Autora: Biatm
Beta-Reader: Amy Moore



PRÓLOGO

Andava calmamente em passos curtos por um caminho qualquer e sem destino algum. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Não dava pra acreditar em tantas coisas que haviam acontecido comigo naquele ano... Tantas coisas mudaram que, se me dissessem que estaria naquela situação um ano atrás, eu diria que aquilo era um absurdo, que estavam caçoando da minha cara, que uma coisa estúpida como aquela nunca aconteceria comigo. Nunca, essa é a palavra chave. Como meu pai sempre me disse “Nunca diga nunca”. Hoje sei o porquê dele me dizer tanto essa frase. E agora vou dividir com vocês.



Capítulo 1

Um ano antes...

Era meu primeiro dia naquela escola, e eu sinceramente estava detestando cada pessoa que me olhava. Nunca gostei de ser o centro das atenções, e por isso mesmo nunca liguei para roupas da moda ou algo do tipo. Minhas camisetas de banda e meus jeans rasgados já eram o suficiente pra mim. Entretanto, mesmo assim estava chamando atenção e era exatamente pelas roupas que vestia. Em minha nova escola todos eram bem comportados com roupas impecáveis e de grife, e eu era a única que me vestia diferente ali.
Maldita hora em que meu pai recebeu um convite para trabalhar em Londres! Sentia-me bem melhor quando morava em Manchester, se eu estivesse lá agora com certeza estaria conversando alguma bobeira com Dylan e Lauren, meus melhores amigos desde sempre, mas não, eu não estava lá. Há dois meses havia me mudado e agora depois de tanta resistência estava entrando em uma escola para riquinhos situada no centro de Londres.
Enquanto tentava me concentrar em alguma palavra que o professor de Geografia dizia, senti algo bater contra minhas costas. Olhei para o lado e vi uma bolinha de papel cair no chão, então me abaixei, pegando-a. Abri o bilhete tentando escondê-lo para que o professor não visse.
“É aluna nova? Sou a garota de roxo.”
Quando olhei para ver quem tinha me mandado, esperava uma aberração. Não me culpe, já tinha visto tantas naquela escola que estava praticamente traumatizada, mas para minha surpresa, vi uma garota que parecia não ligar muito pra tendências da moda também. Sua blusa era roxa e tinha uns desenhos bem legais e diferentes, ela era bem estilosa na minha opinião e eu gostei dela de cara. Incrível não ter reparado nela, sendo tão diferente dos demais alunos, assim como eu, ela deveria ter se destacado.
Peguei a caneta e escrevi com minha letra horrível.
“Sim, infelizmente. Qual é o seu nome? Estuda aqui há muito tempo?“
Joguei a bolinha de volta, mas como eu tenho uma péssima sorte, alguém além da própria garota viu a bolinha, e esse alguém era ninguém mais ninguém menos que o professor. Obrigada Deus, pela minha falta de sorte.
- Srta. e Srta. , posso saber o que contém nessa bolinha de papel?
Vi as bochechas da garota corar, eu nem liguei porque na verdade ia sempre pra diretoria na minha antiga escola, então tomei partido da situação.
- Me desculpe, professor, fui eu quem joguei o bilhete então eu tenho a culpa, ela não tem nada a ver.
Senti que ela ia falar algo quando o professor a interrompeu.
- Srta. , não sei se sabe, mas sou o professor a autoridade máxima dentro desta sala de aula, ou seja, sou eu quem decide quem tem ou deixa de ter culpa aqui, correto? – Assenti com a cabeça enquanto ele prosseguia. – E eu digo que as duas vão para a diretoria, e que incrível coincidência, logo no primeiro dia de aula de ambas.
Bufei enquanto me levantava, definitivamente não havia “melhores” boas-vindas do que aquela.


- Como vocês já conseguiram uma advertência? Mal acabaram de pisar na escola. – Rolei os olhos. Pensei que naquela escola de almofadinhas não teria que agüentar o bafo de um diretor, mas pelo visto havia algo igual entre uma escola normal de Manchester e uma anormal de Londres.
Eu sinceramente não ouvi mais nenhuma palavra depois da primeira frase. Juro que quase dormi sentada ali olhando o relógio, ouvindo o tic-tac dele e só despertei para a vida quando alguém mais apareceu na sala da diretoria. E que alguém era aquele? Meu Deus, parecia ter sido desenhado de tão perfeito.
- Com licença, Sr. Folks. – Sorri involuntariamente para aquela perfeição. – Recebi o aviso para vir até aqui, mas pelo que vejo... – ele deu uma olhada para mim e para a garota que nem sabia o nome ainda – está um pouco ocupado.
- Não, que isso, . – O diretor parecia agitado, jurei que ele era gay por um momento. – Já terminei com as mocinhas, entre por favor.
Ele falou mocinhas ou estou ouvindo demais? Que ridículo. De qualquer forma ia sair dali sem assinar nada não é? Então que seja, eu me levantei e já ia saindo o mais rápido que podia.
- Com licença. – Disse abrindo a porta e saindo, a garota veio logo atrás de mim.
- Caramba, essa foi por pouco. A propósito meu nome é , mas me chame de .
- Na verdade, se recebesse mais uma detenção seria só mais uma pra minha coleção, meu pai na verdade já está até acostumado com isso. – Abri um sorriso ao lembrar das minhas confusões com Dylan e Lauren. Olhei novamente para a garota, acordando para a cruel realidade. – O meu nome é , mas me chama de , pelo amor de Deus.
Continuamos conversando enquanto caminhávamos pelo corredor, mas na verdade minha cabeça ainda estava focada nos olhos daquele homem perfeito que entrou na sala da diretoria. Quem seria ele? Um professor? Um aluno? Droga de curiosidade.

Capítulo 2

Como estava sendo meu primeiro dia de aula? Na verdade eu não sabia, porque depois da minha ida pra diretoria eu não voltei para a sala de aula e pretendia fazê-lo apenas no último horário por causa da aula com o Sr.Folks, mas enquanto não chegava a hora da tortura, resolvi ficar vagando pela escola e a estava comigo, ela era bem legal na verdade, e talvez não seria tão torturante assim estudar naquela escola, e que se foda os riquinhos.
- E então, você tinha um namorado em Manchester?
e eu estávamos sentadas no terraço de uma das instalações da escola, ela sabia onde ficava os melhores lugares da escola, e eu previ que aquele lugar seria bastante frequentado por mim quando não estivesse afim de assistir uma aula chata ou algo do tipo.
- Bom, na verdade eu e o Dylan ficamos algumas vezes, mas ele é definitivamente só meu amigo, sabe aquela coisa de pegar só por pegar? – Ela sorriu e assentiu. – Pois era bem assim, ele é a relação mais fixa que já tive, se é que pode se considerar com uma relação. – Dei um risinho. – Fora isso eu ficava com alguns carinhas em festas, que rolavam muitas e muitas vezes na casa da Lauren, ela morava sozinha, então imagine só.
- Sua vida era bem agitada. – Sorri assentindo, me ajeitando pra conseguir me encostar na parede. – A minha é agitada só às vezes, porque eu ainda moro com os chatos dos meus pais e acredite, eles me proíbem de tudo e as festas que eu vou é apenas porque... bom... Você vai me achar ridícula por isso.
- Não me mate de curiosidade e fala logo!
- Eu pulo a janela para conseguir ir à essas festas. – Ela disse tampando o rosto, enquanto eu caí na gargalhada.
- Não precisa ficar assim, na verdade já passei muito por isso também, acredite isso é mais comum do que você imagina.
- Mas seu pai, pelo que parece, não liga tanto pra isso agora.
- Não liga mesmo. Mas acho que ele desistiu de tentar me impedir, ele sabe que fujo se for preciso, e castigos não funcionam mais comigo.
O sinal da escola soou e fiquei de pé no mesmo instante, era o último horário e pelo que constava ele seria com o Sr.Folks, que me mataria se não estivesse presente, eu não ligo em ganhar advertências, mas, sinceramente, não queria ganhar uma no primeiro dia de aula . - Preciso ir pra maldita aula de espanhol com o gay do Folks. Eu tenho mania de chamar as pessoas que não gosto de gay, culpa da Lauren que chamava todos os ex namorados dela assim.
- Hum, eu tenho aula de educação física. – Ela rolou os olhos e bufou.
- Meus pêsames pra nós duas. – Rimos antes de começarmos a descer as escadas.
Segui rapidamente pra sala onde teria minha próxima aula, não queria chegar atrasada também, eu tinha que estar lá antes do Folks, ele não poderia perceber que estava ausente de forma alguma, e o incrível era que quanto mais eu andava, mais o corredor parecia aumentar de tamanho.
Abri minha mochila pegando meu caderno e uma caneta pra chegar abrindo o mesmo e colocando em cima da minha mesa, pra fingir que estava lá o tempo todo, e então esbarrei, aliás, praticamente atravessei um corpo de tão forte que foi o esbarrão.
Meus materiais caíram todos no chão e o imbecil que tinha esbarrado em mim ficou rindo da minha cara enquanto eu juntava tudo, era só o que me faltava.
Juntei tudo e me levantei, e pra minha surpresa quem estava na minha frente era o cara da diretoria que julguei como perfeito, lá estavam os incríveis olhos hipnotizantes que pareciam me engolir, mas naquele momento minha raiva foi maior que o magnetismo daqueles olhos.
- Seu babaca, vê se presta atenção por onde anda a partir de agora, certo? – Já ia saindo, quando senti a mão dele segurando firmemente o meu braço.
- Me chamou de quê? – Senti um arrepio quando olhei pra ele, e senti medo também; logo eu sentindo medo de alguém, me senti patética. E, afinal, quem ele pensava que era pra falar daquele jeitinho arrogante e prepotente comigo? Definitivamente eu sabia que aquele era mais um aluninho daquela escola, e assim como os outros, se achava, o que diferenciava ele dos demais era o estilo dele, mas por dentro era tão podre quanto todo o resto da escola.
- Te chamei de babaca, além de sem educação é surdo também? – O fuzilei com os olhos, se pudesse ter visão de raio laser ele estaria morto naquele momento.
- . – Ouvi a voz do professor de matemática chamá-lo da porta da sala ao lado da minha. – Venha logo, a aula vai começar. - Já estou indo, não vê que estou ocupado? – Ele respondeu seco enquanto apertava mais ainda meu braço, senti uma dor latejante no mesmo.
- ! Essa é a última chance, depois não vou repetir, solte a garota e venha para a aula. – O professor repetiu sério e ao mesmo tempo preocupado comigo, senti o olhar de fúria do se intensificar.
- Depois a gente termina essa conversinha, . Então ele soltou meu braço me deixando meio tonta parada no meio do corredor. Afinal como ele sabia meu nome? E quem era aquele garoto afinal? Era apenas mais um aluninho babaca ou o quê?
Passei minha mão levemente pelo local onde as mãos dele apertaram com força, senti uma dor no local que estava vermelho e latejando, ficaria roxo com certeza.
- ? – Dava tudo pra não ter ouvido aquela voz. Droga! Folks havia chegado e eu não estava na sala.
- Sim? – Respondi me virando e indo em direção a ele que estava encostado na porta da sala. - Acho que precisa ir novamente à minha sala. – Ele indicou para o lado da diretoria, e então fui arrastando meus pés.
Me desculpe pai, mas não foi dessa vez, primeiro dia de aula e primeira advertência.


- E então, como foi o primeiro dia de aula? – Estava na cozinha da minha casa tomando sorvete de sobremesa enquanto meu pai lia um histórico de um cliente. O meu pai é um advogado e sempre foi muito requisitado, todos dizem que ele tem o dom da persuasão, menos comigo, é claro.
- Quer realmente falar nisso agora, paizinho? – Fiz uma cara de desânimo.
- Certo, ganhou uma advertência de novo. – Ele tirou os olhos dos papéis em sua mão e olhou para mim. – Não vai mudar nunca minha filha?
- Você sabe, a culpa nem sempre é minha. – Coloquei um pouco de sorvete na boca.
- Já deu argumentos melhores , não esqueça que sou advogado. – Sorrimos, ele tomou um gole de café. – Me diga o que te atormenta, eu conheço esse seu olhar.
- Preciso mesmo dizer? Eu saí da minha escola, da minha cidade e deixei meus melhores amigos para trás, quer coisa pior? – Vi os olhos dele olharam fixamente pra mim, esperando que continuasse. – Mas tudo bem, hoje conheci uma garota bem legal, ela não parece ser fútil como o restante da escola.
- Bom, sabe que pode ir visitar seus amigos quando quiser né? – Eu assenti sorrindo fracamente. – E quanto a essa amiga nova, serve pra te mostrar que nem tudo é tão ruim assim, as coisas podem ficar boas se você quiser. – Ele deu uma olhada no relógio. – Tenho que ir, me desculpe por ter que sair assim, mas tenho um horário marcado com um cliente daqui a 20 minutos e esse caso é muito complicado.
- Tudo bem pai, a gente termina a conversa de noite. - Ele me olhou como se esperasse alguma coisa a mais – Ok, não vamos mais falar sobre isso, você sabe que vou fugir do assunto, então pronto. – Sorri enquanto ele mandava um beijo para mim e saia apressado indo em direção à sala.
- Qualquer coisa me ligue. – Toda a minha vida ouvi essa frase antes dele ir trabalhar.
- Aham.
Ouvi o barulho do motor do carro, olhei da janela da cozinha e vi o carro dele se distanciando, olhei em volta e vi um parque onde algumas crianças se divertiam, me lembrei da minha infância e da minha mãe que nunca esteve presente e de como nunca me divertia, passei minha infância me perguntando onde estaria e por que deixou a mim e meu pai sem explicações, senti um nó em minha garganta, reuni forças respirando fundo, depois dei de ombros e segui para a sala, estava mais interessada em assistir algum filme e me entupir de sorvete, pipoca e refrigerante do que tentar entender uma mulher que não merecia nenhum dos meus pensamentos.

Acordei e os créditos do segundo filme estavam acabando, olhei em volta e já estava escurecendo, havia dormido a tarde toda e acabei que não vi nenhum dos dois filmes que coloquei pra assistir.
Peguei meu celular e vi três ligações perdidas, uma era da e as outra duas da Lauren, sorri e apertei a rediscagem para Lauren.
- Alô? ? – Ouvi a voz escandalosa da minha amiga do outro lado da linha e me senti mais do que feliz.
- Hey! O que foi? - Disse empolgada. – Por que me ligou? Estou curiosa.
- Calma, sua desesperada! – Ela soltou um risinho e ao fundo pude ouvir a gargalhada do Dylan.
- Droga, diz logo!
- Ok, eu e o Dylan fugimos e estamos em Londres, estamos querendo te ver e querendo ir a uma festa muito louca que me falaram que ia rolar, e acredite, avisaram sobre essa festa lá em Manchester, imagine o tamanho dela.
- Sério? Onde vocês estão? Quero ver vocês! – Minha alegria era explícita e eu não falava, e sim berrava ao telefone.
- Se não me deixar surda talvez diga o endereço. – Ela riu enquanto eu tropeçava no balde de pipoca indo em direção a mesinha da sala pra pegar uma caneta e papel. - Pronta pra anotar?
- Sim, pode falar.

Capítulo 3

Liguei pro meu pai assim que desliguei a ligação com a Lauren e avisei que ia sair para vê-los, ele, é claro, não gostou da ideia, mas quem disse que eu me importei? Antes que ele começasse o discurso de sempre sobre quando ia me dar conta que tinha responsabilidades, disse que tinha que desligar para me arrumar e ele não teve tempo de falar mais nada. Subi para o meu quarto, afinal eu tinha uma festa pra ir e eu não sabia de quem era e não fazia noção de qual roupa usaria.
Depois de um banho, fiquei no mínimo uma hora pra escolher no final o primeiro vestido que tinha experimentado, eu sempre fazia isso.
Ouvi meu celular tocando e corri para ver, quando vi no visor o nome da aparecendo, havia ficado tão empolgada com a ligação da Lauren que até esqueci de ligar de volta pra ela.
- Alô, ? – Atendi, enquanto tentava calçar os meus sapatos ao mesmo tempo.
- Alô, . Caramba, tava doida querendo falar contigo. Te liguei uma vez e você não atendeu, resolvi não ligar de novo pra não ser inconveniente.
- Ah, nem precisa se preocupar, eu não me importo de me ligar mais de uma vez, ligue quantas vezes quiser. Mas então, por que me ligou?
- Hoje vai rolar a festa do .
- ? – O garoto que me irritou, no fundo eu sabia que era ele, mas queria ter certeza.
- Sim, aquele da diretoria. – Ouvi ela soltar um risinho. – Uma menina que mora na minha rua também estuda lá na escola e na verdade nem tinha visto ela lá, mas enfim, ela me disse que as festas do sempre são as melhores e que vem gente de tudo quanto é lugar só pra ir nelas, e o melhor de tudo , me disse também que ele tá solteiro.
- E o que tem? – Falei sem ânimo, desde o momento que ela disse a simples palavra ‘’ senti meu estômago embrulhar e tive ânsias de vômito.
- Bem... Pensei que pudesse querer ia à festa, sei lá. – Ela soltou um gemido de dúvida. – Vanessa, a menina que me falou da festa, me disse que irá me apresentar ao . Já pensou se eu fico com aquele garoto ou pelo menos com um dos amigos lindos dele?
- Uau, faça bom aproveito. – Disse baixo enquanto me olhava no espelho esperando que ela não ouvisse.
- O que disse?
- Nada, é só que tô ocupada e depois conversamos mais. E na verdade não vai dar pra ir na festa do , eu tenho outra festa pra ir com meus amigos de Manchester, eles vieram me ver.
- Ah, sério? – Ela disse empolgada, mas pude sentir um pouco de desapontamento na voz dela. Mas por favor, conheci ela naquele dia e ela já estava daquele jeito comigo?
- Então vou desligar e depois me conte como foi a festa, tchauzinho. – Disse terminando de ajeitar meu vestido.
- Tchauzinho, boa festa.
Desliguei o telefone jogando-o em cima da cama, sorri pra mim mesma no espelho, fiz um make rápido, peguei uma bolsa jogando meu celular dentro dela e saí de casa em direção ao local onde Dylan e Lauren estavam.
Chegando no local indicado pela Lauren, saí do táxi e paguei o motorista que arrancou o carro logo depois, me virei e olhei para todos os lados, havia um grande grupo em frente a casa, que parecia uma mansão de tão grande, no jardim em frente a casa havia uns garotos, que na certa estavam usando drogas e bebendo.
Procurei pela Lauren ou pelo Dylan do lado de fora, mas não havia nem sinal deles, então com certeza eles estariam dentro da casa, andei pelo caminho de cascalho até a entrada da casa, a porta branca foi aberta por um casal que sorria e se beijava ao mesmo tempo, me afastei dando dois passos para o lado dando passagem a eles, e depois tratei de entrar logo antes que aparecesse mais alguém atrapalhando minha entrada.
Ao entrar, a primeira coisa que reparei foi em como aquela casa era luxuosa, normalmente festas desse tipo que ‘destroem tudo’ eram feitas em casas digamos... mais modestas, esta casa não era uma simples casa, não era enorme, mas era bastante luxuosa, havia lustres raros, castiçais, quadros de pintores famosos, nunca fui do grupo de luxo, mas por meu pai ser um advogado conhecia este tipo pessoas mais ricas, e então imaginei quem seria o dono ou a dona daquele lugar, devia ser um empresário ou algo do tipo, e com certeza teria um filho ou uma filha que não era lá flor que se cheire, porque pra dar uma festa naquele lugar impecável sabendo os estragos que aquela festa poderia causar, era alguém bastante revoltado que queria realmente causar algum tipo de desconforto nos pais.
Uma música alta preenchia meus ouvidos, sentia meus músculos praticamente entrando no ritmo, as pessoas à minha volta dançavam e bebiam animadas, o local estava totalmente lotado, era difícil até me movimentar.
- ! – Ouvi meu apelido, olhei em volta tentando ver se via alguém, mas era difícil sair do lugar, e foi então que percorrendo meus olhos encontrei alguém vindo em minha direção e me dando um abraço, mas não era Lauren e nem Dylan.
- ? – Minha voz saiu com um espanto visível.
- Resolveu vir à festa? – Ela segurava uma cerveja e remexia o corpo animada. – Melhor coisa que você fez, a festa tá ótima e mal começou.
E então me veio um estalo na mente, se a estava ali aquela só podia ser... Oh, meu Deus! Aquela era a festa do maldito do , você pode achar estranho eu odiar alguém tendo conhecido ele há menos de um dia, até mesmo eu achava estranho, mas acredite, nunca conhecia alguém tão estúpido quanto ele, antipatia à primeira vista também existe e eu já odiava . Então naquele momento soltei o ar dos meus pulmões ficando estática por alguns segundos.
- ? Você tá bem? Precisa de ajuda?
- Não. – Levantei minha mão pra ela, tentei abrir um sorriso, mas foi difícil. – Quer dizer, vem comigo?
Ela assentiu, eu me virei e fui em direção a porta tentando passar com dificuldade entre as pessoas que pareciam estar grudadas, olhei para trás vendo vir atrás de mim.
Quando enfim consegui chegar do lado de fora da casa soltei um suspiro, peguei meu celular e liguei para Lauren, só dava sinal de desligado, liguei então para Dylan que atendeu no primeiro momento.
- , minha gata , fala aí! – Como era bom ouvir ele falando daquele jeito comigo, sorri pateticamente.
- Dylan, onde você e a Lauren estão?
- A gente tá na casa de um amigo meu.
- Mas vocês não estavam na festa? – Perguntei atordoada, já não entendia mais nada.
- Estávamos sim, mas a Lauren... você sabe, deu um dos ataques dela e quis vir na casa de um amigo meu, ele disse que ia arrumar um pra ela ‘apertar’, você me entende né?
- Claro que entendo, me mudei pra Londres mas não fiquei burra, Dylan. – Ouvi a risada dele do outro da linha.
- Continua a mesma estouradinha de sempre. – Sorri enquanto ele ria do outro lado. – Estamos indo pra festa novamente, espere a gente na porta, pode ser?
- Sim, eu estarei esperando. – Olhei para o lado e vi de braços cruzados me olhando apreensiva, devia estar preocupada pelo jeito que fiquei na festa. – Quero apresentar uma amiga para vocês.
- Já me trocou, vadia? – Ouvi a voz de Lauren mais lenta do que o normal, ela só ficava assim quando usava drogas, eu na verdade não uso, nunca usei e nem pretendo usar, mas não me afastaria dos meus amigos por isso. – Isso tá no viva-voz, eu estou meio na terra e meio na lua, mas tô ouvindo e entendendo tudo. – Ouvi uma risada débil dela.
- Não te troquei, você é a minha única vadia, acredite. – Ouvi ela rir debilmente outra vez, e logo depois Dylan avisou que ia desligar e que já estava vindo até meu encontro.
Fechei os olhos e pedi mentalmente que minha noite fosse boa, como nos velhos - ou nem tão velhos assim - tempos.

Capítulo 4


Já era bem tarde quando Lauren e Dylan chegaram à festa. Lauren parecia estar em outro planeta, e até tentou me abraçar, animada, mas quando resolveu correr, quase caiu, sendo amparada por um homem que de início nem reparei quem era direito. Dylan a ajudou, sentando-a em um banco que havia na varanda da casa.
- Caramba, , você está se multiplicando em várias. - Esta foi a última coisa que ela disse antes de virar pro lado e dormir; era bem típico dela fazer isso. Enquanto Dylan ajeitava Lauren no banco, virei-me e dei alguns passos em direção ao homem que a havia ajudado, na intenção de agradecê-lo.
- Obrig... Professor? - Minha expressão de espanto era visível. Na minha frente se encontrava ninguém mais ninguém menos que o Sr. , o professor de matemática que havia me ajudado mais cedo durante a cena grotesca do . Deixei minha boca abrir um pouco e ele sorriu para mim, divertido.
- Assustada? - Balancei minha cabeça, tentando acordar pra realidade, mas era bastante estranho para mim ver um professor tão sério na escola e tão diferentemente... sexy, do lado de fora, e inclusive em uma festa daquele tipo. Aquele tipo de coisa definitivamente não acontecia em Manchester.
- Confesso que um pouco. Não estou acostumada a ver meus professores nas festas em que frequento. - Sorri para ele abertamente. Era incrível como não havia reparado em tanta beleza nele quando o vi na escola.
- No meu caso, é mais porque sou meio irmão do dono da festa. - Minha respiração ficou suspensa. Eu estava pirando, havia bebido além da conta ou eu realmente ouvi que o professor era meio irmão do ?
- Vo-Vocês são irmãos? - Não havia sido bem uma pergunta e sim uma afirmação pra mim mesma, uma forma de fazer com que eu conseguisse absolver a última novidade.
- Não somos irmãos de verdade. O pai dele se casou com a minha mãe, e fim da historia - disse ele, olhando alternadamente para mim e para Lauren. Percebi que ele não gostava muito do assunto e preferi não insistir; aliás, nem me interessava em saber mais nada que envolvesse o . - Sua amiga está bem?
- Ah, sim. Ela exagera algumas vezes. - Naquele momento, Dylan se aproximou de nós, sorrindo bobamente, e me deu um abraço desajeitado.
- Olá, , minha pequena, senti sua falta. - Sorri enquanto o abraçava fortemente. Aquele era o Dylan bêbado; o Dylan sóbrio não me chama de pequena. Aliás, não chama ninguém de pequena ou por qualquer outro apelido carinhoso.
- Também senti muito sua falta, Dylan. - Quando nos afastamos, ele olhou para , esperando obviamente saber quem era. Eu conhecia aquele olhar. - Bom, esse é o Sr. , meu professor de matemática.
Dylan arregalou os olhos; com certeza surpreso por ser um professor na festa.
- Um professor em uma festa destas? - Ele soltou uma gargalhada. - Definitivamente estas festas de Londres são foda.
E então ele saiu andando para o lugar onde estava antes com Lauren, e pelo que havia percebido, ele já estava se interessando em , sem nem ao menos eu ter apresentado um ao outro. Dylan sempre gostava de agir por conta própria, e sinceramente já via o final daquela historia.
- Mas então? - A voz do professor me fez voltar a olhá-lo. - Gostando da escola?
Não, eu não estava gostando da escola. Essa era resposta que daria, mas resolvi mudar um pouco meu discurso.
- Sim, apesar de ter muita gente fútil e babaca, mas eu consigo superar ou pelo menos torço pra isso. - Dei um risinho nervoso. Preferi omitir meus chiliques de adolescente que uso com meu pai. Não queria parecer uma idiota na frente do professor.
- Você é perspicaz, garota. - Ele piscou para mim, fazendo o meu coração acelerar de modo descompassado. Senti minhas mãos suarem e ficarem extremamente geladas.
- Obrigada. Mas acho que qualquer um repara que há pessoas fúteis e babacas naquele colégio. - Sorri como uma idiota diante de tamanha beleza.
- ? - Me virei para ver quem estava me tirando daquele momento glorioso de contemplação do professor, e vi Dylan me chamando.
- Melhor você ir. Vemo-nos amanhã na escola - disse ele, se aproximando segurando uma das minhas mãos. - Isso é se você aguentar acordar depois da festa.
Então senti a respiração dele bem próxima do meu rosto e ele depositou um beijo ali. Senti minhas bochechas arderem, ou melhor, todo meu corpo se aqueceu naquele momento.
- Eu irei. Meu pai não me deixaria faltar. - Rolei meus olhos, ouvindo uma risada dele, que me fez sorrir. A risada dele parecia sinos de tão perfeita.
Acenei e me virei, indo em direção ao Dylan e os outros, a contra gosto, é claro. E pelo que percebi, isso estava bem visível.
- Qual é, prefere um professor aos seus amigos? – disse Dylan, com a vez meio embolada, fazendo a mim e alguns outros rirem.
- Ele é legal, nem parece um professor na verdade. – Rebati. Entrei na defesa do deus-grego-.
- , sua safada! – olhou para mim com cara de espanto. – Já ficou a fim do professor ? – Logo depois soltou um riso divertido, e eu dei um tapa de leve na cabeça dela.
- Nem é isso. Ele só é legal e pronto.
Os outros começaram outro assunto e eu peguei a cerveja das mãos de , bebendo-a. Senti o líquido gelado descer pela minha garganta enquanto pensava nas coisas que aconteceram naquele primeiro dia de aula. Seria estranho para outras pessoas odiar um garoto no primeiro dia ou achar o professor de matemática incrivelmente sexy, mas para mim aquilo me pareceu normal. Eu sempre estava envolvida em algo estranho ao extremo, e na verdade se nada tivesse acontecido aí sim me preocuparia.

Capítulo 5

- ! Acorde! Está atrasada para a escola! – Eu queria estar sonhando, mas foi então que percebi que era verdade e meu pai estava realmente me chamando para ir para a escola.
Abri meus olhos, e olhei tudo em volta; senti minha cabeça latejar e levei minhas mãos até ela, massageando minhas têmporas, tentando ver se melhorava, mas eu sabia que nada adiantaria. Minhas ressacas nunca tinham cura, a não ser um bom descanso, e no meu caso não houve muito descanso. Eram sete horas e eu havia chegado em casa às cinco.
Sentei-me lentamente em minha cama; se fizesse tudo na mesma lentidão, chegaria na escola na hora que a aula acabasse e essa seria até uma boa ideia.
Na última noite, me diverti como nos velhos tempos, ou diria que foi melhor ainda; nunca imaginei que as festas em Londres fossem tão boas, isto é, se todas eram daquele mesmo jeito que a festa do . Apesar de que a minha diversão só foi garantida pela presença do Dylan e da Lauren (e do professor , confesso), que estavam mais animados do que nunca. Lauren, mesmo chapada e dormindo, fazia barulhos estranhos e falava coisas sem nexo, me fazendo rir. Ela nunca serviu pra usar drogas e beber ao mesmo tempo, e o Dylan depois de uma hora que se apresentou para , já estava aos beijos com ela, e não sabia quem estava mais bêbado: se era ela ou ele.
Afinal eu pude descobrir nessa festa uma coisa surpreendente. Alguns professores são sexys e também frequentam festas. Eu agora não sei o porquê (okay, eu sei sim), mas acho que quero conhecer melhor o melhor esse lado mais divertido do professor, se é que me entendem.
Cheguei à escola causando espanto em todos; não que isso fosse anormal, mas naquele dia eu até entendi o motivo. Estava de óculos escuros em plena sala de aula, por favor não me culpe, e se você já foi de ressaca pra escola, vai me entender.
- E então, a guerra dos 100 anos... – O Professor de Historia falava enquanto eu cochilava, tentando fazer minha cabeça parar de doer pelo menos um pouco, e quando achei que estava conseguindo, o sinal tocou e minha cabeça latejou novamente. Pelo menos sairia daquela sala um pouco. Quem sabe ficando um pouco no intervalo sem ouvir explicações de professores a dor passava?
Sentei-me em um canto, onde havia uma árvore, e fiquei lá sozinha, encostada sem fazer nenhum movimento. não havia ido na escola naquele dia; ela deveria estar pior do que eu, e então me lembrei de ligar para Lauren e Dylan, para saber se eles já haviam chegado em Manchester. Eles haviam ido embora de táxi na mesma hora que eu, mas minha preguiça era tanta que resolvi mandar apenas uma mensagem, a mesma, para os dois.

"Chegaram bem? xx"
E então, depois, segui para o lugar onde com certeza passaria o resto da aula, no terraço. Andei arrastando meus pés e tentando não chamar a atenção. Meus músculos pareciam reclamar a cada passo que dava quando subia as escadas. Achei que estivesse morrendo torturada, mas o alívio veio assim que pisei no terraço e senti o vento batendo contra minha face. Sentei-me no chão, em um dos cantos onde havia sombra, encostando minha cabeça em uma cadeira velha que estava ali. Fechei meus olhos e então o sono veio avassalador, me embalando profundamente.

Eu andava a passos rápidos através de um corredor enorme. Ia em direção a uma pessoa que se encontrava no fim deste. Minha respiração era ofegante e vacilante e minha visão estava meio turva por contas das lágrimas que se alojaram em meus olhos. Eu precisava alcançar o fim do corredor, não sabia bem o porquê, mas precisava me aproximar daquela pessoa. Derrepente, algo me empurrou, me fazendo cair. Quando olhei novamente para o fim do corredor, a pessoa se aproximou de mim, fez um carinho em meu rosto e me disse que tudo ficaria bem, então reconheci aqueles traços e feições angelicais de mulher. A pessoa que tanto queria alcançar era Claire, minha mãe.
Acordei assustada, com um sobressalto que me fez sentar. Estava ofegante e sentia meu coração bater rapidamente, meus olhos rapidamente se encheram de lágrimas, lágrimas essas que contive. Engoli junto com a verdade que me machucava, a de que minha mãe sempre fez muita falta, mesmo tendo ido embora há 10 anos atrás, deixando para trás uma garota com os sonhos despedaçados.
Senti algo vibrar no bolso de trás da minha calça. Reconheci o toque do celular que tinha colocado para meu pai. Olhei as horas e, para minha surpresa, a aula já tinha acabado havia duas horas. Meu cochilo de 30 minutos se tornou sono pesado de 4 horas.
- Alô, pai.
- Minha filha! – Pude sentir o alívio em sua voz, seguido de um suspiro. – Que bom você atendeu. Tentei te ligar antes, mas você não atendia. – Enquanto ele falava, fui me levantando e me ajeitando pra ir embora. – Onde você está, afinal de contas?
- Bom, depois da aula, resolvi dar uma volta. – Estava meio sonolenta e era péssima em arrumar desculpas nesses momentos. – Sabe como sou.
- Sei, e acredite: um dia você mata seu velho pai de preocupação.
- Fique tranqüilo; já estou indo para casa. – Sorri e então me despedi dele, desligando o celular.
O dilema era: como sairia da escola sem ser notada? A última coisa que queria era ser pega por algum professor e explicar o motivo de estar ali até agora.
Depois de descer do terraço, andei pela escola, à procura de alguma maneira de sair, mas depois de muitas opções só me restou a mais óbvia - a que achei que fosse a mais impossível de conseguir sair -, a entrada principal.
Passei antes em minha sala para ver se meus materiais estavam na minha mesa. Havia deixado antes-os de ir para o intervalo e achava bem difícil de estar lá, mas não custava olhar.
Enquanto andava pelo corredor, pude ouvir algumas vozes. Tentei fazer menos barulho com meus tênis; detestava quando eles faziam barulho, tipo quando você pisa em chão encerado, e a merda do rangido parecia não ter fim. Odiei meu All Star naquele momento.
Ao chegar à porta da sala, assim como já esperava, meus materiais não se encontravam lá, e me perguntei mentalmente quem teria pegado-os e o que estavam pensando de mim por tê-los largado.
Quando ia me virando para ir embora, duas pessoas estavam saindo da sala dos professores, e então entrei para a sala novamente na tentativa de me esconder.
Barulho de chaves ecoou pelo corredor vazio e o silêncio que foi quebrado por uma voz desconhecida.
- Então fica combinado desse jeito?
- Não posso garantir nada. – Essa voz reconheci de imediato. – Eu espero que seu lado do acordo seja cumprido para que o meu também seja.
.
Que acordo era esse, afinal? E quem estava com ele?
- Ora, sem mais festas daquelas, meu filho. É o que te peço, ou Emma terá um ataque cardíaco da próxima vez.
Então era o pai do quem estava ali. Aliás, por que o pai do estava na escola àquela hora? Será que o havia aprontado mais uma das suas? Não duvido nada. Mas eles estavam falando da festa da noite anterior? Estava totalmente confusa naquele momento.
- E você ainda mentiu para o ; o coitado acreditou que eu e a mãe dele estivéssemos de acordo com a sua festinha, mas apenas com a supervisão dele.
- Verei o que eu posso fazer quanto a tudo isso – ele disse, desinteressado. Senti que ele não estava ouvindo nada do que o pai falava. Os dois passaram em frente a sala onde estava e me encolhi, arredando para o lado.
Esperei um minuto e então saí dali o mais rápido que pude; era aventura demais pra um dia e eu só queria ir para casa naquele momento. Torci para que o portão de entrada estivesse aberto, e para minha sorte ,a porteira estava lá.
- Lucy, boa noite. – Li o nome dela no crachá e tentei manter minha voz o mais calma possível. A mulher me olhou com um olhar desconfiado. – Desculpa sair só agora; eu estava na biblioteca estudando e veja só: acabei dormindo sobre os livros e perdi a hora.
O olhar dela havia se suavizado e um sorriso se formou em seu rosto desgastado pela idade.
- Você por acaso é a aluna ? – perguntou, séria, e eu assenti, com medo de mais uma advertência. – Um professor pediu pra guardar pra caso você aparecer por aqui perguntando.
- Ah, eu os havia esquecido na sala. - Fiz uma cara de inocente.
- Jovens - disse, sacudindo a cabeça enquanto abria o portão para que eu pudesse sair.
- Obrigada, e boa noite. – Sorri e ela assentiu, fechando o portão novamente.
Precisava ir para casa, precisava de um banho urgente, e acredite, eu ainda queria dormir e que dessa vez não tivesse pesadelos, é claro.


Capítulo 6

Os dias passavam devagar. Havia quase um mês que estava naquela escola e confesso que começava a me acostumar com tanto riquinho. Na verdade, eu estava fingindo que eles não existiam, pois era o melhor a se fazer; tática infalível.
Dylan e Lauren só me ligavam aos finais de semana, sinceramente até entendia, porque no grupo era eu quem passava a cola das provas pra eles, e agora, sem eu por perto, eles realmente teriam que estudar, e eu acho que essa seria uma tarefa bastante complicada para ambos, resultando numa ausência deles.
e eu ficávamos cada vez mais amigas. Ela estava totalmente apaixonada (sim, ela se apaixona muito fácil) por . Ele é bonito, sexy e tem um charme que encanta qualquer uma nessa escola. O único defeito dele é ser amigo do idiota do , e aliás, falando nele, eu virei o "alvo" preferido dele. As piadas e ironias dele em sala de aula são todas para mim; não que eu ligue, já suportei coisas piores.
Mas quanto ao meio-irmão dele... Oh, meu Deus! Que homem perfeito. A cada aula que passa ele parece ficar mais sexy, e até matemática tem sido bela com presença e explicação dele, mas por enquanto nenhum avanço com os planos de conhecê-lo melhor. Aliás, depois da festa do , ele parece ter mudado e ficado mais sério. Durante dias ele passou por mim sem nem um comprimento e cheguei a pensar que ele estava bêbado na festa e que ele nem sequer sabia mais meu nome, até que um dia ele passou por mim e pela com um suéter azul marinho, uma calça preta justa – sua marca registrada – e um sorriso brincando em seus lábios e então soltou um “Bom dia, ! Bom dia, !”, ele me chamou pelo apelido e eu quase tive uma síncope. pareceu nem perceber, aliás, quem perceberia palavras com ele usando uma calça tão justa como aquela? Só eu mesmo.

- , eu tô ferrada nessa prova de matemática. – Eu estava sentada debaixo da árvore no pátio do colégio. Aquele havia se tornado nosso lugar preferido na hora do intervalo. andava de um lado para o outro segurando o livro de matemática e com uma expressão preocupada.
- Viu só? Quem mandou ficar babando pelo professor enquanto ele explica a matéria? – disse, num tom de brincadeira.
- Você diz como se não fizesse isso, né? – Ela me olhou acusadoramente. – Mais do que eu, ainda por cima.
- Faço mesmo. - Dei de ombros. - Aliás, quem não faz? – Rimos juntas.
- Mas é sério, me diz uma coisa. – Ela fechou o livro e se sentou do meu lado. – Por que não vem aqui e fala comigo logo?
- Primeiro, eu acho que ele gosta de uma glicose anal. – Ela riu e eu continuei a falar. – E segundo, ele anda com o , que não gosta muito de mim, ou seja acho que sou um problema pra você.
- Então que foda-se, não vou me afastar de você por causa de um garoto babaca que não tem opinião própria e vive em função dos comandos do "rei" dele – ela disse, gesticulando aspas com os dedos.
- Exatamente, o parece ser o rei e os amigos dele os súditos. - Ela assentiu e bufou, voltou a abrir o livro procurando pela página da prova que teríamos no próximo horário. - Mas ele pode pensar assim se quiser, ele tem poder para isso. - Franzi a testa ao ouvi-la; não era a primeira vez que ela me falava isso e sempre me intrigava quando falava, era hora de saber o porque dela falar aquilo, queria enfim saber o "super-poder" do , apesar de ter um pouco de medo, confesso.
- Por que você sempre diz isso, ?
- Isso o quê? – Ela tentava se concentrar na resolução de uma equação do livro enquanto me respondia, mas era perceptível a dificuldade dela em fazer as duas coisas.
- Do ter poder, que poder é esse, afinal de contas? – perguntei com receio da resposta. Não minto que pensei até em coisa paranormal; é bem estranho quando quer parecer assim.
- Ah, sim. – Ela desistiu do livro novamente e o fechou, se virando para mim. – Ah, você sabe pelo pai dele ser quem é.
Minha cabeça ficou confusa, talvez mais ainda do que antes.
- "Ser quem é"? Continuo sem entender.
- É, não vai me dizer que não sabe que o pai do é o dono da escola, .
Meus olhos se arregalaram e meu queixo caiu. Se alguém tirasse uma fotografia de mim naquele momento, poderia rir. Minha cara deve ter ficado ridícula, mas não esperava por aquela notícia.
Nunca havia imaginado isso. Pra mim, o dono da escola era o Sr. Folks. Pensei que ele fosse diretor e dono, assim como nas escolas de Manchester. Precisava acordar pra vida e parar de achar que as coisas seriam parecidas com minha antiga cidade em definitivo ou esses sustos nunca acabariam.
As lembranças surgiram em minha mente como cascata e então percebi que foi por isso que os dois estavam até tarde na escola no meu segundo dia de aula, o pai do com certeza deveria estar resolvendo algo e é claro resolveu conversar com o filho sobre a festa da noite anterior, era óbvio, tudo se encaixava, e a prepotência e egocentrismo do estavam explicados, o que não dava o direito dele ser daquele jeito da mesma maneira.
Mas então um estalo me veio na mente.
- Espera aí! Então trabalha pro próprio pai? – perguntei, assustada.
- Exatamente, quer dizer o Sr. não é pai do Professor de verdade, então tecnicamente não é trabalhar pro próprio pai, e o professor trabalhava pro Sr. antes mesmo dele estar casado com a Emma, mãe do professor. - Pisquei algumas vezes enquanto analisava toda a situação. - Sinceramente , em que mundo você vive pra não saber das coisas? – ela disse, sacudindo a cabeça enquanto ria. – Chegamos na escola no mesmo dia e eu sei mais coisas do que você.
- Nunca fui fã de saber da vida dos outros. – Dei língua e ela me deu um tapa na cabeça.
- Sua vaca! – O sinal anunciando o fim do intervalo soou naquele momento e passou na nossa frente, e logo atrás dele veio falando animado no celular.
- Claro, Cristine, a gente se vê hoje à noite então. – Com certeza marcando um encontro com alguma puta, bem estilo dele, não duvidaria se ele fosse cafetão de algum puteiro.
Ri dos meus pensamentos exagerados, e quando me dei conta, estava indo atrás do . Duvido que falaria com ele, mas ela fingiria apenas estar tentando algum contato com ele.
Sendo assim, só me restava ir para a sala, e então assim fiz: fui andando pelo pátio da escola em direção ao prédio onde ficava a sala onde teria minha próxima aula, escutei um baque surdo e quando me virei, vi que minha mochila estava aberta, o que resultou nos meus livros e cadernos caídos e espalhado por onde havia passado.
Agradeci mentalmente minha "sorte", então me abaixei e fui pegando os livros e cadernos, quando fui alcançar o último caderno alguém o pegou para mim.
- Precisa ficar mais atenta, não acha, ? – Os olhos penetrantes do estavam lá, junto com toda sua arrogância que estragava tudo. Bufei, tomando o meu caderno de suas mãos e me virei indo em direção a minha sala. – Um agradecimento cairia bem, às vezes, sabia?
Nem sequer me dei o trabalho de olhar para trás. Nem ajuda dele eu havia pedido, se ele me ajudou a pegar o caderno foi porque quis.
Entrei na sala e fui até meu lugar. Sentia minhas veias latejando e respirei fundo. Não podia ficar tão irritada com um ser tão insignificante como aquele, mesmo que ele causasse algo significativo em mim quando me lançava um de seus olhares furtivos.
- Bom dia! – Então tudo se acalmou, pois a razão pelo meu sorriso matinal estava lá, .
- Bom dia, professor – disse, e ele olhou para mim e abriu um dos seus sorrisos mais lindos.
- Estão prontos para a prova? – ele perguntou, animado.
- Sinceramente? Não. – falou baixinho perto de mim, havia ficado tão irritada com o que nem havia percebido ela sentada na carteira atrás da minha, e é claro ela estava ali para colar da minha prova. Não que eu seja mais inteligente do que ela, mas eu arrumo cola de outras provas com mais facilidade, o que não acho que seja uma grande habilidade, é tudo uma questão de se aprimorar das técnicas.
- Fica calma, essa matéria nem é difícil. – E realmente nem era, dessa vez nem precisaria colar tanto.
Então senti um perfume que quase me intoxicou; um cheiro que faria viciar se ficasse muito tempo por perto. Quando me virei para descobrir as onde vinha aquele cheiro maravilhoso, descobri que o dono do perfume era ele, .
- Olá, Sr. ! – Ele pegou uma prova para mim e depositou na minha mesa. Eu poderia ter pegado, mas acredite, minhas mãos tremiam tanto, isso só pela presença dele ali, aquele homem me fazia perder todo o controle.
E foi por perder o controle que meu lápis caiu. Juro que não foi intencional.
Ele se abaixou para pegar e depois levantou a cabeça e olhou para mim, um olhar com outras intenções, que acreditei ser uma coisa da minha mente criativa.
- Por favor, acho que não há mal algum em você me chamar apenas de – ele falou, quase sussurrando. Fiz uma expressão confusa e ele deu um riso, sinos tilintando para meus ouvidos. – Sabe como é; sinto-me meio velho.
Não pude conter um riso nervoso, parecia uma idiota rindo compulsivamente, mas logo me controlei.
- Pode deixar, tentarei Sen.... . – Ele sorriu e se levantou continuando a entregar as provas.
- Nada de colas, hein? – ele disse pra turma, animado. Parecia estar mais animado do que aparentou nas últimas semanas. Aliás, aquela foi a primeira vez que ele falou algo além de "oi" para mim, e derrepente, ao me dar conta disso, senti um calor subir pelo meu corpo e tomar conta do mesmo.

- , dá pra me explicar que animação repentina é essa? - me perguntou na hora da saída.
- Você sabe, você viu a minha conversa com o hoje – respondi, enquanto caminhava em direção do portão.
- Vocês trocaram duas palavras...
- Depois de um mês de silêncio dele, isso pra mim foi muito. É como se ele tivesse aberto um espaço pra que eu pudesse me aproximar dele.
- Okay, depois eu que fico fantasiando quando digo que o morre de amores por mim.
- Não disse que o professor morre de amores por mim. Bom... pelo menos não por enquanto, apesar de não me importar se ele se apaixonar ou não por mim, só queria uma chance. – Abri um sorriso, fazendo com ela sorrisse junto comigo. – Meu pai vem me buscar hoje, quer uma carona?
- Lógico! Mesmo que fico super chateada de não poder andar nesse sol queimando minha pele e me fazendo suar, sabe que adoro fazer esse ritual né? – ela disse, sarcástica, e fez um beicinho logo depois.
E como já era de se esperar ela acabou indo pra minha casa, e não pra casa dela, o Sr. e a Sra. já confiavam em mim, e a avisava que dormiria na minha casa e eles já consentiam, eles mal sabem com quem eles andam deixando a filha deles, se soubessem colocavam ela num daqueles internatos só para garotas na França.
- Pronto! – avisou, chegando no quarto. Já era de noite e a gente havia resolvido ver pela milésima vez a trilogia de "A era do gelo". – A pipoca ficou meio queimada mas parece que tá gostosa, prova aí!
Ela se sentou e colocou a vasilha no chão no chão, eu olhei e senti o cheiro de queimado.
- Okay, você até no microondas é uma negação, e o pior é que acabou as pipocas de microondas e fazer pipoca com milho é só mesmo se for pra destruir a minha casa.
- E o que você sugere? – ela perguntou, se sentindo derrotada, enquanto fitava as pipocas pretas.
- Eu sugiro uma ida urgente ao supermercado. – Ela fez uma cara de preguiça. – É, eu sei que a preguiça tá dominando a gente, mas a culpa é sua de ter estragado a última pipoca de microondas daqui de casa e meu pai nem tá aqui. Ele saiu com uns amigos depois de um julgamento importante que ele ganhou hoje.
- Tudo bem, então, mas me empresta uma roupa? – Olhei pra ela e balancei a cabeça negativamente.
- Não. Eu quero que você vá pelada ao supermercado, vai ser muito mais sexy. – Rolei os olhos, indo em direção a meu guarda-roupa e ela tacou o travesseiro em mim enquanto ria.

Ir ao supermercado com não era apenas "ir ao supermercado", era agitar e bagunçar o local todo, e acho até que os seguranças davam sinais de alerta quando nos viam chegar nele, e não foi diferente dessa vez; derrubamos um monte de coisas sem querer, ríamos sem parar e todo mundo olhava pra gente e mandamos tchauzinho e beijos pra câmera de vigilância.
E então um homem se aproximou da gente, ele era grande e tinha um aspecto sujo, e, aliás, ele fedia.
- Oi, garotas, estão sozinhas? Querem companhia pra essa noite? – A voz dele era típica daqueles maníacos dos filmes. arregalou os olhos visivelmente amedrontada.
- Eu... Nós... – Eu e ela começamos a andar de costas, morrendo de medo, e a gente já sabia que o próximo passo era correr pra perto de qualquer segurança dali, mas então alguém apareceu e mudou a historia.
- Oi! Demorei muito escolhendo o presunto? – Me virei, assustada, vendo quem era o outro doido que estava atrás da gente e pra minha surpresa era a pessoa mais perfeita que poderia surgir naquele momento.
- ! – Nunca foi tão bom chamar alguém pelo apelido, abri um sorriso que não cabia em mim de tão grande e entrei na encenação. – Demorou um pouquinho, mas tá tudo certo. – Ele sorriu e piscou para mim. Preciso dizer que quase morri?
- Quem é você? Perdeu alguma coisa ou precisa de ajuda, amigo? – ele disse, grosso, olhando de cara fechada pro mendigo fedorento, que fez uma cara de babaca perdido e depois saiu andando. Sinceramente não entendia como deixavam aquele homem ficar lá dentro. Não estou discriminando ninguém, mas aquele homem é um doido tarado pervertido, que ainda por cima fedia.
, que estava petrificada até então, resolveu falar.
- Meu Deus, achei que fosse morrer. – Ela soltou uma grande quantidade de ar. – Obrigada, professor.
- Por nada – ele disse, assentindo com um sorriso nos lábios.
- Não, realmente obrigada. – Revirei meus olhos, estava patética na frente dele, mas se você estivesse no meu lugar também ficaria. – Eu acho que teríamos derrubado várias prateleiras na fuga que estávamos planejando, não é, ?
Esperei a resposta dela, mas quando olhei para o lado, vi que ela havia me deixado sozinha com o professor.... garota esperta.
- Acho que a te deixou sozinha. – Ele riu, pegando uma caixa de biscoitos.
- Pois é, mas então... O que você tá fazendo? – Me senti estúpida fazendo aquela pergunta, o que pessoas normalmente fazem em supermercados? Compras, Burra!
- Bom, acho que estou fazendo compras – ele disse, levantando as sobrancelhas.
- Minha pergunta foi idiota, sei que está pensando nisso.
- Não eu poderia ter vindo ao supermercado pra... sei lá, salvar garotinhas indefesas? – Ele fez uma cara pensativa. – É, você tá certa, foi uma pergunta idiota, .
Ele me chamou pelo sobrenome, porque ele fazia isso? Tudo bem, confesso que gostava dele me chamando pelo sobrenome, era sexy.
Aliás, o que não era sexy naquele homem, por favor?
- Mas eu pensei que vocês tivessem empregados em casa e eles fizessem as compras para vocês.
- Ahn? Acho que não te entendi a parte do "vocês". – Ele fazia aspas com os dedos e a cara dele era de total dúvida, mas afinal ele não morava com a mãe dele, com o pateta, e com o pai do ?
- Pensei que... deixa pra lá. – Sorri, meio sem jeito, sacudindo minha cabeça, não queria me meter na vida particular dele.
- Já sei, pensou que morava na mansão dos , acertei? - Assenti, balançando minha cabeça.
- Achei que morasse lá. – Peguei um pacote de salgadinhos e coloquei no meu carrinho. Isso porque compraria apenas pipoca.
- É, eu prefiro não morar lá. Na verdade, cheguei a morar lá durante uns meses. – Ele se encostou no próprio carrinho e sua feição ficou pensativa. – Mas não deu muito certo, lá não tinha a liberdade que tenho morando sozinho no meu apartamento.
- ? – se encontrava no mesmo corredor que a gente, acho que ela tinha medo de sair dele e ser pega pelo mendigo doido. – Vamos? Tá meio tarde.
Eu poderia matá-la, mas ela estava certa, estava tarde e a gente teria que ir sozinhas para casa.
- Tá bom – disse pra ela e me virei para o . – Ela tá certa, tá meio tarde pra gente ir pra minha casa sozinha. vai dormir lá hoje.
- Onde você mora?
- Na verdade nem é muito longe, são umas três quadras daqui, mas é que vamos sozinhas e a pé, entende?
- Mas eu não perguntei por isso. – Fiz uma cara de interrogação pra ele. – Se vocês quiserem, posso levá-las em casa. Claro, se não tiver problema pra vocês.
Abri um sorriso enorme.
- Não existe problema nenhum pra mim, e acho que não tem nenhum pra também. – Virei meu carrinho pro lado, onde a estava. – Mas a gente não vai dar trabalho pra você? Te tirar do seu caminho pra sua casa?
- Acredite, não é nenhum problema pra mim. Aliás, é um prazer fazer isso por você, – ele disse isso com os olhos vidrados nos meus. Um arrepio percorreu todo meu corpo. – Me deixe te ajudar com o seu carrinho.
Ele segurou o seu próprio carrinho e o meu, e os guiou com grande facilidade pelos corredores do supermercado, e foi super gentil ao pegar nossa compra e levar para o carro. Quem disse que príncipes não existiam mesmo? Tá, exagerei.
Alguns minutinhos mais tarde, estacionou o carro tranquilamente na frente da minha casa e nos ajudou a retirar as compras do carro. E eu deixei propositalmente uma sacola lá, pra usar como desculpa pra sair de novo e poder falar com ele. Sabe como é, me despedir direito.
Ele já estava dentro do carro quando saí novamente, e ficou me olhando e esperando eu me aproximar mais do carro.
- Sou uma lerda, acho que deixei uma sacola pra trás. – Coloquei minha mão na testa, e ele abriu um sorriso maroto, se virando pro banco do carona e pegando uma sacola, e saindo do carro logo após pra me entregar a sacola.
- Será mesmo que é lerda? – Ele levantou uma sobrancelha, e eu fiz uma cara de desentendida. Sei ser santa quando quero. – Pra mim foi um ato de esperteza. – Ele piscou, me entregando a sacola, e logo depois, sem aviso prévio, depositou um selinho demorado em meus lábios, chupando o lábio inferior, o mordendo e puxando até se soltar completamente. – Nos vemos amanhã na escola, . Boa noite!
- Boa noite! – Abri um sorriso. Estava sem palavras; não havia o que dizer. – Tchau!
Ele arrancou o carro e eu fiquei ali parada alguns – vários – minutos olhando pra rua vazia, com o coração acelerado e totalmente perturbado, apenas com um selinho.
Definitivamente, Londres estava me mudando, só não sei se pra melhor.


Capítulo 7

Quando contei pra , ela quase teve um síncope, principalmente porque só contei no café da manhã. Eu não sabia como contar que o professor de matemática havia me dado um quase-beijo. Era estranho e pensei que ela fosse me repreender.
- ! Você beijou o professor mais gostoso dessa cidade, talvez até mais gostoso de toda Inglaterra e acha que vou achar ruim ou estranho?
- Não é normal alunas beijarem professores, não em Manchester, pelo menos.
Na verdade, em Manchester isso seria um escândalo, mas omiti a parte da expulsão do colégio e o nome manchado em qualquer outra escola que fosse pra ela. Percebi mais uma vez minhas comparações que em nada me ajudavam com as saudades dos meus amigos. , falou me acordando dos meus pensamentos soltos e aleatórios.
- Bom, mas você não está em Manchester e ninguém precisa saber além da gente, .
- Okay, eu concordo plenamente com você.
- E sério, não conte isso pra ninguém, me ouviu bem? Senão, quem se ferra é o professor , e aí sim você será morta pela alunas daquela escola por ter causado a expulsão do professor mais sexy da escola.
- Mas foi só um selinho, nem sei se isso vai acontecer novamente. – Mordi um cookie e fiquei pensativa. Aliás, havia pensado em como olharia pra cara dele durante a noite toda. – E não vou contar pra ninguém, isso nem é muito importante de ser contado, e não tem ninguém na escola pra contar isso.
- Olá, meninas. Bom dia! – Meu pai entrou na cozinha com seu ânimo matinal. – Qual é a coisa tão importante pra ser contada que vocês estão falando?
- N-nada pai. – Abri um sorriso contido, enquanto ria da minha cara. – Vai levar a gente pra escola hoje?
- Sim, mas só se vocês concordarem em ir meia hora mais cedo. – Ele tomou um gole de café. – Preciso resolver umas coisas importantes no fórum antes de ir para o escritório.
- Tudo bem pra mim, e pra você, ?
- Tudo certo também, só de não precisar ir a pé já faz meu dia mais feliz. – Meu pai deu sua risada típica.
- Então, vamos? – Ele tomou o último gole do café, e já foi se levantando.
- Já? Já falta meia hora? – Olhei no relógio e realmente faltava menos de meia hora.
- Já, sim, minha filha, você ainda está dormindo?
Levantei-me rapidamente, indo pro meu quarto buscar meus materiais, e veio logo atrás de mim.

Como já era de se esperar, ao chegar à escola, ela se encontrava vazia, pois começa a se encher faltando 10 minutos para o sinal tocar e ninguém entrava antes disso, mas não queria ficar do lado de fora da escola, algo que, aliás, tinha nome e sobrenome me fez querer esperar o sinal dentro da escola, .
- , vou esperar lá dentro, você vem?
- Sem essa, não vou ficar de vela pra vocês, porque eu tenho certeza que vai rolar algo se você encontrá-lo sozinho. – Ela rolou os olhos e logo depois olhou em um ponto fixo e abriu um sorriso enorme.
- Que sorriso repentino é esse? – Olhei pra onde ela estava olhando e lá estava , seu pai e . Tá aí o motivo do ânimo dela. – Já entendi tudo, vê se dá um jeito de falar com ele dessa vez, quer ocasião mais perfeita do que vocês chegando mais cedo no colégio? Faz ele se livrar do mala do e conversa com ele, tô indo.
- Tá bom, cuidado.
- Eu é que te digo isso, representa perigo.
Já ia saindo, mas já era tarde; eles estavam próximos demais.
- Bom dia, meninas. – saudou a mim e a , mas eu sabia que era dirigido mais pra ela do que pra mim.
- Bom dia, disse com um sorriso bobo; ela tem que aprender a disfarçar emoções.
- Bom dia, . Bom, com licença. - Me virei e dei alguns passos, sem nem sequer olhar pro , até que ele me alcançou e segurou meu braço.
- Bom dia pra você também, . – Me virei e desvencilhei meu braço de sua mão, sacudi minha cabeça e saí andando, sem nem respondê-lo.
Cheguei à minha sala, na esperança de encontrar o por lá, mas ele não estava lá ainda. Pensei em ir na sala dos professores, mas pensei que isso seria uma atitude muito infantil, afinal, nunca fui atrás de nenhum garoto ou homem, sempre vieram atrás de mim e continuará sendo assim.
Sentei-me em minha cadeira, e abaixei minha cabeça. Talvez pudesse cochilar, mas alguém entrando na sala me chamou a atenção. entrou na sala e então me lembrei que teríamos aquela aula juntos.
- Me perseguindo, ?
- Não seria o contrário? – Não resisti em responder, e levantei minha cabeça encarando aqueles olhos hipnotizantes, cheio de ironia e prepotência.
- Não sei... é, talvez. – Fui atingida fortemente pela quase afirmação dele, como ele tinha a petulância? Aliás, por que ainda me pergunto isso? Ele é , e essa é a resposta pra todas as minhas perguntas. – Aliás, se você me deixasse, te seguiria sempre, sabia, garota?
- Se depender disso, desista.
- Será mesmo que devo desistir? Se fosse você, não cantaria vitória antes da hora, . – Fiquei totalmente desconcertada com aquelas palavras. Por que ele tinha que se achar tanto? Pra quê tanta segurança nas palavras?
- Fique tranquilo, eu já venci. Eu sempre venço. – Me levantei. Não dava pra ficar no mesmo ambiente que ele, me sentia sufocada, encurralada e principalmente hipnotizada por aqueles olhos penetrantes que me faziam perder o foco. Não entendia o tanto de magnetismo que eles possuíam.
Dei alguns passos em direção a porta, mas ele foi mais rápido e alcançou a mesma, fechando-a e trancando-a.
- Já vai fugir? – ele disse, rodando o chaveiro com as chaves da porta nos dedos. – Sempre age assim?
- Assim como? – Me fiz de desentendida, enquanto na verdade estudava um jeito de sair dali, o que era meio impossível com aqueles olhos me tirando do foco.
- Fugindo. – Ele se aproximou de mim, e eu dei alguns passos para trás inconscientemente. – Já entendi, você tem medo.
- Eu não tenho medo de nada – falei ferozmente, mas na verdade tremia por dentro. Como ele conseguia causar aquele misto de sentimentos em mim?
- Tem sim, morre de medo e sabe de quê? – Ele deu outro passo e eu também, só que para trás. Fiz silêncio e não respondi a pergunta que ele havia me feito, mas então ele continuou. – Medo de não conseguir resistir.
Soltei uma risada irônica, tentando parecer forte e corajosa quando na verdade sentia medo, medo de que as palavras dele talvez fossem reais, afinal, nunca senti tanta atração por alguém tanto quanto sentia quando estava perto dele e daquele par de olhos . Mas ainda assim continuei firme, ou pelo menos tentando ser, não podia vacilar e dar razão aquele idiota metido a todo poderoso.
- Resistir a quê, ? Não me diga que resistir a você. – Fiz minha melhor cara de deboche e prossegui. - Por favor, não me faça rir.
Ele deu mais dois passos, e eu também, mas pra minha falta de sorte encontrei uma parede dura e fria contra minhas costas, e ele se encontrava a um passo de distância de mim.
- Isso mesmo, tente se mostrar forte, continue com o seu teatrinho patético, porque sinceramente eu tô adorando. – Ele passou a língua em seus lábios, e logo depois jogou a chave que estava na sua mão no chão e encostou essa mesma mão na parede ao lado da minha cabeça. Definitivamente não tinha saída, quero dizer, a não ser que usasse minhas mãos ou meus joelhos em certa parte do corpo dele, mas eu parecia ter perdido todas as minhas forças, e realmente não sabia o motivo pra ficar daquele jeito perto dele. Que droga de poder era aquele que ele tinha que me envolvia tanto? Ele levantou a outra mão, apontando seu dedo indicador em minha direção e continuou a falar. – Mas eu sei que no fundo, bem aí dentro, você está tremendo.
Mais uma vez, suas palavras me deram medo. Ele tinha razão, eu não sabia bem o motivo mas por dentro tremia, de medo, de ansiedade, não sabia bem ao certo mas algo me dizia que em breve eu descobriria o motivo, ele deslizou a mão que antes usou para apontar o dedo indicador para mim pelo meu braço e então senti uma arrepio no mesmo, e algum tipo de sentimento, até então desconhecido por mim, me atingiu forte naquele momento e as palavras dele se fizeram verdade bem na minha frente. Aliás, dentro de mim mesma.
- Eu entendo, as pessoas normalmente sentem isso quando se aproximam de mim, mas agora quero ver o que sente se eu me aproximar mais um pouco.
E então ele deu o último passo que nos separavam um do outro, ficando agora bem próximo a mim. Podia sentir sua respiração cada vez mais perto, e aqueles olhos tão profundos e tão intensos estavam tão perto dos meus já não me davam mais medo, e sim pareciam me puxar pra dentro deles, me faziam querer mergulhar e nunca mais sair de lá.
- Então, o que sente? – Ele aproximou seu rosto do meu calmamente; era como se ele analisasse cada parte dele.
- N-nada. – Cuspi aquela palavra com o resto de força que existia em meu corpo.
Mas ele não mudou sua feição; não me pareceu nem um pouco abalado e meu corpo incrivelmente pareceu ficar agradecido pela reação dele, não me entendia mais, e na verdade nem me importava mais.
- Jura, ? Porque eu sinto vontade de me aproximar cada vez mais de você. - Então ele encostou seus lábios levemente nos meus, sem me beijar, sem nenhuma pressão. Se ele esperava que eu o fizesse, esperaria sentado. Perdi minhas forças com aquele momento, mas ainda tinha minha personalidade e não o beijaria. Então, roçando de leve seus lábios nos meus, ele disse: – E eu sinto também uma vontade enorme de te beijar, .
Fechei meus olhos ao ouvi-lo sussurrar aquelas palavras e meu apelido, e então ele acabou com os milímetros de distância que poderiam existir, colando nossos lábios um no outro. Ele passou sua língua de leve nos meus lábios, acariciando e pedindo passagem, e eu o fiz, abrindo meus lábios para que pudesse sentir o gosto de seu beijo, e então nossas línguas se encontraram e iniciamos um beijo feroz e confesso cheio de vontade. O mundo pareceu ter se desligado naquele momento, nada me importava mais, nem se ele era ou deixava de ser , pois o desejo falava mais forte.
Explorávamos um a boca do outro, como se aquele fosse ser o único beijo de nossas vidas, e talvez fosse, mas não queria pensar nisso. Minhas mãos encontravam acariciando os cabelos macios dele, enquanto ele segurava firmemente minha cintura apertando a mesma e me empurrava contra a parede com seu corpo colado no meu, soltei um gemido rouco e abafado pelos lábios dele quando ambas suas mãos deslizaram da minha cintura para os meus seios. Senti-os enrijecer ao mínimo toque, mesmo por debaixo do sutiã e do uniforme. Ele deu uma mordida em meu lábio inferior, deixando-o preso entre seus dentes, e passou a sua língua calmamente nele, o acariciando. Uma de minhas mãos desceu pelas costas dele, o arranhando por cima da blusa. Senti um suspiro sair de seus lábios e então ele voltou a me beijar mais ferozmente ainda, enquanto uma de suas mãos escorregava pela minha cintura, causando arrepios por toda a extensão. Pousou a mão na minha bunda e foi deslizando pela minha coxa, e então puxei com mais força ainda os cabelos de sua nuca com uma das mãos.
E derrepente o ranger da maçaneta sendo girada pôde ser ouvido desfazendo o momento, me fazendo acordar pra realidade, e no reflexo, eu o empurrei pra longe com toda força que havia em mim.
Ele me olhava incrédulo. Não sei se por aquele momento ter acontecido ou por tê-lo empurrado tão bruscamente. Olhei para o lado e vi a chave caída no chão, sem hesitar, abaixei e a peguei, meio cambaleante e trêmula, e já fui em direção à porta. segurou minha mão delicadamente, diferente de todas as vezes que me segurava bruscamente pelo braço, me virei o olhando.
- O que aconteceu? – ele me perguntou, confuso.
- Alguém mexeu na porta. – Soltei minha mão da dele, fui até a porta, destrancando-a, e ao abri-la não havia ninguém do lado de fora esperando. Seja lá quem fosse, foi buscar a chave reserva para destrancarem, e isso de certa forma me aliviou, pois se ainda houvesse alguém ali que visse eu e na mesma sala trancados por dentro, com certeza faria a historia se espalhar pelo colégio.
Virei-me e fui em direção ao meu lugar. continuava parado no meio do caminho, sem entender.
- O que foi, ? – A minha frieza e ódio pro ele haviam voltado, junto com a minha sanidade, mas não conseguia sentir raiva dele por aquele momento, não sabia o porquê; talvez pelo jeito carinhoso dele depois daquele momento feroz. – Fique tranquilo, ninguém saberá disso e acredite... isso não acontecerá de novo.
- Eu sei que ninguém irá saber, e não quero que aconteça novamente também. Como você já deve saber, nunca fico mais de uma vez com a mesma garota. – Ele deu um sorriso enviesado, me fazendo ter vontade de dar um soco na cara dele, e a minha raiva por ele já estava de volta.
Rolei meus olhos e andei até alcançar minha carteira, me sentando na mesma, e na mesma hora, quem eu até havia esquecido que queria ver apareceu.
- Bom dia, ! Bom dia, ! - entrou na sala, sorridente.
, que se encontrava na porta, sorriu.
- Meu dia não está bom, acho que ótimo seria a palavra adequada, não é, ? - E então ele saiu andando e eu fiquei olhando pra porta sem ter o que falar.
- O que ele quis dizer com isso? Ele te fez alguma coisa? Porque sabe... que isso fique entre nós, mas ele sabe ser insuportável quando quer – ele disse, num tom preocupado que fez meu coração derreter e toda raiva que sentia pelo idiota do se desfez em questão de segundos.
- Eu sei bem disso; não precisa se preocupar. – Abri um sorriso. – Aliás, bom dia e obrigada por ontem, eu me esqueci de te agradecer pela carona!
- Como já disse, foi um prazer pra mim, mas se quiser, posso te dizer isso mais vezes, é só aceitar sair comigo qualquer dia desses. - Ele piscou.
- Posso ver se arrumo algum tempo na minha agenda pra você.
- Ótimo, depois me passe seu número e eu te ligo, e continue me chamando de "você"; acho tão lindo e saudável ouvir isso, é melhor que ser chamado de senhor quando se tem menos de 30 anos. – Dei um riso, rezando pra não parecer uma risada ridícula e escandalosa como sempre, tudo que fazia tinha que ser ou pelo menos parecer perfeito, tanto quanto ele. – Aliás, quem abriu a porta? Estive aqui alguns minutos atrás e ela estava trancada – ele disse, num tom curioso.
Meu coração disparou.
Então foi ele quem tentou abrir a porta, já devia ter imaginado antes, mas na hora estava desnorteada demais pra pensar nesses detalhes.
- E-eu não sei, na verdade, na hora que cheguei, já estava aberta.
Então a conversa foi interrompida pelos alunos que chegavam aos poucos. O último a entrar foi , que me fuzilou com seus olhos .
Não sei muito bem o porquê, mas algo em mim me pareceu estranho ao vê-lo, mas diferente de todas as vezes que o via, não conseguia odiá-lo, o sentimento estranho e bom se apoderava de mim, até que começou a explicar a matéria, me tirando dos meus devaneios, mas não apagando os sentimentos confusos.


Capítulo 8

Na hora do intervalo, eu e a resolvemos nos sentar no nosso terraço para não sermos perturbadas e eu também estava louca pra contar o que houve com o pra ela. No início não quis contar; achei melhor esquecer, porque afinal de contas, aquilo não aconteceria nunca mais, mas depois pensei melhor e vi que não conseguiria guardar só pra mim aquela historia e, além disso, a merecia saber. Ela estava se mostrando uma ótima amiga pra mim.
- Então, qual é a coisa importante? – Ela se sentou, cruzando as pernas. Seus olhos estavam cheios de curiosidade. – Professor te beijou? Me conta tudo.
- Ei, ei, ei! Calma! - Sorri e ela continuava atenta me olhando. – Rolou beijo, sim.
Ela deu um grunhindo estranho de animação, mas logo depois se conteve, colocando a mão na boca. Seus olhos eram pura curiosidade; sentia que ela estava prestes a pular no meu pescoço pra obter a novidade completa.
- Mas então, sua sortuda, como é o beijar do professor mais gato da escola?
- Bom, é aí que está... Não beijei o .
Ela se levantou na mesma hora, com os olhos arregalados de susto, ela não imaginava como eu também estava assustada pelo acontecido.
- ? Você já arrumou outro? – Ela sorria pra mim. – Sua safada, quem você beijou?
Então me senti como se o nome "" estivesse preso na garganta, e não conseguisse se desprender dela.
- ! – Falei super rápido e bem baixo, e como eu esperava e queria, ela não ouviu.
- Ahn? – Ela cruzou os braços. – Dá pra falar direito? Seja lá quem for, eu não vou achar ruim, ok? Sou sua amiga.
- Tá bom, foi o... – Respirei fundo e falei de uma vez fechando os olhos, como se aquilo fosse doer. – !
Dessa vez falei em alto e bom som. ficou estática, não fez nenhum movimento e cheguei a pensar que o choque havia sido grande demais e que o frágil coração dela havia parado.
- ? – Corri até ela, que continuava me olhando chocada. – O que foi? Tá, eu sei que isso é estranho, mas calminha aí, né? Foi só um beijo.
De repente, ela me olhou e começou a gargalhar, e gargalhou tanto que me fez rir junto de nervosismo e pela sensação estranha que aquele beijo causou em mim só de lembrar dele. - Você... – Ela tentava tomar fôlego pra falar. - E o se pegando. Não posso acreditar.
- Mas não fique achando que foi TUDO isso. Foi só um beijo. – Me sentei novamente. – Eu e ele já brigamos depois do beijo, e não sei onde estava com a cabeça pra ter deixado ele me beijar.
Continuei contando a historia toda, e contei também sobre o ter pedido meu número de telefone, o que me fez lembrar que havia me esquecido de entregar o número anotado em um pedaço de papel onde escrevi e reescrevi mil vezes meu número durante as primeiras aulas pra ver se tentava esquecer pelo menos um pouco a cena com o .
- Olha, só te digo uma coisa. – A olhava atentamente. – Você vai ficar com o ou com o Professor ?
- Acorda, ! Nunca, ficaria dividida entre os dois! O é quem eu quero. – Meu olhar foi de espanto na mesma hora que ouvi as palavras dela. – E aliás, foi só um beijo com o e ninguém, me ouviu bem? – Ela assentiu afirmativamente enquanto terminava de falar. - Ninguém além de você e o , é claro, vai saber dessa historia.
Logo depois o sinal do fim do intervalo tocou, e eu a seguimos pras nossas respectivas aulas. Fui com a até a sala dela e depois segui para a minha sala que era duas depois da dela.
- Aluna ? – Me virei distraidamente, e me deparei com o sorridente vindo em minha direção. Sabia que ele não costumava me chamar pelo apelido na escola, aliás, ele gostava de me chamar pelo sobrenome, assim como o .
Droga, pra que estava pensando em quando na minha frente se encontrava ? Eu briguei comigo mesma em pensamento, enquanto via se aproximando de mim sorridente, um sorriso maroto que me fez ter vontade de apertar as bochechas dele.
- Sim, Sr. ? – disse, sorridente como sempre. Era só vê-lo pra um sorriso surgir em meu rosto.
- Já te disse que prefiro que me chame apenas de . – Ele de repente mudou as feições e fez uma carinha triste digna de Oscar de ator revelação. – Odeio essa formalidade da escola e me sinto um velho ao ser chamado por todo mundo por Sr., e você me alegra me mostrando que sou mais jovem do que pareço.
- Mas, você me chamou pelo sobrenome, achei que preferisse ser chamado pelo seu também aqui na escola – disse tentando não tremer, inutilmente.
- Pois você está muito enganada; gosto muito e faço questão que me chame apenas de ou , esteja onde eu estiver, e não importa como te chame. Combinado? – Ele abriu seu sorriso perfeito e piscou para mim, me fazendo derreter por dentro.
- Mas porque me chamou? – perguntei curiosa. Ele olhou para os lados. Havia agora apenas alguns alunos indo para suas respectivas salas. Com certeza nenhum deles nos ouvia; estavam apressados e preocupados demais em ir pra suas salas para nos notar, eu também deveria estar apressada e preocupada, mas estava com um professor e talvez pudesse usá-lo como crédito e desculpa pelo meu atraso.
- Não quero te fazer atrasar. – Ele se aproximou de mim e disse o mais baixo que podia, ele estava visivelmente com medo de ser ouvido por algum aluno. – Apenas me dê seu número de telefone.
Então ele estendeu a mão com seu celular na palma dela, estendi minha mão meio trêmula pegando o celular de suas mãos quentes ao contrário das minhas que suavam frio, anotei e salvei meu número em sua agenda e entreguei o celular assim que terminei com um sorriso no rosto.
- Obrigada, depois te ligo. – Ele piscou pra mim e me chamou para ir andando com ele até minha sala. Chegando lá, ele bateu na porta e aguardamos enquanto o Sr. Folks ia até a porta abrindo-a. – Me desculpa a interrupção, mas vim avisar que a aluna se atrasou por minha culpa. Pedi que me ajudasse com alguns materiais que estava levando pra sala dos professores, me desculpe.
O Sr. Folks fez cara de idiota. Aliás, aquela cara era a normal dele, ao contrário do carinho que tinha pelo ele não demonstrava grande veneração pelo , do jeito que ele é talvez achasse o um bastardo, pelo menos foi isso que o olhar dele transmitiu.
- Tudo bem. – Ele assentiu e encostou a mão no meu ombro como sinal de que poderia entrar na sala, olhei para trás e sorri abertamente pra ele, que retribuiu com um sorriso maior ainda. Parece que ninguém se importou muito com a minha presença, na verdade as meninas estavam eufóricas com a presença dele ali, mesmo que por alguns segundos, elas estavam preocupadas demais pra repararem em mim quando podiam reparar os cabelos, os olhos, a bunda e todo o resto do – perfeito – , e vamos combinar elas tinham muita razão.

Uma semana e alguns dias haviam se passado desde o dia fatídico em que rolou meu beijo com o , e desde então não trocamos nem uma palavra sequer e na verdade nem me importava muito, porque havia me ligado dois dias antes marcando da gente sair no sábado, e o dia havia chegado e eu estava tão contente que nada tiraria minha alegria.
Acordei animada, entrei para meu banho dançando e cantando "Help" dos Beatles e em alguns – vários – minutos estava descendo as escadas e indo até a cozinha para tomar meu café da manhã.
- Bom dia, pai! – Abri um sorriso não muito comum em minhas manhãs, principalmente nas de sábado. Ele me olhou com uma expressão totalmente confusa.
- Estou tendo visões, não há explicações. – Me sentei em um dos bancos em volta da bancada onde eu e meu pai costumamos fazer nossas refeições. - Você acordou cedo em pleno sábado por vontade própria, e parece incrivelmente animada.
- Pois é, vai entender, né? – Sorri, colocando um waffle em um prato que se encontrava ali em cima da bancada.
- Eu prefiro não tentar entender como funciona essa sua cabecinha. Já desisti, pra ser mais sincero. – Ele sorriu e se virou novamente para seu jornal, enquanto eu passava manteiga de amendoim no waffle. – Ah, filha, esqueci de te avisar. – Levantei meu olhar para ele, atenta e curiosa, e ele prosseguiu: – Sabe quando você disse que não queria mudar, pois teria que ficar sem suas aulas de violão?
É, eu me lembrava daquilo sim. A verdade, meus caros, é que isso que disse foi só uma desculpa pra tentar fazer com que ele desistisse de mudar, e acho que já perceberam não ter dado muito certo. E a maior das verdades era que nunca fui boa com instrumentos musicais, sempre achei que a culpa era dos professores, porque eu adorava minhas aulas de violão, me faziam passar tempo, apesar de não ter muita paciência e consequentemente ter aprendido pouco.
- Claro, pai, eu estava aprendendo com o Richard. – Que inclusive deu em cima de mim inúmeras vezes. Omiti essa parte que faria meu pai assassinar Richard a sangue frio. - Mas o que tem isso?
- Estava pensando se não quer retomar suas aulas. – Ele fechou o jornal, empolgadíssimo com a oportunidade de me ver tocando violão - muito mal - novamente. – Um dos meus clientes me contou que tem uma escola de música ótima perto da sua escola e que o filho dele frequenta, e eu achei que talvez você quisesse dar uma passada por lá e conhecer o local.
Dei de ombros, colocando mais uma garfada de waffle na boca, eu não sabia se realmente iria na tal escola mas não custava fingir um pouco.
- Talvez seja legal – disse, de boca cheia. – Me dê o endereço depois, certo? – Terminei de engolir o waffle com um pouco de cappuccino, e me levantei indo em direção ao meu pai. - Tô indo na casa da e volto à tarde. – Depositei um beijo demorado em sua bochecha, definitivamente estava feliz, até fofa e meiga eu estava.
- Tudo bem – ele disse, abrindo o jornal e voltando a ler. – Vamos jantar juntos hoje?
- Bom, acho que esqueceu que hoje é a festa que tinha programado de ir.
- Ah, verdade. – Ele tomou um gole de café. – É uma pena, mas amanhã terei a honra de sua difícil presença, minha filha? – ele disse, irônico.
Sorri. Era nesses momentos que tinha certeza que era filha dele, sempre tivemos os mesmos jeitos “sutis” de agir e falar.
- Bom, sabe como é tenho que olhar na minha agenda, pai – Sorri e me virei indo em direção a sala. - Mas qualquer coisa te ligo pra confirmar.
Pisquei enquanto ele ria e fui pra casa da . Eu estava decidida a ir à pé, afinal, eram apenas alguma quadras de distância e eu estava tão animada que até a preguiça havia se extinguido do meu vocabulário, mas no meio do caminho algo me fez arrepender da minha decisão.
- Olá, . – Um ronco de motor super potente se misturou àquela voz tão conhecida por mim, e ao olhar para o lado me deparei com montado em uma moto, mas não era uma moto qualquer, era simplesmente uma moto Ducati preta.
Uma pequena explicação: sempre tive uma tara secreta por motos, e principalmente quando tinha um cara bem gato pilotando.
Fiquei alguns segundos deslumbrando a beleza da moto, e confesso que o em cima dela a deixou mais linda ainda. Droga, como sou capaz de dizer isso? Tá, não posso negar, é gostoso, mas ele não precisa saber disso, né?
- Deslumbrada com a minha "menina"? – Então eu acordei pra vida e sorri enquanto ele desligava a moto e descia, ficando na minha frente. Eu sei que isso pode parecer impossível, mas eu de fato estava sorrindo pra ele.
- É impossível não ficar. – E então percebi que o clima entre a gente estava tranquilo, e me lembrei da cena da gente se beijando, fazendo com que meu corpo se arrepiasse. Precisava reverter aquele momento antes que eu fraquejasse e ele tomasse liberdade de fazê-la novamente. – Pena que o dono é alguém como você; isso estragou o visual dela.
Dei de ombros e continuei andando em direção a casa da com o coração acelerado.
Por Deus, ! Você conversou com ele durante uns dois minutos e já ficou assim? E, aliás, ele é , e você o odeia.
Bom... Odeio mesmo? Sacudi minha cabeça, tentando tirar os pensamentos confusos que a invadiam. Olhei pra trás e ele estava ligando a moto novamente e vindo na minha direção. Não seria fácil me livrar dele.
- Por que você é assim? – Ele estava do meu lado, andando devagar com a moto pra acompanhar meu ritmo.
- Assim como? – perguntei pra ele, sem virar meu rosto.
- Ah, deixa pra lá. Nem sei o que tô fazendo aqui, você não merece que eu perca meu tempo com você – E então ele acelerou, me deixando pra trás, mais uma vez com meus pensamentos confusos. Aliás, ele estava se tornando um mestre nesse quesito.

Dez minutos depois estava chegando à casa da e sendo recebida pela Sra. , com seu sorriso habitual.
- Olá, , minha querida! – ela disse, sorridente, quando abriu a porta.
- Olá, senhora ! – disse ao entrar, sorrindo com a mesma intensidade que ela. Eu tinha meus motivos, vamos combinar. – está por aí?
- Está no quarto dela, não acordou até agora, você sabe como ela é preguiçosa, né? - Assenti, sorrindo. só perdia pra mim no quesito preguiça, mas esse era um detalhe que ninguém precisa saber além de mim. – Fique à vontade, . Eu preciso terminar de preparar o almoço; Jack começa a reclamar de fome e ninguém o aguenta enquanto ele não come.
Jack era o irmão mais novo de . Ele teve uma rara doença quando era criança e perdeu praticamente toda a visão, e agora com 15 anos tudo que ele enxergava eram borrões e por isso andava com um cão guia, mas mesmo assim com o problema na visão era um garoto super animado e extrovertido.
- Tudo bem, senhora . – Ela sorriu e foi até a cozinha enquanto eu ia em direção as escadas da casa e passei pela sala.
- Oi, Jack, amor da minha vida. – Me aproximei do garoto, depositando um beijo em seu rosto.
- Eca, ! – ele disse, enxugando a bochecha com as costas da mão. – Não é necessário me babar todo, né?
- Confessa que você adorou meu beijo, Jack.
- , não comece novamente com essa ideia de tentar me seduzir, você sabe que sou muita areia pro seu caminhãozinho, né? – ele disse, brincalhão, em tom de deboche, me fazendo rir.
- Me poupe, seu pirralho. – Dei um tapa no braço dele. – Vou lá acordar sua irmã, depois a gente se fala mais.
- Vai lá fofocar, então – ele disse, rindo, enquanto colocava os fones de seu iPod no ouvido.
Subi as escadas de dois em dois degraus. Nunca tive paciência com escadas, já comentei isso? Acho que não.
Entrei no quarto dela sem nem bater na porta; minha intenção era dar um susto nela.
- BUUUU! – Ela que estava dormindo, acordou num impulso já se sentando na cama, enquanto isso eu ria da cena. Me arrependi de não ter filmado.
- Sua vaca! Eu te odeio muito, muito mesmo. – Ela levou a mão ao peito esquerdo e logo depois abriu um sorriso, pegando o travesseiro e jogando em mim enquanto eu colocava os dois braços me defendendo do ataque dela.
- Você sabe que você me ama.
- Não tente ser Gossip girl, por favor! – Ri da piadinha idiota que ela fez, pegando o travesseiro no chão, me aproximei e me joguei na cama dela. – Mas sério mesmo, não te amo, você tá me trocando pelo . - Ela fez cara de ofendida enquanto eu levava minha mão até a boca dela.
- Shiiiiiiu! Tá louca? Já pensou se sua mãe ouve e descobre?
- E o que eu tem? Minha mãe é super liberal, e além do mais, ela deve estar super ocupada uma hora destas, ocupada demais pra prestar atenção nas nossas fofocas matinais – disse , rolando os olhos. – Mas então, já sabe qual roupa vai usar? Ele mandou mensagem ou te ligou? Que horas ele te pega na sua casa?
- Ufa! Quantas perguntas. Responderei uma por uma, espera.
Contei tudo sobre a ligação do , que disse que passaria às oito horas na minha casa, meio cedo pra mim, confesso. Pra quem saía de casa às onze da noite pra ir às festas em Manchester, mas enfim, era e por ele valia à pena.

Depois de passar a tarde na casa da , resolvi que já era hora de ir pra casa. Aliás, já estava até meio tarde e, por um momento, desejei que aparecesse e me desse uma carona. Opa! Que merda é essa que tô pensando? Sacudi a minha cabeça, dando um tapa em minha testa.
Respirei fundo – técnica que uso para me acalmar sempre que estou apressada e ansiosa –, em poucos minutos consegui chegar em casa.
Como já imaginava: meu pai nem se encontrava em casa, já eram seis horas e em duas horas estaria batendo na porta da minha casa, e imagine meu desespero ao constar que não sabia nem ao menos a roupa que vestiria.
Decidi escolher a roupa durante o banho, apesar de saber que não adiantaria muita coisa, no fim terminaria experimentando todos os modelitos possíveis do meu guarda-roupa.
Tentei não demorar no chuveiro, mas não foi possível. Quando senti a água quentinha escorrendo pelo meu corpo, relaxei totalmente e me deixei levar pelo momento prazeroso, e nesse "me deixei levar" demorei quase uma hora.
E então veio a pior parte de me arrumar: escolher a roupa.
Eu não fazia a menor ideia do que vestir; tinha milhares de hipóteses, mas nenhuma era o que queria. Eu queria fazer com que se sentisse atraído por mim e pelo meu corpo, mas ao mesmo tempo queria que não fosse muito vulgar, coisas de primeiro encontro, como diria Lauren. Na filosofia dela, o primeiro encontro era apenas para se conhecer. Se você transa com ele de cara ele foge de você depois. Nunca fui muito fã da filosofia dela, e nunca ligava muito se os caras com os quais eu ficava me ligariam no outro dia depois da transa. Nunca quis um relacionamento sério, mesmo que ele envolvesse o mínimo de sentimentos, e era por isso que pegava os caras em festas e depois, quando os encontrava de novo, os cumprimentava como se fôssemos velhos amigos e não tivesse acontecido nada, e eu já sabia que só de estar saindo com o em um encontro formal já denotava um sentimento incluído ali, mas era uma nova fase na minha vida e já que eu havia me mudado de cidade, porque não tentar mudar os conceitos? Talvez eu gostasse, e com o não seria tão difícil assim, eu acho.
Apesar de que não sei se recusaria sexo no primeiro encontro. Digamos que é meio difícil de recusar quando se trata de um gostoso como o , e eu acho que a escola inteira – até as mais puritanas – concordam comigo nesse ponto.

Depois de passar quarenta e cinco minutos me vestindo, continuava indecisa. Bufei, me sentando na cama e pensei alto:
- , se você tivesse ao menos me dito aonde iríamos, seria muito mais fácil.
Ele manter em segredo o local para onde ia me levar era um fator de risco; dependendo da roupa que escolhesse poderia cometer a maior gafe da minha vida – não que me importe, nunca liguei em pagar mico –, mas queria causar uma boa impressão pra . Acho que dá pra entender a minha situação. No fim das contas, depois de milhares de roupas, decidi pôr um vestido tomara-que-caia preto, que ficava totalmente justo no meu corpo, me deixando "gostosa pra caralho", como o Dylan costuma falar pra mim. Fiz uma maquiagem básica; nunca fui muito vaidosa nesse tipo. Enquanto terminava de ajeitar meu cabelo, ouvi o som de uma buzina. Levantei-me do banco em que me encontrava, indo até a janela, e vi o carro de estacionado a minha porta.
Então me desesperei, tentei terminar de arrumar meu cabelo o mais rápido que pude. Quando terminei peguei minha bolsa checando se estava tudo dentro dela e depois saí correndo, desci as escadas tão rápido que achei que talvez não fosse chegar em pé no andar de baixo.
Diante da porta, respirei fundo, e enquanto a abria, coloquei um sorriso em meu rosto. sorria de longe, me olhando da cabeça aos pés, que por ventura parou o olhar em meus pés. Fiquei ali parada com cara de idiota, sem saber o motivo dele tanto olhar pros meus pés, até que olhei para baixo e, para meu desespero, lá estava eu com minhas pantufas do Bob Esponja que coloquei nos pés até resolver o que calçaria, mas o desespero final foi tanto que nem reparei no pequeno detalhe notável.
Levei minha mão à testa e entrei em casa novamente, sentindo minhas bochechas arderem enquanto subia as escadas correndo. Entrei no meu quarto, pegando a primeira coisa que vi: meu scarpin preto envernizado, fui calçando-o enquanto descia as escadas, parei diante da porta novamente, me olhei no espelho da sala: meu cabelo estava no lugar apesar de toda minha correria, sorri pra mim mesma e abri a porta.
E então percebi que enquanto entrei pra colocar meu scarpin ele saiu do carro e agora se encontrava em pé encostado no mesmo, suas pernas cruzadas e um sorriso impecável nos lábios.
Aproximei-me dele calmamente, enquanto na verdade morria por dentro. Ele estava mais do que perfeito. Vestia uma camisa social xadrez marrom e uma calça preta justa. Acho que não preciso fazer mais comentários depois dessa calça, certo?
Aliás, só um. Mal podia esperar pra que ele virasse de costas para ver se a calça realmente caía bem pra ele, em definitivo, se é que me entendem. Aquele "alto relevo" no fim das costas era de grande valor.
- Boa noite – disse sorrindo, me livrando dos meus devaneios.
- Boa noite, querida fã do Bob Esponja. – Seus lábios estavam em uma linha fina, mas eu sabia que ele estava se segurando para não rir.
- Você conseguiu distinguir que era do Bob? – perguntei, sentindo minhas bochechas arderem novamente enquanto ele assentia, coçando a cabeça.
- Acho meio difícil não perceber. Aliás, devo dizer que elas são bem... Marcantes e acho que inesquecíveis também. – Desta vez ele riu e eu não aguentei, rindo junto.
- Caramba, que vergonha.
- Não precisa ficar envergonhada. – Ele deu um passo em minha direção. – Eu te juro que você é a garota mais sexy de pantufas que já vi.
Abri um sorriso ao olhar nos olhos dele. Diferentemente dos olhos do , não me forçavam a mergulhar neles. Eram serenos e me deixariam mergulhar quando quisesse e se quisesse. Mas quem disse que queria mergulhar nos olhos do ? Talvez em outras coisas que envolvessem uma dose de prazer, coisas que o nos seus 18 anos nunca poderia me dar.
- Vamos? – Ele quebrou o silêncio, me alarmando dos meus pensamentos insistentes em lembrar de .
- Claro – respondi prontamente, até que percebi que não sabia exatamente aonde iríamos. – Aliás, aonde vamos mesmo?
- Hmm, como você é curiosa – ele disse, abrindo a porta do carro pra mim. – Você vai saber, mas não é nenhum lugar surpreendente. É só um lugar que costumo frequentar.
- Na verdade, o local não é nada, às vezes a companhia faz toda a diferença.
Abri um sorriso e ele me lançou outro de surpresa pelas minhas palavras. Então entrei no carro. Ajeitava meu cinto enquanto ele dava a volta pra entrar.
- Já que é assim, estou pronto pra melhor noite da minha vida com a garota mais perfeita que já vi. – Era incrível como ele conseguia me deixar envergonhada tão facilmente. - E você, está pronta pra melhor noite da sua vida? – perguntou, sentando no banco e ajeitando o cinto de segurança.
- Só se ela for realmente a melhor de todas. – Ele me olhou, lançando um sorriso que me fez querer agarrá-lo ali mesmo.
Definitivamente, ele não sabia o quanto eu estava preparada para aquela noite.


Capítulo 9

Uma semana e alguns dias haviam se passado desde o dia fatídico em que rolou meu beijo com o . Não trocamos nem uma palavra sequer, e nem me importava, porque havia me ligado dois dias antes marcando da gente sair no sábado, e o dia havia chegado e eu estava tão contente que nada tiraria minha alegria.
Acordei animada, entrei para meu banho dançando e cantando "Somebody told me" dos The Killers e em alguns (Lê-se: vários) minutos, estava descendo as escadas e indo até a cozinha para tomar meu café da manhã.
- Bom dia, pai! – Abri um sorriso iluminado, não muito comum nas minhas manhãs, principalmente nas de sábado, e mais ainda naquele horário. Meu pai me olhou com uma expressão totalmente confusa.
- Estou tendo visões; não há explicações. – Sentei-me em um dos bancos em havia em volta da bancada onde eu e meu pai costumamos fazer nossas refeições. – Você acordou cedo por vontade própria, e parece incrivelmente animada.
- Pois é, vai entender, né? – Sorri, pegando um waffle e depositando em um prato que se encontrava ali em cima da bancada.
- Eu prefiro não tentar entender como funciona essa sua cabecinha. Aliás, já desisti, para ser mais sincero. – Ele sorriu e se virou novamente para seu jornal, enquanto eu passava manteiga de amendoim no waffle. – Ah, filha, esqueci de te avisar. – Levantei meu olhar para ele, atenta e curiosa. – Sabe quando você disse que não queria mudar porque teria que ficar sem suas aulas de violão?
Na verdade, foi só uma desculpa pra tentar fazer com que ele desistisse de mudar (e acho que já perceberam; não vai dar muito certo), mas confesso que adorava minhas aulas de violão, apesar de não ter paciência e consequentemente ter aprendido pouco.
- Claro, papai, eu estava aprendendo com o Richard. Mas o que tem isso?
- Estava pensando se não quer retomar suas aulas. – Ele fechou o jornal, empolgadíssimo. – Um dos meus clientes me contou que tem uma escola de música ótima perto da sua escola e que o filho dele frequenta, e eu achei que talvez você quisesse sei lá, dar uma passada por lá e conhecer o local.
Dei de ombros, colocando mais uma garfada de waffle na boca.
- Talvez seja legal – disse, de boca cheia, sem muita empolgação. – Me dê o endereço depois, certo?
Terminei de engolir o waffle com um pouco de cappuccino, e me levantei, indo em direção ao meu pai.
- Tô indo na casa da e volto à tarde. – Depositei um beijo demorado em sua bochecha; definitivamente estava feliz, até fofa e meiga a ponto de ficar beijando meu pai eu estava, nunca fui boa com demonstrações de carinho.
- Tudo bem – disse ele, abrindo o jornal e voltando a ler. – E vamos jantar juntos hoje?
- Bom, acho que esqueceu que hoje é a festa que tinha programado de ir – falei a mentira com naturalidade. Não era primeira vez que fazia aquilo; já era expert no assunto, mas seria melhor do que falar "ah, pai, desculpa aí, mas nem vai rolar. Sabe o que é? Vou sair com meu professor de matemática treze anos mais velho do que eu, mas fica tranquilo, ele nem é tarado, só será só se eu quiser, tá?"
Depois da minha mentirinha, ele me olhou com uma expressão de quem tenta se lembrar de alguma coisa, o que é normal pro meu pai, que tem a cabeça cheia o tempo todo.
- Ah, verdade – disse ele por fim e tomou um gole de café. – É uma pena. Mas amanhã terei a honra de sua difícil presença minha filha? – perguntou, irônico, e eu sorri. Era nesse momento que tinha certeza que era filha dele.
- Bom, sabe como é tenho que olhar na minha agenda, pai. – Sorri e me virei indo em direção a sala. – Mas qualquer coisa te ligo pra confirmar.
Pisquei pra ele e fui pra casa da . Eu estava decidida a ir à pé, já que eram apenas alguma quadras de distância e eu estava tão animada que até a preguiça havia se extinguido do meu vocabulário.
Mas no meio do caminho, algo me fez arrepender da minha decisão.
- Olá, . – Um ronco de motor super potente se misturou àquela voz tão conhecida por mim, e ao olhar para o lado, me deparei com montado em uma moto, mas não era uma moto qualquer, era simplesmente uma Ducati 999R preta.
Fiquei alguns segundos deslumbrando a beleza da moto, e confesso que o em cima dela a deixou mais linda ainda. Droga, como sou capaz de dizer isso? Tá, não posso negar, é gostoso, mas ele não precisa saber disso, né?
- Deslumbrada com a minha menina? – Então eu acordei pra vida e sorri enquanto ele desligava a moto e descia, ficando na minha frente. Eu sei que isso pode parecer impossível, mas eu de fato estava sorrindo pra ele.
- É impossível não ficar. – E então percebi que o clima entre a gente estava tranquilo, e me lembrei da cena da gente se beijando, o que fez com que meu corpo se arrepiasse. Precisava reverter aquele momento antes que eu fraquejasse e ele tomasse liberdade de fazê-lo novamente. – Pena que o dono é alguém como você. Isso estragou o visual dela.
Dei de ombros e continuei andando em direção à casa da com o coração acelerado.
Por Deus, ! Você conversou com ele durante uns dois minutos e já ficou assim? E, aliás, ele é , e você o odeia.
Bom... Odeio mesmo? Sacudi minha cabeça, tentando tirar os pensamentos confusos que a invadiam. Olhei pra trás e ele estava ligando a moto novamente. Logo veio em minha direção. Não seria fácil me livrar dele.
- Por que você é assim? – Ele estava do meu lado, andando devagar com a moto pra acompanhar meu ritmo.
- Assim como? – perguntei a ele, sem virar meu rosto.
- Ah, deixa pra lá. Nem sei o que tô fazendo aqui falando com alguém como você. – E então ele acelerou, me deixando pra trás com meus pensamentos confusos. O que ele quis dizer com aquilo?

Dez minutos depois estava chegando à casa da , sendo recebida pela Srtª. , que como sempre tinha um sorriso enorme e acolhedor no rosto, confesso que eu às vezes invejava pela sorte de ter uma mãe por perto.
- Olá, , minha querida! – disse ela, abrindo a porta.
- Olá, senhora ! – disse, entrando sorrindo com a mesma intensidade que ela. Eu tinha meus motivos, vamos combinar. – está por aí?
- Ela está no quarto dela. Não acordou até agora, você sabe como ela é preguiçosa, né? - Assenti, sorrindo. só perdia pra mim, mas esse era um detalhe que ninguém precisa saber além de mim. – Fique à vontade, . Preciso terminar de preparar o almoço. Jack começa a reclamar de fome e ninguém o aguenta enquanto ele não come.
Jack era o irmão mais novo da . Ele teve uma rara doença quando era criança e perdeu praticamente toda a visão, e agora com 15 anos tudo que ele enxergava eram borrões e por isso andava com um cão guia, mas mesmo assim, com o problema na visão, era um garoto super animado e extrovertido.
- Tudo bem, senhora . – Ela sorriu e foi até a cozinha, enquanto eu ia em direção as escadas da casa, passando pela sala.
- Oi, Jack, amor da minha vida. – Me aproximei do garoto e dei um beijo em seu rosto.
- Eca, ! – disse ele, enxugando a bochecha com as costas da mão. – Não é necessário me babar todo, né? Parece mais o Charlie.
- Confessa que você adorou meu beijo, Jack – disse, num tom desafiador. – O Charlie, apesar de ser um lindo labrador, não é tão sexy como eu.
- , não comece novamente com essa ideia de tentar me seduzir. Você sabe que sou muita areia pro seu caminhãozinho, né? – disse ele em tom de deboche, me fazendo rir.
- Me poupe, seu pirralho. – Dei um tapa no braço dele. – Vou lá acordar sua irmã, depois a gente se fala mais.
- Vai lá fofocar, então – disse, rindo enquanto colocava os fones de seu iPod no ouvido.
Subi as escadas de dois em dois degraus. Nunca tive paciência com escadas, já comentei isso? Acho que não.
Entrei no quarto dela sem nem bater na porta; minha intenção era dar um susto nela.
- BUUUU! – Ela que estava dormindo, acordou num impulso, já se sentando na cama, enquanto isso eu ria da cena e me arrependi de não ter filmado.
- Sua vaca! Eu te odeio muito, muito mesmo. – Ela levou a mão no peito esquerdo e logo depois abriu um sorriso, pegando o travesseiro e jogando em mim, enquanto eu colocava os dois braços, me defendendo do ataque dela.
- Você sabe que me ama.
- Não tente ser Gossip girl, por favor! – Ri da piadinha idiota que ela fez e, pegando o travesseiro no chão, me aproximei e me joguei na cama dela. – Mas sério mesmo, não te amo, você tá me trocando pelo .
Ela fez cara de ofendida enquanto falava e eu levei minha mão até a boca dela, impedindo-a de falar.
- Shiiiiiiu! Tá louca? Já pensou se sua mãe ouve e descobre?
- E o que eu tem? Minha mãe é super liberal e, além do mais, ela deve estar super ocupada uma hora destas, ocupada demais pra prestar atenção nas nossas fofocas matinais – disse, rolando os olhos. – Mas então, já sabe qual roupa vai usar? Ele mandou mensagem ou te ligou? Que horas ele te pega na sua casa?
- Ufa! Quantas perguntas. Responderei uma por uma, espera.
Contei tudo sobre a ligação do , que disse que passaria às dez horas na minha casa, meio cedo pra mim, confesso, pra quem não saía de casa antes da meia-noite pra ir nas festas em Manchester, mas enfim, era e por ele valia à pena.

Depois de passar a tarde na casa da , resolvi que já era hora de ir pra casa. Aliás, já estava até meio tarde e por um momento desejei que aparecesse e me desse uma carona. Droga! Que merda era essa que eu estava pensando?
Respirei fundo, que é minha técnica pra me acalmar sempre que tô apressada e meio ansiosa, o que na verdade não resolve porra nenhuma, mas de qualquer maneira em poucos minutos consegui chegar em casa.
Como já imaginava, meu pai nem se encontrava em casa. Já eram oito horas e em duas horas estaria batendo na porta da minha casa, e imagine meu desespero ao constar que não sabia nem ao menos a roupa que vestiria. Mas decidi que escolheria a roupa durante o banho, apesar de saber que não adiantaria muita coisa. No fim terminaria experimentando todos os modelitos possíveis do meu guarda-roupa.
Tentei não demorar no banho. Prometi a mim mesma que não passaria de 15 minutos, mas não foi possível. Quando senti a água quentinha escorrendo pelo meu corpo, relaxei totalmente e me deixei levar pelo momento prazeroso. E nesse "me deixei levar", demorei quase uma hora.
E então veio a pior parte de me arrumar: escolher a minha roupa.
Eu não fazia a menor ideia do que vestir;tinha milhares de hipóteses, mas nenhuma era o que queria, e o que queria era fazer com que se sentisse atraído por mim e pelo meu corpo, mas que ao mesmo tempo não fosse muito vulgar. Coisas de primeiro encontro, como diria Lauren.
Na filosofia dela, o primeiro encontro era apenas para se conhecerem e você se insinuar, mostrar do que era capaz só com alguns "toques sutis", se é que me entendem. Ela pensa que se você transa com o homem de cara ele foge de você depois. Nunca fui muito fã da filosofia dela, na verdade, nunca ligava muito se os caras com os quais eu ficava me ligariam no outro dia depois da transa. Nunca quis um relacionamento sério, mesmo que ele envolvesse o mínimo de sentimentos, e era por isso que pegava os caras em festas e depois, quando os encontrava de novo, os cumprimentava como se fôssemos velhos amigos e não tivesse acontecido nada, e eu já sabia que só de estar saindo com o em um encontro formal já denotava um sentimento incluído ali, mas era uma nova fase na minha vida e já que eu havia me mudado de cidade; por que não tentar mudar os conceitos? Talvez eu gostasse, e com o não seria tão difícil assim, eu acho. Apesar de que não sei se recusaria sexo no primeiro encontro. Digamos que é meio difícil de recusar quando se trata de um gostoso como o , e eu acho que a escola inteira – até as mais puritanas – concordam comigo nesse ponto.
Depois de passar algum tempo trocando de roupa várias vezes, continuava indecisa. Bufei, me sentando na cama e pensei alto:
- , se você tivesse ao menos me dito aonde iríamos, seria muito mais fácil.
O fato de o local onde ele me levaria ser surpresa era um fator de risco, pois dependendo da roupa que escolhesse poderia cometer a maior gafe da minha vida. Não que me importe; nunca liguei em pagar mico, mas queria causar uma boa impressão no . Acho que dá pra entender a minha situação.
No fim das contas, depois de milhares de roupas, decidi por um vestido tomara-que-caia roxo com alguns detalhes em preto, que ficava totalmente justo no meu corpo, me deixando "gostosa pra caralho", como o Dylan costumava falar comigo. Fiz um make básico, pois nunca fui de muita maquiagem e, enquanto eu terminava de ajeitar meu cabelo, ouvi o som de uma buzina. Levantei-me do banco que me encontrava, indo até a janela. Vi o carro do estacionado na minha porta.
Então foi a hora do desespero. Tentei terminar de arrumar meu cabelo o mais rápido que pude, e quando terminei, peguei minha bolsa, checando se estava tudo dentro dela, e depois saí correndo. Desci as escadas tão rápido que achei que talvez não fosse chegar em pé no andar de baixo.
Cheguei diante da porta, respirei fundo e, enquanto abria a porta, abri também um sorriso em meu rosto. O vi sorrir de longe ao me ver, e então ele me olhou da cabeça aos pés. Aliás, ele parou os olhos nos meus pés. Fiquei ali parada com cara de idiota sem saber o motivo dele tanto olhar pros meus pés, até que olhei para baixo e, pro meu desespero, lá estava eu com minhas pantufas do Bob Esponja que ganhei havia uns 7 anos e que virou de estimação. Eu as havia colocado nos pés até resolver o que calçaria, mas o desespero final foi tanto que nem reparei no pequeno detalhe notável.
Levei minha mão à testa e entrei em casa novamente, sentindo minhas bochechas arderem, enquanto subia as escadas correndo. Entrei no meu quarto e peguei a primeira coisa que vi: meu scarpin preto envernizado. Fui calçando-o enquanto descia as escadas. Parei diante da porta novamente, me olhei no espelho que fica na sala. Meu cabelo estava no lugar apesar, de toda minha correria. Sorri pra mim mesma e abri a porta.
E então percebi que enquanto entrei pra colocar meu scarpin, ele saiu do carro e agora se encontrava em pé, encostado no carro com as pernas cruzadas e com sorriso impecável nos lábios.
Aproximei-me dele calmamente, enquanto na verdade morria por dentro. Ele estava mais do que perfeito. Vestia uma camisa social marrom xadrez que delineava os músculos do braço e uma calça preta e justa; acho que não preciso fazer mais comentários depois dessa calça, certo? Ou melhor, só um: mal podia esperar pra que ele virasse de costas para ver se a calça realmente caía bem pra ele, em definitivo, se é que me entendem.
- Boa noite – disse, sorrindo, me livrando de meus devaneios.
- Boa noite, querida fã do Bob Esponja. – Seus lábios estavam em uma linha fina, mas eu sabia que ele estava se segurando pra não rir.
- Você conseguiu distinguir que era do Bob? – perguntei, sentindo minhas bochechas arderem novamente, enquanto ele assentia, coçando a cabeça.
- Acho meio difícil não perceber; devo dizer que elas são bem... marcantes, e acho que inesquecíveis também. – Desta vez ele riu. Eu não aguentei e ri junto.
- Caramba, que vergonha.
- Não precisa ficar envergonhada. – Ele deu um passo em minha direção. – Eu te juro que você é a garota mais sexy de pantufas que já vi.
Abri um sorriso ao olhar nos olhos dele que, diferentemente dos olhos do , não me forçavam a mergulhar neles. Eram serenos e me deixariam mergulhar quando quisesse e se quisesse, mas quem disse que queria mergulhar nos olhos do ? Talvez em outras coisas que envolvessem uma dose de prazer, coisas que o nos seus 17 anos nunca poderia me dar.
- Vamos? – Ele quebrou o silêncio.
- Claro – respondi prontamente, até que percebi que não sabia exatamente onde iríamos. – Aliás, onde vamos mesmo?
- Hmm, como você é curiosa – disse, abrindo a porta do carro pra mim. – Você vai saber e não é nenhum lugar surpreendente; é só um lugar que costumo frequentar, mas faz tempo que não vou lá por falta de tempo e de animação. Agora que te conheci, acho que devo te levar lá.
Abri um sorriso, entrei no carro e ajeitei o cinto, enquanto ele dava a volta pra entrar no carro.
- Pronta pra melhor noite da sua vida? – perguntou, sentando no banco e ajeitando o cinto de segurança.
- Só se ela for realmente a melhor de todas. – Ele me olhou e me lançou um sorriso que me fez querer agarrá-lo ali mesmo.
Definitivamente, ele não sabia o quanto eu estava preparada.


Capítulo 10

- Então quer dizer que você me achou velho o bastante pra estar na festa do naquele dia, né? – dizia, brincando com uma cara de ofendido enquanto dirigia.
- Não disse isso, , mas digamos que levei um susto, afinal, você é o professor, eu só achei estranho – disse, rindo, enquanto ele estacionava o carro em frente um lugar com um letreiro em neon verde escrito "Green pepper". Olhei pra ele e meus olhos já transmitiam que estava querendo saber que lugar era aquele.
- Você vai ver que não sou tão velho assim só porque sou seu professor. Vou tirar essa ideia da sua cabeça. – Antes que pudesse dizer alguma coisa, ele me puxou pra perto dele, me dando um selinho. Levei um susto, mas depois tentei aprofundar o beijo. Só que ele se afastou de mim, me deixando confusa. – Cedo demais; a noite nem começou ainda, senhorita .
Sorri, ainda confusa. Aquilo era estranho, ninguém nunca resistia meus beijos. Não estou querendo me gabar nem nada do tipo, mas de qualquer forma aquela última frase me deixou animada. Ele sabia o que dizer pra seduzir alguém e definitivamente era naquele momento que sabia que tinha de beijá-lo de qualquer jeito.
Ele saiu do carro e, antes que eu pudesse desabotoar o cinto e abrir a porta, ele já estava a abrindo para mim.
- Obrigada. – Ele estendeu a mão pra mim e, quando desci, ele passou seu braço delicadamente em minha cintura, deslizando sua mão na mesma causando um leve arrepio.
- Por nada – ele disse, bem perto do meu ouvido, enquanto fechava a porta.
A fila na porta do local era enorme, e então quando olhei novamente o letreiro neon me lembrei que lugar era aquele. Simplesmente a melhor boate, a mais exclusiva de Londres; só pessoas realmente poderosas entravam ali.
- , acho que viemos ao lugar errado. – Ele me olhou e apenas sorria.
- Porque acha isso, ? – ele perguntou, ainda sorrindo.
- Primeiramente, olha essa fila enorme. – Ele assentiu. – E segundo, essa é a boate mais bem frequentada de Londres. Como vamos entrar se não fomos convidados nem nada do tipo?
- Simples. Vem comigo. – Ele tirou os braços da minha cintura e segurando a minha mão me guiou até o início da fila. Quando achei que ele estava furando fila e tentando ser espertinho, ele simplesmente me fez calar a boca e silenciar meus pensamentos duvidosos estúpidos.
- Senhor , boa noite! – O segurança alto e forte que se encontrava na portaria falou com como se fossem amigos de longa data. - Resolveu aparecer; até que enfim, cara.
- Pois é, falta de tempo, sabe como é – respondeu, enquanto minha cabeça maquinava toda a situação.
- Falta de tempo ou não tinha companhia? – Ele deu um sorriso meio malicioso e olhou pra mim. – Porque parece que agora arrumou uma ótima.
- Ah, essa é a . – Ele olhou pra mim, parecendo não gostar muito do que o tal amigo dele disse. – , esse é o Paul, grande amigo e ex-segurança da casa dos . Então entendi tudo, quero dizer, não entendi exatamente tudo, mas deduzi o motivo da amizade entre os dois, e do poder entrar na "Green Pepper" sem problemas.
- Oi, tudo bem? – Estendi minha mão meio sem graça, enquanto ele praticamente me devorava com os olhos.
- Olá, prazer. – pareceu perceber os olhares do Paul pra mim e então resolveu interferir.
- Então, cara, tá tudo certo? – perguntou e então olhei pro lado, uma garota que estava esperando na fila me fuzilava com os olhos.
- Tudo certo sim, seus nomes estão na lista, podem entrar. – Sorri em forma de agradecimento, enquanto passava seu braço na minha cintura novamente. Ele cumprimentou o Paul com um daqueles toques camaradas e seguimos em direção à porta de entrada do local.
- Não gostei – disse em meu ouvido. Ele fazia pra provocar, não haviam mais explicações.
- Do quê? – perguntei confusa, enquanto entrávamos numa espécie de corredor onde a luz era de neon fraca e a luz ficava em transição de cores.
- Do jeito que ele ficou te olhando. Aliás, ele não foi o único todos os caras da fila estavam quase babando por você.
- Não exagera – disse enquanto ria. Não tinha reparado ninguém olhando pra mim além do Paul, é claro, ou seja, definitivamente ele estava ficando doido.
- Eu tenho certeza que eles estavam olhando pra nossa direção e, bom, os olhares definitivamente não eram pra mim. – Tentei contestar, mas ele se virou pro meu lado e me virou também pela cintura, me fazendo ficar de frente pra ele com nossos corpos colados. – Você por acaso notou o tamanho do seu vestido e como ele fica colado no seu corpo? – perguntou num tom sedutor com um sorriso brincando nos lábios, aquele momento mais do que qualquer outro me fez querer beijá-lo e não parar só por aí. Como não respondi à pergunta dele por motivos óbvios que se resume ao calor do corpo dele em contato com o meu, ele então prosseguiu. – É, eu sei que não você não reparou, mas eu sou homem e sei que cada um daqueles caras lá fora davam tudo pra estar no meu lugar, eu sei o que eles queriam fazer porque também quero o mesmo, então não diga que sou exagerado.
- E... o que eles queriam? – Eu já imaginava o que era, mas me fiz de boba.
Seu rosto estava próximo ao meu e senti ele se aproximar, achei que ele enfim fosse me beijar de verdade quando algumas pessoas entraram no corredor nos fazendo afastar.
- Depois a gente continua essa conversa. – Ele piscou pra mim, enquanto eu ria.
Seguimos até a porta da boate e quando ele a abriu, descobri o motivo daquela boate ser tão VIP. Era definitivamente o lugar mais lindo e bem organizado que já vi, e as pessoas que estavam lá nem de longe me lembravam as pessoas com as quais estava acostumada a conviver.
- Quer beber alguma coisa? – me perguntou em meio à música alta. Assenti e ele segurou firme em minha mão abrindo caminho para que conseguíssemos atravessar a pista de dança que por sinal era enorme, me senti pobre diante daquele lugar, percebi que nunca tinha visto nada nem parecido com aquilo tudo.
Quando chegamos do outro lado da pista o caminho parecia mais livre um pouco e chegamos sem mais dificuldades até o bar.
- Boa noite. O que vão querer? – O tinha que me desculpar, mas que barman era aquele? Tão lindo que eu diria que ele era um ator famoso que estava ali fazendo o papel de barman, não tinha lógica.
- O que você quer, ? – perguntou, ao meu ouvido, para que pudesse ouvi-lo.
- Hmm, escolhe pra mim. – Preferi não arriscar e deixei pra ele escolher.
Olhei em volta novamente e fui andando em direção à pista sozinha, e então a música That’s My Name do Edward Maya começou a tocar e senti uma vontade de dançar e então um cara que parecia ser contratado para animar chegou perto de mim e me puxou pela mão para dançar. Olhei pra trás e vi pagando a bebida, então olhei novamente pro dançarino que estava com cara empolgada e segui com ele pra pista.
Comecei a requebrar e, em questão de segundos, dançava animada com o homem que assim como o barman era lindo. Ele se aproximou seu corpo, mas procurei me afastar e continuei dançando sozinha e quando me virei, me olhava e bebia calmamente. Então, como se um botão de "impressionar" tivesse sido acionado, eu comecei a rebolar e remexer meus quadris o melhor que podia, enquanto olhava dentro dos olhos do . O que via nos olhos dele era algo que me fez esquentar à distância. Luxúria .
Sorri, maliciosa, enquanto rebolava, descendo um pouco até o chão. A sensação de estar sendo desejada daquele jeito era ótima, e eu queria aproveitá-la o máximo que pudesse, por mais que parecesse meio vulgar para os outros.
Senti alguém se aproximar por trás de mim e me virei para ver quem era. Vi que era o dançarino. Rolei os olhos; eu tinha gostado muito de dançar com ele, ele era um gato, mas será que agora podia perceber que agora eu não queria mais dançar com ele? Eu queria o ali comigo.
Ele abriu os braços e veio me abraçando. Tentei o afastar, mas ele obviamente era mais forte do que eu.
- Não quero mais dançar; vou pegar uma bebida. – Usei a desculpa de sempre quando quero afastar um cara de mim, mas desta vez não surtiu efeito. Ele continuava agarrado em mim e enquanto isso, as outras garotas me olhavam feio por ter conseguido que o dançarino mais gostoso de todos me quisesse. Definitivamente, as garotas naquele lugar não estavam acostumadas a perder.
Neste momento senti uma mão em meu ombro e depois uma voz conhecida me acalmou.
- Hey, cara, qual é o seu problema com a minha garota? – perguntou, com a voz um pouco mais alta do que de costume, não só pelo fato da música estar alta, mas também como se quisesse impor respeito. O dançarino se afastou, olhou pra minha cara e depois pra cara do . Aproveitei desse momento pra me aconchegar num abraço com o e então o dançarino se afastou, mas antes de seguir pela pista, piscou e se afastou com o mesmo sorriso de quando se aproximou de mim nos lábios. Típico safado e cafajeste. Aposto que pegaria outra rapidinho.
- Qual é a desse cara? – perguntou e eu olhei pra ele, ainda perturbada, não só pelo momento, mas por ele ter usado o termo "minha garota". Eu sei que foi só pra me livrar do cara, mas quis que aquilo de alguma maneira fosse real.
- Sei lá, esquece isso – disse, sorridente e meio boba, como sempre. – Cadê minha bebida?
- Tá em cima do balcão. Melhor pedir outra; já deve tá ruim. – Assenti e seguimos juntos pro bar.
- ? – Ele olhou pra mim e soltou um resmungo do tipo "hum?" – Você queria mesmo bater naquele cara? Ele é dez vezes maior do que você.
Ele fez uma cara incrédula enquanto nos sentávamos nos bancos dispostos em frente à bancada do bar.
- Dois a zero pra você. Me chamou de velho quando chegamos, agora me chamou de fraco. – Ele tomou um gole de sua bebida e terminou de falar em seguida de um jeito provocante. – Você me subestima demais, sem nem saber das coisas que sou capaz. Senti um arrepio ao ouvir essas palavras saírem da boca dele.
- Eu espero saber um dia – respondi, provocante à altura. Ele passou a mão no meu rosto, descendo pelo meu pescoço, aproximou sua boca do meu ouvido, e então resolveu colocar a minha sanidade à prova.
- Quando você quiser. – Ele mordeu de leve o lóbulo da minha orelha, descendo até o pescoço, depositando um beijo ali e logo depois passando a língua. Soltei um suspiro e senti uma onda de calor em meu corpo. – Acho melhor parar com isso antes que te mostre demais, ainda estamos na boate, seríamos presos por atentando ao pudor.
Maldita boate. Se ele quisesse podia me tirar dali agora e me levar pra onde ele quisesse. Calma, . Ordenei a mim mesma.
Respirei fundo e ele se afastou, pegando seu copo para tomar mais um gole. Enquanto isso tentava resistir aos meu impulsos, tomando um gole da bebida do .
- Isso é bom, também quero um.
Só bebendo pra tentar me controlar, ou pra perder totalmente a sanidade que ainda me restava. Se dependesse de mim e das provocações do ... aquela noite prometia, e muito.


Capítulo 10 - Parte II - Betado por: Andie

Quando eu digo que sou azarada ninguém acredita, eu sei que você vai pensar que sou louca, afinal estou com meu professor sexy de matemática e blá, blá, blá, mas quando achava que tudo poderia ser perfeito me aparece alguém pra estragar minha noite.
.
Recapitulando, eu e estávamos conversando animados num dos sofás que estavam espalhados pela boate, estávamos no mais escondido que ficava em um canto onde só quem chegasse perto poderia ver quem estava ali e o som ali não era tão alto, ele estava me contando sobre o porquê resolveu ser professor e ainda mais de uma matéria chata como matemática, a história parecia mais de aventura por conta das brigas com o pai dele que queria que ele fosse administrador das empresas da família .
- Mas no fim ele aceitou minha decisão, e eu fiquei tão feliz nesse dia. – Ele dizia com um sorriso animado. – Mas no outro dia aconteceu a maior tragédia de todas, meu pai morreu. Ele tinha câncer e nunca contou pra família, mais tarde o médico dele contou para mim e pra minha mãe que ele não queria tratamentos, não queria interromper a vida, não queria dar trabalho pra gente e... Ele foi um idiota.
O sorriso havia desaparecido, era visível que ele não ficava bem quando falava nisso, mas talvez se falasse o ajudaria.
Aproximei-me e segurei sua mão, tentando inutilmente diminuir aquele sentimento ruim.
- Mas agora tá tudo bem. Eu sinto falta dele, sei que não fiz nada de errado. – Ele parecia afirmar aquilo pra ele mesmo, uma forma de fazer aquilo entrar na sua cabeça. Se ele soubesse o que havia acontecido comigo talvez ficasse mais alegre, pelo menos o pai dele o amava, já minha mãe...
Percebi que o clima ali era de tristeza e era nosso primeiro encontro, aquilo não devia acontecer, resolvi tentar animar tanto ele quanto eu.
- Ei, ei! Que astral é esse? – disse animada, colocando uma das minhas pernas entre as pernas dele e ficando ajoelhada no sofá. – Estamos numa boate, se esqueceu?
Ele soltou um risinho e colocou as mãos nos meus quadris.
- Me desculpe, não queria te encher a paciência com esses assuntos, logo no nosso primeiro encontro. – Rolei os olhos.
- Agora você tá me subestimando, . – Coloquei minhas mãos em volta do pescoço dele. – Eu sou toda ouvidos sempre que você precisar, entendeu?
- Mas agora chega disso, agora eu quero ver você requebrando de novo. Aliás, onde aprendeu a dançar tão bem?
- Ah, obrigada. – Sorri. – Tinha uma empregada brasileira lá em Manchester, mas não danço tão bem quanto ela.
- Se você não dança bem, não sei o que é. – Ele deu de ombros. - Quero ver você dançar de novo.
- Como assim? – Fiz cara de indagação. - Você também vai requebrar comigo agora.
- Tá ficando doida? – Ele se assustou com o que eu havia dito. – Danço muito mal, aliás, nem danço.
- Pois a partir de hoje vai dançar, sou sua nova professora, apesar disso ser meio irônico. – Ele deu uma gargalhada e depois assentiu. – Quer dizer que aceita dançar comigo?
- Faço qualquer coisa se tiver sua companhia. – Ele deslizou sua mão para minhas costas. – Mas antes eu quero que faça algo.
- O quê? – Ele passou a mão na coxa que se encontrava entre o meio as pernas dele e colocou ao lado do seu corpo, fazendo ambas as minhas pernas ficarem em volta dele de forma que me puxou pra mais perto, enfiando seus dedos firmes e carinhosamente nos meus cabelos e passou os lábios dele pelo meu pescoço, beijando toda a extensão da mandíbula até chegar aos meus lábios, passou a língua calmamente na mesma, sentia meu corpo formigar e meu coração quase parecia querer sair pela boca.
- Isso.
Ele disse acabando com a nossa distância, colando seus lábios nos meus e grudando nossos corpos, abri passagem pra sua língua e o beijei com intensidade, era toda a vontade de beijá-lo contida em mim que extravasava naquele momento.
As mãos dele passeavam pelas minhas costas enquanto as minhas bagunçavam seus cabelos. Nossas línguas estavam em perfeita sintonia, era como se fossem feitas uma para outra, para trabalharem juntas. Se é que me entende.
Fomos intensificando cada vez mais o beijo até não me restar mais fôlego, mas meu corpo não estava satisfeito, era como se pedisse mais e mais dele. Acho que nunca ficaria satisfeita.
Quando ousamos parar o beijo por alguns segundos sentia a respiração acelerada dele, olhei dentro dos olhos dele e antes que disséssemos algo voltamos a nos beijar, suas mãos desceram e pararam em minha coxa para subirem novamente por dentro do vestido e parar na minha bunda, ele segurou a mesma com força e me puxava cada vez mais para perto, colando nossos corpos ainda mais, mesmo já não existindo espaço que nos separasse.
Minhas mãos desceram pelo peitoral e acariciei a barriga dele e mesmo por cima da blusa senti os músculos dele se contraírem, e então percebi um volume em baixo de mim assustador, parei de beijá-lo por um segundo e olhei para baixo com um sorriso atrevido nos lábios, ele me puxou depositando beijos pelo meu pescoço, enquanto eu agradecia mentalmente por ele além de ser lindo ter sido tão abençoado com aquela qualidade masculina.
As mãos de apertavam minha bunda firmemente, e então decidi ser mais ousada, usar minhas mãos e fazê-lo conhecer meu melhor lado. Abri alguns botões da blusa dele e o arranhei levemente o fazendo soltar alguns suspiros pesados, desci uma das minhas mãos até sua calça, ele levantou o olhar pro meu rosto e um sorriso muito pervertido brotou em seus lábios, antes que percebesse qualquer movimento ele me virou, me sentando no colo dele e voltando a me beijar com mais intensidade do que antes, passando uma das mãos em volta da minha cintura e a outra na parte interior da minha coxa, perigosamente perto da virilha, comecei a beijar toda a extensão do seu pescoço e quando ia voltar a beijar sua boca ele me segurou firme e me sentou no sofá novamente, me afastando dele vi que seus olhos estavam arregalados, pude ver que neles haviam medo, e dúvida.
- O que houve, ? – disse com a voz ofegante e visivelmente assustada. Será que tinha feito alguma merda e nem notei? É típico.
- – ele disse sem fôlego e com a voz vacilante, enquanto fechava os botões da camisa.
- O quê? – Levei um susto tão grande que me levantei. Será que ouvi direito ou estava delirando? Meus pensamentos estavam confusos, aliás, eu estava visivelmente atordoada depois daquele amasso com o .
- Ele acabou de passar em frente ao bar. – passou as mãos nos cabelos tentando ajeitá-los. – Do lugar onde estou dá pra ver um pouco, se não fosse essas cortinas ele poderia ter nos visto também, se nos ver com certeza irá contar pro pai dele só pra me meter em confusão, é bem a cara dele.
Soltei um suspiro aliviado e ao mesmo tempo de raiva, como sempre o estava no caminho.
- Ok, preciso ir ao banheiro. – olhava para o lado do bar, e olhou para mim vendo meu estado, devia estar deplorável e eu podia sentir isso.
- Pode ir, . Vou tentar distrair o , e assim que você sair do banheiro vá para as portas dos fundos da boate e pode sair por lá, eu vou estar te esperando com o carro. – Ele me segurou pelo braço, depositou um beijo nos meus lábios e abriu um sorriso antes de ir na direção contrária da minha, sorri de volta enquanto sentia meu sangue ferver de raiva, senti uma vontade enorme de matar o .
A simples presença dele era capaz de estragar tudo.
Segui para o banheiro, pensando em como era azarada, estava tudo indo super bem e de repente tinha que aparecer algo ou alguém (nesse caso foi um "alguém") pra atrapalhar. Ao chegar no banheiro me vi diante de um imenso espelho, e como já esperava estava tudo fora do lugar, o vestido torto, o cabelo desgrenhado, e eu estava totalmente perdida, aquele pega básico (que de básico não teve nada) com o foi excitante ao extremo, sorri meio boba diante do espelho e então abri minha bolsa começando a me arrumar, afinal não era só porque o apareceu que minha noite estava perdida, pelo menos assim esperava.

Não achei nenhuma dificuldade ao sair da boate, meu medo era cruzar com o pelo caminho, eu sei que podia inventar uma história, uma desculpa convincente, e eu era boa nisso, mas eu tinha medo ainda assim dele descobrir, não sei como ele poderia, mas eu acho que tudo que envolve o nome de no meio é suspeito e perigoso.
Saí da boate cumprimentando o segurança dos fundos por educação, e também porque ele botava medo em todo mundo, e talvez sendo simpática com ele, ele seria comigo também.
Assim que saí senti o vento frio de Londres em contato com minha pele, e vi o carro do estacionado e ele encostado no capô do mesmo a minha espera.
Caminhei até a direção dele, que me recebeu com um sorriso esperto e um selinho.
- Missão cumprida com sucesso, ninguém me viu sair da boate – disse fazendo aspas com os dedos enfatizando a palavra ninguém, que no caso era o .
- Hmm, ótimo. – Ele acariciou meu rosto de leve. – Minha missão também foi cumprida, com muito sucesso, aliás – ele disse com um sorriso maroto nos lábios, como quem tinha aprontado alguma.
- O que você fez?
- Eu conversei com umas amigas minhas que estavam aí, aliás, pedi um favor a elas, e bom, elas são misses, e modelos internacionais, eu tenho certeza que o nem reparou na minha presença por aqui enquanto conversava com elas.
Senti uma raiva estranha se apossando de mim, e caracterizei como ciúmes, do é claro, porque não poderia sentir ciúmes daquele cretino do por ele estar com outras garotas, poderia? Acho que não.
- Então quer dizer que enquanto eu passava sufoco tentando achar a saída você ficou batendo papo com suas amigas lindas e gostosonas, né? – disse em tom de brincadeira fazendo cara de aborrecida, e logo surtiu efeito com ele me puxando para perto e beijando meu pescoço, dando uma mordidinha no mesmo.
- Nenhuma delas é tão linda e gostosa quanto você – disse no meu ouvido me fazendo arrepiar por inteiro, ele percebeu o efeito que causou em mim e passou suas mãos pelos meus braços. – Isso tudo é frio, ?
- Quer mesmo que eu te explique o que causou esse efeito?
- Talvez. Estaria disposta a me explicar? – Ele sorriu de lado com um olhar de falso desentendimento, e eu senti como se o ar esvaísse dos meus pulmões.
- Talvez, mas só se você prometer que vai ser um bom garoto.
- Faço o que você quiser, é só mandar. – Sorri, gostando do joguinho, é claro que ele estava falando aquilo com milésimas intenções, e era essa a melhor parte.
- Então quer dizer que vai ser meu escravo, é isso?
- Opa, de aluno virei escravo? – Ele deu uma risada leve e eu ri junto.
- Foi você quem disse que faz o que eu quiser. – Ele segurava minha cintura e a apertava firmemente, aliás, firme até demais, enquanto eu acariciava a nuca dele com uma mão e a outra estava depositada no peitoral dele.
- É, eu serei seu escravo e canto até I’m slave 4 you da Britney se você quiser.
- Ok, eu acho que isso seria meio exagerado, . Não precisa incoporar o papel desse jeito. – Comecei a rir só de imaginar ele cantando.
- Claro que não, olha só como canto bem... – Comecei a rir quando ele pigarreou e começou a cantar num som audível para quem passava pela rua ou para quem entrava ou saía pela porta do fundo da boate. - I'm a slave for you, I cannot hold it, I cannot control it... – Ele cantava fazendo uma vozinha estranha e as pessoas passavam na rua olhando meio assustadas com aquilo, outras achando graça assim como eu que ria abertamente. - I'm a slave for you, I won't deny it, I'm not trying to hid...
- Chega, chega. – Eu gargalhava tentando conter , que aumentava cada vez mais sua voz. – Seu doido, as pessoas vão pensar que você é louco.
- Não, elas vão pensar que sou seu escravo, você ouviu a letra da música – disse, rindo de mim. Ele pagava o mico e eu que ficava envergonhada. Logo eu que antes cantava, aliás, berrava as músicas no meio da rua com o Dylan e Lauren. – Tudo bem, em qual parte parei mesmo?
Sorri ao ver a cara engraçadinha que ele fez, gostando da brincadeira de me deixar altamente corada.
- Acho que não que você é meu escravo que não pode voltar atrás e nem esconder isso – disse o olhando admirada, mordendo o lábio inferior.
- Pois é, vou contin... – Nesse momento o calei com um beijo, nada muito desesperado, era apenas um beijo, sem segundas intenções (ok, um pouco, eu confesso). Ele retribuiu o beijo, acariciando minha língua calmamente com a sua e depois partiu o beijo mordendo meu lábio, encostou sua testa na minha e sorriu, me apertando mais contra seu corpo. – Sabe que essa é a primeira vez que faço algo totalmente perigoso e que não me arrependo? Algo que inclusive não tenho medo de fazer, acho que é algo pelo qual vale a pena correr o risco.
Não respondi nada, fui pega de surpresa pelas palavras dele, eu tentava captar as palavras para tentar entender tudo aquilo, o que ele queria dizer afinal? Que havia se apaixonado por mim? Tão cedo? Não que me importaria, mas quero dizer, é meio cedo né? Ou será que era coisa da minha cabeça paranóica e minha aversão por sentimentos mais fortes?
Quando fui tentar arrumar algo para responder à altura ele continuou a falar.
- Não precisa responder. – Ele colocou o dedo indicador na minha boca me impedindo de falar, e como se lesse minha mente respondeu as minhas perguntas mais íntimas. - Fique tranqüila, não estou apaixonado nem nada do tipo, antes que você comece a se preocupar, não me apaixono fácil por ninguém, mas é só que eu nunca corro riscos e eu vivo sempre tentando não “errar”, mas desta vez eu tô fazendo algo que não faria em outras épocas e nem com outra pessoa, e acredite, estou gostando do risco.
- E o risco agora é grande, se por acaso alguém te ver beijando a aluna aqui – disse apontando pra mim mesma. - Você é expulso da escola.
- E talvez nunca mais arrume outro trabalho. Tenho certeza que o Sr. faria questão de manchar meu nome ao máximo. – Ele sorriu. – Mas eu não estou me importando, e é isso o mais incrível, você causa isso em mim e sei lá, me faz querer ser livre.
- Me sinto uma manipuladora agora.
- Não se sinta. Eu queria me libertar desses meus medos faz muito tempo, você foi um impulso a mais para fazer isso. – Ele tirou uma das mãos da minha cintura e acariciou meu cabelo. – Desde sempre ouvi meu pai me dizer o que fazer, e minha mãe sempre concordava com ele, sempre fazia tudo na linha, tudo certinho... Não sou certinho, o perfeito que eles queriam que eu fosse.
Senti um calafrio percorrer meu corpo, mas não foi pelo fato de estar me acariciando nem nada disso, eu havia acabado de ver com duas garotas abraçadas a ele atravessando a rua, e mais uma vez podíamos ser vistos por ele.
- , o saiu da boate. – Ele me olhou assustado e sem dizer uma palavra abriu a porta do carro para mim e então entrou do lado do motorista, dando partida no carro rapidamente. Ele andou uns três quarteirões enquanto eu olhava para trás vendo se havia algum carro BMW suspeito, como o havia me pedido.
- Ok, nada dele.
- Ele deve ter ido pra outro lugar, outra boate talvez – disse despreocupado.
- Ou pra algum motel com aquelas garotas – disse em tom de nojo sem pensar e ele me olhou com uma das sobrancelhas levantadas. – O quê? Me desculpa, mas não suporto seu irmãozinho.
- Não é isso, é que... Deixa pra lá.
- Agora fala, odeio quando fazem isso. – Fiz cara de desespero. – Sou muito curiosa.
- Eu sei que você é curiosa, não precisava ter dito. – Ele riu e eu ri junto enquanto dava um tapa no ombro dele.
- Não foge do assunto.
- Não é nada, . Esquece, nem eu lembro mais o que é. – Ele segurou minha mão depositando um beijo na mesma, não havia como não ceder àquela chantagem dele.
- Chantagista – disse, me ajeitando no banco enquanto ele ria.
E então me toquei que mais uma vez não sabia pra onde estávamos indo, e senti uma empolgação crescente em mim, coisas que só um podia causar em mim.
- Aonde vamos agora?
- Você é mesmo muito curiosa, mas sei lá, você decide.
- Sério? Eu decido?
- Aham, vamos lá, escolha o lugar aonde quer ir.
- Huum... – Hesitei antes de dizer o local que queria, obviamente o apartamento dele. Não queria parecer uma ninfomaníaca, apesar de que ir pro apartamento dele não significaria sexo, né? Tá bom, eu sei que sim, mas finjam, pelo menos. – Pode ser seu... apartamento?
Ele me olhou surpreso, com um sorriso nos lábios, me arrependi e me xingava mentalmente por ter dito aquilo. Cadê uma máquina do tempo?
- Hoje? – ele perguntou, mas não era bem uma pergunta. Ele fez uma manobra com o carro saindo do tráfego e virou em um beco vazio e escuro, parou o carro e se virou para mim. – Acho melhor não. - Senti uma pontada no coração. Não é por nada, mas nunca é legal se levar um fora. – Não é você, aliás, é você. É que... em outras circunstâncias eu não hesitaria em te levar pro meu apartamento e fazer com que você nunca se esquecesse dessa noite, mas com você é diferente, você não é só mais uma gostosinha que conheci num pub ou numa boate, entende? Você é gostosa, mas você não é qualquer garota, é diferente de todas as outras, eu quero que essa situação seja diferente também.
Ele não havia me dado um fora, ele havia me elevado, dito pra mim que eu era diferente pra ele, mas mesmo assim me senti desapontada.
- Wow, nem sei o que dizer – disse, tentando manter minha voz firme.
Ele se aproximou de mim e depositou um beijo nos meus lábios, e o que eu achei que seria só um selinho se transformou num beijo de verdade, nossas línguas já conheciam uma a outra e se exploravam com mais facilidade, senti meu sangue pulsar pelas minhas veias, ele não iria até o fim com aquilo, mas não fazia mal dar alguns amassos no carro, né?
Desgrudei meus lábios dos dele que os procurou de volta e então soltei o cinto de segurança, indo para o colo dele e colocando minhas pernas uma de cada lado do seu corpo, quando ia voltar a beijá-lo ele empurrou meu cabelos para trás e me puxou depositando um beijo no meu pescoço, fazendo com que eu me arrepiasse por inteiro, e logo depois disse em meu ouvido:
- Assim fica difícil não perder o autocontrole, sabia?
- Então é melhor perdê-lo.
Ele mordeu de leve o lóbulo da minha orelha, senti meu corpo pedir mais daquilo, mais dele, mas então ele me surpreendeu, me sentando de volta no banco do carona.
Naquele momento me senti uma puta, praticamente havia gritado 'me come!' pro meu professor gostoso de matemática, talvez tivesse passado da conta e agora ele não iria querer mais nada com a vadia aqui.
- Me desculpa? – eu disse com a voz baixa.
- Por qual motivo?
- Por praticamente ficar me jogando pra cima de você, me sinto uma vadia qualquer agora.
- E por que você achou isso? – ele me perguntou curioso. – Isso pra mim foi normal, você não sabe o que é ser puta, já tive mulheres que fizeram coisas piores no mesmo momento que me conheceram. Além do mais, existe uma tensão sexual entre nós dois, e eu quero mantê-la, você vai entender o motivo quando liberarmos toda essa tensão ao mesmo tempo. - Ele piscou e depositou um selinho nos meus lábios. – Então, posso te levar pra casa?
Eu ria enquanto assenti, ele tinha razão quanto a história da tensão sexual entre nós, pelo menos da minha parte ela estava prestes a explodir como uma bomba.


Capítulo 11 - Betado por: Andie

Eram oito horas da manhã e ouvi meu celular vibrando. Não sabia o porquê de existir aquilo se às vezes fazia mais barulho do que se estivesse tocando uma música.
Tateei meu criado mudo a procura dele e o joguei no chão, tentando afastar de mim o som irritante, mas depois de alguns minutos me dei por vencida e peguei o celular, tentando ler alguma coisa no visor, mesmo estando com os olhos meios embaçados.
5 chamadas não atendidas:
Quando ia ligar de volta, o telefone começou a chamar de novo, atendi irritada e ainda meio sonolenta.
- Oi?
- Bom dia, querida! Flor do dia! – Olhei no relógio novamente e confirmei, era oito e meia. tinha batido forte com a cabeça para me ligar naquele horário e tão irritantemente animada.
- Você sabe que horas são? Aliás, sabe que dia é hoje?
- Claro, são oito e meia e hoje é um lindo domingo ensolarado, ótimo pra irmos à festa da casa do , ele vai fazer um churrasco hoje e é claro que você vai comigo, não é?
Então estava explicado o motivo da animação repentina.
- O te chamou? – perguntei, me interessando pelo assunto, não tinha como não ficar feliz ao ver um avanço no caso dos dois. Duas lesmas.
- Sim! Não é o máximo? – Assenti fechando os olhos, como se ela estivesse me vendo. – Ele disse que era pra te levar também, por isso tô te ligando.
- Como assim? Queria que você levasse uma ‘vela’ pro casal? Eu dispenso o convite.
- Não, . – Ela hesitou um pouco ao tentar dizer. – Disse que o fazia questão que você fosse.
Arregalei meus olhos e senti meu coração acelerar um pouco. Eu disse um pouco, ok? Como aquele garoto tinha a capacidade de fazer questão da minha presença em algum lugar? Não tava na cara que eu não suportava ele?
- O QUÊ? – dei um grito e rolei os olhos. – ESSE GAROTO É TÃO PATÉTICO.
- Calma , ele queria te irritar mesmo, foi o que o me disse, mas o disse que a casa é dele, quer dizer, dos pais dele, mas que tá tudo liberado e ele quer que você vá. Então, você vai?
- Vou pensar depois e agora vou voltar a dormir. – Antes que apertasse o botão de desligar ela deu um berro para que não desligasse. – O que foi agora, ?
- Você realmente não vai me contar o que houve entre você e o ? Parece que a coisa foi boa, tá até cansada.
- Não se anime tanto. De qualquer forma te conto tudo no churrasco. – Ouvi um grito animado dela por eu ter confirmado minha presença no churrasco, mas essa era minha intenção, pois só assim ela me deixaria voltar a dormir.
Me virei para voltar a dormir quando ouvi o som insistente do telefone, eu esperava que não fosse a e esperava que meu pai atendesse, mas dez minutos depois o barulho era ainda insistente e ninguém o atendia. Lembrei que meu pai costumava fazer cooper pelo parque do bairro aos domingos, era o único dia que tinha tempo para fazer isso.
Levantei me arrastando pela casa com meu edredom enrolado em meu corpo, xingando o filho da puta que ligava para a casa dos outros naquele horário e em pleno domingo. A eu até entendia, mas se fosse algum cliente do meu pai podia esperar até segunda. Cheguei ao telefone e atendi, tentando fazer com que minha voz não saísse muito sonolenta e embolada para que me entendessem do outro lado da linha.
- Alô?
- Sim, é da casa do Sr. ?
- Aham. É alguma cliente? Porque ele não tá agora. Quer deixar recado?
- Hum, não sou cliente, na verdade sou Claire Dashwood, você é a empregada? - Senti faltar ar aos meus pulmões, meu coração batia descompassadamente, aquele nome significava dor e mágoas.
Era minha mãe ao telefone.
Simplesmente a mulher que me abandonou, que abandonou meu pai, deixando pra trás uma história tenebrosa, muita culpa, um nome manchado e duas pessoas que precisavam dela e do apoio dela. Deixei o telefone cair, meus olhos se encheram de lágrimas, um flash de quando eu era criança passou pela minha mente, não era boa com lembranças, mas algumas nunca saíram da minha cabeça.

#Flashback on

Eu tinha cinco anos, estava num parquinho perto de uma das muitas casas que tive em Manchester, e vi meu pai olhar para mim desolado, com lágrimas nos olhos. Me aproximei e disse inocente:
- Tá chorando, papai?
- Não, meu amor – ele disse com a voz embargada.
- Você tá sim, eu sei quando você tá chorando. – Eu já estava acostumada a vê-lo chorar, sabia quando ele estava ou não chorando, era intenso e eu sentia a tristeza dele. Ele me pegou no colo e sorriu em meio a uma lágrima, acariciando meus cabelos.
- Me desculpa se sou um pai ruim.
- Você não é um pai ruim, e eu te amo papai.
- Sou sim, não te dei as melhores coisas, fiz com que sua vida fosse uma bagunça, uma confusão, mas eu prometo que vão voltar a me dar crédito e voltarão a confiar em mim, e uma hora eu consigo me acertar como advogado novamente, e quando isso acontecer vou te dar a vida que merece, minha princesa.
- Você tá assim por culpa da mamãe. É tudo culpa dela, né?
- Não meu amor, não fica assim. Talvez algum dia você queira conhecer sua mãe, ou talvez ela apareça pra te ver, não quero que você se deixe levar pelos meus sentimentos por ela, não quero que sinta as mágoas que sinto por ela, quando chegar a hora quero que tenha seu próprio ponto de vista, que possa tomar sua própria decisão.


#flashback off

Eu não entendi nada do que ele queria me dizer naquele dia, mas com o passar dos anos eu entendi, e passei a ter meu próprio ponto de vista. Eu odiava aquela mulher.
Eu odiava cada dia que ela fez meu pai chorar, odiava ela pelas lágrimas que encharcaram meus travesseiros, por todas as vezes que o nome dela era lembrado, pelo escândalo que ela causou na vida dele, e pela destruição da vida dele e por tabela a minha vida também.
As lágrimas desciam pelo meu rosto freneticamente, agradecia mentalmente a Deus pelo meu pai não estar em casa, e me perguntava se ela já teria ligado antes e se ele havia atendido ao telefone. Num impulso nervoso peguei o telefone.
- Alô? – A voz tentava ainda ouvir alguém do outro lado da linha.
- Oi – disse, tentando manter a voz menos embargada. – Me desculpa, o telefone caiu e não estava saindo som nenhum. – Inventei a primeira desculpa que me veio na cabeça. – Pode deixar o recado agora.
- Melhor deixar pra lá, prefiro falar com ele mesmo ou então com a , ela está? – Como ela ousava me chamar pelo apelido?
- S-sim, mas ela está dormindo.
- Então não precisa acordá-la, eu ligo novamente depois.
- Você já ligou outras vezes pra cá?
- Não para aí, mas pra antiga casa em Manchester. – Ela fez um som com a boca estranho como se reclamasse e debochasse. – Por que estou contando isso pra uma empregada?
Desliguei o telefone antes que ela dissesse mais uma palavra ou eu a xingaria com os piores nomes existentes no mundo, e assim que desliguei me arrependi de não ter feito isso.
Na mesma hora meu pai entrou em casa sorridente.
- Filha? – Ele tirou o tênis antes de pisar no carpete da sala, porque Mary, a nova empregada, havia reclamado com ele na última semana. – Acordada a essa hora? - O... telefone tava tocando e eu vim atender.
- Droga! Te fiz vir aqui embaixo pra atender o telefone? Fica tranquila que essa semana ainda providencio uma extensão pro seu quarto, tudo bem?
- Não, está tudo bem pai, eu juro. – Ainda tentava organizar as minhas idéias e então fui até ele e o abracei fortemente. – Eu te amo mais do que tudo.
- Opa! – ele disse, assustado minha atitude repentina. - Eu também te amo filha. – Ele passou os braços em volta de mim. – Sorte a sua que estou de moletom, se me visse aqui por debaixo e visse o quanto estou suado...
- Argh! – Me afastei dele e caí na gargalhada enquanto ele tentava me abraçar novamente.
Então percebi que seria difícil passar um domingo inteiro dentro de casa sem lembrar do acontecimento, e me lembrei também que ela poderia voltar a ligar a qualquer momento. Então decidi ir ao tal churrasco do , e precisava arrumar algum jeito do meu pai sair de casa, mas minhas preces foram atendidas.
- Filha, eu sei que tínhamos combinado de passar o domingo juntos, vendo filmes e essas coisas, mas hoje tenho um compromisso importante.
- Tudo bem. – Respondi rápido demais.
- Certo, você também quer sair, acertei? – Assenti, sorrindo. - Então, onde você vai?
- Eu vou na casa do , é um garoto lá da escola, acho que você não se lemb...
- Namoradinho da , não é?
- Isso mesmo. – Meu pai tinha memória fotográfica.
- E o seu namorado vai estar lá?
- Não tenho namorado, você sabe que se tivesse te contaria. – Eu não tinha, afinal não era tecnicamente meu namorado. Não ainda.
- Eu sei, só tava testando. – Ele deu um riso zombeteiro.
- Mas e você, onde vai?
- Na casa do Sr. Peterson, ele quer que eu veja o caso da irmã dele, ela tem 35 anos e está se divorciando do marido, mas não quer que seja em divisão de bens, e o irmão discorda, acha que ela tem direito a ter parte dos bens do marido.
- Hum, entendi. Tomara que ela seja bem gata - disse piscando pra ele, que riu sem graça.
- Minha filha, é trabalho e não diversão.
- Não faz mal que ela seja gata, oras. Unir o útil ao agradável.
- Ok, não faz mal. Satisfeita? – Ele seguiu em direção a escada. – Vou tomar um banho. - Também já vou, não vou dormir novamente, quero me arrumar pro churrasco.
Esperei que ele subisse as escadas e desconectei o cabo do telefone, mesmo que a Claire ligasse novamente enquanto estivéssemos por aqui ninguém ouviria. Subi as escadas e segui para meu quarto, precisava me preparar que o dia ia ser longo, afinal qualquer dia é longo onde se tem .


Capítulo 12 - Betado por: Andie

Saí de casa só depois que meu pai saiu. Era por volta das duas da tarde, queria garantir que ele não passaria nem perto do telefone por um tempo.
Havia vestido meu biquíni azul royal com bolinhas brancas e por cima vesti meu vestidinho branco simples, nada demais. Eu não queria chamar atenção. Quanto menos reparassem minha presença seria melhor.
Cheguei na casa do e fui recebida por uma garota muito bonita de olhos azuis.
- Oi! – Ela sorria simpática. – Sou June, prima do ! Pode entrar, a festa é lá nos fundos.
- Obrigada – disse enquanto entrava na casa, e que casa era aquela? Só não ganhava do , mas era enorme e tava na cara que os pais do também tinham bastante dinheiro. Me perguntei mentalmente o motivo pro suportar o , se ele também tinha dinheiro e podia ser 'líder do bando'. Me lembrei do poder de persuasão dele e preferi deixar pra lá, aquelas lembranças ainda me incomodavam. Me irritavam, na verdade.
Fui andando e me perdendo facilmente pela casa, até que vi sentada numa escada falando no celular e me aproximei.
- Não, mãe... - Ela levantou a cabeça e me viu, abriu um sorriso gigantesco, mas que logo desapareceu quando ela voltou a ouvir o telefone. – Assim que der vou pra casa... Tá bom, posso desligar? Quero aproveitar o resto de festa que ainda tenho, obrigada.
Ela desligou o telefone bufando e então se virou pra mim e numa mudança de humor repentina se levantou e me abraçou.
- Você veio!
- Claro, eu disse que viria. – disse sem muita empolgação, eu não tava animada pra festa, o telefonema da minha mãe tinha acabado com meu dia, eu só estava ali para me manter longe da minha casa por um tempo.
- Você dizer que vem não significa que você venha realmente. – Eu ri, ela tinha toda razão. – Então, vem logo, a festa é lá nos fundos.
- Você tava falando com sua mãe sobre o quê?
- Ah, ela tava falando que quer sair com meu pai e que eu tenho que ir pra casa cuidar do mala do Jack.
- Seu irmão não é um mala.
- Cuide dele então. – Ela tava falando sério? Porque eu levei a sério.
- Tá bom – respondi, dando de ombros. Ela parou e me olhou assustada.
- Sério? Você vai mesmo cuidar do meu irmão?
- Claro, por que não? – Era minha salvação, não precisaria ficar em casa e nem teria que ficar olhando pra cara do , meu final feliz. – Seu irmão não é nenhuma criança, é um adolescente e super legal por sinal. Vai ser moleza!
- Ah, eu te amo amiga! – Ela me abraçou mais forte do que na hora que eu tinha chegado.
- Interesseira. – Ela deu língua, e então apressou os passos e eu vi o motivo, estávamos numa sala maior que meu quarto, umas dez vezes, e do outro lado havia uma enorme porta de vidro que dava simplesmente pra um jardim gigantesco, e do outro lado estava a festa. Eu poderia me perder dentro daquela casa e nunca mais reaparecer. me puxou pela mão até a piscina, como se quisesse me mostrar alguma coisa incrível.
- Hey, ! – O garoto sorria com uns amigos e se virou ao ouvir a voz da , os ignorando completamente e vindo até nossa direção.
- E aí, quem era no celular? – perguntou antes de notar minha presença. – ! Achei que não viesse mais. - Desde quando ele me chamava de ?
- Oi, ! Quase não vim mesmo. – Ele me deu um abraço de urso e sorria animado, já devia ter bebido algumas a mais. – Você tem uma casa linda.
- É, eu sei. – "De nada, !" Respondi mentalmente e soltei um risinho, enquanto explicava sobre o irmão e sobre ter que cuidar dele.
- ? – Ela me olhou, era incrível como ela parecia ficar hipnotizada quando olhava pro , parece que ela se desligava. – Vou me sentar ali naquela cadeira, ok?
Ela assentiu voltando a conversar com o , enquanto eu me sentava numa das cadeiras próximas de onde ela estava.
Fechei meus olhos e peguei meu ipod na minha bolsa. Eu podia ficar ali, mas que tipo de música era aquela que o tinha colocado? Agradeci por ter lembrado de trazer o ipod.
Quando ouvi a voz do meu Caleb Followill começando a cantar Califórnia waiting senti alguém se aproximar, não me importei, afinal a festa estava lotada, era impossível não ter alguém na cadeira do meu lado.
Senti meus músculos relaxarem, estava acordada desde as oito horas da manhã, quando eu havia ido dormir às quatro da madrugada. havia me deixado em casa as duas horas, mas não consegui dormir nem mesmo depois de um banho quente e relaxante, era como se o tivesse me ligado numa carga de 1000vltz, só consegui dormir às quatro horas por aí. E foi esse o motivo para eu aproveitar aquela sombra, a voz e a melodia do Kings of Leon, pra adormecer.

Senti alguém tocar no meu braço e abri meus olhos, que de primeiro momento estavam embaçados. Os esfreguei e vi na minha frente .
Dei um pulo de susto, me sentando... na cama? Que porra era aquela? Até onde eu me lembrava eu estava na beira da piscina e acabei pegando no sono, não me lembrava da parte de ir para um quarto, e muito menos de ter visto em algum momento da história.
- ? – Abracei meu corpo instintivamente. – O que...
- Calma, - ele disse tranqüilo e numa voz serena, achei até estranho, mas ele era daquele jeito, sabia como conquistar e persuadir.
- Calma nada – eu disse tensa.
- Eu não fiz nada, ok? – ele disse, respondendo minhas perguntas mentais. - Você tava dormindo na cadeira na beira da piscina, começou a ter alguns sonhos, ou pesadelos, sei lá, só quis te ajudar, e a mãe do pediu pra te trazer pro quarto dele.
- E já ia se aproveitar de mim, pelo visto.
- Por que você sempre pensa algo ruim de mim? – Olhei pra cara dele e ele deu um sorriso torto sexy até demais pro meu gosto, rolei os olhos. – Tá bom, digamos que você tem motivos pra isso. Mas eu juro que desta vez só queria ver se você tinha febre, a mãe do que pediu pra olhar. Ela achou que você tava delirando por conta de febre e não sonhando.
- Aham, aposto que...
- Olá, querida. – Uma mulher muito bonita que com certeza era mãe do entrou no quarto. – Está melhor?
- S-sim. – Olhei pro , que tinha um sorriso que dizia 'Eu te disse'.
- Qualquer coisa é só chamar, ok? Acho melhor que fique mais alguns minutinhos só pra garantir que está realmente bem. – Ela se virou para o . – E querido, pode ficar com ela, por favor?
- Claro Sra. .
- Obrigada, . Preciso terminar de preparar o lanche da tarde, vocês adolescentes parecem que não param de ter fome nunquinha.
Sorri educada pra ela e também, logo depois ele se virou para mim com um sorriso enviesado no rosto, ele praticamente falava através do sorriso.
- Tá bom, . – Bufei e rolei os olhos.
- Não ia falar nada – ele disse, rindo.
- Sei. – Passei meus dedos pela colcha macia que cobria meu corpo vagamente de cabeça baixa em silêncio e vi pelo canto do olho que ele havia se sentado num sofá perto da cama.
- Olha, eu tô bem, você pode me deixar um pouco sozinha?
- Não.
- Droga. Já te disseram que você é insuportável? – disse levantando minha cabeça, ficando com raiva.
- Aham, várias vezes, e muitas delas foi você quem me disse. – Ele ajeitou o cabelo, deixando-o meio bagunçado e sexy. – Aliás, nas vezes que você disse foram bastante provocantes. Não sei se alguém já te disse isso antes, mas sua boca sempre fica meio sexy quando você diz qualquer palavra com raiva.
- Me poupe, .
- É sério, quando você me xinga é algo bastante excitante, por isso quis te agarrar naquele dia. – Ele sorria provocante enquanto falava.
Dei uma gargalhada irônica e meio histérica, a simples menção daquele dia me deixava meio tonta e sem graça.
- Você me agarrou porque é um tarado, fala sério.
- Já se olhou no espelho? – Repentinamente ele estava sério, seus olhos eram pura luxúria.
- Hãn?
- É, se olha no espelho. – Ele se curvou, colocando os cotovelos sobre as coxas. – Você faz qualquer homem pirar por você, tem um corpo que alucina até os mais santos, até mesmo o idiota do meu meio-irmão deve te achar gostosa.
Reprimi uma risada, ele que não sabia o QUANTO o meio-irmão dele me achava gostosa.
- Legal – disse sem vontade de falar mais nada com ele, aquele nosso papo tava começando a ficar meio perigoso.
- Legal mesmo – ele disse, se recostando no sofá.
Ficamos no silêncio novamente e eu acho que ficar em silêncio às vezes é pior do que falar.
- A foi pra casa – ele disse se levantando e indo até o criado-mudo, pegando um CD.
- O quê? – Me sobressaltei assustada, eu dormi tanto assim? Porque sempre durmo demais?
- É, ela disse pra não te acordar, os pais dela pediram pra ela ir.
- Droga, . Eu preciso ir pra casa dela! - Ele ficou me olhando assustado e eu o olhava de volta, tentando entender o que houve. – O quê?
- Você me chamou pelo apelido.
- Não se acostume, – disse, me levantando da cama e pegando minha bolsa. – Foi o desespero. Vou pra casa da , ela precisa de ajuda pra cuidar do irmão. - Eu ia saindo do quarto, quando ele parou na minha frente. – Ora, vamos logo , você sabe que não estou doente.
- Sei sim, mas não vou deixar você ir sozinha.
- Por que não?
- Já tá anoitecendo e não vou deixar você andando dez quadras até a casa dela a pé.
- Droga, já tá de noite? – perguntei alarmada.
- Ainda não. E fica tranquila que te levo pra casa depois se quiser, é só me ligar.
- Aham, você jura que vou fazer isso, né?
- Não custava tentar.
O empurrei passando pela porta e ficando meio perdida pelo corredor, olhei pra trás e estava parado na porta olhando pra mim.
- Não vai vim? – perguntei meio desesperada para sair dali.
- Só se você me deixar te levar na casa da . – Eu não tinha saída, além do mais uma carona cairia bem naquele momento.
- Ok, você venceu, deixo você me levar.
Ele veio andando em minha direção, e como ele era sexy até no jeito de andar? O que ele tinha de chato, insuportável e convencido ele tinha em dobro de beleza e de bunda gostosa também. Ele foi andando na minha frente e quando íamos saindo ele me pediu pra esperar um instante, me sentei no sofá e fiquei aguardando, quando ele voltou estava com ele.
- Vamos? – disse, rodando as chaves na mão.
- Hãn? – Me levantei sem entender. – Você vai também?
- Lógico, a tá sozinha, eu já tava me sentindo mal por ter ficado e ter deixado ela ir embora, e agora que você tá indo pra lá, vou junto.
- Mas e sua festa?
- Acha que eu preciso continuar aqui pra ela continuar rolando? Além disso, minha mãe já tá expulsado todo mundo que ainda tá por aqui, são só os bêbados agora.
- Sua mãe é bem liberal, né?
- Já foi mais do que isso. – Ele disse meio sem graça e sorriu.
- A mãe dele já fez strip-tease uma vez no meio de uma festa, e você não imagina o quanto o padrasto do adorou isso. – disse sarcástico, rindo, imaginei a cena, mas preferia não ter imaginado.
- Ok, vamos então? – Cortei o assunto ao perceber o rosto do vermelho que nem um tomate, e além do mais precisava ir pra casa da .
Eles assentiram juntos e saímos da casa, quando ia entrar no carro do , o me chamou.
- Hey, nem vem com essa jogada baixa. – Fiquei com cara de desentendida e ele prosseguiu. – Nada de bancar a dissimulada. Você vem comigo, ou se esqueceu do nosso trato? – Rolei os olhos e fui andando em direção a moto dele, aquela moto dele era minha paixão e confesso que fiquei empolgada em andar nela.
Ele me entregou o capacete e me deu um sorriso fofo, coisa que nunca achei que veria no rosto dele.
- E então, o que prefere? – ele disse, subindo na moto e ajeitado o capacete dele.
- Como assim? – perguntei confusa, enquanto subia na moto com tranqüilidade, aquela não era a primeira garupa que pegava de um garoto.
- Quero dizer, você quer com ou sem emoção? – Dei um riso baixo, colocando o capacete, em outro tempos diria 'Com emoção', mas não queria me divertir com , era só uma carona.
- Sem emoção. Não tô afim de bater numa parede ou num poste qualquer.
E então ele ligou a moto e arrancou, me obrigando a segurar firme em sua cintura, aquilo não tinha sido justo comigo, resolvi me vingar cravando minhas unhas no abdômen (perfeito, diga-se de passagem) dele.
- Assim fica difícil. – ele disse, abrindo um sorriso pervertido.
- O que foi, ? – respondi me fazendo de inocente, enquanto acreditava estar machucando-o.
- Me arranhando desse jeito vou ter sérios problemas, sabe como é, acho que ereção e direção não combinam muito.
Soltei minha mão do abdômen dele, que arrancou a moto novamente, me fazendo segurar de novo. Percebi então que quem estava jogando era ele, e eu estava perdendo feio.
Aproveitei da situação, afinal eu odiava aquele garoto, mas o corpo dele valia a pena, já imaginava por baixo daquela blusa como não seria o abd...
- Pronto, pode me soltar. – Ouvi a voz dele que cortou meus pensamentos absurdos e percebi que tínhamos chegado na casa da . O soltei e fui descendo da moto, me afastando o mais rápido que podia daquele garoto que causava em mim sensações inexplicáveis e incompreensíveis.

Quando a abriu a porta e me viu com levou um susto enorme, e ela então ficou com cara de idiota quando se aproximou dela e a abraçou.
- O que vocês...
- Estão fazendo aqui? – terminei a frase que a tinha começado e ela assentiu. – Eu vim te ajudar com o Jack, o veio me trazer e não sei o que ele ainda faz aqui, e o , bom ele quis vir te ver, eu acho.
O rosto do ficou mais vermelho do que o da Lauren quando tomava sol demais, percebi que ele definitivamente gostava da .
- Entrem! Tô vendo um filme.
- E seu irmão? – perguntou enquanto eu entrava na casa e me seguia.
- Ele tá lá em cima, daqui a pouco meus tios passam aqui pra buscá-lo.
- Ué, como assim? – perguntei sem entender.
- Parece que a festa na casa dos meus tios está boa demais, então minha mãe decidiu dormir por lá e acha que o filho querido dela tem que ficar por perto.
- Então mviemos à toa? – disparou e eu o olhei espantada.
- , o que você ainda tá fazendo aqui?
- Sei lá, ela disse sobre filme, me interessei, aliás... acho que a casa não é sua. – Ele se virou para . – Algum problema se eu ficar por aqui, ?
Ela balançou a cabeça negativamente e eu lancei um olhar fuzilante para ela.
- , vem comigo na cozinha um minuto.
- Podem ir pra sala e fiquem à vontade gente – ela disse antes de vir atrás de mim na cozinha, enquanto fui pra cozinha marchando e bufando de raiva.
- , como você deixa o ficar aqui? – perguntei tentando não falar muito alto, apesar da minha raiva. – Já tive que suportar ele o suficiente por um dia.
- Ah, ele foi super legal te ajudando hoje na casa do , . Além do mais o tá aqui, e ah, tenta ser legal com ele só por hoje, por favor?
Eu estava mal com a história da minha mãe, queria desabafar, mas eu precisava ajudar minha amiga naquele momento, afinal uma mão lava a outra e não queria estragar o momento dela com o .
- Tá bom, me dá o telefone, mas compre bebidas, na verdade compre um monte delas. – Ela me olhou com cara de quem não tinha entendido. – Só assim pra suportar o . – Ela rolou os olhos e eu prossegui. - Vou ligar pro celular do meu pai, avisar que tô aqui, não quero ligar do meu celular.
Na verdade meu celular estava na bolsa que o ficou segurando pra mim, queria evitar vê-lo naquele momento pelo menos.
- Pede pra dormir aqui? – disse suplicante.
- Amanhã tem aula.
- Tem roupa sua aqui. – Ela fez o olhar suplicante que te amolece de qualquer jeito.
- Você venceu. – Rolei os olhos e disquei pro celular do meu pai, rezando para que ele dissesse que não podia dormir na , coisa inédita e meio impossível, afinal meu pai não me proibia de nada, ele sabia que eu fugiria se fosse o caso.
Mesmo assim eu ainda tinha esperança de não precisar ficar muito tempo no mesmo ambiente que o .
- Alô, pai?
- Sim, filha. – Ouvi um barulho de jogo de baseball ao fundo.
- Eu tô na casa da .
- É, eu vi no identificador. Vai dormir aí? Amanhã tem aula.
- É, eu tentei explicar pra...
- Pode dormir aí se quiser. Aposto que tem roupas suas aí. – Ele não estava nem importando muito com a ligação pelo que percebi, tava concentrado no jogo e já podia imaginá-lo tomando uma cerveja esparramado no sofá. – HOME RUN!
Ele deu um grito, me assustando.
- Ok, pai! Obrigada. - Ele disse algo que nem uma tecla SAP traduziria e desligou.
- Deixou? – ela me perguntou, cruzando os dedos.
- É, deixou. – Ela pulou me abraçando.
- Oba, vou ligar pra pizzaria.
- Não se esqueça das bebidas.
Ela pegou o telefone e saiu andando, enquanto eu respirava profundamente e ficava cada vez mais convicta que aquele não era meu dia. Eu não deveria nem mesmo ter saído da cama.

Lá pelo final do filme e estavam se pegando, e o detalhe era que eles estavam atrás do sofá e dando risadas altas e constrangedoras.
- Vocês dois podiam ir pra outro lugar, o filme tá acabando aqui e eu quero ouvir – disse, dando uma risada.
- Por que a gente não faz o mesmo? – me disse e eu fiquei parada olhando pra cara dele sem reação, então de repente comecei a gargalhar feito uma louca.
- Você é ótimo. – Sacudi a cabeça negativa. - Vai sonhando.
- Vou mesmo, uma hora realiza!
Balancei a cabeça incrédula com aquelas frases feitas do , mas confesso que tava achando até engraçado depois de umas garrafas de vodka.
Depois que os tios da passaram pra buscar o Jack (que prometeu não contar pra ninguém a presença dos garotos na casa, lógico que depois de subornar e arrancar 100 Libras, 50 do e 50 do ) os garotos foram até o supermercado e compraram cervejas e vodka.
De início eu disse que não queria beber mais, mas depois vi que seria impossível me manter normal na presença do estando sóbria. Depois de ter bebido era incrível como eu estava perdendo mais ainda o poder sobre mim mesma, já achava que o era até beijável se fosse só algumas vezes, tipo, bem raramente.
- Vem comigo? – me perguntou depois que os créditos do filme começaram a subir.
Não sei o que me deu, mas segurei firme a mão que ele estendeu para mim naquele momento, eu tava pirando, só podia ser isso. Ele me guiou até a cozinha enquanto comentei que estava com frio, minha voz estava saindo meio embolada, sorte a minha que não agia tão pateticamente quando bebia.
- Por que não veste outra roupa então? – ele me perguntou.
- Sei lá, não tô afim, .
Entramos na cozinha e eu me encostei no balcão, colocando minha testa sobre o granito gelado, respirei fundo e de repente os flashes daquele dia começaram a vir na minha cabeça rapidamente. Um choro cresceu em meu peito e lágrimas grossas rolavam pelo meu rosto. Aí estava o efeito da bebida em mim.
se aproximou com a expressão preocupada.
- Ei, o que foi? – ele perguntou, passando a mão no meu cabelo com os olhos assustados.
- Eu odeio minha mãe, . – eu disse sem me importar se ele iria me achar uma louca ou algo assim, eu precisava falar aquilo pra alguém. – Ela é uma vadia, uma estúpida, sem coração, na verdade ela é só a Claire, ela não merece ser chamada de mãe.
- Por que você ta falando isso? – Ele passou o braço em volta do meu pescoço e enterrou meu rosto em seu peito, fazendo com que meu choro crescesse mais ainda.
- Uma mãe não abandona a filha e o marido, nem deixa que ele leve a culpa pelas atitudes dela. – Meus soluços eram altos e incontroláveis.
- Não se sinta assim, minha mãe também não foi das melhores. – Eu levantei minha cabeça e o olhei curiosa. – Ela sempre foi meio ausente, aparecia em casa de dois em dois anos por aí, e quando aparecia falava comigo por dez minutos e depois ia embora, depois descobri que ela aparecia pra tentar arrancar dinheiro do meu pai.
- A minha nunca apareceu depois que foi embora.
- Talvez fosse melhor assim, quando ela aparece é mais doloroso ainda, acredite. – Ele deu um suspiro profundo. – Por que isso ta te incomodando hoje? Eu sei como são esse acessos de raiva, já tive alguns, não tão histéricos, mas já tive também e sei que eles surgem quando alguma coisa acontece, seja o nome dela citado, uma foto, uma lembrança. Então, o que foi?
Hesitei um pouco antes de prosseguir, eu não sabia se era uma coisa muito sensata contar para sobre aquilo, eu nem gostava muito dele, mas eu queria desabafar e quando os olhos azuis dele fitaram os meus eu soube que podia confiar.
- Ela ligou lá pra casa. - As lágrimas desceram quentes e mais grossas ainda. – Eu não ouvia a voz dela desde criança, nem me lembrava mais como era.
- Ah, entendi. Ela te disse alguma coisa?
- Não, eu fingi que era a empregada, mas foi... horrível. Uma sensação de elo perdido.
- Sei como é isso. – Ele levantou minha cabeça, me fazendo olhar para os olhos dele novamente, seu olhar era gentil e confortador. – Não se sinta tão mal, ela é quem errou, ela que perdeu a família, você ainda tem seu pai, não é? – Eu assenti. – Então não se preocupe com mais nada, é isso que importa. Alguém que te dê valor como ele.
Ficamos em silêncio, um olhando para a cara do outro, estava meio tonta e então senti um forte enjôo pelo tanto de bebida que havia ingerido e corri pra pia, vomitando tudo e vomitando mais ainda ao ver o vômito. Sem nem me dar conta já estava do meu lado me segurando e me ajudando.
- Sai daqui! – Eu tentava afastar, em vão, ele já era mais forte do que eu quando eu estava normal, imagina quando tava fraca.
- Cala a boca, ! Me deixa te ajudar, você tá bêbada. - Ele me sentou num dos bancos e me deu um copo com água. – Coloca na boca e cospe depois.
- Eu sei fazer isso, não sou burra.
- Ok, você tá bem, voltou a ser estúpida como sempre.
Aquilo me atingiu brutalmente, ele havia me chamado de estúpida. Eu odiava quando alguém me xingava, mas daquela vez ele até tinha razão, afinal ele nem tinha me tratado mal, aliás muito pelo contrário, vamos combinar. Já era a terceira vez que ele me ajudava no dia.
- Me desculpa. – Peguei a água e lavei minha boca. – Por que teve essa mudança repentina? - Ele me olhou confuso, sem entender o que quis dizer e então prossegui com minha voz levemente embolada. – Quero dizer, você resolvendo ser bonzinho comigo, mesmo sabendo que não gosto de você.
Fui direta, não gostava de rodeios com as palavras, eu não gostava dele e achava justo ele saber disso, só queria minha resposta e ponto.
- Talvez porque eu não queira que você me odeie tanto. – Ele se aproximou de mim e passou o dedo pelo meu braço criando uma corrente elétrica por onde o dedo percorria. Como ele podia ser tão ridículo daquele jeito? Eu não iria cair na idiotice de beijá-lo novamente, mesmo estando meio bêbada.
- Desista , eu definitivamente não vou cair nesse seu papo. – Desviei meu braço dele e peguei um copo de água e bebi rapidamente, aquilo já me ajudava a pelo menos me equilibrar, não tinha coisa melhor pra mim do que beber um copo de água quando já estava meio bêbada. Eu sou estranha.
Saí andando, deixando sozinho na cozinha. Passei pela sala e não havia nem sinal da , então ouvi uma risada vindo do andar de cima e retirei mentalmente o que disse antes, eles não são lesmas, são rápidos e mais rápidos até mesmo do que eu e o .
Peguei minha bolsa e o casaco do que estava em cima do sofá para enfrentar o frio, não dei explicações a ninguém e simplesmente saí da casa, não querendo ser notada por ninguém (Leia-se ). Procurei meu celular na bolsa e assim que o peguei fui discando um número que talvez pudesse melhorar minha noite, mas antes que o fizesse senti mãos frias segurando meu braço levemente.
- Onde você vai? – me perguntou alarmado.
- Pra casa.
- Eu te levo, .
- Não quero nada de você, obrigada. – Respirei fundo, estava descontando minha frustração de um dia péssimo no , tudo bem que ele merecia, mas eu admito que estava exagerando, afinal ele não tinha culpa da mãe que eu tinha. – Aliás, eu só queria seu casaco emprestado, posso?
Ele sacudiu a cabeça e me deixou falando sozinha, fiquei o olhando atônita enquanto ele pegava o capacete e subia na moto, fechei os olhos e suspirei, já imaginava que ele fosse insistir pra me levar em casa, não tinha o que discutir e então coloquei o casaco e fiquei na calçada o esperando.
- Sinceramente? Não sei o que você pensa de mim e, aliás, nem quero saber. – Ele estava parado na minha frente, não havia me oferecido o capacete e eu esperava que o fizesse, mas então notei que o capacete não estava na mão dele e antes que tivesse tempo de pensar o motivo daquilo ele continuou. – Me desculpa, mas tenho um encontro pra ir agora e estou atrasado, depois te conto como foi. – Ele fez menção de acelerar, mas então se virou pra mim novamente e com um sorriso descaradamente safado disse pra quem quisesse ouvir algo repugnante assim como ele. – Ah, e preciso te dizer uma coisa, seu biquíni é lindo, principalmente a parte de baixo, digamos que fico fissurado só de lembrar como aderiu bem no seu corpo.
Ele piscou com o sorriso safado se alargando cada vez mais, principalmente depois de ver minha cara e logo depois acelerou a moto, desaparecendo de vista rapidamente.
Senti uma fúria incontrolável tomar conta de mim, ele tinha me feito de idiota, definitivamente se tivesse com uma arma naquele momento o mataria. Me xinguei mil vezes por achá-lo beijável, por tê-lo deixado me beijar naquele dia fatídico na escola, por ter bebido tanto a ponto de ter contado sobre minha vida pra ele e por deixar que aquele garoto, aliás projeto de garoto, tivesse algum espaço na minha vida mesmo que fosse apenas para odiá-lo, ele merecia minha indiferença, mas isso já era impossível, porque afinal eu odiava aquele garoto, e não dá pra mudar um sentimento forte desses. O jeito era aprender a conviver com ele, fingir ignorá-lo era a solução e decididamente era o que faria quando o visse, sem vinganças, sem estresse, e "Tchau, !"


Capítulo 13 - Betado por: Andie

Depois de uma noite mal dormida e recheada com os pesadelos da pior espécie com a minha mãe, acordei atrasada, pra minha surpresa, já que meu pai nunca deixava aquilo acontecer.
Tomei um banho super rápido e quando desci para o café vi que meu pai já tinha saído pro trabalho, estava achando realmente muito estranho aquela história dele nem me acordar, ele nunca falhava nesta tarefa, sério mesmo.
Tomei um pouco de cappuccino rapidamente, senti queimar a língua um pouco, mas encarei mesmo assim, não tinha tempo pra ficar enrolando. Peguei alguns biscoitos para comer no caminho e saí de casa desesperada.
Tinha dez minutos antes do portão principal da escola fechar, eu teria a chance de entrar no segundo horário caso não desse tempo, mas no primeiro horário teria prova de biologia e a professora siliconada com cara de puta não fazia segunda chamada de prova em nenhum caso, nem com atestado médico.
Apressei os passos e ainda faltavam três quarteirões, já considerava minha nota perdida, estava ofegante, praticamente bufando de tanto que corria, então uma das últimas pessoas que queria ver naquele momento se materializou bem ao meu lado e encima da minha moto 'sonho de consumo' numa pose sexy, aliás, ele sempre ficava com poses sexys, e por que estou mesmo falando isso? E o papo de ignorá-lo? Respirei fundo, fingindo que ele não existia, apesar do cheiro maravilhoso dele dizer o contrário.
- Bom dia, . – sorria por trás da viseira. - Fico feliz por saber que chegou bem em casa depois de ontem à noite, sabe como é, fiquei com remorsos.
Não respondi, apenas continuei meu trajeto, que parecia não ter fim e se estender.
- Sério , é melhor pegar uma carona comigo. – Oferta tentadora, claro, se não fosse na moto. – Seria bom também se parasse de me ignorar, eu sei que você tem uma prova no primeiro horário e em exatos três minutos e meio não dá tempo de chegar lá a pé, então pare de ser tão orgulhosa e suba nesta moto.
Eu parei de andar, por mais que odiasse admitir aquilo, ele tinha razão, respirei fundo jogando meu orgulho de lado e engolindo minhas promessas da noite anterior de ignorá-lo a todo custo.
- Certo, mas me deixe na esquina da escola, não quero que associem minha chegada com a sua.
Peguei o capacete que estava na mão estendida dele e subi na moto sem pensar muito, senão desistia. Ele acelerou a moto ao máximo e antes mesmo que pudesse me dar conta já estávamos no pátio da escola, agradeci mentalmente por não ter que ficar colada ao corpo dele e tão perto daquele cheiro inebriante e estranhamente tentador dele durante muito tempo.
- Acho que pedi pra me deixar na esquina, não foi, ? – perguntei, descendo da moto e tirando o capacete.
- Tem certeza que queria isto? – Ele apontou pro portão que fechava com um sorriso de triunfo no rosto lindo de canalha. – Não ia dar tempo.
Ajeitei minha mochila nas costas e me portei como uma pessoa educada apesar daquele idiota na minha frente não merecer.
- Obrigada. – Quando ia saindo ele segurou meu braço delicadamente com um sorriso quase angelical e um olhar de quem sabe o que quer, que me fez arrepiar por inteira.
- Sério que é só isso? – Ele sacudiu a cabeça enviesando o sorriso, tornando-o nada angelical, cheio de segunda intenções. – Um dia, e eu espero pacientemente por ele, você vai me agradecer de verdade, do jeitinho que mereço, acho que me entende, né?
Não tive reação nenhuma de primeiro instante, aquelas palavras recheadas de malícia somadas ao olhar dele haviam me travado por completo, só quando ele soltou meu braço que caí na real e respondi irônica.
- Pelo que vejo gosta de sonhar acordado, . – Me virei e fui andando em direção a minha sala que era no primeiro andar sem nem olhar pra trás e completei. – Bons sonhos, então.
Não resistindo olhei pra trás, ele sorria de um jeito que me fez ter vontade de esquecer as idiotices e ficar mais próxima dele, de um jeito que nossas respirações se misturassem. Eu sei, foi totalmente estúpido. De qualquer forma estava sorrindo, havia ganhado pelo menos uma vez de numa de nossas "batalhas", mas eu sabia que aquilo era só o começo.
O sorriso de triunfo foi embora de meu rosto assim que entrei na sala e a loira siliconada entregou a minha prova. Afinal de contas, que porra de questões eram aquelas?

- E então o que rolou entre você e o ontem? – perguntou me fazendo ficar com cara de espanto, enquanto ela terminava de comprar um sorvete e seguíamos pra nossa árvore preferida.
- Não entendi. – disse, criando um vinco entre as sobrancelhas.
- É, sabe que foi idéia do , né? Ele disse que o fala muito de você.
- Claro que fala, deve falar muito mal, principalmente porque devo ser a única da escola que ele ainda não comeu.
- Opa, tem eu também, esqueceu?
- Você não conta, é do melhor amigo dele. – Franzi o cenho. – Suponho que pelo menos isso ele deve respeitar.
- Mas então, você não me respondeu o que rolou quando vocês ficaram sozinhos na sala.
- Nada demais. – Ela fez uma cara do tipo "finjo-que-acredito" e eu rolei os olhos antes de prosseguir. - Nós bebemos, eu fiquei meio tonta, vomitei, brigamos, depois ele foi embora e eu também. Fim da história, satisfeita?
- Nossa isso tudo aconteceu? Não estou satisfeita, me conta direito isso.
Eu não sabia se estava realmente interessada em aprofundar naquele assunto, eu já havia me irritado muito com a situação de ter de ir embora sozinha, morrendo de frio só com biquíni e um vestidinho curto e leve (não usei a jaqueta dele, aliás ela está guardada na minha gaveta de roupas velhas pra não impregnar aquele cheiro dele nas minhas roupas), então resolvi tentar mudar o assunto.
- Pra quê? Ele é um super idiota, esquece que ele existe. – Peguei uma colher do sorvete dela. - Prefiro falar do , ou você esqueceu o meu encontro de antes de ontem com ele?
Ela fez uma cara de espanto e levou as mãos na cabeça.
- Caramba, é verdade! – Ela começou a rir.- Como me esqueci de algo tããão importante como isto?
- O sexo com o deve ser poderoso mesmo, hein? - Ela me deu um tapa no braço. – Pensei que eu fosse a safada, mas você me supera, com certeza.
Vi as bochechas dela ficarem vermelhas enquanto ela escondia o rosto com as mãos.
- Não sou safada! – Ela riu envergonhada. – Agora, me conte da sua noite com o professor gatão de matemática, deve ter rolado kama sutra e se bobear aposto até que rolou a posição da hipotenusa.
- Ouch! – Dei uma gargalhada curta e balancei minha cabeça negativa. – Essa foi a pior piada que já ouvi em toda minha vida e sério nunca tinha ouvido piadas piores que as do Dylan antes.
Contei tudo que aconteceu na minha noite com , a boate, o inconveniente, eu e no carro e a "rejeição" às avessas do .
- Falando bem sério, parece que o tá de perseguição. – disse depois que contei tudo.
- Pois é! – Prendi meu cabelo por conta do calor que fazia. – Ele atrapalha até sem querer.
- Mas o que não entendi foi o professor não deixar as coisas rolarem até o fim entre vocês, ele não é mais novinho e ele não devia achar isto tão estranho assim, né? Nessa idade dele essas bobeiras nem importam.
- Ah, ele é um fofo, um cavalheiro!
- Mas você nem gosta de caras assim que eu sei, pelo que eu saiba você gosta de caras que vão direto ao ponto, sem hesitar.
- Não gostava, mas acho que me fez mudar o jeito de pensar.
- Sinceramente, acho que se fosse o tinha te pegado de jeito.
- Olha só, do jeito que ele é teria feito tudo no caminho da boate mesmo. – Ela deu uma risada concordando. – Acho que naquele dia que fiquei com ele na sala de aula ele iria querer isto se o não tivesse aparecido.
- Mas vocês estavam em plena sala de aula. Ele não seria tão louco. Ou seria?
- Ele iria quer ir pro banheiro, ou sei lá pra onde, do jeito que ele é tarado.
- E você teria deixado rolar?
- Não, tá louca? – disse até rápido demais.
- Tem certeza?
- Claro, não sou as putas do , além disto quero mesmo o .
- E eu quero o – ela disse, dando um suspiro profundo logo depois.
- Estou chocada. – Ela me olhou confusa pela cara de espanto que fiz e eu prossegui. – Sua depravada insaciável! - Ela ameaçou jogar sorvete em mim e eu me protegi com as duas mãos. – Mas sério, rolou mesmo?
- O que você acha? – Ela deu uma risada curta.
- Ok, vocês estavam fazendo tanto barulho, nem imaginam o quanto. Eu e o ríamos cada vez que um de vocês gargalhava, aliás, quando o gargalhava era mais hilário, a risada dele fica descontrolada quando ele bebe.
- Ah, ele tava rindo porque a gente tava jogando baralho e quem perdia tirava uma peça de roupa.
- Tipo strip poker?
- Na verdade, nem sei qual jogo era. – Ela sorriu meio envergonhada. – Estávamos super bêbados, esse 'jogo' foi mais uma desculpa pra tirarmos a roupa.
- E então? É grande?
- O quê? – fez uma expressão de desentendimento e eu rebati a expressão dela com uma querendo demonstrar o óbvio.
- Os 'documentos' dele. - Ri e ela riu mais ainda levando uma mão na testa.
- Digamos que marca presença, aliás, marca muito bem, preenche qualquer vazio interior.
Captei o duplo sentido da frase dela e levei minha mão até a boca.
- Sem detalhes tão profundos, obrigada.
O sinal tocou para nossa tristeza e seguimos juntas pra próxima aula que teríamos juntas de história.

Nos dias que se seguiram o máximo que consegui do foram alguns sorrisos e olhares repletos de segundas intenções. Na quinta-feira estava em uma das aulas dele e recebi uma mensagem de texto, minha surpresa veio ao ver o remetente. .
"Preciso sair com você, não agüento mais de saudades. Esse fingimento na sala de aula é ao mesmo tempo excitante e torturante, e você não ajuda muito vindo com uma saia desse tamanho."
Tentei reprimir um sorriso ao olhar de relance pra minha saia, mas era impossível, passei o dedo indicador pela minha coxa e parei na barra da saia, só pra provocar, olhei para a mesa do professor e ele piscou pra mim.
Tenta entender, ele piscou pra mim em plena sala de aula, imagina o quanto aquele homem devia estar carente, voltei a encarar meu celular e digitei uma resposta curta.
"Onde quer ir?"
Respondi rapidamente e fiquei olhando para , esperando pra ver qual seria a reação dele ao ler a mensagem, antes que ele desse conta sentiu o celular vibrando no bolso dando um pulo assustado. O que ele esperava? Que não fosse respondê-lo no mesmo instante? Que tolo.
Menos de um minuto depois já havia outra mensagem pra mim.
"Acho que você deveria estar fazendo os exercícios de matemática, mocinha! Quanto ao lugar, eu diria que você decide, mas já sei aonde quero te levar. Passo na sua casa ás 22 horas?"
Senti meu coração acelerar com aquela mensagem. Onde ele queria me levar, afinal?
"Eu estaria fazendo meus exercícios se meu professor não estivesse me desconcentrando com mensagens de texto. Por favor, não passe na minha porta, não tô afim de dar explicações pro meu pai hoje, ele com toda certeza não acreditaria muito em aulas particulares."
Ele deu uma risada que ecoou pela sala silenciosa, fazendo com que alguns alunos olhassem para ele. Após um pedido rápido de desculpas ele voltou a fitar o celular e digitar rapidamente, ele tinha os dedos tão ágeis, imagine o que aqueles dedos não poderiam causar em certos pontos de um corpo quando os desliz....
Meus devaneios foram interrompidos pela vibração do celular.
"Eu te ligo quando chegar à sua rua e paro com o carro em outro lugar. Antes que morra de curiosidade, você irá ter o privilégio de conhecer meu apartamento hoje. E agora, trate de terminar seus exercícios que valem nota, não quero ser o responsável quando seu professor te der nota baixa."
Vibrou de novo sem nem me dar tempo de respirar.
"Aliás, seu professor também está desconcentrado – devo ressaltar novamente sobre o tamanho dessa sua saia, tenha piedade dele e a use mais vezes se possível."
Escancarei minha boca numa expressão incrédula e depois dei um sorriso empolgado antes de tentar me concentrar nos exercícios, inutilmente, é claro, porque minha mente só tinha lugar para um número, o das horas que ele passaria para me buscar.
- Hey! – Levantei a cabeça para ver quem me chamava aos sussurros na carteira atrás de mim, era a que tinha aquela aula comigo.
- O quê? - sussurrei de volta, pensando se por acaso pegasse a gente falando, será que ele me castigaria? Eu adoraria ser castigada por ele, aliás.
- Acho que você sabe o motivo da risada espontânea e sexy do professor gatão. Meu sexto sentido me diz que você tem algo a ver com isso, tem t-u-d-o a ver com isso.
- Vamos sair hoje. – Ela arregalou os olhos e veio se aproximando mais de mim pra saber mais detalhes, e antes que ela falasse demais, a cortei. – Mas te conto só depois.

Assim que o sinal soou avisando o término da aula, veio até a mim correndo, ela estava tendo aula de biologia no laboratório e eu fiz uma cara de nojo ao ver sangue de sapo no avental dela.
- Eww! Impressão minha ou você não se limpou com os desinfetantes?
- Eu lavei minha mão, mas vem comigo até o banheiro do segundo andar, ele ta vazio e você vai me contar tudo que aconteceu durante a aula de matemática – ela disse, dando uns pulinhos animados.
- Não dá pra esperar até estarmos fora da escola pra falarmos sobre isso? Acho mais seguro.
- Não. – Ela rolou os olhos. – Tenho algo importante pra fazer agora.
- Como o quê, por exemplo? – perguntei curiosa, será que ela tinha entrado para algum clube da escola e nem tinha me falado?
- Nada importante, isso nem vem ao caso – ela respondeu meio desconcertada, o que me deixou um pouco desconfiada, mas antes que insistisse no assunto ela pegou minha mão. - Vem logo.
- Solta minha mão sua porquinha, vou ficar fedendo a sapo dissecado que nem você. - Dei uma risada e ela deu língua pra mim irritada. Eu a segui para o segundo andar do prédio onde ficam as salas dos professores e salas dos clubes da escola.
- Fecha a porta e me conta – ela disse, assim que chegamos no banheiro.
Contei detalhadamente sobre minha conversa com o por mensagens de texto, e é claro ela quis ler uma por uma, no final das contas ela abriu um sorriso malicioso pra mim antes de proferir uma única palavra que ecoou pelo banheiro vazio.
- Sexo.
- Hãn? – Levantei uma sobrancelha, tentando entender o que se passava na cabeça dela.
- Vocês dois vão fazer, simples assim.
- Como você tem tanta certeza disso?
- Porque é óbvio, ele praticamente tá subindo pelas paredes, esses comentários da sua saia, ele mudou a postura dele de professor bem comportado pra professor sexy tarado, dá pra ver só pelas mensagens.
- Será?
- Claro, não começa me dizendo que ele não mudou e blá, blá.
- Não ia dizer isso.
- Ótimo, porque você atiçou ele na boate, no carro e agora ele quer mais, só não sei o porquê dele ter mudado a atitude dele tão repentinamente – ela disse com um olhar pensativo.
- Não me importo, se ele for assim sexy o tempo todo vou adorar. – Lancei um olhar significativo para que riu.
- Depois eu que sou a safada. – Ela terminou de lavar as mãos com o sabão anti bactericida do banheiro e pegou papel toalha antes de finalizar. – Pelo menos eu não sou tarada e fico pegando os dois irmãos.
Ela me deu língua e saiu correndo, destrancou a porta e eu fui atrás dela, ia dar uns bons tapas nela quando a alcançasse. Quando abri a porta do banheiro dei de cara e aliás de corpo inteiro por conta do esbarrão, com , que passava em frente ao banheiro, encarei seus olhos azuis que fizeram meu coração bater mais forte.
- Opa, se quiser me agarrar é só falar, não precisa se jogar em cima de mim. - Ele sorriu malicioso, me segurando firme pelos braços, percebi que não tinha nem sinal de no corredor. Estávamos sozinhos.
- Você apareceu do nada... foi de repente... não quis isso – eu tentava falar, mas faltava algo, tipo ar nos pulmões.
- É, eu percebi, mas posso saber o porquê desse nervosismo? – Ele levantou uma sobrancelha, demonstrando curiosidade. Preciso dizer que ele ficou gostoso pra cacete mais uma vez? Estava ficando complicado ter autocontrole na frente dele, eu não entendia aquele poder dele sobre mim, só sabia que existia e era mais poderoso do que qualquer coisa que já senti.
-N-nada, nem estou nervosa. – Eu respirei fundo tentando criar forças, inutilmente. – Eu só estou... procurando a , preciso conversar com ela. - Não era totalmente mentira, vai.
- Então, agora você está comigo – ele disse com um sorriso sexy surgindo nos lábios levemente avermelhados, ele passou a língua neles os umedecendo e eu soltei um suspiro.
Alguém podia me bater? Eu estava a mercê daquele idiota, ele me fez de babaca e eu não podia nem ao menos cumprir a promessa que havia feito a mim mesma de nunca mais olhar na cara dele? Como podia ser tão patética? Não confiaria nem em mim mesma depois daquele dia.
- E o que tem isso? – Eu estava rendendo o papo, devia sair correndo gritando "FOGO! FOGO!" (o que não seria totalmente uma mentira, afinal certa parte em meu corpo estava em chamas), era isso que parte da minha mente dizia, pra fugir e nem olhar pra trás e a outra dizia... bem, você imagina o quê a outra parte dizia. – Olha, eu tenho que ir, .
- Tem isso. – Ele colocou suas mãos firmes entre meus cabelos e me empurrou contra a parede, ele gosta de paredes pelo visto.
Ele aproximou seus lábios dos meus e ficou mordendo o meu lábio inferior lentamente, senti uma impulsividade tomar conta de mim e segurei firme em sua cintura o puxando pra mais perto, eu queria que ele me beijasse.
sorriu presunçoso, eu estava séria, mas maliciosa enquanto ele deslizava seus dedos gelados em minha pele quente, ele chupou meu lábio inferior com força e soltei um gemido, não agüentava mais aquela tortura. Se era pra perder o controle, que eu perdesse de uma vez.
Com uma das minhas mãos segurei firme os cabelos dele e com a outra arranhei a barriga definida dele por debaixo da camisa, senti ele perder o equilíbrio e então finalizei meu plano virando de uma vez e o encostando na parede, ele me olhou surpreso e então eu puxei os cabelos de sua nuca levemente antes de beijá-lo bruscamente.
- Vamos acabar logo com isso. – Ele me olhou confuso e eu prossegui. – Toda essa tensão sexual que você criou, eu preciso acabar com isso pra seguir em frente.
Eu precisava daquilo pra me livrar daquela sensação estranha de querer agarrá-lo quando estávamos muito perto, talvez depois de uma transa eu o tiraria da cabeça.
- Você quem manda. – Ele me beijou novamente, com uma intensidade que nunca senti em outro beijo na minha vida inteira, senti as mãos dele deslizarem pela minha cintura até meus seios e gemi quando ele tomou um deles em sua mão, ele acariciava e eu senti que com aquele sutiã não ia dar muito certo. Aliás, preciso relembrar que estávamos no corredor do segundo andar da escola? Estava vazio, mas não queria correr nenhum risco.
Descolei minha boca da de e ele resmungou baixo, protestando enquanto me puxava para continuar beijando.
- Precisamos sair daqui. – Ele abriu os olhos e sem nem ao menos responder colocou suas mãos em minha bunda, e num movimento brusco me levantou me fazendo envolver minhas pernas em volta da cintura dele, ele empurrou uma porta enquanto voltava a me beijar, pude ouvir ele passar a chave na tranca e me senti mais aliviada, principalmente ao ver que estávamos no banheiro, único lugar na escola onde não tem câmeras.
passou suas mãos em minhas coxas levantando minha saia, me carregou até a pia gelada de mármore, ignorei aquela sensação térmica e me entreguei a sensação de sentir as mãos firmes de acariciando minha coxa internamente, ele a apertou me fazendo soltar um gemido abafado pelo beijo.
Senti seu dedo brincando com minha calcinha antes dele afastar a mesma e acariciar minha intimidade levemente, ele estava me torturando.
Em um movimento brusco ele levantou a blusa do meu uniforme e junto arrancou meu sutiã, não sei como, só sei que ele estava jogado na pia, nem tive muito tempo de raciocinar sobre aquilo, mordia um dos meus seios por inteiro e lentamente, me fazendo suspirar e puxar os cabelos da sua nuca fortemente.
Desci minhas mãos e puxei sua blusa pra cima, interrompendo sua carícia oral em meu seio, sorri maliciosa e o arranhei levemente do peitoral até o cós de sua calça, ele me lançou um olhar safado e eu abri a calça jeans dele abaixando o mesmo, ele tratou de jogá-los longe e eu então reparei o volume em sua boxer preta, adoro cuecas boxers pretas, devo acrescentar, tremi por inteira antes de deslizar minhas mãos pra dentro da cueca dele e senti minha intimidade pulsar ao sentir o membro dele rígido, ele fechou os olhos quando sentiu uma das minhas mãos envolvê-lo, mas a retirou no mesmo instante me olhando selvagemente.
- As damas primeiro. – Ele disse abrindo e puxando minha saia com tudo para baixo, o vi sorrir maliciosamente antes dele passar sua língua pela parte interna da minha coxa, senti minha excitação cada vez mais evidente, ele começou a dar leves mordidas e eu puxava seu cabelo demonstrando minha excitação, senti ele puxar minha calcinha gentilmente para baixo e então ele me puxou pra perto dele e senti o membro rijo dele por debaixo da boxer encostar em minha intimidade, achei que ele fosse tirar a boxer e terminar logo com aquilo mas então senti um dos dedos dele me invadir sem aviso prévio, me fazendo jogar a cabeça para trás e morder o lábio inferior com força, o olhei e vi um sorriso de triunfo no rosto, apertei mais ainda os cabelos da nuca dele, ele investia seu dedo como quem conhecia meu corpo e acariciava meu clitóris causando tremores e espasmos, ele agia como quem sabia exatamente onde tocar, senti uma onda de calor percorrer todo meu corpo, tive meu primeiro orgasmo ao olhar excitado de , que me puxou me beijando calorosamente, naquele momento até um simples movimento de sua língua parecia ter o poder de me excitar por completo, eu não tinha controle sobre mim quando o assunto era .
Ele tirou sua boxer sem parar o beijo e já se preparava para me penetrar, eu o empurrei firmemente pelo peitoral e ele me olhou assustado, talvez achando que eu fosse fazer como quando nos agarramos na sala de aula, mas lancei um sorriso safado para ele.
- Não vai rolar sem preservativo. – Ele sorriu um sorriso de canto, sexy, muito sexy e foi até a calça jeans dele pegando na carteira que foi jogada no chão sem cerimônias, abriu o pacote e veio até a mim, quando ele fez a menção de colocar ele tirei o pacote da mão dele e o puxei pra mais perto de mim e o beijando avidamente, assim como ele havia feito envolvi o membro dele com uma das minhas mãos e comecei a masturbá-lo, devagar no começo e rapidamente quando ele começou a resmungar alto demais.
- Chega, . – Ele disse com a voz rouca. – Senão não sobra nada de mim.
Entendi a dica e coloquei a camisinha no membro dele, que mantinha os olhos fechados, sorriu ao abri-los, depositou uma mão em meu pescoço fortemente e me fitou com aqueles olhos profundamente intrigantes, fazendo com que eu me perdesse dentro deles por alguns segundos, até que outra coisa me tirou do foco.
me puxou para mais perto e investiu com tudo pra dentro de mim, senti como se cada micro pedaço de pele se arrepiasse por dentro e por fora, um gemido alto escapou dos meus lábios, motivando a investir com mais força, eu não sabia como ele conseguia, mas ele conseguia me fazer sentir um prazer incontrolável, do tipo que te faz perder a cabeça e esquecer onde você está, ele me segurava pela bunda me levantando um pouco pra conseguir me penetrar mais facilmente e minhas mãos estavam em volta de seu pescoço, que em alguns momentos era onde eu abafava meus gemidos mais altos, o que fazia dar estocadas mais fortes do que as anteriores, até que senti um calor me envolver por completo, era como se estivesse pegando fogo por inteira, joguei minha cabeça para trás soltando um gemido alto, enquanto enfiava meus dedos entre os cabelos molhados pelo suor de , o ouvi soltar um grunhido e me apertar fortemente contra si antes de desabar encostado em meus seios.
Ficamos abraçados ofegantes por alguns minutos, ele acariciou meu rosto me fazendo olhar para seu rosto alegre, sorri de volta ao vê-lo sorrir de forma tão espontânea.
- Isso foi... – Eu me interrompi buscando uma palavra adequada.
- Incrível? – ele disse tão ofegante quanto eu. – Porque pra mim foi.
- Maravilhoso. Perfeito. – Eu queria acrescentar que nenhum homem tinha me feito sentir tanto prazer como ele havia me proporcionado naquele momento sem nem ao menos usar todas as artimanhas nas preliminares, apesar de que pelo visto eu tinha causado o mesmo efeito nele, mas me lembrei de , ele apareceu em minha mente como uma imagem borrada, mas minha feição mudou radicalmente.
- O que houve? – me perguntou, acariciando meus cabelos.
- Nada, só que... foi perfeito. – Ele sorriu novamente e eu prossegui. – Mas foi só dessa vez, .
Ele me olhou assustado e se afastou de mim bruscamente, ele parecia incrédulo me ouvindo dizer aquilo.
- Não precisa fingir que me odeia, agora eu já sei que não é verdade. – Ele me lançou um sorriso cúmplice e eu sacudi minha cabeça negativa, descendo da pia e pegando minhas roupas pelo banheiro, continuava parado, me olhando sem entender.
- Eu não quero estar com você, foi só dessa vez pra acabar com essa sua perseguição idiota atrás de mim e pra destruir essa tensão sexual que você criou entre nós, eu te avisei que seria só por isso.
Terminei de vestir minha blusa de uniforme e vi terminar de se vestir pelo canto de olho, ele tinha fúria nos olhos.
- Ótimo, agora posso falar que comi a novata de Manchester também, mais uma pra minha lista. – Ele piscou e me lançou um sorriso irônico e passou por mim, destrancando a porta e batendo a mesma com força ao sair.
Fiquei em pé, digerindo a crueldade das palavras firmes dele, segurei meus cabelos revoltos e me olhei no espelho, me senti uma puta e idiota por ter deixado aquilo acontecer, apesar de ter sido maravilhoso. Eu devia esperar que no fim das contas ele fosse ser grosso comigo, principalmente depois do que eu havia dito, mas não dava pra mentir, eu não iria repetir aquilo, eu estava gostando do , estávamos nos conhecendo ainda, mas eu sabia que era com ele que queria namorar, um homem maduro, sensato, e experiente o suficiente pra lidar comigo e minhas excentricidades.
Prendi meu cabelo num coque frouxo, lavei meu rosto e segui até a porta do banheiro dando uma última olhada nele antes de sacudir a cabeça e sair com meu coração pesado. Me perguntei então o porquê daquele sentimento horrível me apertando o peito, mas decidi deixar de lado aquela pergunta, afinal nada que envolvia o havia uma resposta. Ou havia? Eu só tinha certeza de uma coisa, ele era meu enigma e não estava pronta pra descobri-lo. Talvez nunca estivesse.

Continua...

N/A: Eu sei que demorei MUUUUUITO pra atualizar, nem se ainda tenho minhas leitoras :x Anyway, eu passei no vestibular depois da última atualização e com tanta correria de ‘trabalho + faculdade ‘ tava me fazendo afastar de tudo, até mesmo da internet a única coisa que eu fazia era usar o twitter, meu vício declarado since 2009 HUDSSDUSDU Eu só quero agradecer aos comentários de vocês e dizer que vou tentar atualizar mais vezes daqui pra frente. Mas essa atualização foi bem grande, espero que gostem e que a cena hot não tenha ficado tão patética como eu achei HUDSSDU Beijos para minhas leitoras lindas ( se eu ainda tiver alguma hahaha) Ps:Qualquer erro na minha fanfic enviem para a Amy, minha beta querida, tá gente? Não enviem pra mim ou por comentários, tá?
Obrigada amores xx





Nota da Beta: Comentem. Não demora, faz a autora feliz e evita possíveis sequestros - só um toque. Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise por email ou Twitter. Obrigada. Amy Moore xx