MR. BRIGHTSIDE;
escrito por: sil
beta-reader: alê (até capítulo 17) / Ana; (a partir do capítulo 18)




Capítulo 1

Morri, fato. Preciso de água com açúcar pra acalmar meu coraçãozinho nada palpitante. Tá, tá, eu sei que água com açúcar não adianta nada, mas meu interior acredita cegamente nessa velha história que as nossas avós contam. O porquê do meu ataque repentino? Err, você também ficaria assim se ouvisse um de seus MELHORES AMIGOS cantando pra você com AQUELA voz sexy, via telefone, admito. Eu nunca tinha o ouvido cantar. Eu sempre soube que ele tinha uma banda e essas coisas de adolescentes com crise existencial, mas por mais incrível que pareça eu NUNCA tinha ouvido ele cantar em nossos quase 17 anos de amizade.

FLASHBACK ON~

Depois de horas conversando com ele no telefone, a gente já tava meio sem papo, sabe? Só ouvindo a respiração do outro, imaginando o que falar e coisas assim. Eu já tinha até esgotado o meu estoque de músicas-pra-cantar-pro--no-telefone.
- ...
- Fala, .
- Canta pra mim? - fiz AQUELA voz de criança que as pessoas pensam ZILHÕES de vezes antes de dizer não.
- Ah não, ! Você sabe que eu morro de vergonha e... - ele tava meio nervoso, sabe?
- Po, mó mancada, sabe? Eu, que te conheço desde que você engatinhava, usava fraldas, tirava meleca... Opa, isso você ainda faz... Anyway, eu não justo você nunca ter cantado pra mim, porque tipo, eu SEMPRE canto pra você, por telefone, pessoalmente, até via pensamento! - eu enrolava as palavras, tentando achar as certas pra convencer o ser de cantar pra mim. É mais difícil do que vocês imaginam, okay?
- ! Você não entende, eu sou menino... tenho vergonha dessas coisas, po.
- Se você tivesse tanta vergonha assim, você não ficaria de cueca na minha frente. Só não tira mais porque eu sou PURA! Você vive dormindo na minha casa, eu te conheço desde pequena, acho que é motivo o bastante pra você NÃO TER A MERDA DA VERGONHA!
- ...
- seu pau! Porra, é sempre assim. Eu acho que, nessa amizade, eu sou a ÚNICA que realmente considera isso verdadeiro e MUITO IMPORTANTE! - voz chorosa + irritação = alvo atingido.
- Tá bom, ... Mas não zoa! Se não eu bato na sua bunda até ela encolher!
- OOOOOOOOOOOWN, ! QUE FOFO! OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA! TE AMOOOOOOOOOOOOOOO! - eu gritaaaaava na orelha dele, posha. Fiquei feliz.
Ele começou a cantar The Way You Make Me Feel.
- I think yesterday and all the times I spent being lonely, I watched the young be young while all the singers sung about the way I felt. The days are here again when all the lights go down, what do they show me? the rules are all the same, it's just a different game to tell you how I feel. although it seems so rare, i was always there. Oooh I can't stop digging the way you make me feel, oooh I can't stop digging the way, oooh I can't stop digging the way you make me feel. (Eu acho que ontem e todo tempo que eu passei estando sozinho, eu assisti os jovens sendo jovens enquanto todos os cantores cantavam sobre o jeito que me sentia. Os dias estão aqui de novo quando todas as luzes se apagam, o que eles me mostram? As regras são todas as mesmas, é apenas um jogo diferente para dizer o jeito que eu me sinto. Mesmo que pareça tão raro, eu sempre estive lá. Oooh eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir, oooh eu não consigo parar de gostar do jeito, oooh eu não consigo parar de gostar do jeito que você faz eu me sentir.)

FLASHBACK OFF~

Agora eu tô estática no telefone, sem conseguir me mexer, paralisei. Ele deve achar que eu sou a pessoa mais idiota do mundo, né? Idiota, idiota, idiota! Você é idiota, fato comprovado!
- , PORRA! ME RESPONDE!
- Oooi - aquela voz fraca, trêmula.
- Porra, tu ficou meia hora aí sem falar nada, me deixou no vácuo! Foi tão ruim assim? - com vergonha, fato!
- Caraca, moleque! QUE VOZ É ESSA? AMEI, AMEI, AMEI! Tipo, gamei, tive um filho aqui! Maluuuuco, muito boaaaaaaaaaaaaaaaaa! - momento estático passou, agora é a gritaria. Agüenta, !
- Não é pra tanto, ... Mas que bom que você gostou. Agora eu vou desligar, os meninos tão chegando. Eu até ficaria e tu ouviria as merdas do e do , mas tu sabe... o também vem...
- Não acredito que você vai me trocar pelo ! Retiro todos os elogios sobre a sua voz! GRRRRRRRRRR Tá, tchau. Faça sexo com o , beijos.
- ...
Too late, honey. Já tinha desligado. ODEIO quando meus melhores amigos me trocam por esse zé ninguém. Acho que eu tô te devendo uma explicação, né? Quem é , e o insuportável, abominável, totalmente dispensável , e mais algumas pessoas super importantes que ainda não foram citadas. Começar do começo, right? Vou dividir por tópicos pra vocês não se perderem.

PROGENITORES
Minha querida mãe estudava com a mãe do , , the fuck, como eu o chamo quando estou de bom humor. Mas não era como se fossem apenas amigas, colegas, conhecidas ou coisas assim, elas eram, basicamente, simplesmente, MELHORES AMIGAS! Aí tipo, a mãe do , tia Deb s2s2, conheceu o pai do , tio Bob s2s2, e como ela tinha uma melhor amiga solteira e ele tinha um melhor amigo solteiro e a tia Deb só poderia sair se a minha mãe fosse junto, por que não arranjar um pegueeete pra ela? Peguete lê-se meu pai. Pois então, anos depois estavam namorando, casando, acasalando... E claro, não posso esquecer que ambas queriam ter filhos no mesmo ano, mas como minha querida mamãe foi mais rápida, nasceu a praga do meu coração, o Phillip s2s2, que agora tem 20 anos, mas a mãe dele teve a Kendra s2s2, que tem 18 anos? Acho que sim. Aí finalmente veio moi (eu em francês pra quem não saiba, e se pronuncia “muá”) e o nosso abominável the fuck, o . Realizou-se o sonho de ter filhos no mesmo ano, mas é que se fosse do mesmo sexo, seriam melhores amigos, agora raciocina comigo, sexos opostos? EXATO! Namorados! Okay, depois nasceu o meu tchutchuquinho idiota, Gregory s2s2. Ah, sem contar que todas as mães ou pais dos meus amigos e amigas eram amigos da minha mãe ou do meu pai, sendo muito assustador o fato deles terem filhos no mesmo ano, acho que era praga daquela época ou elas combinaram e não querem falar, não sei. (Corações demonstram que entre tantas pessoas, eu só odeio o . Não é o bastante pra todo mundo perceber que a gente NUNCA vai se dar bem?)

, , The Fuck...
Esse vai tomar um bom espaço daqui, acho. Sabe aquela pessoa que tem TUDO pra ser seu confidente, amigo pra todas as horas e coisas melosas assim? Então, é ele, mas por uma incrível ironia do destino, não é. Eu convivo com ele desde criança, como com os outros, mas bem mais. Todo dia a gente tava junto, brincando e pá, mas sabe quando o santo não bate? Qualquer motivo era motivo pra brigar, ainda mais que eu sou SUPER ciumenta e ele nem se fala, então os nossos amigos ficavam meio divididos, sabe? Pois é, perdi a conta de quantas vezes eu já chorei por causa dele, ele era sempre aquele menino que zoava as meninas, conseqüentemente, eu era a mais zoada. Eu sofria demais com isso, o que me deixa com desejo de vingança até hoje, as minhas vinganças da infância não são suficientes, como quebrar os brinquedos dele, fazer ele cair de cara no bolo de parabéns, derrubar ele dos brinquedos do parquinho, chorar as pitangas pro meu irmão fingindo que ele me batia... Antes era briga de criança, ficar se batendo e pá, agora é discussão e provocação, MUITA provocação, mas sabe, é divertido por um lado. Ele tem uma namorada NOJENTA, a Kirsten. Loira, peituda, puta, tudo que todo cara idiota como o quer, mas sabe por que ele namora ela? Não é sentimento de nenhuma das partes, da parte dela é porque ele é popular e hot, e da parte dele é porque ela é hot e faz sexo igual uma vaca no cio (vacas fazem sexo no cio?), topa tudo, todas as posições do kama sutra e suas variações. Okay, eu admito, ela é MUITO bonita, mas é aquelas bonitas com cara de atriz pornô, que tá na cara que é puta e pá. Mas mudando de assunto, porque eu não quero perder meu tempo falando DELA. Nem dele, aliás, então tchau, .

, , , , , s2s2
Esses são aqueles que animam meus dias, minha vida, meu mundinho, mesmo que eu tenha que os dividir com o .
A e o são gêmeos, haha. Eu acho essa coisa de gêmeos tão engraçada, não sei por que, me parece estranho. Anyway, o pai deles, tio Alfredo (sim, ele era da itália) s2s2, era vizinho/amigo de infância da minha mãe e que virou muy amigo do meu pai. é aquele menino que tem tipo de inglês sexy, sabe? A tem cabelos no ombro castanhos escuros com um corte iradinho e uma franja meio de lado, olhos castanhos, magra e bem alta. Aliás, o sempre foi in love por ela. Ele baba nos peitões dela! Mas o mata ele se ele falar taradices. Ahn, e eles são totalmente o oposto. é estudiosa e o , err, já foi suspenso MUITAS vezes.
, my sweet , o que eu faria sem ele? Meu conselheiro, meu idiotinha, meu burrinho, meu bundudinho... HAHAHA sem graça. É com ele, e com o , que eu tenho minhas taradices. A gente fica atacando a bunda do outro, hoho, mas é que nós temos as melhores bundas de Londres, Inglaterra, do MUUUUNDO inteiro. Todos invejam, incluindo a vaca da Kirsten que já pegou na bunda dos dois. Caraaaaaaaca, fiquei muito puta! Teve treta, acredite em mim, desci a mão na cara dela, o que me restou uma semana de suspensão, o que não foi legal. Não mesmo, mas o vinha todo dia na minha casa e ele agradeceu pelo que eu fiz, OWN! A mãe dele era filha da amiga da minha mãe, que ia todo dia fofocar na casa da minha vó, ou seja, obrigando as duas a terem uma ótima amizade.
, dessa eu posso falar. Confidente até nas horas mais difíceis, sempre do meu lado, PARÇA! HAHA, me senti dugueto agora. Ela é meia-irmã, quase prima do , uma história complicada. O irmão do tio Bob e a sua esposa, sei lá o nome dela, tiveram a , mas um dia voltando de uma festa, um caminhão pegou o carro deles e como a tinha ficado na casa dos , ela tinha sobrevivido. E eles deixaram a guarda da criança, , pros dois, sendo ela meia-irmã-prima do traste. A é baixinha, com cabelos castanhos claros e olhos da mesma cor. Ela e o se atracam de vez em quando, sabe? Tem aquelas reuniões de adolescentes bêbados e entediados e você olha pro lado e vê “Olha! A e o se comendo... de novo”. Estranho.
, meu anãozinho. Ele e a combinam, sabe? Os dois anões do meu coração, haha. Mas então, como vocês sabem que ele e a se atracam de vez em quando, eu só tenho a dizer o porque eu amo ele. Tá, ele que agüenta meu pequeno peso nas costas. Literalmente. Ele é tarado, me assusta, mas po, é PARÇA! MUAHAHA Ele parece aqueles viadinhos assustados quando assiste filme de terror. Quando ele dorme na minha casa, eu morro com os roncos dele, mas eu nunca falei isso pra ele, ele ia começar a chorar. HAHA. O pai do era amigo do meu pai e do pai do , meio que era um trio, sabe? Aquelas coisas lá...
, , aquela PENTELHA! Certeza que ela tem algum problema, tipo hiperatividade. Ela NÃO pára, cara! Mas acho que é por isso que ela é diferente de todo mundo e por isso que ela namora o , ela não dá a mínima pra ele e ele gosta de se sentir capacho, mas dá pra perceber que eles se amam, UI! AHAHAHA Ela é baixa, mas tipo, mais alta que a . Cabelos bem escuros e lisos, olhos castanhos e pele bronzeada. Ela surfa, fato.

MINHA VIDA :B
Eu sou uma adolescente com crise existencial. Mentira, não sou. Sou normal, encho a cara todo fim de semana em festas ou reuniões com os meus amigos. Meus pais sabem? Sei lá, acho que não querem enxergar que a filha parece uma bêbada na sarjeta. Acho que eu tenho uma vida perfeita, excluindo o fato de eu ter que conviver diariamente com meu inimigo. Eu sou considerada rica, moro numa casa um tanto grande. Tipo, tem 6 quartos, 9 banheiros, a cozinha, as salas, a piscina gigante, a churrasqueira, a sala de jogos e só? Okay, a dos meus amigos também é assim, eles são tão “ricos” quanto eu. Tenho 3 carros, um da mamãe, um do papai e um do Phil, okay? Somos controlados, fato. Adooooro a minha empregada. Ela me conhece desde pequena, o nome dela é Rose (N/A: homenageeem a minha grande empregada, Rose). Ela cuida de mim e dos meus irmãos pra cacete ao mesmo tempo que ela cuida da casa e a Sara cuida da cozinha. About school, meu grupo é meio popular por cada um ter sua característica, mas todos nós somos “atraentes”, como disse uma menina estranha do primeiro ano. Eu, por exemplo, sou mega-competitiva, então faço parte do time de handball, sendo que a Educação Física do nosso colégio é levada muito a sério, e também pratico ginástica olímpica, tênis, futebol... A é a surfista, a é a mais ligada nos estudos e a é das líderes de torcida, aliás todas somos inteligentes e os meninos não, conseqüentemente temos que ajudá-los.

Capítulo 2

Segunda-feira, acordei péssima. Meu cabelo tava uma droga, eu tava de ressaca e ainda tinha a primeira aula com o .
- Paaaai, eu realmente preciso ir pro colégio?
- Não, falta no colégio - me animei - abandona os estudos, vira vagabunda e mendiga no final. Eu não vou viver pra sempre, ! - essa conversa logo de manhã ninguém merece!
- Tá boooooooooooooom!
Saí batendo o pé em direção ao chuveiro, PRECISAVA de um banho urgente. Eu tinha grama no cabelo e não tinha nem idéia do que tinha feito na noite anterior, mas com certeza foi algo muito “selvagem”. Ao sair do banho, escovei os dentes, penteei o cabelo e passei desodorante (hehe, xô cecê). O uniforme do colégio dobradinho na poltrona, como sempre. Vesti aquela merda, peguei a mala e desci pra tomar café. Greg sentado na bancada virando um pacote de sucrilho na boca e dando uma golada no leite.
- Aê, jegue, vai se babar todo de manhã.
- Cala a boca – me jogou um pedaço de sucrilho mole e babado.
- CARALHOOOOOOOOOOOOOOO! SEU FILHO DUMA ÉGUAAAAAAAA! TIRA ESSA MERDA DE MIM! - surtei, jogando a casca da minha banana na mesa.
- Boquinha sujaa - Phil na cozinha e tira o pedaço de sucrilho de mim e joga no pirralho - aê Greg, vê se fica na tua também! Aliás, hoje eu que levo os dois, então vamos.
O caminho da escola não variava muito, ou era um completo silêncio, ou era briga. Greg desceu do carro e mostrou a língua pra mim, ele estudava em outro colégio, um colégio masculino por ter um péssimo comportamento. Depois de uma quadra, eu desci no meu colégio e caminhei até meus amigos. Todos olharam com sorrisos cúmplices pra mim, que não entendi.
- Acho que você não lembra nada de ontem - olhava séria pra mim, controlando o riso.
- Deveria?
- PORRA! ASIUHAUSHA – começou a rir e sorrir malicioso.
- FALA LOGO, PORRA! NÃO TO DE BOM HUMOR.
- Sra. Rushton tá estressadinha hoje? - chegou abraçado com a bitch, Kirsten.
- Ahn? Sra. Rushton? - HAHAHAHA ELA NÃO LEMBRA?
- TÔ COM CARA DE QUE LEMBRO?
- Tu tá com a mesma cara de merda, .
- CALEM-SE! - disse tampando a nossa boca - deixa que eu conto - consentimos - , ontem tu e o Steve ficaram se comendo na grama.
- O Steve Rushton? Ahhh, ele é gato - eu viajei legal nos meus pensamentos pornográficos, que provavelmente envolviam eu e Steve Rushton em uma piscina no meio da madrugada.
- Se toca, menina - a merda ambulante foi com a outra merda ambulante em direção a um banco vazio. AFF não existe pessoa mais abominável que ele. Sabe, eu vou ter que agüentar ele na aula de química sendo a dupla dele, então melhor me doparem, SOSSEGA LEÃO, POR FAVOR?
Sentei na minha bancada e deitei minha cabeça no meu material, logo sendo cutucada por ninguém além de . Cara, eu tava sonhando com o Steve e ele me acorda, ele tem o prazer de me tirar do único lugar que ele não me enche, né.
- , hoje tem prova. Tu tem que tá acordada pra ir bem, eu preciso de nota!
- Faz você sozinho, tô cansada - disse, deitando novamente.
- Tu tá de brincadeira, né - ele se aproximava da zona de perigo - Você vai fazer a prova, sim.
- Eu sacrificaria minha nota perfeita pra ferrar você, além de que só estamos nós dois aqui dentro e caso você não saiba, tem muitos objetos cortantes e substâncias cancerígenas que podem ser usadas contra você - disse me aproximando.
- Ah é? - o garoto se encontrava com as mãos devidamente posicionadas na MINHA cintura.
- Não sei, ... - SCORE! Joelhada nos países baixos do !
- SUA FILHA DA...
- Sr. , tá tudo certo? - Sr. Johnson, o professor de química interrompeu o the fuck bem quando ele ia me xingar HÁ!
- Não, ela me deu uma joelhada no...
- Você fez isso, Srta. ?
- Ahn.. fiz?
- Acho que você vai ter que ir pra diretoria... - ele não queria que eu fosse pra diretoria, né. Afinal, eu sou a aluna preferida dele e ele não ia querer que eu perdesse a prova mais importante do ano.
- Ah, não precisa não, professor. Ela não fez de propósito - PÁRA TUDO! O me defendeu? - Tá me devendo uma ótima nota, hein, .
- Tu não faz nada de coração, né. Devia ter imaginado que você tava fazendo isso com algum interesse.
O resto da aula foi bem chato, posso dizer. A gente não brigou e nem nada do estilo, eu só fiz a prova, ele ficou brigando com o lápis porque ele não sabe nada da matéria e nós fomos os primeiros a terminar. Cara, graças a Deus! Não aguentava mais ficar lá a menos de 30 cm do sem poder xingar ele e, te juro, aquela prova tava MUITO difícil! Minha cabeça devia tá até saindo fumacinha, tava prestes a explodiiir! Mas passou quando eu entreguei a prova pro Sr. Johnson e ele sorriu abertamente pra mim. Cara, como ele é hot! Sabe aquela música Amante Profissional? “Moreno, alto, bonito e sensual, talvez eu seja a solução dos seus problemas. Carinhoso, bom nível social, inteligente e à disposição para um relacionamento íntimo e discreto, realize seu sonho sexual...” Te juro, escreveram pensando nele! O meu tchutchuquinho Johnson é alto, cabelos escuros, olhos verdes, musculoso, bem-sucedido, educado e só tem 24 anos! Tipo, todas as meninas BABAM nele e não é pra menos, EU babo nele! E eu com meus apenas 16 anos fui à academia top da cidade e vejo quem SEM-CAMISETA? SIM, ele mesmo! Ele veio me cumprimentar com um beijinho na bochecha e eu fiquei lá, mais uma vez, viajando que nem uma idiota nos meus pensamentos. Voltando a realidade, saí da classe. Fui em direção ao pátio, tava batendo sol lá e eu deitei pra me bronzear.
- Ô ! Não pensa que eu esqueci que você machucou o zão - a praga sentou-se ao meu lado.
- Não pensei isso. Aliás, não pensei em nada, minha cabeça tá doendo DEMAIS porque eu tive que fazer aquela prova dificílima SOZINHA! Então, evapoooora, valeu? - às vezes eu sei ser dugueto.
- Own, tadinha de você, biscoitinha! - esse sarcasmo que me fode a vida - Eu até ficaria aqui pra te encher mais, mas pelo visto minha namorada tá fora da classe e tem muitos banheiros vagos nesse colégio - piscou e saiu andando, ignorando o fato de me deixar de queixo caído. PORRA! Eles são tão ninfomaníacos a ponto de transar no colégio? Segui os passos dele com o olhar, vi ele sendo puxado pra dentro do banheiro do ginásio, que naquela hora não estava sendo usado por ninguém. Andei até a porta e esperei ouvir o barulho da tranca, saí correndo até a sala da diretora.
- Sra. Hustrey, tem alguém se reproduzindo no banheiro do ginásio!
- O quê? - CARA! Ela tava MUITO puta! Ela levantou e seguiu até onde o e a Kirsten tavam e pode comprovar pelo barulho que vinha de lá. Ela bateu na porta e o barulho parou imediatamente.
- Quem quer que esteja aí dentro, poderia fazer o favor de sair e me acompanhar até a sala da diretoria? - HAHA eu tava parada no lado dela me controlando pra não rir. Quando os dois saíram de lá de dentro com os cabelos bagunçados e a roupa amassada, eu JURO que se eu não fosse eu, eu teria rido. O tava com uma cara de “te pego na saída”, igual a da putinha do lado, já eu tava com cara de vitoriosa, afinal eu tinha acabado de ganhar meu dia. SCORE! Ponto pra mim. Indiquei um número 2 com a mão direita e um zero na esquerda.

Capítulo 3

O e a Kirsten foram suspensos por dois dias, sendo hoje e amanhã SEM ! Tem coisa melhor? Na verdade, tem. Eu tô em plena aula de artes com o e o , que não param de fazer gracinhas no outro lado da classe e eu tô rindo ALTO, sabe? A professora já me chamou a atenção umas zilhões de vezes, acho que dá próxima ela me tira da classe.
- Srta. , por favor se retire da classe - eu disse, cara. Eu sempre tenho razão, incrível.
- Mas professora...
- NADA DE MAS, SAI AGORA! - cara, o berro dela foi tão alto que até tirou a peruca dela do lugar e os dois patetas começaram a gargalhar - VOCÊS DOIS TAMBÉM, FORA! - eu me levantei com meu material na mão e fui seguida por eles, que não conseguiam parar de rir ainda.
- CARACA, MEU! Foi iradinho isso - eu disse SUPER animada, sentindo a “adrenalina”. Os dois já tinham parado de rir.
- Mudando de assunto completamente, foi muita mancada o que você fez com o , ... Pô, ele tinha acabado de livrar tua cara de perder a prova de química e tu faz isso? - ODEIO quando o me passa sermão.
- EI, calma aí, campeão! Ele me livrou dessa porque era do interesse DELE, se eu não fizesse a prova, ele tirava ZERO porque ele não sabia nada e a prova tava mega-difícil, então nem vem tentar me falar que ele é o santo da história!
- Ah, , não interessa... O que tu fez foi errado, isso também não te faz a santa da história. - agora era a vez do me passar sermão. Os dois mais dissimulados me passando sermão, vê se pode.
- Olha aqui, eu sei que eu não fui feliz na brincadeira, mas porra, vocês sabem muito bem que ele já fez coisas desse nível comigo também. E além do mais, não foi só com ele, foi com a bitch também, o que é um prêmio, não? - eles tavam conseguindo me fazer ficar arrependida - Imagina que beleza ficar sem ela por hoje e amanhã - comecei a andar deslizando pelo colégio.
- Isso tu tá certa, mas o vai te matar quando te encontrar hoje na casa da ... - o tava tentando me ajudar, HÁ! Ele não resiste ao meu charme infantil.
- É só eu não ir.
- NADA DISSO! Você vai, ninguém mandou fazer cagada! - tá, o me deixou com medo.
- Pô, , a menina vai morrer se for, pensa no lado dela.
- OWN! , já disse que te amo e que a minha bunda é sua? Hoho.
- Olha, eu sou legal e ainda ganho uma gata - disse piscando pro e me pegando no colo. Detalhe: mão dele na minha bunda e a minha na dele.
O sinal da aula tocou.
- Olha, você VAI na casa da e eu não quero ouvir você reclamar - me ameaçou, cara. Fiquei puta e fui direto pro portão do colégio esperar meu pai me buscar. Como assim o ia me obrigar a fazer algo e ainda me dar bronca? Eu tenho meus pais pra isso, okay?

Capítulo 4

Cheguei em casa e corri pro meu quarto, tirei o sapato e me joguei na cama, afogando minha cara no meu travesseiro. Dormi. Cara, eu tenho uma facilidade muito grande de dormir, é incrível! Encostei, durmo, fato. Continuando, minha mãe veio me acordar e eu não levantei, tentei ignorar a voz dela, que me parecia tão insuportável. Efeito culpa? Pois é, nunca tinha tido, mas graças ao , eu fui obrigada a experimentar. Minha mãe gritou algo como “Essa menina não tem jeito, não agüento mais”, essas coisas de mães frustradas com o fato dos filhos estarem mergulhando de cabeça na adolescência. Meu irmão, como bom filho mais velho, obedeceu a mamãe e me puxou pela perna até eu cair da cama e ser obrigada a almoçar. Chegando na mesa de almoço, ninguém calava a boca e eu era a única que não tinha dito nada, o que era realmente muito estranho.
- Tá tudo bem, ? - Rose chegou ao meu lado e falou baixo, eu assenti - Vai ficar tudo certo - sorriu e saiu pra terminar o serviço da casa, euzinha aqui fui pro meu quarto, he.
Cara, eu não queria que o horário de ir pra casa da chegasse, eu não queria ir pra lá e apanhar do , porque acredite, ele é capaz. O meu celular tava tocando, era o .
- Fala, .
- Já tá pronta? Eu te levo na casa da .
- Ah, , eu não quero ir - falei melosa.
- Você vai, não quero nem saber, !
- Olha aqui, você não me chama de , hein! E agora que eu não vou pra lá! - desliguei na cara dele, quem ele acha que é pra me chamar de ? Ah, eu tava morrendo de ódio, meu cérebro fritava e a minha cara não era das melhores. Sabe, o pobre do José, meu golfinho de pelúcia, estava sobre a minha cama e foi vítima da minha raiva momentânea. Acho que se ele criasse vida um dia, ele me matava, depois de horas incessantes de tortura.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! - não, o José não criou vida. Foi apenas o arrombando meu quarto com uma cara de ódio, parecida com a minha segundos antes do susto.
- , você vai agora tomar banho, se vestir e ir comigo pra casa da se você sabe o que é bom pra sua saúde. - ele tava vermelho, roxo, rosa, verde, azul, amarelo, branco, todas as cores que existem ao mesmo tempo tamanha a raiva do menino.
- Não vou, , já disse.
- Ahhh, você vai. - me empurrou pra dentro do chuveiro, com uniforme e tudo - e não me obrigue a tirar seu uniforme, você sabe que eu sou capaz.
O sabe ser chato, ele seria um bom pai. Tomei meu banho, bem demorado por sinal, só saí porque o tava ameaçando entrar. Me enrolei na toalha, escovei os dentes, passei desodorante e essas coisas de higiene. Saí do quarto e encarei o sentado na minha cama.
- Sua roupa é essa, eu escolhi pra você não enrolar e você vai ficar com essa e pronto.
Vesti, não quero mais encrenca com ele. Tô tão irritada que sou capaz de morder ele até ele sangrar. Ele me escolheu uma calça jeans e uma bata branca com uma flor vermelha em baixo. Coloquei o meu Adidas e saí, deixando o pra trás, que logo após veio correndo até me ultrapassar.
- Que infantil, .
- Como se a senhora pudesse falar muito.
- Cala a boca - bati a porta do carro, sentei-me. Tá, eu me arrependi de ser tão grossa com ele, okay? Aí mordi a bochecha dele pra acabar com aquele clima estranho de briga - Te amo, .
- Também te amo, vaca.
Minutos depois, entrou com o carro pelo portão da casa da e logo parou perto dos outros carros. O teve que me arrancar do carro porque eu não queria descer. Sabe, eu tava MORRENDO de medo, o tava MUITO puto comigo - Se acontecer alguma coisa, eu te protejo e os meninos também.
Entrei na casa segurando o braço do . Graças a Deus ele ainda não tava lá, aí eu larguei o , peguei uma cerveja e me joguei na cama dela. Em menos de 3 minutos, quem entra que nem furacão no quarto? Sim, ele.
- SUA FILHA DA PUTA! - todo mundo se vira pra porta bem assustado, menos eu, eu agi naturalmente - CARALHO, MEU PAI ME MATOU, TU TEM NOÇÃO? - ele chegava perto demais e eu nem me virei pra olhar o ataque de bicha dele - OLHA PRA MIM AGORA! - me puxou pelo braço, fazendo com que eu virasse pra ele. Fiz aquela minha expressão de desprezo. Eu provoquei a fera, HÁ!
- , solta meu braço, tá doendo. – sorri.
- Você acha que ganhou, né? Dois a zero, tá se achando, garota. Mas tua hora vai chegar, tá ouvindo? - a cada palavra ele me apertava mais e mais, até que ele me puxou pra fora do quarto - Por que tu fez isso? Tu sabe muito bem que tu podia ter perdido aquela merda de prova de química se não fosse eu.
- Ah, e você fala como se fosse inocente, - tirei a mão dele de mim, meu braço tava vermelhão. Ele tava segurando a porta, fazendo com que os meninos não conseguissem me ajudar – Eu sei que você só me salvou da diretoria porque você iria fazer a prova comigo e sem mim você iria MUITO mal. Eu não sou idiota, – afrontei ele, ele não é louco de me bater. Cheguei mais perto.
- Mas de qualquer jeito, eu te ajudei e você ainda me dedura - ele chegou mais perto.
- Ajudou? Primeiro que nada aconteceria se você não viesse com gracinha pra cima de mim e segundo que você fez aquilo pensando em si mesmo, não em mim, então a gente não é muito diferente, né, - me aproximei mais, nós já estávamos quase grudados, eu sentia a respiração dele que demonstrava que ele tava irritado e sem o que falar.
- Mas de qualquer jeito – sussurrando e aproximando o rosto - eu te ajudei.
- SAI PRA LÁ, SATANÁS! Você não acha que assim você vai me fazer cair nos seus pés e falar “me desculpe, eu te amoooooo” - eu fiz uma voz muy engraçada, okay? Imagiiiine.
- Eu tinha esperanças... - Pois é, mas eu sou , queridinho. Não me REBAIXO, valeu? - dei uma piscadinha.
- Cala a boca - ele me beijou, me prensando na porta. Eu meio que gostei, né. Afinal ele beija bem, mas depois eu empurrei ele longe e entrei no quarto. Quem ele pensa que é? Empurrei ele. Sem zoar, o menino bateu na parede do outro lado.
- E aí, ? Injetou heroína no olho, é? - Impressão minha ou o parecia meio confuso? Ele me encarou e entrou no quarto. Eu fiquei um tempo lá, digerindo todas as coisas que aconteceram naquele corredor. CORREDOR IDIOTA, INÚTIL, FILHO DE UMA ÉGUAAAAAAAA! Se não fosse por ele nada disso teria acontecido e eu não estaria envergonhada agora. Merda, melhor entrar no quarto.
Fiquei no meu cantinho o dia inteiro, tomando minha cerveja e tentando esquecer o que ele tinha feito. Como ele pôde fazer isso, cara? Eu, minha vida inteira, aprendi a conviver com o ódio que eu sentia e com as brigas que aconteciam. Convivi quase 17 anos com o fato dele me odiar e, sabe, eu já tinha me conformado com tudo. Aí do nada, quando você espera ter a maior briga da sua vida com essa pessoa, você, ao invés de um soco/tapa/chute/voadora/... recebe um beijo. E que beijo! Cara, eu sei que o é hot e pá, mas eu nunca ia imaginar que ele beijava tão bem assim. Eu já beijei váááários caras e aqueles tops, sabe? E nenhum se compara com ele, mesmo que tenha sido APENAS um projeto de beijo. Reparei que o ficou corado a maior parte do dia, também bebendo sua cerveja. Músicas tocavam e tocavam, mas eu nem percebia... Até que começou a tocar Mr. Brightside, do The Killers. MÉLDÉLS! “Coming out of my cage and I've been doin' just fine, gotta gotta be down because I want it all, it started out with a kiss, how did it end up like this? It was only a kiss,it was only a kiss” (Eu estou saindo de minha gaiola e estou indo muito bem, devo estar triste porque eu quero tudo isto, isto começou com um beijo como foi terminar assim? Era só um beijo, era só um beijo). Ahn, morri, faleci, parti pra outro mundo. “it started out with a kiss, how did it end up like this? It was only a kiss,it was only a kiss” essa parte da música martelava na minha cabeça, como podia ter tanto em comum? Tá, eu precisava sair dali.
- GARELAAAA! Vou vazar, preciso ir embora. - me levantei, mesmo com eles falando coisas como “ah não, fica mais, tá cedo...”. Me despedi de cada um e vazei, vazei meeeeesmo. Fui a pé até a minha casa, não era tão longe. Senti o ar fresco no meu rosto e me perdi nos meus pensamentos, again. Eu comecei a sentir raiva do , mas eu só queria esquecer, queria acordar e perceber que isso havia sido apenas um sonho. Cheguei em casa e fui dormir. Minha mãe sempre diz que qualquer dia eu não consigo mais abrir o olho de tanto que eu durmo. Eu tava tão cansada dessa minha rotina cretina (rimou haha) que nem escutei o meu celular tocar 22 vezes. Meus amigos são insistentes, sabe? E quando não conseguem falar comigo pelo celular, adivinha? Sim, entra , e pela porta do meu quarto. Eu mereço, cara.
- , pode começar a falar o que foi aquilo! - tava dando uma de minha mãe agora. Há.
- , tá tudo bem? Se não tiver, a gente vai te ajudar, tu sabe - disse, completando com um soquinho nas minhas costas e um sinal da paz.
- Isso tá cheirando a . O que ele fez dessa vez? - SCORE! Ponto pra !
- Como você sabe? - eu disse, ficando vermelha. Isso mesmo, VERMELHA!
- É meio óbvio, querida... - disse no maior sarcasmo - só que a nossa querida chegou rápido demais ao ponto, né, ?
- Queridinha, eu sou rápida, vou direto ao ponto - rebateu dando uma piscadinha.
- MENINAS! Por favor, deixa a falar - todo mundo sabia que a não tava nem um pouco curiosa. Conseguindo silêncio, prosseguiu – Certo, , prossiga.
- Meninas, eu tô com um sentimento estranho. Quando o me puxou pra fora do quarto, a gente começou a discutir, botando a culpa um no outro e aí ele tentou jogar charminho pra cima de moi (N/A: “muá” de novo, “eu” em francês) e eu disse que não ia funcionar - cara, EU tava GAGUEJANDO. NUNCA que EU gaguejaria, mas sempre tem uma primeira vez pra tudo, né? - aí ele me beijou. Cara, eu deixei rolar no começo, mas depois eu empurrei ele longe e ele parecia meio confuso, sabe? - okay, a reação das minhas amigas não tava ajudando em NADA. Elas tavam boquiabertas e isso só me deixou mais nervosa, porque, cara, eu tinha beijado o , o que eu sempre odiei! Por que essas coisas sempre acontecem COMIGO?
- UAU! - é, isso foi tudo que elas conseguiram dizer durante um minuto.
- Ei, vocês não tão ajudando em nada!
- É que é, tipo, MUITO chocante! - a tava incrédula ainda, com os olhos arregalados. Eu esperava que as primeiras palavras delas ajudassem, mas não foi o caso.
- , querida, por que você deixou rolar? - Claro! A TINHA que fazer uma pergunta pra me deixar pior.
- Ah, cara, ele beija MUITO bem. Tipo, o melhor que eu já experimentei...
- Meu Deus! E olha que você já beijou VÁRIOS! - err, a me interrompeu.
- EI! - olhei feio pra ela, e passei os olhos por que esperava uma resposta e que analisava a situação, como sempre - Eu não sou assim! Continuando... - a ia me matar se eu demorasse muito e como eu zelo minha saúde perfeita, não demorei - Ele beija tão bem que supera o Henry, o Kyle, o Jimmy, o Chad, o Julian, o Max, o Andrew, o Cole, o Mike, o Dave, o Jason, o Matt, o Robbie, o Deryck, o Alan, o Charlie, o Nick, o Jensen, o Justin, o Austin, o Brian, o Kevin, o Jack, o Zachary...
- Pula a mega-lista - disse, impaciente.
- E eu não consegui resistir, sabe? Mas depois caí na real que era o nojento do e empurrei ele longe - continuei, ignorando a interrupção.
- É, isso é bem complicado, ... - disse sua primeira frase desde então.
- Nossa, você descobriu o mundo, Einstein - eu fui irônica. Po, mereço. Ela acha que eu não sei que é complicado?
- É, , isso foi meio óbvio - me apoiou, é bom ter uma amiga direta como eu.
- Eu tô tentando ajudar, okay?
- Prossiga... - nós três dissemos ao mesmo tempo.
- Como eu ia dizendo, é uma situação bem complicada, ... - nós três bufamos – MAAAAAAAAAAAAS...
- Oh Deus, lá vem...
- Eu acho que ele gosta de você - completou e eu tive um ataque de risos. Em que mundo o gostaria de MIM?
- Pensando bem, não é uma teoria tão absurda assim, ... - Pronto, a tinha me abandonado.
- É, ... a gente não escolhe de quem gosta. Ele em sã consciência não escolheria gostar de você...
- Tá falando que eu sou feia, ?
- Não, ! Mas que ele NUNCA escolheria gostar de você porque vocês se odeiam, porque bonita você é. Ele sempre te achou bonita.
- Ah lógico, com certeza! Totalmente válido o que você tá dizendo!
- , eu tô falando sério.
- Ele já te disse algo, ? - levantou-se pra pegar um chiclete que tava jogado em cima da cômoda e soltou a pergunta mais idiota que ela já fez.
- Pra falar a verdade, já.
- O QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE? - Okay, estou pasma. Fiquei branca agora. Como a consegue esconder isso de mim?
- Ah, , ele pediu pra eu não contar pra ninguém...
- Conta tudo e não esconda NADA - abandonou o posto de psicóloga e se jogou na cama no lado da , pra escutar a fofoca.
- Ah não, não quero saber... - eu quero saber, mas não quero saber. Se eu souber, vai ser pior, mas meu instinto feminino quer que eu escute. Oh droga!
- Foda-se, vou contar. Ajoelhei, agora vou rezar. Assim, um dia a gente tava entediado em casa, sabe? Aí ele foi no meu quarto pra conversar e não lembro como o assunto chegou em você. Aí ele disse que por mais que te achasse insuportável, idiota, metida, grossa...
- ! Não avacalha comigo! - PORRA! A menina tava aproveitando da situação pra soltar os cachorros em mim, né?
- Okay, só tava repetindo o que ele falou... Continuando, além de achar aquilo tudo de você, ele sempre te achou linda, que ele nunca tinha visto menina mais bonita que você – OAL, PASMEI AGAIN! Tô sonhando, me belisca? Não, não me belisque... - e gostosa, mas isso a gente ignora, e que você mesma se estraga, sendo perfeita por fora e uma merda por dentro.
- Ei, a Kirsten é assim - ISSO! Grande me defendendo, tenho orgulho dela! Haha.
- A Kirsten é submissa, faz o que ele quer... - e suas teorias.
- Exatamente! - voltou a falar - Não acho impossível ele gostar de você. E, esqueci de falar, ele disse que SEMPRE achou isso.
- Ah tá, e agora me diga o porquê ele gostaria de uma garota que é uma merda por dentro?
- Ah, , homens gostam de se sentir pisados às vezes... Veja pelo , eu esnobo ele e ele vem feito cãozinho sem dono atrás de mim. Eu gosto muito dele, mas não deixo transparecer isso, porque senão ele pisa em mim. Eu conheço o , ele é galinha. - vez da de filosofar.
- Okay, mas não é o caso. Você é ótima, o sempre gostou de você e a única coisa é que você não é igual as outras. Mas como o disse, eu sou uma merda por dentro e nenhum cara gosta de uma menina que é uma merda por dentro. Talvez seja por isso que eu nunca tenha tido um namorado, certo?
- Ah, , tu sabe que não é assim também... O só falou isso porque ele não gosta de você, como você não gosta dele. Você tem seus defeitos, mas são seus defeitos, em conjunto com suas qualidades, que fazem você essa pessoa única - sorria pra mim e eu fazia a maior cara de bunda. Cara, eu tinha vontade de chorar - Olha, você odeia o e pra você ele é uma merda. Como ele te “odeia”, - ela fez aspas no ar, vou bater nela - ele também te acha uma merda. Mas olha, nós gostamos do e gostamos de você e sabemos que NENHUM dos dois é uma merda, nem por dentro e nem por fora. Agora deixa de nóia, menina!
- Ah, eu prefiro a teoria de que eu seja uma merda por dentro. Isso explicaria MUITA coisa, okay? Eu nunca tive um namorado e não sei de nenhum cara que me conheça de verdade e goste de mim. Os caras que gostam de mim são aqueles que gostam só por ver, sabe? Eu nunca vou ter um relacionamento porque eu sou uma merda, okay?
- Quantos amigos você tem? Quantas pessoas se importam com você? - começou o interrogatório.
- Eu não sei, tá bom? Como eu vou saber? Eu não sei nem como vocês me aturam. Deve ser por simples consideração, no mínimo.
- , você sabe que não é nada disso - , que fez a cagada da vida de me falar isso, tentava controlar a situação - Meninas, acho melhor a gente deixar ela um pouco sozinha pra pensar. Tá precisando, acho que ela usou muito a cabeça na prova de química que fica só pensando merda agora. Tchau, - todas se despediram de mim e eu fiquei mofando no quarto, com mais uma merda pra pensar. E eu achava que apanhar do era um problema. O problema é ser beijada por ele e depois saber que você é uma merda, o que explicaria muita coisa na sua vida. Tomei meu banho e fui ao quarto do Phil.
- Phil...
- Fala, pentelha.
- Posso falar com você?
- Sabe, se for problemas de menina, melhor falar com a mamãe, eu não vou ajudar muito.
- Não, Phil. Não é nada disso...
- Então fala.
- Ahn, se você descobrisse que alguém tivesse falado que você é perfeita por fora, mas que por dentro você é uma merda, você se importaria?
- Quem falou isso de você, ?
- Você se importaria?
- Acho que sim, mas você tem que saber se essa pessoa tem algum motivo pra falar e se é só ela. Muitas vezes as pessoas simplesmente não gostam de você, mas não quer dizer que isso seja verdade...
- Ah...
- Mas quem disse isso?
- Não me zoa?
- Não.
- O .
- E desde quando você liga para o que ele fala? - eu sentei no lado dele e ele me abraçou.
- Desde que eu descobri que ele falou isso e que isso explicaria muita coisa na minha vida.
- E que tipo de coisas explicaria?
- O fato de eu nunca ter tido um namorado, de nenhum cara que realmente me conheça goste de mim...
- Ah, cala a boca! Você sabe que ele nunca vai poder te achar a melhor pessoa do mundo e nem você dele, vocês dois brigam que nem cão e gato, vocês não se conhecem de verdade. Garanto que se você tentasse falar que nem gente com ele, você ia descobrir que ele é um cara muito legal. E pra ele a mesma coisa.
- Mas Phil...
- Mas nada, meu. Tu sabe que não é merda nenhuma, você é uma das melhores pessoas que eu já conheci e isso não é porque você é minha irmã. Os meus amigos adoram você e ficam me perguntando o tempo todo se você tá bem...
- Obrigada, Phil. Te amo! - dei um beijo na bochecha dele, que sorriu e eu saí de lá, até mais calma, posso dizer. Conversar com o Phil me acalma, sabe? Cheguei no quarto e coloquei meu pijama, fui dormir, apesar de não conseguir, porque meus pensamentos tavam no . Quem diria, hein!

Capítulo 5

Acordei com o primeiro cutucão da minha mãe, o que não acontecia há muito tempo. Eu tava mais calma e tava disposta a mudar a opinião do . Antes de dormir eu pensei que não quero carregar essa cruz pra vida inteira, então quanto antes arrumar, melhor. Me arrumei, tomei café, fui pro colégio, o de sempre.
- Meninas, eu tava pensando sobre ontem. Eu fui conversar com o meu irmão e isso me esclareceu muita coisa. Eu acho que eu não quero que o me odeie pra sempre, sabe? Não é legal ter pessoas que odeiam você. Se a gente puder diminuir a lista, por que não? - eu parecia bem otimista, mas meu interior gritava que algo ia contra isso.
- NOSSA! Eu ouvi isso? , você tá bem? - apareceu do nada colocando a mão na minha testa, tentando medir minha temperatura pra ver se eu não tava delirando.
- Pois é, . - e chegavam e não pode deixar de contar a “novidade”.
- NÃO ACREDITO, SÉRIO?
- CARACA, o mundo vai acabar? Te juro, agora tenho até esperança que um dia o mundo fique em paz.
- Pois é, dudes...
- Pois é, o quê? Que houve aí, cambada? - chegou causando e todos olharam pra mim.
- Nada, - pulou , que ia abrir o bocão.
- Ahn, okay. Vamos pra sala, vai. Quem tem matemática agora?
- Eu e a .
- Ah, merda, tu podia ter faltado, né, ! Que saco agüentar você essa hora da manhã... - Caraaaaaaca, devia socar.
- Seja forte, . Você consegue - me guiava até a sala de matemática fazendo massagem nos meus ombros com intenção de me relaxar.
- Boa sorte, ! - disseram as meninas em coro, sorrindo.
Sentei na frente do , que estava no lado do . Pela primeira vez, me concentrei TOTAL na aula. - Olha isso, ! - ele tacou uma bolinha em mim, pode? Como eu não reagi, tacou outra e outra e outra e outra, começou a me xingar e cutucar.
- ! Tu tem problema?
- Ahn, você.
- Errado, o seu pau pequeno.
- TU É LOUCA?
- Que foi? A biba ficou brava?
- Biba é teu rabo, tua puta!
- Vocês dois, pra fora! - A Sra. McPhee ficou putona com a gente.
- OLHA, É TUDO CULPA SUA!
- CULPA MINHA? VOCÊ QUE FICOU TACANDO BOLINHA, ME CUTUCANDO E XINGANDO!
- OS DOIS, PRA SALA DA DIRETORA, AGORA! - dessa vez a gente não ignorou e saímos da sala.
- , tu tá fudida!
- Tô fudida, é? Por que EU tô fudida? É você que nem devia tá no colégio, só tá no colégio porque seu pai falou com a professora e ela ficou com pena dele ter um filho tão merda! Agora agüenta! Na hora de fazer, você tem coragem, pra assumir as conseqüências, não!
- Cala a boca! - me empurrou.
- Você me empurrou ou foi impressão minha? - juro, tava roxa de raiva.
- Empurrei e empurro de novo - e me empurrou de novo.
- VAI SE FUDE! - dei um soco bem no estômago dele.
- Tu é louca, menina? - começou a segurar meu braço bem forte, mais forte que ontem.
- AH, você não me conhece! - virei a mão na cara dele.
- Eu conheço sim, eu sei a merda que você é! Eu te conheço desde que você nasceu, eu posso falar que te conheço. Tu é uma merda, se liga! Não tem sentimento por ninguém! - okay, ele não precisava dizer isso, eu ainda não tinha superado. Eu comecei a lacrimejar.
- Nossa! E pensar que eu tava pensando em consertar as coisas com você...
- Own, agora vai chorar? - ele continuava apertando meu braço, cada vez mais forte.
- Tu é um merda, não pode falar nada de mim! Somos dois bostas e você acha que tem moral pra falar, HAHA! - ri irônica, quase chorando.
- Eu não sou um bosta, fale por você - largou meu braço e se sentou na cadeira da frente da sala da diretora.
Ficamos ali até nossos pais chegarem. Quando eles chegaram, resolveram fazer com que entrássemos junto com eles. HÁ, quer piorar minha vida? Nos fizeram contar tudo, tivemos outra discussão, quase saímos no tapa de novo, até que a diretora nos mandou sair pra conversar com nossos pais. Eu não queria ser expulsa. Tava quase morrendo de agonia lá e decidi ligar pro meu irmão. Ele devia tá no trabalho, mas liguei no celular.
- Phil?
- Fala, amor.
- Eu acho que eu vou ser expulsa.
- O QUE TU FEZ?
- Eu e o idiota do discutimos e saímos na mão, aí a diretora chamou nossos pais e fez a gente falar tudo na frente deles.
- Putz, tu tá fudida. Deixa eu falar com o .
- Por que você quer falar com ele, Phil?
- Passa pra ele, vai.
- Que legal, agora até meu irmão me troca por ele. Te odeio - tirei o celular da orelha e passei pro - Tom a, ele quer falar contigo.
- E aí?
- Pode contar...
- Eu tô mais fudido que a sua irmãzinha. Eu fui suspenso, mas meu pai conseguiu que eu viesse à aula, mas eu estraguei tudo, haha. Incrível.
- Escuta, , eu não sei o que vai acontecer com vocês, mas a minha irmã soube que tu falou que ela era perfeita por fora e uma merda por dentro...
- O QUÊ?
- É, pode ficar tranqüilo que eu não vou falar nada, mas tu não tem noção do quanto ela ficou mal por isso. Eu nunca tinha visto ela assim, porque ela nunca demonstrava sentimentos e pá, mas ela tava decidida a ser de boa contigo. Então tenta maneirar com ela, por mim.
- Ah Phil, não sei não...
- Tenta, meu. Pode mudar tua vida, haha.
- Vou ver o que posso fazer, haha. Vou desligar, falou. - desligou o telefone e me entregou.
- O que ele queria?
- Falar comigo, assunto masculino - bufei e coloquei o ouvido na porta, a fim de escutar algo sobre nós – O que tu tá fazendo, ?
- O que parece que eu tô fazendo, ?
- Sei lá.
- Idiota, eu tô tentando escutar o que eles falam!
- Ahhhh - veio no meu lado e grudou o ouvido na porta – Desisto! Não dá pra escutar nada!
­ Não mesmo - me joguei na cadeira.
Depois de alguns minutos, a porta se abriu e nossos pais em companhia da diretora saíram da sala.
- Sr. , o senhor sabe que tá bem encrencado, não? - Sra. Hustrey começou o discurso - Você e a Srta. ... Qual o nome da menina de ontem?
- Kirsten - dissemos em coro.
- Sim, essa mesma. Você e a Srta. Kirsten foram pegos fazendo coisas indevidas no colégio, mas como seu pai veio conversar comigo, eu permiti que a pena fosse apenas para ontem. Esperava que você tivesse um bom comportamento por um tempo, mas vejo que não foi isso. Estou extremamente decepcionada com o senhor, Sr. . E você, Srta. , não tenho muitas reclamações de você. Eu deveria expulsá-los, mas não vou. Vocês dois vão para suas casas, sendo uma suspensão por hoje, irão todos os dias à detenção e terão que fazer um grande trabalho, valendo dez, sobre qualquer assunto que vocês decidirem em conjunto. Fui clara?
- Siim, senhora. - respondemos juntos.
- Agora podem ir pra casa, acho que seus pais querem dar uma palavrinha com vocês.
Fui pro carro e liguei meu Ipod. Por mais que meus pais quisessem falar comigo, eu não queria ouvir. Não entendia coisa nenhuma que eles falavam, apenas fingia. É sempre bom “concordar” com eles quando eles tão bravos.

Capítulo 6

Eu devo ser a pessoa mais infeliz do mundo. Quando cheguei na minha casa, fui acompanhada pelo . Por que? Ahn, os nossos pais, não felizes com o castigo que a escola ia dar pra gente, resolveu castigar ainda mais. Nós dois ficamos sentados no meu quarto, eu na minha cama e ele na poltrona, enquanto nossos pais estavam na sala de jogos, que é no primeiro andar. Sabe, eles queriam que a gente ficasse bem longe deles, pra que a gente não escutasse o que eles iam decidir. Continuei escutando meu Ipod, tava tocando Hot, da Avril.
- I wanna lock you up in my closet where no one's around, I wanna put your hand in my pocket because you're allowed, I wanna drive you into the corner and kiss you without a sound, I wanna stay this way forever, I'll say it loud, now you're in and you can't get out... (Eu quero te trancar no meu armário onde não tenha ninguém por perto, eu quero por sua mão no meu bolso, pois você tem permissão, eu quero lhe puxar no canto e te beijar sem fazer barulho, eu quero ficar assim pra sempre, eu vou dizer isso alto, agora você está na minha e não pode sair).
- Nossa, que tentação - ele precisava me encher o saco até nesse momento? Ele tava mordendo o lábio inferior e, meu, como ele tava lindo.
- Eu te odeio, ! Eu te odeio MUITO! Graças a Deus o ano tá acabando e eu vou mudar pro Brasil... - desabafei, cara.
- O quê? - se ele não me odiasse, podia jurar que ele tava meio estranho com a notícia.
- O que o que, ?
- Por que você vai pro Brasil?
- Ah, eu sempre quis ir pro Brasil, aí eu decidi acabar o colegial lá.
- Mas e o povo? Vai abandonar eles mesmo? - ele aumentou o tom de voz dele e levantou da poltrona, meda.
- , é só um ano! Eu sei que eu vou sentir muitas saudades deles, mas eu não agüento mais briga todo dia. Eu quero dar um tempo disso daqui. Tu não percebe que a gente só machuca eles com as nossas brigas? Eles tão no meio de tudo isso e não podem falar nada porque eles gostam da gente.
- Não acredito que tu vai fazer isso - sentou de novo ao ver a porta se abrindo.
- Eles pediram pra chamar vocês - Greg disse e já começou a me zuar - Tu tá muito fudida, ! - desci as escadas já me preparando pro choque. Sentei no sofá e o sentou no meu lado. Os nossos pais tavam na nossa frente com as carinhas tchucas bem sérias.
- Seguinte, a gente pensou em muitas coisas que a gente poderia fazer com vocês, mas nenhuma delas era boa o bastante pra aliviar a dor de cabeça de todos esses anos de briga de vocês. Quando vocês eram crianças era aceitável, mas agora vocês já têm 17 anos e sabem muito bem o que fazem.
- Eu tenho 16 - eu disse, sem perceber que o ambiente não era pra isso.
- , deixa a Deb continuar - minha mãe gritou e me deu um beliscão.
- Tá, mãe, que horror! - fiz uma cara de espanto.
- Tínhamos pensado em mudar vocês pra um colégio público da periferia da cidade, mas não quero vocês dois com más influências. Pensamos em deixá-los sem ir a festas, baladinhas...
- Baladinhas, mãe? Que merda - haha, o parecia um viado rolando os olhos.
- , fica quieto! - eu TINHA que pagar uma de boazinha, né? - Nós decidimos que, como as férias de verão tão chegando, vocês não vão viajar e vão ficar durante as férias inteiras sob um mesmo teto.
- VOCÊS TÃO LOUCOS? A GENTE IA PRA ITÁLIA! - meu deus, morri.
- Querida, a gente ainda vai, você que não. - é incrível como a minha mãe consegue ser uma cobra NESSAS horas.
- Nossa, como você é engraçada! A culpa é toda dele e eu também levo? Realmente não existe justiça no mundo!
- Cala a boca! Você fala que o mundo é injusto só porque você não vai pra Itália, mas não percebe que lá fora tem milhões de pessoas passando fome. Isso é justo? - tá, meu pai ficou nervoso e eu realmente tava reclamando de barriga cheia.
- Seguinte, a gente vai viajar e a gente não sai até o final do ano, que tal?
- Você acha que eles vão deixar? Eles querem que a gente fique morgando aqui em casa.
- Vocês merecem esse castigo. Durante todos esses anos vocês atazanaram a nós, aos seus amigos, aos professores, à diretora e a todos, não acha que o castigo veio até tarde?
- Eu não tenho culpa se eu não me dou bem com ela!
- Não interessa! Vocês não tem respeito por ninguém. Se você não se dá bem com uma pessoa, apenas IGNORE.- meu pai ficou estressadão, mas eu acho que também ficaria no lugar dele se eu tivesse uma filha que nem eu - Vocês não vão mudar nossa decisão.
- Eu nem vou tentar mais. Vou dormir, boa noite pessoas que eu gosto! - mandei um beijinho no ar, uuuuh! O povo todo me desejou boa noite, menos the fuck, lóógico. Me joguei na minha cama ao chegar no meu quarto, não conseguia dormir. Porra, eu ia ter que ficar o verão inteiro sob um mesmo teto que o , tipo assim, HORROR! Por acaso eles pensaram que vão ter que comprar uma casa inteira depois? Porque, tipo assim, não vai ficar inteira. Dormir pra esquecer todos os problemas, HA!

Capítulo 7
Impressão minha ou os dias tão começando a passar voando? Pois é, eu e o já decidimos o tema do nosso trabalho e já até começamos a fazer. Tem que ser algo que toque o coração da megera da diretora, algo como a AIDS na África. Exatamente o nosso tema, he. Mas o problema é que o não faz nada e quando faz, tem que ensaiar, tá foda. O trabalho devia tá só no MEU nome, porque acho que trabalho em dupla tem que ser feito pelos dois, não por um apenas. Anyway.
- , o ta tomando banho, mas pode esperar lá no quarto dele - Carla, a empregada de , sorriu e voltou a trabalhar. Subi as escadas e me dirigi ao quarto no fim do corredor. Entrei e sentei na cama, de pernas cruzadas. O é menino, mas demora que nem menina! Comecei a encarar o mural de fotos. Tinha uma foto nossa quando éramos pequenos. Oi? Foto nossa? Pois é, menina! Tô tão chocada quanto você! Pareço uma bésha agora, amay. No lado tinha uma foto de nós 8 quando a gente foi assistir um jogo do Manchester. Todos usando camisas do Manchester, o e a usando do Bolton, eu abraçando o e fazendo bico e ele sorrindo grande, as meninas agaixadas com as mãos nos joelhos (N/A: Boleiriinhaaaas! *---*) e os meninos atrás delas, se empinando pra trás, dando impressão de que? Que bom que eu não preciso ser explícita. Em meio a minha viagem no tempo, não percebi que o tinha saído do banho.
- ? - haha, ele tava vermelhinho e eu mais uma vez PARALISEI, bésha! Fiquei com cara de idiota olhando pra ele, que tava com a toalha cobrindo apenas da cintura até a metade da canela - ? Vai ficar babando mesmo?
- Aff, babando? Se toca! E a propósito, a Carla tinha mandado eu esperar aqui - dei a língua.
- Babando sim, eu vi. - ele começou a andar na minha direção e eu idiota não fiz nada. Isso que dá não ser acostumada a pensar. Okay, eu penso. Penso até demais, mas não sei pensar nas horas necessárias, fato. - , tá babando de novo.
- Não tem porque babar. Err, , você tem anorexia, bulímia, problemas com a aparência? - sabe, eu posso agir que nem idiota, mas eu sei retomar as rédeas da situação. Orgulho de mim.
- Ahn? - típico dele, ele nem deve saber o que são essas coisas.
- Nada, . Nada. - sentei na cama de novo e olhei pra ele - Quando a gente vai começar?
- Eu não quero fazer o trabalho, vamos na piscina?
- , entenda uma coisa. Primeiro, a gente PRECISA fazer esse trabalho ou você quer ser expulso? Segundo, quanto mais cedo a gente fizer esse trabalho, mais cedo a gente termina e pode aproveitar a vida. Terceiro, eu não iria na piscina com você, mesmo que eu esteja morrendo de vontade de entrar numa piscina quentinha - tava falando que nem minha mãe, mas aí comecei a desandar falando da piscina, parecia uma drogada.
- Dá pra terminar o trabalho hoje?
- Dá.
- Então, vamos fazer ele bem rápido e a gente vai pra piscina. Ou você prefere ir pra sua casa mofar? Porque, se você não lembra, todos os alunos, incluindo nossos amigos, foram pra Oxford, fazer um tourzinho pela faculdade, então se você quer ter uma companhia, eu sou sua única opção.
- CARACA, verdade! Tinha o passeio hoje e a gente perdeu, merdaaaaaaaa! Maldita hora que a gente foi discutir - sentei na cadeira do computador e comecei a pesquisar o resto do trabalho, só faltava finalizar, o que eu teria que fazer, já que se dependesse dele, o trabalho não saía nunca.
Depois de uma hora e meia, mais ou menos, acabei o trabalho e vi que o cochilava. Meu instinto falou alto, ou melhor, se esgoelou. Peguei um batom no quarto da Kendra, que tava estudando na Espanha, e voltei pro quarto. Me ajoelhei ao lado da cama, lado que o tava com o rosto virado, e comecei a passar na boca dele. Ai, cara, me segurei DEMAIS pra não fazer besteira. Passei nos olhos, na bochecha e na testa escrevi “GAY”. HAHA Ele acordou meio assustado e eu joguei o batom no chão.
- , tu tem problemas?
- Já se olhou no espelho hoje?
- Claro que já! Mas o que... - ele tava meio cabreiro, ainda mais quando eu fiz meu melhor sorriso malicioso. Ele correu até o banheiro, lavou o rosto e voltou até o quarto. Eu tava gargalhando, meu. Mas ele nem ficou bravo. Acho que ele sacou que era pra relaxar os ânimos.
- Engraçadinha, vamos na piscina?
- Não tenho o que usar, cabeça.
- Pega no quarto da minha irmã.
- Ah, beleza. - fui ao quarto da Kendra, peguei um biquíni que a parte de cima era listrada em azul-marinho e branco e tinha uma pedrinha de âncora e em baixo era azul-marinho normal. Mas tenho que admitir, a Kendra gosta de cada coisa pequena, não sei como o tio Bob deixa, ciumento do jeito que ele é. Anyway, entrei no banheiro e me troquei. O já tava lá embaixo com as nossas toalhas e salgadinho pra comer. Faltava uma cerva, fato. Quando cheguei lá embaixo, ele tava agachado na frente da geladeirinha da área da churrasqueira pegando duas cervejas. SCORE! Ponto pro ! Deitei na cadeira de tomar sol. Sabe, eu tô MUITO branca. Mentira, não muito, mas estou. Meus olhos tavam fechados, mas eu percebi ele se aproximando. Abri os olhos e o vi estendendo a cerveja.
- Valeu, . - sorri simpática, afinal ele tava abrindo as portas da casa, não exatamente da casa, tava só me deixando entrar na piscina, mas de qualquer jeito, ele foi legal em fazer isso.
- , não tinha coisa maior pra usar? Não tá tão em forma, não.
- Ahn, a sua irmã só tem biquíni pequeno, não é culpa minha. E eu vou levar o “não tão em forma” como um elogio.
- Tu sabe que eu tô brincando, idiotinha. Esse é um dos maiores biquínis da Kendra, ela não usa ele desde que ela tinha uns 16 anos.
- Realmente, a Kendra tem uns biquinis muito pequenos, não sei como ela agüenta! Haha.
- Ah po, é bom usar biquíni pequeno. Eu uso sempre com os meninos.
- Sério? Deve ter ficado tão bonitinho.
- Fico uma graça, melhor que você. Se é que é possível... - Sabe, a tentativa dele de falar “se é que é possível” baixo não foi feliz.
- Deve ter ficado mesmo - dei uma piscadinha, virei a garrafa de cerveja e fui mergulhar. - , a água tá uma delícia!
- Tem uma baleia na minha piscina, cara.
- Engraçadinho. - mostrei a língua pra ele e comecei a boiar. Boiar na água, eu digo. Quando dei em mim, já tava meio ardida, então saí da piscina pra tomar sol nas costas, porque gente bicolor NÃO DÁ! Me deitei na cadeira ao lado da do .
- Tá tentando me impressionar, ?
- Por que eu estaria?
- Tá de costas, po.
- Ahn, nunca viu ninguém tomando sol nas costas?
- Só as que querem se mostrar.
- Bom, eu tomei sol o tempo todo na frente, se eu não tomar atrás vai ficar meio estranho.
- Ah, mesmo assim.
- Mesmo assim o caralho, ! Não tô fazendo nada pra você olhar, ainda mais que você tá acostumado a gente com menos roupa que isso. - Sabe, se olhar tirasse pedaço eu já não existia mais. Quase mandei ele comer a Kirsten, mas eu tava na casa dele e tinha que ser educada. Depois de uma meia hora tomando sol, me levantei pra pegar uma cerveja na geladeira.
- Quer mais uma, ?
- Quero - peguei as duas cervejas e entreguei uma pra ele.
- Tu tá rosa, não vai entrar na piscina?
- Ah, sei lá. Tô com preguiça.
- AH MEU, deixa de besteira! - eu parecia uma criança, até na voz. Quando eu quero que alguém faça algo, eu me torno uma criança sem perceber.
- Tá bom, tá bom. - ele bufou e sentou na borda da piscina. Eu pulei e fiquei esperando ele entrar.
- Vai ficar parado aí?
- É que tá fria.
- E daí?
- E daí que tá fria!
- Deixa de ser viadinho, . - saí da piscina e fingi que ia pegar salgadinho.
- O que tu vai fazer? - ele ficou me encarando e eu dei de ombros. Ele nem ligou, finalmente mentir para os meus pais me levou a algum lugar. SCORE! Empurrei o na água. É isso que dá ser foda. Eu sou foda, meu pai é fodinha, okay? Eu sou mais foda que meu pai, meu pai não empurra o na água.
- , tu tem merda, é? - ele parecia um bicho saindo da piscina e correndo atrás de mim. Me pegou no colo e me jogou na piscina. Cara, não me obrigue a admitir que ele é tão foda quanto eu, porque não é, sabe? Eu tive a idéia, ele apenas copiou. Ele entrou na água e a gente ficou se encarando meio “oi?” e ficamos lá, mofando. A gente saiu do transe quando os meninos escancararam a porta e o gritou “E aê putada!”.
- GERAL! BRIGA DE GALO, ROLA? (N/A: Róla, não rôla. :B) – gritou , assustadoramente animado.
- ROOOOOOLA! - todos gritaram, menos eu e o , que ainda estávamos meio atordoados com eles ali do nada.
- Ahn, então beleza. Eu e a ... - começou e eu tive um PÉSSIMO, HORROROSO, FILHO DUMA PORCA de pressentimento que o ia sobrar pra mim.
- Eu e o - disse porque sabia que se sobrasse pro fazer isso, ela ficava sozinha. Ou com o .
- Eu e a - olhou malicioso pra menina, que respondeu com uma risadinha. CARA, FIQUEI PUTA!
- Eu não vou participar, gente - saí da piscina procurando minha toalha.
- Ah, , leve mais na esportiva. - Isso foi meio estranho, ou completamente, vindo do .
- Oi? - eu me fingi de desentendida, quantas vezes eu ia ouvir aquilo na vida? Bom, se ele repetisse, seriam duas.
- É po, eu não vou te morder. Só se você quiser, mas aí já vai de você, sabe...
- Ah, sei lá...
- Briiiinca, - vieram as meninas me apertarem, tentando me convencer a brincar com elas.
- Tá bom, eu briiinco! Quem contra quem?
- Você e o contra e , e eu contra e .
- HAHAHA A GENTE VAI GANHAR, ! - eu fiquei feliz com os meus adversários, a é mó molenga e o nem se fala.
- Gracinha você, hein. Vamo logo que eu quero derrotar esses dois idiotas - disse ameaçadoramente, mas não funcionou. Os meninos entraram na piscina e se abaixaram na frente da borda, pra que eu e a pudéssemos subir. Eles ficaram de frente pro outro e nós ficamos com as mãos no ombro uma da outra, quando o apitou, nós começamos a nos empurrar. Não demorou muito pra cair.
- Eu disse que ia ser fácil. - saí convencida, porque eu posso.
- Aê , não tá sendo ruim jogar no teu time.
- JOGAR NO MEU TIME? Você virou gay, ? - PORRA, CHOQUEI.
- Não, idiota. Jogar no seu time, brincar contigo de briga de galo, te lembra alguma coisa?
- Ah... - que fora - Tá sendo bom jogar no teu também. - sorri envergonhada.
- VOCÊ VIROU LÉSBICA? - me imitou e todos riram, menos eu.
Depois do e da perderem pro e pra , nós brincamos e eu e o ganhamos, lógico. Eu sou foda, meu. Ninguém acredita quando eu falo. Peguei minha toalha e me sequei, sentei na cadeira de sol e observei eles, principalmente ELE. Cara, como eles são idiotas. HAHA Idiotas no sentido bom. E, cara, o tava tão gato molhado. CALMA, eu disse isso? Eu tô mudada, cara! Preciso me internar, alguém tem o telefone de um manicômio decente?
ligou o som e colocou numa rádio. Tava terminando de tocar Miracles, do Happyendings e começou a tocar Mr. Brightside.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! - corri e arranquei o som da tomada. Preciso dizer que fui vítima de olhares amedrontados?
- Que foi isso, ? - se aproximou com cautela, com medo que eu a atacasse.
- Essa música não traz boas lembranças.
- Não entendi, .
- Porra, , se fosse pra alguém entender, eu falava.
- Ai, , coitadinho do meu bebê - fez bico e foi abraçar o , que tava meio atordoado com a minha resposta. Mas porra, eu lá tenho culpa que ele faz pergunta inoportuna? Anyway, ignorei a . Ia correr o risco de fazer uma resposta bem elaborada pra eles dois e eles nunca mais olharem pra minha cara só por causa da minha paranóia e da burrice do . Me levantei, terminando de me secar.
- Ahn, por hoje tá bom, né. Beiiiiijinhos pra vocês! - saí andando, deixando todos pra trás, meio boquiabertos pelo meu ataque, pela grosseria e por eu ter saído do nada DE NOVO. Busquei minhas roupas que eu tinha deixado no banheiro do e me vesti. Será possível que agora toda vez sairia alguma coisa errada?

Capítulo 8

Decidi andar pelo Hyde Park, eu posso pensar sobre tudo. Comprei uma coca-cola e me sentei na grama, pensando sobre o ocorrido. Eu nunca pensei que isso ia acontecer. Até alguns dias atrás eu e o nos odiávamos, depois dá a louca nele e ele me beija e faz a minha vida ficar de pernas pro ar, ele não tem esse direito, cara! Ele deve tá apenas brincando com os MEUS sentimentos, enquanto eu, a trouxa, caio feito uma pseudo-apaixonada. Dei um gole no meu refrigerante e fiquei observando um grupo de crianças jogando futebol no outro lado. Senti meu celular vibrar no meu bolso e atendi, era minha mãe.
- , aonde você tá?
- No Hyde Park, mãe.
- Com quem?
- Sozinha.
- Sozinha mesmo?
- É, mãe! Vou tá com quem? Meu amante rico de 40 anos?
- Tá muito engraçadinha, hein dona . Então, seus amigos ligaram aqui pra casa falando que você saiu de lá e não voltou pra casa, fiquei preocupada.
- Ahh... - dei mais um gole na minha coca e continuei com o telefone no ouvido, esperando ela falar qualquer coisa, mesmo que eu não tivesse interessada.
- De qualquer jeito, vem pra casa, a gente precisa conversar.
- Sobre o quê?
- Nada demais, vem logo.
- Tô indo então, beijo.
- Beijo, filha. - desliguei o celular e terminei de tomar a coca, jogando a latinha no lixo. Fui andando sem pressa até chegar no meu bairro, Knightsbridge. Entrei correndo em casa e meus pais me esperavam na sala.
- Filha, senta aí. - meu pai disse, calmo. Pelo menos não era nada grave. Me sentei e esperei eles começarem a falar.
- Tô esperando, gente. - eu disse meio impaciente.
- Filha, amanhã é sábado e você sabe que depois tem feriado também, então a gente tá indo pra Tintagel com os seus tios.
- SÉRIO? QUE IRADO! Eu sempre quis ir pra lá! - meus olhos brilhavam, eu parecia uma criança quando recebe a notícia que vai pra Disney.
- A gente vai, você não, lembra que você tá de castigo?
- Vocês fazem de propósito, não é possível! Vocês sabem que eu SEMPRE quis ir pra lá e agora que eu não posso, vocês vão! - eu já tava gritando. É sempre assim, parece que eles querem piorar a minha vida.
- Querida, a gente não escolheu o lugar, foi o seu tio. - minha mãe sentou no meu lado e me olhou de um jeito como querendo dizer “se acalma senão eu te dou mais remédio de loucos” - e não seria nada justo você sair do castigo e o não.
- E aonde eu vou ficar? - eu queria dizer “foda-se”, mas eu não sou louca de ficar MAIS de castigo ainda.
- Na casa da sua avó. Ela disse que não quer ir pra Tintagel e falou pra você dormir lá. A gente te deixa lá antes de ir.
- Ah, tá beleza então. E avisa pra Rose lavar esse bíquini que é da Kendra, eu peguei emprestado.
- Tudo bem, eu vou pedir pra fazer um bolinho pra eles e antes de ir pra sua vó você passa e entrega.
- Tanto faz. - eles perceberam que eu tava puta. Fui direto pro meu quarto, me joguei na cama e parece que pensar o dia inteiro não tinha sido o suficiente, então me afoguei em pensamentos de novo. Te juro, isso tá virando um vício. Será que existe Pensadores Anônimos? Caí no sono sem ao menos trocar de roupa, uma porquinha.
Acordei com a minha mãe me cutucando. Ela tava usando um shorts branco, havaianas (N/A: Na Europa e nos EUA é chique, benhê) e uma bata florida. Me espreguiçei vendo ela sair do quarto e me dirigi ao banheiro pra tomar um belo banho, com direito a secador de cabelo depois. Saí de toalha, procurando qualquer coisa pra vestir. Achei um vestido, bonitinho até, branco com uma faixa laranja na costela, combinando com a minha rasteirinha laranja. Prendi meu cabelo em um rabo alto, preso numa fita também laranja, deixando minha franja caída no olho. Abri o armário superior e peguei uma mala de viagem da Kipling e coloquei umas roupas e coisas dentro, pra passar o tempo na casa da vovó. Puxei a mala e a carreguei pra descer as escadas. Entreguei pro meu pai e sentei no carro, sem nem olhar pra cara deles. Todo mundo entrou no carro e meu pai parou na frente da casa dos . Eu peguei duas sacolas no colo da minha mãe e saí do carro, me dirigindo até a porta e tocando a campainha. Sabe, eu tinha CERTEZA que a Carla ia atender a porta, então nem me preocupei, mas quando abre a porta, me aparece um de boxers, tipo. Babei.
- Ahn.. ? - ele dizia coçando o olho e terminando de comer a rosquinha que tava na sua mão.
- Eu mesma, . - como vi que ele ia falar algo, resolvi falar antes - Sem mais delongas, MUITO OBRIGADA pelo biquíni da Kendra... - estendi uma sacola menor - e minha mãe mandou a Sara fazer um bolo pra dar pra vocês. Então, adeus. - ia me virar pra fazer meu caminho de volta ao carro, quando ele resolveu atrapalhar mais minha vida.
- E por que você tá acordada a esse horário? Você podia entregar mais tarde.
- É o seguinte, meu caro . A situação fedeu pro meu lado. Tô com um puta mau-humor e a culpa disso, indiretamente, é sua. Meus pais vão viajar com os meus tios pra Tintagel e eu NÃO VOU! - eu tava levantando o tom de voz, ele sabe ser inconveniente.
- E por que a culpa é minha? - ele fazia uma cara confusa e eu ri ironicamente.
- Por que a culpa é sua? - mordi o lábio inferior, fingindo que tava pensando - Talvez porque tenha sido SUA culpa nós termos quase sido expulsos.
- Ei! A culpa não é minha que você é estressadinha! - rolou os olhos e ficou me encarando com AQUELA cara de bunda sexy.
- Não vou discutir com você, você é inferior, . - olhei com desprezo e saí andando em direção ao carro.
- Que bom que você devolveu o biquíni, você ficou péssima nele. - ele gritou, querendo que eu escutasse o que ele falava. Eu apenas em virei, continuando a andar, e mostrei os meus belos amigos do meio. Entrei no carro e só desci quando chegou na casa da vovó. Corri pela porta, abrindo sem tocar a campainha e abracei ela. Fazia tanto tempo que eu não ia pra lá, cara! E era tão bom, tinha sempre coisa boa pra comer. Ela disse ao mordomo que levasse minha mala ao quarto e me levou pra cozinha, lógico. Lá tinha tudo que você pode imaginar: bolo de banana, donuts, pão doce, chocolate quente... Sentei na cadeira e já fui colocando bolo de banana no prato e comendo.
- , fazia tempo que você não vinha aqui, não? - perguntou, me observando comer e sorrindo. Isso me deixava meio sem graça às vezes.
- Fazia sim - falei com a boca cheia de bolo e ela me entregou um guardanapo.
- Vai com calma, . A comida não vai fugir. - deu uma risadinha tipo de avós mesmo.
- Eu sei, mas é que é MUITO boooom! - sorri, mas era melhor ter ficado de boca fechada.
Depois de comer tudo que tinha direito, minha vó perguntou se eu queria dar uma volta no shopping, fazer umas compras... Cara, como é bom ter uma avó rica. Não sei se mencionei que a casa dela é quase o triplo da minha. Fui escovar os dentes e desci as escadas. Ela tava me esperando com a chave do carro na mão.
- Vamos? - deu um sorrisinho que me dá vontade de apertar bochechas.
- Vaaaamos! - sorri grande, até me deu dor na bochecha depois.
Passamos o dia inteiro no shopping, almoçamos lá e saímos com zilhões de sacola. Tinha sacola até no meu cu se bobear. Fomos ao cinema ver qualquer filme infantil que tivesse passando. Quando foi 8 horas, voltamos pra casa e o vovô assistia TV.
- OIEEEE VÔ! - sentei ao seu lado e o abracei. Ele tinha chegado da empresa há um tempo, mas a gente tava se divertindo fora.
- Quanto tempo, !
Os meus avós me tratavam como criança, todo dia de noite eles me contavam histórias pra dormir, me levavam à sessões infantis no cinema... Mas era divertido, diferente dos meus pais que só me cobram, querendo que eu seja uma velha que nem eles. Subi pro meu quarto e deitei na cama. Meu celular vibrou na minha mão e eu atendi, sem ao menos olhar quem tava ligando.
- Alô? - falei com uma voz MEGA sonolenta.
- , é o . Preciso falar contigo.
- Já está falando.
- Ahn, então... Tu tá muito estranha. Que tá acontecendo?
- Nada, ... E se tivesse, eu não te falaria.
- Eu sei que tu não me falaria, mas eu não tô fazendo isso por você, tô fazendo isso pelos nossos amigos, que se tu não percebeu, tu tá sendo uma merda com eles.
- Vai a merda, .
- Tu sabe que tá errada.
- Por acaso eu falei que tava certa?
- Admite logo que tu tá errada, sua merda.
- Merda, eu? Ou a sua namorada que você nem gosta?
- Que que isso tem a ver? Tu só fala bosta tentando se livrar da culpa.
- , me faz um favor?
- Fala.
- Vai se fuder.
Okay, isso me deixou com MUITA raiva. Eu sei que meus argumentos tavam sendo ridículos, mas o que ELE tem a ver com isso? Eu faço o que eu bem entender, e se algo acontecer, eu vou me dar mal, não ele. Apoiei minhas mãos na janela e fiquei olhando a rua.
- ? Já vai dormir? - minha vó colocou a cabeça pra dentro da porta.
- Vou sim, vó. - sorri, mas ela percebeu que tinha alguma coisa errada. Me deitei na cama, embaixo das cobertas, e ela se sentou no meu lado.
- É o , né?
- Não só ele, vó.
- O que você fez?
- Ah, eu tô sendo horrível com os meus amigos e o fica se metendo na minha vida.
- Querida, ele tá tentando te ajudar.
- Eu sei, mas em momento algum eu pedi ajuda.
- A gente só ajuda quem gosta, não?
- Como assim?
- Pra ele tentar te ajudar, ele deve gostar de você. Como amiga, ou algo mais.
- Não, vó. Ele só tá tentando ajudar meus amigos. Porque o meu humor afeta eles.
- Não acho que seja só isso, mas mesmo assim. Vamos esquecer um pouco isso. Que história você quer hoje? Branca de Neve ou Os 3 Porquinhos?
- Os 3 porquinhos, vó! - sorri grande e deitei minha cabeça de lado no travesseiro, podendo vê-la. Ela contava tanto essas histórias que já tinha decorado. Na metade da história eu dormi.

Capítulo 9

Acordei com o meu celular vibrando no criado-mudo. O nome do escrito no visor não me animou. Antigamente eu atenderia o com o maior prazer do mundo, largaria até o Cristiano Ronaldo pra falar com o , ou qualquer um deles. Fiquei encarando o celular por alguns segundos e resolvi atender.
- Fala, camisinha do meu sexo.
- Nossa, superou. - ele disse rindo leve.
- haha, eu tenho o dom, meu caro .
- Seguinte, bundão. Tu tá na casa da sua avó?
- Tô, como tu sabe? - estranhei. Eu não tinha contado pra ninguém, como ele sabia?
- O disse. - ah, óbvio.
- Que fofoqueiro.
- Tava fugindo de mim, é?
- Claro que não, ! Só que ele não precisava ter contado, você podia descobrir sozinho isso.
- Ahn, sei. Então, quer ver um filme aqui em casa?
- Ah , eu não sei... Eu tô estragando tudo ultimamente.
- O que tá acontecendo, ? Você tá muito estranha.
- Eu não te contei ainda, contei pras meninas, mas se pá o já te disse.
- Disse o quê?
- Ahn, que a gente se beijou na casa da .
- O QUEEEEEEEEEEEEEE? VOCÊ ME ESCONDEU UMA COISA DESSAS? - tirei o telefone do ouvido e esperei ele se acalmar.
- Eu não escondi, só não contei, é diferente. E eu tô muito diferente desde que isso aconteceu.
- Então me conta. - contei TUDO pra ele, que ouvia meio incrédulo, como as meninas.
- Ah , você tá gostando dele? - MUAHAHAHA o tem doenças mentais, não é possível.
- Preciso responder essa pergunta? - fui interrompida pela minha vovó do meu coração me chamando pra almoçar.
- , vamos comer? O almoço tá na mesa. - disse sorrindo.
- Já tô indo, vó - retribui o sorriso e esperei ela fechar a porta pra falar com .
- Idiota, tá na linha ainda?
- Tô, né. - ele disse meio sem paciência - , você TEM que vir. Pra se ajeitar com as meninas, elas tão chateadas com você.
- Mon amour, elas não deviam ter sentimentos, como eu não tenho.
- , escuta aqui. Você ama elas e você se importa com o que elas pensam sobre você e você não quer que elas tenham uma péssima impressão, quer? - ele falou bravo.
- Não...
- Então você vem. Essa vai ser a última “semana” de aula antes das semanas de prova, então a gente tem que aproveitar esse fim de semana, né? E depois da semana de prova, férias finalmente!
- Nem me fale de férias...
- Por causa do ?
- É lógico! Cara, meus pais têm merda na cabeça.
- Haha eles que não esperem a casa inteira!
- Exato, ! Haha tô com saudades de apertar sua bunda, zinho. - falei com uma voz fofa.
- Então vem aqui em casa que acaba a saudade!
- Tá, mas que horas?
- Às 17 horas, beleza?
- Beleza, vou almoçar. Te amo, bundudinho. Beijos na carola.
- CAROLA? - ele teve um ataque de riso.
- Tô zuando, na bunda.
- Te amo, beijos tu sabe aonde. - OPA! Ficou feio! MUAHAHA Desliguei o celular, taquei na cama e calcei minhas pantufas pra ir almoçar. Meus avós me esperavam, conversando.
- Quem era no telefone, ? - minha vó perguntou doce, me servindo.
- Era o - dei uma garfada no meu bife.
- Aquele seu amigo mais bonitinho, sem ser o ? - não é possível que até ELA goste o .
- Ele mesmo, vó.
- Ah, aquele menino é tão educado. A avó dele fala maravilhas dele!
- Eu sei, ele é um ótimo menino, vó. - sorri.
- Eu acho que lembro dele de uma festinha sua. - meu avô abriu a boca pela primeira vez durante a refeição.
- Aham, ele ficou conversando com você sobre golf, lembra?
- Lembro, era esse mesmo! Um bom garoto, .
- É... E aliás, posso ir na casa dele hoje? Às cinco da tarde. Pode? - fiz carinha de cachorro abandonado e eles deixaram. Terminei de comer e esperei eles terminarem também, contando sobre a nossa ida ao shopping pro meu avô.
Fui tomar banho. Saí enrolada na toalha procurando uma roupa decente na minha mala quando meu celular apitou na mesa, era uma mensagem do . “, eu e o tamo indo te pegar, beleza?”, minha típica resposta tarada “Beleza, hots. Dá um toque quando tiver na porta s2”. Terminei de procurar minha roupa na mala, achando uma calça jeans, uma blusa branca de manga comprida com umas frases escrotas em preto e meu adidas de suruba. Prendi meu cabelo em um rabo frouxo que, diga-se de passagem, tava uma enorme privada cheia de merda. Ouvi o celular tocando, era o , óbvio.
- Fala, hot.
- Tá pronta pra suruba? A gente tá aqui na porta já.
- Tô, só vou pegar meu Chanel.
- Só vou pegar meu Chanel - disse, me imitando, fazendo o rir.
- Haha, gracinhas. Beiiijinho, tô descendo.
- Beijinho aonde? - ele falou num tom safado.
- Tu sabe aonde, . - respondi no mesmo tom.
- Haha, te como ainda. Beijo.
- Moleque louco, eu hein. - tá, eu já tava falando sozinha. Oi.
Peguei meu óculos em cima do criado-mudo e saí do quarto. Dei um beijo na minha avó, já que meu avô tava trabalhando. Abri a porta do carro a os dois tavam sentados no banco da frente. Olhei pra eles com um sorriso mega-idiota. Agora me pergunte por que. Também não sei. Não sei se já mencionei que às vezes eu dou selinho nos meus amigos. Oi? Pois é. Nos solteiros, óbvio. Mas tipo, é de amizade, todo mundo sabe. Atualmente só o e o , porque o tá namorando. Mas não sou só eu, lógico. Minhas amigas também, mas a regra também vale pras meninas, só que elas não respeitam no caso do , porque elas não gostam da Kirsten. Repentindo, isso é só às vezes, frequentemente. Dei um selinho no e mordi a bochecha do , que me deu um peteleco forte no nariz.
- sempre grosso. - bufei e me joguei no banco do carro, olhando a rua.
- Sabe mais o que é grosso? - ele disse, rindo da minha cara.
- Agora tá de bom humor, né? Vou te dar um petelecão no nariz também.
- Você tá muito exagerada, ! - ele ficou ajoelhado no banco, me encarando, enquanto o dirigia e eu ignorava o - Olha aquiiiiii, macaca! - ele ficava sorrindo pra mim e eu não tive como não rir. Aquele gay infeliz.
- Te odeio, ! - fiz cara de brava.
- Odeia nadaaaa! - ele sorriu beeem grande e eu desatei a rir.
- GARELA! Chegamos. - parou na porta da casa do , porque ele não gostava de parar lá dentro, o Toy, cachorro do , sempre fazia xixi no carro dele. Saí saltitante, esperando o abrir a porta. Pulei nele e dei um monte de beijos na bochecha dele. Fui pulando pra dentro de casa, quando eu dou uma trombada em ninguém mais ninguém menos que o . Empurrei ele de leve, tirando ele da minha frente, fechando a porta atrás de mim e sentindo o olhar das meninas pesarem sobre mim.
- Eu preciso falar com vocês, meninas. - ahn, elas tavam meio distantes, eu podia sentir.
- Então fala. - a antiga ia falar algo mais simpático, como um simples “fudeu de novo com o mendigo, poota?”
- Eu sei que eu tô sendo uma bosta com tooodos vocês esses dias e...
- Que bom que você sabe. - tava sentada em um canto do sofá, de braços cruzados, finalmente me encarando.
- Eu admito, okay? Eu sei que eu errei, mas é que vocês não entendem o quanto eu tô confusa com isso tudo!
- Pelo amor de Deus, né! Você tá confusa só por AQUILO? - tava de pé, andando na minha direção. Oi, tava com medo.
- AQUILO é MUITO pra mim, okay? - aquilo já tava virando barraco.
- Nossa, me desculpe se você não tem mais problemas, só se preocupar com o que o faz! - a gente gritava tanto que os meninos lá fora deviam escutar tudo o que falávamos, ou berrávamos.
- Como se você tivesse muito o que se preocupar! - eu também me aproximava dela a cada palavra berrada. se levantou e ficou entre nós duas.
- Olha aqui, nenhuma das duas tem moral pra falar de ninguém. - continuava sentada, mas mais apreensiva.
- Eu vim aqui me desculpar pelo que eu fiz e ela me trata assim? - algumas frases a mais, a gente já tava se batendo, rolando pela sala.
- MENIIIIIIIIIIIINOS! - corria pela casa procurando os meninos, para que separassem a briga, enquanto tentava inutilmente nos segurar. Em alguns segundos, entram todos eles correndo, segurando a e o me segurando.
- QUE MERDA É ESSA? - Cara, eu podia jurar que esse não era o que eu conhecia. Eu já tinha visto muitas brigas, mas nunca ele tão bravo quanto agora. - PORRA! VOCÊS SÃO AMIGAS! - eu e a tentavamos nos soltar dos meninos, enquanto eles faziam um puta esforço pra segurar a gente. - CARAAAAAAAAAAAAAAALHO! - o tem um puta tapa na mesa de jantar que eu não sei como não quebrou. - Olha aqui vocês duas, - nós olhávamos pra ele com os olhos arregalados, estáticas - é melhor vocês pararem com essa merda! A gente não precisa de mais brigas entre nós, porra! - ele falava entre dentes. Mesmo que ele tivesse parado de gritar, ele continuava me dando medo. - Agora tá bom? - consentimos com a cabeça - Se abracem.
- Oi? - falamos ao mesmo tempo.
- SE ABRACEM, PORRA! - nos soltamos dos meninos, nos abraçando.
- Me desculpa, amoor. Não devia ter surtado por aquela merda - abracei ela mais forte.
- Eu que tenho que te pedir desculpas, né? Você veio pedir desculpa e eu simplesmente comecei a te acusar. - ela apertou mais o abraço. Tava sufocante já, mas o que não fazemos por uma amizade?
- Momento muito bonito esse, mas tô com fome. Então vocês vão fazer a comida, enquanto a gente arruma aqui pra ver o filme. - o TINHA o dom pra estragar meus dias. Nós fomos pra cozinha fazer pipocas e coisas pra comer durante o filme. Fui perguntar se os meninos iam querer Mc Donalds, mas me deparei com eles vendo o queeeeee? Sim.
- Meniiinos! - olhei pra tela e cara, fiquei estática e de boca aberta. Eles ficaram me encarando do mesmo jeito que eu encarava a Tv - Que merda é essa? - virei pra eles com os olhos arregalados. - Sabe, vocês iam demorar lá na cozinha, aí a gente ia ver um pouco desse filme antes... - sorria amarelo, igual aos outros.
- Ahn, de qualquer jeito - sacodia a cabeça freneticamente, tentando afastar a imagem da minha cabeça. - Vocês vão querer Mc Donalds? - evitava olhar pra eles. Claaaaaro que eu sabia que eles viam esse tipo de filme, mas não esperava ver eles assistindo isso e num 5 contra 1 duhell, provavelmente.
- , olha pra gente.
- Fala logo o que vocês querem, por favor? - tava vermelha, fato. E ainda evitava olhar pra ele. se levantou pra falar comigo e botou a mão no meu rosto, pra que eu olhasse pra ele. Não fiz isso. - AI, TIRA ESSA MÃO DE MIM! - comecei a me debater e esfregar meu rosto na minha camiseta.
- , calma! - ele botou as mãos nos meus ombros, como fazem pra acalmar pessoas.
- , por favor, evite tocar em mim até que você lave suas mãozinhas - tirei as mãos dele do meu ombro. Ele me deu um abraço, mas não encostou as mãos em mim. Okay, foi desnecessário naquele momento. Eu podia sentir, okay? Eu podia sentir o volume na calça dele. - E evite me abraçar enquanto o zão estiver acordado. O que vão querer do Mc Donalds? - Impressão minha ou todos eles vieram me abraçar? Sim, senti suas coisas em mim e dei um berro BEM alto. - Por mim vocês morrem de fome agora! - me virei pra sair de lá.
- Tá, queremos 4 Big Tasty completos. - ouvi falando, segurando meu ombro com a mão nojentaa.
- Okay, okay. - Saí de lá apressada e ouvi a porta fechar e ser trancada atrás de mim. Cheguei na cozinha e avisei as meninas o pedido dos meninos e esperei elas terminarem de falar com a puta do Mc Donalds pra contar o que eu tinha visto.
- MENINAAAAAAAA! - todas falaram ao mesmo tempo, incrédulas.
- Ai que nojo, gente. - eu me sacudia toda, pulando.
- Vá satisfazer o , ! - disse e nós começamos a rir, menos .
- Será que tô em falta? - ela tinha acreditado mesmo no que a tinha falado.
- Caaaalma, todos os meninos fazem isso. Fica calma - coloquei as mãos nos ombros dela e a sacudi, tirando um meio sorriso dela.
- Meninas, preciso falar com vocês. - puxou uma cadeira e nós continuamos olhando. - Acho que o tá me traindo...
- Ahn, por que você acha isso, amor? - disse, puxando uma cadeira e se sentando ao lado da menina.
- Ele tá muito distante...
- Distante como?
- Distante... A gente não se fala mais direito e eu tava na casa dele e ele tinha ido ao banheiro e o celular dele começou a apitar, falando que tinha nova mensagem. Aí eu abri e era um número não gravado...
- E o que tava escrito? - ela mostrou o celular e todas nós nos amontoamos na frente dele, pra ler o que tava escrito.
“Amor, tô com saudades. Faz tempo que você não me liga... te amo, hein! Beijão”
- Por que tu tá com o celular dele?
- Ele deixou na mesa e eu peguei pra mostrar pra vocês.
- Mas pensa positivo, essa mensagem não quer dizer nada, pode ser uma prima, amiga... Sei lá, o é bem fechado às vezes... - eu peguei o suco na geladeira e coloquei no copo.
- Eu também pensei isso... Mas depois ele tinha mais algumas mensagens desse mesmo número... - ela entregou o celular e nós começamos a ler as mensagens.
“Você não sabe o quanto você me faz falta, amor s2”
“Eu também te amo, tu sabe disso. Pena que tem pedras no nosso caminho...”
“Amor, eu não aguento mais ficar sem você... O que a gente tem é pra sempre!”
Quando terminamos de ler, ela já tava chorando. Cara, eu nunca tinha visto ela chorar daquele jeito. Ela amava aquele menino e ele era um miserável de fazer isso com uma pessoa que nem ela. - Bom, a gente tem uma coisa a fazer - todas me encaravam, esperando a minha idéia mirabolante da vez. - A gente podia ligar pra esse número. Do número do , aí ela atende, a gente pega no flagra e tal...
- Eu topo - ela disse, me olhando com a cara toda molhada de chorar. Eu abracei ela e perguntei se ela tinha certeza, ela consentiu.
- Então quem faz isso? Eu não quero me meter nisso... - levantou as mãos na altura do rosto.
- Acho melhor você fazer isso, ... - ÓTIMO! Sempre sobra pra mim.
- Por que eu?
- Você é má, irônica, perversa... - começou a enumerar coisas
- E filhote do demo! - acrescentou e eu olhei em desaprovação.
- Tá, eu faço isso. - peguei o celular da mão da e olhei pra , ela me olhava esperando que eu continuasse. Disquei o número e esperei tocar.
- Tá tocando... - elas olhavam pra mim, coloquei no viva-voz pra que elas escutassem.
- Amooor! Que bom que você tá me ligando! - a voz no outro lado da linha expressava felicidade. Felicidade que logo iria acabar se dependesse de mim.
- Quem é?
- Oi? Quem tá usando o celular do ?
- Querida, creio que EU fiz a pergunta primeiro.
- Olha aqui, eu quero saber quem é que tá falando!
- Engraçado, eu também quero! Então eu acho melhor você falar quem é você e depois eu falo quem sou eu, certo?
- É a Lindsay. E agora me diga, quem é você?
- Ah, então é a biscate? É a , muito prazer. E o Mike, tá bem? E os chifres dele? Também tão bem?
- Oi? Do-do que você tá falando? - ela gaguejava, HÁ!
- Eu sei muito bem que você e o tão tendo um affair. - ela ficou um tempo sem falar nada, mas eu podia ouvir a respiração dela - Tá aí, querida? Quer uma balança pra tua consciência? Ah é, piriguete não tem consciência...
- Olha aqui, você não tem nada a ver com a MINHA vida.
- Nossa, que meda! - ela desligou - Amor, me permite falar com o ? - ela chorava alto, soluçava e suas lágrimas já faziam parte da sua roupa também. - Amor, vai ficar tudo bem. Você não precisa desse merda. - Abracei ela e senti meu ombro ficar molhado.
- O pior é que eu preciso desse idiota... - ela fungou - você vai falar o que pra ele?
- O que ele precisa ouvir e EU SEI que se eu deixar pra você fazer isso, você não vai conseguir. - ela sorriu amarelo e eu andei até a sala onde eles assistiam o filme, e as meninas me seguiam. Bati na porta e ouvi o barulho da Tv parar. O abriu a porta e passou o olhar por todas nós, fazendo uma cara estranha.
- Tá tudo bem? - ele sussurrou pra mim, quando entrei e eu neguei com a cabeça. Sentei na mesinha cheia de cervejas na frente do sofá, mais precisamente na frente do . Ele me olhou estranho.
- , tá tudo bem?
- Ah, eu tô bem e a Lindsay, tá bem? - CARA! Ele gelou, ficou branquinho, cor de leite!
- Como eu vou saber dela? - ele falava baixo e os meninos todos me olhavam estranhos, ainda mais intrigados quando viam a chorando.
- Ah, não sei. Pensa bem, ... Acho que você sabe bem do que eu tô falando. - ele virou o rosto pra encarar , e ela abaixou o rosto, chorando mais ainda. - , como tu pôde fazer isso? - ele ainda a encarava e eu cheguei a sentir pena. DELA! Não dele, óbvio. Todos os meninos olhavam boquiabertos pra ele, esperando uma resposta pra minha pergunta. - O que mudou entre vocês dois? Todo mundo sabia que vocês se amavam DEMAIS e que ela era diferente de todas as outras. - ele não encarava mais ela, ele encarava o chão, os pés, qualquer coisa abaixo. Abaixo? Pode ser o caráter dele também, como quiser.
- Eu não sei... Eu tava bravo com ela...
- BRAVO COM ELA? VOCÊ TRAIU ELA PORQUE TAVA BRAVO? Me poupe, ! Tu é um merda!
- Ela me esnobava, ela fazia de tudo menos me dar atenção!
- ELA SEMPRE TE DEU ATENÇÃO! Você acha que o mundo gira em torno de você e desse seu pinto sedento de sexo?
- Todas as meninas me dão atenção e ela não dá, ELA É MINHA NAMORADA, PORRA! ELA TEM QUE ME DAR ATENÇÃO! - ele começava a gritar, achei que ele ia me bater, mas eu não tenho medo.
- Ah sim, lógico! Ela SEMPRE te deu atenção, mas você quer as garotas que babam ovo pra ti e não sabem nem o seu sobrenome, né? Cara, você não tem noção do quanto ela te ama! E eu sei que você ama ela, mas você não é homem de uma mulher só, né? - ele ainda encarava o que tinha abaixo. - OLHA PRA MIM, PORRA! - levantei o rosto dele e ele tinha ódio no olhar. Não sei se eu tinha mais medo de mim ou dele, anyway. - Tu não vai falar nada? Tu traiu e deixa? É assim?
- Não é do seu interesse!
- Claro que é! Ela é minha amiga e você também, e olha, eu descobri que meu amigo é um bosta! - sorri falsa e ele me olhou com MAIS ódio.
- Acho que tu deve desculpas a alguém, dude! - o era fã de treta, que nem eu. O não respondeu, ele me empurrou da frente dele e saiu de lá. Eu e o saímos correndo atrás dele, enquanto todos os outros abraçavam e apoiavam a .
- AHN, O MC CHEGOU, VEM PEGAR ALGUÉM! - gritei da porta e continuei atrás do . Provável que o fosse buscar, ou algum dos outros. O parou o e ele empurrava a gente, ele tava MUITO puto! Tipo, ele faz cagada e fica puto. Okay, ele é DOENTE!
- PÁRA, MEU! NÃO PERCEBE QUE TU TÁ DESPERDIÇANDO A MENINA QUE VOCÊ MAIS AMA? VOCÊ AMA ELA, CARALHO! - eu comecei a gritar e estapear o peito do . Ele tava chorando e eu me senti PÉSSIMA! Eu o abracei.
- , tu precisa se desculpar. Você precisa ter ela de volta. - sussurrei perto dele.
- Cara, como a pessoa que eu amo não liga pra mim, enquanto as outras parecem que me amam mais que ela? - ele dizia, chorando muito. Cara, que pena dele.
- Dude, ela é diferente das outras. Ela te ama e demonstrava isso, só você não via. - o começou e eu soltei ele, encarando a grama no jardim do .
- Eu preciso de um tempo...
- Você não vai lá com a Lindsay, vai?
- Não.
- , pensa bem! Você ama essa menina.
- Eu sei, eu sei. - ele saiu andando sem se despedir e nós ficamos um tempo parados, olhando ele ir embora. O cara do Mc quebrou o silêncio falando que o havia chamado a gente. IDIOTA DE MC ESCRAVO! Entramos e a já havia parado de chorar.
- Bom, podemos mudar a cena do filme, não? - Cara, que cena horrível! Eu TINHA que pedir pra mudar e tinha que quebrar o clima chato. Todos começaram a rir e trocaram o DVD. O resto do dia correu bem.

Capítulo 10

O resto do feriado passou correndo e logo “começava” a última semana antes da semana de provas. Acordei, tomei banho, me arrumei, tomei café, mesma rotina cretina de sempre. Cheguei no colégio e fui seguida pelo olhar da Lindsay e suas amigas, virei e dei um sorriso vencedor. Ela tava com os olhos inchados, provavelmente o tinha terminado com ela. Avistei o sentado em um banco, só nós tínhamos chegado, eu incrivelmente estava na hora. Sentei ao lado dele e ele não tava muito diferente da Lindsay.
- Amor, tá tudo bem?
- Eu terminei com a Lindsay. A é bem mais importante, mas não sei como ela vai olhar pra minha cara agora...
- Ela te ama, não duvido que um dia ela volte a fazer isso - sorri e ele voltou a olhar pra baixo. - Vai ficar tudo bem, amor! - dei um beijo na bochecha dele e ele sorriu amarelo. Sabe, vou dar uma colgate pra todo mundo, tão sorrindo muito amarelo ultimamente! Logo chegaram os outros e as classes foram chatas, revisões pras provas e coisas chatas assim, tirando que na hora da saída teve treta. Lindsay, , Mike e . Okay, os amigos das pessoas da treta tavam todos em volta, tentando acabar com a briga. Eu, lógico, me meti na briga como uma boa amiga. Após muitos socos, tapas, puxões de cabelo, voadoras, chutes, foram pra diretoria, tomaram advertência e fomos todos pra casa felizes. Quando eu esperava meu pai, eu encontrei queeeeeem? Ninguém mais ninguém menos que Steve Rushton. Cara, ele é MUITO hot!
- , posso falar contigo? - tava sentada em um banco, ouvindo meu Ipod, hehe.
- Fala, Rushton. - dei um sorriso aberto e ele se sentou ao meu lado.
- Então, eu não consigo párar de pensar em você desde aquele dia.
- Que dia, querido? - me fiz de indiferente.
- Aquele que a gente ficou, sabe... Da grama...
- AHHH! Lembro vagamente.
- Então, e eu queria saber se você tava afim de, sei lá, sair comigo pra almoçar no shopping, ir no cinema depois do colégio. - ele ajeitava a franja e sorria envergonhado. CARA! ELE TAVA VERMELHINHO! Normalmente eu acharia isso bem coisa de fruta, mas nele tudo é perfeito, até ele vestido de caixa de leite. E eu estava voltando a ter o velho hábito de congelar sob pressão. - ?
- Ah, eu adoraria, Rushton.
- Então depois do colégio eu te levo no shopping, aí a gente almoça e pega um cineminha, que tal?
- Tá ótimo pra mim. - olhei pro portão e meu pai me esperava.
- Vai lá, gata. - GATA? Que coisa de... brega. E não, brega não é meu cu cheio de prega. Ele deu um selinho em mim e GRAÇAS meu pai não viu. Mandei um beijinho no ar e nós rimos. Muuuuito engraçado.
Cheguei em casa, almocei, me joguei na cama e dormi. Sabe, é bom ter escola, eu volto a ser o que eu sou normalmente, dormindo e congelando o tempo inteiro. Acordei com o despertador tocando. CARA, QUE MERDA! MALDIÇÃO! Aula de tênis em plena quarta-feira que eu estou MEEEEEEGA cansada de fazer nada. Procurei meu shorts preto no armário e minha regata branca. Coloquei minha meia e meu tênis. CARA, COMO EU ODEIO USAR MEIA! Fui até o clube do bairro, onde eu jogo tênis e meu professor me olhava feio.
- Outro atraso, ?
- Eu tô cansadaaaa, tava dormindo.
- Cansada do quê? Você só dorme! Vai logo, vai! - disse me empurrando pra dentro da quadra. Às vezes eu ODEIO ele. - E !
- Que? - com a maior cara de bunda possível, tipo bunda da Juliana Paes.
- Prende o cabelo. - mostrei o dedo do meio e prendi o cabelo em um rabo alto. Ele ria da minha desgraça.
No final da aula, fui tomar água no bebedouro e fui seguida pelo professor. Cara, ele é gato, mas é chato da porra às vezes.
- , você tem sorte de ter talento pra tênis. - ele sorria que nem galã de filme pré-adolescente, à la Hilary Duff. Ele percebeu que eu não tinha entendido e resolveu se explicar - Você é boa no tênis, a melhor daqui do clube, mas você não se esforça pra isso, ainda mais chegando super atrasada todas as aulas. - ele continuava com aquele sorriso perfeito que me tanto me irritava.
- Eu tenho o dom, o que eu posso fazer?
- E é super modesta também. Aliás, você vai participar do campeonato, né?
- Que campeonato?
- O de tênis que vai ter aqui em Londres, oras. Vai dizer que não sabia?
- Então não vou dizer nada.
- Okay, você não sabia, eu devia saber disso. Você nunca sabe de nada.
- EI! - dei um soquinho no ombro dele e nós dois rimos, que romântico.
- HAHA Mas é verdade, você sabe! Continuando, vai ter um campenato nacional aqui em Londres. E os clubes e academias tem direito de inscrever 3 de seus melhores alunos em cada categoria, júnior, teen e profissional, por sexo. Eu vou concorrer pra profissional e eu tava pensando em te inscrever pro teen. O que acha? - ele era PERFEITO! Tanto quanto o Sr. Johnson, mas diferente. O cabelo loiro colado na testa pelo suor, ai.
- Ah, por mim tudo bem. Quando é?
- Durante as suas férias, infelizmente. Vai viajar, criança? - CRIANÇA? Criança é teu pau, querido!
- Não, não vou viajar, senhor. Tô de castigo. - mostrei a língua.
- Ficou brava por que eu te chamei de criança?
- Não. - sim, eu fiquei, idiota!
- Own, não fica braviiiinha! - ele me abraçou e, oi, morri.
- Não encosta que paga.
- Tá braviiiiiinha, que bonitinha! - ele apertava minhas bochechas, como se eu fosse uma criança - mas eu tenho acesso gratuíto.
- Não tem não, querido. - SALVA PELO GONGO! Meu celular tocava - Vou atender. - ele riu e eu atendi - Fala, amoor!
- Vem aqui pra casa quando você sair do tênis, tá todo mundo aqui, menos a e o que estão em depressão.
- Okay, mon amour! Beijiinhos! - me virei pra ele - O papo tá muito bom, mas eu vou tomar banho e ir pra casa da minha amiga, já que eu sou uma criança. - pisquei pra ele e ele ficou lá, parado, com cara de bunda de Juliana Paes.
Tomei meu banho e coloquei minha calça jeans, minha camiseta branca básica e meu tênis de antes. Okay, estou com raiva. Trouxe calça e o tempo está começando a esquentar, kill me. Caminhei até a casa da com minha mala e a raquete. Toquei a campainha e logo apareceu com um pote de pipoca na mão e boca cheia da mesma.
- Okay pig, boa tarde. Por que o chamado?
- Cara, seu tênis é nojento. É cheio daquela terra laranja que tem nas quadras de tênis.
- Bem óbvio, eu só tinha ele lá no vestiário. E cara, tô putaaaaaaaaaaa!
- Que foi dessa vez? - entrei no quarto da , seguida por ela, e me joguei na cama.
- Aquele merda ficou me enchendo os culhões! Tipo, quem ele acha que é pra me chamar de criança, ficar me abraçando e apertando minha bochecha? Ele nem é tão mais velho que eu! - só percebi que todos tavam amontoados no chão, me olhando com cara de interrogação.
- O professor gostoso de tênis? - perguntou mordendo os lábios.
- Ele mesmo. - rolei os olhos.
- Cara, você tem muita sorte de ter um professor que nem ele! Por ele eu faria tênis. - a sempre falava isso quando eu reclamava do meu professor.
- Eu também - levantou as mãos e torceu a boca.
- Ele é mó gostoso! Loiro, cabelo de franjinha, espetado quando ele quer, olhos verdes, corpo PERFEITO, rico, só tem 21 anos. O que você quer mais? Ah, e ele se veste bem, é legal e engraçado. - enumerava e concordava.
- Eu não tô falando disso! Ele pega no meu pé e tá querendo que eu participe de um campeonato.
- Dude, podem parar de falar desse merda? - afogou o rosto em uma almofada.
- Tá com inveja, !
- Nada a ver, esse cara deve ser um mané! , , vocês não concordam?
- YEAH! - os dois gritaram animados.
- E não querem que elas parem de falar deles?
- YEAH! - gritaram mais animados ainda.
- Okay, a gente pára. Aliás, eu nem quero falar dele. - bufei e me levantei, sentando no chão com os outros. - E qual a razão do chamado?
- Tentar fazer o e a voltarem.
- Não vai ser tão fácil assim, o deu uma puta mancada com ela! - não acredito que eles não vão nem dar um tempo pra pensar por si própria!
- Exatamente o que eu disse, .
- Vocês não entendem! Eles se amam e não são que nem vocês.
- Que nem a gente como? - perguntamos ao mesmo tempo.
- Vocês dois são muito orgulhosos pra perdoar, até quem vocês amam. - filosofava e olhava pra nós com cara séria.
- Ah, nada a ver. A gente é normal, não somos trouxas. - eu me defendi, consequentemente o também.
- Chamou a gente de trouxa. - tomou as dores, oh deus.
- Não é isso que ela quis dizer. Ela quis dizer que a gente só se magoa mais, né? - olhou pra mim, tentando consertar minha cagada.
- É isso que o disse - dei um sorriso sem graça pra ele, que riu vitorioso. Odeio fazer cagada. - Mas o que vocês pretendem fazer?
- Pretendemos fazer os dois conversarem civilizadamente.
- E como isso?
- Nós juntaremos na casa de alguém durante o fim de semana, ou essa semana mesmo. E, lógico, estaremos juntos pra evitar brigas. - dizia se sentindo a Einstein.
- Okay então, mas eu acho que devíamos esperar eles se recuperarem um pouco.
- Já tá decidido esse plano, . Só tu e o não gostaram. Como somos maioria, ganhamos. - disse, piscando pra mim em seguida.
- Vocês são do caralho - se levantou e pegou o violão da - Vou tocar essa música que me lembra alguém.
- Quem? - todos perguntaram.
- Alguém. - o sorriu de canto e começou a tocar A Minute Without You, dos Hanson - Well I woke up this morning and the night had been so long, seems that I had had my mind on you, well the day it has begun nd I can't get a minute, I can't get a minute without you. You're always on my mind, you're always in my head and I can't live, I can't live another day without you. Cause when the minutes seem like hours and the hours seem like days, then a week goes by you know it takes my breath away, all the minutes in the world could never take your place, there's one-thousand-four-hundred-forty hours in my day (Bem, eu me levantei esta manhã e a noite foi tão longa, parece que eu tive minha mente em você. Bem, o dia começou e eu não posso passar, passar um minuto sem você, você está sempre em minha mente, você está sempre em minha cabeça e eu não posso viver, eu não posso viver mais um dia sem você. Porque quando os minutos parecem ser como horas e as horas parecem ser como os dias, então a semana passa e tira o meu fôlego, todos os minutos no mundo poderiam nunca tomar seus lugares, há 1440 horas no meu dia) - ele terminou de tocar e ficou vermelhinho.
- Eu amo essa música - meu olhos brilhavam - AAAAAAAAAH! ESQUECI DE CONTAR! Amanhã eu vou sair com o Steeeve! - meus olhos brilhavam mais ainda e eu deitei minha cabeça no ombro do .
- MENTIIIIRA! CARA, TU É FODA! Sou sua fã! - começou a me empurrar de leve.
- DE NOVO? Meu Deus, hein. Apaixonou. - todos riram, menos eu - Mas nos conte, como aconteceu isso?
- Eu tava sentada no banco, esperando meu pai me buscar, aí ele veio falar comigo. - contei todos os detalhes e os meninos reviravam os olhos.
- Impressão minha ou vocês tão com fogo hoje?
- Impressão sua, . - eu disse, mostrando a língua - , você não falou nada até agora. Que houve, mon amour?
- Nada, eu só tô com medo.
- Medo de quê?
- Da prova de Matemática.
- Ahhh, a te ajuda! Ela é ÓTIMA em matemática - disse, provocando a , que ficava vermelha.
- É po, a te ajuda! - sorri e dei um cotovelada nela, que tava quase roxa. Ui.
- Ajuda, ? - ele disse que nem um cachorro pedinte.
- Ajudo, . - ela disse roxa, levantando pra disfarçar a vergonha.
- Algo me diz que vai rolar algo nesse estudo além de estudo. - eu disse rindo e levando uma almofada de e - Mas é, po! Os dois são super parecidos e todo mundo sabe que eles se amam. - okay, se eu não fosse eu, me mataria de porrada depois.
- , cala a boca – sussurrou no meu ouvido.
- , nada a ver isso que você disse. - o tava vermelhinho, que fofo! - Vou indo, gente. - ele saiu apressado, enquanto a descia pra pegar suco.
- Será que rola alguma coisa agora enquanto eles dois tão lá embaixo? - disse com um sorriso maroto.
- Não, graças a você, . - rolou os olhos e deitou no chão, apoiando as pernas na cama.
- Okay, eu fiz cagada, mas po. Deu um grande ajuda pra eles. - sorri vitoriosa.
- Ajuda pra ficarem com vergonha, só se for. - tinha mais noção que eu às vezes.
- Ai, tá booom. Vou embora. - me levantar e fui puxada por duas mãos, a da e do - Okay, eu fiiico.
- Por mim podia ir.
- Eu não pedi sua opinião mesmo, . - aproveitei que tava de pé e o numa posição um tanto favorável e pisei em seu “amigo de todas as horas”.
- PORRA! SUA FILHA DA PUTA! - saí correndo e fui seguida por ele. Descendo as escadas, quase saí rolando.
- SOCORRO! , o quer me mataaaaaaaaar! - me escondi atrás dela, que tinha uma jarra de limonada na mão.
- , você vai me fazer derrubar! - ela disse saindo da minha frente e me deixando apanhar do . Ele é covaaaaarde, me derrubou no chão e segurou meus braços no alto com uma mão.
- , me ajuuuuda! - disse chorosa.
- Eu não, vocês que se arrumem. - ela saiu, fechando a porta da cozinha.
- Okay , já chega, pooode me largar.
- Não.
- Sim.
- Não.
- Não por que, criatura?
- Você vai me deixar sem pinto um dia!
- Já não deve ter quase nada mesmo.
- Ah, eu tenho. Pode apostar.
- Não apostarei, não quero perder meu dinheiro.
- Eu sou bem dotado, pára de encher.
- Não tô enchendo, você que tá cismando no assunto.
- Porque não é verdade.
- O quê?
- Que eu tenho pinto pequeno.
- Você tem, é?
- NÃO!
- Mas você disse.
- Eu tava te respondendo, idiota!
- Dizendo que tem pinto pequeno.
- Mas eu não tenho, vou te mostrar se tu não parar.
- Só porque tem pinto pequeno e ninguém vai conseguir enxergar, fica querendo mostrar... Que coisa feia, ! - ele abaixou as calças e, cara, estou congelada. Notícia do dia: é bem dotado.
- É pequeno, ? - disse ele, sorrindo vitorioso.
- É. - sorri de volta e voltei pro quarto, deixando um muito puto na cozinha. Cheguei rindo no quarto, enquanto os três conversavam.
- Gente, eu realmente preciso ir agora.
- Por que tá rindo?
- Naada, nada. - peguei minha mochila e minha raquete ainda rindo e dei um beijo em cada um - Tchau, queriiidos!
Desci as escadas e trombei com o subindo na mesma.
- Não vai ficar assim, . - ele me olhou ameaçador, mas sexy. E esse último comentário fica em off.
- Beiiijinhos, ! - apertei sua bochecha e desci o resto da escada.

Capítulo 11

Quinta-feira, dia de almoçar no shopping e cineminha com o tesãão, Steve Rushton. Horário vespertino é uma maravilha, horário matutino... Well, aula de geografia, fácil, seguida de química, com a melhor coisa que já criaram, Sr. Johnson, e de inglês, e é claro que eu também... O QUE? QUE GRAÇA, TENHO AULA COM O EMPATA FODA! Mas pela primeira vez eu nem liguei pra ele, sabe? Eu tava mais preocupada em sonhar com o meu tesudinho. Eu tava literalmente sonhando. Tava dormindo babando no meu caderno durante toda a aula de inglês e todas as outras. Depois de umas boas aulas de sono, eu tava com a MAIOR cara de bunda, devia tá parecendo o Tiririca. Peguei minha mochila e fui pro vestiário. Tomei um banho rápido, porque sabe, tava calor e eu não queria estar fedendo no meu encontro com o Steve. Saí enrolada na toalha e coloquei de volta meu uniforme. Passei rímel, gloss, perfume, desodorante... Eu não podia estragar com nenhum ímpar de minha vida. Peguei um Trident e fui pro estacionamento, onde o Steve me esperava. Ele me deu um selinho e eu sorri. Ele abriu a porta do conversível preto dele, PERFEITO! Em poucos minutos chegamos ao shopping.
- Onde você quer almoçar?
- Não sei, o que tu tem em mente?
- Ah, podíamos pegar McDonald's e comer no cinema. - NÃO! Definitivamente não rola! Não vai acontecer nada se eu tiver com um pacote de comida no colo, né. - Mas pode atrapalhar. - ele disse, apoiando o cotovelo na mesa da praça de alimentação.
- Olha, tem aqueles restaurantes de prato pronto, self-service, ou até McDonald's... - apontava pros lugares à medida que os dizia.
- Ahn, vamos no prato pronto, eu amo comer massa com carne!
- Eu também, haha - fomos em direção ao restaurante e pedimos. Não demorou muito pra ficar pronto. Comemos, conversando sobre várias coisas, até que chegou um assunto indesejado.
- Ow, você e o ...
- Que que tem? - disse, fazendo a MAIOR cara de cú.
- Já tiveram alguma coisa?
- Não, eca!
- Haha é que vocês se odeiam e pra se odiarem tem que ter uma boa razão, sei lá.
- Desde pequenos, sem razão. A gente simplesmente não se gosta.
- Estranho.
- Um pouco.
- Mas vem cá... - ele se inclinou e me beijou. Dessa vez eu ia lembrar, não tava bêbada. Acabamos de comer e fomos ao cinema, compramos os ingressos e esperamos uns 5 minutos pra sala esvaziar da sessão anterior. Sentamos nas poltronas de casal e, cara, não sei de nada que aconteceu no filme, devia ter umas 2 horas, mas as 2 horas mais bem gastas da minha vida. O Steve é PERFEITO, meu. Quando acabou o filme, a gente nem percebeu e continuamos a nos beijar, quando fomos cutucados pela moça da limpeza da sala.
- A sessão já acabou faz tempo.
- Ah, desculpa. - ele pegou na minha mão e saímos correndo da sala, morrendo de vergonha. CARA, mulher do cacete! Quebro ela na saída, pode deixar.
Ele parou com aquele conversível perfeito, mas não tanto quanto ele, e ele me beijou pela milésima vez no dia.
- Foi muito bom hoje, . - ele disse sorrindo entre o beijo.
- Também achei.
- ... - ele parou de me beijar e me olhou nos olhos. Cara, muito romântico, mas prefiro beijar ele, é mais... legal? - Quer namorar comigo?
- Oi? - engasguei com, sei lá... ar? Ele deu uma risadinha.
- Quer namorar comigo?
- Ahn... quero? - apressadinho ele, não? Cara, por ele eu topo.
- Sério? - os olhos deles brilhavam. CARA, ALGUÉM ME TIRA DESSA?
- É - sorri amarelo. Ele me beijou e eu saí do carro, dando um sorriso, sendo retribuída.
Fui dormir, cara. Precisava dormir. Amanhã eu contava pras meninas, mas agora eu precisava dormir. Não é à toa que eu tenho pilhas de problemas. Quando eu tenho um, eu durmo e abafo o caso, não resolvo.
Acordei com o meu celular tocando insistentemente. Olhei o relógio e indicavam 3 da madrugada. Atendi o celular com uma voz MEGA sonolenta.
- Que foi?
- Melhor você terminar com o Steve.
- QUE? - acordei.
- Você me ouviu. - desligaram. Cara, eu não sei se conhecia aquela voz. Eu tava com MUITO sono pra raciocinar. Não consegui mais dormir, apesar do meu sono, fiquei pensando sobre isso a noite inteira. Quando era hora de acordar, desliguei meu despertador e já fui pro banho, evitando me irritar.

Capítulo 12

Os dias passaram correndo, eu estudava todas as horas livres que eu tinha. Segunda feira chegava abalando, todos super apreensivos com a prova, a primeira era bem a mais difícil, matemática. Fiz a minha prova inteira e a do também, não que eu tenha o ajudado, mas ele colou de mim e como eu estou muito preocupada com outras coisas, deixei. Bateu o sinal, liberando os alunos que já haviam terminado a prova. Peguei meu estojo e saí da classe. e já haviam acabado a prova. Fui ao meu armário pegar minha bolsa, deixei lá pra não esquecer na classe de novo. Coloquei a senha e caiu um envelope branco. Uma carta. Eu já recebi algumas de alguns nerds, mas essa não tinha nada escrito. Corri até as meninas e mostrei o envelope.
- Outro nerd?
- Não sei, esperei vocês pra abrir, né. - abri a carta, que não tava colada e tirei um papel. Tinha sido impresso, nerds geralmente fazem à mão pra demonstrar “preocupação”, ou alguma coisa assim.

, esse é meu último aviso. Ou você termina com o Rushton ou você vai pagar bem caro por isso. Te dou uma semana.”

- QUEM FOI A MERDA QUE FEZ ISSO? - eu gritei no meio do colégio, ainda vazio pelos burros que ainda faziam a prova. Consegui atrair todos os poucos olhares pra cima de mim.
- Deve ter sido o , ... - as meninas colocavam as mãos no meu ombro, tentando me acalmar, mas eu tava roxa de raiva, comecei a chutar os lixos e tudo que aparecia na minha frente. O que eu mais queria era ir pra casa, mas ainda tinha mais uma prova.
- AQUELE MERDA ME PAGA! - saí correndo e as meninas não me seguiram. Elas sempre sabem que é bom me deixar sozinha quando eu tô puta. Entrei na quadra vazia e me sentei na arquibancada, afoguei minha cara nas minhas mãos e fiquei pensando na vingança perfeita. Eu teria um bom tempo pra pensar, já que a outra prova só começaria em uma hora e meia, mais ou menos. Perdi a noção do horário, só “despertei” dos meus pensamentos quando ouvi o portão da quadra sendo escancarado. Ele fazia um barulho de corrente, era estranho, acho que é porque ele era escroto.
- ! - era o - Tu fica aí falando que eu escrevi uma carta anônima, qual é a tua? Fica me acusando sem saber de nada!
- Vai se foder, ! Eu não falei nada de ti, as meninas que achavam que era você!
- Tu acha que eu me importo com o seu namoro com o merda do Rushton?
- Merda é você!
- Tá bom, vou te contar. Fui eu sim que escrevi a carta - eu devia tá salivando de tanto ódio nessa hora, cara - porque eu te amo e não posso deixar você ficar com ele - terminou a frase em um tom irônico.
- Nossa, , eu não sabia que você me amava tanto! Mas, descuuulpa, não troco o Rushton por você, ele com certeza tem um “amigo” - apontei pra baixo, falando em um tom tão irônico quanto o dele - bem maior que o seu, afinal não é difícil. Então, você vai ter que continuar com a sua namoradinha. - pisquei pra ele.
- Cala a boca, ! O meu “amigo” - imitou minha voz - é muito grande e tu com certeza não pode opinar porque nunca deve ter visto um!
- Outra ironia da parte de nosso querido ... Não dá pra ter uma conversa séria com você, né? - fiz bico e vi a cara dele ficando mais e mais vermelha.
- Tu só não quer admitir que meu pau é grande!
- Não quero mentir, . Seu pau é pequeno. Você é japonês?
- Vai se foder - me empurrou na parede da quadra, apoiando as mãos de uma forma que me impedisse de fazer qualquer movimento e me beijou. Ele tá fazendo de novo, cara! Que ódiooooooo!
- PÁRA, MEU! Não é certo você magoar os outros como você tá fazendo comigo, ! - empurrei ele e vi o sorriso vitorioso que ele tinha se transformar em uma cara confusa. Saí de lá o mais rápido que meus pés conseguiam, não podia conter o meu nervosismo ao sair daquele lugar infernal, mas que merda! O que ele tem? Algum tipo de tara pra me deixar constrangida? Caralho, por que ele AMA fazer isso? Como eu o ODEEEEIO! E pra melhorar a situação vejo minha amigas (lê-se: ex-amigas) olhando pra mim com uma cara de cu. Cara de cu? Eu que deveria tá fazendo! Essas biscates! Puxei elas pelo braço e lhes disse bem o que passava pela minha mente naquele momento: fúria.
- POR QUE MERDA VOCÊS FALARAM PRA ELE?
- Ah, , a gente queria saber se não tinha sido ele... - disse, assustada.
- Vocês não deveriam ter feito isso, eu sei me cuidar, porra!
- , a gente só queria te ajudar! - aumentou o volume da voz. Como se EU tivesse culpa!
- POIS NÃO AJUDARAM! - todos olhavam pra mim, inclusive os meninos, que chegaram perguntando o que tinha acontecido - Pergunta pra elas, elas não conseguem controlar a língua!
- , por que você tá tão brava? A gente não fez por mal! - elas também ficariam se soubessem pelo que eu passei.
- Afinal, o que tá acontecendo aqui? - chamou a atenção de todas.
- Eu recebi uma carta.
- Outra?
- É, só que agora era me ameaçando.
- Ameaçando por quê? - eles estavam com os olhos arregalados.
- Não sei, era pra eu terminar com o Steve.
- E onde elas entram nessa história? - disse, estreitando os olhos.
- Elas acharam que era o e contaram pra ele, que veio tirar satisfação comigo!
- Só isso? - parecia indignada por ser “só aquilo”.
- NÃO É SÓ ISSO! – gritei.
- Então o que é? - colocou a mão no meu ombro e me olhou, como se fosse meu pai.
- Não posso falar.
- Aquilo de novo, ? - ele continuou me encarando.
- É... - as meninas ficaram de boca aberta, como o .
- Aquilo de novo o que, gente?
- Nada, .
- Não acha melhor contar? Diferença não vai fazer.
- Pode contar, .
Depois de contar a história, bateu o sinal pra segunda prova.
- Graças a Deus é geografia! - disse, levantando as mãos.
- Boa sorte pra vocês, amores! - disse, animada. Ela era ótima em geografia.
- Vou precisar, já tô de recu em matemática.
- Tadiiinho do - abracei ele, que fez bico.
- , vem cá! - ele era da minha classe de prova, o que facilitava as colas - A gente vai te ajudar a voltar com a . - um sorriso enooooorme surgiu no rosto dele e eu não consegui deixar de sorrir.
- Valeu mesmo por isso, eu acho que ela nunca vai me perdoar se eu, sozinho, falar com ela.
- Por isso que a gente tem um plano.
- Que plano? - o professor entrava na classe.
- Depois te conto, ou eles. - me ajeitei na cadeira - MERDA!
- O que foi, Srta. ?
- Eu esqueci meu estojo no armário! Posso ir lá pegar?
- Pode, e se achar o Sr. , avise-o que a prova já começou. - saí da classe correndo pelos corredores, parei na frente do meu armário e coloquei o código. Escutei umas vozes do outro lado do corredor, pelo jeito do e da Kirsten. Peguei minha bolsa e fechei o armário, virando o corredor e vendo os dois agarrados. Bufei.
- , o professor mandou te avisar que a prova já começou. - saí de lá sem esperar resposta. Corri até a sala e comecei a prova, ouvi um toque na porta e levantei a cabeça, era o , um todo babado de gloss com glitter da namoradinha. Ridículo, só eu fico bem com eles.
- Dessa vez passa, Sr. . - o professor o olhou por cima dos óculos e voltou a ler o livro idiota que tava lendo.
Terminei a prova super rápido e fui pra casa, não consegui dormir. Minha consciência falava mais alto dessa vez, eu TINHA que resolver esse problema. Li e reli a carta várias vezes e não achava uma resposta que me satisfizesse.
Terça-feira, prova de Geometria e Inglês. Eu continuo estranha, okay? Procuro pista por todos os lados, alguém que me olhe, ou olhe o Steve mais do que deve, surto por nada.
- AAAAAAAAAAAH! - comecei a gritar do nada. Mentira, não foi do nada. Uma menina da outra classe chegou na mesa falando “gentxiiiii”. Vai se fuder, po! Ela arregalou os olhos com o meu surto psicótico e voltou a si.
- Bem, eu queria que vocês todos fossem na minha festa sexta à noite. Na minha casa. - sorriu abertamente, me irritando com todos aqueles dentes aparelhados. Boca de ferrovia maldita.
- Iremos! - piscou pra menina e se virou como se a mesma não estivesse mais ali. A menina saiu, após ficar no vácuo.
- Iremos? - perguntei desanimada.
- Iremos! - deu um pedala em mim, que bufei. Continuei a analisar todos à minha volta.
- Ela tá estranha... - escutei sussurrar pra e , que concordavam com a cabeça, fingi que não escutei.
- Certeeeeeeza! - e disseram em coro.
- O que? - eles olharam assustados.
- O que vocês disseram.
- Ah sim. - rolei os olhos e fingia que não tava ali. Ninguém merece fofoca de mim pelos meus amigos na minha cara.
- Acho que é por causa de ontem - eles sussurravam, aproveitando minha suposta surdez.
- Eu tô escutando. - disse sem olhar pra eles.
- Sério? - fazia a maior cara de indignada.
- Nossa, que brecha. - se escondia no ombro de , que ria.
- Culpa do . - ria da cara de .
- Minha nada! Te amo, . - dei uma golada no meu suco e olhei pra ele com cara de poucos amigos - É verdade, . - ele sorria nervoso e eu sorri de canto.
- ...
- Oi?
- Cala a boca. - ele abaixou a cabeça e eu puxei ele, dando um beijo na bochecha dele. Ele tava fofo, okay? O resto do dia foi uma tremenda bosta. Nada, nada e, AH! Steve o resto do dia, a melhor coisa.
Quarta-feira, prova de química e física. Passei o dia inteiro com o Steve. Cara, se eu falar que acho que tô gostando do Steve soa muito piegas? Anyway, eu acho que tô gostando do Steve. Steve Steve Steve Steve. Tudo o que eu sei falar agora é Steve. Steve.
Quinta-feira, prova de história e biologia. Tava eu, sentadinha no banco ouvindo meu Ipod, quando chega o Steve com o maior carão. Sorrio e ele senta no meu lado. Do nada ele me agarra e começa a me beijar como nunca. Tá,tá, não que eu não tivesse gostado, mas é que ele me pegou desprevenida, aquele safadinho. Depois de alguns, muitos, minutos eu me afastei dele e consegui recuperar o fôlego.
- Uau! O que foi isso, Steve?
- Tava com saudades de você. - disse ele me abraçando. Eu fiquei exageradamente feliz em ouvir isso e eu, , nunca tinha ficado feliz por uma merda romântica qualquer. É, eu realmente estava começando a gostar dele.
- Eu também estava. - fiquei olhando em volta enquanto ele me apertava com carinho, até que meus olhos se pararam em uma certa pessoa: Kirsten. E ela estava olhando pra nossa direção, com um olhar carregado de raiva e... ciúmes? Enquanto o beijava seu pescoço, quando olho pro lado, o MEU namorado TAMBÉM está olhando naquela direção, mais especificamente pra Kirsten.
- Steve, é impressão minha ou você está encarando alguém?
- Hã? Que? Como? - devo dizer que ele ficou confuso DEMAIS pro meu gosto. Depois de um tempo ele entendeu o que eu tinha dito e ficou com cara de bosta de vaca. - Deve ser impressão sua, . - começou a beijar minha nuca e dar leves mordidas em minha orelha, mas apesar de seus desvios (desvios muito gostosos, devo dizer) eu não esqueci do assunto. Virei sua cabeça em minha direção e olhei fixamente para seus olhos.
- Você tem certeza? - ele me pareceu indignado.
- Claro que sim! Só tenho olhos pra você, amor. - e foi quando percebi que Kirsten havia se despedido do The Fuck e estava caminhando em nossa direção, ela tinha um sorriso no rosto, mas quando nos viu novamente seu olhar mudou para o mesmo de antes. Olhei para Steve e ele estava encarando o nada em sua frente, até que pude ouví-lo balbuciar.
- A Kirsten está vindo. - me puxou para mais um beijo ofegante, mas eu desviei.
- KIRSTEN? - Ela desviou sua atenção para nós.
- Hã? Ah, cala a boca e me beija! - me agarrou novamente, mas eu fui mais forte e o empurrei para o outro lado do banco. Ele...ele tava me usando? Foi isso que eu entendi? Queria que a Kirs-My-Ass nos visse?
- Você.. tá namorando comigo pra causar ciúmes na Kirsten? - ele ficou chocado.
- Você não tá bem hoje, né, menina? - Bem? BEM? Ele me usa pra deixar uma baranga com ciúmes e ainda me pergunta se eu tô bem? O pior é que estava gostando daquele puto! IDIOTA, IDIOTA, IDIOTA, EU SOU UMA IDIOTA! E nesse momento as palavras de ecoam em minha cabeça "haha, finalmente você se admitiu", AAAH! Por que ele tá aqui mesmo não estando?
- Olha, você não vai conseguir mentir pra mim, eu já entendi tudo. - disse tentando manter a firmeza na voz.
- Aaaah, que alívio! Assim não vou perder meu tempo explicando pra criancinha como ela me foi útil. - Hã? Não, ele não disse isso. AI MEU DEUS, ele disse isso! Ele...ele...QUE ÓDIOOOOOOOO!
- Que? - engoli a raiva, que ficou presa na garganta. Enquanto isso a Kirs-My-Ass olhava muito curiosa e satisfeita para nós.
- Você já está bem grandinha pra conhecer o mundo real, existem os fortes e os fracos, e os fracos, bem, servem de objeto para os fortes. - não consegui me conter, fechei meu punho e coloquei toda a força e raiva que eu estava sentindo naquele soco bem no nariz perfeitinho dele. Okay, passar por isso já é ruim, agora imagina na frente do colégio inteiro? Pois é, minha situação foi crítica e eu não podia chorar, não chora. Olhei pra ele, caído no chão, nariz sangrando e comecei a rir. Rir da desgraça alheia é um mal dos seres humanos, okay? Não é só meu, e eu não ri exatamente, eu ri mais pra disfarçar, ou me auto-enganar, minha vontade imensa de chorar. Andei até meus amigos que me olhavam com pena. Vê se pode, eu, , vítima de pena. Olhei pra trás, fitando o , que por acaso TAMBÉM me olhava com pena. Okay, okay. Estou ficando muito puta, vou chutar alguém. Olhei pro lado oposto do , a Kirsten ajudava o Steve, gritando freneticamente, como se o nariz dela tivesse sangrando, não o dele. O The Fuck puxa o braço da Kirsten, chamando ela pra sair da multidão que tava se formando em volta.
- Sai daqui, ! Me larga! Só você não percebeu que eu NÃO TE QUERO MAIS? - ela gritava, atraindo todos os olhares pros dois. Sabe, eu odeio o , mas odeio mais a Kirs-my-ass. Não raciocinei, corri até a rodinha e puxei um de lá de dentro, com os olhos marejados. Parei quando cheguei na quadra vazia, o empurrei no primeiro andar da arquibancada. Ele sentou lá e eu o fiquei encarando.
- Desde quando você se importa comigo?
- Eu não me importo, só que eu a odeio mais do que te odeio. - saí de lá, deixando um meio abismado. O sinal tocou avisando que a segunda prova ia começar.
Cara, hoje meu pai não ia me buscar, então eu iria embora com o Steve, agora eu vou ter que ir a pé nesse calor dos infernos e com a minha auto-estima lá em baixo. Demorei mais do que o normal pra terminar a prova, desci as escadas indo direto pra saída. Não queria falar com ninguém, pra quê? Me poupo das perguntas sobre o acontecido. Caminhei debaixo daquele sol ardido querendo chegar logo em casa. Um carro pára do meu lado da calçada e vejo uma janela se abaixando.
- , entra aí! - gritava, devido ao som ensurdecedor que saía do carro. Ele se debruçava em , que me olhava com pena ainda, e atrás. Dei um sorrisinho e entrei, ignorando a conversa sobre qualquer coisa pornográfica. O carro parou na frente da minha casa e me despedi deles com um selinho, menos do , que ignorei. Entrei em casa e falei pros meus pais que não iria almoçar, eles perceberam minha cara de fossa-vou-escutar-Kelly-Key e deixaram. Me joguei na cama e, cara, eu tive vontade de chorar pela primeira vez na minha vida. Esperei a dor passar e ela não passava. Queria me enterrar.
Sexta-feira, fossa total. Não tive vontade de ir pro colégio, não tive vontade de acordar, de comer, de viver. No colégio, até uma pedra tinha mais vida que eu. O simulado, prova unificada, provão, ou qualquer outro nome que as pessoas usam pra definir a mesma merda, me parecia tão interessante. Ele por um momento, ou momentão já que a prova era enorme, mudou minha atenção pra outra coisa que não fosse Steve. Eu demorei o máximo que eu pude naquela merdinha, eu não queria sair daquilo. Quando acabei, liguei pra minha mãe avisando que ela podia ir me buscar. Fui em direção aos meus amigos, que me olhavam assustados.
- Você demorou pra fazer uma prova, isso é estranho. - vinha em minha direção, tentando medir minha temperatura. Eu? Com a mesma cara de morta.
- , você vai na festa hoje, né? - me perguntava como se já soubesse a resposta.
- Acho que não. Eu não tô com ânimo pra festas.
- não está com ânimo pra festas! Ela realmente não está bem! - me sentava no banco e me encarava, como todos os outros.
- , sai dessa! Tem outros peixes no mar. - piscava pra mim e começava a pular. Me deu medo.
- , presta atenção. A festa vai te ajudar a sair dessa fossa. - pegava na minha mão. Cara, essas pessoas não vão parar de mexer em mim, não?
- Ela vai na festa.
- Quem disse, ?
- Eu sei que você vai, você sabe que eu tenho o meu jeitinho pra tudo, né?
- Sei.
- Então fala logo que vai, diminui meu trabalho.
- Tá bom, eu vou. - senti o celular vibrar e não atendi, sabia que era minha mãe avisando que tava no portão - Vou indo, minha mãe tá aí. Beijos.
- Ela disse “beijos” - apontava pra mim.
- E daí, ?
- Ela sempre diz “beijinhos”, ! - ele continuava apontando pra mim, provavelmente achava que eu tava doente.
- Verdade! - ela abriu a boca que nem criança. Entrei no carro e minha mãe perguntou se tava tudo bem, assenti com a cabeça.
- Mãe, tenho uma festa hoje.
- Vamos comprar uma roupa bem legal então. - ela sorriu. Ela foi em direção ao shopping e nós compramos, antes de tudo, um frapê de creme. Seguimos pra algumas lojas fashion e eu não achava nada que queria. Depois de um bom tempo procurando a roupa perfeita, eu achei um vestido curto meio roxo, quase marrom, decotado e justo até a cintura, mas que embaixo era mais largo e solto. Achei um sapato, na mesma loja, preto e de salto. Seguimos até a praça de alimentação, nos servimos em um self-service e sentamos em uma mesa, comendo em silêncio.
- Você vai ou não me contar o que tá acontecendo? - eu faria de tudo pras pessoas pararem de me encarar.
- Não tá acontecendo nada, mãe. - olhava meu prato, revirando o resto de bife que tinha.
- Eu sou sua mãe, sei que tem algo errado.
- Eu tava namorando o Steve e eu tava começando a gostar dele, mas ele só tava me usando. - continuava olhando pro meu prato, escondendo as lágrimas que voltavam a querer cair.
- Filha, se ele fez isso é porque ele não merece. - ela segurava minha mão e eu olhei pra ela, sorrindo - e não vai chorar por besteira, hein!
- A namorada do também terminou com ele. Aliás, ela também tava o usando, tentando impressionar o Steve. - eu ri, disfarçando a minha fase emo do dia. Acho que ela não sabia o que dizer, tinha medo de defender ele e me deixar pior do que eu já tava. Fomos pra casa e eu não tava nada animada pra festa. Fui dormir, mas novamente não consegui. Sabe aquelas lágrimas que surgiam de novo? Ainda não sumiram e tavam mais fortes agora, como se tivessem com um pau me socando pra poderem cair. Fui pegar coca-cola, ela tem um incrível poder sobre mim. Passei na frente do quarto dos meus pais e ouvi minha mãe falando com alguém.
- Pois é, Deb. A também tá muito mal, eles gostavam desses miseráveis. - OEEE! Nunca mais me abro com a minha mãe, ela é MUITO fofoqueira, maluco. Peguei a extensão no meu quarto.
- É, o tá trancando no quarto até agora. E não sai nem pra comer, o que é raro acontecer.
- Acho que só o tempo cura isso agora...
- Com certeza, só espero que não demore muito, odeio ver meu zinho assim. Bem, eu tenho que desligar. Vou ver se o tá bem. Beijos, Penny.
- Beijos Deb, boa sorte com ele! - desliguei a extensão. Olhei pro relógio e já eram 18 horas. Fui tomar banho, um bem demorado. Banho é uma outra ótima terapia. Parece que leva seus problemas embora, mas depois tudo volta. Sequei o cabelo e fiz babyliss nas pontas, prendendo minha franja no topo da cabeça, um pouco de lado. Saí do banheiro, pegando meu vestido pendurado na porta do armário. Me voltei pra frente do espelho, já vestida, e passei sombra rosa bem fraquinha, como o meu blush. Rímel, lápis, gloss e perfume. Procurei a caixa do meu sapato novo e o calcei, ouvindo uma buzina no portão de casa. Era o , ele sempre me levava pras festas.
- Mon amour, tá perfeita! - saiu correndo e me abraçou - essa festa VAI melhorar seu ânimo. - dei um beijo na bochecha do e do , por incrível que pareça. O caminho foi silencioso pra mim e pro . e conversavam animadamente nos bancos da frente sobre algo relacionado a férias. Chegamos à casa da menina-sem-nome-e-estranha e tava LOTADA! E, cara, tinha MUITA bebida! Eu ia poder afogar minhas mágoas legal aí. Me sentei num sofá, ao lado da e que se beijavam. É, eles conseguiram. Peguei a garrafa de vodka da mão de um menino que passava e tomei todo o restante em pouco tempo, entregando a garrafa pro mesmo, que me olhava chocado.
Depois de pouco tempo eu já tava bem alterada e dançava SUPER animada, parecia aquelas bichas na balada gay, sabe? Quando dei por mim, tava na parede me atracando com um menino que eu não sabia nem quem era no momento. A coisa tava ficando feia, meu. A mão dele invadia o meu vestido e eu não tava gostando daquilo, mas eu também não conseguia parar.
- LARGA ELA, DUDE! - o menino voou em cima de uma mesa cheia de copos, latas de cerveja e bitucas de cigarro.
- ? - eu tava PASMA! O tinha me “defendido”, cara. Ele me puxou pra fora daquela casa, mais precisamente pro jardim, onde não tinha ninguém - Por que você fez aquilo?
- Ele tava se aproveitando de você, ! - ele gritava. Se não tivesse uma festa lá dentro, garanto que todo mundo teria escutado.
- Eu sei me cuidar!
- Não sabe não, não nesse estado! - nós dois gritávamos tão alto que chegava a doer, faltar ar.
- Como se você estivesse muuuito melhor que eu - eu tava com lágrimas nos olhos e um sorriso irônico no rosto.
- Eu não tô em mim e você muito menos. Acordei deitada em um sofá da casa do , com e a minha volta e com uma dor de cabeça insuportável.
- Caralho, que houve comigo?
- Você desmaiou de tanto beber, depois de quase dar na frente do colégio inteiro pra um moleque que eu nunca vi na vida. - dizia bravo, num tom bem irônico e eu apertava minha cabeça, como se fosse diminuir minha dor.
- Eu liguei pra sua mãe e você vai dormir aqui. Meus pais tão viajando, então não tem problema. - me entregava um remédio e um copo de água - E, , dá um tempo... Pelo menos agora. - ele tava meio sonolento, chateado, sei lá. Eu tava tão fora de mim que não conseguia distinguir mais.
- Você não disse pra ela a razão, né? - levantei assustada.
- Não, a gente já fez isso várias vezes e alguma vez eu já contei? - ele sorriu e eu tomei o meu remédio.
- Mas o que ele tá fazendo aqui? - apontei pro , fazendo uma cara de nojo.
- Ele vai dormir aqui também. - bufei, me jogando no sofá.document.write(Danny). - fechei os olhos e apoiei minha mão na minha testa.
- , tu dorme na minha cama comigo e eu já levei o colchão da cama do quarto de hóspedes pro meu quarto, o dorme lá.
me pegou no colo, me levando pra cama. Cara, vou ficar bêbada mais vezes, não precisa andar, subir escadas, nem nada. O seguiu ele sem dar um pio, era legal quando ele levava bronca nos piores momentos. me colocou na cama e abriu o armário, procurando um pijama meu que já tava ali, desde sempre. Me entregou e se jogou na cama, capotando incrivelmente rápido, parecia eu. Fui pro banheiro meio tonta e me troquei. Porra, vou começar a usar pijamas maiores, onde já se viu dormir no mesmo quarto que dois meninos em um shorts curto e um blusão que tinha uma vaquinha dançando? Me deitei na cama, o vento gelado vindo do ar condicionado gelava minhas pernas e eu não me importava. Quase 7 da manhã eu ainda não tinha dormido. Acho que já dormi tanto na minha vida, por pelo menos 10 anos que não consigo dormir mais. Levantei, querendo fazer xixi. Eu também sou viciada em fazer xixi, oi.
- ? - uma voz fraca e baixa vinha do outro lado do cômodo. Me virei bruscamente e avistei um sentado no colchão colocado no chão, ao lado da cama. Me dirigi até lá e me sentei na frente dele.
- Também não conseguiu dormir ou eu te acordei?
- Não consegui dormir. - me deitei no colchão, era de uma king size, então ele não ocupava o colchão inteiro. Ele me olhava com um olhar triste.
- Posso jurar que você parece abalado pelo fim do seu namoro com a Kirsten.
- Eu preciso aprender a esconder minhas emoções.
- Não adianta, eu desaprendi, meu caro. - sorri, dando tapinhas na coxa dele e ele riu. Deitou também, me encarando.
- Você tá mal pelo Rushton?
- O que eu posso fazer, né. - bufei e encarei o teto.
- Cara, ele é um merda. Ela é uma merda também.
- Você também. - continuei encarando o teto, mas consegui ver a cara indignada dele, me virei. - Brincadeira, . - sorri - Melhor eu ir pra minha cama antes que eu durma aqui - disse me levantando.
- Ah, vamo dormir todo mundo na cama. Sexo à três. - eu ri alto e tampei minha boca depois. O ria da minha cara.
- Então vamo, né. - deitei na cama e abracei o , ficando de costas pro lugar que o ficaria. Logo ele se deitou de costas pra mim também.
- Vou apertar tua bunda, hein. - eu sussurrei e ele riu.
- Mais fácil eu apertar a sua. Sua mão tá amassada em algum lugar do . - eu ri - Boa noite, .
- Boa noite, . - fechei os olhos e abracei o mais forte, que passou o braço pelas minhas costas, ainda dormindo.

Capítulo 13

Acordei esparramada na cama e esfreguei os olhos, me sentando. e me observavam, o que era muito estranho, fato!
- Que foi? - me espreguicei.
- Você quer a verdade ou a mentira? - sorria amarelo.
- A verdade? – respondi, incerta.
- É que daqui tinha uma boa visão da sua bunda. - okay, isso NÃO foi legal, ainda mais vindo do . Meus olhos deviam estar do tamanho de uma melancia.
- Oi?
- Você que pediu a verdade, ! - dizia choroso, ficando vermelho e vindo até mim, de joelhos.
- Eu sei que vocês tão brincaaaando! - disse rindo, dando tapinhas nas costas deles.
- Não. - falaram em coro e eu continuei gargalhando falsamente - , é sério. - os olhei com raiva.
- Não é, é brincadeira. - meu olhar sanguinário assustava o , mas não o .
- Não, é verdade. - disse sorrindo. Cravei minhas unhas no braço dele e o puxei.
- Eu sei que é brincadeira, é melhor que seja brincadeira.
- Dude, fala que é brincadeira logo. - sussurrava e eu continuava os encarando com os olhos cerrados.
- Façamos o seguinte, meus caros: euzinha - me apontei - vou escovar os dentes, lavar o rosto e, quando eu voltar, vocês estarão lá embaixo.
- Por quê?
- PORQUE EU QUERO! - eles saíram correndo e eu andei batendo o pé até chegar ao banheiro. Escovei os dentes, lavei o rosto e fiquei me encarando no espelho. Minha maquiagem da noite anterior tava toda borrada, graças à água que eu joguei no rosto. Peguei papel higiênico e comecei a tirar o excesso de rímel que me fazia parecer um panda. Desci as escadas e procurei os dois pela casa inteira. Okay, eles não estavam em lugar nenhum. Escutei um barulho vindo do armário, embaixo da escada. Abri a porta e dois meninos assustados e sem graça caíram de lá.
- Okay, isso é meio preocupante. Ou vocês estavam tentando me dar um susto ou vocês são gays. Ou os dois. - olhei pros meninos caídos no chão de boxers. Eu ainda não tinha me dado conta que eles estavam de boxer. Boxer + armário = coisa muito suspeita. Minha boca se abriu sem meu consentimento.
- Calma, , nós NÃO somos gays! - passou os braços na minha cintura e eu o olhei assustada. Se coloque no meu lugar, o que você pensaria se os visse naquela situação? Resolvi não encher mais, se eu fosse gay e tentasse esconder, não iria querer o me enchendo de perguntas.
- Okay, okay. - levantei as mãos, em sinal de desistência, ou qualquer coisa que signifique que você “acredita” na pessoa - Vamos fazer o que agora? - meu sorriso infantil se abriu. Creio que as pessoas me achem retardada por causa desses meus sorrisos, OE! - Vamos brincaaaaaaaaar?
- Brincar do que, ?
- De médico, ! - o deu um pedala, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, sorrindo malicioso em seguida.
- Okay, vamos brincar de médico então. Eu farei exame de próstata em você, tá bom, chuchuzinho? - fiz bico e o começou a rir.
- Essa dormiu com o Bozo, acordou com a graça, comeu palhacitos de café e chupou malandróps, hein?
- Nossa, ! Quanta coisa engraçadinha, bem você meeesmo. Vamos brincar de quê? - vi que o ia soltar a piada de novo e me pronunciei - SEM ser médico.
- De casinha.
- Casinha, ? - o encarou como se ele fosse o maior viado do mundo.
- É, po. Aí tem casamento, noite de núpcias... - bufei.
- Vocês não se cansam, não? - rolei os olhos, subindo as escadas.
- Vou ligar pro povo vir aqui. Semana que vem vai todo mundo viajar, a gente tem que aproveitar o fim de semana. - parei na escada e engoli em seco, me virando.
- Essa semana já?
- É, pra quem não ficou de recuperação. Eles vão avisar durante a semana.
- Ai, podiam demorar BASTANTE pra avisar, né. - tornei a descer as escadas e segui eles até a sala de TV. Me joguei no sofá, com as pernas “penduradas” no braço dele, com o sentado no resto. Eu já disse que AMO a casa do ? Ele pegou o telefone e discou o número de alguém, eu encarei o teto e escutei uma música começar a tocar. My Neck My Back, da Khia.
- , não acredito que tu tem essa música! - comecei a rir demais. Alguém já reparou na letra dessa música? TOTAL NOJENTA! (N/A: caso alguém tenha curiosidade, pode procurar a tradução dessa música, mas eu não aconselho muito, não... AIUSDUHIASD)
- Mó legal, po. - ele começou a cantar a música, sorrindo malicioso e olhando pra mim. O ria no telefone, discando pra outra pessoa.
- , manda ele parar, essa música me dá nojo! - tapei meus ouvidos, inutilmente, eu ainda ouvia o cantando e a própria música. Fechei os olhos com força como se fosse me ajudar a não escutar aquela merda, senti o puxando minhas mãos e se aproximando, começando a cantar aquela bosta no meu ouvido.
- Mas que menina fresca, mó legal a música.
- Muuuuito legal, . - peguei o celular e comecei a olhar as músicas que eu podia colocar pra tocar. - Huuum, Beach Boys não é apropriado, Blink não tô afim, humm. AHÁ! JUSTIN SEXY! - ele bufou e eu sorri - Agora escolhe: Senorita ou SexyBack?
- Senorita - ele sussurrou no meu ouvido, mordi o lábio e coloquei a música pra tocar. Começou com aquela voz tosca que parece que o cara tá fazendo o número 2 quando canta, fazendo alguns barulhos estranhos, com direito a um gritinho totalmente aviadado do Justin, mas é ele, né? O cantava junto com o Justin, olhando pra mim de um jeito sexy. Quando a parte lenta da música começou, ele se aproximou de mim e cantou baixo no meu ouvido.
- When I look into your eyes
(Quando olho nos seus olhos)
I see something that money can't buy
(Eu vejo algo que o dinheiro não compra)
And I know if you give us a try
(E eu sei que se você nos desse uma chance)
I'll work hard for you, girl
(Eu vou dar duro por você, garota)
And no longer will you ever have to cry
(E você não vai mais ter que chorar)
Ele sorriu e se levantou pra pegar cerveja na geladeira, eu ainda me encontrava petrificada no sofá, parecendo uma daquelas menininhas que acabaram de levar um beijo na bochecha de um menino que gostam, mas o que eu podia fazer? E CLARO que ele percebeu, tanto que começou a rir baixo, sorrindo de canto. sendo feita de idiota pelo , é isso que tá acontecendo quase todos os dias, já tá virando rotina. Eu não podia ser mais uma a cair nas graças daquela delícia ambulante, eu não podia deixá-lo fazer o que quisesse comigo e eu não fazer nada pra o fazer parecer tão idiota quanto eu estou parecendo agora. O que eu tinha que fazer no momento era sair de lá pra não piorar a situação. Subi para pegar meu celular, vai que alguém interessante me liga e eu não atendo, né. Já disse que sou procurada pelo Jared Padalecki? Não? Ah, é porque eu não sou mesmo. Peguei meu celular jogado na escrivaninha do quarto do , abri e vi que tinha, err, 19 ligações perdidas. Eu disse que eu era uma menina procurada. Desci as escadas olhando o meu celular, até chegar no sofá, ocupado pelo The Fuck.
- Meu, o meu professor do tênis me ligou 6 vezes. Ahn, e a me ligou 10 vezes, meus pais uma e... CAR...VALHO, O RUSHTON ME LIGOU! - joguei a almofada que estava no meu colo na cara do , sem querer, e saí correndo até chegar na borda da piscina do . Agachei e joguei água no meu próprio rosto. Respirei fundo e voltei pra sala de TV. - Okay, okay. Não é o fim do mundo, vou ligar pra ele e... e o que eu faço? JÁ SEI! Boa, ! Você é demaaaais! Eu sei! - comecei a pular e me abanar - Okay, vou ligar.
- Você não precisa narrar cada coisa que você faz. - o desligava a música do celular.
- , você tem certeza que quer fazer isso??
- Tenho - sorri maníaca. Okay, eu NÃO tinha certeza.
- Tem mesmo?
- Não.
- Então não liga.
- Por que não, ?
- Se você ligar, vai ficar de quatro por ele de novo, .
- O QUÊ? - o berrou e eu me assustei.
- De quatro não literalmente, .
- Bom mesmo, você é minha pequenininha. - ele me abraçou de lado. Ei, qual é? ODEIO quando me fazem sentir indefesa. Mas o POOOODE!
- Okay, fofinhos, podem se desabraçar que eu tô com fome, posso pedir as pizzas?
- Pode, . - lhe jogou o telefone e ele saiu da sala pra ligar. Depois o voltou ao mesmo tempo que a campainha tocou.
- Nossa, é a pizza?
- Não, , devem ser os dudes. - segurava meu ombro, como se eu tivesse algum problema mental. Okay, não foi a coisa mais inteligente que eu já falei. A empregada do provavelmente abriu, porque em segundos estavam todos dentro da sala de TV. Garanto que se alguém que nunca tivesse nos visto na vida acharia que é uma suruba. Suruba até que não seria ruim, sabe? Brincadeirinha.
- GARELA! Que filme veremos? - ajoelhou na frente do móvel, procurando algum DVD que a gente ainda não tivesse assistido.
- Tem algum aí que a gente não viu? - deitou a cabeça no ombro de - Acho que devíamos ter passado na locadora antes.
- Não, pô. Meus pais compraram uns filmes outro dia. - se defendeu, jogando uma almofada na menina.
- Que filmes, bundão?
- OLHA O RESPEITO! - okay, a surtou. - Ahn, tô brincando! - deu uma risadinha, ficando vermelha e afundando a cara em uma almofada.
- OWN! QUE FOFO! O casal ternura tá vermeeeeeeelho! - meus olhos brilhavam e logo recebi um tapa, forte, dos dois. - Ouch! O casal ternura também bate. - fiz bico.
- O casal ternura bate? Não sabia dessa, -boy! - o The Fuck sorria malicioso e eu comecei a gargalhar. Cara, ele era rápido!
- Continuando... - os dois ainda tavam vermelhos e eu e o The Fuck sorríamos maliciosos, pensando na próxima vítima. e se agarravam, enquanto e ainda não se encaravam. - Tem “Abismo do medo”...
- AH NÃO! Esse a mulherzinha fala alguma coisa de acariciar o pico do irmão, tipo. Ew! - fiz uma cara de nojo.
- Tá, tá. Tem também Zathura...
- ESSE! - eu e o falamos juntos.
- Ah não, filme de criança. - rolou os olhos.
- American Pie 4... ALGO CONTRA? - percebeu que eu e o íamos falar algo. Okay, o ficou bravo por a gente ter interrompido todas as vezes que ele ia falar os filmes, mas não era pra tanto, né! - Meninas malvadas...
- Meninas malvadas, ? Que filme de bicha!
- , eu gosto! Vamos assistir esse, zinho? - dei um beijo na bochecha dele que me olhava torto.
Posso dizer que o tempo passou bem rápido depois daquilo. Comemos as pizzas, assistimos Abismo do Medo, contra minha vontade. A semana também passou SUPER rápido. e ficaram de recuperação, o que foi bom, porque não fiquei sozinha com o enquanto o resto já viajava. Pode me chamar de egoísta, mas você também seria no meu lugar. Aliás, essa semana também passou. Ambos esperaram os resultados, passaram de ano e foram todos viajar.
Meus pais estão me esperando na sala, junto com o e seus pais. Se alguém acompanhasse essa situação como um observador acharia que eu tenho algum problema mental grave. Imagina a situação: uma menina apoiando a testa na torneira, trancada no meu banheiro.
- , seja mulher! Encare isso como uma menina madura! Okay, você não é madura, mas você pode fingir, pelo menos! Não, eu não posso fingir uma coisa que eu não sou. Se bem que nessa situação não faria nada mal. Okay, okay. Respira fundo e diga que vai encarar isso de frente. Não, vou encarar de costas, posso pegar na bunda da situação. Não, não, provavelmente situação é uma menina, porque é A situação, não O situação. - andava em círculos, travando um diálogo inútil comigo mesma. Saí do banheiro respirando fundo. Meu quarto era grande, mas eu queria que demorasse mais pra eu chegar até a escada e ver os pais do sentados nas poltronas brancas, com copos de whisky na mesinha. Meus pais sentavam no sofá, junto com o . Okay, o que MEUS pais estavam fazendo sentados no mesmo sofá que o ? Eu sou uma menina ciumenta, o que posso fazer? Se pudesse descontaria no vidro que fica no lado da escada. Não sei por que meus pais colocaram uma coisa de vidro ali, eles já pensaram que tem uma filha psicopata? Provavelmente não, não teriam uma casa rodeada por vidro se soubessem. Desci as escadas, atraindo todos os olhares pra mim.
- Oi, ! - tia Deb sorriu pra mim e eu sorri amarelo. Sabe, por mais que não fosse um bom dia pra mim, eu tinha que manter as aparências.
- Oi, tia Deb! Oi, tio Bob! - puxei uma banqueta do bar e coloquei virada pra mesinha do centro, pra que pudesse olhar todo mundo e não precisasse dividir o sofá com o . Ficou um silêncio que me machucava, eu sabia que coisa boa não vinha.
- Não vamos fazer rodeios, vamos logo ao assunto. - meu pai disse decidido, mas eu sabia que ele tava com medo da nossa reação. - Vocês sabem que essas férias vão ficar juntos em uma casa, pra aprenderem a conviver amigavelmente um com o outro.
- Você disse que não ia fazer rodeios, pai.
- Fica quieta, menina. - levantei as mãos, como querendo dizer que ele podia seguir e eu não interromperia, o que era mentira. Até ele fazer alguma coisa que o contradiga ou eu TENHA que contestar. - E nós queremos decidir em que casa vocês vão ficar. - levantei a mão, pedindo permissão pra falar. - Fala, . - meu pai bufou e eu rolei os olhos.
- Eu sou a vítima disso tudo, então acho que eu tenho que decidir.
- Você é a vítima? Desde quando, ?
- Nesse caso eu sou sim! - abri a boca indignada.
- Não é!
- Sou sim!
- Não é! - ele aumentou a voz e se levantou, vindo em minha direção, eu não me levantei.
- Sou sim! - falei baixo, recebendo um olhar de ódio dele.
- , senta! - Bob gritou e o menino olhou furioso pra ele, pra mim e pra todo mundo.
- Ela realmente é a “vítima” - tia Deb fez aspas no ar - nesse caso. Você foi quem começou e é VOCÊ que está se comportando como um... trombadinha! - Ahn, foi exagerado, mas eu estou chegando aonde eu quero.
- Deb, a não é a vítima da história! Os dois merecem punição igual! - caraca, se minha mãe não fosse minha mãe, já tinha plantado minha mão na fuça dela. Meu sorriso murchou e se transformou num bico gigante.
- Não estamos aqui pra ver quem é vítima ou não, queremos saber aonde eles vão ficar! - meu pai falou sério e o pai do concordou. - Não vejo problema nenhum de ser aqui.
- Por mim. - os pais do The Fuck disseram juntos.
- Então combinado?
- NÃO!
- , VAI ser aqui, quer você queira ou não.
- Então vai ser aqui. - Deb sorriu significativamente pro The Fuck, que emburrou. - Então vamos pra casa pra arrumar suas malas. - sorri vitoriosa.
- Quando vocês vão viajar?
- Amanhã de noite, .
- Vão viajar juntos, tio?
- Vamos sim, Austrália nos espera! - e o inferno me espera.

Capítulo 14

Escutei a porta se abrir e tirei os olhos do livro pra ver quem era.
- , os já estão aí embaixo. Desce que temos que repassar as coisas. - minha mãe sorriu e eu mandei o dedo depois de ela fechar a porta, tirando meu sorriso falso do rosto. Troquei o pijama por uma roupa qualquer e desci, vendo o emburrado ao lado dos seus pais no hall. Passei o olho pela sala, estava cheio de malas no lado. Nossos pais conversavam e meus irmãos levavam as malas pro carro. A tia Deb sorriu maternalmente pra mim e o tio Bob passou o braço pelos meus ombros.
- Então, crianças, vamos repassar as regras. , eu vou entregar a chave da casa pra Rose caso você precise buscar algo, mas os empregados já sabem que vocês não podem dormir fora, então nem pensem nisso.
- Não quebrem a casa, por favor! - minha mãe suplicou - E, , seu quarto é o quarto ao lado do da . E qualquer coisa, pode pegar, você é da casa! - ela sorriu, apertando suas bochechas.
Eles conversaram por mais um tempo, até que meu pai olhou no relógio e disse que era hora de irem. Minha mãe me abraçou apertado e eu tive impressão de sentir minhas costelas estalarem, mas acho que foi só impressão. - OWN, não acredito que vou deixar meu bebê sozinho!
- Nem eu. - fiz bico e ela riu. Meu pai me deu um abraço e deu aqueles sermões de todo pai que se acha engraçado, como "não deixa esse daí abusar de você, não!". Vergonhoso, eu sei. Abracei o Phil e levantei o Greg no colo só pra poder lembrar ele que ele é um pirralho magrelo, MUAHAHA. Logo todos já tinham ido embora e era só eu e o , o e eu.
- Bom, vou pra piscina. Sabe onde é o quarto?
- Sei. - subi dois degraus da escada e ele pigarreou - Seria bom se você me ajudasse. - bufei e desci a escada, pegando a menor mala. Andei até o fundo do corredor, o meu quarto era o último e o dele era o anterior ao meu. Abri a porta e coloquei a mala dele na cama, sentando. Alguns segundos depois ele entrava no quarto e jogava as malas, fazendo um estrondo.
- Essa merda pesa! - ele disse, apoiando as mãos no joelho e respirando pesadamente.
- A Rose vai arrumar as coisas nos armários amanhã. Quer ir na piscina? - não que eu queira a companhia dele, mas uma boa visão é legal. Pode me chamar de tarada, mas não é essa a questão, afinal o que tem de errado em querer a saúde dos meus olhos?
- Ah, vai na frente, tenho que achar meu shorts. - ele fez uma cara engraçada e eu ri, indo me arrumar e depois pra piscina.
Fiquei em pé na borda, encarando a água.
- Ainda não entrou?
- Já entrei, já me sequei, tô até saindo. Claro que não entrei, idiota! - meninos são seres MUITO inferiores, perceba!
- Nossa, você foi educada na Suíça?
- Fui, junto com você. - bufei e tirei a camiseta, caminhando até a cadeira de sol. Tirei meu shorts e o coloquei na cadeira, senti dois olhos me encarando. Ahn, me amarrota porque eu tô passada! estava ME SECANDO?
- Eu sei que isso é melhor que os da playboy, mas será que dá pra tirar o olho? - e ele finalmente percebeu o que estava fazendo e pestanejou algumas vezes, olhando pros lados e fingindo que nada tinha acontecido. Baitola.
- Pára de imaginar coisas, sua louca.
- Eu vi, The Fuck!
- Só porque você quer que aconteça, não significa que realmente aconteceu. - isso me deixou muito, mas MUITO irritada. Tipo, HELLO, quem ele acha que é pra falar assim COMIGO? Ainda mais na minha própria casa? Emburrei. Andei calmamente, tentando ser sedutora, mas visivelmente fracassando, e parei na sua frente. Ele me olhou torto, como se perguntasse que porra que eu tava fazendo. Sorri maliciosa e dei um simples toquinho no seu braço branco, e musculoso, vendo ele se espatifar na piscina em seguida. SCORE! Quando ele voltou à superfície, cuspiu água e me olhou com ódio. Como se eu ligasse.
- Pelo menos me ajuda a sair. - esticou a mão na minha direção.
- Eu não vou cair nessa.
- Então terei que ser mais drástico. - ele sorriu divertido e por um momento eu me afoguei em sonhos, sem nem entender o que ele tinha falado.
- Ahn? - não tive nem tempo de tentar entender o que ele havia falado, só pude vê-lo saindo da piscina que nem um ogro pela borda, sendo que tem uma escadinha bem ao seu lado, vindo na minha direção. ESPERA, o que ele está fazendo? Ah não, não, não! Ele não vai fazer isso. And he did. (N/A: HÁ, me lembra de Cell Block Tango, do Chicago *-*)
- Me sooolta!
- Você tem que aprender a ter mais respeito comigo, !
Ele pulou na água comigo no colo. Meu cabelo, que eu tinha gastado um bom tempo arrumando, se desfez em poucos segundos. Comecei a espancá-lo em baixo d'água, o que não deu em nada.
- Hahaha, foi muito fácil!
- Fica quieto, seu... GRRR!
- Mas você vai ter o que merece.
- Você não acha que eu já tive o suficiente? Meu cabelo, dã! - disse apontando pra minha cabeça.
- Mini-Shamú, posso colocar música? - ele apontou pra área da churrasqueira, me ignorando.
- Vai lá, só que os CDs que tem aí são dos meus pais. - rolei os olhos, brincando com a água. Ele colocava o som na rádio e se virou, olhando pra mim.
- E o campeonato de tênis?
- É semana que vem.
- E você não vai treinar?
- Digamos que eu sou boa o suficiente.
- Você, boa em tênis? Desde quando?
- Desde sempre, dã.
- Garanto que eu te venço no tênis.
- Isso é um desafio, ?
- Se você aceitar...
- Aceito então.
- Quem ganhar é o melhor.
- Prepare-se pra ser o pior, tchutchuquinho - apertei as suas bochechas, fazendo bico.
- Amanhã, no clube.
- Eu vou esfregar muito na sua cara que eu sou a melhor.
- Não vai acontecer, porque eu sou o melhor. Já me viu jogando tênis?
- Ahn... - certo, eu NUNCA tinha visto ele jogando tênis. Claro, ligarei pro pra averiguar a história. - Não.
- Se você tivesse visto, não se deixaria quebrar a cara.
- Tá bom, vamos encerrar por aqui, vou deixar você sonhar um pouquinho que eu vou quebrar a cara. - sorri, jogando água na cara dele.
Sabe, eu odeio silêncio, parece que machuca meus ouvidos. Eu odeio não falar nada, mas odeio mais ainda não ter o que falar e a única pessoa disponível pra conversa é o The Fuck. Eu tava quase ficando bêbada de tédio.
- Nós precisamos começar a pensar na reconciliação do e da ...
- Acredite que nós teremos tempo de sobra pra pensar. - ele bufou, me fazendo concordar.
- Mas pensar em algo decente leva tempo, e realizá-lo também... E a gente podia adiantar, não estamos fazendo nada mesmo. - me levantei para me secar e o me seguiu. Aonde a vaca vai, o boi vai atrás... Não que eu seja uma vaca, só pra esclarecer. Coloquei os shorts e enrolei o cabelo na toalha.
- Aonde a gente vai?
- A gente? Desde quando eu e você podemos ser um nome só? - o olhei enojada e ele ficou sem graça, me fazendo rir - NÓS vamos ao barzinho, fazer drinks, pensar na reconciliação... - não sei se já disse, mas nos fins de semana que meu pai não tá aqui eu acabo fazendo drinks pros meus irmãos, já que se daddy estivesse na cidade, o pobre Greg não poderia beber... Nem eu. Abri a geladeira e peguei alguma coisas, as colocando no balcão, e peguei alguns copos. Fiz piña colada, sex on the beach, caipirinha e roubei um Jack Daniels do daddy, se ele descobrisse, eu diria que foi o Phil. Ou a Rose. - Qual você quer primeiro?
Okay, posso dizer que quando você tá em boa companhia o tempo passa voando. Os drinks sumiram impressionantemente rápido e nós havíamos conversado sobre tudo, menos do que deveríamos. Me levantei do banquinho pra ver se havia algo comestível na cozinha, mas não percebi que havia uma poça de água que havia caído de mim bem debaixo do meu banquinho, me fazendo escorregar e ser vítima da gargalhada histérica do The Fuck. Ódio. Ele se levantou com a mão na barriga, que devia estar doendo por rir tanto, e estendeu a mão pra me ajudar a levantar.
- Tá bem, ?
- Tô ótima, tirando que a minha bunda vai ficar com um roxo do tamanho do seu... - tapei minha boca e ele ria mais ainda. Minutinho, vou injetar heroína no olho e já volto. - cabeção! Do tamanho do seu cabeção, !
- Só se for a cabeça do sul. - bufei e me levantei do chão, ignorando a mão dele. Ele me pegou no colo, alegando que queria ver TV. Deixei, né, além de babar litros. - NÃO ESQUECE O JAAAAAAAAAACK! - ele se agachou pra pegar e foi pra sala, me jogando no sofá.
- Ai, que pentelho. Não podia ser mais delicado, senhor “educado”? - fiz aspas no ar, roubei a garrafa da mão dele, que sentava do lado do meu pé - JACK, OH JACK! - isso não foi muito legal de fazer, eu parecia que tava atuando em um filme pornô de péssima categoria, daqueles tipo “A primeira vez de Rita Cadillac”. Além de que eu preferiria que o "Jack" fosse o Jack do Titanic, o Leonado DiCaprio era muito lindo naquela época!
- Se puder não fazer isso com a garrafa, e sim comigo, agradeceria.
- - me ajoelhei do lado dele no sofá e mordi sua bochecha. EPB, okay? Efeito Pós-Bebedeira, só pode. Eu, , em SÃ CONSCIÊNCIA não faria isso, tanto que ele, The Fuck, me encarava torto.
- “It's hot in here, there must be some in the atmosphere” - ele começou a gargalhar, levantando pra pegar o controle da TV. Odeio admitir que concordo com a paródia que ele fez. Fiquei encarando os glúteos dele, eu não sabia que ele tinha uma bunda tão gostosa assim. Ele sentou do meu lado do sofá, ligando no Ugly Betty. ADOOOOOOOOOOORO! Fiquei encarando a TV, que mostrava o Daniel Meade, o chefe gato-pra-caraca dela. Fiquei babando por um bom tempo, mas acordei do meu transe quando vi os dedos do estalarem na minha cara.
- Aiii, o que é?! - tipo assim, eu ODEIO quando me interrompem no momento estou-babando-por-qualquer-cara-gato. Ele mudou pra um canal pornô. Alguém aqui concorda que filmes pornôs são SUUUPER engraçados? Não que realmente seja engraçado, mas ver as pessoas se acasalando não é nada excitante. Tive um acesso de riso e ele me olhou feio, provavelmente perguntando qual era o meu problema.
- Idiota. - me deu um pedala e sorriu de canto. Ai que canto. Alguém me dá um tapa? Eu estou surtando pelo , O THE FUCK!
- Vou dormir, amanhã tenho aula e eu preciso acordar antes das quatro. - sorri, me levantando. Ele me puxou e, tipo, congelei, okay? Eu tava a menos de um centímetro de distância dele. Dele não, da boca dele, o que faz isso tudo pior. Ou melhor. Sorri meio tarada e ele pareceu totalmente envergonhado. Eu estaria igual a ele se não fosse o meu falso sorriso malicioso, o que não duraria muito já que a gente não se moveu.
- The moment I wake up...
- Ahn?
- Before I put on my make up... - agora caiu minha ficha.
- I SAY A LITTLE PRAYER FOR YOU! - a gente cantava junto, dançando em cima do sofá. - While combing my hair now, and wondering what dress to wear now - ele pegou nas minhas duas mãos, cantando - I SAY A LITTLE PRAYER FOR YOU! Forever and ever, you'll stay in my heart and I will love you forever and ever, we never will part, oh how I love you, together forever, that's how it must be to live without you would only be a heartbreak for me - ele me pegou no colo, pulando sentado no sofá e me encarando com um sorriso infantil no rosto. Eu comecei a rir, acho que nunca tinha passado nada assim com ele e passo a dizer que foi legal.

Capítulo 15

Os pássaros cantavam e o sol iluminava meu quarto inteiro. O pior jeito de se acordar é ter o sol na sua cara e alguém murmurando coisas no seu lado. Okay, alguém murmurando coisas no seu lado se você não tem namorado e não saiu na noite anterior é uma coisa consideravelmente assustadora. Fiquei encarando um saco falante que se mantinha ao meu lado e acabei por cutucar aquela coisa.
- Ah não, vem mais perto... - e a coisa se virou, mostrando ser o The Fuck. MAS QUE MERDA ELE TAVA FAZENDO LÁ? Apertei minha cabeça, tentando lembrar de qualquer coisa que possa ter acontecido entre nós dois nessa noite. Uma promessa: nunca mais encher a cara quando você está mentalmente perturbada.
- Vem cá, linda. Eu quero você, ... - se imagine pegando o Ashton Kutcher numa suruba com o Cristiano Ronaldo, o Brad Pitt, o Johnny Depp e o Justin Timberlake (não na fase cabelo de miojo dele). Agora imagine o tamanho dos seus olhos nesse momento e, BINGO! Exatamente como os meus estão agora.
- ACORDA,TRASTE! - empurrei ele da cama, vendo a cara de assustado dele.
- Ahn, o que aconteceu aqui? - os olhos dele estavam arregalados e ele saía correndo procurando a roupa pelo quarto. - Que horas são?
- Quatro da tarde. QUATRO DA TARDE! PORRA, TENHO AULA! - corri pelo quarto procurando uma roupa - E isso me lembra da nossa aposta, loser. - me tranquei no banheiro pra me vestir. Saí alguns minutos depois e ele tava me esperando já arrumado.
- Pronta?
- Aham. - desci a escada e ele parou na cozinha.
- Não vai comer nada antes de jogar?
- Não, tô de regime. - ele entrou e já foi direto fuçar a geladeira - Ai, pega logo uma banana, depois a gente come. - eu o puxava, mas ele não largava a porta da geladeira - VEM LOGO, EU TÔ ATRASADA! - eu falava entre dentes devido à força que eu fazia pra tentar tirar ele de lá.
- NÃO VOU!
- Então eu vou sem você! - o larguei, mas ele segurou minha mão - ME SOLTAAAAAAAAAAA! - ele pegou um pedaço do pudim que tava na geladeira e o enfiou na minha boca pra que eu parasse de gritar. Ei, aquele pudim tava bom. O empurrei, que bateu no leite, derramando e deixando o chão molhado.
- OLHA O QUE VOCÊ FEZ, ! - garanto que se tivesse uma vaca aqui, ela daria uma patada nele por desperdiçar tanto leite, hunf.
- VOCÊ QUE ME EMPURROU!
- MAS VOCÊ QUE BATEU NO LEITE, SEU JUMENTO! VAI LIMPAR COM A LÍNGUA! - ele foi andar na minha direção, mas escorregou, me levando junto. QUALÉÉÉÉÉE A DELE? Dei aqueles berros extremamente irritantes e ele colocou as mãos tampando o ouvido.
- Aff, para de berrar!
- Vem me parar, então, !
- EU VOU!
- ENTÃO VEM! - me levantei pra pegar um prato no armário e quebrei na cabeça dele, SCORE! - AI, PORRA! TU TEM DOENÇA? VOCÊ PODIA TER ME MACHUCADO!
- Que pena que não machuquei!
- O QUE TÁ ACONTECENDO AQUI? - a Rose chegou causando na cozinha. Quando encarou o chão e nós dois rolando pelo chão em cima do leite e dos cacos do prato, ela teve um ataque, fazendo com que a gente a encarasse. - PRIMEIRO DIA E VOCÊ JÁ DESTRUIRAM MINHA COZINHA? - ei, a cozinha ainda é minha.
- Desculpa? - sorri sem graça e o The Fuck continuava sem ação, acho que ele nunca tinha visto a Rose brava. Ela começou a dar vassourada na gente, tentando fazer a gente sair dali.
- Sai, sai! - me levantei, escorregando e caindo de novo - Vai logo, sai! - bufei e saí da cozinha pingando a leite. Entrei debaixo do chuveiro só pra tirar o excesso do leite e me arrumei correndo pro tênis. O The Fuck me esperava na sala e só agora eu percebi que ele tinha um corte na testa.
- A cabeça tá doendo, lindinho? - sorri vitoriosa e ele bufou, me seguindo. No fundo eu fiquei com um pouco de pena... Um pouco.
Cheguei no clube dando raquetadas no ar, pra treinar antes de bater no de noite, sabe? Hoho, brincadeirinha.
- , achei que você não ia mais aparecer! Você tá meia hora atrasada, eu não vou te deixar sair antes das 6, só pra te... Quem é esse? - ele olhou em desdém pro e eu ri.
- Ninguém que mereça atenção. - abracei ele e o The Fuck estreitou os olhos, bufando - É o seguinte, ele quer jogar contra mim...
- Você é bom,...?
- . - ele estendeu a mão e o Charlie apertou. - Sou sim, melhor que ela.
- Vai ser bom você treinar com alguém diferente, , você precisa se preparar pro campeonato.
- Não preciso não, eu já sou boa demais. - pisquei e entrei na quadra. Charlie riu, balançando a cabeça negativamente.
- Essa sua confiança toda pode te fazer quebrar a cara.
- O que você quer dizer com isso? - ele veio na minha direção e me colocou na posição inicial. Oi, tive um friquiti aqui.
- Por mais que você seja boa...
- Caham.
- Tá bom, por mais que você seja ótima. - ele riu - Você nunca sabe quem você vai enfrentar. Você precisa estar preparada pra uma Venus Williams mirim, existem muitas meninas tão boas quanto você.
- Não existe, porque eu sou a próxima Venus Williams. - pisquei pra ele.
- Ou a Kournikova.
- Por que a Kournikova? - o olhei com desdém.
- Porque você é muuuuito lindinha! - ele apertou minha bochecha e a minha vontade foi de dar uma raquetada nos países baixos. Fiquei num transe de raiva, só saindo quando levei uma bolada do The Fuck.
- Quinze a zero, .
- Não valeu, eu não tava pronta ainda!
- Você já tá no lugar certo. - chutei a bolinha do meu caminho e andei até o canto esquerdo, tentando controlar a raiva. Acho que preciso fazer ioga, isso sim.
- Ei , talvez você seja a Kournikova mesmo. Veja pelo lado bom, caso você não ganhe os campeonatos, você sempre vai poder namorar caras famosos e soltar na internet vídeos picantes pra ficar famosa e alavancar a carreira de modelo. - Charlie sorria como se falasse algo que fizesse muito sentido. Joguei minha raquete longe e fui lavar meu rosto. Qual o problema de surtar? Todos merecem um momento Amy Winehouse na vida.
- Você acha que alguém vai contratar ela como modelo? Só se for pra comercial de remédio pra hemorróidas.
- Ou de manicômios.
- Ei, quem sabe ela tenha futuro no cinema fazendo aqueles filmes tipo Garota Interrompida. - o The Fuck e o Charlie se aproximavam, com minha raquete na mão, fazendo gracinhas sobre mim.
- Ai, como vocês são péssimos.
- Calma, criança, você ainda pode pegar uma medalha de bronze. - OPAAAA! Charlie tentava me abraçar pra se aparecer pro , mas eu continuei andando. Ninguém faz de mim uma vítima de piadas.
- Ahh, a criança tá bravinha, mas que bonitinha!
- SAI DAQUIIII, QUE CHATO! - comecei a estapear o , tendo que ser segurada pelo meu professor. Okay, a pouca convivência com o The Fuck tava me deixando totalmente afetada.
- Calma, !
- Me larga, me larga! - eu me sacudia freneticamente, parecendo aqueles cachorros que vão no veterinário e tem que colocar o termômetro na bunda, sabe?
- Eita, a orca surtou!
- Chaaarlie, eu quero ir pra casa. - eu fiz cara daquele esquilo estranho do Madagascar, ou sei lá que bicho é aquele, e o Charlie veio me abraçar. Tipo, surtei. Ele tava MUITO sexy, queimadinho e tal. Queimadinho? - Charlie, você tá queimado.
- É, passei o fim de semana na praia com a minha namorada. - desmoronei. Minha cara foi a pior possível, tanto que o começou a rir demais.
- Ah é? Foi bom? - eu realmente não sou uma boa atriz.
- Foi, a gen...
- Aham, entendo. Charlie, tenho que ir agora, tô atrasada pra... Sair com os meus pais e eles realmente não suportam atrasos, sabe como é, né?
- Seus pais tão viajando.
- Ahn... Haha, sério? Nem me avisaram, que mancada. Vou ligar pra eles. Beiiiiijinhos, teacher! - sorri totalmente sem graça e o veio se arrastando atrás de mim. Ele tava parecendo um arco-íris de tanto rir. - O que você vê de tão engraçado nisso, idiota?
- A sua cara de bosta foi a melhor! Tipo 'ah, viajei com a minha namorada...' - ele fingiu uma voz grossa e depois mudou de lado, botando as mãos na cintura e fazendo uma cara afetada.
- , não foi engraçado! Foi trágico!
- Realmente... Posso fazer uma pergunta?
- Não.
- Você achava que tinha chances com ele? - sim.
- Não.
- Não mente pra mim.
- Ei, desde quando nós somos tão 'Best Friends Forever' que eu não posso mentir pra você?
- Então é mentira.
- Não disse isso, eu só...
- Mas é mentira.
- Não, não é.
- Claro que é, e além do mais, você nunca se viu no espelho? Porque DUVIDO que ele iria querer algo com alguém como você. - ele ria, dando empurrões de leve.
- , que faremos hoje?
- Sexo.
- , que faremos hoje?
- Sexo. - soltei o ar calmamente tentando controlar minha raiva.
- Pela terceira e ÚLTIMA vez: , que faremos hoje?
- Sexo. - ele riu e eu mostrei o dedo do meio - O que acha de ir pra uma balada?
- Mas não tem graça beber contigo, eu quero meus amigos. - simulei um choro histérico e ele me olhou torto. Agora não posso nem ser eu mesma mais, isso não é vida!
- Por que não tem graça ir comigo? Eu sou uma pessoa divertida! - UUUUUUUUUUH, e como!
- O problema não é você... Tá bom, é sim. A gente nem se fala, o que a gente faria lá?
- Ahn, pegar pessoas?
- Mas vai que você acha alguém e eu não, eu vou ficar alone lá. - ele me olhou com pena.
- Olha, eu sei que você é feia e tudo mais, mas sempre tem algum louco por aí.
- Tanto faz. - rolei os olhos. Ao chegar em casa, fui tomar banho e me arrumar.

Capítulo 16

No dia seguinte acordei perfeitamente bem. Me espreguicei e passei a mão no outro lado da cama, agradecendo ao Cristiano Ronaldo que não tava acompanhada dessa vez. Escovei os dentes e fui procurar algo pra comer.
- BÚ! - pisei forte no chão e berrei, vendo a Rose dar um pulo e botar a mão no coração - Rose linda, o que tem pro almoço?
- O de sempre, você não vai ver variedade até a Sara chegar da licença. Daqui a pouco sai. - saí batendo o pé e voltei ao ter uma idéia maravilhosa. Procurei uma panela no armário e uma colher de pau e subi a escada. Escancarei a porta do quarto de hóspedes, porque do NÃO É, e comecei a batucar na panela bem em frente a ele.
- NÃO ENCHE! - ele me tacou um travesseiro e cobriu a cara com a colcha.
- Ah, zinho, não fica bravo! - me joguei em cima dele. Ai delícia, ai ai delícia! Ele descobriu o rosto e eu sentei sobre sua barriga. - Hoje é dia de mofar em casa, que coisa caseira você vai querer fazer?
- Não sei.
- Por que você não me mostra suas músicas? - eu sorri, sincera dessa vez, e ele riu sem graça, colocado a mão sobre os olhos - Vai, , por favor!
- Tu é muito pentelha, ! - ele riu - Mas só se você prometer que não vai rir.
- Prometo, prometo, prometo!
- VEM ALMOÇAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR! - saí de cima do The Fuck e o puxei da cama, fazendo-o cair.
Depois do almoço, fomos pro quarto dele e ele pegou um cadernão com várias folhas capengas e o violão. Sentei no lado dele e ele começou a folhear o caderno.
- Eu não tenho a mínima noção de que música te mostrar. - ele começou a tocar coisas sortidas no violão, enquanto encarava o caderno.
- Toca todas, tempo não vai faltar. - sorri. Okay, preciso parar de sorrir pra ele. Ele me encarou e voltou a olhar o caderno, abrindo na primeira página.
- Essa foi a primeira que eu escrevi, nunca mostrei para os meninos algumas delas, inclusive essa, vendo se eu podia melhorá-las mais adiante...

What day is it and in what month?
This clock never seemed so alive
I can't keep up and I can't back down
I've been losing so much time

Cause it's you and me and all of the people
With nothing to do, nothing to lose
And it's you and me and all of the people
And I don't know why I can't keep my eyes of you

All of the things that i want to say
Just aren't coming out right
I'm tripping inwards
You got my head spinning
I don't know where to go from here

Ele parou de tocar e me olhou sorrindo. Fiquei estática e ele estalou os dedos na frente da minha cara.
- Ah, , eu gostei da música. - ele sorriu sem graça e voltou a folhear o caderno - Me responde uma coisa? - ele fez um barulho com a boca que devia significar que eu podia perguntar. Mesmo que não significasse, eu ia perguntar. - De onde as pessoas tiram inspiração pra músicas? Eu já tentei escrever e só saiu merda. - fiz cara de triste e ele riu.
- Pessoas, situações ajudam... A maioria das pessoas escreve músicas quando gosta de alguém.
- De quem você gostava, ?
- Quem disse que eu gosto de alguém? - ele me olhou torto e eu ergui uma sobrancelha, fazendo ele rir - Tá bom, é de uma menina aí...
- Quem? Me fala, me fala! Eu nunca soube que você já tinha gostado de alguém, que mágico! Sabe, eu sempre achei que você fosse daqueles caras sem sentimentos... - eu já estava ajoelhada na sua frente, apoiada no travesseiro que estava em seu colo e eu não parava de tagarelar - Vamos, zinho, me fala! - comecei a sacudir ele.
- Você não conhece ela, que porra!
- Ah... Ela era bonita? - fiz bico. Vai que se eu perguntasse aos poucos ele cederia.
- Demais. - ele pendeu a cabeça pra trás e fechou os olhos, sorrindo de canto. Ai meu Johnny Depp, me segura! - A menina mais bonita que eu já vi.
- E vocês tiveram um casinhooo?
- Não... Ela não gostava de mim, ela sempre teve quem ela queria, por que ela ia olhar pra mim? - ele olhou pra baixo e eu levantei seu rosto.
- Cala a boca, você não é feio.
- Não sou nem perto dos caras que ela gosta.
- Ela gosta de quem? Do Brad Pitt? Pelo amor, ! Você que deve ter sido um bundão e nunca teve coragem de chegar nela.
- Acredite que já tive e não deu muito certo. - senti pena dele. Sim, EU senti pena dele! Peguei o violão da mão dele e posicionei no meu colo. Ele me olhou torto e riu.
- Sabe tocar? - ignorei a pergunta dele e comecei a bater a mão nas cordas, ele começou a gargalhar e eu sorri.
- Que música era pra ser?
- Smells Like Teen Spirit! - comecei a rir e cantar imitando o Kurt Cobain. Depois de um tempo ele começou a cantar comigo, nós berrávamos feito loucos e pulávamos na cama.

"Load up on guns and bring your friends
It's fun to lose and to pretend
She's over bored and self assured
Oh, no, I know a dirty word
Hello, hello, hello, how low (3x)
hello, hello, hello...
With the lights out it's less dangerous
Here we are now, entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now, entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito, my libido
Yeah! Yay! Yay!"

Pulei sentada na cama e o violão praticamente me agrediu nessa queda. O The Fuck continuou pulando até parar por completo, ele sentou do meu lado e arrancou o violão do meu colo.
- Você é péssima, nunca mais faça isso. - ele me olhou sério e começou a rir.
- Canta mais, , quero ouvir suas músicas.
- Você não vai querer escutar minhas músicas pelo resto do dia. - se levantou pra guardar o caderno e se deitou na cama.
- Ei, eu tava gostando! - dei um soquinho na perna dele e ele colocou os braços embaixo da cabeça - , fala comigo! - depois de ficar alguns minutos, que pareceram horas, sendo ignorada por ele, resolvi partir pra agressão. Mentchéra. - , você sabe que eu ODEIO ser ignorada. - falei entre dentes e ele me olhou com um sorrisinho irritante (sexy). Ai se eu te pego! Me deitei em cima dele e ele começou a rir. - Tem certeza que não vai falar?
- O que você vai fazer se eu não falar? - ele sorriu tarado e eu quis entrar na brincadeira. Espero que ele não responda, hihi.
- Vou te estuprar. - ele gargalhou e eu o olhei sério - Eu não tô brincando, eu tô em uma posição favorável. - ele me empurrou pro outro lado da cama e ficou por cima de mim.
- O que você disse mesmo?
- Nossa, a Kirsten realmente te ensinou algo.
- Quem disse que ela me ensinou?
- Vai dizer que você a ensinou? - brinquei.
- Quem disse que ela foi a primeira?
- WOW, cachorrão!
- Mas também não disse que não foi.
- Ah, cabaceiro. - fiz bico e ele riu - Me conta, vai!
- Não.
- loroteiroooo! - ele ficou em silêncio e respirou fundo, voltando a falar.
- Lembra daquela Heather que estudou com a gente no primeiro ano? - afirmei com a cabeça e ele continuou - E lembra daquela vez que a gente foi pra um acampamento com o colégio? - afirmei de novo com a cabeça - Um dos dias daquelas festas noturnas, meio do mato, ninguém por perto, coisas rolaram. Não tinha só a gente lá também. - fiquei de boca aberta e ele deu um toquinho no meu queixo - Fecha a boca pra não entrar... - e sorriu malicioso. Por que ele tem que ser tão sexy? Que infeeeeerno! Ele sorriu de uma maneira sedutora e começou a passar seus lábios pelos meus, me causando calafrios. Sorri comigo mesma ao perceber, após morder seu lábio, a reação que eu havia causado nele. Fechei meus olhos automaticamente quando senti sua língua invadir minha boca e procurar desesperadamente pela minha. Começamos a nos beijar e ao sentir sua mão percorrendo caminha pelas minhas costas, estremeci automaticamente, causando risos ao senhor . Intensifiquei o beijo, puxando seu cabelo com certa força e fazendo-o gemer baixo. Nossas línguas se entrelaçavam e, à medida que o beijo aumentava o ritmo, o ambiente ficava mais abafado. começou a puxar minha blusa para cima, segurei sua mão com uma expressão meio aflita.
- Que foi? - ele perguntou com dúvida.
- Nada, . - tentei empurrá-lo de cima de mim, mas ele me segurou e olhou fixamente. Por que ele tem que fazer isso mesmo?
- Por que você pode fazer isso com o Rushton e todos os outros caras, e comigo não? Quer dizer, qual o meu problema? Você me conhece há muito mais tempo que todos eles, porra! - ele deu um soco no travesseiro que tava embaixo da minha cabeça. Impressão minha ou ele tava me chamando de puta?
- "Fazer isso com o Rushton e todos os outros caras"? Quem você acha que eu sou, ? - empurrei ele de mim com força e saí da cama - E me dê pelo menos UM motivo pra eu fazer isso com VOCÊ! - bati a porta do quarto e fui pro meu.
- E vai dizer que não é verdade? - ele entrou como um foguete no meu quarto, fechando a porta atrás de si. A cara dele tava vermelha de raiva, ele até parecia o diabo do filme do South Park.
- O que é verdade?
- Que você já deu pra todos eles!
- EU? - me apontei.
- Não, a pessoa do seu lado. CLARO QUE É VOCÊ, PORRA!
- Ah, pelo amor, me economiza, eu REALMENTE não preciso ouvir isso, muito menos de você! Agora sai, ! - abri a porta do quarto e ele saiu. Chutei a porta de raiva, senti meu pé latejar pela força. Adivinha o que eu fiz depois?

Capítulo 17

Três dias se passaram. A convivência não existia, a gente não se falava, e por incrível que pareça, também não nos xingávamos. A Rose estranhava, mas não comentou nada, ela sabia que qualquer palavrinha dela podia acabar com a "paz". O telefone tocou e a Rose foi atender, nos deixando sozinhos na mesa da cozinha.
- , sua mãe no telefone. - ela sorriu e saiu da cozinha. Depois de um bom tempo falando com a minha mãe, passei o telefone pro , deixei meu prato na pia e fui tomar um banho. Coloquei uma roupa qualquer e me afundei no sofá vendo, pela milésima vez, As Branquelas. Ouvi um toque no batente da porta e vi o parado com cara de cu e um telefone na mão.
- , o James me ligou e falou que ele vai dar uma festa na casa dele amanhã antes de ir encontrar os pais no Havaí e perguntou se você vai querer ir.
- Pode ser. - sorri fraco e ele saiu de lá, voltando a falar no telefone.
A festa tava lotada, tinha gente até caindo da janela se bobear. Encontrei umas "amigas" e o The Fuck ficou com o James e sua trupe. Entre bebidas e bebidas e mais bebidas e mais e mais bebidas, o Rushton veio falar comigo.
- Posso falar com você?
- Já tá falando. - sorri falsa.
- Em particular, . - segui ele até o andar de cima e ele entrou num quarto, fechando a porta. - Bem melhor sem barulho. - ele sorriu e eu me senti tonta. Tanto pelo sorriso maravilhoso dele, quanto pela bebida. Sentei na cama e coloquei a cabeça entre as pernas, minha mãe sempre diz pra fazer isso quando eu tô com pressão baixa. Não que eu esteja com pressão baixa, mas vai que funciona. - Tá tudo bem? - ele me olhou estranho e eu fiquei roxa de vergonha, que cena P-A-T-É-T-I-C-A!
- Aham, eu só tô um pouco tonta. Acho que preciso parar de beber um pouco. - ri sem graça e ele sorriu, se sentando ao meu lado.
- ... E-eu queria te pedir desculpas pelo que eu fiz. - eu ia falar algo, mas ele colocou o indicador na minha boca - Me deixa falar. Por mais que você pense que eu só te usei, é mentira, porque eu realmente quis namorar contigo, você é uma menina linda - eu sei, todos dizem isso, hehe - e eu gosto de você, tanto que eu tô aqui me humilhando. - ele me olhou sério e eu sorri.
- Tá, e o que você quer que eu faça?
- Me perdoa? - AIMEUDEUS, ele me olhou muito fofamente agoraaaaaaaaaaaaaa, infartos múltiplos.
- Tudo bem por mim. - sorri e fui me levantar, mas ele segurou meu braço e me beijou. Como eu sentia falta disso! Me deitou na cama, caindo sobre mim. Por mais que eu não quisesse aquilo, eu queria. Coloquei minha mão em sua nuca, brincando com o cabelo dele. O ambiente era quente, as janelas fechadas ajudavam. Ele colocou as mãos nas minhas coxas, apertando forte e arranhando. - Steve, tá doendo. - ele não ligou, apenas mordeu meu lábio e voltou a entrelaçar nossas línguas. As mãos deles, depois de um tempo, subiram e levantavam minha blusa. Passavam pela minha barriga e aquilo me deixava incomodada. Quando ele tentou desabotoar meu sutiã, eu empurrei ele de cima de mim e tentei sair dali. Ele fincou as unhas no meu braço e me puxou de volta. - Me solta, Rushton! - minha blusa foi arrancada, apesar de estar, praticamente, sendo espancado por mim. Quem ele pensa que é? Por mais que eu tentasse me soltar dele, era praticamente impossível. Eu podia ser forte, mas nunca que eu ia conseguir tirar um cara daquele tamanho de cima de mim. Além de estar bêbada, hihi. Eu tentava empurrá-lo, tentava gritar, mas não conseguia nada. O medo transparecia, provavelmente fazendo ele ficar com mais vontade. Ele beijava, mordia, chupava ferozmente meu pescoço e eu tava morrendo de ódio, a mão dele abria o zíper do meu shorts. - Rushton, para, por favor. - eu pedindo por favor, perceba o quão desesperada eu tava. Minha voz parecia um sussurro e ele me olhou como se me comesse com os olhos. Ele amassava todas as partes visíveis do meu corpo, a dor era enorme e eu tinha certeza que aquilo iria deixar marcas. Abaixava meu shorts, praticamente arrancando minha pele junto. Tentei segurar as mãos dele, mas o máximo que eu recebi foi uma porrada na boca do estômago, me fazendo largar as mãos dele. Eu tremia, meu corpo inteiro doía e o medo fazia meu coração parecer que ia pular pela minha boca, as mãos dele queimavam minha pele por onde passavam. Agarrei o lençol e fechei fortemente os olhos, se eu continuasse lutando, só iria piorar as coisas pro meu lado. Ouvi a maçaneta da porta tentar ser aberta e depois a porta abrir, trazendo um casal. A menina tava no colo dele e eles se beijavam, provavelmente não tinham percebido que tinha gente no quarto.
- SAI DAQUI, PORRA! - o Rushton gritou e o casal se separou. Quando a menina desceu do colo do cara, eu olhei pros dois e vi que o me encarava indignado. Steve me segurava forte pelo quadril, praticamente quebrando meu osso pra que eu não falasse nada e nem tentasse sair. Sussurrei com a boca um 'socorro' e o virou a cara, provavelmente achava que eu tava acasalando com o Rushton depois de ter dado um fora nele.
- , ME AJUDA! - gritei o mais rápido e o mais alto que eu pude, sentindo as mãos do Steve me apertarem ainda mais. O e sua peguete, que por mim era desconhecida, se viraram num pulo. Ele veio voando até nós e arrancou o Rushton de cima de mim, mas levou um soco no rosto. Procurei minha roupa desesperadamente, eu tinha uma vontade terrível de chorar. A menina veio me perguntar se tava tudo bem, eu apenas afirmei com a cabeça.
- Você vem comigo, . - o Rushton passou a mão pelo meu ombro, me levando pra fora do quarto.
- Me larga, Rushton! - olhei de relance pro , que já tinha o nariz sangrando e parecia estar acabado, não muito diferente do Steve. Aquilo me deu uma raiva tremenda, empurrei o Steve e ele caiu, pisei no seu amiguinho e agarrei-o pelo colarinho. - Você nunca mais encosta a mão em mim e em nenhum dos meus amigos ou eu vou fazer você se arrepender de ter nascido. - falei entre dentes e pisei no little Rushton para ir até o . Me abaixei e ajudei ele a se levantar. A ficantezinha dele o esperava fora do quarto, enquanto ele ia falar com ela, desci as escadas pra ir embora. Eu tava me sentindo nojenta, mesmo que nada tivesse acontecido. O The Fuck me parou na porta, ele não tava acompanhado da menina. - , a festa acabou pra mim, mas sério, não quero estragar sua diversão.
- Eu vou com você.
- Não precisa. - coloquei a mão no peito dele, impedindo ele de andar - Eu sei me cuidar.
- Tô vendo como sabe, . Deixa o orgulho de lado, eu tô tentando te ajudar. - mordi o lábio inferior e me virei. O que eu podia fazer se minha companhia era TÃO requisitada? Ele começou a atirar perguntas assim que fechou a porta do meu quarto.
- Eu não quero falar sobre isso. - fiz com que ele sentasse na minha cama pra que eu arrumasse o estrago na cara dele. Limpei seu rosto e fiz ele segurar uma bolsinha de gelo pra estancar o sangue, me sentei do lado dele e abracei minhas pernas.
- Olha, o que esse merda tentou fazer foi covardia. - ele colocou a mão no meu rosto e acariciou com o polegar, o olhar dele era fixo na minha boca - Só me promete que da próxima vez você não vai deixar nenhum cara chegar perto de você quando você tiver bêbada e sem ninguém pra te ajudar. - ele desviou os olhos da minha boca e me olhou nos olhos. Não SUPORTO quando me olham nos olhos me fazendo sentir inferior, encarei meus pés pra tentar ficar mais tranquila - Promete?
- Prometo. - ele beijou minha testa e saiu do quarto, me deixando sozinha. Tomei meu banho pra tentar apagar o que havia acontecido, mas eu ainda sentia a mão dele me machucando. Coloquei meu pijama e pensei trezentas vezes antes de ir até o quarto do . Abri a porta pra ver se ele ainda tava acordado, ele tava deitado com o violão, devia tá tocando algo - , posso...
- Pode o que?
- Dormir aqui? É que... sei lá. - mordi o lábio e cruzei os braços, me abraçando. Ele sorriu e deu duas batidinhas no colchão.
- Ei, , você tá com umas manchas no quadril. - me olhei. Argh, o Rushton realmente tinha que me deixar uma marca pra que eu não esquecer tão cedo do que aconteceu, né? Ele colocou o violão em pé no chão e veio até mim, sentando na cama pra ver meu quadril. Era bem constrangedor, puxei a blusa do meu pijama mais pra baixo até esconder as marcas e me desvencilhei das mãos dele. - Me deixa ver, . - ele me olhou sério e eu tive que deixar. Quando ele tocou minha pele, senti arrepios percorrem todo o meu corpo. - Tá doendo? - me olhei.
- Não, , que besteira! Eu bati na cômoda outro dia. - ri e rolei os olhos, tentando fazer parecer o mais verdadeiro possível.
- , isso é marca de dedo. Foi o Rushton, não foi? - engoli em seco e ele se levantou - Eu vou matar aquele filho da puta!
- Para, , que saco! Eu não sou criança, tá bom? Eu SEI me cuidar, não preciso que você vá bater nele!
- Por que você tá tentando proteger ele? - ele me olhou indignado.
- Eu não tô tentando proteger ele, idiota.
- Então qual o problema?
- Nada, , deixa isso quieto! - ele segurou meu braço e me puxou pra perto dele.
- Ele te ameaçou por acaso?
- Não!
- Então o que é?
- Eu não quero que você se machuque de novo por minha causa, que merda! - ele sorriu de canto e me abraçou.
- Eu não vou me machucar.
- Me promete que você não vai fazer nada.
- Não vou prometer isso, porque eu não vou cumprir.
- Me promete, . Eu não quero te dever nenhum favor.
- Então é por isso que você não quer? Eu crente que você tava fazendo isso por ser legal. - ele fez bico e eu ri.
- Cala a boca, idiota, só me promete que não vai fazer nada.
- E se eu não cumprir a promessa? - odeio perguntas inoportunas.
- Eu nunca mais olho na sua cara.
- Não muda muito nossa rotina. - ele riu e eu concordei.
- Vou espalhar pra cidade inteira que você é gay. - sussurrei e ele gargalhou.
- Vamos dormir, você já tá começando a delirar! - ele levantou a coberta pra que eu entrasse debaixo dela. Own, por que ele tava sendo tão fofo? Depois ele deu a volta e entrou também. Me aproximei dele e deitei o rosto no peito (nú, ai delícia) dele, sentindo ele passar a mão na minha cintura e me abraçar, fazendo cafuné.
- Ahn, ? - ele fez um barulho estranho, que, provavelmente, significava que eu podia continuar a falar - Obrigada.
- Pelo que?
- Por tudo.
Acordei com um barulho, o havia tropeçado em algo no chão. Abri os olhos, mas não sai da cama. Sou só eu que odeio sair direto da cama depois que acordo? Ele foi escovar os dentes e eu me espreguicei, levantando em seguida. Me encostei no batente do banheiro e ele sorriu, exibindo os dentes cheios de pasta. Fofo. Dei um beijo na bochecha dele e fui pro meu banheiro escovar os meus dentes. Desci e me sentei ao lago do pra tomar café da manhã. Fucei na geladeira pra ver se tinha algo para comer, algo que não me deixasse enjoada. Já comentei que eu passo mal de manhã por qualquer coisa? Pois é. Peguei uma maçã na gaveta de frutas e abri a gaveta de talheres pra pegar uma faca, me sentei no balcão e coloquei o lixinho no meu lado, pra eu jogar as casquinhas e tal.
- A última vez que você sentou no balcão você não se deu muito bem. - ele riu, me lembrando da vez que eu bati o pé no armário giratório de panelas quando tentei descer, me fazendo cair e cortar minha coxa.
- E é por isso que você tá aqui, pra me ajudar a descer depois. - sorri grande e dei uma dentada no pedaço já descascado da maçã. Joguei o último pedaço de casquinha que restava e fiz sinal pra que ele viesse me pegar. Eu tinha que aproveitar enquanto ele tava sendo legal, não? Ele se levantou e enlaçou os braços na minha cintura, me colocando sentada na cadeira depois. - Você é mais eficiente do que eu pensava.
- Não vá se acostumando, lindinha. Aliás, eu tenho uma surpresa pra você, só espera um pouco que eu vou pegar lá em cima. - ele saiu correndo e voltou algum tempo depois com um pequeno envelope branco escondindo atrás das costas dele.
- O QUE É, O QUE É? - tentei arrancar o envelope da mão dele, mas ele colocou a mão no alto, aonde eu não alcançava.
- Para de pular. - parei - Agora senta. - sentei - Fecha os olhos. - fechei - E dá a mão. - dei a mão e ele mexeu no meu cabelo - Boa menina, agora vou te dar sua surpresa. - ele colocou o envelope na minha mão e eu abri os olhos, vendo-o sentar e sorrir sem graça - Espero que você goste. - rasguei o papel como uma maníaca, vendo dois ingressos pro show dos Hanson que ia ter de noite.
- NÃO ACREDITO! - o olhei com os olhos arregalados - Isso é brincadeira, né?
- Não, eu vi que ia ter o show deles outro dia quando eu tava passeando, aí eu resolvi comprar porque sabia que você gostava. - ele sorriu sincero e eu pulei da cara, o amassando em um abraço. Sincero, eu juro.
- Você que vai comigo, né? - ele concordou com a cabeça.
- Eu prometo não deixar nenhuma histérica chegar perto de você. - não sei por que, mas aquilo me deixou feliz.
O show ia acontecer numa casa de show, não muito grande e nem muito pequena. Hanson era famoso, mas a maioria das pessoas acha que eles nem tão juntos mais. A fila nem tava tão grande, já que a maioria das pessoas já tavam lá dentro há algum tempo. Começamos a correr pra chegar o mais rápido possível pra não ter que ver o show do fundão. O lugar já tava lotadérrimo, peguei na mão do e comecei a me infiltrar, tentando chegar o mais próximo possível do palco. Eu empurrava algumas meninas, que me olhavam putas, mas o que eu posso fazer? O fazia minha segurança e nós já estávamos quase encostados na grade.
- , só mais um pouquinho. - continuei a caminhar, empurrando algumas idiotas do caminho, até encostar na grade. Tirei minha câmera do bolso e, praticamente, me prendi à grade. O The Fuck me envolveu por trás, colocando as mãos na grade. - Ninguém te tira daqui. - ele chacoalhava de vez em quando por muitas pessoas estarem o empurrando, eu só era um pouco esmagada contra a grade e encoxada por ele, mas o que a gente não passa num show, não é mesmo? Quando as luzes apagaram e eles entraram no palco, os empurrões ficaram mais fortes e eram acompanhados de gritos histéricos e irritantes. O meu era um deles. Abriram o show cantando Lost Without Each Other e eu berrava feito uma louca, o só ria atrás de mim. Depois de cantar Mmmbop, Go, This Time Around, Penny and Me blá blá blá, e terminar o show com Save Me, eu e o voltamos pra casa e eu continuava berrando que nem louca.
- , já se passou mais de uma hora do show, você pode parar de gritar? - ele tinha a cara tampada pelo travesseiro, enquanto eu continuava berrando coisas como "Eles são muito lindoooos, porra!". Momento pós-show, sabe? - AAAAAARGH, CHEGA! - ele me tacou um travesseiro e eu parei de berrar. Me deitei na cama e ele veio se aconchegar em mim. O abracei e comecei a mexer no cabelo dele, que sorriu, passando o braço pela minha cintura. Ele subiu o rosto até chegar ao pé do meu ouvido, sussurrando alguma música que eu não conseguia nem reconhecer, senti arrepios até na alma, argh. Por que ele me fazia sentir assim? Ele começou a acariciar minhas costas, fazendo a blusa subir um pouco a cada vez que a mão subia. Quando os lábios dele tocaram meu pescoço, meu ar foi todo embora. Eu parecia uma besta, eu sei, mas ele me fazia sentir desse jeito, coisa que nem o Rushton conseguia. Puxei os cabelos dele e ele soltou um gemido fraco, parando de beijar meu pescoço e fixando o olhar em mim. - Desculpa, eu não quero te forçar. - ele mordeu o lábio inferior e meu coração acelerou.
- O problema não é você, .
- Então o que é?
- Eu tenho medo, tá bom? - ele deitou na cama, apoiando a cabeça nos braços e começou a rir. O que tem de engraçado nisso, eu tenho cara de palhaça por acaso?
- Medo, ? O último deve ter sido realmente traumático.
- Você quer uma explicação? Porque se não quiser, melhor, é menos embaraçoso pra mim. - abracei minhas pernas e suspirei alto.
- Eu tenho minhas férias inteiras, pode começar. - ele disse irônico. suspirei alto e fiquei um bom tempo sem falar, pensando como seria o melhor jeito de falar aquilo. A verdade é que não tem um melhor jeito.
- Eu...eununcatranseicomninguém! - fechei os olhos, escondendo meu rosto no meu joelho. Ele ficou um tempo, um bom, ótimo tempo sem falar nada, e depois se sentou, como tava antes.
- Vo-você tá brincando, não tá? - ele passava a mão no cabelo freneticamente, como se tivesse nervoso. Ei, EU que devia tá nervosa, não ele!
- Por que eu mentiria sobre isso?
- É que você... nunca falou nada quando a gente falava sobre isso, você sempre demonstrou ser super experiente e...
- Nem as meninas sabem, tá bom? Eu tenho vergonha de falar isso para as pessoas, sei lá. - eu continuava na mesma posição, era desconfortável, mas era, sem dúvida alguma, melhor que encarar o .
- Olha, desculpa. Eu não quero te apressar, é que... Cara, aquele dia eu fiquei puto porque achei que, sei lá, você já tivesse... você sabe. - ele parecia super envergonhado.
- Você não tem obrigação de adivinhar, . - ele começou a brincar com o meu cabelo e se aproximou do meu rosto, estalando um beijo na minha bochecha.
- Que bonitinha, não esperava isso de você! - ele me olhava como se eu fosse uma criança e tinha um sorriso bobo (fofo) no rosto, eu tenho certeza que eu fiquei roxa de vergonha - Eu não sei porque você tem vergonha disso, é de se admirar. Mas ei, não precisa ficar com medo, ao menos que você case com um africano com uma lapa de 34 centímetros, aí tudo bem, mas caso contrário, não. Eu acho. - eu finalmente saí daquela posição desconfortável e comecei a rir. Ele sorriu e acariciou meu rosto com o dedão.
- Eu tenho medo de ser... usada, sei lá.
- É por isso que você não quis fazer comigo?
- Também... - mordi meu lábio inferior e ele se aproximou de mim com um olhar MEGA caliente, derreti lá.
- Eu nunca ia usar você. - parecia aquelas cenas de filme, sabe? Quando o olhar fica indo pra cima e pra baixo, intercalando entre os olhos e a boca da menina. Bom, o meu era fixo no dele. Ele me puxou delicadamente pela nuca e me beijou. Por que ele tinha que ser tão bom nisso? Ele mordeu meu lábio inferior pra parar o beijo e me encarou. Ainda de olhos fechados, eu me xinguei mentalmente por ser tão patética. Sei lá por que, tá bom? - Desculpa, eu não quero te pressionar. Se a gente for fazer isso, vai ter que ser especial. - oi, , você tá tirando uma com a minha cara? Ele sorriu, deitou minha cabeça no seu colo e começou a mexer no meu cabelo e brincar com a minha mão.
- , eu não sou indefesa, tá bom? - me levantei num pulo e o encarei.
- Eu não disse que você é. E eu sei muito bem que você não é. - ele sorriu e eu não queria sorrir de volta, eu JURO que tentei, mas era impossível. O sorriso dele é lindo, contagiante, tranquilizante, entorpecente, alcoólico provavelmente. Argh perfeição. Ele se levantou e eu segurei a mão dele.
- Aonde você vai? - eu perguntei meio desesperada, era tão bom conviver com ele ultimamente.
- Pro meu quarto. Dormir. Te lembra algo? - ele me olhava estranho e eu olhei decepcionada. Quando olhei pro relógio, já eram 5 da manhã. Oal, o tempo passa voando quando você tá com o The Fuck.
- Não dorme, fica aqui. Você nem tá tão cansado assim, tá?
- Tô, bastante. Te proteger daquelas meninas estranhas e histéricas é mais cansativo do que você pensa, tá? - ele me olhou ofendido e eu ri.
- Mas eu não quero que você vá embora. - ele sorriu, parecendo realmente feliz. Ele se ajoelhou na cama e se jogou em cima de mim. - Sai, , você é gordo. - eu ri alto e ele se jogou pro lado. - Você vai dormir aqui, né? - ele balançou a cabeça positivamente e logo caiu no sono. Qual era meu problema mesmo?
Não consegui dormir. Fui até a cozinha fazer chá. O chá não dava sono, só era... pra me sentir em um filme, já que o drama já tinha. Eu não tava acordada por falta de sono, mas por pensamentos demais invadirem minha cabeça. Comecei a alisar e passar os dedos entre as pontas do meu cabelo, esperando a água esquentar. Precisava ir ao cabeleireiro, tava cheia de pontas duplas, argh. Tentei ocupar minha mente com assuntos sortidos, como o anterior, mas o sempre voltava à tona. Eu bem que podia ter um dia só pra mim, um dia no salão de beleza. Por que o nome salão de beleza é TÃO patético? Desliguei o fogo e coloquei a água na caneca, levei até a mesa e me sentei, esperando o chá esfriar um pouco. Até quando eu iria conseguir escapar dos meus próprios pensamentos? Comecei a cantarolar qualquer música e dei um gole no meu chá. Uma imagem do The Fuck me veio à cabeça e eu fechei os olhos, sorrindo. Por que ele tinha que ser tão... ele? Eu realmente não entendo qual é o meu problema. O pior de tudo é que eu me sinto como se precisasse dele. Eu nunca precisei de ninguém. Okay, talvez algumas (poucas) pessoas, mas ele não podia ser uma delas, ele não cabia nas minhas necessidades. Eu já tava até começando a compartilhar segredos com ele, segredos que nem minhas amigas sabiam. Coloquei a caneca na pia e voltei pro quarto, me deitando na cama virada para o . Olha que cena patética, eu não conseguia tirar os olhos dele, então me obriguei a virar e encarar a janela. Eu sei que você deve tá pensando que eu tô apaixonada, ou qualquer coisa melodramática que significa que pessoas são submissas a outras, mas não, eu NÃO estou apaixonada. E nem nunca estarei. Eu sentia falta dos meus amigos, mas eu me sentia como se o me bastasse, eu não queria que as férias acabassem logo. Eu nunca havia me sentido tão próxima ao The Fuck quanto eu tava e eu me sentia bem, mas precisava não precisar do e isso era FATO, mas por que ele tinha que fazer isso MAIS difícil?

Capítulo 18

- Não tem horário pra hoje mesmo? - falei, fingindo estar desapontada.
- Se você quiser, podemos te encaixar.
- Ai, eu quero. A situação ‘ta d-r-á-s-t-i-c-a! - encarei a ponta dos meus cabelos e minhas cutículas. Nojinho. Joguei-me no sofá, esperando a mulher responder.
- Então tudo bem, pode ser... Hum, cinco e meia com a Melanie?
- Aham, muuuuchas gracias. - desliguei e joguei o telefone em qualquer lugar do sofá. O me encarava, sorrindo. Veio em minha direção, sentou na mesinha do centro e me encarou.
- Vai aonde hoje?
- Cabeleireiro e manicure, ‘to ‘acabadérrima’.
- Você é linda de qualquer jeito. - ai, não fala assim. Ele sorria fofamente e eu sorri sem graça. Controle-se, mulher! - Já almoçou?
- Não, muito cedo. Só comi um pedaço de bolo pra esperar até o almoço.
- Então vamos comer fora. - ele ‘tava eufórico como se fosse uma criança indo pra Disney - Vamos, vai tomar banho.
Ele me levou a um restaurante bonitinho, todo branco, os móveis eram em madeira antiga e tinha um jardim grande e lindo. Pegamos uma mesa no jardim, o sol ‘tava bastante agradável.
- Adorei esse lugar, . Como você conheceu?
- Minha mãe sempre disse pra eu trazer as garotas aqui. - ele suspirou e encarou algo no jardim.
- O que você ‘ta olhando?
- Uma borboleta. - ele sorriu, seguindo o inseto com os olhos.
- Uma... Borboleta? - minha voz saiu trêmula e fraca. Eu achei que ia desmaiar ali.
- É, por quê? - ele me encarou preocupado e eu engoli seco - Vira e vê. - ele sorriu e eu virei super devagar, tipo naqueles filmes de terror. Quando me viro completamente, aquela bosta voadora ‘tava a menos de UM CENTÍMETRO de mim! Comecei a berrar e me debater, completamente desesperada.
- , tira essa droga de mim! Socorro!
- Fica calma, já foi embora. - ele segurou minha mão. Eu ‘tava toda descabelada e arfante.
- Por que você não me avisou que ela tava aqui? - sussurrei brava, vendo que todos os olhares ‘tavam virados pra mim.
- Eu não sabia que você tinha medo.
- Como não? Eu sempre tive, sempre surtei com os insetos!
- Mas borboleta não é um inseto comum.
- Não, só é tão nojenta quanto os outros. – fuzilei-o com os olhos e ele riu. Isso, ele RIU!
- Eu vou querer... - ele rolava os olhos pelo cardápio na parte de bebidas, vendo algo que ele gostasse - Coca, por favor. E você, ?
- Eu quero água. - sorri e o garçom fez um sinal com a cabeça, saindo.
- Água? Por que água?
- Não sei, esse restaurante me lembra água. - sorri sem graça e ele achou graça. De novo.
O almoço não demorou muito pra chegar e a comida era realmente boa. Havíamos pedido o prato do dia. Era frango com uns legumes cozidos, uma papa amarela que creio eu que era de milho e arroz.
- Sabe... Acho que agora eu sei por que eles te aturam. - ele parecia envergonhado e seus olhos eram semi-fechados por causa do sol. Fofo. Eu provavelmente fiquei vermelha, eu sei.
- Eu pensei a mesma coisa que você. - ele sorriu, mostrando todos os dentes lindos dele. Abaixei a cabeça, evitando o seu olhar. Eu tinha que ser forte.
- , eu quero te contar uma coisa... - eu o olhei, sem expressão alguma. Ele me encarou diferente, de um jeito que eu não sei explicar. - Ahn, nada não. É besteira. - ele encarou o prato e deu uma última garfada. Achei melhor deixar quieto, não queria piorar minha situação. Ele pagou a conta e fomos pra casa. O caminho foi um porre, não falamos nadinha. Eu finquei as unhas na minha calça, controlando-me pra não perguntar o que ele queria me contar. Mas eu não podia, eu tinha que dar um gelo nele, fazê-lo ser um puto comigo de novo e nós nunca mais precisaríamos um do outro ou eu dele. Fui treinar pro campeonato, voltei pra casa e tomei um banho pra ir ao salão.
Eu nem cortei meu cabelo demais, sabe? Tenho medo de causar e acabar parecendo a Shakira quando acorda. Diminui o comprimento, ficando um pouco acima do peito. Curto se comparando a antes. Cortei a franja, mas ela praticamente se misturava com o resto do cabelo. Joguei a chave de casa na mesa de entrada e fui assistir à TV, deparando-me com o ali.
- Ah, oi.
- Oi. - ele sorriu abertamente - Gostei do cabelo.
- Obrigada. - encarei meus pés e encostei ao vão da porta - O que você ‘ta assistindo aí?
- Ahn, algum desenho da Disney. - ele parecia pensativo. Own, que fofo! Aconcheguei-me ao lado dele, que passou o braço pelo meu ombro. Eu sou minha própria inimiga, fato. Distanciei-me um pouco e ele percebeu, já que ficou envergonhado e tirou o braço de mim. Doía-me fazer aquilo, mas era necessário. Certo?

Dois dias se passaram. Eu apenas dava gelo nele, mas a minha vontade era dar um puta abraço e um super beijo, mas quem liga? Toda vez que ele dirigia qualquer palavra à minha pessoa (ridícula, no momento), eu o olhava com nojo e dizia meias palavras, geralmente com xingamento depois.
Ele entreabriu a porta do meu quarto, com o bocal do celular encostado na cueca pra pessoa não ouvir o que ele falava.
- , vou sair com a Bridget hoje. Qualquer coisa posso trazê-la aqui depois? - oi? Ele vai fazer da minha casa um puteiro?
- Ahn, pode. Só... Não faz muito barulho. - ele sorriu e agradeceu, voltando a falar no telefone.

Cause I want you and I feel you
(Porque eu te quero e te sinto)
Crawling underneath my skin
(Espalhando-se debaixo da minha pele)
Like a hunger, like a burning
(Como uma fome, como uma queimação)
To find the place I've never been
(Para achar um lugar em que nunca estive)
Now I'm broken and I'm fading
(Agora estou quebrado e perdendo força)
I'm half the man I thought I would be
(Sou metade do homem que achei que seria)
But you can have what's left of me
(Mas pode ficar com o que resta de mim)

Eu berrava, pulava, fingia que minha escova de cabelo era meu microfone. Era o meu jeito (ridículo) de liberar tudo que eu sentia porque chorar ‘tava totalmente fora de cogitação. Não havia nada que pudesse me entreter, não passava nada que prestasse na TV, não tinha ânimo pra sair e a Rose não ‘tava nos melhores dias. O havia saído há, tipo, umas duas horas e não tinha hora pra voltar. E, quando ele finalmente chega pra fazer minha noite parecer mais divertida, chega acompanhado, aos beijos, fazendo total barulho, sem nem mesmo tentar fazer o que eu tinha dito pra NÃO fazer. Eu realmente o odeio, quero que ele morra afogado em merda de vaca. Nem a durinha que é boa de pisar, a mole mesmo! Enfiei-me debaixo da coberta e cobri meu rosto com o travesseiro, dormi ouvindo Ipod. Foda-se que a bateria ia acabar, foda-se que eu podia derrubar e quebrar aquela merda, foda-se que eu posso ficar surda por causa do fone. Eu queria poder fugir de casa e passar a noite na casa do Danny, queria poder pelo menos chorar as pitangas pro meu irmão, mas a única pessoa que eu tinha era o e a Rose, mas bom, ela não era a pessoa mais apropriada nesse momento.
Não acordei pro café da manhã, nem pro almoço. Dormi tudo que eu não tinha dormido nas férias até agora. Dormi até tarde, coisa que eu não fazia há um bom tempo. A Rose até tentou me acordar umas dez vezes, mas eu pedi pra ela me deixar dormir só aquele dia, mesmo ela me lembrando do meu treino.

Capítulo 19

Eu havia passado o dia inteiro treinando. Faltava menos de uma semana pro campeonato e eu precisava repor todos os treinos que eu havia perdido. Aliás, eu percebi que eu não sou tão boa quanto eu pensava. Depois de passar a manhã e a tarde inteira treinando, fui tomar um banho.
- Sério? Nossa, cara, eu queria tanto ‘ta aí! - o falava com alguém no telefone. Coloquei meu roupão e fui até ele. - , ‘pera aí que a saiu do banho. Quer falar com ela?
- ? É O MEU NO TELEFONE? - ele falava algumas coisas, despedindo-se do enquanto eu pulava ao seu redor, parecendo um cachorro. Eu queria chorar de emoção. Há quanto tempo que eu não falava com meu amorzinho! - ?
- Oi . - ele deu aquela risada gostosa e milhões de perguntas e pedidos vieram à minha cabeça.
- Ai gordinho, eu nunca achei que você fosse fazer tanta falta assim. Quando você vai voltar pra me livrar desse traste? - o me encarava com os braços cruzados, apoiado na parede e ouvindo toda a conversa.
- Quer dizer que largar vocês dois sozinhos não ajudou em nada?
- N-não.
- Gaguejou por que, safada?
- Eu não fiz isso, seu péssimo!
- Hum, o ‘ta aí?
- Uhuuuum. - sorri e ele riu do outro lado da linha, fazendo o The Fuck ficar com cara de cu por não entender o que se passava.
- Então depois você me liga pra contar sobre isso.
- ‘Ta bom, ‘ta bom. - eu sabia que eu não ia escapar dessa conversa jamais - Mas como ‘ta aí na Grécia, baleiazinha?
Ficamos por um bom tempo conversando, até que ele teve que desligar pra ir numa boate com o primo. Argh.
- Por que só o te ligou?
- Pra sua informação, , não era nem pra ele me ligar. Eu o fiz juntamente com as meninas prometerem que não me ligariam. Você sabe, né? Eu não quero estragar as férias de ninguém só porque as minhas ‘tão uma droga.
- Você é muito grossa, como se agüenta?
- Já me acostumei. - pisquei pra ele e fui pro meu quarto. Uma coisa era fato: nem eu me agüentava naquele momento.
Uma semana tinha se passado e eu passei a semana treinando. Posso dizer que emagreci nesses dias. O campeonato finalmente aconteceria e bagunçaria toda minha rotina bagunçada. Eu teria que acordar, dormir cedo, alimentar bem-me e jogar. Sem contar que eu poderia adiar por mais uma semana as minhas pazes com o . Eu queria, queria mesmo, mas não tinha coragem.
Acordei às 6:30 da manhã pra me arrumar e tomar café da manhã. A Rose e o iam comigo; o obrigado, já que ele que ia dirigir. Fomos ao Clube de Tênis de Londres, onde seriam os jogos. Minhas mãos estavam geladas de nervosismo e eu mordia minha boca incansavelmente. A Rose me perguntou se ‘tava tudo bem e eu respondi com a voz trêmula. Patético, mas foi o melhor que eu consegui. Como aquelas meninas podiam ser tão... musculosas?
- É, , parece que você vai ter trabalho hoje. - Charlie apareceu do nada com uma feição não muito boa, fazendo meu nervosismo piorar.
- Eu acho que eu vou desistir.
- Desde quando você desiste de algo, ? Ainda mais antes de começar.
- Eu não quero me humilhar, não mesmo!
- Você consegue, vai lá. - ele colocou as mãos nos meus ombros e sorriu fraco, mas logo voltou a ficar sério.
- ‘Ta bom, eu vou. - hora da morte: oito e doze da manhã.
Eu teria os jogos da primeira fase hoje contra 3 garotas. O primeiro eu perdi pelo nervosismo, mas o veio me dar sermão, falando que a antiga não perderia o jogo e que meus pais não se orgulhariam de ter uma filha perdedora. Preciso dizer o quanto aquilo me afetou? Afetou tanto que eu ganhei os dois próximos jogos com vantagem.
- Esse seu amigo... Ele realmente tem influência sobre você, hein? - Charlie observava o , que estava sentado em um banco junto à Rose.
- Influência? - ele me encarou e deu um gole no seu suco - Não acho que seja isso, ele só... Sabe como pressionar alguém. – observei-os como o Charlie havia feito, tentando esconder que minha cara estava vermelha. Talvez ele tenha um pouquinho, mas eu não digo isso nem sob tortura. Okay, talvez sob tortura. Eu e Charlie conversávamos em uma lanchonete do clube com o intuito de conversarmos sobre o que eu devia e não devia fazer nos próximos jogos.
- Seria bom se ele viesse nos próximos jogos também, ele parece entender essa sua cabecinha como ninguém, . Ele sabe do que você precisa ouvir e isso é mais difícil do que você imagina. - eu ri e ele me olhou sério - Acredite, eu já tentei.
- Isso que você ‘ta dizendo não faz sentido nenhum, Charlie. Quer dizer, nós nem somos amigos! E além do mais, ele ‘ta puto comigo. Na verdade, não sei nem por que ele veio me ajudar.
- Sinto cheiro de amor no ar. - ele começou a farejar, tentando controlar o riso. Amor? Meu Deus, esse cara deve ‘ta se inspirando no Bob Marley esses dias pra viajar tanto! Por sorte, ou não, o chegou à mesa com sua cara sem expressão que ‘tava virando rotina e me impediu de dar uma resposta bem feia.
- Hum, e aí? Vocês vão demorar muito? - ele coçou a nuca com o olhar fixo em algo que eu acredito ser a tabela de preços daquela lanchonete.
- Na verdade, nem começamos. Eu ‘tava comentando com a que você deveria vir a todos os jogos. - o Charlie sorriu e empurrou a cadeira, indicando pro sentar. Ele encarou a cadeira e a puxou para sentar.
- E por quê?
- Por que você vai ser muito importante aqui, você tem... - chutei sua canela por debaixo da mesa.
- Você tem que fazer algo nas suas férias. Garanto que não tem nada pra fazer mesmo. - sorri falsa, recebendo um olhar de reprovação do Charlie. Qual é? Eu não podia deixá-lo dizer aquilo!
- Eu pretendia ficar dormindo. Eu não bem o tipo de cara que fica horas sentado, assistindo a bolinhas irem de um lado pro outro.
- O verdadeiro motivo é que...
- CHARLIE! Eu o convenço até amanhã, ‘ta bom? - falei entre dentes e o se levantou.
- Se vocês não se importam, eu vou comprar um lanche e vou voltar lá pro banco. - logo começamos a falar sobre os jogos e esquecemos o , mas ao chegar a casa, percebi que teria mesmo que conversar com ele.
Depois de jantar e tomar banho, fui até o quarto do The Fuck. A porta ‘tava entreaberta, então o vi sentado, apoiando as costas na cabeceira da cama. Ele assistia a alguma coisa na TV que não parecia estar muito animado. Bati na porta e ele me olhou com o mesmo olhar de sempre.
- Posso falar com você? - ele desligou a TV e se sentou direito na cama. Sentei na borda, já começando a estalar meus dedos nervosamente. – ‘Ta tudo bem com você? - sorri sem graça, esperando que ele reagisse bem àquela minha tentativa de puxar assunto.
- ‘To bem. - ele me olhou estranho e eu mordi meu lábio inferior. Levantei da cama e comecei a andar em círculos.
- ‘Ta bom, eu vou direto ao ponto: você pode, pelo amor de Deus, ir comigo aos jogos? - pude ver que ele ficou um pouco assustado por me ver pedindo isso, mas seus olhos pareciam sorrir.
Lindo.
- Por que você não falou isso naquela hora, na lanchonete?
- É difícil admitir isso, ! Você não sabe o quanto eu me atormentei até me convencer a te pedir isto. Por favoooor! Eu só preciso... - engoli em seco - de você lá. Se você não tiver ali, não sei se vou conseguir...
- Agora eu realmente acredito que os ET’s tenham passado pela Terra. E acho que eles levaram a verdadeira com eles. - ele sorriu, fazendo-me sorrir. Eu odeio isso, argh. - Eu vou com você, mas saiba que eu não suporto perdedores.
- Obrigada, . - sorri abertamente e o abracei torto. Ser fofa realmente não era comigo.

Capítulo 20

O havia me acompanhado aos jogos e aquilo realmente tinha me ajudado. No dia da semifinal, eu estava calma, até saber que aquela adversária era a pior. Felicity Gary era exatamente o tipo de jogadora que você pensa "wow, se tivesse que jogar contra ela, eu provavelmente desistiria", o tipo de jogadora que você sente um frio na barriga só de ouvir o nome. Pode parecer exagero, mas era exatamente assim. Dizem as más línguas que ela teve aulas particulares com as irmãs Williams, mas isso eu duvido muito. Aquela menina era um monstro, não só nas quadras.
- Por que você não me avisou, Charlie? - eu ‘tava quase tendo um colapso.
- Você tinha dito que não queria saber quem eram seus adversários!
- Você podia ter aberto uma exceção, não acha?
- Eu desisto de te entender, !
- Tem noção de que eu vou ser massacrada naquela quadra? M-A-S-S-A-C-R-A-D-A! - o ficava quieto ao lado da Rose, apenas ouvindo meu ataque. Não havia conselho que me acalmasse naquela hora. Na verdade, não havia conselho nenhum. Respirei fundo e encarei o Charlie - Desculpa, eu não queria descontar em você. É que eu ‘to nervosa. A-acho que eu vou vomitar. - coloquei a mão na barriga e eles se afastaram. Jogue uma pedra quem não tem vontade de vomitar quando ‘ta nervosa, hunf. Passei os olhos pelo clube na tentativa de me distrair. Vi a tal Felicity sentada em um banco, observando o jogo que ocorria na quadra. Sabe aquela frase "mantenha seus amigos perto e os inimigos mais ainda"? Eu realmente escolhi levar a sério naquele momento.
- Oi, você é a Felicity, certo? Sou a , vou jogar com você agora. - sorri e estendi minha mão pra menina. Ela não podia ser tão ruim quanto falavam. Certo?
- Oi . - ela sorriu tímida e voltou a encarar a quadra. Sentei-me ao seu lado e ela olhou pra mim confusa. - Por que você se sentou aqui? - uh, que fora - Quer dizer... - ela arrumou o tom de voz, tentando soar menos agressiva - Você não tem medo de mim como todas as outras? - tenho.
- Ahn, não. Por que eu teria?
- Eu não sei, mas todas as meninas morrem de medo de mim, como se eu fosse um tipo de monstro. - talvez seja a sua aparência...
- É que eu acho que você é um pouco séria demais. - sorri sem graça e ela riu.
- É, eu sei. Mas o que eu posso fazer se meu pai é militar e me criou assim? - passamos um bom tempo conversando, até o Charlie me chamar pra ter aquela típica conversa antes dos jogos. A final ocorreria no mesmo dia e depois do meu jogo, com um intervalo de meia hora, seria a disputa do terceiro lugar. Provavelmente a que eu jogaria. Meus braços chegavam a doer de tanta força e precisão que eu tinha que usar pra marcar um mísero ponto nela, minhas pernas não agüentavam mais correr com tanta velocidade pra alcançar os extremos o tempo todo e o meu peito doía pela minha respiração ofegante. Mas apesar disso, eu ‘tava me saindo melhor do que eu esperava, porém não bem o bastante pra ganhar. A voz do ecoava na minha cabeça e aquilo só piorava as coisas.
"Mas saiba que eu não suporto perdedores"
Eu realmente não queria desapontar o , o Charlie e a mim mesma, por mais que aquilo estivesse fora das minhas mãos. O tempo todo, a voz do voltava a atormentar minha cabeça, mas com certeza me ajudou a recuperar alguns pontos. Mas mesmo assim, eu havia perdido. O jogo terminou, ela havia ganhado por 4 sets a 2, mas na hora de nos cumprimentarmos, ela disse que foi o jogo mais difícil que ela já havia jogado e aquilo serviu pra melhorar um pouco minha auto-estima.
O jogo pelo terceiro lugar foi desinteressante. Completamente. E a hora de receber a medalha foi humilhante. Ficar em terceiro lugar não era o que eu esperava e isso me deixou bem puta, o que ficou claro pra qualquer um. Fui "comemorar", por insistência de terceiros em uma lanchonete e voltei pra casa com uma medalha de segundo lugar dos perdedores. A voz do me atormentava mais do que nunca.
- Você ‘ta com essa cara de bunda desde ontem, . Não gostou da medalha?
- Não, , eu odiei! - dei uma garfada meio violenta no meu frango e ele me olhou com pena.
- Você é boa, só não é a melhor. Quem sabe ano que vem você não ganha?
- Não vai ter ano que vem. Eu não sei se vou continuar a jogar e mesmo se continuar...
- Então você vai desistir?
- É, , eu vou! Pra que eu vou persistir em algo que eu não sou ao menos boa? Eu realmente não nasci pra aturar um terceiro lugar.
- Você ‘ta querendo demais. Eu sei que você não ‘ta muito acostumada a perder, mas uma hora isso ia acontecer. Pára de ser mimada! Ganhar terceiro lugar em escala nacional é bom pra caralho.
- Você mesmo disse que não suporta perdedores, . Não me venha com essa conversinha. - ou ele espera que aquilo me alivie?
- Eu... ‘Tava brincando. - ele gaguejou - Todo mundo perde, por que você seria exceção? É só esquecer isso e treinar pra melhorar. - ele se aproximou de mim e me deu um beijo na bochecha - Pense em algo pra fazermos hoje, assim você se esquece do campeonato.
- Suicídio é uma boa idéia, .
- Nada muito dramático. - ele disse irônico - Eu ouvi falar que domingo vai ter jogo do Manchester. É só a algumas horas de distância. A gente podia ficar em um hotel e voltar no dia seguinte.
- Só que você se esqueceu que os ingressos já esgotaram, né?
- Ah, então a gente pode ir à praia. O que você acha?
- Só nós dois?
- Você pode convidar a Rose se quiser... - ele me olhou atordoado e eu ri.
- Não, eu quis dizer que meio que vai ser estranho sair só nós dois, sabe?
- Cara, a gente já fez isso as férias inteiras!
- ‘Ta, tudo bem... Mas e os nossos pais?
- A gente liga pra eles. Garanto que eles vão deixar, sabendo que a gente vai ‘ta junto.
- Por que não? - falei desanimada. Eu sabia que eles não iam deixar, era meio óbvio. Terminei meu almoço e fomos pro quarto dele telefonar pros velhos. - Boa sorte, . – ditei-me de barriga pra baixo, apoiando a cabeça no travesseiro de um jeito que eu pudesse vê-lo. Ele sentou do meu lado na cama, discou o número e apertou o botão de alto-falante.
- Queriiiido, que saudades!
- Oi mãe.
- Oi tia Deb! - sorri, mesmo sabendo que ela não veria - Como ‘ta a viagem?
- Ahhh querida, ‘ta ótima! Nós fomos ao Wax Museum ontem. Não é a mesma coisa que Madame Tussauds, mas é o maior do hemisfério Sul pelo que eu fiquei sabendo. Eu acho tão fascinantes essas esculturas de cera... - e blá blá blá. Eu e o não estávamos realmente interessados na viagem deles porque, sabe, nós deveríamos estar lá, mas não estávamos, como pode perceber. - E também fomos ao restaurante do Drácula! Eu não me lembro muito bem o nome, mas o lugar é ótimo, vocês iam amar! Tiramos umas fotos pra vocês verem depois e...
- MÃE!
- Oi filho.
- Muito legal tudo isso, mas eu tenho que te perguntar uma coisa... Será que eu e a poderíamos ir à Bournemouth? Tipo, por um dia, aí a gente volta no dia seguinte...
- É, tia, por favooor!
- Ah, espere um pouquinho... - ela, aparentemente, tampou o bocal do celular e falou alguma coisa com alguém, que julguei serem meus pais e o tio Bob e depois voltou a falar - Falei aqui com os pais da e nós concordamos que vocês podem ir. - meu queixo caiu e ele agradeceu aos pais. Mandei beijo pra minha família e logo depois de desligarmos, entramos na internet pra procurar algum hotel legal em Bournemouth e fizemos a reserva para hoje mesmo. Que mal faria ficar um dia a mais do previsto? Nossos pais não iam nos ligar de novo hoje mesmo. Avisamos a Rose - que concordou depois de muuuuuitíssimo sacrifício com o nosso planinho - e ela foi fazer alguns lanches pra viagem. Fomos arrumar as nossas coisas e descemos pra nos despedir da Rose.
- Não façam besteira, crianças, vocês estão sob a minha responsabilidade!
- ‘Ta bom, Rose. Nós já entendemos nas outras vezes! - ela nos deu um beijo na testa e me entregou uma cestinha pela janela do carro.

Capítulo 21

“I dig a French bikini
On the wild island girls,
By a palm tree in the sand”


Eu me sentia a “California girl” da música, com os cabelos ao vento combinando com a paisagem vazia, apenas com o nascer do Sol. Está bem que o carro não era um conversível, mas a janela estava aberta e era suficiente pra meu cabelo esvoaçar e, provavelmente, chicotear na cara do The Fuck. Ao fundo, cantava baixamente Beach Boys, combinando perfeitamente com o clima praiano. Olhei-o rapidamente - tentando ignorar os cabelos que tentavam incessantemente entrar na minha boca - e ele cantava animado, batucando os dedos na direção. Sorri e desviei minha atenção novamente para estrada, quando ele percebeu que estava sendo observado.
Passamos a viagem cantando, já que, depois que acabou o CD do Beach Boys, nós mudamos pra rádio. Chegamos quase de manhãzinha ao hotel, então combinamos de dormir só um pouco pra podermos aproveitar a praia.
Tive vontade de morrer, quando o despertador do meu celular começou a tocar. Era essa a hora em que eu me arrependia de ter viajado, ainda mais de noite. Hesitei em levantar. Será que eu queria mesmo ir à praia? Alguns minutinhos depois, me levantei, na maior má vontade, e puxei o pela mão com força, já que ele estava na mesma situação em que eu me encontrava antes.
- Levante-se, bicho-preguiça, que eu tenho que virar a Beyoncé - ele esfregou os olhos e se arrastava em direção ao banheiro, enquanto eu saía correndo na sua frente. Qual é? Eu tinha perdido tempo acordando a princesinha. Ainda precisava fazer xixi e minha higiene matinal!
- Amo o verão - se deitou na espreguiçadeira, com a cabeça apoiada nos braços. Lógico que ele não amava o verão pelo calor, praia ou qualquer coisa. Ele amava o verão pelos biquínis pequenos que as meninas usavam. Até um cego poderia ver onde seus olhos estavam focados.
- Você não tem nada melhor pra fazer do que ficar secando as meninas?
- Não - ele sorriu abertamente - Vou fazer o quê? Conversar com você? - ele disse, fazendo graça, mas eu sei que ele amava conversar comigo. Todos amam.
- Eu sei que você adora conversar comigo - sorri sapeca.
- Não quando tem uma delícia de biquíni amarelo com a bunda virada pra mim.
- A de amarelo? Aquela gorda? - perguntei chocada. Ok, ela não era gorda, mas você sabe... Todas as mulheres que não são nós são gordas. Fato.
- Velho, como as mulheres são invejosas! - dei um tapa forte na sua testa de raiva, fazendo-o dizer um “ai” alto, e liguei meu iPod pra que ele percebesse que não queria mais papo com ele.

Torramos um pouco no sol e depois fomos brincar no sol, parecendo duas crianças ao jogar água no outro. Depois, voltamos ao hotel pra jantar e nos arrumarmos para aproveitarmos a “night” local.
- Está pronta, ? - ele batia incessantemente na porta do banheiro, onde eu me arrumava.
- Dê um tempo, ! Eu borrei o rímel! Que saco! - saí de roupão e ele me encarou incrédulo.
- Você ainda não está vestida?
- Você não viu minha roupa na cama?
- Não reparei - ele disse de mau humor – Vá, se arrume logo.
- Eu não vou me arrumar na sua frente, idiota. Espere-me lá fora. Só falta me vestir e passar perfume - sorri abertamente e ele bufou, saindo do quarto.
Coloquei meu vestido salmão (não o peixe. Você entendeu) preso embaixo do busto, com um salto dourado não muito alto e brincos também dourados. Passei meu perfume da D&G, arranquei a bolsa um pouco violentamente da cama e saí do quarto, para o alívio do The Fuck.

O lugar era bonitinho e tinha um clima praiano, já que a havia uma parte que era na areia da praia mesmo. Era um pub que tinha uma parte pra dançar e altos drinques “exóticos”, numa tentativa de imitar o Havaí. Nós dois passamos a maior parte do tempo sentados, conversando e bebendo, mesmo com um cara muito gato me cantando. Só deixei a mesa com ele quando o se deu conta e foi dar em cima de uma menina que estava sozinha no bar.
- Peter - ele disse, com um sorriso malicioso nos lábios.
- - fiz o mesmo que ele. Ficamos conversando em uma mesinha no outro canto e quando íamos nos levantar pra dançar, percebi o The Fuck sozinho na mesa e com uma cara entediada. Rolei os olhos e dei uma desculpa qualquer para o Peter. Tenho a impressão de que ele acha que o é meu namorado. Merda, o tinha que ser tão empata foda?
- Oi - atraí sua atenção. Ele me olhava assustado.
- O que está fazendo aqui?
- Eu vim te fazer companhia - sorri e seu olhar assustado deu espaço a um sorrisinho de lado e meio tímido - Qual era o problema da “solitária do bar”?
- Não era tão solitária assim. Estava acompanhada... Da namorada - desatei a rir e ele ficou meio sem graça, mas me acompanhou na risada.
Ficamos bebendo por mais um tempo e depois decidimos caminhar na praia. É, lá não tinha a brisa do mar. Descalcei meus saltos e fez o mesmo que eu, colocando as meias dentro do tênis. Caminhamos até a beira do mar. A sensação da água gelada batendo no nosso pé era uma delícia. Meu vestido esvoaçava e eu estava com medo de a qualquer hora pagar calcinha. Não que tivesse alguém na praia além de nós dois, já que eram três da manhã, mas eu não queria que o The Fuck me visse de calcinha... Ainda, hoho. Ok, é brincadeira.
- Sinto falta das gostosas - ele disse, sem mais nem menos, acabando com o silêncio não desconfortável.
- Não sinta. Eu estou aqui - ele gargalhou e eu dei uma risada fraca. Não achei engraçado. Não me acho gostosa (antes que me xinguem), mas se ele riu tanto... É porque ele me acha uma orca incorrigível. Merda.
- Não vou falar nada, porque mulheres são muito sensíveis – encarei-o ofendida. Ele realmente me achava uma orca. Mas que infeliz!

Capítulo 22

Chutávamos a água, molhando um pouco nossas roupas em conseqüência. O vento era um pouco frio e eu tentava inutilmente me encolher. passou seu braço livre pelos meus ombros e eu fiquei um pouco desconfortável. Não pela situação, mas por ser ele. Nós nem mesmo nos cumprimentávamos propriamente! Aos poucos, fomos desacelerando nossos passos, até ficarmos parados. Eu estava prestes a perguntar o que a gente estava fazendo parado no meio do nada e fazendo nada, mas, de repente, ele me virou de frente pra ele - nos aproximando também - e seus olhos estavam incertos se deviam estar nos meus ou na minha boca. Oh merda... Ele não ia fazer isso! Ou ia?
- O quê...? - seu rosto se aproximou do meu rapidamente, com um nervosismo aparente, fazendo com que nossos lábios se encostassem. Nossos olhos agora estavam fechados e nossas respirações eram pesadas, mas apesar disso, nosso beijo não passou de um encostar de lábios, um selinho demorado. Bem demorado.
O clima ficou um pouco desconfortável quando nos separamos, mas nem por isso ele deixou de me encarar.
- Por que você fez isso? - fechei meus olhos pra não precisar encará-lo. Ele não disse nada, não fez um barulho sequer, apenas encaixou suas duas mãos no meu rosto. Seu polegar acariciava a minha bochecha e eu não entedia que porra estava acontecendo. Porém, apesar disso, eu não queria me afastar dele, apesar de odiá-lo mais que tudo – Fale-me, : por que você está fazendo isso? - minha pergunta soou como uma súplica. Meus olhos continuavam fechados fortemente. Eu me recusava a abri-los. Sentia o ar que ele expirava cada vez mais próximo do meu rosto e meus batimentos cardíacos aumentavam proporcionalmente. Seus lábios encostaram-se aos meus, mas, dessa vez, sua língua pediu permissão para adentrar a minha boca, começando como um beijo calmo, mas que logo se transformou em um beijo quase violento. Violentamente delicioso, Senhor!
Quando nos separamos, um sorriso discreto surgiu nos seus lábios e eu soltei um “uau” involuntário. Fechei meus punhos com força, encostando-os ao peitoral do The Fuck e fechei meus olhos.
- Por que você fez isso? - eu estava confusa. Muito confusa. Está certo que já não era a primeira vez que nos beijávamos, mas as outras vezes eram totalmente diferentes. Tinha raiva, não desejo. (desejo físico, carnal, mas ainda desejo) - Isso não devia acontecer, . É errado!
- Por que é errado?
- Porque eu não queria que isso acontecesse.
- Não me pareceu isso - ele sorriu convencido - O que tem de errado em fazer algo que nós dois gostamos? E eu sei que você gostou; não adianta negar - bufei, batendo com meu punho contra seu peito.
- ‘Ta, tanto faz. Mas, independentemente disso, o que aconteceu não pode continuar - ele me olhou indignado, como se perguntasse o porquê - É loucura, ! O mundo pensa que a gente se odeia. Ou melhor, dizendo: o mundo só é mundo se a gente se odeia. É tipo a gravidade.
- O quê? - ele me olhou confuso - Cale a boca.
- Mas é verdade. O que as pessoas vão pensar se nos virem juntos?
- Ah, então é esse o problema - ele me olhou puto - É claro... Como eu não pensei nisso antes? - segurou meu braço com um pouco de força, me aproximando dele - Eu não estou pedindo para você ser minha namorada e nem ao menos que você seja minha ficante oficial.
- Hum... - sorri maliciosa e comecei a fazer desenhos aleatórios com a ponta do meu dedo em seu ombro - Então você está querendo fazer isso escondido?

Capítulo 23

Levantei-me preguiçosamente. Faltava apenas um mês de férias e logo eu estaria no último ano da melhor fase da minha vida. Pelo menos todo mundo dizia isso. Espreguicei-me e segui o som do violão até o quarto do . Encostei-me ao batente, assistindo a ele tocar e ouvindo a música que eu já conhecia.

I spent some extra nights
Trying to forget the things that I've shown you.
By now the smoke is cleared
And all along I feared.
It would turn out this way.


Sorri ao vê-lo se envergonhar por perceber que eu assistia a ele.
- Essa música é ótima, . O já cantou uma vez pra mim - sorri e me aproximei da cama. O violão foi colocado no chão e apoiei minha cabeça em seu colo, sentindo seus dedos entrelaçarem em meu cabelo.
- Ei, vamos fazer algo hoje?
- Ah, não - disse manhosa. É incrível como a preguiça me afeta nas férias - Não estou a fim de sair de casa... Que tal algo caseiro?
- Assistir a filmes de novo? - ele fez cara de entediado.
- EI! Incomoda-o ver filme?
- O tempo todo, sim - ficamos em silêncio por pouco tempo, pois logo um sorriso malicioso se formou nos seus lábios e ele voltou a falar - Já sei o que a gente pode fazer... – encarei-o séria - Que foi? É só uma brincadeira... - rolei os olhos e ele ficou quieto. É bom mesmo, idiota.
- Já sei. Vamos ao parque!

Fomos a pé até o parque, já que não era muito longe da minha casa, e a primeira coisa que fizemos ao chegar foi comprar sorvete. Cara, como amo sorvete! Depois, nos sentamos embaixo de uma árvore, como todo mundo faz. É fato: tem sombra e ventinho refrescante. Tomamos nossos sorvetes, enquanto fazíamos comentários maldosos sobre as pessoas que passavam.
- Você está mais morena.
- Será que é por que a gente foi à praia semana passada? - perguntei irônica.
- Não foi uma pergunta. Foi só um comentário - ele disse mal humorado - Eu prefiro você branquelinha, apesar dessa sua marquinha - ele se aproximou de mim e encostou sua boca ao meu pescoço. Ai colega, me segura!
- , se afaste! Você não sabe que pode ter gente da escola aqui? É para ninguém saber disso - ele respirou fundo e se afastou, visivelmente puto.
- Você não quer fazer isso em público, mas também não quer ficar em casa. As férias estão acabando, então vai ficar cada vez mais difícil - bufei impaciente. Odiava quando as pessoas me pressionavam.
- O que você quer que eu faça? Já pensou se alguém da escola vê a gente junto?
- Qual o problema?
- Qual o problema? – olhei-o indignada - Você está realmente me perguntando isso? Você não se lembra de que a gente tinha combinado que isso ia ficar só entre nós dois?
- Tanto faz - ele cruzou os braços e desviou o olhar - Vai ficar cada vez mais difícil continuar com essa merda.
- A gente vai pensar em algo - apoiei meu rosto em seu ombro para o lado oposto das pessoas, como se eu tivesse encarando a árvore. Provavelmente quem me olhasse acharia que eu sou retardada. Enrolei meus braços em volta do seu pescoço e senti a brisa bater no meu pescoço. Foi assim que eu passei minha tarde. Talvez com umas coisinhas a mais.

Sou só eu que estou ficando neurótica com isso? O sabe que o que temos é apenas físico, mas parece querer forçar pra ser algo a mais. Isso tudo ainda é muito para a minha cabeça! Tudo bem. É bom, é ótimo e tudo mais, mas... É estranho ao mesmo tempo. Não gosto dele e posso dizer que o ódio por ele ainda existe dentro de mim. Porém, olhar o The Fuck, sem querer agarrá-lo, é impossível!
dirigia o carro calmamente em direção à lanchonete em que iríamos jantar. Não falávamos nada. Eu olhava a janela distraída nos pensamentos que você já sabe quais são. Tocava uma música qualquer no rádio e eu não fazia questão de prestar atenção. Tinha vontade de berrar “pare essa merda agora!” e voltar a pé pra casa e nunca mais destrancar a porta do meu quarto. Apenas pra receber comida, porque gordinho tem que se alimentar. Ele me olhava de vez em quando, como se quisesse puxar assunto, mas desistisse ao ver que eu não queria conversar. Senti até peninha. De verdade.
No caminho de volta, eu tinha um dilema: falar ou não falar com o The Fuck. Eu precisava falar com ele. Não estava mais com raiva pelo ataque de pelancas que ele havia tido. Minhas unhas arranhavam minha perna descoberta pelo vestido e, antes que eu percebesse, as palavras saíram da minha boca.
- Ei - mordi meu lábio inferior, dando uma pausa às minhas coxas que ardiam - Eu não quero que esse clima chato volte - ele sorriu, olhando da maneira possível pra mim, já que ele dirigia. De repente, o carro parou no acostamento e ele se virou pra mim.
- Desculpe por ficar tão puto... É que... - ele desistiu de falar, tirou uma mão do volante e apoiou na própria perna. Aproximei-me dele, puxando seu rosto delicadamente pra um beijo. Às vezes, palavras não são necessárias.

Capítulo 24

Nossas férias passaram voando. Todos os dias, íamos à piscina e, pelo menos uma vez por semana, fazíamos churrasco regado à caipirinha. Adoro o Brasil. Obrigada por fazer essa delícia existir! De noite, geralmente conversávamos - com mais caipirinha. Não sei como não tivemos uma overdose – ou assistíamos a TV ou a filmes. Também íamos a alguns pubs da cidade, mas geralmente não era muito proveitoso pra nós dois, já que tentávamos não deixar o outro sozinho. Ou seja, era inútil, já que beber e ficar só entre nós era o que a gente fazia em casa, sem precisar pagar. Aliás, o dia mais divertido dessas férias foi o que fomos a um karaokê e pagamos mico demais. Recebi também algumas ligações do povo, querendo saber como estava tudo entre eu e o The Fuck. Ai, gente fofoqueira que cansa minha beleza.
Desde aquele dia, depois que voltamos de viagem, as coisas entre nós tinham ficado mais... Íntimas. Mas é lógico que, pelo menos pela minha parte, era apenas e unicamente físico. Nossos beijos sempre iam quase, mas nunca realmente, lá, se é que me entendem.

FLASHBACK ON~

Finalmente eu havia achado uma utilidade pra sala de jogos. Ok, de vez em quando – lê-se: quase nunca – era divertido ficar jogando sinuca com alguma companhia, mas bom... Enchi-me disso alguns (poucos) meses depois que mudei para casa. Era um pouco tarde, o que significava que piscina não era mais de grande utilidade, e o pior: era tarde de um domingo. Por que porra os canais NUNCA botam uma programação decente aos domingos? Se eu tivesse um canal de TV... Ok, não tenho e nunca terei. Nós também já havíamos visto praticamente todos os filmes da locadora e os que não vimos não veríamos porque eram muito chatos, aparentemente. Não queríamos sair de casa porque balada aos domingos é flop total e, além do mais, eu não queria gastar um bom tempo escolhendo roupa, me maquiando e pensando que perfume seria minha vítima da noite. Isso sem contar o tempo do banho, do secador... E o do lanchinho, porque comer em balada é muito mico e caro.
- Sinuca! - abri a porta da sala de jogos, quase estraçalhando a maçaneta quando ela bateu na parede. Adorava aquele local. Ele era tão diferente do resto da casa.
Além da grande mesa de sinuca no centro da sala, iluminada por dois lustres vermelhos baixos, tinha também uma mesa de cartas, de ping-pong, por ser uma das únicas coisas que sei jogar - ainda assim mal e porcamente -, e uma mesa de pebolim. Na parede, havia um alvo de dardos preto e branco, com detalhes em vermelho, e acessórios da sinuca, como aquele bagulho de colocar os tacos, sabe? Na parede da frente, havia um grande sofá preto e absurdamente confortável, com um frigobar vermelho super estilo. Segredo de estado: de vez em quando venho a essa sala pra tirar um cochilo nele, hehe. E a minha parte preferida naquele cômodo, depois do sofá, era a jukebox (N/A: para quem não sabe: clique aqui). correu até ela, analisando as músicas, enquanto eu pegava os tacos e me lamentava pela falta da mesa de Air Game (N/A: também para quem não sabe, o melhor jogo de todos os tempos: clique aqui). passou aquele tipo de giz na ponta do taco e me olhou, como se perguntasse quem começava. Sinalizei que ele podia começar e o vi “encaçapar” uma bola de primeira. Filho de uma ursa peluda!
- Sabe jogar, ?
- Não muito - o que era facilmente perceptível.
- Eu a ensino - ele se posicionou atrás de mim, envolvendo meus braços e segurando minhas mãos no taco, mostrando o que eu deveria fazer. Seu perfume invadiu meu nariz pela proximidade e ignorei totalmente o que ele me dizia. Ok, admito que me fiz de burrinha. Eu sabia, sim, pegar no taco. Só não sabia fazer pontos. Simples assim. Mas não... Eu não podia perder essa chance. Hello, eu me sentia num filme praticamente! Isso fica em off, por favor! Eu sei... Quando mamãezinha chegar a casa, pedirei com urgência pra que ela me leve a um psiquiatra, pois tenho quase certeza de que sou bipolar. Sem brincadeiras.

FLASHBACK OFF~

Nossa família chegou quatro dias antes do final das férias e a galerinha do mal (N/A: muito tenso. Desculpe, haha) chegou no dia seguinte. Surpreendentemente, não fingi odiá-lo. Preciso dizer que estava todo mundo surpreso com essa mudança? Nesse meio tempo, antes da volta às aulas, não saímos. O povo se dizia “muito cansado e precisando se readaptar ao fuso horário”. Blá, blá, blá... Grande porcaria. Mas um PS à parte: eu e o saímos esses dias para pegar um cineminha, sem que ninguém soubesse.
Quando voltamos às aulas, as coisas estavam iguais. Exceto o que você já sabe. Eu e o The Fuck constantemente saíamos das aulas para nos esconder em algum armário de vassouras ou sala abandonada do colégio pra fazer você-sabe-o-quê, porque... Digamos que nossos amigos sabem que nós nos falamos, mas não que estamos juntos, ou praticamente isso. Além do fato de ele ir à minha casa freqüentemente, mesmo quando os outros não iam, e colocarmos o “estudo” em dia.
- , e o campeonato? - Gabi perguntou, bebendo o milkshake de chocolate em seguida.
- Terceiro lugar - falei de mau humor e eles me olharam, sem entender nada.
- Ela ficou brava porque acha que não é o bastante pra ela – The Fuck respondeu por mim, rolando os olhos.
- E quando é o próximo? Vamos na próxima vez.
- No próximo ano, anta! - respondi mal humorada, fazendo resmungar algo por eu ter insultado o bebê dela. Acho que ela e o voltaram, de novo – Argh... No próximo ano, querido . Mas não sei se vai ter uma próxima vez pra mim.
- Hm, já sei. Vai desistir só porque perdeu e acha que não tem futuro - disse , se sentando à mesa, com sua bandeja lotada de comida. Lotada mesmo.
- É lógico. Mesmo assim, eu não queria jogar tênis pra minha vida inteira. Tenho mais o que fazer, né?! - respondi debochada.
- Falando nisso, o que vocês estão pensando em fazer de faculdade? - Santa que mudou de assunto.
Começamos a bater um longo e cansativo papo sobre isso. Era sempre assim quando o assunto era faculdade. Pelo menos para quem está no último ano. Eu, para variar, não sabia ainda o que faria, ou ao menos onde faria.
- Err... E vocês, meninos?
- A gente estava pensando desde o ano passado em seguir com a banda... - rolou os olhos ao ouvir a voz de . Isso me lembra do plano (fail total) que eu e o The Fuck teremos que executar.
- Estão pensando tanto que não fizeram nada até agora - rolei os olhos, fazendo as meninas rirem e os meninos mandarem o dedo do meio pra mim.
- Escrota - me deu um peteleco no braço e resmunguei algo sem sentido, apertando meu braço na tentativa de parar com a dorzinha chata - A gente já tem algumas músicas escritas e precisa voltar a ensaiar que nem no primeiro ano.
- E nós perderemos o tempo livre que temos com vocês - fez bico que, no fundo, era de verdade, mesmo que ela também não demonstrasse o quanto ela gostava do a maioria das vezes.
- Mas veja pelo lado bom, meu chuchuzinho: vocês terão namorados famosos!
- Mas e se tudo isso não der certo? E se vocês perderem tempo tentando ser famosos e acabarem fodendo com suas vidas? – perguntou desesperada; o que eu presumia que não era mais uma conversa saudável de amigos e, sim, uma discussão de relacionamento, já que aquilo devia acontecer freqüentemente. Todos os encaravam sem expressão na mesa, com medo de que acabasse sobrando pra algum de nós.
- Bebê - a olhou triste, fazendo-a rolar os olhos. Ela odiava que a chamassem de bebê ou qualquer apelido cafona. Não posso hesitar em concordar com ela - Não faça assim. A gente sabe o que está fazendo. Se até o final do ano não tivermos algum resultado positivo, começamos a pensar em ir para a faculdade. Está bom pra você?
- ... - ela olhou puta pra mim, mas não comigo, e, sim, ela tentava disfarçar. FAIL! - A banda dos meninos é muito boa. Passei as férias inteiras escutando a música deles e garanto que vai dar tudo certo.
As meninas nunca haviam se interessado em ouvir as músicas deles. No começo, até íamos a alguns ensaios, mas logo fomos banidas por atrapalharmos demais e nunca mais ouvimos nenhuma música deles.
- falando algo bom de alguém... Uau! Devia ter gravado isso - dei um chute na canela do por debaixo da mesa, mas acompanhei as risadas depois.
Depois de continuarmos conversando, um pouco antes de tocar o sinal, troquei olhares com o . Aqueles que significas isso mesmo que você está pensando. Safadinho.
- Gente, me esqueci que tenho que pegar um livro na biblioteca - mandei um beijinho no ar para todo mundo e fui pra sala abandonada do terceiro andar. Sabe como é... No intervalo é perigoso usar o armário de vassouras.

Capítulo 25

Apoiei-me ao batente da janela e fiquei observando a vista da janela. Era bem bonito ver o parque e aquelas pessoas desocupadas correndo. Logo, senti duas mãos pousarem na minha cintura e os lábios quentes encostarem ao meu pescoço. Faleci.
- , a gente precisa ajudar o e a .
- Que broxante. Estávamos no clima e você vem me falar dos dois? Que porra! - apesar das palavras, ele não estava bravo. O mesmo ria.
- Desculpe, se eu me importo com os meus amigos. E a gente prometeu para o - fiz bico, desenhando com a ponta do dedo no peitoral dele. Que peitoral! E que safadinha estou! - Tenho Educação Física agora. E você?
- Química. Está a fim de perder essa? - ele sorriu galanteador, o que não pude negar, mas, cara, amo Educação Física! Mi, mi, mi...
Passei meus braços em volta do pescoço dele e encostei nossas testas. Uma coisa é fato: o sorriso dele consegue ficar ainda mais bonito ao olhar desse ângulo. Parece tão... Brilhante. Sorri de volta, antes de fechar os meus olhos e me entregar de novo àquela boca divina que ele tinha. Posso dizer uma coisa? Não me sentia mais fraca por “ceder aos encantos dele”. Mesmo que eu me sentisse, ele compensa tudo.
Arranhei suas costas e nuca de leve, fazendo-o sorrir durante o beijo. Sua mão direita segurava minha coxa, enquanto a outra passeava furtivamente dentro da minha blusa. Senti algo tremer no meu bolso e rugi de raiva, fazendo-o rir fracamente e mudar o rumo dos beijos para o meu pescoço, enquanto eu me livrava daquele encosto que era o meu celular no momento. Abri-o e olhei para o visor (N/A: porque iPhone é TÃO last week!) que indicava que eu tinha recebido uma nova mensagem.

“Cadê você, vaca? Sumir foi moda nessas férias aqui em Londres e não me contaram? xx, ”.

Coloquei o celular de volta no bolso e o me encarou.
- Quem era?
- Mensagem da - sorri, fazendo uma trilha de beijos que começou no lóbulo de sua orelha e terminou em um selinho demorado em sua boca. Ele apoiou suas mãos naquela parte em cima da bunda, me trazendo para perto, enquanto as minhas continuavam enlaçadas em seu pescoço. Seus olhos focalizavam algo longe, no céu ou no parque, e aproveitei para deitar minha cabeça nos seus ombros, enterrando meu rosto no seu pescoço. Senti aquele cheiro de perfume masculino invadir meu nariz e dar pane no meu cérebro. Por que perfume de homem é tão bom? – Quando vocês começam a ensaiar?
- Hoje à tarde. A gente quer tentar ensaiar pelo menos três vezes por semana.
- Awn - fiz cara de triste e ele me encarou confusa - Quer dizer que não vamos mais nos encontrar tão freqüentemente de tarde?
- Tem sempre fins de semana e a gente não vai ensaiar o dia inteiro - ele sorriu fraco - E ainda tem a escola.
- Se continuar desse jeito, a gente reprova por falta - mordi o lábio e sorri de lado, fazendo-o rir e se aproximar novamente.

- , onde você estava? A gente estava a procurando que nem loucas! - prendi meu cabelo em um coque frouxo e as encarei.
- Eu estava... - onde eu estava, porra? - Matando aula. Sozinha. Com ninguém mais além de mim mesma.
- Você? Bolando aula de Educação Física? - me olhou descrente e consenti.
- Poxa, podia ter me chamado. Você sabe que odeio aula de Literatura.
- Desculpe, - fiz biquinho e ela me olhou emburrada.
- Vou pensar no seu caso, sabe? Não é todo dia que uma das suas melhores amigas a deixa às traças na aula de Literatura... Quase morri de tédio! – abracei-a. Melhor do que pedir desculpas é abraçar a . Ela não resiste.
- , você tem certeza de que estava sozinha?
- A menos que tivesse algum fantasma comigo, eu estava sozinha, . Por que deu para duvidar de mim agora? Que saco!
- O que aconteceu? - perguntou ao sair do banheiro.
- A vaca da fica duvidando da minha pessoa.
- Sabe quem não foi à aula também? O . Os meninos não sabiam onde ele estava. Não é estranho?
- UH! - e disseram em coro, me deixando totalmente vermelha.
- Calem a boca. Não tem nada a ver! Só porque eu e ele não fomos à aula, não quer dizer que estávamos juntos.
- Conheço-a bem melhor do que você acha e sei que está mentindo, ok? Ou você se esqueceu de que não sabe mentir para a gente? Então, quando você quiser contar para a gente, sinta-se à vontade - rolou os olhos e saiu, batendo os pés até a próxima aula que felizmente não era comigo.

A aula de Física - a última do dia - era a única que eu só tinha o de amigo. Então, podíamos nos sentir mais livres, mas com limites. Arranquei um pedaço da minha folha cheia de desenhos linda e maravilhosa para escrever um bilhete para o The Fuck.

“Que tal depois do ensaio passar na minha casa? Temos algumas coisinhas a resolver... xx, ”.

É claro que as “coisinhas a resolver” não eram as “coisinhas a resolver” que ele pensava que eram. Eu precisava bolar um plano para fazer o e a voltarem. Era doloroso ver meus amigos mal daquele jeito. Sério. Amassei o papel e o taquei na cabeça do The Fuck. Eu até pediria para passarem, mas correr o risco de algum engraçadinho do time de futebol pegar para ler durante o “passa-passa” não é algo que está na minha lista de afazeres antes de morrer. O , que antes me olhava mal humorado por ter o atingido durante seu momento “sonequinha educacional”, agora sorria malicioso para o papel. SCORE! Sabia que ele ia cair feito um patinho... Leia mais em “Como Enganar Um Cara Louco Para Dar Umas Bimbadas”. Brincadeira muito sem graça. Ele se virou, afirmando positivamente com a cabeça, e se levantou para jogar o papel - atenção: rasgado - no lixo. São coisas que se aprendem quando você tem algo a esconder. Sabe como é, né?

Quando voltei da academia - que fui ao voltar da escola - me enfiei debaixo do banho para ficar cheirosinha para o The Fuck. Sabe, você pode ser o cão, mas se for cheirosa, alguns pontos pelo menos você vai ter. Essa foi a dica do dia. Coloquei uma roupa qualquer e me sentei na cama, me jogando pra trás para esperar o tempo passar.
- Acorde, Bela Adormecida - senti algo nos meus cabelos e uma voz conhecida soar no quarto. Esfreguei os olhos e os abri, vendo o The Fuck me encarando com um sorriso lindo. Ridículo. É isso que ele é. Para que ser tão cheio de coisinhas lindas e blá, blá, blá? Argh.
Levantei-me sem dizer nada e fui ao banheiro escovar os dentes. Imagine-me dando umas “beijoquinhas” (vovó mode off) nele com o bafo “acabei de acordar”. Não rola mesmo.
Saí e o The Fuck se encontrava sentado na minha cama, encarando meu mural como sempre.
Caminhei até ele, me posicionei em seu colo e enlacei meus braços em volta do pescoço, enquanto minhas pernas me prendiam a ele.
- ... - fiz bico e ele sorriu maroto, me encarando - Como foi o ensaio?
- Ótimo - ele sorriu abertamente - As coisas estão começando a caminhar, mas acho que vai dar tudo certo.
- Que bom - sorri - Sabe o que temos que resolver?
- Não. O quê? - ele beijou meu pescoço e eu delirei.
- Sobre o e a - ele parou o trabalho no pescoço repentinamente e me encarou sem expressão.
- Não acredito. Isso é jogo sujo, !
- Sabe o que é jogo sujo? Ver meus amigos naquela “deprê”! Sério, não agüento mais... Esse clima ruim afeta todo mundo. Além de que, a gente tinha prometido, . Também é uma desculpa a mais pra gente se encontrar... - sorri marota e lhe dei um selinho. Quando ele ia aprofundar o beijo, espalmei minhas mãos no seu peito - Não agora, . Antes temos que falar sobre determinado assunto - ele bufou impaciente e eu saí do colo dele para finalmente começarmos a discutir sobre dois idiotas. Não sei até quando a minha família vai cair na desculpa de que eu e o estamos fazendo um trabalho juntos.

Capítulo 26

O nosso plano seria executado na sexta à noite. Os pais do haviam saído em um jantar de negócios - ou sei lá. Convidamos a , dando a desculpa de que todo mundo ia se reunir lá, e avisamos ao que já sabia de tudo que ia acontecer. Aliás, todo mundo já sabia o que ia acontecer, mas ninguém podia ir, para não atrapalhar o plano. Ok, eu e o The Fuck estaríamos lá, mas só com a desculpa de que havíamos prometido ajudar os dois.

parecia nervoso. Estalava os dedos incansavelmente. Eu e The Fuck arrumávamos os últimos detalhes, atentos a qualquer sinal de . Logo, a campainha tocou e corremos para nos esconder, enquanto abria a porta. Liguei rápido para , já que todo mundo estava na casa dela, curiosos para saber o que ia acontecer.
- Hm, oi - disse um pouco desconfortável - Cadê todo mundo?
- Esão lá dentro. Entre - ele abriu passagem pra ela, que caminhou até o meio da sala, esperando que dissesse onde a gente estava - Lá fora.
Quando eles saíram, fomos para o outro lado da escada, onde havia uma janela para o lado de fora da casa. estava estática na porta. Havia nada lá fora, além de uma toalha de piquenique com uma cesta cheia de guloseimas e champanhe.
- , o que é isso? - ela perguntou incrédula. Sem dar tempo de uma resposta, deu um passo para trás, prestes a fazer o caminho contrário.
- Ai meu Deus, o que está acontecendo? - gritava desesperada no telefone, por não poder escutar.
- Não, não, não! - berrei baixinho - Ela está tentando fugir!
- Não, não, não! - berrou, exatamente como eu havia feito antes, e andou em passos apressados até ela - Não vá embora.
- Por que você quer que eu fique? Devia chamar a Lindsay - disse ressentida e repeti o que ela havia falado para que eles pudessem ouvir, recebendo um olhar torto do The Fuck.
- Não faça assim - disse triste e o imitou, entrando na brincadeira - Eu nunca devia ter feito aquilo e você não sabe quão arrependido estou.
- Meu Deus, que vontade de abraçar o ! - exclamei. e concordaram, mas os meninos não pareceram gostar muito.
agora chorava com as mãos cobrindo o rosto. Lógico que não deixei de contar isso para eles, que ficaram super preocupados. Gays.
- Você não sabe a vontade que tenho de matá-lo... E não tem a mínima noção do que chorei por você - voltei a repetir suas falas - Se fosse um cara qualquer, eu não ia me importar tanto. Mas eu achava que você era diferente.
- Sou diferente - deu continuidade à nossa brincadeira – Dê-me outra chance de mostrar isso, por favor. Se não der certo, juro que nunca mais...
Ele não conseguiu terminar de falar. soluçou alto e o abraçou tão forte que não sei como ele não morreu sufocado. Sério mesmo. e estavam histéricas no telefone; tanto que eu não conseguia ouvir nada do e .

cantava algo no violão para , que o olhava com cara de idiota apaixonada.
- Ai, que brega - eu estava escorada à parede, ainda olhando pela janela da escada. Meu sapato estava jogado em algum degrau, minhas pernas (cobertas por uma meia-calça preta) estavam esticadas e a minha mão girava o champanhe na minha taça, como se dançasse.
- Não fale assim. Eu ia fazer uma dessa para você - ele fingiu um bico e entrei no jogo.
- Sei que não faria - desviei o olhar do casal brega e o olhei. Estávamos nas mesmas condições, exceto pelo fato de que ele tinha as pernas cruzadas. Só agora reparei no quão gato ele estava hoje! A camisa polo rosa listrada subia e descia calmamente, de acordo com sua respiração, e sua calça jeans evidenciava os músculos da coxa. Bendita academia!
- Ah é? E por quê? - ele me olhou desafiador. Ai mamãe.
- Porque... Mereço mais? - pendi a cabeça para trás, como sempre fazia quando gargalhava, esquecendo-me da parede atrás de mim. - Outch! - sua risada aumentou ainda mais, fazendo e nos olharem divertidos do lado de fora. Demos tchauzinho (eu com uma mão massageando a cabeça) e logo se levantou e me puxou pela mão até o quarto da sua irmã. Caminhamos até a sacada, onde tinha um balanço de panos brancos pendendo do teto. Ficamos conversando lá até a hora que tive que ir embora.

- Oi meninas - minha mãe abriu a porta, sorridente. Estávamos todas reunidas no meu quarto, em volta do computador, fazendo trabalho de História - A escola está realmente tirando o couro de vocês, hein! Quantos trabalhos! - as meninas sorriram confusas, mas não discordaram. Ok, sei que em alguns segundos eu seria bombardeada por perguntas. Um, dois, tr...
- Que tantos trabalhos a gente teve, dona ? - me perguntou irônica.
- Sei lá também. É a idade chegando. Não ligue para o que ela fala - fiz um estalo com a boca e logo me virei para o computador.
- Mentirosa... Você está escondendo alguma coisa e não estou gostando dessa situação - cruzou os braços, emburrada. ameaçou falar algo. Virei-me rapidamente e a olhei ameaçadora, o que pareceu funcionar, já que ela desistiu de falar.
Quando elas finalmente haviam parado de falar, meu celular tocou. E não era qualquer pessoa. Era bem o .
Olhei o visor e bufei falsamente. Dei uma desculpa qualquer para atender e saí correndo pelo corredor. Tranquei-me no quarto do meu irmão para atender, já que ele estava no trabalho.
- Oi sedução - falei debochada. Ele soltou um risinho abafado.
- Oi delícia - ele respondeu tão debochado quanto eu - Escute, quando a gente vai se ver? - fechei a porta do banheiro e me sentei na privada, abraçando meus joelhos. Melhor não arriscar.
- Foi bom você me perguntar isso, porque eu ia me esquecer de contar - sorri amarelo, instintivamente.
- O quê?
- Ferrou. Melou. Foi tudo por água abaixo.
- FALE LOGO! - ele disse nervoso. Ok... Realmente tenho o dom de deixar alguém nervoso.
- As meninas estão começando a suspeitar - fiz uma pausa dramática, esperando que ele fosse falar algo. Como não o fez, prossegui - Elas estão aqui, fazendo o trabalho de História. Aí minha mãe foi dar o ar da graça e soltou um “nossa, quantos trabalhos vocês estão tendo!”, sendo que esse é o primeiro e ela não sabe disso.
- ‘Ta... E daí? - ele perguntou confuso.
- E daí que, idiota, todas as vezes que você veio aqui eu disse que estávamos fazendo trabalho da escola - soltou um “ah” de compreensão - Imbecil.
- E agora? - ele perguntou, como uma criancinha. Ount. - É, e agora? Se eu tivesse alguma idéia, já teria dito - rolei os olhos. Por que existem pessoas tão retardadas?
- Ei! - ele berrou, fazendo-me tampar os ouvidos e exclamar um “outch” baixinho - Acho que tive uma idéia... E se for, à tarde, depois da sua academia, do meu ensaio, ou de... Sei lá, qualquer coisa que a gente faça? Aí, por exemplo, se demorarmos mais que o normal, fingimos que ainda estamos no lugar que estávamos antes.
- Isso! Mas... A gente vai ficar onde? Quer dizer... Um parque não é mais tão apropriado, já que está todo mundo de volta à cidade.
- Tem um loft do meu pai. Posso arranjar a chave para a gente.
- Por que seu pai tem um loft?
- É que tinha uma época que meus pais brigavam muito e ele chegava a passar algumas noites fora de casa por causa das briga. Aí ele passava noite no loft. Quando essa fase passou, meu pai achou melhor continuar com ele para caso eu quisesse...
- ‘Ta, já entendi – cortei-o de mau humor - Então você arranja a chave?

- Oi vó - dei um beijo em sua bochecha, após acordar da minha soneca da tarde e encontrá-la na sala tomando um chá com minha mãe.
Sentei-me na poltrona, apoiando minhas pernas no braço dela, depois de apanhar uma mão cheia de biscoitinhos que acompanhavam o chá.
- querida, vovó estava me contando sobre a festa de bodas deles - minha mãe disse, me inteirando do assunto. Encarei-as surpresa. Era raro a minha avó dar uma festa.
- Como são nossas bodas de ouro, achei que seria interessante fazer uma festa para reunir algumas pessoas queridas.
- Nossa! - disse de boca aberta - E quando vai ser?
- Daqui a menos de um mês.
- Já? Mas e os preparativos?
- Já estão prontos há um bom tempo. Quis que fosse surpresa para todos - ela disse calmamente - Quis trazer o convite de vocês pessoalmente e antes de enviar todos – levantei-me rapidamente e arranquei o convite das mãos da minha mãe, que disse um “!” repreensivo.
- Que lindo, vó! E vai ser na sua casa de Bristol? - perguntei em êxtase. Aquela casa era realmente perfeita para uma festa como essa.
Passamos a tarde conversando sobre os detalhes da festa. Minha avó parecia animada com tudo, o que nos contagiava por tabela.

Capítulo 27

- Vocês não sabem! - cheguei, milagrosamente, de bom humor. Como sempre, eu estava atrasada. Os meus amigos estavam sentados no banco debaixo da árvore, o nosso lugar de sempre.
- Bom dia para você também - disse, fingindo-se de ofendida. Olhei para ela e rolei os olhos.
- Anyway, vocês não sabem! Ontem a minha avó passou lá em casa para tomar café e ela contou que estava organizando as bodas de ouro deles na casa do interior. Logo vocês estarão recebendo um convite nas suas casas.
- Adoro essas festas que tenho que passar a tarde no cabeleireiro! - disse com os olhos brilhando.
- Aliás, fim de semana que vem tem festa na casa da Kristy. Vocês vão, né?
- Nem sabia, amor – disse, brincando com algumas mechas de cabelo do .
- Por mais que eu não goste dela e ache que devia escolher um tom de cabelo que combinasse com sua cor de pele, eu vou. Preciso me divertir um pouco – recebeu alguns olhares de reprovação assim que terminou de falar.
- Como se você nem fosse a baladas todo fim de semana.
- Blá, blá, blá - imitou a , mostrando a língua logo em seguida. Ninguém prestava atenção nelas, além de mim, pois todos estavam preocupados demais com as festas que viriam. Por alguma razão misteriosa da natureza, as pessoas tendem a fazer mais festas nessa época do ano. Talvez porque nascem mais bebês e mais pessoas se casem. Talvez.

No fim de semana, havíamos combinado de encontrar alguma roupa para a festa, então aproveitamos o horário do almoço em que as lojas não eram um total alvoroço. nos buscou em casa, levando-nos até o shopping.
- Ai, quero tanto ver esse filme! - olhava para o filme em cartaz. Eu poderia dizer que o filme era uma merda, porque era mesmo, mas aí ela me perguntaria com quem assisti e eu não poderia simplesmente dizer “com o . Resolvi ficar quieta.
- Quem sabe a gente assiste depois? Antes temos coisas a fazer - saiu puxando pelo braço que se debatia como uma criança. Puro fingimento, vale ressaltar. Ela era idiota, porém não a esse ponto.
estava prestes a ter um ataque nervoso. Até a loja, nós três paramos o caminho inteiro com comentários do tipo “quero um cookie da Starbucks” ou “você viu aquele gato?”. “Sim, vi a namorada dele a olhando feio também”.
- Meninas, estou falando sério! Se vocês demorarem mais um pouquinho para chegar à maldita loja, juro que... - pausa dramática para pensamento - Compro o meu vestido sozinha - e saiu batendo os cascos. e eu nos controlávamos para não rir do ataque de pelancas dela, enquanto não dava a mínima bola, ocupada demais em responder a mensagem do . Pelos sorrisos dela, não quero ter idéia do conteúdo dos torpedos. Mesmo.
Quando finalmente avistamos a grande loja branca com detalhes dourados nas paredes, suspiramos aliviadas. Os nossos ossinhos das mãos já haviam sido triturados pela .
- Por que todo vestido que fica bem em mim é preto? - saiu do provador, fazendo bico e se encarando no espelho amplo de fora da cabine.
- Talvez porque você seja gorda e essa é a única cor que a emagrece - lançou, gargalhando sozinha. Eu e nos encaramos e resolvemos procurar por vestidos no outro lado da loja.
- Acho que esse verde vai combinar com seus olhos, - apareceu sobre o ombro de .
- Pena que os meus olhos não são verdes, né? - disse debochada.
Quando ouvi dar berrinhos histéricos no outro lado da loja, senti o meu celular vibrar no meu bolso. Aproveitei que e andaram até ela apressadas para ver o que queria. Não que eu fosse tipo Mãe Diná, mas é que provavelmente era ele.
- Fale rápido - caminhei para um canto distante da loja e sussurrei.
- Consegui a chave do apartamento. Onde você está? - ansiedade começou a correr pelo meu corpo. Sei que eu devia falar “estou com as minhas amigas. Não posso encontrá-lo”, mas isso seria contra a minha vontade. E, além do mais, eu não queria comprar o meu vestido agora. Só tinha vestido feio naquela loja.
- Estou no shopping com as meninas, porém eu dou uma desculpa qualquer - falei apressada, já que elas caminhavam até mim – Ok, mãe. Vem me buscar então?
- Certo, filha - ele respondeu irônico - Daqui a quinzr minutos estou aí.
- Vai embora, ? - perguntou confusa, assim que desliguei o telefone. Assenti com a cabeça.
- Mas a gente ia ao cinema! - disse histérica. Acho que o fato dela ter achado um vestido a havia deixado eufórica. Mais do que o normal, eu digo.
- Não estou me sentindo muito bem - franzi as minhas sobrancelhas, naquela típica cara de dor.
- O que você tem? - perguntou, aproximando-se.
- Acho que foi algo que comi. E minha cabeça parece que vai explodir - resolvi adicionar a última informação, no caso de elas dizerem “vá ao banheiro”.
- Eu a levo em casa então. Avise a sua mãe.
- NÃO! - ela se assustou - Não precisa. Não quero estragar o passeio de vocês. E, além do mais, ela já estava na rua mesmo - assentiu, estranhando, mas resolveu ignorar e procurar por seu vestido.

Antes de esperar o lá fora, resolvi comprar algumas coisinhas na praça de alimentação, já que em um apartamento vazio provavelmente não tem nada. Comprei o meu Caramel Macchiato, o Java Chip do The Fuck e alguns cookies maravilhosos da Starbucks. Um cookie não iria me satisfazer. No way. Caminhei até a porta de saída e encontrei o carro de parado. Ele logo reparou que eu caminhava até o carro e abriu a porta, já que eu tinha que equilibrar os cafés, os cookies e a minha bolsa. Praticamente escalei o carro para poder me sentar e o foi logo depositando os cafés no painel do carro e me puxando para um beijo um tanto... Quente. Uma preview talvez? Fechei a porta, já que a minha mão ainda estava presa no puxador, e passei a corresponder melhor ao beijo dele. As minhas mãos passaram por seus ombros lentamente, chegando à sua nuca, onde comecei a acariciar com as unhas.
- Oi, - ele disse ao separar sua boca da minha. Sorri de canto, puxando-o de volta para um beijo mais calmo. Separei-me quando percebi que ele já se empolgava novamente.
- Oi, - respondi simplesmente - Trouxe café e cookies para a gente.
- Percebi - ele apontou o banco de trás - Trouxe pizza para nós.

O prédio era grandioso e a recepção, digna de hotel. O apartamento, apesar de seguir a mesma linha, era totalmente aconchegante. O ambiente era claro e amplo, mas claramente feito para um cara solteiro. Não que fosse bagunçado, porque não era. Na verdade, dava para perceber que há um tempo ele não recebia uma visitinha. Talvez porque o não tivesse quem levar. Muahaha.
Ao entrar, dávamos de cara com a sala de TV, com poltronas giratórias e um sofá aparentemente confortável, e a mini-cozinha, como aquelas de quarto de hotel. Atrás e sobre, estranhamente, estava a escada que levava ao quarto e ao banheiro.
- É lindo aqui dentro - sorri, observando o lugar - Bem a sua cara.
- Está dizendo que eu sou lindo? - ele perguntou, sorrindo e andando de costas para poder me observar, logo virando para depositar a pizza na mesa. Sorri sem graça e suspirei alto. Não havia como rebater.
- Talvez - entrei, fechando a porta atrás de mim. Caminhei até a mesa de centro da parte da sala, deixando os cafés e a sacolinha da Starbucks sobre ela.
- Sei que não é “talvez”, mas sim “com certeza” - ele disse ao se aproximar de mim. Joguei-me em uma das poltronas, fazendo-a virar para o lado da cozinha. Péssima escolha, . Assim você não tem como agarrar o . Merda.
- Você é muito prepotente. Não devia se achar tanto. Pode não gostar do que ouve - sorri, desafiando-o.
- Pode ser - ele fez um bico à la Jensen Ackles e olhou para cima, como se pensasse - Mas confio no meu taco - caminhou até o móvel embaixo da TV, pegou o controle e se agachou para procurar um DVD - Diário de uma Paixão? - fiz que não com a cabeça. Eu amava aquele filme, porém não queria ver filmes românticos perto dele. Sei lá. Vai que o cara tem idéias erradas. Caminhei até onde ele estava para ver os outros DVDs.
- American Pie ou Curvas Perigosas? - peguei os dois DVDs em minhas mãos, mostrando para ele.
- American Pie tem gostosas - ele disse pensativo.
- Então Curvas Perigosas – levantei-me depois de deixar o DVD que ia ser visto sobre o móvel e voltei para a minha poltrona. Ele me olhou debochado - Que foi? Tem o Lex Luthor e o Todd de “Samantha Who?”.
- Mesmo você não sendo como as gostosas do filme, só tenho olhos para você - ele disse irônico, tentando me dar um beijo na bochecha. Desviei.
- Vá para o inferno - eu mal-humorada. Ele da poltrona dele me puxou pela mão com força, fazendo com que eu me levantasse da cadeira e caísse sobre o mesmo. Murmurei um “me largue” de má vontade, empurrando-o fracamente pelo peito para tentar escapar dos beijos que ele depositava no meu rosto - Pare, - disse manhosa, deixando um sorriso escapar pelo canto dos meus lábios.

Assisti ao filme no seu colo, incrivelmente confortável. Os meus dedos estavam perdidos em meio aos cabelos do , enquanto a minha mão esquerda segurava o meu copo de café, agora vazio. tinha o seu braço esquerdo envolto na minha cintura e a outra mão repousava sobre a minha coxa coberta pela bermuda. Seu café já havia acabado faz tempo. Na verdade, não durou nem cinco goles. Homens me assustam. E, por mais que o ambiente fosse propício, sei que não rolaria nada mais do que amassos. Toda vez que os nossos beijos ultrapassavam o limite, ele sempre se afastava. Eu podia ficar de saco cheio na hora, mas era tão... Diferente... Saber que ele me respeitava. Ainda mais por saber que isso era tão não do feitio dele.
Descruzei as minhas pernas e me levantei do colo dele. Recolhi os copos de café e levei à lixeira da cozinha.
- Aproveite e traga a pizza, - ele pediu sem tirar os olhos da tela. Era um momento feliz para homens no filme. Espreguicei-me, encarando a cozinha. Os pratos provavelmente estariam no armário. Certo? Aproximei-me da pia e peguei dois pratos no armário e talheres na gaveta. Depois me dirigi ao frigobar e encarei o que tinha dentro.
- Coca ou cerveja, ?
- Coca – estiquei o meu braço para alcançar a latinha de Coca e a garrafinha de água, já que agora eu era uma pessoa light e preocupada com a minha saúde (celulites). Botei as coisas sobre a caixa de pizza e caminhei até a mesinha em frente à TV. Deixei as coisas ali e me sentei no chão para cortar a pizza.
- Obrigada pela ajuda, - disse, fingindo mau-humor. Cortei dois pedaços da metade de calabresa e botei em seu prato e um de mussarela no meu. Odeio calabresa. Já mencionei isso? Dei um murro fraco em sua canela para que pudesse entregar o seu prato e refrigerante. Depois me levantei e sentei-me na outra poltrona.
- Que prendada, . Vai ser uma ótima esposa - ele disse, debochado. Com o tempo, fui percebendo que ele era muito debochado. Muito. Mas isso não me incomodava. Aliás, deixava-me mais aliviada – Só dispenso os talheres. - Quando cortar pizza e botar em um prato for sinônimo de boa dona de casa, não saberei nem fazer isso. E já disse que você me dá nojo? - ele rolou os olhos, rindo.
Eu amava aquele filme, porém no momento me deixava puta o fato de ele me deixar de lado para assisti-lo. Não que eu fosse carente de atenção, contudo é que eu esperava mais do primeiro dia em um apartamento livre para nós dois.
Levantei-me em um impulso, praticamente jogando o meu prato em cima da mesinha, e roubei o controle para pausar o filme.
- Chega, - roubei o seu prato, arremessando-o na minha ex-poltrona, e subi em seu colo para beijá-lo. Posso dizer que o que fiz o pegou de surpresa, mas não deixou de ser agradável. Muito agradável.
Podia sentir o seu sorriso em meus lábios. As minhas mãos se agarraram desesperadas ao cabelo de , dando leves puxões. As suas mãos, por outro lado, passeavam por minhas costas em sentidos opostos e eu sentia que a sua mão direita queria ir um pouco mais abaixo do que o permitido. Desviei a minha boca da dele, trilhando um caminho de beijos até a sua orelha, onde mordi o seu lóbulo. Não demorei muito. Logo desci os beijos por seu pescoço. Ali podia sentir com mais intensidade o seu perfume. Bendito Hugo Boss. As suas mãos puxaram o meu rosto delicadamente, mordendo o meu lábio inferior em seguida. Quando nos interamos novamente em um beijo, uma de suas mãos desceu para o cós da minha bermuda, não demorando em pousar na minha bunda para leves apertões.
- Besta - disse, achando graça. Não que eu fosse uma vagabunda, mas nunca achei nada demais um cara botar a mão na minha bunda com a devida intimidade. Não era como se ele tivesse me comendo com as mãos nem nada.
- Não resisti - ele respondeu, olhando-me sapeca. Ele me deu um selinho, seguido por vários outros, o que nos fez rir. Logo me aconcheguei em seu colo e terminamos de ver o filme.

- , a ligou – a minha mãe disse ao me ver entrar em casa - Vocês não a chamaram para o shopping?
- Oi? - ok, fodeu - Chamamos, mãe. Ela estava se sentindo mal e por isso não foi.
- Então venha jantar que depois você liga para ela - caminhei até a sala de jantar, onde a refeição estava sendo servida. E, apesar da comida estar aparentemente deliciosa, o meu lado gordo não havia apitado. A minha cabeça estava totalmente focada em pensar em que desculpa eu daria para . Ela provavelmente já havia ligado com o intuito de descobrir a minha farsa, já que ela tinha ficado desconfiada. Não cairia em qualquer desculpinha que eu desse. Merda grande e fedida!

Depois de vegetar durante a janta, subi lentamente até o meu quarto, tentando adiar o momento de ligar para . Antes, aproveitei e liguei para o do meu celular, excluindo o perigo de alguém entrar na linha.
- Ei - disse fracamente ao ouvi-lo atender.
- O que houve?
- Hum, preciso da sua ajuda. A está desconfiada de que eu não estava passando mal porra nenhuma hoje.
- ‘Ta. E aí? - ele perguntou, sem entender aonde eu queria chegar.
- E aí que ela ligou aqui em casa me procurando. Já tinha desconfiado no shopping. Tenho certeza! - falei rápido, atropelando as palavras – Ai, , o que faço agora?
- Respire, - ele disse, fingindo estar calmo. Ou ele estava calmo mesmo, porque eu que sou a surtada aqui.
- , TELEFONE! – a minha mãe gritou do quarto dela. Eu estava tão compenetrada que nem havia escutado o telefone tocar.
- . ! Acho que é ela! - sussurrei, sentindo o meu coração acelerar.
- , telefone. Mas que merda! - Greg bateu na minha porta.
- QUE DROGA! JÁ ATENDO!
- Você está cagando por acaso? Atenda logo essa merda!
- VÁ PARA O INFERNO, GREGORY! ENFIE ESSE TELEFONE NO RABO! - gritei nervosa, socando a porta. Caminhei apressada até a minha cama e me sentei perto do criado-mudo - , o que falo? O QUE EU FALO?
- Fale a verdade, porra! - ele disse nervoso - Não vai adiantar você continuar mentindo para ela. Sabe como a é. Ela vai acabar seguindo você e nos ver junto. Vai ser pior!
- Então... Eu conto? - perguntei mais calma, mas com o coração ainda acelerado.
- Vai ser até bom tê-la pra encobrir a gente, . Fique calma - ele provavelmente sorria do outro lado da linha. Oun.
- !
- Já ligo para você. Beijos - desliguei sem esperá-lo responder. Peguei o telefone sem fio, atendendo-o e tacando a minha almofada na porta quando Gregory a abriu - SAIA DAQUI AGORA! - silabei, vendo-o sorrir sapeca. Criança dos infernos!
- Ei.

Capítulo 28

- Aleluia você atendeu, !
- Desculpe. Eu estava... Ocupada - resolvi não mentir. Eu poderia falar que estava jogando, que estava fazendo o inferno, mas, se eu ia contar a verdade, não faria sentido esconder esse fato.
- Tudo bem. Você está melhor? - respondi com um “uhum” - Você foi ao hospital ou alguma coisa?
- Não. Por quê?
- Ah, é que liguei quando voltamos do shopping e você não estava em casa. A sua mãe disse que você ainda não tinha voltado.
- É, voltei agora há pouco - cocei a cabeça, nervosa. Eu não ia tomar a iniciativa de contar. Era melhor que ela perguntasse logo e parasse de tentar arrancar isso de mim.
- E você estava onde então? E com quem? - ela perguntou e não ouviu resposta. Depois de um momento de silêncio, que pareceu uma eternidade, menina resolveu finalmente perguntar - ... Não gosto que você esconda as coisas de mim. Sei que é seu direito ter segredos e não querer contar para ninguém, mas isso é tão sério que tem que esconder?
- Você não entende.
- Dê-me uma chance de entender, . Não vou julgar você. Quer dizer, o que pode ser tão ruim? Está namorando o loser do Stephan?
- Não! Mas para mim é até pior.
- Quem é pior que ele? - ela perguntou indignada e não pude deixar de rir.
- Você jura que não conta para ninguém? Ninguém mesmo?
- Juro - ouvi dois barulhos de beijo, pois ela provavelmente beijava os dedos em sinal de segredo.
- Eu estou... Ficando com o - fechei os olhos com força e pude ouvi-la berrar no outro lado da linha.
- Eu sabia que tinha algo de diferente com vocês dois! Ai, estou tão feliz por vocês, ! Não acredito que você queira esconder isso! - ela parou de falar - Ok, acredito. Mas vocês dois combinam tanto!
- ‘Ta. Cale a boca - disse de saco cheio, o que a fez rir.
- Você não vai me matar se eu falar algo?
- Vou - ela riu.
- Vou falar mesmo assim: eu sempre soube que um dia vocês iam ficar juntos - murmurei um “está bom, Mãe Diná” - É sério, poxa. Lembra-se de quando eu dizia que existe apenas uma linha tênue entre amor e ódio? Então.
- É, ‘ta - concordei de mau-humor. Ela sempre disse isso mesmo. Vaca - Mas não é o que você está pensando. Não gosto dele e nem ele de mim. Ok, ele pode gostar de mim, porque sou apaixonante, mas caso goste é platônico!
- Já que você diz...
- É sério, ! É apenas físico. Ele beija bem. É gostoso, bonito... - corei por admitir isso pra alguém além da minha consciência - Mas não tem sentimento.
- Está bom, . Não vou duvidar de você, porque é a única que sabe o que se passa nessa sua cabecinha. Você é louca e ninguém nunca vai entender - rimos - É sério. Todas as garotas da escola matariam para estarem no seu lugar.
- Bom, que pena. O mundo não é como a gente deseja. Eu preferia muito mais estar com o meu Taylor Lautner ou com o Cristiano Ronaldo, mas os tenho? - murmurou um “ai, , rindo depois.

Como tinha exigido nos ver juntos pelo menos uma vez, resolvi convidar todo mundo para vir à piscina no dia seguinte. Ela, vaca como sempre, chegou mais cedo que o combinado e se tacou em cima de mim enquanto eu dormia.
- Lindinhaaaaaaa! - senti um corpo pesar sobre o meu e a voz de ecoar nos meus ouvidos. Instantaneamente, tapei o meu rosto com o travesseiro – Ande. Acorde!
- ... - fiz bico - Vá à merda - ela sorriu largamente e me puxou para fora da cama.
- Você tem que se arrumar. Daqui a pouco a galera vai chegar - arregalei os olhos e corri para o banheiro. Quando saí dali enrolada na toalha e escovando os meus dentes, sorriu sapeca.
- Daqui a uma hora... - olhei sem entender - Que eles vão chegar - taquei o meu travesseiro nela e entrei no banheiro para terminar de escovar os dentes.
- Já disse que odeio você?
- Já. Todo dia, praticamente. Que biquíni você colocar?
- Qualquer um, ué.
- Está bom que eu vou deixá-la qualquer biquíni na frente do seu peguete, - ela abriu o meu armário, procurando a gaveta de biquínis.
- Passei as férias inteiras com ele. Não é agora que as coisas vão mudar - ela me segurou pelos ombros e me olhou fixamente como se fosse minha mãe. Br>- , presta atenção: sei que você odeia o fato de estar se arrumando para o , mas não finja que não liga - rolei os olhos - E agora as férias acabaram. A sua concorrência está aumentando. Mesmo que “seja só físico”... - ela ironizou minha voz - Você não vai querer perdê-lo para a Stacey.
- Stacey? - perguntei confusa.
- É. Soube que ela já está atrás do - fechei a cara e abri a segunda gaveta cheia de biquínis.
Depois de vasculhar loucamente por quase vinte minutos provavelmente, pareceu achar o perfeito.
- Esse!
- Tem certeza? Ele é muito pequeno. É mais fácil eu ficar pelada logo.
- Bom, você comprou. Alguma vez vai ter que usar. Ele ainda está com a etiqueta - rolei os olhos e me enfiei no banheiro, logo saindo com tal no corpo.
- Está bom? - perguntei em dúvida. Ela estava pensativa. Fez um sinal com o dedo para que eu desse uma voltinha e assim fiz.
- , você está MARAVILHOSA! O vai comê-la com os olhos - ela me empurrou de leve, deixando-me corada. Peguei uma saída de praia branca e básica do armário e estendi.
- Está boa essa? - ela concordou feliz. Pus e fui até o criado-mudo para pegar os meus óculos abelhão.

arrumava o amplificador do iPod e eu tomava sol na espreguiçadeira. A geladeira estava devidamente carregada com cervejas, refrigerantes e água, e já havia alguns sanduíches e salgadinhos no balcão da área da churrasqueira. Quando a campainha soou, não me preocupei em me levantar. Até me lembrar de que estávamos sozinhos em casa, já que os meus pais arrastaram Greg para visitar a minha avó e o Phil estava... Sei lá onde.
- ... - fiz bico assim que ela se virou.
- O quê?
- Abre a porta? - fiz cara de bebê e ela rolou os olhos.
- Não. Você tem pernas e a casa é sua.
- Por favooooooor! - aumentei o meu tom de voz, fazendo-a murmurar um “está bom” à contragosto.
Tenho um poder incrível sobre as pessoas. Sério.
- UAU, alguém está vestida para matar! - berrou ao me ver - Ou despida...
- Haha - soltei uma risada irônica ao ver as meninas rirem - Cadê os meninos?
- Boa pergunta. Eles estavam atrás da gente agorinha - disse confusa, olhando para trás como se os procurasse.
- A gente estava roubando comida na cozinha. Macarrão gelado é gostoso, cara - Gordinho da Silva disse, com a boca cheia e suja, como se adivinhasse o que estávamos falando.
- Vocês me enojam - fiz a minha típica cara de nojo e me levantei para dar um abraço nele. Gordinho da Silva é bom para dar abraço. É, sim.
- É mesmo? Conte mais - me imitou.
- Personalidade você deixou em casa, foi? - disse debochada. se dirigiu a mim, fingindo-se de ofendida, e meu um tapa na bunda. Dei a língua e saí andando com e no meu encalço para dentro de casa, deixando-os em um momento só love.
- Até quando vocês vão ficar aí comendo? - perguntou e se aproximou de , abraçando-o por trás. Vesti a minha saída de praia que estava na minha mão antes que se virasse. E a vergonha daquele biquíni?
- Oun, bebê, desculpa. É que a gente está com fome e esse macarrão está muito bom! - deu um selinho nela que se derreteu toda. Acho que fazer os dois voltarem foi a melhor coisa que fiz em anos.
- Vocês podiam ter ao menos esquentado.
- Er, . Acho que estamos de vela aqui - disse, fazendo-me perceber que e também estavam concentrados em outras coisas. Sorri sem graça para ele e saímos da cozinha, mesmo com eles dizendo que não tinha nada a ver. Aham, Cláudia - E aqui fora não está muito diferente.
- Então por que a gente não sobe? - mordi os meus lábios ao terminar a frase e o soltei em seguida.
- Tem certeza de que quer com todo mundo aqui?
- Verdade. Tinha me esquecido disso! – sussurrei histérica, como se gritasse. Sabe? - Será que eles vão sentir a nossa falta?
- Se a gente não demorar... - ele disse pensativo. Segurei em sua mão e saí correndo escada acima, mas tomando cuidado para não fazer barulho. Empurrei-o para dentro do meu quarto e tranquei a porta. Ele estava sentado na minha cama com os braços apoiados atrás de si, dando um ar descontraidamente sexy. Caminhei apressada até ele e me sentei em seu colo, beijando-o ferozmente. Desci os meus beijos para o seu pescoço ao mesmo tempo em que arranhava suas costas. Ele puxou o meu rosto e mordeu meu lábio inferior antes de me beijar com vontade. Passeei os meus dedos pelo seu peitoral, chegando à barra da sua camisa. Puxei-a rapidamente, o que fez com que nos afastássemos para passá-la pela cabeça de . Aproveitando que já estávamos separados, tirei a minha saída de praia e a joguei no canto do quarto.
- Wow! - ele me analisava boquiaberto, passando os olhos por cada centímetro do meu corpo. É, acho que tenho que agradecer a depois.
Soltei uma risada envergonhada e rolei os olhos. Empurrei-o, fazendo com que ele ficasse deitado na cama, e me deitei sobre o mesmo, beijando-o. As suas mãos passeavam pelas minhas costas e coxas. Senti a sua ereção crescer no seu shorts. Instintivamente pressionei o meu quadril contra ela, fazendo leves momentos de “vai-e-vem”. Ele arfou e não pude deixar de sorrir. Os seus lábios quentes fizeram o caminho da minha boca, passando pela mandíbula e descendo para o pescoço. Puxei os seus cabelos com certa força, continuando o movimento do quadril. Eu não estava certa de que eu queria fazer aquilo naquele momento, mas também não conseguia parar. Gemi baixo ao sentir as suas mãos apertarem a minha coxa com força, cravando as minhas unhas eu seus braços.
- ... - ele falou baixo. Sorri pervertidamente, dando beijinhos em seu pescoço. Passei a arranhar todo seu peitoral, descendo até a altura da bermuda - - ele puxou as minhas mãos e entrelaçou os nossos dedos.
- O quê? - perguntei claramente confusa.
- Não posso fazer isso - ele fechou os olhos e apoiou as mãos na testa. Saí de cima dele e me deitei ao seu lado. Eu não queria que ele visse a minha cara de vergonha naquele momento. Logo em seguida me levantei e peguei a minha saída de praia. Vesti-a e destranquei a porta, mas a vi sendo fechada pelo The Fuck - Não é o que você está pensando. Quero muito isso - ele fechou os olhos com força, tentando ignorar os flashbacks de segundos atrás.
- Então qual o problema? Sou eu? - perguntei com raiva. Eu estava puta. MUITO puta - Você preferia que fosse a Stacey. Não é?
- Cale a boca! - ele disse bravo - Não fale merda. Não tem nada a ver com ela ou qualquer outra menina, porra! - ele socou a porta.
- Então o que é? Vai falar ou vai ficar sempre negando, nunca falando a verdade? – sentei-me na cama com os braços cruzados, encarando-o provavelmente com fogo nos olhos. Eu estava sendo calma demais. Precisava achar a minha raquete para dar na cara dele!
- Você é virgem, porra! - ele gritou.
- E o que isso tem a ver?
- Não quero que você tenha a sua primeira vez assim. E nem você quer.
- Mas eu quero! – levantei-me em um impulso e caminhei até ele.
- Você quer ou estava empolgada? - rolei os olhos. E desde quando isso não é a mesma coisa?
- Sabe de uma coisa? Foda-se. Foda-se você e foda-se a minha virgindade - abri a porta com certa violência e voei para fora do quarto.

- Aleluia. Onde você tava? - perguntou antes de ser afogado pela .
- Eu estava... No telefone. A minha mãe ligou para perguntar se estava tudo bem e a gente acabou demorando demais - sorri amarelo.
- Ahn, e você sabe onde está o ? - perguntou com os olhos estreitos pelo sol.
- Ele foi ao banheiro, . Já disse - falou rapidamente, fingindo impaciência.
- Não disse não.
- Claro que disse! É que ninguém presta atenção no que falo - ela rolou os olhos e sorri sem graça, indo me deitar na espreguiçadeira vazia ao lado dela - Usou camisinha?
- Não quero falar disso agora - disse carrancuda. Aproveitei para colocar os meus óculos e tomar sol. Eu tinha vontade de chorar, mas não de tristeza. De raiva. De impotência. De não poder fazer nada para matar aquele desgraçado.
- É, acho melhor não falar - disse ao olhar a cara de cu do The Fuck ao sair de casa, percebendo que qualquer comentário que conseguisse arrancar de mim poderia causar a Terceira Guerra Mundial.

Capítulo 29

, a gente precisa conversar. Desculpe por ontem. Eu... Foda-se. Ligue para mim..”
, atenda-me. Preciso falar com você. Ligue para mim.”
, já faz uma semana. Até quando você vai continuar me ignorando?”
”Se você não falar comigo, vou ter que falar com o ... Sério. Não a entendo. Por que você...?”

- Fim dos novos recados. Para repetir, tecle... - fechou o flip do meu celular e o jogou na cama.
- Quando você vai me contar o que aconteceu?
- Nunca - respondi sem desviar o olhar da tela.
- Ignorar isso não vai adiantar nada. E nem ignorar o . Você sabe como ele é. Pode ter qualquer garota em um piscar de olhos. Você não é insubstituível, - se sentou na minha frente e desligou a TV.
- Eu sou virgem - fechei os olhos com força e disse o mais rápido possível, como se tirasse um Band-Aid. Apesar de que, quando eu tirava um, nunca tirava rápido. me olhou confusa, como se duvidasse - Com quantas pessoas você sabe que transei?
- Bom, nenhuma. Mas achei que... E você nunca agiu como se... - ela não conseguia terminar as suas frases, tamanha confusão, porém preferiu deixar de lado - Ok, tanto faz. O que ele fez?
E contei tudo. Tudo. Talvez tivesse deixado alguns detalhes sórdidos de lado, contudo nada que mudasse o que ele fez.
- Nunca me senti tão humilhada. Não é como se eu pudesse me esquecer disso.
- Entendo que isso tenha sido vergonhoso, mas ele fez isso por você. Quer dizer, o cara estava de pau duro! - disse visivelmente chocada. Visivelmente porque ela nunca usaria “pau duro” em uma frase normal - Ele com certeza queria ir até o final, mas não queria que a sua primeira vez fosse assim... Uma transa casual - eu não queria entender. Não queria aceitar. Qualquer que fosse o motivo, não ia substituir o que passei. Nunca me senti tão lixo.
logo percebeu que eu não estava mais a fim de conversa, então tratou de se despedir e ir embora.

Eu assistia à reprise de um episódio de One Tree Hill, todavia não prestava atenção. Nem que eu quisesse. O meu celular vibrava incansavelmente na minha frente. Eu abraçava os meus joelhos e brincava com um fio solto da toalha enrolada na minha cabeça. Levantei-me para pentear o cabelo, na tentativa de ignorar o celular. E ele parou, mas logo voltou a tocar. E parava. E tocava... Infinitamente. Apertei as minhas têmporas com os dedos indicadores e encarei o telefone por alguns segundos. Como se tivesse recebido um choque, corri até minha cama. Peguei o celular e digitei rapidamente.
“Estou ocupada.”
Deitei-me lateralmente na cama e brinquei com o celular em meus dedos. Os segundos pareciam durar horas. Até que ele vibrou.
“Fazendo o quê?”
“Ignorando você.”

Apressei-me em responder. Sentei-me na cama e encarei a TV, fingindo despreocupação para mim mesma. Por um longo tempo, o celular não vibrou. E fiquei desapontada.
“Você sabe como ele é. Pode ter qualquer garota em um piscar de olhos. Você não é insubstituível, .”
O que havia dito agora ecoava na minha cabeça. Ele não podia ter desistido de mim! Podia? Não que a gente tivesse algum compromisso um com o outro. Comecei um longo discurso mental sobre como as pessoas são descartáveis. Era assim que eu me sentia. Porém não pude terminar de formar a minha novela melodramática, porque logo o celular voltou a vibrar e o nome dele estava escrito no visor. Aceitei a chamada, mas não disse nada.
- Ei, - ele disse calmo, diferente de como soava nas mensagens que a havia me feito ouvir. Suspirei e não respondi. Não havia o que dizer - Não vou pedir para a gente conversar. Sei que você odeia isso - ele soltou um riso fraco e sorri de canto - Só quero que você me escute. Ok? - concordei baixo, esperando que ele continuasse - Antes de tudo, abra a porta do seu quarto para ver se não tem ninguém escutando - encarei a porta confusa. Que porra era aquela? Será que ele me xingaria até a morte e não queria que ninguém ouvisse?
- O meu irmão não é tão idiota de ficar escutando as minhas conversas... Ele é adolescente. Está mais preocupado em se trancar no banheiro - ele riu e murmurou um “é melhor checar”. Andei até a porta e pousei a mão sobre a maçaneta, sentindo-me retardada por fazer aquela coisa idiota. E quando a abri, lá estava ele com os seus cabelos pingando em sua testa, a sua blusa encharcada e o seu celular no ouvido, sorrindo feito um bobo.
- Oi.
O meu queixo caiu, tamanho o meu choque e, ao mesmo tempo, um sorriso se formava no canto da minha boca.
- O que você está fazendo aqui? - perguntei, fechando o flip do celular. logo desligou o dele e colocou em seu bolso.
- Vim falar com você. É melhor resolver pessoalmente do que pelo celular - ele sorriu e suspirei, dando passagem para o garoto entrar. se sentou na minha cama e fiquei em pé na frente dele com os braços cruzados - Desculpe.
- Desculpas não valem de nada sem um motivo decente, .
- Sei que você ficou brava pelo que fiz. Admito que não foi muito legal para você.
- Legal? Foi humilhante! - berrei, abrindo os braços.
- Posso falar? - ele me encarou sério e assenti - Para mim também não foi nada legal. Ou você acha que o “big guy” se acalmou sozinho?
- AQUI?! No meu banheiro?
- Lógico, porra! Já imaginou que legal seria se eu saísse do seu quarto e encontrasse com alguém? “Ah, o que você estava fazendo no quarto da minha filha de pau duro?” - fez uma voz afeminada, como se imitasse a minha mãe. Rolei os olhos - Olhe... Você é virgem e...
- Você pode parar de falar isso?
- E você pode parar de me interromper? Caralho, você fala! - ele resmungou, rindo em seguida - Sei que, por mais que você nunca vá dizer, quer que a sua primeira vez seja... Vá, especial. Que ridículo isso... Mas não tem outra palavra para usar - concordei.
- Vou tentar me controlar melhor - rolei os olhos - Acho que acabei dificultando para você.
- E aquele biquíni? Cara... - ele respirou fundo e cortou a sua frase no meio. Aproximei-me dele e me sentei em seu colo.
- E sem ele? - sussurrei em seu ouvido e mordi o seu lóbulo, fazendo carinho na sua nuca com as minhas unhas.
- ... – levantei-me, gargalhando.
- Tenho você na minha mão agora, - fiz cara de sapeca, fazendo-o rir.

- Ei, - cheguei atrasada e sorridente, recebendo um olhar bravo do professor. A questão é: não ligo. Coloquei a minha mochila em cima da carteira vazia ao lado da .
- O motivo dessa sua felicidade é o mesmo motivo da sua raiva de ontem?
- Que felicidade? - fechei a cara.
- O incrível é que depois de tantos anos você ainda acha que me engana - ela disse debochada e rolei os olhos, curvando-me em direção a ela para contar sobre o .
- Oun, vocês são tão lindos juntos! - ela miou e eu fiquei com medo que alguém ouvisse.
- Blá, blá, blá - rolei os olhos - E sabe que aula tenho agora? Química, e o é minha dupla.
- Que diferença faz? Vocês não podem fazer nada publicamente mesmo.
- E essa é a graça - sorri safada e me afastei dela, deixando uma confusa.

Caminhei apressada pelos corredores, ignorando alguns olhares que eu recebia. Vi o pelo caminho conversando com algum cara do time de futebol que, por algum motivo desconhecido, era amigo dele. Cutuquei-o nas costelas, que procurou confuso quem havia feito aquilo. Quando me viu, dei uma piscadinha. Sou uma graça. Eu sei! Entrei no laboratório de Química do senhor Johnson e me instalei em uma das bancadas do fundo da sala.
- Ei, - entrou com a mala pendurada em um dos ombros e fechou a porta da sala. Levantei-me e dei pulinhos até chegar nele. Passei os meus braços em volta do seu pescoço e colei os nossos lábios. O beijo foi rápido, mas ao mesmo tempo calmo. Terminei com vários selinhos e, quando abri os olhos, pude vê-lo sorrir - Wow, você se arriscou.
- É bom você aproveitar esses raros momentos, – encarei-o com uma sobrancelha erguida e voltei para o meu lugar. Ele seguiu os meus passos e, por sorte, só agora alguém entrou na sala.
- ! Eu estava procurando você! - April, uma das seguidoras da Stacey, adentrou a sala com asua voz esganiçada. Concentrei-me em separar o material que ia ser usado naquela aula. Eu não queria que o achasse que eu estava com ciúmes e tal. Até porque eu não estava.
- Ahn... Fale - disse, não entendendo o que ela queria com ele.
- Eu queria saber se você podia me ajudar com Álgebra. Falaram-me que você é muito bom - ela sorriu radiante e ele a olhou estranho.
- Fiquei de recuperação em Álgebra, April.
- Bom, melhor que eu com certeza você é - ela sorriu sem graça - Por favor - me olhou rapidamente, como se perguntasse o que devia fazer. Dei de ombros.
- ‘Ta. Tanto faz. Mas não tenho muito tempo. E nem paciência.
- Ai, obrigada, ! Você é demais! - ela o abraçou e deu um beijo na trave, o que fez a minha cara se fechar mais ainda - Até amanhã então.

Capítulo 30

- ... - sussurrei, tirando minha atenção das fórmulas estruturais que o senhor Johnson passava na lousa - Eu ia dizer para a gente voltar a passar nossas tardes no loft do seu pai... – virei-me para ele, sussurrando em seu ouvido. Esse era o bom de sentar no fundo. Ninguém o via e, se visse, você saberia.
- Ótima idéia - ele sorriu pervertido.
- Mas não vai rolar - comecei a acariciar sua coxa coberta pela calça do uniforme, aproximando em certos momentos da virilha, porém sem realmente chegar até lá.
- Por quê? - ele perguntou com a voz falha.
- Você tem ensaio e vai ter que ajudar a Aprilzinha a estudar - fiz bico, aproximando mais ainda meus lábios da sua orelha - Mas tudo bem. Tenho meus planos também. Quem sabe semana que vem as nossas agendas batam?
- e , é proibido namorar na escola. Se vocês quiserem, posso mandar vocês para a Diretoria - senhor Johnson disse debochado e sorri sem graça por ter todas as atenções voltadas a nós.
- Ele que estava me enchendo, professor - dei um soco no seu braço e o encarei feio, segurando o riso. me encarou bravo e, quando tive certeza de que ninguém mais olhava, dei um beijo babado em sua bochecha - Brincadeira, bobinho.

A verdade é que eu não tinha o que fazer, mas teria que arranjar. Nem que para isso tivesse que fazer um trabalho voluntário. Não, nunca tive paciência com crianças e não era muito útil para construir casas para os desabrigados. Então essa idéia é facilmente descartada.
- Oi, . Tchau, - puxei a para um canto em que a não pudesse ouvir o que falávamos - Preciso me ocupar durante a semana. O que faço?
- O quê? - ela me perguntou confusa - Eu sei lá. Vá aprender um instrumento.
- Estou falando sério - bufei - Posso me viciar em compras. Que tal?
- Aham. Em seguida você pode levar seus pais à falência. Boa idéia! - exclamou debochada, batendo palminhas.
- Menina, sei que vocês deve estar pedindo ajuda para descobrir a cura do câncer, mas estou levemente incomodada de estar excluída - reclamou, encostada à parede oposta com os braços cruzados.
- Fresca. Eu só estava pedindo idéias de como me ocupar durante a semana. Alguma?
- Você já faz academia e o resto da tarde você dorme. Parece-me bastante ocupada.
- Ela precisa fazer algo diferente. Pelo menos as pessoas devem achar que ela faz coisas - disse como se estivesse sem paciência.
- Oi, priminha - abraçou a cabeça da e a puxou para um beijo na testa - O que vocês estão falando?
- A está com uma idéia louca de...
- NADA! Não estou com idéia alguma – encarei-a feio e fazia sinal negativo com a cabeça freneticamente. sussurrou um “o que está acontecendo?” para mim quando o se virou para cumprimentar o . Ela digitou algo em seu celular e logo senti o meu vibrar no meu bolso.
- Oi, amor - cumprimentou com um selinho.
- Oi para você também, - cumprimentei-o com uma voz afetada.
“Você vai ou não me falar o que está acontecendo?”
Rolei os olhos e respirei fundo. Às vezes a podia ser insuportável. Pelo menos para mim. Na verdade, todos são insuportáveis de vez em quando. Menos eu, claro.
- Depois eu falo - disse entre dentes. se afastou dela depois de cumprimentá-la e me abraçou forte.
- Pronto, sua ciumenta. E depois fala o quê? Vai me falar também, né? Ou me esqueceu nas férias? Vou ter que matar a para não perder meu posto? - começou a falar sem parar e dei um tapa nele.
- Cale a boca, .

Logo depois que saímos da “reuniãozinha” do corredor, fomos até o refeitório almoçar.
- Ai, ! - reclamou ao ser atingida por um pedaço de pão durante a guerra de comida dos meninos.
- Para você ficar esperta, paixão. Na próxima é macarrão - disse, fingindo-se de bad boy. Até mesmo rolou os olhos, rindo.
- E na próxima é minha mão na sua cara - a puxou para um selinho na tentativa de acalmá-la. Acho que a bee estava um pouco irritada.
O sinal tocou e, após uma boa enrolação, todos resolveram se levantar e ir cada um para a sua aula. Quando deixei minha bandeja na lixeira, senti uma mão me segurando.
- Já sei o que você pode fazer hoje de tarde. Você pode ir na minha casa e me contar finalmente o que está acontecendo - disse com um sorriso forçado. Desviei o olhar.
- Não é tão fácil assim quanto você pensa.
- Por que a pode saber e eu não?
- Bom, ela praticamente seguiu todos os meus passos por um tempo e me infernizou para contar.
- Não é justo, . Nunca a julguei por nada. Sei que é seu direito, mas me sinto mal porque a gente é amiga há anos! - começou a aumentar o tom e concordei rapidamente com ela. Saí correndo antes que tentasse descobrir lá mesmo.

Lá pelo meio da tarde, fui até a casa da . Eu podia simplesmente não ir, porém, se não fosse, ela apareceria em casa.
- Finalmente! Achei que não viria mais - ela abriu a porta assim que pisei no seu gramado.
- Você sempre espia pela janela quando vai receber visitar? Isso é meio assustador - segui-a pela casa, mesmo sabendo que iríamos para o seu quarto.
- Engraçadinha. Okay, desembuche.
- Eu mal cheguei, - reclamei.
- Você acha que vai conseguir me enrolar?
- Não, mas eu gostaria de acreditar que sim - sorri amarelo - Se eu for contar para você, tenho que contar para a . E para o !
- Mas eu odeio tanto estar por fora - ela fez cara de triste - Se os dois forem o problema, a gente os chama aqui.
- ... - gemi - Contar para a já foi pressão demais! E vai ser mais difícil ainda contar para o .
- Então a gente chama a ! Por favor - ela se ajoelhou na cama em frente a mim e juntou as mãos, suplicando.
- Olhe, sei que não posso esconder isso de vocês para sempre, mas só estou esperando um momento mais fácil para mim. Entende?
- Eu quero entender, mas é difícil! Como você se sentiria no meu lugar? A também se sente muito mal. Posso lhe dizer. Ela já me falou disso.
- Falou? - mordi meu lábio inferior e desviei o olhar – Ok. Chame-a aqui - suspirei derrotada - Mas eu não vou falar nomes! Isso só quando eu estiver preparada. Ok? - assentiu animada e se levantou correndo para ligar para a .

Não tivemos que esperar muito. não demorou muito mais que cinco minutos, tamanha a curiosidade. Ela chegou ao quarto afobada e se deixou na cama após praticamente arremessar a porta, que bateu com violência.
- Mande!
- Bom... Tem um cara com quem estou ficando.
- Sabia que tinha homem na parada! - berrou, fazendo concordar rindo. Ignorei-as.
- Não posso falar quem é... Isso meio que acabaria com a minha reputação.
- Desde quando você está com ele?
- Bom, desde as férias. E eu não gosto dele! É apenas físico. Sabe?
- Como todos os outros caras, - riu do próprio comentário - Mas todo esse segredo faz parecer que tem algo a mais. Sabia? Você sempre foi meio “não ligo para o que as pessoas pensam” e de repente não assume um cara que, teoricamente, vai acabar com sua reputação.
- O que você quer dizer com isso? - estreitei os olhos, apertando o travesseiro em meus braços.
- Nada - ela deu de ombros.
- Ei, se foi durante as férias, quer dizer que o sabe quem é. Posso tentar descobrir isso ou vou ter que esperar você me contar mesmo?
- VAI TER QUE ESPERAR! - gritei com o desespero estampado na minha cara.
- Nossa, calma - disse assustada - Mas qual é a sua de ter que se ocupar durante a semana?
- É que ele vai estar ocupado durante a maior parte dela e não quero que ele pense que vou estar sempre livre quando ele precisar. Sabe?
- Você e seu orgulho, meu Deus! - ergueu as mãos ao alto, rindo. Logo depois, debruçou-se sobre a cama e me abraçou - Obrigada por me contar, . Ainda não entendo direito, mas, se você está escondendo, é porque é importante, então eu respeito.
- Faço as palavras dela as minhas, . Estaremos aqui quando você quiser contar.
Ouvimos um barulho de carro na garagem e estranhou.
- Que horas são?
- Cinco e meia - respondeu, olhando o relógio.
- Que estranho. Meus tios só chegam depois das seis e o está no ensaio - ela saiu do quarto e a seguiu. Logo resolvi fazer o mesmo que ela para não ficar sozinha no quarto. Ela com certeza ia fazer um lanchinho e disso eu não queria ficar de fora.
Quando chegamos ao topo da escada, se apoiou no corrimão e pôde ver quem era.
- Ah, é o . O ensaio deve ter acabado mais cedo.
Nessa hora, meu coração acelerou. Não por ele, e sim por ser vista lá. Puxei-as de volta para o quarto e fechei a porta rapidamente. Procurei meu tênis de baixo da cama dela e sentei nela para calçá-lo.
- Seguinte, meninas: nunca estive aqui. Ok?
- Por quê? Você é doida, ? - me encarou confusa.
- Talvez. Mas o não sabe que estive aqui. Entenderam? - disse como se desse um ultimato. Elas concordaram com a cabeça, mas estranharam - Ele pode dizer à pessoa que o meu “ocupada” é estar na casa das minhas amigas fofocando. E não quero que fiquem sabendo.
- Nossa, você está realmente levando isso a sério. Mas vá lá. Ele não vai saber - sorriu e, mesmo estranhando a situação, mandou-me um beijinho no ar.
Saí do quarto e fechei a porta, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Caminhei até o topo da escada agachada e o procurei no andar debaixo. Nenhum sinal do . Desci as escadas correndo, sentindo minhas pernas fraquejarem de vez em quando pelo nervosismo. Senti minha respiração voltar ao normal lentamente à medida que eu me aproximava da porta, porém ao ouvir a voz dele no lado de fora da casa. Meu coração voltou a bater violentamente dentro do meu peito.
- Acho que a gente poderia adicionar mais solos de guitarra nas músicas, . Sinto que está faltando alguma coisa.
Fiquei por alguns segundos – que pareceram uma eternidade – parada no meio da grande sala da casa dos olhando para os lados como uma retardada. Como um raio atingindo minha cabeça, tive a brilhante idéia de sair pelos fundos. Não exatamente como um raio, já que eu havia cogitado a idéia de sair pela janela do quarto de TV. Corri até a cozinha e agradeci mentalmente por não ter idéia de onde a Pen Woo estava. Destranquei a porta e caminhei em passos largos pela lateral da casa. No final pude ter plena visão de e conversando sentados no carro. Eu me perguntava quão grande meu azar podia ser. Eles deixam o ensaio para ficar compondo – ou seja lá o que eles estão fazendo – onde eu estou! Havia uma grande árvore, tipo um carvalho, no seu jardim e foi para lá que corri em um momento de distração dos meninos. Nunca pensei que um dia eu me esconderia atrás de uma árvore.
- Nessa parte trocamos por beat por eat? - assentiu com a cabeça, dedilhando algo aleatório no seu violão - Então é só isso, cara. Depois a gente mostra para os outros para ver o que eles acharam das mudanças - saltou do capô do carro, diferente de que parecia estar com a vida ganha - Acho que vou ligar para a , dar uma passada na casa dela - ele coçou a cabeça, espreguiçando-se em seguida.
- Ela está ocupada. - disse com desgosto. Ah, danado! o olhou como se pedisse detalhes. Quem disse que meninos não fofocam? De um jeito sem graça e não entusiasmado, mas fofocam. - Sei lá. Ela só me disse na aula de Química.
- Por que ela não me conta mais nada? - tirou o celular do bolso e tive um mau pressentimento. Aproximei-me mais da árvore para que pudesse ouvir melhor - Vou ligar para ela, avisar que vou passar lá.
Merda.

Capítulo 31

Não. Não. Não. NÃO! Mil vezes não!
Procurei desesperadamente por meu celular no bolso para desligá-lo, mas quem disse que eu achei? Comecei a girar, como um cachorro atrás do próprio rabo, vendo se o celular estava caído na grama ao meu redor. Nada.

“Watch your fingers, boy. You might get burned.”

Meu celular começou a tocar em algum lugar do jardim e começamos a olhar ao redor. Eu procurando o celular e eles me procurando.

“‘Cause I’m cold as fire, baby, hot as ice.”

Avistei-o perto da saída lateral da casa, brilhando no chão. e começaram a seguir o som e eu segurei minha respiração por instinto. A cada passo que eles davam, era um passo meu por volta da árvore.

“If you’ve ever been to heaven, this is twice as nice.”

Quando eles acharam meu celular, ficaram de costas para onde eu estava. Aproveitei a deixa para sair rápido de lá com minhas costas curvadas e me apoiei na picape de quando eles viraram procurando-me. Não que eles soubessem que eu estava lá, mas é algo que se faz quando se acha um celular.
- Levo para ela, - disse, finalmente negando a chamada. Aproximou-se do The Fuck e se despediu com dois tapas nas costas. Saí correndo pela calçada o mais rápido possível, desaparecendo rapidamente pela rua - A gente se vê, .

Joguei-me no sofá da sala, já que não conseguiria chegar ao meu quarto. Meu peito subia e descia em um ritmo absurdamente acelerado, minhas pernas gritavam felizes por estarem finalmente paradas. Nem um minuto depois que cheguei já tocava a campainha da minha casa. Fingi-me de morta. Se eu me levantasse dali, provavelmente me estatelaria no chão. Rose andou apressada até a porta e tomou um susto ao me ver esparramada no sofá.
- Longa história - balancei minha mão, indicando que não era nada demais. Ela fez um sinal negativo com a cabeça e olhou quem era pelo olho mágico. Abriu a porta irritada e se retirou sem ao menos olhar para o .
- Alguém está de mau humo. - ele virou o olhar para mim - Ei, .
- Oi, gordinho. Leve-me pro quarto - sorri abertamente.
- Estou bem também. E você? - ele disse irônico. Caminhou até o sofá e me pegou no colo - Não sei por que ainda faço isso. Você nem fala mais comigo.
- Ok, drama queen. Nem vamos lembrar que você abandonou a minha pessoa para só acasalar com a .
Botou-me deitada em minha cama e se deitou ao meu lado, jogando o tênis longe.
- Tome aqui – estendeu-me o celular - Achei no jardim da casa do .
- Ah, é que eu passei lá para falar com a - sorri amarelo, mas ele pareceu não perceber.
Passamos a tarde conversando e ignorando o filme que passava na TV. Era incrível como o me fazia rir. Quando meu celular começou a tocar na escrivaninha, corri pra atender. , estranhando minha reação. Foi atrás de mim para tentar arrancar o telefone da minha mão e ver quem era.
- , pare! - disse nervosa. me olhou confuso e voltou a se sentar na cama. Saí do quarto pra atender o , que queria me chamar para o loft depois do ensaio. Logo voltei para o quarto, já que eu tinha um impaciente me esperando.
- Está em uma missão secreta? - lançou assim que entrei no quarto. Ok, o clima ia ficar um pouco pesado. Tenho certeza. Não respondi – Sério. O que está acontecendo com você, ? Você nunca foi de esconder coisas de mim.
- Nada aconteceu, ! Mas tem certas coisas que se precisa de tempo para contar. Você fala como se fosse algo só meu. Não percebe que se afastou de mim também.
me olhou bravo. Por mais que aquilo fosse verdade, ele não admitiria. Não naquele momento. O garoto simplesmente se levantou, calçou seu tênis e saiu batendo a porta.

- , eu a odeio eternamente - me puxou para o banheiro assim que cheguei à escola.
- Não fiz nada! - levantei as mãos.
- Então como você explica meu zinho de mau humor ontem depois que saiu da sua casa?
- O me ligou e ele queria saber quem era. Ficou putinho porque não mostrei - murmurou algo, tentando ser compreensiva.
Quando voltamos ao grupo, vimos ter um ataque de pelancas e passar reto em direção à sala de aula. Todos se entreolharam, como se perguntassem se alguém soubesse o motivo, logo levando seus olhares à .
- Não sei de nada. Perguntem à ! - ela levantou as mãos na altura do rosto, mostrando sua “falta de culpa”. Não pude deixar de dar um pisão em seu pé com toda a delicadeza que me foi dada. Revirei os olhos e fiz o caminho que antes tinha sido feito por .
- Ei, - joguei minha mala sobre a carteira do lado e me sentei em sua mesa. Fui ignorada com estilo - Não entendo a sua revolta. Sei que normalmente a gente conta tudo um para o outro, mas achei que você fosse meu amigo o suficiente para entender que às vezes preciso guardar certas coisas pra mim.
me olhou com aqueles olhões intensos e achei que não deveria ter despejado tudo que penso assim.
- Tudo bem. Eu respeito, porém não vou ficar feliz com isso.
- Sei que você vai ficar estranho comigo por algum tempo, mas eu queria tanto que você não ficasse bravo - fiz um biquinho sem ser muito forçado. Quando ele ia começar a dizer um “não”, interrompi-o - E nem vem dizer que não é verdade, porque é.
- Está bom - ele concordou mal-humorado. Gritei um “venha aqui” e o puxei para um abraço apertado, enchendo a bochecha dele de beijos babados, fazendo-o rir. – Largue-me, mãe.

A semana havia passado rapidamente. Encontrei-me com o no loft apenas uma vez, pois os meninos resolveram estender o tempo dos ensaios e essa única vez não foi nada além do que já havia acontecido. As meninas tinham combinado de se arrumar para a festa da Kristy na casa da . Ela ia ser a motorista, já que no final da festa o provavelmente iria dar PT e sair carregado. Também aproveitaríamos que ela seria a sóbria da vez para cuidar das bêbadas.
- The bitch is here! - cheguei, abrindo a porta de repente, o que assustou as meninas que provavam vestidos na frente do espelho.
- Nossa, finalmente! Achei que não ia chegar nunca - rolou os olhos, voltando a atenção para a caixa de maquiagem.
- Por que vocês sempre têm que deixar para escolher a roupa em cima da hora? Precisam ser práticas, já vir com a roupa certa - sorri vitoriosa e ouvi a me imitar de fundo. Mania chata.
Tirei meu estojo de maquiagem da mochila e me sentei em frente à penteadeira. Em pouco tempo eu estava com a maquiagem pronta. Não gostava de fazer algo muito elaborado porque sempre sentia como se eu estivesse parecendo uma drag. Meus olhos estavam escuros. Usava um leve blush nas maçãs e um batom nude. As meninas começaram a se maquiar, tendo assim que se estapear na penteadeira. Ou desistir e ir usar o do banheiro.
Busquei meu vestido pendurado na porta do armário, que estava lá pra evitar que ficasse amassado. Ele era justo e preto. No busto era estampado de onça com um formato tomara-que-caia, mas que tinha alcinhas finas e pretas. Ele ia até um pouco acima da metade da coxa, mas nada que ficasse muito vulgar. Meu sapato era um salto meia pata preto simples. Sentei-me na cama, esperando que as meninas ficassem prontas e assim pudesse calçar meu sapato e passar o perfume.
- Vocês estão lindas! - sorri verdadeiramente. Minhas amigas eram lindas e eu tinha muito orgulho delas. Momento mãe off.
, como era mais morena de sol, usava um vestido rendado preto com um fundo nude, dando a impressão de que era sua pele, de um ombro só. Ele ia até a metade de sua coxa. Usava um sapato nude também. usava uma regata de paetê dourada, uma saia preta justa básica até um pouco acima da metade da coxa e um salto abotinado preto. usava um vestido mais soltinho azul royal acinturado e um salto preto aberto atrás.
Admito que o lado ruim de ter amigas tão bonitas é que me sinto meio inferior às vezes. Coloquei minha argola dourada, calcei meu sapato e passei o perfume. Logo saímos em direção à casa de Kristy que não era tão longe da casa da . Uns dez minutos de carro.
- A gente já está indo, - sorriu como sempre fazia quando falava com ele. Logo estacionamos próximo e andamos até a casa. Passamos o olho pela sala procurando os meninos. Algumas pessoas nos olhavam. Seria muito arrogante dizer que sentia inveja de algumas meninas e desejo de alguns meninos? Ok. Perto das minhas amigas, era provavelmente para elas. Avistei os meninos de longe e, antes que eu pudesse falar algo, as meninas já saíram correndo apressadas.
Caminhei calmamente, como se não tivesse tanto interesse em vê-los, porém na verdade minhas pernas corriam cada vez mais naquela direção. Por que o The Fuck tinha que estar TÃO gostoso? Aquela calça jeans clara perigosamente baixa, deixando à mostra a barra da sua cueca, aquela camiseta cinza escuro com a gola levemente em V – eja bem: levemente. Não que nem o Fiuk – e justa na medida certa, deixando os músculos evidenciados, mas não como se fosse uma segunda pele. Cumprimentei-os com um tchauzinho tímido, pois eles estavam mais preocupados em engolir suas namoradas. Sussurrei um “oi” para o , que me encarava sorrindo. Não consegui “ler” o que aquele sorriso significava, mas eu tinha cada vez mais vontade de puxá-lo para um quarto e nunca mais sair. Mesmo.

Capítulo 32

As pessoas dançavam animadas. Alguns até sentiriam vergonha do que faziam se estivessem sóbrios o suficiente. No lado de fora da casa, alguns casais se amassavam. Outros apenas conversavam. Também tinha alguns fumando coisas ilegais, caham...
- Toda essa produção é para mim, ? - se aproximou, sussurrando em meu ouvido. Não pude evitar ficar arrepiada. Desviei meu olhar da festa e o encarei, sorrindo de canto.
- Talvez – virei-me e segui até o bar improvisado no canto oposto de onde estávamos. – Duas tequilas, por favor – sorri simpática para o bartender. Eu tinha momentos. Ok?
- Como você sabia que eu vinha também? - perguntou ao ver os dois copinhos serem preenchidos com o líquido dourado.
- Quem disse que é para você? - ele desviou o olhar para não precisar responder e empurrei o copo pra ele.
- Sabia. – ele sorriu convencido antes de lamber o sal em sua mão, virar a tequila e chupar o limão. E só fiquei com cara de idiota, encarando-o. Ele era tão bonito... Caralho! Como posso estar bêbada antes de beber? R
Repeti o que ele havia feito e olhei para algum lugar “-free”.
- E aí, ?! - Craig apareceu na minha frente com um sorriso (lindo) do tamanho do mundo. Loiro, alto, olhos verdes, musculoso, simpático, cheiroso, lindo... É tipo a perfeição traduzida em um cara. ‘Ta que eu não arrastava um bonde por ele como noventa por cento daquela escola, mas eu não podia negar que era maravilhoso.
- Craig, nossa! Como você está? - sorri, abraçando-o.
Ficamos conversando por um bom tempo e posso dizer que Craig tinha bastante noção do seu efeito nos seres do sexo feminino. Ele era daquele tipo de cara que gosta de fazer charminho, falar perto, sorrir, independente de quem seja, só para que elas continuem caídas por ele. Acho que esse era seu único defeito. Acaba ficando chato depois de um tempo. Mas Craig foi bem conveniente, mesmo sem saber. O The Fuck do meu lado nos olhava mal-humorado e, de vez em quando, reclamava baixinho, desviando seu olhar. Ele tem ciúmes de mim. Ganhei a noite! Ok, não. Não sou tão miserável assim que me contento com ciuminho.
- Bom, , acho que... Eu vou para lá - ele apontou sem graça para um lado aleatório – Acho que não estou sendo muito bem-vindo aqui.
- Ah, tudo bem - encarei o pelo canto de olho e fingi estar envergonhada por ele. Meu Oscar, cadê? Craig se aproximou, dando-me um beijo na trave (!!!) e sorriu, soltando o ar pelo nariz.
- Até mais, - deu um tapinha em seu braço, dando um sorriso vitorioso, e tenho certeza de que ouvi o The Fuck rosnar. Ai, que Jacob!
- Está tudo bem, ? - apoiei uma mão em seu ombro, aproximando-me dele com um sorriso angelical.
- Por que não estaria? - ele disse entre dentes e foi embora, misturando -seno meio das pessoas. Saí correndo atrás dele, equilibrando-me no salto. Quando o alcancei, puxei-o pelo braço.
- Deixe de ser bobo, - sorri de lado e o puxei pra mais perto. Ele me encarou mal-humorado e soltou seu braço, voltando a andar. Bufei alto, andando apressada atrás dele - ! O meu grito atraiu a atenção de algumas pessoas próximas a nós, mas ele continuou andando como se eu nem existisse! Massageei minhas têmporas e respirei fundo. Que menino mimado, santo Deus!
Quando ele resolveu parar, pude finalmente alcançá-lo.
- Ei, , pare de me fazer ficar andando atrás de você. Estou usando salto. Hello! - apontei para os meus pés que já começavam a doer.
- O que você quer?
- Você está realmente bravo? Eu só estava provocando-o e...
- Parabéns. Você conseguiu.
- Hum, então quer dizer que você tem ciúmes de moi? - disse dengosa, aproximando-me perigosamente dele.
- Não viaje - ele bufou e desviou os olhos.
- Pare de fingir que não estava com ciúmes, . Só fica mais ridículo - puxei seu rosto, fazendo com que ele me encarasse. A distância entre nós também havia diminuído consideravelmente. Ele arrancou minha mão com raiva e me puxou pelo braço. Ele ficou encarando praticamente a minha alma. Talvez quisesse me beijar, mas se lembrou de que estávamos em um lugar público. Minhas pernas tremiam com a intensidade dos seus olhos e demorei um tempo até voltar ao normal. Aproximei-me lentamente de seu rosto e lhe dei um selinho de leve.
- Vamos para algum lugar - sorri sinceramente e seu rosto se suavizou. Ele pareceu pensar por uns segundos e então me pediu para esperar ali, sumindo em seguida.
Eu olhava as pessoas em volta, constrangida por estar sozinha. Mas as pessoas estavam tão loucas que nem iriam reparar no Hagrid ao lado delas. “I Don’t Know What To Do” começou a tocar e as pessoas pareceram se animar mais ainda, com direito a alguns berrinhos. Rolei os olhos. Como eu inexplicavelmente odeio essa música! Pedi mentalmente para que voltasse logo. Não agüentaria ficar ali muito tempo.
Pouco tempo depois voltou sorridente com as chaves de um carro na mão e me puxou pra fora da casa.
- Peguei as chaves com o . Ele não sabe que estou com você, mas beleza.
O carro estava um pouco longe da casa, mais ou menos perto de onde a havia estacionado. Aquele pedaço da rua era bem escuro e as pessoas mais próximas estavam a uma distância boa.
- Entre logo, - falei emburrada enquanto esperava sentada no banco de trás. Ao entrar, abriu uma fresta na janela e trancou o carro.
- Pronto. Sou todo seu. Pode ficar calma já - ele fez graça. Passou a mão pelo meu pescoço, encaixando-se no meu cabelo, e me puxou com um sorriso no rosto. Ele me deu um selinho demorado e eu sorri durante. - O que é?
- Nada.
- Fale. O que é?
- Só estava me lembrando do seu ataque de ciúmes... - sorri ao vê-lo ficar emburrado - É muito amor, hein!
- Você consegue acabar com o clima – ele se encostou ao banco com força, cruzando os braços com um semblante sério.
- Deixe de besteira, - passei a mão por seu cabelo, enrolando uma mecha com meus dedos – Só estou brincando contigo. E, além do mais, quem está aqui comigo? - ele rolou os olhos.
- Você não tem que ficar dando bola para ele, - ele disse, olhando-me bravo.
- Eu não o quero, . Poupe-me! ‘Ta que eu até ficaria com ele... Mas só se estivesse solteira. E desesperada! ‘Ta que ele é gato e legal, mas... - esses momentos em que começo a falar, falar e não falar nada que preste - Estou com você. Não estou? Pode ficar tranqüilo, . Não vou ficar com outra pessoa - sorri sincera e ele suavizou sua feição.
- Nossa. Acho que nunca tinha visto-a falar assim - ele levantou as sobrancelhas e deu uma risada divertida - Mas mesmo assim... O que as outras pessoas vão pensar?
- As outras pessoas nem sabem, seu idiota – olhei-o incrédula.
- Ah, é... Porém... - ele pareceu confuso e achei graça, recebendo um olhar feio como resposta.
- Se isso o incomoda tanto, não faço mais. A não ser que você faça. Aí tenho que me vingar - sorri abertamente e o puxei levemente - Agora venha, .
Ele se virou, aproximando-se de mim. Sua mão passava na minha coxa, enquanto a outra buscava meu rosto. Deu-me um selinho rápido e capturou meu lábio inferior. Minha mão se posicionou em sua nuca, acariciando e arranhando. Minha outra mão acariciava seu peito, fincando minhas unhas em alguns momentos. pediu passagem com sua língua, que logo massageava a minha. Nossas línguas dançavam e parecia que o beijo se intensificava cada vez mais. Sua mão já invadia o meu vestido pela lateral, acariciando e apertando a minha bunda.
As coisas começaram a esquentar entre nós e eu sentia que perdia a noção daquele velho assunto de virgindade por estar não tão sóbrio. E eu adorava aquilo. Quer dizer, se ele está bêbado, não vai lembrar se eu for ruim. Certo? Mordi seu lábio, aproveitando a pausa pra tirar sua camiseta. Sorri, encarando-o de cima a baixo. Ele conseguia ficar cada vez melhor! Passei as mãos por toda a pele recém-descoberta e me aproximei, dando um selinho. Distribuí selinhos até sua orelha, mordendo o lóbulo. Desci, distribuindo beijos em seu pescoço. Finquei minhas unhas em seu ombro e arranhei seu pescoço com meus dentes. soltou um riso abafado e desci meus beijos, passando por seus ombros e peito até chegar à barriga.
- Você anda malhando, ?
- Lógico. Tenho que ser o melhor para você - ele sorriu charmoso e deu uma piscadinha. Posso surtar?
Sorri torto e mordi seu lábio inferior, logo iniciando um novo beijo. Quando passou as mãos pelos meus ombros, abaixando as alças do vestido, uma seqüência irritante de batidas no vidro nos interrompeu. Olhamos assustados, e com a respiração ofegante, a origem do barulho e me senti aliviada ao ver que era apenas a . Maldita , diga-se de passagem.
- Apague o fogo e saia daí que eles estão vindo! - disse afobada, enquanto olhava em direção da casa, onde a festa acontecia.
- O QUE HOUVE?! - puxei as alças do vestido e ajeitei o cabelo, saindo do carro apressada e com os olhos arregalados.
- A Lindsay ficou bêbada e começou a gritar com o , falando que ele a abandonou. Ficou ela e a chorando e o sem saber o que fazer no meio. Vá, . Ande logo!
- Mentira! - eu estava de queixo caído e não era paa menos. Quer dizer, agora que o casal estava feliz de novo, essa biscate voltava para acabar com a paz?
trancou o carro e ajeitou seu cabelo, olhando no retrovisor.
- Não. Verdade! E, como sou a amiga mais legal do mundo todo, saí correndo para avisar vocês, porque eu sabia que era você no carro com o , né?
- Obrigada, linda da mamãe, mas você continua uma empata foda! - sussurrei, amaldiçoando mentalmente a vaca da Lindsay que arruinou minha vida por tabela.
- , finja-se de bêbado porque senão você vai ter que explicar com quem estava e por que de repente está sozinho - disse, encarando as unhas, e arregalou os olhos.
- Caralho! O que eu faço, o que eu faço, o que eu faço? - levou as mãos à cabeça, parecendo desesperado.
- Acho que ele não vai precisar fingir, .
- EU TE ODEIO, ! - segurava , enquanto ela se debatia em seus braços e xingava com todas as forças. Seu rosto estava vermelho e ainda tinha os olhos arregalados, sem saber o que fazer - POR QUE VOCÊ TINHA QUE FICAR COM ELA, HEIN?!
- Amiga, olhe o barraco! - exclamei de longe. Não queria que, por algum motivo, ela descontasse a raiva em mim.
- ELE MERECE MUITO PIOR! POR QUE...?!
- ... Solte-a - sussurrei para o que me olhou confuso - Ela só vai parar de gritar quando descontar a raiva de um jeito melhor, que nesse caso é bater nele - era engraçado conversar com ele, enquanto ela brigava e se debatia, o que fazia com que apanhasse um pouco - Além do mais, ele merece.
- , não acho que...
- Ela não tem uma arma. Fique calmo - rolei os olhos e me olhou apreensivo. apoiou as mãos em seus ombros, apoiando.
Logo, como um furacão, foi até e o estapeou em todos os lugares possíveis, ao mesmo tempo em que voltava a chorar.
- Por que você tinha que fazer isso comigo? Por que você tinha que me humilhar desse jeito? – suas unhas agarraram a camiseta dele, sacudindo-o com raiva. Ela deu um último empurrão nele, dessa vez mais forte, e se virou pra , pedindo que a levasse para casa.
- Eu não disse, ? - dei o meu melhor sorriso Colgate e as segui.
- Ei dude, com quem você estava? - até o carro, pude ouvir perguntar. me olhou e respirou fundo e respondi com um joinha discreto. Minha amiga era empata, mas era a melhor amiga do mundo.


N/A:
Hey, girls! Como vocês estão? Estou mandando três capítulos para compensar a demora de sempre. Em breve vocês terão o que estão tanto esperando, hohoho.
Enfim, espero que vocês gostem!

Lety Caramelo: Ooooun, fico feliz de ouvir isso! Ainda mais que você tem bom gosto e gosta do Fletcher. s2 Hahaha, mas fique calma que cenas mais calientes virão pra compensar o ciúmes, ‘ta? =D
Bali: Ahhhh, obrigadaa. *-* Pior que você nem anda merecendo tanto carinho dele, né? Ahuhuahua, e vou tentar mais pelo menos mais atualização antes das minhas aulas começarem. ‘Ta? Prometo! Hauhahua.
Sah Fletcher’: Que booom! É sempre bom saber que ainda se interessam pela MB. :D Obrigada mesmooo!
Camilla: Não foi logo, mas está aqui, huahua. =)
Marih: Juraaa? Fico feliz que você ainda continue lendo depois de tanto tempo, haha. Foi showzinho mesmo, mas acho que eu ficaria com raivinha também.
Bia: Ebaaa, obrigada! Huauha, está aqui a atualização!
Belle D: Pior que sou incapaz de achar que ele faria algo para deixá-la com ciúmes. =( Mas nunca se sabe, né? Vou tentar atualizar mais cedo para vocês verem. =D
Lola: Ownnn, que bom! Está aqui a atualização!
Ingrid: Está aqui a atualização! Desculpe a demora. =(
Mih Poynter: Hauhauhuhahua, é verdade. Qualquer coisa com eles é perfeita! Mas obrigadaa!
Bia: Fletchers unidas! Haha, obrigadinhaaa! *-*
Brenda: Hahaha, obrigaaada! E está aqui a atualização. :D

Anyway, meninas, é isso! Estou morrendo de sono. Estava aqui escrevendo um pouco para ver se algo decente sai, haha. Wish me luck!

Xx,
Sil