Finalizada em: 19/06/2017

Capítulo Único


- Eu oficialmente odeio essa gravata. – reclamou, levando a mão até a peça mais uma vez para afrouxá-la, mas o estapeou por isso, fazendo com que o garoto olhasse feio para ele. – E oficialmente odeio você mais ainda. – completou, não que tenha se importado. – É por isso que eu não queria vir.
- Você não queria vir porque a não queria que você viesse.
- E qual motivo ela teria para não querer que eu viesse, ? – perguntou, desacreditado com a implicância do amigo com ela.
- Exato, você também não está curioso para saber?
- Não tem o que saber, . – respondeu, impaciente. – Eu não queria vir, comentei com ela sobre o assunto e ela incentivou porque também não viria.
- Ela disse que não ia vir? – perguntou e enquanto levava a mão até a gravata pela milésima vez, concordou. , em resposta, puxou sua mão para longe novamente e apontou com a cabeça em direção a garota, um pouco mais a frente. – Então me explica o que ela está fazendo lá com o .
- O quê? – acompanhou o olhar do amigo e estreitou os olhos ao encontrar a garota de mãos dadas com o outro. Sabia que se conheciam e até mesmo que eram amigos, mas mãos dadas? se quer era o tipo de andar de mãos dadas.
Pelo menos não com ele.
- Acho que eu estava certo o tempo todo. – se vangloriou enquanto olhava a cena boquiaberto, vendo o reitor da universidade se aproximar do “casal” mais adiante. Assim que o vez, soltou a mão de para passá-la por seus ombros, roubando um selinho dela em seguida.
- Você não gosta dela por ciúmes, . Cala a boca. – devolveu embora não prestasse, de fato, muita atenção no amigo e se voltou para ele.
- Sério, você vai defende-la?! – perguntou, chocado, mas pareceu bem irrelevante quando o olhar de se encontrou com o dele. Ela parecia espantada em vê-lo ali, mas não era de se admirar, não quando ela havia ficado satisfeita em saber que ele não iria. Era por isso afinal e ficou surpreso por doer tanto. Eles não tinham nada sério de fato. Pelo menos não era para ter, mas vê-la com daquela forma parecia tão errado que ele se deu conta, tinha deixado se tornar, para ele, muito mais sério do que deveria ser. Mais sério do que era para ela, aparentemente, e sentindo-se enjoado, deu as costas, rumo a saída do evento.
se livrou da gravata finalmente, sentindo-se sufocado e apertou o passo quando ouviu alguém atrás dele. Imaginou que fosse , obviamente, e não tinha a menor vontade de falar com ele agora, mas a mão que o segurou pelo braço era fina demais e pequena demais para que fosse ele, fazendo com que parasse onde estava.
Mesmo sem vê-la ele sabia que era ela, reconheceria aquele perfume em qualquer lugar e por um segundo, fechou os olhos para apreciá-lo, virando-se para ela alguns segundos depois, após ouvir seu nome.
- ... – ela chamou, suavemente. Seu tom de voz carregava culpa, mas por mais que gostasse dela, não era idiota o suficiente para aceitar aquilo simplesmenteafastou-se dela.
- O que é? – perguntou, rude, mas apesar do olhar ligeiramente triste, ela permaneceu firme.
Aquilo era uma das coisas que ele mais admirava nela afinal, a firmeza, a confiança, mas de repente a odiou por isso.
- Não é o que você está pensando... – ela começou, e ele riu sem humor.
- Ah, sério? – a interrompeu. - É o melhor que você tem a dizer, ?!
- Se me deixar continuar, vai ver que não. – respondeu, soando um tanto quanto aflita, mas apenas negou com a cabeça, dando as costas novamente.
- , não. Por favor. – ela pediu, voltando a segurá-lo. – Meu pai é o reitor e o ...
- Seu namorado? – completou a frase, se voltando novamente para ela que não respondeu. – Ele é seu namorado, então?
- Não é bem assim.
- Não é bem assim? Como que não é bem assim?! – perguntou, erguendo o olhar e vendo se aproximar com o reitor da universidade, que só agora havia descoberto, era também pai dela. Saber daquilo não mudava nada em sua vida, jamais veria como algo irrelevante, mas saber que ela havia contado aquele detalhe para e não para ele, saber que conhecia o homem quando havia tentado impedi-lo de comparecer no evento só fez com que ele se sentisse pior. – Eu realmente achei que tínhamos alguma coisa. – confessou com pesar, vendo a postura tão confiante da garota murchar.
- ... – ela tentou pegar na sua mão, mas ele se afastou, dando um passo para trás.
- Você não pode querer ter os dois. – ele falou e ela negou com a cabeça.
- Não quero, . – ela afirmou, rapidamente. – Você não está entendendo, de verdade...
- O quê? Que você estava saindo com os dois? Era só escolher um, podia só ter escolhido antes que fosse tarde.
A garota abriu a boca para responder, mas antes que o fizesse, e o reitor alcançaram os dois, o homem lançando um olhar duro a .
- Quem é esse? – perguntou para , que pareceu um tanto quanto desesperada ao olhar do pai para .
- Ele é... Ele é um amigo. – respondeu e sorriu como se tivesse levado um soco no estômago. Ela já tinha escolhido afinal.
- É um prazer conhecê-lo, senhor. Mas eu tenho que ir. – falou rapidamente, não se importando em estender a mão para o homem em um cumprimento formal. Ele não conseguia ficar ali nem mesmo por um segundo a mais e seguiu rapidamente para a saída, ouvindo a voz dela em sua cabeça repetir que eram apenas amigos.
As palavras que saíram de sua boca diziam, eram apenas amigos.

+++


permanecia com os braços cruzados em frente ao peito, irritada e completamente insatisfeita. “Amigos”, dizer que era apenas um amigo era tão ridículo para ela como provavelmente havia soado para ele, mas o que poderia dizer? Se para o pai era o namorado, como poderia apresentar afinal?
, o amigo, apresentado como namorado e , o namorado, apresentado como amigo.
Quando as coisas viraram aquela bagunça, por Deus?!
E o sorrisinho na cara de não estava ajudando. Ela nunca quis tanto socá-lo como queria agora, especialmente porque sabia, ele fazia de propósito.
- Amor, relaxa. – ele pediu, voltando a passar um dos braços por seu ombro e riu quando a garota lançou para ele o seu melhor olhar assassino.
Mas apenas riu, não a soltou. Claro que não soaria. Era um perfeito filho da puta.
- Se você não me soltar agora, eu vou quebrar todos os seus dedos, . – ameaçou, mas ele apenas riu mais uma vez.
- Você sabe que a culpa não é minha, não sabe? – perguntou com humor. – Podia ter explicado a situação para ele ao invés de persuadi-lo a não vir. Aliás, eu acho que você perdeu o jeito... – parou por um instante, como se pensasse sobre o assunto. – Se a noite tivesse sido boa o suficiente, ele não acordaria em tempo de vir.
- Vai se fuder, . – ela resmungou e ele apenas riu novamente.
- Só estou dizendo que na minha época, você era melhor.
- Na sua época? Desde quando você teve uma época?! – perguntou, chocada ao lhe encarar. – E tira essa droga de braço de cima de mim, não sou seu apoio. – tirou o braço dele do seu ombro e o ergueu em sinal de rendição.
- Ah, droga. – ela choramingou ao se lembrar da expressão estampada na face do garoto. estava destruído e ela havia sido a responsável por fazer isso. Como pôde? – Ele nunca vai me perdoar.
- Você só precisa explicar para ele o que aconteceu. – respondeu, como se fosse realmente assim tão simples e ela bufou, controlando a vontade de socá-lo mais uma vez. – Qual é?! Você tem que admitir pelo menos que é meio cômico.
- Cômico? – ela perguntou, como se ele fosse uma espécie de idiota. Bom, ele de fato era. – O que tem de cômico nisso, ?!
- Ele achar que a gente namora.
- O que você definitivamente não impediu! – retrucou, não que tenha se abalado.
- Eu só segui o plano inicial. – provocou e grunhiu.
- Como eu te odeio! – reclamou e ele apenas riu.
- Vai se sentir melhor se eu fingir que acredito?
- Eu vou me sentir melhor se você for se fuder. – retrucou, dando as costas para ele a fim de fazer qualquer coisa que não envolvesse remoer o que havia acontecido.
- A gente pode fazer uma brincadeira, deixar que ele acredite de verdade que namoramos...! – aumentou o tom de voz para que ela o escutasse mesmo já estando, de certa forma, afastada e ela revirou os olhos sem que ele pudesse ver, não que , muito provavelmente, não tivesse imaginado. Conheciam-se há tempo demais para que ele não soubesse exatamente como reagiria.
- Ele já acredita, idiota! – devolveu, ouvindo rir mais uma vez antes de sair de seu campo de visão.

+++


sabia que falava, mas as palavras soavam distantes demais para ele, que não tinha qualquer interesse em ouvi-lo, não quando estava tão ciente de com pouco mais a frente. Sempre soube da amizade dos dois, mas jamais imaginou que existia algo mais. Deveria ser obvio, ele deveria ter percebido. Estava na vida dela há meses e não sabia nada sobre sua família, nunca se quer havia falado com , quem acreditava ser seu amigo mais próximo.
Agora fazia sentido porque estava no escuro e porque ela havia mantido os dois separados. Seria péssimo colocá-los frente a frente, os dois achando ser namorados dela.
Talvez devesse ir até lá, contar a verdade a ele. O rapaz merecia saber, mas no fundo, sentia uma pequena satisfação em saber que, apesar de estar com ela, era traído. Não era culpa de na verdade, sabia, mas não conseguia evitar aquele sentimento.
Ela o estava deixando doente, simples assim. A cada novo pensamento a cerca dela tinha mais certeza, ela o estava deixando doente, o tinha dominado completamente e céus, como ele se odiava por isso.
havia chegado ao ponto de pensar que ela seria a única, que era tudo que ele sempre havia procurado e não podia acreditar que tinha se enganado de tal forma com alguém. Chegava a ser surreal, especialmente quando ele tinha aquela pequena parte de sua mente lhe dizendo que talvez, se não tivesse falado nada sobre escolher, ainda poderia tê-la de alguma forma, continuar com o que tinham. Agora ele saberia que ela não seria mais sua. Assim que o pensamento surgiu, no entanto, ele negou. Não era isso que ele queria. Não aceitava apenas metade, ele a queria por inteiro.
- Para de olhar, já está humilhante. – interrompeu seus devaneios e finalmente se voltou para ele, como se só então lembrasse do amigo ali. – Ele te estragou, cara. Você só está cego demais para perceber que está melhor agora. – falou e revirou os olhos. Ele só falava aquilo porque não tinha mais companhia para sair a noite nos finais de semana. , definitivamente, não era uma fonte confiável e ignorou o que o amigo disse ao falar finalmente:
- Eu só queria entender porque. – falou, inconformado e suspirou. – Quer dizer, século XXI, todo mundo transa sem compromisso. Tinha mesmo a necessidade de me fazer acreditar que era sério?
- As vezes ela gosta disso, de se sentir desejada ou só de brincar com os homens. – respondeu impaciente, como se não se importasse de verdade com o assunto e negou.
Não fazia sentido. Só não parecia com ela, com o que haviam tido.
Mas ela passara a noite toda tentando falar com ele e aquilo também não fazia sentido em sua cabeça. Não se não estivesse certo.
- Droga. – resmungou, atormentado por não conseguir chegar em lugar nenhum.
- Vai falar com ela então, pergunta. – falou, brincando distraidamente com seu copo de refrigerante e arregalou os olhos quando , de fato, se levantou. – Eu estava sendo irônico! Você sabe que eu estava sendo irônico, não sabe?! – perguntou, alarmado, mas não o ouviu.
havia saído da mesa que dividia com , essa era sua melhor chance e seguiu até lá sem vacilar, sentando-se de frente para ela antes mesmo que pudesse notar sua aproximação.
- ! – ela exclamou assim que o viu, parecendo imediatamente mais animada, mas seu sorriso morreu em seu rosto quando viu a seriedade na expressão do rapaz.
- Por quê? – ele perguntou simplesmente. – Eu pensei que tínhamos alguma coisa.
- nós temos...
- Não, não temos não. – ele a interrompeu, sem conseguir acreditar que ela insistiria naquilo. Pior, sem conseguir acreditar que ela esperava que ele fosse continuar com ela depois do que havia feito. Sim, ele tinha aquela voz na cabeça que pedia por isso, implorava, mas ele ainda tinha uma certa dose de orgulho a manter. - Não temos nada. Nunca tivemos, pelo visto.
- Você me perguntou porque, então me deixa falar. – ela pediu e então concordou, gesticulando para que ela fosse em frente. Pelo menos aquilo, ele precisava saber. – O , ele não é meu...
- Mas ele de novo, ? – perguntou ao se aproximar e o fuzilou com o olhar junto com . Não que ele tivesse notado que ela fizera o mesmo, estava tinha odeio demais direcionado ao recém chegado para que ele notasse qualquer outra coisa.
- , some daqui. – ordenou, entredentes, e ele a encarou como se não acreditasse no que estava ouvindo.
- Quer que eu vá embora para conversar com seu amiguinho? – respondeu e serrou os punhos sem se conter. “Amiguinho”. Amigos não faziam tudo o que haviam feito. - Quem diabos é ele, ?
- Mas o que você está fazendo?! – ela perguntou, chocada, mas apesar de confuso, optou por não perder mais tempo. Podia contar a verdade para o cara agora, mas decidiu, ele realmente merecia se fuder, junto com ela.
- Não se preocupa com isso. – falou apenas antes de dar as costas.
- , não! – insistiu. – Espera!
- Você vai mesmo atrás dele? – ouviu perguntar e desconfiou ter ouvido xingar, mas optou por não prestar atenção na conversa enquanto se afastava.

- , qual é a porra do seu problema?! – o esmurrou, fazendo o garoto rir ao segurar seus braços. – Me solta! – exclamou revoltada e ele ficou sério ao notar que ela não estava brincando ou se quer havia levado na brincadeira. – Eu passei a noite inteira tentando ligar pra ele e agora nunca mais vai falar comigo! Você tem noção do que você fez?! Que droga!
- Espera, você gosta mesmo dele? – perguntou, soando genuinamente confuso e ela bufou.
- Não, eu tentei falar com ele pra terminar de novo o que ele já terminou! – se exaltou, olhando para trás, para o caminho por onde havia acabado de seguir.
era seu melhor amigo há mais tempo do que ela poderia contar e não se lembrava de ter ficado tão irritada com ele antes. Se quer lembrava de ter, um dia, ficado realmente irritada com ele como estava agora. Ela queria gritar com pelo que havia feito e queria chorar pela forma como as coisas haviam acontecido com , mas sem saber qual das duas fazer, apenas se deixou cair sentada de volta no banco onde estava, escondendo o rosto nas mãos.
- ... – começou, com a voz carregada de culpa enquanto se sentava ao lado dela. – , me desculpa. – pediu, acariciando suas costas em um carinho. – Eu não esperava que você realmente gostasse dele. Você... Você nunca gostou de ninguém antes!
- Mas eu gosto dele, ! – soltou de uma vez, afastando as mãos do rosto. – Eu gosto dele e você acabou de estragar tudo. De novo! Que... Inferno!
Ela levantou para se afastar dele, mas a puxou de volta, fazendo com que continuasse onde estava para ouvi-lo.
- , você nunca gostou de ninguém antes. – ele insistiu, abaixando-se um pouco para olhar em seus olhos quando ela abaixou a cabeça. – , olha pra mim. – pediu e ela o fez, mordendo o lábio inferior para conter algumas lágrimas e a encarou com remorso. – Me desculpa. – insistiu. – Eu falo com ele, explico o que está acontecendo...
- Ele não quis me ouvir. Por que acha que vai ouvir você?
- Bom, porque ele não estava apaixonado por mim ou dormindo comigo, quem sabe. – respondeu com certo humor, mas ela não se contagiou por isso, não desse vez. Não quando acreditava ter perdido a pessoa de quem ela realmente havia gostado daquela forma. – ...
- Ele não vai te ouvir. – insistiu.
- E você vai deixar as coisas assim, então? Você não pode deixar as coisas assim se gosta dele. – falou, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.
- Não sei se notou, mas foi você quem sabotou todas as minhas tentativas de aproximação.
- eu achei que era só mais um. Sempre foi só mais um e você nunca reclamou de ter alguém para colocá-los para correr quando se apaixonam. – falou e dessa vez, ela não pode deixar de concordar.
- Acho que eu estou apaixonada. – confessou, apoiando a cabeça no ombro do amigo que passou um dos braços ao seu redor para confortá-la.
- E justamente por isso vai atrás dele depois da aula. – falou, virando a cabeça para encará-la. – Nem que eu mesmo tenha que te levar até a casa dele. Fechado? – perguntou e ela concordou. Não podia não concordar.

+++


praticamente correu para fora do carro de quando ele estacionou em frente a república onde morava e não esperou para vê-lo dar partida no carro. Respirando fundo uma única vez, ela bateu na porta e esperou, ansiosa, que alguém atendesse. Sabia que as chances de ser a fazer isso eram mínimas, mas ainda assim teve esperança, que morreu assim que a porta foi aberta e saiu de lá.
- Você? – ele perguntou, torcendo o nariz para a garota sem nem ao menos disfarçar seu descontentamento. O sentimento era mutuo, tinha certeza de que ele sabia. Tinham um passado afinal, um do qual ela se arrependia. Não era o monstro que ele certamente acreditava que era.
- Preciso falar com o . – ela falou, entrando na república sem esperar por um convite, até porque, de ela sabia que não viria.
- Bom, ele não quer falar com você. – respondeu, ríspido. – Já pode ir.
Cruzando os braços ao se virar de frente para ele, sorriu de forma cínica. Ela não desistia tão fácil, ele deveria saber.
- Não vou embora sem falar com ele, .
- Então é melhor sentar, porque ele não quer conversar. Não com você. – respondeu, sem se preocupar em soar calmo ou educado e ela suspirou. Já estava na hora de resolverem aquilo também.
- Não estou fazendo o mesmo com ele, . Eu gosto dele. – tentou, mas o outro se limitou em rir, sem humor.
- E eu deveria acreditar, porque...?
- Eu sempre deixei claro com você que não era sério. – se justificou, torcendo para que aquilo bastasse. Era a verdade afinal. Ela nunca tentou iludir e não se orgulhava de tê-lo feito. Não estava acostumada com caras que não queriam um caso de uma só noite. Mas com ficou feliz de não ter sido, ela realmente queria que fosse sério e talvez essa bagunça toda fosse seu castigo. E um castigo merecido afinal.
- E era pra eu me sentir melhor por isso? – perguntou e ela revirou os olhos.
- Você só está tentando protegê-lo. Isso não se trata de nós, se trata de e eu não estou brincando com ele, . – falou com convicção, aproximando-se dele para continuar. – Eu gosto dele, eu gosto dele de verdade e você sabe que eu não estaria aqui, correndo atrás dele, se não gostasse, se fosse só por um lance de uma noite.
- Você faz isso com os caras, . É difícil acreditar.
- Eu nunca corri atrás de cara nenhum. – observou, lutando para não deixar que aquilo abalasse a si mesma. Ela estava, pela primeira vez, correndo atrás de um cara. Estava, pela primeira vez, apaixonada.
Era castigo. Definitivamente, era castigo.
- Ele não está. – falou por fim e dessa vez, ela acreditou nele, sabia que falava a verdade. – Não acho que ele iria querer falar com você se estivesse, de qualquer forma, mas ele não está.
- Certo. – concordou, satisfeita por ter conseguido pelo menos um pouco de honestidade. – Você sabe se... Se ele vai demorar? – ela tentou, cautelosa. Temendo falar demais.
- Só amanhã, eu acho. – respondeu e ela concordou com a cabeça embora não soubesse se deveria ou não acreditar naquilo. podia estar mentido afinal. Não seria uma surpresa, mas quando a garota colocou as mãos nos bolsos, decepcionada, ele suspirou.
- A irmã dele veio fazer uma visita. Ele vai passar a tarde com ela e a noite tem a festa da irmandade. Ele vai... Acompanhado. - sem conseguir se conter, ergueu o olhar novamente para , mas apesar do que esperava, ele não parecia realmente satisfeito em dar aquela notícia. – Ele gosta de você e, se quer saber, se você ir atrás dele, ela não vai ter nenhuma chance. Mas , por favor...
- Eu gosto dele, . – falou séria, tentando fazer com que ele entendesse. – e eu não namoramos. Eu juro, não namoramos.
Mesmo não parecendo tão certo sobre o assunto ainda, concordou com a cabeça e sorriu para ele, sentindo-se mais aliviada mesmo não tendo conseguido o que queria ao ir até lá.
- A forma como você cuida dele é bem legal, . – falou, tocando seu ombro gentilmente, em agradecimento pela franqueza apesar de não ter falado exatamente isso. Sabia que entenderia de qualquer forma.
- Eu sei. – respondeu simplesmente e, concordando com a cabeça mais uma vez, ela finalmente seguiu até a porta. Precisava se arrumar para uma festa.

+++


nem de longe achava que era tão atraente quanto, mas no momento, sentia-se exatamente como Adam Levine provavelmente havia se sentido ao escrever payphone. Isso se ele tivesse de fato escrito, mas não importava. A questão era que, se fosse obrigado a ouvir mais uma maldita canção de amor, ele provavelmente vomitaria. Talvez vomitasse no vestido da sua acompanhante. Sentia-se péssimo por pensar dessa forma sobre a garota, mas céus, ela era tão absolutamente irritante. Ele não sabia dizer se era porque estava irritado com o término com ou porque estava comparando a garota com ela, mas não fazia nem uma hora que estavam juntos e já queria correr de volta para a casa.
De qualquer forma, entre sentir falta de na festa e em casa, pelo menos em casa ele podia remoer aquilo no conforto da sua cama, onde não precisava fingir simpatia com ninguém, especialmente para uma acompanhante carente de atenção. Carente até demais.
virou-se para Megan, pronto para dizer que não se sentia bem, o que nem era uma mentira de fato, quando literalmente se enfiou entre eles, fazendo com que o garoto pulasse de susto onde estava.
- O que diabos...?! – perguntou, espantado, mas apenas sorriu para ele, inclinando seu corpo para frente ao se apoiar no balcão do bar, o que, com aquele vestido, deveria ser um pecado. Ele era, definitivamente, curto demais para a posição e por mais que quisesse ignorar, não se viu capaz de fazer. Não quando conhecia aquele corpo tão perfeitamente bem, cada curva, cada detalhe e ao se dar conta de que era exatamente isso que ela queria, cerrou os dentes para impedir a si mesmo de iniciar a discussão que ela certamente estava tentando arrumar. Ignorando-a, deu a volta, estendendo uma das mãos para Megan ao chamá-la para dançar e, descontente, suspirou.
- , por favor. – começou, virando de costas para o bar, mas se ele ouviu, fingiu não tê-lo feito. Pelo menos não até que se adiantasse, segurando seu braço. – , me dá uma chance de explicar...
- Explicar o que, ?! O que tem para explicar?!
- Eu e o , nós não namoramos. – falou de uma vez.
- E daí? Nós também não! – ele respondeu, rude, satisfeito pelo fato da música alta permitir que ele gritasse.
- Era sério, . Para mim era!
- Eu te vi com ele, ! A vi beijando ele! Não me venha com essa desculpa!
Mais uma vez, tentou dar as costas, mas ela o impediu e quando voltou a encará-la, sentia-se tão furioso quando magoado e tinha certeza, ela podia ver as duas coisas em seus olhos.
- Eu estou tentando ficar bem, será que tem como me deixar em paz?! – explodiu, falando alto o suficiente para abalar a postura superior da garota que se encolheu por um instante onde estava. – Meus amigos me avisaram e eu deveria ter escutado, mas não escutei. Eu me joguei de cabeça em um relacionamento que não existia com um tipo de mulher que acha válido empinar a bunda no balcão do bar para chamar a atenção de um cara que não quer dar atenção pra ela! – soltou, gritando as palavras para quem quisesse ouvir. A essas alturas, já tinha lágrimas nos olhos, mas ele não conseguiu notar, cego demais pela raiva. – Tem dezenas de caras nessa festa pra você fazer de trouxa ou só... Levar para sua cama. Divirta-se.
Sem esperar para ouvir o que ela tinha a dizer, isso se ela ainda tivesse algo a acrescentar depois daquilo, simplesmente deu as costas e voltou a caminhar, agora em passos largos até a porta sem nem ao menos se lembrar de Megan ali. Sentia-se sufocado e um tanto quanto claustrofóbico em meio há tantas pessoas. Só conseguia pensar em estar longe dali, o mais longe que pudesse ir, mas apenas ao chegar do lado de fora que se lembrou, havia chegado de carona, com , e as chaves do carro estavam com ele.
Irritado, grunhiu, chutando uma lata de lixo com toda a sua força apenas pelo prazer de vê-la voar para longe e levou vários segundos para se dar conta de que seus olhos também estavam marejados por causa dela. Mais uma vez, se odiou por isso, quase tanto quando odiou ser como era, sua mania de confiar em todo mundo. Nunca, jamais, havia cogitado se decepcionar tanto com alguém.
Frustrado, olhou para dentro, tentando decidir se era ou não uma boa ideia voltou para lá. Queria as chaves do carro, queria ir embora, mas a música estava tão alta que a casa parecia tremer e ele não conseguiu se imaginar pisando lá novamente. Cansado, apenas se deixou cair sentado na guia, ao lado do carro, parecendo tão miserável como de fato se sentia.

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Doze era o número de casais que havia contado transando em carros por ali, mas estar contando aquilo não fazia com que ele se sentisse ainda mais patético do que o havia feito se sentir.
Seu celular estava jogado ao seu lado, havia colocado o número de na rediscagem automática mesmo que ele duvidasse que o amigo fosse atender ou mesmo ouvir o toque com o barulho que fazia lá dentro. Nunca antes também, torceu tanto para que tivesse uma vida sexual ativa ou pelo menos que fosse bom com as garotas só para que saísse e ele pudesse pegar a chave do carro, mas não o fez e a cada segundo se condenava um pouco mais por não ter simplesmente decidido andar para a casa, pois por mais longe que fosse, já estava sentado ali há tanto tempo que talvez já tivesse chegado.
Ouviu outro casal provavelmente bêbado rir logo atrás dele e revirou os olhos exatamente como havia feito para todos os outros, mas dessa vez não virou para vê quem era. Estava cansado de contar casais também e os teria ignorado se não tivessem, literalmente, o atropelado.
- Mas que porra?! – perguntou, mal humorado, mas deixou o queixo cair ao ver logo abraçado com uma garota que certamente não era .
- , né? – perguntou, mas não esperou uma resposta para continuar. – Essa é Bonnie, minha namorada.
- O quê? – devolveu, claramente confuso e acabou rindo por isso, fazendo o sangue do garoto ferver em suas veias.
- Não me olha assim, cara. Eu e nunca tivemos nada.
Com a fala, só conseguiu revirar os olhos, voltando-se para a rua disposto a ignorar o casal. Só conseguia pensar que os havia mandado até lá, não que fizesse algum sentido já que ela com certeza conseguiria qualquer cara que quisesse com aquele corpo e o micro vestido que havia escolhido usar. Não que ele achasse justo que ela quisesse resumir si mesma a isso.
- É ele? – ouviu a garota sussurrar, mas antes que pudesse pensar no assunto, ela se juntou a ele na guia e enquanto , desconfiado, a acompanhava com o olhar, fez o mesmo, do outro lado.
- O que diabos vocês querem?! – perguntou, impaciente, e voltou-se para Bonnie quando ela começou a falar.
- e eu namoramos há dois anos. – falou. – Eu tenho que concordar, a amizade dele com a era um tanto quanto irritante no começo, mas ela me acolheu também. Você se acostuma.
riu, sem humor nenhum para o que a garota havia dito.
- E você deixa seu namorado distribuir selinhos nas suas amigas? Namorar com elas? Não acha um tanto quanto liberal demais?
- Meu pai é o maior investidor da universidade. – respondeu por ela. – Mas é um relacionamento um tanto quando conturbado que só persiste graças ao namoro do filho dele com a filha do reitor. – explicou. – Eles empurraram essa coisa de namoro em nós e não vimos porque não fingir que acontecia algo de fato. Éramos grandes amigos, descomprometidos e nossos pais incentivavam o namoro com regalias que não recusávamos.
- Ele ganhou um carro para levar até Vegas. – Bonnie falou, rindo em seguida e não pode deixar de notar a forma como olhou para ela por isso, cheio de ternura e afeto, algo que não conseguia imaginar como alguém poderia encenar. – É claro que eu fui no lugar dela.
- Nós não namoramos, . Nunca aconteceu nada entre a gente. – insistiu. – Eu sei que a culpa de você pensar isso é minha, eu realmente não colaborei, mas eu não achava que fosse sério. Nunca foi sério para ela e eu só percebi que estava errado quando ela começou a chorar.
- Ela deveria ter te contado isso antes. – Bonnie falou enquanto voltava a sua atenção para as próprias mãos. – Mas dê uma segunda chance para ela, para vocês dois. Um sentimento recíproco é algo tão difícil de encontrar, não deixe que um mal entendido destrua os dois.
- Não acho que ela vai querer me ver depois de tudo que eu disse. – falou finalmente, com certo pesar.
- Vai por mim, te ver é o que ela mais quer no momento. – falou antes de se levantar, estendendo uma mão para Bruna e outra para para que fizessem o mesmo. Ambos aceitaram. – Está de carro? – perguntou e franziu o cenho para ele, confuso.
- Eu... não. Vim de carona. – respondeu, mas já jogava uma chave para ele que a pegou no ar.
- É o carro da , está no final da rua. – explicou, pegando outra chave no bolso em seguida. – E essa é do meu apartamento. Eu a deixei lá faz uns dez minutos, o endereço é o primeiro no GPS, é o apartamento 2B. – sem saber o que dizer, olhou de para as chaves em sua mão, mas não teve tempo de dizer nada antes de ser empurrado por Bonnie para seguir caminho.
- Vai logo, ela não vai esperar para sempre. – falou e dessa vez obedeceu após concordar com a cabeça, parando por um instante apenas para agradecer ao casal antes de correr apressado até o carro.
Não podia acreditar na besteira que havia feito.

+++


esperava ter alguma dificuldade em encontrar o apartamento ou mesmo conseguir subir até ele, mas não havia porteiro e não teve qualquer problema para achar o local. Sentindo-se ansioso como um garotinho de quinze anos, abriu a porta antes que tivesse tempo de pensar muito sobre o assunto ou mesmo vacilar, a trancando atrás de si em seguida, respirando fundo por um instante enquanto pensava no que fazer. Podia chamar por ela ou podia procurá-la, mas antes que fizesse qualquer uma das duas coisas, a garota apareceu na sala. Vestia uma camisa de , provavelmente. Havia prendido os cabelos em um coque mal feito no topo da cabeça e tinha os olhos inchados e vermelhos, provavelmente de tanto chorar, o que não fez com que ele se sentisse melhor.
- , o que... – ela começou assim que o viu ali. – O que você está fazendo aqui?
- e Bonnie me explicaram o que aconteceu. – falou, não ousando se aproximar. Não sabia como estavam, por mais doloroso que fosse não saber. Ele só queria beijá-la, só queria que ficassem bem e detestou não saber lidar com aquela nova situação.
- E você... Acreditou? – ela perguntou, cautelosa, e ele concordou.
- Eles foram convincentes. – tentou sorrir, até mesmo brincar, mas a garota não esboçou qualquer reação, o deixando infinitamente mais preocupado por isso.
- Me desculpa. – falaram juntos e dessa vez ambos acabaram rindo, mesmo que fosse um riso nervoso e ligeiramente sem jeito. O dela em meio há algumas lágrimas que escaparam de seus olhos e ele se controlou para não se aproximar para limpá-las.
- Você poderia ter... Me escutado. – ela falou, em um meio fio de voz e ele suspirou.
- Só... Não pareceu ter o que escutar depois da cena que deu hoje mais cedo. , eu vi os dois abraçados, vi os dois trocarem carícias, vi a intimidade dele com seu pai, a crise de ciúmes e ainda fui apresentado como um amigo. Você tem noção do quanto doeu? – perguntou, finalmente tomando coragem para se aproximar e dessa vez a garota se jogou em seus braços, escondendo o rosto em seu peito enquanto suspirava aliviada por tê-lo ali.
- Me desculpa, por favor. – pediu simplesmente, sem se afastar dele. – Eu fiz tudo errado, eu sei. Não soube lidar com isso, mas ... Eu estou apaixonada por você e quero que dê certo. Quero que seja meu namorado, que seja meu. – falou, afastando-se dele para encará-lo, mas tudo que fez foi sorrir para ela antes de colar seus lábios com os dela, deixando que seu calor, seu sabor e seu perfume entorpecessem todos os seus sentidos.
Aquele era o efeito dela sobre ele afinal, intensa a ponto de disparar seu coração de forma surreal. Talvez ainda trouxesse um ataque cardíaco, mas desde que ele não tivesse que passar novamente pela experiência de perdê-la, tudo ficaria bem. Estar com ela era o que importava para ele no final e enquanto a beijava, sentindo o alívio de tê-la de novo em seus braços depois do inferno das últimas horas, ele soube. Era realmente ela no final e não podia estar mais satisfeito com isso.



Fim.



Nota da autora: Adivinha quem está tentando completar o próprio álbum de ficstapes? Pois hé, eu! Parece que não tem quase nenhum pelos links ai embaixo, mas vocês nem tem noção de quantos escritos tem para entrar! Hahahaah Como se não tivesse longs demais apra terminar, mas vamos ignorar esse detalhe.
Pessoas lindas da minha life, espero que tenham gostado e não se esqueçam de comentar, por favor! Me contem o que acharam!
Obrigada e um bjão!
Mayh.



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