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Última atualização: 01/05/2020

Capítulo Único

Eu sentia a vida indo embora aos poucos. As horas a mais na cama, o desânimo para ir trabalhar quando aquilo era o que mais me fazia feliz... Nada fazia mais sentido. Era como se eu tivesse um buraco no meu peito que não dava para cicatrizar. Isso e o peso nas minhas costas, que era tão grande que eu podia jurar que ia me render um desvio na coluna.
Tomás era a pior parte disso tudo. Eu vivia pensando... Será que ele não estava me vendo morrer aos poucos diante dos olhos dele? Sinceramente, manter aquele relacionamento estava me custando muito caro. Foi por isso que, naquela irônica tarde chuvosa de terça, eu enviei uma mensagem para ele.

Tá podendo conversar?

Fala
Olha
Eu sei que não vai parecer muito maturo da minha parte
Mas eu realmente preciso de um tempo pra mim
As coisas não estão dando certo, de alguma forma
Não é culpa sua, é minha
Eu acho melhor a gente dar uma pausa por enquanto

Como assim, ?
Do que você tá falando?
É claro que é culpa sua, você precisa colocar um sorriso nessa sua cara
Além disso, essa história de ‘dar um tempo’ é bobagem
Nós dois sabemos que você me ama e que vai sentir saudades de mim
Pare de falar bobagens, ok, querida?


Eu segurei o celular contra o peito. Era para estar em reunião com um cliente, mas havia cancelado no último instante para poder tentar respirar um pouco.

Tomás, eu realmente preciso de ajuda

Eu até iria aí
Mas to com um problema no trabalho
Vou ficar até tarde
A gente pode se falar amanhã?


Nem me dei o trabalho de responder. Só de imaginar o primeiro mês sem Tomás mandando ‘bom dia’ toda manhã, sem a preocupação que ele tinha comigo, sem os cuidados... Meu coração chegou a doer. Então desisti de seja lá o que eu estivesse falando e deixei o celular de lado, indo para um banho demorado. Cuidei de mim por um bom tempo, até que meu estômago roncou. Foi quando eu me olhei no espelho, tentei melhorar a cara e saí do quarto.
! – me abordou logo na porta. – Ei, tá tudo bem?
– Tá sim. – Eu disfarcei, tentando não respirar fundo e denunciar o pesar que estava em mim.
– É... Nós podemos conversar? Eu meio que tenho um assunto delicado pra falar contigo e... Sei lá, não sei se você vai receber bem.
– Qual é? Você é minha irmã! Não tem problemas entre a gente.
– Será que não?
– Por que você não me conta logo e a gente tira a prova?
– Podemos nos sentar?
Fiz que sim e caminhamos até a sala. A casa estava em silêncio, nossa mãe provavelmente teria ido ao mercado pela hora. se sentou, extremamente desconfortável. Era até estranho para mim ter alguém mais desconfortável que eu no recinto.
– Bem... Desculpa, é que eu não sei por onde começar.
– Comece pelo começo, oras!
Ela respirou fundo, parecia que estava tomando fôlego para um longo mergulho.
– Tomás está traindo você.
– O quê?!
– Eu o vi com outra garota anteontem, quando ele disse que estava indo jantar com os pais, no shopping.
– Você deve ter confundido.
, eu sei que você vai achar que é ciúmes ou inveja porque eu não tenho alguém pra mim, mas... – Ela se esticou e segurou nas minhas mãos. – Olha, eu sou sua irmã, quero o melhor pra você. O que eu vi foi absurdo e me segurar pra não partir a cara dele foi a coisa mais difícil que eu fiz.
, eu realmente acho que você está enganada. Ele estava com os pais, até me mandou foto da mesa de jantar deles.
– E ele não poderia ter tirado em outro dia?
– Bem, poderia, é claro, mas...
– Chama ele aqui então. Se você confia nele, não teria problema confrontá-lo a respeito disso.
– Claro que não, mas ele tá preso no trabalho hoje, acabou de me falar.
– Sério?
– Sim, eu posso te mostrar a mensagem...
O celular dela tocou e ela imediatamente desviou a atenção, arregalando os olhos logo em seguida.
– Só pode ser brincadeira... – Ela murmurou.
– O que foi? – Perguntei.
– Jura que não vai ficar chateada?
– Claro que não, !
Minha irmã virou o telefone para mim. Havia uma mensagem recente de , sua melhor amiga, com uma foto dentro do Via Parque, um dos shoppings mais próximos da nossa casa. Vinha anexada a uma foto e era evidente que se tratava de Tomás, as mãos dadas com uma garota da minha idade que eu não fazia ideia de quem era.
Foi instantâneo. A vontade de viver voltou para mim em um segundo e, repentinamente, eu me sentia disposta novamente. Comecei a me xingar por ter duvidado da minha irmã por um segundo sequer e, após me arrumar, saí de casa correndo, mandando mensagens para e a instruindo a não os perder de vista. Nem foi tão difícil assim encontrar os dois na praça de alimentação, comendo tranquilamente bem na frente do Spoleto. O desgraçado não era inteligente o suficiente nem para evitar os pontos que eu mais gostava.
A verdade é que eu não sabia da menina e ela não sabia de mim. Tomás tomou dois tapas na cara de duas mulheres diferentes. No final das contas, ainda dei carona para a menina. A partir daquela noite, eu nunca mais fui a mesma.


[...]


O despertador tocou pela milésima vez só naquela manhã. A vontade era de tacar longe. Levantei, dei uma checada no tempo e fui até o armário para separar as roupas do dia. Tomei um banho, lavei o cabelo e prendi para que pegasse algumas ondas. Preparei um pão francês com manteiga e queijo minas na chapa e, enquanto ia aquecendo, fui acertando a pouca maquiagem do dia: um esfumado marrom com centro dourado, delineado básico e muito rímel. Graças ao skin care do dia anterior, poupei tempo com o trabalho que teria se precisasse passar uma base. Pelo menos, minha pele era boa. Algo devia ser comemorado, não é?
Depois de comer, acompanhado de um cappucino de máquina, escovei os dentes e passei um batom nude na boca. Joguei a bolsa que tinha preparado na noite anterior no ombro, conferi o alarme e saí do apartamento. Enquanto girava a chave na fechadura, respirava fundo o ar da minha nova vizinhança. Eu finalmente tinha um lugar para chamar de meu. Ok, a localidade não era tão boa, era na zona Norte, mas...
Saí pelo portão de pedestres do prédio com tranquilidade e peguei meu uber diário até a estação de metrô. Saltei na Central para trocar de linha e então, finalmente, na Saens Peña. O prédio do meu escritório ficava bem próximo de lá, então não me incomodava fazer o resto do caminho a pé. Cheguei pontualmente na minha porta e meu primeiro cliente do dia já estava me esperando.
– Seu João, bom dia! – Sorri para o senhor à minha frente. – Chegou cedo hoje.
– Fiquei com medo de pegar trânsito.
– O senhor veio de carro?
– Sim, deixei naquele estacionamento que você me recomendou na frente da praça.
– Então não vou deixar o senhor esperando muito pra não ter que pagar muito caro, pode ser?
Ele assentiu e eu lhe dei passagem para dentro do meu escritório.
– Aceita um café?
– Não quero dar trabalho, obrigado.
– Não vai dar trabalho, seu João, é só colocar na máquina e sai em menos de dois minutinhos.
– Sendo assim... Eu aceito.
– Tenho um expresso, descafeinado, com leite, chocolate ou caramelo. Qual o senhor quer?
– Pode ser com leite, por favor.
– É pra já. – Respondi com um sorriso, colocando a máquina para funcionar.
Fiz mais um café para mim e tirei de dentro do armário alguns biscoitos. Ofereci, ele negou. Então o convidei para ir até a minha mesa e comecei a tirar os papeis do caso dele de dentro da minha bolsa.
– Então, seu João... Como eu disse, vou ser rápida pro senhor não pagar caro no estacionamento. Foi marcada uma nova audiência, pro dia vinte e dois de maio. Nessa audiência, a juíza vai ouvir as testemunhas e é importante que o senhor siga aquelas regras sobre as quais eu falei, lembra?
– Lembro sim, doutora.
– Com a procuração que o senhor me passou, eu posso resolver todas as pendências pro senhor.
– A juíza vai dar a sentença nessa audiência?
– Bem, a outra parte não está concordando com aceitar o acordo que o senhor quis ofertar. Nem a promotoria, na verdade. Então acho bem difícil que o acusado simplesmente decida ceder de uma hora pra outra, entende?
– Ele vai sair da cadeia?
Respirei fundo e recostei na cadeira.
– Seu João, o senhor é muito mais experiente que eu, sabe que a nossa justiça não é lá grandes coisas. Mas nós vamos fazer o possível para mantê-lo lá pelo máximo de tempo possível.
Ele pareceu ponderar sobre as novas informações, como se processasse tudo. Então se virou para mim e tentou abrir um sorriso.
– E onde eu preciso assinar?
– Ah, são esses papeis aqui. – Estiquei para ele. – Como sua neta é menor de idade e o senhor é o responsável legal, aqui tá o consentimento para que ela seja uma testemunha. E esse outro papel aqui é a nova procuração.
– Tudo bem. Preciso saber mais alguma coisa?
– Por enquanto, não. Como sempre, vou ficar acompanhando o andamento do processo e, qualquer novidade, eu ligo pro senhor, sem falta.
– E quanto eu estou te devendo?
– Por hoje, nada. Falamos sobre isso na audiência. Pode ser?
– Mas você fez tanta coisa...
– Não tem problema, seu João. – Abri um sorriso e me levantei da cadeira. – O senhor pode ficar tranquilo. Acertamos que o pagamento ia ser feito daquela forma, e vai ser feito assim.
– Tem certeza?
– Tenho sim. – Eu disse e assenti.
– Então só me resta agradecer. – Ele esticou a mão direita por cima da mesa e eu aceitei o cumprimento.
– Não se esqueça de que pode me ligar se precisar, ou mandar um e-mail, ou deixar uma mensagem.
– Pode deixar.
– E mande lembranças à dona Vera. – Disse quando estava deixando-o na porta.
– Vou mandar. – Ele sorriu para mim e se virou na direção do elevador.
Entrei de volta, tranquei a porta e me sentei à mesa. Abri o site da Justiça Federal para fazer uma consulta quando meu telefone tocou. Como estava com o dia livre, ignorei que fosse uma ligação informal e atendi.
– Oi, .
– Oi, bonita. – Ela disse do outro lado. – Olha só, coisa rápida que eu to atarefada aqui. Academia da Cachaça hoje à noite?
– Vai ficar tarde e perigoso pra eu voltar pra casa.
– Já falei com sua irmã, você pode ficar lá.
– Você anda negociando essas coisas pra mim?
– Vamos, , vai ser legal.
– Tudo bem então. Tenho uma audiência às onze e, depois, to livre. Vou em casa, me preparo e te encontro lá às...
– Oito? – sugeriu.
– Pode ser.
– Beleza então.
Nós duas ficamos um bom tempo em silêncio depois disso. Eu respirava fundo, olhando além da tela do meu computador. Escutava ela respirando do outro lado também.
– Você tá bem?
– Claro que estou. Por que você está perguntando?
– Sei lá, com tudo isso do Tomás...
– Eu to bem, só não quero falar disso.
– Tem certeza?
– Absoluta.
– Então tá... – Ela suspirou. – Te vejo mais tarde.
– Até lá! – E desliguei.
O compromisso do dia se tratava da audiência de custódia de um homem acusado de bater na então esposa. Ela o denunciou, ele foi preso e eu fui contratada como assistente de acusação. Para proteger os direitos e interesses da minha cliente, eu deveria estar lá, mas sabia que não passava de uma mera formalidade e que não me traria trabalho algum, o que me rendeu certa paz de espírito no caminho até o fórum.
De lá, o contrário do caminho da ida: Saens Peña para Central, Central para Maria da Graça, Maria da Graça para casa. Almocei, mesmo que já fossem três horas da tarde, uma lasanha que estava na geladeira do dia anterior. Como vi que ainda tinha tempo, tirei um cochilo de pouco mais de meia hora. Quando acordei, como estava com o cabelo lavado, só me preocupei com ele ficar na forma que eu queria. Para passar a noite fora, decidi caprichar na maquiagem e optei por um cut crease de tons acobreados e uma boca marrom. Dessa vez, é claro, sem fugir de tratar a minha pele com uma boa preparação.

Você já tá chegando?
Quase
Daqui a pouco, saio da linha amarela

Ok, não demora
Não depende só de mim

Pede pro seu uber vir mais rápido
Ele já está rápido o suficiente
Fique tranquila
Não nos vemos só tem dois dias
Acalme essa sua saudade
Sim, doutora

Eu ri com a mensagem de . Terminei a viagem trocando assuntos apenas triviais com o motorista. Agradeci o serviço e desci na frente do lugar onde iríamos passar parte da noite. Minha irmã já estava acompanhada de nossas duas melhores amigas em uma mesa próxima ao bar.
– Olha só quem finalmente apareceu.
– Teve acidente no túnel, demorei mais do que o previsto. – Disse, abraçando minha irmã e já seguindo na direção de . – Satisfeita, chantagista?
– Demais!
– Oi, . – Falei com um sorriso quando fui abraçar a última. – Então... Algum motivo especial?
– Viemos te deixar feliz.
– Gente, eu to de boa.
– Você acabou um relacionamento longo.
– Isso sem contar que foi traumático. – completou.
– Mas eu to de boa, ok?
– Nós vimos como você ficou antes de terminar, quando já tava pressentindo todo o problema.
– Isso é passado, meninas. Sério! Agora eu só quero aproveitar e...
– Com licença... – Um garçom chegou perto de nós com um sorriso tímido nos lábios e quatro tulipas de chopp na bandeja. – O cavalheiro ali do bar pediu para entregar essas bebidas à senhorita – Ele depositou uma das tulipas na minha frente. – e suas amigas.
Peguei a tulipa, olhei na direção do bar e um moreno alto ergueu o copo na nossa direção. Segurei um sorriso, ergui a tulipa na direção dele e tomei um gole logo depois.
– A noite mal começou e já estamos assim... – observou.
– Todo mundo gosta de bebida de graça. – Argumentei.
– Ainda mais quando é paga por um bonitão. – brincou. – Ai, acho que já bebi demais e a noite ainda nem começou.
Nós quatro disparamos animadas em conversas aleatórias sobre nossos dias de trabalho e sobre os planos para as férias em conjunto. Em certa altura da noite, eu cheguei no meu limite e precisei ir ao banheiro. Na volta, as três estavam em um silêncio sepulcral.
– O que houve? – Perguntei de imediato ao me aproximar de volta da mesa.
As três se olharam e não falaram nada.
– Vocês estão me deixando nervosa.
olhou para , que assentiu.
– Ele está aqui.
– Quem?
Ele.
– Tomás? – Perguntei e elas assentiram. – E estão com medo de falar isso?
– É que é um assunto delicado, né...
– Delicado? – Eu forcei uma risada. – Era delicado dias atrás. Agora só é... – Respirei fundo e ergui a cabeça. – Agora só é um grande ‘foda-se’ na minha vida.
– Tem certeza, ?
– Claro que tenho. Eu fui uma idiota por muito tempo, mas aprendi. Sabe, eu passei dias achando que eu era a errada, que eu merecia aquele tratamento, que eu ia morrer sem ele... E to viva, não to?
– Tá, mas...
– ‘Mas’ nada! Acabou, ficou pra trás. A velha aprendeu com os seus erros e a nova sabe que não foram cinco anos jogados fora mas sim cinco anos de onde extrair informações pra não errar mais daqui pra frente.
– Nossa advogada virou filósofa, meu Deus. – murmurou como se estivesse enojada e nós três rimos. – Sabe o que eu faria se eu fosse você?
– O quê?
– Iria lá no cara do bar.
Olhei para pelo canto do olho, ela sustentava um sorriso sacana.
– Não preciso disso. – Falei.
– Não?!
– Não. – Eu disse e fiz sinal para que o garçom trouxesse mais uma rodada de chopps para nós. – Eu vim aqui curtir com minhas amigas e não tem homem no mundo que vai atrapalhar isso. Nem Tomás, nem ninguém. Porque eu quero mais é que ele se exploda.
O garçom chegou com os chopps e nós erguemos as tulipas no ar, brindando e rindo. Ao longe, ficou óbvio que Tomás nos observava. Eu apenas mudei minha posição, deixando as costas livres para que ele observasse.
– Nem um dedo do meio? – me perguntou ao pé do ouvido.
– Nem isso, ele não merece o trabalho que eu teria só pra levantar a mão. Superei.
– Mas isso não impede o cara do bar de ser atraente.
Dei uma checada no homem, agora estava com outros dois e conversavam animadamente. Enquanto eu o observava, ele acabou se virando na nossa direção. Levantou-se e começou a andar. Olhei rápido para .
– O que eu faço?
– Sua irmã quer pegar o amigo gatinho dele.
– Mas ...
– Você não quer esquecer o Tomás?
– Oi, meninas, boa noite. – Uma voz firme soou atrás de mim e as meninas gelaram, abrindo todas um sorriso embasbacado.
Virei para trás e não pude evitar abrir um sorriso também. Não era a minha intenção ao pisar ali, mas por quê não? Não precisava daquilo pra esquecer Tomás. Eu já havia o esquecido.
– Boa noite. – Respondi o homem.
– Posso roubar a amiga de vocês pra uma conversa?
As meninas assentiram rapidamente e fizeram sinal como se estivessem liberando a passagem.
– Na verdade... – Eu o interrompi. – Por que não trás seus amigos pra cá?
Ele pareceu aprovar a ideia e, com um assobio e um aceno de cabeça, chamou os outros dois para perto. Começamos a conversar, disparamos em gargalhadas, eu e minha irmã trocamos uns beijos com dois dos rapazes e nós nos divertimos como se nada mais importasse no mundo. Era só mais uma noite no Rio de Janeiro. E Tomás? Ah, é! Já tinha até esquecido que ele estava por lá. Que pena, não?


Fim.



Nota da autora: Quem leu e gostou do que viu, pode ser que você goste de 'Por um Acaso do Destino' também. Ela conta o que acontece depois que a nossa PP supera de vez o babaca do ex dela. Lá, o PP é fixo mas, se vocês gostaram daqui, tenho certeza de que vão gostar de lá também. Então chequem o link aqui embaixo, antes da caixa de comentários, na sessão onde você encontra todas as minhas fanfics. E claro, se puderem, não esqueçam de tirar um tempinho para deixarem uma opinião por aqui =)





TODAS AS FANFICS DA AUTORA:

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