CAPÍTULOS: [Único]










Capítulo Único



My mind runs away to you
With the thought I hope you'll see
Can't see where it's wandered to
But I know where it wants to be

(Make it to me – Sam Smith)



Eu assistia os meninos passando o som sentada em uma das mil caixas que havia ao lado do palco e tomando meu café despreocupadamente. Olhando ao meu redor, dezenas de pessoas passavam apressadas indo resolver algo no som, na luz, na guitarra de Dan ou em um dos telões que parecia não estar funcionando direito. Era engraçado pensar em quantas pessoas estavam “por trás” daqueles moleques, que agora cantavam Best song ever. Pessoas que as fãs conheciam e amavam tanto quanto amavam os cinco, como Paul, os meninos da banda e minha prima Lou. E pessoas que passavam por baixo do radar delas, mas que eu havia aprendido que os meninos admiravam e respeitavam do mesmo modo. E que eram tão importantes quanto “os staffs famosos”.
E por haver tantas pessoas ao redor do One Direction, algumas figuras realmente interessantes às fãs também escapavam ao olhar vigilante delas. e estavam embaixo do palco e conversavam e riam com Paddy, um dos seguranças pessoais dos meninos. As duas eram exatamente o que se espera de uma groupie: Bonitas, bem vestidas e confiantes. Na noite anterior, eu havia ouvido Louise e Eleanor comentando que elas sempre conseguiam chegar até ali principalmente porque, diferente de outras groupies, eram muito discretas. Porém, pelo tom da conversa, não acho que elas eram muito a favor do passe livre das duas americanas.
Eu era só a prima perdida na vida que tinha trancado a faculdade e agora ajudava Lou e fazia um pouco de tudo na turnê. Não acho que tinha direito a uma opinião...
Enquanto eu pensava sobre isso, alguém passou correndo por mim e me deu um tapinha no joelho. Levantei a cabeça e vi que me olhava sorrindo enquanto ia em direção ao fundo do backstage. Retribui o sorriso, quase involuntariamente, e continuei sorrindo mesmo quando ele já havia me dado as costas. Todos os garotos eram extremamente adoráveis e, apesar de ter sido instruída desde o início a não “forçar minha companhia” a eles, já no primeiro dia os cinco fizeram questão de se apresentar e foram as pessoas mais gentis desse mundo. Era fácil se apaixonar por eles... Eu entendia as directioners perfeitamente.
Mas ... Eu não sabia dizer o que era, mas havia algo ali que sempre segurava meu olhar por uns segundos a mais. Todos eles eram bonitos e sorridentes, mas algo nele em especial me fazia continuar sorrindo mesmo quando ele nem estava mais no mesmo recinto que eu. Eu sabia as regras, jamais colocaria minha prima em uma saia justa.... Mas eu não podia controlar meus pensamentos, certo?
, tá ocupada?” – Natalie me chamou e me tirou de meus devaneios.
Me levantei da caixa e fui até ela.
“Tô não, precisa de algo?”
Ela sorriu e indicou a porta atrás de si com a cabeça.
“Me ajuda a trazer as araras e figurinos pra cá, por favor?”
“Claro!” – Falei, já andando até ela. passou por mim de novo, indo para o palco, e piscou.
Ele não ajudava em nada enquanto eu tentava aquietar minhas vontades...
**

She could be a stranger, you gave a second glance
She could be a trophy, of a one night stand

(Like I can – Sam Smith, modificada)



Eu estava dando um jeito no camarim, que parecia mais um campo de guerra. Os meninos haviam entrado no palco há uns 10 minutos e eu achei que seria mais útil arrumar aquela zona do que assistí-los pela... Nona? Décima vez?
Ouvi um barulho no corredor e conversa. As duas garotas americanas pararam na porta ao me ver, meio em dúvida. sorriu e eu sorri de volta.
“Oi meninas! Vocês precisam de algo?” – Perguntei.
Elas perceberam que eu não ia enxotá-las dali pelo meu tom de voz e entraram.
“Ah, oi! Desculpa, nós não sabíamos que ia ter alguém aqui. Tudo bem se nós ficarmos uns minutinhos? precisa fazer uma ligação.”
“Não, claro que não. Fiquem a vontade, tô só limpando essa bagunça!” – Falei, apontando ao meu redor e as duas riram. sorriu e se sentou no sofá, tirando o celular da bolsa.
“Eles parecem uns demônios, né? A propósito, sou a !” – Ela me disse, estendendo a mão e eu a cumprimentei, como se já não soubesse o nome delas.
“Meu nome é .” – Me apresentei e acenei para no sofá.
“E você é...” – me perguntou, interessada. Precisei de um tempo para entender o que ela esperava que eu respondesse, mas foi o olhar rápido na credencial pendurada em meu pescoço que me deu uma dica.
“Ah! Sou prima do Lou, sabe? A maquiadora e cabelereira dos meninos? Estou meio que em um semestre sabático...” – Era difícil explicar para uma completa estranha que eu não tinha a menor ideia do que fazer com a minha vida e o ano até ali tinha sido um pesadelo. A versão resumida parecia menos dramática. Acho que ela considerou ser a resposta que queria, porque sorriu e balançou a cabeça.
“Ah sim... Então você faz parte da crew?”
“É, mais ou menos. Temporariamente...”
“Do que vocês estão falando?” – nos perguntou, ainda do sofá.
“Não conseguiu falar com ele?” – se virou para a amiga, que parecia um pouco triste.
“Não, o infeliz saiu e o celular tá desligado... Como um namorado espera que eu fique dando fora no , se ele não fala comigo?”
gargalhou e eu fiquei sem entender. Namorado?
“Você tem namorado?” – Não me aguentei e me intrometi. Percebi que tinha falado merda assim que terminei a frase.
“Por quê?” – me questionou, erguendo uma sobrancelha. – “Eu não tenho cara de alguém que tem um namorado?”
“Nããão, não foi isso que eu quis dizer.” – Comecei, tentando me explicar. Que péssimo começo! – “É que...” – Mas não tinha conserto, tinha?
“Hum... Que pré julgamento errado, hein? Eu acho incrível como as pessoas julgam pessoas como eu e a e...” – Eu já estava do tamanho do saleiro de vergonha quando ela parou a frase no meio e riu. – “Tô brincando, boba! Se fosse você, teria feito a mesma pergunta! Mas eu tenho um namorado sim e tô aqui só pra comer. Aliás... sobrou algum daqueles sanduichinhos de peito de peru por aí?” – Ela falou, indo até a mesa e apertando meu braço no caminho. ria da minha cara, eu devia estar um pimentão.
“Me desculpa mesmo! Eu não julgo vocês não, eu...”
“Relaxa!” – falou. – “Deixa eu te explicar a situação...”
“Não, deixa eu explicar! Você vai amenizar sua parte, que eu sei.” – interrompeu, segurando um sanduiche. – “A e o se pegam desde a tour passada e só não casaram ainda, porque ela não vai se mudar pro Reino Unido nem fudendo...” – Ela começou e rolou os olhos (mas sorria). – “E eu curto eles, curto o open food e venho acompanhar essa mocinha apaixonada...”
“... Me acompanhar e dar uns foras no ...” – completou e as duas riram. Não vou mentir, era meio fascinante escutar essas historias (ou princípios de histórias), eu estava curiosíssima para continuar ali ouvindo tudo.
“Os foras no são um extra.” – Ela deu de ombros. – “Meu namorado é mais bonito que ele, de qualquer forma...”
“Duvido!” – Falei, mais uma vez soltando as palavras antes de filtrá-las. As duas caíram na risada.
“É, ele não é mesmo não. Mas ele mora na mesma cidade que eu e me ama todos os meses do ano...”
“Aaaaawn, quem é a mocinha apaixonada agora?” – zombou e mostrou a lingua para ela.
“Mas enfim...” – falou, batendo uma mão na outra. – “Fala aí no que você quer que a gente ajude!”
“Não, não precisa não... Fiquem tranquilas pra voltar pro show, se vocês quiserem!” – Respondi rapidamente. Na minha cabeça, elas eram convidadas da banda. E você jamais deixa a visita fazer o trabalho pesado, né?
“Para com isso, .” – falou, já começando a dar um jeito na mesa onde antes estava apoiada. – “A gente ainda vai ver uns quinhentos shows deles. E trabalho em grupo anda mais rápido. Mas conta aí... Você é prima da Lou? Que maneiro!”
Sorri para as duas, que agora me ajudavam. Era a primeira vez que eu me sentia totalmente a vontade naquela tour.
**


You will never know that feeling
You will never see through these eyes

(Not in that way – Sam Smith)



“PUT YOUR HANDS UP FOR DETROIT!” – cantou do sofá, erguendo os braços. , que estava deitada em seu colo, colocou as mãos sobre os olhos com vergonha.
Depois de um dia de folga, estávamos agora em uma nova cidade. As meninas tinham vindo de avião e eu me senti aliviada em vê-las. Louise é que não tinha ficado muito feliz com minhas novas amizades, mas eu não via mal algum. Elas eram divertidas, tinham me ajudado no outro dia no camarim e os meninos claramente as adoravam. Não só ou , mas os outros três também. De volta ao hotel após o show, eu estava lendo no meu quarto quando recebi uma mensagem.
“Cade você? Estamos bebendo no quarto do !” – Era .
“No meu quarto. Qual é o número do quarto dele?” – Respondi rápido, indo dar uma olhada na minha aparência. O primeiro pensamento que veio a minha cabeça foi “Será que o tá lá?” e eu quis me afogar na pia por isso.
“Como você não sabe? Hahaha... 1163 (apaga essa mensagem. Nunca se sabe...). Vem logo e traz tudo que tiver no seu minibar.”
Tentei me arrumar sem parecer arrumada o máximo que pude, esvaziei minha geladeirinha, subi para o quarto dele e lá estávamos nós...
“I LOVE THIS CITY!” – continuou a música para , que agora estava muito ocupado prestando atenção em . – “Enfim...” – Falou, ao perceber que tinha ficado no vácuo, e eu ri... Como uma garotinha do colegial. Ele se virou ao ouvir minha risada. – “Ah, você! Finalmente nos dando a honra da sua visita!”
“Oi?” – Perguntei.
“Você... Nunca se mistura com os pobres mortais. Tá sempre com os adultos.” – Explicou, fazendo aspas com as mãos na última palavra.
“VOCÊS são os pobres mortais?” – Dei uma risadinha irônica. – “Por favor, eu recebi ordens expressas para não forçar minha presença a vocês!” – Contei, copiando seu movimento de aspas, porém de um modo mais exagero. Ele riu.
“Você curte descumprir ordens, então? Gosto assim...” – disse e meu coração parou por um instante. Foi o jeito que ele falou, o olhar e a sobrancelha levantada, a garrafa a meio caminho da boca e o sorriso no canto dos lábios. Ao terminar a frase, ele finalmente bebeu um pouco da cerveja, mas não desfez o contato visual. Eu me sentia queimar... Eu sentia o inferno (onde eu merecia estar) todo dentro de mim. – “Você bebe?”
Eu estava precisando beber alguma coisa mesmo.
“Normalmente sim... Mas hoje não.”
Ele franziu a testa sem entender.
“Tá doente?”
“Não, mas eu trabalho amanhã...”
riu da minha cara.
“Você não vai acreditar na coincidência, mas eu também!” – Soltou e eu me juntei a ele nas gargalhadas. , do outro lado daquele quarto gigante, levantou a cabeça e nos olhou interessada. – “Só uma, vai... Não estraga a imagem de transgressora que eu já criei pra você na minha cabeça.”
Estendi a mão e aceitei sua cerveja, sorriu satisfeito. Tomei um gole e ofereci a garrafa de volta.
“É sua... Se eu quiser mais, eu pego.” – Respondeu, vindo se juntar a mim e sentando-se no balcão da mini cozinha também.
“To ficando entendiada!” – falou. brincava com a fivela de sua bota e parecia enfeitiçado.
“Pega o que passa...” – , que estava perto dos dois, brincou e nós todos rimos. rolou os olhos para ele e para , que tinha uma expressão de “excelente ideia” no rosto.
“Tô falando sério. Vamos fazer um drinking game ou algo assim.”
“Você tem baralho?” – perguntou para ela. Eu o observei abraçadinho a ... Como havia dito, eles realmente pareciam um casal apaixonadinho. Era fofo.
“Eu? Porra, vocês são o One Direction! Eu achei que ia ter algum por aqui com a cara de vocês ou algo assim!”
Mais risadas. Eu queria prestar mais atenção na conversa, mas simplesmente não conseguia. estava muito perto! Eu podia sentir seu perfume, eu sentia suas mãos nas minhas quando ele pegava a garrafinha de cerveja e ele tinha um braço passado por trás das minhas costas, o que o aproximava ainda mais de mim. Eu me policiava a cada segundo para não perder meu olhar em cada detalhe de seu rosto.
“E qual é a sua história?” – me perguntou, quando também perdeu o interesse no que acontecia ao nosso redor.
“Minha história?”
“Sim... Eu sei que você é uma fora da lei (eu ri) e prima da Lou. O que mais?”
Ele parecia genuinamente interessado em saber quem eu era e eu me agarraria a qualquer motivo para poder olhá-lo nos olhos.
Se eu precisasse começar minha história desde o dia em que eu nasci, eu faria sem problema algum.
**


Can I lay by your side, next to you?
And make sure you’re alright?
I’ll take care of you

(Lay you down – Sam Smith)



“Eu sei que e são legais, , mas eu só acho que você não deveria ficar pra cima e pra baixo com elas.” – Lou me falava, enquanto organizava a bolsa que levaria para a area destinada ao meet and greet. Eleanor fez que sim com a cabeça.
“Não é nada pessoal...” – Falou. – “Mas esse tipo de garota... Imagina como eu fico apreensiva quando não tô em tour!”
“Mas o Louis nem tava lá ontem...” – Respondi, meio irritada. Esse sermão todo era porque eu tinha estado com as meninas no quarto do na noite anterior. O que me irritava era que Louise sempre saia com eles. Ela não era uma staff qualquer, era amiga pessoal dos meninos. O problema era eu ter estado numa festinha que ela não estava? Ai, que pensamento filho da puta!
“Eu sei que não, porque eu tava aqui... E quando eu voltar pra Inglaterra?”
Minha vontade foi dizer que o comprometido era ele e se ele fizesse qualquer coisa de errado, seria falha no carater dele, mas achei que compraria uma briga muito grande por pouco.
“Mas é por isso que eu saio com elas, Eleanor. Pra inspecionar.” – Brinquei, para quebrar logo aquele clima chato e Lou riu, balançando a cabeça.
“Ainda bem que você tem juizo! Vem!” – Ela terminou de arrumar sua bolsa e a fechou se dirigindo para a porta. Eu e Eleanor a seguimos, mas ela não parecia tão tranquila quanto minha prima.
“Eu definitivamente não sei como Abby é sempre tão relaxada...” – Murmurou.
O nome fez meu estômago despencar, Abby era a namorada de . E eu, voluntaria ou involuntariamente, tinha simplesmente apagado essa informação da minha cabeça. Em minha defesa, não era fácil lembrar dela quando o próprio não parecia se importar muito... Eu nunca via ele falando da namorada durante a tour, pelo menos. E os olhares de mormaço entre nós dois não eram coisa da minha cabeça.
Eu tinha acordado com o capeta naquele dia, não era possível.

, eu vou precisar de mais laquê. Corre no camarim e traz mais um dois, por favor?” – Lou me pediu, enquanto ajeitava o cabelo de .
E aquilo era só para um M&G!
e estavam por la também com os meninos, mas eu tinha achado melhor não contrariar Lou e fiquei ajudando-a. Afinal, era para isso que eu estava lá. Mais tarde eu poderia me redimir com elas.
Saí apressada, mas não sem antes dar uma última olhada pelo cômodo. não estava ali com todo mundo e isso me incomodava de um jeito absurdo. No fim, me incomodava estar tão incomodada e essa bola de neve ia crescendo e crescendo. Abri a porta do camarim e me deparei com o ser humano que tão desesperadamente procurava.
Percebi logo que alguma coisa estava errada porque ele estava deitado encolhido no sofá usando um moletom. E eu usava calça e regata, desejando estar usando menos.
“Hey, o que você tem?” – Perguntei, me esquecendo completamente do que tinha ido fazer lá?
Ele levantou a cabeça e fungou.
“Um resfriado idiota...” – Respondeu, se levantando devagar e se sentando direito. – “Você veio me chamar? Já tá na hora?”
Fiz que não com a cabeça.
“Não, vim porque Lou precisa de mais laquê. Mas você parecia normal ontem, acordou assim? Precisa de algo? Um cobertor? Chá?”
Ele riu.
“Não, mas obrigada por oferecer. Tô bem, só descansando um pouco.” – parecia decepcionado consigo mesmo. – “Vai ser um saco fazer show desse jeito.” – Ele espirrou uma três vezes seguidas e foi até o banheiro assoar o nariz. Quando voltou, riu da minha expressão de nojo. – “Que foi? Você nunca assoa o nariz, garota?”
“Claro que sim, é só que... Acabei de me lembrar que bebi na mesma garrafa que você ontem...”
“Aaaaah, tá com medo de ter pego meus germes?” – Ele zombou, se aproximando. Eu não sabia o que ele ia fazer, mas não parecia nada bom.
No minuto seguinte, estava me agarrando e passando o nariz pelo meu pescoço. Era nojento e eu o xingaria muito e o afastaria o mais rápido possível se fosse qualquer outra pessoa. Mas sentí-lo apertar minha cintura e colocar a boca tão perto do meu pescoço não me deixava deixava pensar direito. Eu ria, mas era impossivel esconder como estava ficando arrepiada e precisava me encolher mais e mais.
“Para, ! Que coisa ridicula! Que nojo!” – Consegui dizer depois de alguns segundos. Eu devia estar apertando o braço dele tão forte (pelo motivo errado, claro), que ele logo cedeu e me soltou, ainda rindo. – “Se você tá bem o suficiente pra fazer isso, pode ir logo pro Meet and Greet e parar de mimimi.”
Peguei os dois laquês e segurei a porta aberta para que o garoto saísse. Ele passou por mim e, antes de ir andando na minha frente, disse:
“Fique feliz que eu não usei outros jeitos de passar meu resfriado pra você...”
Por quê? Por que fazer aquilo comigo?

Meia hora antes do One Direction entrar no palco, eu e as meninas saimos do camarim para eles se concentrarem. Não que eles fossem, porque nós conseguíamos ouvir a gritaria e as risadas de lá de dentro enquanto estávamos sentadas do lado de fora. Mas Paul sempre pedia esse tempo para ficarem só os cinco e quem seria maluco de desobedecê-lo?
tinha ido ao banheiro e eu e estávamos encostadas em paredes opostas do longo corredor. Ela mexia no celular e ria baixinho.
“Seu namorado?” – Sondei e ela ergueu a cabeça ainda sorrindo e com os olhinhos brilhando. Era a primeira vez que eu a via assim e naquele momento eu entendi que não havia jogo duro com . Ela nunca ficaria com ele, porque era muito apaixonada por quem quer que fosse que a fizesse sorrir daquele jeito.
“Sim, é o Tyler sim! Ele tá me contando da festa que foi ontem.”
Sorri também.
“Acho legal que vocês conseguem curtir a vida assim, sem neuroses...”
fez que sim com a cabeça.
“Nós dois sabíamos desde o começo que só funcionaria se fossemos 100% nós mesmos. Ele é DJ, viaja muito a trabalho também... Quando eu posso vou com ele, mas quando não posso ou quando estou viajando também, tenho que confiar nele e ele em mim.” – Ela deu de ombros. – “E funciona.”
“Admiro muito vocês! Mesmo!”
Ela sorriu e se inclinou, me entregando o celular.
“Olha como ele é lindo!”
Eu sorri para a tela do aparelho, onde podia ver uma foto dos dois juntos numa cabine de DJ. Ele era bonito mesmo... Os dois eram um daqueles casais que fazem nossa auto estima ir lá no pé.
“É mesmo! Vocês combinam!” – Falei e nós duas sorrimos.
Ouvi passos no começo do corredor e me virei. vinha abraçada a e os dois riam.
“Olha aí quem eu encontrei perdido!” – Ela falou.
“Você não tinha que estar aqui dentro, não?” – Perguntei, apontando para trás.
Ele rolou os olhos.
“Tava na cozinha preparando um chá de verdade... No camarim só tem chá de saquinho.” – ergueu a caneca que eu até então não tinha visto em suas mãos.
“Você não melhorou?” – Mordi os lábios e o examinei. Ele parecia pior, isso sim.
“Quem me dera... Se eu não morrer naquele palco hoje, não morro mais.”
Dei uma risadinha e o observei caminhar até a porta.
“Morre não... Bom show!”
me encarou e deu uma piscadinha, igual a que ele havia me lançado na Philadelphia.
“Obrigado, !” – E entrou.
Demorei um tempo para perceber o silêncio-climão depois que ficamos só nós três no corredor de novo e virei a cabeça para as duas. tinha uma expressão desconfiada no rosto e parecia prestes a cair na gargalhada. Era uma mistura de emoções muito confusa para se digerir.
“Você tá afim dele, né?” – finalmente soltou.
“Oi?” – Respondi, arregalando os olhos. Eu estava sendo tão óbvia assim?
“Eu já tinha reparado ontem!” – falou, se lembrando, como se juntasse as peças. – “Vocês dois quase se comendo com os olhos na cozinha!”
“Vocês dois”? Então ela via algo da parte dele também?
“Vocês estão viajando.” – Menti descaradamente e abanei o ar. – “Eu não vim aqui pra pegar um deles não. Eu não sou igu...” – Olha aí eu quase ofendendo minhas novas amigas MAIS UMA VEZ.
Mas e gargalharam com meu fora... E eu fiquei tão pequenininha de vergonha que passaria pelo vão da porta do camarim.
“Mas você tem um problema com groupie, hein?” – disse rindo.
“Me desculpa! Me desculpa de verdade. Eu quero bater minha cabeça na parede cada vez que ofendo as pessoas mais legais que conheci até agora nessa tour.” – Falei, escondendo o rosto nas mãos.
“Para de graça!” – disse, ainda rindo e segurando meu braço.
“Só acho que você tem que ter cuidado...” – voltou a falar e me encarava séria. – “... Porque ele tem namorada. E pode não dar em nada.”
“Eu... Eu não vou tentar nada!” – Respondi na defensiva, mas entregando completamente que estava mesmo afim dele.
sorriu.
“Mas sem querer colocar mais lenha na fogueira, mas já colocando...” – Ela começou, olhando para em busca de aprovação para terminar a frase. A amiga não parecia muito convencida de que era o melhor a fazer. – “Eu já sabia seu nome antes de sermos apresentadas e não foi quem me contou.”
Meu queixo caiu.
“O quê? Ele falou de mim?”
sorriu ao ver meu desespero e completou.
não aguentava a ideia de você não se misturar. Ele tava doido pra se aproximar, mas...”
Eu estava pendurada em cada palavra do que elas diziam. Aquilo não podia ser real.
“Vocês acham que....” – A interrompi e instantaneamente as duas fecharam o sorriso e pareceram apreensivas.
... Como eu disse, vai devagar. A gente tá nessa há tempo suficiente pra saber que nada significa exatamente o que a gente acha que significa. pode estar afim, realmente interessado ou pode ser só porque você não deu bola desde o início e ele só quer saber se consegue ou não.” – falou, como se me explicasse que 1 + 1 é igual a 2.
“Mas então...” – Eu estava era confusa. Porque elas tinham me contado aquilo então?
“Só... Vai devagar.” – deu de ombros e sorriu solidária. – “Vai, mas vai com calma, se você acha que vale a pena descobrir o que ele quer. Por que não?”
“Por que ele tem namorada?”
deu uma risadinha e se levantou, me estendendo a mão.
“Vem... Vamos assistir o show lá da frente hoje. Não aguento mais ver a bunda do !”
“Hey!” – chamou a atenção dela e nós rimos e saimos.
A conversa que tinhamos acabado de ter ainda rodava na minha cabeça. Era pra eu tentar, mas ir devagar, porque ele estava interessado em mim, mas talvez não? Era esse o resumo? Porém assim que saimos para a area aberta do estádio, eu parei de escutar meus próprios pensamentos. Claro que eu sabia como elas eram ensurdecedoras, não era meu primeiro show, mas parecia muito mais alto ali debaixo. Andamos até a beirada do palco e paramos no espaço entre ele e a grade. Aquilo não parecia uma boa ideia... Logo meu maior medo se concretizou quando uma garota me cutucou.
“Hey...” – Ela chamou. – “Você é a prima da Lou?”
Como. Ela. Sabia? Eu havia deletado meu twitter antes de viajar e meu instagram era trancado. Hum... Mas o da Lou não era e acho que nós tinhamos tirado uma foto juntas há uns dias atrás. Gelei com a ideia de que elas sabiam quem eu era, mas não tinha como mentir.
“Hum... Sou sim!” – Fiz que sim com a cabeça e sorri timidamente. Os olhos da garota (e das outras ao seu lado) então cairam sobre e e eu pensei fingir um desmaio. Mas parecia ter tudo sob controle e sorriu abertamente para a fã.
“Pelo amor de Deus, não fala que viu a gente aqui!”
Oi?
“A gente trabalha no merch, fugimos pra ver o começo do show...” – completou. As duas tinham nascido para isso! Não ficavam nem vermelhas.
As meninas na grade riram.
“E vocês falaram com eles?” – Uma delas perguntou, os olhos brilhando de curiosidade.
“Só nos meus sonhos mais insanos!” – falou. – “... Que se eu tivesse conhecido os cinco, nesse momento eu estaria agarrando aquele sem dó no camarim!”
Não me aguentei e cai na gargalhada junto com todas elas.
“Ai, vai começar!” – disse animada, quando o video acabou e as luzes ficaram mais baixas. Antes de voltar meus olhos para o palco, olhei para as duas e elas piscaram.
Era assim que se passava por baixo de todos os radares.

Eu e estávamos na bancada do quarto de , onde seria a festinha naquela noite. Eu queria estar ali? Sim. Eu deveria estar ali? Não. Era a vida... Estávamos só nós dois no quarto, porque tinha ido buscar as bebidas e tinha descido até o bar para sorrateiramente trazer as meninas para cima. era solteiro, lindo, estávamos sozinhos naquele quarto imenso e... Nada. Nada acontecia. Nossa diversão era brincar de acertar o filme pelo desenho que fazíamos no bloco de notas do hotel sobre a mesa. Eu poderia estar afim dele... Seria muito melhor e mais fácil. Ainda seria contra as regras, mas eu já nem lembrava que elas existiam de qualquer forma...
apareceu e as duas comemoraram ao me ver.
“Um dia e você já chega antes da gente!” – brincou, indo me abraçar. – “Que porra é essa?” – Ela olhava para o meu último desenho esdruxulo.
“É o que eu tô tentando adivinhar tem 5 minutos...” – zombou e eu dei um tapinha em seu braço.
“Sou uma artista abstrata, com licença.”
“Olha o que eu tenho pra você!” – falou animado, erguendo duas coisas que eu não reconheci de primeira no ar, para ver.
Ela também não parecia ter entendido.
“O que é isso, meu filho?”
pareceu decepcionado que ela não tinha pego de primeira.
“Cartas e uma cartela de adesivos com a nossa cara. Pra você montar o nosso baralho!” – Ele explicou feliz e eu não pude deixar de sentir um pouco de dó de como ele parecia caído por ela.
pegou os dois objetos parecendo enfim tão feliz quanto ele.
“Que ideia genial, !”
“Mereço ou não mereço um beijo?” – Ele disse, já indo até ela de braços abertos.
“Saaaai, moleque! Não sou pro seu bico não, se enxerga! Não pode fazer um elogio, credo!”
Nós três caimos na risada enquanto vinha se sentar emburrada na bancada também, com seus presentes, e o pobre deixava os braços tombarem ao lado do corpo, derrotado.
chegou um pouco depois com a bebida e nosso joguinho inocente de desenhar filmes virou um drinking game, enquanto não terminava o baralho (e eu duvidava que ela fosse, já que metade dos adesivos se encontravam agora na bochecha dos meninos).
Meus olhos vagavam entre o bloco de papel e a porta. Eu estava preocupada com , que tinha quase tossido os pulmões para fora durante o show e não estava parecendo nada bem, quando o vi se desculpando com as fãs por passar direto no hall do hotel.
“Eu...” – Me ouvi dizendo, já me levantando. As meninas me olharam e logo captaram qual era meu problema.
“Ah, obrigada ! Traz pra mim sim!” – falou e sorriu, mas eu fiquei sem entender. Ela então se virou para , que tinha a mesma expressão confusa que eu, e explicou. – “Pedi pra trazer minha mala pra cá, pra não precisar entrar no hotel com ela...”
E finalmente eu entendi que estava me dando um álibi. Aquelas garotas eram as melhores!
“Isso!” – Fiz que sim com a cabeça. – “Eu... Já volto!”
As duas olharam para mim me encorajando e eu quase sai correndo pela porta.

Eu sabia o número do quarto dele por acaso. tinha dito para há pouco, enquanto eles tentavam pensar em que andar Josh estaria. Era mais fácil mandar uma mensagem/whatsapp, mas homem nunca pede informação.
O corredor estava silencioso, o que por si só já era estranho, sempre havia um segurança ou alguém da produção andando para lá e para cá... devia mesmo estar morrendo. Antes de bater na porta, fiquei um bom tempo me decidindo se era uma boa ideia. Não só porque eu sabia que não era, mas também porque ele poderia já estar dormindo e eu ia acabar incomodando. Além do mais, o que eu ia dizer?
Mas meu corpo não andava me obedecendo ultimamente, andava? Meu cérebro pensou “volta pra lá com todo mundo!”, mas minha mão direita retrucou “Nope, vou bater nessa porta antes”. E quando eu reparei, já estava esperando ansiosa por uma resposta.
não demorou para abrir a porta e sorriu ao me ver. Ele estava com uma cara péssima.
“Vim ver como você está...” – Falei rápido, sem oi, nem nada. Como se eu precisasse justificar minha presença ali imediatamente.
“Não sobrevivo até amanhã...” – Brincou e deu uma bufada impaciente. Ele devia estar odiando não poder aproveitar a tour direito, ainda que fosse um diazinho. E então, antes que eu pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, saiu andando para dentro do quarto com a porta ainda aberta, o que só podia significar que eu devia seguí-lo. O quarto todo tinha o cheiro do perfume dele e aquilo só bloqueava mais meus pensamentos racionais. Eu estava de olhos vendados em uma prancha, pronta para cair no oceano cheio de tubarões. E eu ia correndo, como nunca corri na vida.
“Você precisa de alguma coisa?” – Perguntei, porque eu já estava enlouquecendo em minha própria cabeça. – “Posso procurar mais daquele chá que você tomou no estádio...”
“Acabei de ser medicado, mas obrigado. Tô assistindo a oitava temporada de Friends, vem cá!” – Ele falou, andando até a cama e se deitando, já puxando o edredom.
Continuei parada no mesmo lugar. O que eu estava fazendo? Que diabos eu estava fazendo ali?
, eu acho melhor...” – Comecei a dizer, mas me perdi assim que ele começou a rir. E tossir. – “Que remédio você tomou? Você precisa de um xarope!” – Falei, me aproximando.
Ele apontou para a mesa de cabeceira e eu ri com a quantidade de remédios que havia ali. Alguém muito hipocondriaco tinha tratado dele antes de eu chegar.
“Procura aí... Alguma dessas merdas deve ser xarope...” – Falou e me encarou. Por mais tempo do que era aceitável. – “Obrigado pela sua preocupação. Você não precisava...”
“É só remorso...” – Dei de ombros, fingindo estar falando sério. – “Vai que fui eu que te passei isso ontem. Talvez eu seja mais forte que você e não tenha pego, mas...”
riu e continuou me olhando daquele jeito. Parecia que ele tentava enxergar dentro da minha alma.
“Vem aqui...” – Ele disse de novo, numa voz tão macia e sexy que amoleceu meus joelhos, eu estava totalmente sob o encanto dele. Era isso! Ele não estava me olhando, estava me hipnotizando.
Por isso mesmo, me sentei na cama virada para a TV e de costas para ele. Ficar sem olhá-lo era a melhor solução. O episódio de Friends que assistia era um dos meus favoritos: “The One with the Videotape”, mas eu nem conseguia rir. Eu não conseguia fazer nada, para ser sincera. Naquele momento, até o ato de respirar parecia artificial para mim. E quando achei que meu desespero não podia ser maior, senti os dedos dele brincando com as pontas do meu cabelo, que caia pelas minhas costas.
“Hey, dois de paus.” – Ele me chamou e eu precisei contar até três antes de me virar. – “Porque você tá sentada assim? Se encosta aqui.” – Zombou, já colocando o travesseiro ao seu lado em pé na cabeceira da cama, para eu me encostar.
Eu não tinha opção. E eu já estava ali mesmo... Tirei a sandália, fui engatinhando até onde ele estava e sendo atentamente observada. Me sentei virada para o doente ao meu lado e sorri para , meus olhos se perdendo novamente na perfeição que eu achava que seu rosto era. Eu achei que ele voltaria a olhar para a televisão, mas não, seus olhos também estudavam meu rosto. Sua mão alcançou meu cabelo mais uma vez e eu deixei escapar um suspiro. Eu o queria tanto. TANTO!
Ele piscou e desfez nosso contato visual, para minha decepção. Eu estava entendendo errado? Não era possível que eu estivesse entendendo tão errado assim! Precisei piscar algumas vezes para me livrar da sensação de que tudo estava embaçado. Nunca tinha levado um balde d’água fria tão grande na cabeça.
Resolvi por fim me sentar direito e prestar atenção na televisão, ainda que minha mente estivesse muito ocupada com a cena que eu tinha acabado de viver. Sem dizer nada, uma das mãos de passeou pelo edredom e encontrou a minha, em cima da minha perna. Ele entrelaçou nossos dedos e acariciou as costas da minha mão com o polegar. Eu ia me virar para olhá-lo, questioná-lo, para saber o que se passava naquela cabeça que eu tentava desvendar, mas fiquei receosa. Talvez nem ele soubesse o que estava acontecendo e exigir uma resposta o assustaria mais uma vez.
Resolvi entrar no jogo, separando nossas mãos e contornando seus dedos com os meus devagar. Estávamos os dois em absoluto silêncio e a falta de risadas denunciava nossa falta de atenção ao seriado, nós estavamos focados no único contato físico que tinhamos. Mas as sensações de um modo ridiculo pareciam amplificadas: Quando ele deslizava o polegar pelo lado da minha mão, eu podia imaginá-lo tocando minha cintura e acabava retribuindo entrelaçando nossos dedos de novo e contornando seu indicador com o meu. E assim por diante... Era provavelmente o sexo mais virgem que eu já tinha feito na vida, mas meu coração estava tão acelerado, que eu me questionava se não teria um ataque cardíaco se um dia nós terminássemos no ato em si.
Um episódio e meio depois, os movimentos de ficaram mais esporádicos e sua respiração mais pesada. Me atrevi a finalmente me virar para olhá-lo e ele dormia, com um sorriso nos lábios. Fiquei observando-o dormir por um tempo, soltei minha mão da sua e mexi em seu cabelo com carinho. Eu estava apaixonada por ele... Eu estava muito apaixonada por ele!
Eu vinha tentando me convencer que aquilo não era nada. Que ele gostava de me provocar porque sabia que eu jamais andaria fora da linha e que a tensão sexual que existia (porque, senhor, ela existia) era porque não via a namorada (e portanto, não transava) há um tempo. Eu havia, inclusive, prometido a mim mesma que não pensaria mais no que as meninas haviam me dito naquela tarde.
Mas aí coisas como essa noite aconteciam. E eu sei que havia procurado por aquilo e que a culpa era minha, mas era só minha? Se fosse só sexo, nós teríamos transado hoje. Mas ele tentava negar o que eu também tentava negar. Por quanto tempo mais seria assim? Quanto tempo demoraria para eu descobrir o que ele sentia?
Percebi que estava ficando tarde e eu não podia ser vista no quarto dele ou no corredor de jeito nenhum. Me levantei e verifiquei se ele estava todo coberto pelo edredom. Enchi sua garrafa d’água e enrolei mais um pouco para calçar as sandálias, na esperança de que ele acordasse e me pedisse para ficar, mas não aconteceu.
Voltei para o meu quarto e me joguei na cama, cobrindo o rosto com as mãos. E para piorar, eu nem teria as meninas comigo em Nashville!
**


We sit in bars and raise our drinks to growing old
Oh, I'm in love with you and you will never know,
But if I can't have you I'll walk this life alone

(Leave your lover – Sam Smith)



Havíamos chegado a Nashville e o calor era tanto que ninguém pensou duas vezes em como aproveitar o dia de folga: Area externa do hotel foi o voto unânime. Louis, Eleanor e Lou estavam mais distantes, na piscina, e eu, o resto da produção e os outros meninos preferimos ficar na sombra. Eu lia um livro sentada em um dos sofás, sentindo uma falta imensa de e . Existem pessoas que entram tão certeiras na sua vida, que você se apega a elas em segundos, mas eu só as veria de novo na próxima cidade.
Também estava sentindo falta de outra pessoa, mas eu não achava que ele desceria, porque ainda estava meio mal... Por isso continuava meio isolada, lendo meu livro sem um pingo de concentração. Para minha surpresa, um tempo depois, ouvi fazendo festa ao ver alguém se aproximar e levantei a cabeça. ainda estava de moletom, mas parecia menos doente do que na noite anterior. Ele cumprimentou todo mundo e andou em minha direção. Não preciso nem comentar o estado em que eu me encontrava, né? Boca seca, coração acelerado, mãos trêmulas. Eu queria saber como seria, como ele agiria, se seria diferente. Mas tudo que ele fez foi me dar um beijo no rosto, como tinha feito com todas as garotas ali.
“Melhorou?” – Perguntei.
“Uhum.” – Ele respondeu sendo mais monossílabico impossível, se jogou no sofá e colocou as pernas no meu colo.
Voltei para o meu livro sem dizer nada, porque estava bufando de raiva. Eu era muito trouxa mesmo! Continuamos em silêncio por algum tempo, mas eu percebi que estava sendo observada.
“Que foi?” – Soltei, sem nem levantar os olhos.
“Eu delirei de febre ou você esteve no meu quarto ontem?”
O encarei e parecia estar falando sério. Ele achava que tinha sonhado. Mas que ótimo! Balancei a cabeça e virei a página, sem lembrar se eu tinha terminado mesmo ou não.
“Você sonhou.” – Respondi secamente.
Ele continuava me olhando, provavelmente tentando decidir se acreditava naquilo ou não.
“Que pena...” – Ele respondeu por fim e afundou as mãos no bolso canguru do moletom, se ajeitando melhor no sofá e virando o rosto para cochilar.
Abri a boca uma ou duas vezes para voltar ao assunto, mas tinha o sono mais fácil que eu já havia visto na vida (ou eram os remédios para gripe) e ele já dormia de novo. Parei de ler o livro pela milésima vez e o observei. Fiz um carinho desajeitado em sua perna sobre mim e ele esboçou um sorriso, como o que ele tinha no rosto quando deixei o quarto na noite anterior. Minha vontade era me deitar sobre ele, encostar minha cabeça em seu peito e tirar o mesmo cochilo gostoso que ele estava tirando agora. Havia tantas coisas que me impediam, porém, que eu me sentia derrotada.
Ouvi a voz de Lou se aproximando e uma sombra parou sobre o sofá. Engoli em seco e levantei os olhos para ela, mas minha prima estava muito ocupada observando o Belo Adormecido.
“Ele ainda tá mal?” – Ela perguntou, preocupada.
“Acho que um pouco melhor. Mas pelo menos tá descansando e tomando remédio, e não fingindo que tá bem e ficando mais doente...” – Disse e Louise fez que sim com a cabeça.
“Odeio ver qualquer um deles assim!” – Ela falou e eu percebi como seu olhar em era maternal, tão diferente do meu... Senti uma ponta de remorso. Lou fez carinho no meu braço e sorriu. – “Fica de olho nele! Tô tão feliz vendo que você ficou amiga de todo mundo. E que anda mais animadinha...” – Sorriu e me deu um beijo no rosto antes de ir até o bar pedir uma bebida.
Eu me sentia o contrário de “animadinha”, na verdade. Ela nem desconfiava. Lou colocaria a mão no fogo por mim e isso me deprimia ainda mais. Eu tinha ido até lá para achar uma solução para a minha vida e o meu futuro e o que eu tinha achado até aquele momento? Sarna para me coçar.
Me levantei do sofá enquanto ainda estava dormindo e fui me esconder no quarto, me agarrando ao livro que lia como se minha vida dependesse daquilo. Eu não podia negar o que estava sentindo, mas também não podia fazer nada sobre isso. As coisas estavam menos dramáticas quando eu só trabalhava e falava com a Lou e era isso que eu ia voltar a fazer. Voltaria a ser invísivel, só uma parte do “cenário”... Pelo menos até a cidade seguinte, quando eu reencontrasse e .

Era nossa última noite em Nahsville e nós voaríamos no fim da noite para Houston. Esses voos noturnos acabavam com toda a equipe, mas era o melhor horário para levar ídolos adolescentes mundialmente famosos de um lugar ao outro.
Tínhamos acabado de ter uma reunião sobre horários e planos para o dia seguinte e os meninos travavam uma discussão com Paul.
“Por favoooooor, Paul! A gente tem se comportado!” – abraçava Louise por trás, apoiando o queixo no ombro dela e olhava para o segurança/pai substituto com uma expressão de cachorro que caiu do caminhão de mudança. – “A gente promete não beber... Muito! Deixa a gente sair, deeeixa?”
“Não, não, não! A gente voa cedo amanhã, !” - Paul estava inflexível.
“Mas por isso mesmo!” – se meteu na conversa. Ele finalmente estava bem e tinha feito o show de Nashville tossindo bem menos do que o anterior. – “Se a gente for dormir, vamos dormir tarde de qualquer forma, e vamos perder a hora! Melhor já ficarmos acordados.”
“Eles não saem desde Toronto, Paul...” – Lou tentou e os meninos concordaram loucamente.
“Bom, não é como se eles não fizessem festa todo santo dia, né?” – O homem falou, olhando diretamente para e , que se fizeram de desentendidos.
“Mas se a gente for num pub, todo mundo pode ir!” – tentou. – “A crew toda!”
“A gente procura um lugar que tenha area reservada, Paul...” – Lou estava mesmo do lado dos meninos.
Eu, como havia me prometido, estava lá apenas como parte da decoração da sala de reuniões. Teria subido para o meu quarto antes, mas havia uma certa diversão em ver os meninos irritando um adulto.
“Até tu, Brutus?” – Ele ralhou, olhando para Louise aborrecido, e enfim cedeu. – “Procurem um bar com área reservada então. Todo mundo de volta no hotel 3 horas antes do voo. Ninguém de fora vai.” – Bufou, lançando um olhar pela sala enquanto os meninos abraçavam Lou e comemoravam.
Bom, diversão encerrada. Me levantei, já pensando em que chá tomaria antes de dormir, mas alguém me cutucou no ombro.
“Tá fugindo?” – perguntou.
Três dias evitando aqueles olhos, aquele sorriso, os sentimentos que olhar para ele me causavam. Tudo em vão.
“Eu... Tava indo dormir.” – Falei, dando um sorriso e já começando a andar de novo, mas ele me seguiu.
“Mas nós vamos sair! Todo mundo!” – Fez um gesto vago, tentando me convencer.
“Hm... Acho melhor eu ficar. Acho que você me passou sua gripe.” – Menti (muito mal) e ele me observou, tentando descobrir qual era o problema.
O problema era ele e ele devia saber disso e parar de me importunar.
“Eu e os meninos acabamos de convencer Paul Higgins a nos deixar sair do hotel e ir num bar. Você quer mesmo que eu use meu poder de persuasão? Que eu chame reforços?” – disse, com uma das sobrancelhas levantadas e eu acabei caindo na risada.
“Todo mundo tá indo, vai estar cheio de gente lá... Porque você faz tanta questão que eu vá?” – Perguntei, ainda rindo, e só quando ele fechou o sorriso e me encarou profundamente foi que percebi que aquilo não era nada bom. Era o mesmo olhar que ele tinha me lançado em seu quarto alguns dias atrás, que tentava ver minha alma e ler meus pensamentos. Ou que me pedia desesperadamente para ler os dele.
!” – Ouvi alguém me chamar ao longe e pisque, voltando ao mundo real. fez o mesmo e abaixou a cabeça, colocando as mãos nos bolsos. Era Lou me chamando. – “Me ajuda aqui a achar um bendito bar que caiba todo mundo na area reservada.”
“Ela não quer ir, Lou!” – me entregou e eu fechei a cara para ele.
“Como não quer?” – Minha prima perguntou, olhando de um para o outro. – “Você?”
Ri e disfarcei meu nervosismo. A imagem de me encarando ainda dançando na minha cabeça.
“Tô sem moral por aqui...” – Por fim, achei que seria mais fácil ser peça de decoração no bar do que levar aquela conversa adiante. – “Mas tá bom, vocês me convenceram. Vamos achar esse bar aí então.”
Tomei o iPad da mão de Lou e voltei para a sala de reuniões para achar o tal lugar que coubesse todo mundo.

“Vestida pra impressionar!” – Alguém zombou e eu levantei os olhos do celular, encontrando depositando uma cerveja na minha frente e se sentando ao meu lado com a sua.
Eu estava de shorts jeans e em um moletom 3 vezes maior que eu. Tinha vencido meus impetos de realmente me arrumar para impressionar, já que isso iria contra minha nova missão de vida de me camuflar com o papel de parede. E mesmo assim... Mesmo me afastando e quase sentando embaixo da mesa... Lá estava ele.
“Você não tá bem... O que acontece?” – quis saber, colocando os braços na mesa ao redor da cerveja e virando o rosto para mim. Pensei em ir com o famigerado “Nada, tô só cansada.”, mas só dei de ombros e bebi um gole da cerveja para evitar responder. – “Alguma coisa em casa? Ta com saudade? Deixou um namorado bonitão em Londres ou...”
Ri quando ele soltou essa última opção. Quem me dera fosse isso!
“Eu...” – Tentei pensar em algo para dizer. É lógico que não era o único dos meus problemas, mas quão próximos nós éramos para eu lançar nele minhas crises existenciais? – “Posso te fazer uma pergunta?”
Levantei meus olhos e ele me olhava tão sério e concentrado... Sua atenção era toda minha, ele estava mesmo preocupado.
“Claro!”
“Hm...” – Não sabia bem como perguntar. – “Não é estranho que você já é o que você vai ser quando crescer?”
Eu o peguei desprevenido. Ele certamente não esperava esse tipo de problema.
“Nossa!” – Ele riu, nervoso, e usou minha técnica de desviar a pergunta tomando um gole de cerveja.
“Não precisa responder. Eu nem sei do que tô falando...”
“E eu nem sei se entendi a pergunta!” – disse e nós dois rimos mais um pouco.
“Você me perguntou o que está acontecendo e, como eu te contei em Detroit, eu tranquei a faculdade porque não sei direito o que eu quero fazer...” – Comecei e ele fez que sim com a cabeça, acompanhando meu raciocínio. – “... E por isso eu te fiz essa pergunta. Você, de um jeito ou de outro, já escolheu o que fazer da vida. Você já é o que vai ser quando crescer.”
fez que sim com a cabeça mais uma vez e ficou pensando por um momento.
“Acho que nunca parei pra ver por esse lado. Nós cinco fomos meio jogados nessa pela vida.” – Ele deu de ombros. – “Claro que não estou reclamando. Isso é tudo o que eu podia querer pra mim, e os meninos pra eles! É louco e às vezes é tudo tão rápido, que passa como um borrão pela memória, mas eu não me vejo fazendo nada além disso.” – Sorri, porque seus olhos se iluminaram falando sobre o One Direction. Ele reparou e parou de falar. – “Que foi?”
“É isso... É isso que eu não encontrei ainda. Algo que me deixe empolgada desse jeito que você tá agora. E foi o que eu vim procurar.”
“E não achou nada nessa tour que você queira muito?” – questionou, me olhando nos olhos e derretendo o que era para ser uma muralha contra ele, mas que era no máximo uma cortininha. Não consegui responder. Eu estava perdida na pergunta, em seu rosto e no fato de que nós dois sabíamos exatamente o que estava acontecendo. E então abaixou a cabeça, como no dia do quarto dele. Pegou a garrafinha com a mão esquerda e roçou os dedos da mão direita nos meus demoradamente. Eu tinha vontade de me matar com a capacidade que ele tinha de me fazer pirar com o mais leves dos toques.
“Não sei... Você achou?” – Devolvi a pergunta. Eu precisava saber até onde isso iria, eu merecia saber.
Ele se virou de novo para mim, seus olhos focando ora meus olhos, ora minha boca. Eu estava praticamente quicando na cadeira de ansiedade. Respirei fundo enquanto estávamos em silêncio.
“Uhum. E eu nem estava procurando nada...” – respondeu, molhando os lábios com a ponta da lingua. Meu coração disparou e por um momento eu me esqueci completamente de onde estava e quem estava ao meu redor. Girei meu corpo na cadeira ficando de frente para ele, pronta para abraçá-lo e trazê-lo para perto de mim. Ele soltou a cerveja e levantou a mão como se fosse tocar meu rosto, mas então uma voz soou alta pelo bar.
“Hora de ir embora, pessoal! 3h antes do voo, como combinamos!” – Paul falou, já de pé, e olhando em volta para colocar os cinco em seu campo de visão.
fez que não com a cabeça e se sentou direito, segurando a garrafa de cerveja com uma mão e levando a outra aos olhos fechados. Eu não sabia dizer se ele estava só se livrando do que quer que fosse que estava acontecendo entre nós ali ou se aquilo era um sinal de arrependimento.
Me sentei direito também e mordi os lábios, desconsertada. Ele tirou as mãos dos olhos e se levantou. Sorriu para mim e bateu sua garrafinha na minha.
“Um brinde a virar gente grande!” – Falou, como se nós nunca tivessemos mudado de assunto.
Eu ficaria enfurecida, se não tivesse notado a proximidade de Lou e outros membros da equipe a nossa mesa. Ele estava só nos protegendo e logo se misturou às outras pessoas. Me levantei e me juntei a Eleanor, que perguntou se eu estava bem.
“Tô sim. Só cansada...” – Menti e ela pareceu aceitar a desculpa.
Eu e não trocamos nenhum olhar entre o bar e o hotel e depois até Houston. Estávamos expostos agora e não podíamos de jeito nenhum deixar que percebessem.
**


Now I've got you in my space
I won’t let go of you
Got you shackled in my embrace
I’m latching on to you

(Latch – Sam Smith feat. Disclosure)



O camarim estava anormalmente quieto. Depois da noite fora, viagem e soundcheck, e dormiam um em cada sofá, Louis tinha ido acompanhar Eleanor até o aeroporto, desapareceu com assim que desceu do palco e a viu (o que era compreensível, já que eles não se viam há quase cinco dias) e eu tentava me manter acordada passando as roupas de show dos meninos para Caroline.
O único barulho vinha de e , que jogavam videogame em um canto do cômodo. A garota tinha o celular tocando música apoiado na perna oposta ao lado em que estava e o garoto fazia questão de se jogar em cima dela de vez em quando com a desculpa de que queria saber que banda era aquela. Eles eram adoráveis juntos, uma pena que fosse tão apaixonada pelo namorado.
, vem jogar. O é ruim demais...” – Ela me chamou e ele rolou os olhos.
“Eu tô deixando você ganhar, só você não reparou ainda...”
Ri dos dois e fiz que não com a cabeça.
“Tô quase dormindo em pé. Se eu sentar aí com vocês dois, vou cair no sono!”
“Quem mandou sair sem a gente?!” – brincou e eu mostrei a lingua para ela. – “Como foi?” – Ela perguntou, me olhando como se perguntasse “como foi com você e o depois de Detroit?”
achou que a pergunta tinha sido geral e deu de ombros.
“Foi bom, era um bar bacana e tocava uma músicas bem legais. Valeu a pena não dormir direito. Você foi, ?” – Ele levantou a cabeça, genuinamente em dúvida, e me olhou desconfiada. Agora ela ia achar que eu tinha passado a noite acordada por outros motivos.
Eu ri para aliviar a tensão do olhar que ela me lançava.
“Fui, . Eu tava sentada na mesa do canto. Tava meio anti-social ontem...” – Expliquei e ele pareceu lembrar.
Louis entrou no camarim, fazendo o alvo da atenção de finalmente mudar.
“Hey Tommo! Els já foi?”
“Não consegui nem sair do carro pra dar tchau pra ela...” – O rapaz falou, meio cabisbaixo, puxando as pernas de e se sentando no sofá. Parei de ouvir a conversa e passei a observá-lo. Ele se mexeu, mas nem acordou... Devia ter o sono mais pesado da face da Terra. Meu pensamento foi tão rápido para a ideia de vê-lo acordando, que eu nem vi de onde aquela imagem tinha saído.
Antes que mais cenas impossíveis passassem pela minha cabeça, porém, Paul passou para avisar que o Meet and Greet seria em 15 minutos.
“Cade o ?” – Perguntou. Eu não sabia como o segurança conseguia “contar” os meninos tão rápido, ele mal estava dentro do camarim! Paul olhava diretamente para , como se também contasse as outras pessoas e mais alguém de sua lista estivesse faltando. Bingo! Ela deu de ombros.
“Vou mandar mensagem pra ele. Fica calminho, Higgins!” – Lou falou, tirando o celular do bolso.
“Deu tudo certo no aeroporto?” – Paul indagou, de volta ao tom paternal.
“Naquelas... Não consegui sair do carro, mas nós ficamos um pouco juntos até a hora do embarque.”
O segurança sorriu.
“Que bom!” – Olhou no relógio de novo. – “13 minutos. Acordem esses dois e achem o !”
E saiu.
Não demorou muito e e voltaram, fazendo cara de inocentes. Louis acordou e e em cinco minutos os três tinham sumido pela porta.
se virou para mim o mais rápido que pode:
“Pode contar tudo!”
?” – Caroline abriu a porta do camarim e sorriu amigável para mim e as meninas. – “Terminou aí?”
“Só falta uma das camisetas do !” – Falei, sorrindo.
“Certo. Leva lá pra cima pra mim, quando terminar?”
“Levo sim!”
Caroline saiu e se aproximou.
“Merda! Passa essa camiseta o mais devagar que você conseguir e conta rápido!”
Eu ri da curiosidade das duas. Mas desejei ter algo melhor para contar.

Eu, e estávamos mais uma vez sentadas no corredor enquanto os meninos se preparavam. Na verdade, eu estava deitava no colo de , quase pegando no sono. Nós ainda debatíamos se veríamos o show ou ficaríamos pelo camarim mesmo.
“Vocês se lembram que eu gosto mesmo dos meninos e não vejo o há 5 dias?!”
arregalou os olhos em fingida surpresa.
“5 DIAS? Caramba! Como você sobreviveu?!”
“Me conta de novo porque vocês não namoram mesmo?” – Perguntei, virando o rosto para ela. riu.
“Namorar como, ? Namorar dois meses por ano?” – Ela respondeu, olhando para baixo e mexendo nas unhas. – “Minha vida é aqui e a dele é pelo mundo... De qualquer forma, eu não faço muito o perfil namorada.” – Concluiu e deu de ombros.
Eu ainda não tinha parado para pensar como devia ser dificil para ela, e mesmo para o . Eles claramente se gostavam, ou ela não estaria ali todo santo dia desde a turnê passada, mas não havia muito futuro para os dois e eles aceitavam isso. Eu nem conseguia imaginar como essas coisas funcionavam! Me senti de repente muito ingênua sobre esse tipo de relacionamento.
“Vocês querem ver o show de onde?” – perguntou, nos tirando de nossos próprios pensamentos. Ela sorria, olhando para a amiga com gentileza. Com certeza sabia muito mais do que eu sobre como se sentia sobre aquilo tudo.
Nos levantamos e fomos até o canto esquerdo do palco e ficamos por lá. Nenhuma de nós parecia estar no humor para criar histórias mirabolantes se ficássemos próximas à grade.

O camarim pós show estava o exato oposto de algumas horas atrás: lotado e barulhento. Os meninos haviam saído do palco mais animados do que eu já os tinha visto naquela tour toda e nem pareciam os mesmos que ainda a pouco estavam reclamando para levantar do sofá.
O lugar parecia pequeno com tantas pessoas da produção, convidados da cidade e alguns artistas que aproveitavam o fim do show para vir parabenizá-los.
“Vamos?” – Paul perguntou, depois de muitas conversas fiadas, selfies e risadas.
“Não! Vamos ficar mais! Acabei de abrir minha cerveja!” – falou, levantando a latinha para ele e os meninos concordaram.
“Agora que a gente pode ficar confortável e beber e ficar de meia...” – completou, tirando o sapato e todo mundo parou para olhá-lo. Não era como se ele não pudesse ficar descalço antes...
“Se você pelo menos falasse ‘de cueca’, ...” – zombou, fingindo que ia tirar as calças e , que estava ao seu lado, segurou seu braço.
“Que porra é essa, ?”
Todos caimos na risada e sorriu de lado, convencido.
“Que foi, ? Você não vai resistir se eu ficar de cueca?”
“Não vou resistir à gargalhada, né meu filho? Que essa calça apertada aí matou o que você chamava de Junior faz tempo!”
Cada dia eu me divertia mais com os dois!
“Eu e vamos subir no estádio, tão afim?” – Louis chamou, já indo em direção a porta.
“Vão aonde?” – Paul perguntou, franzindo a testa.
“A gente tá mega pilhado do show ainda, Paul!” – explicou. – “Nós vamos só dar uma volta no estádio.”
Às vezes (e por às vezes eu quero dizer todo santo dia) eu morria de dó do segurança, tentando fazer aqueles cinco moleques se comportarem, irem dormir cedo, descansarem direito... Nunca funcionava. Muito menos em dia pré folga.
“Preston vai com vocês então...” – Ele disse por fim, olhando para o companheiro ao seu lado, que deu uma bufada impaciente e se levantou do sofá.
“Vamos então, cambada!” – Preston disse, caminhando até a porta.
“Quem vem?” – Lou perguntou, olhando em volta.
“A gente vai!” – passou o braço pelo ombro de , deixando claro que eles iam e se juntou aos dois e me olhou.
“Você vem, né?”
“Claro que ela vai!” – respondeu por mim, imitando o movimento de e eu me encolhi. Era a primeira vez que tinhamos qualquer contato desde a noite anterior. Timidamente passei meu braço por ele e segurei em sua cintura. Foi a pior e a melhor coisa que eu podia ter feito. Porque eu necessitava de qualquer tipo de contato, mas saber que eu não passaria daquilo me atormentava.
me olhou preocupada, como se soubesse exatamente como eu me sentia. Eu sabia que ela queria um sinal se deveria me tirar daquela situação ou não... Mas eu mesma não sabia a resposta, por isso fui abraçada a ele daquele jeito até subirmos a rampa para a área onde ficava a pista VIP. Não me atrevi a olhar para trás e ver se Paul desconfiava de alguma coisa. Eu só sabia que era errado, mas não conseguia impedir. E não parecia alarmado tampouco.
Como tínhamos perspectivas diferentes sobre o estádio, nós três e os meninos tomamos rumos diferentes. Eles logo se espalharam, andando pelo estádio, subindo nas arquibancadas, gritando de um para o outro para saberem até onde conseguiam se ouvir... Eu, e fomos para o palco.
Preston se sentou em uma das cadeiras baixas da arquibancada e ficou mexendo no celular. Ele devia estar se sentindo como um pai que solta os filhos e os amiguinhos no playground.
“Vocês já tinham subido no palco alguma vez?” – Perguntei. Nós parecíamos três crianças para quem o Natal havia chegado mais cedo.
“Não! Sempre chegamos só até o cantinho!” – apontou o lugar de onde normalmente assistíamos os shows. – “Imagina a visão daqui na hora do show?!”
“Deve ser incrível!” – Respondi, descendo a rampa onde a bateria ficava. – “Cade a ?”
riu e apontou para a passarela.
“BOA NOITE, HOUSTON!” – Ela gritou, de braços abertos, da ponta do B stage. Os meninos aplaudiram, gritaram e começaram a descer as arquibancadas e virem em nossa direção.
Cinco minutos depois, estávamos os oito no palco. e Lou fumavam sentados no canto esquerdo e , e nos mostravam detalhes e nos contavam situações engraçadas que eles já tinham vivido.
“Eu adorei essa passarela!” – falou, andando por ela e a seguiu, voltando a fazer seu show.
Eu estava parada na beirada do palco, rindo de e , quando virei meu rosto involuntariamente e o vi. No começo da passarela, mãos nos bolsos, me encarando e sorrindo. Me endireitei e sorri também. Há quanto tempo ele estava me olhando? Mas não importava, porque agora era eu quem não conseguia desviar o olhar. Tudo nele me atraia: O cabelo, os olhos, o sorriso, o estilo... Tudo.
mordeu os lábios e fez sinal com a cabeça para que eu fosse até ele. Não pensei duas vezes... E mesmo se tivesse pensado, ainda teria ido.
Quando estava me aproximando, ele estendeu a mão e segurou a minha, me puxando para o backstage. Meu coração entendeu muito antes do meu cérebro o que estava acontecendo. Eu o senti acelerar e quase fiquei sem ar. Achei que só estava me levando para longe do palco, mas nós não paramos.
“Onde você tá me levando?” – Ousei perguntar e ele riu.
“Nárnia!”
Aquilo não ajudava muito, mas eu não ligava. Se nós passassemos a noite toda andando de mãos dadas, ainda assim seria a melhor noite de todas. Saimos do estádio e chegamos ao estacionamento onde as vans, caminhões e tour buses ficavam. Pelo que havia nos contado sobre sua tarde, eu acabei concluindo que ele me levaria para um dos ônibus de dois andares... Mas passamos reto.
E então nós paramos ao lado de uma van enorme e puxou algo em seu pescoço, um cordão com uma chave na ponta, e abriu a porta traseira com ela.
“Bem vinda onde a mágica acontece...” – Falou, segurando a porta aberta para mim.
“O que...?” – Comecei a perguntar, mas meu queixo caiu quando vi.
Eles tinham um estúdio montado ali dentro. Era um pouco apertado e claustrofobico, porém só de imaginar tudo o que era criado naquele espacinho, parecia a coisa mais incrível do mundo!
Nós dois entramos e eu parecia uma criança em uma loja de doces, meus olhos queriam captar cada detalhe daquele estúdio móvel. se sentou na cadeira em frente ao computador e eu caminhei até o fundo, onde ficava o vocal booth.
Eu estava de costas quando ouvi a música.

“(…)
But I'm not done yet
Falling for your fool’s gold
And I knew that you turn it on for everyone you met
But I don't regret
Falling for your fool’s gold”

Me virei, olhando para interessada. Ele ainda mexia no computador.
“Música nova?” – Perguntei, para chamar sua atenção.
sorriu e fez que sim com a cabeça.
“Foi a última que gravamos.” – Respondeu enquanto eu andava de volta para perto dele. – “Você gosta?”
Parei para escutar.


“I'm the first to admit that I'm reckless
I get lost in your beauty and I can't see two feet in front of me
And I know in my heart, you’re just a moving part”


Aqueles eram provavelmente os versos que mais definiam minha vida. Era até engraçado que eu estivesse exatamente naquela situação para ouví-los. De fato, tudo o que via era ele e eu estava sendo imprudente ao extremo, mas não havia nada que eu quisesse mais naquele momento. Minha garganta e minha boca ficaram secas quando o olhei de novo. ainda esperava minha opinião sobre a música. Não era possível que aquilo fosse só uma coincidência.
“É linda!” – Respondi sorrindo. Minha respiração ia ficando mais rasa a cada segundo que nos olhávamos.
Ele se levantou da cadeira e veio andando em minha direção.


“And, yeah, I’ve let you use me from the day that we first met
But I'm not done yet
Falling for your fool’s gold
And I knew that you turn it on for everyone you met
But I don't regret
Falling for your fool’s gold”


“Eu… Eu pensei em você enquanto gravávamos.” – Ele disse, me encarando de muito perto.
Seus olhos passeavam pelo meu rosto e os meus pelo dele. Respirei fundo uma vez, eu já devia estar acostumada àquilo. Não era a primeira vez que ficávamos tão próximos de algo que nunca aconteceria. Eu deveria ter pedido para ele parar de me torturar de uma vez por todas. Eu deveria ter desfeito o contato visual, agradecido pelo passeio até o estúdio e voltado para o palco com as meninas. Mas não. Eu continuei ali observando-o mover os braços em direção a mim. Sua mão direita foi até meu rosto e ele acariciou minha bochecha devagar.
Fechei os olhos involuntariamente. Devo ter sorrido também, eu sei que por dentro eu sorria.
...” – O chamei, tentando recobrar os sentidos, mas já era tarde demais. Fui envolvida por seus braços, sua presença e seu perfume. Abri os olhos uma última vez só para ter certeza de que não estava sonhando e ele estava mesmo ali comigo.
Eu havia esperado tanto por aquele beijo! Eu havia desejado tanto! Bom... Na minha cabeça era uma eternidade, mesmo que no calendário fossem só alguns dias. E era tão bom quanto eu havia imaginado. Eu acreditava que estava sentindo o mesmo que eu, eu sentia as mesmas sensações vindas dele. Nosso abraço era apertado, as mãos passeando por todos os lugares, como se precisássemos daquilo por todas as vezes que não o fizemos. E o beijo em si, era quase indescritível... Se a melodia daquela música de fundo pudesse ser de alguma forma traduzida em um beijo, então teria sido aquele.


“Yeah, I know your love’s not real
That's not the way it feels
That's not the way you feel”

Eu não queria que aquele momento acabasse nunca e, quando diminuimos o ritmo, eu entendi o porque. Nós não deveríamos estar ali nos beijando, aquilo era errado. E quando nos separássemos, ele se daria conta disso. Ele me dispensaria e eu nem queria pensar naquela possibilidade.
Quando demos o último selinho e eu abri os olhos, já estava quase chorando. O olhei meio em dúvida, esperando pela tempestade, mas ela não veio. sorria de lábios fechados e ainda me abraçava.
“Deus, você é tão bonita!” – Ele disse, me pegando completamente desprevinida com o elogio.
“Oi?”
“Eu não conseguia tirar os olhos de você enquanto você se recusava a socializar. E depois ficou pior! Porque eu não conseguia tirar as mãos de você!” – Ele disse, e eu sentia seus dedos deslizarem pela minha cintura como eu havia imaginado em Detroit, enquanto estávamos só de mãos dadas. Era surreal!
Senti minhas bochechas corarem e abaixei os olhos, fazendo-o rir. me abraçou e deu um beijo no topo da minha cabeça.
Eu queria dizer algo, mas nada passava pela minha cabeça, pelo menos nada bom. Por isso só olhei para cima e sorri, esperando que seu nariz tocasse o meu enquanto ele se inclinava para me beijar de novo.


“And, yes, I’ve let you use me from the day that we first met
But I'm not done yet
Falling for your fool’s gold
And I knew that you turn it on for everyone you met
But I don't regret
Falling for your fool’s gold”


Tudo que é errado tem que ser feito dentro de um tempo pré determinado. Por isso eu nem me decepcionei muito quando o celular dele tocou e leu a mensagem alto.
“Preston quer ir dormir. Cadê vocês?”
Fiz que sim com a cabeça, entendendo que precisávamos ir e fingirmos de mortos, mesmo que todo mundo soubesse o que estava havendo. Pensei em Preston, que nos esperava, e pensei em Louise, que não fazia a mínima ideia de onde eu estava naquela madrugada.
Mas aí senti os dedos de entrelaçados aos meus, enquanto fazíamos o caminho de volta. E então eu não pensava em mais nada e mais ninguém. Me lembrei de suas palavras “eu não consigo tirar as mãos de você” e sorri sozinha. Eu não estava sonhando. Eu nunca estive enganada sobre aquilo!

**


Although I try my best, I still let down the team
You're everything I want,
Why should I resist when you are there for me?

(I’ve told you now – Sam Smith)



Não consegui dormir naquela noite. Sabe a cena de Enrolados em que a Rapunzel acabou de fugir da torre e ela está entre “MELHOR DIA DE TODOOOOS” e “Eu sou uma pessoa muito, muuuito ruim!”? Era assim que eu me sentia.
Ora eu revia tudo o que aconteceu no estudio em câmera lenta e podia sentir as mãos de em minha nuca e a pressão dos lábios dele nos meus e ficava eufórica. Tinha vontade de me levantar e ir até o quarto dele. Queria vê-lo, queria beijá-lo de novo, queria continuar o que quer que estivesse acontecendo.
Mas então eu me lembrava de como ele discretamente soltou minha mão quando voltamos ao palco e do medo que eu senti de olhar para Preston e me deparar com o julgamento calado do segurança. O que na realidade nem aconteceu... Talvez fizesse parte do contrato deles não ver e não ouvir nada... O que só me deixava parcialmente aliviada, já que a pessoa que eu mais temia que descobrisse era “um deles”.
Louise estava sendo maravilhosa para mim e era meio injusto o que eu fazia em suas costas. Ela não precisava, mas ao me ver tão sem saída no começo do verão, gentilmente me ofereceu uma vaga na equipe.
“Eu sei que você e a faculdade não andam sendo melhores amigas... Estamos indo para a América do Norte em agosto e precisamos de mais mão de obra, gente de confiança. Posso indicar seu nome, se você quiser. Quem sabe você não descobre um talento escondido?” – Ela disse, me dando um sorriso de encorajamento.
Até agora o único talento que eu havia descoberto era o de inventar mil desculpas caso alguém contasse a ela que eu andava sumindo com por aí. E nessas horas eu tentava me comprometer com a ideia de que aquela noite havia sido um acontecimento impar e não ia se repetir. Eu não ia deixar que se repetisse.
Mas então os pensamentos completavam um ciclo e eu voltava a lembrar do beijo, da música e de me dizendo “Deus, você é tão bonita!”... E a promessa, sem nem ao menos começar, caia por terra.
Meu quarto foi ficando mais claro a medida que o dia começava do lado de fora e eu continuava perdida em pensamentos, sem saber se estava acordada, me lembrando das coisas ou dormindo e sonhando. Eu estava ansiosa pela manhã, porque significava sair do quarto e ver de novo.
Bom... Teoricamente. Porque na prática eles estavam de folga e sem dormir direito há 48h, provavelmente hibernariam o dia todo. Me virei na cama e tentei sossegar, pelo menos por hora. Mesmo que eu me recusasse a dar um fim naquela “noite”, eu estava tão exausta quanto eles por não dormir direito.
Sorri para as cortinas e a janela clara. Era hora de sair de um sonho e entrar em outro.
Quando finalmente peguei no sono, foi como levar uma pedrada na cabeça: se o hotel tivesse caído, eu teria continuado na mesma posição. Acabei acordando no meio da tarde e a primeira coisa que fiz foi checar o celular. Havia uma mensagem de Lou e uma de . Gelei ao pensar o que podia estar escrito na mensagem da minha prima, mas a sorte parecia estar do meu lado.
“Hey querida! Não quis te acordar, mas estamos indo almoçar e dar uma volta pela cidade. Quando se levantar, me liga e eu te aviso onde estamos. Pega um taxi e vem nos encontrar!”
Lou era sempre tão legal comigo! Por mais que eu estivesse doida para ver , minha consciência pesada me mandou responder que eu iria sim e que estava animada para ter um dia de folga com ela e as meninas da equipe. Concluindo, Preston não tinha dito nada a ninguém e tudo continuava como antes. Pelo menos externamente.
A segunda mensagem era de e me fez gargalhar.
“HOUSTON, WE HAVE A PROBLEM! Vocês se pegaram, né? Você precisava ver sua cara ontem! jura que te viu flutuando antes de entrar na van! Me liga quando acordar pra contar tudo!”
Eu definitivamente devia estar parecendo uma idiota quando voltamos do estúdio na noite anterior. Se me viu flutuar mesmo, eu não sei... Mas eu sei que sentia como se estivesse. Me deitei de novo e liguei para ela.
“Perai, vou colocar no viva voz, pra ouvir também!” – disse, antes mesmo de me cumprimentar. – “Fala!”
“Oi!” – Falei. Eu não deveria estar sorrindo tanto quanto estava, mas não conseguia me segurar. – “O que vocês querem saber?”
“Tuuudo!” – gritou no fundo e nós três rimos. – “Onde vocês foram, o que vocês fizeram...”
“Sem muitos detalhes...” – interrompeu.
“É, por favor. Conta só o que for necessário.”
Continuei rindo delas e contei tudo sobre ele me puxando para fora e o estúdio, a música, os beijos...
“Eu sempre soube que ele tava afim de você!” – comentou, provavelmente falando sobre ter me dito que não podia manter as mãos longe de mim. Sorri para o teto. – “Mas ele... Hum... Falou algo sobre a namorada?”
Eu sabia que, propositalmente, estava evitando pensar nisso. Suprimia aquela pergunta a mim mesma sempre que ela aparecia. Era mais fácil inventar desculpas para Lou do que responder àquilo.
“Não. E eu não perguntei.” – Disse, meio sem jeito.
Um silêncio se abateu sobre nós e o clima deu uma esfriada.
“Hum...” – fez, incerta. – “Talvez eles não estejam mais juntos. O que você acha, ?”
Ela não respondeu de primeira.
não tem falado muito sobre ela, né? Não sei...”
“Vocês a conhecem?” – Quis saber.
“Na verdade não. Eles começaram a namorar depois da turnê passada.” – falou, ainda num tom de voz de quem está pensando muito sobre algo.
Era uma tremenda covardia, mas uma vez que a conversa não estava mais tão agradável, resolvi que era hora de desligar para me arrumar.
“Preciso sair para almoçar, meninas. Vejo vocês hoje?”
“Acho que não.” – disse. – “Nosso voo pra Dallas é as 19h.”
“Pelo menos vocês estão indo para a próxima cidade também!”
“Sim! Você não vai se ver livrar da gente até Chicago agora!” – respondeu.
“Eu e agradecemos por isso!”
Rimos e nos despedimos. Quando desliguei, continuei deitada na cama pensando sobre Abby. Eu era a outra ou a nova?

Estávamos no camarim de Dallas e eu e Lou arrumávamos os meninos para o Meet and Greet. estava sentado no sofá e cada vez que nossos olhares se encontravam, eu perdia um pedaço da conversa. Não havíamos nos encontrado no dia anterior. Quando eu finalmente voltei da rua com as meninas, eles estavam todos trancados em uma reunião sobre o próximo álbum e eu acabei indo dormir, já que viajaríamos de madrugada mais uma vez.
Nosso dia até ali, porém, tinha sido todo daquele jeito... Não podíamos dar muita bandeira, mas também não conseguíamos disfarçar muito os olhares. Eu precisava pedir que Louise repetisse as instruções várias vezes, o que estava a irritando um pouco (com toda razão).
“Me desculpa, Lou.” – Pedi, depois de perguntar “Oi?” pela milésima vez. – “Eu tô um pouco distraída hoje.”
“Eu tô vendo! Tá tudo bem?”
, que estava sentado na cadeira, me olhava com um ar de riso.
“Tá sim!” – Respondi rápido, balançando a cabeça e já indo fazer o que ela havia me pedido.
“As meninas chegaram, mas os caras na porta tão encrencando.” – colocou metade do corpo para dentro e olhou diretamente para . – “Você resolve lá?”
“Por que você não resolve, ?”
O garoto deu uma risadinha.
“Porque eu não tô pegando ninguém que tá lá fora esperando e você tá.” – Respondeu e eu e rimos. Nossos olhares se encontraram mais uma vez e dessa vez eu precisei ser muito forte para continuar parada lá sem fazer nada.
Lou se deu por vencida e desligou o secador.
“Vai lá então...” – Falou, quando já se levantava e desaparecia.
já está pronto, também, foi o primeiro... Faltam Louis e .” – Ela dizia para si mesma.
“Lou já está na área do M&G.” – anunciou, mexendo o celular e dando a entender que estava falando com o amigo. – “Você vai lá ou quer que eu chame ele?”
Louise olhou em volta enquanto pensava.
“Tá bom, vai... Eu vou pra lá. Pede pra ele não desaparecer, por favor.” – Falou, já juntando suas coisas. Me preparei para ir junto, mas ela me parou. – “Fica aqui cuidando desse (apontou para ), enquanto eu vou lá. Se não tem ninguém babysitting essas crianças, elas somem. Já volto!”
sorriu satisfeito para mim. Louise não tinha ideia do que estava fazendo!
“Enfim sós...” – Ele disse, quando a porta se fechou. Meu coração batia tão rápido, era ridículo! se levantou e se encostou na porta, erguendo os braços. – “Vem aqui. Que se alguém tentar entrar, pelo menos a gente vai saber e bloquear antes.”
Não era uma boa combinação de palavras, me fazia lembrar quão errado isso era. Mas saber que ele estava tão desesperado por contato quanto eu era mais importante do que qualquer outra coisa.
Quase corri para atravessar a sala e quando finalmente senti seus braços em volta de mim e passei os meus por ele, dei uma risadinha quase infantil, tamanha minha felicidade.
“Hey...” – Ele disse baixinho, me olhando e mexendo em meu cabelo, distraído. – “Como você tá?”
“Doida” era a resposta certa. Dei de ombros, ainda sorrindo.
“Bem... Você?”
Ele fez que sim com a cabeça e me trouxe mais para perto.
“Queria ter te visto ontem...” – Disse, fazendo meus joelhos fraquejarem.
“Eu também, mas a gente precisava descansar.” – Agora que eu tinha ouvido aquilo dele, eu mesma não acreditava no que estava dizendo. Sim! Sim! A gente devia ter se visto! A gente devia ter dormido no mesmo quarto, na verdade.
“É...” – parecia nem ter me escutado. Ele abaixou o rosto, para aproximá-lo do meu, e nós dois sorrimos. Nós dois queríamos aquilo na mesma intensidade.
Eu poderia passar a vida toda beijando-o e sendo abraçada por ele, mas mais uma vez nosso tempo era curto. Ouvimos vozes no corredor e nos separamos. Ele ainda roubou um beijo rápido enquanto voltávamos para nossas “posições iniciais”.
Louise entrou apressada e nem notou como eu e olhávamos meio bobos um para o outro.
, as meninas estavam perguntando por você...” – Disse. Sorri com o tom de voz tranquilo que ela usava. Não parecia mais incomodada com o fato de que eu realmente havia me apegado às duas.
“Posso largar o cargo de carcereira e ir até lá?” – Perguntei brincando e sorriu de lado. Ele estava sentado ocupando o sofá todo e mexia no próprio cabelo. Como ele era lindo!
Lou riu.
“Pode... Esse moço já tá indo pro Meet and Greet também.”
“Tô?” – Ele perguntou.
“Tá!” – Louise falou, batendo palmas e nós três saimos.
me esperou para que pudessemos ir lado a lado e os dedos dele vez ou outra brincavam com os meus. Lou estava um pouco mais a frente e não percebia nada.
Era uma brincadeira perigosa que eu estava amando. E não queria parar por nada nesse mundo.

e estavam deitadas na minha cama assistindo TV, enquanto eu terminava de me arrumar.
“Onde vamos beber hoje?” – Perguntei, desligando o secador para ouvir a resposta.
“Tô achando que lugar nenhum...” – respondeu, meio desanimada. Me senti murchar um pouquinho. Mas eu queria ir... Queria ver !
“Hum... Por quê?”
“Os meninos tão bebendo no bar do hotel.” – respondeu, tão mau humorada quanto eu sentia que estava ficando. De primeira não entendi o problema, mas então me toquei que se elas fossem, seriam vistas com os meninos.
Saí do banheiro e voltei para onde elas estavam. me olhava com um sorriso ressentido, que ela também lançava para a amiga.
“Bom, você pode descer. Lou, Caroline e o pessoal da produção devem estar lá com os cinco...” – falou, cabisbaixa. Fiz que não com a cabeça, não seria justo deixá-las de fora quando elas tão generosamente me incluiram em tudo sem esperar nada em troca.
“Nah, fala sério!” – Dei uma batidinha em para que ela fosse para o lado e eu coubesse deitada na cama também. – “Quem precisa deles, de qualquer forma, quando podemos ficar aqui assistindo... Que porra de filme é esse? Rambo?”
deu uma choramingada e nós duas rimos.
“Só não entendi porque o me mandou vir pra cá então!” – Falou, chateada, e cruzou os braços. – “Poxa, nós saimos antes do show acabar só pra poder entrar no hotel sem fazer alarde!”
Dei de ombros porque não sabia muito bem o que dizer e olhei para , esperando que ela pudesse ajudar mais que eu.
“Deve ter alguém de fora, você sabe como é...” – Ela disse, com uma voz maternal. – “Senão já tinha dito no estádio que eles iam jantar e ficar pelo bar.”
“Odeio essas coisas...” – continuou desabafando. – “São em dias assim que surgem aquelas fotos cretinas de mesas de bar bagunçadas e eles de fundo, com legendas querendo dar a entender muito mais do que aconteceu de verdade.”
“Não sei porque você ainda se preocupa com isso.” – zapeava os canais de TV e eu acompanhava a conversa, sem ter muito com o que contribuir. – “Além de você saber que é mentira, você também sabe que fica pior em LA. Não vale a pena esquentar agora.” – Ela olhou para a minha amiga e sorriu, como se tentasse fazer com que ela se animasse. – “E, de qualquer forma... São as outras que tem que se preocupar com você!” – terminou e sorriu de volta e fez que sim com a cabeça.
Era a primeira vez que eu as via tão vulneráveis. As duas pareciam sempre tão confiantes, sempre sabendo tudo o que acontecia em volta... Mas elas eram como eu, eram apenas garotas normais. Inseguras e paranóicas!
Acabamos passando a noite procurando algo interessante para assistir (sem muito sucesso). As meninas já estavam quase indo embora quando o celular de apitou e ela saiu correndo para pegá-lo na mesinha. e eu nem precisamos que ela dissesse “É o ...”, porque já estávamos imaginando mesmo só pelo tamanho do sorriso.
“E aí?” – Perguntei. Ela digitava rápido e parecia exultante, não era muito difícil adivinhar a resposta da minha pergunta.
“Eu vou lá no quarto dele. Tô só esperando o Paddy.” – disse, levantando a cabeça e olhando para . – “Você vai pro hotel ou...”
“Hum... Acho que sim. Me manda mensagem quando...”
“Você pode ficar aqui, se quiser.” – Eu a interrompi. – “Não tem nada amanhã mesmo... A gente continua vendo TV.”
sorriu para mim, agradecendo silenciosamente que eu estivesse oferecendo meu quarto e minha companhia para a amiga. fez que sim com a cabeça.
“Não tem problema mesmo? Porque a sua cama é muito melhor que a do nosso hotel!”
Eu ri e concordei.
“Sim... Fica aí!”
E então Paddy bateu na porta e alguns segundos depois éramos só eu e procurando algo decente na TV.
“Ela e se gostam mesmo, né?” – Falei, começando uma conversa como se já estivessemos nela.
“Gostam. Mais do que deveriam, eu acho às vezes.”
“Posso te fazer uma pergunta?” – Falei, meio receosa. riu, já devia imaginar o que vinha a seguir.
“Pode, vai...”
“Como era o na tour passada? Você... Hum... Me disse que ele estava solteiro na época.”
mordeu os lábios, sem saber se deveria responder ou não. Ela sabia que não era uma pergunta inocente.
“Não muito diferente de como ele é agora...” – Respondeu. – “A diferença é que ele mirava em qualquer garota e não em uma só.”
Cada vez mais eu me convencia de que Abby era carta fora do baralho. E agora me dizia que ele estava se comportando igual à tour passada...
“Você acha que...” – Comecei, mas ela não deixou que eu terminasse.
“Eu não sei, . Não conheci a namorada dele, não sei se eles tem um relacionamento aberto, ou mesmo se ainda tem um relacionamento... Não sou próxima dele o suficiente pra te dizer o que se passa na cabeça do .”
Fiz que sim com a cabeça e resolvi não extender o assunto, mas continuei pensando sobre aquilo. Ia falar sobre o filme na TV quando alguém bateu na porta.
“Ué? Será que a esqueceu alguma coisa?” – Perguntei, me levantando.
Para minha surpresa, um bêbado me esperava. Bêbado, lindo e provavelmente sem o menor juizo, porque assim que abri a porta, ele entrou no quarto e me abraçou.
“Precisava te ver.” – Falou, beijando meu pescoço. É claro que eu estava adorando aquela espontaneidade toda, mas...
! Nial! Perai... A ...” – Eu estava com a mão em sua cintura e tentava afastá-lo. Ele parou de me beijar, para minha infelicidade. Levantou a cabeça e olhou em volta, ainda com os braços em volta de mim. estava sentada na cama e acenou quando ele a viu.
“Ah, oi, !”
“Hey!” – Ela respondeu. – “Quero atrapalhar nada não... Vou me fechar no banheiro enquanto vocês... Hum... Conversam.” – Zombou, se levantando e entrando no banheiro.
Eu e rimos e voltamos a nos olhar. Mais uma vez os olhos dele diziam tudo que eu também estava sentindo. Nós queríamos mais do que dois minutos, mais do um beijo rápido e escondido... Nós queríamos mais do que beijos, para início de conversa. Mas tinhamos que aproveitar o que estava em nossas mãos e não perdemos mais tempo. Não havia mais a doçura e a suavidade do estúdio... O beijo era intenso e cheio de más intenções. se virou e me encostou na parede, chegando mais perto e acabando com qualquer distância entre nossos corpos. Suas mãos passeavam por mim e eu desejava que nós dois fossemos teletransportados para um universo paralelo onde pudessemos terminar o que havíamos começado. Foi quando senti ele brincando com o cós da minha calça de pijama que resolvi que precisavamos parar.
“Acho melhor você ir pro seu quarto!” – Me ouvi dizendo. Ele tinha o olho meio fechado de quem tinha bebido demais, mas parecia decepcionado. Bom... Eu também estava!
“Ou eu posso ficar...” – Falou, mordendo os lábios e apertando mais seu quadril contra mim. Porque ele tinha que me provocar assim?
Tentei empurrá-lo de novo pelo bem da minha sanidade e ele deu um passo para trás e me soltou. Eu genuinamente não sabia quem estava mais puto.
“Foi bom te ver...” – Eu disse, tentando sorrir e ele fez que sim.
“Sempre um prazer!” – respondeu e piscou, apertando minha mão uma última vez antes de soltá-la e rumar para a porta. – Boa noite, !” – Gritou.
“Tchau, meu querido!” – Ela respondeu.
Ele ainda parou de novo antes de sair e me lançou um olhar intenso, que quase me desmontou. Assim que a porta bateu, saiu do banheiro e me olhou. Eu ainda estava encostada na parede e tinha uma das mãos na testa, tentando me refazer.
“Eu não sei...” – Eu mal conseguia formular frases. – “... O que foi isso?”
“Isso foi a bebida fazendo efeito...” – Ela respondeu e depois riu do meu estado. – “Quem tá precisando beber agora é você!”
Abaixei a mão e voltei para perto da cama, me jogando nela.
“Como eu poderia resistir a isso, ?” – Perguntei, meio desesperada. – “Se nem ele mesmo parece se sentir culpado por cair em tentação?”
Ela deu de ombros.
“Ninguém cai em tentação.” – Disse. – “As pessoas se jogam e fingem que tropeçaram.”
Eu deveria ter anotado essa frase em algum lugar.
**


For a moment I believed you loved me too
Too much of a good thing won't be good for long…

(Good Thing – Sam Smith)



“Vocês não vem mesmo?”
Apertei Send e coloquei o celular de lado. Era nosso último dia em Dallas e eu estava tomando Sol na piscina, para variar. e teimavam que não podiam me encontrar para não “aparecerem”. Eu estava um pouco irritada com essa desculpa, já que os meninos não estavam no hotel e, portanto, elas não seriam ligadas a eles de forma alguma.
Lou estava deitada do meu lado e parecia dormir. Os cinco, pelo que eu havia escutado, estavam gravando... O que me fazia pensar com mais frequência do que eu gostaria no estúdio móvel. E em , é claro.
Nós havíamos nos visto no dia anterior, mas não tivemos mais a mesma sorte do dia do show e não conseguimos ficar sozinhos. Eu tentava não pensar nisso, não esperar demais e me concentrar em outras coisas. Minha vida flutuava entre a ansiedade de vê-lo e a alegria ou a frustação que nossos encontros causavam. Era muito desgastante e eu sentia que merecia aquele momento. Não que eu realmente conseguisse me desligar totalmente, mas pelo menos eu tentava focar em um problema mais importante: Meu futuro.
... Mas não por muito tempo.
Eu estava compenetrada no livro sobre produção musical que Julian tinha recomendado e nem percebi a movimentação ao meu redor. Só levantei a cabeça quando ouvi risadas e pessoas pulando na piscina e alguém parou em frente ao “meu” Sol e tomou o livro da minha mão. “Você lê demais!” – falou, se deitando na espreguiçadeira ao meu lado com os pés na cabeceira e a cabeça virada para a piscina. Fechou o livro e o virou para ler a descrição na parte de trás, enquanto eu o observava em silêncio.
“Vocês não tavam gravando?” – Perguntei, ao reparar que as pessoas na piscina era e Louis.
e perderam no palitinho e estão gravando agora. Eu e os meninos vamos mais tarde.” – Respondeu distraído, ainda lendo a capa do livro. - “Produção musical? É o que você quer fazer?”
Ele abaixou o livro e virou o rosto para mim e eu sorri, agradecendo a Deus que ambos estávamos de óculos escuros e eu podia olhá-lo do jeito mais apaixonado possível sem ser pega.
“Talvez. Tô achando interessante e conversei um tempão sobre isso com o Julian ontem...”
sorriu também, me devolvendo o livro.
“É uma das coisas que eu quero aprender a fazer...” – Ele começou a dizer, se virando de lado na espreguiçadeira e se apoiando no cotovelo. Na minha visão periférica eu vi garotas do outro lado da piscina com celulares em posições estratégicas para fotos disfarçadas. Fiquei um pouco nervosa com a possibilidade de ter fotos minhas com espalhadas pela internet, mas eu tinha uma vantagem em relação a e : Eu era prima de Lou e “estava na equipe”. Ninguém se preocupava comigo... E nem mesmo parecia preocupado com a ideia de que alguém pudesse espalhar fotos de nós dois conversando a beira da piscina. Aquilo reforçava a ideia de que ele estava solteiro? Ou eu só estava me apegando a qualquer sinal por mais irreal que ele fosse? – “... E eu penso em fazer isso. Mas agora, com tour atrás de tour e essas coisas, é difícil!” – terminou de falar e deu de ombros.
Me senti completamente culpada por não ter escutado, parecia importante. Dei uma risadinha sem jeito e ele riu também.
“Que foi?” – Perguntou, sorrindo de lado.
“Desculpa, eu não prestei atenção.” – Contei, envergonhada, fazendo-o gargalhar.
“No que você tava pensando?” – quis saber. Fiz que não com a cabeça, como se não pudesse/quisesse dizer e ele riu mais.
“Fala de novo, vai...” – Pedi. Eu ainda estava querendo morrer porque tinha pirado enquanto ele me contava algo sobre sua vida e seu futuro; algo em que ele vinha pensando.
se sentou e apoiou os braços nos joelhos voltando a falar animadamente sobre aprender o processo de composição, gravação e produção de albuns. Nós estávamos muito perto e eu podia ver seus olhos pela lente escura do óculos de sol. Eu não era a única tirando vantagem do acessório... Ele também me olhava indiscretamente, afinal eu estava só de biquini. Nós dois estávamos tendo problemas para continuarmos aquela conversa.
“... E o estúdio móvel é muito maneiro!” – Falei, me lembrando mais uma vez do lugar onde nos beijamos pela primeira vez.
“Estúdio móvel? Você foi no estúdio móvel?”
Arregalei os olhos e me virei, notando que Lou estava acordada e ouvindo a conversa. Sabe quando você não consegue distinguir o que você falou alto e o que você só pensou? Tive uma pequena crise, tentando me lembrar se tinha dito algo para que ela não podia ter escutado. Bom... Algo além de que eu conhecia o estúdio móvel.
Me virei, com a cara de pau que eu vinha usando há um tempo, e sorri para minha prima. “ me mostrou umas fotos outro dia e Julian falou sobre isso ontem.” – Menti. – “Achei a ideia genial!”
Ela sorriu e fez que sim com a cabeça.
“Também achei!” – Concordou. – “Ouvi umas músicas ontem, . O CD vai ficar sensacional!”
Ele abriu o maior sorriso do mundo e entrou em um papo sobre o CD novo com Lou, o que me deu algum tempo para relaxar do susto que ela tinha me dado. Peguei meu celular e vi que tinha uma mensagem e uma foto nova no whatsapp.
Era e a mensagem era algo que eu havia escrito em cima, para convencê-las a vir.
“Não tem ninguém aqui. Nem os moleques, nem as fãs. Vem logo!”
A foto, como eu temia, éramos eu e conversando na beirada da piscina (e Louise dormindo ao meu lado). A legenda era: “Lou e uma garota que parece ser parente dela com na piscina do hotel há poucos minutos (via insider)”.
Será que para ser groupie, tinha que ser vidente também?

Eu estava voltando do backstage com as meninas do figurino, depois de organizarmos as coisas para o show em St. Louis, e entrei no camarim ainda distraída e conversando com elas. estava abraçando Paul e, ao me ver, caminhou até a porta e me abraçou. Eu não estava preparada para ser agarrada por ele do nada e muito menos na frente de todo mundo. Não fazia ideia do que estava acontecendo, mas ele me abraçou tão forte, que eu podia sentir seu peito subir e descer enquanto respirava. não disse nada por alguns segundos e eu continuei o abraçando sem fazer a menor noção do que estava havendo.
“Quanta carência, menino!” – Caroline zombou, passando por nós.
“Vamos lá curar essa carência abraçando uma fãs, vamos?” – Louise deu uma batidinha em seu ombro e infelizmente ele me soltou. Assim que se endireitou, olhou para mim e deu um de seus sorrisos de lado mais lindos e a piscadinha que me matava aos pouquinhos. Eu não tinha a menor chance contra seu charme... Qualquer resistência era inútil!
Ele saiu atrás de Lou e eu, como era de costume, continuei no mesmo lugar tentando recobrar os sentidos. Não demorou muito e eu me dei conta de que , Louis e membros da produção estavam ali e também seguiam para o meet and greet. Me virei para antes dele sair.
“As meninas já chegaram?”
“Já sim, devem estar lá na área de M&G. Ta ocupada? Vamos lá com a gente.” – Ele convidou e eu o acompanhei, com a desculpa de que iria ver se Lou precisava de mim.
Ao chegarmos, achei que o local estava mais cheio e mais barulhento do que de costume. e estavam sentadas em um canto e , e conversavam com algumas garotas que eu não conhecia. Não podiam ser fãs, porque Louis e haviam acabado de chegar. acenou para e piscou, antes de seguir para perto dos outros meninos e eu me juntei às duas.
“Hey!” – Cumprimentei, dando um beijo no rosto de cada uma e me sentando ao lado de . – “Quem são?” – Perguntei logo, observando abraçar uma delas.
deu uma risadinha.
“Vamos colocar assim... Eu e não somos as únicas.”
Franzi a testa quando entendi o que ela estava dizendo.
“Mas eu achei que vocês tinham dito...” – Comecei.
“Só a gente faz a tour inteira. Não quer dizer que não existam umas groupies itinerantes...” – zombou. – “Espera a gente chegar em LA e você não vai saber distinguir groupie, de atriz, de subcelebridade, de fã espertinha... A coisa fica tensa!” – Disse, rindo.
“Odeio LA...” – comentou.
Eu podia sentir nas vozes delas que as duas não iam com a cara das garotas novas. Bom, de cara eu também já não ia! Elas eram escandalosas demais e atirada demais. Claro que não estava preocupada, porque estava ali e não seria maluco, mas...
“Mas de onde... Lou...?” – Eu ia perguntar de onde elas tinham surgido, mas arregalei os olhos ao ver Louis com o braço passado pelos ombros de uma delas, falando algo em seu ouvido. – “Mas gente, o que tá acontecendo aqui?”
As meninas gargalharam da minha reação.
“O que acontece em toda tour. Nos Estados Unidos ou em qualquer lugar do mundo...” – disse, dando de ombros.
“Gente, ele namora!” – Falei, me exaltando um pouco.
“Não seja hipócrita...” – brincou, dando uma batidinha no meu joelho e rindo.
Eu havia me esquecido disso. De qualquer forma, pra alguém que TALVEZ ainda namorasse e COM CERTEZA estava pegando uma pessoa que também estava naquele recinto, parecia saidinho demais com uma delas e eu me irritei.
“Não tô achando graça nenhuma nisso...” – Soltei e me abraçou de lado.
“Fica calma e assiste a melhor parte!” – Ela falou.
Paul entrou na área e foi até os meninos e as outras. Eles se despediram, os cinco se posicionaram em frente ao grande banner com o logo deles e as garotas saíram de lá, se virando uma última vez para olharem para onde nós três estávamos. e levantaram a mão sincronizadamente e acenaram. Elas não tinham a mesma permissão para ficar ou para irem até o backstage que as duas tinham. e obviamente adoravam isso (e eu também)!
Assim que as garotas saíram, nós nos levantamos e saímos de lá também... Voltamos para o camarim com o resto do pessoal.
“E vocês todas se conhecem?” – Perguntei.
“Só de nome. Não damos intimidade pra elas não nos acharem no facebook, instagram e essas coisas... Nem pra pensarem que ano que vem vão fazer a tour com a gente.” – contou. Percebi que elas levavam mesmo muito a sério o lance de manter suas “identidades secretas”. E as duas não estavam erradas, estavam? Afinal eram elas que tinham permissão para andarem por onde quisessem.
“E foi assim que vocês se tornaram as groupies ‘família’...” – Brinquei, fazendo aspas com as mãos e elas riram.
“Somos quase membros da crew!” – completou. – “Devíamos ser pagas!”
“Se você fosse paga, seria prostituição...” – disse séria, segurando o braço de , e depois eu e ela caimos na risada. deu um tapa na amiga enquanto soltava um “Palhaça!” e se juntava a nós nas gargalhadas.

Eu e estávamos parecendo duas velhas ranzinzas. A after party hoje era no quarto de e contava com a presença nada agradável das garotas do M&G. Por fim descobri que elas eram “amigas” de e Louis, mas aquilo não me deixava nem um pouco mais tranquila. Ainda havia gente demais naquele quarto! estava fazendo o que qualquer garota faria: marcando território em volta de . Os dois estavam abraçados perto da área “cozinha” do cômodo. Os garotos riam alto e conversavam com as recém chegadas e eu os observava com os olhos semi cerrados. A mesma garota de mais cedo conversava muito próxima de , segurando seu braço... Só me restava beber e resmungar, sentada em um canto isolado com .
“E é por isso que eu não traio meu namorado lindo com o !” – Ela disse, apontando para frente. jogava uvas para cima e uma das meninas tentava pegar com a boca. Quando ela conseguia, os dois comemoravam se abraçando e quase se pegando ali mesmo.
“Você tá certíssima! Que palhaçada!” – Concordei, com raiva. Eu estava distribuindo ciúme de todos os meninos, mas a verdade é que eu mal conseguia olhar para outra pessoa naquele quarto além de , e agora a garota que estava com ele. Eu tentava achar algum padrão em como ele a tratava e como ele me tratava. Queria perguntar para o que ela achava, mas cada uma de nós tinhamos nossos próprios problemas para tomar conta naquele momento.
Resolvi que eu não podia mais ficar ali, observando aquela cena e sentindo aquela agonia de não poder fazer absolutamente nada. Por outro lado, também não queria ir embora e “deixar o caminho livre”.
“Vou tomar um ar...” – Falei para e saí para a varanda.

(Coloquem Secret para tocar)
Me sentei sozinha em uma das cadeirinhas, puxando-a mais para perto da beirada. Podia ver os carros passando lá embaixo e milhões de luzes de casas e apartamentos... De algum modo, me fez bem ficar quietinha ali. De vez em quando eu ouvia uma voz alta vindo do quarto. Normalmente era uma das piriguetes berrando algo, seguido de um “Shiiiiiiiiu!” coletivo ou gritando uma asneira qualquer para .
Fechei os olhos e suspirei. Como eu havia me deixado chegar naquela situação? Eu estava mesmo chateada por causa de um garoto que eu tinha conhecido naquele mês e que hoje não estava me dando bola? E que podia ou não ter namorada? Parecia tão patético! Porque eu não resisti? Porque eu não tentei com mais vontade me afastar dele?
“Fugir é tipo um hobbie então?” – perguntou, se apoiando no batente da porta da sacada. Abri os olhos assustada, virei o rosto e o vi ali parado e me olhando daquele jeito entre doce e sapeca, com seu sorriso encantador. Então me lembrei das respostas de todas aquelas perguntas: Eu não conseguia resistir. Não havia forças suficientes em mim para me afastar dele.

“Watch the sunrise
Say your goodbyes
Off we go
Some conversation
No contemplation
Hit the road”



Ri e fiquei toda sem graça de ter sido encontrada em minha humilde miséria.
“Tava tomando um ar...” – Disse, dando a mesma desculpa que havia dado para . Mas como já estava achando tudo perdido, resolvi não ter papas na língua. – “Tá meio cheio o quarto, né? Gente demais...”
riu e bebeu um golinho de sua cerveja.
“E você concluiu brilhantemente que quem estava sobrando era você...” – Ele falou, sorrindo de lado e me deixando ainda mais sem graça.
“Bom, todo mundo parecia estar bem entretido...” – Respondi encabulada e me sentindo ainda mais ridícula. Eu não tinha o direito de cobrar nada dele, quis me jogar da sacada de vergonha.
deu uma risadinha debochada.
“Vem já aqui!” – Ele mandou, fazendo sinal com a cabeça e mantendo aquele sorrisinho no rosto.
“Oi?”
“Vem aqui, caramba!”
Me levantei e fui em direção a ele meio sem saber onde “aqui” era exatamente. Quando parei em sua frente, tirou a mão do bolso e colocou a garrafinha de cerveja que tomava no chão. Ele me observou por alguns segundos sem dizer nada, mas ainda tinha aquele cara de quem estava achando graça e fazia que não com a cabeça.
“Você é maluca!” – Ele disse, por fim, ainda em tom de deboche. Mordeu os lábios e me puxou para perto pela cintura. Se o “aqui” dele era ali, então eu estava feliz.
Não podia negar que amava o jeito como ele me olhava, o jeito como seu olhar se demorava no meu rosto e me dava tempo suficiente para fazer o mesmo. Eu poderia descrever cada pintinha ali... Cada centimetro. Dei um sorriso aliviado ao vê-lo se inclinar para beijar meu ombro e subir pelo meu pescoço. Ele me queria tanto quanto eu o queria. Não havia Abby ou piriguetes ou quem quer que fosse...

“Car overheats
Jump out of my seat
On the side of the highway baby
Our road is long
Your hold is strong
Please don't ever let go
Oh no”



Os beijos subiram do meu pescoço para meu queixo e então nossos lábios finalmente se encontraram. E eu soube quão enterrada eu estava naquela situação, porque eu o beijava sorrindo. Beijá-lo era simplesmente a melhor sensação que eu já havia sentido! deu dois passos para frente e nos fechou para fora, escondidos do resto do pessoal. Não sei quanto tempo ficamos ali, mas me pareceram anos. Porque normalmente tínhamos nosso tempo contado e precisávamos nos apressar, mas pela primeira vez eu podia me desligar do mundo exterior. O único problema era que... Quanto mais tempo nós ficávamos juntos, mais “avançávamos o sinal”. Nossos carinhos já não eram mais apropriados para uma área externa... Ainda mais se tratando de um membro do One Direction. Se fossemos pegos, seria o maior escândalo da banda de que se tinha notícia.
Pra nosso próprio bem, cortei o beijo e o afastei, sorrindo ao vê-lo tão ofegante quanto eu. Ele apoiou um dos braços na parede e encostou a cabeça em meu ombro, dando beijinhos em meu pescoço, enquanto eu acariciava seus cabelos.
“Vamos sair daqui?” – Ele pediu e se endireitou, sorrindo e acariciando minha bochecha. – “Vamos pro meu quarto. Eu saio primeiro e te espero.”
Fiz que sim com a cabeça, ainda sem conseguir processar o que estava prestes a acontecer. me deu um último beijo e voltou para dentro do quarto. Esperei alguns minutos e tentei ajeitar meu cabelo antes de fazer o mesmo.
me viu chegando e riu quando me aproximei e parei, meio em transe, ao seu lado.
“Vocês dois são discretíssimos!” – Zombou. – “Não sei quem tá com mais cara de que vai se dar bem hoje!”
“Vou buscar gelo!” – anunciou em voz alta, sem a menor necessidade, e piscou para mim antes de sair do quarto.
Me juntei à nas risadas.
“Em minha defesa...” – Comecei. Mas não havia nada para completar a frase. – “Em minha defesa...”
“Vai logo atrás do moleque, ” – Ela falou, me empurrando e rindo.
Abri um sorriso gigante e nem me dei ao trabalho de mentir onde ia. Quase corri porta afora.

“I know I don't know you
But I want you so bad
Everyone has a secret
But can they keep it
Oh no, they can't”


Fechei a porta e me vi sozinha no corredor. não estava ali como eu esperava... Ele havia se arrependido. Só podia ser isso! Tinha ido para o quarto sozinho, porque não queria me encarar e dizer que tinha mudado de ideia. Olhei para os dois lados pensando o que eu ia fazer e segurando a vontade de chorar de frustração. Não queria admitir a derrota e voltar para a festa... De qualquer forma, eu seria a pior companhia possível naquela hora. Resolvi que ia voltar para o meu quarto então, mas antes que eu chegasse ao elevador, ele se abriu e colocou metade do corpo para fora e sorriu. Eu nunca me senti tão feliz em vê-lo!
“Hey...” – Ele disse, ainda sorrindo. – “Eu tava... Hum... Esvaziando o corredor lá em cima.”
Eu devia ter pensado nisso! Seria terrível se nós entrassemos juntos em seu quarto e os seguranças vissem. Agradeci mentalmente que ele tivesse feito isso e andei em sua direção. estendeu a mão e segurou a minha quando me juntei a ele no elevador. Seu quarto era só alguns andares acima do de e ele estava calado... Confesso que não era bem o que eu imaginei para quando ficássemos sozinhos novamente.
Mas tinha um jeito de reverter todos os meus pensamentos. Ainda em silêncio, ele entrelaçou nossos dedos e fez carinho nas costas da minha mão com o polegar. Eu sorri satisfeita. Havia algo especial nesse gesto dele de sempre segurar minha mão, que me aquecia por dentro. Era o jeito como ele sempre procurava por isso mesmo antes das coisas entre nós serem reais... Como em Detroit, quando ele estava doente. Eu sentia que era algo “nosso”.
Me virei para olhá-lo e virou o rosto também, me lançando um sorriso terno. Ele abriu a boca para dizer algo, mas então o elevador parou e eu fui praticamente puxada corredor afora tamanha era sua pressa...
Assim que chegamos à sua porta, eu já sentia calafrios.

“I'm driving fast now
Don't think I know how to go slow
Where you at now
I feel around
There you are”



soltou minha mão e foi até a mesa deixar seu celular e o cartão do quarto. Fiquei parada na porta sem saber exatamente o que fazer. Nós continuávamos em silêncio, o que agora voltava a me incomodar. Torci as mãos e, ao vê-lo se aproximar, tentei começar um diálogo para quebrar o gelo. Talvez o problema fosse esse.
“Hum... Eu...” – Falei, mas ele não me deixou terminou a frase.
“Shhh...” – fez, me pegando pela cintura e me beijando junto à porta. Ok! Eu gostava mais da ideia dele.
Embrenhei minhas mãos em seu cabelo e o puxei para mais perto, como se fosse possível que nos encostassemos mais. O beijo era tão intenso que eu me perguntava como ainda estava respirando. Quanto mais me apertava e se movimentava contra mim, mais forte eu segurava os cabelos de sua nuca e com mais frequência eu deslizava minha perna pela sua. Ele desceu seus beijos pelo meu pescoço e colo e logo senti sua mão percorrer minhas costas, procurando o fecho do sutiã. Me desencostei da porta para ajudá-lo e puxei sua camiseta para cima com uma certa violência. Quando passei a gola por sua cabeça, vi um sorriso de lado nascer em seus lábios, que estavam mais vermelhos que o habitual. Devolvi o sorriso e levantei os braços, para que ele tirasse minha blusinha também.
Voltamos a nos beijar quando estávamos os dois sem roupa alguma da cintura para cima. obviamente, tinha um alvo diferente da minha boca e enquanto ele se divertia (e ME divertia), eu deslizava a mão por suas costas e alternava entre beijar e sugar a pele de seu ombro. Cada vez que ele levantava a cabeça e eu conseguia ver o sorriso sacana que ele me lançava, eu saia mais um pouquinho fora do corpo. Mas dessa vez ele parecia MESMO disposto a me tirar do chão. Ainda me olhando daquele jeito e mordendo os lábios, ele deslizou uma mão para dentro do meu short e eu fechei os olhos, sentindo seus lábios encontrarem os meus. Minhas pernas ficaram moles com seu toque e eu precisei abraçá-lo para me manter em pé. Minha respiração estava rasa e desigual e eu deixava escapar pequenos gemidos entre um beijo e outro. dava uma risadinha em sinal de aprovação. Ele estava adorando me torturar!
Tateei meio às cegas pelo ziper de sua calça e ele deu um passo para trás, nos separando. Deu um pulinho para se ver livre dela e foi minha vez de morder os lábios. Indiquei a cama com a cabeça.
“Será que a gente pode continuar ali?” – Perguntei, colocando as mãos na cintura e levantando uma sobrancelha. Nem esperei ele responder e já fui andando pelo quarto.
me abraçou por trás e nos parou, me dando uma mordidinha na orelha antes de dizer.
“Não tá esquecendo de nada não?” – E antes que eu pudesse questioná-lo, suas duas mãos abriram o botão e desceram o ziper do meu short. Continuei de costas enquanto ele descia a peça vagarosamente pela minha perna e me tocava o máximo possível enquanto fazia isso. – “Agora sim!”
Me virei de frente para ele, que me abraçou pela cintura e tirou uma mecha de cabelo que caia em meus olhos, colocando-a para trás.
“Deus, você é tão bonita!” – Ele exclamou, como no dia do estudio móvel e deu alguns passos para trás, até que minha perna se encostasse na cama. Ele se deitou sobre mim e me olhou daquele jeito que eu adorava, antes de me beijar.
Eu devia ter feito algo muito bom para merecer aquilo!

“Cool these engines
Calm these jets
I ask you how hot can it get
And as you wipe off beads of sweat
Slowly you say "I'm not there yet!

I know I don't know you
But I want you so bad
Everyone has a secret
But can they keep it
Oh no, they can't”



Ainda estava meio mole, mas não havia nada no mundo que me tirasse daquela cama. Eu estava deitada sobre o peito de , que brincava com o meu cabelo e tinha que suprimir minha vontade de dar risadinhas adolescentes cada vez que pensava no que tinha acabado de acontecer. Por outro lado, tinha plena noção de que não podia ser pega ali de maneira alguma e o fato dele ainda não ter dormido talvez significasse que estava esperando que eu me vestisse e voltasse para o meu quarto.
Com muito pesar, me apoiei nos meus braços e dei um impulso para sentar na cama. Nem olhei para ele enquanto varria o quarto, tentando localizar todas minhas peças de roupa.
“O que você pensa que tá fazendo?” – Ele perguntou, numa voz sonolenta.
Me virei e o encontrei com os dois braços abertos, os olhos semicerrados e a testa franzida. Soltei uma das risadinhas que estava tentando em vão guardar só para mim.
“To indo embora pro meu quarto, oras...” – Respondi, dando de ombros. – “Eu não posso ser vista aqui.”
parecia não fazer a mínima ideia do que eu estava falando, porque me segurou pela cintura e fez pressão para que eu voltasse a me deitar do seu lado. Quando eu o fiz, ele me cobriu de volta com o edredom e me abraçou.
“Que ir embora o que...” – Ele disse e eu ri mais um pouquinho, enquanto sentia seu corpo girar e ficar mais próximo ao meu. – “Depois a gente pensa nisso!” – Completou em sua adorável voz de sono e pousou seu rosto na curva do meu pescoço.
Cada pedacinho dele era meu, como eu havia desejado desde... Sempre. Soltei um último risinho frouxo e dormi também. Quando amanhecesse, nós pensaríamos no que fazer.

Os meninos tinham o dia seguinte de folga, o que significava que realmente continuei no quarto de até o meio da manhã. Eu estava dormindo de costas para a janela e sentia o peso do braço dele pousado em volta de mim, quando um celular tocou a distância. Nós dois resmungamos e eu senti seu corpo se aproximar mais do meu e se encolher, como se estivesse se recusando a reagir ao mundo. Não havia jeito melhor de ser acordada.
“É o seu ou o meu?” – Perguntei.
“Provavelmente o meu...” – Ele respondeu de um jeito preguiçoso e continuou no mesmo lugar. – “Daqui a pouco ele para de tocar...”
Ri e mexi meu ombro, onde agora ele estava apoiando o rosto.
“Vai lá atender, pode ser importante.”
“Tô de folga...” – teimou e nós dois rimos, até que ele deu uma bufada e se levantou.
Me virei e fiquei observando enquanto ele caminhava até a mesinha onde estava o celular. Não pude deixar de sorrir ao vê-lo de costas, coçando a nuca e se espreguiçando pelo quarto com tão pouca roupa.
“Quem incomoda a essa hora da madrugada?” – Ele brincou ao atender.
Aproveitei que estava ocupado e me vesti e fui ao banheiro. Meu balãozinho de felicidade começando a murchar ao perceber que era hora de sair de lá, do meu sonho acordada, e voltar a esconder que eu tinha acabado de viver uma das melhores noites da minha vida.
“Você quer comer alguma coisa?” – Ele perguntou quando saí do banheiro. E franziu a testa ao erguer a cabeça e me ver. – “Ué, já se vestiu?”
Dei de ombros.

“Tava na hora já, né?”
“Eu discordo...” – Respondeu, com um sorrisinho de lado, que eu involuntariamente acabei copiando. – “Você não quer... Tomar um banho antes do café da manhã?” – levantou uma das sobrancelhas e usou sua voz mais sedutora, me fazendo gargalhar.
“Mas você não tem que ir pra reunião daqui a pouco?” – Tinha ouvido ele combinar algo em meia hora com quem quer que tivesse nos acordado.
Ele riu sem graça e fez que sim com a cabeça.
“Bom, fica pra próxima então!” – Falou, dando de ombros e nós dois rimos. – “Enfim... O que você quer que eu peça pro seu café?”
“Acho melhor eu voltar pro meu quarto...” – Falei, evitando encará-lo. Eu estava adorando ficar com ele no quarto, por mim eu o esperaria voltar da reunião ali mesmo. Mas parte de mim ficava cada hora mais aflita com a ideia de que alguém podia vir “visitá-lo” e me encontraria ali com as mesmas roupas de ontem, enquanto estava seminu.
Ele não me impediu, provavelmente sabia que eu estava certa. Se levantou e pegou o celular de novo, digitando uma mensagem rápida.
“Vai de elevador até o hall de entrada e só então sobe pro seu quarto. Caso você encontre alguém, você vai estar vindo de baixo e não daqui, pelo menos...” – foi me instruindo, enquanto se aproximava, e eu ia me sentindo cada vez mais depressiva e de volta a realidade. A realidade onde era muito muito errado estar ali. Ele me segurou pela cintura e sorriu. – “E eu vou cobrar o banho depois, hein?”
Dei uma risadinha meio triste e o abracei, sentindo seus lábios distribuirem beijos pelo meu ombro.
“Tenho que ir.” – Disse baixinho, me desvencilhando, mas ele não me soltou e me beijou. Eu sabia onde aquilo ia acabar e, infelizmente, nós tinhamos voltado para os beijos marcados no cronômetro. Nos despedimos e seguimos um para cada lugar.
Fazia pouco mais de quize minutos que havia voltado para o meu quarto, quando alguém bateu na porta. Eu nunca tinha visto tanta comida de café da manhã junta! Havia um bilhetinho junto com o carrinho e eu sorri ao ler.
“Você não me disse o que queria comer... E eu imaginei que você estaria com fome depois de tanto exercício ;) Te vejo mais tarde.”
Não tinha assinatura... Mas não era necessário, era?

Metade da equipe tinha ido para a próxima cidade naquela tarde. Eu havia ficado porque haveria uma sessão de gravação para o novo CD antes dos meninos e o resto da equipe viajarem de madrugada para Chicago. Julian havia me convidado para assistir e eu aceitei sem pestanejar. Estava 100% interessada na produção musical, claro... Nada mais do que isso!
Antes de subir para o corredor onde eles gravariam, eu havia passado quarenta minutos no telefone com e , colocando a noite passada em dia. Elas também já estavam indo para Chicago e eu só as veria no dia seguinte.
Saí do elevador e me deparei com e passando um colchão de um quarto para o outro.
“O que tá acontecendo aqui?” – Perguntei.
“Estamos fazendo o isolamento pra poder gravar.” – me explicou, enquanto sumia para dentro do quarto em frente.
Atrás dele vinha e ele sorriu ao me ver. Nós não podíamos fazer nada suspeito, por isso ele só piscou para mim antes de perguntar.
“Cerveja ou vinho?” – Indagou, me indicando o bloco de notas e a caneta que trazia nas mãos.
Franzi a testa e ri.
“Oi?”
“O que você vai beber?”
“Beber? Eu achei que vocês iam trabalhar!”
Os segui para dentro do quarto e um vocal booth improvisado havia sido montado perto da janela, onde o ultimo colchão era colocado contra a parede. Julian acenou ao me ver e respondeu por .
“E a gente vai... Mas precisamos nos inspirar!” – Falou e eu concordei com a cabeça, rindo. – “Cerveja pra mim, queridão!”
fez mais um pauzinho no caderno e voltou a me olhar. Ele só queria a resposta da pergunta “cerveja ou vinho”, mas havia tantas outras coisas não ditas ali... Agradeci mentalmente por Julian estar ocupado o suficiente para não reparar no silêncio entre nós dois. E no sorriso que trocávamos.
“Vinho pra mim!” – Alguém que eu ainda não conhecia gritou e fomos puxados de volta para a Terra.
“Pra mim também!” – Respondi finalmente e ele fez que sim com a cabeça e saiu.
As gravações já haviam acabado e nós agora ouvíamos alguns dos vocais dos meninos daquela noite, enquanto bebíamos mais e mais. Com alguma sorte, eu me lembraria de tudo que os rapazes tinham me ensinado sobre produção. Estava adorando estar naquele ambiente e, não sei se Julian estava certo sobre ficar mais inspirado, mas eu definitivamente me sentia muito mais animada!
“Isso é incrível!” – Exclamei depois de ouvir um verso gravado por , que acenou para mim do chão em agradecimento. – “Quer dizer, isso vai ficar tão foda em um estádio!”
“O segredo é esse...” – John, um dos produtores, falou. – “Se soar tão incrível assim amanhã, quando estivermos de ressaca... Então vai ser um hit!”
Todos nós rimos e eu olhei no relógio, pensando se daria tempo de dormir um pouco antes do voo.
“Bom, garotos, foi um prazer ser a única menina entre vocês essa noite... Mas é hora de me recolher...”
“Fica aí, pô! A gente vai sair pro aeroporto daqui a pouquinho!” – falou.
“Eu até ficaria, mas não tenho certeza se já terminei minha mala e no grau alcoolico em que me encontro, vai demorar um pouco mais que o normal...” – Expliquei, balançando a cabeça na tentativa de ficar um pouco mais sóbria e me mexi em direção a beirada da cama.
, ao lado de , levantou a cabeça ao perceber que eu estava calçando minhas botas.
“Hum... ? Você ainda tá com o livro do Julian?” – Perguntou, me fazendo virar para olhá-lo. Muito esperto da parte dele!
“Tá lá no meu quarto... Você quer?” – Tentei usar o tom mais casual que consegui, mas nenhum dos outros quatro meninos comprou nossa conversinha fiada e eles deram uma risadinha debochada. Fingi que não ouvi a gracinha e me levantei. fez o mesmo.
“Quero sim. Vou lá com você buscar então...” – Falou e eu dei um sorriso enorme, meu eu bêbado incapaz de esconder minha felicidade. – “Já volto!” – Ele anunciou ao quarto e deu outra risada de deboche.
“É, claro... Vão pela sombra!”
Eu sai o mais rápido possível, antes que a zuação e as perguntas embaraçosas começassem e me acompanhou.
Assim que saímos do quarto, ele me abraçou por trás e beijou meu pescoço, enquanto tentávamos chegar ao elevador. Eu estava bêbada e tê-lo pendurado em mim não ajudava muito em meu equilibrio. Fomos gargalhando e esbarrando nas paredes por todo o corredor.
“Meu quarto.” – Ele disse, antes mesmo que eu perguntasse e apertou o botão do andar, me encurralando entre seus braços. – “Você tá me devendo um banho!”
Até então eu achava que era a mais bêbada de nós dois, mas fiquei em duvida. Ele me beijou em seguida e o motivo do mundo estar girando sob meus pés mudou. Era um beijo tão intenso e seus braços me abraçavam tão forte! O gosto de bebida de sua boca se misturava com o da minha e eu já não sabia bem em que eu estava embriagada.
O elevador parou, mas nós continuamos nos beijando por um tempo antes de sairmos. Nosso pinball continuou por aquele corredor, mas dessa vez era porque nós tentávamos andar e nos beijar, o que obviamente não tinha a menor chance de dar certo.
Entramos em seu quarto e tentamos tirar um a roupa do outro com um certo desespero, parecia que estávamos há anos sem nos ver. me abraçou e me conduziu por um caminho diferente da noite anterior.
“Pra onde você tá me levando?” – Perguntei, separando nosso lábios apenas o necessário.
“Pro banheiro, oras...” – Ele respondeu como se fosse óbvio e tirou o celular do bolso, jogando-o na cama.
Me desvencilhei dele e ri.
“Não! Eu achei que você tava brincando! Nós não podemos tomar banho agora...”
Ele parecia confuso.
“Qual o problema?”
“Nós vamos voar daqui a pouco, maluco! Eu não posso estar no banheiro com você quando vierem te chamar!” – Eu estava bêbada, mas não tava totalmente sem juízo (só uns 95%).
fez que não com a cabeça e me puxou pela mão para o banheiro.
“Você pensa demais...” – Falou, enquanto me carregava para lá e eu tentava ir na direção contrária.
“Não, ! Você pirou!” – Comecei a rir com a cena e isso só o deixou com mais fogo no rabo. Ele abriu a torneira da pia e começou a jogar água em mim com a mão livre. – “Paaaara! ! Não!”
“Aí ó... Agora você já tá molhada mesmo!” – Ele zombou e eu tentava me proteger e fugir.
me soltou para encher as duas mãos de água e eu saí correndo pelo quarto. Só não contava que ele ia sair correndo atrás com a saboneteira cheia d’água. Nós dois gargalhávamos alto e eu fui até o frigobar e peguei uma das garrafinhas, jogando água de volta nele.
“Não vale! Não vale!” – Ele gritava, ficando tão molhado quanto eu estava. O quarto estava ficando uma zona e eu tinha plena certeza que haveria inúmeras reclamações sobre aquilo por parte do hotel.
Eu estava correndo de volta para o banheiro para me fechar lá, quando escorreguei em uma poça e me estabaquei no chão. Perdi o ar de tanto rir e senti se sentar ao meu lado, rindo tanto quanto eu.
“Você tá bem? Se machucou?” – Ele perguntou, passando um dos braços por mim e se abaixando para beijar meu ombro e braço.
“Não, tá tudo bem... Mas a gente pode parar agora, né?”
Ele deu uma risadinha.
“Pode. A gente pode parar agora.” – Falou. Seus beijos começaram subindo pelo meu braço, ombro e pescoço e ele sorriu antes de unir nossos lábios e se deitar sobre mim.
Eu queria entender o que tudo aquilo significava. Eu queria saber se ele sentia seu coração loucamente acelerado como o meu estava... Eu queria dizer a o quanto eu estava apaixonada por ele e como cada dia mais eu pensava em como contar para o resto do mundo (ok, só para Louise na verdade) como eu me sentia, porque não conseguia mais esconder aquilo. Eu queria que nós pensassemos nas respostas juntos...
...” – Comecei a dizer, antes que explodisse com todos aqueles sentimentos dentro de mim. Bêbado é uma desgraça e não consegue ficar quieto mesmo...
Mas então ouvimos uma batida na porta. Mas que timing ótimo!
“Merda...” – Ele xingou, antes de se levantar e ir até lá.
Fechei os olhos e coloquei as mãos no rosto. Ainda me sentindo quase sufocada com tudo o que estava pensando e sentindo.
“A gente sai em meia hora.” – Ouvi a voz de Preston dizer. – “E é melhor a voltar pro quarto dela...”
Abaixei os braços em choque. Claro que ele tinha nos visto! Nós saímos do elevador nos pegando e sem o menor cuidado. Merda!
fechou a porta e voltou para onde eu estava. Me sentei e escondi o rosto nas mãos mais uma vez.
“Ele viu a gente? Puta merda!”
“Pelo menos não foi você que atendeu a porta com a barraca armada!”
Eu o encarei e ele parecia falar sério. Como eu poderia continuar preocupada? Balancei a cabeça enquanto ria e me levantei, indo buscar minha camiseta perto da porta.
“Bom... Acho que eu preciso ir pro meu quarto então...” – Falei, me virando para olhá-lo.
Ele deu um sorriso meio derrotado e deu de ombros.
“A gente se vê daqui a pouco...” – falou e eu fiz que sim com a cabeça. Nem fui até ele me despedir, porque eu sabia que não iria funcionar. Acenei e sai do quarto, sem a menor coragem de erguer a cabeça e ver Preston por ali. Entrei o mais rápido possível no elevador e fui para o meu quarto, só saindo de lá quando recebi uma mensagem de Paul.
“Todo mundo pra garagem! Estamos saindo em 5 minutos!”
O voo foi tranquilo e quieto já que estávamos todos cansados, alcoolizados e semi adormecidos. Eu e continuamos nosso teatrinho e nem nos falamos. Eu fugi de Preston o trajeto todo... Mas não era realmente necessário, porque ele continuava fingindo que não tinha visto nada. Ainda bem!
Fazia cerca de 10 minutos que tínhamos chegado ao hotel em Chicago e a única coisa que eu havia me comprometido a fazer antes de me jogar na cama havia sido escovar os dentes. Estava fazendo o caminho de volta para minha cama, quando alguém bateu na porta. Franzi a testa. Quem poderia ser?
Para minha surpresa, estava parado no batente, de olhos fechados.
? O que...” – Comecei, fazendo-o abrir os olhos.
“Vim dormir com você!” – Ele disse simplesmente, entrando no quarto.
Sorri para aquele gesto e o segui de volta para a cama. Nós dois nos deitamos e sem mais nenhuma troca de palavras, ele me abraçou e caímos no sono.
Me mexi na cama e virei o rosto, estranhando a claridade que vinha da janela. Tinha esquecido de fechar as cortinas quando cheguei e o Sol nascendo começava a me incomodar. Não devia fazer mais de 2h que havíamos dormido, mas logo reparei que não estava na cama. Abri os olhos e o observei sentado na poltrona perto da janela, com o celular na mão e os olhos perdidos.
“Hey...” – Falei, para chamar sua atenção. Ele se virou para mim e mordeu os lábios. Seus olhos pareciam... Era dificil explicar, mas eles pareciam apagados. Faltava algo que eu estava acostumada a ver neles. – “Por que você tá vestido?” – Brinquei, repetindo o que ele havia me dito na manhã anterior.
sorriu de lábios fechados. Um sorriso que era tudo menos alegre.
“Eu...”
“Tá tudo bem?” – Eu começava a ficar preocupada com ele. Será que era alguma coisa com a sua familia? Ou alguém próximo?
limpou a garganta antes de responder.
“Tá... Tá sim! Acho que aquela cerveja toda ontem não me caiu bem.” – Contou, já se levantando da poltrona. – “Hum... É melhor eu ir antes de amanhecer de vez. Nós já fomos pegos uma vez hoje...” – Ele falou, parecendo um pouco atordoado.
Me sentei na cama, mas ele já estava quase na porta.
“A gente se vê mais tarde?” – Perguntei.
“Uhum...” – me respondeu e saiu, tão de repente quanto chegou.
Continuei sentada na cama, tentando entender o que havia acabado de acontecer. Mas eu estava muito cansada para pensar profundamente em algo, por isso me contentei com a ideia de que ele estava passando mal e não queria que eu visse.
Parecia um bom motivo.
**


Guess it's true, I'm not good at a one-night stand
But I still need love 'cause I'm just a man
These nights never seem to go to plan…

(Stay with me – Sam Smith)



Eu ainda estava de ressaca da noite anterior, mas tinha acordado e ido para o estádio com todo mundo, perto da hora do almoço. Meus olhos cansados tinham rapidamente notado a ausência de entre os presentes, o que acabou me deixando mais preocupada. Tive vontade de mandar uma mensagem para saber se estava tudo bem, mas... Eu não tinha seu número.
O espaço separado para o Meet and Greet naquela tarde estava uma zona, por isso eu fui designada para dar uma organizada no lugar. e haviam chegado há pouco e resolveram me ajudar, para que nós pudessemos fofocar em paz.
“E você ia mesmo dizer pra ele? Que tá apaixonada?” – perguntou. Pela expressão no rosto das duas, eu já me arrependia de sequer ter pensado naquilo.
Dei de ombros, meio envergonhada.
“Eu... Eu estava bêbada...” – Tentei justificar. – “Eu só... Queria saber como ele se sente, sabe? Depois de Chicago nós vamos voltar pro Reino Unido por um tempo... Eu quero saber o que eu devo esperar...”
mordeu os lábios e coçou a cabeça, como se quisesse me dizer algo, mas estivesse pensando em como dizer.
“Hum...” – Ela começou.
“Você acha que eu não deveria esperar nada, certo?” – Falei, com um ar de riso. E ela riu também, aliviada porque eu não ia ficar brava ou algo assim.
“Isso também. Mas eu realmente acho que vocês tem que conversar sobre vocês. Só não... Não começa jogando logo no colo dele que você tá apaixonada. É o tipo de poder que os homens nunca devem saber que tem muito cedo.”
Fiz que sim com a cabeça. O modo como pensava e as coisas que ela dizia sempre me pegavam desprevinida. E me surpreendiam também, porque eram sempre de alguma forma amargas... Mas ela mesma era bem feliz em seu relacionamento. Duvidava que ela estivesse mentindo sobre isso.
“Eu me pergunto de onde vem essas coisas que você diz.” – Falei, mei brincando. – “Não é do seu namoro com Tyler, certo?”
e trocaram um olhar cheio de significado e a segunda deu um meio sorriso antes de me responder.
“Tyler não foi meu primeiro amor... Nem meu primeiro namorado.” – Ela soltou a cadeira que carregava em um canto do cômodo e colocou as mãos na cintura, ponderando. – “Pra falar a verdade, essa é a primeira vez que eu não ferro um relacionamento!”
Eu e rimos e eu me senti um pouco estúpida por não ter pensado que podia ser sobre alguém do passado. Era um daqueles casos em que você parcialmente se esquece que a pessoa teve toda uma vida antes de você conhecê-la.
“Pronto! Limpo e organizado! Obrigada pela ajuda, meninas!” – Olhei em volta e fiquei satisfeita com o atual estado do lugar onde o M&G seria. Ainda faltava o banner com o logo deles, mas isso poderia ser colocado mais perto da hora.
estava no celular, o que significava que ela estava checando onde e os meninos estavam. Sua expressão, porém, fazia parecer que algo estava errado.
“Vocês já comeram? Vamos pra cantina?” – Falei, alcançando a porta.
“Hum... .... É... É melhor nós não irmos.” – levantou a cabeça e me encarou, com a testa franzida. se juntou a nós, tentando ler a mensagem de por cima do ombro da amiga. – “As namoradas estão aí.”
Nem me atentei para o plural. Dei uma risadinha e me virei para a porta.
“Eleanor tá ai? E desde quando vocês tem medo da Eleanor?”
...” – me chamou de volta, preocupada, e tirando os olhos do celular de . – “Não é só a Eleanor. Abby tá aí também.”
Um buraco se abriu embaixo dos meus pés. Não... Não era possível! Eu não estava ficando louca... As coisas que haviam acontecido nos últimos dias não eram coisa da minha cabeça.
“A gente tem que ir lá!” – Falei, ainda meio transtornada. Eu tentava descongelar meu cérebro e pensar no que fazer. fez que não.
... Você não pode fazer uma cena! Louise...”
Eu sabia que não poderia fazer nada. Havia muitas coisas além do que eu achava que tinha com em jogo. E minha promessa de não desapontar Lou era a única promessa que ainda continuava de pé.
“Eu não vou fazer cena!” – Eu tentava me manter calma e pensar com clareza. – “Mas eu preciso ver os dois, ! Vai que... Vai que ela veio sem avisar e ele estava pensando em terminar. E agora os dois estão meio estranhos um com o outro.”
O olhar das duas em mim era de pena. Elas sabiam que eu estava surtando e que muito provavelmente estava errada.
“Você tem certeza? Porque pode ser que...” – começou, mas eu balancei a cabeça vigorosamente.
“Tenho certeza. Eu não vou fazer nada, eu juro! Eu só preciso ver os dois!”
As duas se deram por vencidas e fomos o caminho todo andando em silêncio. Eu respirava fundo vez ou outra tentando me acalmar e tentando pensar que eu não precisava me preocupar... Que eles deviam ser o casal mais sem química da história. E com os dias de casal contados.
... Mas aquela era uma tática péssima!
Assim que entramos na cantina, meu olhar passeou pelo lugar e logo os encontrou. Prendi a respiração e a dor em meu coração foi quase física.
Abby estava sentada no colo de , que tinha o rosto encostado nas costas dela, virado para o lado oposto à porta. Meus olhos se deteram em um detalhe quase insignificante, mas que me machucaram mais do que a cena toda: Eles estavam de mãos dadas, com os dedos entrelaçados e fazia carinho na mão dela com o polegar.
Aquilo era meu! Era o que eu julgava ser mais especial nos momentos em que estivemos juntos!
“Mudei de ideia...” – Falei, segurando o choro. – “Vamos sair daqui!”
Todo mundo estava conversando e rindo alto do outro lado da cozinha. Ninguém tinha realmente reparado em nós três e eu não conseguiria passar nem mais um segundo ali.
Mas como todo castigo era pouco por tudo o que tinha feito naquela tour, alguém nos viu saindo.
“Hey, !” – Louise gritou. – “Tava querendo saber de você mesmo! Vem aqui!”
Me virei e forcei um sorriso. Não olhei diretamente para enquanto ia até lá, mas conseguia vê-lo em minha visão periférica. Ele parecia em pânico e a primeira coisa que fez foi soltar as mãos de Abby e pousar suas mãos agora livres na perna dela.
Lou me abraçou quando me aproximei.
“Já tava te procurando, sua sumida! Não te vejo desde ontem!” – Ela falou, animada. Me virei para a mesa e os meninos me observavam como se eu fosse uma espécie de bomba relógio. Era ainda mais humilhante saber que quase todo mundo ali sabia qual era a situação. – “Bom, deixa eu te apresentar a Abby...” – Louise apontou para a garota no colo de . Me doía olhar para ela e ver como Abby era bonita, sorridente e como estava feliz em estar ali. Eu não tinha acertado nada do meu cenário ideal.
Cada um dos garotos na mesa olhou para um lado. , que estava perto de , me olhava mordendo os lábios e lançava olhares de ódio para de vez em quando. tinha parado ao meu lado, como se tentasse me proteger de algo invisível. Infelizmente, nada que me feria naquele momento podia ser impedido de chegar até mim.
Eu compreendia algumas coisas agora, mas outras tantas não faziam mais o menor sentido! Eu agora entendia a reação de naquela manhã. Era a mensagem dela que ele havia recebido... Mas e tudo o que aconteceu antes disso? Mais do que o sexo e os beijos arrebatadores... Eu me perguntava se havia imaginado os sorrisos e os olhares. Se eu pensava que tinha os visto, porque queria tão desesperadamente que eles existissem. Mas não era possível tudo ter saído da minha cabeça! Ou era? Essa pergunta girava na minha cabeça mais do que qualquer outra.
Mantive meu sorriso artificial e acenei, cumprimentando-a.
“Prazer!” – Disse e ela sorriu abertamente. “Eu preciso...” – Já ia dar uma desculpa para sair dali, mas Louise me interrompeu.
“Creeeeedo, ! O que é isso na sua perna?”
Eu estava de short e havia um roxo enorme na minha coxa, que eu não tinha reparado até então. Só podia ter sido do tombo da noite anterior.
“Ih, caramba.” – Falei. E a minha vontade de chorar só aumentou ao me lembrar da cena que havia ocasionado aquilo.
“Como você fez isso?”
“Eu não sei...” – Menti, ainda com a cabeça baixa. Lutando contra as lágrimas que enchiam meus olhos.
“Eu sempre apareço com uns desses...” – Abby falou, rindo. O que me dava mais raiva era ela ser tão simpática e fofa. – “Normalmente é culpa do !” – Completou, piscando, e se virou para o namorado, que sorria amarelo.
Eu senti a mão de no meu ombro. Ela sabia. Sabia que eu estava por um fio.
“Gente, eu preciso voltar lá pra área de M&G.” – Falei, sem nem respondê-la e tentando manter minha voz intacta. – “Foi um prazer, Abby!”
Sorri de novo como pude e saí a passos largos da cantina. e me acompanharam e fizemos o caminho mais rápido até o banheiro. Eu estava desmoronando.
Escondi o rosto na mãos, me sentindo cada segundo mais idiota. As duas me abraçaram de lado, o que só me fez mais incapaz de segurar o choro.
“Podem falar...” – Eu comecei, entre soluços. – “... Que vocês me avisaram.”
Tirei as mãos dos olhos e olhei especialmente para , que tinha estado sempre com o pé atrás com a situação toda. Eu devia ter ouvido os conselhos dela, mas ao mesmo tempo...
“Ninguém vai falar nada, minha querida!” – Ela disse, fazendo carinho no meu braço e me olhando de um jeito maternal. – “Nem eu e nem a estamos aqui pra julgar o que você fez, a gente nem tem moral pra isso! A gente tá aqui pra te ajudar!”
“E pra empurrar o da escada e fazer parecer um acidente...” – completou, dando de ombros, e eu dei uma risadinha.
“A gente nem pode fazer isso, porque ninguém pode sequer imaginar o que aconteceu...” – Lembrei, triste.
“Mas vai ser um acidente!” – Ela falou, fazendo aspas com a mão. – “Ai, ... Sério. Tô fazendo graça porque nem sei o que te falar! Ele foi tão filho da puta!”
Fiz que sim com a cabeça e respirei fundo para tentar me acalmar e parar de chorar. Eu ainda precisava trabalhar, não ia poder passar o resto do dia naquele banheiro! Apesar de que sair de lá e dar de cara com , Abby ou quem quer que fosse, seria um martírio.
“Ele não fez nada! Ele soube hoje de manhã e não me falou nada! teve que me avisar por você, pra eu não ser pega de surpresa!” – Falei, colocando toda minha frustração para fora. – “Eu sei o que eu fiz de errado, mas ele... Ele foi tão insensível!”
concordou com a cabeça.
“Ele tinha que ter te avisado que Abby tava vindo pra cá! Era o mínimo...”
... foi no meu quarto essa manhã. Por vontade própria! A gente deitou, se abraçou e dormiu! Isso não é normal, é? Quando a pessoa não quer nada?”
“Não faz sentido...” – murmurou, mais para ela do que para mim, depois levantou a cabeça. – “No começo não, mas eu confesso que depois de Saint Louis, eu passei a acreditar que ele estava mesmo solteiro. Ele... A cara que ele estava quando voltou da varanda. Você lembra?” – Ela perguntou para , que fez que sim com a cabeça.
“Parecia um adolescentezinho apaixonado...” – disse.
Balancei a cabeça.
“Mas a única apaixonada era a otária aqui. Que... Que ódio!” – Eu disse, e fiquei um tempo em silêncio encarando o nada. Então me toquei que eu devia estar atrasada para terminar de arrumar a área do M&G. – “Merda. Alguma de vocês tem maquiagem aí?” – Perguntei, indo lavar o rosto. – “Além de tudo, eu preciso parecer inteira...”
As duas colocaram suas bolsas em cima da pia e me ajudaram a me arrumar. Um trabalho que demorou mais que o normal, porque eu não conseguia me controlar e toda hora meus olhos se enchiam de lágrimas de novo. Mais do que tudo, eu me sentia decepcionada. Eu sentia que alguém tinha me tirado a pontapés do céu.

Passei o resto do dia fugindo e tentando me esconder de todo mundo, o que era uma tarefa difícil quando se trabalha na equipe... Mas não impossível. Ajeitei a área do Meet and Greet e, antes que os meninos chegassem, fui procurar Caroline e as meninas do figurino. Me esquivei o tempo todo de entrar no camarim ou de passar pelo fundo do palco enquanto eles faziam a passagem de som. E assim sobrevivi uma tarde toda sem conflitos... Mas me desanimava pensar em fazer tudo isso novamente na tarde seguinte.
e infelizmente não podiam ficar o tempo todo comigo, e nem era justo com elas... As duas não estavam ali para isso. Antes do show eu as encontrei sentadas no corredor, como sempre, esperando os meninos se prepararem.
“Vou ficar no camarim na hora do show...” – Avisei, me juntando a elas. De jeito nenhum eu conseguiria assistí-los hoje. – “... Mas vocês podem ir, sem problema. É até melhor, que aí vão pensar que eu estou com vocês.”
fez que não com a cabeça, mordendo os lábios.
“Abby e Eleanor estavam combinando de tirar uma soneca durante o show. Elas estão cansadas da viagem.” – explicou e eu bufei.
“Mas que desgraça! Eu não posso nem sofrer em paz!” – Soltei, um pouco mais alto do que o necessário e tapei minha boca com as mãos. – “Vão descansar no tour bus, cacete!” – Continuei xingando, em voz baixa. Eu estava fora de mim. Me levantei e limpei o short com mais força do que precisava. – “Eu vou indo lá pro nosso lado de sempre, então. Antes que eles todos saiam daí.”
As meninas me acompanharam e nós paramos no lado de onde sempre assistíamos o show. Naquela noite, porém, tudo parecia distante e irreal para mim... Como se eu não estivesse realmente ali. tentava desesperadamente fazer contato visual quando estava no palco principal e aquilo me aborrecia absurdamente. Eu não queria olhar para ele, eu não queria que nossos olhares se cruzassem! A gente nem podia se olhar, de qualquer forma. O que eu estava fazendo ali mesmo? E então um dos meninos, eu nem sei dizer qual, começou a falar sobre o próximo CD e eu acabei me lembrando da música que havia me mostrado.
E eu entendi a letra mais do que nunca.
Naquela noite, eu queria tanto acreditar que ele também estava sentindo algo por mim, que eu só reparei nos versos que me convinham... “I’m the first to admit that I’m reckless. I get lost in your beauty and I can’t see two feet in front of me”. Mas não… O que eu deveria realmente ter absorvido era “Yeah, I know your love's not real, that’s not the way it feels. That’s not the way you feel”. Eu tinha acreditado que sentia o mesmo… Eu havia sido deixada sem nada nas mãos. Tudo o que eu tinha vivido naquela tour era o ouro dos tolos da música.
E diante daquela percepção, me senti frágil e idiota de novo. As meninas me olharam quando andei um pouco para trás, me escondendo, e comecei a chorar de novo. Eu tinha sido tão imbecil!
!” – As duas se aproximaram, me abraçando mais uma vez.
“Eu... Eu preciso sair daqui! Eu vou voltar pro hotel!” – Falei, tentando limpar os olhos em vão. Eu já estava cansada da atuação daquele dia todo.
“Espera, a gente vai com você!” – falou, voltando para buscar as bolsas delas.
Fiz que não com a cabeça.
“Muito obrigada, meninas. Por tudo, de verdade! Vocês são uns anjos...” – Eu queria tanto que elas entendessem como eu estava grata por tudo o que elas tinham feito por mim! – “Mas eu preciso ficar sozinha. Eu preciso poder chorar sem olhar para os lados, esperando ter que inventar uma desculpa qualquer pra alguém.”
e fizeram que sim com a cabeça, me olhando tristes. A gente se vê... Amanhã?
“A gente bate lá no seu quarto mais tarde!” – falou. – “Só pra saber se você tá bem.”
Eu não ia estar, mas fiz que sim com a cabeça.

Saí do estádio, desesperada por um taxi e entrei no primeiro que vi passar. Eu ainda estava chorando e o taxista me olhava esquisito. Mas como tinha vindo de um show do One Direction, ele provavelmente achava que eu era só mais uma fã doida... Por mim tudo bem.
Subi para o meu quarto e finalmente pude colocar tudo o que estava guardando aquele dia todo para fora. Nem sei por quanto tempo fiquei chorando, mas foi um bom tempo. E então, sentada na cama e abraçando meus joelhos, eu me dei conta de que não podia e não queria outro dia daqueles. Chicago era a última cidade antes de um pequeno recesso na turnê e o show do dia seguinte era o último, mas mesmo assim... Eu não precisava de mais uma hora, muito menos de mais um dia daquela tortura.
Mordi meus lábios, olhando pelo quarto e tentando pensar em um plano. Eu já havia recebido um pouco por trabalhar na tour, seria suficiente para comprar minha própria passagem de volta? Provavelmente custaria tudo o que eu havia recebido, voos de última hora eram o olho da cara! O voo da equipe não era em jato particular... Eu poderia tentar mudar meu voo de amanhã e pagar a diferença, eu gastaria menos. Havia um voo saindo naquela madrugada. Era ele, era perfeito!
Parecia um bom plano, mas eu teria que conversar com Paul e isso me dava calafrios. Eu não tinha como explicar porque tinha que ir embora UM DIA antes da data oficial. Chequei o relógio e, pelo horário, todos já deviam estar de volta. Mas por via das dúvidas, comecei a juntar minhas coisas e colocá-las sobre a cama.
Quando terminei, resolvi parar de enrolar e mandei uma mensagem para Louise.
“Lou, preciso falar com você e o Paul. Vocês já estão no hotel? Não é nada grave, não se preocupe...”
“Estamos aqui embaixo, no bar. O que houve? Você voltou mais cedo?”
Nem me dei ao trabalho de responder e desci para o bar o mais rápido possível. Mirei no fim da mesa, onde eles estavam, e tentei nem olhar para os lados. Abby e estavam juntos na outra ponta e os olhos dele me seguiram enquanto eu caminhava pelo bar. Eu estava tentando de todas as formas não demonstrar nada e ele continuava fazendo isso, tentando capturar meu olhar. Não era suficiente o tamanho do problema que eu tinha?
Coloquei as mãos nos ombros de Lou, ao me aproximar, e me sentei na cadeira vazia ao seu lado. Paul estava em sua diagonal e Preston ao lado dele. Engoli em seco... Se ele resolvesse soltar tudo o que sabia... Eu estaria MUITO na merda!
“Hey!” – Lou disse, ao me ver. Ela parecia mesmo preocupada comigo. – “Não te vi hoje o dia todo! O que houve? O que você tem?”
“Então...” – Comecei, tentando parecer calma. – “Eu estou bem, não tem problema nenhum...” – Menti, mais para ganhar tempo do que por qualquer outro motivo. Eu não sabia como pedir aquilo. – “Mas é que... Eu queria saber...” – E então olhei para Paul. – “Se existe alguma possibilidade de trocar minha passagem de volta pra hoje, em vez de amanhã.”
Os dois franziram a testa. Preston estava olhando algo no celular, mas levantou a cabeça por uma fração de segundos e me olhou quando disse aquilo.
“Por quê?” – Paul quis saber e Lou segurou minha mão.
“O que aconteceu, ? Algo em casa?”
Ela conhecia minha família, ela ERA minha família... Eu não poderia simplesmente usar o famigerado “Fulano morreu!”.
“Não, mas eu... Eu estou sentindo que eu preciso voltar... É... Eu não sei explicar. Comecei a sentir durante o show. Essa angustia...” – Eles acreditariam naquilo? Porque nem eu mesma estava muito confiante.
“E não dá pra esperar até amanhã, ?” – Paul perguntou, ainda com a testa franzida.
“É...”
“A menina tá com uma sensação ruim, Higgins. Se acontecer alguma coisa e ela não estiver lá, você vai se sentir culpado pra sempre!” – Preston disse, sem tirar os olhos do celular. Ele estavado meu lado? O segurança era a única pessoa naquela conversa que poderia saber qual era o meu problema. E talvez, na verdade, ele estivesse me ajudando exatamente por isso. Talvez ele também achasse que eu pudesse ser uma bomba relógio. Qualquer que fosse os motivos dele, eu virei meus olhos para Paul e Louise, fazendo que sim com a cabeça.
“Se Deus quiser não é nada mais que um mau pressentimento, mas... Por favor! Eu posso pagar uma passagem nova, se não tiver como mudar a minha de amanhã. Me desculpem mesmo por querer voltar um dia antes e não estar aqui para ajudar vocês, mas...” – Eu comecei a me exaltar e Lou me olhou com um pouco de pena e se virou para Paul.
“Acho que não teria problema, não é Paul?”
Ele me estudou por algum tempo e pareceu se convencer. Tirou o celular do bolso.
“Vou fazer umas ligações.”
“Vou pro meu quarto fazer minha mala, então. Muito obrigada, Paul! Por tudo mesmo! Essa oportunidade de trabalhar com vocês foi incrível!” – Eu não estava mentindo sobre aquilo, me doía ter estragado tudo. Milhares de pessoas dariam qualquer coisa para ter o mês que eu havia tido... E eu tinha desperdiçado minha chance. Me levantei e ele me lançou um sorriso sincero e um “Imagina, por nada!”.
Louise parecia triste... O que me deixava ainda mais triste. Eu estava prestes a chorar... Mais uma vez!
“Me avisa quando chegar em casa? Vou morrer de preocupação!” – Pediu. Ela ainda segurava minha mão e eu apertei a dela, em sinal de carinho. Estava tão arrependida!
“Não vai ser nada, Lou. Mas eu preciso ir lá para ter certeza.”
Ela fez que sim e se levantou para me abraçar. Fechei os olhos para não ver as outras pessoas da mesa nos olhando. Enxuguei uma lágrima teimosa e sai de cabeça baixa, ouvindo Louise gritar.
“Boa viagem!”

No caminho para o meu quarto, mandei mensagem para e , contando a minha decisão. Elas não concordaram, mas me entenderam.
“A gente vai se despedir de você no aeroporto. Avisa quando souber a hora!”
“Vai ser de madrugada!”
“E daí? Você acha que vai fugir da gente também?”
“Vocês são demais! =’)”

(Coloquem World of Chances para tocar)
Fechei a porta e parei na beirada da cama, observando minhas coisas espalhadas por ali. Que péssimo modo de terminar algo que tinha tantas chances de ser a melhor viagem da minha vida! E que haviam sido, se eu fosse sincera... Até ser manchada na última cidade.
Bateram na porta e fui atender, esperando ser Paul ou alguém com um recado sobre o meu voo. Meu estômago despencou ao perceber que estava ali, como naquela mesma manhã. Tudo tinha mudado tanto desde então!

“You've got a face for a smile, you know?
A shame you waste it when you're breaking me slowly
But I've got a world of chances for you
I've got a world of chances for you,
I've got a world of chances,
Chances that you're burning through…”



“Pois não? Você precisa de alguma coisa?” – Falei, de maneira formal, como se estivesse o atendendo, como a empregada que eu de fato era.
...” – Ele disse, quase como se implorasse.
“Eu não trabalho mais para a Modest. Se você puder, por favor, pedir o que que você queria pedir pra Lou ou alguém...” – Continuei no mesmo tom, como se fosse uma secretaria eletrônica. Seu olhar, porém, me fazia querer morrer um pouquinho mais a cada segundo.
“A gente precisa conversar. Me deixa entrar, por favor?” – falou e fez menção de me tocar, mas me afastei e dei espaço para que ele passasse. Eu sabia que aquilo era mais uma péssima ideia para a lista, mas pensar que alguém podia encontrá-lo na minha porta e tudo ir por água abaixo, me deixou sem opções.
Ele parou de frente para minha cama e então se virou, com uma expressão confusa.
“Ouvi Lou te desejando boa viagem e agora eu chego aqui e você tá fazendo suas malas...”
“Não que seja da sua conta, mas eu vou voltar hoje pro Reino Unido.” – Eu mesma estava surpresa com a minha frieza. Mas não reclamaria... Enquanto eu estivesse sendo irônica e grossa, ele nunca saberia como estava doendo.
“Não! ... Eu...” – coçou a cabeça e voltou a olhar para as roupas. – “, eu... Eu cometi um erro.”
Levantei as sobrancelhas e fiz que sim com a cabeça.
“Ótima observação. Mas você e seu discurso estão umas 14 horas atrasados.”

“I've got a paper and pen
I go to write you goodbye and that's when I know
I've got a world of chances for you,
I've got a world of chances for you,
I've got a world of chances,
Chances that you're burning through”



fez que não com a cabeça.
“Você não entende, ! Eu... Eu não sabia como te dizer. Ela... Ela veio de surpresa, não era o combinado ela vir pra Chicago.”
Dei de ombros e cruzei os braços.
“Hum... E o que ia acontecer depois de Chicago se Abby não viesse, ?” – Perguntei. Algo que eu vinha me perguntando o dia todo. – “Você ia me dar um tapinha nas costas, dizer que tinha sido maneiro, mas que você precisava voltar pra sua namorada?”
Ele fez que não e abaixou a cabeça.
“Eu ia falar com você, eu só não... Eu não sabia o que exatamente. Mas não ia ser nada disso!”
“Eu sei que eu não sou a vítima da história, . Mas você... Você foi tão...” – Não sabia que palavra usar. Queria dizer alguma coisa que o machucasse 1/10 do quanto ele havia me machucado. – “Você não foi homem o suficiente pra me falar que sua namorada estava vindo! Você veio até o meu quarto dormir comigo e saiu fugido 2 horas depois sem me dar nenhuma explicação!” – Eu estava só esquentando. – “Eu sei bem que fui atrás de você algumas vezes, eu tô longe de ser santa nessa história. Mas quantas vezes VOCÊ veio atrás de mim? Quantas vezes você me provocou? Você falou de mim pras meninas!”
“Eu perdi o controle!” – me interrompeu, levantando a voz e mexendo os braços, meio desesperado. – “É isso que você quer ouvir?”
“Nada que você tenha pra me dizer é o que eu quero ouvir.”


“Oh, I'm going my own way
My faith has lost its strength again
Oh, it's been too hard to say
We've fallen off the edge again
We're at an end
We're at an end”



“Eu perdi o controle!” – Ele repetiu. – “Eu... Me interessei por você, porque você é linda e simpática, sempre conversando e rindo com todo mundo... Mas de algum modo... Era meio impenetrável.”
“E aí você achou que seria legal pra curar seu tédio tentar me conquistar...” – Completei a história para ele, que fechou a cara e fez que não com a cabeça.
“Me deixa explicar, por favor?!” – Pediu e eu voltei a cruzar os braços. – “Eu fiquei intrigado. E eu confesso que, no começo, eu só queria saber qual era a sua mesmo.”
“Claro!” – Ri sem humor e rolei os olhos, mas ele fez um sinal com mão para deixar ele falar.
“Mas você não entende o que aconteceu, ! Você...” – Ele passou a mão pelo rosto, meio frustrado. – “Não é possível que você não tenha sentido o que eu senti!”
Mas ele só podia estar de brincadeira me falando uma coisas dessas! EU é quem tinha sentido, EU é quem tinha estado nessa sozinha o tempo todo. Ele não tinha o direito de me dizer aquilo!
“Para de graça, ! Já acabou, você não precisa mais me dizer coisas fofinhas pra me levar pra cama. Você tem sua namorada agora, de qualquer forma. Não precisa de mim pra esquentar seu colchão.”
fez que não com a cabeça mais uma vez e tentou se aproximar. Dei dois passos para trás e o olhei, quase desafiando-o a chegar mais perto. Ele parou.
“Eu sei que eu tenho uma namorada, , e eu sei que eu tô todo errado nessa. Mas nada do que aconteceu foi zueira pra mim. Eu já falei que eu perdi o controle. E eu perdi porque você é... Você!” – Ele falou, apontando para mim. Porque ele estava fazendo aquilo? Porque ele estava tentando quebrar mais meu coração? Pela primeira vez, eu precisei segurar o choro. Pela primeira vez, eu não tive certeza de que eu sairia por cima dessa conversa. – “Eu percebi que eu estava certíssimo em me interessar por você e... E me deixei levar.”
“Pra me levar pra cama...” – Insisti. Eu não podia deixar ele fazer aquilo comigo. Brincar comigo de novo. – “Não se sinta tímido pra admitir isso, . Eu não sou mais criança. Você achou que eu era outra groupie, que ia ser só sexo também... Sem DR, sem drama. Poxa, que decepção, hein?”
Dessa vez ele desobedeceu minha ordem silenciosa e andou em minha direção, segurando meu braço com uma mão e meu rosto com a outra. E minha armadura invisível se desfez. Assim, num piscar de olhos.
“Me escuta, pelo amor de Deus, porque eu vou dizer com todas as palavras.” – disse, sério, e eu me vi prendendo a respiração. – “Eu tô apaixonado por você. Não foi o que eu planejei, não era pra acontecer. E me desculpa por te meter no meio disso! Me desculpa por ter ido até você, pra começo de conversa, me desculpa por estragar seu trabalho. Me desculpa porque você tá fugindo no meio da noite pra não passar mais um dia na minha companhia. Mas eu me apaixonei por você e eu não consegui fugir. Eu não consegui me distanciar! Quando eu tentava, meu eu bêbado me levava de volta, porque os bêbados são sinceros com seus próprios sentimentos. Os meninos também me acham um idiota e eu sou mesmo! Porque eu te deixei assim e te machucar era a última coisa que eu queria... Mas não foi só sexo, . Foi muito mais que isso, tanto que eu nem sei colocar em palavras...”
Eu já tinha escutado o suficiente. E acreditar nele ou não, não faria mais a menor diferença. Soltei meu braço de suas mãos e dei outro passo para trás, limpando o rosto.
“Você não pode me dizer isso, .” – Falei e precisei parar, porque estava chorando uma quantidade embaraçosa. – “Você não pode me dizer isso, porque você vai sair daqui e voltar pro seu quarto, pra dormir com a sua namorada. E nada disso significa nada...”
Eu esperava que ele desmentisse. Que ele dissesse que não voltaria para lá, que ficaria comigo, que me impediria de ir embora. Mas não aconteceu. Ele fitou o chão e o único som no quarto vinha de mim e do meu choro.
...” – Ele tentou, mas eu já tinha ouvido demais.
“Me deixa continuar minha mala, , por favor.”
“Me desculpa!” – Ele pediu de novo, andando atrás de mim até a porta.
“Te perdoar ou não, não muda nada.” – Repeti, abrindo a porta. – “Foi um prazer te conhecer. Sucesso!” – Voltei com a minha voz de secretaria eletrônica.
Ele me olhou antes de sair. Daquele jeito que ele me olhava e eu me sentia apreciada, desejada... Amada. Abaixei a cabeça e fechei a porta sem olhá-lo de volta. Não era mais justo me submeter àquilo.
“Já chega!” – Falei. E voltei para minha mala.

“Maybe you'll call me someday
Hear the operator said the number's no good
And that she had a world of chances for you,
She had a world of chances for you,
She had a world of chances,
Chances you were burning through
Chances you were burning through
Chances you were burning through”



“Tô indo pro aeroporto!”
“Estamos saindo. Nos vemos lá! Falou com o ?”
“Sim. Conto pra vocês quando nos encontrarmos!”
“Vou ter que empurrar ele da escada em LA?”
“Se você puder fazer parecer um acidente...”
“Deixa comigo!”

Coloquei o casaco e esperei o taxi na porta do hotel, observando todas aquelas fãs atrás das grades tão tarde, esperançosas em verem um dos meninos. Uma delas segurava um cartaz “, seu sorriso é o motivo para eu me levantar todo dia”.
E por causa daquele mesmo sorriso, eu me encontrava ali lendo aquele cartaz. Era irônico, não era? A vida é engraçada... Mordi os lábios e tentei não pensar no que ele havia me dito naquela noite, porque só me faria mal. Como eu havia dito... Não fazia diferença mais. Apaixonado ou não, ele já tinha escolhido com quem iria ficar. E eu tinha mil remendos para fazer na minha própria vida.
Era hora de sumir e deixar tudo isso para trás.

“You've got a face for a smile, you know?”


3 meses e meio depois...

Estávamos os cinco em silêncio, o que por si só já era bastante anormal, mas eu com certeza era o que estava com mais medo. Já não bastasse a pressão de se apresentar com um Rolling FUCKING Stone, eu ainda tinha inventado aquele plano para somar ao meu nervosismo!
Eu sabia que não seria minha última tentativa, porque não conseguia pensar em desistir. Porém se aquilo não desse certo, minha criatividade tinha acabado. Era uma das nossas melhores músicas novas, falava tudo o que eu queria que ela ouvisse e eu não fazia ideia se teria outra chance de tocá-la em rede nacional. E no momento, aquele era o único modo de chegar até ela.
“Você acha que vai dar certo?” – Eu perguntei a , enquanto ajeitava o retorno em meus ouvidos.
Ele deu de ombros.
“Não sei, cara... Eu espero que sim!” – Respondeu, me dando um tapinha nas costas.
“A falou com ela?” – Era a terceira vez que eu perguntava a mesma coisa, por isso a resposta de veio no tom mais monótono possível.
“Falou, . Depois de relutar um pouco, ela concordou em passar o recado pra .”
Fiz que sim com a cabeça, me sentindo mais confiante, e nós cinco entramos no palco, sob aplausos e gritos ensurdecedores, enquanto um vídeo do nosso novo DVD passava nos telões. Nos posicionamos em frente a nossos pedestais e me lançou um olhar encorajador.
Respirei fundo enquanto as palavras “Scream for One Direction” apareciam na tela. Era a hora.


“Counted all my mistakes and there’s only one
Standing up on a list of the things I’ve done
All the rest of my crimes don’t come close
To the look on your face when I let you go…”



Eu esperava que entendesse que cada palavra era para ela.

Fim.



Nota da autora:
Não era amoooooor (não era). Não era amor, era cilada (cilada, cilada, cilada)...
Você vê que precisa reavaliar sua vida inteirinha quando começa uma song fic pra Leave your lover, do Sam Smith, e termina no Molejão.
Falando sério agora, Trap começou se chamando Leave your lover, a história tomou um rumo um pouco diferente, ganhou vários pedaços de músicas do In the lonely hour e virou quase um Sam Smith special! E o nome veio de “Cilada” mesmo, porque eu não consegui escolher que música do CD dele deveria ser o título. Mas podia se chamar “Papel de Trouxa” também, hahaha... (Ou Fool’s Gold, como eu considerei por uns dois segundos). O que mais eu posso falar sobre Trap, para vocês entenderam de onde ela veio? Hm... O casal principal foi um pouco baseado na Penny Lane e no Russell, de Almost Famous (filme paixão da vida) e a ideia da garota ser parente de alguém e ajudar a Lou na tour foi meio inspirada na Lottie... Acho que eu não preciso explicar mais nada sobre a fic, né? Tem mais algumas coisinhas que eu penso sobre os personagens e o papel deles na história e tal, mas isso aqui já tá ficando gigante!
Acho estranho fazer essas n/as que são as primeiras e as únicas de uma fic, então vou pular logo para os agradecimentos. Além de agradecer você, que está lendo isso agora, eu queria agradecer minhas amigas lindas que leram, deram palpite e me mataram primeiro: Minhas NLs, , e Fran. Obrigada pela paciência, os surtos, a ajuda com nomes, ideias e tudo o mais! Minha insegurança me impede de publicar qualquer coisa sem passar por vocês primeiro. Amo muito todas <3
E espero que vocês leitoras tenham gostado, como eu gostei de escrever. E que não estejam querendo me matar com o final. (E que tenham se apaixonado pelas duas groupies, como eu me apaixonei, haha). Não se esqueçam de comentar (mesmo que seja pra me xingar)!
Uma última observação sobre Trap: A fic é baseada na Where we are Tour, a ordem das cidades, os dias de folga entre um show e outro, a gravação do Four e tal... Mas obviamente, eu tomei várias liberdades quanto ao modo como os meninos viajaram de um lugar para o outro ou em que cidade exatamente eles estavam nos dias de folga. Tenho certeza que existem outras fics publicadas sobre a WWA nos EUA que são mais restritas à essas realidades, mas meu propósito, nesse caso, não era esse. Por isso não houve citação de nome de hotel ou nada desse tipo. Espero que ninguém tenha se irritado com essa falta de detalhes e obrigada pela compreensão.

Muito obrigada e até a próxima!




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