Prólogo

Erro. O meu maior erro e talvez o mais certo deles. Não foi planejado, definitivamente não foi planejado. Não imaginava que apenas uma noite seria capaz de mudar toda a minha vida. O que álcool demais, um cara lindo te dando moral e um quarto não fazem. E, claro, a falta de proteção. Era para ser só uma noite como qualquer outra, em mais uma festa na casa das garotas fúteis da cidade. Mas não foi. Oh, deixe eu me apresentar: Olá, eu sou e eu estou grávida aos dezesseis.

- Hey, ? – reconheci a voz de me chamando.
- Aqui! – avisei-a fracamente. Pouco depois ela abriu a cabine do banheiro onde eu estava. Me olhou com uma ar de tristeza e pena, não sei direito. Só sei que me doeu ver aquilo, e eu sabia que estava ferrada.
- Tá melhor? – ela perguntou docemente. Limpei alguns vestígios de lágrimas que ainda tinha na minha bochecha e assenti devagar – O que você pretende fazer?
- Eu não sei! – fui sincera. Ela se abaixou e segurou minhas mãos, fitando os meus olhos.
- Tô aqui para o que der e vier, tá? – eu assenti, sentindo um mínimo alívio – Você vai contar pra ele?
- Eu não sei. – repeti e suspirei alto em seguida – Nós mal nos conhecemos, era pra ser só uma vez... E pronto. – funguei sentindo meu rosto esquentar – Eu-eu nem sei o sobrenome dele, eu só sei que ele se chama . Só isso.
- Bom, já é algo. – ela disse fazendo uma careta – E você disse que ele estuda aqui, não é?
- Yeah, eu já vi ele aqui algumas vezes no intervalo. – disse passando a mão no rosto – Acho que ele é do terceiro, não sei.
- Tá, olha... Quando você estiver mais tranquila, decidida do que quer fazer, procure-o, você vai ter de contar isso alguma hora. – ela pediu segurando firmemente a minha mão. Eu assenti – Okay, precisamos voltar pra aula.
- Não quero! – pedi apertando o tecido do meu uniforme. Ela suspirou e assentiu – Obrigada!
- Tá, mas só hoje, . Você precisa enfrentar isso. – ela pediu séria. Mordi os lábios e concordei – Okay, tô indo. Não fica aqui muito tempo, tá? Tchau. – e ela saiu. Viu? Essa é a minha melhor amiga, às vezes é mãe também. Sempre me dando conselhos e broncas. Mas é para o meu bem, e eu sei reconhecer isso. Respirei fundo e saí de dentro daquela cabine, fui para em frente à pia e me encarei no espelho: olhos vermelhos, a ponta do meu nariz também vermelha e rosto molhado. Ótimo. Enxaguei o rosto, tentando tirar aquela cara de choro, mas não funcionou muito. Sequei rapidamente e andei devagar para fora do banheiro. Olhei para os dois lados, para ver se alguém – diretor, coordenador - estava do lado de fora, mas ninguém. Como não queria ir para a aula, fui direto para a cantina da escola. Não havia ninguém lá, ao menos as cozinheiras. Sentei-me a uma mesa da ponta, não queria mesmo ser notada. Abaixei minha cabeça na mesa e fiquei assim incontáveis minutos. Só me dei conta quando ouvi o sinal tocar. Ouvi uma grande movimentação e tive certeza que a cantina estava se enchendo. Perfeito. As pessoas falavam sem parar, e isso estava me incomodando. Levantei-me rapidamente e com largas passadas andei para fora de lá, mas acabei me esbarrando em alguém.
- Opa! – alguém falou após chocar comigo – Oh, hey! – e eu congelei. Não é possível, qual é a chance disso acontecer? Qual a chance de eu trombar justo com ele no corredor?
- Hm, oi. – disse e sorri forçado. Ele fez uma cara preocupada.
- Você tá bem? – ele perguntou tocando o meu ombro. Eu assenti – Certo! – ele pareceu não acreditar muito.
- É, eu tenho que ir agora. – disse, não querendo encará-lo. Era perigoso demais para mim, sou muito transparente. Odeio isso.
- Espera! – ele pediu assim que eu ameacei sair – Vai fazer alguma coisa nesse final de semana?
- Ahn, acho que não... – disse insegura. Ele sorriu. Ai, Deus!
- Quer sair comigo? – ele perguntou ainda com aquele sorriso de comercial de pasta de dente – Digo, tomar um sorvete, sei lá.
- Hm, ahn... – eu não sabia o que dizer, isso era fato – Tá. – foi o que eu conseguir responder.
- Tá? Okay! - ele disse animado – Sabe, rolou aquilo e bem... – ele disse coçando a nuca sem jeito – E eu ainda não tenho o seu telefone, você se importaria de me passar?
- Não, claro que não. – apressei-me a dizer.
- Certo, aqui... Anota aí pra mim. – ele pediu me entregando seu celular. Anotei rapidamente meu número e o devolvi a ele – Valeu! Depois eu te ligo pra gente confirmar, tá? , né?
- É. – disse somente - !
- , okay! – ele sorriu e se aproximou de mim, me dando um beijo na bochecha – Até mais, . – disse acenando e se afastando rapidamente da minha vista. Soltei todo o meu ar de uma vez e eu queria chorar, queria correr e abraçar , mas não podia, não na frente de todo mundo. Contentei-me apenas em ir ao banheiro e repeti o que fiz a manhã toda. Chorar.


Cap. 01



- Jura, ? Ele te convidou pra sair? - perguntou animada. Assenti encarando minhas unhas – E porque essa carinha? Isso é mau?
- Eu não vou saber agir perto dele, eu posso dar bobeira, posso revelar que eu tô grávida. – disse ficando nervosa outra vez. suspirou alto.
- Mas você tem que contar a ele, . Sinto muito, mas ele tem direito de saber que vai ter um filho. – ela foi sincera. Eu não tive como negar, ela estava certa – Não precisa ser agora, mas algum dia você terá que contar a ele.
- Eu sei que sim. Só é difícil, sabe? – mordi meus lábios – Eu não planejei isso.
- Ow, amiga, vem cá. – ela disse me puxando para um abraço e, aí sim, eu chorei realmente – Sabe, acho melhor vocês se conhecerem direito primeiro, e depois você contar o que está acontecendo.
- Tá. – eu concordei me soltando dela e limpando meu rosto – Eu vou fazer isso, eu vou sair com ele... Tentar conhecê-lo e depois contar a verdade e decidir o que vamos fazer.
- Logo! – ela pediu e eu assenti.
- Logo! – eu concordei. Ela sorriu orgulhosa – Obrigada, por tudo, . De verdade.
- Ah, que nada. Eu te amo, coisa sem juízo. Tô aqui sempre. – ela sorriu e segurou minhas mãos – E agora, , e sobre os seus pais?
- Ai, nem me lembre. – rolei os olhos e me joguei na cama – Eles vão pirar, acho que vão até me expulsar de casa.
- Claro que não! – ela disse rápido – Tudo bem, eles vão ficar em choque, mas acima de tudo ainda são seus pais. Vão te apoiar. – ela me tranquilizou, mas não sei se fiquei tranquila. É, definitivamente não fiquei.
- Eu torço muito por isso. – sorri sem humor. Fitei o teto e ficamos caladas por minutos, até o meu celular tocar – Ai, que droga! – limitei-me a esticar o braço e pegar aquela coisinha que tanto me irrita, e atendi – Oi?
- Oh, olá! – a pessoa do outro lado falou. Franzi a testa, não reconhecendo a voz.
- Err, quem tá falando? – perguntei enfim. A pessoa do outro lado riu – Hm?
- Desculpa, sou eu, . O . – na mesma hora, eu comecei a respirar rápido – Tudo bem, com você?
- Sim. – disse monossilabicamente – E você?
- Tudo bem. – ele suspirou – Bom, ainda se lembra do convite? – ele perguntou em duvida e eu assenti – Então, continua de pé... Queria saber se você pode sair hoje.
- Hoje? – perguntei e direcionei o olhar para , que sorriu assentindo – Okay, posso sim.
- Legal! – ele sorriu – No Domino's às sete?
- Okay, pode ser. – concordei sorrindo sinceramente pela primeira vez. Talvez não fosse tão ruim assim.
- Até lá então, beijos. – ele se despediu e eu retribui, logo após desligando.
- E? - perguntou curiosa. Mordi o lábio, nervosa.
- E eu vou sair com ele hoje. – disse me dando por vencida. Ela sorriu largamente – Deseje-me sorte.
- Sempre! – ela sorriu e se levantou da cama, direcionando-se ao meu closet – Bom, temos que arranjar roupas legais pra você sair hoje.
- Hm, não precisa muito. Não é como se eu fosse tentar conquistá-lo ou algo assim. – dei de ombros. Era verdade – Qualquer coisa serve.
- De jeito nenhum, tá doida? Você vai arrasar nesse encontro. – ela sorriu e piscou pra mim. Sorri e balancei a cabeça – Tá, vamos ver o que você tem aqui. – ela começou a vasculhar as minhas roupas e ficou assim por horas, sim, horas. Até optar por uma calça skinny escura, uma baby-look roxa com o desenho do Mickey estampado e um all star também roxo. Eu estava pronta, maquiagem feita, um pouco de perfume e pronto. Olhei no relógio do meu celular e marcava seis e quarenta e cinco. Na hora. Enfiei-o dentro do bolso e encarei minha amiga, apreensiva – Você tá linda!
- Obrigada. – agradeci sinceramente – Bom, tenho de ir.
- É, boa sorte. – ela ma abraçou – E fica calma, qualquer coisa me liga, tá?
- Tá bom! – concordei me soltando dela – Vem, vamos indo. – eu disse puxando-a pela mão e seguimos andando até um ponto onde ela seguiria para casa, e eu para a pizzaria.

- Você vai querer só isso mesmo? – ele perguntou enquanto eu terminava de tomar meu milkshake de chocolate. Assenti – Okay, então. – e ele voltou a comer sua pizza. É, por enquanto tudo estava indo bem. Eu estava menos nervosa, e era um cara muito legal. Conversamos bastante, e eu pude conhecê-lo um pouco melhor. Descobri que nossos gostos são muito parecidos e estranhos ao mesmo tempo. E ele parecia gostar de mim também. Bem, por enquanto... Só enquanto ele não sabe que vai ser pai.
- Você tá no terceiro, né? – perguntei em dúvida. Ele assentiu e tomou um pouco de coca-cola.
- Tô sim, quase terminando, ainda bem. – ele sorriu. E eu sorri amarelo de volta – E você no segundo, certo?
- Sim, ainda! – rolei os olhos. É, se dependesse do meu estado, ia demorar muito para acabar a escola. Suspirei – Pretende fazer alguma coisa? Se formar? – é, se formar em pai, que tal?
- Ahn, não sei direito. – ele limpou a boca no guardanapo ao lado – Tô pensando em sair da Inglaterra. Acho que vou tentar a Califórnia, quem sabe! – ele sorriu. E eu senti meu coração apertar. Meu filho não poderia viver sem pai – E você?
- Hm, não sei ainda. – é, tô pensando em ser mãe, legal, né? – Tenho tempo para pensar.
- É verdade. – ele sorriu. E pareceu se lembrar de alguma coisa, sorrindo de lado.
- O que foi? – perguntei curiosa. Ele me fitou e sorriu largamente.
- Me lembrei da festa. – ele foi direto. E eu corei: vermelha, roxa, rosa choque. É, fiquei de todas as cores – Você tava linda, sabia?
- Hm, obrigada! – agradeci abaixando meu olhar e colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Foi legal pra mim, você é diferente dessas garotas fúteis com quem eu já saí. – ele foi sincero, procurou a minha mão em cima da mesa e entrelaçou a dele – Hey, , você tá tímida? – ele sorriu – Não pareceu tão tímida, na hora.
- Shut up, ! – pedi rápido – Eu tava meio bêbada, não vale, poxa.
- Você foi ótima! – ele sorriu se aproximando de mim – E eu quero te beijar agora. – ele avisou. Olhei rapidamente para ele.
- Você quer? – perguntei debilmente. Ele balançou a cabeça assentindo e se aproximando cada vez mais – Tá bom! – consenti e fechei os olhos. Ele sorriu contra a minha boca e encostou devagar sua boca à minha. Sabe aqueles sininhos chatos que ficam tocando na sua cabeça enquanto você beija aquele garoto especial? Pois é, essas coisinhas chatas estavam me deixando surda naquele momento. Eu não sei explicar, foi perfeito demais. Não me deixei pensar naquele momento sobre gravidez, filho, dezesseis anos e nova vida. Fui egoísta e só pensei em mim. Em como eu estava gostando daquilo.

***


- Bom, chegamos... É aqui que eu moro. – sorri parando em frente à minha casa. Ele fitou-a por alguns segundos e sorriu para mim.
- Bela casa! – ele disse, e eu sorri agradecida – Então... Te vejo amanha na escola?
- Se você quiser, sim. – confirmei. Ele sorriu e segurou minha cintura.
- Quero sim. – disse me dando um selinho demorado – Muito. – e me beijou de verdade. Tá, eu sei que isso tá sendo um sonho agora. Mas depois vai ser um pesadelo, um grande pesadelo. Ele vai me odiar para sempre, tenho certeza.
- Tenho que entrar. – disse fazendo uma careta e me soltando dele – Depois a gente se vê.
- Okay, linda. – um selinho demorado aqui – Até amanha. – e outro ali.
- Bye. – despedi-me e finalmente entrei em casa. Meu pai estava trancando no escritório como sempre, minha mãe no mínimo estava pendurada no telefone fofocando com alguma amiga. Melhor assim, não queria perguntas para cima de mim agora. Não agora. Assim que fui para o meu quarto, tentei ir dormir. Havia dias que eu não dormia direito. Então me acomodei na minha confortável cama, suspirei encarando o teto e finalmente me deixando pensar em como seria minha vida dali em diante. Inconscientemente toquei minha barriga e suspirei fechando os olhos. Não eram só nove meses e pronto. Era uma vida inteira, era uma nova pessoa, ensinar, educar, alimentar, cuidar e amar. Ai, , como você pode ter deixado isso acontecer?


Cap. 02



Na manhã seguinte, eu acordei mais bem disposta e talvez mais segura. era um cara legal, e parecia ser muito responsável. Me arrumei sem pressa para ir para o colégio e fui a pé. Assim que cheguei à escola, eu senti como se todos estivessem olhando pra mim, eu devia estar ficando louca. Abaixei a cabeça a apressei meus passos, fui direto para a minha sala. E lá encontrei meu conforto. .
- ! – ela disse animada, assim que me viu – Me conta t-u-d-o.
- Não há muito o que contar, . – falei largando minha mochila na carteira e me sentando em seguida – Foi... Hm, normal. – dei de ombros, e ela esperou mais – Só conversamos, nos beijamos e depois ele me levou em casa, só isso.
- Como? Vocês se beijaram? – eu assenti – Aw, que legal. – ela sorriu feliz – Tá se sentindo melhor agora?
- Não completamente, porque eu ainda não contei tudo a ele. – suspirei exausta – E tá meio difícil de isso acontecer, ele tem planos ... Ele quer sair da Inglaterra, quer um futuro pra ele, entende?
- Entendo, amiga, mas você também quer um futuro. E, desculpa, mas ninguém faz um filho sozinha. – ela fez uma careta – Mas eu não vou te pressionar, por enquanto. – ela falou depressa – Hoje a senhorita vai prestar atenção na aula e não vai se trancar no banheiro e começar a chorar, okay?
- Okay, mãe! – ironizei rolando os olhos. Ela riu.
- Tá, filhinha, agora me dá seu caderno aí que eu vou te passar as matérias que você perdeu. – ela pediu, e eu rapidamente entreguei. Como sempre as aulas correram chatas e monótonas. Eu tenho que confessar que estava contando os minutos para que a hora do intervalo chegasse. E não só para me livrar desse professores chatos, como para ver certo alguém – Vem, vamos sentar lá no pátio. - me puxou para lá, sentamos na grama mesmo, embaixo de uma árvore, e ficamos vendo o movimento de alunos para lá e para cá. – Ôu-ôu, vejo um certo pai se aproximando.
- cala a boca, não fala isso perto dele. – eu disse entre dentes. Enquanto avistava se aproximar, sorrindo. Sempre sorrindo. E eu não acredito que vai ser eu que vou apagar esse belo sorriso. Oh, vida!
- Olá, meninas. – ele disse animado – Posso? – Pediu apontando para um lugar ao meu lado, assenti – Oi, . – ele disse e me deu um selinho. Mordi o lábio inferior. Não esperava que ele fizesse isso aqui na frente de todo mundo – Tava te procurando.
- Estava? Oh, desculpe! – pedi sem jeito - me arrastou para cá.
- Yeah, eu a arrastei. – ela se intrometeu – Prazer, . – ela estendeu a mão para ele.
- ! – ele apertou a mão dela e logo após a soltou sorrindo docemente. Hm, , gostei do sobrenome. Algumas garotas passaram por nós e me olharam com repreensão. Ah, claro, já sei. é o popularzinho da escola. Bem que eu desconfiei. Uma das garotas usava um perfume forte e doce, e aquilo fez meu estomago embrulhar e querer colocar para fora tudo o que eu não tinha comido naquela manhã. Tentei me segurar, mas a ânsia era maior - ? Você tá bem? Ficou pálida de repente.
- Eu preciso ir ao banheiro, só isso. – informei me levantando praticamente correndo e fui para lá. Ouvi passos atrás de mim e constatei serem de . Assim que entrei no banheiro, fui ao sanitário mais próximo de mim e despejei tudo.
- Oh, ... Ainda com enjôos, né? – ela disse se aproximando de mim e segurando meu cabelo, enquanto eu me apoiava na parede da cabine.
- Infelizmente! – disse. Respirei fundo e fui até a pia lavar minha boca. Ela se encostou ao meu lado e cruzou os braços.
- Você vai ter que contar logo, . – ela me avisou – Você ainda tá enjoando, ele não é bobo, vai notar isso.
- Que note, pelo menos eu não vou precisar contar nada. – dei de ombros, me secando – Me sentirei menos culpada.
- , já disse que você não é a única culpada aqui, okay? O teve sua parcela de culpa também. E ele poderia estar te ajudando agora, se você contasse pra ele que está grávida. – ela disse alto, suspirei prendendo o choro – E não chora!
- É difícil, poxa, eu não sei mais o que fazer. – disse deixando cair os meus ombros – Eu tenho medo da reação dele, não quero contar agora.
- Você que sabe, mas eu te dou pouco tempo. Senão eu mesma vou contar. – ela me alertou. Me deu vontade de pedir para que ela não se metesse na minha vida, mas não podia. Ela tava certa – Agora vamos voltar, porque já deve ter professor na sala.
- Tudo bem! – concordei e saímos do banheiro rapidamente. O que eu não sabia, e só descobriria mais tarde, é que Lindsay, a garota mais fútil da escola, estava no banheiro, naquele exato momento em que disse: e grávida.

***


Quando bateu o sinal para o final das aulas, juntei meus materiais e joguei de qualquer jeito na minha mochila. Esperei e seguimos para fora da sala, e dessa vez não foi impressão minha. Todos estavam realmente olhando para mim. E o pior, ficavam cochichando entre si. Odeio isso. Decidi ignorar e comecei a andar mais depressa para fora daquele lugar, e estava no meu encalço. Odeio essas pessoas que te olham, riem e depois apontam. Odeio, odeio. Mas não havia como algum deles saberem. Não mesmo, precisava ficar relaxada, eles não sabiam de nada. É, era isso, não sabiam. Diminui a velocidade dos meus passos e tentei respirar normalmente, mas foi inútil quando vi a figura de parado em frente ao portão, ela voltou a acelerar.
- , eu preciso conversar com você. – ele pediu. Eu engoli em seco, ele me chamou de e estava com o tom sério. Boa coisa não era. Consenti e pedi para que não me esperasse. Fomos para fora do colégio, para algum lugar distante daqueles olhares acusadores. Assim que paramos, eu fitava o chão com muito interesse - , eu fiquei sabendo de uma historia e não sei se é verdade, por isso eu preciso te perguntar.
- O quê? – perguntei finalmente o fitando-o. Ele coçou o cabelo e soltou um ‘Tsc!’ nervoso.
- A Lindsay chegou em mim com uma historia de que ouviu você dizer no banheiro que está grávida e o filho é meu. – ele soltou enfim. Eu abri a boca, mas não consegui emitir som algum. Surpresa. Era essa a minha cara – É verdade?
- Ahn, hm... – suspirei, não tinha como voltar atrás. Ele descobriu – Sim!



Cap. 03



- Então é verdade? – ele perguntou surpreso. Eu assenti, sentindo meu rosto esquentar – Porra, e você não ia me contar?
- Eu ia, claro que ia. – disse rapidamente – Só não sabia como. – funguei alto.
- Que tal: , eu estou grávida e o filho é seu? – ele ironizou. Ah, se fosse fácil assim – Cara, você devia ter me contado antes. – ele disse começando a andar de um lado para o outro – Quanto tempo, já?
- Acho que quatro semanas. – disse baixo. Senti minha bochecha molhada e percebi que já estava chorando.
- Tá, e você foi vomitar aquela hora? Quando me deixou sozinho no pátio? – eu assenti – Nossa, que droga! – ele deu um murro na parede ao lado. E eu dei um passo para trás me assustando – Você não tava pensando em tirar essa criança, né?
- Não! – eu disse rápido – Claro que não.
- Ah, que bom... Porque eu não ia deixar. – ele falou nervoso. Começou a estralar os dedos, impaciente. E isso só me deixou mais nervosa.
- O que a gente vai fazer? – perguntei enfim – Você vai assumir?
- È claro, ! – ele foi firme. E eu me senti aliviada por ouvir isso – Eu não sou irresponsável. – ele se virou para mim e percebeu que eu estava chorando – Você está chorando?
- Não se preocupe, eu tô bem. – pedi, mas não adiantou, ele se aproximou de mim e segurou minhas mãos.
- , olha eu tô muito assustado com isso, tanto quanto você, pode ter certeza. – ele suspirou colocando uma mão na minha bochecha e fazendo carinho na mesma – Mas já que a burrada já foi feita... Não podemos fazer nada. A não ser tentar ser bons pais. – suspirei assentindo – E, sabe, se é pra ser assim tudo tão rápido... Que bom que foi você. – ele sorriu. Oh, meu Deus ele sorriu – Vem cá, linda. – e ele me abraçou. Um abraço realmente aconchegante. Só aumentou a minha vontade de chorar, mas não fiz isso. Apenas inalei o seu perfume inebriante, e que me acalmava.
- A escola toda agora já sabe, sinto muito. – pedi baixo, enquanto estávamos sentados em um banco de uma praça. Já há algum tempo. Ele suspirou.
- Tudo bem, eles iam acabar descobrindo mesmo. – ele deu de ombros, derrotado – Já falou com os seus pais?
- Ainda não, eu queria conversar com você primeiro e decidir o que iríamos fazer... Pois bem, aqui estamos. – disse largando meus ombros de uma vez. Fitei-o, e ele tinha o olhar perdido – O que você pretende fazer?
- Sinceramente? – eu assenti – Eu não tenho idéia.
- Ah! – soltei desanimada.
- Temos que pensar muito, não estamos prontos pra isso. – ele passou a mão no cabelo, nervoso – Não estamos prontos para sermos pais. – ele encarou as mãos – Vou ter que adiar minha viagem!
- Que viagem? – perguntei rápido.
- Pra Califórnia! – ele disse baixo – Eu havia combinado de ir com alguns amigos meus. – deu de ombros – Eu desmarco, sem problemas.
- Ai, ... Desculpa, eu não queria que isso estivesse acontecendo. – disse encarando meus sapatos. Suspirei alto.
- Tudo bem, nós dois erramos. – ele enfiou a mão na mochila e sacou o celular discando alguns números rapidamente. Fiquei apenas observando – Fala, dude! – uma pausa e uma risada vinda dele – Tô indo, cadê aqueles viados? – outra pausa e o sorriso dele desapareceu – Ah, ok. Olha, é sobre isso mesmo que eu queria falar com vocês. Me encontra na casa do daqui a... – ele olhou o relógio no pulso – A quinze minutos, tá? E avisa os outros. Não, , eu só vou falar quando todos estiverem reunidos. Beleza, até. – e desligou. Ele suspirou e me fitou – Quer ir a um lugar comigo?

***


- Caralho, já tô indo. – ouvi um resmungo vindo de dentro da casa, mordi os lábios e fui para detrás de . Ele sorriu e pouco depois alguém abriu a porta – Porra, é você? Por que não entrou de uma vez?
- Olá pra você também, ! – ele revirou os olhos – Os caras já chegaram?
- Já, estão todos aí dentro... Entra logo. – ele disse puxando-o. Ajustei a alça da minha mochila e pigarreei. O tal finalmente me notou parada ali – Oi pra você!
- Oi! – disse simplesmente e olhei para esperando uma reação.
- , essa é a ... - ele enfiou uma mão dentro do bolso – Uma amiga!
- Prazer, ! – ele foi gentil e sorriu. Retribuí – Bem, ‘bora entrar, então. – e ele deu espaço para que fizéssemos isso. Me senti totalmente deslocada, mas apenas respirei fundo. Afinal, havia me convidado dizendo ser algo sério. Ok, topei. Quando chegamos à sala, todos os olhares se direcionaram para mim. Roxa? Azul? Vermelho, essa é cor que eu fiquei – Sentem-se!
- Senta aí, ! - pediu apontando um lugar no sofá ao lado de um outro garoto, que me olhava curioso. Eu assenti e me sentei – Gente, olha a educação! Parem de encarar a garota desse jeito. Ela já deve estar com medo. – bingo!
- Foi mal aí. – outro garoto pediu, sorri dando de ombros – Mas ô, bicha, o que você quer com a gente? É algo sobre a viagem? – ai, meu coração. Então, eles são os amigos da viagem? Droga! suspirou e continuou em pé.
- Caras, vocês vão ter que ir sem mim. – ele soltou de uma vez. Houve burburinhos e eu me encolhi no sofá – Calma! Eu explico... Eu acho. – falou baixo.
- Então fala, porra! – um garoto com um olhar totalmente fascinante falou – Que houve?
- Hm, vocês sabem que são os meus melhores amigos, né? – ele começou, e eu senti meu coração apertar. E eu não podia deixá-lo fazer isso – Eu não vou poder ir porque eu...
- Porque ele não vai sozinho, é isso... – me interferi. me olhou sem entender – É, gente, é porque ele tava sem jeito de falar com vocês que ele ia me levar junto. – disse de uma vez, sem notar a besteira que estava fazendo – Né, ?
- É? – ele perguntou em dúvida. E eu assenti rapidamente – Hm, então é!
- Você vai? – o tal do perguntou e eu assenti em dúvida – Ah!
- Afinal, quem é você? – o garoto do meu lado finalmente me perguntou. Mordi os lábios, e fitei .
- Ela é a , uma prima. – ele disse sem jeito. levantou uma sobrancelha sem entender.
- Mas você me disse que ela era sua amiga. – ele falou coçando a cabeça não entendendo mais nada – Não foi?
- Err, prima e amiga... Ela é os dois. – ele sorriu amarelo – E a mãe dela vai viajar, né, ? – eu assenti em dúvida – E ela pediu pra eu cuidar dela, enquanto isso. Entenderam?
- Sei! – o que estava ao meu lado falou, não acreditando muito – Como você nunca nos falou dela?
- Ahn, porque... Porque não, oras. – ele deu de ombros – Mal nos víamos isso foi de última hora.
- Tá. – o outro soltou, não engolindo muito – Então, prazer, , eu sou o . – sorri em retribuição.
- É, e eu sou o ! – O que estava ao meu lado finalmente se apresentou.
- Oi pra todo mundo. – disse sem graça. Nossa, como mentimos mal.
- Yeah, e vamos para Califórnia! - falou de repente e me fitou. E sorriu. Ele sorriu? Ai, céus, eu tô ferrada.


Cap. 04



Me chamem de doida, idiota e totalmente sem noção. Pois é, eu sou. Como eu pude me meter assim na vida do ? Ok, estamos ligados, querendo ou não. Mas isso não me dá o direito de me intrometer na vida dele assim. Nós não somos nada. Tipo, nada mesmo. E como eu mesma me convido para ir à viagem com os amigos dele? Ah, meu Deus, eu sou muito idiota. Parei de andar de uma vez e me fitou sem entender.
- Algum problema? – ele perguntou segurando meu ombro – Tá enjoada de novo?
- Não, não. – respondi rapidamente – É só que... Poxa, desculpa, eu não queria ter me intrometido na sua viagem assim. – falei fazendo uma careta.
- Ah! – ele sorriu aliviado – Sobre isso, sem problemas. – ele deu de ombros – Vai ser bom para nos conhecermos melhor, certo?
- Certo! – concordei meio em dúvida – Eu ainda não entendi bem o que vocês vão fazer lá, eu ouvi vocês dizendo algo sobre banda?
- É. Nós temos uma banda, chama-se McFly! – ele me respondeu com um sorriso e voltou a andar, eu o acompanhei – Vamos para a Califórnia tentar um contrato, ou pelo menos algo do tipo. Vai ter um festival de bandas por lá, e não queremos perder essa oportunidade!
- Claro! Nossa, que legal... Mas vocês têm músicas próprias? – perguntei enquanto viramos a esquina da minha casa.
- Temos sim, algumas... Mas fazemos alguns covers também! – disse somente – Um dia eu te mostro!
- Tá, ok. – respondi mordendo o lábio inferior – Bom, eu tenho que convencer a minha mãe ainda! – rolei os olhos – Mas nada muito difícil, ela sempre sede. – nós rimos – E se tudo der certo, quando chegarmos vou contar tudo a ela.
- Você quer que eu vá junto? – ele perguntou enfiando as mãos dentro do bolso.
- Hm, acho melhor eu contar sozinha... Depois ela com certeza vai querer conversar com você! – suspirei derrotada – E você? Vai contar aos seus pais?
- A minha mãe! – ele respondeu, não entendi bem e esperei que ele continuasse – Meus pais são divorciados, e eu quase não vejo o meu pai. – disse dando de ombros – Então...
- Ah, entendo! – disse compreensiva, andamos alguns metros e logo estávamos enfrente a minha casa – Bom, eu fico por aqui!
- Ok. – ele se aproximou de mim, e eu me surpreendi com o seu gesto. Ele me deu um selinho, mordi o lábio sem graça – Tchau, !
- Tchau, ! – acenei brevemente.
- Qualquer coisa me liga, ok? – eu assenti – Até! – e ele saiu, suspirei alto e andei para dentro de casa.
- Mãe? – chamei-a, só para ter certeza de que havia alguém em casa.
- Na cozinha, querida! – ela respondeu. Eu me encaminhei até lá, e ela estava preparando alguma coisa, eu não sabia bem o que era, mas que cheirava extremamente bem, disso sim eu tinha certeza – Que bom que chegou, estou fazendo uma lasanha para nós!
- Hm, o cheiro está ótimo, mãe! – eu disse fechando os olhos e inalando aquele delicioso aroma – Estou morrendo de fome mesmo!
- Certo, então vá tomar um banho e venha almoçar! – ela pediu, sorri assentindo e fui correndo para o meu quarto. Tomei um bom banho, e logo estava descendo para a cozinha novamente – Só mais alguns minutinhos, !
- Sem pressa! – disse me sentando à mesa – Mãe, queria te pedir uma coisa.
- Ih, lá vem... O que é? – ela perguntou sem tirar a atenção do molho da lasanha.
- Ahn, alguns... Algumas amigas minhas vão viajar e me convidaram para ir junto. – disse brincando com o saleiro em cima da mesa – Bem, elas vão pra Califórnia, apenas alguns dias. – disse incerta – E eu queria saber se você me deixa ir.
- Que amigas? – ela perguntou se virando para mim, não tive coragem de encará-la.
- Ahn, a vai estar lá. – disse por fim, ela fez um barulho com a boca e deu de ombros.
- Se a vai, por mim pode ir. – ela voltou à atenção ao molho – Só tome cuidado, a Califórnia não é como aqui, está bem?
- Pode deixar, mãe! – sorri agradecida – E quando sai esse almoço?
- Menina, não me apresse. Logo, logo! – ela disse rapidamente, e eu sorri. Ela era uma boa mãe, é... Quem sabe eu não seja como ela?

***


- Definitivamente eu não quero pisar ali de novo. – disse baixo, enquanto tentava me convencer a entrar no colégio.
- , eu entendo. Deve ser difícil voltar aqui, depois que todos já estão sabendo. Mas... – ela suspirou cansada – Você não pode abandonar a escola, e isso não vai te fazer menos grávida, certo?
- A questão não é essa, ! – falei encarando meus sapatos – Eu não quero passar por tudo isso sozinha, sabe? Não quero ser alvo de fofocas, não quero ser apontada, não quero me sentir mais excluída ainda. – mordi o lábio – Eu só não queria ter ido à merda daquela festa.
- Tarde demais para chorar sobre o leite derramado, fofinha. – ela foi irônica. A fitei e fiz uma careta – Ok, presta atenção! – ela pediu segurando minhas mãos – Você vai entrar naquela escola de cabeça erguida, tá me escutando? – assenti – Não vai dar a mínima para que os outros pensam e falam sobre você. Hello! A vida é sua, ninguém tem nada a ver com ela, entendeu, senhorita ?
- Eu amo você, sabia? – sorri para ela, que rapidamente corou – Aw, vem cá. – puxei-a para um abraço – Você é a melhor, sem dúvidas!
- Sou mesmo, pra te aguentar tem que ser a amiga, ok? – nós rimos – Agora, sério, amiga, vamos entrar?
- Hm... – suspirei derrotada – Ok. Não tenho muitas alternativas mesmo. – dei de ombros.
- Isso, ‘vambora!
Assim que entramos na escola eu me senti acuada, observada e apontada. Ok, definitivamente, eu não estava me sentindo bem.
- Podemos andar mais rápido? – pedi impaciente, ela consentiu e nossos passos se tornaram mais largos e apressados. Abaixei a cabeça enquanto andávamos para a sala de aula, que parecia não chegar nunca. Ouvi risadinhas e ironias com o meu nome, mas fingi não escutar. Só queria que aquelas cinco horas passassem rápido.
- Ei, não conhece mais? – alguém atrás de mim falou. Franzi o cenho e me virei. Suspirei aliviada e sorri indo em sua direção.
- Desculpa, , eu não te vi.
- E nem veria mesmo, estava andando com tanta pressa! – disse rindo – Oi, !
- Oi, ! – ela respondeu sem jeito. Ajeitou a alça da mochila e apontou para trás - , eu vou indo, ok? – assenti – Tchau pra vocês.
- Tchau, até. – disse baixo.
- Então... - começou – Animada para viajar?
- Ahn, é... Um pouco! – respondi enfiando as mãos dentro do bolso da minha calça.
- , tá tudo bem? – ele perguntou segurando meu queixo. Neguei, derrotada – Que houve?
- Ah, eu só queria que tudo fosse como antes... Que as pessoas não olhassem torto pra mim e nem que rissem ou algum assim. – respirei fundo – Queria ser invisível!
- E você realmente se importa para o que eles vão pensar? Pô, fala sério, né? – ele riu sem humor – Você é quem decide sua vida, não essas pessoas, . Pára com isso, aceita a realidade e vive! – mordi meus lábios e o fitei. Ele tinha uma expressão séria e firme. Eu não sei o que me deu, eu não sei o que senti, só sei que no momento seguinte eu me atirei em seus braços e o abracei tão forte que achei que nos fundiria – Ei, tá tudo bem! – ele afagou meus cabelos – Eu tô do seu lado, ok? E eu não vou sair daqui, a não ser que você me mande embora!
- Obrigada! – murmurei chorosa. Ouvi-o sorrir e depositar um beijo no topo da minha cabeça. Nosso abraçou durou incontáveis minutos, e eu queria que durasse para sempre. Mas como nem tudo na vida são rosas - e eu sou a prova viva disso, fomos cada um para a sua devida sala, aguentar aqueles professores chatos e carrancudos – Outch! – resmunguei baixo quando senti uma bolinha de papel atingir minha cabeça. Olhei para trás e vi gesticular algo, pedindo para que eu lesse o mesmo. Concordei e abri a bolinha:

“Tá melhor, bitch? Tô preocupada em deixar você ir viajar. Não sei se vou deixar você ir com esse bando de homens, ok? Sou ciumenta, babe! Ah, me espera no final da aula.
Sua amiga gostosa. Xx”


Ri sozinha e balancei a cabeça negativamente. Só ela mesma para me fazer rir. Amassei novamente o papel e enfiei dentro da bolsa, e voltei a atenção à aula. Ou pelo menos tentei.



- Nope! - respondeu de imediato.
- Ah, e porque não? – insisti.
- Bebeu? É claro que eu não vou a essa viagem, honey! - disse voltando a andar rumo a minha casa. Bufei e a segui – Além do mais, eu nem conheço esses garotos. Vão me chamar de intrometida e coisa e tal. Nem, nem!
- É obvio que não, ! – rebati – Eu também mal os conheço, esqueceu? Só os vi uma vez, e, bem, vou viajar com eles. – dei de ombros – Escuta, eu preciso que você vá, ok? É como você disse, eu não tô muito legal, e eu vou precisar de você lá. – parei na sua frente e fiz minha melhor cara de amiga-grávida-que-precisa-da-sua-melhor-amiga-em-uma-viagem. Ela rolou os olhos e colocou a mão na cintura, me encarando – Por favor?
- , como você é chata! – disse balançando a cabeça – Ok, ok! Você venceu, chatice, eu vou com vocês, pronto! – soltei um gritinho histérico, fazendo-a rir – Mas, ei? Avise todos eles, ok? Não quero chegar lá com cara de merda!
- Pode deixar, zinha! – pulei em seu pescoço e a abracei – Te amo!
- Tá, tá, também! – disse de mau gosto. Eu ri e voltamos a caminhar de volta a minha casa.



Cap. 05



- Eu estava pensando em adoção! – disse de repente. se virou um pouco de lado e me fitou não acreditando.
- Como? Tá brincando, né? – pediu. Neguei e voltei a me encostar à árvore do pátio da escola. Suspirei alto e apoiei a cabeça nos joelhos, abraçando minhas pernas.
- Talvez seja melhor assim, sabe? Acho que não estou pronta pra ser mãe. – disse enfim – Eu não quero ser uma péssima mãe!
- E por que diabos você acha isso? – perguntou já perdendo a paciência.
- Eu vejo muito isso, ! – disse óbvia. Coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha e a fitei – Eu quero que meu filho seja feliz, ok? E comigo talvez não seja! – mordi meu lábio inferior – Quantas mulheres querem ter filhos, mas simplesmente não podem? E quantas podem e abortam? Eu não quero uma criança triste, e muito menos revoltada!
- , você está se ouvindo? Tá ouvindo as sandices que você tá falando? – disse com um olhar triste e talvez... Decepcionado? Balançou a cabeça negativamente e voltou a fitar as pessoas que passavam pelo pátio.
- Eu só estou cogitando a possibilidade, não é um fato. – expliquei também observando aquelas pessoas aparentemente sem problemas. Bom, não como os meus.
- Você tem que pensar no também, afinal, ele tem direitos. – avisou. Concordei baixo e suspirei.
- O já tinha toda uma vida programada, um futuro brilhante pela frente. – gesticulei com as mãos – E o que eu fiz? Fui lá e estraguei tudo!
- Ai, que droga, ! - vociferou, levantando-se. Olhei em volta e algumas pessoas estavam prestando atenção na nossa conversa – Quantas vezes eu tenho que te dizer que não se faz um filho sozinho, pô? Vocês que foram irresponsáveis! Sim, os dois!
- , pára, tá todo mundo olhando. – pedi suplicante. Ela revirou os olhos.
- Fodam-se os curiosos! – disse alto. Algumas pessoas cochichavam e riam, outras ficaram com medo e apenas saíram de lá – Quando você vai largar de ser idiota, ?
- , eu...
- Quando, ? – insistiu. Engoli a seco e abaixei a cabeça, sentindo as malditas lágrimas salgadas – Você me decepciona!
- O que está acontecendo aqui? - veio correndo ao nosso encontro – Estou ouvindo os seus gritos lá do corredor, !
- Fala pra essa aí que a pior forma de se tornar um mau exemplo, ou uma má pessoa é pensando como ela pensa. – advertiu – Tô decepcionada, . Decepcionada! – disse alto e saiu batendo o pé. As pessoas me olharam assustadas e eu funguei alto, sem saber o que fazer.
- , o que houve? Por que ela falou aquilo? - perguntou, agachando-se à minha frente. Balancei a cabeça negativamente e meu choro tomou mais intensidade.
- Me tira daqui! – implorei. Ele ia abrir a boca para questionar, mas eu continuei – Por favor!
- Anda, vem comigo! – ele me puxou pela mão e me arrastou para longe dali. Ele poderia me levar para a lua, ou melhor, para o inferno! Ops! Me esqueci, eu já estava nele.


- Agora você pode me explicar o que foi aquilo? - perguntou depois de um tempo, assim que chegamos ao ginásio da escola. Neguei silenciosamente. Ele suspirou – Tudo bem!
- Eu não quero falar sobre isso ainda, desculpe. – pedi, fungando baixo.
- Tá tudo bem, não precisa falar se não quiser. – respirou fundo e passou a mão nos cabelos, bagunçando-o ainda mais – Então... – começou – Ainda vai querer ir à Califórnia?
- Claro, aliás, você ainda quer que eu vá? – perguntei incerta.
- É obvio, ! – sorriu – Essa é uma boa oportunidade de nos conhecermos melhor, não acha? Afinal, seremos pais e eu nem ao menos sei a sua cor preferida.
- Ahn... – corei – Nós fomos meio apressadinhos mesmo, né?
- Normal! – deu de ombros – Somos adolescentes. Um pouco inconsequentes, confesso. Mas isso não é nada anormal, nada que possam nos criticar tanto, certo?
- Hm, certo. – concordei – Você não acha estranho essa situação toda? Digo, a gente mal se conhece, e pô, vamos ter um filho juntos. – gesticulei com as mãos – É algo realmente grande, entende? Não é algo que podemos descartar depois.
- Eu sei. – suspirou – Eu acho estranho às vezes quando paro para pensar, mas sei que é o certo. Nada é por acaso, não é? Então, era pra ser.
- Mas eu tenho certeza que você não queria ser pai agora, e muito menos que eu fosse a mãe. – rolei os olhos.
- Ei, pode parar com isso, ok? Você acha que eu teria ficado com você, se você não fosse boa o bastante pra mim? Não é como se eu ficasse com a primeira garota que se oferecesse pra mim. – eu ia protestar, mas ele continuou – Ok, algumas se jogam e eu as pego. Mas isso não acontece sempre, eu sou chato com garotas. Qual é? Você é linda e legal. – sorri sem graça – E é sincera, é tão difícil achar garotas que não sejam mentirosas e fúteis. – respirou fundo e me fitou – O que eu tô tentando dizer é que você é diferente de todas. E, de alguma forma, me conquistou.
- Obrigada, erm... Eu acho! – agradeci e abaixei a cabeça. Definitivamente ele sabia como me deixar corada e, sabe, eu acho que estava gostando daquilo.
- Eu quero que você vá comigo quando eu contar à minha mãe, tudo bem? – perguntou de repente. Eu me surpreendi, mas concordei – Sabe, acho que ela irá gostar bastante de você!
- Você acha? – perguntei incerta, mordendo os lábios.
- Certeza! – sorriu, mostrando todos os dentes brancos e alinhados. Sorri bestamente junto e em um impulso me joguei em seus braços – Hey!
- Eu acho que você também é diferente. – disse baixo. Senti a respiração calma dele no meu pescoço e fechei os olhos.
- Você me fez diferente!


***



- Alô?
- Oi, ! – disse baixo. Ela suspirou alto do outro lado da linha – Me desculpa?
- Esquece isso! – disse fraco – Esquece tudo isso. Tudo que envolve adoção e aborto, ok? – concordei baixo – Eu só quero o melhor pra você, !
- Eu sei disso. – eu me joguei na cama, fitando o teto – Eu só estou muito confusa, sabe? E parece que as coisas só dão errado na minha vida.
- Eu não vou te julgar, até porque eu não sei como é passar por isso. – foi óbvia – Mas pensar positivo nesse momento, sem dúvidas, é a melhor coisa a se fazer.
- É. – disse somente. O fato é: eu não consigo pensar muito positivo nessa situação. É muita pressão em cima de mim. Poxa, eu só tenho dezesseis anos e não queria ser mãe agora – Mas você vai viajar comigo amanhã, certo?
- Sim, sua chatinha! – sorriu finalmente, fazendo-me sorrir junto – Já falei com a minha mãe, e tá tudo certo. Só espero que estejamos fazendo a coisa certa.
- Acho que sim. Afinal, é só alguns dias e, bom, eu também quero ficar mais perto do . - confessei enfim.
- Hm, safada! – comentou rindo - , posso te fazer uma pergunta?
- Claro, !
- Você tá gostando mesmo dele, né? – perguntou por fim. Minha garganta travou na hora. Boa pergunta, eu estava?
- Eu... Eu não sei. – fui sincera – Ele é uma ótima pessoa, sabe? E eu fico feliz por ele ser tão responsável. Ele me faz sorrir, e é gentil e fofo. – suspirei – Bom, talvez eu goste. – dei de ombros – É cedo pra saber direito.
- Hm, ok. – concordou sem acreditar muito.
- Bom, tenho que desligar... A gente se vê amanha, ok? Te amo!
– eu me despedi e a ouvi responder, depois desliguei o celular. Sentei-me na cama e fitei minha mala pronta perto do closet. E pensar que assim que eu voltasse teria de contar tudo a minha mãe e ver a cara de decepcionada dela. Ah, isso seria a pior coisa. Levantei-me e fui trocar de roupa para finalmente ir dormir. Afinal, eu teria uma longa viagem amanhã e que talvez mudasse toda a minha vida. Enquanto me vestia em frente ao espelho, não pude deixar de olhar meu corpo. Ainda não havia mudanças visíveis, mas eu sentia que meu corpo estava mudando. Acho que isso mexe muito com o psicológico das pessoas, porque eu já me sentia mais frágil e inchada. Ou talvez eu estivesse pirando de vez. Balancei a cabeça espantando esses pensamentos e fui me deitar. E por incrível que pareça, dormi como um bebê, acordando somente no outro dia. Claro, com a minha mãe me acordando e dizendo que se eu não levantasse logo perderia o vôo. E foi o que eu fiz, levantei-me preguiçosamente e fiz toda aquela coisa de escovar os dentes; vestir uma roupa confortável, tomar café e finalmente ir para a casa da . E em pouco tempo estávamos todos no aeroporto, incluindo os amigos de . Que eu ainda acho que não gostaram de mim e que não engoliram nossa mentira. Tanto faz, o ia contar tudo nessa viagem mesmo.
- Preparados? - perguntou sorridente.
- Nervosa! – confessei e ri sem graça.
- Ah, fica de boa! - tentou me tranquilizar – A maioria dos aviões não cai.
- Ah, obrigada, me sinto bem melhor – ironizei.
- Faz o seguinte, se você sentir medo é só segurar a minha mão, ok? - pediu, e eu concordei – Beleza, então vamos logo!
- Ei, como é seu nome mesmo? - perguntou a .
- ! – respondeu sorrindo.
- Ah, claro! Bem-vinda, . - foi cordial.
- Obrigada. – respondeu sem graça.
- Andem logo, seus molengas. – gritou já bem à frente. Rimos e apressamos os nossos passos. Já dentro do avião, se sentou ao meu lado, e sem pedir e nem nada, entrelaçou os dedos aos meus. O olhei sem entender, mas com um sorrisinho nos lábios. Ele sorriu torto e apertou nossas mãos.
- Só pra garantir que você não vai ter medo. – disse e piscou maroto. Sorri verdadeiramente e, finalmente, depois de dias me senti confortável novamente.



N/a: Oi, xuxus! Bom, primeiramente quero agradecer todos os comentários de apoio de vocês. Obrigada mesmo, eu sei que eu vou superar e até acho que já tô conseguindo. E em segundo, tem muita gente achando que é real a história. Na verdade, quando eu começei a escrever 16&Pregnant eu não tinha a noção de que iria engravidar. Bem, depois de um tempo eu descobri que estava grávida, mas eu não aproveitei muito. Faltando poucos dias para eu completar três meses, eu tive uma briga com o meu ex-namorado e eu acabei perdendo. :/
Foi muito triste. Eu pude ver o meu bebezinho, bem pequeno é claro, mas já tinha olhos, boca, nariz e dedidnhos formados. Doeu, e ainda dói lembrar. Mas acho que não tava na hora, sabe? Então eu não vou me martirizar por isso. Ok, vou parar de falar. HAHAHA espero que gostem do capítulo.
xx