Finalizada em: 17/07/2017

Capítulo Único


- Para com isso! – exclamou entre risadas, o empurrando com um dos pés enquanto segurava o lençol ao redor de seu próprio corpo, desnudo. riu de sua atitude. Não pode evitar. Para ele era sempre cômico a forma como tentava se esconder dele, mesmo depois de tudo que já haviam feito. Achava cômico que ela não soubesse o quão linda era e que tivesse vergonha de si mesma quando ele a admirava tanto. Gostaria de poder mudar aquilo, de fazê-la encontrar a confiança em si mesma, poder fazê-la enxergar a si mesma da forma como ele enxergava, mas ela fugia também sempre que tentava.
Sem dizer nada, o garoto segurou o pé com o qual ela tentava afastá-lo, puxando-a para mais perto sem que pudesse evitar. Ela soltou um gritinho, surpresa, enquanto ele ria, mas apesar disso, fingiu não notar, deixando um beijo em sua panturrilha e lhe encarando com um sorriso brincalhão no rosto antes de deixar em suas pernas mais um beijo, esse um pouco mais em cima que o anterior, próximo ao seu joelho.
- ... – ela o chamou, como se o repreendesse e tudo o que ele fez foi erguer uma sobrancelha em desafio antes de subir uma de suas mãos pela perna livre da garota, levando o lençol consigo ao contornar suas coxas. Não desviou o olhar do seu enquanto isso, mas sabia que ela não iria contê-lo novamente. – Eu sei o que está fazendo... – ela disse, mas não pareceu muito inclinada em pará-lo, fazendo com que risse, com o nariz roçando na lateral de sua coxa.
- Uhn? – ele resmungou simplesmente, suspirando ali. Era louco por seu cheiro. Tudo nela, na verdade, parecia ter sido feito na medida exata para deixá-lo desconcertado e não pode evitar um sorriso ao notar que aquele gesto, mesmo tão simples, fez com que ela fechasse os olhos. Nem mesmo o aperto de suas mãos contra o lençol, que ela prendia ao redor do corpo, permanecia tão firme.
De repente achando a brincadeira um tanto quanto inútil, ele subiu de uma vez para seus lábios, tocando o corpo dela com o seu, sob o lençol tão incomodo entre os dois. mordeu seu lábio inferior, usando uma das mãos para tocar a sua e fazê-la soltar finalmente o lençol. Ela o fez, sem abrir os olhos e ele o tirou do caminho, apreciando o calor de seu corpo finalmente junto ao dele.
- Prefiro assim. – sussurrou junto aos seus lábios enquanto ela levava a mão até seus cabelos, embrenhando os dedos entre os fios.
- Eu sei. – ela respondeu no mesmo tom e ele sorriu ali, sem se afastar antes de finalmente beijá-la. Apreciava cada instante do toque de seus lábios, o sabor, o movimento deles junto aos seus e subiu uma das mãos pela lateral de seu corpo enquanto o fazia. Jamais se cansaria de tocá-la, de tomar para si cada parte dela enquanto suas respirações se misturavam gradativamente, tornando-os um.
- Seu eu soubesse que era tão fácil, tinha tentado essa abordagem antes. – ele provocou após romper o beijo, mas não teve o atrevimento de se afastar.
- É com certeza melhor do que as outras. – ela concordou com um sorriso e ele ergueu uma sobrancelha, como se estivesse muito chocado com a notícia.
- Me sinto explorado. – ele devolveu. – Isso é exploração.
- Coitado. – ela ironizou enquanto passava as pernas ao seu redor e ele riu, passando o polegar levemente por seu lábio inferior. Ela o encarou com olhos felinos e deixou que a ponta de sua língua roçasse eu seu polegar. Mentalmente, soltou um palavrão com o gesto e sem ao menos pensar no que fazia, juntou seus cabelos ao segurá-los em um bolo, voltando a beijá-la.
usou as pernas ao seu redor para puxá-lo para mais perto, mesmo que não houvesse espaço entre os dois para ser eliminado e ele puxou seu lábio inferior entre os dentes, sentindo a temperatura do quarto subir novamente em questão de segundos. Jamais se cansaria daquilo, dela, e se perguntou quando aqueles encontros, que deveriam ser meramente casuais, sexo casual, haviam se tornado tão intensos.
Quando seus lábios se separaram, ambos igualmente sem fôlego, juntou suas testas, mantendo-se ali. Sentiu a respiração dela em seu rosto antes mesmo de abrir os olhos e quando o fez, viu suas bochechas corarem. Ela já o observava e ele sorriu.
- Por que você não me deixa ser seu? – perguntou, soando genuinamente curioso. Não queria continuar daquela forma, entrando as escondidas em seu quarto, fingindo não se conhecerem pela manhã. Queria privilégios, um rótulo, mas ela apenas negou com a cabeça.
- Ninguém é de ninguém. – respondeu simplesmente e ele suspirou. A resposta o frustrava, mas não era diferente do que ele esperava. Era o que recebia sempre que tentava e ela riu. Mas não porque sabia que o estava frustrando, muito pelo contrário. Ela ria porque não acreditava que era verdade. Não confiava em ninguém. Não achava que qualquer um pudesse gostar dela de verdade e não sabia exatamente o que mais podia fazer para mudar essa ideia.
Haviam começado aquela relação pelo lado errado, afinal, pelo sexo. E ela também recusava sair com ele sempre que tentava. O garoto aceitaria a atitude se fosse auto confiança, mas era exatamente pela falta dela e aquilo sim o deprimia. Deixou-se cair ao seu lado e puxou o lençol para cobri-los até a altura da cintura ao apoiar a cabeça em sua barriga, abraçando-a pelo quadril.
- Você podia, pelo menos, me deixar passar a noite. – pediu, fazendo um bico que ela não podia ver. Estava deitado de costas para ela.
levou a mão até seus cabelos novamente, fazendo-o fechar os olhos com o carinho que iniciou ali, mas já sabia a resposta que receberia para aquela pergunta também e não pode evitar a decepção, antes mesmo que ela respondesse.
- ... – ela começou, com um suspiro, e ele repetiu o gesto, sem soltá-la.
- Não. Eu sei, eu sei. – ele mesmo respondeu e pode até mesmo imaginá-la revirar os olhos, ainda brincando com os fios de seu cabelo.
- Você aceita o “não” muito fácil. – ela respondeu. Seu tom era de brincadeira, mas ele estreitou os olhos, virando a cabeça para encará-la. Era isso? Ela achava que não era sério porque ele aceitava o “não” muito fácil? sabia que ela tinha problemas, e não só de confiança. Um trauma a fez ser como era e ele temia perdê-la de vez ao pressioná-la. Estava tentando fazer o certo, mas ela era como um campo minado, ele não sabia como agir.
- Sério? – perguntou, descrente, e lhe encarou desentendida, parecendo verdadeiramente confusa com a pergunta, ou talvez com seu tom. Ele não soava mais tão leve como antes, ou brincalhão. Deixou que a frustração transparecesse antes que pudesse contê-la. A verdade era que passara tempo demais tentando convencê-la de que se importava com ela e não conseguia acreditar que todo esse tempo, ela não o levava a sério porque ele não insistia o suficiente. – Você decidiu isso com os pedidos diários de namoro? – perguntou, descrente.
Em resposta, ela deu de ombros, mas já não o encarava mais. notou seu desconforto, mas o ignorou dessa vez, sentando-se de frente para ela. Não ia deixar aquilo passar mais uma vez para depois ser acusado de não tentar o suficiente. Não quando tudo o que ele fazia, era tentar e notando o rumo que a conversa havia tomado, voltou a puxar o lençol para si, afastando-se dele.
- Você deveria ir embora. – pediu e lhe encarou, inexpressivo. Ela não podia simplesmente expulsá-lo. Não podia sugerir que sugeriu e simplesmente expulsá-lo antes que ele tivesse a chance de fazer algo.
- ... – começou, mas antes que ele pudesse terminar, ouviram um barulho na porta da sala, indicando que a mãe da garota havia chegado.
Ele tinha mesmo que ir agora e não pode odiar mais o timing da mulher que ele se quer conhecia.
- É minha mãe... – ela falou, mas ele lhe interrompeu, levantando-se da cama com desgosto.
- Eu sei. – respondeu, não se importando em esconder o quão insatisfeito estava, buscando sua calça pelo chão. Sentia os olhos da garota sobre ele enquanto vestia a peça, jogando a camisa sobre o ombro e colocando as meias de qualquer jeito dentro do tênis para sair logo dali. De repente, sentia-se deprimido. Não podia acreditar que ela não via todo o esforço que fazia pelos dois, que ela não conseguia ver que ele estava apaixonado, que ela era a única que mexia com ele daquela forma. Era louco por ela, fazia de tudo para que ela enxergasse isso, para não deixá-la desconfortável, para entender suas inseguranças, mas ela, aparentemente, não se importava em fazer o mesmo esforço. Ele tentava relevar por saber como ela se sentia, mas em momentos como aquele, a situação se tornava simplesmente insuportável.
Ele colocava as necessidades dela a cima das dele todo o tempo e as vezes era difícil continuar.
- , cheguei! – sua mãe gritou de algum lugar no andar inferior, mas a garota não respondeu enquanto o observava seguir, em silêncio, para a janela por onde fugia quase todas as noites. Ele normalmente se despedia com um beijo, ou com alguma piada, mas não se sentia no clima para nenhuma das duas coisas, só queria ir para longe, o mais longe, e se quer se importou em vestir a camisa para que pudesse ser mais rápido.
- Tchau. - ela sussurrou, soando insegura, mas apenas meneou com a cabeça, murmurando uma resposta baixa sem lhe encarar antes de finalmente sair do cômodo, deixando-a sozinha para trás.

+++


estava fugindo de todas as formas que tentava de aproximação. Elas eram, na verdade, sutis demais para que qualquer um notasse, mas ele a conhecia bem o suficiente para isso. O irônico, na verdade, era ela não saber disso, que ele já havia notado, mas , aparentemente, não sabia de coisas demais. Não deveria ser uma surpresa que ela também achasse que ele não a observava, que não conhecia cada um de seus trejeitos.
Mas o motivo para ele evitá-la não era estar bravo, ou mesmo chateado apesar de estar. Havia passado a noite inteira remoendo a conversa que não haviam tido, se perguntando o que havia acontecido na vida dela para deixá-la tão desconfiada com tudo e todos ao seu redor, mas decidiu não facilitar dessa vez. Ele sempre facilitava e para quê? Para que ela o acusasse de não tentar o suficiente? Céus, ele ainda não conseguia acreditar que aquelas palavras haviam saído de sua boca.
Estavam no colégio e jamais se aproximou ou tentou se aproximar quando estavam ali, muito pelo contrário, o ignorava como se não se conhecessem e se ele tentava falar com ela, diretamente, agia como se ele fosse louco. Como se não entendesse porque o garoto tentava falar com ela.
Era divertido ter as posições invertidas só para variar e pela primeira vez ficou feliz de ter uma memória tão ridícula. Havia esquecido o celular na casa dela na noite anterior e depois da forma como terminaram, sabia que também estava incomodada. Devolver o aparelho era só uma desculpa. Se fosse apenas por isso, ela se quer tentaria, até porque, era muito mais lógico que ele a procurasse para ter o celular de volta. Estava dando mais falta dele do que ela, obviamente.
Mas mesmo que não quisesse admitir, também estava satisfeito por ela estar daquela forma, preocupada com ele.
As vezes, tinha certeza de que ela sentia o mesmo que ele, mas as vezes, como na noite anterior, ele já não sabia de mais nada e se perguntava o que estava fazendo ao se jogar de cabeça naquela relação, que se quer existia. Pelo menos agora sabia que ela se importava e no momento, aquilo estava bastando. Era exatamente o que ele precisava e depois de passar por ela como se não a tivesse notado por vezes demais aquele dia, finalmente decidiu facilitar, afastando-se dos amigos em uma das trocas de aula, após o toque do sinal esvaziar os corredores. Seria, na verdade, mais inteligente se aproximar dele com alunos espalhados por ali. Dessa forma, seria muito mais difícil os notarem ali do que daquela, mas sabia que ela jamais faria isso, por medo de sabe-se lá o que.
- Estou tentando falar com você o dia inteiro. – ela falou atrás dele, ao se aproximar enquanto ele bebia água.
Fingindo desentendimento, franziu o cenho e se virou para ela, passando a língua pelos lábios e precisou conter um sorriso ao notar que ela acompanhou o gesto com os olhos. Ficou satisfeito com sua reação apesar de não ter feito de forma proposital. Ela precisava saber que ele estava incomodado. Precisava saber que o magoava toda vez que fugia dele.
- Quer terminar o relacionamento que não temos por que eu não insisti o suficiente? – perguntou, soando irônico.
- Você esqueceu o celular. – ela respondeu simplesmente, o estendendo para ele ao ignorar completamente sua fala. revirou os olhos.
- Você é inacreditável. – disse, aceitando o aparelho de volta.
- O que você quer de mim, ? – ela perguntou, soando aflita. Notou que seus olhos lacrimejavam, mas não se deixou abalar por isso. Não podia voltar atrás tão fácil, fingir que nada tinha acontecido quando estava tão incomodado.
- Eu quero que você diga que me ama, que se importa. – respondeu de uma vez, e a viu negar com a cabeça. Ela nunca diria aquilo, ele sabia. deu as costas para ele, sem dizer nada, e após revirar os olhos, ele se colocou na sua frente, a impedindo de ir embora. – Por que você não consegue acreditar que eu posso sentir isso por você? Do que você tem medo?
- Eu não tenho medo. – ela respondeu, soando mais firme do que se sentia. Ele conseguia notar o quão desnorteada estava por estar tendo aquela conversa, especialmente ali, no meio dos corredores do colégio, onde qualquer um podia ver ou ouvir.
- Só me diz por que não confia em mim. – pediu em um sussurro, dando um passo em sua direção e viu a garota ficar tensa imediatamente, diante de seus olhos. tentou olhar para os lados, conferir se havia mais alguém ali, assistindo aquela aproximação, mas antes que o fizesse de fato, ele segurou seu queixo com uma das mãos, fazendo com que ela lhe encarasse. – Me dê tudo de si e eu vou te dar tudo de volta, é só isso que eu quero, .
Sem dizer nada, ela se perdeu em seus olhos, os encarando atentamente e não ousou mover um músculo, dando-lhe o tempo que fosse necessário. Não precisava de muito, só de um aceno de cabeça para saber que ela estava nessa com ele, que estava disposta a tentar e ele fazia as coisas como ela queria. Só precisava de uma chance para que pudessem fazer aquilo funcionar, mas antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, risadinhas se fizeram ouvir no final do corredor e a garota se afastou dele com um pulo.
- Qual é, ? Não encontrou nada melhor? – um deles perguntou entre risos e um dos outros dois com ele o acompanhou, fazendo se encolher onde estava.
Infelizmente, conhecia os dois. Faziam parte do time, mas isso não significava que eram amigos, apenas que era obrigado a aturá-los. O terceiro com eles era , e diferente dos outros dois, pareceu um tanto quando desconfortável com a situação. ainda tinha algum bom senso.
- Não deveria estar na aula? – retrucou, irritado não só pela intromissão, mas como também pela atitude idiota. Principalmente pela atitude idiota, na verdade. Tudo o que ele não precisava era de alguém para ridicularizá-la, fazê-la se sentir ainda pior só porque preferia jeans e tênis a salto alto e mini saia. - Você não está em condições de perder nenhuma. – provocou e viu a expressão de deboche do outro sumir imediatamente.
- O que quer dizer com isso?
- Nada, absolutamente nada. Mas odiaria que saísse do time porque ainda não aprendeu a ler estando no último ano do colégio. – devolveu. - O que vai fazer da vida se não puder nem jogar futebol?
O garoto foi para cima dele sem pensar duas vezes e foi quem se colocou no caminho.
- Vamos embora, Josh. – falou, puxando o troglodita enquanto lançava a um olhar reprovador por ter provocado. O garoto deu de ombros.
- É, vamos. – Josh respondeu, encarando a garota que fez um esforço sobre humano para não se encolher mais uma vez. O motivo era óbvio, orgulho, mas nem menos isso a manteve firme para a próxima fala. – Pensando bem, ela é o tipo de lixo que faz bem a cara dele.
sentiu o sangue ferver, especialmente quando a garota deu as costas e foi embora, sem dizer nada. Ele tentou segurar sua mão para impedi-la, mas foi mais rápida.
Josh riu, satisfeito pelo que havia causado e dessa vez foi quem foi para cima dele, acertando-o em cheio no nariz antes mesmo que terminasse de rir. arregalou os olhos enquanto Josh urrava e seu amiguinho gargalhava.
Não demorou nem meio segundo para que Josh se jogasse sobre para revidar, mas sem esperar nada diferente dele, o empurrou para longe.
Mais uma vez, tentou se colocar entre os dois, mas Josh apenas o empurrou contra um armário, avançando em novamente. O garoto desviou de um soco, mas não conseguiu evitar o segundo que recebeu, no olho. Vacilou alguns passos para trás no primeiro instante, mas logo depois investiu novamente. Josh conseguiu se defender uma, duas, três vezes, mas recuou para trás enquanto o fazia, prendendo-se entre e a parede. Por um instante, olhou para trás como se realmente tivesse necessidade de fazer aquilo para saber que havia algo ali, lhe impedindo de continuar, e se aproveitou disso para socá-lo no estômago. Josh se curvou para frente e acertou seu rosto novamente, duas vezes. precisou contê-lo para que não continuasse.
- Ficou louco?! Chega! – o repreendeu, mas só tinha atenção para Josh, que o encarava tão furioso quando se sentia.
- O que é? Não tem mais nenhum insulto?! – provocou, sentindo o rosto queimar de raiva, mas empurrou Josh de volta para a parede antes que ele avançasse mais uma vez contra .
- Chega, que porra! Que parte do “chega” vocês não conseguem entender?! Vamos ser todos suspensos, vamos perder a droga no jogo na sexta! Se querem brigar, vão em frente, mas não aqui, não agora. Não fodam o time. – falou, olhando de um para o outro. abriu a boca para retrucar, ofendido. Josh havia começado, pedido por aquilo ao insultar a garota com quem ele estava, mas não quis ouvi-lo. – Chega, . – repetiu, o empurrando para que desse as costas para Josh. – Nós vamos para o banheiro no prédio B. Fiquem aqui. – ordenou para os outros dois, guiando um totalmente insatisfeito até onde havia indicado.

+++


o evitava como se a culpa fosse dele e apesar de saber que não podia controlar a mentalidade medíocre das outras pessoas, também se sentia culpado pelo acontecido. Era o tipo de coisa da qual ela tentava se privar e graças a ele, foi jogada no meio daquilo tudo.
Se já estava difícil conquistá-la antes. Ele nem podia imaginar como seria agora.
Jogado em sua cama, ligou mais uma vez para ela. Provavelmente a milésima vez, alias. provavelmente já havia bloqueado suas ligações, ou colocado no silencioso para que ele não a incomodasse, mas tinha esperanças de que ela se comovesse com a insistência e lhe desse uma chance.
O que não ocorreu.
Bufando, o garoto desistiu do celular, pensando se era ou não uma boa ideia correr o risco de aparecer em sua casa. Sua mãe já havia voltado do trabalho aquela hora, estaria em casa e provavelmente ficaria furiosa se ele aparecesse com a mulher lá. O problema era que a garota não estava realmente lhe dando muitas escolhas.
Por um tempo, encarou o teto sem fazer absolutamente nada, mas então seu olhar caiu no notebook um pouco mais adiante, na mesa em frente a cama e se levantou para pegá-lo. Faria spam atrás dela em todas as redes sociais e começou pelo chat do Facebook, embora soubesse que ela preferia o Twitter. Iria para lá depois também, se fosse o caso.

, está ai?”
“Eu sei que está, aliás. Você aparece como online.”


Foi só dizer que a bolinha verde ao lado do seu nome desapareceu e ele revirou os olhos.

“Sério que vai ser assim? Você não vai nem conversar comigo?”
“Ele é um idiota. Você não pode levar a sério o que qualquer idiota diz.”
“Por favor, me responde.”


Mas ela nem mesmo visualizou. Ou desligou a internet para fazê-lo sem que ele soubesse, o que achava muito mais provável.
Mesmo assim, abriu o twitter em seguida. Ele tinha uma conta totalmente abandonada que voltou a usar depois que descobriu que ainda usava. Interagia com ela as vezes. Twitter era solo neutro, ninguém mais usava Twitter e não tinha como ninguém saber que eram os dois. usava icon de uma cantora por quem era louca e ele de um super herói. Era mais fácil assim.
Viu um tweet dela assim que abriu a tela. Falava algo totalmente aleatório e ele respondeu:

“Pode, por favor, parar de me ignorar?”


Esperou um pouco, mas ela respondeu outra pessoa e tweetou outra coisa, mas não o respondeu, fazendo com que bufasse novamente.

“Eu sei onde você mora. Se não me responder, vou até ai.”
“Te faço uma serenata como pedido de desculpas se você quiser, mas tenho certeza que aquela líder de torcida, a sua vizinha, vai ficar bem curiosa.”
“Não que eu me importe, mas imagino que você se importaria.”


A ameaça funcionou, pois no mesmo instante, o chamou por DM.

@: “O que você quer?”

“Conversar, só isso.”


@: Então fala de uma vez.


Ele bufou com sua resposta, mas respirou fundo. Por que absolutamente tudo com ela tinha que ser tão complicado? Antes que ela desistisse de lhe dar atenção, voltou a digitar, rapidamente.

“Eu sei que eles se aproximaram de nós por minha causa e eu peço desculpas por isso. Mas você não pode me odiar pela atitude isolada de um imbecil. Se esconder nunca é a solução, . Fugir também não.”

@: “Não é uma atitude isolada, . É fácil pra você passar por isso quando é popular e intocável. O colegial é uma merda para o resto das pessoas, as que não estão nos grupinhos do qual você participa.”
@: “Todos pensam como o imbecil e ele não vai ser o único. É desse tipo de coisa que eu quero me poupar e chame como quiser, não ligo. Eu só quero passar despercebida pelo colegial e de preferência, sem nenhuma nova cicatriz, o que eu nunca vou conseguir com você. Hoje foi a prova.


sentiu o coração vacilar ao ler a última frase, perdendo tempo demais encarando a tela para tentar encontrar o significado delas. “Eu nunca vou conseguir isso com você”, viu as palavras se destacarem entre as outras como se tivessem sido escritas em neon. Talvez devesse ter dado alguns dias para ela e, de repente, se arrependeu de ter insistindo tanto.

“O que você quer dizer com isso?”
“Está terminando?”


@: “Não temos nada para terminar, . Você sabe disso.”


Revisou os olhos para a resposta, mesmo que sentisse seu coração prestes a sair pela boca. Ela não havia negado. Por que ela não havia negado?
Rapidamente, voltou a digitar:

“Você entendeu minha pergunta”

@: “Talvez seja melhor.”


se largou para trás na cadeira, boquiaberto, enquanto relia as palavras. Tinha esperança de ter entendido errado, mas não era como se existisse muitas outras interpretações para aquilo. Não tinha.
Mais uma vez, cogitou levantar-se dali para ir até a casa dela, bater em sua janela e foda-se todo o resto. Foda-se se sua mãe estava em casa. Ele só precisava dar um jeito naquilo. Mas ciente de que demoraria tempo demais para chegar até a casa dela, acabou optando por responder. Não deixaria que ela terminasse tudo por um idiota como Josh.

“Você quer parar de me encontrar por causa do que aconteceu hoje?

@: “Não é só por hoje, . É porque as coisas são assim e sempre vão ser. Nada pode mudar isso e eventualmente, só vai ficar por.”


passou as mãos pelo rosto, desacreditado e ligeiramente irritado agora. Sim, ela ia jogar tudo para o alto porque um cara qualquer falou alguns pares de merda. Ótimo.

“Você sabe que está apenas usando isso como desculpa. Josh não foi o problema, os alunos não são o problema. Tem outra coisa, sei que tem embora não saiba o que porque você não me diz.”

@: “Não sei do que está falando, .”

“Você sabe sim, é o motivo pelo qual foge de mim sempre que falo de relacionamento. É o motivo pelo qual nunca acredita em mim quando digo que gosto de você. As duas coisas podem estar envolvidas ou não, mas eu sei que vai muito além de mim.”


Dessa vez, foi ela quem levou tempo demais para responder e, por um instante, se arrependeu de suas palavras. Temeu que ela tivesse simplesmente ido embora, o deixado sozinho. Era o tipo de coisa que ela faria, com certeza e ciente de que, mesmo estando lá, não diria mais nada, ele continuou:

“Me conta a verdade, me conta seus segredos e eu prometo que não deixarei que aconteçam de novo. Só me dê uma segunda chance, . Por favor.”


Mais uma vez ela não respondeu, apesar de ter visualizado no mesmo instante. Ela estava com a janela aberta, mas não disse nada e se jogou para trás na cadeira novamente, sentindo-se mais frustrado do que já havia se sentido um dia. Era isso então? Tinham terminado?
Sentiu seu estômago se embrulhar, mas não sabia mais o que poderia dizer para que ela voltasse para ele. Sentia como se tivesse andado por milhas, sem conseguir chegar a lugar nenhum.
Quando já não esperava mais uma resposta, quando já não tinha mais nenhuma esperança de que ela o respondesse ainda hoje, o “digitando...” surgiu no canto inferior da tela e imediatamente, ele se ajeitou na cadeira, esperando ansiosamente pelo que quer que ela tivesse a dizer.

@: “Não existe segredo, só não quero outro coração partido por me deixar gostar de quem não merece.”

“E você acha que eu não mereço? Em algum momento eu te fiz pensar isso?”
“Eu aposto que não. Tenho certeza de que não pode reclamar quando a isso, porque eu te dei tudo de mim, .”


@: “Talvez você tenha razão e o problema esteja mais em mim do que em você, mas sou assim, . Não posso fazer nada.”

“Não quero que faça, só que diga que estamos bem.”
“Estamos bem?”


@: “Eu não vou mudar. Não quero rótulos e não quero que ninguém saiba.”

“Certo.”
“Eu posso ir ai?”


@: “Minha mãe está em casa, . Você sabe.”


Sim, ele sabia. Estava cansado de repetir aquilo para si mesmo, o fez a noite toda. Era a única coisa que ainda o mantinha lá, em frente co computador. Ele queria encontrá-la, ter certeza de que tudo estava como deveria ser e não conseguiria ficar tranqüilo até que o fizesse.
Com aquilo em mente, finalmente voltou a digitar:

“Não vamos fazer nada, eu só quero te ver.”

@: “Se não vamos fazer nada, não faz sentido você vir.”


Revirou os olhos para ela mais uma vez, se perguntando se ela realmente não o conhecia ou se apenas fingia que não para se sentir melhor. Para negar o que sentia, no caso.

“Eu só quero te ver. Podemos conversar como amigos, pelo menos?”

@: “Certo.”


Antes que ela voltasse atrás, fechou a janela e desligou o notebook, vestindo uma camisa antes de calçar seus sapatos para sair. Foi pela porta, avisou seus pais que passaria na casa de um amigo e foi para a casa dela.
Quando chegou lá, a janela estava aberta como de costume, esperando por ele, e entrou sem ser convidado.
podia não admitir, jamais, o que sentia, mas seus olhos vermelhos a denunciaram. Ela havia chorado com a possibilidade de perderem o que tinham, porque mesmo sem rótulos, já eram um do outro e só se deu conta disso naquele momento, quando a viu tão frágil. Ele a abraçou, mas o fez como se fosse por ele, pois sabia que ela fugiria se fosse o contrário, se ele sugerisse, por um instante, que o fazia porque ela precisava, porque sabia que ela tinha chorado.
Naquela noite, dormiram juntos, abraçados, e foi a primeira vez que ela o deixou ficar.

+++


Apesar de tudo que havia acontecido, estava particularmente feliz. Sua mãe, é claro, quis matá-lo por não ter voltado para a casa sem avisar e mais ainda por ter mentido. Ela, obviamente, ligou para o amigo que ele supostamente fora visitar. Se soubesse que o garoto, agora, cabulava a aula, provavelmente o mataria de verdade, não ficaria só no querer, mas seu humor estava bom demais para que ele se importasse.
Saiu da casa de pela manhã, acordaram com a mãe da garota batendo na porta. parecia sem jeito ao encará-lo, as bochechas levemente coradas de uma forma que ele não podia gostar mais. Entre se despedir, voltar para a casa, receber a bronca da mãe e se trocar para a aula, chegou atrasado e encontrou os amigos do time o esperando. Burlariam a aula para ir a praia, surfar. O clima finalmente estava bom depois de dias de mal tempo e o garoto não se opôs.
Voltou para a casa na caminhonete de . Aproveitando-se do fato de seus pais não estarem mais em casa, pegou outra roupa e a prancha e seguiram até o próximo destino.
- Você e a estão juntos, então? – perguntou repentinamente, abaixando o volume do rádio e lhe encarou de canto de olho, tentando decidir o porquê da pergunta, se ele também pretendia insultá-la. Não que aquilo fizesse o estilo de , observou mentalmente. - Só estou perguntando por que você nunca disse nada. – o outro se defendeu ao notar o olhar desconfiado de . – Somos amigos, você deveria saber que eu não vou agir como o Josh.
Ninguém deveria agir como o Josh sobre ninguém, observou mentalmente para si mesmo.
- Ela queria manter segredo e o motivo, acho que ficou bem obvio.
- Você esperava isso de mim também? – perguntou, soando ofendido. Se conheciam há anos, era seu melhor amigo, mas depois que entraram no time fizeram tantas novas amizades que talvez tivessem se distanciado um pouco. Acabavam sempre saindo em grupos maiores, nunca tinham tempo para a amizade dos dois apenas.
E o resto do time, definitivamente, não era confiável. Mas , ele sabia que era.
- Acho que não. – respondeu, olhando para as próprias mãos por um instante. – Nunca mais paramos para conversar sobre esse tipo de coisa. Não pareceu ter sentido só chegar e falar, especialmente quando era, é, segredo.
- O máximo que eu ia fazer é te sacanear por estar apaixonado. – brincou, e acabou rindo, embora não pudesse negar. Ao notar, ergueu uma sobrancelha. – Está apaixonado?
- É... eu acho que sim. – admitiu e riu novamente.
- Cara, eu nunca imaginaria os dois juntos. Ela é uma garota legal, mas é difícil saber o que ela pensa, sempre escondida embaixo do capuz.
- Eu que o diga. – respondeu, mas estreitou os olhos em seguida.
- Se conhecem?
- Fiz um trabalho com ela esse ano, mas conversamos pouco, ela parecia tímida demais e acabou fazendo a maior parte sozinha para me evitar.
- Ela é ótima em evitar as pessoas. – respondeu, lembrando-se do dia anterior e riu, concordando.
- Não tenho ideia de como isso aconteceu, mas fico feliz por você, . E por ela. Talvez você seja o que ela precisa para ter mais confiança em si e se precisarem se esconder para evitar idiotas como o Josh, tudo bem. – falou e meneou positivamente com a cabeça, sorrindo para o amigo logo depois.
- Deveríamos fazer isso mais vezes. – falou. – Sair sem os outros, conversar.
- Argh, . Eu sou hétero. Não quero um encontro com outro macho. – respondeu, fazendo uma careta enquanto estacionava o carro ao lado do outro já ali, que trouxera o restante do time.
revirou os olhos, mas um sorriso brincava em seus lábios enquanto ele saia do veículo.
- Sou eu que tenho namorada, não você. – provocou, esperando pegar as suas coisas para descer também.
- Namorada? Ela sabe disso? – perguntou, fazendo rir.
- Definitivamente não. Se me ouvir rotulando a relação, provavelmente me mata.
- Eu imaginei. – riu, finalmente descendo do carro e passando um dos braços pelos ombros de . – Também senti sua falta, cara. – falou por fim, dando dois tapas no peito de antes de soltá-la ao se aproximarem dos outros, que comemoraram a chegada dos dois.

se jogou sentado na areia, cansado. Ele estava totalmente sem prática naquela coisa de surf, mas apesar disso, a manhã havia sido ótima. Estava satisfeito por Josh e o amiguinho dele não estarem no grupo. Faltavam outros três também, mas não fizeram falta alguma, muito pelo contrário. acabou descobrindo que o restante do time não era tão ruim assim e todos, sem exceção, detestavam aqueles cinco. Pelo mesmo motivo: Piadinhas racistas, homofônicas e machistas. Isso sem contar com o bullying a qualquer um que não fizesse parte do time ou das líderes de torcida. Josh, aparentemente, achava que fazia parte de um filme americano e se divertiram fazendo bullying com ele, só para variar.
Acabaram conversando demais e não viram o tempo passar. A intenção era voltar antes do intervalo, mas naquele horário, ele provavelmente já estaria terminando.
- Já que perdemos a hora de qualquer forma, deveríamos passar o resto da tarde aqui. – um dos garotos falou. – Um tempo sem aquele grupo, só para variar.
não respondeu nada, mas concordou imensamente. A última pessoa que ele queria ver na sua frente, era Josh, embora fosse apreciar ver como ficou a cara dele. Os amigos acabaram descobrindo que fora quem causara aquilo, mas o garoto conseguiu fugir do por que com maestria. Não que ele esperasse que os outros fossem demorar muito a descobrir agora que Josh sabia e provavelmente faria a fofoca. Teria que lidar com aquilo mais tarde.
- É estranho. – um outro falou e desviou o olhar para ele, semicerrando os olhos para conseguir encará-lo graças ao sol. – Foi ele quem convocou a gente e então simplesmente não aparece?
- Ficou com vergonha da cara feia. – mais um comentou, fazendo os outros rirem por isso.
- Bom, pode ser. – o garoto respondeu, sentando-se na areia. – Mas não faz muito sentido já que quando ele marcou, já tinha levado a surra.
sentiu um arrepio subir por sua espinha imediatamente e encarou o garoto de súbito, de repente receoso. Josh havia marcado um encontro do time na praia, após a surra, e não aparecera? Algo estava muito errado. Todos os seus sentidos gritaram que tinha algo muito errado.
- O quê?! – perguntou, antes mesmo de pensar sobre o que fazia e o garoto lhe encarou confuso.
- Ele falou que vocês tinham se desentendido e sugeriu isso para que se entendessem, para que o time se aproximasse. Achei ridículo vindo dele, mas...
Antes que o garoto se quer terminasse, se colocou de pé, sentindo-se um tanto quanto apavorado. Nem fudendo que Josh ia ser tão altruísta e admirava que o garoto houvesse acreditado naquela merda depois de tudo que haviam discutido sobre o próprio Josh.
olhou para , pronto para lhe pedir uma carona, mas o amigo já estava de pé, provavelmente acompanhando sua linha de raciocínio.
Josh aprontaria alguma com . E seria no intervalo. Se voassem, talvez conseguissem impedir. Ele tinha esperanças.
- O que houve, aconteceu alguma coisa? – o garoto que falava antes se pronunciou e um outro revirou os olhos, se colocando de pé também.
- Desde quando o Josh é legal, cara? – perguntou, voltando-se para . – Não sei o que ele fez, mas vou com vocês.
preferia que não fosse, mas acabou concordando apenas para ir logo. Pegou o telefone sobre a prancha, discando o número da garota imediatamente para preveni-la, isso se já não fosse tarde demais e apenas se viu ainda mais nervoso quando não conseguiu contato.
Todos os garotos acabaram voltando no final, comovidos pelo claro desespero de apesar do garoto não dizer o por que. Todos descobririam a verdade quando chegassem, mas ele nem se importava. Só precisava dar um jeito de encontrar antes que fosse tarde demais.

+++


soube que estava atrasado assim que pisou no colégio. O intervalo tinha acabo há alguns minutos, mas todos ainda estavam do lado de fora. Risinhos ecoavam por toda parte, algo bem normal estando em um lugar cheio de adolescentes, mas o murmúrio era muito maior, como se todos falassem a mesma coisa. Sentiu o medo tomar conta de si e correu direto para o pátio, de onde a maior parte dos alunos vinham.
- Vocês viram como ela ficou? – ouviu uma garota falar, divertida, e sem pensar duas vezes, se aproximou.
- Onde? – ele perguntou, intrometendo-se no assunto. Tentou não demonstrar o quão furioso estava, mas não achou ter obtido muito sucesso. Não sabia o que Josh tinha feito e se tinha realmente feito, no entanto, não podia imaginar como alguém podia simplesmente rir disso. A garota lhe encarou com desdém e bufou. – Onde? – insistiu. – É uma pergunta simples, não consegue entender?
- , fica calmo. – pediu, puxando o amigo para trás e sorriu para a garota.
- Não vimos o que aconteceu, pode nos dizer?
A garota revirou os olhos.
- Josh com a garota, perto do segundo prédio, mas já acabou, ela saiu chorando com uma amiga.
- E você está rindo disso? – perguntou sem se conter. Adultos miseráveis, era isso que aquela escola estava criando e a prova foi a garota dar de ombros, sem se importar.
– Foram só alguns ovos, quem liga?
Ovos. Haviam jogado ovos nela?
- Amanhã eu trago alguns pra sujar sua roupa de princesa. – respondeu, mas mal se deu conta de que o fazia, dando as costas sem esperar por uma resposta e correndo para o estacionamento.
Haviam jogado ovos nela. Haviam humilhado ela em frente a escola inteira.
Acelerando o passo o máximo que pode, sentiu a preocupação tomar conta de cada célula de seu corpo. Sabia que o seguia, mas não parou, olhando ao redor assim que chegou ao local.
não estava mais lá.
Virou-se para o amigo, novamente pronto para pedir uma carona, mas antes que o fizesse foi empurrado para trás sem que ao menos tivesse visto quem se aproximara.
- Você é um desgraçado! – a garota gritou, o empurrando novamente. Era a amiga de , Bonnie, se não estivesse enganado. Ela tinha metade do seu tamanho, mas ele não conseguiu contê-la quando esta decidiu esmurrar seu peito.
- O... o que houve? – ele perguntou, mas a garota não se importou com a pergunta e ainda levou vários segundos para conseguir se situar, segurando os pulsos dela para que parasse.
- Me solta, agora! – ela esbravejou e o fez, mesmo que relutante, mas por sorte, ela não voltou a atacá-lo. – Você é ridículo! E o pior é que dessa vez, até eu me enganei. Estava certa de que você podia fazer bem pra ela de alguma forma, então... Isso!
- O que houve? O que diabos eu fiz? – perguntou, beirando ao desespero e ela apenas urrou.
- Você é o pior tipo de pessoa, mas o universo é justo e vai ter volta. Tudo o que você fez, vai ter volta, nem que eu mesma tenha que me garantir de que tenha! – gritou, dando as costas para para sair dali, deixando-o completamente confuso para trás.

+++


não demorou para descobrir o que Josh havia feito e menos ainda o porquê do escândalo que a amiga de havia iniciado.
Josh usara seu nome.
Ele a humilhou em frente de toda a escola e fizera isso em seu nome.
não perdeu tempo com redes sociais dessa vez, se quer precisou pensar no que deveria fazer. Foi direto para a casa da garota, escalando a árvore com a qual estava acostumado. Pulou para dentro de sua sacada, mas não ficou exatamente surpreso por dar de cara com sua janela fechada. Ele se aproximou da madeira com cautela e fechou os olhos ao encostar a cabeça ali, tentando ouvir se a garota estava no quarto. Pode escutar uma gaveta ser aberta e vendo isso como uma oportunidade, bateu delicadamente na janela.
A mãe dela estava em casa, ele já tinha visto o carro ali. A mulher, provavelmente, fora buscá-la na escola e não precisava chamar sua atenção para fazer com que o odiasse ainda mais.
- , abre a janela pra mim, por favor. – pediu e imediatamente, todos os sons do quarto cessaram, como se ela quisesse fingir que não havia ninguém lá.
Como não, era exatamente isso que ela queria, era óbvio que queria. Não sabia da história completa, acreditara em Josh. Talvez devesse até se sentir ofendido por ela, depois de tudo, acreditar nele, mas no fundo sabia que aquela desconfiança fazia parte dela, era algo que nunca seria capaz de corrigir e sentiu-se apavorado com a possibilidade de perdê-la, se é que já não tivesse perdido. Sabia que, mesmo que a convencesse de que não havia feito parte daquilo, ela não o aceitaria de volta, não quando, de qualquer forma, a culpa ainda era dele.
Ele a jogou no meio do que ela mais tentava evitar afinal, e não pode se sentir mais culpado por isso.
- Eu sei que está ai, por favor, vamos conversar. – pediu. Seu tom de voz era baixo, mas sabia que ela era capaz de escutar. – ...
Ouviu um soluço e sentiu seu coração vacilar. Quebrar, na verdade. Ela estava chorando, por causa dele, e não havia nada que ele pudesse fazer para confortá-la. Não podia abraçá-la, dizer que tudo ficaria bem e muito menos secar suas lágrimas. Se quer podia tocá-la, do lado de fora do quarto dela enquanto via tudo desabar. Por um momento, naquele dia, pensou que as coisas estavam bem, que finalmente havia conseguido dar um passo em relação a ela, mas de repente, todos os passos haviam retrocedido e agora ele não tinha mais nada.
- Eu não fiz parte disso, . Por favor... Você tem que acreditar em mim, por favor. – pediu, odiando-se por sua voz soar embargada. Respirou fundo, tentando reprimir a angustia para conseguir falar. – Eu não podia imaginar que ele faria isso e se eu soubesse.... Se eu estivesse lá... – trincou os dentes, furioso em questão de segundos. Não estava lá e por isso havia acontecido. Ele não estava lá. – , vamos conversar. Não saio daqui enquanto não abrir a janela pra mim. Abre, por favor.
Mais uma vez, fez-se silêncio e esperou, notando uma sombra se aproximar pela fresta da porta. Ele não se afastou, permaneceu com a cabeça apoiada na porta, mas segundos se passaram e mesmo sentindo que ela estava li, diante dele, não abriu a porta, tampouco disse qualquer coisa.
- , eu te amo. – sussurrou, embora o tenha feito alto o suficiente para que escutasse. – Não participei disso, nunca participaria de algo assim, com ninguém. O que ele fez foi... Foi cruel, em todos os sentidos, e eu peço desculpas por não ter estado lá, não ter te defendido, não... Não ter feito nada. Me desculpa, , por favor.
Ele a ouviu chorar e teve certeza de que ela também tinha a cabeça encostada contra a janela, de frente para ele. Abriu a boca para continuar, sentindo-se pior do que já tinha imaginado sentir, mas então ela finalmente se pronunciou, o impedindo de fazê-lo:
- Eu acredito em você. – sua voz embargada saiu como um sussurro, mas ele a ouviu em claro e bom som. – Não queria acreditar, não queria mesmo. A razão grita para que eu não acredite, mas... Eu te amo, por mais que eu tenha tentado evitar.
- Você não precisa, evitar. , não precisa.
- Preciso, hoje foi a prova de que preciso. – ela fungou. – Eu quero que vá embora, . Não quero mais te ver, não quero... Não quero que fale comigo, . Vai embora. – pediu e ele ouviu sua voz se afastar com a última palavra. Ela já não estava mais próxima a porta.
- , não...
- Por favor, . Se me ama, vai embora. Você não pode evitar que aconteça de novo e sabemos que vai se continuarmos juntos.
- ... – antes que ele terminasse, uma luz se acendeu no jardim, fazendo com que o garoto se assustasse, perdendo a fala. Ele olhou para baixo e viu a mãe da garota ali, que olhou para ele com a expressão um tanto quanto furiosa.
- Já não basta tudo que fez?! – perguntou para ele, aos berros. – Desce agora. Se não quiser que eu chame a polícia, desce dai agora! – gritou, mas tudo o que ele fez foi olhar com tristeza e pesar para a janela fechada mais uma vez. – Não está me ouvindo?! – perguntou e ele apenas concordou com a cabeça.
- Não terminamos, . Não vou deixar que termine. – falou, baixo o suficiente para que só ela escutasse antes de obedecer sua mãe, voltando a escalar a árvore.
- Se você chegar perto dela mais uma vez, eu juro que...
- Não fui eu. – falou em tom de súplica. Não era possível que ninguém conseguisse enxergar o quão angustiado ele estava com a situação, mas a mulher claramente não se importou.
- Vai embora. E não perca seu tempo em voltar. Essa árvore não vai mais estar aqui amanhã. – ameaçou, não esperando que o garoto se afastasse para dar as costas e voltar para dentro.

+++


No dia seguinte, não foi a aula. Era de se esperar que não fosse, na verdade e até foi melhor assim. A humilhação que ela havia sofrido estava por todas as partes, gravada no celular de todos os alunos e ele precisava se conter toda vez que ouvia alguém rir ao passar por ele.
Achavam que ele era o responsável afinal. Todos, aparentemente, eram idiotas ao ponto de acreditar em Josh. queria, sinceramente, não ligar, mas sentia o sangue ferver toda vez, em todas as piadas, e não conseguia se conformar de que ninguém ali era capaz de se sentir mal pela garota.
Haviam jogado ovos nela enquanto zombavam da maneira como vestia, como se portava e todos riram quando Josh falou sobre ele, sobre eles. era popular, fazia parte do time. Em que mundo se interessaria por alguém como ela? Disse que estava brincando com ela, e todos ao redor concordaram, ajudaram. “É a única explicação afinal”, foi o que disseram.
Exceto que, bom, não era.
Foi Bonnie quem intercedeu. Provavelmente quebrou o nariz de Josh com o murro que deu nele e simpatizou com a garota assim que viu o vídeo. Não que isso, de alguma forma, tenha sido capaz de fazê-lo se sentir melhor.
Sem ao menos pensar sobre o que fazia, se levantou da carteira, no meio da aula, e seguiu até a porta. O professor chamou sua atenção, não podia sair daquela forma, mas ele não se importou. Pegou suas coisas e simplesmente saiu, rumando para a sala do diretor.
Tinha um balcão na porta com uma moça ali, provavelmente secretaria do homem, mas passou por ela como se não a visse. Ela saiu do balcão para impedí-lo de entrar, mas quando se aproximou, já era tarde, havia entrado na sala, fechando a porta antes que ela pudesse entrar para se justificar para o homem lá dentro.
- O que é isso? – o diretor perguntou, levantando-se da cadeira. – Meu rapaz, ficou louco? – quis saber, mas negou, fechando a porta novamente assim que a secretária tentou abri-la, fazendo menção de entrar.
- Você por acaso sabe o que está acontecendo na sua escola? – perguntou de uma vez, empurrando a porta para fechá-la na segunda tentativa da secretária. Bufou para ela.
- Senhor, eu juro que não... - ela começou, do outro lado.
- Tudo bem, Amélia. Pode ir. – o homem falou, erguendo a mão para a mulher pelas janelas de vidro e ela finalmente parou de empurrar a porta. Fez sinal para que se sentasse em seguida, mas o garoto negou com a cabeça, iniciando de uma vez o assunto.
- Jogaram ovos em uma garota ontem durante o intervalo. Humilharam ela dentro da escola e ninguém liga, muito pelo contrário! Estão compartilhando por toda parte vídeos dela e o ponto alto, o momento mais engraçado do vídeo, é quando ela começa a chorar e sai correndo.
- Entendo. – o homem falou de forma fria e aquilo, de alguma forma, só serviu para irritá-lo ainda mais. quis voar em seu pescoço, mas se controlou ao máximo para manter a compostura. – Ela é sua namorada?
- Por quê? Precisa ser namorada de alguém pra que você faça o seu trabalho?
- Garoto, um pouco mais de respeito. – pediu, e riu irônico.
- Não tem ninguém respeitando ninguém lá fora! Não tem ninguém respeitando a garota! Por que você não faz por onde antes? É a droga da sua escola e os alunos estão se matando lá fora!
- Vou ter que pedir para que se acalme, tudo bem? – perguntou e apenas o fuzilou com o olhar. Não, não estava bem. não estava bem e ele também não estava por isso. – Me diz seu nome. – pediu, pegando o telefone ao seu lado. – Você está exaltado, vou pedir para que Amélia ligue para seus pais e... – antes que o homem terminasse de falar, revirou os olhos, deu as costas e saiu dali.
O homem, assim como todo o resto, não se importava e tudo o que ele desejou foi ir embora o mais rápido possível. Talvez fosse para a casa, ou quem sabe para a praia, mas sabia, no fundo, para o único lugar aonde seus pés o levariam. Para a casa de novamente. Insistiria até que ela o quisesse de volta.
seguiu pelos corredores praticamente vazios do colégio. Todos deveriam estar em aula, era de se esperar, e ficou extremamente grato por isso. Mais um risinho em sua direção e ele certamente explodiria. Foi até seu armário, tirou alguns livros da mochila para colocá-los lá e após fechá-lo, devolvendo a mochila ao ombro para ir embora dali de uma vez, viu Bonnie sentada nas escadarias, o rosto escondido nas mãos.
se aproximou cuidadosamente, tirando a mochila dos ombros para sentar ao lado da garota que só o notou ali quando já era tarde demais.
Bonnie ergueu a cabeça, mudando imediatamente a expressão antes triste para outra de puro ódio ao encará-lo.
- Eu não fiz isso. – falou, o mais sincero que pode e sentiu seus olhos lacrimejarem ao pensar novamente na garota. – Eu nunca faria isso. Não digo que não tenho uma parcela de culpa, eu briguei com Josh outro dia para defendê-la e ele quis se vingar, então fez isso. sempre falou do quanto as pessoas podem ser cruéis, do quanto seriam cruéis se soubessem e eu achei que era exagero. Nunca passei por isso, mas ela sabia. Estava tentando evitar que acontecesse e para protegê-la eu estraguei tudo, fiz tudo errado, deixei que soubessem porque queria que soubessem e nem me dei conta de que estava sendo egoísta. Eu nunca passei por isso. – repetiu. – Não sabia que estava sendo egoísta.
- Você é popular, parte do time e ainda por cima, homem. É claro que não sabe. – Bonnie falou com desdém e ele a encarou. – Mulher é julgada de acordo com a pessoa com quem ela namora. Se um homem pega uma mulher muito mais bonita que ele, é foda. Se for o contrário, se a mulher estiver com alguém mais bonito do que ela, criticam a garota. “Ela é feia, pouco para ele”. Não que mulher seja julgada só por isso, claro, mas era isso que ela estava tentando evitar. Nunca confiou o suficiente em si para não ligar.
- Eu nunca vi como se ela fosse pouco para mim. Ela é única e eu queria que ela enxergasse isso.
Pela primeira vez, Bonnie o encarou e sustentou o olhar um tanto quanto analítico da garota.
- Você gosta dela. – afirmou e apenas concordou, lançando a ela um sorriso triste antes de abaixar a cabeça. – Ah, ... – Bonnie falou, como se fosse ela agora prestes a chorar e o garoto ergueu a cabeça novamente, no mesmo instante.
- O que houve? – perguntou, sentindo o coração vacilar em seu peito enquanto a garota negava com a cabeça. – Bonnie? – insistiu.
- Ela foi embora. – sussurrou, fazendo com que o garoto perdesse o ar no mesmo instante.
- Em... Bora? – perguntou, mal reconhecendo a própria voz ao perguntar e viu Bonnie concordar com a cabeça minimamente.
- Ela decidiu ir morar com o pai para ficar longe disso tudo, de... Você. – disse a última palavra mais baixo enquanto sentia seu estômago se contorcer na mais profunda dor.
Ela não podia ter feito aquilo, não podia ter ido embora sem se despedir, sem avisar. Não podia ter ido embora após dizer que o amava pela primeira vez.
Sem ouvir mais nenhuma palavra do que Bonnie dizia, levantou-se dali, jogando a mochila de volta aos ombros.
correu, começou ali mesmo, no corredor, e só terminou quando chegou na casa da garota. Era um caminho longo demais para se fazer a pé, ainda maior correndo, mas o cansaço e a dor no peito que sentia pela corrida jamais conseguiria superar a que ele sentia com a mera possibilidade de perdê-la. Para sempre.
Sem se importar se a mãe dela estava em casa, com visinhos ou qualquer outra coisa, escalou a árvore do quarto dela. Árvore que por sorte, ainda estava ali. Não que ele não fosse dar um jeito de escalar de qualquer forma. Estava desesperado e faria qualquer coisa só para ter certeza de que Bonnie falara a verdade.
Torcia com todas as suas forças que não. Que fosse piada.
Dessa vez, quando conseguiu pular para dentro da sacada, a janela de estava aberta, a cortina balançando levemente com o vento. Sentindo o coração palpitar, segurou a cortina, respirando fundo uma vez antes de ter coragem para finalmente afastá-la e entrar.
Mais uma vez, pediu para que fosse apenas uma piada de mal gosto de Bonnie, mas assim que invadiu o cômodo, congelou no lugar, completamente espantado.
Era verdade. Ela havia ido embora.
Ela era a única garota que ele havia amado e foi embora, sem ao menos dizer adeus.
Seu quarto estava limpo, a porta do closet aberto, com poucas coisas deixadas para trás. O mural de fotos com imagens de alguns ídolos, não estava mais lá. O travesseiro com o qual ela não dormia sem, também havia sumido. Seu notebook, sobre a mesa de canto, havia desaparecido junto com todas as suas outras tralhas. Seus CDS, livros, todos haviam sido retirados dali. Tudo que fazia o quarto parecer dela, se fora como se nunca tivesse existido e dessa vez, quando seus olhos voltaram a marejar, não conseguiu conter as lágrimas.
Ela o tinha deixado. No dia anterior, havia notado, ela o bloqueara em todas as redes sociais, mas não esperava que fosse tão além disso. Ele sabia onde encontrá-la, sabia onde estudava, onde morava, não podia ir muito longe, se esconder para sempre.
Ou era isso que ele pensava.
Jamais podia imaginar que estava tão enganado, jamais podia pensar que ela o abandonaria daquela forma, sem uma despedida.
deu um passo para trás, sentindo-se totalmente quebrado e, agora, enjoado. Estava prestes a dar as costas, correr para fora, quando notou o pedaço de papel sobre a mesa, retangular como uma fotografia. Ele se aproximou, estendendo uma das mãos trêmulas até o papel que ele sabia, não estava ali sem um propósito.
“Me desculpe” era a única coisa que estava escrito, na letra que ele conhecia tão bem e quando virou a folha, era mesmo uma foto. Uma foto dos dois. Uma que ele tirara quando ela estava desprevenida, no celular da garota. Uma que o repreendeu por ter tirado e que disse ter apagado.
havia tentado convencê-la a lhe enviar a foto para ele antes, era a primeira e ele sabia, única que teriam juntos.
Na imagem, ela o encarava sorrindo de uma forma que poucos haviam tido o privilégio de ver, o sorriso mais lindo que ele já havia visto, o que fizera ele se apaixonar e sentiu as lágrimas escorrerem com mais força. Ela havia guardado a foto. Ela guardara todo aquele tempo, em segredo.
quis rasgar a foto pelo que ela havia feito, por tê-lo abandonado, mas após encará-la por tempo demais, tudo que fez foi deixá-la cair no chão enquanto dava as costas para o quarto onde havia passado tantas noites acordado. As melhores que já havia tido.
Sabia, no fundo, que um dia se arrependeria pela atitude, por não ter guardado aquela foto, aquele sorriso, mas naquele momento, não pode fazer mais do que aquilo e caminhou de volta até a janela.
Ela era aquela que mais importava. Ela era a única que ele mantinha por perto. Havia lhe contato seus segredos, feito promessas, mas então ela se foi, o deixando para trás com nada além de um coração partido que não sabia como recuperar. Ou se um dia recuperaria.
Ela havia ido embora, afinal, e mesmo sem saber, levara uma parte dele consigo.


Fim.



Nota da autora: Mais um ficstape, manaaaaas! E adorei esse apesar do final triste, confesso! Hahahaha
Obrigada a todas que leram e espero, sinceramente, que tenham gostando.
Comentem para que eu saiba! E podem xingar, eu deixo. XD
Xx
Mayh.



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