Band Aid
Autora:
Hanna Albuquerque (Hanny)
Beta-Reader: Amy Moore




Capitulo 1:

Little Mona Lisa laying by my side

O rádio ligou do nada e tocava insistentemente, não deixando a dormir.

"Crimson and Clover" pullin' overtime

- Merda! - ela murmurou, colocando um travesseiro sobre a cabeça.

I feel too close to be losin' touch

- Já vou, já vou! - ela dizia pro rádio ao tirar o travesseiro do rosto.

By givin' in, what am I givin' up?
Am I losin' way too much?

Ela levantou, e aumentou o volume.
- Droga! Odeio isso! Depois de lindos dias de férias, eu tenho que voltar pra merda de uma escola onde eu não conheço ninguém, que merda! - ela dizia sozinha, se despindo e indo até o banheiro para tomar um banho e fazer o resto das coisas que pessoas que se consideram normais fazem quando acordam. Sua roupa já estava separada: uma jeans skinny e a blusa branca com o emblema da escola. A farda era opcional, mas ela não estava com vontade de acabar com as roupas indo pra escola que, cá entre nós, não é importante.

- ? Já tá acordada? - Ela ouviu a mãe chamá-la meia hora depois e revirou os olhos.
- É o que parece! - ela murmurou e aumentou a voz. - Já, mãe.
- Vem comer alguma coisa!
- Já vou! - ela disse, revirando os olhos e saindo do quarto, com uma cara emburrada.
- Bom dia! - disse a mãe dela, sorridente.
- Bom - disse , tentando sorrir. O fato de a mãe dela estar olhando pra cara dela com um sorriso irritante e tão bem humorada a irritava. Por que ela não consegue ficar com aquele bom humor matinal também?
- Vai tomar alguma coisa e vamos, se não você vai chegar atrasada! - Ela sorriu e foi para a cozinha. revirou os olhos; odiava ter que tomar algo antes de sair. Não sentia fome e a comida de manhã cedo antes da escola tinha gosto de nada.
- Toma. - A mãe dela entregou um pote de iogurte do chocolate Alpino. Sim, era bom, mas não mudava o fato de ela odiar comer ou beber de manhã cedo. Após beber aquilo, escovou os dentes, pegou suas coisas e foi em direção ao carro, onde sua mãe já a esperava. Ela podia ir a pé, mas sua mãe insistia que no primeiro dia de aula elas teriam que ir juntas. sentou e ficou mexendo os pés freneticamente. Não podia negar que estava nervosa, aumentou um pouco o volume do radio a fim de esquecer que hoje era seu primeiro dia numa escola nova, sua melhor amiga não estaria lá para apoiá-la, ela conhecia ninguém, estava indo para uma escola onde provavelmente haveria vários riquinhos mimados e metidos... E os motivos são o suficiente para você querer sumir?
- Fica calma, , vai dar tudo certo! - disse a mãe dela tentando, acalmá-la.
- Eu não sei, eu só tô muito nervosa - disse baixinho e olhando pela janela, a mãe dela um sorriso e disse, calma:
- Só seja você mesma, e eles vão adorá-la. – Ela riu com esse comentário. Ser ela mesma. É, tá legal! - Quer que eu te leve na sala? - Ela brincou.
- É, tá bom! - disse , sarcástica.
- Eu quero levar meu bebezinho – disse a mãe dela e riu.
- Se a senhora quer mesmo... - disse, como se não se importasse, mas sim, ela se importa. Ela não queria que parecesse a pré-escola quando a mãe vai deixar o filhinho na porta da sala.
Elas chegaram à frente da escola e se despediu da mãe com um sorriso nervoso, recebendo em troca um encorajador.
Ela realmente amava a mãe dela!

P.O.V. of the girlie mode on:

“Ironia mode on” IUPI! Escola nova, não conheço ninguém e as pessoas são LINDAS!
“Ironia mode off”.
Odeio essa situação: ser uma garota nova numa escola de riquinhos. Olho pra um lado e vejo um grupo de meninas com enfeites rosa na roupa e mochilas rosa. Olho pro outro lado e vejo meninos olhando para aquelas meninas com cara de pervertidos e reviro os olhos para ambas as coisas. Vou atá a secretaria, encontro uma mulher de meia idade com óculos enormes.
- Olá! - Dou um sorriso.
- Olá! - ela responde com outro. - Você é a aluna nova?
- Sim.
- Ótimo! Estávamos esperando por você! - ela diz e eu dou um sorriso, me perguntando se eu era a única novata naquela escola. Acho que ainda não esclareci minha situação; permita-me:
Minha mãe recebeu uma proposta de emprego para essa cidade estranha. Mudamo-nos há quase um mês. Passei minhas férias todas aqui, minha mãe vive trabalhando e decidiu se mudar pra cá, Irlanda. Eu sabia que cedo ou tarde nós iríamos nos mudar, pois o índice de criminalidade em Londres pode ser muito alto, e como ela vive viajando, resolveu se mudar pra Irlanda que é menor. Mas olhe pelo lado bom. Talvez eu veja alguns duendes passeando por aí! Estou sem minha melhor amiga, mas tudo bem!
A mulher tirou alguns papéis de uma gaveta e me entregou.
- Esses são seus horários e essa a chave do seu armário. Espero que você aproveite sua estadia na Irish School. Aqui estão seus livros.
- Obrigada. - Dou um último sorriso, pego minhas coisas e vou embora.
Uau! Os livros são realmente pesados!

Estou rodando a um bom tempo atrás da minha sala até que decido parar e perguntar de uma servente baixinha onde fica a sala dois, eu fui boba o suficiente de não perguntar da mulher na secretaria.
- Fica ali, depois daquela porta de vidro.
- Okay, obrigada! - Digo e dou um sorriso sincero.
Gostei dela! Uma pessoa legalzinha, alguém verdadeiro, talvez a única que eu ache nessa escola. Eu devia ter amigos empregados da escola, parece bom! Imagine o monte de favores que eu posso conseguir!
Vou até onde ela me indica, depois da porta de vidro, e acho minha sala. Entro nela e vou andando até a última cadeira, coloco os fones e tento me trancar no meu mundo de Alice. Uns cinco minutos depois, uma menina senta do meu lado.
- Ola! - ela diz e me dá um sorriso. Viro pra ela e dou outro em troca. Ela parece ser legal. - Oi! - Digo para ela.
- Você é nova, certo? É claro que é! Que pergunta estúpida! - ela diz, batendo na testa. Eu dou uma risadinha.
- É, eu sou!
- Legal!
- Nem tanto!
- Ah, você se acostuma! Quer que eu te conte como é tudo aqui?
- Seria legal. - Dou um sorriso, tiro um fone e abaixo o volume. Ela aproxima a cadeira de mim.
- Okay! - Ela sorri, mas logo faz uma careta, olhando um grupo de três meninas entrando na sala. – Aquelas são Sookie, Megan e Katie. - Ela diz olhando as meninas com cara de desprezo. - Elas são populares e se acham no direito de mandar em todos. Ridículo isso! Megan é a loirinha do cabelo curto ali. Sério, ela é super burra, de verdade! Parece que o pai dela paga pra ela passar de ano, porque não é possível! Ela nem sabe escrever o nome direito! – Ela diz, indignada, e eu reprimo uma gargalhada. - Aquela loira do cabelo comprido é a Sookie. Ela, em minha opinião, é a melhorzinha. Eu já falei com ela uma vez e ela não é tão burra assim. A última ali, a morena de franjinha é a Katie, o mal em pessoa! Sério, ela já fez uma menina ser expulsa da escola implantando drogas no armário dela!
- Uau!
- Nem me fala! Ela é terrível! Não se meta a besta com ela!
- Bom dia, alunos! - Virei o rosto para frente, onde um homem baixinho e gordinho entrava na sala com um sorriso. - Para aqueles que não me conhecem, eu sou o Smith, professor de Física. Abram seus livros na página sete e vamos trabalhar. - Viramos para frente e não falamos nada a aula toda.

Lá estava eu, sentada numa mesa do refeitório com a mesma menina que eu não sei o nome. Eu sei que é estranho. Eu estou perambulando por aí com uma menina que eu nem ao menos sei o nome, mas tudo bem! Estava agradecida por ter passado despercebida pelas aulas. Seria horrível ficar me apresentando de cinquenta em cinquenta minutos.
- Hey, eu acho que a gente não se apresentou! Eu sou muito desligada! Meu nome é , mas pode me chamar de . - Nossa! Ela lê pensamentos?
- Oun! Okay! Eu sou , mas pode me chamar de .
- , legal! Nós vamos nos divertir muito! Minha amiga saiu da escola e eu tô, tipo, sozinha, mas tudo bem! Agora eu tenho você! - Ela sorriu e eu sorri também. Ela continuou tagarelando enquanto comia, e eu apenas mordiscava uma maçã.
Ouvi varias gargalhadas estrondosas e virei na direção delas, onde quatro rapazes alta e inteiramente pegáveis entravam pela porta do refeitório.
- Quem são eles? – pergunto para , que para o que está falando e olha na direção onde eu apontei com a cabeça.
- Os McGuys! - Ela dá um sorriso.
- McGuys?
- É a banda.
- Eles têm uma banda?
- Sim e são muito bons! - Ela sorri e olha pra eles. - Aquele primeiro é o . Ele atualmente está solteiro, o que é bom para nós, garotas encalhadas! E ele também é super legal! Depois dele, vem o ... - É importante afirmar que ao dizer o nome desse os olhos dela brilharam? - Ele infelizmente está com a vaca da Megan. Aquele depois dele é , um cara super engraçado; você precisa conversar com ele pra entender o que eu digo!
- Quem é ele? - Aponto o cara que considero o mais bonito.
- , . Não queira perder seu tempo com ele! O que dizer de ? - Ela parou um segundo para pensar. - Ele é um cara lindo, obviamente. Mas ele é também pretensioso, presunçoso, prepotente, metido, um completo idiota e galinha. Mas apesar de tudo, eu tenho que admitir que ele não é galinha a um bom tempo! Atualmente ele esta com a Katie. E falando no diabo... - Ela diz olhando Katie e seu grupinho entrar. Katie vai até e dá um beijo desentupidor de pia nele (nojento).
- E lá estão Megan e . - Ela olhava Megan chegando perto de e tocar em seu braço, da um selinho nela, que sorri. - E fizeram contato! Agora ela vai ficar feliz!
Com certeza tem um tombo pelo . Tinha aquele tom de melancolia na voz dela.
Depressivo, realmente depressivo!
- Então? Sua próxima aula é o quê? - ela perguntou, animada, mudando de melancólico para... Não melancólico. Peguei uma folha amassada no bolso do meu jeans.
- Química.
- Droga! Eu tenho Cálculo Avançado!
- É isso que dá ser uma nerd!
- HEY! Não bagunça! Eu gosto de matemática!
- Tanto faz! Eu preciso deixar meus livros no meu armário. Onde é que eles ficam? - pergunto.
- Saindo do refeitório, segundo corredor à esquerda.
- Valeu! Vejo você depois? - pergunto, já me levantando.
- Okay! - Ela sorri e acena. Vou em direção aonde ela me indicou para deixar meus livros.
Finalmente acho o número 62. Nossa, o armário é um ovo! Serio! É muito pequeno!
Deixo os livros de Física, Matemática e Geografia, pois não vou precisar mais deles, e dou uma olhada no armário pra ver a decoração que eu vou fazer nele.
- Oi! - Escuto uma voz atrás de mim, e quando me viro, me deparo com Katie, ladeada por Sookie e Megan. - Você é a , não é? Estamos juntas na aula de Física, a garota nova? - Sim! - Não consigo identificar hostilidade na voz dela, apenas simpatia.
- Seu sotaque não parece ser daqui, de onde você é?
- Sou de Londres. - Dou um sorriso, lembrando de lá.
- Você também não parece ser de lá. - Ela da um leve sorriso.
- É que na verdade eu sou brasileira, mas me mudei pra Londres quando eu tinha dois anos.
- Brasileira? - Sookie se pronuncia pela primeira vez, com uma expressão curiosa. Megan e Katie levantam as sobrancelhas e olham uma para a outra, parecendo concordar internamente.
- Sim! - digo.
- Então... Nós temos algo para lhe propor. - Katie se pronuncia e Sookie olha para ela com um olhar triste. Estranho!
- O quê? - pergunto, curiosa.
- Na nossa escola nós temos um grupo seleto, apenas para os melhores. Talvez você possa participar também. - Sorri com isso, seria muito legal ser convidada para todas as festas, não me culpe! Eu só quero curtir! Ela continuou: - Mas você tem que fazer algo. É como um teste.
Parei e pensei por um instante.
Um teste?
Um teste! Era isso! Ela realmente achava que eu iria cair nessa? Coitada!
- Okay! O que eu tenho que fazer? - interpretei, Megan e Katie deram um sorriso animado e Sookie um triste.
- É bem simples. Você vai ter que encontrar a gente aqui na escola hoje, às onze da noite. Nós vamos para a área da piscina e você vai ter que pular da rampa. - Ela parou e sorriu, entusiasmada. - Nua.
- Tá bom! - Dou um sorriso. O sorriso delas aumenta.
- Vejo você às onze. - Ela sorri e vai embora, sendo seguida por Sookie e Megan.
- Vai sonhando! - digo baixinho, vendo-as dobrar o corredor.
Ótimo! Perdi cinco minutos da minha vida com elas!
Pego minhas coisas e vou seguindo plaquinhas que indicam o laboratório de Química. Chegando lá, sento na última bancada e coloco meus fones de ouvido. Esperando, quase rezando, para que ninguém sentasse do meu lado. Apesar do volume dos fones, consegui ouvir quando eles chegaram.
Risadas escandalosas, com certeza eram eles. A sala estava quase toda ocupada e, pra minha surpresa, os lugares restantes eram dois na minha frente e um do meu lado. Fiquei olhando deles para os lugares vagos perto de mim. Percebi que todos, menos o , estavam na minha sala, o que é um alívio! Pelo que me falou sobre ele, eu não iria gostar! Acho pessoas como ele casos deploráveis.
Eles estavam se dirigindo para os lugares perto de mim, cessando um pouco as risadas. Abaixei o olhar para meu caderno e fiquei desenhando estrelinhas na borda. Pela visão periférica, pude ver que eles olhavam para mim e discutiam entre si. Um deles confirmou com a cabeça e os outros sorriram. Eles estavam cada vez mais perto, incrível como esse curto caminho da porta ate os lugares perto de mim pareciam longos. e sentaram na frente e ao meu lado.
- Oi! - disse ele, me fazendo olhá-lo.
- Oi! - Sorri, sincera.
- Você é a garota nova, certo? A de Londres?
- , ou , como preferir.
- Eu sou o , e esses dois idiotas aqui na frente são e . - Ele apontou para os dois, que sorriram afetadamente enquanto eu acenava.
- Você não se parece com uma garota londrina - disse .
- É porque eu sou brasileira.
- Ah! - Ele pareceu pensar e depois deu um sorriso malicioso. - Legal!
- E porque você decidiu vir pra Irlanda? - perguntou .
- Não fui eu. - Sorri. - Algo relacionado ao trabalho da minha mãe. Não sei ao certo! - Que bom que você veio pra cá! Agora nossa querida Irlanda está bem melhor e mais bonita! - disse , me cantando.
- É impressão minha ou você está cantando a garota, ? - disse . - O que sua namorada vai pensar?
- Falando em namorada do ... - começou. - Alguém viu o ?
- Não desde que ele saiu pra se pegar com a Katie, mas ele não deve estar nessa aula. Aliás, por que você não foi com a Megan, ?
- Eu ia ficar com ela, mas ela saiu com as meninas antes do ir atrás da Katie dizendo algo sobre uma garota nova... Hey! A garota nova é você, não?
- Culpada! - digo.
- O que elas queriam? - pergunta .
- Algo sobre um teste para começar a andar com elas.
- E você aceitou? - perguntou, com a voz baixa para que eu escutasse.
- Elas acham que sim - respondi com um sorriso sapeca e ele me devolveu.
- Você é legal! - Ele diz, agora mais alto para os outros dois escutarem.
- Vejamos! - disse com uma falsa cara má. - Ela está sob observação.
- Por mim, ela está aprovada! - diz e dá um sorriso.
- Obrigada! Vocês são interessantes - digo, com uma expressão pensativa.
- Ouviram isso, plebeus? Ela disse que me acha interessante! - diz, apontando pra si mesmo. - Você está aprovada!
- É tão simples. - começou. - Pra ganhar a aprovação dele é só encher seu ego.
- Hey! - choramingou. - Não me culpe por eu ser mais gostoso que você!
- Claro! Vamos ver só. , quem você acha mais gostoso? ou eu?
- Ignore-os! - falou, e eu segurei um riso.
- Vou tentar, mas antes... sinto muito, mas vocês são igualmente gostosos! - disse, segurando uma gargalhada.
- Eu não acho! Você está completamente equivocada! É obvio que o é bem mais gostoso que o ! - disse, se fazendo de gay.
- Claro que você acha isso, ! O é sua peguete! - disse, fazendo bico. - Com licença, eu vou me focar na aula. - E virou com um enorme bico no rosto. FOFO!
- , não fica assim! Você sabe que se o tivesse aqui ele diria que você é o mais gostoso. Afinal, você é a peguete dele!
- Calado, ! - sibilou.
- O gatinho ficou de mal! - apertou a bochecha de , que bateu na mão dele. - Então? – virou pra mim.
- O quê?
- Você tem namorado?
- Você é bem direto, né?- Sorri. - Não, eu não tenho!
- Eu também não tenho uma namorada.
- Bom pra você! - falei.
- Bom pra você! - ele falou e eu virei pra ele, rimos. - É brincadeira, eu não sou assim!
- Poxa, que pena! - disse, fazendo um bico.
- Mas eu posso abrir uma exceção pra você - ele disse, com um olhar cafajeste e rimos de novo. - Hey, você devia vir com a gente pra ver um ensaio da nossa banda.
- Seria legal. Eu posso levar uma amiga?
- Depende...
- De quê?
- Ela é bonita? - Ele fez o mesmo olhar e eu dei uma tapinha nele. - Brincadeira! Pode levar sim.
- Legal! Onde e quando?
- Sábado, talvez.
- Okay! - disse e virei para o professor, que entrava na sala agora.
- Você vai mesmo prestar atenção? - perguntou , como se não acreditasse.
- Claro! Você deveria fazer o mesmo! - disse, sorrindo. Ele bufou e virou a atenção ao professor.

- Você vai mesmo sábado? - perguntou , ao final da aula, quando eu estava guardando meus materiais.
- Claro! Só me diga onde.
- Faço melhor! Como eu sei que você não deve conhecer as coisas por aqui, eu e os dudes vamos buscar você na sua casa.
- Okay! Hey, ! - Chamei antes de ele ir embora.
- O quê?
- Onde fica a área da piscina?
- Área da piscina? - Ele fez uma cara estranha.
- É.
- Vem comigo - ele disse e ofereceu o braço pra mim, que aceitei.
- , onde você vai? - perguntou.
- Vou levar a num lugar - respondeu. - Vejo vocês depois.
- , se você precisar de algo, grita! Não confie no ! - disse , recebendo um dedo do meio como resposta de .
me levou ate a área de fora e depois eles entraram num lugar onde estava a piscina coberta e as rampas.
- Então é aqui? - perguntei, indo ate a borda da piscina.
- Sim. Por que você quis vir aqui? - ele perguntou, me olhando, chegar perto da piscina.
- Lembra quando eu te falei do teste? - ele murmurou um “sim”. - As meninas queriam que eu pulasse dessa rampa. - Apontei pra rampa de mais ou menos sete metros. - Nessa piscina. - Apontei pra piscina que estava quase seca comparada a altura da rampa. - Nua!
- A parte de você nadar nua eu concordo e assisto numa boa.
- Cala a boca! - disse, rindo, e ele deu um sorriso.
- Agora pular dessa rampa nessa piscina é loucura! E você pode acabar machucada.
- Eu sei! Eu não ia topar. Não sou boba; saquei na hora o que elas queriam! Vim só pra confirmar se minhas suspeitas eram verdadeiras.
- Quando vai ser esse teste super importante? - Ele fez graça.
- Hoje - disse.
- Ainda bem que você não vem!
- Com certeza! Agora me leve de volta! - disse, estendendo meu braço.
- Vamos, madame! - ele disse e nós fomos para o lado de fora. Encontrei encostada num conversível preto e fui até ela junto com .
- Uau! Esse carro é seu? - perguntei. Ela olhava de pra mim, sorrindo.
- É meu bebê! - ela disse, batendo no capô do carro, virando em seguida para , dando um sorriso. - Hey, !
- Hey, . Então essa era a amiga que você queria levar para o ensaio?
- Sim, que bom que vocês se conhecem!
- É, bom! Quer uma carona pra casa?
- Não, minha mãe vem me buscar, eu ainda não sei andar por aqui.
- Liga pra ela e pergunta. Eu conheço quase tudo aqui na Irlanda e posso achar sua casa facílimo! - disse e eu sorri, tirando o celular do bolso. - E eu sei que você tá doida pra andar no meu carrinho!
- Mãe? - disse, quando ela atendeu.
- Oi?
- Onde fica a nossa casa?
- Por quê?
- Minha amiga vai me levar.
- Já fez amigos, meu amor, que coisa boa! - ela disse, toda amorosa e eu revirei os olhos.
- Mãe! - Apressei e ela me deu o endereço que passei pra , que deu um sorriso enorme, desliguei.
- Eu moro aqui perto!
- Sério? Que tudo! - disse, animada.
- Posso ver? - perguntou , e eu passei o endereço pra ele. - E eu moro na vizinhança.
- Isso quer dizer que eu vou ter carona todo dia? - perguntei, sorridente.
- Talvez. - começou. - Se você for boazinha.
- Eu não queria estragar o momento de vocês, mas eu acho que devemos ir, !- apressou-me.
- Okay! Tchau, . - Dei um abraço nele e nossa... Ele é MUITO cheiroso!
- Tchau, ! - Ele deu um beijo no topo da minha cabeça e me soltou. - Tchau, . - Ele se inclinou pra dar um beijo na bochecha dela e um abraço.
- Tchau! - ela disse com a voz fraca e ele riu.
- Esse efeito que eu causo nas mulheres! - disse , convencido, e recebeu duas tapas no braço (um meu e outro da ). – Outch! Eu vou processar vocês! Acabo de ser brutalmente agredido!
- O que você vai dizer? Que duas moças se defenderam? - provoquei.
- Não! Que duas moças sedutoras me atraíram, alegando um ménage a trois e me espancaram.
- ! Controle-se! Você pode assustar a ! - disse , tapando meus ouvidos enquanto eu fazia uma cara de menina inocente.
- Sei! - falou e coçou a cabeça. - Eu acho que já voum moças.
- Você não quer uma carona? - perguntei, sem me importar se o carro era meu ou não.
- Não precisa, eu estou de carro. Tchau, meninas – ele disse, acenando e se afastando.
- Então? - perguntou, entrando no carro.
- O quê? - Fiz-me de desentendida.
- Como aconteceu?
- Nós estamos na mesma aula de Química e sentamos juntos e começamos a conversar. Nada demais. Somos só amigos.
- Só amigos! - zombou. - Eu vi como vocês se olhavam! Vocês se olhavam como...
- Como o quê? - perguntei, calma, e ela parou e pensou, parecendo fazer uma conclusão. - Como o que, ?
-T em razão! Vocês se olhavam como dois amigos que se conhecem há anos.
- Sério?
- Sério! De verdade. Tem certeza que já não o conhecia? Até gracinha vocês ficaram tirando!
- Ele é legal! E o também! - Assim que eu disse isso, deu uma freada brusca. - Tá louca?
- Você conheceu o ? - ela perguntou, incrédula, e eu acenei com a cabeça. - Você tem que me apresentar pra ele!
- Calma! Nós vamos ao ensaio da banda esse sábado, vai levar a gente lá!
- Ótimo! O que eu visto? - Ela parecia nervosa.
- Algo que diga que ele é louco por não estar com você! Mas por favor, não vá nua!
- Ha ha! Engraçadinha! Chegamos! Eu moro aqui na frente, olha. - Ela apontou pra casa a frente da minha. - Não é o máximo morarmos perto?
- Com certeza! Te vejo amanhã? - perguntei, saindo do carro.
- Claro! Amanhã cedo! Tchau!
- Au Revoir! - Ela acenou e foi pra casa dela e eu pra minha.
Interessante como tudo correu hoje! Conheci ótimas pessoas, e realmente parece que eu conhecia o há muito tempo, mas é que eu me sinto bem ao lado dele!
Conclusão do dia: ficar longe da Katie!
Sério que ela realmente achava que ia me enganar? Coitada! Ela tem sonhos, eu admiro isso! É só uma pena que ela tenha sonhos tão errados!
Escuto o barulho do motor do carro da minha mãe. Estranho! Ela nunca chega cedo!
- Mãe?
- Oi, filha.
- O que a senhora faz em casa?
- Que recepção calorosa! Também senti sua falta! Então, como foi na escola?
- Bem! Conheci algumas pessoas. - Aposto que ela vai viajar. - Não mude de assunto! O que faz em casa tão cedo?
- Por quê? Por um acaso está escondendo algum menino no seu closet?
- MÃE!
- Okay! Eu vou viajar. - HA! Eu sabia!
- Novidade! - disse, revirando os olhos.
- É, eu sei que eu viajo muito. Mas eu sei que você vai se comportar direitinho enquanto eu estiver fora.
- Claro que vou! Eu sempre faço isso!
- Claro! - ela disse, com um sorriso enigmático.
- Quanto tempo vai ficar fora e quando você vai?
- Uma semana. Viajo amanhã.
- Pra onde?
- Pra Londres - ela disse, com a voz baixa.
- O QUÊ? E você não vai me levar?
- Eu não posso! É à trabalho - ela disse, com uma carinha suspeita.
- Tanto faz! Eu vou dormir, tá, mãe.
- Já?
- Sim! Boa noite e boa viajem, eu te amo! - Dei um abraço e um beijo nela.
- Boa noite, filha.
Entrei no meu quarto, troquei de roupa e fui direto dormir.




Capitulo 2

- Bom dia !- disse assim que entrei no carro.
- Bom dia, amor! - disse e dei um abraço desajeitado nela, que começou a dirigir numa velocidade não muito segura. - Minha mãe vai viajar.
- Oba! Festa! - ela disse, com um sorriso conspiratório.
- Nada de festa! - Com a velocidade dela, já estávamos perto da escola.
- Tudo bem! Chegamos! Eu ainda não sei o que usar pra esse final de semana no ensaio dos meninos - ela disse, saindo do carro.
- Vai de biquíni!
- Ótima ideia. Vou de biquíni se você for também!
- Não, obrigada.
- Hey, preciso ir num lugar rapidinho, você vai ficar bem?
- Claro! Te vejo depois?
- Sempre! - ela disse e saiu pra onde quer que fosse.

Comecei a andar em direção a lanchonete para comprar alguma coisa, talvez uma maçã, até que:
- Hey, ! - Escutei uma voz petulante me chamar e virei. - Você não veio ontem!
- Você realmente acreditou que eu iria invadir a escola e pular de uma rampa de sete metros de altura em uma piscina que atualmente esta com dois metros de profundidade? Se você achou, então é porque é muito ingênua. Você achou que eu não ia notar que era um trote? - perguntei, exaltada, ainda andando. Respirando cada vez mais profundamente, Katie me segurou pelo braço para que eu parasse de andar e olhasse para ela.
- , é um rito de passagem, todos passam por isso! - Katie diz calmamente, de um jeito petulante e irritante, que só fazia aumentar minha raiva.
- Isso é uma besteira, eu já estava preparada pra esse tipo de coisa, mas eu não vou me deixar cair nessas besteirinhas, elas podem ser perigosas, você sabia? Alguém pode acabar se machucando. E você é muito estúpida de fazer isso! - eu disse. Oh, não! Minha respiração se tornava cada vez mais pesada, cada vez mais difícil de respirar. Eu sabia o que poderia vir agora. - Agora, se me dá licença... – Me soltei, virei e fui embora. Bom, pelo menos tentei. - Volta aqui, garota! - Katie disse, me segurando pelo braço novamente.
- Me... Solta. - Shit! Dessa vez eu não iria aguentar, podia sentir. Inspirava cada vez mais ar pra dentro dos pulmões, mas o ar parecia não vir. Katie me olhava estranhando enquanto eu tentava respirar, senti um frio terrível no estomago, não aguentei mais o peso sobre minhas pernas e cedi, caindo no chão.
- Oh, meu Deus! Katie, o que você fez? - Escutei a voz de alguém perto de mim. Ajoelhado ao meu lado, acho. - Oi, você está bem? O que esta sentindo? - Eu só escutava a voz e enxergava absolutamente nada, minha visão estava completamente embaçada.
- Por... Favor... As... Ma – disse, ofegante, tentando mais que tudo respirar.
- Meu Deus! Ela tem asma! , rápido, corre lá com o James e pega a bombinha dele! - O menino disse, alarmado.
- Qual é, ! Ela só tá fazendo drama! - Katie diz, ainda petulante. Ai, que vaca! Juro que se não estivesse morrendo aqui levantaria e iria atrás de uma bazuca pra dar um tiro nessa menina. Espera, ela disse ?
- Rápido, ! - (?) a ignora, sai correndo feito bala, coloca minha cabeça sobre a perna dele para ter mais apoio e menos de um minuto depois está de volta.
- Toma. - entrega a bombinha para , que passava a mãos pelos meus cabelos, como uma espécie de carinho, dizendo que ia ficar tudo bem. Juro que se eu não estivesse morrendo teria aproveitado melhor. - O que acontece se ela não tiver isso?
- Ela pode morrer - disse, pegando a bombinha e colocando sobre meus lábios pálidos, apertando em seguida, dando uma lufada de ar e remédio. Ele deu uma olhada para Katie Vaca a tempo de ver que ela encarava a opção de morte uma viavelmente aceitável. Respirei profundamente, sentindo minha respiração se normalizar, e logo depois um alívio enorme, tentei olhar para melhor, apenas para ter certeza de que era ele, mas minha visão foi ficando cada vez mais embaçada e escura e logo depois eu acho que desmaiei, tendo um breve deslumbre dos olhos profundamente dele próximo ao meu rosto.

’s P.O.V. on...

Estava carregando para a enfermaria. Nesse momento você pergunta: como você sabe o nome dela? E eu digo: não é tão difícil se seus amigos não param de falar na única novata da escola que eles conheceram e adotaram. Voltando...
Ia levá-la para enfermaria. estava do meu lado, escutava apenas alguns berros de alguém chamando meu nome, mas não prestava atenção, tinha algo bem mais importante em meus braços, que realmente merecia minha atenção. Incrível como ela parecia se encaixar perfeitamente nele. Como se tivesse sido nascida para estar neles...
Para estar comigo.
Balancei a cabeça e me concentrei no rosto de . Ela parecia tão calma e inocente, tão distante desse mundo, tão... linda.
Alguém inalcançável, mesmo pra mim!
- ! - Identifiquei a voz irritada (e irritante) de Katie. Sua mão se fechou em meu ombro, fincando sua unha em minha pele. Sabia que teria problemas. Virei para .
- , segura ela aqui - disse, passando com cuidado para os braços de . Não queria deixá-la, mas tinha que resolver isso. - Cuidado! - disse, quando ele cambaleou um pouco com ela nos braços.
- Aonde você vai? - ele me perguntou.
- Tenho que resolver um problema - disse, dando uma última olhada em e franzi a testa. Ela parecia menos confortável nos braços de que nos meus, como se ela reconhecesse e soubesse que a pessoa que a carregava havia mudado, mesmo inconsciente ela parece ter percebido a diferença. Balancei a cabeça, desviando com dificuldade minha atenção do rosto calmo e inconsciente de , seguindo Katie até o lado de fora da escola.
- Por que você fez isso? - Katie perguntou, assim que parei na frente dela. - Por que você se preocupou tanto com ela? Ela é só uma novata! Não é importante e é um completo e absoluto NADA!
- Mas ela podia ter morrido - disse, tentando me explicar. Apagando a ideia de minha mente de discutir que era muito mais que um completo e absoluto nada.
- E daí? - ela disse, como se não fosse muito.
- Quer dizer que pra você tudo bem a garota morrer? - perguntei, meio incrédulo.
- Qual é?! Eu nem conheço ela! Por que me importaria?
- Tem razão! - disse. Não aguentaria ficar discutindo com ela, não levaria a algo relevante, respirava fundo enquanto me afundava nas mentiras. - Eu não devia ter ajudado. Não importa!
- Não, não importa! - ela disse, se aproximando de mim. Desviei dela e comecei a andar rumo à escola. Não tinha paciência pra Katie agora. - Tenho aula agora, você devia ir também!
- Se você diz! - ela disse detrás de mim, com raiva.

’s P.O.V. off.

- Ela vai ficar bem não vai? - Eu ouvia vozes ao acordar, mas não me atrevi a abrir os olhos. A voz era de , com certeza, o mesmo menino que eu havia conhecido ontem, o mesmo que estava com o outro menino (possivelmente ) que havia me ajudado.
- Claro que vai! Ela só teve uma crise. Foi muito bravo da sua parte ajudá-la.
- Na verdade foi o ! - Agora sim! Então eu realmente ouvi certo. Foi mesmo o .
- ? - A mulher parecia surpresa.
- Sim.
- Isso é... Diferente.
- Com certeza é! - A voz de mostrava que ele estava tão impressionado quanto a mulher.
- E onde está nosso bravo herói?
- Eu... não sei! Ele estava carregando a pra cá... - COMO É QUE É? Por que eu não me lembro? Eu queria me lembrar da sensação de ter os braços de em volta de mim! Bani esse pensamento assim que terminei de pensá-lo. - Mas parou e passou ela pra mim quando Katie chamou por ele.
Katie, vaca! Caí no sono em seguida, tendo uma vaga sensação de que essa enfermeira havia me drogado.

-? - ouvi a voz de me chamar. Havia finalmente acordado e acho que dessa vez é pra valer.
- Oi, ! - Sorri, cansada.
- Oi, formiga!
- Oi, tamanduá - disse e ele riu.
- Como você está?
- Melhor. Não foi nada demais! Não tem porque se preocupar!
- disse que você pode morrer se não tiver a bombinha durante um ataque desses.
- ? - perguntei. Meu Deus, é agora. A hora da verdade!
- Meu amigo que tá quase sempre conosco. - É! Eu estava certa, era o que eu achava que era.
- Sábio, ele! - Ri, amarga.
- Foi ele que te salvou, sabe? Eu não sei o que aconteceria se ele não tivesse por perto!
- Gentil da parte dele.
- É! - sorriu. - Ele nunca mais tinha sido gentil; talvez a sua chegada tenha mudado-o.
- Ele nem me conhece! - Sorri com a ideia. Não acho que seja possível mudar alguém que nem me conhece e em menos de 24 horas.
- Nós falamos tanto de você pra ele ontem que é como se conhecesse! Você já tá melhor?
- Até que sim - disse, me levantando devagar, com a ajuda de .
- Quantas aulas eu perdi?
- Estamos no último tempo, já.
- Uau! Eu passei quase seis horas dormindo? - Ele confirmou com a cabeça. - Meu Deus, eu durmo muito!
- Verdade. - Me apoiei no braço dele pra caso me desequilibrasse. - Vem, eu vou te levar até a . - Fomos até a área de fora. Acho que tive um deslumbre de passando, haviam poucas pessoas na escola e os corredores estavam vazios.
- , eu preciso ir num lugar - eu disse, me soltando dele.
- Tem certeza que não quer que eu vá com você?
- Não precisa, só fala pra me esperar.
- Tá bom, mas cuidado! - Ele advertiu e eu assenti, andando rápido em direção aonde tinha ido. Reconheci a área da piscina; não tinha ninguém naquela área, a não ser e eu.
- Hey! - Chamei, chegando perto e ele parou. - Você é o ?
- O que você quer? - ele disse, rude. Eu deveria dar uma tapa na cara dele, mas como ele é muito lindo e não vou estragar esse rostinho.
- Eu só queria agradecer pelo que você fez hoje. - Sorri abertamente.
- Tanto faz, não importa! - ele disse, sem alterar a expressão de tédio.
- Como assim? Eu estou agradecendo por você ter salvado minha vida.
- E eu já disse que não importa!
- Você quer dizer que pra você uma vida não importa? - refleti. Meu Deus que ser mais egocêntrico!
- Tirando a minha? Não, não importa. - Ele fez uma cara obvia.
- Você é tão idiota! Eu achava que tudo o que eu tinha escutado a seu respeito era um erro, uma mentira, mas agora vejo que não! Você é realmente tudo o que eles dizem por aí! - eu disse, e ia me virando, ia mesmo, mas esse ser sem escrúpulos me segurou pelo braço. Fiz minha cara de puta da vida e disse, com raiva: - Tira a mão de mim!
- Por quê? Eu salvei sua vida. Agora me diz, garota nova, o que eles falam de mim? - Ele tinha uma expressão intrigada.
- Eu não preciso dizer nada a você, agora me solta que você tá me machucando! - eu disse, olhando fundo nos olhos dele tentando me soltar.
- Diga! - Ele pressionou mais os dedos ao redor do meu braço.
- Ai! - disse (meio que gemi). Nossa! Não me culpe, ele apertou muito forte. - Você sabe o que eles dizem!
- Na verdade, não. Diga o que eles dizem! Diga o que você acha!
- Ok! Eles dizem que você é um puta de um mentiroso, safado, pretensioso, metido, presunçoso, arrogante, convencido, egoísta da porra que nunca vai se importar com alguém além de você! E se você quer realmente saber? - disse tudo rápido, puxei a respiração, cheguei mais perto ate estar olho a olho com ele, nossos rostos a centímetros de distância. - Eu acho isso também!
- Nada que eu já não tenha ouvido. Você quer saber o que eu escuto de você? - perguntou, cortando o mínimo de espaço que ainda existia entre nós, mas sem me largar.
- As pessoas já falam de mim? Poxa! - disse, irônica. - Fiquei curiosa, o que eles falam de mim?
- Na verdade, eu escuto apenas meus amigos e já estou cansado de ouvir falar de você! É só sobre você! Desde o seu primeiro dia aqui, e olha que foi ontem! E eles dizem que você é uma menina divertida, única e autêntica e que eu iria adorar conhecer você, mas agora que eu tenho você aqui comigo eu vejo que você não passa de mais uma metidinha, mimada e estúpida!
- Você nem me conhece! - disse, com raiva. É muita audácia mesmo!
- Você também não me conhece, mas isso não impediu que você tirasse conclusões precipitadas sobre mim! E eu se fosse você pediria desculpas por tudo que você falou.
- Eu não vou pedir desculpas por nada. Vou deixar uma coisa bem clara: Eu te odeio. - Procurei canalizar minha raiva nessas três palavrinhas e vi em sua expressão que ele ficou surpreso e ate mesmo um pouco magoado.
- Peça desculpas! - Ele apertou mais a mão ao redor de meu braço, estava perto de chorar por conta da pressão e a indignação por estar sendo tratada assim. Olhei pra ele com olhos brilhantes e inexpressivos. Droga! Eu não posso chorar. Sempre achei que chorar é sinônimo de fraqueza, mas eu já posso sentir as lágrimas em meus olhos, e parece que também viu, já que automaticamente afrouxou o aperto em meu braço até me soltar. Senti a lágrima começar a escorregar pelo meu rosto (DROGA!). Não importava o quanto eu quisesse segurar, eu não conseguia. levantou a mão que tinha largado meu braço e passou por meu rosto, seguindo a trilha da lágrimas que haviam caído com um dedo, secando. Ele continuou com a mão em meu rosto. Nós continuávamos nos olhando nos olhos, sem falar uma palavra, nos aproximando vagarosamente ate encostarmos os narizes. colocou a outra mão em meu rosto, passou suavemente os polegares pelas minhas maçãs e encostou os lábios nos meus suavemente. Ficamos um tempo ali, apenas sentindo os lábios e a presença um do outro. Separamo-nos vagarosamente. Ele abriu os lábios para falar algo, mas eu levemente coloquei dois dedos sobre eles, que fechou os olhos, parecendo querer sentir e aproveitar meu toque. Abaixei a cabeça olhando pro chão e fechei os olhos fortemente, sentindo a respiração irregular de quem procura se controlar entre meus dedos.
Continuávamos parados, sem atrever nos mexer ou falar, até que eu cortei o silêncio.
- Isso... - Eu comecei, tirei os dedos de seus lábios. - Isso não devia ter acontecido - disse, baixo, e saí correndo, deixando-o com uma expressão confusa, mas eu acho que vi algo mais naqueles belos olhos , algo como um conflito interno, ele parecia eufórico e abalado. Parecia se perguntar por que havia feito aquilo, porque havia me beijado. Pelo menos era essa a pergunta que se passava pela minha cabeça. E eu tinha quase certeza que eu NUNCA iria saber a resposta.




Capitulo 3:

Depois de ter deixado com aquela expressão, saí correndo com todas as minhas forças em direção ao carro de , sem me importar com minha recente crise de asma.
- ! - gritou, assim que me viu correndo. Ela estava com e . - Você tá bem? Me preocupei, disse que você teve uma crise e quase morria.
- Não foi nada - disse, tentando tranquilizá-la.
- COMO NÃO FOI NADA? - surtou.
- O que aconteceu? Por que você tá com essa cara? E por que estava correndo? - perguntou.
- Exercício físico! - Dei de ombros. me lançava um olhar misterioso. ME-DO!
- Eu acho melhor levarmos ela para casa! - ele disse, passando o braço pelos meus ombros, encostando a boca em meu ouvido para sussurrar: - Você pensa que me engana? Pensa que eu não vi esse brilho no seu olhar? A menos que seja normal uma pessoa quase morrer e ficar com os olhos brilhando é melhor você me explicar o que esta acontecendo, mas não agora, depois. Promete? - Balancei a cabeça afirmativamente, me amaldiçoando por não esconder melhor e me perguntando como conseguia me decifrar em tão pouco tempo, ele falou mais alto. - Ótimo! Vamos?
- Vamos todos juntos? - perguntei, confusa.
- Vamos! - abriu um sorriso enorme.
- E o ? - perguntei. Se ele viesse conosco, teria um treco e me faria pagar vergonha.
- tá com a Megan - respondeu. - Mas e o ? Eu vi a Katie saindo faz um bom tempo e ela não estava com ele! – Ao ouvir a menção dos nomes e Katie, acabei assumindo uma posição de desconforto, o que não passou despercebido pelo olhar de .
Droga!
- Cara, eu tô louco pra saber o que aconteceu com você! - sussurrou de novo em meu ouvido, o que me fez sorrir nervosa. – Já que o , nosso herói, e o pegador estão ocupados, acho melhor irmos logo!
- Você não veio de carro hoje, ? - perguntou.
- Não! - Ele deu um sorriso enorme. - VAMOS!
Eu, , e fomos para o carro e permanecemos em silêncio, tirando as palhaçadas periódicas de e , chegamos em frente à minha casa quinze minutos depois.
- , sua mãe não tá em casa? - perguntou procurando o carro.
- A mãe dela viajou, ! - disse e fez uma cara indignada.
- E você vai ficar sozinha em casa?
- Vou! Qual o problema?
- Nenhum. - Ele deu um sorriso conspiratório. - Vai, !
E foram embora. Assim mesmo, me deixando sozinha.
Entrei em casa, tomei banho e fui atrás de algo para comer, pensando nos acontecimentos recentes. Céus! Como pude beijá-lo? Como ele pôde me chamar de tudo aquilo se ele nem, ao menos, me conhecia? Sei que eu também não o conhecia, mas isso não é justo! Mas percebendo agora, acabo de me dar conta de que fui muito injusta com ele, isso é perfeito! Fiz a coisa que mais odeio: julguei pelo que os outros dizem. Mesmo sendo , as pessoas merecem uma segunda chance!
Ou não.
- Não vou pensar nisso! - disse em voz alta, para o ar, e fui assistir "Friends". Talvez assim meus problemas fossem embora.

- ! - Escutei vozes me berrando. Já havia se passado duas horas desde que havia me jogado no sofá, e só agora tive coragem e disposição de ir pra cozinha fazer algo para comer. - !
- JÁ VOU! - Berrei da cozinha, colocando o brigadeiro no prato e deixando a panela quente na pia. Equilibrei o brigadeiro, o pote de pipoca e a Coca nos braços, deixei tudo na mesinha da sala em frente à televisão e fui atender a porta me deparando com:
- , , ? O que vocês estão fazendo aqui? - Estava olhando espantada a figura dos três espremidos na entrada de casa, todos segurando travesseiros, lençóis e salgadinhos. se pronunciou:
- Viemos ficar com você! O que você acha? Que vamos te deixar sozinha depois da sua experiência de quase morte? - ele disse, e eu revirei os olhos, sorrindo. entrou, deu um beijo em minha bochecha e sussurrou em meu ouvido: – E você me deve algumas explicações!
- Quer dizer então que a sua mãe viajou? - perguntou, entrando em casa e dando um beijo na minha bochecha.
- Sim, ela viajou, mas isso não quer dizer que vocês tenham que ficar aqui! - disse, rindo, não acreditando no que eles estavam fazendo.
- Nós viemos te fazer companhia, formiguinha! - disse, fazendo o mesmo que . - E nós trouxemos seu herói! - Um conflito interno surgiu em mim agora e meu raciocínio ficou mais lento que o normal.
- Meu...?
- Olá, ! - disse, com um sorriso esperto saindo do lado do batente da porta. Claro que é ele!
Meu Deus!
O que DIABOS ele fazia aqui?


Capitulo 4 – Betado por Marie Tiemi

- O que você está fazendo aqui? - perguntei, com os olhos arregalados e a voz espantada. Todos os outros já estavam dentro da casa. Eles me deixaram sozinha com esse obtuso!
- Eu fui convidado - ele respondeu com um sorriso presunçoso. RAIVA!
- Não por mim! Você sabe que não devia estar aqui!
- Não precisa ficar nervosa só com a minha presença. Eu vou me comportar! - disse, ainda sorrindo presunçoso, ele olhou pra dentro de casa, olhou pra mim e aumentou o sorriso. MEDO! E me deu um beijo. Tão rápido que me deixou congelada no lugar, aumentou seu sorriso, sussurrando em meu ouvido. - Eu prometo. - Entrando em casa em seguida.
Mas que merda aconteceu aqui?
Oh, Meu Deus!
Arregalei os olhos processando rápido agora. Ele havia me beijado.
De novo. Mas por quê?
Oh, Meu Deus; Oh, Meu Deus; Oh, Meu Deus!
Isso me faz pensar em uma coisa: o que essa noite me aguarda?
Fechei a porta lentamente enquanto sacudia a cabeça. Virando de costas, encostando a cabeça na porta, fechando os olhos e respirando profundamente.
- Você está bem? - Abri os olhos, me deparando com os olhos (preocupados?) de .
- Ótima! - disse rude, passando rápido por ele, me jogando no sofá com a cabeça no colo de , que passou a mão para tirar os fios que caiam, dando um beijo no topo de minha testa.
- Você está bem, ? - ele perguntou olhando nos meus olhos. - Você está pálida.
- Tudo bem, . - Sorri e fechei os olhos aproveitando o carinho. Hum! Isso é bom!
- Você não me engana - ele sussurrou. Droga! Ele tinha que estragar?
- , que troço é esse aqui? - perguntou, enfiando uma colher no brigadeiro.
- Brigadeiro, . É um doce do Brasil - respondi, ainda de olhos fechados. - Prova que é bom! - Virei a cabeça para ele, abrindo os olhos. colocou a colher na boca e paralisou.
- Oh, meu Deus! - ele disse, com a colher na boca.
- , você está bem? - perguntou. - , eu acho que você envenenou o !
- ISSO É MUITO BOM! - berrou. Levantei com tudo graças ao grito de moça do .
- Que isso ?- perguntou.
- Cara, prova isso! - passa a colher para , que prova, tendo a mesma expressão que . pega a colher de , enchendo-a de brigadeiro e colocando na boca. pega e faz a mesma coisa que .
- , ixsho sheé muguito buom! - fala de boca cheia. Sorri e me levantei.
- Vou fazer macarronada, alguém quer?
- EU! - Eles falam levantando a mão. Fui até a cozinha para separar as coisas para a macarronada. Hum! Delícia!

- , eu queria saber se... O que foi? - pergunta da porta da cozinha. Eu estava com lágrimas nos olhos e ri da preocupação nos olhos dele. É incrível como ultimamente é o que eu mais vejo em seus olhos.
- Nada, . Estou cortando cebola. - Apontei pra cebola picada na tábua. Ele faz uma cara de quem entende. - O que você quer?
- Queria saber se você precisa de ajuda.
- Precisar eu não preciso, mas se você quiser ajudar... Corta o tomate. - Pensei em dizer algo como: saia da minha casa. Mas não quis ser tão má.
- Na verdade... A ajuda que eu queria te dar era apenas a minha companhia.
- Então não seria ajuda! - disse normalmente. Como se eu precisasse da companhia de uma pessoa como ele!
- Eu não quero brigar.
- Então vá embora! - Ele olhou pra mim com uma cara de: "para, tá?!" e eu quase, quase parei, mas não!
- Como você quer que eu corte o tomate? - Ele muda de assunto, se sentando.
- O que você faz aqui, ? Por que você veio? - disparei. Não ia deixá-lo mudar de assunto tão fácil e era isso que eu queria saber desde que o vi na porta de casa. olhou pra mim, cedendo.
- Eu queria ver você! - ele disse, rápido, e fechou os olhos segurando o ar e soltando pesadamente.
- Por quê? - perguntei com a voz fraca, ele balançou a cabeça, levantou e saiu da cozinha.
Deixando minha cabeça explodir de curiosidade.

- , essa comida não sai não? - perguntou, entrando na cozinha.
- Já estou acabando, !
- Isso me lembra: por que seus olhos brilhavam?
- Comida te lembra meus olhos brilhando? - perguntei rindo.
- É que... - ele gaguejou e por fim disse: - Não mude de assunto!
- Eu tinha esperança que você tivesse esquecido isso. - Respirei fundo.
- Eu não me esqueço de nada! - Ele fez uma carinha convencida, revirei os olhos e sorri, triste. encostou-se à bancadinha da pia e abriu os braços. Desliguei o fogão e fui até ele para ficarmos abraçados. Nada demais; o abraço dele é bom! – Agora que estamos confortáveis, você pode começar.
E eu contei.
fez as expressões certas, enrugando o cenho quando ficava chateado e passando a mão em meu cabelo cada vez que eu estava perto de chorar. Por fim ele fez uma expressão de compreensão.
- O nunca foi assim, ! Ele sempre foi muito gentil com todos, mas aí veio a Katie. Ela o mudou completamente. Ele parou de se importar com os outros e se colocou no centro do mundo. De primeira, eu pensava que ele estava com ela por conveniência, porque todos achavam que eles faziam um bom casal, com os dois sendo os intocáveis da escola. Depois eu realmente comecei a achar que ele gostava dela, sabe? Pra poder mudar completamente o jeito que ele era. Mas agora... Agora que você chegou e tudo em nossas vidas mudou... Eu já não sei!
- O que você quer dizer? - perguntei, confusa.
- Eu acho que ele gosta de você.
- , nós nem nos conhecemos e minha primeira impressão ainda é de que ele é um idiota! - riu um pouco e discordou com a cabeça.
- Então por que ele parece se preocupar tanto com você a ponto de te ajudar? Eu acho que se não fosse você ele nem chegaria perto.
- Mas ele nem me conhece! - disse, com a voz fraca.
- E daí? Isso não impede que ele olhe pra você e se apaixone, impede? - Abri e fechei a boca várias vezes, sorriu. - Estou certo! - Ele me soltou e saiu da cozinha deixando-me mais confusa do que estava. Respirei fundo e fui fazer algo de útil. Fui escorrer o macarrão.

- Sabe, até que isso está bom! - disse , se servindo mais uma vez.
- Claro! Quem fez foi eu! - disse, convencida.
- Eu acho que nós poderíamos muito bem ter pedido uma pizza... - tentou falar, mas o interrompi.
- Você sabe muito bem que poderia ter ido embora ou nem ter vindo! Sua companhia acrescenta em nada pra mim! - disse ríspida, olhou para mim, incrédulo.
- Assim você poderia se divertir e não precisaria ter que ficar na cozinha. - Ele termina e encara o prato, abre um pouco a boca e fiz uma expressão surpresa. Juro que por essa eu não esperava! Ele foi realmente fofo e eu fui tão grossa!
A tensão estava no ar e todos podiam sentir. , e nem respiravam, meu coração batia a mil por segundo. pigarreou, eu pisquei finalmente acordando.
- Er, eu, eu acho que vou, eu acho que... Vocês ainda vão querer mais?
- Não, obrigado - disse. continuou comendo e empurrou o prato e bateu na barriga como se estivesse satisfeito, (para a minha surpresa) se levantou e começou a tirar a mesa.
- Não preci...
- Não tem problema - ele respondeu, sem olhar pra mim. Virei para os meninos, que tinham expressões surpresas nos rostos.
- Vocês vão dormir aqui?
- Esse era o plano - respondeu.
- Então eu vou preparar as coisas no meu quarto. – Subi, sentindo um olhar sobre mim, e eu sabia de quem era.



Capítulo 5
(Aconselho vocês baixarem essa música aqui: Did It Hurt - Never Shout Never )

- ? - Ouvi a voz de me chamando.
- O que foi, ? - Virei para ele, que estava parado no batente da porta de meu quarto, eu estava arrumando meu colchão de casal.
- Eu só queria conversar um pouquinho com você - ele disse, de cabeça baixa.
- Sobre? - Perguntei, desinteressada.
- Nós. - Ele olhou pra mim com expectativa, eu tive que segurar uma gargalhada irônica.
- Não existe "nós", ! Eu te odeio e você não me suporta. Não é melhor você ir embora e fingir que eu não existo?
- Será que você pode me escutar? Escutar de verdade, sem me interromper ou me dar patadas. - Fiquei em silêncio, não esperava uma atitude como essa vinda dele. Fiquei ainda mais surpresa com o modo que ele falou aquilo, quase como se estivesse magoado.
- Ok, Pode falar - disse. Ele sorriu e veio até mim, dei um passo para trás, me lembrando do incidente ocorrido mais cedo na porta de minha casa. Confiava pouco nele e confiava menos ainda em mim. Principalmente, quando ele parecia exercer um poder de sedução assombroso sobre mim.
Ele sorriu.
- Calma, , eu não vou te morder. - Não era bem isso que eu estava com medo, mas, hey, morder também é ruim! pareceu adivinhar meus pensamentos, porque ele disse em seguida:
- Nem te beijar. Eu prometo! – Ele terminou levantando uma mão, fazendo juramento. Sorri um pouco nervosa e sem graça, ele ficou em minha frente, e para minha surpresa, pegou minha mão e me levou até a cama. Sentei, sentou de frente pra mim. - Eu só queria te fazer uma proposta.
- Qual? - Ele ainda segurava minha mão e o formigamento que eu sentia nela, em meu estômago e na parte de trás de meu pescoço estava começando a me irritar de tão incrivelmente bom que era a sensação dele perto de mim.
- Eu quero recomeçar, quero que você esqueça a pessoa que você acha que eu sou, quero que você esqueça o que aconteceu hoje, de tudo o que aconteceu hoje. Quero que você esqueça que já me odeia. Quero que você tenha a oportunidade de me conhecer e eu de te conhecer. Quero que, nem que seja só por hoje e só essa noite, nós dois nos esqueçamos de tudo e de todos que estão lá fora.
- ... - Empaquei aí, essa foi a única coisa que consegui dizer, estava abismada com a sinceridade na voz dele e o olhar tão sério prendendo o meu, me impedindo de desviar.
- O que você me diz? Vamos esquecer um pouco das brigas e ter a oportunidade de nos conhecermos? - Ele parecia um pouco ansioso, a única coisa que eu fiz foi balançar a cabeça afirmativamente e sorrir um pouco. Ele me devolveu um sorriso maior e bem mais entusiasmado e apertou minha mão, que ele ainda segurava. - Obrigado! De verdade! Você não vai se arrepender! - Ele se aproximou vagarosamente de mim enquanto eu ficava paralisada só olhando para aqueles olhos perfeitos a minha frente. chegou bem perto e deu um beijo em minha bochecha. Notei que ele ficou com um pouco de dúvida de onde me beijar. Ele ficou um bom tempo olhando meus lábios, até que fechou os olhos com força e levantou, enquanto eu ainda estava parada olhando pro nada como uma autista. Oh, céus! Eu parecia realmente uma retardada mental! estava examinando todo meu quarto, pelo menos eu acho, já que continuava parada.
Vamos, , acorde!
Balancei a cabeça enquanto fechava bem os olhos, terminando de assimilar tudo o que havia acontecido. Olhei e realmente estava analisando meu quarto. Previsível!
- Você toca? - Ele perguntou, olhando meu violão no canto do meu quarto ao lado do guarda-roupa. Levantei e parei ao lado dele.
- Um pouquinho - disse. Claro que ele tocava! Certo? Afinal, ele tinha uma banda, mas isso não me impediu de perguntar.
- E você? Toca? - Meu Deus! Eu sou muito cara de pau! E idiota, queria me enterrar ou atirar minha cabeça na terra e me esconder (de preferência até próxima reencarnação do Edward Cullen) como os avestruzes fazem.
- Um pouquinho - ele disse, sorrindo conspiratoriamente. Mas é claro que ele estava brincando.
Certo?
- Vem comigo? - perguntou, estendendo a mão. Olhei hesitante, me perguntando se devia segurá-la. Dei um sorriso e segurei. Afinal, não havia nada errado. pegou meu violão com a outra mão, e me levou para fora do quarto.
- Vamos fazer um luau? - perguntou, assim que e eu aparecemos com o violão na escada. Devo ressaltar que ainda estava segurando minha mão? e estavam nos olhando com uma expressão confusa e espantada, mas parecia normal, como se não fosse grande coisa, mas algo mais estava escondido naquele olhar que ele nos deu.
- Vamos - afirmou, convicto.
- Então vamos lá pra fora. Podemos ficar no jardim de trás – disse, me soltando dele assim que paramos em frente aos meninos. Eu queria fugir de tudo isso, me sentia tão confusa. – Eu só... Preciso ir ali...
- Eu vou com você - disse.
- Não precisa, .
- Mas eu quero! - Ele insistiu e eu revirei os olhos.
- Ótimo - disse, meio irritada. Eu só queria ficar alguns minutos sozinha, mas eu posso? Não! Porque tem que bancar o chato e querer ir comigo. Como não tinha pra onde fugir, fomos até a dispensa.
- O que aconteceu? - Ele perguntou assim que entramos. - Você e o queriam se matar e nem podiam se tocar e agora vocês aparecem de mãos dadas e propõe um luau.
- Nada, ! Ele só... Só propôs uma trégua – disse, ficando de ponta de pé para pegar uma toalha daquelas, tipo de piquenique. Droga! Por que tinha que ser tão alto?
- Droga! - Bufei baixinho, me esticando mais. A mão longa e elegante de apareceu do lado da minha e pegou a toalha. Ele estava atrás de mim, bem próximo, me imprensando na estante e com uma mão em minha cintura.
Uau! tem um perfume maravilhoso, tanto que me deixou meio intoxicada e tive que fechar os olhos pra aproveitar melhor.
- Não vai se apaixonar – ele avisou com uma voz rouca em meu ouvido, beijou meu pescoço e foi embora levando a toalha. Fiquei um tempo sozinha, pensando no que ele havia dito e me perguntando se ele falava dele ou de . Provavelmente de nenhum e eu estava paranóica. Balancei a cabeça e fui até onde os outros já estavam sentados em cima da toalha que havia levado. estava segurando o violão, sentei ao lado de e , bem a frente do , que estava ao lado de .
- O que nós vamos tocar? - perguntou.
- Eu não sei - respondeu. - Alguma idéia?
- Acho que o deve ter - disse, parecendo querer dizer mais alguma coisa.
- Talvez eu tenha mesmo - disse, olhando pra mim. Abaixei a cabeça sentindo minhas bochechas corarem furiosamente sem motivo algum.
começou a tocar as primeiras notas de uma música muito conhecida e amada por mim.

I've been waiting my whole life
Venho esperando toda minha vida
For a someone like you
Por um alguém como você
To go and pick me up
Para vir e me buscar
And take away my blues
E afastar a minha tristeza

Minha boca escancarou com a voz perfeita dele e a maneira sincera como ele cantava, sempre olhando dentro dos meus olhos, parecendo decifrar todos os meus pensamentos e descobrir todos os meus segredos e desejos mais profundos que nem mesmo eu tinha acesso.

It's been one hell of a year
Tem sido um inferno esse ano
In my own shoes
Uma pedra no meu sapato
But I got some questions for you
Mas eu tenho algumas perguntas para você

Tentei desviar meu olhar e olhei para os meninos, que olhavam de para mim. Olhei para de novo, ele continuava olhando pra mim e me prendeu de novo em seu olhar.

Did it hurt when you fell from heaven?
Doeu quando você caiu do céu?
Did it hurt just to know I was right here awaiting
Doeu só de saber que eu estava aqui à espera?
Did you know? Did you know?
Você sabia? Você sabia?
It was love from the first time we touched.
Que foi amor desde a primeira que nos tocamos.

Os meninos começaram a estalar os dedos e fazer um coro de "UUUUH", me fazendo acordar e rir um pouco, logo eu estava estalando os dedos também. Olhei para e este tinha uma expressão estranha no rosto, olhando para com a sobrancelha levantada. Entortei um pouco a cabeça e ele olhou pra mim, dando um sorriso engraçado, sorri de volta e ele cantou pra mim, fazendo parar e olhar dele pra mim e revirar os olhos.

I've been waiting my whole life
Venho esperando toda minha vida
For a someone like you
Por um alguém como você
To go and steal my heart
Para vir e roubar meu coração
Just the way you do
Do jeito que você fez

tinha uma voz linda, talvez até mais que - não, claro que não! Esquece! -, e passava tanta emoção quanto ele.

It's been one hell of a year
Tem sido um inferno de ano
Here a waiting on you
Aqui esperando por você
So I got some questions for you
Então, eu tenho algumas perguntas para você

cantou de novo, mais alto e mais forte, foi a vez de parar e revirar os olhos. Olhei para e ele piscou pra mim, me fazendo sorrir e abaixar a cabeça envergonhada por meu coração ter dado uma cambalhota.

Did it hurt when you fell from heaven?
Doeu quando você caiu do céu?
Did it hurt just to know I was right here awaiting
Doeu só de saber que eu estava aqui à espera?
Did you know? Did you know?
Você sabia? Você sabia?

Olhei pra ele de novo e ele parecia ter uma felicidade tão grande no rosto, é incrível como ele fica diferente quando toca, diferente da pessoa que ele é (ou parece ser), mas é isso, não é? Essa noite eu deveria esquecer quem eu achava que ele era, até mesmo quem eu sou! Deveria dar uma chance. E foi nessa hora que eu decidi realmente fazer isso.
Pelo menos só por essa noite.

It was Love from the first time we touched.
Que foi amor desde a primeira que nos tocamos.

- UAU! - Disse, impressionada, olhando para todos eles que sorriram. - Vocês são ótimos!
- Prefiro que você diga: Perfeitos! - falou, convencido, recebendo uma tapa na cabeça por mim.
- Que bom que você gostou! - disse, sorrindo sincero e olhando pra mim, sorri também. Ficamos nesse olhar por um bom tempo, até que pigarreou.
- Pois é, né? Acho que já está na hora da gente ir, né, ?
- Como ass... Hã? Ah! Tá! É, está na nossa hora já! Né, ?
- Hã? - franziu a sobrancelha e e reviraram os olhos.
- É, cara!
- Como assim? Vocês não iam dormir aqui? – Perguntei, confusa.
- Sabe o que é, ? É que... Que... É que eu esqueci que eu tinha que... Que... - se enrolava.
- É que ele esqueceu que... Que tinha que levar o lápis de estimação dele pra passear! - completou.
- Hã? – Perguntei, confusa. Lápis?
- Isso! O meu lápis! – disse.
- Tá! Mas e você, ? - Perguntei.
- Eu tenho que... Que... Que...
- Ele tem que... - ia dizer, mas completou.
- Eu tenho que tirar meu carro de debaixo da cama!
- É, dude! Seu carro deve estar com medo! - disse, sarcástico.
- Ele tem medo do bicho papão! - deu de ombros.
- E você, ? - Me virei pra ele.
- Eu não tenho medo de monstros! - Ele disse, irônico. Revirei os olhos.
- Não, seu idiota! Se você tem algo pra fazer depois?
- Eu nada. - deu de ombros. e bateram nas próprias testas.
- Você tem que levar o Spencer comigo - falou.
- Quem é Spencer? - perguntou.
- Meu lápis! Não acredito que você esqueceu! - disse, indignado.
- Então vocês vão finalmente me deixar sozinha? – Perguntei, empolgada e meio triste, não queria ficar só de novo.
- Mas é claro que não! Não é, dudes? - perguntou pra eles e balançou a cabeça.
- Claro que não, ! O vai ficar aqui com você!
- O QUE? - e eu gritamos ao mesmo tempo, olhou de para mim e franziu a testa.
- Quer saber? Por mim tudo bem. - encolheu os ombros. - A não ser que você não queira, . - Fiquei um tempo pensando, sentindo a tensão no ar aumentando.
- Por mim, tudo bem – disse, sem emoção, dando de ombros. Mas definitivamente não estava tudo bem! Eu sei que eu devia dar uma chance para ele, mas eu não quero passar tantas horas assim e tão perto dele assim!
- Então, vamos? - falou, se levantando e juntando suas coisinhas, sendo seguido pelos outros. Fiquei um pouco pra trás pra tentar me acalmar.
- Tchau, ! - disse, me dando um abraço.
- Tchau, baby! - Dei um beijo na bochecha dele, que sorriu e pareceu corar um pouco. Que fofo! Não sabia que era um pouco tímido.
- Boa noite, formiguinha! - falou, me abraçando também.
- Boa noite, tamanduá. - Dei um beijo na bochecha dele, que beijou minha testa.
- Boa noite, , se cuida. - me abraçou forte, me asfixiando com seu perfume.
- Boa noite, . – O abracei de volta.
- Cuidado com o que faz - ele disse baixinho no meu ouvido, me congelando.
- Eu vou ter. – Me soltei dele e sorri fraco. – Tchau, meninos. - Ele foi com os outros, olhando uma última vez pra trás, acenando. Fechei a porta e me virei, tomando um susto com colado a mim. Ele devia ter estado atrás de mim vendo os outros irem. Será que ele escutou o que o tinha dito? Levantei minha cabeça para olhar pra ele.
- O que vamos fazer? - Ele perguntou. Não, ele não escutou.
- Eu não sei! - Admiti. - Você é minha babá! Devia cuidar de mim!
- Você é muito mimada garota!- Ele disse e eu surtei.
- O QUE? - Gritei e ele deu um passo pra trás.
- É só modo de dizer. - Ele deu um sorrisinho sem graça. - Tem algum filme?
- Não - disse.
- Tudo bem. Eu vi uma locadora perto daqui, a gente podia ir lá - ele falou, fiz uma careta.
- Eu não quero ir. - Ele revirou os olhos.
- Mas você tem que ir.
- Mas eu não quero! - Bati o pé e ele bufou.
- Eu não posso te deixar aqui sozinha.
- , eu passei a minha vida toda sozinha, você pode ir a vontade!
- Tá bom. - Ele bufou e saiu batendo a porta. Fui até a mesinha de centro, onde estava a minha carteira e a dele, depois parei perto da porta estendendo a carteira de , que abriu a porta com uma expressão engraçada.
- Obrigado - ele disse, pegando a carteira da minha mão. Assim que ele foi de novo, me joguei no sofá olhando pro nada, só pensando.
Pensando em hoje. Pensando em e na reviravolta que ele fez, a maneira como ele me olhava. Até que apareceu em minha cabeça.
"Não vai se apaixonar!" É, ! Não vai se apaixonar!
Isso é ridículo! É claro que eu não vou! As minhas experiências não me deixam me apaixonar.

- ? QUERIDA, CHEGUEI! - entrou em casa gritando, me acordando dos meus devaneios.
- Não grita, garoto! - Resmunguei. - E quem te deu a intimidade pra me chamar de "Querida"?
- Desculpa - ele disse, encolhendo os ombros. - Trouxe esses DVDs, aqui, oh, vê se você gosta.
mostrou os DVDs e fiz uma careta, parecia ter uma mania irritante de me desagradar!
- , por que apenas filmes de terror? – Perguntei, olhando os DVDs a minha frente: O Chamado, O Chamado II, O Grito e O Grito II – E você tinha que escolher logo esses? Eu tenho um medo descomunal desses filmes! Você tinha que fazer isso, né? Parece que faz pra me irritar, poxa, ! - Fiz bico e cruzei os braços de mal humor. bufou, irritado e respirou fundo algumas vezes, antes de se jogar ao meu lado, fechar fortemente os olhos e dizer.
- Eu não queria te irritar, , e nem sabia que você morria de medo desses filmes, até porque você parece ser o tipo de garota aventureira que gosta desses gêneros. - Aí é que está! Eu gosto! Mas não significa que eu não morra de medo! Mas eu não iria falar isso pra ele! - E além disso, eu e os dudes sempre assistimos esses. Mas você tem que ficar calma, eu disse para esquecermos as brigas e que você me odeia, então, , por favor, facilita isso pra mim! Eu não sou nenhum santo ou padre, muito menos dotado de uma paciência infinita. Eu não vou conseguir me controlar e ficar calmo se você ficar o tempo todo brigando comigo. Essa noite não, ok? Vamos nos dar uma chance. Não esquece, promete?
Respirei fundo, não podia dizer não a ele, não quando ele estava se esforçando tanto pra me agradar e não gritar comigo e definitivamente não quando ele me olhava com esses olhos perfeitamente e penetrantes e esses montes de cílios negros. Oh, meu Deus!
é magnífico!
- Tudo bem, ! Você tem razão, me desculpe por estar sendo uma bitch! - Ri com isso e ele também - Mas você também tem que entender que não é fácil esquecer que eu odeio alguém assim, tão rápido! E eu realmente tenho medo desses filmes. - assumiu uma posição desconfortável me ouvindo falar que o odeio, percebi isso e resolvi desfazer a merda que havia dito - Mas eu prometo esquecer tudo isso e dar uma chance. Pelo menos essa noite. - Ele deu um sorriso lindo e sincero e eu retribuí quase que com a mesma intensidade.
- O que vamos fazer agora? Já que você não gosta desses filmes?
- Hey! Eu disse que ia dar uma chance, não disse? Mas se eu morrer de medo ou a Sâmara vir me buscar, eu juro que venho puxar seu pé à noite!
- Não vai acontecer nada, . E se acontecer, eu posso ser seu herói! - Ele disse com uma voz fofa, abaixei a cabeça sorrindo fraco - e procurando ar, aquele sorrisinho um dia vai me matar. Bati em meus joelhos e me levantei.
- Vou fazer pipoca e brigadeiro, acho que ainda tem Coca na geladeira. - Já estava andando quando segurou de leve em meu braço e me puxou pra ele, ele não deve conhecer sua força (ou eu sou muito fraca, não é tão difícil de acreditar!), já que esse puxão fez com eu caísse em cima dele no sofá.
Estávamos rosto a rosto, incrivelmente e perigosamente próximos, me olhava com aqueles olhos , pedindo que eu me aproximasse mais, nossas respirações já estavam misturadas e ele sorriu fofo.
- Desculpe por isso - disse num sussurro, seu hálito tocando minha boca. Era tão doce! - Não era pra você cair, acho que não conheço minha força.
- Não, não tem problema. Mas por que você me puxou? - Sussurrei também. Apoiei-me no sofá e me levantei com cuidado e com a ajuda de .
- Pra você não precisar ir fazer nada, tenho milhões de salgadinhos e chocolates que eu havia trazido com os dudes, acho que só a Coca mesmo!
- Ah, tá bom! Obrigada, eu vou lá buscar, então - disse e fui até a cozinha, ouvindo os passos de indo para outro lugar.
- ? – Chamei, examinando a geladeira, meninos serão sempre meninos, folgados. - Vem aqui rapidinho.
- Que foi? - perguntou assim que apareceu na cozinha.
- O que essas cervejas estão fazendo aqui? – Perguntei, olhando a geladeira aberta, havia uma caixinha daquelas cheias de latinhas, uma cheia de Smirnoff e uma garrafa de Tequila. Não sei por que guardar tequila na geladeira, ela não gelaria mesmo! Continuaria descendo queimando a garganta. coçou a cabeça, procurando uma resposta pra minha pergunta inicial.
- Sabe o que é, ?
- Hum? - Arqueei a sobrancelha, de braços cruzados no peito, o encarando com uma expressão cômica.
- É que eu e o decidimos trazer, o e o até disseram que não e que você podia não gostar, mas é que eu e ele somos terríveis, você sabe, né?
- Saber até que eu sei, o problema é: eu preciso me livrar disso!
- Mas por quê?
- Porque eu não sei quando minha mãe vai chegar e...
- Relaxa, ! Eu bebo antes dela chegar.
- Meu Deus, ! Claro que não! Tem umas mil latinhas aí e eu não quero você de ressaca por aí!
- Tá preocupada comigo, é, ? - Ele perguntou, chegando perto, me prendendo entre a geladeira e seu braço. Odeio quando ele faz isso! Ele assume aquela posição de presunçoso-ridículo-egoísta! Revirei os olhos e me desvencilhei dele.
- Não! Estou preocupada que: se você vomitar na minha casa, quem vai ter que limpar vai ser eu! - Pequei uma latinha de coca e fui para sala com atrás de mim, abrindo uma latinha que com certeza era de cerveja, revirei os olhos. - Por mais nojento que isso seja: se você sujar minha casa, eu vou te usar de pano de chão pra limpar.
- Mas você não perde uma, hein? Que coisa! Vamos logo assistir isso é que é! - disse, meio irritado, indo pegar os salgadinhos, me joguei no sofá.
- Toma! - Ele jogou os salgadinhos em mim, nossa que delicado! Idiota! Revirei os olhos e examinei os salgadinhos.
- O "Doritos" é meu! - Disse, olhando aquele pacotão de Doritos em minha perna.
- Mas você vai dividir comigo, né? - Ele fez uma carinha de cachorrinho sem dono, tive que me controlar - pra não apertar suas bochechas – e me fazer de bitch.
- Se você não me irritar – disse, superior. bufou e foi colocar o DVD.
- ESPERA, , NÃO FAZ ISSO! - Gritei e ele me olhou assustado.
- Por que não? Você está bem? O que aconteceu? - Ele perguntou rápido, meio assustado e preocupado.
- É porque esses filmes são relacionados a água, como por exemplo: "O grito". Eu vi o trailer, a menina está tomando banho e de repente quando ela está lavando o cabelo uma mão aparece no cabelo dela também. - Um arrepio passou por mim - E a menina do "Chamado" morreu afogada, eu acho, e... - Parei e fiz uma cara de pânico – AH, MEU DEUS, ! EU VOU MORRER AFOGADA! Eu sei disso, é sério! Eu vou ser engolida pelo ralo ou algo do tipo, pensando bem... Acho melhor eu não tomar banho nunca mais! Não, claro que não! Isso é nojento! Eu não vou ficar sem tomar banho, é! É isso! Vou tomar banho , tchau! – Me virei e fui subindo a escada.
- Que garota louca!
- EU OUVI ISSO! - Gritei pra ele e fui pro meu quarto tirando minha roupa, indo tomar banho. Torcendo para que nenhum espírito agourento me perturbasse em meu ritual de paz.
Decidi uma coisa: essa noite eu vou me soltar, realmente não quero saber o que vai acontecer, apenas quero deixar rolar, quero esquecer de tudo que aconteceu.
Olhei pra água escorrendo, desejando que levasse tudo de ruim que eu pensava sobre , desejando que ela lavasse minha alma para que eu tenha mesmo a coragem de me soltar, desejando que a água que caía em meus cabelos me desse forças para poder sobreviver a essa noite. O fato é: eu não sei bem o que fazer, nem mesmo como agir perto dele. E se ele for sincero comigo, vou ter que ser com ele. Pelo menos por essa noite.
Talvez eu devesse escrever um livro, o nome seria: "Uma noite com ."
Melhor não!

Capitulo 6:

(Aconselho vocês baixarem essa música aqui: Arizona - Kings of Leon)

- ? - Escutei me chamando, me desviando de minhas promessas internas e lavação de alma. Não respondi, talvez ele fosse embora se eu não o respondesse. - , você está bem? AH MEU DEUS! Por favor, me diz que a Samara não te pegou! - Ele disse com preocupação falsa, um riso reprimido saiu de mim.
- Não brinca com coisa séria, - Disse de dentro do Box. - Eu já vou sair, daqui a cinco minutos, ok?
- Ta-ta bom! - Ele gaguejou, posso até imaginar a expressão confusa dele, se perguntando por que eu não fui grossa.
Simplesmente porque não posso... hoje.
Desliguei o chuveiro e peguei minha toalha que estava pendurada no toalheiro, me enrolei nela e saí pro meu quarto, tomando um susto, me deparando com sentado em minha cama. Ele deu uma olhada em mim e abaixou a cabeça rapidamente, não sei quem estava mais vermelho, se era ele ou eu. As orelhas de estavam tão vermelhas que podiam explodir a qualquer minuto e eu nem podia imaginar como minhas bochechas deviam estar, já que eu parecia ter lavado-as com lava ou pimentas vermelhas recentemente cortadas.
- Pensei que estivesse lá fora. – Disse, me surpreendendo por minha voz não apresentar nenhum vestígio de raiva. parece ter se surpreendido também, mas eu não sei, ele não levantou o rosto para me olhar. Agradeci mentalmente por isso.
- Bem, eu estava, mas aí eu vim ver se você estava bem, então eu pensei que talvez fosse melhor se ficássemos aqui em seu quarto, sabe? É mais confortável.
- Ah, ta bem então.
- Serio? - levantou o rosto surpreso, me olhou de novo, deu um sorrisinho sem graça, e abaixou a cabeça rápido, suas orelhas foram ganhando cor rapidamente. Sorri achando graça, ele parecia mais envergonhado que eu.
- Serio, er, você poderia pegar as coisas enquanto eu me arrumo?
- Claro. - levantou e andou rápido até a porta, mas parou no batente virou o rosto pra mim e sorriu de lado.
- Adorei sua tatuagem. - disse e saiu, corei furiosamente, amaldiçoando (minha melhor amiga que me deixou vir pra Irlanda) por ter feito com que eu fizesse essa tatuagem junto com ela, nem sei como ele conseguiu ver, é menor que uma moeda de dez centavos, mas cheia de detalhes! Uma fadinha delicada segurando uma estrela, a minha é preta e lilás, e a da é preta e rosa. Ela fica em nossos respectivos tornozelos esquerdos, bem do ladinho daquele ossinho. E antes que alguém pergunte:
Sim, doeu.
Balancei a cabeça, incrédula, e fui procurar algo para vestir, optando por um pijama preto com caveirinhas rosa daqueles de par que é um short e uma blusa enorme de frio que amarra em cima.
Ouvi batendo na porta.
- Já está vestida? - Ele perguntou.
- Já, , pode entrar. - carregava a sacola de salgadinhos e as bebidas.
- E os DVDs? - Perguntei, deixou as coisas na cômoda e bateu na testa.
- Esqueci! – Sorri. É claro que ele esqueceu! A bebida ele traz, mas o DVD? Nada!
- Claro que esqueceu! Eu vou lá buscar, pode arrumar as coisas aí. Apontei para a cômoda e a cama. Desci e peguei os DVDs.
Respirei fundo e fui até a geladeira, se eu for passar a noite com sem ser uma bitch, vou precisar de algo mais forte que coca. Abri a geladeira e peguei a tequila que tinha visto mais cedo, peguei um copo e enchi, tomando rápido em seguida. A bebida desceu rasgando e queimando minha garganta, mas o efeito foi imediato, já conseguia me sentir mais leve. Pensando bem, não iria precisar desse copo! Peguei a garrafa de tequila e outra de Smirnoff, peguei os DVDs e subi. Entrei no quarto, me olhou meio indignado e meio surpreso.
- O que você faz com essas garrafas nas mãos? - Ele perguntou, levantando a sobrancelha. Revirei os olhos.
- Estou segurando porque gosto do peso! O que você acha? É pra mim.
- Mas você não bebe! Bebe? - Ele perguntou confuso.
- Nunca é tarde para começar. - Filosofei.
- Nem vem, ! Eu não vou deixar você beber! Principalmente tequila!
- Como assim, ? Por quê? Se você pode, por que eu não posso?
- Primeiro que eu não acho que você seja acostumada com bebida, e segundo que tequila é forte demais pra você. - Ele chegou perto e tirou a garrafa da minha mão, examinando-a. - Você já tomou, não foi? - Dei um risinho.
- Calma, , foi só um copo. Está bem, se você não quer que eu beba, eu não vou beber, pelo menos por enquanto. Vem, vamos assistir ao filme. - Peguei no braço dele e o levei até a cama. deixou a garrafa de tequila no criado-mudo que fica do lado dela e foi colocar o DVD. Sorri, a garrafa estava perto de mim. Meu Deus, eu pareço uma viciada em bebida! Vou me internar numa rehab e começar a ir às reuniões para alcoólicos anônimos.
- , posso tomar Smirnoff? - Isso é ridículo! Agora tenho que pedir permissão a ele.
- Não sei, , pode ser mais fraca, mas eu não sei como você é com bebida e não quero que fique bêbada.
- Calma, ! Você está parecendo minha mãe... Ou o ! - Não sei por que me lembrei dele, mas tudo bem!
- Por que o ? - perguntou e pensei ter ouvido uma pontinha de ciúme em sua voz.
Ótimo! A bebida já está começando a fazer efeito!
- Porque é ele quem parece mais cuidar de mim. - Dei de ombros, fez um bico.
- Mas eu salvei sua vida.
- Eu sei, e eu agradeci. - Dei um sorriso, encerrando o assunto. Peguei a garrafa abri e dei um gole, é realmente mais leve que tequila. balançou a cabeça, mas não falou nada. - Então? Que filme vamos assistir primeiro?
- Não sei, que tal O Chamado?
- Tanto faz - Dei de ombros, colocou o filme e veio sentar do meu lado. - Eu vou morrer de medo mesmo!
- Eu já disse que vou te proteger! Vêm cá pra eu fazer meu trabalho melhor. - Ele disse, sorrindo malicioso de braços abertos. Sacanagem dele apelar pelo meu medo! Mordi meu lábio inferior, olhando pra ele, incerta. suspirou e sorriu, se desculpando - Desculpa, eu não quero te forçar a nada! Só quero que confie em mim.
- Não, não tem problema! - Suspirei e fui até ele, me lançou o sorriso mais lindo que eu o vi dar, entrelaçou seus braços ao meu redor, deu um beijo em minha testa e deitou comigo em seu peito. - E eu já estou começando a confiar em você.
- Obrigado, vou fazer com que valha a pena!
- Sei que vai! - Olhei pra ele e dei um sorriso simples, deu aquele sorriso de novo. Aquele que faz meu coração treinar para os saltos olímpicos.
- Ótimo, agora me dá isso aqui! - Ele disse tirando a garrafa da minha mão, fiz cara feia, mas não protestei.



Porque esse cineminha foi, hum... Interessante:
1) Cada vez que eu estremecia de medo (ou pelo fato do estar muito perto, não sei ao certo), me apertava mais forte, dando um risinho divertido, não liguei pro risinho porque não queria gerar brigas.
2) Às vezes subia a mão pelo meu pescoço, passando pelas maças de meu rosto e lábios, bem de leve como se nem se desse conta de que o estava fazendo. E eu que não sou boba nem nada, fiquei passando a mão pelo peito dele e... MEU DEUS! Que peitoral era esse? Acho que ele malha! Fui mais ousada e comecei a passar minha mão por dentro da camisa dele, ele se arrepiou que nem eu quando ele acariciou meu pescoço, dei um arranhão de leve nele e... Ele deu um gemidinho, eu pensei: “É melhor eu parar por aqui antes que os hormônios tomem conta e não possamos nos controlar.” Triste! Eu não queria parar!
3) me deixou beber! Mas foi só um pouquinho porque eu não queria sair de onde eu estava, ou seja: nos braços dele.
Foi um cineminha estranho! Quer dizer, não posso dizer que não gostei, porque... Bom, eu gostei! Pelos fatos da listinha acima. ‘Ta que o filme me fez ficar com tanto medo que toda vez que eu for sentar no vaso sanitário eu vou dar uma olhada pra ver se a Samara não está lá pra puxar meu lindo bumbum! Mas foi legal...



- Quer assistir mais um? - perguntou, passando a mão de leve em meus cabelos.
- Não, obrigada! Já basta a Samara pra me aterrorizar, quer me colocar a menina do grito também? - Disse rápido e ele deu uma risadinha.
- Mas viu como eu te protegi? Ela ficou com tanto medo que nem chegou perto! - Ele disse com falsa modéstia.
- Meu herói! - Disse irônica. - O que vamos fazer, agora?
- Não sei. - Me soltei dele e fiz uma cara feliz, o encarando, ele me olhou assustado/divertido.
- Que tal se a gente brincar das sete verdades?
- E como seria isso?-Ele levantou uma sobrancelha.
- Cada um tem direito a sete perguntas, mas se não quiser, responder vai ter que tomar três doses de tequila, e se responder, tem que ser verdade.
- Não sei, não...
- Que foi, ? Está com medo?
- Não é isso! É só que você...
- Não vai acontecer nada comigo. Deixa de ser bobo! - Disse revirando os olhos.
- Ta, tanto faz. - Ele deu de ombros.
- Ok! Eu começo. – Me levantei e fui buscar a tequila, peguei um daqueles copinhos e sentei na cama em frente a ele. – Você realmente ama a Katie?
- Por que você está perguntando isso? Por um acaso é ciúmes? - Ele fez uma cara esperta arqueando uma sobrancelha.
- , querido, é minha vez de perguntar e não acho útil acabar com suas perguntas assim. - Disse jogando o cabelo pro lado, deixando o pescoço a amostra e fazendo uma expressão presunçosa. me fitou por um momento, mordendo os lábios e semicerrando os olhos, ele se aproximou de mim.
- Sabia que você fica muito sexy quando joga o cabelo e me olha assim? - ele disse sussurrando perto dos meus lábios. Puxei ar, mordi meu lábio inferior e me afastei dele, fechou os olhos com força, bufou e por fim murmurou - Desculpe.
- Vai responder a pergunta? - Tentei perguntar de uma forma meiga, mas acho que ele percebeu uma nota de irritação em minha voz, não me culpem por estar chateada, eu fiquei constrangida com o que ele falou e não gosto porque ele estava muito perto e senti algumas coisas estranhas com isso, como o arrepio que se concentrou especialmente na parte de trás de meu pescoço, meu coração que se aqueceu de repente, uma moleza em minhas pernas, que me fez agradecer por estar sentada e um sentimento estranho. Essas coisas que ninguém nunca me fez sentir, as mesmas coisas que eu não posso compreender. Odeio essas tais coisas!
- Sim, claro. - disse por fim, fiquei atônita, então ele realmente a amava?
- Você... Você a ama? - Por favor, me diz que eu não gaguejei! deu um sorrisinho torto de Edward, negando com a cabeça. - Fiquei confusa! Você a ama ou não?
- Não, eu não a amo! - Fiz uma cara confusa.
- Mas você disse que...
- Eu respondi sua pergunta, as duas. Você perguntou se eu ia responder e eu disse que sim, perguntou se eu amava Katie e eu disse que não.
- Mas se você não a ama, então por que...
- É minha vez de perguntar – me cortou e deu um sorrisinho pacífico, respirei fundo.
- Ok
- O que você sente pelo ? E eu quero uma explicação. - Ele falou rápido, balancei a cabeça duvidosa. Ele não devia exigir, eu não exigi, mas se bem que eu não especifiquei.
- Nada, ele é meu amigo - Parei um pouquinho pra pensar - Digo, ele é bem mais que um amigo - Olhei pra , que estava com as mãos em punho, franzi o cenho. - Ele é como um irmão - respirou fundo e soltou as mãos - Eu não sei bem o que eu sinto, é só... Como se eu e ele nos conhecêssemos há muito tempo, ele me entende. Mesmo nós tendo nos conhecido em tão pouco tempo. – Encolhi os ombros levemente - Agora é minha vez, se você não ama a Katie, porque está com ela?
- Boa pergunta! - murmurou franzindo o cenho, ele ficou um tempo pensando, até que continuou - Acho que por ser cômodo, sabe? Ela é a mais popular, eu sou o mais popular, é só...
- O tipo de casal que todos esperam. - Terminei e ele suspirou.
- É, mas nem sempre foi só por isso, no começo eu achava que ela tinha algo de bom, ela parecia ser diferente, parecia ser o tipo de pessoa certa, então nós começamos a ficar juntos e ela foi mostrando quem era: egoísta e invejosa. Maldosa de todas as formas que você puder imaginar, hipócrita... Quando você teve aquele ataque de asma, eu te ajudei e te carreguei até a enfermaria, você sabe - Afirmei com a cabeça esperando ele continuar - Ela veio atrás de mim e eu te passei pro , ela disse... Que sua vida não importava, naquele momento eu te juro que eu queria esquecer que ela era uma garota, queria colocar minhas mãos em volta do pescoço dela por sequer pensar que eu deveria te deixar lá pra morrer. - A voz dele foi atingindo um tom sombrio e ele foi começando a tremer de raiva na medida em que dizia aquilo.
- Hey, calma, - Disse com uma voz suave - Eu estou aqui, olha pra mim, - Levantei o rosto dele, apontando pra mim, passei a mão delicadamente em seu rosto, peguei sua mão e coloquei no meu peito, do lado que meu coração ficava – Está sentindo? Ainda está batendo. Eu estou bem, isso graças a você. - Sorri como uma afirmação de que tudo ia ficar bem, sorriu fraco e passou a outra mão pelo meu rosto, fazendo carinho, olhei dentro dos olhos dele. tirou a mão do meu peito e colocou em minha cintura, me puxando pra mais perto. Aproximou o rosto do meu devagar. Assim que senti sua respiração quente e tão convidativa em meus lábios fechei os olhos, ele encostou os lábios nos meus, começando um beijo calmo e delicado... Doce. Inocente e ao mesmo tempo sensual.
Um beijo que eu fiz questão de retribuir.
foi me impulsionando para deitar no colchão, ficando em cima de mim, mas nunca deixando todo seu peso sobre meu corpo, passando a mão devagar por dentro de minha blusa enquanto eu passava as minhas pelas costas dele, ambos estávamos arrepiados, nossa respiração acelerava aos poucos com a proximidade e o contato, meu coração batia numa velocidade que eu achava que não seria possível sem ter um ataque cardíaco, sabia que ele podia senti-lo, assim como eu podia sentir o dele que não estava tão diferente do meu. , apesar de tudo, não intensificou o beijo, não o acelerou, não parecia ter pressa, sempre calmo e doce. Ele diminuiu mais ainda a intensidade do beijo, até que paramos por completo, continuando com os lábios encostados, aproveitando e tentando compreender tudo o que sentíamos, não abri meus olhos. me deu um selinho de leve e devagar traçou um caminho até meu pescoço, dando um beijo ali e assim, arrancando um suspiro meu, ele sussurrou em meu ouvido:
- Me desculpe, eu disse que não te beijaria, acho que quebrei minha promessa, mas entenda, é difícil controlar isso. - Virei meu rosto pro lado e abri meus olhos, sabia que no momento em que eu os abrisse, contanto que não fitasse os olhos dele, tudo voltaria ao normal. Suspirei e disse por fim:
- Eu compreendo - Dei um longo suspiro e mudei meu tom de voz para um mais sério - Acho melhor voltarmos ao jogo. - tirou o rosto de meu pescoço e me fitou com olhos confusos. - O que foi?
- Nada. - Ele franziu o cenho e se levantou devagar de cima de mim. - É minha vez de perguntar agora. Por que você parece ter medo de mim? - Franzi o cenho, tinha a resposta perfeita para aquela pergunta, tinha medo dele porque quando estávamos juntos, ele despertava em mim sentimentos que não compreendia. Além de outras coisas mais. Mas não podia falar, não queria falar. Peguei a garrafa de tequila e o copo, tomei a primeira dose e respirei fundo, olhei para , que me olhava com o olhar meio machucado, franzi e tomei a outra dose tossindo um pouco, tomei a terceira sem tosse, só uma tontura.
- Minha vez de perguntar: Por que você me beijou hoje quando eu fui te agradecer? - Foi a vez de pegar a garrafa de tequila e tomar suas doses, ele não pareceu tremer nem ficar tonto, com certeza é acostumado a beber, e como eu não sou, fico desse jeito. Odeio me sentir fraca pra qualquer coisa.
Minha pergunta até que foi simples, mas acho que não posso reclamar, já que a dele também foi e não respondi, a diferença é que eu sei por que não respondi, apesar de ter dito que estava começando a confiar nele, não é por inteiro e tem coisas que eu prefiro guardar pra mim mesma.
- Parece que já é sua vez.
- Sim, é minha vez! - Ele sorriu um pouco, mas não mais como antes – Por que você não respondeu a minha pergunta?
Respirei fundo, olhei pro teto, depois olhei pra ele com um olhar de desculpas, puxei a garrafa pra mim, essa era a quarta dose ao todo, minhas bochechas já deviam estar vermelhas, na quinta minha cabeça rodava e na sexta, depois de respirar fundo duas vezes e perceber o que havia acabado de fazer, já me sentia alta. A tequila descia ardendo meio salgada, por incrível que pareça. Gostei da sensação que me fazia sentir: livre, como se ninguém pudesse me deter. Gostei tanto que tomei mais uma dose, olhei pra , sorrindo idiotamente.
- Você só precisava tomar mais três! - Ele disse, censurando.
- E daí? É bom! Toma! - Dei um copo pra ele, que sorriu, achando graça, e tomou. Sorri mais abertamente e tomei mais uma. - Cansei desse jogo! Vamos fazer outra coisa. - E tomei mais uma dose, batendo o copo no chão. A garrafa de tequila já estava pela metade.
- Como o quê? - Ele pegou o copo que eu tinha acabado de encher e tomou. O olhei com cara feia, mas ele ignorou. se levantou e, pela segunda vez na noite, voltou a rodar pelo meu quarto, olhou meu mural de fotos e apontou - Quem é essa?
- A , uma amiga minha lá de Londres. - Tomei mais uma dose e me levantei rápido com a garrafa na mão, me segurando pra não cair, já que me senti tonta.
- Você ainda fala com ela?
- Claro que sim! - Dei um risinho débil e tomei um gole - Sabe a minha tatuagem? - Levantei a perna esquerda onde ela fica, balançou a cabeça afirmativamente – Ela tem uma igual, só que a dela é rosa, foi uma maneira de nos lembrarmos que seremos sempre amigas, foi bem difícil fazer, fizemos com dezesseis anos e tivemos que falsificar a assinatura dos nossos pais.
- Não consigo imaginar você fazendo uma coisa dessas, você parece tão certinha! - riu um pouco e voltou a passear.
- Você ainda não viu nada! - Dei um sorriso malicioso e ri alto, parou em frente ao meu som, apertou “play” (N.a.: Coloquem pra tocar.) e uma música que eu amo começou a toca. - Deixa aí! DEIXA AÍ!
riu e aumentou.
Comecei a me mexer de acordo com a música, mexendo os quadris lentamente de um lado para o outro de olhos fechados e com a garrafa na mão. Fui em direção a ele e o puxei pelas mãos colocando-as em minha cintura ele fez uma cara incerta e mordeu o lábio, mas logo me segurou. Sorri pra ele. Tomei mais um gole e deixei a garrafa na cômoda. Tirei as mãos dele da minha cintura, as segurei e o puxei comigo olhando em seus olhos. Reparei que respirava ofegante.

That taste
Aquele sabor
All I ever needed
Tudo que eu sempre precisei
All I ever wanted
Tudo que eu sempre quis
Too dumb to surrender
Muito tolo para desistir



O joguei na cama e sorri.



She shakes
Ela mexe
Like a mornin' railway
Como uma ferrovia matinal
She's checking me out
Ela está me verificando
With someone on a shoulder
Com alguem em seu ombro



Continuei a dançar mexendo os quadris e levando as mãos ao meu cabelo, soltei o rabo de cavalo e o sacudi. Continuei dançando de olhos fechados passando a mão pelo meu cabelo e meu corpo.



The lamp
A lâmpada
Flickers in the bedroom
Tremeluz no quarto
She must feel as awkward
Ela deve se sentir tao embaraçada
Whorehouse Arizona
Prostíbulo Arizona



Abri meus olhos e o encarei, devagar coloquei minhas mãos em minha blusa e fui subindo lentamente.



And I go
Eu irei
Stand up to a giant
Enfrentar os gigantes
Say that I'm a fighter
Dizer que eu sou um lutador
Too drunk to remember
Bêbado demais pra se lembrar
Too drunk to
Bêbado demais para isso



Tirei e joguei em qualquer canto do meu quarto, passei minha mão lentamente pela minha barriga, subindo pela lateral de meu corpo, meu pescoço, mexendo em meus cabelos.
Com o olhar fixo em , que mordia os lábios, coloquei as mãos em meu short e fui abaixando lentamente, continuei oscilando os quadris para os lados, para frente e para trás, ele acompanhava o movimento de minhas mãos e meus quadris, parecia hipnotizado.



(Shake hands)
(mexa as mãos)



Meu short chegou ao chão, tirei um pé de dentro do circulo lentamente e apoiei o short no tornozelo do outro pé, levantei a perna graciosamente, tendo certeza que meus anos como bailarina fizeram efeito, com o short nela, dei impulso para que ele caísse em qualquer outro lugar.



My face
Meu rosto
Lying on the pavement
Repousa na calçada
Tastin something awful
Provando algo terrível
I hate when that happens
Eu odeio quando aquilo acontece



Voltei a dançar o fitando.



She wades
E ela acena
In and out of sexy
Dentro e fora do sensual
She must be plum crazy
Ela deve ser uma louca
I kinda think I like her
Eu até acho que gosto dela
I kinda think I do
Eu até acho que eu gosto



Coloquei a mão direita em cima da esquerda e subi lentamente pelo meu braço até chegar à alça de meu sutiã e lentamente a abaixei, fiz o mesmo com o outro lado. acompanhava o movimento de minhas mãos, mas parou e fitou meus olhos, ambos demos um sorriso sem nenhuma malicia (por incrível que pareça, eu me sentia bem e ele estava feliz com isso), coloquei minhas mãos no fecho do meu sutiã preto, justamente aquele que sempre emperra, ofegou e levantou, veio em minha direção, me surpreendendo com um abraço, colocou as mãos em cima das minhas, as abaixando até a lateral de meu corpo e sussurrou em meu ouvido:
- - O olhei nos olhos e ele sorriu fofo entrelaçando as mãos em minha cintura - Pare.
- O quê... Por quê? - Perguntei confusa, por que parar? Eu me sentia bem, a menos que... Agora tudo faz sentido. Meu mundo de conto de fadas bêbado explodiu-se em mil centelhas ridiculamente purpurinadas e tolas. Sentia as lágrimas em meus olhos, queria chorar, mas não podia e sabia que não iria conseguir controlar. - Eu não sou boa o bastante pra você, não é? Eu não sou bonita o bastante! Não é isso? FALA! - Gritei, as lágrimas já desciam pelos meus olhos. Tentei me livrar dele, mas ele me apertou mais forte, rindo. EU NÃO ACREDITO! - Você está rindo por quê? PARA DE RIR!
- Eu estou rindo de você! - Ele disse sem se controlar, arregalei os olhos.
- CLARO QUE VOCÊ ESTÁ RINDO DE MIM! Eu sou muito palhaça mesmo, olha só pra mim como eu sou a filha do Bozo! – Disse irônica, depois fiquei séria - Eu estou certa, não estou? Eu sou um nada pra você?! Você devia ter me deixado morrer hoje. - parou de rir bruscamente e me apertou mais forte.
- Nunca mais repita isso! Eu nunca vou me arrepender de ter salvado você! Eu ri porque você é boba. Eu não disse pra você parar porque você é pouco pra mim ou porque você não é bonita. Você é linda e completamente perfeita! Se fosse outra situação, em que não estivesse bêbada, tudo bem! Só que você está bêbada e não se controla, melhor ter parado do que continuar e fazer algo que não tenha volta, e amanhã você iria me odiar mais do que já me odeia! Eu poderia dar tudo pra ser o cara para quem você estaria dançando sensualmente e, por último, nua, por um momento eu quase fui, mas continuar com você nesse estado seria um erro que poderia me fazer te perder e eu não estou disposto a me arriscar. - Ele disse rápido, olhando fundo em meus olhos, ele é tão lindo e fofo, e eu tão idiota e estúpida, tudo que ele falou tem coerência e eu fui tão boba! Toquei de leve em seu rosto, ele suavizou a expressão e fechou os olhos quando toquei em seus lábios.
- Obrigada, , desculpe por ser tão tola. - Sussurrei pra ele, que abriu os olhos e sorriu de leve, em seguida colando os lábios nos meus como se precisasse disso para sobreviver, me surpreendendo de tão inesperado... De tirar o fôlego. Fomos cambaleando até minha cama, me deitou devagar nela, ficando por cima de mim. Ele percorria inquietamente as mãos pelo meu corpo enquanto eu passava minhas mãos por dentro da camisa dele arranhando suas costas, levantei sua camisa parando o beijo para tirá-la. Incrível como esse beijo era diferente do outro, era doce, mas ardente. Muito ardente, abrasador! Arranhei suas costas mais fortes e ele deu um gemido fraco. colocou a mão em minha coxa e apertou puxando-a para entrelaçar em cima da sua perna, reparei que ele ficou “animado” com minha dança, e mais ainda agora.
colocou dois dedos dentro da lateral de minha calcinha, e foi aí que um alarme soou em minha cabeça, mesmo ele só tendo repousado lá, nem puxado nem nada, o alarme foi soando mais alto, empurrei um pouco ele e tentei falar, meus lábios ardiam querendo o contato dele de novo. Querendo que ele me beijasse mais que tudo.
- - Chamei - .
- Hum - Ele murmurou, beijando meu pescoço, suspirei profundamente antes de dizer.
- A gente não devia estar fazendo isso. - Disse fraca, ele parou de beijar meu pescoço e olhou em meus olhos.
- Tem razão - Ele murmurou entre meus lábios, não consegui me controlar e o beijei um pouquinho menos ardentemente que antes. O beijo foi enfraquecendo até que parou e ele suspirou entre meus lábios de olhos fechados - ...
puxou ar, saindo de cima de mim com cuidado e se deitando ao meu lado respirando rápido e profundamente, até que suavizou, ele se levantou e foi até meu banheiro. Fazer sei lá o quê. Respirei fundo, até meus hormônios se acalmarem, levantei e peguei a garrafa de tequila, tomando três goles. Gritei para no banheiro:
- É incrível como toda vez que brigamos acabamos nos beijando, não é?! Imagina quando brigarmos de verdade e horrivelmente!
- Quer dizer que quando esse dia chegar, vamos acabar indo para cama e, consequentemente, fazendo sexo?
- Haha! Engraçadinho! - Tomei um gole, parei e pensei. Gritando pra ele em seguida – Se um dia chegar a esse ponto: não me bata, eu não sou sadomasoquista e não sentirei prazer com isso!
- Isso é um convite? - Ele berrou com a voz maliciosa.
- Cala a boca! - Disse e tomei mais três goles.
- Você devia parar de beber isso. - disse saindo do banheiro, tirando a garrafa da minha mão, tomando um gole.
- Por quê? Tudo parece mais divertido com ela! - Tirei a garrafa da sua mão e tomei mais um gole, no radio agora tocava alguma música do Muse que sempre me dava vontade de dançar.
Então eu dancei, não sensual como antes, mas divertida. Mexendo os quadris e os ombros, levantando a mão com a garrafa de tequila, tomando um gole. se aproximou, tirou a garrafa da minha mão, deu um gole, deixou-a na cômoda e começou a dançar comigo, cantando em meu ouvido:
- I belong, I belong to you - Me arrepiei inteira. Ele sorriu pra mim daquele jeito que faz minhas pernas não existirem mais, segurou minhas mãos e começou a me rodar sem parar, rodando, rodando, depois me abraçou e continuamos rodando. Até que caímos no chão rindo que nem duas crianças. O riso foi morrendo e ele puxou meu corpo seminu para seu peito nu e começou a passar os dedos pelo meu cabelo devagar murmurando alguma música, estava quase dormindo, tudo se misturou: a embriaguez, o carinho e sua voz. Era um convite pra inconsciência que eu estava tentada a aceitar. Mas me fiz de difícil, não queria que essa noite acabasse. Ele parou de cantar.
- ? – me chamou, meus olhos já estavam fechados, eu travava uma luta agora e a inconsciência não podia vencer!
- Hum - Murmurei cansada com a voz embriagada, ele riu um pouco, continuando a passar os dedos pelo meu cabelo.
- Eu acho que eu estou começando a te amar. - Abri meus olhos, rápido, GANHEI! : 1; Inconsciência: 0. Comecei a rir devagar, meio bêbada, pelo que havia dito.
- Porque você está rindo? - A voz dele adquiriu um tom melancólico. Parei de rir.
- Porque isso é bobo! – Suspirei - Você me conhece não faz nem uma semana! - Viu como é bobo? Não existe isso!
- E daí? Nunca ouviu falar em almas gêmeas? Amor à primeira vista? - Bom argumento, mas eu tinha um mais concreto.
- A primeira vez que você me viu não foi agora. - Disse esperta.
- Disse que tava começando... – Ele disse devagar - E quem disse que eu não comecei desde a primeira vez que eu te vi, principalmente quando você estava em meus braços? - A voz dele adquiriu um tom sonhador e pensativo, como se estivesse se lembrando do momento, ele continuou: - Eu disse, podemos ser almas gêmeas!
- Isso tudo é muito fofo - Falei sincera, puxei ar e soltei pesadamente. - Mas eu não acho certo pensar nisso!
- Por quê? Você não acredita? - perguntou surpreso.
- Não é bem isso, é só que... - Parei e fiquei pensando, flashes da minha vida passavam pela minha cabeça, fechei os olhos forte.
- O quê? - Ele pressionou.
- Nada! - Não queria tocar nesse assunto, ele me deu certeza de uma coisa que eu não queria que fosse verdade.
- Fala, , o quê? - Ele apertou um pouquinho meu ombro, não forte, sem me machucar.
- , você não pode me amar, ok? - Apoiei meu cotovelo no chão e meu rosto em minha mão o fitando, podia ver refletido nos olhos dele que os meus tinham uma dor inexplicável.
- Por que não? - Ele adquiriu o mesmo olhar que o meu.
- Porque não! Não é certo e Eu não poderia te amar de volta!
- Por que não? Eu não sou bom o bastante pra você? - Ele me olhou desesperado e eu ri um pouquinho, tínhamos invertido os papéis.
- Não é isso, você é perfeito e lindo e... Céus! Você é tudo! É só que... - Parei e pensei.
- Que o quê? O quê, ? Me fala! - Respirei fundo, mordi o lábio e soltei.
- Eu não posso amar! - Ele me olhou surpreso, semicerrando os olhos e deu um sorriso tranquilo.
- Isso sim é bobo! Não existe uma pessoa na face da terra que não possa amar uma pessoa ou algo! Porque você acha que não pode amar? - Neguei com a cabeça - Fala! - Respirei fundo de novo e balancei a cabeça rápido. Minha cabeça girou. Fiquei tonta. E respondi com uma voz meio embriagada.
- Porque todas as vezes em que eu abri meu coração pra alguém eu me machuquei, todas as vezes! Assim, eu conheço um cara, tudo fica legal e todos acham que tudo vai dar certo, mas eu sempre espero que algo dê errado. E da última vez que isso aconteceu, o dodói ficou tão grande e tão aberto que eu acho que nem mesmo um super Band Aid do Homem-Aranha poderia ajudar a curar! Então eu decidi que eu iria me fechar pra essa coisa! Já que ela parece não existir e eu acho que eu até que estou indo bem!
- O que aconteceu?
- Te conto quando eu estiver pronta... – Ri um pouco - E sóbria.
- Você não pode esperar que algo dê errado, , espere que tudo dê certo. - Ele disse positivo.
- Queria poder acreditar nisso. - Disse triste.
- E pode! – disse otimista - Nada vai dar errado. Isso é real, eu sou real, não precisa se preocupar que eu vou ser seu Band Aid. - Ele deu um sorriso de super herói, eu ri, balancei a cabeça um pouco (doeu!) e um pouco da realidade pareceu me atingir.
- Seria legal! – Disse sincera - Mas amanhã tudo vai acabar.
- Mas eu não quero que acabe. - Ele disse triste, fazendo um bico.
- Nem eu! - Respirei fundo, tentando me conformar e continuei - Mas a gente pode fazer nada! Amanhã ou depois de amanhã você vai voltar a ser a pessoa que eu odeio e eu vou voltar a ser a pessoa que você odeia e não há nada que possamos fazer!
- E se mudarmos? – Ele perguntou animado - Tipo, um pro outro?
- Você faria isso? Abandonaria tudo por mim? - Eu estava tão maravilhada com isso que creio que meus olhos brilhavam.
- Por você eu faria. – Ele sorriu - Abandonaria até a escola... Se isso fizesse com que você ficasse ao meu lado...
- Então eu ficaria pra sempre com você. - Disse sonhadora e bocejando. Fechei os olhos, riu.
- Você está morrendo de sono!
- Não estou! Eu não posso dormir! Não quero que essa noite acabe!
- Nem eu, mas você tem que dormir. Vem, vamos pra cama.
- Não consigo levantar! Minha cabeça está girando... Ou será que é o mundo? - Perguntei, riu de novo, o senti colocar um braço embaixo de minhas pernas e outro embaixo de minha cabeça.
- Eu vou te levar pra cama... No bom sentido. - Ele disse rápido e eu ri um pouco, tomou impulso e senti-o me levantar, me sentia bem nos braços dele. Ele me colocou na cama delicadamente, mas não senti afundar do meu lado, abri os olhos e levantei minha cabeça rápido, praguejando horrores mentalmente por ter feito isso. estava na porta.
- Aonde você vai? - Perguntei confusa, ele me olhou da mesma forma.
- Dormir... Na sala.
- Você vai me deixar aqui sozinha? - Minha voz atingiu um tom de pânico que me fez querer rir. E se a Samara aparecesse?
- Eu pensei que...
- Pensou errado! Vem. - Apontei pro espaço na cama ao meu lado, sorriu e deitou ao meu lado.
- Posso tirar a calça?
- Eu estou em desvantagem aqui, então pode! - Disse apontando dele, que usava a calça enquanto a camisa tava jogada por aí, pra mim que você já sabe o que aconteceu. sorriu mais e tirou a calça, observei o corpo dele, mordendo os lábios. Ele se deitou ao meu lado abrindo os braços, sorri e me coloquei entre eles, me deitando em seu peito, fazendo desenhos abstratos nele com meus dedos enquanto ele se arrepiava e passava os dedos pelos meus cabelos. Levantei minha cabeça devagar e cheguei perto de que me fitava tranquilo e paciente, selei meus lábios nos dele começando um beijo calmo e doce. Separei meus lábios dos de que me roubou um selinho, sorri e ficamos nos olhando, tendo uma espécie de conversa sem falar. Mais ou menos assim:
“Obrigada por me fazer voltar a acreditar!” Eu não agradeci.
“Você merece isso. Obrigado por me dar a chance de te mostrar um pouco quem eu sou.” Ele não disse agradecendo.
colocou um cabelo meu que estava caindo sobre meu rosto atrás da orelha e me deu mais um selinho, e outro, e outro, até que parou e passou a mão pelo meu rosto, foi minha vez de roubar um selinho dele. Sorrimos um pro outro, ele voltou a mexer em meus cabelos, e eu voltei a deitar minha cabeça no peito dele, voltando a senti-lo se arrepiar com o toque dos meus dedos. Fechei meus olhos, eu podia ouvir seu coração, calmo como uma melodia, e assim, com as batidas do coração dele, eu dormi.



~~*~~



Ai, meu Deus! Parece que um caminhão me atropelou! A mim não, à minha cabeça! Meu travesseiro está tão quentinho! Nunca pensei que ele fosse assim quentinho e confortável! Ah, e cheiroso. Abri meus olhos e me deparei com meu travesseiro cor de... Cor de ?
Ah não!
Flashes da noite passada passavam a jato pela minha cabeça e muitos espaços em branco.
ficou em casa comigo, os meninos foram embora, Tequila, assistimos filmes da Samara, Tequila de novo, Sete verdades, beijo calmo, Mais Tequila, Arizona, Tequila, espaços em branco, Tequila, e eu caímos na cama e eu estava de calcinha e sutiã! Tequila.... Beijo ardente, Tequila, dança com sem camisa, rodar, espaços em branco, tequila, branco, tequila, branco, tequila-tequila, branco-branco...
Não me lembro de mais...
Espera: Eu disse pro tirar a calça!
Tento ignorar minha acusação de que sou uma vadia-atirada por ter dito isso a ele e me concentro em algo mais importante:
Acho que eu e , o mesmo que estou deitada com a cabeça em cima, o mesmo que está acordando e me olhando com um sorriso fofo e rosto lindo amassado de sono, acho que eu e ...
- Bom dia, ! - Ele disse, me dando um selinho.
Ah, droga!
Uma merda eu não saber me dar com a bebida!


Capitulo 7:

Coisas que eu considerei fazer para sair dessa situação constrangedora:
1) Fingir que nada aconteceu, mesmo eu não lembrando o que supostamente não aconteceu.
2) Olhar para e acusá-lo de ter tirado minha virtude.
3) Dar um sorriso, pular em cima dele e começar tudo (o que provavelmente aconteceu) de novo.
4) Correr pra cozinha, pegar a faca mais próxima e me matar ou...
5) Correr pro banheiro e me trancar lá ate ter certeza que já passaram bons anos e já poderia ter ido embora ou ter reencarnado quatro vezes. Esquece a parte de reencarnar; ele provavelmente ainda estaria em cima da minha cama se o fizesse.
Em vez disso...
Levantei com tudo. Minha cabeça girou, um enjôo terrível tomou conta de mim. Corri pro banheiro, escancarando a porta, me joguei em frente ao vaso sanitário, levantei a tampa e vomitei.
Ótimo! Além de não lembrar o que e como aconteceu ontem à noite, estava grávida; é a única explicação pra sentir esse enjôo e estar aqui vomitando tudo o que comi em meus curtos anos de vida. Ou então é porque estou com uma ressaca horrível mesmo.
Escutei passos apressados atrás de mim e, antes que pudesse processar se realmente tinha ouvido, estava lá ao meu lado, afagando minhas costas com uma mão e segurando meu cabelo com a outra.
Que droga, não quero que me veja nesse estado deplorável.
- Vá embora! - disse pra ele, com lágrimas nos olhos. Não sei por que estava chorando, mas das três, uma (possivelmente todas): ou porque eu poderia estar grávida, ou pela minha dor de cabeça ou porque eu queria chorar e pronto!
- Não, não enquanto você estiver assim. Olha pra mim - ele disse, com uma voz atormentada. Virei mais meu rosto pro outro lado, pois não queria olhar pra ele. se mexeu e foi para o outro lado. Virei meu rosto de novo. Ele deu uma risadinha. - Poderia ficar fazendo isso o dia todo ate você olhar pra mim e isso não me cansaria.
- Por que você se importa? Você me odeia.
- Eu não... - ia dizer, mas parou. Estranhei o silêncio. Virei pra ele, procurando seus olhos. Não consegui definir o que se passava pela cabeça dele, mas ele com certeza estava confuso. Droga! estava me puxando pra baixo. Ele olhou pra mim, me puxando bruscamente pelo braço. - Tome banho e se vista; vou preparar algo pra você comer.
- Você não respondeu minha pergunta – disse, encarando-o nos olhos. - Por que você se importa? – Ele tocou meu rosto de leve, fechou os olhos em frustração e soltou uma respiração pesada.
- Eu não sei. Talvez não devesse, mas te acho algo importante pra eu me preocupar. - abriu os olhos, esboçando um sorriso, deu um beijo no topo de minha testa, e se retirou em seguida.
O que isso significava? Odeio muito tudo isso! Minha cabeça está mais confusa, não sei o que quer não sei o que ele pensa, odeio o fato de estar tão perdida e odeio mais ainda o acontecimento de estar perdida com ele. Eu quero odiá-lo, almejo isso, mas se ele continuar agindo assim, não sei se vou ter forças pra continuar sendo fria e sem emoções afetivas em relação a determinadas pessoas ().
Uma coisa se passou pela minha cabeça, um flash, meu e do . Eu o beijei e tivemos uma conversa mental.
Meu Deus!
Ele tinha me feito voltar a acreditar?
E como assim, eu o tinha beijado?
Balancei a cabeça, tentando espantar esse pensamento. Tirei o resto de minha roupa, ligando o chuveiro, ficando embaixo dele, a água morna descia pelo meu corpo.
Não tinha certeza se queria lembrar o que aconteceu ontem, talvez não fosse tão bom assim, talvez eu só ficasse mais confusa ou talvez eu me surpreendesse.
Talvez eu descobrisse que a noite de ontem tinha sido a mais fofa de toda minha vida, a noite em que, se eu lembrasse, poderia ter sido a noite que me havia feito apaixonar-me pelo .
É, eu com certeza não posso lembrar-me do que aconteceu ontem.

Uma sombra do lado de fora do boxe me chamou atenção, agradeci mentalmente pelo fato do vidro estar embaçado e ser fosco, impossibilitando a visão total.
- Eu tenho certeza que você tem uma audição perfeita e com certeza sabia que eu ainda estava tomando banho - disse para do outro lado e escutei-o rir um pouco.
- De fato, eu tenho. Vim avisar que se você estiver bem e se apressar, podemos ir para a escola. E que já fiz seu café da manhã.
- Não gosto de comer de manhã. - Cortei-o.
- Mas você precisa.
- Mas eu não gosto. - Fiz birra.
- , por favor! Deixe de ser tão infantil - ele disse, um pouco irritado. Okay. Ele tinha razão. Bufei, desliguei o chuveiro, abri um pouco o boxe, coloquei a cabeça para fora e dei um sorrisinho apologético.
- Desculpe, você poderia, por favor, pegar a toalha pra mim? - Ele franziu o cenho, andou até o local onde a toalha estava pendurada, pegou, e levou-a para mim.
- Aqui. - Ele estendeu a toalha.
- Obrigada. - Peguei, fechei o boxe e me enxuguei lá dentro, ainda estava lá fora. Enrolei-me na toalha e abri a porta. estava com uma expressão contida. Franzi o cenho, o encarando. - Você pretende ficar aqui? Sei que você já deve ter me visto nua ontem, mas eu não me lembro e não me sinto muito confortável com isso.
- Eu vou... Espera aí, o quê? - me encarou, confuso. – Você não lembra o que aconteceu ontem?
- Não, mas não sou tão estúpida. Sei que fizemos algo – disse, pensativa. me olhou, indignado. - O quê?
- Você é inacreditável! Fizemos muitas coisas ontem, mas nada disso que você pensa. Eu não posso crer que você não lembra - disse , frustrado, saindo do banheiro. Pulei quando o escutei bater a porta do meu quarto com força. Então não tínhamos feito aquilo?
Ok, agora eu estava confusa.
Mas ele não podia me culpar! Poxa, eu tinha bebido, tinha uma explicação pra não lembrar, aquela foi à primeira vez que meu sistema tinha tanto teor de álcool.
Coloquei um vestidinho qualquer e fui ate a cozinha, reparei que devia ter limpado a casa, já que eu não via vestígio que estivemos farreando por ela. Tinha que tomar nota de agradecê-lo depois. Encontrei-o sentado de braços cruzados, com um sanduíche em um prato e um copo de leite do lado, Sentei em frente a ele. tinha o cabelo molhado, acho que ele tomou banho, eca, ele está com a mesma roupa, não posso culpá-lo, ele não mora aqui. O que é uma pena, mas...
- Fiz pra você. - Ele empurrou o prato e o copo para mim.
- Obrigada – disse, com a voz fraca. Eu deveria pedir desculpas? não largava a carranca. Comi em silêncio, olhando pra ele de vez em quando. bufava, revirava os olhos e balançava a cabeça, indignado. É, acho que eu deveria pedir desculpas, sim. – Me desculpe.
- Pelo quê? - Ele me olhou, rígido.
- Por não lembrar – disse, encolhendo os ombros. me deu um olhar cansado e balançou a cabeça.
- Tudo bem, eu não deveria ter deixado você beber, não estou mais com raiva de você, estou com raiva de mim.
- Não fique, você sabe que não conseguiria me controlar – disse, sorrindo, convencida.
- Não mesmo, você tem um gênio forte. - Ele admitiu e dei uma risadinha. - Vamos mudar de assunto.
- Ainda podemos ir pra escola? - perguntei.
- Acho que sim. - Ele encarou o relógio. - Podemos entrar no intervalo, eu conheço o porteiro, então ele nos deixaria entrar.
- É, pode... - Parei um tempo, levantando a cabeça, tentando aguçar meus sentidos.
- O que foi? - me perguntou, um tanto espantado.
- Shi! - Eu acho que podia escutar... Não podia ser. Oh, céus! - , rápido, você tem que sair daqui! - franziu o cenho.
- Por quê?
- Minha mãe.
- Ela está viajando - ele disse, atordoado.
- Não mais, é ela, eu posso ouvir o barulho do carro virando a esquina, rápido, , pega as suas coisas e vai embora.
- Mas como? - perguntou, admirado e levemente amedrontado. O garoto deve pensar que eu sou uma aberração. Melhor assim, talvez ele se afaste de mim. Porém, não acho que seja isso o que eu realmente quero.
- Eu adquiri isso com o tempo, agora rápido! - se levantou na pressa, pegou sua mochila e ia se dirigindo pra porta da frente. - ESTÁ LOUCO? Sai pela detrás! Ela vai te ver se você sair pela da frente, rápido, pula o quintal do vizinho, eu acho que não tem cachorro.
- Você acha? – perguntou, de olhos arregalados.
- É, ! Vamos, vai logo! Eu pensei que ela só fosse chegar semana que vem... - Pensei alto.
- O quê? - parou, virando pra mim.
- Para de fazer perguntas e vai logo! - exclamei, agoniada. começou a rir e eu ri com ele, meio que o empurrando.
- Eu me sinto como um amante fugindo do marido. - Ri um pouco, pois não é que parecia mesmo? Só faltava ele estar só de cueca. Eu devia tê-lo escondido embaixo de minha cama ou algo parecido. abriu a porta dos fundos, parando e virando pra mim.
- Rápido, ! - sussurrei. Eu já podia escutá-la bem próxima. sorriu, segurando meu rosto entre as mãos.
- Fica calma, pimentinha! E eu que achava que você era a santinha.
- Garoto, você não conhece nem a metade sobre mim - sussurrei, dando um sorriso malicioso.
- Eu sei que não. Desejo que você me dê a oportunidade de conhecer. - Ele sorriu, olhando profundamente em meus olhos, e nesse instante foi como se o tempo parasse e me atrevo a dizer que também sentiu isso. Como se o risco de ser pega estivesse longe de ser verdade, como se só existisse eu e ele, e o aqui e agora. - Eu realmente espero que você se lembre de tudo o que aconteceu ontem. - Ele deu um sorriso lindo e conspiratório, beijou meus lábios e saiu. Levando com ele meu fôlego. Queria gritar pra que ele me devolvesse, mas ele já estava pulando o quintal do vizinho. Peguei o que tinha restado e voltei a respirar, mas com dificuldade.
Escutei o carro de mamãe estacionando, meu coração bateu com velocidade em minha caixa torácica. Merda! Por que ela tinha chego mais cedo?
Mamãe passou a chave na porta, continuei na cozinha, escutei seus passos e de mais uma pessoa com ela. Estranho.
- Não sei porque ela não estava na escola. - Mamãe parecia pensar alto. - Azar o dela, perdeu um dia de compras.
- Ah, tia, você sabe como é. - Eu conheço essa voz. Não é possível. Minha boca escancarou e fui até a sala, parando quando as vi.
- Aí está você! Por que não foi pra escola? - Mamãe tentava escondê-la, mas eu já a tinha visto.
- Deixa, tia, ela já me viu - ela disse, revirando os olhos. – Droga, ! Você sempre estraga as surpresas! - ela disse, frustrada, e meu sorriso foi crescendo gradativamente, assim como o dela, que abriu os braços, me esperando. Dei uma grande gargalhada e corri até ela, abraçando-a.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH - gritávamos juntas, pulando feito duas tontas. Mamãe cobria os ouvidos com as mãos, sorrindo, satisfeita.
Ela estava aqui! Ela finalmente estava aqui!
, minha melhor amiga de todos os tempos, finalmente estava aqui.
- Por que você não estava na escola, sua tonta? Nós íamos te buscar pra fazer compras!
- Eu tive um ataque de asma ontem...
- Como assim, filha? O que aconteceu? - Mamãe perguntou, preocupada.
- Nada, mãe, acho que fiquei nervosa ou algo assim, mas estou bem. - Confortei-a.
- Ótimo, vou ver algo pra comer, estou morrendo de fome.
- , eu não acredito que você está aqui! Mas como? Por quê? - perguntei, confusa.
- Como assim? Você nem desconfiava? Sua mãe foi pra Londres pra me buscar, acho que ela constatou o fato de que depois de um mês aqui você não iria conseguir sobreviver sem mim - ela disse, convencida.
- Para de se achar, garota! - Me soltei dela, e fez um bico. – Não, amiga! Não fica assim! Você tem razão, eu não conseguiria viver aqui sem você!
- Eu sei. - Ela sorriu. - Agora vamos que eu quero me trocar e você precisa me contar tudo o que aconteceu.
- Tá, mas como vai ser? Você vai morar aqui ou o quê? – perguntei, ajudando-a a levar as malas para meu quarto.
- Vou, sim, foi assim: meu pai viu que eu estava super deprimida sem a luz da minha vida, digo, você. – Sorrimos. - Sua mãe ligou pra ele pra perguntar como eu estava e ele disse que eu estava péssima, e ela sugeriu que eu viesse morar aqui, meu pai ficou receoso no começo, mas depois ele simplesmente soube que era o melhor para nós duas, contanto que eu fosse visitá-lo quando pudesse e que eu não o esquecesse. Ridículo da parte dele pensar que eu o esqueceria! Mas...
- Isso é incrível! - Abracei-a de novo. - Eu mal posso acreditar!
- Eu sei, nem eu. Sua mãe foi lá na escola e, como eu disse, se você estivesse lá, nós estaríamos fazendo compras agora sua estraga prazeres! - Ela me empurrou um pouquinho, rindo. - Mas ela aproveitou pra me matricular logo e meus horários são iguais os seus, ela agora é minha responsável, o que é tudo. É como se nosso sonho se realizasse e nós fossemos irmãs.
- Mas nós somos irmãs, pra mim você é como minha irmã - disse a ela com um sorriso, sorriu também, me abraçando.
- Amiga! Você também é como minha irmã.
- MENINAS, SE VOCÊS AINDA QUISEREM FAZER COMPRAS É MELHOR SE ARRUMAREM! - Mamãe gritou do quarto dela, ou será que era da cozinha? e eu nos olhamos, rindo alto.
- PODE DEIXAR, MÃE - gritei pra ela. – Corre, amiga, toma banho no meu banheiro que eu vou me vestir, pois acabei de tomar banho. - Sorrimos e fomos nos arrumar.
Coloquei uma calça jeans e uma blusa quadriculada, com um par de All Star roxo. colocou uma saia preta cintura alta, uma blusa branca e uma botinha preta. Mamãe vestiu uma calça jeans, uma camiseta amarela queimado, um colete e um sapato alto lindo que eu sempre invejei. Pena não caber no meu pé, se não já era meu.

Foi um dia exaustivo de compras, um que eu adoraria repetir periodicamente.
Joguei-me na cama e encarei no colchão ao lado. Ela ficaria no meu quarto ate o dela ficar pronto ou ate matarmos a saudade, o que vier primeiro.
- Agora me fala tudo o que aconteceu ontem e o porquê do seu ataque de asma. Eu te conheço muito bem, e sei que você não tem ataque por nada. Sua asma é daquelas que só ataca quando algo importante acontece. Nossa, você deve ter ficado muito furiosa ou algo que tenha abusado das suas emoções. – Sorri. me conhecia bem. Bem demais pro meu agrado. Contei tudo pra ela, menos a parte de ontem à noite, isso porque, além de não lembrar direito, me interrompeu. Vaca!
- Nossa! Katie idiota! Que estúpida! Que ridícula, ela achava que você iria cair, já pensou se você tivesse ido e se batido feio? Ou elas tivessem pegado suas roupas e fugido. Que raiva disso! !
- Calma, , eu já superei. E estou bem. - Acalmei-a. sorriu, maliciosa.
- Eu sei que está! Isso tudo graças ao herói da historia! E como é esse ?
- Ele é... Você não ouviu o que eu disse que a disse sobre ele?
- Ouvi, claro. E essa deve ser muito diva mesmo, quero só ver o carro dela! Mas isso não muda o fato de ter salvado sua vida. E aí?
- Ele é... Ele é... - Respirei fundo, fechando os olhos em desistência. - Lindo.
- Uh, oh! Eu já vi esse olhar antes - disse , temendo o que estava por vir. Até parece!
- Não começa! Ele é um idiota, um estúpido! Um presunçoso, egoísta. E ele é namorado da Katie, o que conta milhões de pontos negativos.
- Na verdade, pra aguentar essa guria ele deve ser um herói mesmo! - disse e nós rimos. Ela me olhou com um sorrisinho piedoso. - Você parece ter muita raiva dele, não é? Mas por quê?
- Sei lá! Vai ver foi pelo que ele me falou quando eu fui agradecê-lo. – disse, pensativa.
- É, mas isso não te impediu de beijá-lo. - sorriu, esperta.
- Mas foi ele quem me beijou.
- Mas você gostou que eu sei! – disse, com um sorriso malicioso.
- Ai, ! NÃO ME IRRITA! - disse, com raiva. se encolheu e eu revirei os olhos. - Vamos dormir que amanhã temos que acordar cedo. Estou louca pra ver a reação de todos quando virem minha amiga gata, máster gostosa e londrina!
- Não sei se vai ser tão boa quanto à reação das pessoas à nossa brasileira londrina – disse , um pouco nervosa.
- Relaxa, amiga. Você tem a mim. - Sorri.
- Tem razão, e é por isso que eu te amo – disse, me puxando para um abraço.
- Também te amo, amora da minha vida, agora boa noite - disse, a apertando contra mim.
- Boa noite, chuchu.
- Boa noite, quiabo – disse, fechando os olhos. Não queria pensar em mais nada, então canalizei todas minhas forças internas para chegar à inconsciência.
Mas não fui tão bem sucedida.
Estava quase dormindo, até que voltou a minha cabeça.
De repente tive consciência de tudo. Tudo o que ele disse, tudo o que ele tinha feito, tudo o que nós tínhamos feito. Como um filme, que eu adoraria ver, passando rápido, repetidas vezes. Porém, parecia diminuir em partes ridiculamente importantes.
Levantei de supetão, puxando o ar pesadamente.
- O que foi, ? Está tudo bem? Não é outro ataque, é? - perguntou, preocupada.
- Eu me lembrei! Eu me lembrei de tudo! Eu não acredito que fui tão estúpida! Meu deus, eu dancei pra ele! E Arizona?! - Apontei pra , que balançou a cabeça ainda me olhando confusa. – E eu dancei tão sexy! – Arregalei os olhos, puxando o ar. – Nos beijamos! Nossa, ele beija tão bem! Droga! Eu contei pra ele!
- Quem? Ele quem? Contou o que pra quem? – insistia. Não conseguia prestar atenção e processar o que ela dizia. Encarei o vazio, me lembrando de mais uma coisa:
“Eu acho que eu estou começando a te amar.”
- Oh, meu Deus! - disse, em um suspiro.
Ai, meu santinho produtor da tequila!
- Ele disse que estava começando a me amar – disse, sonhadora, com um estúpido sorriso em meu rosto.
- O quê? Quem? Droga, ! Odeio quando você faz isso e fica falando sozinha quando eu estou aqui. - Virei pra .
- , eu sou uma idiota! Foi perfeito, foi tudo perfeito. E se ele ficou tão chateado por eu não ter lembrado, só pode ser porque a noite também foi especial pra ele! Céus! Eu queria tanto ter lembrado a tempo. Eu deveria ter lembrado.
- , não estou entendendo nada! Que merda! Explique o que aconteceu.
- Okay. - Contei a ela o que tinha acontecido noite passada. Tudo. Contei tudo.
- Spencer? Não tinha uma invenção melhor? - ria. Será que ela entendeu a gravidade da situação?
- ! Para de pensar no Spencer e me ajuda! – Choraminguei. me olhou, séria.
- Bom, , eu tenho dois modos de pensar: a sonhadora e a realista. A sonhadora diz que tudo foi lindo e que se ela fosse você, ela estaria pulando nos braços do sem se importar com a namorada vaca dele. - Então a sonhadora é louca! Porque eu não vou fazer isso. - Coitada desse lado da tem que acordar pra realidade. Suspirei. - Foi o que eu pensei. - Ela me deu um sorriso terno. - E a realista? - perguntei, ansiando que essa tivesse um pouco mais de noção. - Bem, a realista é curta e grossa: vocês estavam bêbados e bêbados falam e fazem muitas besteiras.
- Mas bêbados falam a verdade - disse, querendo me agarrar à última ponta de esperança de que aquilo foi mesmo algo especial tanto para mim quanto para ele.
- Não sei, , se é assim que você quer pensar... A sonhadora comemora, mas a realista está com muita raiva por não ser levada a sério. Agora, se você me deixar, eu vou dormir, porque eu não quero estar com olheiras amanhã.
Droga! Malditas duplas personalidades de ! Odeio quando elas agem, odeio mais ainda quando a realista tem tanta razão.
Essa foi a noite em que menos dormi. Fiquei acordada, pensando até três da manhã, e depois consegui pegar no sono.
Tinha apenas uma ideia em minha cabeça: eu fingiria que continuava sem lembrar de nada.


Capiítulo 8:

- VAMOS, ! - Gritei pra ela, a garota estava à meia hora no banheiro só ajeitando o cabelo, enquanto eu já estava pronta, em pouco tempo buzinaria e teríamos que ir embora. Pensado e feito. Meus neurônios não tiveram nem tempo para descansar, estava buzinando. - , EU JÁ VOU! SE VOCÊ AINDA QUISER IR: SAI LOGO DESSA DROGA DE BANHEIRO!
- Ai, , não sei pra que tanta pressa! - disse, e pude escutá-la rir dentro do banheiro, revirei os olhos e desci.
- Tchau, mãe. - Dei um beijo na bochecha de mamãe, que estava parada na beira da escada, e saí, esperando encarar com aquele carro magnífico. Ao invés disso, eu encarava um carro completamente lindo, mas que não era o carro divo de . Não entendo muito de carros, mas tenho quase certeza que era um Jaguar e era prata (claro que de cor eu entendo, não sou daltônica). E se alguém me contasse quem estava dirigindo, eu não iria acreditar. Aproximei-me do carro, passando os olhos em todos: , sentada no banco de trás, furiosamente corada, mas incrivelmente feliz, entre e que compartilhavam um sorriso conspiratório. Podia apostar minha vida que sabia o motivo da felicidade de . Observei melhor e vi com a mão repousada na perna dela, não sei se ele tinha consciência daquilo, mas com certeza tinha. Sorri. Encarei o condutor com o cenho enrugado.
Ele deveria mesmo estar aqui? Eu deveria estar feliz por ele estar aqui?
Que se dane! Agora eu só quero chegar à escola sem um ataque do miocárdio.
- Onde está ? - Perguntei a , ele parecia ridiculamente lindo com aqueles óculos escuros de aviador. apertou as mãos no volante.
- Está no carro atrás de nós - disse, atordoado. Olhei para trás, estava com um sorriso magnífico, e ele aparentemente me esperava. O carro de era uma copia do carro de , mas era vermelho.
- , me espera! - dizia atrás de mim. Ela parou ao meu lado e encarou os dois carros, corando um pouco com as pessoas a olhando, me aproximei um pouco e sussurrei para ela.
- Acho bom você se acostumar, hoje é o seu dia de ser o centro das atenções. - olhou pra mim com um sorriso pequeno. Olhei para as pessoas ali. - , esses são , , e . - arregalou um pouco os olhos na menção do último, olhei pra ela como sinal para que ela se acalmasse e não deixasse muito obvio tudo aquilo. - E aquele ali no outro carro é o . - Sorri pra ele, que sorriu de volta e deu uma buzinadinha na menção de seu nome. - Pessoal, essa é a , minha amiga-quase-irmã de Londres.
- Oi, - disseram em coro, encarando .
- Oi, pessoal. - disse, agora terrivelmente corada. Sorri.
- Então, , com quem você vai? - perguntou, mas ele fitava com um olhar intrigado. Hum... Será que teremos um possível casal? corou mais (se isso for possível, pois ela estava tão vermelha que provavelmente conseguiria fritar um ovo em sua testa). E eles tinham que deixar isso pra mim? Por que eu tinha que fazer essa escolha?
- Eu já sei. - disse se levantando, olhou pra ele, suplicando silenciosamente para que ele não saísse do seu lado, tive que me controlar para não explodir em uma gargalhada. - Eu e vamos para o carro com , enquanto você, e ficam aqui.
- Essa sim é uma ótima ideia! - disse , com um sorriso vitorioso. - Finalmente você está começando a usar sua cabeça .
- Eu não acho... - Comecei a dizer, mas e me cortaram.
- É claro que é! - Elas disseram juntas, se olharam e sorriram. me olhou com um olhar de suplica, dei de ombros.
- Está bem, eu só vou ali falar com o – disse, indo em direção ao carro dele. – Oi, bebê.
- Oi, pequena. - Ele disse com um sorriso. - Entra aí, eu te levo hoje. - Dei um sorrisinho apologético, encolhendo os ombros e olhando pra baixo.
- Foi mal, bebê, mas eu vou com o , é que eu vou lá com minha amiga e o e a vem pra cá, falando nisso. . - Chamei, disse tudo rápido, assim não teria tempo de falar. Covarde, eu sei, mas você faria o mesmo se estivesse no meu lugar. Não faria? se aproximou e deu um sorriso nervoso. - , essa é . , esse é o . - arregalou um pouco os olhos, sutilmente, mas percebeu, ele é um merda, sempre percebe!
- É ótimo te conhecer , mas por que eu sinto que você já falou de mim pra ela, hein, ? - perguntou arqueando a sobrancelha pra mim.
- Eu? Imagina! - Disse inocente, deu uma gargalhada gostosa, me fazendo sorrir junto.
- Se ela tiver falado algo ruim, ignore. Agora se ela tiver dito algo bom: Acredite, porque é verdade. - disse, presunçoso. Revirei os olhos.
- Não falei nada que ela não precisasse saber.
- Ah! Então você falou de mim! - Ele disse acusatoriamente, revirei os olhos dando um sorriso e me afastando do carro.
– Tchau, . Vem . – Disse, pegando o braço de minha amiga e me virando.
- Espera, . - disse, ele saiu do carro, veio em minha direção, me deu um abraço, e sussurrou em meu ouvido. - Bom dia e... Não aproveite muito o passeio sem mim. - O encarei com olhos confusos, e sorriu magnificamente e me deu um beijo na bochecha esquerda. - Te vejo na escola. - Afirmei com a cabeça, me recuperando de seu contato próximo. Ele sorriu provocante, voltando pro carro.
- Você está bem? - perguntou, me encarando. Acho que podia me ver. Eu provavelmente estava com os lábios entreabertos tentando recuperar a respiração e os olhos levemente arregalados. Sacudi a cabeça. - Isso é um não? - perguntou, confusa.
- Estou bem, sim. Vamos? - Estendi a mão para ela, que deu um sorriso e segurou. e passaram ao nosso lado, ele com um sorriso enorme e ela de cabeça baixa e bochechas coradas.
- Então vocês vão vir comigo, não é? - Ouvi perguntar. - E por que ninguém vem na frente? Não sou motorista de ninguém.
- Cala a boca e dirige, , eu não vou deixar a sozinha aqui atrás. - disse e tive que fazer uma nota mental para perguntar a sobre aquilo.
- Vamos. - Fomos até o carro de , e sentou ao lado de . Sentei no carona, ao lado dele.
- Então? - perguntou com expectativa. - Alguma lembrança repentina?
- Não, acho que não – disse, alheia a situação. Ok, eu não estava alheia. Na verdade, eu estava muito centrada, mas ele não precisava saber disso.
- Do que vocês estão falando? - perguntou, curioso.
- Nada. - e eu dissemos juntos, corei e virei o rosto, encarando o retrovisor. encolheu os ombros, começando uma conversa aparentemente divertida com , era o que parecia, porque ela estava rindo horrores. Isso ou ela estava nervosa mesmo.
e eu não nos falamos muito, as únicas vozes que se podiam ouvir eram as de e . Em cinco minutos conseguiu fazer contar toda sua vida.
Interessante, ela geralmente não se sente a vontade com qualquer, mas acho que, aparentemente, não é qualquer um.
Para mim, a viagem foi monótona e incômoda. Talvez eu devesse ter ido com .
Ou talvez não.
parou num sinal vermelho, encarando e pelo retrovisor, os dois engataram em uma conversa animada e não faziam muita questão de nos incluir. olhou de volta pra mim e deu um sorriso. Não pude evitar em retribuir, ele olhou pra baixo, parecia incerto, colocou a mão por cima da minha, que estava apoiada no banco, e apertou. Olhei pra ele confusa, mas apertei de volta e dei um sorriso. olhou pra frente com um sorriso escondido, soltando minha mão e voltando a dirigir. Olhei pra rua que passava em um borrão, tinha um sorriso distraído em meu rosto e não fiz questão de escondê-lo.
Pelos meus cálculos, levamos dez minutos a mais para chegar à escola e não sei se foi pela direção louca que tinha, mas senti a diferença. conduzia calmo, como se não tivesse pressa de chegar, ou não quisesse, e aquilo me fazia sorrir, até que ele finalmente estacionou, saí do carro sem esperar por ninguém, estava muito bem com e eu não queria prolongar minha estadia com , pelo menos eu achava que não, ele poderia tocar em assuntos proibidos e eu poderia ficar ainda mais confusa.
- . - chamava atrás de mim, virei e o encarei.
- O quê? – perguntei, arqueando a sobrancelha. encolheu os ombros; droga, talvez eu tenha sido muito grossa em meu tom, e não era o que eu queria, garoto não tem culpa de minha bipolaridade.
- Nada, só queria que você esperasse. - olhou pra baixo, mordendo os lábios. - Tem certeza que não se lembrou de nada?
- Eu... - Ia dizer, mas uma voz irritante me chamou atenção.
- ! O que infernos você está fazendo ao lado desse projeto de Gisele Bündchen? - Katie gritou, saindo de algum lugar que eu nem fazia ideia. Talvez do inferno. Projeto de Gisele Bündchen? Hum... Gostei! Claro que eu não era tão alta e bonita como a Gisele, mas ainda...
- Calma, Katie, eu só a trouxe a escola hoje - disse, calmo. Não sei como ele podia estar assim, eu juro que podia sentir o ar esquentando ao meu redor de tão irritada que Katie parecia estar.
- E por que você traria esse ser insignificante? - Como é que é? Insignificante é essa estúpida, anomalia da natureza humana.
Eu não vou me meter, eu não vou me meter, eu não vou me meter.
Quem estou tentando enganar? É claro que vou me meter!
- Talvez porque ele me ache importante – disse, dando de ombros, falei tão baixo que nem sei se ela teve capacidade, tanto mental quanto auditiva, de me escutar.
Mentira! Óbvio que ela escutou.
Katie me olhou com uma cara de cú frustrada, a sobrancelha direita arqueada.
- Como é que é? - Ela cruzou os braços. Uh, oh, será que ela vai me bater? Ela que venha! Eu fiz balé, sei muito bem me defender.
- Eu acho que você me ouviu - disse a ela. Fazendo uma cara audaciosa, dando um passo a frente. Senti colocar a mão no meio de minhas costas, segurar minha camisa e me puxar para voltar para trás, ao lado dele. Dei um passo cambaleante. Se não me segurasse eu provavelmente teria caído e a culpa seria total e completamente dele!
Olhei para com uma expressão chateada, ele encolheu os ombros e pareceu sussurrar algo como:
“Pare de provocá-la.”
Semicerrei os olhos para ele e encarei Katie. Ela olhava a nós dois.
- Não seja ridícula! É claro que ele não acha você importante - disse, convencida, mas pensei ter escutado um pouco de dúvida em sua voz. Dei um sorriso vencedor.
- Se ele não acha então porque passou a noite toda comigo... Cuidando de mim depois de minha quase morte e se ofereceu para ser meu Band-Aid? – perguntei, pensativa, Katie arregalou os olhos, me olhou surpreendido. Opa, falei demais, não era pra ele saber que eu me lembrava. Droga! Estúpida boca grande!
- Isso não é verdade. É? - Ela virou para . encolheu os ombros.
- Katie... É - ele disse, hesitante.
- O QUÊ? - Ela gritou, senti os olhares das pessoas em nós. Droga! Odeio chamar tanta atenção e isso tudo por culpa dessa estúpida! Ah, céus! Acho que vou ter outro ataque de asma. O ar está tão estranho. Alguém parou do meu lado, segurou minha cintura e sussurrou em meu ouvido:
- Acho bom você sair daqui, -baby, deixe cuidar da namorada dele. - Eu conhecia aquela voz e aquele arrepio típico que a acompanhou. Era . Não sei se achei certo o aperto no coração que senti quando ele mencionou a palavra “namorada”. Olhei pra ele e assenti, olhei , que tinha as mãos em punho, encarando , olhando para mim em seguida, sua expressão agora suavizando. Tivemos mais uma daquelas conversas sem nos comunicarmos:
“Eu já vou, não quero problemas.” Eu não disse a ele.
assentiu.
“É bom que vá mesmo, as coisas vão ficar feias. Mas fique em mente que depois eu quero saber exatamente o que você lembra.” Ele não avisou. Meu estômago revirou, não sei o que direi a ele quando a hora chegar.
- Com licença - disse a Katie, passando com ao lado dela.
- Aonde você vai? Volta aqui! - Katie gritava, mas eu não dava atenção.
- Você acha que ficará bem? - perguntei a , quando já estávamos longe, ele riu.
- Eu acho que ele já é bem grandinho; vai saber lidar com a namorada dele. - Lá estava a palavra de novo. Será que faz isso de propósito?
- Tomara que sim – disse, baixinho, me olhou com a sobrancelha arqueada e um sorriso maldoso.
- Então? Como foi ontem? - perguntou, e por que me senti como se estivesse em um interrogatório e fosse culpada de algo?
- Normal, assistimos a uns filmes, comemos e dormimos. Só. – E essa era a verdade, eu só omiti alguns fatos. Até parece que eu iria dizer a ele os detalhes. Eu não sou tão boba assim. lançou-me um olhar desconfiado. Encolhi-me. - Que foi?
- Nada. - Ele deu de ombros.
- ! ME ESPERA! - -Louca berrava.
- Eu vou atrás do , te vejo depois? - perguntou, apontando com o polegar qualquer ponto atrás dele.
- Claro. - Sorri e o olhei ir embora. parou ao meu lado sem fôlego. Virei para ela com um sorrisinho malicioso. - Como foi com o -boy?
- Foi ok, digo, ele é bem legal - ela disse, um pouco corada, não sei se pela corrida ou a menção do nome de . - E toda aquela gritaria? O que era aquilo? E quem era aquela garota histérica que queria arrancar suas raízes lindas e brasileiras?
- Ah. Aquela era a Katie. - arregalou os olhos, assenti. - Ela só descobriu que tinha dormido lá em casa e me dado carona.
- Só? - perguntou indignada. - E como ela descobriu isso? Ela tem agentes da CIA atrás de vocês ou o quê?
- Na verdade... - Cocei a cabeça, sorrindo culpada. - Eu meio que contei a ela.
- Meio que...? Como, “meio que”? Como alguém pode “meio que” contar uma coisa dessas pra alguém? - resmungava, tremendo de raiva. Respirou fundo, tentando se acalmar e se virou para me encarar. - , por que diabos você fez isso?
- Sei lá, ela ficou dizendo que eu não era importante e eu me irritei. - semicerrou os olhos por um tempo, um sorriso ácido crescendo em seus lábios. Encolhi-me. - O quê?
- Isso é ciúme, . - Ela afirmou, convicta.
- Não seja boba, ! – disse, revirando os olhos, o primeiro sinal tocou, com aquela sirene irritante. Começamos a andar até a sala, enquanto eu divagava distraidamente. Pensando bem, não sei se era ciúme ou não, mas naquela hora eu senti que deveria deixar claro que eu era importante para , mesmo ele me odiando e eu o odiando, que eu era alguma coisa para ele, nem que fosse inimiga. Se bem que, eu nem mesmo tinha tanta certeza que era mesmo assim. Eu só sabia que eu o odiava... Eu tinha que odiar...
- , você tem um gosto estranho para homens - disse depois de um longo tempo em silêncio. Estávamos quase chegando à sala, virei para ela com um olhar mortífero.
- Nem começa, , eu não tenho qualquer tipo de apreço pelo – disse, revirando os olhos. Vê se pode? Minha amiga é louca!
- Mas eu não disse que era o . - Ela me olhou, esperta. Droga! sempre me pregava peças. Fiz uma cara irritada pra ela. Que balançou a cabeça - , você tem uma coisa que está escrita em toda parte do seu rosto, eu pensei que vocês se odiassem com tudo que você falou sobre ele, mas qualquer um que continuasse lá no carro ou no pátio quando a Katie atacou vocês, veria que é mais que isso, mais que só uma química. Ele exerce algum tipo de botão em você, do tipo que impulsiona seus sentimentos, todos eles, e embora ele faça um trabalho melhor que o seu para lutar contra isso, eu diria que você faz o mesmo com ele. parece ter todo aquele cuidado e admiração, mas tenta esconder. A maneira como ele te puxou naquela hora que você foi querer discutir com Katie foi proteção, ele ficou do seu lado, não do dela.
- Eu não gosto dele – disse, sensata, mas aquelas palavras arranharam minha garganta, como se não quisessem sair.
- Eu entendo isso, mas está acima disso, é como se vocês estivessem presos um ao outro, existe algo mais...
- Eu não estou apaixonada por ele também, eu não seria tão estúpida... – Dei um longo suspiro, apertando os livros que segurava contra meu peito e voltando a andar, enquanto balançava a cabeça negativamente. -Eu não sei o que é.
- Oh! Eu entendo. - fez uma expressão compreensiva, sacudindo a cabeça em seguida. - Talvez seja porque ele tenha te salvado, isso é uma merda pra criar laços entre pessoas.
- Sim, pode ser isso. - Isso explica a conexão entre nós, e era muito mais emocionalmente satisfatório, que imaginando que eu estava apaixonando-me por alguém, totalmente, completamente e terrivelmente errado para mim.
- Só toma cuidado, ok? Não quero que você se machuque de novo, não vou suportar ver você deprimida outra vez - disse, com um sorriso preocupado. Dei um pequeno sorriso, eu não queria angustiá-la com mais um de meus problemas, o último já foi demais. não merece mais um de meus ataques dramáticos, principalmente quando ela está morando comigo e teria que encarar todos os dias. Não, ataques dramáticos de novo não.
- ! Senta aqui. - chamou quando chegamos à sala. Que fofo, ele parecia corado, olhei pra com as sobrancelhas arqueadas, ela encolheu os ombros, dei um sorriso.
- Vai lá, eu sento com o - disse a ela com um sorriso encorajador. Ela deu um sorriso feliz e correu para sentar ao lado de . Encarei a cena satisfeita, mas com um pouco de receio que tomasse minha melhor amiga. Esquece o que eu disse, é claro que não! Balancei a cabeça e quando ia continuar meu caminho, alguém sussurrou para mim:
- Ou você pode sentar comigo. - Meu coração parecia querer pular para fora de minha boca, minhas pernas amoleceram automaticamente. Eu sei de quem é essa voz. Virei e encarei aqueles olhos intensamente , ele deu um sorriso pretensioso. Ah, não, tomara que ele não tenha escutado minha conversa com .
- Acho que não, mas obrigada pelo convite. - revirou os olhos.
- Vamos, , eu quero saber o que você lembrou e eu sei que você está louca pra saber o que aconteceu com Katie. - Ele tinha razão, eu estava morrendo para saber o que tinha acontecido. Chame-me de curiosa, eu não me importo. Bufei, revirando os olhos.
- Ta bom! - deu um sorriso petulante.
- Eu sabia que você era do tipo curiosa. - Fiz uma cara indignada. - É brincadeira, relaxa. Agora vem. - estendeu a mão em minha direção, olhei de volta pra ele, dei um sorriso divertido e balancei a cabeça. Virando de costas, o deixando lá plantado, indo para um lugar vazio em frente à e , que ainda estavam conversando, aparentemente sem perceber minha existência. Agradeci mentalmente por isso, provavelmente me faria todo tipo de pergunta, sem se importar se está ou não ao seu lado. Mas ela realmente não me engana, pode parecer que está entretida na conversa, mas sua visão periférica estava em mim.
Eu apenas sei disso.
Sentei, olhando para com o mesmo sorriso divertido no rosto, ele sacudiu a cabeça, caminhando até mim. O garoto parou em frente à mesa em que eu estava, dando-me um olhar admiradamente surpreendido. Arqueei a sobrancelha em desafio, ele sorriu, aceitando, sentando-se ao meu lado em silencio.
- Você me deixa louco! - Ele bufou um tempo depois, com os dedos entre os cabelos, puxando-os. O professor já havia entrado na sala e explicava algo sobre os sais.
Ri baixinho, olhando para , que estava levemente corado. E incrivelmente fofo.
- E você me estressa! - Como é possível alguém ser tão lindo? Serio, dá raiva. Raiva porque eu não posso gostar dele, porque eu não posso gostar de ninguém. Raiva! Eu o odeio!
riu um pouco.
- Você se estressa com tudo.
- Não é verdade e você sabe, agora me conta o que aconteceu antes que eu desista de ficar aqui aturando você.
- Ai, que menina mais determinada. - Ele brincou, dei um sorriso convencido.
- Sou mesmo, agora fala... por favor. - Fiz um biquinho, olhou meus lábios e respirou fundo.
- Se você não quiser que eu te beije aqui e agora, é melhor parar com esse bico, eu já vou te contar – disse, com uma voz controlada, apertando a borda da mesa com as duas mãos, arregalei um pouco os olhos e desfiz o bico, será que se sentiu provocado com ele? Hum... Interessante. Ele respirou fundo e continuou. – Depois que você foi embora, Katie e eu discutimos por um bom tempo, algo como, eu não deveria ter te dado carona ou ter cuidado de você, até que ela parou de falar, respirou fundo e disse que tinha uma ideia.
- Qual? - perguntei, ele tinha feito a pausa estratégica para me deixar mais curiosa, menino esperto. sorriu.
- Ela disse que eu deveria parar de falar com você, olhar pra você ou até mesmo respirar o mesmo ar que você.
- Óbvio que você aceitou. - Tomara que sim, assim ele facilitaria minha vida. Convenhamos, com a maneira que ele age quando não está sendo um idiota pretensioso, prepotente e convencido é bem difícil você não se apaixonar, só tendo um puta alto controle feito o meu. E eu as vezes tinha impressão que meu autocontrole pretendia tirar umas férias sem me avisar e talvez fugir. me deu um olhar magoado.
- É claro que não, eu não conseguiria, não acredito que pensou que eu aceitaria – disse, indignado, encolhi os ombros. Está vendo? É muito difícil, agora eu precisava pensar se o fato dele não conseguir fazer isso era bom ou ruim. me olhou. - Agora eu quero saber o que você lembra.
- Ah, nada mesmo, só que eu bebi muito, dancei muito e essa frase que você se ofereceu, não sei se eu me machuquei e você brincou com isso, ou sei lá. - olhou fundo em meus olhos, corei.
- Eu não acredito em você. - Mordi o lábio inferior.
- Então eu sinto muito, porque eu não posso fazer você acreditar.
- Eu acho que pode - sussurrou, malicioso, chegando mais perto, fitando intensamente meus olhos.
- Senhor , por favor, você poderia prestar atenção na aula ao invés de se perder nos olhos da senhorita , que aparentemente você deve considerar magníficos.
- Não, professor, é que caiu um cisco no olho dela e eu cheguei perto para assoprar.
- Claro, claro, preste atenção antes que eu expulse os dois. - O professor disse, retomando o assunto de onde ele tinha parado. Eu estava muito corada, minhas bochechas pareciam ter entrado em combustão.
- Pelo menos ele tem razão. - sussurrou um tempo depois, olhei pra ele com o cenho franzido.
- Sobre o quê?
- Eu realmente considero seus olhos magníficos. - Ele deu um sorrisinho, corei e olhei para baixo, dando um sorriso sonhador. Eu não sei se todo meu autocontrole vai ser o suficiente para não me apaixonar, isso não é bom... Por que mesmo eu tinha que me impor regras? Por que eu não poderia viver como uma adolescente normal? Por que tinha que agir assim? Por que tinha que ser logo ele a pessoa que faz com que eu me arrepiei quando chega muito perto e sussurra algo em meu ouvido? Por que eu não poderia sentir essas coisas que eu nego para mim mesma por outra pessoa? Por quê? Poderia ser o , ele parece ser bom e não tão que nem , ele é presunçoso na medida certa e também é altamente carinhoso e tudo mais, falando nisso, onde ele estava? Porque ele não poderia me tirar daqui do lado de e me fazer esquecer tudo e principalmente que eu tinha um coração? Argh! Perguntas sem respostas me irritam!
Continuei por um bom tempo perdida em pensamentos, até que o sinal tocou.
– Te vejo depois - disse pra mim com um sorriso, saindo da sala com . sentou ao meu lado.
- Oh, meu Deus! O que foi isso que aconteceu nessa sala? - perguntou, maravilhada. Revirei os olhos.
- Não foi nada , agora vamos. - sorriu, maliciosa.
- Sim, senhorita - disse, nos levantamos e saímos da sala, indo pra qualquer outra aula que tivéssemos pelo dia.

- ! - gritou assim que cheguei perto dela, em uma das muitas trocas de tempo, tinha sumido, estava sozinha, sentada embaixo de uma arvore, assim que me viu ela se levantou, correndo em minha direção, jogando os braços ao meu redor, em um abraço apertado. - Obrigada mesmo, ! Você é a melhor amiga do mundo! Eu te amo para sempre!
- Você está louca? - perguntei a ela, tentando fazer com que ela me soltasse. – Por que está me agradecendo?
- Simplesmente porque você fez com que começasse a falar comigo.
- Ah, isso. – Dei um sorrisinho envergonhado, me soltou. - Eu fiz nada, , eu nem se quer estava lá quando vocês se falaram.
- Eu não quero saber, a culpa continua a ser sua! - Ela disse, animada, e dei uma gargalhada. Avistei ao lado de não muito distante, acenei pra ela que veio em nossa direção.
- Oi. - Eles disseram.
- Oi, hey, vocês ainda não se conhecem, não é? - perguntei apontando de para .
- Acho que não. Só por alto mesmo. - disse sorrindo, examinando .
- Bom, , essa é a .
- Oi.
- Oi. - sorriu timidamente. - Então? Você é a menina louca que acolheu a ? Meus pêsames. - disse, fazendo graça, fiz um bico enorme.
- Não fala assim dela, nós também acolhemos a . - disse me abraçando de lado, dei língua para que revirou os olhos.
- É, ta bom, agora largue-a. - disse, dando tapinhas no braço de .
- Ciúmes, ? – perguntou, com a sobrancelha arqueada e um olhar esperançoso que parecia implorar que confirmasse suas suspeitas.
- Só se for nos seus sonhos, . - Me soltei de , encarando-os, olhei para , demos de ombros com caras de desentendidas.
- Então... - Comecei. - Onde estão os outros?
- Os outros ou o ? - perguntou, sorrindo malicioso. Revirei os olhos.
- Eu quis dizer o que eu disse - disse, com um olhar cansado. Aquela historia poderia ser exaustiva, e mais ainda se eu tiver que dizer que nada sinto pelo , mas essa é a verdade... Não é?
- Estão por aí. deve estar com Megan, com Katie e deve estar...
- Bem atrás de vocês. - Me virei para encará-lo. Sorri.
- Olá, . - Disse a ele.
- Como vai, ?
- Melhor impossível - disse e dei um sorriso, ficamos nos encarando por um bom tempo, até alguém sentar ao meu lado bufando com raiva, colocando a cabeça no meu colo.
- Eu estou cansado de tudo isso! - disse vermelho, dei um sorriso o encarando, olhava atenta. Comecei a passar meus dedos pelo cabelo dele.
- O que foi querido, ? - perguntei.
- Megan, ela me irrita. Vem e fica falando sobre a vida de Katie e , eu não quero saber da vida deles e o pior é quando ela fala da vida sexual deles, qual é? Nem fala disso pra gente, porque ela tem que ficar falando? Eu acho sinceramente que ela quer ser a Katie e dar pro . – Arregalei um pouco os olhos com as palavras acidas de . Tentei não ligar muito quando ele mencionou “vida sexual”, diria que foi quase impossível, mas consegui.
- Então por que você não a deixa? Vamos querido , se você está tão estressado, a ponto do relacionamento de vocês ser desgastante, você deve largá-la. Eu tenho certeza que existem meninas bem melhores que ela, só pra você. - Disse a ele com suavidade.
- tem razão, dude - disse , olhando .
- Eu sei. - disse, eu com certeza devo acrescentar aqui que quando ele falou isso, deu uma olhada disfarçadamente para , com um sorriso de canto escondido nos lábios. Olhei , ela estava corada.
- Então? O que você me diz? Vai pensar nisso? - perguntei a ele.
- Prometo que sim, . - Ele virou o rosto pra mim e deu um sorriso, sorri de volta, me abaixando para dar um beijo em sua testa.
- Ownt, da minha vida! Tomara que tudo dê certo e você faça o que eu estou te dizendo – disse, sincera. olhou por mais um momento, como se estivesse sonhando acordado, ela sorriu pra ele, que sorriu de volta. olhou pra mim, levantando.
- Eu já sei o que vou fazer.
- Ai, meu Deus! vai matar Megan. - brincou, mandou o dedo do meio pra ele.
- É serio, dude! Não estou brincando, eu vou terminar com ela, se não fizer isso eu vou enlouquecer e além do mais, eu conheço alguém bem melhor que ela. Mais divertida, interessante e completamente linda – disse, olhando , que corou, abaixando o rosto.
- Nossa, eu nem imagino quem seja! - disse sarcástica, olhando os dois. Resolvi entrar na brincadeira.
- Muito menos eu, é alguém que eu conheça? Uau, ela deve ter feito você se apaixonar – disse, com um sorriso.
- Ela com certeza fez. - sorriu, tinha uma admiração tão grande nos olhos. Que lindo! Acho que vou chorar. - Eu já gostava dela antes, mas nunca tive oportunidade de estar com ela, só a admirava de longe, mas você . - me abraçou de lado. - Eu vou agradecer todos os dias por você ter aparecido. –Aquela frase, situação e os agradecimentos já estavam se tornando cansativos... Ok, na verdade não, quem não gosta de uma boa puxação de saco?
- Que isso. - Abanei o ar, olhou, curiosa.
- Se você gostava mesmo, então porque nunca foi estar com ela? Sabe? Ela pode ter esperado todo esse tempo por você, para que você tomasse um passo. Porque você ficava com Megan? - se mexeu, incomodado.
- Eu não sei - disse, sincero, balançou a cabeça, olhando pra baixo. - Eu tinha medo ou algo assim. Medo de que ela me repelisse, e realmente não sei por que ficava com Megan, talvez por ser...
- Cômodo – disse, adivinhando quando não sabia mais o que falar, tinha sido a mesma coisa que tinha me dito. Soltei uma respiração longa. – Acho bom você não perder mais tempo e correr logo atrás dessa garota maravilhosa que sequestrou seu coração.
- É, , antes que seja tarde demais. - disse com certa dor nos olhos, franzi o cenho, fez uma expressão confusa.
- Sim, vocês têm razão. Eu... eu vou indo.
- Boa sorte, dude. - disse, puxando para perto para abraçá-la, ela fez uma expressão engraçada, sorrindo depois.
- Valeu, até depois. - disse acenando. Viramos para assim que ele se afastou até estar longe o suficiente para não poder nos escutar.
- Você sabia que ele estava falando de você... Não sabia? - perguntei, confusa.
- Eu sabia - ela disse, com um sorriso pequeno, minha confusão aumentou ainda mais.
- Então por que você disse: “antes que seja tarde demais”? - imitou.
- Eu não sei, é só que... Ele demorou tanto tempo e ficava com Megan porque era cômodo para ele, se ele ficava assim com ela então por que motivo ele ficaria comigo? – perguntou, confusa. revirou os olhos.
- Tente essa opção: porque ele realmente gosta de você.
- Mas eu não entendo isso. É tão estranho. - bufou.
- Estranho nada, , nós que estávamos com sabíamos dessa obsessão que ele tinha e tem por você, mas ele sempre esteve com medo de se aproximar, sempre ficava te olhando de longe, cada passo que você dava e todas essas coisas de garoto apaixonado. Um verdadeiro porre se você quer saber, sentia falta do meu garanhão. - disse, com uma voz nostálgica, olhando pro nada, até bater na barriga dele, fazendo rir e soltar um guincho de dor.
- Culpe a , a culpa é dela de vocês terem se aproximado e ele ter tido coragem de falar com você.
- Cala a boca, !- Bati na cabeça dele.
- Mas é verdade. - Ele deu de ombros.
- Eu Já a culpei e a agradeci, eu realmente precisava falar com , mas não sei, estou cada vez mais confusa. - Ela disse com um olhar perdido, sorri compreensiva.
- , fica calma. Eu sei que é confuso, mas você tem que deixar acontecer, e pesa isso: ele mostra realmente gostar de você.
- Ele parece mesmo não é? - Ela perguntou, com um sorriso genuíno.
- É claro que sim sua bobona. - deu uma pancadinha na perna de . - Agora, porque você não vai lá e fala com ele?
- Acho melhor você fazer isso depois. - disse, pensativo. – Megan pode ser uma loirinha pequena, mas ela é extremamente violenta.
- Tem razão. - disse arregalando os olhos. Ri da expressão dela.
- Hey, falando em pessoas pequenas e violentas, alguém viu ? - perguntou, fiz uma expressão confusa pra ele, o que pequeno e violento tinha a ver com o motivo-mor de minha confusão?
- Não desde que fugi com de Katie, que queria arrancar meus lindos cabelinhos para fazer vodu. - Eles me encararam com expressão estranha. Encarando-me como se eu fosse louca. Senti uma pontada no estomago, me encolhi um pouco, fazendo cara de dor. tocou minha perna.
- Você está bem?
- Yeah, só uma pontada no estomago.
- Saiu de casa sem comer, não foi, ? - perguntou, com uma cara furiosa.
- Acho que sim, não lembro. - Ou era isso, ou estava mesmo grávida. Oh, merda!
- Que droga, ! Você sempre faz isso! - exclamou, indignada. De verdade, a dor só aumentava, eu não vou agüentar o resto do dia assim, não estando sentada olhando para um bando de professores estúpidos tentando lecionar e enfiar algo na cabeça doa alunos, eu sabia que nada iria adiantar e eu nada ia aprender.
- Ok, eu preciso ir embora – disse, me levantando.
- Como assim, , e eu? - perguntou.
- Você vai depois com a , pode ser? - Encarei para ver se tudo bem, ela encolheu os ombros.
- Por mim tudo bem, mas como você vai?
- Eu vou pegar um táxi.
- Deixa que eu te levo, . - levantou.
- Não precisa, , obrigada, mas eu não quero.
- Tudo bem, não tem problema, eu vou te levar. - Senti outra pontada, fiz uma cara de dor, mordendo os lábios.
- Eu disse não, - falei um pouco rude, fez uma expressão confusa.
- Tudo bem, então. - Ele encolheu os ombros, virando de costas. Saindo um tanto cabisbaixo. O que eu tinha de errado? Eu precisava ser tão grossa assim com ele? Balancei a cabeça, me virando para continuar meu caminho. Só pode ser TPM, e agora eu tenho raiva de mim mesma.
Eu realmente sou uma idiota!
- Oi, você poderia mandar um taxi aqui pra Irish School por favor, obrigada. - Pedi, e desliguei o telefone, tinha dado todas as informações, não precisava ouvir mais nada, segurei o celular forte em minha mão, apertando a em meu estomago.
- . - Não, por favor não, eu não quero vê-lo. Por favor o mande embora para uma terra bem distante, não a Irlanda a terra dos gnomos, mas... sei lá, a Grécia, com os deuses gregos, ele com certeza se daria bem lá.
A maldita educação fez com que me virasse para encarar aos intensos olhos de .
- Você está bem? - perguntou, tentando achar algum resquício do que eu estava sentindo escondido em meu olhar.
- Eu pareço estar bem?- Porque eu continuo sendo grossa?
- Desculpa. - Ele disse cauteloso, se encolhendo e voltando a me encarar de uma maneira adoravelmente confusa. - Eu fiz alguma coisa errada?- Olhei pra ele com olhos descrentes, ele fez algo errado? É CLARO QUE SIM! Ele está me fazendo cair!
- Não – disse, o mais normal que pude. - Eu tenho que ir.
- Para onde?
- Para casa.
- Por quê? - Essa conversa que não chega a mais de cinco palavras está começando a me irritar!
- Porque eu não estou me sentindo bem. - Ha! Melhorou, uma oração composta. Os olhos de mudaram drasticamente, tornando-se preocupados.
- O que você tem? O que está sentindo? - perguntou rápido, se aproximando, dei um passo pra trás, olhou-me com melancolia. Ah, não, esse olhar dói em mim, porque tinha que doer em mim? Tive que controlar a vontade de pular nos braços dele e o impedir de me lançar aquele olhar, mas a única coisa que fiz foi:
- Eu estou bem, tenho que ir agora, meu táxi chegou. Tchau . - Eu sei, eu menti, mas e daí? Eu só queria sair dali, eu ainda não me entendo muito bem, mas sei que (talvez) não seja o melhor pra mim.
Partir o coração mais de uma vez não é muito saudável.
Mas eu nem estava perto disso, estava?

Continua...

N.A.: Oi gente, eu sei que eu passei milhões de eras longe e sem colocar nada e eu peço desculpas mesmo, minha preguiça não tava deixando, mas dessa vez não vai ser assim, vou tentar colocar os próximos dois capítulos o mais rápido possível e olhem que lindo, eu voltei a escrever, o que quer dizer que não vou parar a fic. NUNCA! Muito obrigada a todos que me ofereceram ajuda, obrigada a Bali, minha leitora linda e fofa, pra Ana, Rafa, Mariah, e todas as pessoas que leram e comentaram. Um beijo para as minhas marotas da tag, (Lel Poynter, Ro-Sobrinha, Bia C. Sam-Prima Taaci-prima, Eve, Glaucia, Katherine-fofa, Katherine-filha-mais-linda-de-todas, Juubs, Isa B., Máh, Fernanda B., Carol, Fernanda M., Paulinha, Isa, Lia, Barvin, Ray, Robs, Duda-Cherry, Danni coisa linda, Lua, Sah...) vocês são perfeitas demais! E os meus marotos, Felipe-Futuro-Marido e Lucas-Filho, you guys rock!
Ah e eu preciso agradecer a Larissa, porque foi ela quem me incentivou a voltar a escrever, leu todos os capítulos que eu já tenho e puxa minha orelha quando eu preciso. Obrigada pela sua sinceridade, seu apoio e por você sempre estar por perto quando eu preciso. Diva incondicionalmente adorada.
E eu preciso agradecer a Lel, Bi, Duda-Cherry:
Lel, gêmea, eu vou sempre estar do seu lado pra ouvir você falar do que quer que você precise falar ok? E obrigada por aturar meus dramas
Bi, gêmea, vamos continuar com nossa amizade por muito tempo, se você não pegar sua canoinha voadora de ouro eu pego meu helicóptero de diamante.
Duda-Cherry, hey Cherry Black, acho que eu nem preciso dizer que você pode contar comigo pra tudo não é? Porque você pode, seja pra falar de melancia, dietas ou exercícios pro bumbum –q. Vou sentir sua falta quando você for cortada.
Quero dizer pra vocês três que mesmo separadas estamos juntas, foi o destino nos conhecermos na Taglândia e vocês são minhas irmãzinhas pra toda a vida! Eu tenho muitas coisas novas pra colocar na n.a.:o momento Merchant, as indicações de fics, e um momento spoiler (que eu aprendi com a Núria) do próximo capitulo, que pode ser uma frase ou uma pequena parte e em todas essas coisas que tem a ver com fics eu vou colocar pedaços ou sinopses, pra vocês saberem como é, que vão estar em itálico, quem não está interessado não precisa ler, mas você vai perder coisas muito boas, então... faça um esforço e leia.

#1Momento mercham:
Eu, junto com a ilustríssima Bia C. e a Deblicious vamos fazer uma fic, chamada Hurricane of Feelings, que vai ser restrita e provavelmente quando esse capitulo sair Hurricane já vai estar no site, por favor leiam.
“Suas asas sopravam o meu rosto de maneira que pareciam querer também soprar minha felicidade. Aquele estranho anjo virou o rosto para frente, os olhos agora fechados, seu rosto então se contorceu em dor, enquanto suas asas pareciam perder cada vez mais a cor até que não estavam mais lá. Ele então abriu os olhos, me olhando como se fosse uma águia americana pronta para atacar uma presa e sorriu misteriosamente, fazendo com que um arrepio subisse minha nuca. Ele caminhou até mim, me deixando paralisada, hipnotizada por tanta beleza, não conseguia me mover, não conseguia me afastar... Eu não queria. Sua atmosfera obscura me atraía, eu estava a sua mercê e aquilo não me parecia tão ruim (...)” Leia e confira.

#2Indicações de fics:
1. Save Me From the Nothing I’ve become-Núria (McFly - em andamento)
“E se o cara que você mais odeia salvasse sua vida, mas acabasse perdendo a dele no meio disso? E se quando você pensasse que estava livre dele ele aparecesse no seu espelho e você descobrisse que a situação é bem pior do que você imagina e ele está em seu corpo? E se ele pudesse escutar seus pensamentos e entrar nos seus sonhos? E se a sua vida toda mudasse por causa disso? E se... Pro inferno esses “se’s”! Leia e confira”
2. Crossfire-Barvin (McFly - em andamento)
“O que aconteceria se você tivesse que proteger o equilíbrio do universo? O que aconteceria se você, guardiã do gelo tivesse que estar com o guardião do fogo perdidos por aí e ele começasse a agir como umas indiretas diretas demais? Gelo e fogo não combinam muito não é? Você acha que vocês sairiam vivos dessa? Leia e confira”
3. Dangerous Love Affair- Camisss (Restritas - em andamento)
“E se você tivesse que trabalhar em um hotel pra passar seu tempo e seu chefe fosse um gostosão aí de coração frio? E se você descobrisse que ele corre risco de vida e se importasse com ele mais do que queria se importar? E se vocês acabassem se “aproximando” muito? Leia e confira”
4. Reckless- Carol, Paulinha, Rih e Nat (McFly - em andamento)
“Você tem uma banda, junto com suas bests, mas tem inimigos mortais, os idiotas da banda Mcfly, e você os odeia, assim como suas amigas, mas e se, DO NADA, eles começassem a tratar vocês bem? Você acreditaria? Não sei, mas minha intuição de Judd diz que eles não são tão bonzinhos assim, mas... Com um tempo você aprende que no amor e na vida vale tudo! Leia e confira”
5. Magnet- Lel Poynter (McFly - em andamento)
”O que você faria se vivesse em uma época no futuro onde as doenças são predominantes e você tem que sair por aí com um avatar robô pra poder se proteger? O que você faria se o seu melhor amigo que você sempre foi apaixonada, estivesse sempre do seu lado e terminasse com a namorada e estivesse ali, disponível? O que você faria se fosse no show do McFly e fosse contratada pra ser assistente de backstage, viajando com eles por aí e sendo odiada por um mcguy, desejada por outro e adorada pelos outros? Leia e confira.”
#3: Momento Spoiler:
“-Se você não quiser que eu te beije aqui e agora, é melhor parar com esse bico, eu já vou te contar. – Ele disse, com uma voz controlada, apertando a borda da mesa com as duas mãos, arregalei um pouco os olhos e desfiz o bico, será que ele se sentiu provocado?”

Uffa, acabou. É isso pessoas amadas. Se precisarem de algo gritem. Comentem, me digam o que acharam desse capitulo, aceito tudo, até xingamentos, mas quero opiniões. Beijos da tia Hanny







Nota da Beta: Comentem. Não demora, faz a autora feliz e evita possíveis sequestros - só um toque. Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise por email ou Twitter. Obrigada. Amy Moore xx