
Bom, eu sou , e eu tô vivendo uma loucura, como eu pude me apaixonar pelo meu melhor amigo? Como eu pude não impedir tudo que aconteceu? Eu vou explicar melhor, eu e minhas três melhores amigas: , e . Somos do Brasil e viemos pra Londres só pra passear mesmo, porque essa cidade sempre foi o maior sonho de viagem de todas nós, mas quando chegamos aqui, conhecemos os meninos: , , e . Os conhecemos em um parque e começamos a sair com eles, até que a conseguiu um emprego aqui, o emprego dos sonhos dela, ela sempre quis trabalhar com moda, e ela ia trabalhar na revista de moda mais badalada de Londres, claro que, por enquanto, só como estagiária, mas depois que completasse a faculdade poderia ganhar um emprego muito bom. estudava moda no Brasil, e não sei como conseguiu fazer o resto do curso aqui em Londres, mas ela teria que ficar sozinha, e uma coisa que nunca tinha acontecido entre nós quatro era ficar uma longe da outra por muito tempo, uma era totalmente dependente da outra, uma era a parte que nasceu separada da outra (que clichê isso, mas é a pura verdade, não consigo me imaginar longe das minhas menininhas), então não tinha jeito de deixá-la sozinha. Pela amizade, resolvemos nos mudar para Londres também, mas não tínhamos lugar para ficar, foi quando o generoso (ou pelo menos fingia ser generoso, porque tava na cara que ele queria alguma coisa a mais com a e pra isso ela ia ter que morar em Londres) nos emprestou a casa dele, era dele, mas ele morava com os Guys, então estava vaga. A casa era exatamente ao lado da casa dos meninos, era como morássemos juntos, e praticamente era, já que todos ficavam quase sempre em uma só das casas, sempre dormíamos todos na mesma casa, já que a humilde casa de tinha 10 quartos, como a casa dos meninos. Mas todas nós fazíamos faculdade e precisávamos de dinheiro, então abrimos um Pub com coisas do Brasil. e namoravam, mas não assumiam, e namoravam sério, e eram apaixonados, mas só ficavam às vezes, nunca confiou muito no , e eu e ? Solteiros e melhores amigos. Passou-se três anos que nós tínhamos ido pra Londres e eu descobri que amava , mas não iria contar, não queria nunca acabar com nossa amizade por causa disso, mas sofria muito sempre que o via pegando alguma vadia. Um ano se passou depois que eu descobri que amava meu melhor amigo, e então...
Capítulo 1
Acordei com o despertador gritando na minha cabeça, eram 05h45min da manhã, odiava dia que eu tinha que ir pro Pub de manhã, bem, na segunda feira. Levantei, calcei minha pantufa, fui ao banheiro fazer minha higiene matinal, prendi meu cabelo e desci as escadas para tomar meu café da manhã. já tinha acordado e tinha feito panquecas, eu adorava muito as panquecas dela. Ok, quem não adorava? era uma ótima cozinheira, todo mundo cozinhava bem, mas era a melhor.
- Booooom dia, bonitinha. - Eu disse, feliz.
- Bom dia! Motivos pra felicidade, dona ? - Disse , sempre desconfiada.
- Nenhum, tê com preguiça do pub hoje. - Eu falei chorosa.
- Ih, me diz quando você não tá com preguiça de alguma coisa? - Perguntou , rindo.
- Há-há, muito engraçado. Tá que é verdade, mas isso é só um detalhe que a gente esquece, né? - Respondi, rindo, e comendo uma das deliciosas panquecas da .
- Pois é, eu sempre tenho razão. - Disse ela, rindo, é a mais centrada de nós, a mais "séria", mas não tão séria. - Mas tá boa a panqueca? - Perguntou ela, ela sempre fica insegura quando é a gente que tá comendo o que ela faz.
- Me diz uma vez que sua comida ficou ruim, ? - Respondi, terminando a panqueca e logo depois tomando um copo de suco.
- Ah, que bom que gostou então, é que eu sou foda. - Disse ela se gabando, já mencionei que a às vezes (lê-se sempre) se acha? Pois é, ela se acha.
- Ai senhor, tá bom , eu vou caminhar e depois vou pro pub, né, fazer o quê? ODEIO SEGUNDA FEIRA! - Eu disse. Já mencionei que eu ODEIO muito segunda feira? Pois é, eu odeio. Depois disso, eu subi correndo, troquei de roupa, penteei meu cabelo, escovei os dentes, coloquei um tênis e fui fazer minha caminhada, dois meninos LINDOS, que pareciam surfistas brasileiros, ficaram olhando pra mim, e quando eu passei perto deles, um deles falou em português, achando que eu era mesmo daquele país.
- Que pena, não dá pra usar aquela cantada "Seu cachorro tem telefone?" - Um disse rindo, fazendo o outro rir, não perdi a oportunidade.
- Essa é velha, hein? - Falei rindo e continuei andando.
- Hei! Perai, você é do Brasil? - Veio ele atrás de mim, parei e olhei pra trás.
- Sou sim, vocês também, né? - Disse, sorrindo.
- Somos sim, sou Leonardo, ele o Diego, prazer. - Falou ele, sorrindo.
- E ai, como é seu nome? - Disse o Diego.
- Ahh, prazer é meu, , mas podem me chamar de . - Falei, sorrindo.
- Ah, prazer , passa o telefone do seu cachorro pra gente poder se ver de novo? - Disse o Diego rindo, fazendo eu e o Leonardo rirmos também.
- Passo sim. - Eu disse, sorrindo, e passando o telefone, depois disso voltei pra casa, senão eu me atrasaria pro pub e as meninas me matariam, quando cheguei em casa, estava jogando Mario com , eles adoravam isso, eu não entendia como eles podiam ficar horas jogando isso, mas se trata de e , né, ri com esse pensamento, subi para o quarto, tomei banho, troquei de roupa, penteei o cabelo, calcei, escolhi uma bolsa que combinasse, peguei minhas coisas e desci, quando desci estava todo mundo lá em baixo na sala, menos , que estava atrasado pois não tinha se arrumado porque ficou jogando Mario com a .
- é um lerdo mesmo. - Disse , fazendo todo mundo rir.
- Bom dia, pequena! - Disse quando me viu, eu amava o jeito que ele olhava pra mim, o jeito que ele falava comigo, eu amava completamente tudo naquele ser, até os defeitos.
- Bom dia, ! - Respondi sorridente. - Bom gente, tô indo, o pub me espera, BEM EM UMA SEGUNDA FEIRA! - Gritei, fazendo todo mundo rir, todos eles sabiam o quanto eu odiava a tal da segunda feira. Entrei no carro, eu amo dirigir nas ruas de Londres, não sei por que, mas acho tão bom, cheguei no pub. Aaron já estava lá, sozinho, eu tava atrasada, só agora que eu percebi. Entrei correndo e fui ajudar o coitado do Aaron, ele trabalhava com a gente desde quando abrimos o pub e já segurou muita coisa com a gente, devemos muito a ele. Quando deram 3 horas meu turno acabou, peguei minha bolsa e entrei no carro, e quando estava no caminho de casa, me ligou pra buscá-la no trabalho, ela tinha um cargo bem importante na revista agora, já tinha terminado o curso e ficava de manhã no trabalho e às vezes ia pro pub à tarde, ela era a única que tinha dois empregos, então ela ia menos ao pub que a gente. Peguei a no trabalho e viemos conversando, e quando chegamos em casa, me deparei com um todo arrumado entrando no carro de uma vadiazinha, toda vez que eu via isso me machucava demais, as meninas sabiam do meu amor secreto por ele e sempre quiseram que eu contasse, mas eu não vou, NÃO VOU estragar minha amizade com ele. Entrei em casa um pouco chateada, dei um oi meio xoxo pra todo mundo e subi correndo, entrei no quarto, coloquei minhas roupas no lugar, coloquei um som alto, peguei a vassoura, pano, e etc. e comecei a limpar o meu quarto, é, eu tava afogando minhas mágoas na arrumação e lutando contra as lágrimas. , e já tinham batido na porta milhares de vezes, mas eu fingia não escutar, odeio ignorar minhas melhores amigas, mas em momentos assim eu prefiro ficar sozinha, as três sabem que eu não gosto de falar do que eu sinto pelo porque é um amor impossível, um amor que machuca, um amor que pode acabar com toda a amizade que nós construímos, eu amo o , amo sim, de verdade e eu sei que é amor, porque amor é uma coisa muito rara de acontecer e é uma coisa que nunca morre, que nunca é substituída, que vai deixar um ferida no seu coração pra sempre, mas ao mesmo tempo que eu amo ele, eu preciso dele, como amigo também, porque além de tudo ele é o meu melhor amigo, e é pra sempre. Então decidi continuar minha faxina, que era a melhor coisa que eu fazia no momento. Depois que acabei, tomei banho, troquei de roupa e me joguei na cama, a fim de descansar um pouco, mas quando eu deitei...
Capítulo 2
"TOCK, TOCK, TOCK, TOCK" Ah, você tá zuando da minha cara que alguém vai me fazer levantar AGORA, né?
- TÔ MUITO CANSADA PRA ABRIR A PORTA, ENTÃO, ATÉ OUTRO DIA! - Gritei, deitada.
- Mesmo se eu falar que eu tenho um super presente pra você? - Falou aquela voz linda que, quando entrava nos meus ouvidos, me fazia acalmar, eu reconheceria a voz de em qualquer lugar do mundo, e seria irresistível do mesmo jeito. Saí correndo com os olhos brilhando, nem lembrando mais do meu cansaço, e abri a porta.
- CADÊ? - Gritei pra ele, morrendo de curiosidade, mas a única coisa que aconteceu foi ele me abraçando forte e entrando pra dentro do quarto comigo, então continuei gritando. - Cadêêê meu preseeeente, ? - Gritei, com voz de manha dessa vez.
- Seu presente é esse, pequena, um abraço bem forte do seu melhor amigo. - Disse ele se divertindo com a minha decepção.
- Ah , não quero um abraço. - Disse, meio emburrada.
- O quê? Não quer um abraço meu? - Disse ele, me soltando e fingindo estar chateado com isso, eu ri e ele também.
- Ai , só você pra me fazer rir nesse momento de SUPER cansaço. - Eu disse, me jogando na cama novamente.
- Ah pequena, que que você tem? Quando você se tranca no quarto com a arrumação é porque aconteceu alguma coisa, eu te conheço, não adianta esconder. - É, ele me conhecia bem.
- Não é nada, , só tô um pouco estressada. - Disse, me enfiando debaixo do travesseiro.
- Quando você não tá estressada, pequena? E tam... Wow! - Disse ele, e olhei rapidamente.
- Que foi? - Perguntei, um pouco assustada.
- Nada, é que... É... Bom... Nada, é... Só não sai na rua com esse short, pelo amor de Deus, ou melhor, não sai nem desse quarto com esse short. - Falou ele, olhando pro short.
- Há , qual é, tá pior que o meu pai. - Falei, deitando no travesseiro.
- É sério, . - Ele falou meu nome? Meu Deus, quando ele fala meu nome é que ele tá bravo mesmo, socorro. - Não sai, promete? - Ele me olhou com aquela cara de pai tentando convencer a filha a não namorar antes dos 20 anos.
- Aff, , tá, tá, eu prometo, satisfeito? - Disse, olhando pra ele.
- Tô sim. - E abriu um sorrisão, já disse que esse sorriso dele me conquista? Ok, o que no que não me conquista? Enquanto eu ainda estava em transe, vi ele pulando de uma vez na minha cama e me abraçando.
- Tô cansado, pequena. - Disse ele, enfiando a cara no outro travesseiro.
- Por que? - Apesar de já saber o porquê, perguntei da mesma forma, sabendo que iria me arrepender de ouvir a resposta. Ele olhou pra mim e deu um sorriso de tipo: Oi, eu aprontei.
- Hm... Eu vi que você me viu saindo, dona . - Quando ele me fez recordar o que eu vi, quis chorar, mas não podia, ele estava na minha frente. Quando eu abri a boca pra perguntar quem era a vadia, ouvimos uma gritaria lá embaixo, e pela voz, era .
- SIM, SIM, SIM, SIM! Eu aceito siiiiiiim casar com você, meu amor! - Dizia , quando eu e o ouvimos isso, arregalamos os olhos e descemos correndo, não deu tempo de ver nada, só vi correndo em minha direção e me dando um suuuuuper abraço e gritando. - EU VOU CASAR AMIGA, AAA. - Eu olhei pro , ele estava vermelho de vergonha, ele olhou pra mim e deu um sorrisão, e como eu conhecia o muito bem, pois ele era o meu melhor amigo, depois do , claro, aquele sorriso era de muita felicidade e de muita vergonha também, mas eu tava feliz por eles, eles se gostavam muito. Abracei a forte, e sorri pro .
- QUE BOOOOM, AMIGA! - Soltei do abraço e sorri pra ela.
- Só tem uma coisa não muito boa que vai acontecer. - Disse .
- O que? - Falei preocupada.
- Nós vamos morar sozinhos. - Disse , com uma cara de preocupado pra .
- Mas sem vocês e sem... Enfim, depois a gente vê isso. - Disse , como se tivesse dito alguma coisa que não poderia.
- E sem...? - Perguntei.
- Sem eles. - Disse , apontando pra e pro e coçando a cabeça.
- Vou fingir que acredito nessa sua desculpinha esfarrapada, senhor . - Eu disse, me fingindo de brava.
- Não tem desculpinha nenhuma, dona . - Disse ele, dando uma risadinha e subindo as escadas. - Bom, felicidades pros dois, eu vou tomar meu banho, o dia de hoje foi cansativo e mais tarde tem mais. - Disse ele, olhando pro com um sorriso safado.
- Há , garanhão. - Disse rindo, fazendo rir, mas parou na mesma hora vendo a minha cara, olhei para os dois como se não tivesse nada, dei um sorriso amarelo.
- Bom gente, tô muuuuuuito feliz por vocês dois, mas tô muuuuuuuito cansada também, vou deitar um pouco, ok? - Disse isso já subindo as escadas, corri para o meu quarto com os olhos cheios de água, quando tranquei a porta, me deitei e não conseguia parar de chorar, porque não consigo entender como uma pessoa pode amar tanto a outra a chegar neste ponto, é errado, é impossível, eu tenho que parar com isso, eu vou parar com isso. Sentei-me na cama, enxuguei minhas lágrimas e liguei a TV, um tempo depois, apaguei.
Capítulo 3
A luz do dia machucava meus olhos, estava com coberta e a TV estava desligada, deve ter sido a , ela tem a chave do meu quarto, mas ela quase não usa essa chave, sabe que eu gosto de privacidade, mas quando é preciso, ela usa e nem liga se eu gostei ou não. Levantei-me, calcei minhas pantufas, fui ao banheiro fazer minha higiene matinal, desci pra tomar café, já estava acordada e estava mexendo seu copo de achocolatado que nem boba e olhando pro nada com um sorriso idiota.
- Nossa, o que aconteceu pra você tá tão boba hoje? - Eu disse rindo, pegando um copo e preparando achocolatado pra mim.
- Hã? Ah, Bom dia meu amorrrrrrrrrr. - Respondeu .
- Não muda de assunto, dona , que aconteceu pra te deixar toda boba? - Eu disse, olhando pra ela desconfiada.
- Ah... Nada, - Disse ela com um sorrisinho.
- Isso, esconde mesmo de mim, sua amiga há tantos anos, sua confidente. - Eu fiz drama.
- Ah, para, né . - Disse ela rindo. - Não é nada, ou melhor, é sim, mas eu só posso contar à noite. - Disse ela, me olhando com ainda aquele sorriso bobo.
- Ah, vou ter que ficar mesmo curiosa? - Eu disse chorosa e fazendo beicinho.
- Vai sim, dona . - Ela falou rindo. - Agora para de drama e me diz o porquê dos olhos inchados. - Ela disse, mudando de assunto.
- Ah amiga, o de sempre, né, você já sabe, eu sou mesmo uma idiota. - Eu falei, olhando para o achocolatado. - Eu queria que isso tudo acabasse, que eu parasse de amá-lo, não é possível, a gente nunca vai ter algo, ele é meu melhor amigo, apenas isso. - Eu falei com um tom de voz que demonstrava um pouco minha frustração com meu sentimento.
- , não se culpe de algo que você não foi culpada, você ama mesmo esse menino, eu sei, você sabe, as meninas sabem, mas você tem que tocar a sua vida, parar de pensar nele, pensar nas coisas que ele faz, desliga um pouco dele e vá curtir sua vida, já ouviu falar aquele ditado assim "Deus te deu a vida, não a eternidade?" Então, vá aproveitar, pare já com isso, ok?
- Nossa, acabou comigo. - Eu disse, colocando a mão no peito e rindo. - Mas é verdade tudo isso que você falou. Você tá certa, vou começar a curtir minha vida e esquecer esse menino, pra sempre. - Eu disse, com verdadeiras esperanças que isso acontecesse.
- Isso mesmo, agora vá passar uma maquiagem, tá muito nítido que você chorou. - Disse ela, me olhando.
- Tá? Vou lá agora. - Disse isso, acabando de tomar meu achocolatado e subindo as escadas correndo, esbarrei no sem querer no meio da escada.
- HEY! - Gritou . - Bom dia, ... Mas MEU DEUS DO CÉU, o que aconteceu? Por que seus olhos tão inchados? Você tava chorando? Aconteceu alguma coisa? Você tá bem? - Disparou a falar.
- Bom dia, , wow, uma pergunta de cada vez! Eu tô bem sim, não aconteceu nada, pode ficar tranquilo. - Disse, sorrindo.
- Então por que seus olhos estão inchados de chorar? - Ele rebateu e eu tive que despistá-lo.
- Hm... Nada não, faz um favor pra mim? Encha a até ela fazer nosso café da manhã? - Olhei pra ele rindo, vi ele rir junto.
- Claaaaaaro. - Disse ele, ainda rindo. - Mas você ainda não me fal...-
- Ok, vou ali e já volto. - Disse, subindo correndo e evitando que ele me perguntasse de novo o que tinha acontecido. é tão insistente. Entrei no meu quarto, troquei de roupa, passei todo o tipo de maquiagem que eu tinha pra poder disfarçar os olhos inchados e desci de novo. Quando desci, já estava aqui em casa, ajudando a com o café. Quando o vi, deu de novo um aperto no coração e uma vontade enorme de chorar, mas engoli o choro antes que ele percebesse.
- Bom dia, dona . – Disse , sorridente.
- Bom dia, meu amor. – Falei, tentando sorrir sinceramente, mas apenas consegui dar um sorriso amarelo. Sentei-me ao lado do , peguei torradas e meu copo de achocolatado e comecei a comer em silêncio. Vi falar alguma coisa com a e sentar na minha frente, dando um sorriso sem mostrar os dentes. Aquele sorriso fofo e meigo que eu tanto amava e me fez rir junto. , ainda abobada, como eu a tinha encontrado antes de descer de novo, sentou-se com a gente e ficou rindo pro nada.
- Err... , você tá bem? – disse, percebendo a atitude esquisita da
- Hm? Ah sim, amorzinho. – Disse , sorrindo ainda pro nada.
- Estranha. – Escutei dizer, entrando na cozinha e arrancando risada de todos nós. – Bom dia pessoal, como estão? – Disse o garoto, roubando uma torrada de , que deu um tapa na cabeça dele.
- Bom dia, . – Eu e falamos juntas.
- Bom dia, , to ótimo e você, dude? – disse, sorrindo pro amigo.
- Tô bem também, é , sei o porquê da sua animação logo cedo. – Disse rindo, senti meu estômago dar muitas voltas dentro de mim.
- É, eu também, eu vi a "animação" dele saindo lá de casa hoje cedo. – Disse , rindo mais ainda. Eu já lutava contra as lágrimas, mas tinha certeza que ia acabar desabando em 2 minutos. percebeu o que tava acontecendo comigo e logo tratou de me ajudar.
- AAAAI! – deu um grito, fazendo que os três garotos olhassem pra ela. – Cólica forte. , vem comigo. – Levantou correndo da mesa, me puxando e deixando os garotos sem entender nada. Cinco segundos depois já estávamos em meu quarto.
- Calma amiga, respira, lembre-se de tudo que eu te falei hoje. – Disse , me abraçando.
- Eu sei amiga, mas é impossível não ficar chateada ouvindo essas coisas. – Eu disse, abraçando-a.
- Fica calma, tá? Isso vai passar, ok? Faça coisas pra te distrair quando você estiver assim, que tal? – Disse ela, sorrindo pra mim.
- Tá ok, amiga. – Disse, tentando sorrir, nesse momento, meu celular tocou. Corri até a cômoda, olhei o número e não sabia quem era, achei estranho, parecia ser do Brasil, então atendi.
- Alô? – Eu disse.
- ? – Uma voz conhecida disse, não lembrava quem era.
- Sim, quem fala? – Perguntei.
- É o Diego, tudo bem? – Ele falou, logo me entusiasmei, achei que ele nem ia ligar. Nesse momento, entrou no meu quarto e eu pude ler em seus lábios quando ele perguntou a quem era no telefone, fez um gesto de que não sabia.
- Ah sim. Oi Diego, tudo sim e você? – Disse sorrindo e olhando para a com um sorriso malicioso no rosto, quando ela percebeu, sorriu da mesma forma que eu e perguntou sussurrando “plano em prática?” e eu fiz que sim com a cabeça. ficou nos olhando sem entender.
- Tudo também amor, então, vai fazer alguma coisa essa noite? – Ele disse e eu sorri mais ainda pra .
- Eu não, por quê? – Falei, me fazendo de boba.
- Não quer ir a algum lugar comigo? – Ele disse.
- Hm, claro, onde? – Falei.
- Em um pub, é muito bom o lugar, garanto. – Disse ele, com um tom de voz que deu pra perceber que estava sorrindo.
- Ah sim, se você garante, eu confio. – Disse, rindo.
- Então tá, me passe seu endereço e eu te busco às 22h, pode ser? – Disse ele.
- Claro, anota aí. – Então passei o endereço pra ele e desliguei o telefone, e ainda continuavam me olhando.
- Que foi? – Disse, me fazendo de boba olhando para os dois, tinha ainda o mesmo sorriso malicioso e tava com uma cara confusa.
- Quer dizer que a dona vai sair hoje à noite? – Disse a , rindo.
- Sim senhora. – Falei, olhando pra ela rindo.
- Aonde você vai? – Falou o , olhando pra mim.
- Hm, não sei ainda, Diego não quis me dizer, disse apenas que era um pub. – Falei, indo em direção ao meu closet para procurar já alguma roupa.
- Diego? Quem é Diego? – Ele falou, ainda me fitando, agora sério.
- Ah , chega de perguntas pra menina, parece que tá até com ciúmes. Você vive saindo com um monte de mulher todos os dias e ela não te pergunta nem o nome das piriguetezinhas que você pega. – Disse a , lendo meus pensamentos e me fazendo rir.
- Er... Não, não é ciúmes, é que eu não vejo a saindo assim, sozinha com um cara, muito menos que eu não conheça, quando ela sai com caras que eu não conheço, é quando vai a algum pub com vocês. – Disse ele, se explicando.
- Hm, tá. – Disse , irônica.
- É sério. – Ele disse.
- Ok, nós sabemos, , agora parem de discutir vocês dois e , vem me ajudar a achar uma roupa decente. – Falei, puxando pela mão.
- Ah, espero que seja decente mesmo, dona . – O disse.
- Há-há, Sr. , tá cuidando de mim mais que meu pai. – Falei, rolando os olhos. Vi ele dar um sorriso irônico e sentar na minha cama.
- , preciso que você saia do quarto, tenho que experimentar roupas, sabia? – Falei pra ele
- Hm, pode experimentar no banheiro, daqui eu não saio enquanto você não escolher uma roupa decente – Ele disse, ainda com o sorriso irônico, agora, deitado na minha cama.
- Aff , deixa de ser chato. – Falei, revirando os olhos de novo.
- Não, não deixo. – Disse, cruzando os braços e olhando pra mim cinicamente.
- Ah , larga pra lá, vem olhar sua roupa. – Disse , empolgada.
- Tá. – Fui até a olhando minhas roupas, experimentei um monte, fazia cara feia pra todas.
- Ah, você também não gosta de nenhuma, que saco. – Disse, já estressada com a atitude dele.
- Então eu escolho a roupa. – Disse ele se levantando e revirando meu closet. – Mas não é possível, só tem roupa indecente aqui, .
- Ai , cala a boca. – Disse, emburrada. – Se for só pra reclamar e criticar, nem precisa ficar aqui. Você tá aqui por que quer também, se acha que eu não vou ficar bonita com roupa nenhuma, vai embora que você tá só me atrapalhando. – Continuei com raiva, ele me fitou assustado, teve a mesma reação.
- Claro que não, ! Você é linda, fica linda de qualquer jeito, com qualquer roupa, pra falar a verdade eu gostei de todas as roupas que você experimentou, mas não queria que você fosse de short ou de camiseta, ou qualquer outro tipo de roupa que mostra o quanto você é gostosa. Principalmente pra ir a um pub com um cara que eu desconheço. Pub é lotado de homem atrás de mulher e já vai ter um atrás de você. Mulheres podem até ir a pubs só pra curtir, mas homem não, , vai atrás de mulher e você também nem sabe aonde esse cara vai te meter, sabe lá se o lugar é perigoso, pode ser que aconteça alguma coisa se for com essas roupas. – Finalmente ele me explicou a atitude idiota dele. Fiquei olhando pra cara dele, ainda sem entender direito.
- Ok, você só falou isso tudo pra enrolar e não falar que realmente tá com ciúmes da ? – falou pra , fingindo indiferença.
- Não , é que eu realmente fico preocupado com ela. – Disse ele.
- Só preocupação? – Continuou falando com indiferença.
- É! Preocupação e... – Ele disse e se calou.
- E...? – Eu e falamos juntas.
- Tá, tá. Eu tô com ciúmes também, satisfeitas? – Disse ele, um pouco nervoso já.
- Satisfeitíssimas. – Disse sorrindo, fiquei parada olhando, não sabia o que falar.
- Porra , não sinto ciúmes de mulher nenhuma, só de você, da minha mãe e da minha irmã. Você é minha melhor amiga, não consigo ver um monte de homem passando a mão em você, porra. – Disse ele, nervoso com a situação.
- Quem te disse que um monte de homem vai passar a mão em mim? Quem você tá achando que eu sou, ? Não sou nenhuma das piranhas que você pega todo dia não! – Não aguentei o que ele falou e disparei.
- Claro que não, , eu sei disso. Mas é que... De qualquer forma, você vai tá na mão de um homem. – Disse ele me olhando, agora mais calmo, uma coisa que eu não estava agora era calma.
- Pelo amor de Deus, . Fala que eu não tô escutando isso, não acredito. Você tá pensando que eu tenho quantos anos? 10? Não preciso da sua preocupação, nem da sua proteção, agora sai daqui antes que estrague mais o meu dia do que já estragou. – Falei mais alto que o normal.
- Tá bom, , agora, se acontecer alguma coisa, não vem falar que eu não avisei. – Ele disse e saiu do quarto. Olhei pra , que ainda tava assustada com a discussão, e resolvi não falar mais nada sobre o assunto e fingir que nada tinha acontecido.
- Então, vamos escolher a roupa? – Disse, voltando ao closet. Experimentei mais 500 roupas e no final escolhi um short jeans balonê escuro, uma bata branca que cai no ombro, um top verde limão e um sapato de salto alto preto, aberto nos dedos.
- Hey babe, vou descer e ajudar no almoço, ok? Amo fazer almoço com a , pena que não é todo dia que eu posso, né? Graças a Deus entrei de férias, preciso organizar umas coisas, ainda mais pra hoje à noite. – Disse ela contente.
- Ok amiga, mas me diz o que vai ter hoje à noite que você não conta pra ninguém? – Eu falei curiosa, como sempre.
- Vai ficar curiosinha até na hora do jantar, dona . E você não sai dessa casa sem jantar com a gente, ok? Se não, nunca mais vai saber o que é. – Disse ela, num tom muito ameaçador, mas rindo.
- Ok, dona , não sairei. – Disse rindo, fingindo medo.
- Então tá amiga, vou lá ajudar a . – Disse ela, saindo do quarto, mandei um beijo no ar pra ela, que retribuiu sorrindo e fui arrumar meu closet que tava todo bagunçado, quando terminei, já era hora do almoço. Desci, peguei meu prato, coloquei minha comida e sentei-me à mesa com os demais. Vi que o fechou a cara logo que eu sentei, fingi que nem liguei. Comecei a comer e enturmei no que estavam falando.
- É, no mínimo a foi convidada a ser modelo. – Disse , tentando adivinhar o que a tinha pra nos contar.
- Só se foi convidada a posar para uma revista com suas roupas hiper estilosas. – Disse , comendo.
- Só se for sem as roupas estilosas dela, porque o tá super empolgado também. – Disse , arrancando risada de todos.
- O tá sabendo o que é? – Falei. – Então vão assumir o namoro que ficam tentando esconder da gente. – Continuei e vi e ficarem vermelhos.
- É MESMO! Como que a gente não pensou nisso? – disse, fazendo cara de pensativo
– Porque pensar não é o seu forte, né, ? – disse, fazendo todo mundo rir, inclusive eu. Senti seu olhar sobre mim, mas preferi não encará-lo. O almoço foi bem divertido, tirando que eu e o não nos olhamos e nem nos falamos, eu ainda tava morrendo de raiva dele. Depois do almoço, subi pro meu quarto, tomei meu banho, coloquei uma calça jeans, uma camiseta, tênis, penteei meu cabelo, peguei minha bolsa e fui para o pub, fiquei lá até as 16h30 e voltei para a casa. , , e estavam jogando vídeo game, já citei que a é a mais homenzinho com essas coisas de nós quatro? Ela fica horas com os meninos, jogando vídeo game, vendo futebol, é incrível isso. Dei um oi geral e já sabia que o não responderia e realmente não liguei muito pra isso, subi as escadas, fui pro meu quarto, troquei de roupa, coloquei uma roupa mais confortável pra ficar em casa, liguei meu som e coloquei Green Day pra tocar e fui fazer minha unha, eu sempre fui muito criativa com as minhas unhas, nunca estava com a unha normal, dessa vez, resolvi fazer algo mais simples, pintei de vermelho e coloquei pintinhas pretas, igual uma joaninha, ou um morango, como preferir. Quando estava quase acabando, vi entrar no meu quarto.
- Hey amiga. – Disse ela sorridente.
- Oi amor. – Falei, sorrindo também.
- Já terminou com suas unhas? Se não, anda rápido e começa a arrumar, por que eu sei o quanto você demora pra se arrumar, mesmo com a roupa separada. – Disse ela, me apressando e rindo.
- É, eu sei que eu demoro, não precisa jogar isso toda vez na minha cara só porque você se arruma rápido, dona . – Eu respondi rindo.
- Isso mesmo, na verdade, me arrumo em tempo normal, vocês que se atrasam. Mas, mudando de assunto, quero você às 19h pronta lá embaixo pra jantar com a gente, ok? – Disse ela.
- Claro, né, , não tem ninguém mais curioso que eu nessa casa. E você nem pra me adiantar o assunto, argh. – Disse, fazendo cara de brava.
- Claro que não, né , surpresa, poxa. – Disse ela, rindo e saindo do quarto, quando ela já estava no corredor pude a ouvir dizer “Às 19h, hein, , nada mais que isso” e ri. Levantei-me e fui me arrumar, tomei meu banho, passei perfume, vesti minha roupa, calcei, sequei meu cabelo, passei minha maquiagem e fui arrumar minha bolsa quando escutei falando com no corredor, parei pra escutar. Sim, eu sou muito curiosa.
- Não brinca, , você realmente não vai sair hoje? E as fãs desesperadas que te ligam? Nenhuma ligou? – disse e eu fiquei escutando. Já mencionei que os meninos têm uma banda? Chama-se McFly, ainda não são mundialmente famosos, mas um dia serão. Eles realmente tem talento. A fama deles é razoável, tem umas fãs louquinhas, mas nada demais. Só tem algumas que dão de cima dos meninos descaradamente, principalmente do , que é solteiro. Prefiro não comentar.
- Até que ligaram, dude, mas não tô a fim de sair hoje. Não tô com cabeça pra isso. – Disse .
- O que te deixou assim? Você não é assim, dude. – Disse , estranhando a atitude de , coisa que eu também estava.
- Nada, nada não. Só, não tô com saco. – Disse . – Vamos descer antes que a nos puxe pelos cabelos. – Continuou , falou algo que eu não entendi, então vi na minha porta, logo fingi que tava arrumando minha bolsa e como ela é bem espertinha, não reparou que eu ouvia a conversa dos meninos.
- Amiga, você tá linda, o Diego vai amar, agora vamos descer, vai nos matar daqui a pouco. Nunca a vi tão nervosa. – Disse me apressando.
- Tá bem amiga, vamos descer, já tô pronta. – Disse, sorrindo, quando eu me liguei, não tinha falado nada do Diego pra . – Hey, perai, não falei do Diego pra você ainda, como você sabe? – Perguntei, intrigada.
- Até parece que você não conhece o , né, amiga, quando tá com raiva de alguma coisa, vai comer e fica falando sozinho. Só que eu tava na cozinha quando ele começou a falar do Diego, aí eu perguntei o que tinha acontecido pra e ela me contou. E falando nela, vamos logo antes que ela cometa um homicídio, o nosso. – Disse rindo, ri junto e desci com ela. Encontrei a mesa de jantar toda arrumada, com taça pra vinho e todo mundo já sentado, tinha lugar sobrando ao lado do , que logo ocupou, do lado de , que eu imaginei ser da e na ponta da mesa, onde eu sentei. Vi a chegar com duas tábuas com lasanhas, como eu amava a lasanha que a fazia, aliás, nós quatro cozinhamos muito bem, esses meninos tem sorte. a ajudou, colocaram na mesa, onde já tinha uma salada bem colorida e arroz.
- Tá, quero todo mundo com vinho no copo bonitinho antes de falar a notícia. – Disse , olhando pra mim e pra , que não tínhamos vinho no copo. nos serviu, sorri pra ela como um “continue”.
- Hm, ok. Ããã... , diga. – Disse , sorrindo pra ele.
- Tá bem. – Disse ele, sorrindo. – Bom, tenho duas notícias, uma boa e uma ruim, qual vocês querem ouvir primeiro? – Perguntou ele.
- A ruim! – Respondemos em uníssono.
- Bom, a ruim é que... Vocês só vão poder ouvir a ruim quando ouvirem a boa. – Disse ele, pensativo.
- Então por que perguntou qual a gente queria ouvir? – disse.
- Porque eu sempre quis perguntar isso. – Disse ele sorridente, fazendo todo mundo rir junto. – Mas ok, agora sério. A notícia é que, bom... Pra nenhum de vocês é novidade que eu e a namoramos, vocês mesmos disseram isso hoje no almoço. – Ele falou isso olhando diretamente pra mim, me fazendo rir. – Mesmo que eu e a não assumíamos nosso compromisso, estamos assumindo agora e vamos assumir mais sério ainda daqui a algum tempo... – Disse ele nos olhando, pude ver o brilho nos olhos da .
- Isso quer dizer o que eu tô pensando? – falou, quase pulando no casal-novo-velho.
- É sim. – Disse , rindo, e depositando um beijo no topo da cabeça da , que sorriu.
- AAAAAH, SÉRIO? NÃO BRINCA COM MEU POBRE CORAÇÃO! – Dei um grito, olhando pra eles emocionada.
- É SÉRIO AMIGA, agora para de gritar, meus ouvidos doem. – Disse , fazendo todo mundo rir.
- Ae Duuuude, parabéns! De verdade, que vocês dois sejam muito felizes. – Disse .
- Caralho, não consigo acreditar dude, parabéns pô, de verdade. – Disse , dando um pedala no e fazendo todo mundo menos rir.
- Ah, meu bebê tá crescendo, parabéns bebê. – Disse , apertando as bochechas do e fazendo todo mundo rir.
- PARA, GENTE! – gritou e assustou a todos.
- Que foi, amiga? – Falei, preocupada.
- Alguém me explica o que tá acontecendo? Não entendi. – Ela falou com cara de idiota. Um “dãã” geral surgiu.
- Só podia ser a mesmo, né? – Disse .
- Pois é, não conheço ninguém mais lerdo. – Concordou .
- Ai, tadinha da minha amiga lerdinha. – Disse , abraçando e fazendo todo mundo rir.
- Para gente. – Disse , fazendo bico e logo ganhando um selinho de e deixando todos assustados.
- Perai, desde quando vocês também ficam na frente da gente? – disse, parecendo ler o pensamento de todos da mesa.
- Hm... Bom, ... e vão se casar. É essa a notícia. – Disse , desviando a pergunta de .
- SÉRIO? AAAAAAAH, PARABÉNS BEBÊS LINDOS! – Disse emocionada. E atrasada, ri com meu pensamento.
- Obrigada, amiga. – Disse , sorrindo. – Mas eu também quero saber essa história sua com o . – Disse , com um sorriso malicioso agora no rosto.
- Hm... Bom, a gente tá... Er... Namorando. – Disse , meio envergonhado.
- Sério? Awwwwn, que lindos. – Falei, sorrindo.
- Finalmente. – Disse rindo e fazendo todo mundo rir junto.
- Bom, agora é a noticia ruim. – Disse , sério. – Eu e vamos morar sozinhos, né, óbvio isso, e também. Isso quer dizer que vão ficar só vocês quatro aqui, então eu estava pensando em vender a casa das meninas, já que todo mundo mora nas duas casas mesmo. – Continuou , olhando pra gente.
- Então, não tem problema nenhum, , nós sabíamos que um dia a gente teria que sair de lá mesmo, então se me aceitarem aqui, tudo bem. – Eu disse, fazendo todo mundo rir.
- A casa é sua, você sabe disso. – Disse sorrindo pra mim. – Mas temos outra coisa pra se tratar, eu e também vamos morar juntos. – Continuou, olhando pra mim e pro . Engoli seco, a casa era dos meninos e quando os três saíssem, ia ser somente de . Eu não ia morar com sozinha, principalmente agora que estamos brigados.
- Bom, acho que com o dinheiro que eu ganho no pub posso alugar alguma coisa, isso não vai ser problema pra mim. – Falei, tentando me convencer.
- Mas , não tem nada a ver você ficar aqui. Pensei em vender a outra casa, não essa, já que a gente mora mais nessa que na outra. O não vai ligar de você morar aqui com ele, não é, ? – Disse . Nesse momento, meu celular tocou.
- Hm, vou atender... Depois falaremos sobre esse assunto. – Saí da mesa e fui atender meu telefone, senti o olhar de todos em mim. Peguei meu telefone e reconheci o numero de Diego e atendi.
- Hey. – Disse.
- Oi,! Só liguei pra confirmar, confirmado? – Disse ele, rindo.
- Sim sim, 22h, né? – Falei.
- É sim, então até lá, beijo. – Respondeu ele.
- Beijo. – Desligamos e eu voltei pra mesa, ninguém mais falava do assunto, estava realmente com medo de voltarem pro assunto, mas estavam todos conversando. Sentei-me e vi falar mais alto pra todo mundo calar a boca.
- Pronto, , a já voltou pra mesa, agora a gente pode comer? Tô com fome. – Disse ele, com uma cara de menininho-pedindo-à-mãe-para-brincar fazendo todo mundo rir.
- Pode, , coma a vontade agora. – Disse rindo, então todo mundo se serviu e ninguém mais se lembrou do assunto, jantamos, comemos depois a sobremesa que tinha feito, um mousse de chocolate, que estava realmente bom.
- Podíamos sair todos, né? – Disse , empolgada com a idéia. – Menos a chata da , que já tem um encontro. – Continuou com um sorriso malicioso, me fazendo rir.
- Ótima idéia, . – Disse , com a mesma empolgação.
- Hm, podem ir vocês. Não vou sair hoje, principalmente com vocês agora, que são três casais melosos. – Disse .
- Qual é, dude, chama qualquer uma das suas “animações” e vamos com a gente. – Disse , fazendo aspas em animações, me deixando com mais raiva de do que eu já estava.
- Não dude, quero mesmo ficar em casa hoje. – Disse ele. – Não tô com animação nenhuma pra sair, preciso descansar. – Continuou.
- Hm, então tá, , mas se mudar de idéia nos ligue, ok? – Disse .
- Ok. – Concordou ele, sorrindo.
- Bom, falando de sair, tenho que ir pegar minha bolsa, quase 22h já. – Disse, levantando da mesa e ouvindo comentários como “Ahhh, ”, ri e subi as escadas. Escovei os dentes e quando estava passando gloss, ouvi meu celular tocar, deduzi que era Diego e atendi rápido.
- Oi. – Disse, sorrindo.
- Oi, , já estou na porta da sua casa. – Disse ele.
- Ah ok, já vou descer. – Falei, desligamos, terminei de passar o gloss, peguei minha bolsa e desci. Todos ainda estavam na mesa, alguns ainda comendo o mousse.
- Bom galera, to indo. Boa noite pra vocês – Disse mandando um beijo no ar para todos. apenas ignorou. Saí de casa e vi uma Lamborghini cinza chumbo parado na porta e Diego encostado nela me esperando, tive que me segurar muito pra não deixar meu queixo cair diante aquele carro.
- Oi, linda. – Ouvi Diego dizer, me fazendo acordar do transe em que eu estava por causa do carro.
- Hm? Ah, oi Diego. – Disse sorrindo e abraçando-o, senti o perfume dele quase me intoxicar, mas não posso reclamar do cheiro, muito bom mesmo.
- Então, vamos? – Ele disse, abrindo a porta do carona pra mim.
- Claro. – Disse, realmente animada, entramos no carro e Diego deu a partida, ouvi uma musica no rádio tocando baixinha, quando a reconheci, aumentei sem pedir permissão.
- Gosta de Soulja Boy, gata? – Disse ele, dando um sorriso um tanto quanto tentador. – Não sabia disso. – Continuou.
- Gosto sim, amo My Dougie. – A música que tocava no momento era essa. – Pra mim, é a melhor música dele. – Disse, olhando pra ele.
- Gosto muito também. – Disse ele e continuamos conversando sobre nosso gosto musical, até chegarmos a um pub que eu já tinha visto por fora, mas nunca tinha ido.
- Pronto, chegamos. – Disse ele, sorrindo e saindo do carro, fiz o mesmo. Entramos no pub, um lugar animado, pessoas bonitas, gostei dali. Entramos no pub e encontramos alguns amigos de Diego, Leonardo era um deles, com mais dois meninos e três meninas. Sentamos com eles e então fomos bebendo, aquele pub era conhecido pela sua diversidade de bebidas, então aproveitei para experimentar todos os tipos. Depois disso, só me lembro de estar dançando loucamente com Diego e às vezes ele me beijava. Então ele me puxou pra outro canto fazendo sinal com a mão de que queria falar comigo.
- Então gata, nós vamos brincar com nossos carros agora, gostaria que você fosse pra dar a partida, o que acha? – Disse, dando o mesmo sorriso sedutor do carro. E como eu não estava nem um pouco sóbria, aceitei. Saímos do pub e todos os outros já estavam do lado de fora.
- Aí irmão, vamos encontrar com o Locke e a turma dele lá, ele disse que quer mesmo competir com você. – Leo disse para Diego.
- Tá tranquilo, não vou fugir do Locke. – Respondeu Diego, me puxando para o carro logo em seguida. Entramos no carro e ele deu a partida. Como fomos em alta velocidade, não demorou muito para chegarmos. Quando chegamos, descemos do carro e vi Diego cumprimentando alguns amigos, foi quando escutei uma voz grossa atrás de mim.
- Fala Dieguinho, que bom que você apareceu. Achei que não teria alguma coisa alta para apostar, ou com medo de apostar e tal. – Disse o dono da voz, fazendo-me, junto com Diego, virar para olhá-lo.
- Locke, – Disse Diego, sério. – vou apostar o que você quiser. – Falou, agora sorrindo de lado. – Se você apostar seus dois brinquedinhos. – Continuou Diego, apontando para um Scorpion vermelho e uma Ferrari amarela.
- Apostado, Don Diego. – Disse ele, ironizando e sorrindo maliciosamente olhando para mim. – Isso se... Você apostar sua garota aí. – Continuou ele, chegando mais perto de mim. Quando ouvi aquelas palavras, tremi dos pés a cabeça, mas ainda acreditava que Diego não iria fazer isso comigo, ainda mais que nós tínhamos nos conhecido há dias e tínhamos ficado só hoje. Vi Diego lançar um olhar pra mim e não consegui distinguir o que aquele olhar queria dizer, logo depois olhou para Locke novamente.
- Apostado. – Disse ele, sorrindo.
Capitulo 4
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo, então não me agüentei e disparei.
- O QUE? VOCÊ É MALUCO? NEM ME CONHECE DIREITO. – Nesse instante, fui interrompida por ele, me puxando pra um canto e pedindo silêncio, mas eu não conseguia me acalmar.
- , escuta. Eu nunca perdi pra esse cara, não vai ser hoje que eu vou perder então se controla porque não tem mais jeito – Disse ele sério, calmamente e falando baixo.
- Foda-se! Você acha que eu vou aceitar? Não Diego, eu não vou! – Disse nervosa, tentando conter as lágrimas desesperadas que caíam.
- Você não tem que aceitar nada! O que tá feito, tá feito. Já era! Não vou e não posso te levar embora antes dessa corrida acontecer – Disse ele ainda falando baixo.
- E daí? Posso muito bem pedir uma carona, pegar um taxi, sei lá! – Disse ainda em um tom alto de voz.
- Não te levarão embora se Locke não deixar ou se você não for pra cama com algum deles. Não tem táxi nem ônibus aqui a essa hora, só fica calma e confia em mim. – Disse ele.
- Não, eu não confio. – Falei. Nesse momento, tive a idéia de ligar para alguém me buscar, mas se eles soubessem não iam me deixar ir. Eu tinha que pegá-los de surpresa. Então fingi que aceitei e fui para um canto isolado e esperei todos prestarem atenção na corrida de outros carros, já que a vez de Diego e Locke ainda não tinha chegado, mas pelo visto era a mais esperada por todos. Peguei meu celular e virei de costas para ninguém ver e tentei ligar para a , desligado. , desligado. , desligado. Já estava entrando em pânico. Tentei ligar para os meninos. , desligado. , desligado. , desligado. As minhas lágrimas não paravam de cair. Então tive uma única opção, tive que engolir meu orgulho e minha raiva. Então disquei aqueles números que eu tanto conhecia. Chamou, mas estava com medo que ele não me atendesse, porque estava com raiva de mim. Ou pior, que uma mulher atendesse. O que eu menos precisava agora era de mais sofrimento.
- Alô? – Disse aquela voz que eu tanto amava e nesse momento, amava mais ainda, se fosse possível.
Capitulo 5
- ? – Falei chorando e com medo dele desligar na minha cara.
- ? – Ele disse.
- É. desculpa, eu fui mesmo uma idiota e você tinha toda razão. Mas agora eu preciso muito de você. O Diego me apostou numa corrida, se ele perder vou ter que ir pra cama com um homem que eu nem conheço. Vem me buscar, por favor. Se você não vier, não tem jeito de ir embora. – Falei, chorando mais do que o normal.
- O QUE? Me fala onde você tá agora , já to indo. – Disse ele gritando no telefone. Então falei onde eu estava e pedi pra ele vir o mais rápido que pudesse. Fiquei no canto tentando conter minhas lagrimas, quando anunciaram que iria ser a vez de Diego e Locke, estremeci dos pés a cabeça. Então vi Locke se aproximar, meu estomago revirou de nojo.
- E aí gatinha, pronta pra ser minha essa noite? – Disse aquele homem alto e musculoso, colocando uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha.
- Ae Locke, aproximação do prêmio só depois de vencer - Disse Leonardo, fazendo sinal pra ele ir competir. Então Locke foi. Quando ele e Diego entraram em seus carros, vi o carro de na rua do lado. Percebi que então ninguém mais prestava atenção em mim, já que todos os olhos estavam voltados para a corrida. Corri o mais rápido que pude e consegui entrar no carro sem ninguém me ver. Então senti o carro arrancar, mas não conseguia enxergar nada, as lagrimas não deixavam.
- Preciso falar que te avisei? – Disse sério.
- Não – Falei baixo.
- Que bom. Agora você vai aprender a me escutar? – Continuou ele.
- , o que eu menos preciso agora é de um sermão. Sabe como eu to me sentindo? To me sentindo usada, to me sentindo como um objeto, uma coisa sem valor – Disparei, percebendo seu olhar sob mim, mas ele não falou nada. Encostei minha cabeça no vidro do carro e deixei que as lágrimas rolassem. Ficamos em silencio o caminho todo. Quando chegamos em casa, eu só queria ir pra minha cama, mais nada. Então subi as escadas correndo, mas parei no meio delas, lembrando de uma coisa que eu não tinha dito a .
- – O chamei.
- Oi – Ele respondeu.
- Obrigada – Falei sincera e tentando esboçar um sorriso. Recebi um sorriso dele, um sorriso simples, sem nem mostrar os dentes, mas que conseguiu me deixar um pouco melhor do que estava. Então subi e fui para o meu quarto, troquei de roupa e me joguei na cama. Não sei por que não conseguia parar de chorar, acho que quando a gente tem um lugar que se sinta protegido, um lugar só seu, quando você está sozinho, suas verdadeiras emoções aparecem. Porque aquele lugar você não precisa se esconder de ninguém, pode deixar que as emoções rolem soltas. Então foi assim que fiz, continuei deitada chorando, pra ver se aquele sentimento que eu tinha falado com no carro, passava. Então ouvi minha porta abri, deduzi que seria que teria chegado e havia contado o que se passava comigo. Normalmente era ela que me consolava. Não que as meninas não fizessem, mas era mais. Percebi que ela tinha sentado em minha cama e tirado os sapatos, então senti braços passando por mim e aquele perfume maravilhoso que eu tanto amava estava invadindo o lugar, não era . Não falei nada, então ele me puxou pra mais perto dele, deu um beijo no topo da minha cabeça e ficou brincando com uma mexa do meu cabelo, eu ainda chorava.
- Você sabe que eu brigo com você por que eu me importo né? – Disse ele, baixinho. Respondi com um aceno de cabeça que sim.
- Então sabe que eu também estarei pra sempre do seu lado né? Em qualquer ocasião. Qualquer coisa que acontecer eu estarei com você. Mesmo que você esteja errada, ok? – Disse ele, me acariciando.
- Promete? – Falei, mas saiu como um sussurro.
- Prometo. – Disse ele. – Quer que eu vá embora pra você dormir? – Perguntou.
- Não. Não vou conseguir dormir – Falei.
- Vai sim, vou te fazer dormir – Disse ele, me virando pra ele e dando um beijo na minha testa, então me abraçou e ficou me fazendo carinho. Então eu dormi.
Capítulo 6
Acordei quase 9h30. Levantei, fiz minha higiene matinal e desci. Encontrei na cozinha e sorri involuntariamente.
- Bom dia amor da minha vida – Disse ele sorrindo me fazendo rir de leve
- Bom dia amor – Respondi sentando-me à mesa – O que você vai fazer pra gente de café da manhã? – Disse com um sorriso de criança fazendo rir de leve.
- Você que sabe cozinhar aqui dona – Disse ele sentando na minha frente.
- Mas eu to com preguiça – Respondi fazendo manha – Cadê as meninas dessa casa pra fazerem nosso café da manhã? – Perguntei.
- Chegaram tarde, muito tarde – Disse ele rindo – E cada uma em um horário, com seu respectivo namorado ou noivos – Continuou rindo e me fazendo rir junto. – Hey, que tal Starbucks? – Ele deu a melhor idéia e eu sorri feito uma criança.
- Muito boa , deixa só eu trocar de roupa – Falei e subi correndo. Coloquei uma calça jeans, uma camiseta e um moletom por cima. Peguei dinheiro e meu celular e desci. me esperava na sala. Saímos e fomos a pé pra Starbucks, era pertinho de casa. Sabia que estava com medo de perguntar sobre o assunto de ontem e eu também não estava nem um pouco a fim de falar, mas em algum momento eu teria que falar. Pelo menos pra ele. Estávamos conversando no meio do caminho, quando um silencio nos dominou. Então, em meio aquele silencio que tinha se instalado entre nós, tomou a coragem que estava querendo desde que me viu ontem à noite.
- Você está bem? – Ele perguntou um pouco mais baixo, em um tom de cuidado e isso me confortou.
- Melhor do que estava – Respondi indiferente.
- Hm... Quer me contar direito o que aconteceu? – Perguntou e eu pude perceber a insegurança em sua voz.
- Bom... – Comecei a falar, então chegamos à Starbucks e eu ainda não tinha acabado de contar, pedimos o que queríamos comer, sentamos e continuei contando. Em algumas partes eu ainda sentia meus olhos arderem, eu ainda me sentia usada.
- ... Aí você chegou e o resto você sabe. – Completei, finalmente.
- Hm, entendi. – Disse ele sério – Eu nunca gostei desse cara – Continuou com um tom de raiva na voz – Mesmo não o conhecendo – Completou.
- É, eu deveria ter te escutado. Sou uma imbecil mesmo. – Disse, com raiva de mim mesma e com lágrimas nos olhos.
- Sim, devia ter me escutado. Mas você não sabia que isso ia acontecer – disse ele. – Mas vamos parar de falar do passado e vamos resolver o futuro – Mudou de assunto, percebendo que aquele assunto havia me feito mal.
- O futuro? Como assim? – Perguntei tomando meu café e vendo-o repetir o gesto.
- Bom, os casais vão morar juntos e você vai morar comigo – Disse ele.
- Não precisa , eu posso alugar alguma coisa, como eu disse – Falei.
- Não , você não vai sair daquela casa, vai morar junto comigo e pronto, tá decidido. – Disse ele sério e em um tom autoritário que me fez rir de leve.
- Mas ... – Continuei em protesto e ele me interrompeu.
- Mas nada, só repete comigo: Ok lindo, amor da minha vida, vou morar com você – Disse ele sorrindo feito criança e me fazendo rir alto.
- Ok lindo, amor da minha vida, vou morar com você – Repeti rindo e vendo-o rir junto. Acabamos de comer e fomos embora, fiquei pensando em como seria morar com e longe das meninas. Aqueles pensamentos definitivamente não estavam me fazendo bem. Quando estávamos quase entrando em casa, lembrei que tinha que pedir uma coisa a .
- , promete não contar nada para as meninas sobre o que aconteceu ontem? – Pedi.
- Prometo – Disse sorrindo fraco sem mostrar os dentes.
- Nem para os meninos? – Completei.
- Pode deixar – Me garantiu. Entramos em casa e reparei que todos estavam tomando café, então corri pra cozinha.
- Bom dia meus amores – Disse feliz e abrindo um sorriso de criança fazendo todos rirem.
- Bom dia meus amores – me imitou e fez todos rirem alto, menos eu, que mostrei a lingua em um gesto infantil.
- Bom dia – Disseram em uníssono.
- Foram na Starbucks? – Perguntou passando manteiga no pão.
- Sim – Falei, sentando ao seu lado.
- E nem trouxeram café pra gente né? – Disse fingindo estar com raiva.
- Desculpe bonitinha, mas nós só fomos porque vocês, muito folgados por sinal, estavam dormindo e não iam acordar pra fazer café pra gente – Falei, roubando uma torrada do prato de e ouvindo-o reclamar logo depois.
- Ah, depois somos nós os folgados – Falou ela fingindo indignação.
- tá feliz hein? – Disse rindo.
- Pois é, deve ser porque ela e alguém fizeram as pazes – Disse olhando pra , o fazendo rir de leve, meio envergonhado. Eu, naturalmente, achei fofo e sorri.
- Ou então o encontro de ontem a noite foi muito bom – Disse me cutucando e todos riram, menos eu e , fiquei sem reação, não queria lembrar do que tinha acontecido ontem e nem queria contar pra eles, fingi um sorriso, que não deu muito certo e olhei pra em desespero, queria que ele entendesse o recado e me ajudasse a sair dali antes que me fizessem perguntas sobre ontem à noite.
- Er... me ajuda com aquele problema no meu celular? – Falou , dando uma desculpa pra me tirar rápido dali, o agradeci mentalmente.
- Ajudo – Falei, me levantando e saindo de perto. Percebi que estava atrás de mim.
- Você sabe que uma hora vai ter que falar pra elas pelo menos né? Elas vão insistir muito – Ele falou, tentando me preparar.
- Eu sei que vão insistir, mas se eu disser que não quero falar sobre o assunto, acho que vão perceber que não foi nada bom e não vão mais enxer – Falei, agora olhando pra .
- Então ta né, eu vou subir tá bem? To com sono – Ele disse dando um beijo no topo da minha cabeça e indo em direção a escada.
- – O chamei.
- Fala pequena – Ele disse virando pra trás.
- Desculpa por ter te acordado de madrugada – Falei, me sentindo culpada por ele ter perdido uma noite de sono.
- Que isso pequena, esse foi o menor dos problemas que tivemos ontem, esqueça isso ok? – Respondeu de um jeito carinhoso e me fazendo sentir melhor, sorri pra ele.
- Tá bem – Falei sorrindo.
- ! – Ouvi e falarem juntas e virem correndo ao meu encontro com logo atrás, com cara de tédio. Ri com a cena.
- Oi meninas, já tão com saudades de mim? – Falei convencida e fazendo-as rir.
- Deixa de ser convencida , é que nós vamos olhar as coisas para o nosso casamento sabe? E como você é uma pessoa super expert em decoração, queríamos que nos ajudasse. A também vai. – falou.
- Já vão olhar coisas para o casamento? – Falei, surpreendida.
- Sim dona , nós já marcamos a data. – Falou com os olhos brilhando, isso me enxeu de alegria.
- E eu posso saber porque não me contaram? – Fingi estar brava.
- Calma zinha, é que a gente esqueceu poxa – Disse rindo.
- Tá né, mas quando vai ser o casamento? – Falei, agora sorrindo abertamente.
- O nosso casamento vai ser junto e será dia 27 de setembro – Falou sorrindo. Percebi a felicidade que se encontrava nelas e sorri ainda mais.
- Uau, vão me abandonar rapidinho hein? – Falei rindo – E você e o , ? Quando vão me abandonar também? – Falei fingindo estar triste e rindo com ela logo em seguida.
- Bom, vamos abandonar vocês um pouquinho antes, porque já compramos nossa casa, é aqui perto, não se preocupe. Mas ainda temos que olhar decoração e muitas outras coisas que ainda não estão pronta. Mas em agosto já devemos ir. – Falou com brilho nos olhos também.
- Nossa, mas vocês são todas super rápidas, só eu que sou atrasada aqui – Falei, fazendo-as rir.
- Então, a gente tá indo agora olhar algumas lojas de vestido e decoração pra festa e pra igreja que a gente já telefonou, vamos? – Falou animada.
- Vamos, deixa só eu pegar um casaco – Falei já subindo as escadas e indo em direção ao meu quarto, passei em frente ao quarto de e bem na hora em que ele estava tirando a roupa, sempre dorme apenas de boxers, disso eu sempre soube, mas ele fecha a porta do seu quarto quando vai dormir, devo ter o visto apenas de boxers uma vez. Além disso, tem um corpo totalmente escultural, então quase parei em frente à porta do seu quarto e o fiquei olhando, mas isso seria ridículo. Então passei direto e fui para o meu quarto. Peguei meu casaco e ouvi uma porta ser fechada, imaginei ser a de . Então vesti o casaco e desci as escadas encontrando apenas .
- Hey , sabe cadê sua noiva e as duas outras filhas da mãe que não me esperaram? – Disse rindo de leve e vendo fazer o mesmo.
- Já estão lá fora , me pediram pra te avisar. – Falou ele sorrindo.
- Ah, obrigada – Mandei um beijo no ar para ele, vendo-o repetir o gesto e rir junto comigo.
- Ah , sabe cadê o ? Nós estávamos pensando em fazer a mudança dele pra cá agora, quer dizer, trazer o restinho de coisas dele que tem lá na outra casa pra cá né, porque ele não vai mais lá, só quando tá com mulher – Disse rindo e me fazendo deixar de sorrir no mesmo momento, fingi um sorriso para que ele não percebesse.
- Hm, ele foi dormir, estava cansado – Falei – Bom, to indo, tchau amor – Continuei indo em direção da porta.
- Tchau – Ouvi a voz de e fui ao encontro das meninas, as avistei dentro do carro de e então entrei atrás com .
- Então vamos? – Disse totalmente animada.
- Vamos noivinha apressada – Falou nos fazendo rir. Fomos a algumas lojas e as meninas olharam modelos de vestidos, gostaram de alguns odiaram outros. Eu e também experimentamos vários vestidos, já que eu seria a madrinha da e seria da . Gostei de um vestido, um sapato e alguns acessórios que vi lá e os encomendei. Eu havia realmente me achado bonita com o vestido e queria estar bonita, principalmente porque o padrinho seria , eu não podia ficar feia ao lado do homem mais bonito que eu conheço. Fomos a outras lojas, encomendamos alguns enfeites, o bolo, alguns doces, alguns salgados, o salão e a igreja já estavam reservados. Preparamos praticamente o casamento inteiro só naquela saída. Adorava o modo de como tudo era mais prático quando estávamos todas juntas, quando uma ficava indecisa, as outras ajudavam a fazer a escolha certa. Quando nos demos conta, já eram 16h30 e estávamos morrendo de fome, então fomos comer no McDonalds, já que era fast food.
- Então , chegou a hora. – Disse empolgada.
- Hora de que? – Ri da empolgação dela.
- De nos contar ué, como foi seu encontro ontem? – Disse animada tanto quanto e me fazendo retirar o sorriso que tinha em meu rosto.
- Não nos poupe dos detalhes sórdidos – Disse fazendo e rirem junto com ela.
- Hm, então... Eu não quero falar sobre isso e peço, por favor, que não comentem sobre isso ok? – Falei séria e dura. Vi a reação de surpresa e espanto em cada uma delas.
- Mas aconteceu algo, amiga? – Falou realmente preocupada.
- Hm, eu vou ao banheiro, já volto. – Falei me levantando e indo em direção ao banheiro. Acho que elas não tocarão mais no assunto, assim espero. Entrei no banheiro, me olhei no espelho, encontrava-me em uma aparência pálida, aquele assunto me causava arrepio, então retoquei a maquiagem e voltei pra mesa como se nada tivesse acontecido. As meninas já falavam de outro assunto e não tocaram mais naquele outro que eu não queria escutar. Logo depois voltamos para casa, eu estava muito cansada então fui tomar um banho pra relaxar. Entrei no banheiro, prendi meu cabelo, não queria molhar meu cabelo e ter que preocupar em secar pra não pegar uma gripe, já que estava fazendo frio, abri o registro do chuveiro e deixei a água cair sob mim, fiquei assim por um tempo, até que senti meus olhos pesarem. Eu estava praticamente dormindo debaixo d’água. Então fechei o registro e sai, me sequei e enrolei a toalha no meu corpo, sai do banheiro e fui procurar algo para vestir, não estava me sentindo bem. Vesti um moletom da G.A.P. e uma calça grossa e fui pra debaixo das cobertas, liguei a televisão em qualquer canal, não tinha nenhum interesse nela mesmo, meus pensamentos estavam longe, alias, na pessoa que tem o quarto ao lado do meu. Eu não conseguia tirar ele dos meus pensamentos, eu não queria isso, eu não queria pensar nele, eu não queria sofrer por ele, alias, eu nem queria amá-lo, mas eu não tive escolha. Quem conhece sabe como ele é e é impossível não se apaixonar por ele, mesmo sendo uma paixão-amizade, se é que me entende. Ele é uma pessoa incrível, ele sempre está lá quando você precisa de ajuda, quando precisa de um conselho ou apenas de um abraço. Ele é alegre, ele te faz ficar alegre, ele é amigo, ele é fiel (com os amigos), ele é conselheiro, ele é idiota de um jeito bom, ele é sensível, ele é simplesmente o . O que todo mundo ama, o que eu amo. Aqueles pensamentos estavam me deixando cada vez pior, então ouvi duas batidas na minha porta.
- Pode entrar, tá aberta – Falei, pegando o controle e passando o canal na televisão sem ao menos ver.
- Oi amiga – Disse sorridente, tentei esboçar um sorriso sincero, sem sucesso. – O que você tem? É por causa do assunto que a gente tocou mais cedo? – Disse insegura e visivelmente preocupada.
- Não amiga, eu estou bem. – Menti.
- Ok , eu te conheço amor, não é de hoje, o que aconteceu? – Disse ela sentando ao meu lado na cama.
- Ah , você sabe, o mesmo de sempre né. – Falei desanimada.
- ? – Disse ela adivinhando.
- É – Falei me virando de barriga pra baixo e cobrindo minha cabeça com um travesseiro como uma adolescente.
- Ah, amiga não fica assim, tira esse travesseiro da cabeça e sente-se para conversar comigo – Vi tirando o travesseiro da minha cabeça, então me levantei e sentei ao seu lado, encarávamos a janela.
- Sabe, eu queria não amar tanto o quanto eu amo, minha vida seria tão mais fácil, eu o poderia ter sem ficar com raiva quando ele me conta de mulheres, eu o poderia ter apenas como o meu melhor amigo, não precisaria esconder dele nada, porque a única coisa que eu escondo dele é isso, é a única coisa que eu consigo mentir pra ele, eu aprendi a esconder esse meu sentimento de todo mundo, mas às vezes a ferida que ele me causa é tão grande que transparece. Eu não quero estragar minha amizade com ele , você sabe muito bem disso, mas esconder tudo que eu to sentindo é covardia comigo mesma, porque dói muito mais. Quantas vezes eu já sentei aqui na minha cama chorando por causa do -amor-da-minha-vida e queria que o -meu-melhor-amigo estivesse aqui pra me abraçar? E eu não pude ter isso e vai ser isso pra sempre, porque eu sei que eu e ele nunca ficaremos juntos. E outra, ficar perto dele me faz tão bem e ao mesmo tempo tão mal... Não sei o que eu faço. – Conclui com lagrimas nos olhos.
- E porque você nunca falou isso tudo pra mim? – Ouvi uma voz que eu nunca deixaria de reconhecer em qualquer lugar do mundo vinda da porta.
Capitulo 7
- ? – Falei assustada, não se decidia se olhava pra mim ou pra ele, já eu não sabia o que fazer e fiquei imóvel.
- Por que você nunca me contou, ? – Disse ele quase num sussurro, olhava pra mim pra ver se eu conseguiria falar algo, mas nenhuma palavra conseguia sair da minha boca.
- Desde onde você escutou, ? – tomou a iniciativa de falar.
- Desde quando ela falou que não queria me amar o quanto ela me ama – Falou ele olhando pra e logo depois voltando seu olhar pra mim, eu percebia o espanto que tinha em seus olhos, então as lagrimas acumuladas em meu olho começaram a cair insistentemente, sem pedir permissão.
- Olha , ela nunca te contou porque... – começou a falar, mas foi interrompida por ele.
- Desculpa , mas eu quero que ela fale, isso é assunto nosso – Ele falou olhando fixamente pra mim e como uma indireta para sair do quarto, eu não queria que ela saísse, mas parece que ela havia entendido e saiu. Ele continuava olhando pra mim pra ver se eu falava algo, mas eu não conseguia nem abrir a boca.
- Eu... Só vim te chamar pro lanche – Disse ele, logo depois saiu e fechou a porta. Foi naquele momento em que percebi que tinha acabado de perder a pessoa que eu mais amava, então eu abracei minhas pernas, sentada na cama e chorei, muito. Não sei quanto tempo fiquei ali chorando, mas eu não tinha mais vontade de nada, então adormeci assim.
Amanheceu em Londres, a luz entrava forte pelas janelas do meu quarto. Londres não era uma cidade que ficava clara freqüentemente como estava. Mas nesse dia, tinha que estar só pra me acordar e me fazer recordar tudo o que aconteceu no dia anterior me deixando pior do que já estava. Então reparei que eu dormia totalmente torta na cama, me levantei e fui fazer minha higiene matinal, então resolvi tomar um banho pra ver se aquilo tudo que eu estava sentindo ia embora junto com a água. Prendi meu cabelo e abri o registro do chuveiro, deixei que a água caísse em minhas costas e quando dei por mim, lá estava eu, chorando novamente. Desliguei o chuveiro e enxuguei minhas lagrimas, me sequei, coloquei qualquer roupa que eu vi e deitei de novo na cama, não queria descer, não queria ver o , não queria encará-lo, não quero conhecer a reação dele. Aquela que eu sempre tive medo. Tentei dormir novamente, mas não conseguia parar de pensar em . E meu estomago em comida, olhei no relógio. 9h30. Todo mundo devia estar lá em baixo, inclusive ele, eu não queria descer, mas minha fome tava falando mais alto que minha covardia naquele momento. Levantei-me da cama e abri a porta do meu quarto, parando logo depois de andar, pra dar um longo suspiro e tentar tomar coragem pra continuar. Então não me permiti pensar muito, em algum momento eu teria que encará-lo. Desci depressa as escadas e ouvi alguns barulhos vindos cozinha, algumas risadas e então continuei, quando cheguei à cozinha, vi que todos olharam pra mim, menos , todos com a mesma cara, uma mistura de dó com espanto. Os meninos estavam com a cara mais de espanto do que de dó, mas ainda tinha uma parte que revelava isso neles.
- Bom dia – Falei baixo e não olhava pra nenhum deles. Vi que tinha waffles em cima da mesa. Peguei dois, coloquei em um prato, peguei suco de laranja e coloquei em um copo. Percebi que eles ainda não tiravam o olhar de mim, e ainda estava totalmente concentrado em seu café da manhã. Aquilo estava me matando. E me deixando com muita raiva também, por que me olhavam como se eu fosse uma estranha? O que eu havia feito pra eles? Custava disfarçar por um tempo? Eles sabiam que eu ainda estava ferida.
- Achei que vocês fossem pelo menos disfarçar – Falei rude, peguei meu café da manhã e subi pro meu quarto. Estava com raiva deles, achei que pelo menos com algum deles eu iria poder contar de verdade pra poder passar por tudo isso. Mas acho que eu estava realmente enganada né? Entrei em meu quarto, bati a porta, liguei a televisão e fiquei beliscando os waffles e então ouvi alguém bater na porta, não respondi com esperança que a pessoa fosse embora. Então ouvi outra batida na porta. Bufei e falei com indiferença.
- Entra.
- Hey! – Disse entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.
- Oi – Continuei beliscando os waffles, então vi se sentar na cama, mas não olhei diretamente pra ele, ainda estava com raiva.
- Olha , vim pedir desculpa por todo mundo lá embaixo. Eu não sabia como reagir e nenhum deles também. – falou.
- Tudo bem , não precisa pedir desculpa. – Falei, ainda olhando pra baixo.
- Sabe, o não quer falar sobre o que aconteceu, eu já tentei e tudo, mas eu acho que você deve... – Ele já ia começar com os discursos que eu já cansei de ouvir das meninas.
- Olha , não querendo ser grossa, mas eu já ouvi tudo isso que você vai falar e o que eu menos preciso agora são de conselhos ok? Já aconteceu o que eu temia, eu o perdi pra sempre e já era. Eu não posso mais fazer nada. – Desabafei.
- , você não perdeu ele. Eu acho que ele só deve estar confuso, eu vou esperar ele se acalmar pra poder falar com ele ok? – Falou , pausadamente, como se falasse para uma criança, o que me fez bufar e revirar os olhos.
- , eu não preciso que você fale com ele, alias, não tem nem o que falar – Falei, ainda beliscando os waffles.
- , eu preciso saber o que ele está sentindo e se ele está realmente com raiva de você. Afinal, eu sou um dos melhores amigos dele – Falou ele e eu finalmente olhei em seus olhos.
- Tá bem, mas eu não quero saber se ele estiver com raiva de mim, ok? – Falei.
- Ok. – Concordou – mas quero saber se você tá bem de verdade, porque sua aparência me diz que não – Falou , fazendo uma careta.
- Então minha aparência tem razão – Falei cabisbaixa – Mas peraí, você me chamou de feia, senhor Judd? – Continuei, fingindo estar brava e fazendo rir e tentar se explicar ao mesmo tempo.
- Não é isso – Falou ele entre risos – É que você se preocupa tanto com a sua aparência, pelo menos sem o olho bem marcado de preto você não sai do quarto – Continuou ele – Porque isso soou tão gay? – Falou pensativo e me fazendo rir alto.
- Porque você é gay ! – Falei ainda rindo. – E olha, eu não sai do quarto ainda, não de verdade, pense direito senhor Judd. – Falei, fazendo-o perceber a burrada que falou e rindo junto comigo.
- Verdade – Falou ele ainda rindo – Sabe, só de ver você rir fico feliz viu, pequena? – Disse ele me abraçando, mas aquele apelido me casou um forte impacto quando lembrei quem me chamava assim, fingi um sorriso pra , o que eu menos queria agora era falar sobre meus sentimentos e sobre , só de pensar nele, eu sentia um vazio dentro de mim.
- Agora eu vou descer, antes que a venha aqui perguntar o que nós estamos conversando e porque eu ainda não fui arrumar pra ir olhar nossa quase-nova casa – Falou ele me soltando do abraço e me fazendo rir de leve.
- Boa sorte - Falei, dando a entender que qualquer coisa com a era compliacada.
- Vou precisar, obrigado - Ele disse, rindo de leve e saindo do quarto. Fiquei sentada na minha cama, ainda besliscando meu café da manhã e tentando não pensar no ocorrido.
Capitulo 8
[coloque pra carregar Blink 182 - I miss you]
Os dias se passaram e eu e nem olhávamos na cara um do outro, fingíamos que o outro não existia... Bom, eu pelo menos tentava e ele conseguia me ignorar por completo. Todo dia ele saía à noite e eu ia pro meu quarto chorar. E então chegou o dia que nós não podíamos nos ignorar, o casamento de , , e . Nós éramos os padrinhos, não tinha como, mas eu tinha certeza que ele iria me ignorar até o último segundo que pudesse e aquilo acabava comigo. Eu já estava quase pronta para ir, só faltava colocar o vestido, tinha acabado de chegar do salão e quando passei pelo quarto de , o vi apanhando pra gravata. Então coloquei o vestido, calcei o sapato e já estava arrumando minha bolsa quando ouvi alguém bater na minha porta.
- Entra - Falei, continuando a arrumar.
- Oi - Falou um muito bem vestido.
- Oi meu amor - Falei sorrindo.
- Você tá linda - Ele disse, sorrindo também.
- Obrigada, você também tá - Falei sinceramente.
- Obrigado - Agradeceu - Então, o falou que é pra você ir com ele e que ele já tá te esperando lá embaixo - me deu a notícia meio sem jeito.
- Hm, pode agradecê-lo, mas eu irei no meu carro mesmo. - Falei, séria.
- , por favor... Hoje não tá? Vai com ele. - Falou me dando uma piscadela.
- ... - Falei como se pedisse, por favor, para não ir com ele.
- , olhe pelo lado bom, se você for com ele, poderá beber na festa. E como não tem mais ninguém morando aqui, só vocês dois, só mesmo com ele que dá pra você voltar - Falou ele rindo de leve e me fazendo rir também. e já tinham sua casa, e , assim como e , iriam voltar da lua de mel já pras suas casas novas, assim sobrando só eu e naquela casa.
- Isso se ele não beber mais que eu - Falei ainda rindo de leve.
- Então, você tem que cuidar dele - Falou , rindo junto comigo - Anda logo, se não, nos atrasaremos. Você vai com o né? - Falou ele sorrindo maroto.
- Ai , vou, vou. - Falei convencida, vendo me mandar um beijo no ar e sussurrar mais um 'anda logo', fechando a porta atrás de si. Terminei de arrumar minha bolsa e me olhei no espelho, as marcas de cansaço e choro tinham desaparecido por conta da maquiagem. Eu até estava com uma aparência boa, estava com o cabelo preso em um coque onde alguns fios saíam formando cachos e minha franja estava solta e pro lado. Tentei um sorriso, mas eu estava nervosa demais para parecer verdadeiro. Peguei minha bolsa e fui em direção a rua, quando saí pela porta da frente de casa, vi o carro de estacionado e então a porta da frente do carro se abriu e eu entrei, minhas mãos estavam muito geladas, mas eu ainda tentava disfarçar.
- Oi - Eu o ouvi falar seco.
- Oi - Respondi no mesmo tom de voz, ouvi uma música qualquer tocando na rádio, arrancou e eu fiquei olhando pra fora. Não falamos mais nenhuma palavra se quer, e assim foi o caminho todo. Chegamos à igreja e então eu desci do carro indo logo pra igreja, parei na porta, onde encontrei e . usava um vestido tomara que caia marrom e estava linda. Eu já tinha visto , mas só fui ver direito seu terno ali. Não pude deixar de notar que eles estavam combinando e ri mentalmente.
- Resolveram combinar? - Falei rindo e vendo eles se olharem.
- Coisa da sua amiga aqui - Falou rolando os olhos.
- Vai falar que não estamos bonitos? - Falou , toda convencida.
- Estão sim, casal lindo - Falei rindo.
- Você também tá linda hein? - Falou me olhando - E também tá combinando com o seu par - Falou olhando pra trás, me fazendo olhar também, então vi e pela primeira vez naquela noite reparei o quão lindo ele estava com aquele terno. Vi ele chegando perto da gente e parando ao meu lado, parei de encará-lo e vi uma mulher chegar perto de nós.
- Vocês que são os padrinhos né? - Ela falou olhando pra nós quatro.
- Sim - falou bem empolgada.
- Então, é pra vocês se posicionarem ali na porta da igreja porque já irão entrar - Ela falou indicando o caminho. Fomos e e ficaram na nossa frente e já estavam de mãos dadas. Olhei mais pra frente e vi e prontos para entrarem na igreja, os dois estavam muito lindos, com um terno preto com prata e com um terno todo preto e gravata prata. Dava para ver no rosto deles o nervosismo, ri mentalmente com aquela situação. Acenei pros dois e sussurrei um 'calma' para eles lerem meus lábios. Os dois tentaram sorrir, mas só conseguiram um sorriso amarelo me passando mais ainda o nervosismo deles. Ri com isso e então vi a mesma mulher que tinha nos mandado ir pra porta da igreja chegar perto da gente.
- Gente, vocês podem dar as mãos por favor? - Ela falou, olhando pra mim e para . Naquela hora minhas mãos gelaram, fiquei paralisada e não fiz nada. Então senti pegar a minha mão e entrelaçar nossos dedos. Sua mão estava quente e suada, na hora em que ele pegou a minha mão, meu coração disparou sem a minha permissão e eu me xinguei mentalmente por aquilo. Ouvi uma música tocar e imaginei que os meninos estariam entrando. Eu tentava fazer meu coração parar de bater acelerado, mas não estava dando muito certo. Pouco tempo depois entramos, algum tempo depois e chegaram à igreja. entrou primeiro e não é porque ela é minha amiga não, mas ela estava realmente muito linda com aquele vestido, logo depois veio , que também estava perfeita em seu vestido, o casamento foi lindo e eu não pude conter minhas lágrimas, o caminho para a festa foi igual ao caminho para o casamento, estava bebendo sem me preocupar, porque eu não iria dirigir, estava nervosa, era um dia de festa e eu não devia explicações para ninguém. Eu não estava completamente bêbada, eu sabia de todas as atitudes que eu tomava e ainda não tinha falado demais. Isso era um bom sinal. Encontrei umas pessoas que eu não via há muito tempo e dancei muito com na pista de dança, quando estávamos voltando para a mesa, vi com a mesma mulher que estava arrumando os padrinhos na porta da igreja, ela estava anotando alguma coisa em um papel e logo depois entregou para ele, ele colocou a mão na sua cintura e ela colocou a mão no peito dele, aquilo só fez que eu sentisse muita raiva dele e dela, então resolvi estragar o momento dos dois.
- , vou embora. Tchau. Tchau - Falei para meus amigos e peguei minha bolsa, fui o mais rápido o que eu podia, mesmo estando de salto, e cheguei perto dos dois quase se beijando já.
- , eu quero ir embora. - Falei séria e rígida.
- Ah , depois tá? - Tremi em ouvir meu apelido, mas fingi que estava bem e continuei séria.
- Depois não, quero ir agora. - Falava como uma criança birrenta, mas nem ligava, ele não ia estragar minha noite assim.
- Tá bem, vá despedir de todos que eu já vou - Ele falou voltando a olhar para a mulher.
- Já despedi, vamos. - Falei, ainda séria e rígida. Vi ele bufar e rolar os olhos, minha vontade era de tacar aquela mulher pela janela e socar a cara de . Vi ele murmurar um tchau perto do ouvido dela e dar um beijo na bochecha dela.
- Vamos - Ele falou e tentou pegar minha mão, desviei da mão dele e indiquei o caminho com a cabeça, dando a entender que era pra ele ir na frente. Ele foi, deixando a mulher, que na minha visão era uma vadia, com cara de nada. Fui andando atrás dele até entrarmos no carro.
- Pode me dizer que ceninha foi aquela? - Ele falou olhando pra mim.
- Não teve ceninha nenhuma, eu apenas quis ir embora, posso? - Falei firme, olhando para ele também. Ele bufou e ligou o carro, olhei para a janela e assim continuei. Ele ligou o rádio e tocava uma música qualquer, eu nem prestava atenção. Até que começou a tocar uma música conhecida e então vi aumentar o volume de relance.
(n/a: podem dar play na música)
Hello there, angel from my nightmare
Olá querida, anjo do meu pesadelo
The shadow in the background of the morgue
A sombra no fundo do necrotério
The unsuspecting victim of darkness in the valley
A vítima insuspeita da escuridão no vale
We can live like Jack and Sally if we want
Podemos viver como Jack e Sally se nós quisermos
Where you can always find me
Onde você sempre me encontrará
And we'll have halloween on Christmas
E teremos o Halloween no Natal
And in the night we'll wish this never ends
E de noite desejaremos que isso nunca acabe
We'll wish this never ends
Desejaremos que isso nunca acabe
Ouvi a música e me identifiquei muito, mas fingi que nada tinha acontecido e continuei olhando pra fora do carro, quando ouvi pigarrear e cantar junto com a música.
I miss you, miss you
Sinto a sua falta, sinto a sua falta
I miss you, miss you
Sinto a sua falta, sinto a sua falta
Eu e cantamos essa parte juntos, baixinho, mas ainda sim dava para escutar claramente. Eu não sabia se ele cantava só por cantar, mas eu com certeza cantava para ele. Senti o olhar dele sob mim mas não virei para encará-lo, eu era covarde demais para isso.
Where are you and I'm so sorry
Onde você está? E eu sinto muito
I cannot sleep I cannot dream tonight
Eu não consigo dormir, eu não consigo sonhar essa noite
I need somebody and always
Eu preciso de alguém e sempre
This sick strange darkness
Essa doente estranha escuridão
Comes creeping on so haunting every time
Vem se arrastando me perseguindo toda hora
And as I started I counted
E quando eu comecei eu contei
The webs from all the spiders
As teias de todas as aranhas
Catching things and eating their insides
Pegando coisas e comendo suas entranhas
Like indecision to call you
Como a indecisão em ligar para você
And hear your voice of treason
E ouvir sua voz de traição
Will you come home and stop this pain tonight?
Você voltará para casa e parará esta dor à noite?
Stop this pain tonight?
Parará esta dor à noite?
Eu prestava muita atenção na letra da música e aquilo estava realmente me fazendo mal, então senti meus olhos enxerem de água. Eu sentia tanta falta de , de todos os momentos com ele, de conversar com ele, das brincadeiras idiotas dele, das risadas, dos apelidos que ele me dava, de tudo que vinha dele. Segurei-me para não desabar ali mesmo e bem na sua frente.
Don't waste your time on me you're already the voice inside my head (I miss you, miss you)
Não perca seu tempo comigo, você já é a voz dentro da minha cabeça (eu sinto sua falta, eu sinto sua falta)
Aquilo foi o que bastou para eu desabar ali mesmo, eu chorava como eu choro todas as noites no meu quarto, mas eu tentava disfarçar e olhava para o lado de fora, ouvi um suspiro de e não olhei, continuei na minha tentativa, falhada, de parar de chorar quando reconheci a porta de casa, esperei estacionar e sai correndo em direção ao meu quarto, aquilo tudo estava me matando aos poucos e cada vez mais. Cheguei ao meu quarto e fechei a porta, deitei em minha cama e não me dei o trabalho nem de tirar os sapatos. Fiquei ali deitada e deixando as lagrimas caírem então escutei minha porta se abrir e levei um susto, limpei o rosto correndo, mas não devia ter adiantado de nada, porque minha maquiagem devia estar toda borrada, eu estava nervosa, porque a única pessoa que estava naquela casa era ele. Então ouvi passos e o vi sentar na beirada da minha cama um pouco sem jeito.
- Hey - Ele falou.
- Oi - Respondi baixo.
- Não quero mais ficar desse jeito com você, acho que já passou da hora da gente conversar - Ele falou e eu não falei nada - Eu só quero saber se tudo o que eu ouvi aquele dia que você falou para a é verdade. - Ele falou olhando para mim. Já eu, não conseguia encará-lo, mas já tinha parado de chorar. Aquela pergunta me fez ficar sem resposta, eu tinha travado de novo. - Me fala , eu não vou te matar por isso, eu preciso saber - Ele disse, agora colocando a mão dele na minha. Não me mexi.
- É - Foi a única coisa que consegui pronunciar.
- Hm, e aquilo tudo começou desde quando? - Ele falou, me encarando ainda.
- Eu não sei - Falei, as lagrimas começavam a se formar de novo dentro dos meus olhos, involuntariamente.
- E porque você nunca me contou? - Ele falou, em um tom baixo, que estava me acalmando. Mesmo assim, as lagrimas teimosas desciam sem permissão.
- Porque eu não queria te perder, como aconteceu - Falei, já chorando muito.
- Você não me perdeu. - Disse ele, parando de me encarar.
- Então porque você ficou esse tempo todo sem nem olhar pra minha cara? - Eu o encarava agora.
- Eu precisava pensar - Disse ele, em um tom derrotado.
- Pensar em que? - Falei baixo.
- Pensar... Tentar entender. - Ele falou, ainda olhando pro nada.
- E entendeu? - Falei.
- Não - Ele disse baixo.
- Sabe por quê? - Eu falei, nessa hora eu não chorava mais.
- Não - Ele disse.
- Porque não há nada o que entender. Isso é uma coisa sem explicação. Eu estou esse tempo todo tentando entender e nunca entendi, então desisti. A única coisa a se fazer agora, sou eu quem tem que fazer, mesmo não sabendo como. Mas pode ficar despreocupado, eu vou conseguir... Um dia. - Desabafei tudo que estava dentro de mim há algum tempo.
- O que tem que ser feito? - O vi olhando pra mim novamente.
- Te esquecer - Falei, olhando no fundo dos seus olhos, e podia jurar que tinha visto o seu olhar se entristecer.
- Mas... Mas aí... Eu vou te perder? - Ele falou e seus olhos me passaram suplica. Eu entendi o que ele quis dizer, não foi me perder como mulher e sim como amiga, aquelas palavras dele me deixaram um pouco mais alegre, mas ao mesmo tempo, triste. - Esse tempo sem falar com você me fez muito mal, . Eu não quero nunca mais passar por isso e se você me esquecer dessa forma, vai me esquecer pra sempre. Por favor , eu não quero te perder - Ele falou e eu vi seus olhos enxerem de água, os meus, ao mesmo tempo, também encheram.
- Eu até posso tentar te esquecer, mas eu nunca vou realmente conseguir. Você... Nunca vai me perder - Falei sinceramente, vendo uma lagrima teimosa descer pelo meu rosto. Eu o vi chegando mais perto e limpando-a e então ele me abraçou, forte. Eu o abracei de volta, da mesma forma, eu precisava muito daquilo.
- Eu te amo , eu nunca vou te deixar, mesmo com tudo que aconteceu e tudo que possa acontecer ainda. Você vai ser pra sempre minha melhor amiga. - Ao mesmo tempo em que aquelas palavras aqueceram meu coração e me deixaram bem mais contente, teve duas que me feriram, eu queria ser a melhor amiga dele pra sempre sim, claro que sim, mas também queria ser mais do que isso.
- Eu também te amo , muito. - Falei só isso e então nos separamos do abraço, ele me olhava com ternura e algumas lagrimas ainda escorriam do meu rosto. Eu o olhava e ele chegava mais perto, eu não me movia, nenhum milímetro, então ele limpou as minhas lágrimas e continuou chegando mais perto, até nossas respirações se misturarem, ele abriu um sorriso tímido e eu continuei imóvel, então ele me beijou. Sim, ele me beijou! Acho que por alguns segundos eu achei que estava sonhando, mas quando ele passou sua língua quente pela minha boca, pedindo permissão para avançar, me situei e vi que era tudo real, então abri minha boca como resposta e nos beijamos lentamente. Senti suas mãos na minha cintura e logo depois começarem a subir pelas minhas costas, minhas mãos, que estavam em sua nuca, tinham subido para seus cabelos e agora o beijo ficava mais rápido. não conseguia escolher onde colocava suas mãos, o senti descer o zíper do meu vestido devagar, com um pouco de receio, então intensifiquei mais o beijo, como resposta. Alguns minutos depois, meu vestido e o terno de não nos atrapalhavam mais, ele beijava meu pescoço e me fez deitar, indo mais pra cima de mim. Ele não parava de me beijar, e eu estava aproveitando aquele momento como se fosse o último da minha vida. Eu havia esperado muito tempo por aquilo. Senti desabotoar meu sutiã, então passei o dedo na barra da sua boxers preta e em dois segundos meu sutiã, calcinha e sua boxers preta estavam no chão do quarto. Naquele momento, eu não tinha mais medo de estragar nossa amizade, eu só precisava dele em mim. Então senti suas investidas em mim. Tudo que aconteceu naquela noite fez que ela fosse a melhor da minha vida.
I miss you...
Capitulo 9
Os raios de sol invadiam meu quarto e começavam a me incomodar, então comecei a abrir meus olhos lentamente, ainda sonolenta. Senti uma respiração batendo em mim e só então me liguei em tudo o que tinha acontecido na noite passada. Fiquei um tempo fitando o nada e tentando absorver tudo o que aconteceu. Eu me sentia feliz, muito feliz. Como nunca tinha me sentido antes. Virei para o lado e então encontrei dormindo feito um anjo, sorri involuntariamente e continuei o encarando. Eu não sabia o que eu iria fazer quando ele acordasse, mas não tinha a mínima vontade de parar de olhá-lo. Então o vi se remexer e logo depois abrir os olhos devagar, eu não estava em sã consciência, pois se estivesse sairia correndo dali, mas aquela imagem não me deixava. Ele olhou para mim e eu devia tá com a maior cara de idiota e ele devia estar me achando uma retardada, mas ele sorriu e eu sorri de volta, involuntariamente.
- Bom dia – Falou ele, me puxando pra mais perto dele e me dando um selinho.
- Bom dia – Respondi sorrindo, um clima tenso se instalaria em 3, 2...
- Dormiu bem? – Ele me perguntou docemente
- Sim e você? – Falei, ficando meio boba por ele ter perguntado em forma de preocupação.
- Como um bebê – Falou ele sorrindo e então caímos na risada. – Então, o que acha da gente ir tomar café na Starbucks? Porque eu tenho certeza que você não vai querer fazer café pra gente, não é? – Falou ele dando uma risadinha no final
- Nossa, que bom que você me conhece bem, . – Falei fingindo indignação e então caímos na risada novamente.
- Ok, amor, vou trocar de roupa, faça o mesmo e não demore, te espero lá embaixo – Ele disse já levantando. Aquele apelidinho carinhoso me fez ficar estática, ele sempre me chamou com apelidinhos carinhosos, mas era diferente, daquela vez era diferente, depois da noite de ontem tudo seria diferente entre nós dois... Eu podia sentir isso. Eu então concordei com a cabeça e me levantei, fiz minha higiene matinal, coloquei um short, uma camiseta preta com uns desenhos abstratos em prata e calcei a primeira coisa que vi na minha frente, que era um all star roxo, não estava nem um pouco animada de procurar alguma roupa. Olhei pro meu quarto – que estava a maior bagunça, diga-se se passagem – e percebi que nele ficariam algumas lembranças que nunca iam ser esquecidas. Peguei meu celular e saí do quarto, desci as escadas e já me esperava lá.
- Nem demorei, viu? – Falei, fazendo uma cara de oi-eu-sou-esperta.
- Verdade – Falou ele soltando uma risadinha.
- – chamei-o com um pouco de manha.
- Oi, amor? – Ele respondeu fofo e me puxando pela mão pra mais perto dele, no segundo depois ele estava me abraçando pela cintura e olhando penetrante pra dentro dos meus olhos e por um instante eu me perdi no que ia falar.
- Como você é um cavalheiro vai pagar a Starbucks pra mim, não é? – Falei sorrindo marotamente e o fazendo rir alto.
- Fazer essa manha toda é maldade, hein? – Falou ele ainda rindo – Mas eu pago, fazer o que? – Falou ele com uma cara de você-me-venceu e me fazendo rir.
- Isso mesmo, menino bonzinho – Falei rindo e o fazendo rir junto, recebendo um selinho dele e tendo todas aquelas sensações estranhas que só ele consegue me fazer ter.
- Então vamos? – me perguntou sorrindo.
- Sim, senhor – respondi, saindo do abraço em que estávamos. Logo depois, pegou a minha mão e entrelaçou nossos dedos, aquilo me deixou um pouco surpresa, mas eu ainda estava tentando continuar com os pés no chão. Foi só uma noite, não foi? Então fomos pra Starbucks, conversando animadamente no caminho, comemos e depois fomos passear um pouco no parque, estávamos conversando quando um velhinho se aproximou.
- Belo casal que vocês formam – Ele nos falou, lancei um sorrisinho meio sem graça e aposto que fez o mesmo, eu não o olhava.
- Devem namorar há muito tempo, não é? E devem casar logo, parece que temos um caso de amor muito bonito aqui, não perca essa mulher, rapaz – Disse o velhinho colocando a mão no ombro do , aquilo me fez corar imediatamente.
- Hm, er... Nós não namoramos, nem somos casados. Ela é só minha melhor amiga – Falou . Preciso dizer o quanto aquelas palavras doeram em mim? Apenas fiquei calada e ouvi meu celular tocar. O celular me salvou. Atendi rápido e saí de perto.
- Alô? – Eu atendi sem nem ao menos olhar quem era.
- Oi, amiga! – falou e logo reconheci a sua voz.
- Oi, meu amor, como está na lua de mel? – Falei sorrindo, sentia falta da minha amiga o tempo todo comigo.
- Tá maravilhoso, amiga! Tô muito feliz com tudo. E você, como está? – Ela perguntou, com um tom de preocupação.
- Estou bem também, com muitas saudades de vocês todos, mas bem. – Falei.
- Ah, também tô morrendo de saudade. E você e o ? – Ela foi mais direta dessa vez.
- Hm, aconteceu umas coisas entre a gente, mas eu te conto tudo quando você voltar, ok? – Falei, já esperando ela me xingar.
- COMO ASSIM, ? Me conte tudo agora, eu não vou ficar uma semana curiosa, pode ir falando. – Ela disse em um tom autoritário, mas brincalhão.
- Calminha, Senhora – falei, ouvindo-a rir – Estou no meio da rua, ele tá perto, não tem como te contar com detalhes. Vou resumir pra você não ficar louca. Nós conversamos e essa conversa resultou em beijos e outras coisas na minha cama que o horário não me permite falar. Agora estamos no parque e um velhinho falou pra ele que não pode me perder, que temos que casar logo e ele falou que eu sou só a melhor amiga dele. Pronto. – Falei, esperando o ataque.
- O QUÊ? Peraí. Me explica isso direito, vocês transaram? – falou um pouco alto demais.
- Shhhhhhh, não quero que o escute – Falei rapidamente.
- Ele tá longe, amiga, não tá ouvindo. Aliás, ele tá vindo pra cá agora, daqui a duas semanas eu chego e você vai ter que me contar tudo, com detalhes. Se possível encenar tudo o que aconteceu, ok? – Ela disse.
- Ok, , não exagera, mas eu conto tudo, tá? Te amo, boa viagem. – Falei.
- Também te amo e muito obrigada – Falou e então desligamos. estava sentado em um banco, então fui pra perto dele.
- Era a , disse que está com saudade – Falei.
- Também estou com saudade daqueles quatro – Ele falou, dando um sorriso de canto, como se estivesse relembrando deles.
- Hm, vamos pra casa? – perguntei.
- Vamos. – Ele disse levantando. Fomos pra casa um ao lado do outro em um clima meio estranho. Pelo menos pra mim, ele não havia percebido o clima em que eu estava. Ficamos calados durante todo o percurso e parecia que nunca iríamos chegar em casa, mas depois de algum tempo nós chegamos. O clima ficou como estava, fui para o meu quarto e me joguei na cama, então me lembrei da existência do nosso pub. Havia tempos que nós tínhamos deixado tudo nas mãos do Aaron, ele devia estar cheio de trabalho por lá, então decidi que ia passar por lá, pra ajudá-lo. Levantei-me, tomei um banho rápido, coloquei uma roupa e fui até o pub. Ajudei Aaron com algumas coisas, almocei por lá mesmo e fui pra casa. Cheguei em casa já era 20h, subi as escadas e encontrei um bastante cheiroso e arrumado.
- Oi – Disse ele sorridente e eu sorri de volta involuntariamente. Era praticamente impossível não sorrir com o sorriso dele. Pelo menos no meu mundo era assim.
- Oi – Respondi, ainda sorrindo.
- Eu vou sair, não sei que horas volto – Ele disse passando a mão pelos cabelos, como um sinal de nervosismo e eu sabia bem pra onde ele ia e o que ele ia fazer lá, isso me deixou bastante triste, mas resolvi não falar nada.
- Ok – Tentei sorrir fraco, já que o sorriso que eu sustentava no rosto havia desaparecido.
- Então, tchau – Ele disse e saiu correndo pelas escadas. Subi falando pra mim mesma que não ia me abalar, que eu era forte e que conseguia. Aposto que ele está fazendo tudo isso por causa do que aquele senhor falou no parque. Mas independente disso, eu tinha que manter meus pés no chão. Eu não estava namorando ele, foi apenas uma noite. Eu fui apenas mais uma que ele conseguiu levar pra cama. Aquele pensamento fez meus olhos lacrimejarem, mas eu não ia chorar. Eu sabia que eu era só mais uma pra ele, mas meu coração me dizia que havia algo diferente. Entrei no meu quarto e fui arrumar as coisas que estavam bagunçadas, como eu sempre fazia quando estava chateada. Eu tinha que me ocupar. Depois que arrumei tudo que estava fora do lugar, fui ler um pouco. Eu sempre gostei muito de ler, então nunca ficava sem um livro. Devo ter ficado muitas horas lendo “Indomada” da série The House Of Night, porque já estava cansada de tudo em que a Zoey* se metia. Fechei o livro e senti meu estômago roncar, então desci as escadas e fui para a cozinha. Sentia falta da me chamando para jantar aquela comida deliciosa com eles todos juntos. Desviei meus pensamentos pra não ficar triste e fui procurar algo pra me alimentar. Optei por um hambúrguer daqueles que coloca no microondas por um minuto e ele fica pronto. Coloquei-o no microondas e coloquei Coca-cola no copo pra mim, meu vício. Resolvi olhar o horário, 2h47 da manhã. Isso me assustou, desde quando passo tanto tempo lendo? Ouvi o apito do microondas, tirei meu hambúrguer de lá e ouvi meu estômago roncar outra vez quando senti o maravilhoso cheiro do hambúrguer, peguei meu copo de coca-cola e fui para o meu quarto, liguei a televisão e saboreei cada pedaço vagarosamente, estava realmente delicioso. Depois que acabei, fiquei vendo televisão, já que não estava com sono. Passava Friends e, na minha opinião, é uma das melhores séries que existe. Depois de algum tempo, ouvi barulhos na porta, devia estar chegando. Tentei não pensar nele e continuar prestando atenção na série, mas ouvi a sua risada. Com certeza estava bêbado, bufei e continuei prestando atenção na série e então ouvi uma risada feminina, ouvi pessoas subindo a escada e então levantei, abri só uma greta da porta do meu quarto, mas foi o suficiente para ver beijando uma mulher, com as mãos por dentro do vestido dela e ela com os dedos entrelaçados em seus cabelos, entrando para o quarto dele. Fechei a porta rapidamente e percebi que lágrimas teimosas escorriam pelo meu rosto. Eu não podia chorar, eu não tinha esse direito e ele não merecia! Eu havia prometido pra mim mesma que não ia chorar, que não iria ficar mal, mas era praticamente impossível. Ele passou dos limites dessa vez, trazer uma mulher pra casa enquanto morávamos todos juntos era uma coisa, agora, depois de descobrir que eu o amo e depois que todos, menos nós dois, saíram daquela casa, era uma outra totalmente diferente. Eu me sentia um lixo. Eu ainda tinha a esperança que não havia sido apenas mais uma que foi pra cama com ele, mas fui. Lágrimas não paravam de descer e eu nem tentava mais controlá-las. Ele estava no quarto ao lado com uma mulher, ele não fazia idéia de quanto isso me machucava, de como estava me matando cada vez mais. De qualquer forma, eu não tinha o mínimo direito de estar assim, ele não é nada meu, apenas meu melhor amigo, independente do sentimento que eu tenho por ele. Eu tinha que me acostumar com isso, mas a dor é praticamente insuportável de aguentar, ainda mais calada, fingindo que sou forte. Não posso fingir que sou forte, não sendo. Posso aguentar qualquer coisa, mas esse é meu ponto fraco, é o que me destrói. Limpei minhas lágrimas e lutei para que outras não descessem, levantei-me do chão, eu tinha escorregado pela porta e nem me dei conta disso, apaguei a luz e a televisão, mas me arrependi logo depois, quando ouvi alguns gemidos vindo do quarto ao lado, liguei novamente a televisão e aumentei o volume, deitei-me e tentei não pensar em nada, o que não deu muito resultado, já que no momento seguinte lágrimas escorriam pelos meus olhos. Depois de uns momentos assim, adormeci.
* Zoey é a personagem principal da série The House Of Night.
Capitulo 10
Duas semanas se passaram e foi muito estranho, eu falava com o só o necessário, e eu acho que ele tinha entendido o porquê, já que tentou forçar a barra umas duas vezes (isto é, tentar ter uma conversa direita e longa comigo) e depois dos cortes que eu dei, parou. Fui algumas vezes no pub pra não deixar o pobre do Aaron na mão. Eu estava tendo uns enjôos esquisitos de uns 3 dias pra cá e hoje os meninos iam chegar da lua-de-mel, então a e o iam vir pra cá para podermos preparar um jantar (isto é, eu e a , é claro) para a volta dos pombinhos. Eu tinha acabado de voltar do supermercado quando a campainha tocou, deixei as coisas que eu estava carregando na cozinha e fui abrir a porta. Dei de cara com uma e um muito sorridentes.
- Hey – Falei, dando espaço para que eles entrassem em casa.
- Hey, – Disse , entrando na frente e me dando um beijo na testa.
- Oi, amiga – Disse , me dando um abraço apertado com algumas sacolas na mão.
- Por que vocês estão tão sorridentes? – Falei, achando graça da situação.
- Bem, não é todo dia que seus melhores amigos voltam de viagem – Falou com falsa indiferença indo em direção a cozinha, me fazendo rir.
- Com presentes – Completou , me fazendo rir alto.
- , o tá em casa? – perguntou .
- Hm, não sei. Olha lá em cima – Falei indo em direção a cozinha com a .
- Amiga, trouxe todos os ingredientes para fazer aquela minha torta de pêssego – Falou , fazendo uma cara engraçada de como estivesse falando que a torta é uma delícia. Ri da cara dela e lembrei de como era a torta. Meu estômago embrulhou. Mas eu sempre amei aquela torta, sempre enchi a paciência dela para que ela fizesse pra mim e agora meu estômago embrulha só de pensar? O que está acontecendo comigo? A vai ficar chateada se eu não comer, então é melhor eu falar pra ela que estou passando mal de uns dias pra cá.
- Hã... ?
- Oi?
- Acho que não vou poder comer sua maravilhosa torta – Falei, fazendo biquinho.
- Por quê? – Perguntou ela imitando o meu gesto.
- Bem, eu não tô me sentindo muito bem. Eu amo essa torta, você sabe, mas só de pensar nela meu estômago embrulha – Admiti.
- Sério, amiga? Mas por que isso? – Perguntou.
- Não sei! Isso vem acontecendo de uns dias pra cá, alguns perfumes e comidas estão me enjoando muito – Falei.
- , sua menstruação está perto de chegar? – me perguntou séria.
- Na verdade, ela não é muito regulada, então não sei – Falei.
- Hm, mas posso te perguntar uma coisa? – Ela disse ainda séria.
- Claro.
- A última vez que você teve relações sexuais foi com o , não é? – Perguntou.
- Sim, por quê? – Perguntei curiosa.
- Vocês usaram camisinha? – Quando ela perguntou que eu me lembrei que nós não tínhamos usado mesmo. Quanta falta de responsabilidade nossa, meu Deus! Como pudemos esquecer isso?
- Na verdade, não. – Admiti, esperando ela me espancar já.
- Ai, , não acredito. Que falta de responsabilidade de vocês dois! – Ela disse mais calma do que eu achei que estaria. – Acho que você tem que fazer teste de gravidez – Ela disse em um tom mais baixo e mais calmo.
- Ah, não, . Isso é loucura! Eu não estou grávida – Falei. Ela só podia estar louca, eu apenas estava passando mal, nada com que eu devesse me preocupar de verdade. Eu não estava grávida. Eu não podia estar.
- Pode ser que não esteja mesmo, , mas pode estar. Não custa você fazer o teste - Falou se virando para pegar os ingredientes para fazer a torta.
- , como você pode falar uma coisa dessas pra mim? Eu não estou grávida e ponto final – Falei já impaciente.
- Olha, , é uma possibilidade, sim, sabia? – Ela falou calma.
- Sim, eu sei que é uma possibilidade, mas não é verdade. – Falei e logo depois bufei. Aquela discussão com a estava me deixando irritada já.
- Então por que você não faz o teste e me mostra que você está certa e eu errada? – Disse ela olhando em meus olhos e falando em um tom de aposta. é a minha melhor amiga, ela sabe muito bem como fazer para que eu faça as coisas. Eu sempre amei uma aposta.
- , não brinca com coisas sérias – Falei séria e a ouvi rir baixinho. Ela sabia que eu falava sobre o meu sentimento por apostas. – É sério, . Eu não vou apostar nada com você, porque eu tenho certeza que eu não estou grávida. – Falei convicta.
- Então tá bom, você que sabe. Mas fique sabendo que eu vou continuar falando que você tá grávida até suas menstruações pararem de vir e a sua barriga aparecer, daí você vai ver que eu estou certa – Falou em um tom indiferente, me deixando com muita raiva. , por ser minha melhor amiga desde sempre, sabia muito bem como mexer com os meus sentimentos me induzindo a fazer coisas.
- Tá, , compra a droga desse teste que eu faço. Só pra você parar de me encher a paciência. – Explodi.
- Isso! – Comemorou me fazendo virar os olhos – Então vai adiantando o almoço que eu vou na farmácia pra comprar, tá bem? – Ela falou já deixando de lado os ingredientes da torta.
- Mas você vai agora? – Falei e minha voz saiu com um tom de medo.
- Tá com medo, dona ? – Falou sorridente – Sim, vou agora.
- Não é isso, porque eu sei que não estou grávida. E mesmo que estivesse ia ser muito cedo pra descobrir, então de qualquer modo vai dar negativo – Falei, olhando pra cima. Eu estava, sim, com medo, só não queria admitir isso pra . – Acho que você não devia ir agora. Primeiro que os meninos podem chegar a qualquer momento e eu sei que você quer muito estar aqui quando eles chegarem. Segundo que você não pode deixar a torta sem fazer, porque eu realmente não sei fazê-la e terceiro que se o e o perguntarem aonde você vai, o que você vai responder? – Falei em uma tentativa de fazê-la não ir. Ela me escutou com os braços cruzados, a sobrancelha levantada e parada na porta.
- Já acabou com as desculpas pra não me fazer ir? Você sabe que eu vou de qualquer jeito – Ela disse, virando de costas e saindo de casa. Bufei e comecei a fazer o almoço, não sei da onde havia tirado aquela loucura, mas eu sei que quando ela coloca algo na cabeça, ninguém tira.
Alguns minutos se passaram e eu escutei a campainha tocar, ouvi a porta se abrir e ouvi pessoas, que eu conhecia muito bem, dando gritinhos de felicidade. Não era e nem , era os quatro gays que eu amava e chamava de melhores amigos. Ri comigo mesma e fui para a sala encontrando-os se abraçando.
- Amiga! – gritou e pulou em mim, me dando um susto. Ri e a abracei forte.
- Estava com saudades! Como foi de viagem? – Falei durante nosso abraço apertado.
- Eu também, muitas! Foi ótima, depois te conto tudo com detalhes – Disse ela me dando uma piscadela e me fazendo rir.
- ! – gritou do outro lado da sala e veio me abraçar tão forte quanto .
- Que saudades que eu estava de você, ! – Falei, retribuindo o abraço.
- Eu também, amiga – Disse ela, me soltando – Depois nós precisamos conversar seriamente, não é? – Disse ela fingindo estar brava, me fazendo rir de leve.
- Sim, depois nós conversamos, ... Mas depois mesmo. – Falei e vi a porta ser aberta novamente, mas agora era a e eu não tinha ficado feliz de vê-la entrar com aquela sacola da farmácia na mão, não mesmo. Dei um abraço forte em e também, depois ficamos todos sentados na sala ouvindo-os contar sobre a maravilhosa viagem que tiveram. Como sempre, nos fizeram rir várias vezes por várias situações que e criaram. Depois de algum tempo, fomos almoçar e eu comi duas vezes com o prato cheio, parecia que tinha anos que não comia nada. É claro que me olhou estranho por causa disso e eu apenas ignorei, depois do almoço fui lavar a louça e veio atrás de mim.
- Você vai fugir até quando? – Perguntou ela parada na porta.
- Não tô fugindo – Falei e continuei lavando a louça.
- Olá, meninas, deixe a louça com nós duas agora, vocês já fizeram o almoço, não precisam fazer mais nada, sumam da cozinha. – Disse entrando na cozinha e pegando o prato da minha mão, veio logo atrás.
- Isso mesmo, sumam daqui agora, não quero reclamações – Disse .
- Tá bem, não vou recusar porque eu e a precisamos fazer uma coisa muito urgente, né ? – Disse . E ela tinha me chamado pelo nome, acho que ela estava com um pouco de raiva por eu estar fugindo dela o tempo todo.
- Hm, não muito. – Ignorei a raiva dela e sentei na cadeira da mesa da cozinha.
- Anda, , pára de me enrolar. – Falou me puxando pela mão.
- Gr, tô indo. – Resmunguei. Subimos as escadas e fomos pro meu quarto, entrei primeiro e veio atrás, trancando a porta atrás de si. Entregou-me o teste e me indicou a porta do banheiro com a mão.
- Vamos, nós não temos o dia inteiro – Falou com a cara fechada me fazendo rolar os olhos. Peguei o teste e fui até o banheiro, fiz e voltei pro quarto.
- Agora temos que esperar 5 minutos pra você ver que isso tudo é uma palhaçada e é tudo da sua cabeça. – Falei sentando na cama e não dando a mínima pra cara fechada de .
- É, quando der 5 minutos você vai ver que é mesmo invenção minha. – Falou ela. Passamos os cinco minutos em silêncio após esse diálogo nada construtivo.
- Deu tempo, vai lá olhar. – Levantei-me sem o menor ânimo e cheguei até a porta do banheiro e simplesmente travei. Não conseguia ir pra frente de jeito nenhum.
- Por que tá parada? – me perguntou. Virei-me pra ela.
- Olha pra mim? – Falei insegura.
- Tá com medo, é fofinha? – Disse ela com uma cara de provocação.
- Sim, , depois de tudo o que você falou, você conseguiu me deixar com medo. – Falei voltando a sentar na cama.
- Tá bom, amiga, eu olho – Disse ela se levantando e indo até o banheiro, acompanhei o seu movimento e parecia que tudo estava acontecendo em câmera lenta até que ela pegou o teste e olhou pra mim. Acho que nunca tive tanto medo na minha vida.
Capítulo 11
Eu simplesmente estava estática. Eu não conseguia me levantar, não conseguia falar, nem piscar e muito menos respirar.
- ! – Disse na minha frente – , fala comigo, por favor! Você tá pálida! – Continuou, agora com um tom um pouco histérico na voz. me sacudia. – , é sério, se você não falar comigo eu vou chamar os meninos pra te levarem pro hospital! – Quase gritou.
- Não! – Falei ainda mais alto que ela. – Você não pode chamar ninguém, você não pode contar pra ninguém! – Eu disse desesperada.
- Eu não vou contar, amiga. Mas um dia eles vão saber. – Disse .
- Eu sei, mas não agora, por favor! – Fiz um apelo desesperado pra minha melhor amiga.
- Eu não vou contar nada pra ninguém, ! Isso é tarefa sua. Você tem que contar. E você vai contar quando você quiser, só não pode demorar muito. – Falou tentando me acalmar, mas não estava funcionando muito bem. Ela sentou ao meu lado na cama e me abraçou, apoiei minha cabeça no seu ombro e chorei. Chorei de verdade. Eu não estava preparada pra isso, eu não podia estar grávida. Não agora, não dele. O que eu ia fazer da minha vida? Eu o conhecia muito bem, sabia que ele agia por impulso e quando ficasse sabendo... Eu não queria que ele ficasse sabendo, só de imaginar a reação dele meu corpo tremia todo. me abraçou mais forte e eu abracei de volta.
- Calma, amiga. – disse. – Tudo vai se acertar, tudo vai ficar bem. – Continuou falando, passando a mão na minha cabeça enquanto eu, ainda, chorava.
- Não, , não vai ficar bem, nada vai ficar bem depois disso. Já não tava tão bom, agora tá pior ainda! O que eu vou fazer da minha vida com um... com um... – Falei entre soluços, mas não conseguindo completar a frase.
- Filho? – Completou . – Você não pode ter medo de falar que está grávida, que vai ter um filho. E nem ter medo disso. Você é forte, você vai conseguir passar por isso, você não tem mais 17 anos pra poder ficar morrendo, como se seus pais fossem te matar! Você tem a mim, acima de tudo, eu sempre estarei aqui pra te ajudar! E sei que as meninas também vão te ajudar, e até mesmo os meninos. Aposto que depois que o susto passar, eles vão ficar super felizes, você sabe disso bem. – Disse ela, me confortando.
- Mas o problema todo não é esse, , além de medo, eu não tô preparada pra ter um... filho. – Falei, finalmente. – E eu sei que vocês sempre estarão ao meu lado, mas e o ? Ele não vai olhar na minha cara nunca mais! Como eu pude deixar isso acontecer, meu Deus? Como? – Falei, inconformada e ainda chorando muito.
- O teve metade da culpa disso, . Não se culpe sozinha. Se ele não olhar mais na sua cara por causa disso, ele é um grande babaca. Ele pode agir estupidamente às vezes, mas ele não é babaca. Apesar de tudo, ele te ama, e ele não vai deixar você sozinha nessa! – Disse minha melhor amiga. Apesar da revolta que eu estava sentindo, eu não podia deixar de concordar com ela, mas ainda assim ele ia ficar com raiva. Eu conheço o muito bem, contar pra ele que eu estava grávida seria muito complicado. Se fosse de outro homem, era como se eu estivesse contando pro meu pai que sua filha de 17 anos estava grávida. Mas contar que era dele... Eu não sei da reação dele, mas eu tenho certeza que não será muito boa. Ouvi batidas na porta e olhei desesperada pra , ela me sussurrou um “calma” e levantou-se, foi em direção a porta e enquanto ela a abria, eu limpava minhas lágrimas.
- Oi ! - a cumprimentou, abrindo um pequeno pedaço da porta.
- Oi, amiga. Por que vocês ainda estão aqui em cima? O que de tão importante vocês estão fazendo? - Eu sabia que a iria atrás da gente pra saber o que estávamos fazendo e tínhamos que inventar uma desculpa muito boa para ela não desconfiar de nada.
- Hm, a gente não pode falar... - disse, coçando a cabeça. Eu sabia que quando ela fazia isso era quando estava nervosa. Minhas lágrimas ainda insistiam em descer, mas eu estava lutando bravamente contra elas.
- Por que não? -
- Porque... É uma coisa pra você e pra , então não podemos contar nada agora! E pare de insistir, vou continuar aqui com a arrumando as coisas e não volte aqui! Não quero estragar a surpresa.
- É sério? Aw, como vocês são lindas! Não posso contar pra , posso? -
- Não. -
- Tá bem! Vou descer então, trabalhem direitinho. - Disse de um jeito engraçado, fazendo rir baixo. Mas nenhum sorriso saía no meu rosto. fechou a porta e trancou logo depois que desceu de novo e sentou ao meu lado.
- Amiga, não vai adiantar nada chorar agora. A única coisa que você tem que fazer é enfrentar tudo isso. E você não está sozinha, viu? Nunca estará. Eu sempre estarei ao seu lado. - Ouvi tentando me consolar, mas nada fazia sentido naquele momento. Deitei-me em seu colo e deixei as lágrimas caírem, eu não tinha forças mais para segurá-las, fazia carinho em minha cabeça enquanto eu chorava e então eu adormeci.
Acordei e já era de noite, olhei em volta do meu quarto e não tinha ninguém. Eu estava deitada direito em minha cama e com o edredom por cima de mim, isso só podia ser coisa da . Levantei minha cabeça devagar e a senti muito pesada, olhei para o meu criado mudo e vi um bilhete, peguei e custei a enxergar o que estava escrito, pois meus olhos estavam meio embaçados.
Oi, meu amor!
Fiquei feliz de você ter dormido, pelo menos assim parou de chorar. Você sabe o quanto corta meu coração te ver assim, não sabe? Mas não se preocupe, eu sempre estarei aqui por você e tudo vai se encaixar. Falei com o pessoal que você estava com muita dor de cabeça e foi dormir, se te perguntarem, confirme minha história. Tranquei a porta do seu quarto e enfiei a chave por de baixo da porta. Fique bem, se precisar de mim, me ligue. Eu te amo, bf.
Xx, .
Depois de ler o bilhete, me senti feliz por ter amigos tão bons comigo, sorri ao ter esse pensamento. Levantei-me e abri as cortinas, já era de noite, o que me assustou um pouco, já que quando eu dormi estava um pouquinho depois da hora do almoço. Tomei um banho e, quando eu estava me enxugando, fiquei olhando para minha barriga no espelho. Como poderia ter alguém ali dentro? Alguém tão... indefeso. Bom, ainda não era... alguém, mas já era alguma coisa. Eu sentia diversas emoções diferentes enquanto eu pensava nisso, mas eu não sabia decifrá-las, eu nunca as tinha sentido antes. Alisei minha barriga e respirei fundo. A única coisa a se fazer agora é encarar a verdade, encarar de peito aberto, mesmo se for sozinha. Tentei parar de pensar nesse assunto e, obviamente, falhei, mas ignorei meus pensamentos e terminei de me enxugar, vesti minha roupa e ouvi meu estômago roncar de fome, peguei a chave do meu quarto que estava perto da porta, onde tinha falado, e saí do quarto, indo em direção à cozinha. Desci as escadas e não tinha mais ninguém em casa, nem mesmo o , mas eu acho que eu também não queria vê-lo agora. Cheguei à cozinha e resolvi fazer um sanduíche pra mim, peguei tudo o que tinha na geladeira que dava pra colocar dentro de um sanduíche e fiz, coloquei um pouco de suco no copo e ouvi o barulho da porta de entrada. Ótimo, tudo o que eu precisava agora. Peguei meu sanduíche e meu copo e já ia subir o mais rápido que eu pudesse, mas sem dar na cara que eu estava fugindo. Quando cheguei à porta da cozinha, estava parado perto da porta com umas cartas na mão, olhando-as, quando percebeu a minha presença, levantou o olhar pra mim, olhei de volta e dei um sorrisinho sem graça, continuando a andar.
- , ‘peraí. – Ele me chamou e eu quase saí correndo.
- Sim? –
- me disse que você tava passando mal, já tá melhor? – Perguntou, voltando a olhar as cartas.
- Uhum, tô sim. – Comecei a subir as escadas depois de responder.
- Ah, ela disse que marcou médico pra você amanhã, às 14h. Que vai te buscar às 13h30. – Senti meus pés congelarem quando eu ouvi falar.
- Ah, é? E... Ela te disse qual médico? –
- Não, só falou que marcou o médico e que vai te buscar. – Senti um alívio ao ouvir isso.
- Ah sim, obrigada. – Continuei subindo.
- . – Virei-me ao ouvir me chamar
- Oi? –
- Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, você fala comigo, tá? – Ele olhou pra mim com um olhar preocupado e eu senti meu melhor amigo de volta.
- Tá bom, . Obrigada – Respondi, sincera. sorriu pra mim e eu tentei sorrir de volta, subi as escadas e fui pro meu quarto, liguei a televisão em qualquer canal e fiquei sentada na minha cama enquanto comia meu sanduíche.
- Toc toc – Encontrei um sorridente na minha porta. Como sempre, não consegui controlar o meu sorriso.
- Pode entrar – Eu disse e vi vindo em minha direção, sentando do meu lado, na cama.
- Tô com saudade da minha melhor amiga, sabia? –
- Ah, é? Pois não parece tanto. – Disse, comendo meu último pedaço de sanduíche.
- Por que não parece tanto? –
- Porque você não quer saber mais de mim –
- Isso é mentira, . Você que do nada virou a cara pra mim – Disse ele, já deitando na minha cama. “Do nada”, do nada, né?
- Eu não, você que ficou todo estranho comigo desde o dia do parque – Depois de dizer, vi que ele coçou a cabeça em forma de preocupação.
- É... Então... É que... – Balbuciou ele, sem graça.
- É que...? Para de enrolar, – Falei, achando graça.
- Eu tava com medo, . Depois do que aconteceu entre a gente, eu tava com muito medo de te perder como melhor amiga. – Confessou.
- Você não vai me perder como melhor amiga, .
- Você promete?
- Prometo – Prometi, porque era verdade, mas eu não sei se ele iria querer que eu continuasse sendo a melhor amiga dele depois que eu contasse a verdade pra ele.
- Então tá bom – Ele sorriu pra mim e chegou mais perto, suspirei ao sentir o perfume dele, foi involuntário e ele nem reparou que foi por isso. puxou-me para mais perto dele e me abraçou, aconcheguei-me em seus braços e ali eu me esqueci de todos os problemas que nos cercavam.
Capítulo 12
Acordei com o despertador, procurei o botão que fizesse parar sem abrir os olhos e não encontrei, abri os olhos e sentei na cama irritada, bufei e passei as mãos nos cabelos, olhei pro despertador, que ainda tocava, e desliguei com raiva, como se eu estivesse dando um corretivo nele e ele nunca mais fosse fazer isso. Olhei pra minha cama e lembrei do dia anterior, eu havia dormido abraçada com e, provavelmente, ele me cobriu e me deixou dormindo. Levantei-me e fui em direção ao banheiro, olhei-me no espelho e... argh, eu estava péssima. Fiz uma careta pra minha própria aparência e, ao mesmo tempo, ouvi batidas na porta.
- ? Já acordou? - Gritou do outro lado da porta. Fui em direção a porta e abri, dando de cara com um sorriso lindo. Mas eu ainda continuava de mau humor. Tentei sorrir de volta pra ele, sem sucesso.
- Já.
- Acho que não tá com o humor muito bom, certo? - Perguntou , com um misto de medo e vontade de rir da minha cara.
- Certíssimo.
- Então nem vou fazer piadinhas sobre sua aparência. - Disse ele, me olhando da cabeça aos pés.
- Eu sei que eu tô horrível, .
- Hm... É, não tá muito bom mesmo, mas continua linda, tá? - Disse ele, me abraçando bem forte, me esmagando.
- ... Você. Tá. Me. Deixando. Sem. Ar. - Falei com dificuldade enquanto ele me esmagava.
- Eu sei que eu sou lindo, , mas não é pra tanto. - Disse ele com um convencido, me fazendo dar uma risada alta.
- , é sério... - Disse, ainda com dificuldade pra falar. me deu um beijo no topo da cabeça e me soltou.
- Agora é sério, vim aqui saber se vai querer uma carona pro pub, já que hoje é seu dia de ver se tá tudo ok por lá. Aí depois eu te busco lá e nós podemos almoçar em algum lugar legal.
- Hm, acho que vou aceitar. Mas eu quero almoçar no McDonald's. - Fiz uma cara de criança enquanto falava, fazendo-o rir.
- Tá bem, dona , podemos ir ao McDonald's.
- Então tá bom, vou me arrumar e já desço. Você podia ir fazendo um café da manhã muito bom pra gente enquanto isso, huh?
- Mas olha, você tá muito folgada hoje. Ok, eu faço, eu sei que meus dotes culinários são insuperáveis. - Disse ele em um tom convencido de novo, me fazendo rir alto.
- Você tá se achando demais hoje, não é mesmo, ?
- Nada, tô tranquilo. - Disse ele de uma maneira despojada, me fazendo rir baixo.
- Ok... Então vou me arrumar, vai lá fazer o café.
- Tá, não demora. - Me respondeu, já descendo pro outro andar. Fechei a porta do quarto e fui para o banheiro fazer minha higiene matinal e tomar um banho. Depois que saí do banho, fui em direção ao meu closet e peguei minhas roupas, uns acessórios e uma sapatilha. Vesti a roupa, arrumei meu cabelo, passei maquiagem, arrumei minha bolsa, calcei a sapatilha e desci para o primeiro andar, indo direto pra cozinha. Senti um cheiro de waffles e minha barriga roncou, parei na porta da cozinha e fiquei olhando aquele maravilhoso homem se esforçando pra fazer waffles que prestem, comecei a rir baixo quando percebi a sua dificuldade.
- Tô vendo seus grandes dotes culinários, . - Falei ainda rindo. parou o que estava fazendo e olhou pra mim da cabeça aos pés, me fazendo ficar com um pouco de vergonha.
- Hm... Er... Eu tô um pouco atrapalhado com isso, . - Disse ele, parando de olhar e voltando sua atenção para os waffles. Deixei minha bolsa em cima de uma cadeira e fui em sua direção, tomando a colher da sua mão e abrindo a máquina de fazer waffles.
- Me dá isso aqui, . - Continuei fazendo os waffles. - Viu, é simples. Tá vendo? - Esperei por uma resposta dele, mas ele continuou calado. - Tá vendo, ? - Insisti e ele não respondeu. Parei com os waffles e olhei pra ele. Ele olhava pra mim de uma forma estranha, como nunca tinha olhado antes. Desliguei a máquina de waffles, me virei pra ele e fiquei encostada na pia.
- Ok, hora de me falar o que você está pensando e por que está olhando pra mim desse jeito.
- Hm? Ah... Não... Não é nada. - Disse ele, parecendo que estava acordando de um transe.
- , não minta pra mim, por favor. - Eu disse em tom autoritário. olhou dentro dos meus olhos da mesma forma que estava olhando antes, apoiou-se na pia, com uma mão de cada lado meu.
- Não é nada demais... Só que você... Fica cada dia mais linda. - Finalmente falou, parecendo envergonhado. envergonhado? Por minha causa? Uau. Fiquei um pouco sem graça também.
- Hm... Er, obrigada. - Falei sem graça, mordendo meu lábio inferior em sinal de nervosismo. Vi seu olhar cair pra minha boca no mesmo instante e logo depois voltar aos meus olhos. estava chegando mais perto de mim e a cada centímetro que ele chegava mais perto eu ficava mais nervosa. Senti a respiração de se misturar com a minha e sua boca já estava a milímetros da minha. A boca de já roçava na minha quando... Meu celular tocou dentro na minha bolsa. Afastei-me de e fui atender, o ouvi suspirar. Afinal, eu ia beijá-lo? Ia deixar que me beijasse depois de tudo o que aconteceu e tudo o que está acontecendo? Respirei fundo, peguei meu celular e atendi, saindo da cozinha logo depois.
- Alô? - Eu estava tão nervosa que não tinha nem olhado quem estava me ligando.
- Oi, bf - disse.
- Ah... Oi, amiga.
- Nossa, parece que não queria falar comigo.
- Não é isso, amiga. Eu só... Não tô me sentindo muito bem. - Menti. Não queria contar o que acabara de acontecer pra ela por telefone.
- Ah sim. Então, só liguei pra confirmar o médico. Você vai mesmo, né?
- Vou, amiga.
- Tá bom, passo aí às 13h30, tá?
- Tá.
- Então tá bom, amiga. Beijos, tchau.
- Beijos - Desliguei o telefone logo depois e voltei pra cozinha. havia acabado de fazer os waffles e estava os colocando em um prato. Joguei meu telefone dentro da bolsa e fui em direção ao armários, peguei dois copos e coloquei em cima da pia.
- Era , pra confirmar o médico.
- Ah, sim. - Respondeu-me, colocando os pratos em cima da mesa e indo em direção a geladeira. - Quer suco de laranja ou maçã?
- Laranja. - Respondi, indo em direção a mesa com os copos na mão, sentei-me e coloquei os copos na mesa. veio com a jarra de suco e colocou um pouco nos dois copos. Comemos nosso café da manhã em um silêncio constrangedor. Eu queria pensar em alguma coisa pra falar, mas não conseguia, então apenas concentrei-me em meu café da manhã. Quando acabou de comer, ele interrompeu o silêncio que estava instalado entre nós dois.
- Eu vou pegar minhas coisas lá em cima e ir pro carro, quando acabar aí vai pra lá também. Estarei te esperando. - Disse ele, sem fazer muito contato visual comigo. Murmurei um "uhum" enquanto mastigava e saiu da cozinha. Acabei meu café da manhã, fui até meu banheiro escovar os dentes e retocar a maquiagem, desci pro primeiro andar, peguei a minha bolsa e fui até a garagem. estava dentro do carro com a cabeça encostada no encosto de cabeça do banco e os olhos fechados. A cada dia que passava, ele ficava mais bonito, isso é possível? Despertei-me dos meus pensamentos e entrei no carro.
- Pronto. Vamos? - Falei, acordando-o dos seus pensamentos.
- Vamos. - Respondeu-me, ligando o carro e o rádio. Coloquei meu cinto e fez o mesmo, saindo com o carro da garagem logo depois. parou com o carro no canto e deu um suspiro pesado, olhando pra mim logo depois e começou a falar.
- , sobre o que aconteceu na cozinha agora a pouco...
- ! - Interrompi sua fala. - Nós não precisamos falar sobre isso, podemos ignorar e fingir que nada aconteceu, certo? - Continuei falando, séria.
- Sim. - Respondeu-me, desviando seu olhar sério pra frente.
- E agir normal também, tá?
- Tá bom...
- Agora vamos pra não nos atrasamos.
- Ok - Disse ele, se liberando da expressão séria e dando um suspiro de alívio. Virei-me pra frente e encarei a paisagem bonita de Londres, logo depois me perdi em pensamentos. havia ligado o rádio, o que era melhor, pois eu não ia precisar me esforçar pra ter uma conversa normal com ele quando eu gostaria de ficar calada. Alguns minutos depois, parou o carro em frente ao pub. Tirei meu cinto, peguei minha bolsa e abri a porta, virei-me para .
- Você vem?
- Não, eu tenho que resolver umas coisas da banda com os meninos, mas depois eu volto aqui pra te buscar e aí a gente almoça no McDonald's, pode ser?
- Pode sim - Sorri como uma criança, fazendo-o rir. - Então, até mais tarde.
- Até, pequena.
Saí do carro em direção ao pub, entrei e encontrei Aaron. Fizemos algumas contas, separamos dinheiro pras contas, encomendamos coisas e resolvemos tudo que tínhamos pra resolver, depois ficamos apenas jogando conversa fora, enquanto o não chegava. Alguns minutos depois, ouvi meu celular tocar e era , avisando que já havia chegado. Despedi-me do Aaron, peguei minha bolsa e fui até o lado de fora, procurando, sem dificuldades pra achar, o carro de . Fui em direção ao carro e entrei.
- Oi - Olhei pra ele e sorri, quando falei.
- Oi. Com fome?
- Muita. - Abri ainda mais meu sorriso, o que me fez parecer uma criança, fazendo rir alto. arrancou o carro e fomos em direção ao McDonald's, conversamos sobre tudo e sobre nada, como a gente sempre fazia. Parecia mesmo que as coisas estavam normais de novo entre a gente, mas eu sabia que alguma hora isso ia mudar, por causa... Bem, disso tudo. Respirei fundo e parei de pensar nessa situação, avistei o McDonald's e minha barriga roncou.
- Nossa, isso tudo é fome? - disse de uma maneira engraçada, me fazendo rir baixo.
- Pois é, me fez ficar esperando um tempão lá no Pub, por isso que minha barriga tá roncando desse jeito. - Disse num tom autoritário, mas brincalhão.
- Nem vem, nem te fiz esperar muito. Da próxima, te deixo lá até às 5 da tarde.
- Deixa nada.
- É, não deixo mesmo. - Ele respondeu e nós caímos na risada depois. estacionou o carro e nós fomos pra dentro do restaurante. Sentei-me em uma mesa e olhou pra mim como se perguntasse o que eu tava fazendo sentada.
- Querido, você pode pegar pra mim, eu deixo. - Falei naturalmente, fazendo rir baixo.
- Mas é uma folgada mesmo. O de sempre, né?
- Sim. - Sorri feito criança pra ele, fazendo-o rir. Logo depois, foi em direção ao balcão e eu fiquei olhando-o. Era impossível não ficar olhando pra ele, ele chamava atenção em qualquer coisa que fazia... Só pelo modo como fazia. Observei ele pedir, pagar e pegar o pedido, vindo em minha direção depois. Colocou em cima da mesa e olhou pra mim, dando um sorriso. Daqueles que me fazem perder o ar.
- Por que tá olhando pra mim desse jeito?
- Hm, oi? - havia me acordado do transe. - Hm, de que jeito? Tô te olhando normal. - Falei isso, pegando meu sanduíche e já dando uma mordida. repetiu meu gesto e continuamos comendo e conversando sobre coisas nada a ver. Até que ele tocou no assunto.
- É hoje que você tem médico com a , né? - Perguntou-me, como se fosse uma coisa normal.
- Sim - Respondi, meio desconfortável.
- Se der alguma coisa, você me fala, viu?
- O quê? Como assim se der alguma coisa? - Desesperei, será que ele sabia de alguma coisa?
- Sei lá, pequena. Mas como você tava passando mal, eu me preocupo, quero saber se tá tudo bem mesmo com você. Mas não deve ter nada demais não. - Tranquilizou-me. E ele nem sabia o porquê de eu ter ficado tão agitada. Depois desse assunto, eu fiquei nervosa, mal consegui terminar minhas batatas. Depois que acabou de comer, fomos pra casa. Eu tinha que me arrumar pra ir ao médico com minha melhor amiga. Confirmar se havia mesmo um bebê dentro de mim, e, se houvesse, ver se tava tudo bem. Pensar nesse assunto me deixava muito nervosa, mas era minha nova realidade e eu tinha que aceitar.
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