queria que tomasse.
- Ele está na casa do e queria levá-la, mas eu não deixei. Não sei, . Não o quero carregando-a para baixo e para cima com todo mundo sabendo quem ele é. – disse simplesmente.
- Eu entendo, mas talvez fosse bom para ela. Bom, de qualquer forma, estou indo à sua casa agora, qualquer coisa te ligo. Fica tranquila, ok? – tentou acalmar a amiga.
- Obrigada, . Vou tentar. – desligou o telefone, ouvindo o sinal bater, avisando que era hora de voltar com as crianças para a sala de aula.
As últimas duas horas de trabalho pareceram demorar ainda mais, deixando inquieta, com vontade de sair a qualquer momento daquela sala de aula e voltar para a sua casa, para a sua filha. Sentia que alguma coisa não estava certa, que alguma coisa de ruim havia acontecido. Estava angustiada, sem saber o que fazer. Podia ser apenas uma sensação ruim após ter demonstrado tanta tristeza ao vê-la saindo de casa, mas podia ser algo sério. E essa alternativa de ser algo sério realmente a preocupava ainda mais.
Assim que o sinal da saída bateu e ela entregou cada criança para sua mãe, pegou o carro e voltou rapidamente para casa. Quando chegou, abriu a porta de casa e chamou pela filha, não obtendo resposta. Pensou que a pequena pudesse estar em algum outro canto da casa ou até mesmo dormindo, mas foi surpreendida quando encontrou, no quarto da pequena, uma babá e uma melhor amiga chorosas.
- O que aconteceu? – perguntou impaciente. – Me falem! O que aconteceu? Cadê a minha filha? – começou a andar de um lado para o outro, na tentativa de encontrar a garotinha em alguma parte do quarto.
- Senhorita, me desculpe... Eu... Eu me descuidei e quando dei por mim, não estava mais ao meu lado. – disse a babá com voz de choro, sabendo que, no mínimo, perderia o seu emprego.
- Que tipo de brincadeira é essa? ! Cadê a ? – tornou a perguntar, ainda impaciente.
- , eu sinto muito, mas é verdade. Eu cheguei e encontrei Lauren aqui, chorando e sem a . Ela me contou o que aconteceu, disse que foi muito rápido e não conseguiu ver quem pegou a minha afilhada. Eu não te liguei porque achei melhor esperar você chegar, estava com medo da sua reação. Já liguei para a polícia, mas disseram que só podem fazer algo depois de vinte e quatro horas do desaparecimento. – disse , ainda chorando. Levantou-se e foi abraçar , que não demonstrava reação nenhuma. – , fale comigo! – a amiga mostrou-se ainda mais preocupada.
- É tudo culpa minha... É tudo culpa minha... – repetia mais para ela do que para que os outros ouvissem, totalmente inconformada com o que acabara de escutar. Não correspondeu ao abraço da amiga, ainda sem reação, apenas continuou repetindo que era tudo culpa dela.
- , não é culpa sua. Acalme-se, por favor. Vai ficar tudo bem... – estava nervosa, mas queria poder passar forças para , por mais que, naquele momento, fosse totalmente impossível.
- . Eu preciso falar com . – ainda não havia derramado uma lágrima pelo choque ter sido tão grande. Sabe quando a dor que você sente é tão forte que te impede de fazer qualquer coisa? Era assim que ela se sentia.
- ?
- , levaram a nossa menina. Levaram a nossa ... – começou a chorar desesperadamente, como se todo o sentimento que estava entalado, por não ter força de colocá-lo para fora, viesse à tona de uma só vez. não sabia se tinha escutado direito, não sabia como alguém seria capaz de tal maldade, mas sabia que não estava em condições de explicar nada. Sabia que ela não conseguiria falar mais nada, por enquanto. Murmurou um “Estou indo para aí” e desligou o telefone.
havia perdido o seu chão, havia perdido o seu desejo de viver e não sabia como faria para recuperar, só sabia que seria capaz de tudo para ter a sua pequena de volta.
CAPÍTULO SETE
, que ainda estava na casa de , falou para o amigo o que havia lhe contado pelo telefone. Saiu em disparada da casa dele, sendo acompanhado pelo mesmo. Queria poder chegar logo na casa de e ouvi-la dizer que tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto, de um mal-entendido, mas ele sabia que isso não aconteceria. Dirigiu em alta velocidade, amaldiçoando o trânsito de Londres, que pela chuva que começara do nada, estava ainda pior. Um dia que estava tão lindo e ensolarado, tornou-se um dia triste e chuvoso, fazendo parecer mais tarde e sombrio do que já estava. precisava ser forte, precisava acreditar que tudo ficaria bem, que sua filha estaria de volta logo e que as coisas voltariam a ser como eram antes.
Ele já se encontrava batendo uma das mãos no volante do carro, demonstrando nervosismo e tentava acalmá-lo, assim como fazia com . Ficar nervoso só iria piorar a situação. Mais alguns minutos e, finalmente, chegou à casa de . O portão de entrada do jardim estava aberto, coisa que não acontecia. entrou rapidamente, seguido de . O mesmo aconteceu com a porta de entrada da casa, fazendo-o pensar que devia tê-las deixado daquela maneira para que ele não precisasse chamá-la para entrar. A porta de entrada dava direto na sala, onde eles não encontraram ninguém.
Subiram para o segundo andar, imaginando que elas deveriam estar no quarto de . encontrou uma claramente destruída e com uma tristeza imensurável, jogada no cantinho onde a filha costumava brincar, segurando uma de suas pelúcias. Ela tinha os olhos fundos, o rosto inchado e vermelho de tanto chorar. Partiu o coração de vê-la daquela forma, queria ter sido capaz de fazer algo para que ela não passasse por isso, para que eles não passassem por isso. Ele foi em direção à ela, enquanto foi ao encontro de sua namorada, abraçando-a. Não pôde evitar que lágrimas caíssem de seus olhos após o seu olhar encontrar o de , que levantou-se e o abraçou fortemente, não contendo os soluços de um choro sentido. a abraçou ainda mais forte e passou as mãos pelos seus cabelos, enquanto ela molhava sua camisa com o choro. Ficaram um bom tempo assim, sem trocar apenas uma palavra. Um silêncio que dizia muitas coisas.
- Eu não vou suportar viver sem a nossa filha, ... Eu preciso da minha garotinha. Preciso vê-la bagunçando a minha sala, gargalhando por coisas que não tem tanta graça assim, brincando com o Bud e dando seus brinquedinhos a ele... Quero ouvi-la me chamando de madrugada para poder dormir comigo, quero ouvi-la dizer “eu te amo, mamãe!”, com a maior sinceridade e inocência de uma criança. Traz a nossa de volta, , por favor. – estava inconsolável, dizia tudo de uma maneira sofrida, como se tivessem arrancado uma parte dela. E tinham.
- Eu prometo que ela vai estar aqui conosco logo, logo. Não vou deixar que nenhum mal aconteça com a nossa princesa, ouviu? – disse ele, mesmo não tendo tanta certeza de que poderia cumprir aquela promessa, por mais que fosse tudo o que ele mais desejava no momento. - Já avisaram a polícia e aos nossos familiares? – perguntou, sentindo soltar-se de seu abraço e ir para o lado de .
- Sim, mas disseram que não podem fazer nada durante 24 horas, quanto aos pais de vocês, eu tentei ligar e só consegui falar com os seus, . Parece que os pais da estão viajando. Meus tios disseram que farão o possível e o impossível para ajudar e que, qualquer coisa, é só ligar que eles vêm correndo para cá. – disse , ainda com a voz falhada por causa do choro, segurando uma das mãos de .
- E você, Lauren, não vai dizer nada? – foi a vez de se pronunciar, provavelmente porque a babá estava quieta demais para quem tinha perdido uma garotinha de menos de dois anos.
- Senhor, eu... Eu já expliquei. Estava com a , ela se soltou de mim e foi brincar com os amiguinhos, como ela sempre faz. Eu fui atrás, nunca a deixo sozinha... Mas dessa vez, eu não sei dizer como aconteceu, foi tudo muito rápido. Era pra eu estar ao lado dela e eu me distraí, quando cheguei ao lugar, não estava mais lá. As babás que estavam naquele lugar, disseram que não a viram chegar ao local dos brinquedos e que não a viram por lá. – a babá estava completamente nervosa, não sabia mais o que dizer quando lhe perguntavam sobre o ocorrido daquela tarde. – Me desculpem, eu não queria que isso acontecesse... – saiu do quarto em passos largos, deixando que os quatro que ficaram no quarto pudessem ouvir apenas os seus passos nas escadas da casa.
e tentaram, de todos as maneiras possíveis, consolar e , mas nada adiantava. E não era pra menos. Era a filha deles que havia sumido, que alguém havia roubado. Estavam com medo de que não a vissem mais, de que quem quer que tenha pegado a garotinha, estivesse fazendo algum tipo de maldade com ela. Perguntavam-se o tempo todo o motivo de isso ter acontecido, se alguém teria motivos para tal atrocidade. ainda estava agarrada à pelúcia da filha, não chorava mais, mas também não falava nada e nem se movia. Estava em estado de choque. Queria poder sair e fazer alguma coisa para encontrá-la, mas não conseguia. Era difícil respirar, era difícil acreditar que existia vida após tudo isso.
A chuva continuava a cair naquela noite, mas não com tanta intensidade como antes. Ventava forte, podendo-se ouvir o barulho assustador provocado pelo vento. Já haviam ligado para praticamente todas as pessoas que conheciam e e para os outros amigos, jornais, rádios e revistas. Queriam todos os tipos de divulgação do caso para que fosse solucionado o mais rápido possível. Avisaram que, logo pela manhã, aquela notícia estaria sendo transmitida para todo o país e para o mundo, já que, com certeza, iria parar na internet, onde todos têm acesso a qualquer momento, principalmente as fãs curiosas.
- Vocês querem que nós fiquemos essa noite com vocês? Não nos importamos de dormir aqui, né, ? – olhou para a namorada, que respondeu com a cabeça, mostrando não se importar. Queria estar ali para qualquer coisa, caso tivesse algum notícia pela madrugada ou só para dar apoio aos amigos.
- Obrigada, e , mas vão para casa. Eu ficarei aqui com a e qualquer coisa ligaremos para vocês, ok? Mas podem ir descansar, foi um dia exaustivo para todos nós. – respondeu , ainda com sem falar alguma coisa, mas sendo compreendida pelos amigos, que foram até ela e a abraçaram e depois fizeram o mesmo com , dizendo que tudo ficaria bem.
desceu com o amigo e a prima para levá-los até o carro, deixando no quarto, porque não quis descer. Aproveitou para ficar um tempo conversando com eles, longe dela, para que não fosse ainda mais doloroso. Por mais que estivesse péssimo, ele sabia que estava muito pior. era tudo o que ela tinha, era como perder a própria vida. Voltou para dentro da casa e conseguia ouvir, da sala, os soluços de , que ainda estava no segundo andar. Aumentou os passos para que pudesse chegar rápido perto dela, encontrando-a sentada no tapete do quarto com as mãos passadas em volta das pernas, que estavam encolhidas, agarrando-as enquanto escondia o rosto nas mesmas. Correu até ela, levantando-a rapidamente e abraçando-a fortemente, como havia feito antes.
- , eu... Eu sou a culpada! Eu deveria tê-la deixado com você, eu fui egoísta, não quis que a minha filha fosse alvo de pessoas curiosas, mas deixei que ela fosse alvo de algo muito pior. – disse, com uma certa dificuldade por causa do choro, sentindo apertá-la ainda mais contra seu corpo. Havia chamado o ex-namorado pelo apelido, coisa que não fizera desde que terminaram, mas estava aflita demais para perceber.
- Shhh, . Não diga uma besteira dessas. Você não tem culpa de nada, viu? A babá que se descuidou, Lauren que deixou que a pegassem. Não foi culpa sua. não poderia ter uma mãe melhor. Você é maravilhosa, é incrível e ela a ama. – foi sua vez de chorar, enquanto tentava secar as lágrimas que caíam em grande quantidade dos olhos de . – Nós teremos nossa pequena de volta. – beijou a testa da ex-namorada, que ainda soluçava.
- E se nós fôssemos procurá-la? Podemos ir de carro, . Talvez ela esteja por aí, pelas ruas... – disse , com uma falsa esperança de que pudesse encontrar sua filha pelas ruas de Londres.
- Ela não está, . Você sabe... Não vai adiantar irmos lá fora, temos que ficar aqui e esperar que nos liguem. Está frio lá fora, está chovendo e ventando forte, vamos ficar por aqui, está bem? – tentou dizer isso de uma maneira que não a machucasse tanto, mas sabia que isso seria impossível.
- Pior está aqui dentro sem a minha filha.
- Você precisa descansar um pouco também, ... Eu vou ficar acordado esperando qualquer tipo de notícia e qualquer coisa, eu te acordo. – tentou convencê-la, passando uma das mãos pelo seu rosto.
- Não. Eu quero ficar aqui, não quero sair de perto das coisas da , quero ficar acordada, caso tenha alguma notícia. E, de qualquer forma, eu não iria conseguir dormir. – olhava para o lado de fora da casa, pela janela do quarto de , pensando se não seria mesmo melhor ir procurá-la na rua.
- Eu entendo. Não achei mesmo que você fosse... – deu de ombros. – Mas vai ficar deitada no seu quarto, eu levo algumas coisas da pra lá e você fica deitada um pouco, pode ser? – Ela acabou concordando, vendo que não sossegaria enquanto não a tirasse dali.
Ele ficou observando-a do lado da cama, no lado onde tinha uma enorme janela. acabou dormindo de tanto chorar e foi para perto dela, para cobri-la com outro edredom, já que estava muito frio naquela noite. Beijou o rosto da mulher, deixando que mais lágrimas escapassem de seus olhos enquanto continuava a observando, mesmo que agora ela estivesse dormindo. A ansiedade o estava matando, assim como a falta de notícias. Quem quer que tenha pegado sua garotinha estava demorando muito para dar notícias para algum tipo de resgate, fazendo crescer o medo de que essa pessoa, ou essas pessoas, não quisessem devolvê-la. Não contaria isso à , de maneira alguma. Isso só a faria se sentir pior e ele não queria isso.
Ficou perto dela por toda a noite, torcendo para que ela não acordasse, já que acordada ela estaria pior. Pôde perceber que ela se mexia muito, estava impaciente e deveria estar sonhando com a filha.
Passou a noite toda sem notícias, não pregara os olhos em momento algum, como havia dito à . Ligou várias vezes para a polícia, que sendo vencida pelas inúmeras ligações e pelo estado de , disse que tomaria alguma atitude assim que amanhecesse. Estava no andar de baixo da casa, na cozinha, preparando alguma coisa para comer quando acordasse. Pegou frutas, pães, suco, café, gelatina e mais outras coisas, levando para o quarto dela em uma mesa de café na cama. Colocou a mesinha em cima da cama, vendo-a acordar em um pulo, assustada.
- ! Me fala que tudo não passou de um pesadelo, por favor... – pediu, já com os olhos cheios de lágrimas.
- Eu queria poder dizer isso, , mas, infelizmente, não é a verdade. É o que estamos vivendo. – sentou-se na beirada da cama, ficando próximo dela, que olhou para a mesinha de café. – Ah, eu trouxe para você comer alguma coisa, não pode ficar com o estômago vazio, tem que ser e estar forte. – disse, puxando a mesinha mais para perto dos dois.
- Não quero, . Não quero. – era teimosa como uma criança e, se não fosse pelo momento, ele estaria rindo dela.
- Tem que comer, . Você não queria dormir também, mas acabou dormindo... Vamos lá, se ajude, coma só uma fruta, então. – insistiu, vendo-a pegar uma das frutas e levá-la à boca.
O homem a fez levantar, tomar um banho e trocar de roupa, fazendo o mesmo depois. Agradecia-se mentalmente por sempre deixar alguma roupa por lá, mais por causa de , que sempre acabava o sujando enquanto brincavam ou molhando-o todo enquanto tomava banho. Ouviu a campainha tocar e imaginou que fossem os policiais. Desceu, vendo que havia acertado o palpite.
- Por favor, entrem. – disse, deixando que os policiais entrassem na casa de .
- O senhor é o pai da criança, certo? – perguntou um dos policiais, talvez reconhecendo a voz daquele que ligara a noite toda para eles.
- Sim. A mãe está lá em cima, mas já está vindo. – respondeu e ouviu os passos de , que descia as escadas, e logo se juntou a ele.
- Então, contem-nos o que aconteceu exatamente. – disse um dos policiais, anotando tudo o que e diziam. Eles disseram tudo o que foi dito pela babá, a qual os policiais disseram que deveria ser interrogada depois. Provavelmente, iriam até a casa dela.
Os policiais ficaram naquela casa por algum tempo, até que todas as perguntas fossem respondidas. Disseram que os telefones ficariam grampeados para que nenhuma ligação passasse despercebida, caso resolvessem ligar para pedir algo em troca da filha do casal. entregou a eles uma foto de para facilitar as investigações.
Foram embora, deixando e sozinhos naquela casa. Os dois ficaram sentados na sala e resolveram ligar a televisão. a ligou enquanto foi ao seu quarto e voltou com a pelúcia da filha, sentando-se ao seu lado. Em um dos canais, algo chamou a atenção dos dois. Uma notícia sobre .
“A pequena , de um ano e cinco meses, filha do nosso querido músico e da professora , está desaparecida desde a tarde de ontem, quando brincava no parque com sua babá. Pais e amigos estão desesperados com esse suposto sequestro. Caso você tenha visto alguma coisa, entre em contato conosco.”
Eles se olharam e já estava prestes a chorar, mas a abraçou de lado, ainda sentados, encostando a cabeça dela em seu peito, fazendo carinho em sua cabeça. Ela entrelaçou seus braços em volta da cintura dele, ficando ainda mais próxima. Em vários canais estavam falando sobre , dando apoio aos pais e tentando ajudar a achar a garotinha. Sempre dando o número de contato do programa em que passava, não o de ou o de , para que não corressem o risco de serem enganados por trotes.
Desligaram a televisão para que não tivessem que ficar vendo coisas sobre , que os deixava ainda mais tristes. A mulher continuou com a cabeça encostada no peito de . Aquilo, de alguma forma, confortava-a.
- Você se lembra de quando ainda era rabugenta e ficava aqui nesse sofá, apenas observando eu brincar com a nossa filha com medo de que eu a levasse embora? – perguntou , do nada, apenas se lembrando de um dos diversos momentos que tivera naquele lugar.
- Lembro. Eu não era rabugenta, . – olhou séria para ele. – Eu só estava com ciúmes e tentando protegê-la. Veja no que deu, tentei protegê-la de você, veio outra pessoa e a pegou de mim. Isso é tão injusto. Ela é nossa filha, . Deveria estar aqui conosco, não com outra pessoa. – sentiu os olhos marejarem e levou uma das mãos que estavam na cintura de , aos olhos, para secá-los. Tinha que aprender a ser forte para ter sua pequena de volta.
- Eu sei, ... Mas pare de se culpar, já disse que a culpa não foi sua. Logo teremos a nossa princesinha correndo por essa sala e brincando com o Bud. - apontou para o cachorro, que estava deitado aos pés deles no sofá. – Ele também está sentindo falta dela, olha como está todo carente aí.
- Vem aqui, Bud. – bateu uma das mãos no sofá, fazendo barulho para que o cachorro subisse nele. Quando ele subiu, foi direto para o colo dela, ficando metade nele e metade no colo de .
- Ei, amigão. – ele começou a fazer carinho no cachorro, que latiu enquanto e falavam coisas aleatórias com ele, como se realmente estivesse entendendo tudo o que estavam falando.
Passaram o resto da manhã naquela sala, bem próximos um ao outro. Por mais que não tivessem mais nada, os dois se amavam, mesmo não querendo admitir. acabou perguntando de Dakota, mas apenas disse que ela estava muito longe para opinar em qualquer coisa, pois tinha ido morar com os pais, novamente, em outro lugar, um pouco longe de Londres. Aquilo acabou deixando uma pontinha de esperança em , se ele a tinha deixado ir embora, talvez não a amasse como dizia amar. Mas se fosse assim, por que ele a deixara quando disse que estava grávida? Será que ele também nunca a amou? Sabia que isso era impossível, sabia que fora sincero com todas as palavras de amor ditas em todo o tempo em que estavam juntos.
não a deixou sozinha nem por um minuto e sempre ficavam agitados quando recebiam alguma ligação, por pensar que fosse notícias sobre . Em um momento como esses, ficar sem poder fazer alguma coisa para ajudar é a pior coisa do mundo. Só não é pior do que ter a filha desaparecida.
- , eu vou até a minha casa pegar algumas coisas para deixar aqui, já que eu não tenho tantas assim por aqui, mas eu volto rapidinho, tá? – disse ele, sentando-se direito no sofá, mas ainda bem próximo a ela.
- Não, . Não me deixa aqui sozinha. – estava com medo só de pensar em ficar naquela grande casa sozinha, gostava da companhia dele, sabia que ele a protegeria de tudo.
- Alguém tem que ficar tomando conta do telefone, mas eu posso ficar aqui com você, então... Só não reclame se eu ficar muito fedido ou alguma coisa do tipo! – brincou, vendo sorrir de leve, deixando-o feliz, mesmo que ainda muito triste pela filha, estava feliz por ter conseguido um sorriso de , que até pouco tempo não demonstrava nenhum tipo de reação.
- Deixa de ser bobo! – deu um leve soquinho no braço do ex-namorado. - Mas está bem, pode ir buscar, só não demora. – pediu, fazendo a mesma carinha que costumava fazer quando queria alguma coisa.
- Não irei. Prometo. – levantou-se, beijou a testa de e foi em direção à porta.
- Você anda prometendo muitas coisas...
- Irei cumprir todas elas. – disse e saiu, deixando-a sozinha com seus pensamentos, a pelúcia de e com Bud ao seu lado, no sofá.
Por que as coisas tinham que ser tão difíceis quando elas poderiam ser tão fáceis? Os três poderiam estar ali agora, juntos, como uma verdadeira família feliz. Mas não, eles estavam separados, cada um tinha a sua casa e ainda, estava em um lugar qualquer, um lugar que ninguém imaginava.
CAPÍTULO OITO
Cada dia que passava, fazia a esperança dos pais em encontrar ir morrendo aos poucos. Estava completando duas semanas do seu desaparecimento e, nesse tempo, eles não tiveram sequer uma ligação. Não tiveram sequer uma notícia. Isso os preocupava ainda mais. A polícia continuava com a investigação, não conseguindo achar alguma pista, muito menos com as poucas coisas ditas pela babá. Essa, estava afastada da casa de , havia voltado para a sua e estava desempregada. Teria que ficar pela cidade durante o tempo das investigações, caso precisassem do seu depoimento para alguma coisa. resolveu dar um tempo com a música, para dar atenção exclusiva à , que ainda estava inconsolável. compreendia o amigo, claro, e também achou aquela a melhor escolha, assim ele também poderia estar sempre por perto, junto da prima de , .
A mulher se remexia sem parar naquela grande cama enquanto dormia e falava coisas que não dava para entender, fazendo o homem, que estava no mesmo quarto, tentar acordá-la.
- ! – disse baixinho para não assustá-la ainda mais. – , acorda... Você está tendo um pesadelo. – passou uma das mãos sobre o rosto dela.
- ! – ela acordou em um pulo, tinha a respiração descompassada e estava suando frio. – Eu tive um pesadelo, . Eles... Eles pegavam a nossa menininha e faziam muita maldade com ela, até que a vissem morta. – disse pausadamente, com dificuldade, por querer chorar. – Eu estou com tanto, mas tanto medo.
- Isso não vai acontecer, . Por mais que as investigações estejam difíceis, porque não temos nenhuma pista, nós iremos encontrar a nossa filha. Eu tenho certeza e eu já te prometi isso. – sentou-se na cama, puxando-a para perto de si, envolvendo-a em um abraço, como se dissesse que ele estaria por perto e não deixaria que nada nem ninguém fizesse isso com ela ou com , por mais que não soubesse o paradeiro da menina.
já estava acostumado a ter que acordá-la várias vezes durante a noite e até pela manhã, porque ela sempre tinha os mesmos pesadelos e parecia ficar, de alguma forma, presa neles. Isso não falhava um dia, desde o sumiço da pequena, ela tinha os pesadelos todos os dias. Chegou a pedir que um médico fosse vê-la, mas ele disse que isso era normal, diante da situação em que ela se encontrava, e apenas receitou alguns remédios para acalmá-la. Mesmo assim, todos os dias, lá estava ela, acordando assustada por alguma coisa. Queria que a história assustadora que eles estavam vivendo acabasse logo, assim eles teriam motivos para sorrir de novo.
- Eu acho que nós deveríamos sair para comer alguma coisa... – percebeu que ela iria interrompê-lo e continuou a falar. – Você precisa sair um pouco, ficar trancada em casa não vai adiantar, só vai te deixar pior. Vamos só comer alguma coisa, se você quiser voltar logo, nós voltaremos. – vendo que ela olhava para suas próprias mãos inquietas em suas pernas, segurou o queixo da mulher, levantando-o, para que ela olhasse para ele. – Por favor, vamos.
- Tudo bem, mas só tomar café e voltar. Precisamos ficar perto do telefone, lembra? – ele apenas concordou com a cabeça, mas, por dentro, algo dizia que ficar perto do telefone era uma atitude totalmente em vão, já que se em duas semanas ninguém havia ligado, não seria agora que ligariam. Porém, preferiu permanecer na dele. – Você já está arrumado e tudo, eu tenho que tomar banho ainda. Já volto. – foi direto para o banheiro de seu quarto.
Demorou longos minutos para que ela saísse de lá. costumava demorar ainda mais no banho, por ter a oportunidade de ficar sozinha com os seus pensamentos e aflições, podendo chorar e deixar que a água levasse parte de sua tristeza com ela, pelo ralinho. Isso costumava ajudar bastante quando era com relação a , mas não estava ajudando quando o assunto era a sua filha sequestrada. Sabiam que havia sido um sequestro, pelo simples fato de a pequena ser incapaz de se distanciar de sua babá sozinha e, se fizesse isso, pela sua pouca idade, estaria por perto e alguém teria visto. Tudo era muito estranho. Tanto o pai quanto a mãe não tinham pessoas que os odiassem, não que eles soubessem. achou que, pelo falo de ele ser famoso agora, quisessem sequestrá-la para pedir uma grande quantidade de dinheiro em um resgate, mas ninguém havia ligado. Não sabiam nem se a pequena estava viva, mas acreditavam nisso, não queriam acreditar na possibilidade de terem matado sua filha.
A mulher voltou para o quarto, encontrando-o vazio, provavelmente para que ela tivesse a liberdade de se trocar. Colocou um vestidinho de malha e um All Star branco, deixou os cabelos soltos e passou uma leve maquiagem para disfarçar a tristeza que transmitia apenas com o olhar. Usava um colar com um pingente de uma menininha que, no caso, era , e pequenos brincos de pedrinhas. Saiu do quarto e não encontrou em nenhum dos cômodos daquele andar. Passou pelo quarto da filha e não teve como não entrar, sentindo-se mal só de pisar naquele lugar, pela falta que sentia dela. Fechou os olhos com força, na tentativa de afastar pensamentos ruins. Fechou a porta e desceu as escadas para encontrar .
Ele estava esperando por ela na sala, enquanto falava com alguém no celular, provavelmente era perguntando sobre alguma novidade. Viu que ele desligou o celular segundos depois de ter visto ela e aproximou-se ainda mais.
- Desculpa, eu não sabia que... – tentou continuar o que ia falar, mas não permitiu.
- Não precisa pedir desculpas, era perguntando se tínhamos alguma novidade. De qualquer modo, não tenho que te esconder nada, você sabe... – disse, olhando bem nos olhos da ex-namorada. – A propósito, você está linda. – olhou-a de cima a baixo e percebeu que ela queria sorrir, mas apenas ficou um pouco corada, com vergonha, coisa que ela sempre fazia quando recebia elogios dele. – Vamos? – segurou-a pela mão, vendo-a concordar.
Ficaram o caminho todo em silêncio. reparou que estava um pouco inquieta por estar em um carro com ele, como costumava estar quando namoravam. Ele sabia que ela gostava de um lugar não tão longe dali, o que fez com que eles chegassem rapidamente ao local.
- Como você lembra? – ela perguntou, entrando naquele Café.
- Por que eu esqueceria? Nós costumávamos vir aqui sempre. Você não gostava dos outros lugares, dizia que estão sempre cheios e que são lugares de gente metida. Prefere esse daqui, que tem coisas que você gosta e está sempre calmo. – tinha um sorriso bobo no rosto.
- É. Eu dizia assim mesmo, mas é verdade. Olhe só para esse lugar, é tão... Família. Eu trouxe a aqui algumas vezes e ela virou fã dos cupcakes. – abaixou o olhar ao falar sobre a filha.
- Ei, olha pra mim. – pediu, vendo-a fazer. – Você irá trazê-la aqui até que fique velhinha. Isso tudo vai passar, . Ela vai voltar nesse lugar e ficar emburrada porque quer mais cupcake e você não quer deixá-la comprar por já ter comido demais. – sorriu fraco, passando uma de suas mãos pelos cabelos dela, arrumando os que teimavam em ficar fora do lugar.
- Eu sei. – respirou fundo. – É só... Difícil de acreditar que isso tudo está acontecendo. – mordeu o lábio inferior. – Mas vai passar... – forçou um sorriso. – Vamos pedir?
Foi até o balcão escolher o que iria pedir, mas acabou pedindo cupcakes e um capuccino, como sempre fazia, fazendo-o rir por sua escolha exageradamente doce. Já ele, escolheu donuts e um café forte, que detestava. Eles já haviam terminado o café e percebeu que ria de alguma coisa.
- O que foi? – perguntou, não obtendo resposta. – ! – deu um leve tapa em seu braço para que ele parasse com as risadas. – Estou suja?
- Tem cobertura de cupcake no seu rosto. – segurou o riso, vendo-a tentar se limpar. – Espera, eu faço isso. – pegou um guardanapo para tentar limpar o rosto dela, vendo que seus rostos ficaram ainda mais próximos. O nariz de encostou-se ao de e ele podia sentir sua respiração. Ficaram se olhando por alguns segundos, ainda próximos, até se assustarem com flashes vindos do outro lado.
O local, de um minuto a outro, havia ficado lotado de fotógrafos e alguns repórteres, já que ficavam fazendo inúmeras perguntas, uma atrás da outra. levantou-se e foi em direção ao caixa com ao seu lado, para poderem pagar a conta. Pagaram-na e tentaram sair do local, sendo barrados por alguns daqueles curiosos.
- , como está se sentindo sobre o desaparecimento da sua filha? Já tem alguma novidade sobre o caso? – perguntou um deles, não tendo algum tipo de resposta, enquanto o músico tentava apenas sair do local. – Vocês estão juntos novamente? E Dakota, aceitou ser trocada pela ex do namorado numa boa? – continuaram com as perguntas. – Como conseguem estar felizes, tomando café em um lugar como esse, enquanto a filha de vocês está nas mãos de outra pessoa por aí? – aquela foi a gota d’água para os dois.
- Por favor, nos dêem licença, já é tudo muito doloroso para nós dois, não queremos mais alguma coisa para nos preocuparmos. Nos deixem passar. – ele, com muito custo, conseguiu passar pelos fotógrafos e entrar no carro, assim como , que começou a chorar assim que ele deu partida. – O que foi, ? – perguntou, revezando o olhar entre ela e o trânsito.
- Eles estão certos, . Nós estávamos sorrindo enquanto tomávamos café em um lugar fora de casa, com nossa filha perdida. Eu não deveria ter vindo... – continuou a chorar.
- Não ligue para o que eles falam... Esse tipo de pessoa só serve para isso, para trazer mais dor. Nós não somos obrigados a ficar trancados em casa porque eles acham que isso é o certo a se fazer. Você vai acabar ficando doente se ficar apenas em casa chorando, se culpando por tudo... – colocou a mão esquerda sobre a direita dela, fazendo carinho ali. – Agora, pare de chorar, não quero mais te ver assim. – sorriu, vendo-a retribuir o gesto.
Terminaram o trajeto até a casa de conversando sobre coisas aleatórias, estava apenas tentando tirar a atenção dela do sequestro da filha, na tentativa de vê-la se sentindo melhor. Entraram em casa sentindo a dor que aquele lugar vazio trazia. colocou as chaves em cima da mesa da sala, seguindo a professora até a cozinha, onde foi beber um pouco de água.
- Não iam pegar umas coisas de Dakota que ficaram na sua casa, hoje? – ela disse, encostando-se na parede da cozinha, bebendo a sua água.
- Tinha até me esquecido disso, mas é só mais tarde, posso ficar um pouco mais. A não ser que você queira que eu vá embora... – fingiu uma expressão triste.
- Não. Eu quero que você fique aqui. – sentiu o olhar de sobre ela e achou melhor tentar consertar o que dissera. - Digo, você tem ficado aqui e é bom porque eu não me sinto sozinha, não quero ficar sozinha.
- Não vou te deixar sozinha, . Não se preocupe. – sorriu, encostando-se na parede do outro lado, ficando de frente para ela. – Se você quiser ir comigo, não tem problema algum...
- Acho melhor ficar em casa e deixar isso para você. Já saí hoje, quero ficar aqui agora. – com a mão que não segurava o copo, começou a mexer em seu cabelo, coisa que fazia quando estava ansiosa.
- Eu entendo. Quer eu ligue para a ? Ela pode ficar aqui enquanto eu estiver na minha casa. O que você acha?
- Não, . Eu fico aqui, não quero ficar incomodando a também... Deixa ela ter o momento dela com o . Eu sei que você vai voltar, não tem problema.
- Vou. – ele estava se sentindo mais próximo dela. Não sabia se era apenas pelo fato de ela querer proteção por causa da filha, mas ele estava gostando da proximidade dos dois. Ela quase não falava com ele durante o tempo em que estavam separados e agora não queria nem que ele fosse embora de sua casa.
Procuraram algum filme de comédia que estivesse passando, mas não encontraram e ficaram assistindo clipes em um dos canais. Passava mais clipes ruins do que bons, mais antigos do que novos. Algumas músicas que até possuíam sentido na relação dos dois, o que os fazia trocar olhares, mas nada além disso. Não comentaram nada sobre a aproximação que tiveram no Café, mas tinham a dúvida sobre o que teria acontecido se não tivessem sido atrapalhados por aquele bando de fotógrafos e repórteres. percebeu que já estava na hora de ir até sua casa e esperar quem fosse buscar as coisas de Dakota, antes que ficasse muito tarde.
- Eu preciso ir agora, mas volto logo. – levantou-se do sofá, tendo a atenção da mulher, que antes estava na televisão, voltada para ele.
- Posso te pedir uma coisa? – fez a melhor cara de criança que não quer receber um “não” como resposta, mesmo sabendo que não receberia.
- Pode, claro. – olhou para ela, esperando-a pedir.
- Traz mais cupcakes pra mim? – levantou-se e foi até a mesa pegar algum dinheiro na carteira que estava em sua bolsa, voltando rapidamente.
- Sim, mas como se eu fosse te cobrar cupcakes, né? Vai me deixar pobre mesmo. – recusou o dinheiro, devolvendo-o, colocando dentro da carteira dela.
- Famoso, rico e metido. Mereço, né? – revirou os olhos, fazendo-o rir.
- Agora eu vou. Qualquer coisa é só me ligar! – beijou a testa de , deixando-a ali na sala e saindo.
Ela ficou por um bom tempo esperando que ele chegasse, naquela sala mesmo, mas ele estava demorando mais do que o normal, já que tinha dito que seria rápido. Às vezes, ele estava sendo abordado novamente por fotógrafos insuportáveis e por isso estava demorando. Resolveu subir para o seu quarto, caminhando lentamente até as escadas, subindo-as e dando de cara com a porta do quarto da filha, a qual ela havia fechado antes de sair com . Não se contentou em apenas passar pela porta, teve que abri-la e entrar no quarto, como fazia todos os dias. Foi até o berço, onde ficou observando por um bom tempo, passando as mãos por dentro dele, nas cobertas e nos brinquedos de que estavam lá. Sorriu ao olhar para o mural com as fotos da pequena sorrindo, algumas de quando ela era mais nova e algumas mais recentes. Andou até o mural e contornou todos os traços da garotinha com os dedos, permitindo que as lágrimas que queriam cair de seus olhos mais cedo pudessem cair livremente. Sentou-se na poltrona branca, pegando um álbum de fotos que ficava ali do lado, abrindo-o. As primeiras fotos do álbum eram de sua gravidez, mas dela já com a barriga enorme.
Normalmente, essas fotos são tiradas em casal, mas estava sozinha naquele momento da sua vida, teve que tirá-las sozinha mesmo. Queria ter fotos para guardar de recordação. Em seguida, vinham fotos de ainda bebê, algumas sozinha e algumas com a mãe, que estava sempre com um sorriso no rosto. Com já maiorzinha, havia uma linda foto dela com a mãe. estava beijando o seu rostinho, enquanto ela sorria, ainda sem nenhum dentinho, mas qualquer um que visse aquela foto, sabia que, no momento, a pequena estava dando uma de suas risadas gostosas, que fazia qualquer um sorrir. Seus olhinhos se destacavam, totalmente iguais aos do pai. A mãe não pôde deixar de sorrir ao ver uma foto que adorava, em que a estava agachada no jardim da casa com o rostinho apoiado em Bud, toda suja de terra, deixando sua fraldinha aparecer, e um regador rosa de brinquedo jogado mais para o lado.
Não conseguiu terminar de ver o álbum de fotos, que continha lugares vazios ainda, lugares esses que ela não sabia se seriam realmente preenchidos. Ela não tinha mais tanta certeza de que teria sua pequena de volta ou, na verdade, nunca tivera tanta certeza assim. Sempre teve medo do que poderia acontecer e isso estava ainda maior naquele momento. Estava se sentindo completamente sozinha e abandonada, quase como na sua gestação, com a diferença de que, durante a mesma, tinha com ela. Começou a ter lembranças de momentos que passou com a filha, lembranças do seu sorriso, do seu choro, da alegria que ela deixava naquela grande casa, das suas manhas, das suas risadas escandalosas, de quando ela tentava imitar as palavras da mãe, repetindo-as totalmente erradas, enfim, de todos os momentos que já tinha passado com a filha. Tinha medo de que aqueles fossem os únicos momentos, que não pudesse vê-la crescer, de que quem fizesse isso fosse outra pessoa totalmente diferente, outra pessoa que não era nada da menina.
Saiu correndo do quarto, descendo as escadas chorando, indo para a área da piscina, o lugar que tinha passado um tempo com a filha pela última vez. Caminhou por toda a borda da piscina, parando em um dos cantos, olhando diretamente para o seu reflexo na água. Ficou encarando-a por alguns minutos, onde parou de agir racionalmente, deixando que uma moleza tomasse conta de seu corpo, fazendo-a cair dentro da piscina, sem relutar em sair, sabendo que não poderia respirar ali dentro, sabendo que estava na parte mais funda... Apenas jogou-se, deixou que seu corpo fosse levado pela água. Não queria mais viver. Não queria mais continuar ali. Não sem sua filha. E, como não a tinha por perto, não fazia sentido algum continuar viva.
Cold is the water, it freezes your already cold mind, already cold, cold mind. And death is at your doorstep and it will steal your innocence, but it will not steal your substance.
CAPÍTULO NOVE
(Música do Capítulo: Hello, I'm In Delaware )
Conforme o corpo de era puxado para o fundo da piscina, ela ia tendo lembranças de momentos que passara com e de momentos que passara com .
So there goes my life
Passing by with every exit sign
It's been so long
Sometimes I wonder how I will stay strong
No sleep tonight
I'll keep on driving these dark highway lines
And as the moon fades
One more night gone, only twenty more days
A primeira lembrança que veio em sua mente foi a de quando conheceu o ex-namorado. Os dois estudavam na mesma faculdade, mas o que mais ajudou para que eles se conhecessem, foi a amizade de com . Ela apresentou o primo à e, depois daquele dia, os dois começaram a se encontrar frequentemente, sempre com alguma desculpa, mas a finalidade era única: ficar um tempo perto um do outro. Nem mesmo a prima do homem poderia imaginar que ali nasceria um grande amor, que e ficariam juntos por tanto tempo e se amariam como se amavam... Muito menos que teriam uma linda filha.
But I will see you again
I will see you again a long time from now
And there goes my life
Passing by with every departing flight
And its been so hard
So much time so far apart
And she walks the night
How many hearts will die tonight
And when things have changed
I guess I'll find out seventeen days
Lembrou-se também de momentos mais íntimos, de quando costumavam a passar as noites juntos, de quando dormiam juntos apenas por um querer a presença do outro, apenas por um querer estar abraçado ao outro e ter a certeza de que se encontrariam ainda pela manhã. E também se lembrou da filha, de como ela estava sempre sorrindo e correspondendo ao amor que a mãe tinha por ela, de como costumava ficar por muitos minutos apenas observando a sua garotinha dormir, dos primeiros passinhos de e de como ela odiava ficar longe da mãe.
My body aches
And it hurts to say
No one is moving
And I wish that I wouldn't here tonight
But this is my life
And I will see you again
I will see you again a long time from now
A água da piscina entrava em suas narinas, fazendo-a sentir a ardência que aquilo causava. fechava os olhos com força enquanto seu cabelo seguia o movimento que a água fazia. Pôde sentir, de repente, que braços a envolviam, puxando-a para a parte mais rasa da piscina. Era , que havia chegado e, ao não encontrá-la em lugar algum da casa e ver a luz da piscina acesa, correu até lá.
- ! ! Você está bem? – ele estava apavorado com a situação, nunca iria imaginar que ela seria capaz de fazer uma coisa dessas. Abraçou-a para que ela ficasse com o corpo colado ao dele. Não obteve resposta, mas aquilo poderia ser pelo susto que ela tinha acabado de passar, por não ter agido de maneira racional. – Respire... Venha, eu vou te tirar daqui e chamar um médico. – sentiu a respiração ofegante dela, enquanto ela apenas passava as mãos em seu rosto, na tentativa de tirar a água e o cabelo que ali estavam.
Levou-a para fora da piscina, colocando-a deitada com a cabeça em cima de suas pernas, pegando o celular que havia tirado do bolso antes de pular e ligando para o médico de . Sabia que ela estava respirando e que estava bem, mas queria que algum médico fosse vê-la, com medo de que, de alguma forma, aquilo pudesse trazer sequelas para ela.
Quando o médico chegou, ela já estava em seu quarto, deitada em sua cama, com roupas secas - trocadas por - e bem aquecida por edredons. Foi devidamente examinada com ele ainda ao seu lado, querendo saber de tudo o que estava acontecendo. O doutor pediu que ele o acompanhasse para fora do quarto, provavelmente para que pudesse dar melhores explicações sem a presença de .
- Então, doutor, como ela está? – perguntou, com receio do que o médico tinha para falar com ele.
- Ela está bem e deve isso à você. Se não tivesse a tirado de lá naquele momento, ela não iria sobreviver. O afogamento acontece muito rápido, principalmente quando a vítima quer que isso aconteça e não faz nada para, mesmo que em vão, tentar se salvar. O senhor deve ficar de olho nela para que isso não se repita. Entendo que ela esteja dessa forma por causa da filha, mas acredito que ela vai querer encontrar a mãe por aqui quando voltar. – disse. apenas concordou com a cabeça, indo para o andar de baixo levar o médico até a porta. Trancou a porta com a chave e subiu para o quarto de , encontrando-a ainda deitada, mais corada do que quando ele havia tirado seu corpo de dentro da água. Sentou-se ao seu lado, tocando sua mão de leve.
- Que susto você me deu, ... – disse, acariciando a mão dela. - Não faça isso de novo, está bem? Eu não suportaria perdê-la. – deixou que uma lágrima teimosa caísse de seus olhos, fazendo sentar-se ao lado dele, abraçando-o de lado.
- Eu não sei o que aconteceu comigo, . Eu perdi a noção das coisas e me deixei levar pelo medo de não ter mais a comigo. Me perdoe e obrigada por salvar a minha vida. – passou uma das mãos pelo rosto dele, enquanto a outra ainda estava envolvida em seu corpo.
- Não precisa pedir desculpas... Só não faça mais isso. Agora, durma um pouco. Você precisa descansar e o médico disse que seu corpo pode ficar um pouco dolorido. Não se preocupe, eu não sairei do seu lado. – ajudou-a para que ela pudesse deitar e dormir um pouco. continuou segurando uma mão de , assim como fazia quando dormia perto do pai, não querendo que ele fosse embora. Ele sorriu com aquela cena, lembrando-se da filha e de como ela e a mãe eram parecidas. Continuou ao seu lado, segurando sua mão até que ela adormecesse.
estava sentada no tapete da sala, assim como . estava deitado no sofá, assistindo a alguma coisa na televisão. Percebeu a inquietação da filha, querendo chamar a atenção do pai com um de seus brinquedos, e desligou a televisão, sentando-se no sofá e ficando de frente para a pequena. engatinhou para mais perto dele, ficando ao lado de Bud, seu cachorro. começou a soprar levemente em direção ao rostinho de , fazendo o pouco de cabelo que tinha se mover e a garotinha rir, enquanto balançava as perninhas e os bracinhos. Bud estava atento ao que estava acontecendo, como se quisesse mostrar que estaria preparado para acabar com qualquer coisa ruim que pudesse acontecer com ela. O pai começou a fazer carinho no cachorro e, quando parou, repetiu o gesto dele, mas do jeitinho dela: puxando a orelha do cão, que apenas fechou os olhos, mas tirou rapidamente a mãozinha da pequena de lá.
tinha um brinquedo que fazia bolinhas de sabão em mãos, já que sua filha adorava quando ela fazia aquilo. Soprou o brinquedo, fazendo surgir várias bolas de sabão e Bud se levantar, pulando para tentar comê-las. gargalhou com o ato do cachorro e os pais riram da animação da menina por uma coisa tão simples. ficou por mais um tempo fazendo a filha rir com aquilo, mas parou quando a chamou.
- Venham aqui. – chamou, batendo uma mão no espaço que tinha ao seu lado, no sofá. Ela pegou a filha no colo, sentando-se ao lado do namorado, que a beijou nos lábios e depois deu um beijo no rostinho de . - Vocês duas são as mulheres da minha vida e eu quero tê-las para sempre ao meu lado.
- E por que te deixaríamos? Nós te amamos. Muito. – sorriu, passando a filha para o colo do pai, que abraçou as duas.
A mulher abriu seus olhos lentamente, despertando de um sonho que ela faria de tudo para ser mais do que aquilo, para que fosse a sua realidade. Olhou para o lado da porta, percebendo que estava chegando ao local na mesma hora, como se soubesse que ela estaria acordando.
- Disse que não ia sair do meu lado e saiu. Mentir é feio, . – fingiu uma expressão indignada para ele, que sorriu.
- Eu fui fechar o quarto da , mas não saí daqui. – encostou o corpo no batente da porta, colocando suas mãos dentro dos bolsos de sua calça.
- Certo... Tive um sonho lindo. – continuou olhando para ele, agora se sentando na cama.
- E o que sonhou? – perguntou.
- estava comigo. – percebeu o olhar triste de sobre ela e continuou a falar. – Você também. Ela era mais nova e estávamos felizes na sala, brincando com ela e Bud. Nossa menina gargalhava enquanto Bud tentava pegar bolas de sabão. – riu ao se lembrar do sonho.
- Isso é realmente a cara da . Acha tudo engraçado, ainda mais quando envolve o cachorro. – riu junto com ela, feliz por vê-la rindo depois do susto que havia tomado mais cedo. – Quão juntos estávamos no sonho? – perguntou, de repente, e começou a brincar com os próprios dedos, mostrando-se nervosa.
- Juntos, ué. Éramos um casal e estávamos felizes. Você disse que éramos as mulheres da sua vida... – corou levemente por estar contando aquilo para ele. Percebeu que ele a olhava de um jeito diferente, com um certo brilho nos olhos, enquanto um silêncio se instalava entre eles. – O que foi, ? Disse algo que não deveria? – perguntou, incomodada com a situação, levantando-se da cama.
- Não. Muito pelo contrário... É a verdade. Você sabe. – foi se aproximando dela, olhando diretamente em seus olhos, vendo que ela não sabia se recuava ou deixava acontecer o que parecia que ia. Acabou com o espaço que existia entre eles, colocando as mãos no rosto de , selando seus lábios em seguida, em um beijo intenso. Deixaram que seus corpos caíssem em cima daquela cama, enquanto ela tinha uma das mãos passada pelo pescoço dele. Partiram o beijo, sorrindo, não acreditando que aquilo estava acontecendo. disse, em um sussurro, que a amava e selou seus lábios novamente.
- , pára... – cortou o beijo, mudando totalmente a expressão de felicidade para uma confusa. – Não posso continuar com isso. Não parece certo... – saiu de baixo do homem, levantando-se e indo em direção à porta.
- Eu não entendo, . Agora mesmo parecia tão certo... Eu quero isso e eu sei que você também quer. – levantou-se também, aproximando-se dela, que estava parada na porta do quarto, sem saber o que pensar ou o que dizer.
- Entenda o meu lado, , depois de tudo o que aconteceu entre nós. Você me abandonou grávida, me fez levar uma gravidez sozinha, sem amparo algum, a não ser dos meus amigos, minha filha foi sequestrada, quando ela poderia muito bem estar com o pai dela, se ele morasse aqui com a gente... Não dá para esquecer tudo o que aconteceu. Não dá para esquecer, de uma hora para a outra, que até um aborto você me propôs. Simplesmente, não parece certo. É errado eu estar aos beijos com você, como se tivesse esquecido todas as burradas que você fez. Desculpa, , mas eu não consigo fazer isso. – ela falou tudo de uma só vez, sem dar alguma chance para que respondesse qualquer coisa ou até mesmo que se defendesse. Ele apenas entendeu o que ela quis dizer e saiu do quarto, descendo as escadas e indo para a sala. Não a deixaria sozinha naquela casa, dormiria ali, mas dormiria no andar de baixo.
Ficou por um bom tempo pensando em tudo que ela dissera e, de certo modo, concordava com suas palavras. Sabia que tinha causado muito mal à ela, mas estava arrependido. Queria tê-la de volta e faria alguma coisa para que isso acontecesse. Só não sabia ainda o quê. Não teve coragem para voltar ao quarto e tentar conversar com ou ver se ela precisava de alguma coisa.
O tempo pareceu voar e já era tarde quando ele acabou adormecendo no sofá daquela sala, enquanto ela dormia em seu quarto, naquela cama que parecia tão grande por apenas uma pessoa estar ocupando.
ouviu alguém batendo na porta e tocando a campainha inúmeras vezes, levantando-se do sofá em um pulo para saber quem era. Quem sabe não fosse uma pista ou alguma resposta de onde estava sua filha? Assustou-se quando abriu a porta e deparou-se com a figura de Dakota à sua frente, visivelmente aborrecida. Ela entrou rapidamente na casa, não dando tempo para que ele pudesse contestar e a impedir de entrar. Ele não conseguiu entender o motivo de tudo aquilo, estava ainda sonolento e estava muito escuro. Olhou em seu relógio de pulso e constatou serem três horas da madrugada, deixando-o ainda mais confuso com aquela visita repentina de Dakota.
- O que faz aqui uma hora dessas, Dakota? – perguntou, ainda com a porta aberta, esperando que ela respondesse logo.
- Eu que pergunto: o que faz aqui uma hora dessas, ? – aumentou o tom de voz, fazendo fechar a porta e ir à sua direção, na tentativa de fazê-la abaixar o tom para que não acordasse . Tarde demais, pensou, assim que a viu descendo as escadas, assustada.
- , o que aconteceu? – passou os olhos por todo o cômodo, encontrando uma Dakota parada ao lado do seu sofá. – Você a trouxe para a minha casa? Como foi capaz de... – foi interrompida pela mulher.
- Ele não me trouxe, vim com as minhas próprias pernas. Não é como se eu gostasse de frequentar lugares como esse. – cuspiu as palavras. – Mas não atendeu às minhas ligações e imaginei que ele estivesse aqui brincando de casinha com a ex-namorada. – falou com descaso.
- Ex-namorada assim como você. Então, coloque-se daqui para fora. Não te quero na minha casa! – gritou com a mulher, que nem se moveu.
- Não grite, querida... Vai acabar acordando a filhinha mal educada de vocês. – continuou com as ironias, ainda com raiva.
- Não fale assim da minha filha! Ela não te trata bem porque é lógico que você não a trata bem também. Sempre teve inveja porque eu tenho uma filha com o , uma filha que ele ama, e não você. – disse, parando ao lado do homem, que segurou sua mão, como se quisesse passar segurança.
- Dakota... Por favor, vá embora. já tem muito com o que se preocupar. foi sequestrada e não precisamos de mais uma dor de cabeça. – pediu ele.
- Sequestrada? – riu, irônica. – No mínimo, nem ela aguentou a péssima mãe que tem e resolveu ir embora. Já que todo mundo a deixa mesmo... Começando por você. – provocou e sorriu vitoriosa ao ver que lágrimas começaram a cair dos olhos de .
- Agora chega! Saia daqui, Dakota. Agora! – a puxou pelo braço, sequer se importando se estava machucando-a ou não. Levou-a para a porta, colocando-a para fora e voltando a fechar a porta da sala.
- Me desculpe, ... Eu não sabia que ela seria capaz de vir aqui falar essas coisas para você. – chegou perto dela, limpando delicadamente as lágrimas que caíam de seus olhos. – Não chora. Ela não merece que você fique assim por alguma coisa que ela disse. – tentou acalmá-la.
- Não é isso, . É só que... Ela foi cruel quando falou sobre e eu realmente não suportei. Além disso, a notícia de que a nossa filha foi tirada de nós está em todos os lugares possíveis, ela sabia, mas fez questão de ser má e tocar no assunto. – disse, olhando diretamente nos olhos dele, que a abraçou, passando as mãos pelo seu cabelo.
- Ela não sabe o que diz. – soltou-se do abraço, sentando-se no sofá. – Vem aqui. – chamou-a, que pensou em recusar, mas acabou se sentando ao lado dele. – Isso tudo vai acabar logo. Eu juro! – sorriu para ela, que retribuiu, sorrindo fraco.
Ficaram sentados um ao lado do outro por um bom tempo. acabou se aconchegando no colo dele, deitando sua cabeça em seu peito, enquanto ele voltava a mexer em seus cabelos de uma maneira carinhosa, fazendo-a voltar a dormir com o gesto. Puxou o edredom que havia levado para dormir, cobrindo-a. Ele não se moveu, ficou ali, apenas olhando-a dormir. Ao mesmo tempo, pensava no que faria para tê-la de volta, que era o que mais queria, depois de encontrar a filha. Queria poder viver como uma família com ela e e daria a vida para que isso acontecesse.
Continua...
CAPÍTULO DEZ
(Música do Capítulo: The Air That I Breathe – Maroon 5)
Aquela tarde de Londres estava gelada, com um vento forte, que fazia as árvores da rua balançarem. Mais algumas semanas haviam passado, totalizando quase dois meses do sumiço de . Os policiais queriam suspender as investigações pelo simples fato de que, nesse tempo todo, não conseguiram encontrar nada, nem sequer uma pista. Apesar disso, por mais incrível que possa parecer, estava confiante. Algo nela dizia que não demoraria a encontrar a filha, que isso estava perto de acontecer, afinal, coração de mãe nunca se engana. Talvez fosse pelo fato de terem contratado um detetive particular, já que a polícia não estava ajudando em nada. Ela não iria perder a esperança, muito menos , que sempre foi o mais confiante dos dois.
estava na casa de , tentando convencê-la a sair de casa após passar a manhã toda assistindo televisão com a amiga, que cismava em não querer sair. havia saído bem cedo, pois precisava resolver algumas coisas da sua carreira musical e, de certa forma, também precisava de um tempo sozinho para poder pensar um pouco em tudo que estava acontecendo. Desde o sumiço da filha, ele esteve o tempo todo ao lado de , não a deixando sozinha por um segundo, principalmente depois do acidente na piscina. Tinha medo de que, por irracionalidade, ela agisse daquela forma outra vez e ele não pudesse chegar a tempo para salvá-la, como na primeira. Por isso, antes de sair, pediu para que sua prima fosse até a casa de , assim poderia ficar fazendo companhia à ela para que ele pudesse sair tranquilamente. Além disso, tinha esperança de que conseguisse tirá-la de casa por algum tempo. Ela precisava daquilo.
Estavam sentadas no sofá da sala, enquanto ainda tentava convencê-la a sair.
- Vamos sair um pouco, , por favor. Não aguento mais ficar trancada em casa... – pediu a amiga, forçando uma expressão triste e infantil, que fez revirar os olhos.
- Não, . Está frio lá fora! Você pode ir embora, se quiser. Não sei por que pediu para você ficar aqui, se parece que você não queria. Aliás, não preciso que fiquem tomando conta de mim. – deu de ombros, sendo a vez de revirar os olhos.
- Pára de graça. Não me importo de ficar aqui com você, só queria que você saísse um pouco. Sei lá... Ir ao shopping! É, podemos ir e comprar algumas coisas, depois tomamos um sorvete e voltamos pra casa. O que acha? – disse, com os olhos brilhando.
- Está bem, você venceu! Só preciso de um banho. – aceitou, por fim, vendo festejar com a sua resposta. Levantou-se do sofá e foi em direção à escada, subindo-a e indo para seu banheiro.
Não demorou muito no banho, visto que sua amiga já deveria estar impaciente lá embaixo. Trocou-se rapidamente, colocando uma calça skinny preta, uma blusa azul escuro e uma jaqueta de couro marrom por cima. Calçou suas botas também na cor marrom, porém um tom bem mais escuro que o da jaqueta, que poderia ser confundido facilmente com preto. Secou o cabelo, arrumando-o. Passou uma leve maquiagem, pegou sua bolsa e desceu para a sala novamente.
- Vamos? – perguntou , vendo a amiga levantar em um pulo do sofá, pegar sua bolsa e ir em direção à porta.
- Vamos! E no meu carro. – respondeu, sendo seguida pela amiga, que trancou a porta da casa e saiu.
Algum tempo depois, chegaram ao shopping. Para a sorte das duas, o lugar não estava muito cheio como costumava estar. Encaminharam-se para uma das lojas de roupas que adoravam, depois foram a uma de sapatos, que também gostavam muito. Compraram bastante, resolvendo, depois, ir tomar sorvete no Mc Donald’s de lá. Fizeram os pedidos e sentaram-se em uma das mesas, que dava uma visão perfeita daquele andar que elas estavam. Depois de algum tempo sentadas ali e depois de terminarem seus sorvetes, foram abordadas por uma menina de, no máximo, dez anos. Ela era baixinha, tinha os olhos , como os de , o cabelo , também como o de , lisinho e bem comprido. A pele era branquinha e ela tinha as bochechas rosadas, provavelmente porque estava brincando, já que naquele andar também tinha o playground.
- Oi! Você é a namorada do , não é? – a garotinha perguntou, dando para notar a sua animação ao tocar no nome do ex-namorado de .
- Não namoramos mais, querida... – respondeu e, por mais que não quisesse admitir, queria poder dizer que era sim a namorada dele, que ainda estavam juntos.
- É uma pena. Vocês são tão lindos juntos! – disse com um sorriso, fazendo ficar sem jeito e sem saber o que responder. - Sinto muito pela sua filha, mas eu sei que ela voltará. – ela tinha aquela inocência de toda criança estampada nos olhos, sendo cuidadosa com todas as suas palavras, fazendo a mãe de fechar os olhos levemente, na tentativa de afastar as lágrimas que, do nada, insistiam em escorrer de seus olhos.
- Obrigada, eu também sei que ela voltará. – sorriu, vendo que a menina retribuía o gesto, também sorrindo. – Você é uma princesinha, sabia? Lembra muito a minha filha. É uma versão mais velha dela. – a menina abriu um largo sorriso com suas palavras, mas logo foi chamada por um homem que estava um pouco mais longe, provavelmente seu pai. Ela acenou para e também para e depois correu em direção ao homem.
As duas levantaram da mesa, indo para a escada rolante que as levaria para o andar de baixo. Foram em direção ao estacionamento, onde tinha deixado o carro, para que o pegassem e fossem embora. parou bruscamente, do nada, fazendo a amiga se assustar.
- O que foi, ? Está tudo bem? – parou ao lado dela, preocupada.
- Sim. Eu só queria... – pensou um pouco no que iria falar. – Eu queria voltar e comprar algumas coisas para a . Ela vai voltar e quero que ela tenha brinquedos, roupas e sapatinhos novos. – disse, fazendo se sentir feliz com a decisão da amiga, pois sabia que ela estava realmente confiante.
- Sim, claro. Podemos voltar e comprar tudo o que você quiser. – deu meia volta junto com , indo para dentro do shopping novamente.
Depois de comprarem roupas e sapatos para a pequena, foram para uma loja de brinquedos. era uma criança que tinha todos os tipos de brinquedos possíveis, já que era mimada não só pelos pais, como pelos padrinhos, amigos e familiares. Mesmo assim, insistiu em comprar mais alguns, mesmo que sua filha nem fosse brincar com tudo aquilo. Pegou algumas bonecas e ficou encantada com um carrinho que vira mais para o canto da loja. Era literalmente um carrinho, rosa e ainda das princesas da Disney. Ela sabia que a filha iria adorar, não só por ser das princesas, mas também por ser uma imitação de um carro de verdade, com volante e tudo. Sabia também que a pequena iria querer passear com aquilo todos os dias.
Direcionou-se ao caixa, onde pagou por todos os brinquedos. Precisou da ajuda de para carregar todas aquelas coisas até o carro que, por sorte, não estava tão longe assim. Voltaram para a casa de , onde apenas a ajudou a levar as coisas para dentro, pois havia ligado, preocupado, querendo que ela fosse para casa antes que ficasse tarde.
- Eu preciso ir. Você vai ficar bem sozinha? Se não for, eu ligo para o e explico... É o , ele te adora e vai entender. – parou na porta da sala, para esperar a amiga responder, antes de saber se iria mesmo embora ou não.
- Pode ir, . Você já fez muito por mim hoje. Obrigada! E não precisa ficar com medo de eu fazer besteira, vou ficar quieta aqui, ok? – sorriu fraco, recebendo um abraço de .
- Se cuida, . Qualquer coisa, liga para o meu celular, para o do ou para o do , ouviu? – fingiu-se de séria, fazendo rir e concordar apenas com a cabeça, vendo sair por aquela porta, indo para o seu carro. Assim que ela deu a partida, trancou a porta de sua casa, mas permaneceu naquela sala.
Tirou suas botas e deitou-se um pouco no sofá. O tempo suficiente para que se lembrasse das palavras da garotinha, que ela nem ao menos conhecia, sobre ela e . Sentia que, de alguma forma, aquela criança estava certa. Durante esse tempo que ficaram separados, não conseguiu sequer ter olhos para outro alguém. Não conseguia se aproximar de outra pessoa, sabendo que seu coração era apenas de . Sabia que ele, mesmo namorando Dakota durante um tempo, também sentia o mesmo por ela. Ele passava essa certeza para ela. Porém, ela tinha medo. Tinha medo de passar por tudo novamente e, dessa vez, não suportar. Mas sabia que, uma hora ou outra, teria que deixar as coisas acontecerem conforme tivessem que acontecer, e não impedir, como vinha fazendo durante meses. Ficou algum tempo pensando em , mas parou quando viu um de seus DVD’s caído no chão, talvez por causa do vento forte, e levantou-se para pegá-lo. Era um DVD com vídeos de sua filha. levantou-se e o colocou para assistir. Sentiu Bud aconchegar-se ao seu lado e começou a fazer carinho no animal. No vídeo, falava algumas coisas e pedia para a filha repetir, falando tudo do jeitinho mais infantil que conseguia, já que era menorzinha e não falava a metade das coisas que falava agora.
- Fala para o papai... Parede! – o mesmo estava filmando, sendo impossível ver a expressão que tinha no rosto.
- Palede. – respondeu a garotinha, animadamente.
- Fruta. - disse o pai, esperando que ela repetisse.
- Futa.
- Boneca.
- Momeca. – riu, provavelmente por causa de , já que era possível ouvir suas risadas vindas de trás da câmera.
- Lua.
- Lula.
- Agora a última... Fala televisão.
- Tambelisão. – disse, batendo as mãozinhas, como se estivesse falando corretamente.
ria com as palavras que saíam da boca da filha, algumas quase certas e outras completamente erradas. começou a falar muito cedo, não só por conviver apenas com adultos que a incentivavam, mas também por ter uma mãe educadora, que acabava incentivando ainda mais. Assistiu mais alguns vídeos da filha e conseguiu ficar com mais saudade ainda.
Parou de assistir quando ouviu um barulho vindo do lado de fora de sua casa, um barulho além do da forte chuva que começara a cair minutos antes. Percebeu que alguém chamava pelo seu nome, mas não conseguiu reconhecer a voz, já que o barulho da chuva impedia que isso acontecesse. Foi em direção à porta, olhando pelo olho mágico quem era, abrindo a porta em segundos quando visualizou a figura de do lado de fora, na chuva, voltando para seu carro.
- , espera! – gritou para que ele escutasse, devido à chuva, mas não obteve resposta. Direcionou-se até ele, já completamente molhada, assim como , já que seu jardim era grande e ela teve que andar uma boa parte na chuva para chegar até ele. – ! O que aconteceu? Vamos lá pra dentro, a chuva está muito forte. – disse, olhando nos olhos dele.
- Não, , eu não posso. – respondeu, recebendo um olhar confuso vindo da ex-namorada.
- O que você não pode? – perguntou, percebendo o silêncio que permaneceu no ambiente por alguns segundos.
Many different ways
To say the same thing.
Searchin for the right words,
The ones that would make you stay.
- Eu não posso entrar nessa casa apenas como o pai da sua filha, que está ao seu lado para o que você precisar. Eu quero ser mais do que isso. Eu quero voltar a ser mais do que isso. – prestava a atenção em tudo que ele dizia, não se movendo do lugar que estava. – Desde aquele dia no seu quarto, eu fiquei pensando em várias formas de te mostrar que eu mudei, que eu me arrependo de todas as coisas que eu fiz, que eu preciso que você me perdoe... Mas eu nunca encontrei o jeito certo ou as palavras certas. Hoje eu também pensei muito nisso, durante todo o tempo que eu fiquei fora, mas também não consegui nada. Eu só queria que você soubesse que eu te amo, que você e a são a minha vida e que eu quero estar sempre presente na vida de vocês. Como o pai dela, mas também como o seu namorado, como o seu .
- , eu... – tentou falar alguma coisa, sendo interrompida por ele.
Exchanging the way things were
For they way that they should be.
And choosing theses words
Is saying to her,
The things that she never heard
But always deserved.
- Por favor, me deixe terminar. – pediu, vendo que ela se calou e continuou olhando para ele, como se pedisse para que ele prosseguisse. – Quando você se acidentou, ainda grávida, eu fiquei desesperado... Você não sabe, mas eu estive na escola no dia do acidente, fui eu que peguei as suas coisas e também vi aquele chão manchado com o seu sangue. Eu não sabia se você estava bem e eu não podia ir ao hospital porque eu sabia que isso só pioraria a situação. Mas eu queria ir! Eu queria me certificar de que você e a minha filha estavam bem, que estavam vivas... – lágrimas caíam de seus olhos, provando que ele estava sendo sincero, assim como lágrimas também caíam dos olhos de , que não estava esperando por aquilo. - Estive no hospital depois e, por sorte, talvez, você estava dormindo e eu pude ficar alguns minutos com vocês duas naquele quarto. Em momento algum, eu deixei de pensar em você, eu deixei de te amar, mas, de alguma forma, eu estava sendo orgulhoso demais para deixar que você soubesse. Me perdoe, , por favor. Eu juro que, se eu pudesse, voltaria no tempo e faria tudo diferente, porque não há nada de mais importante na minha vida do que você e a minha filha. Não sei mais o que eu estou falando, eu só... – não pôde continuar a falar, aproximou-se dele, selando seus lábios, envolvendo seus braços ao redor do pescoço de , que envolveu os seus ao redor da cintura dela.
I figured what it is all about.
It's you that I could never live without.
You're everything,
The air that I breathe.
Stupid not to know it all along,
And everything I ever did was wrong.
Ele a pegou no colo, fazendo-a sorrir em meio ao beijo, e a colocou em cima do carro, inclinando seu corpo por cima do dela, sem partir o beijo, levando suas mãos para o cabelo de .
- Isso quer dizer que você me perdoa? – partiu o beijo, esperando que ela respondesse, o que aconteceu em questão de segundos.
- Eu já te perdoei há muito tempo, apenas fui idiota e orgulhosa demais para não assumir isso nem para mim mesma. Eu também preciso de você na minha vida, , eu amo você e isso nada pode mudar. – recebeu um largo sorriso vindo dele.
- Isso quer dizer que você volta pra mim? – perguntou, ainda receoso.
- Isso quer dizer que eu voltei para você desde o momento que você começou a falar, debaixo dessa chuva forte, que com certeza vai te deixar doente depois. – disse, vendo a felicidade estampada nos olhos dele.
- Eu te amo, .
- E eu te amo, .
Ele segurou em uma de suas mãos, levando-a para dentro da casa, onde molhavam o chão por todo o canto que passavam. Subiram as escadas entre risadas, quando ele tentava beijá-la, fazendo com que tropeçassem no meio do caminho. Foram para o quarto que costumava ser dos dois, pelo menos nos dias que ele passava com ela. Aproximou seu corpo do dela, tocando sua pele com os lábios, fazendo-a se arrepiar e sorrindo por causa disso. Empurrou-a para a cama, tirando a blusa e o casaco molhados que estavam em seu corpo e jogando-os no chão do quarto, vendo a mulher fazer o mesmo. Deitou-se lentamente sobre o corpo dela, ajudando-a a tirar as roupas que ainda restavam, livrando-se das suas logo em seguida. Beijou toda a extensão do corpo da mulher, antes de voltar a tocar os seus lábios, em um beijo ainda mais intenso do que antes. Estavam tão, ou ainda mais, apaixonados e estavam gostando daquilo. Tinham um ao outro como sempre gostaram de ter. Estavam felizes e desejavam que aquele fosse o primeiro momento de muitos, de um novo começo.
Maybe it's true that I can't live without you, maybe two is better than one.
CAPÍTULO ONZE
Londres havia amanhecido nublada, sem a chuva que caíra tanto na noite anterior, mas ainda nublada. Era um tempo comum na cidade e parecia que ia permanecer daquela forma por algum tempo. O casal encontrava-se deitado na espaçosa e macia cama do quarto. dormia tranquilamente enquanto , que havia acordado minutos atrás, apenas a observava. Queria aproveitar todos os minutos ao lado dela, mesmo que fosse apenas vê-la dormindo. Só de saber que ela estava ali com ele, que estavam juntos novamente, já era motivo para sua a felicidade, que havia perdido há quase três anos, quando terminaram. Estava fazendo uma semana que estavam juntos de novo e mais uma semana sem a presença da pequena . Queriam poder fazer alguma coisa para tê-la de volta, mas a única coisa que podiam fazer era esperar. Tudo o que estava ao alcance deles, eles já haviam feito. Divulgação do caso em todos os lugares para que o mundo inteiro ficasse sabendo, contratação de um detetive particular, já que a polícia não queria mais cuidar do caso por falta de pistas... Tudo que foi possível, fizeram, mas agora apenas esperavam que alguma coisa feita desse resultado e eles tivessem a filha de volta.
O músico começou a deslizar uma das mãos sobre o rosto da namorada, de um jeito carinhoso, beijando, em seguida, sua testa. Continuou fazendo a mesma coisa, até perceber que ela abria os olhos lentamente, ainda muito sonolenta.
- Bom dia, amor. – disse ele, olhando-a nos olhos com um sorriso nos lábios.
- Bom dia. – sorriu de volta, coçando os olhos, demonstrando dificuldade em mantê-los abertos por causa do sono.
- Podíamos sair um pouco... – chegou um pouco mais para o lado, de um jeito que seu corpo ficasse colado ao de .
- Meu amor, acabei de acordar, mal sei o meu nome. – aconchegou-se no peito do namorado.
- , a minha . – passou os seus braços em volta do corpo dela, para que ficassem abraçados.
- Sua . Só sua. – virou-se para o namorado, beijando-o nos lábios. – Não acha melhor ficarmos aqui em casa mesmo? Podemos ficar assistindo a alguns filmes, deitados, abraçados, aproveitando esse frio maravilhoso que está fazendo. – perguntou, encarando .
- Tudo bem. Não importa o lugar, contanto que eu esteja com você. – disse, percebendo que um sorriso se formara no rosto de . Um sorriso de alguém que está completamente apaixonada e, se não fosse pelo sequestro da filha, de alguém que está completamente feliz. – Mas podemos tomar café naquele lugar que você gosta?
- Sim, podemos. Se não, você não vai me deixar em paz mesmo... – brincou, sorrindo para ele. – Vou tomar banho e me arrumar enquanto você faz o mesmo, mas no banheiro do corredor. Já está meio tarde, se demorarmos, vamos pegar o almoço e não o café! – levantou-se da cama, sendo seguida por .
- Eu tenho uma ideia melhor: podemos usar o mesmo e ao mesmo tempo, o que acha? – perguntou, não conseguindo esconder a malícia que estava clara em seus olhos.
- ! – repreendeu-o, fingindo-se de brava.
- Não há nada que eu não tenha visto, ué! – riu, sendo empurrado para fora do quarto.
seguiu para o banheiro de seu quarto enquanto foi para o do corredor, no mesmo andar. Assim como ele, ela estava feliz com a reconciliação dos dois. Havia esperado anos por esse momento, para se sentir completa novamente. Mesmo com tudo que aconteceu entre os dois, ninguém podia negar que ela ainda o amava como antes, ou ainda mais.
Entrou no banheiro e fechou a porta, tirando os pijamas que vestia e colocando-os dentro de um cesto de roupa suja. Abriu a porta do box, entrando e ligando o chuveiro. Poderia ficar por um bom tempo na banheira, mas preferiu tomar um banho rápido, já que tinha pressa de sair. Assim que terminou o banho, deixou que a água caísse sobre seu corpo e seu cabelo por mais algum tempo.
escutou a campainha tocar e imaginou que fosse e . Saiu do banho, envolvida em seu roupão e com uma toalha em seu cabelo. Olhou pela porta do quarto e viu que a do banheiro do corredor estava aberta, então imaginou que já tivesse saído do banho e tivesse descido para atender quem quer que fosse. Aproveitou para se arrumar, colocando uma calça skinny azul marinho, uma camisa branca e sapatilhas pretas nos pés. Por causa do frio que fazia, pegou um casaco e o vestiu, voltando ao banheiro para secar o cabelo. Secou-o e passou uma leve maquiagem.
Terminou de se arrumar e estranhou o fato de que o seu namorado não tinha ido chamá-la para atender quem tinha tocado a campainha, o que fez com que ela seguisse para fora do quarto, procurando por ele. Quando terminou de descer as escadas e apareceu na sala, avistou a figura de em pé ao lado do sofá, onde estavam sentados alguns policiais e Ethan, o detetive particular que haviam contratado. Desesperou-se, pensando que o pior tivesse acontecido com sua pequena , e caminhou mais rapidamente até eles. Chegando mais perto, pôde perceber a figura de Lauren, sua antiga babá. Confusa, resolveu se pronunciar.
- ! O que está acontecendo? Aconteceu o pior com a nossa menina? Foi isso? – seus olhos já se encontravam marejados apenas com a possibilidade de aquilo ter acontecido.
- Não, amor. Fica calma, não aconteceu o pior com nosso o bebê. – andou até a namorada, abraçando-a de lado.
- O que aconteceu, então? – perguntou, não obtendo resposta. - Me respondam! Vão me contar ou apenas ficarão olhando para mim? Eu quero saber! – disse, impaciente.
- Senhorita , nós viemos até aqui porque temos novidades sobre o caso. – um dos policiais começou, percebendo o olhar de sobre ele, para que continuasse falando. – Sabemos onde está. – disse, por fim.
- Onde ela está? Vamos buscá-la! Eu já fiquei tempo demais longe da minha filha, por favor, vamos logo buscá-la. – lágrimas começaram a cair de seus olhos, assim como dos de , que começou a fazer carinho em sua cabeça.
- Acalme-se, senhorita , por favor. A situação é um tanto delicada. Iríamos sem vocês para resgatá-la, mas achamos melhor passarmos aqui e levá-los também, assim será mais fácil e irá diminuir as chances de alguma coisa acontecer. – foi a vez de Ethan tentar explicar.
- Como assim alguma coisa acontecer? Eu não estou entendendo mais nada. O que Lauren faz aqui? – perguntou, ainda muito confusa com o que estava acontecendo em sua sala.
- Lauren foi o que fez chegarmos até aqui. Sem ela, seria praticamente impossível encontrar a sua filha. – Ethan continuou a explicar o caso.
- Agora entendo menos ainda. Lauren havia dito que não tinha visto nada, nem ninguém aquele dia. Como agora foi ela que os trouxe aqui? – voltou a fazer perguntas por causa do nervosismo.
- , meu amor, deixe-os falar. – a interrompeu.
- Lauren sabia exatamente o que tinha acontecido naquela tarde. Não só sabia, como foi cúmplice da pessoa que sequestrou a filha de vocês. Antes, com a investigação da polícia, não conseguiram arrancar dela nada sobre isso, mas quando a procurei, ela havia mudado de opinião e resolveu me contar tudo o que realmente aconteceu... – Ethan ia terminar de contar tudo que sabia, mas foi interrompido pela babá, que começou a dar suas explicações.
- , eu juro que eu não queria fazer mal algum ao seu bebê... Eu não pensei que chegaria a essas proporções. Pensei que duraria um dia, talvez dois, algo apenas para dar um susto em vocês. – disse, chegando perto de , que ainda chorava ao lado do namorado.
- Um susto em nós dois? Por quê? O que eu te fiz de tão ruim para você agir desse jeito, com tamanha crueldade, Lauren? – sua expressão demonstrava como as coisas pareciam ficar mais confusas a cada minuto que passava.
- Dakota é minha irmã. De criação, mas é minha irmã. Fomos criadas juntas, mas depois de grande, eu resolvi sair daquela casa. – tudo parecia fazer menos sentido ainda. Nem sabia que Dakota tinha alguma irmã, mesmo que de criação.
- Dakota é sua irmã? E o que tem Dakota com isso? Seja clara, Lauren, por favor. – pediu, apertando uma das mãos de .
- Minha irmã ainda é muito apaixonada por e não queria ficar longe dele. Ela pensou que o relacionamento dos dois duraria pra sempre, que ela o faria se esquecer de você e que eles seriam felizes juntos. Não foi o que aconteceu. sempre amou muito a filha e também sempre te amou, , mesmo quando vocês estavam separados, e todo mundo sempre soube disso, principalmente Dakota. – parou um pouco, suspirando, pensando em como terminaria de contar. - Pelo amor que sente por , ela achou que se a menina sumisse, não teria motivos para voltar para você e continuaria com ela. Por isso, ela ordenou que eu a ajudasse com o sequestro e eu não tive escolha... Ela é minha irmã, eu tinha que ajudá-la! – Lauren tinha o nervosismo estampado no tom de sua voz, provavelmente com medo do que aconteceria depois.
- Você não tinha escolha? Você não faz ideia de como eu estou vivendo por todo esse tempo, de como nós estamos vivendo por todo esse tempo. – olhou para , que ainda a segurava por uma das mãos. – Você e Dakota levaram embora a alegria dessa casa, a minha alegria, a minha vida. Um dia, se você tiver filhos, vai saber muito bem como eu me sinto e vai perceber como é horrível só de pensar em nunca mais ver a pessoa mais importante da sua vida. – cuspiu as palavras, tentando se soltar de perto de , que a segurou com mais força, pois sabia que ela queria agredir a babá e sabia que aquilo poderia piorar a situação.
- Eu descobri que estou grávida, . Foi por isso que eu resolvi contar! – colocou uma das mãos sobre a barriga. – Eu pensei como seria se fosse comigo e com essa criança que, mesmo estando ainda dentro de mim e sendo tão pequenininha, ainda nem totalmente formada, mas que eu já amo muito e daria a vida por ela. Me perdoa, por favor, eu não queria que isso acontecesse, eu só queria a felicidade da minha irmã. – passou as duas mãos sobre o rosto, limpando as lágrimas que teimavam em cair.
Flashback
O dia estava bonito e bem ensolarado. Lauren havia aproveitado para levar ao parquinho, já que a menina estava impaciente por não querer ficar longe da mãe.
O local, aquele dia, estava cheio. Havia crianças e babás para todos os lados, só os lugares mais distantes que se encontravam vazios. A babá fez uma ligação, dizendo um “Já estou aqui, pode vir” e desligando logo em seguida. estava distraída com um de seus brinquedos, sentada na grama, em uma toalha que Lauren havia colocado no chão para que ela não se sentasse direto nele e não se sujasse. Não demorou muito para que a garotinha começasse a reclamar, querendo estar perto da mãe, que havia ido trabalhar.
- Mamãe, tia. – disse a pequena, com uma tristeza nos olhos.
- Logo, logo iremos para casa e sua mãe estará lá, tudo bem? – pegou no colo, vendo-a concordar com um leve movimento com a cabeça.
Lauren sentiu seu celular vibrar em seu bolso e tirou um vidro e um paninho de dentro da bolsa, sem que ninguém visse, já que estava longe de todo mundo, no local mais longe do parquinho, com a certeza de que estaria longe de qualquer câmera que pudesse existir ali. Despejou um pouco do líquido que havia dentro do vidro no pano, colocando-o sobre o nariz de , que debatia os pézinhos e as mãozinhas, numa tentativa de escapar do colo da babá. A reação não durou muitos segundos, a pequena foi sedada rapidamente. Surgiu, então, uma mulher muito conhecida por Lauren, sua irmã, Dakota, que logo pegou o bebê de seu colo, sussurrando “Já sabe, não viu nada nem ninguém por aqui” e vendo a irmã assentir.
Dakota logo sumiu do campo de visão da babá, entrando em um carro preto e indo para um lugar que apenas sua irmã sabia.
Fim de Flashback
Lauren havia terminado de contar detalhadamente tudo que sabia. e estavam totalmente surpresos com tudo que tinham escutado. Por mais que soubessem da obsessão de Dakota por , não tinham ideia de que ela seria capaz de fazer uma coisa horrível dessas. Tudo que mais queriam, mais do que nunca, era correr até o local e buscar , que, com certeza, estava desesperada por estar longe dos pais, com quem era muito apegada. Queriam, mas não podiam. Os policiais alertaram que Dakota poderia tentar fazer alguma coisa pior com a menina, tanto pelo nervosismo de estar cercada, quanto pela confusão que parecia estar passando em sua cabeça, já que uma pessoa normal não iria fazer uma coisa dessas.
Eles explicaram para os pais como seria o resgate, que ficariam na esquina da tal rua, caso ela tentasse fugir com a garotinha ou fazer qualquer outra maldade, enquanto Lauren iria até a porta, esperaria a irmã abrir e enrolaria para que e chegassem e entrassem também. Tudo com muito cuidado, da melhor maneira possível.
Terminadas as explicações, os policiais entraram em um carro junto com Ethan e , e Lauren foram em outro carro e na frente. O homem foi dirigindo o carro para , que não tinha nenhuma condição de dirigir naquele momento. Mal podiam acreditar que veriam a filha novamente, que esse pesadelo acabaria.
Demoraram um pouco até chegarem ao local, que era bastante afastado da cidade. Como combinado, os policiais ficaram na esquina, posicionados, caso alguma coisa desse errado. e desceram do carro em que estavam, assim como a babá. Esconderam-se ao lado da pequena casa que Dakota estava com a filha deles, esperando que a babá desse o sinal. Ela, por sua vez, foi até a porta e tocou a campainha. Sabia muito bem que, antes de tudo, sua irmã olharia quem era e depois abriria a porta.
Lauren escutou um barulho vindo do lado de dentro e sabia direitinho o que era: o choro de . e também escutaram, o que deixou ainda mais nervosa, querendo correr até lá e pegar logo sua menina, mas foi segurada pelo namorado, que tinha que ter forças por ele e por ela. Dakota chegou até a porta e, ao ver que era sua irmã, abriu-a, dando espaço para que a mesma entrasse. Lauren entrou na casa e ficou ao lado da porta, segurando-a, fazendo sua irmã ficar sem entender o que estava acontecendo. Os pais de entenderam que aquilo era para que eles fossem até lá e para que Dakota não pudesse fechar a porta e não deixá-los entrar. Correram até a casa, assustando-a.
- ? O que faz aqui? E por que a trouxe? – apontou para , que apenas ignorou suas perguntas, assim como . – Lauren, só você sabia desse lugar. Você... Como pôde? Você armou para mim! – gritou para a irmã, fazendo chorar ainda mais alto.
- Cadê a minha filha? – também gritou, tentando ir para outro cômodo do lugar, mas sendo impedida por Dakota.
- Você não vai pegá-la. Ela é minha agora. Minha e de . Não é, meu amor? – olhou para , que havia feito algum tipo de sinal, com o olhar, para a babá chamar a atenção dos policiais.
- Você é doente, Dakota! Não terei nada com você, muito menos agora, depois de o que você fez. – ele, por ser forte, conseguiu segurá-la, dando espaço para que fosse resgatar a filha e, em questão de segundos, ouviu a polícia chegar naquele lugar.
Em um curto espaço de tempo, conseguiu encontrar a filha em um cômodo mais afastado do que parecia ser a sala. ainda chorava muito alto, fazendo a mãe se desesperar ainda mais. Ela correu até a garotinha, tirando-a de um chiqueirinho com a proteção muito alta, o que a impedia de sair de lá.
- Fica calma, bebê. A mamãe está aqui com você, a mamãe chegou e não vai deixar ninguém te fazer mal. – chorava ainda mais que a filha, abraçando-a muito forte contra seu corpo, na tentativa de protegê-la e acalmá-la. – Shhh, meu amor, vai ficar tudo bem. Você vai pra casa com a mamãe e o papai. – continuou conversando com ela, que ainda chorava, mas de maneira menos intensa após ouvir a voz e sentir a presença da mãe.
Um totalmente nervoso e apavorado chegou até o mesmo cômodo, também chorando ao rever a filha. Abraçou e , beijando-as nos rostos que, assim como o dele, estavam molhados por causa das lágrimas que caíam de seus olhos.
- Dakota está lá na sala com a polícia, nós ficaremos bem. Somos nós três agora, mais uma vez e para sempre. Nada vai tirar vocês duas de perto de mim, nunca mais. – disse, ainda abraçado com a namorada e a filha, desejando que nunca mais alguém tirasse a oportunidade de ele poder abraçá-las e estar junto delas novamente.
CAPÍTULO DOZE
O tempo parecia não passar dentro daquela delegacia. e foram levados para registrar queixa do sequestro. Dakota seria presa, assim como Lauren, que foi considerada cúmplice da irmã adotiva. Ela se encontrava algemada em um dos bancos da delegacia, aguardando sua vez, enquanto Dakota estava dentro de uma das salas, sendo interrogada pelo delegado. , por ter chorado por muito tempo, acabou dormindo no colo do pai, vencida pelo cansaço. estava ao lado do namorado e da filha, assim como e , que, assim que receberam a ligação de , correram até o lugar que o casal estava.
A garotinha apresentava marcas pelo corpo, marcas de maus tratos provocadas por Dakota, e também estava mais magra. Os pais imaginaram que ela não estava se alimentando direito, não só por causa da sequestradora, que, com certeza, não ligava para a menina, mas também pelo estado emocional da mesma, que não estava acostumada a ficar longe dos pais, muito menos por tanto tempo assim e ainda sofrendo tudo o que tinha sofrido nas mãos de Dakota.
Depois de terminarem de dar os depoimentos e de as irmãs serem interrogadas e levadas à cela onde ficariam presas, o casal foi liberado, indo direito ao hospital para ver se estava tudo bem com a filha, sendo seguido por e , que foram em outro carro. já havia acordado e estava assustada, deitada no colo da mãe e segurando em uma de suas mãos, no banco de trás do carro. Não demorou muito para que chegassem ao hospital, pois não ficava muito longe de onde estavam. desceu rapidamente do carro, carregando a filha no colo e sendo abraçada por , que, assim como ela, torcia para que estivesse tudo bem com a pequena .
A prima de e o namorado chegaram logo depois e entraram no hospital, ficando na sala de espera. Como todos sabiam pelo que aquela criança tinha passado e como era visível que ela não estava em seu estado normal, passaram-na na frente dos demais pacientes, sendo levada para a sala que ficava no final do corredor, onde seria atendida por algum pediatra daquele dia e hora. Para a tranquilidade dos pais, era dia da pediatra de , que também era amiga da família, e seria ela quem a atenderia.
- ... ... Meu Deus! Não acredito que está com vocês novamente. – a pediatra demonstrava alívio em seu semblante, por saber que a criança estava a salvo e perto dos pais. deu um largo sorriso, demonstrando que estava feliz com aquilo, mas possuía um olhar triste, de preocupação. pôde perceber e a abraçou de lado, dando um beijo em sua testa.
- Mal podemos acreditar também, Millicent, mas estamos preocupados. não disse nada até agora, foi difícil fazê-la parar de chorar, tanto que acabou dormindo por não conseguir parar. – ela deu um longo suspiro. – Ainda tem essas marcas pelo corpo e está fraca, eu sei que está. Está mais magra. É minha filha, eu a conheço melhor do que ninguém. – a doutora indicou a cama que ficava no canto da sala e levou a filha até lá, para que pudesse deitá-la. Ao tentar tirá-la de seu colo e deitá-la na cama, segurou fortemente no pescoço da mãe, começando a chorar de maneira estridente, novamente.
- Mamãe, não me deixa, mamãe. Papai! – a garotinha gritava em meio ao choro, fazendo os pais se desesperarem.
- A mamãe não vai te deixar, meu amor, nem o papai. Nós vamos ficar do seu lado, mas você precisa deitar aqui para a doutora te examinar, está bem? – tentou não chorar perto da filha, com medo de deixá-la ainda mais nervosa, mas não conseguiu conter as lágrimas, limpando-as rapidamente.
Por muito custo, conseguiram convencê-la de sair do colo da mãe, mas segurava sua mão esquerda, certificando-se de que ela não iria a lugar algum. Foi examinada demoradamente, não soltando a mão da mãe por nada.
- E, então, doutora, ela está bem? – perguntou, recebendo um olhar nada animador vindo dela. – Por favor, não nos esconda nada. O que ela tem? – perguntou novamente.
- Precisamos fazer alguns exames, mas fiquem calmos, não deve ser nada grave. Mas, como você mesma relatou... – olhou para . – Ela está realmente abaixo do peso e aparenta estar um pouco fraca. Deve estar com um pouco de anemia, mas só poderei ter certeza assim que o exame de sangue ficar pronto e ver se tem mais alguma coisa com os resultados dos outros. – enquanto ia dizendo, apertou a mão de , mostrando-se nervosa, e logo pegou a filha no colo, que deitou a cabeça sobre o ombro da mãe. – Vou encaminhá-los até a outra sala, onde será colhido o sangue, e fazer o pedido de todos os outros exames. – disse, indo para fora da sua sala, seguida de e .
Uma enfermeira apareceu para colher o sangue e levá-lo até o laboratório do próprio hospital. Mais tarde, outros exames foram feitos enquanto ainda aguardavam o resultado do primeiro, que era, basicamente, o mais importante.
Millicent voltou a chamar os pais da pequena até a sua sala, que a adentraram na mesma hora. Aflitos, queriam saber o resultado do exame de sangue e dos outros, uma vez que já havia passado um bom tempo e estavam todos prontos, queriam saber se sua filha estava bem. A pediatra já havia analisado e já tinha uma resposta para os pais.
- E, então, doutora, como ela está? – perguntou, sentando-se ao lado de , que tinha deitada em seu colo.
- Como eu imaginava, está com um pouco de anemia, nada grave. Eu vou passar um remédio para vocês darem a ela, mas também têm que tomar conta da alimentação dela. Alimentos saudáveis, se alimentar bem... E isso passará rapidinho! – Millie sorriu para eles, querendo passar uma certa calma para os pais, já que ficaria bem logo.
- E quanto aos outros exames? – foi a vez de perguntar.
- Estão normais, vocês podem ficar calmos! – o casal assentiu. – Também irei receitar um remédio para passarem nas marcas roxas que estão presentes no corpo de . Ela provavelmente irá reclamar de dor nesses lugares, mas o remédio irá ajudar a aliviar a dor e a tirar as marcas de um jeito mais rápido. – tentou passar uma das mãos pelo cabelo de , mas a garotinha se encolheu no colo da mãe, fazendo a pediatra recuar.
- O que foi, meu amor? É só a Millie, sua pediatra. – olhou diretamente nos olhos da filha, que a apertava com força, com medo de que ela fosse soltá-la. não respondeu nada, apenas escondeu o rostinho no corpo de sua mãe.
- Também é normal que ela fique assim por algum tempo, . Ela passou por um momento muito difícil e é muito pequena para entender que não é porque aquela louca fez o que fez com ela, que outras pessoas também farão. Vocês terão que procurar uma psicóloga, para que ela avalie o comportamento de sua filha e para que a ajude a superar o que aconteceu. Pode parecer besteira por ela ainda ser muito novinha, mas é muito importante que tratem esse problema. Isso pode acarretar outros problemas quando ela tiver um pouco mais de idade. – a pediatra ia explicando para os pais, que prestavam atenção em tudo que ela falava.
- Irei procurar uma psicóloga, então, se é para o bem da minha filha. – disse, notando a pediatra concordar com um aceno de cabeça.
- Bom, aqui estão os remédios que vocês têm que comprar. Um para os roxos e o outro para a anemia. – entregou a receita para eles, mostrando qual remédio era para qual coisa. – Vocês podem ir agora, precisa da casa dela, da companhia de vocês e de muito, mas muito carinho. – sorriu novamente. – Qualquer coisa, vocês têm o meu telefone, é só me ligar. – deu um aperto de mão nos dois, que caminharam até saírem da sala da pediatra, indo em direção à recepção do hospital.
Quando chegaram nela, encontraram e aflitos, que se levantaram imediatamente e foram em direção a eles.
- E, então, tudo bem com a minha afilhada? – perguntou , visivelmente preocupada.
- Está com anemia, mas fraca, vai tomar remédio em casa e logo vai ficar bem, não é, filha? – disse mais para ela mesma do que para a filha e a amiga. – Vamos embora agora, quero chegar em casa logo e poder cuidar de . – os amigos e o namorado a seguiram até o lado de fora do hospital, onde cada casal foi para o seu carro com certa dificuldade, já que havia fotógrafos e repórteres cercando-os, só não sabiam como a notícia havia se espalhado de tal forma.
não aceitou ficar na cadeirinha do carro, não queria nada além do colo da mãe ou do pai, então, assim como na ida, voltou com a filha no banco de trás.
Estacionaram o carro dentro da garagem, enquanto e deixaram o carro do lado de fora. Queriam estar por perto, caso e precisassem de algum auxílio, mas sabiam que não iriam demorar ali, queriam que o casal ficasse aproveitando o tempo com .
Caminharam pelo enorme jardim até chegar na porta da sala, onde entraram, fecharam a porta e ficaram na sala da casa, sentados no sofá. também colocou a filha no sofá, já com o corpo cansado de tanto segurá-la, e a menina não protestou.
- Conta pra dinda, pequena, está tudo bem? – se pronunciou. Estava sentada ao lado de e chegaram mais para o lado, para mais perto da afilhada. Ela apenas concordou com a cabeça. – Então, por que você não conversa comigo? Eu estava com saudade. também estava, não é, amor? – olhou para o namorado, que concordou, mas a menina continuou sem falar nada.
- Filha, olha pra mamãe... – pediu e ela obedeceu. – Conversa comigo, conversa com a tia , com o tio ou com o seu papai, mas converse, meu amor. A mamãe fica ainda mais preocupada por você não falar nada. Você está com medo? – perguntou, aflita, vendo a filha concordar. – Não precisa ter medo... É a sua família que está aqui com você, todo mundo que você ama e que te ama muito. Aquela moça que fez essas coisas com você não vai aparecer nunca mais, está bem? – tentava explicar, calmamente, para , que prestava atenção em tudo que a mãe dizia. – Ninguém aqui vai deixar que qualquer coisa aconteça com você. Vamos te proteger mais do que nunca. – deu um beijo na testa da filha, que a abraçou com os pequenos bracinhos, fazendo os olhos de ficarem marejados.
- Fome, mamãe. – pela primeira vez no dia, além do choro de , puderam ouvir sua voz, fazendo todos vibrarem.
- Vou fazer uma coisa bem gostosa pra você, mas você precisa tomar um banho antes. Vamos subir pro seu quarto, tomar um banho bem quente e colocar uma roupa bem quentinha pra depois papar, o que você acha? – a filha concordou freneticamente, pulando no colo da mãe, que a segurou e se levantou do sofá.
- E o papai, como fica? – forçou uma cara emburrada. – Só quer saber da sua mamãe...
- Ai, meu Deus, , que papai mais ciumento eu fui arrumar pra você. – disse, fazendo a filha rir e se jogar no colo do pai. – Você dá banho nela enquanto eu faço alguma coisa pra comer, então? – perguntou e concordou, já indo em direção às escadas com a filha no colo.
e observavam a cena, ainda sentados no sofá da sala, sentindo-se alheios àquilo tudo. Já haviam certificado se estava tudo bem com a afilhada e não fazia mais sentido ficarem na casa, pensaram. Sentiam que estavam atrapalhando o momento daquela pequena família que havia resgatado o motivo da felicidade, a alegria da casa. Levantaram-se e foram falar com .
- Estamos indo, ! – comunicou, abraçando a amiga em seguida.
- Mas já? Fiquem, comam alguma coisa, eu não vou demorar pra fazer. – tentava convencê-los de ficar, já recebendo um abraço de sua melhor amiga.
- Não, querida, vocês precisam ficar sozinhos com a , ela merece esse momento e vocês também. Voltamos outra hora, ok? – perguntou , indo em direção à porta com e ao seu encalço.
- Tudo bem. Qualquer coisa, eu ligo pra vocês.
- É pra ligar mesmo, senhorita. - disse, sorrindo para a amiga. - e eu estamos muito felizes com a volta da nossa afilhada.
- Eu também. Vocês não imaginam o quanto. – sorriu. Os amigos acenaram e saíram da casa, passando pelo enorme jardim enquanto os olhava da porta da sala. Eles entraram no carro, dando partida para a casa deles.
A mulher fechou a porta e voltou para a cozinha. No caminho, pôde ouvir sua pequena menina gargalhar, com certeza por alguma coisa idiota que deve ter falado, e sorriu com aquilo. Sentia falta disso. Sentia falta de ter a filha em seus braços, de poder ouvir a sua risada gostosa e escandalosa, que fazia qualquer um começar a rir também. Sentia falta da sua filha e queria aproveitar cada mínimo momento. Ainda mais agora, já que tinha, além da filha, seu namorado e amor de volta em sua vida e em sua casa.
O relógio da cozinha já indicava sete horas da noite e ela mal havia notado o tempo passar. Ficara fora desde de manhã quando os policiais e o detetive foram até sua casa, depois ficou por horas na delegacia e por mais algumas horas dentro daquele hospital. deveria estar realmente com fome. Não tinha comido nada por todo aquele tempo e seus pais não sabiam qual tinha sido a última vez que ela fizera uma alimentação decente. Agora teria que ter cuidado dobrado por causa dos remédios, para que ficasse livre da anemia logo e também das marcas roxas que estavam em seu corpo.
Alguns minutos depois, viu um com a roupa um pouco molhada e em seu colo. A pequena estava com um pijama de frio, que tinha a calça rosa e a blusa estampada de bolinhas cor de rosa, azul, branco e lilás, com a gola e as beiradas das mangas também cor de rosa, no tom da calça. Nos pés, pantufas da Uniqua, dos Backyardigans.
- Papai molhou tudo lá, mamãe. – a menininha disse, fingindo uma cara de reprovação para o pai.
- Esse seu pai merece um castigo. Não acha, filha? – sugeriu e concordou.
- E que tipo de castigo? – colocou a filha em sua cadeirinha de papinha e andou até . Chegou a boca perto do ouvido da namorada, sussurrando um “você faria isso comigo?”, fazendo-a arrepiar. sorriu para ele e recebeu um beijo rápido nos lábios. – Eu vou aproveitar que você ainda está arrumando aí, vou subir e tomar banho. Quando eu voltar, fico aqui com a e você sobe para fazer o mesmo, tá? – sua namorada concordou com a cabeça, recebendo um beijo rápido novamente e ficando sozinha na cozinha com a filha.
Como combinado, voltou minutos depois e foi para o andar de cima da casa para tomar banho e voltar para jantar. Ele ficou tomando conta da filha, que brincava com uma de suas bonecas, conversando com a mesma como se ela fosse de verdade.
Assustou-se quando ela gritou, do nada, e correu para o seu lado.
- O que foi, pequena? – perguntou, preocupado, tirando a filha da cadeirinha e colocando-a em seu colo.
- Tá doendo. – resmungou, ameaçando começar a chorar.
- Onde dói? Mostra para o papai. – pediu e ela colocou a mãozinha no ombro, indicando para o pai onde doía. sabia que ali tinha uma das marcas roxas e que devia ter doído por, sem querer, bater sua boneca no local. – Vai passar, princesinha, eu prometo. Olha, eu vou dar um beijinho aqui e logo vai parar de doer, você vai ver. – beijou, com cuidado, o ombro da filha, que ainda mantinha uma expressão de dor.
- Papai, e o Bud? – perguntou, parecendo se esquecer da dor e dando falta de seu querido cachorro.
- Agora que você sentiu falta dele, filha? – sorriu. – Ele está preso lá na área da piscina e ele precisa ficar lá por hoje, porque ele pode acabar fazendo seu dodói doer ainda mais quando brincar com você. Mas amanhã, assim que você acordar, eu te levo lá, está bem? – viu a filha concordar silenciosamente, voltando a atenção para um brinquedo qualquer que estava na cozinha.
Não demorou para que voltasse e eles se sentassem à mesa para jantar. Ela estava dando comida na boca da filha, que estava comendo tudo, mas já coçava os olhinhos, demonstrando sono.
- Soninho? – o pai perguntou e concordou. – Você termina de papar conosco, aí subimos, escovamos os dentes pra não dar bichinhos e dormimos juntinhos, eu, você e a mamãe. Pode ser? – sua filha levantou os bracinhos em comemoração e abriu um largo sorriso, assim como os pais.
- Era isso que eu queria desde o início. Nós três aqui, juntos, felizes. – comentou, olhando nos olhos de .
- É apenas o primeiro, amor. Você vai ver. – piscou para ela e colocou sua mão sobre a dela, fazendo um carinho ali.
Estavam felizes juntos e não queriam que nada estragasse sua felicidade. Tinham um ao outro e não precisavam de nada mais do que isso. Era o suficiente. O amor que um tinha pelo outro não havia nada no mundo que comprasse, que pudesse ser melhor.
“Even when, when the light's out, but I can see you glow. Got my head up in the rafters, got me happy ever after. Never felt this way before.”
CAPÍTULO TREZE
Os primeiros dias da volta de foram um pouco difíceis. Não porque os pais não queriam a volta da pequena, isso era o que eles mais queriam, mas porque estava com dificuldade em se adaptar. Não conseguia dormir em seu quarto de jeito nenhum, só conseguia dormir se fosse no quarto de seus pais e entre eles. Se ficasse sozinha em qualquer canto da casa, já ficava desesperada e começava a chorar, chamando por e . A atenção dos dois, mais do que nunca, estava voltada somente à filha, para que ela se sentisse bem e segura. Não sabiam até quando aquela situação duraria, mas, segundo a terapeuta que eles já estavam indo, poderia demorar ou passar muito rápido, que dependeria somente de como reagiria a isso tudo.
A pediatra da menina havia indicado uma terapeuta para ela, mas quando e foram até lá, a recomendação foi que eles começassem as sessões de psicoterapia junto com a filha, pois só assim eles saberiam como lidar com essa situação que era, de certa forma, nova.
e estavam na sala, assistindo a alguma coisa na televisão. A mulher estava deitada sobre a perna do namorado, que mexia em seus cabelos com uma das mãos e, com a outra, segurava a mão dela, fazendo carinho na mesma. Os dois haviam combinado com e que iriam à casa deles para um almoço, aproveitando que, naquele dia, o sol resolvera aparecer e não estava muito quente, mas também não estava frio. Estava um calor agradável para um dia na piscina ou até mesmo em um piquenique.
Queriam se distanciar de todas as lembranças ruins de quando ainda estava desaparecida e nada melhor do que a presença dos melhores amigos para que o dia fosse repleto de lembranças boas.
Ainda estava muito cedo, estavam de pijamas enquanto a pequena filha dormia no quarto do casal. Sabiam que ela se desesperaria ao acordar, por não encontrá-los ao seu lado, mas também sabiam que era uma forma de fazê-la ganhar novamente segurança, saber que nada aconteceria novamente. Até porque, tanto quanto logo voltariam a trabalhar e ela teria que ficar longe dos pais. Já estavam fazendo isso há alguns dias: acordavam, levavam-na para o quartinho dela e voltavam a dormir. Assim, ela acordava e via que, mesmo estando sozinha, nada havia acontecido com ela. Hoje havia sido diferente. Não a levaram para seu quarto, mas porque iriam sair e haviam perdido o sono. Queriam que ela voltasse a ser a criança corajosa que dormia sozinha.
A primeira semana com a filha em casa foi um tanto conturbada. Se iam à padaria, eram abordados por fotógrafos e pessoas curiosas, querendo saber como eles estavam, se pretendia voltar com a carreira e como seria dali pra frente. Claro que voltaria com a carreira. Ele amava a música, amava o que fazia e não saberia viver sem. Só estava dando mais algum tempo para que a filha estivesse realmente bem, para que ele pudesse voltar a fazer suas turnês, sossegado.
- , vamos acordá-la, senão vamos acabar atrasando... – disse, levantando-se da perna do namorado, que direcionou o olhar a ela.
- Está cedo ainda, . Ela pode dormir mais um pouquinho. – puxou a namorada para perto de seu corpo, fazendo-a se encostar em seu peito. – E nós podemos... – beijou-lhe na testa. – Aproveitar que estamos sozinhos... – virou-a para a sua frente, beijando o canto de seus lábios. – E fazer coisas mais interessantes do que acordar a nossa filha. – sorriu com suas palavras e o beijou. Deixou que ele aprofundasse o beijo. Ele passou uma de suas mãos pela cintura dela, trazendo-a mais para perto de si, e ela tinha suas mãos envolvidas no pescoço dele. Estavam envolvidos demais no que estavam fazendo, que não ouviram os curtos passos de na escada, apenas perceberam sua presença quando a mesma chegou perto do sofá e chamou por eles. Por sorte, não estavam fazendo nada de mais, apenas se beijando.
- Bom dia, meu amor. – pegou a filha no colo, olhou rapidamente para e riu. Riu porque se chegasse alguns segundos depois, eles estariam em uma situação embaraçosa agora.
- Bom dia, princesa da mamãe. – beijou a testa da filha, que tinha uma chupeta enorme na boca e coçava os olhinhos por causa do sono. – Você nem chorou hoje, pequena. Eu e o papai dissemos que não ia acontecer nada e não aconteceu, viu? – concordou com a cabeça e tirou a chupeta, colocando-a em cima da mesinha da sala.
- Bud ficou lá comigo. – a garotinha disse e logo o cachorro apareceu, subindo no tapete da sala e recebendo carinho de . – Bud! Papai meu. Sai. – olhou brava para o cachorro, que agora tentava chegar perto dela.
- Bud ficou cuidando de você e agora você fica tratando o coitadinho assim, filha? Que feio! - a mãe se pronunciou.
- Mas papai meu. – cruzou os bracinhos e continuou com a expressão fechada, como se estivesse realmente brava com o cachorro.
- Papai seu, só seu. Bud é só nosso amiguinho, não vai roubar o papai. – explicou, entre risos.
- Tá. – escondeu o rostinho no ombro do pai, pegou em seu cabelo e ficou mexendo ali, como sempre fazia quando estava com sono.
- Não, não, não. Não vai dormir de novo, princesinha, vamos almoçar na casa do tio , temos que tomar banho e arrumar uma roupa bem bonita pra ir! – tirou a filha dos braços de , que logo levantou do sofá e a seguiu, indo em direção à escada. – Amor, vai tomar banho enquanto eu dou banho na e depois eu vou, ok? – disse e ele concordou, dando um beijo no rosto da filha e um beijo rápido em .
Subiram a escada e foi para o quarto do casal enquanto a namorada foi para o quarto da filha. A menina cantava alguma musiquinha infantil que havia aprendido em algum dos desenhos que assistia e sua mãe sorria com a cena. Como era bom ter o seu bebê em casa. era uma criança tão tranquila que sequer dava trabalho aos pais. Mesmo sendo turrona, o que puxou da mãe, sempre acabava obedecendo aos pais ou fazendo com que eles fizessem sua vontade. Ela era realmente esperta o bastante para contornar os dois e fazer o que ela queria.
ligou o chuveiro e deixou a água numa temperatura bem morninha, do jeito que gostava quando o tempo estava daquele jeito. Demorou um pouquinho para terminar de dar banho na filha, que adorava ficar brincando na água e não gostava muito de ter que sair dela. Quando conseguiu tirá-la da água, levou-a para o quarto e a colocou em cima do colchãozinho que tinha para ela brincar. Direcionou-se ao armário dela, tirando de lá um vestidinho lindo e pegando, em uma das gavetas, um par de sandalinhas, também lindas.
- A de pincesa, mamãe. - cruzou os brancinhos e franziu o cenho, fazendo birra para não colocar a roupa que a mãe queria que ela colocasse. Queria colocar sua fantasia de uma das princesas, a qual sua avó materna tinha dado quando foi visitá-la, assim que soube que a netinha fora encontrada.
- Filha, nós iremos almoçar na casa do tio e vamos até tomar banho de piscina. Por favor, meu amor, coloca essa roupa aqui e, outro dia, a mamãe promete te deixar usar a de princesa, ok? - tinha um tom de voz ainda mais suave que o normal quando conversava com sua filha. Ela acabou concordando em vestir o que a mãe queria.
Colocou a roupa e o par de sandalinhas na garotinha, arrumando seu cabelo em seguida, com um lacinho combinando com o vestido.
foi para o seu quarto e encontrou um totalmente perfumado e parcialmente arrumado, já que ainda estava sem camisa. Olhou para ele de soslaio e deixou a filha sentada em sua cama, indo para o banheiro tomar banho e poder se arrumar.
Após um tempo lá dentro, ouviu a porta do banheiro se abrir e imaginou que fosse querendo que ela saísse logo de lá.
- Filha, espera lá fora com o papai. Eu já estou indo, tudo bem? - disse de dentro do box, puxando, do lado de fora, sua toalha branca e percebendo que ninguém havia respondido. -? - chamou por ela e se assustou ao ouvir o box se abrindo e sentir uma mão a puxando pela cintura. – !
- Eu acho que deveríamos continuar de onde paramos lá na sala... – disse, beijando o ombro descoberto da namorada, que se arrepiou, fazendo-o sorrir por saber que, mesmo depois de anos, ainda causava o mesmo efeito sobre ela.
- E eu acho que a nossa filha de quase dois anos pode entrar a qualquer momento pela mesma porta que você entrou. – tentou se afastar dele, totalmente em vão, uma vez que ele a virou de frente para ele e segurou seu corpo fortemente.
- foi para o quarto dela com o Bud. Está até ficando sozinha, olha como está tudo bem... – subiu os beijos para a nuca da mulher, indo de encontro à sua boca e selando seus lábios rapidamente. Ela separou seus corpos assim que percebeu que as coisas estavam indo longe demais. Não porque não queria, mas porque tinha receio de a filha aparecer ali a qualquer momento.
- , não... Não agora. – voltou a arrumar a toalha em seu corpo, que, por muito pouco, já estaria no chão daquele banheiro.
- Quando, então? passa vinte e quatro horas conosco. Ela dorme conosco! – retrucou.
- , é temporário. É só um momento difícil pra ela ainda, ela é muito pequenininha. – tentou explicar, passando uma das mãos pelo rosto do namorado.
- Eu só queria ter um tempo com você. Um tempo só nosso, mas ela sempre está com a gente, fica difícil assim.
- E o que você quer que eu faça? Quer que eu a mande dormir com o Bud porque simplesmente o pai dela não consegue se controlar por mais algum tempo? – mesmo sem querer, acabou alterando um pouco o seu tom de voz.
- E quanto tempo? Já foi tempo demais! – acabou se alterando também, ficando nervoso com o jeito que ela havia falado com ele.
- Se você não tivesse sido um idiota e me abandonado grávida, nada disso estaria acontecendo. – falou aquilo sem ao menos pensar e sabia que tinha acabado de magoá-lo. Respirou fundo e se aproximou dele, voltando a falar. – Me desculpe. Eu não queria dizer isso. Eu sei que a culpa não é sua. – não pronunciou uma palavra sequer, permaneceu imóvel com uma expressão triste, de quem se sentia culpado por tudo que tinha acontecido. – ... Me perdoa por isso. – pediu novamente.
- Até quando você vai usar isso como uma forma de me atingir e me deixar mal, ? Você acha mesmo que eu queria que isso tivesse acontecido? Eu amo a minha filha, eu amo você e eu jamais desejaria o mal das duas. – afastou-se de , indo em direção à porta do banheiro e abrindo-a, pronto para sair de lá.
- E nós te amamos e sabemos disso. Você não tem culpa de nada, eu que fui idiota por te dizer essas coisas. – não permitiu que ele saísse do cômodo, puxando-o para um abraço. – Você é um ótimo pai, meu amor. E um ótimo namorado também. Nós devemos muito a você por isso. – uniu seus lábios aos dele, que cedeu ao beijo, dando início a um beijo calmo.
- Tia ! – apareceu no quarto, com o cachorro ao seu encalço, e segurava o telefone de maneira desajeitada. e se afastaram instantaneamente enquanto a pequena entregava o telefone à sua mãe.
- Ela poderia passar um tempo com a vovó, o que você acha? – brincou, falando baixo apenas para a namorada ouvir, tendo em vista que era a segunda vez, no mesmo dia, em que a filha surgia e atrapalhava algo entre eles. apenas riu, indo até o closet.
Chegaram na casa de por volta das onze horas da manhã. Havia pessoas dentro da piscina, outras na beirada dela. não sabia de onde tinha saído tanta gente. Eles conheciam a maioria das pessoas que estavam ali, mas ainda desconheciam algumas e a mulher achava que o almoço seria só entre os dois casais e . Essa, por sua vez, havia parado de andar ao lado do pai, agarrando sua perna para que ele a pegasse no colo. avistou o casal e foi ao seu encontro.
- Pensei que não viessem mais. Como demoraram! – disse, pegando do colo de . – Oi, linda da tia. – beijou a testa da garotinha, que sorriu para ela.
- Demoramos, mas chegamos! E não sabia que seria para um exército inteiro, garota. – falou baixo para que só a amiga escutasse.
- Decidimos chamar os amigos para comemorar. – tentou se explicar, não deixando as coisas muito claras.
- Comemorar o quê? – perguntou à amiga enquanto foi ao encontro de e dos outros amigos, deixando-as sozinhas naquele canto.
- Comemorar a volta de , que já está bem, e comemorar a volta de à carreira musical. – continuou a explicar.
- O quê? não me disse nada! – disse, confusa. Não sabia por que não havia comentado nada com ela. Sabia que ele voltaria cedo ou tarde, mas não sabia que seria tão cedo assim.
- Finja que não ouviu isso de mim, então, por favor.
- Eu só acho cedo demais. mal voltou para casa, e eu mal voltamos. Ele está lá em casa desde que reatamos, mas ainda tem o apartamento dele e não decidiu se coloca à venda ou não, mesmo só indo lá às vezes, para pegar alguma coisa que ele não tenha levado pra minha casa. Então, sei lá. Acho cedo... Ele deveria arrumar as outras coisas primeiro, depois pensar na carreira. – despejou tudo que achava em cima da amiga, que, por algum momento, arrependeu-se de ter dito aquilo.
- , me desculpe, mas quando será o tempo, então? Eu acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Vocês estão bem, é isso que importa. ama a música e sente falta disso, você sabe. – expôs sua opinião, sem medo de que a amiga ficasse chateada com ela.
- É. Talvez você tenha razão... Acho que é só medo de tê-lo longe pelas turnês e todas as outras coisas. – sorriu fraco, recebendo um abraço meio desajeitado de , que ainda estava com no colo. logo puxou a amiga para onde as outras pessoas estavam.
estava feliz por ter tomado aquela decisão, mas estava um pouco chateada por ele não ter contado nada a ela, fazendo-a saber por outra pessoa. O que mais ficava em sua mente era o fato de ter que se separar dele por dias devido às turnês. Não queria ficar sozinha naquela casa com , talvez tivesse medo de ficar sozinha com a filha de novo. Talvez fosse medo de que ele não voltasse, de que a deixasse outra vez. Mas ela poderia acompanhá-lo nas turnês, pensou. Mesmo que no início fosse cansativo para , ela acabaria se acostumando com o ritmo da vida do pai.
estava sentado em uma das cadeiras na beirada da piscina, conversando com e com outros amigos. Um deles até tinha uma filha um pouco mais velha que , o que foi bom para que a garotinha se soltasse um pouco e tivesse alguém para brincar no meio daquele bando de adultos.
- E, então, cara, quando pretende voltar às turnês? – um dos amigos de perguntou.
- Não agora. Por enquanto, apenas shows dentro de Londres. Preciso de alguns meses para resolver algumas coisas da minha vida... – respondeu, recebendo um olhar compreensivo de , que sabia exatamente do que se tratava.
- , falando nisso, podemos conversar ali por um minuto? – pediu , vendo concordar e o seguir até um lado que não tinha ninguém para escutar a conversa dos dois. – Já resolveu como vai fazer essas coisas?
- Eu ainda tenho um mês para pensar. – disse simplesmente, olhando em volta para ver se não tinha mesmo ninguém por perto.
- Mas mês que vem é aniversário da sua filha. – debateu, não conseguia ligar o que estava para acontecer com o aniversário de .
- Exatamente. – parecia ter acendido uma luz no cérebro do amigo, que sorriu ao se tocar do que aquilo significava.
- Ok, se precisar de alguma coisa, é só me falar. – deu um leve tapa no ombro de , voltando com ele para onde estavam.
Tiveram uma ótima tarde juntos. Todas aquelas pessoas que estavam no almoço eram realmente animadas e divertidas. acabou indo falar com sobre a sua carreira, mas não brigaram. explicou que não tinha contado porque, de alguma forma, queria fazer uma surpresa, por isso não tinha contado o motivo do almoço, deixando-a pensar que fosse apenas mais um dia comum entre amigos. também ficara feliz com a tarde que tivera, principalmente por ter encontrado uma nova amiguinha além das que ela conhecia pelas idas ao parquinho. Apenas um segredo acompanhava aquela tarde. Será que seria capaz de fazer alguma coisa ruim justamente no dia do aniversário da filha? Mas, então, pra que tanto sigilo? O que ele tanto falava com ?
Voltaram para casa com um mesmo pensamento: tinham um mês para planejar o aniversário de dois anos de . Porém, tinha algo a mais em sua mente, também para aquele dia.
"Don't need another perfect lie, don't care if critics never jump in line. I'm gonna give all my secrets away…"
Continua...
Nota da Autora: Oi, vocês! Como estão?
Antes de tudo, queria pedir, por favor, pra vocês clicarem aqui (porque tem que ser pelo meu convite): http://www.olook.com.br/convite/UPDoBBwx e se cadastrarem para que eu ganhe bônus para gastar na loja. Cada 5 amigas, eu ganho 20 reais, daí não tenho muita gente pra pedir porque muitas pessoas já são cadastradas. Pede o CPF de vocês, mas relaxem, que é seguro. Eu já comprei na loja e tudo, posso afirmar. :) É bem legal. Eles fazem um quiz e montam uma vitrine com as coisas que combinam com o seu estilo, que descobrem por esse quiz. Enfim, agradeço desde já!
Quanto ao capítulo, esse é meio avulso, eu sei, mas juro que é importante e que as coisas interessantes estão por vir. Só queria mostrar que eles estão bem novamente e que tem algo a ser desvendado no meio disso tudo. Espero que gostem!
Eu estava conversando com a Lara esses dias e cheguei a conclusão de que, provavelmente, vocês irão querer me matar daqui a alguns capítulos. Mas eu juro que é tudo importante dentro da história. :( Enfim, não tenho muito o que falar. Até a próxima att, sua lindas. E obrigada pelos comentários!
Minha outra fic:
Fix a Heart – Outros/Andamento (/fanfics/f/fixaheart.html)
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Qualquer erro nessa fanfic é meu, então me avise por email ou mesmo no twitter. Quer saber quando essa fic vai atualizar? Fique de olho aqui. Obrigada. Xx.