Finalizada em: 05/01/2018

Capítulo Único

saiu às pressas do carro, batendo a porta com mais força do que o necessário. Dois minutos para as 17h. Ele tinha dois minutos para evitar o arrependimento que lhe consumiria se a deixasse ir.
Podia ter seu telefone, seu roteiro, mas não sabia quando teria a oportunidade de vê-la de novo, ou se teria. Não podia deixar que a última chance lhe escapasse entre os dedos simplesmente porque era lerdo demais para ver os sinais.
Mais uma vez, olhou pra o visor do celular. Já havia ligado e mandado mensagens, mas por algum motivo, apesar de ter pedido que ligasse, não havia atendido.
Estava nervoso, ansioso, mas independente de se sentir um tanto quanto patético, apertou para discar mais uma vez, mesmo tendo dito após a ligação anterior que aquela seria a última.
O único motivo para que ela não atendesse era o de já estar dentro do ônibus que a levaria sabe-se onde para qual lugar agora. também não tinha enviado o roteiro ainda.
Um minuto.
bufou indignado.
Como havia deixado passar? Como havia deixado que fosse embora sem se despedir? Qual era a droga do seu problema?
Mas antes que respondesse sua própria pergunta retórica, sentiu seu telefone vibrar em sua mão e olhou para a tela cheio de esperanças. Tinha que ser ela. Morreria de frustração se não fosse.


DIA 23 - 41 HORAS ANTES
já havia bebido demais e sabia que esse era o único motivo para estar tão animado. Sua vida estava uma bagunça. Já não aguentava mais a responsabilidade jogada em suas costas pelo pai. Tinha apenas vinte anos e não tinha ideia do caminho a seguir. A única coisa da qual tinha certeza era que não era o curso escolhido por seu pai. Nem a carreira, nem a vida e sentindo a pressão cair sobre suas costas novamente, se deu conta de que ainda estava mais sóbrio do que gostaria.
Pediu outra bebida no bar e quando todos gritaram com a música que tocava, ele fez o mesmo. Não tinha ideia de quem cantava aquilo, ou quem era o DJ que tocava, mas não dava a mínima. Apesar dos pensamentos incômodos que lhe assombravam de tempos em tempos, sentia-se bem como não se sentia há algum tempo. Sequer lembrava qual havia sido a última vez que saíra com os amigos para fazer exatamente aquilo: Absolutamente nada de útil.
E ele já nem sabia mais onde estavam. Essa parte também era ótima porque ele dançava com um grupo de pessoas que ele não tinha ideia de quem eram. Pessoas que não se lembrariam dele no dia seguinte, mas estava tudo bem porque ele também não se lembraria de nenhum deles. Não estava preocupado com isso.
Sentiu mãos femininas subirem por sua barriga, por cima da camisa de botões preta que ele vestia e não se preocupou em saber quem era. Já tinha dançado com mais pessoas aleatórias do que poderia contar. E não estava contando. Apenas fechou os olhos e continuou dançando.
- Quando uma mulher te provoca, você se vira pra olhar. – ouviu muito próximo de seu ouvido e acabou rindo. Ela precisou gritar para se fazer escutar com a altura da música e curioso, fez o que ela sugeriu, não se arrependendo nenhum pouco da atitude.
Batom vermelho nos lábios, um vestido curto que destacava todas as suas curvas. Cabelos caindo pelos ombros, o rosto muito bem esculpido. Era ótima e mesmo que seu objetivo da noite não fosse sair dali acompanhando como o restante dos seus amigos, a ideia de agradou muito repentinamente. Não era como se ele fosse desperdiçar uma boa oportunidade de qualquer forma e ela era uma oportunidade excelente.
- Não vou cometer esse erro novamente – respondeu, sorrindo sem que pudesse se conter e a viu fazer mesmo, espalmando seu peito ao dar um passo para mais perto.
- O que há de errado com você? – ela perguntou, segurando sua camisa. Confuso, ele ergueu uma sobrancelha em sua direção, mas não moveu um músculo para tocá-la ainda apesar da proximidade. – Foi uma deixa perfeita para uma cantada idiota do tipo “se eu tivesse visto que era você, tinha virado antes”. – exemplificou e ele riu fraco, aproximando os lábios de seu ouvido. O objetivo era provocá-la com o gesto, mas também lhe dava uma oportunidade excelente de poder falar sem gritar. Não tinha nada de charmoso em falar aos berros e ele soube que acertou quando sentiu a mão dela, antes em sua camisa, subir para sua nuca e aproveitou-se disso para segurar em sua cintura, apertando o local com firmeza.
- Como você mesma disse, é idiota. – respondeu, aproximando-se um pouco mais a fim de eliminar a distância que ainda havia entre seus corpos. – Mas não quer dizer que não seja verdade.
Ela riu, negando com a cabeça. Tentou empurrá-lo, mas ele não deixou e ela lhe encarou com desafio, como se perguntasse o que ele ia fazer agora. Já não dançavam mais, sentia o calor dela emanando para seu corpo. O toque dela, apesar de superficial, queimava sua pele e o perfume que exalava o fez morder o próprio lábio inferior, louco para fazer isso com ela, distribuir mordidas por todas as partes livres que pudesse encontrar.
Seus rostos já estavam próximos demais, ele não havia se afastado depois de falar em seu ouvido e enquanto olhava para ela, sentiu os lábios grossos que ela exibia chamarem pelos dele. Ela também desceu o olhar para sua boca, a tensão entre os dois era quase palpável.
- Vou ter que tomar essa atitude também? – perguntou, voltando a olhar em seus olhos e perdeu o sorriso de lado que ele lançou a ela.
- Estou tentando demonstrar cavalheirismo. – mentiu. Apenas havia perdido tempo demais lhe observando e ela, em resposta, ficou na ponta dos pés para roçar os lábios aos dele antes de voltar a se pronunciar:
- Quando uma mulher chega em você por trás, ela não quer cavalheirismo. – sussurrou, permitindo que ele sentisse seu hálito fresco contra sua boca. - Ela quer que você a beije.
Ao invés de respondê-la, usou a língua para entreabrir seus lábios. Ela sorriu antes de fechar os olhos, mas não tiveram tempo de iniciar um beijo de fato antes que a garota fosse bruscamente puxada para trás, sendo tirada de seus braços por outra.
- Desculpa, preciso dela. – se desculpou, mesmo que claramente não estivesse.
- ! – ela protestou, mas já era afastada dele sem que pudesse fazer nada. – Estamos no meio de um negócio! – exclamou, olhando para já ao longe.
A garota respondeu algo que ele não foi capaz de ouvir, vendo apenas a outra revirar os olhos antes de se desvencilhar dela e avançar em sua direção. Sem pedir licença, ela o puxou pela camisa e colou seus lábios, invadindo sua boca com a língua no mesmo instante.
Seus lábios tinham gosto de vodka, mas ele gostava. Os seus deveriam ter o mesmo sabor.
Voltando de onde pararam, segurou em seus cabelos com uma das mãos enquanto a puxava para si com a outra, tendo novamente a satisfação de senti-la junto dele, agora enquanto explorava a boca dela com a sua.
- Que droga, ! – ouviu perto demais e tentou segurá-la com mais firmeza, mas já era tarde. A garota foi puxada de seus braços novamente, agora com um riso sacana.
- Amanhã, na boate da rua 20! – ela gritou para ele enquanto era afastada, agora sem se opor. , como ele sabia que se chamava agora, piscou antes de dar as costas, acompanhando a amiga tão disposta a levá-la para longe dali.


DIA 23 - 19 HORAS ANTES
já estava vestido. Jeans escuros, uma camiseta branca de botões e jaqueta preta. Simples, ele sempre optava pelo simples quando estava na dúvida e sentia-se meio estúpido por estar na dúvida.
Não se lembrava muito bem da noite passada. Lembrava-se apenas de belos lábios, um ótimo beijo e uma bunda de matar. Era estúpido que estivesse de fato cogitando ir encontrá-la novamente. Ela nem ao menos deveria se lembrar dele, no entanto, por outro lado, mais estúpido ainda era ficar remoendo um dilema mental criado por ele quando era apenas uma garota. Mais uma.
Se ele queria ir era só ir. Não tinha pra que tanta frescura.
Resmungando sozinho, voltou a se jogar para trás, na cama. Saber que não havia necessidade para aquilo não fazia com que fosse mais fácil.
Sem que ninguém batesse, a porta do seu quarto foi bruscamente aberta e não precisou olhar para saber quem era.Apenas uma pessoa fazia isso e ele revirou os olhos para a atitude como sempre fazia, não levantando-se da cama no entanto para atender o amigo.
- Então, nós já… - se interrompeu, parando onde estava. também não precisou olhar para saber que ele o encarava em confusão. - Mas o que diabos você está fazendo? - quis saber e apenas ergueu uma sobrancelha em sua direção.
- Parece meio óbvio, não parece?
- Infelizmente sim, por isso eu estou inconformado. - respondeu desacreditado. - Mas que porra você está fazendo ai?
abriu os braços. Não tinha o que responder, ele estava jogado na cama, o que mais tinha a ser dito?
Mas revirando os olhos, se aproximou, segurando um de seus braços para puxá-lo para cima, obrigando-o a se levantar.
- Temos uma garota para encontrar, lembra? - falou e fez uma careta.
- Foi um beijo, não faz sentido ir atrás dela.
- Deixa de ser otário. Foi só um beijo porque a amiga dela apareceu. E nós dois sabemos que está curioso, ou não estaria nessa crise existencial patética. - novamente fez careta e ele continuou segurando seus ombros, obrigando-o a encará-lo. - Sabe por que ela se interessou ontem? Porque você estava animado, porque era outra pessoa, então a partir de agora você vai ser outra pessoa. - ele soltou o amigo, seguindo para a porta certo de que o acompanharia, exatamente como fez. - A gente pode manter o nome e a idade. - falou, realmente divagando sobre o assunto enquanto o seguia com uma interrogação no olhar.
- Você está mesmo falando sério? - debochou e o colega o olhou por sobre os ombros, como se estivesse chocado com sua descrença.
- Lógico! Você é muito mais legal quando não é você. - falou como se não fosse nada demais antes de continuar. - Uhm… Vamos ver. Não vamos que você não estuda nada relacionado a computadores, isso faz você parecer nerd.
- Não é como se eu fizesse porque eu quero. – observou, mas foi ignorado por um pensativo.
- Teu pai também não é dono de nada, nem rico. - como se pensasse melhor sobre o assunto, parou onde estava e fez o mesmo. - Não, essa parte de ser rico é ótimo. Filhinho de papai, elas gostam.
- Desde quando? – perguntou como se ele fosse louco.
- Desde quanto você tem dinheiro para bancá-las. – devolveu, voltando a andar sem dar a chance do outro responder. Não que ele não o tenha feito.
- Isso é meio machista, não é? – perguntou, mesmo certo de que sim, era.
- Está bem, vamos deixar essa parte em aberto. - respondeu, não ligando muito para o que ele havia dito. estava mai preocupado em inventar uma história, claramente se divertindo com isso.
- Você sabe que se ela estiver mesmo lá, nós não vamos exatamente conversar sobre a vida mesmo que tenhamos tempo de conversar, não sabe?
- Uhm.. gosto disso, garanhão. - o outro deu tapinhas nos seus ombros e o encarou se tivesse alguma deficiência mental.
- Música alta, álcool, não dá pra conversar, . – esclareceu em meio a dificuldade do amigo em entender.
- Mas a história não é pra ela, é pra você. - falou, parando onde estava para se voltar para o amigo. - No colégio você se divertia mais por não ter a sombra de quem você é, então a gente apaga essa sombra por uma noite e você pode voltar a ser aquele cara. - A garota é a questão que me os importa aqui. Ontem você se divertiu como não fazia há muito tempo e você precisa se divertir. - foi sincero, finalmente acertando nos argumentos para convencê-lo a sair de casa.
Na noite anterior sentiu-se leve, como já não lembrava mais de se sentir e gostava daquela forma, daquela versão de si mesmo. Era mais legal daquela forma e por isso concordou. Ia sair com o amigo e se encontrasse a garota, ótimo. Seria um bônus, mas ela não era realmente o mais importante da noite.
Ainda.
O importante era apenas esquecer tudo que lhe afligia, ser uma pessoa menos preocupada com o ambiente a sua volta. Era isso que ele precisava para se distrair.


DIA 24 - 18 HORAS ANTES
Com uma garrafa de cerveja na mão, viu gritar no meio da pisca de dança enquanto dançava entre duas garotas, claramente alterado. Ele mesmo havia feito isso algumas vezes na noite anterior, mas ainda não estava bêbado o suficiente para repetir.
- Você estava mais animado ontem. - uma voz feminina soou ao seu lado e soube quem era mesmo não sendo capaz de reconhecer sua voz. Não estava sóbrio o suficiente no dia anterior para ser capaz de lembrar de um detalhe como aquele. Mas ele se lembrava de alguns outros de sua aparência que não mudaram em nada com a sobriedade. Ela ainda era tão bonita quanto ele havia guardado e sorriu de lado ao se virar para ela, sentada ao seu lado no bar porém de frente para ele.
- Então você veio mesmo? - perguntou e ela deu de ombros, ainda sem encará-lo.
- Viria de qualquer forma. - respondeu, inclinando-se sobre o bar. A desculpa era pegar a bebida servida a ela pelo barman, mas desconfiava de que tivesse feito apenas para deixar suas curvas ainda mais a mostra. Não que fosse necessário, ela era boa demais sem aquilo e ele precisou se controlar para não morder o lábio inferior. - Estamos seguindo um roteiro. Você aqui que é novidade. - disse, virando-se de frente para ele só então, com o canudo na boca.
E ele sabia que era proposital a forma erótica que o gesto havia adquirido, erguendo a sobrancelha como para deixar claro que tinha notado a provocaçãozinha e que não cairia nela, mesmo que tivesse sim caído. Era óbvio que sim.
E como se soubesse disso, ela riu de forma travessa, jogando a cabeça para trás como se nada a preocupasse.
Ela não estava alterada. não poderia dizer se estava na noite anterior porque ele estava, mas hoje não. Aquele jeito despreocupado, divertido e sexy, principalmente sexy, faziam parte dela e não era difícil de notar isso.
- Nós também podemos estar seguindo um roteiro. Como você sabe? - disse, mas ela negou com a cabeça.
- Não estão não. - falou com convicção. - Vocês são daqui.
- Você nem sabe quem somos. Como pode saber disso? - perguntou e ela apontou para com a cabeça.
- Você estava olhando para ele, rindo. Estão juntos, mas hoje você perdeu a aposta sobre quem podia ficar bêbado para dirigir. E como vocês têm um carro, são daqui.
Ela estava certa em absolutamente tudo, mas nenhum pouco disposto em dar o braço a torcer, ele negou.
- Está errada. - disse e ela se virou para ele, ficando na ponta do banco para se aproximar de , que não morreu um músculo, mesmo quando ela apoiou as mãos em seus joelhos.
- Estou? - perguntou, e apesar de toda a sua atenção ter ido para os lábios da garota, concordou.
- Estamos viajando por ai no meu carro. - mentiu, inventando uma história rapidamente. Na verdade, sequer havia pensando em mentir de fato, apenas falara a primeira coisa que lhe veio em mente para deixar a história mais interessante. Dizer que estava ali obrigado porque o amigo queria distraí-lo na vida "pé no saco" que ele tinha era um tanto quanto entediante, sem contar que ele não estava nenhum pouco inclinado em desabafar com a estranha, ou sair reclamando da vida. Não estava ali para isso, estava ali para esquecer do problema, esquecer o que lhe incomodava e foi assim que, sem pensar sobre o que fazia, seguiu os planos de , criando um personagem para si mesmo em questão de segundos.
- Então você quer que eu acredite que mesmo com esse sotaque carregado, não e daqui? - perguntou a ele que riu, aproveitando-se disso para pensar em uma resposta plausível.
- Os Estados Unidos é meio grande, você não acha? - perguntou. - Posso ser de qualquer lugar daqui.
- E não vai me contar. - afirmou, ciente da resposta e ele negou.
- Vou deixar você imaginar.
- Claro que vai. - ela respondeu, não levando muito a sério, mas não se importou. Não precisava que ela acreditasse de fato. Não era como se o objetivo fosse convencer alguém. O objetivo era apenas aliviar a pressão sobre si mesmo. - Está me deixando imaginar mais coisas do que eu gostaria, alias.
- Tenho certeza que podemos resolver essa outra parte bem rápido. - respondeu, sorrindo de lado para ela ao se inclinar em sua direção.
Podia estar sóbrio dessa vez, mas o efeitos dela sobre ele ainda eram os mesmos. De alguma forma tinha o perfume dela guardado perfeitamente em sua mente, assim como o sabor de seus lábios. Estavam muito longe um do outro sentados naquela posição, mas ele não se importaria em beijá-la novamente, mesmo ali.
- Caso esteja pensando, eu não saio por ai beijando qualquer estranho. A não ser que eles valham muito a pena. - disse ela, acertando em cheio enquanto se aproximava um pouco mais e fingiu ver o gesto como algo irrelevante.
- Eu jamais pensaria o contrário. - respondeu. - E se eu disser meu nome agora, não é para deixarmos de ser estranhos.
Ela riu.
- Não precisa, depois de ontem acho que você vale a pena. Mas seria bem legal ver com um pouco menos de roupa só para ter certeza.
- Resolver isso não vai ser problema também.
- Vai sim, porque estamos de saída. - um cara que não conhecia apoiou o braço em seus ombros de forma despreocupada, como se fossem velhos amigos e ela não soube dizer o que o deixava mais frustrado, isso ou o fato de novamente, afastarem a garota dele.
Tão frustrada quanto ele, fez uma carranca e o outro ergueu as mãos como se tentasse se defender dela.
- Agora não dá mais pra voltar atrás. – falou, mas ela não mudou a expressão. – Leva ele junto, ninguém liga. – deu de ombros antes de dar as costas e voltando a ficar animada imediatamente, ela sorriu para ele, pulando do banco e o puxando pela mão.
- Vamos. – disse, o arrastando consigo sem lhe dar chance para se opor. Não que pretendesse de qualquer forma.


DIA 24 - 15 HORAS ANTES
Era quase três horas da manhã, mas em pleno verão as ruas da cidade ainda estavam agitadas e o clima quente.
não se lembrava quando exatamente a cerveja se tornara algo mais forte, ou quando deixou de evitar a bebida para manter seu papel. Ainda lembrava dele, vagamente. Sabia que tinha relação com viver uma vida diferente, mas não era como se alguém ali fosse lembrar de qualquer besteira que ele pudesse dizer no dia seguinte.
Uma música agitada que ele desconhecia tocava no pendrive conectado ao rádio do conversível e quando uma batida mais forte começou, se levantou do banco traseiro onde estava com ele e gritou, em plenos pulmões, com uma garrafa de cerveja na mão. Do outro lado de , o rapaz que havia ido chamá-los mais cedo. Ele tinha um jeito afetado e jogou a cabeça para trás, gargalhando da garota que se deixou cair no banco em seguida, rindo tanto quanto ele ao esconder o rosto no pescoço de .
No segundo seguinte, no entanto, já voltava a dançar no banco, sob a voz da amiga que cantava aos berros no banco da frente enquanto o namorado dirigia o veículo sem saber se ria da garota ao seu lado ou dos outros três no banco de trás.
- Essa é a melhor cidade! - gritou como se estivesse muito alterada, mas já havia aprendido que ela apenas era meio doida assim. Gritava e pulava sem se importar com o amanhã. Todos eles, e não pôde deixar de admirar isso no grupo enquanto o motorista ria da atitude da garota.
- Você grita isso para todas. – falou ele e jogou os braços para cima.
- Porque são todas as melhores! – exclamou antes de inclinar-se sobre o banco, agarrando o motorista pelo pescoço.
- , ! - a chamou, rindo enquanto tirava seus braços de cima de Jackson. - O motorista tem que ficar vivo. - a lembrou e a garota apenas gargalhou novamente.
- Não quero ir embora amanhã. - fez bico, inclinando-se na direção de Jackson novamente. Imediatamente, o rapaz se afastou do banco, parecendo assustado.
- Tira ela daqui, tira, tira. - reclamou, a fazendo rir novamente antes de estapeá-lo.
- Idiota. - ela reclamou, lhe mostrando a língua quando ele olhou para ela pelo retrovisor.
- Você tentou matar o motorista. - a amiga, , avisou e deu de ombros antes de colocar um dos braços atrás do banco onde estava, recebendo um olhar desconfiado dele em seguida pela atitude.
Novamente, ela riu.
- Não de verdade. – respondeu a amiga, mas a fala também era direcionada ao falso receio de que recebeu um beijo na bochecha para comprovar a fala.
- O que torna tudo um pouco pior, não acha?! – Jackson exclamou chocado, chamando a atenção da garota para si novamente.
lhe mostrou a língua.
- Não quero mais ele, . – falou, apoiando-se no banco onde a amiga estava. - Vamos trocar, levamos o e deixamos o Jackson.
- Querida, não é você quem tem que gostar do Jackson. – Cole, ao lado direito de , interferiu, mas o rapaz estava mais concentrado em outra parte da conversa, na que sugeriam ir embora.
- Que bom, porque eu não gosto. – devolveu com um sorriso cínico para ele antes de se voltar novamente para . Abriu a boca, mas antes que dissesse qualquer coisa, Jackson o fez.
- Para de charme, nós dois sabemos que morreria de saudades de mim. – respondeu e ela gargalhou irônica.
- Jamais. – devolveu e, sem conter a curiosidade, se intrometeu no assunto:
- Para onde vão?
- Mochileiros estão sempre por ai. - respondeu, aproximando-se dele. - Alguns de nós realmente estamos por ai. - falou, o fazendo rir pelo tom de desafio. Ainda não havia comprado sua história, ele soube ali.
- Meu sotaque ainda não te convenceu? - perguntou e ela se aproximou de seus lábios sem desviar os olhos dos seus.
- Ele é lindo, mas não. - disse, segurando-o pelo queixo para roubar um beijo rápido ali antes de se voltar para os amigos. - diz estar viajado de carro por ai com um amigo. Mas sequer vi o amigo.
- Que mentira! - exclamou. - Você debochou dele, como pode dizer que não se lembra?
- Tudo bem, posso estar mentindo quanto a essa parte.
- E o fato de não acreditar no resto não quer dizer que não seja verdade. – debateu confiante.
- Não faz sentido começar a explorar o mundo perto de casa. – ela fez o mesmo, empinando o nariz como se tivesse ganhado a discussão com aquele argumento.
sorriu em desafio.
- E quem disse que eu comecei aqui? – perguntou. - Ou que eu moro aqui?
- Bom, você não foi. Preferiu fazer segredo. – o lembrou, sorrindo vitoriosa. Ele repetiu o gesto sem se abalar.
- Ah, é por isso que o assunto voltou, então? Está curiosa? – falou convencido.
- Jamais. - ela respondeu, mas sua atenção foi totalmente desviada quando, de algum lugar qualquer, uma música alta começou a soar.
- Festa! - e gritaram simultaneamente, como se não tivessem saído de uma há pouco, e encarou Jackson como se perguntasse se aquilo era normal.
- Sempre. - respondeu, entendendo a pergunta sem dificuldade.
- Segue o som, segue o som! - bateu no banco de Jackson, que empurrou a mão dela para longe.
- Já estou fazendo isso, já estou. - falou rapidamente enquanto começava a cantar a música com energia renovada.
olhou para ela com um sorriso no rosto e sem notar a atitude, fechou os olhos para cantar, abraçada com mesmo esta estando no banco da frente. Quando chegaram, finalmente, ambas se soltaram aos berros, pulando as portas sem se darem ao trabalho de abrí-las para descer do carro.
Só então se atentou ao fato de terem um carro e estreitou os olhos enquanto olhava para o conversível.
- Se estão mochilando, como…
- Nem pergunta. - Jackson respondeu, dando tapinhas nos ombros de que acabou rindo da loucura onde havia se enfiado, entendendo imediatamente o que ele havia tentado dizer apenas pelo tom de voz usado.
Seu pai ficaria orgulhosíssimo se tivesse que resgatá-lo na delegacia.
- Já pode se vangloriar por ter sido rebelde por uma noite. - disse, o puxado repentinamente pela mão para fazê-lo acompanhá-la até a areia onde a festa acontecia, na praia.
A música era alta, pessoas bêbadas pulavam e dançavam com pouca roupa. e Jackson já haviam corrido para a festa e o outro se perdera tão rápido que não havia tido tempo nem mesmo de vê-lo descer.
- O que te faz pensar que eu nunca fiz algo parecido? – perguntou, finalmente se vendo sozinho com ela outra vez.
- Não fez. - ela respondeu, parado de frente para ele e abrindo sua camisa sem permissão. Como se tentasse entender de onde aquilo havia saído, ele olhou para si mesmo, mordendo o lábio inferior quando ela desceu as unhas por seu peito como se não fosse nada, como se não tivesse notado o quão perturbado ele havia ficado com a atitude. - Bem melhor. - falou, aproximando-se para roubar mais um beijo sem tirar a mão de sua barriga e tudo o que ele quis, foi puxá-la para um canto qualquer para que pudessem fazer aquilo direito. tentou puxá-la para si para, pelo menos, beijá-la direito, mas ela se afastou, voltado a arrasta-lo para a praia sem ligar para seu resmungo de protesto.
- Temos a noite inteira para isso. - respondeu, sorrindo travessa antes de se jogar na pista de dança que não havia ali, rebolando sem tirar os olhos dele.


DIA 24 - 14 HORAS E 30 MINUTOS ANTES
não sabia muito bem como conseguiram chegar ao quarto de motel, ou de onde havia saído o motel. Não sabia que horas eram, onde estava, mas quando se deu conta, já fechavam a porta do quarto que nenhum dos dois poderia dizer qual era.
Uma das mãos de agarrava suas costas por dentro da camisa e a outra, seus cabelos enquanto exploravam a boca um do outro. Não eram capazes de assimilar mais nada àquela altura.
a prendeu com o próprio corpo entre ele e a porta, enquanto suas mãos paravam cada uma de um lado de sua cabeça. Ela soltou o ar contra sua boca pela atitude, rompendo o beijo para isso e enquanto a olhava, mordeu o lábio inferior, vendo os dela levemente inchados em decorrência aos beijos trocados. Sem ao menos pensar sobre o que fazia, a segurou pelos cabelos, trazendo sua boca para perto e puxando seu lábio entre os dentes. Ele tinha aquela necessidade absurda de mordê-la e mesmo após sentir a língua dela em seus lábios, impediu que iniciasse o beijo, fazendo-a erguer a cabeça ao morder seu queixo, descendo para seu pescoço em seguida.
suspirou, afundando a unha em suas costas e não soube dizer o que o deixava mais excitado. Precisava dela desesperadamente e como se lesse seus pensamentos, ela desceu uma das mãos pelo seu tórax, juntando as duas no botão de seu jeans para abri-lo.
sentiu seu membro pulsar por ela, mas sem conseguir decidir onde tocar primeiro, subiu a mão por dentro de seu vestido, pela primeira vez se vendo incomodado pelo fato de ser tão justo.
- Porra. – reclamou ofegante, mas no instante seguinte ela já tomava seus lábios com os dela, invadindo sua boca com a língua novamente enquanto adentrava sua calça com uma das mãos. segurou sua excitação e ele foi obrigado a gemer quando ela passou a masturbá-lo, independente da calça ainda no caminho.
Mais do que nunca, ele se viu desesperado para livrá-la daquele vestido. Tinha roupa demais no caminho e precisava tocá-la. Aliviar de alguma forma o calor que sentia.
Vestidos deveriam ser fáceis, mas aquele era terrível e ele simplesmente resmungou contrariado, desistindo de livrá-la dele antes de começar.
- Tem um zíper... – ela murmurou contra seus lábios, mas foi obrigada a se interromper, gemendo, quando ele tocou sua intimidade, invadindo-a lentamente com dois dedos. – ... – se derreteu sob seu toque, escondendo o rosto em seu peito e o mordeu também quando passou a se mover ali, excitando-se ainda mais ao senti-la tão pronta para ele.
Com a mão livre, ele puxou seu rosto para o dele e buscou seus lábios mais uma vez, se vendo incapaz de manter-se longe deles por um instante sequer. Havia algo em sua boca que o deixava daquela forma, totalmente dependente e inebriado, mas ela precisou romper o beijo para gemer ali, jogado a cabeça para trás com os dedos dele dentro de si.
- ... – ela gemeu seu nome e ele sorriu vitorioso, roçando o nariz em seu pescoço e respirando ali ao diminuir os movimentos para provocá-la. Seus dedos deslizavam sem nenhum impedimento, ela escorria por ele, mas não satisfeito mordeu seu ombro lentamente ao juntar mais seus corpos sem parar o que fazia, na mesma velocidade torturante que a deixava gemendo baixinho, sôfrega, por ele. segurou seus cabelos com mais força, os olhos fechados e a boca entreaberta em busca por ar. Apenas olhá-la daquela forma já era suficientemente excitante, mas ele ainda assim desceu as mordidas que distribuía em seu corpo, beijando seu colo enquanto tocava um de seus seios com a mão livre, por cima do desprezível vestido que ainda se mantinha ali.
podia provocá-la daquela forma por horas, ouvi-la gemer era o som mais viciante que já havia escutado, mas foi ela quem o afastou, retirando seus dedos de dentro dela. o empurrou para a cama e após deixá-lo sentado ali, abriu o zíper de seu vestido, o deixando cair a seus pés. Com a visão dela de lingerie, finamente sem aquela peça tão incomoda, ele mordeu o lábio inferior e a puxou para seu colo, a fazendo sentar no volume entre suas pernas. Ele voltou a beijá-la, mas parou quando ela rebolou em seu colo, jogando a cabeça para trás por um instante enquanto sua respiração falhava, soltando o ar pela boca.
Tomando o controle, ela o segurou pelos cabelos, puxando sua cabeça para trás e beijando sua mandíbula. gemeu e ela rebolou novamente, repetindo sua atitude ao sentir o atrito de seus sexos de forma quase excruciante.
Ela o deixaria louco, sabia. Talvez fosse efeito do álcool, mas ela era capaz de arrepiar cada pelo do seu corpo. Cada suspiro o deixava mais extasiado e não conseguia pensar em mais nada além de tocar cada canto de sua pele, morder todo seu corpo, beijá-la enquanto gemia contra sua boca.
Em agonia para estar finalmente dentro dela, inverteu as posições, a jogando contra a cama e se sentou para puxá-lo para mais perto, finalmente livrando-o da camisa que ele ainda vestia. Não que tivesse se dado conta disso.
voltou a beijá-la, mas afastou-se momentaneamente para se livrar de suas últimas peças de roupa, como se só então as notasse ali. Assim que o fez, foi a vez de arrancar sua lingerie e a calcinha foi a primeira peça que ele mandou para longe, seguindo de seu sutiã.
Hipnotizado com seu corpo, mordeu o lábio inferior, descendo as mãos por sua barriga enquanto a assistia fechar os olhos, remexendo-se excitada contra os lençóis.
- Porra... – xingou baixo, inconformado com a reação de seu próprio corpo ao dela. Ela era boa demais, gostosa demais, e voltou a deitar sobre ela, precisando novamente de seus lábios como se fossem o oxigênio que precisava para sobreviver, mesmo que, na verdade, eles levassem consigo todo o ar.
sentiu os seios dela contra seu peito e sugou seu lábio inferior antes de voltar a beijá-la, mas com outros planos em mente, arranhou suas costas, rebolando contra seu membro agora sem nenhuma roupa no caminho.
- ... – o chamou, clamando por ele, e jamais saberia dizer como foi capaz de encontrar o preservativo em sua calça, ou de vesti-lo, mas se encaixou dentro dela assim que o fez, entrando tão vagarosamente que se contorceu na cama enquanto gemiam em uníssono.
Dominado por seu instinto, mordeu seu busto, descendo para seu seio em seguida antes de chupá-lo também. Não sabia de onde saia aquela vontade tão urgente de mordê-la, mas parou dentro dela para fazê-lo. Quando voltou a se mover, o fez muito lentamente, como se tentasse aproveitar cada segundo daquilo, saborear seu corpo enquanto o fazia, e subiu para seu pescoço mais uma vez, depois para seu lábio, o mordendo antes de sugá-lo. segurou seu rosto, iniciando um novo beijo tão urgente quanto os anteriores, mas gemeu contra sua boca quando ele foi mais fundo, mantendo, no entanto, a mesma velocidade, devagar demais para que pudessem se dar por satisfeitos. Era torturante e simultaneamente desesperador de tão bom.
Perturbada, ela arranhou suas costas, descendo uma das mãos até sua bunda. Primeiro ela apertou, mas em seguida o puxou para mais perto dali, o fazendo repetir o gesto anterior. Novamente, ambos gemeram, mas sem aguentar mais um instante daquilo, passou a se mover dentro dela finalmente, em um ritmo constante apesar de ainda se manter lento, apreciando e admirando cada detalhe de sua expressão excitada.
Ela gemeu mais alto e ele escondeu o rosto em seu pescoço, os lábios entreabertos contra seu ouvido, completamente sem fôlego. Ele suspirou ali, e ela gemeu novamente em reação, puxando seus cabelos em um gesto impensado.
deslizou dentro dela, segurando uma de suas mãos ao lado de sua cabeça enquanto gemia baixo em seu ouvido, a fazendo imitá-lo enquanto jogava a cabeça para trás.
- ... – ela chamou seu nome em um gemido fraco e ele puxou seu lóbulo entre os dentes, acelerando os movimentos quando ela o envolveu com as pernas, rebolando em seu membro.
- Porra. – ele xingou pela segunda vez, optando por segurar seus dois braços ao lado da cabeça e não apenas um ao se afastar ligeiramente do corpo dela. Ela resmungou e ele apertou seus pulsos com mais firmeza sem parar os movimentos dentro dela, apreciando a excitação que via estampada em seu rosto.
Ela jogou a cabeça para trás e lambeu os próprios lábios, o fazendo gemer com a visão antes de buscar sua boca com a dela, mesmo que ofegantes como estavam, não fossem capazes de iniciar um beijo.
voltou a chamar seu nome, agora em súplica para que ele a soltasse, e se vendo incapaz de manter-se daquela forma, sem tocá-la por muito mais tempo, ele o fez, sentando-se de frente para ela enquanto mantinha suas pernas abertas, acelerando os movimentos ao segurar em sua cintura.
Ela se agarrou aos lençóis, intensificando os gemidos e foi mais a fundo, disposto a fazê-la gozar em seu membro. Seus gemidos ficaram mais altos, mais descontrolados e voltou a se deitar sobre ela, controlando o peso de seu corpo sobre ela com os braços. Ela voltou a se agarrar a ele, descendo as mãos por suas costas enquanto mordia seu ombro. Ele sabia que ela o fazia com força o suficiente para machucá-lo, mas não era capaz de sentir dor, excitado demais para notar qualquer coisa que não fosse ela ali, gemendo e se contorcendo embaixo dele.
Sentiu seu corpo vibrar e diminuiu os movimentos quando ela estremeceu, gemendo seu nome mais uma vez aquela noite diminuiu a velocidade enquanto ela gozava, escondendo o rosto em seu pescoço e só então notando o quão ofegantes estavam. Não que ele se importasse.
Ela pediu que ele continuasse, rebolando com as pernas ao redor de sua cintura e obedeceu de imediato, indo o mais fundo que podia alcançar antes de atingir o próprio orgasmo logo depois.
Ela se deixou relaxar sobre a cama e ainda permaneceu sobre ela por alguns instantes antes de tomar coragem para se mover dali, quente demais para sua sanidade.
Suas respirações pesadas tomaram o quarto e ele fechou os olhos, abraçando a garota quando ela deitou em seu peito, descendo novamente a mão por ali.
- Se eu ainda tivesse alguma energia, lambia sua barriga. – ela falou, o fazendo rir apesar da sonolência que se abateu sobre ele instantaneamente.
- Ainda tem muitas partes do seu corpo que eu queria morder. – respondeu a ela e a sentiu rir contra seu peito.
- Podemos cuidar disso amanhã. – ela disse com os olhos tão pesados quanto os dele e ele concordou, sem que nenhum deles se desse conta de que aquele era o último dia dos dois juntos.


DIA 24 - 5 HORAS ANTES
Horas foram necessárias para que a luz o sol, que invadia o ambiente, passasse a ser de fato incomoda. não se sentia tão alterado assim no dia anterior, mas bastou a menção de abrir os olhos para que fosse atingido pela dor de cabeça. Levando a mão até a região, ele gemeu e tentou se mexer na cama para esconder o rosto da luz, mas assim que o fez, atingiu algo duro com os pés e resmungou em protesto. Ouviu um resmungo masculino, e só então se deu conta de que havia atingido a cabeça de alguém, o que foi o suficiente para lhe fazer abrir os olhos de vez.
ainda estava ao seu lado na cama, mas por algum motivo bizarro, não estavam sozinhos no quarto. Todos os outros estavam lá.
olhou para baixo, para si mesmo, e estranhou estar de calças. Ele não deveria lembrar de ter vestido as calças?
- Não lembra de ter se vestido? - perguntou de algum ponto qualquer do cômodo. Um que ele demorou para encontrar com apenas um dos olhos abertos, ainda meio perdido devido ao sono.
- Uhm? - resmungou ao encontrá-la, coçando a nuca como se não tivesse assimilado o que ela havia dito, mesmo que tivesse. Olhou para , ela vestia sua camisa e ele também não lembrava de tê-la visto fazer aquilo.
Céus, estava mesmo muito bêbado na noite anterior, mais do que ele acreditava estar. Parecia uma surpresa que ainda se lembrasse de ter dormido com a garota e se viu satisfeito por lembrar. Não era, definitivamente, o tipo de noite que ele gostaria de esquecer. Seus toques, seus lábios… Se ele tivesse uma lista, aquela noite estaria no topo.
- ? - voltou a chamar e só então ele se deu conta de que ela ainda falava, estreitando os olhos para ela. - Meu Deus, você é a única pessoa mais lerda que o Jackson pela manhã. - ela revirou os olhos, aproximando-se do namorado para puxar seus braços em uma tentativa de acordá-lo.
Só então notou que a cabeça que havia chutado era a dele e, novamente, se perguntou como diabos todos haviam terminado ali.
- Não me lembro disso. - falou finalmente, assistindo enquanto Jackson se esquivava de , tentando afastá-la. Ela, sem desistir, voltou a puxar seus braços e enquanto tentava se esquivar, caiu da cama com um estrondo.
Assustado, Jackson se sentou de súbito, no chão, enquanto ria e olhava confuso para a cena, como se ainda não tivesse conseguido entender o que estava acontecendo.
Bom, de fato, não tinha.
- Parem de fazer barulho. - resmungou, a voz rouca e mole devido ao sono. Ela escondeu o rosto no travesseiro onde estava deitado até então e ele apenas acompanhou o movimento, olhando para ela.
Bufando, puxou o travesseiro e bateu com ele em , fazendo com que os dois reclamassem. tentou se esconder embaixo das cobertas agora e ele levou a mão até o local atingido com um bico emburrado.
- Acordem! - exclamou, jogando o travesseiro em Jackson em seguida antes de puxar a coberta de também, jogando-a em Cole que dormia todo torto em uma poltrona no canto do quarto.
- , cala a boca, pelo amor. - ele se aconchegou melhor na poltrona sem abrir os olhos, apenas cruzando os braços para voltar a dormir.
Novamente ela revirou os olhos, o puxando pelo pé também até que estivesse no chão.
- ! - ele gritou, bagunçando os cabelos inconformado enquanto ela ria.
- Pelo menos acordou.
- Ah, qual é, calem a boca. - reclamou e se voltou para ela.
- Levanta de uma vez ou vai ser a próxima. - ameaçou, mas foi completamente ignorada. já voltava a dormir, Jackson tinha os olhos fechados com a cabeça encostada na cama e Cole se arrastou até o cobertor jogado por , o fazendo de travesseiro para voltar a dormir ali mesmo, no chão. - Porra, sério?! - exclamou. era o único que tinha se dado ao trabalho de pelo menos se manter de olhos abertos, mas seu cérebro não havia ligado de verdade ainda. - Nós precisamos ir ,fazer as malas! Já passou da uma hora da tarde e temos que arrumar as coisas no hotel para seguir viagem! - quando ninguém se pronunciou, bateu o pé e voltou a falar. - AS PASSAGENS JÁ ESTÃO COMPRADAS! - com a fala, Jackson abriu um dos olhos como se tentasse lembrar a si mesmo que devia, ou que o que ela dizia era importante. Ainda parecia que ele não estava entendendo nada do que ela falava na verdade, mas merecia um ponto pelo esforço. Não que parecesse disposta em dar, pegando novamente o travesseiro para jogar nele em seguida. - Acorda!
- Eu estou acordado. - ele resmungou, a voz soando arrastada demais para que qualquer um acreditasse daquilo.
- Temos que ir!
- Porra, ! - exclamou se sentando, mas gemendo em seguida, levando as mãos até a cabeça. - Que droga. - resmungou novamente antes de se voltar para ela. - Nossa passagem é para as cinco horas da tarde! Me deixa dormir!
- Temos que arrumar as coisas e nem fomos atrás de uma lembrança dessa viagem!
- Eu te compro quinze lembranças se me deixar dormir. - Jackson resmungou, voltando a fechar os olhos e ela bufou, urrando irritada.
- Eu vou sozinha, e largo todos aqui. Em cima da hora, não vou ajudar ninguém arrumar as malas.
- Até parece que você iria ajudar se fosse o contrário. - resmungou, encostando a cabeça no ombro de para fechar os olhos novamente.
Só então ele se lembrou que não fazia exatamente sentido ele estar ouvindo a discussão, mas apesar da sonolência e da ressaca, a verdade era que se sentia incomodado com o assunto. Não era como se em um dia fosse criar laços com alguém, mas a noite anterior era algo que ele definitivamente gostaria de repetir. esteve certo todo o tempo, precisava voltar a viver e havia feito um trabalho excelente em jogá-lo para a vida. Queria sair, beber, cantar aos berros no meio da noite, no meio da rua, mas queria fazer isso com ela. Queria terminar a noite na cama com ela, se sentindo tão vivo quanto o tinha feito se sentir.
Perdido em pensamentos, não notou que falava algo até ser cutucado por ela, se dando conta de que era encarado. Olhou para a garota, ainda encostada em seu ombro, e notou que ela esperava uma resposta. Não que ele soubesse a pergunta.
- Uhm? - perguntou e ela riu, escondendo o rosto em seu pescoço. Era um ótimo som, ele notou, e não se incomodaria de ouvir mais algumas vezes, ou por mais alguns dias.
- Acho que todo mundo ainda está meio dormindo. - disse, rindo também. - Ela falou que você e seu amigo bem que podiam seguir viagem conosco, já que estamos todos por ai. - explicou. - Eu gosto da idéia. Começamos isso nós três, eu, e Cole. Jackson já é um agregado que encontramos viajando sozinho. Não tem porque não jogarmos mais dois no grupo.
demorou vários instantes para associar a proposta, mas dessa vez não era por causa do sono, até porque de repente estava bem desperto. Era pela situação, era por querer tanto dizer sim para algo que ele não podia aceitar, para uma mentira boba que ele havia criado desejando que pudesse ser verdade. O que mais queria era fugir por ali, mochilar. Esquecer que tinha um curso na faculdade para terminar e uma empresa para assumir. Aquilo nem era o que ele queria na vida, nunca havia sido. Queria ser livre como eles eram, mas sua realidade era outra.
Ele a encarou, havia insistido tanto em dizer que era mentira que se viu surpreso por sugerir ser verdade, só então se dando conta que ela estava pedindo que ele fosse com eles, com ela.
E caramba, como ele quis aceitar, mais ainda agora.
Mas não podia.
Enquanto olhava para ela, tentado, pensou em formas de dizer não. Uma desculpa que não o fizesse admitir a mentira, de preferência, a máscara criada e acabou pulando de susto quando seu celular tocou em seu bolso. Vendo aquilo como a desculpa perfeita, atendeu com um pouco de pressa demais, mal vendo o nome de no visor mesmo que soubesse ser ele.
- Puta que pariu, onde você se enfiou?! - gritou do outro lado, fazendo com que afastasse o telefone da orelha com uma careta, sentindo a cabeça e o ouvido doerem.
- Bom dia, eu vou bem também, e você?
- Bom dia o cassete, ! Você tem noção do tempo que eu estou te procurando? Eu estaria menos puto se você realmente tivesse morrido!
- É ele? - sussurrou, tentando se aproximar para ouvir a conversa. - Chama ele. – pediu.
- Ele é gay? - Cole perguntou ainda de olhos fechados. - Diz que sim, cansei de segurar vela.
- Ah, eu… Tenho que ir. - falou rapidamente, o ignorando para se levantar com um pulo.
olhou para ele confusa, mas quem falou foi :
- O quê? - perguntou. – Chame-o para vir, você não precisa ir.
- Eu deveria ficar preocupado com toda essa afetividade? - Jackson interrompeu, mas já mais acordado não teve dificuldade de se desviar de mais um travesseiro jogado nele. - Diz que ele é gay. - pediu também. tentou pegar o travesseiro de volta para jogar nele, mas antes que o fizesse, Jackson se jogou sobre a garota que caiu nos pés de com um gritinho.
desviou com maestria, ignorando a confusão de do outro lado da linha com a gritaria.
- Onde diabos você está?! – quis saber, perguntando aos berros, mas fingiu não ter escutado nada.
- Tchau, tenho que ir. - falou com os outros sem tirar o telefone do ouvido.
- NÃO SE ATREVA A DESLIGAR O TELEFONE, ! – voltou a gritar.
- Não era com você. – revirou os olhos, mesmo que fosse o único culpado por toda a bagunça.
- , sua camisa! - gritou ao vê-lo sair sem se importar em calçar os sapatos ou com o dorso nu e ele riu sem graça por só então notar esses detalhes, voltando para pegar o tênis e a jaqueta, mesmo sem vesti-los para sair mais rápido dali.
- Vai mesmo embora? - perguntou sem entender nada, mas já acenava em despedida. Uma péssima despedida.
- Tchau. - falou, abrindo e fechando rapidamente a porta atrás de si a fim de que ninguém tivesse oportunidade de dizer mais nada.
- Espera, ele foi mesmo? O que houve? - ouviu perguntar, mas no segundo seguinte, ela já soltava um gritinho estridente. - Jackson! - o repreendeu por algo que não viu.
- , o que diabos está havendo? - insistiu e, afastando-se rapidamente sem olhar para trás, suspirou.
- Nem te conto. – disse apenas, iniciando a história logo depois.


DIA 24 - 3 HORAS ANTES
- Me explica de novo como você NÃO PEGOU O TELEFONE DELA?! - exclamou pela décima vez e , já frustrado o suficiente com si mesmo por isso, levou as mãos até a cabeça.
- Eu não sei, não sei! - gritou também, desacreditado. Também não tinha muita certeza do que poderia fazer com o telefone dela na verdade, ela ia embora de qualquer jeito e ele não podia ir junto, mas ainda assim parecia errado a forma como tinha virado as costas e simplesmente partido. Se tivesse o telefone dela poderia pelo menos se explicar. Não que soubesse o que dizer também, ou se deveria. Mentir sobre a sua vida era o fato mais irrelevante de toda história, se fosse parar para analisar. era do mundo, provavelmente vivia uma nova aventura em cada lugar que passava. Pessoas, lugares, coisas novas para ver e descobrir. Ele seria apenas uma lembrança logo, se deixasse as coisas como estavam ela poderia pelo menos ter algo bom dele para levar consigo. O que ela havia conhecido era o que ele gostaria de ser. Mais despreocupado, mais animado, mais tranquilo consigo mesmo.
Era mais fácil ser aquele , gostar dele, mas não era quem ele era de verdade, por mais que quisesse.
- V... você... – começou, mas desistiu no meio do caminho, se jogando na cama do amigo ao invés disso. – Eu sei que não tinha muito o que fazer, mas você podia pelo menos ter ido embora com alguma dignidade. Que porra, !
- Eu sei... – suspirou, se jogando sentado na ponta da cama, já que havia deitado bem no meio, dominando todo o espaço.
- Porra, você poderia pelo menos ter se despedido direito.
- Eu sei, . Que inferno! – exclamou impaciente, virando-se para trás a fim de encarar o amigo. – Você acha que eu estou feliz? Que está ajudando?
- Cara, você foi muito estúpido.
- EU SEI! – levantou-se da cama para gritar, mas voltou a se jogar onde estava no minuto seguinte, choramingando inconformado.
Não tinha porque não manterem contato, nem que fosse para saber de suas viagens. não se importaria com isso. Na verdade, até gostava, mesmo que não pudesse realmente ir junto.
- Ah, eu sou tão estúpido. – concordou, deixando-se cair para trás na cama.
- Você é. – o outro repetiu sem piedade, mas não contestou.
Ouviu o celular tocar em seu bolso, mas com já no mesmo cômodo que ele, não imaginou quem mais poderia ser. Não alguém com quem ele poderia querer falar no momento e apenas ignorou a ligação, fechando os olhos enquanto o aparelho tocava até parar na caixa postal. Quando terminou, permaneceu onde estava, imóvel, mas ouviu xingar quando o aparelho tornou a tocar.
- Dá pra atender essa merda? – perguntou, incomodado, e tudo o que fez foi retirar o celular do bolso, jogando-o no amigo e seguida como se pedisse para atender.
Bufando, olhou para o idenfiticador de chamada e ao não ver o nome de nenhum contato salvo, revirou os olhos, atendendo impaciente ao imaginar ser algum operador de telemarketing.
- O quê? – o ouviu dizer e riu sem abrir os olhos. - Não, . Quem está falando? – continuou, e abriu um dos olhos, curioso, quando ficou mudo repentinamente. Quando notou estar sendo observado, estendeu o aparelho ao amigo. – Você vai querer atender.
- Quem é? – perguntou, mas ele apenas insistiu com o aparelho estendido, recebendo um bufar do outro antes de atender. – Quem é? – perguntou para quem quer que estivesse do outro lado da linha e arregalou os olhos quando ouviu uma risada já familiar soar dali. Surpreso, olhou para o amigo que concordou com a cabeça. – ? – perguntou, não conseguindo esconder do tom de voz que ela era a pessoa que ele menos esperava ouvir no momento.
- Bom saber que sua educação muda ao ouvir meu nome. – ela riu novamente e mordeu o lábio inferior, ligeiramente constrangido. Não que ela precisasse saber.
- É o efeito que você causa das pessoas. – respondeu e abafou uma risada de deboche nas costas da mão. lhe mostrou o dedo do meio, levantando-se da cama para se afastar dele, mas precisou desviar da almofada com a qual tentou lhe atingir. – Para, porra. – reclamou em voz alta, sem que pudesse se conter.
- , né? Seu amigo? – ela perguntou do outro lado da linha. – Ele está rindo? Fala que pelo menos você pegou a garota.
- Não acho que ele tenha problema com isso.
- Mas eu escolhi você, não foi? – perguntou, o fazendo rir.
- Me escolheu?
- Claro. Não pensou que fosse ao contrário, né?
- Jamais.
- Muito bom. – ela devolveu, voltando a fica séria assim que parou de rir. – Estamos indo embora. – ela falou, e apesar de ter passado as últimas horas se martilizando por não ter pego o telefone da garota para se explicar, torceu para que ela não o chamasse novamente para ir junto, apenas para não ter que contar a verdade como desejava fazer até pouco tempo. Mas por outro lado, no fundo, também queria que ela pedisse. Pedir, especialmente depois da forma como ele havia ido embora, mostraria que havia significado algo para ela também. Que ela queria que ele fosse tanto quando queria ir. E no fundo ele também sabia que se fosse só uma transa, não teria passado tanto tempo pensando sobre o fato de não ter seu telefone. Normalmente era mais legal não ter que se preocupar em ligar no dia seguinte. – Eu deixei uma coisa para você no quarto da pousada onde estávamos ficando. Reservei o quarto por mais algumas horas para que você tivesse tempo de chegar até lá. Está em cima da cama.
- O quê? – ele perguntou, surpreso demais para conseguir dizer qualquer outra coisa.
- Blue Avenue, 427. Quarto 12. – falou, ignorando sua pergunta. – Me liga depois que encontrar.
Antes que tivesse oportunidade de dizer qualquer outra coisa, ela desligou e confuso, ele olhou para o aparelho por alguns instantes antes de simpesmente retornar a ligação.
Tocou uma, duas, três vezes antes da chamada ser encerrada e antes que pudesse ligar novamente, o aparelho notificou uma nova mensagem do mesmo número. abriu.

“Eu disse para me ligar quando achar e ainda não deu tempo.”


- Achar o quê? – perguntou atrás dele, fazendo pular de susto no primeiro instante.
- Ela deixou algo para mim no quarto da pousada onde estavam ficando. – explicou e como se fosse super normal, deu de ombros.
- E o que estamos esperando?


DIA 24 – 2 HORAS ANTES
A única coisa em cima da cama era um artigo de internet do dia anterior.
Sua foto estava na internet, claro que estava e ele deveria ter se dado conta. Naquela, especificamente, ele estava atrás de seu pai em um pronunciamento qualquer. A empresa era a notícia.
E ela sabia que era a empresa de seu pai. Sabia quem ele era e sabia que tinha mentido. Ele, na verdade, morava ali e não tinha nenhum plano de fugir. Queria, de verdade, mas não tinha, não podia e ela sabia. Se perguntou desde quando.
Frustrado, pegou o artigo em mãos. Se tivesse falado a verdade, poderia ter pelo menos se despedido.
negou com a cabeça, sem acreditar em si mesmo. Não era graças a ele que, pelo menos, tinha o telefone dela, mas não era a mesma coisa. Poderiam ter tido pelo menos mais algumas horas e ele não ia se enganar dizendo que não queria. Apreciou cada segundo com ela, não tinha porque negar mesmo que tivesse sido apenas algumas horas. Foram horas que valeram a pena, ela fez com que valessem, diferente dele, aparentemente, que havia perdido a despedida.
- Idiota. – murmurou, soltando o papel de qualquer jeito na cama pronto para, frustrado, ir embora. Isso antes de notar as letras atrás.
Ela havia escrito algo para ele e pegou o papel em mãos novamente para ler.

Não foi difícil imaginar o tamanho da responsabilidade e da expectativa que se cai sobre você depois de ler isso. Entendo sua vontade de fugir e ser outra pessoa. Todos desejam, na verdade. Minha viagem começou assim. Não sabia o que fazer, para onde ir. Não tinha um propósito, então decidi aproveitar a falta de um.
E não me arrependo.
Não estou tentando te incentivar a jogar tudo para o alto com isso, de forma alguma. É um grande futuro que você tem pela frente, . Um futuro brilhante de verdade e você deveria se orgulhar dele, mesmo que tenha vontade de fugir as vezes. É normal se sentir assim, é normal ter medo e espero ter ajudado de alguma forma durante esses dois dias.
Você já te meu telefone agora (já pode me agradecer) e vou compartilhar nosso roteiro com você, caso queira fazer uma surpresa qualquer dia. Como eu disse, não estou te incentivando a fugir, mas nós sabemos que você pode simplesmente pegar um avião e vir nos visitar caso queira.
Esses dias foram ótimos. Eu gostei de verdade.

.

P.S¹: Dá próxima vez minta também o nome. Foi bem fácil te achar.
P.S²: Não se esqueça de pedir o telefone da garota. Foi bem descuidado da sua parte.
P.S³: Não se esqueça de se despedir da próxima vez.


- Otário, você é mesmo um bosta de um otário. – xingou a si mesmo, bufando com a carta em mãos e levou alguns instantes para decidir o que fazer. Na verdade, o relógio sobre a cama foi que lhe deu a ideia. Ainda tinha meia hora para as 17h. Meia hora para, pelo menos, se despedir.
saiu correndo do quarto, seguindo para a recepção onde lhe esperava, mas ignorou o amigo, parando de frente para o homem atrás do balcão. Abriu a boca para perguntar se sabia de algo, mas antes que o fizesse, o interrompeu:
- Já descobri a rodoviária. Vamos logo. – falou, dando as costas para a pousada com logo atrás.
Meia hora.

DIA 25 DE JUN. DE 2017 – AGORA
saiu as pressas do carro, batendo a porta com mais força do que o necessário. Dois minutos para as 17h. Ele tinha dois minutos para evitar o arrependimento que lhe consumiria se deixasse.
Podia ter seu telefone, seu roteiro, mas não sabia quando teria a oportunidade de vê-la de novo. Não podia deixar que a última chance lhe escapasse entre os dedos.
Mais uma vez, olhou pra o visor do celular. Já havia ligado e mandado mensagens, mas por algum motivo, apenas de ter pedido que ligasse, não o havia atendido.
Estava nervoso, ansioso e apesar de se sentir um tanto quanto patético, apertou para discar mais uma vez, mesmo tendo dito após a anterior que seria a última.
O único motivo para que ela não atendesse era o de já estar dentro do ônibus que a levaria sabe-se onde para qual lugar agora. também não tinha enviado o roteiro ainda.
Um minuto e bufou indignado.
Como havia deixado passar? Como havia deixado que fosse embora sem se despedir? Qual era a droga do seu problema?
Mas antes que respondesse sua própria pergunta retórica, sentiu seu telefone vibrar em sua mão e olhou para a tela cheio de esperanças.
Era ela e ele sorriu sozinho ao ver a setinha de localização que ela havia mandado.

“Está quente”


Com a frase, olhou para trás e viu acenar logo mais a frente, piscando para ele em seguida.
Sem dizer nada, riu, aproximando-se da garota que guardou o celular quando ele chegou.
- Que bom que você pelo menos entendeu a deixa final. – disse cara a cara com ele e , culpado, mordeu o lábio inferior, só então entendendo que, quando ela mencionou despedida, queria justamente isso, que ela fosse atrás dela. Certo, idiota era um termo fraco demais para ele. Sua burrice era sobre humana. – Você não entendeu nada, não é? – ela perguntou, rindo e ele fez uma careta antes de fazer o mesmo.
- Eu vim porque não estava acreditando que tinha te deixado ir sem dizer nada. Ou que tinha fugido daquele jeito tão patético.
- Foi realmente patético. – ela concordou. – E eu vou ficar com sua camisa como penitencia.
Ele sorriu.
- Vai ficar com minha camisa de recordação. – corrigiu e ela deu de ombros.
- Talvez. Preciso fazer alguma coisa já que você não me beija logo.
Perdendo mais alguns instantes para olhar mais uma vez para ela, finalmente limitou o restante da distância que havia entre eles, selando seus lábios pelo que podia ser a última vez.
Sentiu os braços dela envolverem seu pescoço antes mesmo que suas línguas se tocassem e enquanto segurava em seus cabelos, sentiu arranhar sua nuca. Eram gestos simples, todos eles, mas de alguma forma soube que lembraria dela mesmo que perdessem o contato, mesmo que não se vissem mais.
era do mundo e ele estava preso ali, mas isso não o impediu de aproveitar aquele último contato. Sentir o sabor de seus lábios agora sem nenhum vestígio de álcool neles. Era apenas ela, ambos sóbrios o suficiente para saberem o quanto aquilo significava.
Era uma despedida, mas no fundo nenhum dos dois queria que fosse e foi com aquele sentimento enquanto a beijava que ele jurou para si mesmo.
Não seria a última vez.


Fim.



Nota da autora: Aeeeee, essa eu pari! XD Peguei essa fic com o plot na cabeça, mas quem disse que ele saia na hora de escrever? Saia nada! E ainda tive que mudar tudo 10 vezes! Haha
Enfim, espero que tenham gostado! E comentem, pls!
Xx
Mayh.



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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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