Finalizada em: 24/06/2017

Capítulo Único

Setembro de 2014*


Harry não se lembrava da última vez que acordara tão disposto mesmo sendo tão cedo, mas estava particularmente animado aquela manhã.
Estavam no final da maior turnê que já fizeram e por mais exaustivo que fosse, ele adorava aquilo,viajar para todos os lugares, conhecer tantos países. Adorava estar no palco, se apresentar para o público, amava o seu público. Sentia uma enorme satisfação em fazer o que fazia, sentia-se no caminho certo. Realizava seu sonho todos os dias, mas aquele dia era diferente. Eraespecial para sua família e ele não podia se sentir mais orgulhoso. Estava ansioso para ver a mãe e a irmã depois de tanto tempo na estrada, sem vê-las, e sorria só de imaginar a mulher radiante em um vestido de noiva.
Sua bagagem já estava pronta, mas levava pouca coisa, apenas uma bolsa e a roupa para a cerimônia. Passaria apenas um dia e meio em sua cidade natal afinal, tinha que voltar as pressas para seguir com a turnê. Dois dias entre um show e outro foi o melhor que conseguiram quando tentaram encaixar o casamento na agenda tão apertada do garoto.
Ouviu duas batidas leves na porta e colocou o terno preparado antecipadamente para a tarde com cuidado sobre a cama, ao lado do vestido deixado ali há pouco. Imaginava que fosse o serviço de quarto, havia pedido que trouxessem o café já que teriam que sair o quanto antes, mas para sua surpresa quem encontrou foi Steven e abriu espaço para que o homem entrasse.
- Já está pronto? – perguntou ele ao garoto que concordou com a cabeça. Não tinha muito o que levar na verdade embora tenha tido um sucesso excepcional com a tarefa de encher uma mala extra só com utensílios de beleza. Faria a maquiagem das madrinhas e havia usado aquilo como desculpa para levar tudo que conseguiu enfiar na bolsa, enquanto Harry ria de sua indecisão. Eram apenas duas madrinhas afinal, com uma cara cada uma.
Como se o pensamento a tivesse invocado, o som de algo caindo dentro do banheiro soou alto e Steven desviou o olhar para a porta por um breve instante antes de se voltar para Harry.
– Acha mesmo uma boa ideia? - perguntou e Harry franziu o cenho como se não entendesse ao que Steven se referia, por mais que entendesse.
A verdade era que preferia não entender, para poupar os dois da conversa ridícula que provavelmente se seguiria. Ele se quer conseguia acreditar que Steven ainda achava que aquilo era um assunto, que aquilo estava em pauta. Sua vida pessoal não estava.
- O que exatamente? – perguntou, dando ao outro uma chance de voltar atrás mesmo que no fundo já imaginasse, isso não aconteceria.
- É um evento de família, somente os amigos e familiares mais próximos, você não acha que...
- É o evento da minha família, da minha mãe e ela convidou minha namorada, que é uma amiga próxima da família. – respondeu de forma impaciente ao interrompê-lo. Poucas pessoas conseguiam tirá-lo do sério, mas depois de tudo que ele e haviam passado graças ao controle tão rígido da agencia sobre eles, Harry não se importava mais em ser educado, por mais pacifico que costumasse ser. Há dois meses, apenas agradeceria a preocupação e ignoraria a recomendação, mas manter a calma não vinha surtindo muito efeito.Abaixar a cabeça e deixar rolar não havia tornado as coisas mais fáceis para ele nos últimos tempos, não deixaria que continuasse como estava. Não era certo que tivessem aquela espécie de poder e como se tivesse se dado conta do campo minado no qual havia entrado, Steven ergueu as mãos em sinal de rendição, como se tentasse se desculpar por suas palavras.
Não que Harry acreditasse, de forma alguma.
- Eu estou do seu lado, amigo. – falou, sorrindo ao pausar uma das mãos sobre o ombro do garoto para confortá-lo e Harry lutou para não revirar os olhos. – Eu só estou tentando protegê-los da confusão que será se os fãs verem os dois juntos no casamento.
- Já cuidamos disso, Steven. – Harry respondeu após suspirar, tentando manter a conversa civilizada, por mais absurda que fosse.
- Um casamento falso em Doncaster? Você acha mesmo que isso é uma boa idéia?
- Os fãs vão para lá e nós para o lugar certo. Sim, eu acho uma boa ideia. – insistiu, afastando-se do homem. Passara o mês inteiro planejando aquilo com a mãe para despistar fãs e fugir das câmeras, então sim, acreditava que daria certo.
- Se você espera conseguir passar despercebido pelo aeroporto, boa sorte. Vou mandar o Paul e o Dale com vocês.
- Só o Dale é o suficiente. – Harry o contou antes que continuasse, desejando que o homem só fosse embora de uma vez antes que a garota saísse do banheiro e fosse obrigada a ouvir aquilo.
- Harry, eu não sou o vilão.Só estou tentando te ajudar. – Steven voltou a falar, fingindo não entender a deixa de Harry para finalizar o assunto. - Não tem como vocês chegarem até lá sem serem vistos e quando virem... Você sabe que ela não lida muito bem com isso. – tentou e Harry quase riu por ele decidir usar o bem estar dela contra ele depois de tudo que fizeram com a garota. As chantagens por conta do bebê. Os contratos... Era ridículo e Harry negou com a cabeça. - Não é minha culpa, assim como os fãs também não são e eu só estou tentando dizer que seria muito melhor pra todo mundo se ela ficasse.
- Você não sabe o que é melhor pra “todo mundo”, Steven! – se exaltou, juntando os lábios em uma linha rígida em seguida, para se calar. Tentando engolir a raiva que sentia do homem no momento, deu as costas para ele, dando alguns passos em direção a janela, sem falar nada, antes de encará-lo mais uma vez. – Eu não sei, sinceramente, o que você espera. – falou por fim, com o mesmo tom ameno e educado que as pessoas costumavam conhecer, por mais contrariado e irritado que estivesse com a situação. Em alguns momentos, como aquele, ficava surpreso com si mesmo com seu nível de autocontrole. – Você é muito bom no que faz, Steven, mas não pode agenciar minha vida pessoal como agencia a banda e eu não vou deixar que interfira mais do que já interferiu. Eu sei, é o seu trabalho, você quer o melhor para nossa imagem, mas eu não sou só isso, nossa vida não é só isso e eu não vou me privar das coisas por isso.
- Não estou pedindo que se prive de nada, Harry... – voltou a falar, insistindo em colocar que estava pensando apenas no bem estar dos outros quando não estava. A verdade era que o único motivo pelo qual não queria que fosse era manter as aparecerias. Larry era realmente o terror da banda, mas não pelo motivo que os fãs achavam. A verdade era que a agencia amava a repercussão. Era ótimo para eles que acreditassem nisso, trazia visibilidade, trazia polemica e que banda não vivia disso afinal? Larry era a mina de ouro, sendo verdade ou não e Steven não se importava que perseguissem ele, Louis ou por isso. Ele só não queria dar motivos para Larry ser falso. Não que Harry tivesse qualquer esperança de que um dia desistiriam da ideia.
Mas negando com a cabeça novamente, Harry o interrompeu mais uma vez:
- Não com todas as letras, mas é isso que faz quando sugere coisas como a que está sugerindo agora. Que eu vá sozinho para evitar a repercussão. É um dia importante para mim e eu quero que pessoas importantes estejam comigo. Quero que ela esteja comigo e minha mãe, que também quer o melhor para mim, quer que ela vá porque sabe o quanto isso significa. Quando você pede que eu vá sozinho, por outro lado, está pensando apenas na banda, na imagem dela. – Steven negou com a cabeça, pronto para interferir, mas Harry ergueu uma das mãos em um pedido silencioso para que ele não o fizesse, aproximando-se do homem. – Tudo bem. É o seu trabalho cuidar disso, mas eu não vou mais aceitar tudo em silêncio mesmo que me deixe mal com as pessoas que eu amo. Eu planejei isso em todos os detalhes, Steven. Nem mesmo os convidados do casamento sabem onde é, eu cuidei de tudo e mesmo que tenha paparazzis na porta, ninguém vai se importar porque de qualquer forma, vai ser um dia excelente.
Vencido, Steven suspirou, gesticulando como se dissesse para Harry fazer o que queria. Não estava satisfeito, qualquer um podia reconhecer facilmente, mas optou por não discutir o que, para o garoto, já estava de bom tamanho.
- Faça como achar melhor. –falou apenas e Harry concordou, sorrindo como se aquela conversa não tivesse sido tão completamente desconfortável. – Eu aprecio isso. – respondeu. – E seu cuidado também, obrigado.
- Pelo menos vá com os dois seguranças. – insistiu e mesmo que ainda não achasse necessário, Harry concordou dessa vez, dando o braço a torcer. O homem havia cedido em partes, então ele podia fazer o mesmo.
Novamente, ouviram batidas na porta e Steven olhou para ela por sobre os ombros.
- Eu pedi o café. – Harry explicou antes que o homem perguntasse e Steven concordou.
- Certo, vou deixar vocês se arrumarem. – falou, seguindo até a porta e Harry o acompanhou.
- Obrigado. – agradeceu outra vez, abrindo a porta para que Steven saísse.
Sem dizer mais nada, Steven apenas meneou positivamente com a cabeça e Harry suspirou aliviado quando viu o homem dar as costas para se afastar.
Aparentemente, seria um longo, longo dia, mas pelo menos não teria que ver Steven até o dia seguinte.

+++


não teve dificuldade para notar o alivio de Harry ao finalmente pisar dentro do avião. Ele havia planejado cada detalhe quanto a ida deles ao casamento para não chamar atenção. A última coisa que queria era tumultuar justamente aquele dia, mas depois de ouvir a conversa que o garoto teve mais cedo com o Steven, precisava admitir, não conseguia deixar de se perguntar se era mesmo por isso.
Eram pessoas demais contra os dois. Uma legião de fãs, toda a equipe que gerenciava a carreira e imagem da banda. Sinceramente, ela não tinha ideia de como ainda não havia sido demitida só para que fosse mantida longe dele, embora não fosse difícil também que Harry e Louis estavam diretamente envolvidos nisso.
Ela tinha aquele medo constante do futuro, de perder a grande oportunidade que tinha trabalhando com uma banda tão famosa quando a One Direction, mas o maior medo sempre envolveu, na verdade, Harry. Tudo ao redor dele, que o envolvia, era sempre tão tumultuado que as vezes se perguntava como ele conseguia lidar com aquilo, principalmente quando ela se via tão perdida naquele meio. Ficava se perguntando se o que tinham um com o outro era forte o suficiente para se manter com sua carreira. Ela já havia desistido dele uma vez, sabia o que era não tê-lo consigo e não conseguia suportar a ideia de perdê-lo mais uma vez, o que só a deixava ainda mais preocupada. Tinha receio que ele desse atenção ao que os outros falavam, que voltasse atrás sobre os dois e a clara tensão de Harry após a conversa com Steven não a tranquilizava, de forma nenhuma, até porque sabia que o homem falara apenas a verdade. Se vissem os dois juntos depois de toda confusão que haviam arrumado nos últimos tempos, a internet caia e ela não estava preparada psicologicamente para ser o alvo, mais uma vez.
Parando para pensar, sua maior preocupação talvez devesse ser aquela afinal, a de ser o alvo. Talvez ela ficasse melhor sem ele, sem o ódio dos fãs, sem correr riscos, sem ter que se preocupar com seu emprego, mas ela sabia o que era uma vida sem ele, não queria passar por aquilo mais uma vez e enfrentaria os fãs se não podia ter um sem outro. E ela se quer podia imaginar Harry de uma forma diferente sabendo o quão feliz ele era fazendo o que fazia. A felicidade em seus olhos após terminar um show sempre compensava qualquer coisa.
Em silêncio, ela repousou a cabeça no ombro do garoto e ele a envolveu com um dos braços enquanto fechava os olhos, com a mente turbulenta demais, com mais paranoias do que deveria ser possível imaginar, mas tentou afastar os pensamentos, focando-se apenas no garoto incrível que ela tinha o privilégio de chamar de “seu”. Quando estavam juntos ele não era o cobiçado Harry Styles, 1/5 da maior boyband da atualidade. Ele era só... Harry. Uma das pessoas que ela mais admirava, mais amava. Quanto estavam juntos tudo parecia absolutamente certo, cada um dos seus sorrisos lhe tiravam completamente o ar como se todas as vezes fossem a primeira vez que ela o via, mas a questão era que justamente por isso sentia-se não incerta. Eram tantas coisas envolvidas, tantas pessoas entre os dois.
Sentia como se tudo pudesse desabar novamente de um segundo para o outro, não seria a primeira vez e decidiu por passar um dos braços ao redor dele em um abraço, escondendo o rosto em seu pescoço sem perder a oportunidade de sentir seu perfume mesmo que já tão conhecido, como se precisasse daquilo para ter certeza de que ele ainda estava ali.
Harry tocou gentilmente o braço que ela colocou ao seu redor, escondendo o rosto em seus cabelos e ela não pode deixar de se sentir aquecida com o gesto, com a proximidade, em saber que ele estava ali com ela.
- Você ouviu. Não ouviu? – ele perguntou, mantendo o tom de voz baixo para que a pergunta permanecesse apenas entre os dois, mesmo que não tivesse ninguém ao redor além dos seguranças naquela classe do voo.
Ela afastou-se dele apenas o suficiente para encará-lo ao abrir os olhos, mas quando notou que Harry já a encarava, desviou o olhar, culpada, mesmo que aquilo, provavelmente, fosse ser resposta o suficiente para ele.
Harry era capaz de decifrá-la como ninguém, isso ela jamais poderia negar e acabou suspirando antes de voltar para a posição inicial, com a cabeça em seu ombro.
- Não tinha exatamente como não ouvir. – confessou no mesmo tom baixo enquanto brincava sem jeito com a barra de sua blusa e Harry concordou, como se já esperasse por isso. Seria estranho, na verdade, se não esperasse.
- Você não tem que levar o que ele diz em consideração, ele não sabe nada sobre nós, ele nem liga. – Harry falou, tomando a mão dela para si e em resposta, a garota ergueu o olhar para ele, sentindo o coração vacilar com o sorriso que ele lançou a ela, a covinha sempre tão adorável em sua bochecha, os olhos claros focados nos dela e a garota entrelaçou seus dedos dos dele, de repente sentindo-se ridícula por manter todas aquelas incertezas em sua mente. - A função dele é se preocupar com a banda, com o retorno financeiro dela, principalmente. Ele quer que a gente dê aos fãs o que eles querem, mas por mais que eu admire o amor deles, não posso levar uma vida em função de ser o que as pessoas querem, de me relacionar com quem querem que eu me relacione. Eles não estão aqui para saber o que está acontecendo, não nos conhecem para poder opinar.– continuou, mantendo o tom baixo e calmo e ela não pode deixar de sorrir por isso, por sua forma sempre tão típica de falar. Tinha certeza que entendia o que as fãs viam nele, sentiam por ele. Tinha certeza que sentia-se da mesma forma. – Eles não sabem sobre as coisas que fazemos, ou sobre os “eu te amo”. – sorriu novamente, erguendo uma sobrancelha de forma brincalhona como se a desafiasse a discordar. – E sinceramente, teriam inveja se soubessem. – brincou por fim e ela riu baixo dessa vez, suspirando aliviada mesmo que não pudesse negar, sentia-se aquecida com suas palavras.
- Eu sou mesmo uma boba. – falou, vendo-o sorrir, de certa forma, satisfeito. Como se estivesse tão aliviado quando ela por conseguido sua atenção, por ter tirado as milhões de inseguranças de sua mente.
- Se acha que eu estou preocupado com o que Steven pensa sobre a gente, com certeza. – falou, a fazendo rir novamente e ele sorriu por isso. – Eu estava realmente preocupado, mas não sobre nós. Eu nunca duvidei sobre isso, e ninguém nunca vai me fazer duvidar. Eu só... Fiquei com receio de atrair fãs para o casamento. E isso não seria culpa sua, eles iriam se me vissem sozinho também. Não é você que causa o tumulto, sou eu e caramba, não queria estragar esse dia.
De repente, ela se sentiu ainda mais estúpida por ter passado o caminho inteiro pensando em mil e uma coisas, todas completamente desnecessárias sem se dar conta da preocupação dele até que Harry falasse. Ele não havia tido qualquer problema para notar que algo estava errado com ela, mas não parou para pensar que ele também não estava completamente bem. Pior, ela havia deixado transparecer que tinha um problema mesmo quando aquilo também o afetava. “Estúpida” era muito pouco para se descrever no momento e ela se afastou dele para que pudesse encará-lo direito ao falar.
- Harry, você acha mesmo que a Anne se importaria de ter fãs na porta? – perguntou. – Ela é, sem dúvida nenhuma, sua maior fã. A pessoa que sente mais orgulho de você pelo que faz, por quem é. Os fãs são pessoas que você conquistou sendo quem você é, se tem alguém que entende isso, com certeza é ela. Ou você acha que ela não fica orgulhosa quando vê completos estranhos gritarem o nome do filho, o amarem incondicionalmente a ponto de estarem na porta do casamento dela só para vê-lo. - ele sorriu com sua fala, concordando com a cabeça e ela não pode ficar mais satisfeita com a reação. Tirar alguns fantasmas da consciência dele, só para variar um pouco, era ótimo, especialmente quando ele vivia, constantemente, tirando os dela. – Além disso, é o casamento dela. Provavelmente um dos seus dias mais felizes. Tudo que ela quer é te ver lá, ter você ao lado dela hoje. Com fãs ou não, vai ser um grande dia. – falou, sem ter qualquer dúvida quando àquilo e voltou a se endireitar no banco, rindo ao receber um beijo na bochecha por isso.
- Vai ser um grande dia. – Harry repetiu, evidentemente mais animadoe passou um dos braços ao redor de seu ombro. - E confesso, estou ansioso para vê-la com o vestido de noiva.
riu mais uma vez, mas agora decidindo provoca-lo quando a isso e mordeu o lábio inferior, de forma travessa, e Harry estreitou os olhos para ela, como se já soubesse que a garota escondia algo.
- O quê? – ela perguntou enquanto ele se virava para encará-la.
- Eu que pergunto! – ele respondeu e ela apenas riu mais uma vez.
- Digamos que o vestido é totalmente maravilhoso. – falou, segurando o riso quando o viu deixar o queixo cair, mesmo que fosse um tanto quanto teatral demais. – E ela ficou linda dele.
- Espera, você viu o vestido?!
- É claro que eu vi o vestido, fui convidada para fazer a maquiagem da noiva.
- E por que você viu o vestido?
- Pra fazer a maquiagem da noiva. – respondeu como se fosse óbvio. Infelizmente, teve que desistir daquela parte pois não teria tempo de fazer tudo, preparar a noiva e as madrinhas, mas se sentia honrada com o simples fato de ter sido convidada para a tarefa.
- Ela não me deixou ver o vestido! – protestou e ela riu mais uma vez por isso.
- Claro que não. – falou e ele a encarou chocado.
- Você está do lado de quem?
- Do meu, é óbvio.
Harry olhou feio para ela pela resposta.
- Você era muito mais legal quando estava quieta.
- Não era não! – reclamou, tentando estapeá-lo, mas Harry segurou seu pulso antes que ela tivesse oportunidade, aproveitando-se disso para puxá-la para si. A garota praticamente caiu sobre ele, rindo, mas foi impedida de continuar quando ele colou seus lábios aos dela, mesmo que ainda sorrisse quando ele o fez.
- Eu te amo. – ele sussurrou e ela só não sorriu porque já o fazia, segurando em sua nuca.
- Eu também te amo. – respondeu no mesmo tom, contra seus lábios e ela decidiu que aquilo, o que tinham, ninguém poderia levar.
Em questão de segundos, um sorriso, um beijo, e tudo havia desaparecido. Todas as inseguranças, incertezas. Eram um do outro afinal e não conseguia ver como aquilo poderia mudar.

+++


- Gemma, fala logo! – Harry insistiu, abrindo o que para ele já parecia a centésima porta do hotel onde seria o casamento, mesmo que fosse apenas a décima. Harry só estava exagerando e Paul, logo atrás dele, riu mais uma vez.
- É um casamento, Harry. Elas estão se arrumando. – o segurança falou e o garoto parou onde estava, virando-se para ele desacreditado.
- Desde as nove?! – perguntou, chocado, e foi Gemma quem respondeu, do outro lado da linha já que aquela era a única forma de falar com ela. Por telefone.
- Sim, desde as nove. – respondeu ela, claramente divertida com a situação o que só fez o garoto bufar. Ele não via ninguém além de Robin desde as nove da manhã, haviam escondido sua mãe dele e ela ria? – Harry, eu vou desligar.
- Não vai não! – ele protestou, abrindo a próxima porta. Havia decidido que, já que não lhe diziam onde estavam, ia procurar em todos os quartos, porta a porta. Quando a garota não respondeu, no entanto, parou mais uma vez. - Gemma! – gritou, mas já era tarde, ela havia desligado.
Frustrado, Harry rosnou, discando novamente o número da irmã.
Haviam chegado pela manhã em Cheshire e Harry não conseguia acreditar que mesmo depois de meses sem ver a mãe, Gemma havia decidido que era uma boa ideia escondê-la dele.
Quando Anne o contou que queria um casamento simples, no hotel perto de onde eles moravam, Harry fez o que, em sua cabeça, qualquer um teria feito: Reservou o hotel inteiro. Claro, ele não era qualquer um e Anne quis matá-lo pela atitude, mas não tinha chance de casarem ali sem que pelo menos um dos hóspedes o reconhecesse, fazendo com que todo o esforço para permanecer em sigilo fosse por água abaixo.
Mas então Gemma aproveitou-se disso para se enfiar em um dos quartos com a mãe, para arrumá-la para o casamento e, bom, ninguém havia contado para Harry ou Robin. Harry já não aguentava mais ficar em casa sem fazer nada. Sentia falta do padrasto, mas queria ver sua mãe.
Após a terceira tentativa de ligar novamente para a irmã, Gemma o atendeu, impaciente, como se não fosse ele quem deveria estar impaciente com a situação. Ele abriu a boca para reclamar, mas antes que tivesse chance, ela falou:
- Harry, você não deveria estar se arrumando? – perguntou de uma vez e ele revirou os olhos, abrindo mais uma porta já que ninguém facilitava e simplesmente lhe dizia o número do quarto.
- Não sei por que você acha que eu vou levar mais de vinte minutos pra fazer isso. – respondeu. Era só tomar um banho e se vestir. Nada de mais e ele deu de ombros antes de seguir para o próximo quarto.
- Harry Styles, eu juro que se você aparecer de bandana no casamento eu te mato. – ouviu dizer do outro lado da linha, longe devido ao fato da ligação não estar no viva voz, e parou mais uma vez onde estava, sem acreditar que ela esperava que ele fosse de bandana ao casamento da mãe.
Paul riu de sua reação, como se acreditasse que ele o havia feito por descobrir que não poderia usar a peça no cabelo e olhou para o homem como se o repreendesse pela atitude.
Sem levá-lo a sério, tudo que Paul fez foi erguer os braços em sinal de rendição.
- E como você espera que eu arrume o cabelo? – perguntou apenas para provocá-la. Ele usava a bandana por preguiça de arrumar o cabelo e não pretendia fazer isso em um dia tão importante, obviamente. As pessoas deveriam esperar muito pouco dele se acreditavam nisso, mas decidiu usar a questão em seu favor na esperança de que a irmã ou a namorada aparecessem para impedi-lo.
- Com suas mãos, Harry! – devolveu, soando mais clara agora que Gemma colocara o aparelho no viva voz. Em resposta, Harry apenas riu de forma irônica, ciente de que ela notaria o tom em sua risada.
- Também coloco a bandana com as mãos, querida. – devolveu, rindo quando Paul também o fez.
- Harry, se você aparecer com aquele treco na cabeça eu coloco fogo. – Gemma ameaçou e o garoto ouviu sua mãe rir do outro lado, sorrindo para o som. Ele sentia sua falta e não podia acreditar no que Gemma havia feito. Escondê-la dele havia sido baixo demais, até pra ela.
- Depois te amarramos na cama para raspar sua cabeça. – continuou e ele jogou a cabeça para trás ao gargalhar, como se aquela fosse a piada do ano. – Sem cabelo, sem bandana.
Ouviu as duas trocarem um high five do outro lado e Paul, mais uma vez, riu, mas ele não parou de abrir as portas para retrucar, ele mesmo achou graça da atitude. Gostava que se dessem bem embora não fosse dar o braço a torcer para admitir.
- Você não vai raspar meu cabelo porque o ama. – devolveu e a garota riu com deboche forçado. Ambos sabiam que era verdade, afinal. Ela era obcecada por seu cabelo, sempre foi. Nunca foi um segredo para nenhum dos dois.
- Gosto mais ainda dele curtinho. – respondeu e dessa vez ele se calou, como se tivesse se assustado com a ideia por saber que aquilo também era verdade. Sabia que ela não falava sério, jamais faria aquilo contra a sua vontade, mas fingiu que sim apenas para fazer graça.
- Você não faria isso. – falou e ela riu mais uma vez, seguida por Gemma.
- Se ela não fizer, eu faço. – sua irmã devolveu e dela Harry definitivamente acreditava. Gemma era louca.
- Mãe, olha ela! – protestou ao telefone, como um garotinho mimado, mas não era como se ele tivesse qualquer outra intenção afinal.
- Mamãe não está aqui, idiota. – Gemma devolveu e ele revirou os olhos para sua tentativa tão frustrada de manter o paradeiro da mulher em segredo, como se Harry não soubesse que estavam juntas desde o início, mesmo antes de escutar a mãe com elas.
- Eu ouvi a risada dela segundos atrás, Gemma. – insistiu e sua mãe o respondeu em seguida, já que não fazia mais sentido fingir que não.
- Sem bandanas, Harry. – Anne o repreendeu e ele fez bico, mesmo que nenhuma delas pudesse ver. Sabiam que ela não o repreendia de verdade, ela era a que mais se divertia com os irmãos discutindo, mas Harry ainda era dramático demais para ignorar a fala.
- Eu sei que Gemma te mandou dizer isso. – respondeu. Sua mãe nem mesmo era do tipo que se importava com o que ele fosse vestir. As vezes ria dele e o garoto sabia que não era a única, mas nunca foi do tipo que tenta impor aquele tipo de regra sobre os filhos.
- É um casamento,Harry. – voltou a dizer. – Seu terno é tão lindo, você não pode vir com uma bandana agora. Faz o topete. – pediu.
- , mas o topete me odeia. Eu não sei fazer o topete. – choramingou, manhoso, como se ela não fosse revirar os olhos sabendo exatamente o que ele pretendia. Que ela aparecesse e, de preferência, arrumasse seu cabelo. Não era exatamente uma novidade.
- Harry, eu tenho que arrumar duas madrinhas e a mim mesma. – ela respondeu. – Não é possível que você não consiga arrumar o próprio cabelo.
- Posso, com a bandana. – devolveu, simples, apenas para provocá-la e riu quando ela resmungou, ciente de ter conseguido o efeito desejado.
- Argh, como eu te odeio. – ela respondeu, e ele riu novamente enquanto abria uma nova porta.
- Odeia, demais. – falou com certo deboche, sem dar muita atenção para sua fala.
- Paul. – chamou do outro lado. – O Paul está com você não está? – perguntou. Harry se virou para o homem, fazendo sinal para que ele negasse, mas Paul ignorou seu pedido, respondendo a garota ao invés disso.
- Pode falar, . – respondeu e Harry jogou um dos braços, o que não segurava o telefone, ao ar, inconformado que o homem não tivesse atendido seu pedido, por mais que fosse de se esperar.
- Se o Harry colocar a bandana, você arranca ela da cabeça dele e queima. – pediu. - Leva um isqueiro no bolso.
- Paul é meu segurança, não seu segurança. A prioridade dele é ser legal comigo. – respondeu, como uma criança. Aquela conversa havia fugido de qualquer nível de maturidade há muito tempo.
- Pode deixar – o homem respondeu para contrariá-lo e Harry se voltou para ele com um choque forjado.
- O quê?! – Harry exclamou, outra reação exagerada, e ouviu a mãe rir mais uma vez do outro lado.
- Foi mal, cara. Mas as bandanas são péssimas. – o segurança se desculpou e Harry olhou feio para ele antes de dar as costas, voltando a se concentrar nas portas.
- Eu sabia que deveria ter trazido o Dale, ele não fala mal das minhas bandanas. – resmungou como se falasse sozinho, exceto pelo fato de ter gente demais ouvindo, é claro.
- Não falar não quer dizer que ele goste. – ressaltou e Gemma concordou rapidamente:
- É bem provável que ele não goste. Ninguém gosta além de você, é horrível.
- As fãs gostam. – Harry observou rapidamente, mas sua irmã negou:
- Elas suportam. – Gemma interferiu e Harry bufou.
- Posso saber quando que minha bandana virou o tema dessa conversa? – falou o garoto, como se estivesse muito inconformado com aquele fato. – Onde vocês estão? É isso que eu quero saber!
- Harry, vai para a casa. – Gemma o respondeu. – Quanto antes você começar a se arrumar, mais tempo você tem para arrumar o cabelo.
- É perfeito. – falou e Harry repetiu com a voz afetada.
- Não é não. , por que você não pode arrumar meu cabelo? – perguntou e vencida dessa vez, ela suspirou, o deixando certo, mesmo sem ouvir a resposta, de que havia conseguido.
- Okay, eu arrumo. – falou e Harry comemorou imediatamente, fazendo com que ela risse do outro lado da linha. – Mas com uma condição. – continuou, o fazendo murchar.
- Eu deveria ter imaginado que não ia ser tão fácil. – resmungou, mas ela ignorou ao continuar.
- Eu arrumo desde que você pare de nos procurar e volte para a casa. Quando eu terminar aqui, te encontro lá para nos arrumarmos.
- Mas eu só queria ver minha mãe. – choramingou, não que esperasse, de fato, que elas tivessem alguma dificuldade em saber que ele fazia aquilo para não ter que dar o braço a torcer e ir para a casa.
- Teremos o resto do dia, amor. – Anne respondeu, não que ele tenha se dado por satisfeito.
- É o dia do Robin, não seu. – Gemma provocou e Harry revirou os olhos. Teria mostrado a língua se ela pudesse ver.
- Chata. – acusou.
- Mimado. – ela devolveu.
- Não sou mimado! – ele exclamou, como se tivesse realmente levado a sério o que ela havia dito. Todos sabiam que não.
- Harry, casa. – o interrompeu, ciente de que ele encontraria um jeito de prolongar a conversa se quisesse. – Eu vou para lá quando terminar.
- Está bem, está bem. – resmungou, parando o que fazia para dar a volta e Paul passou um dos braços por seus ombros para caminharem para fora. – Saibam que eu detesto todas vocês.
- Tchau, Harry. – Gemma falou simplesmente, mas quando o garoto abriu a boca pra retrucar, já era tarde demais. A garota havia desligado e Paul riu quando Harry deixou o queixo cair, bagunçando seus cabelos enquanto o guiava para a saída.

+++


soube que o plano todo sobre fazer mistério quanto ao casamento não havia dado certo quando sua mãe lhe mandou mensagem, dizendo o quão linda estava com a roupa que havia escolhido. Usava uma saia longa de cintura alta, leve, com uma fenda discreta de um dos lados e um cropped fechado no pescoço, tudo na cor salmão. As fotos dela com Harry, de fato, haviam ficado ótimas. Harry estava particularmente elegante, especialmente com a flor ao lado do paletó. Ela havia adorado o detalhe graças as folhas. Sempre gostou de vê-lo de verde embora o garoto raramente usasse roupas naquele tom.
Tentou evitar o celular depois disso, sabia que cairia em tentação para olhar a internet e não iria gostar do encontraria lá. Nunca gostava.
O casamento foi simples, porém lindo e o sorriso orgulhoso de Harry para a mãe o tempo todo era totalmente encantador. Ficou grata por poder estar presente, presenciar aquilo. De poder vê-lo levar sua mãe ao altar, imponente e confiante, mas teve a sensação de sentir alguns flashes quando saíram da cerimônia para rumar até o pub onde seria a comemoração.
A tarde, no geral, fora ótima, mas com a liberação das primeiras fotos os fãs reconheceram o lugar e vários deles os esperavam na saída, deixando-a imediatamente nervosa assim que foi necessário passar por eles.
Não teriam desculpas para dar sobre seu comparecimento ao casamento e aquilo a assustava. Somente ela e Harry estavam presentes, mais ninguém da banda ao da equipe e os boatos começariam novamente. Ela nem ligava muito, na verdade, de falarem sobre estarem juntos. O problema era aquela parte da fanbase que retornaria com os ataques e as ofensas.
Odiou ter que admitir, mas Steven estava certo. A ideia acabou sendo mesmo péssima por melhor que tivesse sido o dia.
- Está tudo bem. – Harry segurou sua mão. Esperavam Paul com o carro para poderem sair e sorriu para a garota, claramente insegura.
- Era para mantermos isso em segredo, Harry. – ela respondeu preocupada ao desviar o olhar para o chão. – Não tem nenhuma desculpa que a gente possa dar sobre isso, sobre estarmos aqui.
- Não. – ele concordou, a envolvendo com um dos braços para puxá-la delicadamente para si e ela o abraçou, escondendo o rosto em seu pescoço. Sentiu-se imediatamente melhor com o calor do corpo dele no seu, como se pudessem enfrentar tudo e decidiu que eram pequenos gestos como aquele que a faziam amá-lo tanto. Em seus braços tudo parecia certo, por mais errado que fosse e aquilo bastava. – Mas eu não quero que seja, . – continuou. - Eu quero contar para o mundo que você é minha, quero que saibam, quero que vejam.
- O resultado não foi bom da última vez que souberam. – respondeu, erguendo o rosto para olhar em seus olhos, mas Harry não se deu por vencido.
- E então nós desistimos e deixamos que acreditassem que era mentira, mas não é. E eu quero que saibam que não porque eu te amo e é assim que as coisas devem ser. Não quero ter que me esconder, ou te esconder. Quero ser quem eu sou, quero me casar com você porque isso é pra sempre, mesmo que digam o contrário, ou que somos jovens demais para saber. – Harry acariciou sua bochecha, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e ela fechou os olhos por um instante com o gesto, sorrindo com ele.
- Eu não sei se deveria ficar feliz ou assustada em ouvir tudo isso. – ela respondeu, rindo fraco e o garoto imitou a atitude. Harry beijou sua testa em seguida e ela escondeu o rosto em seu peito com o resultado.
- Feliz, com certeza feliz. – ele respondeu, mas o som de uma câmera de celular se fez ouvir e o soltou rapidamente, olhando para trás junto com ele em tempo de ver duas garotas, funcionárias do pub que fora fechado especialmente para aquela noite, se esconderem com o celular na mão e ela só conseguiu pensar em mais uma foto comprometedora na internet. – Não estávamos fazendo nada demais. – Harry falou, mas ela sabia que era demais para os fãs, com certeza, mas não teve tempo de responder já que, no instante seguinte, Paul abriu a porta para entrar no local.
- O carro está na porta, podemos ir. – falou e Harry segurou novamente sua mão enquanto Dale se aproximava dos dois.
- Vai você na frente. – ela pediu para Harry, mas ele negou, intensificando o aperto de sua mão na dela ao invés disso.
- Você ouviu alguma coisa do que eu disse? – brincou o garoto, não lhe dando tempo de responder antes de dar o primeiro passo em direção a porta, a levando junto consigo e mesmo contrariada ela cedeu.
Paul voltou a abrir a porta, agora a segurando aberta para que os dois pudessem passar e os flashes começaram um segundo depois, fazendo com que ela abaixasse a cabeça no mesmo instante, sentindo os braços de Harry ao seu redor. Ela sabia que o gesto não ia acalmar os ânimos, de forma alguma, mas não podia reclamar quando sentia-se tão segura ali e deixou que ele o fizesse, abrindo a porta do carro para que ela entrasse assim que chegaram até ele. entrou, sendo seguida por Harry que fechou a porta atrás de si.
Respirou mais aliviada assim que se viu trancada dentro do veículo, mas ainda assim, mesmo lá de dentro, ainda podia ouvir resmungos insatisfeitos de fãs que a condenavam por estar ali naquele momento, por ter se aproveitado de um contrato que não existia para comparecer a um evento tão importante para a família de Harry, isso sem contar as perguntas totalmente inadequadas de alguns paparazzi ou alguns palavrões que ouviu.
- Não liga pra isso. – Harry falou, tranquilo como ela definitivamente não estava com a situação. Quando ela apenas concordou com a cabeça, o garoto segurou sua mão, fazendo com que ela o encarasse. Quando o fez, encontrou Harry sorrindo em sua direção e mais uma vez ela se sentiu estúpida por se preocupar tanto com aquilo, um detalhe insignificante levando-se em consideração que o tinha consigo. Sem pensar duas vezes, aninhou-se em seus braços, o fazendo rir com o gesto enquanto retribuía o abraço.
- Desculpa, desculpa. – ela pediu manhosa, erguendo o olhar para ele que se limitou em sorrir.
- Depende, você vai aceitar meu pedido de casamento? – perguntou e a garota apenas riu, sem levá-lo a sério, mas estreitou os olhos ao vê-lo erguer uma sobrancelha em sua direção de forma sugestiva.
- Espera, o quê? – ela perguntou, afastando-se dele sem acreditar que ele estava sugerindo aquilo de verdade. Era bonitinho que ele falasse sobre o assunto, mas um pedido de casamento aos vinte? – Você não estava falando sério.
- Não, mas agora eu estou. – respondeu, sério e ela o encarou chocada, sem saber o que dizer.
Ele a estava pedindo em casamento?
- Talvez você devesse ser mais claro quando fazer esse tipo de pedido. Sabe, pra pessoa entender que é um pedido. – Paul falou enquanto dava partida no carro, olhando para os dois pelo espelho retrovisor e apontou na direção do homem como se tudo fizesse sentido.
- Certo. – Harry concordou, voltando-se para a garota e segurou em seu queixo para fazê-la olhar para ele mais uma vez. – , você quer casar comigo? – perguntou e dessa vez ela arregalou os olhos.
- O quê?! – perguntou, antes mesmo de pensar sobre o que fazia. Ele estava realmente lhe pedindo em casamento e ela não sabia nem mesmo o que pensar sobre o assunto, que dirá o que responder. Ela o amava, não tinha dúvidas disso, mas casar? Casar de verdade? Casamento jamais esteve nos seus planos, seu foco sempre foi sua carreira profissional, sua independência. Nunca havia pensado sobre o assunto, mesmo que quisesse passar a vida toda ao lado dele.
- Ah, qual é. A pergunta é totalmente simples. A resposta também. – Harry respondeu, sem parecer vacilar. Ela o conhecia bem o suficiente para saber que estava falando sério apesar do tom de brincadeira, mas a pergunta parecia tão absurda para ela que perguntou mesmo assim:
- Você está mesmo falando sério?! – riu nervosa e ele concordou como se fosse totalmente obvio. – Ficou maluco?!
- Só temos que estar de volta para a turnê amanhã a noite. Podemos fugir agora mesmo para Vegas se você quiser. – deu de ombros como se não fosse nada demais, como se não estivessem falando de casamento.
- Além de casar você quer fazer isso agora? – ela perguntou, descrente. Sem conseguir acreditar que ele estava mesmo disposto a fazer aquilo. – Mas que droga você fumou?
- Me diz por que não. – ele pediu ao invés de respondê-la e confusa, ela franziu o cenho.
- O quê?
- Me diz por que é tão absurdo pra você. – pediu ao explicar, virando-se no banco para sentar de frente para ela e de repente, sentiu-se nervosa com o olhar dele sobre si, como se a impedisse de raciocinar uma resposta com clareza. Olhando para ele, ela basicamente não conseguia pensar em um “porque não” imediatamente. Já namoravam há anos, já haviam passado por tudo. Trabalhavam juntos, estavam juntos o dia todo, todos os dias e o mais importante, ela não tinha qualquer dúvida do que sentia por ele, jamais teve. Seu coração disparava apenas por tê-lo perto, seu sorriso a fazia sorrir, sua voz a acalmava, seu toque aquecia todo o seu corpo. O que sentia por ele era certo e puro, mas só precisou pensar um pouco mais além para achar os motivos que ele pedia. – O que te impede? – insistiu e como um gatilho, a resposta veio em sua mente imediatamente. As resposta, no caso.
Aquilo era uma total loucura, a começar por ser tão cedo.
- Ah, você quer mesmo que eu diga? – perguntou, voltando a sí. - Espera, isso além de termos vinte anos?
- Idade é só um número. – ele respondeu e ela negou.
Casar ia além de apenas estar com quem você ama, era viver com outra pessoa, iniciar uma família. Ela mal tinha iniciado sua carreira e ele já queria uma família? E ele ainda queria ir para Vegas! O que ele esperava, fugir para casar sem que seus pais soubessem ou estivessem presentes?
- Harry, tem a idade, as nossas carreiras, seus fãs que vão nos assassinar, a agencia, nossas famílias por fazer isso tão cedo sem haver qualquer necessidade e se irmos para Vegas para fazer isso, sem contar para ninguém, céus, eu não quero nem imaginar.
- E tem o show amanhã a noite. Vegas é em outro país, só para o caso de você não ter notado. – Paul falou e a garota olhou para Harry como se perguntasse: “Está vendo, ele concorda”.
- Esses são os seus motivos? – Harry perguntou, como se não tivesse escutado nada do que ela havia dito. – Notou que nenhum deles envolve o fato de não querer se casar comigo?
Ela abriu a boca para discutir, mas não tinha exatamente como contestar aquela parte.
- Um dia, Harry. – ela respondeu, sem ter dúvidas daquilo. Queria dar aquele passo com ele, sim. Toda a questão era o fato de ser muito cedo. – Não hoje.
- E o que alguns dias vão mudar? – ele insistiu, inabalável.
- Eu que te pergunto. Por que hoje? Por que a pressa? – ela perguntou. Se era porque pretendiam passar uma vida juntos, não via necessidade de fazer aquilo agora. Tinham a vida toda, afinal.
- Eu só não vejo nenhum motivo para não ser hoje. – ele devolveu. – Não tenho dúvidas de que quero isso, de que nós dois, juntos, é certo. Então por que não? A agencia vai ter que se conformar com isso, assim como os fãs. Não vejo por que esperar mais para mostrar para o mundo que estamos juntos e que isso não vai mudar. Somos jovens? E daí? Metade das pessoas vão morrer sem ter achado o seu alguém e nós achamos.
- E então você decidiu fugir para Vegas para casar? – perguntou, ainda desacreditada.
- Sim, porque eu quero me casar com você. Porque eu te amo.
- Harry, temos que estar no show amanhã a noite. – ela insistiu e tanto Paul quanto Harry, riram por isso. Dela.
- O que é?! – ela perguntou, olhando de um para o outro de forma acusatória.
- Nada, finjam que eu não estou aqui. – o segurança respondeu e então ela se voltou para Harry, esperando que ele explicasse.
- Nenhum dos seus argumentos envolvem não casar. Só o quão louco é isso, mas quem liga se é o que queremos? Você está se preocupando com o que as pessoas vão pensar, de novo, e não importa o que dizem, só o que a gente sente. Essa é a questão aqui, especialmente na minha vida que é movida a boatos.
- Harry isso é loucura! – ela insistiu. – Pegar um avião as pressas e ir para Vegas. Estamos sem as nossas coisas, não temos roupa, não temos alianças e... E nossas famílias?! Você quer casar sem que ninguém saiba ou esteja presente?
- Se você quiser uma cerimônia, eu providencio...
- Não! – o interrompeu rapidamente, antes que ele piorasse ainda mais a situação. Não duvidava que Harry realmente fizesse uma cerimônia gigantesca se achasse que era aquilo que ela queria e mesmo que aceitasse casar, que fosse a hora certa, uma cerimônia gigantesca jamais estaria em seus planos. – Eu não quero cerimônia, eu não quero nada!
- Eu sei. Casar em Vegas é muito mais a sua cara do que uma cerimônia espalhafatosa. – respondeu e ela se odiou por concordar mentalmente. Especialmente com a vida que ele levava, a carreira, os fãs, os milhares de fotógrafos. Se casasse com ele, a última coisa que iria querer era mais daquilo, mais atenção. Estava farta de tanta atenção, mas se condenou por estar mesmo cogitando aquilo assim que notou que cogitava.
Céus, era tão louca quanto ele.
- Não foi isso que eu quis dizer. – respondeu, tentando tirar a ideia de sua cabeça.
- Eu também sei disso. – ele devolveu, de forma convencida. – Mas você sabe que eu não estou mentindo.
- Harry, não temos tempo para fazer isso! – exclamou, chocada por ele ainda estar insistindo naquilo. Pior, por fazê-la encontrar motivos para seguir mesmo com seu plano, mesmo com todos os outros vários motivos que tinha para negar aquela completa loucura.
- Na verdade, até temos. – Paul falou, como se só então se desse conta disso e ela se voltou para ele, chocada. Ele era a última pessoa que deveria apoiar aquela insanidade. Fugir para Vegas? Casar? Ele não devia impedir Harry de fazer aquele tipo de besteira? – O próximo show é nos Estados Unidos, já vamos estar na metade do caminho.
- Você vai mesmo concordar com isso? – ela perguntou, desacreditada.
- O garoto está certo, poucos vão ter a oportunidade de fazer uma loucura por amor. Eu sou a favor do amor. – respondeu e ela negou com a cabeça, ainda relutante apensar de tudo. Era insano, eram jovens demais para casar e com a carreira dele, casar envolvia coisas demais.
- E algum dos dois ouviu alguma coisa do que eu disse? – ela perguntou para o segurança.
- Dale pode nos encontrar no aeroporto com as malas. – respondeu, mas a garota se voltou para Harry quando o segurança riu, o vendo digitar algo no celular rapidamente, como se tentasse se esconder dela. tentou tomar o celular de sua mão, mas Harry conseguiu afastá-lo no último instante, a impedindo de ver o que fazia.
- Harry, com quem você estava falando?! – perguntou, beirando a histeria agora, preocupada.
- Não importa. – ele respondeu e ela o encarou boquiaberta.
- Importa sim! Harry!
- Paul, eu te mandei uma localização, precisamos ir pra lá. – falou para o segurança, a ignorando completamente e o homem aproveitou o sinal fechado para olhar o aparelho e mandar o endereço para o GPS.
- Harry para onde nós vamos?! – perguntou e ele riu do seu claro nervosismo, o que só fez com que ela tivesse vontade de socá-lo, basicamente.
- Gemma vai nos encontrar na joalheria. – respondeu e ela arregalou os olhos mais uma vez aquela tarde.
- O quê?! – exclamou, de repente apavorada apesar daquela pontinha de ansiedade na boca do estomago lhe trair com maestria, como se no fundo quisesse que Harry contestasse todos os motivos que tinha para não fazer isso.
Ela era tão louca quanto ele afinal.
- Vamos comprar nossas alianças. – ele respondeu exatamente o que ela mais temia. – E de lá, Vegas!

+++


O casamento inteiro foi planejado em vinte minutos com apenas um aparelho celular, no caminho da capela já que passara o resto do caminho tentando provar que aquilo era uma péssima ideia, como se ele não estivesse totalmente certo de que era exatamente aquilo que ele queria. Ela tinha suas crenças e ele sabia, casar e formar uma família se quer estava em seus planos, mas Harry não conseguia se imaginar com outra pessoa que não ela. Não conseguia imaginar nada que os impedisse de fazer aquilo.
Passavam vinte e quatro horas por dia juntos, todos os dias, e se isso não os havia separado, nada mais teria o poder de fazer isso. Não quando o que sentia por ela apenas aumentava a cada dia.
Harry ainda estava ligeiramente confuso com o fuso horário e totalmente exausto depois de mais de dez horas de vôo, mas de alguma forma era revigorante saber que estavam mesmo fazendo aquilo, que iriam se casar. Era inacreditável e maluco, sim, mas ele nunca se sentiu tão seguro de alguma coisa em toda sua vida. Ele queria passar os restos dos seus dias ao lado dela, aquilo bastava para ele.
Já eram dez horas da noite em Vegas, ou ainda, levando-se em consideração que era cerca de seis horas da tarde quando saíram de Cheshire. Haviam conseguido a autorização para o casamento faltando minutos para o lugar fechar e enquanto Harry, Dale e Michal, namorado de sua irmã, iam atrás da capela, as duas foram com Paul atrás do vestido que Gemma insistiu, deveria usar.
Harry não ligava para nada daquilo, ainda vestia o terno usado no casamento de sua mãe e não se importava que também usasse as mesmas vestimentas. A única coisa que ele queria era ouvi-la dizer sim em frente ao altar, sim para uma vida inteira com ele e agora, graças a sua irmã, Harry sentia-se apenas mais ansioso já que estava literalmente plantado no altar, esperando uma noiva que estava sob os cuidados de Gemma. Ele não sabia se confiava nela o suficiente para impedir que desistisse caso decidisse fazer isso.
- Alguém, por favor, me diz por que deixamos a Gemma fazer isso? – perguntou, olhando para a tela do aparelho celular mais uma vez. Já havia pedido a conta de quantas vezes havia ligado para a irmã ou para o segurança, isso sem contar as inúmeras mensagens para , mas ninguém havia respondido.
Ele estava quase indo buscar as duas na loja de noivas onde as havia deixado quando Gemma abriu as portas da pequena capela e entrou correndo com Paul vindo logo atrás, mesmo que o salto não colaborasse com a tarefa.
- Ela está pronta! – exclamou de forma animada, correndo para o lado do namorado enquanto o segurança se juntava a Dale do outro lado. Harry sentiu o estomago revirar em expectativa.
O juiz de cerimônias usou um controle para iniciar a música de entrada da noiva, gravada no aparelho de som ao lado já que tudo havia sido repentino demais para que houvesse uma banda. Não que aquilo importasse para Harry. A música sumiu completamente quando as portas foram abertas novamente e passou por elas com um vestido branco, curto e totalmente rendado, com uma saia branca com diversas fendas por cima, preso a sua cintura com um fino cinto dourado. Ela havia prendido o cabelo, trocado os acessórios e estava linda demais para que qualquer um imaginasse que era um casamento as pressas, ou que havia feito tudo aquilo em menos de meia hora.
Ela estava maravilhosa e Harry não sabia dizer se era pela situação em si, mas parecia ainda mais bonita do que um dia já havia estado. Ele sorriu para ela e sem tirar os olhos dele, a garota fez o mesmo. estava claramente nervosa e Harry imaginou que o pequeno buque em suas mãos estava lá apenas para que ela não tremesse. Era evidente que estava tão inquieta quando ele, ansiosa, e Harry teria sorriso por isso se já não o fizesse, totalmente perdido em seu olhar, praticamente contanto os passos dela até o palco. Estava desesperado para tê-la ao seu lado.
Assim que se aproximou, o garoto lhe estendeu a mão e ela aceitou de bom grado, deixando que ele a guiasse para a frente ao altar.
Podia não ter vivido muito ainda, mas pessoas passavam a vida toda procurando por um amor tão certo como o que sentiam um pelo outro e não queria mais perder tempo com nada, não fazia sentido se privar de passar o resto de sua vida com ela e se voltou para a garota quando o juiz iniciou sua fala, não conseguindo prestar atenção em nada que não fosse ela ali.
Estavam se casando independente do que qualquer um pudesse dizer pois se Harry tinha convicção de algo, era de que ninguém sabia sobre os dois, sobre o que sentiam, e aquele casamento era a prova disso.


*O casamento ocorreu em 2013 na realidade, mas a data foi alterada para a ficção. Essa história foi escrita como um piloto para uma longfic que se passará em 2014.


Fim.



Nota da autora: E então é isso! O que acharam? Curtiram? Eu espero sinceramente que sim, porque uma long está sendo produdizada baseada nessa fic. Hahahaha Na verdade, ela foi escrita em cima da long já em produçao e algumas referencias a ela foram deixadas aqui. Entrelinhas, digamos assim. Hahahah
E ai, vale a pena? Posto a outra? Hahahha
Vamos ver! XD

Retificação (29/07): A long, a qual essa fic é piloto, saiu! Clique para saber mais: Lucky One



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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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