Finalizada em: 02/08/2017

Capítulo Único


- Você é totalmente patético. – provocou enquanto revirava os olhos e só então os outros dois amigos, sentados com eles a mesa, notaram que havia algo errado. Não que eles soubessem o que exatamente. Só perceberam que havia.
estreitou os olhos, olhando de um para o outro e deu uma risadinha nervosa.
- O quê? – perguntou a , que ergueu uma sobrancelha como se perguntasse se era mesmo sério. Se realmente pretendia fingir que não tinha nada acontecendo como se não fosse um péssimo mentiroso.
- Até quando você vai ficar vindo aqui só para admirá-la de longe? – quis saber de uma vez, sendo o mais direto que poderia ser, e riu novamente enquanto via o amigo se inclinar sobre a mesa, apoiando-se nos cotovelos como se estivesse realmente curioso para saber a resposta.
Pura encenação, ele só queria ser inconveniente. E nem era como se precisasse de muito esforço.
- Do que você está falando? Ficou doido? – respondeu, fingindo não saber de nada mesmo que qualquer um, o conhecendo ou não, pudesse saber que era uma reação totalmente falsa. E aqueles eram seus melhores amigos, afinal. O assunto rapidamente chamou a atenção dos outros dois que ainda desconheciam aquela história.
- Uma garota? – perguntou, repentinamente interessado. – Quem? – quis saber, virando a cabeça em 280 graus como se tivesse saído diretamente de um filme ruim de terror.
nunca pensou que agradeceria ao fato da garota ter decidido não aparecer aquele dia, mas então agradeceu, profundamente.
- Não tem nenhuma garota, vocês estão sendo ridículos. – falou, tentando não olhar novamente para os lados como havia feito milhões de vezes na última hora que haviam passado lá. O motivo ainda seria para conferir se ela havia aparecido, mas agora ele temia que o fizesse. Era a cara deles fazer algo humilhante para envergonhá-lo, e nem era como se precisasse.
ficava nervoso só de pensar em vê-la e por isso não havia se aproximado ainda. Era realmente patético, ele concordava com , mas duvidava que uma garota tão linda fosse descomprometida e se não fosse e ele a chamasse para sair, corria o risco de estragar até mesmo aquilo. De não poder mais observá-la de longe sem que fosse preso. Ela provavelmente o acusaria por estar lhe perseguindo.
E ele, de certa forma, estava. Não que se orgulhasse disso.
Ela o deixava perturbado e ele nem sabia se era possível se apaixonar por alguém com quem nunca tinha trocado uma palavra, mas provavelmente estava porque conhecia mais dela do que deveria conhecer. Sabia quem eram suas melhores amigas e admirava o carinho que tinha com elas. Sabia que ela gostava de super-heróis, mas que preferia o Capitão América ao Homem de Ferro. Sabia que sua série preferida de todos os tempos era Grey’s Anatomy, que ela detestava a Amélia e até foi assistir a série para ver do que se tratava. também sabia que ela frequentava o café todos os dias, antes de ir para a casa após sair da faculdade. Sabia o curso que ela fazia, o que pedia todos os dias. A observava há tempo demais e gostava mais dela a cada nova descoberta.
- Você vem aqui todos os dias atrás dela e nós que somos ridículos? – devolveu e se remexeu na cadeira, curioso, ao se voltar para .
- Você vem aqui todos os dias atrás dela? – perguntou, repetindo a atitude de ao olhar ao redor para procurá-la. Estavam perdendo tempo. Se ela estivesse ali, já teria encontrado.
- Eu não venho atrás de ninguém. está falando besteira. – rebateu, inabalável e murmurou um “uhum” totalmente irônico.
- Ah, e você vem pelo que então? Pelo café? – perguntou, sorrindo de forma cínica para o amigo.
- Isso é um café. Está sentido esse cheiro? Então, café. – respondeu no mesmo tom, mesmo ciente de onde o outro estava tentando chegar. Era bem óbvio, na verdade. - É o que tem no seu copo também.
manteve o sorriso, como se estivesse se divertindo com aquela tentativa totalmente frustrada do outro em dar uma desculpa plausível. Não estava funcionando.
- Exato, no meu copo porque você odeia café.
- Eles vendem donuts. Ótimos donuts. – respondeu, enfiando um inteiro na boca para provar seu lado da história. Terminou com a boca cheia a ponto de não conseguir ao menos mastigar, engasgando-se por isso. Precisou cuspir o doce parcialmente mastigado para não morrer sufocado enquanto os amigos riam da atitude.
- Por favor, me diz que a garota está aqui para ver isso. – falou enquanto fazia uma careta e revirava mais uma vez os olhos. Ele fazia muito isso, alias.
- Não, ela não está. – respondeu por , ainda incapacitado para fazê-lo.
- Droga. – fingiu uma decepção muito maior do que a que sentia e o encarou de forma irônica enquanto limpava a boca com um guardanapo.
- Eu já disse que não tem ninguém. – insistiu. Não fazia mais sentido insistir na verdade, ninguém acreditava, mas insistiu ainda assim.
- Então como eu sei até mesmo como ela é? – voltou a perguntar e olhou feio para ele por insistir no assunto.
- Por que você deduziu a merda toda. – retrucou mal humorado. – E eu não tenho ideia de quem você está falando.
- Não, sei. – ironizou, não vendo necessidade de dizer mais que aquilo quando a verdade estava tão óbvia.
- Por que você não fala com ela de uma vez? – perguntou, ignorando todas as tentativas frustradas de em negar o que estava acontecendo. – Ela provavelmente vai reparar que você vem aqui todos os dias atrás dela em algum momento.
- Não existe ninguém. – repetiu, mas os amigos responderam em uníssono:
- Existe sim.
- Está na sua cara, não tem como negar. – falou e meneou positivamente com a cabeça em concordância, roubando um donut de em seguida. Um inteiro.
- Você não está disfarçando muito bem e se olha pra ela com essa mesma cara de bobo, ela provavelmente sabe. –afirmou e apontou em sua direção como se ele tivesse um ponto.
- Ela com certeza sabe.
- Não sabe não! – protestou, fazendo uma careta ao se dar conta do que havia feito. E, claro, os amigos não deixaram passar, gargalhando pela confissão.
- Qual o nome dela? – perguntou rapidamente, como se a vida amorosa insistente de fosse a melhor notícia do dia. – Já sabe o nome, né?
- Eu não...
- É . – respondeu por ele, recebendo um olhar irritadiço do amigo que deu de ombros. – É tão obvio que até eu sei.
- Como isso aconteceu? – perguntou também, mas olhava diretamente para , já que era o único que parecia realmente inclinado a falar.
- Não tem nada...
- Ele se encantou por ela na livraria da rua vinte e ouviu a garota no telefone com uma amiga, falando desse lugar. – interrompeu novamente. Mais uma tentativa de negar a existência da garota. - Vem aqui todos os dias desde então.
- Está perseguindo ela? – perguntou entre risos, falando de como se ele não estivesse lá.
- É de mim que vocês estão falando! – lembrou, aumentando o tom de voz para se fazer ouvir e deu de ombros como se aquilo fosse totalmente irrelevante.
- Quando você começar a falar coisas úteis, a gente volta a te ouvir. – apontou a rosquinha em sua direção e a tomou de volta para si. Era sua desde o início de qualquer forma e ele a mordeu enquanto o olhava de forma repreendedora.
- Era meu desde o início. – falou de boca cheia, como uma criança mimada. – E quem criou esse boato de que mulheres são fofoqueiras com certeza não conhecia os três.
- Estou tentando fazer você enxergar que está sendo patético. – respondeu apenas. – Cara, fala de uma vez com ela. O “não” você já tem, se vier um “sim”, você vai estar na vantagem.
- E se for “não”, de qualquer forma não muda nada. – concordou. – Você já não tem nada.
- Mas eu ficaria bem satisfeito com um “talvez”... – respondeu de forma quase pensativa, dando mais uma mordida no seu donut enquanto respirava fundo, soando cansado do assunto. Ou, quem sabe, de olhar a garota só de longe. Aquilo era realmente um saco.
- Isso quer dizer que vai falar com ela? – perguntou, animado, e só faltou bater palminhas de felicidade, o que resultou em um olhar estranho de em sua direção. – O quê? Eu apoio.
revirou os olhos, se voltando mais uma vez para .
- Se você não falar, a gente fala. E ai você vai parecer ainda mais patético. – respondeu, piscando em sua direção.
- Eu falo, mas amanhã. – falou, levantando-se da cadeira sob o olhar atendo dos amigos a sua clara fuga. - Ela não vai mais aparecer hoje! – se defendeu e os outros riram por isso. – O quê?!
- A gente te conhece há anos, cara. – respondeu. - Não faz isso consigo mesmo.
- O que eu estou fazendo? – perguntando realmente confuso embora, no fundo, soubesse exatamente o que eles estavam vendo de errado. Ele estava fugindo. Seus amigos sabiam dela agora e sabia quem ela era. Parecia muito melhor não arriscar. – Não sei do que estão falando agora. De verdade. – mentiu.
- Uhum. – foi a vez de ironizar. – Você está enganando a si mesmo e tentando mentir pra gente, o que é bem humilhante.
- Não estou mentindo. Se ela ainda não veio, não vai vir mais. – respondeu. E de fato sabia que era verdade, pelo menos essa parte realmente era verdade. Aquele era o único momento do dia que ela tinha uma pausa para o café.
- Você só está fugindo pra não ter que falar com ela. – insistiu.
- Não é verdade.
- É sim. – os três responderam em uníssono mais uma vez e bufou, jogando os braços para o alto desacreditado. Até quando teria que aguentar aquele assunto agora?
- Podemos passar o dia aqui se quiserem, mas eu conheço a rotina dela e ela não vem.
- Quem duvida levanta a mão. – falou, levantando sua própria mão, e os outros dois o fizeram também.
- Depois eu que sou estúpido e imaturo. – resmungou e concordou imediatamente.
- Você é, mas a gente anda com você. – devolveu. - Não dá pra não se deixar afetar, infelizmente.
- Uhum, a imaturidade de vocês é totalmente minha culpa. – respondeu, dando as costas para seguir até o caixa.
- Vai mesmo desistir? – perguntou meio segundo depois, apoiando-se em seus ombros enquanto o acompanhava.
- Não estou desistindo.
- Está sim. – respondeu, surgindo do outro lado ao que estava em um complô totalmente desnecessário.
- Deveria ter contato a eles antes. Fazem esse serviço muito melhor do que eu. – falou, satisfeito e humorado enquanto os seguia e bufou.
- Vocês são insuportáveis. – resmungou, pagando seu pedido para a atendente antes de afastar os braços de de si. O garoto pagou o café, mas voltou a se apoiar nos ombros de em seguida, que bufou pela atitude mas, no entanto, não fez mais nada para se desvencilhar do amigo.
- Só estamos tentando ajudar, zinho. – provocou, mas ele preferiu fingir que não havia escutado aquela última parte.
- Ajudem menos, por favor. – resmungou apenas e o imitou com a voz afetada:
- Ajudem menos, por favor. Ajudem menos.
revirou os olhos, mas acabou rindo quanto o imitou novamente, por pouco não caindo quando o puxou sem aviso para saírem.
- ! – repreendeu o amigo que apenas riu, ignorando seu protesto enquanto o soltava para abrir a porta do carro. entrou primeiro e o fez depois enquanto os outros entravam na frente. Somente quando deu partida no carro, a viu, chegava acompanhada de outras duas amigas, todas rindo de uma piada qualquer.
Sem conseguir evitar, sorriu com a cena, o olhar focado em , mas desviou sua atenção antes que os amigos notassem o quão bobo ficava simplesmente em vê-la.

+++


não queria, de verdade, passar no café. Bom, sim, ele queria. Essa era a questão, ele queria ir, mas ciente de que estava na hora de parar com aquela obsessão, decidiu que não poderia ir e não iria.
Mas como uma ironia do destino, acabou em frente ao local. Não sabia se era realmente o destino ou se sua mente, seu subconsciente, o tinha guiado por aquele caminho. De repente estava no último lugar onde deveria estar, onde havia decidido que não estaria, e em um ápice de conspiração cósmica, antes que pudesse correr para longe dali, a viu entrar. Sozinha dessa vez.
colocou as mãos dos bolsos e olhou para os lados, sentindo-se culpado pelo que estava prestes a fazer. Ficava repetindo para si mesmo que deveria ir embora, mas seus pés o levaram direto para dentro.
Sabia que quando estava sozinha, ela fazia um pedido para viagem e saia rapidamente, mas ele não se incomodava. Vê-la era o suficiente e estava odiando a si mesmo por isso. Não só pelo que estava fazendo, a observando de longe, mas pelo fato de se contentar com tão pouco. Não deveria se contentar.
Poderia esbarrar nela “acidentalmente”, pensou. Entrava distraído com o celular e esbarrava nela o suficiente para iniciar o assunto. Não que ele soubesse qual. A menos que derrubasse a bebida dela, se quer tinha motivo para conversarem ao esbarrarem um no outro e se derrubasse a bebida, corria risco de sujar sua roupa e duvidava que ela fosse achar isso legal, mesmo que ele lhe pagasse outra.
Céus, ele era muito ruim nisso. Não tinha ideia de como começar assunto com uma garota no dia a dia. E deveria ser fácil com ela. Sabia tudo que ela gostava, não era possível.
Tomando isso como gatilho, se decidiu. Falaria com ela. Precisava falar, não podia continuar daquela forma. Ela podia não aceitar sair com ele, mas podiam ser amigos. Se ela recusasse, falaria que a ouviu um dia desses e que achou legal conhecer alguém que gostasse de Grey’s, mesmo que ele não conhecesse a série antes dela falar.
Ele se aproximou, sentindo-se ainda mais nervoso do que antes. Ergueu um dos braços para tocar seu ombro, chamar sua atenção, mas vacilou no último instante, disfarçando e fingindo estar apenas na fila.
Covarde, era isso que ele era. Um babaca covarde. E também um stalker obsessivo. Um maníaco, talvez. Não, um maníaco com certeza e a prova disso foi a vontade de saber o que ela estava ouvindo quando notou os fones em seu ouvido.
- “I said maybe...” - ela cantarolou baixinho, e ele sorriu sem se conter, identificando a música imediatamente. Wonderwall. Esperou pelo resto, mas ela apenas seguiu a melodia, rindo sozinha ao errar a letra. - “You're my wonderwall...” - continuou enquanto esperava.
Céus, ele estava louco por ela. Nunca se perdoaria se deixasse aquela chance passar e abriu a boca para chamá-la novamente.
- ! – ouviu chamá-lo e, distraído, pulou de susto. Na realidade, distraído era a última coisa que ele estava, concentrado demais na garota a sua frente para prestar atenção em qualquer outra coisa ao seu redor. – Sabia que te encontraria aqui. – falou, e bufou. Não só frustrado pela interrupção como também pela sua fala. Pelo amigo saber que ele estava lá e o motivo, embora um breve pânico tenha se instalado em seu peito ao se dar conta de que estavam bem atrás dela.
não passaria por aquilo sem uma piadinha com a garota, que estava bem a sua frente. E se contasse que era ela para pedir que o amigo ficasse quieto, a chamaria e seriam obrigados a conversar. Sabia que seria muito mais fácil se realmente o fizesse, no entanto, não tinha qualquer chance da conversa não terminar totalmente humilhante para ele, o que o fez concluir que era uma péssima ideia.
- Claro que sabia, mas eu já estava de saída. – falou rápido, passando um dos braços pelos ombros do amigo para arrastá-lo para fora.
- Ué, não vai esperar pela garota? – ele perguntou, e riu para abafar a pergunta. Riu alto demais para isso, e olhou para trás temendo que ela, de fato, tivesse escutado.
Por sorte, não tinha.
- Ela acabou de sair, na verdade. Ia pedir um café, por força do hábito, mas ai lembrei que eu não gosto de café.
lhe encarou de forma irônica no primeiro instante, mas tão rápido quando surgiu, sua expressão foi tomada por humor e ele soube, havia sido pego.
- Onde ela está? – perguntou rapidamente, olhando ao redor. – Quem é ela?
- Ela não está aqui, vamos embora. – respondeu, aflito, e virou a cabeça do amigo para frente quando notou que a garota pegava seu pedido, prestes a se virar para onde estavam. Precisavam chegar até a porta, rápido.
- Me fala quem é, ou vou gritar para perguntar. – ameaçou, mas não levou a sério. Na verdade, cometeu o erro de não levá-lo a sério.
- Ah, claro. – fez pouco. - E o que você perguntaria?
- Quer ver? – falou, sorrindo de forma travessa, e se viu totalmente espantado ao se dar conta de que fazer aquilo, na verdade, era totalmente a cara de .
- Não! – negou rapidamente, apavorado, mas já era tarde demais.
- QUEM DE VOCÊS...!
- ! – o repreendeu, tapando sua boca, e riu sem jeito ao notar que todos, inclusive , olhavam em sua direção.
- Ignorem isso. – riu, tentando não olhar diretamente para a garota. – Ele tem uma espécie de distúrbio. É tipo um atraso mental, sabe? – falou, mas acabou gritando quando mordeu sua mão.
- Não tenho não! – o garoto respondeu, afastando quando este tentou arrastá-lo para fora antes que a situação piorasse ainda mais. – Você olhou pra todo mundo menos pra ela. É ela, não é? – perguntou, olhando na direção da garota e arregalou os olhos enquanto corava em todos os tons de vermelho. – É ELA! – gritou, gargalhando em seguida enquanto batia palmas, exatamente igual a uma foca.
- Cala a boca! Não! – exclamou, arriscando olhar desesperado na direção da garota que sorria para os dois.
- Ele te ama! – gritou para e sentiu que poderia morrer a qualquer instante.
- , vamos! – chamou, apavorado. - Agora!
O amigo riu, mas obedeceu dessa vez, acenando para a garota que, para a surpresa e espanto de , correspondeu. Rindo quando ele a encarou.
- Vai falar com ela! – pediu, aos sussurros, e quis matá-lo por se calar só agora.
- Vamos. – respondeu, entre dentes. Sem querer prolongar o assunto.
- , eu gritei que você a ama e ela está sorrindo e acenando! – insistiu, claramente desacreditado.
- ! – repreendeu o amigo novamente, louco para sair dali, e acabou apenas por bufar, desistindo do assunto e deixando-se arrastar, finalmente, para fora.

+++


não pode ir a cafeteria do dia seguinte e como o esperado, arrependeu-se amargamente por não ter falado com ela quando teve a chance. Falar com a garota depois do que havia feito, ainda não parecia uma boa ideia, mas antes... Deveria ter falado com ela antes. Só agora ele via a quantidade imensa de formas que ele tinha de iniciar o assunto. A começar pela música que ela estava cantarolando.
Mas ele não o havia feito e exatamente como o esperado, estava fadado a um final de semana de arrependimento, afinal, sabia que ela não comparecia ao café nas sextas e nem aos finais de semana, restando somente segunda-feira.
E as segundas eram sagradas para ela, que sempre aparecia com suas amigas e, consequentemente, impedia que ele se aproximasse. Foi assim que ele decidiu não aparecer na segunda também. Se o tivesse achado ridículo, o que provavelmente havia acontecido, teria contado para as amigas e todas se juntariam para rir dele. Não era como se ele precisasse de mais um motivo para se martirizar.
Somente na terça ele foi até o local, a esperou durante o dia inteiro, mas ela não apareceu. Foi então que ele se perguntou se não havia estragado a magia que o Café tinha a ela. gritou aos ventos que ele gostava dela, talvez ela tivesse percebido que ele a perseguia e ficou com medo. Era totalmente plausível que ficasse, mas ainda assim ele compareceu na quarta, esperançoso, e sentiu um enorme alívio lhe inundar quando a viu entrar pela porta, sozinha e distraída com seus fones mais uma vez.
Por um instante, só conseguiu admirá-la. Era a garota mais bonita que já havia visto e apesar de toda coragem que, graças aos amigos, havia adquirido durante todos esses dias sem vê-la, sentiu tudo se esvair quando ela se voltou para sua direção. se escondeu atrás do livro que lia, e se odiou profundamente por isso, voltando a espiar logo depois. Ela parecia procurar algo ao redor, e deixou os ombros murcharem ao não encontrar, dirigindo-se para o balcão para fazer seu pedido.
abaixou o livro ao decidir que estava seguro, perguntando o motivo daquela reação. Era, basicamente, o que ele fazia quando chegava, procurando-a, e teve esperanças. Ela poderia estar esperando por ele? E se estivesse esperando por ele?
Tão rápido quanto o pensamento surgiu, negou com a cabeça. Ela poderia realmente estar esperando alguém, mas não ele. Não fazia sentido esperar por ele, mas ainda assim, em um subido de coragem, levantou.
Havia passado dias de cão em arrependimento. Não deixaria que acontecesse novamente e se ela esperava alguém de fato, ele tinha pouco tempo.
Já havia repassado em sua cabeça todas as possíveis perguntas e formas de iniciar o assunto. Também pensou em todas as possíveis respostas, mas enquanto caminhava, esqueceu-se de absolutamente tudo. Sua cabeça foi tomada por um enorme branco, sentiu as mãos soarem, mas dessa vez não vacilou ou voltou atrás, aproximando-se pelo lado para que ela o visse antes que ele pudesse desistir. Para que não pudesse desistir.
- Ahn... Com licença. – pediu, chamando sua atenção. A garota ainda usava os fones, mas conseguiu ouví-lo sem problemas, os retirando do ouvido ao erguer a cabeça em sua direção, com um sorriso no rosto que o fez repetir o gesto imediatamente. Terminou ainda mais nervoso ao se dar conta do que havia feito e levou as mãos até os bolsos. – Desculpa, eu não costumo fazer isso. – riu enquanto ela esperava, mordendo o lábio inferior de uma forma totalmente desconcertante, como se ele já não estivesse suficientemente desconcertado e acabou se esquecendo de que deveria continuar.
- Isso...? – ela perguntou após alguns segundos, soando divertida as custas dele. só não sabia se de um jeito positivo ou negativo e se arrependeu de não ter ensaiado uma só abordagem para evitar aquele problema.
- Abordar pessoas aleatórias. – respondeu por fim, em um só fôlego. – Você provavelmente nem sabe meu nome, mas eu... Tenho te observado. – falou, sincero. Xingou a si mesmo por aquilo ser, basicamente, sinceridade até demais, mas já havia começado e, de qualquer forma, falar a verdade era mais fácil do que inventar uma mentira para ter assunto. – Te vejo sempre sentada na mesma mesa nesse mesmo café. Eu sei que soa estranho. Assustador na verdade, mas... – ele riu, nervoso. - Eu precisava vir perguntar, só para o caso de receber um sim, se você já tem planos para o jantar. – finalizou, surpreso por não ter gaguejado e prendeu a respiração sem notar que o fazia enquanto esperava uma resposta.
A garota não levou mais de um segundo para abrir a boca, mas para ele, pareceu uma eternidade e só piorou quando ela fechou novamente ao invés de falar, desviando o olhar do dele para brincar com a tampa do seu copo.
- Na verdade, eu meio que tenho... – ela respondeu e suspirou, concordando com a cabeça sem que ela pudesse ver, a frustração consumindo cada parte de si.
Havia tomado um fora. E tinha certeza que essa coisa de compromisso era mentira. Cara, como ele era ridículo. era a garota mais incrível que ele tinha visto e ele era só... Ele. E ainda tinha toda aquela cena que havia feito.
- Ahn... Certo. – ele concordou apenas. Procurando alguma forma de sair daquilo com alguma dignidade. Tinha pensado em formas de puxar assunto, mesmo recebendo o “não”, mas sentindo como se tivesse acabado de levar um soco no estomago, só quis sair dali. – Desculpe.
Ele deu as costas, mas a ouviu rir e antes que pudesse se virar para ter certeza de que não havia imaginado, sentiu as mãos dela ao redor da sua, lhe puxando de volta.
- Eu não disse que não quero. – falou, sorrindo para ele que fez o mesmo enquanto todo aquele peso enorme saia de seus ombros. – E eu sei seu nome. – continuou, dando mais um passo lento em sua direção. Não o havia soltado ainda e o garoto sentiu seus batimentos acelerarem quando ela ficou na ponta dos pés para falar em seu ouvido. – .
Ele não tinha ideia como ela sabia, talvez só tivesse escutado alguns de seus amigos dizer, mas a questão era que ela havia prestado atenção para ouvir e isso bastava para ele, que sorriu enquanto ela se afastava para sentar novamente, chamando por ele.
- Eu tenho planos para a noite. – disse quando ele se sentou. – Planos chamados provas de final de semestre, mas... Se você se sair bem agora, eu te passo meu número. Isso se você prometer que vai me ligar.
- Com certeza. – respondeu e ela sorriu novamente, satisfeita, antes de iniciar o primeiro assunto aleatório de muitos que eles trocaram aquele dia.


Fim.



Nota da autora: Mais uma da louca dos ficstapes!
E eu tenho quase certeza de que estou começando todas as notas assim Hahaha Em minha defesa, são fics demais para ter criatividade em todas, porém, espero que tenham gostado! Hahaha Isso que importa. XD
Comentem, pls! E obrigada <3
Xx
Mayh.



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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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