Amor Imperfeito

Beta-reader: Kath




Capítulo 1
Ela acordou em seu apartamento, num dia normal. O sol invadia as janelas provocando sombras e desenhos no tapete da sala. Ela estava sozinha, como de costume, sua única companhia era Fred, um vira-lata que era um ótimo amigo.
Levantou da cama devagar, sabia que não estava atrasada para o trabalho, nunca se atrasara em dois anos no emprego. Desceu as escadas do mezanino onde se encontrava sua cama e dirigiu-se até o banheiro.
Sentia-se feliz, mesmo depois de dar uma boa olhada no espelho e ver que estava toda descabelada e com olheiras.
Ela olhou em volta, o apartamento estava arrumado, era um lugar simples, porém aconchegante.
Enquanto se arrumava e separava alguns relatórios para o trabalho, outra pessoa acordava em uma cidade vizinha.
Ele, porém não acordava tão bem humorado, sua cabeça pesava toneladas e alguém insistia em esmurrar a porta do quarto.
O quarto estava escuro, espessas cortinas na cor marrom cobriam todas as janelas, a cama na mesma cor era enorme e com lençóis brancos e desarrumados.
Quando ele se levantou percebeu que não estava sozinho, ali na imensa cama havia uma garota semi-nua, os cabelos longos e loiros e a silhueta perfeita, provavelmente uma modelo.
Enquanto as batidas permaneciam na porta, ele se sentou na cama e tentou se lembrar da noite passada.
- Entre. - Ele disse desistindo de ignorar a insistência da pessoa.
- Não sabia que a porta estava aberta, se soubesse já estaria aqui dentro há horas. Escuta, , nós estamos muito atrasados, você precisa se levantar, sua agenda está cheia hoje.
- Está bem, pára de gritar, eu estou acordando. - Ele disse mal-humorado.
- Já fechei a conta do hotel, caso você queria alguma coisa nós compramos na estrada.
O homem deu uma boa olhada no quarto que estava extremamente desarrumado, viu a moça que ainda dormia profundamente na cama e saiu fechando a porta, não dando tempo nem de pensar direito.
Ele se levantou com esforço da cama, seus cabelos despenteados, algumas tatuagens espalhadas pelo corpo davam à impressão de rebeldia. Não era só impressão. era conhecido pela personalidade forte e atitudes impulsivas, o que já se espera quando se tratava de um astro do rock de apenas 23 anos.
Ele tentou acordar a garota que parecia ainda estar atordoada da noite anterior e tentava vasculhar em sua mente o nome da garota, porém não conseguia se lembrar e só via flashes da noite passada.
Uma festa em seu quarto de hotel, todo mundo dançando e bebendo, toda sua banda estava lá se divertindo também, até seu empresário Max, aquele que o acordara a poucos minutos, a loira também estava lá, mesmo assim ele não conseguia se lembrar dela.

Do outro lado da cidade, , a garota solitária, descia as escadas de seu apartamento e se dirigia até seu carro, um veículo tão antigo que era de se impressionar que ainda rodava.
Ela arrumou suas coisas no banco do passageiro e pegou seu celular, cheio de penduricalhos, já havia perdido o celular inúmeras vezes e achava melhor andar com vários chaveiros pendurados nele do que perdê-lo novamente.
trabalhava num escritório de decoração, localizado num imenso pólo comercial. O local possuía não só escritórios comerciais, como também um shopping center com cinemas, teatros, bares, restaurantes e outras áreas de lazer.
No último andar do edifício principal encontrava-se o escritório da empresária e decoradora Lorena Callan, uma mulher muito famosa por decorar mansões de artistas e multimilionários.
Lorena era uma pessoa madura com uma personalidade forte e conhecida pelo bom gosto tanto para decoração, como para roupas.
trabalhava como assistente de Lorena desde quando terminou a faculdade.
Quando chegou ao escritório deu de cara com a chefe.
- , querida, chegou mais cedo outra vez? Não sou muito de reparar nessas coisas, não fosse pelo fato de você estar adiantada uma hora. - Disse Lorena com um copo de café em uma das mãos e uma caneta na outra.
- Eu sei, chefe, mas hoje é reunião com aqueles clientes importantes e eu queria ajeitar tudo antes. - segurava uma pilha de papéis nas mãos.
- Eu também estou aflita, temos que fechar negócio, essa família é muito tradicional e quero participar ativamente do processo de decoração.
Enquanto as duas continuaram a discutir sobre o projeto...


- Vamos, , já não basta a bagunça da noite anterior, quer também bagunçar sua agenda de hoje? - Enquanto dava o sermão, Max juntava algumas roupas espalhadas pelo quarto.
- Max, não sei por que você voltou aqui, eu já disse que estava quase descendo. - Ele agora lavava o rosto e os pulsos.
- Porque oras, , estamos esperando você lá embaixo há uma hora, não me venha bancar a estrela do rock agora, não sou sua mãe. À propósito, quem é a garota deitada na cama? - Max fez uma pausa e encarou com cara de desaprovação.
- Achei que você poderia me responder, acho que bebi demais ontem à noite, não me lembro da loira. - Divertia-se enquanto falava.
A garota se mexeu um pouco na cama, mas logo voltou a ficar imóvel.
- Pois bem, deixe um bilhete para ela e vamos embora, a banda está toda esperando.
- Jura? Até mesmo o Devon? Achei que ele poderia estar mais bêbado do que eu ontem à noite. - Ao dizer isso pegou uma camiseta do chão e a vestiu.
- Devon está lá embaixo e pelo visto não bebeu tanto quanto você. - Max já batia os pés esperando na porta.
- Certo então, vamos nessa, acho que não vou deixar bilhete para a loira, se não lembro dela provavelmente a noite não foi tão boa.
Os dois rapazes saíram rindo do comentário e pegaram o elevador para o térreo.
- Vamos pelos fundos. - Disse Max apertando o botão do elevador.
- Fundos? Por quê? - agora tentava levantar a mala para colocá-la nos ombros.
- Você não imagina a quantidade de pessoas que estão na frente do hotel.
Os dois desceram até a garagem do edifício onde o carro os aguardava.
- Nossa, , vejo que já está de pé e antes do meio dia. - Ao dizer isso, Devon olhou no relógio e pegou a mala que segurava com esforço.
fez uma careta e entrou no carro junto com o amigo e o empresário.
Os outros integrantes da banda já estavam dentro do carro, Julian e Lex.
Julian, o baterista, era mais sério como Devon, porém Lex, o baixista, seguia a mesma rebeldia sem causa de , provavelmente por isso se davam tão bem.
Lex era o mais bonito da banda, os cabelos loiros jogados no rosto escondiam seus olhos , seu estilo desarrumado chamava a atenção das garotas, mas como já dizia sua filosofia de vida, havia vindo ao mundo à passeio e iria curtir ao máximo.
Julian tinha o estilo mais “certinho” da banda, apesar das muitas tatuagens mantinha os cabelos pretos sempre arrumados e tinha uma beleza meio misteriosa.
Devon era o mais comum, seguia um pouco do estilo de cada um da banda e era meio “Maria vai com as outras”, considerava seu maior ídolo.
Apesar de tudo se destacava, não só pela beleza, que era óbvia, mas era um líder nato, era determinado e tinha suas próprias idéias, era óbvio que nascera com talento para brilhar.
Enquanto o carro se dirigia para a cidade vizinha, Max passava para os garotos a agenda do dia.
Eles teriam um grande show naquela noite, mas antes teriam algumas entrevistas nas rádios locais e uma sessão de autógrafos.
- Vocês terão cerca de três horas para almoçar, fazer compras ou passear, vocês decidem. Depois nos encontramos no hotel onde fiz as reservas, certo meninas? - Max dava as últimas instruções enquanto o carro estacionava.
- Lembrando, muito importante, apesar da hora de descanso todos sairão com seus seguranças, entendido, ? - Ele olhou para o garoto que fitava a janela do carro sem dar muita importância.

Enquanto isso no escritório de Lorena, preparava a sala para a reunião da tarde.
- , venha aqui um instante, por favor.
- Sim, Lorena. - Disse saindo correndo após ouvir a chefe berrando seu nome da outra sala.
- Estava pensando, acho que vou te dar férias o mês que vem, o que você acha?
- Mês que vem? - Ela estava de pé em frente à mesa de Lorena e parecia surpresa com a novidade.
- Bom, porque suas férias já estão vencidas e não vejo porque não tirá-las mês que vem.
- Não vejo razão, Lorena. - Ela tentar argumentar com a chefe.
- Eu ficarei bem, tenho minha secretária e mês que vem será bem tranqüilo. Por que você não vai viajar com a família ou amigos, sei lá? - Lorena preenchia uma planilha enquanto falava, mas parou no último instante para observar a garota.
- Acho que não será necessário, não tenho nenhuma viagem reservada e ninguém para... - Ela não queria completar a frase e ficou ali, imóvel, sem mais argumentos. E continuou - Posso sair mês que vem se você quiser, mais estou disponível se mudar de idéia.
Lorena apertou o botão do telefone e solicitou que a secretária a trouxesse um café, ignorando como se já tivesse tomado a decisão antes de comunicá-la.
- Lorena, os clientes vão chegar em uma hora, você precisa de mais alguma coisa? - Ela perguntou, prestativa.
- Não, obrigada, só vou terminar meu café e ligar em casa para saber como estão os gêmeos e...
Lorena fez um movimento brusco para pegar o telefone e derrubou metade da xícara de café em sua blusa branca de seda.
- Ai, meu Deus, está muito quente, que droga, não posso acreditar nisso, minha blusa de seda, , faz alguma coisa.
- Pegue, Lorena, tente secar. - ofereceu um papel que estava sobre a mesa.
- Um papel, eu estou toda encharcada. - Ela abria os botões da blusa sem saber o que fazer com o estrago.
- Não sei o que fazer, tire a blusa, você vai ficar cheirando café.
- Essa é sua única preocupação? Como eu vou começar uma reunião toda encharcada e com a blusa manchada de café? - Ela falou fazendo voz de choro.
- Vou ligar para o seu motorista e pedir que ele traga outra, só um instante. - estava sem reação e tentava ser mais prestativa do que de costume.
- Não. - Lorena deu um berro que quase deixou surda. - Não vai dar tempo, eu escolhi toda a minha produção, como posso usar outra blusa?
- Tudo bem, Lorena, me diga o que fazer então. - Solicitou , agora já sem paciência.
-Já sei. , querida, tem que fazer isso por mim, por favor.
achava tudo aquilo uma bobagem desnecessária e infantil. “Como ela pode ser tão mimada?” Era só o que ela pensava.
- Pode falar, Lorena, faço o que for necessário.
- Olha, eu comprei essa blusa numa loja muito famosa, no primeiro piso aqui do shopping mesmo, é só você descer lá e comprar a mesma blusa para mim. - O gerente da loja me conhece, vou ligar lá e pedir pra ele separar, tudo bem?
- Claro qual o nome da loja? - Ela perguntou, mas na verdade o que veio em sua cabeça foi: “Claro, eu sou paga pra ficar paparicando uma perua desvairada mesmo”.
- Procure o Dimitre. - Disse Lorena parecendo mais animadinha.
concordou e saiu o mais rápido possível, dessa vez não para ser prestativa e sim porque se ficasse mais um minuto ali não se responsabilizaria pelos seus atos.
Durante todo o caminho até a tal loja ela pensava em como sua chefe era fútil e pensava também nas férias proposta por ela.
“Afinal de contas o que eu vou fazer com férias, um mês inteiro em casa olhando pro teto e comendo sacos e mais sacos de salgadinhos”.
Ela não queria férias, queria mais era ocupar a cabeça com o trabalho.
Depois de se perder um pouco pelo lugar, onde para ela todas as lojas pareciam iguais, finalmente encontrou a imensa loja e foi logo entrando.
A loja vendia não só roupas femininas, mas também masculinas de vários estilos e marcas. Era como uma loja de departamentos só que com roupas caras que valiam a entrada de carro popular.
- O Dimitri, por favor?! - Ela solicitou, educadamente, quando encontrou com um vendedor.
- Dimitri? Precisa falar com ele... Eu posso te ajudar? - Ele disse em tom de desprezo.
“Você só me ajudaria se engolisse essa sua arrogância sem sentido” Ela pensou já sem paciência.
Nesse momento um ser saltitante apareceu por de trás das roupas.
- Oi querida, deve ser você a assistente da Lolo, não?
“Lolo? Só se for lolouca” Ela afastou os pensamentos maldosos da cabeça e só concordou.
- Ela já te ligou?
- Sim, claro só não tive tempo ainda de verificar se tenho essa peça no estoque, sabe como é são peças exclusivas, não vêm em grande quantidade. - Ao terminar a frase ele levou as mãos ao peito e fez um biquinho.
Ela só pensava: “me poupe das informações desnecessárias”.
- Vou pessoalmente verificar no estoque, fique à vontade.
“Claro, vou ficar super, numa loja com gente esnobe e que nada serve em mim”.

Já chegando à cidade, e Lex resolveram passear no shopping, enquanto Julian e Devon iriam a um restaurante japonês, todos com seus seguranças a tira colo.
- , eu vou na loja de CDs paquerar aquela vendedora gostosinha. Você vai comigo?
- Não, cara, eu vou comprar calças jeans, aproveitar que só encontro as que eu gosto naquela loja.
- Beleza, depois a gente se encontra, fica com celular.
se dirigiu a loja que sempre comprava calças jeans quando estava na cidade. Dois seguranças o seguiram e outros dois foram com Lex.
Um dos seguranças que estava com foi à frente e entrou primeiro na loja, conversou com um dos vendedores que estava na porta e o mesmo saiu apressado para falar com alguém.
percebeu uma pequena movimentação à suas costas, algumas garotas cochichavam e outras apontavam pra ele, ele decidiu então entrar rápido na loja.
O vendedor no qual o segurança havia conversado voltou apressadamente e disse:
- Senhor é um prazer recebê-lo novamente, já conversei com o gerente, que está um pouco ocupado agora, mas já vem te receber, ele pediu que ficasse à vontade. A loja já está sendo fechada para o senhor.
O segurança se aproximou de e disse em seu ouvido.
- Senhor, achei melhor comunicar sua presença para que você fique mais à vontade, nós precisamos evitar tumultos.
deu de ombros e acompanhou com os olhos os outros vendedores expulsando gentilmente os clientes da loja.
As portas foram fechadas e o grupinho de meninas, agora maior, fazia acampamento na porta.
- Bosta, cadê a merda do meu celular? Eu nunca vou encontrar ele nessa imensidão. - apalpava os bolsos falando baixinho. Ela estava no fundo da loja esperando Dimitri e percebeu uma movimentação estranha, mas deu de ombros e acho melhor procurar o celular antes que Lorena ligasse.
- Não é possível essa minha capacidade de perder esse troço irritante. - Ela agachou no chão, resmungando para procurar o telefone. Enfiou-se embaixo de algumas araras e foi engatinhando pelo carpete.
Quando menos esperava, um braço forte a puxou para cima, quase a tirando do chão.
- Meu Deus, o que é isso? - Ela soltou os braços de segurança e começou arrumar sua roupa.
- Eu não estou roubando nada, só perdi meu celular.
- Por caso é esse aqui? - Disse uma voz atrás de .
Ela se virou e viu com seu celular em uma das mãos suspenso pelo ar.
- É, é esse mesmo, eu não estava fazendo nada de errado, só estava procurando meu telefone. - Ela deu um passo para frente e tomou o celular da mão dele.
- Como se perde um negócio tão... cheio de penduricalhos como esse? - fez cara de deboche e deu um sorrisinho de lado.
- Então, eu também vivo me perguntando isso, obrigada por achar e francamente os seguranças dessa loja são uns brutamontes mal educados. - Ela falou extremamente irritada olhando os seguranças da cabeça aos pés.
- Esses seguranças são meus e não da loja, peço desculpa por eles. - Ele disse, com voz de desdém.
- Seus? - Ela riu sem graça. - Por quê? Você é filho de algum presidente ou um jogador de baseball da liga principal?
- Você não me conhece? - Ele perguntou franzindo a testa com ar de superioridade.
- Han... Não, por que deveria? - Nesse momento, Dimitri voltou todo descabelado do estoque.
- Nossa achei, desculpa a demora. é você mesmo, meu astro preferido? - Dimitri se aproximou de e entregou a blusa nem olhando para a cara de .
- Sou eu mesmo, mas pelo visto não tão famoso mais. - O garoto disse, se divertindo com comentário.
- Por que diz isso? - Dimitri parecia mais afetado do que antes.
- Essa senhorita não faz idéia de quem eu sou. - Ele apontou para , que segurava a blusa em uma mão e o celular na outra.
- Ela não sabe? - O gerente fez cara de espanto, virando-se agora para .
- Você vive nesse mundo, lindinha, não tem TV em casa não? - Ele continuou falando, enquanto olhava para da cabeça aos pés.
tentou se lembrar da última vez que tinha ligado a televisão em casa e depois de alguns segundos levou em susto com o celular tocando em suas mãos.
“Meu Deus, Lorena.” Pensou desligando o celular.
- Bom, Dimitri, depois a Lorena fala com você, eu tenho que sair correndo agora.
passou pelos seguranças de e o olhou pela última vez. Não fazia idéia de quem ele era.
- Jeff, vá abrir a porta pra mocinha e não deixe ninguém entrar, não queremos causar tumultos.
estava um pouco desconfortável com o acontecido, seu ego era grande demais e ele só pensava “Como essa garota não sabe quem eu sou, que tipo de pessoa alienada e idiota ela é?”.
saiu da loja e viu a multidão de garotas esperando na porta, havia também alguns fotógrafos sendo arrastados para fora pelos seguranças do shopping e ela não pode deixar de pensar na pessoa que acabara de conhecer. “Será que eu deveria saber quem ele é?”.
“Ele dever ser algum filhinho de papai metido, o pai dele deve ser dono de uma rede de hotéis ou algo do tipo, isso está muito na moda hoje em dia” Ela saiu rindo do próprio pensamento e correu para alcançar a porta do elevador aberta.
Chegou a tempo de entregar a blusa a Lorena e a reunião seguiu como o esperado.
Após serem escoltados pelos seguranças do shopping e os próprios seguranças, e Lex foram embora encontrar o restante da banda.
Já no caminho para casa, resolveu passar no super mercado para comprar algumas coisas.
Ela já estava a caminho do caixa com alguns pacotes de bolachas e lasanha para micro-ondas quando se deparou com uma estante cheia de revistas e nelas ele estava lá, o garoto da loja de roupas, havia dezenas de revistas com ele e a banda na capa. Ela, por impulso e curiosidade, pegou algumas e foi até o caixa.
- Boa noite. - Disse de forma mecânica a atendente do caixa.
- Boa noite. - respondeu com o mesmo entusiasmo e começou a depositar as compras na esteira.
A caixa começou a registrar as compras e pegou uma das revistas na mão.
- Nossa você também gosta dessa banda? - A caixa perguntou agora entusiasmada.
- Ham...Não muito. Na verdade, não conheço a banda, só vou ler as revistar por causa do horóscopo.
“Puxa, boa desculpa, por que você não fala agora que está levando todas essa lasanhas para o seu cachorro e não porque você é uma gorda?”. Ela pensou ainda colocando as compras na esteira.
- Ah, claro. - A caixa franziu a testa e continuou seu trabalho.
- Eles vão fazer um show aqui na cidade hoje, você está sabendo? - Ela perguntou já pegando o cartão de crédito das mãos de .
- Sério, não sabia. - sentia preguiça de continuar a conversa, porém a caixa estava mais animada do que nunca.
- Sério, menina! E eu aqui atrás desse caixa nojento enquanto os homens da minha vida fazem o show do ano. – Bom, pelo menos eu vou acompanhar pela TV.
Ela deu de ombros apontando com a cabeça a televisão pendurada na parede em frente ao caixa.
já havia guardado todas as compras na sacola apenas deu uma risadinha, despedindo-se e foi embora.
Ao chegar em casa foi recepcionada por Fred, ela foi até a cozinha encheu o potinho do cachorro de comida e colocou as compras na mesa.
Sentou-se no sofá, respirando fundo de cansaço. Passou os dedos entre o cabelo e apoiou a cabeça no encosto, ficando ali por alguns minutos, até se lembrar que estava com fome. Foi novamente até a cozinha para pegar um pacote de bolachas e, ao abrir a sacola de compras, viu a revista e se achou meio idiota, balançou a cabeça para os lados e deu uma risadinha sem graça.
Sentou-se no sofá novamente, abriu o pacote de bolachas e começou a folhear as revistas.
Algumas traziam a história dos integrantes da banda, suas biografias, hobbies, famílias e namoradas.
ia folhando as páginas e ria sozinha das descrições, isso para ela parecia coisa de pré-adolescente.
Outras revistas, porém, contavam notícias da banda, fofocas e escândalos.

“O vocalista de uma famosa banda pop rock teve sua carteira de motorista apreendida após ser flagrado dirigindo sob o efeito de substâncias ilegais”.

foi visto na noite passada saindo de um famoso restaurante com a modelo Lisa Burton”.

desmente boatos de que esteja saindo com a atriz Lindsay Lohan e afirma que os dois são apenas amigos de baladas”.

“Eleito o homem mais sexy do mundo da música, posa para fotografo renomado”.

- Ta, agora eu já sei quem é , não muito diferente do que eu pensava. Um playboyzinho de merda metido a besta e a estrelinha do rock.
Pensando em voz alta ela atirou as revista na mesinha de centro e se deitou no sofá.
Ela lembrou por um momento que a caixa do mercado havia mencionado um show da banda na TV.
“Você já leu as revistas e agora quer ver o show, o que deu em você, crise de bobeira?”. Ela perguntava a si mesma enquanto tentava tirar a última bolacha do pacote.
“Ai, tá bom. Não custa nada dar uma espiadinha.” Ela passou as mãos por trás das costas, procurando o controle remoto no sofá.
Ele não estava lá. Levantou do sofá e começou a procurar embaixo da almofadas e nada do controle aparecer.
- Posso ligar no botão da TV mesmo, mas não dá pra mudar de canal, porque essa televisão é uma velharia... Gênio. - Ela falou alto enquanto andava pela sala e fez Fred, que estava deitado no chão da cozinha, levantar a cabeça.
- Fred, me ajuda, porque agora é questão de honra achar esse abençoado. - Porém Fred nem se mexeu dessa vez.
Enquanto ela tentava novamente se lembrar da última vez que tinha ligado a televisão e começou a resmungar em voz alta de novo:
“Sei lá quanto tempo faz... Não tem nada de bom na televisão mesmo”.
Como ela morava sozinha, tinha o habito de conversar consigo mesma, uma coisa meio bizarra, mas que dava certo. Ela costumava manter longos diálogos com a própria consciência. Mas também conversava muito com Fred, que por sinal acabava no mesmo, pois só sua voz se ouvia dentro daquele apartamento.
- Fred, foi você quem escondeu, não foi? Vou olhar no seu puff e se estiver lá, eu te mato, seu vira lata.
Ela puxou o cobertor do cachorro para cima e lá estava ele, o controle remoto, todo mordido e cheio de pêlos.
- Nossa, Fred você me paga, imagine se você escondesse tudo que eu não uso de baixo do seu cobertorzinho?
Finalmente conseguiu ligar a TV e foi passando os canais procurando o show que já devia estar na metade.
Quando mudou de canal mais uma vez e finalmente encontrou a MTV, ele estava lá, no meio do palco com todas as luzes apagadas e uma apenas focando seu corpo.
Ele estava sentado com o violão apoiado em uma das pernas, os flashes das máquinas fotográficas batiam em seu rosto, refletindo e acentuando ainda mais seus olhos .
Ali sentado no palco com milhares de pessoas gritando seu nome ele não parecia mais tão prepotente e petulante. Para , naquele momento ele parecia até sensível e venerável.
Por um momento ela não conseguia ouvir a música que ele cantava e ficou apenas admirando sua beleza e fragilidade. Era como se tudo estivesse em câmera lenta.
Lentamente a música começou a invadir seus ouvidos e uma sensação gostosa tomou conta de todo o seu corpo.
Ele cantava, suspirava e ria para os fãs eufóricos e todos os seus movimentos eram perfeitos.
Ela se viu acordando daquele transe com um sorrisinho no rosto e admitiu para si mesma que a música era linda, assim como a voz de quem a cantava.
Foi dormir feliz naquela noite, se sentindo leve e animada, não sabia o motivo, mas se sentia bem e pensou nele o resto da noite.

- Ótimo, meninos, simplesmente perfeito. - Max cumprimentava os garotos na porta do camarim, enquanto eles entravam.
- Nossa eu estou morto, literalmente acabado. - Comentou Devon, pegando uma latinha de energético da mesa.
- Não se empolga muito no desânimo, Devon, a gente tem que dar atenção aos fãs agora. - Lex deu uma risadinha provocante se referindo às garotas que estavam lá dentro.
Óbvio que não eram fãs, daquelas que sabem todas as músicas ou que choram de emoção durante os shows.
- Você está se referindo às groupies praticamente nuas ali no canto? - Julian fez cara de deboche, comendo alguns biscoitos da mesa.
- Nossa, Julian, você era mais animadinho com nossas fãs, o que aconteceu? - Perguntou Lex, se divertindo do comentário.
- Nada, só estou meio de bode dessas menininhas. - Ele fez cara de desprezo e continuou comendo os biscoitos.
- Beleza, mas aposto que o não. Né não, irmão? - Lex deu um tapinha nas costas de , que agora acendia um cigarro.
- Eu não e à propósito, hoje é minha noite de escolher. - Ele deu risada, pegando a latinha de energético da mão de Devon.
- E vou começar por aquela ali. - Ele apontou com a cabeça uma das meninas, que ao perceber isso veio em sua direção.
- Oi. - Ela disse com cara de que não tinha um vocabulário muito amplo.
Ele se aproximou dela e sussurrou em seu ouvido:
- Hoje é sua noite de sorte e como eu estou bonzinho, vou deixar você trazer uma amiguinha com a gente.
- Qual você quer? - Ela fez cara de safada, sabendo exatamente do que ele falava.
- Escolhe você, eu já disse que hoje eu estou bonzinho. - Ele estava com os braços envoltos na cintura dela enquanto cochichava em seu ouvido.
A garota fez sinal para a outra e os três saíram de lá.
Já no quarto de hotel, nada precisava ser muito formal, as garotas foram logo pegando bebidas no frigobar, enquanto acendia outro cigarro.
- Sou muito sua fã. - Uma delas disse enquanto tomava uma garrafinha de whisky.
- É mesmo? Qual música você mais gosta? - Ele perguntou já sentado em uma das poltronas e fitando as garotas com certo desanimo.
-Eu gosto daquela que você fala sobre uma garota, sabe? - Ela respondeu meio sem graça.
- Não precisa fingir ser minha fã, agora você só precisa tirar sua blusa, o que acha? - Ele riu com malícia nos olhos.
Sem pensar duas vezes a garota se aproximou e sentou de frente, encaixando suas coxas nas pernas dele. Ela tirou a blusa e eles começaram a se beijar ainda sentados no pequeno sofá.
A outra garota só observava de longe enquanto os dois começavam a pegação.
- Não quero ficar de fora. - Ela disse com cara de sem vergonha, enquanto observava a cena. Ela foi por trás dele e começou a beijar seu pescoço enquanto a outra abria sua calça. Ele puxava com uma das mãos, sem dó, os cabelos da menina sentada em seu colo enquanto acariciava a outra em suas costas.
Não se sabia ao certo quem era quem naquele meio, onde muitas mãos passavam e bocas se misturavam. Enquanto ele tirava com facilidade a blusa e o sutiã da menina de trás, a outra se abaixava pra acariciar suas intimidades.
Do sofá eles foram para cama, onde a situação ficou mais descontrolada, ele agora sem roupas estava deitado e assistia enquanto as garotas se beijavam sentadas de joelhos a sua frente.
E foi assim o resto da noite entre bebidas e cigarros, quando se cansava de uma, pegava a outra ou as duas ao mesmo tempo, dependendo da disposição.
O resto da semana passou lentamente e quando finalmente chegou sábado, resolveu visitar os pais que moravam à uma hora de distância de sua casa. A idéia não a agradava muito, já que nunca tivera uma relação muito afetuosa com os pais e a irmã mais nova. Por muitas vezes chegava a pensar que era adotada ou algo do tipo, mas não culpava só a família, ela sabia que parte daquilo era culpa dela e sua mania de se fechar em seu mundinho.
Quando criança sua mãe chegou a pensar que ela poderia ser autista, pois não se adaptava bem aos ambientes e tinha dificuldades de interagir com as pessoas. Mas aquilo só fazia parte de sua personalidade e, é claro que, a ignorante da sua mãe não saberia distinguir uma criança tímida de uma criança autista.
sempre foi a primeira da classe e isso causa um pouco de inveja na irmã, que à propósito possui muitas características da mãe, sua ignorância era uma delas.
Jenny, a irmã era popular e tinha muitos amigos e namorados, mas isso não incomodava , na verdade ela gostava de sempre estar sozinha e na infância teve apenas um amigo, que hoje, quando repentinamente se lembrava, sentia tristeza e saudade, não gostava de pensar a forma trágica que havia perdido o melhor amigo de toda sua vida... Mas isso já é outra história.
Ela pegou um pote de doce de pêssego que tinha feito para os pais e entrou no carro para a viagem entediante.
No caminho, já não sabia ao certo o motivo para estar indo até lá, apenas colocou uma música alegre no rádio, tentando ser otimista.
Ela estacionou o carro em frente à casa amarela com cercas brancas e desceu com o bendito pote de doces na mão.
- Mãe, você está ai? - Ela entrou pela porta que estava aberta.
- Quem está ai? - Uma voz feminina veio da cozinha.
- Mãe, sou eu, a . Posso entrar? - Ela parecia estar pisando em território inimigo.
- Oi , claro que pode entrar. Você me pergunta isso já no meio da sala? - A mulher disse, vindo de dentro da cozinha com um pano de prato em um dos ombros.
- Se lembrou que tem família? - Ela disse indo em direção à garota.
apenas deu uma risadinha e fechou os olhos, desejando por um segundo que quando os abrisse a mãe não estivesse mais lá.
- Claro que não, mãe, só estou trabalhando muito.
- A Jenny também trabalha, mas sempre está por perto.
- Lógico né, mãe, a Jenny mora aqui, o que você esperava? - disse, irritando-se com a primeira comparação sem cabimento do dia.
- Entra. Vamos, eu estou fazendo uma torta de ricota com passas, você gosta, não gosta?
- Não, mãe, na verdade não gosto muito, mas eu como um pedaço.
- Não precisa comer se não quiser, estou fazendo por seu pai mesmo.
sentou-se à mesa da cozinha e ficou fitando o nada, enquanto sua mão tagarelava sobre alguma coisa inútil que a Jenny tinha feito noite passada.
- Cadê o pai? - Ela interrompeu a mãe, que não parava de falar.
- Seu pai está lá em cima, quer que eu o chame agora?
- Não, tudo bem, quando a torta ficar pronta eu mesmo o chamo.
Depois de alguns minutos, ouviu o pai arrastando os chinelos pela escada.
- Quem está ai, queria? - Ele perguntou enquanto ainda descia.
- É a , meu bem, venha até a cozinha, ela está aqui. - A mãe respondeu aos berros.
- Oi, filha, quanto tempo. - Ele cumprimentou com um beijinho no rosto.
- Oi, pai, tudo bem? Parece estar cansado.
- Eu estava tirando a soneca da tarde. - Ele deu uma risadinha de lado.
Mas quando ia finalmente perguntar da irmã, a mesma adentrou a cozinha como um furação.
- Mãe, mãezinha, você não vai nem imaginar. - Ela dizia na maior empolgação.
- O que, minha filha, fala logo. - A mãe se virou e parecia preocupada.
- Nossa, , você está ai, nem tinha te visto. - Ela olhou pra irmã e desviou o olhar antes que ela respondesse.
- Estou, tudo bem com você também, Jenny? - respondeu fazendo cara de indiferença.
- Vocês não vão acreditar. - Ela dava pulinhos no meio da cozinha mostrando a mão direita. - Eu estou noiva, ele me pediu hoje cedo e está vindo aqui para falar com vocês, eu estou tão feliz! - Jenny pulava cada vez mais alto enquanto balançava a mão com a aliança na cara de todos.
- Meu Deus, que notícia boa. - A mãe comentou na mesma empolgação e também aos pulos agora.
- Pai, não vai me dar um abraço? - Jenny perguntou radiante.
- Claro, filha, parabéns! Estou muito feliz por vocês, ele é um bom moço. - O pai comentou se levantando da mesa para beijar a filha.
- Não só um bom moço, como também tem dinheiro não é? - A mãe disse cutucando Jenny.
- Tava demorando pra você expressar seus verdadeiros sentimentos né, mãe? - disse ainda sentada na mesa.
- Isso é coisa que se fale para uma mãe, ? - A mãe disse, fechando a cara.
- Não liga, mãe, até parece que você não conhece a peça, isso é despeito, porque eu sou mais nova e vou me casar primeiro. - Jenny comentou fazendo cara de desdém.
- Chega, vocês duas, quase nunca se vêem e ficam se estranhando agora. - O pai disse encarando as duas filhas.
- Eu nem comecei, mas deixa pra lá, Jenny, meus parabéns, fico feliz por você estar feliz, não me importo se você se casar primeiro, ou se só você se casar, para mim tanto faz. - disse com a cara fechada, mas no fundo o sentimento de felicidade pela irmã era verdadeiro.
- Obrigada, como se isso fosse mudar minha vida. - Ela fez cara de puro deboche e se virou mostrando novamente a anel pra mãe, que agora tirava a torta do forno.
- Ah, pai, esqueci! Te trouxe o doce de pêssego que você adora. - Ela disse, não demonstrando muita empolgação.
- Obrigado, filha, que gentileza, não precisava. - Ele disse pegando o pote de doces nas mãos.
"Que ótimo, quero ir embora, já tive minha dose de família por um ano, ninguém vai se importar se eu for, eu vou... levanta, levanta, coragem."
- Bom, gente, o papo está ótimo, mas eu vou nessa, tenho um relatório para preencher. - criou coragem e já se levantava da mesa.
- Você já vai, filha? - O pai disse, aproximando dela.
- Vou, pai, tenho muito trabalho. Só vim fazer uma visitinha rápida.
- Não insiste, meu bem, você sabe que ela só pensa no trabalho. - A mãe disse, cortando um pedaço da torta.
- Tchau, vejo você depois. - Ela cumprimentou os familiares e foi em direção a porta.
Tortura. Era o que ela pensava enquanto entrava no carro.
"Sério, não sei por quê eu me importo tanto e me preocupo em vir aqui, não me sinto em casa mesmo". Ela pensava já em direção a sua casa.
O restante do fim de semana, passou em casa. Levou Fred para passear algumas vezes e resolveu pintar de roxo a parede da sala que estava descascando.
A semana começou e logo foi terminando novamente. se sentia entediada com o trabalho, pensava vez ou outra no garoto da banda e em o que ele poderia estar fazendo naqueles dias. Se ele ainda estava na cidade.
Ela se levantou calma naquela manhã, foi trabalhar como sempre e acreditava fervorosamente que estava em seu inferno astral.
- , venha na minha sala, por favor. - Solicitou Lorena, pelo telefone.
- Pois não... - Depois de um minuto já estava parada em frente à porta da chefe.
- Sente-se. - Lorena fez um breve aceno apontando a cadeira em sua frente, sem nem ao menos tirar os olhos da revista sobre a mesa. - , você trabalha comigo è quantos? Dois anos, não é mesmo?!
só fez um aceno com a cabeça confirmando que sim, ela não sabia ao certo do que se tratava o assunto.
Lorena continuou.
- Certo e depois de tanto tempo, você ainda não me conhece?
- Lorena, não entendi. Do que você está falando afinal?
- Eu guardo bem as datas especiais, não me esqueço de nenhuma. - Ela agora já havia parado de ler a revista e fitava por cima dos óculos de leitura. - , pelo amor de Deus assuma logo de uma vez, hoje é seu aniversário não é? - Lorena agora se punha ereta na cadeira e falava um tom acima do normal.
- É, Lorena, hoje é meu aniversário. - Ela agora dava risada um pouco assustada com a reação da chefe.
- Ah, mas eu sabia! E você ia me esconder isso o dia todo?
- Esconder? Não, imagina, mas por que sairia contando a todos sobre isso?
- Ora, porque hoje é um dia especial... Então, me diga o que pretende fazer?
- Pretendo terminar meu trabalho e ir para casa. - Ela agora se divertia com a conversa.
- Não mesmo, eu tenho uma proposta para você. Como sempre te vejo sozinha pelos cantos, nunca fala com ninguém ao telefone e não tem se quer uma foto de alguém na mesa do seu escritório, estou certa que não terá nenhuma companhia hoje, acertei?
- Não, Lorena, não tenho nenhuma companhia para hoje e para nenhum outro dia, se quer saber.
– Não sei por quê uma jovem tão bonita e inteligente como você está ai sozinha, mas vamos lá. Hoje meu marido tem reunião até tarde com os sócios e a babá vai dormir em casa com os gêmeos, então eu estava pensando em dar uma esticada num barzinho bem tranquilo aqui em baixo, no centro comercial mesmo, o que você acha? - Lorena parecia empolgada com o programa, gesticulando além do necessário enquanto falava.
- Hum, Lorena, não sei não...
Mas antes de terminasse de falar Lorena a interrompeu.
- Nem pensar, , não quer sair como uma velha como eu, é isso?
- Imagine, Lorena, você não é velha, é que eu não sou muito de sair e beber, sabe como é.
- Não aceito não como resposta, depois do expediente nós vamos descer, tomar uns drinques e conversar um pouco.
Bem surpresa com a reação da chefe, apenas confirmou com a cabeça e saiu da sala com uma expressão confusa.



Capítulo 2
Depois do expediente, como combinado, as duas desceram para o centro comercial e foram até o barzinho-café no qual Lorena havia se referido.
ainda não havia concordado muito com a ideia, mesmo porque era estranho sair com a chefe, elas tinha um relacionamento totalmente profissional e poucas vezes Lorena havia comentado da vida pessoal, os filhos gêmeos, o garoto mais velho quase da idade de e o marido, que pelo pouco que ela sabia, super ausente.
O lugar era realmente tranquilo, umas mesinhas no centro, uma banda tocando ao vivo e o bar com algumas cadeiras. achou o ambiente bem agradável e já se sentia melhor com a idéia do happy hour.
- Então, não te disse que era aconchegante? Meu marido sempre me trazia aqui no começo do casamento, mas agora ele não tem tempo nem de almoçar em casa. - Ela fez cara de desdém, como se não se importasse com as atitudes dele.
- Vamos começar então? - Lorena parecia uma adolescente que acabara de receber permissão dos pais para sair de casa.
- Garçom, por favor, eu quero um Martini com duas azeitonas e você, , vai pedir o que?
olhava o cardápio meio confusa com os nomes das bebidas: Orgasmo, Sex on the Beach, Pussy, Like a Virgin, “mas que nomes não esses, Meus Deus?” Ela pensava ainda sem se decidir se queria um sexo na praia ou um orgasmo logo de cara.
- Eu vou querer esse aqui, é... Esse com limão e vodka, por favor.
A conversa fluía solta entre as duas, elas conversam sobre os ex-namorados de Lorena e sobre sua adolescência rebelde. falou um pouco sobre a família e suas desavenças, as duas pareciam velhas amigas de escola.
- Então, como eu tava te falando quando eu conheci o Charlie, minha família não me deixava sair e nós começamos a namorar escondido. - A história de Lorena foi interrompida pelo toque estridente de seu celular.
- Só um instante, , é ligação lá de casa. – Ela fez um gesto com uma das mãos, como se solicitasse um minuto.
- Ham, mas como ele está? Tem manchas avermelhas no corpo? Trinta e nove de febre? Tudo bem eu chego ai em um minuto.
- Era a babá das crianças, o Luige está com trinta e nove de febre e todo empipocado, era só o que me falta viu.
- Nossa, Lorena, pode ser catapora, mas não sei se catapora dá febre.
- Ai, , me desculpe. Vou ter de ir embora, provavelmente vou levá-lo ao médico.
- Claro, ele tem que ir ao médico mesmo, não se preocupe, vá em paz. Eu acerto a conta da mesa.
- Tudo bem, eu vejo isso depois com você, me desculpe mesmo por deixá-la aqui, sabe como é criança né?
- Lógico, Lorena, não precisa se preocupar. Qualquer coisa me liga.
Lorena pegou a bolsa e saiu às pressas do lugar.
ficou ali sentada sozinha, pensando: “Nem quando eu resolvo sair e me divertir um pouco isso dura muito”.
Ela pensou mais um pouco e resolveu ficar no bar por mais um tempo, já que estava ali e a bandinha tocava uma música legal, iria fazer uma horinha no lugar.
Levantou-se e foi até o bar, sentando em uma das cadeiras com o objetivo de não ser vista sentada numa mesa sozinha.
- Por favor, barman, uma tequila.
“Já que estou aqui e hoje é meu aniversário vou curtir, mesmo que seja sozinha.” Ela pensou já levando o copinho e o limão a boca.
Ela estava relaxa curtindo a música quando percebeu que alguém se sentava ao seu lado, não deu muita importância e pediu outra dose de tequila, agora o objetivo era se embebedar.
- Eu conheço você. - Uma voz masculina veio da pessoa sentada ao lado.
apenas olhou de canto do olho, ainda com o copinho nas mãos.
“Meu Deus é ele, o cara da banda, o cretino da loja de roupas, o arrogante dos seguranças, a pessoa com a voz mais linda desse mundo”. “Calma respira é ele mesmo e ele é perfeito olhando desse ângulo”. Enquanto tudo isso passava pela cabeça dela ele apenas a fitava como cara de interrogação
- Você não é a garota do celular perdido, aquela que não sabe quem eu sou?
Depois de longos segundos respondeu:
- Sou eu mesma, aquela que não sabe quem você é. - Ela resolveu não ser muito amigável para não aumentar a prepotência do rapaz.
- Hum, sabe que você é a primeira pessoa que não me reconhece em uns seis meses, normalmente não posso sair de casa sem ser assediado.
“Nossa ele se acha. Meu Deus, se não fosse tão lindo eu já teria o deixado falando sozinho”.
- Sério? Nossa deve ser um saco não poder fazer coisas simples como levar o cachorro para passear ou ir à padaria compra um pão. - Ela disse com cara de desdém.
- Eu nunca tinha visto por esse lado, mas você tem razão. É um saco às vezes, mas também tem seu lado bom, ser reconhecido pelo meu trabalho, por exemplo.
Eles ficaram se olhando por um tempo, até ele interromper o silêncio.
- Mas, mudando de assunto, o que você está fazendo aqui, sozinha e enchendo a cara? - Ele perguntou sorrindo com uma cara de tímido.
- Estou comemorando. - Ela respondeu fitando o balcão.
- Comemorando? - Ele riu novamente, não entendendo o comentário.
- É, hoje é meio que meu aniversário e eu estou comemorando. - Ela continuava olhando o balcão.
- Nossa, nunca vi ninguém comemorar o aniversário sozinho, é sempre assim que o comemora? - Ele perguntou ainda rindo.
- Não, normalmente eu contrato uns go go boys para dançar em meu apartamento, é que hoje eles já tinham um compromisso em um asilo. - Ela respondeu, fazendo cara de deboche.
Ele ainda estava rindo da conversa quando continuou.
- Bom, já que hoje é seu aniversário vou te levar para jantar em comemoração, não é justo as velhinhas estarem se divertindo e você aqui sozinha.
- Não precisa, agradeço seu convite, mas preciso ir embora, antes que meu cachorro ligue para polícia denunciando meu sumiço. - Ela disse agora levantando a cabeça para olhá-lo. - Sério, tenho que ir embora, obrigada pela companhia já vou indo.
Ela se levantou da cadeira, um pouco atordoada pela bebida.
- Você não prefere que eu te leve embora? Você não parece muito bem. - Ele disse se levantado também.
-Não, imagina, eu estou ótima, só tomei duas tequilas e um drink que não vou nem te falar o nome. À propósito meu nome é - Ela falava enquanto ia se afastando dele.
- Prazer, o meu é , pode chamar de , eu não ligo. - Ele falava cada vez mais alto enquanto ela se distanciava.
Ela o deixou falando sozinho e foi pagar a conta no caixa, segurava a comanda com as mãos tremulas, não sabia ao certo se era a bebida ou o encontro repentino com aquele cara perfeito.
Ela criou coragem para olhar para trás, mas quando o fez, ele não estava mais lá sentado. Passou rapidamente os olhos pelo local, mas não o avistou em lugar nenhum.
“Ótimo, foi só um sonho, ou um pesadelo, sei lá, um cara daqueles nunca me chamaria para jantar, mas ele chamou e eu falei alguma coisa estúpida sobre meu cachorro e a polícia, bem a minha cara mesmo” Ela pensava enquanto entregava o cartão de crédito para o caixa.
Ela saiu do local ainda atordoada e foi em direção ao estacionamento onde estava seu carro.
-Hei, garota do celular. - Ela ouviu uma voz vinda de trás e para sua surpresa, quando se virou era ele.
- Oi, você já está aqui fora? Nem te vi saindo. - Ela tentou parecer não estar surpresa com o acontecido.
- Por quê? Você estava reparando se eu sairia do bar ou não? - Ele disse, divertindo-se enquanto caminhava até ela.
- Não foi o que eu quis dizer, espertinho. Só fiz um comentário inocente. - Ela continuava andando enquanto ele a acompanhava.
- Sabe, eu estava pensando, não é sempre que convido uma garota para jantar, você foi muito mal educada.
- Fui mal educada? Não foi o que me pareceu, me lembro bem de agradecer seu convite, você que se acha pensando que todas as garotas querem jantar com você e que nunca recusariam seu convite.
- Me acho? Espera aí, mocinha, quem você pensa que é para falar assim comigo? - Ele a segurou pelos braços fazendo com que ela parasse de andar.
- Me solta. Eu penso que sou uma pessoa de respeito e não vou sair por aí aceitando qualquer convite de gente que não conheço. - Ela soltou os braços das mãos dele, parecendo irritada. - Acho melhor você voltar para o seu mundinho onde tudo é fácil e as pessoas sempre estão a sua disposição. - Ela continuou.
Eles estavam frente a frente e os olhos dela faiscavam de raiva, assim como os dele.
- Meu mundinho? Como assim? Você nem me conhece, garotinha petulante.
- Te conheço sim, eu menti para você hoje, eu sei quem você é e pessoas da sua laia não me apetecem. - Ela falava de forma ríspida, ainda olhando nos olhos dele.
- Então você sabe quem eu sou? Tudo aquilo foi um teatrinho pra chamar minha atenção? - Ele a encarava com a cara fechada.
- Para chamar sua atenção? Você acha que o mundo gira em torno do seu umbigo, garoto? Eu nunca tinha ouvido falar de você e da sua bandinha antes daquele dia e se você não acredita e pensa que eu inventei só para chegar perto de você, eu lamento sua decepção, mas não foi isso que aconteceu. Eu posso ir embora agora? Agora que eu já sei quem você é, você está mais satisfeito? - Ela continuava o encarando falando as berros.
- Não, não estou satisfeito, para falar a verdade.
Eles ficaram se encarando por alguns segundos, mas não durou mais que alguns segundos mesmo e com um gesto brusco e repentino, ele a puxou para frente calando as próximas palavras dela com um beijo.
Ela permanecia rígida, com os punhos fechados no peito dele, não conseguia se soltar ou talvez não conseguia resistir, naquele momento nem ela sabia ao certo, só sabia que passou a corresponder o beijo como se nunca tivesse beijado antes.
Ele passava os dedos entre os cabelos dela, puxando-a para mais perto e ela não estava mais rígida, agora totalmente relaxada passava as mãos nas costa dele como se quisesse tirar sua camiseta.
Toda aquela raiva que antes ardia agora se transformara em desejo.
- Ei, você está louco? - Ela o empurrou depois de recobrar a sanidade, ou a insanidade, depende do ponto de vista.
- Você que deve ser maluca, garota, pelo que me parecia você estava gostando do beijo. - Ele disse, franzindo a testa.
- Posso ter gostado do beijo, mas não gosto desse seu jeito petulante e eu não costumo sair beijando os outros no estacionamento do meu trabalho.
- Eu também não beijo muitas garotas em estacionamentos, bem, na verdade até beijo só que quando estou dentro do carro e ai, quer ir para o meu? - Ele se divertia com cara de deboche enquanto ela o fitava brava.
- Nossa, você se supera mesmo, tchau, vai pegar suas garotinhas no banco de trás do seu carro. - Ela saiu andando de pressa, batendo o salto da sandália no chão de asfalto e ele riu, jogando a cabeça para trás.
- Espera aí vai, pára de ser tão chata, eu peço desculpas, melhor assim? - Ele falou ainda rindo, enquanto ela parava e olhava pra trás.
- Sinceramente, por que você se importa tanto? - Ela falou abrindo os braços e levantando os ombros.
- Sinceramente, eu não sei, só sei que agora eu to morrendo de fome, você vai ser minha companhia ou não, não vou pedir de novo. - Ele arqueou uma das sobrancelhas.
Ela pensou por um tempo, na verdade não via motivos para negar o jantar, só achava meio surreal tudo aquilo.
- Tá, eu vou, mas só se você prometer ser legal o resto da noite. - Ela andou em direção à dele, com cara de derrota.
- Eu prometo que não vai ser pior do que já foi até agora. Mas me fala, você quer ir comer no Vinner? - Eles caminhavam juntos de volta para o shopping, que àquela hora só tinha bares e restaurantes abertos.
- VINNER? Você está querendo me impressionar ? - Ela falou rindo baixinho e continuou – Até gosto de comida italiana, mas eu prefiro ir ao Burger King!
- Jura? Perfeito, eu também prefiro Burger King, você não sabe como me fez feliz agora.
Algumas pessoas viraram a cabeça para olhar quando os dois entraram na lanchonete, o local não estava muito cheio, mas os poucos que estavam lá começaram a cochichar entre si. Não era para menos, ele chamava a atenção mesmo, alto com o corpo perfeito, os cabelos bagunçados, ele usava uma calça jeans, camiseta branca e uma jaqueta preta por cima.
- Não acredito que você come isso. - Ele riu cutucando com o dedo o sunday de morango cheio de batatas frita dela.
- Não ponha o dedo no meu sorvete. - Ela também riu. Naquele momento ele ficou feliz e surpreso por aquele sentimento inesperado de simples felicidade.
- O que você está fazendo aqui hoje? Não tem nenhum compromisso? - Ela perguntou, comendo as batatas com cobertura de morango.
- Hoje é o meu dia de folga e eu queria ficar mais sossegado, então vim tomar uma cerveja naquele barzinho, lá é mais reservado. - Ele falou, não conseguindo deixar de reparar na mistura que ela fazia com o sorvete.
Eles conversaram por horas e, de vez em quando, uma pessoa ou outra pedia para tirar um foto ou pedia um autógrafo para ele. Ela se impressionou de como ele podia ser fofo com seus fãs.
- Nossa, agora está realmente tarde, melhor eu ir embora. - Ela disse depois da longa e descontraída conversa sobre nada.
- Mas já? Você está sempre querendo ir embora, nem amanheceu ainda. - Ele fez uma cara fofa.
- Eu sei, mas já é tarde ou quase cedo, é melhor eu ir mesmo. - Ela enrolava a ponta de uma mecha do cabelo com os dedos.
- Tudo bem, então eu te levo. - Ele disse descontraído.
- Me leva até o estacionamento? - Ela perguntou debochando.
- Não, eu te levo até sua casa. - Ele passou a mão, bagunçando ainda mais os cabelos.
- Impossível, meu carro está ai fora.
- Tudo bem, você deixa seu carro ai e amanhã eu venho com você aqui pegar. - Ele fazia uma cara quase irresistível enquanto falava.
- Claro, que coisa mais sem cabimento. - Ela já arrumava a bolsa pra ir embora.
- Não entendo por que as coisas sempre têm que ter cabimento. - Ele riu franzindo a testa.
- Não sei no seu mundo, mas no meu normalmente elas têm que ter sim.
- Que mundo chato o seu, lamento por isso. - Ele continuou com a cara de pecador.
- Vamos supor que eu tenha surtado, ou algo do tipo, mas se eu aceitar, o que você pretende para o resto da noite? - Ela sentia vergonha só de pensar na resposta dele.
- Supondo que você surte, eu vou te levar até sua casa, ai você me convida para entrar e a gente toma alguma coisa, eu conheço o lugar e vou embora, pode ser?
- Que papo furado, é assim que você conquista as mulheres? - Ela disse rindo da cara dele.
- Não, já te disse que não preciso disso, mas com você é diferente, eu estou tentando não parecer um idiota, mas está difícil. Será que você não pode facilitar as coisas para o meu lado e entender que eu quero ficar mais um pouco com você?
Eles ficaram se olhando por alguns segundos e ela estava confusa com o que tinha ouvido.
- Eu também quero ficar mais um pouco com você, apesar de não saber bem o motivo, mas acho que você pode se cansar fácil de mim, não sou muito interessante.
- Pelo contrário, acho você muito interessante. Gosto do jeito como você me trata. - Ele disse, agora fazendo cara de sério.
Ela suspirou profundamente e disse rindo.
- Tá, eu topo, acho que surtei mesmo. - Ela fez cara de derrotada e se levantou da mesa.
- Então vamos nessa, antes que você mude de idéia. - Ele a puxou pela mão e esse toque lhe provocou um arrepio gostoso.
Eles saíram correndo de lá, e ela sentia que estava fazendo alguma coisa inconsequente, mesmo que aquilo não fosse nada.
- Não repara não, esse carro é alugado, não posso vir nas turnês com o meu. - Ele disse enquanto jogava algumas roupas para o banco de trás.
Ela não tinha no que reparar, mesmo porque o carro era lindo e tinha o cheiro dele dentro.
“Não vou pensar em nada, que se foda, vou viver um pouco, deixa a bosta do meu carro no estacionamento” Ela pensava enquanto admirava ele todo perfeito dirigindo.
- Sabe, se você não me falar onde é sua casa não vou adivinhar sozinho. - Ele disse desviando a atenção da estrada para sorrir para ela.
- Vira a próxima esquina. - “Melhor você se concentrar e acordar do transe antes que ele pense que você é idiota e não sabe onde mora, para de pensar, para de pensar, fala com ele” . - Isso, agora pode continuar reto até o semáforo, ai você vira a esquerda. - “Esquerda, direita, esse perfume me confunde, para de pensar, para de pensar”.
- Por que você está quieta? Já se arrependeu da carona?
- Não eu tava pensando na vida. - “Ótima resposta” - Esse é o prédio, pode parar aqui. - Ela disse conseguindo enfim organizar os pensamentos.
- Pronto, está entregue.
- Como assim? Você não vai descer? - Ela disse não muito segura de si.
- É claro que vou, só queria saber se era isso que você queria também. - Ele disse, fazendo uma careta.
- Chega de joguinhos, , e desce logo desse carro. - Ela abriu a porta e desceu, ele riu gostando da atitude dela.
- Pode entrar, fica à vontade. - Ela disse tentando ser simpática.
- Você tem um cachorro? - Ele observou se aproximando de Fred.
- Não mexe no meu cachorro ele é chato e eu já disse para você que tinha um cachorro.
- Ah é mesmo, mas, não vou mexer nele não, no estado que ele está é capaz de enfartar se eu brincar com ele. - Ele comentou, gargalhando.
- Ele não é tão velho assim, só não gosta de brincar mais, prefere passar os dias descansando. - Ela disse enquanto olhava para Fred, que por sua vez nem se movia esticado no chão da cozinha.
- Então, o que você quer beber? Aqui tem água, água, suco de uva, água e um champanhe do natal retrasado. - Ela falava enquanto observava a geladeira.
- Ótimo, super romântico, abre a champanhe então. - Ele se jogava no sofá como se já fosse de casa.
- Melhor você abrir, não quero ter que sair essa hora para comprar outra lâmpada para a cozinha. - Ela foi até ele com o champanhe nas mãos, afastando-a o mais longe possível do rosto, como se aquilo fosse mordê-la.
- Me dá aqui vai, mas pega umas taças para a gente comemorar seu aniversário. - Ele puxou a garrafa das mãos dela enquanto falava.
- Ouvi dizer que champanhe não é que nem vinho, que quanto mais velho é melhor. - Ela comentou em tom descontraído enquanto saltitava até a cozinha para pegar as taças.
- Não deve ser mesmo, mas não tem problema, pelo menos vai dar uma brisa. - Ele disse rindo ao vê-la saltitando.
- Mas nós vamos ter que arrumar outro motivo pra comemorar, porque hoje não é mais meu aniversário. - Ela levava as taças para entregar a ele.
- Vamos comemorar o nosso reencontro então, pode ser? - Ele falava enquanto enchia a taças com o champanhe.
- Quanto tempo você ainda vai ficar na cidade?
Ela se sentou no sofá ao lado dele, colocando os pés descalços sobre o estofado.
- Mais umas duas semanas, eu acho, ainda vamos fazer mais dois shows aqui e temos mais alguns compromissos, então depois começa tudo de novo na próxima cidade. - Ele respondeu fazendo uma careta de cansaço.
- Mas, me fala uma coisa, estou em dúvida. - Ele disse virando a cabeça para olhá-la melhor.
- Fala, pode perguntar. - Ela parecia desconfiada.
- Queria saber por que você está tão longe de mim, pensei que já fossemos íntimos. - Ele riu e a cara de pecador voltou. Ela ficou visivelmente tímida e desviou o olhar.
- Não precisa fazer essa cara, eu não vim aqui para isso, não vou tentar nada, só estou brincando. - Ele disse num tom sério.
- Não estou pensando em nada, , não precisa me deixar com mais vergonha. - Ela continuou desconfortável.
- Bom, então agora que eu já conheci seu apartamento e já tomamos um champanhe vencido, melhor eu ir embora. - Ele fez menção de se levantar do sofá.
- Não precisa ir embora, pode ficar mais um pouco, eu quero que você fique. - Ela tropeçava nas palavras.
- Eu também quero ficar. - Ele completou fazendo cara de cãozinho sem dono.
Ela se aproximou devagar e postou a cabeça no peito dele, sentido mais de perto o cheiro de seu perfume misturado com o cheiro de sua pele. Ele acariciou os cabelos dela em movimentos suaves que provocavam nela, ao mesmo tempo arrepios e sensação de segurança.
Ele colocou a mão no queixo dela puxando sua cabeça para cima, até seus olhos se encontrarem e suas bocas tocarem suavemente. Eles ficaram por alguns segundos só sentindo a respiração que vinha da boca um do outro. E como se despertasse de um transe, ele passou a mão pela nuca dela e a puxou para mais perto de uma forma brusca, como se necessitasse dela para viver e ela, naquele momento, correspondeu ao beijo se ajeitando melhor em seus braços.
Quanto suas bocas se afastaram ele desceu suavemente até seu pescoço beijando com carinho o lugar e continuou descendo a boca até chegar em seu colo, fazendo o coração dela bater mais forte e mais fraco ao mesmo tempo. Ele abriu cuidadosamente seu sutiã enquanto sua respiração ofegante vagava em direção aos seios dela. Ela puxava com força os cabelos dele para trás, mas sem a intenção de fazê-lo parar o que estava fazendo. Com uma das mãos ela abriu o cinto dele, enquanto ele tentava segurar a empolgação. Ela se virou e sentou-se em cima de seu colo, abaixando sua jaqueta. Já nua da parte de cima, ela o abraçou sentindo mais de perto o coração do garoto disparar. Ele finalmente se livrou das calças, ficando somente de boxer e ela acariciou as intimidades dele, podendo comprovar sua excitação. Ele puxou para cima a saia que ela usava e a encaixou nele, após se livrar da boxer e pegar um pegar um preservativo. Ele soltou um suspiro baixo de prazer e ela fez o mesmo não conseguindo se controlar.
Seus corpos suavam em meios aos movimentos e, vez ou outra, ele era ríspido, puxando com força os cabelos dela e a mordendo inteira, aquilo só aumentava mais o tesão que ela sentia.
Os movimentos eram perfeitos, como se aqueles corpos fossem feitos sob medida para se encaixarem. Já não aguentando mais segurar, ela suspirou algo em seu ouvido e os dois gozaram juntos. Foi como se uma explosão de prazer inundasse os dois. Ela virou a cabeça para trás tentando recuperar o fôlego e o coração dele batia descompassado enquanto ainda segurava com as mãos os seios dela.
Ela o abraçou de novo, colocando sua cabeça em um dos seus ombros.
Alguns minutos depois ele interrompeu o silêncio.
- Sabe aquele monte de água que tem na sua geladeira? Acho que vou querer um pouco agora. - Ele disse rindo baixo e acariciando os cabelos dela.
- Já cansou? - Ela disse também rindo, ainda deitada no ombro dele.
- Não me provoca, eu só estou um pouco desidratado. - Ele continuou rindo.
Ela se levantou do sofá colocando a calcinha e vestindo a camiseta branca dele, que estava no chão. Foi até a cozinha, abriu a geladeira e, antes que a fechasse, sentiu uma respiração quente em sua nuca.
- Eu disse para você não me provocar, mas você fica irresistível vestido só a minha camiseta.
Ela se virou para ele e teve que levantar a cabeça para enxergá-lo, sem o salto ela ficava bem mais baixa que ele.
- Está afim de ver o nascer do sol na varanda? - Ele perguntou, colocando as mãos no pescoço dela e depositando um beijinho carinhoso em sua boca.
Ela mordeu o lábio inferior e puxou ele pela mão em direção a sala novamente, ele se sentou do sofá enquanto ela subia até o mezanino para pegar alguns cobertores que estavam em cima da cama. Eles arrumaram os cobertores no chão e deitaram juntos para admirar o sol, que já quase aparecia ao longe.
- Isso é estranho pra mim, sabe, essa proximidade toda, mas posso te garantir que não gostaria de estar em outro lugar agora. - Ele disse enquanto admirava o rosto dela, que já se iluminava com o amanhecer do dia.
Ela não disse nada, apenas colocou as mãos no peito nu dele, fechando os olhos para aproveitar aquele momento especial.
Ele a puxou, colocando-a em cima dele, passou as mãos por dentro da camiseta, acariciando suas costas.
- Você vai embora em duas semanas. - Ela disse suspirando em seu pescoço.
Ele pensou um pouco e depois disse baixinho em seu ouvido:
- Você quer ser só minha essas duas semanas? Eu prometo ser inteiramente seu.
Ela não respondeu, apenas o abraçou forte, imaginando que talvez duas semanas não fossem suficientes para ela.
Capítulo 3

Ela acordou em seu quarto e tentou se lembra de como tinha chegado lá, abriu devagar os olhos e procurou pela cama, ele não estava nela, então alongou o corpo, que tinha trabalhado muito na madrugada anterior, quando ouviu alguém subindo.
- Bom tarde. - Ele disse enquanto subia as escadas com uma caixinha nas mãos.
- Tarde? Que horas são? - Ela perguntou sentindo seu coração gelar enquanto ele se aproximava.
- Hum, são três e meia agora, acho que você dormiu muito, mas ainda dá tempo de aproveitar o dia. - Ele disse, sentando-se na cama e estendendo a mão com a caixinha para ela.
- O que é isso? - Ela mordeu o lábio inferior ao perguntar.
- Abre, mas promete que não vai rir da minha cara, estou me sentindo idiota.
Ela esperou alguns segundos e então desfez o lacinho da caixinha.
- Um pingente de sininhos? É para mim? - Ela fez cara de interrogação.
- Mais ou menos, na verdade eu saí para comprar enquanto você dormia, mas ele é para mim. - Ele disse com a maior cara de fofo do mundo.
- Como assim para você? - Ela ria sem entender nada.
- Bom, eu reparei que você adora perder suas coisas, como o seu celular, por exemplo, então esse pingente eu vou por em minha corrente, é para você não me perder mais. - Ele disse envergonhado por ser tão piegas.
- Não precisa fazer essa cara, eu simplesmente amei. - Ela riu e deu um selinho nele, enquanto o ajudava a pôr o pingente na corrente em seu pescoço.
- Com você eu vou ter mais cuidado, prometo. - Ela completou e deu mais um selinho carinhoso nele.
- Vamos descer então? - Ele a puxou pelo braço levantando-a da cama.
- O que é isso? - Ela fez cara de surpresa quando viu a mesa da cozinha repleta de coisas.
- Você não achou que eu saí só para comprar um pingente idiota, não foi? Sua geladeira é realmente um abismo, acho que você deveria prestar mais atenção porque alguém deve estar roubando sua comida.
- Eu não acredito que você me fez um café da manhã. - A felicidade dela poderia inundar um país.
- Não, na verdade eu te fiz um café da tarde, mas acho melhor a gente comer logo, antes que os monstrinhos que moraram na sua geladeira descubram que tem comida na mesa.
- Acho que eu quero o bolo que chocolate, não, eu quero essa torta aí, do que ela é? - Perguntou toda empolgada com a quantidade de comida na mesa.
- Calma, gordinha, toma... Come essa bolacha aqui, você vai gostar! É de morango, pena que não tem batata frita. - Ele estendeu a bolacha até a boca dela se divertindo com o próprio comentário.
- Não me chame de gorda, eu até que sou bem magra para as porcarias que como.
- Não acho você gorda, na verdade te acho uma delícia. - Ele disse fazendo cara de sexy debochado.
- Por que você não vai à merda, Jones, e me passa o suco de uva pra não perder a viagem?
- Vou para qualquer lugar com você, até à merda se você for junto. - Ele se divertia.
- Nossa, suas cantadas me excitam.
- Jura? Você está excitada? Que coincidência, você ainda está só com a minha camiseta, é para me provocar, fala a verdade. - Ele disse com a já conhecida cara de pecador.
Ele se levantou e foi até ela, puxou seu rosto pra cima e a deu um beijo de tirar o fôlego que fez suas pernas tremerem.
Ela se levantou e o empurrou, para que ele se sentasse sobre a mesa, mas antes de realmente se sentar, ele a puxou pelo braço e a trocou de posição deixando ela encostada.
Passou as mãos por debaixo da camisa e a ergueu no ar, depositando-a sutilmente sobre os pacotes de bolachas e bolos que estavam na mesa. Alguns copos rolaram e caíram no chão, mas eles nem desviaram a atenção para ver.
- Acho que essa mesa não aguenta você em cima dela. - Ela suspirou enquanto ele a beijava desesperadamente.
- Vamos ter que tentar então, se não nunca saberemos. - Ele disse agora beijando seu pescoço.
Ele subiu em cima dela e mais coisas rolaram pelo chão, ela mesmo arremessou uma caixinha de suco que estava em sua cabeça.
Ele desarrochou o cinto da calça e puxou para cima a camiseta dela, deixando-a apenas de calcinha.
- Devo admitir que também achei que a mesa não aguentaria, mas ela não está me decepcionando. - Ele disse enquanto ela tira suas calças com os pés, para não sair da posição em que estavam.
- Cala a boca, , e faz o que você sabe fazer com perfeição. - Ela disse quase sem fôlego.
- Você sabe me deixar doido, mesmo com sua cara de anjo. - Ele disse e se encaixou perfeitamente nela, não com tanta sutileza dessa vez.
Ela jogou a cabeça para trás e não conseguiu segurar o gemido, ele passou as mãos entre os seios dela até chegar em seu umbigo, e aqueles movimentos a faziam delirar.
Com mais força que de costume ela puxava os cabelos dele enquanto ele apoiava as duas mãos sobre a mesa para potencializar os movimentos.
Ela o puxou para baixo e se virou ficando dessa vez por cima dele, enquanto ouviam a mesa reclamar do excesso de peso, ela se sentou nele e colocou a mão em seu peito o fazendo permanecer deitado imóvel. Ele segurou os seios dela e agora as investidas estavam mais intensas.
Sem conseguir aguentar mais, ela gozou e ele se levantou da mesa com ela ainda no colo e a encostou na parede da cozinha. Os movimentos nada sutis voltaram e ela novamente gemia de prazer, assim como ele, que a segurava no colo como se ela pesasse apenas um grama.
Ela estendeu os braços na parede virando a cabeça de lado enquanto ele permanecia como as investidas. Ele subiu uma das mãos até a nuca dela e depois de um tempo eles gozaram juntos, e ele suspirou, ofegante em seu ouvido.
Ele permaneceu com ela encaixada em seu colo e a levou até o sofá, a depositando com carinho sobre as almofadas, e em seguida se deitou-se ao seu lado. Ela enrolava o pingente dele com os dedos com cara de boba.
- Sabe que isso foi a coisa mais fofa que alguém já fez pra mim? - Ela disse ainda brincado com o pingente de minúsculos sininhos.
- Só você mesmo para gostar de um presente que nem vai ficar com você. - Ele passava as mãos no cabelo dela e os dois permaneciam espremidos no sofá.
- Sua idéia foi original, isso que importa. - Ela disse se levando e indo em direção ao banheiro.
- Aonde você vai? - Ele levantou apenas a cabeça, morrendo de preguiça.
-Banho, vem. - Ela estendeu a mão o chamando. - Meu cabelo está cheio de chocolate e suas costas estão grudentas de suco de uva. Ela continuou com as mãos estendidas.
- Isso foi culpa sua, me atacando em cima da comida. - Ele se levantou fingindo que estava contrariado.
- É melhor você lavar esse cabelo mesmo, antes que tenha que pegar alguma coisa na cozinha e os habitantes de sua geladeira pensem que você é um pedaço de torta.
- Já chega de piadinhas sobre a minha geladeira, né? - Ela o puxou para dentro do banheiro, não precisaram tirar as roupas, pois já estavam sem.
-Olha isso... Dá para sentir seus ossinhos. - Ele disse apertando a clavícula dela. – Você devia lutar melhor pela sua comida.
- Cala essa boca, , não me enche. - Ela disse dando um soco no braço dele.
Ela ligou o chuveiro e os dois entraram no Box.
- Vira aí, me deixa lavar seu cabelo. - Ele a colocou de baixo do chuveiro pegando o frasquinho de xampu.
- Você não sabe lavar cabelo de mulher, , me dá esse xampu aqui. - tentou puxar o tubinho, mas ele o levantou, onde ela não alcançava.
- Me deixa tentar, se não der certo você lava ele de novo. - Ele se divertia enquanto ela ainda tentava pegar o frasco de xampu. - Eu vou primeiro desembaraçar. - Ele passava gentilmente a escova pelos cabelos dela.
- , você tem que passar o xampu, não dá para desembaraçar assim.
- Ai... Quer saber, não vou lavar mais nada. - Ele a virou a deixando de frente para ele, enquanto a água do chuveiro caia sobre os dois, passou as mãos por trás de sua nuca e a beijou.
Ela interrompeu o beijo e com uma das mãos no peito dele o emburrou na parede.
Ele não tirava os olhos dos dela e só os fechou quando ela começou a beijar seu pescoço. Ela foi descendo e beijando todo o seu peito, passando a língua pelo seu abdômen. Ele apoiou a cabeça na parede, com as mãos embrenhadas nos cabelos dela.
- , o que você está fazendo? - Ele dizia quase fôlego.
olhou para cima e espremeu os olhos, dando uma risadinha. Desceu até as intimidades dele e com movimentos suaves começou a passa a boca pelo local. Ela mal tinha começado e ele já se contorcia na parede.
Ela alternava entre movimentos rápidos e leves com a ajuda das mãos, sem parar, vez ou outra olhava para cima para ver a cara de satisfação dele, continuou por um tempo até ele puxar com força seus cabelos para trás e gozar lindamente.
Ele tentou recuperar o fôlego antes de falar, mas estava difícil então apenas sussurrou.
- Caralho, o que foi isso, você me pegou desprevenido. Vem levanta, depois dessa era eu quem deveria estar ajoelhado aos seus pés. - Ele a ergueu e a abraçou, ainda com a respiração acelerada.
Os dois saíram do banho dividindo uma toalha, pois tinha se esquecido de pegar outra, e subiram para o quarto para se trocarem.

- Fala, man. Acho que por volta das sete, onde você está? - atendeu o celular enquanto secava os cabelos, sentada na cama.
- Tá, falou... Pode deixar.
- Era o Lex, queria saber que horas eu ia pro hotel. - disse fechando o celular e o jogando em cima da cama.
- Ele sabe onde você está? - perguntou olhando as horas.
- Sabe, ele me ligou hoje cedo e eu disse, o Lex é meio que a minha mãe, isso é bom... Às vezes eu sinto falta de ter uma.
- Por quê, o que aconteceu com a sua? - perguntou, mas se arrependeu quando já tinha acabado de falar.
- Enr... Minha mãe morreu, quando eu tinha nove anos. Foi bem doloroso, mas eu já superei. - Ele disse com a expressão séria e seus olhos ficaram vermelhos.
- Sério? Desculpe por perguntar, eu sinto muito. - abaixou a cabeça e colocou uma das mãos em cima da perna dele.
- Não, tudo bem, , eu convivo bem com isso hoje em dia. - Ele apertou com força a mão dela, fazendo carinho com o polegar.
– Mas mudando de assunto, nós temos um compromisso hoje, vamos participar de um programa de televisão às oito horas, gostaria muito que você fosse comigo. Não vai demorar muito, acho que uns trinta minutos, aí nós poderíamos sair para beber alguma coisa, topa?
- Hum, sair para beber? Acho que bebi minha cota na noite passada. - Ela disse, entortando a boca.
- Caramba, você bebeu umas duas tequilas e já bateu sua cota do ano? - Ele disse rindo da cara dela, ela fez uma careta e deu um soco de leve na barriga dele.
- Sério, , você nunca tomou um porre daqueles, aquele que você não se lembra de nada e acorda com a maior ressaca? - Ele ainda ria e agora passava a mão onde tinha levado o soco.
- Não, mas na minha formatura eu bebi até não parar de soluçar mais. - Agora ela também ria da própria cara.
- Então fechou, hoje eu vou te levar beber e você vai tomar o primeiro porre da sua vida.
- Nem fodendo. - Ela disse ainda rindo enquanto balançava a cabeça em forma de negação.
- Nem bebeu e já está falando palavrão, quero só ver como você vai ficar, mas olha, não se preocupa eu vou estar lá para cuidar de você. - Ele se aproximou e sussurrou em seu ouvido. - Essa vai ser a melhor parte.
- Tá, eu vou com você na gravação, mas não sei se vou encher a cara. - Ela esfregou o rosto com cara de derrota.
- Então se troca, eu vou até o meu carro pegar uma camiseta limpa e já volto. - Ele depositou um beijinho carinhoso em sua boca e saiu.
Ele desceu até o carro enquanto ela resolvia que roupa iria por, e depois de alguns minutos retornou.
- , está pronta? Estou te esperando na varanda, vou fumar um cigarro, não demora.

- Estou pronta, vamos? - Ela desceu as escadas do mezanino gritando para que ele ouvisse lá de fora.
- Uau.
- Uau o que, ? Só por que eu sou uma chata alienada você acha que eu não tenho estilo?
- Nunca achei isso, mas você está muito linda com essa calça preta justa e esse salto alto. Essa calça é muito difícil de tirar? - Ele disse fazendo cara de tarado.
- Isso você vai descobrir depois, vamos embora que já são quase sete horas. - o puxou pelo braço, arrastando ele pela sala.
- Nossa, quase me esqueci de você, Fred, espera aí, , vou por comida para ele. - viu o cachorro dormindo tranquilamente em seu puff e foi para alimentá-lo.
- Não é para menos, não é difícil esquecer-se dele, aproveita e dá uma verificada se ele ainda está respirando, põe um espelho em baixo do fossinho dele e vê se embaça. - Ele ria, esperando ela encostado na parede.
- Nossa que comentário desnecessário, , vou enfiar o espelho na sua jugular e vamos ver se você vai continuar respirando. - Ela disse forçando cara de brava.
Eles desceram até a garagem e entraram no carro, aquele cheio do carro dele a deixava anestesiada.
- Vou logo te avisando, o Devon vai dar em cima de você, não liga não, ele acha que eu devo dividir tudo com ele.
- Hum que bom, vou dar um boa olhada no Devon, e de repente também posso me interessar, quem sabe. - Ela disse entortando a boca e levantando os ombros.
- Só se você quiser ficar sem esse seus bracinhos lindos, ou talvez fraturar o nariz quem sabe. - Ele deu uma risadinha de psicopata e também levantou os ombros para imitá-la.
- Não esquece que eu ainda posso enfiar um espelho na sua jugular. - Ela também riu com cara de louca.
- Ham, então estou a salvo, até você achar uma escada pra alcançar meu pescoço eu já estou longe. - Ele fez cara de prepotente e fechou os olhos.
- Imagina eu com um espelho na mão, com cara de Hannibal Lectere, você com esse tamanho todo correndo de mim, no mínimo ridículo da sua parte. - Ela disse as gargalhadas.
- Você com cara de Hannibal Lectere e eu que sou ridículo? - Escorriam lágrimas dos olhos dele de tanto que dava risada.
- A última palavra sempre tem que ser a sua é, Jones? Eu desisto você é muito tosco, não consigo acompanhar sua idiotice. - Ela disse com cara de derrota.
- Tente com vontade que você consegue. - Ele colocou a mão na perna dela fazendo um carinho.
ligou para Lex no meio do caminho.
- Lex estou atrasado, man, nem vou passar no hotel, vou direto para a emissora, nos encontramos lá, beleza?
Quando chegaram ao destino, a porta da emissora estava congestionada por muitos fãs histéricos.
- Meu Deus, quanta gente. - disse surpresa.
- Ainda bem que ninguém vai ver a gente, vamos pelos fundos. - disse manobrando o carro.
- E aí, garotão, quanto tempo. - Devon veio ao encontro do amigo assim que e entraram pela porta.
- Fala, dude. - bateu na mão do amigo e o abraçou.
- , esses são o Devon, o Lex e o Julian, aquele ali no canto falando no celular é o Max nosso empresário, agente e babá, não liga para ele não, ele não é muito simpático mesmo. – E essa rapazes e a , ela é meio atordoada, mas depois vocês acostumam.
fez uma careta para e cumprimentou todos os garotos, acenou de longo para Max, que por sua vez só deu um sorrisinho sem graça.
- Eu vou pegar alguma coisa para beber, você quer, ? - disse se distanciando até o frigobar.
- Não, obrigada.
- Então, , o que você faz da vida? - Devon perguntou se aproximando dela.
- Eu trabalho num escritório de decoração.
- Hum, você parece ser uma pessoa séria. - Ele continuou, chegando mais perto dela.
- É porque eu sou séria. - disse dando um passinho pra trás.
- Eu também posso ser sério se eu quiser.
- Eu sei, o me falou sobre você, mas eu vou deixar uma coisa bem clara Devon, eu não sou controle de videogame pra ficar passando de mão em mão entre os amigos, então me erra tá? - disse se divertindo e foi encontrar .
- Ui, Devon, pega aí no chão. - Julian se aproximou do amigo.
- Pega o que no chão, Julian? - Devon fazia cara de indignação.
- Suas bolas, cara, essa deve ter doído. - Julian bateu nas costas do amigo fazendo cara de compreensão.
- Cala essa boca, Julian, cuida da sua vida. - Devon saiu de perto do amigo e foi se sentar no sofá, esperando enquanto não era a hora de entrar no palco.
Correu tudo bem durante o programa e pode assisti-lo de dentro da cabine de som. O pior para ela foi ter que ver as menininhas passando as mãos nele cheias de intimidade.
o cara nem é teu namorado, se liga meu, essa meninas tem uns treze anos, como você é tosca”


Capítulo 4



Quando eles saíram da emissora, foram direto para uma balada num lugar próximo, conforme já havia programado. Como eram vips entraram pelos fundos e tinham uma mesa reservada.
- Garçom, por favor, eu quero cinco tequilas e um daqueles drinks com fogo. - pediu enquanto os outros se sentavam à mesa.
- Drink com fogo? Não sei se eu quero, . - disse franzindo a testa.
- Claro que você quer, pelo o que eu sei hoje é o dia do seu porre né? Então tem que ter drink do inferno. - Julian disse como se falasse sobre algo muito sério.
- Aqui estão as tequilas, e o drink é para quem? - O garçom perguntou colocando os copos sobre a mesa.
olhou a taça enorme com dois copinhos cheios com um líquido vermelho ao lado.
- Este é dela. - apontou com cara de criança arteira.
O garçom colocou a taça em frente à com um copinho de cada lado, e depois ateou fogo na bebida.
- Vai , você tem que beber tudo, antes que o canudinho peque fogo. - Lex disse aos berros.
- Vai, vai... Você consegue. - Os quatro estavam muito empolgados com a cena e continuaram a encorajando.
Quando a bebida estava quase no final o garçom virou os outros dois copinhos que estavam ao lado, e de repente o copo estava cheio novamente. só fazia gestos com as mãos solicitando que ele parasse de encher, mas o apelo foi em vão.
- Tá quase acabando, , manda ver, a gente está torcendo por você. - Devon, que não estava mais bravo com ela, disse para incentivá-la ainda mais.
Quando finalmente o drink chegou a fim, levou as mãos na garganta e tinha os olhos cheios d'água.
Os garotos comemoraram em coro, batendo na mesa e gritando para parabenizá-la.
- Minha garganta está pegando fogo, isso é normal? - Ela disse por fim, respirando profundamente.
- Eu estou muito orgulhoso de você, eu sabia que você ia conseguir. - deu um selinho em e saiu para lhe comprar uma água.
- Bate aí, , agora você é uma de nós. - Julian estendeu a mão no ar para cumprimentá-la e os outros fizeram o mesmo em seguida.
- Toma, bebe a água, porque você é fraquinha né, ... - abriu a garrafa e deu para ela.
Ela deu um gole na água e em seguida virou a tequila que estava em sua frente.
Os meninos foram à loucura e ela começou a rir fazendo uma careta pelo gosto da bebida.
- , agora espera, não bebe mais nada, se não você vai passar mal. - disse em seu ouvido enquanto os outros ainda estavam empolgados.
- Pensei que hoje era a noite do porre, mãe. - disse rindo e torcendo a boca.
só a encarou tentando fazer cara de sério como se desaprovasse o comportamento dela.
- Eu vou dançar, tchau pra você. - disse se levantando e indo em direção a pista.
- Sozinha não, , volta aqui. - se levantou também e saiu apressado atrás dela, olhou para trás e viu os amigos rindo, só levantou os ombros e também riu, mas voltou a segui-la.
- , eu não sei dançar. - a pegou pela cintura e disse em seu ouvido.
- Mais pular no palco você sabe né? Eu também não sei, é só você se mexer conforme a música. - Ela disse se afastando dele.
- Não me parece que você não saiba, você está bem sexy dançando assim. - Ele a puxou pra perto dele novamente.
- Isso porque eu já estou bêbada. - Ela disse rindo, tentando se afastar novamente, mas ele sempre a puxava pra perto.
- Nossa eu adoro essa música, quem canta, ? - Ela perguntou dando pulinhos de alegria na pista.
- Black Eyed Peas, sua loca, não conhece não? - Ele ria a vendo dançar e cantarolar super empolgada com os olhos fechados.
- I gotta feelin'… That tonight's gonna be a good night. - cantava alto, agora dançando com os braços dele.
- Vou chamar os meninos, eles têm que dançar essa música. - saiu correndo animada até a mesa onde os garotos estavam.
- ... - jogou a cabeça para trás reclamando - Volta aqui.
- Vamos, vamos, você estão muito parados, vamos para a pista, meninos. - os puxou pelas mãos e eles levantaram meio a contragosto e foram só para fazer a vontade dela, ela aproveitou e pegou uma cerveja que estava em cima da mesa.
- , dá para você ficar comigo só um pouco? - a puxou para perto novamente enquanto ela tentava fazer todos dançarem.
- Eu esto aqui, , relaxa e dança um pouco.
- Let's do it and do it... And do it. Let's live it up!!! - Os garotos entram na onda e agora todos cantavam juntos aos berros.
Uma, duas, várias cervejas depois, já estava torta.
- , você está louca, já chega né, vamos embora? - disse rindo enquanto a beijava no pescoço.
- Ah, não, , eu queria tomar aquele drink de blueberry. - fez cara de choro, mas realmente estava trançando as pernas.
- Nem pensar, olha para você, você vai tomar uma água isso sim. - a puxou pela mão indo em direção a mesa dos amigos.
- Galera, eu vou embora, a gente se encontra no hotel.
- Mas já, ? Fica mais um pouco, a nem caiu ainda. - Julian riu olhando a garota se equilibrando com a ajuda de .
- Ainda, falou certo, mas é sério eu vou nessa. - se despediu dos amigos e saiu com do local.
- , sabe que aquela alegria toda que eu estava sentindo? Está indo embora agora. - apoiou a cabeça no encosto do banco do carro e tentava falar o mais correto possível, mas sua língua cismava em enrolar.
- Isso é normal, meu amorzinho, já, já você melhora. - disse fazendo carinho em sua testa.
- Onde você está me levando? - tinha fechado os olhos esperando que a tontura passasse.
- Nós vamos para o hotel, amanhã eu te levo para casa.
- Tá, eu vou dormir então. - virou a cabeça e ficou muda em seguida.

- , acorda, nós temos que descer agora. - sussurrou em seu ouvido.
- Ham?
- Vem, eu te levo, se apóia em mim.
Eles subiram até o quarto de hotel e foi a ajudando pelo caminho.
- , eu estou meio enjoada. - disse passando a mão na testa.
- Vamos ao banheiro então. - a pegou pelo braço e a levou até a pia.
- Você quer vomitar?
- Não... Acho que quero, mas sai daqui. - Ela disse se apoiando na pia.
- Não vou sair coisa nenhuma, pode vomitar, eu não ligo. - Ele passava as mãos na testa dela, arrumando seu cabelo cuidadosamente.
Ela se agachou na privada e não consegui segurar o enjôo. Ele permaneceu parado na porta.
- Pronto, se sente melhor? - Ele foi em direção a ela.
- Não, eu me sinto péssima por vomitar na sua frente. - Ela fazia voz de choro.
- Cala a boca, , levanta eu vou te dar um banho. - Ele a ergueu e quando ela ficou de pé, tirou sua blusa.
- Tenta ficar parada, vou tirar sua calça. - Ele se abaixou abrindo o botão da calça e a abaixou até os pés dela.
- Agora sente no vaso. - Ele tirou suas sandálias e por fim as calças.
- Sabia que essa calça ia ser um terror para tirar, não sei para que tão justa, só pra me deixar loco.
Ele abriu o chuveiro e a colocou em baixo.
- Está boa a temperatura da água? - Ele disse todo cuidadoso.
- Está. - Ela tinha se tornado monossilábica, era mais fácil para controlar o enjôo.
Ele a deu banho cuidadosamente e depois a tirou do box, secando-a com uma toalha.
- Eu vou te vestir uma camiseta minha. - Ele a sentou na cama e saiu para pegar a roupa.
Depois de vesti-la, colocou-a confortavelmente na cama e a cobriu. Deitou ao seu lado e a abraçou com carinho.
- , está dormindo já? - Ele sussurrou ao pé do seu ouvido, mas ela não respondeu, provavelmente já tinha pegado no sono.
- , eu... Acho que estou... Apaixonado por você. - Ele disse a beijando no ombro e depois a abraçou com força e também pegou no sono.

Capítulo 5

“Minha cabeça vai explodir, onde eu estou? Não consigo abrir os olhos.”
se esforçou para descolar as pálpebras.
, ... Agora chama em voz alta, , ele não é telepata.”
- , você está aí? - Ela disse com a voz falhada.
Ele não respondeu. Ela conseguiu abrir os olhos e ficou fitando o teto por alguns segundos, passou as mãos nos lençóis macios e tentou se sentar na cama. Sentia um gosto horrível na boca e seu ouvido fazia um zumbido irritante.
Depois de muito esforço, conseguiu levantar e saiu pelo quarto à procura de . Foi até a salinha e encontrou um vaso de flores na mesa, com um cartão, duas aspirinas e uma garrafa de água.

“Bom dia, bêbadazinha, espero que sua cabeça não esteja explodindo, mas se estiver, tome essas duas aspirinas que estão na mesa, você vai sentir-se melhor. Desculpe-me por te deixar sozinha, tínhamos um compromisso em uma rádio logo cedo. Tenho algumas coisas para fazer hoje, mas, por favor, me espere voltar. Pede alguma coisa para comer no ramal 27, e mesmo se estiver enjoada, é para você se alimentar, ouviu? Beijos, saudades já.”

tomou as aspirinas e voltou para cama, sentia como se estivesse com labirintite. Espalhou-se nos travesseiros e ligou a TV, ficou passando os canais sem parar até se lembrar de pedir algo para comer.
- Por favor, eu gostaria de pedir meu café da manhã. - disse ao telefone e em seguida olhou para o relógio, para ver se ainda era manhã. Ficou mais sossegada quando viu que eram onze e treze da manhã.
- Tudo bem, o que você gostaria de pedir? - A atendente foi simpática.
- Hum, eu quero um omelete de peito de peru com queijo branco e um copo de suco de laranja.
- Tudo bem, chegará em alguns minutos, mais alguma coisa?
- Não, só isso, você precisa do número do quarto ou do meu nome?
- Não será necessário, o Sr. nos deixou ordem expressas para servi-la o que quiser, qualquer coisa é só retornar a ligação, tenha um bom dia.
- Bom dia e obrigada.
continuou a passar os canais, sem se preocupara com a programação, e depois de algum tempo a campainha tocou.
- Bom dia senhorita, aqui está o que você pediu, pediram para lhe entregar isso. - O homem do serviço de quarto levou o carrinho até próximo da cama e entregou a um bilhete, logo em seguida se despediu e saiu do quarto.
se sentou na cama e abriu a bandeira para ver a comida, depois bebeu um pouco do suco e abriu o bilhete.

“Acho bom mesmo você comer alguma coisa. Eu não quero que você fique entediada aí o dia todo, por isso quero que você desça para dar uma volta no hotel, lá em baixo tem muitas lojas e você pode comprar o que você quiser, é só dar o número do quarto, e pare de fazer essa cara, vai lá gastar meu dinheiro.”

estava entortando a boca quando leu: “pare de fazer essa cara”, e foi inevitável dar uma risadinha do comentário.
Sentou-se novamente na cama e tentou comer um pedaço da omelete, mas realmente ainda sentia um pouco de enjôo. Continuou passando os canais até parar num filme que parecia fofo, quando o telefone tocou.
- Alô?! - atendeu, meio sem saber se deveria.
- , está viva? - deu uma risadinha do outro lado da linha, que fez o coração dela bater mais rápido.
- Estou, mas você me abandou aqui. - fez voz de choro.
- Ah, , não faça isso comigo, eu queria muito estar aí com você, mas agora está foda.
- Eu sei, estou brincando. - Ela disse sem vontade.
- Eu tentei te ligar em seu celular, mas adivinha?! Você não atendeu.
- Nossa, não tenho a menor ideia de onde ele está.
- Eu imaginei. - ria da cara dela. - O que você está fazendo? - Ele perguntou.
- Nada, estou tentando comer, e não morrer de dor de cabeça, e está passando um filme fofo na TV.
- Qual filme?
- Não sei, tem um velhinho contanto uma história, acho que lendo um diário para uma velhinha, e fica mostrando a história de um casal muito apaixonado.
- Diário de uma paixão, eu já assisti, fui obrigado pelo Julian, ele é meio viado, sabe como é, mas o filme é legal. Assista, você vai gostar. Preciso ir agora, , quando eu chegar aí quero ver as compras, beijo.
- ? É legal quando você desliga o telefone na minha cara, .
se misturou nos travesseiros e continuou assistindo ao filme.
“Mas que filme é é é... Esse?” perguntava a si mesma em meio aos soluços.
“É a história.. .mais triste... do do... mundo.” Ela repetia aos prantos.
A cena seria cômica se não fosse trágica. Na verdade, a cena foi mesmo cômica.
Depois da ceninha de choro pré-menstrual, resolveu tomar um banho e se livrar daquela cara de derrota e ressaca, não tinha a intenção de estar acabada quando chegasse.
Ela ligou o chuveiro com água quente e entrou sob o mesmo, deixando as gostas caírem pesadamente sobre seus ombros. Ele veio a sua cabeça e ela sentiu um gelado no estômago que a fez respirar profundamente.
Quando saiu do banho, se lembrou que não tinha roupa limpa para vestir e, contrariada, colocou a roupa da noite passada e desceu para comprar outra.
Ela desceu, mas não tinha intenção de gastar todo o dinheiro dele e foi até uma loja de roupas no térreo. Depois de alguns trinta minutos, escolheu uma blusinha e uma calça jeans, comprou também uma calcinha nova, porque usar a outra não iria rolar.
- Boa tarde, eu vou levar essas peças. - colocou as peças no balcão, tentando ignorar a vendedora que a perseguia durante toda a compra.
- Boa tarde, é para colocar na conta de algum quarto? - A caixa foi simpática.
- Não, obrigada, eu vou pagar com cartão de crédito, quanto foi? - disse pegando a carteira na bolsa.
- 459,00, deseja parcelar?
engoliu em seco.
“Parcela em 24 vezes, por favor, eu não sabia que estava comprando ouro”.
-Ah, pode parcelar em três vezes, por favor. - disse, sem graça, acordando dos próprios pensamentos.
Ela passou em mais duas lojas e depois subiu para o quarto, tinha a intenção de ligar para o zelador do seu prédio, para que ele desse uma olhada em Fred, que estava sozinho o dia todo.

- ? ? - Lex cutucou o amigo com o cotovelo.
- O quê, Lex? Fala. - acordou do transe e olhou irritado para o amigo.
- Você está acordado? Porque não parece, fica aí com essa cara de tonto e não presta atenção em nada. - Lex disse, debochando da cara do amigo.
- Eu estou dormindo sim, Lex, me deixa em paz. - disse acendendo um cigarro, enquanto faziam uma pausa da sessão de autógrafos.
- Não precisa ficar chatinho só porque ela está sozinha te esperando. - Lex continuou, tentando provocar mais o amigo.
- Cala a boca, Lex, a gente já está indo embora, isso que importa. - disse jogando o cigarro no chão e entrando na livraria, onde acontecia a tarde de autógrafos do calendário novo dos rapazes.


Capítulo 6

- ? - abriu cuidadosamente a porta do quarto, com a chave extra que tinha levado. - ? - Ele sentiu um aperto no coração ao ver que a cama estava vazia e as luzes do quarto apagadas.
- Eu estou aqui, . - A voz dela vinha da salinha ao lado.
Ele respirou profundamente aliviado, tinha esperado o dia todo para reencontrá-la e a ideia dela ter ido embora o atormentou.
Ela estava deitada no sofazinho ao lado da mesa com flores, ele ascendeu a luz e foi ao seu encontro, depositando um selinho demorado em sua boca.
- Que bom que você não se foi, fiquei pensando em você o dia todo. - Ele disse se sentando ao lado dela, que permanecia deitada confortavelmente.
- Eu não vou a lugar algum, fiquei o dia todo esperando que você voltasse. - Ela o abraçou pela cintura encostando a cabeça em seu colo.
- Onde estão as compras? Quero ver. - Ele fazia carinho em seus cabelos.
- Eu comprei algumas roupas, mas não gastei o seu dinheiro como você me pediu. - Ela se levantou e sentou-se ao lado dele.
- Como assim, ? Era um presente, não era para você se ofender.
- Eu não me ofendi, na verdade eu que comprei um presente pra você. - Ela disse espremendo os olhos numa risadinha.
- Como assim? Que presente? - Foi inevitável não retribuir a risadinha fofa dela.
- Ele está na sua cama, vai lá dar uma olhada.
olhou para ela com cara de curiosidade e se dirigiu até o quarto, ela permaneceu sentada no sofá.
Ele acendeu a luz e sobre a cama havia uma caixa vermelha, a qual não tinha notado antes, ele se aproximou e sentou-se.
- Não é para você abrir. - Ela apareceu atrás dele de repente.
Ele se virou e riu para ela.
- Como assim, ? Você me compra um presente e eu nem posso abrir?
- Isso mesmo, é que esse presente sou eu quem vai usar, igual ao que você deu para mim. - Ela se aproximou e pegou a caixa da cama.
- Você está se vingando por ter ganhado um presente que não pode usar? - Ele riu e a puxou pela cintura beijando sua barriga.
- Isso, eu estou me vingando, agora você pode se deitar aí na cama que eu já volto, vou pôr o seu presente. - saiu saltitante com a caixa nas mãos e entrou no banheiro, mais que depressa se afundou na cama com ansiedade.
“Eu não acredito que estou fazendo isso, ai que vergonha... Pare de ser idiota, ), esse cara é perfeito, coloca logo isso e vai lá pegar ele de jeito! Cala a boca, consciência depravada, foi você quem me fez escolher essa lingerie de renda, eu não sou assim... Por isso que você está sozinha, você acha que um cara daqueles vai esperar você se decidir se quer ser gostosa ou não? Ele vai rir da minha cara de pata quando eu sair por aquela porta... Ele não sabe que você está insegura, lá dentro você parecia bem decidida! É porque eu estava me esforçando... AI CHEGA DE PAPO, INFERNO.” deu uma boa olhada no espelho e vestiu a lingerie branca que tinha comprado mais cedo. Ela queria surpreendê-lo, mas não era fácil quando não se tinha muita experiência no assunto.
- , eu vou ter que ir aí te buscar? - gritou da cama com voz de deboche.
- Cala a boca, , está acabando com a magia. - Ela riu e abriu devagar a porta do banheiro, saindo com toda a confiança que restava em suas veias.
Ele ainda ria quando ela saiu, mas depois parou subitamente e ficou com cara de bobo, piscou algumas vezes como se quisesse recobrar a consciência.
Ela ficou parada em frente à cama, enquanto ele a admirava da cabeça aos pés.
- Pára, , você está me deixando com vergonha. - Ela revirou os olhos.
- Vergonha de ser perfeita? - Ele disse ainda sem se mexer.
Eles ficaram trocando olhares por algum tempo, estava achando o máximo admirá-la à distância daquele jeito, se sentia assim, pois sabia que apenas com um passo poderia tê-la em seus braços.
Ele engatinhou pela cama até chegar perto dela e ela permaneceu imóvel, só os pêlos de seus braços se arrepiaram quando ele beijou sua barriga e passou as mãos envolvendo sua cintura.
Empurrou o peito dele com as mãos e se ajoelhou na cama, agora era ela quem engatinhava enquanto ele se afastava para se apoiar nos travesseiros.
- Desembrulha seu presente, . - Ela sussurrou em seu ouvido enquanto subia em cima dele. Ele só soltou um gemido de prazer aprovando a provocação dela e, por incrível que pareça, se sentia inseguro e nervoso, o desejo era tanto que fazia suas mãos tremerem enquanto as passava pelas costas dela.
Ele misturou a mão em seus cabelos e a puxou para um beijo de tirar o fôlego, com a outra mão abriu o fecho do sutiã dela e interrompeu o beijo, para tirá-lo com a boca. Ela puxou para cima sua camiseta e ele parou novamente para admirar o corpo, agora nu dela. Ela riu quando percebeu e se deitou em cima dele para beijá-lo. Ele interrompeu o beijo novamente passando as mãos nas costas dela e a deitando nos pés da cama, ficando agora por cima.
Abriu as calças e pegou um preservativo dentro da carteira, o deixando em cima da cama, enquanto ela arremessava a calça dele para longe.
Ele beijou seu pescoço, descendo até seu colo, e continuou até chegar na renda de sua calcinha. Parou e olhou para cima, ela estava com os olhos fechados e apertava com força os lençóis. Apertou suas coxas com as mãos abrindo suas pernas e começou a descer sua calcinha com a boca.
Beijou com carinho toda sua virilha e continuou até atingir sua intimidade.
Ela se revirou na cama, tamanho foi o prazer, e ele permaneceu apertando sua coxa e intensificando cada vez mais os movimentos. Ela puxava seus cabelos o conduzindo do jeito que lhe dava mais prazer.
“Meu Deus, que coisa boa... É pecado falar de Deus nessas horas? A,i , você é um pecado.”
- ... Eu não vou aguentar... - Ela disse sem fôlego e gozou em seguida.
- É tão bom ouvir você falando meu nome nessas horas, você não sabe como meu tesão aumenta. - Ele subiu, ficando em cima dela.
- E você não sabe como a minha excitação não acaba tão rápido. - Ela o virou na cama ficando em cima dele.
pegou a camisinha e colocou nele com certa rapidez e se encaixou em suas pernas. Ele olhou profundamente em seus olhos até que a penetrasse completamente.
Não conseguiam se controlar e as investidas ficaram mais fortes e rápidas a cada segundo. Ele a puxou pela parte de trás da coxa e sentou-se na cama, encaixando-a novamente em seu colo. Eles se abraçaram e o suor de seus corpos se misturaram, enquanto ela entrelaçava as pernas nele. Ele a abraçou com mais força, sentindo seus seios encostarem em seu peito, fazendo com que ela soltasse gemidos a cada investida mais profunda.
Ela arranhava suas costas com força, sem se preocupar em deixar marcas.
E durante um beijo quase sufocante, os dois gozaram juntos, deixando suas bocas próximas enquanto recuperavam o fôlego.
Eles se deitaram na cama e permaneceram olhando o teto, ainda ofegantes. Apertou a mão dela e se virou para beijar seu pescoço.
- O melhor presente que eu já desembrulhei na vida. - Ele cochichou em seu ouvido e a abraçou. Ela respirou fundo e retribuiu o carinho.
Depois de algum tempo, pegou o telefone e ligou no restaurante do hotel, pedindo dois pedaços de torta de chocolate, e assim que elas chegaram, os dois se sentaram frente a frente na cama para devorar o doce.
- Por isso é tão bom ficar com você. - disse lambendo com vontade a colher suja de cobertura.
- É bom porque você gosta de ficar ao meu lado, e porque eu te levo à loucura? - disse rindo, também se deliciando com a torta.
- Não... Hum, eu gosto de ficar com você porque você me alimenta, . - riu e seus olhos pousaram no peito nu dele, onde a corrente com o pingente de sininhos estava. Ela ficou séria por um segundo, mas logo sua feição ficou tranquila e feliz.
ficou observando-a e em seguida afundou o dedo na torta e passou em sua bochecha.
- , sua criança, está toda suja aqui. - Ele se aproximou e deu um beijo para limpar o chocolate do rosto dela, fingindo que não foi ele quem acabara de sujá-la.
- Se você continuar fazendo isso, vou ter que me sujar inteira. - Ela disse mordendo o lábio inferior para provocá-lo.
- Eu ia adorar desembrulhar um presente com cobertura de chocolate. - Ele disse olhando nos olhos dela, tentando ficar sério para seduzi-la.
- Eu já estou desembrulhada, , só te restou a cobertura agora. Eles estavam se desafiando, e os dois seguravam a risada para continuar a provocação.
- Na verdade, ainda falta a cobertura. - Ele pegou o resto da torta de chocolate do prato e afundou na cara dela.
- Pronto, agora você é um presente com cobertura extra. - Ele disse ainda tentando ficar sério, lambendo os dedos.
- Você me paga, , se eu não tivesse comido todo o meu pedaço de torta você ia ver. - Ela disse limpando o olho direito com o dedo.
- Oh, meu amor, você está tão linda assim, vem cá, me deixa limpar você. - se aproximou e limpou com o dedo o queixo dela, e em seguida passou o chocolate que tinha acabado de limpar em seu pescoço.
- , se liga, vai ficar me sujando? - tentou falar sério, mas soltou uma gargalhada. - Pode limpar, seu idiota. - Ela virou o pescoço para ele.
Ele se aproximou dela, colocou mão em seu pescoço e passou a língua para limpar o outro lado. Ela virou o rosto cheio de chocolate e sujou ele inteiro.
- Incrível como as coisas com você sempre acabam nessa sujeira de açúcar, ). - Ele se afastou rindo com um lado do rosto cheio de chocolate.
- É um pretexto para você tomar banho comigo. - Ela riu entortando a boca.
- Não me provoque, garota. - Ele levantou da cama de forma brusca e pegou ela no colo com facilidade, fazendo-a soltar um gritinho de pânico.
Depois de um banho demorado e cheio de segundas intenções, eles se deitaram e conversaram sobre nada o resto da noite.

Capítulo 7

- , acho que eu preciso de mais um tempo com você.
- Então fica, por favor...

Aquelas duas semanas passaram como uma brisa num dia de verão, mas ele queria estar com ela e ela fez de tudo para aproveitar ao máximo cada segundo ao lado dele.
Não demorou muito pra que ela se tornasse uma pessoa pública, mas ela não conseguia se acostumar com sua foto estampada nas capas de revistas, muito menos com os comentários que surgiram sobre sua pessoa, essas revistas de fofocas são realmente maldosas. Ela tentava não se importar, não era difícil esquecer-se do mundo quando estava ao seu lado, na verdade era bem fácil e prazeroso encontrá-lo em sua casa depois de um dia cansativo de trabalho.
Aquele mundo era muito diferente do que ela conhecia, e um cineminha inocente se transformava em uma super corrida para despistar fãs histéricas, mas tudo valia à pena, ele sabia recompensá-la bem.
Aquele dia em especial ela não esqueceria tão fácil, foi como da primeira vez que ela o ouviu cantar, aquele sentimento bom que relaxava todo o seu corpo, aquelas borboletas no estômago, mas dessa vez foi melhor, melhor porque ela estava lá, e mesmo com tantas pessoas naquele imenso show, para os dois era como se estivessem sozinhos. Ela sabia que aquela música era pra ela, ele cantou olhando em seus olhos.
Era inevitável que aquele dia chegaria e quando ele foi embora, apenas segurou o rosto dela com as mãos e pediu que aquilo não fosse uma despedida, dessa vez ele ia pra uma cidade bem distante de onde ela morava, mas a distância não impediria que os dois ficassem juntos, pelo menos foi isso que ele a prometeu, selando com um beijo.
Ela sabia que sua vida nunca mais seria com antes, ela já havia ultrapassado a fronteira, aquele sentimento já fazia parte do seu ser, e vê-lo se afastado dela, partindo tão rápido quanto chegou, lhe causava aperto no peito.
- Isso não é uma despedida, , não deveria ser tão difícil para mim, eu vou voltar para você.
Aquelas palavras ecoavam sem parar em sua mente naquela manhã particularmente nublada e ela não conseguiu impedir que as lágrimas rolassem, quando se deu conta que o carro onde ele estava não ia voltar e que em algumas horas ele estaria longe, ao alcance de outras pessoas, disponível para o mundo.
“Eu vou voltar para você”.
Foi só no que ela pensou quando se deitou para dormir naquela noite.

- , que cara é essa? Foi atropelada por um trem? - Lorena avistou a funcionária assim que a mesma adentrou o escritório.
- Bom dia, Lorena, não fui atropelada por um trem e sim por um bando de fotógrafos que não têm nada pra fazer. - se sentou numa cadeira visivelmente atordoada. - Acho incrível como essas pessoas me perseguem, são elas mesmas que dizem que eu não sou ninguém especial. - Ela estava abatida e apenas jogou os relatórios sobre a mesa, bufando sem seguida.
- Não se preocupe com o que eles dizem, , essas pessoas não tem coração, só querem saber de cutucar os outros como se eles não tivessem sentimentos. - Lorena disse realmente preocupada com ela.
- Eu sei, Lorena, mas eu não fiz nada pra essas pessoas e elas ficam me ofendendo e dizendo que eu sou uma qualquerzinha, elas nem me conhecem, só fazem isso por casa dele. - O queixo dela tremia enquanto tentava segurar o choro.
- Não se preocupe com isso, , você nem lia essas revistas antes, nem assistia a esses programas, não é agora que você vai começar, né? - Lorena continuou tentando consolá-la. - Mas me diga como vocês estão? Isso é o que importa.
- Já faz uma semana, mas nós nos falamos todos os dias, ele me manda as fotos de onde ele está e eu não tenho do que reclamar, mas sinto muito a falta ele.
O dia não demorou muito a passar, fez todas suas tarefas como de costume, mas se sentia um pouco depressiva naquele dia.
- , você vai fazer hora extra? - Lorena disse em tom de brincadeira.
- Não, Lorena, só vou acabar de revisar esse catálogo de cores e já vou para casa, pode deixar que eu fecho tudo.
- Tudo bem, mas não se demore, parece que vai cair uma tempestade. - Lorena disse e em seguida saiu fechando a porta.
terminou de revisar o catálogo e depois de fechar tudo desceu em direção ao estacionamento.
Realmente uma tempestade estava por vir e ela saiu apressada para não pegar a chuva.
“Ótimo dia para parar meu carro num estacionamento descoberto”
Ela apertou contra o peito a pasta que levava nas mãos e sentiu o vento forte cortando seu rosto, fazia um frio insuportável e o bendito vento teimava em bagunçar seus cabelos.
Antes que conseguisse chegar ao carro a tempestade começou, pingos grossos caíram em seu rosto e tão fortes que eram chegavam a doer. Ela conseguiu chegar ao carro, mas já estava encharcada e tremia inteira.
- Bosta de carro que não tem aquecedor. - Ela resmungou ao jogar a bolsa no banco do passageiro.

- Qual é o meu? - perguntou a Devon abrindo todos os pacotes de lanches.
- O seu é o que está escrito bacon em cima . - Devon disse abrindo uma cerveja.
Os garotos estavam comendo, reunidos em uma sala e enquanto esperavam para começava uma sessão de fotos.
- Nossa, que frio que me deu, desliga esse ar condicionado. - disse abraçando os próprios braços.
- Frio? Eu estou suando. - Lex disse olhando feio para o amigo.
- Olha, Lex... Será que eu vou ficar doente? - mostrou o braço todo arrepiado.
- Sei lá, , toma uma aspirina, essa semana tem show. - Lex disse abismado.
- Vou por uma blusa, parece que eu estou no meio de uma ventania, estou congelando. - saiu para buscar um moletom.
- Pronto agora está melhor. - Ele disse subindo a zíper da blusa.
- Que cara é essa, ? - Devon perguntou ao amigo.
- Você não está sentindo?
- Sentindo o que, ? Pára de ser loco e vamos porque os maquiadores já chegaram. - Ele disse saindo em seguida e o resto da banda o acompanhou.
- Esse cheiro de chuva. - sussurrou pra si mesmo com a feição séria enquanto saía por ultimo da sala.

Era mesmo difícil para ela, os dias se passando, todos iguais, a mesma rotina entediante, ela foi se fechando cada vez mais em seu mundo, como se isso fosse possível, e agora eles não se falavam mais todos os dias, ele sempre estava muito ocupado e por vezes ela acabava sendo dispensada por Max, que insistia em ser arrogante, pedindo para que ela não incomodasse, pois a banda estava abarrotada de trabalho.
Durante um tempo evitou sair de casa para ir ao supermercado, ao banco ou a qualquer lugar. – “Eles não estão mais juntos, graças a Deus, aquela garota é ridícula, não tem nada a ver com ele”. A imagem das duas meninas falando sobre ela não saía de sua cabeça toda vez que colocava os pés pra fora de casa, e agora sempre pedia ao zelador que levasse Fred para passear.
“Eu não sou fraca, só não sei como lidar com tudo isso, ainda se ele estivesse aqui tudo seria mais fácil. Você está sendo fraca e patética se escondendo das pessoas, se escondendo do mundo. Eu não estou me escondendo, porque nem você, que sou eu consegui ficar do meu lado? Ele não me liga mais. Isso por talvez ele não goste mais de você, talvez você tenha sido apenas um passatempo, um divertimento momentâneo, a garota da vez.”
Ela brigava com sua consciência tentando acreditar verdadeiramente que não fora apenas um passatempo.

- Lex, eu preciso conversar com alguém. - se aproximou do amigo e se sentou ao seu lado.
- Fala, você anda tão distante esses dias, o que está acontecendo? - Lex jogou o cigarro e se virou para .
- Não sei por onde começar. - olhou tenso para ele.
- Você vai terminar comigo? - Lex fez cara de falso choro.
- Cala a bocam, Lex, é coisa séria.
- Desculpe, pode falar, você sabe que pode contar comigo.
- Eu estou tão confuso, é por causa daquela garota. - apoiou a cabeça nas mãos.
- confuso por causa de uma garota, essa é nova. - Lex abraçou o amigo o dando um empurrão no amigo.
- Lex. - olhou feio para o amigo.
- Foi mal, mas você está confuso por quê?
- Eu não sei se agora é a hora certa para ficar com alguém sabe? disse levantando a cabeça.
- Não, na verdade eu não sei. Como se sabe a hora certa de ficar com alguém?
- Eu também não sei, mas os dias em que eu fique com ela foram ótimos, mas agora eles parecem tão distantes que eu não vejo mais sentido neles.
- Mas, , quem te disse que você precisa ficar com ela? Vocês curtiram o momento agora já era, já passou.
- Eu sei, agora eu vejo assim, mas eu queria ficar com ela antes, e agora não sei mais.
- Por que você se preocupa, prometeu algo para ela?
- Não, sei lá, acho que prometi, mas agora estou tão confuso, eu não queria magoá-la.
- Se você estava tão seguro de si a ponto de fazer promessas o que te fez mudar de ideia?
- Não sei explicar, mas foi como o Max disse, eu tenho que me ocupar com a banda agora, esse é o meu sonho, não posso deixar ela atrapalhar tudo que eu construí.
- Ah, então você já falou com o Max sobre isso?
- Falei. - estava com uma expressão cansada.
- Mas, , você sempre teve opinião própria, o Max não pode interferir nos seus sentimentos.
- Ele não está interferindo, mas ele me disse muitas coisas que são verdades e que me fizeram pensar.
- Eu nem quero saber o que ele te disse, mas você acha que não pode dar certo ficar com ela? Ela é tão legal e verdadeira.
- Eu sei, mas agora tenho quase certeza que não devo ficar com ela, acho que eu me iludi e acabei a iludindo também.
- , você precisa falar com ela, ou pretende simplesmente sumir?
- Não, eu pretendo falar com ela, mas ainda não sei o que dizer, eu fiz e falei tanta coisa, não posso chegar nela e dizer que tudo acabou.
- Isso é tão estranho, cara, eu nem imagina que você tinha se envolvido tanto com essa garota a ponto de estar todo confuso agora.
- O que eu faço, Lex? - franzia a testa.
- Não deixa esse momento de confusão atrapalhar suas decisões, mas você não pode ficar nessa, né?
- É, eu sei, mas eu quero minha vida de solteiro e quero voltar a ser eu de novo, sem paixãozinha sem esse sentimento estranho dentro de mim.
- , se você não sabe se gosta dela ou não é melhor você esperar para não tomar nenhuma atitude precipitada.
- Eu não gosto dela, Lex, não desse jeito, eu gostei de ficar com ela, eu gostei do jeito que ela me tratou, mas foi tudo uma ilusão, não namora, não se apaixona, eu tenho mais o que fazer.
- Você parece bem decidido para mim, só não se arrependa depois. - Lex disse olhando sério para o amigo.
se levantou e deixou Lex sozinho, foi até seu quarto, sua cabeça dava voltas, que raios de confusão era aquela? Ele sabia que não poderia ficar com ninguém, pelo menos era o que acha.


Capítulo 8


- , você já está pronto? - Max entrou no quarto onde o garoto estava deitado.
- O quê? - apenas levantou a cabeça confuso.
- , hoje é a inauguração daquela danceteria, vocês são convidados especiais.
- E se eu não quiser ir? - se sentou na cama suspirando profundamente.
- Essa não é uma opção, . - Max disse sério encostado na parede. - Isso tudo é por causa ela?
- Não, Max, me deixa em paz, pára de falar sobre ela. - passou as mãos bagunçando os cabelos.
- Nós já conversamos sobre isso, , você sabe que agora não pode ficar com ninguém.
- Eu não quero ficar com ela, eu já entendi tudo que você me disse. - estava com uma expressão séria e encarava o empresário.
- Então chega dessa cara de enterro, essa garota não serve para você, você tem que ser visto com gente importante, influente, não com umazinha que não tem nome.
- Max, já chega, eu já entendi. - estava irritado.
- Nunca é demais relembrá-lo sobre seu contrato, isso não é bom para sua imagem com a banda, você sabe que quando está solteiro as vendas disparam, você tem que ficar disponível para suas fãs, você não pode se apaixonar por ninguém, .
apenas concordou com a cabeça e voltou a abaixá-la.
- Eu não gosto dela, Max, mas preciso falar com ela e ajeitar as coisas.
- Isso também não é uma opção, , já chega de ser visto com essa menina, as pessoas estão falando, não me faça reler seu contrato outra vez.
- Eu vou me arrumar, não quero ouvir mais nada, me deixa em paz. - se levantou e foi até o banheiro.
- , eu faço isso para o seu bem, você sabe disso, sabe que é isso que seu pai quer, esse é o seu sonho, você entrou no jogo, agora siga as regras. - Max gritava enquanto se distanciava cada vez mais até fechar a porta do banheiro.

Fumaça de cigarro, luzes piscando e muita, mas muita gente dançando na pista ao som do DJ mais famoso do momento. Os garotos seguiam a hoster da balada até o camarote VIP, enquanto eram fotografados pelos fotógrafos da casa.
- Ótima oportunidade de serem vistos com pessoas importantes. - Max seguia na frente dando as instruções da noite.
- Por aqui, senhores, essas garrafas sobre a mesa são cortesia da casa, caso querem mais alguma coisa é só solicitar ao garçom. - A garota disse já saindo do lugar.
- Eu odeio essas músicas. - reclamou pegando um copo de vodka. – Eu vou sentar naquele sofá e relaxar um pouco. - Ele saiu de perto dos amigos e se jogou no sofá do camarote.
- Oi Max, quanto tempo. - Uma garota bonita se aproximou de Max falando em seu ouvido.
- Oi, Lisa, como vai você? - Ele foi simpático pela primeira vez na vida.
- Vou bem, não como você claro, fiquei sabendo que você está empresariando uma banda famosa, meus parabéns.
- Notícias boas correm rápido, mas e você, como anda a carreira de atriz?
- Não tão bem como gostaria, o mercado é meio cruel com ex-modelos. - Ela disse entortando a boca.
- Imagino, mas eu posso te ajudar se você quiser. - Max a lançou um olhar penetrante.
- Que tipo de ajuda, Max? - Agora ela entrava na onda dele.
- Você já conhece minha banda, já deve ter ouvido falar de , não? - Ele continuou com o olhar malicioso.
- Claro que já, mas não o conheço.
- Bem, ele está logo ali, por que você não vai até lá conhecê-lo?
- E o que eu ganho em troca? - Os olhos delas inundavam de malicia.
- Ora, Lisa, você não é tão esperta quanto parece, se vocês forem vistos juntos isso pode aumentar muito sua publicidade, não acha? - Ele ainda sussurrando em seu ouvido devido a música alta.
- Saquei, mas tirar algumas fotos com não vai me render papéis renomados.
- Você não é esperta mesmo, claro que algumas fotos não, Lisa, mas o garoto está no topo do mundo agora, é só você sair com ele que todos os jornais vão cair matando, aí só depende de você aproveitar essa super exposição.
Ela deu uma última olhada para Max e saiu em direção a , que permanecia sentado no sofá com cara de tédio.
- Boa noite, posso sentar? - Ela disse já se sentando muito próxima a ele.
- Pode, claro. - Ele nem virou a cabeça para olhá-la e só se afastou um pouco para que ela não sentasse em seu colo.
- Lisa Davis. - Ela estendeu a mão para cumprimentá-lo.
- . - Ele apertou a mão dela sem vontade.
- Eu sei, já ouvi falar muito te você. - Ela o encarava sem parar.
- Sério? Que bom ser reconhecido de vez em quando. - Ele deu uma risadinha sem vontade.
- Estou afim de encher a cara essa noite e você? - Ela disse rindo e se aproximando mais.
- Claro, eu sempre estou a fim de encher a cara. - Ele continuou com a risada forçada.
- Então vou pegar um pouco da sua vodka. - Ela estendeu a mão para alcançar a garrafa.
- Pode pegar, pode pedir o que você quiser, se você quer se embebedar fique à vontade.
- Mas e você? Seu copo está vazio, me deixe enchê-lo. - Ela pegou a garrafa e encheu até a boca o copo dele.
- Obrigado. - Ele tentou ser simpático.
Ela puxou papo o resto da noite, falou sobre sua “carreira” e ficou vangloriando a banda dele, ele estava realmente bêbedo já, não parou de beber um segundo sequer e agora já se sentia mais solto e conversava com ela com certa empolgação.
- Então, vamos embora? Essa balada já deu o que tinha que dar. - Ela disse entortando a boca.
- Eu estou de saco cheio daqui desde a hora em que cheguei, por mim tudo bem ir embora. - Ele disse virando o ultimo gole do copo.
- Vem comigo, vou te mostrar uma coisa. - Ela o puxou pela mão, levantando-o do sofá, ele apenas a seguiu meio contrariado.
Ela entrou num banheiro próximo ao camarote e fechou a porta.
- O que você está fazendo? Eu estou muito bêbado para me concentrar em qualquer coisa. - Ele disse esfregando o rosto.
- Você não vai precisar se concentrar muito nisso. - Ela tirou da bolsa um vidrinho com um pó branco dentro.
- NOSSA, eu não uso isso há séculos. - Ele disse ainda esfregando o rosto com as mãos.
- Então deve estar morrendo de vontade agora. - Ela abriu o vidrinho e fez duas carreirinhas na pia.
- Pode ir primeiro. - Ela estendeu uma nota de cem, enrolada em forma de canudo.
- Não sei se devo. - Ele mordeu o lábio inferior.
- Claro que deve, uma vez só, toma, pega.
Ele pegou o canudinho e se abaixou até a pia, pensou um pouco e em seguida cheirou a fileirinha de pó, fazendo uma careta e esfregando o nariz. Ela fez o mesmo em seguida e deu um selinho na boca dele.
- Sabia que ia gostar, agora vamos embora, e não se preocupe eu tenho mais aqui. - Ela disse rindo e puxou pela mão para sair do banheiro.
Ele estava atordoado e a música alta só o desnorteava mais, ele começava a se sentir eufórico enquanto seu coração disparava em meio a tantas pessoas se movimentando, para ele, em câmera lenta.
Quando chegaram à saída dos fundos da balada, muitos fotógrafos o aguardava e assim que o viram, foram logo disparando seus flashes. Ele tentava esconder os olhos das luzes fortes quando subitamente ela o puxou pelo pescoço, beijando-o na boca. Ele apenas a empurrou delicadamente e continuou com o braço no rosto.
- Meu carro está aqui, vamos por esse lado. - Ela o puxou pela mão o guiando até o local.
Ele apoiou a cabeça no encosto do banco sentindo uma ansiedade fora do normal, além de ainda estar completamente eufórico e agitado.
- Onde fica seu hotel, ? - Ela perguntou se virando para ele.
- Você sabe, eu sei que você sabe chegar lá. - Ele disse viajado.
- , eu não sei não. - Ela disse rindo da cara dele. – Me fala pelo menos o nome do hotel.

“Onde eu estou, caralho?”
Ele acordou em sua cama completamente desnorteado ainda, passou a mão no colchão e ficou aliviado por estar sozinho na cama.
- Bom dia, . - Ela saiu de banheiro só de calcinha.
“Caralho” Ele pensou de novo.
- Não se preocupe, já estou indo embora, gatinho, a noite foi ótima, a propósito, caso você não se lembre. - Ela disse pegando seu vestido do chão.
Ele ficou imóvel e não disse uma palavra sequer.
- Caso você queira mais da nossa amiga da noite passada é só me ligar. - Ela disse colocando a sandália.
Ele se afundou na cama com vontade de parar de respirar, enquanto olhava ela saindo pela porta.

Capítulo 9

Ela estava afundando cada vez mais, a água era turva e gelada, e ela não conseguia alcançar o fundo. Quando viu que não conseguia dar o impulso para cima, começou a se debater, tentando, com todas suas forças, chegar à superfície, o ar já lhe faltava e ela não tinha mais forças para continuar, sabia que não conseguia, estava desesperada, foi afundando cada vez mais, quando um segundo depois se viu ajoelhada na beira daquela imensa piscina, podia ver seu reflexo na água turva. Ela notou que alguém estava em seu lugar, se debatendo dentro da água, esticou a mão com vã intenção de ajudar aquela pessoa, mas não a alcançou, ela gritou a plenos pulmões, contudo não conseguia escutar a própria voz, era inevitável que aquela pessoa se afogaria e ela não poderia fazer nada. Ela colocou a cabeça dentro d’água e soltou o peso do corpo caindo novamente na piscina funda, porém desta vez não tentou subir, deixou que seu corpo afundasse e água entrasse sem sua boca, podia ser doloroso, mas com certeza a morte seria rápida.
Ela literalmente saltou da cama, puxando para dentro todo o ar que conseguia, ficou ofegante por alguns minutos, sem entender bem o que estava acontecendo. Quando conseguiu recobrar a consciência, olhou o relógio e viu que eram dez e meia. Sentou-se na cama passado a mão no rosto, ainda respirando fundo sem ar. Desceu as escadas do mezanino e foi até o banheiro, tinha a estranha sensação de euforia e um gosto ruim na boca, ficou fitando seu reflexo no espelho e viu as lágrimas rolarem pelo seu rosto pálido. Sentia fraqueza nas pernas e foi descendo até se sentar no chão frio do banheiro, colocou as mãos contra do peito e não conseguiu impedir que mais lágrimas caíssem. Ficou ali por um tempo, não entendia bem aquele sentimento, mas odiava aquela sensação de impotência que tomava conta do seu corpo, e ela se via em total desespero.
Depois de um banho quente e demorado, ela se sentou na cama e tentou ligar para Danny, uma, duas, três vezes, mas ele não atendeu. Arremessou o telefone na cama, trocou de roupa e resolveu que, naquele dia, iria levar Fred para passear.
Desceu as escadas do prédio com o cachorro nas mãos e o colocou no chão assim que chegou a calçada. Foi andando pela rua e sentia o frui contando seu rosto, Fred reclamava um pouco do “esforço” e ela o puxava para que ele andasse.
Ela não estava prestando atenção ao seu redor, andava com a cabeça baixa, apertando o casaco contra o peito, quando uma imagem chamou sua atenção na vitrine de uma loja de revistas. Ela já havia passado pela loja, mas retornou, não acreditando no que acabars de ver.
Ela ficou olhando a imagem na vitrine por alguns segundos, suas mãos formigaram e o coração acelerou a ponto de rasgar o peito. Ela perdeu a consciência por um tempo e, esquecendo-se de respirar, engoliu em seco quando Fred se movimentou ao seu lado. Ela amarrou a coleira dele de qualquer jeito no poste e entrou na loja com um furacão, ainda não conseguia acreditar no que estava vendo. Porém, o que viu lá dentro foi mais cruel ainda, dezenas de revistas já noticiavam o novo affair de , as imagens começam a girar ao seu redor e aquela dor no peito só aumentava, ela tentava engolir a saliva, porém sua boca estava seca demais para isso. Ela saiu correndo, batendo a porta da loja e esquecendo de Fred no poste, ela corria rápido enquanto seus olhos ficavam empachados pelas lágrimas, pode ouvir de longe seu cachorro latindo, mas naquele momento não pensou em nada, apenas continuou correndo cada vez mais rápido enquanto sentia seu casaco batendo em suas pernas. Ela se sentou em um banco na imensa praça, tentou recuperar o fôlego, mas o ar não entrava e ela estava perdendo a consciência, sua visão começou a ficar escura enquanto sua cabeça virar numa velocidade absurda lhe causando muita tontura.
- Você está bem? - Uma mulher de branco apareceu em seu campo de visão.
- Não. - Foi a única coisa que conseguiu pronunciar.
- O que você está sentindo? - A mulher se aproximou mais, colocando a mão sob a testa dela.
- Onde eu estou? - perguntou com a voz falha.
- Está no hospital, não se lembra?
- Não. - Ela tentou se sentar na cama e viu que tinha soro em seu braço.
- Pelo visto você passou mal enquanto caminhava no parque. - A enfermeira fez se deitar de novo.
- Eu já estou melhor, preciso ir embora. - Ela tentou novamente se sentar na cama.
- Você precisa esperar seu exame de sangue ficar pronto, depois pode pedir para alguém vir te buscar, não pode sair daqui sozinha. - A mulher disse, e dessa vez ajudou a se sentar na cama, arrumando seu travesseiro.
- Boa tarde, senhorita. - Um senhor de jaleco adentrou a sala.
- Boa tarde. - ainda tinha a voz falha e se sentia meio confusa.
- Bom, aparentemente você não tem nada, seu exame de sangue não acusou nada, provavelmente foi apenas um mal estar, uma queda de pressão, já se sentiu assim antes? - O médio se aproximou de com uma prancheta nas mãos.
- Não, mas agora eu estou bem, preciso ir embora.
- Ótimo. Denise, pegue a ficha da garota e veja quem a trouxe aqui.
- Dr., na ficha dela consta que a pessoa que a trouxe não a conhece e apenas a deixou aqui.
- Você pode ligar para alguém vir te buscar? - A enfermeira disse ainda segurando sua ficha nas mãos.
- Não será necessário, eu posso ir sozinha. - esfregou o rosto com as mãos.
- Creio que será realmente necessário ligar para alguém, garota. Denise, cuide disso para mim, tenho uma cirurgia agora. - O médico disse caindo do quarto.
- Sou maior de idade, não preciso de responsável para sair de um hospital. - estava começando a ficar sem paciência.
- Você desmaiou na rua é melhor que alguém a acompanhe até em casa, isso é procedimento do hospital. - A enfermeira continuou.
- Que coisa sem cabimento, eu posso ligar para o táxi vir me buscar, pode ser?
- Tudo bem, já que não tem ninguém que possa vir, você só precisa assinar aqui e já terá alta, pode usar o orelhão do hospital caso necessite. - A enfermeira retirou o sono do braço de e saiu do quarto.
“Já que você não tem ninguém, Já que você não tem ninguém, parabéns, você conseguiu resumir minha vida em uma frase.”
se levantou da cama e procurou seu celular.
“Novidade, não lembro onde enfiei essa merda”
Depois de se vestir, foi até o orelhão que se encontrava no corredor do hospital e discou o número do auxilio a lista para solicitar um táxi.
O que estava passando em sua mente? Ela não conseguia organizar bem os pensamentos, há algumas horas atrás estava em seu banheiro chorando por um sonho ruim e agora se via na frente de um hospital esperando um táxi sozinha. As pessoas passavam ao seu redor, mas ela não conseguia notar, era como se não tivessem rosto, como se não existissem, eram apenas figurantes naquele dia perturbador.
Ela apenas disse o nome de sua rua ao taxista e apoiou a cabeça na janela do carro, fechou os olhos esperando que aquilo também fosse um pesadelo, podia ouvir o som das crianças brincando num parque por perto, aquelas vozes felizes, sem nenhuma malicia ou tristeza, mas por mais que tentasse se concentrar em outra coisa, as imagens não paravam de vir à sua cabeça e ela engolia em seco com raiva de si mesma.
Quando chegou à entrada de seu prédio, Fred a aguardava, sentado no calçada.
- Fred, meu Deus, eu me esqueci de você. - Ela saiu correndo do táxi e foi em direção ao cachorro.
- Como você conseguiu sair de lá e chegar aqui? Vamos entrar, está muito frio aqui fora.
Ela se sentou no chão da sala e abraçou as próprias pernas, tentou por um instante respirar normalmente, mas a respiração ofegante já fazia parte seu corpo.
Como ela pode deixar que sua vida desmoronasse daquele jeito? Como foi se deixar levar por um sorriso absurdo, e meia dúzia de palavras bonitinha? Ela pegou o telefone e discou o número dele, mas foi em vão, ele não atendeu.
- EU TE ODEIO . - O vaso da mesinha de centro voou contra parede e o som abafou o grito dela.


Capítulo 10

Três dias se passaram e dois deles não conseguiu sequer levantar da cama para ir trabalhar. Era como se seu corpo não respondesse, e era mais fácil dormir o dia inteiro do que encarar a realidade cruel. “Ele nem sequer ligou, maldito”.
Naquele dia ela criou coragem e resolveu que ia sair daquela cama, realmente estava certa de que não tinha estrutura para passar por aquilo, mas tentaria com a cabeça erguida. Foi trabalhar e seu dia foi estranho, como se estivesse sonhando, não consegui prestar atenção em nada a sua volta. Quando chegou a seu apartamento depositou a bolsa no sofá quando o telefone tocou, ela ficou imóvel por um tempo e depois atendeu receosa.

- . - Ela ouviu a voz rouca dele do outro lado da linha e se segurou para não atirar o telefone longe.
- O que você quer? Por que está me ligando agora? - Ela disse seca, tentando não deixar transparecer a raiva.
- Eu preciso falar com você.
- O que você quer, eu te liguei e você não teve a decência de me atender.
- Eu não podia falar com você. - Ele sussurrava ao telefone
- Não podia ou não queria?
- Pára com isso, .
- Quem é aquela garota, ?
- Não é ninguém, eu não a conheço.
- Então como você sabe de quem eu estou falando? Tem fotos suas com ela em todas as revistas da cidade.
- Eu vi as fotos, mas ela não é ninguém.
- Cala essa boca, , vocês estavam se beijando, todas as revistas já falam sobre o seu novo amor. E ela é bem melhor que sua última pegada, não é? Não é isso que eles falam?
- Eu não sei o que eles falam, não me importa, mas eu tenho que te falar, realmente aconteceram algumas coisas, mas ela não significa nada para mim, eu nem a conheço, acredite em mim.
- A velha história do “ela não significa nada para mim”. Você não sabe como meus dias estão sendo, , você nem imagina a dor que está me causando. - Ela falava num tom acima do normal.
- Não era a minha intenção, as coisas foram longe demais.
- É só isso que você tem a me dizer? “As coisas foram longe de mais?”
- Eu não sei o que te dizer, está bom? Eu fiz tudo errado, desde o começo. - Ele também se exaltou.
- Desde o começo? Você está se referindo a mim?
- , eu não sei se isso pode dar mais certo.
- De que diabos você está falando, ?
- Eu pensei muito essas semanas, vou ser sincero com você, eu estou confuso.
- Confuso? - Ela ria sarcástica.
- Essa não é bem a palavra, na verdade, não sei o que te dizer, não quero te magoar.
- Não quer me magoar? Então por que você dormiu com outra, se você não quer me magoar? Por que está me falando essas coisas?
- Eu não sei, eu pensei muito, como já te disse, e agora não me vejo num momento bom para ficar com alguém.
- Você não se vê num momento bom? Que tipo de pessoa miserável que é você para me falar algo desse tipo?
- , por favor, você é uma pessoa incrível, mas eu não sei o que eu quero agora.
- Eu não estou acreditando no que você está falando, , o que deu em você?
- Nada, , eu sei que pode ser repentino para você, mas eu já vinha com isso na cabeça há algum tempo. É muito estranho ficarmos juntos, mas não estarmos juntos, eu não sei o que te dizer. - Ele tropeçava nas palavras.
- Mas não foi o que você me disse quando foi embora, eu me lembro muito bem de você prometer que a distância não iria atrapalhar, isso tudo é por causa dela?
- Dela quem, ? Eu já disse que aquela garota não é ninguém para mim.
- Ninguém? Você beija ninguém na boca? Você sai em um milhão de fotos com ninguém? Eu aposto que você não “comeu” ninguém também, né? Mas sabe o pior de tudo? Eu era essa ninguém há umas semanas atrás.
- Não fala assim, por favor, não se compare com essas garotas. , talvez eu tenha me precipitado, não sei como te falar isso, mas talvez eu tenha me enganado sobre meus sentimentos.
- Talvez, talvez, pára de falar esse maldito talvez e seja homem para assumir o que sente.
- Eu não sinto... nada, eu acho. - Ele falava tão baixo que mal se pôde ouvir.
- Você não sente? Não sente amor por mim? NÃO SENTE NADA?
- Você sabe que eu gosto de você, , mas eu estou confuso.
- Você acha que está confuso, que talvez tenha se enganado com relação aos seus sentimentos? Mas você quer saber, você é um trouxa que não sabe de nada, fica aí gaguejando do outro lado da linha, se fazendo de coitado, de vítima, eu estou com tanta raiva de você. Como você pode me falar que não sente nada? Como você pode ser tão cruel? - já começava a chorar.
- , por favor.
- Por que você fez tudo aquilo então? Foi tudo um teatrinho pra enganar a imbecil aqui?
- , tudo que eu fiz foi sincero, mas agora eu não sei o que sinto mais, eu não posso continuar assim.
- Mas o que te fez mudar de ideia, me fala, EU PRECISO SABER!
- Pára de chorar, pelo amor de Deus, eu estou tentando te explicar, mas eu não tenho palavras. - Ele quase gritava.
- Você é um covarde, um maldito covarde. Eu me odeio tanto por acreditar em você, em suas promessas vazias, aquele presente idiota que você me deu.
- Eu estou quase na sua cidade, mais uma hora eu estou aí.
- O que você vai fazer aqui? Vai vir me dar um fora pessoalmente?
- Me espera. - Agora ele quase sussurrava.
- Não, , eu não quero você aqui, eu te odeio, eu não quero você perto de mim, não venha aqui, você vai perder seu tempo.
- , me escuta, eu preciso falar com você, você não está bem, não vou te deixar assim e simplesmente sumir da sua vida.
- Por que você se importa, ? Por quê? Eu não quero sua pena, eu não quero nada de você. - As lágrimas escorriam em sua boca enquanto ela tremia ao segurar o telefone.
- Eu estou quase aí, por favor, pára de chorar, eu estou quase chegando.
- Eu te odeio tanto que chega a doer, você é um miserável, EU TE ODEIO.
- Não fala assim, por favor, não me odeie.

Coloque para carregar.

O velocímetro já atingia quase 150 quilômetros por hora, ele ia rápido, mais rápido que o limite de velocidade permitia.

Inicie a música

O interfone do apartamento tocou, ela sabia que era ele, apenas apertou o botão autorizando sua entrada.
Ela abriu a porta devagar, e ele estava lá parado com uma expressão vazia.
Ele apenas entrou e foi em direção ao sofá sem pronunciar uma palavra, ela o seguiu.
- , eu tenho que te dizer o que vim até aqui te dizer, e, por favor, não torne as coisas mais difíceis.
Ela se sentou ao lado dele ainda com o rosto inchado de chorar, mas tentou permanecer firme para não demonstrar mais fraqueza, ela buscou seu olhar, mas ele não levantou a cabeça.
- Se você veio até aqui para me falar tudo que me disse no telefone, pode ir embora, eu já entendi.
- Não é tão simples assim.
- É simples, sim, é você quem está dificultando tudo.
- Você deveria procurar alguém para ficar ao seu lado. - Ele disse de forma rápida, ainda não conseguindo olhar pra ela.
- Olha em volta, você vê alguém do meu lado? Você já viu alguém do meu lado? - Ela segurava suas emoções enquanto falava quase que suplicando.
- As coisas não precisam ser tão difíceis assim, você poderia entender que não posso ficar com ninguém agora.
- Eu não entendo, como você pode me falar tantas coisas, como você pode me provar de tantas formas que me ama e agora simplesmente ir embora?
- Não sei o que te dizer, mas não quero te magoar mais, você não precisa passar por tudo isso para saber que eu não sou bom para você, eu não quero te magoar mais. – Seu rosto estava vermelho e as veias da testa estavam pulsando, agora ele fala num tom acima do normal.
- Não precisa sentir pena de mim agora, me fazer sentir uma coitada com uma vidinha vazia. - Ela olhou para ele como se não o reconhece-se, tentando procurar em seu olhar alguma coisa que sua boca não dizia.
Os olhos dele encontraram os dela e ele agora quase sussurrava.
- Não acho sua vida vazia.
- Não? Não acha mesmo? Mas eu vou te contar uma coisa: a minha vida sempre foi vazia, sem graça, sem cor, mas depois de você tudo ficou diferente, se antes tudo era uma merda, você pode imaginar como ela vai ser agora.
Ele apenas continuou olhando em seus olhos, não tinha palavras que pudessem confortá-la, mas talvez se as tivesse preferiria ficar calado naquele momento.
- Eu sei que não posso mudar tudo que fiz e falei.
Ela fez força pra não gaguejar e falou com toda firmeza que ainda restava em seu corpo:
- Não, não pode, mas você pode ir embora agora e, por favor, não fale mais nada, não preciso ouvir mais suas falsas lamentações.
Achando realmente desnecessário continuar ele se levantou devagar do sofá, ele queria tocá-la, mas não o fez, apenas foi em direção à porta com o corpo todo enrijecido, naquele momento parecia que pesava uma tonelada.
Ela ficou ali, sentada esperando a porta se fechar, sentindo dor na garganta de tanto segurar o choro, quando já não aguentava mais, caiu em prantos, não sentia seu corpo, apenas as pontas dos dedos formigavam. Ela levou as mãos ao peito e apertou com força como se aquilo fosse aliviar sua dor, nunca imaginaria que seu coração poderia literalmente doer de tristeza.
Ele desceu as escadas, estava atorado, a cabeça a milhão, mas achava que tinha feito a coisa certa, não queria prolongar mais aquela confusão mental que sentia há tempos. Para ele era mais fácil não sentir nada do que ter qualquer sentimento que fosse.


“Saiba que mudei os nossos planos
Estou jogando tudo fora
Como se não fossem nada
Mas eu sei que faço tudo errado
Já estou acostumado
A deixar e ser deixado
Sendo assim

Tudo é tão normal
Como tudo nessa vida
Sempre diferente
Mas tão igual

Me desculpe por te esquecer
Eu apenas não quero ser
Outra lembrança dos momentos de derrota
Onde suas mãos tocaram o chão
Faço isso só por você
Te apago sem perceber
E assim quem sabe
Tudo volta ao normal

Eu sempre soube que seria assim
Quando ficássemos de frente para o fim
E o fim é sempre certo, eu sei
Estou cortando os nossos laços
Deixo nós em dois pedaços
Pra quem sabe em outros braços
Me encontrar.

Faço mal te fazendo bem
Te liberto pra que alguém
Possa te amar
Como eu nunca te amei”.

Hateen - Voltar ao Normal.



Capítulo 11

Um mês e dezessete dias depois.


POV’

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Era inverno, os dias se arrastaram um a um, sem piedade.
Tinha a impressão de que o mundo havia se esquecido de mim, acho que ele já havia se esquecido antes, mas só naquela hora me dei conta.
O dia era cinza lá fora, podia ver alguns blocos de neve pousando em minha janela e o frio era cortante, já que eu não conseguia me mover para ligar o aquecedor.
Cada músculo do meu corpo estava enrijecido, com uma cãibra generalizada.
Pensei em tudo que acontecera comigo nos últimos meses, e agora acho que talvez o não tivesse total culpa do meu sofrimento. Agora eu via como se estivesse em stand by durante todo o tempo, ele me trouxe a vida, me fez despertar. Como se pode sofrer, se não se sente nada, quando se é vazia? Não se pode, por isso agora acho, que depois dele ter me “ligado”, estava sofrendo tudo que nunca me permiti sofrer antes.
Algo tinha se modificado dentro de mim, eu me sentia outra pessoa, talvez a pessoa que deveria ter sido toda a minha vida.
Eu puxei o cobertor até cobrir minha cabeça, era estranho, mas eu sentia paz dentro de mim, uma mistura de paz, com angústia e auto-conhecimento - sentimento estranho, eu sei, mas era o que eu sentia. Talvez eu pudesse me dar ao luxo de sofrer mais alguns dias, era razoável, depois da decepção pela qual passei, mas não era o que eu ia fazer, eu não queria ser fraca mais, talvez se ficasse naquela cama por mais um tempo perderia a chance de me deixar transformar em uma nova eu.
Levantei-me da cama, passando as mãos sobre meus cabelos, descendo até meus braços, eles estavam finos, assim como meu rosto e minhas pernas. Acho que acabei emagrecendo sem perceber, na verdade, acabei fazendo várias coisas sem perceber no último mês.
Fui até a janela do meu quarto, as luzes da rua já estavam acessas e o asfalto, antes preto, agora estava branco, coberto por uma espessa camada de neve.
Uma coisa chamou minha atenção, um carro preto com vidro fumê estacionado em frente ao meu prédio, era o mesmo carro que vi estacionado em frente ao mercado outro dia, pensei por um momento, mas não era plausível a ideia dele estar dentro daquele carro, na verdade, era impossível ele estar dentro daquele carro. Continuei fitando o carro e alguns minutos depois ele deu a partida e foi embora.
Tentei não pensar no assunto, não queria ficar enchendo minha cabeça de besteiras.
Tomei banho e me arrumei, aquela noite eu ia me divertir, aquele era o marco para uma nova eu, renomada e melhor, nada iria me abalar, pelo menos eu esperava que não.




Inicia a música





Oh-oh-oh-oh-oooh-oh-oh-oh-oooh-oh-oh-oh! Caught in a bad romance Oh-oh-oh-oh-oooh-oh-oh-oh-oooh-oh-oh-oh! Caught in a bad romance

Eu entrei naquele local estranho para mim, usava uma calça jeans, uma blusinha creme de seda e um salto alto, bem alto, não sabia bem ao certo o que procurava lá, só sabia que queria esquecer o mundo, esquecer dele, e parar de ser tão certinha, como sempre.
Aquela música invadia meu corpo, tão alta que estava, meu peito chegava a pulsar, realmente eu não queria um romance ruim, eu não queria a merda de romance nenhum.
Fui para a pista sozinha e peguei uma cerveja no caminho, que se dane se todos me virem sozinha, ninguém liga mesmo.

Rah-rah-ah-ah-ah-ah! Rama-ramama-ah GaGa-ooh-la-la! Want your bad romance

Eu só queria que você saísse da minha cabeça, , você não presta. Dancei conforme a música e não me importava nem um pouco em parecer ridícula.
Peguei mais uma cerveja, merda, isso é fraco demais, eu preciso de vodka.
Dois copos depois eu já me importava menos de estar entre estranhos, dançando tão afetadamente.

I want your ugly I want your disease I want your everything As long as it's free I want your love Love, love, love I want your love...

Alguns caras se aproximaram e eu continuei dançando.
- Me dá um cigarro? - Pedi para um cara bem gracinha ao meu lado.
- Claro, toma. - Ele me passou o cigarro acesso.
Eu não fumo, mas que se dane de novo, eu quero ser outra pessoa, quero viver perigosamente.

I want your drama The touch of your hand I want your leather-studded kiss in the sand I want your love Love, love, love I want your love (Love, love, love I want your love)

- Você está acompanha? - Ele me puxou pela cintura.
- Você vê alguém ao meu lado? - Eu disse rindo. Já estava bêbada, claro.
- Não, mas deveria ter. - Ele me puxou para mais perto.
Ok, eu não sabia mesmo o que estava fazendo, mas me deixei levar pelo momento e quando dei por mim, estávamos nos beijando, e o beijo era bom.
- Tchau. - Eu disse, o empurrando e saí andando em seguida.
- Aonde você vai? - Ele parecia confuso.
- Vou dançar, e você vai ficar aí. - Eu disse, e o deixei falando sozinho.
Gracinha ele era, mas minha cabeça girava e eu queria beber mais, queria parar de existir, me enfiar em um buraco bem fundo.
Peguei outro copo. Acho que vou dançar em cima da mesa. Segundos depois eu dançava como louca em cima de uma mesa, as pessoas pareciam gostar, pois ficaram em volta de mim e levantaram suas mãos. Minha blusa já tinha voado longe e eu estava só de top. O que eu estou fazendo, meu Deus?

You know that I want you And you know that I need you I want it bad, your bad romance

Outras garotas subiram na mesa e começaram a dançar comigo, eu estava dividida em amar aquela sensação de liberdade e pensar que eu estava realmente com sérios problemas. As garotas se esfregavam em mim, e, sério, eu não estava acostumada com aquilo, mas entrei na onda. As luzes da balada batiam em meu rosto e eu dançava até em baixo, deixei a música me levar e fechei os olhos, talvez eu tire o top, vou ser expulsa daqui, legal, eu quero mesmo ir para a delegacia agora. Alguns caras passavam as mãos em minhas pernas, quando senti uma mão me puxando, tão forte que foi, quase caí da mesa e pude sentir alguns copos rolarem. Não vi quem era, estava atordoada e me via sendo puxada pelo braço por alguém.
- O que você pensa que está fazendo, ficou louca? - Ele disse, e aquela voz eu conhecia.
Ele me levou (Lê-se arrastou) até a saída de trás da balada.
- O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTA FAZENDO? SOLTA MEU BRAÇO. - Eu gritei, puxando meu braço das mãos dele, incrédula com o que estava acontecendo.
- Você não é assim, olha para você, você está só de sutiã. - disse num tom acima do normal, me puxando pelo braço de novo.
- Me solta, seu idiota, eu faço o que eu quiser, você não me conhece para saber se eu sou assim ou não, então volta para a sua vidinha e me deixa em paz. - Puxei de novo meu braço, que já começava a doer.
- É claro que te conheço, pára de ser ridícula e coloca minha blusa. - tirou o moletom e cobriu meu ombro.
- Tira essa merda de mim. - Eu joguei a blusa dele no chão e saí andando.
- VOCÊ VAI EMBORA COMIGO, até parece que vai sair andando na rua pelada.
- O QUE VOCÊ QUER COMIGO? FALA. - Eu virei e esbravejei para ele. – COMO VOCÊ SABIA QUE EU ESTAVA AQUI? ESTÁ ME SEGUINDO?
- Se não quisesse ser encontrada, não deveria ter falado para o seu porteiro aonde ia.
- EU NÃO DISSE QUE VINHA AQUI, ERA VOCÊ NAQUELE CARRO, ENTÃO? - Continuei gritando de ódio e pude reparar que ele tentava manter a calma.
- Que carro, ? Você disse que vinha para essa rua e foi por isso que eu demorei tanto para te achar, entrei em cinco lugares antes de te encontrar dançando com um monte de brutamontes. - Ele estava visivelmente descontrolado. – Por que você está fazendo isso? - respirou fundo e agora quase sussurrava.
Eu me aproximei dele, deixando que nossas bocas quase se tocassem e também sussurrei:
- N-ã-o é d-a s-u-a c-o-n-t-a.
- Eu só quero te levar embora, por favor, dá para você colocar minha blusa? Eu te deixo na sua casa e vou embora, eu prometo. - Ele tentou colocar as mãos no meu rosto, mas eu me afastei depressa, não queria sentir aquele toque.
- Desculpa, , não vai dar, não. - Fui sarcástica, dando uma risadinha forçada, abri a porta e entrei novamente na balada.
Ele entrou atrás de mim, tentou me puxar novamente pelo braço, mas eu desviei e continuei indo rápido, me misturando entre as pessoas que dançavam.
- , . - O ouvia gritar meu nome quando avistei o cara de tinha beijado mais cedo. Aproximei-me dele e o dei um selinho, ele me abraçou se lembrando de mim.
Quando me virei, estava estático e pálido, muito pálido.
- Algum problema? - O carinha me perguntou, olhando para .
- Não, mas você pode me levar embora, por favor?
- Claro, mas você está sem blusa, toma, põe minha camiseta. - Ele estava tirando a camiseta para me dar, pude notar que estava com os punhos fechados.
- Você não vai fazer isso. - me puxou com força.
- Heim, me dá licença. - Ele se aproximou e ficou frente a frente com . Eles tinham a mesma altura, mas se destacava com a cara de psicopata que fazia.
- Você quem sabe, cara, vai querer se meter neste assunto mesmo? - disse cerrando os dentes.
- Ei, chega. - Eu entrei no meio dos dois. – Esquece, está bom, eu vou embora com ele. - Eu disse, e puxei o cara, que não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, pelas mãos.
- Olha, você é bem gata, mas eu não vou mesmo ficar me metendo em briga de namorados, desculpa. - O cara me disse, soltou minha mão e saiu andando.
- Ainda bem que você tem bom senso. - murmurou, e pegou minha mão.
- Você não é meu namorado, solta minha mão e chega de palhaçada. - Eu disse, tentando me manter calma.
- , CHEGA VOCÊ DESSA PALHAÇA, EU SÓ QUERO QUE VOCÊ SE VISTA E VENHA COMIGO. - Ele berrava em meio às pessoas e a música alta.
- E EU QUERO QUE VOCÊ VÁ SE DANAR, . - Eu gritei, e meus olhos pousaram em seu peito onde pude ver a maldita corrente em seu pescoço, cheguei mais perto e a tirei de dentro da camiseta, e o pingente estava lá.
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM ISSO AINDA?
- Pára, , por favor. - me olhou e pareceu triste.
- Olha o que eu faço com essa merda. - Eu enrolei os dedos na corrente e puxei com força, a vendo quebrar do seu pescoço, então a joguei no chão e pisei em cima. Fiquei o encarando com satisfação e ele ficou lá, parado, imóvel com os dentes cerrados.
Nós ficamos nos olhando por alguns segundos, quando, subitamente, ele me ergue no ar, colocando-me em suas costas.


Pare a música

Vi-me sendo praticamente arremessa dentro do carro e depois senti a porta se fechar com força, ele deu a volta e entrou, travou minha porta quando me viu tentando abri-la.
- Me deixa sair. - Eu disse baixo, tentando manter a calma. não disse nada, apenas me olhou de canto de olho e continuou dirigindo.
- Por que está fazendo isso, ?
- Porque você não é assim, não quero ver você se acabando por nada. - Ele disse, com a cara fechada se virando pra mim.
- Ainda bem que você sabe que você não é nada. - Eu disse de braços cruzados e soltei uma risada sarcástica.
parou em frente ao meu prédio, e eu agora vestia o moletom dele.
- Abre a porta. - Eu disse, puxando a maçaneta.
Ele desbloqueou minha porta, eu desci do carro e ele desceu atrás. Tinham algumas pessoas em frente ao meu prédio que notaram a presença dele.
- Está satisfeito? - Eu disse, cruzando os braços de cara fechada.
- Não. - engoliu em seco.
Eu fique encarando-o, tentando, com todas as forças, não demonstrar nenhum tipo de recaída e então abri o zíper do moletom e o tirei, ficando só de sutiã de novo.
- Toma, isso é seu, obrigada pela carona. - Estendi a blusa para ele e, quando vi que ele não ia pegá-la, a deixei cair no chão e o dei as costas.
- . - Pude ouvir sussurrar atrás de mim, mas não me virei, apenas continuei andando e fechei a porta do prédio. Peguei o elevador e, ao chegar ao meu apartamento, tranquei a porta dando duas voltar na fechadura e joguei a chave longe, com medo de me arrepender e voltar atrás.


Era fúria que podia se ver em seus olhos quando ele entrou no hall do hotel.
- , o que aconteceu? - Lex foi atrás do amigo que parecia desgovernado.
A primeira poltrona que entrou em seu campo de visão voou contra parede.
- , o que você está fazendo, cara? - Lex olhava aterrorizado.
- SAAAAAAAI. - gritou e fechou a porta com tanta força, que pode ver o trinco rachar.
Alguns copos sobre a mesinha foram arremessados ao chão, assim como o notebook, que foi arrancado com fio e tudo da parede.
se sentou na cama, colocando a cabeça no meio das pernas, o telefone do quarto tocou, ele se levantou e o pegou também, o arrancando da parede e jogando-o contra a janela. Permaneceu parado, imóvel no meio do quarto, sua respiração era acelerada, algumas gotas de sangue começaram a pingar no chão de carpete, ele olhou para baixo e viu um corte, que parecia profundo, na mão.
- MAS QUE MERDA. - urrou.

ainda estava em transe, sentada no sofá da sala, tentava recobrar a consciência e acalmar seu coração, sentiu uma fisgada forte na mão direta que fez voltar toda sua atenção para ela. olhou bem assustada, mas sua mão estava aparentemente normal, só ardia como se estivesse jogando álcool em um corte aberto, ela a apertou com a mão contraria, imaginando ter distendido algum músculo. Continuou com a mão que doía contra o peito enquanto algumas lágrimas teimosas rolavam em seu rosto, assim como no de , que enxugava a pele fria com a mão cheia de sangue.


Capítulo 12


Duas semanas e três dias depois

adentrou o escritório como um furação, fazendo com que sua chefe a olhasse assustada.
- Jéssica, você está louca, o que está acontecendo? - Lorena perguntou preocupada.
- Nada, está acontecendo alguma coisa? - disse, indiferente.
- Lógico que sim, você não chega mais no horário, está mais magra que uma vassoura e colocou meias trocadas de novo.
- Nossa, nem percebi que estava com essas meias, me desculpe, Lorena, não vai acontecer de novo, eu prometo que vou me concentrar mais. - disse, arrumando o cabelo despenteado e alisando a camisa amarrotada.
- Eu sei do que você precisa, de férias, mocinha, acho que não pode adiar mais isso.
- Lorena, por favor, eu preciso trabalhar, se eu ficar em casa, vou acabar... - Ela engoliu em seco. – Eu vou acabar... - Estava difícil completar a frase.
- Você vai acabar morrendo de tristeza, é isso, não é? - Lorena a olhou piedosa.
não respondeu, mas sabia que todas suas tentativas para ser uma nova pessoa haviam ido por água a baixa, apesar de tentar ser feliz e seguir sua vida, aquilo não foi tão fácil, quando ela acabara de decidir seguir em frente, aparecera naquela balada para atormentar mais seus pensamentos.
- ! - Lorena falou alto, despertando a garota de seus pensamentos distantes.
- Oi? - levou um susto, e virou rapidamente a atenção a Lorena.
- Querida, tem uma pessoa que eu queria que você conhecesse. - Lorena tirou os óculos de leitura olhando profundamente nos olhos de .
- Quem?
- Bom, ele é um amigo de infância do meu filho mais velho que acabou de voltar da África, onde morou por quase oito anos, ele está meio perdido agora, então eu achei que vocês pudessem se conhecer, você poderia levar ele nos restaurantes que conhece, e conversar sobre interesses em comum. - Lorena disparou a falar e não parava mais.
- Lorena, eu... - tentou interromper.
- Escute, ele é bonito, tem 25 anos estudou em vários lugares, é rico e divertido.
- Lorena!
- , eu já marquei o encontro, será nessa sexta-feira, eu passei seu endereço para ele, então ele vai te pegar às 20:00. - Lorena disse depressa.
- O quê? Lorena, eu não vou sair com ele, eu não posso, eu não o conheço, eu não sei como me comportar, eu...
- , ‘eu, eu, eu, eu’, chega disso, você vai conhecê-lo e, se não gostar, é só não se verem mais, e isso é uma ordem, não um pedido.
concordou com a cabeça e foi para sua sala, tentar digerir o novo acontecimento.

***

Sua mão estava suando, mais que o necessário, era o terceiro ou quarto copo de água que mandava goela a baixo.
O relógio marcava 19:32 e ela permanecia sentada, com postura, no sofá, enquanto segurava o último copo de água.
deu mais uma olhada no espelho de mão e resolveu ligar a TV, para se distrair, enquanto seu “encontro” não chegava. Seus pensamentos vagavam em sair correndo pela porta ou simplesmente se fingir de morta dentro do apartamento, aquela situação era realmente constrangedora, ela nem ao menos sabia a feição daquela cara, só sabia que seu nome era Antony e que ele tinha 25 anos.
Depois de procurar o controle remoto e não encontrá-lo, como sempre, resolveu ficar imóvel, com a tentativa falha de tentar parar de transpirar como louca.
A campainha tocou, era exatamente 20:01, pelo menos ele era pontual. pegou o ultimo fôlego e se direcionou até a porta.
Abriu devagar e ele estava lá. A garota abriu um sorriso angustiado.
- Prazer, Antony. - O cara estendeu a mão, com um sorriso largo no rosto.
- , , . - Ela tropeçou nas palavras, fazendo ele soltar uma risadinha fofa.
- Você gostaria de entrar? - Ela permanecia nervosa.
- Eu gostaria muito, mas fiz reservas num restaurante e nós estamos atrasados.
- Tudo bem, vou pegar minha bolsa, só um instante. - Ela solicitou, com o dedo levantado.
Depois de pegar a bolsa, e Antony desceram pelo elevador. Permaneceram em silêncio absoluto, e ficavam metalizando sua própria morte por meio de algo bem doloroso.
Antony abriu a porta do carro para que ela entrasse e se direcionou a sua porta. Enquanto ele passava pela frente, conseguiu notá-lo melhor. Ele usava uma calça jeans escura e uma camisa preta, para fora da calça, com as mangas dobradas. Assim que ele entrou no carro, ela se virou para continuar apreciando. Seus cabelos eram escuros e curtos, um pouco bagunçados, o que dava certo charme. Antony se virou para ela, sorrindo novamente, e pode notar seus os olhos castanhos claros.
- Você é meio calada, como minha tia descreveu, e é realmente bonita, como ela disse.
- Sua tia?
- É, eu a chamo de tia, porque a conheço desde pequeno, é costume. - Ele deu de ombros.
- Obrigada pelo bonita. - riu sem jeito.
- Na verdade, você é linda, e séria. - Ele riu de lado.
- Eu não sou tão séria, é que estou meio nervosa, não saio com muitas pessoas. - Ela foi sincera.
- Tudo bem, eu também não, eu tinha uma namora séria na África do Sul, onde morei por um tempo, mas agora estamos separados já faz alguns meses.
Eles seguiram o resto do caminho calados, vez ou outra Antony comentava sobre alguma música no rádio e sorria simpática.
- Esse é o lugar, hoje é a inauguração, eu procurei na internet. - Antony disse, sem jeito, apontando o imenso restaurante luxuoso.
- Legal, eu gostei, é bonito. - Ela riu e agora estava se sentindo realmente bem ao lado dele.

***

- Eu não sei por que temos que ficar indo nesses lugares, nós somos famosos, não precisamos ficar aparecendo em cada inauguração da cidade. - Lex disse, nervoso, encarando o empresário em sua frente.
- Lex, isso é questão de contrato, é exatamente por vocês serem famosos que eles querem vocês nos lugares, não seja estúpido. - Max foi ríspido.
- E não reclame, que da outra vez você não teve que ir naquela boate, foi porque quis.
- Tá, Max, já chega, né. Pelo menos a gente janta de graça. - Lex foi sarcástico.
- Eu estou com fome. - disse, colocando a mão no estômago.
- Nossa, deu o ar da graça, super star? - Lex brincou com o amigo, que acabara de tirar o fone de ouvido e abaixar o capuz da blusa.
- Não enche, man. - mostrou o dedo do meio, com mal humor.

***

- Sente-se. - Antony puxou a cadeira para que se acomodasse.
- Obrigada. - Ela agradeceu, arrumando-se no assento, o maître se aproximou com o menu nas mãos.
O lugar era incrivelmente bem decorado, com estátuas de bronze e flores brancas, a iluminação era aconchegante e as mesas tinham um grossa toalha na cor vinho. Todos estavam muito bem vestidos e agradeceu internamente por usar um vestido preto tomara que caia, no mínimo apresentável para a ocasião.
Antony pediu o vinho mais caro da casa, talvez para impressioná-la, ela não se importou, estava gostando de ser bajulada.
pode notar alguns fotógrafos no local e algumas pessoas famosas se acomodando nas mesas, aquela cidade era mesmo badala, mas aquilo para ela não fazia a menor importância.
- Me falaram que esse restaurante é do Elton John. - Antony deu uma risadinha para puxar papo.
- Sério? É muito lindo mesmo e com essas pessoas famosas com certeza é de algum proprietário conhecido. - tentou acompanhar o assunto.
- O que você vai querer? - Antony lhe perguntou olhando nos olhos.
- O mesmo que você. - respondeu e ficava se martirizando por estar sendo tão insossa.
- Ah, dois pratos de camarão com molho branco e salada, por favor. - Antony estendeu o menu ao garçom, fazendo seu pedido. – Você gosta de camarão, né? - Ele riu constrangido.
- Gosto, gosto muito. - disse, virando a taça de vinho um gole.

***

- Esses são os lugares, garotos, fiquem a vontade, vou chamar o garçom para que vocês façam seus pedidos. - A hostess acomodou Lex, e Max em uma mesa, após os dois garotos posarem para algumas fotos.
- Eu quero um copo de vodka com gim e limão. - pediu ao garçom assim que o viu se aproximar.
- , você vai virar um garrafa de vodka daqui a pouco. - Max o olhou torto.
- Max, você não é meu pai, me deixa em paz. - retrucou, ainda mal humorado.
- Faz o que você quiser da sua vida, criança. - Max se levantou para ir ao banheiro, enquanto o garçom chegava com o copo de vodka.
- Aqui, senhor. Querem pedir o jantar?
- Não, daqui a pouco, obrigado. - disse, levando o copo a boca.
Assim que engoliu o conteúdo, fez uma careta horrível.
- Mas que merda é essa? - colocou o copo na mesa.
- Que foi? - Lex perguntou assustado.
- Toma essa porra, tem gosto de vinho tinto. - empurrou o copo para o amigo, que por sua vez deu um gole grande.
- Tá louco? Isso é vodka com gim e limão. - Lex devolveu o copo.
- Não pode ser, eu senti gosto de vinho. - fazia uma cara de espanto.
- Toma essa água, às vezes o gosto do vinho estava na sua boca.
- Na minha boca, Lex, eu não tomo vinho há séculos. - disse, bebendo a água.
- Só pode ser piada, essa água é vinho puro, bebe. - estendeu a garrafa de água ao amigo.
- Cala a boca, , isso é água, só água, eu acabei de tomar. - Lex o encarava, boquiaberto.
- Não pode ser, Lex, como você não está sentindo essa merda de gosto na boca?
- , eu não estou sentindo, ou você acha que sou Deus para transformar água em vinho com o meu toque? - Ele debochou.
- Esquece, vou no banheiro lavar meu rosto. - se levantou.

- Acho melhor você maneira no vinho, , ou vai ficar alta. - Antony riu ao ver a garota virar outra taça.
- Desculpa, esse vinho é mesmo bom, não? - Ela riu sem jeito, e levou o garfo a boca para disfarçar, assim que o fez, engasgou com a porção de comida dentro da boca.
“Não pode ser ele, Deus, faça com que não seja ele” Ela pensou assim que viu entrar no banheiro masculino.
- , você está legal? Toma, bebe água. - Antony lhe ofereceu o copo.
- Eu estou legal, só engasguei com o camarão. Antony, será que já podemos ir embora? Eu não estou me sentindo muito bem, acho que minha pressão caiu.
Antony segurou a mão de a encarando preocupado.
- O que está sentindo?
- Não sei, acho que estou tremendo mais do que deveria.
- Sua mão está gelada, quer que eu peça algo ao garçom?
- Não, vamos embora.
- Tudo bem, vou pedir a conta. - Ele disse, levantando a mão.
- Não, não dá tempo, eu vou esperar no carro. - se levantou e viu sair do banheiro, seus olhares se cruzaram, fazendo seu coração acelerar. Ela se sentou de novo, rezando para que ele não a tivesse visto, mas não foi o que aconteceu.
- ? - se aproximou, encarando profundamente os olhos dela.
- Oi. - ela gaguejou.
- O que faz aqui? - Ele apoiou as mão sobre a mesa, ignorando a presença de Antony.
- Estou com um amigo meu. - o apontou.
- Prazer. - Antony estendeu a mão, mas não correspondeu.
- , não seja mal educado. - engoliu em seco.
- Como você está? - Ele a olhava piedosamente, ainda ignorante a presença de Antony.
- Bem, nós já estávamos indo embora, não é mesmo, Antony?
- Eu só preciso pedir a conta, . - Antony dizia confuso, sem entender o que estava se passando.
- Então peça. - soltou em gritinho abafado.
- Eu vou pagar no balcão, vamos que eu te levo até o carro. - Antony se levantou.
- Não precisa, pode deixar que eu a levo para casa. - colocou a mão no peito de Antony.
- Pára, . - se levantou.
- Ei, não encosta em mim, cara. - Antony empurrou a mão de , que permanecia em seu peito.
- , você pode pegar suas coisas, eu te levo embora. - virou de costas para Antony e disse cerrando os dentes.
- Você é patético, , quem você pensa que é para interromper meu jantar, destratar meu amigo e ainda por cima vir com essa história ridícula de “eu te levo para casa”? - segurou a mão de Antony e o puxou.
- . - falou alto, enquanto se distanciava.
- CALA A BOCA, não fala meu nome com essa boca suja, me deixa em paz. - voltou alguns passos para falar.
- Conversa comigo. - sussurrou.
- Vai à merda, qual é o seu problema, não te quero, mas não me deixa ser feliz? É isso? - Ela começou a se alterar e algumas pessoas ao redor começaram a cochichar.
- Eu quero que você seja feliz, . - apertava com força a mandíbula.
- Ela vai ser feliz, amigão, agora, boa noite. – Antony, que estava um pouco distanciado, se aproximou, puxando pela mão.
- Amigão? - andou até eles.
- É, amigão, qual o seu problema, cara? - Antony riu debochado.
- Você. - fechou os olhos tentando se acalmar, mas assim que os abriu, mirou o rosto de Antony, acertando-o com um soco na boca.
- ! - gritou e todos se levantaram das mesas.
foi até o chão onde Antony estava, e o impediu de chutá-lo.
- , pare com isso. - suplicou e pode notar que Lex e Max se aproximavam.
Antony se levantou e com um foguete partiu para cima de , as pessoas ao redor gritavam e Lex se aproximou rápido.
não conseguiu se equilibrar e caiu no chão, Antony partiu para cima e começou a socá-lo, tentou separá-los, mas foi arremessada longe.
- Lex, faça alguma coisa. - gritou assim que viu o rapaz.
Lex segurou e Max empurrou Antony para longe.
- , pelo amor de Deus, tire o daqui, lá fora está recheado de fotógrafos, o motorista está nos fundos, leve ele embora. - Lex pediu e agora Max quem tentava acalmar .
- Eu não posso, Lex. - disse, irritada
- Por favor, mais um escândalo e a banda está arruinada, eu vou sair pela frente para despistar, você vai por trás onde os merdas dos seguranças estão sem fazer nada. - encarou Lex e respirou fundo, passou por ele e puxou a mão de .
- Onde você pensa que vai com ele? - Max perguntou.
- Max, vamos sair pela porta da frente, eu e você, ela sai com o pelos fundos e ninguém verá o ensanguentado. - Lex disse, entre os dentes.
- Mas que merda, . - Max urrou e confirmou com a cabeça, para que o levasse.
olhou para trás e viu Antony sentado em uma mesa, segurando um guardanapo na boca sangrando, algumas pessoas conversavam com ele, ele apenas olhou para e desviou o olhar, com raiva.
Lá fora o segurança se aproximou depressa assim que viu , sangrando, e , o ajudando a chegar ao carro.
- Vamos, ninguém pode ver ele assim.
O motorista abriu a porta e foi arremessado para dentro por , que agora xingava alto.
- Me deixar volta lá, eu vou arrancar a cabeça daquele idiota. - urrava e dava socos no banco.
- Cala essa boca, . - pediu, colocando as mãos sobre a testa.
- Senhor, nós vamos para o hotel? - O motorista se virou para perguntar.
- Não, nós vamos para minha casa, eu explico o caminho. - arfou, se lembrando que um ensanguentado não seria uma boa capa de revista.
- Vocês precisam de ajuda? - O segurança que estava sentado na frentre perguntou, assim que apontou a entrada de seu prédio.
- Não, obrigada, eu ligo para o Lex pegá-lo depois. - disse, abrindo a porta do carro e puxando pela blusa.
Ele cambaleou ao sair e fez sinal para que o motorista fosse embora.
Os dois subiram mudos até o apartamento de , ela abriu a porta dando passagem para entrar. Ele sentou no sofá, derrotado.
parou na frente dele, com os braços cruzados e os dois se encararam por longos minutos, sem dizer nada.
- Você não prefere ir lavar esse rosto, ? - perguntou, rompendo o silêncio.
- Tanto faz. - passou a mão com força pela boca machucada.
- Que cara é essa? Vai me dizer que você está nervosinho? - descruzou os braços, indignada.
- Me deixa, , por favor. - Ele disse alto e se levantou para ir ao banheiro.
- Era só o que me faltava, você arruína minha noite, bate em meu amigo, eu sou obrigada a te tirar do restaurante e você ainda fica puto da vida. - Ela saiu berrando atrás dele, enquanto o mesmo entrava no banheiro.
- Obrigada a me tirar de lá? Ham, você fez isso porque quis.
- Você é um filho de uma puta de um mal agradecido, mesmo.
- Se você não quisesse, não teria me trazido aqui. - levantou a cabeça da pia e encarou .
- Você preferia sair em todos os jornais e revistas com essa cara de idiota que levou a maior surra da sua vida? - Ela cruzou os braços novamente.
- Que diferença isso faz? O que importa eu sair numa capa de revista assim? Você não vê que eu NÃO ME IMPORTO? - berrou.
- Eu sei, você não se importa com nada nessa meda de vida que você tem. - saiu da porta do banheiro e foi em direção a sala, deixando sozinho, encarando o espelho com raiva.
- . - saiu do banheiro e foi ao encontro da garota.
- , acho que você já está ótimo, melhor ligar para seu amigo vir te pegar. - Ela estendeu o telefone
- Eu não vou ligar para ele.
- Então eu ligo. - começou a discar.
- Pára com isso, , conversa comigo. - arrancou o telefone da mão da garota, o jogando no sofá.
- Eu não tenho a menor condição de conversar com você. - Ela se sentou no sofá.
- MERDA. - urrou.
- Pára de gritar.
- Por que com você tem que ser tudo tão difícil? – perguntou, quase que suplicando.
- Porque você tornou as coisas assim. - Ela levantou os braços debochando.
- . - Ele sussurrou.
- , por favor, não fala nada, o que vai adiantar você tentar falar alguma coisa? Eu só não entendo por que você faz isso, sendo que foi você quem disse que não me queria em sua vida. - Ela sussurrou também.
- Eu não tive escolha. - Os olhos dele estavam cheios d’água.
- Todos nós temos escolha, , você fez a sua e agora fica atormentando minha vida. - Ela balançou a cabeça, arrasada.
- Me perdoa por lhe causar tantas dores. - Ele se aproximou e se sentou ao lado dela.
- Eu perdoo, mas agora eu quero que você vá embora. - Ela se levantou.
- , por favor. - Ele tentou segurar sua mão, mas ela a puxou.
- , não se sinta culpado pela minha infelicidade, eu te absolvo de todos os seus erros comigo. - Ela sorriu, com lágrimas nos olhos.
- , não peça para eu ir embora. - disse, chorando, e se ajoelhou no chão, abraçando as pernas dela.
- Não faça isso. - Ela se afastou e o encarou no chão.
- Por favor, olha como eu estou. - Ele continuava com o choro excessivo.
- , eu quero que você vá embora agora, por favor. - Ela enxugou algumas lágrimas teimosas.
- É isso que você quer? - Ele se pôs de pé.
- É, e agora, por favor, ligue para o Lex, para seu motorista, e espere eles lá em baixo, eu vou dormir. - se retirou e foi em direção a escada de seu mezanino.
não disse mais nada, apenas pegou o celular do bolso e saiu pela porta.



N/A: Genteeee, ai poxa eu sei que demorei, eu li as reclamações de vocês e me perdoem, eu travei, na realidade eu já escrevi muita coisa de AI, vários caps seguintes, mas eu precisava de um meio né? Bom, prometo agora mandar mais e mais. To mandando só um caps, mas ele ta tenso, acho q vale a pena rsrsrsrsr.
Bjss comentem *o*
N/B: Qualquer erro, seja de português, script ou ambos, envie o trecho com o erro para mim, com o nome da fic também, ou sinta-se livre para enviar-me um tweet informando-o. Obrigada!
xx Kath.