1º Capítulo

"Pouco tempo pode ser demais pra quem sabe o que quer." (Bem ou mal - NxZero)


's POV

Meu nome é , tenho 16 anos e moro em Paris há dois. Não gosto muito daqui, mas a esposa do meu pai, Kate, e minha meia irmã de 5 anos, Marie, gostam. Meu pai, John, não se importa com o que eu quero. Pra que se importar, não é mesmo?
Minha mãe morreu quando eu tinha 9 anos e deixou nesse mundo eu e meu irmão gêmeo - mas não idêntico - . Dois anos depois, meu pai se casou com Kate, que consequentemente, virou minha madrasta tão querida. Ela é insuportável e meu pai parece uma marionete nas mãos dela. Isso é irritante demais e não entra na minha cabeça como ele pode se submeter a tanta coisa por causa dela. Pensei que ele fosse esperto, mas me enganei.
Meu querido irmão, aquele ingrato traidor não veio pra Paris conosco. Deixou-me vir e sofrer sozinha! Ficou em Londres, morando com os amigos da banda que ele tem: , , que junto com meu irmão formam o McFLY.
Dude! Meu pai o deixou ficar morando com os amigos sozinhos! Tudo bem que meu tio Ray era responsável por eles, mas segundo ele nem aparecia muito... Só quando os garotos tinham problemas ou coisa parecida. Enquanto eu, a sofredora aqui, tive que vir para Paris porque era e ainda sou a 'garotinha do papai'. Fala sério.
Não que eu odeie Paris, mas eu queria estar em Londres, é lá onde estão todos que conheço, meus lugares favoritos, todos meus amigos inclusive minha duas melhores amigas: e . Aqui até tenho um amigo, na verdade, meu melhor amigo. O nome dele é Joe, ele é gay, descolado, eu o conheço desde o primeiro dia de inferno (lê-se: escola) e o amo desde então.
O resto são só conhecidos chatos e blábláblá.
Ah, minha amada Londres... Se tudo der certo vou passar as férias por lá e pretendo não voltar mais. É claro que, meu irmão só tem que conversar com seus amigos sobre minha permanência permanente na casa deles e depois convencer meu pai. Aí está o difícil: convencer o velho.

Er... Ouvir Green Day pela manhã é cultura, dude.
- I don't have fun and I hate everything, this world owes me so fuck you! Glory days don't mean shit to me. I drank a six pack of apathy. Life's a bitch and so am I, the world owes me so fuck you... / (Eu não me divirto e odeio tudo, o mundo me pertence então foda-se! Dias de glória não valem merda pra mim. Eu bebi cinco garrafas de antipatia. A vida é uma vadia e eu também, o mundo me pertence então foda-se...) - Eu cantando toda empolgada, mas espera aí. É meu celular tocando... Porra cadê ele? Ele sempre some...
Achei! Como ele foi parar dentro do meu all star?
Olhei no visor: Joe.
- Alô! - Disse debilmente.
- ? - Joe perguntou confuso.
- Não Joe, é a Xuxa! - Zombei. - Claro que sou eu purpurina! - Revirei os olhos. Ele riu.
- Delícia da vida do Joe, liguei pra ver se você estava acordada. Sabe né? Tenho que fazer isso todos os dias porque se depender de você...
E é verdade, ele me acorda quase todos os dias, o despertador não vai muito com a minha cara, tá ligado?
- Ah, é claro... O que seria de mim sem você? - Ironizei.
- Não seria nada, sou o Toddy que faltava no seu leite, meu bem. - Ele disse convencido.
- Ok, menos Joe, bem menos!
- Fala se não é verdade? - Exclamou mais convencido do que antes. - Tô passando aí em meia hora. Agora vou me arrumar.
- Já estou pronta, só preciso achar meus livros...
- Onde estarão dessa vez? No seu telhado? Deus. - Brincou.
- É devem estar por lá mesmo, mas a última vez que vi estava embaixo da cama. - Sim, embaixo da cama. Não sou organizada, nunca fui, mas me acho na minha bagunça sempre. Ok, nem sempre.
- Como você é organizada, chega a dar inveja... - Gargalhou. - Preciso desligar agora. Meia hora, hein?! Tchauzinho, meu bem.
- Tchau Joe, tchau.
Joe e sua empolgação estranha logo pela manhã. Como pode? São seis horas ainda. Tenho medo dele às vezes.
- Agora cadê meus livros? Eles devem estar... - Eu falando sozinha, típico. - Estou vendo alguma coisa... Junto com os meus sapatos? Como vieram parar aqui? Preciso melhorar no aspecto organização definitivamente. Ou não.

Peguei minha bolsa - uma pessoa normal a achariam estranha, mas como não sou normal e a bolsa caía bem com a roupa que eu estava usando. - e desci as escadas torcendo para que Kate não estivesse mais em casa, porque não queria vomitar meu café da manhã antes mesmo de tomá-lo. Nossa, que casa silenciosa, até parece que mora gente aqui.
Cheguei à cozinha e que legal, a Kate ainda está aqui, a Marie e meu pai também...
Que família feliz. Agora onde está o baldinho para vomitar?
- Bom dia princesinha!
Princesinha? Hello pai, já tenho 16 anos e não sou a Marie.
- Dia. - Respondi sem emoção.
Sentei, estava feliz começando a comer minhas panquecas, até a chata da minha irmã incomodar.
- , , me leva no parque hoje á tarde? - Pediu.
- Não. Tenho coisas mais importantes para fazer. - Falei grossa.
- AAAAAAAAAAAAAH me leva, me leva! - A pirralha gritou.
- JÁ DISSE QUE NÃO, GAROTA! - Gritei e bufei. A pirralha era igual à mãe dela, insuportável.
- , é sua irmã, leve-a.
Meu pai tem merda na cabeça, ou o quê? Já disse que não, droga.
- Não vai dar pai, vou sair com o Joe.
- Você está vendo John? Sua filha tem tempo para os amigos, mas para a irmã não, é sempre assim. - Kate mugiu.
- Querida... - Meu pai disse e revirei os olhos antes mesmo que começasse aquela lengalenga e uma buzina me salvou. - você...
- Ah tá Pai, tchau e te amo. - Sorri, levantei, peguei a mochila jogada, e sai o deixando falar sozinho.
- No jantar vamos ter uma conversa séria mocinha! - Meu pai gritou bravo.
Sai batendo a porta.

Fui até o carro de Joe cantarolando e entrei.
- OI JOE! - Gritei animada.
- Oi meu amor. - Disse ele com uma voz fina ensurdecedora.
Coloquei meus óculos escuros e liguei o rádio procurando alguma coisa que prestasse (coisa difícil de encontrar hoje em dia).
Fomos até o colégio conversando sobre o acontecido no meu café da manhã.
- Você deveria tentar se dar bem com Kate. - Falou, parando o carro em uma vaga qualquer. Olhei pra ele com aquele olhar de: "Oi, quer morrer docinho?", e ele nem se abalou. - É sério , vai que ela para de pegar no seu pé.
- Não Joe, aquela mulher é um nojo, nunca vou me dar bem com ela, nem adianta tentar nada. - Disse descendo do carro.
- Que seja. Estou falando isso pro seu próprio bem - Ele saiu do carro e me olhou. Bufei. - É sério amor...
- Não, não rola. - Fiz uma careta estranha. - Agora lá vamos nós a mais um dia de tortura nesse colégio.
- Come on, baby. - Joe fez sinal com a mão me chamando. Eu ri.

Olha só esse colégio. É com certeza uma tortura, todas essas pessoas chatas, falsas, cheias de si. Eu mereço, aliás, não, eu não mereço. Nesse lugar tem gente de todos os tipos... Quando eu digo todos, são todos mesmo. Chego até sentir medo de alguns.
Eu e o Joe somos os tipos de pessoas neutras e não desenvolvemos nenhum tipo de amizade com qualquer pessoa deste colégio, só mantemos contato por pura educação - como se tivéssemos alguma. A manhã promete ser longa...

- Fofa, o Jensen está te olhando. - Joe me cutucou interrompendo meu momento e apontou para um dos jogadores, que realmente estava me olhando.
- E? Ele sempre fica me olhando. - Revirei os olhos. Jensen é meu ex-namorado, terminamos faz algum tempo, quer dizer eu terminei. Sei lá acho que a coisa era só atração física, pelo menos da minha parte.
- Ui poderosa, desculpa então. - Joe gargalhou. - Err... Acho que ele está vindo na nossa direção .
- Vamos logo pra sala então, porque o dia está muito bom pra eu estragá-lo com coisas de pequeno porte. - Falei irritada e Joe arqueou a sobrancelha.
- AMIGA você ta precisando de uns remedinhos, porque com todo esse seu stress você vai ficar velha e cheia de rugas antes do tempo. - Fuzilei-o com os olhos.
- Cala a boca e vamos dar o fora daqui logo. - Disse já correndo pra sala e Joe veio logo atrás.

Entrei na sala de aula e sentei na última carteira. Joe sentou ao meu lado tagarelando sobre a roupa que não sei quem tinha usado num sei aonde e nem sei que horas. Literalmente não prestei atenção direito e logo a professora de história entrou e começou a falar de um importante ser que fez alguma coisa produtiva na vida e é lembrado até hoje. Não acordei legal hoje, nem estou com cabeça pra aula. Nunca estou afinal, ainda mais hoje que estou pronta pra matar um. Tomara que ninguém esteja a fim de morrer.

-

's POV

- ACORDA CAMBADA! - Berrou derrubando todas as portas. Dude, porque ele faz isso todos os dias? Quando eu digo que meus amigos têm sérios problemas... É, tenho razão.

Eu moro com , e desde que formamos a nossa banda: o McFLY, há uns dois anos. É legal morar com os caras aqui em Londres, apesar das loucuras praticadas por pela manhã, o resto é normal. Ok, nem tão normal assim.
Vou levantar para ir ao colégio logo, antes que eu perca a primeira aula. Nem para gritar mais cedo o presta!
Peguei uma roupa qualquer, vesti e desci para esperar os caras.

- Nossa que cara de drogado, . - disse rindo e olhando pra mim. Mostrei o dedo.
- Tente ser acordado por um louco derrubando a sua porta. - Ironizei.
- Eu fui acordado por um louco derrubando a minha porta. Estou lindo e gostoso como sempre. - Ele disse estufando o peito. Convencido de merda.
- Hey, falando nisso cadê o ? - Disse abrindo a geladeira e enfiando a cara lá dentro. - Ele acorda todo mundo e depois se esconde que nem uma garotinha para não levar o troco. - Reclamou pegando o leite e bebendo na caixa mesmo. Meus amigos são tão educados - como se eu fosse um exemplo a ser seguido.
- Chamou querido? - entrou na cozinha e mandou beijinhos na direção do .
- Vai se ferrar, .
Olhei o relógio, não tava a fim de chegar atrasado e ter problemas logo hoje. Pigarreei alto.
- O casal aí dá pra se apressar? Ou tá difícil? - Olhei para os dois. - Vamos logo.
Fui saindo da cozinha e tentou acertar a caixa de leite vazia em mim.
- Vou pegar essa caixa e vou enfiar no seu... - Berrei olhando para ele que começou a gargalhar. - IDIOTA!

Saímos da casa em direção ao carro do . Fomos até o colégio rindo e cantando, como fazíamos todos os dias. Chegamos ao colégio, o sinal bateu e logo nos separamos. Estamos todos no mesmo ano no colégio, mas temos aulas separadas e isso é um saco.
Entrei na sala e as meninas já me olharam sorrindo. Como sempre, garotas fáceis. Sério, eu classifico as garotas em dois tipos: as fáceis e as sérias. Nem precisa explicar muito né? Só posso dizer que as sérias são difíceis de encontrar. Sorri de volta e sentei na última carteira. Logo em seguida a professora de Inglês, a Sra. Andrew, entrou na sala.
Dude, como essa mulher é feia. Olha só essa verruga do lado do nariz, que nojento. Não tem como não reparar na feiúra dessa mulher. E aquilo no topo da verruga, é pelo? Não almoço hoje. E esse cabelo? Parece que ela teve uma briga feia com o pente. Aliás, ele deve ter ficado preso nessa juba que ela chama de cabelo. Parece loucura, mas eu acho que ela trás os livros e a bolsa dentro dele também.
- Bom dia turma. - A coisa se pronunciou. E eu como bom aluno, deitei a cabeça na carteira com a intenção de dormir. Mas...
- Sr. , pode ir acordando. - Ela veio gritando em minha direção. Sério, essa mulher me ama. Só existe essa explicação para ela implicar tanto assim comigo.
- Mas eu nem estava...
- Não era eu que estava tentando dormir. Escuta aqui garoto, se eu pegar você dormindo na minha aula novamente...
- Pode deixar, não vou mais dormir na sua preciosa aula. - Debochei.
- Assim espero. - Ela se virou e saiu andando em direção a lousa. Dei o dedo.
Hoje vai ser um longo dia.

Até que enfim o sinal tocou. Eu não aguentava mais aquela coisa de voz irritante falando. Duas aulas com aquela mulher é foda. Agora é Biologia. Pelo menos o professor não é chato e maluco igual a Sra. Andrew e minha parceira de Biologia é muito, muito hot. Ela é chata, não para de falar e reclamar, mas eu nem dou ouvidos, os peitos dela são mais interessantes. Muito mais interessantes.
Entrei na sala e sentei esperando os peitos, quer dizer a minha parceira e nada dela aparecer. Mas quem liga?
- Bom dia pessoal. - O professor entrou na sala com um sorriso idiota no rosto.
Como as pessoas conseguem sorrir fácil pela manhã? Não entendo esses seres, eu não consigo nem abrir os olhos quem dirá sorrir que nem tonto. E ele está muito feliz hoje. Deve ter pego a professora de Álgebra, ela também estava sorrindo assim quando passei por ela essa manhã. E o que isso vai acrescentar na minha vida mesmo? Ah é nada.
- Sr. , sua parceira a Srta. Lauren Valley saiu do colégio e como só falta uma semana para as férias, não há necessidade de arranjarmos um novo parceiro agora. Então, quando as aulas voltarem nós decidimos o que fazer. Tudo bem para o senhor?
- Tudo bem professor. - Sorri forçado. Tudo bem uma ova, agora que não tem peitos para admirar, o que eu vou ficar fazendo na aula?
- Que bom. Agora vamos à aula.
O professor começou a falar de um assunto, que adivinha? Eu nem prestei atenção. Agora sem os peitos da Lauren, o que iria me distrair? Lindo, tudo que eu gostava dessa aula se foi. Fiquei escrevendo qualquer coisa no caderno até o sinal bater.

Intervalo. Respirar ar puro, conversar com os amigos e jogar meu charme para as garotas. Essa última parte é a melhor. Essas garotas do colégio são tão fáceis, consigo qualquer uma que eu quero, sempre.
Cheguei ao pátio, olhando para os lados e procurando os caras, até que avistei uma cabeleira de gambá. Era James com o , , , Dave e Steve. James, Dave e Steve também têm uma banda, nós sete se conhecemos faz uns seis anos ou mais, praticamente crescemos juntos.
Fui andando até eles que riam... Deveria ser algo que fez ou falou, era sempre assim, ele é o mais lerdo então sempre fala ou faz coisas sem sentido. E também comete muitas burradas, muitas. Então temos uma regra: se alguma coisa der errada, a culpa é do .
- E ai cambada. - Disse. Todos responderam sorridentes.
- Pessoal, tenho uma má noticia. - Me sentei na grama ao lado do . Todos me olharam.
- O que o fez dessa vez? - perguntou.
- Hey, eu não fiz nada... Fiz? - me olhou tonto.
- Vai se revelar hoje, amorzinho? - zombou com uma voz fina. Todos riram.
- Não você não fez nada e ... - Mostrei o dedo pra ele. - Então, Lauren saiu do colégio, isso significa um par a menos de peitos para admirar nesse lugar.
- A ida da Lauren é uma má noticia? E dai que ela foi embora? Tem garota muito mais hot que ela aqui. - Exclamou James.
- É eu sei, mas não na aula de Biologia. - Murmurei.
- A pequena Lauren se foi, com seus peitos para... - Dave começou a cantar, mas interrompeu.
- Pequena Lauren? Fala sério Dave, de pequeno aquela ali só tinha o cérebro, porque o resto... - Sorriu malicioso. - Era bem grande. E você sabe muito mais que a gente.
- O pela primeira vez falou algo que preste. - debochou. o olhou feio.
- É ela tinha mesmo o cérebro pequeno. - Steve afirmou. - Afinal, ela namorou o Dave.
- Cala a boca, Steve. - Dave resmungou fazendo cara feia.
- Bom eu vou lá falar com a Olivia... - levantou e deixou o celular cair na grama.
- Ainda não se resolveram? - perguntou.
- Não, mas não passa de hoje!
- seu celular... - Eu avisei, mas ele já havia saído correndo sem me dar ouvidos. Esse é o .
- Que cara desligado. - Dave falou. Agora que ele percebeu?

contava uma piada fazendo gestos exagerados com as mãos e nós riamos sem parar, não tinha voltado ainda, então à coisa com a Olivia devia estar boa!
Do nada uma música conhecida começou a tocar. Era o celular do . Peguei e olhei no visor: Pequena. Era , irmã do , ele a chamava de 'pequena', esse acho que era o único apelido carinhoso entre eles, porque o resto... Meu deus! Decidi atender.
Antes de pronunciar qualquer palavra, um grito do outro lado da linha me interrompeu.
- seu viado, onde você enfiou o celular? No cu? Cacete por que não me atendeu e nem me ligou de volta? Seu bosta devia ta com alguma vadia, não é? Vou cortar suas bolas irmãozinho, ai você vai ficar esperto! Não aguento mais ficar aqui, PORRA! - A garota parou de gritar para tomar fôlego e depois continuou. - Você esta me ouvindo ? - gritou irritada. Dude, a irmã do é maluca, nunca tinha ouvido nenhuma garota falar tantos palavrões em menos de um minuto.
- Er... aqui é , o deixou o celular e saiu. - Eu estava com medo dela começar a gritar e me xingar.
- Ah... Desculpa . - Ela falou sem graça. - o nunca carrega o celular não? Infeliz.
- Tudo bem , você sabe como o é desligado...
- Desligado, inútil, lerdo, idiota, vagabundo, trouxa e...
- para de gritar. - Disse uma voz no fundo.
- Eu não estou gritando Joe. Então , avisa pro que se ele não me ligar de volta, ele vai ver só!
- Ah ok. - Disse e avistei que estava vindo todo sorridente. - Espera , ele já está vindo...
- Ótimo! Obrigada , eu espero.
- Er... . - Falei quando ele chegou onde estávamos. - É a e ela quer falar com você.
- Ah não! Rezem por mim. - Ele sussurrou pegando o celular. Todos riram.
- você é um homem morto! - Ouvi a garota gritando. Ela era bem maluca mesmo!
Depois de vários gritos e ameaças sofridas, suponho, desligou o celular e bufou. conseguia tirar ele do sério... Também com aqueles gritos. Ela não era uma garota normal, definitivamente não era.
- Caras, eu preciso falar com vocês. - apontou pra mim, e .
- Não fui eu que peguei suas cuecas... - falou.
- Ah, então foi você que roubou? - Deu-lhe um tapa. - E não é isso, é sobre a .
- O que tem a ? - interrompeu.
- Posso terminar? - Assentimos. - Ela quer ir embora de Paris e vir morar aqui em Londres.
- Legal! - Exclamou e juntos. bufou.
- Só que meu pai não vai a deixar morar aqui sozinha e er... Ela pediu para morar com a gente. O que acham?
Alguns longos segundos se passaram...
- Ah, por mim, tudo bem. - foi o primeiro a se pronunciar.
- É, por mim também, a é legal. - falou logo em seguida.
- Por nós também! - James exclamou apontando pra ele, Dave e Steve.
- Vocês nem moram com a gente, idiotas. - bateu na cabeça de James.
- Mas é como se morássemos, vivemos lá. - Dave sorriu como se tivesse acabado de ganhar um doce.
- Comendo e bebendo às nossas custas. - rebateu.
- Ok chega gente! E você ? - olhou pra mim. - O que acha?
- O que eu acho? Uma garota morando com a gente?
- É da de quem estamos falando , não de uma garota qualquer! - Resmungou .
- E qual é a diferença? Ela continua sendo uma garota. Deixamos ela morar com a gente, depois de um tempo, ela vai nos obrigar a limpar a casa e vai nos fazer de escravo. Vai querer mudar até nossas roupas e nos fazer comer coisas saudáveis!
- Que exagero! E a é pior do que nós quatro juntos. - disse rindo.
- Ahn? - Perguntei confuso.
- Digamos que arrumação e coisas saudáveis, não são com ela. - explicou.
- Ok, ok, ok se vocês insistem.
Sei lá, uma garota morando com a gente? Espero que minha liberdade naquela casa não mude e também espero que a não mude nada por lá. Eu nem conheço a garota direito, e conhecem, são amigos dela e já foram vê-la em Paris várias e várias vezes e eu não a vejo já faz uns dois anos. Nem sei como ela ficou depois desses anos, aliás, não sei nada sobre a menina. Mas se o e o dizem que ela é legal e blábláblá, eu acredito que seja mesmo. Agora é esperar pra ver!


2º Capítulo

"Help me if you can, I'm feeling down" (Help - The Beatles)


's POV

O era mesmo um infeliz, ainda nem tinha falado com os garotos. Ah! Se ele não decidir isso hoje, ele vai ver só! Ás vezes acho que nós dois não somos irmãos, piorou gêmeos. Ele enrola demais com as coisas. Eu aqui falando dele, sendo que nem disse nada para o meu pai ainda. Mas isso vai acontecer hoje mesmo, sem mais delongas. Não vejo à hora de me mandar daqui.
E essa aula que não termina logo? Do que o professor esta falando mesmo? Foda-se também, quero sair logo desse colégio e ir fazer compras com o Joe.
O sinal bateu. Que alegria! Eu saí andando (leia-se: correndo) até meu armário e joguei as coisas dentro. Joe apareceu logo em seguida.

- Vamos? - Ele sorriu.
- Demorou! Preciso fazer compras. - Peguei meus óculos escuros e minha bolsa.
- Sabe , eu vi um vestido semana passada que ficaria perfeito em você!
- Vestido? Joe por favor, eu só uso vestido quando não tem outra saída. - E era verdade. Só usava quando necessário mesmo. Mas Joe e sua mania de querer me transformar em Barbie.
- Você devia vestir mais vestido. Você fica maravilhosa neles. - Ele apontou pro meu corpo.
- Ok chega, vamos logo às compras. - Sai andando e Joe veio logo atrás.

Entramos no carro e eu só conseguia pensar em como falar com meu pai. Ele com certeza iria surtar. Olhei para Joe, que já estava dirigindo a caminho do shopping, eu nem sequer tinha perguntado se ele ficaria bem se eu fosse embora. Que tipo de amiga eu sou?
- Er... Joe?
- Hum...
- Você vai ficar bem, né? - Ele me olhou confuso e voltou a olhar para a rua. - Tipo sobre eu ir embora.
- Ah! Sobre isso. Bom é uma escolha sua e se vai te fazer bem, eu vou ficar bem. - Ele me olhou e sorriu. Joe não existia mesmo.
- E você vai sentir minha falta? - Fiz voz de criança.
- Não, vou até fazer uma festa para comemorar. É claro que vou, poxa!
- Eu também vou sentir a sua...
- Eu sei que vai. Você me ama, afinal quem não ama? - Disse convencido.
- Você é demais! - Dei um beijo em sua bochecha.

Nós já havíamos comprado praticamente o shopping inteiro, era incrível como as horas passavam rápido quando eu me divertia. E era incrível também, que cada vez que eu ia fazer compras tinha novos modelos de all star. Eu já devia ter uns quinhentos pares, agora quinhentos e três. E depois de tantas compras eu já estava faminta.
- Vamos comer? - Perguntei ao Joe.
- Estava demorando para a sua solitária se manifestar - Ele riu.
Fomos até o Mcdonalds. Esse lugar é um paraíso, olha todas essas opções de hambúrgueres.
Compramos e sentamos em uma mesa.
- Docinho, se eu te disser que o Jensen está logo ali e já nos viu aqui, o que você vai fazer? - Joe me olhou e arqueou a sobrancelha.
- Vou vomitar, por quê? - Olhei para trás e adivinha? Esse garoto anda me seguindo, só pode.
- E agora ele está vindo para cá!
- Ele não desiste nunca não? Cansei. - Agora ele iria ouvir.
- Oi, Joe! Oi, , você anda fugindo de mim ultimamente. - Jensen chegou e sentou. Quem o convidou pra sentar?
- E? - Disse com desdém.
- E que eu queria te convidar pra sair, você quer? - Sorriu se achando. COI-TA-DO.
- Não e Jensen, qual parte do acabou e some da minha vida, você não entendeu? - Falei séria. A casa dele caiu, sou foda.
- , eu...
- Chega Jensen, é melhor você desistir e se mandar. Hoje não estou com muita paciência.
- Tudo bem, a gente se vê. - Ele levantou e saiu andando. Chato, chato e gostoso. O chato ganha. Ou não.
- Uiii! - Joe exclamou. - O garoto parece gostar mesmo de você .
- Joe, docinho, você quer ganhar um hematoma?
- Garota má! O menino todo apaixonadinho e você nem aí!
- Apaixonadinho... - Disse incrédula. - Que palavra ridícula.
- Sabe, eu às vezes me pergunto, se você diz isso porque já se apaixonou ou porque foge. - Joe balançou a cabeça.
- Nenhum dos dois. É porque eu apenas não acredito em nada disso! - Falei irritada. Qual é amor? Só de família e de amigos, porque de resto (quer dizer entre duas pessoas) não existe pra mim.
- Quem sou eu pra discordar, não é? - Murmurou pra si próprio.

Comemos e depois fomos embora. Joe me deixou em casa, eu entrei e subi para o quarto, ou pode se dizer maloca?
Acho que vou ligar pra , aproveito e já falo com a já que quase todos os dias depois da escola elas se reúnem. Preciso saber como estão às coisas, afinal em breve, comprarei a passagem só de ida para a Terra da Rainha.
Er... Onde está a porra do meu celular? Só falta ter ficado no carro do Joe. Estou ficando pior que o ...
Revirei todas as sacolas de roupas que comprei, e fui achar só na última, sou uma menina de muita sorte, amém.

- ?
- E ai ! Tudo bom vadia?
- Tudo, e você cachorra?
- Cometendo impurezas, como sempre. - Fiz voz safada.
- Hmm... Delícia! - As duas falaram juntas. Eu e minhas amigas somos doentes, e ai?
- A pegou o Mark! A pegou o Mark! A pegou o Mark Banks! - berrava ao fundo.
- UOL, ele aprendeu a beijar? - Zoei. Mark era bonitinho, o primeiro garoto que beijei e bem ele sabia beijar menos que eu, foi horrível!
- para de gritar sua bitch! E , é ele aprendeu... Direitinho.
- Ok, ok. - Ouvi resmungar.
- E eu vou estar ai semana que vem com vocês. - Me empolguei, mudando completamente de assunto.
- Vai? Vai mesmo? - perguntou.
- É claro que vai, se ela está falando né. - respondeu.
- Vai saber. - se defendeu.
- "Vai saber." - imitou a .
- Hey, eu ainda estou aqui sabiam? E já vou desligar, tenho que fazer o dever, ou não. Tchau seres, amo vocês.
- Tchau , nós te amamos. - disse as duas juntas.

Desliguei e tentei fazer o dever, mas eu não estava afim mesmo e fui tirar um cochilo, ainda eram cinco horas da tarde.
Acordei, olhei o relógio: 19h30. Todo mundo já devia ter chego em casa, isso significa jantar e conversar com meu pai. Hoje meu dia estava uma bosta mesmo!
Levantei e fui tomar um banho pra ver se acordava direito.
Quando sai do banheiro e me troquei, ouvi batidas na porta.
- Entra.
- , seu pai está chamando-a para jantar. - A empregada disse. Sabe que nesses anos todos, eu nunca guardei o nome dela?
- Ah! Estou descendo.
Desci as escadas e quando cheguei à mesa, meu pai ficou me olhando, aquele iria ser um jantar agradável.
- Não gostei do seu comportamento, hoje de manhã . - Ele começou e eu revirei os olhos.
- Pai, você nunca ouviu falar que a hora da refeição é sagrada? Então, vamos todos apreciar o jantar e depois conversamos.
- , chega de brincadeirinhas. - Ele me olhou sério.
- Ok, Eu começo então... - Pigarreei. - Vou para Londres semana que vem e pretendo ficar lá, o disse que tudo bem eu morar com ele e posso vir passar as férias aqui se o senhor quiser.
- E você decidiu tudo isso sozinha? - Perguntou.
- Sim, por quê?
- Você não vai.
- Vou sim!
- Não vai e ponto! Eu sou seu pai e sou eu que digo aonde você vai ou não! E você não vem tendo um comportamento bom ultimamente.
- O que eu fiz? - Perguntei.
- O que você fez? Semana passada, quase foi expulsa novamente do colégio, para ser mais realista se eu não tivesse uma grande influência naquele colégio, você já tinha sido expulsa logo na primeira semana de aula. - Ele gritava. Pra que gritar? - E ainda pendurou o gatinho da Marie de ponta cabeça na janela e fez desenhos estranhos nos vestidos da Kate. Sem contar que quase quebrou a perna, tentando fazer coisas perigosas com um skate no jardim. Quer mais?
- Eu tenho explicações! - Me arrumei na cadeira e pigarreei. Como eu era cínica. - Aquele colégio me odeia, o gatinho da Marie rasgou meus pôsteres, os vestidos da Kate precisavam de uma coisa para torná-los melhores e eu nem quebrei a perna. `To inteira! Olha só! - apontei para mim mesma. A cara dele era das piores, já disse que a sorte não está comigo hoje?
- Você não tem limites não é mesmo? - Ele estava bufando de raiva. Ok, eu estou pior por dentro, mas se acalma garota, acalme-se. - Desde que viemos morar aqui, você mudou seu modo de se vestir, pintou o cabelo, colocou piercings e fez uma tatuagem. Uma tatuagem? Você só tem 16 anos! É uma garotinha ainda!
- Pai, eu não sou mais uma garotinha! - Eu gritei. Garotinha? Odeio que me chamem de garotinha. E não era uma tatuagem, eram três, uma no pulso (a que ele sabe), uma era na nuca - ele nunca teve a oportunidade de ver - e a outra ele não precisava saber. - E me desculpe se eu não me visto como uma Barbie e sou ingênua. Eu sou assim e aceite isso.
- Você é uma garotinha sim! E você deveria mudar esse seu estilo e voltar a ser como antes.
- Me desculpe se eu não sou mais um exemplo de filha para você. E eu nunca vou voltar a ser como antes. - Nós dois já estávamos gritando um com o outro. Kate e Marie só assistiam a cena caladas.
- Você não vai passar nem as férias em Londres! Aliás, vai passar aqui trancada dentro de casa, como castigo. - Ele apontou o dedo na minha cara. Não, ele não tinha dito aquilo.
- Eu te odeio! Odeio você e vocês também. - Apontei pra Marie e Kate. - Se minha mãe estivesse viva, aposto que ela, você, eu e o estaríamos vivendo lá, na Inglaterra, como uma família feliz e eu não estaria aqui vendo você tentar construir uma família perfeita e feliz. Lamento te dizer, mas você não é bom nisso! - A verdade parece mesmo doer, porque a cara dele foi das piores. Levantei e sai da sala de jantar.
- , volta aqui agora! - O ouvi gritar, mas já havia alcançado os degraus da escada.

Entrei no meu quarto e bati a porta com força. Liguei o rádio bem alto. Não aguentava mais isso tudo, já deu pra mim, se eu não for embora logo desse lugar, vou cometer um tragédia, matar alguém por exemplo.(Weightless - All Time Low)

Manage me, I'm a mess
(Oriente-me, estou confuso)
Turn a page, I'm a book half unread
(Vire a página, sou um livro lido pela metade)
I want to be laughed at, laughed wit, just because
(Quero que as pessoas riam de mim, riam comigo, à toa)
I want to feel weightless
(Quero me sentir leve)
And that should be enough
(E isso deve ser o suficiente)

But I'm stuck in this fucking rut
(Mas estou preso nesta maldita rotina)
Waiting on a second hand pick-me-up
(Esperando por alguma coisa acontecer)
And I'm over getting older
(E eu não me importo em envelhecer)
If I could just find the time
(Se ao menos eu pudesse encontrar tempo)
Then I would never let another day go by
(Então eu nunca deixaria outro dia passar em branco)
I'm over getting old
(E eu não me importo de estar envelhecendo)


Sem ao menos perceber, já havia lágrimas escorrendo em meu rosto. Eu nem ligava, fazia tempo que não chorava e estava até me sentindo melhor.

Maybe it's not my weekend
(Talvez essa não seja meu fim-de-semana)
but it's gonna be my year
(Mas esse será o meu ano)
I'm so sick of watching while the minutes pass
(Estou cansado de assistir os minutos passarem)
as I go nowhere
(enquanto vou a lugar nenhum)
This is my reaction
(E esta é minha reação)
To everything I fear
(Para tudo que temo)
'Cause I've been going crazy
(Porque estou enlouquecendo)
I don't want to waste another minute here
(Não quero desperdiçar mais um minuto aqui)

Make believe
(Faz de conta)
That I impress,
(Que eu impressiono)
That every word
(Que toda palavra)
By design turns a head
(Conceitualmente, chama a atenção)
I wanna feel reckless
(Quero me sentir despreocupado)
wanna live it up
(quero viver)
just because
(à toa)
I want to feel weightless
(Quero me sentir leve)
'Cause that would be enough
(E isso deve ser o suficiente.)


Desliguei o rádio quase que quebrando o botão. Odeio músicas de momento. Vou ligar pro , espero que ele esteja com o celular, porque eu realmente preciso dele agora.

-

' s POV

- UHUUUUL! Ganhei de novo! - Berrei. Já era a quarta vez que eu ganhava do no vídeo game, não tinha graça jogar com , ele perdia fácil. Mas como o e o foram ao mercado, só me restou ele como opção.
- Vou tomar banho. - se levantou bufando e foi em direção as escadas.
- Que foi? Cansou de perder ? - Gargalhei.
- Vai se ferrar, .
Pronto agora o que eu vou fazer? Nada como sempre. Peguei o controle e comecei a passar os canais. Nada, nada, nada, não passa nada que presta na TV, nada, nada e algum celular tocando. Algum celular tocando? É o do , dude porque ele nunca se lembra de levar o bendito celular? Vou falar viu, agora virei telefonista e nem ganho nada por isso. É a de novo, vou atender. Tomara que ela não dê aqueles gritos novamente. Atendi.
- ? - Uma voz abafada chamou.
- Não , aqui é o de novo. O foi ao mercado e deixou o celular jogado.
- Ah, droga! Quando eu mais preciso daquele infeliz ele esquece a merda do celular. - Ela falava entre soluços. Ela estava chorando?
- Está tudo bem ? - Perguntei. Sei lá eu estava preocupado com a garota.
- Não, e quando o chegar pede pra ele ligar.
- Mas o que aconteceu? - Perguntei quando ela já ia desligando.
- Briguei com o meu pai e dessa vez foi feio.
- É sobre você vir morar aqui?
- Sim, ele não quer deixar. - Ela falava com a voz falha.
- Pode deixar, vou falar pro e qualquer coisa nós quatro armamos algo pra você fugir daí!
- UOOOOL! E como você pretende fazer isso? - Riu e pelo menos não estava chorando mais.
- Ainda não sei. Mas vai ser aquela fuga tipo de filme, sabe?
- Tá , para de viajar!
- Poxa é sério!
- Ok, e vocês vão vir em um conversível ou em cavalos? - Ela brincou. - Se for cavalos, quero os brancos, eles são os mais amigáveis.
- Ah Claro, cavalos brancos! Você vai ver! - Rimos.
- Er... Vou desligar, chega de incomodar as pessoas por hoje. E bate no por mim?
- Você nem está incomodando, ao contrário. - Eu não falei isso, falei? O que ela vai pensar de mim? Ok chega com meus surtos por hoje. - Pode deixar eu bato no , ele merece!
- Er... Então... Tchau. - Ela disse e eu não queria desligar, confesso. Eu poderia ficar ali conversando com ela por horas.
- Tchau. - Disse e ela desligou. Fiquei que nem tonto encarando o celular na mão.

- Falando com quem ? - se jogou no sofá.
- Ahn? Onde? O que?
- E eu pensei que só o que era lerdo. - murmurou pra si próprio.
- Hey! Eu não sou lerdo. - Disse. Na verdade estou meio lerdo agora, mas vai passar. Ou não.
- "Ahn? Onde? O que?" - Tentou me imitar. - Não imagina, todos vocês são lerdos, eu sou o único normal nesta casa. Com quem você estava falando no celular? Sua mula.
- Ah eu tava falando com a , ela estava mal, brigou com o pai e estava chorando...
- Chorando? - Ele me interrompeu.
- Sim chorando, sabe é isso que as garotas fazem quando estão tristes.
- Não a , ela nunca chora. A coisa deve ter sido séria.
- Como assim não chora? Todo mundo normal chora, . - Falei como se fosse uma coisa óbvia. Como assim a garota não chora? Toda garota chora, é o que elas mais sabem fazer.
- A não é uma pessoal normal! - Gargalhou.
- Essa garota é maluca? Meu deus!
- Maluca é pouco. Ela faz cada coisa, que dá medo cara.
- É claro! Ela é irmã do ! - Zombei. É verdade, se ela fosse normal, não seria irmã do .

-Chegamos crianças! - entrou na casa, cheio de sacolas. veio logo atrás cambaleando com mais sacolas ainda.
Foram até a cozinha, depois de uns minutos volta um reclamando.
- pegue isto! faça aquilo! seu inútil! Me xingam e me escravizam, eu não reclamo. Vou começar a me vingar, vocês vão ver só! - Ele apontava para mim e o . Nós riamos sem parar. Como ele conseguiu formular tantas palavras em tão pouco tempo? - PAREM DE RIR!
- Como você vai se vingar? - disse rindo.
- Vocês vão ver só. IDIOTAS.
- Ok , chega de nos fazer rir. E sua irmã ligou de novo. Ela estava mal e parecia estar chorando. Por que você nunca se lembra de levar o celular, hein? - Eu olhei pra ele e ele retribuiu com um olhar preocupado.
- Mal? Chorando? O que aconteceu? - Ele pegou o celular nervoso.
- Ela brigou com seu pai, ele disse que ela não vai mais vir morar aqui.
- Droga, eu devia ter levado o celular. Eu sou um inútil. - Ele falava com o celular na orelha. Uma das poucas pessoas que realmente se importava era a irmã e ficava preocupado quando acontecia algo com ela.
- ? O que aconteceu? me falou que você ligou e não estava bem... - falava rápido saindo da sala e esbarrando em que voltava da cozinha.
- Qual é o problema dele? - sentou ao lado de .
- . - respondeu.
- O que ela fez dessa vez?
- Brigou com o pai e está mal, disse que ela estava chorando. - disse como quem não estava acreditando na parte do choro.
- Sabe é natural chorar, sabia? Todo mundo chora! - Disse olhando pra ele.
- Tem certeza que ela estava chorando? - me olhou sério.
- Porra, se eu disse que estava é porque estava, cara! - É tão difícil assim acreditar? Ela só estava chorando, que merda!

Nós estávamos assistindo um programa na MTV já fazia uma hora e não tinha voltado pra sala. O que será que ele estava fazendo? Será que ainda estava falando com a ? E por que eu estou tão preocupado com isso? Avistei um entrando na sala bufando.
- E ai? - perguntou.
- Falei com ela e depois falei com meu pai.
- E? - Perguntei. E dai que eu estava curioso?
- Convenci meu pai e ela vem, mas se ela não se comportar volta.
- Quando ela chega? Por que temos que arrumar o quarto de hóspedes pra ela. E eu não vou entrar naquilo, tem meias do lá dentro! - falou e levou um pedala de . - OUTCH!
- Semana que vem. - Ele sorriu e levantou as mãos. Sim, ele era feliz demais. - Vocês acreditam que ela quase foi expulsa do colégio de novo semana passada? E ainda pendurou o gato da Marie de ponta cabeça, desenhou coisas estranhas nos vestidos da Kate e quase quebrou a perna andando de skate no jardim. Tudo isso só semana passada.
- Eu acredito, essa é a . - começou a rir.

Vou falar, estou ficando com medo dessa garota. Ela não chora, fala palavrão mais que o normal, pendura um gato de ponta cabeça e ainda anda de skate? O que mais ela tem de anormal? Talvez seja melhor eu não saber.


3º Capítulo

"It's was the first we met and the way my heart went out for you. It didn't make sense. No, it didn't make sense." (Dumbstruck - Call Me When I'm 18)


's POV

Finalmente vou sair de Paris! Nem acredito que estou indo para Londres, nem acredito que o convenceu meu pai, nem acredito que todas as malas já estão prontas e daqui a pouco vou pro aeroporto, nem acredito... Ok chega de nem acredito. As malas já estavam lá embaixo, quer dizer uma parte, a outra grande parte já foi mandada pra Londres. Parece que tudo está correndo bem!
A campainha está tocando! Deve ser o Joe, combinamos de ele ir até o aeroporto comigo.
Desci e vi um Joe com cara de abandono no hall, aquela era a única coisa que eu me preocupava em deixar aqui em Paris.
- Oi. - Sorri pulando nele. Ele gargalhou.
- Oi fofa.
- Vamos? As coisas já estão no carro. - Meu pai apareceu na porta. Assenti e fomos até o carro. Admito, eu até que ia sentir falta de algumas coisas daqui. Mas só de algumas coisas.
O caminho até o aeroporto não era longo, mas o silêncio que reinava dentro do automóvel me incomodava. Olhei para o meu pai dirigindo emburrado, estava mais que na cara que ele não gostava da idéia de eu ir embora. Joe não parecia muito diferente, mas ele pelo menos estava tentando disfarçar. Ele é uma das pessoas mais incríveis que eu conheço, me lembro perfeitamente do dia em que eu o conheci.

#Flashback

Minha vida está uma droga. Tudo isso é uma droga, principalmente esse colégio. Por que essas pessoas estão me olhando assim? Sou um ET ou algo parecido? Só porque eu não estou vestida igual a uma Barbie? Desculpe se aquelas roupas são tão sem graça e eu fui obrigada a jogá-las fora e comprar roupas de verdade. Olha pra essas pessoas, todas arrumadinhas. Fala sério! Cadê os all star?
Entrei na sala e nem preciso dizer que era uma droga também, right? Sentei na última carteira e abaixei a cabeça. Minha intenção era ignorar tudo e todos e ficar ali até a hora de ir embora, mas um ser fez o favor de me cutucar...
- Oi, meu nome é Joe e o seu? - O ser disse todo aberto e sorridente.
- . - Respondi. Não queria papo com ninguém, mas o ser ali parecia persistente.
- , right? - Assenti e ele sorriu. - A propósito adorei suas roupas! As pessoas desse colégio não têm senso de moda.
- Er... Obrigada.
Joe não era igual aos outros alunos, ele era bem colorido e saltitante. Só sei que aquela criatura não parava de falar e falar. Onde é o botão desliga dessa coisa?

#End Flashback

Quem diria que aquela coisa colorida e saltitante se tornaria meu melhor amigo? Eu iria sentir muita falta dele, disso eu tinha certeza.
Chegamos ao aeroporto e depois de uma hora de atraso, já era hora de embarcar. Olhei as duas pessoas tristes e suspirei.
- Então... - comecei.
- Ah! Eu não acredito que você está indo embora. Vou sentir tanto a sua falta fofa. - Joe falava, chorava e me abraçava. Tudo ao mesmo tempo.
- Também vou sentir sua falta, purpurina.
- Promete que vai se cuidar e...
- Chega Joe. Eu vou ficar bem.
- Ok, ok. - Ele se afastou secando algumas lágrimas. Meu pai me olhou, suspirou e veio me abraçar. Eu podia jurar que ele tentava não chorar ou que já havia chorado, devido aos olhos inchados.
- Se cuida princesinha. - Qual é? Princesinha é osso. Vou relevar. Mas só porque eu estou em despedindo dele e não sei quando vou vê-lo novamente.
- Pode deixar pai.
Peguei minha bolsa e embarquei. Estava voltando para onde nunca devia ter saído. Agora tudo vai ser mais fácil e agradável. Eu espero.

-

's POV

Nós já estávamos naquele aeroporto a mais de uma hora e nada da irmã do desembarcar, o voo tinha atrasado. e estão sentados, dormindo. Como eles conseguem dormir em qualquer lugar? É aqueles eram meus amigos. estava do meu lado. Quer dizer não exatamente do meu lado, já que ele estava andando pra lá e pra cá, daqui a pouco ia criar um buraco no chão, igual aqueles desenhos que passa na TV. E eu devia estar com cara de tacho.
Ah! E ainda tinha duas coisas gritantes conosco. Dude, aquelas duas garotas não paravam de falar um minuto sequer, caralho. Elas eram melhores amigas da , eram legais e tudo mais, mas poxa eu preferiria elas de boca fechada neste momento. E muito!
- e , por favor, parem de falar um pouco. - Dei ênfase no falar mesmo, eu ia dizer gritar, porque era o que elas estavam fazendo, mas não sobraria para contar história. As duas fizeram uma cara de bosta e sentaram. Finalmente!
Agora que as duas malucas ficaram quietas e as duas belas adormecidas acordaram, só faltava a chegar. Olhei em direção aonde as pessoas desembarcavam. Nada. Quer dizer, tinha algumas pessoas saindo, mas nenhuma era , ou era. Não sei não me recordo muito de como ela era, mas se era irmã gêmea do , se parecia com ele. Ou não.
Fiquei mais alguns minutos olhando as pessoas desembarcarem, até que avistei uma garota. Mas que garota! Ela usava um short muito curto, que deixava suas belas pernas à vista. E que pernas! Usava também uma blusa decotada. E que decote! Estava com um all star e tinha cabelos coloridos, pelo menos parecia ser a metade de baixo azul e em cima algumas mechas amarelas. Ela vinha em nossa direção, sorrindo.
- WOW. - A única coisa que consegui formular naquela situação.
- Tira o olho ! - disse entre dentes e antes que alguém pronunciasse qualquer coisa, a garota pulou em cima do . Não, aquela era a irmã de ? Não.
- meu inútil. - Ela gritou em cima dele. Sim aquela era .
- Pequena. - Desculpa, mas não vejo uma garota pequena ai não. Pare , se controla.
Ela desceu de cima do e foi abraçar as amigas. Ficaram as três se abraçando e dizendo coisas incompreensíveis. Garotas.
- ! - Ela o abraçou por algum tempo. - ! - E também o abraçou.
- Que saudade . - sorriu para a garota.
- Muitas. - Ela sorriu. - ! - E ela me abraçou? Ok então. Dude, como ela é cheirosa e ahn... Gostosa. E como esse abraço estava bom!

-

's POV

- Não acredito. Cheguei! - acho que disse alto demais, porque as pessoas me olhavam estranho. O que elas estavam olhando? Meu look? Que culpa eu tenho se elas gostam de se vestir todas iguais, e tem uma cor só no cabelo?! São tão comuns e sem graça. ECA! Agora, onde será que o pessoal está me esperando? Preciso procurar os seres.
Sai empurrando aquele carrinho, com o resto das minhas malas e procurando os outros. Espera, acho que aquele ali em pé andando pra lá e pra cá é o . É ele mesmo! E do lado dele tinha outro garoto com cara de nada. Deve ser o . WOW, como ele evoluiu! E agora, estava olhando pra minha direção com uma cara um tanto sedutora. Será que ele me viu? me olhou e acenou. Sorri indo até eles, pulando em cima de .
- meu inútil. - Gritei no ouvido dele.
- Pequena! - Ele me chama assim desde que criança. Que saudade desse abraço. Desci de cima dele e olhei minhas amigas.
- Vadias! - E elas gritavam e eu não entendia nada, mas tudo bem. Medo dessas duas loucas.
- ! - O abracei como eu sentia falta daquele outro inútil. - ! - abracei também.
- Que saudade . - sorriu.
- Muitas. - Sorri. E muita mesmo, eu sempre fui muito próxima dos meninos, menos de , mas... - ! - Me vi gritando e o abraçando? Ah, que mal tem não é mesmo? Nossa que perfume bom e que braços. Que tudo, meu Deus! Ok chega , senão você vai ter desejos impróprios em horas impróprias.
- Então vamos né? - saiu andando.
- Vamos. Eu estou morrendo de fome! - jogou os braços no meu ombro.
- Me conta a novidade . - debochou.
- Mas quem não está com fome? Ficar esperando a por horas aqui foi foda. - começou.
- Você pensa que somos o que? Idiotas? Sua vadia, nos fez ficar te esperando. - completou. Estava demorando pra essas duas começarem a me xingar.
- Tenho culpa se o avião atrasa?
- Sim, tem culpa. - As duas falaram juntas.
- Afinal, você estava dentro dele. - debochou. Ele já quer apanhar?

-

's POV

- Hey! Esse pedaço de pizza é meu! - bateu na cabeça de . - SEU IDIOTA.
- Você já comeu uma pizza inteira . - praticamente enfiou o último pedaço inteiro na boca.
- E você já deve ter comido três inteiras.
Eu não acredito que esses dois estavam discutindo por causa de um pedaço de pizza. Nós pedimos umas dez pizzas dude! Tudo bem, que agora, depois de meia hora, só restava o pedaço que acabara de enfiar na boca. Cara, dez pizzas? Só a e a comeram umas três juntas e eu pensando que essas meninas não comiam besteiras e era do "eu estou de regime, obrigada". Regime uma ova! Só a que comeu um pedaço, agora não sabe se ela comeu só um porque está nessa do regime ou porque não deu tempo de comer mais, por causa desse bando de esfomeados.
- Me sinto satisfeita. - disse com a mão na barriga. Sim, ela era do "eu estou de regime, obrigada."
- Satisfeita? Fala sério você só comeu um pedaço. Qual é? Está na campanha do regime? - exclamou e todos riram.
- Vai se ferrar, ! - deu o dedo. fingiu uma cara ofendida e depois gargalhou. tinha razão, ela era simplesmente , não uma garota qualquer. E pra mim, isso parece bastante atrativo.
- Bom... - Ela se levantou do sofá. - As garotas vão dormir aqui, tudo bem pra vocês? Elas vão me ajudar a arrumar as coisas. Então já vamos subir, sabia que vocês não se incomodariam. - Elas sorriram e sumiram.
- Ela não deixou nem a gente responder. - Disse incrédulo, apontando para a escada.
- É essa é a ! - riu.
- O que eu perdi? - olhou para nós, confuso.
- Dude, em que mundo você vive?
- É e esse é o . - zombou.
- Hey!


4º Capítulo

"She's got no limit." (Josey - Hey Monday)


's POV

Fazia três dias que eu estava morando com os meninos. É legal, cada um tem sua bagunça, quer dizer dividimos a mesma bagunça mais especificamente. E que bagunça! Quer encontrar um sapato? Procura dentro da geladeira, talvez ele esteja por lá. Talvez. E agora tinha que levantar e ver se tinha alguma alma viva nessa casa. Deviam estar todos dormindo.
Levantei, me arrumei e sai do quarto a caminho da escada. Verifiquei todos os quartos com as portas abertas e não tinha ninguém dentro. Será que os seres já saíram? Desci as escadas e me deparei com uma cena bem cômica. Seis garotos dormindo, amontoados no chão da sala, um babando no outro, eca. O está dormindo com a cara na bunda do Steve e o Dave está chupando o dedo, puta que o pariu vou infernizar a vida deles com isso! Deviam ter bebido todas ontem. Nem me chamaram. É isso que eu chamo de amigos?
Fui para a cozinha, se é que pode chamar aquilo de cozinha. Para mim, aquilo poderia ser classificado, como o local em que mais se acumula sujeira. Preferiria comer no banheiro, mas... Entrei no cômodo e encontrei de cara amassada, procurando algo. Coitado, nunca iria achar nada nesse lugar. Parei.
- Bom dia, . - O ser me olhou sorrindo. E que sorriso, god.
- Bom dia. O que é aquilo na sala? - Perguntei indo procurar algo comestível.
- James, Dave e Steve vieram pra cá noite passada, bebemos e jogamos. Gritamos você, mas acho que já estava dormindo. - Ele falou coçando a nuca de um jeito sexy. - Não ouviu a bagunça?
- Não, normalmente durmo ouvindo música e bem alta.
- Hmm... Sabe onde estão as aspirinas nessa cozinha?
- Sabe onde está a cozinha? - Ri. Abri o armário e por milagre havia um pacote de cookies lá dentro e não estavam vencidos. Amém.
- Isso ajudou muito, valeu. - Ele falou sarcástico e fazendo joinha.
- Foi um prazer ajudar. - Sorri falso e me dirigi à sala.
Sentei no sofá e olhei a s pessoas dormindo na minha frente e logo ao lado delas perto do outro sofá, era... Vomito? Que nojento dude! Eu estou comendo e como eles estavam conseguindo dormir perto daquilo? Agora só quero saber quem vai limpar isso, porque não serei eu. Eu acho que já está na hora das crianças acordarem. Tenho uma idéia. Maligna é claro.
Fui até a estante de CDs, procurei um CD bem barulhento e pus no aparelho de som, aumentei no último volume, antes de ligar. Como eu sou má. Quando fui apertar o botão para ligar...
- O que você está fazendo? - me despertou dos pensamentos malignos.
- Vendo os CDs, não pode? - Virei e olhei para ele, que deu de ombros e se jogou no sofá.
Apertei o botão para ligar e gritos ecoaram das caixas de som, fazendo com que tapasse os ouvidos e os outros acordassem assustados. Eu gargalhava da cena, enquanto eles xingavam o mundo e eu junto. pisou no vomito e começou a berrar igual a um louco. Credo, ele pisou naquilo. Desliguei o som e todos me fuzilaram com os olhos. Mas eu só conseguia rir descontroladamente.
- Vocês... Deviam... Ter visto... Suas caras. - Disse entre risos. - Foi impagável.
- Você vai ver só, vai ter volta. - berrou subindo as escadas.
- Ui, que medo.
- Bom, se eu não quisesse te matar, diria que é bom revê-la . - James falou.
- Eu também diria. - Dave disse em seguida.
- E eu digo que não é bom revê-la, maluca. - O Steve me ama, eu sei disso.
- Também amo vocês. - Eu ainda ria sem parar.
- Os gritos ainda estão na minha cabeça. - colocou a mão na mesma, fazendo careta.
- Isso é bom. Demonstra que agora tem algo dentro dela. - Caçoei. Todos riram ainda fazendo caretas.
- Você é uma garotinha muito má, muito má! Merece um castigo e... - parou quando joguei uma almofada em sua cabeça. - OUTCH!
- Não sou uma garotinha, .
Garotinha má, eu posso ser má, mas não sou uma garotinha. Odeio que me chamem assim. E por que o me olhava sorrindo desse jeito? Ele devia estar pensando coisas que não prestam. Mas ele pensa afinal?

-

's POV

Dude. Minha cabeça está explodindo. Acordei já assim e precisava a ligar o radio no último volume? Maluca! Mas foi até que engraçado ver o pisando no próprio vomito. Andei pelo andar de baixo inteiro procurando alguém e nada. Saem e nem me informam, o que fazer agora? Eu estou com fome e não tem nada na cozinha, deviam ter ido ao mercado, ou não.
- Vou dormir que ganho mais. - Murmurei subindo as escadas e ouvindo alguém dedilhar algo no violão. E era uma de nossas músicas, Not alone. Devia ser coisa da minha cabeça, olha estou ouvindo coisas. É o sono, junto com a fome e a ressaca, só pode.
- Life is getting harder day by Day. And I don't know what to do, what to say, yeah. - Uma voz doce começou a cantar. Não, não era coisa da minha cabeça, tinha alguém cantando. Segui a voz até o quarto que agora era de . E era... ? Ela estava cantando? E uma música nossa ainda? Ok era coisa da minha cabeça sim. E por que a música parou? Estava tão bom ouvi-la cantar...
- Que coisa feia , ficar escutando atrás da porta. - falou. Ahn? Como ela me viu ali? Medo.
- Er... É que, é que... - Porra, por que eu estava gaguejando?
- Vai ficar parado ai? Ou entra ou se manda.
- Nossa, calma amizade. - Brinquei e entrei no quarto.
Ela estava sentada na cama, com roupas bem curtas e o violão nas mãos. Nem preciso falar como eu estava e como minha cara devia estar, certo? Qual é? Não é todo dia que uma garota hot vem morar na sua casa. Mas não, a era irmã do , ou seja, pode parando .
- Vai ficar ai me olhando? Que é? - Falou ela com uma delicadeza que só ela conseguia ter.
- Era você que estava cantando? - Sentei na beirada da cama.
- Não.
- Ah, pensei que fosse.
- Claro que era eu né, tem mais alguém por aqui? - Falou sarcástica. Qual era o problema dela?
- Só perguntei, porque era uma de nossas músicas, não sabia que você nos ouvia.
- É a banda do meu irmão esqueceu? E outra preciso comprar direitos autorais para cantá-las? - Disse seca.
Sério, eu não entendo os seres do sexo feminino, uma hora elas são gentis, outra elas querem te matar. Sociedade feminina indecisa essa de hoje em dia. Dou um prêmio para o cara que conseguir compreender perfeitamente.
- Só me surpreendi. Apenas isso. - Falei, tentando contornar.
- E? - Ela arqueou as sobrancelhas.
- Qual é o seu problema? - Soltei. Ok era agora que eu devia correr?
- MEU PROBLEMA? NENHUM SEU IDIOTA! QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA PERGUNTAR QUAL É O MEU PROBLEMA? - Ela gritou. Pra que gritar?
- É que você parece ter um. - É agora que eu apanho.
- VAI SE FUDER GAROTO! SOME DA MINHA FRENTE. - Quando ela ia parar de gritar?
- Dá pra parar de gritar? - Eu queria morrer hoje.
- NÃO! E NÃO DEU O FORA AINDA POR QUÊ? - é não dava mesmo.
Sai andando (leia-se correndo) do quarto, antes que ela quisesse usar o violão contra mim. O que eu fiz pra ela? Garota maluca, maluca, maluca.
Entrei no meu quarto e me joguei na cama. Dormir, dormir e dormir! Não, meu celular tocando, quem será o infeliz? Peguei o celular e olhei no visor. Lizzie. O que ela queria?
- Alô? - Minha animação era contagiante.
- , lindinho, que tal nos encontrar hoje? - Ela perguntou. Diversão batendo na porta.
- Claro, por que não? - E o ataca novamente. Ok, isso foi tosco.


5º Capítulo

"Everything looks strange and complicated, no?"


's POV

- AAAAAAAAAAAAAAAH. - Um ser gritava e pulava em cima de mim. Que maneira linda e meiga de ser acordada.
- Porra, você é doente? Sai de cima de mim e para de gritar! - Berrei mais alto que o ser. Consigo ser uma pessoa educada demais pela manhã. Só pela manhã?
- Hora de acordar, coisinha. - E finalmente cessaram os gritos. Ah, e o retardado que gritava e me esmagava era o . Filho de uma... Não, eu não vou xingar a Titia .
- , quer explicar o motivo de tanta babaquice?
- Babaquice? Você é sempre tão exagerada. - Ele sorria triunfante. - Vai se acostumando, porque é assim que praticamente todos os dias, eu acordo o pessoal.
- E ninguém tentou te matar ainda? Se não, eu mesma cuidarei disto! - Exclamei. E ia mesmo, duvida? Meu sono era sagrado e a pessoa que ousasse atrapalhá-lo... Coitada.
- Você não me mataria. - Ele disse convencido. - Não conseguiria viver sem mim.
- Isso é o que você pensa.
- Olha só que milagre, está sol! - me ignorou e começou a abrir as cortinas do quarto.
- Sol! Amigo Sol! - Levantei os braços debilmente.
Finalmente o Sol apareceu, porque duas semanas inteiras de chuva, ninguém merece. Sim, já haviam se passado duas semanas desde que eu cheguei. E só chovia dude! Agora eu poderia sair pra fazer algo por aí, pois ficar em casa com esses meninos sem fazer nada é tão chato. Não que os meninos sejam chatos, a parte de ficar em casa que é. E as minhas amigas nessas horas? Ah, foi pro interior da Inglaterra com os pais, visitar os avós. Já foi para casa na tia na Itália. Elas estarão de volta semana que vem. Acho.
- Sabe o que isso significa? Festa na piscina! - começou uma dança bem ridícula. Esquece a parte em que eu saio de casa, festa na piscina é bem melhor.
- Eba! Festa na piscina. - Me levantei e olhei ao redor. Adivinha só? Bagunça e bagunça. - Só preciso achar meu biquíni.
- Boa sorte! - riu. - Vai logo que o pessoal já chegou.
- Isso vai depender de onde meu biquíni se escondeu... - Comecei a revirar todo o quarto. saiu correndo e gritando lá pra baixo. Pessoa feliz.
Depois de revirar quase todo o guarda-roupa e o quarto, achei meu biquíni e já estava com ele. Er... Confesso que ele era um tanto pequeno. Principalmente a parte de baixo, que era preta e tinha uma estampa de bolinhas brancas. A parte de cima era da mesma cor, mas ao invés de bolinhas tinham listrinhas brancas, desprovidos de bojos - modéstia parte eu não precisava mesmo.
Desci as escadas e sai da casa encontrando um número significativo de pessoas. Ah, o pessoal! Ok, tinha umas trinta pessoas espalhadas pelo nosso gramado e perto da piscina. Mas trinta pessoas não é o problema, é claro que pra ser uma festa de verdade tinha que ter muito mais. Mas o problema é que disso tudo, eu só conhecia as coisas que moravam aqui e as outras três coisas que praticamente moravam aqui (James, Dave e Steve). Mas isso não é um problema se olharmos por um lado, tinha pessoas bonitas, sabe. Quero dizer, garotos bonitos! Ui!
E agora quase todo mundo olhava na minha direção? Será que estou tão exagerada assim? Que se foda, quem liga? Sorri e acenei pra todos.

A festa estava bem legal, digo eu ainda não guardei os nomes de todos daqui, mas reconheci algumas pessoas de anos atrás e todos eram bastante legais, principalmente os garotos. Ok , você está rodeada de gente legal e bonita, aproveita.
Agora eu só tenho que descobrir quem é a garota que o está abraçando. Ela até que é bonita, mas por que meu irmão não me apresentou ainda? Será que estão namorando? E o com aquela tal de Lizzie? Garota nojenta e chata, isso sim. Fica me olhando e ainda falou comigo com uma educação que nem me atingiu, mas mesmo assim. Tudo bem que eu poderia ser bem mais mal educada que ela, se eu quisesse... É me parece que o não tem bom gosto não. E por que eu estou preocupada com isso? Eu nem falo com ele direito, quer dizer depois do dia que eu quase joguei o violão na cabeça dele, falo só o necessário. Ah, eu sei lá, ele... Eu... É tudo meio que... Esquisito. É esquisito, me sinto estranha peto dele. Sim eu sei que eu sou estranha, mas me sinto mais estranha ainda. Quanta estranheza. Se é que isso é possível.
Quer saber? Se o não me apresenta a garota, eu vou me apresentar. Andei até onde os dois estavam e sorri cínica.
- Oi. - Sorri abertamente para a garota. me olhou com medo. Acho que ele pensa que eu quero bater nela, ou coisa assim. Vindo do meu irmão... Mas eu sou da paz, nem tanto. Amém.
- Er... Olivia essa é a minha... - começou, mas...
- ? Ah, a famosa ! Eu sou Olivia, prazer... - E a garota sorriso me abraçou. Que intimidade é essa? Alguém avisa pra ela que eu não gosto de desconhecidos me abraçando como se me conhecessem e fizessem parte da minha vida? Calma , Você é da paz, se lembre disso. Famosa ? Tenho fama e nem sei.
- Prazer Olivia. - Sorri falsa. E a garota ainda sorria, olhando de mim pro repetidas vezes.
- Com toda certeza vocês não parecem irmãos gêmeos. - Alguém explica pra ela que esse é o porquê de não sermos gêmeos idênticos? Pelo menos ela sabia que nós éramos irmãos, uma vez, uma garota que namorava não sabia nem que eu existia. Eu e o não somos parecidos nem um pouco, não só na aparência, mas em tudo.
Depois de ter ficado conversando com a Olivia por um tempo, resolvi me mandar. Fala sério, a garota era legal, mas não parava de falar um segundo.
- ! - Ouvi me chamar e quando virei pra trás o ser vinha correndo em minha direção. Não.
- Não ! Me solta! - Gritei quando ele me jogou nos ombros e saiu correndo.
- Ahn? O que? Você não quer que eu te solte? Ah, ok. - Ele ria e agora corria em círculos. O quer morrer, já saquei.
- Eu vou te matar me solta. - Me debatia e esmurrava as costas dele.
Ele ria e corria ainda mais rápido, agora já estava tudo rodando e confuso. O me paga... Ele corria e... Acho que a gente caiu... Ai! E acho que caímos em alguém. Puta que pariu.

-

's POV

- Garota ridícula. - Lizzie resmungou apontando para que estava nos ombros de , correndo em círculos.
O estava ferrado, a vai acabar com ele quando descer dali. E por que a Lizzie está implicando com a ? Ela nem a conhece direito, garota maluca. Por que eu ainda saio com ela? Boa pergunta.
- ? - Lizzie me chacoalhava. Não disse que ela é maluca? Ainda bem que os peitos compensavam a maluquice. Fiz um barulho em resposta e ela continuou. - O que você acha dessa ?
- Er... - Porra, por que ela vem me perguntar essas coisas. - Da ?
- É . - Ela respondeu revirando os olhos. Olhei na direção de , que agora não corria mais em círculos e sim na nossa direção. O que? Na nossa direção?
- Caralho. - Foi a única coisa que consegui dizer antes de ser derrubado por dois retardados.
Sabe quando você cai que nem merda no chão e fecha os olhos? Então foi isso o que aconteceu. Quando os abri, pensei que tinha morrido e ido para o paraíso. Ok, sem exageros. É que a situação em que eu me encontrava era bem... Estranha? estava caída sobre mim e sobre ela, deduzi pelo peso, já que não conseguia ver com os seios dela centímetros do meu rosto e ela não era pesada daquele jeito.
Ah, o paraíso! Que seios fartos aquela garota tinha. Fora esse biquíni um tanto sexy... Já disse que não me importo nenhum pouco de ter uma garota dessas morando aqui em casa? E se todas as garotas fossem iguais a seria tão mais fácil. Não literalmente, já que era meio difícil, mas fácil no sentido de serem perfeitas e terem um cérebro. Porque a maioria das garotas de hoje em dia são perfeitas, mas falta o cérebro. Vejamos a Lizzie de exemplo... Garotas desse tipo eu uso e jogo fora. Garotas incríveis como a intrigavam e desafiavam a tentar algo mais.
Eu nunca conheci uma garota incrível antes, a é a primeira. Fazer o que se garotas incríveis são raras e garotas como a Lizzie, lindas e descartáveis, existem em abundância? Mas é bom as incríveis serem raras, se não fossem, qual seria a graça?
- , sai de cima de mim sua baleia. - gritou. Sim, o estava em cima de nós. Eu sabia! A não pesa uma tonelada.
- Calma . - resmungou e levantou. Que alivio, sério.
Logo em seguida a se levantou, nem precisava... Podia ficar ali mesmo, não estava incomodando nem um pouco. Ao contrário. Levantei depois dela e não havia na quebrado, pelo menos. Olhei para que xingava baixinho e depois para Lizzie, que não caiu junto, e que estava com cara de merda medindo a . Ela não caiu, mas eu posso derrubar, que tal? Garota nojenta.
- Er... Desculpe . - falou meio sem jeito. Olhei pra ela e sorri.
- Tudo bem, .
- Agora você está ferrado! - Ela olhou para que arregalou os olhos e saiu correndo, gritando todas as desculpas existentes, enquanto o xingava e corria atrás dele. Até sumirem de vista. Ele está fudido.
- Ridícula. - Lizzie repetiu pela milésima vez. - Você viu ? Ela caiu em cima de você de propósito aposta?
- Foi o que derrubou e ela fez de propósito? - Arqueei as sobrancelhas.
- Ela pediu pro e...
- Cala a boca, garota. O que você tem contra ela?
- O que eu tenho contra a ? - Ela fez uma cara indignada, tentando pensar na resposta. Pensar, isso era meio difícil para garotas como ela. - É... É que ela...
- Nossa Lizzie, quer saber? - Perguntei. Eu já cansei dessa garota mesmo. - Se manda vai.
- O que? - Ela gritou.
- Se manda. - Repeti bem devagar pra ela entender.
- Tudo por causa dessa , é? Não falo mais dela lindinho e... - Ela falava exasperada.
- Lizzie você me cansa, se manda. - Bufei impaciente.
- Quer saber? - Ela falou e eu a olhei com indiferença. - Er... Tchau.


6º Capítulo

"Righ here's where the party starts." (Obvious - Hey Monday)


's POV

- Hora de acordar crianças. - berrava batendo em todas as portas. Qual é? Esse cara não cansa de fazer isso todos os dias? Ainda mais hoje, que é primeiro dia de aula. As férias acabam e o sofrimento começa novamente.
Nem reparei muito na roupa que vesti... Fui pegando as primeiras peças que vi na frente, então... Desci as escadas indo pra cozinha e encontrando os outros de caras amassadas. Menos o , que estava todo alegre. Como ele consegue dude?
- Bom dia , meu caro. - falou sarcástico. Viado. Mandei um olhar mortal pra ele e dei o dedo.
- , eu vou arrancar sua língua fora. - entrou na cozinha gritando. - Assim, você nunca mais vai gritar, piorou falar... Lindo não?
- Perfeito. - Concordei.
- Quer ajuda? - se pronunciou.
- Todos contra o . - disse e soltou uma risada maléfica.
- Eu sou um menino fraco e inocente. - falou ofendido.
- Fraco e inocente. Aham senta lá. - zombou.

Depois eu e o pessoal fomos ao colégio, eu já fui direto para a primeira aula, de Inglês com a professora Monstro. Devo ressaltar, que quando chegamos ao colégio as garotas nem disfarçavam olhando feio para , que andava sozinha a caminho da secretária para pegar os horários. Invejosas. Deve ser porque a supera qualquer uma aqui em tudo. Er... Em que aula ela deve estar agora?
- Bom dia turma. - A Monstro disse entrando na sala.
- Bom dia professora. - Todo mundo, menos eu, respondeu.
- Com licença, Sra. Andrew? - falou da porta, olhando para a professora e querendo rir, estava óbvio.
- Pode entrar senhorita. Você deve ser , certo? - A Sra. Andrew indagou medindo-a e pela cara que fez, rezando para ela não ser igual ao irmão. Coitada, era mil vezes pior que .
- Certo. - confirmou jogando um papel na mesa da professora e olhou procurando um lugar para se sentar. E adivinha? O único lugar vago era ao meu lado.
- Olá . - Jason exclamou convencido quando passou por ele indo em direção a carteira, ao meu lado. Ela apenas o olhou e acenou com indiferença. Tal indiferença que doeu até em mim.
- O que é aquilo na cabeça dela? E o tamanho daquela pinta? Eca. - sussurrou para mim e se sentou na cadeira.
- Um verdadeiro monstro. - Sussurrei de volta. Ela soltou um risinho abafado e pegou os óculos escuros. Colocou-os e abaixou a cabeça.
- Srta. . - A coisa que temos que chamar de professora gritou indo na direção da carteira de . - Quem você pensa que é? Tire esses óculos e levante a cabeça agora.
- E se eu não quiser? - Desafiou com sarcasmo. Toda sala se virou na direção dela. Vai dar em merda isso.
- Como é? - A Sra. Andrew perguntou demonstrando raiva.
- Quer que eu soletre? - tirou os óculos olhando para ela e quando ia começar a soletrar fez uma careta. - Eca! Isso é pelo na sua verruga? Que nojento.
Nessa hora todos seguraram as risadas, menos eu que gargalhei alto, até demais. A professora ficou vermelha, e aposto que se a não fosse uma aluna e aquilo não fosse uma sala de aula, ela tinha voado no pescoço dela. Mexer com a pinta nojenta dela era uma sentença, sério eu estava condenado por ódio mortal pela Sra. Andrew por causa disso. Mas quem disse que eu ligo mesmo? Nem , pelo visto.
- Já chega. Para sala do diretor agora. - Ela apontou o dedo na cara da e depois olhou para mim, furiosa. - E você também , vai aprender a não rir da cara das pessoas. Vamos logo os dois!
A Sra. Andrew nos levou até a sala do diretor e nos deixou lá, sozinhos, já que o diretor não estava presente naquele momento. Bufei e me joguei em uma das poltronas que ficava na frente da mesa do diretor.
- Por que essa cara ? É só uma visitinha ao diretor. - disse como se ir para diretoria fosse a melhor coisa do mundo.
- Acontece que eu não posso fazer muitas visitinhas esse ano, já fiz muito ano passado. - E é pura verdade, o Sr. Salvatore já estava cansado de me ver na sua sala.
- Não tanto quanto eu. - Ela sorriu se sentando na poltrona do diretor. Sim, na poltrona dele. Ela abriu uma pasta que estava em cima da mesa. - Olha minha ficha! Está limpa? Meu pai deve ter pagado para ela estar perfeita assim.
- , essa poltrona é do Sr. Salvatore. Levanta daí, chega de problemas por hoje. - Avisei.
- Esse Salvatore é bonitão né? Ouvi a mulher da secretária falando dele. - Ela fechou a pasta e levantou mexendo nas coisas que estavam em uma estante. Será que ela não consegue ficar quieta não? E ainda fica me perguntando sobre homem? Vai se ferrar.
- Ele arranca suspiros de várias alunas. - Disse seco. Várias alunas, mães das alunas, professoras e todo o resto do sexo feminino.
- Interessante. - sorriu maliciosa e arrumou a blusa, mostrando mais o decote. É brincadeira, né? Ela não vai fazer o que eu estou pensando que vai. Vai?
- Você não vai... - Comecei a dizer, mas calei-me vendo o Sr. Salvatore entrar na sala.
- Bom dia, jovens. A Sra. Andrew disse-me que já estão aprontando logo no primeiro dia... - Ele disse sem nos olhar e sentou-se em sua poltrona. sentou-se na poltrona ao meu lado.
- Bom dia. - Respondemos juntos.
- Sr. já começou com suas visitas? - Ele olhou para mim e balançou a cabeça em negação.
- Juro que não fiz nada dessa vez. - Me defendi.
- E a Srta. Er... . - O diretor gaguejou olhando, digamos, o decote dela e depois desviando para o rosto. - Já arranjou problemas?
- Senhor, eu juro que eu e o não fizemos nada. Não tenho culpa se ela tem problemas com meu irmão e quer culpar eu e o por isso. - disse com uma voz doce e fazendo gestos lentos com as mãos. Eu não acredito que ela estava tentando seduzir o diretor. E o pior, estava funcionando! O diretor parecia um tonto olhando para ela.
- A senhora Andrew é meio exagera...
- Meio? Senhor, ela me olhou como se eu fosse uma delinqüente ou algo do gênero. - Ela fingiu estar ofendida. - Me senti péssima.
- Peço desculpas pelo modo que se sentiu senhorita. - Mentira que eu estou ouvindo isso né? Sério, mata esse cara. Um homem mais velho e experiente, caindo na de uma garota de apenas 16 anos? - E os senhores estão livres das aulas da Sra. Andrew por hoje.
- Obrigada. Sabia que o senhor entenderia meu lado. Tchauzinho Sr. Salvatore. - sorriu mandando beijinhos e acenando para ele. - Vamos ?
Respondi um sim ainda meio atônito. não sabia o poder que exercia não é mesmo? Até eu fiquei meio que... Tipo... Deixa pra lá. E o que o diretor babão disse mesmo? Sem aulas da velha nojenta hoje? , você é uma ótima atriz.
- Não acredito que você fez isso. - Indaguei quando chegamos ao pátio e sentamos em uma das mesas. Ela me olhou cínica.
- Eu? Nem fiz nada.
- Você viu como deixou o cara?
- Livro sua cara e você ainda reclama? Me poupe. - Ela falou irritada. Estou começando a odiar essa mudança de humor dela. Uma hora ela sorri pra mim, outra me maltrata. Querida, esta na hora de decidir, porque chega um momento que cansa.
- O que eu fiz para você garota? - Perguntei. Ela arqueou as sobrancelhas. - Essa sua mudança de humor cansa sabia?
- Oh não... Estou te ofendendo com isso, ? Só não chore, por favor. - Ela disse risonha.
- Não, é sério. O que você tem contra mim? - Encarei .
- Nada. - Ela deu de ombros. - É que é divertido.
- Não vejo a graça.
- Eu vejo e é isso que importa. - Ela sorriu com sarcasmo, levantou e saiu andando.
A parte pior é que eu continuo achando uma garota impressionante. Porra, como eu sou idiota. Maldita garota.

-

's POV

A cara daquele diretor foi impagável. Fala sério, ele ficou doidinho. Como eu sou má. Tenho que parar com essas coisas. Não, não tenho. E o ofendido com o jeito que eu trato ele? O que ele quer? Carinho? Poupe-me. Pensando bem... Até que não seria uma má idéia. Não, seria sim. Tenho que tirar isso da minha mente.
Tirei o papel já amassado do meu bolso, onde tinha meus horários impressos. Biologia, que empolgante. Rumo ao estudo da vida então. Cheguei à sala e grande parte dos alunos já se encontrava no lugar, inclusive . Caralho, quanto mais eu peço para ficar longe dele...
- Seja bem vinda senhorita . - O professor sorriu para mim e olhou para o resto dos alunos. - Pronto, resolvemos seu problema .
- Que problema? - Perguntei. Qualquer que fosse me envolvia, eu estava sentindo.
- A senhorita é a nova parceira do , pode se sentar ao lado dele. - Ele está falando sério? Eu mereço. O que eu fiz Deus, o que eu fiz?
- Tenho outra opção? - Murmurei pra mim mesma, sentando ao lado de . Acho que o professor não ouviu. Que pena, queria ter criado mais uma discussão para ficar sem mais uma aula.
- Sou sua única opção. - sorriu convencido. Ah, ele ouviu?
- Você pelo menos tira notas boas?
- Não, mas tento. - Ele fez uma careta.
- Ótimo. - Disse ríspida.
- Por quê? - Ele fez uma cara de interrogação. Caralho, até sendo lerdo ele era irresistível.
- Porque eu nem sei como se tira nota nessa matéria. Sempre tive um parceiro inteligente que fazia isso por mim. - Dei ênfase no inteligente só para provocá-lo. E era verdade, não sabia nem o que se estudava. Mentira, eu sabia que se estudava a vida. Acho que isso serve para algo. Serve?
- Até nas provas? - Ele perguntou incrédulo.
- Mas é claro.
- Imagino como você conseguia tudo isso. - Ele disse sarcástico. aprendendo a ser sarcástico.
- Hey! - Dei um tapa em seu braço.

O sinal bateu anunciando o fim daquela aula torturante. Eu e meu parceiro de estudo da vida fomos procurar as coisas que chamamos de amigos. Avistamos os garotos sentados na grama e caminhamos até eles. E cadê as minhas amigas? Lerdas.
- Que história é essa de diretoria, ? - falou sério. Nossa, meu irmão sério? Nunca tinha visto ele assim. Estou quase com medo. Não vou rir, não vou rir.
- Eu nem fiz nada. - Adoro ser cara de pau.
- Não? Olha , o pai disse...
- Eu sei, eu sei. Prometo me comportar, ok? - MENTIRA.
- Aham, sei...
- É que você não viu o que ela fez na diretoria... - começou a falar. Quem deu permissão para ele se pronunciar? Mandei um olhar fulminante em sua direção.
- O que ela fez? - perguntou e já me olhou esperando para dar uma bronca.
- Me defendi, oras. - Disse rápido. Sabe, ninguém precisa ficar sabendo das coisas que eu faço ou deixo de fazer por ai. é um fofoqueiro de quinta. - Com ótimos argumentos... Não é ?
- O diretor ficou impressionado. - Confirmou com sarcasmo. Ele quer morrer, não é possível.
- Que bom. - Meu irmão exclamou. Ele caiu? Ah claro, esse é o ... Acredita em qualquer coisa e nem percebe o quanto as pessoas são sarcásticas. Amém.
Mandei um olhar fulminante mais uma vez para , que sorriu vitorioso. nos observava com uma sobrancelha arqueada. Enquanto apenas olhava o nada.
- Acampar! - despertou e gritou do nada. Ele tem sérios problemas.
- Ahn? - Perguntei confusa.
- Quer acampar? Todos nós vamos. - Ele me disse todo feliz.
- Todos? - Sorri marota.
- Aham, menos James, Steve e Dave... A mãe de Steve vai visitar os três. Lembra dela? Ela cozinha bem sabe... - desembestou a falar das receitas da mulher. Dude, todos os jovens dessa cidade moram sozinhos? Todos não. Talvez só eu e os meninos, e aqueles três que comem toda nossa comida. Quais são os pais que deixam pessoas da nossa idade morando sozinhas em uma cidade grande? Os nossos, é claro. Tudo bem que meu tio Ray era responsável pela gente, mas ele nunca dava as caras. Desde que cheguei, ele pelo menos não apareceu nenhum dia lá em casa, que eu saiba.
- Eu não. Vou ficar para dar uma festa lá em casa... - Interrompi , que falava sobre a lasanha especial da mãe de Steve.
- . - berrou irritado.
- Calma, só estava brincando minha gente. - Exclamei rindo.
- Acampar! - gritou.
- Quando ?
- Esse final de semana, vai ou não? Acampar!
- Posso levar as meninas? - Pedi olhando para eles com carinha de cachorro pidão.
- Não, só você basta. - está aprendendo a provocar também? Nossa. Como ele conseguiu aprender a ser sarcástico e provocar em um dia só?
- Então não vou.
- Acampar!
- Claro que pode levar as meninas. - disse alegre.
- É, e cala a boca . - disse algo que pode ser levado em consideração. Aleluia.
- Acampar!
- , se você repetir isso mais uma vez... - Ameacei.
- Acampar!
- Chega . - Todos gritaram e ele calou.
Fui procurar as meninas para dar a noticia. Elas iriam nesse acampamento comigo nem que fossem arrastadas pelos cabelos. Ok, estou brincando. Esse final de semana que estava por vir seria uma bagunça. Mas o que na minha vida não é uma bagunça?


7º capítulo

" Você não consegue ver, que a distância que existe entre nós dois, morrerá." (Sempre mais – Catch Side)


’s POV

- O que você está fazendo, pequena? – falou entrando no meu quarto.
Falando sério, só o meu irmão para me chamar de pequena né. Será que ele ainda não percebeu que eu cresci? Sem contar que aos 7 anos de idade, eu era maior que ele. Ok, eram só três centímetros, mas eu era. Hoje eu nem sei, mas pequena eu não sou. Soa como seu fosse uma criança. Tudo bem, eu sei que é pra soar fofo ou até mesmo fraternal. Por isso eu nem falo nada quando ele me chama por esse apelido tosco. Mas vontade não falta.
- Arrumando as minhas malas. – respondi, jogando mais algumas blusas dentro da bolsa. – Já arrumou as suas?
- Para quê? – fez uma cara confusa. Meu irmão, o ser mais lerdo existente nesse mundo.
- Acampar! – imitei o jeito retardado de ao dizer a palavra. Sem contar que o ficou repetindo essa maldita palavra durante a semana toda. Ele não parou nem quando eu joguei o controle remoto na cabeça dele.
- Ah, é mesmo... Não é que eu tinha esquecido? – bateu na própria testa.
- Sério? Eu juro que não reparei nisso. – ironizei, tentando fechar a bolsa com dificuldade. – Dude, você não pode ser meu irmão. Agora tchau, sai daqui, preciso acabar de arrumar minhas coisas e você as suas!
- Mas, mas...
- Mas nada, . Dá o fora. – berrei e joguei um travesseiro nele. E sim, eu acertei.
- Menina má. Muito má. Muito, muito...
- Você ainda está aqui? – olhei e mostrou o dedo médio e saiu correndo, batendo a porta com força.
Depois que estava tudo pronto, decidi me arrumar. Afinal, eu ainda estava de pijama e precisava de um banho. Logo mais iríamos acampar, acampar, acampar... Parei.
Entrei no chuveiro e liguei o mesmo. A água estava muito quente e dava vontade de ficar ali para sempre. Mas como eu vivo na realidade, não iria ficar ali para sempre. Enquanto a água se chocava com minha pele, tentava imaginar como seria meu final de semana. Certo, eu imaginando o futuro? Ok, chega. Só não quero me meter em confusão. Uma confusão que tem nome e sobrenome, por falar nisso. . E por que tudo sempre tem haver com ele ultimamente?
Terminei o banho e sai enrolada em uma toalha a procura de uma roupa no meu armário bagunçado. Começaram a socar minha porta. O que era isso agora? Será que eu não tenho um minuto sequer de paz? Devia ser meu irmão para me encher novamente.
- , seu infeliz, quer parar de tentar derrubar a porta do meu quarto e entrar logo. – gritei irritada.
- , sou eu, ... – disse entrando. Porra, porra, porra. – Você tem... tem... – ele paralisou quando bateu os olhos em mim. Percorreu os olhos pelo meu corpo com um brilho estranho no olhar. Engoli seco.
- O-o-o que você quer mesmo, ? – mentira que eu gaguejei. Mil vezes porra. Porra.
- Er, er, er, er, esqueci... Esqueci. – falou sentando na cama e cruzando as pernas. Não sabia que tinha tanto ‘poder’ sobre ele e assim, tão rápido...
E o que está acontecendo comigo? Eu já deveria ter o mandado embora do meu quarto. Era isso que iria fazer, se ele agora não estivesse se levantando e vindo lentamente em minha direção.
- Você não vai terminar de se vestir? – perguntou com um sorriso cheio de malícia.
- Com você aqui? Sonha. – disse encontrando minha voz em algum lugar. Senti minhas bochechas esquentarem. Droga.
- Ah, qual é? Não somos mais crianças. – falou se aproximando mais e mais.
- Por isso mesmo. – me indignei. Eu sabia aonde aquele imbecil queria chegar. – Dê o fora daqui.
Ele parou quando estava a poucos centímetros de mim. Sorriu como se dissesse “Quer mesmo que eu saía, docinho?”. Eu fiquei paralisada por um tempo, tentando me recompor. Depois comecei a me sentir nervosa. Muito nervosa. Maldito .
Decidi fazer alguma coisa, não podia ficar igual a uma idiota, não é mesmo? Olhei em seus olhos de um jeito que julgo ser sedutor, e me aproximei de seus lábios. O sorriso dele aumentou mais ainda e eu apenas dei uma joelhada em sua virilha.
- Puta que pariu. Você é maluca garota? – disse ofegante, ficando todo vermelho e sem ar. Cambaleou para trás, quase caindo.
- Isso é para você aprender que eu não sou uma das suas putas.
- Você... – ele apontou para mim, recuperando a cor.
- Acampar! – entrou gritando no quarto, olhou de para mim. – Opa. Atrapalhei alguma coisa?
- Não. – disse rápido.
- Na verdade... – começou.
- O já estava de saída, não é? Ele só veio me pedir um... CD emprestado, não é, ? – essa foi a pior mentira que eu já contei em toda minha vida. Parabéns, . O que está acontecendo com você?
- Não. – ele sorriu triunfante. Idiota, idiota e gostoso.
- Ahn? – fez uma cara confusa. – Ok, atrapalhei algo.
- É claro que não. – sorri forçado. – Agora, vocês dois podem sair? Preciso me vestir.
- Estou bem aqui, obrigada. – se sentou na cama. Ele está conseguindo me tirar do sério.
- Sinceramente? – falou risonho. O olhei feio. – Brincadeira.
Os dois saíram. , correndo e gritando “Acampar!” e resmungando sem parar. Qual era a do ? E o pior, eu quase caio na dele. Onde estou com a minha cabeça?


Vesti-me, finalmente, e desci arrastando uma mala considerável. Quando eu digo considerável é considerável mesmo, sem ironia... Estou levando apenas o necessário, não tenho essas frescuras de levar a casa para uma viagem. Sou prática com essas coisas. E mesmo a mala não estando pesada, eu a arrastava até o hall de entrada por pura preguiça mesmo.
- Leva menos tempo se você carregar essa mala direito. – disse meio nervoso segurando aqueles troços de gente viciada por acampar, igual ao próprio .
- Mais rápido? Desculpe, a preguiça não permite. – sorri irônica parando no meio do hall e fingindo olhar as unhas, só para irritá-lo. Eu amo irritar o , meu passatempo predileto. Mas isso não é segredo para ninguém mesmo. Ele ficou vermelho de raiva.
- Mas eu estou. Quero chegar logo no acampamento. – vociferou e saiu com pressa para fora da casa. Isso é o que chamam de gostar de acampar. Já sei o que dar para ele de aniversário... Uma barraca e uma viagem só de ida para o meio do nada. O viverá feliz para sempre por lá.
Decidi sair do lugar e me arrastar até lá fora. No pequeno trajeto, passou quase me derrubando com umas caixas, que julguei serem de comida. Como se não bastasse quase me derrubar, o gostoso ordinário também riu sarcasticamente. Tudo isso por que eu resisti aos encantos dele? Não, é da natureza dele ser imbecil mesmo.
Quando cheguei, ainda vagarosamente, lá fora, avistei a van que os meninos haviam alugado para a viagem. Afinal, é melhor do que levar mais de um carro. Pelo menos na van cabe todo o batalhão e as bugigangas que estamos levando. Eu não estou levando a casa, mas o está levando Londres inteira. Junto com o automóvel alugado estavam os quatros seres e minhas duas amigas, tentando socar tudo no porta-malas da coisa.
- Caralho, dá para ir mais rápido, dona ? – berrou e todas as atenções que antes estavam no porta-malas da van vieram parar em mim.
- Calma, , o acampamento não vai sair do lugar. – cheguei até a van e estendi minha mala para , que a guardou e fechou o porta-malas.
- Tudo pronto. – falou como se ela tivesse feito tudo sozinha.
- Agora vamos ACAMPAR! – exclamou exageradamente.
- Acampar! Acampar! Acampar! – desembestou , correndo pela grama em círculos e berrando repetidamente a maldita palavra. Por que a foi falar?
- O que a gente faz? – perguntou meu irmão com uma cara desesperada.
- Entra todo mundo no carro. – falei séria.
Todos me olharam sem entender nada e depois entraram, um por um. ocupou o banco do motorista e decidiu fazer companhia para ele, lá na frente. Entrei por último e olhei , que ainda corria gritando. Mandei ligar o carro e ele me olhou retardado.
- Mas... E o ?
- Faz o que eu estou mandando, caralho. – bufei e ele ligou o carro. Após o feito, coloquei minha cabeça para fora e gritei. – Tchau, ! Pisa fundo .
A cena que se seguiu foi muito, muito hilária. O parou de correr em círculos e se desesperou correndo atrás da van. Ele tropeçava a cada passo e clamava para pararmos. Quando ele chegava perto, mandava acelerar. Foi assim até chegar quase ao fim da rua, quando paramos para deixar entrar na van. Ele sentou no banco ofegante e começou a reclamar, enquanto nós morríamos de rir. Minha barriga já estava começando a doer.
- Parem de rir. – ele implorou com raiva. Depois de alguns minutos, cessaram-se os risos, religou o automóvel e eu limpei a garganta, antes de ameaçar .
- Se você falar a palavra acampar novamente, vamos te abandonar no meio da estrada.
- Ok, ok. Juro que parei. – choramingou. Bundão.

Chegamos ao local onde iríamos acampar e não, o não disse mais a palavra maldita, amém. Descarregamos a van e os meninos começaram a armar as barracas. Olha para a minha cara de quem iria armar acampamento. Não, obrigada. Tenho quatro seres para fazerem isso. Eu e as meninas ficamos fazendo nada, enquanto eles arrumavam tudo.
- Terminamos. – exclamou , orgulhoso do trabalho que tinha feito com a barraca que seria das três gostosas aqui. Ele ficou um tempo contemplando seu feito. Como esse é convencido.
- , sua obra de arte está meio torta. – menti séria. Ele olhou para a barraca desesperadamente, procurando algum defeito, e depois virou para mim.
- Sério? Aonde?
- Em tudo. Desmonta e faz tudo de novo. – ri alto. Ele ficou vermelho e bufou.
- Sem graça. – não era não. A cara que ele fazia era a melhor.
- Vou dar uma volta. – berrei para que todos me ouvissem. – Conhecer a região.
- Você está no meio do nada e quer conhecer região? – zombou.
- Conhecerei o nada então, tchau.
- Vai sozinha? – perguntou. Não, irmãozinho, vou com meu amiguinho imaginário, está vendo ele aqui do meu lado?
- Alguém quer conhecer o verde comigo? – indaguei sarcástica.
- Vou com você. – exclamou. Quem o chamou?
- Não chamei ninguém na verdade, piorou você. Só estava sendo sarcástica, querido.
- Mas eu vou mesmo assim. – ele veio atrás de mim. Bufei e sai chutando galhos e terra, furiosa.
Comecei a andar por uma trilha, que guiava as pessoas para que elas não se perdessem, obviamente, e que era mais sem graça do que ouvir meu avô contando sobre seus tempos de pegador. caminhava ao meu lado, me olhando. Ok, isso é totalmente desconfortável, ainda mais depois do acontecido em meu quarto mais cedo. E agora eu estava nervosa. Parabéns, , agora você se atira de cara na próxima árvore à sua frente, sua patética.
- Trilha sem graça. – comentei para quebrar um pouco o gelo.
- O que ela fez para você?
- Surgiu no meio do nada?
- Até com a trilha você implica.
- Ah, cala boca. Vamos sair dessa trilha e seguir sem rumo, . – falei e sai daquele caminho demarcado, seguindo sem rumo pela mata.
- , volta aqui. Senão vamos nos perder.
- Para de ser frango e vamos logo, !
Andei, andei e andei. Confesso que não sei onde estou, nem como sair daqui. Fodeu, eu estava perdida com o . Com o ! Vai dar merda. Fodeu, fodeu, fodeu, fodeu e fodeu.
- , me diz que você sabe voltar para a trilha. – murmurei nervosa.
- Eu não sei voltar para a trilha. – ele disse simplesmente. Idiota, idiota, idiota.

-

’s POV

Mal chegamos e já estávamos perdidos. Culpa de quem mesmo? Ah sim, da garota que acha a trilha sem graça. A às vezes conseguia me tirar do sério, não só às vezes... Quase o tempo todo na verdade. Como no episódio de hoje de manhã, que não acabou muito bem pra mim, lógico. Mas desculpe, eu sou homem e ela aparecer na minha frente só de toalha... Porra. Tecnicamente, eu que entrei no quarto dela, mas ela estava na minha frente, irresistível como sempre. E o que ela queria que eu fizesse? Ignora-se o fato dela estar só de toalha, sem absolutamente nada em baixo, ali tão perto? Não, eu queria tocá-la... Queria... Sabe, eu tenho hormônios.
E esse silêncio absoluto entre nós dois? Já está me incomodando, sem contar que torna tudo mais constrangedor.
- Droga. Daqui a pouco vai escurecer, . – falou nervosa.
- Sério? E de quem foi a ideia de sair da trilha mesmo?
- Agora a culpa é minha? – ela disse irritada.
- De quem mais seria a ideia? – perguntei sarcástico e em seguida tentei imitá-la. – Vamos sair dessa trilha e seguir sem rumo, .
- Mas a trilha era muito tosca mesmo. – me olhou feio e depois deu de ombros, parando de andar e sentando em uma pedra. E depois ficou ali fitando o nada.
- Daqui a pouco os outros vêm nos procurar... – disse e sentei ao seu lado. – Ou não.
- Nossa, obrigado por me fazer se sentir melhor, .
- A qual é, ? Vamos nos divertir enquanto isso. – sorri malicioso. Ela arqueou a sobrancelha, fazendo uma cara incrédula logo após.
- Nos divertir? Você é patético.
Ignorei a parte em que ela insultava o lindo e gostoso aqui, modéstia parte, e sentei-me olhando para ela bem sério. conseguia ser tão delicada com as palavras e com tudo, daqui a pouco iria gritar comigo e seríamos encontrados rapidinhos... Hey, isso foi uma boa ideia, em falar nisso. Enfim, chega, ela me dava medo com sua delicadeza. Muito medo.
- Hm... Que tal conversamos, apenas? – sugeri, esperando ela começar com os gritos. Nada. Continuei. – Uma música?
- Fala sério, né? Isso é ridículo!
- Você não vai perder nada respondendo. Ou vai? Olha a situação. – fiz um gesto demonstrando onde estávamos e que não tinha mais nada como opção. – A minha música favorita é...
- Eu não perguntei do que você gosta. – ela bufou e revirou os olhos.
- , deixa de ser sem graça!
- Ok. Um filme? – perguntou fazendo uma cara bem entediada.
- Tartarugas ninjas. – falei feliz demais. Qual é? Quem não gosta? eu tinha certeza que gostava, quando menor ela costumava ter os quatro em miniatura. Ela me olhou comicamente e sorriu. – E você?
- Esse costumava ser meu filme favorito quando pequena. Mas agora é ‘Um amor para recordar’. – ela exclamou toda feliz e eu franzi o cenho. Romance? Mentira. – Não que o Landon tenha tomado o lugar de Donatello, sabe... O que foi? Por que essa cara?
- Primeiro porque você gosta de romances e segundo, quem é Landon? E terceiro, prefiro o Michelangelo.
- Ai, estrupício. – revirou os olhos. Será que ela não consegue ficar mais de dez minutos sem me xingar? Pergunto-me qual será o dia em que teremos uma conversa completamente amigável, sem xingamentos ou ameaças. – Eu gosto de poucos romances, mas gosto ok? Landon é o carinha fofo do filme e não começa, o Donatello é o mais inteligente.
- Você, sentimental? E o Michelangelo é o mais divertido.
- Eu choro assistindo, ok? Sem essa, mil vezes o Donatello.
Mentira que nós dois estávamos discutindo sobre Tartarugas ninjas. Eu nunca discuti com uma garota se o Donatello ou o Michelangelo eram os melhores nisso ou aquilo. Acho que eu nunca discuti nada desse tipo com uma garota. Mas seria meio anormal se eu discutisse isso com uma garota como a Lizzie, por exemplo, os argumentos dela seriam que as tartarugas lutavam boxe ou que elas viviam embaixo do mar. Sério, é surpreendente o tamanho das coisas absurdas que saíam da cabeça dela. Iria rolar até que eles tinham um conversível e moravam em uma casa enorme. Sem exageros.
- Você chorando vendo um filminho meloso? Essa eu tenho que ver.
- Não é um filminho, .
- O que seja. – ri e ela fechou a cara. – Primeiro beijo?
- Mark Banks, quinta série e foi horrível. – ela fez careta.
- Sarah Watson, quinta série também e foi muito traumatizante. E foi muito mesmo, tenho medo da garota até hoje, dude.
: - A Watson? Cortei as tranças dela quando estávamos no primário. Acho que ela ainda me odeia. – gargalhou e eu acompanhei, imaginando uma Sarah quando criança, chorando com um pedaço de seus cabelos em mãos. Coitada. já praticava maldades desde pequena. Ainda bem que não sofria muito nas mãos dela naquela época. Não sei o porquê, mas ela nunca fez algo maldoso comigo quando éramos pirralhos. Já agora... Ela me trata tão bem.
- Hmm... Primeiro amor? – perguntei e ela me encarou muito séria.
- Não acredito nessa do amor entre duas pessoas. Não existem pessoas apaixonadas. Não existe nada disso.
- Como é? – berrei incrédulo.
- Amor apenas de família e amigos. O resto é mentira. Sem mais.
Eu a olhei ainda mais incrédulo. Ela não estava falando sério, estava? Claro que estava, podia ver a convicção em seus olhos. Quando eu acho que é pouco, ela me surge com mais uma diferença. Onde já se viu mulher não acreditar no amor? Até eu acreditava.
- Como você explica um casal apai...
- Já disse que não existe e essa é a explicação. – ela me interrompeu. – É apenas atração física o que eles sentem.
- Mas é claro que não. E as sensações e tudo?
- É tudo ilusão, . E um dia todos acordam dela e acaba tudo. Pronto.
- Ilusão? – disse incrédulo. – Você está querendo insinuar que o coração mente?
- Isso. Mente. Chega de perguntas, . – levantou irritada e começou a andar. Eu não acredito no que eu acabei de escutar vindo de . Ela só podia estar tirando uma com a minha cara. Ninguém acredita que o amor é uma mentira. Ninguém. Mas me parece que não é ninguém. Levantei e fui atrás dela, parei em sua frente.
- Você está totalmente errada.
- Estou? Por quê? – ela fingiu uma cara pensativa e colocou as mãos na cintura. – Porque o amor rompe barreiras, e quando você encontrar a pessoa certa vai ser feliz para sempre?
- Não, é...
- É claro que não, na realidade as pessoas se sentem atraídas pelas outras, conquistam, usam estas até enjoarem, depois jogam fora e saem em busca de outras. Traem, enganam, fingem que se importam. Isso é o que acontece. Não coisas fofinhas e bonitinhas de contos de fadas.
- Não estou dizendo que tudo é muito lindo e fofo. É claro que não.
- Me dê um motivo para eu acreditar que estou errada. Ache um por quê.
- Porque o coração nunca mente.
Nossos olhares se cruzaram e abriu e fechou várias vezes a boca, tentando emitir algum som, mas não saía nada. Eu precisava fazer uma coisa, simplesmente precisava. Ela mantinha seus olhos presos aos meus, ainda tentando dizer algo.
Cheguei mais perto e ela fechou os olhos. Aproximei-me de sua boca e colei nossos lábios. Naquela hora, me senti como um mar calmo entrando em fúria. É, era exatamente assim que me sentia por dentro. Aprofundei mais o beijo e agarrei em sua cintura, colando nossos corpos. Ela entrelaçou suas mãos em meus cabelos e correspondeu o beijo com a mesma intensidade, me fazendo nunca querer parar de beijá-la.
Depois de um tempo, que suponho que tenha sido muito, paramos o beijo e ficamos fitando os olhos um do outro, sem reação nenhuma, apenas nos olhando. Até que...
- ? ? – ouvimos alguém gritar, parecia ser a voz do . pareceu despertar de um transe, se desvencilhando de meus braços, sem me olhar.
- Estamos aqui. – berrou de volta. Eu continuei parado, igual ao um idiota, acredito, olhando para ela. O que foi que aconteceu aqui?
- Aqui onde? – outra voz gritou, acho que era a de .
- Me deixa ver... Aqui tem árvores, flores, mato e mato. Fácil, não?
- Muito engraçado.
- Continua gritando, para seguirmos sua voz. – pediu.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH. – começou. Eu a olhei estranho e logo após cai na risada, ela parou e começou a rir também.
- O que aconteceu? – agora a voz preocupada de estava mais perto e parecia vir da direita da floresta, mas ainda não víamos ninguém.
- Você pediu para eu continuar gritando, oras.
- , me lembre de bater na minha irmã quando achá-los. – eles pareciam cada vez mais perto. tomou fôlego e recomeçou a gritaria.
Depois de algum tempo, com a ainda gritando, e saíram do meio das árvores e olharam para nós, furiosos.
- Olha só aonde vocês vieram parar. E para de gritar, ! – resmungou e obedeceu ao irmão.
- Foi ideia da sairmos da trilha. – ela me fuzilou mortalmente com os olhos.
- Você é maluca? – olhou para ela fulo de raiva. Ele ainda tinha dúvidas?
- Não sabia que essa floresta era tão grande assim...
- Toda floresta é grande, . – falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Óbvia para ele que é viciado em acampar nessas florestas.
- Legal, vamos sair daqui logo, cansei de tanto verde e estou com fome. – ela saiu andando na direção em que os meninos vieram.
- Espera! Senão você vai se perder de novo. – saiu correndo atrás dela desesperado.
Entramos no meio daquelas árvores e eu tropecei umas quinhentas vezes nos galhos. Mas detalhe: não fazia nem uns cinco minutos que já estávamos andando e eu tropeçava. Fazer o que se o mato não é o meu lugar.
Andávamos para... Sei lá para onde, mas e sabiam. O era meio suspeito, mas eu tenho a absoluta certeza que o sabia perfeitamente o caminho. Esse cara é viciado em acampamento e deve ter decorado todos os caminhos desse lugar. Ah vá, sério mesmo que o é viciado em acampar? Acho que isso nem está tão na cara assim. Só faltava escrever na testa dele, porque até seus trajes mostrava o tamanho do vício.
- Cadê o e as meninas? – perguntou.
- Ficaram no acampamento. – respondeu. ficou meio vermelho. Lá vem bomba.
- Por quê? Além de se perder queria o batalhão inteiro atrás de você? – explodiu.
- , vai ver se eu estou no alto daquela árvore. – apontou para uma árvore enorme que estava mais adiante.
Continuamos a caminhar em silêncio. Sinceramente, eu não fazia ideia por onde andava, dude. Era tudo verde e verde. começou a resmungar de novo como nós éramos idiotas por ter saído da trilha e bláblá. , imbecil como sempre, começou a cantarolar a musiquinha dos Três Porquinhos, aquela “Quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau”. Sério mesmo, o que esse cara tem na cabeça? Suponho que já que ele é irmão gêmeo da , em vez de ir um cérebro para cada um, os dois foram para ela. Será que isso era possível? Porque sobre as circunstâncias atuais... Já , agora estava calada e nem respondia as provocações de . Será que ela está assim por causa do... Beijo?
Chegamos ao acampamento, e as meninas vieram logo ao nosso encontro. As garotas gritavam coisas incompressíveis, enquanto as olhava com medo.
- Aonde vocês se meteram? – perguntou olhando de mim para , que olhava com as sobrancelhas arqueadas para as duas amigas que ainda gritavam.
- A teve a brilhante ideia de sair da trilha, pensando que a floresta era um bosque. – exclamou, fazendo gestos exagerados e ficando vermelho. Para ele parecia ser um insulto as pessoas acharem que a floresta era um bosque. desviou o olhar das amigas, que pararam de gritar para ouvir, e olhou para sem falar nada.
- Mas... Vocês estão bem? – indagou nos olhando e procurando algo que mostrasse que estávamos machucados ou algo parecido. – ?
- Ahn? – se voltou para a amiga. Quando se deu conta que todos olhavam para ela limpou a garganta. – Estou ótima, nada quebrado.
- Na verdade, parece que o verde afetou mais ainda o cérebro dela. – provocou.
- Qual é a nossa barraca? – perguntou para as garotas, que apontaram para a barraca menor. Ela saiu andando em direção da barraca, sem dizer mais nada.
- O que deu nela? – murmurou.
- Ela nem respondeu o . Vai chover. – falou preocupada, apontando o dedo indicador para o céu.
- Vai chover? – fingimos não ter escutado , que fitava o céu tontamente.
- Ela não falou nada o caminho inteiro. – deu de ombros e me olhou, todo mundo me olhou também. Fodeu. – Aconteceu alguma coisa?
- Eu vou lá saber gente. – fiz cara de desentendido e dei de ombros. – Vocês sabem como a é maluca.
Todos murmuram afirmações e começaram a andar de volta para o acampamento, perto de uma fogueira quase pronta e agora começava a acendê-la. Percebi que apenas ficou parado no mesmo lugar, me fitando de cenho franzido.
- Certeza que não aconteceu nada? – disse todo desconfiado.
- Se aconteceu alguma coisa, eu perdi. – falei na maior cara de pau.
- Ah, sei.
- Qual é, ?
- Nada, nada não. – ele me lançou um último olhar desconfiado e se virou, caminhando para onde o restante estava, agora, em volta de uma fogueira semi-acesa.


8º capítulo

"Mas aí chega você e quer consertar o que tá errado. Isso é lindo, mas eu tenho medo de não saber lidar com as coisas do jeito que elas são… Fora da realidade que eu criei."


's POV

Como acampar pode ser tão entediante? Ok, era divertido para todos que estavam aqui comigo, mas não para mim. E não, não é por causa do e sim desses mosquitos e esse tanto de verde. Tudo bem que uma parte era por causa do infeliz do e seu beijo. Ai... Seu beijo. Que beijo? Foi um beijo horrível. Foi um beijo horrível. Foi um beijo horrível. E nem a minha mente eu consigo controlar mais.
Era o nosso último dia aqui no mato, amanhã já partiríamos para casa, ainda bem. fazia essas coisas estranhas, de quem é viciado em acampar, enquanto Danny, e o idiota do jogavam cartas. e saíram da nossa barraca e vieram se juntar a mim e meu completo silêncio. Eu falei pouco praticamente a viagem inteira, e ainda por cima, nem respondi as provocações do . E mereço um prêmio por isso, falando sério.
- O que o está fazendo? - fez uma careta olhando na direção do retardado.
- Quem vai entender. - falei dando de ombros.
- Sabe do que nós precisamos quando chegar à civilização? - perguntou animada.
- Jogar fora tudo que eu tenho de verde no meu quarto e conhecer um cara bem gostoso. - respondi e quase pensei em dizer "mais gostoso que o ", mas preferi ficar bem quieta.
- Festa. Isso te dá um cara gostoso. - disse e sorriu do jeito "Eu sou foda" dela.
- Só precisamos de uma festa, porque eu estou dentro. - exclamei. Credo, pareci uma desesperada agora.
- A festa nós já temos. Uma garota lá do colégio. - me deu a melhor notícia desse final de semana. E um prêmio para quem faz festas aos domingos, que torna tudo menos entediante.
Ouvimos um grito vindo dos três que jogavam cartas, havia perdido, o que não era novidade. e decidiram me deixar sozinha e foram jogar com os guys. Depois de uma rodada, saiu de lá puto e veio se sentar ao meu lado, depois de perder e a zombar da cara dele, dizendo que agora ele iria perder para as mentes femininas.
- Ninguém sabe jogar ali. - ele reclamou.
- E você é o cara que sabe, não? - brinquei rindo.
- Vamos falar de você... - parecia àqueles psicólogos malucos agora. Vamos falar de você é o cacete, irmãozinho. - O que te incomoda?
- Só estou... - pensando muito no seu melhor amigo, e a gente se beijou no meio do mato ontem. Nada demais. Até parece que eu ia falar isso para o meu irmão, ou até mesmo para alguém. - Com saudades do Joe, aquela bicha má.
- Hm, sei. Ele anda se virando bem sem você por lá?
- Acho que sim. - Ele deve estar dando é graças por não ter você o infernizando por lá. - alfinetou. Credo, parece assombração, nem vi essa coisa chegando. Ignorei.
- Vou ali na cachoeira.
Levantei e entrei dentro da barraca, fechando-a e vestindo meu biquíni rapidamente, peguei a bolsa com meus pertences e saí seguindo a trilha que levava a uma cachoeira bem próxima dali.
- Cuidado para não se perder da trilha. - ouvi gritar. Pensei em responder a altura, mas só respirei fundo e segui caminho.
Cheguei à cachoeira, tirei a blusa e o short, forrando uma toalha em uma das pedras e me deitei. Peguei um livro, que a escola pediu para ler, e continuei da onde tinha parado. Costumo ser uma pessoa estudiosa, com licença. Sempre leio e faço o que pedem. Só às vezes não faço... Mas enfim. Só posso dizer que esse livro não era dos meus favoritos, esses romances pelo amor de Deus. O mocinho da história era um banana. Ele poderia ser menos gay.
- , meu docinho, eu não vou deixar você nadar sem uma boia. - ouvi um muito gay dizendo e risos logo após o comentário.
Fechei o livro, me sentando logo em seguida e avistando todos chegando à cachoeira. se jogou na água, e fingiu desespero por ele ter feito uma coisa dessas sem boia. Gays. passou empurrando na água e se jogando logo em seguida. é meu herói pelos próximos cinco minutos, somente isso. e entraram na água, reclamando da temperatura e veio se sentar comigo. Ele está querendo alguma coisa.
- O que quer? Fala logo, sem rodeios. - Falei. - Nossa, é assim mesmo? Queria te perguntar... - lá vêm perguntas, odeio isso. - O que você acha da Olivia?
- Não tenho nada contra a garota sorriso, além dela parecer ter centenas de dentes na boca. Por quê?
- Nós brigamos, de novo. Mas agora é pra valer.
- Me responde, ... Quanto de atração você sente por ela?
Meu irmão me olhou com o cenho franzido. Olhou para o nada, parecendo pensar em uma resposta. Voltou olhar para mim.
- Eu pensei que gostava de verdade dela, mas acho que era só atração mesmo.
- Sempre é só atração.
- Você tem os seus conceitos e eu os meus. Mas quando você se apaixonar, irá entender que não é sempre só atração.
- Lá vem as pessoas querendo me mostrar as maravilhas do amor inexistente. Revirei os olhos e bufei. Já estava cansada do povo me falando sobre as ilusões do coração. E espera um minuto... O disse que tem conceitos?
- Ele existe e um dia você vai conhecê-lo.
- Claro, só porque você tem conceitos. - zombei. - Mas por que você está me perguntando o que eu acho dela?
- É que ela me disse umas coisas...
- Que tipo de coisas?
Quase gritei, porque né... Ninguém fala coisas para o meu irmão, porque eu sei o que essas "coisas" que ele disse significa, e não é nada legal.
- Disse que eu era um irresponsável, que não se importava com nada e nem com os sentimentos das pessoas. - murmurou triste, desviando o olhar para um ponto fixo na sua frente.
- Quem ela pensa que é? Vou quebrar todos aqueles dentes dela. - falei furiosa. A garota sorriso perderá seu precioso sorriso. Me aguarde, Olivia.
- Menos, ...
- Você não acredita nela, certo? - exclamei séria. Ele não me olhou e ficou calado. - Qual é, , você é a pessoa que mais se importa comigo e...
- Você é minha irmã e esse é meu dever.
- Você se importa com seus amigos, com a banda e...
- Tudo bem, chega.
- Não escute esses tipos de pessoas, elas só gostam de te deixar pra baixo.
Abracei meu irmão e sorri. Ele sorriu de volta. Deixei-o ali com seus pensamentos e subi até um local mais alto, da onde os outros estavam pulando dentro d'água. Parei e fiquei olhando para os outros lá embaixo, dentro da água. Não me pergunte o porquê, apenas estava parada igual a uma tonta olhando para baixo. Senti alguém parando ao meu lado, olhei para identificar o ser e voltei meu olhar para baixo.
- O que foi? - me perguntou.
- Conhece algum podre da Olivia? - murmurei ainda olhando para os outros, e mais especificamente para .
- Não começa, . Deixa as pessoas lidarem com os problemas delas sozinhas.
- Você sabe o que ela disse para o meu irmão?
- Sei e por isso estou falando isso. - ele bufou. - Por que você não resolve seus conflitos internos e deixa as pessoas com seus problemas em paz?
- Conflitos internos? Eu não tenho esse tipo de coisa.
- Esqueceu que eu te conheço? Não sei o que é, mas pela sua cara nos últimos tempos, ai tem coisa...
Olhei de volta para ele, que sorriu se achando, e voltei a olhar para baixo. Murmurei um "Cuida da sua vida" e pulei. A água tocou meu corpo com força, refrescando meus pensamentos e me fazendo esquecer tudo por pelo menos aqueles poucos instantes.

-

's POV

O não desistia nunca de tentar ganhar de mim no vídeo game. Era domingo à noite, e há horas atrás nós havíamos chegado da viagem. ainda estava emburrando por ter voltado do paraíso dele.
Essa viagem não foi muito boa não e olha que eu até curto ir acampar. É só que a me ignorou a viagem inteira depois do beijo, nem me xingar ela fez. Pode parecer imbecil, mas eu prefiro ser xingado por ela, a ser completamente ignorado. Nossa, agora curte ser chutado por uma garota. Que decadência.
adentrou a sala e se sentou ao lado do irmão, toda arrumada. Aonde ela iria? Quando ia abrir a boca, para presumo perguntar onde a irmã estava indo, James, Steve e Dave entraram berrando na sala.
- Olá, meus queridos, senti falta de vocês. - James exclamou agarrando de um jeito muito gay.
- Nós nem chegamos e vocês já vêm perturbar. - reclamou. - Não conhecem a campainha também, pelo que vejo.
- A porta não estava trancada e nós já somos da casa, docinho. - Steve passou por ela, apertando suas bochechas.
- Cadê a bebida? Soube que vai rolar festa aqui! - Dave falou todo animado.
- Você chama de festa, encher a cara e dormir babando uns nos outros? - fez uma careta incrédula. Ouvimos uma buzina. - Eu chamo de festa onde estou indo. Tchau.
Ela levantou e saiu da sala, com gritando e perguntando aonde ela iria e ela respondendo ao mesmo tom.

Todos estavam bêbados. Apenas eu e o Dave permanecíamos acordados, o resto... já estavam todos jogados aos roncos pela sala. Como eu disse, todos estavam bêbados, menos eu. Não sei o porquê, mas não estava com muita vontade de beber.
- Fracos! Bando de fracotes! - Dave disse e depois riu sozinho. É, gente bêbada ri de qualquer coisa mesmo.
- Por quê? - perguntei rindo da cara que ele fazia.
- Porque já estão dormindo. - falou todo embolado.
Mas já estava na hora de dormir mesmo. Estava bem tarde e ainda tinha colégio amanhã. Isso significa, todo mundo de resseca nas aulas amanhã, menos eu. Sou foda.
- Vai dormir também, ?
- Eu? Você que vai, isso sim.
- Tem razão. - ele apontou para mim e riu. - Boa noite, dude.
- Boa noite, cachaça.
Dave encostou a cabeça no sofá e em minutos já estava roncando igual a um porco. Gente bêbada é o que é. E ? Onde estaria a essa hora? Em que festa será que ela foi? E por que eu devo preocupar? O irmão dela, o que está babando ali do outro lado da sala, que deveria se preocupar, não eu. E outra, já que ela decidiu me ignorar, o que aconteceu desde o beijo, eu não tinha que me preocupar com o que acontece ou não com ela. Ou tinha?
Ouvi a porta de entrada se abrindo e fechando, bem devagar. Será que ela chegou? Não , quem mais chegaria... Ouvi outro barulho, de alguma coisa espatifando no chão. Levantei do chão e caminhei até o hall de entrada.
- Droga. - ela olhava o vaso quebrado no chão, depois voltou a andar, tropeçando no tapete que tinha ali. Ela estava bêbada.
- Quer ajuda? - falei e ela se espantou, olhando para mim.
- Não, obrigada. - ela respondeu seca. Foi aos tropeços até a escada e hesitou antes de tentar subir.
- Tem certeza que não precisa de ajuda?
- Por que precisaria?
- Porque você está bêbada e tropeçando nos próprios pés?
- Eu estou bem, ok? - ela exclamou e olhou para a escada, hesitando mais uma vez, antes de pisar no primeiro degrau. - Talvez eu precise de ajuda.
- Mas você não disse que está bem? - debochei.
- Vai se...
- Ok, já que você insiste, eu te ajudo.
Fui até ela e a joguei nos ombros, segurando suas pernas. Ela me xingou, como sempre, e eu comecei a subir as escadas.
- Assim eu vou vomitar, ! - ela exclamou com a voz embolada e depois começou a socar as minhas costas.
- Exigente e ainda me bate. - cheguei ao fim da escada e caminhei até a porta do quarto dela, que estava aberta, por isso adentrei o mesmo, colocando-a logo em seguida no chão.
Ela fez uma careta, me fulminando com os olhos. Depois colocou a mão sobre a boca e saiu correndo para seu banheiro. É, acho que carregar ela daquele jeito não foi uma boa ideia. Escutei ela colocar tudo para fora, eca.
- Ainda precisa de mim? - perguntei. Escutei o barulho de água vindo da torneira e esperei. Ela saiu do banheiro me olhando.
- Não, se manda daqui.
Dei de ombros e quando saí, ela bateu a porta com força. Dizer obrigado é sempre bom, né. Mas não para . Eu me esqueço dessas coisas.


9º capítulo

"She thinks she's so tough. " (Josey – Hey Monday)


's POV

O problema não é a bebida ou até mesmo o quanto você bebe. O verdadeiro problema é a ressaca desgraçada com a qual você acorda no outro dia. Mas se pararmos para pensar, uma coisa leva a outra, só que quando você bebe como se não houvesse amanhã, obviamente você não pensa na ressaca do amanhã, porque... Ah, deu para entender não?
Eu me arrastava escada abaixo tentando equilibrar a mochila nas costas, prendendo o cabelo em um coque e cuidando para que os óculos escuros não escorregassem do meu rosto e revelasse o sol que estava a centímetros de mim, tentando me cegar. Tudo bem, sem exagero, era só a luz do dia entrando pela janela, mas era mortal mesmo assim. Depois de o coque malfeito ser terminado, larguei a mochila ali no hall de entrada e me dirigi para o local onde era armazenada e feita a comida, vulgo cozinha.
- Então acho que quem dirige hoje sou eu, não? Porque ninguém está em condições para isso. – falou com aquele tom convencido que irritava, quando eu entrei na cozinha.
- Espero que pelo menos para isso, você seja útil. – Debochei, sorrindo falsamente para ele. Olhei para que fitava debilmente a cartela de aspirinas, onde só havia um comprimido. Tomei da mão dele e rapidamente coloquei o comprimido na boca, indo até a geladeira procurar algo para beber.
- Ei, era o último! Como eu fico agora?
- Se fodendo com a sua dor de cabeça.
Virei uma garrafa de suco que estava quase vazia e depois me escorei no balcão, olhando para as caras acabadas dos presentes, e nem falar conseguiam. era o único que não estava com cara de acabado e parecia se divertir com o fato de todo mundo estar de ressaca. Mas era um idiota mesmo.
- Falando em eu ser útil para alguma coisa, né... Parece que fui bem útil noite passada para te ajudar a subir as escadas ou estou muito enganado?
- E me fazer vomitar, claro, muito útil.
- Teria acontecido algo pior se você tivesse tentado subir sozinha.
- Eu conseguiria subir sozinha.
- Lógico, porque você só estava tropeçando nos próprios pés.
- Não estava não.
- E ainda implorou para que te ajudasse a subir.
- Eu não implorei porra nenhuma.
- Só não ficou de joelhos, porque não iria conseguir.
- Vai se foder.
- Ok, chega. – gritou. Ui, estressadinho esse ai hein... – O que deu em vocês dois?
- É que o é um babaca.
- E você se irrita fácil.
- Não foi ainda se foder?
- Irritadinha.
- Idiota.
- Chega vocês dois. – resmungou. – Minha cabeça vai explodir de tanto vocês gritarem.
Eu nem estava gritando...
- Estou com fome. – Anunciei colocando minhas mãos sobre a barriga. – , faça panquecas.
- Ahn? – Ele me fitou incrédulo arqueando as sobrancelhas.
- Estou com fome, quero panquecas. – Falei lentamente como se ele não entendesse minha língua. Era só pra provocar e ser folgada como sempre mesmo, mas claro a parte da fome é séria.
- Eu não irei fazer nada para você. Tenho cara de escravo por acaso?
- Sinceramente?
- Folgada.
- E se eu passar mal por não comer?
- Problema seu, garota.
- Vai ser seu quando eu te procurar passando mal.
- Para que me procurar? Para eu te carregar até o banheiro? – Sorriu vitorioso. Detestável, .
- Não, para eu vomitar em você mesmo.
- Que nojento, . – falou rindo.
- Nojenta.
- Cala a boca, .
- “Faça panquecas...” – Imitou. – Acha que manda né.
- Olha aqui... – Apontei o dedo na cara dele, quando o interrompeu com um grito.
- CARALHO, CHEGA. – E saiu do cômodo.
Eu e o ficamos fitando o lugar onde antes se encontrava, pareceu despertar e também saiu da cozinha, ria e declarava como era divertido morar naquela casa com aquele bando de gente maluca. Ouvimos uma buzina, devia ser , sério, ser estressado assim não é normal, vamos vendo isso ai, .
Caminhamos lá para fora, antes tendo uma pequena discussão, porque eu e o queríamos sair ao mesmo tempo pela mesma porta e o nos empurrou para fora de uma vez quase me fazendo cair de cara no chão. Ai eu comecei a xingar o , entrando no carro. Depois ocupou o lugar do motorista e eu comecei a fazer piadinhas junto com , até que o TPM começou a ficar irritado de novo e pediu para eu ficar quieta, porque senão os miolos dele iriam sair pelos ouvidos. Que trágico, ele ainda acredita que tem miolos.
Chegamos à escola, e é claro, vamos provocar.
- É, , eu te subestimei. – Disse saindo do carro. – Você dirige pior do que imaginei.
- Então por que você não desceu e veio a pé? – Ele saiu do carro, batendo a porta, bravo.
- Que caralho, chega, vocês. – gritou pela... sei lá quantas vezes.
- Qual é o motivo do estresse? – chegou rindo da cara que fazia. vinha logo atrás tentando equilibrar a mochila, os livros, e digitar no celular.
- Esses dois não param de ficar discutindo coisas desnecessárias. – apontou para eu e o exageradamente.
- Conseguiu subir as escadas ontem, ? – guardou o celular e me olhou maldosa. Só porque quando eu bebo eu tenho problemas com escadas, minhas amigas ficam me zoando. Eu posso encher a cara e ter consciência de tudo que eu estou fazendo, mas não conte com o meu equilíbrio. Ai minhas amigas resolvem usar minhas fraquezas contra mim.
- Degrau um, degrau dois, cuidado, pausa, próximo degrau. – foi a próxima a me zoar. Não disse? E quem mandou o e o rirem iguais umas hienas?
- Quem mandou vocês dois rirem? – Arqueei as sobrancelhas para os dois. só observava tudo calado, enquanto fazia cara de impaciente.
- Oi, . – Jaise me cumprimentou passando ao meu lado e sorrindo.
- Parece que alguém tá na sua. – falou de um jeito malicioso.
- Caiu na sua né. – fez piadinha, revirei os olhos. Agora todos prestavam atenção na nossa conversa.
- Esse cara é confusão. – disse me olhando bem sério, e para eu dizer e sério na mesma frase são verdade, é bem verdade mesmo.
- Quem? O Jaise? – Fiz cara incrédula. Tudo bem que eu nem conheço o garoto, mas ele não aparenta ser sinônimo de confusão. Tudo bem aparenta um pouco. Um pouco não, mais do que um pouco, enfim...
- Relaxa, , ela nem sabe o nome dele mesmo. – colocou as mãos nos ombros do meu irmão como se quisesse amenizar a seriedade do rosto dele.
- O que? Não é Jaise?
Sério, eu jurava que era Jaise e como assim não era? Era o que, então? Algo como Jamie, Josh, Jacob...
- Fala sério, você ficou praticamente a festa inteira ontem com o cara. – falou histérica. Ninguém entende meu problema com nomes. Jeremy, Joshua, eu sei que é alguma coisa com J. Talvez Jesse, Jensen, não Jensen é meu ex-namorado. Jared?
- O nome dele é Jason. – exclamou.
- Ok, Jason, Jason, Jason, vou tentar lembrar. – murmurei. Todos me olhavam estranho. – O que foi? Vocês sabem que eu tenho esse tipo de problemas com nomes.
- Você tem sérios problemas, isso sim. – falou convencido.
- Falou o ser mais normal do mundo né.
- Sou mais normal que você.
- Até parece.
E começa mais uma discussão, que fez com que os outros se despedissem de nós dois e fossem para suas determinadas aulas, assim como eu e o que também nos encaminhamos para a aula de Inglês, ainda discutindo.
Entramos na sala de aula por último com a professora adentrando logo em seguida e gritando para nos sentarmos logo. E para a minha sorte e grande felicidade, só restavam duas carteiras vagas na sala e que se encontravam em uma distância favorável. Sentei-me em uma delas e logo notei que Jason se encontrava ao meu lado. Acertei o nome dessa vez será? É Jason, né?
Passamos a aula praticamente inteira conversando sobre coisas aleatórias e claro notei que o Jason estava mesmo a fim de mim, e agora tinha mais essa. Não que ele estar a fim de mim seja algo ruim e é claro que também não é o fato do meu irmão ter dito que ele era confusão. Eu é que não queria me meter em confusão, me aproximando demais de alguém e tendo que conviver com isso. No momento eu tenho que focar em mim mesma e organizar meus ideais. Assim que o sinal tocou, dei o fora o mais rápido possível daquela sala, indo direto para a sala de Biologia, onde havia poucas pessoas ainda.
Sentei-me e fiquei tentando organizar as coisas. Eu tinha que tirar muita coisa da minha cabeça, tipo o . Aquele ser idiota, detestável, imbecil, insuportavelmente lindo, que o beijo dele... QUE? QUE? FOCO, FOCO. Vamos lembrar o beijo de outra pessoa, tipo do Jason. Foi bom, mas o do foi... FOCO. Por que afinal os pensamentos foram parar nele?
E pensando na coisa... Ele chega todo se sentindo e senta do meu lado, achando que está abalando. Idiota.
- Por que essa cara? Saudades do seu novo namorado já?
- Nossa, viajou legal. Pare de usar drogas, isso não está te fazendo bem não.
- Mas não é que o cara caiu na sua mesmo, todo sorrisos a aula inteira. – Ele continuou, me ignorando.
- Ciúmes? – Arqueei a sobrancelha.
- Ciúmes? Eu? Por quais motivos mesmo? – Gargalhou. A sala já começava a lotar e eu não via a hora do professor entrar e essa aula acabar logo.
- Você está a fim de mim. – Soltei inconscientemente e depois tentei fazer por entender como uma provocação com um sorriso vitorioso. Ele parou de gargalhar, se recompôs e respondeu tentando soar sarcástico.
- Oh claro, o que te faz pensar isso mesmo?
Aproximei-me de seu ouvido para que ninguém escutasse e sussurrei:
- Não sei... Verde, perdidos, você me beijando.
Ele engoliu em seco e ficou um tempo parado. 1, 0. Senti uma vontade imensa de gargalhar àquela hora, mas me contive olhando para o professor e tentando prestar a atenção no que ele falava. se aproximou de mim.
- Eu te beijando e você retribuindo, lembra-se dessa parte? – Sussurrou, me deixando atônita.
Afastei-me dele e cruzei os braços bufando. Quem ele pensava que era afinal?


10º capítulo

"And till you come around again I will be doing what I usually do. Thinking about you." (Thinking about you – Taylor Swift)


's POV

Já pensei no quanto o é detestável hoje? Sim. Não o suficiente. Merda! Preciso tirar essas ideias da minha cabeça. Bufei. Acho que bufei mais do que o normal hoje, esbarrei em pessoas mais do que o normal hoje, mas continuava fazendo os dois a caminho do pátio.
Eu precisava me distrair... Mas como? Eu poderia tramar alguma, mas não posso me meter em confusão, senão a passagem de volta pra França chega ao próximo minuto do feito. Poderia provocar o , mas não conseguia achar o infeliz. Poderia bater em alguém, mas coitada da pessoa... A não ser que a pessoa merecesse, tipo o . Ok, sem ideias absurdas... Já sei! Poderia fazer compras! Sempre me distraio, gasto todo o dinheiro do meu pai e poderia fazer isso se meu cartão estivesse liberado. Sacanagem esse castigo, nem estava mais na França, meu cartão ainda estava bloqueado e eu nem lembro mais como fiquei de castigo. Foi quando eu estraguei o jantar de negócios do meu pai? Ou quando eu fiquei três dias sem aparecer em casa? Ou quando eu deixei o cortador de grama ligado “acidentalmente” nas flores da minha madrasta? Ou foram os três? Ai... Saudade desse tempo. Agora eu tenho que andar na linha, senão volto pra casa do meu pai.
Avistei o sozinho parecendo bastante pensativo. Ai tem coisa.
- E ai, zinho? – exclamei docilmente, quando cheguei perto dele. Sim, docilmente. Sem ironias.
- Pode falando o que você quer logo...
- Nossa! Credo! Eu aqui toda inocente, querendo mostrar algum tipo de afeto, e você me trata assim? – Fingi uma voz de choro. Ele riu. – Você está ferindo meus sentimentos, .
- Inocente? – Ele arqueou as sobrancelhas e fez aquela cara sarcástica que só ele sabia fazer. Chegou mais perto e começou a apertar as minhas bochechas. – Awn, que fofa, tão inocente e amorosa essa menina!
- Ok, sem viadagem. – Massageei o local onde ele apertou e fiz uma careta.
- Falando sério agora... Posso te perguntar uma coisa? – Ele me olhou pensativo. Lá vem, o que deve ser agora.
- Manda.
- A tem namorado?
- Nossa, seja mais direto, . – Ironizei.
- É que...
- É que porra nenhuma, ela não tem namorado, mas também não está disponível para você. Agora era só o que me faltava, meus amigos, quase irmãos, se pegando.
- Não é você quem diz se ela está disponível para mim ou não. – Declarou, dando de ombros. – E você sabe que as garotas não resistem ao seu amigo aqui né.
- Você não presta. – Xinguei-o e avistei as meninas chegando perto. – Oi, querida! !
- Qual é a do querida? – me olhou desconfiada.
- Nada, né, querido ?
- Amiga, você não está legal, né? – colocou a mão na minha testa. – Quanto tempo você não bate, xinga, apronta alguma, faz compras?
- Bater, conta o ? Xingar... Sempre. Já aprontar e fazer compras...
- Achei o motivo do querido e querida. – exclamou como se tivesse desvendado o mistério dos mistérios. – Aprontar uma você não pode, mas compras, vamos curar isso.
Uma luz se acendeu. Tive a melhor ideia de todas... Já que o queria ser o garanhão, eu também teria que levar vantagem nisso.
- Claro, estava aqui comentando com o ... – Hesitei e ele me olhou desconfiado. – Vocês sabem que meu cartão ainda está bloqueado por causa do castigo, então o vai me emprestar o dele para umas comprinhas, né?
- Eu vou?
- Foi o que nós combinamos lembra? Esse é o meu preço.
- Você estourar meu cartão, é isso?
- Ou isso, ou sei lá, torno as coisas impossíveis para você. E olha que eu consigo.
- Ok, estamos perdidas aqui! – nos interrompeu.
Ignorei-a e cheguei mais perto do , sussurrando o mais baixo possível para que as duas não escutassem:
- Eu não gosto disso, mas não farei nada para impedir você, portanto que...
- Depois sou eu que não presto. – Ele retrucou baixo.
- Você vai levar um fora dela mesmo, pode tentar.
- É tão legal ficar aos sussurros deixando os outros sem entender nada, né ? – disse bufando.
- Sem contar que é pura educação isso.
- Ai, calem a boca. – Revirei os olhos. – O quer que eu descubra algum podre de um idiota que anda enchendo o saco dele, só isso. Então ?
- Beleza, mas quero que você descubra rápido, hein.
Não me levem a mal, mas todos têm seu preço mesmo. E eu nem ligo. Tá, eu ligo para o fato de possivelmente meus dois amigos ficarem se pegando por ai, mas o que eu posso fazer? Tirar vantagem de alguma forma é claro. Acho que existe um ditado que fala de ver o lado bom das coisas, não existe? Se é que um ditado. É ruim pensar neles se pegando, e nojento porque vejo o como um irmão e a como uma irmã, mas imagine com quantas sacolas eu vou sair do shopping no final do dia...
Ah, essa coisa de ver o lado bom é demais, vou fazer isso mais vezes.

-

Quando eu digo que sou uma boa amiga e ninguém acredita... Comprei pouca coisa, nem estourei o cartão do e ainda consegui que ele e a passassem a tarde inteira sozinhos. Foi difícil arrastar a , quase tive que bater na cabeça dela até que ficasse inconsciente e arrastar o corpo de lá porque a lerda não entendia minhas indiretas para deixar os outros dois, mas, enfim, a missão foi um sucesso. Agora os dois ficam com conversinha pra lá, sorrisinhos e olhares. Isso é ser cupido então? Não que eu goste da ideia deles serem um casal, mas fazer o que, acho que nem dá pra segurar os dois mais, porque depois que parei pra analisar... Não é que eles combinam mesmo?
Depois disso tinha passado os últimos dias no tédio total. Indo a escola de manhã, trocando farpas com pela manhã, me segurando pra não aprontar nada grave pela tarde, falando com o Joe mais de duas horas no telefone, brigando com o porque monopolizei o telefone, discutindo com o porque ele ajudava o a me irritar, fazendo meu dever incrivelmente sem reclamar, xingando o pelos cantos mais um pouco, quase tacando as panelas na cabeça do , querendo bater e agarrar o ao mesmo tempo... Enfim, a vida. A única coisa boa era que hoje era quinta-feira, fim de tarde e o Joe estava vindo passar o final de semana aqui em Londres, porque a escola dele estava tendo uma frescura de dias de expressão de arte e não tinha aula, só essa atividade, então ele deixou o pessoal de lá expressar a arte deles e estava vindo pra me ver. Nem preciso falar que não via a hora de ver minha gazela saltitante colorida chegar e irmos fazer algo interessante por esses dias.

-

's POV

Minha arma para manter contato com a durante os últimos dias era provocá-la durante todo tempo. Patético, eu sei, mas deixá-la irritada e quase querendo me matar era melhor do quer ser ignorado por completo. Ok, a explicação me deixa mais patético ainda. Mas o que eu posso fazer? Eu só queria achar uma maneira de fazer com que ela enxergue isso que está acontecendo entre nós. Chamo de isso porque não há outra denominação. Apenas discutimos, nos beijamos e depois ou eu sou ignorado ou xingado, e discutimos mais um pouco.
Sobre o beijo, aconteceu só uma vez, mas eu tinha esperanças de que acontecesse mais vezes. E mesmo não sabendo o que ela pensava sobre isso, sentia que ainda sim ela pensava sobre isso. Confusa explicação, mas eu apenas sentia que ela pensava, talvez não tanto quanto eu. Eu já havia pensado na possibilidade de beijá-la de novo, mas uma coisa a que eu tenho amor mesmo é a minha vida e do jeito que estava me tratando quem sabe o que ela faria comigo se tentasse. Talvez ela me correspondesse ou talvez a situação só piorasse. Prefiro continuar discutindo com ela até cansar e me beijar. É amizade, esperança é a última que morre.
Suspirei, dedilhando algumas notas no violão e desisti de trabalhar na letra da música na qual estava tentando escrever nos últimos dias. Só tinha uma bagunça de notas e uns trechos soltos sem sentido. Fechei o caderno e o deixei de lado, fazendo o mesmo com o violão. Mostraria o projeto de música para os outros depois e nós tentaríamos dar um rumo para o que tentei fazer. Deitei na cama fitando o teto. Nada pra fazer e ainda por cima ninguém em casa pra pensarmos em algo.
Tudo bem que ter a casa vazia era até certo ponto algo positivo, porque não tinha o reclamando o tempo todo por perder de mim e do no videogame, nem cantando musiquinhas infantis enquanto ganhava do , sem gritando por ai e provocando a e ela respondendo aos berros, enfim... Sem a bagunça que normalmente tomava conta desse pacífico lar de loucos.
Ouvi batidas fracas na porta e senti minha tranquilidade se esvaindo.
- ? – chamou. Podem me chamar de gay pelo próximo pensamento, mas eu amava ouvir a voz dela dizendo meu nome, sendo quando ela estava puta da vida comigo ou normal como agora.
- Fala. – Respondi e continuei o que estava fazendo... Olhando para o teto e mais nada.
- Posso entrar? – Olha, ela estava perguntando educadamente se podia entrar no meu quarto. Educadamente e na mesma frase, olha a vida e suas surpresas...
- Entra. – Respondi e ela abriu a porta e deu uns passos para dentro, encarando meus posteres na parede e como tudo era quase organizado. O que posso dizer? Eu não era o mestre em organização, mas tentava deixar tudo apresentável para as pessoas, não que ela fosse ligar porque o quarto dela era o exemplo de bagunça fora do controle.
- Onde estão os outros?
- e foram do outro lado da cidade comprar um amplificador mais potente, segundo o . E saiu com a , o que me faz te perguntar o que está rolando entre aqueles dois?
- Ele pediu uma ajuda pra chegar nela e agora eles não se desgrudam. Posso te pedir uma coisa? – Ela me encarou mordendo o lábio inferior distraidamente.
- Você me pedindo um favor?
Desculpa, mas eu tive que rir. bufou com a minha reação e virou as costas para sair do quarto.
- Espera, pode falar. – Tentei soar mais sério. Ela virou me fitando mortalmente e cruzando os braços.
- Pode me levar até a estação de trem? O Joe está chegando de Paris e...
- Quem é Joe? – a interrompi, ela fechou mais ainda a cara.
- Meu amigo de Paris, aquele que insiste em dar em cima do ...
- Ah, pode pegar meu carro, eu não me importo. – Sorri e tirei a chave do bolso estendo-a para ela, que continuou me encarando com a cara fechada.
- Se eu ao menos tivesse carteira de motorista. Qual parte do pode me levar você não entendeu?
- Tudo bem. – Dei de ombros e resolvi não deixá-la mais brava ainda, levantando e seguindo-a para fora do quarto.
Descemos as escadas e seguiu rapidamente para fora sem trocar mais nenhuma palavra comigo. Senhor, como eu faço para essa garota conversar normalmente comigo? Entramos no carro e enquanto seguia pelas ruas decidi puxar um assunto.
- Por que ainda não tirou sua carteira de motorista?
- Porque meu pai acha que carteira e carro na minha vida significam perigo constante. – Ela respondeu brava, mas dessa vez acho que não era comigo não. – John Sloan sempre querendo me privar de direitos que eu possa usufruir.
- Não era só você ir lá e tirar sem ele saber?
- Ah claro, como se isso funcionasse morando na mesma casa que o Sr. Controlador. Ele subornou o instrutor para me reprovar todas as vezes que eu tentei. – Ela falou e eu respondi com uma exclamação. – Você não conhece que tipo de homem o Sr. Sloan é, , nem ao menos o sabe, mas eu sei. Eu sei de todo tipo de coisa que ele é capaz de fazer.
- Então por isso que você quis vir embora? Para escapar de todo o controle? – Perguntei parando no farol vermelho e a encarando.
- Eu sei de coisas do meu pai que ninguém acreditaria, , e por mais que ele seja do meu sangue, eu não suportava mais viver embaixo do mesmo teto sabendo de tudo. E pode parecer sem coração, mas até ter o sobrenome Sloan me deixa irritada. Junta tudo com o fato de ele querer sempre me tratar como a princesinha e... – ela respirou fundo depois do desabafo. O que foi isso? – Não me leve a mal, eu o amo, mas não dá pra deixar passar. Eu tento...
Voltei a dirigir pelas ruas de Londres quando o sinal abriu. Eu não estava entendo muito bem o sentido da conversa. O fato dela estar brava com o pai não parecia apenas ser porque ele era controlador demais, parecia ter algo mais nessa história. Só isso não a deixaria tão brava como ela estava agora. E vermelha, parecia prestes a explodir. Até o fato de ter o sobrenome do pai a irritava? Então por isso ela prefere que todos só usem o sempre e ignorem que existe o Sloan.
- Ai meu Deus, eu não deveria te falar isso. – Vi de relance ela batendo na própria testa. – Que nada disso que você escutou saia daqui, . Nem para o meu irmão. Nenhuma palavra.
- Ok...
- Promete. – Ela falou seca. Nem foi uma pergunta. Foi uma ordem.
- Prometo. Pode continuar desabafando, você parece precisar disso. – disse sério.
- Eu não preciso desabafar com você.
Ela virou a cara para a janela e não disse mais nada. Parabéns, , vai lá dar uma de compreensivo. Deveria é ter ficado quieto até ela parar de falar ou me perguntar alguma coisa.
Os minutos passaram se arrastando e eu já estava ficando maluco porque não chegava e pelo silêncio que tomava conta do ambiente. Aumentei a velocidade e pluguei meu iPod no som do carro, deixando It's gonna be me da boyband 'N Sync tocar. Comecei dar leves batidas no volante ao ritmo da música. virou para me encarar e pude ver de relance seu cenho franzido. Sorri para ela e comecei a cantar o refrão.

Every little thing I do
Toda pequena coisa que eu faço
Never seems enough for you
Nunca parece ser o bastante para você
You don't wanna lose it again
Você não quer passar por aquilo novamente
But I'm not like them
Mas eu não sou como eles
Baby, when you finally
Baby, quando você finalmente
Get to love somebody
For amar alguém
Guess what
Adivinhe só...
It's gonna be me
Serei eu.

- Ai meu Deus, Joe mal chegou e 'N Sync já começou a tocar. – Ela choramingou.
- Ahn? – Entrei no estacionamento do terminal, procurando uma vaga mais próxima do portão que nos levaria para onde o amigo dela desembarcaria.
- Se eu fosse você eu mudaria de playlist.
Ah, como se eu fosse fazer o que ela tinha dito né. Continuei cantando fingindo que não tinha ouvido e ela apenas deu de ombros. Quando estacionei, ela pulou fora do carro e se dirigiu rapidamente para dentro, tive que correr para alcançá-la.
Pensa em um lugar lotado. Era como estava aquela estação. olhava para os lados a procura do amigo e do nada começou a gritar e correr na direção de um cara com uma camiseta amarela que chega cegava de tão forte a cor e um topete bem arrumado. Ela pulou em cima dele. Ela gostava de fazer isso quando reencontrava as pessoas, não? Andei para perto deles.
- Meu raio de sol, não pule assim em cima de mim porque meu corpinho não aguenta. – Joe exclamou. soltou ele e deu um tapa em seu braço.
- Aguenta sim, porque vejo que está malhando. – Ela apertou os bíceps dele, analizando-os. – Da última vez que você malhou demais era para se aproximar do instrutor quase gay que na verdade de gay...
- Não tinha nada. – Ele completou. – É, me lembro disso, porque você mesmo foi comprovar o fato.
riu. E nossa como é bom ser ignorado totalmente pelo os dois. Joe me fitou e sorriu olhando para .
- Ah, esse é o . – ela apontou para mim fingindo indiferença e começou a andar para a saída que levava ao estacionamento. Nossa quanta consideração.
- O quarto membro do McFLY, hm? Os caras já me falaram de você. – Ele falou quando nós dois começamos a seguir a para fora do lugar. – Mas tem muita beleza em uma banda só, viu.
E ele falou isso em alto e bom som, dando uma risadinha pra mim em seguida. olhou pra mim e deu risada, fitando Joe e balançando a cabeça negativamente. Eu não sabia o que falar ou que cara fazer. Uma coisa era uma garota te dizer uma coisa dessas, outra era um cara. Sem preconceito nenhum, é claro. Só era estranho pra mim, porque bem... Deu pra entender.
- Falando em beleza... Jensen manda lembranças.
- Quando eu acho que me livrei da coisa... – chegou perto do carro e olhou pra mim. – Então, já pode apertar o alarme ai. Quero chegar em casa hoje.
Nossa a me tratando feito um nada, já estava até com saudades...
- Ai fofa, você faz o bofe se apaixonar e depois destrata, queria eu um daqueles na minha vida. – Joe exclamou indignado e entrando no carro carregando sua mala de mão consigo no banco de trás mesmo. e eu entramos no carro, ela se virou para o amigo com um olhar mortal.
- Primeiro que eu não fiz bofe nenhum se apaixonar, ele que entendeu o nosso namoro de uma perspectiva amorosa que nem existia pra mim. – Ela disse ríspida e se virou para frente, colocando o cinto de segurança. Eu apenas liguei o carro analisando a conversa dos dois. – E eu sempre deixei bem claro minhas intenções.
- Que tipo de namoro era então se não tinha perspectiva amorosa? – Exclamei meio incrédulo. Opa, acho que isso era para ter sido só um pensamento não dito em voz alta.
- Era um relacionamento baseado unicamente em química sexual. – Ela disse isso como se fosse a coisa mais normal do mundo. – Sem emoções envolvidas.
- Do seu lado né. – Joe falou em tom de desaprovação.
- Não posso fazer nada se ele não entendeu quando eu disse e demonstrei milhares de vezes. – Ela deu de ombros. Eu balancei a cabeça incrédulo. – Ah, , nem vem.
- Nem vem o quê?
- Parece estar me julgando. Vocês homens dormem com quem quiser, quando quiser, quantas quiser... Agora quando eu quero um relacionamento baseado apenas em sexo as pessoas ficam incrédulas? Me poupem.
- Nem falei nada.
- Mas pensou.
- Nem pensei.
- Ah é, esqueci que pensar não faz seu tipo.
- O que você quis dizer com isso?
- Que você não pensa e as garotas que você gosta de se relacionar também não.
- Nossa, como você é engraçada.
- Engraçada? Aquela Lisa é o melhor exemplo.
- Lisa? Você tá falando da Lizzie, não?
- Tanto faz.
- Pra sua informação, eu não tinha um relacionamento quimicamente sexual com a Lizzie. Eu só saía com ela algumas vezes.
- Qual é a diferença?
- Eu nem vou me atrever a explicar, nada entra nessa sua cabeça dura mesmo.
- Não tem explicação, essa é a resposta.
- Olha, ...
- , cala a boca e continua dirigindo.
- Você não acha que...
- Shiu.
- Você é...
- Shiu.
- Shiu você.
- Eu mandei você calar a boca primeiro.
- Com alguma coisa que você manda em algo né.
- Impressão minha ou voltamos a ter cinco anos de novo? – Joe interrompeu o que iria falar.
A garota fazia eu perder até a linha de pensamento e só me focar em discutir com ela, que é isso velho? Um silêncio abrangeu o carro inteiro. Liguei o rádio e como tinha mais algumas músicas do 'N Sync na playlist, o começo de Bye Bye Bye ecoou.
- Chega de discussão, vamos lá meu raio de sol, essa você sabe. – Joe gritou chacoalhando .
- Essa você me obrigou a saber, você quis dizer.
E o Joe começou a cantar e fazer uma coreografia estranha. me olhou convencida. Ah, agora entendi quando ela falou que se fosse eu mudaria de playlist. E o resto da viagem se resumiu em o Joe cantando e dançando, a acompanhando até eu começar a debochar dela e ela me cortar dizendo que a playlist era minha então eu não tinha o que debochar. E nós entramos em uma discussão mais uma vez fazendo o Joe perder a paciência e gritar perguntando qual era o nosso problema.
Meu problema? Era e o modo como ela não deixava eu parar de pensar nela. E se esse problema era bom o ruim? Eu já não sabia mais de nada. Só sabia de uma coisa, ver ela irritada me dá uma vontade de beijá-la e... Eu estou com sérios problemas mesmo.


Capítulo 11

"It's out of our control." (Secondhand Serenade)


's POV

Acabou que eu, a e a ficamos presas na escola até de tarde, porque, bem, eu fui inventar de ser uma boa aluna e ajudar o professor a arrumar uns mapas e quando vi a quantidade do serviço, pedi para as minhas amigas me ajudarem. Por "pedi" entenda-se ameacei e quase arrastei as duas comigo. Sou uma amiga doce e amorosa. Shiu, sou sim.
Enfim, tinha incontáveis mensagens do Joe nos xingando por ter abandonado ele nessa sexta linda e ensolarada, mas pelo lado bom ele estava rodando Londres com meu irmão e os meninos, porque segundo ele, estavam fazendo compras e passando em alguns lugares convidando um pessoal para uma festa lá em casa mais tarde. E o resto das mensagens era falando como ele adorava as idiotices do e pegava fácil ele... E eu que pensava que o Joe tinha bom gosto.
Abri a porta de casa acompanhada pelas meninas e já ouvia móveis sendo arrastados e uma bagunça total de compras na cozinha. Já era bagunçada, ai eles traziam mais desordem... Joe colocava gelo e bebida naquelas coisas térmicas e quando chegamos parou tudo para subir conosco para o quarto. E, claro, ele não parava de falar um segundo. Sério, como eu sentia falta desse ser falante todos os dias, pode não parecer, mas eu sintia e muito.
- Como tem gente bonita nessa cidade, vou te contar... – Agora ele tagarelava em francês e as meninas me olhavam esperando eu dar uma de google tradutor. Mas eu não falei nada e deixei ele falando mais em francês, porque eu simplesmente amava Joe falando a sua língua nativa. Ninguém falava tão lindamente como ele, pelo menos no meu ponto de vista. Eu fazia aula de francês desde os 10 anos de idade, quando a minha avó paterna insistiu que eu deveria aprender porque ela era francesa e um monte de blá blá blá que só servia de interesse para ela, mas enfim, mesmo depois de tempos de aula e vivendo por dois anos na França, eu achava meu francês uma porcaria comparado ao do Joe.
- Joe, mon amour, as meninas não falam francês... – Eu o interrompi depois de um tempo.
- Ah, desculpem. Eu me empolguei.
- Você sempre se empolga com tudo, né. – Falei e ele deu de ombros.
- Enfim, por que nunca me falou do e de sua beleza? Eita banda cheia de perfeição essa.
- Eu não via o há dois anos, Joe. – Revirei os olhos e comecei a fitar minhas unhas, tentando desviar o pensamento de e sua beleza.
- E essa tensão entre vocês? – Perguntou e as meninas começaram a rir.
- Eles brigam o tempo todo nesses últimos tempos. – respondeu antes que eu pensasse em abrir a boca.
- Por tudo e o tempo todo, né. Ninguém entende. – completou.
- Ah, mas eu entendo e para mim isso tem um nome. – Ele deu uma risadinha e me lançou um olhar todo esperto. Para o Joe tudo tinha que ter um nome, vou te contar viu.
- Não tem nada para ser nomeado aqui. – Eu disse ríspida e o encarei.
- Desde quando, ? – Ele falou com aquela voz tranquila e eu sabia muito bem o que ele queria saber. Droga, odiava o fato de Joe me conhecer tão bem assim. Para mim ele tem algum tipo de poder sobrenatural, porque isso não é normal.
- Ahn? – e exclamaram juntas e fizeram caras confusas.
- Desde quando o quê? Diminui as drogas, porque já está começando a fazer mal. – Tentei fazer o que eu consigo fazer de melhor: fugir do assunto. Ele arqueou as sobrancelhas. Mas eu já deveria saber, fugir do assunto não funcionava com ele.
- Deixa eu ser mais específico então... – Ele fingiu pensar e limpou a garganta. – Você e o , desde quando?
Paralizei. Não por surpresa, mas sim pelo fato daquilo ter sido dito em alto e bom som. Surpresas estavam minhas amigas, engasgou com o chiclete que mascava e ficou boquiaberta.
- Agora tudo faz sentido. – murmurou assentindo devagar com a cabeça. – Quando você chegou aqui do nada começaram a brigar, mas depois do acampamento tudo ficou mais maluco...
- Fora que você ficou meio pensativa depois que vocês se perderam lá... – continuou. Já posso matar esses três?
- Perdidos? Expliquem isso, meninas! – E as infelizes começaram a contar tudo para o Joe e eu não conseguia esboçar nenhuma reação. Legal, como escapo dessa agora?
Bem, eu poderia sair correndo loucamente escada abaixo, gritando e depois correr em círculos no jardim até que todos chegassem à conclusão de que eu estava mentalmente instável e me mandassem para um hospício. Ou eu poderia me jogar da janela... Mas isso só me quebraria alguns ossos... Ou eu poderia apenas contar a verdade e colocar um fim nessa tortura que estava sendo esses três discutirem sobre eu e como um casal. O que não era verdade. Joe falava agora que nossos signos super combinavam e primeiro me perguntei como ele sabia o signo do e depois quis realmente me jogar da janela. começou a dizer que nós brigávamos porque nutríamos sentimento um pelo o outro ou os dois ou pelo menos um de nós não conseguia admitir isso. Depois disse que nós, de certa forma, até fazíamos um belo casal e como ela não tinha pensado nisso antes. E eu deveria estar fazendo cara de quem quer morrer porque do nada eles pararam de falar e me encararam. Ah, agora eu tenho que falar alguma coisa certo? Certo.
- Primeiro, não somos um casal, nem nada. Segundo, eu beijei aquele ser desprezível no acampamento e isso nunca mais vai acontecer. Terceiro, não quero ouvir esse assunto.
- Desprezível? Pela tensão entre os dois acho que você agarraria aquele ser desprezível a qualquer momento... – Joe quer voltar para casa com algum osso quebrado e contusões no rostinho lindo e bem hidratado dele né? Para não parar de falar desse assunto.
- Se alguém mencionar o nome e o meu na mesma frase durante os próximos minutos, eu juro que vou arrebentar a cara. – Levantei da minha cama e comecei a revirar meu guarda-roupa atrás de algo para usar na festa. Vi de relance os três trocarem olhares e risadinhas, mas nada mais falaram. É bom saber que eles amam as carinhas lindas deles.
- , você por acaso viu aquela caixa azul cheias de CDs com a frase " is a party girl" escrito na tampa? – abriu a porta do meu quarto sem bater e os três infelizes explodiram nas gargalhadas e o fez cara de nada. – O que foi?
- Esqueceram de tomar os remédios essa manhã. – Taquei um salto na direção deles e ouvi um "outch" vindo de ao mesmo tempo que virei para e continuei falando. – Estava embaixo de uma caixa cheia de jogos de zumbis e guerras que tem escrito na tampa "Zombies eat brains... is safe".
- Valeu. – saiu e começou a gritar escada abaixo. – Festa! Festa! Festa!
Sério, eu moro em uma casa de loucos. As frases idiotas nas tampas das coisas, as pessoas gritando as palavras repetidamente...
- mencionou você e o ser desprezível que não deve ser nomeado na mesma frase, e ai? Não vimos você quebrar a carinha linda dele... – Joe soltou dando uma risadinha. O encarei séria.
- Coitado do ... Ele tem um cérebro, credo, gente. – falou do nada. Todos presentes olharam para ela com as sobrancelhas arqueadas.
Foi ai que eu não resisti e comecei a gargalhar alto com Joe e .

-

A casa estava lotada e eu não conhecia metade das pessoas que estavam presentes. Tinha gente bêbada, gente sóbria, gente doida, gente se reproduzindo pelos cantos (ainda bem que tive a ideia de trancar todos os quartos e cada dono guardar a chave consigo), enfim gente de tudo quanto é tipo, fazendo todo tipo de coisa. O dançava com uma garota em cima da nossa mesa de centro, estavam parecendo dois retardados. O Joe devia estar pegando alguém, do sexo masculino óbvio, em algum lugar. O e a estavam quase virando uma pessoa só, vulgo se pegando loucamente no sofá. Vi James tentando começar a jogar beer pong, mas pessoas passaram e tomaram todos os copos de cerveja antes da brincadeira de bêbado começar. E o resto deveria estar por ai, perdidos nessa bagunça.
- Vem sempre aqui, gatinha? – Uma voz que reconheci na hora sussurrou em meu ouvido. Estremeci e me virei, encarando-o.
- Velha essa hein, .
- Não começa, , hoje é dia de festa! – Falou animado demais e não, ele não estava bêbado.
- E?
- Dá para ser menos irritante?
- Eu sou a irritante?
- Claro, eu sempre tento ser legal e você me dá patada.
- Coitadinho... – Imitei uma voz fina e de quem se importava, depois revirei os olhos e lancei um sorriso sarcástico.
- Por que agir desse jeito?
- Que jeito?
- Irritante, ignorante e fria. – Ele disse e eu sabia que era para me atingir. Atingiu, mas eu continuei com a cara de quem estava pouco se fodendo com a opinião de alguém de sempre.
- Como disse? Você é um grande idiota mesmo.
- Sou? Pelo menos eu não saio por ai destratando as pessoas, sendo egoísta e sem sentimentos... – Ah, essa era a parte em que ele tentava ser legal, é? Filho de uma... Não, eu não ia xingar a coitada da mãe dele, ela provavelmente não sabe o filho que tem.
- Seu... – hesitei tentando pensar em um xingamento apropriado.
- Seu o quê? Desprezível, idiota, imbecil... – falou tentando imitar minha voz. – Vai dizer que eu não estou falando a verdade?
Eu não tinha o que responder. Maldito . Eu o odiava com toda a força que me era permitida. Como pode tanta audácia? E eu ainda quero beijar um ser desses... Eu disse quero? Quero? Ai meu Deus, eu preciso me tratar. Continuei encarando-o com o que eu presumia ser meu olhar mais assassino de todos.
- Você é assim por dois motivos, . – Ele não me olhava com maldade, parecia mais que falava aquelas coisas e me lançava um olhar de desculpas logo em seguida. Foda-se, eu ainda quero quebrar a cara dele. Calma, eu quero quebrar a cara dele ou beijá-lo? Bei... Quebrar a cara, quebrar a cara. – O primeiro motivo é que você não se importa com as pessoas em geral, só com um grupo seletivo de pessoas e apesar de você ser maluca, xingar e ser legal com eles ao mesmo tempo... Você ainda deixa eles saberem quem você é.
Quebrar a cara linda e irresistível dele. Quebrar...
- O outro motivo é que você simplesmente não quer dar a chance para outras pessoas te conhecerem como você realmente é. A amiga que mesmo xingando o tempo todo consegue falar docemente com ele sobre algum assunto sério. A irmã que mesmo xingando o é capaz de arrancar todos aqueles dentes que a Olivia tem na boca só para protege-lo. A única que deixa o ganhar no vídeo game só para que ele ache que sabe mesmo jogar. A que mesmo odiando, canta as músicas pop com o Joe no carro.
Que porra era essa? Que raios tinha reparado que eu fazia esses tipos de coisas?
- Você é tão previsível que nem faz ideia. Quer fingir que é a garota fodona que não se importa com nada, mas tudo isso é só para afastar as pessoas e fazer com que elas desistam de te entender.
- Nunca ouvi tanta merda saindo da boca de uma pessoa só. – Soltei irritada.
- Mas saiba que você não vai me afastar não, . – Ele sorriu e eu só pensava em... Quebrar a cara dele, isso, quebrar a cara dele.
Tentei fazer a minha melhor cara de desprezo e virei as costas para ele, saindo quase que correndo dali. Peguei a primeira bebida que vi pela frente e sequei a garrafa em menos de um minuto, saindo em busca de mais. Depois de algum tempo, eu não sabia mais de nada, apenas de uma coisa: era a pessoa que eu mais detestava naquele momento.

-

's POV

Eu confesso que me sentia um grande idiota agora. As coisas que eu disse a a deixaram muito brava comigo. Sentia que ela queria quebrar minha cara, mas ela se segurou e apenas me lançou um olhar de desprezo e virou as costas, bebendo tudo que aparecia pela frente. Eu não disse nada daquilo para deixá-la brava, era só uma coisa que eu achava que deveria ser dita. Tudo bem que eu me imaginei dizendo isso quando pelo menos fossemos amigos, mas como parece que isso está longe de acontecer...
Agora não conseguia tirar os olhos dela, porque estava preocupado. Além de idiota eu estou ficando patético também, parado com uma cerveja intocada nas mãos e seguindo com o olhar. Ainda bem que as pessoas ao meu redor tinham coisas melhores para fazer do que reparar no patético aqui.
Ela estava nesse momento no meio da pista de dança improvisada na nossa sala conversando com o Jason. Tanta gente para conversar e ela tinha logo que escolher esse imbecil? Quem convidou ele afinal? Como se precisasse convidar metade das pessoas que estão aqui. Sério tinha amigos dos amigos da prima da amiga da irmã da amiga de alguém do colégio aqui. Exagerei, mas deu para entender.
Eu estava ficando puto, porque agora Jason falava muito próximo de . Então ele aproximou o rosto do dela falando alguma coisa que a fez gargalhar e então ele a puxou para um... Beijo. Como? O quê? Vou estragar aquilo que aquele infeliz chama de cara. afastou o idiota e balançou a cabeça falando alguma coisa que fez Jason tirar aquele sorriso convencido da cara. Pelo que me parecia ela não queria beijá-lo, já posso ficar um pouco feliz? deixou Jason com cara de nada e começou a seguir para a cozinha. E eu a segui, claro. Estava logo atrás dela quando ela entrou na cozinha e tropeçou em uma, das tantas garrafas, jogadas no chão. Só não caiu porque meus braços alcançaram sua cintura a tempo.
- Droga de falta de equilíbrio. – ela resmungou e quando viu quem a segurava, bufou. – Me solta!
- Você ia cair, eu só...
- Por que você não me deixa em paz? – Ela cuspiu as palavras, irritada. Eu a soltei.
- Desculpe se eu estou me importando com você.
- Não deveria. – Gritou ficando vermelha e se apoiando na bancada. Ela abaixou a cabeça e sua respiração começou a ficar estranha.
- Você está bem? – Perguntei me aproximando novamente. Ela não me respondeu, só balançou a cabeça negativamente. Então a peguei com uma facilidade e a coloquei em meus ombros, segurando suas pernas e caminhando para fora da cozinha.
- Ah não, me solta, !
Ignorei seus protestos e tentativas falhas de me esmurrar e atravessei a sala seguindo para as escadas. Ninguém parecia perceber que eu estava carregando uma bêbada e histérica no meio daquela festa. Passei por e que se pegavam em um dos sofás. Como é que é? Não bastava e , agora esses dois também?
Subi as escadas ainda recebendo ameaças de . Mas continuei ignorando até parar na frente da porta do quarto dela. Coloquei cuidadosamente no chão e fiquei segurando sua cintura até ela tomar um pouco de equilíbrio, o que era difícil porque era de conhecimento da nação que mais bebida mais equilíbrio era igual a perda completa do último. Assim que ela sentiu suas pernas mais firmes começou a me dar tapas, ela não conseguia colocar muita força nos tapas, mas incomodavam.
- , pare. – Segurei suas mãos e a olhei. Ela desviou os olhos para o chão. Deixei meus olhos passearem por seu rosto e ela parecia um pouco pálida. Ok, acho que não foi uma boa ideia carregá-la daquele modo, mas o que eu podia fazer? Limpei minha garganta para chamar sua atenção e soltei suas mãos. – Está entregue. Entre e vai dormir.
- Como se fosse possível. – Disse colocando as mãos na cabeça e fazendo uma careta. Olhei-a confuso. – Deixei a chave do meu quarto com Joe, gênio!
- E onde ele está?
- Ah, essa é uma boa pergunta. – Ela me fitou de um modo engraçado e cruzou os braços.
- Então vamos para o meu quarto.
- Aham, senta lá e espera isso acontecer. – Ela riu sem humor e fez outra careta. – Prefiro morrer por aqui mesmo.
- , você está pálida. Deixa de ser teimosa, vamos para a porra do meu quarto para você lavar essa cara, tomar um banho e depois dormir. – Exclamei e ela apenas arqueou as sobrancelhas como se estivesse zombando de mim. – E isso não é uma opção, ou você vai com as suas próprias pernas ou eu te carrego até lá.
- Eu ir ou você me carregar acaba sendo duas opções, gênio. – Ela soltou enquanto caminhava até minha porta. Eu decidi nem responder, apenas tirei a chave do bolso e abri a porta deixando-a entrar primeiro.
- Você tem pelo menos uma toalha limpa?
Fechei a porta com a chave só para o caso de alguém bêbado tentar entrar no quarto e abri o guarda-roupa, tirando uma toalha e estendendo para ela. Peguei ainda uma boxer e uma camiseta e ela tomou da minha mão ainda aos resmungos e me chamando de idiota por ter a carregado daquele modo e deixado seu estômago embrulhado.
- Vou começar a tomar as coisas que você diz como elogio.
- Aproveita e vai se foder também.
E ela se trancou no banheiro. Respirei fundo e me joguei na cama fitando o teto. iria acabar me deixando maluco, mas ao invés de eu ignorar essa garota eu fico atrás dela. Ou eu curto ficar levando patada e ser rejeitado por uma garota ou estou com sérios problemas mesmo. Ou os dois, quem sabe. demorou uma eternidade para sair do banheiro e eu fiquei essa eternidade pensando em uma forma de me aproximar dela sem ser rejeitado mais uma vez.
A porta do banheiro se abriu e eu continuei fitando o teto sem olhar para ela. Não que o teto estivesse mais interessante...
- Está melhor? – Perguntei ainda sem olhar em sua direção.
- Sim. Um pouco zonza, mas... – Senti a cama afundando ao meu lado. Enfim olhei em seu rosto, reparando que a cor voltara e a palidez tinha ido embora. – Eu quase coloquei tudo para fora pelo modo que você me carregou, mas acho que teria feito isso se tivesse ficado lá embaixo, então...
- Obrigado?
- É, , obrigada por me beijar, me provocar e tirar do sério, dizer tanta merda e ser o mais idiota do mundo, e também me carregar fazendo com que meu estômago se revirasse e quase saísse pela boca. Muito obrigada. – Ela exclamou irônica.
- Obrigado também por ter retribuido meu beijo, me rejeitar ao ponto de eu ter que implicar com você para não ser ignorado, por me xingar o tempo inteiro e tudo mais. Realmente, muito obrigado.
Ficamos em silêncio. O que foi isso?
- Dorme na cama, eu fico naquele sofá.
- Aquele sofá deve ser horrível. Eu não me incomodo em dividir a cama com você, .
Ela disse, depois deitou puxando o edredom e virando de costas para mim. Ela deu um suspiro longo e eu levantei para apagar as luzes e voltei a deitar fitando a figura de de costas para mim. A luz da lua entrava pela janela, iluminando suficiente o quarto.
- Boa noite. – disse depois de um tempo, quando eu pensei que já estivesse dormindo. Suspirei e instintivamente minhas mãos afagaram seus cabelos. Voltei meu corpo e fitei o teto mais um vez, quando senti virar para mim, parecendo hesitante.
- Boa noite, . – Ela sussurrou e se aproximou depositando um beijo no meu pescoço, arrepiei-me. E então depois de um tempo ela dormiu ali, tão próxima de mim.
Naquele momento tudo parecia claro para mim. A respiração calma de próxima ao meu pescoço, me fazia entender tudo perfeitamente. Eu estava me apaixonando por aquela garota.

-

Eu rabiscava a música que me entregou mais cedo toda e tentava melhorá-la. A letra até que estava boa, mas a melodia... Peguei o violão e tentei criar algo melhor, tentando achar um ritmo para a letra se encaixar.
- Nada mal essa última parte, só que a anterior ainda continua uma droga. – disse e eu olhei assustado para a minha porta, quase caindo do pequeno sofá que tinha dentro do meu quarto. Como ela entrou e eu nem percebi? – já escreveu coisas melhores.
E então ela caminhou até minha cama e se sentou. Eu cocei minha nuca sem jeito. O que ela estava fazendo aqui no meu quarto? Digo, não que eu não quisesse ela aqui, mas ela estava toda amigável e até sorria. Eu perdi alguma coisa? Porque depois da noite de sexta e que nós acordamos tão próximos, simplesmente disse um bom dia, levantou, entrou no banheiro, saiu já vestida com a roupa que usara na noite passada e depois eu não a vi durante todo sábado. Estava não sei aonde com Joe. Enfim, agora era domingo de tarde, e ela do nada entra no meu quarto, senta na minha cama e age amigavelmente comigo. Nada estranho né...
- Então... – Ela me olhou de um modo engraçado. – O gato comeu sua língua?
Opa, acho que fiquei calado tempo demais.
- Ah, é que... É que... – Ótimo, agora virei a porra de um disco arranhado patético. – Eu estava concentrado na música aqui, desculpe.
- escreve músicas boas ou todas que ele já me mostrou você já concertou também?
- Acho que é essa é a primeira que ele pede. – Respondi dedilhando qualquer coisa no violão. – Ele é quem quase sempre escreve as músicas boas.
- Ah... – Ela olhou para a janela mordendo o lábio inferior distraidamente. – A música ficaria melhor se a melodia fosse mais rápida, está um pouco lenta...
E passamos o resto da tarde falando sobre música, aquela música, depois passamos para outras músicas que discutíamos o quão boa eram e chegamos até a falar sobre a trilha sonora de um filme qualquer. Eu já tinha percebido isso bem antes, mas vale ressaltar aqui que quando falava de algo que realmente gostava, seus olhos brilhavam e ela dava sorrisos espontâneos enquanto falava. Posso parecer um idiota apaixonado reparando nesse tipo de coisa, mas foda-se, era um dos meus desejos mais secretos ver esses sorrisos sendo lançados para mim e eu nem sabia disso antes de me dar conta de estar gostando mesmo dela.
- Já é noite e eu nem vi a hora passar. – exclamou surpresa apontando lá para fora da janela. E depois ela começou a fazer uma coisa típica que eu já vira ela fazer várias vezes: murmurar coisas para si mesma. – E meu celular? Acho que deixei no meu quarto, tenho que checar se Joe já mandou mensagem ou ligou dizendo que chegou em casa...
Ela levantou da minha cama parando logo em frente do sofá em que eu estava sentado, me fitando pensativa.
- Então... – Ela começou colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Boa noite, .
Quando ela ia se virar para caminhar para fora dali eu levantei e segurei pelos braços. Eu nem pensei em nada, apenas levantei e o fiz. Ela franziu o cenho, mas logo seu rosto se tranquilizou e ficamos nos olhando. Decidi aproximar meu rosto do dela, deixando-nos perigosamente perto um do outro. Olhava de seus lábios para seus olhos, hesitante. Ela apenas olhava em meus olhos e eu não sabia se beijava ela ou não. E se eu beijar e ela se afastar e me tratar como um nada novamente? Sentia meu coração bater descompassadamente e então quando eu pensava em me afastar, a última coisa que esperava aconteceu. uniu nossos lábios, acabando com o espaço que havia entre nós. Mergulhamos em um beijo calmo e maravilhosamente bom.
- Boa noite, . – sussurrei quando o beijo terminou e sorri para ela. Então ela me lançou um meio sorriso e saiu do quarto parecendo um pouco confusa.
Isso tinha mesmo acontecido ou estava sonhando? E sim, logo em seguida eu me belisquei só para checar.


12º Capítulo

"Maybe I should keep this to myself. Waiting 'till I know you better" (Fallin' for you – Colbie Caillat)


's POV

- Por que a cola não fica colada dentro do tubo? – E essa era eu falando comigo mesma enquanto fazia umas colagens toscas para o trabalho de Geografia na cozinha de casa. Eu já tinha terminado, e o fato da cola não colar dentro do frasco era mais interessante do que levantar minha bunda da cadeira e fazer algo útil.
- Isso parece um dos grandes milagres da ciência, não? – exclamou, entrando na cozinha com , e eu quase cai da cadeira de susto. Qual é, estava concentrada no tubo de cola.
- Eu acho um mistério, isso, sim. – Respondi, olhando para os dois, que sentaram na minha frente e começaram a comer meus biscoitos em cima do meu trabalho. – Vocês estão enchendo o meu trabalho de migalhas, com licença?
- Outro mistério é você conversando sozinha... Sempre achei você problemática, mas isso te deixa mais. – falou e derrubou mais migalhas de propósito no meu trabalho.
- Falar sozinha é um hábito. Clareia meus pensamentos expressá-los em voz alta.
- Meu tio sempre dizia isso. – adentrou o lugar, já risonho. Lá vem merda, aguardem. – E ainda diz, depois de tantos anos de remédios e camisa de força dentro de um hospício.
- Vejam só, acha que é engraçado, né? – Ironizei e soltou uma risadinha.
- , por que a cola não gruda no tubo? – perguntou para o outro e pegou mais um dos meus biscoitos, dessa vez tomando cuidado para não derrubar migalhas no meu trabalho. Olha, parece que foi domesticado, afinal.
- A cola não gruda porque está vedada e sem contato constante com o ar, assim evita que o solvente da cola evapore.
- Nerd. – Resmungei, jogando o tubo de cola em . Tirei meu trabalho da mesa antes que subisse na mesa e dançasse em cima dele. Tudo isso era inveja, porque eu fazia trabalhos com notas maiores que a dele, aposto.
- , ficou legal a música. Podemos mostrar para as duas antas na reunião mais tarde. – jogou o caderno onde ficava as composições e anotações musicais de no próprio e saiu da cozinha, fingindo falar sozinho só para me provocar.
- Hey, uma das antas escutou isso. – gritou. Cara, que anta mesmo.
- Deixa eu ver o resultado? – Apontei para o caderno, lançando um sorriso para . arqueeou as sobrancelhas. Qual é o problema de eu querer ser amigável com ele? Já recebi tipos de reações diversas a manhã inteira dos meus amigos. Eu só estava cansada de brigar com o . Ok, não era só isso, mas como eu não sabia o que era... Ah, foda-se.
- Te dar meu caderno? É tipo meu diário, . – Ele respondeu. – e eu vamos cantar a música na reunião. Esteja lá.
- Tipo meu diário? Gay. – falou e gargalhou.
- estava com tipo seu diário... Seu chato. – Falei de um jeito bem infantil e mostrei a língua para ele, porque sim gostava de ser um pouco idiota as vezes.
- Que gracinha, faz de novo? – brincou, depois ele e riram da minha cara . A campainha tocou e berrou que ia atender em um tom exagerado.
- Fala ae, Lizzie. – Ouvimos exclamar.
- Hey, . está em casa?
- Você ainda sai com ela? – perguntou, incrédulo, para . Ele olhou para , mais incrédulo ainda, e eu fitei o caderno.
- Não, cara. Que o se ligue e diga que...
- Cozinha. Cuidado, ele está pelado.
- Vou matar o . – resmungou entre dentes.
E a rainha das bitches adentrou nossa cozinha no maior estilo quero dar. Eu não tenho nada contra a Lizzie, ela que parece ter o mundo contra mim, porque sempre me lança olhares assassinos e tal. Nunca nem fiz nada para ela. Mas enfim, que ela é a rainha das bitches, ninguém pode negar, e que ela curte dar a pussy dela por aí, também não.
- ! – Gente, me diz para que gritar? pareceu pensar a mesma coisa, pois revirou os olhos antes de deixar o caderno na mesa e virar para olhar Lizzie. Aproveitei a deixa e peguei o caderno, folheando até a música. Eu não queria ler nada que não devesse, apenas queria ver a música mesmo.
- O que faz aqui, Lizzie? – perguntou com a voz mais entendiada do mundo. se segurou para não rir e eu tentei me concentrar na letra para não pensar em dar risada também.
- Faz um tempinho que a gente não se fala, né, lindo? Desde quando? – Vou me corrigir agora mesmo, eu tinha, sim, algo contra a Lizzie, e era essa voz irritante que parecia contaminar meus ouvidos. Foco na letra da música em suas mãos, ! Foco. Voltei a ler o papel.
- É... Desde que eu te dei um fora na festa da piscina, não? – falou tranquilamente. colocou a cabeça entre os braços e eu levantei o olhar e reparei que os ombros dele se mexiam estranhamente, ou seja, ele estava rindo loucamente e silenciosamente. Não aguentei e caí na gargalhada por e pela cara da Lizzie.
- Do que você está rindo, garota? – Lizzie soltou, grossa, me olhando tão feio, tão feio, que se eu não fosse eu, cagaria de medo. Como eu era eu, não tinha nem um pingo de medo.
- Isso foi comigo? – fiz minha melhor cara de desentendida.
- Claro que foi, sua...
- Cuidado com as suas próximas palavras. – Interrompi o que ela ia dizer.
- Por quê? O que vai fazer, sua ridícula?
Ai meu Deus, essa daí tá pedindo, mas apenas olhei para ela com um olhar carregado de desprezo e voltei meus olhos para o caderno. Com essa garota é que não gasto minha saliva. É igual conversar com uma porta.
- Enfim... – A voz dela ficou mais vadia, se fosse possível, e vi de relance ela se virar para novamente. – Que tal irmos ao cinema hoje?
- Lizzie, lembra quando eu falei que cansei de você? Então... – respondeu, ríspido.
- Então?
- Acho que seu cérebro não acompanhou... – Nossa, eu nem precisava gastar minha saliva para acabar com ela, fazia um belo trabalho. – Eu não vou mais sair com você, tchau.
E ele ainda finalizou acenando e apontando a saída do cômodo. soltou um "outch", e eu apenas encarei a cena, acompanhando as reações de Lizzie. Primeiro ela ficou vermelha, depois ela me lançou um olhar mortal e logo em seguida saiu batendo o pé e xingando até a décima geração do . Ele apenas deu de ombros.
Eu me levantei da cadeira, recolhi meus pertences e meu trabalho cuidadosamente, colocando tudo em um braço só e segurando o caderno de na mão livre. Passei por ele, entregando o caderno e lançando um sorriso.
- Gostei da música.
E saí do cômodo.

-

Cá estava eu, deitada na cama, pensando na vida. Por quê? Não sei, talvez minha cota de ser uma idiota estivesse baixa demais e eu tinha que pensar na vida só para aumentá-la, mesmo. Ou talvez eu tinha que parar uma hora para pensar no que estava acontecendo com e eu. Talvez eu gostasse de beijar . Talvez não, eu gosto. Até fico pensando nisso quando não deveria. Mas eu gostava de ? Acho que não, era só atração mesmo.
Tirando a parte que eu não me sentia como eu já me senti perto de outros garotos antes. Digo, tinha algo a mais, só não sabia o que era. Talvez eu devesse continuar tentando ser amigável para conhecê-lo melhor e ter alguma luz do que estava se passando na minha mente. É, talvez.
Levantei da cama e caminhei para fora do quarto, cantarolando Colbie Caillat. Dias atrás ouvi uma música dela que grudou no meu cérebro e agora não consigo mais esquecer. Desci as escadas e escutei vozes vindo da sala. Fui até lá e me deparei com os quatro seres discutindo sobre a música nova.
Sentei e presenciei tudo silenciosamente. Não queria atrapalhar o ensaio. Os meninos cantaram a música nova e logo após começaram a fazer uns ajustes na música. O McFLY tinha potencial, eu via isso e, claro, torcia por eles. Eles pareciam ter nascido para aquilo e eu conseguia imaginar esses quatro sendo rodeados de fãs, com shows lotados e, quem sabe até, sendo conhecidos mundialmente.
- Você entra nessa parte da música, !
- Posso começar desse jeito aqui? Olha. – Meu irmão fez umas anotações no papel. assentiu e começaram a discutir mais coisas, como uma nova melodia que havia criado, em um tema e refrão que tinha pensado para uma música e aí vai.
- Nossa, quanto profissionalismo. – Zombei quando deram uma pausa para respirar, eu já estava entendiada ali, sentada e sem falar nada, olhando-os trabalhar.
- Quando você quer que sua banda faça sucesso, você tem que se dedicar.
- , . Um poeta da vida musical.
- Engraçadona, você.
E depois o começou um discurso sobre as influências musicais que ele estava sofrendo ultimamente, até cantou umas duas músicas para todos ouvir. Uma era boa demais, tinha uma melodia bem bacana e letra legal. Agora a segunda era um pop, com melodia de quinta, e se um dia o McFLY tocasse algo parecido com aquilo, eu trancaria os quatro em uma sala e deixaria eles por dias escutando música de verdade até eles jurarem que nunca mais cantariam uma música ruim como aquela. Quando o terminou, meu irmão pegou o violão e começou a cantar músicas de abertura de desenhos animados e eu me perguntei se tinha mesmo compartilhado o mesmo útero com aquele cara, porque sério, um ser desses parece de outro mundo. Eu amo meu irmão, só para deixar claro, mas ele poderia ser um pouquinho normal. Quando terminou, ofereceu o violão para e tocarem e cantarem algo, mas ambos recusaram. Só porque eu queria ouvir o cantar. Não, eu não pensei isso. Odeio esses pensamentos filhos de uma mãe que ganha a vida vendendo o corpo.
Então, do nada, joga o violão no meu colo e pede que eu cante. Recuso-me, é claro. Mas os quatro me encheram tanto que eu pensei na música que estava cantarolando da Colbie. Eu conhecia a letra e tudo mais. Então decidi cantá-la porque ela era a única que estava disponível na minha cabeça agora. Comecei a dedilhar e abaixei a cabeça olhando para as cordas do violão. Não queria encarar ninguém.

I don't know but
Eu não sei, mas
I think I may be
Eu acho que talvez esteja me
Fallin' for you
Apaixonando por você
Dropping so quickly
Tão rapidamente
Maybe I should
Talvez eu deva
Keep this to myself
Guardar isso pra mim mesma
Waiting 'til I
Esperar até
Know you better
Conhecê-lo melhor

I am trying not to tell you
Estou tentando não te contar nada
But I want to
Mas eu quero
I'm scared of what you'll say
Estou com medo do que irá dizer
So I'm hiding what I'm feeling
Então escondo o que estou sentindo
But I'm tired of
Mas estou cansada de
Holding this inside my head
Segurar isso dentro da minha cabeça

Levantei minha cabeça e olhei para o meu irmão, que me olhava todo orgulhoso. Ele amava quando eu cantava.

I've been spending all my time
Eu venho perdendo tanto tempo
Just thinking about you
Só pensando em você
I don't know what to do
Eu não sei o quê fazer
I think I'm fallin' for you
Eu acho que estou me apaixonando por você
I've been waiting all my life
Eu venho esperado por toda a minha vida
and now I found you
E agora eu te encontrei
I don't know what to do
Eu não sei o que fazer
I think I'm fallin' for you
Eu acho que estou me apaixonando por você
I'm fallin' for you
Eu estou me apaixonando por você

Fitei , que cantarolava a música e se balançava no ritmo dela. Passei meus olhos por , que batucava em sua perna e balançava a cabeça.

As I'm standing here
Eu estou aqui
And you hold my hand
E você segura a minha mão
Pull me towards you
Me puxa para você
And we start to dance
E nós começamos a dançar
All around us
Em volta de nós
I see nobody
Eu não vejo ninguém
Here in silence
Aqui neste silêncio
It's just you and me
Somos só você e eu

E então fiz o que não devia ter feito: olhar para o . Todos me olhavam, mas ele me encarava com uma intensidade tão grande que eu senti que poderia esquecer a letra a qualquer momento se não desviasse o olhar. E foi o que fiz, desviei.

I am trying not to tell you
Estou tentando não te contar nada
But I want to
Mas eu quero
I'm scared of what you'll say
Estou com medo do que irá dizer
So I'm hiding what I'm feeling
Então escondo o que estou sentindo
But I'm tired of
Mas estou cansada de
Holding this inside my head
Segurar isso dentro da minha cabeça

I've been spending all my time
Eu venho perdendo tanto tempo
Just thinking about you
Só pensando em você
I don't know what to do
Eu não sei o quê fazer
I think I'm fallin' for you
Eu acho que estou me apaixonando por você
I've been waiting all my life
Eu venho esperado por toda a minha vida
and now I found you
E agora eu te encontrei
I don't know what to do
Eu não sei o que fazer
I think I'm fallin' for you
Eu acho que estou me apaixonando por você
I'm fallin' for you
Eu estou me apaixonando por você

Oh I just can't take it
Oh, eu não sei lidar com isso
My heart is racing
Meu coração está batendo forte
The emotions keep spinning out
As emoções querem sair

Eu gostava da música, do ritmo e tudo, mas não acreditava na letra. Vamos concordar que no meu mundo eu sei e acredito que o amor não existe, então consequentemente se apaixonar está fora de questão. Mas cantando agora, eu sentia alguma coisa que não sabia decifrar. Talvez seja porque eu goste da música, ou talvez...

I've been spending all my time
Eu venho perdendo tanto tempo
Just thinking about you
Só pensando em você
I don't know what to do
Eu não sei o quê fazer
I think I'm fallin' for you
Eu acho que estou me apaixonando por você
I've been waiting all my life
Eu venho esperado por toda a minha vida
and now I found ya
E agora eu te encontrei
I don't know what to do
Eu não sei o que fazer
I think I'm fallin' for you
Eu acho que estou me apaixonando por você
I'm fallin' for you
Eu estou me apaixonando por você
I think I'm fallin' for you
Eu acho que estou me apaixonando por você

Talvez? TALVEZ? Sem "ou talvez". Eu gostava da música e só isso, não tinha nada a ver também com o fato de eu querer olhar e ficar perto de um certo ser presente. Claro que não. Estou me tornando uma contradição ambulante.

I can't stop thinking about it
Eu não consigo parar de pensar nisso
I want you all around me
Eu quero você perto de mim
And now I just can't hide it
E agora não consigo esconder isso
I think I'm fallin' for you
Eu acho que estou me apaixonando por você
I think I'm fallin' for you
Eu acho que estou me apaixonando por você
I'm fallin' for you
Me apaixonando por você

Terminei e olhei para todos, que soltaram exclamações e bateram palmas. Me senti a cantora famosa divando e brilhando. Ok, parei.
- Canta de novo? – soltou essa e todos olharam para ele estranhamente. O que ele disse? Puta que pariu, fiquei sem resposta e rumo depois dessa. Me salvem. – O que foi?
- Bizarro. – disse.
- Que medo. – falou.
- Que fome! – exclamou. Sempre meu irmão.


13º Capítulo

's POV< /b>

- Azeite? – leu na lista de compras que estava em minhas mãos. – Pra que comprar azeite? O que vão fazer com isso?
- Serve para...
- Eu sei para que serve, ... – Ela me encarou, entendiada. – Mas quem vai usar isso?
- O usa para cozinhar. – Respondi, dando de ombros.
- O cozinha? Afinal, alguém naquela casa cozinha?
- De onde você acha que vem as refeições que você come? – Perguntei, incrédulo.
- Sei lá, daquela casa espero qualquer coisa. – Ela pegou o azeite da prateleira e colocou dentro do carrinho de compras quase cheio.
Nós dois fomos escalados para fazer a compra da semana, então aqui estávamos nós. perguntava o porquê de comprar quase tudo, e eu respondia pacientemente, porque a última coisa que eu queria era discutir com ela. Estávamos bem, incrivelmente bem. Ela estava conversando normalmente comigo agora, às vezes tinha um sarcasmo no meio, mas essa era ela e não iria mudar nunca. Não que eu queira, gosto do jeito que ela é, portanto que ela não me maltrate como antes.
Ela passava pelas prateleiras pegando os itens da lista e jogando tudo no carrinho com uma delicadeza que só ela tinha enquanto eu apenas empurrava o carrinho e ditava os itens. Entramos no setor de congelados e ela parou onde ficavam os sorvetes e começou pegar um, dois, três, quatro...
- O que é tudo isso? – Ri quando ela pegou mais dois potes e jogou dentro do carrinho.
- Até onde eu sei é sorvete. – Ela falou sorrindo e levantando um sétimo pote de sorvete de creme perto do rosto e fitando-o.
- Eu sei, mas pra que tudo isso?
- Para jogar fora, . – Ela bufou e voltou a andar pelo corredor impaciente. Era legal quando ela perdia a paciência rápido demais.
Depois de alguns passos longe de mim, ela diminuiu a velocidade esperando eu alcançá-la. Entramos em outro corredor e pigarreou alto querendo chamar minha atenção.
- Depois da festa, eu fiquei com essa imagem na cabeça e quero que você me ajude a lembrar... – Ela começou e eu fiz uma cara de pura confusão. Será que era sobre a gente? Ela não parecia ter esquecido nada, então...
- Sobre o quê? – Perguntei.
- .
O que ela queria saber sobre o irmão dela? Eu só vi ele na festa se pegando com a e... Caralho, acho que é sobre isso.
- E .
- Sim, você viu certo.
- Puta que pariu. – Ela exclamou e estendeu a mão para pegar uma caixa de achocolatado na prateleira. Ela falou tão alto, que alguns olhares estranhos foram dirigidos para nós. – Até esses dois?
- Parece que sim.
- O que eu faço? Mato os dois? Castro o ? – Ela perguntou furiosa. Não sabia se ela perguntava para mim ou para si mesma. Ela parou para pegar três caixas de cereais antes de continuar a surtar. – Primeiro o , agora o . Ainda bem que não tenho mais nenhuma amiga tão próxima quanto elas para o querer pegar também.
- O parece gostar da e seu irmão... – Dei de ombros. Ela parou na frente de uma das prateleiras e ficou analisando o que levar. – Só vi ele e na festa mesmo.
- Isso não pode acontecer, .
- Por que não?
- Por que não? Por. Que. Não? – Ela falou pausadamente. Parou de olhar os produtos e me fitou séria. – é meu irmão, é quase família, e são família. Re-fli-ta.
- Que besteira , deixa eles.
- Se alguém sair machucado dessa história não vou poder matar ninguém, entende? – Ela estava quase gritando e gesticulava exageradamente.
Um menininho, que devia ter uns 4 anos, que estava junto ao pai no nosso lado olhou para curioso e a mesma de uma cara raivosa mudou para quase angelical. Digo quase, porque estamos falando de , não é mesmo? Então ela sorriu para o garoto e abaixou-se na altura dele e começou a conversar. Que garota bipolar.
- Por que eu tive que me apaixonar por alguém tão estranha? – Murmurei comigo mesmo e chequei a lista de compras. Não faltava pegar mais nada.
- Quem é estranha? – exclamou e eu levantei meus olhos da lista. Ela me olhava curiosa.
- Você.
- Ah, obrigada. – Ela falou com sarcasmo. Apontou para a lista. – Já foi tudo?
- Sim.
- Ótimo.
E ela começou a caminhar para a parte do mercado onde ficava os caixas. Empurrei o carrinho rapidamente tentando alcançá-la.
- Espera, não quis dizer estranha como algo ruim... – Ela parou em uma das filas de um caixa e olhou-me. – É... É... Algo bom.
- E eu que sou a estranha.
Depois disso o silêncio reinou entre nós. O barulho ouvido agora era das pessoas em nossa volta e daquele apito chato vindo do caixa quando os produtos eram passados. Para me distrair, fiquei analisando os seios fartos da mulher do caixa.
- Esquecemos de pegar um babador para você, . – falou ao meu lado e eu levei um pequeno susto. – Cuidado para a baba não escorrer.
- Ahn? – Olhei para ela que bufou e revirou os olhos. O que eu fiz?
- Imbecil. – Murmurou.
- Está com ciúmes? – Brinquei, mas ela não levou para a brincadeira e me olhou incrédula. – Se quiser eu fico olhando para os seus também...
- !
- Que foi? – Gargalhei. – Eles parecem bem melhores que o dela.
- Como é? – Ela falou furiosa e olhou para o próprio decote, depois para mim. Então ela desferiu um tapa no meu braço, que doeu só para deixar claro. – Você acha que eu sou o que, caralho?
- Calma, eu só estava brincando. – Disse fazendo uma careta e massageando o local ao qual ela havia me batido. Ela me ignorou e fez cara de quem pouco se importava com a minha dor.
Nossa vez chegou e começamos a colocar as compras na esteira do caixa. continuou em silêncio, mas dava para perceber que ela ainda estava brava. Ótimo, parabéns para o idiota aqui. Agora que estava tudo indo bem.
Todas nossas compras estavam quase em sacolas quando a caixa terminou de passar e olhou para nós dois sorridente.
- Mais alguma coisa?
- Sim. – falou e sorriu maldosa. – Ele quer saber quanto você cobra a hora, sabe?
- !
A mulher olhou-a com medo e simplesmente deu um falso sorriso e saiu dali, indo na direção da saída para o estacionamento. Deixou-me sem graça com a caixa e com toda a compra para terminar de empacotar. Paguei a compra e empacotei o resto que faltava na velocidade da luz, para não ter que encarar mais a caixa que ainda parecia confusa com o acontecido.
Empurrei o carrinho cheio e pesado rapidamente em direção a saída para o estacionamento e quando cheguei ao mesmo, fui até a terceira fileira de carros, onde o meu carro se encontrava e uma fingindo olhar as unhas estava encostada nele.
- Anda logo, por favor. – Ela disse seca ainda fitando as unhas. – Não tenho o dia inteiro.
- Você podia ajudar, não?
- Mas não vou.
Depois que eu apertei o alarme do carro e abri o porta-malas, ela entrou pelo lado do passageiro e ligou o rádio bem alto, enquanto eu fazia todo o trabalho. Terminei e entrei no carro ligando-o e abaixando o volume do rádio. Ela aumentou de novo. Eu abaixei, ela aumentou, eu abaixei, ela aumentou, eu abaixei... E voltamos ao jardim de infância pessoal!

-

's POV

Adentrei a casa ainda ouvindo os pedidos de para ajudá-lo com as compras e fui até a sala. e James estavam em uma disputa no videogame. , Dave e Steve suplicavam para passar o controle, pois o mesmo já havia perdido milhares de vezes e sempre pedia revanche. Meu irmão, e estavam entretidos em alguma conversa muito interessante para eles porque só notaram minha presença quando sentei perto deles. Então os três me olharam espantados e pararam de falar instantaneamente. Arqueei as sobrancelhas para os três.
- O que tem eu? – Indaguei, cruzando meus braços. arregalou os olhos. Ponto para mim, sabia no fundo que qualquer que seja o assunto que eles estavam tratando um minuto atrás, tinha eu ali no meio.
- O que tem você o que ? Bebeu é? – falou tentando me convencer. Ela até conseguiria, mas se entregou com os olhos arregalados e meu irmão tentava olhar para todo canto da sala menos para mim. Ah, saquei a conversa já.
- Alguém pode ajudar com as compras, por favor? – entrou berrando todo estressado. Ele olha para o decote das pessoas e fica avaliando mulher como mercadoria e depois fica ai bravinho. Por favor né.
- Ui a bicha tá estressada. – Dave levantou para ajudar. E o resto continuou a fazer o que estava fazendo antes.
- , você pode até tentar convencer a mim, mas é a última pessoa que consegue me convencer de alguma mentira nesse mundo. Olha para mim, . – Exclamei e meu irmão me olhou sem graça e depois encarou o olhar furioso de dando de ombros como se dissesse “Tentei”. Olhei para . – Você também .
- Vocês dois também viu. – reclamou.
- Então irmãzinha maravilhosa, mais legal e perfeita desse mundo...
- essa é uma péssima maneira de começar uma conversa que vai terminar com você dizendo que pegou a . – Falei e os dois ficaram me olhando espantados e sem ter o que falar. – Eu vi e da próxima vez que alguém esconder algo de mim, eu não vou levar numa boa não.
- Você não vai castrar o ? – se meteu na conversa.
- Não vou dizer que não pensei nisso, mas o que eu realmente posso fazer?
E era verdade. Surtar de novo sobre isso não mudaria o fato de que eles estavam se pegando na festa. Tentar não ligar seria o ideal. Talvez surtar mais sobre isso seria pura hipocrisia da minha parte, já que peguei o amigo do meu irmão mais de uma vez, então...
- está de TPM pessoal. – Dave voltou rindo e massageando o braço esquerdo. – Acabou de jogar um pote de sorvete em mim.
- Aposto quinze libras que e voltaram a brigar, por isso ele está irritadinho. – James falou sem tirar os olhos da tela da TV. – E aposto mais dez que vou ganhar do pela décima vez.
- Mas os dois estavam só amores nos últimos tempos... – Steve provocou. – O que aconteceu, ?
- Agora eu tenho que saber tudo sobre o ? – Reclamei e o mesmo voltou da cozinha aos resmungos.
- Fala ai o que você fez ... – falou risonho com um puto da vida que resmungava sem parar.
- Eu não fiz nada. – Dei de ombros e sorri maldosa. Ah, como eu amo provocar. – A mulher do caixa que não quis dar para ele.
- Como é ? – Dave indagou e começou a gargalhar alto, bem alto.
- O que ? – gritou furioso.
- Cara, eu já disse pra você não dar em cima dessas caixas de supermercado. É furada. – disse rindo.
- É mentira!
- Estamos entre amigos, não tem porquê mentir. – Falou a rainha da mentira. Eu.
- Quer parar? – Ele pediu.
- Estou apenas começando. – Disse séria.
- Não valeu James. – exclamou jogando o controle em cima do sofá. Ele perdera mais uma vez.
- Não quebra o controle não , você pagou caro por ele. – James riu. Todos agora mudaram a atenção para eles, menos o que ainda me encarava enquanto eu disfarçava olhando para um revoltado.
- Revanche. Agora.
- Chega , cansei de ganhar de você. – James falou convencido e estendeu o controle para o nada. – Quem serão os próximos?
- Eu. – Tomei o controle das mãos de James e sorri para os presentes. – E quem quer perder ai?
- Isso é o que nós vamos ver. – pegou o controle jogado no sofá.

Minhas duas melhores amigas olhavam para mim com os braços cruzados esperando uma explicação. Sinceramente não sei o que essas duas querem que eu fale. Eu e ficamos um bom tempo ganhando um do outro no videogame e trocando ofensas até eu partir para a violência e começar jogar controle e almofadas nele. Esqueci da minha dignidade eu sei, mas ele provocou. Então conseguiu me tirar da sala com a ajuda das meninas e agora elas estavam me encarando nesses longos e torturantes minutos.
- Vai começar a falar ou vou ter que colocar em prática meus métodos de tortura? – falou séria e eu no fundo fiquei com medo. Vamos concordar, ela era a minha amiga, não duvidava de nada.
- O que vocês querem que eu fale? Não tenho nada para falar. – Tentei me defender em vão, já que as duas apenas levantaram as sobrancelhas simultaneamente.
- Pare de mentir para si mesma amiga. – pediu e eu bufei. Ela sorriu e me lançou aquele olhar de incentivo e então eu simplesmente falei tudo.
Contei para elas desde o começo, mesmo elas sabendo. Sobre meu interesse pelo depois desses dois anos sem vê-lo, sobre o acampamento, sobre as brigas, sobre minhas tentativas falhas de ignorá-lo, sobre a festa... Então depois eu resolvi dar uma chance a ele e comecei a ser amigável para ver no que nós dois iriamos resultar. Até hoje quando ele estava comparando meu decote com o da caixa com a maior normalidade e mesmo aquilo sendo brincadeira segundo ele eu me dei conta do que estava acontecendo ali. Eu não podia me envolver com o , nós morávamos na mesma casa, ele era melhor amigo do meu irmão e eu não queria ser só mais uma na listinha dele. Eu não seria essa pessoa, eu não conseguiria ser.
Eu só estive em um relacionamento nessa minha jovem vida e ele era unicamente baseado em química sexual, eu nunca senti nem uma faísca de paixão por Jensen, porque isso simplesmente não existia no meu mundo. E se envolver com não seria o ideal pois não acabaria bem para um de nós ou para os dois. Eu não acreditava no amor ou piorou na paixão, então é claro que o que eu sentia por ele era só atração e quando acabasse não seria legal encará-lo ao acordar ou que meu irmão não aprovasse algo entre nós. Eu e não daria certo, não valia a pena tentar.
- Você realmente acha que é só atração? – disse logo depois que eu terminei de falar. – Sai dessa , você está gostando dele.
- , nossa garotinha está se apaixonando. – falou com os olhos cheios de lágrimas. Não sério, o que ela fumou?
- Parem com isso vocês duas.
- A está certa e pare com isso você.
- Sonhei tanto com esse dia amiga. Tanto! – levantou, veio até mim e me abraçou, quase me esmagando. Eu vou bater nela, sério mesmo.
E então mesmo eu negando até a morte, elas começaram a discursar pela milésima vez as maravilhas do amor, de estar apaixonada e tudo mais enquanto eu só pensava em bater a cabeça das duas uma na outra para que elas parassem de idealizar essa coisa ridícula de amor. Então elas perguntaram para mim, se eu já tinha sentido uma coisa estranha no estômago, como se estivesse borboletas ou uma festa nele. E eu respondi que já sentira uma coisa estranha na barriga e que sentia todos os dias, então elas vibraram de alegria até fazerem caras de assassinas quando eu completei dizendo que sentia uma coisa estranha na barriga todos os dias porque era uma necessidade fisiológica chamada fome, não amor, nem borboletas. Era apenas fome.


CONTINUA...




n/a: Falem bem ou falem mal, mas comentem ai, bjs.
@_heyanne
XX



Nota da Beta: Erros? Envie diretamente para mim pelo email awfulhurricano@gmail.com ou através de um tweet para @AbbyCJ (lembrando que eu NÃO sou a autora da fic). Não use a caixinha de comentários, por favor. xx Abby

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