Finalizada em: 22/10/2017
Contato:

Capítulo Único

Rindo, puxou das mãos da esposa o pano de prato com o qual ela tentava, sem sucesso, atingí-lo. A intenção era tomar o pano para sí, mas ela não o soltou e como consequência, acabou nos braços do homem, também aos risos.
- Me solta. – ela protestou sem parar de rir, tentando tirar os braços dele de sua cintura. Não estava nenhum pouco incomodada com a atitude, aquele tipo de intriga boba era o que mais faziam, o tempo todo, e em resposta ele apenas escondeu o rosto em seu pescoço por trás, sorrindo contra sua pele ao notá-la arrepiada mesmo em um dia tão quente. – A casa está cheia de crianças, ! – ela reclamou, com alguns pensamentos um tanto quanto inadequados em mente, especialmente para o horário.
Como se tivesse sido invocada, Yangmi irrompeu o cômodo aos tropeços, fazendo com que o casal se soltasse imediatamente, surpresos com a presença da aniversariante.
- Mi, já falamos que não é pra correr dentro de casa. – a reprovou, precisando segurar a garota para que não caísse quanto tropeçou, jogando-se sobre ele. Aos oito anos, ela batia na altura de seu umbigo, mas mal teve tempo de erguer a cabeça para encarar o pai quando Daehyun invadiu a cozinha atrás da irmã, que escondeu-se atrás do homem ao ver o garoto ali.
- Olha ele, olha ele! – gritou a menina para os pais e imediatamente levou as mãos até a cintura, olhando para o Hyun em repreensão.
Daehyun arregalou os olhos.
- Mas foi ela quem começou! – exclamou indignado, apontando para a irmã de forma acusatória. - Ela pegou o controle do vídeo game!
- Vocês estavam jogando vídeo game no meio da festa da sua irmã? - perguntou, séria, e riu quando o garoto apenas pareceu ainda mais apavorado.
- E... eu... Ela... Mas ela roubou o controle! - voltou a exclamar como se aquilo justificasse tudo e a garota afastou o rosto da camisa do pai para olhar para o irmão, mostrando a língua para ele. olhou feio para ela pela atitude e Yangmi voltou a se esconder.
- E por que ela pegou o seu controle? - questionou. Não ligava, de verdade, que o garoto estivesse jogando vídeo game com o colega. Estava apenas implicando. Era melhor aquilo do que Hyun brigando com a irmã, o que ela sabia, não era realmente do feitio do menino e, logo, sabia que havia mais na história.
Hyun abriu a boca para falar, mas antes que o fizesse, Yangmi saiu de onde estava, praticamente pulando na frente do irmão. Imediatamente, ele fez uma careta enquanto ela apontava em sua direção, olhando, no entanto, para os pais.
- Ele não quer contar para a Hee que gosta dela! – exclamou a menina, fazendo o irmão arregalar os olhos mais uma vez.
- Eu não gosto! – respondeu imediatamente, chocado, mas Mi não se abalou pela negativa.
- Gosta sim! – devolveu tão rápido quanto.
- Não gosto não!
- Gosta! – Yangmi bateu o pé, não dando o braço a torcer enquanto os adultos presentes de entreolhavam. - E ela também gosta!
- Ela gosta dela mesma? – o garoto fingiu confusão, e respeitando as respostas rápidas, a garota não pensou no que dizia antes de concordar:
- É! – exclamou, fechando a cara em seguida ao notar o que havia dito. – Não! – voltou a dizer, rapidamente, mas fez uma careta logo depois, ainda confusa. - Espera! Quê?
Hyun e seus pais riram e Yangmi cruzou os braços, emburrada pela atitude dos mais velhos.
- Eu não gosto de ninguém. Só de mim mesmo. – falou o garoto de doze anos, chamando a atenção dos pais.
- Amor próprio é tudo. – falou para a mulher, que acabou sendo obrigada a concordar enquanto Mi revirava os olhos.
- Ele não quer admitir porque acha isso tudo uma besteira, mas está errado. – retrucou a menina, ainda de cara fechada enquanto olhava, propositalmente, para o lado contrário ao que o irmão estava.
- Isso tudo? – perguntou, curiosa, e ela deu de ombros. Foi Hyun quem revirou os olhos dessa vez, como se estivesse cansado, de verdade, de ouvir aquilo. se perguntou quantas vezes já tinham discutido o assunto e quando havia ficado tão velha. Os filhos discutindo sobre amor? Tão novos? As coisas sempre foram assim tão rápido? Lembra-se claramente de ainda brincar de boneca aos oito, e de obrigar a brincar com ela. Não sabia que o amava ainda aquela época. Não romanticamente, pelo menos. Na verdade, parando para pensar, ela era muito como Hyun, não ligava para isso, e de repente a resposta que a garota daria fez bastante sentido.
Yangmi era romântica como o pai, Daehyun, mais fechado, como ela. Também amava, mas a sua maneira. Era mais contido e a mulher olhou para o marido ao se dar conta daquilo, vendo-o sorrir para os filhos. também tinha notado.
- Hyun não acredita no amor. – falou a menina, olhando, em seguida, para os pais. – Como é possível?! – quis saber, totalmente chocada, enquanto Hyun olhava para ela entediado.
- Qualquer semelhança é mera coincidência. – comentou, em um sussurro que ele sabia, a esposa ouviria. Era para ouvir, ela sabia disso, mas entrou no jogo e olhou feio para ele.
- O quê? – o desafiou o repetir e riu por isso.
- Nada, nada não. – negou rapidamente e Mi, desacreditada, pulou na frente deles, erguendo os braços.
- Vocês estão perdendo o foco! – exclamou mais uma vez.
- Meio desnecessário esse seu foco, né? – Daehyun comentou, sorrindo de forma falsa quando a irmã o fuzilou com o olhar.
- Conta pra ele! – ela voltou a pular, chamando a atenção dos adultos.
- Contar o quê? – perguntou e ela bufou, jogando os braços para cima impaciente.
- Que o amor existe! – falou como se fosse óbvio antes de se voltar para o irmão. – O papai e a mamãe, eles se amam!
- Lógico. – ele concordou, dando de ombros como se aquilo também não fosse novidade e Yangmi olhou para ele perplexa.
- Então! – ela disse, aumentando a voz. – Um dia eles se conheceram, se gostaram, e casaram! Não nasceram papai e mamãe!
acabou rindo daquilo, de repente recordando de coisas demais e, novamente como se a entendesse, lhe encarou. O mesmo olhar apaixonado de sempre, o mesmo olhar que todos sempre o viram direcionar a ela, mesmo antes dele perceber. Todos sabiam afinal, menos eles, e o menino olhou curioso para o casal, como se perguntasse do que eles riam.
- Conta! – Mi exclamou, os olhos brilhando como se tivesse acompanhado os pensamentos dos pais e o menino apenas olhou de um para o outro, mais confuso do que nunca. – A história de como descobriram o amor! – pediu ela, correndo até o irmão.
Daehyun olhou para a menina desconfiado, especialmente quando a irmã lhe puxou para baixo, tentando fazer com que sentasse no chão para acompanhar a história. O garoto, em resposta, recolheu o braço ao notar, recebendo um bico em retorno.
- Não estamos na escola, Mi. Para com isso. – a repreendeu, tão chato quando um menino podia ser com a irmã mais nova, mas realmente curioso pela história, puxou uma cadeira, apontando para que a irmã se sentasse. Feliz da vida, Yangmi o fez, acomodando-se ali enquanto o irmão empurrava o móvel para mais perto da mesa antes de se sentar ao lado dela.
Ambos os pais se encararam de forma divertida. Ninguém havia concordado em dizer nada, mas não viam porque não contar afinal, era uma história um tanto quanto engraçada e gesticulou para que a esposa começasse, apoiando-se no balcão da cozinha antes de cruzar os braços.
Negando com a cabeça, a mulher riu uma vez antes de começar. A história de como descobriu o amor.


VINTE E DOIS ANOS ATRÁS

olhava para o rapaz, mas não o ouvia de verdade. Tinha parado de ouvir há dez minutos, quando terminara o namoro, mas ele continuava falando. Não tinha muita certeza do que era, mas não dava a mínima, sentada em uma das mesas no jardim do colégio enquanto ele falava qualquer coisa, indignado com o final do relacionamento.
Ela tinha um olhar entediado no rosto, tomava seu suco de caixinha o mais lentamente possível para combinar com seu estado de espírito. O rapaz movia a boca muito rápido. Se perguntou se ele estava gritando, mas quem ligava? Ela não ligava.
O suco finalmente acabou, mas não parou de sugar, tampouco se importou com o barulho que fazia. Era melhor do que o ouvir falando, mas o rapaz não pareceu muito feliz, tomando a caixinha de sua mão antes de jogá-la violentamente na lixeira do lado.
- Ei, eu estava tomando! – ela finalmente se pronunciou, levantando-se em um pulo para acusá-lo.
- Não estava não! – ele respondeu indignado com a situação. – Porra, você ouviu alguma coisa do que eu disse?
- Não! – ela exclamou de forma direta, não vendo porque negar. Havia terminado a droga do namoro. O que mais ele queria? Nem era para ser um namoro na verdade, não entendia porque não podiam agir com mais liberdade. O mundo estava mudando naquele aspecto, mas a evolução ainda era lenta demais para ela, especialmente ali. – Eu estava torcendo pra que fosse embora logo, só isso! Já pode ir. – irritou-se pela atitude do rapaz.
- Vadia. – xingou, mas ela não deu a mínima, limitando-se em acenar com um sorrisinho cínico.
- Tchau. – ela repetiu para ele que, furioso, deu as costas, a deixando sozinha finalmente. – Idiota. – ela resmungou, olhando para a caixinha no lixo como se aquele fosse realmente um problema.
- Um mês. Acho que é seu recorde pessoal. – falou, aproximando-se da amiga com uma outra caixinha de suco que estendeu a ela. Imediatamente, sorriu, aceitado o suco antes de seguí-lo até o banco para onde ele havia apontado. – É bem irônico quando ele era o mais babaca de todos. – continuou, sentando-se ao lado dela enquanto olhava a garota furar a caixinha, finalmente levando o canudo a boca. Ele não entendia porque ela gostava daquela porcaria.
deu de ombros, balançando os pés de forma até animada enquanto balançava as pernas no banco alto demais. Ele gostava dali justamente por isso, sentia-se menor e gostava disso, o que ninguém entendia já que ela tinha uma estatura comum e mediana.
- Por isso mesmo. – respondeu após um longo gole. – Ele não gostava de mim, não era grudento por isso, mas cansei dele.
- Ainda é seu recorde. – ele respondeu simplesmente, tirando o óculos de sol que prendia na camisa para colocá-los no rosto antes de deitar-se no colo dela, cruzando os braços de forma confortável sobre seu peito enquanto acomodava-se ali.
ergueu a sobrancelha ao encará-lo, como se aquilo fosse um enorme abuso mesmo que não fosse. Era bem comum entre eles na verdade, que eram amigos desde crianças e ele apenas conteve um sorriso, ciente de que ela reclamaria. Esperava que fosse pela atitude, mas antes de começar, ela desceu o olhar para as roupas dele, bufando em seguida.
Dessa vez, riu. Também sabia o que vinha a seguir.
- Isso não é um desfile de moda. – ela retrucou de forma mal humorada enquanto voltava a levar o canudo até a boca e ele apenas sorriu.
- O quê? – perguntou, divertido. - Óculos de sol e uniforme, apenas. – falou, vendo-a revirar os olhos.
- Você faz parecer um desfile de moda. – resmungou inabalável.
O estilo de era um tanto quanto antiquado para sua idade. Gostava de combinar roupas sociais e casuais e o fazia muito bem, mas não era exatamente algo comum de se ver em um rapaz de dezoito anos. Ela sabia que sua vestimenta era muito mais por influência de sua família, fora criado daquela forma, sempre muito bem educado e elegante, conseguindo fazê-lo mesmo no uniforme escolar, que era social. A maior parte dos garotos pareciam sapos naquela rouba, mas não e ela achava totalmente irritante aquele fato. O blazer bem passado, o sapato social bem polido, mesmo que não fosse obrigatório. Tênis era válido, ele só queria aparecer para seu fã clube pessoal. E sim, ele tinha um antes mesmo de ser cotado pela SM.
- Cala a boca. – ele respondeu simplesmente e mesmo com os óculos escuros, ela pode notar quando ele fechou os olhos, revirando os seus e o deixando para lá após jogar sua caixa de suco fora. Havia acabado.
olhou para cima, para o céu, sem nenhum motivo aparente e depois apoiou-se para trás no banco. O dia estava agradável, o sol brilhava sobre suas cabeças e algumas folhas caiam das árvores. Ela quis comentar sobre isso com , e virou-se para ele novamente, mas se calou ao notar seus lábios ligeiramente abertos. Ele estava mesmo dormindo e ela sorriu. Não se deu conta, na verdade, de que sorria, mas conhecia algumas pessoas muito bem dispostas a lhe mostrar. Ouviu o som da câmera antes de ver as amigas, e nem precisava ver para saber de quem e do que se tratava. Era bem óbvio, na verdade e ela se voltou com um olhar um tanto quanto irônico para as garotas.
- Essa vai ser a primeira foto no slide do casamento. Eu faço questão de cuidar dos slides só pra isso. – provocou, rindo ao olhar para a foto.
revirou os olhos.
- Se iluda em silêncio, por favor. Ele está realmente dormindo.
- Olha minha cara de quem liga. – respondeu, puxado os óculos do rosto de que resmungou sem abri-los, virando o rosto para escondê-los na camisa de .
- ... – ele resmungou, soando realmente sonolento e riu junto com .
Ofendido, ele a mordeu, gargalhando em seguida quando a garota gritou. Não esperava uma reação maior que aquela e acabou se assustando quando ela o empurrou. Gritando também, conseguiu se segurar no último instante para não cair, enquanto as três riam do garoto por isso.
- Já até brigam como um casal, só faltam ser um casal. – falou, trocando um high-five com a outra quando esta ergueu uma das mãos para isso. e reviraram os olhos e ambas trocaram um olhar.
- Ainda copiam os gestos um do outro. – observou. – Um casal e daqueles tão melosos que argh... – fez careta enojada.
- Tão melosos que você fica tentado juntar. – observou e concordou.
- Mesmo eu tendo namorada. – ele sorriu vitorioso, como se tivesse acabado de vencer a disputa com aquele argumento, mas gargalhou alto, deixado claro que discordava.
- Não tem não. – falou, recebendo olhares confusos por parte de e , que lhe encararam enquanto ele fazia careta.
Notado a expressão, se voltou para ele de queixo caído. Nunca foram necessárias muitas palavras para que compreendessem um ao outro.
- Desde quando?! – ela quis saber, inconformada, e ele sorriu amarelo ao invés de responder.
- Duas semanas. – falou por ele e , chocada, apenas repetiu a informação de queixo caído.
- Duas semanas e não me contou! – exclamou após absorver a notícia. – ! – o repreendeu.
- Você também não me contou que terminou! – defendeu-se ele, mesmo que o argumento fosse inválido. - Estamos quites.
- Uma ova! – levantou a voz. - Não te contei porque você viu!
- Ouvi, na verdade. – respondeu, dando de ombros de forma tranquila. – E ouvi mais do que você, alias, que ignorou o coitado.
- Para de voltar o assunto para mim! – ela exclamou novamente, batendo o pé, e ele fingiu confusão.
- Não sei por que está tão chocada. Acontece.
- Foi tipo um namoro relâmpago. – voltou a falar, como se fosse obvio, e a repreendeu com o olhar. – O quê?
- Não se interrompe briga de casal. – falou, como se levasse aquele fato realmente a sério e os dois reviraram os olhos, especialmente quanto concordou:
- Ah, verdade. Desculpe, podem continuar. – falou, sentando-se de frente para eles e apoiando-se nos joelhos como uma criança que esperava o desenho começar, ansiosa.
preferiu ignorar, voltado-se novamente para .
- Esse foi o seu recorde! – falou, exasperada, mas ele não pareceu se importar.
- Eu sei, eu sei. – concordou antes de se voltar para . - Posso ter meus óculos de volta agora? – perguntou, estendendo a mão para ela que negou com a cabeça, não o deixando fugir do assunto.
- Por quê? Ela não era o amor da sua vida? – perguntou de forma irônica, ainda se referindo ao término do namoro.
fechou a cara, emburrado.
- Não, não era. – ele admitiu a contra gosto. - Satisfeitas, as duas?
- Três. – o lembrou. - Estou com elas nessa.
- Não são as mulheres que deveriam ser românticas? – perguntou, inconformado por estarem todas contra ele naquele ponto. Qual era o problema de acreditar que gostava da namorada? Não era esse o objetivo?
- Acontece que nós somos os machos dessa relação. – devolveu com um sorrisinho cínico, sua carta registrada. - A mulher é você.
- Uma pena que não exista relação. – ele sorriu da mesma forma em retorno, imitando seu gesto, e riu com deboche.
- Sempre existiu, você que não vê. – tirou as palavras da boca da amiga que ainda gargalhava, como se aquela tivesse sido a piada do ano.
- Vocês duas são ridículas. – retrucou e deu de ombros.
- Podem devolver meus óculos agora? – insistiu, cortando o assunto, e olhou para eles fazendo bico, como se os analisasse.
- Ah, estou pensando em quebrá-los só pela piada. – secou lágrimas imaginárias de seus olhos e bufou apenas para deixar claro que não a levava a sério.
- Tenho outro no carro. – mentiu descaradamente e franziu o cenho, sentindo que perdera uma parte da história.
- Está bem. – respondeu, realmente pegando o objeto em mãos para cumprir a ameaça e deixou o queixo cair.
- Ei! Sério?! – exclamou.
- Você tem outro no carro. – ela repetiu sua fala, mas se levantou para pegar o óculos de volta. Antes que ele o fizesse, ela o escondeu atrás de si. – Só devolvo depois de um pacto.
- Por que eu tenho que fazer um pacto para ter de volta o que é meu?! – perguntou, chocado.
- Porque eu quero. – decretou e ele sorriu, demonstrando estar inabalado mesmo tendo se entregado na fala anterior.
- É só um par te óculos, por que você acha que eu vou concordar? – quis saber, tentando deixar claro o quão absurdo achava aquilo enquanto e , sem entender, olhavam de um para o outro.
- Porque não tem outro no carro e precisa deles pra continuar fingindo a conjuntivite pra fugir da educação física. – explicou e ele bufou, insatisfeito, enquanto ria e deixava soltada um “ah”, como se tudo fizesse sentido agora.
- Como vocês sempre sabem de tudo? – perguntou, perplexo.
- Não passamos todas as aulas dormindo. – o respondeu enquanto o garoto cruzava os braços como uma criança.
- Não, né? Passam a aula inteira interceptando bilhetes alheios para saber das fofocas. – falou emburrado, referindo-se ao que haviam feito com ele naquele mesmo dia. Pior, ainda escreveram no papel o quão gay era ter dois caras fazendo aquilo.
Quando se juntavam, as três, o veneno escorria.
- Essa é a graça. – concordou, o fazendo revirar os olhos.
- Fala logo o que querem. – pediu de uma vez, voltando a se sentar para ouvir. Realmente precisava dos óculos afinal. Não podia se dar ao luxo de perder o resto do ano por algo tão estúpido. Já tinha planos para depois da escola.
- Vocês, os dois – apontou de um para o outro. – Vão sair em um encontro.
- Três encontros. – sugeriu, voltando-se para ele. – Serão três, a formatura o último. Irão juntos ao baile.
- Perfeito, três. – concordou e riu.
- Não estou nem ai se ele vai fugir ou não da física. Não me incluam.
- ... – ele choramingou e, mais uma vez, ela riu. Agora em deboche. – Nós já saímos o tempo todo. Não vai ser nada demais. – falou. – E você perdeu seu par para o baile, eu também. Você sabe que acabaríamos indo juntos.
- Em último caso, querido. E ainda tem tempo para isso.
- ... – choramingou mais uma vez, manhoso, mas ela negou. – Faço tudo que quiser por...
- Um mês! – ela o interrompeu, de repente amando aquela ideia. sorriu perversa e ele deixou o queixo cair ao notar seus planos. Deveria ter imaginado.
- Você só estava me esperando dizer isso! – falou ele. - Não vale!
- Então fica sem os óculos. – ela respondeu.
- !
- Minhas condições. – insistiu e ele bufou, desacreditado com o enorme complô, mesmo que fosse bem normal, na verdade. E ele sempre se fudia no final.
- Okay, okay. – concordou, impaciente. - Agora me devolve. – pediu para que deu um passo para trás.
- Ainda não falei as nossas condições.
- Porra, você ainda quer condições?! – jogou os braços para o ar.
- Olha, não é o professor de educação física ali? – ela perguntou, estreitando os olhos para olhar um ponto atrás de que revirou os olhos.
- Claro, vou mesmo cair dessa.
- Professor! – ela gritou, acenando, e arregalou os olhos ao olhar para trás e vê-lo mesmo ali. Imediatamente, se voltou para frente, encolhendo-se no banco.
- Porra, ! Okay, fala logo!
- Nós escolhemos os encontros.
- Sem chance. – e falaram, juntos.
- Não vamos sacanear, queremos juntá-los como um casal.
- Não vamos fazer nenhuma babaquice de casal. – falou e elas concordaram.
- Se pedirmos demais, o pacto está desfeito.
- Fechado. – concordou, estendendo a mão. o ignorou, olhando para que revirou os olhos.
- Entrega logo. – disse e vibrou enquanto a outra revirava os olhos.
- Ainda esse ano, um novo casal na escola. O que todos nós estávamos esperando.
- Nos seus sonhos. - retrucou.
- Veremos. – ela devolveu. – Veremos.

+++


nunca tinha se arrumado muito para sair com . Quer dizer, sim, ela se arrumava, mas costumava ser por ela, pensando em si mesma, nunca nele. Também não estava, nem de longe, acostumada a sair com o amigo para qualquer lugar que exigisse “requinte”. No geral, iam um para a casa do outro maratonar uma série nova, ou ver um filme novo no cinema. Comer em alguma lanchonete por ai, ou pedir comida enquanto jogavam vídeo-game.
Sair com ele para um restaurante chique era novidade e o fato daquilo estar acontecendo justamente para que fosse um encontro era um tanto quanto assustador. Era , o mesmo de sempre, mas tentar mudar isso era justamente a questão. Tentar vê-lo de outra forma.
E ela também tinha medo de conseguir, claro que tinha. Nunca tinha tido um relacionamento duradouro, não acreditava que poderia existir um assim. Sua mãe se casara mais vezes do que ela poderia contar e seu pai estava com uma mulher diferente cada semana, todas com mais ou menos a sua idade. Ela não conhecia nada diferente daquilo, não acreditava que poderia existir, diferente de .
Era costume de se iludir e terminar de coração partido. normalmente ficava preocupada quando ele aparecia com uma namorada nova por isso. Ele tinha melhorado nesse aspecto, criado uma certa resistência conforme cresciam, mas ela ainda se preocupava, era inevitável, e a ideia de ter algo com ele lhe deixava tão insegura quanto poderia estar. Ele era aquele que se jogava de cabeça e tinha o coração partido. Ela era a vadia que partia corações. Não tinha qualquer possibilidade daquilo dar certo.
Ao se dar conta do rumo que seus pensamentos tomavam, no entanto, chacoalhou a cabeça. Aquilo estava mais do que absurdamente errado.
Era . Ela nunca teria nada com . Eram melhores amigos desde que se lembrava por gente. Se sentisse algo por ele, daquela forma, saberia.
Mas tão rápido quanto o pensamento surgiu, veio aquela dúvida:
“Mas e ele?”
Novamente, chacoalhou a cabeça.
Se gostasse dela, não amaria tão intensamente as namoradas e não teria seu coração partido para que ela juntasse os pedaços. Não, não a via daquela forma, ela não o via daquela forma e odiou as amigas por criarem aquela dúvida em sua mente.
era e sempre seria seu melhor amigo, apenas isso.
- , o ! – ouviu sua mãe chamar do andar inferior e pegando rapidamente a bolsa, correu para baixo antes que tivesse outra crise de identidade completamente desnecessária.
Era , apenas o . Provavelmente passariam a noite rindo das pessoas no restaurante, isso se ela não risse até cuspir a comida com toda a classe que não tinha.
- Uhm... Que elegância. – ouviu sua mãe falar impressionada, ainda da escada. Era com o garoto, não com ela. – Para onde vão que precisou se arrumar tanto? – perguntou, divertida, e pode ouvir uma risadinha de . Normalmente o garoto se dava muito bem com a mãe dela, até melhor do que ela. As vezes se perguntava se não era para provocá-la. adorava provocá-la.
- É melhor nem perguntar. – o garoto respondeu para a mulher, virado-se para a escada quando finalmente apareceu em seu campo de vista. – Você não está tão horrível hoje. – falou ele, a fazendo revirar os olhos ao se juntar a eles.
O de sempre. Era apenas o de sempre e a frase dele deixou isso bem claro. Chegou, inclusive, a se achar a pessoa mais ridícula do mundo por ter passado tanto tempo cogitando algo poderia ter mudado.
Precisava se lembrar de matar e por aquilo, mas faria isso depois de provar, com os três encontros, que eram apenas amigos.
- Você, infelizmente, está tão horrível como de costume. – alfinetou, mesmo que fosse uma mentira um tanto quanto óbvia. Ele se arrumava até para vestir uniforme escolar, imagina para ir a um restaurante chique.
, na verdade, estava ainda mais bonito do que o normal, seu fã clube totalmente surtaria. Talvez ela devesse tirar algumas fotos para vender por ai. Ele vestia calça e sapatos sociais pretos, da mesma cor da camiseta que ele vestia por dentro da calça e um sobretudo bege. Seu cabelo, perfeitamente arrumado em um topete que ele provavelmente tinha levado horas para fazer e seu perfume podia ser sentido de onde ela estava.
- Obrigado. – ele devolveu, acenando para a mãe dela com a cabeça antes de dar o braço para que ela segurasse e revirou os olhos ao aceitar.
- Não foi um elogio. – retrucou, deixando-se guiar para fora.
- Não? Porque eu me lembro muito bem das suas “críticas” sobre desfile de moda. – falou divertido. – Se estou como de costume, me parece um elogio.
- Não foi. – ela insistiu e fazendo bico, ele concordou, mesmo que não a levasse a sério e tivesse ciência de que ela também não.
- Você é péssima com essa coisa de não elogiar, sabe? – ele perguntou, abrindo a porta do carro para ela que, sem dizer nada, entrou, deixando que ele fechasse a porta. Enquanto dava a volta, colocou o cinto e o esperou, com a resposta na ponta da língua.
- Você que é péssimo nessa coisa de aceitar críticas.
- Prefiro levar tudo como elogio. – ele devolveu, satisfeito com a própria resposta.
- Narcisista.
- Gosto de pensar como otimismo. – ele sorriu para ela ao responder. - Segurança também funciona bem.
- Não, narcisismo combina mais com você. – ela insistiu, erguendo uma sobrancelha como se o desafiasse a negar.
- Estou ofendido.
- Não está não. – ela riu em deboche e ele concordou:
- Não mesmo.
- Eu sei. – ela continuou, mas após parar no primeiro farol, riram na primeira troca de olhares.
- Confesso que estava preocupado. – falou ele e ela o encarou com divertimento, mesmo que entendesse muito bem ao que ele se referia, sem que fosse necessário explicar. Tinha pensado horas pensando sobre o assunto, remoendo, tão preocupada quanto esperava que ele estivesse. Não que precisasse saber.
- Estava com medo de se apaixonar? – provocou e ele riu, sem levá-la a sério.
- Nem nos seus sonhos. – desconversou, voltando a dar a partida. – Sabe que eu não me justifiquei, né? Essa sua resposta meio que entregou que você também estava pensando sobre o assunto.
- Ah, eu também? – perguntou divertida e ele revirou os olhos.
- Já pode parar com as gracinhas, nós dois sabemos que também pensou sobre o assunto. – insistiu, lhe encarando brevemente quando foi possível. – Levei horas para me vestir, e você pediu ajuda para .
- Como sabe?! – ele apenas ergueu uma sobrancelha de forma sugestiva. – Taidora. – resmungou e ele deu de ombros.
- Encontro é só um rótulo. Sair para jantar já é algo que faríamos normalmente. Bom, não nesse restaurante, mas não é lá absurdo. – falou e após encará-lo por alguns instantes, ela concordou, sorrindo fraco. Era realmente reconfortante saber que ele havia entrado no mesmo dilema que ela.
- Na pior das hipóteses, podemos parar em uma barraquinha de ramem. – sugeriu, o fazendo rir.
- Gosto dessa pior hipótese. – admitiu ele, mas apesar da brincadeira, no final da noite, foi exatamente lá que terminaram após serem expulsos do restaurante e banidos por incomodarem os outros clientes. Exatamente como havia imaginado, acabaram por apenas debochar da pouca comida e do ambiente ao redor.
- Saiam logo daqui, seus moleques! – repetiu pelo que poderia ser a décima vez e, como em todas as outras, também riu.
Ambos andavam de braços dados pela calçada no centro da cidade, sem nenhum rumo específico apesar da hora. Já se passavam das onze e havia cedido a ela seu sobretudo, passando rapidamente pelo carro para pegar para si um blazer branco que mantinha ali.
, claro, debochou dele por isso. Um adolescente que mantinha um blazer no banco de trás do carro, mas apesar disso, o fato de terem sido expulsos do restaurante ainda era o ponto alto da noite.
- Se ficar sabendo disso, nos mata. – falou, mas acabou jogando a cabeça para trás ao gargalhar. – Eu tenho certeza de que ela vai dar um jeito de saber.
- Amanhã, capaz de descobrirmos que o restaurante é de um parente dela. – falou, decidindo que era isso ou e , na verdade, estavam escondidas em algum lugar. Jamais iriam propor algo daquele tipo se não tivessem como conferir se haviam, de fato, feito o que mandaram.
- “Eu planejei todos os detalhes!” – caçoou com a voz afetada, como se imitasse a garota. – Como puderam estragar tudo?! – completou, olhando para quando esta riu.
- Isso é totalmente a cara dela. – concordou e ele acenou com a cabeça positivamente apesar de não dizer mais nada, mantendo apenas o sorriso no rosto enquanto caminhavam em um silêncio que jamais seria incomodo.
Uma leve brisa soprou e contemplou a forma como fechou os olhos momentaneamente, apreciando o vento gelado demais. Quando voltou a abrir os olhos, riu ao vê-la lhe encarar, soltado seu braço para se adiantar a frente. Ela lhe encarou com confusão por um instante, vendo-o seguir até as flores noturnas no portão logo a frente. Ele puxou uma do galho e, após inspecioná-la brevemente, a colocou em seus cabelos enquanto ela piscava algumas vezes pela atitude. Antes que ela tivesse tempo de dizer ou fazer qualquer coisa, no entanto, ele voltou a segurar seu braço para caminharem, sob o olhar atento da garota que ele não pareceu notar.
Aquele tipo de atitude totalmente espontânea vindo dele era normal, na verdade. fazia o tipo cavalheiro, não era surpresa, mas ainda assim flores eram um gesto novo e, sem que pudesse evitar, as palavras das amigas vieram em sua mente novamente, dispostas a atormentá-la.
- ? – ela chamou e ele respondeu com um “uhm” antes de se voltar para ela quando a garota não disse mais nada, mesmo após alguns segundos.
- Quê? – perguntou e a viu morder o lábio inferior, como se tentasse decidir se fazia ou não alguma pergunta.
Como se entendesse exatamente o que se passava em sua cabeça, ele apenas sorriu mais uma vez ao olhar para a rua a frente. Era bem normal que ele, de fato, a entendesse sem que dissesse nada. Ela também o entendia daquela forma na maior parte das vezes, o que era de grande utilidade quando precisavam de um ombro amigo, mas não queriam conversar ou pedir por ajuda.
- Eu acho que não. – respondeu a pergunta que ela não havia verbalizado. A pergunta sobre eles, aquela que queria saber se existia chance de ficarem juntos, se ele gostava dela daquela forma, se as amigas estavam certas.
suspirou como se estivesse muito aliviada com a resposta, mas sentiu uma pontinha de decepção que sequer foi capaz de notar, levando apenas como um leve desconforto que ela não soube identificar o motivo. Estava, em teoria, satisfeita com a resposta. Implicava que nada ficariam entre a amizade que mantinham, que não existia perigo dela estragar tudo aquilo ou, pior, de quebrar o coração de uma das pessoas com quem ela mais se importava.
- Você? – ele perguntou por fim, ainda caminhando sem encará-la e a garota ergueu o olhar para ele, novamente demorando um pouco demais para responder.
- Acho que não. – repetiu suas palavras e ele concordou com a cabeça sem demonstrar qualquer outra reação, mesmo ela tendo procurado. Não tinha ideia do que procurar, na verdade, mas procurou, desistindo alguns instantes depois para, em silêncio, fazer o mesmo que ele fazia e aproveitar a noite.
O sobretudo que vestia cheirava a ele e lhe trazia uma sensação ótima de comodidade, conforto. Estava frio, mesmo com aquela peça de roupa, mas ela não ligava pois sentia-se bem ali, na presença dele. Não que fosse exatamente uma novidade. Mas dessa vez tinha algo diferente, aquela sensação gostosa na boca de seu estômago, aquela euforia inexplicável que a fazia temer a hora de ter que ir embora. Não entendia exatamente de onde vinha e acabou apenas por olhar para ele novamente, o encontrado com os olhos pregados nela.
desviou o olhar sem pensar no que fazia, corando de uma forma como nunca antes havia corado e olhou para baixo no mesmo instante, sorrindo sem jeito.
Não eram capazes de perceber ainda, mas algo já havia mudado entre os dois.

+++


Eles esperavam que o plano dessa vez não desse errado e decidiu que era porque se gostavam e não pelo obvio: Se desse errado agora, seriam presos. Simples, e nem era como se eles estivessem aproveitando. Não da forma como e certamente esperavam, pelo menos.
Estavam em uma casa de veraneio que não era de nenhum dos dois. Era de uma tia de , que roubara as chaves para que passassem o dia ali. A ideia era péssima, na verdade, mas eles acabaram concordando, mesmo que já não se lembrasse mais do porque de estava fazendo aquilo.
Ambos se vestiram a caráter para um dia na praia. Ela usava um vestido curto e leve, uma saída de praia, enquanto o garoto vestia um jeans rasgado e dobrado na barra no estilo sockless, junto com uma camisa azul de mangas três quartos com os quatro primeiros botões abertos. Quando chegaram, o chapéu claro ainda estava em sua cabeça, mas ele o deixara de lado quando terminaram na cozinha, abrindo todos os armários para encontrar o que comer.
- Mas por que diabos vocês não agem como um casal normal?! – exclamou exasperada do outro lado da linha, o celular de no viva-voz sobre o balcão da cozinha enquanto procuravam qualquer coisa que lhes pudesse ser útil.
- Não somos um casal. – e responderam em uníssono e sem tirar a cabeça de dentro do armário, ele ergueu a mão em um high-five que ela retribuiu, também sem ter a necessidade de olhar para ele para saber que havia feito aquilo. Foi apenas uma reação natural, extinto, e nenhum deles notou realmente. Faziam aquele tipo de coisa há tempo demais para estranharem ou acharem curioso, diferente das outras pessoas.
acabou bufando com a resposta enquanto resmungava algo que nenhum dos dois foi capaz de ouvir. Provavelmente um palavrão, então preferiram não ligar muito, ou perguntar o que era.
- Vocês têm noção de que já fazem tudo como um casal? – perguntou totalmente desacreditada.
- Falam a mesma coisa, ao mesmo tempo. – falou, exemplificado o que a amiga havia falado.
- Se entendem sem nem precisar abrir a boca. – continuou.
- Olham com orgulho um para o outro. – novamente, insistiu.
- Os olhos brilhando. – falou de forma teatral e dessa vez, revirou os olhos.
- Copiam os gestos sem perceber. – acrescentou também e a imitou, mexendo a boca sem que nenhum som saísse dela, para evitar que a outra escutasse. Apenas sorriu quando fez o mesmo graças a sua imitação terrível.
- Conseguem saber o que o outro vai fazer precisarem olhar. – ainda achou como continuar.
- Vocês sabem que pouquíssimos casais fazem essas coisas de verdade, não sabem? – respondeu, erguendo para em seguida os dois pacotinhos que encontrou de ramem. Ela sorriu exageradamente para fazer graça e ele ergueu o polegar para ela em sinal de “joinha”, a parabenizando pelo achado.
- Panelas agora. – falou ele e ela concordou, ignorando as duas na linha.
- Panelas. – repetiu satisfeito.
- A gente pode voltar ao assunto agora? – chamou a atenção dos dois e mesmo que as amigas não pudessem ver, gesticulou como se dissesse “tanto faz”. – Vocês agem um sobre função do outro. Ele fala, você completa. Ele ergue a mão, você bate, sem nem olhar... – se interrompeu ao notar que falara demais, que denunciou o fato de estar espiando o casal, mas tudo o que os dois fizeram foi olhar de um para o outro. Ambos já desconfiavam disso, na verdade, assim como haviam desconfiado no restaurante. Foi a primeira coisa na qual pensaram quando chegaram e viram as câmeras distribuídas pelos cômodos da casa, mas era bem legal ter a prova, só para variar. Podiam usar aquilo ao favor de ambos e por isso, em um consentimento mútuo e silencioso, ignoraram o que ela havia dito. Se ela achasse que não sabiam, acreditaria em qualquer coisa que fizessem.
- E novamente devemos lembrar que poucos casais fazem isso. – repetiu, ajudando-a a fugir da gafe cometida. – Amigos fazem isso.
- Mas casais deveriam fazer. – interrompeu. – Se casais fossem assim, surgissem de uma amizade como essa, teríamos mais casais juntos por uma vida toda, mais amor verdadeiro.
- Ou menos. – corrigiu enquanto ajudava a abrir os armários, se perguntando o porquê de uma cozinha tão grande em uma casa onde ninguém morava de fato. – Se o romance interferisse em todas as amizades, teríamos menos amizades.
- Mas mais casais. – insistiu e negou.
- Não quando brigassem, porque ai teríamos menos das duas coisas. – respondeu, satisfeita com sua observação.
- Se todos os romances surgissem de amizade verdadeira, não haveria brigas.
- Você não sabe disso. – retrucou mais uma vez, não cedendo para a amiga. – Romance exige de você coisas que uma amizade não exige.
- Você está totalmente errada. – continuou. – Parece exigir mais quando o casal não está em sintonia, porque é isso que parece. Se vem de uma amizade verdadeira, não ter porque disso.
Cansada daqueles argumentos, terminou por revirar os olhos para a amiga e gostou de saber que ela poderia ver, mas não repreendê-la por isso. Gostou de saber que ela odiaria a atitude e não poderia fazer nada quanto a isso e viu segurar uma risada, muito bem ciente disso também.
- Quieto. – falou para ele, empurrado os ombros do garoto com os seus ao passar por ele.
- Panelas! – gritou em comemoração ao encontrá-las e riu, vendo-o correr até a pia para enchê-la de água.
- Vocês vão desligar agora ou preferem transformar esse nosso encontro super romântico em um debate? – quis saber, perguntado com a voz carregada de uma ironia um tanto quanto desnecessária.
- Vocês estragaram o romance quando decidiram maratonar a coleção de Friends da minha tia.
- Ninguém mandou a sua tia ter uma coleção de Friends. – respondeu. – Friends não é o tipo de coisa que se ignora.
- Tão patéticos. – resmungou. – Nem milagre dá jeito nesses dois. Vamos logo, .
- Tchau, vão com Deus, viu. – falou com sarcasmo, desligado o telefone antes que elas respondessem qualquer coisa. – Vou pegar o box. – disse ao garoto com a maior naturalidade do mundo antes de simplesmente lhe dar as costas, pulando para fora da sala como se não estivessem, até então, tentado convencê-los de que deveriam ser um casal.
acompanhou a garota com o olhar por um instante e sorriu sem ver absolutamente nada de errado em sua atitude antes de se voltar para a panela. A água agora fervia e ele depositou o macarrão ali. Assim que terminou, meio minuto depois, seu celular vibrou no bolso da calça e ele não precisou olhar para saber que eram e . Pegou o aparelho nas mãos apenas para comprovar que estava certo.

“Sério que não está nenhum pouco a fim de vê-la de biquíni? Ela é ótima de biquíni.”
– 14:06


Após revirar os olhos, ele digitou em retorno:

“Ela também é ótima de roupa.”
“E não é como se vê-la de biquíni fosse uma novidade.”


“Ah, então já a viu de biquíni? –
– 14:07

“Você sabe que eu também já vi você e de biquíni, né?”


“Só estamos tentando dizer que você não precisa ficar olhando ela se afastar com um sorriso bobo no rosto. Ela pode ser sua”
– 14:07


Só então, ao mencionar do sorriso, que se deu conta do que havia feito há pouco, e de que elas estavam vendo tudo, mas estranhou, no entanto, o fato de lhe dizerem aquilo. Se estavam realmente assistindo, não era melhor se ficassem quietas?
Como um estalo, o plano das duas vez sentido em sua mente. Era exatamente aquilo que elas queriam, que ele soubesse que estavam sendo espiados. Queriam que eles fizessem exatamente o que eles pretendiam com o plano de enganá-las e quase riu disso. Quase, porque de repente se viu em um impasse: Contava ou não a sobre o que elas pretendiam? O que ela faria se soubesse? Manteria o plano, não manteria? No fundo, ele queria que mantivesse e sentiu algo se revirar dentro dele ao pensar sobre o assunto, levando tempo demais para se dar conta do por que. Percebeu que não queria fingir um clima entre os dois, queria que, de fato, existisse um e foi um baque quando notou.
Alheio ao que fazia devido aos pensamentos em sua mente, só viu a fervura subir quando já era tarde e a água caiu sobre o fogão. Assustado, ele deu um pulo para trás, desligando rapidamente o fogo. Xingou a si mesmo por isso. Por ter se deixado distrair e influenciar, pela bagunça que havia feito, pelo sentimento assustador em seu peito e só depois de conseguir tirar a panela do fogo, se lembrou das duas olhando as câmeras e arregalou os olhos por isso.
Puta merda, ele nem mesmo havia disfarçado.
Imediatamente, pegou o celular em mãos, deixando o ramem de lado para digitar:

“Não aconteceu nada, vocês não viram nada.”
“Nenhuma palavra disso para ela”


Mas só depois de enviar percebeu que, na verdade, não tinha como elas saberem de nada, a não ser que pudessem ler pensamentos, o que ainda não era possível.
Ele havia acabado de se entregar e fez careta ao imaginá-las comemorando do outro lado.
Puta merda, além de tudo ele era um idiota.
- Já está tudo pronto, é só dar play. – falou, surgindo logo atrás dele que, distraído, não a viu até que fosse tarde demais, pulando onde estava ao ficar de frente para ela. Em um instinto, escondeu o celular atrás do corpo e a garota estreitou os olhos por isso.
- O que foi? – ela perguntou e ele negou, dando um passo para trás. – Você está escondendo alguma coisa. – insistiu, mas ele negou novamente, colocando o celular no bolso. – Deixa eu ver.
- Não tem o que ver. – ele respondeu finalmente, e ela deu mais um passo em sua direção, o deixando preso entre ela e o balcão. Ao seu lado direito, a parede. Só poderia fugir pelo esquerdo, mas ao tentar ela entrou na sua frente, jogando-se sobre ele para tentar alcançar seu bolso. – Não tem nada! – ele exclamou, segurando sua mão à meio caminho do bolso e a garota tentou com a outra. se inclinou para trás, e ela o fez para frente, dando mais um passo. Já haviam ficado próximos daquela forma milhares de vezes. Já haviam dormido abraçados um de frente para o outro, ela sobre ele no sofá. Já havia chorado em seus ombros, o perseguido pela casa para arrancar suas roupas e fazê-lo entrar na piscina. Já haviam tomado banho juntos, mesmo que vestidos e já tinham presenciado todos os altos e baixos e situações constrangedoras pelas quais podiam passar, mas então, de repente, não eram só e ali. Uma percepção a mais, um sentimento novo com o qual ele ainda não tinha tido tempo de se acostumar e sentiu-se acuado, sem ter ideia nenhuma do que deveria fazer.
O corpo dela se colou ao dele e sem pensar do que fazia, levou uma das mãos para sua cintura. Tocá-la daquela forma também não era uma novidade, mas pareceu imediatamente mais tensa. Se por alguma reação dele, jamais saberia. Talvez algo em sua expressão o houvesse denunciado. Talvez, de alguma forma, ela tivesse sentido que as coisas não estavam exatamente normais, mas a brincadeira cessou no mesmo instante e o olhar dela subiu para seu rosto, encontrando-se com o dele já sobre ela.
tinha uma das mãos apoiada em seu peito enquanto a outra ele ainda segurava, próxima ao bolso de trás de sua calça. Em um gesto impensado, ele entrelaçou os seus dedos, sentindo o coração prestes a sair pela boca. tinha os lábios entreabertos, a respiração já se tornara mais pesada e ele soube, sem que fosse necessário uma só palavra, que ela pensava o mesmo que ele. Que estava na mesma confusão mental, no mesmo dilema. Se perguntou apenas se, para ela, seus lábios também haviam se tornado, de repente, tão convidativos.
, lentamente, a segurou com mais firmeza, terminando com qualquer vestígio de espaço que pudesse haver entre eles e ela não se opôs, limitando-se, no entanto, em prender a respiração, sem tirar os olhos dos dele. O garoto se viu atraído pelo perfume dela de uma forma como nunca antes. Gostava daquilo dela. Sempre, na verdade, gostou de tudo nela, mas era a primeira vez que analisava dentro daquele outro contexto.
- E... eu... – ele gaguejou, mesmo não sendo do seu feitio. mordeu o lábio inferior e viu o olhar dela cair sobre eles, deixando-o ainda mais disposto a continuar. Umedeceu os próprios lábios, mas se viu confuso sobre como prosseguir. Queria beijá-la, queria prová-la daquela forma, mas não tinha ideia do que fazer, ou se devia. – Quero muito te beijar agora. – confessou em um sussurro, segurando-a com mais firmeza, mas antes que pudesse tomar qualquer atitude de fato, ouviram vozes invadirem a cozinha, vozes que não haviam notado antes, perdidos como estavam um no outro.
pulou para trás, dando espaço para que conseguisse se recompor e o rapaz levou a mão para os cabelos imediatamente, deslizado os dedos pelos fios sem conseguir ouvir o que o homem, provavelmente o dono da casa, gritava.
Terminariam na delegacia até que a história fosse esclarecida, mas de alguma forma, aquela era a última coisa em sua mente.
Ele tinha sentimentos românticos pela melhor amiga. Sentimentos que, provavelmente, sempre estiveram ali, mas com os quais não tinha ideia de como lidar.

+++


não se lembrava de quando havia se sentido tão nervoso assim por uma garota, tampouco se lembrava de, alguma vez, ter ficado nervoso daquela forma por , sem saber o que fazer ou como reagir perto dela. Outra coisa da qual ele não se recordava era de ter ficado um dia sequer sem falar com ela, mas no entanto ali estava ele, há três dias sem a melhor amiga nos últimos dias do ano letivo, na última semana que teria ali antes de ir embora para Seul.
Tinha perdido a conta de quantas vezes pegou o telefone para ligar, mas desistiu na última hora porque não sabia o que dizer. Céus, ele havia dito que queria beijá-la e com uma careta, levou as mãos para o rosto, passando-as por ali antes de subi-las até os cabelos, bagunçando-os sem se importar com o topete que levou minutos para montar.
Era seu baile de formatura, seus últimos dias pré debut, mas sentia-se na mais pura agonia. O que diabos ele iria fazer?! Nunca pensou em passar por nenhuma das duas coisas sem e agora ela não falava com ele. Ele queria, mais do que tudo, matar e por terem estragado a amizade dos dois e muito provavelmente só não o havia feito porque sem elas, não teria qualquer notícia para saber se estava viva.
Ele precisava dar um jeito na situação antes de ir, mas depois de pedir para beijá-la, bom, não via muita solução para si mesmo.
- Aish... – ele resmungou, andando de um lado para o outro impaciente enquanto esperava a garota chegar com as amigas. Jamais se perdoaria se fosse embora sem estar bem novamente com ela.
Não, ele jamais conseguiria ir embora sem estar bem novamente com ela. Se recusava a fazer isso.
colocou as mãos nos bolsos do sobretudo cinza que vestia sobre o terno escuro. Não usava o blazer, apenas um colete preto fechado sobre a camisa branca, prendendo a gravata também escura que havia escolhido para a noite.
Mais um carro parou na porta do evento e, imediatamente, ergueu seu olhar naquela direção. Estava ansioso como o inferno e por mais que achasse que melhoraria quando a visse, tudo apenas piorou.
Era de se esperar que estivesse linda. Ela era linda, mas naquele vestido seu coração deu um salto avassalador. Era uma peça até que simples, se fosse comparar com os vestidos extravagantes que havia visto, cheios de pedras e brilhos. Não que fossem feios, mas ele preferiu o dela. O pano era preto e simples, até mesmo meio fosco. Era longo, com uma calda discreta se formando atrás dela e uma abertura lateral que deixava suas pernas a mostra a partir da parte superior das coxas. Não havia decote, era fechado no busto e justo ao seu corpo.
sabia que ela o estava evitando e sabia que não havia colaborado muito com isso, desistira de ligar sempre que tentava, antes de tentar, mas tomou a coragem que precisava e foi até ela. O namorado de estendia a mão para ajudá-la a descer, já que havia ido com o casal, mas ele se adiantou, pedindo licença a ele para fazer isso por si só.
Viu vacilar ao vê-lo ali, mas ela aceitou a ajuda, deixando que segurasse sua mão ao descer do veículo.
- Obrigada. – ela murmurou sem encará-lo e meneou positivamente com a cabeça. Abriu a boca para elogiá-la, parecia não só rude como também totalmente estúpido não notar a beleza dela naquela noite em especial. Seu vestido, seu perfume, seu cabelo... Tudo parecia tentador demais agora. Ele sempre havia notado cada um daqueles pequenos detalhes, mas era como se só agora ele conseguisse juntá-los em uma coisa só, compreendê-los. O mesmo podia-se dizer do amor que sentia por ela, que sempre esteve ali, mas que jamais vira da forma certa apesar de todos os avisos. – Ah, eu... – ela começou, virado-se de frente para ele. Parecia sem graça, mas não era como se ele não conseguisse entender o motivo. Ele começara, afinal, então não era exatamente uma surpresa. – Acho melhor entrar, eu preciso... – falou, interrompendo-se ao morder o lábio inferior enquanto tentava pensar em uma desculpa que a livrasse dele e acabou sorrindo dessa vez, recebendo dela um olhar confuso.
- Você não pode esperar usar comigo esses truques tão baixos. – falou de forma divertida, sua mão ainda segurando a dela. tentou se afastar, mas ele não deixou, contendo seu sorriso antes de continuar. – Precisamos conversar, . – pediu. – Não podemos ignorar, nem deixar as coisas como estão.
Ela perdeu alguns instantes olhando para seus olhos, mas, por fim, acabou concordando com um aceno positivo de cabeça que ela repetiu.
- Não. – sussurrou, deixando que ele a guiasse para dentro pelas mãos.
Silenciosamente, passaram pelas fotos no início do evento e a segurou pela cintura. Os sorrisos foram discretos, diferentes do que teria sido se estivesse tudo bem entre eles e, incomodado, ele segurou seu queixo para fazer com que ela lhe encarasse. A intenção não era que o homem disparasse mais fotografias, queria apenas que a garota olhasse em seus olhos para ouvir o que ele tinha a dizer, mas ele o fez mesmo assim. Pode sentir o flash, incomodo, pelo canto de seus olhos.
- Pode ser nossas últimas fotos juntos em algum tempo, você sabe. – ele a lembrou e viu a expressão dela ir de constrangida a triste em questão de segundos, apenas para provar o quão babaca ele podia ser quando queria. – ... – ele suspirou, tentando consertar aquela besteira, mas antes que ele pudesse completar ela o abraçou de lado, direcionando um sorriso discreto para a câmera. Na primeira foto, ele olhava para ela, mas na segunda se voltou para a câmera também, sorrindo quando o flash foi acionado.
Agradeceram ao fotografo logo depois, mas não a soltou enquanto caminhavam para o espaço ao ar livre atrás da casa de eventos contratada para o baile de formatura.
Não era o primeiro evento que ele frequentava naquele local, de forma a saber muito bem o que havia ali.
Andaram em silêncio por cerca de dez minutos. O local era extenso e mais ao longe, tinha uma ponte passando por cima de um pequeno rio. Foi para lá que ele a levou, sorrindo ao vê-la fazer isso para a iluminação delicada que haviam feito no local.
- Ficou muito bonito. – ela sussurrou e ele concordou, mas decidiu continuar apenas para ter assunto, já que aquilo estava meio complicado entre eles.
- O aniversário da filha de um sócio do meu pai foi aqui. – explicou, rindo quando ela o encarou surpresa. Mais uma vez, não precisou falar para que ele soubesse o que se passava em sua cabeça. – Sim, tudo isso para uma festa de aniversario. Foi por isso que eu fugi pra cá.
- Sua noite deve ter sido bem melhor do que a dos outros.
- Foi. – ele sorriu, escorando-se de costas contra o braço da ponte, sem soltar sua mão. fez com que se aproximasse, mas teve o cuidado de manter uma distância segura. – Passei aquela noite falando com você.
- ...
- Não, só... Me escuta, pode ser? – perguntou e ela concordou. – Desculpa não ter ligado, ou te procurado. Eu estava confuso. Para mim também foi uma novidade querer beijá-la, mas então imagina a minha surpresa ao me dar conta de que meu coração sempre disparava daquela forma boba quando te via, mas que eu não era capaz de perceber? Acho que fiquei tão focado pensado em você como uma amiga, procurado amor em outras garotas, que não o vi bem aqui, em você. Não entendo bem como aconteceu, talvez tenha sido apenas comodismo, mas aconteceu e eu não tenho ideia de como lidar com isso, especialmente agora.
- Vamos só... Vamos só deixar como está, . – ela pediu. – Não tem porque mexermos nisso agora. Vamos esquecer.
- Não. – ele negou com um movimento de cabeça. – , você acha mesmo que podemos só deixar pra lá? Como faremos isso? Da mesma forma como deixamos nesses últimos dias, sem nos falarmos? Como você acha que vamos ficar em uma semana se deixarmos isso pra lá comigo longe? Eu não quero te perder. Não suportaria.
- Mas você está indo. Não tem o que fazer quanto a isso.
- Mas tem o que fazer quanto a nós e fingir que nada aconteceu não é a solução. – ele respondeu, vendo-a desviar o olhar ao suspirar. – O que você sente, ? – ele perguntou, direto. Precisava saber que não era só uma loucura de sua cabeça, criada pela insistência de e sobre o assunto. – Por mim, o que você sente?
- E... eu não sei... – ela sussurrou, parecendo, inclusive, assustada. – Soa complicado.
- O amor é assim. – ele deu de ombros, com um meio sorriso como incentivo. – É fácil, é difícil. Nós podemos tentar, mas preciso saber o que sente.
- Eu vou fazer dar errado. – murmurou insegura.
- Você não pode dizer isso se baseando nas experiências de outras pessoas, . – respondeu, ciente de que o maior exemplo que ela tinha daquilo era dos pais que não podiam realmente ser exemplo de muita coisa.
- Não é de outras pessoas, são as minhas. – ela devolveu. – Todos os meus péssimos ex namorados.
- Quão narcisista eu soaria se dissesse que nenhum deles era eu? – perguntou com um sorriso e ela negou com a cabeça, disfarçado uma risada fraca.
- Bastante.
sorriu, voltando a ficar sério logo depois para continuar a falar. Ele chegou a entreabrir os lábios, mas voltou a fechá-los meio segundo depois, decidindo que não chegariam muito longe com aquilo. sempre teve uma certa resistência em entregar seu coração. Ele nunca, na verdade, havia visto a garota fazer isso e em um impulso de coragem, ele se afastou do encosto e eliminou a distância entre eles, tomando seu rosto em uma das mãos para beijá-la. Primeiramente, ele tocou os lábios dela com os seus gentilmente, temendo que ela se afastasse.
tinha um sabor adocicado que misturado com seu perfume, foi o suficiente para que ele tivesse certeza de que não, ele não estava louco. Ela era exatamente o que ele procurava esse tempo todo e nunca havia notado. Aquilo era o amor, bem ali na sua frente todo o tempo e ele fora estúpido o suficiente para não se dar conta, mas temeu a falta de reação dela aos seus lábios.
De início, a surpresa lhe manteve onde estava, parada, mas bastou alguns segundos para que ele a sentisse relaxar, segurando delicadamente o pulso da mão dele em seu rosto antes de dar um passo para mais perto, levando a mão livre para os seus cabelos.
Levando o gesto como incentivo, usou os lábios para entreabrir os dela, permitindo-se aprofundar o beijo enquanto sentia um enorme alivio lhe inundar por ser correspondido, deixando que suas línguas se tocassem calmamente em um beijo lento que ele apreciou intensamente.
Não tinha ideia de como pode se manter cego quanto a ela por tanto tempo, mas de repente não lhe restava dúvidas quanto ao que sentia. Pior, não lhe restava dúvidas de que aquele sentimento sempre esteve ali e acabou sorrindo contra os lábios dela pela ironia que era aquilo. Por procurar algo que já tinha, mas não sabia. Ele era muito idiota.
abriu os olhos, mas não se afastou. Limitou-se em colar sua testa na dela, esperando que ela o encarasse. Precisava ver nos olhos dela se era correspondido e a surpresa que viu neles foi resposta mais do que suficiente.
- Eu te amo e isso nunca foi novidade. – comentou divertido e vagarosamente, ela concordou com a cabeça, como se ainda tentasse se situar. - Isso é amor. – continuou e ela concordou novamente, com a mesma expressão no olhar. – Isso quer dizer que eu posso te beijar de novo? – quis saber e, pela terceira vez, ela concordou, o fazendo rir antes de trocar as posições e colocá-la contra proteção na lateral da ponte delicadamente.
Anos e anos ao lado um do outro e, só então, foram capazes de perceber que o amor esteve sempre ali, nas coisas mais banais do dia a dia. Que já amavam um ao outro, que aprenderam um com o outro o que era o amor, mesmo a infância, antes de saberem que podia existir no mundo algo tão puro e simples como o que sentiam um pelo outro.
O amor.


Fim.



Nota da autora: Aaaaaah eu não consigo mais parar de ouvir essa música, só porque gostei da fic! Hahaha Olha, confesso que só peguei This is Love pq é minha música amorzinho e não queria dar pra mais ninguém, mas que não tinha ideia do que fazer. XD
Enfim, enfim, espero que tenham gostado pq eu até acho que curti. Hahaha Se quiserem mais desse casal, saibam que tem uma continuação na música 03. Evanesce. Não é minha, mas os clipes das músicas são continuações e, por isso, fizemos esse bem bolado! Hahaha
É isso! Comentem o que acharam!





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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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