Prólogo
Era uma tarde qualquer de verão, o sol brilhava no céu azul, que abrigava várias nuvens brancas e fofas. Duas meninas encontravam-se paradas ao lado de um veículo prata, uma delas segurava seu pequeno urso de pelúcia — companheiro há poucos dias, porém, ajudava a conservar a lembrança de momentos atrás; a outra, brincava com os pequenos dedos, demonstrando o quão agitada estava. Normalmente, aquelas duas garotinhas na sua pré-adolescência estariam deitadas no gramado do parque, rindo e observando as mesmas nuvens brancas e fofas com as formas que sua imaginação dizia que formavam. Infelizmente aquela tarde de verão para elas estava mais parecida com um dia chuvoso, frio e escuro.
— Você vai voltar? — Perguntou aquela que brincava com os dedos, erguendo seus olhos para a amiga à sua frente.
— Não sei. Tenho que esperar isso passar... Não quero voltar enquanto essa dorzinha chata incomodar — fez careta e apertou ainda mais o urso de pelúcia contra o peito.
— Acho que devia jogar isso, vai te deixar mal... — Parou de brincar com os dedos, olhando para o ursinho.
— Sinto que vou precisar dele ainda — sorriu fraco... Um sorriso triste.
— Não acha que sentiu coisas demais ultimamente? — Riram. O primeiro riso do dia. Não era um riso feliz, cheio de vida, mas ainda assim era uma risada. No fundo, as duas sentiam que se veriam novamente. Estavam certas disso. O riso cessou quando o barulho de uma porta batendo pôde ser ouvido. Uma mulher, ao lado do seu marido, sorria enquanto caminhavam em direção as garotas.
— Hora de ir, minha linda — afagou os cabelos da filha e sorriu para a amiga da mesma. — Até outro dia qualquer, . — A mulher abraçou de leve a garota, dando-lhe um beijo no rosto. O homem copiou o ato. Entraram no carro esperando a filha, que depois de abraçar a amiga, virou-se em direção do carro.
— ! — gritou a amiga, vendo a outra entrar no carro. — Mande mensagens e não se esqueça de mim, viu?
— Nunca, — sorriu, sentindo os olhos arderem.
— E, por favor, odeie aquele lugar! Esqueça que você vai estar em Vancouver! — riram. A segunda risada do dia... Essa sim continha certa animação. Pouca, mas ainda assim continha.
— Eu vou voltar, — deixou as lágrimas caírem enquanto sorria para a amiga e o carro começava a andar. No final da rua, antes de virarem na esquina, observava a imagem turva da pequena garota acenando, parada próxima ao meio fio.
Liverpool perdia três habitantes naquele momento...
Vancouver, no entanto, os receberia de braços abertos.
Seis anos depois, a despedida aconteceria novamente, porém, não haveria duas garotinhas começando a adolescência, mas sim, uma adolescente com a mente formada, cheia de objetivos, sonhos e vontades, e com seu ursinho de pelúcia conservando as lembranças mais fortes do que nunca para ela.
Capítulo 1
’s POV.
— E ai , como foram as férias? — me perguntou logo que eu cheguei onde ele, e estavam sentados. Era o primeiro dia de aula daquele ano, e devia fazer umas duas semanas que eu não via aqueles três.
— Normais — respondi enquanto cumprimentava-os. — Fui pra Bolton visitar meus avós, Califórnia, e fiquei em casa pegando umas minas aí. Nada de tão diferente assim.
— Aí sim heim ! — disse.
— Pensando bem, teve uma coisa diferente sim — falei enquanto sentava ao lado de — por causa da "quase bomba" do ano passado, eu briguei fodidamente com meus pais. E eles disseram que se eu não me esforçar esse ano, adeus banda, adeus morar sozinho, adeus faculdade e adeus carro novo.
— Que saco hein... — deu um gole no suco, energético ou sei lá o que ele estava bebendo antes de voltar a falar. — E o que você vai fazer agora?
— Ai é que 'tá... Eu vou ter que virar um nerd, e o pior de tudo é que meu pai veio aqui na escola e mandou a diretora me colocar separado de vocês em todas as aulas. Ele diz que se eu estou perto de vocês, eu não faço nada. E ela acabou falando sim pra ele.
— O QUÊ? COMO ASSIM? — os três disseram juntos.
— Vocês sabem o poder que meu pai tem nessa escola, nunca vi. Ele estala os dedos, essa doida dessa diretora faz tudo o que ele pede e...
E eu parei de falar. Não ouvia mais o que , ou falavam. Não mesmo. Era como se tudo o que eu pensasse, ouvisse ou falasse se embaralhasse e ficasse mudo na minha cabeça, quando eu vi aquela menina entrando pelo portão da escola que ficava bem em frente de onde eu estava sentado. Nunca vi um uniforme cair tão bem como caiu nela. A saia xadrez que a maioria das garotas usava tão curtas só pra aparecer, nela não ficava tão curta assim. Seu cabelo balançando devido ao vento e conforme andava, com o sorriso mais perfeito que já tinha visto em toda a minha vida medíocre (e repleta de mulheres, devo acrescentar), enquanto andava em direção às suas amigas. Seus traços eram tão delicados e eu tive, por um momento, a leve impressão de que já tinha a visto antes. Toda a minha atenção àquela garota foi quebrada por um pedala que eu levei de algum mal comido.
— Fecha a boca senão entra mosca, panaca — me zoava, rindo.
— Está secando que gata dessa vez, ? — Perguntou .
— Qual é, vai me dizer que vocês ainda não viram aquela garota? — tirou as palavras da minha boca e tinha a cara tão boba quanto a minha.
— Então agora virou fura olho, ? — Zoei.
— Relaxa, cara. Prefiro a amiguinha dela — ele disse.
— Melhor pra você.
— Otário.
— Chega, né, meninas? — zoou e o sinal bateu. — Que o inferno comece! — bufou se levantando, enquanto o seguia.
— Aula de que agora, ? — disse.
— Não faço a mínima ideia, tenho que ir à secretaria atrás do meu horário.
— Boa sorte ai — ele disse antes de se levantar e ir com os outros para um lugar contrário ao meu. Não teria problema entrar atrasado na sala, nunca teve e não ia ser hoje que ia ter.
Abri minha mochila para pegar meu ipod enquanto me levantava para seguir meu caminho em direção à secretaria para pegar o bendito horário que me impedia de ir à sala, que era diferente (e que eu daria um jeito de reverter) da dos guys. Coloquei play no aleatório e uma música qualquer começou a tocar bem alto enquanto eu andava com as mãos no bolso e mexia minha cabeça no ritmo da música. Nem percebi que já estava chegando, estava muito distraído cantarolando a música. Só me dei conta da onde eu estava quando senti algo se chocando contra mim.
— Outch! Olha pra onde anda!
’s POV.
— ! Como é bom te ter de volta! — , minha amiga de muitos anos, abraçou-me com toda a força assim que cheguei perto de onde ela estava e eu retribuí o abraço, é claro.
— Ai como eu estava com saudade de você, gata! — disse animada enquanto ainda estávamos abraçadas.
— Quando você me ligou ontem à noite, quase tive um infarto, garota! O que deu em você para querer voltar assim? Você havia dito que nunca mais queria pisar aqui quando nós conversamos assim que você foi embora, e... AI MEU DEUS, COMO VOCÊ ESTÁ DIFERENTE! — minha amiga fazia o enorme favor de soltar gritos histéricos e, como consequência, vários olhares daquelas pessoas nem um pouco estranhas para mim — e isso não foi uma ironia — se direcionassem para nós.
— Primeiro, respire e pare de pular desse jeito, ! — sorri para ela. — Foi tudo muito rápido, simplesmente acordei em um belo dia ensolarado e percebi que fugir não era a solução, então resolvi voltar para você e... Bom, outras coisas que logo menos você saberá.
A boca dela se contorceu formando um sorriso maligno, e não pude deixar de repetir o ato.
— O que essa cabecinha maquiavélica está pensando? — disse ela ainda sorrindo maquiavelicamente.
— Depois conversamos sobre isso, — o sorriso dela se desfez e eu ri baixo. — Vou à secretaria entregar alguns papéis que faltam e pegar meus horários.
— Certo. Te vejo no recreio, temos muita conversa para colocar em dia, gatinha... E nem pense em fugir de mim!
— Sim, ... Nós temos. Ah se temos! — rimos e eu me despedi dela e de suas amigas, que eu devia conhecer, mas que naquele momento eu não lembrava muito bem quem elas eram ou seus nomes, e segui indo em direção à secretaria. Eu estava de volta. Estava, realmente, em casa.
— ! Veja só como você cresceu! Que corpo é esse? Ah meu Deus, que linda! — A secretária da qual, mesmo sendo mais do que simpática comigo, nunca decorei o nome, correu em minha direção para dar-me um abraço assim que entrei pela porta da secretaria. Retribuí, sorrindo amarelo.
— Obrigada, são seus olhos — sorri.
— Não seja modesta, meu bem. Está linda! O Canadá fez muito bem para você, pelo que vejo.
— O Canadá faz bem para qualquer pessoa — eu disse, ainda sorrindo amarelo. E então, o sinal que anunciava o início da tortura tocou, fazendo com que eu sentisse uma rápida onda de adrenalina tomar meu corpo. — Enfim, vim entregar estes papéis da matrícula que faltavam — coloquei-os no balcão. — E pegar meu horário.
— Certo, aqui está — entregou-me duas folhas. — O horário, o número do seu armário e senha. Boa aula, e seja bem vinda de volta! — dei um sorriso fraco em agradecimento, arrumei minha mochila nas costas e saí caminhando em direção à porta da secretaria para poder ir à minha sala, olhando a folha: biologia. Ótimo, começaremos bem o ano, ! Antes que pudesse reclamar ou fazer careta, senti algo se chocando contra mim.
— Outch! Olha pra onde anda! — reclamei cambaleando para trás, e me ajoelhei para pegar as folhas que haviam caído.
— Foi mal, eu... Não te vi e... — o garoto levantou-se com uma delas em mãos e me entregou. Levantei-me, arrumei minha blusa e o olhei. Aquilo não deveria ter acontecido. Nós não deveríamos ter nos trombado. Eu não estava pronta. Ou estava? Eu deveria estar. Pensei que estava. Teria eu me enganado? Seria ele? Que pergunta idiota, está claro que era! Não havia como confundir aqueles olhos! — Aqui, sua folha — sorriu para mim enquanto me estendia a folha que tinha meu horário. Mas não foi um sorriso qualquer. Sorriu daquele jeito que há anos eu havia me apaixonado. Ele me encarava e eu sentia que, logo menos, estaria com grande quantidade de sangue concentrada em minhas bochechas. — Prazer, ... Mas para você pode ser só .
Ali estava o que eu procurava. O cafajeste de sempre, com seu poder de sedução e suas cantadas baratas. Seu ar de superior, que conseguia tudo o que queria. Aquela era a razão por eu estar ali, por eu estar de volta. Definitivamente, eu estava pronta para terminar tudo o que ele começou.
— E o seu? — perguntou, já que percebeu que eu ainda não tinha falado nada. — Você tem um nome, não tem?
— Não, sou uma indigente, perdida no mundo — revirei meus olhos, sentindo o rancor acumulado em mim por anos voltar. Aquela atitude não me levaria ao objetivo final. Respirei fundo e voltei a falar, sorrindo falsamente. — Desculpa a grosseria... Eu me chamo , prazer.
— O prazer é todo meu, linda. — Canalha. — É nova aqui?
— Já me viu por aqui antes? — ergui uma das sobrancelhas.
— Não...
— Então, obviamente, eu sou nova aqui. Com licença, tenho mais a fazer — passei reto por ele e dei as costas aquele atraso de vida, abri a porta da secretaria e saí dali indo em direção ao banheiro, sentindo seu olhar ainda sobre mim.
Ótimo, perdi uns bons minutos conversando, 6 no banheiro e mais alguns até encontrar a sala de Biologia, o que significava que eu estava bem atrasada em meu primeiro dia de aula. Uma salva de palmas, !
Encontrei a sala de Biologia e estava parada em frente à porta, ouvindo a voz conhecida do professor. Este que há quase 6 anos ensinava-me Ciências. Respirei fundo e bati duas vezes, de leve, à porta. Silêncio. Abri-a. Todos me encaravam como se fossem um bando de urubus, tentando comer a carne com os olhos. Que comparação ridícula.
— Com licença, professor — disse tímida, olhando-o e evitando ao máximo olhar meus companheiros de classe.
— Vejo que a aluna nova começou muito bem o último ano escolar — alguns riram, fazendo com que eu ficasse mais sem graça ainda. — Entre e não precisa ficar vermelha — sorriu para mim. — , não?
— Sim, senhor — retribuí seu sorriso e, então, resolvi olhar os rostos de todos os alunos, aproveitar e procurar uma carteira vaga para mim. Porém, a primeira coisa que encontrei foram aqueles mesmos olhos de minutos atrás.
Era algum tipo de conspiração contra mim? Como se não bastasse trombar com ele na secretaria, teria que aguentar a presença nem um pouco confortável dele na aula de Biologia, adivinhem o que me acontece? A única carteira vazia é a que está exatamente atrás dele. Thanks, God! Thanks. Dirigi-me até lá, sentando-me em silêncio.
— ? — ouvi a voz do professor vindo atrás de mim um tempo depois de eu ter me sentado. Virei-me.
— Sim?
— Não me é um sobrenome estranho. Tem algum parente no colégio ou coisa assim? — eu devo ter ficado realmente pálida quando ouvi o questionamento do professor. Não é possível que ele se lembrasse!
— Não, professor. O senhor deve estar confundindo com alguém — sorri amarelo para ele, que fez uma cara pensativa e ergueu os ombros como se deixasse de lado, voltando a andar em direção a frente do quadro continuando a escrever a matéria no quadro.
— Bom, para começar bem o ano, que tal um seminário? — o professor disse e, automaticamente, vários cochichos preencheram a sala de aula. — Silêncio, por favor. As duplas serão sorteadas, assim como os temas. Os mesmos são os que estão escritos na lousa — mais cochichos.
— Por que não deixa a gente escolher? — alguém gritou do outro lado da sala.
— Porque eu sou o professor e estou dizendo que quero sorteio. Pessoal, vocês têm que entrar em contato com outras pessoas também, sabiam? E é por isso que eu decidi que os trabalhos serão duplas sorteadas, e vão ser em casais — todos reclamavam baixo e eu só assistia à cena. — E nada de panelinhas. Vai ser da seguinte forma: uma garota que eu chamar vem aqui na frente, sorteia o nome do seu par, que já está nesse vidro e, em seguida, o seu par sorteia tema, depois já com seu par e tema definido, vocês podem sair para discutir o trabalho, tudo bem? — fez uma pausa analisando a sala. — Vamos começar com você , venha cá — revirei os olhos, já esperando essa atitude daquele professor. Passei ao lado de , que me acompanhou com o olhar, assim como o resto da sala, em silêncio. Respirei fundo, coloquei a mão dentro do vidro e peguei um papel. Abri-o e me senti aliviada ao ver o nome escrito ali.
— Matthew Campbell — falei em voz alta, virando-me para a turma. Infelizmente, o primeiro olhar que captei foi o de , que tinha certa quantidade de raiva nos olhos. Tirei meu olhar do seu, rapidamente, a fim de encontrar meu parceiro de trabalho. Nada.
— Campbell? — perguntou o professor. Um menino moreno, com olhos claros, óculos, aparelho e cabelo repartido ao meio com uma grande quantidade de gel, ou sabe-se lá o que seria aquilo, levantou a mão sorrindo para mim. Ótimo, um nerd. Nada contra nerds, eles são bem mais fáceis de lidar do que alguma das patricinhas daquela sala, ou então... Seria mais fácil do que lidar com o . Sorri de volta para ele. — Venha até a frente — arrumou seus cadernos na mochila de um jeito desajeitado e apressado, e então veio ao meu lado, cumprimentando-me com um aperto de mãos um tanto exagerado. — Sorteie o tema agora — o professor lhe mostrou o outro pote de vidro e ele sorteou, enquanto eu ia até minha carteira pegar minha mochila e assim que fiz, dirigi-me até a porta, onde Matthew me esperava. Saímos enquanto ouvíamos o professor chamar alguma outra aluna.
Fomos em silêncio em direção ao pátio da escola, e confesso que não estava me sentindo muito confortável com a situação. Assim que chegamos ainda estava vazio e sentamos-nos em um banco qualquer.
— Então, , né? — ele tentou puxar assunto e, ao contrario do que eu esperava, sua voz era linda, devo dizer.
— Só , por favor — sorri tentando ser simpática.
— Matthew... Mas acho que isso você já sabe — riu.
— É, eu sei. Posso te chamar só de Matt?
— Claro, claro — balançou a cabeça freneticamente, concordando.
— Então, Matt... Qual o nosso tema?
— Projeto Genoma Humano, moleza.
— O quê? Eu nem sei do que se trata isso! — rimos.
— Fica 'sussa', quando você descobrir o que é, vai se interessar e ver que não tem nada de difícil — Sussa? Que tipo de nerd falava sussa?
— Se você diz... Quando a gente vai fazer?
— Você que sabe, pode ser em casa, mas já aviso que só posso na quinta e sexta...
— Tenho que marcar horário com sua secretária também? — brinquei e ele riu.
— Você é diferente do que parece ser, sabia?
— Como assim?
— Sei lá, você tem físico para ser uma daquelas líderes de torcida metidas e enjoadas, que vive com os pompons pra lá e pra cá, dando em cima dos caras do time. Não me xingue, estou sendo sincero! — fez uma cara de espanto.
— Não vou te xingar, relaxa — ri. — Então, isso foi o que você achou de mim quando me viu? E agora?
— Ah, uma líder de torcida não conversa com um cara que tem fama de nerd. Você é gente boa... — vi as bochechas dele corarem e senti vontade de apertá-las.
— Obrigada — sorri. — Sinceramente, você tem uma puta cara de nerd, mas um nerd digno não diz metade das expressões que você diz! — rimos.
— Puta cara de nerd é chamar de feio, né?
— Não! Se bagunçar um pouco o cabelo e usar lentes fica até que aproveitável — ele riu.
— É, é chamar de feio sim — foi a minha vez de rir. O sinal bateu anunciando que a segunda aula estava começando.
— Quando a gente se reúne?
— Pode ser na quinta à tarde. Qualquer coisa a gente conversa depois...
— Certo. Então... — falei me levantando, enquanto ele fazia o mesmo. — Até mais, Matt.
— Falou, — dei as costas a ele e me dirigi até o armário. Pra quem no começo tinha se sentido desconfortável, eu até que estava me sentindo melhor agora. Esses trabalhos que os professores inventam com pares desconhecidos às vezes até trazem bons resultados. E eu, definitivamente, tinha ido com a cara dele, ele parecia ser uma pessoa legal.
9, 7, 2, 6. Ouvi um som parecido com “click” e a porta do meu armário se abriu. O corredor estava lotado de alunos andando de um lado pro outro, indo até suas respectivas salas para a segunda aula do dia. Olhei meu horário, já colado na parte de dentro do armário: história. Peguei meu livro e, quando fechei meu armário, quase tive um ataque cardíaco pelo susto que levei. estava encostado no armário ao lado do meu com os braços cruzados, olhando para meu livro.
— Vejo que temos a mesma aula, novamente — sorriu galanteador já olhando para mim ao invés de meu livro, fazendo com que eu me sentisse enojada e revirasse os olhos. Bufei e tomei meu caminho para a sala, com ele vindo atrás. — Qual é, é a segunda aula e você já está revirando os olhos quando me vê? — o infeliz estava ao meu lado. — Eu te fiz alguma coisa? — eu tinha a resposta na ponta da língua e ela estava coçando para sair.
É, era isso o que eu mais queria. Jogar todo o meu ódio guardado na cara daquele conquistador barato, em formas de palavras e meter um soco muito bem dado, com toda a minha força acumulada em anos de academia, na fuça dele. Mas eu não podia fazer isso. Eu descontaria tudo na hora certa e de outro jeito. Demoraria e seria mais complicado, só que eu não me importava. Esse jeito doeria mais... Muito mais. Então eu vi que estava começando errado com ele. Eu deveria ser uma pessoa apaixonante, uma pessoa simpática e educada. Já havia sido grossa com ele três vezes naquele dia e isso poderia estragar tudo o que eu estava planejando quando vim para cá novamente. Virei-me para ele, com um meio sorriso, ainda andando.
— Desculpe, só estou meio cheia de problemas e primeiro dia em um colégio novo é, realmente, complicado — tentei ser amigável e começar um assunto. Colégio novo? Ah tá.
— Se torna ainda mais complicado quando tem que fazer o primeiro trabalho com um nerd otário — riu sozinho, e eu revirei os olhos com um meio sorriso no rosto.
— Ele não é um nerd otário... E meu dia complicado não tem nada a ver com o Matt — ele me encarou assustado.
— Matt? Já tão íntimos assim? Achei que seu tipo de homem fosse outro, ...
— Ele é meu parceiro de trabalho e o jeito que chamo os outros não diz respeito a você, certo? — ergui uma sobrancelha, controlando-me para não ser totalmente grossa com ele. E a merda da sala, não chegava nunca?
— Certo, foi mal. Saindo desse assunto, como você disse, é nova aqui então não deve ter com quem passar o intervalo... Se quiser, eu te faço companhia — preferi não olhar para a cara dele, mas tinha a certeza de que estava com um sorriso pervertido no rosto.
— Obrigada, mas conheço gente aqui sim e já estou muito bem acompanhada — sorri, vendo finalmente a sala de história.
— Sério? Namorado? — era o tipo de pessoa que não conseguia controlar os tons em sua voz e, muito menos, expressões. Por exemplo agora... Seu tom era mais ou menos uma mistura de curiosidade, com um “fudeu, não vou conseguir mais uma pra minha coleção!”.
— Amigas — assim que entrei na sala de história com o encosto (vulgo, ) atrás de mim, não falamos mais nada. As carteiras estavam praticamente todas ocupadas e avistei uma no canto da sala, sentando-me. Para minha infelicidade, logo atrás de mim havia outra vaga e adivinhe quem a ocupou? Se você disse , ganhou... Ah, ganhou a felicidade por ter acertado.
— Então, uma garota linda como você não tem namorado? — disse perto do meu ouvido, já sentado na cadeira atrás de mim, e eu não pude me conter de sorrir por dentro. Tive a última prova de que tudo o que eu cheguei um dia a sentir por ele havia passado. Nenhum arrepio, nada anormal em mim. Realmente, quando dizem que o tempo cura, estão certos. Ele cura mesmo.
— Não, — respondi sem me mover, ainda olhando para frente e vendo o professor entrar, deixando seu material na mesa.
— Meu sobrenome fica tão sexy quando você pronuncia, — sussurrou no meu ouvido, fazendo com que eu fechasse os olhos para controlar minha raiva. Balancei a cabeça negativamente e abri meus olhos, vendo que entrava na sala e se sentava em uma carteira do outro lado. Ainda não havia me visto.
— Eu não te dei intimidade para me chamar de , — e quando ele ia responder, o professor começou a falar alguma coisa que eu literalmente não prestei atenção, fazendo a desgraça que estava sentada atrás de mim, encostar suas costas no encosto de sua cadeira e calar a boca. Olhei para , que nos encarava de olhos arregalados e soltei uma risadinha baixa, sorrindo maleficamente para ela logo depois, voltando a prestar atenção na aula.
O barulho que antes era tão irritante para mim, agora soava como uma chamada para a liberdade, e eu não estou sendo exagerada. O sinal da última aula tocou e eu me juntei à multidão de alunos que lotavam o corredor. Nem me dei ao trabalho de ir até o armário guardar o livro de Química, joguei-o de qualquer jeito em minha mochila e estava descendo as escadarias do colégio em direção ao portão principal, quando vi conversando com um menino, que era lindo por sinal. Aproximei-me acabando com o momento dos dois, que estavam cheios de risos e olhares para lá e para cá.
— Posso interromper? — fiz uma careta.
— Já está fazendo isso, — sorriu falsamente para mim.
— Desculpa, de verdade, mas... — fui interrompida por uma voz irritante e pela quinquagésima vez no dia, tive vontade de matar aquela criatura.
’s POV.
O sinal tocou e lá estava eu, tentando atravessar aquele bando de retardados que se aglomeravam nos corredores, para achar o meu alvo. Só tinha visto aquela garota no intervalo e, infelizmente, não consegui ficar nas mesmas aulas que ela nos últimos tempos. Como era o nome dela mesmo? Marie? Ah, não, . É, era . Cara, alguma coisa naquela garota me prende. Mas também, ela é gata, gostosa e finge que não tá nem aí pra mim, sendo que eu sei que é totalmente ao contrário. Afinal, todas as garotas desse colégio sorriem pra mim como se dissessem: “me come, ”. Não pense que eu estou me achando e nem nada, só estou sendo sincero, nada além da verdade, falou?
E hoje na merda da aula de Biologia, quase voei em cima daquele professorzinho de bosta! Quem ele pensa que é pra colocar ela com o mais otário da sala? Tudo bem que foi sorteio, mas ela não merece aquele tipo de companhia. Merece alguém que saiba das coisas, que conheça gente de verdade, tenha amigos e saiba arrumar o cabelo. Resumindo: merece alguém como , ou, se preferir, alguém como eu.
Consegui cruzar aquele amontoado de gente e chegar às escadas, quando a vi conversando com uma menina e... O ? Ele a conhecia? Não, acho que não. E quem diabos era a outra menina? Bem gostosinha também... Se não estivesse perto da , é claro. Qualquer menina daquela escola ficava nos pés dela. Sério mesmo, tudo nela era perfeito, principalmente as coxas... E os seios... E a bunda... Cara, que calor. Ela estava de costas pra mim e, depois de dar uma boa secada nela (se é que entendem), pulei no .
— Olha só quem está por aqui! , parceiro, por que não falou que conhecia a ? — joguei um dos meus sorrisos pra ela. Esse sorriso já faturou muito, meu irmão, e ia faturar mais essa.
— ? — olhou pra ela também, assim como a outra menina, que vai saber por que estava com um olhar de desespero. Devia ser por estar perto de um dos meninos mais populares da escola...
— Sim, prazer — ela sorriu de um jeito que eu não tinha visto ainda e que a deixava ainda mais bonita. Eu senti a necessidade de ter um sorriso daquele pra mim e eu teria. Ah se teria.
— Você é a novata que todos estão comentando, então? — o dude continuou e eu achei que aquela conversa já estava rendendo demais.
— É, , ela é a novata sim — antes que ela respondesse, eu cortei e acabei respondendo. Olhei de um jeito pra ele que entendeu o recado. — E você, é nova também? — olhei pra outra menina.
— Não, estudo aqui faz mais de seis anos — sorriu forçado pra mim. Como se eu ligasse!
— Que bom. Então você deve saber quem eu sou, né? — sorri forçado do mesmo jeito pra ela, que revirou os olhos. — Qual sua graça, menina que não é novata?
— Meu nome é , só para os íntimos, o que não é o seu caso — piscou.
— Então, , sentiu minha falta nessas últimas aulas sem me ver? — perguntei, ignorando a outra menina que voltava a conversar com .
— Nem um pouco, . Estava muito bem sem ter que olhar pra sua cara de pinto molhado, agora se me dá licença, , sinto interromper sua conversa com a , mas a gente tem que ir, né, amiga?
— É sim. Bom, tchau — deu um beijo na bochecha da tal garota e outro no rosto da . What the fuck is that?
— Eu te ligo depois, — o dude piscou pra menina, que sorriu pra ele e saiu com a , deixando-me com cara de tacho.
Ela estava se fazendo de difícil pra mim, mas eu sabia muito bem o que ela queria. E se ela não quisesse e estivesse fazendo tudo isso pra me afastar, azar o dela... As difíceis atraem ainda mais os caras, o gosto de conseguir depois de um trabalho suado era doce e delicioso. Ela queria brincar comigo? Se fazer de difícil para ver até onde eu aguento? Vamos jogar então. Preocupado com o final disso, eu não estou. Porque o que quer, consegue. E eu queria a novata, então consequentemente, eu a teria. Era só questão de tempo. Ela estaria comendo na palma da minha mão e lambendo o chão que eu piso. Sim, ela estaria. Como eu sei disso? Todas as mulheres são iguais, todas se apaixonam por qualquer um que as chame pra jantar ou ir a uma balada. Todas são sempre o mesmo esquema, usando a mesma tática. Com a não seria diferente... Poderia até ser mais difícil, mas como sempre, no final eu vou poder olhar pra ela e dizer pros caras: “Tá vendo aquela? Tracei também”. Um mês. Dê-me menos de um mês e vamos ver quem vai rir por ganhar o joguinho.
Capítulo 2.
’s POV.
— Então, , sentiu minha falta nessas últimas aulas sem me ver? — O encosto do perguntou, ignorando o que tinha acabado de falar.
— Nem um pouco, . Estava muito bem sem ter que olhar pra sua cara de pinto molhado, agora se me dá licença, , sinto interromper sua conversa com a , mas a gente tem que ir, né amiga?
— É sim — ela respondeu, e se virou para . — Bom, tchau — ele se despediu de nós duas com um beijo no rosto, enquanto o idiota do continuava com sua cara de idiota.
— Eu te ligo depois, — disse quando já estávamos indo e virou para ele sorrindo, enquanto eu continuava a andar, sem olhar pra trás.
— Agora dá pra senhora me explicar o que foi aquilo? — perguntou rindo, quando nós duas entramos na estação do metrô, que ficava a mais ou menos umas duas quadras da escola, para podermos voltar pra casa. Tínhamos combinado, na hora do intervalo, que ela iria para casa após a aula, para me colocar por dentro dos assuntos da escola e, principalmente, para eu contar o principal motivo para estar agindo do jeito que eu estava.
— O quê? Eu não fiz nada de mais, eu fui até educada com ele, que simplesmente não merece.
— Credo , tem horas que eu realmente não te entendo.
— Se você tivesse um cara como esse no seu pé, te importunando o dia inteiro, você saberia muito bem como eu estou me sentindo.
— Você disse que ele pegou no seu pé até por causa do nerd do seu trabalho de Biologia, certo?
— Sim, foi isso mesmo. Ele veio com um papinho de que achava que meu tipo de homem fosse outro, até parece que ele sabe alguma coisa de mim — disse, enquanto me sentava no banco do metrô ao lado de .
— Mas ele sabe alguma coisa de você sim, .
— Eu sei , mas são poucas coisas do passado. Eu mudei.
— Estou vendo o quanto você mudou, garota — ela fez uma voz engraçada me olhando de cima a baixo e nós duas rimos. — O idiota do que parece não reparar, ele não lembrou de você não?
— Até parece que ele ia lembrar. Tinha alguns momentos que ele me encarava de um jeito diferente, como se lembrasse de alguma coisa, mas não falou nada.
— E isso é bom?
— Claro que é! Já vai ajudar bastante o fato dele ser um acéfalo! — fez uma cara confusa e eu ri mudando de assunto. — E quem era aquele cara que você estava conversando na saída, hein?
— Ah, o ? — eu confirmei com a cabeça, ela soltou uma risadinha baixa e eu sorri maliciosamente pra ela.
— Hm, mais um na isca? — ela soltou uma gargalhada e eu ri junto. Tínhamos chegado na estação de casa, então nos levantamos para sair do metrô. — Pode ir contando ! — rimos de novo enquanto eu cutucava sua barriga com um dedo, já saindo da estação e andando em direção a rua de casa.
— Well, como você teve trabalho de Biologia, obviamente aquele doido do professor passou pra minha turma também. Eu pelo menos dei sorte e peguei um gato pra fazer dupla comigo, não um nerd estranho com o cabelo repartido no meio — ela falou essa parte em um tom mais baixo como se não quisesse que eu ouvisse e logo a repreendi com um tapa no ombro.
— ! Não fale assim dele — ela ria e eu não consegui não rir também. — Você não o conhece, ele parece estranho sim, mas é muito legal. Ou pelo menos parece ser, mas não importa, não julgue o coitado!
— Ok, defensora dos pobres e oprimidos! — ela levantou as mãos como se quisesse dizer “não fui eu”, sua voz ainda continha humor. — Desculpe-me se ofendi seu novo amiguinho.
— Tanto faz — rimos, agora já entrando em casa. Théo, meu pequeno lhasa apso branquinho, logo veio correndo da cozinha começando a latir, de começo se assustou, mesmo com ele sendo um cachorro pequeno. Ela parou na porta, ficou olhando em volta e reparando em tudo, enquanto me abaixei para pegar Théo.
— Awn, quem é esse pequeno? — ela perguntou já sem medo dele e fazendo carinho em sua cabeça. — Ele é novo, né?
— É sim, o Théo ta comigo faz menos de um ano ainda.
— Ele é tão bonitinho — ela parou de passar a mão no cachorro e deu uns passos a frente. — Nossa , sua casa ta diferente.
— Não é a mesma casa, você percebeu né? — falei soltando meu xodó no chão, e indo à escada, pra subir pro meu quarto.
— Percebi, mas mesmo assim.
— Mesmo assim o quê, ? — perguntei rindo.
— Sei lá — ela respondeu e ri mais um pouco, negando com a cabeça.
— , é você? — ouvi a voz de minha mãe vinda da cozinha perguntar.
— Sim mãe, sou eu sim — gritei já no meio da escada.
— Quem está aí com você?
— A , mãe — parei de subir as escadas para ouvi-la.
— Quem?
— A — continuávamos a gritar e ria baixinho.
— Não importa quem seja, deixe as coisas no seu quarto e venha almoçar antes que esfrie — bufei, continuamos a subir as escadas e fomos direto para meu quarto. Coloquei minha bolsa em cima do pufe branco que ficava no canto do meu quarto já tirando meus tênis e me joguei na cama, enquanto me olhava da porta, segurando o riso.
— O que foi? — eu perguntei, levantando apenas minha cabeça para encará-la, já que ela ainda continuava parada na porta. — Pode entrar, só fecha a porta — joguei todo o peso de minha cabeça na cama novamente, coloquei as mãos em cima de meus olhos e ouvia a risada baixa de .
— Nada ué — ouvi-a sentando na cadeira giratória que ficava em frente da minha escrivaninha com o computador. Ela estava girando, eu não estava olhando, mas conseguia saber pelo barulho que a própria fazia. Ficamos em silêncio por uns minutos, até que me sentei e a encarei.
— Agora sou eu quem te pergunto, o que foi? — seu olhar estava um pouco preocupado, porque a minha expressão não devia ser uma das melhores.
— , eu estou curiosa — falei sentando e prendendo meu cabelo em um nó frouxo enquanto via ela parar de rodar na cadeira e me olhar. — Eu quero que você me conte tudo, . Eu quero saber de cada passo que o deu, eu quero saber de cada coração que ele quebrou enquanto eu estive ausente.
Ela me encarava com uma expressão surpresa em seu rosto e ficou estática por alguns segundos, até que piscou umas duas vezes rapidamente e começou a rir.
— Como é que é? — ela riu e continuou a me encarar, se arrumando direito na cadeira e cruzando as pernas em cima da mesma. — 'Tá, mas qual é a dessa curiosidade toda?
— Desembucha , depois você vai ficar sabendo — disse rapidamente e soltou mais um de seus risinhos maldosos antes de entrelaçar seus dedos e apoiar o queixo nos mesmos e falar.
— Hm... Com certeza não é novidade pra você que o é um cachorro, por isso se eu ficar aqui falando das garotas que ele pegou quando você estava fora, e só as que eu sei também, nós não vamos sair daqui hoje, mas as principais... Já sei! Mellany Crosfield, presidente do grupo de teatro da escola. Loira, olhos claros e super inteligente. Caiu nas lábias dele, dois meses depois levou um pé na bunda e foi trocada por Tifanny Kurt, líder de torcida. Também loira, mas dessa vez com os olhos azuis. Essa era uma das únicas líderes de torcida preservada, ela tinha fama de ser quietinha, diziam que não tinha ficado com quase nenhum cara do time, mas a situação se reverteu quando ela levou um pé na bunda de presente e um mês depois do , soltou as asinhas, se é que me entende...
— Isso só me faz querer seguir com o plano... — falei olhando para um ponto qualquer do quarto.
— Que plano? — me interrompeu e eu não respondi, continuando a falar.
— Um cara desses não aprende? Pelo amor, ficar quebrando corações e usar pessoas não é decente, mas como falar de decência com uma pessoa como ?
— ! — deu um gritinho no meio de todo o meu monólogo.
— Um cara desses merece uma lição — finalmente olhei para . — Merece sentir na pele o que ele faz as garotas passarem.
— Você é maluca, ? Do que você está falando? — perguntou me olhando de um jeito estranho. Eu bufei balançando a cabeça negativamente e me joguei na cama de costas, me deitando novamente.
sempre foi bem lerdinha pra entender as coisas, mas eu pensei que o tempo tinha a ajudado de alguma forma. Ficou em silêncio por alguns segundos, até que pareceu cair em si. — Ah! Você tava falando do . — Finalmente! — Continuo achando que você é maluca, mas enfim, vai fazer o quê, na verdade?
— Nada mais justo — me sentei novamente na cama. — Vou fazer com ele a mesma coisa que ele fez comigo.
— E o que ele fez com você? — perguntou e eu percebi certo tom de curiosidade em sua voz. Até parece que ela não sabia.
— Humilhou-me, quebrou meu coração e eu vou fazer a mesma coisa com ele, mas muito pior, é claro.
E então ficou estática me olhando com a boca aberta e cara de surpresa. Da mesma forma que essa expressão apareceu, ela mudou, dando lugar a um sorriso maquiavélico, seguido de risadas que foram acompanhadas pelas minhas e por uma porta aberta, com direito a uma bolinha de pelos brancos pulando em mim.
— , o almoço está esfriando! — minha mãe disse ao abrir a porta. Assim que viu , esqueceu completamente do que tinha vindo fazer aqui. — ! Quanto tempo! — ela disse já entrando em meu quarto e indo para mais perto da minha amiga.
— É mesmo Sra. — se levantou e a abraçou. — Seis anos certo?
— Sim, você está enorme e linda! — minha mãe sempre fofa.
Eu só assistia enquanto Théo se aconchegava melhor no meio de minhas pernas e eu fazia carinho em sua cabeça. e mamãe sempre conversavam bastante, ainda mais porque minha mãe é daquelas que não consegue ficar quieta. Sempre que se encontrava com algum amigo meu ou se eles viessem aqui, ela puxava assunto e ficavam conversando por muito tempo e com não era diferente. Enquanto conversavam, eu pensava em como e quando devia colocar meu plano em ação. Talvez eu devesse pôr isso em prática logo... Ah, mas é claro que eu deveria! Acordei de meus devaneios com minha mãe me chamando, parecia que eu estava viajando há um bom tempo.
— , vamos almoçar — assenti e levantei da cama.
Logo Théo se assustou e saiu correndo, descendo as escadas começando a latir enquanto ouvi a porta sendo aberta. Era a hora do almoço, meu pai devia ter chegado. Todos os dias ele pegava Nicholas, meu irmãozinho de cinco anos na escola, já que ele trabalhava por perto, o que poupava minha mãe, ou até a minha pessoa, de ter que buscá-lo. O emprego de meu pai foi mais um dos motivos de nossa volta, se não fosse o principal. É claro que teve um empurrãozinho meu nessa história, já que eu estava querendo voltar há tempos, se é que me entende.
— Oi Sr. — disse toda amigável quando chegamos ao fim da escada. Chegava a ser estranho a relação que tinha com meus pais.
— Olá . Oi . — Papai sorriu e passou por nós, deixando sua pasta no aparador na entrada de casa. — Bom te ver, você está diferente. — Ele passou a mão na cabeça dela e me deu um beijo na testa. Virou-se e seguiu para aonde mamãe tinha ido: a cozinha.
— Oi pai — falei um pouco mais alto, pra que ele conseguisse ouvir. — Oi Nich — me abaixei e dei um beijinho na testa de meu irmão. — Como foi a aula? — perguntei ainda abaixada.
— Foi legal , eu conheci uma menina bonita! — Ele sorriu, fazendo um “joinha” com uma das mãos, eu e rimos. — Quem é essa menina aí, ?
— Oi Nich — ela disse se abaixando para ficar na mesma altura que eu estava, a de Nich. — Eu sou , amiga da . Ela já tinha me falado de você, que é mais bonito ainda pessoalmente! — ele sorriu e ela apertou uma das bochechas dele, que fez careta.
— Hora de almoçar criançada! — disse me levantando e pegando na mão de Nich, antes de puxar os dois para a cozinha.
Depois do almoço, e eu subimos para o quarto e ela terminou de me contar o que tinha acontecido na escola nesses seis anos que fiquei fora. ligou pra ela no meio da tarde, combinando o dia que fariam o trabalho de biologia, juro que vi os olhos dela brilharem. Eu fiquei tirando com a cara dela uma boa parte da tarde e teve horas que ela fingia estar brava, mas depois voltava a rir, com as bochechas levemente avermelhadas. Fizemos brigadeiro, e fomos assistir Jogos Mortais. Eu estava super concentrada no filme e do nada gritou meu nome.
— ! — pausou o filme e se virou pra mim, que estava com a mão no peito e respirando pesadamente por causa do susto que tomei. — Ai credo, você está branca.
— Por que será né? — Disse rindo e minha respiração já voltava ao normal. — Diga criatura, o que aconteceu?
— É que agora me lembrei de uma coisa importante que a Terrie me pediu. — Terrie, até aonde eu sabia era uma das amigas de , que cuidava das festas, projetos divertidos e eventos da escola, junto com mais algumas pessoas, e uma delas era Victória, eu acho, que era amiga em comum das duas. — Hoje na sala, ela pediu pra você nos ajudar a acertar os últimos detalhes do baile de boas vindas.
Baile de boas vindas? Dessa eu não sabia...
— Que baile? — perguntei confusa.
— Você não viu a faixa na entrada do colégio não?
— É... Não.
E eu não tinha visto mesmo. Ela riu da minha possível cara confusa.
— No terceiro ano, nós temos alguns bailes no decorrer do ano , até parece que você não sabia! E tem toda uma equipe por trás do que acontece lá. Ano passado, teve uma votação para os membros dessa equipe, eu entrei junto com as meninas e como somos nós que praticamente mandamos nessa área, elas pediram pra eu te chamar, já que eu tinha comentado que você tem boas ideias. Como é só no terceiro que nós temos esses bailes, temos que arrasar! — ela disse tudo muito rapidamente.
— Primeiro, respire ! — rimos e ela afirmou com a cabeça. — Segundo, eu vou ajudar sim e nós vamos arrasar! — ergui minhas mãos e fizemos um hi-five, sorrindo. — Já decidiram o tema do baile?
— É claro que sim! — respondeu animadamente.
— E qual seria?
— Baile de máscaras!
Um sorriso se formou em meu rosto enquanto dava play no filme e eu enchia mais uma colher de brigadeiro. Meus neurônios funcionavam a mil, com ideias e mais ideias.
Fofocas contadas e filme assistido, já eram quase nove horas quando ligou para seu pai ir buscá-la em casa, já que ela disse que tinha que dormir, afinal, amanhã nós tínhamos mais um dia de aula pela frente. Ouvimos buzinas vindas do lado de fora e ela se levantou para pegar sua bolsa e ir pra casa.
— Olha ... — ela começou de costas pra mim e olhando pra janela. Pegou sua bolsa na cadeira onde tinha deixado, e se virou pra mim antes de voltar a falar. — Eu não queria plantar uma sementinha da dúvida em você, mas... — Ela parecia escolher as palavras antes de dizer. — Você tem certeza do que vai fazer? — pigarreou. — Digo, não tem medo de acabar saindo machucada não? Porque nós estamos falando do e você sabe muito bem como ele é.
— , obrigada pela preocupação, mas não. Não vou sair machucada dessa, eu sei muito bem como ele é e não vou me deixar levar. Não de novo... — me levantei da cama e fui para perto dela. — Obrigada viu? — dei um beijo em sua bochecha.
— Só não quero ter que ficar aguentando criança chorona depois — ela disse e eu fiz uma cara de ofendida, rindo depois. — É sério , se cuida ok?
— Sim senhora! — bati continência e rimos, com rolando os olhos.
— Ok, eu preciso descer.
foi embora e eu subi para meu quarto novamente, entrando direto no banheiro para tomar um banho quente e cair na cama. Eu não estava assim tão cansada, mas ficava tarde e eu precisava dormir para acordar disposta amanhã. Saí do banheiro enrolada na toalha, colocando meu pijama e me jogando na cama. disse que não queria plantar a sementinha da dúvida em mim, mas acabou plantando. Eu sabia muito bem com o que, ou melhor, com quem estava lidando: o maior conquistador do colégio. Como isso soou ridículo! Soltei um suspiro e encarei o teto do meu quarto, após me remexer um pouco na cama, desconfortável. Definitivamente, esperaria um bom tempo até o sono voltar. ... Eu estava lidando com , mas é claro que eu sairia bem dessa. Ele se concentra tanto no objetivo principal (lê-se: parar na cama com a garota) que se esquecia do que o cercava, das coisas que aconteciam “por fora”. Eu não me machucaria, afinal, nem tem porque pensar algo assim já que o único sentimento que tenho por ele, é rancor. Estava fora de cogitação me apaixonar novamente por ele e se eu sentisse isso, voltaria seis anos na história e reviveria em minha mente tudo o que aquele desgraçado me fez. O sentimento se esvairia e pronto! Eu não quebraria meu coração e não devia me preocupar com isso agora. As únicas coisas que deveriam rondar minha mente eram os preparativos para o baile e as etapas para quebrar o pequeno coração de em dois. E cá entre nós, isso seria absolutamente divertido e prazeroso! Sorri comigo mesma, sentindo meus olhos pesarem. Virei-me na cama, procurando meu velho ursinho de pelúcia. Apertei-o com força em meu peito e soltei o segundo suspiro em menos de 5 minutos, sentindo meus olhos arderem, fechando-os. Sorri levemente ao me lembrar da música que eu cantara enquanto tomava banho...
— I’m gonna break your little heart, watch you take the fall... — Sussurrei como se cantasse para o pequeno urso que se encontrava em meus braços. — Laughin’ on the way to the hospital. 'Cause there’s nothing surgery can do, when I break your little heart in two. (Eu vou quebrar seu pequeno coração, assistir você cair. Rindo no caminho do hospital. Porque não há nada que cirurgia possa fazer, quando eu partir seu pequeno coração em dois.) — soltei uma risada baixa e me virei de lado, apertando mais o ursinho contra mim. — Aproveite sua última boa noite de sono, , querido...
Com um sorriso e pensamentos maldosos sobre as mil maneiras de torturar aquele certo alguém, fechei meus olhos e acabei adormecendo.
’s POV off.
Esperava ansiosamente sentada no sofá, batendo os pés continuamente no chão, apertando o casaco numa forma de se aquecer. Só podia ouvir o tic-tac irritante do relógio, objeto que encarava de minuto em minuto. A hora parecia não passar e ele estava há mais de meia hora atrasado. Nunca se atrasara quando o compromisso era justamente com ela, porém, as coisas começaram a mudar nos últimos cinco meses. Ele estava mais distante e ela havia percebido isso, se sentindo extremamente magoada. Porém, ao vê-lo a única coisa que conseguia fazer era sorrir e esquecer tal mágoa, afinal, ela estava perto dele e era o que importava. Quer dizer, isto tudo há cinco meses. Agora ele não a recepcionava de braços abertos e com um sorriso magnífico e contagiante, a situação se invertera. Era algo errado com ela? Só podia ser. Ele havia lhe dito que nunca faria aquilo em uma de suas conversas inocentes... Aquelas conversas cheias de palavras que crianças desconhecem o verdadeiro (e enorme) significado, mas mesmo assim usam como se fosse a coisa mais simples do mundo, mesmo sem entender. Levantou, indo até a cozinha e avisando sua mãe que o esperaria no parque de sempre, já que havia atrasado tanto. Se ele não viesse, pelo menos ficaria um tempo fora de casa. Veria outras pessoas, talvez estivesse com sorte e encontrasse alguma outra pessoa que a fizesse sorrir. Arrastava-se preguiçosamente pela rua calma e coberta pela neve, olhando para o chão como se algo realmente interessante existisse ali. Pelo menos era isso que pensavam as pessoas que viam aquela pequena garotinha de 9 anos caminhando naquela manhã fria, sozinha. Na realidade, ela estava ausente de tudo aquilo que havia a sua volta. Deixava que seus pés a levassem até o destino.
Enquanto estavam sentados nos balanços coloridos do parque, ele parou seu balanço para olhar a garotinha ruiva que cruzava a rua, ela a conhecia muito bem... Infelizmente. Bufou, fazendo bico e cruzando os bracinhos, como uma criança emburrada e manhosa faz, atraindo a atenção do amigo.
— Que foi? — a voz infantil dele fez com que ela olhasse o garotinho, que acabara de completar 10 anos, ao seu lado.
— Você — emburrou ainda mais a cara.
— Não entendi... — ele a olhava, curioso.
— Eu sei que você queria chamar a Natasha.
— Não queria não.
— Queria sim. Eu sei que queria, sei também que você prefere ter uma amiga bonita igual ela do que eu. — o garotinho gargalhou.
— Você é boba, e eu já te disse que é bonita.
— Promete que não vai me deixar e escolher ela pra ser sua amiga, nunca?
Soltou um suspiro triste lembrando daquilo e seus pés calçados com o velho all star preto tocaram a grama, ergueu a cabeça para observar as pessoas que se encontravam no parque. Como se seus olhinhos fossem atraídos para aquele lado, sorriu de forma sincera ao encontrar quem procurava. Ele olhava no relógio de pulso, parecendo ansioso. A felicidade inundou todo seu frágil corpo: Ele está me esperando! Gritou uma vez pelo seu nome, ele não ouviu. Repetiu o grito mais três vezes e nada. Surdinho como sempre... Pensou, sorrindo de forma fraca e caminhando até onde o garoto se encontrava.
— ? — ele pareceu surpreso vendo a garota ali.
— Eu te chamei! Não me ouve mais não? — Colocou as mãos na cintura fingindo estar brava. Ele está tão estranho... Pensou.
— O que você está fazendo aqui?
— Você ia passar em casa, lembra? A gente tinha combinado de fazer o maior boneco de neve do mundo! — gargalhou, abrindo os pequenos braços como se fosse mostrar o tamanho do boneco.
— Quem vai fazer o maior boneco de neve do mundo, hein? — ouviu alguém falar e virou pra ver de quem era dono daquela voz irritante, bufando.
— Você chamou esse bobo também? — perguntou para o amigo em sua frente.
— Eu não vou fazer nada disso com você, . Nem sei o que você está fazendo aqui! — o garoto se levantou do pequeno banco, ficando ao lado do amigo. Sentiu os olhos queimarem, porque ele estava falando daquele jeito com ela? Melhores amigos falam assim, uns com os outros? Olhou para os pés, desenhando com eles na neve.
— Vamos logo, a Natasha está esperando... — disse, saindo. Ergueu o olhar ao ouvir o nome pronunciado e só viu o amigo a olhando curioso.
— Natasha? — perguntou, cruzando os braços e bufando. Ele revirou os olhos claros, ela sabia que ele só fazia aquilo quando algo o irritava. Ela estava o irritando?
— Deixa de ser criança, , e vê se cresce — disse e saiu correndo até o local onde uma garotinha ruiva o esperava sorrindo, ao lado de outro menino. Esperou eles se virarem e cruzarem a rua, sentando na neve e pegando um pequeno graveto ao seu lado, escrevendo a primeira coisa que viesse em sua mente. Ao ver o que estava escrito, apagou rapidamente com suas mãos, sujando a luva que as aqueciam. Suspirou e sentiu uma lágrima solitária escorrer por seu delicado rosto...
’s POV.
Acordei assustada, meu coração batia descompassado, acompanhando a respiração desregulada. Sentei na cama, escorando os braços nos joelhos e passando a mão no rosto, tentando me acalmar. Era tudo o que precisava agora, algo para reforçar a mágoa e o ódio que eu tinha do . Olhei para o urso de pelúcia jogado na cama, ao meu lado e senti uma súbita vontade de rasgá-lo e partir em quatro pedaços! Mas eu precisava dele. Não que eu não durma sem ele ou algo do tipo, eu precisaria daquele simples urso para refrescar a memória de certa pessoa. Fixei meu olhar nele e entrei em transe pensando nas piores formas de tortura possíveis, pulando da cama quando Broken-Hearted Girl da Beyoncé preencheu o silêncio do meu quarto. Revirei os olhos, rindo. Nada mais apropriado, não é? Desliguei o despertador do celular e rumei para o banheiro a fim de tomar um banho quente e fazer minha higiene pessoal. Quarenta minutos depois, já saía da cozinha, pegando minha mochila e rumando para a escola. É, a partir de hoje eu estava definitivamente pronta para encarar o inferno, vulgo, escola. Consequentemente estaria preparada para encarar o capeta, vulgo, . “Tá no inferno? Abraça o capeta!” Não é assim que dizem? Certo, que o jogo comece e eu, sinceramente, não via a hora de vencer mais esse.
Capítulo 3.
— Muito bem, agora eu quero que vocês abram o livro na página 29 e façam todos esses exercícios no caderno. Copiem o enunciado.
Os murmúrios de saco cheio da maioria dos alunos começaram a ficar cada vez mais altos, enquanto alguns resmungavam e abriam o livro para começar a fazer os exercícios; outros só bufavam e viravam para os lados a fim de conversar, deixando os exercícios de lado. , que estava na minha frente, era uma desses últimos.
— Cara, é só segundo dia de aula e eu já to de saco cheio disso tudo! Como pode? — ela disse com uma cara irritada e bufou, enquanto eu abria meu livro com (muita) vontade de fazer os...
— VINTE E CINCO EXERCÍCIOS? — eu disse um pouco alto, olhando pro livro como quem não acredita no que está vendo — quem em sã consciência passa vinte e cinco exercícios na primeira aula do ano?
— Eu passo, — ouvi a voz do professor vindo de atrás de mim. Eu e rimos baixinho, ela que agora estava quase toda virada para mim. — Pode começar a fazer — revirei os olhos enquanto ele voltava a andar pela sala e falava sobre um assunto qualquer.
Era aula de Álgebra, mais uma das poucas aulas que eu tinha com . Aquele professor de voz irritante ficou falando por mais de uma hora sem parar e eu tenho certeza de que vários alunos, assim que entraram na sala, adormeceram logo que sentaram em suas cadeiras. Primeiras aulas do ano sempre são aquelas revisões de matérias chatas passadas que ocupam a aula quase inteira e, no meu caso, só deixavam as pessoas mais entediadas. Ainda mais quando se tem duas aulas de Álgebra, no mesmo dia, uma depois da outra, nas duas últimas aulas do dia. Sorte a minha que estava na mesma sala que eu. Encarar duas aulas de Álgebra sozinha iria ser um saco.
Ouvi o celular de apitar rapidamente e ela virou pra frente, a fim de ver o que era, parando de falar. Eu dei de ombros e começava a copiar o enunciado da sexta questão, quando senti uma bolinha de papel bater em minha cabeça, caindo em cima do meu livro.
Ei gata, já tem par pro baile? ;)
Eu pude ler assim que abri a bolinha de papel. Não conhecia aquela caligrafia, mas também não era assim tão estranha pra mim. Pra ser sincera, eu não fazia ideia de quem podia ser, talvez fosse mais um babaca querendo chamar atenção. Dobrei o papel, colocando embaixo do livro, balancei minha cabeça negativamente, voltando a copiar e errando no segundo seguinte, por mais uma bolinha acertada, que dessa vez havia acertado minha caneta, fazendo com que eu riscasse três linhas da página. Bufei, abrindo a outra bolinha, já irritada.
Quem manda um bilhete e não assina? xx
Suspeitas confirmadas: mais um babaca querendo chamar atenção. Olhei para o outro lado da sala onde estava sentado, mordendo a caneta e olhando para frente, enquanto uma garota loira estava sentada do seu lado parecendo falar que nem uma matraca e tentava chamar sua atenção. Nossos olhares cruzaram assim que ele percebeu que eu estava o olhando e ele sorriu, enquanto eu rolava os olhos e bufava, virando-me pra frente já que tinha me chamado novamente. Acho que tinha me esquecido de comentar que também estava na minha aula de Álgebra. Porém, com alguma benção dos céus ele tinha se sentado bem longe de mim, parecia também nem ter notado a minha presença. Não até agora.
— , por que você está olhando tanto pra lá? — perguntou agora já virada totalmente para trás como estava antes, segurando seu celular em uma das mãos.
— Olha isso, — entreguei a ela o primeiro bilhete que eu tinha recebido. Quando ela o abriu, demorou poucos segundos para ler e me olhou com uma expressão pervertida em seu rosto.
— Quem te mandou isso? — soltei um risinho baixo e entreguei a ela o segundo bilhete, sem responder nada. Ela ficou mais tempo encarando esse bilhete e me olhou com as sobrancelhas enrugadas, parecendo confusa. — ?
— , pelo amor de Deus né? Encarou-me por alguns segundos, olhou para o bilhete, olhou para mim novamente, até que finalmente, a ficha pareceu cair. Abriu levemente a boca, demonstrando surpresa.
— ? — ela sussurrou, rindo depois.
— O próprio.
— O que você respondeu?
— Eu não respondi — dei de ombros.
— E vai responder?
’s POV.
O sinal pôde ser ouvido, indicando o fim das aulas de hoje e não tive nenhuma resposta da novata. Vi-a mostrar meus bilhetes à sua amiga, que ficou rindo por uns minutos; eu não sabia ao certo o que aquilo queria dizer. Não mesmo. Qual é, eu tinha mandado dois bilhetes pra ela, mesmo sendo de uma forma meio infantil, lançado a ela um dos meus melhores sorrisos e ela não respondeu nada? É só a parte de se fazer de difícil, não é? Bom saber.
Coloquei minhas coisas de qualquer jeito dentro da mochila e levantei de um jeito tão rápido e afobado, que quase me esqueci do ser que estava ao meu lado com sua saia extremamente curta e palavras fúteis na ponta da língua. Se eu não estivesse na situação que estava, acabaria dando bola para aquela garota, que ficou a aula inteira ao meu lado tagarelando sem parar sobre coisas que não me interessavam nem um pouco naquele momento, ou nunca realmente chegaram a interessar. Anabelle era o tipo de garota gostosa, loira e sem cérebro que não se importava nem um pouco em ser usada. Ela era minha garota fixa — aquela que saciava minha fome, quando eu não estava nem um pouco afim de caçar, se é que me entendem. Em um estalar de dedos, ela estaria fazendo qualquer coisa que eu pedisse. Ela era boa, muito boa. Melhor que ela era tê-la quando eu quisesse, para preencher algum espaço vazio que outra cachorra qualquer deixasse, ou então, simplesmente para uma noite de sexo sem compromisso. Só que, de um jeito estranho, quando ela se sentou do meu lado na aula de hoje e ficou falando o tempo inteiro, eu não senti a mesma vontade que eu geralmente sentia quando estava do lado dela.
— E então , você vai lá pra casa hoje? — ela disse, quando eu já estava na frente da sala, pegando na minha mão e me puxando pra trás. Na sala só restavam eu, ela e mais alguns nerds do outro lado. Controlei minha vontade de rolar os olhos. Ela tinha mesmo que me encher logo agora? Que merda! Eu precisava cair fora dali logo e ir atrás da novata. Qual o nome dela mesmo? Ah, sim! .
— O me pediu ajuda para arrumar... O porão da casa dele e depois os dudes vão pra lá — sorri forçado, andando até a porta da sala. Puta que pariu, que diabos eu faço pra essa garota parar de me seguir?
— Meus pais vão viajar, eu vou estar sozinha em casa, — ela entrou na minha frente quando eu já estava saindo para o corredor, fazendo com que eu parasse de andar instantaneamente. Colocou as mãos no meu peito, empurrando-me contra a parede ao lado da porta da sala de aula. Vi os nerds saírem, sumindo pelo corredor que já estava vazio. Soltei um suspiro frustrado, porque com certeza já estava bem longe dali. Senti as mãos de Anabelle deslizarem pelo meu abdômen, parando no cós da calça. Engoli seco. Pensei uma vez no que estava prestes a fazer. Uma de suas mãos escorregou um pouco mais, entrando em minhas calças e acariciando meu membro por cima da boxer. Pensei outra vez. Olhei para os dois lados do corredor: ninguém. A porta da sala estava aberta, nós dois estávamos sozinhos e ela continuava me provocando com aquele carinho que começava a ficar mais intenso. Caralho, eu sou homem! E não precisaria saber da minha fama de comer meninas nas salas de aula, certo? Mesmo não querendo, tirei as mãos de Annie, puxando-a pelo braço para dentro da sala. Fechei a porta, agradecendo pela chave ser fundida na fechadura e prensando Anabelle contra a porta. Senti as mãos dela voltarem para onde estavam antes, acariciando com certa força meu membro que já ficava, hm... Bem animadinho e, logo em seguida, abriu o zíper da minha calça, deixando-a escorregar e encarou minha boxer branca com um sorriso nada puro naqueles lábios. Desabotoei sua camisa sem cuidado nenhum, jogando-a em algum canto e abrindo o feixe de seu sutiã com extrema facilidade. Eu era um expert nisso, modéstia a parte. Abaixou minha boxer e arranhou minha virilha, fazendo com que eu prendesse um gemido fraco. Apertei sua coxa sem o menor cuidado, ouvindo-a gemer no meu ouvido. Mordeu o lóbulo esquerdo da minha orelha e começou seu trabalho. Suas mãos ágeis faziam o belo trabalho, já conhecido por mim. Era sempre a mesma coisa, ela nunca mudava seu jeito de fazer as coisas. Continuou me masturbando, aumentando e diminuindo os movimentos, enquanto eu sugava seus seios, ouvindo-a gemer fraco. É, cachorra, daqui à alguns segundos você estaria gritando de prazer e chamando meu nome. Acho que o que me dava mais tesão é a forma como ela ficava vulnerável, praticamente gritando pelo meu nome e implorando por mais. Annie se abaixou passando a língua por toda a extensão do meu membro, fazendo-me soltar um “Outch!” seguido por um gemido e me apoiar na mesa, logo à frente. Abocanhou meu pênis, recomeçando os movimentos e eu sentia que não conseguiria segurar por mais tempo.
— Annie... — disse, olhando para baixo, em seus olhos cheios de prazer (os meus não deveriam estar muito diferente). Para algumas coisas ela era bem rapidinha. Deu uma última lambida e levantou-se lambendo o lábio inferior de uma maneira que ela deveria julgar ser sexy e abriu o zíper da minha mochila, tirando de um dos bolsos, uma camisinha. Levantou, terminando de abaixar minha boxer e colocando o preservativo em mim. Ergui sua saia, abaixando sua calcinha e acariciando levemente sua intimidade com dois dedos. Ela gemeu em protesto. Sorri fraco. Penetrei-a com os dois dedos, fazendo movimentos rápidos e não demorei muito para tirá-los de lá, abrir ainda mais as pernas daquela vadia, que facilitou meu trabalho colocando as pernas em volta da minha cintura e puxando-me para mais perto. Sem aviso prévio (que merda é essa, ?) a penetrei com toda a força que tinha, sem nenhuma delicadeza. Nota importante: delicadeza é para os fracos; mulheres gostam de apanhar e sofrer nessas horas, se é que me entendem. Acelerei os movimentos e ela cravou as unhas em meu ombro, enquanto urrava de prazer e excitação. Aumentei ainda mais os movimentos sem me preocupar se estava machucando-a; seu corpo relaxou.
— Só mais um pouco... — disse baixo e ela mordeu os lábios, com os olhos fechados e puxou uma de minhas mãos, que estava em seu quadril, para seus seios. Apertei-os fortemente. Ela sussurrou meu nome em meio a um gemido rouco. A sensação de prazer tomou meu corpo, retirei meu membro de dentro dela e não pude controlar um sorriso safado de aparecer no meu rosto, quando olhei para Annie. Ela se aproximou com aquele olhar de adolescente apaixonada que eu gosto. Era prazeroso demais fazer as garotas se apaixonarem, usá-las e depois jogar fora. No caso dela, eu não jogaria fora, afinal, ela era minha fixa. Um step. É, assim soa melhor para o objeto que ela era. Annie não conseguia parar de encarar minha boca, puxei ela para mais perto, pela cintura e... Uma gargalhada extremamente alta me assustou e eu me afastei automaticamente de Anabelle, que bufou erguendo a calcinha, abaixando sua saia e colocando o sutiã. Caralho, velocidade da luz? Fiz o mesmo com minha boxer e a calça. Fui em direção à porta, abrindo-a devagar e esperando que a criatura inconveniente tivesse vazado dali. Coloquei minha cabeça (a de cima, que fique claro) para fora e... Meus planos foram por água abaixo.
Três pessoas caminhavam no corredor e eu as conhecia muito bem. Duas delas eram garotas, uma estava andando ao lado de um cara. A questão é que eu conhecia muito bem aquelas pessoas (duas, pelo menos) e uma delas não podia me ver ali nem fodendo.
“Fodendo”, 'tá aí uma expressão melhor impossível para aquela hora. andava ao lado daquela garota que ele estava tentando pegar e a outra... Claro que era a novata, digo, claro que era a .
— ? — quando pensei em me trancar novamente na sala de aula, o filho da puta que eu chamo de amigo me viu. — Que diabos você está fazendo aí, dude? — O que você pensaria se visse um cara dentro da sala de aula, aparentemente sozinho, com cara de quem estava aprontando algo (e eu estava), mas foi pego no flagra e, ainda por cima, todo suado com o cinto aberto? Qual é, no mínimo eu estava batendo uma! Evitei olhar para Anabelle, que devia estar na mesa, sentada com aquela expressão de “me come de novo!”. Saí, fechando a porta. Ele e a amiga colorida dele me encaravam e mexia em algo no seu armário, ficando de costas para mim. Cá entre nós, a bunda dela ficava ainda mais apertável quando tava virada daquele jeito. Juro que podia ouvir um “! ! !” vindo de lá (de lá = as nádegas, falou?). Acho que eu fiquei secando tanto a bunda da garota que nem notei quando ela virou de frente pra mim.
— Perdeu alguma coisa na minha saia, ? — A voz dela me acordou e caralho, eu estava com o queixo caído e o pior de tudo, fazendo papel de panaca na frente de uma garota. nunca passa por isso! deixa as meninas com cara de panacas e não o contrário. Pigarreei e finalmente pude ter uma visão panorâmica daquela preciosidade. Coxas grossas, cintura fina, seios bem fartos, enfim, o corpo moldado a mão e o rosto não deixava a desejar também. Sério, se o desempenho dela em uma cama fosse igual ao nível de gostosura dela, meu irmão, essa eu pegava pra criar. Joguei um dos meus sorrisos para ela. Já disse que os sorrisos de são fatais?
— Depende, se eu falar que perdi você me deixa procurar? — falei, encostando na parede e cruzando os braços, ainda olhando pra ela. O velho truque dos homens. Aquele que nunca fala, que seduz por completo e garante uma boa noitada. Quer dizer, isso se a garota não rir de você. Ela veio andando e rindo na minha direção, chegando mais perto e mais perto. Parou a centímetros de mim e mordeu o lábio inferior. Sensual demais, totalmente excitante.
— Cá entre nós, suas cantadas são tão péssimas quanto o seu estado agora — piscou e saiu dando risada, provavelmente da minha cara de taxo. Broxante. — ! — Ouvi-a chamar, pisquei algumas vezes para ver se não era mentira. Ela estava me chamando pelo apelido? Encarei-a, que estava ao lado da tal amiguinha que o quer dar uns tratos na cama e sorri pra ela, erguendo uma sobrancelha. — Da próxima vez, não se esqueça de fechar o cinto... Sabe como é, o projeto de pintinho pode voar — piscou de novo para mim, virou de costas e saiu rebolando. Dude, que mulher irritante! Ouvi a risada do corno do e da outra fulaninha. Fechei a cara e corri até a . Segurei seus braços, virando-a para mim. Eu podia sentir sua respiração que posso jurar que ficou ofegante por um segundo.
— Se você quiser ir a um lugar mais reservado eu te mostro o verdadeiro tamanho daquilo que você chama de projeto de pintinho, — frisei seu apelido e ela ficou me encarando por um tempo.
— Aposto que seu projeto de pintinho não daria conta, já que o tamanho, ou melhor, a falta de tamanho dele não daria conta de duas seguidas. — Olhei para ela sem entender; aproximou-se mais e falava bem perto da minha boca. Senti os pelos da minha nuca se arrepiarem, mas isso era por causa de um vento gelado que passou por ali, certeza. — Com certeza a vadia dentro daquela sala está super interessada em descobrir se ele funciona duas vezes seguidas ou não — puxou seu braço com força, fazendo com que eu a soltasse e voltou a andar.
— Não tem ninguém ali, ! — abri os braços, falando alto para que ela ouvisse. Ela gargalhou e virou-se pra mim, andando de costas. A amiga dela passava do meu lado, estava indo em direção à ela.
— Pra que se explicar pra mim, ? Importa-se tanto com o que eu penso? — respondeu ainda rindo e indo embora ao lado da amiga, descendo as escadas.
— Essa mulher ainda vai acabar com você, dude — senti dar dois tapas em minhas costas. Virei de frente para ele, irritado e apontando o dedo na cara dele.
— Escuta o que eu estou falando, . Eu vou catar aquela garota custe o que custar. Eu quero ela pra mim e eu vou tê-la — saí andando em direção às escadas.
— Não vai nem buscar a Anabelle? Ela que estava na sala, não era? — ouvi ele perguntar, não muito longe de mim.
— Foda-se ela. Eu já consegui o que eu queria mesmo, que morra lá esperando ou termine o trabalho com os próprios dedos! — nem esperei resposta, desci as escadas saindo o mais rápido dali. Dane-se se Anabelle viesse tirar satisfações, afinal, é isso que faz, não é? Quer, conquista, consegue e joga no lixo. Todas tiveram o mesmo fim, todas as que virão terão também; entre elas, .
A merda do celular começou a tocar, estiquei minha mão até o criado mudo, onde o aparelho estava, pegando-o e apertando qualquer botão, fazendo com que o barulho parasse. Agradeci mentalmente pelo silêncio e nem me dei o trabalho de abrir os olhos; enrolei-me ainda mais na coberta, virando para o outro lado da cama. Quando estava começando a pegar no sono de novo, o barulho voltou a incomodar a minha paz. Bufei, desligando a merda do celular e me levantando, andando até o banheiro. Eu dormiria durante as aulas, de qualquer forma. Segui minha rotina matinal — coisa que já fazia automaticamente, sem nem pensar — e saí de casa, ligando o Ipod e colocando uma música qualquer para tocar. Fui andando sem pressa pra escola e, assim que me aproximei do portão do inferno — que ainda insistem em chamar de escola —, lembrei-me que hoje era o dia de deixar aquela história de se fazer de difícil pra mim e aceitar ir ao Baile de Máscaras comigo. Qual é, esse era o sonho de qualquer uma que tivesse peito, bunda e gostasse do sexo oposto — sim, estou falando de garotas. Eu iria fazer um favor à novata, convidando-a para ir comigo. Com certeza, ela não iria recusar esse pedido. Eu encontrei com assim que cruzei o portão, e mal sabia eu que meu dia começaria tão bem; 7 horas da manhã e eu já chutaria uma garota obcecada por mim. E claro que eu não reclamo de ter que fazer isso, até porque, meu ego agradece.
— ! — ouvi aquela voz de gralha e nem precisei olhar para saber quem era a dona dela. Continuei andando ao lado de , sem dar muita importância para ela. — ! — aumentou o tom da voz e eu parei. Eu até gostaria de chutar ela sob os olhares atentos do resto dos alunos, mas aquela era Anabelle e ela era minha fixa, então...
— O que foi dessa vez, Annie? — perguntei entediado, me virando para ela.
— O que foi dessa vez? Você ainda me pergunta? Tem noção de quanto tempo eu fiquei lá dentro daquela sala esperando você? Quem você acha que é pra fazer isso comigo, ? Eu não sou qualquer uma! — imagina se não é qualquer uma! Não contive uma risada. — Você ri na minha cara, ? Temos que discutir a relação — cruzou os braços, olhando para mim. Os seios dela ficaram bem ressaltados entre os braços dela. Já disse quão suculentos os seios dela são? Quando ela fez menção de começar a falar mais ainda, a interrompi.
— Cala a boca, Annie! Você faz perguntas demais e nós não temos uma relação para discutir — acho que minha voz saiu um pouco rude. Mas é óbvio que isso foi proposital. A boca dela se abriu um pouco; queixo caído com a minha beleza, de certo.
— Não temos?
— Nunca tivemos, Annie.
— Você é um idiota, . É, é isso que você é! — Idiota? Era esse o pior xingamento que ela tinha? Que comédia.
— Annie, você é minha fixa, linda — passei um braço pelo ombro dela, começando a andar novamente e puxando-a pelo caminho. Eu falava pausadamente para aquela cabeleira loira entender logo de uma vez.
— E isso é algo bom? — olhou para mim perguntando. Revirei os olhos e mandei ela ir tomar no cu com a burrice dela. Mentira; limitei-me a forçar um sorriso.
— Claro que é, Annie.
— E como é isso? — por essa lerdeza que ela só presta na hora do sexo.
— Você dá pra quem você quiser e eu como quem eu quiser. Quando eu te chamar, nós nos pegamos e no outro dia volta tudo ao que era antes, entendeu? — ela soltou um “ah” longo, mostrando que entendeu e sorriu para mim.
— Então, hoje à noite na sua casa? —o sorriso dela era maior que o rosto. Se ele ainda fosse bonito...
— Hoje à noite não, Annie.
— Ah, sim — parou, em silêncio. — Tudo bem então, tchau — voltou a sorrir e saiu rebolando em direção às amigas. Tapada. Continuei andando até onde e conversavam com duas meninas; mais não quis dar uma de empata foda e fui andando até o armário para ver qual seria minha primeira aula e pegar os livros que eu iria precisar. Subi as escadas, andando em direção ao meu armário. Abri ele, olhando o horário: Literatura Inglesa. Que ótimo, poderia dormir logo na primeira aula. Peguei o livro e parei o que estava fazendo, quando ouvi uma voz conhecida ao meu lado. . Fingi que ainda mexia no armário.
— A falou com você, ? — perguntaram para ela.
— Sobre o Baile de Máscaras? Falou sim, Terrie. Aliás, pode me chamar só de — ela respondeu para a tal Terrie. Nomezinho zoado, hein.
— Então, ... Você vai ajudar a gente?
— Claro que vou! Como se eu ficasse por fora desse tipo de coisa! — riram. Ajudar em quê?
— Você parece super criativa, vai ser muito bom te ter ajudando na decoração e na organização do Baile! — a voz da tal Terrie demonstrava mesmo a empolgação. E isso não foi ironia ou sarcasmo — seria um prazer para nós ter você como membro da comissão organizadora das festas do colégio.
— Seria um enorme prazer fazer parte da comissão, Terrie.
— Ótimo! Nós já fizemos uma reunião antes das aulas começarem sobre como funcionaria tudo. Depois das aulas de hoje nós vamos decidir quem vai correr atrás de cada coisa. A reunião será no ginásio, nós sempre nos reunimos lá.
— Estarei lá, pode ter certeza. Preciso levar alguma coisa?
— Na verdade, ... Eu queria te pedir um favor. Fiquei meio sem jeito de conversar com a sobre isso — a menina deu uma risada sem graça. Meus neurônios trabalhavam cada vez mais rápido. Eu precisava arrumar um jeito de fazer parte dessa tal comissão. Era um ótimo jeito de me aproximar da .
— Opa, só falar Terrie! — riram de novo. Onde elas veem tanta graça, porra?
— A está saindo com o , não está?
— Acho que vão sair... Por quê? — comecei a prestar ainda mais atenção nessa parte.
— Porque ele tem uma banda e nós precisamos de uma para tocar, no mínimo, umas 5 músicas. Nós achamos um DJ, mas sempre temos uma banda para se apresentar na metade do baile e...
— Você quer que eu fale com o para ele e os amigos dele tocarem, certo?
— Exatamente. Podia fazer isso? — o sinal tocou.
— Bom, eu não fazia a menor ideia de que eles tinham uma banda, mas eu peço para eles irem à reunião hoje — falou.
— Ótimo! Obrigada, ... Até mais — a menina que eu esqueci o nome falou e, logo em seguida, passou por mim. Fechei o armário. A multidão de alunos indo pra suas salas fez com que passasse despercebida. Tão despercebida que eu nem a encontrei. Encostei-me no armário, pensando. Seria ótimo para a banda tocar no Baile e melhor ainda para mim.
Todas as garotas são loucas por jogadores de futebol americano e basquete ou por caras que tocam em bandas. é uma garota, eu sou o cara que toca em uma banda. Se somarmos esses dois fatores, temos e juntos. Eu sabia que aquelas aulas de matemática básica iam me ajudar em algo útil. Sorri, desencostando do armário e indo para a sala de aula.
Capítulo 4.
Coloquem para carregar: Obviously - McFLY.
’s POV.
Eu copiava uma daquelas fórmulas de física sobre força repulsiva elétrica quando o sinal – felizmente – soou, anunciando o início do intervalo. Terminei de copiar, jogando minhas coisas na mochila e saindo da sala. Andei entre a multidão de alunos e, ao virar o corredor, senti me segurarem pelos ombros.
- Fala aí, novata. – Ri, balançando de leve a cabeça em negação, ao ouvir chamar.
- Qual é, veterano. – Foi sua vez de dar risada.
- Veterano e popular, por favor. – O acompanhei, gargalhando, e apontei meu armário, parando ao chegar lá.
- Fala sério, . Acho que essa história de popularidade e divisão entre os alunos já deveria ter acabado faz tempo! – Joguei minha mochila dentro do armário, fechando-o e continuando a andar.
- Oi, gente. – apareceu como se brotasse do chão e a abraçou de lado, beijando o topo de sua cabeça e sorrindo para ela. Quanto amor! - O que devia ter acabado?
- Essa história de ser popular. – Revirei os olhos.
- Como se isso não fosse só coisa de filme americano, quer dizer, isso é ridículo e nem é tão assim aqui no colégio. – disse, olhando para .
- Tá, pode até não ser igual a filme americano, mas acontece aqui sim. – Defendeu-se um dos garotos populares do colégio. – E eu só zoei com você, . Tô pouco me fodendo pra popularidade. – Ele fez uma cara engraçada e eu dei risada disso.
- Okay, você já deixou bem claro que odeia essas coisas de níveis, classes ou sei lá como dá pra chamar. – Disse, enquanto descíamos a escada, indo para o refeitório.
- O único que parece ser bem noiado com esse negócio de popularidade é o . – Ouvi dizer, incerta.
- O comeu metade da população feminina do colégio e da cidade, o cara tem toda aquela pose de “eu sou foda” só pra conseguir comer a outra metade. – Os dois riram, eu só fechei a cara sentindo o sangue borbulhar nas minhas veias. Cada dia que eu ouvia sobre ele, cada história ouvida me deixava ainda mais certa de que aquele otário merecia quebrar a cara e os dentes numa puta queda. Depois disso, eu poderia manter uma pose de “eu sou foda” por ter o feito. Obviamente, não iria sustentar essa pose. Até porque eu seria fútil como ele ao fazê-lo.
- ! – O grito de me despertou dos pensamentos. Ela e me encaravam, rindo.
- A gente falou no e ela ficou aí, toda pensativa. – fez a brincadeira de mau gosto, mandei o dedo médio para ele. Não gastaria minha saliva comentando sobre isso. – Se não foi isso, tava pensando em quê, novata?
- Nada que te interesse, veterano. – Avistei Matt em uma das mesas; eu precisava falar com ele sobre o trabalho de Biologia. – Vou falar com o Matt sobre o trabalho e depois vou pra mesa com você, . – Disse e nem esperei resposta; me virei andando na direção de Matt e sentindo um olhar sob mim. Confesso que fiquei meio incomodada, mas não me preocupei em procurar o dono do olhar. Devia ser coisa da minha mente, é.
Matt e Victoria conversavam animadamente. No final das contas, Matt fazia parte da comissão de organização dos bailes escolares também. Fui até a mesa onde ele estava antes e combinamos que iríamos para minha casa depois da reunião para fazermos o trabalho. Chamei-o para sentar comigo na mesa onde e as meninas estavam e ele aceitou, meio incerto. Ao perceber que todas as garotas ali eram da comissão, ficou bem mais à vontade. Matt e conversavam com Victoria (uma garota alta e magra, pele super branca e cabelo num tom de loiro escuro, a simpatia dela era impressionante, sério!); eu fingia interesse na conversa de Terrie e outra garota ruiva que eu não lembrava o nome. Estava distraída demais e dessa vez eu não pensava em vingança. Muito pelo contrário, pensava na roupa e na máscara que eu usaria na festa. Precisava urgentemente ir ao shopping com . Vi quando sentou-se ao lado da minha amiga, entrando na conversa. Que grude esses dois, meu Deus! Eu havia me esquecido de falar com ele sobre a banda. Pensei em chamar sua atenção para perguntar sobre isto e senti alguém sentar do meu lado. Não dei importância e quando abri a boca para falar com , percebi que Terrie e a ruiva estavam quietas olhando para mim. Virei para ver quem era o ser humano sentado ao meu lado.
Não era um ser humano.
Seres humanos têm cérebro. só tem merda na cabeça.
Uma grande e fétida merda.
- O que você quer, ? – Perguntei, encarando-o com minha melhor cara de bunda.
- TPM, ? – Olhei para frente, fechando os olhos e suspirando. Pensei seriamente na possibilidade de começar a contar até 10, para ver se meu sangue esfriava um pouco.
- Eu, realmente, devo ter feito algo muito ruim em outra vida para ter que aguentar uma cruz como você, . – Disse, olhando para aquele imbecil. Acho que ele era o único imbecil de olhos fundos, brilhantes e encantadores.
Não, não e não! Os olhos deles só transmitiam o garoto fútil e egocêntrico que ele era. É, era isso.
- Meu nome fica mais bonito ainda quando você o fala assim... Nervosa. – Sussurrou, se aproximando de mim. Revirei os olhos; todos da mesa voltaram a conversar entre si, nos ignorando.
- O que você quer, ? – Repeti a pergunta pausadamente, decidindo que eu deveria contar até 10. 1, 2, 3...
- Você não respondeu meu bilhete. – 4, 5, 6... Pausa para um suspiro.
- Que bilhete, ? – 7, 8, 9...
- Te mandei dois bilhetes ontem e ainda quero a resposta, . – 10. Ele frisou meu apelido, sabendo que eu odiava quando ele me chamava daquele jeito. Aliás, contar até 10 não serve para porra nenhuma, deixo dito.
- Ah, os bilhetes! – Ri sarcástica. – Achei que você não era tão infantil assim, a ponto de tacar bilhetinhos e ainda se esquecer de escrever o nome no final. – Ele riu sem graça. O quê? sem graça na frente de uma garota? Pára, pára tudo que eu quero descer! Eu estava conseguindo aos poucos, afinal...
- Que seja, quer ir ao Baile comigo, ? – Ergueu uma sobrancelha, aposto que estava tentando me seduzir. Comigo não, baby! Todos ficaram em silêncio na mesa. Momentos de tensão! Será que a mocinha aceita sair com o vilão? Qual é, como se eu fosse dar esse gostinho a ele. Lembrando que nesse caso, acho que não temos mocinhos na história... Interessante.
- Não. Já tenho acompanhante. – Lancei um olhar de superior.
- JÁ? – Dessa vez, a pergunta não foi feita apenas por ele, mas por também. Eu não segurei o riso. – Posso saber quem é o concorrente que eu vou ter que derrubar, então? – perguntou, me encarando cético.
- O Matt. – Sorri ao ver que seu queixo caiu bruscamente. Aposto que dentre todos ali, as expressões mais hilárias seriam dele e de Matt. Me virei para Matthew, confirmando minhas suspeitas. – Não é, Matt? – Sorri.
- É...? – Ele não afirmou, porém, eu fingi que não percebi o questionamento em sua resposta. Isso ficou meio confuso, eu sei. Voltei meu olhar para , que ainda tinha a mesma expressão. Chacoalhou a cabeça levemente, fechando a boca e se levantando quando o sinal tocou. Nenhum de nós se levantou; também continuava ali.
- Ainda bem que você não me fez sofrer desse jeito, . – Ouvi ele dizer e todos nós rimos.
- Você é um bom menino, . – Pisquei para ele. – E a é fácil mesmo. – Saí assoviando, rindo e ouvindo os palavrões que ela berrava para mim, acompanhados de risadas altas dos outros presentes na mesa.
Fechei meu armário, colocando a mochila nas costas e caminhando apressadamente até o ginásio. O sinal que anunciava o fim das aulas daquela quarta-feira tinha tocado há uns 10 minutos e eu estava ali, atrasada por ter que terminar de copiar a matéria de história. Por sorte eu tinha conversado com na aula de filosofia e, como eu pensava, ele topou tocar as 5 músicas no baile, sábado. Verifiquei as horas no meu relógio de pulso e eu, definitivamente, estava atrasada. Bela forma de começar na comissão de organização. Uma organizadora atrasada. Corri pelo corredor, sorrindo aliviada ao avistar a porta do ginásio aberta e Victoria acabando de chegar também. Eu não seria a única atrasada ali, pelo menos. Entrei, avistando um pequeno grupo de pessoas em um canto, sentadas em volta de uma mesa. A ordem era: , a ruiva que eu não sabia o nome, Matt, Terrie, um garoto moreno que era desconhecido para mim, Victoria, um garoto loiro e alto que já tinha visto andando com Matt, , ... e ? Que porra era aquela? Eles eram da banda? Eu sabia que e mexiam com música, mas e ? Não, não pode ser verdade! Qual é, eles só tem cara de quem serve pra comer – comida e garotas -, dormir, jogar vídeo game e comer mais um pouco – de comida e de garotas. Andei até eles sob o olhar daqueles que estavam de frente para mim.
- Comecei com o pé direito, né? – Disse, sentando entre Matt e Terrie. Senti o olhar de sobre mim; que ele morresse. As meninas riram fraco.
- Relaxa, a Victoria também acabou de chegar. – sorriu para mim, retribuí.
- , eu acho que você não conhece os dois. – ela apontou para os meninos que eu realmente não conhecia, eles sorriram para mim; como eu sou muito simpática (aham) retribuí. – o moreno é o Joshua e o loiro, Tyler.
- , mas pode chamar de . – Disse, sorrindo ainda mais. Agora, de perto, até que Tyler era uma gracinha. Entenda o que quiser por “gracinha”. – Então... – Olhei para as meninas, tentando fazer com que elas entendessem que podiam começar já; eu só queria sumir dali de perto do . Até de boca fechada ele me deixava estressada.
- Então, ... A gente tava falando com os meninos sobre eles coordenarem a parte da música e tudo o mais. Falta contratar o DJ também! – Terrie começou a dizer, gesticulando.
- Não é um pouco em cima da hora para arrumar um DJ? Você disse que já tinham um. Quer dizer, nós temos... Dois dias. – Falei, um pouco confusa e olhando para ela, mas a resposta veio do bonitinho, digo, Tyler.
- Com a grana em mãos, é só assinar o contrato. – Disse, sorrindo para mim. Posso derreter?
- Eu achei que como você é ligada nessas coisas de música, instrumentos, festas e tudo o mais, poderia conhecer alguém, ... – disse. Realmente, eu gostava muito de música! Na verdade, eu respirava música. Aos 13 anos de idade comecei a fazer aulas de piano; com 14, violão e assim fui aprendendo bateria, baixo e finalizei com as aulas de canto. No ano passado, aos 16, uns amigos de Vancouver e eu montamos uma banda, porém, com a minha volta para Liverpool, eles encontraram outra vocalista.
- , eu cheguei na cidade agora, esqueceu?
- Mas você pode encontrar alguém para nós, . Olha, os meninos devem...
- Eu e o temos um amigo que é DJ. Ele é bom, vai topar tocar no baile. Se tiver com o dinheiro em mãos, como é o caso, ele abre espaço na agenda dele, podem ter certeza. – disse e todos acenaram afirmativamente; quer dizer, quase todos. Eu só o olhei e isso já foi até demais!
- Perfeito! Vocês dois podem correr atrás disso? – Victoria perguntou para e . negou com a cabeça.
- A gente já disse que não quer se comprometer com esse negócio de assinar contrato e correr atrás das coisas... – Disse rápido demais, arrancando um olhar triste de Victoria.
- Algum de vocês pode ir lá com a gente. Nós dois acompanhamos, conversamos com ele, mas não assinamos nada. – completou a fala do amigo. Ouvi suspirar pesadamente. - E deixamos a parte de assinar contrato com quem for com a gente.
- Certo, por favor, sem brigas, sem xingamentos, levem isso profissionalmente, nada pro lado pessoal. – disse olhando pra mim. Não... Ela não faria isso. – Terrie?
Terrie balançou a cabeça negativamente e hesitou por uns segundos antes de se virar para mim.
- , cada um de nós tem sua determinada função. Em relação à decoração e tudo o mais, já tem muita gente correndo atrás, além do mais, vai ser algo simples. Tá faltando alguém pra resolver essas coisas da parte de música e você chegou agora, não tem nenhuma função definida ainda, sabe... A gente pensou que... Bem, você gosta de música, entende disso... Nós não servimos pra isso, sabe? Então...
- Não acredito. – Pensei alto demais.
- ... – Ouvi chamar minha atenção, olhei para ela, que me encarava com um olhar repreensivo. Suspirei.
- Certo. É só ir falar com o cara e assinar os papéis, não é? – Perguntei, olhando de para Terrie. Puta que pariu, puta merda, puta que pariu, puta merda, vai se ferrar, puta merda, puta que pariu, okay, chega disso. É só ignorar a praga do e, olha só! Passando mais tempo com ele, eu posso deixar ele com mais vontade ainda de me ter. Isso soou tão...
- ! Acorda! – A voz de me acordou de mais uma viagem em pensamentos. Eu tinha que começar a tentar controlar esses momentos de brisa. Pedi desculpas, sem graça, e ela continuou. - Vocês vão ter que correr atrás de todos os equipamentos no sábado, juntos. – Ela, infelizmente, frisou a última palavra. Merda. – E enquanto eles estiverem se apresentando, você vai estar atrás do palco, verificando tudo. Okay? – Ela só havia perguntado por educação, eu tinha certeza disso. Olhei para ela e respondi “Okay é o caralho, eu não vou passar todo esse tempo perto do ! Eu vou acabar matando ele, cortando-o em pedaços e dando para o meu cachorro comer!”. Mentira, isso era o que eu queria responder. Porém, não o fiz.
- Eu não tenho escolha. – Dei risada só para não deixar a resposta tão “séria”.
- Se possível, já comecem a correr atrás disso hoje à tarde e se reúnam pra discutir tudo certo amanhã. – estava mandando demais ali, é.
- Acho que eu que vou coordenar a parte do som, . Eu marco as reuniões e organizo tudo, okay. Foque na sua parte. – Pisquei para ela, que me encarou emburrada.
- Nós já pegamos nossa parte, então vamos procurar as coisas agora. Até amanhã à tarde. – Joshua, a ruiva e Tyler se levantaram, saindo juntos e desaparecendo pela porta.
- Você não vai com eles, Matt? – Victoria perguntou. Ele negou com a cabeça.
- Vou pra casa da . – Sorriu pra mim, eu retribuí.
- Vamos, Matt. Acho que não preciso mais ficar, né? – Perguntei, olhando para Terrie. Me despedi dos que ficavam e os garotos também se levantaram; fomos em direção ao portão principal do colégio em um silêncio bem... Constrangedor. Pela primeira vez, não abriu a boca para falar as merdas habituais. Ao chegar na calçada, já fora dos muros que cercavam o inferno, vulgo escola, parei e eles fizeram o mesmo.
- Então, quando dá pra gente se juntar e conversar? – Perguntei, olhando para os quatro. Matt permanecia em silêncio ao meu lado; era visível seu desconforto com a presença dos garotos.
- Se quiserem pode ser hoje lá em casa. – disse, olhando de mim para os garotos. – A bateria tá lá mesmo, dá pra gente aproveitar e ensaiar, terminar umas músicas...
- Pode ser pra você, ? Quer dizer, . – sorriu sem graça para mim.
- Beleza para mim, é só falar a hora. E relaxa, de boa chamar pelo apelido. – Sorri.
- Falou, passa o número do seu celular e eu te ligo avisando, . – Ele disse, pegando o celular do bolso e digitando os números enquanto eu falava.
- Olha a desculpa do garoto só pra conseguir o celular dela! – disse e nós rimos.
- Então, até mais tarde. – Eles responderam com um “tchau” em uníssono e eu me virei, indo para casa conversando animadamente sobre o baile com Matt ao meu lado.
Descemos as escadas de casa. Matt se despediu da minha mãe, que estava na sala assistindo um programa qualquer com meu irmão, enquanto fazia carinho em Théo (minha bolinha de pêlos linda, vulgo meu cachorro).
- Eu passo aqui amanhã... Vou estar com o carro do meu pai, aí a gente vai. – Sorriu para mim, já fora de casa. Eu estava parada na porta, segurando-a.
- Certo. Amanhã é dia de compras! – Disse fingindo empolgação.
- Me sinto uma bicha louca com você falando desse jeito, . – Rimos.
- São só roupas novas e um trato nesse cabelo, Matt! Nada que vá te matar ou machucar. – Rimos novamente. Ele se despediu e sumiu pela rua; fechei a porta indo me sentar no sofá. Matt e eu conversamos muito esta tarde.
Almoçamos com meus pais e meu irmão, que adoraram ele, fizemos o trabalho em meia hora e depois ficamos conversando por aproximadamente duas horas. O relógio digital no desktop do computador marcava 15:36 quando ele decidiu ir embora. Ele me contou sobre os pais, tudo o que fazia nas horas livres, contou do sonho de ter uma banda e o mais interessante: disse que sempre quis mudar a aparência, porém, nunca encontrou alguém para ajudá-lo e tinha medo de só piorar. Não saía de casa e nem socializava com outras pessoas pelo medo de reprovarem sua aparência. Conversamos principalmente sobre esse último tópico. Eu ajudaria Matt. Faria dele o garoto mais incrível daquele Baile e do colégio a partir de amanhã; Combinamos que iríamos as comprar e renovar seu lado exterior. Ele topou. Matt é o tipo de pessoa que não se abre com ninguém, que não confia muito nas pessoas. Porém, se você mostrar que é confiável e mostrar sinceridade, ele vai estar do seu lado sempre. Eu sinto isso quando ele está presente. Matthew seria o primeiro menino (depois de , quando criança) que se tornaria meu melhor amigo; eu tinha certeza disso. Sem querer, me afundei num mar de pensamentos – como sempre. Só acordei quando ouvi meu celular tocando bem longe: ele estava no meu quarto, mais precisamente, em cima da cama. Levantei correndo do sofá da sala aonde mamãe e Nick dormiam e subi as escadas, indo rapidamente até meu quarto, pulando na cama e vendo um numero desconhecido na tela. Deveria ser o .
- Pronto.
- Oi, . – Aquela não era a voz do . Senti meu estômago embrulhar. Que diabos...?
- . – Eu não havia feito uma pergunta.
- Isso não foi uma pergunta. – Então ele era rápido quando queria! – Tá reconhecendo minha voz desse jeito já, ?
- Não te dei o direito de me chamar pelo apelido, . – Disse seca, como sempre, quando se tratava dele. – Fala logo o que você quer.
- Reunião no , 18 horas. Me passa o endereço da sua casa.
- Para quê?
- Você não sabe onde ele mora, eu passo aí e te pego. – Ele disse tranquilamente e eu gargalhei.
- Você realmente achou que eu fosse aceitar ir para a casa do na sua companhia? Me poupe disso!
- Olha aqui, . Eu to te fazendo um favor, dá pra deixar de ser ignorante pelo menos até a porra da nossa apresentação no Baile de sábado e facilitar? Que caralho!
- Você se acha no direito de falar desse jeito comigo, ? – Eu sabia que no fundo ele estava certo, mas eu não daria o braço a torcer. Ele suspirou pesado.
- Não to afim de aguentar sua ignorância. Anota a porra do endereço. – Bufei, pegando um lápis e papel, anotando as informações que ele passava. Ouvi o barulho que indicava o fim da ligação e joguei meu celular na cama, olhando para o nada. Alguma coisa na voz dele estava diferente. Tinha a mesma arrogância de sempre, mas, no fundo, algo nele o machucava. Pelo menos parecia. Grande merda, ele estar machucado ou não, não me interessava. Eu não me importava com ele. que morresse com sua arrogância e futilidade.
Imprimi a última folha do trabalho de biologia sobre O Genoma Humano e fui correndo para o banheiro. O relógio marcava 17:45 e eu ainda precisava tomar banho para ir à casa do . Tomei banho, escovei os dentes, soltei o cabelo, vesti a primeira calcinha e sutiã que encontrei, correndo para o guarda roupas. Short jeans, uma camiseta baby look e meu fiel adidas branco e prata. Peguei minha bolsa, jogando o celular dentro dela; desci as escadas correndo e avisei minha mãe que já estava saindo. Eram 18 horas e eu já estava atrasada. Eles que esperassem um pouco mais, tenho certeza de que não se importariam. Virei a esquina e vi alguém conhecido saindo apressado de uma das casas; ele virou o rosto em minha direção e sorriu, parando e me esperando.
- Tem costume de se atrasar sempre nos compromissos? – perguntou, quando eu estava a uns três passos dele.
- Só nos menos importantes. – Respondi, sorrindo para ele e cumprimentando-o com um beijo no rosto. Eu ia com a cara de , afinal, dos quatro, só o era desandado daquele jeito. era o mais sério, eu gostava disso nele. Ele tinha cara de ser confiável.
- Bom saber que você leva tão a sério seus deveres. – Rimos e andamos lado a lado até a casa de . Eu e ele havíamos conversado umas três vezes, no máximo, até aquele dia, porém, o assunto fluiu tão naturalmente entre nós dois... Ele tinha assuntos interessantes para conversar e isso o diferenciava de muitos garotos. Certo, ele podia ser considerado uma exceção entre a população masculina. Ou o problema sou eu que só conheço garotos fúteis e infantis. É, talvez o problema seja eu.
- OLÁ, FAMILIA! - gritou assim que abriu a porta da casa do . Nosso caminho até lá foi bem tranquilo, já que , por mais que parecesse sério, acabava falando besteiras e me fazendo rir. Logo que ele abriu a porta, demos de cara com o que tinha acabado de sair de uma espécie de sala e tomou um susto, já que ele deu um pulinho, rindo depois.
- E aí, , que animação é essa? - ele disse, meio que alheio e parecia estar "fingindo" não notar que eu estava ali. O que, de alguma forma, me deixou um pouquinho incomodada. Mas só um pouquinho.
- Pra que ficar triste, , querido? - ele gargalhou alto e eu achei estranha aquela atitude, olhando de pra , de pra , não entendendo nada. Balancei a cabeça negativamente como geralmente eu fazia, e passei reto por , me lembrando que eu não conhecia aquela casa, então não fazia ideia de pra onde ir. Andei pelo extenso corredor que só tinha uma escada mais à frente e mais algumas portas, totalmente perdida, quando ouvi uma risada baixa atrás de mim.
- Eles estão lá em baixo , lá pra frente só tem a escada pra subir pros quartos, cozinha e uma das salas. Você já passou de onde deveria ter entrado, a sala aonde nós ensaiamos é lá em baixo, entra nessa porta - ele deu uns passos na direção da porta de entrada da casa, abrindo uma das portas e me permitindo ver uma escada indo pro andar de baixo, ouvir a risada alta e escandalosa de e a voz de dizendo besteiras, como sempre. - Eles estão lá em baixo, acho que estavam esperando você chegar pra ajudar o com alguma coisa.
Dito isso, soltou a porta e deu meia volta, indo em direção de onde eu deduzi ser a cozinha. Segui seu corpo andar até lá com meus olhos, pensando em que raios eu estava fazendo aqui, na casa de um dos garotos que eu tinha conhecido há menos de uma semana já podia considerar um amigo, um deles eu tinha até gostado e os outros dois que não me desciam de jeito nenhum. Até que eu me lembrei do baile e que minha melhor amiga tinha me colocado em uma das piores funções, com as duas piores pessoas, no pior momento. Pode ser que não seja o pior momento, já que eu precisava me aproximar do de qualquer jeito, afinal, eu tinha um plano pra colocar em ação.
- ! - ouvi chamar meu nome, não tão longe de mim. Olhei para o fim da escada e lá estava ela, me encarando, e sorriu enquanto subia as escadas – Que demora pra chegar! Os meninos estavam te esperando pra terminar de escolher as músicas que eles vão tocar no baile.
Espera aí...
- Me esperando? - Apontei um dedo para mim mesma e fiz uma careta. começou a rir.
- Ai, credo, , como você é engraçada, esqueceu que quem tá ajudando eles a organizarem a parte musical do baile, é você? - ela cruzou os braços e sorriu – Me agradeça por isso. - eu bufei rolando os olhos como de costume, e o sorriso de seu rosto sumiu – Você não gostou muito disso, né? - Ela parou de rir no segundo seguinte, já que viu que eu não tinha achado graça nenhuma – Quer dizer, porque tem o e tudo mais, eu pensei que fosse ajudar.
- Que tal as duas velhinhas pararem de tricotar e descerem logo? Temos muitas coisas pra fazer ainda. - O infeliz do apareceu do nada, passando no meio de nós duas e descendo as escadas, interrompendo nossa conversa.
- Será que ele... - ia começar a falar de novo, mas eu não deixei.
- Deixa pra lá, , vamos descer de uma vez por todas. - Peguei sua mão, e descemos as escadas que ia dar onde eu pensava ser um porão. Se tinha me colocado no meio disso junto com os meninos, é porque eu precisava fazer isso e de alguma forma ela achava que iria me ajudar a me aproximar do . E se fosse pra fazer isso, que eu fizesse do jeito certo.
- ! Finalmente. - gritou assim que me viu, saindo de cima do amplificador aonde estava sentado e vindo em nossa direção. - Pensei que você fosse chegar antes do , geralmente é ele quem atrasa. - Disse rindo quando já estava mais perto de nós duas.
- EU OUVI ISSO! - gritou do outro lado do porão, onde ele e estavam sentados. Todos riram. Menos o .
- Eu vim junto com ele, é que eu tava lá em cima com . - Tentei me explicar, fazendo rir mais ainda.
- Tudo bem, relaxa. - ele passou um dos braços por meus ombros, me fazendo andar com ele até onde os outros meninos, e agora , estavam. - Só estava brincando.
Eles continuaram a conversar entre si e eu aproveitei para passar meus olhos só por um instante pelos instrumentos que ali se encontravam. Uma Fender 51' Nocaster Relic Preta bem ao centro com um dos microfones em um pedestal, um baixo Music Man Stingray Azul mais à direita com outro pedestal e microfone, a esquerda uma Les Paul Vermelha, pedestal e microfone, e uma bateria preta mais ao fundo. Instrumentos de boa qualidade, devo acrescentar, com todo aquele conhecimento que eu tinha no assunto, eu podia afirmar que eles eram muito bons. Não via a hora de ver os quatro garotos ali presentes tocarem. Passei meus olhos pelo porão, vendo alguns amplificadores perto dos instrumentos, algumas garrafas de cerveja jogadas no chão, uma geladeira, uma porta mais ao fundo, algumas cadeiras, uma mesa pequena, um sofá em cima de um tapete e dois olhos me encarando de uma forma estranha. Tinha alguma coisa errada ali.
- , vamos pra lá, os meninos querem terminar uma das músicas, vem. - Percebi que tinha, mais uma vez, entrado em mais um dos meus transes incontáveis de sempre. Desviei meu olhar de onde eles estavam antes, seguindo até o sofá. Os mesmos olhos de antes continuaram em cima de mim.
- Vai, , começa aí. - disse se sentando quando , e eu chegamos mais perto do sofá onde os outros três estavam sentados.
- Meninas, essa não tá terminada. - disse pegando um violão que estava no chão e começando a tocar uma música mais lenta.
, ao seu lado, pegou uma das folhas que estavam no chão e estendeu-as na frente de , de uma maneira que ele pudesse tocar e ao mesmo tempo ler o que estava escrito na folha. [Coloque a música pra tocar!] Sentamos no chão, só observando tocar, enquanto batucava em suas pernas e mexia sua cabeça no ritmo da música.
Recently I've been (Recentemente eu tenho)
Hopelessly reaching (Desesperadamente procurando)
Out for this girl (Por essa garota)
Who's out of this world (Que é de outro mundo)
Believe me. (Acredite em mim)
continuou tocando e cantando. Ele tinha uma voz linda, preciso admitir. Passei meus olhos por , que me encarava descaradamente. Assim que nossos olhares se cruzaram, ele desviou rapidamente, fazendo com que eu desse uma risada baixa, prestando atenção em , que continuava a cantar.
For so many nights now (Por tantas noites agora)
I found myself thinking about her now (Me pego pensando nela)
'Coz obvioulsy she's out of my league (Porque obviamente ela está fora do meu alcance)
But how can I win? (Mas como eu posso ganhar?)
She keeps dragging me in (Ela fica me atrasando)
And I know I never will be good enough for her. (E eu sei que eu nunca vou ser bom o suficiente para ela)
[Pausa na música!]
- Parei aqui - parou de tocar.
- Linda música. - se pronunciou, roubando as palavras de minha boca.
- Continua aí, , tenta acompanhar. - disse, procurando uma folha no chão. - Eu escrevi mais uma parte, assim que eu encontrar a folha eu mostro. - Eles deram risada até revirar mais folhas e, finalmente, achar o que procurava. repetiu o refrão, e, logo depois dele, começou a cantar sua parte recém escrita [Coloque play da onde parou!] E eu fiquei atônita, só encarando ele cantar. Detesto afirmar, ele tinha uma voz bonita. Muito bonita. Maravilhosa.
Got to scape now (Tenho que escapar agora)
Get on a plane now, oh yeah (Entrar no avião agora, oh yeah)
Off to L.A. and that's where I'll stay (Fora de Los Angeles, é aonde eu vou estar)
For two years (Por dois anos)
Put her behind me (Put her behind me) (Deixar ela para trás (Deixar ela para trás))
Go to a place where she can’t find me. (Ir para um lugar aonde ela não possa me encontrar)
- Oh, 'coz obvioulsy, she's out of my league (Porque obviamente, ela está fora do meu alcance)... Parei aqui. – Ele disse quando terminou de cantar.
- I'm wasting my time, cause she'll never be mine, and I know I never will be good enough for her. (Eu estou perdendo meu tempo, porque ela nunca será minha e eu sei que nunca vou ser bom o suficiente para ela.) - As palavras saíram da minha boca de um jeito bastante espontâneo. Todos me encaravam de um jeito muito estranho, e eu comecei a dar risada deles. - O que foi, gente? [Pausa de novo!]
- Repete - disse e o jeito que eu olhei ele não devia ter sido um dos melhores. - Pra eu anotar, eu gostei do que você cantou. - Ele se explicou e eu levantei uma de minhas sobrancelhas, desconfiando do que ele falava, mas deixei de lado dando de ombros e repetindo devagar pra ele poder anotar. - Pronto.
- Deixa eu ver. - pediu, lendo a letra com - Hm... - Ele passou a folha para e . [Play!]
- She's out of my hands... (Ela está fora de minhas mãos...) - parou, com uma das mãos no queixo, ainda olhando pra folha.
- And I never know where I stand... (E eu nunca sei aonde me colocar...) - completou.
- Cause I'm not good enough for her. (Porque eu não sou bom o suficiente para ela) - Outras palavras que saíram espontaneamente de minha boca. Sorri quando terminei a frase, sentindo certo desconforto vindo de alguém.
- Ta inspirada hoje, hein, ? - disse dando uma risadinha e eu devolvi com um sorriso fraco.
- Então de novo, do começo. - pediu enquanto eles assumiam seus instrumentos e começavam as primeiras melodias da nova música.
- ... - Eu cochichei pra ela, quando os meninos já estavam cada um em sua posição, ensaiando. Ela desviou seu olhar que estava pregado em e me olhou. Senti uma repentina vontade de rir, mais me controlei, voltando a falar. - Você não é da parte que arruma o som do baile, veio pra cá por quê? - Um sorriso um tanto safado surgiu em meu rosto enquanto o dela começava a ficar em um tom avermelhado que me dava vontade de rir. - Como você é safada, , só pensa nisso. - Não pude evitar um riso baixo, que ela me reprimiu com um tapa no braço.
- Sua boba, ele me ligou hoje à tarde por causa do trabalho, me chamando pra vir pra cá terminar e já me convidando pra ficar pro ensaio.
- E bem que você queria que ele tivesse te ligado pra pedir outra coisa, não é?
Ela me reprimiu com outros tapas, tentando ficar séria mais acabou rindo comigo no segundo seguinte. , que estava cantando um dos versos de uma música chamada Saturday Night, aumentou seu tom de voz, como se pedisse para que voltássemos a prestar atenção neles, o que não hesitamos a fazer logo depois, ainda rindo. Meu olhar se encontrou com o de , desviando assim que eu percebi que ele me olhava. O que me incomodou um pouco. Mas só um pouco.
- Ah, gostei bastante da música nova. - comentou animado sentado na cadeira.
Nós seis estávamos sentados em volta da mesa da cozinha ainda na casa de , logo após o ensaio. Os meninos estavam bebendo cerveja enquanto eu e ficamos apenas no refrigerante. Era quinta-feira à noite, amanhã ainda tinha aula e muitos detalhes do baile do sábado ainda precisavam ser resolvidos. Eu tinha ficado responsável pela parte musical do baile, mas isso não me impedia de ajudar em outras coisas.
Assim que terminamos a música que nomeamos de Obviously, eles foram cada um para seu instrumento e começaram a ensaiar as músicas que já tinham prontas. Eu tenho que, mais uma vez, admitir que eles eram bons. Não eram aquele tipo de bandinha de garagem que não vai pra frente, eu tenho certeza que se eles investissem nisso de verdade, eles dariam bastante certo. tinha ficado alheio o ensaio inteiro, coisa que não me surpreendeu nem um pouco já que ele estava assim desde que eu tinha chegado. Tínhamos até escolhido as cinco músicas que eles vão tocar no baile e tínhamos acrescentado no repertório a que terminamos de compor hoje, o que fez dizer que lá do palco ele iria fazer questão de gritar que eu tinha ajudado a compor a música. Até parece.
- Meninos, eu preciso ir. - disse se levantando, em meio a uma conversa animada que estávamos tendo. - Amanhã tem aula de novo e sabe como é... , você vem comigo?
- Pode ir, , eu a levo pra casa mais tarde. - Assim como o resto da mesa, eu encarei um tanto quanto perplexa. Era de se esperar uma atitude dessas vindo dele? Não. Pelo menos não hoje. Ele não havia sequer trocado uma palavra descente comigo (como se eu me importasse) e falado bem pouco com os meninos, tinha ficado quieto a maior parte do tempo, sem considerar o tempo que ele estava cantando, e vem com uma dessas, do nada?
De qualquer forma, eu deixaria só para saber onde aquilo acabaria.
- Pode ir, . - eu disse depois de um tempo sem falar. Pigarreei diante da cara de “não-acredito-mesmo-que-você-vai-pegar-carona-com-ele” da , como se eu quisesse dizer que eu sabia o que estava fazendo e voltei a falar, só para amenizar a situação. - Eu não terminei de arrumar todas as coisas com os meninos, vai levar um tempinho de hoje ainda, pode ir.
- Então tá, né... - Como se não acreditasse, ela me deu um beijo na bochecha quando passou pela cadeira onde eu estava sentada e abaixou falando mais baixo, como se fosse só para eu ouvir. - Olha lá, hein, , não vai fazer nada que você possa se arrepender depois viu?
- Tchau, . – Disse, rolando os olhos enquanto ela se levantava e ia em direção da porta com atrás dela.
- Esses dois tão num grude só, né? Credo. - comentou.
- Ciúmes? - disse fazendo nós três, menos , claro, cairmos na gargalhada.
- Não, é que... - tentou se explicar, mas o cortou.
- Awn, o namoradinho do tá sendo trocado por uma garota e ficou com ciuminho. - aproveitou e apertou suas bochechas, já que ele estava ao seu lado. Continuamos todos a rir, menos .
- Vão se ferrar vocês três. - Ele disse bravinho.
- Meninos. - Cortei a sessão de risos, fazendo todos eles me olharem. - O que precisamos resolver ainda?
- O transporte dos nossos equipamentos, a gente se vira dividindo nos carros numa boa. - respondeu. - A única coisa que ainda tá pendente é o DJ.
- , você falou com seu amigo? – Perguntei, dirigindo a palavra a ele depois de todo esse tempo.
- Falei, ele pediu para irmos no escritório dele amanhã à tarde pra assinamos o contrato.
- Amanhã à tarde? Eu vou correr com as coisas do baile, ! Por que você foi deixar para última hora?
- Você queria o quê? - Ele bateu a garrafa dele em cima da mesa, se exaltando. - Que a gente fosse atrás do cara agora, quase meia noite?
- Seria melhor. - Eu disse, rolando meus olhos e olhando pra qualquer lugar, menos ele. - Pelo menos ia me poupar de ter que passar mais tempo com você.
- Eu ia adorar passar mais tempo com você também, . - Ele frisou meu apelido do jeito que ele sabia que eu odiava, dizendo as outras palavras com aquele tom típico de cafajeste como se cuspisse as palavras na minha cara, soltando um risinho cínico logo depois que me fez querer voar em seu pescoço. - Mas eu não vou fazer isso sozinho e eu já falei que eu não assino contrato. É por isso que você está aqui. - Ele sorriu como se estivesse orgulhoso de si mesmo.
- Como se você não estivesse adorando isso depois do seu pedido furado de me levar ao Baile. Idiota. - Revirei meus olhos como de costume e levantei da cadeira, deixando a lata de refrigerante, que ainda estava na metade, em cima da mesa, sob o olhar dos meninos. - Bom, já vou. Até amanhã, e . Digam pro que eu mandei um beijo.
Passei meus olhos por eles, que me encaravam confusos, e meu olhar caiu no , que me encarava com muita, mas muita raiva. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, antes que ele pudesse retrucar qualquer coisa que eu tenha dito, saí da cozinha, sorrindo e sentindo um grande orgulho de mim mesma. Ele que fosse pro espaço com a raivinha dele.
’s POV.
Inspira. Expira. Inspira. Expira. A novata é só mais uma garota. Uma garota muito, mas muito folgada. Mais uma garota folgada e irritante. Mais uma garota muito folgada, irritante e que sabia muito bem como mexer comigo. O quê? Não, pule essa última parte.
- Ué, aonde é que você vai? - perguntou assim que eu me levantei da cadeira onde estava sentado. tinha saído da cozinha há menos de um minuto e quem sabe ainda desse tempo de alcançá-la. Eu tinha entrado em algum tipo de transe que não me fazia prestar atenção em nada que ou então falassem. Aquela garota me paga. Quem ela pensa que é para falar daquele jeito comigo? Ela é só mais uma garota que está tentando me tirar do sério. Só mais uma. Ou a única. Normalmente, eu que tirava as garotas do sério. Certo, pode pular essa parte também.
Acabei não dando a mínima para o que eles falavam. Saí da cozinha e peguei a chaves do meu carro que estavam em cima do aparador que ficava no meio do corredor. Passei pela sala e peguei meu moletom que estava em cima de uma das poltronas, o vesti e fui em direção à porta de entrada da casa, me encontrando com assim que passei pela mesma. Ele que dava meia volta para entrar de novo na casa, se assustou ao me ver, rindo logo depois.
Bingo.
- Pra onde ela foi? - Perguntei impaciente e nem dando chances pra ele falar alguma coisa. É assim que as coisas funcionam. Pegou em um mau momento, educação é a última coisa que você deve esperar.
- Ela quem? - Ele perguntou. Pela expressão que logo surgiu em seu rosto, ele pôde ver (pelo menos era o que eu esperava) que eu não estava para brincadeiras. - Se você tá falando da , ela foi pra lá. - Ele apontou para a esquerda, soltando uma risada baixa depois.
Não respondi, não agradeci, nem nada. Passei por ele, abrindo a porta do meu carro de uma forma meio bruta e com certa força, ligando-o no segundo seguinte.
- Olha lá, hein, ! - ouvi gritar enquanto eu manobrava o carro e o tirava da garagem em frente a sua casa. - E de nada pela informação!
Mandei um dedo do meio super educado para ele, arrancando com o carro na direção que ele tinha me indicado. Ela não deveria estar longe, afinal, não tinha saído da casa do tanto tempo antes de mim. E eu não estava errado. Não muito longe de mim, andava de um jeito que me pareceu apressado. Ela estava se abraçando, já que usava apenas shorts e uma blusa de mangas curtas e lá fora estava ventando um pouco. Liverpool é uma cidade estranha, se de manhã o tempo está bem calor, à noite acaba esfriando e ventando bastante. No inverno é a mesma coisa, só que as temperaturas caem mais ainda à noite. Espera aí, eu estou mesmo falando do tempo enquanto a está lá fora?
Acelerei o carro para poder alcançá-la, diminuindo a velocidade assim que cheguei mais perto dela. virou apenas seu rosto para o lado em que eu estava e, assim que viu que era eu quem dirigia, voltou a olhar para frente com sua típica cara de bunda. Abaixei o vidro do carro, acompanhando-a em uma velocidade mais baixa. Sorri por dentro, só por ver que ela ficava irritadinha quando se tratava de mim.
- Entra. - Disse, sem nenhuma paciência. Ela não respondeu nada, a vi rolar os olhos e nem desviar o olhar da rua à sua frente. - Vamos, , eu não estou pra brincadeiras.
- Eu não te pedi para vir aqui. - Ela disse seca. Um vento que pareceu mais gelado, até para mim que estava dentro do carro, passou por nós e eu a vi estremecer.
- Você tá com frio, é quase meia noite, eu vou te levar pra casa. Você sabe que esse bairro não é um dos mais seguros que existem. Entra.
- Deve ser mais seguro andar aqui fora do que ficar presa dentro do mesmo carro que você. - O sangue subiu em minha cabeça, mas eu me controlei.
- Quer pagar pra ver, ? - Frisei seu apelido da forma que eu sei que ela não gosta nem um pouco e sorri irônico.
- E desde quando você se importa, ? - ela disse, ainda sem desviar seu olhar.
- Desde quando eu decidi que você vai ser minha. - Ela gargalhou, desmanchando a sua expressão séria. Isso só me deu mais raiva ainda. Que merda eu estava fazendo ali mesmo?
- Você devia parar de ser tão prepotente. - Ela levantou sua cabeça e riu mais ainda. - Você me faz rir, .
- Quer parar de me fazer de palhaço e entrar na droga do carro?
- E se eu disser que não vou? - Ela olhou diretamente para mim pela primeira vez desde que começamos aquela discussão no meio da rua e não desviou. Depois desse momento, tudo aconteceu rápido demais.
***
Acelerei, ouvindo os pneus de trás cantarem, enquanto o carro saía em alta velocidade. Eu só daria uma volta na quadra, para ela perceber que não foi sua escolha mais sábia, não aceitar minha carona. Em 5 minutos, dobrei a esquina, voltando à rua onde estava, porém, havia um erro ali. Cadê a ? Diminui a velocidade, começando a ficar realmente preocupado com ela. Não que eu me importasse, eu só não queria que ela tivesse sido sequestrada e que eu fosse o culpado. Aliás, se ela fosse sequestrada, quem iria comigo amanhã assinar os papéis com o DJ? Rolei os olhos, abaixando o vidro do carro e desligando o som. No instante em que o vocalista do Blink 182 se calou, um grito agudo pôde ser ouvido. Senti um desespero correndo em minhas veias. Que porra tava acontecendo ali? Parei o carro de qualquer jeito no meio da rua, descendo rapidamente e acionando o alarme. Qual é, eu não poderia deixar que levassem meu carro! Eu só podia ouvir gritos desesperados pedindo por ajuda. O que me deixou ainda mais preocupado foi o fato de que eu conhecia aquela voz. Infelizmente, eu conhecia. Corri pela calçada, olhando de beco em beco. Por que aquela rua tinha que ter tantos becos, pouca iluminação e NINGUÉM TRANSITANDO DURANTE A NOITE? Como se algo puxasse meus olhos, virei minha cabeça, enxergando o que eu não queria. Em um beco, do outro lado da rua, duas pessoas. Estavam longe, mas podia ver a silhueta das duas. Uma pessoa encostada na parede, se contorcendo e empurrando a outra com as mãos, em uma tentativa frustrada de se desvencilhar. O possível agressor, ou a pessoa que estava sendo empurrada, tinha a cabeça entre o pescoço da possível vítima. Atravessei a rua e quando cheguei ainda mais perto da cena, eu paralisei. Digamos que não era uma das cenas mais agradáveis e eu não tinha a menor idéia do que fazer. Aquele cara era grande o suficiente para me quebrar em quatro e sabe-se lá se ele tinha uma arma por trás daquela roupa preta e macabra dele. Por outro lado, eu não podia deixar que ele abusasse da . No meu subconsciente algo me dizia para sair dali e só ligar para a polícia, mas até eles chegarem, seria tarde demais e... E eu queria protegê-la. Eu queria dar uma de herói. Qual é, minhas chances de pegar ela depois disso seriam maiores! Ouvi um gemido de dor vindo da garganta de e o cara realmente estava muito entretido passando as mãos pela coxa dela, já que nem sequer notou minha presença ali. Ou então, ele gostava de telespectadores. É, acho que ele estava entretido mesmo. O corpo dela se contorcia e seus soluços saiam mais altos a cada toque daquele filho da puta. Ele desgrudou dela, mas não tirou os olhos de seus seios, passando as mãos por eles e apertando-os. Senti uma veia em minha testa pulsar. Meu coração poderia sair pela boca e a adrenalina estava a mil. Eu não sabia por onde começar, mas o cara sabia muito bem. Ele rasgou a blusa de . Meus pulsos cerraram. PORQUE, DIABOS, EU ESTAVA PARADO SEM FAZER NADA? Corri até aquele cara, que beijava o colo de , puxando-o pelo cabelo, soltando-o dela enfiando um soco no meio da fuça daquele estuprador filho de uma puta. Barba por fazer, cabelo comprido e embaraçado, corpo sujo. Quase vomitei ao sentir o cheiro que aquele cara exalava. Ou talvez eu quisesse vomitar simplesmente por saber que eu seria morto se aquele cara tivesse uma arma escondida. O ergui, jogando em direção as latas de lixo, andei até ele, que estava meio atordoado, acertando três socos seguidos em seu rosto. Soltei-o, pensando em chutar suas bolas, mas algo bem mais forte me fez olhar para a garota no fim do beco. Abaixada, escondendo o rosto com as mãos, soluçando alto, o corpo trêmulo, a única peça visível em suas costas era o feixe preto do sutiã. Mordi meu lábio, pensando em ir até ela, abraçá-la e protegê-la. Dizer que estava tudo bem, que eu estava aqui agora e a levaria para casa. levantou o rosto molhado pelas lágrimas, seu olhar assustado se encontrou com o meu. Fragilidade. Isso é o que os olhos dela passavam. Senti um arrepio percorrer meu pescoço e dei um passo em direção à ela. Seus olhos arregalaram-se e ouvi sua voz trêmula gritar meu nome. Não tive tempo de olhar para trás.
Quando me dei conta, estava no chão. A dor que eu sentia no meu nariz... Não tinha como medir. Minha visão estava embaçada, mas eu podia ver a figura parada em minha frente. Segundos depois, senti chutes seguidos em meu estômago. Gemi de dor, me contorcendo e pensando no papel ridículo que eu estava fazendo. Apanhando na frente da Megan. Deprimente, . Não, ridículo. Ouvi o choro dela ainda mais alto (se é que era possível) e senti a raiva tomar meu corpo novamente.
- Cala a boca, piranha! – Ele gritou com , que diminuiu o volume do choro. Eu acabaria com aquele depravado. - Desistiu, playboy? – A voz do filho de uma égua só me fez encontrar forças para levantar dali e enfiar cinco socos seguidos naquele mal comido, que caiu no chão. Me permiti enfiar alguns chutes no estômago dele, assim como ele fez comigo. Eu queria mesmo acertas as bolas daquele infeliz, mas fazer o quê? O estômago era mais fácil. Passei a mão pelo meu nariz, me arrependendo no segundo seguinte e vendo o sangue sujá-las. Dessa vez, não olhei para , evitando me desconcentrar. Voltei a olhar para o ser caído em minha frente, que agora se levantava cambaleante e me olhava com o olho e boca inchados, com um sorriso irônico e uma mão na barriga. Se a situação não fosse tão séria, eu poderia gargalhar na cara dele.
- E então, o príncipe encantado veio salvar a princesinha indefesa. - Ele gargalhou sem força, ainda zonzo por meus socos, mas não fazendo nada. - Mais que romântico.
- Filho de uma… - Não continuei, apenas acertei mais um soco, dessa vez em seu nariz, o fazendo cair novamente. Dessa vez, ele ficou desacordado. Antes que eu pudesse continuar batendo naquele infeliz, senti uma pequena mão em meu ombro, o que me fez parar o que eu ia começar a fazer.
- Vamos embora daqui, . – Sua voz saiu em um sussurro e só consegui acenar afirmativamente, ainda olhando para o otário esparramado no chão. Por mais que eu quisesse bater nele até ele ficar sem pulso e morrer, obedeci à vontade de . Coloquei uma das minhas mãos em sua cintura, para que se apoiasse em mim e a levei até o carro, do outro lado da rua. Abri a porta para ela, ainda segurando suas mãos, esperando que ela entrasse. Vi quando ela sentou-se no banco, colocando as pernas no mesmo e abraçando-as. Eu nunca pensei que fosse vê-la em uma situação dessa. A vontade de ignorá-la e a raiva simplesmente sumiram. Eu devia protegê-la. Eu havia a protegido. Fechei a porta, correndo até o banco do motorista, entrando, colocando a chave no contato e saindo daquela rua.
Eu encarava a rua deserta à minha frente, lembrando do detalhe de que eu não sabia onde ela morava. Virei meu rosto a fim de perguntar-lhe e lembrei que ela estava sem blusa. Parei o carro imediatamente, tirando a blusa de moletom, enquanto sentia seu olhar sob mim. Entreguei para ela, que me olhava confusa.
- Veste. - Eu disse e ela hesitou. – Qual é, . Pega o moletom. – Ela abaixou o olhar por um segundo, levando-o até mim logo em seguida, pegando o moletom e vestindo-o. Não me dei ao luxo de admirá-la colocando-o, mas ela tem um dos colos mais bonitos e... Fartos que eu já vi, digamos assim. Deixei um sorriso de canto escapar, enquanto voltava a dirigir pela rua um pouco mais iluminada.
O silêncio foi quebrado com a voz dela pedindo para eu virar à esquerda. Concordei silenciosamente, suspirando e fazendo o que ela pediu.
- Você tá bem? - Perguntei, olhando-a rapidamente. , que olhava para frente sem desviar o olhar, abraçando seus joelhos já que seus pés estavam em cima do banco, não respondeu. De seus olhos ainda caiam algumas lágrimas e eu não tinha ideia do que fazer. Tirei uma de minhas mãos do volante, passei por sua bochecha, a fim de impedir uma lágrima de cair. Eu estava nervoso e esperando alguma reação dela, mas foi em vão. Ela não disse nada, nem se moveu. Suspirei frustrado. – Você devia ter entrado no carro, aquela rua é deserta, não é segura, mas não! Você tem que sustentar essa pose de “sou foda” e andar por aí essa hora e ainda sozinha...
- Você consegue estragar as coisas ainda mais, não é? - Ela desviou seu olhar do ponto a frente que encarava e me olhou. Vi seus olhos brilharem, provavelmente por causa das lágrimas que antes dele caíam. Isso, de algum modo, apertou meu coração. E sim, eu tenho coração. - Só... - Suspirou e voltou a olhar para frente. - Só me leva pra casa... - Ela abaixou o tom de voz quando disse as últimas palavras e continuei dirigindo em silêncio. A única vez que eu ouvia sua voz era para dar as instruções de como chegar em sua casa. Confesso que, de alguma forma inexplicável, isso me incomodou. Estacionei o carro em frente de sua casa, tirando as mãos do volante e olhando para o fim da rua.
- Obrigada. – Ouvi sua voz. Ela estava mesmo sendo humilde e me agradecendo? Continuei encarando-a. – Obrigada por, você sabe, me salvar daquela coisa. – Sorriu levemente, sem animação e era como se ela estivesse com... Vergonha?
- Sempre que precisar... - Sorri para ela, tentando passar um pouco de conforto. - É só chamar, . – O momento estava tão no estilo paz e amor que eu preferi não forçar ao chamá-la pelo apelido. Isso poderia desencadear sua típica bipolaridade. Ela abaixou seu rosto, provavelmente envergonhada (é estranho dizer isso sobre alguém como ela).
- Vê se cuida desse nariz... – Ela disse, abrindo a porta do carro. – Não quero você cheio de esparadrapos no Baile. – Pela primeira vez, posso dizer que a vi sorrir verdadeiramente para mim. Desceu do carro, fechando a porta. Abaixei o vidro, vendo-a andar pela calçada e virar-se para mim. Continuei encarando-a em silêncio. – Boa noite, . – Virou-se, caminhando pelo gramado e entrando em sua casa, sem olhar para trás novamente.
Mesmo com a porta da casa já fechada, permaneci ali, parado dentro do carro. Minutos depois, a luz de um dos cômodos do andar de cima foi acesa. Não demorou muito até que a porta de vidro, que dava para a sacada do que eu deduzi ser seu quarto, foi aberta. Um pequeno pedaço da sacada era coberto pela copa de uma grande árvore que havia na frente da sua casa, na parte que era descoberta pelas folhas, apareceu ainda vestida com meu moletom. Ela olhava para o céu, passando as mãos constantemente pelas suas bochechas, provavelmente limpando as lágrimas que insistiam em cair de seus olhos. Mais uma vez senti um aperto no peito. Seu olhar se abaixou e, assim que viu meu carro ainda parado ali, na frente da sua casa, seus olhos e os meus se arregalaram. Liguei meu carro, acelerando e fazendo o velho e conhecido caminho de casa. Ver chorando tinha, de alguma forma, me deixado com o coração apertado e então eu cheguei a uma conclusão: talvez ela mexesse comigo muito mais do que qualquer garota que eu já tinha ficado, ou pior, ela mexia comigo de um jeito muito mais forte que eu não podia controlar.
E alguém me explica que diabos foi ela me chamando pelo apelido?
Capítulo 5.
’s POV.
Aquele lugar estava uma loucura: alunos correndo de um lado para o outro, seguindo as ordens de , Terrie e Victoria. Mesas e escadas sendo carregadas de um lado para o outro, técnicos em iluminação, montagem do bar, garrafas de bebidas, petiscos, , , e carregando fios e colocando onde eu pedia. Fiz o que tinha que fazer voltando para casa enquanto me imaginava correndo em direção ao banheiro a fim de tomar um bom banho gelado. Em meia hora, e passariam em casa para irmos resolver o problema do DJ, afinal, teríamos que correr atrás do transporte da bancada dele, junto com todos os outros aparelhos necessários. Como se não bastasse, eu ainda iria ao shopping e, em seguida, ao salão com Matt! Essa sexta-feira iria me render uma boa dor de cabeça, muito bem acompanhada por uma gigantesca onda de mau humor. Deixei minha educação de lado, sem falar com meus pais e nem tive tempo de dar atenção para Théo, que veio todo animado me receber. Entrei no meu quarto batendo a porta, jogando a mochila em qualquer lugar, tirando o uniforme no meio do caminho, batendo também a porta do banheiro, correndo para o box, ligando o chuveiro e prendendo o cabelo num coque alto. Água bem gelada. Era disso que eu precisava nesse momento. Senti meus músculos relaxarem com aquelas gotas de água fria entrando em contato com meu corpo. Eu poderia passar o dia inteiro ali, mas num estalo lembrei-me do que eu tinha esquecido por uns 8 minutos: preparativos e baile. Soltei uns palavrões baixos, desligando o chuveiro, me enrolando em uma toalha e correndo para o guarda roupas, enquanto quase caía ao colocar a calcinha e, logo depois, o sutiã. Coloquei uma blusa azul de alça, um short curto de lavagem escura e meu all star azul claro. Não dava tempo nem para passar um rímel se eu quisesse engolir a comida do almoço. É, engolir. A etapa de mastigação passaria despercebida hoje. Peguei minha bolsa branca, jogando meu celular lá dentro (como de costume) e saí do quarto, descendo as escadas aos tropeços. Deus, como eu odiava ter de fazer as coisas com pressa! Entrei na cozinha, cumprimentei decentemente meus pais e meu irmão, que ria do meu desespero para fazer tudo de uma vez. Colocar comida no prato, encher o copo de suco, engolir a comida, tomar o suco e quase engasgar. Depois de receber uma bronca da minha mãe, devido ao fato de comer apressadamente e que aquilo me faria mal mais tarde, ouvi a buzina de um carro vindo da rua. Mandei beijos para os quatro (incluindo o Théo, é claro), avisando que só voltaria à noite e saí de casa, correndo em direção ao carro de . Eu não estava nem um pouco feliz com o fato de que teria que passar uma tarde inteira com e . Se os outros garotos estivessem junto, eles amenizariam a situação, como ontem; mas, infelizmente, éramos aqueles dois ignorantes e eu. Mesmo com o ocorrido da noite passada, que uma grande parte de mim preferia esquecer e nem mesmo sonhar que tinha acontecido, mesmo me salvando daquela... Coisa. Nada tinha me feito mudar de ideia e muito menos de desistir de seguir com meu objetivo principal. Eu só deveria ignorar o senhor pegador e, com isso, ele perceberia que nada haveria mudado. Qual é, me salvar não pode ter sido uma grande coisa, certo? Que diabos! Claro que era! Eu poderia estar jogada às traças até agora... De qualquer forma, eu continuaria ignorando-o (e odiando, é claro). Ignorar era legal. É. Sempre funcionou. É. Um bom, aliás, ótimo plano. É. E vai continuar assim. É. Agora eu só preciso relaxar. E parar de usar “É”, porque parece que estou querendo convencer a mim mesma sobre o que estou fazendo e não às outras pessoas. Mas que diabos de outras pessoas, se eu estou apenas pensando? Pensamentos aleatórios, parem AGORA!
- Acorda, . – Ouvi o infeliz (não o , dessa vez era ) falar, chamando minha atenção. Não seria uma grande novidade se eu dissesse que, novamente, entrei no típico estado ausente. Qual é, como se não tivessem percebido isso. Meu próximo tópico na lista de coisas a se fazer, definitivamente, era cortar esses momentos. Chacoalhei a cabeça de uma forma imperceptível, sorrindo forçado para ele que estava virado para mim. – Não precisa sorrir pra mim, não tô te obrigando a ser forçada. Eu sei que, por alguma razão, você me odeia e odeia o . – Revirei os olhos.
- Olha, dá pra me deixar em paz? Eu sei que minha presença também não agrada nada a vocês dois, então vamos facilitar as coisas e calar a boca?! É simples assim, finjam que eu não estou aqui. – Cruzei os braços, o vendo soltar uma gargalhada sarcástica.
- É meio complicado ignorar algo tão bonito como você, . – Foi a vez da grande bosta ambulante, digo, falar.
- Algo? Vai fazer a menina se sentir um objeto, dude! – conversava com .
- O que ele pensa ou não sobre mim não faz nenhuma diferença na minha vida ou na minha auto estima, . – Pisquei para ele, mandando um dos meus sorrisos mais forçados.
- Sério, , qual é? Desde quando a gente se trombou em frente à secretaria você é ignorante comigo! Falaram algo de mim pra você? Eu fiz alguma coisa pra você? Sei lá, tem que ter um motivo pra essa porra toda! – Sim, você fez. Não se lembra, amorzinho? Ah, é verdade, você é um otário que quebra tantos corações e a falta de cérebro impossibilita se lembrar do rosto de cada vítima. Eu gostaria de dizer isso, mas não o fiz. Ia contra meus princípios. – Fala alguma coisa agora, caralho! – Eu tinha mesmo tirado do sério? Gargalhei alto.
- Acredite, falam muito de você naquele colégio e as coisas não são nada legais, meu bem. – Ironia mode on. Agora o sorriso forçado foi para ele, que me encarava pelo retrovisor.
- Deixem para discutir a relação outra hora, dude. Não tô afim de ficar ouvindo coisas inúteis para mim, que poluem meu ouvido. – começou com a viadagem extrema.
- Bicha. – Sussurrei e o vi se ajeitar no banco, fazendo com que eu concluísse que, das duas uma: ou ele não ouviu, ou fingiu não se importar. Por algum motivo de força maior do meu subconsciente, fui levada a olhar para o retrovisor. Confesso que não foi nenhum pouco agradável fazê-lo. suspirou, enquanto me lançava um último olhar. Não foi o olhar de cafajeste que ele sempre ostentou que vinha com um pacote completo... Sabem como é. 50% pretensioso, 20% sedutor, 30% garanhão, 0% humilde. Foi um olhar de dor, aquele olhar triste, que as pessoas ostentam quando estão machucadas. Claro que, vindo dele, a única coisa que faltava ali era uma lágrima solitária escorrendo dramaticamente pela sua bochecha. Pensando um pouco, aquilo daria uma ótima cena daqueles filmes mela-cueca. Pensando mais um pouco, com mais seriedade e menos sarcasmo ou ironia, aquilo me machucou por um milésimo de segundo, porque talvez, bem lá no fundo, fosse real. Eu não deveria me importar, certo? E eu não me importei. É, eu não me importei... Aliás, já comentei sobre parar de dizer “É”?
Ele parou o carro na frente de um prédio espelhado e um tanto quanto alto. Caralho, aquele prédio era enorme! E eu realmente não me lembrava de ele ser assim tão perto de casa pro caminho até aqui ter sido tão rápido. Ou será que fui eu que não prestei atenção em nada enquanto viajava em pensamentos e não vi o tempo passar? Literalmente, eu tinha que dar um fim nesses momentos. tirou a chave do contato e jogou-a para .
- Tem certeza que quer ficar esperando, dude? – Perguntou para ele.
- Não precisa de três pessoas para assinar um contrato e puxar o saco do Scott. – Eles riram. – Vou descer no estacionamento, espero vocês lá. Não se matem no elevador. – Virou para mim. – Okay, ? - disse a última parte frisando meu apelido. Rolei os olhos e, adorável como sempre, abri a porta e desci tranquilamente.
- Ah, ! – Virei para a porta do motorista, vendo acomodar-se lá e parar na calçada, me esperando. Sorri do jeito mais fofo que consegui. – Vai tomar no cu. – Deixei-o com cara de nada enquanto ouvia gargalhar, andando em direção à entrada do edifício. Devo admitir que tinha algo que prestava, afinal, QUE DIABOS ERA AQUELA GARGALHADA, DEUS?
1, 2, 3... Me recuperei, vamos aos negócios.
Cruzei a porta de entrada, seguindo (não, não sou a cadelinha dele). Ao chegar no balcão, ninguém precisava de muito bom senso para perceber que a secretária já conhecia muito bem aquela criatura que atende como . O sorriso pervertido que foi estampado no rosto dela, assim que entramos em seu campo de visão, falava por si só. Obviamente conheceram a cama um do outro também... Ou a de algum Motel por aí.
- Scott está aguardando ansiosamente sua chegada, . – Além de olhar de puta, a cadela tem voz de puta também! É realmente incrível como biscates nascem com tudo que lhes é preciso para exercer tal profissão. Eles trocaram um olhar que me deu certo nojo e, preferindo não ficar ali presenciando a cena deprimente, acelerei meus passos, indo em direção ao elevador. Por sorte, ele estava no térreo, então entramos sem ter que esperar. Quer dizer, eu tive que esperar, porque acabei entrando antes de , que parou para trocar outras palavras com a tal secretária e enrolou um pouco. Ele entrou com um sorriso estampado no rosto que me fez bufar e apertou o número 8. Eu estava torcendo para que alguém entrasse por aquela porta, para não ter que ficar naquele silêncio constrangedor. Encarei um ponto fixo no chão e, de repente, parei para pensar em nós dois no carro ontem, enquanto ele me levava para casa. Por alguns poucos segundos pensei em agradecê-lo pelo seu ato de bravura, cavalheirismo, ou seja lá como chamam. Apenas por alguns segundos, claro, porque depois percebi que eu estava falando com e eu acho que já tinha agradecido a ele. Aliás, apesar de ter agradecido ontem, o certo seria esquecer o ocorrido, certo? Certo. E aquela merda de silêncio estava me incomodando até demais. Comecei a pensar que eu preferia ter que aguentar as cantadas de pedreiro dele.
Okay, isso foi um completo exagero.
- Talvez tenha alguém por trás disso. Alguém que faça todos comentarem. – Ouvi falar baixo. Levantei meu olhar para ele, confusa. – Aquilo que você disse no carro, sobre o porquê de tanta ignorância comigo. – Ele estava mesmo conversando numa boa comigo? Ele queria mesmo que eu acreditasse que tinha alguém por trás daquela futilidade toda? Ah, qual é! Conta outra.
- Então por que não se preocupa em melhorar sua imagem, deixando o interior mais visível? Se é que ele existe... – Perguntei, sussurrando a última parte, esperando que ele não ouvisse. Por que eu não queria que ele ouvisse mesmo? Eu só sabia que queria ver onde aquela conversa ia acabar.
- Na real, ? Eu só tô curtindo minha vida, pegando quantas eu posso e eu gosto disso. Dessa fama de pegador, de ter alguém diferente todos os dias e eu tô deixando bem claro agora, caso você não tenha entendido antes, que eu quero você. E o que eu quero, eu consigo. – Disse, chegando mais perto. Ergui a cabeça, encarando seus olhos profundos, brilhantes, cheio de desejo e... Mentira, os olhos deles eram horríveis e transmitiam a imagem de cafajeste que ele tinha. É, simplesmente olhos de um cafajeste. Lembra da composição que eu citei acima? É isso aí mesmo!
- Você vai sair frustrado disso, então. Sinto lhe informar... – Seu rosto estava a centímetros do meu. Eu estava imóvel. Quer dizer, menos uma de minhas sobrancelhas, que automaticamente se ergueu.
- Você ainda vai ser minha, , e perceber que tem alguém com sentimentos por trás de tudo isso que o povo fala. – Coloquei a mão em seu peitoral (nem um pouco definido, okay?) e o empurrei, aumentando a distância entre nós dois.
- Por que você se preocupa tanto com o que eu penso sobre você? Aliás, se você só me quer por uma noite, por que se importar se eu vou ou não encontrar alguém aí dentro? – Lancei-lhe um olhar desafiador.
Ele sorriu.
- Eu gosto do seu jeito durão, você não cede facilmente. Isso me faz te querer mais ainda... Pode ser que só uma noite não seja o tempo necessário para conseguir tudo o que eu quero de você. - Talvez ele quisesse mandar um sorriso sedutor para mim. Tentativa falha, meu querido . Aliás, é ótimo saber que você me quer cada vez mais... É sinal de que eu sou uma boa jogadora. 1, 0!
- Contente-se em me querer, porque me ter é uma coisa que você não vai. – Pisquei, quando a porta do elevador abriu, indicando que havíamos chegado ao andar desejado. Avistei uma porta com as palavras “Scott, DJ” talhadas em uma placa de madeira pendurada. Eu poderia sair de lá e ir em direção à porta, deixando com cara de tacho, como de costume. Poderia, já que o braço dele me puxou pra perto... Perigosamente perto, eu digo.
- Aposto que ganhei pontos positivos depois de ontem. – Ele disse assim que senti minhas costas chocarem em seu peitoral; também senti sua respiração batendo no meu ouvido enquanto ele sussurrava. Instintivamente, fechei meus olhos, respirando fundo. Paciência. – Aliás, esqueci de te perguntar uma coisa ontem... Esses seios são naturais mesmo, ? – Puxei meu braço, me soltando e andando até a porta. Como ele conseguia ser tão cafajeste? Me esqueci, é de que estamos falando. O mesmo veio até meu lado, batendo na porta e ouvimos alguém permitir a nossa entrada segundos depois.
Ele estampava um sorriso vitorioso no rosto que me dava náuseas.
1, 1.
Deixe estar, . Deixe estar...
30 minutos ali dentro. 25 minutos para o puxar saco do tal DJ e mais 5 para assinar os papéis. Quanta chatisse! Pura perda de tempo! Sério, pareciam duas madames colocando a fofoca em dia, meu Deus! Desde que saímos do escritório de Scott, até a casa de , eu permaneci muda. Navegando em pensamentos – como sempre – e alheia à conversa dos dois, no banco da frente. Despertei dos meus devaneios quando parou na casa de , que se despediu mandando um beijo para mim. Com todo o meu carinho por ele, mandei o dedo do meio, seguido por um “foda-se” sussurrado, mas que ele ouviu, rindo e fazendo um coração com as mãos para mim. Idiota. riu da minha cara. Idiota quinze vezes. Bufei, revirando os olhos e esperando que o caminho para minha casa fosse o mais rápido possível. Meu celular tocou e eu fingi não perceber o olhar curioso do acéfalo que dirigia. Aquela foi a primeira vez que ele tirou o sorriso vitorioso do rosto. Go to hell, ! Toda aquela raiva foi embora, quando olhei para o visor do celular que vibrava em minhas mãos, sorrindo fraco.
- Eu tô chegando! – Atendi a ligação de Matt.
- Já tô na sua casa, . – Ele riu e pude ouvir a voz da minha mãe ao fundo. Ela realmente tinha ido com a cara dele.
- Não diga? Acho que dá pra ouvir a gralha da minha mãe... – Comentei rindo, assim como Matt, do outro lado da linha.
- Vai demorar muito?
- Quer se livrar assim da minha mãe, Matt? – Olhei rapidamente para a cara de bunda que fez ao me ouvir pronunciar o nome. Dei risada, não do que eu falei, mas sim da cara do acéfalo que dirigia o carro.
- Não, só quero que esse dia termine logo. Tô ansioso que nem uma bicha! – Gargalhei.
- Certo, tô na esquina. Beijos. – Desliguei, guardando o celular na bolsa e avistando minha casa.
- Já até apresentou ele para a família? – falou amargurado, sem tirar os olhos da rua a nossa frente. Dei de ombros.
- Isso não é da sua conta e vê se controla os ciúmes e a vontade de estar no lugar dele. – Respondi com um sorriso orgulhoso no rosto. Ele balançou a cabeça negativamente, estacionando o carro.
- Você sabe que no fundo toda essa sua ignorância vai desaparecer, porque só faz parte de um joguinho para me seduzir, . – Olhou para mim pelo retrovisor e eu tenho certeza que seu olhar não foi nada legal para minha imagem de “sem sentimentos”. Ele disse aquilo da boca para fora, não foi? Levei alguns bons segundos encarando os olhos dele, sem reação, pelo retrovisor.
- Quer um conselho, ? Pára de alimentar seu ego desse jeito. No final, sua queda vai ser enorme. Aliás, vai ser fatal. – Disse, quando me recuperei, abrindo a porta e saindo. Para falar a verdade, eu não esperava nem um pouco que ele escutasse meu conselho, afinal, o que eu mais queria era vê-lo espatifado no chão com a queda. Em milésimos de segundo, pensei em algo e o gritei, já fora do carro. Ele me encarou interessado, baixando o vidro do carro. Abaixei-me, apoiando meus braços na porta do carro. – Respondendo sua pergunta, são naturais sim e espero que se contente em vê-los dentro do meu sutiã, porque fora isso, suas chances são negativas. – Sussurrei para ele, que fez a típica cara de tacho que me dá tanto prazer só de ver! Pisquei, mandando um beijo para ele, virando e andando em direção à porta. Só ouvi os pneus cantando e o carro saindo em alta velocidade. Uh, gostinho da vitória!
2, 1.
FUCK YEAH!
xxx
- Matthew Campbell, são só roupas! – Ri da careta que ele fez. Assim que entrei em casa ainda rindo da cara que sempre fazia quando eu o deixava sem resposta, minha mãe e Matt estavam sentados na sala rindo de alguma coisa que não me interessava no momento e comendo biscoitos que minha mãe tinha a mania de fazer. Fiz o favor de atrapalhar a conversa dos dois, saindo de casa com um Matt envergonhado, biscoitos na mão e falando para minha mãe que voltaria logo. E eu? Só estava com vontade de rir da cara dos dois. Aliás, dos três, se for levar em consideração que eu ainda estava com a imagem da cara de nada que tinha feito após minha resposta. Chegamos ao shopping em alguns minutos e tínhamos acabado de entrar em nossa primeira loja. Matt estava um pouco branco. Mais branco do que ele já era, vale acrescentar.
- Promete que não ri de mim se eu te contar uma coisa, ? – Me olhou com receio e fiquei em silêncio, como se pedisse para que ele continuasse. – Minha mãe que compra essas minhas roupas! – Engoli o riso, permanecendo séria. Ou melhor, tentando permanecer séria. – Você prometeu não rir, !
Eu não tô rindo, okay? – Ergui os braços, como se não fosse culpada.
- Mas tá querendo!
- Querer não é o mesmo que fazer, Matt. – Pisquei para ele, sorrindo, e me permiti, por um segundo, pensar em . Querer não é o mesmo que fazer... – Vamos lá, vou te deixar um gatinho. – Acordei do transe de segundos, puxando-o para um dos balcões da loja, conversando com uma atendente que ostentava um sorriso digno daquelas dançarinas de palco, sabe? Ou talvez um sorriso de propaganda de creme dental... PENSAMENTOS ALEATÓRIOS, desligados.
Uns 45 minutos depois saímos da nossa terceira loja com umas doze sacolas cheias de shorts e calças jeans, cuecas boxer (sim, eu o fiz comprar cuecas novas também), camisetas em gola “v” com uma cor só, com desenhos dos mais variados na estampa, cintos (a maioria de rebites) e algumas camisas de flanela xadrez e coletes. Tínhamos comprado seu smoking para o baile de amanhã também. Matt estava bem mais solto para comprar todas aquelas coisas e ele tinha um ótimo gosto, devo acrescentar. A maioria das camisetas foi ele que escolheu e, meu Deus! Ele ficava muito lindo só ao usar roupas novas... E, ao invés dos óculos, usar lentes. Já comentei que ele tinha olhos lindos e agora estava sem óculos? Ele não estava se preocupando com a quantidade de coisas que comprariam, já que disse não ser problema pagar tudo depois. Isso que dá ter pais que cagam dinheiro! Tenho que melhorar esse meu vocabulário chulo... Enfim, estávamos andando em direção à loja de calçados quando vi um vestido na vitrine de uma loja e parei automaticamente.
- O que foi, ? – Matt perguntou, olhando para mim com aqueles olhos verdes maravilhosos.
- Olha aquele vestido! – Contive minha vontade de soltar um gritinho ao ver aquela perfeição. Era perfeito! Eu ouvia aquele vestido me chamando, sem brincadeira! Andamos até a loja e pedi que retirasse o vestido do manequim; a atendente o fez, verificando o tamanho dele, que coincidentemente era o meu. Detalhe para o importante fato de que era peça única. Peguei-o, entrando no provador. Vesti-o e saí.
- Então...? – Perguntei, mordendo o lábio inferior ansiosa e olhando para Matt, que sorriu abobado para mim.
- Maravilhosa, . – Meu sorriso era maior que o próprio rosto, eu tinha certeza disso. Eu tinha o sapato perfeito para usar com ele e os acessórios também! Não podia me esquecer de comprar as máscaras mais tarde. Paguei o vestido e saímos da loja, indo comprar os sapatos de Matt.
Rodamos o shopping inteiro, mas finalmente encontramos as máscaras e terminamos nossas compras. Matt poderia jogar o guarda roupa antigo dele inteiro fora e queimá-lo; ele possuía roupas o suficiente agora. Colocamos as sacolas no porta-malas do carro de minha mãe e nos dirigimos para o salão. Deixei Matt nas mãos do cabeleireiro e fui para a sala de depilação, rindo do olhar desesperado do meu amigo lindo e gostoso. Dude, ele era um Deus sem aqueles suéteres. Uma hora. Foi exatamente esse o tempo que demorei na sala e, quando saí e meus olhos encontraram Matthew, deixei que meu queixo caísse, abobada. Ele não poderia estar mais perfeito. Sério, devia ser considerado crime ele usar aquelas roupas e esconder toda aquela beleza da visão das mulheres. Aquilo sim era colírio pros olhos de qualquer garota. Andei até ele, parando em sua frente, encarando minha obra prima. Ele dava de mil a zero no . Afinal, por que diabos fui me lembrar dele mesmo?
- Matt, é você? – Perguntei, desconfiada. Claro que era, aqueles olhos verdes e sinceros eram inconfundíveis. Ele gargalhou.
- Tá tão bom assim? – Fez uma pose e eu quase tive uma parada cardíaca. Chamem a ambulância!
- Imagina! Eu só tô com vontade de te levar para casa e ser a única a te ver! – Okay, eu joguei muito duro agora? Rimos juntos. – Você... Uau! – Pisquei pra ele, que sorriu envergonhado.
- Chega disso, vamos comer alguma coisa. – Percebi que a cada segundo ele ficava mais envergonhado, pois estava começando a ficar com as bochechas rosadas e coçava a nuca, bagunçando o cabelo, enquanto olhava sem jeito para o chão. MEU DEUS, VOU TER UM ATAQUE CARDÍACO AGORA MESMO. SOCORRO! Chacoalhei de leve minha cabeça, indo até um dos atendentes, antes que eu ficasse ali por mais um tempo e me apaixonasse perdidamente por aquele nerd roqueiro extremamente gato. Pagamos o cabeleireiro, que pareceu feliz com seu feito, e saímos dali, indo para uma pizzaria que ficava do lado de fora do shopping. Preciso dizer sobre a atenção que ele chamou quando entramos lá? É, acho que não preciso.
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[OBS: Coloquem Break Your Heart do Taio Cruz para carregar e soltem quando pedido. Não é necessário acompanhar a letra, okay?]
Saí do banho e percebi que ainda tinha tempo de sobra para me arrumar até o horário que eu e Matt combinamos. Ele passaria aqui em casa, a fim de me pegar e partiríamos para o Baile juntos. Nos vinte minutos que passei embaixo do chuveiro parei para pensar no quanto Matt era importante para mim nesse exato momento. Ele era perfeito. Lindo, possuía um belo corpo (quando exposto com as roupas certas, é claro), simpático, inteligente e não fazia o estilo garanhão. Em outras palavras, o príncipe encantado que as garotas esperam. Só faltava o cavalo branco agora. De qualquer forma, ele era exatamente o que eu precisava para “esquentar” meu plano de vingança, levando em consideração que morre de ciúmes dele – mesmo fingindo que não. O cheiro de ciúmes é perceptível a quilômetros de distância e eu poderia usar Matt para deixá-lo ainda mais fulo da vida, consequentemente, me querendo muito mais. Até porque, se bem conheço (por tudo o que já ouvi sobre essa lenda de galinhagem), desistir não estava em seus planos, pelo menos quando se tratava de mim, então... Eu só deveria deixar as coisas cada vez mais interessantes, para depois vir com o desfecho perfeito. Ah, ele se daria muito mal. Sorri maliciosamente pensando naquilo, saindo do box e indo em direção ao meu quarto. Assim que me sequei, deixei a toalha cair no chão e peguei meu vestido perfeitamente passado e estirado na cama, abrindo o zíper lateral e vestindo-o. Aquele vestido era, definitivamente, uma obra prima. Olhei-me no espelho e sorri, soltando meu cabelo e pegando o baby liss, a fim de deixá-lo com um pouco de volume. Fiquei alguns minutos usando o aparelho, criando ondas nas pontas do meu cabelo, quando vi que o tempo passou rápido até demais. Chequei o estado dos meus fios, enquanto corria pro banheiro pegar o estojo de maquiagem, começando a passá-la. Corretivo nas olheiras que começavam a aparecer (resultado da correria e cansaço acumulado durante o dia de hoje), um pouco de base, pó, blush nas bochechas para dar um aspecto mais saudável, sombra preta, lápis, delineador, rímel e um gloss suave para não deixar meu rosto muito carregado. Voltei para o quarto e peguei meus sapatos, calçando-os. Posicionei-me novamente em frente ao espelho e, modéstia à parte, a imagem que vi refletida me agradou. Chequei o relógio novamente, pegando minha bolsa e colocando meu celular lá dentro, aproveitando e colocando o colar e anéis que tinha escolhido para usar hoje. Chequei minha roupa de novo no espelho e, após pegar minha máscara que estava em cima da cama, desci as escadas de casa, sentando no sofá. Lá estava eu, sozinha em casa. Meus pais tiveram algum jantar de seus amigos para ir e levaram meu irmão junto. Assoviei e não demorou muito para ter minha bola de pelos, que eu chamo de cachorro de estimação, ao meu lado no sofá. Comecei a fazer cafuné em sua cabeça, mas o barulho da campainha não me deixou continuar por muito tempo. Levantei, indo até a porta rapidamente, abrindo-a. Eu poderia desmaiar ali mesmo.
Matt’s POV.
Ela estava deslumbrante. Quando abriu a porta e eu consegui vê-la completamente... Porra, eu quase caí. já era linda naturalmente, imagine depois de se arrumar? Soltei a respiração, depois de esquecer de prender meus pulmões quando a vi. Ridículo, eu sei. Mas é a primeira vez que eu sinto essa merda estranha. Sentia vontade de abraçá-la, conversar com ela em minhas 24 horas diárias, eu queria... Beijá-la. Era a primeira vez que uma garota desse “porte” conversava comigo no colégio, não se importando em se “queimar” por estar falando com um suporto nerd. Os outros alunos de lá se importam demais com toda essa história de se queimar conversando com pessoas de “outro nível”. Futilidade, essa palavra descreve muito bem as pessoas do colégio. Mas a ... Ah, ela não se importava com isso. Ela conversou comigo desde seu primeiro dia, não se importando com os outros. Ela não quis ser uma líder de torcida que se acha a dona do mundo, mesmo tendo corpo e beleza para tal. Ela era incrível... Única. O que explicava também o fato de que o maior filho da puta do colégio estava atrás dela. Claro que eu não deixaria ele acabar com a também. Faz três anos que me mudei para cá e, desde então, conheço a “fama” do . Perdi a conta de quantas meninas já vi chorar enquanto saía correndo do pátio da escola, depois de receber um pé na bunda do cara na frente de todo mundo. Aquele filho da puta merecia ficar com alguém, gostar pra valer dessa pessoa e, depois, se fuder. Mas e daí? Eu tenho mesmo é que prestar atenção na menina que vai me acompanhar essa noite e está parada na minha frente, com aquele sorriso único estampado no rosto. Quem diria que eu, Matthew Campbell, estaria levando uma garota dessas pro Baile?
- Vai ficar parado aí, Matt? – Colocou uma mão na cintura, erguendo a sobrancelha e rindo. Não tive como não acompanhar o riso dela. Gay? Não. Um bobo apaixonado por uma das meninas mais bonitas que já vi.
- Você tá linda, . Mais do que já é... – Comentei, sem graça, coçando minha nuca e sorrindo pra ela. Fazer o que se eu não sou acostumado a sair com garotas assim? Ela revirou os olhos. Dei um sorriso ainda mais largo e me afastei, abrindo os braços e girando pelos calcanhares. – O que achou? Não quis usar um smoking, achei exagerado. – Fiz careta, olhando para ela, que tinha uma cara boba.
- Aquelas barangas dadas vão morrer de inveja de mim. – Foi a minha vez de revirar os olhos. – O quê? Não tô mentindo não, vamos ser o casal mais gostoso da noite! – Soltou um grito empolgado, erguendo os braços e gargalhando. Eu? Só ri. Ouvi errado ou ela nos denominou um casal? Sai dessa Matthew, não sonha alto demais, cara.
- Vamos? – Ela afirmou com a cabeça, sorrindo, pedindo que eu segurasse sua máscara enquanto fechava a casa, colocando a chave dentro de sua bolsa minúscula. Como cabem as coisas dentro daquilo? Pegou sua máscara e nos dirigimos até o carro, rindo de alguma coisa idiota que ela sempre falava. Alô, mãe? Encontrei a mulher da minha vida.
Só faltava ela pensar o mesmo, claro.
Quando estacionei o carro, ela colocou sua máscara e eu fiz o mesmo com a minha. Era preta, lisa, sem nenhuma viadagem. Dei o braço para ela assim que cheguei ao seu lado, já fora do carro, e ela aceitou sorrindo. Andamos em direção à entrada lotada de gente que chegava ao Baile. Depois de alguns minutos, quando finalmente conseguimos entrar, atravessamos todas as pessoas que dançavam, bebiam e conversavam animadas. foi à frente, puxando minha mão, andando em direção ao bar. Quando chegamos, encostamo-nos ao balcão, fazendo nossos pedidos. O Baile estava foda. Agora você se pergunta: desde quando um suposto nerd frequenta bailes pra saber quando um está bom ou ruim? E eu te respondo: vê o “suposto” logo atrás da palavra “nerd”. Tá explicado. Sempre gostei de bailes e o fato de eu participar da comissão organizadora também explica muitas coisas. Eu só era um cara que queria se dar bem na vida e pra isso estudava pra caralho, mas que na verdade curtia hard rock.
- Sou a única que não consegue reconhecer ninguém? – comentou no meu ouvido, devido ao som extremamente alto e confesso que senti uma coisa estranha com a proximidade dela.
- Procurando a ? – Perguntei da mesma forma que ela fez. A vi morder o lábio inferior (totalmente sexy) e depois de poucos segundos, confirmou balançando a cabeça. QUE MERDA FOI AQUELA MORDIDA NO LÁBIO? Ela estava brincando comigo, só pode!
Passei os olhos pela festa, buscando . Eu reconhecia boa parte das pessoas ali, mesmo com as máscaras. Nada de , porém, uma pessoa em especial me chamou a atenção. Um pouco a frente de onde e eu estávamos, um cara de smoking preto, assim como a máscara que usava, parado, com duas garotas (uma em cada lado), bebia alguma coisa certamente alcoólica, encarando descaradamente . Ou talvez encarando as pernas delas, que estavam extremamente convidativas com aquele vestido curto... O quê? Eu gosto de pernas. Principalmente as dela. Enfim, eu só precisava tirar a da vista daquele filho da puta do . Quem ele pensava que era? A era boa demais pra ele. Virei o copo com minha bebida e vi que estava me encarando com a boca aberta.
- AÍ SIM, HEIN! – Disse alto, gargalhando mais alto ainda. Balancei a cabeça, rindo em negação e saí dali, puxando-a pela mão. Andamos até perto do palco, pois provavelmente estaria lá. Porém, nada dela. Rodamos boa parte do salão e, ainda assim, nada. Depois da nossa busca frustrada, nós dois resolvemos voltar até o bar, pegar algo para beber e depois ir para a pista de dança. Não que eu curtisse dançar, mas o que a não pede chorando que eu faço rindo? Pois bem...
Encostamos ao balcão, esperando o barman, rindo de algum comentário maléfico que tinha feito sobre um casal que passou por nós. Durante todo aquele tempo ela estava me encarando demais, sorrindo demais para mim e isso era bom. Eu estava começando a pensar em agir. Se é que me entende... Enquanto andávamos pela festa, vi várias meninas e caras olhando para nós dois. Provavelmente, as garotas invejavam a beleza da e, bom, os caras você sabe bem por que olhavam. Já comentei que ela estava gostosa pra caralho com aquele vestido curto que valorizava bastante as pernas dela, assim como o colo, por causa da parte de cima da roupa apertada? É... Porra, ela tava gostosa demais, cara! Me sentia foda por estar como acompanhante dela naquela noite. Ainda estávamos rindo (de outro comentário, que eu não prestei atenção, só ri pra fingir que prestava mesmo), quando finalmente o barman se aproximou e nós fizemos nossos pedidos. Em pouco tempo, e eu estávamos com copos em mãos, enchendo a cara mais um pouco e rindo dos casais estranhos que dançavam na pista. Em uma dessas várias vezes que eu virava meu rosto para falar com a (ou simplesmente admirá-la), percebi a presença desagradável do filho da puta, vulgo . ainda encarava a pista de dança quando ele chegou perto demais e tocou o ombro dela. Levantei do banco em que estava sentado, vendo olhar assustada pro cara com máscara. Eu só fiquei encarando ele, esperando que a conseguisse distinguir aquela pose patética de dono do mundo. Abaixei meu olhar, para o ombro descoberto dela, vendo que sua pele estava um pouco arrepiada. Que porra...?
’s POV.
Senti uma mão fria tocar meu ombro, fazendo com que eu me arrepiasse levemente devido a diferença de temperatura entre a pele do meu ombro e a da mão que o tocava. Automaticamente, olhei para trás, esperando que fosse a ou alguma das meninas que faziam parte da comissão. Sinceramente? Eu preferia não ter olhado, quando vi aqueles dois olhos me encarando por trás da máscara preta, que não cobria nem metade de seu rosto. Claro que eu não prestava atenção no olhar do inimigo... Claro que não! A pose de “sou foda” já o delatou. É, foi isso mesmo. Falando em pose foda... Até que o ficava bem de smoking. A quem eu quero enganar? Até que ele ficou gostosinho nessa roupa. Só um pouco. Pensei rápido, percebendo que existia a possibilidade de ele não me reconhecer, já que é tapado demais, então resolvi não declarar meu ódio por ele, pois, assim, ele perceberia que se tratava de mim ali. Sorri forçado para ele, apoiando meus dois cotovelos na bancada atrás de mim. Pelo canto dos olhos, percebi que Matt havia se levantado e estava mais próximo de mim. Quando voltei a prestar atenção em , percebi que seus olhos percorriam toda a extensão do meu corpo, como se ele lutasse contra si mesmo para não colocar suas mãos nele naquele momento. Aquilo me fez sorrir. Um sorriso de vitória. Um estalo em minha mente me fez pensar que talvez eu pudesse facilitar essa noite, já que a identidade está oculta devido à máscara. Facilitar, para deixá-lo com gosto de quero mais. Gargalhei internamente, imaginando o quanto isso parecia um filme. Já assistiram A Nova Cinderela, certo? Algo me dizia que aquela festa terminaria de um jeito hilário para mim. Saí daquela onda de pensamentos quando seus olhos voltaram a encarar os meus.
’s POV.
- O que você quer? – Perguntou alto por causa da música assim que eu voltei a encarar seu rosto e eu dei alguns poucos passos em sua direção, colocando cada uma de minhas mãos ao seu redor de uma forma que ela ficasse presa entre o balcão e eu, aproximando minha boca do seu ouvido.
- Dançar com você. – Sussurrei, voltando a ficar ereto em sua frente e sorrindo fraco ao ver que ela abria os olhos na mesma hora, como se ela tivesse fechado assim que sussurrei bem perto de seu ouvido. Dessa noite não passaria. Provavelmente ela facilitaria essa noite, afinal de contas, é meio complicado reconhecer alguém nessa festa devido às máscaras. O raciocínio era simples. Eu sabia que ela era a (seu corpo era um dos únicos que eu não conhecia sem roupa), ela não sabia que eu era o cara que ela detesta. Ela facilitaria, eu simplesmente sei que sim.
- Se eu quisesse dançar com alguém, eu estaria dançando com meu par e não com outro qualquer. – Colocou uma de suas mãos em meu peito, como se fosse me empurrar dali e jogou um olhar de desprezo para mim me fazendo abaixar os olhos. Ela era complicada assim com todos os caras que davam em cima dela? Na moral, essa chatisse era pura falta de sexo. Fingi bufar frustrado, querendo que ela pensasse que eu estava quase desistindo. Ela cairia no meu jogo. Eu tinha certeza.
- Qual é... - Fingi um suspiro de derrota, voltando a olhá-la e vi quando ela arqueou a sobrancelha direita, me encarando ainda com uma mão em meu peito. Sexy. Gostosa. – É só uma música e, quer saber? – Cheguei mais perto, de um modo que eu pudesse quase colar nossas testas, se não fossemos atrapalhados pela máscara, que cobria boa parte do rosto dela e uma parte bem menor do meu. – Você fingindo desinteresse assim só me faz querer ainda mais. Você é assim com todos os caras que chegam em você, gatinha? – Ela permaneceu séria por alguns (muitos) segundos, me olhando dentro dos olhos e eu tentava não fazer o mesmo. Quando saiu de seu transe, me empurrou pelo peito, me fazendo desencostar dela e dar uns passos em falso para trás. Ela virou o resto do conteúdo que estava no copo em sua mão, virando para falar com seu par. Pode crer, o babaca do nerd. Qual é mesmo o nome dele? Falou algo no ouvido do otário que a encarou com o semblante enrugado. Ele desviou seu olhar dela e me encarou por poucos segundos, negando com a cabeça assim que ele a olhou de novo. Ela apenas lhe deu um beijo na bochecha e se virou, vindo em minha direção novamente. Isso não é justo, porque é que o nerd babaca ganha um beijo dela e eu não?
- UMA música. Nada mais, estranho. – Falou bem perto do meu rosto assim que se aproximou dando um sorriso que eu julguei ser vitorioso e, tão rápido como chegou até mim, ela saiu andando em direção à pista. Essa menina ainda me deixa louco, dude.
Chegamos no meio da pista e , ainda de costas para mim, começou a se mexer e rebolar no ritmo da música que tocava. Novamente, eu a olhei de cima a baixo, olhando cada curva (traseira) de seu corpo que era coberta por aquele pedaço de pano roxo e preto. Não aguentando aquela distância entre meu corpo e o dela, puxei-a pela cintura sem dó. Eu a teria pra mim aquela noite e a cada movimento que ela fazia ali, dançando ainda de costas para mim, eu ficava mais louco pra tê-la. Minhas mãos estavam coladas em seu quadril enquanto ela o mexia conforme o ritmo da música. Ela virou sua cabeça um pouco para o lado, me olhando rapidamente, e fechou os olhos cantando um trecho, mordendo o lábio inferior com um sorriso pervertido. Caralho, aquela garota era excitante demais. Ela não merecia aquele nerd com quem andava, precisava ter alguém como eu do seu lado. Alguém digno de ter toda aquela beleza, abundância (sim, eu falo do traseiro) e respeito (que peitos!). Resumindo, ela precisava de alguém como eu. Alguém que saiba jogar uma gostosa dessa na cama e mandar ver. Alguém que saiba fazê-la se transformar em uma piranha, que grite meu nome em meio a gemidos de prazer, enquanto ela estiver se contorcendo embaixo de mim. Entre quatro paredes... Ou não. Depois de conseguir o que eu quisesse hoje (e se fosse bom como eu imagino que seja), eu jogaria isso na cara dela até o momento em que viesse correndo para mim, pedindo arrego. Ela poderia se tornar minha fixa, no final das contas. A música acabou e eu fiquei um pouco desesperado. Se ela fosse embora dos meus braços, eu a seguraria e faria com que ela ficasse ali, afinal, só dançamos metade de uma música! Antes que desse tempo de ela fugir, outra musica começou. A música exata para a situação que nós dois nos encontrávamos.
Aprendam com um mestre de verdade como garantir uma noite de sexo, meus companheiros. [N/a: podem soltar!] Primeiro passo: puxe o corpo dela contra o seu, rosto a rosto, como se fossem se fundir ali mesmo.
Now listen to me baby (Me escute agora, baby)
Before I love and leave you (Antes de eu te amar e te deixar)
They call me heartbreaker (Eles me chamam de partidor de corações)
I don't wanna deceive you (Eu não quero te enganar)
Ela sorriu ao ver que a música lhe era conhecida e colocou os braços em volta do meu pescoço, remexendo o quadril ainda mais, fazendo com que eles ficassem ainda mais grudados, se é que me entende. Acompanhei seu ritmo, pressionando cada vez mais nossos corpos com uma mão a cada lado de seu quadril, observando ela dançar de olhos fechados. Segundo passo: beije o pescoço dela e vá subindo. Alcance a boca e depois é cama, meu amigo. Beijei seu pescoço, vendo que ela havia ficado arrepiada. Ponto para mim. Mordi o lóbulo da sua orelha, olhei para ela, que estava com os olhos fechados e os dentes cravados no lábio. Sensual... Excitante. Enfim, a caça renderia algo diferente de loiras gostosas.
I'm only gonna break, break you, break, break you heart (Eu vou apenas partir, partir seu, partir partir seu coração)
I'm only gonna break, break you, break, break you heart (Eu vou apenas partir, partir seu, partir partir seu coração)
Apertei sua cintura sem dó. Ela deixou escapar um gemido rouco no meu ouvido. Eu já estava ficando louco para fazê-la ser minha. É exatamente isso, eu queria que ela fosse minha, mesmo que por uma noite, ainda assim... Minha. Até que enfim receberia algo pelo trabalho duro que eu estava tendo para consegui-la. Ainda dançando colado com ela, senti seus lábios sugarem meu pescoço. Pra quem tá contando, agora são dois pontos para mim. Ela cravou as unhas nas minhas costas com uma das mãos e com a outra puxou meu cabelo da nuca sem dó nenhuma, grudou ainda mais seu quadril no meu. Eu estava começando a ficar realmente excitado. Na ausência de um quarto? Corra para um lugar sem ninguém.
If you fall for me (Se você se apaixonar por mim)
I'm not easy to please (Eu não sou fácil de agradar)
Imma tear you apart (Eu posso te destruir)
Told you from the start, baby from the start (Te disse desde o início, baby, desde o início)
Parede e sexo, é assim que funciona. No outro dia? Eu procuraria outra pra comer. Tinha como único objetivo fazê-la entrar no meu jogo, me dar prazer e conhecer minhas regras. Quais eram as regras? Não correr mais atrás, não se apaixonar, não ter nada mais que apenas um orgasmo na noite e no outro dia dar o fora deixando bem claro que foi coisa de uma única noite. Ou, então, pra ficar mais cruel e aumentar ainda mais a auto estima de um pegador como eu, simplesmente virar a cara depois de um olhar de desprezo. Partir o coração do sexo frágil... Nada era mais prazeroso que isso, pode acreditar. Puxei-a pela mão, levando até a parede dos fundos da quadra, onde ninguém pudesse nos ver. Coisa que foi bem rápida, afinal, em menos de um minuto estava prensando-a sem carinho nenhum contra a parede, beijando e deixando chupões no seu pescoço. Ela soltava alguns gemidos e puxava com força os fios de cabelo da minha nuca. Apertei sua coxa, erguendo a perna até minha cintura. Senti a enorme necessidade de provar o gosto dela, mas teríamos a noite toda para isso e mais um pouco, naquele momento estava concentrado em suas coxas grossas, seu pescoço, o odor daquele seu perfume doce e os seus gemidos roucos no meu ouvido.
I'm only gonna break, break you, break, break you heart (Eu vou apenas partir, partir seu, partir partir seu coração)
I'm only gonna break, break you, break, break you heart (Eu vou apenas partir, partir seu, partir partir seu coração)
Subi minhas mãos, tocando desde o quadril, passando por sua cintura e mordendo meus lábios de desejo, enquanto admirava o volume dos seus seios fartos e cobertos pelo vestido. Deveriam ser ainda mais deliciosos sem aquele pano impedindo-me de vê-los. Com certeza. Olhei para ela, que tinha a sobrancelha esquerda erguida e um sorriso safado no canto da boca. Fixei meu olhar em sua boca que parecia me chamar cada vez mais. Qual é, a quem eu quero enganar? TUDO nela gritava por mim! Ela me desejava, mas se fazia de difícil e isso a fez ainda mais desejável. Grudei nossas testas, sentindo seu hálito bater na minha boca e então fiz a besteira de olhá-la nos olhos. Me perdi na profundidade deles. Ela tinha me hipnotizado, só podia! Só saí daquele transe quando vi a boca dela se aproximando lentamente da minha, como se quisesse que aquele momento durasse um pouco mais. Senti sua língua quente tocar meus lábios, desenhando-os tão devagar que eu comecei a me sentir totalmente torturado. Antes que eu pudesse grudar de vez nossas bocas como há dias (e hoje ainda mais) eu desejava, ela colocou uma de suas mãos em minha nuca, agarrou meus cabelos presentes ali e puxou-os com tanta força que me fez tombar a cabeça para trás, soltando um riso baixo. Ela começou a fazer uma trilha de beijos de um jeito um tanto quanto violentos ainda puxando meus cabelos da nuca, subindo até chegar em minha orelha e mordendo o lóbulo da mesma. Eu gemi pela primeira vez. Ponto pra ela.
- Sua música acabou, gatinho. Da próxima não foque tanto nas preliminares. – Sorriu, piscando para mim, me empurrando pelo peitoral com as duas mãos, me deixando com cara de merda e dando a ela a chance de sair.
O terceiro passo para garantir uma noite de sexo? Nunca olhe nos olhos da garota.
E o último passo? Nunca confie apenas nos passos anteriores.
Nunca.
Matt’s POV.
Fiquei encarando os dois enquanto eles dançavam no meio da pista. Odeio pensar nisso, mas queria mais que tudo estar no lugar do , dançando com a daquele jeito. Eu não fazia a menor ideia do porque ela havia aceitado dançar com aquele filho da puta, mesmo tendo percebido quem ele era. Ela odeia esse cara, não odeia? Era o quinto copo que eu virava depois que havia desaparecido com o no meio da multidão de alunos dançando.
“ e conversavam baixo e, mesmo perto, devido à altura da música, eu não conseguia escutá-los. Ela permaneceu séria por algum tempo, olhando para a cara dele e, de repente, o empurrou pelo peito, fazendo ele desencostar dela e dar uns passos em falso para trás. Ela virou o resto do conteúdo que estava no copo em sua mão, virando para falar comigo.
- ... – Sussurrei.
- Eu sei, é o . Eu vou e já volto. Não vai embora sem mim, okay? – Sussurrou de volta, enquanto eu a encarava com o semblante enrugado. Desviei meu olhar dela e encarou o filho da puta por poucos segundos, negando com a cabeça assim que a olhei de novo. Ela apenas me deu um beijo na bochecha e se virou, indo em direção a ele. Ela estava mesmo me deixando esperar por causa desse trouxa? Inacreditável. Falou algo bem perto do seu rosto assim que se aproximou dando um sorriso que eu julguei ser vitorioso e saiu andando em direção à pista. Enquanto o otário fitava a bunda dela, com a cara de canalha dele, indo atrás dela.”
Era a milésima vez que eu pensava em ir atrás dela, ver o que estava acontecendo com os dois, mas a consegue se cuidar. Eu sei que sim. Algo me dizia que era melhor eu esperá-la aqui, ao invés de ir atrás. Uma terceira garota, desde que tinha ido para a pista, sentou-se no banco vago ao meu lado, lançando um daqueles olhares de vadia para mim. Como se precisasse lançar olhar. Tinha uma placa piscando logo acima dela: “quero dar, me coma”. Eu simplesmente ignorava. Não que eu seja um broxa, gay, baitola ou qualquer coisa do gênero... Eu só queria esperar a . Aliás, eu só queria a .
Entre uma dessas viajadas em pensamentos – típico da , que eu já notei – vi uma garota com o mesmo vestido, o mesmo cabelo e o mesmo corpo, andando apressada para fora do ginásio. Achei estranho e, dessa vez, fui atrás para ver o que havia acontecido. Se aquele filho da puta tivesse aprontado alguma coisa e machucado a minha garota, digo, a , eu quebraria a cara dele. Apressei o passo, começando a correr entre a multidão, quando percebi que ela já estava longe. Corri um pouco mais rápido e cheguei ao jardim em frente à escola, logo na saída do ginásio. Olhei para os dois lados, tentando encontrar e nada. Andei mais um pouco e, ao virar a fim de contornar o prédio, trombei com que eu procurava. Ela soltou um grito e parecia que tinha visto um monstro ou algo do tipo. Segurei-a pela cintura, analisando seu rosto. A maquiagem estava um pouco borrada, mas nada que a máscara não escondesse. Seus olhos... Minimamente vermelhos. Só quem estivesse muito próximo dela – como eu estava agora – poderia perceber. E ela estava suada. Bem suada. Acariciei seu rosto, enquanto ela olhava para baixo, ainda respirando rápido, provavelmente, se recuperando do susto. Ou talvez não.
- O que aconteceu? – Perguntei baixo para ela, que negava freneticamente com a cabeça. – ...?
- Nada, Matt. Nada. – Respondeu um tanto quanto rude e confesso que fiquei surpreso com o tom dela. Fiquei encarando-a, sem saber o que falar, enquanto ela me encarava de volta. Senti um vento gelado contra nós dois e percebi quando deu um pulo leve de frio. Arrependi-me de não ter trazido o blazer, para poder emprestar a ela naquele momento. De repente, me vi olhando pra sua boca que, como sempre, pareceu muito convidativa. Inclinei-me para tentar beijá-la e foi aí que senti seu perfume. Não, não era o perfume dela. Nesse momento, tudo se encaixou na minha cabeça. Distanciei-me um pouco dela, pensando de novo. Não podia ser. Ela havia se agarrado com o filho da puta do . Pelo tempo que demoraram, podiam até ter passado de beijos dentro de um banheiro ou num dos vários lugares escondidos do ginásio. Inacreditável. Era isso! Eles tinham... Porra! Eles tinham transado, ela se arrependeu, veio para fora chorar por perceber que deixou a porra do conseguir o que ele queria. Encarei-a e, pela primeira vez, vi com outros olhos.
- Só não me fala que você e o ... – Comecei a falar, mas fui interrompido por uma voz conhecida.
- ! – apareceu do meu lado, como se brotasse do chão, falando sem parar. – Os meninos vão tocar daqui a pouco e o tá te procurando. Eu te vi correndo pra cá e... O que aconteceu? – Perguntou, quando chegou do lado de nós dois. – Matt? – Me encarou por um tempo. – Matt! – Arregalou os olhos e soltou um “uau”. Revirei os olhos, voltando a encarar .
- Deixa a gente só terminar uma conversa aqui, ... Por favor. – Disse, olhando para a garota em minha frente, que só se afastou mais de mim. Era isso, ela tinha dado pra ele e deixado de ser única garota diferente de todas as outras que frequentavam esse colégio, como eu pensava. ficou quieta por uns segundos e quando deu de ombros e virou-se para voltar ao ginásio, se prontificou a ir atrás dela. – , eu quero conversar com você. – Disse com o mesmo tom rude com o qual ela me recebeu minutos atrás.
- Você não ouviu, Matt? Os meninos vão tocar e o precisa de mim antes disso. – Me encarou com um olhar triste e tomou a frente, entrando no ginásio.
- Que diabos eu perdi? – me perguntou, confusa.
- Pergunta pra sua amiga. E avisa também que eu fui embora e ela vai ter que procurar outro trouxa pra levá-la pra casa. – Disse, me virando e andando até o estacionamento. Sem olhar para trás.
Ótimo fim de noite. Ótimo fim de festa. De um lado, um “suposto” nerd iludido. Do outro lado, a menina que, no fim, acaba como todas as outras.
Capítulo 6.
’s POV.
Ouvi a merda do barulho completamente irritante do meu celular tocar. Abri um olho, resmungando baixo, vendo que se tratava do despertador. Eram nove horas da manhã de um sábado e o que diabos eu estava fazendo acordada? Ah, verdade... Eu era da comissão do baile e por isso teria que acordar cedo para ajudar a desmontar as coisas e colaborar com a limpeza do ginásio. Revirei os olhos, mexendo-me na cama, entre as cobertas e com a cara enfiada no travesseiro, sentindo uma puta dor de cabeça e soltando um grunhido baixo. Provavelmente a dor de cabeça foi causada pela mistura das muitas bebidas que virei antes e depois que Matt foi embora, somada com a força que fiz para segurar o choro na noite passada. Claro que esse último fator não vem ao caso. Fechei os olhos, puxando a maior quantidade de ar que eu consegui e me virei, olhando para o teto. Lembranças da noite anterior vieram em minha mente. e eu, Matt e , me deixando em completo desespero quando disse (com a maior naturalidade do mundo) que uma das cordas da única guitarra que ele havia trazido estava estourada, nós dois voando para o carro e dirigindo na velocidade da luz até sua casa, pegando a corda nova da guitarra e voltando para o ginásio. Depois disso, tudo ocorreu bem. Pelo menos, tudo bem com o pseudo-show deles. Porque no restante do baile eu só conseguia pensar em duas coisas; ou se você preferir, duas pessoas: Matt e . Por alguns minutos me permiti pensar sobre o porquê de eu estar ali novamente, pensar em tudo o que eu queria fazer. Porém, como eu já disse, permiti a mim mesma duvidar das minhas intenções por apenas alguns minutos. Depois eu virei a maior quantidade de bebidas que consegui acompanhada de duas meninas que eu não fazia a menor ideia de quem eram. Eu nem lembrava como tinha chegado em casa. Talvez tivesse me trazido. É, provavelmente era isso que havia acontecido. A única cena que me lembro vagamente era de caminhar entre as centenas de pessoas dentro do ginásio e ver o se engolindo com uma vadia loira qualquer e a prensando na parede do mesmo modo que tinha feito comigo algumas horas atrás. Pobre alma.
Bufei ao perceber que, incrivelmente, todas as linhas de raciocínio que eu tinha me levavam ao mesmo ser vivo, curiosamente, o único que eu tentava esquecer, isso quando não estava colocando minha tática de sedução em prática. Vencendo minha preguiça e mandando ela mentalmente para o espaço, levantei da cama, caminhando para o banheiro. Eu estava parecendo um zumbi, não tinha a menor dúvida disso. Tomei um banho demorado, lavei meu cabelo, coloquei um short jeans, uma blusa qualquer e meu all star de couro branco, nem me dei ao trabalho de secar o cabelo. Como sempre, joguei meu celular dentro da bolsa, já a colocando em meu ombro. Desci as escadas devagar, quase parando, ouvindo alguns barulhos vindos da cozinha. Entrei no cômodo, vendo minha mãe com seu avental vermelho, cantarolando para lá e para cá, enquanto lavava a louça. Quis sorrir ao presenciar aquela cena. Quis, mas isso não quer dizer que eu consegui, a ressaca era tamanha que não me permitia fazer nem isso. Murmurei um “bom dia” arrastado, caminhando até a geladeira e ouvindo as centenas de perguntas vindas de minha mãe, que se calou ao ver minha cara de quem queria permanecer quieta e não ser perturbada. Tomei um copo de suco, avisando a ela que iria ajudar na arrumação do ginásio. Ela me deu o típico beijo na testa, voltando à louça, enquanto eu apenas saí da cozinha, indo direto para a porta de entrada, pegando minha bolsa em cima da mesa. Quando coloquei meus pés na calçada, desejei desesperadamente que algum conhecido passasse de carro por ali e me oferecesse uma carona até o colégio. Para que tanta preguiça?
Para que um sol tão forte às 10 horas da manhã?
5 minutos se passaram, no máximo. Bem dizia minha querida avó materna que devíamos tomar cuidado com as coisas que desejávamos...
’s POV.
Eu estava inconformado. 09h57min. Quem em sã consciência acorda essa hora, em um sábado, só para arrumar uma merda de ginásio? Quem? Doce ilusão a minha quando eu pensei que só iríamos tocar naquele baile e depois não precisaríamos mais fazer nada. Doce ilusão de merda. Meus olhos estavam quase fechando, minha cabeça estava doendo pra porra e eu não tinha comido ninguém naquela noite. Desde quando eu fico sem comer alguma vadia gostosa em uma madrugada de sexta pra sábado? Que porra era aquela? Primeiro eu não tive a capacidade de enfiar a língua na boca da , depois eu não consegui pensar em nada além de como a vadia loira que eu estava pegando no fim do baile beijava mal, insistindo em morder e chupar minha língua. Cara, aquilo era... Escroto demais! Senti um dos caras chutar a parte traseira do banco do motorista, fazendo-me cair na real e xingando qualquer um que tivesse me chutado em seguida. Olhei pelo retrovisor para trás e vi em cima do , gritando alguma coisa que pareceu sem sentido para mim. Não é como se nossas brincadeiras tivessem nexo. Passei uma das mãos pelo meu rosto, tentando acordar. Foi quando uma figura andando pela calçada interrompeu meu longo bocejo. Como não reconhecer aquelas pernas? Como não reconhecer aquela bunda? Como não reconhecer aquela obra de arte, que quase entrou para minha lista na noite passada? Fui diminuindo a velocidade do carro e, quanto mais nos aproximávamos, com menos sono eu ficava. Percebi que o barulho no banco traseiro do carro cessou e falou algo, no qual eu só entendi “” e nada mais. Desci o vidro do carona, inclinando-me para conversar com ela.
- Acho que você não recusaria uma carona, certo? – Ela continuava caminhando, olhando para frente, com a típica pose de durona. Como se eu já não tivesse visto o outro lado dela...
- ! – Percebi que havia abaixado o vidro do banco de trás e agora estava pendurado na janela, sorrindo exageradamente para minha presa. Dessa vez, ela parou e abriu um sorriso. Belo sorriso, ... Realmente encantador. Por um segundo, desejei que aquele sorriso fosse para mim. Mas só por um segundo mesmo. Finalmente parei o carro e andou na direção de , dando-lhe um beijo na testa. – Entra aí! – Chamou ele, enquanto eu só observava o diálogo animado dos dois. Lembrei da noite passada, assim que parei de dar atenção nos dois e me foquei somente na . Lembrei de seus seios quase pulando para fora do vestido apertado, as coxas aparecendo... E que coxas! Nunca havia apertado coxas tão “em forma” como as delas. Aliás, o corpo todo dela estava muito saudável, devo dizer. Sou um especialista nisso, como já devem ter percebido.
- Já que eu não estou num estado muito agradável agora, como devem ter percebido, chega pra lá, . – foi o que eu ouvi, quando voltei a prestar atenção na conversa. abriu a porta do carro e, antes que ela pudesse terminar de entrar, se jogou no colo de e começou a rir.
- Lá pra frente, fofa. Vamos precisar desse espaço, e eu sempre quisemos praticar sexo selvagem em um carro.
sorriu para ela com a cabeça no colo de , impedindo-o de se mover e fazendo um leve movimento com a cabeça, como se estivesse me indicando enquanto reclamava do quanto era um viado folgado e ela, como sempre, rolava os olhos. Fechou a porta com uma delicadeza sempre presente, dirigiu-se à porta do passageiro, abrindo-a e sentando ao meu lado, calada.
Sorri, ligando novamente o carro e acelerando na direção do conhecido caminho até a escola, enquanto já voltava a puxar papo com a . Liguei o rádio e uma música qualquer, que no momento não era reconhecida por mim, tocava num volume alto e dava somente para ouvir cantando desafinadamente para e, supostamente, implorando por sexo, enquanto ria de alguma bobagem que tinha dito enquanto ignorava os pedidos do outro baitola.
- Mas eu juro, , se você não tivesse ido comigo àquela hora pra casa buscar a corda comigo, o que seria do nosso show? Nossos fãs iriam ficar decepcionados! – ele disse e o carro ficou em silêncio. A música do rádio tinha acabado e a que começou a tocar, logo em seguida, depois de uma vinheta escrota, me fez sorrir. O sorriso, que antes estava presente no rosto de , sumiu e deu vida a uma expressão fechada. Ah, as ironias da vida...
’s POV.
A música começou a tocar e me senti desconfortável, vendo pelo canto de olho um sorriso de satisfação aparecer no rosto de . Até onde eu sei, não fomos identificados ontem, certo?
O próximo comentário feito por mudou minha certeza em relação a isso.
Que diabos havia acontecido no meio tempo em que eu fiquei bêbada?
Apenas uma palavra rondava minha mente...
Fudeu.
- Saca só, ! – gritou, começando a rir histericamente, assim que reconheceu a música que estava começando a tocar. Levantou do colo do , colocando a cabeça entre o banco do motorista e do carona. Fechei os olhos, pedindo desesperadamente para que ele não soltasse alguma merda, pelo menos uma vez na vida. Mas é claro que estes pedidos foram inúteis. – , cara, só falta você parar o carro, descer e dançar com ela igual à ontem, a trilha sonora é até a mesma! – Eu não sabia onde enfiar a cara, mas, ao mesmo tempo, queria pedir uma explicação sobre como ele ficou sabendo daquela porra de situação. Puta merda, puta merda, puta merda! Quão ingênua eu fui ao acreditar que só uma máscara de merda iria tornar alguém irreconhecível? Puta merda quinze vezes!
E, pelo visto, a ingenuidade ainda estava concentrada em mim, no momento em que acreditei na possibilidade do calar a boca.
Ah, doce ilusão.
- , se você quiser, eu e o podemos sair do carro pra você e o praticarem o que o tanto recusa fazer comigo. – Ele gargalhou extremamente alto e senti o sangue borbulhar nas minhas veias.
Respira, , não dê atenção.
Pela visão periférica, percebi que cerrou os pulsos, apertando o volante.
– Talvez o consiga atingir o objetivo dele, já que ontem você foi embora na melhor parte, igual o nerd escroto fez com você! – Seu riso agora era sarcástico e eu fechei meus olhos, contando mentalmente até 10. Claro que eu sabia que isso não acabaria com a minha raiva. Ele continuava rindo enquanto o resto do carro permanecia em silêncio.
Filho da puta.
- I’m only gonna break, break, break, break your heart. I’m only gonna break, break, break, break your heart! - cantou exageradamente alto e cerrei meu punho, controlando-me para não quebrar a fuça daquele filho da puta, mal comido e depravado. Ouvi bufar. Alguém tinha que tomar uma atitude ali e fazer aquele panaca se ligar. Abri minha boca para xingá-lo, ligando o foda-se para a história de contar até 10, a fim de me acalmar.
Foda-se a calma. Eu poderia bater na cara dele até esmagar seu cérebro.
Foda-se se eu seria presa por homicídio depois.
A satisfação por calar a boca daquele otário seria maior.
Claro que eu estava descartando a possibilidade de e me pararem depois do primeiro soco.
Talvez o até me ajudasse.
Virei-me, a fim de encarar aquela hiena, que ainda ria como se tivesse contado a melhor piada do mundo. Quando iria soltar o primeiro palavrão, uma voz me impediu.
- Cala a porra da boca, . – disse, parando o carro subitamente. Encarei-o, tentando entender o que ele faria. Por um segundo pensei que ele fosse me mandar sair do carro. Como sempre acontece, essa sou eu errada. Como quase nunca acontece, esse é me surpreendendo. – Já que a gente não tá tão longe da escola e você tá se sentindo o palhaço hoje, desce e vai a pé, cara.
- O QUE? QUE PORRA É ESSA? – perguntou, encarando o com um semblante que, cá entre nós, era escroto pra caralho! – Só porque ela deixou você se esfregar nela e apertar onde bem entendia, vai ficar defendendo sua nova foda, cara? Porra, , presta atenção no que... – “Nova foda”? Quando me preparei para pular em cima daquele filho da puta, me interrompeu novamente.
De novo, colega?
- Desce. – Cortou, fazendo com que eu virasse meu rosto um pouco mais para trás, a fim de enxergar a cara de incrédulo que havia feito, mas não consegui rir, por mais que sua cara tenha sido zoada. estava me defendendo e aquilo era algo curioso de se ver.
Claro que aí tinha uma segunda intenção nas entrelinhas.
cruzou os braços, voltando a olhar para frente, sustentando seu olhar duro e , ao perceber que ele não estava com a menor pressa de ligar o carro novamente, bufou alto, saindo do carro e batendo a porta com uma força totalmente desnecessária, porém, compreensível. Vi quando ele passou pela frente do carro, andando a passos duros até a calçada, seguindo a direção da escola, que podia até ser vista de onde estávamos. Qual é, querido , andar uma quadra não faz mal a ninguém.
- O mereceu, mas eu é que não vou ficar pagando de castiçal aqui. Vejo vocês na escola. – cortou o silêncio que se instalou no carro, abrindo a porta e saindo. ligou o carro e pude ver andar de costas, ainda virado para nós e gritar: “Olhem lá o que vão fazer, crianças!”.
Bufei, sentindo a onda de estresse voltar a percorrer minhas veias, fazendo com que eu apertasse meus punhos. Como eles conseguiam essa proeza tão fácil? Alguém pode me explicar? O carro permaneceu ligado, porém, não se movimentou. Virei para , percebendo que ele estava com seus olhos fixos no meu rosto e, consequentemente, nos meus olhos. Ignorei o fato de que senti certa quantidade de sangue se concentrando em minhas bochechas.
- Vai ficar parado aí me encarando ou vai ligar essa merda de carro e ir logo? – Perguntei, cruzando minhas pernas e começando a balançar uma delas. Eu estava mesmo ficando nervosa com aquela situação e com o que ele poderia fazer? Que diabos estava acontecendo ali?
Fiquei concentrada, encarando-o, até que senti uma mão bem maior e mais quente em cima das minhas, acariciando-a de leve com o polegar. De alguma forma, aquele gesto fez com que eu estremecesse.
- ... – Ele disse, aproximando-se de maneira imperceptível. Olhei para a mão dele em cima da minha e, por um momento, fiquei sem reação. Apenas por um momento, afinal, no momento seguinte retirei minha mão dali o mais rápido possível, voltando a olhar para a rua a nossa frente.
- Já estamos atrasados. Se você continuar com essa lerdeza para chegar à escola, a próxima a sair do carro e ir a pé sou eu, . – Ele não se moveu, não voltou a olhar para frente e foi como se estivesse pouco se fodendo para o que eu tinha dito. “Como se estivesse pouco se fodendo”, é claro que ele estava pouco se fodendo para o que você havia dito, ! Pela visão periférica, percebi que ele estava se movimentando para mais perto de mim. Não me dei ao trabalho de movimentar sequer um músculo. Ele ficou tão próximo, a ponto de que eu podia sentir sua respiração quente em meu ouvido e, cá entre nós, confesso que aquilo estava começando a me causar arrepios. Continuei imóvel, por mais que eu quisesse abrir a porta e sair daquela merda de carro.
Cérebro de merda que não me obedecia.
Nota mental: analisar se eu, realmente, queria sair daquele carro naquele momento específico.
Senti seus lábios encostarem-se a minha bochecha, próximos à minha boca. Mordi, imperceptivelmente, meu lábio inferior. Virei meu rosto, desgrudando seus lábios de mim. Permiti-me fechar os olhos e tentar entender que porra aconteceu ali.
Ele bufou, resmungando algo que não consegui entender e retomou o caminho até a escola.
Num silêncio constrangedor.
***
Guardei toda a boa educação que recebi dos meus queridos pais e saí do carro de no exato momento em que o mesmo foi estacionado, sem agradecer pela carona ou por ter me defendido contra o . Foda-se os bons costumes, afinal, eu estava lidando com , certo? Certo. Adentrei os portões da escola e, estranhamente, algumas pessoas me olhavam. Entre essas pessoas, uma que se encontrava escorada no começo das escadas. Caminhei rapidamente até .
- Tem alguma coisa errada em mim ou algo do tipo? – Perguntei, cochichando para ela, que fez uma cara estranha, checando minha roupa e minha cara.
- Claramente seu cabelo não viu um pente hoje e sua cara não nega a puta ressaca que você está. Nem a cara, nem certas atitudes suas ontem à noite. – Arregalei meus olhos, ouvindo a última parte. Certo, alguma merda havia realmente acontecido. Antes mesmo que eu pudesse perguntar para minha amiga sobre algo que, infelizmente (ou não), parte do meu cérebro fazia questão de me esconder, ela me puxou para as escadas, ficando mais perto de mim e falando baixo. – O que você tem na cabeça, ? Merda? Porque eu estou certa de que não é um cérebro! E, a propósito, você está completamente atrasada! – Ela segurava meu braço com força e me puxando, a fim de dar espaço para dois garotos que carregavam uma mesa passarem. Permanecemos paradas enquanto me encarava com seu olhar severo.
- Eu não faço a menor ideia do que você tá falando, . – Comentei, olhando para ela e esperando que me dissesse logo o que eu fiz de tão errado assim. Deus, eu tinha que parar urgentemente de beber! me encarou por um tempo e depois bufou, revirando os olhos, indignada.
- Você não lembra mesmo, não é? – O tom foi de pergunta, mas eu tinha certeza que ela estava fazendo uma afirmação. Revirou novamente os olhos, andando pelo corredor que dava ao ginásio. Eu a segui, como um cachorrinho.
Lamentável.
Continuamos andando até chegarmos ao vestiário. Ela apontou o banco que se localizava no centro da sala e eu sentei, enquanto ela caminhava por toda a extensão do lugar, checando cada cabine. Em 5 minutos ela se sentou no chão, encostando-se aos armários ali presentes e respirando fundo.
- Você vai me fazer o favor de contar que porra aconteceu ou eu vou ter que me virar sozinha pra descobrir? – Perguntei impaciente, cruzando os braços e relaxando no banco. se mexeu, impaciente.
- Eu acho que você vai ter que mudar seus planos com o ...
Flashback.
’s POV.
Desliguei meu celular, saindo da cabine do DJ e correndo até o camarim improvisado onde os garotos estavam. Abri a porta, avistando e em um canto, conversando, enquanto tentava trocar, o mais rápido possível, a corda de sua guitarra. saiu do fundo do cômodo com o afinador eletrônico em mãos, correndo na direção de . Seu vestido estava coberto pelo meu casaco preto, que eu entreguei a ela quando a mesma saiu com para pegar a nova corda. Estava realmente quente dentro do ginásio e daquele cômodo minúsculo, porém, o vento frio lá fora soprava incansavelmente. Típico.
- O DJ vai anunciar a entrada de vocês em – chequei meu relógio, novamente – exatamente 7 minutos. – Avisei, andando em direção ao sofá, onde se encontrava. Sentei em seu colo, dando-lhe um selinho e olhando para as duas criaturas que tentavam afinar a guitarra. Imprevistos sempre aconteciam, eu nem me importava desesperadamente. Não mais.
- Caralho, . Sai daqui e me deixa afinar essa merda, suas mãos estão tremendo! – disse com sua simpatia de sempre, tomando a guitarra das mãos de , que mexia nervosamente em seu cabelo.
- Relaxa, seu viado. – zoou, assim que ele sentou no sofá ao nosso lado. Ele só sorriu nervoso.
Chequei meu relógio novamente.
- 4 minutos, ... – Comentei, vendo que se levantou impaciente, andando até os outros meninos.
- Cala a boca e me deixa fazer isso direito, . – Respondeu, levantando do banco onde estava sentada, desligando o afinador e posicionando a guitarra em seu colo. – Pronto, .
- Certeza? – Perguntou desconfiado. – Não que eu duvide de você, mas é meio impossível afinar nesse meio tempo. – Se aproximou de , erguendo as mãos para pegar sua guitarra. se afastou, lançando para ele sua melhor cara de desprezo. Pigarreou, começando o solo de alguma música do Guns N’ Roses.
- Parece bom pra você? – Ergueu uma sobrancelha assim que acabou o solo, fazendo com que eu risse e os meninos a encarassem boqueabertos. Ela era impossível. Impossível em relação ao seu comportamento e impossível em relação a forma como ela tocava maravilhosamente todo tipo de instrumento.
Perfeitamente impossível.
- Você salvou minha vida, . – disse, pegando a guitarra e caminhando em direção a porta.
- Eu sei. – Piscou para ele, rindo. O bom humor voltava a reinar, afinal.
- 1 minuto. – Disse para todos, dando um selinho demorado em . – Boa sorte, lindo. – Falei em seu ouvido, escutando ele agradecer e sorrir para mim. No segundo seguinte, vi quatro marmanjos trêmulos atravessando a porta em direção ao palco. Continuei ali, em pé, parada durante alguns segundos, até ouvir uma voz masculina no microfone anunciar o pseudo-show dos garotos. Foi quando ouvi um suspiro ao meu lado.
estava bem próxima de mim. Sua respiração era alta e ritmada, calma. Virei, vendo-a parada, com os olhos fixos na porta.
Os olhos mais expressivos que eu já havia visto, não possuíam nenhum brilho. Eu não sabia ao certo se devia perguntar o que estava acontecendo, não sabia ao certo se gostaria, realmente, de saber o que se passava.
Em segundos, a feição inexpressiva deu lugar ao olhar que eu conhecia muito bem. Um olhar rancoroso.
Pude ouvir os meninos começando a tocar os primeiros acordes e virou-se para mim.
- Guardou a máscara como eu pedi? – Não me dei ao trabalho de responder com palavras, um simples movimento com a cabeça era o suficiente. Eu tinha medo de até onde poderia chegar com toda aquela história de plano e vingança. Para mim, aquilo não passava de certa infantilidade por sua parte. Claro que não é um dos meninos mais respeitáveis, adoráveis e cavalheiros do colégio e é mais que óbvio que alguém deveria colocá-lo em seu devido lugar um dia, mas era exagerado querer resolver isso. Ainda mais por uma coisa que aconteceu em sua infância. Certo, o primeiro coração que quebrou foi o dela. Okay. Mas algo me dizia que quem sairia mal dessa seria ela.
Ou talvez não.
Se existe algo que eu aprendi nessas semanas desde o regresso dela, foi que nunca se deve duvidar da capacidade de .
Parei para analisá-la novamente. Os saltos extremamente altos na cor preta a deixavam com uma postura ainda mais “durona”. O casaco preto e seus cabelos caindo em seus ombros cobertos.
Não me achem lésbica. Nada contra, mas não. Estou muito certa sobre minha sexualidade e muito mais certa sobre .
Mas era linda. Maravilhosa. Ela transmitia certo poder invejável. Linda.
Porém, para quem sabe de tudo (ou boa parte) do que se passa em sua mente, chega-se a conclusão de que ela não passa de certo clichê.
Uma rocha aparentemente indestrutível por fora. Uma garota sensível e meiga, cheia de sentimentos por dentro.
O contraste entre o exterior e o interior.
Aparências que enganavam e não demonstravam quem ela realmente era.
Por isso ela era certo clichê para mim.
- Você, realmente, quer continuar com isso, ? – Quando percebi, as palavras haviam saído automaticamente da minha boca. Ela simplesmente voltou a encarar a porta. Uma expressão ainda mais dura tomou conta de seu rosto. Era ruim vê-la com aquele olhar, pois eu podia ver que, no interior, havia muita dor.
Boa parte de era apenas mágoa e dor.
- Eu preciso, . Pode parecer ridículo, mas é mais forte do que eu. Eu preciso fazer isso. Ele precisa disso para se pôr em seu lugar. – Disse, olhando fixamente para o chão, pude ver seus pulsos cerrarem.
- Estava saindo com de trás do palco, . Eu vi vocês dois juntos, enquanto aquela música tocava. Pura ironia do destino? – Ela permaneceu quieta por alguns segundos. Pude ouvir os garotos conversando com o “público”, que gritava animado.
A segunda música deles começava a tocar.
continuava quieta. Provavelmente, sem resposta.
- Balançou, não balançou? Não tente me enganar, . Sou eu, , sua melhor amiga desde que você se entende por gente. Você pode me dizer o que você esta sentindo, . Não venha me dizendo que em momento algum você não se sentiu atraída por ele, pois eu sei que você está mentindo. Isso que eu vejo não é você. Você não é essa rocha, , eu te conheço. – Andei até ela, pegando em sua mão. Seus olhos brilhavam mais que o normal. Havia bem mais do que apenas rancor e mágoa ali. Algo a mais. Algo que eu conhecia muito bem e que só comprovava a teoria do clichê. Foi quando seus olhos expressivos estacionaram nos meus.
Devo admitir que, por alguns milésimos de segundo, senti medo daquele olhar.
- Você não conhece, . Desculpe, mas você, definitivamente, não conhece. Se conhecesse, saberia que eu não fico “balançada” com homens como . Ele é um merda, . Um merda que eu vou ter o prazer de colocar em seu devido lugar. Hoje foi o começo, . Será disso para pior. – Soltou meu braço do seu e caminhou sob os seus 13,5 centímetros de salto até a porta. Parou e soltou um longo suspiro que eu pude ouvir mesmo com o barulho dos meninos lá no palco. Certo, nós nem estávamos tão distantes assim. virou, ficando de lado e encostou no batente da porta, fechando os olhos. – é um merda e isso é um fato, . – Percebi que a rocha havia amolecido um pouco pelo tom de sua voz. – Cá entre nós, mesmo sem trocar salivas com o merda, deu pra entender porque tantas garotinhas caem no encanto dele. Caraca! – Ela disse, gargalhando para mim. Eu só consegui fazer o mesmo, caminhando até ela e bagunçando seus fios de cabelo.
- Vai se divertir, heartbreaker. Eu tenho uns garotos para esperar. - Dei um beijo em sua testa e ela sorriu meiga para mim. Continuou andando de maneira elegante e invejável com seus saltos, até o final de um corredor, perdendo-se no meio da multidão.
Como eu havia dito, um eterno clichê.
***
Eu tentava andar até o bar, com atrás de mim e os outros dois ( e ) nos seguindo. O baile daquele ano, com certeza, bateu recorde no quesito população. Trombei em mais algumas pessoas até enxergar o barman delicioso que estava atendendo algumas pessoas. E quando eu digo delicioso, não é por menos.
Deveria ser considerado crime deixar homens gostosos como aquele fazendo movimentos com aqueles braços, bíceps, tríceps, abdômen e todo o conjunto descoberto.
Mas quem precisa daquilo quando se tem alguém como por perto?
Eu preferia pensar que não precisava.
Poupava o sentimento de frustração por saber que uma delícia daquela nunca estaria no meu prato.
Frustrante.
Escorei no balcão, fazendo meu pedido, assim como . Olhei para o lado, a fim de perguntar o que os outros dois iriam querer, mas eles haviam sumido. Provavelmente para procurar algumas presas.
Sabem como é, garotos são garotos. Ainda mais naquela idade.
Eram como cadelas no cio.
Só que do gênero masculino, é claro.
Enquanto o barman preparava nossas bebidas, senti me cutucar, apontando para a esquerda indiscretamente e dizendo algo no meu ouvido, que eu não ouvi devido ao som extremamente alto.
Acompanhei a direção que ele apontava e a primeira coisa que vi foi se esfregando em um canto, com uma garota qualquer. Ele não mudava nunca.
Próximo ao bar, longe de , porém, na mesma direção, havia uma mesa cheia de garotas rindo escandalosamente e dois garotos. Os primeiros que meus olhos focaram foram e . Segundos depois, foquei as garotas da comissão. Milésimos se passaram e pude focar em um estado nada agradável. Olhei preocupada para , que pegava nossas bebidas e encarava a cena com uma expressão divertida.
Algo me dizia que aquilo não seria nada divertido. Eu nunca havia visto bêbada, então não sabia dizer em qual tipo de bêbada ela se encaixava. Aquilo me preocupava.
Pelo menos ela não fazia o estilo de bêbada chorona, que se arrependia de tudo.
Muito menos a bêbada carente, porque a única coisa que ela aparentava querer agarrar ali e estar necessitada, era do seu copo com um líquido vermelho.
Infelizmente, os tipos de bêbada que sobraram não eram dos melhores.
Andei rapidamente, atravessando todas as pessoas, com a velocidade da luz e, em um piscar de olhos, cheguei à mesa. Todos que passavam ali se permitiam dar uma olhada na mesa que chamava toda a atenção.
virou todo o conteúdo da bebida em um só gole, fazendo um gesto para o barman que a olhava. Prontamente, este virou e começou a preparar outro drinque.
- , meu amor! – Ela disse, com a voz meio embargada, erguendo o copo vazio pra mim e gargalhando. olhou para mim, como se estivesse se divertindo com a situação. Vi tirar seu (aliás, meu) casaco, jogando-o em minha direção. Sentei-me de frente para ela, no colo de . Aquilo não acabaria bem.
- Espera aí... – Vi olhar para o vestido de . Como se fosse possível que eles tivessem transmitido seus pensamentos por telepatia, olhou para , aparentemente pensando o mesmo.
Aquilo não acabaria bem.
explodiu em gargalhadas. Vi fazer o mesmo, enquanto olhava para os dois sem entender. E eu? Bom, é óbvio que eu havia entendido o motivo das risadas. O barman chegou com a bebida de , que ria, conversando alguma coisa com Terrie. Estiquei meu braço, a fim de impedir de virar o conteúdo vermelho, mas fui devagar demais.
Outro copo garganta abaixo.
Ela fez uma careta, provavelmente porque aquela dose estava mais forte que as outras.
Afinal, àquela altura ela não deveria nem conseguir distinguir água de tequila pura.
Vi quando parou de gargalhar e falava algo no ouvido de , para que ele conseguisse entender. A música acabou. inclinou-se para o lado de , ele estava logo ao seu lado. Outra música começara. Infelizmente, o som havia diminuído. Todos da mesa conseguiam ouvir o que cada um dizia. Talvez porque o som estivesse minimamente mais baixo, talvez porque todos berravam para conseguir se comunicar.
- Você curtiu, ? – perguntou, aliás, berrou para . Ela gargalhou gostosamente. Era ali que eu perceberia que tipo de bêbada ela era. Ajeitei-me no colo de , preparada para pular em cima dela, tapando sua boca para que nenhuma merda saísse de lá.
- Não sei do que você está falando, ! – Respondeu e senti que pude voltar a respirar.
não era do tipo de bêbada que fazia jus ao ditado popular “a bebida entra, a verdade sai”, felizmente.
- Interessante, porque o tava se esfregando em uma menina com o vestido igual o seu. E com as mesmas pernas, aliás. – prosseguiu, olhando descaradamente para as pernas dela e apertando a coxa esquerda. Deixei meu queixo cair. Provavelmente, depois daquele gesto deslocaria o maxilar dele com um soco certeiro.
Obviamente, eu tinha que estar errada.
Aquela não era . Era a bêbada.
Ela simplesmente riu, colocando as mãos sobre a dele.
- Esse vestido é peça única, querido. E, aliás, seu amigo é um broxa! E eu achando que iria até ser mais ou menos fingir gostar dele! Eu achando que a pegada dele iria compensar! – Gargalhou ainda mais alto e todos na roda, bêbados e não-bêbados pararam para encará-la. Oh, a novata havia caído nas garras do pegador popular . gargalhou, acompanhado por e . Juro que pude ouvir soltar um murmúrio como “não creio”.
- Vai me dizer que você não curtiu se esfregar nele, ? – continuava botando lenha na fogueira.
- ! – Chamei sua atenção, levantando. Ela só continuou dando risada sem parar.
- Hey, ! – Chamou, mandando o dedo médio para mim. Aproximei-me dela silenciosamente.
- Diga, . – Respondeu ainda mais alto, rindo e a olhando. Quando eu pensava que aquela situação embaraçosa não podia ficar pior, eu o vi.
, e o viram.
Todas as garotas da mesa o viram.
Todas exceto a que devia ter visto.
Todas exceto .
- ... – Chamei, aproximando-me rapidamente dela, que me empurrou, ficando ainda mais perto de .
- Como se soletra broxa? – Ela perguntou, falando alto e rindo. chegou ainda mais perto balançando a cabeça negativamente e sorrindo, mordendo os lábios e encarando a boca de .
Como cadelas no cio.
Eu o vi parado atrás de .
e o viram.
Todos na mesa o viram.
Todos exceto duas pessoas.
Todos exceto e .
Sua expressão era de ódio. Claro que ele havia pegado toda a conversa.
Puxei pelos braços, fazendo com que ela ficasse de pé. Ela continuava olhando para .
- Como se soletra broxa, ? – Ele perguntou, fingindo interesse, com um sorriso cafajeste no rosto.
- , não... – Tentei impedir.
- ! – Ela gritou.
Veja você, eu tentei impedir.
Tentativa frustrada, como pôde ser visto.
Depois foi tudo rápido.
Uma hora estava em meus braços gargalhando de sua piada, que ela provavelmente julgava com a coisa mais inteligente do mundo.
Segundos depois ela estava nos braços de , que a apertava contra ele.
- O que eu sou, ? – Ele perguntava, com faíscas saindo dos olhos. Não me dei ao trabalho de olhar em volta de mim, em volta deles, em volta da mesa.
Não precisava, eu sabia que todos ao nosso redor estariam olhando aquela cena com curiosidade.
A nova vítima de .
- Broxa. – repetiu, com a boca próxima de . Nós ainda podíamos escutá-la.
- Repete. – pediu, aproximando-se ainda mais dela.
- B-r-o-x-a. – soletrou, apertando o rosto de com uma mão, fazendo com que os lábios dele formassem um biquinho extremamente apertável.
O quê? Ele era lindinho e fofo mesmo.
E, então, tirou as mãos dela de seu rosto e beijou ali mesmo. Na frente de todos nós.
Claro que ele não se importava em beijá-la ali mesmo.
Mas é claro que não!
Eu esperava que empurrasse ele, xingando-o de todos os nomes possíveis. Mas ela estava bêbada. Ou ela também queria aquilo.
Ela retribuiu o beijo, colocando seus braços em volta dos ombros do e eles continuaram ali por um bom tempo, brincando de desentupir privadas. E todos nós de boca aberta, encarando a cena.
Eles se separaram.
o olhou, pude ver seus olhos brilharem mais do que o normal.
encarou-a. Sua expressão era calma. Não consegui visualizar o típico olhar cafajeste ali.
A tensão estava pelo ar. E agora? Qual será a reação da rocha ?
Ela simplesmente deu um sorriso torto para ele e saiu dali rebolando sob seus 13,5 centímetros de salto alto, fazendo com que seus fios de cabelo balançassem a cada passo e o vestido levantasse um pouco.
olhava abobado para ela.
Aquela situação era muito estranha.
Virei-me para , dei-lhe um selinho e saí atrás de , ouvindo os meninos zoarem e a conversa voltar a reinar na mesa. E o novo assunto? Não era muito difícil de imaginar.
Flashback off.
- Depois disso você saiu do ginásio e eu te levei para casa. Entrou quieta no meu carro e saiu muda. Acompanhei-a até seu quarto e você caiu dura como uma pedra no colchão sem dizer nada. Foi isso que aconteceu. – Terminei de falar e encarava um ponto qualquer no chão, sem me dizer nada. Muda como quando eu a deixei em casa após o Baile.
Esse é o beijo de deixando as garotas sem palavras! Coisa linda de se ver, minha gente!
Não mesmo.
Quando ela abriu a boca para, finalmente, falar alguma coisa, a porta do vestiário se abriu e pude ver Victória.
- Mas que porra vocês estão fazendo aqui? Temos um ginásio para arrumar, vamos logo! Precisamos de ajuda! E nem vem falar que está com dor de cabeça por causa da ressaca, . Todas nós estamos, acredite. – Ela permaneceu segurando a porta e eu levantei, passando por ela, saindo do vestiário e caminhando até o ginásio.
’s POV.
Levantei perplexa, ainda digerindo tudo o que havia me contado da noite passada. Passei por Victória, que me encarava com um sorriso sacana no rosto. É claro que ela também havia presenciado a cena de ontem à noite.
- Ao trabalho, . – Ouvi-a dizer, dando um tapa na minha bunda. Arregalei os olhos, olhando para ela, assustada, enquanto a ouvia dar risada da minha cara.
É, definitivamente, ela havia presenciado.
Xinguei-me mentalmente por nunca conseguir agir normalmente quando bebia demais.
Xinguei-me mentalmente por não saber meu limite.
Xinguei-me mentalmente por não ser uma bêbada com controle dos meus próprios atos.
Entrei no ginásio e Victória andava em meu encalço. Ergui meu olhar do piso do chão do colégio e pude ver todas as pessoas da comissão e mais algumas outras.
Vi quando , do outro lado do ginásio, me avistou e riu.
Vi olhar pra mim enquanto estava pendurada em seu pescoço.
E o olhar que me retribuíram e que mais doeu, foi quando vi Matt parado, encarando-me. Ele estava distante, mas eu podia ver seus olhos claros.
Pela primeira vez na vida consegui ler um olhar e, quer saber? Não foi nada legal.
O olhar dele era de dor.
Eu era, definitivamente, uma filha da puta.
- , pode pegar umas caixas que estão no depósito, fazendo favor? – Victória me pediu e eu assenti com a cabeça, silenciosamente. Dei meia volta, andando até o depósito. Minha mente vagava entre a noite passada e o fato de que, nem com me contando tudo o que havia acontecido, eu conseguia me lembrar. Era informação de mais para digerir tão rápido.
MERDA DE VODKA!
Poderia pelo menos me lembrar de como foi beijar o garanhão .
Dessa forma eu poderia ter a prova de que ele não fazia o serviço direito.
Rolei meus olhos, abrindo a porta e avistando as malditas caixas bem em minha frente. Havia certas horas que a vodka podia ser nossa melhor amiga, mas havia horas que quando ela queria fuder com você, ela conseguia. E eu era prova viva que isso acontecia. Peguei as caixas e, ainda de costas para a porta, ouvi-a sendo aberta atrás de mim. Depois disso, todos os meus movimentos foram rápidos e calculados.
Mentira.
Larguei as caixas no chão.
Virei-me.
Vi uma figura me analisando milimetricamente.
Pude ler seu olhar.
Para minha surpresa, não era o que eu sempre costumava ver.
Abri a boca para xingá-lo.
Em um ato ninja, ele veio para cima de mim.
Mãos na minha cintura.
Meu peito encostando-se ao seu peitoral. E que peitoral, devo admitir!
Bocas se chocando.
Sua língua pedindo permissão, que foi mais do que cedida.
Se a merda da vodka não me permitia lembrar, sempre procurava uma forma de surpreender sua vítima e fazê-la lembrar.
Sinceramente? Agradeci mentalmente pela segunda rodada.
Continua...
Nota das autoras:
Letícia: Hey, girls! Demoramos menos do que da ultima vez, huh? HAUHAUAHUA. E aí? FINALMENTE DEU EM ALGO, HEIN! HAUAHUAHU Agora sim a história fica interessante. O que vocês acharam desse capítulo, hein? Espero que tenham gostado de verdade! Para xingar, elogiar, enviar pedidos desesperados por mais (ou não), etc e tal, usem a caixinha de comentários logo ali embaixo. Quero ver essa caixinha passar dos 100 comentários agora, hein! Como diria o lindo Danny Jones: “C’MAAAAAAAAAAAAN!” HAUHAUAHUAHU Semana de provas começando, ou seja, provavelmente, atualização demorando um pouquitito mais. Enfim, gostaria de agradecer todo mundo que pede atualização e elogia CQCC pelo twitter, me mandando um tweet e tals.. Vocês são umas lindas, maravilhosas, apertáveis, tesudas, tchuco-tchuco e JÁ DEU, NÉ! HAUAHUAHUAHAU. Gostaria de deixar um beijo lindo pra Nellise que sempre que barra comigo na escola, cobra a att de CQCC... Você é uma linda, viu Nê! :) É isso, girls. Comentem loucamente. Beijos (não como os beijos do guys, mas enfim). Xx
Aninha: EU OUÇO COROS DE ALELUIA, ALELUUUUUUUIAA! HSUAISHAHSUAI parei, mas FALAE NEGADA! Como estão? Bom, a Let tinha me mandado o capítulo a um tempinho (lê-se a um bom tempo), e dessa vez quem demorou fui eu, então me culpem e ME DESCULPEM! Vocês viram a capa nova? O QUE ACHARAM? Bem mais cara da fic, hm? Mas, e ai, qual foi a reação de vocês ao ver aonde o baile chegou? Até eu fiquei surpresa com o que aconteceu, mas finalmente! O primeiro beijo da e do tão esperado aconteceu, o que vai acontecer agora? Eu quero saber logo o que vem por ai, e vocês? Nos contem o que vocês acham e esperam da fic daqui pra frente, porque o circo começou a pegar fogo! Queria agradecer a Bru Donato que me ajudou a escrever um pedaço, pelas opnioes e as cobranças sempre, um beijo Mi! Beeijos leitoras/es, até a próxima atualização! xox
Qualquer erro nessa fanfic é meu, então me avise por email ou mesmo no twitter. Obrigada. Xx.