Burn, witch, burn!


Por Julie Barros
Betada por Janaina

. . Sou de Dallas e virei caçadora há 8 anos.
- Conta aí, por que decidiu virar caçadora,? – Dean perguntou enquanto dirigia para a lanchonete mais próxima.
- Por culpa, vingança, redenção... um pouco de cada talvez. – Dean deu a entender que queria saber mais alguma coisa e eu logo tratei e mudar de assunto. – A quantas anda a investigação? Descobriram alguma coisa? - Nada novo. – Sam respondeu – Depois do café nós iremos até o necrotério pra ver de perto as tais marcas deixadas no corpo de Jimmy.
- Não vou ter nem um tempinho pra digestão antes de fuçar os cadáveres? – Dean perguntava divertido. – Ê vida dura!

* * *

- Quem são vocês mesmo? – A recepcionista ou sei lá que nome se dá, do necrotério estava nos perguntando.
- FBI. Agente Richards, Agente Cash e Agente Johnsson. – Sam falava enquanto nós três mostrávamos as carteiras falsas.
- Viemos investigar o caso das mortes na área. – Eu disse.
- Queremos dar uma olhada nos corpos se for possível – Dean falava e jogava charme pra pobre mulher.

Ela nos conduziu até a sala que guardava os corpos, nós pedimos que ela se retirasse e ela gentilmente obedeceu. Se Dean pedisse pra ela pular de um prédio aposto que ela o faria de bom grado.
- Stacy estava certa, tem mesmo iniciais aqui. – Dean dizia enquanto examinava o pulso esquerdo do corpo de Jimmy.
- O que é isso? – Sam posicionou uma lente de aumento no pulso do cadáver.
– JJT muß sterben?
- Que língua é essa? – Dean perguntava confuso.
- Alemão... – Eu respondi.
- Legal, estamos lidando com um espírito alemão.
- Não sabemos ainda. – Sam falou.
- É verdade... – concordei com Sam – Se fala alemão em outros países além da Alemanha, Dean.
- Certo, algum dos dois espertinhos sabe o que essa frase significa?
- JJT tem que morrer. – Eu e Sam respondemos juntos.
- Desde quando você fala alemão, Sammy? – Dean perguntou chocado.
- Fiz curso básico de alemão, espanhol e francês, Dean... – Ele disse como se aquilo fosse a coisa mais comum no universo.
- E desde quando você fala alemão, ?
- Desde que eu sou mais inteligente que você, Dean – Sorri pra ele que fez uma careta em retorno.

* * *

- Vejam isso – entreguei fotos das outras vítimas pros rapazes – a mesma marca no pulso esquerdo.
- Eu ainda quero saber o que aquele gato maldito tem a ver com a história. – Dean falava de um modo engraçado.
- Descobri outra coisa em comum com as vítimas. – Sam dizia como se estivesse orgulhoso de si mesmo.
- Então...? – Eu o encorajei a continuar.
- Todos os assassinados foram na feira das bruxas!
- Bruxas não, eu odeio bruxas! – Dean falava.
- Não são bruxas de verdade, Dean. – Eu dizia – É como se fosse uma exposição feita pra contar a história daquelas pobres mulheres que foram condenadas à morte porque algum filho da mãe disse que elas eram bruxas.
- Acho melhor nós darmos uma olhada no local. – Sam colocou a mochila nas costas e foi em direção a porta. – Vocês não vem?
- Bruxas, cara... – Dean dizia com uma evidente falta de vontade.
- Você fica aqui pesquisando sobre o gato preto e eu vou com o Sammy na feira. – Dean olhou pra mim, olhou pro Sam e em seguida olhou pra mim de novo com uma cara estranha. – O que foi?
- Não sei... aconteceu alguma coisa, Sammy? – Dean fez questão de enfatizar o “Sammy”.
- Não, por que? – Dean mais uma vez fez uma cara engraçada, de incredulidade talvez, que depois mudou pra um sorrisinho que eu podia jurar ter uma conotação um tanto quanto sacana.
- Nada não. Se divirtam lá com as verruguentas arrancadoras de cabeças de coelho enquanto eu vejo qual é a do Felix aqui.

Cap.4

- E aí, quem é a base de vocês? – Perguntei ao Sam enquanto caminhávamos rumo à feira das Bruxas.
- Perdão? – Ele estava mais entretido com a pedrinha que estava chutando.
- A base de vocês, quando vocês não sabem exatamente o que fazer, pra quem pedem ajuda? – Expliquei melhor o que eu quis dizer e ele pareceu entender.
- Nós usamos o diário do nosso pai, fala sobre um pouco de tudo.- Ele sorriu – E quando não achamos o que precisamos lá nós falamos com o Bobby.
- Bobby Singer? – Perguntei.
- É... você o conhece? – Ele estava surpreso.
- Sim, eu o conheci no Harvelle’s há alguns anos. Ele provavelmente nem lembra de mim agora... – Sorri de leve.
- Você conhece a Ellen então. – Eu afirmei com a cabeça.
- Ela é minha base. Ela passou a ser minha base quando eu comecei a caçar com a Jo.
- Você caçava com a Jo? – Era engraçado ver a cara de surpreso que o Sam fazia. Parecia uma criança entretida com o brinquedo novo.
- Longa história.
- Ah, você não quer falar sobre isso, certo? – Sam definitivamente devia seguir a carreira de psicólogo se não fosse caçador.
- Não, é que a história é mesmo longa e nós acabamos de chegar na feira. – Nós sorrimos abertamente.
- Você é uma figura... – ele me disse e em seguida nós entramos na tal feira das Bruxas.

* * *

O local era meio sinistro; tinha umas estátuas de bruxas, caracterizadas como aquelas de desenhos, roupa roxa, verruga no nariz, vassoura velha e tudo mais. Também havia uma exposição com objetos vindos da Europa, da época de caça às bruxas.
- Que medo. – Eu disse ao passar por uma réplica de um coelho decapitado.
- Queria que o Dean estivesse aqui. – Sam disse e gargalhou em seguida. Eu fiz o mesmo.
- Ele ia adorar, com certeza.
- Venham por aqui, por favor. – A guia do local conduzia um grupo de visitantes. Eu e Sam decidimos ir junto com o grupo.
- Aqui temos uma réplica do Malleus Maleficarum, que era uma espécie de manual feito para que os juízes soubessem identificar as bruxas, conhecessem seus malefícios e qual seria o melhor tipo de punição para elas. É um documento datado de 1487. – Eu prestava atenção em cada palavra dita pela guia.
- Vamos a mais uma história interessante. – Ela dizia apontando pra umas caixas de vidro. – Essa parte da exposição é dedicada à história de Anna Göldi, uma mulher da Suíça, considerada a última bruxa a ser executada na Europa. Anna trabalhou por um tempo na casa do médico Johann Jakob Tschudi, dizem que os dois tiveram um caso. E dizem também que o Johann estuprara a pobre Anna. Como naquela época adúlteros confessos não tinham a permissão de assumir cargos políticos, o Dr. Tschudi teria provavelmente resolvido se livrar de Anna e iniciado o processo de bruxaria que viria a terminar com a execução da Senhora Göldi. – Sam e eu trocamos olhares. Era óbvio que os assassinatos tinham ligação com a história de Anna e do tal doutor!
- Que tipo de bruxaria ela fez? – Eu perguntei.
- De acordo com as alegações, Anna teria enfeitiçado o leite das filhas de Johann, membros da família testemunharam que uma das filhas teria repetidamente cuspido agulhas. – A guia prontamente me respondeu. – Agulhas essas que nós fizemos questão de trazer da Suíça. Vocês não imaginam o trabalho que isso nos deu. – Ela disse e soltou uma risadinha engraçada.
- E onde as agulhas estão? – Sam perguntou.
- São essas aqui. – A guia apontou pra uma pequena caixa de vidro, com um potinho dentro. Havia umas 3 ou 4 agulhas no pote.
- Como ela morreu, moça? – Um garoto perguntou para a guia.
- Nossa Anna foi morta por um golpe de espada.- Ela disse e apontou para a arma que estava exposta num suporte em uma das paredes.
- É verdadeira? – Sam perguntou se referindo à espada.
- Não, é uma réplica. Apenas as agulhas são originais.
- Bingo! – Eu disse baixinho e nós sorrimos.

* * *

- Dean? Deaaaan? – Sam entrou no quarto gritando pelo irmão.
- O que foi? – Dean apareceu com metade de um cheeseburguer na boca.
- Desvendamos o caso! – Sam dizia empolgado.
- Tem a ver com uma bruxa – eu comecei a falar mas fui interrompida.
- Argh, odeio bruxas! – Dean falou e deu outra mordida no cheeseburguer.
- Erm... então, como eu ia dizendo, tem a ver com uma bruxa, ou uma mulher acusada de ser uma.
- É. – Dessa vez eu fui interrompida por Sam – Ela foi estuprada pelo médico dono da casa onde ela trabalhava.
- Daí vem a ligação entre as vítimas... eram todos uns filhos da mãe! – Dean disse com raiva.
- Dizem que ela enfeitiçou o leite das filhas do tal médico, fazendo com que uma delas cuspisse agulhas. – Sam continuou e Dean fazia uma cara de nojo.
- Agulhas essas que estão na exposição, e são as verdadeiras, vindas diretamente da Suíça! – Enfatizei bem a última palavra. Coisa que Dean definitivamente não entendeu a razão.
- Suíça, hein... – Ele dizia como se estivesse esperando uma explicação. Sam olhou pro irmão e riu.
- Se lembra da conversa de que outros países utilizam o alemão como língua além da Alemanha? – Dean afirmou. – bem, a Suíça é um desses países.
- Tudo faz sentido! JJK muß sterben, Johann Jakob Tschudi tem que morrer! – Falei agradecendo mentalmente à mim mesma por ter gastado dinheiro em aulas de alemão.
- Alguma sorte com o gato preto? – Sam perguntou a Dean.
- Era pra ser engraçado? – Dean falou - bela escolha de palavras, Sam.
- O que você conseguiu, Dean? – Foi a minha vez de perguntar.
- Gatos pretos e bruxas tem ligações. Se acreditava que as bruxas podiam se transfigurar e por vezes se transformavam em gatos pretos. Por isso é dito que se ganha azar quando um gato preto cruza o seu caminho. – No final de tudo, Dean sorriu como se tivesse feito a descoberta do século.
- É isso aí rapazes, resolvemos o mistério! – Eu disse feliz.
- Uau, me senti o Fred em Scooby-Doo. – Dean falava – Você lembra um pouco o Salsicha, sabia Sammy? – Sam jogou um olhar de desprezo monstruoso a Dean que parecia se divertir horrores.
- Ah – Dean continuou - Já sabem da novidade? Parece que mais um filho da mãe viu o tal gato preto.
- E quem foi dessa vez? – Perguntei.
- George Willis, o melhor amigo do nosso querido Jimmy. Parece que George também estava envolvido no esquema. Era dele a câmera que o Jimmy usava pros vídeos. E George sabia muito bem de tudo.
- É nessas horas que eu questiono se realmente vale a pena tentar salvar todo mundo. – Eu disse num momento de desabafo. – Dean, você conseguiu a câmera do George?
- Sim, está em cima do criado-mudo e ainda tem uns vídeos na memória...
- Ótimo. Esse filho da mãe vai ter o que merece.


Cap. 5

(3ª pessoa POV)


- E o plano é? – Dean perguntava.
- Vocês dois dão um jeito de derreter as agulhas enquanto eu vou dar uma lição no George. – dava a dianteira.
- Você... não vai fazer nenhuma besteira, certo, ? – Sam perguntava preocupado.
- Fica frio, Sam, o máximo que eu posso fazer é quebrar alguns dentes dele ou o presentear com algumas luxações, nada além disso, eu prometo. – sorriu.
- Era pra você supostamente manter a vítima a salvo, mas seu plano é bem mais interessante. – Dean encorajava .
- Certo, é melhor voltarmos à feira de noite, quando não tiver mais ninguém por lá. – Sam dizia.
- O imbecil do George corre perigo nesse exato momento? – perguntava a Dean.
- Na verdade não, as vítimas morriam 3 dias depois de terem visto o bichano. O gato preto cruzou o caminho do George ontem.
- O que fazemos pra passar o tempo? – Sam perguntou e Dean logo ficou animado.
- Já providenciei tudo, maninho! – Dean foi até a caixa térmica que estava em cima da cama e voltou com 3 garrafas de cerveja; ligou o rádio e começou a balançar a cabeça no ritmo da música.
- Vocês são engraçados, sabiam? – comentou rindo.
- Normalmente dizem que somos adoráveis, mas engraçados pode ser considerado como um bom adjetivo. – Dean respondeu.
- Então, o que vai ser? Baralho, televisão, conversa...? – Sam dava as opções, na realidade estava sondando , queria saber mais sobre a caçadora, assim como o seu irmão.
- O que querem saber? – perguntou se sentando numa das camas.
- Direta você, não? – Dean disse depois de tomar um gole de cerveja.
- Como você conheceu a Ellen? – Sam começou com as perguntas.
- Você conhece a Ellen? – Dean estava surpreso.
- Sim, conheço. – respondeu. – Ela me dá apoio quando eu preciso, assim como o Bobby faz com vocês.
- Você conhece o Bobby? – Dean perguntou com uma expressão engraçada no rosto.
- Conheço. – sorriu – Encontrei com ele umas duas vezes no Harvelle’s. Por favor, parem de me interromper – a garota disse assim que viu Dean abrir a boca. – Eu fiz algumas caçadas com a filha da Ellen, Jo Harvelle, vocês devem conhecê-la. Eu geralmente caçava sozinha, mas teve um dia que eu pensei estar lidando com um só demônio quando na verdade eram dois... Jo chegou na hora que o segundo desgraçado estava prestes a me atacar e o interceptou, eu estava quase finalizando o exorcismo do primeiro demônio... se não fosse por ela eu provavelmente não estaria conversando com vocês nesse momento.
- Jo é uma teimosa, mas eu tenho certeza que ela vai se tornar uma grande caçadora. – Dean disse com convicção.
- Passei um tempo com a Ellen, ela me ensinou muita coisa, foi praticamente uma mãe pra mim, e a Jo era como a irmã que eu nunca tive. Pude finalmente sentir como era ter uma família de novo... – respirou fundo e em seguida balançou a cabeça afastando alguns pensamentos que a machucavam. – Eu ajudava no bar de vez em quando, foi aí que eu conheci o Bobby. Acho que lembro dele e da Ellen falando sobre o pai de vocês, eles tinham uma certa admiração na voz.

Os rapazes se olharam e sorriram. Dean tinha o pai como maior ídolo, e Sam, apesar de ir de frente com John Winchester por algumas vezes, também amava muito o seu pai.
- Foram bons tempos...
- E por que você saiu de lá? – Dean perguntava.
- Nenhum motivo especial, eu as vezes ia caçar em lugares diferentes dos que a Jo precisava ir, mas nós ainda mantemos contato, somos amigas. Como eu havia dito antes, as únicas pessoas que eu mantenho vínculos afetivos são caçadores.
- Qualquer tipo de vínculo afetivo? – Dean mantinha um sorriso no rosto.
- Não quero ter que me sentir culpada pela morte de todas as pessoas ao meu redor, Dean, se elas souberem se defender vai ser bem melhor.
-Isso é um sim?
- Chega, Dean, já foram revelações demais pra uma tarde só.- Sam interrompeu o irmão e lhe sorriu em agradecimento.
- Vou procurar George Willis e mostrar com quantos paus se faz uma canoa. – disse se levantando da cama. – Boa sorte com o espírito da Anna.
- Vamos precisar, sabe como é... – Dean fazia uma cara de nojo.
- É, sabemos o quanto você detesta bruxas.
- Menos A Feiticeira, ela era legal e gostosa, só não tanto quanto a Jeannie.
- Você me assusta, Dean. – sorria.
(3ª pessoa POV - Off)

Dean Winchester era uma figura, isso eu tinha que admitir. Tinha que admitir também que sentia um pouco de inveja do relacionamento dele com o Sam. Apesar de tudo o que eles passaram, continuam sendo uma família, mesmo um sendo a única coisa que o outro de fato tem. Eu me sinto bem na companhia dos dois, e sinto dentro de mim que quero estender esse sentimento o máximo que eu puder, logo eu que sempre fiz de tudo pra manter as pessoas afastadas, mas sei que essa é uma batalha perdida, uma hora ou outra alguém vai entrar no meu coração e eu não posso fazer nada além de não resistir.
- Tudo bem? – Sam me perguntou com aquele jeitão de psicanalista que ele tem.
- Sim, claro, por que não estaria? – Dei um sorrisinho murcho.
- Dean sabe ser inconveniente, desculpe por isso, ele quer saber demais sobre você e acho que você não ta pronta pro interrogatório. – Não foi uma pergunta, ele afirmou e está certíssimo.
- Você lê pensamentos? – Perguntei fingindo surpresa.
- Na verdade não. Eu só tenho visões bizarras e movo objetos com o poder da mente. – Sam respondeu como se todo e qualquer ser humano da Terra pudesse fazer o que ele faz.
- Um dia eu te conto tudo. – Eu disse baixo e ele sorriu.
- Quando você quiser... pode esperar o tempo que for preciso. Nós gostamos de você, sabia? Não vamos te deixar ir embora assim tão fácil.
- Ah é? E se eu quiser ir embora? – Perguntei em tom de brincadeira.
- Já disse, eu não vou deixar. – Assim que ele terminou a frase eu o abracei. Não sei o que me deu, só agi por impulso.
- Obrigada por isso, Sam. Você e o Dean estão sendo incríveis comigo, isso me faz sentir tão bem,você nem imagina.
- Talvez eu imagine. – Droga, esse jeito compreensivo do Sam me desarmava de uma maneira inacreditável. E eu só conheço o cara há poucos dias.
- Droga, Sammy, por que você tem que ser desse jeito? – Eu perguntei e sorri.

Eu comecei abaixar o zíper do meu casaco devagar enquanto ele não entendia nada do que eu estava fazendo. Eu tirei o casaco e o joguei na cama; voltei a olhar fundo nos olhos de Sam e comecei a desabotoar os 3 primeiros botões da minha camisa. A cara dele estava hilária. Puxei metade da minha blusa pra baixo junto com a alça do sutiã.
- O que... o que você... – ele tentava falar mas ainda estava meio atônito. Puxei um pouco mais a camiseta e ele logo entendeu o que eu queria.
- Vê? – mostrei a tatuagem que eu tinha um pouco abaixo do ombro. Era a mesma figura que normalmente se usa em amuletos anti-possessão. – Tem a ver com isso...
- Entendo... – ele puxou a gola da camisa pra baixo e mostrou que também tinha uma tatuagem daquelas.
- Bom... o que aconteceu foi que eu perdi meus pais cedo, tinha 15 anos... – parei pra respirar fundo – meu pai era caçador mas eu não sabia. Meus pais tentaram me proteger desse mundo de qualquer maneira, mas mesmo assim eu era obrigada a fazer aulas de artes marciais, tiro ao alvo e todo o resto. – Eu sorri me lembrando daqueles tempos.- Um belo dia...
- Tá na hora, Sammy! – Dean entrou no quarto interrompendo minha conversa com Sam. – Não tô atrapalhando nada não, tô? – Ele perguntou depois de ver meu casaco jogado e minha camisa aberta quase pela metade.
- Não está, Sr.mente poluída! – Sam respondeu e logo se levantou da cama.
- Essa é a minha deixa. – eu disse – Vou dar uma lição naquele babaca filho da mãe!

Cap 6


- Aposto que é aquele ali... – Eu disse observando os alunos do colegial saindo da escola do bairro. George Willis estava a poucos metros de mim. Era um cara até que bonito, alto, cabelos castanhos, olhos pretos, com certeza teria a milhões de meninas loucas por ele, mas não, ele é burro o suficiente pra ajudar o amigo a ferrar com a vida de uma garota e ainda parece gostar de ter feito isso.
- E aí, gatinha? – Ele disse ao passar por mim e eu o olhei com desprezo; olhar esse que durou poucos segundos, eu tinha que levar o panaca-mor-próxima-vítima-em-potencial-de-um-fantasma-assassino junto comigo.
- Tudo ótimo, gatinho. – Tentei ser convincente ao mentir de modo tão descarado. George sequer percebeu. É, eu estou DEFINITIVAMENTE lidando com um imbecil.
- Ta a fim de dar uma volta? – Ele tava mesmo pensando que exercia algum efeito sobre mim além de desprezo?
- Claro. Na minha casa ou na sua? – Dei o meu melhor sorriso e o babaca adorou a minha atitude. Mal sabe o que lhe espera...
- Você não é daqui, é? – Ele me perguntou enquanto nós íamos em direção a casa dele.
- Seus pais tão em casa? – Perguntei depois de alguns instantes em silêncio.
- Claro que não! – Ele sorriu – Eles estão viajando... a casa é só nossa, gata! – Ele tentou se aproximar de mim pra dizer a ultima frase. Eu me segurei o quanto pude pra não arrebentar a cara dele ali mesmo.
- Ta a fim de brincar? – Eu dei um sorriso malicioso. Nós entramos no quarto dele e eu logo tratei de trancar a porta. Ele ficou bem animado.
- Vem logo, vem – Ele disse dando tapinhas na cama. Pobre coitado.
- Na, na, querido. Ainda não. – Eu tirei o meu casaco bem devagar, percebendo o olhar de cobiça do babaca sobre mim. Que nojo. – Senta na cadeira, senta... – George me obedeceu como um cachorrinho.
- Fica mais perto, gata...
- Claro... – fui aproximando devagar, eu já podia sentir a respiração descompassada dele contra o meu rosto... foi quando eu o presenteei com uma cabeçada – Babaca!
Enquanto George estava desacordado, eu peguei uma corda que estava dentro da minha mochila e o amarrei na cadeira. Dei uma boa vasculhada no quarto, pra tentar encontrar algum material que o incriminasse, e acabei achando. Ele tinha guardado os vídeos sujos no computador, assim como Jimmy. Pra piorar a situação dele, eu trouxe de volta a câmera que Dean tinha roubado, com várias fotos e alguns vídeos na memória.
- O que você fez? – George me perguntava ainda meio grogue.
- Só te deixei apagado por alguns minutos. Diz aí, foi bom pra você? – Sorri sarcástica.
- Sua vadia!
- Se fosse você, eu definitivamente não me provocaria, afinal de contas, se acontecer um combate corpo a corpo entre nós você sabe bem quem é que vai vencer a parada e quem vai ficar com a cara no chão.
- Quem você pensa que é pra fazer isso comigo? Me solta agora!! – Uuuuuh, parece que o Sr. Willis está irritadinho hoje...
- E quem é você pra abusar de uma garota? E quem é você pra ajudar seu amigo a cometer a mesma atrocidade? – O babaca ficou branco quando eu o acusei.
- Eu... eu não sei do que você está falando.... – Ele gaguejou. Um sinal claro de nervosismo.
- Ah, George, você sabe sim... Ou vai querer que eu refresque sua memória? Temos tempo pra uma olhadinha nos seus arquivos de computador? – Ele estava morrendo de medo. E era bom temer mesmo.
- Quando eu sair daqui, você vai ver só, desgraçada!
- Isso se eu te deixar sair. Sinceramente, eu podia ir embora e deixar a Anna acabar com você... – Ponderei a situação.
- O que? Do que você ta falando?
- Você provavelmente não vai acreditar no que eu vou dizer; eu mesma não ligo a mínima se você não acreditar, mas eu vou dizer a verdade: seu amigo Jimmy foi morto por um fantasma. - George me olhava incrédulo e em seguida começou a rir.
- Você é louca!
- Isso, garotão, vai rindo... quero ver se esse sorriso ainda vai estar aí quando você sentir sua pele rasgando; quando sentir a dor excruciante e quando o ceifeiro vier te buscar – Eu sorri cínica.
- Do que você ta falando, sua estranha?!
- Lembra da Feira que você e seu amigo visitaram? Pois bem, vocês foram presenteados com uma alma penada de uma antiga bruxa.
- Bruxas não existem.
- Aaah, existem... e espíritos também... como o espírito de Anna Göldi, que agora o persegue por você ter feito parte do estupro de uma garota.
- Isso só pode ser brincadeira! – George dizia furioso.
- Um gato preto cruzou seu caminho, não foi? – Perguntei com um tom de desprezo na voz.
- Foi... – ele respondeu.
- Aquele era o espírito de Anna atrás de você, garoto. Você ta bem encrencado.
- Eu, eu não fiz por querer, ta legal? – Certo, ele acha que me engana.
- Não, claro que não, você é um amor de pessoa. – Aquela conversa já estava me irritando.
- O Jimmy me obrigou. – Ele tava chorando? Brincadeira né?
- Você devia ser homem pelo menos agora e assumir seus erros, mas não, continua agindo como um paspalho filho da mãe!
- Mas ele me obrigou!
- Eu juro por Deus que se você continuar com esse papinho eu vou te socar até a morte! - Esse é um daqueles momentos que eu penso se fiz a coisa certa me tornando caçadora. Esse cara merecia ser salvo?
- Eu perdi uma aposta... – ele começou a falar depois de um tempo em silêncio – eu tive que ajudar o Jimmy a conquistar a garota e...
- Ajudar a conquistar a garota? AJUDAR A CONQUISTAR A GAROTA? VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO!! – Paciência manda lembranças. Certo , respire fundo, esse idiota não merece que você tenha um ataque cardíaco por causa dele.
- O que, o que foi isso? – George perguntava assustado.
- Isso sou eu com raiva, garoto!
- Não... esse barulho... – é mesmo um som estranho... como se algo estivesse arranhando a janela de vidro.
- Ah droga! – Tinha um gato preto arranhando a janela. Parece que Anna não quer esperar 3 dias pra acabar com o babaca do George.
- O que é? O que está acontecendo? – Ele perguntou desesperado ao me ver tirar uma arma da mochila.
- Facilita o meu trabalho e fica de bico fechado. – Eu disse enquanto fazia um círculo de sal ao redor da cadeira em que ele estava sentado.
- Você é satanista? É isso não é? Droga, droga, droga! Você vai me matar e usar meu sangue pra...
- Eu disse pra calar a boca! – E dei-lhe um soco no rosto. Eu juro que tentei me segurar mas a carne é fraca.
- Schlecht Jakob, schlecht Jakob, schlecht Jakob. – Eu ouvi uma voz atrás de mim rosnar. Belo trabalho, ! Anna havia conseguido entrar antes que eu pudesse salgar a janela e a porta do quarto.
- Calma aí garota... – Eu falava apontando a arma de sal pra ela.
- Jakob muß sterben! – Ela gritou ao mesmo tempo que me empurrou pra longe. Filha da mãe!
- Sai de perto de mim! – Ouvi George implorar ao espírito.
- Você não vai matar ninguém no meu turno, docinho! – Eu disse e disparei um tiro de sal direto na cabeça de Anna e como é de praxe, ela sumiu.
- Meu Deus... MEU DEUS! – George estava visivelmente perturbado. E eu acho muito bem feito.
- Aquilo não era exatamente Deus se você quer saber. – Eu disse me levantando do chão.
- O que ela queria? O que ela estava falando? Eu, eu só posso estar ficando louco!
- 1: ela queria te matar; 2: ela estava falando “Jakob mal, Jakob mal” e “Jakob tem que morrer”. Mais alguma dúvida? – Perguntei irônica.
- Quem é Jakob, por que ela gritou isso pra mim? – Parece que alguém aqui não sabe o significado de pergunta retórica.
- Jakob é o nome do camarada que a estuprou e fez com que ela fosse morta e ela quer te matar porque, pra ela, todos os caras que fazem esse tipo de coisas com garotas são o Jakob. Sem mais perguntas por hoje, não sou Wikipédia nem Google, valeu.

Peguei o meu telefone e liguei pros Winchester, eu pensava que naquela altura do campeonato eles já tinham se livrado do espírito da Anna.
- Dean! – Eu gritei no telefone – O que vocês estão fazendo? Eu acabei de ganhar uma escoriação nas costas graças à Anna!
- Nós também! – Ele reclamou do outro lado da linha – Mal chegamos aqui e já fomos recepcionados calorosamente.
- As agulhas, vocês acharam?
- Estamos procurando, o Gasparzinho suíço ferrou com a eletricidade daqui, estamos no escuro e aparentemente, trancados! O que é, Sam? – Dean berrou pro irmão.
- Dean? Hei! Alô? – ótimo.
- ? , é o Sam!
- O que aconteceu? – Perguntei preocupada.
- Eu não acho que a Anna era bruxa...
- Como assim ela não era bruxa?
- Ela repetia sem parar uma frase... Ich bin nicht schuldig. – Que bom que eu fiz aulas de alemão.
- “Não sou culpada?” – Era essa a frase que Anna repetia.
- Exato. Ela devia se referir ao feitiço no leite da filha do Johann.
- E o que a prende aqui além do ódio mortal que ela sente por caras que violentam mulheres? Só pode ser as agulhas Sam!
- As agulhas deviam ser dela, mas isso não significa que ela fez algum mal contra a menininha, .
- Você defende demais os seres míticos! – Eu pude ouvir uma risadinha dele ao fundo.
- Se ela fosse mesmo uma bruxa, nós já teríamos sido presenteados pelos saquinhos de feitiço ou coisa pior. – É, nisso ele tem razão.
- Você tem razão.
- Ela voltou! – Pude ouvir Dean gritar.
- Ah, os negócios chamam, tenho que ir! – E Sam desligou na minha cara.

(3ª pessoa POV)
- Ouch!
- O que foi, Dean? – Sam perguntou preocupado com o irmão.
- Nada não maninho, eu só tropecei em alguma coisa pela centésima vez hoje. – Dean reclamava – Esses fantasmas e essa mania filha da mãe de cortar a eletricidade.
- Ah, não!
- O que foi? – Sam apontou a pistola de sal grosso na direção do irmão e atirou. – Você tá maluco? QUAL É O SEU PROBLEMA?
- Anna estava atrás de você, Dean. – Sam respondia tranquilamente.
- Eu.o-d-e-i-o.bruxas!

No minuto seguinte o espírito de Anna ressurge ao lado de Sam e o prende contra a parede. Por alguns instantes a fantasma encarou o Winchester como se fizesse algum tipo de avaliação.
- Ich.bin.nicht.schuldig.
- Aah sua mutiladora de animaizinhos indefesos, você vai ver só! – Dean apontava a arma em direção à Anna.
- Espera, Dean! – Sam gritava.
- Ich bin nicht schuldig! Ich bin nicht schuldig! Ich bin nicht schuldig! - O espírito repetia sem parar.
- Ok, tempo esgotado! – Dean atirou no fantasma que sumiu no ar. Sam estava com um semblante assustado e ao mesmo tempo pensativo.
- Não foi ela, Dean. – Ele dizia.
- Não foi ela?
- Ela não jogou nenhum mojo na filha do Johann.
- Ah não? E como você sabe, espertinho?
- Ela disse que não era culpada.
- Você defende demais os seres míticos, Sammy... – Dean dizia enquanto recomeçava a procura às agulhas.
- Sério, Dean. Ela repetia a frase “Ich bin nicht schuldig” sem parar.
-Tá esperando o que pra traduzir? Eu não sou uma enciclopédia ambulante igual a você.
- “Eu não sou culpada”.
- E você acredita?- Dean perguntou desdenhando.
- Pensa bem, Dean. Todas as bruxas que nós já caçamos usavam saquinhos de feitiços ou coisas do tipo. Anna não tentou nada parecido com isso.
- Opa! – o celular de Dean começara a tocar - É a . – Dean comentou com o irmão assim que viu no visor do telefone quem estava ligando.
- Dean, o que vocês estão fazendo? – a garota berrou do outro lado da linha. - Eu acabei de ganhar uma escoriação nas costas graças à Anna!
- Nós também! Mal chegamos e já fomos recepcionados calorosamente.
- As agulhas, vocês acharam? – perguntava.
- Estamos procurando, o Gasparzinho suíço ferrou com a eletricidade daqui, estamos no escuro e aparentemente, trancados!
- Eu preciso falar com ela. – Sam dizia.
- O que é Sam? – Dean perguntava ao irmão.
- Me passa o telefone. – Sam puxou o aparelho das mãos de Dean. - ? , é o Sam!
- O que aconteceu?
- Eu não acho que a Anna era bruxa...
- Ótima hora pra um bate-papo... – Dean reclamava. – Legal...- ele recarregou sua arma com cartuchos de sal enquanto Sam compartilhava informações com .
- As agulhas deviam ser dela, mas isso não significa que ela fez algum mal contra a menininha, . – Sam continuava no celular.
- Qual é a graça? – Dean perguntou ao ver o irmão sorrir.
- Ela acha que eu defendo demais os seres míticos. – Sam respondeu, afastando o celular do rosto.
- A sabe das coisas, maninho. – Dean sorriu e deu tapinhas leves no ombro do irmão. – Sujou. Ela voltou! – Dean gritou ao ver o fantasma de Anna se aproximar.
- Ah, os negócios chamam, tenho que ir! – Sam desligou o telefone e rapidamente o guardou no bolso. – Dean, cuidado! – Ele gritou ao ver que Anna se aproximara muito rápido do irmão.
- Toma essa, Gasparzinho! – Dean chutou o fantasma pra longe. – Acha as agulhas,Sam! Rápido!

Sam vasculhou a mochila em busca de uma lanterna pra iluminar o caminho, enquanto isso, Dean continuava a manter Anna longe do irmão para que ela não o impedisse de destruir as agulhas.
- Dá pra ir depressa?? – Dean gritava enquanto atirava no fantasma que se movia rápido demais e dificultava o trabalho do caçador.
- Já achei!! – Sam gritou em resposta. Assim que localizou a caixa de vidro que continha o pote de agulhas, tratou de quebrá-la. Tirou da mochila uma lata de sal e um maçarico. Derramou o sal dentro do pote e em seguida queimou as agulhas com o maçarico. Olhava pra trás constantemente pra ter certeza que o irmão não enfrentava problemas tão graves. Dean por sua vez, deu um último tiro de sal para repelir Anna, antes que as agulhas começassem a derreter, fazendo o espírito sumir para sempre.
- Queima, bruxa, queima! – Dean gritava ao ver o espírito na sua frente entrar em combustão.
- Tudo bem? – Sam perguntou ao irmão.
- Vou ficar melhor quando sair daqui. – Dean respondeu dando uma olhada pelo local.
- Já sei... bruxas! – Sam disse sorrindo.


Cap 7

- Querida, cheguei! – Ouvi Dean falar divertido.
- Certo... você é o melhor! Ah cala a boca, eu não vou dizer isso... Ok, tudo bem, eu não vivo sem você, satisfeito? Pode deixar que eu mando. Até mais ver, cowboy! – E desliguei o telefone.
- Cowboy, é? – Dean estava claramente tirando uma com a minha cara.
- Pra você ver a que eu tenho que me submeter... – Sorri e percebi o olhar estranho de Sam. – Era o Ash no telefone... – me apressei em dizer.
- Você e o Ash, hein? – Dean ainda estava tirando uma com a minha cara.
- Eu pedi pra ele pesquisar sobre a Anna e ele descobriu que o corpo dela foi cremado. O que nos poupa de uma ida até a Suíça pra acabar com qualquer resto mortal dela.
- Ele descobriu alguma coisa sobre ela ser bruxa ou não? – Sam perguntou ainda com a cara meio amarrada.
- Não existiam muitos registros sobre ela, mas o que ele encontrou sobre Anna e sobre os Göldi não remete a nada demoníaco ou relativo à bruxaria. O pecado dela foi gostar de um imbecil.
- Por falar em imbecil – Dean jogou a mochila em cima da poltrona – O que aconteceu com o George?
- Bom... – eu dei um risinho – primeiro eu me diverti um pouquinho com ele – Sam e Dean me olharam abismados – o que no meu dicionário significa quebrar a cara de algum filho da mãe. Depois, eu o deixei amarrado na cadeira do quarto, fiz questão de deixar os arquivos sujos do computador dele abertos, e deixei a câmera ao alcance dos policiais que estavam prestes a chegar depois que receberam uma ligação anônima sobre um estupro na vizinhança. Fiquei sabendo que o George nem chiou... deve ter ficado com traumas da experiência sobrenatural que teve.
- Se ele não ficasse traumatizado por isso, tenha certeza de que eu o faria temer de outra forma. – Dean falou sério.
- Você sabe o que aconteceu com a garota? – Sam me perguntou.
- Ela ta passando por um tratamento psicológico e entrou pra um grupo de vítimas de estupro. Ela vai ficar bem, Melanie é durona.
- Só espero que ela não dê uma de Anna Göldi quando bater as botas. – Dean falou antes de morder um cheeseburguer. Cara, de onde ele tira tanta fome? Aliás, de onde ele tira tantos cheeseburguers?
- Sabe o que eu queria agora? – Dean perguntou.
- Nem imaginamos, Dean... – Sam respondeu.
- Uma cerveja gelada, uma gatinha, e ficar horas deitado curtindo uma praia... aaaahh, isso é que é vida! – Eu tive que sorrir dessa cena.
- Continua assim, Dean, sonhar é bom e é de graça... – Eu disse.
- Nem sempre é bom... – Sam deu um sorrisinho mirrado. – Sonhar... – Putz, que mancada !
- Ah, seus sonhos... erro meu, desculpa. – Sam se limitou a balançar a cabeça e manter o risinho no rosto.
- Sabe o que eu acho? – Dean começou – Que vocês dois deviam, sei lá, sair pra jantar, se conhecer melhor, daí nem um ia dar mancadas, nem o outro ia ficar com ciúmes do Ash! – Vou dar um tiro de sal na minha cara e já volto, só um instante.
- Dean! – Sam repreendeu o irmão. O que era o mais sensato a se fazer porque era óbvio que ele não queria nada comigo. Não que eu quisesse alguma coisa com ele.
- O que? – Dean fez a cara mais cínica do universo. – Ah, já sei. Vamos fazer isso da forma correta. Se você ganhar, você sai com a , se eu ganhar, nós vamos passar a noite jogando baralho. – Eu olhava tudo sem entender nada. Sam estava irritado e com vergonha ao mesmo tempo, coisa perceptível, as bochechas estavam coradas; Dean estava sorrindo, e eu estava com cara de idiota.
- Ok, tudo bem... – Sam disse se dando por vencido. Credo, é tão ruim assim sair comigo? Ah, considerando que todas as pessoas ao meu redor morrem ou são gravemente feridas, sim, é realmente uma droga sair comigo.

Os dois fecharam uma das mãos e bateram contra a outra três vezes. Minha surpresa só aumentou quando eu percebi que eles estavam jogando Jo-Ken-Pô.
- Mas que diabos? – Perguntei incrédula.
- Há, perdi! Pois é, Dean sempre com a tesoura! – Dean dizia animado. Ele é tão... doente! – Então, eu vou dar uma voltinha por aí, vejo vocês depois. Juízo, hein! – E saiu porta a fora.
- Olha, , desculpa por isso, o Dean tem uma maneira muito... peculiar de ver as coisas. – Sam se explicava.
- Tudo bem, eu não me importo. Eu sei que é uma droga sair comigo... – Eu ri da minha própria desgraça.
- Eu, não, não foi isso o que...
- Sem problemas, Sammy, já disse. Não precisa fazer nada que não queira. – Eu disse e me sentei na cama. E dois segundos depois ele ficou do meu lado.
- Eu não disse que não queria... – minha vez de ficar com vergonha.
- Droga, eu me sinto tão idiota! É só um jantar, certo? Nenhum de nós vai pedir o outro em casamento, não era pra ter esse drama todo.
- É só um jantar sim. – Ele sorriu.
- Eu acho que a gente podia começar agora invés de esperar anoitecer...
- Como?
- Conversar, sabe? Descobrir por que o outro é tão traumatizado e tudo mais. – Eu ri do que havia dito.
– Vamos lá, você começa. – Ele me encorajou.
- Certo... Por que vocês são caçadores? – Perguntei meio cabreira. Não sabia o que esperar.
- Nosso pai era um grande caçador e nós seguimos o mesmo caminho... Salvar pessoas, caçar coisas... o negócio da família.
- Vocês eram muito apegados a ele, não eram? – tirei meus sapatos e fiquei mais a vontade. Sam riu.
- Sim... mesmo eu achando que o pai era um tanto ausente... eu o amava demais, e nós éramos tudo o que o outro tinha... eu lembro das vezes em que eu começava alguma discussão com ele... – Ele respirou fundo e mudou a direção do olhar.
- Se sente arrependido... eu sei como é... mas, eu tento não me sentir culpada por isso, sabe... pais e filhos brigam, especialmente quando são dois teimosos e cada um pensa de um jeito.
- É verdade... e você, seu pai também é um caçador, certo?
- Era... não tão famoso quanto John Winchester mas aposto que era tão focado quanto... – me bateu um aperto no coração ao lembrar do meu pai... da minha mãe...
- Era? Ele... ah, me desculpa, eu sinto muito! – Sam combina tanto com essa voz de terapeuta, chega até a ser engraçado.
- Tudo bem, já faz bastante tempo – Eu sorri de leve pra mostrar que não tinha acontecido nada de mais. – Pois bem, eu acho que ele não queria essa vida pra mim, mas quando a coisa tá no sangue não se tem muito pra onde correr... - É verdade. Eu que o diga.
- Por que? O que aconteceu? – Não consigo imaginar o Sam longe de uma caçada, ele é tão bom no que faz.
- Eu fiquei cansado de me mudar tanto, de ser sempre o novato na escola, de não poder fazer amigos, de atirar em criaturas sobrenaturais quando eu tinha só 12 anos, esse tipo de coisa... Eu só queria ser... normal.
- O que você fez? – Eu parecia uma retardada, eu estava tão empolgada e curiosa pra saber mais sobre os Winchester, e o pior, eu queria que eles soubessem mais sobre mim também. O que talvez não fosse a mais brilhante das idéias.
- Fui pra faculdade. Direito. – Ele sorriu largamente.
- Uau! Eu acabei de te imaginar vestido num terno caríssimo, sentando numa poltrona de couro, num escritório grande, com quadros de pintores famosos na parede e com uma plaquinha de metal com o seu nome sobre a mesa. – E isso foi sério. Ele riu mais ainda.
- Bom, na verdade eu estava com uma entrevista marcada quando o Dean apareceu dizendo que o papai estava sumido por dias e que queria a minha ajuda pra encontrá-lo. Eu fui e deixei a Jess pra trás com uma interrogação no rosto. – Com uma interrogação no rosto estava eu.
- Jess?
- Minha namorada... na época. – Ele ficou pensativo.
- Não precisa continuar se não quiser. – E eu falava sério, apesar de uma parte de mim estar se corroendo pra saber mais.
- Eu fui na caçada com o Dean, não encontramos o nosso pai, mas encontramos o diário dele. E a mulher de branco também.
- Uma história clássica!
- Nem me lembre, ela tentou me matar e quase conseguiu...
- Ela matava só homens infiéis pelo que eu me lembre... – Sam, Sam, você com essa carinha de cachorro pidão... nem dá pra acreditar. Homens são todos iguais mesmo.
- Eu nunca fui infiel se você quer saber, ela tentou, bem, ela meio que... – Ele parecia envergonhado ao lembrar da história.
- Ela meio que...?
- Bom, ela disse que ia me fazer ser infiel e me... beijou. – Ele fez uma cara hilária ao dizer isso e eu não pude deixar de rir.
- Eeeeeww – fiz cara de nojo – mas e aí, ela pelo menos beijava bem? – Sorri cínica enquanto ele me olhava sério, para rir em seguida.
- Não tem graça!
- Então por que você está sorrindo? – Nós rimos e depois nos encaramos por um tempo. Parecia que um estava esperando o outro fazer o primeiro movimento. Uma parte de mim estava doida pra pular nele enquanto a outra estava gritando pra eu me afastar e não ser responsável pela morte de outra pessoa.

- Bom, e... o que houve depois? – Tentei quebrar o clima antes que alguma coisa acontecesse.
- Eu voltei pra casa... e a Jess, bem, a Jess tinha morrido. – Ah, que maravilha , mais uma mancada colossal, meus parabéns.
- Eu sinto muito. – Falei com sinceridade – Eu só dou mancada, que porcaria. Desculpa, eu não queria...
- Tudo bem, esse é o objetivo da conversa, não? Um conhecer melhor o outro.
- Eu provavelmente não deveria continuar nesse assunto mas... como ela...
- Um demônio. – Ele disse frio. – O mesmo que matou a minha mãe.
- A sua mãe também morreu por causa de um demônio?
- Foi isso o que motivou meu pai a caçar. Foi o estopim, por assim dizer... Os Winchester são o que são por isso. – Eu já estava chorando nessa altura do campeonato. Sam não estava entendendo nada.
- O que houve? Não chora, quer que eu traga água pra você, qualquer coisa?
- Não. – Eu disse limpando as lágrimas – É que eu lembrei da morte da minha mãe... – Ele me abraçou forte a passou a mão nos meus cabelos. Fiquei aconchegada por um tempo, ainda chorando. Depois disso ele resolveu me perguntar.
- Como foi que ela...?
- Eu a matei.

Cap 8.


Eu senti o abraço de Sam ficar rígido, ele foi se afastando de mim aos poucos e, apesar de eu manter o olhar baixo, eu sabia que ele me encarava esperando por respostas.
- Eu tinha 15 anos. Ainda não sabia da “verdadeira identidade” do meu pai – fiz aspas com os dedos – era mais um dia comum pra mim. Eu costumava usar um colar, eu ganhei dos meus pais no dia que eu nasci, mas nesse dia eu o havia tirado, eu nem lembro a razão pra ser sincera... – eu sentia as lágrimas voltando a brotar nos meus olhos; eu sentia o olhar duro de Sam sobre mim.
- Eu voltava do curso de francês quando de repente eu tive uma sensação horrível e vi uma fumaça negra...
- O colar... era um amuleto anti-possessão, não era? Você foi possuída? – Ele me perguntou chocado e eu afirmei com a cabeça.
- A coisa agia como eu, se passou por mim durante uma semana mais ou menos... – como doía relembrar de tudo aquilo... não que eu tivesse esquecido, aquelas cenas rondavam a minha mente com frequência, mas falar sobre elas, contá-las a alguém era bem mais doloroso.
- Eu acho que estou começando a entender... – Sam dizia com um olhar pesaroso.
- Todos os dias eu ficava de frente pro espelho e o demônio me contava o que planejava fazer. Dizia que ia matar a minha mãe, e me matar em seguida, na frente do meu pai, tudo por vingança pelo que ele tinha feito aos da raça dela. Até que um dia... até que um dia ela conseguiu cumprir parte do que planejou.
- Não era você, !
- Eu estava lá, Sam! Eu vi tudo, eu não pude fazer nada! O terror... o terror no rosto da minha mãe, enquanto ela assistia a própria filha a matar... eu vi a luz se apagar dos olhos dela, eu tirei a luz dos olhos dela! Fui eu!
- Foi o demônio, você tentou fazer o que pode, eu tenho certeza! – Ele tentava me confortar com palavras e com um abraço forte.
- Então eu ouvi umas palavras em latim, e o demônio reagiu, eu senti uma dor enorme, meio que esmagando minha cabeça, era com certeza ele tentando sair...
- Era seu pai? Fazendo o exorcismo?
- Era... quando as palavras começaram a ser ditas eu corri pra sala e avancei no meu pai, eu... eu o machuquei, não tanto a ponto de matá-lo, mas eu o feri... eu vi uma fumaça sair do meu corpo quando o meu pai jogou um líquido em mim...
- Água benta...
- Sim... eu me desequilibrei e graças a Deus cai numa armadilha do diabo, assim eu não machucaria mais o meu pai já que o demônio que me possuiu não era tão forte e nem tão inteligente a ponto de fazer truques de mente, como mover as coisas ao redor... ele me exorcizou e eu desmaiei. Quando eu acordei meu pai me explicou tudo, me contou sobre o que ele fazia, me disse milhões de vezes que eu não tinha matado a mamãe...
- E não foi você... – Sam repetia e repetia.
- Fui eu sim, e minha mãe sempre vai achar que eu a matei! – Eu chorava e chorava, sentia uma dor agonizante no peito. Eu provavelmente ia me sentir culpada pelo resto da vida.
- Ela sabe que não foi você, ela amava você, os dois amavam, tentaram te proteger de tudo...
- Eu sei, Sammy... eu sei... mas isso não me faz sentir menos culpada...
- Isso já aconteceu comigo também...ninguém sabe disso além do Dean, da Jo, do Bobby e agora, você...
- Eu pensei que você tinha a tatuagem só pra se prevenir... não que já tivesse, você sabe, passado pela experiência.
- Eu fiz coisas horríveis também... não eu, o demônio... mas mesmo assim...
- Não foi você... – eu disse e ri em seguida – Fica bem mais fácil dizer essa frase quando ela não se aplica a nós mesmos... – ele riu também.
- Vamos fazer um pacto, esquecer essa culpa, mandar ela pro inferno junto com os demônios que a trouxeram até nós.
- Você seria um ótimo psicólogo, é sério! – eu sorri.
- Sabe que eu já ouvi isso antes?
- Imagino que sim.
- Então... temos um pacto, certo?
- Ok, nós temos. – respondi depois de respirar fundo e pensar por alguns segundos.
- Só precisamos selar... – eu confesso que não entendi muito bem mas sinto que vou entender em breve.
- Como assim?
- Selar o pacto, ... – Oh, claro, cuspir e dar um aperto de mãos; pacto de sangue?Ah, qual é! Espera! Selar um pacto tipo SELANDO um pacto à moda antiga?
- Você quer dizer o que eu acho que... – não deu tempo de terminar a frase. E sim, ele quis dizer o que eu achava que ele queria dizer. Selar um pacto com um beijo. Confesso que essa foi a melhor cantada ou que quer que seja que alguém já usou comigo.
Eu não consigo raciocinar direito agora. Droga, droga, droga, eu não posso gostar do Sam, eu vou acabar com a vida dele! Era pra nós sermos só amigos, mas não, ele tinha que ter esse jeito de analista, bom ouvinte, essa cara de cachorrinho que caiu do caminhão da mudança e esse corpo que, meu Deus do céu! Eu não quero pensar. É, é isso, não quero pensar, não preciso pensar. Só quero ficar aqui, pra sempre, sentindo os lábios dele nos meus... as mãos percorrendo meu corpo... me sentir protegida, importante, me sentir uma garota normal.
- Dean acha que sabe alguma coisa sobre conquistar as mulheres, mas ele devia tomar umas aulas com você. – eu disse depois de partir o beijo e tive o prazer de ver Sammy ficando vermelho.
- Nós devíamos seguir a sugestão dele... o jantar, sabe...
- Claro! Pizza ou cheeseburguer de ontem? – eu sorri lembrando do que tinha no frigobar.
- Acho que hoje nós podemos desfrutar de uma boa comida chinesa, tudo por conta do Sr. Roberts aqui. – Ele disse mostrando um dos trinta mil cartões clonados que eles tinham.
- Tou dentro!

Resolvi tomar um belo banho antes de dar uma volta pela cidade com o Sam, tanto porque eu precisava de um relax depois de jorrar a história da minha vida pra alguém, quanto por eu ter chorado rios de lágrimas. Usei o tempo do banho pra pensar no que tinha acabado de acontecer. Eu sei que fiz besteira mas eu sinto que não foi errado. O problema é: eu sei que eu vou embora e sei que ele também vai. Nós vamos caçar e provavelmente cada um vai pra um extremo do país. Não tenho a mínima idéia de quando vamos nos ver de novo. Seria melhor pensar nisso depois ou começar a se martirizar agora? Certo, primeira opção.

* * *

- Pelo amor de Deus, o que vocês estão fazendo aqui? – Dean chegou na pousada reclamando. - O que vocês fizeram a tarde inteira? Ah, certo, por favor não me contem! – ele fez uma cara de aterrorizado totalmente hilária.
- Nós conversamos, como o senhor queria... – eu respondi.
- E depois passamos um bom tempo... – eu lancei um olhar mortal pro Sam, por Deus, eu não precisava que Dean Winchester ficasse no meu pé por toda a eternidade! – jogando cartas. – Sam finalizou.
- Você precisa aprender algumas coisinhas comigo, Sammy! – Dean mais uma vez nos presenteando com sua incrível modéstia. Sam e eu nos olhamos e rimos lembrando da conversa há tempos atrás.
- Pronta, ?
- Nasci pronta!
- Vão pra onde? – Dean nos perguntou interessado. Patife.
- Jantar, não era essa a proposta? – Sam respondeu pegando a chave do Impala da mão de Dean, que lançou um olhar de protesto contra a atitude do irmão.
- Tomem conta do meu baby, e por tudo que é mais sagrado, nada de momentos íntimos no meu carro! – Eu tive que rir dessa.
- Cala a boca, Dean! – Sam o repreendeu.
- Vai lá, Tigrão! – Dean berrou quando nós passamos pela porta.
- Ei, Dean! – Eu voltei pra deixar um recado – È você quem precisa aprender umas coisinhas com o Sam, te digo que são tiro e queda, querido. – dei uma piscadela e fui embora deixando um Dean com cara de bobo pra trás.

* * *

- Tem certeza, ? Dean me perguntava.
- Passei a ter depois que você fez essa pergunta pela décima sexta vez hoje.
- Nós podemos te deixar no seu destino. – Sam dizia.
- Ter que aturar o Dean por mais 3 dias numa viagem de carro? – eu sorri fraco.
- Se não quiser, tudo bem. – Sam dizia seco.
- Por favor, DR no meu carro não! – Dean fez uma das suas caras engraçadas e eu desci do carro sorrindo. Pedi pra que Sam me acompanhasse e ele foi.
- Você sabia que uma hora ou outra isso ia acontecer. – Comecei – Somos caçadores, é praticamente impossível que nós fiquemos juntos o tempo inteiro, tem muitas pessoas precisando de nós por aí.
- Eu sei, desculpa, eu não queria mesmo parecer chateado, eu não estou.
- Odeio despedidas.
- Eu vou ver de outro jeito. Nós vamos nos cruzar de novo por aí. – ele sorriu.
- Com certeza... Nós somos loucos, não somos?
- Somos. Mas a qual motivo você está se referindo?
- As pessoas que eu amo se machucam, as pessoas que você ama se machucam. Somos praticamente suicidas. – eu sorri de uma maneira debochada. Debochando de mim mesma talvez.
- O que nos deixa quites. Uma coisa anula a outra.
- Eu não tinha pensado por esse ângulo, confesso.
- Vou sentir sua falta... – ele disse me envolvendo num abraço gostoso.
- Eu também. Mais do que deveria. – Segurei o rosto dele entre as mãos e comecei um beijo calmo, queria aproveitar todo e qualquer segundo daquele momento. Sabe-se lá quando eu iria poder fazer isso de novo. Sabe-se lá se um dia eu farei isso de novo.
- Quebra a cara daquele fantasma com a Jo! – Ele disse me encorajando.
- Pode deixar... e você arranca fora as cabeças daqueles vampiros com o Dean. Cuida daquele idiota e continua fazendo ele pensar que só ele te salva. – nós rimos juntos.

* * *

- Fizemos as pazes? – Dean nos perguntou assim que voltamos ao carro.
- Cala a boca, Dean! - Agora foi a minha vez de falar.
- Tou vendo que sim! Então pombinhos, o que vamos ouvir?
- E aonde foi parar o “quem dirige escolhe a música e o co-piloto não reclama”? – Sam perguntou e eu não entendi. Devia ser uma coisa de irmãos.
- Temos visitas, Sammy, não a deixe pensar que somos selvagens criados por lobos! – Ele respondeu. – Já que ninguém se manifestou, eu escolho... essa música é legal! – Ele disse ao sintonizar numa rádio.
- Isso é... Lady Gaga? – perguntei incrédula.
- Desde quando você ouve Lady Gaga, Dean? – Sam perguntou com a mesma cara de pastel que eu fazia.
- Desde que ela é gostosa. É estranha, admito, mas continua sendo gostosa. – Ele disse com um risinho safado.
- Você sabe que ela é hermafrodita, não sabe? – Dean me olhou abismado.
- Você tá me zoando,não é? – Eu comecei a rir. Não agüentava as caras que Dean fazia.
- Só vou deixar na estação pra provar que eu não sou preconceituoso.
- Bobão.- Eu disse ainda sorrindo.
- Amo você também. – Ele disse – Certo compañeros, apertem os cintos porque lá vamos nós!

FIM [?]


N.A.: Acabou-se o que era doce, gentem! Mas não morram e nem me matem, logo logo eu apareço aqui de novo com maaaais aventuras Supernaturalísticas :D
Muito obrigada MESMO por perderem o tempo de vocês lendo a BWB e deixando comentários, eu achava que ninguém ia ler a fic, HAHAHAHAHA, fiquei besta com a quantidade de comentários e mensagens positivas. Vocês são demais!
Obrigada a Jana por ser SEMPRE eficiente, a beta mais diva;
Obrigada ao Kripke por ter criado a série mais foda ever;
Obrigada Camila Belchior, por me apoiar sempre e ler minha fic antes de todo mundo *aew*.
Chega né? HUAIHAIUHAIUHAIUA
Beijooos, gatans!
Até mais!
@juliebarros – formspring.me/barros Julie *gente robert é oooutra coisa xD*

N/B: QUEM ACHA QUE BWB NUNCA DEVERIA TERMINAR GRITA AE! EEEEEEEEEU.

Leia a continuação - Dream On!