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Beta-reader: Mari Lima (até capítulo 13 e a partir do 19) e Vanessa (capítulos 14 a 18)


E eu precisava dele, eu precisava sentir seu calor, seu cheiro, sua mão na minha me fazendo ser forte. E ao contrário de tudo o que me diziam, dos pretextos que as pessoas arranjavam, eu o amava. E eu sabia que ele não era perfeito, mas eu acreditava que ele também pudesse me amar. Eu precisava dele, eu precisava estar com ele e eu ficaria, e por mais que eu soubesse que aquilo poderia não ser certo, eu arriscaria, porque eu nunca seria eu mesma sem ele.

“Cause the spaces between my fingers are right where yours fit perfectly”.

Capítulo 1

- ! - Eu escutava minha mãe gritando sem parar lá em baixo. - Já vou, mãe ... – gritei, querendo matá-la por acabar com o meu sonho feliz. Levantei e peguei meu iPod em algum canto do meu quarto, minha noite não tinha sido nada boa e eu só consegui dormir depois de ouvir a voz do , que era sempre como um alívio para mim.
As cenas da festa da noite anterior ainda passavam como um filme na minha cabeça, o Flávio se agarrando com aquela loira peituda desgraçada e mal comida na frente de todo mundo naquela festa. Sei que eu devia saber que ele era um idiota e um galinha, mas mesmo assim era meu namorado. Era.
Procurei meu uniforme naquilo que devia parecer um guarda-roupa, mas estava mais para um chiqueiro do que para outra coisa, se minha mãe abrisse aquelas duas portas sagradas, acho que ela ia me fatiar igual à alface das saladas do Mcdonald’s. E sem tempero, o que é pior. Ok, sal aumenta a pressão, talvez não fosse tão ruim assim.
Coloquei o iPod no volume máximo e entrei no banheiro dançando feito a Lady Gaga com furúnculo e fazendo a escova de cabelos como microfone, a música acabava com o meu mau humor matinal, e me esquecer da noite anterior, que eu passei em claro pensando na minha fama de corna quando eu pisasse nos portões verdes da escola hoje.
Penteei os cabelos, escovei os dentes e vesti o uniforme na maior calma do mundo, era segunda feira e, quem quisesse, que me esperasse, eu sempre esperava todo mundo.
Eu ouvi minha mãe gritar mais umas cinco vezes, como era costume dela, mas eu fingi que não ouvi. Pra que eu iria me apressar para o começo de mais uma seção de tortura semanal? Minha primeira aula era de geografia e eu precisava estar controlada e muito, muito calma para não agarrar no pescoço daquela professora de uma vez. E depois ainda ia ter a pressão que eu ia agüentar com toda aquela gente fofocando sobre mim. Mas e daí? Eu nunca me importei com a opinião deles mesmo.
Quando eu desci, minha mãe já havia saído para trabalhar e me deixou um bilhete bem ameaçador em cima da mesa:
“Preciso conversar com você,
Beijos, mamãe xx”

Não comece achando que minha mãe é aquele ser digno de amor e afeto, porque ela não é. Ela sempre fez questão de “me botar na linha” do jeito mais duro que ela conhecia, ou seja, na base da porrada. Sim, é isso mesmo. Ela já havia me feito sofrer tanto, ela sempre me tratou como se eu fosse uma das cachorras dela, e não como a sua filha e eu sempre soube que ela me culpava por não ter tido uma vida realizada, se não era por isso, por alguma coisa ela me culpava. Mas, caramba, ela era minha mãe, ela devia me amar acima de tudo, não devia?
Tomei um copo de Nescau, peguei minha mochila e saí correndo em direção à escola. Se eu fosse suspensa de novo eu tinha certeza que as coisas não iam ficar nada boas para o meu lado.
O caminho até a escola não é longo, mas é o bastante para eu conseguir agora, com a cabeça fria, refletir sobre tudo o que eu vi na noite anterior e no fora que eu ainda iria dar no Flávio. Eu sabia que ele ia tentar se desculpar e inventar uma desculpa esfarrapada, mas pelo amor de Deus, tá escrito trouxa na minha testa? Eu estava lá, eu havia visto.
Eu cheguei à escola e estava ciente dos olhares que estavam todos em cima de mim, não olhei para os lados, só olhei para frente e segui para onde minhas amigas estavam.
- , eu te liguei a noite toda! Aonde você se meteu? – Amy começou a gritar, com cara de mãe que está em trabalho de parto.
- Meu celular descarregou, amiga – eu disse, com a maior calma do mundo – mas eu estou bem, não se preocupem.
- Não se preocupem? Nós vimos o jeito que você saiu daquela festa ontem, ! – Hanna disse, mais nervosa ainda.
- Olha, se vocês pararem de gritar, eu vou agradecer – eu disse, tentando disfarçar – ninguém precisa saber que eu estou mal, ok? E, aliás, eu não estou.
Quando ia abrir a boca pra me dar uma bronca, o sinal tocou e eu fui salva pelo gongo.

Eu observava a professora andando de um lado para o outro parecendo uma barata tonta que acabou de receber uma rajada de remédio de mosquito, quando eu senti uma bolinha nas minhas costas. Ótima mira, !
“ Se você perdoar aquele infeliz, teremos problemas.
E não, não precisa nem responder (: “

Sinceramente, às vezes eu tinha medo da . Finalmente, o sinal do recreio tocou, e alguns minutos depois que eu saí da minha sala, senti uma mão segurando o meu braço com força.
- Será que você pode me soltar, Flávio?
- Nós precisamos conversar – ele disse afrouxando um pouco o aperto – Eu te amo, eu fiz aquilo sem querer, eu estava bêbado!
Ah não, eu sabia ! Aquele idiota ia ouvir, e ia ser agora, na frente de todo mundo.
- VOCÊ ACHA QUE EU SOU IDIOTA, FLÁVIO? OLHA BEM PRA MIM, VOCÊ ACHA?
- Mas eu achei que você me amasse.
- VOCÊ ACHOU? POIS ACHOU ERRADO!
- SERÁ QUE VOCÊ PODE PARAR DE GRITAR ?
- NÃO, TODO MUNDO NESSA MERDA DE ESCOLA SABE O QUE ACONTECEU ONTEM, E EU QUERO QUE ELES PAREM DE FALAR SOBRE MIM AGOR ! VOCÊ É UM IDIOTA, CRETINO, ESTÚPIDO E EU TE ODEIO, OK?
- Mas ...
- Desiste de mim, esquece que eu algum dia estive na sua vida, seu infeliz – eu disse enquanto puxava o meu braço e dei de cara com a putinha que ele estava agarrando – Aliás, Alzira, pode ficar com ele. Eu não quero alguém que me beije como se estivesse querendo arrancar o meu dente siso de trás – e saí.
Qual é, todo mundo naquela escola precisava saber que ele era bonitinho mas beijava mal pra caramba.
Eu sinceramente odiava ser o centro das atenções, e mais ainda, odiava que as pessoas ficassem com pena de mim. Eu sempre preferi guardar a minha dor e o meu sofrimento para mim mesma, até porque eu nunca fui digna de pena de ninguém.

Aquela semana inteira foi um inferno , as meninas tentavam conversar e eu evitava, as pessoas à minha volta cochichavam e eu sabia que era sobre mim, os dias eram cada vez mais lentos, as horas eram cada vez maiores, e eu não via a hora de chegar em casa e me trancar no meu quarto. Aquilo já estava começando a me irritar, se eu já havia superado o meu rolo com o Flávio, por que aquele povo não? Meu namoro com o Flávio era perfeito, nós havíamos nos conhecido durante uma festa na cidade vizinha e continuamos mantendo contato, depois o Flávio começou a estudar na minha escola e nossos laços foram ficando mais fortes, até que começamos a namorar. Mas ele me traiu, e se existe uma coisa que eu não suporto, é a tal da traição.
Eu estava sozinha em casa como sempre, havia muito tempo desde que eu não falava com a minha mãe devido ao seu trabalho, ela sempre estava fora de casa e eu ainda tinha medo daquela conversa que ela queria ter, porque geralmente minha mãe sempre soltava os cachorros para cima de mim, e não simplesmente conversava.
Era sexta feira e como eu não tinha nada pra fazer, entrei no twitter.
Milhões de replys das meninas que eu fiquei com preguiça de responder até que eu vi um tweet que me chamou a atenção e quase me rendeu um ataque do coração.

@ hello, how are you?

A primeira reação que eu tive foi ler aquele tweet umas 45 vezes, pra ter certeza se era real ou era só fruto da minha fértil imaginação ou era um daqueles meus sonhos que eu vivia tendo quando estava acordada.
Não era possível o ter falado comigo do nada, eu nunca havia falado com ele no twitter já que ele nunca respondia ninguém e além disso, eu raramente tentava alguma coisa com os famosos, eu era geralmente ignorada por todos eles, mesmo mandando spam e enchendo o saco.
Fiquei ali, paralisada durante um bom tempo até perceber que eu estava chorando e tremendo feito uma vara de goiaba em dia de ventania, mas eu não me importei, ainda era surreal aquele tweet que eu tinha recebido ... Como assim , me manda um tweet como se fossemos velhos amigos e me pergunta se eu estou bem?
Pensei um pouco e desliguei o notebook, era impossível, eu só podia estar cansada demais devido as noites mal dormidas.
Deitei na minha cama e esperei a tremedeira passar, até que eu senti o celular vibrar na mesinha e quando eu olhei no visor era a , justamente com quem eu precisava falar.
- Alô? – eu disse meio rouca
- Fala, coelinha da playboy – disse rindo, Deus, ela nunca ia tomar jeito com esses apelidinhos?
- Eu já te pedi pra parar, ou então vou começar a te chamar de cabritinha, vai ser pior – eu disse brincando, não gostava daquele apelido porque o ex namorado dela á chamava assim.
- Tudo bem, eu sobrevivo sem implicar com você, – ela disse irônica – mas me conta, o que houve?
Pensei em contar a sobre o “tweet misterioso”, mas pensei que se fosse só fruto da minha imaginação, as meninas iam começar a pensar que eu estava enlouquecendo de vez, porque, vamos destacar o fato de que elas sempre me acharam louca.
- Nada, houve alguma coisa ? – eu disse, tentando manter a boca fechada.
- Foi isso que eu te perguntei, cabeção ... Quando você vai vir aqui em casa estudar Matemática e Física? Você precisa melhorar a sua nota e sabe disso, dona .
- Eu sei disso, mas você sabe que eu sou burra.
- Burra nada, só é uma vagabunda que só vive com essa bunda sentada no sofá assistindo Vampire Diares!
- A culpa não é minha se o Stefan é lindo
! - Ok, ok, o Stefan é lindo, maravilhoso, mas eu prefiro o meu Judd. Ou o meu . Ou até o meu Fletcher.
Quando ela disse isso eu gelei, ok, eu super confio na minha melhor amiga, porque não contar a ela sobre porcaria do tweet?
- , posso te contar uma coisa?
- Fale meu xuxuzinho.
- HAHAHA, morri de rir, – eu disse, também sei ser irônica – Presta atenção porque é importante,quando foi a ultima vez que você entrou no twitter?
Pela primeira vez senti insegurança quanto a , eu sabia que podia confiar nela a qualquer hora e em qualquer situação, mas eu não sabia o que aconteceria se eu contasse aquilo a agora, principalmente sem eu ter certeza do que estava acontecendo.
- Foi ontem, por que?
- É que eu não estou conseguindo entrar no meu ...
- – ela disse respirando fundo – , eu te conheço bem e sei que não era isso que você ia perguntar, você disse que era importante ! Desde quando isso é importante?
- Tudo bem, então ... Quando foi a última vez que você viu um tweet do ?
- Acho que foi ontem, o que tem?
- É que, agora pouco eu entrei no twitter e tinha um tweet dele pra mim ...
- COMO É ?
- É isso mesmo , eu achei que eu estivesse doida ou algo assim, você entrou no twitter dele?
- Espera aí, vou entrar no twitter e já te ligo – ela disse e eu só pude ouvir o “tut tut” do telefone desligado.
Fiquei uns minutos encarando o teto do meu quarto enquanto esperava, eu sabia que podia confiar na pra qualquer coisa e tinha a sensação de que aquele tweet ia mudar a minha vida, ou não, mas pelo menos ganhei mais followers e fiquei mais famosa. Daqui a alguns dias eu poderia até aparecer no Programa do Jô.
Não sei como, eu peguei no sono sem antes falar com a , sei que acordei com o som de panelas na cozinha e uma televisão ligada, e nenhum grito hoje, aleluia! Era sábado. Olhei para o céu pela janela que ficava encostada na minha cama, o céu estava azul e não havia nenhuma nuvem no céu, e eu sabia que àquela altura, a estava puta comigo por não ter atendido o celular ontem e quando eu fui olhar no visor, eu tinha 18 chamadas não atendidas.
É, realmente eu tinha certeza que ela estaria exageradamente e demasiadamente puta comigo. Me levantei com aquela preguiça matinal de todos os fins de semana e entrei no banheiro para tomar meu banho. Com toda aquela história do tweet eu enfim havia esquecido todo aquele episódio com o Flávio, e além disso, se ele não me quer, tem quem queria. Ou não, eu sempre soube que o meu destino era ficar encalhada e virgem. E velha e feia. Ok, parei.
Terminei o banho, escolhi uma roupa qualquer e desci para tomar café.
- Bom dia – eu disse a minha mãe
- , hoje você não vai ficar socada dentro de casa sem fazer nada, primeiro de tudo vai ligar para o seu pai e pedir dinheiro e depois vai ao mercado e fazer almoço pra mim – ela disse em tom autoritário.
- Mas mãe ...
- MAS NADA! EU PRECISO SAIR PRA CONSEGUIR DINHEIRO E COLOCAR COMIDA NA MESA E VOCÊ FICA EM CASA VENDO TELEVISÃO ?
- Não, eu preciso falar com a !
- MERDA NENHUMA, VOCÊ NÃO VAI À CASA DE NINGUÉM!
Eu sabia que discutir com ela não ia adiantar, deixei minha xícara em cima da mesa e subi as escadas ignorando os gritos dela, eu precisava resolver aquilo, precisava das minhas amigas e não agüentava mais aquele inferno que eu vivia com a minha mãe. Eu me sentia cada vez mais sozinha e mesmo sabendo que eu tinha as pessoas especiais do mundo ao meu lado, eu pressentia que algo muito grande e muito ruim estava para acontecer, algo que iria mudar a minha vida para sempre.
Entrei no meu quarto e fiquei lá durante um bom tempo até ter certeza de que minha já havia saído, fiquei tentada a sair e ir a casa da e não fazer merda nenhuma, mesmo estando “proibida” mas eu estava proibida de quê? Eu não tinha feito nada ! Eu poderia passar lá na volta do mercado, afinal, a casa dos era no caminho e eu deveria passar por lá de qualquer maneira, mas eu tive um clique, era sábado e a não estava em casa, ela tinha ido fazer compras de natal com a mãe, como ela tinha me dito a algumas semanas atrás.
Num impulso eu levantei do chão e me joguei na cama com o notebook e entrei no twitter. Ótimo, vasculhei toda a minha página de replys e não sei como tanta gente falou comigo, normalmente eu era ignorada por quase todo mundo, eu sei que eu sou meio chata ás vezes, mas pelo amor de Deus, né? Virar o centro das atenções assim era demais para mim, só por causa de um mísero tweet do ? Qual foi? Fiquei vegetando durante um tempo até que eu decidi ler algumas coisas que as pessoas diziam e vi um tweet estranho.

beatricemmc @ Eu simplesmente adoro o seu irmão, você já se encontrou com ele ?

Mas que merda era aquela? Eu não tinha um irmão!

@beatricemmc Que irmão ? Acho que você me mandou o tweet errado, eu não tenho um irmão.

Tinha que ser um engano, não poderia ser outra coisa, é claro que não, nunca.

beatricemmc @ O seu irmão, aquele do McFLY.

Capítulo 2
beatricemmc @ Ah, me desculpa, você não é a irmã do ?

Respirei fundo e me joguei na cama, irmã daquele cara do McFLY foi demais pra mim, pelo amor de Deus, nunca né? Se eu fosse irmã de um McGuy eu não estaria vivendo esse inferno de vida nesse inferno de cidade, eu estaria em Londres linda e maravilhosa. Eu acho que ando precisando dormir mais ou comer menos bolo de chocolate e parar de fazer muitos exercícios, ou até parar de fumar maconha (maconha ? epa, acho que maconha não. Espera, eu não fumo maconha) porque sinceramente, as coisas não podiam estar certas.
Me levantei num impulso, estava morrendo de sede. Deixei o notebook em cima da cama e fui em direção a cozinha, demorando mais para beber água que o necessário, até eu perceber que estava quase me afogando. Voltei para o computador e mais alucinações, ops, tweets estranhos.

@ your background’s photo is amazing, do you like twilight ?
(a foto do seu background é incrivel, você gosta de Crepúsculo? )

Ah, essa não, agora o estava falando comigo também ? O que era aquilo, afinal? Só podia ser um complô pra me deixarem achando que eram os guys falando comigo, aquela brincadeira ia ter que acabar... Claro, porque só podia ser uma brincadeira! Então eu respondi para ver no que dava.

@ thanks , and yeah, i really like twilight
(obrigada , e sim, eu gosto de Crepúsculo)

Mandei o tweet e esperei, até que a resposta veio :
@ did you watch eclipse ?
(você assistiu Eclipse? )

Nossa, como se o do McFly, quisesse saber se eu havia assistido Eclipse, que diferença ia fazer na vida dele? Eu ia ter que acabar com aquela brincadeira agora.
Ou o resolveu matar as fãs do coração, ou estava encalhado e eu tinha cara de puta de beirada de esquina, porque sinceramente cara, aquilo era totalmente sem sentido.

@ ok, why don’t you stop with this joke who are you?
(ok, por que você não para com essa brincadeira? quem é você? )
@ Joke ? It isn’t a joke, and I’m ! I thought you liked McFLY ...
( brincadeira ? isso não é uma brincadeira e eu sou ! Eu pensei que você gostasse de McFLY)
@ haha, wow, and why are you talking to me? you always ignore me!
(haha, wow, e porque você está falando comigo ? você sempre me ignora! )

Peguei o espertinho na mosca agora, quem esse ser insignificante e desocupado que não arranja uma trouxa de roupa pra lavar acha que é pra me enganar fingindo que é o todo poderoso ? Levou um ano até que ele me respondesse, mas a resposta foi diferente do que eu imaginava ...

@ look, I know u think it is kinda impossible but if you haven’t seen yet, we are following you. Me, , and .
(Olhe, eu sei que você pensa que isso é meio impossível, mas se você não viu ainda, eu, , e estamos seguindo você)

Eu precisava conversar com alguém, aonde estavam as meninas quando eu precisava delas ? Era incrível que elas estivessem sempre no MSN mas nunca quando eu queria falar com elas, eu precisava descobrir que merda era aquela! E eu tinha certeza que tinha armação. Então eu comecei a procurar nos meus followers, mas não achei nada porque aquilo tinha virado uma muvuca, até que eu tive a brilhante idéia de procurar no twitter deles, eu sabia que eles seguiam poucas pessoas.
O primeiro a quem eu fui olhar foi o , o twitter dele continuava a mesma coisa, mais de 100 mil seguidores, a mesma foto e o mesmo background ... Cliquei em “following” com os dedos tremendo, fosse ou não uma brincadeira, aquilo tinha mexido comigo, eu já sabia que não era alucinação, não teria durado tanto, só poderia mesmo ser uma brincadeira.
Levei um choque quando vi, ele realmente estava me seguindo, mas como era possível? Claro, eu sabia que o e o seguiam fãs, mas o ? Nem as namoradas e peguetes dele ele seguia !
Levei algum tempo olhando pra minha foto descabelada naquela página até que resolvi que eu tentaria acreditar naquilo. E é claro, descobrir a razão para aquela loucura.

@ ok, you won, why are you following me? I’m nothing for you, just one fan, i need answers …
(ok, você venceu, porque estão me seguindo ? Eu não sou nada para vocês, só uma fã ! Preciso de respostas )
@ No, you aren’t just one fan, you are special for me and for the other guys, i know that you’re confused, but i can’t answer your questions, not today
(Não, você não é só uma fã, você é especial para mim e para os caras, eu sei que está confusa mas eu não posso responder suas perguntas, não hoje)

Meu Deus, que raios eram aquilo que estava acontecendo? Não podia ser verdade, não havia um motivo. Eu nunca fui especial para ninguém, nunca tive ninguém que me amasse, nem ao menos minha mãe, eu sou tratada por ela como um cachorro pulguento e eu daria a vida pra sair dessa casa ... Eu nunca me destaquei em nada, nunca tirei notas altas, nunca fui bonita, eu era só uma menina pacata que gostava de McFLY e mal tinha todos os cd’s ou dvd’s! E além disso, eu já estava começando a ficar com raiva por causa de toda aquela situação. Se tem uma coisa que eu não gosto é da sensação de saber que todos sabem uma coisa menos eu.
Eu desliguei o notebook ainda sem acreditar, até que a campainha tocou e eu fui ver quem era, assim que eu abri a porta, eu vi a imagem de um anjo, de um pássaro, de um avião, do Superman ! Digo, da Emma.
- Emma ! – eu disse e pulei em cima dela, acho que a Emma pelo menos poderia me internar numa clínica de tratamento e eu agradeceria, pelo menos ela é a única que me entende.
- Sai de cima de mim, sua louca – ela disse me empurrando – tive a sensação de que você queria falar com alguém ...
A Emma ás vezes me lembrava uma vidente, ou uma cigana, ou esse povo que tem poderes “sobrenaturais”. Ou simplesmente esse povo que finge saber o futuro para ganhar dinheiro, mas isso não vem ao caso agora.
- Por que não vira vidente, Emma?
- Ok, eu assumo, a ligou pra mim ontem a noite, e ela estava bem preocupada com você.
- Por quê? O que ela te disse?
- Primeiro de tudo, posso entrar ? – oops, me afobei demais, vovó não iria gostar que eu desperdiçasse a educação que ela me deu.
- Er, claro amiga, entra ! – eu disse sem graça.
- Eu sou de casa mesmo, se você não deixasse eu ia entrar mesmo assim – ela disse rindo – que história é essa de , de twitter, de um monte de followers, de ser irmã de um McGuy, me conta ...
- Estão acontecendo coisas estranhas, cara, não sei o que há, uma hora recebo um tweet do , em outra apareço com 9,000 followers e agora me aparece o querendo saber se eu gosto de Crepúsculo, no que isso interessa a ele? Mas essa história de ser irmã de um McGuy era mentira, a menina disse que se confundiu ...
- Você sabia que o tem uma irmã que foi adotada ? – ela disse rindo.
- Claro, todo mundo sabe disso, e o que tem a ver com a história ? – eu não conseguia enxergar a linha de raciocínio dela.
- Você se parece com ele, sabia ? Imagina que lindo isso ia ser, ! Você ia ficar rica e famosa, já estou até vendo seu nome, – ela disse com um ar sério e eu desatei a rir, não acredito que ela considerou aquela possibilidade.
- Você andou cheirando o quê, Emma? Pelo amor de Deus, isso é impossível! Você deveria parar de ler os romances da sua tia encalhada, na boa, isso não está te fazendo bem.
- Não precisa me ofender, ! Eu não estou encalhada, só não gosto de trocar saliva com essa gente que mora nessa cidade, pelo amor de Deus, o povo daqui não tem nem dentes na boca! Você se parece com o sim, pense nisso , e essa história de amizadezinha com o McFLY é muito suspeita ! O tweet é real, seus novos seguidores são reais, e por favor, pare de achar que você está ficando louca, porque sinceramente, isso é ridículo, deve ter uma explicação lógica e nós vamos descobrir, mas por enquanto, relaxa cara! Se fosse comigo eu ia estar super feliz, e não inventando mil e um motivos para achar que é mentira.
Ok, confesso que precisei de um tempo para me recuperar, a Emma me dando esporro era novidade para mim.
- Tá, eu já parei! Mas você me conhece, eu ainda tenho a impressão de que todo mundo sabe de uma coisa, menos eu ...
- O que o disse ? – ela disse me ignorando e eu a olhei torto – Não me olha com essa cara !
- Ele começou a puxar assunto e disse que entendia que eu estivesse confusa, mas que ele não pode me falar nada ...
- Você participou daquela promoção da revista que a Amy levou pra escola ?
- Qual?
- Aquela de conhecer o McFLY, de ir ao show, ou sei lá o que tinha naquilo.
- Sim, mas o que tem a ver?
Eu havia me esquecido completamente da promoção, será que ela estava certa?
- Você acha que eu ganhei? – eu disse com um sorriso no rosto.
- Pode ser oras, porque não? Se ele disse que não pode te contar nada ...
- Não sei ... Nunca tive sorte com essas coisas, eu nem ia participar daquilo, só participei porque vocês ficaram me enchendo o saco.
- Vai ver? Vai que essa é sua hora de conhecer o e vocês se apaixonarem perdidamente, se casam, fazem um monte de zinhos e vivem felizes para sempre, que tal ? – Emma disse com um olhar sonhador, até que seu celular tocou e ela bufou ao ler o nome da irmã no visor.
- Aham ... ok ... tudo bem, eu vou ... sei aonde é ... te encontro ai, beijos – e desligou.
- O que foi? – eu disse indo para cozinha, eu sabia que ela teria que sair.
- Minha irmã quer que eu vá com ela comprar um presente de aniversário para o meu pai, quer ir junto?
- Não posso, preciso fazer o almoço – eu disse murchando.
- Não fica assim , sua mãe quer o seu bem, todas elas querem!
- Claro, claro.
Emma se aproximou de mim e me deu um beijo na bochecha.
- Fique atenta – disse – se for algo da promoção, vai chegar uma carta, ou um e-mail para você, e eu tenho certeza que é isso, , não se preocupe à toa ! E se você ganhar isso, vai me levar, não é? – e me olhou com ar sonhador e sorriu.
- Vou pensar no seu caso – eu disse piscando enquanto ela foi em direção a entrada, batendo a porta logo depois.
Assim que Emma saiu e fui correndo para o meu quarto para tirar aquele jeans velho e ir ao mercado, nunca se sabe se você encontrará sua alma gêmea/seu príncipe encantado no açougue, escolhendo legumes ou comprando cerveja para a festinha do fim de semana ... Ou qualquer coisa assim. Meu Deus, eu não estava tão desesperada para levar um chifre de novo, estava?
Enquanto eu me trocava, pensei naquilo tudo, era óbvio que era a tal promoção! Afinal, como eu fui tão imatura e tão idiota? Fiquei boba com a minha falta de inteligência e balancei a cabeça. O que seria de mim sem minhas amigas que sempre me mostram uma saída mais clara para todas as coisas? Ou pelo menos me forçam a acreditar no que elas acham que está certo, mas enfim. Fui ao mercado tentando esquecer aquela história, se fosse algo sobre a promoção, eu certamente receberia alguma coisa. Comprei tudo o que eu precisava e voltei para casa, nada de açougueiro ou um menino gato comprando cerveja, mas eu fiquei feliz em ter parado de chover, a chuva me assustava quando eu estava sozinha, ainda mais quando estava relampejando.
Quando eu cheguei em casa, logo notei que faltava alguma coisa para eu conseguir abrir a porta, o que era mesmo ? Ah, a chave, eu deixei em cima da mesa e ... A CHAVE ! Tentei abrir a porta e nada, era óbvio que estava trancada, quando ela fechava só dava para abrir com a chave, mesmo que não estivesse trancada com ela. Rodeei a casa tentando achar um lugar que fosse baixo para eu pular, mas a única coisa que estava aberta era a janela da sala, e era alta, bem alta. Joguei todas as sacolas e enquanto eu me preparava para pular, eu senti o meu celular vibrar no bolso de trás. Decidi ignorar enquanto eu não conseguia entrar em casa, porque já estava começando a chover de novo e eu ia acabar ficando ensopada. No momento em que eu finalmente consegui subir no parapeito da janela, o maldito celular começou a tocar de novo, tenha santa paciência com esse infeliz que não sabe esperar, né ?
Com muita luta, consegui pegar o celular no bolso e era um número definitivamente estranho, era o dobro de um número normal. Pareciam códigos e eu soube que era de outro país, porque quando a Amy esteve nos Estados Unidos, o número do telefone era cheio de código também.
Coloquei as pernas em direção a sala para que eu pudesse entrar e coloquei o celular no ouvido.
- Oi? – eu respondi sem saber em que língua falar.
- Hello – uma voz que eu não consegui identificar disse rindo.
- Who are you ?
A partir disso, não consegui distinguir o que estavam falando ou se me responderam, o som da voz da pessoa se misturou ao som de uma guitarra e a muitos gritos, até que o telefone foi desligado. Ótimo, eu pensei bufando de raiva, era só o que me faltava! Um gringo que agora estava me passando trotes.
Finalmente pulei de cima da janela e cai em cima do tapete, menos mal, a minha prática em pular janelas e muros diminui bastante depois que eu caí e quebrei as duas pernas no verão passado. Joguei as compras em cima da bancada da cozinha e escolhi o que eu precisava para fazer uma coisa que pudesse ser chamada de comida, no fim, escolhi fazer lasanha.
Quando eu estava quase no fim, meu celular tocou e eu corri para atender na esperança (não sei porquê) de ser o tal gringo que estava aprendendo a passar trotes, até que vi a imagem da minha mãe na tela e murchei.
- O que é? – eu respondi de má vontade.
- Isso é jeito de atender sua mãe?
- Foda-se,fala logo, o que você quer?
- !
- Fala logo, a lasanha tá queimando, eu to com pressa.
- Eu liguei pra avisar que só vou chegar tarde da noite, surgiu uma reunião e eu não vou poder almoçar em casa.
ÓTIMO, EXCELENTE, MARAVILHOSO ! Eu sabia que já estava vermelha de raiva quando minha mãe disse :
- Com o dinheiro que sobrou você pode comprar algo para você, ou alugar uns filmes, mas agora eu preciso desligar, a reunião vai começar.
- Ok – eu disse seca – tanto faz.
- Se cuide, beijos.
Mal esperei ela terminar de falar e desliguei o telefone, poxa, porque ela não me disse antes ? Se eu soubesse eu tinha comido um hambúrguer. Peguei minha lasanha e uma latinha de coca cola e sentei em frente à televisão, não me lembro do que aconteceu nesse período, mas acho que eu dormi ou fiquei em estado de transe, sei que acordei com o som de um carro tocando uma música alta que passava na rua e fiquei chocada em ver que já estava escuro.
Me levantei, joguei a louça na pia da cozinha e subi para tomar banho e separar uma roupa para ir à locadora alugar uns filmes, eu sabia que minha mãe nunca chegava cedo dessas reuniões.
Terminei de tomar banho, vesti um moletom qualquer com uma calça jeans e meu par de all stars e corri para a locadora, existe um lugar melhor no mundo? Aluguei vários filmes, de romances a dramas, e no caminho parei num daqueles supermercados que ficam abertos 24 horas para comprar pipoca e chocolate, afinal, eu também sou gente né? Percebi que a chuva estava aumentando e comecei a correr. Eu cheguei em casa um pouco molhada e fui colocar os pijamas, deitei na minha cama, liguei a TV e coloquei o primeiro filme que eu havia escolhido, até que o meu celular tocou, de novo.
Cara, quem estava atrapalhando meu momento pós -Garfield? Vasculhei meu quarto até encontrar meu celular e antendi sem olhar o visor :
- Fala – eu disse, com um humor não muito bom.
- Hey – disse uma voz brincalhona e que eu tinha certeza já ter ouvindo antes – Can i talk to ? (Oi, posso falar com a ?)

Então minha visão ficou embaçada, os meus joelhos já não agüentavam mais o meu peso e eu tive que me sentar. Que merda era essa, eu conhecia aquela voz! Não podia ser, era impossível, era o efeito da Coca. Aquela voz não podia ser a do !

Capítulo 3
[n/a : esse diálogo é em inglês, ok ? eu coloquei os anteriores em inglês para ficar mais realista, mas agora eu acho que não há necessidade. ]

Senti como se milhares de formiguinhas estivessem andando pelo meu corpo, meu coração começou a bater rápido demais e minhas mãos começaram a suar, não era possível, aquela voz não podia ser do .
- Sim, sou eu – eu disse tremendo por dentro e por fora.
- Er, oi – ele disse parecendo nervoso também – foi idiotice minha ligar para o seu celular e pedir para falar com você ...
- Ah, não importa – e não me importava mesmo – mas quem é ?
- Olha, deixa eu primeiro te perguntar uma coisa, ou te esclarecer uma ou, tanto faz, foi um amigo que me pediu pra te ligar, er – ele disse parecendo estar confuso – mas enfim, você gosta do McFLY, não é ?
Era ele mesmo, agora eu tinha certeza, perdeu , sou mais esperta do que você.
- Claro, eles são muito bons, o que você tem a ver com o McFLY ? – eu disse me fazendo de boba.
- Er, tudo bem, eu sou o , mas olha, por favor, não me ataque – ele disse rindo – não, brincadeira, mas a questão é, você vai ao show ?
AI MEU DEUS, ME SEGURA, EU VOU GRITAR ! QUER DIZER, VOU CHORAR. OU SURTAR. Ou enfim, tentei manter minha voz controlada porque afinal, eu não sabia de show nenhum e eu sabia que ele ia ficar com medo se eu fosse desesperada demais.
- Desculpa, mas que show ?
- O show que nós vamos fazer no ... Ai meu deus, ninguém sabe disso ainda – ele disse entrando em pânico – olha, não conta a ninguém, mas você vai?
- Er, claro, eu vou dar um jeito, mas por que quer saber?
- Olha, eu juro que gostaria de te falar alguma coisa, mas eu não posso, eu quero te ver lá ok? – ele disse – mas agora preciso desligar, foi um prazer te conhecer!
E desligou na minha cara, antes que eu pudesse ao menos pensar em falar alguma coisa.
Eu olhei em volta, ainda me sentindo meio idiota, afinal por que ninguém me falava nada ? O que estava acontecendo? De uma hora pra outra o me liga, o me manda tweets, o quer saber se eu estou bem, o que ia acontecer agora ? O ia fazer um vídeo em minha homenagem, aparecer na minha janela com um buquê de flores, fazer uma serenata, ou algo do tipo? Tudo isso por que eu achava que tinha ganho uma promoção de uma revista furreca?
Balancei a cabeça ainda apavorada, não podia, era impossível.
Depois daquilo eu não consegui prestar atenção em mais nada. Bella e Edward se beijando? Quem eram eles mesmo? Minha cabeça simplesmente estava girando.
Tentei dormir um pouco mas tudo o que eu consegui foi me irritar ainda mais por não estar conseguindo nem dormir! Dormir era praticamente a minha vida, eu sempre conseguia dormir, não importava a situação. Até dormir em pé numa boate eu já dormi, e não foi uma vez só. Na manhã seguinte eu acordei ainda meio idiota e desci a escada para tomar café, minha mãe estava vendo televisão na sala.
- Oi mãe – eu disse enquanto a via com um envelope grande nas mãos – O que é isso ?
- Chegou para você agora pouco – ela disse me entregando – veio da Inglaterra.
- DA ONDE ?
Meu coração bateu 50 vezes mais rápido quando eu li o endereço, aquele envelope vinha mesmo da Inglaterra, especificamente de Londres :

Universal Music Publishing Ltd.
20 Fulham Broadway
London SW6 1AH United Kingdom
02072405789


Se eu já estava nervosa só com o endereço, imaginem como eu fiquei quando eu abri o pacote e encontrei uma carta e quatro ingressos para a área VIP do show do McFLY, a carta era breve :
Parabéns !
Você acaba de ganhar quatro ingressos para a área VIP para o show do McFLY que será realizado daqui a um mês e meio em sua cidade, considere-se uma pessoa de sorte ! A Universal Music enviará um carro que a levará direto para o local do show e a trará de volta para sua casa em segurança. Em alguns dias um de nossos atendentes entrará em contato com você e lhe solicitará alguns dados importantes.
O meninos do McFLY estão ansiosos para conhecê-la ! Não se esqueça de levar os seus documentos para que possamos identificá-la, ok? Faremos o possível para que se sinta à vontade e totalmente confortável.

Atenciosamente, Elizabeth Troughton.
Dúvidas?
Telefone : (44 020) 7835 5200. Fax: (44 020) 7835 5383


Senti meu coração palpitar e meus olhos se encherem de lágrimas, aquilo era real, eu iria conhecer o McFLY! Pulei e abracei minha mãe, me esquecendo de todas as nossas desavenças.
- MÃE, EU VOU CONHECÊ-LOS MÃE, O MCFLY ! O TOM, O HARRY, O DANNY E O DOUGIE !
- Isso é ótimo querida – minha mãe disse nem um pouco animada – Agora eu preciso ir, tenho muito trabalho a fazer – e então eu fiquei a observando enquanto pegava suas coisas e fechava a porta.
- Meu Deus – eu disse comigo mesma – AS MENINAS PRECISAM ESTAR EM CASA, PRECISO SURTAR COM ELAS, AGORA !
Liguei para cada uma delas mas não disse o motivo, e sendo assim, meia hora depois estavam todas jogadas no chão do meu quarto com expressões ansiosas.
- FALA LOGO, SUA LOUCA – Emma disse e eu senti que elas iriam me bater se eu não falasse, mas estava difícil falar com a Amy e a Hanna fofocando sem parar nem para respirar – E CALEM A BOCA VOCÊS DUAS!
- Certo – eu disse com os olhos brilhando – Adivinhem?
- Você finalmente descobriu que tem talento para trabalhar no circo ? – Hanna disse com um sorrisinho idiota.
- Não Hanna, olha isso – eu disse enquanto jogava o envelope para ela e as outras meninas lutavam para ver o que tinha dentro.
Quando finalmente conseguiram terminar de ler a carta, eu vi o reflexo da minha alegria nas meninas, todas começaram a gritar ao mesmo tempo e aquilo ainda parecia não ser real.
- EU NÃO ACREDITO CARA, NÃO PODE SER – gritava.
- EU VOU CONHECER O TOM E O DANNY – Emma pulava em cima da cama.
- MÃE, EU TE AMO – Amy gritava – EPA.
Eu sorri para elas e as abracei de novo, aquilo era real sim, estava realmente acontecendo e todas nós, nós quatro iríamos realizar o nosso sonho que parecia ser o mais impossível, conhecer aqueles 4 garotos idiotas que roubaram o nosso coração. E coloca idiotas nisso.

Três dias haviam se passado desde a chegada da tal carta, e a minha vida continuava a mesma, exceto pelo fato de que eu não parava de pensar naquilo. Nesse meio tempo, eu havia descoberto algo estranho, a única promoção da qual eu participei foi a da revista e a ganhadora não fui eu, foi uma outra menina chamada Catherine. Eu sabia que não havia participado de promoção nenhuma a não ser aquela, mas eu ainda estava esperando pelo telefonema da universal music para perguntar, não era possível que eles tivessem cometido um engano, aquilo seria demais para mim.
Algumas horas após a escola eu estava estudando para a prova de Geografia jogada no sofá comendo chocolate quando o meu celular tocou e eu atendi sem prestar atenção no visor (como sempre). - Alô ?
- Er, senhorita ? – disse um homem com um sotaque forte.
- Sou eu – eu disse me sentando corretamente no sofá.
- Eu gostaria de confirmar o seu endereço, quem fala é Matthew Lincon da Universal Records.
- Claro, pode falar.
Então ele citou todos os dados que eles tinham sobre mim, eles sabiam até a escola aonde eu estudava, o que era um pouco suspeito.
- Com licença, como vocês sabem tudo isso sobre mim?
Ele pareceu um pouco desconcertado ao responder : - Nós apenas pesquisamos um pouco sobre a senhorita, para sabermos se era seguro para o McFLY.
- Tudo bem – eu disse pouco convencida – Eu só gostaria de fazer uma pergunta, qual foi a promoção que eu ganhei exatamente?
Matthew ficou um pouco incomodando e me pediu um minuto para que pudesse confirmar o nome da empresa, quando voltou ele me disse o nome de uma outra revista, diferente da que eu achava ter sido a ganhadora da promoção.
- Você tem certeza?
- Claro senhorita, tenho sim.
Eu não queria contestar, eles sabiam tudo sobre mim, não poderia simplesmente ser um engano, mas se fosse, e daí ? Ninguém precisava saber.
- Tudo bem – eu respondi – Obrigada Matthew.
- Por nada senhorita – e desliguei o telefone.
Fiquei pensando naquilo por algum tempo até que me lembrei da prova e recomecei a estudar, mas para que eu precisava saber daquilo tudo mesmo? Merda de planaltos, depressões e planícies. Por que eu não conseguia entender nada daquilo? Parecia tão fácil.
Minha cabeça estava rodando e eu estava começando a suar frio, meu estômago começou a rodar e eu senti vontade de vomitar, ótimo, eu pensei comigo mesma, agora eu ia ficar doente. Liguei para a minha mãe e ela me disse que era para eu ir me deitar, eu subi para o meu quarto e quando eu estava entrando no chuveiro, ouvi o meu celular apitar avisando que eu tinha uma nova mensagem e eu corri para ver o que era. Eu já disse que adoro receber mensagens? O número era restrito e a mensagem dizia o seguinte :

“Home is where the heart is, it's where we started, where we belong. I miss you more than you can imagine, my little princess.”
(“Lar é aonde o coração está, é aonde começamos, aonde pertencemos. Eu tenho mais saudades de você do que você imagina, minha princesinha.” )

Minha cabeça rodou mais ainda com aquilo e eu senti que poderia desmaiar a qualquer momento. Tive que me segurar na beirada da cama e me sentar. Eu poderia simplesmente ter achado que aquela mensagem era um engano, mas será que era mesmo? Mandei uma mensagem para a pedindo que ela viesse a minha casa porque eu precisava dela e alguns minutos depois eu recebi outra mensagem, do mesmo número restrito.

“Is it possible to miss someone so much that you would do anything just to hear her voice for one second ?”
(“ É possivel sentir tanta saudade de alguém que você faria de tudo apenas para ouvir a voz dela por um segundo ?” )

E depois recebi mais uma, e nesse momento eu tive certeza que aquilo não era um engano.

“You don't have to carry the weight of the world, I’m with you .”
(“Você não tem que carregar o peso do mundo, eu estou com você.”)

Meia hora depois eu estava sentada com a no chão da sala.
- Você já abandonou alguém em algum lugar ? – me perguntou.
- Hum? De onde você tirou isso?
- Não sei, essa pessoa parece te conhecer bem. Tá melhor ? – Ela se levantou e colocou a mão na minha testa – Nossa, acho que dá pra fritar um ovo ai.
- Obrigada, me ajudou muito – eu disse me levantando – quer alguma coisa da cozinha ?
- O ponto é: – ela continuou me ignorando – Você acha que você tem um admirador secreto ? Isso é ridículo, .
- Pode ser, não pode? Se fosse uma pessoa “não secreta” – eu disse fazendo aspas com as mãos – não teria me mandando uma mensagem restrita.
- Pode ser que sim, pode ser que não. Qual é, você tinha um admirador secreto na 3ª série !
- E o que isso tem a ver ?
- Ai, desisto de você ! Ele deve dar outro sinal, sei lá.
Eu estava discutindo com a sobre as mensagens que eu recebera, as do tal número restrito que eu tentei responder mas não consegui. Ok, eu sempre quis ter um admirador secreto, mas eu não esperava que fosse ser tão angustiante e tão ... idiota ?
- , você tá ansiosa ?
- Para descobrir quem é seu admirador secreto ? Por que estaria?
- Não animal, para ir ao show !
- Ahn, eu até tinha me esquecido disso – ela disse e riu – Claro, mas por quê?
-Como você consegue esquecer isso, ? Eu não sei, eu estou com uma sensação ruim.
- Sensação ruim? Pelo amor de Deus, para de ser negativa ! É só um show, nós vamos conhecê-los, vamos surtar e vamos voltar para casa nos lamentando por não termos agarrado nenhum deles e é isso, nossas vidas vão continuar a mesma merda nessa mesma cidade, e nós vamos crescer e não vamos conseguir passar no vestibular, vamos ser caixas de supermercado, vamos casar com mecânicos e entregadores do supermercado em que vamos trabalhar e vamos ter 7 filhos cada uma e ...
- EI, SE CONTROLA ! Eu não vou ter 7 filhos com ninguém, se eu for ter filhos, vão ser 12, eu quero um time de futebol.
- 12? Seus órgãos vão escorregar de você depois disso né, porque para parir 12 filhos ...
- Ok, chega – eu disse – Eu ainda fico nervosa com a hipótese de não conseguir ser nada na vida.
- Por que não seria ?
- Eu não sei fazer nada, !
- Você sabe cozinhar, e tocar piano. Ok, só tocar piano, você é um fracasso na cozinha, só estou tentando te animar.
- Como se tocar piano fosse sustentar os meus 12 filhos e o meu marido mecânico!
- Sua mãe já não deveria ter chegado?
- Não, ela disse que chegaria tarde hoje.
- Que estranho, o meu pai chegou cedo hoje e disse que eles tiveram que encerrar o expediente mais cedo ...
Ás vezes eu esquecia que o pai da era o chefe da minha mãe.
- Mas a minha mãe me ligou agora pouco – eu disse achando estranho – Que coisa.
- Sei lá, mas por acaso ele comentou que faz tempo que a sua mãe não vai trabalhar e ... – então ela percebeu o que tinha acabado de dizer – caramba, sua mãe não vai trabalhar desde ... Desde o dia que você começou a receber aqueles tweets.
- Como assim, ?
- Naquele dia, meu pai chegou em casa comentando que sua mãe tinha feito muita falta no trabalho e não sei o que, mas eu não dei atenção porque foi a hora que você me ligou, lembra ?
- Isso, e logo de manhã ela acordou irritada e não me deixou sair. Ok, mas o que tudo isso tem a ver?
- Não sei, mas você não acha estranho? Ela está há uma semana fingindo que está saindo para trabalhar, isso não te deixa preocupada?
- Preocupada por quê ? Ela faz o que ela quiser da vida dela e eu não tenho nada com isso.
- Outch, tá certo então, só não diga que eu não avisei.

Naquela noite, a minha mãe chegou em casa bem tarde e a tinha acabado de sair. Eu continuava sentada no sofá esperando a febre baixar e vendo alguma coisa idiota na televisão quando ela entrou na sala.
- , posso falar com você ?
- Fala mãe, o que eu fiz agora?
- Você não vai a esse show do McFLY.

Capítulo 4

Respirei fundo para não voar em cima dela e contei até 10, mas não adiantou. - COMO? POR QUE? NÃO!
- Eu não quero que você vá, e não discuta comigo, eu já disse que não!
- COMO ASSIM VOCÊ NÃO QUER? VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO, EU GANHEI A PROMOÇÃO E EU VOU AO SHOW SIM!
- EU TENHO ESSE DIREITO SIM! EU SOU A SUA MÃE E VOCÊ TEM QUE APRENDER A ME RESPEITAR, VOCÊ NÃO VAI A ESSE SHOW, NÃO ADIANTA INSISTIR, CHORAR, FAZER GREVE DE FOME, AMEAÇAR SE MATAR, EU JÁ DISSE QUE NÃO! E ALÉM DO MAIS, VOCÊ NÃO VAI CONHECER O ! – Ela parecia bem nervosa e percebeu que deixou escapar algo.
- O ? O QUE ELE TEM A VER COM A HISTÓRIA ?
Ela me olhou com uma expressão pasma e me deixou falando sozinha enquanto subia as escadas com uma expressão fechada.
- ME DIZ, O QUE O TEM A VER COM ESSA HISTÓRIA DE EU NÃO PODER IR AO SHOW? ME RESPONDE! AGORA!
Eu fiquei na sala falando sozinha e espumando de raiva enquanto a ouvia bater a porta do quarto. Mas o que era aquilo? Ela não sabia o que eu fazia ou o que eu deixava de fazer, ela mal sabia alguma coisa sobre a minha vida e agora ela quer me proibir? Que direitos ela tem? Só por que ela é minha mãe e supostamente ela deveria cuidar de mim, uma coisa que ela não faz? Minha cabeça estava martelando e eu me senti tonta de novo, achei que fosse por conta do meu nariz entupido. Corri para a cozinha e tomei mais remédios para a gripe do que o necessário enquanto eu ouvia barulhos de coisas se quebrando no quarto dela e gritos.
Corri para o meu quarto sentindo uma enorme vontade de chorar. Alguma coisa estava errada, eu sempre soube que ela nunca gostou que eu ouvisse o McFLY, mas simplesmente não dava! Será que algum dia ela ia parar de ser tão egoísta e prestar atenção em mim, prestar atenção nos meus sonhos? Eu duvido muito, muito mesmo. Ela nunca se importou com ninguém além dela, com as vontades dela, com o que ela achava certo. Ela sempre me obrigava a fazer o que ela achava ser bom e isso sempre me machucava, porque o que ela achava ser bom nunca era bom para mim.
Um nó se formou em minha garganta e eu sabia que iria chorar, pronto, era isso, eu me sentia sozinha de novo. Senti as lágrimas vindo com uma velocidade impressionante e me enrolei nos lençóis que estavam largados em cima da cama tentando abafar os meus soluços. Eu sempre quis ter alguém em que eu pudesse confiar, alguém que pudesse me proteger daquele show de horrores em que eu vivia. Alguém com quem eu pudesse compartilhar meus sonhos, alguém que me abraçaria e me diria que tudo ficaria bem. Depois que tudo desse errado, lógico, mas tudo ficaria bem, alguém que pudesse me tirar daqui. Mas que porra era a minha vida? Eu não aguentava mais pensar nela, pensar na minha mãe, eu não aguentava mais pensar, me importar. Tudo parecia tão vazio, tão errado, tão fora do lugar.
As coisas simplesmente nunca davam certo! Agora que eu estava feliz por causa da promoção, do show e de tudo que estava acontecendo, ela achava que ia me deixar infeliz? Não, não dessa vez. Eu não ia deixar que ela me deixasse para baixo, que me rebaixasse como se eu fosse um nada, como ela sempre faz. Eu iria ao show, porque eu sentia que precisava ir, e se ela não queria que eu fosse o problema era dela, ela não tinha esse direito.
Depois de algum tempo tentando processar toda aquela informação, eu me lembrei do que ela havia dito sobre o . O que o poderia ter a ver com aquela história ? Eu achava que nem o nome dos McGuys ela sabia! Pelo menos na minha cabeça, para ela, eles eram todos iguais.
Depois de um tempo tentando processar tudo aquilo minha vista ficou embaçada e eu senti o meu corpo ir amolecendo devido aos remédios que eu havia tomado e quando eu fui perceber, eu já estava dormindo. Eu tive alguns sonhos desconexos durante a noite, vozes, pessoas chorando, um enterro, coisas da qual eu não consigo me lembrar muito bem, mas que não foram sonhos muito bons. Acordei no dia seguinte com o barulho do despertador me sentindo exausta, com palavras sem sentindo martelando em minha cabeça e com o corpo todo dolorido. Fiquei encarando o nada pensando se eu deveria me levantar ou não, ir a escola ou não. Eu não estava com a mínima vontade de fazer nada ou de ver alguém, obviamente eu não queria ir à escola. Me levantei sentindo o meu corpo coberto de suor e fui obrigada a tomar um banho. Eu ouvia o meu celular tocando insistentemente em algum lugar do quarto que eu não consegui identificar e eu fiquei com medo de atender. O que eu faria agora? Como iria contar as meninas que eu fui proibida de ir ao show? Se no último caso eu não pudesse mesmo ir, elas iriam e eu sabia que isso ia me deixar melhor, pelo menos eu não ia estragar o sonho delas. Mas conhecendo-as como eu conheço, eu duvidava muito que fossem sem mim. Mas eu precisava ir, precisava arranjar uma maneira! Não pode ser tão difícil assim fugir de casa, eu já fiz isso tantas e tantas vezes ...
Desci as escadas verificando que eu estava sozinha e quando eu vi, já eram quase 10 horas da manhã e eu me lembrei da prova de História, ok, agora já era. Peguei uma maçã na geladeira e assisti televisão até eu ouvir a campainha tocar.
- Entra Hanna. – eu disse ao abrir a porta – Aconteceu alguma coisa?
- Não, eu só vim ver como você estava. – ela disse me abraçando. – A disse que você estava com febre ontem e hoje você não foi a escola ...
- Eu estou melhor, eu acho. – eu disse voltando a me sentar no sofá.
- Você acha? Me conta o que houve, anda.
Elas sabiam da minha “mania” de não contar os meus problemas para elas para não deixá-las preocupadas, o que me fazia ser obrigada a contar a elas, de certa forma.
- A minha mãe me proibiu de ir ao show. – soltei sem pensar.
- C-C-C-OMO ? – ela gritou. – COMO ASSIM?
- Não grita Hanna, eu tô aqui do seu lado!
- Me desculpa, mas por que? Eu não sei se você sabe, mas ela não pode fazer isso com a gente!
- Comigo você quer dizer, né ?
- Claro que não, , se você não for, nenhuma de nós vai. Não só porque você foi a ganhadora da promoção mas porque nós não vamos nos divertir e te deixar em casa sozinha vendo os filmes toscos que passam na televisão aos sábados a noite, tipo, Todo Mundo Odeia o John.
- Eu pensei que você gostasse de Todo Mundo Odeia o John ... Mas nunca Hanna, eu nunca iria fazer isso com vocês! Se eu não for, vocês vão e está acabado. Não é porque minha vida é um inferno que eu vou estragar a de vocês, e quer saber? Eu nem sei mais se eu acredito em mim, eu já cansei dessa vida. Cansei de ser maltratada pela minha mãe, eu cansei sabe? Acho que eu já deixei de acreditar que a minha vida pode melhorar.
- Amiga. – ela disse olhando nos meus olhos. – Um amigo é uma pessoa que acredita em você mesmo quando nem você acredita em si mesmo. [n/a : frases do tumblr mode on, rs] Nós acreditamos em você, nós te amamos e de jeito nenhum vamos te deixar sozinha, ok? Se você não for, nenhuma de nós vai e eu aposto que as meninas concordam comigo.
- Mas Hanna ... – eu já estava quase chorando a essa altura, odeio quando fazem isso comigo. Quando eu estou mal, quanto mais afeto demonstram por mim, mais eu choro.
- Mas nada, nós vamos bolar um plano e vamos a esse show, e caso isso não aconteça, vamos ficar todas juntas em casa vendo Todo Mundo Odeia o John ou o que estiver passando, certo? Prefiro que seja Todo Mundo Odeia o John, mas qualquer coisa a gente aluga um pornô e ... – ela ia dizendo quando viu a minha cara. - Ou então nós vamos sair e beber até cair para afogar as mágoas.
Eu a abracei e senti que tudo daria certo. Eu confiava na Hanna, confiava nas minhas amigas (apesar dos meus momentos de solidão) e eu sabia que tudo daria certo no final. Sorri para ela e logo depois a Amy, a e a Emma chegaram com o supermercado todo (lê-se 10 barras de chocolate, 9 pacotes de pipoca e 5 refrigerantes de dois litros) e nós ficamos a tarde toda falando besteira e adquirindo celulites e estrias, ou seja, comendo todas as porcarias que elas compraram.
- Por que a não finge que vai dormir e pula a janela? – Amy sugeriu enquanto nós estávamos discutindo o que fazer em relação ao show.
- Como ela vai pular do segundo andar, Amy? Só se a gente deixar de ir ao show para ir ao enterro dela. – perguntou a Amy como se fosse óbvio.
- Ela faz uma trouxinha de lençóis igual a quando os prisioneiros fogem das penitenciarias ! – Ela respondeu como se fosse uma idéia muito brilhante e recebeu um tapa de Emma. – O que foi?
- Isso é impossível Amy, não viaja ! – ela respondeu. – Que tal se ela fosse para a casa de uma de nós?
- Mas o carro vai vir nos pegar aqui na frente. – eu disse. – Eu já tinha pensado nisso, mas não tem como.
- Nós ainda temos um mês para resolver isso gente! – Hanna disse.
- Mas o tempo ruge e a Sapucaí é grande, Hanna. – disse e Amy riu – O que foi?
- Nós por acaso somos uma escola de samba, ? – Amy disse e nós rimos.
- É que o meu pai está com mania de falar isso e eu acabei pegando, isso soou muito pedreiro né? – Ela perguntou e nós afirmamos. – Saco, eu sabia.
- Porque a não diz que vai dormir na casa de uma de nós e na hora combinada a gente vem aqui para frente ? – Emma sugeriu – Daria certo, não?
- Pode ser – Hanna concordou – Mas como vamos chegar aqui tão rápido ? Nós não podemos chegar antes, e obviamente, nem depois.
- Nós podemos ir para a minha casa e depois o meu irmão trás a gente para cá – sugeriu e as outras meninas concordaram – O que você acha ?
- Pode dar certo. – eu disse cogitando a possibilidade.
- Ah , é claro que vai dar certo ! – Amy disse. – Por que poderia dar errado?
- A minha mãe não pode descobrir isso em hipótese alguma, meninas, se ela descobrir ela acaba com a minha vida. – eu respondi, e era verdade, só eu sabia que ela tinha a capacidade de transformar a minha vida em um inferno.
- Não tem como isso dar errado , fica tranquila. – Hanna disse. – Confia na gente!
- Eu confio! – eu respondi. – eu só não confio nela.
- Nós ainda temos tempo para pensar nisso, mas por enquanto a estratégia é essa – disse – Nós vamos para a minha casa com alguma desculpa, nos arrumamos e na hora marcada a gente vem para cá e vai para o Estádio. É impossível nós não conseguirmos fazer isso gente! Nós não somos tão patetas assim.
- Mas e se a sua mãe não deixar você ir para a casa da , ? – Emma perguntou. – E aí?
- Eu dou o meu jeito, não se preocupem. Vai dar certo, tem que dar.
As meninas ficaram conversando durante algum tempo até que tiveram que ir embora porque já estava ficando tarde e eu subi para o meu quarto, pois não queria ver a minha mãe tão cedo.
Eu estava tão concentrada no livro que eu estava lendo que não percebi quando ela chegou em casa e bateu na porta do meu quarto. – Entra – eu gritei desejando o contrário.
- Como você está se sentindo ? – Ela perguntou sentando ao meu lado.
- Por que você está me tratando bem agora? Posso saber? – Eu disse me levantando e jogando o livro em cima da cama. – O que você quer de mim?
- Eu não quero nada de você, só o seu bem.
- O MEU BEM? – Agora já estava subindo para a cabeça. – Como assim o meu bem? Me proibindo de ver as minhas amigas, de fazer o que eu gosto, de ser feliz? É assim que você quer o meu bem?
- Querida, eu sou a sua mãe! – Ela repetia isso como se estivesse afirmando para si mesma, ás vezes eu pensava na razão. – Tudo o que eu faço é para a sua felicidade, embora você não perceba isso.
- Minha felicidade? FELICIDADE? Você tem certeza que é isso mesmo? Tem certeza de que não tem alguma coisa antes, tipo, infelicidade? – respondi dando ênfase no “in”
- Claro, e eu até tenho planos para as suas férias que estão chegando!
- Planos? Como assim planos? Você não vai trabalhar as férias todas como você sempre trabalhou?
Ela se sentou em minha cama e sorriu para mim. – Não, a partir de agora eu vou ficar em casa cuidando de você, eu pedi demissão! Não é ótimo?
Não, não e não. Isso não pode estar acontecendo. Então foi isso que a disse, ela não estava trabalhando.
- Desde quando você pediu demissão?
- Desde a semana passada
- E aonde você esteve quando disse que iria trabalhar?
- Eu estive planejando algumas coisas, acertando alguns detalhes. , olha para mim, me escuta. Eu estive planejando te contar isso desde o dia que eu quis ter uma conversa com você, você se lembra? – Sim, eu me lembrava bem do tal bilhete que eu tanto temi, e no fundo eu sabia que não era coisa boa. – Então, um amigo me fez uma proposta e eu pensei muito antes de aceitar. Pensei se era o melhor para mim e o mais importante, o melhor para você. Pensei e cheguei a conclusão de que é o melhor sim! Nós vamos ficar sempre juntas, vamos ter uma vida mais confortável, você vai conhecer pessoas novas, amigas novas, e vai até arranjar um outro namoradinho! Não vamos mais depender de ninguém para nos sustentar e enfim ... Tudo vai ser como você sempre sonhou minha filha! Você não vive reclamando pelos cantos que odeia a sua vida aqui? Que está cansada, que queria uma vida nova? Essa é a nossa chance ! Teremos tantas novas oportunidades, imagine! A sua nova escola, o quanto você vai aprender lá ... É claro que você vai sentir um pouco de saudades daqui e dos seus amiguinhos, mas não é nada que um telefone não possa resolver ...
Aquilo não podia ser verdade, eu estava entendendo errado. Minha mente ficou nublada enquanto ela terminava de explicar “os motivos” de a nossa vida estar do jeito que é, os motivos das nossas brigas e sei lá quantos outros motivos ela arranjou para justificar o quanto nós brigamos. Até que a ficha caiu.
Nova vida? Novo emprego? Novas amigas? Novo namorado? NOVA CASA? NOVA VIDA?
- VOCÊ NÃO ESTÁ DIZENDO QUE NÓS VAMOS NOS MUDAR, ESTÁ? NÃO, ISSO É MENTIRA, VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO COMIGO!
- SIM – ela respondeu achando que eu estava empolgada. - Isso não é ótimo? Já está quase tudo pronto, nós só precisamos empacotar as nossas coisas. No mês que vêm nós já vamos estar morando na nossa nova cidade! E esse fim de semana eu vou te levar até lá para que você possa ver a casa que eu escolhi! É linda, e grande. E eu já até conheço os nossos vizinhos ...
Ela continuou lá tagarelando como nós íamos ser felizes e como tudo ia ficar bem durante um bom tempo, mas eu não conseguia prestar atenção no que ela dizia.
Não, era tudo um pesadelo, só podia ser um pesadelo. Não hoje, não agora, não esse mês. Eu vou acordar, eu vou acordar, eu vou acordar, isso é tudo mentira. Então eu pisquei os olhos uma, duas, três vezes. Tentei até me beliscar, mas não acho que eu tenha conseguido acordar do meu pesadelo sem fim. Um filme passou pela minha cabeça enquanto eu pensava em todos os motivos para eu não me mudar. E no show, principalmente no show. As meninas estavam erradas afinal, tinha sim como o nosso plano dar errado, e já tinha dado. De repente eu me sentia cansada, fraca, e muito, muito derrotada.
Não era mentira, não era um pesadelo, era real. Eu ia mesmo me mudar.
E eu sabia que agora não teria mais volta.


Capítulo 5 – From Another Point Of View / ’s POV.

- , eu acho que você deve ligar para ela cara, você não acha que vai doer menos em vocês dois? Você já não tem o telefone? – dizia, enquanto sentava no sofá ao meu lado. – Do que você tem medo?
- Eu não quero machucar ela, eu só... Eu estou com medo de fazer a coisa errada no momento errado, tenho medo de ela não aceitar. Que direitos eu tenho de entrar na vida dela agora e mudar tudo? Eu não posso, eu estou a um oceano de distância dela, ! E agora que eu a encontrei, eu tenho medo de perdê-la. Medo de que ela possa escorregar pelos meus dedos. Eu não sei o que eu faria se a perdesse de novo, eu levei tanto tempo para conseguir encontrá-la...
- Eu sei, mas você vai contar pra ela, certo? No dia do show?
- Claro que vou, foi para isso que eu armei esse circo todo, esse show, essa promoção.
- Certo, – ele disse se levantando – eu sei que você não quer fazer com que ela sofra, mas você sabe que isso vai acontecer, só tome cuidado com o que isso está causando em você. Você sabe que pode contar comigo, não sabe?
- Sei. – eu disse, o observando pegar seu celular que estava em cima da mesa e fechar a porta ao sair.
Passei as mãos sobre o meu rosto e comecei a sentir o meu corpo pesado, há quantos dias eu não conseguia dormir mesmo? Eu estava com fome e precisava de um banho, mas não tinha a mínima coragem de me levantar dali. Observei a minha casa vazia e senti frio, me senti sozinho. Eu não gostava daquela sensação de abandono e o que eu mais queria no momento era tê-la ali comigo. Eu realmente sentia falta da minha menininha, da minha irmã. Aquela que provavelmente estaria feliz em algum lugar no planeta, mais especificamente na América do Sul e que dentro de algum tempo, descobriria que não é quem ela pensa que é. Às vezes isso me cortava o coração, como eu iria simplesmente chegar para ela e falar: Oi, eu sou seu irmão? Eu queria tê-la perto de mim, como eu queria, mas eu preferia sofrer a ter que fazê-la sofrer, a ter que vê-la chorar. Merda, por que as coisas precisavam ser tão difíceis? E por que eu estava ficando tão gay? Meu Deus.
Deitei no sofá e aos poucos meus olhos foram se fechando e eu dormi.

Eu observava aquele cômodo extremamente branco e as pessoas ao meu redor, algumas sentadas, algumas desesperadas, algumas preocupadas e eu simplesmente não conseguia esboçar nenhuma reação. A menina que eu segurava cuidadosamente em meus braços dormia como um anjo e eu sabia que era isso que ela era, o meu anjo. Seu peito subia e descia vagarosamente e ela parecia estar tendo um sonho bom. Eu sabia que deveria cuidar dela, eu deveria protegê-la, proteger a minha irmãzinha, eu só não sabia o quão difícil isso iria ser. Era irônico como eu sempre tive medo de perder o posto do filinho da mamãe quando ela nasceu e agora eu estava ali, destinado a cuidar dela para o resto da vida. O meu anjinho suspirou profundamente e eu parei de prestar atenção nela, quando eu ouvi uma porta ser aberta e passos se aproximando. O doutor nos olhava derrotado enquanto tirava a sua máscara e a jogava no chão. Eu sabia, eu sempre soube, desde o começo quando ela me pediu para cuidar da minha irmã e quando ela me disse que iria me proteger aonde quer que ela estivesse, que aquilo nunca iria acabar bem. Um soluço escapou pelos meus lábios quando o médico disse o que eu menos queria ouvir, mas o que eu tinha certeza que seria inevitável desde a hora que ela entrou naquela sala de cirurgia: - Nós fizemos o que estava ao nosso alcance, mas não foi o suficiente. De repente alguém tomou a minha irmã dos meus braços e eu corri. Ouvi os gritos das pessoas atrás de mim, mas não me importei, eu só queria vê-la, eu queria a minha mãe. Empurrei a porta do quarto 405 e lá estava ela, imóvel. Meus soluços foram ficando mais altos e eu a abracei. Ela estava gelada e seu coração não batia, mas mesmo assim sua expressão era doce. Beijei sua testa e deixei que mais algumas lágrimas caíssem, quando ouvi mais vozes próximas a mim, mas eu não queria sair dali, eu queria ficar com ela. Senti alguém me puxando e eu tentava lutar, mas não conseguia me libertar, aquela pessoa era mais forte que eu. As portas do 405 se fecharam na minha frente e eu me joguei no chão derrotado.

Acordei suado com o som do telefone tocando em algum lugar, eu ainda não sabia aonde estava, quando o encontrei, o soquei até que parasse de tocar, que merda era aquela? Ainda era uma hora da tarde... UMA HORA? COMO EU DORMI ASSIM?
Levantei correndo e vesti as primeiras peças de roupa que eu achei, peguei a chave do carro e voei até o estúdio. Corri pelos corredores vazios até encontrar a tal porta da sala de reuniões e entrei tentando ser o mais silencioso possível, mas todos os olhares encontraram o meu.
- O que foi? – perguntei inocentemente.
- Nada. – Fletch, nosso empresário, respondeu.
Me sentei ao lado de , enquanto ele, disfarçadamente, me passava um copo de café da Starbucks. – Obrigado – eu sussurrei e ele piscou para mim. Realmente, uma coisa que eu nunca poderia reclamar era sobre os meus amigos.
, e , eram, no sentido literal da palavra, a minha única família.
Ficamos um pouco mais de quarenta minutos naquela sala, fingindo estar ouvindo o que o Fletch estava falando, mas eu conseguia ver jogando no celular, enquanto e jogavam pedra, papel e tesoura. Me controlei para não rir, quando Elizabeth entrou na sala me olhando com um olhar de... Culpa?
- , posso falar com você um minuto?
- Claro. – eu respondi a acompanhando para fora da sala. – O que foi? Mais alguma notícia?
Elizabeth Troughton era da assessoria de imprensa da Univeral Music, foi ela quem me ajudou a descobrir mais sobre a minha irmã, ela vinha me ajudando muito ultimamente, eu até a recompensaria se ela não tivesse idade para ser minha avó.
- Na verdade, eu tenho uma. – ela disse parecendo ponderar se deveria me contar ou não. – Hoje de manhã, uma amiga da ligou para cá, pedindo que nós mudássemos o endereço do carro que vai buscá-la para outra cidade, porque ela irá se mudar...
- ELA VAI O QUÊ? SE MUDAR? PRA ONDE? – Eu gritei, enquanto saia da sala e me olhava.
- Ei, calma ai, nós temos o endereço novo, não precisa se preocupar! – Elizabeth tentava me acalmar.
- O que foi cara? – perguntou, olhando de Elizabeth para mim – Algum problema?
Elizabeth me olhou como se perguntasse se eu queria que o soubesse.
- Não aconteceu nada. – eu respondi e sai andando em direção a sala, mas impediu que eu entrasse. – O que foi?
- Não aconteceu nada. – ele respondeu, fazendo uma imitação mal feita da minha voz. – Eu tô sabendo que não aconteceu nada, .
- Porra, é sério, , não foi nada. – eu disse, tentando convencê-lo, ele não precisava saber de todos os meus problemas, precisava?
- Ela se mudou? – perguntou, enquanto eu olhava para o chão pateticamente e não respondi. – Que bom, e o que você vai fazer?
- O que você quer que eu faça? – eu perguntei, que porra ele queria que eu fizesse?
- Você não vai desistir agora, pelo amor de Deus! É a sua irmã, s-u-a i-r-m-ã! – ele repetia vagarosamente como se eu fosse uma criança aprendendo a ler.
- PORRA, EU SEI! Sei que é a minha irmã, sei que eu deveria fazer alguma coisa, mas...
- Por que você não vai buscá-la?
- Você enlouqueceu, ? Você realmente acha que eu...
- A Elizabeth tem o endereço, então, do mesmo jeito ela vai ao show, certo? – mas por que diabos ele não parava de me interromper?
- , pensa um pouco. – eu disse, tentando ser claro com ele – A Judith não decidiu essa mudança de uma hora para outra, nós temos certeza disso. Isso é sinal de que ela descobriu tudo entende? Ela nunca teria se mudado assim, do nada, e isso é péssimo. Ela está tentando evitar o nosso encontro, evitar que ela saiba da verdade.
- Faz sentido. – ele disse coçando o queixo. – Mas ela disse que quer ir ao show e isso não conta?
- Conta, mas não se a “mãe” dela fizer de tudo para impedir. – eu disse, fazendo aspas com as mãos – Agora você entende o meu problema? Ela se mudou, mas continua querendo ir ao show, só que se a mamãezinha dela impedir, ela não vai poder fazer nada, porque ela vai ameaçar a menina de todas as maneiras.
- Certo, então só faz o que eu vou te dizer, volta para a sala de reuniões e finja que nada está acontecendo. Eu vou dar um jeito nisso. – ele disse e saiu correndo pelo corredor, enquanto eu fiquei lá parado com cara de idiota, até o socar a porta pelo lado de dentro e me mandar entrar, porque o Fletch precisava de mim para terminar a reunião.
Então, foram mais 30 minutos de tédio até Chapin, namorada do , bater na porta com um afobado em seu encalço.
- Chapin? – perguntou surpreso – Você não estava trabalhando?
- O me pediu um favor. – ela disse sorrindo amarelo – Fletch, será que você pode me emprestar o por um minuto? Eu preciso de um favor dele.
Chapin e namoravam há 6 meses. Chapin era uma espécie de pau para toda obra, vamos colocar assim. Ela era organizadora de eventos, e sempre que podia, nos ajudava com algumas coisas da banda, como obviamente, nos eventos. No começo do namoro, eu confesso, nós implicávamos bastante com ela, mas depois Chapin foi se mostrando menos tímida e nós passamos a conhecê-la melhor. E paramos de zoar com o nome dela, claro. A mãe dela gostava do Charles Chaplin, qual é o problema nisso, não é mesmo? Ela só fez uma adaptação no sobrenome do cara.
Voltando a cena anterior, Chapin pediu que fizesse uma ligação para ela e é claro, ele não hesitou em sair daquela sala, aonde ficamos eu e .
Quando Fletch deu a reunião por encerrada, e Chapin estavam me esperando sentados no sofá da recepção.
- O que foi? – Perguntei, quando ambos sorriram para mim. – Odeio quando vocês fazem isso, parecem um casal de macacos, e nem um casal vocês são.
- Bom, – Chapin disse ignorando o meu comentário. – eu e o , com uma pequena ajuda do , já que ele é o único que pode entrar na administração, conseguimos falar com uma das amigas da sua irmã, e ela nos garantiu que ela estará lá, no show, nem que elas tenham que... O que foi que elas disseram, ?
- Nem que elas tenham que ir voando, acho que foi isso. Ou qualquer coisa assim, mas isso não importa.
Eu ainda não estava acreditando que eles haviam feito aquilo. Mas é claro, vindo de e Chapin, eu não duvidava de nada. Não duvidava nem mesmo que eles tivessem contado a verdade para a garota.
- O que, exatamente, vocês disseram?
- Bom, como elas já haviam ligado para cá antes, falando sobre essa história da mudança, essa tal de deixou o telefone dela e perguntou o que aconteceria caso a sua irmã se mudasse. Matthew disse que retornaria a ligação, e agora, nós retornamos. Explicamos que a presença dela era necessária e que ela precisava ir, pois ela teria uma surpresa e a falou que vai levá-la de qualquer jeito, e foi isso. – Chapin explicou e sorriu.
- Surpresa?
- Nós precisávamos de uma desculpa para ela ir, . – disse. – O que você queria que nós disséssemos? De certa forma, ela vai ter mesmo uma surpresa.
- Você não parece feliz – Chapin observou – O que nós fizemos?
- Não é nada com vocês. – eu expliquei – É só que, eu tenho medo de que isso possa complicar a vida da . Se a Judith proibiu a de ir ao show, ela pode tentar fugir e a Judith pode descobrir tudo, é bem provável que ela mova o mundo para impedir que eu conte a verdade a ela, e se isso der errado, pode prejudicá-la.
- Nós sabemos, , mas precisamos arriscar. Nós já temos a garantia de que ela vai, e isso basta, e depois disso, você vai estar com ela, certo? – Para mim era novo o tentando tranquilizar alguém, normalmente o nervoso era ele.
- Vou. – eu disse tentando convencer mais a mim mesmo do que a eles.
- E agora, – Chapin disse com uma animação exagerada - nós vamos sair, nos divertir, você vai ficar com algumas meninas e vamos parar com esse chororô. – e saiu saltitando pelo corredor.
Eu ainda não entendi a razão de eu achar tudo tão complicado enquanto eles achavam tudo tão fácil, eu devia mesmo estar ficando louco. Ou só precisava de um banho e de um Big Mac. Ou de mulheres, muitas delas de preferência.

Naquela noite eu sai com o e , já que o decidiu ficar em casa com a Chapin. Eu nunca fui uma pessoa baladeira, mas eu sentia que estava precisando de um porre. Enquanto e competiam em quem fazia a dancinha mais ridícula, eu enchia a cara no bar. Algumas pessoas me olhavam estranho, mas quem se importa?
Depois de algumas (lê-se muitas) doses de vodca, eu já não estava me sentindo bem. A boate começou a rodar e eu sentia que poderia vomitar a qualquer momento. Levantei-me tentando chegar ao banheiro e as pessoas ao meu redor pareciam girar, aliás, tudo parecia girar.
Ouvi as vozes do e do me chamando, mas por que diabos eles estavam tão longe? Ouvi outra voz me chamando, mas era uma voz diferente, era a voz dela. Andei mais um pouco e a vi, no meio de todas aquelas pessoas, mas ela estava assustada. Andei até ela e senti minhas pernas formigarem, mas eu não consegui parar, precisava chegar até ela. Ouvi gritando o meu nome e me virei para ver o que ele queria, a boate rodou de novo. Ela aparecia em todos os lugares, e parecia estar me chamando também. , eu precisava protegê-la, precisava chegar até ela. Consegui chegar ao banheiro e a vontade de vomitar aumentou, a música fazia muito barulho e todas aquelas luzes estavam me dando dor de cabeça. Quando finalmente cheguei ao banheiro, não consegui mais sustentar o meu peso e desabei no chão imundo.
Senti as lágrimas chegando aos meus olhos e eu não consegui controlar, solucei como uma criança sentado naquele banheiro sujo e encardido.

- Deixa que eu fico aqui com ele. – eu ouvia vozes vindo de longe.
- Tem certeza?
- Eu também quero ficar.
- Você acha que ele está bem?
- O nunca foi de beber assim.
Algo gelado tocou a minha testa e eu me arrepiei.
- ? – Sussurrei sem saber o que estava falando, abri os olhos e vi Chapin me olhando preocupada.
- Infelizmente é a Chapin, bonitinho. – ela disse sorrindo e afagando os meus cabelos.
- Minha cabeça. – eu resmunguei tentando tapar a claridade que vinha de algum lugar.
- ? – disse, chegando perto de mim – Como se sente?
Subitamente senti um nó em minha garganta e engoli a vontade de gritar.
- Bem. – eu menti, mas ele não pareceu se convencer.
- Deixa que eu cuido dele, . – Chapin disse, enquanto eu virava de lado e tapava o rosto com o travesseiro.
Ouvi o barulho de passos e a porta batendo, e senti a mão de Chapin, delicadamente, tirar o travesseiro do meu rosto.
- Tirando a ressaca, como se sente realmente? – Ela perguntou, enquanto segurava as minhas mãos.
- Péssimo. – eu disse me levantando e analisando aquele cômodo, casa do , quarto de hóspedes.
- Certo, quer conversar?
- Por que ela não está aqui, Chapin? Por que tudo precisa ser tão difícil?
- , você precisa ser forte! Você nunca foi assim, desde que eu te conheço, nunca sequer eu te vi bêbado. Você precisa confiar em si mesmo, confiar em nós. Eu nunca te vi tão abalado por tão pouca coisa. Não que isso seja pouca coisa, mas você não precisa se preocupar tanto.
Eu me encolhi, não conseguia pensar em mais nada, me sentia sozinho.
- Não sei se eu consigo. – confessei e suspirei pesadamente – Sinceramente, eu não sei.
- – ela disse me abraçando – me escuta. Eu não sei exatamente o que aconteceu com a sua família, mas falta só um mês e alguns dias! Você vai conversar com ela, vocês vão se entender e vai ficar tudo bem. Você não precisa ficar tão abalado com isso, você a ama e de alguma forma, ela te ama também. Agora que você a achou, você deveria ficar mais tranquilo! Nós sabemos para onde ela vai se mudar, sabemos os endereços das amigas dela, não pode ser tão difícil assim. Se ela for uma pessoa doce e sensível como eu tenho certeza que ela é, ela vai parar, vai te escutar e vocês vão resolver tudo isso. Por que é tão difícil acreditar no que nós estamos te dizendo, ? Você é forte, corajoso. Vai superar tudo isso, você vai ver! Tudo isso vai passar e daqui a alguns dias nós vamos rir de tudo isso. Agora, por favor, não tome outro porre assim, você nos assustou. Assustou até o e o , que ficam bêbados praticamente todo santo dia e já viram bêbados de todas as espécies, o achou que você estivesse em coma.
- Certo. – eu disse, a abraçando mais forte. – Me desculpe por isso, prometo não fazer de novo.
- Espero que sim, mocinho. Você anda muito desobediente ultimamente, acho que vou te deixar de castigo.
Fiquei conversando com Chapin durante algum tempo, até ela me deixar sozinho e alegar que eu precisava dormir. Encarei o teto durante algum tempo e logo depois adormeci.

Capítulo 6

Eu observava atentamente enquanto as gotas de chuva trilhavam caminhos desconexos na janela do carro. Bufei entediada e troquei a música que tocava no iPod, mas nenhuma parecia me agradar. A chuva ficava cada vez mais forte e aquele lugar não chegava nunca.
- Falta muito? – Eu perguntei pela milésima vez a minha mãe.
- Só mais um pouco.
Me ajeitei no banco de tràs enquanto cantarolava uma música dos Beatles e refleti sobre aquelas últimas semanas. Então, finalmente, eu estava me mudando. Faltavam apenas 3 semanas para o show do McFLY, aquele do qual eu ainda estava proibida de ir e não havia arranjado um jeito. Eu já estava viajando há 2 horas e aquele fim de mundo parecia não chegar nunca, mas eu não estava ansiosa. O silêncio permanecia no carro, exceto pelo som da chuva caindo na lataria. A minha relação com a minha mãe não havia melhorado em nada, só estava piorando, nós brigávamos praticamente o tempo todo. Fui obrigada a terminar as minhas provas mais cedo para que eu pudesse terminar o ano letivo e me mudasse para uma nova escola. Nova escola, por que aquilo não me assustava? Em algum lugar dentro de mim, eu confiava que aquilo não iria durar muito. Aquela manhã havia sido sufocante, eu havia sido obrigada a acordar às cinco da manhã e sai sem me despedir de ninguém, eu odiava despedidas.
- Maybe if my heart stops beating, it won’t hurt this much. And never will I have to answer again to anyone – eu cantarolava Never Let This Go do Paramore, quando senti o meu celular vibrando, Amy.
- Aonde você está? – Ela perguntou e fungou.
- O que houve, amiga? – Amy chorando era novidade para mim, das minhas amigas, ela era uma das únicas que encarava tudo com bom humor.
- Você já saiu da cidade, não foi?
- Já – eu sussurei me sentindo culpada. – Me desculpa, Amy, mas eu você me conhece, eu não ia conseguir me despedir de vocês.
Ela fungou de novo e disse : - Eu sei , mas... Eu vou sentir a sua falta. Sei que eu nunca te disse isso e que às vezes você me vê como uma criança, mas esse é o meu jeito. A minha vida não vai ser a mesma sem você, eu vou sentir falta de ir a sua casa a qualquer hora te perturbar, de te chamar para tomar sorvete de madrugada, e até de colar de você. Você não sabe o quanto é especial para mim, . Nós nunca fomos as melhores amigas inseparáveis, já brigamos tanto! Mas sem você, tudo aqui vai ficar tão vazio... E se essa mudança for permanente? E se... E se eu nunca mais te ver? Eu não quero isso. Eu não quero perder a minha amiga.
Eu fiquei assustada ao ouvi-la falando assim.
- Eu ainda estou na sua vida, Amy! Só estou morando um pouco distante, só algumas horinhas e você pode vir me ver, não se preocupe. Eu estou aqui e sempre vou estar quando você precisar de mim, e até quando você não precisar. Nós vamos dar um jeito nisso, você vai ver. A distância não vai nos separar nunca, aliàs, nada pode nos separar.
- Promete? Promete que nunca vai me deixar?
- Prometo, amiga, eu prometo. Eu estou aqui e vou estar sempre.
Na verdade aquelas últimas semanas antes da mudança estavam sendo muito difíceis. Eu sabia que se aquilo fosse mesmo permanente, eu iria sentir falta das minhas amigas sim. Eu cresci com elas, nós sempre cuidamos umas das outras e eu estava começando a me sentir culpada por deixá-las. Mas eu não estava deixando elas, só estava me mudando para uma cidade pequena, com gente antipática e muito verde, mas era só isso. Elas sabiam onde eu estava e sabiam que poderiam contar comigo a qualquer hora e em qualquer situação, eu as amava. Amava a Emma, a Hanna, a e a Amy como a família que eu nunca tive. Como minhas primas, como minhas irmãs. Eu sabia que eram elas que sempre estariam ao meu lado quando eu precisasse e eu estaria sempre com elas, isso era um fato. Guardei o celular na bolsa, encostei a cabeça na janela e fechei os olhos, como eu gostaria que aquilo fosse um pesadelo.
- Bem vinda a nossa nova cidade, querida – minha mãe disse e eu abri os olhos.
Parecia uma daquelas cidades freqüentadas por pessoas idosas e crianças de férias, ou por adolescentes que são levadas a força para aprenderem boas maneiras e a se relacionarem melhor com os pais, ou só para não terem opções de fugir para um show do qual elas estavam proibidas de ir. Tudo era verde e florido e algumas pessoas caminhavam na beira do asfalto. Gramados, como era chamada, nem parecia ser no Brasil. De repente eu achei que estivesse vagando em outra dimensão, ou só estava na roça mesmo. Minha mãe entrou em uma estradinha de terra e disse : - Esse é o centro da cidade, não se parece muito com o da nossa, mas tem tudo o que precisamos.
Havia um brechó, uma farmácia, um supermercado, uma lanchonete, um salão de beleza e um sebo [n/a: sebo é como um “brechó” de livros]. Eu tinha medo de que se eu piscasse, eu poderia perder a cidade de vista. Andamos mais um pouco e ela parou em frente a uma casa verde que parecia um chalé e desceu do carro. Pela janela do carro eu a observei abrir a porta e entrar. Alguns minutos depois ela ressurgiu na varanda que cercava a casa e acenou para mim.
- Vamos, , venha conhecer a sua nova casa.
Desci o mais vagarosamente possível e fui andando em direção a casa. Era uma casinha média e que parecia ter sido reformada há pouco tempo. Atràs dela havia um quintal grande com algumas árvores e algo que um dia fora um jardim. Respirei fundo e entrei pela porta da frente. O corredor estava entulhado com caixas, pedaços de papéis de parede jogados pelo chão e alguns móveis que não deveriam estar ali. Andei mais um pouco e cheguei até a sala, que dava para a cozinha. Era média, com duas poltronas e um grande sofá que ficava de frente para uma grande estante com alguns livros e uma televisão. Fiquei ali parada durante algum tempo até que a minha mãe apareceu.
- Suba e vá ver o seu novo quarto. – disse e eu subi correndo pela estreita escada de madeira que dava para o segundo andar.
A primeira porta que eu abri era o banheiro, apenas com um vaso, uma pia e um chuveiro que parecia caindo aos pedaços. A segunda porta era um cômodo com uma cama de casal (onde eu deduzi ser o quarto da minha mãe) e algumas caixas. A terceira porta era onde estava a minha antiga cama, uma televisão embutida na parede com uma cômoda embaixo, mais algumas caixas e uma pequena estante. Não era um cômodo muito grande, na verdade era menor do que o meu antigo quarto e por isso eu não pude trazer todas as minhas coisas, mas parecia confortável. Reparei em uma porta no cantinho e abri, pelo menos era uma suíte. Joguei a minha bolsa em cima da cama e desci para pegar as minhas malas.
Peguei todas elas e subi com dificuldade, jogando tudo no chão do quarto logo em seguida.
Tirei a blusa de frio que eu estava vestindo e pendurei na beirada da cama, enquanto eu observava a janela. Nossos vizinhos pareciam ter bastante filhos, porque espalhados pelo gramado estavam vários brinquedos. Não passava carro algum na rua e eu tentei abrir a janela, mas parecia emperrada. Os vizinhos do outro lado pareciam ser um pouco mais cuidadosos e logo depois eu descobri que eram donos do supermercado. Pensei em tomar um banho, mas logo desisti da idéia, o banheiro estava imundo e precisava de uma boa limpeza. Suspirei pesadamente e comecei a abrir as caixas para verificar o conteúdo, eram mais algumas roupas, sapatos, CD’s, fotos e brinquedos antigos que a minha mãe quis que eu trouxesse. Decidi deixar os brinquedos em um canto e arrumei as minhas roupas e os sapatos na cômoda, que tinha espaço para tudo. Empilhei os CD’s na estante e me joguei na minha cama. Pelo menos ela estava limpa, já que tudo aqui parecia ter poeira. Alguns minutos depois a minha mãe entrou no quarto e sorriu amarelo.
- Gostou?
- É bem – eu não sabia que palavra usar. – aconchegante.
- Nós vamos arrumar a casa e nos adaptar, é só uma questão de tempo.
- Uhum – eu murmurei enquanto a observava dar de ombros e sair do quarto.
Eu já estava começando a sentir falta da minha casa. Senti o estômago roncar e desci para perguntar a minha mãe se eu poderia ir até a lanchonete comprar alguma coisa para comer, já que nós não tínhamos comida nenhuma em casa.

A lanchonete ficava na parte mais baixa na rua e eu desci até lá rezando para que eles vendessem algo comestível e limpo. Eu não esperava que fosse um daqueles lugares agitadíssimos, com papel de parede com ilustrações ousadas e toalhas de mesa rendadas, mas mesmo assim as mesas de pinho sem nada e o acesso à Internet em computadores da idade da pedra me deixaram decepcionada. Pedi à garçonete loira, com um penteado elaborado, um sanduiche de presunto e uma coca-cola, ela poderia trabalhar aonde eu morava se quisesse, sua antipatia era grande. Me assustei com a possibilidade de que todo mundo aqui pudesse ser assim porque na minha cabeça, em cidades pequenas as pessoas eram simpáticas. Comi calmamente o meu sanduiche e pedi alguns minutos de acesso a internet. A minha internet só começaria a funcionar dentro de três dias e eu precisava me distrair. Não havia ninguém com quem eu pudesse conversar, então sai do computador e sentei na calçada, já que várias pessoas pareciam estar fazendo isso. Demorei o meu olhar em um garoto que passava pelo outro lado e me lembrei de um amigo que era parecido com ele. Mas era tão idêntico, será que era o... – Steve! – gritei, não poderia ser.
Ele me olhou e sorriu, aquele mesmo sorriso que eu me lembrava. Era ele, Steve.
- ! – Ele disse atravessando a rua e me abraçando apertado . – O que faz aqui?
- Eu me mudei para cá – eu disse envergonhada. – e você?
- Meu pai mora aqui, lembra que eu disse que estava vindo passar as férias com o meu pai?
- Lembro...
- Você não parece feliz em estar aqui, – ele observou e fez um barulinho com a boca. – chegou hoje?
Assenti com a cabeça e sorri. Seria bom ter um amigo aqui, pelo menos. Eu estudara com Steve durante muito tempo até que seus pais se separaram e ele mudou de escola, mas nós nunca perdemos contato, conversávamos de vez em quando.
- Muito bem, – ele disse me abraçando de lado. – acho que tenho muita coisa para lhe mostrar. Descemos correndo uma colina que levava a um campo aberto e nos sentamos na grama verdinha ao lado de uma grande árvore que dava de frente para a Igreja.
O sino tocou e eu me assustei.
- Tem alguém lá dentro? – Perguntei, eu nunca havia visto um daqueles, só nos desenhos animados.
- Tem, o vigário, ele precisa passar o dia ai tocando o sino.
- Sério? – Eu perguntei e ele riu, aquilo parecia muito quente.
- Sério, menina da cidade.
- Antes a menina da cidade do que o bicho do mato.
- Patricinha!
- Caipira!
Steve se aproximou e me abraçou com força. Ficamos em silêncio por um tempo, até ele perguntar : - Por que se mudaram?
- Não sei bem, a minha mãe decidiu de uma hora para outra mas eu não acho que tenha um motivo concreto.
- Posso ser sincero? Eu acho que logo vocês vão voltar.
- Por quê?
- Sua mãe nasceu e cresceu na cidade e você também, nunca se adaptariam aqui. Sabe o que as pessoas fazem no fim de semana? Elas vêm a Igreja. E durante a semana todas trabalham, e é só isso. Semana ruim, fins de semana piores ainda.
- Você não está me animando. – eu disse fazendo bico.
- Não estou querendo te animar mesmo. O seu lugar não é aqui, garota da cidade.
- Você deveria conversar com a minha mãe, sabe? Ela te ama, quem sabe você convença ela.
- Não sei se eu vou deixar você ir agora que você está aqui. Como está a Hanna?
Ah sim, Steve sempre teve uma paixonite pela Hanna, mas ela nunca deu bola para ele. Ficamos conversando até começar a escurecer e Steve me levou de volta para casa, já que eu não sabia direito como chegar até lá.
Minha primeira semana naquela nova cidade se resumiu a isso. Eu saia com Steve, arrumava a casa, conversava com as meninas pelo telefone. Agora faltavam apenas duas semanas para o show, e segundo , ela havia conseguido que o carro viesse me buscar na metade do caminho, eu só precisava dar um jeito de chegar até lá. O carro não poderia vir até a minha casa para que a minha mãe não visse.

- Você vai ao show do McFLY? – Steve perguntou e eu assenti com a cabeça. Estávamos sentados em um dos canteiros da praça aonde algumas crianças brincavam naquela quarta de manhã.
- Não sei porque eu não estou surpreso. – ele disse e riu. – Como você vai chegar lá?
- Não sei, preciso pensar ainda. – eu disse mexendo na grama. – E você? O que vai fazer no fim de semana?
- Bem, meu pai vai viajar com a namorada dele e eu vou ficar sozinho o fim de semana todo, não é demais?
- Eu queria ter essa chance. – respondi emburrada.
- Sua mãe não te deixou ir ao show?
- Não, mas eu ganhei a promoção e posso ir de graça.
- Você não acha coincidência vocês se mudarem logo agora? Alguns dias antes do show? Sua mãe deve estar querendo evitar exatamente que você fuja.
- É claro que não Steve...
- Mas você ia fugir, não ia? Se vai fugir daqui.
- Ia, – eu respondi sem graça. – mas ela nunca se mudaria de cidade só por causa de um show, isso seria meio irracional.
- Quem sabe... Me paga um sorvete?
- Você é o cavalheiro aqui, é você que devia me pagar um Steve!
- Eu sei, mas eu estou sem dinheiro. Te pago uma coca-cola mais tarde!
- Ok – nós levantamos e fomos apostando corrida até a lanchonete.
Steve estava se mostrando um ótimo amigo, eu nunca ficava em casa sozinha com a minha mãe escutando as lamurias dela. Ou eu estava na casa de Steve o ajudando a cuidar de Kevin, seu irmão mais novo, ou estávamos na praça, no jardim da igreja ou na lanchonete.
Naquele dia eu cheguei em casa tarde, pois eu e Steve havíamos levado Kevin para ver uma peça de teatro que as crianças da escola comunitária estavam organizando. Caminhei pelo gramado vagarosamente e abri a porta, estava tudo escuro. Eu já ia subindo para o meu quarto quando escutei um barulho e a voz da minha mãe.
- Eu sei, mas eu não posso deixá-la ir a esse show de jeito nenhum! Como não pode fazer nada? Eu sei que ela vai dar um jeito, Rudolph. Eu conheço bem essa menina, eu sei que mesmo depois dessa mudança ridícula ela vai dar um jeito de fugir, porque quando ela quer uma coisa, ela insiste até conseguir.
- Não, Rudolph, eu me mudei por isso mesmo. Ele não pode chegar perto dela, entendeu? De jeito nenhum! Aquele moleque usava fraldas até esses dias e agora acha que pode estragar tudo? Isso não vai acontecer, não mesmo.
Eu não estava entendendo nada, quem era Rudolph? A rena do Papai Noel? E quem era “aquele moleque”? Eu estava tão concentrada na conversa que não percebi Tickles, o nosso novo gato, se aproximando.
- não pode nem desconfiar sobre a verdade, Rudolph. E se ela for a esse show, já era! Ela vai descobrir a verdade e nunca mais vai olhar na minha cara, por que você não entende isso?
Tickles miou alto e eu me chutei por dentro, por que aquele gato precisava aparecer logo agora? Eu sempre gostei mais dos cachorros.
Minha mãe acendeu a luz e eu subi correndo para o quarto, se ela descobrisse que eu estava ouvindo os telefonemas dela eu ia estar ferrada. Entrei no banheiro e fingi estar tomando banho quando ela abriu a porta do quarto e chamou o meu nome.
- ?
- Estou aqui, mãe, no banheiro.
- Eu não vi você chegar...
- Eu cheguei faz tempo, estava vendo televisão.
- Certo – ela disse e eu ouvi a porta sendo fechada.
Ok, agora era oficial. Eu precisava ir a aquele show e descobrir qual era o tal segredo que todo mundo sabia, menos eu.

Capítulo 7

Me joguei na cama exausta, sentindo o meu corpo protestar e olhei para a janela que ficava em cima da mesma. A noite estava clara e cheia de estrelas, como se alguém tivesse jogado purpurina sobre um fundo azul-marinho. Fechei os olhos e respirei fundo, já era sexta feira e eu nem tinha percebido. Um dia, eu só tinha 24 horas e ainda não tinha decidido como chegar até o lugar combinado.
Tentando não pensar mais nisso, liguei o iPod no aleatório e a música era Therapy, do All Time Low.
- In a city of fools I was careful and cool, but they tore me apart, like a hurricane. A handful of moments I wished I could change, but I was carried away – cantarolei e achei aquilo um pouco irônico. - give me therapy, I'm a walking travesty but I'm smiling at everything. Therapy, you were never a friend to me and you can keep all your misery. *
Na verdade eu estava confusa, não sabia o que eu estava sentindo. Era um misto de medo, ansiedade e curiosidade, tinha medo do que eu poderia descobrir. Nunca pensei em minha mãe guardando segredos de mim, nunca sequer desconfiei que ela me escondesse alguma coisa. E ela parecia tão agressiva com aquele assunto! Não, eu ainda não havia me esquecido do telefonema dela. Eu sabia que sair da cidade não ia ser fácil, mas eu estava achando cada vez mais impossível.
Meu celular tocava insistentemente na mesinha, mas eu não estava com vontade nenhuma de me levantar e atender, eu não queria falar com ninguém. Às vezes eu me sentia melhor sozinha, e esse era um dos momentos. Alguns minutos depois ouvi um barulho no quintal, uma risada e alguma coisa atingindo a minha janela, me ajoelhei na cama e gargalhei quando identifiquei Steve em meio a escuridão.
- O que você está fazendo? – perguntei em meio a sussurros e gargalhadas.
- Vim te buscar! – ele respondeu rindo também e apontou para o carro.
Steve estava em pé em cima algumas caixas vazias que desabaram quando ele tentou se mexer e ele riu mais ainda.
- Você está bem? – eu gritei preocupada. – Se machucou?
- Não se preocupa, eu estou bem – ele disse se levantando e tirando a grama da calça. – Vem, , eu estou te esperando.
Peguei o celular e a chave de casa e desci correndo. Tranquei a porta e vi Steve encostado no tal carro.
- É seu? – perguntei me referindo a ele.
- Não, é do meu pai! Ele viajou de ônibus e eu fiquei com o carro, não é demais?
- Claro, Steve, isso é ótimo.
Entramos no carro e Steve ligou o rádio.
- PINCH ME, IS THIS REAL? I’M ON A ONE WAY OUT OF LOSERVILLE, NOW I’M OFF THE SOCIAL FLAT LINE, THINGS ARE SO GOOD THAT I’M TAKING DOWN UM STAR TREK SHRINE AND YOU’RE MORE THAN JUST MY VALENTINE, YOU’RE MY TICKET OUTTA LOSERVILLE! – Cantamos juntos e rimos. Costumávamos ouvir Son Of Dork e eu vivia implicando com o Steve por causa do Steve Rushton.
- She gives me butterflies, says I'm not like all the other guys. Doesn't care what car I drive, she still enjoys the ride – ele cantou, olhando para mim e eu corei. Era impressão minha ou estava rolando um clima?
- Para onde está me levando? – Perguntei tentando mudar de assunto.
- Para a praça. – ele disse rapidamente e eu assenti, que diabos estava acontecendo com Steve? Ele parecia nervoso.
Steve estacionou o carro e fomos em direção ao parque onde algumas crianças ainda brincavam e nos sentamos nos balanços vagos. Falamos sobre algumas coisas até que eu decidi perguntar o que estava acontecendo. Steve parecia nervoso, só respondia em monossílabos e parecia não estar prestando atenção.
- Steve, aconteceu alguma coisa? Você parece nervoso.
- Erm, ... Eu queria te dizer uma coisa, mas não sei se devo.
- Fala, Steve, eu não mordo. – brinquei e ele sorriu sem graça.
- Sabe, desde que você chegou eu tenho sentido alguma coisa especial por você, é como se você tivesse trago a alegria de volta para a minha vida sabe? Eu, eu nem queria te dizer isso, mas estava me deixando sufocado, . Eu acho que estou gostando de você.
Ah não, essa agora não.
- Steve – eu disse respirando fundo e olhando em seus olhos. – Uau, eu nunca pensei que um dia você fosse me falar isso. Mas é que você sabe o quanto eu sou complicada! Eu não quero te magoar, então pelo seu bem, não me leve a sério, ok? – Steve abaixou a cabeça e meu coração se apertou.
- Sinto muito, muito mesmo – eu o abracei e ele me deu um beijo na bochecha.
Eu não queria ver Steve triste, mas eu era mesmo uma pessoa bem complicada. Eu sabia que se desse esperanças a ele, ele sofreria mais e isso acabaria comigo, mas eu sentia que eu não estava preparada.
Segurei seu rosto entre as minhas mãos e lhe dei um selinho carinhoso, aquele tipo de selinho que você dá em alguém para demonstrar carinho e nada mais. Ele pareceu entender o recado. Nos levantamos e fomos para a lanchonete, aliás, era isso que nós fazíamos a noite.
Cheguei em casa tarde e encontrei a minha mãe sentada no sofá com cara de poucos amigos.
- Aonde você estava?
- Eu sai com o Steve, ele queria falar comigo.
- , você tem noção de como eu fiquei preocupada, sua irresponsável?
- Mas, mãe, eu...
- tentei me explicar mas ela me interrompeu. - Você simplesmente sumiu! Você tem me trazido muitos problemas e eu só me mudei pra cá e trouxe você comigo para ver se eu conseguia dar um jeito em você, mas parece impossível. Eu não agüento mais a sua falta de responsabilidade! Você não sabe o quanto você tem arruinado a minha vida, ela é assim por culpa sua! Eu não tenho dinheiro, não tenho um namorado, não tenho família e a culpa é sua! A culpa é toda sua.
Tentei falar de novamente, mas ela se levantou. Dei alguns passos para trás quando ela veio em minha direção e ela respirou fundo, tentando se controlar.
- Agora você vai subir para o seu quarto e só vai sair a hora que eu mandar.
Respirei fundo e sai pisando duro para o meu quarto, abri a porta e bati com força e segurando as lágrimas que estavam entaladas em minha garganta. Será que aquilo poderia ficar pior?

’s POV.

- Calça jeans, camiseta, baquetas – eu dizia em voz alta conferindo as coisas que estavam dentro da minha mala. – sutiã? Não, isso não – e joguei o maldito no chão, de quem era aquilo?
A ansiedade só crescia dentro de mim, faltavam um pouco mais de 12 horas para eu embarcar para a América do Sul. Fechei a mala e a deixei em um canto do quarto. Eu sabia que teria que conferir de novo depois, porque eu sempre esquecia alguma coisa, da última vez eu não levei cuecas e tive que passar uma semana usando a mesma, sim, foi nojento.
- , entrou no quarto me assustando.
- Oi, , as palavras “campainha” ou “bater” e “porta” não te dizem nada?
- Toc toc – ele acrescentou e se sentou na minha cama. – Preparado?
- Ansioso. – respondi passando as mãos pelos cabelos.
- Espero que você tenha colocado as cuecas dessa vez...
- Eu coloquei, . O que você veio fazer aqui?
- perguntei mal humorado, eu não estava bom para gracinhas hoje. - Nossa, , quanta delicadeza com o seu coleguinha! Eu vim te avisar que é pra você não se atrasar, o vôo sai às 19h em ponto.
- Obrigado, , mais alguma coisa?
- Nossa, o que aconteceu com você? Que mau humor, puta que pariu. – reclamou e eu dei de ombros.
- Não aconteceu nada – eu disse colocando o carregador do meu celular que ainda estava em cima da cômoda dentro da mala. – só a mesma coisa de sempre.
- Ansiedade, nervosismo e medo?
- Sim, só o de sempre. Nós vamos ganhar um Xbox de novo? Eu ainda não acabei com a raça do no Tekken 6.

Verifiquei o relógio e constatei que já eram quase 19h, puta que pariu, não ia dar tempo.
- Escuta, será que não dá pra ir mais rápido? – perguntei ao taxista e ele negou com a cabeça.
Bufei e encostei a cabeça na janela, observando o vai e vem das pessoas nas ruas de Londres. Fechei os olhos e meu coração disparava a cada vez que eu me lembrava que faltava pouco... Faltava muito pouco. Sorri fraco quando pensei nisso, só mais algumas horas... O toque do meu celular me tirou dos meus devaneios e eu atendi rapidamente quando vi que era o .
- Oi? – respondi.
- , cadê você? Não vai dar tempo de fazer o check-in, o aeroporto está lotado.
- Eu estou preso no trânsito, . O que você quer que eu faça?
- resmunguei, esticando o pescoço para ver se o trânsito andava, nada. - Alguma coisa, ! Vem a pé, você já está perto?
- Estou, faltam só duas quadras.
- Então, pega a sua bagagem e vem andando, mas não demora, já são 18:35.
Suspirei pesadamente, paguei ao motorista e fui andando para o aeroporto. Depois de 10 minutos eu já estava lá e avistei encostado em uma pilastra enquanto tomava alguma coisa em um copo de plástico.
- Cadê o ? – Perguntei assim que cheguei perto deles. deu de ombros, dizendo que não sabia de nada e eu olhei para .
- Está guardado um lugar pra você na fila do check-in. - ele respondeu e eu sorri em agradecimento.
Fiz o check-in, pegando a minha passagem e despachando minha bagagem, que eram só roupas, já que o nosso empresário já tinha despachado os nossos instrumentos no vôo anterior. Fui em direção aos portões de embarque e conferi em qual embarcaríamos. Me sentei em um dos bancos que estavam ali e sentou ao meu lado.
- Ansioso? – Perguntou e eu confirmei com a cabeça.
Alguns minutos se passaram até que vi uma atendente da companhia aérea checando os vôos e se aproximando do microfone para anunciar o nosso.
- Passageiros do vôo 547 rumo ao Brasil, favor se dirijam ao portão 4.
Respirei fundo e senti o meu coração apertado, faltava pouco, depois de esperar 15 anos, agora faltavam apenas 12 horas. A atendente anunciava o vôo novamente e e se levantaram, enquanto vinha correndo de algum lugar.
Passamos pelos portões de embarque e logo estávamos dentro do avião.

- Estou ficando enjoado – murmurou na cadeira atrás de mim e , que estava ao meu lado fez uma careta.
- , faz alguma coisa – resmungou e nós nos viramos para tentar acalmar o .
Depois de alguns minutos, parecia estar cada vez mais verde, até que passou uma aeromoça “bem dotada” e subitamente se levantou dizendo que ia até o banheiro.
- Esse é o nosso garoto. – eu disse, enquanto gargalhava e sorria torto.
Encostei a cabeça na janela observando as nuvens e não sei quanto tempo depois, adormeci com a imagem da em minha cabeça, estou chegando para te salvar, pensei e o meu coração pulou dentro do meu peito.

Acordei algum tempo depois com o pescoço duro por ter dormido em uma posição ruim e roncava ao meu lado, o cutuquei para que ele parasse e me levantei a fim de ir ao banheiro, passando pelos acentos de e que estavam vazios. Continuei meu percurso até o banheiro e encontrei na metade do caminho.
- Cadê o ? – Perguntei e ele riu.
- Digamos que a aeromoça gostosa gostou dele – ele respondeu e eu entendi.
Segui em direção ao banheiro e quando voltei, me sentei ao lado de já que estava no sétimo sono. estava assistindo Marvin e Eu e eu ri da cara de choro dele.
- Vai chorar com isso? – Perguntei e ele negou com a cabeça.
- Entrou alguma coisa no meu olho – ele respondeu esfregando os olhos e eu ri mais. – O que foi?
- Nada, zinho, nada.
Ficamos prestando atenção no filme por algum tempo até que acordou e começou a reclamar de fome.

Já eram quase 5 horas da manhã quando eu voltei para o meu acento e me acomodei para tentar dormir mais um pouco, afinal, eu não teria outra oportunidade. Coloquei os fones de ouvido e cantei a música que tocava.
- You're gonna make me, make me love you, nothing at all, nothing that I do. The promise I made, the promise I made, is starting to fade, starting to fade, babe – cantei The Promise das Girls Aloud e riu. - You're gonna make me, make me love you, nothing at all that I cannot do. The promise I made, the promise I made is starting to fade, starting to fade ** – cantei mais empolgado e logo já estava vermelho de tanto rir.
- Para, porra – ele disse e eu continuei, até que o homem que estava sentado a nossa frente nos olhou com uma expressão nada amigável e eu parei.
- Deveríamos fazer um cover disso – sussurrou e eu concordei.
- Gosto delas, são gostosas.
Ficamos em silêncio durante algum tempo até que um de cabelos bagunçados, roupas amassadas e lábios inchados apareceu no corredor e se sentou ao lado de novamente.
- That uniform you're wearing, so hot I can't stop staring, you're putting on an awesome show, the cabin pressure's rising, my coke has got no ice in now – cantou baixinho e eu gargalhei. - Air hostess, I like the way you dress, though I hate to fly but I feel much better occupied my mind writing you a love letter – ele continuou e foi ficando vermelho. - I messed my pants when we flew over France will I see you soon in my hotel room for a holiday romance? Air hostess. ***
bateu no braço de e colocou o pequeno travesseiro que estava ali no rosto.
- Não fica com vergonha, disse – Estamos orgulhosos de você.
O bom de zoar o era que ele sempre pegava pilha e sempre ficava com vergonha, por isso às vezes nós exagerávamos na dose.
Fiz o mesmo que esperando que a hora passasse rápido e quando percebi, estava dormindo. Acordei algum tempo depois com alguém cutucando o meu braço e resmunguei, tirou o travesseiro dos meus olhos.
- Acorda, dude, já chegamos – ele disse e eu levantei em um pulo – Opa.
Todos os passageiros estavam descendo do avião e quando eu finalmente pisei na pista de pouso e vi todas aquelas pessoas gritando pelo McFLY eu sorri. Acenei para algumas, dei alguns autógrafos e sorri para uma menina que parecia perdida e tentou agarrar o , como sempre. Logo estávamos indo para o hotel, agora faltavam só algumas horas, e eu finalmente a veria de novo.

*Em uma cidade de tolos, eu era cuidadoso e indiferente aas eles arrancaram uma parte de mim, como um furacão. Um punhado de momentos eu desejei poder mudar, mas eu fui levado para longe (...) Me dê terapia, eu sou uma farsa ambulante, mas eu estou sorrindo para tudo. Terapia, você nunca foi uma amiga pra mim, e você pode continuar com toda sua miséria.

**Porque, você me faz, me faz amar você, nada de nada, nada que eu faça. A promessa que eu fiz, a promessa que eu fiz, começou a desaparecer, começou a desaparecer, babe (...) Você me faz, me faz amar você, nada que eu não possa fazer, a promessa que eu fiz, a promessa que eu fiz, começou a desaparecer, começou a desaparecer.

*** Esse uniforme que você está vestindo, tão sexy, não consigo parar de olhar, você está fazendo um autêntico show, a cabina de pressão está quase a rebentar, minha coca-cola já não tem gelo (...) Aeromoça, eu gosto da sua maneira de vestir, sabe eu odeio voar mas eu me sinto tão melhor ao ocupar minha mente escrevendo a você uma carta de amor (...) Eu me caguei quando voamos pela França mas vou vê-la em breve, no meu quarto no hotel para uma noite de romance? Aeromoça.

Capítulo 8

A claridade me incomodava e alguma coisa em algum lugar fazia um “zun zun” irritante. Coloquei o travesseiro no rosto a fim de tapar a claridade que vinha da maldita janela aberta e abafar o barulho, mas não adiantou em nada. Meti a mão na mesinha que estava ao lado da minha cama e derrubei tudo para que o barulho passasse; logo após percebi que era o meu celular vibrando, levantei correndo e o procurei. Achei-o caído no chão no meio das minhas roupas da noite anterior.
- Fala. – resmunguei esfregando os olhos e voltando a me sentar na cama.
- Já resolveu? – Emma perguntou do outro lado da linha e eu bufei.
- Nada Emma, ainda não sei o que fazer.
- Eles chegaram hoje de manhã, você precisava ver a loucura, amiga! Tinha tanta gente no aeroporto, cara, e a Amy se perdeu lá no meio daquele monte de gente e foi parar perto do , acredita ?
- Sério ? – eu ri imaginando a cena, tinha que ser a Amy.
- Aham! E para completar ela até agarrou ele, mas os seguranças tiraram ela de lá e ela deve estar chorando até agora.
- Coitada, pelo menos conseguiu tirar uma casquinha.
- Ela que é feliz. Se você não conseguir carona ou qualquer coisa assim até as 17:00, você nos liga e nós tentamos fazer alguma coisa, mas resolve isso logo.
- Vou fazer o que eu puder, Emma. – eu disse e desliguei.
Passei as mãos pelo rosto e pelo cabelo, que estava uma bagunça. Desisti de tudo e deitei de novo. Me assustei quando olhei para o lado e o relógio marcava 16:00 horas. Levantei correndo, coloquei um vestido qualquer e uma boina, calcei meu all star e fui correndo até a rodoviária checar os horários dos ônibus.
Xinguei baixinho quando via a tabela que dizia que o último ônibus que ia para a minha cidade já tinha saído. Fui até a lanchonete para colocar algo no estômago, pois eu não sabia se teria o que comer em casa. Quando estava voltando, ainda sem esperanças, para casa, passei pela rua de Steve e tive uma idéia.

- Steve, Steve ! – Eu batia nervosamente na porta da casa azul dele ao mesmo tempo que enviava uma mensagem para e Emma dizendo que eu já sabia como chegaria até a entrada da cidade.
- Tudo isso é amor ? – Steve perguntou ao abrir a porta sorridente e eu corei.
- Na verdade, é, um pouquinho ... – eu disse. – mas preciso de um favor seu.
- Entra. – ele disse dando espaço para que eu entrasse e eu me sentei no sofá, tirei a boina e prendi o cabelo em um coque frouxo. – Então ?
- Steve. – eu disse e respirei fundo, havia me esquecido de tudo o que acontecera ontem e estava começando a me sentir mal por estar me aproveitando disso. – Será que você pode me levar até a entrada da cidade ?
- Pra quê? Digo, não é meio longe, não ? O que você vai fazer lá sozinha? – ele me encheu de perguntas e eu o olhei, fazendo com que ele parasse.
- É que o show do McFLY é hoje, lembra que eu te disse que não poderia ir? – murmurei e ele assentiu. - Minhas amigas pediram para que o motorista da Universal viesse me buscar, mas ele só pode vir até a entrada da cidade para que a minha mãe não descubra.
- Olha, ...
- Steve, por favor ! Eu não estaria te pedindo isso se eu não estivesse desesperada, o carro vêm às 18:00 ! Por favor, eu te imploro. Você sabe o quanto eu ficaria feliz em ir a esse show e o quanto eu ficarei decepcionada se não for.
Steve passou as mãos nervosamente pelos cabelos e sorriu um pouco sem graça para mim. Meu coração bateu forte na esperança da resposta.
- Eu nunca negaria nada do que você me pedisse, . Mesmo estando proibido de ir até a estrada de carro, eu acho que posso fazer isso por você.
- Mesmo ? – perguntei com os olhos brilhando.
- Claro. – ele respondeu e eu o abracei em um impulso.
Steve beijou a minha testa e eu sorri.
- Mas agora... – ele disse e olhou as horas em seu relógio de pulso. – acho melhor você ir se arrumar, porque te conhecendo como eu conheço, você vai levar horas e horas na frente do espelho.

Cheguei em casa, abri a porta rapidamente e subi correndo para o meu quarto, jogando tudo o que eu precisava dentro da minha bolsa. Entrei no banheiro, tomei um banho bem demorado e só sai do chuveiro quando eu me sentia limpa o suficiente. Mandei uma mensagem para a dizendo que eu estava tudo certo e tirei todas as roupas do armário procurando alguma coisa que fosse bonita e confortável, porque eu ficaria horas e horas em pé naquele estádio. Quando finalmente achei a minha roupa, calcei meus sapatos e chequei o relógio; eu ainda tinha 15 minutos até Steve vir me buscar. Desci as escadas para beber água e comer uma maçã, não havia nenhum sinal da minha mãe e eu fiquei feliz com isso, afinal ela nunca iria me deixar sair de casa, principalmente hoje, no dia do show. Corri de volta para o banheiro para passar um gloss e um rímel e a buzina de Steve fez o meu coração disparar.
Resolvi deixar um bilhete para minha mãe dizendo que eu estava saindo e que não demoraria, eu só não sabia se aquilo era verdade. Fechei a porta rapidamente, chutei a chave para debaixo do tapete e avistei Steve encostado na porta do carro e sorrindo para mim.
- Wow. – ele disse assim que me viu. – Você está linda, pretende se casar ainda esta noite?
- Bobão. – eu disse batendo de leve em seu braço. – Vamos ?
- Como quiser, madame.
Entrei no carro e logo depois Steve entrou. Ficamos algum tempo em silêncio até que eu decidi tocar naquele assunto.
- Steve?
- Hmm... – ele respondeu fazendo um barulhinho com a boca.
- Me desculpa? – pedi com o coração na mão e ele me olhou parecendo confuso.
- Te desculpar ?
- Eu ... Você é o melhor amigo que alguém pode ter Steve, mesmo. Eu não quero te ver sofrendo e saber que é por minha causa, mesmo sabendo que você é muito menos emocional e sentimental do que eu. Obrigada por estar me ajudando com isso, mesmo, eu não sei o que seria de mim sem a sua ajuda agora.
Steve sorriu e segurou uma de minhas mãos.
– Não se preocupe, , não aconteceu nada, ok ? – ele disse e piscou, me fazendo sorrir. – Somos amigos, vou estar sempre aqui para te ajudar e fim da história.
- Obrigada. – disse sinceramente e ele apertou a minha mão.
- Não há de que.
- Posso ouvir Son of Dork ? – perguntei rindo e ele concordou.
Se passaram quase 30 minutos até que nós chegamos à entrada da cidade, lá havia uma placa dizendo: Bem Vindos a Gramados.
Agora sim eu entendia porque a cidade se chamava Gramados.
Esperamos alguns minutos até que eu avistei faróis ao longe e meu coração bateu forte. Olhei para Steve que estava olhando para o nada e um Honda Civic Preto se aproximou. Uma de shorts, meia calça preta, uma blusa listrada de azul marinho e uma jaqueta da mesma cor desceu do carro e veio correndo em minha direção.
- ! – Ela gritou assim que me viu e me abraçou forte. – Senti sua falta, sua vaca.
- Eu também, amiga. – eu respondi enquanto ria e beijei sua bochecha.
Ela também abraçou Steve e correu de volta para o carro.
– Anda logo, , estamos atrasadas. – gritou e fechou a porta.
Steve sorriu para mim, me dando forças e eu o abracei, não precisávamos de muitas palavras. Segui correndo para o carro preto que estava a minha espera e ele gritou um “bom show”. Abri a porta de trás do carro e me sentei ao lado de , que conversava animadamente com o motorista.
- Então você é a ? – Perguntou o velinho simpático e eu disse que sim. – Você é muito especial para muitas pessoas, sabe. Pessoas que moveram o mundo para que você fosse a esse show hoje.
- Eu sei... – respondi sorrindo. – Eu também faria tudo por minhas amigas. sorriu para mim, apertando minhas mãos e eu retribui o gesto.
- Mas eu não estou falando sobre suas amigas. – o motorista disse e eu fiquei confusa. – Você logo vai descobrir querida.
Olhei confusa para e ela deu de ombros, levantando suas mãos e me mostrando que estavam tremendo.
- Nervosa ? – Perguntei e ela afirmou com a cabeça. – Não é só você.
- Eles estavam tão lindos no aeroporto hoje, , você não faz idéia ! O me deu um autógrafo, acredita ? – ela disse e retirou um pedaço de papel da bolsa aonde eu pude ver um rabisco indefinido. – E depois me deu um beijo na bochecha!
- Nossa, imagina como você não vai ficar quando nós encontrarmos eles no camarim.
- E você, sua idiota ? Você deveria estar mais nervosa do que eu! A ganhadora da promoção foi você, você tem mais privilégios!
- O que você quer dizer ? Que é hoje que eu pego o de jeito?
- Deveria se. – ela respondeu e riu. – Acho melhor você armar uma estratégia aí.
Ficamos conversando durante algum tempo e eu contei a ela as novidades, contei sobre Steve, sobre o telefonema da minha mãe, sobre a nova cidade. Ela concordou com e me apoiou por não ter ficado com Steve só por estar me sentindo sozinha naquela cidade. Era bom ver a minha amiga depois dessas semanas - que foram tão longas que pareceram anos.
Por incrível que pareça, o tempo passou rápido e quando eu percebi, já estávamos perto da casa de .
- Que horas são ? – Perguntei, me sobressaltando. – Nós voamos!
- Já são 20:30 horas. – ela respondeu e riu da cara que eu fiz.
- Tudo isso?
- Uhum. – ela concordou com a cabeça e logo pediu ao motorista que passasse nas casas de Amy, Emma e Hanna, o explicando o caminho.
Passamos para pegar cada uma delas e, sinceramente, se eu fosse homem teria pegado todas.
Elas sorriram para mim e me abraçaram como se não me vissem há anos e não algumas semanas. Fomos até o estádio cantando e eu fiquei enchendo o saco da Amy por causa do episódio com o .
- Eu não o agarrei, calúnia ! – Ela dizia numa tentativa de se defender enquanto Emma ria. – Você é uma mentirosa, Emma.
- Nós vimos, Amy ! – disse e Amy já estava ficando roxa. – Não nega, vai.
- STILL WANNA BE, CORRUPTED! – Hanna gritou de repente e nós rimos. Como eu sentira falta delas.

Roger (o motorista) parou em frente ao estádio e a minha frequência cardíaca aumentou consideravelmente; não parecia ser só eu, as meninas também estavam com expressões sôfregas. Roger saiu do carro e abriu a porta para nós, encarei o estádio iluminado a minha frente e senti minhas pernas fraquejarem. Desci vagarosamente, tentando não cair e sorriu para mim, parecia que o show já estava quase começando porque a gritaria naquele lugar estava fora do normal. Roger pediu que esperássemos e alguns minutos depois surgiram vários seguranças grandes e fortes. Eles nos acompanharam até a parte de trás do estádio. Os seguranças checaram os nossos passes Vips e logo entramos por uma porta que dava em um longo corredor branco e com vários outros seguranças igualmente grandes e fortes.
Meu coração estava batendo tão forte e tão rápido que eu fiquei envergonhada, tive medo que alguém pudesse ouvi-lo. Amy e Emma vinham conversando animadamente e mexendo com os seguranças que nem davam bola para elas enquanto passava as mãos nervosamente nos cabelos e fazia uma cara engraçada. Hanna falava com alguém no celular e eu estava simplesmente tentando parar de tremer e não pensar na vontade de sair correndo dali. Havia várias portas que levavam a outros corredores e eu sabia que se eu estivesse sozinha, iria me perder facilmente ali, isso seria bem a minha cara, mas acho que eu ficaria feliz se por acaso me perdesse e fosse achada por um dos meninos...
Epa, foco .
Paramos em frente a uma porta na qual estava escrito “McFLY”, os seguranças bateram na porta e alguém gritou um “entra”. Eles nos deixaram e seguiram pelo corredor enquanto eu as meninas nos olhamos.
- Abre a porta, . – Amy disse com a voz falha e eu não conseguia me mover. – Você está bem ?
- Estou. – respondi, respirando fundo e tentando controlar minhas emoções.
- Você está verde, . – Hanna disse rindo.
As coisas ao meu redor estavam começando a rodar. Eu comecei a suar frio e minha cabeça a doer.
- Anda, , eu estou nervosa. – Emma disse, tentando ajeitar os cabelos.
Amy pegou um espelhinho de dentro de sua bolsa para ver seu rosto e passou a mão nas bochechas, falando palavras incompreensíveis enquanto eu via duas s passando gloss.
- Ei, vocês estão ouvindo ? – Amy cochichou. – A voz deles.
Elas pararam um pouco de falar e conseguimos ouvir alguns ruídos vindos de trás da porta.
- Acho que o está mais perto. - Amy disse encostando a orelha para ouvir.
Meu estômago estava revirando e eu não sabia se conseguiria ficar em pé por muito tempo, então eu apoiei minha testa na porta.
- Anda logo, , estou tendo um ataque do coração. – Emma disse e várias coisas aconteceram ao mesmo tempo.
A hora que eu decidi abrir a porta e girei a maçaneta, alguém do lado de dentro abriu também e eu caí por estar apoiada nela e ter ficado sem equilíbrio. Logo depois tudo foi ficando preto e eu acho que desmaiei.

Capítulo 9
(Coloque para carregar: Because Of You – Kelly Clarkson)

”There are things that we don’t want to happen but have to accept, things we don’t want to know but have to learn, people we can’t live without but have to let go and unkown people we have to trust.”
(Existem coisas que nós não queremos que aconteçam mas temos que aceitar, coisas que não sabemos mas temos que aprender, pessoas que não podemos viver sem mas temos que deixá-las ir e pessoas desconhecidas que devemos confiar.)


Acordei e senti uma superfície macia abaixo de mim. Tudo estava silencioso, eu ainda não sabia ao certo aonde estava e o que havia acontecido, mas eu sentia minha cabeça latejando. Alguém estava sussurrando alguma coisa que eu não entendia e, quando eu abri meus olhos, me dei conta que estava em uma espécie de... Camarim ?
Me levantei para poder olhar ao redor e alguém me forçou a deitar de novo e eu quase enfartei quando vi que era o .
- ? – Perguntei e minha voz saiu falha.
- Oi. – ele disse, sorrindo torto e eu tive que me segurar para continuar acordada. – Você ainda não pode levantar, fica aí quietinha.
Show. McFLY. Camarote. Porta. Passando mal. Desmaiar.
Olhei para os lados e vi , , Amy e Emma sentados em um enorme sofá branco do outro lado do cômodo enquanto Hanna comia um salgadinho encostada na parede. Logo que as meninas viram que eu estava acordada, as atenções foram voltadas para mim e segundos depois estavam todas quase me sufocando.
- VOCÊ ESTÁ BEM ? – Amy e Hanna gritavam e faziam uma zona danada enquanto tentava tira-las de perto de mim.
- Será que vocês podem se acalmar ? – perguntou enquanto as meninas o olhavam fazendo caretas.
- A gente não deveria chamar o Ha... Médico ? – perguntou ainda sentado no sofá.
- Mas a gente não pode sair daqui. – respondeu e eu olhei para as meninas esperando descobrir alguma coisa. - Acho que não precisamos de um médico, como você se sente ? – ele perguntou, se abaixando perto de mim e ficou ao lado de .
- Eu estou bem, eu acho. – Respondi e logo notei que a não estava ali. – Cadê a ?
e se entreolharam e logo depois a porta foi aberta revelando uma apavorada e um tenso. Logo que viram que eu estava acordada, eles correram em minha direção e me abraçou forte.
- O que houve, ? – Perguntei e ela negou com a cabeça, sussurrando que não era nada.
Vi Amy e Hanna se entreolharem e suspirar baixo, enquanto se levantava e cochichava alguma coisa em voz baixa com o . Olhei para e ele sorriu para mim e piscou, pelo menos alguém ainda estava agindo normalmente.
- ... – finalmente falou, mas sua voz estava fraca. – Como você está se sentindo ?
- Eu estou ótima! – eu estava, tirando a minha dor de cabeça.
- Tem certeza ? – Emma perguntou e eu concordei, me levantando um pouco rápido demais e quase caindo em seguida.
- Dá pra ver que você está bem.– disse ironicamente.
- Mas eu estou! – insisti enquanto tentava ficar em pé novamente, até que eu consegui e sorri para eles feito uma criança teimosa.
- ... – falou comigo pela primeira vez e se aproximou, hesitando um pouco. – O que você está sentindo, de verdade?
Não sei o que deu em mim, mas eu não consegui mentir para ele, saiu sem que eu pensasse.
- Minha cabeça está doendo. – reclamei, mordendo os lábios.
- Certo, vou chamar um médio. – ele disse e antes que eu pudesse responder, já estava indo em direção a porta.
Ele voltou alguns minutos depois com um médico em seu encalço e o mesmo me examinou, mexeu daqui e dali e disse que a minha cabeça só estava um pouco dolorida por causa da pancada. Ele me fez tomar um remédio para dor e eu tomei, logo eu não estava sentindo mais nada.

Faltavam 15 minutos para o show, os meninos estavam se preparando e eu continuava sentada no sofá, apesar de não estar sentindo mais nada, só porque eu estava sendo obrigada. Eu ainda estava tentando me acostumar com a idéia de estar no mesmo cômodo que o , quer dizer, no camarim do McFLY. estava sentada ao meu lado no sofá e parecia que ia chorar a qualquer momento, Amy mexia nos cabelos incontrolavelmente em sinal de nervoso, Emma conversava com outra fã que estava ali e Hanna parecia não se importar com nada, ela continuava concentrada no pacote de batatas. Eu queria chamar a em um canto e perguntar o que estava acontecendo, mas eu não conseguia encontrar uma maneira, eu sabia que ela nunca estaria assim tão “mal” só por causa do McFLY. - Eu vou ao banheiro. – eu disse me levantando e desejando com todas as forças que ela entendeu o recado.
- Eu vou com você. – e ela entendeu.
Caminhamos pelo corredor até chegar ao banheiro e logo que entramos, eu perguntei a ela:
- Você não está assim tão nervosa por causa do show, está ? Ela hesitou um pouco antes de responder. Passou a mão pelos cabelos, arrumou a roupa e retocou a maquiagem.
- Claro que estou, , larga de ser paranóica.
- ... – eu disse tentando ser firme ou, pelo menos, controlar a vontade de gritar com ela e dizer que estava mentindo. – , eu te conheço desde quando mesmo? Ah sim, desde quando você nasceu. Eu sei tudo sobre você, até que você beijou aquele garoto que vivia cheio de meleca na 5ª série. E sei também que você só fica nervosa quando é alguma coisa extremamente importante. Será que você quer mesmo mentir pra mim?
- E você acha que esse show não é importante, amiga? É a oportunidade das nossas vidas! Isso nunca mais vai acontecer, você não fica nervosa só em pensar nisso?
- Eu fico, mais é que...
- Eu nunca esconderia nada de você, , nada mesmo! Você sabe que desde os primeiros meses nas barrigas das mamães nós somos amigas, então pelo o amor de Deus, confia em mim. – ela disse me abraçando forte. – Eu te amo, eu só quero o seu bem. Por favor, confia em mim, amiga.
- Eu confio. – sussurrei e sorri para ela.
Voltamos para o camarim e logo que chegamos, eles já estavam quase entrando no palco. , e subiram correndo as escadas e que ficou por último, fez algo que eu não entendi. Ele se aproximou de mim e um pouco vacilante me abraçou forte, saindo logo depois atrás dos outros. Meu coração batia forte e as minhas mãos estavam um pouco trêmulas. Olhei para as meninas e só Emma me olhava estranho, logo chegou alguém da produção e nós fomos levadas para um camarote bem perto do palco.

Logo que a introdução de Party Girl ecoou pelo estádio, a gritaria começou e eu senti algo que a algum tempo não sentia, felicidade. Fechei os olhos com força tentando de qualquer maneira, me lembrar daquele momento para sempre. Logo em seguida começaram Nowhere Left To Run e If U C Kate.
- IF YOU LEAVE ME, I WOULD DIEEEEEEEEEEE. – eu e as meninas cantávamos em coro e caíamos na gargalhada logo depois.
Então eles cantaram That’s The Truth e Transylvania. Em Lies, uma das minhas favoritas, muitas vezes eu tive a impressão de ver o olhando para mim, mas no final eu achei que fosse só paranóia minha mesmo, afinal, eu tinha batido a cabeça, né? Não poderia estar lá tão normal.
Logo vieram Corrupted, Falling in Love e I Need A Woman.
Meus ouvidos quase explodiram quando cantou “I, I need a woman, not any woman but a woman who needs me too, so how about you ?” e é claro que eu também quase morri com a expressão sexy que ele fez.
Ainda faltavam algumas músicas para o show acabar e eu não aguentava mais falar, minha garganta doía e meus pés também, o sapato estava os esmagando.
Amy e Emma já haviam bebido todo o tipo de bebida alcoólica que nos serviram e não estavam mais tão lúcidas, se abraçavam e caiam na gargalhada sem nenhum motivo aparente. continuava séria mas tentava disfarçar ao máximo e Emma tinha um olhar sôfrego como eu. Sorri para elas e fiz sinal de que ia ao banheiro e já voltava, era uma pena ter que perder uma parte de End Of The World por causa disso, mas eu já não estava aguentando. Corri o máximo que pude, fiz minhas necessidades em velocidade recorde e logo eu já estava de volta ao nosso camarote.

’s POV

Observei a correndo desajeitadamente até o banheiro e o peso em minha consciência quase me esmagou, me deixou sem ar. Bem, deixem-me explicar antes de começarem a julgar e dizer que eu sou uma traidora, porque eu jamais trairia a confiança da minha melhor amiga.

Flashback on – Alguns minutos antes.

- ! – gritou desesperando enquanto carregava a minha amiga desmaiada até o sofá. Ele parecia estar a beira de um colapso e eu não entendi muito bem, até que gritou e pediu para alguém tirá-lo dali. Como eu era quem estava mais perto, puxei pelo braço até o corredor onde estávamos a alguns minutos atrás antes de abrir a porta e desmaiar. se jogou no chão com força e eu não sabia o que fazer, então me sentei ao lado dele e ofereci uma garrafa de água que estava dentro da minha bolsa para que ele se acalmasse. Ele bebeu tudo em uma rapidez impressionante e eu já não sabia mais o que fazer.
- ... – ele sussurrou meu nome e eu me assustei ao saber que ele sabia qual era.
- Sim? – respondi vacilante.
- A estava passando mal antes de chegar aqui ? – perguntou com os olhos fechados.
- Ela disse que estava um pouco tonta...
- Mas isso já aconteceu antes ?
- Ela costuma passar mal quando ela está nervosa, .
Ele pareceu se acalmar um pouco quando eu disse isso, mas ainda estava com uma postura tensa.
- . – eu comecei sem saber o que dizer. – Quer conversar?
Ele me olhou por um instante e pareceu ponderar se poderia me contar o motivo daquela preocupação. Acho que ele concluiu que sim, porque minutos depois ele já estava me contado tudo. Quando ele terminou de contar eu estava sem reação, eu tinha a sensação de que estava em um livro, ou em uma coisa muito irreal.
- Você só pode estar brincando. – eu disse, sentindo todo o meu corpo tremer e ele riu amargamente.
- Como eu queria que isso fosse uma brincadeira.
- ... Eu não sei o que te dizer. – e eu não sabia mesmo.
- Não diga nada, , não precisa tentar me consolar.
- Mas eu quero, quero te ajudar. Como você pretende contar isso a ela?
- Você quer mesmo me ajudar? – ele perguntou, parecendo surpreso e eu assenti. – Eu não sei como posso contar isso a ela.
- A é uma das pessoas mais doces e sinceras que eu conheço, . Não sei se ela vai te ouvir e acreditar em você, mas você precisa tentar. Você não sabe o quanto ela sofre, , o quanto a “mãe” dela a faz sofrer. Acho que ela ficaria bem mal se descobrisse tudo isso, mas com algum tempo ela deve aceitar. E não se preocupe, você é um dos ídolos dela, acho que a última coisa que ela vai fazer vai ser te odiar.
- Você acha?
- Claro que sim, , eu tenho certeza.
- Vou contar a ela depois do show, então. Obrigado, . Não só por ter me acalmado e por ter me dito isso, mas obrigado também por ter cuidado da minha menininha durante todo esse tempo.

Flashback Off

Engoli o nó que se formava em minha garganta e tentei disfarçar ao máximo toda a minha preocupação durante o show inteiro. O confiou em mim me contando tudo aquilo e eu não podia decepcioná-lo.

’s POV

Quando eu retornei ao camarote, End Of The World já estava acabando e continuava fitando o nada. Decidi parar de me preocupar, pois era só isso que eu fazia a vida toda, eu me preocupava, mas essa noite era especial. Eu e Amy fizemos uma dancinha engraçada em Smile e eu chorei tanto em Star Girl e Five Colours In Her Hair que eu sentia que não havia mais água nenhuma no meu corpo. Quando eles tocaram All About You e pediram que nós abraçássemos quem estava ao nosso lado, eu e as meninas nos abraçamos e ficamos assim até o final da música. Assim que eles anunciaram que The Last Song seria a última música, eu queria voltar no tempo. Queria voltar aquele mês, aquela semana, aquele dia. É sempre assim? As coisas boas sempre acabam tão rápido?
Quando a música acabou, os seguranças que estavam na porta não nos deixaram sair e 10 minutos depois eles voltaram cantando One For The Radio, The Heart Never Lies e Shine A Light. As lágrimas em meus olhos continuavam a cair, mas agora eram de felicidade. Eu me sentia leve, realizada e completa. Aquela fora uma das melhores noites da minha vida e eu gostaria de nunca mais poder esquecê-la, de nunca esquecer aquela sensação.
Dez minutos depois, um dos seguranças veio nos buscar para nos levar de volta até o carro, minha garganta ainda ardia e meus pés formigavam. Mas ele não nos levou de volta ao carro, mas sim de volta ao camarim, o que me deixou um tanto surpresa.
Dessa vez as meninas não deixaram que eu abrisse a porta, ou batesse, elas simplesmente foram entrando como se já fossem íntimas.
estava jogado no sofá vendo um canal de clipes que passava na televisão, estava deitado no chão com uma expressão de dor, estava bebendo água e andando para lá e para cá sem camisa... Epa, sem camisa? Quando reparei que ele estava com a barriga à mostra, eu me perdi olhando para ele, até que Hanna sussurrou em meu ouvido para que eu fechasse a boca (é, ela estava aberta) e eu me dei conta de que estava olhando por tempo demais e ele estava olhando para mim. Logo que eu acordei do meu transe, ele sorriu e piscou e eu desviei o olhar, sentindo o rosto queimar; eu tinha que pagar um mico.
Quando fiz isso, vi que conversava algo com em voz baixa e ela tinha uma expressão desesperada. Assim que ela viu que eu estava olhando, ela balançou a cabeça e se sentou ao lado de , que agora estava jogando vídeo game.
Sorri para que estava me olhando com a sobrancelha arqueada e ele sorriu de volta, vindo sentar-se ao meu lado.
- Está se sentindo melhor?
- Estou, obrigada . – agradeci e ele piscou para mim.
Fiquei olhando para ele durante um tempo e reparando que ele era realmente parecido comigo, só que os meus olhos eram um pouco mais escuros.
- Estou com fome! – disse, passando a mão pela barriga. – Quero pizza.
- Gordo! – brincou e riu alto.
- Droga, se eu disser que também estou fome, eu também vou ser gorda? – Emma gemeu e eu ri. – Tá rindo de que, ? Eu não comi a dispensa inteira antes de sair de casa.
- E eu não comi! – respondi ofendida. – Comi a sua, mas isso não conta.
Eles riram e eu fiquei com vergonha, eu nunca fui de comer muito, só quando eu estava ansiosa.
- Então a faz parte do time que só não engorda de ruim? – perguntou em tom de brincadeira e eu sorri amarelo. – Bem vinda ao clube.
- Ei, eu não como tanto assim. – reclamei. – A Emma é muito exagerada.
- EU ESTOU COM FOOOOOOOOOOOOOOME. – gritou de novo.
- Cara, para de reclamar, isso é falta de educação. Parece até que você não tem comida em casa! – disse.
- Mas eu não tenho casa... Não aqui.
- Será que dá para nós irmos logo ? – disse e todos saíram, menos eu.
- ? – chamou e eu neguei com a cabeça.
- Eu não sei se eu posso... – respondi e eles olharam para mim.
- Por que não? – perguntou e as meninas olharam para mim.
- Ela nem deve ter sentido a sua falta ainda, . – Amy disse, entendendo o porquê de eu não querer ir.
- Ela quem? – perguntou de novo, agora chegando mais perto.
- A minha mãe. – respondi pesarosa.
- Ela não sabe que você está aqui? – perguntou e eu neguei com a cabeça.
- Você fugiu? – Foi a vez de perguntar e eu assenti com a cabeça de novo.
- Bom. – disse, chegando perto de mim e passando o braço pelos meus ombros. – Acho que nós podemos dar um jeito nisso depois. Você quer ir?
- Quero. – respondi simplesmente. Eu não sabia de onde vinha essa confiança que eu tinha nele, mas, sinceramente, eu não queria saber.
- Então vamos. – ele disse e me puxou pela mão.
Eu fui com , , e Emma em um carro e , , Amy e Hanna foram em outro. Eu e tentamos explicar a , que estava dirigindo, o caminho mas era quase impossível com a gritaria de Emma e cantando The Verve.
- CAUSE IT’S A BITTERSWEET SYMPHONY THIS LIIIIIIIIIIFE. – Os dois cantavam e como estava sentada entre eles no banco de trás do carro, eu já estava quase surda.
- SERÁ QUE DÁ PRA PARAR? – gritou de repente e tudo ficou silencioso. – Obrigado.
- Vire à direita, . – orientou e ele obedeceu. – Agora vire à esquerda.
Senti o meu celular vibrando no bolso da frente e a voz do John O’Callaghan começou a cantar Don’t Stop Now. Meu coração disparou e eu prendi a respiração.
Com as mãos tremendo eu peguei o celular no bolso e li o visor. É claro que era ela e é claro que a essa altura ela já havia sentido a minha falta e estava pirando.
- ... – a chamei com a voz falha e baixa e, não sei como, ela me ouviu.
e Emma trocaram um olhar de pânico e eu respirei fundo tentando não chorar ou jogar o celular pela janela para que algum carro passasse por cima.
- Atende, . – Emma sugeriu e eu neguei com a cabeça. – Vai ser melhor.
- Não vai, Emma ! – respondi e ela insistiu. – NÃO DÁ PORRA, ELA VAI ACABAR COM A MINHA VIDA!
me olhou aflito mesmo sem estar entendendo a situação e estendeu a mão para mim.
- Me dá o celular. – ele ordenou com a voz grave e eu o olhei. – Anda, , me dá o celular.
Olhei para Emma e vi que ela estava tão confusa quanto eu, mas sorriu para mim e assentiu com a cabeça, então eu o entreguei o celular.
- Boa noite. – ele atendeu e eu tremi por dentro e por fora. – Ah, me desculpe, a está ocupada no momento, quer deixar recado? – ele disse e depois desligou.
Olhei para ele fazendo careta e ele sorriu para mim com uma expressão calma. Passei as mãos no rosto e fiquei olhando as pessoas que passavam na rua pela janela do carro, até que ele parou em frente à pizzaria e nós descemos.
, , Amy e Hanna já estavam lá e eu sorri para elas, tentando parecer calma; elas sorriram de volta.
Sentamo-nos em uma mesa afastada - porque haviam muitas pessoas olhando para nós - e fizemos o pedido. Meu coração ainda batia forte e minhas mãos estavam trêmulas, eu sabia o que me esperava quando eu chegasse em casa. Suspirei alto e joguei a cabeça para trás, tentando não chamar minha atenção, mas é claro que , que estava ao meu lado, viu.
Ele olhou para mim, eu via a preocupação em seus olhos e, antes que ele pudesse perguntar, eu respondi em voz baixa:
- Eu estou bem.
Ele não pareceu acreditar, mas mesmo assim concordou com a cabeça. Logo que as pizzas chegaram Amy, Hanna e Emma já estavam íntimas dos meninos, por incrível que pareça. Só eu e estávamos caladas e às vezes eu pegava olhando para mim com curiosidade. Meu celular tocou mais algumas vezes em cima da mesa e a cada vez que ele tocava, o meu desespero aumentava e, consequentemente, meus batimentos cardíacos. Eu não sabia o que fazer, mas eu não queria voltar para casa porque eu sabia que seria a minha sentença de morte.
me olhou agoniada quando o celular tocou pela sexta vez e eu devolvi o olhar a ela. De repente, se levantou e pediu que eu o seguisse.
Saímos da pizzaria e ficamos encostados na parede. Eu observava os carros passando pela avenida movimentada enquanto conversava energeticamente com alguém ao telefone, ele falava tão rápido que o meu inglês não era capaz de traduzir, mas ele parecia estar brigando com alguém. Ele desligou, olhou para mim com uma expressão que eu não consegui decifrar e sorriu. Seus olhos eram confiantes e brilhavam, ele parecia feliz.
- ... – ele falou enquanto guardava o celular no bolso. – Você vai para casa ?
- Eu não sei. – respondi. – Pode ser pior se eu for, mas de qualquer jeito um dia eu vou ter que chegar em casa, não posso dormir na casa da para sempre.
Ele me olhou por um tempo e pareceu estar pensando, até que perguntou:
- Você pode dormir com a gente no hotel, se você quiser... Mas só se você quiser, certo? Você e as meninas...
- Você não entende. – sussurrei, sentindo as lágrimas em meus olhos. – A minha mãe nunca vai me perdoar por ter desobedecido às ordens dela. Ela vai me humilhar, vai pisar em mim e vai me dar um castigo que eu nunca vou esquecer em toda a minha vida. Isso se ela não me expulsar de casa de novo...
- Ela já te expulsou ? – sua expressão mudou, ele parecia chocado.
- Já. – respondi, sentindo que uma lágrima cairia em breve. – E não foi só uma vez.
Eu mal havia terminado de falar e ele me abraçou forte. Sim, ele me abraçou.
Respirei fundo contra o seu peito, sentindo seu perfume e a minha lágrima teimosa caiu, deixando um pontinho molhado em sua blusa preta. Qual é, eu conhecia o há menos de 24 horas e já estava contando os dramas da minha vida para ele. Ele só não era um estranho porque eu era sua fã, mas quem me garantia que ele era uma pessoa confiável? Senti um aperto no coração ao pensar nisso, é claro que ele era confiável. Se ele não fosse, não estaria aqui comigo me ouvindo e me chamando para dormir no hotel dele. Ou então ele era um pedófilo e... Ok, parei. Eu o soltei quando vi que os outros estavam saindo. Amy, Hanna e Emma me olharam apavoradas e sorriu para mim, parecendo aprovar o que eu estava fazendo. sussurrou alguma coisa no ouvido de que negou com a cabeça, enquanto e já estavam do outro lado da rua entrando no carro.
- E então... ? – perguntou e eu sorri para ele, o que ele entendeu como um sim.
- O quê? – Amy perguntou tentando disfarçar sua curiosidade.
- Vocês vão dormir no hotel com a gente. – respondeu e as meninas deram pulinhos de alegria.
- Sério? – Emma perguntou e concordou com a cabeça.
Logo Amy e Hanna saíram correndo atrás de e , enquanto eu, Emma e íamos atrás de e . Emma, e entraram no carro e logo depois eu pedi a que me deixasse ficar na janela; ele concordou rindo.
- Caramba, o lado sem infância da voltou. – brincou e eu dei a língua.
- . – disse do banco de trás. – Coloca The Used.
- Eca! – eu disse e olhou para mim como se eu fosse um ET.
- Não gosta? – Ele perguntou e eu neguei com a cabeça, com um sorriso sapeca.
- Mentira. – Emma disse, rindo alto. – Ela ama.

Seguimos para o hotel e, logo que chegamos lá, havia um pequeno tumulto de várias meninas gritando e chorando. Confesso que fiquei com pena dos meninos, porque elas eram muitas e muito escandalosas. e nos ajudaram a correr até a porta do hotel e voltaram para terminar de falar com as fãs, mas ficou com a gente.
- Não vai lá falar com elas? – Amy perguntou e ele negou.
- Alguém precisa tomar conta de vocês...
- E esse alguém é você? – Emma perguntou na maior cara de pau.
- Acha que eu não dou conta? – ele perguntou e depois disso eu não prestei mais atenção na conversa.
Uma mulher de blusa vermelha entrava no hall do hotel gritando muito e por alguns instantes eu fiquei assustada. Ela parecia estar muito brava e dizia que ia matar alguém... Seu cabelo era preto e quando eu pude ver seu rosto, estava vermelho de raiva. Aquela mulher me lembrava alguém e quando eu a vi vindo em minha direção, eu me dei conta de quem era. É, pessoal, era a minha mãe.
Dei um passo para trás tentando fugir mas não havia nada além da parede atrás de mim, de um pequeno sofá e uma mesa de vidro. olhava a cena perplexa e antes que eu pudesse perceber, ela já estava na minha frente.
- Então, aí está você. – ela disse com a voz transbordando malícia e o meu coração batia a mil.
- É, parece que sim. – eu disse calculando se daria tempo para eu correr e, antes que eu pudesse pensar, ela me bateu.
Senti meu rosto arder e cambaleei para trás, caindo no chão e batendo a cabeça na mesinha de vidro que estava ali ao lado do sofá. Amy e me ajudaram a levantar enquanto ficava na minha frente. Senti uma coisa quente escorrendo pelo meu couro cabeludo e pelo meu rosto e, quando passei a mão, estava sangrando.
- COMO VOCÊ PÔDE FAZER ISSO? – gritava em um inglês rápido demais para mim e avançava para cima dela.
Emma tentou segurá-lo mas foi impossível, já que ele tinha o dobro de força.
- E VOCÊ, SEU BASTARDO, QUE ROUBOU A MINHA FILHA DE MIM?
- EU ROUBEI A SUA FILHA DE VOCÊ? NÃO FOI VOCÊ QUE ROUBOU A MINHA IRMÃ DE MIM?
Minha visão estava turva e eu não entendia nada do que eles falavam, eu estava a ponto de gritar de tanta dor. Quem era a irmã do ?
- EU NÃO ROUBEI NADA DE NINGUÉM, !
- VOCÊ ME ROUBOU A !
- O quê? – tentei gritar, mas tudo o que saiu foi um gemido de dor indefinido.
Cambaleei um pouco mais para o lado e antes que Emma me segurasse, me abraçou de lado e eu pude ver sua camisa ficando toda manchada de sangue. Eca.
- VOCÊ NÃO CONTOU A ELA? AINDA NÃO? – Minha mãe perguntou e eu fechei os olhos com força.
- Contou o quê ? – tentei perguntar de novo e o gemido de dor saiu um pouco mais definido dessa vez.
- ESCUTA, POR QUE VOCÊ NÃO SOME? VOCÊ JÁ NÃO TEVE TUDO O QUE QUERIA? – gritava furiosamente e eu vi , e se aproximarem correndo. – VOCÊ JÁ NÃO TEVE TODO O DINHEIRO DA MINHA MÃE?
- SUMIR? SE EU TIVESSE SUMIDO HÁ ALGUM TEMPO ATRÁS, EU APOSTO QUE A SUA IRMÃZINHA ESTARIA EM UM ORFANATO JUNTO COM VOCÊ !
- PELO MENOS ELA ESTARIA FELIZ! – Ele respondeu e olhava para mim desesperada. fez sinal para um grupo de seguranças que estavam parados na porta e logo eles vieram em nossa direção.
- E ELA NÃO É FELIZ?
- VOCÊ QUER MESMO QUE EU RESPONDA? – parecia prestes a explodir a qualquer momento até que os seguranças pegaram a minha mãe pelo braço e a levaram embora, mas não antes de ela me fazer uma ameaça.
- E você, queridinha... – ela disse, apontando o dedo na minha cara. – Não pense que vai ser feliz para sempre, porque você não vai. Eu vou acabar com a sua vida e vou te seguir até o inferno se for necessário. – e então ela foi levada embora.
Olhei ao redor e todos pareciam ter parado para prestar atenção àquela cena.
Alguns flashes vinham do lado de fora e todos me olhavam apreensivos, talvez esperando que eu fosse atrás dela ou então que eu socasse a cara do .
- ? – Ele me olhava com os olhos apreensivos.
Eu não sabia o que dizer. Eu não sabia direito sobre o que eles estavam falando, mas eu tinha certeza que era sobre mim. Minha cabeça doía alucinadamente e eu não conseguia pensar direito.
- Me explica. – pedi aos sussurros a ele, que assentiu.
me puxou pela mão e me levou até o elevador. Subimos em silêncio até o sétimo andar e andamos por um longo corredor cheio de seguranças (para variar).
Paramos em frente ao quarto 709 e ele abriu a porta para mim. O quarto era algumas vezes maior do que a minha casa, mas eu não me importei muito com isso, na verdade eu já imaginava, eles não dormiriam em um lugar qualquer.
- , você não quer cuidar desse corte primeiro? Não está te incomodando?
- Não, eu estou bem. – murmurei.
- Certo. – ele disse, sentando-se na cama de casal que estava ali e fazendo sinal para eu sentar ao seu lado. – Eu só preciso que você me ouça, certo? Você não precisa gostar de mim ou não, na verdade eu não quero te forçar a nada, eu só preciso que você saiba.
- Tudo bem. – respondi, passando as mãos pelo rosto, tentando me livrar das lágrimas e do sangue.
Ele respirou fundo e continuou:
- Minha mãe era uma violoncelista em uma famosa orquestra de Londres e o meu pai era vocalista de uma banda chamada Nasa. Eles se conheceram em uma noite e, acredite ou não, na outra já estavam casados. O meu avô foi contra esse casamento e expulsou a minha mãe de casa e assim ela foi morar com o meu pai em uma casinha de dois quartos em Essex. Eu posso dizer que durante um tempo eles foram felizes, é claro. Um ano depois desse casamento, eu nasci e cinco anos depois nasceu a minha irmã. Enquanto isso, a minha mãe retomou à brilhante carreira e isso subiu à cabeça do meu pai. Ele ficou nervoso porque a minha mãe sempre foi dona de uma herança inestimável que o meu avô deixara para ela e ele não tinha nada. Então ele começou a beber, a usar drogas e a bater na minha mãe. É claro que a minha mãe nunca se importou com isso, com esse maldito dinheiro, porque ela nunca ligou para bens materiais... Mas meu pai ligava, ele era egoísta. – nesse momento, eu jurei ver uma lágrima percorrendo seu rosto, mas ele logo as secou. - Há 15 anos, minha mãe descobriu que tinha câncer. Ela não hesitou em contar ao meu pai e quando fez isso, ele largou tudo e deixou a minha mãe lá, sofrendo e sozinha. Alguns meses depois, eu descobri que ele tinha uma amante, mas isso não importa agora... Minha mãe se sacrificava para cuidar dos filhos e não tinha a ajuda de ninguém. Só alguns vizinhos nos ajudavam e um amigo do meu pai da banda que sempre foi muito próximo. Ela cuidava da casa, dos filhos e fazia o que podia para conseguir dinheiro, já que o meu avô disse que nunca mais ela veria um centavo do seu dinheiro e agora ela não conseguia mais trabalhar. Três anos depois, ela morreu. – falava isso e olhava para o nada, como se estivesse revivendo aquele momento. Eu era capaz de ver a dor em seus olhos. – Eu nunca sofri tanto em toda a minha vida. As pessoas ao meu redor me falavam que era melhor, que ela iria descansar, mas eu não achava tudo isso tão fácil. Eu era só um moleque de sete anos, com uma irmã de dois, sem ninguém no mundo e com muita responsabilidade nas costas. Alguns dias depois do enterro, creio que uma semana depois, meu pai reapareceu com a nova esposa dele. Eles levaram a minha irmã e me mandaram para um colégio interno, que era quase como um orfanato mesmo, só que eu não poderia ser adotado, porque eu tinha um pai vivo. Logo depois eu soube que o meu pai se separou da tal mulher e que ela ficou com a minha irmã, a levando para longe de mim. – me olhou e sorri docemente. – E depois disso, eu dediquei a minha vida a encontrá-la. 10 anos depois eu entrei para o McFLY e as coisas começaram a andar mais rápido do que eu imaginava, sabe? Quando você fica rico e famoso, as coisas começam a ficar mais fáceis. Então eu descobri que a minha irmã estava viva e isso foi como uma luz na minha vida. Tudo o que eu fazia era por ela, para poder encontrá-la. Descobri que ela morava no Brasil e que, por incrível que pareça, gostava do McFLY. – antes que ele pudesse terminar, eu interrompi.
- A amante do seu pai era a... – acho que até esse momento estava óbvio que a irmã dele era eu.
- Era, era aquela que você achava que era sua mãe.
Por um momento eu prendi a respiração e deixei que a cascata de lágrimas finalmente caísse. Eu ainda não sabia o que fazer, eu não sabia se deveria chorar ou sorrir. Então eu corri.
Corri do , corri de todas aquelas revelações e de tudo aquilo que parecia mentira. Corri da minha vida, ou da minha nova vida, daquilo que eu achava certo e do que eu achava errado.
Abri as portas do elevador com pressa e torcendo para que não viesse atrás de mim e no fundo eu sabia que ele não viria. Passei pelo hall do hotel ciente de todos que estavam lá e corri até a entrada, ou no caso, a saída. Alguns flashes me deixaram cega por um momento, mas eu não liguei, eu precisava sair dali, precisava pensar, colocar a cabeça em ordem.
Corri pela avenida movimentada com o vento gelado bagunçando meus cabelos e, quando já não me restava fôlego algum, parei um taxi e pedi para que ele me levasse para algum lugar. Eu não sabia para onde ir, eu não tinha mais casa, não tinha mais família. Minha cabeça ainda doía, o frio que entrava pela janela do carro me dava sensação de solidão e a escuridão da noite parecia vazia.
Quando eu finalmente pedi para que ele fosse para minha antiga casa, paguei ao motorista com o dinheiro que estava em meu bolso e desci. A casa ainda estava a mesma coisa de três semanas atrás, mas eu ainda não sabia como entrar sem a chave e eu tinha medo de que Judith me achasse aqui, mas não tive escolha. Andei pelo quintal procurando alguma coisa que fosse capaz de quebrar o vidro da janela da sala, a minha velha amiga e quando achei uma pedra grande o suficiente, a joguei com toda força contra o vidro, que se espatifou em mil pedacinhos. Impulsionei-me para dentro e logo eu já estava dentro de casa. Tudo estava escuro e alguns móveis ainda estavam ali, como o sofá que agora estava rasgado em alguns lugares, a geladeira que não continha nada dentro e o colchão da minha antiga cama, que estava encostado na parede da sala e todo empoeirado. Decidi não ligar luz alguma para que não causar suspeitas em quem passasse na rua, afinal todos sabiam de nossa mudança.
Peguei o colchão e o arrastei escada acima, o colocando no meu antigo quarto e indo ao banheiro para ver como estava a minha situação.
Minha maquiagem estava borrada, meu rosto ainda estava sujo de sangue e os meus cabelos estavam parecendo feno. Joguei um pouco de água no rosto e voltei ao quarto, sentando no colchão e quase morrendo asfixiada com a quantidade de poeira que ele tinha.
Encostei a cabeça cuidadosamente na parede e as palavras de vieram à tona com mais força do que antes.
“Eu posso dizer que durante um tempo eles foram felizes, é claro. Um ano depois desse casamento eu nasci e cinco anos depois nasceu a minha irmã.”
“Há 15 anos, minha mãe descobriu que tinha câncer. Ela não hesitou em contar ao meu pai e, quando fez isso, ele largou tudo e deixou a minha mãe lá, sofrendo e sozinha.”
“Eu era só um moleque de 7 anos, com uma irmã de 2, sem ninguém no mundo e com muita responsabilidade nas costas.”
“Eles levaram a minha irmã e me mandaram para um colégio interno.”
“Meu pai se separou da tal mulher e ela ficou com a minha irmã e a levou para longe de mim.”

Solucei alto e enfiei o rosto no colchão imundo. Eu era adotada, eu nunca fora filha de verdade da minha mãe. Ela tinha ficado comigo quase por obrigação e era por isso que ela parecia me detestar tanto, ela só queria ficar comigo para ficar com o dinheiro que um dia foi do meu avô e da minha mãe, mas agora era meu e do . Ao longe eu conseguia ouvir Because of You, da Kelly Clarkson tocando. Era incrível como eu sempre me identificara com aquela música. (Coloquem para tocar !)
I will not make
Eu não cometerei
The same mistakes that you did
Os mesmos erros que você
I will not let myself
Eu mesma não me deixarei
Cause my heart so much misery
Causar tanto sofrimento ao meu coração

Meus soluços estavam ficando incontroláveis e eu já não conseguia respirar direito. Os momentos que passei com a minha mãe vieram em minha memória muito rápido e não foram só os momentos felizes. Sua voz vinha em minha cabeça e eu me sentia tonta, eu poderia vomitar a qualquer momento.

I will not break
Eu não vou me permitir
The way you did, you fell so hard
O jeito que você fez, você se machucou profundamente
I've learned the hard way
Eu aprendi da maneira difícil
To never let it get that far
a nunca me deixar chegar até esse ponto

Me lembrei de todas as vezes que ela me machucara, que me humilhara. Quase todos os dias eu tinha medo de sair de casa e não saber o que encontraria quando eu voltasse, em alguns momentos ela era uma e em outros ela era uma pessoa completamente diferente. Eu nunca deixara que ninguém soubesse disso, muito menos que me ajudassem, eu sabia que a dor era minha, então eu devia cuidar dela sozinha.

Because of you
Por sua causa
I never stray too far from the sidewalk
Eu nunca ando muito longe da calçada
Because of you
Por sua causa
I learned to play on the safe side so I don't get hurt
Eu aprendi a jogar do lado seguro assim eu não me machuco
Because of you
Por sua causa
I find it hard to trust not only me, but everyone around me
Eu acho difícil confiar não só em mim, mas em todos a minha volta
Because of you I am afraid
Por causa de você eu tenho medo

Respirei fundo tentando me controlar um pouco e observei a lua.
Minha vida era uma mentira, eu não era quem eu sempre achara que fosse e eu me sentia fraca. Me sentia inútil, sentia medo. Eu queria ser protegida, queria ter alguém com quem eu pudesse contar, alguém que não me deixaria com medo, alguém que não me bateria ou me expulsaria de casa porque ela simplesmente estava “infeliz”.

I lose my way
Eu perco meu caminho
And it's not too long before you point it out
E não leva muito até você mencionar isso
I cannot cry
Eu não posso chorar
Because I know that's weakness in your eyes
Porque eu sei que isso é fraqueza nos seus olhos

Eu sempre fora fraca, nunca tive forças para lutar. Passei as mãos pelos cabelos que caiam em meu rosto e a imagem de veio a minha mente. Lembrei de tudo o que ele passou para poder me ver de novo e o meu choro ficou cada vez mais forte. Eu queria ser forte e queria poder aceitar, mas não era tudo assim tão fácil. Eu era egoísta e racional demais, eu nunca pensei no sofrimento dos outros, só no meu. Ele não merecia uma irmã como eu, ele merecia alguém melhor, alguém que fosse cuidar dele.

I'm forced to fake
Eu sou forçada a fingir
A smile, a laugh, every day of my life
um sorriso, uma risada todos os dias da minha vida
My heart can't possibly break
Meu coração não pode quebrar
When it wasn't even whole to start with
Quando não estava inteiro para começar

Eu sempre fui tão maltratada, sempre apanhei tanto da vida e nunca precisei depender de ninguém para me virar, eu aprendi a não ser doce e amável e na maioria das vezes, eu nem sabia como tratar as pessoas. E agora eu não tinha mais casa e nem uma mãe, apesar de a Judith nunca ter sido minha mãe. Não entre todos aqueles gritos e aquelas ameaças, entre todos aqueles machucados - tanto internos quanto externos. Chorei ainda mais quando me lembrei daquilo tudo, de como era a minha vida até a noite passada.

Because of you
Por sua causa
I never stray too far from the sidewalk
Eu nunca ando muito longe da calçada
Because of you
Por sua causa
I learned to play on the safe side so I don't get hurt
Eu aprendi a jogar do lado seguro assim eu não me machuco
Because of you
Por sua causa
I find it hard to trust not only me, but everyone around me
Eu acho difícil confiar não só em mim, mas em todos a minha volta
Because of you I am afraid
Por causa de você eu tenho medo

Eu queria mudar, eu queria ser feliz. Mesmo sabendo que a vida de ninguém era como um conto de fadas, eu não teria escolha. Eu ficaria com o , se ele me quisesse, e tocaria a minha vida; esforçar-me-ia para algum dia ser boa o suficiente para ele. Eu queria que ele se orgulhasse de mim, já que ninguém nunca fez isso em toda a minha vida. Eu sempre fora a errada, a diferente, aquela que nunca fazia as coisas do jeito certo e que só arrumava problemas. Pelo menos agora eu já sabia da verdade, eu já sabia quem eu realmente era.

I watched you die
Eu assisti você morrer
I heard you cry every night in your sleep
Eu ouvi você chorar toda noite no seu sono
I was so young
Eu era tão jovem
You should have known better than to lean on me
Você deveria saber mais do que apenas contar comigo
You never thought of anyone else
Você nunca pensou nos outros
You just saw your pain
Você só viu sua dor
And now I cry in the middle of the night
E agora eu choro no meio da noite
For the same damn thing
Pelo mesmo maldito motivo

Lembrei-me de todas as vezes que eu a via trancada, chorando em seu quarto e eu era obrigada a ter que aguentar tudo aquilo. Era eu quem a ajudava, quem pagava as contas, quem cuidava da casa e depois ela só me agradecia me deixando com medo, me deixando desesperada. Ela nunca pensara na minha dor, nunca pensava no quanto eu sofria a vendo daquele jeito. Agora eu não sabia se o que ela sentia era arrependimento por ter cuidado de mim ou por ter me tirado da minha “família”. Ou aquilo tudo poderia ser simplesmente um teatrinho para me fazer perder a cabeça.

Because of you
Por sua causa
I never stray too far from the sidewalk
Eu nunca ando muito longe da calçada
Because of you
Por causa de você
I learned to play on the safe side so I don't get hurt
Eu aprendi a jogar do lado seguro, assim eu não me machuco
Because of you
Por sua causa
I try my hardest just to forget everything
Eu dou o meu melhor, apenas para esquecer tudo
Because of you
Por causa de você
I don't know how to let anyone else in
Eu não sei como deixar alguém se aproximar de mim
Because of you
Por sua causa
I'm ashamed of my life because it's empty
Eu estou envergonhada da minha vida, porque ela está vazia
Because of you I am afraid
Por sua causa eu tenho medo

Eu queria esquecer aquilo tudo, queria começar uma vida nova. Queria superar, deixar para trás e permitir que as pessoas se aproximem. Minha vida estava vazia agora; eu precisava achar um sentindo para ela urgentemente e, antes que eu desistisse de mim, que explicasse o que estava acontecendo. Sabia que era normal eu me sentir confusa, mas queria superar aquilo. Eu daria sim uma chance ao ... Talvez não só uma, mas todas, porque eu sabia que agora eu não teria mais volta, só ele iria conseguir me consertar, a não ser que eu não tivesse mais conserto.

Because of you (x2)
Por sua causa (2x)

Eu já estava parando de chorar, finalmente. Meus músculos doíam, minha boca estava seca, meus olhos estavam inchados e meu coração estava acelerado. Tudo doía, até respirar. Minha mente revivera automaticamente todos os meus momentos ruins e aquela dor antiga me deixava assustada. O corte em minha cabeça estava ardendo e eu já não sentia o meu corpo. Era tudo tão irreal, parecia um livro, um filme ou uma série de televisão. Sorri amargamente ao pensar nisso. Antes fosse, pelo menos o meu final feliz estaria garantido.
Passei as mãos pelo rosto tentando enxugar, em vão, minhas lágrimas que agora caíam sem ao menos um motivo.

A chuva estava começando a cair forte do lado de fora e vários raios cortavam o céu.
Respirei pesadamente sentindo o peito doer e me levantei, decidida a fazer aquele chuveiro funcionar e quando a água finalmente começou a cair dentro do box, eu entrei rapidamente sem pensar em nada. A água fria bateu em minha pele quente e eu me arrepiei, mas eu precisava tirar toda aquela sujeira de dentro e de fora.
Me lavei apenas com a água, pois não havia shampoo ou sabonete e saí, me secando com uma toalha encardida que estava esquecida ali. Prendi o cabelo pois não havia a menor condição de penteá-los e vesti a roupa que estava comigo antes. Voltei para o quarto e o meu estômago roncou, droga, eu não havia comido nem meio pedaço da pizza.
Desci correndo para a cozinha torcendo para conseguir encontrar alguma coisa e enquanto eu vasculhava os armários, um barulho vindo da sala me sobressaltou.
Pareciam ser passos e eu tremi só em pensar que poderia ser a Judith e no que ela poderia fazer. Escondi-me ao lado da geladeira; quando a pessoa parecia estar chegando perto de onde eu estava, me encolhi e esta acendeu a luz.
Tentei me encolher um pouco mais, mas esbarrei em alguma coisa que estava atrás de mim e um grito ficou preso em minha garganta quando puxaram o meu braço e eu fiquei frente à frente com a pessoa.

Capítulo 10
(Coloquem para baixar se quiserem Too Close for Comfort e Shine a Light (acústicas no piano))


- PORRA ! – gritei e ele riu.
Safado, cachorro, como ele me assusta assim?
- O que você está fazendo aqui? – perguntei e coloquei as mãos no coração tentando me acalmar.
- Estou tomando conta de você. – ele respondeu simplesmente e sorriu.
- Tomando conta de mim, ?
- É, quando você saiu correndo do hotel, ninguém foi atrás de você. Então, como você não voltou mais, eu perguntei à aonde você poderia estar e aqui estou eu.
- E como você entrou aqui?
- Pela porta. – ele respondeu desconfiado. – Por quê ?
- Estava aberta? – escutei passos se aproximando de onde nós estávamos e alguém bateu palmas.
- Que cena bonitinha, o amiguinho salvando a menininha em apuros. - a voz de Judith fez com que eu me arrepiasse. - Jurava que ia ser o irmãozinho idiota que ia estar aqui, mas nunca me passou pela cabeça o amiguinho estúpido querendo agradar a garotinha indefesa. - encostou-se no batente da porta com um sorriso irônico em seu rosto.
- O que você está fazendo aqui? – perguntei.
- Tome cuidado, garota, ele só quer te levar pra cama. - seu olhar cínico passava de mim para . - Mas eu não acho que ela não vá se importar com isso. – completou em um tom decepcionado. [n/a : créditos à Anna Carolina rs]
Olhei incrédula para e ele riu.
- Talvez ela se importe, Judith. Mas agora, se você quiser nos dar licença, nós já estamos de saída.
- Ah, não. – ela disse e bloqueou a passagem. – A festa ainda nem começou !
se colocou na minha frente e em um golpe rápido, ela o empurrou e ele bateu a cabeça na pia atrás de mim, urrando de dor. Tentei ajudá-lo a levantar, mas eu não era forte o suficiente. Em pânico, vi que havia algo preso a sua cintura. Era uma pequeno, preto e tinha o formato de uma... arma ?
- Merda. – xinguei baixinho quando ela viu que eu estava olhando.
- Ah, então você descobriu meu novo brinquedinho? – ela perguntou e levou as mãos à cintura. – Sabe, foi um pouco de ingenuidade sua achar que viveria feliz para sempre. Que você fugiria de mim para o resto da vida, mas como sempre, você está enganada. Eu te acho, pirralha, eu sempre te acho.
- Claro, você é uma psicopata. – soltei sem pensar.
- Psicopata? – Ela fez uma careta. – Dificilmente.
- Bem, se você escolheu infernizar minha vida nos últimos 17 anos só porque você não gostava da minha mãe porque o meu pai a amava e não a você, você é sim.
- Ah, ... Tão burrinha, tão inocente, tão previsível ... Tão comum! Você não aprende mesmo, não é? Não aprende que nem todos são como você? Nem todos querem o bem das pessoas, nem todos lutam para salvar os golfinhos, nem todos se importam com o aquecimento global! Cresça, garota.
Ela se aproximou mais um pouco de onde nós estávamos e estava quase encostando em mim. Cheguei um pouco para a direita, assim estaria atrás de mim e ela não poderia machucá-lo de novo. Não havia nada que pudesse me defender, ou defender , que era a minha prioridade. Eu poderia morrer, mas não ele, ele não tinha nada a ver com a história, ele me conhecia há 24 horas!
Ela pegou a arma na cintura e girou-a entre seus dedos. Eu engoli seco e avistei um conjunto de facas que ficava em cima da pia e calculei se eu era rápida o suficiente para pegá-las.
- Vá lá e pegue a porcaria da faca! Se você quer tanto assim sair daqui viva, é claro. Mas ande logo, eu não tenho todo o tempo do mundo. – seus lábios se retorceram e por um instante, eu vi todo o mal que ela guardava dentro de si.
Quando eu tentei me esticar para pegar a faca, em um movimento rápido ela me empurrou e eu perdi o equilíbrio, caindo de costas contra a geladeira e perdendo o ar. Logo, ela estava em cima de mim e me estapeou com força. - Olha, eu disse que não tinha todo o tempo do mundo. Então, , por que não desiste logo e vai se juntar a sua mamãezinha, lá no céu? Não há mais nada que te interesse aqui.
Tentei me levantar, mas ela me empurrou de novo e puxou meus cabelos. Urrei de dor e fechei os olhos, tentando reencontrar o ar em meus pulmões.
Olhei para em pânico e vi que algo brilhante reluzia em suas mãos. Ele sorriu para mim e eu vi que era a arma de Judith que ele segurava, mas como?
Em uma fração de segundos, ele a puxou pelos cabelos e a jogou contra a parede. Ela o olhou estupefata e logo a puxou de novo.
- É a que você quer? – Perguntou em um tom ameaçador.
Ele a empurrou e eu mal acreditei quando ela atravessou a porta de vidro da cozinha. Ela ressurgiu suja de sangue e com a blusa rasgada e logo já a segurava de novo. Eu avistei uma tábua de carne jogada no chão e pisquei para ele, que pareceu entender, já que a apertou mais e sussurrou algo em seu ouvido.
Quando eu já estava perto o suficiente para poder golpeá-la na cabeça, ela se virou um pouco e eu sorri.
- Até mais. – e a golpeei.
Ela caiu no chão desacordada e uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
- ? – me chamou e me abraçou. – Calma, acabou.
- E agora? – perguntei. – Eu não a matei, matei?
- Deveria. – ele disse rindo. – Mas não, ela ainda está respirando.
Gemi e ele me olhou.
- O que foi? Tá doendo? – ele perguntou enquanto me analisava e eu neguei. – O que foi então?
- Eu não queria ter feito isso. Quer dizer, eu não queria machucá-la.
Ele me olhou, sorrindo e balançou a cabeça.
- Só você mesmo.
- Me empresta seu celular? – pedi e ele assentiu, me entregando.
Liguei para a emergência do hospital e pedi que viessem buscar Judith, eu não queria deixá-la ali.

O sol já estava nascendo e me olhava curiosamente enquanto nós caminhávamos de volta para o hotel de onde eles estavam hospedados, eu já estava ficando envergonhada.
- O que foi ? – perguntei enquanto passava as mãos pelo rosto. – Tô feia ?
Ele riu e me abraçou de lado.
- Não, eu só... Fiquei curioso. Por que você não queria machucá-la e por que você chamou a ambulância se ela já te fez sofrer tanto? Digo, ela quis te matar !
- Eu sei, mas eu nunca a faria mal por isso, . Ela já sofreu tanto e se não fosse ela, eu provavelmente estaria na rua. Apesar de tudo, ela cuidou de mim e só isso já está bom.
Ele me olhou por um tempo e sorriu.
- Agora eu acho que sei porque você é tão especial para tanta gente.
- Eu não sou especial.
- É sim.
- Não sou.
- É sim, e vamos parar por aqui.
Ficamos andando em silêncio durante mais algum tempo até que avistamos o hotel.
- Caramba. – eu murmurei e riu.
Haviam quase 300 pessoas em frente ao hotel, entre fotógrafos e fãs. Todos pareciam querer uma casquinha do McFLY e eu tremi.
- A gente entra por trás. – me tranquilizou.
Andamos entre os arbustos que estavam no canteiro e entramos no estacionamento escondidos atrás de um carro.
- Estou me sentindo um agente do FBI. – disse e eu ri.
- Como se você nunca tivesse feito isso, . A porta de trás do hotel estava aberta e havia um grupo de seguranças ali, sorriu para eles, agradeceu e nós entramos no hotel.
- ! – gritou e correu para me abraçar (lê-se sufocar).
- , você tá me amassando. – eu resmunguei e ele me soltou.
- Desculpe. – e sorriu amarelo. – Ela te machucou ?
Olhei de soslaio para , ele conversava com e .
- Você contou a ele. – eu acusei.
Ele levantou as mãos e disse:
- Culpado.
- Aonde estão as meninas, ? – perguntei, eu não havia visto nenhuma delas desde que eu chegara no hotel.
- Foram para casa da , elas não quiseram ficar aqui.
- Não quiseram? – perguntei chocada. – Por quê?
- Não sei. – ele deu de ombros. – Vem, você precisa descansar.
- Preciso de comida, o atrapalhou a minha refeição. – eu disse e riu.
- Ah, claro. Se eu não tivesse atrapalhado, a uma hora dessas a refeição seria você. - Precisa ficar jogando na cara, ? – murmurei ofendida e ele riu. Maldito.
- PODEMOS COMER AGORA ? – gritou.
- Você já não comeu ? – perguntou e deu de ombros. – Gordo.
- Será que vocês podem parar de me chamar de gordo ? – murmurou. – Que saco.
- Tadinho. – eu disse apertando suas bochechas e ele sorriu para mim. – Deixem o gordinho quieto.
- Caramba, ela é má. – disse e eu dei língua. – E o achando que você ia defendê-lo.
- Era só o que faltava, mais uma para implicar comigo. – disse e eu o abracei de lado. - Eu sou boazinha, zinho.
- Vamos? – perguntou e nós o seguimos até o restaurante.

Algumas horas depois, eu estava sentada no chão da sacada do quarto de observando o movimento lá em baixo. , e saíram para resolver os últimos detalhes do show em uma cidade próxima e haviam deixado o , sei lá por que, e sendo assim, eu estava morgando sozinha olhando as fãs enlouquecidas gritando o nome dele. Eu estava sentindo falta das minhas amigas, mas eu não sabia se queria vê-las ou não, eu ainda estava tentando me adaptar.
Eu estava tão distraída que me assustei quando sentou ao meu lado.
- Se eu soubesse que você estava aqui sozinha, eu não teria ficado jogando bolinhas de papel no teto por mais de duas horas, sabe. Achei que você estivesse com o .
- Eu não quis ir, eu ia atrapalhar.
- Que bom que você não foi, é chato.
Ficamos em silêncio durante algum tempo, até que perguntou:
- Dói? – disse apontando para o curativo na minha cabeça e para as raladuras em minha barriga.
- Não muito. – respondi.
Respirei fundo e olhei para o céu, o sol estava quase se pondo.
- Você não precisa esconder os seus sentimentos, . Não de mim. – o olhei sem entender. – Acho que eu sou seu amigo, certo ?
- Eu ainda não sei o que fazer. – assumi. – Eu não vou ter outra opção a não ser ir para Londres, então... Mas obrigada, , eu nem sei quem são meus amigos mais, eu não sei nem quem eu sou. – eu disse e ri. – Estou confusa.
Ele pegou minha mão e brincou com os meus dedos.
- Não acho que você seja a única, sabe. Todos ficamos confusos de vez em quando, mas com o tempo tudo vai ficar bem.
- Eu sei que vai, mas eu ainda não sei o que fazer da vida.
- Faz o que você achar certo. O nunca vai te obrigar a fazer nada que você não queira, então, se você não quiser ir para Londres, você não vai.
Olhei para ele, seus olhos eram calmos e confiantes.
- Eu não vou deixar o sozinho, não vou decepcioná-lo. – prometi mais para mim do que para ele.
- Eu sei. – ele disse e sorriu.
se deitou no chão duro ao meu lado e eu o olhei com curiosidade.
- Que foi? – perguntou.
- Nada, eu to cansada de não fazer nada.
- O que quer fazer?
- Você joga vídeo game?
Logo, eu e estávamos sentados em frente a televisão e xingando um ao outro com freqüência.
- AH, SEU IDIOTA ! – eu gritei quando ele me ganhou pela 3ª vez no Tekken. - Desculpa querida, mas eu sou melhor do que você.
- Ah, não é mesmo !
Jogamos mais alguns “rounds” e logo eu já havia o derrotado 4 vezes.
- AH NÃO, PARA, CARA, VOCÊ É UMA GAROTA!
- E daí? Garotas também jogam vídeo-game, em que mundo você vive, ?
- No mundo em que garotas jogam vídeo-games, não no mundo que garotas jogam vídeo-games e ganham.
- Machista. – resmungei e ele riu.
- Desculpa, é que as meninas que eu conheço só se importam com o peso e com a maquiagem, não com jogos de luta.
- Bem, a não ser que você não me considere uma garota... – eu disse e ele riu. – Eu jogo vídeo-game e estou te ganhando.
Alguns minutos depois, nós já estávamos nos xingando de novo quando abriu a porta.
- Olá, crianças. – ele disse e eu e demos língua. – O que foi? Dava para ouvir vocês gritando lá de baixo.
- Exagerado. – murmurou e eu ri. sentou entre nós no chão e pegou o controle da mão de .
- Posso? – Perguntou e assentiu.
Logo, já estava rindo do meu desespero.
- Merda, . – eu murmurei chorosa. – Não precisa humilhar.
Ele riu de mim e me abraçou de lado.
- Aí... – disse, se levantando. – Eu e a vamos sair.
- Vamos? – perguntei, levantando uma das sobrancelhas.
- Pensei que você estivesse reclamando por não ter nada para fazer, sabe. Você não vai querer ficar ai perdendo para o , vai ?
- Você não vai sair com a minha irmã, seu irresponsável. – disse e eu ri. – Eu também vou, chama o e o lá.
- Tá. – ele disse caminhando em direção a porta. – Te pego às 10, docinho. – e saiu.
Olhei para e ele parecia confuso.
- O que vocês fizeram enquanto eu estive fora? – ele perguntou e eu ri.
- Nada que você possa saber, fofo. – eu disse e ele fez cara de bravo.
- Não faça gracinhas, . – ele murmurou e entrou no banheiro.
Me joguei na cama e fiquei olhando para o teto durante algum tempo. Não estava sendo ruim como eu imaginava, eu iria me acostumar com aquilo, eu queria me acostumar.
Um celular tocou em algum lugar e eu o vi na mesinha, era o celular do .
- . – gritei. – Seu celular tá tocando.
- Atende aí pra mim. – ele gritou de volta, parecia estar tomando banho.
Me estiquei para pegar o celular e fiquei com medo de atender. Respirei fundo e o coloquei no ouvido.
- Alô?
- Quem fala? – Uma voz feminina perguntou e eu fiquei com medo de ter feito merda.
- . – respondi ser saber ao certo o que dizer.
- ? Sério? Uau. – a voz disse. – Que bom poder falar com você, . Mas escuta, o está ?
- Ele está no banheiro. – respondi.
- Humm, certo. Você viu o por aí?
- Olha, eu acho que ele está no quarto dele. – eu respondi e no exato momento, abriu a porta. – Espera, ele chegou aqui. Estendi o celular para ele e ele fez sinal perguntando quem era.
- Não sei. – respondi e ele pegou o celular.
- Oi, meu amor. – ele respondeu e eu deduzi que fosse a namorada dele, a do nome esquisito que eu nunca sabia qual era.
Alguns minutos depois, um de cabelos molhados e sem camisa apareceu e e entraram no quarto.
- Uau, que gato. – disse e fez uma expressão sexy.
fez sinal para que eu entrasse no banheiro e eu me lembrei de uma coisa, eu não tinha roupas. Eu ainda estava com a mesma roupa que eu usara no show.
- Tem sim. – disse me entregando uma mochila que estava no chão do quarto e parecia ser minha. – trouxe para cá.
- Onde ela conseguiu isso ? – perguntei, olhando tudo que estava lá, eram roupas que eu não via há muito tempo.
- Estavam na casa dela, eu acho. Ela achou que você fosse precisar. Aliás, quer chamá-la para sair com a gente ?
- Pode ser. – eu disse, dando de ombros e entrei no banheiro.

Saí do banheiro alguns minutos depois com uma calça jeans e uma blusa xadrez que estava dentro da mochila. falava no celular, bebia qualquer coisa alcoólica, olhava pela sacada e acenava algumas vezes e estava sentando na cama.
- Já? – ele perguntou e eu ri. – Nossa, é o tempo recorde de uma garota.
- Por que vocês estão duvidando tanto de mim hoje? – perguntei e ele não entendeu. – O disse que eu não era uma garota porque eu jogava vídeo game.
- Provavelmente ele disse isso porque estava perdendo. – disse e eu concordei. – O não curte perder no vídeo game.
- Só para o ? – Perguntei e eles riram.
- Cara, ninguém ganha do em nada. – respondeu e desligou o telefone.
- Veremos. – eu disse e deu língua.
- Vamos? – perguntou e nós seguimos para a garagem do hotel.
Nos dividimos em dois carros e seguimos para a casa de , onde nós iríamos buscar ela e Amy.

- Para onde nós vamos? – perguntou enquanto dirigia em direção ao centro.
- Vamos ao Lodge! – sugeriu.
O Lodge era um bar no maior estilo pub, onde pequenas bandas tocavam e qualquer um podia subir ao palco e cantar, até que era bom.
Logo que chegamos, havia uma quantidade de pessoas impressionante lá dentro. Uma mulher cantava desafinadamente uma música desconhecida e eu ri quando fez uma careta. Nos sentamos em uma mesa um pouco escondida das demais e, algumas horas depois, , , e Amy já não estavam tão normais... subiu ao palco com a cara e a coragem e nós a aplaudimos, ela parecia feliz. Ela escolheu cantar Shine A Light e eu ri quando e vaiaram. Cara, eles estavam vaiando a própria música! Ela cantou animadamente se enrolando em algumas partes e eu e Amy acompanhamos, mas no final ela tinha que me aprontar uma.
- Agora. – ela disse, olhando em nossa direção. – Eu gostaria de chamar uma amiga minha para tocar piano, caso vocês não se importem.
Só Amy parecia saber que era eu, mas eu fiquei na minha até ela soltar um “, vem aqui!”
Senti todos os olhares vindos na minha direção e o sangue subindo até minhas bochechas, senti que elas estavam queimando.
- Você toca? – me olhava incrédulo.
- Muito! – Amy respondeu antes que eu tivesse a chance de negar.
- VEM AMIGA, ANDA. – gritou de novo lá em cima.
Tive vontade de me enfiar debaixo da mesa e nunca mais sair, mas fui obrigada a me levantar por e senti que até o meu cabelo estava vermelho de vergonha. Caminhei até o palco olhando para frente e o senhor que estava lá me guiou até um piano vertical que parecia ter a idade da minha avó de tão velho. Me sentei na banqueta e respirei profundamente tentando escolher uma música que eu pudesse tocar sem errar. Eu morria de vergonha de tocar em público e as pessoas sempre me faziam passar por isso.
Escolhi tocar Too Close For Comfort, que sempre fora uma das minhas favoritas.
Olhei para as pessoas que me observavam mais uma vez, estalei os dedos, posicionei as mãos nos lugares certos e comecei. [n/a: Play :B]
As teclas fluíam sobre meus dedos com uma facilidade impressionante pelo tempo que eu não tocava e alguns minutos depois eu já nem me lembrava das pessoas me observando. ainda estava no palco e às vezes ela cantava junto comigo.
Terminei a música e as pessoas aplaudiram. Agradeci e quando eu ia descer, me puxou pelo braço e anunciou no microfone que eu iria tocar mais uma.
- Ah, não – eu resmunguei e fiz careta, ela já estava forçando a barra.
- Ah, sim! Toca Shine a Light.
- Mas eu nunca toquei Shine a Light na vida!
- Dane-se, você vai tocar, e vai tocar agora. – então ela me empurrou e eu cai sentada na banqueta do piano, de novo.
Xinguei baixinho e olhei para a nossa mesa.
e sorriram para mim e subiu na cadeira e soltou um “você é foda” e eu ri.
Encarei as teclas do piano a minha frente e suspirei, não era tão difícil assim.
Repeti um “você pode fazer isso” para mim mesma algumas vezes e me lembrei que havia trazido seu iPod. Pedi a ela que me entregasse, procurei Shine a Light e dei play. [n/a: PRAY DE NOVO ! RS]
Comecei pela introdução e segui tocando a música. Algumas vezes precisei bater os pés no ritmo para não acelerar demais e olhei para os lados algumas vezes, vendo sorrir. Alguns minutos depois, terminei a música e me levantei, seguindo para a mesa com a . Chegando lá fui amassada por , e Amy.
- Cara, ela pode ser nossa tecladista. – disse e o olhei assustada. – O que foi?
- Tenho pânico de muita gente olhando para mim. – eu disse e ele riu.
- O também era assim, só agora ele se conformou.
Conversamos por algum tempo e notei que estava quieto. - O que foi? – perguntei, encostando nele, eu estava cansada porque o dia fora cheio, meus olhos já estavam quase fechando.
- Nada... – ele respondeu, beijando o topo da minha cabeça.
- Me diz! – eu insisti, não gostei de vê-lo triste, doeu.
- É que... você me lembra a minha mãe. – ele disse e suspirou.
O abracei de lado e ele passou os braços pelos meus ombros.
- Er, desculpe ? – ele riu.
- A culpa não é sua em ser parecida com a sua mãe, sabe. – por um momento eu havia me esqueci daquilo.
Dei de ombros e bocejei.

Alguns minutos se passaram enquanto nós conversávamos mais e eu tive que ir ao banheiro.
- Já volto. – eu disse me levantando.
Fui ao banheiro, ajeitei o cabelo que já não estava no lugar e quando eu já estava quase chegando na nossa mesa, alguém esbarrou em mim e entornou um líquido vermelho. Olhei para minha blusa que estava ficando transparente por causa do tecido fino e quando eu vi quem era, minha vontade de matar a pessoa quase chegou ao limite.
- Flávio, que bom te ver por aqui – eu disse irônicamente.
- Me desculpa, , eu...
- Não, tudo bem, eu acho que posso sobreviver.
Ele me olhou por um momento e estendeu a mão para tocar o meu rosto. Afastei sua mão sem delicadeza alguma e o olhei friamente.
- A Alzira já cansou de você? – perguntei sinicamente e ele ficou quieto. – Ótimo querido, é bom para você aprender a dar valor ao que você tem.
- Mas eu dava valor a você! Foi você que se cansou de mim.
- Dá um tempo, Flávio. – eu disse me virando, pronta para ir embora quando ele segurou meu braço. O olhei friamente esperando que ele me soltasse, mas ele não o fez.
- Será que você pode, por favor, me soltar?
Ele me puxou um pouco mais para perto e eu abri a boca pronta para gritar quando uma voz vinda de trás de mim me fez tremer.
- Solta ela, agora. – disse e Flávio me soltou imediatamente. – Muito bem, eu só não te deixo com um olho roxo porque não é o tipo de coisa que eu goste de fazer.
Segurei a vontade de rir enquanto eu observava Flávio saindo com o rabinho entre as pernas e eu me virei para .
Sinceramente eu não sei como ele conseguiu meter medo no Flávio, já que ele não estava conseguindo nem ficar em pé, mas mesmo assim.
- Obrigada. – eu disse e ele riu. – Eu preferia que você deixasse ele com um olho roxo, mas mesmo assim.
- Caso você não tenha percebido, tá difícil raciocinar. Mas fica para a próxima, certo ?
- Eu vou cobrar. – respondi rindo e voltei para a mesa.
e Amy me olhavam com expressões engraçadas.
- Qual foi a parte do quebra a cara dele que o não entendeu? – me perguntou e eu dei de ombros.
- Ele mal está parando em pé, . Ele ia acabar batendo em mim!
- Você deveria ter quebrado a cara dele, . – murmurou.
- Vamos? – disse se levantando.
Caminhamos em direção a saída e eu percebi que não estava ali.
- Cadê o ? – perguntei a , que estava mais perto de mim. O mesmo olhou para trás e disse que iria procurá-lo.
Esperamos do lado de fora e alguns minutos depois surgiu carregando .
estava verde e mal agüentava ficar em pé sozinho. e se entreolharam e colocou no carro.
- , leva as meninas para casa por favor ? – pediu. – Antes que o vomite em tudo...
- A gente vai de taxi, . – disse.
- Não, , o leva vocês. – disse e concordou.
Entrei no carro com e me sentei na parte de trás com , ele parecia mesmo muito mal.
deu a partida no carro e eu olhei para . Ele estava com a cabeça encostada na porta e os olhos fechados.
- ? – o chamei e ele olhou para mim. – Tá muito ruim aí?
Ele riu e concordou com a cabeça.
- Abra a janela, melhora um pouco.
Danny obedeceu e voltou a fechar os olhos.

Chegamos ao hotel e logo que chegamos ao nosso andar, saiu correndo para o quarto dele. Olhei para e ele balançou a cabeça, e logo nós entramos no quarto.
Coloquei meu pijama e me joguei na cama de casal macia de . Conversamos durante algum tempo e quando eu percebi, já estava dormindo.

Capítulo 11

Acordei de repente com o corpo suado e uma sensação muito ruim. Ainda estava tudo escuro, olhei para o relógio que estava ao lado da cama e constatei que eu só havia dormido uma hora. dormia profundamente ao meu lado e eu estava preocupada com .
Num impulso, me levantei cuidadosamente e caminhei em silêncio até a porta, para não acordar . Andei pelo corredor silencioso e parei em frente a porta do quarto de .
- Mas que porra eu to fazendo? – Murmurei para mim mesma e abri a porta cuidadosamente.
A cama estava vazia e a luz do banheiro estava acesa.
- ? – chamei e quase me virei para ir embora, quando um com os cabelos bagunçados e só de calça jeans apareceu na porta do banheiro.
- - sua voz rouca fez os pelos da minha nuca se arrepiarem. – Aconteceu alguma coisa?
- Não eu só... Vim ver como você estava, eu fiquei preocupada. – eu já estava quase correndo de volta para o meu quarto, minha nossa senhora, o que deu em mim?
- Eu estou bem, , não precisava se preocupar.
- Tem certeza? – Perguntei, me aproximando um pouco mais, ele estava coberto por uma camada de suor.
olhou para minhas pernas descobertas durante alguns segundos e eu corei.
- Eu vou tomar um banho, você me espera? – perguntou, voltando a olhar para o meu rosto e eu assenti.
Sentei-me com pernas de índio no grande sofá bege que estava ali, exatamente igual ao do quarto de . Alguns minutos depois, saiu do banheiro só de boxer e com os cabelos molhados e será que alguém poderia colocar o ar de volta no cômodo por amor a minha vida?
Ele se sentou ao meu lado e eu o olhei.
- Cara, acho que vomitei todos os meus órgãos.
- Que nojo, ! Bati de leve em seu braço e ele me abraçou.
- Você ainda está bêbado?
- Não, por quê?
- Por que está me abraçando?
- Não sei, eu gostei de você. Não posso te abraçar?
- Pode, só não vomita em mim.
me soltou e eu ri. - Quer dizer que você queria vomitar em mim? Cachorro!
Ele ficou em silêncio durante algum tempo e eu fiquei com medo de ele não ter entendido a brincadeira.
- , eu estava só brincando.
- Ele te traiu? – ele perguntou e eu não entendi. – O magrelo?
Olhei para ele por alguns minutos e assenti.
- Você o amava?
- Não – eu respondi, rindo – Eu já deixei de acreditar no amor faz tempo, .
Ele me olhou curiosamente e eu continuei:
- , eu vivi a vida toda sendo humilhada e tratada como um nada. A única amostra de amor que eu conheci na vida veio das minhas amigas. Eu já fui sim aquele tipo de garota que acreditava em contos de fadas, mas eu cansei de esperar o meu príncipe, sabe? Quando o Flávio me traiu, eu simplesmente virei a página. Eu fui criada na base da porrada, então uma hora eu cansei de acreditar que tudo daria certo.
Ele continuou me olhando e eu continuei:
- Eu não quero um príncipe encantado, , e nem um amor para a vida toda como 97% das meninas quer. Não quero alguém que me faça chorar, ou uma pessoa que me faça fazer papel de coitadinha para que as pessoas ao meu redor me consolem. Eu quero alguém que não me largue, que não tenha motivos para ir embora, que não me faça ficar falando sozinha ou bater o telefone. Eu já fiz isso com tantos outros, já quebrei tantos corações e já quebraram o meu milhares de vezes, eu só quero alguém diferente.
- Então é isso? – ele perguntou quando eu terminei de falar e eu assenti. – Você é realmente diferente do que eu imaginava.
- Na maioria das vezes, eu sou.
Ele deitou a cabeça no meu colo e eu fiquei sem reação no começo, mas depois fiquei brincando com seus cabelos.
- Se eu fosse você, eu pentearia o cabelo mais vezes, .
- Eu penteio – ele murmurou ofendido – Mas para todos os efeitos, eu estou bêbado.
- Então, isso tudo é por que você quer tirar uma casquinha de mim só porque está bêbado?
- Exatamente, mas não conte a ninguém.
- Abusado! – Eu murmurei e ele riu. – Eu vim ver como você estava e você fica se aproveitando de mim.
- Ok, não vou mais me aproveitar de você, mas não negue que você gostou.
Ficamos em silêncio durante algum tempo e eu pensei que ele estivesse dormindo. - ? – chamei-o e ele fez um barulho estranho com a boca. – Acho que vou voltar para o quarto.
- Que quarto? – ele perguntou, me olhando.
- O do .
- Vai me deixar aqui sozinho, bêbado e passando mal?
Olhei-o por um momento e concordei com a cabeça; ele gargalhou.
- Então vai, da próxima vez eu deixo o seu ex namorado anoréxico te agarrar.
- O me salva da próxima vez. Quando eu já estava quase chegando na porta, ele segurou o meu braço. Sua pele quente na minha me fez ficar arrepiada.
- Fica aqui comigo, por favor.
Eu queria ficar. Ele sabia que eu queria.
- Mas e o ?
- Eu te acordo antes de ele sentir a sua falta, eu prometo.
Sorri para ele e ele me abraçou.
- Obrigado – Ele murmurou. – Por ter se preocupado comigo.
- Disponha.
Ficamos conversando durante algum tempo e eu tinha que me controlar para não gargalhar alto demais, sabia ser idiota. Eu estava deitada, olhando o teto quando levantou de repente e correu para o banheiro. Fiquei sem saber o que fazer e fui atrás dele.
estava de joelhos em frente ao vaso e de vez em quando fazia barulhos com a boca, enfiava o rosto no vaso e vomitava. Aproximei-me querendo ajudar, eu nunca havia visto ninguém nessa situação antes, na verdade, eu havia visto poucas pessoas bêbadas.
- , precisa de alguma coisa? – perguntei, me aproximando e passando a mão em seus cabelos.
- Não – Ele murmurou com a cabeça dentro do vaso. – Eu estou bem.
- Bem? Daqui a pouco você vai sumir de tanto vomitar, vai evaporar no ar.
- Não se preocupa, , volta pra lá – Ordenou e eu obedeci, voltando para o quarto.
Sentei-me na beirada da cama e de vez em quando, eu ouvia xingando alto no banheiro e meu coração se apertava. Que droga, eu queria fazer alguma coisa!
Alguns minutos depois ele saiu do banheiro e encostou no batente da porta, me olhando com uma expressão chorosa.
- Tem certeza que não quer nada, ? Eu posso chamar o , ou o , ou até o ...
- – Ele me impediu de continuar. – Fique calma, eu estou bem.
Suspirei, me dando por vencida e o observei se aproximar da cama onde eu estava.
- Na verdade - ele confessou com cara de cachorro sem dono. – Acho que preciso de uma coisa.
- Pode falar – murmurei vacilante. Senhor, o que estava acontecendo comigo?
Ele chegou um pouco mais perto de mim e sorriu.
- Me dá colo? – pediu e fez um bico do tamanho do mundo, e eu lá, quase morrendo, para variar.
- Aham – murmurei e cheguei um pouco para trás, encostando as costas na cabeceira da cama.
deitou ao meu lado e colocou a cabeça em meu colo. Afaguei seu cabelo distraidamente e vi que ele me olhava.
Corei e ele riu.
- Para, – eu resmunguei e bati de leve em seu braço.
- Ná, isso é bom, acho que eu não me sentia confortável assim há algum tempo. Olhei-o confusa e ele sorriu fraco.
- Não adianta estar rodeado de pessoas que teoricamente te amam quando você sabe que elas só querem se aproveitar. As pessoas sempre esperam que eu seja assim, que eu faça isso ou faça aquilo, mas ninguém nunca liga para o que eu estou sentindo.
- E o que te garante que eu não quero tirar uma casquinha de você?
- Eu confio em você.
- , você não me conhece nem há uma semana.
- Eu sei, é só que... Eu acho que se fosse outra pessoa, não estaria aceitando essa situação tão bem assim.
- Eu não estou tão bem quanto parece, eu ainda não sei o que fazer da vida.
- Sabe sim – ele acusou. – No fundo você sabe o que deve fazer.
- Não sei se estou pronta para me mudar para o outro lado do mundo e deixar tudo aqui, eu morei aqui durante a minha vida inteira e agora, simplesmente, eu vou para outro país onde eu não conheço ninguém.
- Você me conhece, conhece o , o e o . Olha, já são quatro pessoas.
- Eu não quero deixar as minhas amigas – confessei em voz baixa. – Elas são a única razão que me prende aqui. Eu não tenho mais família, não tenho pai e nem mãe, então eu não hesitaria em ir para Londres, mas eu não quero deixá-las. Elas são a família que eu nunca tive, . Foram elas que cuidaram de mim quando eu precisei, elas me acolheram! Eu não posso simplesmente chegar para elas e falar: olha, eu estou indo pra Londres, mas algum dia eu vejo vocês de novo. Não dá, eu não consigo.
Encarei o lustre que balançava no teto branco e se levantou, sentando-se na minha frente.
- Você faria isso por mim? – ele perguntou.
Eu precisei de um momento para entender o que ele queria dizer. - Por você?
- É, , por mim. Você iria para Londres por mim?
- Iria, eu acho.
- Foi o que eu imaginei – ele disse e sorriu. – , presta atenção. Para de pensar no que os outros querem, para de pensar no que eu quero ou no que o quer, ou no que as suas amigas querem. O que você quer?
- Eu quero ir. – Respondi sem hesitar.
Ele sorriu de novo e deitou ao meu lado.
- Parabéns, agora você sabe o que quer fazer, agora você sabe que precisa parar de ter medo sobre o que pode dar errado e pensar no que pode dar certo.
- Acho que eu sempre soube o que eu queria – confessei.
Afundei a cabeça no travesseiro e fechei os olhos com força. Então eu estava convencida, iria para Londres. Iria largar o que restou da minha vida aqui e iria começar tudo de novo lá, com o meu irmão. Não poderia ser tão impossível, certo?

Ouvi várias batidas e resmunguei, tentando voltar ao meu sonho. Mais algumas batidas e eu resmunguei e cutuquei , até que um grito me acordou.
- DANIEL, ABRE ESSA PORTA!
- Merda! – gritei e me sentei rapidamente na cama – , acorda!
estava completamente esparramado na cama ao meu lado, ou seja, dormindo feito uma pedra.
Olhei para o relógio na cabeceira da cama e ele marcava 10:00 da manhã.
- Merda, merda, merda – resmunguei e o sacudi – Acorda, , por favor.
Ele abriu um olho, depois o outro e me olhou parecendo confuso.
- O ... – eu sussurrei – Ele está batendo na porta.
Ele levantou em um pulo e vestiu a blusa que estava jogada no chão.
- O que eu faço? – sussurrei, iria me matar se me encontrasse ali.
- Vai para o banheiro – ele sussurrou de volta e eu entrei no banheiro, fechando a porta.
- A está ai? – perguntou e eu me encolhi.
- Não, eu não a vejo desde ontem à noite. Por quê? – respondeu.
- , você está procurando a ? – Uma outra voz surgiu e eu identifiquei o . – Eu a vi lá em baixo, perto da piscina.

Alguns minutos depois, abriu a porta e nós caímos na gargalhada.
- O que foi isso? – perguntei e nós começamos a rir de novo.
- Vocês estão bem? – perguntou, fazendo uma careta estranha. – Certo, eu acho melhor você voar até lá em baixo, , antes que o ache que eu estou mentindo.
- Certo, obrigada, – agradeci e corri até o elevador.
O elevador estava ocupado, então eu corri em direção às escadas e alguns minutos depois, avistei do outro lado da piscina. Corri até uma espreguiçadeira que estava vazia perto do gramado e me joguei sem dó nem piedade.
Fingi estar olhando para as minhas unhas e alguns segundos depois, eu ouvi um estalo, a espreguiçadeira quebrou, me fazendo cair de bunda no chão. Olhei ao redor e algumas pessoas pareciam não estar prestando atenção, então eu me levantei e acenei para , que gargalhava alto.
Assim que ele chegou perto de mim, eu sorri amarelo e ele me abraçou.
- Machucou? – perguntou, beijando a minha testa.
- Só mais um arranhão para a minha coleção recém adquirida – brinquei.
- Já tomou café? – ele perguntou enquanto eu tentava limpar a grama que estava grudada na calça do meu pijama.
- Ainda não – murmurei – Por quê?
- Achei que você estivesse acordada há muito tempo.
- Não, é que eu perdi o sono e quis descer, mas não faz muito tempo.
Fomos em direção ao hall do hotel e um sonolento estava sentado em um dos sofás da recepção.
- Bom dia flor do dia – ele cantarolou e eu ri. – O e o pediram para vocês esperarem por eles, porque está procurando um remédio para a dor de cabeça.
- Eu to com fome, eles parecem duas moças – resmungou.
Sentamo-nos ao lado de e eu fiquei observando as pessoas que passavam por ali, enquanto conversava animadamente com ele sobre futebol, ou alguma coisa assim.
Algumas meninas passaram e olharam feio para mim e eu me encolhi.
- – chamei. – Posso subir ?
- Por quê ?
- Esse povo não gosta de mim, eles ficam me olhando como se eu fosse um ET. - Deve ser porque elas estão com inveja de você – comentou.
- Claro, deve ser, eu sou tão especial – murmurei irônica.
ia responder quando chegou correndo e pulou em cima da gente.
- BOLINHOOOOOOOOOOO – ele gritou e eu fui amassada em baixo de .
- AH, EU VOU MORREEEEEEEER – eu gritei quando pulou em cima de nós também. e contaram até três e levantaram, fazendo com que eu, e fossemos parar no chão.
- Sobrou pra mim também ? – eu perguntei, me levantando.
- Coitada, é o segundo tombo que ela leva hoje – disse me abraçando de lado – Desculpa.
- Segundo? – Tom perguntou.
- É, o tombo que ela levou quando a espreguiçadeira quebrou foi hilário. – disse e eu olhei feio para ele. – O que foi ?
- Vai colocar no jornal? – perguntei e riu alto.
- Ela não é fofa? – ele disse, apertando as minhas bochechas.
- É, mas não é para o seu bico – disse e saiu, me arrastando em direção ao restaurante. , e nos seguiram e sentamos para tomar café.
- Pega pra mim? – eu pedi, fazendo manha quando se levantou. – Por favor!
Ele suspirou.
- O que você quer ? – ele perguntou e eu ri.
- Nescau – respondi e ele foi buscar.
Ficamos só eu e na mesa, enquanto e brigavam por alguma coisa perto de onde nós estávamos.
- Você contou a ele? – perguntou.
- Contei o quê?
- Que você passou a noite no meu quarto...
- Eu não, quer morrer ? Você não ouviu o que ele te disse agora há pouco? Ele vai achar que nós estamos tendo um caso.
- Você deveria ir se acostumando, as namoradas do sofrem com o ciúme dele.
Quando eu abri a boca para responder, voltou e eu fiquei quieta.

- , como ela era? – eu estava sentada na cama do quarto de enquanto ele procurava alguma coisa dentro da mala.
- Quem? – ele perguntou, jogando tudo no chão.
- A sua... minha mãe.
Ele me olhou com curiosidade e eu dei de ombros.
- Você disse que eu era parecida com ela, então...
- Você não se lembra de nada? Nada mesmo?
- Não, eu já tentei, mas não consigo me lembrar de nada.
Ele sentou no chão e fez sinal para que eu me sentasse ao seu lado.
- Ela tocava na London Symphony Orchestra*, como eu te disse, tocando violoncelo. Mas você é exatamente igual a ela, só que o cabelo é um pouco mais escuro e mais curto. Ela era a pessoa mais bondosa que você poderia imaginar, vivia ajudando as outras pessoas e nunca sequer levantou a voz para alguém – ele respirou fundo. – Eu sinto falta dela.
Abracei-o de lado e ele sorriu para mim.
- Ela me amava? – perguntei em um sussurro.
- Mais do que a própria vida – ele respondeu no mesmo tom, como se estivesse contando um segredo. – Logo que você nasceu, todo mundo só paparicava você, eu até ameacei fugir de casa algumas vezes.
- Eu não imagino você como um menor abandonado, , com uma trouxinha nas costas e morando em baixo de pontes.
- Para, não destrói meus sonhos – ele disse e eu gargalhei.
voltou a fuxicar suas coisas e eu o olhei curiosa.
- Quer ajuda? – perguntei enquanto ele jogava tudo para o alto.
- Não – ele respondeu e voltou a enfiar tudo na mala. – Na verdade eu quero, pede um analgésico ao pra mim?
- Aham – murmurei.

Bati na porta impacientemente e nada do antender.
- , abre a porta – eu berrei e alguns minutos depois ele abriu. – Até que enfim.
- Vai tirar a mãe da forca? – ele perguntou rindo e eu o olhei séria. – Desculpa.
- O pediu um analgésico.
- Engraçado ele querer você perto de mim agora – ele falou para si mesmo mas eu ouvi. – Entra.
- O serviço de quarto não te visita? – perguntei quando vi que haviam vários pacotes jogados pelo chão.
- Acho que eles esqueceram de mim hoje.
Joguei-me de barriga para baixo em sua cama e esperei até que ele achasse o tal analgésico.
Ele voltou com uma cartelinha nas mãos e me olhou pasmo.
- , o que é isso nas suas costas ?
- Tem alguma coisa aqui ? – eu perguntei tentando achar – Não tem nada, .
- Você se machucou quando caiu da espreguiçadeira ?
- É só um arranhão, .
- UM ARRANHÃO? ISSO AÍ ESTÁ QUASE TE PARTINDO NO MEIO!
- , eu não estou nem sentindo.
- Senta aqui, anda – ele ordenou, apontando para o sofá – Agora, ! [n/a : ui, tigrão! AHUAHUAHUAHUA]
- Calma, eu estou indo chefe – eu murmurei e sentei no sofá de costas para ele. – Pronto?
- Deixa eu ver isso direito – ele disse levantando um pouco a minha blusa.
- , você vai me deixar pelada – eu resmunguei e ele riu alto. – Para , é sério, eu to sentindo cócegas.
- Caramba, , para de se mexer !
- É sério, , agora você tá me machucando, quer parar com isso?
- Espera, porra, eu to tentando colocar no lugar certo!
- Merda, você é muito lento – eu disse e em resposta, ele espirrou mais remédio do que o necessário – AAAAAAH, TÁ ARDENDO, TIRA, TIRA!
- Calma, eu to quase lá.
- Anda, eu não to aguentando.
Quando finalmente conseguiu terminar de colocar remédio no meu corte, eu ouvi a porta batendo e um com cara de poucos amigos.
- QUE MERDA É ESSA, ?

Capítulo 12
(Coloquem para carregar World Behind My Wall - Tokio Hotel)

Olhei apavorada para e se limitou a rir.
- , se você não deixar eu limpar o remédio, vai sujar a sua blusa.
- Desculpa – eu murmurei enquanto ele terminava de limpar.
- Dude, seu remédio está aí em cima – disse apontando para a cartela que estava em cima da cama. – Pronto – ele disse e eu levantei.
ainda nos olhava com uma expressão tensa.
- Agora será que vocês podem me explicar?
- Eu estava colocando remédio nas costas dela – disse simplesmente. – O problema é que ela é escandalosa demais.
- A culpa não é minha se esse troço arde.
- Mas você não precisava ficar gritando que estava ardendo, precisava? – perguntou e eu fiz bico.
- Desculpa, mas é que estava doendo.
- Tudo bem, eu vou ali ao quarto do e já volto – ele disse e fechou a porta, mas logo depois a abriu de novo e soltou um “Comportem-se”.
- Ok, isso não era necessário – eu disse e riu alto.
- Quem estava gritando que estava ardendo era você, .
- Mas era você que estava colocando o remédio no lugar errado, !
- Ah, que seja – ele disse, se jogando na cama. – O que você descobriu?
- Sobre?
- Sobre a sua mãe, o que você descobriu?
- O não quis me dizer muito, só o básico, que ela tocava violoncelo na LSO* e que ela era uma pessoa muito boa, acho que tudo o que vocês já sabem.
- Ele não conversa sobre isso com ninguém, nós já tentamos, mas ele nunca se abriu. Achamos que com você seria diferente.
- Eu queria saber mais sobre ela, eu ainda me sinto um pouco perdida.
- Nós vamos te ajudar com isso – ele prometeu e eu sorri em agradecimento.

Alguns minutos depois, entrou no quarto correndo com uma expressão assustada.
- , costumava ter medo de alguma coisa?
- O que foi, cara? – perguntou ainda inabalável.
- O nosso tecladista está passando mal.
- O QUÊ? – momentos de tensão.
- O está tentando arranjar um substituto, mas ele não conseguiu ainda.
- Porra, ele não vai conseguir. Faltam quantas horas para o show?
- 5 horas, eu acho. Nós já deveríamos ter ido fazer a passagem de som.
e trocaram olhares tensos e e entraram no quarto.
- E aí? – perguntou e negou com a cabeça. – Nada, ninguém?
- Ninguém, parece que todos os tecladistas do país resolveram entrar de férias.
- Mas será que não tem ninguém que possa? – foi interrompido pela chegada de . Sorri ao vê-la e ela piscou para mim.
- Oi – Cumprimentou visivelmente envergonhada, encostada no batente da porta.
- Entra, disse e eu o olhei estranho.
- O que aconteceu? – ela perguntou, por causa do clima visivelmente tenso naquele quarto.
- O nosso tecladista não vai poder tocar essa noite – murmurou.
- E só existe um tecladista no mundo? – ela perguntou olhando sugestivamente para mim, mas eu fingi que não vi.
- Nós não conseguimos falar com mais nenhum. – respondeu.
- Eu acho que eu conheço alguém – ela sussurrou e sorriu para mim. – Posso falar com você?
- Claro – respondi e a segui até o corredor.
- Você está brincando comigo que não vai ajudá-los, não é ?
- Eu não tinha pensado nisso – menti, eu tinha sim, mas nunca teria coragem de admitir que eu era covarde demais para tocar com os meus ídolos.
- É claro que você pensou nisso, e não adianta protestar – ela disse quando eu abri a boca. – Você vai ajudá-los e pronto.
- Eu não consigo! – murmurei e passei as mãos pelos cabelos, em pânico.
- Você já fez coisas piores, , larga de ser ridícula! Mas caso você não queira, eu torço para que você fique com a consciência pesada se acontecer algo ruim com eles – ela me ameaçou e voltou para o quarto.
Encarei as paredes azuis do corredor e respirei fundo, eu sabia que se acontecesse alguma coisa com eles, eu me sentiria culpada.
Entrei no quarto e todos me olhavam ansiosos.
- O que foi? – perguntei distraidamente.
- Nada – deu de ombros, ele parecia aborrecido. – Vamos para o estádio logo?
- Agora? – perguntou esticando os braços.
- É, , agora vamos fazer a passagem de som sem um tecladista e, se nós não conseguirmos um até a noite, nós tocamos sem.
- Vamos – chamou e os outros três o seguiram.
Eu fui andando um pouco atrás com e a cada segundo eu sentia os olhos dela me perfurando. Se minha amiga fosse o Super Homem ou no caso, a mulher maravilha, eu já estaria morta.
- Quer parar? – eu sussurrei para que somente ela ouvisse. – Eu não disse que vou porque eu sei que eu não consigo, ! Eu vou travar, eu não tenho coragem, por favor, para de me julgar.
- Você não acha que você deveria crescer e tirar as rodinhas da bicicleta, ? Você sabe que se você quiser, você vai conseguir sim. Você não quis tocar no Lodge? E todas as suas outras apresentações? Seus recitais na escola de música?
- Mas aquilo tudo era diferente! Deviam ter umas 50 pessoas no Lodge ou na escola de música, agora imagina no show? Eu nunca ia conseguir, nunca mesmo!
Alguém pigarreou e eu percebi a porta do elevador estava aberta para nós.
Entrei no elevador e ainda olhava para mim, mas eu a ignorei.

- Vai, 1 2 3 – fazia a contagem.
- AH, VAI DEVAGAR PORRA! – gritava com .
- Eu não to indo rápido, é você que está errado – respondeu calmamente.
- Será que dá pra vocês pararem, por favor? – perguntou com o rosto vermelho.
Eu estava sentada na ponta do palco assistindo ao ensaio dos meninos, eles brigavam a cada cinco segundos porque nunca estavam no ritmo certo.
- 1 2 3 – tentou de novo.
- Tell me can you hear my voice.
- , você não está ajudando – murmurou. – Acho melhor nós começarmos pelo refrão.
- Certo – concordou. – Vamos no refrão então.
Eles precisaram tocar o refrão pelo menos cinco vezes até dar mais ou menos certo.
- Cara, isso não vai ficar bom – disse, se jogando no chão. – Acho melhor nós improvisarmos.
- Shine a Light acústica? – perguntou.
- Não sei se daria certo fazer algum coisa acústica aqui, . – comentou. – O lugar é grande demais, o som não é tão bom, a qualidade provavelmente iria ficar ruim.
Eu respirei fundo e sentou ao meu lado.
- Tá feliz? – ela perguntou e eu a ignorei novamente. Eu sabia que ela só queria ajudar, mas às vezes essas coisas que ela fazia me irritavam.
Observei enquanto eles terminavam de decidir o que iriam fazer e fui até o camarim. Procurei pela minha bolsa e peguei o iPod, uma das únicas coisas que eu ainda tinha e deitei no sofá caramelo que estava ali. Eu estava inquieta, nenhuma música me agradava.
- I’m not running, I’m not scared, I’m waiting and well prepared – cantarolei War Of My Life, do John Mayer. – I’m in the war of my life, at the door of my life, out of time and there’s nowhere to run.
Eu estava esperando e bem preparada? Será que eu poderia mesmo ajudá-los? “Você não acha que você deveria crescer e tirar as rodinhas da bicicleta, ?” Eu conseguia ouvir a voz de na minha cabeça a cada vez que eu fechava os olhos.
Engoli a seco quando entrou e sorriu triste para mim. Tirei os fones e perguntei:
- O que aconteceu ?
- Não tá dando certo, – ele disse sentando no outro sofá. – esse show vai ser um fracasso.
- , eu queria ajudar, mas ...
- Ninguém está te obrigando a nada, , isso não é sua obrigação. Se você acha que você não vai conseguir, está tudo bem! Você tem que fazer o que é melhor para você e não para os outros.
- Fazer o que é melhor para o outro às vezes pode ser bom. – comentei e ele me olhou.
- Não se você não estiver feliz – disse e se levantou. – Preciso voltar pra lá, antes que sobre pra mim.
- Tudo bem – concordei. Pelo menos eles não estavam chateados com a minha “covardia”.
Voltei a me deitar no sofá e passei a encarar o teto. Senti os olhos pesados e adormeci ouvindo Charlie Brown dizendo que “pra quem tem pensamento forte, o impossível é só questão de opinião”.

- , acorda – senti alguém me cutucando e resmunguei. – Anda, o show já está quase começando.
Ao ouvir isso, eu abri os olhos assustada.
- Até que enfim – Amy murmurou e sorriu. – Saudades de mim?
Me sentei no sofá e vi que Emma e Hanna também estavam lá, junto com .
- Que horas são? – perguntei atordoada.
- 20:15 – disse, sentado no chão. – Boa noite, dorminhoca.
- Eu dormi desde aquela hora? – minha cabeça estava rodando.
- Dormiu – concordou e enfiou um salgadinho na boca.
- Por que vocês não me acordaram?
- Você é bonitinha dormindo – comentou e sorriu.
- Eu preciso de um banho – eu disse fazendo careta.
- Se você quiser, eu posso te levar até o hotel – sugeriu. – Nós ainda temos 45 minutos, dá tempo. E eu preciso trocar de camisa, essa está me apertando.
- Não vai atrasar? – perguntou. – Tem trânsito.
- A gente dá um jeito. Vamos, ?
- Aham – eu concordei, esfregando os olhos e bocejando.
Segui pelos corredores do estádio que continuavam todos iguais para mim até encontrarmos uma saída “vazia”.
pegou um dos carros que eles haviam alugado e nós seguimos para o hotel.
- Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou.
Eu olhava as pessoas caminhando pela rua com a testa encostada no vidro como se fosse alguma coisa muito interessante.
- Não – murmurei em resposta.
Ele suspirou e eu o olhei.
- Eu disse a eles que não era para comentarem sobre o tecladista na sua frente – ele confessou e eu o olhei surpresa. – Eu tinha certeza que você ia ficar se sentindo culpada.
- Eu quero fazer alguma coisa – sussurrei, sentindo um nó na garganta.
- , você já está fazendo, só você não percebe – ele disse, parando no sinal vermelho e me olhou. – Você está fazendo o feliz.
- Eu quero fazer alguma coisa pelo McFLY, .

Chegamos rapidamente ao hotel e foi para o quarto dele trocar de roupa e eu fui correndo para o quarto do tomar um banho rápido.
Entrei no chuveiro e o liguei, sentindo um jato de água fria cair sobre mim. (N/A: coloquem para tocar e não se preocupem em acompanhar a letra, ela não tem muita coisa a ver com o momento, só o refrão. Absorvam a parte da superação e tal rs)

It's raining today, the blinds are shut.
Está chovendo hoje, as persianas estão fechadas
It's always the same.
É sempre o mesmo.
I tried all the games that they play, but they made me insane.
Eu tentei todos os jogos que eles jogaram, mas eles me deixaram louco.
Life on TV it's random,
A vida na televisão é tão ao acaso,
But it means nothing to me.
mas isso não significa nada para mim.
I'm writing down what I cannot see
Estou escrevendo o que não consigo ver.
Wanna wake up in a dream.
Quero acordar em um sonho.

Tremi por causa do contato da água gelada na minha pele quente e encarei meu reflexo no espelho que ficava em frente ao box. Meu coração disparou e eu fechei os olhos, eu sabia o que deveria fazer. Eu sabia que deveria tocar naquele show. Terminei de tomar o meu banho rapidamente e vesti a roupa que havia separado para mim antes de nós irmos para o estádio.
Saí do banheiro, me deparando com um sentado na beirada da cama.

Oh, oh.
They're teeling me it's beautiful.
Eles estão me dizendo que é bonito.
I believe them, but will I ever know
Eu acredito neles, mas será que um dia vou conhecer
The world behind my wall.
O mundo por trás da minha parede?
Oh, oh.
The sun will shine like never before.
O sol vai brilhar como nunca antes
One day I will be ready to go,
Um dia eu vou estar preparado para partir
See the world behind my wall.
E ver o mundo por trás da minha parede.

- Eu vou tocar – eu disse e ele sorriu.
- Certo, nós temos 25 minutos – ele disse, consultando seu relógio. – Acho melhor nós corrermos.

Corremos pelas escadas vazias do hotel, pois o elevador estava lotado e levaria séculos para chegar. Logo, já estávamos entrando no carro.
deu a partida e eu tentava me acalmar, minhas mãos estavam geladas e tremendo.
Eu não sabia se era impressão minha ou se era real, mas tudo pareceu ficar tão colorido de repente. Apesar do meu nervosismo, eu me sentia leve, porque eu sabia que estava fazendo a coisa certa. Observei, como na ida, as pessoas caminhando pela rua e fechei os olhos, não seria impossível. , , e faziam aquilo com uma naturalidade impressionante e eu não seria fraca a ponto de deixar aqueles quatro que sempre foram parte da minha vida, agora mais do que nunca, na mão.

Trains in the sky are travelling trough fragments of time.
Trens no céu estão viajando por entre fragmentos do tempo
They're taking me to parts of my mind
Eles estão me levando a partes da minha mente
That no one can find.
As quais ninguém consegue encontrar
I'm ready to fall.
Estou pronto para cair.
I'm ready to crawl on my kness to know it all.
Estou pronto para rastejar de joelhos para conhecer tudo.
I'm ready to heal.
Estou pronto para curar.
I'm ready to feel.
Estou pronto para sentir.

O celular de tocava freneticamente de acordo com as batidas do meu coração.
- 13 minutos – ele sussurrou e logo, xingou o motorista que estava na nossa frente.
- Não vai dar tempo – eu sussurrei em resposta e fechei os olhos com força.
- Vai sim – ele disse, acelerando mais o carro.

- Quanto tempo ? – eu perguntei enquanto nós lutávamos contra a multidão que tentava agarrar qualquer parte do corpo de enquanto nós tentávamos entrar.
- 8 minutos – ele gritou.
Corremos pelo corredor que levava até o camarim e foi catando algumas coisas pelo caminho e colocando em minhas mãos.
- Prende isso na sua calça – ele ordenou, me entregando um transmissor sem fio e eu obedeci.
Paramos em frente à entrada do palco e vimos que , e já estavam em suas posições.

Oh, oh.
They're teeling me it's beautiful.
Eles estão me dizendo que é bonito.
I believe them, but will I ever know
Eu acredito neles, mas será que um dia vou conhecer
The world behind my wall.
O mundo por trás da minha parede?
Oh, oh.
The sun will shine like never before.
O sol vai brilhar como nunca antes
One day I will be ready to go,
Um dia eu vou estar preparado para partir
See the world behind my wall. ( x3 )
E ver o mundo por trás da minha parede.

- Me escuta – disse e olhou em meus olhos e eu senti um arrepio na espinha ao encará-los. – No começo você vai ficar assustada, mas depois você vai se acostumar. A setlist é a mesma do show de sábado, você se lembra? – perguntou e eu assenti. – É só você seguir a bateria, não se adiante demais e nem vá devagar demais. - Se algo der errado, você não precisa se desesperar - ele instruiu e eu concordei. – Nós erramos o tempo todo, mas quase ninguém percebe.
Meu coração disparava a cada palavra que ele dizia e eu tentava controlar a vontade de chorar. Ele percebeu isso e em um gesto mudo, me abraçou.
- Obrigado por fazer isso por nós, – ele sussurrou. – Vai dar tudo certo, você vai ver, eu confio em você.
Sorri e ele beijou o topo da minha cabeça.
- Eu vou fazer o meu melhor – prometi, a eles e a mim.
- 2 minutos – o roadie que estava perto de nós anunciou.
Eu olhei para em pânico e ele sorriu e segurou a minha mão.
Em questão de segundos, todo o meu nervosismo desapareceu apenas pelo contato da pele dele com a minha. Meu coração se acalmou, minhas mãos pararam de tremer e de suar.
Subimos as escadas rapidamente e eu segui para o teclado que estava ali, posicionado e me esperando. me olhou surpreso e falou alguma coisa para eles que eu não consegui ouvir.

I'm ready to fall.
Estou pronto para cair.
I'm ready to crawl on my kness to know it all.
Estou pronto para rastejar de joelhos para conhecer tudo.
I'm ready to heal.
Estou pronto para curar.
I'm ready to feel.
Estou pronto para sentir.
Take me there!
Me leve lá!
Oh, oh.
Take me there! ( x2 )
Me level lá !
Oh, oh.
They're teeling me it’s beautiful.
Eles estão me dizendo que é bonito.
I believe them, but will I ever know
Eu acredito neles, mas será que um dia vou conhecer
The world behind my wall.
O mundo por trás da minha parede.

- 5, 4, 3 – anunciou.
- 2, 1 – e terminaram e com uma explosão, a cortina se abriu.
Automaticamente minhas mãos se posicionaram nos primeiros acordes de Party Girl e a adrenalina correu pelo meu corpo quando ouvi todas aquelas pessoas gritando.
- WHERE IS MY PARTY GIRL? – gritou.
Vi que olhava para mim e sorri para ele, que sorriu de volta.
Eu me sentia bem, afinal. Eu sentia que, de alguma forma, aquele era o meu lugar e aquela era a minha família. me mandou um beijo no ar e eu gargalhei.
Tudo ficaria bem. Eu sabia que não seria um conto de fadas, mas também sabia que aquele era o meu lugar, o meu destino. Eu tinha um irmão maravilhoso e três amigos idiotas que há menos de uma semana eram meus ídolos “inalcançáveis”. E essa era o mundo por trás da minha parede, é tudo o que vai acontecer daqui para frente.

* Orquestra Sinfônica de Londres ou LSO, fundada em 1904 como a primeira orquestra independente do Reino Unido e foi a primeira orquestra do mundo a se apresentar no exterior (Paris e EUA, 1912 / Salzburgo, 1973 ). É famosa por realizar gravações de trilhas sonoras de filmes famosos, Indiana Jones, Star Wars, Potter e também por participar da gravação de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, Beatles. Criou grandes nomes da música como James Galway (flautista) e John Georgiadis (violinista). No começo houveram polêmicas com relação a mulheres alegando que "mulheres afetariam o som da orquestra", a primeira a ingressar foi a oboísta Evelyn Rothwell. Atualmente o maestro é Valery Gergiev.

Capítulo 13

Logo depois de Party Girl, Nowhere Left to Run e 5 Colours In Her Hair, eu sai do meu lugar e analisei toda aquela multidão.
fazia algumas piadinhas no microfone e eu tentava beber uma garrafa de água em um milésimo de segundo.
- Você vai se afogar – brincou sentando ao meu lado.
- Acho que essa é a intenção, parece que eu estou no deserto.
- E agora - anunciou ao microfone. – quer falar algumas coisas.
Observei sorrindo confiante e pegando o seu microfone.
- Olá! – ele saudou e os gritos quase me deixaram surda. – Como vocês estão?
veio sentar perto de mim e de , em baixo da bateria e ficou em pé ao lado de .
- Certo, nós – ele disse apontando para , e . – Gostaríamos de agradecer a presença de vocês aqui hoje - mais gritos - E gostaríamos também de agradecer a outra pessoa, muito especial, que resolveu nos fazer uma surpresa hoje.
me olhou sugestivamente e eu gelei, ele ia fazer isso mesmo?
- me chamou e eu quis cavar um buraco para me enfiar. – Vem aqui.
Eu neguei com a cabeça e ele chamou de novo.
- Se você não vier, vai ter que vir a força – ele ameaçou e eu vi e se levantando e olhando para mim com sorrisos maliciosos.
Encarei , e desesperada e, segundos depois, eu me levantei disposta a sair dali e me segurou por trás.
- Merda – murmurei e ele riu.
- Eu avisei – disse rindo. – Vai vir ou não?
Concordei com a cabeça de má vontade e me soltou. Como eu sabia que nunca conseguiria fugir dele, até porque estava encostado na entrada do palco, eu fui até lá.
Algumas pessoas gritaram e eu sorri amarelo, olhando para que me abraçou de lado.
- Então - ele disse, pegando o microfone. – Digam oi para a , minha irmã.
Algumas pessoas olharam para pasmas, algumas pareciam não acreditar e (é claro) algumas gritaram.
- Pode ser difícil de acreditar – ele continuou. – Nem eu sei se ela acredita, mas é verdade. Algumas de vocês sabem da história, algumas não, mas eu não acho que isso vá fazer diferença agora.
- Então, agora nós vamos pedir uma salva de palmas para ela – disse ao meu lado. – Porque ela resolveu nos deixar desesperados durante o dia inteiro e só disse que ia tocar com a gente agora, ou seja, ela merece.
As pessoas aplaudiram e eu ri.
- Eu achei engraçado ver vocês desesperados. – confessei quando me entregou o microfone, mas é claro que não foi só aquilo.
Eles riram e se aproximou com um olhar malicioso, vi que ele segurava alguma coisa atrás de si.
- E agora, só para batizar – ele disse ao meu lado e, rápido demais, derramou uma quantidade considerável de água em mim.
O olhei pasma vendo a minha blusa ficar transparente e, depois de me recuperar do choque, eu reagi.
- MONTINHO NO ! – Gritei e logo foi sufocado por , e .

Corri para o camarim procurando algo para me secar e vi que vinha atrás de mim. Ele me entregou uma toalha e eu me sentei no sofá, tentando dar um jeito na merda que havia feito.
- Eu vou matar o – murmurei quando percebi que o meu cabelo estava uma bagunça e que provavelmente não teria jeito. – O que foi? – perguntei quando vi que me observava com um ar divertido.
- Não ficou tão ruim – ele comentou, apontando para o meu cabelo. – Mas não é isso, eu achei mesmo que você não teria coragem de tocar com a gente.
- Eu já sabia que tocaria, eu só estava tentando me convencer que eu iria conseguir.
- É claro que você iria conseguir – ele disse dando de ombros. – Você é minha irmã, lembra ?
- Acho que não posso mais me esquecer – eu brinquei e nós rimos. Terminei de dar um jeito no cabelo e entrou, olhando descaradamente para minha blusa molhada.
O olhei feio e ele sorriu amarelo.
- Nós temos 3 minutos e meio – ele avisou e deu de ombros.
chegou e trocou de camisa rapidamente e fez o mesmo, seguindo até o palco.
estava sentando no chão com uma garrafa de água entre as pernas e sorriu para mim quando viu que eu o observava.
- Você foi bem – ele comentou. – Não parece nervosa.
- Eu sempre soube que era uma boa atriz – confessei e ele riu. – Mas eu realmente não estou, acho que não foi tão ruim como eu pensei que seria.
- Eu te disse que não seria.
colocou o rosto para dentro e disse que era para nos apresarmos.
Antes de entrarmos para o palco, me puxou pelo braço.
- Eu quero... Conversar com você depois, pode ser? – ele perguntou e eu fiquei um pouco tonta ao sentir seu rosto tão próximo ao meu.
Concordei com a cabeça e ele sorriu, indo em direção ao seu instrumento.
’s POV.

Observei sorrir de volta e me concentrei no instrumento a minha frente. cochichou alguma coisa em seu ouvido e ela gargalhou. Ok , ela não é para o seu bico. Os olhos de brilhavam quando ela encarava aquela multidão cantando junto conosco, ela parecia encantada. Percebi que eu estava na mesma nota há muito tempo e me olhou feio, o que me fez parar para prestar atenção no que eu estava fazendo.

- , anda logo – disse socando a porta do banheiro. – Eu também estou fedendo, cara.
Saí do banheiro e ele entrou em seguida. andava de um lado para o outro sem camisa, terminava de dar autógrafos para algumas garotas que estavam do lado de fora esperando e parecia estar perdida em pensamentos olhando para um ponto qualquer na parede.
- , seu celular estava tocando – disse apontando para o meu celular que estava aceso em cima da mesa.
O peguei e vi que eu tinha 14 chamadas não atendidas.
- Há quanto tempo ele estava tocando? – perguntei rindo e verificando os números.
- Há muito tempo... – murmurou. – Acho melhor você parar de dar o seu telefone para todas que você pega, sabe, vai ficar parecendo um telefone público.
Olhei para que agora ria de alguma coisa que havia falado e dei de ombros.
- Eu não dou, elas descobrem – eu disse desligando o celular e o colocando no bolso de trás da calça.
saiu do banheiro e nós fomos para o carro, que nos levaria até o hotel. Estávamos cansados demais para ir a qualquer outro lugar.

- Aconteceu alguma coisa? – eu sussurrei para , me referindo a .
Ele fez que não com a cabeça e eu achei estranho. Eu nunca a havia visto tão quieta. Ela mexia no cabelo, observava os carros passando na rua e respirava fundo algumas vezes.

Chegamos ao hotel e ela seguiu em uma direção oposta a nossa. - , aonde você vai? - perguntou.
- Eu já volto – ela murmurou e continuou andando.
deu de ombros e entrou no elevador, enquanto eu continuava parado, olhando-a sumir no final do corredor.
- Você não vem? – perguntou.
- Daqui a pouco eu vou – murmurei e logo que a porta do elevador se fechou, segui para onde estava.
Parei em frente à porta de vidro que dava para a área da piscina e a localizei sentada na grama. Andei silenciosamente até lá e sentei ao seu lado.
Ela me olhou rapidamente, mas logo voltou a olhar para o chão.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntei, analisando seu rosto.
- Não – ela respondeu sem nenhuma animação e eu soube que ela estava mentindo.
- Tem certeza? – insisti.
- É sempre assim? – ela perguntou se referindo a algumas meninas que nos olhavam e faziam caretas. – Elas sempre estão em todo lugar?
- É normalmente assim – eu disse dando de ombros. – É só você não ligar para o que elas pensam e comentam sobre você – disse sugestivamente. – Algumas vão te amar, outras vão te odiar.
Seus cabelos, que agora estava soltos, emolduravam seu rosto. Ela balançou a cabeça e me olhou, vi que algumas lágrimas se formavam e senti meu coração apertado.
- Acho... – ela disse, esfregando os olhos. – Que elas já me odeiam.
- Elas vão ter bastante tempo para te conhecer de verdade – eu disse e ela sorriu fraco.
Ficamos em silêncio durante algum tempo e ela fez um barulho com a boca. - – ela chamou e eu respondi com um “hum” – Você não queria conversar comigo?
- Eu... – na verdade eu não sabia o que dera em mim para dizer a ela que queria conversar.
O que eu iria dizer a ela? Olha, eu mal te conheço, mas quero pegar você, mesmo você sendo irmã do meu melhor amigo?
Olhei para ela que me olhava com uma expressão curiosa. Analisei seus traços por algum tempo e meu coração doeu. Ela era tão delicada, tão pequena. E eu queria só me aproveitar dela? Como eu sempre fazia com as outras garotas que eu pegava e jogava fora no dia seguinte? Por quê?
Ela ainda me olhava com aqueles olhos enormes e brilhantes e eu passei a olhar para a água da piscina que se movimentava com o vento.
Você nunca vai tocar nela, . Você nunca, em hipótese alguma, vai machucar essa menina. Porque ela é boa demais para você, ela não te merece. Não merece ser mais um brinquedo em suas mãos, como todas as outras foram.
Sorri torto para ela e neguei com a cabeça.
- Não era nada, esquece isso – eu disse e ela me olhou com uma das sobrancelhas arqueadas, incrível como aquilo me lembrou o .
- Não, fala! – ela insistiu e eu olhei ao redor, procurando uma desculpa.
- Eu... Fiquei muito feliz por você ter tocado com a gente hoje, . Você tocou muito bem.
- Obrigada – ela murmurou ficando um pouco corada e eu achei engraçado.
- Você tem mais ritmo do que o nosso tecladista, sabia?
- Isso é bom?
- Claro, você é ótima . E também seria ótimo se você tocasse com a gente daqui para frente... – arrisquei, mas eu já sabia a resposta.
- – ela me olhou suplicante. – Você sabe o que me levou a tocar hoje e eu não sei se consigo fazer isso de novo, então, eu acho que não.
- Você não gosta muito de se arriscar, não é?
- Eu não gosto de prometer coisas que eu não posso cumprir – ela disse e se levantou. – Te vejo depois, .

’s POV.

Abri a porta com um pouco de pressa e me esperava, meio sentado e meio deitado na cama. Sorri fraco para ele e entrei no banheiro.
Encarei o meu reflexo no espelho um pouco embaçado e respirei fundo. Eu nunca fora uma pessoa muito boa em lidar com críticas, mas eu realmente não esperava que seria criticada por ser irmã do .
“Você não é irmã dele, sua impostora”
A voz da menina ainda ecoava na minha cabeça. Tudo bem, , você é melhor do que isso e ninguém tem nada com a sua vida.
Tomei um banho rápido e sai do banheiro. continuava na mesma posição, mas agora tinha os olhos fechados. Sorri observando aquela cena, nem de longe ele parecia ser o , do McFLY. Aquele cara agitado e que dava em cima de todas as mulheres e que fazia piadinhas idiotas. Ele era só o , o meu .
Ele fez uma careta e eu ri, ele estava sonhando.
Joguei-me no sofá e fechei os olhos por algum tempo, tentando organizar os pensamentos. Senti-me um pouco estranha quando a primeira imagem que veio a minha mente fora a de , por que ele sempre tinha que ser tão... tão... Atencioso e especial?
Sorri sentindo o coração acelerar. Eu me identificara mais com do que com o meu próprio irmão. Deve ser porque eu passei muito tempo com ele, conclui.
Ouvi um barulho e abri os olhos, vendo parado diante de mim.
- Achei que você estivesse dormindo – ele disse e eu ri.
- Achei que você estivesse, .
- Eu só cochilei – ele disse e se sentou ao meu lado. – Fortes emoções hoje e todos os meus músculos estão doendo.
Encostei minha cabeça em seu ombro e ele brincou com o meu cabelo.
- ... Eu não queria falar sobre isso agora, mas isso tem me deixado nervoso.
- Pode falar, .
- Você já deve ter pensado nisso, mas eu queria te perguntar.
Gelei por um instante, eu sabia exatamente o que ele queria me perguntar.
- Você vai para Londres comigo?
Olhei para ele e vi que parecia nervoso.
Brinquei com os dedos de sua outra mão, que estava largada no sofá e mordi o canto da boca.
- Eu não vou te obrigar a vir comigo, se você não quiser. Sei que vai ser difícil, que você vai demorar a se adaptar. Você tinha uma vida aqui, suas amigas estão aqui e eu vou entender se você não quiser ir, eu só queria que você soubesse que eu não quero te perder nunca mais, . – ele parecia triste e aquilo me doeu demais.
- Eu não vou te deixar, – prometi e o olhei. - Eu vou para Londres, custe o que custar – Ele sorriu e eu retribui o sorriso. - Por mais que isso seja um pouco... Doloroso no começo, mas eu não sei se quero ficar aqui.
me abraçou de lado e eu relaxei um pouco o meu corpo que estava tenso por causa da conversa. Ele respirou fundo e beijou a minha testa.
- Quando nós vamos? – perguntei vagamente.
- No sábado, mas se você quiser, nós podemos esperar mais.
- Tudo bem – respondi e o soltei. – Só preciso de algum tempo para contar para as meninas.
- Nós vamos te ajudar – ele prometeu. – Não vai ser tão difícil assim.
- Não vai – eu repeti, tentando fazer com que eu mesma acreditasse.
ficou em silêncio durante algum tempo e eu logo senti o peso das minhas pálpebras. Fechei os olhos por algum tempo e senti que estava sendo carregada, mas não me importei.
me colocou na cama cuidadosamente e logo o senti colocando o cobertor sobre mim.

Abri os olhos preguiçosamente e vi que estava sozinha no quarto. Fui até o banheiro e constatei que eu estava em um péssimo estado, então, depois de muitas tentativas frustradas de tentar colocar o cabelo no lugar, entrei em baixo do chuveiro.
Saí do banheiro e me espantei com a pessoa que estava ali.
- ? – ela estava observando o movimento da rua e parecia triste.
- Eu deveria saber desde o começo que você iria – ela disse baixo.
- Achei que você fosse me apoiar – meu coração doeu um pouco ao ver a minha amiga daquela forma.
- Eu vou, eu só não esperava que fosse doer tanto – ela disse, finalmente olhando para mim. – Nenhuma das outras meninas sabe ainda, não se preocupe.
- Como você descobriu, ?
- Eu vim te ver e bem, o soltou sem querer que você disse ao que iria.
Em um impulso, eu a abracei e meus olhos se encheram de lágrimas.
- O único motivo que me impediu de dizer a ele que eu iria até ontem eram vocês, , mas eu não sei se eu iria conseguir deixar o .
- Nós nunca iríamos te obrigar a ficar, . Nós já sabíamos que você iria com ele.
Eu funguei e ela riu baixo.
- Você pode contar com a gente, amiga. Vai doer no começo, mas nós vamos te apoiar, você vai ser feliz lá em Londres, é o seu lugar, afinal. E o seu conto de fadas.
- Será que é mesmo?
- É claro que sim, sua boba.
Ela me soltou e ficou me olhando durante algum tempo.
Olhei-a com as sobrancelhas arqueadas e ela gargalhou.
- Você está bem? – perguntei temerosa.
- Você precisa de roupas novas, . COMO VOCÊ VAI PARA LONDRES ASSIM?
Certo, agora a minha amiga estava de volta. Aquela melosa sentimental definitivamente não era a , não mesmo.

Descemos para o café da manhã e só havia um pequeno tumulto de fãs na porta, nada demais, eu acho que já estava começando a me acostumar.
vinha atrás de mim falando sem parar e eu me esforçava para prestar atenção, mas eu realmente não estava me importando muito com a minha aparência àquela altura do campeonato. Avistei os meninos conversando animadamente e logo que eu me aproximei, me olhou parecendo culpado.
- Bom dia – me cumprimentou e eu sorri para ele.
Conversamos sobre algumas coisas e logo já estávamos sem o que fazer de novo.
- Vocês não têm nada para fazer hoje? – perguntou e negou. – Que vida boa, cara.
- Nós merecemos – disse, passando a mão pela barriga.
Eu olhava para as minhas unhas com um interesse maior do que o normal, ainda estava pensando em como dar a “notícia” as minhas outras amigas.
sentou ao meu lado e eu o olhei.
- O que foi? – perguntei e ele riu.
- Nada – respondeu.
- Acho que eu preciso ir – disse de repente e eu a olhei. – Ttenho algumas coisas para fazer em casa.
O celular de tocou e ele atendeu. Ficou algum tempo em silêncio apenas escutando e logo saiu de perto de nós.
Ele gesticulava nervosamente como se a pessoa do outro lado da linha pudesse vê-lo e eu achei graça. terminava de se despedir dos meninos quando voltou e chamou parecendo um pouco tenso. e se entreolharam e alguns minutos depois, eles voltaram e parecia muito irritado.
- O que houve? – perguntou percebendo a situação do amigo.
- Nós... – começou e olhou para mim. – Vamos ter que estar na Inglaterra até depois de amanhã.
- Ou seja, vamos ter que sair daqui amanhã – completou.
, , e olharam para mim e meu coração acelerou.
Em dois dias eu estaria chegando a Inglaterra, não era o máximo? Deveria ser.

Capítulo 14
(Baixe a música do capítulo ou assista no youtube.)

Prendi a respiração e encarei aqueles rostos a minha frente.
parecia decepcionado, afinal, ele disse que me daria o tempo que eu quisesse.
- Por que não podemos esperar? – perguntou, enquanto eu fazia o mesmo mentalmente.
- Nossa apresentação no Children In Need já estava marcada há algum tempo – justificou. – não podemos faltar.
Soltei o ar com força e olhei ao redor para todas aquelas fãs que ainda gritavam na entrada do hotel. parecia a ponto de sair correndo dali.
Certo, , quando você mata uma vaca, você precisa fazer o hambúrguer. Eu não ia desistir só porque meu “prazo” tinha diminuído, eu ia ter que encarar de um jeito ou de outro. O que eram menos três dias?

- Não tem problema. – Murmurei, insegura.
, que ainda estava ali, olhou-me com pena e eu balancei a cabeça. Não era hora de me fazer de coitadinha.
- Então, em que vôo nós vamos amanhã ? – perguntou.
- No das 20:00 horas. – respondeu.
- Certo. – eu disse, sentindo as pernas fracas e um nó do tamanho de uma melancia na garganta.
Eu tinha que me despedir das minhas amigas, do Steve, da minha cidade, do meu estado, do meu país... Ok, nem tanto, mas as minhas amigas eram a minha principal preocupação.
parecia estar lendo os meus pensamentos.
- , se você quiser, eu peço às meninas para irem lá para a minha casa, – ela disse. – e você vai lá conversar com elas.
- Obrigada, .
- , se você quiser, pode passar o dia com a , – disse. – se ela não se incomodar.
- Claro que não! – ela disse, parecendo ofendida. – O que você acha, amiga?
- Parece ótimo. – eu murmurei, sem ânimo algum, não seria pior?

Estávamos a caminho da casa de e eu ria com os comentários que ela fazia sobre as pessoas que passavam na rua. Fomos com Roger, o motorista que foi me buscar no dia do show, porque eu não quis incomodar nenhum dos meninos.
abriu a porta de sua casa e eu entrei. Diego, o irmão dela, estava jogado no sofá vendo televisão.
- Oi, Diego. – cumprimentei e ele riu.
- Bom dia, monstrinhos. – ele respondeu e fez careta.
Ela e Diego não tinham uma relação nada... Amigável. Há alguns meses atrás ele havia quebrado o nariz dela e, desde então, eles só trocavam monossílabos. Fora que ela odiava os apelidos que ele colocava na gente. ignorou o irmão e me puxou até o seu quarto.
- Como se sente? – ela murmurou, quando eu me joguei no pufe enorme que ela tinha no quarto.
- Não sei, – respondi. – eu me sinto confusa.
- Insegura? Com vontade de sair correndo?
Assenti e ela sorriu.
- Isso é normal, , você vai praticamente mudar de vida. Mas não está nem um pouco feliz?
- É claro que eu estou, , mas também estou com medo! Poxa, eu não sei como vai ser lá, sabe? Eu não vou ter você, nem nenhuma das meninas, não vou ter ninguém que me entenda como vocês.
- Internet e telefone não te dizem nada? – ela perguntou e eu ri.
- Dizem, mas nunca vai ser a mesma coisa sem vocês.
- , – ela disse chegando perto de mim – não fica se preocupando demais, só vive o momento! Poxa, a Inglaterra sempre foi o seu sonho! Conhecer o McFLY também, e você parece nem estar pensando nisso, você só está pensando no lado ruim das coisas. – ela colocou minhas mãos entre as suas e sorriu. – Pense um pouco em como você realizou todos os seus sonhos de uma vez só. Você não tem mais a Judith pegando no seu pé, e o seu irmão toca na sua banda favorita, quer melhor?
- Eu sei que eu tenho sorte, ... O problema é que eu tenho medo de não me adaptar.
- Muita gente deixa de viver a vida porque tem medo, , confie em você.
- Certo – eu sorri e ela me abraçou.
Alguém bateu na porta e se levantou para abri-la.
Amy, Hanna e Emma entraram no quarto rapidamente e eu ri quando elas pularam em cima de mim e me abraçaram.

- Você vai amanhã mesmo? – Emma perguntou e eu assenti.
Foi difícil contar a elas, mas assim como a , elas já sabiam que, no fim, eu iria com o . Amy deitou na cama de , que estava sentada ao meu lado. Hanna estava sentada na cadeira do computador e Emma estava sentada no chão com as costas apoiadas na cama.
- E como você se sente, ? – Hanna perguntou, olhando-me.
- Eu estou um pouco insegura, mas acho que não é nada demais.
- Parece um sonho. – Amy disse, com os olhos brilhando – Inglaterra, McFLY. Algum dia vocês imaginaram isso?
Todas murmuraram um “não” e eu ri, estava vivendo o sonho delas.
- Você vai amanhã mesmo? – Emma perguntou.
- Vou. – murmurei e as vi trocando olhares. – O que foi?
- Eu acho... Eu não, nós achamos, que você precisa arrumar as malas. – Hanna “presumiu”.
- Claro, só que eu não tenho nada para colocar dentro.
- Então, eu acho que nós vamos ter que te ajudar, certo, meninas? – Emma perguntou e todas concordaram.
Elas olharam para mim e eu sorri amarelo. Essa não.
- VAMOS AO SHOPPING! – gritou e eu me encolhi ao seu lado.

- Aqui já está bom, Diego. – ordenou e ele estacionou.
- Não se esquece do que você me prometeu! – ele cobrou e eu ri, adorava as chantagens da .
- Eu não vou. – ela respondeu e nós saímos do carro.
Amy, Hanna e conversavam baixinho atrás de mim e de Emma, que falava alto.
Olhei feio para ela, que gritava feito uma louca, e ela sorriu amarelo.
- VAMOS ENTRAR ALI!
Passamos o dia entrando e saindo de lojas, eu já não agüentava mais. Elas me fizeram gastar todo o dinheiro que havia me dado e mais um pouco, o dinheiro delas. E mesmo assim, não havia comprado nada que eu gostasse.
- Podemos ir para casa? – murmurei e elas negaram. – Eu to cansada!
O celular de tocou e ela correu para longe da gente para atender.
- Vocês estão tão misteriosas hoje. – eu disse, com a sobrancelha arqueada, e Amy riu sem graça.
- Impressão sua, amiga! Nós só estamos...
- Estamos nos divertindo! – Hanna completou e fez uma dancinha estranha.
- Vocês são estranhas. – Murmurei e elas riram. – É sério! Ainda bem que vou me livrar de vocês.
- Não, aposto que você vai sentir muito a nossa falta. – disse assim que se juntou a nós novamente. – Ainda não visitamos as lojas do segundo andar. E lá fomos nós, de novo.

Joguei-me na cama de completamente exausta e seus ursinhos de pelúcia caíram todos no chão, mas eu não me importei. Meus pés doíam e estavam cheios de calos, elas só vieram embora porque eu paguei um hambúrguer para cada uma. É, mundo injusto.
- Acho que eu vou morreeeeeeeeeeeeeeeer. – eu resmunguei e elas riram.
- Exagerada pra cacete. – Amy disse e deu língua.
entrou no quarto de repente, junto com Emma, que fez um joinha para as outras meninas e eu fiquei confusa.
- Por que eu tenho a impressão de que vocês estão escondendo alguma coisa de mim?
- Não estamos, ô complexada! – falou e foi em direção à porta, mas voltou. – Aliás, seu irmão lindo e bem dotado disse que vem te buscar daqui a pouco – e saiu com Emma em seu encalço.
Olhei para Amy e Hanna que deram de ombro e ri. Longe de mim, mas essa intimidade da com o estava começando a me incomodar. Alguns minutos depois, senti a garganta seca e desci para tomar um pouco de água. Parei na metade da escada e me assustei ao ver que e estavam lá, jogados no sofá da como se estivessem em casa. Desci mais alguns degraus e vi que ela estava lá também, sentada no chão escrevendo alguma coisa. Ok, , isso agora virou bagunça? Pulei do terceiro degrau e se assustou ao me ver ali.
- ? Eu não disse que era pra você...
- Eu fiquei com sede. – murmurei. – Não posso beber água?
olhou pra mim com reprovação e eu ignorei, continuava esparramado no sofá como se eu nem estivesse ali.
- Pode. – ela resmungou e voltou a escrever.
Fui em direção à cozinha e me assustei ao ver que Emma estava lá com um monte de pacotes, e logo que ela me viu, enfiou tudo dentro do armário.
- TÁ LOUCA? QUER ME MATAR? – Ela perguntou e arregalou os olhos.
- Desculpa, mas – eu disse abrindo a geladeira e pegando uma garrafa de água. – sabe o que é? Parece que todo mundo resolveu esconder as coisas de mim hoje.
- É impressão sua, eu só estou guardando as coisas que nós compramos no supermercado para a tia . – Ela respondeu e sorriu amarelo. – Por que esconderíamos alguma coisa de você?
- Não sei, eu só não gosto de ser a última pessoa a saber das coisas, como anda acontecendo ultimamente. – eu disse sorrindo fraco para ela e saindo.
Quando eu cheguei na sala, , e ainda estavam lá, mas agora Amy também havia decido. Passei pela sala e fui em direção às escadas, quando Amy me chamou.
- , a Hanna quer a sua ajuda lá em cima, pode ser? – ela perguntou e eu dei de ombros, voltando para o quarto.
Chegando lá, Hanna me fez ajudá-la a separar todas as coisas que nós tínhamos comprado e depois de eu xingar ela de tudo quanto foi nome por ter tirado tudo da ordem pela segunda vez, veio me chamar.
- Os meninos estão indo. – Ela anunciou, sem me olhar nos olhos.
- Tudo bem. – eu murmurei, pegando as coisas que eu tinha comprado e descendo as escadas.

Chegando ao hotel, fomos para os nossos quartos e logo que eu entrei no quarto de , joguei-me na cama com toda força.
- Se divertiu? – ele perguntou, vindo atrás de mim e fechando a porta.
- Sim – murmurei, seca.
- Nós não estamos escondendo nada de você. – Ele disse, indo para o banheiro e fechando a porta. Depois de alguns minutos ele saiu e completou: - Só estamos omitindo.
Olhei séria para ele e ele riu.
- Qual foi, ? Você vai gostar.
- Pelo jeito, não adianta eu perguntar, certo?
- Não mesmo.
- Sem ameaças?
- Não adianta, .
- Certo, – Eu disse e ele riu alto. – você é o pior irmão que eu tenho.
- Achei que você não tivesse outro.
- Não que eu saiba.
Conversamos um pouco mais e eu tentei, a todo custo, arrancar a verdade dele, mas ele não quis me contar nada. Bocejei e ele riu de mim.
- Dorme, pequena. O seu dia vai ser cheio amanhã.
- Eu dormiria melhor se você me contasse o que vai acontecer.
- Não acredito que você ainda não desistiu.
- “The heart never lies”. – citei e ele gargalhou. – Eu sei que eu não vou gostar.
- Vai sim, você não confia em mim?
- Confio – eu disse, bocejando de novo. – quer dizer, deveria confiar, mas você não está ajudando muito.
Ele beijou a minha testa e eu me ajeitei no travesseiro.
- Eu te contaria, se fosse um segredo meu. – ele disse em voz baixa, tirando o cabelo do meu rosto.
Bocejei de novo e fechei os olhos.
- Desistiu? – ele sussurrou e eu neguei com a cabeça.
- Amanhã eu descubro. – respondi e sua risada baixa foi a última coisa que eu ouvi.

Eu observava minha cidade passando pela janela do carro e todas as lembranças que estavam ali, presentes, passavam pela minha cabeça também. Todos os momentos bons que vivi com minhas amigas, até os momentos ruins que eu passei ali, fazem parte da minha história, da minha vida. Bom, a vida antes de descobrir toda a verdade.
Estávamos todos divididos em três carros. , e vieram no mesmo carro que eu, enquanto as outras meninas, e foram no outro. e não paravam de falar, embora ela estivesse falando e brincando, sabia que por trás daquela pose de forte, ela estava querendo chorar e pedir pra eu ficar. estava tão perdido e quieto quanto eu e parecia mais feliz do que nunca. A festa de despedida me fez ver quão amada eu era pelas minhas amigas, as únicas coisas importantes que eu tinha, junto com a minha nova família. Respirei fundo e vi que me olhava com um sorriso nos lábios.
- Está animada? - Ele perguntou animado e eu assenti, mantendo-me em silêncio. Fechei meus olhos e respirei fundo mais uma vez, sentindo uma mão encostando-se às minhas e apertando levemente, como se quisesse dizer que estava ali. Eu não precisava abrir os olhos para saber que eram as mãos de e tive que me controlar para não deixar que as lágrimas que se formavam em meus olhos rolassem.

Flashback on [N/a: Se for o Harry que aparecer tocando violão, imaginem que ele toca, ok? :)]

Todo mundo estava me evitando. O que era estranho, porque até o estava assim. Não estava me importando muito, já que eu ainda precisava de um tempo para assimilar tudo que estava acontecendo comigo. Eu estava ficando cada vez mais nervosa a cada minuto que a viagem se aproximava, o que já era de se esperar. Respirei fundo, vendo e entrarem iguais a um furacão no quarto onde eu estava.
- , o vôo foi adiantado mais uma vez, precisamos estar no aeroporto daqui a pouco. – avisou e eu arregalei os olhos e levantei correndo da cama, pegando as roupas que eu já havia separado. e desceram e, logo após, eu me juntei a eles no hall do hotel.
- Onde estão suas malas? – perguntou assim que eu cheguei perto deles e eu fiquei sem ar.
- , acho que esqueci as malas na sua casa. – Falei, um pouco desesperada.
- Certo, vamos passar lá para pegar e nos encontramos com os caras no aeroporto – disse.
- E cadê eles? – Perguntei e os dois levaram mais tempo do que o necessário para responder. – Então?
- Já estão lá – disse, e eu o olhei apavorada.
- Então, vamos logo! – Urrei e nós finalmente saímos.
e conversavam entre si o tempo todo e eu fiquei um pouco desconfiada daquilo tudo. Sério, desde quando minha amiga falava mais com meu irmão do que comigo? Demoramos um pouco para conseguir sair do hotel, porque um animal estacionou logo na saída da parte de trás, então nós fomos obrigados a passar por aquela quantidade de fãs e paparazzis. passou um braço em volta do meu pescoço e outro no pescoço de , fazendo com que nós ficássemos com a cabeça baixa para que os flashes não nos cegassem. Os seguranças faziam uma barreira para que pudéssemos passar e eu os agradeci mentalmente por aquilo.
Depois de muito tempo, finalmente saímos em direção ao carro e uma completamente vermelha estava ali. Ri baixinho, atraindo a atenção dela. Ela olhou pro e viu que o mesmo não estava olhando e mostrou o dedo pra mim, fazendo com que eu risse mais alto.
- Ê, , não posso virar as costas que você dá em cima do meu irmão. - Falei em português e vi suas bochechas ficarem vermelhas, fazendo com que eu risse mais alto. nos encarava como se nós fossemos estranhas e deu de ombros, nós éramos mesmo.
O trânsito naquela cidade estava um inferno, o que era muito anormal. Por mais que eu tivesse brincando, o assunto ali era sério e o clima estava tenso demais. Meu coração batia a ponto de explodir dentro do meu peito, a saudade que ia sentir das minhas amigas estava começando a doer mais do que deveria.

Paramos em frente à casa de dois andares de e descemos do carro. estava tranqüilo demais para quem estava atrasado, o que era estranho. Fui andando apressada em direção à porta e a abri, já que ninguém parecia estar ligando muito para o nosso atraso.
Eu sabia que sempre que tinha alguém em casa, a porta ficava aberta. Acendi a luz e a introdução de Too Close for Comfort invadiu o lugar. Franzi a testa e caminhei em direção à sala.
A voz de fez com que meu corpo se arrepiasse e eu levasse um baita de um susto, aquilo não podia ser real. Afinal, o que na minha vida era real ultimamente? Olhei a sala decorada, uma mesa com tudo que eu gostava estava posta, vários cartazes com letras que reconheci ser de Emma espalhados pela casa e um chamou deles minha atenção.
"When I'll remember you always, so much has change... Seja feliz na sua nova jornada, amiga. Nós vamos ser sua falta"
- Tudo pensado. – eu murmurei, sentindo os braços de me abraçarem e vi Amy, Emma e Hanna vindo em minha direção. - Vocês querem me matar? Sério, assim eu vou mudar de idéia. - Uma lágrima desceu pela minha bochecha esquerda e limpei-a rapidamente. Eu não queria chorar.
Os meninos continuaram a tocar e eu ficava cada vez emocionada.
Cara, McFLY estava fazendo um show TOTALMENTE particular na casa da minha amiga PARA MIM. Por mais que estava começando a me acostumar com todos eles, não deixavam de ser minha banda favorita. trocou um olhar cúmplice com e senti uma coisa ruim em meu peito. Ela assentiu e andou em direção ao mini palco, sorrindo. Os meninos bebiam água o microfone de passou para as mãos trêmulas de .
- Bom, depois nós vamos querer um discurso. - Todos eles riram e eu cruzei os braços, emburrada. – Mas, primeiro, eu e as meninas estávamos pensando numa maneira de fazer uma homenagem a você e bem, tive duas grandes ajudas. - Ela olhou pra e pra , que ainda estava parado ao meu lado. pegou um violão, sentando num banquinho e continuava com o seu apoiado em suas pernas. – Eu estava tentando procurar uma música que você gostasse, que falasse o que nós passamos juntas e que não fosse dos meninos, porque ia ser uma pagação de pau da merda. E com certeza, seria melhor eles cantando e não eu. - Todos da sala começaram a rir e ela começou a brincar com o violão, antes de começar a tocar uma introdução conhecida por mim e por elas.

Tears you try so hard to hide
Lágrimas que você se esforça para esconder
You hold it all inside
Você segura tudo dentro de si
Pretend it doesn't matter
Finja que não importa
Why keep it yourself
Por que você mesmo fica guardando
When you got someone else
Quando você tem outra pessoa
You know can make it better?
Você sabe que pode melhorar?

tocava com os olhos fechados e sua voz e minha respiração eram as únicas coisas que eu conseguia ouvir naquela sala. tocava junto com ela e de vez em quando, eu o pegava olhando para mim. As lembranças de todos os momentos que passamos juntas, todas as brigas de mentira, quantas vezes nós discutimos por um motivo bobo e sonhamos. Uma lágrima desceu pelo rosto de e eu arregalei os olhos. Sério mesmo que ela estava chorando? Ela chorou na nossa frente, ela nunca chora. Depois de um soluço sair por minha garganta, pude perceber que eu também estava chorando. Ela parou de tocar, deixando só o violão de e secou seu rosto rapidamente.

You try to be so strong
Você tenta ser tão forte
But I always know when something's wrong
Mas eu sempre sei quando algo está errado
See when you're feeling down
Vejo quando você está se sentindo para baixo

Hey, wasn't it you
Ei, não era você
Who's always been there for me?
Que sempre esteve lá para mim?
Don't forget what we've been through together
Não se esqueça o que nós passamos juntos
Hey, isn't it true?
Ei, não é verdade?
We promised to always be
Prometemos ser sempre
Best friends forever, yeah
Melhores amigos para sempre, yeah

Todas as promessas que nós fizemos. Todos os sonhos que prometemos realizar juntas, como ir pra Londres, fazer uma faculdade famosa e alugar um apartamento para nós quatro com vários vizinhos gostosos batendo na nossa porta. Fazer várias festas, regadas de bebidas e brigadeiro e ver filmes e séries quando não tínhamos nada a fazer.
Fechei os olhos, esquecendo de tudo a minha volta, e escutando a voz de .
Eu ia sentir muita falta daquilo tudo, ia sentir falta de ficar horas acordada falando com minhas amigas, de ficar na rua conversando até altas horas, assistindo qualquer coisa na TV. Dei um suspiro, que saiu com um soluço, e as lágrimas continuavam a banhar meu rosto. Abri meus olhos e vi Amy, Hanna e Emma com os olhos cheios de lágrimas, assim como eu. sorriu para mim e continuar a cantar. Caramba, ela estava realizando o sonho dela, ela estava tocando junto com os meninos, o mesmo sonho que eu tinha há horas atrás.

Words you don't need to say
Palavras que você não precisa dizer
The sad that's on your face
O que é triste no seu rosto
Isn't hard to see through
Não é difícil de ver
I've been there once or twice
Eu estive lá uma vez ou duas
It's you that made things right
Foi você que acertou tudo
My turn to be there for you
É a minha vez de estar lá para você

Lembrei-me de quando os pais de estavam com crise no casamento, a mãe dela querendo separar e o pai dela em depressão. Minha amiga, por um tempo, não era quem eu conhecia, ela vivia triste pelos cantos, como se tudo aquilo que estava acontecendo fosse culpa dela, como se nada de bom fosse acontecer novamente. Eu estive lá, todas as vezes que ela me ligava desesperada. Dizia que tudo ia ficar bem e que os pais dela iam se acertar. Embora eu não soubesse dar os conselhos certos, eu tentava de tudo pra fazê-la se sentir bem, esquecer qualquer coisa que estivesse deixando-a triste. Ela sempre esteve presente para brigar comigo, para me dar os conselhos, esperando que eu melhorasse em alguma coisa. E sempre me dava apoio, falando que eu era uma ótima tecladista e que um dia eu seria a tecladista do McFLY. Por uma grande ironia, eu tinha sido por um dia. Ri baixinho, acho que ela podia ser vidente.

You try to be so strong
Você tenta ser tão forte
But I always know when something's wrong
Mas eu sempre sei quando algo está errado
See when you're feeling down
Vejo quando você está se sentindo para baixo

Hey, wasn't it you
Ei, não era você
Who's always been there for me?
Que sempre esteve lá para mim?
Don't forget what we've been through together
Não se esqueça o que nós passamos juntos
Hey, isn't it true?
Ei, não é verdade?
We promised to always be
Prometemos ser sempre
Best friends forever, yeah
Melhores amigos para sempre, yeah

Olhei para , que olhava de forma estranha pra minha amiga. Ri baixinho, jogando minha cabeça pra trás. Por que eles são tão lerdos, caramba? havia me pegado desprevenida. Desde quando eu escutei essa música pela primeira vez, eu adorei. tinha assumido o violão de , já que ela parecia estar emocionada demais para tocar. Acho que também contava o fato de ela achar que tocava mal. Senti uma mão tocar meu braço e vi Emma, Hanna e Amy ao meu lado, com um sorriso no rosto.

When the rain comes down
Quando a chuva cair
I'll be there
Eu estarei lá
I will always be around
Eu sempre estarei ao redor
Just wanna be the one to catch you
Só quero ser o único a pegar você
When you fall
Quando você cair

Abri o maior sorriso que meus lábios permitiram, eu tinha as melhores amigas do mundo e não tinha nada que reclamar de tudo que elas já fizeram por mim. Acho que todos podiam sentir inveja de mim por isso, por minhas amigas serem quase minhas irmãs.

Hey, wasn't it you
Ei, não era você
Who's always been there for me?
Que sempre esteve lá para mim?
Don't forget what we've been through together
Não se esqueça o que nós passamos juntos
Hey, isn't it true?
Ei, não é verdade?
We promised to always be
Prometemos ser sempre
Best friends forever, yeah
Melhores amigos para sempre, yeah

Não demorou muito e a música parou. ficou um pouco vermelha quando os meninos aplaudiram e veio correndo em minha direção, abraçar-me fortemente. - We promised to always be best friends forever. – Ela falou em meu ouvido e mais algumas lágrimas caíram. Ficamos abraçadas por tanto tempo, que nem percebi que os meninos tinham vindo falar comigo. - Você é como minha irmã, pirralha. - Escutei-a dizer em português.
- , se você é como se fosse minha irmã, você tecnicamente seria irmã do , então não ficaria muito bem você pegar seu irmão. - Ele prestou atenção quando falei o nome dele, mas logo fez careta por não entender uma palavra, somente o nome dele.
- Você tá tão engraçadinha ultimamente. Eu até te bateria e te xingaria, mas como você tá se mudando, é melhor eu aproveitar que minha amiga continua aqui. Aliás, não pense que eu te amo, tá? Eu continuo te odiando, baixinha. – Ela fez uma cara de esnobe e eu dei um tapa na cabeça dela, fazendo com que ela soltassem um palavrão alto, fazendo com que as meninas gargalhassem alto.
- Algumas coisas não mudam. – Amy murmurou e nós rimos.
- O que a falou? – perguntou, coçando a cabeça e ficou vermelha. Ela me fuzilou com os olhos e eu gargalhei. As meninas olhavam a cena, segurando a risada, eu era a menos discreta dali.
- Alguém pode falar o que ela tava falando de mim? – Ele fez uma cara de cachorrinho abandonado e olhou com uma expressão boba.
- Ela falou... - coçou a cabeça, pensando numa desculpa. - Ela falou que quando eu estiver com um tempo sobrando, ela vai pedir pra você pra eu ir pra Londres visitá-la. - Eu gargalhei mais alto e as meninas me acompanharam, não teve como segurar, que cara de pau!
- Ah, mas é claro que você pode ir pra lá quando você quiser. – Ele respondeu e ficou ainda mais vermelha. - Quando você quiser, é só falar. - abriu um sorriso de lado e pude ver que se ele continuasse assim, ela ia ter um ataque fulminante.

Flashback off

Eu ia sentir muita falta daquelas meninas. Ia sentir falta das zoações que envolviam nós quatro. Uma implicando com a outra por motivos idiotas. O carro foi perdendo a velocidade aos poucos e lá estávamos nós, no nosso destino. Eu estava começando a enfrentar minha nova vida. Como eu ia conseguir lidar com tudo aquilo sem minhas amigas pra me fazerem rir e me fazerem lembrar das minhas origens? Seja lá quais forem elas.

Uma quantidade enorme de gente encheu relativamente o aeroporto. A segurança dali fora reforçada e os gritos das fãs neuróticas estavam sendo abafados pelo vidro (e eu dei graças a Deus por isso). Conversávamos e ríamos de nós mesmos, ou de alguma piadinha que e tinham soltado. Vez ou outra, os meninos acenavam para as fãs, o que fazia os gritos aumentarem ainda mais. Juro que até pude escutá-las gritando o meu nome, mas talvez fosse só a minha imaginação. Com o check-in feito, esperava pela voz irritante da mulher do aeroporto para que eu dissesse um até logo para minhas amigas. E bom, dissesse olá pra Londres. Enquanto estávamos conversando, para amenizar o clima, olhei para o rosto de cada uma das minhas amigas. De longe, era a mais abatida, embora todas estivessem com olheiras profundas e narizes vermelhos de tanto chorar. Talvez com a fosse mais estranho porque nós nunca a vimos daquele jeito.
"Passageiros do voô 1662 com destino a Londres, por favor dirijam-se ao portão 6"
Suspirei fundo e me levantei, assim como todos os outros. Abracei fortemente minhas amigas e sorri para elas, mesmo querendo chorar.
- Quando chegar à terra da rainha, liga pra gente. – Amy disse e eu assenti.
- É, nós vamos querer saber de tudo! – Hanna completou.
- E se você conhecer um inglês gostoso, dá o nosso telefone – Emma pediu e eu ri. Olhei pra e prendeu a respiração atrás de mim, talvez porque ele soubesse que seria a despedida mais difícil.
- Então é isso, né? – Ela deu um sorrisinho nervoso e seus olhos lacrimejaram. Senti seus braços me puxarem para um abraço forte e as lágrimas de começaram a molhar minha blusa. - Boa viagem, . Assim que você chegar lá, me liga, independe de qual for o horário. Aproveita lá por nós. - Desejou com sinceridade e abriu um sorriso amarelo.
- Obrigada por tudo, . - Abracei-a mais forte e respirei fundo. - Ei, cadê a minha amiga de uma semana atrás? Ela não chora nunca. - Ela soltou um soluço alto e riu em seguida. ficou piscando os olhos rapidamente, como se quisesse parar de chorar e abri um sorriso pra ela.
- Promete pra mim que não vai virar amiga de uma inglesa tábua e esquecer de mim? - Ela pediu e fez cara de cachorro sem dono e eu gargalhei alto.
- Prometo. E promete que não vai me trocar por nenhuma dessas aí? - Apontei pras outras meninas e ela gargalhou concordando. - Eu te amo, amiga, muito mesmo. Vou sentir sua falta. - Abracei-a novamente, enquanto os outros se despediam das meninas.
- Ei, quero me despedir da também, , larga de ser possessiva. - A voz de fez com que eu soltasse minha amiga e ele a abraçou, logo em seguida tirando seus pés do chão. Falou algumas coisas, que eram meio impossíveis de entender e ela continuava a chorar. Depois foi , imitando o gesto de e depois . e se encaravam sem jeito e eu ri baixinho, observando a cena.
- Er... Foi bom te conhecer, . - Ela estava vermelha. Mais vermelha do que costuma ser. A cena estava sendo mais engraçada do que um programa de comédia. - Obrigado por ter cuidado da minha irmã por todo esse tempo e por ter me ajudado. - assentiu, um pouco nervosa. Seus joelhos dobravam de tanto que ela tremia. Não tinha mais como implicar com ela, apenas o que todo mundo já sabia. O nervosismo dela quando falava com ela merecia um vídeo.
- Que isso, o que eu fiz por essa pirralha é o que qualquer amiga faria pela outra. – abaixou a cabeça, envergonhada, e ele sorriu bobo para ela. - Cuida bem dela, porque ela é muito importante pra mim, ou então você vai se ver comigo. - Ela sussurrou, tentando fazer com que eu não escutasse.
- Pode deixar, eu vou cuidar dela. Então, é isso, né. - coçou a nuca e se aproximou dela, abraçando-a pela cintura e eu ri baixinho ao ver a cara de paisagem dela. - Se cuida, tá? – Ele colocou-a no chão e, bom, eu acho que vi demais. No exato momento em que foi dar um beijo no rosto dela, ela virou pro mesmo lado e, bem, os dois deram um selinho. Acho que não foi invenção da minha cabeça, já que ela fechou os olhos com força e estava mais vermelha que... Bom, mais vermelha do que alguma coisa. E também não ficava muito atrás.
"Ultima chamada para o voô 1662"
- Enfim, boa viagem pra vocês e espero que nos vejamos em breve. - abriu um sorriso e tinha uma cara um tanto engraçada. Nós fomos andando em direção ao portão e senti uma mão se entrelaçar na minha. Meu corpo se arrepiou involuntariamente e lá estava novamente ao meu lado. Apertou-a levemente e agora seria assim, nós estaríamos próximos demais, querendo ou não.
Sentei-me ao lado de e se sentou do outro lado, com um assento vago ao seu lado. e se sentaram perto da janela. e estavam mais quietos que o normal, enquanto os outros dois faziam gracinhas à parte. olhava o nada, com um sorriso nos lábios que eu poderia julgar um pouco gay... Se não soubesse que minha amiga também estaria assim.
Aqueles dois, com aquela lerdeza natural, iam dar muito pano pra manga. Mal tinha acabado de deixar minha amiga e já queria que ela fosse pra Londres, só pra ver no que aquela história ia dar. O que seria, no mínimo, engraçado.
Não demorou muito até que os meninos dormissem e eu, sem sono, escutava uma música qualquer que tocava no iPod. Não demorou muito até sentir meus olhos pesarem e antes que eu percebesse, estava dormindo.

Senti as mãos quentes de me cutucando e me virei para poder olhar para seu rosto. Seus olhos intensos me hipnotizaram e eu sorri de lado. Ele respirou fundo e começou a falar:
- , eu queria te dizer uma coisa. – Eu concordei com a cabeça, para que ele continuasse a falar e ele e suspirou. - A verdade é que eu menti pra você. - Franzi a testa, sentindo meu coração bater com força contra meu peito e ele continuou antes que eu tirasse minhas conclusões erradas. - Eu menti quando falei que queria que você fosse a tecladista do McFLY. Não que você toque mal, é que, bom, eu queria te falar outra coisa. Então, agora que eu tomei coragem, eu quero falar o que eu realmente queria falar antes. A verdade disso tudo, , é que eu me encantei por você na primeira vez que eu te vi e, com o tempo, você veio mostrando que não era igual a todas as garotas que eu queria levar pra cama e percebi que você é boa demais pra mim. - Soltei uma gargalhada alta, fazendo com que ele me encarasse, confuso.
- Eu sou boa demais pra você? , na boa, conta outra. - Revirei os olhos e depois olhei para qualquer lugar que não fosse para ele. Senti sua mão tomar meu rosto com delicadeza e os pelos da minha nuca se arrepiaram com aquele simples toque.
- Você é boa demais para qualquer um, . Você encanta qualquer pessoa com seu jeito diferente, sua beleza natural e bem, tudo. Você é simplesmente encantadora. - Suas mãos foram até minha cintura e me puxaram para perto de seu corpo. Sua respiração batia em minha boca e fechei meus olhos, sentindo sua boca encostar-se à minha."

Senti meu corpo balançar devagar e abri meus olhos lentamente, dando de cara com um com a cara amassada. Olhei-o confusa e bocejei, tirando os fones de ouvido e me ajeitando na poltrona.
- O que aconteceu, ? - Olhei-o, como se estivesse perguntando o que ele queria saber. - É que você estava me chamando. – Ele explicou e eu arregalei meus olhos, sentindo minhas bochechas pinicarem.
- Eu estava te chamando? – Ele assentiu e eu respirei fundo, não sabia que teria problemas com o fato de eu falar dormindo. – Eu não estava, , acho que você sonhou. – Eu disse e abri um sorriso amarelo, tentando contornar a situação.
Ele me olhou por algum tempo e deu de ombros, voltando a fechar os olhos.
Respirei aliviada e vi que me olhava.
- O que foi? – eu sussurrei, para não acordar , e ele riu.
- Eu acho que não foi ele que sonhou, . – ele debochou e eu arregalei os olhos. Muito obrigada, .

Capítulo 15

Encarei nervosamente e ele sorriu docemente para mim.
- Só faltou você dizer que o amava, sabe? – ele murmurou e eu o fuzilei com os olhos, com medo de que ouvisse.
- Não sei do que você está falando. – eu disse, brincando com a ponta do travesseiro que estava em meu colo.
Ele riu baixo e eu voltei a olhar para ele, nervosa.
- É só brincadeira, , não precisa ficar nervosa. Esquece, ok?
- Vai dormir, . – resmunguei e ele riu baixo.
Voltei a fechar os olhos e as imagens do sonho voltaram a minha cabeça. Que merda, , desde quando você sonha com o ? Ok, desde sempre, mas isso não vem ao caso.
Passei as músicas no iPod sem interesse algum e ri quando o visor mostrou que eu tinha mais músicas do McFLY do que de outras bandas. “Little Joanna” começou a tocar e eu recoloquei os fones no meu ouvido, cantarolando o começo. Pelo canto dos olhos, vi que sorria e me virei para ele, que passou as mãos pelo rosto amarrotado e tirou um dos meus fones, colocando em seu ouvido.
- Não acredito que você ouve esse lixo. – ele sussurrou, como se estivesse contando um segredo e eu balancei a cabeça.
- Nem eu, – sussurrei de volta e ele riu, balançando a cabeça no ritmo da música. – me responde uma coisa?
- Eu já disse que você não pode chegar em casa tarde da noite, por que você quer discutir? E aquele seu namorado, eu não gosto dele. – brincou e eu gargalhei, fazendo-o sorrir. – Respondo, pode perguntar.
- Quem era Joanna?
Ele me olhou surpreso e eu dei de ombros, sempre quisera saber.
- Tem certeza que não sabe? – Perguntou e eu pensei um pouco, não fazia a mínima idéia de quem era. Neguei com a cabeça. Ele mordeu os lábios e sorriu. – É claro que você sabe, .
- Eu não sei, caramba! – insisti e ele riu do meu desespero. – Se não quiser me contar, não precisa, eu só achei que... Sei lá, que não tivesse problema.
- É você, – ele murmurou e eu o olhei, surpresa. – logo que os caras descobriram sobre você, nós fizemos a música.
- Não faz sentido – eu disse e soltei os cabelos, que estavam uma bagunça. – quer dizer, eu tenho uma música.
- É, você tem. – ele concordou e eu ri, sem graça. – Aliás, você deve ter mais algumas em algum lugar na minha casa, acho que vou procurar.
- Não se atreva, – eu murmurei e ele me olhou, confuso. – eu não nasci para ser uma musa inspiradora de ninguém, .
- Tudo bem, eu sempre achei melhor escrever músicas sobre as garotas que o pega. – ele disse e eu ouvi alguém rindo atrás de mim.
Me virei e vi que estava acordado, mas mantinha os olhos fechados. Por um instante eu fiquei com medo de ele ter escutado minha conversa com , mas deixei isso pra lá. É, eu sonhava com ele, e daí?
- O que você acha que ela vai pensar de mim, ? – murmurou e eu ri, já sabia da fama dele.
- Ela não vai pensar nada, ela já te conhece. – respondeu. – Eu só estou avisando para ela ficar esperta e não se meter com você.
abriu os olhos e eu senti seus olhos me perfurando, mas ele não disse nada. Olhei para , que agora tinha virado para conversar com e dei de ombros, eu não queria ficar esperta. Eu queria ter perto de mim, e sentia que as coisas poderiam começar a se complicar.

Uma aeromoça chegou para nos servir alguma coisa verde e gosmenta, que parecia vômito de gato e eu vi que ela olhava indiscretamente para , que parecia não se importar nem um pouco.
- Você não quer? – perguntou, pegando um dos pratos e se preparando para comer.
Fiz careta e riu. – Isso é comestível? – Soltei, sem pensar.
sorriu torto para mim e se aproximou, encostando sua boca em meu ouvido, o que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem.
- É vômito de gato, – ele sussurrou e eu achei engraçado ter pensado a mesma coisa que ele. – mas é um dos pratos preferidos do , então é melhor se acostumar.
Dei língua e ele riu, voltando a sua posição inicial.
- Mais alguém? – a aeromoça atiradinha perguntou e eu e negamos.
Ela sorriu para e ele sorriu de volta, o que me deixou um pouco incomodada. Mas por que, diabos, eu estava incomodada? Ela saiu rebolando pelo corredor e a acompanhou com o olhar.
- Vai perder a chance? – perguntou e deu a língua.
- Não sou como certas pessoas. – ele rebateu e riu. Olhei para confusa e ele deu de ombros, enfiando mais uma colherada do vômito de gato na boca.
Sentei-me de indiozinho e observei os outros passageiros, entediada. A senhora que estava sentada ao lado de dormia de babar e , atrás de nós, também. Um carinha de uns 20 e poucos anos cantava a aeromoça que antes estivera interessada no , mexia em alguma coisa que eu não conseguia ver, terminava de comer e brincava com a tampinha de sua garrafa d’água. Pelo menos eles não pareciam menos ansiosos do que eu.
- , quer brincar? – ele perguntou e eu o olhei, espantada. – O que foi?
- Você não está bem crescidinho, ? – perguntei e ele riu, dando de ombros.
- Estou entediado e você também. – rebateu e sorriu com um ar vitorioso, pois sabia que estava certo. – Por favor!
- Só se o brincar também. – eu respondi e ele perguntou a .
- Depende, do que vamos brincar? – perguntou e riu, maliciosamente.
- Vamos fazer uma aposta, – ele sugeriu. – eu e você contra a . Nós perguntamos a ela sobre o McFLY e as questões que ela responder errado, ela fala sobre a vida dela.
Olhei para espantada e ele parecia estar se divertindo com a ideia. Cachorro, traíra.
- Minha vida não é interessante. – eu murmurei, emburrada. Não era mesmo.
- É sim, – rebateu, sorrindo de orelha a orelha. – começa, !
- Ei, eu não disse que aceito! – protestei.
- Certo, então a cada pergunta que nós fizermos a você, você nos faz uma. – propôs e eu sorri.
- Sobre qualquer coisa? – eu perguntei animada e eles riram.
concordou e eu dei gritinhos animados.
- Certo. – começou. – Qual é a sua cor preferida?
- Isso é importante? – perguntei, arqueando as sobrancelhas e olhando para . Ele deu de ombros e eu me virei para .
- Branco. – resmunguei e ele riu.
Mordi os lábios e perguntei a primeira coisa que veio a minha cabeça. - O pegou a aeromoça do vôo de Londres para o Brasil? – eu perguntei e e riram alto. Virei-me para olhar para o e ele deu língua, também rindo. – Caramba.
Continuamos “brincando” e a cada hora, e me faziam mais perguntas idiotas ainda, era impressionante como eles queriam saber tudo sobre a minha vida, até os detalhes mais sórdidos... Que eles não precisavam saber agora, é claro. Passou pela minha cabeça que se perguntasse se eu estava sonhando com ele eu me daria mal, mas não aconteceu, e acabando que a nossa “brincadeirinha” fez o tempo passar um pouquinho mais rápido. Um pouquinho.
- Banda? – perguntou e eu sorri.
- Incrível mas ... McFLY. – respondi e deu a língua.
- Não, sem ser o McFLY. – resmungou e eu cocei o queixo, pensando. Eu gostava de tantas...
- Hmmm, The Beatles vale? – perguntei e ambos me olharam surpresos. – O que foi? - Garotas da sua idade não costumam ouvir Beatles. – comentou e eu dei de ombros.
- Não sei se você ainda não percebeu, mas eu não sou como as garotas da minha idade. – comentei e riu.
- Não é mesmo.– concordou.
Alguns minutos depois as perguntas acabaram, pois e já sabiam a minha cor, o meu programa de TV e os meus filmes favoritos e eu já estava imaginando as nuvens formando desenhos, de novo. Meus olhos estavam pesados, mas eu não queria dormir. Eu queria, sim, que passasse rápido, mas eu não permitiria que eu não me lembrasse de nada daquilo depois. Daquele vôo que mudaria a minha vida, definitivamente. Eu queria guardar aqueles momentos comigo para sempre.

- Wake me up, when september ends... – cantarolei um trecho da música que eu estava ouvindo e bocejei.
Todos ao meu redor dormiam tranquilamente e eu apenas me concentrava em manter os olhos fechados. Além de não querer dormir, eu também não queria sonhar... E principalmente, não queria chamar por ninguém. Sorri para a garotinha que me olhava curiosamente alguns acentos mais a frente e ela sorriu de volta, cutucando a mulher que estava ao seu lado e apontando para mim. A mulher me olhou e sorriu também, o que me deixou um pouco incomodada. Elas me conheciam?
- , – escutei alguém me chamar e presumi que fosse , já que era quem estava ao meu lado. Virei-me para ele, que bocejou e me olhou de volta. – acho melhor você dormir um pouco. Você pode ficar um pouco confusa com o fuso-horário e não vai conseguir dormir bem. Aliás, nós vamos chegar lá de manhã e você não vai ter tempo para dormir.
Olhei-o carinhosamente e ele arqueou uma das sobrancelhas, confuso. Era estranho, mas eu estava com vontade de chorar.
- O que foi? – murmurou e eu sorri sem graça.
- Nada, é só que... Eu acho bonitinho você se preocupando comigo e... Faz tempo que ninguém se preocupa comigo assim, sabe? – confessei e senti as bochechas pinicando.
Ele sorriu para mim e me abraçou de lado, dando-me um beijo na bochecha. - Eu me preocupei com você a vida toda, sabe – ele comentou. – só que você ainda não sabia. Mas, de agora em diante, tenha certeza que as coisas vão mudar.
Encostei a cabeça em seu peito e fechei os olhos. Há algum tempo eu não me sentia assim, bem... Protegida. Porque eu sabia que poderia contar com para tudo, e que ele estaria comigo sempre que eu precisasse. Se nada desse certo, isso bastaria para mim, porque pelo menos eu estava fazendo-o feliz.
- Obrigada – murmurei baixo e o ouvi suspirar.
- Disponha.
Senti que ele estava sorrindo mas não quis levantar a cabeça para olhar. acariciou meus cabelos carinhosamente e alguns minutos depois, eu já havia me rendido ao sono.

’s POV.

dormia tranquilamente encostada em meu peito e eu encarava um ponto qualquer naquele avião. Eu ainda não acreditava que era ela aqui comigo, ainda parecia um sonho distante. Voltei a olhar para ela, que agora estava com a boca entreaberta e respirava calmamente e afastei uma mecha de seu cabelo que estava em cima de seus olhos e sorri feito um bobo, eu seria capaz de passar a vida a olhando dormir, como eu fiz da ultima vez que a vira, no hospital. Balancei a cabeça, tentando tirar esses pensamentos da minha mente, ela estava aqui novamente e isso bastava. Escutei me chamando e me virei, ele estava sorrindo como um idiota também.
- O que foi? – sussurrei para não acordá-la e ele balançou a cabeça.
- Você parece feliz. – ele sussurrou de volta e eu sorri, concordando.
Acho que nunca fui tão feliz, completei em pensamento.
Fechei os olhos e encostei a cabeça no assento do avião, respirando fundo. Eu estava feliz e também esperava que ela estivesse, mas desde o começo eu sabia que não seria fácil para ela. Abri os olhos para verificar pela última vez. Ela ainda respirava calmamente e sorria algumas vezes. Voltei a fechar os olhos e foi só uma questão de tempo para que eu estivesse dormindo de novo. Afinal, o que mais podemos fazer em um avião?

’s POV.

Suas mãos foram até minha cintura e me puxaram para perto de seu corpo. Sua respiração batia em minha boca e fechei meus olhos, sentindo sua boca encostar na minha. Os pelos da minha nuca arrepiaram e o meu coração acelerou, eu senti que poderia ter ido ao céu e voltado naquele momento. Ele abriu os olhos e encostou sua testa na minha, sorrindo. - Isso parece um sonho – sussurrou e eu concordei, não parecia mesmo a realidade.

Senti alguma coisa se mexendo embaixo de mim e abri os olhos, assustada. Deparei-me com um com uma expressão estranha e o olhei confusa. Ai, caramba, de novo não.
- O que aconteceu? – perguntei com a voz rouca e franzi a testa, preocupada.
Ele riu e fez que não havia acontecido nada com a cabeça. Voltei a me sentar no meu lugar, já que eu estava praticamente sentada no colo de , o que para uma menina da minha idade seria extremamente constrangedor e bufei. Por que a maldita hora não passava, hein?
- Falta muito? – perguntei e riu. – Ninguém disse que estávamos indo para o reino tão, tão distante. [n/a: SHREEEEEEEK!]
- Não me diz que você gosta de Shrek. – ele murmurou, fingindo decepção e eu ri, concordando. Ele balançou a cabeça e consultou o relógio de pulso.
- Faltam exatamente 4 horas .– fiz careta e voltei a me jogar na poltrona, fazendo com que risse baixo.
Ficamos em silêncio durante algum tempo. Ele roendo a unha do dedão e eu jogando o meu travesseiro em , que o jogava de volta e sempre acertava na senhora sentada ao lado de , o que estava começando a deixá-lo irritado.
- Péssima mira. – eu impliquei e deu a língua, rindo de que tentava a todo custo evitar que o travesseiro batesse na senhora, que roncava alto.
- , faz alguma coisa! – reclamou e deu de ombros, dizendo que não ligava.
se levantou e catou todos os travesseiros que estavam ao meu alcance e ao de e levou de volta para o seu assento, sentando em cima deles para que não conseguíssemos pegar de volta. Eu o olhei com cara feia e fez um bico do tamanho do mundo.
- Chato. – falou para o amigo, que riu.
Olhei para , que ainda estava com o polegar na boca e puxei sua mão, o que o fez me olhar bravo.
- Vamos conversar – sugeri e ele concordou, recolocando o dedo na boca. Fitei-o, inexpressiva, e ele me olhou com um ar brincalhão. Puxei sua mão novamente e ele mordeu levemente a minha bochecha, rindo.
- Deixa o meu dedo. – murmurou e quando ele ia levar o dedo até a boca, eu puxei sua mão e a segurei, fazendo-o rir. Berrei quando ele tentou me fazer cócegas para que eu soltasse sua mão e quando ele conseguiu puxar sua mão, eu fiz careta.
- Não quero mais falar com você. – murmurei, fazendo bico, e ele sorriu levemente.
- Você não vive mais sem mim, eu sou o sol do seu sistema solar. – brincou e eu ri disfarçadamente de sua piadinha tosca.
- Não sei quem te disse isso – respondi, com um ar divertido, analisando minhas unhas.
- Duvido que você consiga. – disse, baixinho. Eu ri e ele deu um beijo estalado em minha bochecha.
se ajeitou na poltrona e eu segurei sua mão novamente, rindo. Ele me olhou, fingindo estar bravo, mas não disse nada. Apertei sua mão carinhosamente e encostei minha cabeça em seu ombro.
- Faz a hora passar rápido. – implorei e ele sorriu para mim.
- Porque você está querendo chegar logo ou porque não agüenta mais ficar parada?
- Os dois, – murmurei. – não agüento mais ficar perto de você.
- Desculpa, mas você vai ter que me agüentar por muito tempo...
Sorri divertida e o olhei. Ele me olhou de volta e piscou, me fazendo rir.
- Vou ao banheiro. – murmurei e ele assentiu.

Me levantei e fui andando vagarosamente à procura do banheiro mais próximo e entrei rapidamente. Fiz minhas necessidades e me olhei no espelho, rindo. Meu cabelo parecia um monte de palha e meu rosto estava inchado de tanto dormir. Não me admirava que todo mundo estivesse prestando atenção em mim. Molhei um pouco o meu rosto, fazendo o mesmo com meu cabelo e o prendi com o elástico que estava em meu pulso. - Desculpa. – eu murmurei ao sair do banheiro e esbarrar em alguém no corredor. A pessoa riu e eu levantei a cabeça, era .- Ah, é você.
Ele me olhou, divertido, e eu o olhei de volta, confusa.
- Você entrou no banheiro errado. – disse apontando para a placa que indicava o banheiro masculino. Olhei-o, incrédula, e senti as bochechas pinicarem. Ele riu ainda mais.
- Ninguém viu. – sussurrei e ele sorriu para mim, concordando. - Me espera? – pediu e eu assenti. entrou no banheiro em que eu ocupara anteriormente e alguns minutos depois ele saiu.
Seus cabelos estavam levemente bagunçados e seus olhos brilhavam, ele estava lindo. Suspirei profundamente, como eu ainda não havia percebido isso? Sua camisa polo preta por baixo de seu casaco vermelho o deixava mais gostoso ainda. Puta que pariu, , você não pode!
Ele sorriu para mim e eu fiquei tonta por alguns segundos.
- Vamos? – perguntou, tirando-me de meus devaneios e eu assenti, seguindo-o.
Caminhamos vagarosamente e em silêncio, até que ele parou no meio do corredor onde ainda haviam alguns assentos vazios e eu o olhei, confusa.
- Quer... Vamos sentar aqui? – perguntou e eu concordei, sentando-me ao seu lado. Toda vez que eu o encarava, meu corpo inteiro se arrepiava e eu sentia meu coração acelerando e minhas mãos suadas. - Deixa eu sentar na janela? – pedi e ele riu baixo, deixando que eu passasse.
Sentamo-nos e ele ficou encarando o nada por algum tempo, logo depois eu percebi que ele estava com o dedão na boca. Olhei-o séria e ele me olhou, confuso.
- Todos vocês tem essa mania? – perguntei, puxando sua mão e ele riu, concordando. Apertei sua mão para que ele não a colocasse de volta na boca e um arrepio percorreu o meu corpo quando nossas mãos se tocaram. As dele quentes e as minhas, frias.
- , você tá congelando. – acusou, me olhando sério. – Quer a minha blusa?
- Não, eu estou bem. – murmurei sem graça e soltei sua mão, sentindo um vazio inexplicável.
Ele me olhou inexpressivamente e, de repente, eu tremi de frio. Que merda, logo agora? Ele percebeu e sorriu, vitorioso. Retirou seu casaco rapidamente e o estendeu para mim.
- Veste. – Pediu e eu o olhei, séria, neguei com a cabeça e ele rolou os olhos. – Por favor, pequena? – Ele fez sua voz mais convincente e eu sorri ao ouvir aquele apelido.
- Não, , aí quem vai ficar com frio é você!
- Larga de ser teimosa, . – Resmungou. – Eu moro aqui, lembra? Chuva e frio o ano todo, posso sair de cueca na rua se eu quiser.
- Eu não quero. – Murmurei, cruzando os braços e sorri com a imagem de vê-lo só de cueca. Ops.
- Eu não perguntei se você quer. – Ele disse finalmente e esticou os braços em minha direção, colocando o pesado casaco sobre os meus ombros. Sua respiração batendo em meu rosto me fez ficar arrepiada e meu coração estava disparado. Olhei para cima e vi que ele me olhava e seus olhos me hipnotizaram, de novo. Estavam claros, calmos e confiantes e nossos rostos estavam tão próximos... Eu até conseguia sentir sua respiração em minha pele.
Sorri fraco para ele, que estendeu a mão para acariciar meu rosto, mas hesitou. Olhei-o confusa e ele sorriu, me abraçado forte e beijando a minha testa.
- Eu não posso. – murmurou para si mesmo e eu dei de ombros, não entendendo.
me soltou e voltou a pegar a minha mão, sorrindo. Aquele calor e aquela sensação boa voltaram a percorrer o meu corpo e sem pensar, eu me aconcheguei em seu peito. Pode soar clichê, mas eu me encaixava tão bem ali.
- Então, – Ele voltou a perguntar e eu sorri, sua voz também me trazia conforto. – quais são os seus planos para a terra da rainha?

Capítulo 16

Bocejei lenta e preguiçosamente e olhei pela pequena janela da aeronave. O sol já havia nascido e isso significava que faltava pouco... , ao meu lado, digitava alguma coisa no celular. , do outro lado do corredor, batia um papo animado com a o cara que estava sentado a sua frente, que logo depois eu descobri que era um famoso jogador de futebol. lia um livro e não parava de irritá-lo. Catei o meu iPod que estava jogado na poltrona que eu estava sentada e bufei quando vi que estava sem bateria.
- , – gemi e ele me olhou. – acabou a bateria.
- Falta pouco, .
- Pouco quanto? – perguntei curiosa e ele riu.
Assim que terminei de falar, a aeromoça anunciou que estávamos prontos para pousar e eu o olhei com os olhos arregalados. Ele segurou minhas mãos entre as suas e olhou em meus olhos.
- Escuta, pequena... Esse é o começo de uma nova vida, tanto para mim, quanto para você. Eu quero que você saiba que pode confiar em mim, certo? Eu vou te ajudar com tudo que você precisar, eu vou te proteger. Não quero que você faça nada que não queira, você sabe que eu nunca quis te obrigar a nada. Você sabe que é a minha vida agora, não sabe? – perguntou e eu funguei, sentindo as lágrimas se manifestarem. – Você vai ter a mim para o que precisar, sempre. Eu vou estar com você e nunca, nunca vou deixar que você sofra por motivo algum. – uma lágrima escorreu pela minha bochecha e ele a limpou, rapidamente. – Pode não ser fácil no começo, mas você vai se acostumar.
Eu sorri e o abracei apertado, sentindo o coração disparar.
- Eu sei. – falei de olhos fechados, com a voz rouca por causa do sussurro. Várias coisas se passavam pela minha cabeça, eu me sentia tonta. Respirei fundo, sentindo seu perfume invadindo minhas narinas e sorri fraco. – Acho que você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida até agora.
Senti que o avião pousara e os passageiros se levantaram, prontos para desembarcar. Levantei a cabeça e me olhava como se me perguntasse se eu estava pronta. Assenti, sorrindo, e ele sorriu de volta. Levantei-me e ele fez o mesmo logo em seguida. Fui atrás de , e pelo corredor e sentia que vinha logo atrás de mim.
Assim que chegamos à saída, senti o vento de Londres machucando o meu rosto e apertei mais o casaco de contra o meu corpo. Desci vagarosamente do avião, observando aquele lugar, sentindo a sensação de realizar um sonho. Logo que pisei pela primeira vez em solo inglês, meu coração acelerou. Fechei os olhos e desejei com todas as forças que aquele fosse um novo começo, um bom começo e que tudo desse certo. Abri os olhos e vi que todos olhavam para mim. Assustei-me com os flashes que de repente começaram a me cegar e dei alguns passos para trás, tonta e desorientada.
, que agora estava atrás de mim, me segurou pela cintura e eu ouvi falando rápido demais com alguém que estava ali.
- Como eles descobriram? – perguntou a um dos seguranças que deu de ombros, sinalizando que não sabia.
- O que nós vamos fazer? – perguntou, passando as mãos pelos cabelos, em um claro sinal de nervoso. – Não podemos enfiar a no meio desses fotógrafos.
- Não dá para sair por trás? – perguntou, tenso, e um dos seguranças negou. Ele me olhou preocupado e eu dei de ombros.
- Eu não me importo. – comentei, sem entender direito qual era o problema deles. me olhou sério e eu sorri, tentando tranqüilizá-lo.
- Vamos fazer o seguinte – disse, ainda com as mãos em minha cintura. Ele me soltou por alguns segundos e eu fiz careta, mas logo ele recolocou as mãos no lugar em que estavam. – a vai comigo e com o e o e o vão em outro carro. O os distrai, porque vão achar que ele está com a e, enquanto isso, nós a levamos pra casa.
- Certo – murmurou, parecendo contrariado. – nós vamos na frente e depois vocês vão. Mas cuidado com a minha irmã!
assentiu e sorriu tenso para mim. Ele foi andando na frente com e os seguranças lutavam para afastar todos aqueles paparazzi e fãs enlouquecidas que pareciam estar tendo convulsões. Por um instante, perguntei-me se algum dia eu já fora assim, mas não me deixou concluir o raciocínio.
- Aconteça o que acontecer, não solta a minha mão. – Ordenou e eu concordei, procurando suas mãos que já estavam perto das minhas.
A hora que e pararam para falar com algumas pessoas, e trocaram um olhar cúmplice e nós fomos correndo. Os flashes me cegaram mais uma vez e eu não conseguia respirar direito no meio de tanta gente, eu só estava ciente da mão de segurando a minha e de , que me empurrava ou me puxava, dependendo da situação. Os seguranças nos levantavam algumas vezes e eu nem sabia se meus pés estavam mesmo tocando o solo. Gritei quando alguém puxou o meu braço e me envolveu pela cintura, me puxando mais para frente. gritava palavras incompreensíveis e depois de muita confusão, me empurraram para dentro do carro.
Respirei fundo, tentando absorver todo o ar ao meu redor e logo e entraram no carro. estava completamente vermelho e ordenou ao motorista que fosse logo.
- Você está bem? – perguntou um pouco mais calmo e eu sorri fraco, concordando.
- E o ? – perguntei rouca.
- Está no carro de trás. – respondeu do banco da frente e eu assenti. Fechei os olhos com força, tentando me livrar das luzes que ainda insistiam em me cegar e parei para observar a paisagem que passava rapidamente pela janela. Passamos pela London Eye e eu bati palmas, rindo. me olhou confuso e eu apontei.
- É linda, não é? – perguntou e eu concordei sorrindo.
Encostei a cabeça na janela e observei a cidade passar, Londres era realmente um lugar mágico.

Paramos em frente a uma casa enorme e eu encarei boquiaberta.
- É AQUI? – eu praticamente gritei e ele gargalhou.
- É sim. – concordou sorrindo.
O motorista saiu do carro e abriu a porta para que nós descêssemos. Eu ainda não acreditava no que os meus olhos estavam vendo. Aquela era a minha... Futura casa? Era maior que o meu bairro inteiro!
- Você devia ter pedido a chave. – reclamou e coçou a cabeça.
- Aposto que ele deixou aberta. – disse e eu ri, pelo pouco tempo que eu conhecia , era muito provável.
foi até a porta e girou a maçaneta, mas não abriu.
- Eu preciso fazer xixi. – gemeu, colocando a mão nas partes e nós rimos alto. - Faz no mato. – disse, apontando para uma moita que estava ali e eu fiz careta.
- Não posso, o pediu para eu me comportar perto da sussurrou e eu fingi estar espantada.
- Por quê? – perguntei, segurando o riso. - Ele tem medo de que nós levemos você para o caminho do mal. – Ele confessou em voz baixa e riu, porque ele parecia mesmo estar contando um segredo.
- Acho que é ela que vai nos levar para o mal caminho. – Ele sussurrou para e eu gargalhei.
- Idiotas. – murmurei e balancei a cabeça, avistando o outro carro se aproximar e, logo, e desceram. Eu ri do estado deles, estava descabelado e parecia ter sido atacado por uma manada de elefantes e não estava muito diferente.
- Por que você não deixou aberta? – resmungou, ainda segurando as partes, enquanto eu observava procurar a chave em seus bolsos.
- Eu não deixei? – perguntou e olhou para a porta em pânico.
Será que esquecer as chaves de casa agora era mal de família?
- Ah, você não fez isso. – resmungou e fez careta. – Droga, , acha isso logo.
- Vocês são tão lentos. – murmurou, indo em direção à entrada e enfiando a mão em um vaso de plantas que estava ali. Retirou um molho de chaves e sorriu com todos os dentes para nós.
suspirou aliviado atrás de mim e eu ri ainda mais.
- Eu me esqueço disso. – resmungou e olhou para mim, parecendo finalmente se lembrar que eu estava ali. – Certo – disse, aproximando-se – fecha os olhos.
- Você não vai me obrigar a fazer isso, – murmurei emburrada e ele riu alto.
- Vou sim, ou fecha ou fica do lado de fora hoje.
- Eu durmo na casa do . – eu murmurei cruzando os braços e ele me olhou indignado.
- Você prefere dormir com o do que dormir comigo?
estava encostado no batente da porta e sorria largamente, em sinal de vitória.
- EU PRECISO MIJAR, PORRA! – gritou e o olhou de cara feia. – Se você fechar os olhos eu te pago um sorvete, .
- Fechado – eu disse rindo e deixei que tapasse os meus olhos.
- Era só chantagear com um sorvete? Eu deveria ter pensado nisso antes. – Ele murmurou e eu concordei. me guiou até a porta e me segurou quando eu quase caí de cara no chão.
- Eu te disse que não ia dar certo – gemi. – minha coordenação motora não é das melhores.
- Chegamos – ele anunciou, ignorando meus protestos. – posso abrir?
- Anda logo. – murmurei, entediada, me balançando para que ele retirasse suas mãos e ele riu, retirando as mãos de meus olhos.
abriu a porta e eu olhei ao redor, encantada. Tudo ali era tão... . Era simples, mas era sofisticado. Não sei explicar, mas era o lugar mais incrível que eu já conhecera, pelo menos até agora. A sala era enorme, com sofás brancos, puffs, uma estante lotada de CDs e uma televisão enorme na parede. Um balcão dividia a sala da cozinha, que também era branca, com uma mesinha e vários banquinhos. Havia uma escada também, que eu acreditei que levava ao segundo andar e alguns corredores, que levavam a várias portas fechadas. Pude ver pelas janelas da cozinha a enorme piscina no quintal e um gramado verde que não parecia ter fim.
Reparei que todos olhavam para mim, menos , que saíra correndo para ir ao banheiro. Mordi os lábios e sorri.
- Vocês ainda estão esperando que eu saia correndo e gritando? – perguntei e e gargalharam, mas me olhou sério, não gostando da brincadeira. – Ok, você espera.
- Eu te dei as opções. – ele murmurou e eu o abracei de lado, sorrindo.
- Achei que eu não fosse me livrar de você tão fácil, sabe. – sussurrei e ele riu.
- Cara, eu preciso ir. – informou, olhando alguma coisa no celular. – Minha irmã quer que eu vá buscá-la na estação de trem e eu preciso falar com a Chapin, antes que eu descubra que ela tem outro.
- Ela já tem e você não sabe – disse de volta a sala e sorrindo maliciosamente para , que deu a língua.
- Espero que não seja você, ou eu não vou pensar duas vezes antes de entortar esse seu nariz enorme. – sussurrou ameaçador e eu olhei para , que observava aquilo como se fosse uma coisa normal.
se jogou no sofá macio e ligou a televisão, tranquilamente.
- O é nosso hóspede, vive mais aqui do que na casa dele. – informou. – Tá com fome?
- Eu ou ele? – Perguntei rindo, quando fez que sim com a cabeça.
- Os dois. – respondeu, dando de ombros.
- Eu vou para casa dormir – disse bocejando e eu sorri para ele – , me leva em casa.
se aproximou de mim, me dando um beijo na bochecha e fez o mesmo. Sorri para eles e acenei. Logo eles tinham ido embora.
Sentei-me no sofá onde os pés de estavam anteriormente e foi em direção ao quintal. Ele bocejou e colocou os pés em meu colo, me fazendo o olhar indignada, o que o fez sorrir.
- Liga a televisão. – Ele sugeriu e eu o olhei confusa, porque haviam uns 10 controles em cima da mesa. Ele sorriu para mim, pegando o menor e ligando a enorme televisão que estava ali.
- O que quer assistir? – perguntou, passando os canais rapidamente e eu dei de ombros.
- Qualquer coisa. – Respondi e ele deixou em um canal de fofocas.
Olhei-o pasma, quando eu vi de quem estavam falando ali.
- ESSA SOU EU? – Gritei e ele gargalhou por causa do meu espanto. – Tira isso, !
Ele riu ainda mais e eu pulei em cima dele, tentando pegar o controle.
- Caramba, olha a minha cara! Tira isso, por favor – resmunguei enquanto me esticava por cima dele tentando alcançar sua mão.
Eu estava prestando tanta atenção no controle que nem vi quando voltou e acho que também não. Ao ouvir sua voz, se assustou e rolou do sofá, caindo no chão e é claro que eu caí em cima dele. Arrepiei-me quando nossos narizes se tocaram e sorri quando percebi que ele também estava arrepiado. Sorri amarelo e me levantei, já que ria descontroladamente e ainda não conseguia se mover.
- Te machuquei? – perguntei baixo e ele negou com a cabeça, se levantando também.
- Eu devia ter tirado uma foto. – Um vermelho de tanto rir disse. – Vamos para a Starbucks, eu também estou com fome e acho que alguém esqueceu de ir ao mercado esse mês.

dirigia rapidamente pelas avenidas estreitas e movimentadas de Londres e eu apenas observava os prédios que se estendiam a nossa frente, encantada. estava sentado no banco de trás, quieto. Às vezes eu o olhava pelo retrovisor e ele parecia estar olhando de volta, mas depois eu achei que fosse só a minha imaginação. estacionou em frente a uma Starbucks e nós descemos, seguindo para a entrada do café.
- O que você quer? – perguntou e eu analisei todas aquelas fotos e descrições de bebidas que estavam em cima do balcão.
- Eu não conheço nada disso. – Admiti, fazendo careta. Por nunca ter entrando em uma Starbucks na vida, coisas como “Blended Beverag” eram estranhas para mim.
- Do que você gosta? – perguntou pacientemente enquanto o balconista se aproximava. Mordi os lábios e reconheci alguns poucos nomes.
- Hum, cappuccino? – concordou com a cabeça e o balconista sorriu para mim, indo preparar a bebida. Ele entregou primeiro os copos de e , que seguiram para a mesa. Apoiei a cabeça em minhas mãos em cima do balcão, esperando enquanto o balconista enchia o meu copo.
- Então – o balconista, que tinha os cabelos pretos e os olhos verdes murmurou, enquanto colocava o café em meu copo. – você não é daqui?
- Eu sou. – respondi e depois reparei que aquela não era a resposta – Quer dizer, não sou.
- É ou não? – ele perguntou achando graça e eu corei, ele era bonitinho.
- Eu fui criada no Brasil – respondi simplesmente. – mas nasci aqui.
- Ah, entendo. – comentou sorrindo de lado e adicionando mais alguma coisa dentro do copo, mas eu sabia que ele não entendia. – Então, já conhece bem Londres?
- Na verdade, eu cheguei hoje. – respondi, pegando o copo que ele me dera e ele sorriu, concordando.
- Quer um guia? – perguntou bagunçando os cabelos e eu engoli seco, respirando fundo. Eu estava levando uma cantada de um inglês gato, era isso?
- Não, obrigada. Na verdade, eu já tenho um guia. – respondi sorrindo amarelo e ele deu de ombros.
- Se precisar... – piscou e se afastou de mim para atender o senhor que estava ao meu lado.
Senti que meu rosto estava vermelho, mas não me importei muito. Tomei um gole do meu cappuccino e segui para onde e estavam sentados conversando.
me olhou torto e sorriu, batendo na cadeira que estava ao seu lado para que eu me sentasse perto dele e eu o fiz.
- Acho que o balconista não queria te servir só o café – comentou sarcástico e eu levantei uma das sobrancelhas, não entendendo o motivo daquilo.
- É, acho que não. – Rebati e sorri para ele, que ficou sério.
- E o que ele queria? – perguntou inocentemente.
- Ele queria saber se eu já conhecia Londres. – Respondi simplesmente e me virei para , que continuava sério. – Mas eu disse que sim.
Ele me olhou parecendo... Aliviado?
- , você vai para Evesham comigo e com o ? – perguntou, enquanto eu terminava de tomar o meu cappuccino, porque eles já haviam terminado.
- Quando? – perguntou, mastigando o canudinho.
- Depois de amanhã. – respondeu, fazendo sinal para o bonitinho (lê-se balconista), que chegou a nossa mesa rapidamente.
Ele sorriu para mim e eu sorri de volta. estreitou os olhos, mas não disse nada. pagou e se levantou, e eu e o seguimos para a rua.
- , vai pra casa com a gente? – perguntou e eu torci para que ele respondesse que sim.
- Não, eu... Preciso ver a Maggie. – O mesmo respondeu e eu o olhei decepcionada. Quem era essa puta?
- Tudo bem. – concordou e olhou para mim. – Vamos?
- Claro. – respondi baixo e entrei no carro, fechando a porta. me olhou confuso, mas eu apenas olhei para frente, esperando que entrasse no carro.

Capítulo 17

- Pronto? – Perguntei, rindo, ouvindo o barulho de uma porta sendo aberta à minha frente.
- Calma. - sussurrou e eu ri. Os móveis do meu quarto haviam acabado de chegar e eu queria ver como havia ficado, mas insistia em me fazer esperar feito uma idiota com os olhos fechados, o que era bem a cara dele.
- Eu vou abrir... – Ameacei e senti sua presença atrás de mim.
- Se você fizer isso, eu vou ficar muito, muito chateado com você. – Respondeu, colocando as mãos em meus olhos e eu dei língua.
- Chantagem emocional, não, ! – Reclamei e ele ignorou.
- Pronta? – Perguntou e eu assenti rapidamente, morta de curiosidade.
Ouvi-o rindo baixo e ele retirou as mãos de meus olhos.
Encarei o cômodo à minha frente boquiaberta e senti meus olhos se encherem de lágrimas. Não era só lindo, era simplesmente maravilhoso.
- Se você não gostar, eu vou entender... – murmurou. Após alguns minutos de silêncio, eu ainda estava sem palavras.
- É... – Respirei fundo e ele me olhou, apreensivo. – Uau, é incrível.
Ele sorriu radiante para mim, passou o braço pelo meu ombro e me puxou junto com ele para que entrássemos.
- Tem mais. – Ele disse, guiando-me.
Contornei o quarto, passando a mão na cama e fui em direção à poltrona azul, que dava para um pequeno corredor. Segui por ali, sentindo que vinha atrás de mim e encontrei outra porta.
- Posso abrir? – Murmurei ainda sem forças para falar e ele concordou com um aceno de cabeça.
Girei a maçaneta apreensiva e me deparei com um closet fantástico e, mais uma vez, fiquei sem palavras.
Acho que já havia se acostumado, pois ele esperou calmamente até que eu falasse alguma coisa.
- Você sabe que eu nunca vou ter roupas o suficiente para ocupar tudo isso, certo? – Comentei inocentemente e ele gargalhou.
- Errado. – Disse, retirando alguma coisa no bolso e colocando na minha mão... Um cartão de crédito.
- , você pirou? – Perguntei, olhando incrédula para ele e para o cartão que reluzia em minhas mãos. – Quer dizer, quanto dinheiro você gastou comigo? Isso é uma loucura, você sabe que não precisa disso tudo para eu ficar feliz aqui.
- , você é absurda. – Ele murmurou, abraçando-me.
- Eu estou falando sério, . Não posso aceitar que você gaste tudo isso comigo! – Reclamei e ele sorriu, brincando com uma mecha do meu cabelo.
- Você pode gastar o quanto quiser, pequena, eu não me importo com essas coisas, eu só quero que você se sinta bem... Se não quiser gastar também, eu não me importo, porque só em ter você aqui, já me faz feliz... E eu não quero que fique brava comigo por ter que viajar e te deixar aqui, mas eu acho que é o mais seguro para você, pelo menos por enquanto. Você sabe como a imprensa tá caindo em cima...
- Tudo bem – Eu murmurei, sorrindo contra a minha vontade, eu não queria que ele fosse e, pior, eu não queria ter que passar uma semana alojada na casa do . – vou me acostumar com isso um dia.
- E eu também espero que não se importe em ficar com o , porque como você não conhece nada direito ainda e eu não sei...
- Tudo bem – repeti, me afastando dele e olhando em seus olhos, que eram estranhamente parecidos com os meus. – que horas vocês vão?
- De madrugada. – Respondeu e caminhou em direção ao quarto novamente. Meu relógio de pulso marcava 23:00 e eu apenas respirei fundo e segui até a sala, joguei-me no sofá ao seu lado para ver qualquer coisa idiota que passava na televisão.

Gemi ao ouvir o celular tocar em algum lugar e tateei até encontrá-lo, mas ele já havia parado. Sem saber onde eu estava – porque a última coisa que eu me lembrava era de estar vendo televisão com – abri um dos olhos e identifiquei o meu quarto. Levantei-me, ainda um pouco desnorteada, e me assustei ao verificar as horas no relógio que ficava na parede.
- PORRA! – Pulei da cama rapidamente.
Eu havia demorado uma eternidade para pegar no sono e agora já eram quase 16:00 horas. Corri até o quarto de e o mesmo estava vazio. É claro que ele não estava mais ali. Bati com a cabeça no batente da porta, me arrependendo logo depois e senti o estômago roncando.
Xinguei baixinho e desci as escadas, indo até a cozinha. Abri o armário e uma caixa de cereais reluziu dentro dele, sorri, colocando o cereal em uma tigela e me sentei. Após uma colherada, a campainha tocou e eu bufei, só esperava que fosse alguém conhecido.
Respirei aliviada quando abri a porta e encontrei .
- Cara, eu estava preocupado. – Ele disse, entrando rapidamente e fechando a porta atrás de si. – Por que não atende o celular?
- Eu estava dormindo. – Desculpei-me, voltando para a cozinha e pegando minha tigela de cereais de volta.
- Desculpa – ele murmurou, sorrindo e se sentando ao meu lado. – dormiu bem?
- O fuso horário tá me matando. – Reclamei e ele entendeu, pois vivia passando por isso.
- Depois você se acostuma – disse, observando enquanto eu me levantava e lavava a tigela.– o que quer fazer hoje ?
- Não precisa ficar tomando conta de mim, . Eu sei me virar. – Respondi grosseira me lembrando da tal “Maggie” e ele me olhou confuso.
- Por que? – Perguntou e eu o olhei. – Quer dizer, por que você está me tratando assim?
- Nada. – Respondi, sentindo o coração apertar. – Me desculpa, eu não acordo de muito bom humor.
- Certo. – Ele disse, sorrindo torto e eu quase derreti. – Então, vou te esperar trocar de roupa e vou te levar a um lugar incrível, certo?
Ok, agora eu estava arrependida. estava sendo tão bom comigo e eu simplesmente estava sendo uma idiota só porque eu achava que ele tinha... Uma namorada. Que direitos eu tinha? Ele era só meu amigo.

dirigia calmamente pelas ruas de Londres e eu não tinha a mínima idéia de onde estávamos indo.
- Não vai mesmo me contar? – Insisti e ele riu. – Isso é tão chato.
- Curiosa... – Murmurou brincalhão e eu dei língua. – Acho que não vai dar tempo, já são quase 17:00.
Pensei em todos os lugares que provavelmente fechariam às 17:00, mas só um veio à minha cabeça. Olhei para maravilhada, mas ele não percebeu, pois estava prestando atenção no trânsito.
- ? – Chamei e ele respondeu com um “hum”. – É a London Eye?
Ele sorriu de lado e balançou a cabeça, incrédulo.
- Acho que falei demais.
Alguns minutos depois, ele estacionou e me puxou rapidamente pela rua e pelo parque que cercava a London Eye.
- Calma. – Pedi, sem fôlego para continuar correndo e parei para respirar, olhando para frente.
parou ao meu lado, respirando fundo e balançou a cabeça.
- Não deu... – Sussurrou e o olhei, arrependendo-me logo depois.
Seus olhos brilhavam e suas bochechas estavam vermelhas devido ao frio, mas mesmo assim ele continuava lindo. Sorri, sem graça e balancei a cabeça.
- A sua intenção valeu para mim, – sussurrei e ele abriu um sorriso. – obrigada.
me abraçou de lado e eu descansei a cabeça em seu peito, respirando fundo, cansada por causa da corrida.
- Que tal o Hyde Park? – ele sugeriu e eu sorri, em concordância.

Andávamos tranquilamente pelo parque e eu sorria sozinha algumas vezes, eu ainda achava que estava sonhando.
Um flash disparou e eu olhei para apavorada, mas o mesmo apenas me olhou de volta e mordeu mais uma vez seu cachorro quente, despreocupado. Continuamos a andar e nos sentamos em um banco, em silêncio. Algumas meninas passaram por nós e sorriram para , que sorriu de volta. Olhei-o, incomodada, mas ele não percebeu.
- ? – Disse, de repente. – Quero te apresentar a alguém.
Olhei-o, confusa, mas ele não disse mais nada, apenas se levantou e fez sinal para que eu o seguisse. Fomos em direção a algumas pessoas que brincavam perto de um enorme chafariz e logo uma menina de uns sete anos, que se parecia com , acenou para nós e chegou perto.
- Oi, ! – Ela disse, pulando em seu colo e sorrindo para mim. – É sua nova namorada?
Eu corei e ele riu alto, colocando-a de volta ao chão.
- Não, essa é a , irmã do – Disse, sorrindo para mim. – E essa é a Maggie, .
Olhei-o, incrédula, e sorri para Maggie, beijando sua bochecha. Quer dizer que Maggie era uma... Criança?
- Ela é minha prima – ele explicou – chegou ontem de Manchester e vai passar um tempo aqui em Londres com o pai dela.
- Vocês se parecem. – Eu disse, dirigindo-me à Maggie e ela me olhou com os olhos brilhando.
- E vocês formam um casal perfeito. – Ela disse e ficou sem graça, enquanto eu sentia minhas bochechas ficarem vermelhas mais uma vez. – Mas agora eu preciso ir, meu pai está me esperando. Tchau!
- Tchau! – Respondemos juntos e ela riu.
Maggie correu em direção a um homem alto que a esperava e sorriu fraco para mim.
- Crianças... – Murmurou e eu concordei.
No caminho de volta, eu me peguei pensando em como eu gostaria de ser a nova namorada do , mas logo espantei esses pensamentos. Eu não andava muito normal ultimamente.
Voltamos pelo mesmo caminho que dava para a casa de (ou a minha casa, mas eu ainda não estava tão acostumada com isso) mas virou uma rua depois. Parou em frente a uma casa, que eu deduzi ser a sua, e nós descemos.
- É linda, . – murmurei, encantada, e ele sorriu fraco para mim, abrindo a porta em seguida.
A casa de era um pouco parecida com a de , com muitos CDs, um sofá enorme e espaçoso e uma televisão que cobria quase a parede toda. Havia vários quadros pendurados, com fotos de família e o que eu deduzi serem prêmios que o McFLY havia recebido. Havia também algumas guitarras penduradas e um piano enorme, com – o que eu também deduzi serem – partituras em cima.
Caminhei pela sala e pela ampla cozinha e parei encostada na porta de vidro que dava para o quintal e para a piscina.
- Quer pizza? – Ele perguntou, algum tempo depois, com o telefone na mão e eu o olhei.
- Quero. – Respondi simplesmente e ele assentiu, discando para a pizzaria. Ele começou a fazer o pedido e me olhou.
– Mussarela. – Falei, quando o vi abrindo a boca e ele riu, recolocando o telefone no ouvido e voltando a falar com o atendente. Quando ele desligou, ouvi passos e senti sua presença atrás de mim, mas não me virei, apenas continuei olhando para o movimento da água na piscina. abriu a outra porta e seguiu até ao deck de madeira que ficava lá e eu fui atrás dele, sentando-me ao seu lado e encolhendo as pernas.
- Você vai gostar quando começar a nevar... – Ele comentou vagamente e eu concordei.
- É, eu acho que sim... Sempre quis ver a neve.
Ficamos em silêncio durante algum tempo, até que eu percebi que ele olhava para mim. Sorri, envergonhada, e ele me puxou mais para perto. Encostei minha cabeça em seu ombro e o observei puxar a calça jeans até o joelho e colocar os pés na água.
- Tá tudo bem com você? – Ele perguntou e eu entendi imediatamente o que ele quis dizer.
- Eu ainda to me acostumando... Não sei, ainda me sinto perdida, como se estivesse no lugar errado, sabe? É ruim não poder sair na rua sozinha e ficar dependendo dos outros, é ruim, às vezes, não entender nada do que vocês falam... Mas eu vou me acostumar, eu acho.
- Tenho certeza que vai. – Ele disse, pegando minhas mãos e as apertando. – Quando eu vim para Londres, eu me senti assim durante um bom tempo, a perfeita definição de um peixe fora d’água, então eu imagino como deve ser pra você, ainda mais porque tudo aconteceu tão de repente... Em uma hora, você achava que era uma pessoa e depois descobriu que não era nada disso, deve ser horrível para qualquer um.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas e as enxuguei rapidamente. Eu não estava chorando de tristeza, mas de emoção. me entendia e estava ao meu lado, e aquilo era importante para mim.
- Sabe que pode contar comigo, né? Acho que já te disse isso um milhão de vezes. – Ele murmurou e sorriu para mim.
Eu sabia.
Fechei os olhos sentindo o vento gelado bater em meu rosto e a respiração de ao meu lado.
Não sei quanto tempo levamos ali, em silêncio, eu com os meus pensamentos e com os dele. Depois do que pareceram horas, a campainha tocou. Ele se levantou e me puxou para que eu levantasse junto, e foi até a porta. Ouvi um grito histérico e a risada de . Quando cheguei à porta da cozinha, a única coisa que eu vi foi um entrar correndo e derrubar o no chão.
- Vocês são sempre tão agressivos? – Murmurei e riu, vindo me abraçar.
- Vim tomar conta de você também – Ele disse e eu dei língua. – mas principalmente do .
- Não enche. – reclamou.
foi à geladeira e pegou o que eu achei que fosse uma garrafa d’água e a campainha tocou de novo. abriu a porta e cumprimentou o entregador da pizza, pegando a caixa e entregando algumas notas ao homem. Fechou a porta atrás de si e colocou a pizza na mesinha perto do sofá. surgiu com copos e uma garrafa de Coca e eu me sentei no chão entre ele e .
- O que vamos fazer agora? – perguntou, pegando uma fatia de pizza e mordendo, com vontade. - Vamos ver “De Volta Para o Futuro”?
- De novo? – perguntou, fingindo estar mal humorado e eu ri. – Só assisto se a quiser.
Eles me olharam e eu sorri com todos os dentes.
- Ai, ela quer... – disse e fingiu decepção.
Terminamos de comer a pizza (que, por sinal, estava muito boa) e se levantou para colocar o DVD. fez sinal para que eu me sentasse no sofá e eu obedeci, enquanto o observava recolher os copos e a caixa vazia e levar para a cozinha. apagou a luz e pegou uma almofada, se esticando todo no chão onde estávamos sentados anteriormente.
voltou e se sentou ao meu lado, cutucando com o pé para que ele desse play no DVD.
Não havíamos visto nem 15 minutos do filme quando o sono tomou conta de mim. Bocejei algumas vezes e senti o corpo amolecer. Havia sido um dia tão longo... Sem perceber, encostei a cabeça no ombro de e escorreguei até deitar em seu colo. Fechei os olhos, ciente de que ele fazia carinho na minha nuca e brincava com o meu cabelo constantemente. Sorri, sentindo o coração acelerar e uma inquietação se instalar em meu estômago. E quase inconscientemente, deixei que minha mão encontrasse a sua.

Capítulo 18

Tédio. Ele me consumia naquela tarde, já que eu estava sozinha em casa, pois havia ido ao estúdio para assinar alguns documentos, já que e estavam em uma reunião não sei onde. Olhei pela janela e tive uma idéia que julguei ser brilhante... Àquela hora. Levantei-me do sofá em um pulo, coloquei uma calça jeans e uma camiseta e abri a porta da sala, sentindo o vento gelado machucar o meu rosto. Ainda não nevava, mas eu sentia que estava quase acontecendo.
Fechei a porta e coloquei as mãos nos bolsos, caminhando em uma direção qualquer. Deixe-me explicar: eu queria apenas passear um pouco, conhecer aquele lugar com as minhas próprias pernas, já que eu havia ficado trancada em casa e sozinha durante a semana toda e eu não aguentava mais.
Alguns minutos depois, que pareceram segundos, me dei conta de que não estava mais perto da minha casa, e nem da casa de . Olhei para trás, tentando imaginar de onde eu vinha, mas todas aquelas ruas paralelas me deixaram confusa. Meu desespero só aumentou quando percebi que as pessoas dali eram um pouco... Diferentes das que eu conhecia, pareciam mafiosos. Entrei em pânico quando um cara passou e me chamou de gostosa, me lançando um olhar nada amigável.
- Merda. – Xinguei baixo, me dando conta de que eu estava mesmo perdida e sentindo as mãos ficando suadas.
Resolvi voltar e arriscar uma daquelas ruas que eu vira antes, mas pareciam todas iguais e algumas nem tinham saída. Senti a garganta seca e enfiei a mão no bolso, encontrando apenas um papel de bala e algumas moedinhas que não serviriam para nada. Me amaldiçoei um milhão de vezes por ter esquecido de pegar o celular.
- Com licença – Parei uma senhora que caminhava calmamente pela rua. – pode me dizer onde eu estou?
Ela me olhou e falou algumas palavras em um inglês muito rápido, do qual eu não entendi, mas mesmo assim a agradeci, voltando a andar. A essa altura, lágrimas já se formavam em meus olhos e tudo o que eu fiz foi me sentar no meio-fio, como eu fazia antigamente, e colocar as mãos no rosto, pensando em quem poderia me salvar dessa. provavelmente ainda estava no estúdio, e estavam muito longe daqui e eu não fazia ideia de como falar com . Tirando eles, os únicos ingleses que eu conhecia eram o carteiro que eu mal sabia o nome e o balconista da Starbucks. Engoli o nó que se formava em minha garganta e me levantei, recomeçando a andar. Eu precisava sair dali, precisava achar um telefone público, um ônibus, um táxi, qualquer coisa, mas tudo parecia vazio e abandonado. Não cheguei a pensar que me perderia quando saí de casa, mas agora a ideia me parecia muito óbvia. Era certo que isso iria acontecer, já que eu não conhecia nada de nada e ainda me embolava com o sotaque inglês e com as gírias.
Minha cabeça estava a mil com a ideia de não conseguir voltar pra casa.

’s POV.

- ? – Chamei, assim que abri a porta de casa, mas não houve resposta. Deixei o violão que eu carregava em cima do sofá e subi, procurando-a em todos os cômodos.
Achei seu celular na bancada da cozinha e um arrepio subiu pela minha espinha.
- ? – Chamei-a de novo e meu coração bateu forte, eu sabia que se ela saísse sozinha não conseguiria voltar. Respirei fundo e desci as escadas rapidamente, saindo de casa sem ao menos me lembrar de trancar a porta. Aonde essa menina havia se metido?
Pisei fundo no acelerador e relaxei no banco quando vi uma menina parecida com ela, mas logo me decepcionei quando me dei conta de que seus cabelos eram mais curtos. Desci do carro e olhei ao redor, eu não sabia nem em que direção procurar.
Avistei minha antiga vizinha, Louise, passeando com o cachorro e a chamei.
- Você viu uma menina parecida com o meu amigo passando por aqui? – Perguntei e eu sorri discretamente quando ela assentiu.
- Ela foi na direção de Peckham, .
- Sabe há quantos minutos? – Perguntei, preocupado, eu sabia que ela ia se encrencar.
- Acho que faz mais ou menos 40 minutos. – Ela respondeu e eu agradeci, voltando para o carro e acelerando naquela direção. Logo avistei os primeiros prédios mal cuidados daquela região e me assustei com o trovão alto.
- Puta que pariu – falei comigo mesmo. – a garota está completamente perdida, não sabe falar inglês direito e para completar, vai começa a chover. Será que poderia melhorar?
Ao dizer isso, a chuva aumentou consideravelmente e eu acelerei mais, rezando para que o carro não derrapasse ou que eu não batesse em um poste por causa da visibilidade. Eu nunca iria me perdoar se algo acontecesse a ela, muito menos o .

’s POV.

A chuva forte machucava o meu rosto e eu tremia de frio, mas continuava andando. Meu moletom estava encharcado. Não tinha certeza se estava indo ou voltando, eu só sabia que ficar parada rezando para me encontrarem não resolveria minha vida à essa altura. Alguns carros da polícia passaram por mim correndo e, mais ao longe, escutei uma batida. Encolhi-me e deixei que minhas lágrimas se misturassem com a chuva. Ótima ideia, . Você sabia que não conhecia a merda da cidade e, mesmo assim, resolveu passear, será que alguém conseguia ser mais burra do que você?
Algumas pessoas passaram correndo por mim para a direção contrária que eu seguia e eu pensei em correr naquela direção, mas logo desisti da ideia. Porra, eu não fazia a mínima idéia de onde eu estava ou para onde eu estava indo. Sabe aquela sensação de se perder da sua mãe em um supermercado lotado? Era algumas vezes pior, porque eu não tinha chance nenhuma de achar a minha “mãe” ou quem quer que fosse. Eu estava sozinha. S-O-Z-I-N-H-A, sozinha.
Encontrei uma loja que parecia abandonada e entrei embaixo da marquise, me encostando na parede e fechado os olhos. Pelo menos agora eu estava protegida da chuva que parecia piorar a cada minuto. Meu corpo todo doía por causa dos meus tremores e minha cabeça latejava tanto que eu não conseguia nem pensar direito.
- ! – Escutei alguém me chamando ao longe e meu corpo se arrepiou, não por causa do frio. A pessoa me chamou de novo, agora mais perto, e eu abri os olhos, encontrando um com a respiração ofegante à minha frente.
Sem pensar muito, entrelacei meus braços em seu pescoço e o abracei apertado.
Meu corpo frio contra seu corpo quente fez com que eu me arrepiasse completamente, mas no momento eu não estava ligando muito, eu não queria pensar no que tudo aquilo que eu estava fazendo causaria depois.
- O que deu em você? – Perguntou e eu mordi os lábios, tentando evitar que minhas lágrimas voltassem a cair e que um soluço que estava preso em minha garganta escapasse. – Quase me matou, .
- Desculpa. – Minha voz saiu fraca e ele me apertou mais contra o seu corpo, me fazendo tremer mais uma vez. Minhas pernas estavam moles e eu só não caía porque ele me segurava firme.
- Você está bem? – Perguntou baixinho me soltando e olhando em meus olhos. Concordei com a cabeça e tremi de frio, vendo rir. Ele estendeu o casaco que estava em suas mãos para mim e eu agradeci mentalmente. – Vem comigo. – disse sorrindo e me pegando pela mão, me levando até o carro.

- Ok, explique-se. – Ele pediu, mas não parecia bravo. Se eu estivesse no lugar dele, eu estaria roxa de raiva. Santa irresponsabilidade a minha.
- Eu não devia ter saído de casa, mas foi sem pensar... Eu não imaginava que chegaria tão longe. Então eu tentei voltar, mas eu não sabia onde eu estava e nem entendia nada do que as pessoas falavam, porque todo mundo falava muita coisa e muito rápido. Eu fui idiota e irresponsável, não pensei nas conseqüências, me desculpa.
Ajoelhei no banco e olhei para ele, que prestava atenção na chuva que caía no vidro do carro.
- Tudo bem – Ele murmurou e voltou a olhar para mim. – só não faça de novo, certo? Esse lugar é perigoso e poderia ter acontecido alguma coisa com você, mesmo. Eu não me importaria se você estivesse passeando na Oxford Street e fazendo compras, , mas esse bairro é perigoso. Entende que agora as pessoas te reconhecem? Sabe o que fariam se soubessem que você é a irmã do ?
- Desculpa, , de verdade. Eu não pensei direito. – Repeti e dessa vez ele riu alto.
- Para de se desculpar, . – ele disse e olhou para mim, carinhoso. – Eu não to brigando com você e nem nada disso, só to tentando te explicar a situação. Podia ter acontecido algo ruim, mesmo, mas agora já acabou.
- Mas é que ... – Murmurei e mordi os lábios, sem palavras para continuar me desculpando. Ele sorriu para mim e me puxou para perto dele.
Brincou com os meus cabelos e os apertou. Ele riu quando uma enorme quantidade de água caiu e molhou o banco todo.
- Outch.
- A culpa foi sua. – Acusei e ele riu, fazendo a mesma coisa em outra mecha.
- Acho que você precisa se secar ou vai pegar um resfriado. – Ele disse e nós ouvimos um trovejo alto, fazendo com que a chuva caísse com mais força, se é que era possível. – Ou não.
- Não acha melhor a gente esperar? – murmurei e ele concordou. Tremi de frio mais uma vez porque minhas roupas ainda estavam encharcadas e antes que eu percebesse, me puxou para seu colo. Olhei-o, sem graça, e ele riu.
- É o máximo que eu posso fazer. – ele sussurrou com a voz rouca e me abraçou.
Droga, por que ele era sempre tão quentinho?
Encostei minha cabeça em seu peito e olhei para , que olhava para as minhas pernas.
- Não quero saber no que você está pensando, olhando para as minhas pernas. – Murmurei e ele riu alto, escondendo o rosto entre as mãos.
- Que bom, isso seria constrangedor. – Disse e eu corei. – E você fica linda com vergonha.
- Para, .
gargalhou e eu mordi de leve sua bochecha para que ele parasse. Ao notar nossos rostos próximos de mais, ele se aproximou de mim lentamente, com os olhos fechados. Um arrepio percorreu minha espinha ao sentir sua respiração bater em minha boca.
encostou seus lábios nos meus delicadamente, suas mãos quentes tocaram minha cintura gelada por dentro da camisa molhada. Abri minha boca, sentindo sua língua encostar na minha e fazendo com que meu corpo sofresse uma série de arrepios. Coloquei uma de minhas mãos em sua nuca e pude sentir seu corpo se arrepiando contra o meu. Uma de suas mãos me puxou para mais perto, aumentando a intensidade do beijo. Meu coração batia tão rápido contra meu peito que eu podia jurar que ele conseguia sentir. Minha língua explorava cada canto de sua boca, como se aquilo fosse a coisa mais importante pra mim, o que não deixava de ser verdade. Uma de minhas mãos parou em seus ombros largos, arranhando levemente o local. Nossas respirações aceleradas eram tudo o que se podia escutar dentro daquele carro, além dos fortes trovões do lado de fora. Senti suas unhas curtas arranharem minha cintura, fazendo com que meu corpo se arrepiasse ainda mais.
Ao perceber a intensidade que aquilo estava tomando, me afastei contra minha vontade, depositando um selinho em seus lábios vermelhos e levemente inchados. Fechei meus olhos novamente, tentando guardar aquele momento. Alguma coisa dentro do meu estômago tinha vida própria, mas aquilo era uma sensação boa, única. Coisa que nunca tinha sentido com outra pessoa.
- ... - A voz rouca de me arrancou um suspiro involuntário. Era hora de encarar a realidade, era hora de levar um fora. - Você sabe que isso é... - Coloquei minha mão em sua boca, impedindo-o que pudesse pronunciar aquelas malditas palavras que eu sabia quais eram e que eu tinha certeza que me machucariam.
- Não fala que foi errado, por favor. - Minha voz não passava de um sussurro.
respirou fundo e se mexeu embaixo de mim. Criei forças para me sentar no banco novamente, aquilo já estava sendo constrangedor demais. - Vamos pra casa, é melhor. - Pedi baixinho e logo escutei o barulho do motor sendo ligado.

Pedi para que ele me levasse para a casa de e o caminho até lá foi silencioso, o clima estava pesado demais. Eu podia jurar que conseguia enxergar a tensão no ar. Talvez fosse pior, pelo menos eu conseguira evitar aquelas palavras de . Saí do carro apressada, entrando em casa, e segui em direção ao meu quarto. Joguei-me na cama com força, pouco me importando se estava molhando-a ou não, eu apenas queria ficar quietinha no meu canto, com os meus pensamentos confusos. Não demorou muito até eu escutar passos no meu quarto e sentar-se na beira da cama.
- Acho que estraguei o momento, né? - Balancei a cabeça em sinal de concordância e ele respirou fundo, me encarando com aqueles malditos olhos que acabavam comigo. – Eu sei que não deveria ter falado nada, mas você sabe bem o que pode acontecer, . Você é a irmã do meu melhor amigo e eu não acho que ele vai me gostar de saber que eu estava ficando com você dentro de um carro no meio do nada. - Mordeu o lábio inferior com um pouco de força e eu respirei fundo, sentindo os olhos arderem.
- Quem disse que ele precisa saber, ? Não vai acontecer de novo, de qualquer jeito. – Senti como se estivesse enfiando uma faca em minha barriga, mas desde o começo eu sempre soube que nunca daria certo.
Fechei os olhos com força, sem querer saber como seria a sua reação. Senti meu coração disparar quando senti seu nariz perto do meu. Abri os olhos, assustada e vi que sorria. Aos poucos, ele foi deitando seu corpo por cima do meu e se apoiou com os cotovelos na cama para que não deixasse o peso todo sobre mim.
- – minha voz estava rouca pelo meu sussurro e pela minha vontade de chorar. – Não faz isso comigo, por favor. Eu não sou forte o suficiente pra evitar que tudo isso aconteça, e alguém vai sair machucado dessa história, eu tenho certeza.
- A gente precisa pelo menos tentar, certo? Não vai acontecer de novo se você não quiser, a decisão é toda sua. – Disse baixo e beijou a minha testa, se levantando. – Quer que eu fique aqui com você?
Um trovão sacudiu o quarto e eu assenti.
- Por favor? – Pedi e deitou na cama ao meu lado, me puxando para deitar em seu peito. Sentia seus batimentos acelerados, mas não tanto quanto os meus. Respirei fundo, estava na hora de eu arriscar tudo, sem medo de me machucar...
- , por que você disse que isso só vai acontecer de novo se eu quiser? - Me fiz de inocente, enquanto sentia suas mãos afagarem meus cabelos ainda úmidos calmamente.
- Porque eu vou respeitar sua decisão, . Se você quiser, ótimo, eu vou ficar muito feliz, mas se você não quiser, eu vou entender. - Mordi meu lábio inferior com força. Aquilo só podia ser um sonho, mas se fosse, não queria acordar agora. - Por quê? - Respirei fundo, era agora.
- Porque eu quero. - Meu coração batia com mais força contra meu peito e levantei minha cabeça para poder olhar em seus olhos. Mesmo com o quarto escuro, eu conseguia ver seu rosto perfeitamente.
- Você quer o quê? Ficar comigo de novo? - Um sorriso iluminou seu rosto quando eu assenti. - Não acredito. - Depositou um selinho em meus lábios, enquanto sorria. - Você é boa demais pra mim, pequena. - Ele falou baixinho em meu ouvido, fazendo com que meu corpo ficasse levemente arrepiado.
- Conta outra, . – Revirei os olhos e ele riu, me puxando mais para perto de si. Sua respiração batia em minha boca e eu fechei os olhos, sentindo as borboletas em meu estômago pularem de alegria quando encostou sua boca na minha. Eu queria guardar aquele momento para sempre em minhas memórias, porque eu sabia que era o começo de alguma coisa... Alguma coisa boa, pela primeira vez em muito tempo. Eu sabia que seria difícil, mas não impossível. Afinal, nada é impossível quando a gente luta pelo que quer, certo? Pois bem, eu lutaria. Viveria cada minuto daquela minha nova vida, ao lado de , de e de quem quer que fosse.

Capítulo 19

Ouvi vozes ao longe e resmunguei alguma coisa sem sentido, tapando o meu rosto com o travesseiro. dormia pesadamente ao meu lado, sua boca estava entreaberta e seu peito subia e descia ritmadamente. Levantei-me devagar e fui ao banheiro, rindo sozinha com a minha aparência monstruosa. Escovei os dentes, penteei os cabelos e voltei para o quarto vendo que ainda dormia na mesma posição. Caminhei até o closet para procurar algo para vestir e um barulho vindo da rua me assustou, fazendo com que eu esquecesse o que estava fazendo e caminhasse até a janela.
- Puta que pariu! – xinguei alto ao ver que era o carro de estacionado lá em baixo. Fodeu.
Corri até a porta e verifiquei que o corredor estava vazio. Pulei na cama rapidamente e cutuquei , torcendo para que ainda não tivesse decidido subir para me ver. resmungou alguma coisa como “só mais dez minutinhos” e tampou o rosto com o travesseiro, virando de barriga para baixo. Olhei ao redor e sorri quando encontrei um cobertor enorme e grosso no chão e o joguei em cima de .
- Não se mexe – zussurrei quando ele abriu os olhos e me olhou confuso, finalmente acordando de verdade. – O .
- Já? – ele sussurrou de volta e eu concordei com a cabeça.
Corri para fora do quarto e fechei a porta, descendo as escadas rapidamente.
- Oi, irmãozinho lindo! – Eu disse e pulei em cima dele, o abraçando. deixou todas as malas caírem e gargalhou alto, me abraçando de volta.
- Tudo isso era saudade de mim? – ele perguntou e eu murmurei alguma coisa distraidamente, pensando em uma maneira de tirar do meu quarto.
- Cadê o ? – perguntou depois de colocar as malas em algum canto da sala e se sentar no sofá; eu gelei.
- Er, eu não ... – balbuciei alguma coisa sem sentido e alguém abriu a porta. Fiquei verde quando vi devidamente vestido (lê-se gostoso como sempre). Ele sorriu encantadoramente para mim e eu tive que me segurar para não agarrá-lo ali mesmo. Caramba , você não era assim!
- Até que enfim você acordou, dorminhoca – disse, se aproximando de mim e me dando um beijo na bochecha, ou perigosamente perto da boca. – Eu não sabia que você chegava hoje, .
Os meninos, então, engataram uma conversa que para mim não fez sentido nenhum e eu sai de fininho para o meu quarto, a fim de trocar de roupa, já que ainda estava com a mesma da noite passada.

Eu andava distraidamente pelo closet ainda um pouco vazio procurando alguma coisa para vestir e me assustei ao ouvir a porta batendo. Um vermelho de tanto rir estava encostado no batente da mesma e sorria para mim. Olhei-o incrédula e ele riu mais alto, eu esperava que ele fosse um bom ator.
- Você enlouqueceu? – perguntei sussurrando, mas como se estivesse gritando.
se aproximou de mim e me puxou pela cintura, segurando-me delicadamente pelo queixo e me dando um selinho.
- Talvez – ele murmurou e sorriu, se afastando. – Esteja pronta em 20 minutos, nós vamos patinar no gelo!
A mão de , a mão forte e grande de , roçava propositalmente na minha coxa descoberta todas as vezes que ele mudava a marcha do carro, o que estava me deixando muito nervosa, considerando que o meu irmão querido estava sentado no banco de trás. Eu já estava prestes a surtar quando nós paramos em um sinal de trânsito e sua mão largou a alavanca do câmbio e se inclinou para mim... Minha pulsação acelerou consideravelmente. Achei que ele iria me beijar, ali, na frente do , que agora prestava atenção na música que tocava no rádio. Olhei-o, em pânico, e ele sorriu radiante para mim enquanto se inclinava para abrir o porta-luvas, entregando um CD que eu não consegui identificar para . Fechei os olhos e afundei no banco tentando controlar a minha decepção, ele não deveria ficar me provocando sabendo que eu não podia fazer nada. O carro parou e eu abri os olhos, encontrando três grandes prédios reluzindo sob a luz do sol que raramente aparecia em Londres; logo reconheci o Canary Wharf . e desceram e eu fiz o mesmo, os seguindo para dentro de um dos enormes prédios. Seguimos pelo enorme salão coberto de lojas e depois de alguns minutos, eu avistei o ringue de patinação. Eu agora estava roendo minhas unhas distraidamente, observando todas aquelas pessoas indo e vindo e todas aquelas luzes, quando a puxou e eu o olhei decepcionada.
- Só me vingando... – ele respondeu rindo e eu o olhei séria, sem um pingo de humor. – Outch, estressadinha.
entrou e pegou dois pares de patins e eu logo avistei , e uma outra menina que eu não reconheci. Olhei para , esperando que ele me desse espaço para passar mas ele não o fez. Assustei-me quando ele me puxou para trás de uma pilastra e colou seus lábios nos meus. Sua língua contornou meus lábios e eu respirei profundamente, juntando toda a minha força de vontade e o empurrei. olhou-me sem entender e eu apenas dei de ombros, virando-me para ir aonde estava, mas ele me puxou de novo.
- , agora não – murmurei com a voz falha. – Por favor, não brinca com o meu autocontrole.
- Desculpa – ele disse, me abraçando. – É que você me provoca demais mesmo sem querer. Olha o tamanho do seu short!
Olhei para baixo e ele riu fraco.
- Não tem nada demais! – murmurei ofendida.
- Tem sim, mal tampa as suas coxas!
- Se tampasse as minhas coxas, não seria um short, .
Ouvi me chamando e separei-me de , finalmente entrando no ringue, que estava lotado. não veio logo atrás de mim, o que me deixou mais calma. Abracei e e sorri para a menina que estava com eles, a namorada de . a apresentou como Chapin e ela abriu um enorme sorriso para mim, abraçando-me fortemente.
No começo eu fiquei assustada, pois eu mal a conhecia, mas depois eu retribuí. Fiquei feliz por ela ter me tratado tão despreocupadamente e parecer não se importar em me deixar confusa ou não, como os outros faziam.
- Você é diferente do que eu imaginava – ela disse, soltando- me e voltando para perto de .
- Acho que é diferente do que todos nós imaginávamos – disse, chegando por trás de mim. – Espero que saiba patinar, garota brasileira.

- EU VOU CAIR! – gritei desesperada e me joguei para cima de pela milésima vez naquele dia. Minha bunda estava gelada e meu joelho estava dolorido, eu já não aguentava mais cair. Ninguém tinha me avisado que era tão difícil! me segurou, rindo e me colocou de pé, segurando-me pela cintura.
- Não joga o peso para frente – ele orientou e eu concordei, tentando usar a calma que ainda restava em mim.
Uma menina passou fazendo piruetas e eu senti uma pontada de inveja.
Logo depois Chapin e passaram patinando de mãos dadas e eu já estava quase surtando.
- Eu nunca vou conseguir fazer isso! – murmurei e riu baixo.
- Não é o fim do mundo, . É só um esporte.
- Não sei se você sabe, mas a minha coordenação motora é quase nula.
Ele me ofereceu seu braço e eu o segurei como se a minha vida dependesse daquilo. Rodeamos mais uma vez o ringue de patinação e avistei sentado ao longe em uma das mesas da praça de alimentação do shopping, olhando para o nada. Meus pés reclamaram e eu me rendi.
- , não aguento mais – reclamei e soltei-o com cuidado para não cair de novo.
- Vai andando que eu já vou – disse e eu concordei, indo em direção a . Sentei-me ao seu lado e tirei as joelheiras e as luvas, já que eu não estava mais com os patins. Fiz careta ao ver as marcas em meu joelho e riu baixo ao meu lado.
- O que foi? – perguntei, também rindo.
- Foi engraçado – ele murmurou e eu dei língua.
- Foi a minha primeira vez, na próxima eu consigo.
Sorri para ele e o mesmo olhou para os lados e me deu um selinho rápido. Senti minhas bochechas corarem e alguns minutos depois se juntou a nós, começando uma conversa animada com sobre quanto ele ia pagar ao amigo para me ensinar a patinar.

Dois meses depois...

Acordei de repente e olhei pela janela, o tempo estava cinza, para variar. Enrolei-me no edredom preguiçosamente e estiquei o braço para pegar o controle e ligar a televisão. Era engraçado como o céu mudava de cinza opaco para ensolarado e voltava para cinza no minuto seguinte. Eu ainda estava tentando me acostumar com isso; na verdade, eu ainda estava tentando me acostumar com tudo. Com a comida emborrachada (a carne e o tomate principalmente), com o gosto estranho da água, com o inglês rápido demais... Era difícil admitir, mas eu sentia falta do arroz com feijão. Bocejei, passando pelos mais de 300 canais rapidamente e deixei a televisão ligada em um canal de música, já que eu não conseguira encontrar nada que me interessasse ou que eu entendesse. O meu novo Mac rosa cintilava em cima da cômoda, junto com o meu iPhone, já que o meu celular e meu notebook se perderam em algum lugar da minha antiga vida. Eu falava com e as meninas diariamente e era engraçado como eu e elas surtávamos com qualquer coisa do McFLY que eu descobria antes das outras fãs, como as novas datas na América do Sul que poderiam ser anunciadas em breve...
Finalmente criei coragem para me levantar e andei preguiçosamente até o closet – finalmente cheio, com a ajuda de Chapin, que eu descobri ser uma consumista descontrolada – e escolhi uma roupa qualquer, já que eu passaria o dia sozinha em casa. Os meninos estavam fazendo alguns shows pela Inglaterra para promover o novo CD e depois de muito insistir, me deixara ficar sozinha mas com a supervisão de Chapin, minha nova grande amiga. Andei vagarosamente até a cozinha e enchi uma tigela com leite e cereais, já que os ingleses comiam coisas gordurosas demais para mim no café da manhã, o que me deixava com poucas opções. Voltei para o meu quarto e terminei de comer dançando ao ritmo do clipe de Domino da Jessie J. que passava na TV. Deixei a tigela de lado e sentei-me na cama, puxando o notebook para o meu colo. Sorri ao abrir meu twitter e ver que haviam tantos replys que eu mal conseguia achar os das pessoas que eu realmente conhecia; infelizmente, não achei nenhum. Resolvi deixar o notebook de lado e saí do quarto novamente, andando pelos corredores da enorme casa de . Passei pelas escadas e continuei andando, eu ainda não sabia o que havia por lá. Encontrei mais dois quartos, um banheiro e, no final, uma porta maior do que as outras; estranhei pois eu nunca havia reparado nela. Pensei bem e girei a maçaneta com cuidado, empurrando a porta em seguida e meus olhos brilharam com o que eu achei ali. Vários discos de platina, de ouro e todas essas coisas estavam pendurados na parede e havia uma estante enorme com vários troféus e estatuetas. Também havia um enorme piano Schimmel que fez o meu coração saltar e meus dedos coçarem. Avistei também vários outros instrumentos musicais, violões, baterias, guitarras... Dã, era meio óbvio que um músico tivesse uma sala de música em sua casa.
Uma outra estante também me chamou atenção, ali estavam todos os CDs, DVDs e Singles do McFLY, além de mais alguns sem etiqueta. Aproximei-me da tal estante e meus dedos coçaram para que eu pegasse uma daquelas mídias, talvez o não se importasse. Não, é claro que ele não se importaria.
Retirei o DVD Wonderland com cuidado para que os outros não caíssem e mordi o lábio, eu parecia uma criança prestes a aprontar. Peguei mais alguns DVDs e voltei para o meu quarto, onde eu passei a tarde assistindo aquilo tudo.

Meu celular tocou e eu me assustei, desliguei a televisão e o atendi rapidamente. Sorri ao escutar a voz de do outro lado da linha, eu sentia a falta dele, mesmo estando há menos de uma semana sem vê-lo, era estranho que ele fosse a pessoa mais importante do mundo para mim no momento.
Ah, esqueci de comentar sobre o . Eu e ele havíamos ficado poucas vezes depois da primeira e algumas vezes ele parecia estar me evitando... Mas eu achava que era só impressão minha.
Desliguei o telefone, sorrindo ao saber que eles voltariam na manhã seguinte e juntei todos os DVDs espalhados pelo quarto, voltando ao meu cômodo-favorito-recém-descoberto para colocá-los no lugar. Olhei em volta e me assustei ao me deparar com um instrumento que eu ainda não havia visto, um violoncelo. Aproximei-me do instrumento curiosamente e reparei que parecia antigo... Confesso que era um dos instrumentos que eu sempre quisera aprender a tocar.
Passei meus dedos por sua superfície cuidadosamente e havia algo escrito, o que me chamou atenção.
“Lyla Novacek”
Quem seria? Revirei minha memória a procura de uma Lyla, mas não encontrei nenhuma. Dei de ombros e voltei a encostar o instrumento na parede, eu perguntaria a depois.

O relógio da cozinha marcava quase meia noite quando eu desci morta de fome. Encontrei um post it com a letra de Chapin colado na geladeira com o telefone de mais de mil restaurantes e dizendo que também tinha comida na geladeira e que ela estaria organizando um evento importante essa noite. Dei de ombros e abri a geladeira, pegando qualquer coisa lá dentro, eu estava com tanto sono que nem conseguia pensar direito. Voltei para o meu quarto e me enrolei nos milhões de edredons que estavam jogados na minha cama desde a noite anterior e adormeci com o som do noticiário da televisão.

Eu estava num campo florido, sentia os raios quentes do sol batendo em meu corpo, deixando-me levemente aquecida e com uma sensação boa, finalmente o tempo estava bom. Olhei em volta, observando um lago logo à frente. O cantar dos pássaros me deixava calma. Olhei para os lados, procurando alguém e de longe pude ver uma mulher com um vestido branco até os joelhos. Seus cabelos desciam até metade de suas costas e seus olhos eram azuis brilhantes, ela andava em minha direção e algo dentro de mim disse que aquela era minha mãe.
- Mãe! - aquela foi a primeira coisa que pensei em dizer. Corri em sua direção com os braços abertos num desejo louco de abraçá-la. - Mamãe! Pensei que nunca mais lhe veria - meus olhos ardiam e as teimosas lágrimas de emoção desciam em meu rosto, talvez por não conseguir guardar aquilo tudo dentro de mim. A mulher continuava parada, sem demonstrar nenhuma reação. - O que aconteceu, mãe? Nós finalmente estamos juntas! Depois de todos esses anos, é como se eu tivesse te conhecendo de novo. Por favor, me abrace – pedi, sentindo meu coração doer. Soltei meus braços de seu corpo imóvel e encarei fixamente seu rosto. Ele não demonstrava nenhum tipo de emoção, seus olhos não tinham nenhum brilho.
– Foi tudo culpa sua - pela primeira vez escutei sua voz. - Foi culpa sua eu estar nesse lugar. É tudo culpa sua por eu não conseguir ver o crescimento do meu filho. Preferia nunca ter tido você! - Senti sua mão forte em meu rosto. As lágrimas que antes eram de emoção agora eram de tristeza. Nunca poderia imaginar minha mãe dizer algo assim pra mim... Quer dizer, não ela.
- Sinto muito, mãe - pedi desesperada, minhas mãos tremiam e eu suava frio. - Eu não tive culpa. Por favor, você tem que acreditar em mim... – a mulher deu um passo em minha direção e eu recuei, numa tentativa de me afastar e comecei a correr em direção ao nada. Algo dentro de mim dizia que perto do lago nada poderia acontecer comigo. Olhei para trás e me assustei ao ver que quem corria atrás de mim agora era Judith. Meus passos estavam cada vez menores e eu sentia que, se ela me alcançasse, algo muito ruim aconteceria. Avistei a imagem de ao longe e fechei os olhos, desejando com todas as forças que nada daquilo fosse verdade.


Ouvi um barulho alto e abri os olhos assustada, eu estava no chão do meu quarto com um edredom entre as pernas, suando, tremendo e com o coração disparado. Alguém se aproximou, correndo e eu respirei aliviada quando vi que era . Quer dizer, não tão aliviada, já que ele só vestia uma boxer. Ele me olhou em um misto de surpresa e preocupação e se abaixou ao meu lado; eu ainda tremia. Abracei-o forte e ele beijou o topo da minha cabeça, tentando me acalmar.
- Calma pequena, foi só um pesadelo – sussurrou e eu engoli o choro. Foi só um pesadelo.
Sorri fraco para ele que retribuiu e se levantou, me puxando pela mão.
- Deita que eu já volto, vou só terminar de trocar de roupa – ele disse suavemente e eu corei, o que o fez rir. – Acabei de chegar.
saiu e eu voltei a deitar na cama, ainda tentando me acalmar. Qual é , foi só um pesadelo! Não precisa ser assim tão ridícula.
Fechei os olhos e respirei fundo, mas as imagens do pesadelo ainda estavam em minha mente. Seria mesmo aquela mulher a minha mãe? Eu ainda não havia conversado nada com sobre aquilo, já que os meninos haviam me falado que era raro ele conversar sobre isso com alguém...
Ouvi uma respiração baixa e abri os olhos, encontrando deitado ao meu lado.
- Quer me contar sobre o pesadelo? Dizem que se você contar, eles não acontecem – sugeriu e eu me arrepiei só de lembrar.
- Depois – murmurei e ele sorriu, concordando. - Como foi o show? – perguntei, tentando me distrair.
- Foi bom, mas ficou quase três vezes mais rápido do que nos ensaios... Isso aborreceu um pouco os caras.
- Acontece... – sussurrei e ele riu.
- É, acho que sim.
Olhei para um ponto qualquer no teto e respirei fundo.
- Me conta sobre ela? – sussurrei incerta e senti que prendeu a respiração.
- Ela quem? – perguntou no mesmo tom.
- Minha mãe.
Olhei para ele, que sorriu fraco, passando a mão pelos cabelos. Depois de alguns minutos de silêncio achei que ele não fosse responder, mas sua voz rouca me assustou.
- O que quer sabe?
Mordi o lábio e pensei bem, havia tanta coisa...
- O que quer me contar? – perguntei e ele riu baixo.
- O que você quiser saber... Na verdade, eu estava esperando que você perguntasse.
- Achei que não gostasse de falar sobre isso.
- Nunca achei que fosse necessário que alguém soubesse.
Senti um aperto no coração e fechei os olhos.
- Como ela era?
acariciou minha bochecha e eu sorri de leve.
- Exatamente como você... Exceto os olhos e os cabelos, os seus são mais escuros. Brinquei com a ponta do edredom, tentando raciocinar. Aquilo me afetara um pouco. Pelo menos a mulher do pesadelo não parecia comigo, porque no mínimo seria assustador demais.
- Ela era uma boa mãe e... Me amava?
- Ela era ótima mãe. Ela te amava muito, talvez até mais que a mim mesmo... - seu tom divertido fez com que eu risse baixo, sentindo meu corpo relaxar um pouco. me fazia tão bem que eu ficava impressionada. - Ela sempre cuidou muito de você, eu chegava a ficar com ciúmes – ele completou, fazendo um bico, o que fez com que eu risse um pouco mais alto.
- Eu tive um pesadelo com ela... - murmurei, escutando um longo suspiro de . - Ela não se parecia comigo, talvez isso me acalme agora.
- Quer me contar como foi ? – sussurrou, mexendo em meu cabelo e eu fiz que não com a cabeça.
- Tô com sono.
sorriu para mim e me puxou para perto dele. Encostei a cabeça em seu peito e fechei os olhos.
- Vai cantar pra mim? – pedi e ele riu alto. – Qual é, você canta para milhares de pessoas, ! [n/a: Mesmo se o seu irmão for o , ele canta para milhares de pessoas tb, poxa! HUAHUAHUAHUA]
- Mas você é mais especial do que todas elas.
- E não mereço ouvir você cantando?
Senti seu peito subindo e descendo conforme sua respiração e me dei por vencida.
- Outro dia, então – Falei em meio a um bocejo e alguns minutos depois eu já estava apagada.

Capítulo 20

Era uma manhã de domingo e eu e caminhávamos pelas ruas de Camden Town, um bairro exótico e bem popular de Londres, com mercados que vendiam de tudo, livros, roupas, comida, velharias e coisas muito bizarras.
Nós já havíamos comprado vinis e agora estávamos passeando e rindo, comentando sobre as pessoas que passavam por ali, a maioria era roqueira ou gótica; muita gente conhecia o e até me reconhecia. Acreditem ou não, me pediram um autógrafo.
- Como eu faço isso? – sussurrei para quando uma menina loira, que parecia ter uns 15 anos, estendeu um pedaço de papel e uma caneta para mim.
- Rabisca o seu nome – ele sussurrou de volta, assinando o papel da outra menina que estava com ela.
- Qual é o meu nome? – sussurrei e ele me olhou, fingindo estar indignado.
Rabisquei “ ” no papel e sorri para ela, que chegou mais perto de mim receosa para me dar um abraço.
- Foi legal te conhecer – ela disse e eu agradeci.
Camden era um lugar divertido e diferente, com certeza eu gastaria mais algumas horas passeando por ali, qualquer dia desses.

Descemos a rua caminhando, já que não havia conseguido uma vaga mais perto e de longe eu avistei um senhor, que segurava uma caixa com algumas coisinhas se mexendo dentro.
- , sabe o que é aquilo? – perguntei, mostrando o senhor.
- Acho que são filhotinhos.
- De cachorro? – senti meus olhos brilharem. – Vamos lá ver, vai.
Chegamos mais perto e o senhor, que deveria ter 60 anos ou mais, sorriu para nós. - Não gostariam de adotar um cachorrinho?
Os filhotinhos eram da raça Bernese Mountain Dog*, aqueles peludos, com o pelo branco, marrom e preto. Alguns brincavam no chão e outros dois estavam dentro da caixa que o senhor segurava.
- ? – chamei e ele me olhou do mesmo jeito. É, eu tinha certeza que ele estava tão encantado quanto eu. – Acho que tá na hora de você ter um cachorro. Percebi que ele pensava nos prós e nos contras enquanto eu brincava com os filhotes que estavam dentro da caixa, até que avistei um filhote que estava sentado ao lado da perna do homem.
- Olha aquele, !
Abaixei-me e peguei o pequeno no colo, que lambeu minha bochecha.
- Oi, meu amor... Você quer que o te leve pra casa, quer? – brinquei com ele e riu. – Mas como o é muito legal, ele vai levar. Não é, ?
- Não sei , quando eu não estiver em casa, quem vai cuidar dele?
Olhei-o indignada e ele riu.
- Acha que eu não consigo cuidar de um cachorro, ? Você tá me fazendo passar vergonha!
- Mas ele vai ficar grande e vai fazer xixi em tudo e vai comer demais e eu não sei...
- Se você não deixar, eu nunca, nunca vou te perdoar, tá? – chantageei e ele se rendeu.
- Certo, leva o cachorro, .
* http://www.guiaderacas.com.br/Bernese.shtml

- Como pode ser o nome dele? – perguntei a no caminho de casa, com o pequeno no colo. – Quero um nome diferente, sabe?
- Coloca o nome de alguém famoso que você goste, sei lá – sugeriu, prestando mais atenção no trânsito do que em mim.
- , ou ? – perguntei e ele gargalhou.
- Não, não faz isso com o coitado do cachorro, por favor.
Observei o pequeno mordendo a barra do meu short e sorri, fazendo carinho em sua cabeça. Vários nomes estavam na minha cabeça, mas todos eram bobos demais.
- Que tal Marty? – perguntou e eu o olhei como se perguntasse de onde diabos aquele nome saíra. – Sabe, de Marty McFLY?
Olhei para “Marty” pensando na possibilidade e concordei. - Certo Marty McFLY, mas só por causa do McFLY, tá? E se você for para o futuro amiguinho, vai ficar de castigo.

- Nós somos péssimos com isso, – reclamei e ele riu como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. – Minha roupa tá ensopada!
Havíamos acabado de chegar em casa com Marty, mas no caminho paramos no pet shop para comprar todas as tranqueiras necessárias: ração, potinho, brinquedinho, casinha... Agora era quem estava empolgado com a ideia de ter um cachorro. Eu estava sentada no chão do banheiro completamente molhada enquanto lutava contra Marty dentro da banheira, tentando desembaraçar o pelo e catar as pulgas que corriam pra lá e pra cá.
- Eca, isso é nojento – ele reclamou dessa vez, me mostrando o dedo com uma pulga gigantesca grudada nele.
- Se crianças tiverem pelos e pulgas, eu não quero ser mãe não – brinquei e riu, tirando mais um montinho de pulgas de Marty.
Alguns minutos se passaram e finalmente decidiu que havia terminado. Eu sequei Marty e ele desceu para pegar as coisas e lavar o banheiro.
- Jura que eu vou te ver nesse momento empregada doméstica? – perguntei quando ele apareceu com uma vassoura na mão. – Eu jurava que você não sabia nem lavar louça, .
- Eu tive que aprender, né? Minha esposa não vai querer um cara que fique o dia todo jogado no sofá, tomando cerveja.
- Não sei, acho que depende da esposa – respondi e ele concordou. Marty se sacudiu no meu colo e eu o soltei para que corresse pela casa. Senti que olhava para mim e dei de ombros.
- Ele vai se comportar, eu prometo!
balançou a cabeça e sorriu, entrando no banheiro armado com todo o material de limpeza que tinha direito.
- ? – chamei e ele pôs a cabeça para fora. – Quer que eu faça o almoço? Agora foi a vez dele de rir de mim.
- Sério que você sabe cozinhar? – ele perguntou, gargalhando.
- Sei... – murmurei, sentindo o rosto corar. – Quer ou não?
- Tudo bem, essa eu quero ver.

Juntei todos os ingredientes que eu precisava para uma lasanha e fiz o que eu mais sabia fazer. Quando terminou de lavar o banheiro, ele tomou banho e sentou no chão da sala para brincar com Marty enquanto eu esperava o queijo da lasanha derreter.
- Tá quase pronto – avisei, abrindo e fechando a porta do forno. – Vai lavar as mãos, anda! – brinquei e riu, me obedecendo.
- Calma, mamãe.
Mais ou menos cinco minutos depois, eu e ele estávamos comendo em silêncio. Depois de repetir três vezes, ele finalmente me olhou.
- Cara, isso tá muito, muito bom. Aonde aprendeu a cozinhar assim? – perguntou e eu ri.
- Não sei, eu sempre tive a mania estranha de assistir a programas de culinária quando não tinha nada passando na televisão... Aí um dia eu fui tentar e BUM, deu certo.
- Acha que se eu começar a assistir, eu aprendo a cozinhar também?
- Duvido, acho que depende muito de ter talento, sabe? – ele me olhou, fingindo estar espantado e levou outro pedaço de lasanha à boca.
- Aham... E talento você tem de sobra, né? – perguntou com a boca cheia.
- Eca, engole isso! – murmurei e ele riu baixo. – É claro que eu tenho talento de sobra, você ainda não tinha percebido?
- É claro que eu tinha percebido, se você não tivesse talento não seria minha irmã – ele debochou e eu ri.
Terminei de comer e me levantei, levando os pratos, talheres e copos sujos comigo.
- Eu lavo, você seca – avisei da cozinha, com o pano de prato na mão.
Marty corria pra lá e pra cá pela sala e às vezes puxava a bermuda de , pedindo um pedaço de lasanha.
- Aaaah, acho que vou te expulsar de casa se ficar me obrigando a fazer trabalho doméstico! – reclamou e eu o olhei séria.
- Não quero nem imaginar como era a sua casa antes de mim, . Provavelmente um chiqueiro.
- A minha casa até que era limpinha, mas se você entrasse na minha casa com os meninos há um tempo atrás... Não quero nem lembrar.
Balancei a cabeça em sinal de indignação e riu. Concentrei-me em esfregar as louças e as passava para que secasse. Sinceramente, até que fizemos um bom trabalho.

- O que quer fazer agora? – perguntou, se jogando no sofá com Marty em seu encalço.
- Ah, sei lá – respondi me sentando ao seu lado. – Vocês não têm ensaio daqui a pouco?
- Temos, mas dá tempo de fazer alguma coisa antes... Não sei, você que sabe. deitou folgadamente na poltrona, colocando os pés no meu colo. Olhei-o com cara de nojo e ele riu.
- Qual é maninha, eu sou limpinho!
- Aham, aposto que sim – brinquei e ele riu mais ainda.
Procurei pelo controle da televisão em cima da mesinha e a liguei. É, finalmente eu havia aprendido para que serviam todos aqueles controles.
Passei por vários canais e comecei a gargalhar quando parei no canal Fox. estava com os olhos fechados, por isso não entendeu o meu ataque de risadas.
- O que foi, criatura? – perguntou tirando a mão do rosto e olhando para a televisão. passou de branco a azul, a amarelo, a roxo, a vermelho e voltou a ser branco novamente. – Você não vai mesmo assistir isso, vai?
Bem, bem, bem... Estava passando Just My Luck.
- Achei que só passasse isso na Globo, sabia? – brinquei e ele me olhou fingindo irritação. – Ah, qual é maninho, você era tão lindo nessa época...
- LINDO? CARAMBA, OLHA O MEU CABELO! – ele gritou e eu ri alto.
- Ah, tudo bem, tirando o cabelo, mas as suas fãs amavam, vai...
- Para um ser baixinho como você, até que você sabe ser implicante, sabia? – agora foi ele quem brincou comigo.
Eu dei língua e ele sorriu, se sentando corretamente no sofá.
- Aposto que você sabe que grande parte da minha parte implicante vêm de você...
Vimos uma parte do filme em silêncio e se escondia toda vez que ele aparecia na tela da televisão.
Enquanto a Lindsay Lohan subia para trocar a lâmpada do boliche e queimava os dedos, ouvimos o barulho da porta abrindo e Marty, que estava deitado de barriga para cima no chão, correu para ver quem era e descobriu antes da gente.
- AAAAAAAAH, ESSE CACHORRO ASSASSINO VAI ME MATAR! – chegou correndo na sala e eu e gargalhamos, pois Marty puxava a calça dele sem dó. Eu sabia que se ele estivesse de bermuda, ia ficar com a canela marcada. – SOCORRO, VOCÊS NÃO VÃO FAZER NADA?
- Calma, , é só um filhotinho inocente... – brinquei, chamando Marty logo em seguida e suspirou aliviado.
- Filhotinho? Isso ai é um Pit Bull – ele brincou também e eu ri. - Aonde vocês conseguiram isso? – perguntou a , que se levantou do sofá numa onda de preguiça contagiante.
- Nós fomos a Camden hoje de manhã porque a queria conhecer e eu estava devendo isso a ela, aí na volta tinha um senhor com vários deles, pedindo para serem adotados – ele explicou e me indicou com a cabeça. – E como eu tenho uma irmã muito chata e insistente, eu tive que trazer essa bola de pelos pra casa. E eu espero que ela saiba que a responsabilidade é toda dela.
Olhei-o feio por estar falando isso na frente de e ele sorriu.
- Isso porque nós dois sabemos que eu sou um milhão de vezes mais responsável do que você – brinquei, fazendo-o ficar sem graça e riu.
- Tá vendo, cara? Acho melhor você mandar ela de volta para o Brasil.
- Só mando se o cachorro for junto – brincou e me abraçou de lado. – Vou trocar de roupa, .
concordou e sentou-se no sofá menor.
- Pode soltar – ele falou, indicando Marty com a cabeça e eu o fiz, voltando a me aconchegar no sofá maior.
Marty cheirou os pés de e balançou o rabinho.
- Achei que você tivesse medo – brinquei e ele riu, negando.
- Não, eu gosto de causar polêmica – ele brincou e eu dei língua, pois realmente acreditei que ele estivesse com medo.
- Eu tenho dois cachorros, achei que você soubesse – vasculhei a minha memória e ergui uma sobrancelha, porque eles não estavam em sua casa em todas as vezes que eu havia estado lá. Ele entendeu. – Mas eles não ficam comigo, ficam com a minha irmã, entende? Não posso deixar dois cachorros enormes dentro de casa enquanto eu fico fora durante meses direto, porqie senão, quando eu voltar...
- Não tem nada no lugar – completei e ele balançou a cabeça, rindo.
Ficamos em silêncio durante algum tempo. Para falar a verdade, eu estava com vergonha de estar ali sozinha com , porque a gente só havia ficado naquela vez e... Eu ainda não sabia como olhar para ele direito e nem como agir perto dele. Na verdade, eu sabia que a situação ia ser estranha, já que eu sabia que veria quase todos os dias, ele sempre estaria junto ou perto de , então... Eu não tinha muita saída a não ser agir como se nada tivesse acontecido.
Ao sair dos meus devaneios, percebi que me encarava sorrindo.
- Que foi? – perguntei, sentindo as bochechas corarem.
Por favor, por favor, por favor, não faça nada com que eu me arrependa, .
- Não acredito que tá vendo esse filme, cara. Quantas vezes você já viu, mesmo? – ele brincou e eu ri, contando mentalmente.
- Hummm, algo como umas 10 vezes – confessei e ele me olhou surpreso. – Mas na verdade eu não to vendo, é mais para implicar com o .
- Aaaah, bem, é uma ótima ideia afinal.
Ele sorriu para mim e eu senti que desmancharia ali mesmo se fosse feita de açúcar. A verdade é que eu não via a hora de estar sozinha com ele de verdade, de novo... Merda.
Sorri sem graça e desceu as escadas, despertando a atenção de Marty que foi correndo encontrar com ele.
- Acho que ele gosta de você, cara – brincou e sorriu.
- Todo mundo gosta de mim, cara, ou você ainda não percebeu? – ele respondeu e passou as mãos pelo peito, fazendo pose.
Eu ri alto e balançou a cabeça.
- Beleza, garanhão. Agora será que dá pra gente ir? – perguntou e concordou, colocando a mochila em um dos ombros.
se aproximou de mim e me deu um beijo na bochecha, se agachando a minha frente.
- Qualquer coisa me liga, tá? Não vou demorar, prometo – disse e eu concordei. – Não tá brava comigo, né?
- Não, , eu já disse que não me importo... Mesmo! – respondi e ele riu, apertando meu nariz e se levantando.
- A não vai? – perguntou e eu e negamos com a cabeça. – Aaaah, por quê?
Alguma coisa pulou dentro de mim nesse momento. Sem piadinhas, por favor!
- Eu vou acabar atrapalhando – expliquei e negou.
- Não vaaai, não... Vamos, por favor! – ele pediu e eu ri. – Você nunca nos viu ensaiando, .
- No próximo eu vou, prometo! – concordou e chegou mais perto de mim. Seu perfume me fez tremer e sério, ainda bem que eu estava sentada, porque ter tão perto de mim era no mínimo perigoso. Mas ainda nos observava, parado na porta, então eu soube que ele não faria nada demais.
- Tchau então, mas eu não vou me esquecer, certo? – disse e me deu um beijo na bochecha.
Sorri idiotamente quando ele se afastou e seguiu para fora de casa, fechando a porta ao sair. Contei até três e soltei aquele suspiro cansado.
Fiquei a sós com os meus pensamentos durante algum tempo, apenas rolando para lá e para cá no sofá. Ouvi meu celular tocando em algum lugar do meu quarto lá em cima e me levantei para antendê-lo.
- Aaaaaaah, Marty, eu não acredito! – reclamei ao pisar em algo molhado no carpete de . – O vai tirar o meu couro.
E assim começou a minha saga ao notar mais um monte de pequenas poças aqui e ali. Eu estava pensando seriamente em mudar o nome de Marty para Mijão.
- Você me paga! – reclamei e ele correu, me fazendo rir.
Realmente, as coisas estavam voltando ao seu lugar, de pouquinho em pouquinho.

Capítulo 21

A semana havia passado tão rápido que ninguém havia nem percebido. Já era sábado de manhã e, por incrível que pareça, o sol brilhava em Londres. Eu e levantamos cedo para passear com Marty e comprar algumas coisas no mercado e havíamos chegado há pouco em casa quando a porta da sala bateu e eu sorri ao ver Chapin aparecer com um sonolento atrás de si.
- Vocês tem planos para essa noite? – ela perguntou e se sentou ao lado de no sofá, enquanto eu terminava de comer meus cereais sentada em um dos bancos da cozinha. sorriu para mim e se sentou ao meu lado.
- Acho que não, por quê? – perguntou. – Temos planos, ?
- Agora vocês têm – Chapin comentou alegremente. – Eu e o vamos dar uma festa à fantasia.
me olhou, rolando os olhos e eu ri discretamente, ele odiava festas e Chapin era uma organizadora de eventos, nada que combinasse muito. Mas eles sempre se resolviam, então...
- Eu não tenho fantasia – comentei, terminando de mastigar a última colherada dos “floquinhos fofinhos de coco” e concordou.
- Eu posso te emprestar algumas minhas e... – Chapin sugeriu quando a interrompeu com os olhos arregalados.
- Você não vai fantasiar a minha irmã de coelhinha da playboy, Chapin, desista - mla murchou porque era exatamente sua intenção e eu gargalhei.
- Droga, , você é um chato. Vamos esquecer a parte das fantasias então, a festa agora vai ser para apresentar a à sociedade.
- Nossa, parece até que vocês estão tentando arranjar um marido para mim – murmurei e eles riram – Vai mudar a festa porque eu não posso me fantasiar de coelinha?
- É que a idéia da festa surgiu agora sabe, mas nós podemos mesmo arranjar um marido rico pra você se você quiser.
- Nãaaao, eu tenho o – debochei e o abracei, ele retribuiu o meu abraço e Chapin deu língua. – Ele é o marido rico perfeito.
- Tudo bem, eu caso com o então – ela rebateu e eu dei de ombros, antes ela do que qualquer groupie por aí.
A porta voltou a se abrir e eu me soltei rapidamente de quando entrou.
- Olha, você também pode casar com o – Chapin comentou sorridente e eu senti as bochechas queimando – Ele é um partidão.
- Eu não sou para o bico dela – comentou e eu sorri descaradamente.
Chapin gargalhou alto do nada e eu olhei para ela com uma das sobrancelhas arqueadas.
- Pirou? – perguntou e eu ri da cara ofendida que ela fez.
- Estou de olho em certas pessoas por aí... – ela comentou e eu olhei para que também me olhava estranho.
Do que será que Chapin sabia?
- Então, , a vai sair comigo e me ajudar a comprar as coisas, tá? Você e os meninos têm muito o que fazer mesmo – ela voltou a falar e balançou a cabeça.
- Nós não temos nada pra fazer, Chapin – ele comentou e ela lançou-lhe um olhar assassino. – Que foi?
- Vocês três acham mesmo que vamos carregar vocês pra vocês ficarem reclamando atrás da gente o dia todo?
- Hummm, sim? – se meteu e eu e disfarçamos a risada. Ele era tão lento quando queria...
- Hummm, não, – Chapin respondeu e sorriu pra mim. – Vai trocar de roupa e não esquece do cartão de crédito, tá? A gente vai comprar as coisas pra festa e na volta, tcharam, vamos terminar de encher o seu closet.
Rolei os olhos e os meninos riram, eu sabia que essa era a intenção dela.

Depois de muito batermos perna em toda a Oxford Street (ou pelo menos grande parte dela, já que eu não sentia nem minhas pernas mais), o maior centro comercial de Londres e de toda a Europa, Chapin finalmente me deixou voltar para casa. Havíamos comprado tanta, mas tanta coisa, que eu realmente fiquei com pena do e do , mas uma coisa eu confesso: Chapin realmente sabia dar uma festa. E eu estava muito, muito ansiosa para o que aconteceria nela.

- O que você acha, ? – perguntei pela milésima vez, me olhando no espelho e analisando o vestido que Chapin me obrigara a comprar, enquanto um só de jeans estava jogado na minha cama.
- Tá bom, – ele respondeu, também pela milésima vez.
- Eu odeio usar vestido, – lamentei e ele me olhou estranho. – O que foi?
- Muda de roupa então... – seria fácil se a namorada do seu amigo não fosse me estrangular, .
- Eu gostei dele, só não to acostumada – confessei e ele riu, se sentando. – Não vai terminar de se arrumar?
- Vou, mas eu preciso da sua ajuda pra escolher uma camisa...
- Own e você estava com vergonha de pedir, certo? – brinquei apertando suas bochechas. – A cinza que tem a estátua da liberdade, acho.
- Ok – concordou e saiu para o quarto, voltando algum tempo depois já arrumado. – Vamos, Cinderela?
- Aaaah, para com isso, senão eu vou colocar meu pijama e me enfiar debaixo desse edredom, tá? – chantageei e ele riu.
Procurei meus sapatos e minha bolsa e me puxou rumo à casa de , que parecia a festa do Oscar. Ou do Brit Awards, já que eram astros de rock e não atores.

A casa de estava tão cheia de gente que eu me sentia sufocada ali. me apresentara a alguns amigos dele e as reações eram as mesmas, coisas como “caramba, como ela é parecida com você”. Na verdade, eu me sentia um ratinho de laboratório, mas eu nunca falaria isso para ele, é claro. Avistei Chapin conversando com e ao longe e fui até eles, deixando que conversasse com um carinha de cabelo chapado que eu nunca vira na minha vida.
- Uau, que gata – me cumprimentou e eu gargalhei. – Pelo menos a Chapin não escolheu um pedaço de pano tão curto quanto o dela pra você.
Observei o vestido preto da minha amiga e sorri sem graça, porque não era só um pedaço de pano, mas sim o pedaço de pano mais lindo e caro que eu havia visto até agora. E era só uma festa comum, num fim de semana normal.
- A parte de baixo eu perdi quando fui pular a cerca – ela respondeu a e sorriu pra mim. – Ficou linda, viu?
Senti a mão de na minha cintura e sorri, porque percebi que ele já estava meio alterado.
- Deixa só o ter mais um pouquinho de álcool no sangue que a gente deixa o seu vestido igual ao dela, tá? – perguntou e eu ri.
- Claro, a gente deixa.
Uma morena alta e magra, com um vestido que era ainda menor do que o de Chapin, passou por nós e sorriu para o .
- Opa, a gente resolve isso depois – ele disse e foi atrás dela.
Olhei para que balançou a cabeça e vi que Chapin sorria e olhava além de mim.
- Que foi? – perguntei e senti uma presença atrás de mim. Quer dizer, foi A presença, O perfume, A voz e tudo mais, porque, tcharã, chegou quem faltava!
- Olá damas e olá cavaleiro – cumprimentou e eu sorri para ele sentindo as pernas fraquejarem. , nunca mais use preto perto de mim, pelo amor a minha sanidade!
Chapin sorriu para assim como eu e piscou para mim.
- Então, , acho que temos que circular e dar as boas vindas aos convidados, certo? – perguntou e a olhou confuso, porque grande parte das pessoas que estavam ali nem foram convidadas. – Cala a boca e me segue – ela ordenou e eu segurei o riso, observando enquanto eles sumiam em meio a toda aquela gente que se mexia no ritmo da música.
Sem saber direito o que fazer, me virei para olhar para .
- Então... – comecei e ele riu.
- Você está linda.
Senti todo o sangue que eu tinha em meu corpo subir para o rosto e sorri sem graça.
- Obrigada, – murmurei e ele sorriu, chegando mais para perto de mim. Puxou-me devagar e me abraçou, fazendo meu coração acelerar mais do que já estava. Algumas pessoas olhavam para nós e eu me perguntei se ele não via isso também.
- , você não acha melhor a gente ir para outro lugar? – perguntei e ele me olhou, me questionando. – Tá todo mundo olhando pra gente.
Ele olhou em volta e concordou, me puxando pela mão e me levando junto com ele, fazendo aquelas familiares borboletas fazerem uma festa em meu estômago.
- Que tal se fizéssemos um tour pela sala de vídeo do ? – ele perguntou e eu concordei. – Deve ser o único lugar da casa que não tem ninguém fazendo tudo o que você possa e não possa imaginar dentro – ele brincou e eu ri.
- Certo, vamos.
me guiou pela casa abarrotada de e quase todo mundo ali olhava para nós, mas eu não me importei realmente. Eu não me importava com nada enquanto ele estivesse ali, segurando a minha mão.

Paramos em frente a uma porta branca de correr que abriu e me colocou para dentro, trancando-a em seguida. Parei para admirar aquele lugar com aquele sofá enorme e uma estante que continha uma quantidade incontável de capinhas de DVD’s e olhei para , que riu.
- Quer escolher um? – perguntou, apontando para a tela enorme que se estendia a nossa frente.
- Será que tem Shrek? – passei o dedo pelas capinhas dos vários desenhos animados e soltou uma gargalhada.
- Você não quer mesmo ver isso, quer? – perguntou, puxando a capinha do Shrek 1 de uma parte mais alta.
- O que tem? Shrek é legal, – me defendi e ele balançou a cabeça, fazendo sinal para que eu me sentasse no sofá de couro marrom que caberia confortavelmente uma família toda.
colocou o DVD no aparelho, se sentou ao meu lado e sorriu.
- Espera – pedi e ele me olhou curioso enquanto eu tirava os sapatos, me deitava e colocava os pés em seu colo. Ele riu e tirou os sapatos também, cruzando as pernas tipo indiozinho.
- Isso não tá certo... – ele falou e eu o olhei enquanto dava o “play” no DVD.
- O que não tá certo?
- Tá rolando uma festa enorme lá em baixo e, hm, aposto que você levou bastante tempo pra se arrumar assim e vai amassar o seu vestido...
- Acho que a única pessoa que realmente vai se importar vai ser a Chapin – eu disse e ele concordou. – A não ser que você não queira ficar aqui e...
- Não, tá tudo bem – respondeu e sorriu para mim. – Perdi o saco para essas festas sabe?
- Difícil acreditar, pegador – brinquei e ele me olhou sério. – Ah, só brincando!
- É bom saber que essa é a imagem que você faz de mim – respondeu meio sério e eu o olhei curiosa, mas ele não falou mais nada.
O filme começou e, depois do que me pareceram uns 20 minutos, chamou o meu nome.
- Eu mudei, sabe? – disse e eu olhei-o curiosa. – Quer dizer, eu não sou mais o idiota de antes...
Levantei-me e beijei sua bochecha.
- Não tá mesmo preocupado com isso, tá? Eu só estava brincando, seu chato. E eu nem tenho como te julgar porque eu nem te conhecia, na verdade. Eu sei que você mudou – disse e ele sorriu. – E a gente nem tá com o casamento marcado ou alguma coisa assim.
- Eu sei... Mas é que eu não quero que fique com essa ideia errada de mim. Não que eu me importe com a imagem que eu passo para os outros, mas é que... Tudo é diferente. Eu não sou aquele cara que todo mundo acha que sou. E na verdade não sei nem porque eu tô tentando explicar isso, mas eu sinto que preciso explicar pra você. Tentar te convencer que eu realmente mudei.
Mudei a posição que estava, passando a ficar ainda mais próxima dele. Passei meus braços em torno de seu pescoço e ele ficou me encarando com um sorriso nos lábios. Aquele mesmo sorriso que desperta tantas coisas em mim.
- Eu acredito em você, . Não precisa tentar provar nada pra mim - minha voz saiu ainda mais baixa que o costume e ele tirou uma de minhas mãos de seu pescoço, entrelaçou nossos dedos e passou a me encarar nos olhos.
Ele beijou a minha testa em um gesto de carinho e eu sorri.
- Sabe que suas mãos são lindas? - minhas bochechas coraram ao ouvir tal comentário e ele riu. - Elas ficam ainda mais bonitas assim, entrelaçadas nas minhas - ele as beijou com tanto carinho, como se fosse um diamante valioso que pudesse se quebrar a qualquer momento. Respirei fundo e o sorriso que já brincava em seus lábios aumentaram ainda mais. Ele aproximou o rosto do meu lentamente, sua respiração bateu contra meu rosto e fechei meus olhos. A maciez de seus lábios entrou em contato com os meus e novamente pude sentir aquelas sensações. As mãos dele ainda estavam nas minhas, meu coração batia rápido demais contra meu peito. Minha pele formigava com o contato de suas mãos, era insano. Meu corpo nunca reagira assim com um contato simples. Meu estômago parecia ter vida própria, ele se revirava dentro de mim.
Escutei um barulho vindo da porta e olhei para apavorada.
- , você tá ai? – perguntou.
Ele caminhou até a porta e abriu uma fresta para falar com , que parecia mais apavorado do que nós dois por termos sido pegos quase no flagra.
- O que foi cara? – perguntou e cochichou algo com . “Briga”, “”, “machucado”, “” e “acalmar” foram só as coisas que eu consegui distinguir enquanto balançava a cabeça em sinal de concordância e alegava a que desligaria a TV e desceria e o mesmo concordou, fechando a porta. Olhei-o apavorada e ele respirou fundo, chegando mais perto de mim.
- O que foi? – perguntei, sentindo a garganta seca por causa das palavras “briga” e “” na mesma frase.
- Parece que a menina que o pegou tinha namorado e o cara avançou nele, mas o se meteu e os dois apanharam.
deve ter percebido a cara que eu fiz, porque se aproximou de mim e me abraçou apertado.
- Calma, tá tudo bem. Eu desço primeiro e depois você vai, o tá no quarto do , tá? – disse e eu concordei, sinalizando para que ele fosse logo.
Logo que ele saiu, eu desliguei a televisão e o DVD, coloquei na capinha o disco e deixei tudo como estava antes de entrarmos.
Respirei fundo três vezes e desci.
A casa estava um pouco mais silenciosa do que quando eu e subimos, mas ainda haviam várias pessoas lá. Olhei para os lados e me dei conta de que eu nunca havia estado na casa de antes, então me obriguei a procurar cômodo por cômodo, até encontrar o mesmo.
Meu irmão estava sentado na cama com uma bolsa de gelo na bochecha e um olho que parecia muito prejudicado, enquanto estava em pé ao lado dele visivelmente de mal humor.
- Posso entrar? – perguntei assim que abri a porta e arregalou os olhos. Perguntei-me se ele havia se esquecido de mim.
sorriu para mim e eu me sentei ao lado de .
- Tá tudo bem com você? – sorri para ele e vi que ele respirou fundo, balançando a cabeça, em uma atitude meio culpada. Olhei para com curiosidade e ele fez sinal de que depois me explicaria tudo.
Passei a mão nos cabelos de que estavam um pouco molhados de suor e ele encostou a cabeça em meu ombro, fazendo uma careta.
- A Chapin já vem com os remédios, explicou e alguns minutos depois minha amiga apareceu com uma caixinha branca em suas mãos. Observei enquanto ela limpava o sangue que estava na bochecha de e um corte profundo que ali estava.
- , leva a bolsa de gelo para o , por favor? – ela pediu e eu concordei.
- Cadê ele?
- Deve estar no banheiro com o – concordei novamente e segui para o banheiro, onde encontrei sentado no chão e parado na porta. Entreguei o gelo e sai, porque estava me sentindo sufocada com aquele monte de gente querendo saber o que estava acontecendo.

Me sentei na grama macia do quintal da casa de sentindo o ar gelado do outono bater em meu rosto e balançar meus cabelos.
Ouvi o barulho de passos e nem precisei olhar para saber que era em pé ao meu lado.
- Tá tudo bem? – ele perguntou e sentou ao meu lado, sorrindo.
- Tudo bem – eu disse, olhando em seus olhos e sentindo um inexplicável (ou nem tanto assim) frio na espinha. Sorri fraco para ele e abaixei a cabeça, me concentrando em brincar com a grama.
Ficamos em silêncio durante algum tempo e vi que me olhava de canto de olho.
- O costuma beber assim? – perguntei, porque eu sabia que ele estava bêbado mesmo sem ter demonstrado.
- Não... Entre nós, ele é o que menos bebe – ele respondeu e eu mordi o lábio inferior.
Senti pegar a minha mão que agora estava jogada ao lado do meu corpo e segurar entre seus dedos, a segurando firme em seu colo. Suspirei pesadamente e ele me puxou mais para perto, permitindo que eu descansasse minha cabeça em seu ombro.
- Te ver preocupada me deixa preocupado... E ele só quis defender o , então...
- Eu sei, não to julgando nada, qualquer um entraria em briga para defender o amigo, só fiquei preocupada porque ele bebeu um pouco além da conta.
- Aconteceu, pequena, esquece isso, foi só uma briguinha besta – ele sussurrou e eu sorri fraco para ele, concordando que eu me preocupava demais com coisas sem necessidade.
Escutei alguém se aproximar e eu e nos afastamos imediatamente e logo em seguida, Chapin se sentou ao meu lado.
- Vocês dois já podem parar de disfarçar, ok? – a olhei com a expressão confusa e ela sorriu. – Fala sério, o estava bêbado demais e amanhã não vai se lembrar de nada, mas todo mundo viu vocês subindo a escada de mãos dadas.
Eu e nos entreolhamos e ele sorriu para Chapin.
- Eu sei – comentou, a olhando e ela deu de ombros.
- E também ficou meio na cara naquele dia, quando nós fomos à patinação, acho que os outros só não perceberam porque são tapados demais.
- Eu tinha quase certeza que você tinha visto – comentou e eu o olhei surpresa, mas não tive tempo de concluir o raciocínio porque apareceu na porta da varanda e me chamou.

’s POV.

se levantou assim que a chamou para dentro e eu fiquei ali sentado, sabendo que teria algumas coisas a explicar a Chapin e que ela não estava nada feliz com aquilo tudo.
- Pode falar – pedi e ela me olhou séria.
- Eu sei que mal conheço essa menina, , mas ela já se tornou muito especial para mim e eu não gostei de saber dessa brincadeirinha de vocês.
- Brincadeirinha? – perguntei, sentindo um aperto no peito. Era isso que ela achava?
- Pelo amor de Deus, eu te conheço há quanto tempo mesmo, ? – ela perguntou e seu tom de voz me fez olhá-la – Há quase 9 anos, desde que eu namoro o e desde que o McFLY começou. E sabe por que eu me preocupo? Por que eu sei que você não quer nada sério com ela. E sabe por que eu sei? – ela perguntou assim que eu abri a boca para contestar. – Por que nesses 9 anos que eu te conheço, nunca vi você querer nada sério com ninguém e não acho que com a vai ser diferente. E, além disso, ela é irmã do caramba! Você sabe o que ele vai fazer, não quando ele descobrir que você e ela andaram se agarrando, mas quando ele perceber que você pode acabar magoando a menina?
- Chapin, eu gosto muito da , muito mesmo. E o é o meu melhor amigo, eu jamais faria alguma coisa para magoá-lo.
- Eu só quero que você pense bem no que você está fazendo, certo? A não merece mais sofrimento e eu não vou deixar que isso aconteça. Se você diz que não quer magoá-la, ótimo! Mas se eu perceber que a situação está fugindo do controle, você terá problemas, .
Observei ela se levantar sem me dar direito a resposta, limpar a grama que estava grudada na calça jeans e seguir pelo mesmo caminho que seguira alguns minutos atrás e senti o vento frio bagunçando meus cabelos. Eu sabia desde o começo que aquilo não era certo, desde a primeira vez que eu havia cogitado a possibilidade de que algum dia acontecesse alguma coisa. E aconteceu.
Eu sabia que apaixonado não era o termo exato para o que eu estava sentindo por aquela menina, mas eu não podia me apaixonar... não se apaixona. Chapin estava certa, eu não quero e nunca quis nada sério com ninguém, então por que aconteceria agora?
Passei as mãos pelo rosto e suspirei pesadamente. Eu já estava envolvido demais com aquela menina para parar agora e eu não quero, não quero ficar longe dela. Mas... E se ela quiser ficar longe de mim?
- Eu não posso fazer isso – sussurrei para mim mesmo pensando nas ideias que surgiam em minha cabeça – Não posso fazê-la sofrer e eu sei que não sou forte o suficiente para ficar longe dela.
Pelo amor de Deus, eu estava apaixonado pela pequena . Pela primeira vez na vida, eu estava apaixonado por alguém e não sabia o que fazer.

’s POV.

Eu e procuramos por pela casa e o encontramos no mesmo quarto de antes, agora sem o .
- Fica aqui comigo? – ele perguntou com a voz rouca e eu concordei. sorriu para mim e saiu, dizendo que se precisasse de alguma coisa, era para chamá-lo. Ele não parecia muito machucado, havia apenas alguns resquícios de sangue em seus lábios.
- Fala – murmurei, me encostando na cabeceira da cama enquanto se deitava. Ele olhou pra mim e sorriu fraco. Eu sabia que ele estava preocupado com o que eu estava pensando e aqueles olhinhos azuis me cortaram o coração.
- Me desculpa? – ele perguntou e sorriu fraco. – Eu não devia ter bebido tanto e nem devia ter entrado no meio da discussão dos outros.
- Não foi nada, . O é seu amigo e eu te entendo perfeitamente, também entraria em uma briga pelas meninas ou por qualquer pessoa que eu ame. Ele sorriu para mim, se sentou ao meu lado, abriu os braços e eu o abracei forte. Depois de tudo que ele fez por mim, eu nunca o julgaria por nada.

Capítulo 22

"Tu tem que crescer ainda, pequena. Aprender que amor não se pede, não se implora. O amor é dado como uma porta de entrada para descobrires do que gosta, do que não gosta, o amor vem pra te mostrar as armadilhas da vida, os sorrisos sinceros e as lágrimas que doem. O amor, pequena, vem sem você procurar. Vem quietinho, como quem não quer nada e vai entrando em ti como se fosse uma paixão passageira, tu sabes que é só uma paixão, mas ao mesmo tempo, não sabes mais de nada. Que complicado falar de amor, não? (...) Quero te dizer, minha linda, que a vida não é um mar de rosas, mas também não é um mar de espinhos. Você sabe, há sempre um lugar bom, não te digo que é fácil encontrar, há muita vida pela frente, muitos amores, muitos de si para dar e muito para receber também, acredite. (...) Mas eu sei que é assim, a gente é feita pra ser assim. Aprender, cair, levantar, viver para amar e talvez até pra sofrer. Mas a dor não me pertence e a ti também não, se ela te esmaga, não faz parte dela, a tua natureza é o sorriso, por isso se sente confortável e amigável com a felicidade. Um dia tu volta pra casa, um dia tu volta a sorrir." (Amanda Pupin)

Duas leves batidas de na porta me fizeram abrir os olhos naquela manhã. A noite ainda estava embaralhada em minha mente e eu não conseguia me lembrar de muita coisa e pela cara de , ele também não.

- Vai comigo? – perguntou com a voz rouca. Presumi que ele estivesse com um pouco de dor de cabeça e assenti.
- Acho que sim, você já vai?
Os meninos haviam me convidado para assistir a um ensaio deles e eles precisavam de ajuda na escolha da setlist, pois fariam um show importante na semana seguinte e não haviam conseguido entrar em um acordo. Ainda não sei porque me chamaram para ajudar, mas eu concordei de qualquer forma.
- Vou tomar café e espero você se arrumar – ele murmurou e eu sorri docemente – E sim, acho que vou explodir.
- Quer que eu ajude com alguma coisa?
- Não precisa, eu estou te esperando lá em baixo.
saiu e eu andei até o closet preguiçosamente, pegando a primeira blusa que apareceu na minha frente e prendendo os cabelos de qualquer jeito. Qual é, 8 da matina?

Desci as escadas rapidamente e já estava parado na porta, me esperando.
- Achei que fosse esperar eu trocar de roupa, tomar café e tudo mais – comentei e ele deu de ombros.
- Estou esperando.
- Mau humor não combina com você, zinho – brinquei e ele sorriu fraco.
Abri o armário e encontrei meus floquinhos de coco, os despejei em uma tigela e acrescentei leite, devorando tudo rapidamente.
ainda continuava imóvel quando eu passei por ele, entregando as chaves para que fechasse a porta.
Fomos caminhando até a casa de , que era perto da nossa e eu tentava animar uma vez ou outra, mas nada adiantava. Se era ressaca e mau-humor, ou só ressaca ou só mau-humor, eu não sabia. Mas eu tinha certeza que alguma coisa estava o incomodando.
Chegamos a casa de e os meninos já estavam lá... Bem, só em corpo. Eles pareciam piores do que , mas eu me surpreendi em ver de bom humor.
- Achei que fossem nos abandonar – ele comentou assim que abrimos a porta e eu dei língua.
- Não que vocês estejam muito adiantados – rebati e apontei para o relógio da cozinha, que marcava 9:00h.
- Certo, essa você ganhou – levantou as mãos dizendo que se rendia e me abraçou, o que atraiu olhares de todos.
- Er, , você ainda está bêbado? – perguntei disfarçando e ele me soltou, finalmente notando o que tinha feito.
- Sim, gata, você é a melhor vodka da festa – ele brincou fazendo , e Chapin (que havia acabado de acordar) rirem. nos olhava estranho, o que me fez sentir um frio na barriga nada agradável.
Olhei para e finalmente nos salvou.
- Que tal a gente começar?

- “So good you got to abuse it, so fast that sometimes you lose it, it chews you up when you feed it, but everyone needs to eat. Am I too much for you? Cause you're too much for me, still wanna be corrupted.” Eu e Chapin estávamos sentadas no sofá do estúdio da casa de , assistindo ao ensaio dos meninos. A toda hora eu sentia olhares de e de , que parecia menos amigável a cada minuto, o que me fez ter alguma certeza que ele se lembrava do que havia visto ontem.
- chamou assim que terminaram de tocar Corrupted – Quer descansar um pouco, cara? Você parece...
- Eu estou bem – interrompeu antes que terminasse de falar e eu olhei para Chapin, que me entendeu e apertou a minha mão.
- Mas você não parece...
- Eu estou bem, ! Já disse que estou bem! Que saco, cara!
- Desculpa, cara, eu já entendi que você está bem, mas você não parece. Não quer, sei lá, tomar uma água?
- , olha para mim – ele pediu e obedeceu – Não importa como eu estou, se estou bem ou mal, o problema é meu – ee disse e eu o olhei espantada. Aquele não era o meu irmão falando – Nós só precisamos ensaiar, ok? Ensaiar, porque isso tudo está ficando horrível e eu não quero chegar no palco do T4 para tocar errado. Se for para chegar lá e tocar totalmente fora do ritmo como estamos, eu prefiro não ir. Então, por favor, eu já disse que eu estou bem, dá para nós continuarmos?
e se entreolharam e assentiu visivelmente envergonhado pela grosseria de .
- Vamos voltar ao começo, então – disse ao microfone e eles recomeçaram a tocar.
Senti Chapin me cutucar e a olhei.
- Você acha que ele se lembra do que viu ontem? – eu li em seus lábios e tive vontade de chorar. Se ele se lembrasse... As coisas não ficariam nada bem.

Os meninos terminaram de ensaiar e já eram quase 15 horas quando eu voltei para casa sozinha, pois eles tinham uma reunião com um patrocinador. Cheguei em casa e me joguei no sofá, encarando a televisão desligada. Minha mente estava voando e eu me senti sozinha.
Eu ainda tinha a leve impressão de que se lembrava de me ver com como Chapin dissera e, se isso estivesse de fato acontecendo, seria bem difícil sentar e conversar com ele com aquele mal humor deplorável, que provavelmente era por causa disso tudo...
Resumindo: eu estava muito, muito encrencada se ele realmente se lembrasse. Mas era um detalhe tão pequeno diante de tudo o que aconteceu naquela festa... Eu sabia que o que sentia por era forte, era incontrolável mas ao mesmo tempo era totalmente novo e perigoso. E eu não queria ficar longe dele, porque ele ainda era o que me mantinha firme, ele era o meu porto seguro desde que eu chegara na Inglaterra, porque tudo sempre parecera tão fora do lugar, tão errado... Até que nós finalmente começamos a ficar e bem, a sensação que eu sentia quando estava perto dele era quase inexplicável, era um conforto tão bom. De alguma forma, eu sentia que poderia ser eu mesma com ele e que ele me apoiaria em qualquer situação, como quando me apoiou quando eu havia descoberto toda a minha história de verdade.
Bufei e enterrei meu rosto nas almofadas que estavam ali, sentindo as lágrimas que queriam se formar.
E se me proibisse de vê-lo? E se desistisse de mim? Afinal, eu não era linda e popular como todas as suas ex-namoradas. Eu era só eu, a menina que havia descoberto que por trás da vidinha de garota do interior, havia um monte de mentiras escondidas debaixo do tapete. Eu ainda me sentia um tanto quanto fragilizada quando me lembrava de tudo e sabia que se tomasse uma atitude drástica quando a mim e , as coisas sairiam do eixo.
De repente eu me senti sufocada com a possibilidade e um pensamento me fez parar. Se eu não conseguia ficar longe de Daniel, se o que eu sentia por ele era tão forte assim, se quando ele estava perto de mim minhas mãos começavam a ficar suadas, meu coração batia tão forte e meu estômago revirava de um lado para o outro, será que aquilo não era... Amor?
E então eu havia me dado conta.
Eu estava apaixonada. Apaixonada pelo Daniel, pelo do McFLY, pelo melhor amigo do meu recém-descoberto irmão, pelo cara mais galinha e mais gato da face da terra. Pelo meu McGuy favorito.
Sim, ele era tudo isso, mas eu estava apaixonada. A parte irracional da minha cabeça estava apaixonada e me dizia que sim, daria tudo certo, enquanto a parte racional insistia em me fazer parar e pensar só mais um pouco.
Eu estava encrencada.
E eu sabia que me machucaria ao machucar ou . E tinha certeza que machucaria um dos dois, se não os dois.
Mas droga, eu estava apaixonada! O que mais eu poderia fazer além de aceitar, respirar fundo e ir à luta? Com sorte, tudo daria certo.
Mas só com muita, muita sorte.

’s POV.

Tudo parecia um saco. Todos aqueles homens engravatados falando sobre coisas que eu não fazia ideia do que eram, mas precisava me forçar a prestar atenção. A cada minuto, ou melhor, segundo, meu pensamento ia em direção a ela... E me fazia sorrir.
Soa um tanto dramático e gay, mas era exatamente assim que eu me sentia.
Quando a reunião acabou já era bem tarde, mas eu queria tanto vê-la... Eu precisava. Sabia que estava puto com alguma coisa e tinha quase certeza de que eu não queria pagar para saber com o que era e ele nunca aceitaria numa boa se eu chegasse e perguntasse: e aí, cara, posso sair com a sua irmã hoje? E ah, acho que estamos começando a ter uma coisa séria. Você não se importaria, certo?
Fui para casa, me troquei e me sentei na beirada da piscina, pensando em tudo e principalmente nela, que insistia em aparecer nos meus pensamentos por mais que eu tentasse evitar.
Não sei exatamente quanto tempo se passou enquanto eu olhava o vento batendo na água e as ondinhas que se formavam. Minha cabeça doía com tantos pensamentos aleatórios ao mesmo tempo, mas eu buscava desesperadamente por uma solução. Acabar com tudo antes que seja tarde demais? Continuar e ver no que dar? Pensei em tudo o que Chapin dissera. Eu nunca fui um bobo apaixonado, admito, mas eu sempre tentei parecer um. E agora eu realmente me sentia como um.
- Droga – falei comigo mesmo e olhei para o relógio da cozinha, que marcava quase uma hora da amanhã – Continuar e ver no que dar? – perguntei à água da piscina como se ela fosse me responder e ri da minha idiotice, acho que pelo menos se eu tivesse um cachorro, eu poderia parar de falar com os objetos.
O vento soprou mais forte e eu respirei fundo, me levantando e juntando o restinho da coragem que eu tinha.
- Continuar e ver no que dá.

’s POV.

Ouvi um barulho vindo da janela e me encolhi debaixo do edredom. Era só a minha imaginação, eu tinha certeza. Quem estaria rondando a casa de àquela hora da noite?
Meu celular tocou e eu me amaldiçoei, com medo de o que quer que seja que estivesse lá em baixo tivesse ouvido. Eu sei que era um medo bobo e infantil, mas foi irracional. Eu também sabia que estava no quarto ao lado e que nunca deixaria que nada ou ninguém me fizesse mal, mesmo não estando de bom humor no momento.
Demorou um pouco para meus olhos se acostumarem a luz, mas assim que li o nome de no visor, meu coração deu um pulo. Era ele, era ele!
- Alô? – respondi, tentando controlar minha voz e sorrindo por dentro. Agora era tudo tão diferente... Finalmente era um sentimento definido.
- , abre a janela – ele pediu e eu não pude conter o sorriso. jogando pedrinhas na minha janela era clichê demais pra ser verdade.
Desenrolei-me do edredom e me levantei, sentindo o frio me fazer tremer, o inverno estava a caminho e apesar de eu saber que era o inverno de verdade, me sentia ansiosa para ver a neve pela primeira vez. Abri a janela cuidadosamente e vi que havia uma sombra encostada na árvore que havia na lateral da casa e presumi que fosse .
- O que você está fazendo aqui, ? Você vai congelar ai fora e tá tão tarde...
- Eu só... Queria te ver – ele respondeu depois de um minuto de hesitação – Fiquei com medo do que o pensaria se eu batesse na porta e perguntasse se você estava em casa... E eu sei que já é tarde, mas eu me distraí e não vi a hora passar.
As borboletas em meu estômago deram pulinhos de alegria com a possibilidade de ele ter se distraído pensando em mim.
- Você... Quer que eu desça ai? – perguntei, analisando meu pijama do Bob Esponja que não parecia nada sexy. Quer dizer, não que eu quisesse estar sexy para ele e tal, mas qual é?
- Você quer descer ou prefere que eu suba? – “Na verdade, acho que eu prefiro que você suba” pensei, mas ele tinha razão, se o estivesse acordado...
- Eu desço – respondi e vi algo entre as sombras que parecia um sorriso. Coloquei um casaco qualquer por cima do pijama de manga comprida e desci silenciosamente as escadas, procurando fazer o mínimo de barulho. Eu sabia que o sono de era pesado, mas eu não queria arriscar.

Abri a porta de casa e encontrei sentado no meio fio. Percebi que ele também estava de pijama e com os cabelos bagunçados, mas mesmo assim... Uau.
- Olá! – disse, me sentando ao seu lado e sorrindo.
Ele me olhou e sorriu de volta, me dando um beijo na bochecha que fez meu coração parar e voltar a bater com mais força.
- Estava dormindo? – perguntou, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e eu sorri ao observar que saía fumacinha quando ele falava.
- Estava... – murmurei e ele fez um barulho estranho com a boca.
- Desculpa, é que... Não sei, passei o dia todo pensando em você e eu precisava mesmo te ver.
- , eu acho que o se lembra do que aconteceu ontem – sussurrei, sentindo o coração apertado – Eu tenho medo de continuar com isso, sabe? Por que pode ser pior depois e... Eu to com medo.
me olhou e eu pude perceber um traço de dor em seus olhos, que eram sempre tão lindos e transparentes.
- Você não... , você não quer continuar ficando comigo? - ele perguntou em voz baixa e eu o olhei apavorada por ele ter entendido errado.
- Claro que não, , eu só tenho medo... Você me conhece, sabe que eu prefiro mil vezes me magoar a ter que magoar quem eu amo.
Ele sorriu e me abraçou de lado.
- Eu sei, mas você não acha que já que chegamos tão longe, não deveríamos continuar? Digo, você sabe que eu sinto alguma coisa por você. Eu não sei como você se sente, mas...
- Eu gosto de você – o interrompi com o coração disparado – Muito.
Ele sorriu e me deu um selinho.
- Quer sair comigo... No fim de semana? – perguntou e eu rapidamente concordei – Beleza, eu vou ver o que eu posso fazer pra te tirar de casa sem o saber de nada...
- Eu não posso simplesmente te encontrar lá?
Ele negou com a cabeça.
– Tenho medo de você se perder no caminho – olhei-o irônica e ele riu de mim – Eu peço a Chapin pra te buscar e se ela não quiser, a gente dá outro jeito. Mas eu te ligo, ok?
Concordei com a cabeça e ele sorriu de um jeito meigo e esfregou levemente seu nariz no meu, em um beijo de esquimó.
- Agora vai dormir pequena. Bons sonhos.

Levantei-me vagarosamente, sorrindo ao me lembrar da noite de ontem. Sentei-me na cama e me espreguicei. Minha vida estava voltando ao lugar aos pouquinhos, mas eu ainda precisava me resolver com o .
Desci as escadas e o encontrei jogado no sofá com o controle na mão e me sentei ao seu lado.
- Bom dia – cumprimentei e ele sorriu fraco para mim, sentando-se direito para que eu pudesse me sentar ao seu lado.
Encolhi minhas pernas e prestei atenção no que passava na televisão, mas logo desisti.
- , o que tá acontecendo? - perguntei e ele me olhou com curiosidade – Quer dizer, você tá esquisito, não fala direito comigo e fica brigando com os meninos o tempo todo... Não quer mesmo conversar?
- Não tá acontecendo nada, , eu só não estou de bom humor.
- Você jura? – perguntei, me virando para olhá-lo – Odeio te ver assim, .
- Não tá acontecendo nada, , é sério.
- Odeio que mintam pra mim, – disse séria – Quer dizer, caramba! Eu te conto tudo sobre a minha vida e sou sua irmã, compartilhar as coisas às vezes é bom, sabe?
me olhou como se ponderasse se deveria me contar ou não, até que alguma coisa mudou em seus olhos.
- Sabe que dia é hoje? – perguntou em voz baixa.
- Dia 24? – não havia nada importante que eu lembrasse naquele dia.
- Hoje fazem 16 anos que a mamãe morreu.
Meu coração se apertou por não ter percebido. Na verdade, eu só sabia a causa da morte da minha mãe, câncer no pulmão, mas não sabia nem onde, nem como ou em que data. evitava falar sobre isso o máximo que ele podia e mesmo sabendo que eu tinha o direito de saber de toda a história, eu evitava perguntar porque sabia que o deixava triste.
Olhei para e senti que lágrimas se formavam em meus olhos. Ele percebeu e chegou um pouco mais para perto de mim, me abraçando apertado.
- Eu não sabia, eu achei que...
- Tudo bem, não tinha como você saber.
Enxuguei os olhos e sorri fraco para ele.
- O que a gente faz agora?
- Não sei, o que você quer fazer?
- Não faço idéia, . Uma festa não seria bem uma comemoração adequada – brinquei e ele sorriu levemente.
- Quer ir ao cemitério então? – perguntou e eu dei de ombros.
- Nunca fui a um cemitério.
Ele me olhou espantado e eu me apressei em explicar:
- Nunca tive necessidade sabe, eu não tinha lá muitos parentes mortos no Brasil.
Ele sorriu de novo e se levantou.
- Vou trocar de roupa.

Uma hora depois estávamos dentro do carro, eu e . Ele seguia por um caminho que eu desconhecia, mas sabia que estávamos saindo de Londres.
- É longe? – perguntei, ligando o rádio, estava tocando Turning Tables, da Adele.
- Não muito, mas o suficiente pra tirar um cochilo – ele brincou.
- Não consigo dormir assim, quando to viajando sabe? É bem difícil.
- Nem quanto tá cansada?
- Aaaah, aí é diferente.
Cantarolei algumas músicas que tocavam no rádio enquanto observava a paisagem pela janela. Era engraçado como eu conhecia a maioria das músicas.
- Conhece Chelmsford? – perguntou e eu neguei – Foi onde a gente morou e onde eu nasci. Você nasceu em Londres.
- Quer dizer que eu sou a única da cidade? Uau, isso é grande – ele riu alto dessa vez da minha piada sem graça.
- Boba.
De fato, a viagem não foi tão longa, eram só 50 quilômetros de Londres até Chelmsford. Não passamos por nenhuma cidade famosa, só algumas que eu não conhecia.
- Quando a gente vai visitar Manchester, Oxford, Liverpool, Leeds, York, Bristol, Birmingham, Nottingham e tal? – perguntei quando uma placa avisou que estávamos quase chegando a Chelmsford.
- Você quer dizer “quando nós vamos fazer um tour pela Inglaterra” certo? – ele perguntou, sorrindo.
- Ah, você entendeu.
- Quando o McFLY entrar em turnê – ele respondeu e eu sorri com todos os dentes.
- Quer dizer que vocês vão me carregar junto?
- Você não achou mesmo que ia ficar em casa sozinha durante... Hum, três meses?
- Eu não tinha pensado nisso, na verdade – não tinha mesmo – Mas quando a turnê começa?
- Vai com calma, , a gente mal começou a ensaiar!
- Certo, acho que eu posso sobreviver. Mas vai demorar muito?
Ele sorriu e negou com a cabeça.
- Não viu as datas? A gente começa no mês que vêm.
- Não, achei que eu não tivesse mais necessidade de entrar no site pra saber as fofocas – brinquei e ele riu.
Ficamos em silêncio durante algum tempo enquanto eu contemplava entrada da cidade. [n/a: aqui estão dois mapas (1)(2) para vocês se localizarem melhor.]
Era um lugar calmo, mas eu realmente gostaria de morar ali. Era muito verde, com casas e prédios enormes, um rio passava no meio da cidade e havia muitos prédios comerciais também.
- , o que aconteceu depois que a mamãe morreu? – perguntei enquanto dirigia em direção ao que eu presumi ser o centro da cidade – Quer dizer, eu sei o que as pessoas disseram, mas por você, só sei que você foi para um colégio interno...
- Eu fui para um colégio interno – ele disse e me olhou – E fiquei lá até terminar o ensino médio e você... O Louis te deu para a Judith, como eu acho que você sabe. Notei que o não se referia ao Louis como o nosso “pai”, em razão à raiva que sentia dele.
- Como eles se conheciam?
- A Judith era nossa vizinha e amante dele – falou em voz baixa como se estivesse contando um segredo e eu afundei no banco – E depois eles se casaram.
- Então ela meio que me adotou e me levou para o Brasil? – perguntei e ele negou.
- Não exatamente, ele a obrigou a ficar com você e a fugir daqui, por isso foi tão difícil te encontrar. Eu levei muito tempo até descobrir que você estava no Brasil.
Olhei para , admirando sua coragem e ele piscou pra mim.
- O que mais?
- E ela ficou com todo o dinheiro da mamãe? – perguntei e ele me olhou com a sobrancelha arqueada – Você disse, no dia do show – expliquei.
- É, na verdade o dinheiro era do Louis, mas ele deu a Judith porque eram casados e pra que ela sumisse com você. Nosso avô era dono de uma rede de hotéis famosa, então deixou bastante dinheiro quando morreu.
- E aí você terminou o ensino médio e o que fez?
- Eu tinha uma pequena parte do dinheiro guardado, que era o dinheiro que a mamãe tinha, dos concertos que ela fazia. Eu sai daqui, fui pra Londres e comprei um apartamento lá... Consegui alguns bicos por um tempo e só depois entrei para a banda.
- E você não sabe o que aconteceu com o Louis? Tipo, se ele está vivo ou morto, se ainda mora aqui?
- Sinceramente, ? – parou em um sinal fechado e me olhou – Não faço a mínima questão de saber. Só não desejo que esteja morto porque tudo o que a gente deseja para os outros, vem para nós em dobro, mas eu espero que esteja pagando por tudo o que ele fez a mim, a você e a mamãe.
Ele se aproximou e beijou a minha testa.
- Não estou te deixando triste, estou? – ele perguntou e eu neguei.
- Não mesmo, eu te entendo perfeitamente – respondi e beijei sua bochecha. O sinal abriu e nós seguimos em silêncio até ele parar em frente a uma floricultura e descer do carro.
- Já volto – avisou e eu concordei com um aceno de cabeça.
Pouco tempo depois ele voltou com um buquê de flores e o colocou no banco de trás do carro e deu a partida. Um cachorrinho passou na rua e eu olhei para , desesperada.
- Você colocou comida para o Marty? – perguntei e me olhou igualmente desesperado – Droga, !
- Liga pra alguém, pro que mora mais perto – sugeriu e eu engoli seco, pegando o meu celular. Ignorando meus batimentos cardíacos que haviam aumentado consideravelmente, disquei o número do dito cujo.
- Alô? – atendeu sonolento e eu soltei uma risadinha – Humm, acho que conheço essa risadinha.
- Bom dia pra você também, – respondi, porque eu não podia soltar uma gracinha com o ao meu lado – Faz um favor?
- Esse tipo de favor eu só faço a noite, gata – respondeu e eu senti que ele segurava a risada – Fala.
Balancei a cabeça e sorri feito uma boba.
- Coloca comida pra o Marty pra mim? Eu e esquecemos...
- Aonde vocês estão? – ele perguntou, parecendo mais acordado.
- Em, hummm, Chelmsford – disse e ele ficou quieto – Sabe, a cidade do e bom... Minha?
- Sei, é que eu tinha esquecido que hoje... Ah, esquece. Pode deixar que eu dou comida ao monstrinho.
- Não chama ele assim! – reclamei e riu – Obrigada.
observou enquanto eu desligava o telefone e eu percebi que já havíamos chegado ao nosso destino.
- É aqui? – perguntei e ele balançou a cabeça.
- Tem certeza que quer fazer isso? – sorriu para mim do modo mais doce possível e eu tive vontade de apertar suas bochechas.
- Claro, zinho. Nós já chegamos até aqui, certo? E eu ainda preciso desenterrar algumas verdades sobre a minha vida – expliquei e ele me olhou – Acho que ainda tem muita coisa que você tá me escondendo.
- Se eu por acaso tiver, você vai acabar descobrindo depois – disse e abriu vagarosamente a porta do carro, como se estivesse enrolando ao máximo – Bem, vamos nessa.
Peguei o buquê de flores no banco de trás e acompanhei os passos largos de naquele imenso campo verde.

Após andarmos um pouco pelos caminhos que se estendiam pela grama bem cuidada, paramos em frente a uma fileira de túmulos que pareciam maiores e de gente mais importante.
- É aqui? – perguntei a enquanto continuávamos avançando, até que ele finalmente parou no último da fila, que ficava bem embaixo de uma árvore cujas folhas começavam a cair e balançou a cabeça.
Fiquei ao seu lado e segurei sua mão, enquanto lia o epitáfio em voz baixa.
“Lyla Novacek (1964 – 1996)”
“A melhor mãe do mundo”
Olhei para , tentando imaginar o que ele sentia, mas sua expressão não me disse nada. Eu sabia que ele já havia estado naquele lugar milhares de vezes, mas tinha certeza que ele se sentia tão triste quanto eu.
Pousei delicadamente o buquê que havia comprado perto da lápide e ele sorriu fraco para mim.
- Acho que a gente devia ter feito uma festa mesmo – murmurou e eu concordei.
- É, talvez sim.
Ficamos em silêncio, cada um com o pensamento mais longe do que o outro. Reli o que estava escrito na lápide e aquele nome estalou na minha cabeça, pois eu já o havia visto em algum lugar...
- ? – chamei e ele pareceu acordar de um mundo paralelo – Você guardou o violoncelo da mamãe?
- Não achei que você tivesse visto... Mas sim, eu guardei. Ainda me lembro dela tocando pra gente e com a orquestra, acho que são minhas memórias mais felizes.
Balancei a cabeça em sinal de concordância e ele segurou a minha mão.
- Vamos? Quero te mostrar outro lugar...
- Aham – concordei e seguimos de volta para o carro. Eu tinha quase certeza de que sabia aonde ia me levar, por isso não perguntei. Prestei atenção ao caminho e fui lendo os nomes das ruas até pararmos na casa número 49 da Maldon Road, em um lugar chamado Danbury que ficava não muito longe do centro da cidade, era uma pequena vila com casinhas simples e simpáticas, que pareciam bem confortáveis. Havia alguns pubs também, mas estavam fechados porque ainda era dia, uma igreja, um supermercado e um parque com um lago enorme, cheio de patinhos. Imaginei se eu e brincávamos ali quando éramos crianças. Aquela casa seguia o modelo das outras, era bem simples, com um enorme jardim na parte da frente e eu imaginei que na parte de trás também. Olhei bem para ela antes de sairmos do carro, procurando por um flash, um dejá vù, qualquer coisa que trouxesse um pouco da minha vida ali, mas nada aconteceu. Em um ponto eu invejava por se lembrar de tudo, porque eu me sentia no escuro.
Uma mulher de meia idade passou por nós e acenou, imaginei que fosse alguma conhecida, pois sorriu e acenou de volta.
- É bom te ver por aqui, – a mulher disse e seguiu seu caminho.
- Ela costumava ser nossa babá – comentou e eu o olhei espantada – Mas deve estar com pressa, então, outra hora a gente volta pra visitá-la.
Caminhamos vagarosamente até estarmos perto da varanda e parou. Perguntei-me se alguém morava ali ou se ficara com a casa também e conclui que sim, pois ele procurava algo nos bolsos.
- Acho que eu não trouxe a chave – confessou e o olhei decepcionada, pois eu queria muito entrar lá – Sinto muito.
- Tá tudo bem – secretamente eu planejava voltar sozinha ali, algum dia. Sabia que se eu procurasse na internet encontraria o mapa e tudo certo e também sabia que as cidades da Inglaterra eram cercadas por trens e meios de transporte eficientes.
Demos mais uma olhada na casa e ele respirou fundo, como se estivesse evitando ao máximo ir embora.
- Não gosto de vir aqui, me traz muitas lembranças ruins mas... Também traz muitas lembranças boas.
- A maioria é boa ou ruim? – perguntei enquanto caminhávamos até o carro.
- Os dois, mas evito pensar nas ruins e penso só nas boas.
Sorri para ele enquanto ele passava os braços compridos por cima dos meus ombros e me abraçava de lado.
- Nosso tour tá acabando, aonde mais você quer ir?
- Não conheço nada aqui, – murmurei e ele riu.
- Tá com fome, então? A gente almoça e volta pra casa... – sugeriu e eu senti o meu estômago roncar, o que me fez concordar prontamente. - Nesse caso, vamos ao Bell’s PUB.
Eu e almoçamos no Bell’s, que era um lugar até confortável. Enquanto almoçávamos, me contava onde e do que ele gostava de brincar, o nome dos amigos que ele não via há muito tempo, como ele vivia arranjando briga com os colegas da escola e como adquiriu algumas de suas cicatrizes.
- Um gato da nossa vizinha, Suzy, decidiu subir em uma das árvores do nosso quintal e ficou agarrado – ele começou, explicando sobre a pequena cicatriz em seu queixo – E ela estava tão desesperada e gritava tanto com a minha mãe, que eu tive que subir na árvore para pegar o maldito gato. Quando eu finalmente cheguei lá no alto, ele não estava preso coisa nenhuma, avançou em mim e eu caí e bati com o queixo no chão.
- Dói só de pensar – murmurei e fiz careta.
- Eu levei alguns pontos e só fiquei feliz porque fiquei quase duas semanas sem ir a escola.
Depois de eu contar a ele algumas histórias sobre a minha infância e comermos o melhor peixe com fritas da cidade (segundo ), finalmente estávamos voltando para Londres.
- Adoro essas rádios inglesas, sempre toca música boa – comentei quando Soldier, do Gavin DeGraw começou.
sorriu para mim e cantou o pedacinho que tocava:
- Where did all the people go? They got scared when the lights went low. I'll get you through it nice and slow when the world's spinning out of control.*
Sorri para ele e continuei:
- Afraid of what they might lose. Might get scraped or they might get bruised, you could beg but what's the use, that's why it's called the moment of truth.*
- I'll get it if you need it, I'll search if you don't see it, you're thirsty I'll be your rain, you get hurt I'll take your pain. I know you don't believe it but I said it and I still mean it, when you heard what I told you when you get worried I'll be your soldier.* – cantamos juntos o refrão e eu entendi que aquela música significaria muito para nós dois.
Continuamos cantando até que a música terminou.
- ? – chamei e ele me olhou por um segundo, mas logo voltou sua atenção para a rodovia movimentada.
- Fala.
- É que... – Senti o coração bater forte porque eu raramente falava sobre os meus sentimentos com alguém – Eu amo você, tá?
Vi que ele sorriu e me olhou de novo. Achei ter visto seus olhos molhados, mas acho que foi só impressão minha.
- Também te amo, pequena.

(*Tradução: Aonde todos foram? Eles ficaram com medo quando a luz abaixou. Eu vou chegar através deles, legal e com calma quando o mundo girar fora de controle/ Medo do que eles poderiam perder. Eles podem ficar arranhados ou machucados. Você poderia implorar a eles, de que adianta? É por isso que é chamado de momento da verdade./ Eu consigo se você precisar, vou procurar se você não ver, se você tem sede eu serei a chuva, se você se machuca, tomarei sua dor. Eu sei que você não acredita mas eu já disse, e continuo a dizer, quando você ouviu o que eu lhe disse e quando você se preocupar, serei seu soldado.)

Capítulo 23

Um mês depois

Eu estava terminando de fechar as minhas malas quando um sonolento bateu na porta do meu quarto.
- Tá pronta? – ele perguntou já com a mochila nas costas.
- Vai descendo que eu já vou – respondi e ele concordou, descendo as escadas. Passei um corretivo qualquer para esconder as olheiras por ter dormido tarde na noite passada e ter acordado cedo, escovei os dentes, peguei minhas malas e cutuquei um sonolento sentado no sofá. – Tá com sono, bonitinho?
- Sono? Que nada, são só 4 horas da manhã e parece que eu acabei de dormir – ele brincou e riu.
Fiz carinho na cabeça de Marty e sai com no meu encalço na manhã fria de Londres. Fomos caminhando em silêncio em direção à casa de , aonde um ônibus vermelho com o logotipo do McFLY nos esperava.
Meu estômago dava cambalhotas de nervoso e ele tinha dois bons motivos.
1: eu passaria os próximos três meses na estrada com o McFLY, o que significava que eu passaria três meses direto com o .
2: Eu estava indo numa turnê com o McFLY, porra!
Chapin estava sentada nos degraus da escadinha que levavam à porta vestida com um pijama de flanela enquanto e terminavam de acomodar a bagagem e todos os instrumentos no bagageiro do ônibus.
- Bom dia – eu cumprimentei os meninos que apenas deram um aceno de cabeça. Aaah, o que o sono interrompido não faz com as pessoas?
Me sentei ao lado de Chapin na escadinha e ela encostou a cabeça em meu ombro, notei que seus olhos estavam vermelhos como se ela estivesse prestes a chorar.
- Não vai com a gente? – perguntei em voz baixa e ela negou, fazendo um biquinho.
- Tenho vários eventos importantes esse mês, se eu não estiver aqui, vai tudo por água abaixo.
Mexi nos cabelos dela e ela sorriu para mim.
– Mas cuida deles pra mim tá? Dos quatro, mas especialmente do .
- Beleza, deixa comigo – concordei e beijei sua testa. – Mas você não pode encontrar com a gente em algum lugar?
- Vou ver a quais shows eu consigo ir, mas não prometo nada.
Ficamos em silêncio durante uns bons 10 minutos quando um já bem acordado e todo suado apareceu em frente a nós.
- Vamos? – perguntou e eu olhei espantada ao redor, me perguntando onde estaria . Chapin percebeu e deu um sorrisinho de canto, apontando para o ônibus.
continuava nos olhando sem entender o que se passava e eu apenas abracei Chapin, desejei que ela ficasse bem e subi as escadinhas do ônibus da turnê.
Lá dentro parecia um mundo [n/a: pra quem ainda não conhece: http://www.youtube.com/watch?v=STqVyfOQ-EE], haviam várias TVs e várias camas no fundo, máquinas de café, um vídeo game, uma mini cozinha com muuuuita comida e no segundo andar, várias poltronas enormes.
Enquanto eu ainda observava tudo, senti alguém atrás de mim e eu subitamente fiquei com as pernas bambas. Olhei ao redor, mas não havia mais ninguém, os outros meninos ainda estavam se despedindo de Chapin. me abraçou por trás e beijou de leve a minha bochecha.
- Aposto que só veio por minha causa – ele sussurrou e eu soltei uma risadinha nasalada.
- Tá se achando, hein, colega? – binquei e ele riu e me soltou.
- Vão ser três meses muito longos, não acha? – disse e se jogou no sofá atrás de mim, enquanto eu me acomodava em uma das camas do alto.
- Com certeza, zinho, com certeza.

As horas passavam devagar enquanto eu observava a paisagem pela janela do ônibus. Já estávamos viajando há umas 8 horas e eu já havia escutado a maioria das músicas do meu iPod, perdido para o duas vezes no vídeo game e ganhado três vezes de , ajudado os meninos a montar a setlist do show de amanhã e pintado as unhas de azul. Mas nada, nada nos fazia chegar logo.
- Falta muito? – perguntei sentada no sofá, assistindo a mais uma vitória de lavada de contra .
- Um pouco – respondeu sem se virar e eu bufei.
- Vocês bem que podiam ter um jatinho ou algo assim – sugeri e , que estava deitado em uma das beliches, gargalhou. - Tá achando que nós somos quem, os Beatles? – brincou e eu concordei com um aceno de cabeça. – Eu também queria que a gente tivesse, porque to de saco cheio de ficar sem fazer nada.
- Não tem nada que a gente possa fazer? – Perguntei a e ele negou.
Afundei-me mais ainda no sofá até ouvir a voz de novamente, vinda do fundo do ônibus.
- Tô com fome, a gente podia fazer alguma coisa pra comer.
concordou com veemência e e pausaram o jogo para olharem pra mim.
- O que foi? – perguntei e eles riram maliciosamente. – Aaaaah não, não vou cozinhar pra vocês!
- Mas a gente não sabe... – disse, fazendo um bico do tamanho do mundo.
- Ah, é claro que vocês sabem, passar fome é que vocês não passam – respondi mal humorada e eles riram.
- E se a gente te ajudar? Tipo, vamos fazer uma macarronada. Nós fazemos o molho e você cozinha o macarrão – sugeriu e eu suspirei, contrariada.
- Beleza, eu faço o molho e o macarrão e vocês lavam a louça.
e fizeram um high-five, piscou para mim e eu sabia exatamente que um sorriso vitorioso estampava o rosto de .

- Vê se tá bom de sal? – pedi a enquanto eu terminava de escorrer a água do macarrão. Ele concordou e enfiou uma colher cheia de molho na boca e eu vi sua cor passar de branco, a vermelho, a roxo, a azul, a amarelo e voltar a vermelho. – Eu não avisei que estava quente? Ops.
Os outros meninos que já estavam sentados na mesa riram e fez cara feia, bebendo um copo de água gelada.
Coloquei o macarrão em uma travessa e jogou o molho por cima.
- E o sal? – perguntei e ele riu.
- Tá maravilhoso, mesmo estando fervendo.
Eu ri e observei enquanto os meninos arrumavam o prato e comiam tudo de uma vez só.
- Caraca - disse com a boca toda suja de molho. – Isso tá muito, muito bom.
e concordaram e sorriu para mim. - Tá muito bom mesmo, pequena.
Comemos em silêncio e quando terminamos, voltei para a minha beliche com um saquinho de M&M’s a fim de tentar dormir e fazer as próximas 8 horas passarem mais rápido.

Chegamos em Scarborough quando já estava anoitecendo e mesmo sem ter feito nada o dia inteiro, eu me sentia mais cansada do que nunca.
nos colocou em quartos separados, eu fiquei entre ele e , com logo ao lado e depois . Sendo assim, logo que nós chegamos eu fui direto para o meu quarto, espalhando todo o conteúdo das minhas malas por ali.
Me deitei na cama king size com lençóis dourados e senti uma dor horrível na cabeça e no corpo, além de um frio que eu não estava sentindo antes.
Coloquei a mão no pescoço e estava mais quente do que o normal.
- Ai, não, eu não posso estar com febre – resmunguei e me enrolei no edredom que estava na cabeceira da cama.
Senti meu estômago se revirando de um lado para o outro e um gosto ruim em minha boca, assim, fui obrigada a me levantar e procurar o meu celular. Procurei o número de na agenda do celular e esperei até que ele atendesse.
- ? – murmurei assim que ele disse “Alô”. – Acho que tem alguma coisa errada comigo.
- Errada como? – ele perguntou do outro lado da linha.
- Acho que to com febre – respondi e senti que ele prendia a respiração.
- Espera que eu to indo aí, pequena.
No mesmo minuto em que ele havia desligado o telefone, ele já estava batendo na porta do quarto. Juntei as forças que me restavam e saiu um “pode abrir”. estava apenas de calça jeans e com o cabelo todo bagunçado.
- O que houve com você? – perguntei e ele sorriu fraco. - Eu estava entrando no banho – respondeu e chegou mais perto da cama, onde eu estava sentada ainda enrolada no edredom. – Me deixa ver...
Ele colocou a mão na minha testa, depois no meu pescoço e depois nele.
- Você tá quente pra caramba, o foi lá em baixo buscar o termômetro.
Logo chegou e medimos a temperatura, o termômetro marcava 38º.
- E agora? – perguntou a .
- Não sei, acho que a gente devia chamar um médico.
- Não precisa, eu to bem – resmunguei e senti alguma coisa subindo pela garganta. Quando me dei conta, eu já estava correndo para o banheiro e levantando a tampa do vaso.
Ouvi os passos de e de enquanto eu me ajoelhava e sentia o liquido amargo sair pela minha garganta e meus olhos se encherem de lágrimas. se ajoelhou ao meu lado e segurou meu cabelo, enquanto ligava para a recepção e tentava arranjar um médico.
Quando eu acabei, me ajudou a levantar e a lavar o rosto e me colocou deitada na cama novamente.
- Já consegui um médico avisou e eu concordei e sorri para ele em agradecimento.

Não mais do que meia hora depois, o médico já havia chegado no hotel e estava me examinando, enquanto , e assistiam preocupados. - Bem, provavelmente é uma virose – O médico constatou enquanto concordava. – Em três dias ela vai ficar boa, é só tomar os remédios que eu vou prescrever.
Ele entregou a receita a , que agradeceu e o levou ao saguão do hotel.
se sentou ao meu lado e pegou a minha mão, enquanto eu deitava a cabeça em seu ombro.
- Acho que vou morrer... – gemi e ele apenas fez carinho nos meus cabelos. Logo voltou e eu pedi a eles que saíssem porque eu queria tomar banho e me deitar um pouco.
- Eu vou ficar bem – prometi a quando ele protestou. – Prometo, só quero ficar um pouco sozinha, qualquer coisa eu te chamo.
- Tem certeza? – meu irmão perguntou e se ajoelhou na minha frente. – Se você quiser eu fico aqui com você.
- Tenho, , eu vou tomar um banho e vou dormir... Pode ir, sério.
Ele sorriu para mim e saiu junto com os outros meninos. Levantei-me, catei o meu pijama e fui em direção ao chuveiro quentinho. A água relaxou os meus músculos, deixando-me mais calma e eu já sentia que a febre estava passando por causa do remédio que eu havia tomado. Vesti-me, liguei a televisão em um filme qualquer que passava e apaguei as luzes, voltando a me enrolar no edredom e agarrando o travesseiro que estava ao meu lado. Em pouco tempo, a escuridão tomou conta de mim.

Sem me dar conta se eu estava sonhando ou não, ouvi o barulho da porta do quarto abrindo e os passos de alguém. Logo depois a pessoa chegou perto de mim e eu pude ouvir sua respiração baixa, quando ele levantou um pouco o edredom e se deitou ao meu lado. Rolei assustada ao perceber que não era um sonho e encontrei um par de olhos azuis que eu conhecia muito bem.
- Como conseguiu entrar aqui? – perguntei com a voz fraca e sorriu para mim, me abraçando. Enterrei meu nariz em seu pescoço apenas para sentir o cheiro que eu tanto amava e beijou o topo da minha cabeça.
- Eu pedi a chave na recepção, disse que tinha perdido a minha.
- E eles te deram outra assim, tão fácil? – perguntei e ele negou.
- Rolou uma notinha de 50 libras.
Eu ri baixinho e ele me acompanhou.
- Fiquei preocupado com você – disse depois de termos ficado em silêncio. – Como tá se sentindo?
- Com sono... – respondi com a voz baixa e senti que ele sorria.
- Ops – murmurou sem nenhum arrependimento. – Vou te deixar dormir então.
- Não vai ficar aqui comigo? – perguntei quando ele fez a menção de se afastar e ele me olhou, com seus olhos brilhando como faróis no meio da noite.
- Quer que eu fique? – foi sua vez de perguntar, já sentado na cama.
Concordei com a cabeça e ele sorriu, voltando a se deitar e me puxar para perto dele.
– Mas você vai me deixar dormir, né?
- Vou, mas se você sentir alguma coisa, me avisa, tá? – ele sussurrou e eu concordei, sentindo sua respiração batendo em meu rosto.
Depois de ficarmos em silêncio durante um tempo, senti que ele olhava para mim.
- O que foi? – abri os olhos e ele sorriu para mim.
- Sabia que eu gosto muito, muito de você? – ele disse e eu senti alguma coisa muito melhor do que enjoo no meu estômago.
- Eu também gosto muito de você, – respondi e senti seus lábios nos meus, junto com aquelas mesmas sensações que eu já estava começando a me acostumar.
Ele afastou seus lábios dos meus e me deu um selinho demorado.
- Dorme agora, vai.
Fiz um bico enorme e ele riu, mordendo a minha bochecha.
- Acho que não vou conseguir dormir com você aqui...
- Vai sim, linda – ele sussurrou e beijou a minha testa. – Quer que eu cante para você?
Senti meu rosto corar e ele percebeu.
- Sabe que eu adoro te deixar vermelha? – brincou e eu ri, dando um tapa de leve em seu ombro.
Me aconcheguei mais a ele e sua voz rouca invadiu meus ouvidos.
- “It is a rainy day not a glimmer of sunshine, everything is gray but I see you in my mind, like a ray of light and I know I will so be okay. I put another picture of you next to my bed, I listen to the wind blow it loud inside in my head. I don't wanna think of the distance that keeps us apart… You're always here, love keeps you near. 7 days on the road, you are always my soul destination. Every step of the way seems be taking my love back to you, yeah yeah, and as time goes by... It becomes so clear... You are not alone love is here...”*

(Tradução: Love Is Here, Sonohra. “É um dia chuvoso e eu dou toda minha luz do sol, tudo está cinza mas eu vejo você em minha mente, eu posso acender uma luz e eu sei que eu vou ficar bem assim. Eu coloquei outra foto sua ao lado da minha cama, eu ouço o vento soprar alto dentro da minha cabeça. Eu não quero pensar na distância que nos mantêm afastados... Você está sempre aqui, o amor mantêm você perto. 7 dias na estrada, você é sempre o destino da minha alma. Cada passo é o caminho que tem levado o meu amor de volta a você, yeah yeah, e o tempo passa... fica tão claro que você... não está sozinha o amor está aqui...”)

Capítulo 24
[n/a: Coloquem essa música pra carregar (I Won’t Let You Go, da Avril Lavigne)]

Acordei na manhã seguinte me sentindo um pouco melhor, mas minha cabeça e meu corpo ainda insistiam em doer. Abri os olhos vagarosamente sabendo que não estaria mais ali, mas tive uma surpresa.
- Bom dia – ele cumprimentou com a voz rouca e a cara amassada e eu sorri.
- Achei que não estivesse mais aqui – respondi passando as mãos no rosto e imaginando a situação em que eu provavelmente me encontrava, porque eu tinha certeza que o meu cabelo provavelmente estava parecendo um ninho de passarinho.
riu de mim e beijou a minha testa.
- Seu cabelo não deve estar muito pior do que o meu, sabe? – comentou tentando amenizar a situação.
- Claro, só porque eu e você temos a mesma quantidade de cabelo e o meu é tão bom quanto o seu, certo? – brinquei e ele sorriu, mas voltou a ficar sério. – O que foi?
- Tá se sentindo melhor? – pude ver a preocupação estampada em seus olhos e assenti com a cabeça.
- Tô bem, mas ainda to com dor no corpo.
Ele se aproximou de mim e me abraçou.
- Sabe que a gente tá parecendo um casal? – ele brincou e eu senti meu coração batendo mais forte.
- Podemos ser um casal de amigos, ué – respondi e ele riu baixinho.
- Podemos ser um casal de tudo, menos de amigos, .
Senti meu rosto corar e ele sorriu para mim.
- Tô pensando em cortar meu cabelo – falei de repente depois de ficarmos em silêncio e gargalhou.
- Ah, jura?
- Para, , eu to perguntando a sua opinião!
continuou rindo e eu dei um tapa de leve em seu ombro, até que ele ficasse sério.
- Não sei, acho o seu cabelo bonito, por mais que você não goste dele... Eu gosto do jeito que ele cai sobre os seus ombros.
Pela primeira vez na vida eu percebi que estava com vergonha e sorri com isso.
- Certo, certo, eu não corto. Mas a gente ainda tem que assistir Shrek 2 e 3, tá? - ele revirou os olhos e eu ri, beijando a ponta de seu nariz.
- Não sei, vou pensar no seu caso – sorri para ele e ele me surpreendeu jogando os braços a minha volta e me beijando calmamente.
Finalizei o beijo com um selinho e escondi meu rosto na curva de seu pescoço.
- ? – me chamou e respondi com a voz abafada.
- O que foi?
- Quer ir a praia? – perguntou e eu o olhei como se perguntasse “que praia?”
- Aqui em Bournemouth tem praia – ele explicou e eu sorri. Hmmmm, que saudade das praias do Brasil.
- Eu não tinha reparado – respondi e olhei para ele. – Eu quero, mas vocês não tem nenhum compromisso agora de manhã?
- Não... – ele respondeu sorrindo para mim. – Então, eu vou trocar de roupa e te encontro lá em baixo, mas acho que você não deveria tomar banho e tal, a água é fria.
- Tudo bem – concordei e ele se levantou, me dando um beijo na testa.
Depois de passar no salão de café da manhã e roubar uma maçã, me encontrei com no hall de entrada do hotel. Ele entregou a chave do quarto e veio andando até onde eu estava.
- Encontrei com o – disse despreocupadamente enquanto jogava a chave do carro alugado no ar e pegava.
- E o que você disse a ele? – perguntei temerosa e sorriu.
- Que ia te mostrar a cidade.
- Simples assim? – conhecendo , provavelmente não. – O me deixou sair com você?
- Hum, eu disse que o ia junto. Mas isso importa mesmo? – ele perguntou e segurou a minha mão. – Let’s go to the beach-each!
- Let's go get away!

[n/a: Já podem dar o play! Vocês não precisam acompanhar a letra, é só uma música de fundo mesmo... Mas a letra é linda, procurem depois :)]

Apesar do dia nublado, a praia de Bournemouth estava linda e com alguns jovens aqui e ali sentados na areia. estacionou perto de algumas casas que ficavam do outro lado do calçadão e abriu a porta do carro para mim.
Sinceramente? Ele estava lindo com aquela bermuda xadrez e com a blusa branca simples, mas o jeito que seus cabelos voavam e seus olhos que pareciam especialmente mais brilhantes naquele dia faziam as borboletas do meu estômago ficarem animadas.
Ele segurou a minha mão e atravessamos a rua, passamos pelo calçadão e finalmente chegamos até a faixa de areia. De repente olhou para mim e sorriu.
- O que foi? – perguntei envergonhada e ele apontou para a minha calça jeans.
- O que faz uma pessoa vir de calça jeans e tênis para a praia, ? Tudo bem que está um pouco frio, mas não precisava disso.
- Eu... Não pensei muito nisso – respondi e ele riu.
- Beleza, tira o tênis então – pediu enquanto tirava a camisa e descalçava os chinelos. – Anda!
- Nãaao, eu vou ficar toda melecada e suja de areia – reclamei e ele me olhou divertido.
- Eu sinceramente estou decepcionado com você, não achei que fosse tão patricinha.
- Eu não sou – fiz o maior bico do mundo por causa da acusação injusta e ele riu, me dando um selinho em seguida.
- Se você não tirar o tênis, eu vou te jogar na água e, acredite, vai ser pior.
Fiz cara feia, tirei o tênis e sai andando, deixando ele para trás. Ouvi sua risada escandalosa e sorri comigo mesma, quando senti que ele veio correndo por trás de mim e me pegou no colo.
- ! – Gritei e ele riu mais alto ainda. – Me coloca no chão!
- Não mesmo, você demorou demais a tirar o tênis.
Olhei para a água gelada que batia na areia com força e senti os ossos congelarem.
- , não faz isso, por favor – implorei com a voz chorosa e coloquei meus braços ao redor de seu pescoço. – Por favor, por favor.
- Hum, não sei – ele respondeu olhando para mim, depois para o mar agitado e para mim de novo.
- Você sabe que eu te amo, não faz isso, por favor – falei e depois, ao perceber o que tinha feito, olhei para ele para avaliar sua expressão.
Ele me colocou no chão vagarosamente e eu senti meu coração se apertar. Merda, será que eu falei demais?
Mas me surpreendeu e me puxou para um beijo urgente. Suas mãos percorriam minha cintura e minhas costas de forma ágil, enquanto eu me preocupava em bagunçar seu cabelo. Aos poucos o beijo terminou e mordeu meu lábio levemente, me dando um selinho demorado.
Eu abri os olhos e o encarei, e, não sei como, senti o que viria a seguir. Ele abriu a boca para falar uma coisa mas desistiu, apenas me abraçou forte. Após alguns minutos de silêncio, ele finalmente falou.
- Minha vida mudou depois que eu te conheci, sabe? Eu não era assim, e eu sei que você sabe disso. Quando eu te conheci... – Ele parou e respirou fundo. – Eu jurei a mim mesmo que eu nunca ia tocar em você e que nunca ia te fazer sofrer como eu fiz com tantas outras, porque você é boa demais para mim – ele continuou e eu abri a boca para protestar, mas ele me impediu. Senti o vento bagunçar meus cabelos e o olhei, esperando que continuasse. – Mas aí tudo aconteceu rápido demais. Eu não sei como e nem quando, mas na primeira vez que a gente se beijou, meu mundo virou de cabeça pra baixo completamente – ele falou e sorriu. – Olha só, eu fiquei até meio gay!
Eu ri do comentário dele e ele encostou sua testa na minha.
- Eu amo você. Não sei se você me ama também, mas eu não quero e nem consigo ficar longe de você. Nós sabemos que vai ser difícil, mas... Eu te amo demais, não quero te perder e, bom, o vai ter que aceitar isso.
Eu já não sentia mais meu coração batendo, de tão rápido que ele estava.
- Eu também te amo, – respondi em voz baixa. – Não me importo com o que o vai fazer, porque ele não vai poder me controlar durante a vida toda só porque é meu irmão e acha que tem que cuidar de mim. Eu quero muito ficar com você.
sorriu para mim, um dos sorrisos mais lindos que eu já vira na vida e finalmente fez uma pergunta que eu estava esperando há muito tempo.
- , quer namorar comigo?
Automaticamente um sorriso enorme apareceu em meu rosto, as borboletas em meu estômago pularam de alegria, meu coração batia cada vez mais descompassado e eu sentia que poderia cair se não estivesse me segurando tão firmemente.
- É claro que eu quero, – respondi e ele me beijou.
Tive a sensação de que, se o mundo acabasse naquele momento, eu morreria feliz. Joguei meus braços em volta de seu pescoço e pulei em seu colo, o fazendo rir e segurar as minhas pernas.
Eu poderia estar pensando em todos os prós e os contras naquele momento, como eu sempre fazia, mas eu não queria pensar. Queria apenas ficar ali, com , naquela praia agora ensolarada e me sentindo a pessoa mais feliz do mundo. Naquele momento, não era meu ídolo, nem o melhor amigo do meu irmão e nem o protagonista de uma história que ainda nos daria muita dor de cabeça, era apenas meu namorado.

Eu não conseguia conter a felicidade que estava dentro de mim enquanto nós voltávamos para o hotel, assim como . Apesar de eu saber que depois de termos passado a manhã na praia, alguém teria desconfiado de alguma coisa, eu não estava me importando muito. Finalmente o sol começava a dar sinal de vida no céu nublado e tudo parecia tão... Colorido. Eu sabia que não deveria me preocupar com nada daqui em diante porque estaria comigo. Era simples. Eu, como sempre, era quem criava os problemas. Talvez nem se importasse tanto... Talvez desse tudo certo pelo menos uma vez na minha vida. E eu seria feliz, teria o meu “felizes para sempre”.
Pena que as coisas nem sempre são perfeitas, certo?

Chegamos ao hotel quase na hora do almoço e, sem ao menos percebermos, me puxou pela mão e caminhamos de mãos dadas até a entrada. Algumas fãs que estavam ali nos encararam, boquiabertas. As outras nem ao menos prestaram atenção, só gritaram o nome do . Confesso que senti uma pontadinha de ciúmes com todas aquelas meninas muito mais bonitas do que eu gritando o nome dele e com os sorrisos que ele distribuiu a elas. Mas é claro, era tudo coisa da minha cabeça.
Atravessamos as portas de vidros, nenhum dos meninos estavam ali e nem ninguém da equipe da banda. Mas de repente, as coisas começaram a acontecer rápido demais. Em um instante me puxou para um beijo, ali mesmo, em público e em outro eu vi aparecer correndo, furioso, com o iPad nas mãos. Levei alguns segundos para processar o que estava acontecendo, mas quando eu me dei conta, estava sendo empurrada para trás e vi o punho de colidindo com o maxilar de .
Antes que eu pudesse gritar, e apareceram e seguraram , que estava com a testa brilhando de suor e com o rosto vermelho como eu nunca havia visto na minha vida. Seus olhos brilhavam... Não de felicidade, mas de ódio.
- COMO VOCÊ PÔDE, PORRA? PELAS MINHAS COSTAS?
Quando eu finalmente pude perceber que, no iPad que agora segurava, haviam fotos minhas e de na praia, senti todo o meu café da manhã voltando rapidamente e tudo começou a girar.
- ACONTECEU CARA, EU JURO! NÓS ÍAMOS TE CONTAR! – enquanto ainda tentava escapar das mãos de , continuava parado ali, com a mão no rosto e com uma careta de dor. – Por favor cara, escuta!
- EU NÃO QUERO ESCUTAR, NÃO QUERO SABER! E VOCÊ! – gritou e se virou para mim. – COMO? ME DIZ, COMO VOCÊ DEIXOU ISSO ACONTECER? ELE NÃO É QUEM VOCÊ PENSA QUE ELE É! ELE É UM GALINHA, UM FILHO DA PUTA.
Fiz o possível para me manter de pé, mas parecia que alguma coisa estava fora dos eixos. O mundo estava fora dos eixos.
- , eu não vou ao menos tentar me explicar enquanto você estiver assim. Se acalma, por favor – pedi, tentando encontrar forças em algum lugar dentro de mim.
- , VOCÊ É UMA CRIANÇA! VOCÊ NÃO SABE O QUE...
Escolha de palavras erradas, irmãozinho.
Cheguei perto dele e finalmente o soltou, sabendo que ele nunca seria capaz de fazer algo contra mim.
- Eu não sei o que é bom pra mim? – perguntei a ele, olhando em seus olhos, tentando respirar, segurar o vômito e não gritar, tudo ao mesmo tempo. – E quem sabe, é você? VOCÊ SABE O QUE É BOM PRA MIM?
- SE VOCÊ SOUBESSE, OBVIAMENTE NÃO ESTARIA COM ELE!
- EU AMO O , ! – gritei, e sua expressão foi uma mistura de dor, indignação, frustração... De tudo, menos de felicidade ou aprovação. – Eu o amo, e não me importo com o que você pensa, ou com o que vai fazer. Essa é a minha vida e quem decide o que fazer dela sou eu. Você pode ser meu irmão, pode ser responsável por mim, mas não é você quem decide as coisas aqui. QUEM DECIDE SOU EU! – olhei ao meu redor, e apenas assistiam, abismados. me olhava como se dissesse: “Cuidado.”
– E sendo assim... – eu disse, chegando mais perto. – Eu vou ficar com ele, quer você queira ou não.
Quando eu me virei para sair, ele segurou meu braço. Não com força, mas com firmeza.
- Você não sabe, , não conhece a vida. Não como eu conheço. Você não sabe o quanto me sacrifiquei para te trazer de volta! Você não sabe o quanto eu lutei para sobreviver – nesse ponto, haviam lágrimas se formando em seus olhos – E aí você vem e faz o que, joga tudo no lixo?
- Não é como se eu estivesse assinando a minha sentença de morte, .
- Não é – ele concordou. – Mas é como se você estivesse jogando toda a consideração que eu tenho por você no lixo.
Dito isso, senti meu coração doendo. Como ele pôde pensar isso de mim?
- Eu amo você, – disse, com o coração nas mãos. – De verdade, você é o meu irmão, a minha família. Mas não é por isso que eu vou desistir do .
Me virei e sai andando, sem direção, ignorando os protestos atrás de mim.
- ENTÃO É ASSIM? – gritou, pouco antes de eu entrar no elevador.

Enquanto o elevador sacudia e subia até o meu andar, as lágrimas apenas desciam e desciam. Ignorei todos os olhares que recebi enquanto saía do elevador e entrava em meu quarto. Apenas me joguei na cama macia, agora arrumada, me enrolei no edredom e abracei o travesseiro.
E chorei.
Eu estava cansada de viver com se eu já fosse uma pessoa adulta e madura o tempo todo, sempre escondendo os meus sentimentos, sempre pensando mais nas outras pessoas do que em mim mesma. Há algum tempo, quando tudo ainda era simples e descomplicado, eu teria as minhas amigas ao meu lado. Ouviria minha banda favorita, comeria chocolate, ganharia um beijo, mesmo que duro e frio, da minha “mãe”. Mas quando a gente cresce, uma das coisas que não nos ensinam é como lidar com as coisas que não passam com um beijo, com uma tarde chuvosa ou uma barra de chocolates.
Eu sabia que tinha problemas bem maiores agora, porque eu tinha certeza que não deixaria aquilo barato. Mas pelo amor de Deus, ele não precisava fazer essa tempestade, precisava?
Senti um líquido subir por minha garganta e corri até o banheiro, a tempo de me ajoelhar e deixar que ele saísse.
Quando finalmente terminei, tomei um banho e coloquei uma roupa qualquer, me enfiando de baixo do edredom de novo. Na verdade, eu estava preocupada com . E até com .
Ignorei um impulso repentino de ir até o meu irmão e pedir desculpas. Desculpas?
Pelo que, afinal?
Procurei meu iPod dentro da minha mala que estava ao lado da cama e coloquei os fones, no volume máximo. Eu não me importaria dessa vez. Não mais. Quem quisesse que se resolvesse e que enfrentasse as consequências depois.

Acordei com a mão de alguém em meus cabelos e me assustei ao perceber que era o .
- ... – me levantei, meio grogue e percebi que ele estava descalço e deitado relaxadamente ali ao meu lado.
- Eu não quis te acordar antes, mas... me pediu pra te levar pra casa. Respirei fundo e concordei. Eu sabia que as consequências não demorariam a aparecer.
- Eu tenho que terminar de arrumar as minhas malas, você se importa em esperar um pouco? – ignorei todos os impulsos de gritar, chorar e xingar porque não merecia aquilo, então só fiz o que eu tinha que fazer.
Dobrei metodicamente minhas roupas que estavam rolando pelo quarto e as arrumei nas minhas malas, em seguida catei todos os meus objetos que estavam espalhados pelo quarto. Quando fui pegar meus tênis que estavam ao lado da cama, perto da mesinha de cabeceira, percebi que havia deixado seu relógio ali. Olhei para , que me olhava sugestivamente.
- Vai lá... – ele disse e eu o olhei surpresa. – Qual é, , você acha que eu não sabia? – neguei com a cabeça e ele riu. – No dia da festa, eu te vi atrás dele no sofá da minha sala de TV e eu vi vocês dois saindo hoje de manhã... Não quero ser uma daquelas pessoas chatas que diz “eu te avisei” ou “eu sabia que isso ia acontecer”... – disse fazendo aspas com os dedos. – Mas eu, você, a Chapin, o ... Nós sabíamos que isso ia acontecer e agora vocês dois precisam lidar com as consequências.
- Eu sei, , o meu problema agora vai ser lidar com as tais consequências.
- Você precisa ser forte – ele disse, segurando minhas mãos e olhando em meus olhos. – O não é um cara que muda de opinião fácil, sabe?
Concordei com a cabeça e ele sorriu.
- Agora vai lá e fala com o que eu vou levar você pra casa.
- O o machucou muito? – perguntei com o coração pesado e sorriu levemente, negando com a cabeça.
- Vai lá, eu vou te esperar na garagem.
Sorri para ele e dei um beijo em sua bochecha, o fazendo corar.
- Jeito brasileiro de ser – eu brinquei e ele riu.

Caminhei pelo corredor do hotel e parei em frente ao quarto de , com o coração na boca. Bati duas vezes e esperei até que ele viesse abrir, mas ele não veio. Bati pela última vez e encostando o ouvido na porta pude ouvir o som da televisão ligada, o que me deixou com os olhos cheios de lágrimas. Ótimo, ele havia desistido de mim.
Enfiei o relógio por debaixo da porta e ergui a cabeça, caminhando pelo corredor deserto. Levei o que pareceu ser uma eternidade do meu andar até o térreo e segui direto para a garagem, ignorando os olhares curiosos das pessoas que estavam ali. Vários pensamentos rondavam a minha cabeça, mas tinha um que piscava em rosa neon: ele estava lá e não quis falar comigo.
Avistei logo que cheguei à enorme garagem do hotel. Ele estava parado do lado de um carro que eu supus ter sido alugado e logo acenou pra mim. Quando eu cheguei perto dele, percebi seu olhar preocupado.
- O que foi? – perguntei e ele sorriu fraco.
- O acabou de me ligar, ele estava tomando banho.
Senti um alívio enorme em minhas costas e sorri para ele, agradecida.
- Depois eu ligo pra ele, então... Vamos?
- Sim senhorita! – concordou com um gesto engraçado. – Temos um longo caminho pela frente, afinal.

A viagem foi tranquila, apesar de todos os problemas. era uma boa companhia e fez o possível para me distrair, conversando sobre assuntos aleatórios. Acabei descobrindo que nós tínhamos várias coisas em comum, como gosto para música e filmes e fomos de Scarborough até Londres ouvindo o bom e velho som dos Beatles.
- ? – chamei-o e ele desviou a atenção do trânsito, me olhando. Pelo pouco que eu conhecia e havia prestado atenção na estrada, ainda tínhamos algumas horas de viagem. – Como você e a Chapin se conheceram?
Ele sorriu e voltou a olhar para a estrada.
- Foi em um evento que ela organizou para um lançamento de um CD nosso. No começo, nós discutíamos demais, porque eu não concordava com nada do que ela propunha. Por causa disso, acabamos passando bastante tempo juntos e simplesmente aconteceu... Mas no começo não foi nada fácil. As fãs viviam criticando ela e isso me aborrecia muito, porque ela não merecia passar por isso. A Chapin é uma pessoa incrível, – ele disse e eu prontamente concordei. – Mas muita gente nem a conhece direito, como eles se acham no direito de criticar?
- Entendo que essas coisas sejam difíceis, ... Mas o trabalho de vocês é estar sempre na mídia e nem sempre isso acaba sendo bom, mas eu aposto que muitas pessoas apoiaram vocês também.
- Com certeza – ele sorriu. – Os meninos e a minha família principalmente. Hoje eu sei que ela é a mulher da minha vida e que valeu a pena ter lutado pelo nosso namoro.
- E como a gente sabe que encontrou a pessoa da nossa vida? – perguntei, pensando em .
- Acredito que é quando a gente não se imagina com mais ninguém, quando a gente luta pela pessoa e pelo amor dela e sabe que no fim vai dar tudo certo.
Eu sabia que era um pouco cedo demais pra eu alegar que o era o homem da minha vida e que ainda teríamos um longo caminho pela frente, mas também teríamos momentos inesquecíveis. Lembrei-me de uma frase que dizia “Ser profundamente amado por alguém nos dá força; amar alguém profundamente nos dá coragem” e concordei mais do que profundamente com ela.
Eu teria força e coragem e fossem quais fossem as consequências que ou que a vida nos apresentasse, eu lutaria contra elas e tinha certeza que também.

Continua...



N/A: É, eu sei, vocês provavelmente estão pensando “caramba, o sofrimento dessa menina nunca vai acabar? Sempre que alguma coisa boa acontece...” tudo bem, tudo bem, eu concordo, mas todo mundo sabia que isso ia acontecer né? O fato é que essa picuinha toda com o vai ser uma parte importante pra fanfic daqui pra frente, e é agora que as coisas começam a ficar interessantes... – Pequeno spoiler – O irmão vai tomar uma decisão precipitada, mas antes disso as coisas vão evoluir MUITO entre o casal principal, e vocês vão ficar felizes da vida ;) Prometo! Então é isso, não tenho muito o que falar e tem uma pizza suculenta me esperando na cozinha, hahahaha.
Amo vocês!
Anna xx
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