A Namorada do meu Vizinho




Epílogo


Existem várias coisas que eu julgo fácil. Na verdade, de uns tempos para cá tudo tem sido fácil para mim. Ser o centro das atenções, ser cobiçado, ter tudo que quer. Ter uma mulher em cada pais. Ter um bom carro, uma boa casa. Ser invejado por muitos e amado por muitas. Estava tudo tão fácil que eu não reconhecia mais o difícil.
Até o dia que ela apareceu. Eu nunca quis tanto uma pessoa como naquele momento. E é claro, para mim eu conseguiria. Conseguiria fácil demais até. Mas como eu disse, quando você se acostuma com o fácil é difícil conseguir o que é difícil. Ela, namorada do meu vizinho. Meu vizinho idiota, aquele que me odiava. Mesmo assim, ela teria que ser minha, eu iria conseguir, não iria? Não, talvez não. Afinal, eu sempre estava acostumado com a facilidade.
E ela era o sinônimo da Dificuldade.
Mal ela sabia que eu também era sinônimo de uma palavra. Insistência.

Capítulo 1

Sexta feira à noite. Festa. Mulheres. Tudo que eu queria. Na verdade, era premier de um filme e eu e os caras fomos convidados. Lógico, teria uma festa depois.
Eu já estava pronto quando me ligou.
-E ai? Já ‘tá pronto? – eu estava arrumando meu cabelo no espelho.
- Quase.. você já ‘tá?
- Quase..estou dando os últimos retoques.
- Ok, até mais. – desliguei o telefone e fui terminar de me arrumar. não iria perder essa noite, não mesmo.

Chegamos os quatro juntos e posamos para algumas fotos. Entramos e fomos cumprimentar algumas pessoas. Enquanto eu conversava e tomava champanhe, escutei vários flashes vindos da entrada e olhei. Ah, merda. Carlos Bolívar estava entrando. Não, eu não teria nada contra ele, se não fosse o fato dele ser meu vizinho. Pelo fato de nós sermos vizinhos, tudo bem, mas sempre que alguma formiga se movimentava dentro do meu apartamento, ele interfonava falando que eu estava estragando o momento de paz dele, estragando o sono dele, enfim. Devido a esse fato, nós já discutimos várias vezes. Eu sempre o mandava a merda, apesar de não ter muito efeito. Carlos era modelo, um modelo convencido. Sinceramente, eu ainda não sei por quê. Não tem nada de especial.. mas uau, quando eu vi a sua acompanhante, eu realmente me perguntei como ele conseguia. Olhei para ele e depois para ela e fiquei impressionado. Que corpo que ela tinha! Ri imaginando a cena em que Carlos me pegava com a namorada/esposa dele. Ia ser engraçado, mas ia dar confusão, logicamente. Espantei o pensamento para evitar desgraça, que seria eu mandá-lo direto para o hospital.
Carlos me viu e veio até mim sorrindo falsamente. Idiota.
- Olá , como vai? – a mulher estava do lado dele e eu não desviei o olhar dela nem por um minuto. Ela tinha um sorriso discreto e percebia que eu olhava para ela. Voltei minha atenção a ele e sorri falsamente também.
- Estou ótimo Carlos e você?
- Muito bem, obrigado. Queria te apresentar minha namorada .
- Prazer.. ? – estendi a mão para ela com um sorriso sedutor.
- Sim, como sabe? – ela riu e olhou para Carlos.
- Carlos fala muito de você – ri debochado e revirei os olhos.
- Claro, imagino..
- Sim , eu falo o quanto você é um bom vizinho. Agora, se me der licença.. – acenou com a cabeça e saiu com Carlos de mãos dadas. Mas que babaca, como conseguia uma garota dessas?
Fiquei pensando em (sim, eu arranjei um apelido para ela) e vendo cada movimento dela. O jeito que ela andava, falava, cumprimentava, e devo ressaltar, ela me olhava também, disfarçadamente, mas olhava. Eu estava tão perdido em pensamentos que nem escutei me chamando.
- , .. O ! – me dei conta que ele me chamava e virei. - Oi, desculpa.. ‘tava viajando.
- Eu notei.. você ta todo desligado, olhando pra mulher do Carlos. vê bem o que você ‘tá pensando... – também conhecia Carlos. Quando ia ao meu apartamento ele também via o quanto eu sofria com esse cara.
- Menos , menos, você sabe que.. – foi quando eu vi que estava sozinha passeando pelo salão. Deduzi que ela procurava algo para beber, já que não tinha nada em mãos e parecia procurar por algo. - .. espera ai – peguei uma taça de champanhe com um garçom que passava. Parei na frente dela e estendi a taça.
- Peguei para você – olhou para a taça e sorriu, pegando-a da minha mão. Fiquei encantado com o sorriso que ela tinha.
- Obrigada. Carlos falou que você faz bastante barulho no seu apartamento - gargalhei do comentário.
- Não sou barulhento, ele que é muito calmo – sorri e retribuiu, desviando o olhar.
- Há quanto tempo vocês namoram?
- Faz cinco meses daqui a uma semana. – fiquei surpreso. Como eu nunca notei uma garota dessas na porta vizinha a minha? E como sempre, eu tinha que falar besteira.
- Jura? Como nunca reparei em uma garota incr.. – notei o que estava prestes a falar e tossi, voltando atrás. - .. em uma garota que é namorada do meu vizinho a cinco meses, é claro. – me olhava divertida. É, parecia que ela estava gostando da minha companhia.
-Talvez você não esteja olhando direito para os lados – Certo, eu deveria mesmo não estar olhando para os lados. Comecei a rir, quando vi Carlos vindo em nossa direção e a abraçando por trás. Fechei a cara. Além de idiota era estraga-clima. Tudo bem que a namorada não era minha, mas.. - Conversando com o ?
- Sim, ele fez a gentileza de me trazer uma taça de champanhe porque eu não encontrava o garçom – antes que ele falasse alguma coisa, decidi ir até , que olhava confuso para mim.
- Bom, me dão licença, tenho que ir lá ficar do lado da minha banda.. – me virei para ir embora, mas antes, virei de volta e falei com .
- Acho que nos veremos mais vezes, eu vou passar a olhar mais para os lados – falei sorrindo. Carlos me olhou com raiva e me olhou retribuindo o sorriso. Linda, era tudo que eu conseguia imaginar.
O resto da festa inteira foi assim. Eu olhando para , no tédio e Carlos a exibindo como se fosse um troféu. Que babaca, se eu tivesse uma namorada dessas, eu nem estaria naquele lugar. Eu e os caras ficamos conversando e eu acabei com uma menina.. Rebecca, eu acho. Eu não parei de olhar para , a minha inspiração, mas também não podia acabar a noite sozinho, não iria agüentar. Estava indo ao banheiro quando, para minha surpresa, veio falar comigo.
- .. – me virei e a vi, impecável.
- Oi .. – me dei conta que tinha deixado vazar o mais novo apelido carinhoso dado a ela. Ela me olhou com um olhar surpreso, porém divertido.
- ... ? – eu não pude deixar de gargalhar da cara que ela fez.
- Ah, o seu nome é , fica mais fácil e mais bonito , então eu..
- Eu gostei. Mesmo. – eu parei e fiquei olhando aquele sorriso lindo. Eu já podia até ouvir violinos tocando quando ela sorria. Pois é, e olha que era difícil fazer com que isso acontecesse.
- Enfim.. vim me despedir, eu já estou indo e.. – foi interrompida por Rebecca, que surgiu do nada do meu lado.
- , não ia ao banheiro..? – perguntou encarando , que ficou sem graça.
- É, mas minha amiga está indo embora e veio se despedir – ficamos em silencio por alguns poucos segundos até eu me lembrar que tinha que apresentá-las.
-Ah, claro, , essa é Rebecca, Rebecca, essa é – pude ver o sorriso forçado de Rebecca, nada bonito comparado com o sorriso sincero que deu em troca. Ah, os violinos..
- Bom.. err.. então , eu já vou indo, Carlos está me esperando. Hum.. prazer em te conhecer Rebecca – rapidamente ela se virou e já começava a sumir na multidão quando eu a gritei.
- !! – ela olhou para trás e eu sorri, levando uma das mãos aos meus cabelos.
- A gente se encontra, não é? – Ela sorriu e assentiu com a cabeça, voltando a andar em seguida.

Acordei com a tal menina do meu lado.. não, não , a outra.. Rebecca. Olhei para o relógio: dez e meia da manhã. Me levantei aos poucos e me lembrei da noite anterior. Como o sorriso da namorada do meu vizinho era bonito. Logo a namorada do meu vizinho. Fui ao banheiro e depois desci para preparar alguma coisa pra comer. Quando deu onze horas, Rebecca desceu ajeitando a alça da blusa e falando ao celular. -Tá mãe, eu já ‘to indo.. eu já entendi. Tchau. – apoiei meu cotovelo na mesa e minha cabeça em minhas mãos, olhando para a minha xícara de café.
- , querido, vou ter que ir embora agora, minha mãe ‘tá desesperada – veio e me deu um selinho.
- Tudo bem – falei simplesmente.
- Me liga – Rebecca falou e saiu do apartamento, me deixando sozinho. De novo.
- Ahãm, claro que eu ligo. – falei sozinho e com desanimo em resposta ao vento. Levantei, peguei meu celular e disquei o numero de .
- Hummm, imbecil.. são onze horas. – adoro acordar as pessoas, já disse isso?
- Bom dia!!! – disse animado. Escutei suspirar do outro lado
- O que foi aquilo ontem? Você quer pegar a mulher do seu vizinho chato? Você ta apaixonado? Que bonitinho, ta apaixonado – Pra quem ta com sono, acorda bem rápido. Revirei os olhos.
- Não é nada disso, eu achei ela simpática, mas eu não planejo ter nada com ela, nunca.. – nunca? Ah, nunca é muito definitivo. Guardei o pensamento para mim.
- Cara, se você ter alguma coisa com ela, o cara vai virar o seu inferno pessoal.. – não estava ajudando em nada, então decidi tentar voltar a dormir.
- Ah , vai dormir vai – e desliguei o celular. Voltei para minha cama e logo estava dormindo. Sonhei com . Sonhei com interfone. Acordei olhando o relógio e vi que já era uma hora da tarde. Pensei um pouco e levantei rápido, indo em direção ao interfone quase que imediatamente.

Capítulo 2

Parei em frente ao interfone e baguncei meu cabelo. Apesar de estar apenas de bermuda, sentia um calor imenso, então liguei o ar condicionado. Voltei para o interfone e fiquei pensando. “Ligar ou não ligar?”. Pensei mais um pouco e desisti. Imagina se Carlos atende, o que eu iria dizer? “E ai Carlos? Posso bater um papo com a sua mulher?” definitivamente era melhor não. Mesmo assim ela nem era tão especial assim, com certeza eu encontraria outras. Que mentira, ela era especial. Abandonei a idéia “” e resolvi me vestir para dar uma volta, estava precisando comprar um óculos e nada melhor que em um sábado. Estava me vestindo quando o celular tocou. Era .
- E ai? Foi atrás da namorada do seu vizinho? – estava achando que minha vida era novela. Ele falava com expectativa na voz.
- Não, não fui e nem vou. Como você mesmo falou, ela tem o chato do meu vizinho como namorado.. – falei com desanimo na voz. Eu realmente tinha gostado dela.
- Ahh, que pena. – falou com tom infantil. – mas não liga não, ainda têm muitas – dei uma risada abafada.
- Vou comprar uns óculos pra mim, depois a gente se fala. – falei já tirando o celular do ouvido.
- Valeu.. Ah, .. – voltei com o celular.
- Fala
- Temos reunião para próxima turnê às quatro horas – bufei. Em pleno sábado, reunião.
- Perfeito – riu do outro lado da linha.
- Beijinhos – ri da voz gay dele.
- Gay – falei e desliguei o telefone em seguida. Acabei de me arrumar e desci. Botei uns óculos escuros e fui pegar minhas chaves. No meio do caminho, escutei a porta do vizinho fechando e no mesmo minuto corri até o olho mágico para ver quem era. saia do apartamento e estava muito diferente. Se ontem me encantei com a roupa ousada que mostrava o seu corpo, hoje me encantei com o vestido azul listrado simples que ela usava, mas que caia perfeitamente no seu corpo. Observei-a trancando o apartamento, arrumando o cabelo e indo em direção ao elevador. Corri até a chave, peguei e abri a porta do meu apartamento. Como se nem notasse a presença dela ali, tranquei minha porta e virei, dando de cara com parada esperando o elevador. Fiz cara de surpresa.
- Bom dia – sorri brincalhão. Ela também riu abertamente.
- Bom dia – falou abrindo a porta do elevador e entrando. Segurei e entrei logo depois.
- Indo para onde há essa hora?
- Tenho uma festa, vou ao shopping comprar alguma sandália e se der um perfume - falou dando de ombros – e você? –
- Vou ao shopping comprar uns novos óculos escuros – Pensei se deveria chamá-la para ir comigo e fiquei com medo de receber um não. O assunto morreu e nós ficamos em silencio.
- Tchau , boas compras. – virou e saiu do elevador, indo em direção ao Jaguar que era realmente dela. Fiquei parado por um tempo com as mãos na cintura pensando. - ! – gritei e corri indo até ela. Ela tinha parado e me olhava séria.
- Quer uma carona? – perguntei apontando para o meu carro. Ela começou a gargalhar.
- , eu tenho carro, pra que quero carona? – ainda ria e eu levei minhas mãos a cabeça, provavelmente com cara de lesado.
- Ai, essa foi péssima não foi? – fiz uma careta e riu mais ainda.
- Tudo bem, prometo que não conto para ninguém – foi a minha vez de rir.
- Você poderia fingir que não tem carro e ir comigo – ficou em silencio olhando pra minha cara. Notei que tinha sido péssimo de novo.
- Ta, foi péssima outra vez – e para minha felicidade ela começou a rir outra vez. Rir mesmo.
- Acho melhor não.. – antes que ela pudesse falar outra coisa, eu já estava com as mãos juntas em sinal de pedido.
- Vem ao shopping comigo, é bem rápido, não vou demorar. Por favor. – fiz cara de cachorro sem dono. E é claro, funcionou. Meio arrogante meu pensamento, mas modéstia parte, sempre funciona. Certo, na maioria das vezes funciona.
- Você apela demais – ela disse pondo as mãos na cintura e saindo em seguida em direção ao meu carro. Fui correndo atrás.
Abri a porta para ela e entrei na do motorista.
- Vai ter que procurar a sandália e ver todos os perfumes comigo. Não quero saber. – ela disse seria e eu fiquei com medo. Ela deveria ser chefe de alguma coisa com aquele tom autoritário.
- Sim senhora – eu já estava me acostumando com a risada dela. Era bom escutar aqueles violinos tocando.
- Em que você trabalha ? – falei sem tirar minha atenção da rua. - Sou quase-chefe de uma grife de roupas. – Bingo!
- Sabia!! – falei sozinho. me olhou.
- Sabia?
- Ahãm, com esse ar autoritário eu soube que você era chefe de alguma coisa. – Ela riu fraco. Senti medo que tivesse entendido errado o sentido da palavra “autoritário”.
- Não pense que é um autoritário “chato” nem “arrogante” não.. – Sorri de lado – é um autoritário “Lindo”- vi de canto de olho corar.
- E onde está Carlos? – percebi ela suspirar desanimada. Não sei por que, mas tive a impressão que aquele suspiro significou alguma coisa.
- Está fotografando – entendi que ela não queria prolongar o assunto e resolvi ficar calado. Chegamos à garagem do shopping e saímos do carro. Subimos o elevador e começamos a andar.
- , tenho reunião as quatro, então não vou poder ficar muito. Vai ficar chateado? – olhei para ela e vi o ar preocupado que possuía. Uma felicidade insuportável surgiu pro saber que ela se importava se eu iria ou não ficar chateado. Que felicidade estúpida! Você acha mesmo que ela realmente está se importando?
- ? - passava as mãos em frente aos meus olhos e eu acordei do meu transe.
- Ah, sem problemas. Também tenho que sair – virei a cabeça e vi uma ótica.
- Ei , posso ver meu óculos? – ela olhou para ótica e se animou.
- Vamos, quero ajudar a escolher os seus óculos – saiu me puxando pela mão. Entramos e começamos a experimentar vários modelos, rindo um da cara do outro. O celular dela começou a tocar. Ela olhou o numero e ficou séria.
- Vou atender e já volto. Vai experimentando esses aqui – ela falou sorrindo, mas eu pude notar que alguma coisa estava errada. saiu da loja e não sumiu de vista, apenas ficou um pouco afastada. Eu observava a expressão não nervosa, mas perturbada que ela possuía.
- Ei, você não é ? – desviei o olhar e vi duas garotas. Sorri olhando disfarçadamente para , que ainda falava no celular.
- Sou sim
- Bate uma foto e dá um autografo para a gente? – as duas falaram animadas
- Claro – falei risonho, assinei e vi olhar o relógio, falar alguma coisa e desligar o celular. Fui tirar foto e a vi voltando a ótica. Quando acabamos de bater a foto, chegou perto de mim e das garotas.
- Porque as fotos? – ela perguntou meio confusa. As meninas olharam assustadas como se fosse absurdo não saber quem eu era.
- Sou de uma banda chamada McFly . – ela ficou meio pálida e voltou à cor normal depois. As duas meninas se entreolharam e eu percebi que elas queriam saber quem era . Antes que elas perguntassem mais alguma coisa, me despedi das meninas e puxei para um canto da loja.
- , aqui tem algum fotografo? – ela perguntou e eu entendi a preocupação. Ela era namorada de um cara famoso, todos sabiam. Talvez ela não quisesse ser vista comigo.
- Ah, me desculpe . Eu deveria ter te avisado. Nenhuma foto nossa vai vazar, prometo – ela ficou um pouco mais relaxada e assentiu com a cabeça. Escolhi meus óculos com a ajuda de .
- Pronto, agora sempre que ver o óculos vai lembrar de mim – disse batendo palminhas. Eu gargalhei.
- Sempre – destaquei. Fomos andando pelo shopping em silencio. Minha acompanhante olhava uma vitrine de sandálias e eu resolvi puxar assunto.
- Problemas ao telefone? – tive vontade de me matar depois de falar isso. Não era esse o assunto certo que eu tinha que puxar. Ela ficou seria e não deixou de encarar a vitrine.
- É, alguns.. – balancei a cabeça e olhei para outro lado. Ela não queria falar, tudo bem. Voltamos a andar e minutos depois foi a vez dela falar.
- Eu não tenho visto tanto Carlos como eu gostaria. Ele anda tão ocupado, de noite, de tarde.. nunca tem tempo para passar comigo. – encarava o chão visivelmente magoada. Eu fiquei com tanta pena, minha vontade era abraçá-la – E eu realmente amo ele. Faço de tudo para passar o maximo de tempo ao lado dele e quando consigo, ele não dá valor – e quando ela olhou para mim e viu que eu estava triste por ela, mudou de expressão como se muda de roupa e, por um minuto, achei que ela estivesse feliz de verdade. Como ela disfarçava bem. Mas não conseguia comigo.
- Não sinta pena de mim. Por favor. Vem, gostei dessa sandália – e me puxou para mais uma loja. Eu queria abraçá-la e dizer que ele não faria mais aquilo, porque apesar de encenar uma falsa felicidade, ela realmente estava triste. No final, ela comprou uma sandália, que eu ajudei e o perfume ela comprou o que eu tinha gostado mais.
- Pronto, agora você sempre vai lembrar de mim – falei a imitando e ela riu de leve.
- Sempre – disse dessa vez me imitando.
Estávamos andando pelo shopping quando do nada deu um gritinho.
- !!!! – disse andando rápido em direção a alguma loja. Avistei uma joalheria e logo vi que ela tinha visto uma jóia e tinha ficado deslumbrada. Mas, para minha surpresa, ela parou na vitrine ao lado da joalheria. Parou na vitrine de uma loja de brinquedos. Fui atrás dela e olhei para o porco de pelúcia gigante com os braços abertos. Não eram aqueles porcos nojentos que você imagina.
- Pensei que você estava falando das jóias e não do..porco. – falei fingindo estar assustado. riu.
- Eu ganho muitas jóias, de todos. Não que eu não goste de jóias, eu amo jóias, quero que todos continuem me dando presentes assim – eu ri e ela continuou – mas é que eu nunca tive ninguém que comprasse um porco, batesse na minha porta e falasse “Toma, comprei um porco para você” – comecei a rir mais ainda imaginando a cena. Aquela garota pirava. Como alguém iria adivinhar que tudo que ela queria era que alguém entrasse na casa dela com um porco.. um porco gigante.
- Você ‘tá rindo mais é verdade
- E porque você não compra? – ela deu de ombros.
- Não tem graça eu comprar o porco – eu não entendi e pensei em perguntar, mas ela olhou o relógio e mudou de assunto. Aproveitei e vi que horas eram. Três horas da tarde.
- Preciso ir – falou desanimada.
- Não almoça comigo? – ela pensou um pouco.
- Acho melhor não. Deixa para uma próxima.
- Ok, vamos então – ela parou e franziu a testa.
- Não , não precisa, eu pego um taxi, você pode querer andar mais um pouco..
- Vamos logo, não gosto de andar em shopping sozinho. Eu te levo em casa.
Durante todo o percurso fomos conversando sobre minha banda, o trabalho dela. Descobri que ela era quase-chefe de uma grife importante porque, a chefe, dona da empresa, iria se aposentar e não tinha filhas nem ninguém para colocar no cargo. Então, promoveu a aprendiz. Descobri que conhecera Carlos em um desfile. Descobri que ela realmente o amava, e devo admitir que aquilo fez meu estomago rodar de nervoso. Uma coisa estranha, já que eu não costumo sentir aquela sensação. Foi tão rápido que nem notei quando chegamos. Parei o carro e fiquei olhando para ela. Os olhos dela eram indecifráveis. Você não conseguia notar as verdadeiras emoções, ela escondia. Talvez pelo fato de querer se mostrar forte, talvez pelo fato de querer se defender, eu não conseguia descobrir. Ela me olhou e sorriu.
- Obrigada pela tarde. Foi demais. Obrigada pela carona até o shopping – ela gargalhou lembrando-se da minha gafe e eu a acompanhei nas risadas.
- Quando quiser, sabe onde procurar – e então, ela saiu do carro, me deixando sozinho novamente. Fiquei observando-a entrar no condomínio e olhei para onde ela estava sentada. Foi quando eu vi lá embaixo o perfume que nós tínhamos comprado. Foi quando descobri que eu tinha um trunfo.


Capítulo 3

Cheguei no estúdio pontualmente. já estava lá com nosso produtor. Os dois estavam sentados na mesa de vidro. Tirei meus novos óculos e cumprimentei-os.
- , já que chegou, vamos começar a conversar algumas coisas – Ficamos discutindo assuntos sobre turnês, lugares melhores e piores para investimentos. Com o tempo, e chegaram e se juntaram a nós três. Quando deu sete e meia, mais ou menos, acabamos nossa reunião e fomos conversar. Oito horas decidi ir embora.
- Que você tem pra fazer em casa, heim? – me olhava com malícia e eu soltei uma gargalhada. A resposta seria “nada”, mas eu decidi entrar no jogo.
- Vou dar uma festa na qual vocês não foram convidados – todos soltaram um “aaaaaah” em uma espécie de coro.
- Que coisa feia – falava reprovando minha atitude.
- Na minha festa não entram gays – falei deixando a sala, escutando ainda as risadas. Peguei meu carro e fui ao shopping. Existia uma coisa a ser feita.
Nove horas eu estava em casa, com o perfume de em mãos. Primeira coisa foi tirar minhas roupas e colocar uma calça de moletom e uma blusa de manga. Estava bem frio. Segunda coisa foi preparar pipoca e ir ver algum filme. Com a minha aparelhagem moderna (eu esqueci o nome, acontece com frequência) o som saia bem alto, como eu gostava. Era o meu cinema particular. No meio do filme, escutei o interfone tocar. Revirei os olhos, é claro que alguém tinha que encher o saco. Sai xingando mesmo.
Atendi o interfone mesmo sabendo quem era.
- , as pessoas precisam de silêncio. Desliga esse troço gritante no seu apartamento – Carlos falava irritado do outro lado da linha e eu quase senti o fogo que saia de suas narinas. Mais que cara chato. Na maioria das vezes eu atendia calmo e ficava irritado na medida em que ele enchia mais a minha paciência. Não sei por que, decidi mudar de tática.
- Mas que merda, heim!? Por que você não vai cuidar da sua mulher? – falei querendo rir, mas mantendo o tom de voz irritado.
- Que você disse? – Eu quase não segurava minhas risadas. Eu podia ver a expressão dele.
- É isso mesmo, por que não cuida do que é seu em vez de se preocupar com o que eu faço no meu apartamento?
- Cuido muito bem da minha mulher, já que pelo menos eu tenho uma. Por que você não desliga esse troço e procura uma também?
- Há, vai pensando assim que você vai perder ela rapidinho – dei uma risada cínica – quando menos a gente espera, vem um e .. – ri alto dessa vez, de verdade – ah, você sabe.
- Vai você e seu aparelho de som tomar no .. – com a paciência esgotada, desliguei o interfone na cara dele. Era impressionante como eu não conseguia me irritar com Carlos. Eu simplesmente me divertia irritando ele. Ele era muito babaca e sempre caia na minha pilha.
E como sempre, eu continuei vendo o filme, comendo e bebendo, até a hora em que eu desliguei meu aparelho e apaguei.

Acordei no sofá com várias garrafas de cerveja do meu lado. Me dei conta que era domingo. Suspirei desanimado e enterrei minha cabeça em uma das várias almofadas. Odeio domingos. Domingo para mim é um daqueles dias que não dá vontade de fazer nada, um dia chato, depressivo, daqueles que a vontade é chorar por tudo. Domingo é o dia em que só de olhar pra geladeira, pra cama, pra pracinha cheia de crianças, apenas de olhar, dá vontade de chorar. Levantei aos poucos, tomei uma ducha, me arrumei e resolvi ir até a padaria comprar um lanche. Modéstia parte, eu estava bem bonito. Com meu casaco preto fechado, calça jeans, all star branco e claro, o óculos escuro escolhido por . Pensei nela e sorri automaticamente, abobalhado. É obvio que eu não estava apaixonado por ela! Eu não estava pronto para me prender a alguém. Mas só de pensar nela, eu já ficava feliz. Pensei em procurá-la, mas imaginei que Carlos não trabalharia hoje e ela poderia ter o tão esperado dia com ele, poderia sair com ele, se amassar com ele.. meu estômago revirou de novo com o pensamento. Eu não entendia porque meu estomago revirava com aquilo, já que não era nada minha e nem iria ser. Eu não sentia nada por ela afinal. Exatamente quando entrei na padaria esbarrei com Carlos, é obvio, porque é o meu destino, quando eu penso em alguma coisa relacionada a Carlos ele sempre aparece, eu já estava acostumado. Suspirei e olhei para os lados.
- , bom dia. – é nessas horas que dá vontade de dar um murro na cara dele.
- Ótimo dia. Dá licença?
- Ah, você não quer me mostrar seu home theater não? Eu teria o prazer de quebrá-lo – Eu sabia que era esse o nome! Tentei lembrar o nome da minha aparelhagem de som por algum tempo, mas nunca me lembrava de perguntar a alguém.
- Eu estou com fome, sai da minha frente?! – eu admirava essa minha qualidade. Ignorar as provocações e simplesmente mostrar indiferença. Carlos revirou os olhos.
- Vou lá ficar com a minha mulher que está me esperando na minha cama. Tenho que levar um lanche para ela, sabe como é.. – ele riu debochado e saiu do meu caminho e eu pela primeira vez me irritei muito sério com ele. Foi naquele momento, imaginando aquela cena que eu tomei um ódio maior ainda por Carlos. Ele ainda ia ter o que merecia.
Comprei os pães em cinco minutos e voltei ao meu apartamento. Meu domingo seria ótimo, para não falar horrível. A minha única felicidade era que eu tinha meu home theater, que ficou ligado o dia inteiro no último volume, tocando várias músicas. Adivinhem com que propósito? É claro, tirar a paz do meu vizinho.


Eu estava no computador, no myspace, atualizando algumas coisas, quando o relógio indicou serem quatro horas e, ao mesmo tempo, escutei meu celular começar a tocar. Abaixei o meu aparelho de som e fui atendê-lo. Peguei o celular e me taquei no grande sofá do meu escritório.
- Fala, .
- E ai? Como está a festinha particular sem a nossa presença? – riu baixo.
- Tá bombando, pena que vocês não foram convidados – fingi estar animado.
- Então, como eu sei que não tem festa nenhuma resolvi te chamar pra ir naquele pub aqui perto que a gente sempre costuma ir. Tá a fim de ir lá? – pensei um pouco. O que eu poderia fazer? estava com o idiota, babaca e reclamão do namorado dela, provavelmente satisfazendo os desejos dele e eu aqui, mexendo no computador em um domingo, escutando The Used. Nada contra o The Used, mas eu deveria estar fazendo coisas melhores. Qual é, quando que eu fui de perder diversão?
- Claro que eu vou! – disse animado.
- Então tá, as oito lá?
- Ok, até mais, cara – desliguei o celular e resolvi ir até o meu quarto. Subindo as escadas, escutei barulho de alguma porta se movendo. Claro que era meu vizinho, afinal eu morava em um corredor onde tinham apenas dois apartamentos por andar. Fiquei dividido em mandar um foda-se bem grande na cara dos dois e ir lá ver o que estava acontecendo. É obvio que eu não resisti e, como corri até o olho mágico que nem um retardado pra ver quem estava saindo. Avistei Carlos sair sem e logo me lembrei do perfume. Bati com a mão na testa, como eu pude me esquecer?
Vendo que Carlos pegou o elevador e desceu, subi as escadas correndo e peguei o perfume que estava no meu quarto. Desci correndo e peguei um dos cartões da minha pilha imensa de cartões. Eu sempre guardo cartões em casa, nunca se sabe quando você tem que mandar flores para alguém. Parei e mordi a caneta pensando o que dizer no cartão. Sorrindo bem esperto, comecei a escrever.

’s Pov

Carlos tinha saído para comprar alguma coisa que eu nem fiz questão de escutar o que era. Eu estava mais interessada em ficar no sofá, prestando atenção no desfile que passava na televisão. Eu não gosto de domingos, apesar de eles serem bem divertidos às vezes. Eu só conseguia pensar em Carlos, e como as nossas brigas estavam nos afetando. Minha cabeça estava a mil. De repente, escutei a campainha tocar, tirando-me dos meus devaneios. Levantei e fui até o espelho ajeitar bem rápido meu cabelo. Fui até o olho mágico e dei uma espiada. Ninguém. Confusa, abri uma pequena parte da porta e mais uma vez não vi ninguém. Então, lentamente comecei a abrir a porta. Avistei meu perfume que tinha sido comprado um dia antes com no shopping. Sorri sozinha e bati na minha própria testa. Como eu tinha me esquecido do perfume?
Peguei-o e abri o bilhete.

Como assim esquecer o perfume que faz você se lembrar de mim?
Aceita ir jantar?
xxx


Ri sozinha e fechei a porta. Coloquei o cartão em cima do balcão e tirei o perfume da embalagem, sentindo o seu aroma delicioso. tinha realmente escolhido o mais cheiroso e eu de fato sempre me lembrava do sorriso dele quando sentia o perfume. Parei para pensar sobre o convite.
A verdade era que desde o dia da festa de lançamento daquele filme, tinha gostado de . Não gostado com segundas intenções, eu tinha ido com a cara dele. era o tipo de pessoa que eu gostava de ter por perto. Ele sabia agradar qualquer ambiente, era engraçado, educado e não deixava que o silêncio ficasse desconfortável. De alguma forma, eu tinha gostado da companhia dele, mas eu já tinha deixado claro que eu amava Carlos. Não queria que pensasse que estava saindo com ele com malícia, porque não era isso e nem seria. Pensei o que aconteceria se Carlos descobrisse que eu andava jantando com o vizinho que ele julgava imbecil e mal educado. Talvez fosse melhor eu não aceitar. Talvez fosse melhor eu cortar da minha vida. Mas eu não conseguia.
Eu sabia que aquilo poderia dar confusão, apesar de não ser errado levando em consideração que era e sempre seria apenas meu amigo. O fato era que quanto mais eu me aproximasse do , mais difícil seria eu me afastar quando precisasse, afinal eu não iria ficar saindo para almoçar com ele sempre. O único problema era que eu gostava de sair com ele. Gostava de esquecer um pouco meus problemas e alguma coisa dizia que eu podia confiar nele.
Em um impulso, levantei da bancada ainda com o cartão em mãos e peguei o interfone sorrindo. Alguma coisa me mandava fazer aquilo.

End ’s Pov

Já fazia alguns minutos que eu tinha mandado o cartão com o perfume e não tinha recebido resposta. Eu andava pra lá e pra cá pela casa, roendo as unhas e pensando em que resposta me daria. Se é que ela daria uma resposta. Parei subitamente me dando conta do que eu estava fazendo. Eu estava roendo as unhas e andando de nervoso por causa de uma droga de um bilhete! Revirei os olhos e decidi esquecer aquilo e ir tomar um banho. Não iria ficar que nem um adolescente andando que nem doido de nervoso por uma mulher. Não iria mesmo. No meio do caminho escutei o interfone tocar e em segundos eu já estava lá o atendendo. Às vezes eu acho que sou bipolar. Em um minuto me decido que nunca mais vou fazer aquilo. Em outro minuto adivinhem, já estou eu cometendo o mesmo erro novamente.
Mesmo tendo consciência da idiotice que estava fazendo, eu atendi ao interfone feliz e esperava de verdade que não fosse o porteiro avisando que iria faltar luz ou alguma coisa parecida.
- Pode ser na segunda? – ouvi a voz de e ri sozinho, escutando em seguida a risada dela em harmonia com a minha. Como sempre, escutei aqueles benditos violinos que teimavam em aparecer não sei por quê. A única diferença era que dessa vez eles vieram acompanhados de um turbilhão de emoções estranhas que até então eu não sabia que podiam existirem em mim. O que estava acontecendo afinal?

Capítulo 4

Por que diabos eu estava fazendo aquilo? Por quê? Eu deveria ser muito idiota mesmo. Eu ia sair com , ela aceitou. E claro, eu estava feliz com aquilo, porque eu queria que ela fosse minha, e iria conseguir. Claro que eu iria. E depois eu iria simplesmente esquecê-la, exatamente como faço com todas as outras. E ela é como as outras, não é? Claro que é!
Desliguei o interfone ainda rindo e me joguei no sofá, pegando minha latinha de cerveja. De repente, uns pensamentos estranhos me vieram à tona.
Será que valia a pena? Sim, eu queria muito, mas e se eu acabasse me envolvendo demais? E se Carlos descobrisse? Ele com certeza iria querer manchar meu nome. Não, ele não iria descobrir. E por que estava saindo comigo? Ela nem gostava de mim. Será que não seria melhor se eu me afastasse? Levantei do sofá e fui em direção ao interfone. Parei no meio do caminho. Minha cabeça começou a doer. Cara, eu estava confuso! O que estava acontecendo?
Existiam tantas mulheres bonitas e solteiras que dariam tudo por um simples telefonema meu. E eu? O que eu estava fazendo? Eu estava gastando meu tempo com uma que nunca seria minha, porque essa era a verdade. Mas em compensação, uma noite, só uma noite, não faria mal, não é verdade?
Foram esses tipos de pensamentos que invadiram minha cabeça e que começaram a me deixar irritado comigo mesmo. E a única razão era porque eu nunca tinha passado por aquilo antes. Nunca tinha entrado em conflito com meus próprios pensamentos. Nunca tinha tido insegurança em relação à garotas. Nunca tinha ficado irritado por nada disso. E o único motivo disso tudo era a única pessoa que eu nunca teria, porém a única que me fazia sentir coisas estranhas no estomago e violinos tocando. . Do nada, eu fiquei irritado comigo e com ela.
Levantei rápido do sofá, derramando minha lata de cerveja no tapete preto. Fui direto para o meu quarto e logo em seguida entrei debaixo do chuveiro com água fria. Aquilo não poderia passar... daquilo. Foi por isso que prometi a mim mesmo, debaixo daquele chuveiro, que não iria ter esperanças nenhuma, por menores que fossem.
Eu só não sabia se conseguiria cumprir a minha promessa.
Terminei do banho muito mais relaxado e fiquei apenas de boxers. Liguei o ar condicionado, como sempre, e me taquei na cama decidido a relaxar um pouco e esquecer a confusão na minha cabeça. De repente, uma sensação de “estou esquecendo alguma coisa” me veio e eu lembrei.
- Puta merda, o pub! – levantei correndo e fui olhar o relógio para ver que horas eram. Oito e dez.
- Ah, eu não acredito nisso! – Corri para trocar de roupa e bati meu recorde, me arrumando o mais rápido que pude. De repente, meu celular começou a tocar. Peguei-o e atendi a ligação.
- Não vem, não? – falava em meio ao barulho do pub, enquanto eu brigava para trancar a porta de casa.
- To indo, to indo, me espera ai.. – desliguei o telefone e virei para ir para o elevador e dei de cara com e Carlos esperando. estava linda, como sempre. Em um vestido vermelho com um decote, fazia qualquer pessoa perguntar por que ela estava do lado de um cara como Carlos e não de um cara como eu.
- Vizinho, como vai? – Carlos perguntou com um sorriso cínico nos lábios. apenas olhou para baixo com um riso sem graça.
- Melhor não poderia, vamos? – apontei para o elevador que já tinha chegado. Carlos abriu a porta e deixou com que entrasse, largando-a na minha vez. Segurei e entrei.
Ficamos em silêncio por algum tempo e eu queria que continuasse assim, mas Carlos era idiota demais para deixar as coisas boas.
- Vai fazer o que agora? Ensaiar com a sua bandinha ou está indo procurar uma namoradinha? – revirei os olhos e olhei para , que estava séria e encarava a porta do elevador. Eu pensei em revidar, pensei em jogar uma piadinha, mas depois resolvi (tentar) mostrar para ela que eu era em todos os aspectos mais avançado que ele. O elevador estava chegando à garagem quando eu decidi o que responder.
- Não vou responder as suas provocações estúpidas Carlos, porque eu não sou tão idiota a esse ponto. Boa noite para vocês. – e sai do elevador.
Minha vontade de rir era extrema, mas me segurei até chegar no carro. Entrei, liguei o radio e dei umas risadas. Carlos era muito ridículo, nunca iria conseguir me irritar. Com exceção de quando ele falava de . Esses eram momentos em que a raiva me subia à cabeça.

Cheguei ao pub oito e quarenta e oito exatamente. Entrei e vi e sentados em uma mesa com cervejas na mão.
- E ai gente, cadê o ? – puxei uma cadeira e sentei ao lado de .
- Saiu com uma menina.
Pedi uma cerveja também e começamos a conversar. Passaram algumas mulheres que, claro, eu notei.
- Opa, , olha ali, olha ali.. – já acompanhava as mulheres para saber onde elas estariam sentadas. Olhei e sorri mexendo no meu copo.
- É, gostosas – nem notei que e me olhavam como se eu estivesse doente. Quando notei, fiquei confuso. Será que tinha alguma coisa no meu cabelo?
- Que foi? – perguntei confuso. levantou as mãos.
- Certo, o que está acontecendo? Já era para você estar indo atrás delas – Ri ainda mexendo no copo e concordou.
- É verdade, o que ta acontecendo, ? – suspirei e fiquei encarando meu copo de cerveja. Será que eu deveria contar? Me lembrei de uma reportagem que contava que quando você guarda alguma preocupação para você, faz com que fique estressado e assim, com que você envelheça mais cedo. Enfim, decidi contar.
- Eu ando estranho ultimamente. Eu não faço idéia do que está acontecendo. No dia da estréia do filme eu conheci a namorada do meu vizinho e cara, ela é fantástica. Nós fomos apresentados e desde aquele dia nós dois temos nos visto. O fato é que não era pra eu sentir nada, absolutamente nada quando penso que ela está com o infeliz do Carlos.. – suspirei e olhei para eles – mas eu sinto. É tão ridículo.
e me olhavam de formas diferentes. olhava compreensivo, como se fosse meu psicólogo. me olhava e segurava o riso.
- Meu Deus, você ta apaixonadinho por essa garota – e não segurando mais, começou a rir. Revirei os olhos e começou o discurso.
- , realmente acho que você está gostando dela. De verdade.
- Não, eu não estou.
- Cara, você está.
- Não, não, não, não..
- está apaixonadinho! – zombou.
- Porra, já falei que não estou!
- É claro que você está! Acabou de recusar duas mulheres que passaram na nossa mesa. Não tem explicação isso! – exclamava como se fosse um absurdo. E realmente era.
- Não quero me prender a ninguém agora. Qual é gente, estamos no auge. Quero sair com varias. Ruivas, morenas, loiras.. todas. Quero viver muito ainda, ter varias experiências e a ultima sim, casar, se juntar, seja lá o que for – falei, bebendo um gole da minha cerveja em seguida.
- Só espero que você tenha cuidado porque, você sabe, aquele cara é famoso. Se ele descobre que você está andando com a mulher dele.. – começou e se assustou.
- Quem é famoso? – falou olhando para .
- O namorado dela é aquele Carlos Bolívar, modelo, famoso.. – expliquei revirando os olhos. Como eu desprezava aquele cara – e pela décima vez, eu não saí com ela. Ela ama aquele babaca, esse é o problema. Mas eu ainda vou conseguir convencê-la a sair comigo, vocês vão ver..
- Só toma cuidado com esse cara.. – falava enquanto pedia mais uma cerveja.
- Eu realmente não quero ter nada com ela. Não quero confusão na minha vida. Nunca passei por isso e não quero passar. Ainda não. – olhei para , que já estava conversando com as duas meninas. Talvez fosse melhor ir conhecer aquelas duas – calma ai , de repente eu pensei melhor e .. – joguei um olhar sedutor para , que riu. – vou lá.
E assim, minha noite terminou. Eu e mais alguma garota. E por mais melancólico e grudento que isso seja.. terminei minha noite sem .

Capitulo 5

Acordei com a minha cabeça latejando.
- Maldita ressaca. – falei um pouco alto e só depois me dei conta que não estava sozinho na cama. Olhei para a menina do meu lado e automaticamente pensei no sorriso de . Mais que droga, será que eu não podia sentir prazer em ter a presença de outra pessoa que não fosse ela?
É muito difícil explicar o que eu sentia. Não queria me apegar a alguém, porque eu já tive namoradas das quais no final sempre foram decepções e eu não queria passar por aquilo novamente agora. Eu estava conseguindo. Estava conseguindo não me prender a ninguém e acordar no dia seguinte feliz. Feliz por estar livre. Eu não queria perder isso agora por causa de alguém.
Levantei e fui tomar um banho. Coloquei uma bermuda quadriculada e fiquei sem camisa. Estava descendo as escadas quando escutei alguém tocando a campainha. Quem poderia bater na minha porta logo de manhã cedo? Fui atender a pessoa sem nem me importar se estava vestido corretamente ou não. Então tomei um susto.
- Err, bom dia, .. – observei cada detalhe de parada na minha porta. As pernas na medida certa, a cintura bem marcada, a blusa regata branca decotada que realçava mais seus seios, o cabelo penteado solto nos ombros, o pescoço convidativo..
- ? – despertei e olhei para ela.
- Ah, oi, desculpe, acho que ainda estou dormindo – baguncei meus cabelos e sorri sem jeito.
- Então, eu queria te perguntar se você tem farinha, é porque eu estou fazendo bolo e esqueci de comprar – levou as mãos aos cabelos e sorriu. Olhei o sorriso meigo dela e notei que esse mesmo se desmanchou do nada. Eu diria que ela estava séria. Uma mistura de séria com irritada. Não entendi o que estava acontecendo e segui seu olhar, fixo em um algum ponto atrás de mim. Então eu vi a menina que tinha passado a noite comigo, chamada Katy. A vontade de me matar veio e eu me perguntei por que tudo acontece nas horas inapropriadas.
Ahn, , desculpe por isso e.. – Katy estava encostada no sofá de calcinha e usando uma blusa minha, olhando para mim com um sorriso nos lábios. Quem a deixou pegar aquela blusa?
Voltei meu olhar para e vi que ela fitava a garota ainda séria e com uma leve irritação e de repente, como no dia do shopping, voltou a olhar para mim sorrindo bem fraco e desviando o olhar para o chão.
- Me desculpe por te interromper, não era essa minha intenção. Nos falamos mais tarde – e saiu mais rápido que um raio. Fiquei desesperado, por que eu sempre fazia tudo errado?
- Ei, , espe.. – vi a porta se fechar bem na minha cara e bati com a cabeça nela. Imbecil, era isso que eu era.
Voltei ao apartamento roendo todas as minhas unhas.
- Ei, está tudo bem? – escutei Katy falar. Coitada, não tinha culpa. O problema era meu. Eu que era idiota, tinha estragado tudo e agora andava pela sala olhando para todos os cantos.
- Ahãm, tudo ótimo, Katy..
- É Kelly.. – olhei pra ela e dei de ombros
- Ah sim, então Kelly, é melhor você ir embora, porque... – pensei em alguma desculpa - ...Preciso levar meu cachorro para tosar – sorri confiante. Kelly olhou para os lados, confusa.
- E você tem cachorro? – Merda, eu tinha me esquecido disso. Garota chata.
- Hum.. tenho, ele está na vizinha, então é isso – apontei a porta para ela e me joguei no sofá.
- Então está, deixei meu telefone na bancada, me liga! – nem notei ela pegando a bolsa e se mandando do meu apartamento, eu só conseguia bater com a cabeça nas almofadas do sofá.
Vesti uma camisa, botei meu óculos escuros, peguei a farinha e bati na porta da vizinha. Segundos depois, atendeu e antes que ela pudesse falar alguma coisa, tirei os meus óculos e comecei.
- Me desculpe, eu não queria que você ficasse incomodada com nada daquilo.. – eu falava calmo, olhando nos olhos indecifráveis de . Naquele momento, eu conseguia ver confusão.
- Olha, você não tem com que se desculpar... fui eu quem bateu na sua porta, você não podia adivinhar.
- Certo. Você ainda vai jantar comigo... não vai? – perguntei indeciso. Meu único medo era ela desistir, como eu esperava. Depois de ter me visto com outra, por que ela sairia comigo mesmo?
riu e falou como se aquilo fosse obvio.
- , é claro que eu vou sair com você. Não tem nada a ver.. – ela estava com as mãos na cintura e linda como sempre. Um sorriso involuntário surgiu em mim. Me lembrei da farinha e estendi a mão.
-Toma, faz o seu bolo e não esquece de me mandar um pedaço – dei uma piscada e ela riu, pegando a farinha.
- Muito obrigada. – ficou me encarando nos olhos por alguns segundos. Eu tentava descobrir o que ela estava tentando fazer me olhando daquela maneira.
- Então, você já me entregou a farinha, melhor eu entrar.. – ela falou desviando o olhar sem graça e eu concordei.
Entrei no meu apartamento e sentei no sofá, pensando pela primeira vez no que acabara de acontecer. Lembrei do olhar irritado e serio de para Katy e da força que ela fez para mudar de expressão ao olhar para mim. Lembrei de como ela ficou me encarando bem nos olhos alguns minutos antes.
Então notei que podia existir alguma coisa e tive esperança. E o melhor, não me senti culpado por tê-las.
O único problema era que eu tinha acabado de quebrar minha promessa.

Continua..



N/A: Oláááá! Primeiro eu quero muito agradecer pelos comentários, vocês são tããão fofas! Eu amei todos e fico muito feliz que vocês estejam acompanhando e gostando da fic (: Bem, eu quero muito colocar o ponto de vista da menina (no caso, o seu ponto de vista!), mas acho que ainda não é o momento, então vou esperar mais um pouco. Eu quero muito saber o que vocês estão achando, então COMENTEM! Críticas, elogios, tudo é bem vindo (: Eu vou tentar mandar atualizações duplas, nem sempre vou conseguir, mas vou tentar. A história está só começando, muitas coisas ainda irão acontecer, hehe. Então é isso meninas, mais uma vez obrigada e continuem acompanhando ;D
Beeijosss x

N/B: Oooi meninas, tudo bem? Att de 2 capítulos pra vocês ;) estou adorando essa fiction, mandei até uma indicação dela, que vai aparecer no site, continuem acompanhaando, como disse a Taty ^^ arrumei os links do segundo capítulo, agora vocês podem ver os links que ela colocou e acho que é só, qualquer reclamação sobre html, script ou gramática, só me mandar um email, não usem a caixinha de comentários. Beijooos, /kaah.jones/