Finalizada em: 04/10/2017

Capítulo Único

não estava sozinha, tinha consciência disso, mas sentia-se como se estivesse. Foi a primeira vez que sentiu tanta solidão, mas apesar da dor, algo dentro dela sabia que o motivo não era exatamente ruim, apesar da sensação.
Ela sempre soube que precisava se libertar, mas lhe faltava coragem, forças para o passo inicial e aquele sentimento só a deixava mais certa de que a coragem havia chegado. Sentia-se sozinha porque estava indo embora sem olhar para trás ou se importar mais com ele. Porque, finalmente, estava fazendo o que sabia do fundo do seu coração que era necessário. Iria deixá-lo e finalmente podia ver que a culpa não era dela. Que não tinha, de verdade, obrigação de aguentar aquilo, independente de quem ele fosse.
Por muito tempo, havia ficado, esperando que ele melhorasse, que fosse capaz de enxergar o que estava tão evidente para ela. Por muito tempo, desejou alguém que pudesse curá-lo, como em um passe de mágica, mas não fazia mais sentido insistir naquilo, parar sua vida por alguém que não fazia qualquer esforço para melhorar.
Respirando fundo, olhou mais uma vez ao seu redor e após ter certeza de que não queria mais nada dali, fechou a mala, devolvendo-a ao chão. Já havia enchido outra bolsa com artigos pessoais e encontrado um lugar para ficar. Dividiria o apartamento com a melhor amiga novamente, que ficou feliz em recebê-la. Mais ainda, ficou feliz em saber que ela o estava deixando.
seguiu até a porta, saindo do quarto e se direcionando para a entrada do apartamento. dormia ali, no sofá, depois de brigarem mais uma vez pelo mesmo motivo. Ela o havia feito passar a noite ali, recusando-se a dormir com ele. Estava cansada, era evidente para qualquer um. Menos para ele.
- ? – ele a chamou, remexendo-se no sofá.
Por um instante, ela parou onde estava, vendo seus olhos abrirem parcialmente. O rosto estava marcado com os detalhes da almofada, a roupa amassada e os cabelos bagunçados. Lembrava-se de quando seu coração disparava ao vê-lo daquela forma, sonolento. era o homem mais bonito que ela já havia visto, o que mais havia amado, mas depois de tudo que passara com ele, apesar de ainda reconhecer os traços tão bem esculpidos de sua aparência, de ter todas as lembranças dos bons tempos tão bem nítidos em sua mente, já não sentia mais o mesmo. Não com a mesma força e determinação de antes. Tinha certo carinho por ele, pelo que haviam sido. Queria, mais do que tudo, salvá-lo, que pudesse ser salvo, mas agora via que não podia fazer isso sozinha, não dependia só dela, infelizmente.
Para que aquilo desse certo, era necessário que tivesse interesse em sua melhora, o que ele não tinha. Não era justo que ela continuasse desperdiçando sua vida por alguém que não se importava.
- Vou sair. – disse simplesmente, sem se importar com despedidas. Não via sentido em se despedir quando ele sequer lembraria da conversa depois de meia hora, quando se perdesse nas ervas novamente. Era sempre assim e ela realmente não estava mais disposta em se desgastar ainda mais com aquela relação sem sentido.
- Levando malas? – ele perguntou, sentando-se no sofá e se apoiando em seu encosto antes de coçar os olhos. – Está indo embora? eu...
- , por favor. – falou ela, ao interrompê-lo. – Nos poupe da mesma conversa de sempre. Da mesma desculpa de sempre.
- Eu vou parar. Foi só uma recaída. – respondeu, mas ela apenas revirou os olhos, voltando a caminhar até a porta. Ouvir aquilo, aquela promessa, ainda doía simplesmente porque ainda se importava com ele. Não teria aguentado tanto tempo se não se importasse, mas precisava fazer algo por si mesma. Persistir naquele erro, o de ficar ao seu lado, já não parecia mais tão diferente do que ele vinha fazendo com a própria vida.
era a sua droga e ela estava na hora de parar.
- Sabe, é engraçado que quando você pensa que está tudo bem, as coisas dão errado. – ela disse, desabafando ao voltar-se mais uma vez para ele. – Por um dia eu tive mesmo esperança de que fosse dar certo dessa vez, que agora você conseguiria, mas você escolheu as drogas mais uma vez. Eu achei que estava tudo bem, até você não ligar e foi ai que eu percebi que não depende da minha vontade, ou da minha determinação. Depende da sua e você não se importa. É sempre uma desculpa nova, embora ainda seja sempre a mesma velha história.
- Não vai embora, me dá mais uma chance. – pediu, ignorando todas as outras coisas que ela havia dito. Não que fosse uma novidade também, ele ouvir apenas o que lhe interessava, mas aquele era apenas mais um dos diversos problemas daquela relação. – Eu vou mudar. – insistiu e ela quase riu. Já tinha perdido a conta de quantas vezes havia escutado aquilo. De quantas vezes tinha acreditado.
- Você não cansa? – perguntou por fim, após um tempo maior do que o necessário em silêncio, enquanto ele esperava por uma resposta.
- O quê? – ele perguntou, confuso e ela suspirou, apoiando-se no cabo da mala de rodinhas. Quando ela não disse nada, limitando-se em negar com a cabeça, ele repetiu. – Não me canso do quê?
- Disso. – ela gesticulou em sua direção. – De mentir para si mesmo. Você não vai mudar porque se quer está tentando, . Eu queria ainda ter fé, mas ela se esgotou enquanto eu tentava mantê-la por nós dois.
- E então é isso? Você vai desistir, simplesmente? – acusou e ela riu em deboche, por mais que as palavras tivessem machucado depois de tudo. Depois de todas as vezes que ela havia ficado do seu lado.
- , eu sou a única pessoa que se manteve aqui por você durante todo esse tempo, que ficou ao seu lado enquanto você tentava ver o mundo através de um espelho. Eu tentei te fazer sorrir, te fazer feliz, tentei ser o suficiente para te curar mesmo que isso me destruísse cada dia um pouco mais, mesmo que te ver nessa situação, acabasse comigo. Eu fiz de tudo por você enquanto você sentia pena de si mesmo, sem fazer o mínimo esforço para melhorar. – cansada, ela suspirou e o viu abaixar a cabeça, como se estivesse se sentindo culpado por aquela situação. Se estava, bom, era mútuo, mas ainda assim ela se sentia melancólica por isso. Pela relação que estava terminando, por ele que, se não tomasse aquilo como um incentivo para melhorar, só pioraria. Sem querer pensar naquilo, ela negou com a cabeça, antes que, por culpa, acabasse ficando. Ela não podia mais fazer aquilo. Não podia parar a sua vida por alguém que não estava disposto a tentar. Alguém que apenas se destruía mais a cada dia. - É pedir muito? Desejar que você faça algo por si mesmo, é pedir muito?
voltou a levantar a cabeça com aquela pergunta e as lágrimas em seus olhos partiram seu coração de forma cruel. Por um instante, longo demais, ele apenas a encarou, voltando a falar apenas quando ela perdeu as esperanças de que ele o fizesse.
- Desculpa. – pediu apenas, em um sussurro. – Me desculpa por ter te mantido aqui, por ter feito tudo que fiz, me desculpa, mas talvez você esteja certa, talvez devesse ir embora. – falou, a deixando surpresa pela mudança repentina de discurso. Notando isso, ele acabou sorrindo. – Eu te amo. – confessou. – Você sempre fez tudo por mim, acho que está na hora de fazer algo por você também. Mas eu vou tentar, . Eu juro que vou e um dia eu vou voltar, mesmo que seja só para que veja que eu consegui.
As lágrimas que escorreram pelos olhos dele fizeram com que ela sorrisse, apesar da dor que haviam causado. Ela estava orgulhosa daquela decisão e por isso soltou as malas no chão, caminhando até ele para abraçá-lo uma última vez.
- Eu também te amo. – sussurrou para ele, sentindo os braços do rapaz lhe envolverem enquanto ele escondia o rosto em seu pescoço. – Vou esperar que apareça, . Vou torcer para que consiga, para que fique bem, todos os dias. – falou, soltando-o em seguida.
Apesar das lágrimas, sorriu e em uma atitude muito mais madura do que ela esperava, deixou que ela se afastasse, a encarando sem dizer mais nada enquanto a garota voltava a pegar as malas, seguindo até a porta. Ela parou ali, por um instante, e sorriu, acenando para ele antes de finalmente abri-la, saindo do apartamento com uma nova sensação de paz que ela, há muito tempo, não sentia.
sentia-se igualmente feliz e assustada. Não lembrava mais do que era uma vida sem ele, sem viver por ele, cuidando dele, mas apesar da lágrima solitária que escorreu de sua face, ela sorriu. Se viu, finalmente, capaz de sorrir.
Doía se livrar tão drasticamente de uma parte importante de sua vida, de um hábito, mas podia também sentir a liberdade que isso lhe trazia, tão forte quanto todos os outros sentimentos confusos em sua mente e coração.
Soava conflituoso, contraditório. Estava tão feliz quando receosa com sua liberdade recém adquirida, mas soava mais certo do que tudo que havia feito no último ano.
Era o momento, o seu momento. A hora de viver por si.



Fim.



Nota da autora: É isso, manas! Espero não ter decpcionado, porque não sei, de verdade, se eu curti muito a fic. =/
Enfim, comentem suas impressões, pls!
Bjão!





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