Finalizada em: 15/09/2018
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Capítulo Único


“The Wreck atinge o primeiro lugar nas paradas americanas.”
“Boyband americana The Wreck conquista as paradas da Europa.”
“The Wreck lota shows em estádios pelo mundo.”
“Após a saída de um integrante, The Wreck faz primeiro show com três integrantes.”
“Integrantes do The Wreck anunciam projetos paralelos.”


se atualizava nas notícias matutinas naquela segunda feira, enquanto balançava no metrô até o Brooklyn. Era professora de ballet e, no banco vago ao seu lado, estava jogada a enorme bolsa que ela carregava nos ombros, cheia de meia-calças, sapatilhas, collants, entre outros itens necessário para dar algumas aulas ao longo do dia.
estava na casa dos seus vinte e tantos, quando já estava mais próxima dos trinta anos que dos vinte. De estatura média, cabelos ondulados e ruivos e olhos verdes, costumava brincar com os amigos que vivia uma vida de agente. Tinha vida dupla. Para os olhos da sociedade tradicional, era apenas uma professora de dança que era apaixonada pelo que fazia.
Nas horas vagas, ela era apaixonada por música e gostava de viver aquilo. Ouvir, não importa onde esteja, ir a shows, e, nos momentos que se sente sozinha, costuma dar uma volta em algumas lojas de música, para, como costuma dizer, visitar seus amigos. Alguns de seus conhecidos costumam reclamar que nunca a vêem. Que não frequenta bares ou baladas caras de Manhattan, que nunca está disposta a viagens ecoculturais, como costumam dizer.
Porém, quando o assunto é música, os grandes festivais de verão e conseguir ingressos, era à que esses ditos amigos recorriam. Porém, ela nunca respondia. Sempre estava ocupada demais em backstages e confraternizando com seus amigos músicos, enquanto adolescentes a xingavam em redes sociais de todos os nomes possíveis.
Com o tempo, aprendeu a relevar. Entre todos os nomes que era chamada, groupie, de forma pejorativa, era o que mais aparecia. Ria sozinha daquilo. Groupies, imagine só. Groupies dormem com rockstars porque elas querem estar perto de alguém famoso. Ela não, normalmente está lá pela música, e aprendeu que é alguém como ela que inspira a música a ser criada.
Ao desembarcar na estação mais próxima à escola de dança que trabalhava, sentiu de repente o celular enlouquecer dentro da bolsa. Ao mesmo tempo que tocava em uma ligação, vibrava em possíveis mensagens e ela, intrigada, parou em um canto da calçada e procurou o aparelho na bolsa.
O aparelho realmente tocava em uma ligação, era , sua amiga de Los Angeles. Ela achou estranho, eram cinco horas da manhã na costa leste, não podia acreditar que já estava em pé. Antes que pudesse raciocinar, o telefone parou de tocar, anunciando uma chamada perdida. Ela então puxou a janela de notificações. Seus aplicativos de mensagens e redes sociais tinham números que não paravam de crescer. De dois em dois. Então, de cinco em cinco, até chegar um momento que as notificações iam crescendo de forma descontrolada e sem ritmo.
Ela piscou algumas vezes, assustada com o que estava vendo, e abriu a primeira das inúmeras notificações que estava chegando. Suas pernas bambearam e ela escorou em uma parede quando leu a manchete que estava causando aquela algazarra em seu celular.

“The Wreck anuncia fim da banda e prometem show de despedida.”


Não que ela fosse como as adolescentes que iriam falar que as vidas delas estavam terminadas e fazer drama nas redes sociais, não era de seu feitio, além de não ter nem idade para isso, mas estava abalada com aquela notícia, e passou a entender porque sua amiga que mora do outro lado do país estava ligando em um horário tão… Excêntrico.
O telefone tocou novamente, e era , pela segunda vez.
, o que está acontecendo? — perguntou, afobada.
Sem alô, bom dia, ou estou com saudades, não entendia como, do nada, uma banda que tinha acabado de anunciar uma turnê pequena pelo país, simplesmente anunciava o fim.
, eu também não sei. Recebi essa notícia da mesma forma e, se tinha alguém com quem eu tinha que falar, era você — do outro lado da linha, ainda estava embaixo dos lençóis — Onde você está?
— Chegando na academia — pareceu lembrar o que estava fazendo no meio do Brooklyn, e então olhou no relógio em seu pulso — Droga, já estou atrasada, minhas alunas estão esperando — a dançarina apoiou a bolsa novamente no ombro e continuou caminhando — É por causa da saída do Zion?
Não quero acreditar, na publicação deles só falava que queriam seguir caminhos diferentes. Vou tentar algum contato com alguém. Se eu conseguir notícia, mando para você mais tarde.
— Tudo bem, nos falamos mais tarde. Beijos — e, antes que a amiga respondesse, desligou.
Entrando na escola de dança, as notificações já tinham cessado, mas, entre o sim e o não, desligou o telefone e jogou no fundo da bolsa.
não gostava de rotular, mas o principal motivo das suas idas e vindas, acessos a backstage e a ingressos, veio por conta de sua amizade com os meninos do The Wreck. Ela, que gostou deles desde o primeiro single, fez questão de tentar conhecê-los na primeira ida oficial a Nova Iorque. Uma entrada no bar do hotel, uma conversa com as pessoas certas e, de repente, estava em uma área vip com os quatro meninos que estavam, por enquanto, ganhando os Estados Unidos. E então, de perto, assistiu os quarteto ganhar o mundo.
não falava a ninguém que era amiga da banda, apesar de ser e casualmente se pegava ouvindo suas músicas e assistindo shows lotados nos maiores estádios do mundo — apesar de ter saído dos Estados Unidos por eles apenas uma vez, acompanhando-os na Europa, em uma divulgação pelo Reino Unido. Ganhava ingressos, gostava de estar na companhia deles, se divertiam juntos e, principalmente, gostava de manter sua privacidade entre as fãs deles.
Porém uma noite, em um lançamento de álbum, entre cervejas e destilados, apareceu em um vídeo de Lucca, que costumava chamá-la de from New York. Para alguém que até então estava, sempre que pôde, junto à banda mas escondida, de repente ter seu nome e cidade expostos para milhões de fãs em todo mundo era incoerente. havia perdido sua paz e privacidade, mas ganhou alguns milhares de seguidores em suas redes sociais.
Suas novas conexões eram adolescentes que um dia queriam ser amigas da banda como ela. Pessoas achando que ela poderia conseguir algo, e, por fim, uma legião de pessoas a xingando, simplesmente por inveja, e falando besteiras, sem saber o que de fato acontecia.
Ela tinha quase certeza que boa parte das notificações era de pessoas perguntando sobre o anúncio, ou talvez esperando algumas palavras dela sobre. Mas não queria imaginar o que as pessoas que simplesmente decidiram odiá-la estavam falando.
Quando entrou na sala onde iria dar aula naquele horário, uma turma de meninas de cerca de onze anos já estavam alongando apoiadas à barra presa no espelho. Esticando os braços até a ponta dos dedos e voltando e então trocando os pés. Uma das meninas, que parecia ser pouco de nada mais velha que as outras, dava ordem para as mais novas, que seguiam as instruções. Sem falar nada, a professora sorriu para as alunas no espelho, uma até abanou a mão, animada; foi até o som, onde deixou sua bolsa no chão, e colocou a música para a aula. Um tom clássico ecoou para a sala e bateu uma palma, e logo as meninas estavam em posição para seguir a mais velha.

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Já era perto do Natal e a maioria das rádios estavam fazendo seus shows e festivais em comemoração ao fim do ano que ali estava. Os meninos do The Wreck estavam rodando algumas cidades dos Estados Unidos, participando desses eventos.
Para , bastou apenas uma mensagem de Noah, casualmente perguntando se ela tinha planos para o fim de semana seguinte, para que ela comprasse uma passagem aérea e, em um sábado de manhã, pegasse um avião em LaGuardia, direto para o principal aeroporto de Dallas, no coração do Texas.
Apesar de ser em uma das regiões onde mais faz calor no país, naquela época do ano podia até nevar, então desembarcou em Fort Worth com o mesmo sobretudo que embarcou em Nova Iorque, mas não pôde deixar de sorrir quando, ao sair do aeroporto, em busca de um táxi, deparou-se com um belo sol, a recebendo pela primeira vez no estado. Uma das coisas que a ruiva mais gostava era a combinação de frio e sol, e fez questão de sentar no táxi no lado mais quentinho, enquanto observava a cidade crescendo em seus olhos.
O táxi parou na porta do hotel e a nova-iorquina saiu com sua mochila nas costas direto para o saguão. Já esteve algumas vezes em calçadas de hotel, sabia que qualquer movimento entre a porta de vidro e a calçada era milimetricamente observada pelas fãs, então não olhou para trás, apenas avisando o segurança que tinha reserva. Após fazer o check-in, foi em direção ao elevador com o celular em mãos, para avisar Noah que havia chego, e digitava de cabeça baixa, enquanto esperava o mesmo chegar ao lobby. Imaginando que alguém iria sair de lá quando chegasse, deu espaço, mas foi surpreendida por um abraço.
— Finalmente você chegou!
— Hein? — ela ficou confusa, então percebeu uma armação de óculos amassando seu rosto — Claro que cheguei, Noah. Inclusive, você está devendo minha passagem.
— Retribuo com passes de backstages e ingressos grátis — ele então deu um beijo na bochecha da amiga — Vamos subir para o seu quarto, qual é o andar? — e a puxou de volta para o elevador — Como foi seu voo?
estava atordoada com a quantidade de perguntas. Pegou um voo extremamente cedo, mal dormiu de noite, dormiu extremamente desconfortável na poltrona de um avião, e já estava sendo bombardeada com perguntas do amigo.
Ao chegar no quarto, se aninhou na cama enquanto ouvia Noah empolgado contar sobre a tour promocional que estavam fazendo em programas de rádio e secretamente agradeceu quando o celular dele tocou, anunciando que tinha que se reunir aos outros meninos para irem ao American Airlines Center, para a passagem de som. Com a promessa de que iria se encontrar com eles no horário do evento, gritou para que Noah desligasse a luz quando saísse e se permitiu algumas horas de sono.
Ao acordar, um crachá de acesso ao backstage estava embaixo de sua porta, e, após um banho e um pouco de maquiagem no rosto, escondeu o cordão embaixo de seu casaco e saiu em um táxi para a arena. Estava se acostumando àquilo, e sentiu-se orgulhosa de si mesma quando, ao mostrar o passe para o segurança, ao invés de lhe fazer perguntas, ele simplesmente deu passagem a ela.
No corredor dos camarins, diversos nomes conhecidos nas portas, mas se conteve e abriu apenas a que tinha o nome da bandinha que seus amigos faziam parte. Estava vazio, mas ouviu a descarga do banheiro e esperou alguém sair de lá, em busca de explicações. Uma garota morena, de cabelos bastante cacheados, que tinha o mesmo crachá em seu pescoço, saiu, e, por alguns segundos, as duas ficaram se encarando. Então se lembrou de onde a conhecia, e abriu um sorriso.
— Oi, eu sou a . Eu te vi na festa de lançamento do álbum dos meninos com o Zion. Muito prazer.
— Prazer. — a morena então respondeu, sem mostrar os dentes, e caminhou até a mesa do catering, onde tinham algumas frutas e comidinhas para os meninos.
achou aquela atitude estranha, mas largou sua bolsa no sofá e foi atrás da menina.
— Você sabe me dizer onde os meninos estão…? — esperou que a moça lhe dissesse seu nome, mas ela nem se moveu, como se a ruiva não estivesse ali.
tinha certeza absoluta que não tinha feito nada de errado para que a morena simplesmente a desprezasse. Como se fosse um gongo que soou para lhe salvar, a porta finalmente abriu e Noah, seguido de Harvey, Lucca e Zion, entraram no camarim e vieram em direção a ela.
— Achei que você iria ficar dormindo e não viria nunca — Noah falou para a amiga, que rolou os olhos com o comentário.
— Não, pra hibernar ficaria em Manhattan. Aqui tem comida e show de boyband de graça, por mais que eu ame dormir, não perderia isso por nada — e então virou para os outros três rapazes, que estavam assistindo a conversa — Oi, seus lindinhos.
— Você não tem nem vergonha na cara, não é, ? — Lucca perguntou de forma irônica e ela deu de ombros, sentindo o abraço dele logo em seguida — Estava com saudades de você.
— Todos estávamos. — Harvey sorriu e então sentiu suas pernas vacilarem.
— Ah, qual é, eu vi vocês faz dois meses, não deu nem tempo de sentir minha falta — ela riu.
, você já conheceu a , minha melhor amiga? — Zion então perguntou e ela virou para onde o descendente coreano estava. A morena, de cabelos cacheados, parecia estar fervendo por dentro com o comentário do amigo. Zion talvez estaria com problemas quando estivessem a sós.
Então o nome da ríspida sem necessidade era ? queria falar que ela tinha sido rude e desagradável, mas apenas abriu um sorriso nos lábios e concordou com a cabeça.
— Sim, nós estávamos nos conhecendo antes de vocês chegarem, inconvenientes — e então virou para — Não sabia que você e o Zion eram melhores amigos! É amizade de infância?
E, passando o braço pelo ombro de , tentou puxar assunto com a amiga de Zion, que claramente não estava interessada em se tornar amiga da amiga de Noah.
Mas nem , muito menos , imaginavam que, com o passar do tempo e inúmeros encontros, iriam virar muito amigas. Porque ninguém nunca esteve em seus lugares, e só elas sabiam o que era ser odiada gratuitamente por inúmeras adolescentes ao redor do mundo, simplesmente por serem amigas de quem são.

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— Professora !
A voz da mesma aluna que abanou a mão para quando ela entrou na sala tirou a mulher do transe em que estava. A música já tinha acabado, e as alunas todas olhavam para ela. então voltou para o som, para colocar a música, e, quem sabe, prestar atenção nas alunas dançando, mas não percebeu que uma das meninas a seguiu.
— Está tudo bem? Você parece triste. Mas tudo bem, eu estou triste hoje. Nem queria vir para aula, mas a minha mãe me obrigou — ela deu de ombros — O que aconteceu, professora?
— Por que você está triste, Maya? — ignorou a pergunta da aluna e retornou a ela. –– Me conta.
— Ah. Aquela banda que eu gosto, o The Wreck… Eles acabaram. Você chegou a ver?
A pequena Maya não imaginava, mas não tinha só visto, mas também ainda estava desnorteada com essa informação.
— Eu fiquei sabendo — queria fingir uma carinha triste, mas ela realmente estava chateada com a notícia — Mas sabe o lado bom? Sempre vão ter novas e novas bandas pra gente gostar e se divertir — as duas riram com o comentário, mas a mulher ainda estava chateada com aquilo. Não é como se amanhã já tivesse uma banda para substituir seus meninos.
Seus meninos. Iria sentir falta de chamar Harvey, Noah, Lucca e Zion dessa forma.
— A minha mãe disse que vai me levar no último show deles, quando eles voltarem a Nova Iorque.
E, de repente, um estalo bateu em . A pequena turnê que os meninos tinham anunciado a pouco tempo seria a última, e, com certeza, não haveria turnê de despedida. Não sem a presença de Zion.
O dia passou completamente arrastado, com avoada e perdendo o controle sob suas alunas. Quando a noite estava se aproximando, cancelou as duas aulas que daria naquele turno e foi para casa. Estava agoniada sem saber exatamente o que estava acontecendo.
Muita coisa havia mudado desde que foi a Londres com eles, pouco mais de um ano atrás. As notícias já não chegavam mais com tanta exclusividade diretamente em sua caixa de entrada, muito menos os convites. Mas ainda existia um número de telefone que tinha um lugar especial, tanto em sua agenda, como em seu coração.
? — a voz animada atendeu do outro lado.
O coração dela se aqueceu e, pela primeira vez naquele dia, sentiu-se confortável. Amizade de verdade é assim. Não importa quanto tempo você fica sem falar, sem se ver, ou a quantos quilômetros de distância estão, a amizade de verdade se sustenta.
— Noah… — ela suspirou em seu sofá — Meu Deus, eu não imaginava que eu estava sentindo tanto a sua falta. Você não imagina como eu passei o dia hoje.
— Atordoada com a notícia?
— Atordoada? — exaltou um pouco — Que história é essa de colocar um fim na banda? Quem teve essa ideia absurda?
— Nós três. Eu, Lucca e Harvey — Noah contou para ela — Era uma fagulha que se acendeu com a saída do Zion. Nós três nos vimos atordoados, como se tivessem tirado uma perna nossa, nós estávamos mancando em cima do palco, e aos poucos, cada um foi indo para o seu canto. Cada um de nós com seus projetos paralelos e músicas que gostávamos mais de fazer.
— Mas…
— Quando nós nos reunimos para renovar o contrato, de repente pareceu a coisa certa a se fazer. Aproveitar que estamos indo bem na carreira solo e investir nisso — sabia que Noah estava certo, apoiava o amigo, mas, como fã, ouvir aquelas palavras doía — Desculpa não ter te contado antes. Tudo ficou meio estranho depois de Londres.
— Você é meu amigo, Noah. Eu estou com você e com os meninos, pra tudo. Vocês acham que é o certo? Eu não acho, mas respeito e só quero sucesso e felicidade de vocês.
— Eu queria que você estivesse aqui para abusar do seu colo, . Desde quando soltamos o anúncio, está sendo crítica o dia inteiro. Eu só precisava de uma palavra de apoio.
— Você nunca vai se livrar de mim, Noah, já falei isso — ela riu, do outro lado do telefone.
— Ótimo, porque eu quero você nessa última tour que nós vamos fazer — e antes que a professora de ballet pudesse falar algo, Noah continuou — Eu sei de tudo o que aconteceu com o Harvey, mas eu preciso que você tire uma semana de folga e acompanhe a nossa tour de despedida. Eu preciso do apoio da minha amiga, e de uma das nossas maiores fãs.
não estava preparada para encarar Harvey. Eles não trocaram duas palavras desde o dia seguinte do show do Neighbourhood, mas já estava na hora de eles se entenderam e seguir a vida em frente, como dois adultos que são.

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Era a primeira vez que a nova boyband americana, formada em um programa de calouros, estava em Nova Iorque para um show. Os meninos do The Wreck já tinham passado pela Big Apple para programas e entrevistas, principalmente na Times Square, mas, além de detestar esse tipo de aglomeração na porta de algum estúdio, o trabalho a impedia de ir. E com certeza os pais de suas alunas não iriam aceitar se ela fizesse caravana do Brooklyn até lá. Então, quando o show da primeira tour foi anunciado, a professora de ballet estava à meia noite em frente ao seu computador para conseguir ingressos. Seria no Carnegie Hall, uma casa de espetáculos na Sétima Avenida que não cabia três mil pessoas, e, como os meninos estavam explodindo cada dia mais, ela precisava de agilidade para conseguir ao menos um assento.
não tinha conseguido o assento nas primeiras cinco fileiras, onde poderia realmente enxergar os meninos sem ajuda do seu par de óculos, estava mais pra trás, mas tinha certeza que iria se divertir igual.
Passaram alguns meses, mas o dia finalmente chegou. Nova Iorque é conhecida como a cidade que nunca dorme, e talvez por isso ninguém se interessou em pensar nos trabalhadores que deveriam estar de pé na segunda cedo quando foi anunciado que os meninos se apresentariam em um domingo — ninguém pensou nos pais das crianças e adolescentes que iriam levá-los para ver sua nova boyband preferida, mas tinham que estar em pé na manhã seguinte.
Mesmo com lugar marcado, chegou cedo à casa de shows. Queria sentir toda a energia que apenas um evento como aquele pode proporcionar, afinal, era a coisa que ela mais gostava de fazer. Não ligava se seus amigos iam para a balada ficar bêbados e voltar com o dia clareando. Não se preocupava em eventos maçantes com milhares de pessoas fora de si, apenas para conseguir curtir.
Para a ruiva, a fila com pessoas igualmente ansiosas, a abertura dos portões, a espera com músicas parecidas ao que iria tocar e o momento em que as luzes se apagavam passavam uma corrente elétrica nela, que sentia que seu peito poderia explodir a qualquer momento. Coisas que só quem ama show e só quem vive de música entende.
A histeria tomou conta do lugar quando os primeiros acordes de uma das músicas dos meninos começou. Sem ninguém com quem compartilhar o sentimento, se deixou levar pelos gritos enquanto seu corpo ansiava para vê-los. Um a um, Lucca, Noah, Zion e Harvey entraram no palco e ficaram parados ouvindo os escândalos para eles. Ainda era tudo novidade, tudo muito novo, mas sabiam que logo iriam se acostumar. Não era de todo ruim ter milhares de meninas gritando por você.
Os acordes se intensificaram e eles se espalharam pelo palco, cada um cantando um trecho da música. Tudo o que conseguia fazer, naquele espaço pequeno entre uma poltrona e outra, era mexer seu corpo e cantar junto, mas já era o suficiente para curtir.
À medida em que o show ia passando, a ruiva observava os meninos e a presença de palco deles. Zion era um fofo, com descendência coreana, seus olhos característicos do oriente e sobrancelhas bem marcadas e chamativas, parecia que ele ainda não estava acostumado com tudo aquilo. Estava tímido no palco, mas toda vez que abria a boca para cantar, todos ficavam em silêncio. Tinha um agudo incrível, que deixava até os grandes cantores boquiabertos.
Noah era aquele integrante da banda bem brincalhão. Com seus óculos de grau, marca característica, fazia do palco o seu parque de diversões. Dançava, se divertia, e até pegava o violão para arriscar alguns acordes das músicas. tinha certeza que Noah havia agarrado a oportunidade, e fazia o que mais gostava, de trabalhar enquanto brincava.
Lucca parecia ser o mais marrentinho dos quatro, com seu cabelo bem penteado e pose de príncipe, sempre que os meninos começavam a conversar com a platéia, ele gostava de cortar e brincar de forma mais pesada. E, apesar de seu jeito de ser, era o rapaz abrir a boca para as meninas enlouquecerem. Era óbvio que Lucca era o preferido das fãs.
Mas, enquanto Lucca era o preferido, Harvey era o verdadeiro frontman dos quatro. Alto, com a pele negra, era um dos mais carismáticos, disputando a posição com Noah. Porém era ele quem sempre chamava tudo para si. Ele quem começava a conversar com as fãs, e até nas entrevistas era tido como o líder. Harvey também era muito carinhoso, e não tinha alguém que passasse por ele e não se apaixonasse.
Os meninos do The Wreck eram completamente diferentes entre si. Tanto no jeito de ser, como no tom da pele e suas descendências. As diferenças eram o que faziam eles ser quem eram e estavam transformando-os em popstars conhecidos em todo o mundo. Não só nos Estados Unidos, mas mundialmente, seu single já estava sendo pedido e tocado nas rádios e o videoclipe do mesmo percorria as telas do mundo. Da Times Square à Piccadilly Circus, não havia uma adolescente no mundo que não soubesse o nome deles.
E, com chuva de papel picado, a primeira música de trabalho deles, “Baby, Come With Me”, finalizou o show. Com canhões jogando mais um pouco nas laterais do palco e jogo de luz, a venue no coração de Nova Iorque explodiu e cantou junto com os meninos.
estava sentindo o peito estufado, cheio, como se fosse explodir a qualquer momento. Assistiu Sam reunir os meninos no programa de calouros na televisão, se apaixonou por eles juntos em um primeiro momento, e estava lá, assistindo ao show e orgulhosa de vê-los chegar cada vez mais distante. Ao fim da música, eles se abraçaram, se curvaram ao público em agradecimento e saíram de costas. As luzes do Carnegie Hall foram apagadas. tinha uma nova banda preferida.


Los Angeles, CA.


Balançando no saguão de desembarque do aeroporto de Los Angeles, tinha uma placa com o nome de escrito. Rindo da animação da amiga, as duas se abraçaram por um longo tempo. sempre quis ir para Los Angeles, talvez visitar a amiga, assistir ao The Wreck em uma turnê, não assistir ao último show deles. Conversando sobre tudo, que não fosse o motivo de estar na cidade dos anjos, as duas foram até o hotel onde os meninos estavam hospedados.
Depois de fazer o check-in no mesmo quarto que a amiga, quando o elevador chegou no andar em que iriam ficar hospedadas, um par de olhos com descendência asiática encontrou com ela e .
— Zion! — a ruiva de olhos verdes largou suas bolsas no chão e abraçou o amigo, que retribuiu, fechando os braços em volta dela — O que você está fazendo aqui? Meu Deus… Como você está?
— Você acha mesmo que a banda que me deu todas as melhores oportunidades na vida vai anunciar o fim e eu não vou fazer parte disso? — ele comentou quando se afastou e a ajudou pegar suas coisas do chão — Eu realmente estou bem. Quando eu saí, foi porque eu precisava de um tempo para mim. Fui cuidar da minha mente, que é o mais importante que temos, não é? Hoje eu estou o mesmo Zion que entrou no programa de calouros.
— Não imagina como ouvir isso me faz feliz — os dois trocaram um sorriso — E você não me contou nada que ele estaria aqui? — perguntou para .
Os três andavam até o quarto, no final do corredor.
— Digamos que nós dois resolvemos fazer uma pequena surpresa para você.
Já dentro do quarto, Zion fazia companhia às duas amigas, que se instalavam por ali. Apesar de ser de Los Angeles, assim como o antigo ex integrante da banda, se hospedar no mesmo hotel significava estar por dentro de tudo o que acontecia. Das farras, das caronas para as arenas, das despedidas. De tudo.
Enquanto riam de qualquer besteira que contava, ouviram umas batidas na porta e a própria foi abrir.
— Mas vocês não sabem, isso só aconteceu porque eu… — e então abriu a porta — Harvey.
Sabia que voltar a ir em tour do The Wreck implicava em rever Harvey, depois de todos os acontecidos em Londres, mas não imaginava que seria tão logo que chegasse, com ele batendo em sua porta em um quarto de hotel. Exatamente onde as coisas aconteceram.
… — o moreno então balançou a cabeça, como se aquilo fosse deixar de sentir atônito e respirou fundo — Falaram que o Zion estava aqui e… Estão te chamando, cara.
— Valeu, Harv! — Zion fuzilou com o olhar e fez sinal para que ela o acompanhasse — Daqui a pouco a gente volta, .
E, como se pedisse desculpas com o olhar, apesar de a culpa não ser sua, a garota de cabelos encaracolados seguiu o amigo de infância.

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Por mais que sair dos Estados Unidos por causa da The Wreck nunca tivesse sido parte de seus planos, teve seu choque de realidade quando, ao sentir o avião que estava a tocar a pista de um aeroporto, ouviu a comissária-chefe dar boas vindas a Londres, capital da Inglaterra, no Reino Unido.
Ali, na primeira classe daquela imensa aeronave, e sendo uma convidada da banda a estar naquele voo e também naquela cidade, sentiu que as famosas borboletas em seu estômago estavam confusas. Na cabine ao seu lado, Harvey dava o melhor de seus sorrisos para ela. Ao redor, Noah, Lucca, Zion, e boa parte da equipe de produção pegavam suas coisas para desembarcar em solo britânico.
Seria amor pela banda The Wreck que a fez pedir licença de seu trabalho e simplesmente fugir para o outro lado do oceano por uma semana? Seriam os meninos pessoas extremamente influentes e que conseguiram convencê-la? Ou seria o fato de que de repente, sua caixa de entrada havia mais mensagens de Harvey do que de Noah?
não sabia dizer como, nem quando, muito menos o porquê, mas se viu em um affair caloroso com um dos membros da banda. Quem via apenas pelas entrevistas e shows falava que Harvey era o frontman da banda, aquele que tomava a liderança e a frente em entrevistas. Mas o que as pessoas desconfiavam, porém apenas as mais próximas sabiam, era que, além de ter esse espírito de liderança, ele era carinhoso e extremamente fofo. Teria sido quase impossível ele não conseguir fazer com que as pernas de balançassem um pouco.
Estavam na Inglaterra para uma tour promocional. Sabia que não seria muito tempo, pois a banda tinha compromissos e logo iria seguir para alguns países na Europa continental, mas ficou feliz ao abrir a janela de seu quarto no hotel e ver parte da London Eye por cima de prédios e árvores. Então algumas badaladas e seu coração se encheu de alegria. Não via a torre do Big Ben, mas, só de ouvir o sino soar, sabia que estava do outro lado do oceano.
Harvey transformava tudo aquilo em magia. Ele era fofo demais com ela. Nunca em público, mas ele era extremamente carinhoso com , do tipo que qualquer mulher se encantaria pelo homem que a tratasse daquela maneira.
Em uma noite sem entrevistas, sem programas de TV, apenas para descanso, Harvey decidiu levar a um lugar surpresa. No carro, a movimentação de pessoas ficava cada vez maior, e, ao ter acesso a uma entrada privativa, o integrante da The Wreck tirou do bolso dois passes de livre acesso a backstage e entregou a ela.
— Curte The Neighbourhood?
— Você só pode estar de sacanagem comigo, Harv! — se exaltou — Eu adoro eles.
— Ótimo, porque eu achei que você poderia querer uma folga de The Wreck ao menos por uma noite.
— Besta.
Passando por todos os acessos exclusivos, os dois chegaram ao camarote de frente ao palco e se serviram de bebidas enquanto o show não começava. Lado a lado, no universo deles, ninguém podia atrapalhá-los, a não ser, claro, por apenas um casal, que entrou no local.
— Harvey,
my man!
tinha certeza que conhecia aquela voz de algum lugar, então virou o pescoço e encontrou o membro irlandês do One Direction seguido de uma garota morena, com o cabelo preso em um rabo de cavalo bem alto, e de mãos dadas com o loiro.
— Horan! — Harvey levantou para cumprimentar o amigo — Como assim você está aqui? Vocês vão assistir ao show nesse camarote?
— Pelo visto, sim, os passes apareceram milagrosamente em casa e, como estava sem fazer nada, dei uma folga de One Direction pra Millie aqui — e com o pescoço, apontou para a namorada.
— Olá, Millie! — Harvey cumprimentou a namorada de Niall, e fez sinal para que se juntasse a eles — Essa é a , uma amiga minha e dos meninos.
— Ah… Uma amiga! — Niall ironizou — Desde quando você tem amigas e traz elas pra ver Neighbourhood, H?
sentiu que podia cavar um buraco e colocar a cabeça lá dentro, como uma avestruz, com o comentário de Niall.
— Alguém já falou que você é insuportável, Niall Horan? — o integrante da The Wreck rolou os olhos com o comentário.
— Eu já falei — Millie levantou a mão como se pedisse atenção, e com exceção de Niall, os três riram — Me desculpe, mas eu preciso falar. Harvey, eu adoro a The Wreck, e é um prazer ter a oportunidade de te conhecer.
O coração de bateu mais forte ao ouvir aquilo. Orgulho que chamava, ouvir alguém falar daquela forma tão carinhosa sobre seus meninos. Sabia que poderia ser amiga de Emily, se fosse de Londres, ou se talvez Emily vivesse em Nova Iorque. Afinal, se a namorada de Niall Horan era fã de The Wreck…
— Acho que a Emily me deu a deixa para falar que eu não acredito que vou assistir a um show no mesmo camarote que Niall Horan — ela sorriu e fechou os olhos, começando a rir de seus próprios pensamentos — Isso vai soar como uma adolescente louca, mas eu amo as músicas do One Direction.
Niall deu o melhor de seus sorrisos para , e então virou para Harvey.
— Sua namorada ama a minha banda. Acho que eu vou apresentá-la pro… Sei lá, deve ter alguém solteiro sobrando.
— Você é insuportável, Horan.
E, assistindo os dois membros de duas boybands com seus egos elevadíssimos, Emily e se afastaram dos dois para conversar mais sobre elas, a vida, relacionamentos e até mesmo seus entrosamentos com os integrantes da banda. Assim como , Emily conseguia entender exatamente tudo que sentia e passava.
Então as luzes se apagaram e o show da banda americana Neighbourhood começou. O rock melódico e alternativo dos californianos faziam todos na arena mexerem seus corpos, e, por mais que já estivesse acostumada com passes para backstage e ingressos grátis, estar lá apenas com Harvey era diferente. Eles gostavam um do outro e sentiam-se bem na companhia, mas talvez não era o suficiente para ir além daquilo.
A música mais famosa dos americanos começou e sentiu Harvey abraçá-la pela cintura, os dois de frente para o palco. Ele cantava as músicas para ela, que acompanhava mentalmente, balançando o corpo.
— ‘Cause it’s too cold whoa for you here and now, so let me hold whoa both your hands in the hole of my sweater.
No mesmo box que eles, Niall e Emily estavam praticamente na mesma posição, então os integrantes das boybands trocaram olhares. O irlandês do One Direction riu ao ver Harvey todo “carinhoso” com a amiga e não poderia deixar passar a oportunidade.
— Você é romântico assim com as suas amigas, Harvey?
— Que pessoa irritante — Harvey respondeu, rindo.
Não é como se dependesse dele, mas, se quisesse, seria promovida daquele cargo.
No dia seguinte do show, Harvey assistia a ruiva dormir ao seu lado. No fim da tarde, iriam para a Alemanha, continuar as divulgações, mas dormia tão confortável ao seu lado, que ele não tinha coragem de acordá-la, mas não deixou de dar o melhor de seus sorrisos, quando ela se mexeu e abriu os olhos ao seu lado.
— Ei, linda.
— Bom dia, Harv — respondeu, manhosa — Adorei o passeio ontem, obrigada pelo convite.
Seria aquilo o sinal que Harvey estava esperando receber?
, eu estava pensando… — ela murmurou, ainda abraçada no travesseiro, com preguiça de levantar, para que ele continuasse — Se você gostou tanto de ontem, nós podíamos fazer programas como aquele mais vezes, não? — a nova iorquina mexeu a cabeça, concordando com aquilo — E se nós fizéssemos como um casal? Você aceita ser a minha namorada?
Aquela frase repentina e inesperada acertou em cheio. Ser namorada de Harvey? Era algo que nunca, jamais passou pela sua cabeça. Naquele momento, a ruiva não sabia se fingia que tinha pego novamente no sono, ou despertava de vez. Sabia que qualquer que fosse sua reação, não sabia como o integrante que finge ser marrento da The Wreck reagiria com o que viria a seguir. Então ela suspirou e abriu os olhos. Harvey a olhava ansiosamente, e com aqueles olhos de cachorro que caiu da mudança, ela sentou-se direito, puxando as cobertas para cima de seu corpo.
— Harv, eu… — era tão difícil achar as palavras certas para aquilo. Antes de tudo eles eram amigos, não eram? E como ela iria falar aquelas palavras sem machucar um amigo? — Eu gosto tanto de você. De estar com você e de estar com os meninos. Vocês se tornaram amigos que eu jamais achei que teria, mas… Eu não quero perder isso que a gente tem, não quero correr perigo de estar em um relacionamento com você e um dos dois tomar uma atitude que magoa o outro e afasta…
— Entendi. — Harvey então levantou da cama e foi em direção à mala, procurando uma camisa.
— Harv! — ela gritou para ele.
— Você não quer ser minha namorada, , tudo bem, eu entendi. Ninguém está te ameaçando ou colocando uma arma na sua cabeça falando o que você deve fazer. Você não quer que no futuro a gente se afaste por qualquer motivo. Sua resposta só acelerou as coisas.
E, antes que ela pudesse responder, ele saiu do quarto fechando a porta atrás de si. jogou a cabeça para trás, pensando no que tinha acabado de fazer.
Talvez seria o momento de fechar suas malas e seguir viagem, mas não para a Europa continental com os meninos e sim de volta para os Estados Unidos.

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— Como você está? — os dois perguntaram juntos, quando viram que Zion e estavam já a certa distância deles.
Com os dois rindo com a pergunta feita ao mesmo tempo, sentiu a pressão da situação diminuir, e até o ar ficar mais fácil de respirar. Ela então deu passagem para Harvey, que passou por ela e, sem esperar convite, sentou no sofá da suíte que ela estava hospedada.
— Faz tanto tempo… — iniciou a conversa, sem saber exatamente o que falar. Sabia que ela e Harvey tinham o que conversar, colocar, ao menos, em panos limpos os acontecidos no Reino Unido.
— Faz mesmo… — foi a resposta de Harvey.
E novamente o silêncio no quarto. Era tão estranho, principalmente para eles, que sempre foram tão falantes e, mesmo antes de se relacionarem, foram tão amigos a ponto de falar de qualquer coisa e passarem a noite rindo.
— Eu acho que a gente precisa conversar sobre o que aconteceu em Londres — então tomou a palavra — Porque se não nós vamos ficar nessa situação estranha cada vez que nos encontrarmos, e eu vou acompanhar essa despedida até Nova Iorque, e não quero deixar o clima inconveniente para qualquer um que estiver no mesmo ambiente que nós.
Harvey então balançando a cabeça, concordou com as palavras de . Sabia que ela estava certa, apesar dele não ter muito o que falar. Ele quem saiu magoado na história.
— Eu tenho um carinho enorme por você, Harv, e tudo o que a gente viveu aqui nos Estados Unidos, em Londres, o show… São coisas que eu nunca vou esquecer. Estar com você era incrível, mas eu não estava preparada pra um relacionamento. Pode soar egoísta, mas eu não estava preparada para abrir mão do pouco que eu ainda tenho de privacidade para dar motivo para as adolescentes me xingarem em todas as redes sociais. Eu me assustei, acabei falando sobre o medo de afastar todo mundo, se um dia chegasse ao fim, mas você tinha razão, o afastamento aconteceu ali, quando eu voltei para casa, em vez de seguir viagem com vocês. Foi uma decisão unicamente minha e egoísta, não porque eu não gostava de você, porque eu gostava, e gosto muito, a verdade é essa — ela riu com vergonha — Mas existem momentos na vida que a gente precisa pensar em nós mesmos e na nossa saúde mental. Eu só neguei o seu pedido para preservar a minha sanidade.
Como um cuspe, soltou as palavras que tanto rondaram em sua mente por todo o tempo que se manteve afastada da banda. As palavras que ela devia para Harvey naquela manhã em um hotel em Londres, mas finalmente era bom colocar aquilo para fora. Sentia-se bem mais leve.
— Hoje eu entendo — Harvey assumiu, para espanto dela — Hoje eu vejo como as fãs podem ser maldosas com você, mesmo comigo cego, após o acontecido, a me mostrou o que as pessoas falam quando vocês são vistas conosco, e depois que a raiva passou, e a sanidade voltou, eu percebo que eu gosto muito de você, a ponto de abrir mão da minha felicidade, para te privar de passar por tudo aquilo novamente, em uma intensidade ainda maior. Seu egoísmo feriu o meu ego, mas foi a coisa certa a fazer aquele momento. Doeu, mas hoje eu entendo que foi a melhor coisa a fazer.
sabia que tinha machucado os sentimentos dele, e, apesar de achar que o conhecia tão bem, nunca imaginou que ele pudesse ser aquela pessoa de coração puro que, na racionalidade, pôde pensar o quanto um relacionamento entre os dois poderia afetá-la. E ela gostava tanto de Harvey por isso.
Instintivamente, deu passos largos até o sofá e abraçou o moreno que ali estava sentado. Apesar dos pesares, eles tinham carinho um com o outro, e isso era o que mais importava no momento.
— Obrigada por ser essa pessoa incrível que você é, Harv. Eu sou sortuda por ter tido a oportunidade de te conhecer e falar que eu sou sua amiga.
— Ei… — ele a chamou enquanto fazia carinho em suas costas — Você não tem que me agradecer de nada. Você que é maravilhosa e me cativou, acho que foi por isso que eu queria um relacionamento fixo com você, porque eu me apaixonei pelo seu jeito.
— Fico feliz que nós tenhamos nos entendido, e podemos deixar aquele clima ridículo para trás — ela riu e sentou ao lado dele — E que eu finalmente posso te contar que fui assistir seu show do projeto paralelo em Nova Iorque.
— Você o quê? — Harvey abriu a boca e gargalhou — , por que não me mandou mensagem?
Ela deu de ombros.
— Não ia ser certo negar um pedido de namoro e um tempo depois fazer um “oi, sumido” pedindo um ingresso para o seu show — ela então balançou o corpo, empurrando ele para o lado — Simplesmente comprei um ingresso e me meti no meio daquelas pessoas naquela casa noturna.
— Nunca mais faça isso, , eu ia adorar saber que você estava lá. Devia ao menos ter me procurado após o show — ela negou com a cabeça, sabendo que iria continuar não sendo o certo — Já que já foi, eu não posso deixar de te fazer essa pergunta que está me corroendo por dentro... O que você achou?
— Incrível! — ela respondeu, exaltada — Harvey, você realmente sabe fazer com que as pessoas levantem e vão dançar. Eu me pego dançando cada vez que toca na rádio…
E, como se nada tivesse mudado desde quando iniciaram uma amizade, e Harvey passaram mais um tempo conversando e rindo um com o outro, como nos velhos tempos.

Denver, CO.


O show de Los Angeles foi simplesmente incrível. As fãs da Califórnia levantaram o teto do Staples Center cantando junto com as músicas do The Wreck, em um show que não teve nenhum tom de despedida. Uma mistura de setlist de mais de duas horas com todos os sucessos da banda, além de músicas votadas pelos fãs, animaram a primeira noite daquela que seria o fim.
A arena se debulhou em lágrimas quando os quatro meninos se abraçaram e começaram a conversar com o público, agradeceram os anos incríveis, e disseram que o The Wreck sempre iria fazer parte tanto deles, quanto dos fãs.
No backstage, e choraram, a equipe de produção chorou. Foi um sentimento unânime, mas que ficaria na memória de cada pessoa que ali esteve.
E então, no dia seguinte, eles foram para a capital do Colorado e do esqui, Denver. No mesmo carro que estava transportando os meninos até a arena onde seria o show naquela noite — com mais lágrimas derramadas.
, acho que você nunca contou pra gente como virou nossa fã — Lucca, o mais sarcástico dos quatro meninos, comentou.
— E quem disse que eu sou fã de vocês?
Todos naquele carro abriram a boca em um “o” e fizeram som, tirando sarro com o rapaz com pinta de metido entre eles. sorriu e esperou uma resposta, que demorou a vir, pois estava pensando, mas a nova iorquina foi mais rápida.
— Pega no flagra — ela deu de ombros — Eu acompanhei a formação de vocês no programa. Talvez eu tenha sido a fã número um, como costumam falar.
— Sério? — Zion se animou com aquilo e concordou mexendo a cabeça.
— Eu estive até no primeiro show de vocês no Carnegie Hall. Antes eu gostava das músicas, mas lá foi onde eu gostei do jeito de cada um. Apesar da pose do Lucca, eu tinha certeza que vocês eram boas pessoas, e eu gosto de pessoas boas.
Lucca pareceu satisfeito com a resposta e então virou para , repetindo a pergunta.
— Eu não gosto de vocês — ela respondeu de forma séria — Eu só estou aqui em respeito à minha amizade da vida toda com Zion — os quatro meninos focaram o olhar nela, que continuou cética em relação àquilo — É sério. Uma música ou outra até é legal, mas, se não fosse o Zion, nunca que eu ia me interessar pelo som de vocês.

— Eu gosto das pessoas que compõem a banda The Wreck, como a disse, vocês são pessoas boas, são incríveis e eu gosto muito de vocês, mas infelizmente o estilo de música não é o meu. Eu amo vocês, e estou muito chateada disso acabar, mas, numa situação normal, talvez eu não iria ser alguém que compraria álbuns nem iria a shows.
— Uma resposta sincera, justo — Noah incentivou os meninos, para não ficar num clima chato — Nós também gostamos de você, .
— Agora a dúvida que não quer calar… — Harvey tomou a palavra e sabia que vinha bombada ali — Quem foi o seu integrante preferido? — gargalhou ao ouvir aquilo e ele fechou o cenho — É sério, toda fã de boyband tem um integrante preferido.
— Cara… — Zion passou o braço pelo ombro do amigo — Sabemos que você definitivamente não é o preferido da , afinal, ela não aceitou namorar com você.
— Zion! — gritou com o menino que juntou os lábios e deu de ombros, enquanto Harvey ironizou o amigo, e os outros riam — Que tipo de pergunta é essa? Assim vocês acabam comigo… — ela levou a mão ao rosto e soltou o ar pela boca — No começo eu não tinha um preferido, mas depois de um tempo que eu os conheci, eu achei que podia estar acontecendo alguma coisa com um de vocês.
— Não era o Harvey? — perguntou e negou com a cabeça — Certo, menos um.
— E também não era o Noah — completou e o sujeito abriu a boca, indignado.
— A gente dá amor, carinho, amizade e passes de backstage, e não entra na lista de crushes dela. Eu preciso rever essa amizade.
— Deixa de ser dramático… Meu cérebro não consegue nem tentar pensar em uma situação onde eu e você teríamos alguma coisa, deixa disso.
— Daqui a pouco a gente chega e você não falou ainda… — Lucca parecia estar já perdendo a paciência — Deixa de enrolar, quem é?
— Você — ela simplesmente falou, deixando o garoto boquiaberto e sem reação;
— O Lucca? — Zion, que disputou aquela final com o amigo, mostrou-se indignado — Mas que mal gosto.
— Ah, fica quieto, você fala isso porque não era você que ela se interessou.
— Não é interessado… É só que… Em uma festa de lançamento de um dos CDs, eu tive um pouco de dificuldade de entender todos os sinais do Lucca. Os abraços, os beijos na bochecha e por isso achei que talvez poderia estar nascendo algo ali. Apesar de ser uma pessoa chata, o Lucca é carinhoso, e eu entendi o que estava acontecendo errado. Ele apareceu com uma menina, e percebi que não era nada, apenas coisas da minha cabeça. Só isso.
Naquele instante o carro perdeu velocidade e parou na parte traseira da arena onde seria realizado o show daquela noite. Um a um, os meninos foram descendo, e comentavam entre si sobre a revelação que tinha acabado de fazer.
Lucca então esperou que a menina descesse do carro e parou ela, antes de seguir caminho.
— É sério o que você falou?
— Não é para ficar com isso na cabeça, Lucca — sorriu para ele — Você é um rapaz querido, carinhoso, qualquer menina poderia ter tido essa mesma impressão.
— E pensar que eu achei que nunca na vida teria um pingo de chance com você, — ele balançou a cabeça, indignado.
— Perdeu um mulherão, cara — foi a última a descer, e bateu nas costas dele — É isso que acontece quando você não enxerga o que acontece ao seu redor.

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já tinha perdido as contas de qual era o número do convite que recebia por mensagem de Noah, quando a The Wreck ia para Nova Iorque. Sempre que possível, ela dava uma passada no hotel para encontrá-los, e diferente da primeira vez que foi ao hotel, quando ela enviava uma mensagem avisando que tinha chego, Scott estava na porta para recebê-la.
Os meninos do The Wreck pareciam amigos comuns, que iam para a cidade, e ela gostava de visitar de vez em quando, contar as novidades e sair para jantar — no caso, eles comiam em algum dos restaurantes que os hotéis proporcionam.
Mas dessa vez eles não estavam apenas para entrevistas. O novo álbum havia sido lançado e, por conta das inúmeras emissoras de televisão e rádio, Nova Iorque havia sido escolhida como o lugar onde toda a promo seria realizada, e até uma festa fechada apenas para convidados. E por convidados, era um deles, exclusivamente na lista da banda.
A festa não era nada formal ou muito chique, mas seria a primeira vez que ela iria estar fora de um hotel com os meninos. escolheu um macacão listrado e salto alto e, quando chegou à festa, deu um jeito de passar despercebida pelos fotógrafos.
não tinha problemas com fotos, mas sabia que ser vista com os meninos, ou em um evento daqueles, tiraria sua paz, principalmente nas redes sociais, além de que, em sua cabeça, não tinha porque ela virar o centro das atenções. Era uma simples professora de dança no Brooklyn, com uma vida normal. Ninguém iria gostar de se interessar por sua vida. Ela não iria gostar das pessoas interessadas em sua vida.
Apresentou seu convite na entrada e logo foi lhe entregue uma taça de champagne. Aquele local era o tema de festa de aniversário sonho de muitas adolescentes. Por todos os cantos haviam pôsteres com a capa do CD, e cardboards em tamanho real dos meninos. Meninos esses que ela não estava encontrando em lugar nenhum do evento.
Bebericando seu vinho e petiscando algumas entradas do buffet volante, percebeu então que as luzes do local diminuíram, e um apresentador subiu no palco. Era nada menos que Sam, o idealizador do programa de calouros e o jurado que uniu os meninos como banda.
— Boa noite a todos, meu nome é Sam, e é um prazer estar aqui, lançando o segundo álbum de estúdio dos meninos do The Wreck. Quando eu decidi juntar eles, eu sabia que eles tinham potencial para conquistar a América. Eu nunca imaginei que agora eles estariam conquistando o mundo, com primeiro lugar nas paradas. sorriu ao ouvir aquelas palavras de Sam. Como fã, já havia feito o seu papel e comprado o álbum nas principais plataformas, tanto físico, como digital. Mas, como amiga, não havia palavra maior que orgulho que definia o que ela estava sentindo. Eles estavam nos letreiros luminosos da Times Square. Nos anúncios nos ônibus e dentro do metrô. Até nas rádios que não costumavam tocar música pop a The Wreck aparecia. Na televisão, se não era o clipe deles passando, eram entrevistas, propagandas do álbum, ou anúncio da próxima turnê.
O mundo havia sido contagiado pela febre The Wreck, e até quem não gostava se pegava cantando o último single deles.
— Eu não vou me estender muito aqui, por favor, recebam os donos da festa, Harvey, Lucca, Noah e Zion… A The Wreck!
apoiou sua taça de vinho em uma mesa alta para poder aplaudir os meninos. Estavam todos de camisa social preta e estavam incríveis e visualmente, até faziam bem para os olhos.
Não era novidade para , que aos poucos, com a convivência, ela foi enxergando os meninos de outras formas. Noah definitivamente virou seu amigo. Quando estavam em um mesmo fuso horário, era comum eles passarem horas da noite trocando mensagens contando como foi o dia um do outro, ou até mesmo com birras bobas de amigos.
Ela também se aproximou de Harvey. Não como com Noah, a ponto de trocarem mensagens, mas eles se davam muito bem quando se encontravam. Faziam competições de bebida e assistiam filmes e séries na Netflix no quarto.
gostava de estar com Harvey, era um rapaz que tinha uma história legal, antes de ir ao programa, e que, se ela quisesse, sabia que poderia conversar com ele até sobre a bolsa de valores.
Zion era o integrante mais silencioso do grupo. Quando estava na presença dela e dos outros meninos, ele interagia, menos que os outros, mas nunca ficou sozinha com ele, nem por um momento. Não porque ela não queria, mas porque o descendente de coreanos simplesmente não dava essa abertura para ela.
E então tinha Lucca. Lucca era marrento, e ela gostava de vê-lo dando algumas tiradas nos meninos. Ela também gostava quando percebia que ele a estava olhando, mas fingia que não, só para que ele mantivesse o olhar sustentado nela por mais alguns instantes. E Lucca não era um homem de se jogar fora. Em um dos hotéis que os meninos se hospedaram, em uma tarde livre, ela estava passando um tempo na piscina com Noah, quando Lucca chegou vestindo apenas um calção de banho. Ela agradecia aos óculos de sol, se não fosse por eles, teria sido entregue que estava de olho nos gomos na barriga dele.
E, desde então, estava confusa. Sabia que Lucca olhava para ela, mas será que era com interesse? Com uma atração, como ela sentiu quando o viu na piscina, ou não? De qualquer forma, já fazia algum tempo que ela estava preocupada com isso, com o fato de agora que os conhecia, estar desenvolvendo o tal do crush por ele.
Quando os meninos desceram do palco, eles foram fechados por diversas pessoas que queriam falar com eles. Nenhuma imprensa foi aceita na festa, já que toda a divulgação havia sido feita anteriormente.
O tumulto em volta dos meninos então foi se dissipando e ela foi encontrá-los e parabenizá-los. Noah foi para cima da amiga praticamente pulando em seu colo — tinha quase certeza que ele estava bebendo desde antes da festa — enquanto Harvey passava e ela tentava abraçá-lo, já que o amigo não se separava.
Zion não deu atenção para , ele foi direto para o abraço de uma garota, e muito bonita. Ela tinha cabelos ondulados e volumosos, e um tom de pele moreno, o preferido de . Um que, nem se ela passasse o dia no sol, conseguiria para si. Eles não se beijaram, mas podia enxergar um carinho nos dois, talvez uma amizade muito antiga, pois sabia que o rapaz não era de se abrir.
Após aquilo, saiu puxada por um Noah extremamente alegre para conhecer algumas pessoas importantes para ele, mais conhecidos como sua família.
Como se era de esperar de qualquer rolê que ela dava com os meninos do The Wreck, a festa avançou noite adentro. Sempre regado de muita bebida, que ela jamais imaginava de onde saía, nem como algumas pessoas conseguiam dar conta daquela quantidade de álcool.
sentiu o corpo pedir para que liberasse um pouco de espaço, caso ela quisesse continuar bebendo e foi então em direção ao banheiro. Ela então percebeu que Lucca estava falando com sua câmera. Ou ele estava fazendo stories em seu instagram, ou estava ao vivo, conversando com os fãs direto da festa.
Cautelosamente, a ruiva decidiu passar atrás dele, mas o rapaz moveu o corpo no instante. Já com uma certa quantia de álcool no sangue, Lucca abriu um largo sorriso ao vê-la.
! — ele gritou e a garota deu de ombros.
Lucca foi mais rápido que ela e passou um braço pelo seu ombro, a abraçando.
de Nova Iorque! — ele virou a câmera para ela, que tentou levar a mão no rosto. Ela não conseguiu distinguir que tipo de vídeo era aquele, mas, definitivamente, não estava em seus planos aparecer em nenhuma das redes sociais dos meninos — é daqui de Nova Iorque, e ela é muito legal!
— Lucca, eu preciso ir no banheiro — ela tentou se desvencilhar do rapaz.
Antes de conseguir sair dos braços de Lucca, o rapaz deu um beijo em sua bochecha e a soltou, ainda falando com a câmera.
Afastada dele, continuava assistindo a cena e levou as mãos ao rosto, sem acreditar que tinha aparecido em uma live de Lucca. Seus pensamentos, que antes já estavam confusos em relação a ele, agora pareciam um carro em uma rotatória sem saída. Ela não conseguia decifrar o que estava acontecendo. Só parou de observar, quando seu corpo clamou para que continuasse o caminho ao banheiro. Naquele instante, Lucca já tinha parado a gravação.
Quando saiu do banheiro, assistiu o rapaz passar na altura de seus olhos e, involuntariamente, girou o corpo, acompanhando para onde ele estava indo e o viu dando um beijo quase que de cinema em uma loira, que tinha se pendurado no pescoço dele.
Nada, além de um sorriso, passou pelo corpo de ao ver aquela cena. Nenhuma decepção, nem tristeza. Naquele momento ela teve certeza que havia entendido os sinais errados, e que, mesmo Lucca tendo um corpo incrível e sendo extremamente fofo, ela agradeceu por aquilo não ser nada mais que uma boa amizade.

Chicago, IL.


Toda banda tem seu elo mais fraco. Aquele que, se for aplicado um pouco mais de pressão, a corda arrebenta para seu lado. Ninguém é, em 100% do tempo, completamente feliz, nem completamente triste, e o fato de ser integrante de uma boyband mundialmente conhecida, ter fama, dinheiro e dezenas de meninas se arrastando aos seus pés, por mais que as pessoas pensem que sejam um mar de rosas, em sua maioria das vezes, é estressante. Microfones, câmeras, gritos, entrevistas, shows, aeroportos. A vontade que dá é pegar o primeiro avião de volta para casa, largar o celular por uma semana, ficar recluso no quarto assistindo Netflix durante o tempo que está de olhos abertos. Voltar a ser uma pessoa totalmente inútil para o resto da sociedade.
A Ásia é um lugar incrível. Completamente exótico, com culturas diferentes e um universo completamente novo, mesmo que apenas há duas horas de avião. Países exigentes, malas revistadas a procura de um vestígio mínimo de droga, e uma pressão única.
Zion sempre foi o mais reservado dos quatro. O que menos falava em entrevistas, o que menos gostava de socializar com fãs — não por maldade, ele apenas não se sentia confortável com meninas gritando por ele — o que, apesar de saber que toda aquela fama e dinheiro mudaram completamente sua vida e de sua família, nunca se sentiu completamente bem em ter sua vida exposta.
Até que, depois de quase seis anos de banda, em meio a uma tour pelo continente asiático, com seu psicológico extremamente alterado e sem conseguir pensar direito, o rapaz com o timbre agudo convidou os meninos e equipe para uma reunião, em seu quarto em um hotel em Jakarta, na Indonésia, e anunciou que estava saindo da banda, pois não sentia-se mais o mesmo e não confiava mais em sua própria mente, por conta de toda aquela pressão.
— Eu sou eternamente grato por tudo o que aconteceu esses anos, pela companhia, amizade e conquistas que tivemos juntos, mas eu não confio mais em mim mesmo. Eu já não acredito que eu tenho estrutura psicológica para continuar tendo essa visibilidade toda que eu tenho — e por fim suspirou — Eu só quero ser um rapaz normal de vinte e poucos anos.
E, deixando todos completamente desestabilizados e surpresos com a notícia, Zion juntou suas coisas e foi para casa.
As pessoas poderiam não entender suas razões, mas ele não queria ser alguém que anima as pessoas todas as noites, quando sozinho em seu canto ele é incapaz de animar a si mesmo.

Miami, FL.


Apesar do Radio City Music Hall ser no coração de Nova Iorque, não foi muito difícil para encontrar o hotel que os meninos do The Wreck estavam hospedados. Caminhando até o metrô, após o segundo show que assistiu deles, ela passou por uma calçada lotada de adolescentes gritando pelos meninos. Tinha certeza que não tinha apenas virado o quarteirão da famosa casa de eventos, então casualmente olhou para cima, encontrando um prédio muito bonito, como das dezenas que existem na cidade. Definitivamente, era um hotel. Mas seria o hotel deles? Talvez não iria lhe fazer mal passar algum tempo ali e descobrir.
Mas não era a primeira vez que ia para porta de hotéis e sabia que tinha que ter algum diferencial para, ao menos, ganhar a simpatia dos seguranças, que normalmente odiavam esse tipo de aglomeração. então deu alguns passos para trás e se virou, escondendo-se embaixo da marquise de um prédio vizinho. Ela tirou o celular da bolsa e acessou a câmera frontal, a fazendo de espelho. Soltou o coque que tinha feito em seu cabelo para poder curtir o show e tentou disfarçar o volume. Em sua bolsa de ombros, pegou um batom e passou, e deu umas batidas em sua bochecha, para ativar a circulação do sangue e parecer ao menos saudável. Sua roupa estava apropriada, uma calça jeans, com sapatilhas e uma blusa qualquer. Se não fosse o ingresso em sua carteira, não se passava por fã do The Wreck. Era apenas mais uma transeunte pelas ruas da cidade que nunca dorme.
A ruiva então jogou seus itens dentro da bolsa e guardou seus óculos. Ela endireitou a postura e voltou a caminhar, dessa vez, direto para a porta de entrada principal. Ela até se passava por uma hóspede, e foi chegando cada vez mais perto. Quando uma pessoa de terno entrou em sua frente, bloqueando o caminho.
— Boa noite, senhorita — era um dos seguranças e ela sentiu um arrepio na espinha — Vai ao teatro?
Teatro? só queria chegar ao bar e, quem sabe, esbarrar com um dos meninos da banda. Ela então olhou por cima do ombro do segurança, onde em um mural fixado na parede, estava sendo anunciado um show de stand-up que já havia assistido pela internet, bem sem graça, por sinal. A apresentação começaria à meia noite, e já se passavam das 23h.
Era claro que iria ao teatro.
— Vou, sim. A entrada é por aqui?
— Sim, claro. — o homem de terno respondeu, abrindo um sorriso — Já tem ingresso?
— Comprei pela internet. — sorriu simpática para ele.
— Pode entrar então, é só passar o bar e descer a escada rolante. Seja bem vinda. não acreditava naquilo que tinha acabado de fazer. Quando o homem permitiu sua passagem, ela passou pela porta giratória de vidro e se viu de frente ao bar. Foi para a direita, saindo da visão de quem estava na parte de fora do hotel e sentou em uma das poltronas vazias que ali estavam.
Seu cérebro não estava raciocinando o que havia acontecido. Então era assim que as pessoas entravam em hotéis, enquanto os simples mortais ficavam na calçada no aguardo de um sinal, um aceno e meio segundo de atenção? Não era algo de seu feitio, mas talvez, só talvez, seria algo com que ela poderia se acostumar.
Se recompondo, a professora de ballet levantou e foi até o bar, onde pediu uma cerveja e ficou observando. Ela não via nem sombra dos meninos, só alguns hóspedes ali aproveitando o fim do domingo.
Sentada em um dos bancos do bar, o movimento era calmo, com exceção de um lugar no mezanino, que parecia ser uma área VIP, mas um segurança estava na porta. Sua curiosidade estava extremamente aguçada, mas se manteve racional e não saiu de lá. Não queria ser expulsa do hotel, por tentar entrar em um lugar onde claramente, ela não havia sido convidada. Seria mais fácil passar por tudo aquilo se ela tivesse uma amiga, alguém com quem dividir e compartilhar a ansiedade, porque era mais que óbvio que, se os meninos estavam naquele hotel, e havia um segurança numa área mais restrita, era ali que eles estavam.
Talvez em uma festinha particular pós show. Costumavam chamar de after party.
Ela então deu um último gole em sua bebida e apoiou no balcão, pedindo outra garrafa para o barman. Ela foi prontamente atendida, quando alguém chegou do seu lado.
— Os meninos estão pedindo mais um balde de vodka com energético, por favor. E… — o homem tinha a mão no queixo, como se procurasse em suas memórias — Gelo. E o Harvey quer uma garrafa de uísque.
Harvey.
O cérebro de ativou ao ouvir o nome de um dos integrantes da banda e ela virou para enxergar quem havia falado aquilo. O homem deveria ser uns dez ou quinze anos mais velho que ela, mas não conseguiu identificar. E tinha quase certeza que não era algum dos membros da banda que tocavam os instrumentos para eles.
— Hey! — o homem falou a ela. olhou para os lados e teve certeza que não tinha ninguém à sua volta. Ela então apontou o dedo para si mesma, em dúvida, e ele sorriu — Claro, existe outra ruiva com sorriso bonito por aqui?
abaixou a cabeça envergonhada e balançou.
— Certo… Você me deixou sem graça. — mas, mesmo envergonhada, ela não disfarçava o largo sorriso no rosto.
— Leve isso como um elogio — o homem disse enquanto assistia o barman preparando tudo o que ele pediu.
— Obrigada, então. — manteve o sorriso envergonhado — — se apresentou.
… — o homem repetiu o nome dela — Muito bonito, eu sou o Scott. O que você faz por aqui? Está hospedada no hotel?
Pega no flagra, talvez? Seria o momento de contar a verdade? Ou continuar mentindo?
— Não… Entrei só pra tomar um drink. Estava passando aqui na frente e decidi parar. Preciso de ânimo para a semana que está para começar.
— Eu sinto falta de fins de semana, sabia? — Scott começou a contar para — Meu trabalho é praticamente ser pajem de quatro novos adultos que estão descobrindo a fama. São shows, entrevistas, viagens… Parece que eu estou reclamando, não estou. Que pessoa reclama de estar sempre em uma cidade e hotel diferente? Mas eu só descanso quando eles resolvem descansar.
estava sentindo todos os órgãos do corpo gritarem por estar ouvindo falar sobre os meninos, mas por fora, estava sendo obrigada a manter sobriedade na situação para não parecer uma fã louca. Ela não era mais uma adolescente, mas música era algo que batia forte dentro dela, e conhecer aqueles que as cantavam, era o seu ápice de sucesso. Vencer na vida, era o termo da moda para aquilo.
— Entendo. Todo emprego tem seus altos e baixos. A gente só tem que aprender a abstrair os baixos, para aproveitar sempre os altos.
Então o barman colocou um balde na frente de Scott, cheio de garrafas de bebidas. Ele fez sinal para o homem, agradecendo, e levantou a alça do mesmo.
— Você está certa, . Não só no emprego, mas em tudo na vida. — ele disse e ela balançou a cabeça. Por dentro, estava entrando em desespero. Aquele homem iria pegar aquele balde, voltar para dentro daquela área VIP, e ela iria continuar com sua garrafa de cerveja, mas dessa vez para afogar as mágoas por ter chego tão perto e não ter conseguido nada — Você já está indo embora?
balançou a garrafa e percebeu que ainda tinha certa quantidade de líquido.
— Quando acabar… — comentou, até que uma súbita coragem veio até a ponta de sua língua — Por que? Tem planos? — e riu, como se aquele comentário fosse uma brincadeira.
— Na verdade… Sim, tenho planos — enrijeceu com aquilo. Só esperava que não fosse uma proposta indecente e pornográfica — Os meninos do The Wreck estão ali em cima celebrando o um show lotado no Radio City Music Hall, e você me parece ser uma garota bem legal e que não vai surtar se eu te levar para conhecer eles.
— Mas eu… — franziu os olhos — Como você sabe que eu sou fã deles?
— Sua pulseira de maior de idade que a gente distribuiu no show de hoje à noite — Scott apontou para o braço dela, que suspirou, levando a mão à testa, e apoiando o cotovelo no balcão.
A ruiva não conseguia acreditar que tinha dado uma bola fora daquelas. Quem entra no hotel da banda com um anúncio daqueles em seu braço? Podia tatuar que era fã na testa, talvez iria disfarçar mais que aquela pulseira.
— Pega no flagra — então confessou com o olhar derrotado.
— Iniciante nesse lance de hotel? — Scott perguntou.
— Mais ou menos. Eu costumo ficar na calçada esperando um sinal de fumaça. Hoje eu arrisquei e consegui entrar. Achei que meu disfarce havia sido completo com sucesso.
— Não… Mas valeu para eu te conhecer e achar que você merece isso. Então… Vamos? — Scott apontou para a área VIP.
Scott quem falou que ela mereceu. Se não fosse, seria uma idiota, e em sua casa, na cama, nunca iria se perdoar de ter perdido uma chance daquelas. deu um longo gole, acabando o líquido dentro da garrafa e se colocou de pé.
— Vamos.
Uma coisa estranha que costuma acontecer com , é que no momento que qualquer pessoa normal iria começar a tremer e desenvolver uma crise de ansiedade, é justamente quando ela mantém a calma. Ela, que tirou uma garrafa de bebida do balde para facilitar para Scott, e carregava na mão, caminhava logo atrás do homem que conheceu pouco tempo antes, e não se intimidou com o segurança na porta do local. Passou por ele, e entrou em um ambiente mais escuro.
Uma música mais alta tocava lá dentro, e, quando Scott colocou o balde em uma mesa, ouviu uma voz já conhecida por ela.
— Caramba, cara, achei que você tinha sumido e eu iria ter que ir buscar bebidas para gente.
Scott riu com o comentário que foi direcionado a ele e negou com a cabeça. No mesmo instante, colocou a garrafa que estava em sua mão, dentro do balde, para continuar gelada.
— Meninos, se comportem, achei uma moça perdida ali embaixo e adotei ela — Scott comentou — The Wreck, essa é a . … Bem, você sabe quem eles são.
— O show foi bom? — Noah perguntou e teve certeza que o olhou confusa — A pulseira.
Envergonhada, tirou a pulseira e amassou colocando dentro do seu bolso. Nunca mais iria beber cerveja em shows, nunca mais queria passar por aquele constrangimento novamente. Por dentro, se odiava, deveria ter tirado no momento que Scott comentou que a reconheceu por aquilo.
— Isso não vai mais acontecer — ela falou para Scott, que estava rindo dela — Sim, Noah, me diverti bastante. Prazer, .
— Como é bom conhecer uma cara nova do que desses três, senta aqui — Noah afastou no sofá que ele estava — Eu te garanto que eu sou o cara mais interessante que você vai conhecer nesse grupo, então você pode ignorar Harvey, Zion e Lucca. O que você quer beber?
— Que maldade, Noah — ela riu e aceitou o espaço — Hm, eu estava bebendo cerveja lá embaixo.
— Não… Esquece a cerveja — Noah pegou a garrafa de vodka e começou a despejar em um copo — Cerveja é boa, quando você já conhece algumas pessoas. Mas quando você chega em um grupo novo… Vem com algo mais forte. Dizem que o álcool é desinibidor.
— Dizem que eu também preciso dar aula amanhã, mas quem está contando? — ela riu, aceitando o copo das mãos do integrante mais carismático de sua banda preferida, e logo em seguida uma lata de energético.
— Você é professora? — concordou com a cabeça enquanto virava um pouco de energético em seu copo — Professora de quê?
— Dança… Sou bailarina — ela riu — Ensino ballet para crianças e adolescentes.
— Isso é muito legal — ela ficou surpresa com aquilo — É sério, eu estou surpreso. Normalmente quando as pessoas falam que são professoras, é em escola, aquele negócio chato. Mas não, você é dançarina. E isso deve ser uma professora legal… Eu acho. Mas me diz, você é de Nova Iorque mesmo?
de Nova Iorque, nascida e criada.
— Noah, nós sabemos que você tem um certo problema com mulheres, do tipo, elas fogem de você e por isso quando você encontra uma que te dá meio segundo de atenção, você quer só pra você, mas não vai apresentar sua amiga pra gente, não? — viu Lucca cortar o papo deles e riu.
— Não, Lucca… Arranja uma amiga para você — e então, Noah passou os braços pelos ombros de , a abraçando — Sai.
Ignorando os pedidos do colega de banda, Lucca sentou ao outro lado de , fazendo-a ficar entre os dois. Naquele momento, tinha certeza que, se fosse uns dez anos mais nova, já estaria chorando de emoção e pedindo fotos e autógrafos. Mas dizem que memórias valem mais do que qualquer coisa. Noah então bufou ao ver aquilo. Lucca conseguia ser extremamente irritante quando queria.
— Oi, , achei que você estava precisando ser salva.
— Olha, isso vai soar bem fangirl… Mas dá para se acostumar com metade da sua banda preferida disputando sua atenção, hein? — ela riu.
E, aos poucos, eles três foram conversando sobre tudo e todos os assuntos possíveis. Sobre a cidade de Nova Iorque, música, viagens, shows, empregos e até compras, durante aquela noite. Com o álcool já tomando conta do seu corpo, aceitou o pedido inusitado de Noah para ensiná-lo a dançar ballet. De repente, tanto Harvey quanto Zion já tinha se juntado a eles e tentavam dançar. Um desequilíbrio de cada um deles, e caía em gargalhadas.
esqueceu da hora e de quem eram aquelas pessoas e o que elas representavam a ela. Quatro meninos que algumas horas antes ela viu em um palco para mais de seis mil pessoas, e conhecê-los foi algo que nunca passou pela sua mente. Bebendo, conversando, se divertindo, ela descobriu que popstars em ascensão podiam ser mais do que estrelas que a mídia, de vez em quando, fazia a caveira. Eram pessoas normais, que apenas tiveram a sorte de terem seus sonhos realizados.
— Eu preciso ir embora — confessou durante a madrugada.
— Não, fica aí! — Harvey pediu e ela riu — Sério, você é a pessoa mais legal de toda Nova Iorque.
— Não é assim, nós, nova iorquinos, somos muito legais. Quantas pessoas você conheceu por aqui?
Harvey então levantou o dedo como se estivesse pensando e logo em seguida, abaixou o dedo e fechou a boca.
— Não importa, você é a mais legal. E se a gente nunca mais se encontrar?
— É, eu ainda quero que você me leve numa aula de dança sua — Noah comentou e ela pareceu achar estranho — Você viu que, entre nós quatro, eu sou o que mais tem capacidade para isso. Quer saber… — Noah colocou a mão no bolso e tirou o celular de lá de dentro — Me dá seu telefone. Eu vou te ligar.
— Você vai me ligar? — apontou para ele, desacreditada, e riu quando o rapaz de óculos concordou — Você, o Noah da The Wreck vai ligar pra mim? Pra de Nova Iorque que dá aula no Brooklyn? Você só pode estar de sacanagem com a minha cara.
— Oh, no, . Nunca duvide do Noah boy aqui. Se bobear, ele aparece na sua sala sem convite e quando você menos esperar — Zion opinou, colocando mais um pouco de bebida em seu copo.
Noah então estendeu o celular para a menina, que analisou por alguns segundos. Não acreditava que Noah iria ligar, e tinha certeza que aquela noite ficaria para sempre em sua memória, mas, já que ele estava insistindo… Pegou o celular já desbloqueado das mãos dele e digitou seu nome, fazendo uma selfie para salvar junto no contato.
— Estou pagando para ver — devolveu então o aparelho para ele — Sério, meninos, eu agradeço vocês pela recepção, eu agradeço ao Scott pelo convite de vir aqui, conhecer vocês, mas eu preciso ir.
Ela então abraçou cada um deles, Harvey, Lucca, Zion, e, quando chegou a Noah, o rapaz a apertou forte, como se não quisesse largá-la.
— Eu realmente gostei de te conhecer, e sei que minha vida é louca, mas eu não quero perder contato com você, , eu vou sim entrar em contato.
— Então tá, Noah — ela apertou o abraço — Se você diz, saiba que meu celular está sempre ligado para você. Se cuida.
— Você também — ela piscou para o rapaz.
E com sua bolsa nos ombros, saiu da área reservada no hotel, desceu as escadas e foi em direção à saída. Não havia mais nenhuma menina na porta àquela hora da madrugada, então, caminhando até a calçada, ela gritou para um táxi na cidade que nunca dorme e logo um encostou para ela.
Na manhã seguinte, estava atrasada para a aula, por conta da festa no dia anterior, mas foi de metrô mesmo assim. Quando estava lendo as reviews do show, seu celular anunciou uma nova mensagem, de um número que ela não conhecia. Então abriu.

“E pensar que você duvidou de mim. Já estamos a caminho de Boston, mas voltamos em um mês para entrevistas e divulgações. Festa de novo no bar? — Noah”

O queixo de caiu, desacreditada. Seria possível que ali estava nascendo uma amizade com Noah?

Nova Iorque, NY.


Um a um, os nomes iam sendo chamados no palco. Alívio para alguns, enquanto para outros, o desespero estava tomando conta. Era um show de calouros americano, e a fase masculina estava cada vez mais acirrada. Não ouvir seu nome ser chamado não significava o fim, mas era um adiamento infortúnio de um sonho naquele momento.
— E o último nome... — o staff da equipe da produção ia dizendo e os quinze meninos que tinham sobrado estavam de olhos fechados e com as mãos juntas, como se pedissem por um milagre — Peter.
Um moreno de olhos verdes e dreads nos cabelos caiu no chão com o anúncio e levantou as mãos para cima, agradecendo. O restante dos meninos deu um sorriso amarelado, pela frustração, mas parabenizaram ele, e, assim que foram dispensados, um a um deram as costas, a fim de passar no camarim, buscar suas coisas, e ir o mais longe possível para o estúdio.
Longe do lugar onde seus sonhos, que estavam tão próximos de se tornar realidade, mas simplesmente esvaíram e foram transformados em pó.
— Esperem! — o mesmo staff gritou aos garotos, que viraram seus corpos, em desânimo, enquanto o rapaz punha a mão na orelha, como se fosse ouvir melhor as mensagens que lhe estavam sendo transmitidas pelo ponto — Eu vou chamar mais quatro nomes, vocês, por favor, se reúnam do outro lado do palco. Por ordem alfabética… Harvey, Lucca, Noah e… Zion.
Os quatro rapazes se olharam sem entender, mas foram até o canto indicado pelo homem. Fazendo um sinal para eles, os outros que não tiveram seus nomes chamados foram dispensados, enquanto os primeiros foram levados de lá.
Quatro desconhecidos se observavam sem trocar uma palavra até ficarem sozinhos no palco. Alguns chutavam papeizinhos picados no chão, outros olhavam pelas cortinas a fim de tentar identificar alguém, mas estavam simplesmente quatro estranhos juntos e em cima do palco em um estúdio de televisão em Burbank, Califórnia.
— Já não bastava eles eliminarem a gente do programa, agora vão querer gravar conosco falando sobre a experiência de participar e ter o sonho jogado fora — o rapaz de lábios carnudos comentou.
— Não é difícil — um segundo, de cabelos bem escuros e sobrancelha marcada, concordou — Nós assinamos um contrato, o que eles quiserem a gente tem que fazer. — o primeiro rapaz franziu o cenho e balançou a cabeça concordando — Zion.
— Lucca, prazer — apertou com força a mão do companheiro — E vocês, quem são?
— Noah! — o terceiro rapaz, de sorriso espontâneo, respondeu, enquanto ajeitava seus óculos no rosto.
Os três olharam para o último, que não tinha se pronunciado até então, e que olhava pelas cortinas, quando ele então prestou atenção. Ele era o mais alto dos quatro, com uma pele escura.
— Ei, você, cara — Zion chamou o companheiro, que então virou assustado, olhando para eles — Você é o Harvey, certo?
— Isso… Harvey — falou, assustado — Me desculpem, estou fora de mim depois dessa eliminação. — e então deu uma última espiada — Alguém vem vindo… Com câmeras.
Os meninos então se alinharam no palco e, com as mãos nas costas, viram um dos jurados do programa chegar neles. Era Sam, que, além de jurado, era idealizador daquilo tudo. Como se conhecessem, eles então trocaram olhares. Aquilo não era normal. Simplesmente não tinha mais motivos para Sam querer falar com eles. Foram eliminados e estão agora à própria sorte. A câmera foi colocada no ombro do profissional que a operava, e uma luz vermelha indicava que estava gravando.
— Noah, Zion, Harvey e Lucca… Como estão? — e então deu uma risada, como se soubesse que a pergunta que fez era retórica — Que ingênuo da minha parte, ninguém gosta de não ouvir seu nome e saber que está eliminado de um programa onde seu sonho pode se realizar — eles assentiram com a cabeça, dando sorrisos frouxos — Mas chega de jogar papo fora, venho com uma boa notícia para os quatro. Bom… Eu vejo potencial nesse quarteto e, principalmente, vejo nos quatro, uma boyband que pode nascer — os olhos dos quatro rapazes arregalaram — Eu quero trazê-los de volta ao programa como uma boyband, para continuarem a disputa e virarem famosos. O que acham?
Não houve resposta, o silêncio estava instaurado no palco. Ninguém realmente acreditava na proposta que estavam ouvindo. Tinham sido eliminados, mas poderiam voltar em um grupo? Uma boyband? Mas eles precisavam dançar? Fazer coreografias e virarem os novos Backstreet Boys? Ou o novo One Direction? Foi exatamente assim que eles se formaram, não foi?
— Então… O que acham de virarem uma boyband, voltarem ao programa e continuarem tentando virar as novas estrelas dos Estados Unidos?
Noah, em uma ponta, olhou até a outra, onde estava Lucca, e aos poucos eles iam se entendendo com o olhar brilhando. Não era sempre que se tinha segundas chances, era óbvio que eles iriam aceitar.
— Claro! — Harvey foi o primeiro a falar — Só se alguém for louco de negar algo do tipo. Sam… Você está dando a oportunidade de o nosso sonho continuar.
— Nós nunca vamos conseguir agradecer o suficiente — Lucca finalizou.
Os quatro rapazes já estavam abraçados um nos outros, com os braços passados pelos ombros, unidos. Eram muitas dúvidas. Será que eles conseguiriam cantar juntos? Será que eles iriam se entender a ponto de conviver como uma banda? Mas seria estupidez não aceitar.
— Bem vindos ao meu time — Sam finalizou satisfeito.
A câmera foi desligada e eles continuavam abismados com aquilo. Porém, antes de comemorar, tinham alguns itens que eles precisavam decidir.
— Isso que nós acabamos de gravar vai ao ar no episódio da semana que vem — o jurado falou para os garotos, que balançavam a cabeça — A produção vai colocar vocês em uma casa em Hollywood Hills, vocês vão ter cinco dias para se conhecerem e decidirem o nome da banda. Eu vou vê-los semana que vem, onde nós vamos anunciá-los, e, a partir de então, vamos começar a ensaiar para as últimas fases do programa.
Em uma semana, Harvey, Noah, Lucca e Zion passaram de quatro desconhecidos eliminados de um programa de calouros para The Wreck, a boyband reunida por Sam. Na semana seguinte, se apresentaram juntos pela primeira vez com uma versão acústica de Times Like These. Quando acabou a exibição na televisão, os Estados Unidos já estavam tomados com a febre The Wreck. Meninas já gritavam os nomes deles fora do estúdio e na internet, uma legião de fãs já estavam fazendo campanha para que fossem os ganhadores.
Um novo fenômeno (mundial) havia nascido.

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Se tinha uma cidade pela qual era unânime o amor que a banda The Wreck sentia, era Nova Iorque. Com fãs do mundo inteiro, a cidade iluminada a todo momento do dia e todos os outdoors com anúncios, eles chegaram à cidade como reis para o show de despedida.
Ingressos esgotados em questões de minutos que podiam ser contados em apenas uma mão. Filas quilométricas em volta do Madison Square Garden de adolescentes acampando para conseguir o melhor espaço no local. Seguranças bloqueando ruas para segurança das pessoas. Nem Michael Jackson tinha causado aquilo na Big Apple.
Todos os grandes canais de televisão com foco em música queriam entrevistas com eles, alguns queriam documentário, rádio requisitando a presença deles… Não só Manhattan, mas todas as regiões da cidade simplesmente pararam com a presença do fenômeno mundial.
Após uma bateria de entrevistas, onde as perguntas eram sempre as mesmas, faltava pouco tempo para o início do último show da existência da The Wreck. O backstage estava lotado de pessoas: fãs faziam meet and greet e choravam na presença de seus ídolos, famílias dos quatro meninos voaram de todas as partes dos Estados Unidos para aquele show lendário, produtores e responsáveis para que tudo saísse perfeito passavam correndo com seus rádios e celulares.
E, dentro de um camarim, com comida à vontade e todas as exigências que uma banda costuma fazer, estavam quatro meninos, seus amigos e pessoas mais próximas, que confraternizavam o fim de uma incrível história de sucesso.
— E o futuro?
A boca de foi mais rápida que seus pensamentos e, quando percebeu, já havia feito uma pergunta que estava rondando sua mente desde quando o fim foi anunciado.
Ela respirou fundo e coçou a testa, depois de perceber o que havia falado.
— A Deus pertence — Noah respondeu, cortando o clima fúnebre que aquela celebração havia tornado. Não houve um que não riu do comentário dele. Ninguém melhor que ele para levantar o humor quando as pessoas estão tristes.
— Eu falo sério — ela disse com um pouco de lágrima nos olhos — Eu não estou confortável em saber que não vou vê-los mais juntos como uma banda que me diverte há anos. Eu realmente quero saber o que vou ter que fazer para vê-los.
— Carreira solo — Harvey comentou, sentando-se ao lado dela — Aquele show que você assistiu aqui é só o aperitivo, ruivinha. Eu vou seguir carreira nisso, e, independente do nome que se dá para nós dois, eu vou querer você por lá me apoiando.
— Com seus hip hops e músicas dançantes que me fazem morrer de vontade de levantar da cadeira e sair dançando? — Harvey murmurou um “uhum”, e ela abriu um sorriso singelo — Pode contar sempre comigo para isso, Harv — e eles deram um high five — Lucca? Quais seus planos?
— Eu também quero colocar as pessoas para dançar. Já andei conversando com uns produtores, arriscando uns pops dançantes, misturados com música eletrônica… Alguns DJs famosos toparam algumas parcerias… Nenhuma novidade certa ainda, mas está tudo encaminhando para isso. Música. E, assim como Harvey quer, show em Nova Iorque nunca vai ser o mesmo sem você. Espero minha fã número um.
— Você sabe que tem meu apoio, Lucca. Vou estar para sempre acompanhando vocês — e então virou para o amigo — Já decidiu o que vai ser da sua vida após essa noite?
Por serem amigos, Noah e haviam passado tempo conversando sobre o que ele iria fazer após o fim da banda. As propostas eram tentadoras, todo mundo queria um pedaço do integrante mais carismático da The Wreck.
— Cantor? Estrela de cinema? Ator de musical? — ele suspirou e fechou os olhos — São muitas opções, mas eu acho que vou tentar conciliar o cinema com a música — deu de ombros — Já me falaram que eu sou a cara do moço que faz o The Flash, e ele já fez série, então… Se eu sou o gêmeo perdido, vai que dá certo para mim, não é?
— Não é? — eles gargalharam — Todo mundo aqui já sabe que vai receber um convite pras estréias de filmes do Noah. Guardem na agenda as datas, pois é lá que vamos nos encontrar.
— Pelo menos normalmente é em Los Angeles e eu não vou precisar viajar pra isso — Zion então tomou a palavra e todos olharam para ele — Eu vou voltar para casa. Vou estudar, vou tentar passar em uma faculdade, tentar ser um garoto normal de vinte e alguns anos. Como eu falei pros meninos na Ásia — e então percebeu os outros três balançando a cabeça — Eu sou eternamente grato por tudo o que me aconteceu. A fama, o dinheiro, as oportunidades, mas eu gosto do meu canto, da minha privacidade e da minha sanidade… E é isso que eu vou tentar preservar. Torço muito pelo sucesso de todos, e eu vou procurar o meu também, só não vai ser em frente aos holofotes.
— Ei, Z, eu fiquei muito triste quando você saiu. Ler aquele statement no site e não conseguir contato com você, para entender o que estava acontecendo, como meus meninos de repente viraram três, estava enlouquecendo minha mente, mas se eu estava ficando louca, posso imaginar como você também estava e eu te apoio, naquilo que você quiser fazer na sua vida. Música, cinema, estudos… Somos todos muito novos, e graças a Deus ainda temos o poder de escolher aquilo que queremos pra nossa vida. Vai perseguir os seus sonhos, que eu vou ficar aqui quietinha, torcendo por eles, tá bem?
E com o olhar cheio de lágrimas, passou o braço para tentar limpar quando todo mundo ficou em silêncio. Não era um momento feliz, mas também não era algo para chorar, pois foi decisão de todos.
Alguém bateu na porta do camarim e abriu a porta, colocando apenas a cabeça para dentro, revelando ser um homem de headphone embutido com um microfone, da produção.
— Cinco minutos, meninos.
Aquelas três palavras atingiram o coração de em cheio. Naquele momento, ela não era a amiga deles. Era a fã que estava com olhos grudados na TV quando Sam decidiu que excepcionalmente aqueles quatro meninos poderiam ser maiores e melhores juntos. Ela se levantou e passou o cordão de acesso ao camarim para dentro de sua blusa.
— Hoje eu assisto o show como fã, pra sentir todas as emoções que só alguém como eu e a multidão que espera vocês ali fora sente. Mesmo tendo passado por LA, Denver, Chicago e Miami, tenho certeza que hoje, Nova Iorque, Madison Square Garden lotado, vai ser o melhor da minha vida. Boa sorte, e nunca esqueçam que eu amo vocês.
E antes que as lágrimas tomassem conta de seu rosto, ou que alguém tentasse abraçá-la, saiu pela mesma porta que a pessoa da produção apareceu instantes antes.

Já com as luzes da arena apagadas, encontrou seu lugar em uma das cadeiras espalhadas na multidão e esperou pelo momento mais aguardado da noite.
Como todos os outros cinco shows que ela assistiu, Baby, Come With Me abriu a noite, levando a cidade de Nova Iorque à loucura. Para aquela adulta emocionada no primeiro lote de cadeiras, era como voltar no tempo para o primeiro show que ela assistiu deles, no pequeno Carnegie Hall.
Uma a uma, as músicas iam passando, e sentia todas tocarem no fundo de seu peito. Carnegie Hall, Radio City, ir ao hotel e de repente se ver conversando e bebendo com aqueles quatro que estavam em cima do palco. Convites para eventos, lançamentos de CD, viagens, toda a loucura que apenas uma amizade de verdade proporciona, no caso, amizade com astros da banda onde não existia uma adolescente em todo mundo que não soubesse o nome deles.
Por ser o último show, ele foi mais especial que todos os outros. Os meninos apresentaram seus trabalhos solo. Harvey soltou a voz com diversos dançarinos atrás de si, com a dançante Set Me Free, e depois Lucca revelou pela primeira vez aos fãs um dos seus trabalhos que em breve seria lançado.
não podia estar mais orgulhosa daqueles rapazes.
E então, como se pedisse licença, talvez pelo tempo que tivesse ficado afastado do grupo, Zion fez cover de History, do One Direction, banda que teve o mesmo caminho que eles.
Como se explicasse aos fãs a sua relação com eles, mesmo com seus problemas pessoais. Os fãs entendiam, e eles também respeitavam a decisão de Zion. E, diferente dos outros meninos, aquela música era uma despedida, de alguém que talvez eles nunca mais veriam em cima do palco, mas queria deixar uma mensagem especial.
Rolou muita conversa dos meninos com os fãs. Enquanto um falava, os outros choravam. Era o fim de uma era, porém não de uma amizade, que iria durar para sempre.
E excepcionalmente nesse show, após quase três horas de duração que pareciam ter passado apenas meia hora, os acordes da última música começaram.
— The time has come to say goodbye, the sun is setting in the sky, the truth turned out to be a lie, it’s over, over… Hum yourself a lullaby, this is the end, but, baby, don’t you cry.
Noah começou a música que nunca achou que iria ouvir em uma situação como aquelas. The Last Song era, de longe, sua música preferida que os meninos haviam lançado. Adorava a melodia, a batida, a música, mas não esperava ouví-la em um tom de despedida.
Ela tinha certeza que, naquele palco, Noah tinha cantado a última frase para ela. Mas foi impossível, as lágrimas já estavam correndo pelo rosto sem pedir licença, praticamente embaçando sua visão por completo.
— So take away the melody, and all that’s left are memories, of lovers, friends and enemies, they’re all fading… You may not remember me, I haven’t got the strength to carry on… — Lucca cantou mais uma parte da música, e tanto as batidas da música como a velocidade aumentaram, antes que todos os quatro pudessem cantar juntos.
surtou, ou como algumas fãs diriam, saiu do corpo. Como tinha falado para eles algum tempo antes, era o show de sua vida, e ninguém, nem nenhuma banda, seria capaz de tirar esse cargo que só aquela noite incrível tinha recebido.
— If this is the last song I ever sing… Then I’m giving it everything, I’m giving it all. If this is the last song I ever play, then I guess it’s time to take my curtain call, I’m dying to thank you all, I’m dying to thank you all, dying to thank you all, I thank you all!
— So here’s to all the lonely hearts, cause mine’s been ripped and torn apart, colder now it’s getting dark, I’ll be okay…
— Zion cantou mais um trecho, antes que Harvey viesse tomando seu lugar na frente do palco.
— Bury me with my guitar and on the way to hell I’ll play!
E mais uma vez o refrão começou, fazendo com que os quatro meninos cantassem, até que, juntos, Lucca e Harvey tomassem a frente do palco.
— One more song before I’ve got to go! — e apontavam o microfone para que o público prosseguisse com a música, cantando “I’m singing”, e voltavam a cantar — From the very bottom of my soul — o público respondia com “and meaning” — Every single word and every note, I’m pleading, let me hear you sing it all once more with feeling!
Então foi a vez de Noah e Zion cantarem juntos o mesmo trecho, antes que, por mais duas vezes, cantassem o refrão e a música chegasse ao fim.
Os acordes de guitarra da música foram estendidos enquanto canhões de papel picado e fogos anunciavam o fim do show. Indo de um canto ao outro no palco, os meninos abanavam as mãos para os fãs que aplaudiam aos prantos e agradeciam direto no próprio microfone.
Depois de um tempo, os quatro se juntaram no centro do palco e se curvaram diante da multidão que preenchia cada pequeno espaço na maior arena do mundo. No telão ao fundo, as palavras THANK YOU ALL brilhavam, e os meninos então juntaram-se em um abraço.
Eles então deram dois passos para trás, enquanto as pessoas ainda choravam, se abraçavam, e o coração de doía de tanto orgulho, misturado com tristeza, de ver o último show da sua banda preferida. Uma cortina desceu e as luzes da arena se apagaram no mesmo instante que os acordes se encerraram.
Era o fim de uma era.
A banda The Wreck havia chego ao fim.


Fim.



Nota da autora: The Last Song é, definitivamente, minha música preferida do McFly, então quando eu vi esse ficstape aberto no grupo, irracionalmente corri para pegar, e quando menos esperava, esse plot estava inteiro na minha cabeça. Eu sofri com a The Wreck. Vibrei com o nascimento e conquistas, e sofri com o fim de uma banda fictícia. Escrever o show em Nova Iorque deles foi algo extremamente difícil para mim, como se eu tivesse vendo a minha banda preferida se despedindo dos palcos, e enfim, sofri. Espero que vocês gostem das aventuras da personagem principal com os meninos, assim como eu me diverti bastante escrevendo. Esse não é o único ficstape que eu estou participando, então se vocês quiserem ler minhas outras histórias nesse projeto incrível, e também as avulsas, além das histórias que eu aprovo e indico, é só vir nos links abaixo pra gente conversar bastante, combinado? Um grande beijo, Liih. (Nota escrita em 07 de Maio de 2018)





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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