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My favorite doctor



Última atualização: 05/07/2017

Capítulo Único


Quando eu fui parar naquele hospital, jamais pensei que um médico pudesse me atrair mais do que todos os outros homens que já passaram pela minha vida.

"- Sou . Clínico geral, cirurgião e formado também em psicologia. Vinte e seis anos. Mais alguma informação? Acho que não. - O médico que estava me atendendo sorriu simpático, e me cumprimentou. Pensei em pedir o telefone, mas me calei.
- Não, não. Sou - segurei sua mão e sorri de volta. Estava meio grogue com aquela agulha em meu braço.
- Deve tomar cuidado com o álcool, . Não queremos uma garota em plena juventude sofrendo de problemas no fígado, não é?
- Claro que não. Foi uma ocasião especial, perdi a conta na hora de comemorar. - sorri orgulhosa.
- Posso saber qual o motivo especial? - ele perguntou checando alguma coisa em meu braço, e ao invés de achá-lo intrometido, me perdi em seus olhos profundos e sua boca maravilhosa e o achei gostoso. Tentei controlar os hormônios, mas posso culpar a bebida, não?
- Estávamos comemorando mais uma etapa na faculdade, falta um ano para a minha formatura. - ele voltou a me encarar nos olhos. - Medicina.
- Uau, isso significa mais uma doutora no mercado, então?. - disse surpreso, e eu controlei minha boca tarada. No mercado, no hospital, no seu carro, querido, onde você quisesse.
- Em breve. - concordei, mas deixei um sono gostoso me levar para o imaginário. "


Mas é sempre assim, toda mulher tem uma tara por um homem inalcançável. Ora aquele ídolo da banda do momento, ora com seu professor gatinho, ou então com aquele pop do colégio.
Eu, com meus recém vinte e oito, já havia passado por todas essas experiências. O professor nem sabe quem sou, o pop do colégio nada mais fez que elogiar meu grande decote, o meu ídolo me deu um autografo e me abraçou no Meet e Greet. Já com o médico fui mais além. Fui ousada, fui persistente, mas tive a melhor recompensa de todas.

- E então está aqui, formada, procurando por uma vaga no hospital do seu ex-médico. - me olhou de cima à baixo, e eu só não corei porque já estava cheia de blush. Provocante como nunca estive. - Está contratada, , bem vinda a nossa equipe .


Nunca tive tanta certeza quanto a que tenho sobre amar reciprocamente. Não posso dizer que nos apaixonamos rápido, houveram vários meses de provocação e desejos até um dia em especial ocorrer.

- Posso te dar uma carona se quiser, só não prometo te deixar em casa. - ele sorriu, safado, e eu entrei o carro.
- Nem precisamos sair daqui, se você não quiser. - sentei em seu colo, e suas mão logo desceram de minha cintura para minha bunda. Assim como sua boca, direto para o meu pescoço. E com o rádio ligado em uma estação qualquer, fizemos sexo pela primeira vez.


Depois dessa, houveram outras tardes e manhãs. E quanto mais eu me envolvia, mais me sentia correspondida.

- Podemos passar nosso relacionamento para outro passo, não? - ele alisou meus braços, e me aninhei mais em seu peito.
- Namora comigo? - eu o perguntei e ele me beijou, dizendo antes que sim. Após o beijo gargalhou.
- Você é uma sem noção, eu que deveria ter feito o pedido. - mordeu minha bochecha e eu o mordi no ombro.
- Homens são muito lerdos. - ele concordou e me levou de volta a cama.


Meu médico. Favorito e, por muito tempo, inalcançável, me deu o amor que jamais imaginei conhecer.

- Essa é minha noiva, maninha. - disse a irmã e o olhei, interrogativa.
- Não sabia que tinha me feito um pedido. - disse.
- Falei com seus pais. - me disse e minha boca abriu uma cratera no chão. - Quer casar comigo, ? - me deu uma aliança que estava escondida sei lá onde, e me olhou cheio de ternura e amor.
- Claro que sim, . - o beijei ouvindo alguns resmungos de sua irmã.
- Feliz aniversário pra mim. - ela disse e rimos, sem desgrudar as bocas.


E o fruto de todo esse amor, agora, se formava dentro de mim. Um bebê, não planejado, mas mesmo assim, muito querido estava vindo para colorir nossas vidas.
- Como isso pode dar certo? - sussurrei para mim mesma, mas para minha surpresa, estava atento o suficiente para ouvir.
- Isso o que meu amor? - ele perguntou e eu sorri involuntariamente.
- Você já teve um amor impossível, né? - ele acenou que sim. - Não consigo acreditar que cheguei no hospital como uma paciente...
- E agora trabalha lá, casada com o cirurgião chefe. - completou. - Talvez nossa união se dê naquele hospital mesmo. - sorriu de seu jeito misterioso e o beijei.
- Você nem imagina o quanto eu te amo. - eu disse e ele se contraiu. Em um rápido movimento, me abraçou, me fazendo deitar junto com ele.
- Imagino desde o dia em que começamos a namorar. - recordei do momento e deixei minha mente viajar pelas recordações. Em quatro anos juntos, me surpreendia cada mais, mesmo eu pensando que isso fosse impossível. - Eu acho que vou dormir um pouco. - disse e o vi sorrir malicioso. Eu estava enjoada, mas ainda não queria lhe contar sobre a recém-descoberta gravidez. - É sério, você precisa ir trabalhar e não vai ser um sorriso cheio de intenções que vai me fazer mudar de ideia.
- Estou muito desapontado em ter que ir sem você. - e após dizer isso, eu o teria empurrado na cama e o amado como tantas outras vezes, mas seu impecável uniforme branco acabaria amassando, e quem seria a responsável por consertar o estrago? Se disse eu, acertou.
- Prometi cuidar de Mia esta tarde, não sei que horas tornarão a buscá-la. - me defendi e ele me deu um sorriso compreensivo. - Não fique bravo, , mas eu não poderia deixar sua irmã na mão.
- Não estou bravo. - ele riu e eu não entendi o porquê. - E essa expressão deixar na mão é uma coisa exclusivamente masculina, na minha cabeça.
- Seu pervertido nojento e safado. - atirei um travesseiro em sua direção, mas ele acabou sendo direcionado à televisão, onde passava um capítulo da novela das nove. Amor à vida era o nome que vi, quando parei para prestar atenção. vivia comentando da semelhança de dois personagens com a nossa relação, mas nunca prestei muita atenção, até ver a cena em que Caio Castro agarrava uma mulher com um cabelo diferente. Ela era médica também? Que irresponsáveis!
- Te digo que esse casal é inspirado na gente e você discorda. - ele se sentou ao meu lado e eu pude aspirar seu perfume. Eu que não seria essa garota irresponsável, trancada num quarto de hospital fazendo outra coisa que não fosse cuidar de um paciente. Era tentador e sexy, mas não.
- Dois nojentos safados sem responsabilidade nenhuma. - Falei me referindo a ele e o personagem de Caio. Seguido a isso, olhei o relógio e o empurrei da cama. - Você está muito ferrado. - lhe entreguei a chave do carro e ele pegou, sorrindo fraco. Aquela cara despreocupada estava me irritando. - Vamos, , você está muito atrasado.
- Já estou indo. - mesmo com um relativo atraso de vinte minutos, ele parecia não se importar, o que era muito estranho. Nem uma vez na vida se atrasou para nada, estou certa disso.

A campainha tocou, e mesmo sem ver, sabia que era Tonny em busca de sua filha. Mia dormia relaxada, e se não fosse pela insistência rude de seu pai e a chatice de , eu a deixaria ali a noite toda. Ajudei-o até o carro e Dony, minha cunhada, sorriu, piscando em seguida. Ela era a única, além de minha mãe, que sabia da gravidez. Pisquei de volta, e sorri a observando, tão linda e mãe. Eu me perdia na beleza dos , e com ela não era diferente. Mesmo muito diferente do irmão, as semelhanças predominavam e eu tinha minhas dúvidas sobre o que estava fazendo naquela família tão linda.
- Acho que você pode me ajudar no plantão. - o descarado do meu namorado sorriu para mim, deu um tapa na minha bunda, e me puxou para o quarto. Casar dá nisso, gente folgada levando uma aliança com seu nome no dedo.
Revirei o armário procurando por minha roupa de médica (de verdade, nada dessas fantasias eróticas de sex shop) e em dez minutos estava pronta. Você deve estranhar toda essa coisa de eu fazer o meu horário, mas acontece que nós médicos, realmente temos que amar a profissão. Viver por ela para fazer os outros viverem. Fazíamos nossos horários, mas como ainda éramos poucos no turno a noite, nos dividíamos para suprir as necessidades dos pacientes. Sempre havia um cirurgião e dois pacientes, um psiquiatra e dois loucos, e assim sucessivamente. Hoje, realmente não havia ninguém que pudesse cuidar da ala infantil, segundo , e como a especialidade era minha, não poderia deixar meu namorado na mão, não é? Deixar na mão, haha, vou rir sempre agora.
- Mas o que houve com a Dra. Regina? - perguntei ao meu chefe (era assim que me referia a quando deixávamos nossa casa. Algo excitante, segundo o próprio.
- Precisou de um tempo para solucionar alguns problemas pessoais. Está ajudando sua filha com o casamento, dei-lhe a noite dessa semana para descansar. - respondeu-me. Estávamos no elevador, descendo até a garagem.
- Não sabia que ela tinha filhos. - comentei. - Será que seremos convidados ao casamento?
- Não vejo porque não. - ele riu e então o elevador se abriu. Ele segurou minha mão e eu a teria soltado, se não percebesse que estava especialmente nervoso. - Quer ficar com as meninas essa noite? - ele me perguntou e eu o respondi questionando também.
- Eu adoraria. - sorri. - Você tem alguma cirurgia importante hoje?
- Não tenho nada a fazer na verdade, mas sei que você gosta de passar um tempo com elas. - ele sorriu e me encarou. - Te chamo caso tenha algum problema, mas por enquanto, quero você cuidando das nossas meninas. - Sempre achei lindo o modo como ele se referia as garotas, sempre tão amável e prestativo. Elas nos apelidaram de "titio" e "titia", o que eu achava especialmente carinhoso, vindo de duas meninas recém órfãs. Entramos no carro. Mesmo o hospital sendo relativamente perto, não era muito seguro andar por aí pela noite.
Ficamos em silêncio em quase todo o caminho, até ele resolver se pronunciar. O sorriso sumiu de seu rosto antes de prosseguir. - Já fecharam o processo da adoção das meninas. - disse e eu estremeci.
- Como assim? - respirei mais fundo e fechei os olhos. Eu realmente havia me apegado as garotas, não queria me ver livre delas tão cedo.
- Falamos disso no escritório. - Colocamos nossos óculos escuros e descemos do carro. Mesmo suando nervosa, não pude deixar de reparar em como aquela noite estava linda.
Minha mente ainda vagava pelos últimos meses, esses que fiquei responsável em cuidar de Clay e Melly. As duas garotas, irmãs, haviam perdido os pais em um acidente de carro. Com a falta de um parente mais próximo, iriam ser entregues a adoção. As garotas permaneceriam internadas, em recuperação, enquanto o processo não se encerrasse, mas eu já sentia a falta que as duas fariam em minha vida. Eu realmente precisava ter um bebê e o meu chegou na hora certa. E como médico, já devia ter percebido alguma mudança em mim, não? Droga, tinha que contar logo da gravidez!


Flashback

- Recebi uma ligação enquanto você se arrumava. - disse me chamando atenção. - Os médicos em alguma cidade da região não estão fazendo plantão, e há dois pacientes sendo encaminhados para cá. Não souberam me explicar o que houve, mas houveram algumas complicações com o pai das meninas por falta de um cirurgião especializado.. - Senti meu peito inflar e o ar faltar ligeiramente. Negligencia médica era o maior terror na minha vida.
- São duas crianças vindo para cá? - ele assentiu. - Precisa de ajuda?
- Por favor. - respondeu-me, e em silêncio, seguindo até uma sala vazia, onde as pacientes seriam recebidas.
Horas se passaram até que a ambulância chegasse trazendo as garotas. Em um momento a sós com as pacientes, notei que o problema era mais psicológico do que físico. A mais nova; de apenas quatro anos, tinha machucados mais graves. A mais velha; essa que tinha apenas seis, lutava psicologicamente contra a perda de ambos os pais. ainda estava cuidando das garotas quando desci até a recepção, onde alguns familiares das garotas aguardavam por notícias. Meu coração apertou quando vi apenas três senhoras sentadas na sala de estar.

- Ambas estão bem. - disse tentando as tranquilizar. - A menor passou por uma cirurgia na perna, nada a se preocupar a curto prazo, mas necessita estar em observação. A mais velha vai precisar de ajuda profissional para lidar com a perda dos pais, mas não sofreu altos danos físicos. - respirei fundo. - Gostaria de saber que providências tomaram em relação a guarda das garotas.
- Kauê não sobreviveu. - uma das senhoras tomou a frente, e disse com pesar. Presumi que o citado lhe era de extrema importância. - Minha filha está quase seguindo o caminho do marido. Não sei que providências tomar com as meninas. - Confidenciou a mim.
- Providências? Das duas? - ela olhou questionando. - Não há mais ninguém, além da senhora, que possa ficar com elas? - afirmou.
- Eu não sei o que fazer. Sou idosa e moro sozinha, não tenho condições de cuidar de mim, quem dirá de duas crianças.
- Eu sinto muito. - voltei para a sala, deixando-a amparada pelas duas amigas que a acompanhavam. Dormindo, serenas, as garotas sorriam, ainda sem se dar conta do que estavam metidas. Acontecesse o que for, se dependesse de mim, elas não iriam parar em um orfanato qualquer. Deitei no ombro de , e deixei que meus pensamentos fossem transmitidos à ele. E bem, o amor nunca falha.



Entrei no prédio e fui recebida por uma multidão desconhecida, mas prevista. Haviam fotógrafos, cinegrafistas, repórteres, e tudo em excesso. Esquivei-me dos curiosos que buscavam alguma informação sobre o acidente de um famoso cantor da região, e segui até seu escritório.
- Não surta. - ele disse e eu não entendi. Pelo menos não até estar sentada frente a sua mesa com duas grande pastas em mãos.
- Adoção? - perguntei a , que concordou sorrindo. Com o coração fraco, abri as pastas, espalhando papeis de ambas pela mesa. A papelada, pedida em nome de , encerrava um processo de emergência. Guarda de crianças órfãs. Demorei um tempo para entender, e só percebi no que estava metida quando senti ele apertar minha mão, e a frase "guarda concedida" manchar o final da folha. Sorri muito, ao ver que Melly e Clay poderiam carregar o sobrenome .
- Meu amor... - pensei em contar da gravidez, e fui interrompida mais uma vez por sua mão puxando a minha. Levou-me até a sala onde as garotas me aguardavam com cartazes de sorrisos.
- Surpresa! - ele entrou primeiro, e fez uma cara contente, contagiando as duas garotas.
- Titia? - Clay, a mais nova disse, e eu deixei as lágrimas escorrerem feito idiota. - Nós vamos para sua casa hoje?
- Nós vamos para a nossa casa princesinha. - disse, sorrindo feito besta. E eu o olhei orgulhosa. seria o melhor pai de todos.
- E vamos te chamar de papai? - ele afirmou e pegou Melly no colo. - Então vamos para a casa papai. Vamos mamãe? - acenei positivamente com os dedos, e ela me acompanhou sorrindo, me fazendo rir. Observei sorrindo idiotamente. Era a minha deixa.
- Amor, precisamos de uma casa maior. - ainda rindo, o contagiei, fazendo-o me olhar em dúvida.
- Pensei que pudéssemos deixar as duas no mesmo quarto. - tolinho.
- Não vejo problema nisso. - Sorri ainda mais. - Mas precisaremos de um espaço para o nosso bebê. - alisei minha barriga e ele veio em minha direção, com a menina em seus braços. - Surpresa?!
- Surpresa mamãe. - Ele me abraçou e Clay correu em nossa direção, abraçando minhas pernas. Quando a peguei no colo, senti três mãos alisando minha barriga. Mais três pessoas que aguardavam ansiosamente a chegada de um novo bebê. Um menino, talvez? Quem sabe. Mas sendo o que fosse, eu sabia que essa criança nasceria no melhor momento. E claro, na melhor família também.
- Sabe desde quando? - perguntou e eu vi o quão idiota ele era, por não perceber meus enjoos durante as últimas noites.
- Duas semanas. - respondi e pude o ver respirar tranquilo. - Tá pronto pra isso tudo?
- Desde que esteja comigo, meu amor, eu não tenho com o que me preocupar. - sorri e o beijei, com as duas meninas em nossos pés, resmungando e pedindo por atenção.
Fomos para a casa naquela noite, e ajeitamos as garotas em nossa cama, enquanto nos apertamos em um colchão inflável. Com seus braços ao meu redor, tive noção das mudanças que teria em minha vida. Eu não iria ser só uma esposa amada, uma mãe carinhosa, uma médica feliz. Eu seria aquela que faria todos a minha volta, sentirem vontade de viver e amar.

- Eu te amo. - contou em meu ouvido, e com a chave de nossa nova casa, me abraçou.
- Eu também te amo. - respondi me virando de frente pra ele. - Sempre vou amar.
- Sempre vou te amar. - concordou e me beijou, selando nossa união. - E sempre vou fazer plantão dentro do seu coração. - ri de sua frase idiota.
- Sempre dentro do meu coração. - ri. – Ou até que um cardiologista diga que foi por falta dele que eu morri.


Fim



Nota da autora: Nota da autora: (20/06/2017) Clique aqui para seguir à página da autora
Essa história foi feita para o especial dia do médico. Se gostou, deixa um comentário bem legal que eu volto aqui pra responder.
Edit1: Algumas coisas foram alteradas na história, mas nada que mude o destino da fanfic. Obrigadinha amores.




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