Beta: Nelloba Jones



Capítulo 1



era o meu bem mais precioso, fruto do amor que eu senti por alguém que eu não conhecia, alguém que conheci uma noite, num show e que nunca mais vi, a não ser quando saía em revistas. Era ele, o baixista mais lindo: .
Conheci no seu primeiro show no Brasil, tinha 17 anos, quase 18. Bebi tanto que nem sei como cheguei ou entrei na “After Party” da banda, só sei que entrei. A banda toda estava lá, todos bêbados, uma verdadeira loucura comigo no meio. Isso já tem dois anos e eu nunca soube exatamente o que aconteceu, como foi, o que eu falei ou qualquer coisa assim. Só sei o que a me disse: “Você estava descontrolada! Não consegui te cuidar, de repente, você sumiu!”, sumi pra onde?
Dois meses depois eu descobri para onde sumi, para o quarto de hotel do . E não acordei lá, estranhamente, acordei no meu hotel, e só soube tudo que tinha realmente acontecido porque a me contou. Sabe quando se tem aqueles apagões depois de uma noitada? Foi exatamente isso que aconteceu, só conseguia me lembrar vagamente da noite anterior.
Mas o fato é: estava a caminho e eu estava em Santa Catarina, longe dos meus pais e no curso integral de medicina. Como eu planejava cuidar dessa criança? Eu não planejava e acho que esse era o grande problema. Tinha recém começado o curso, vivia do sustento dos meus pais e nem tinha o pai da criança para me amparar. “O que fazer, meu Deus?”, era uma das perguntas que eu mais me fazia. Contei aos meus pais, foi o primeiro passo importante que tomei, eles levaram um susto, como já era previsto, mas me apoiaram por toda a gravidez, sempre insistindo para que eu largasse o curso e voltasse para minha cidade e criasse meu filho lá, mas como largar algo que eu custei tanto a conseguir? Resultado: mamãe vindo passar uns tempos com a filhinha. Minha gravidez foi tranqüila e eu consegui terminar o primeiro ano da faculdade ainda grávida, tendo meu filho nas férias de verão, com o sol quente brilhando nas areias de Florianópolis.
nasceu loirinho, de olhos azuis como o pai, por ora era branquinho, e não tinha absolutamente nada a ver comigo. Eu soube quando o olhei deitado em meu colo, ainda na mesa de parto, que seria capaz de cuidar sozinha dele, sem ajuda do pai. Eu lutei toda a gravidez para achar o , comunicá-lo da chegada de , mas era impossível para uma reles plebéia como eu tentar chegar ao rockstar que era ele, e apesar de nunca ter desistido, eu sabia que poderia cuidar daquele bebê, só queria que ele estivesse ciente de que o mesmo existia.
Nunca menti para o meu filho, ele sempre soube quem era o pai, o que ele fazia e porque não estava junto com ele. Por isso, quando o Mcfly retornou ao Brasil, já tinha um ano e eu decidi que era hora de encontrar e contar o que estava acontecendo, ou o que já tinha acontecido. Meu plano não era exigir nada dele, nem o registro, era só informar, até porque o garoto não precisava de nada, éramos muito felizes, só nos faltava o pai dele, que eu sabia que não seria presente, nem se quisesse.


Viajei 1h e 40 min de avião até o Rio de Janeiro com meu filho do lado, lógico. Não ia expor ele a nada, nem o levaria ao meu encontro com , essa era uma coisa que eu precisava fazer sozinha, e fiz. Fizemos reserva em um hotel simples no Rio e quando chegamos, me certifiquei de que teria com quem deixar meu filho aquela noite, pois iria ao show do Mcfly sem mais.
Chegando perto da hora do show, fui me arrumar, estava nervosa, minhas mãos tremiam e suavam, não era uma coisa para a qual eu não tivesse me preparado, mas esse encontro seria difícil para mim e para ele também. Ainda pensava no que dizer e como contar uma coisa que nem eu sabia direito, então, tomei a decisão de não assistir ao show, de invadir o camarim e de alguma forma contar a ele tudo, sem enrolar, só contar e sair. É bastante óbvio que as coisas não aconteceram bem assim.
Quando cheguei ao local do show, este já havia começado, porém, logo ao sair do táxi, algo (além da fila que ainda era imensa) me chamou atenção, tal como a de todas as meninas que estavam ali: um cartaz do exato tamanho do problema que eu estava prestes a enfrentar. Vi os olhos de e seu sorriso maroto através do cartaz e soube que ele não tinha maturidade para a responsabilidade que naturalmente lhe cabia, muito embora eu não fosse obrigá-lo a nada, como já disse.
Andei sorrateira até uma porta nos fundos do local e entrei. Lá dentro estava tudo escuro e imagino que era para a porta estar trancada, pois não havia nenhum segurança naquela área. Pouco tempo depois, consegui um carrinho de arrumadeira e passei a andar pelos bastidores do show até encontrar o camarim da banda, mas antes consegui ver uma brecha do palco, por onde os produtores os assistiam. Em poucos minutos consegui ver todo o show um ano antes, lembrar das roupas que cada um usava, das músicas que cantaram, das gracinhas que fizeram, tudo até eu começar a beber e então apaga, maldita memória.
Entrei no camarim e me pus a esperar o término do show, não esperei muito tempo para ouvir as manifestações do outro lado da porta e ficar ainda mais nervosa. Já tinha me livrado das roupas de camareira e estava com as roupas que saí do hotel, calça jeans skinny escura, scarpin e uma blusa cinza. Tentava pensar positivo, mas meus nervos iam me enlouquecer se eles demorassem mais um minuto para entrar.
- WOW! – exclamou ao entrar e se deparar comigo. – Achei que teríamos algum tempo antes das entrevistas... ou das groupies. – os outros membros riram da piadinha enquanto eu só sorria nervosa. Eles foram se acomodando pelo camarim, que afinal, era deles.
- Na verdade, Sr. , – me aproximei dele devagar. – não sou jornalista, muito menos groupie. Já fui há dois anos, mais ou menos, sua groupie, aliás. Mas não é pra isso que estou aqui, só preciso falar com você, em particular, se for possível.
- Uuuuuh, dude, acho que você está com problemas. – ria daquilo e lhe deu um tapa na cabeça.
- Não vê que o negócio é sério, animal?! Vamos lá fora falar com as fãs. Anda, .
E eles saíram do camarim, me deixando a sós com o meu problema, com o meu nervosismo e com a cara de interrogação que permanecia em e permaneceria até que eu decidisse falar.
- Então, o que houve? Quer um autógrafo?
- Ãhn, não, eu preciso te falar uma coisa. Há dois anos, mais ou menos, eu fui sua groupie e isso mudou a minha vida, entende? Não foi uma mudança ruim, mas inesperada e eu precisava te dizer, porque eu tentei há alguns anos e...
- Ser minha groupie mudou sua vida?! Awesome! – OMG, o pai do meu filho é um idiota, fato!
- Ok, não é nada disso. Nós dormimos juntos e eu não me lembro de quase nada devido à bebida que eu tomei, provavelmente, mas isso não importa, o que importa é que depois disso aconteceu algo que, literalmente, mudou minha vida, uma coisa nasceu em mim e eu lido com ela há um ano, nove meses e uns quebrados, entende?
- Não, qual é o seu ponto, afinal? – chega, ele estava me deixando brava com essa lentidão toda e eu não estava querendo enrolar mais.
- ... – respirei fundo e não agüentei mais, tinha que gritar. – VOCÊ TEM UM FILHO DE UM ANO E NOVE MESES COMIGO! Entendeu agora?
O garoto arregalou os olhos sem acreditar e eu caí sentada no sofá, contendo as lágrimas que teimavam em sair. Depois de uns cinco minutos sem ouví-lo falar absolutamente nada, decidi que era hora de ir embora, ele não se importava e nem se importaria. Larguei um cartão com meu celular escrito em cima da mesa e quando estava prestes a sair, o olhei uma última vez e disse:
- Não devia ter vindo.
Bati a porta e saí o mais rápido que pude, os garotos me viram secar lágrimas e correram até o camarim. Ao chegar a porta por onde tinha entrado, pude ouvir os gritos de com os amigos, atravessei a porta e peguei o primeiro táxi que vi, pedindo que ele me levasse rapidamente ao hotel em que estava hospedada. Precisava ver meu filho, abraçá-lo e dizer o quanto o amava e que ele nunca estaria sozinho, foi isso que eu fiz.
No outro dia, recebi uma ligação de dizendo que tínhamos que nos encontrar e conversar sobre o assunto. Aceitei, é claro, fomos a um local reservado, onde ninguém estaria ouvindo, o quarto de hotel dele. Não aconteceu nada, nem poderia. Eu expliquei para ele o que sabia e ele se lembrava de mim enquanto eu falava, mencionei o e ele me pediu para conhecê-lo e eu o levei até . O encontro deles foi emocionante, meu filho já o conhecia por fotos, e ainda era criança para entender o que estava acontecendo, porém, para o pai dele, bom, posso dizer que nunca vi um rapaz se emocionar tanto, eu também não me emocionava tanto desde que recebi meu filho nos meus braços pela primeira vez.
Ficou acertado que o registraria, ele queria fazer parte da vida de e isso me deixava mais feliz que nunca, mas teria que ser mais tarde, ele teria que preparar a imprensa para a bomba que estava por vir, tinha que preparar os pais dele e a namorada que o esperavam do outro lado do mundo.


Cinco anos depois, eu estava formada e com meu estágio completo, estava cada vez mais apegado ao pai, embora ele continuasse na Inglaterra e nós no Brasil. já tinha outra namorada, aquela não agüentou a pressão de um filho de outra, essa sentiu-se acomodada ao saber que nós morávamos do outro lado do mundo, por pouco tempo. insistia para que eu me mudasse para Londres com , a família dele era doida para conhecer o neto, sobrinho e etc., e depois de e muito insistirem, acabei cedendo.
Antes de sair daqui, consegui uma casa para morar em Londres. Conversei com meus pais e amigos, me despedi e me mudei para Londres com o meu pequeno menino de seis anos. Minha vida ia começar de novo e eu nem sabia o que me esperava, a não ser muitos paparazzi e , a atual namorada de .



Capítulo 2



Chegamos em Londres depois de algumas horas de viagem, um frio de arrepiar os ossos nos esperava, pois era inverno naquele lado do mundo. Chegando ao aeroporto, fiz colocar seu casacão preto (contra a vontade dele) e uma toca.
- , meu amor, quer, por favor, colocar o casaco e a toca?! Está frio lá fora, tem neve e você vai congelar, com certeza. Por favor?
- Não! - ele respondeu, se debatendo na poltrona do avião.
Esqueci de dizer que o meu filho não é uma criança muito comportada, é uma peste, pra dizer a verdade. Não é bem comportado, às vezes preciso dar uns gritos com ele para fazê-lo me obedecer, mas quando preciso, ele é sempre o primeiro a se oferecer para ajudar.
- Tá certo, então, se você não colocar o casaco e a toca, nós não vamos sair do avião e você não vai ver seu pai. – o ameacei, às vezes isso era necessário para fazê-lo colaborar.
- Ah, mãe... – ele insistia, mas eu era firme com ele.
- Agora, !
Ele colocou o casaco e nós descemos do avião. A aeromoça, muito gentilmente, deu ao meu filho uma daquelas asinhas de comandantes que ele havia lhe pedido horas antes. Com alegria, ele pegou o presente, prendeu na roupa e foi desembarcando do avião.
Chegamos ao grande salão do aeroporto e vi e a namorada de óculos escuros e grandes casacos esperando por nós. , no momento que viu o pai, saiu correndo, atropelando quem quer que estivesse em seu caminho enquanto eu gritava para que ele parasse e corria atrás dele pedindo desculpas à todos que ele tinha atropelado.
- Não faça isso de novo, rapazinho! – puxei a orelha dele de leve. – Oi, . Oi, ? É um prazer conhecê-la. – estendi a mão simpaticamente para ela e nos cumprimentamos agradavelmente. me puxou para um abraço.
- Estava ansioso pela chegada de vocês. Vamos? Vou levá-los para a nova casa de vocês. – pegou no colo e seguimos para fora do aeroporto, onde um bonito carro nos aguardava, o carro de .
Durante todo o trajeto, fomos conversando sobre a viagem e sobre como Londres era bonita. estava tão maravilhado com as paisagens ali, e ia conversando alegremente com o pai, matando as saudades. Eu já sabia alguma coisa de inglês quando saí com pela primeira vez, mas aprendeu durante esses cinco anos tendo que se virar para conversar com o pai, e ele falava fluentemente as duas línguas agora, português e inglês, com apenas seis anos de idade.

Chegamos na nova casa. Um pequeno chalé em um bairro tranqüilo de Londres, admito que não é muito perto do centro, mas a vizinhança é boa e a casa é muito aconchegante. Feita de madeira maciça, com uma escada levando até a porta de entrada. A casa contém, no andar de baixo, uma sala grande com lareira logo na entrada, e mais ao fundo um lavabo e uma cozinha completa, com armário em cima e embaixo e uma bancada no meio, tem um bom tamanho, é até grande para duas pessoas, ou uma e meia. Uma escada em espiral parte da sala levando até o andar superior, onde tem uma pequena salinha de recepção para três quartos e um banheiro, os dois quartos são do mesmo tamanho, mediano, e o outro, que inicialmente pensei ser um quarto, era uma suíte, que eu logo assumi como meu quarto.
A casa toda era feita de madeira, por dentro e por fora, e não tinha pintura alguma, o toque final era dado pelos móveis novos e bem adaptados àquela casa, não dava impressão de velho, dava a impressão de não-moderno. A cozinha, por exemplo, tinha as bancadas de madeira boa e com detalhes contemporâneos, fogão e geladeiras pareciam ter sido recentemente comprados e a pedra que revestia os armários era granito preto. Na sala, encontramos sofás brancos e com ar convidativo, faziam um L, a estante de livros e a estante de TV também eram de madeira e estavam em perfeita harmonia com a lareira de pedra no canto da sala. As camas no andar de cima eram embutidas na parede e também eram de madeira, tal como os armários e penteadeiras. Os banheiros eram brancos, inclusive o lavabo. É claro que aquela casa era toda escura e eu teria que dar um jeito de torná-la mais clara, mas por ora, era mais que suficiente.
Depois de descarregarmos as malas e “escolhermos” os quartos, descemos a fim de conversar com o casal lá embaixo e ver se haviam planos para a nossa chegada, e é claro que haviam.
- Bom, , minha mãe está louca para conhecer vocês, se importam de jantar na casa dela para eu apresentá-los à família? – estávamos cansados, mas eu sabia que isso aconteceria, então aceitamos.
- Ah, é claro que vamos, não é, ? – ele aceitou fervorosamente.
- Certo, passo aqui para buscar vocês por volta das 6:30, pode ser?
- Combinado!
- Ah, aqui estão suas chaves.
Os dois saíram e nos deixaram a sós em nossa nova casa. A casa estava limpa, por isso, não precisamos fazer absolutamente nada quanto a isso. Como já eram quase cinco e meia, dei banho no , vestindo-o com uma calça jeans e um grande casaco verde, um cachecol xadrez, tênis e a toca que ele não gostava de usar. Em seguida fui tomar banho, não pude demorar o tempo que gostaria, mas foi bem relaxante mesmo assim, vesti uma calça jeans também, botas pretas por cima da calça e um sobretudo branco acompanhado de um cachecol bege com riscas brancas, verdes e vermelhas. Minutos depois, buzinou na frente da casa, estava na hora.
- Vamos, , seu pai já chegou. – parei na porta e estendi a mão para ele.
Entramos no carro, cumprimentamos e a namorada, e nos sentamos no banco de trás. brincava com o cachecol e eu pude ver que ele estava inseguro, não conversava, apenas brincava com o cachecol. Tentei conversar com ele, mas foi em vão.
Chegamos à linda casa dos . Era grande, branca e com grandes janelas de madeira escura, uma varanda vasta. O jardim branquinho devido à neve, era grande e havia uma árvore do lado oposto à garagem. Mas isso era só a frente da casa. Segurei a mão de e comecei a caminhar até a porta, logo atrás de e , mas o garoto não me acompanhou.
- Filho, o que houve? – abaixei na frente dele e o vi morder o cachecol. – Podem ir na frente, eu vou conversar com ele e já entramos. – entrou na casa e disse que esperaria do lado de dentro da porta, para entrarmos juntos.
- Eu não quero ir lá, mãe... – ele olhou pra mim com os olhos cheio de medo e eu quase peguei o carro e o levei de volta, mas teria que ser firme.
- Por que não? – perguntei, segurando as pequenas mãos do meu filho.
- Eu tô com medo...
- Medo de quê? Você não precisa ter medo, eles são como a vovó e o vovô lá no Brasil, vão gostar de você da mesma forma e você vai gostar muito deles.
- Eu sei, mas ainda tô com um pouquinho de medo, mas só um pouquinho. – ele aproximou os dedos indicador e polegar, dando a ideia de pouco.
- Então vamos fazer o seguinte: eu vou estar do seu lado o tempo todo, quando você não quiser responder, apenas esconda seu rosto em mim e caso se senta mal, me avise e nós iremos embora, ok? – ele fez um joinha para mim e batemos na porta, a abriu e nos convidou para entrar.
- Tá tudo certo? Ele tá bem? – ele perguntou no meu ouvido e eu apenas respondi que sim.
nos levou para o salão de festas do quintal e nos apresentou a toda sua família. Tios, tias, avô, avós, mãe, irmã, primos e primas, todos estavam lá. Após as devidas apresentações, me sentei em uma cadeira por ali e fiquei olhando brincar na neve com algumas crianças, filhos dos primos dele ou sei lá, de repente, senti que alguém se aproximava e quando olhei, pude ver a mãe de se sentar ao meu lado.
- Ele é lindo... – ela comentou para puxar assunto, eu acho.
- Eu sei... – suspirei, ainda olhando para o garoto brincando. – E não é incrível como ele é tão parecido com o pai? Não tem nada meu ali.
- Isso não é verdade, os olhos definitivamente são seus. – ela sorriu, se virando para mim.
- Engano seu, se olhar bem, todo o formato do olho dele parece com o , apenas a cor é minha, e ainda mesclada. E é assim agora, quando nasceu, tinha os olhos azuis como os do seu filho.
- É, pode ser, não tive tempo de reparar bem nisso... – ela voltou a olhar para . - Mas vejo que tem feito um trabalho muito bom, ele parece educado e bem comportado.
- Outro engano seu, ele só é bem comportado na frente de gente que ele conhece pouco, primeira impressão.
- Oh! Então ele, definitivamente, é parecido com ! – rimos. – Ele costumava ser igual quando criança, mas não se culpe, o erro é genético, não educacional...
- Ah, ok, melhor assim...
- Mas me fale de você, disse que é médica, que tipo de médica? Você é tão jovem...
- Obrigada! Por ora, sou clínica geral, não decidi minha especialidade ainda. E estou procurando emprego, então se souber de algum hospital que precise, ficarei feliz em servir.
- Sim, aviso. Está sendo muito difícil se acostumar com o clima daqui? Para quem mora no Brasil, deve ser muito diferente.
- Ah, é, lá tem muito sol, calor, o inverno costuma ser frio no sul, onde eu morava, mas não chega nem aos pés do inverno daqui, e raramente neva, então, está sendo bem difícil de me acostumar, mas olha o , parece que sempre morou aqui, está tão à vontade.
- Isso é bom, acredite, , vocês irão se acostumar muito antes do que imagina. - ela se levantou, preparando-se para sair dali. - Vou ver o resto da família, mas sinta-se em casa. - ela se voltou para o pessoal e caminhou até eles, já tinha feito o social da festa comigo, era hora de dar atenção aos outros convidados.
A “festinha” foi ótima, todos adoraram e ele adorou todos também. Ganhou vários presentes e fez vários amiguinhos, ele é realmente muito sociável. Mas já estava tarde e era hora de ir embora, por isso, chamei num canto e lhe disse que íamos embora, mas que ele não precisava nos levar, poderíamos chamar um táxi ou sei lá.
- É óbvio que não, eu levo vocês, vou para casa também, só me deixe chamar a .
- Ok! - olhei para o lado e estava ali. – Filho, vamos embora agora, certo?
- Ah, mãe! Tem que ser agora?
- Tem, está tarde e não seja brigão agora, está bem?
- Eu não sou brigão. – ele fez um bico e eu passei a mão na cabeça dele, segurando-lhe a mão em seguida, quando e chegaram.
- Vamos? – eles perguntaram.
- Vamos! – respondi.
Nos despedimos das pessoas rapidamente e fomos para casa. No caminho, dormia, estava cansado, e eu ouvia o pai dele brigar com a namorada no banco da frente.
- Você nem entrou comigo, , você me fez entrar sozinha lá, e quando chegou, você simplesmente sentou com seus tios e primos e me jogou pra escanteio, me levou pra quê?
- Você pediu pra ir! E eu quis entrar com o meu filho, será que é tão difícil pra você aceitar isso? Eu não te joguei pra escanteio, só achei que você se desse bem o suficiente com a minha mãe para ficar e conversar com ela.
- O quê? Eu tolero a sua mãe, mas as suas tias são simplesmente insuportáveis! – nossa, ela foi longe agora, falar que “tolera” a mãe é demais, na minha humilde opinião.
- Você tolera a minha mãe? Você tolera?
- E você achou que nós fossemos super amigas?! Eu finjo gostar da sua mãe porque você quer assim, e talvez por isso ela também FINJA GOSTAR TANTO DE MIM! - ela gritou a última parte, acordando e fazendo ficar ainda mais bravo. Abracei meu filho e o impedi de se manifestar, isso só causaria mais briga.
- ELA NÃO FINGE!
- Ah, é claro, porque a sua mãe é incapaz de fingir, não é? Vê se cresce , sua mãe me odeia e eu sou feliz assim, porque eu também odeio ela!
- Por que você insiste em ir a casa dela toda vez que eu vou, então?
- Porque eu sei o quão suas primas são taradas e não quero que você caia em tentação.
- Ah, agora as minhas primas são taradas? – Ai, que saco! Eita, onde está nos levando?
- Com licença? – perguntei interrompendo, arriscadamente, a briga.
- O QUÊ? – eles gritaram em resposta, UOU!
- Desculpe, mas pra onde estamos indo? Esse não se parece com o caminho de ida, se me permite dizer...
- Oh, oh, me desculpe, acho que esqueci que vocês estavam aí atrás e peguei o caminho de casa, vou fazer a volta e...
- Ah, você vai fazer a volta e levar dois anos até chegar ao maldito bairro onde você os enfiou? Tá escuro, sua gasolina tá na reserva por causa do tempo que você levou pra chegar na porcaria da casa do seu filho e depois da sua mãe, que ficam lá na PQP de Londres, acha mesmo que consegue ir e voltar? – fechou os olhos e respirou fundo, se contendo para não dar outra patada na namorada.
- Me desculpe, , ela não quis falar isso, só está chateada por sei lá o quê... Mas, realmente, acho que não vai dar pra ir e voltar, se importam de dormir lá em casa? Amanhã cedo levo vocês de volta, pode ser?
- Ah, ok, eu acho.
- Que bom, porque nós chegamos. – desci do carro com no colo, o garoto dormia tranqüilo novamente. O casal desceu discutindo, ou continuando a discussão.
- Que ótimo, ela vai dormir aqui? Vai dormir onde, ? Na sua cama? - agora até eu rodei? Caramba, esse casal precisa de ajuda urgentemente.
- Chega! Eu me recuso a ficar te ouvindo falar esse monte de porcaria, entra na casa e fica quieta, daqui a pouco eu entro, e se não for muito trabalho, deixa meu travesseiro pra fora, não vou dormir com você.
- É claro que não... – ela entrou na casa ainda resmungando. respirava fundo, tentando se acalmar, então me olhou pedindo desculpas e eu fiz que sim com a cabeça, mas virei às costas e caminhei para fora dali com meu filho no colo. Precisava apenas de um táxi para voltar para minha pequena casinha.
- Aonde você vai? – senti mãos firmes agarrarem meu ombro e me virarem, sabia quem era, por isso, fiquei tranqüila. – Você pode ficar aqui, .
- Não, eu não posso! – suspirei e continuei. – Não quero estar aqui quando acordarem... Me desculpa.
Parei o táxi que estava passando e indiquei meu endereço, me despedindo de em seguida e ouvindo o ronco do motor do táxi. O caminho foi infinitamente mais tranqüilo, sem gritos, sem patadas, sem briga, e , dormia como um anjo, eu nunca entendi como ele sempre foi capaz de dormir com barulho, acho que ele é o próprio barulho, por isso não se sente intimidado, é a minha teoria.
Chegamos em casa. Paguei o táxi, peguei no colo (com dificuldade) e segui com ele até a porta, com algum esforço, consegui abri-la e entrar. Respirei fundo, e liguei um abajur que ficava na mesinha ao lado do cabide, coloquei meu filho no sofá, pendurei meu casaco e rumei para o andar de cima, a fim de arrumar a cama para dormirmos. O quarto estava desesperador: malas para todos os lados, toalhas jogas na cadeira da penteadeira, as portas do guarda-roupa abertas, secadores de cabelo, maquiagens, escovas e malas de mão espalhadas pela cama, uma bagunça só, teria que dar um jeito nisso, mas só amanhã, naquela hora eu só queria dormir.
Tirei as roupas de cama e as cobertas de uma das portas do guarda-roupa, e sua mãe abasteceram a casa com toalhas e roupas de cama, tal como cobertores, edredons e colchas. Aprontei a cama mal e porcamente, estava com tanta pressa de deitar e dormir, que nem me importei com tais banalidades. Fui buscar o e carreguei-o para o meu quarto, ele dormiria comigo, pelo menos hoje. Troquei suas roupas e o cobri, depois fui ao banheiro, escovei meus dentes, vesti um pijama e me deitei ao lado dele, havia sido um dia cansativo, eu precisava desesperadamente dormir.



Capítulo 3 – Três meses depois



- ALGUÉM PODE ATENDER O PS? QUEM É O MÉDICO DE PLANTÃO?
- É o Dr. Ben, ele ligou dizendo que se atrasaria e pediu para você assumir por ele...
- O quê? Nancy, eu não posso assumir, fiz plantão ontem e antes de ontem. Não tem mais nenhum médico que possa assumir o PS?
- Aqui... não.
- Droga.
Pouco depois da mudança, arrumei o emprego de clínica geral no Hospital de St. Mary, um famoso hospital de Londres. Desde então, venho trabalhando e fazendo plantões adoidados para ganhar algum dinheiro e comprar um carro. fica um pouco abandonado em relação a mim e sente minha falta tanto quanto eu sinto a dele, mas eu realmente preciso trabalhar e ele entende.
Nancy é uma das enfermeiras do hospital, uma garota gentil e prestativa, e sempre me socorre quando preciso de ajuda. Dr. Ben é um clínico que geral, assim como eu, a diferença é que se a prima de terceiro grau dele estiver de aniversário ele não vem trabalhar, avisa na última hora e nós temos que nos virar. Tem também a Dra. , uma ótima obstetra, uns dois anos mais velha do que eu, ela já fez sua especialização e foi muito bem recomendada, nos tornamos grandes amigas quando cheguei aqui, e ela me cobre quando preciso, atuando como clínica geral, mas só em emergências.
Minha casa, que há três meses estava uma bagunça, está em perfeita ordem agora, pintei as paredes por dentro, fiz um jardim bonito (que ainda está florescendo), e dei uma retocada, já que a casa era muito antiga. Ela agora está mais clara e me sinto melhor ali.
está na escola, afinal ele já tem seis anos, idade mais que suficiente para se estar na escola, o que me dá mais tranqüilidade. Joan é sua babá, ela o busca na escola e o leva para casa, esperando eu chegar para ir embora, e ao que parece, eles se dão muito bem. Meu filho é apegado ao pai e a avó, demais, e eles também o adoram e sempre nos visitam ou nos chamam para uma visita. E ? Bom, ela e ainda estão juntos, entre tapas e beijos, mas estão, e eu evito deixar perto dela, sinto que ela não gosta dele. Não que eu ache que ela vai fazer mal para ele, mas é bom prevenir, certo?
- Joan, vou pegar outro plantão, pode ficar com o ?
- Oh, , eu tinha combinado de sair com uns amigos, você disse que não faria plantão hoje..
- Eu sei, Joan, eu sei. Mas faça o seguinte, agasalhe bem ele e o leve para a casa da avó, eu ligo pra ela e aviso, assim você pode sair com seus amigos, me desculpe.
- Desculpa, eu...
- Não tem problema, só faça isso, ok?! Bom, obrigada, tchau.
É claro que liguei para a mãe de , avisando que a babá deixaria o neto dela com ela, e ela ficou radiante.
- ACIDENTE DE CARRO! PRECISAMOS DE AJUDA AQUI! – ih, caramba, não sei se tem cirurgiões de plantão hoje...
- Dra. , precisamos que atenda a vítima que está chegando, por favor! – o paramédico pediu, levando a primeira vítima rapidamente para dentro das salas de cirurgia.
- Ok! – vou lá fora, assim eles já me dão as informações necessárias. – O que aconteceu?
- Acidente de carro. Nome: Michele Smith. Colisão de carros, ela e o marido estavam dentro do carro que capotou. Pressão estável e altas freqüências cardíacas, fratura na perna esquerda. – outro paramédico me deu as informações enquanto corri para uma sala e comecei a examinar a paciente, que estava desesperada.
- ONDE ESTÁ O MEU MARIDO? O QUE ACONTECEU COM ELE? QUERO VÊ-LO E...
- Sra. Smith, queira se acalmar, por favor, preciso fazer os exames necessários, seu marido está sendo muito bem cuidado e logo teremos notícias dele, agora, pare de se debater e me deixe fazer o meu trabalho, por favor!
- NÃO MANDA EU ME ACALMAR! EU NÃO QUERO ME ACALMAR, SÓ QUERO O MEU MARIDO, E EU VOU PROCURÁ-LO AGORA! SAI DA MINHA FRENTE! – segurei os braços dela com força, fazendo com que ela gemesse de dor, mas permanecesse sentada.
- ACALME-SE MICHELE! Logo teremos notícias do seu marido e você o verá, agora sente-se aqui e colabore comigo pra que isso aconteça o mais rápido possível, do contrário, terei que sedá-la, estamos entendidas?
Ela não me respondeu, e nem precisou, eu sei que ela se convenceu. Nada na cabeça, nenhum traumatismo, apenas a fratura na perna, que ela teria que engessar.
- Nancy, venha cá! Dê analgésicos e a coloque para dormir, assim ganhamos tempo para quando o marido sair da cirurgia.
- Sim, doutora!

Dia difícil no trabalho? Precisava ver quantos casos chegaram, vários casos de gripe, alguns acidentes envolvendo bicicletas e uns dois casos de asma. Por fim, estava no táxi, indo buscar meu filho que estava na avó, e já são 4:00 da manhã.
- Obrigada, senhor. – paguei o táxi e caminhei até a entrada da casa.
- Olá, querida! – a gentil senhora abre a porta. – está dormindo tão tranqüilo no antigo quarto do , que eu ficaria triste de ter que acordá-lo para ir embora, você pode dormir aqui, assim conversa com o meu filho...
- está aqui? O que ele faz aqui?
- Brigou com a namorada... de novo! – ah, não! E eu com esse cansaço todo... não!
- Tá, vou dormir aqui mesmo, amanhã vou ter folga, graças a Deus!
- Certo, vou arrumar sua cama, está na cozinha, vai lá falar com ele.
Ai, onde eu fui amarrar meu burrinho? Mal cheguei, estou morrendo de cansaço, e ainda tenho que ir lá dar uma força ao pai do meu filho que brigou com a namorada, eu não mereço isso, já ouvi reclamações demais, acabou minha cota do dia.
- Oi, fossa! – cumprimento super animador.
- Oi...
- Soube que brigou com a , de novo! – ele só assente com a cabeça. – Me explica por que ainda está com ela? Vocês brigam tanto, e embora você diga que não, eu sei que eu e o temos parte nisso, ela não esperava que o seu filho viesse morar aqui, esperava?
- Ah, eu não sei, eu gosto dela, mas essas brigas estão ficando cada vez mais constantes, não tá dando pra agüentar. Sem contar que os caras estão chateados com essas brigas, ela chega no estúdio fazendo barraco, e agora que a sua publicidade tá maior que a dela, afinal você é a mãe do filho de um McFly, ela está com ciúme e eu tô me arrependendo de ainda estar com ela.
- Vamos fazer o seguinte: eu não ouvi uma palavra do que você disse, por tanto, vamos dormir e amanhã nós saímos e conversamos. Pode ser? – ele ria sem humor.
- Pode ser sim, você deve estar cansada demais para ouvir esse tipo de coisa.
- Me desculpe.
Saí da cozinha e caminhei em direção ao banheiro no quarto em que meu filho dormia, antes de entrar efetivamente no banheiro, dei um beijo nele. Tomar banho é tão bom, tão relaxante, meus ossos ficavam cada vez menos doloridos com a força da água que jorrava do chuveiro. E se tomar banho já é tão bom, imagine dormir, é perfeito!

Ao acordar no dia seguinte, senti uma leveza por todo o meu corpo, todo o cansaço se evaporou como num passe mágica, e todo o estresse que eu sofri durante toda a semana tinha sumido, com uma simples e tranquila noite de sono. Mesmo que o hospital precisasse de mim, eles não me ligariam, os recepcionistas de lá não teriam coragem, já que não me viram sair de lá por pelo menos 45 horas.
Levantei tranquila e fui ao banheiro. Quando saí de lá, vestindo uma camiseta dos Beatles e uma boxer do , o vi colocando algo em cima da cama.
- Tá fazendo o que aí? – perguntei, o assustando. – Desculpa, não quis te assustar.
- Tudo bem, é só que... – notei o olhar intenso sobre as minhas pernas descobertas e fiquei constrangida, ele percebeu e ficou também. – Desculpe, é só que a minha mãe me mandou entregar essas roupas para você, são da minha irmã.
- Ah, obrigada! Agradeça a sua mãe por mim. – esperei que ele saísse do quarto, mas ele não saiu. Apenas prendeu seus olhos nas minhas pernas de novo. – Ãhn, ? Aqui em cima, pode me dar licença?
- Oh, me desculpe! Desculpa mesmo... – ele saiu completamente envergonhado do quarto e finalmente deixou eu me trocar.
As roupas da irmã dele me serviram direitinho, era uma calça jeans comum, um all star branco e uma blusa de manga 3/4 compridinha, também branca. Desci as escadas e fui direto até a cozinha, onde um café da manhã esperto estava preparado e já estava servido, juntamente com o pai.
- Bom dia! - dei um beijo no meu filho e sorri para , perguntando em seguida. – Cadê a sua mãe?
- Foi à feira. Algo sobre verduras fresquinhas... – ele revirou os olhos. – E vocês? Vão ficar pro almoço?
- Estamos tomando café e pensando no almoço? Precoce, não acha? – perguntei sorrindo.
- Não conheço essa palavra, não tenho nem ideia do que ela significa!
- Ai, que engraçadão! – sorri irônico para ele, que me deu um sorriso esperto, cheio de segundas intenções, nem parecia que tinha brigado com a namorada na noite passada.
- O que é precoce, mãe?
- Vai lá, explica pro garoto!
- Ai, como você é ridículo, ! – rolei os olhos. – Precoce é uma coisa que acontece antes do tempo, por exemplo: se você ganha um presente de natal antes do Natal, o seu presente é precoce, entendeu?
- Ah!
- Mas as pessoas não gostam do precoce, então não fale muito por aí, está bem?
- Tá bom. Posso sair da mesa?
- Pode, pode sim.
se levantou da mesa e foi assistir televisão na sala enquanto eu e ainda comíamos. Na verdade, ele estava me olhando comer e aquilo me incomodava.
- Tudo bem se você parar de me olhar comendo. – ele sorriu, se divertindo, e continuou olhando, como se eu não tivesse dito nada. – Tudo bem mesmo!
- Desculpa... É que estou com tantas coisas na cabeça que nem sei...
- Quer conversar? – sugeri.
- É que eu não consigo me entender com a . Tudo que eu faço ela critica, se eu chego um minuto mais tarde, ela já briga, já desconfia. Sabia que ela cancelou as viagens com as amigas por medo de eu trair ela ou coisa parecida? As amigas dela me odeiam, acham que eu sou o possessivo e é bem ao contrário. Eu queria que ela desgrudasse, pelo menos um pouco, de mim! – ele desabafou.
- Eu não queria ser a pessoa a te dizer isso, mas você devia terminar com ela. – ele levantou os olhos da mesa, como se não esperasse tal sugestão. – Os meninos me ligaram, me ligou, ele disse que você andava longe dos ensaios, que não estava dando atenção à banda. Pensou ter algo a ver com o , mas quando eu disse que estava tudo bem, ele se preocupou, eles estão se perguntando se você ainda quer continuar na banda, se não está pensando em sair.
- Por que ele não veio falar comigo? E eu não ando longe dos ensaios, estou em todos eles!
- Você está lá, mas de corpo presente, a sua cabeça está nos problemas que terá quando voltar pra casa. – suspirei e o vi abaixar a cabeça e escondê-la nas mãos. - Olha, você sabe que eu quero o melhor pra você, não sabe?
- Sei... Mas eles não tinham o direito de vir te incomodar com qualquer coisa, deviam ter falado comigo!
- O seu relacionamento com ela está desgastado, e eu vir morar pra cá com o só piorou tudo. Você está sempre distante, sempre pensativo, sempre com cara de cansado e sempre brigando com ela, você não era assim, admita! Quando eu te conheci, a banda era o que mais importava pra você, agora ela está em segundo plano, sem contar que você, assim como a , deixou de fazer turnês com seus amigos a pedido dela. Namoradas vêm e vão e, de repente, vocês podem voltar e recomeçar mais tarde, mas não acha que está na hora de se concentrar na sua banda de novo?
- Você não entende, nenhum de vocês entende. Ela pode ser fresca e metida, mas eu gosto demais dela pra deixá-la assim. Eu não vou terminar com ela, nós vamos voltar e ficar bem, como sempre conseguimos. Eu vou voltar para casa, ela vai estar me esperando, eu vou abraçá-la e beijá-la, depois vai rolar um sexo de reconciliação e nós vamos voltar, firmes e fortes!
- E você quer esse relacionamento instável?
- Já fez sexo de reconciliação? É um dos melhores! - levantou sorrindo e pegou as chaves do carro. – Vou para casa, minha namorada me espera!
Ele se despediu do filho e saiu porta afora, sem mais nem menos, e no fundo do meu coração, eu sabia que isso não ia dar certo.



Capítulo 4



O foi mesmo atrás daquela piranha? Será que ele não consegue perceber que ela faz mal pra ele? Ei, isso não é uma crise de ciúme nem nada parecido, eu só estou preocupada com o que pode virar a relação dele com o se ele continuar com ela. Quero dizer, ele não tinha faltado às obrigações de pai, sempre comparecia aos jogos de futebol e peças de teatro da escola (às vezes mais do que eu, detesto admitir), mas nós mudamos para Londres para que nada o distanciasse do filho, e no entanto... Ah, nem sei mais do que eu estou reclamando, só sei que não gosto dela e pronto!
Resolvi ir para casa, locar um filme e fazer pipoca para assistir com o , afinal, era o nosso dia e eu faria de tudo para que ele fosse especial e compensar a falta que estava fazendo. Esperei a mãe do voltar e tomei um táxi, no caminho, e eu conversávamos sobre os filmes que iríamos locar:
- Eu gosto de Power Rangers, mãe! – ah, bons tempos em que faziam desenhos de verdade, ainda bem que meu filho gosta dos mais antigos também, tipo Tartarugas Ninjas e outros. Sorri.
- Eu prefiro Dragon Ball, se for desenho assim. Mas, na verdade, eu gosto de Madagascar, Era do Gelo, Procurando Nemo, Espanta Tubarões...
- Ah, esses são pra garotinhas. – ele respondeu em tom mais adulto do que lhe correspondia. – Bom mesmo é Jurassic Park, De Volta para o Futuro e Star Wars!
- É, só que esses você tem em casa, mocinho. Trate de escolher algum que você nunca assistiu, certo? – sorri novamente e baguncei seus cabelos enquanto descíamos do carro.
Caminhamos para dentro da locadora e o táxi ficou esperando. procurou diversos filmes na prateleira, demorando para encontrar um que lhe agradasse, eu disse um? Não, foram três: Megamente, Como Treinar Seu Dragão e Lenda dos Guardiões.
- Quero ver você agüentar assistir todos esses filmes!
- Preciso assistir todos hoje? – ele me olhou preocupado e eu ri.
- Não, pode deixar uns pra amanhã. – peguei a sacolinha, o encaminhei para fora da locadora e entramos no táxi.
O taxista conseguiu despistar todos os fotógrafos que nos abordaram na porta. Parasitas, sempre querendo uma foto do filho de ... O que mais me agrada é que as fãs gostam de mim, ao contrário das namoradas dos meninos. Nunca fui maltratada, nem xingada, sempre tive o apoio delas para tudo e algumas ainda torciam pra que eu acabasse ficando com o , principalmente as brasileiras. Mas o que eu ia dizendo? Ah, sim, chegamos seguros em casa e fotógrafo nenhum sabia onde morávamos, pelo menos por enquanto.
Ouvi o estômago de roncar e sorri, já era tarde. Fui até a cozinha e procurei nos armários e geladeira o que havia para comer, mas não havia absolutamente nada, meus armários estavam vazios e gritavam por mercado. Por ora, contentei-me em pedir dois lanches com batata e refrigerante do Burger King, o atendimento de entrega deles é ótimo aqui!
Sentei com meu filho e ficamos assistindo qualquer desenho até a comida chegar, e quando ela finalmente chegou, comemos com vontade e velocidade de tanta fome. É, eu sei que eu, como médica, devo ensinar ao a comer devagar, mas que se dane, estávamos com fome e eu não estava de jaleco branco.
Então o garoto foi brincar um pouco e eu fui arrumar a cozinha. Terminava de fazer a lista de compras quando o telefone tocou.
- Oi. – atendi prontamente, escrevendo “maçãs” na lista.
- , é você?! – português. Tirei o telefone da orelha e o encarei por alguns instantes, surpresa.
- Sim, sou eu. Quem fala? – perguntei incerta.
- Nossa, três meses e já não reconhece a minha voz, piranha?!
- AAAAAAAAAAAAH! ! – gritei ao telefone e comecei a pular, logo estava ao meu lado sorrindo sem saber ao certo de quê.
- É a tia ? – perguntou, fiz que sim com a cabeça e continuei pulando na cozinha.
- Acalme-se, mulher, sua saudade não vai durar tanto tempo. – breve pausa de ambas as partes. – Estou indo passar uns meses com você, chego depois de amanhã.
- O quê? Como assim chega depois de amanhã? – me perdi, ela não tinha que trabalhar e etc.?
- Nossa, pensei que você fosse ficar feliz... – ela tentou fazer um doce, mas eu estava tão em choque que não dei atenção. Por fim ela tornou. – Tem problema?
- É claro que não, só fiquei chocada com essa decisão tão repentina. O que te levou a ela?
- Então, é que eu larguei aquele emprego que me pagava tão mal. – pausa tensa enquanto eu absorvia que ela estava desempregada. – Consegui um visto de seis meses e vou pagar a passagem com as economias, mas vou precisar de você depois que chegar... – sabia que ia sobrar pra mim, ainda bem que ela era muito minha amiga e eu seria incapaz de matá-la.
- Tá bom, arrumamos um emprego pra você na Inglaterra... – sorri ao imaginar a cara que ela estaria fazendo do outro lado. – Que horas você chega?
- Ahn, acho que por volta das três da tarde... – droga! Vendo que eu não disse nada, ela tornou. – Algum problema?
- Vou estar trabalhando, . Sinto muito.
- Tudo bem, você me passa o endereço da sua casa e eu pego um táxi até lá, sem crise. – pude notar pelo tom de sua voz que ela sorria.
- Não, vou fazer melhor. – num momento de clareza, tive uma ideia tremendamente agradável para ambas as partes. – Vou pedir ao para ir buscá-la no aeroporto.
- Não! – ela quase gritou. – Isso é sério? Não quero incomodar ninguém.
- Ele não vai se incomodar, fique tranquila. Despedi-me dela pedindo que mandasse beijos aos meus pais e desliguei o telefone.
- , a tá vindo depois de amanhã para passar um tempo com a gente, não é incrível? – contei a novidade e ele saiu pulando feliz, adorava a tia .
Agora sério, que surpresa ela estar vindo para cá assim do nada. De repente decidiu largar o emprego e vir para cá, acho que ela não quis me contar por telefone, mas tinha coisa por trás dessa história e eu precisava saber o que era.
Lembrei que não tinha nem pipoca em casa, tinha que ir ao mercado. Subi as escadas até o meu quarto e tomei aquele banho gostoso que não tinha tomado na noite anterior, relaxante, revigorante. Depois me sequei e fui até o guarda-roupa procurar o que vestir. Era fim do inverno londrino, mas ainda estava tremendamente frio, por isso calcei logo uma calça jeans skinny preta e uma bota de salto e cano alto preta, vesti uma blusa vermelha e um vestido de lã por cima, xadrez em vermelho e preto, com botões pretos que fechavam até o meio das coxas. O acabamento foi numa maquiagem simples de pó, rímel e gloss, deixei os cabelos recém escovados soltos e coloquei uma toquinha vermelha. Estava pronta.
Desci e fui chamar , que entrou no chuveiro rapidamente enquanto eu arrumava uma roupa para ele vestir. Caminhei até o armário e tirei de lá uma calça jeans e um blusão de neve azul marinho, também peguei as botas de neve pretas e um moletom branco para por embaixo do blusão, afinal, mesmo com o blusão ficaria frio. Dessa vez não exigiria que ele usasse toca, já que ele não gostava nenhum pouco dela e eu também o preferia sem.
- , sua roupa está em cima da cama, se vista depressa que eu vou conferir minha bolsa, qualquer coisa chama, está bem? – gritei para ele que acabara de desligar o chuveiro.
- Tá, mãe! – ele gritou de volta.
Sentei na sala e comecei a conferir se os cartões, o celular e etc, estavam na bolsa. Mal terminei de olhar e a campainha tocou.

entrou assim que eu abri a porta, sem pedir licença, mal me cumprimentando. Notei que ele não estava bem, seus olhos vermelhos indicavam que havia chorado minutos antes, e por mais que eu soubesse exatamente o porquê, queria ouvi-lo dizer. Ah, o doce som da razão. Não é que eu torcesse para ele quebrar a cara, mas sabia que isso ia acontecer, sempre acontece, desde que eu entrei na vida dele isso sempre acontece, e admitindo isso, talvez eu soubesse o que devia fazer, porém, não conseguiria afastar meu filho dele e muito menos eu do meu filho, éramos um pacote só.
O homem sentou no sofá e eu o acompanhei, ainda estava no andar de cima, arrumando-se. Dei algum tempo para que ele começasse a falar, eu era como uma psicóloga dele e não conseguia me desfazer disso, embora precisasse.
- Você tinha razão, a coisa toda desandou quando vocês vieram morar aqui... – ele, que antes estava com a cabeça baixa, levantou e olhou em meus olhos, com os seus olhos marejados.
- Ela o fez escolher entre ela e nós? – perguntei conhecendo a resposta. se limitou a balançar a cabeça negativamente.
- Ela me fez escolher entre ela e você... – eu? Mas o problema todo não era ele ter um filho? O que eu tenho a ver com a bagunça? – Ela sente ciúmes de você, era esse o problema o tempo todo, não é com o , é com você.
- Mas... – fiquei sem palavras por um instante. – , eu e o somos um pacote só.
- Eu sei.
- Não vou me separar dele, não vou mantê-lo longe de mim por capricho da sua namorada. – estava entrando em desespero, o que ele queria fazer? não vivia sem o filho.
- Eu sei e não estou te pedindo isso. – ele levantou a cabeça mais uma vez, olhando-me novamente e secando minhas lágrimas, eu brutalmente tirei sua mão do meu rosto. - E o que pretende então? Se afastar do ? Você nos trouxe para cá, foi por causa de vocês dois que eu larguei minha vida no Brasil, não é possível que você seja egoísta o suficiente para escolher sua namorada ao invés do seu filho. , namoradas vão como o vento...
- Eu não vou me afastar dele, vou me afastar de você. – ok, isso foi como uma anestesia que deu parcialmente errado, onde eu posso ver e sentir a cirurgia acontecendo, mas não posso gritar para pararem. Tentei controlar o choque e tornei.
- Como pretende fazer isso?
- Nós podemos combinar de o ficar comigo nos fins de semana, aí você leva ele para a casa da minha mãe e eu passo lá para buscar, assim nem precisamos nos ver. – o jeito com que ele falava me fazia acreditar que estava conformado com a decisão, que nem cogitava outras opções e aquilo me doía profundamente, ele era um dos meus melhores amigos aqui.
- Simples assim? – perguntei engolindo o choro. – Você acha que eu vou deixar aquela louca cuidar do meu filhinho?
- Não fala assim, , ela não é louca, e gosta muito do . Tenho certeza que ele deve gostar muito dela também, nós vamos cuidar bem dele. Sabe que eu nunca faria mal pra ele.
- Ele não gosta dela. – respondi simplesmente.
- Como você sabe? Ele disse alguma coisa a você?
- Não, mas eu sei quando ele não gosta de uma coisa ou de alguém e posso garantir que ele não gosta dela.
- Então ele terá que se acostumar, eu sinto muito. – não agüentei aquilo, comecei a chorar sem me importar se mostraria fraqueza.
- Por que está fazendo isso comigo? Com ele? Com nós? – perguntei me afastando dele. – Você a ama tanto assim?
- Amo, . – ele fez uma pausa enquanto eu me acalmava e secava as lágrimas. – E por que você está tão abalada assim? Nós nunca tivemos nada, nós... Você... – ele parou, arregalou os olhos e se levantou do sofá olhando pra mim. – Você está apaixonada por mim!
- É óbvio que não, seu idiota! – levantei também, agora brava com a suposição, por que tudo sempre girava em torno dele? – Eu não estou “abalada” como você disse, eu estou triste, estou brava, chateada e principalmente decepcionada. Você era um dos meus melhores amigos aqui, você me trouxe pra cá e me ajudou a me adaptar, e agora está me abandonando. Não é como se eu não fosse sobreviver, eu vou, mas é horrível ser trocada, não ser escolhida.
- Mas, , eu amo ela, tenho que ficar com ela, não sou completo sem ela.
- Não é completo sem ela? Pelo amor de Deus, quando foi que você ficou tão gay? – rolei os olhos e virei-me de costas, respirei fundo e o olhei novamente. – Faça como quiser, mas se quiser ver o meu filho, veja na casa da sua mãe porque na sua ele não vai sem mim.
- Nosso filho. E você não pode me impedir de levá-lo pra casa, posso tomar ele de você com facilidade. – ele estava realmente me ameaçando?
- Você sabe que não teria coragem para tanto, e não há o que discutir. Se não for assim, não será de forma nenhuma. – Falei altiva e com segurança na voz.
- É a sua palavra final?
- É a minha palavra final.
- Tudo bem, peço para minha mãe ligar quando eu quiser vê-lo e você o leva lá. – ele suspirou e eu respirei fundo pela milésima vez. – Sinto muito que as coisas tenham acontecido dessa forma, , eu gosto muito de você.
- Você fez sua escolha, . Agradeço se for embora agora, eu estava de saída para o mercado. – apontei a porta e ele caminhou lentamente até ela.
- Posso ficar com o pra você ir. – ele disse simplesmente. Como era cara de pau.
- Você não pode ficar perto de mim, se lembra? Um raio de 50 metros deve ser suficiente para a mente insana da sua namoradinha estúpida. – ele se limitou a baixar a cabeça e se controlou para não defender a namorada.
- PAI! – gritou, desceu as escadas correndo. – Pai, não vai embora ainda. Assiste filme com a gente?!
- Papai tem que ir agora, campeão. Amanhã você vai na vovó e nós assistimos o que você quiser, pode ser?
- Ah, você pode ficar. A mamãe já te desculpou por você ter feito ela chorar. – ele sorriu para mim e eu sorri de volta, mas olhei séria para . – Ela sempre me desculpa, não vai ser diferente.
- Deixa ele ir, . Nós temos que ir ao mercado.
- Ele pode ir com a gente?
- ...
- Tá bom. – ele disse contrariado.
- Despeça-se do seu pai que eu vou buscar minha bolsa. – olhei para . – Não quero você aqui quando voltar.
Entrei e fui até o sofá novamente, peguei minha bolsa, demorando-me um pouco para dar tempo dele se despedir do filho e depois caminhei até a porta, onde ainda acenava para um distante.
- Posso saber por quanto tempo você escutou a conversa? – perguntei.
- Quando eu te vi chorando eu voltei pro meu quarto. Desci agora, quando ele tava indo embora... – ele disse um pouco melancólico.
- Vamos ao mercado, já chamei o táxi.
- Me deixa na vovó? Não gosto de mercado quando não posso comprar um monte de coisa.
- Tudo bem, deixo você lá, mas vamos logo.
Entramos no táxi que nos esperava e dei o endereço da mãe de para ele, que rapidamente chegou ao destino. Pedi que ele esperasse e desci com , caminhando em direção a porta. Bati calmamente, era início de noite, ela estaria em casa.
- ! Que surpresa! – ela deu-me um rápido e apertado abraço e olhou para . – Meu neto! O que fazem aqui?
- Ah, é que o quis ficar aqui enquanto vou ao mercado. Será que é possível?
- Mas é claro que é. Eu queria mesmo conversar com você, , dispense o táxi e entre, não vai demorar, mas também não precisará mais dele.
, como conhecedor da casa, já correu para o quarto que dormia quando ia lá. Eu sentei-me contra vontade, queria ir logo ao mercado. A mãe de sentou-se ao meu lado e pegou minhas mãos.
- Querida, tenho uma coisa pra você. – ela começou, tirando uma caixinha do bolso. – Ele deve ter a idade do ou mais, mas como o me comprou outro há um ano, resolvi emprestar esse pra você até conseguir o seu.
Então ela abriu a caixinha e eu não pude acreditar no que via, era a chave de um Audi TT azul marinho conversível que ela guardava na garagem, no modelo de 2002, mas ainda assim era um carro lindo e eu nem acreditava que ela estava me emprestando assim, sem mais nem menos.
- Mas por quê? Quer dizer, não precisa fazer isso, tenho me virado bem com táxis, você...
- Eu quero! – ela sorria e me entregava a chave. – Guardei isso para minha filha, mas ela já comprou o dela com a ajuda do irmão. Eu gosto mesmo de você e sei que precisa. Eu sei que ele estará em boas mãos.
- Nossa, não sei nem como agradecer.
- Não agradeça, apenas faça bom uso.
Depois de mais alguns minutos de conversa e agradecimento, fomos até a garagem e eu pude ligar o Audi que estava em perfeitas condições, não estava nem acreditando. Subi a capota antes de qualquer coisa, depois entrei e liguei, por alguns instantes esqueci que sequer existia, depois dei a partida e saí.
Carro ótimo de se dirigir, direção hidráulica, veloz... O doce som da razão não foi tão doce para mim aquele dia, achei que ele ia terminar com aquela barraqueira que só estava interessada em se promover à custa dele. Homens podem ser tão cegos, tão burros, tão incrivelmente estúpidos quando se trata de mulheres. A verdade é a seguinte, conseguimos manipulá-los facilmente, e quando os perdemos é porque outra mulher o está manipulando, a mãe, a irmã, a melhor amiga, a vadia que está afim dele... Homens não pensam sozinhos, fato! Mas se é assim que ele quer que as coisas sejam, assim que elas serão, ele sentirá a minha falta quando outro motivo de ciúmes surgir para aquela maluca.
Estava tão nervosa que cheguei ao mercado em uma velocidade surpreendente e irresponsável, mas o calor de dirigir um carro novamente era tão bom que eu não contive um sorriso ao descer do carro no estacionamento do local.
Entrei no supermercado, caminhei entre as prateleiras tentando me concentrar na lista em minhas mãos, porém, meu pensamento sempre voava para onde eu menos queria naquele momento: . Tinha alguma coisa nele que eu não conseguia decifrar, nunca entendi o que ele sentia em relação a mim, sempre fomos amigos, mas acho que isso não é o suficiente para mantê-lo afastado da namorada. Mas que droga! Por que eu tenho sempre que bater na mesma tecla?
- ?! – ouvi uma voz conhecida e olhei para trás com a lata de extrato de tomate na mão, era , você sabe, . – Ok, afaste-se dessa lata... Agora. – ele disse estendendo as mãos para mim com muito cuidado, só então notei que a mesma estava amassada e que minha testa latejava de dor. Eu havia dado com a lata na testa!
- ! – larguei a lata de qualquer jeito na prateleira e corri até o rapaz, abraçando-o. Era disso que eu precisava e ninguém tinha me dado. Ele me abraçou um pouco desnorteado. – Que bom te ver!
- , o que aconteceu? – ele me abraçou forte. – Por que você batia a lata na cabeça? O que está acontecendo?
- Ah, , eu perdi um amigo... – não permiti que ele deixasse de me abraçar.
- Hum, eu sinto muito. – ele afagou meus cabelos. – Eu conhecia? Como aconteceu? – o soltei na mesma hora.
- Ninguém morreu, ! É o ... – coloquei a mão na cabeça enquanto ele levantava a sobrancelha. – É que a pediu ao que parasse de me ver, de falar comigo.
- Ele não fez isso... – o garoto não acreditava. – E o , como fica nessa história toda?
- Eu vou levar na casa da mãe dele quando quiser vê-lo...
- Você aceitou isso, ?
- Que opções eu tinha, ? Ou afastava ou afastava eu. Não posso privar o do pai dele, tive que aceitar. – suspirei.
- Vem cá, vamos fazer o seguinte: eu só vim comprar cerveja pra minha noite solitária, mas vamos comprar pra você também, aí a gente termina essas suas compras e vai lá pra casa. – ele me abraçou de lado. Não sejam maliciosos, era um bom amigo, só! Tá, ele era uma amigo bom no outro sentido, mas eu não estava interessada, obrigada!
- E o ? – perguntei, já direcionando o carrinho para o próximo produto.
- Não sei, onde ele está agora?
- Na vó.
- Então nós ligaremos pra ela e pedimos se ele pode passar a noite lá, ela não vai negar.
- Não mesmo, ela é uma das melhores pessoas que conheci aqui. – sorri para mim mesma e levei um cutucão.
- Hey, e eu?
- Não te conheci aqui, , te conheci no Brasil, tá lembrado? – retribui o cutucão.
- Ah, tá, dessa vez passa...
Terminamos nossas compras e fomos para o carro. Eu disse ao que levaria as compras para casa e depois iria para lá, mas ele, com medo de que eu decidisse não ir mais, foi comigo no meu carro até a minha casa, me ajudou a guardar as compras e nós voltamos ao mercado, onde ele pegou o próprio carro e eu o segui até a casa dele.

Entrei na casa de e percebi que nunca havia estado lá antes, já tinha ido a algumas festas na casa do e do (além da do , claro), mas o nunca fez nada que me levasse até a casa dele. Irônico, não? Esse foi o amigo que eu encontrei para substituir o outro. era um rapaz muito especial, sempre gostei dele, apesar de ser o menos chegado.
- Nunca estive em sua casa antes, ... – comentei sorrindo. – É bonita.
- Há, obrigado! – ele foi até a cozinha colocar as cervejas para gelar e eu fiquei na sala olhando toda a decoração. - Bem decorado, devo admitir que você tem bom gosto.
- Obrigado de novo, mas comprei o apartamento mobiliado já. – ele surgiu atrás de mim com duas garrafas de cerveja nas mãos e me ofereceu uma delas, aceitei. – Pensei em pedir uma pizza, o que acha?
- Ótima ideia. Enquanto faz isso, vou ligar pra mãe do , ver se o pode dormir lá...
- Tá, de que sabor você prefere?
- Escolhe você a que sempre pede! – sorri e tirei o celular da bolsa.
Fiz a ligação que garantia segurança ao meu filho e me sentei no sofá grande e macio do , depois levantei e fui analisar os CDs dele, e acredite, a coleção era enorme! Tinha Blink 182, The Maine (quase gritei com esse), The Killers, Oasis, The Beatles... Espera, The Beatles chegou a lançar CDs mesmo?!
- Quantos CDs você tem! Mas The Beatles? Acho que não tinha CD ainda na época deles... – comentei.
- É, eu sei. – ele gritou lá da cozinha. – Esses eu gravei, mas tenho todos os vinis deles, só não tenho aparelho de vinil.
- Que droga, hein! Se eu encontrar um eu compro pra você.
- Ah, obrigado! Fica a vontade aí, eles estão me fazendo esperar...
Continuei analisando a sala dele, havia muitas fotos do Mcfly, muitas fotos de família e todos os CDs da banda dele estavam em exposição em cima de uma estante, tal como uma caixa de certificados da Super City que ele ainda não havia autografado para mandar. Então o telefone tocou e ele gritou para eu atender, tomei mais um gole da cerveja e peguei o telefone.
- Oi? – atendi.
- Alô? Er... O tá aí? – uma voz masculina perguntou do outro lado, era vagamente conhecida.
- Tá sim, espera que eu vou passar. – falei, depois tirei o telefone do ouvido e cobri o fone, chamando pelo dono da casa. – , pode atender?
- Posso, pede pra esperar um pouquinho.
- Ele já atende. – passei o recado.
- Tudo bem, obrigado. – o rapaz respondeu educadamente.
Então veio e atendeu o telefone.
- Alô? – ele disse e a pessoa do outro lado respondeu algo que eu, logicamente, não escutei. – Ah, oi, ... – não acredito, que falta de sorte. Ele respondeu alguma coisa e deu uma risadinha nervosa e depois disse: - Não cara, na verdade é a que está aqui comigo.
Depois eu pude ouvir a voz alterada de do outro lado e tentando inutilmente falar. Sem sucesso, o garoto desligou o telefone, passou a mão no cabelo e me olhou.
- Ele está vindo pra cá!
- O QUÊ? – eu alterei a voz dessa vez, tamanha era a minha indignação com aquele garoto. – Ok, não quero causar problemas pra você ou pra banda, acho melhor eu ir embora.
- Não, ! Eu te convidei pra vir aqui, ele vai ter que aceitar que nós somos amigos independente dele. Fica aí e bebe sua cerveja, vamos receber ele assim.
- , tem certeza do que está fazendo?! – perguntei incerta.
- , não estamos fazendo nada de errado, somos apenas dois amigos bebendo e conversando sobre a vida. Estamos solteiros e sozinhos, estamos chateados com a mesma pessoa por motivos diferentes e...
- Espera aí, tá chateado com o por quê? – perguntei surpresa.
- Ah, porque ele anda distante do Mcfly, sabe?! Ninguém além dele e da namorada do gostam da , só que ele gosta e se deu inteiro pra ela, é inacreditável. Os caras e eu estamos pra ter uma conversa com ele, mas acho que depois de você a conversa vai ficar bem mais séria.
- Não tirem ele da banda só porque ele ama a ... – pedi.
- Não estamos tirando, ele quem está saindo. , ninguém agüenta viajar com a e ela faz questão de ir em todas as turnês! É insuportável, não sei onde ele encontrou ela.
- Bem, a banda é de vocês, não vou me meter nesse assunto.
- É melhor ficar de fora mesmo, vai acabar sobrando pra você também. – ele sorriu e sentou ao meu lado, abraçando-me e deitando minha cabeça em seu ombro.
Algum tempo depois a pizza chegou e nada do . A pizza acabou e nada do , comecei a ficar seriamente preocupada, o disse que ele ficou enfurecido quando descobriu que eu estava ali. Teria acontecido algo com ele?
- , pode ligar pro e ver se está tudo bem? Ele já deveria ter chegado... – pedi.
- Tá, vou ligar, já venho.
Fiquei sentada na sala enquanto ele se levantava e ia para a cozinha para ligar pro amigo, não entendi por que não ligou perto de mim, mas enfim. Fiquei sentada no sofá, com as pernas encolhidas, fingindo curtir a música, então voltou para a sala com um sorriso amistoso.
- Liguei pra , - ele rolou os olhos. – ela disse que não deixou o sair de casa, ainda mais quando descobriu o porquê dele querer vir. Disse que ele fala comigo amanhã e que está dormindo agora.
- Menos mal que ele nem tenha saído, fiquei preocupada que tivesse acontecido alguma coisa. – desabafei.
- Tudo bem, também pensei isso... – ele sentou ao meu lado sem me abraçar. – Vamos falar de outra coisa, deixa eu ver... – ele pensou um pouco. – Está se adaptando bem ao clima daqui?
- Ah, é complicado porque lá faz muito calor, mas eu sempre preferi o frio, então pra mim está ótimo...
- Que bom. E o trabalho, tem saído muito ou fica só trabalhando?
- Dificilmente saio, faço plantões direto. E o Mcfly?
- Não quero falar do Mcfly porque isso me lembra os problemas que estamos enfrentando com o e a e acaba com a minha noite que está começando a ser agradável. – ele sorriu fraco e eu assenti. – O está se adaptando?
- Parece que sempre morou aqui.
- Ah...
Ficamos algum tempo em silêncio. A verdade é que eu e o nunca tivemos intimidade suficiente para ficar conversando sozinhos por muito tempo, por isso não nos conhecíamos e não sabíamos do que falar um com o outro, é constrangedor.
- Tá legal, , acho que isso foi uma péssima ideia. Nós não temos nada em comum e isso está ficando constrangedor. Acho melhor eu ir embora. – levantei-me e ele se levantou também.
- Não! Fica aqui, , a gente não tem nada em comum porque não nos conhecemos. Então vamos nos conhecer. – ele sorriu, quase implorando, mas eu não queria ceder. – Por favor, não quero ficar sozinho hoje... – pronto, agora ele estava definitivamente implorando.
- Por quê? – perguntei.
- Porque faz muito tempo que eu não converso com nenhuma mulher sem ir pra cama com ela... Tá, eu converso bastante com o , que é quase uma mulher, mas mesmo assim. – ele se largou no sofá.
- Tudo bem, eu fico. – sentei de novo, ao lado dele. – O que está acontecendo com a amizade de vocês? Para mim parece que a única coisa que os une é a banda, vocês ainda saem juntos?
- Não. O e o vivem para as namoradas, o vive pra fazer besteiras e eu vivo pra ficar sozinho ou com vadias na minha cama. – ok, então.
- Porque não conversa com eles? Ou arruma uma namorada, sei lá.
- Fácil assim arrumar uma namorada, né?
- Para não deve ser muito difícil.
- É mais do que pra todos os outros caras. – ele riu sem humor. – A gente nunca sabe se estão com a gente porque gostam ou por dinheiro e fama.
- É a barganha que vocês fizeram, não é?!
- Queria não ter feito.
- Não fala assim, , o Mcfly é a sua vida, não é? O que você faria se não fosse você?
- Seria jogador profissional de golfe, provavelmente. – ele sorriu.
- E seria famoso, suponho. – ri e ele me acompanhou. – Você nasceu para os holofotes, apenas admita e siga em frente.
- Tá, mas agora parece que está tudo desmoronando.
- Converse com os caras e diga como está se sentindo, tenho certeza de que eles estão da mesma forma. Vocês vão resolver.
- Obrigado!
- Agora vem, eu vou arrasar com você no videogame!
- Duvido!
Ficamos jogando vídeo game até muito tarde, dando risada e eu posso dizer que massacrei o no jogo! Nem me lembro que horas eram quando finalmente dormimos, aliás, não lembro nem de ter ido dormir, só lembro que acordei no outro dia deitada no sofá do com ele do meu lado, usando as roupas dele, mas não as que ele estava vestindo, e ele também estava de roupa, só para deixar bem claro. Havia garrafas de cerveja espalhadas por toda a sala e os controles do videogame e da televisão estavam jogados em algum lugar do tapete. Que porre.
- , acorda! – cutuquei o garoto que apenas resmungou um pouco e me abraçou, ai, meu Deus... – , acorda!
- Quê? – ele levantou desnorteado e com dificuldade para abrir os olhos. – ?
- É, sou eu sim... – ri. Então ouvimos a porta abrir e fechar, então percebi parado na porta da sala, olhando para nós sem acreditar.
- ? Tá fazendo o que aqui? – perguntei estranhando.
- Podia te fazer a mesma pergunta, mas já sei a resposta. – ele disse simplesmente. – Até esperava isso dele, mas não de você, . O transa com tudo que se move, mas você tem um filho.
- Nós não transamos, . – respondeu, sentando-se direito no sofá e coçando os olhos.
- E mesmo que tivéssemos, você não tem nada a ver com isso, você não é nada meu e nem pode falar comigo, lembra?
- Vim aqui agora porque achei que você não estaria mais, como ia saber que você pularia na cama dele na primeira oportunidade?
- Tecnicamente estamos no sofá... – acho que o ainda estava meio bêbado.
- Eu vou embora daqui. – levantei e juntei as minhas roupas do chão e a minha bolsa. – Se quer se submeter às regras da sua namoradinha, tudo bem, mas não me julgue por não fazer o mesmo. E , - sorri para o garoto ainda no sofá. – obrigada, a noite foi muito divertida, mal posso esperar pra acabar com você de novo no videogame!
- Ei, vai tá frio lá fora! – me jogou um moletom que estava no chão da sala e que provavelmente me cobriria inteiro. – Depois você devolve.
- Ok, obrigada. Tchau!

Depois desse dia, a minha relação com o ficou cada dia mais fria e mais relacionada ao , já a minha relação com o era de irmão, ele me protegia e eu cuidava dele. O Mcfly continuou, ninguém saiu da banda e ninguém terminou com namorada, exceto o que entrou em depressão profunda por um mês depois que a dele foi embora e o trocou pela carreira. Agora estava tudo bem de novo e o continua cada vez mais levado.



Capítulo 5 – Alguns meses depois



Esses meses que passaram fizeram algum bem à minha vida, por exemplo: fiquei ainda mais amiga do do que antes e o hospital recebeu uma generosa doação em dinheiro permitindo que contratassem dois plantonistas, isto é, dois clínicos gerais que cobrem apenas plantões, o que me permite trabalhar o dia todo e folgar à noite e fins de semana, dando-me mais tempo com meu filho e meus amigos.
Por falar em amigos, havia chegado e como eu não teria cara ou coragem de pedir ao para buscá-la depois do que havia acontecido, pedi ao , que levou o junto. Não posso dizer que foi uma ideia ruim, na verdade foi uma ideia ainda melhor, já que nutria uma paixão de fã por desde antes do nascer.

~Flashback~

- Tem muita gente aqui, dude. Qual é a ? – perguntou coçando a cabeça confuso e olhando em volta, a fim de ver se reconhecia alguém.
- Ah, isso é fácil. – sorriu com cara de sabe-tudo. – comentou que ela é nossa fã, certo? – assentiu. – Conhecemos as fãs e sabemos que elas são como o clima de seu país, certo? – o garoto assentiu novamente. – Se as britânicas são frias como a Grã-Bretanha, as brasileiras são...? – perguntou e apenas o olhou sem compreender.
- O quê? – perguntou.
- Quentes como o Brasil. Francamente, , você é muito lento! – o garoto revirou os olhos enquanto o amigo fazia cara feia. – Quando formos abordados por uma fã mais afobada e loucamente apaixonada, é ela! – concluiu e soltou um “Ah” de quem havia entendido.
- Bem observado, . – sorriu metido. – Então eu acho que é ela correndo ali.
- Onde? – perguntou. – Aquela ali? Acho que não...
Uma garota loira, com um corpo escultural e belos seios se aproximava correndo e atropelando as malas pelo caminho. empolgou-se com a visão e abriu os braços para a garota, e quando ela se aproximou ele gritou:
- ZOOOOOOOOOE! – com aquele belo sorriso em seus lábios. o olhava assustado.
A garota passou reto por ele e abraçou os pais que estavam atrás deles. não continha as lágrimas que saíam devido à crise de riso, se pudesse deitaria no chão e rolaria. , já com os braços fechados, sorria sem graça para a menina que o olhava estranhada, ela não os conhecia ou não os reconhecia. De repente, alguém lhe cutucou no ombro, fazendo o garoto virar e encara uma garota morena de longos cabelos cacheados e um sorriso bonito no rosto.
- Acredito que vieram me buscar. – ela mantinha o sorriso, cumprimentando cordialmente. – Sou a e estou fazendo uma força enorme pra não gritar e agarrar vocês agora!
- Obrigado por isso, , não queríamos chamar atenção, mas o não consegue se conter. – ele sorriu para o amigo que retribuiu o sorriso. – É um prazer conhecê-la.
- Vem cá, me dá um abraço, garota! – a puxou para um abraço, e se encararam achando estranho a atitude do rapaz. – disse que eu sou o seu preferido.
corou levemente, mas sorriu. rolou os olhos e também sorriu, deu um beijo no rosto da garota, finalmente soltando-a e recolhendo suas malas com a ajuda do amigo.

~Flashback’s end~

Segunda-feira à noite, tinha acabado o meu turno no hospital e quando cheguei em casa, encontrei brincando com no tapete da sala, ambos animados, e a babá preparando a janta.
- Mãe! – correu ao meu encontro, abraçando-me apertado, como era de costume dele. – Hoje na escola eu consegui ler e escrever a palavra “constituição”. A professora ficou orgulhosa de mim!
- Jura, campeão?! Que maravilha, eu também estou muito orgulhosa de você! – ele sorriu abertamente. Eu estava realmente feliz, apesar de ter estranhado a professora estar com orgulho dele, normalmente ele aprontava... – Oi, , oi, Joan! – cumprimentei as duas simpaticamente.
- Oi. – Joan, a babá, respondeu sorrindo e voltou para a cozinha.
- Oi, . – também sorria, estavam todos felizes naquela casa, a tarde foi boa. – peguei a correspondência pra você, amiga. E a mãe do ligou, disse que ele quer ver o amanhã à tarde, se puder levá-lo.
- Ah, o é incrível! Adoro ter que tratar os assuntos do através da mãe dele, até quando isso vai durar? É um absurdo!
Caminhei indignada até o sofá e peguei a correspondência na mesinha de centro. Conta de telefone, conta de celular, conta de gás, conta de água, conta de luz, conta da agência de diaristas, conta da lavanderia, conta da loja de roupas infantis, conta da loja de brinquedos, mensalidade da escola do ...
- Acabou o meu salário do mês! – olhei pensativa e chateada para . – Isso que eu nem contei o supermercado e o salário da babá... – joguei tudo na mesinha sem terminar de olhar e encolhi minhas pernas em cima do sofá.
- Você vai conseguir, . – apertou meu ombro. – Sei que não tenho te dado grande ajuda, mas vou continuar procurando emprego e alguma coisa vai aparecer, você vai ver. – ela sorriu sem muita confiança. – Está tão ruim assim financeiramente?
- Não, na verdade, não! – comecei a rir. – Fique tranquila, eu tenho bastante no banco, só estou reclamando porque eu gosto de reclamar e porque, de fato, nós estouramos um pouco a conta esse mês. Mas fique tranquila...
- Ah, bom, já que é assim, por que não olha aquele envelope dourado ali? – ela apontou para a pilha de cartas.
Fucei entre os papéis até encontrar o tal envelope dourado. olhava-me curiosa, assim como eu. Sem saber o que esperar, li a frente que dizia meu nome e atrás o remetente era uma grande revista de música americana. Abri ansiosamente e li a carta que dizia:

“Cara Srta. ,
Nós da revista Rolling Stone temos a honra de convidá-la para o evento que acontecerá no próximo sábado, dia 20 de abril, às 19:00. Estamos expandindo nossa revista, que já tem filiais em 17 países, para a Inglaterra. A inauguração da revista, com uma edição prévia, acontecerá na Chácara Universal. Sua presença é essencial e está desde já confirmada, contamos com ela.

P.S. 1: Traje Black-Tie.
P.S. 2: O convite é exclusivo.
Qualquer dúvida, não exite entrar e contato.
Atenciosamente, o Editor.”


Mirei o papel encucada e , que mantinha a mesma expressão que a minha, o tomou de minhas mãos e leu, como se quisesse ter certeza de que eu não havia lido nada errado.
- Por que você foi convidada? – ela perguntou. – Quer dizer, nada contra, mas esse evento parece importante com o Globo de Ouro ou o MTV Awards, e você não é atriz, apresentadora de programa, modelo, nem está numa banda... Foi mal amiga, mas você não se encaixa no perfil.
- Sei exatamente o que quer dizer, . Não faz o menor sentido eu ter sido convidada e nem posso dizer que foi entregue errado porque tem meu nome completo no envelope. Aí diz: “Qualquer dúvida, não hesite entrar em contato”, é o que tenho que fazer, amanhã mesmo vou ligar e perguntar a que devo a honra. – ri.
- Hum, mas imagina ir à um baile de gala cheio de gente famosa? Pena que o convite é exclusivo, senão você poderia me levar... – ela sorriu de canto.
- E eu com certeza te levaria. – garanti.
- , o jantar está servido. Estou indo embora, precisa de alguma coisa? – Joan perguntou, pronta para ir embora.
- Não, não preciso. Não quer ficar e jantar com a gente? - ofereci e ela gentilmente recusou.
- Obrigada, mas combinei de sair com meu namorado, é nosso aniversário de namoro e ele vai passar para me buscar em algumas horas, vamos à praia por três dias. – ela sorriu, mas eu não.
- Três dias? Joan, você devia ter me avisado antes, com quem eu vou deixar o ?
- Ãhn, oi? – me cutucou. – Eu posso cuidar do , .
- Tá, tá, tudo... tudo bem então, eu acho... – fiquei meio desnorteada e tive a impressão de que Joan falou com a antes de confirmar tal viagem, sem se importar se eu ligava, não gostei.
- Desculpa, , mas a se ofereceu tão gentilmente para ficar com ele, achei que não teria problema.
- Tá certo, mas da próxima vez fale comigo, Joan!
- Tudo bem, me desculpe.
Ela se despediu do , deu um breve aceno para nós e foi embora. Eu ainda estava um pouco contrariada com a atitude dela, porém, ela já me salvou tantas vezes e já cobriu tantas folgas de última hora que eu nem podia deixar de dar essa folga enquanto a estava aqui e desempregada. Sentamos à mesa e comemos um delicioso strogonoff de frango com arroz, depois ajudei com a lição de casa e conversamos sobre o dia dele, o meu e o da . Então brincamos um pouco e o levei para dormir, pouco depois nós duas fomos também.
Nossa casa era ótima, três quartos de tamanho bom, uma cozinha grande, uma sala aconchegante, perfeita, porém os gastos que haviam com gasolina para ir para qualquer lugar eram absurdos, era muito longe do centro e da casa dos meus amigos. Eu precisava de um apartamento bom no centro de Londres. Enquanto eu rolava na cama pensando no assunto, lembrei-me de , ele era um ótimo negociante e com certeza poderia me ajudar. Lembrete para o dia seguinte: ligar para .

Na manhã seguinte, levantei ainda pensando no assunto do apartamento, no entanto, outros assuntos eram mais urgentes e mais facilmente resolvidos, como o da festa, por exemplo. Sem acordar , fui até o banheiro e tomei um banho rápido, como todos os dias, vesti uma calça jeans preta, uma blusa de mangas ¾ cinza e calcei uma bota de salto médio e grosso, cinza, cano baixo, de camurça. Fiz uma maquiagem simples e prendi os cabelos num coque frouxo, depois fui até a cama e acordei com algum custo, arrumei o uniforme dele e deixei em cima da cama enquanto ele fazia a higiene pessoal. Eram 07:30 da manhã e a aula dele começava às 08:00, por isso fiz um rápido café da manhã para ele, e tomei o meu também.
- A tia disse que vou ver meu pai hoje, a gente vai na casa dele? – perguntou sentando-se a mesa e começando a comer.
- Não, , vai ser o mesmo esquema de sempre, eu deixo você na sua avó e ele irá vê-lo lá. – continuei comendo e controlando-me para não fazer uma cara de desaprovação para o meu filho, mas eu sabia que ele sentia falta do pai e da mãe juntos, como amigos, que nem era antes.
- Mas a gente nunca vai lá... Você sempre sai antes dele chegar, mesmo que ele só demore um pouquinho. – ele falava desanimado. Eu havia explicado vagamente a situação para ele, por isso, era difícil de compreender.
- Eu sei, , mas com essa correria...
- Mas agora já livrou um pouco, você está em casa todas as noites. Ele podia vir nos visitar se você deixasse... – ele estava insistindo e eu me incomodando.
- , chega dessa conversa. Vá escovar os dentes e pegar suas coisas, estamos atrasados!
subiu e eu fiquei tirando a louça suja da mesa e deixando o resto, já que logo acordaria e tomaria café também. Pouco depois o garoto desceu um pouco emburrado e pegou o casaco preto pendurado atrás da porta, e eu o meu sobretudo de lã azul marinho e minha bolsa. Entramos no carro, ambos em silêncio e ficamos assim até chegarmos aos portões da escola, onde desci com ele e o levei até a entrada, segurando-o antes dele entrar.
- Filho, não fica chateado comigo, é só que esse assunto é tão chato pra mim quanto pra você, tá bom?! – estava abaixada até ficar do tamanho dele, segurava suas mãozinhas e o olhava nos olhos.
- Tá bom, desculpa, mãe... – dei um beijo na sua bochecha, que ele limpou na hora e eu ri. Depois o deixei entrar e fui para o hospital, meu bip tocava irritante e insistentemente.
Cheguei ao hospital e atendi alguns casos do pronto socorro, quando me sobrou um tempo livre liguei para o número que indicavam na carta dourada que recebi. Falei com um senhor muito simpático que me disse que o convite estava certíssimo, eu havia sido convidada para a festa por ser a mãe do filho de um integrante de uma das bandas mais famosas da Inglaterra e que várias celebridades “por acidente” haviam sido convidadas e que ele gostaria muito de me conhecer. Assim, quem era eu pra dizer não a uma festa cheia de gente linda e famosa? No começo até fiquei em dúvida, mas me convenceu de que era burrice e eu decidi que iria.

A manhã passou corrida e agitada, é incrível como acidentes podem ocorrer em questão de segundos, é alguém que caiu da escada, alguém que desmaiou, alguém que bateu o carro... As pessoas podem ser muito imprudentes ou descuidadas, mas o fato e que eu, com a ajuda de outros médicos e vários enfermeiros, conseguimos dar conta do hospital.
De meio-dia, fui buscar meu filho na escola, ele iria almoçar com a avó e o pai, eu almoçaria em qualquer lugar perto do hospital e voltaria para o meu plantão. Só que quando chegamos à casa da avó do , vimos o carro de parado na frente, nem preciso dizer que gelei na hora. Descemos do carro, peguei a mão de e caminhamos até a porta, tocando a campainha em seguida. A mãe de surgiu apressada e sorriu aliviada quando me viu, ela deu um beijo rápido em e antes que eu pudesse recusar entrar, ela já havia me puxado para dentro e corria apressada até a cozinha.
- Fala com ele, ! Fala pra ele que aquela maluca vai acabar matando ele, fala ! – a sra. dizia quase chorando. – Olha o que ela fez com ele, o meu bebê... – ela colocou as mãos na boca, com os olhos marejados. Olhei , que estava sentado em uma cadeira e o mesmo mantinha um pano na testa, fazendo pressão e com cara de dor, consegui ver o sangue escorrer pelo pano.
- O que aconteceu com você, !? – aproximei-me dele e ele se afastou, imbecil! – Quer parar de ser criança, seu idiota, isso aqui tá sangrando e você não está conseguindo estancar o sangue.
- Mãe, tira ela daqui... – ele virou de costas e eu respirei fundo para não perder a paciência.
- Sra. , veja se tem um kit de primeiros socorros aqui e me traga a sua caixinha de remédios, preciso procurar o certo. – ela saiu quase correndo até o banheiro, só então notei que estava parado na porta. – , vai pro quarto, AGORA! – falei séria e ele sabia que não adiantaria discutir, por isso subiu.
- Não fala assim com ele, se ele quiser, pode ficar... – sabia me tirar do sério.
- , olha pra mim.
Como ele se recusou a olhar, eu virei o rosto dele a força e o fiz encostar as costas na bancada da cozinha. Avistei sua mãe entrando na cozinha e saindo em seguida, como sabia que ele viraria o rosto de novo, puxei a caixa de remédios e a de ataduras para perto de mim e sentei no colo dele, de frente. me olhou assustado, então eu tirei a mão dele da testa e comecei a ver o estrago, limpando imediatamente.
- O... O que você tá faz... AI! – ele gritou quando toquei no corte enorme na testa dele.
- Estou cuidando de você. – respondi séria, concentrando-me apenas na testa do rapaz e não em seus lindos olhos azuis que encaravam os meus sem nenhum pudor. – Tá olhando o quê?
- Seus olhos são lindos, nunca tinha reparado que eles são tão claros... – ele deu um meio sorriso.
- Os meus olhos são castanho escuro. – falei simplesmente, agora passando pomada no corte e preparando a gaze e o esparadrapo. – Como foi que isso aconteceu?
- Eles têm uns pontos mais claros quando vai chegando perto da pupila, você nunca reparou? – ignorou minha pergunta e continuou falando dos meus olhos.
- Acho que a pancada afetou o seu cérebro. Afinal, vai me contar o que houve? – perguntei de novo, encarando-o com pomada nos dedos.
- Não quero te ouvir dizer “eu avisei”. – ele me encarou sério e depois olhou para baixo. – A gente brigou e ela me tacou o controle remoto da televisão. – não consegui segurar o riso diante de tal fato.
- E te acertou em cheio, hein?! – continuei rindo e ele olhando-me com cara feia. – Não vou dizer, mas você sabe, né?
- Sei... – ele ainda fazia cara feia.
- Desfaz esse bico, , estou quase acabando aqui.
- Me chamou de ? – ele perguntou, levantando a sobrancelha e me atrapalhando para fazer o curativo.
- Chamei, porque vocês fazem o mesmo bico quando estão bravos, igualzinho. – sorri, olhando para ele que também sorria. – O que vai fazer agora? Sexo de reconciliação? – perguntei segurando o riso.
- Há, há, a pode ser meio doida, mas ela me ama, tá?!
- Não vou nem comentar. – rolei os olhos diante de tamanha burrice. – Agora fica parado que eu vou colocar a gaze e o esparadrapo. – Inclinei-me mais em cima dele, ficando perigosamente perto e coloquei a gaze.
- Você tá de batom? – ele perguntou do nada.
- Não, por quê? – respondi desgrudando um dos esparadrapos da bancada e colando.
- Sua boca tá vermelhinha.
- É assim, . – respondi concentrada, arrancando outro pedaço de esparadrapo e colando.
- Tanto assim?
- Tanto assim. – disse automaticamente, terminado de colar o último esparadrapo que faltava e certificando-me de que tinha ficado bom. - Certo, mocinho, não está bonito, mas está bem limpo e bem protegido. Vá até uma farmácia e compre esse remédio. – Mostrei um vidrinho para ele. – serve para limpar e impedir a entrada de bactérias, compre essa pomada, - mostrei o tubo da pomada. – que serve pra agilizar a cicatrização, gaze e esparadrapo eu imagino que saiba pra que serve. Troque todos os dias depois do banho, não se esqueça.
- Não vou esquecer. – ele deu um sorriso e eu assenti. - Você é linda, sabia disso?
- Obrigada, mas não deixe sua namorada te ouvir falando uma coisa dessas, senão é capaz de eu aparecer com a testa cortada amanhã e eu não quero isso, obrigada! – respondi, bem humorada.
- Depois de hoje, acho que ela não tem moral pra me exigir muita coisa. – ele disse baixinho e sorriu, aproximando-se mais de mim e eu dele, inconscientemente.
Então ele colocou a mão nas minhas costas e aproximou-me mais dele, acabando com a distância entre nós em questão de segundos. Devagar, como se para eu não fugir com movimentos bruscos, ele corrigiu a postura, o que me fez colocar a mão em sua nuca e sentir sua respiração calma se misturar com a minha. Ele virou um pouco a cabeça e nós finalmente fechamos os olhos, iniciando um beijo quente, calmo e paciente, sem pressa para acabar, estávamos apenas sentindo aquele momento, como se não houvessem preocupações, naquela hora éramos ele e eu, e mais nada.
Embora estivéssemos gostando do beijo, sabíamos que aquilo não estava certo, por isso, eu mesma quebrei o beijo, mas mantive meus olhos fechados por alguns segundos antes de abrir e sair do colo dele, que se levantou e me encarou sério, esperando uma reação minha.
- Tudo bem, foi uma coisa de momento que não vai mais se repetir, certo? – o mirei sem ter certeza do que estava dizendo.
- É. – respirou fundo e virou a cabeça pro lado, quebrando nosso contato visual. – Não vai se repetir.
- , olha pra mim! – eu disse, dando dois passos em sua direção e parando.
- A última vez que disse isso você acabou no meu colo... – pude notar um sorriso se formar em seu rosto ainda virado. - . – repeti e ele finalmente me encarou.
- . Adoro dizer seu nome, não tanto quanto você gosta de dizer o meu. – ele sorriu tristemente.
- Por que não vai mais se repetir? – perguntei conhecendo a resposta, mas me certificando que ele a conhecia tanto quanto eu.
- Porque eu tenho uma namorada que me proibiu de falar com você. – ele suspirou, olhando para baixo. – Sabe, embora você não acredite, eu não gosto dessa situação, não gosto de não falar com você e não poder ir te visitar quando eu quiser. E principalmente, não gosto do ter assumido o meu lugar como seu melhor amigo, ele é meu.
- Mas você não pode assumí-lo no momento e eu preciso que alguém assuma.
- Eu sei...
Ficamos alguns instantes em silêncio e então eu me lembrei que ainda tinha que almoçar antes de voltar ao trabalho, mais um pouco e ficava sem almoço. Por isso, me adiantei ali.
- Preciso ir, ainda tenho que almoçar antes de voltar. – inclinei-me e dei um beijo rápido na bochecha de , que sorriu fraco. – , a mamãe está indo, desce para me dar um beijo?
desceu correndo e me deu um beijo, assim como a Sra. , que sorria agradecida por eu ter cuidado do filho dela. Me despedi de todos e saí pensando em que restaurante almoçaria, liguei para o , que topou almoçar comigo para falarmos dos apartamentos e do quanto eu estava podendo gastar. Volto a dizer que o garoto era bom nos negócios, sem dúvidas conseguiríamos o apartamento que eu gostasse na faixa de preço que podia pagar.

Cheguei ao restaurante que havia combinado com e pedi um suco de laranja para esperar o garoto chegar. Enquanto bebia o suco, pensei no beijo que tinha acontecido, não posso dizer que foi ruim, na verdade foi bom, eu gostei de tê-lo tão perto assim de novo, mas era errado e jamais poderia se repetir, ele só tinha ficado chateado com a namorada por causa do controle, nada demais, eu o conhecia e eles iam voltar.
- ? – ouvi me chamar. – Desculpa a demora, vim o mais rápido que pude.
- Não tem problema, vamos pedir? – sorri e o garoto chamou o garçom, e assim que este foi embora, comecei a falar. – Estou precisando mudar de casa. Pensei em um apartamento no centro, não precisa ser muito grande, mas deve ter três quartos.
- Ei, calma! – ele riu e eu também, havia falado muito e rápido demais. – Tudo bem, qual o problema da casa que está agora?
- Ela é muito longe, quer dizer, é longe de todos os lugares que eu vou. Até tem uma boa vizinhança para criar o e seria perfeita para uma família cuja mãe não faz nada da vida, mas com a correria que eu enfrento, uma casa no centro definitivamente facilitaria.
- Mas a vai morar com você pra sempre?
- Não, eu acho que não, pelo menos. Mas não é por causa dela que eu quero outra casa. – olhei para ele e vi que ele ainda me acompanhava. – Eu preciso de uma casa no centro, , no c-e-n-t-r-o, entendeu?
- Entendi... – ele me olhou pensativo. – Vou conversar com o meu corretor e vamos achar o que você precisa, qual a faixa de preço?
- Pouco mais que a minha casa.
- Certo. Vamos achar alguma coisa pra você, não se preocupe.
- Obrigada, , sabia que podia contar com você! – sorri e segurei a mão dele. Então o garçom chegou com a comida e nós mudamos de assunto.
- Podemos ir essa semana atrás de uma, se você tiver tempo.
- Hum, essa semana não vai dar, ainda tenho que ir atrás de um vestido de gala... – ele me olhou suspeitando. – Que foi?
- Vai onde?
- Na festa de inauguração da Rolling Stone. - sorri.
- Você vai? Achei que era só pra convidados... - ¬¬
- E eu fui convidada. – sorri presunçosa. – Um convite dourado chegou na minha casa e eu fiz a mesma cara que você está fazendo quando abri. Mas hoje de manhã eu liguei e perguntei se não haviam errado e eles disseram que não, que eu sou, aparentemente, a maior "celebridade por acidente" de Londres no momento.
- UAU! – ele sorriu divertido. – Meus parabéns, Srta. ! Com quem você planeja ir?
- Com as pernas? Com o carro? – perguntei zoando ele que apenas balançou a cabeça rindo. – Não sei, por quê?
- Sei lá, eu e os caras vamos. O vai com a , o vai com o e eu ia com eles pra não ir sozinho, mas se você vai, a gente pode ir junto...
- Claro! Ótima ideia, eu detestaria chegar num lugar desses sozinha, obrigada, !
Terminamos de almoçar, pagamos a conta e ficamos de nos ligar para combinar a ida e a visita aos apartamentos. Eu voltei para o hospital, tinha que cobrir o PS à tarde e quando cheguei lá ele já estava lotado e não tive tempo nem de pensar num cafezinho.

Na manhã do dia seguinte, combinei com de irmos ver um vestido na hora do almoço. fez o maior drama, dizendo que queria ir junto, mas como ela deu folga à babá, teria que cuidar do , e não poderia discutir. Ela aceitou, mas mesmo assim, se eu precisasse de um sapato ela teria que ir junto e sem mais... Mereço essas minhas amigas?
- Está pronta? – perguntou enquanto eu guardava meu jaleco no armário e pegava um casaco.
- Estou. Podemos ir? – ela assentiu com a cabeça e nós saímos.
Eu sou incrivelmente chata com vestidos, talvez porque eu raramente precise usá-los. Minha mãe sempre dizia que o melhor vestido para mim seria aquele que eu mesma fizesse e costurasse, mas não era verdade, até porque eu sou uma péssima estilista, só que eu cuido muito do que vou vestir e me sinto bem apenas com o vestido certo para mim.
- , desculpa amiga, mas a gente já rodou todas as lojas de Londres, o nosso horário de almoço está acabando e você ainda não encontrou nada. – falou seriamente, sabia que ela tinha razão, mas meu prazo para encontrar tal roupa era curto.
- Eu sei... – resmunguei. – , o que vamos fazer?
- Você vai fazer. – ela me puxou pelo braço. – Você vai entrar naquela loja ali e vai escolher um vestido, do contrário eu vou embora e nunca mais venho comprar roupa com você. – a doida me ameaçou e começou a me empurrar para dentro da loja.
Não posso dizer que foi uma ideia ruim, foi um tanto quanto bruta, mas assim que eu entrei na loja, que era simples e pequena, no entanto muito bem cuidada e limpa, eu vi. No canto da loja, pendurado em um cabide e um pouco escondido, era um vestido tomara-que-caia que descia coladinho até o quadril e se abria numa saia longa de babados até o chão e com uma pequena abertura na frente onde certamente daria para ver minhas canelas, ele tinha tons puxados para o pêssego e um pouco mais claro que esse. Era aquele!
- Achei! – cochichei para que me olhou surpresa.
- Mas a gente nem entrou direito ainda...
- Eu sei, isso que é o mais legal, eu acho os melhores vestidos na loucura. – uma senhora de uns 50 anos veio nos atender gentilmente e eu fui logo pedindo. – Eu gostaria de experimentar aquele vestido. – apontei.
- Esse aqui? – ela o tirou da arara e eu fiquei ainda mais encantada, definitivamente era aquele. Fiz que sim com a cabeça e ela sorriu, vindo ao meu encontro e me puxando pela mão. – Venha até o provador. Fazemos ajustes caso não sirva.
- Certo, obrigada.
Peguei o vestido e entrei no provador, comecei a vesti-lo e ao final pedi para a senhora fechar o zíper. Puxei os cabelos como se fosse fazer um rabo de cavalo e analisei todo ele nas costas, depois rodei, analisando-me por completo e imaginando quais brincos e pulseira eu usaria. Olhei para as duas que sorriam encantadas.
- Está lindo. – disse. Cá entre nós, nunca saberei se ela disse isso apenas para eu pegar logo um vestidos e irmos embora, mas enfim...
- Que bom que gostou, porque eu adorei. – sorri feliz, novamente me olhando no espelho.
- Acho que esse vestido foi feito para você. – a dona da loja me olhou pensativa. – Faz algum tempo que ele está na loja e muitas mulheres o adoraram, mas ele nunca serviu bem em nenhuma e eu nunca consegui vendê-lo. Ele foi predestinado. – certo, que papo é esse?! Eu sou chata para vestidos, isso é um fato, mas daí a ter um predestinado? Aham, dona, senta lá. Mas é claro que sorri educadamente para a senhora.
- Vou levar! – me virei para ela.
- Ótimo, vou fechar a compra enquanto você o tira. – Ela abriu o zíper e foi para trás do balcão, sendo acompanhada por uma um pouco desconfiada. Tirei o lindo vestido e coloquei de volta a minha calça branca, meu all star branco, minha blusa ¾ branca e meu blusão preto. O quê? Eu trabalho num hospital, não precisamos ir sempre de branco, mas quando possível sim! Paguei pelo vestido que nem saiu tão caro assim e fomos caminhando até o carro e depois para o hospital.
- Desculpa, , te fiz perder o almoço. – sorri em desculpa.
- Não se preocupe, eu como no próximo intervalo. – ela piscou tirando o próprio jaleco do armário e saindo da sala. Fiz o mesmo. Mais uma jornada de trabalho até seis horas, e ainda teria que ouvir a opinião mais importante (ou assim pensava a ): a da !

- AI!! QUE LINDO, AMIGA! – foi a reação da minha hóspede quando eu mostrei a peça. – Você vai ficar maravilhosa nele! E vai com o ainda, o vai morrer de inveja e vai dar tudo certo! O me disse que ele ficou todo bobo quando contou do beijo de vocês. – ela sorria animada. Espera, o quê? Ela está se entregando mesmo?
- Hum, e desde quando você e o andam se falando? – há, peguei, arregalou os olhos, perdeu a fala... Achei o pote de ouro que ela escondia. – Hein?
- Ah, desde... – ela parecia procurar em sua cabeça uma história para me contar. – Ele ligou aqui atrás de você e eu atendi, foi isso.
- Hum, e há quanto tempo ele vem ligando aqui enquanto eu não estou? – não estou entendendo o motivo da mentira, mas ela vai acabar me contando.
- Foi... Foi só hoje que ele... Que ele ligou. – travando.
- O que está havendo, ? Você nunca foi de mentir para mim... – sorri, encorajando-a a contar. – Pode me contar o que quer que seja e se for segredo dele, eu posso entender.
- Estamos ficando há um mês. – ela disse baixando a cabeça. Espera, o quê? – Ele passou um dia aqui te procurando e você não estava e o tava com a babá, aí a gente começou a conversar e ele me disse que tinha gostado de conversar comigo e voltaria mais vezes. Bem, ele voltou, então uma coisa levou à outra e a gente tá ficando.
- Tá, não quero mesmo cortar o teu barato, , mas o é mulherengo, tem certeza do que está fazendo?
- Ah, , eu sei que ele não fica só comigo, mas eu me sinto tão bem perto dele que não consigo evitar. – ela sorria de canto. – Ele é lindo, me trata bem, beija bem, tem o sorriso mais contagiante do mundo e a risada mais gostosa que eu já ouvi.
- Não tá apaixonada, tá? – perguntei levantando a sobrancelha. Diz que não, por favor, diz que não!
- Claro que não. – ela respondeu segura, mas eu, nem tanto. – Eu gosto de estar com ele, mas um mês não diz muita coisa, certo?
- É, que bom que pense assim... – sorri e a abracei. – Apesar de mulherengo, eu sei que o pode ser o príncipe encantado. Que bom para você!
- Obrigada, amiga. – ela sorriu contente. – Agora vamos, dona , a senhorita ainda tem que ver que calçado usar com esse vestido perfeito e quais pulseiras e brincos!
Subimos para o quarto e eu conferi que o estava brincando feliz antes de continuar. Já lá dentro, começamos a revirar os calçados e eu descobri uma sandália de salto alto prata com várias tiras finas que subiam e envolviam todo o meu tornozelo com alguns strass, ela combinaria perfeitamente. Depois, encontrou umas pulseiras e colocou ao lado do vestido estendido na cama ao lado da sandália, por fim, ela pegou uma dela mesma, também com strass. Estava tudo pronto, dali dois dias seria o baile.
- Vai ficar linda, amiga! – sorriu feliz. De repente tocou a campainha. – Tá esperando alguém?
- Não, achei que você estivesse... – a olhei estranho.
- MÃÃÃÃÃÃE!
gritou no andar de baixo. Descemos correndo e o encontramos com a porta aberta e um entregador de pizza na porta, olhei interrogativamente para que deu de ombros dando a entender que não sabia de nada. Cheguei perto do que me olhava sorrindo.
- Pedi pizza, paga?! – como é que é?
- Você que pediu? – estava indignada com esse garoto, como assim ele tinha ligado e pedido a pizza? – Com autorização de quem você fez isso?
- Ah, sei lá, vocês não tavam fazendo janta e eu tô com fome, aí eu pedi. – ele deu um sorriso mais angelical possível, eu não conseguia acreditar.
- Tá, tudo bem, só porque o entregador teve todo o trabalho. – paguei o moço, que suspirou aliviado e foi embora. – Mas nós dois vamos conversar, . Que história é essa? Por que você não me pediu se estava com fome?
- Achei que você não ia me escutar. Eu tava afim de pizza, mãe! – ele choramingou um pouco e eu suspirei, me acalmando.
- Certo, vamos comer essa pizza, mas da próxima vez que isso acontecer, você vai quebrar seu cofrinho, mocinho!
- Tá bom! – ele sorriu abertamente, abrindo a pizza e pegando um pedaço com a mão mesmo.
- Ei! Cadê seus modos? Cadê o prato? E essa mão, tenho certeza que não lavou... – olhei séria para ele, que fez bico, largou a pizza dentro da caixa e foi até o banheiro.
- Credo, , como você é chata! – ralhou um pouco. – Deixa o menino em paz.
- Mas, , veja se tem cabimento pedir uma pizza sem a minha permissão?
- Pior foi a pizzaria que atendeu ao pedido... – ela sorriu dando uma mordida no pedaço que pegara. Balancei a cabeça negativamente e vi voltar.
- Por que a tia pode comer com a mão e eu não? – olhei feio para ela.
- Porque a tia é uma porca e você não. – sorri e ela fez cara de mal para mim.
Pouco depois da janta o meu filho foi dormir e eu cuidei da louça com minha amiga. Algum tempo depois, conversando sobre o baile, o , eu ir com o e o e a namorada, fomos dormir com a certeza de que essa festa prometia.


Capítulo 6 - Dia do baile



Chegou o sábado, dia da tal festa da Rolling Stone e eu estava um pouco nervosa pelo fato de nunca ter estado em um evento de tamanha importância antes, não sabia como iria me portar, apesar do e do terem me garantido que era uma festa comum, sem nada fora do normal. Não vi mais o e nem falei com ele desde o dia do beijo.
foi lá em casa para ajudar a me arrumar, por isso, ela e ficaram dividindo as tarefas enquanto eu tomava o banho. Ainda faltavam 3 horas para o chegar, então não me incomodei em tomar um banho rápido, coloquei a cabeça embaixo do jato forte do chuveiro e fiquei sentindo a massagem, depois lavei bem os cabelos e o corpo. Ao sair do banho, me enxuguei bem com a toalha e vesti um shorts e uma camiseta para não transpirar ou amassar o vestido, coloquei a toalha nos cabelos e saí.
No meu quarto tinha três vezes mais maquiagem do que eu jamais havia comprado em vida, além de chapinhas, babyliss e secador ligados em três tomadas diferentes. O vestido estava bem passado e estendido em cima da cama, ao lado dele estavam toda e qualquer jóia/bijuteria que combinasse e, por incrível que pareça, nenhuma era minha, no chão, ao lado da cama, jazia minha sandália em perfeitas condições de uso, já que só a usei uma vez, e em cima da poltrona, uma bolsa bonita que me emprestaria.
ficou com a maquiagem, e eu estava confiante (ela já fez curso pra isso). Pedi que não fizesse nada muito forte ou exagerado, uma maquiagem simples combinaria mais com o vestido e me daria mais confiança. Meus olhos foram bem delineados para deixar um ar mais sexy, como ela mesma me disse, sem perder a classe e a leveza que o momento pede, por isso, na boca ela só passou um gloss, para deixar mais natural, colocou cílios postiços para “marcar bem o olhar”. Para completar, bastante blush rosado ressaltaram minhas maçãs do rosto.
Enquanto isso, prendeu meu cabelo num coque, deixando minha pequena franja de lado solta, o coque era um pouco frouxo e tinha muitos fios soltos, nesses fios, ela passou o babyliss, deixando-os cacheados. Colocou um prendedor de strass que servia mais para enfeite do que para prender efetivamente, já que quem cumpria esse papel era o monte de grampos de cabelo pretos.
Estava quase pronta e o já estava lá embaixo com o . desceu para fazer sala e ficou para me ajudar com o vestido. Tirei a camiseta com muito cuidado e depois o shorts, então minha amiga caminhou até mim com o vestido aberto nas mãos e eu o vesti por baixo, com cuidado, ela fechou o zíper e pegou a sandália, ajudando-me a colocar.
- , pode descer. – eu disse a ela, queria um tempo sozinha para respirar. – Já sei qual pulseira e brinco vou usar, desço num instante.
- Tudo bem, não demore. – ela sorriu e foi até a porta. – Vou levar a sua bolsa.
Assenti e ela saiu. Peguei a pulseira de strass que iria usar e o brinco compridinho e os coloquei, depois caminhei até o espelho e me observei. Modéstia a parte, eu estava absolutamente maravilhosa, o vestido obteve o caimento perfeito, a maquiagem estava linda e o cabelo nem se fala, as jóias (eram ouro branco) casaram perfeitamente com tudo e a sandália era visível, já que o vestido era aberto, mas combinou perfeitamente.
Respirei fundo e caminhei até a porta, chegou a hora. Desci as escadas com cuidado e vi todos se virarem na minha direção, , e me olhavam boquiabertos, e , que já me vira com o vestido, olhava orgulhosa para o trabalho feito. Pude ver que estava com um smoking preto muito bem alinhado e o cabelo penteado à sua maneira, em pé na frente do sofá e conforme eu fui me aproximando do pé da escada, ele ia se movimentando na mesma direção, fazendo com que nos encontrássemos exatamente quando cheguei ao último degrau, o rapaz estendeu o braço, que eu segurei, e entregou-me a bolsa.
- Você está linda, . – ele elogiou.
- Obrigada, você também! – sorri para ele.
- Ok, olhem para cá, essa nossa obra prima tem que ficar registrada. – chamou com uma câmera digital nas mãos.
Sorrimos para as 30 fotos que elas tiraram e finalmente conseguimos sair. ajudou-me a entrar no carro e deu a volta para entrar no lado do motorista. Já dentro do carro, ele deu a partida e nós fomos.
- Nem acredito que estou acompanhando um Mcfly... – comentei para quebrar o silêncio que instalava-se entre nós.
- Ah, nem é grande coisa... – ele soltou uma risada gostosa e eu o olhei como quem diz: “Aham, senta lá”. – Tá bom, você é uma garota de sorte.
- É, eu sou mesmo. Se me dissessem há 10 anos que hoje eu estaria aqui, nesse vestido maravilhoso, indo para a festa do ano, acompanhada de um Mcfly, eu nunca acreditaria. – ele sorriu de lado, prestando atenção na pista. – Estou nervosa...
- Não tem motivo, , mas lembre-se que o e eu estaremos lá para o que precisar. – ele segurou minha mão e a apertou, passando-me confiança. – Talvez goste de saber que já tenho um apartamento em potencial para você.
- O quê? Como? – perguntei surpresa.
- É, falei com o meu corretor e disse exatamente o que você queria, cheguei a desenhar para ele. – o rapaz sorria divertindo-se ao lembrar, provavelmente. – Ele disse que tinha o apartamento perfeito e com algumas negociações, chegaríamos ao preço que você pode pagar. Você só precisa visitar o lugar e ver se está de acordo.
- Obrigada, ! – o abracei na medida do possível. – Você é o melhor! Quando posso ver o lugar? – perguntei entusiasmada.
- Quando quiser. – ele sorriu. – Mas amanhã falamos disso. Chegamos.
Ele parou o carro na entrada e um rapaz abriu a porta do carro para mim, quando saímos, vi um valete levar o carro de para o estacionamento. Entramos de braços dados e muitos fotógrafos começaram a tirar fotos loucamente, seria uma ótima história, não acha? O McFly que rouba a mãe do filho do amigo?! Seu eu fosse jornalista de fofocas, garantiria pelo menos 100 palavras para essa matéria.
Depois de passar pelo corredor de jornalistas, caminhamos até um senhor que muito gentilmente nos conduziu até a mesa. Posso afirmar que havia muita gente elegante e bonita, assim como também havia algumas atrizes com vestidos horrorosos e cabelos mais feios ainda, na minha opinião, é claro. Quando chegamos à mesa do Mcfly, notei que já estavam todos lá, , , e , colocados numa mesa redonda e o único lugar sobrando era entre o e a , para o , obviamente.
- Você está maravilhosa, ! – levantou para me cumprimentar. – Sério, nem sei o que dizer...
- Obrigada, !
- , minha linda! – sorria, também em pé, e abraçava-me com cuidado. – Você nem parece aquela médica despojada que eu conheço, está absolutamente de tirar o fôlego. – fiquei um pouco vermelha, mas foi disfarçado pela pouca iluminação e o blush que eu usava.
- Oh, , você é um amor. – dei-lhe um beijo na bochecha. – Estão todos maravilhosos.
Foi nesse momento que notei o vestido curto que usava, era vermelho, extremamente colado e um tanto quanto vulgar para mim, mas tinha um caimento bom para o corpo dela, seu cabelo curto estava liso como de costume e sua maquiagem era forte. Obviamente, olhava-me com cara de “poucos amigos”.
- Srta. ? – ouvi o senhor que acompanhava-nos, me chamar. – Sua mesa é por aqui.
- Ah, claro. – sorri para ele e me virei para as pessoas na mesa. – Foi um prazer vê-los, e obrigada, .
- Foi um prazer, .
O senhor levou-me até a minha mesa e pude notar que estava na companhia de Jim Sturgess, o “Jude” de Across the Universe, uma garota morena, bonita, mais ou menos da minha idade, que fiquei sabendo mais tarde ser a irmã dele e a mais jovem autora de alguns livros adolescentes, e Joe Anderson, que também atuou no filme Across The Universe, mas no papel de Max. Quase surtei quando vi que ia dividir mesa com eles, era uma honra, sério.
- Srta. , sua mesa. – o senhor puxou a cadeira e eu me sentei, ainda chocada com as pessoas daquela mesa.
- Obrigada. – respondi sem olhá-lo e encarei os três. Estava sentada diante de Joe, ao lado de , irmã do Jim, que estava sentado do outro lado dela. – É um prazer conhecê-los, sou . – apresentei-me.
- Eu sou Jim Sturgess, essa é minha irmã, Sturgess, e esse é Joe Anderson. – Jim apresentou-os, apontando cada um e sorrindo, estendendo a mão que eu apertei. E sim, eu os chamava pelo primeiro nome.
- Eu sei quem vocês são, Across the Universe é o meu musical preferido! – soltei sem querer.
- Ah, que bom que gostou, trabalhamos duro nesse. – Jim deu uma piscadinha para Joe que riu. – Você é a mãe do , não é? – COMO ASSIM ELE SABE QUEM EU SOU?
- Aham. – respondi surpresa. – Como sabe?
- Toda vez que você sai na rua, alguma coisa sobre você aparece, é difícil não saber. – dessa vez quem respondeu foi Joe. – A gente abre o jornal procurando alguma coisa sobre nós, mas só aparece você... – ele ria divertido, tal como todos nós na mesa.
- Desculpe por isso! – sorri, estava sentindo-me mais a vontade ali.
- Mas então, por que não está na mesa com o Mcfly? – perguntou, finalmente entrando na conversa. – Quer dizer, não que eu não queira você aqui, mas estranhei.
- Sabe de uma coisa? – perguntei. – Eu também! É estranho, não é?! Mas se posso admitir para vocês, estou muito mais à vontade aqui, do que com a namorada do . Ela não gosta nenhum pouco de mim. – fiz uma careta e eles riram.
- Então, não gostamos nenhum pouco dela também! – Jim exclamou e Joe o apoiou.
- Eu também não vou muito com a cara dela... – comentou. – Eu gosto de Mcfly, não sou uma grande fã, mas gosto, e parece que ela está sempre tentando atrasar a banda e subir por conta deles.
- Nem me fala. – rolei os olhos.
- Já tentou dizer isso pra ele? Digo, ele é pai do seu filho, vocês devem conversar bastante...
- Na verdade, quando tentei falar isso para ele, ele ficou bravo e não nos falamos desde então. – suspirei e vi no rosto deles a expressão de quem não acredita. – Mas ele continua vendo o filho normalmente, só não vê a mim.
- Sinto muito por isso. – eles disseram. Uns fofos...
- ? – ouvi atrás de mim. – Boa noite! – ele cumprimentou o resto da mesa, que o cumprimentou de volta. – Será que posso falar com você?
- Claro! – sorri para ele. – Com licença.
Levantei da mesa e fui com até um jardim afastado da festa, muito bonito por sinal, tal como o resto da decoração, que já conto como era. Paramos em um lugar onde nem que quisessem os jornalistas poderiam nos encontrar e eu queria arrebentar o por me trazer naquela grama toda de salto fino, com certeza eu ia me descuidar, o salto ia afundar e ficar cheio de terra.
- Eu falei com a organização da festa e eles me disseram que não te colocaram na mesa porque não queriam que a fizesse um barraco com você aqui. Porém, depois de muito conversar, consegui que eles mudassem se você quiser, e então?
- Ah, obrigada, ! Mas você viu quem está sentado comigo? – ele me olhou questionando, nem havia reparado em quem eles eram. – Jim Sturgess, Joe Anderson e Sturgess, desculpe, mas prefiro ficar acompanhada por eles à encarar a a noite toda!
- Tudo bem, você quem sabe... – ele sorriu um pouco triste e eu passei a mão em sua bochecha.
- Não faz essa cara, eu sei o esforço que foi para você conseguir mudar de mesa, mas não tem como ficar com ela a noite toda e não ter uma péssima noite.
- Te entendo, estou fugindo de lá sempre que posso... – ri. – Vem, vamos voltar para lá.
Voltei e, ah sim, a decoração da festa. Era tudo ao ar livre e com pouca iluminação, todas as mesas ficavam ao fundo, mais a frente havia uma animada pista de dança e a frente dela estava um palco com uma banda desconhecida, porém agradável, tocando. As toalhas da mesa eram de uma seda coral, o castiçal em cima da mesa era alto e bonito, com três velas grandes e brancas em cima flores ao redor, parecendo trepadeiras.
A festa continuou calma para nós, veio o champagne e todos nos fartamos dele, depois alguns aperitivos (descobri que nessas festas não há comida, apenas aperitivos), começaram as apresentações, os discursos e as honras a cada membro da revista e aos convidados presentes, alguns até foram agradecer e discursar. Confesso que essa parte foi chata, mas passou rápido, logo, voltaram a tocar as boas músicas e as pessoa voltaram para a pista de dança.
- ? – apareceu do além. – Quer dançar comigo? – GELEI!
- Ah... – meu cérebro travou por uns segundos. – Tá, claro.
Levantei-me e segurei em seu braço, ele me conduzia sem pressa até a pista de dança, até que chegamos lá e ele segurou minha cintura e eu passei meus braços no pescoço dele, dançando a música lenta que tocava. Eu me perguntava o que ele estava querendo e onde estava que havia permitido uma coisa dessas, não falava absolutamente nada, apenas dançava e isso estava me intrigando, qual o motivo daquela dança?
- Ãhn, ? – perguntei em seu ouvido, sem parar de dançar, e ele me respondeu com um resmungo. – O que você pretende com essa dança? Sua namorada permitiu? Porque eu não quero barracos numa festa assim...
- está no banheiro, terminaremos antes dela voltar. – ele disse simplesmente. – Pensei no nosso beijo ontem...
- Acha certo dançar escondido da sua namorada? Porque eu não... – tentei mudar de assunto, não queria cortá-lo e muito menos assumir que também pensei no nosso beijo.
- Foi tão calmo, tranqüilo, sem pressão e sem selvageria. – eu podia sentir que ele estava sorrindo e sorri também. – Eu gostei dele.
- , aquilo foi errado e...
- Errado é você se aproveitar do meu namorado quando não estou presente! – falou relativamente alto, fazendo-me soltar no mesmo instante.
- Viu? – olhei para ele. – Foi por isso que eu não quis dançar com você. Sua namorada é maluca.
- MALUCA? – ah, essa barraqueira vai me causar problemas!
Saí quase correndo dali antes que ela continuasse gritando e nós saíssemos no tapa. Depois de algum tempo andando com certa velocidade, comecei a caminhar até o jardim onde havia me levado pouco antes, sem perceber que estava sendo seguida.
Parei por um tempo e sentei numa daquelas cadeiras de ferro brancas próprias para jardim, respirei fundo e soltei devagar, algo me dizia para ficar ali por um tempo. E esse algo estava certo, Jim aproximou-se e sentou na cadeira ao meu lado.
- Oi. – ele disse. – Desculpa ter te seguido, mas seus amigos estão tentando convencer a garota lá a ir embora e não puderam vir aqui, então, eu me prontifiquei.
- Não tem do que se desculpar. – disse simplesmente, de cabeça baixa. Então levantei a cabeça e o olhei nos olhos. – Sabe o que eu não entendo? Ele sabe que não pode me ver porque ela proibiu, então ele pede pra dançar comigo numa festa que é muito deselegante recusar e fala no meu ouvido que pensou no nosso beijo de dias atrás. Eu não sou apaixonada por ele nem nada, e nem gosto da , mas ela o priva de tudo, se ele pensou no nosso beijo, talvez ele não goste dela tanto assim, então por que ele está com ela?
- Não sei essa resposta. – ele sorriu sem graça. – Mas acho que ele está dividido entre uma relação estável e uma que ele quer estar e tem medo de dar errado, afinal, se algo der errado é pior, vocês tem um filho.
- Não tem como ficar pior, Jim. Eu resolvo as coisas do com a mãe dele! – argumentei. – E a relação dele não é estável, ele pode sair da banda porque os amigos dele não aguentam viajar com ela nas turnês.
- Ele não sabe se decidir, é isso. – grande novidade. – Você não quer ficar com ele?
- Claro que não! – respondi certa do que estava dizendo. – Eu só não quero me afastar dele porque foi por ele e pelo que eu vim, eles são a minha família aqui.
- Tudo bem, não vou contestar. – ele sorriu amigável. – Vamos mudar de assunto, quer dançar?
- Mas não tem música aqui... – comentei, então ele se levantou e me puxou, fiquei em pé e nos posicionamos para dançar em cima do único pedacinho de calçada que havia em todo aquele jardim. – Eu posso cantar.
Sabendo que eu gostara do musical do Beatles em que atuou, Jim começou a cantar em meu ouvido, exatamente como no filme.

[n/a: coloque para tocar essa música]

Close your eyes and I’ll kiss you,
Tomorrow I’ll miss you
Remember I’ll always be true
And then while I’m away
I’ll write some everyday
And I’ll send all my loving to you…


Nesse momento, me senti como se estivesse no filme e imaginei todo o instrumental da música acompanhando-nos conforme dançávamos e ele cantava com sua voz afinada na mais perfeita sincronia. Não que eu não adorasse a versão Beatles da música, mas com certeza a versão Sturgess prevaleceria em minha cabeça cada vez que eu pensasse em tal música.
Estávamos girando mais rápido agora, rindo alegremente do quanto parecíamos ridículos dançando quase sem música em um jardim completamente vazio, quando uma das festas mais importantes do ano, com música de verdade, acontecia há alguns metros de distância. Meu vestido rodava a cada giro, abrindo-se como uma flor quando o vento lhe invadia, os fios soltos do meu cabelo dançavam conforme os nossos movimentos e eu nem podia me lembrar de coisa alguma que não fosse aquele momento e a cena do filme em que Jude cantava “All my loving” para a namorada. De repente eu estava feliz de novo, digo, realmente feliz, e com alguém que eu não conhecia de verdade, mas cujo sorriso fazia-me crer que todos os problemas poderiam sumir, pelo menos nos 2 minutos e 31 segundos que estivéssemos dançando aquela música.
Jim passava suas mãos nos meus quadris como se ajudasse a me movimentar e eu o acompanhava, olhando diretamente em seus olhos, assim como ele olhava nos meus, sorrindo lindamente para mim como se me certificasse de que aquilo não precisaria acabar nunca. Totalmente romântico e divertido ao mesmo tempo, ele fazia passos dos anos 60 e eu dava gostosas gargalhadas, finalmente me divertindo.

All my loving I will send to you!

Só quando ele cantou a última frase que eu pude ver que estava parado ao longe, observando-nos em silêncio. Pedi licença ao Jim e caminhei até ele.
- Vim me desculpar pela e me despedir. – ele disse quando me aproximei. – Mas quando cheguei, você parecia ter esquecido o motivo de estar aqui, afinal... – na verdade, por alguns minutos eu realmente esqueci.
- Desculpe-me por já não dar atenção ao que a sua namorada fala, ! – tentei falar isso o mais suavemente irônico que consegui.
- Estou vendo que não, mas depois do que eu te falei sobre o beijo, você vem se encontrar com outro cara? – ele disse em tom de indignação.
- Outro cara? – me alterei um pouco. – Ele não é outro cara, ele é um cara, porque eu não tive um outro cara!
- E eu? – ele perguntou. – E o nosso beijo?
- Você nem sequer pode me ver, quanto mais ser algum cara pra mim. – falei com certo deboche. – O nosso beijo foi um impulso, uma coisa de momento que não vai mais acontecer, um e...
- Não diga erro! – ele pediu. – Não foi um erro, eu quis te beijar, eu quis esquecer a naquele momento e te dar aquele beijo e isso não foi um erro, essa talvez tenha sido a coisa mais certa que eu fiz nos últimos dias, !
- Você a ama? – era uma pergunta simples para quem estava há mais de um ano com a mulher, porém, ele não respondeu. – Se você a ama como já me afirmou outras vezes, por que quis me beijar no outro dia? – sem lhe dar tempo para responder, eu continuei. – Porque você foi acertado pelo controle remoto da televisão que ela jogou propositalmente pra te acertar, você estava com raiva dela, e se pudesse beijar a pessoa que ela mais odeia no mundo, talvez estivesse vingado.
- Por que você retribuiu o beijo? – ele indagou.
- Porque eu estava carente, faz algum tempo que não fico com ninguém e você é atraente, eu sei lá. – respondi vagamente, não tinha uma resposta plausível para essa pergunta.
- E por que eu não paro de pensar em você desde que aconteceu?
- Porque eu represento estabilidade na sua vida, coisa que a sua namorada não tem, já que o seu relacionamento com ela é cheio de altos e baixos. Você precisa de uma namorada tranquila, estável, que te apóie, e eu sou a figura mais próxima disso que você encontrou. – meu Deus, de onde saíram todas essas respostas?
- Se você quer ficar com o carinha aí, tudo bem, tenho que admitir que ele parece mesmo legal.
- , nós não temos futuro juntos! – queria esclarecer isso de uma vez por todas.
- Não estou pedindo um futuro, estou pedindo um presente. – ele respondeu. – Mas se você acha que ele poderá te dar esse futuro tão promissor que você imagina, vá em frente, quem sabe você não tem um filho dele também?! Aí, quando isso acontecer e ele já tiver estragado todo o relacionamento com a namorada dele, você pode dizer que o beijo de vocês foi um erro e que vocês não têm futuro juntos. – me ofendendo? Era assim que ele queria resolver as coisas? Estava puta da vida com essas afirmações ridículas, quem ele pensa que é?
- Não põe o nessa sua história absurda! – gritei para ele. - Eu não engravidei pra te dar um golpe!
- Tudo bem, seu namorado te espera, acho melhor você ir... – ele respirou fundo e virou-se para ir embora.
- Vai embora assim? Simplesmente me ofende e vai embora como se não fosse absolutamente nada?
- Você não era nada! – ele gritou. – Você virou alguma coisa quando eu decidi assumir o . - ele passou as mãos no cabelo e respirou fundo.
- Como é que é? – perguntei, ainda mais decepcionada com ele do que antes.
- , eu...
- Eu não era nada, foi isso que você disse? – perguntei contendo algumas malditas lágrimas. – Eu era uma estudante com um futuro promissor em Florianópolis, eu poderia ter criado o meu filho nas melhores condições e você nem saberia de sua existência! Eu sou conhecida por sua causa, mas ninguém nunca disse que isso era uma coisa boa.
- Desculpe, não quis dizer aquilo... – ele suspirou. – É que você me tira do sério! Achei que ia dar certo dessa vez.
- Esperava que você entendesse da melhor forma possível.
- Entendi que você não quer ficar comigo da melhor forma possível, pode deixar!
Então ele saiu caminhando e eu o observei até sumir na escuridão. Olhei para Jim, sentado em uma das cadeiras de ferro olhando as próprias mãos, então, ele levantou a cabeça, me olhou e sorriu. Nesse instante eu soube que havia tomado a decisão certa. era meu passado e seria sempre, eu poderia nunca mais ver o Jim na minha vida, eu poderia nem ficar com ele essa noite, mas a sensação de estar certa, o doce som da razão, soava em meus ouvidos naquele momento, e se eu beijasse Jim Sturgess naquela festa, com certeza já estaria realizada!
- Está tudo bem? – ele perguntou, levantando-se. – Você tem que ir?
- Não... – sorri. – Posso ficar quanto tempo quiser.
Então ele abriu seu sorriso mais lindo e se aproximou de mim, colando calmamente os lábios nos meus e iniciando um beijo. Foi o momento mais aleatório da minha vida, pelo menos por enquanto, talvez não tenha sido uma surpresa, considerando o momento, criamos um clima que foi quebrado e, no entanto, ele conseguiu recuperar totalmente. Jim seria uma caixinha de surpresas sempre.
O resto da noite foi tranqüilo, nós conversamos muito, nos conhecemos, dançamos, nos beijamos às escondidas – já que nenhum de nós queria se expor assim – e depois ele me levou para casa, quase no fim da festa. , e foram embora pouco depois que o , disseram que estavam cansados e que no outro dia teriam uma conversa difícil sobre o futuro da banda, confesso que fiquei preocupada, mas me meter nesse assunto de novo poderia causar mais confusão do que nunca.
Jim me deixou em casa, eu me despedi dele dentro do carro e caminhei em direção à porta. Ele até tentou entrar, continuar nosso encontro, mas não sou mais desse tipo, então ele se contentou em ficar com o meu número de telefone e me ligar no dia seguinte. Entrei em casa fazendo menos barulho possível e subi até o quarto, onde tirei o vestido e coloquei a calça azul-bebê com listras brancas e a blusa branca do pijama e fui ao banheiro para tirar a maquiagem e soltar os cabelos. Depois de pronta, deitei-me na cama e dormi.

Domingo, 10:30 da manhã e eu acordando, não sei por que não consigo mais dormir até tarde. Levantei da cama após uma tentativa frustrada de dormir novamente e fui até o banheiro tomar o banho que fiquei com preguiça de tomar antes de dormir. Tirei o pijama e o larguei no chão do banheiro, verifiquei a temperatura da água e entrei no box. Enquanto a água quente descia com força e passava sobre todo o meu corpo, eu lembrava cada momento da festa, desde a entrada com , até a saída com Jim, lembrava da declaração torta do e da conversa que os rapazes disseram que iam ter com ele. Disso a minha cabeça viajou pelas coisas que o me disse dias atrás, sobre a banda não suportar a e estar tendo problemas com os barracos dela, talvez os garotos fossem tirar ele da banda. Como não me preocupei com isso antes? Tá, eu sei que já sabia, mas não estava em condições de pensar nisso ontem, se é que me entende. Mas agora eu sentia que precisava fazer alguma coisa e não sabia o quê.
Com pressa, desliguei o chuveiro e peguei a toalha branca que estava pendurada, enrolei-me e caminhei até o guarda-roupa. Encontrei uma calça jeans clara (única limpa), uma blusa regata branca e um bolero marrom escuro, ficando de meias, em seguida fui para o banheiro, onde ajeitei meu cabelo molhado com a escova de cabelo e passei pó, rímel e batom, sem me preocupar muito. Tirei da bolsa de festa o meu celular, documentos e dinheiro, e coloquei tudo na bolsa que normalmente usava, uma de ombro, preta. Verifiquei que estavam todos dormindo e deixei um bilhete na cozinha dizendo que me ligassem se precisassem, depois coloquei as botas montaria marrons que estavam na porta, peguei as chaves do carro e saí.
Dentro do carro, tirei os óculos escuros do estojo e os coloquei, depois peguei o telefone e liguei para o no viva-voz, eu precisava impedir que eles fizessem o que eu achava que eles iam fazer. Por que estou me metendo nesse assunto que nem me diz respeito? Não tenho a menor ideia, mas conheço e gosto demais desses meninos para saber que sem um dos integrantes originais, a banda nunca mais seria a mesma, e o fim dela seria próximo.
- ! – gritei quando ele atendeu. – Onde você está?
- Em casa, ... Dormindo! – é, talvez a conversa fosse à tarde. – O que você está querendo comigo à uma hora dessas?
- A conversa com o , sobre o que é?! – perguntei.
- Você está dirigindo? Garota, por que você está na rua às 11:00 da manhã? Volte a dormir!
- ! – gritei de novo. – Sobre o que é a conversa?
- Ok, é sobre a permanência dele na banda. – ele suspirou. – Vamos dizer para ele escolher entre a banda ou ela, os dois juntos não dá mais.
- Não faz isso! – pedi desesperada.
- Ele vai nos escolher, , não tenho dúvidas.
- É, mas vocês serão sempre aqueles que o separaram da mulher que ele gostava, os chantagistas. E ela será a mocinha da história.
- nunca será uma mocinha de história, afinal, ela não pediu para ele escolher entre vocês duas? – droga, ele tinha razão.
- Me dê um tempo para falar com ele, deixe-me ser o cara mau da história e botar algum juízo na cabeça dele, se não der certo, vocês conversam, pode ser?
- , o que você...
- Pode ser, ?
- Pode, vou falar com os caras. Mas o que você vai fazer?
- Sou uma , meu caro, vou resolver os seus problemas!
Dirigi mudando os rumos e indo para a casa de , onde sabia que meus problemas começariam assim que encontrasse a cara daquela vadia que estragava tudo que tocava. Estacionei na rua, em frente ao prédio e pedi educadamente ao porteiro se estava em casa, e ele me respondeu sorrindo que não.
- Vou avisar o Sr. que você está aqui.
- Obrigada. – fiquei esperando.
- Ele disse que pode subir.
- Certo, obrigada!
Caminhei até o elevador e apertei o botão do andar dele, subindo e encontrando a porta aberta e ele parado no batente, esperando a minha chegada com uma cara não muito agradável, diga-se de passagem. Respirei fundo e caminhei para fora do elevador, ele abriu passagem para eu entrar. Seria uma conversa difícil, complicada, porém, nossa situação não poderia ficar pior do que já estava.
- Está fazendo o que aqui? Sabe que eu não posso te ver. – ele disse amargo.
- Vim perguntar o que você está fazendo da sua vida. – o olhei firme. - Está afundando sua banda, e sabe disso, por quê?
- Por que isso te interessa? Você não me quis, deixou isso bem claro ontem. – suspirei e revirei os olhos, odeio quando ele se faz de criança.
- Você tem uma namorada, e isso nem está em discussão aqui. O que eu vim fazer é tentar colocar um pouco de juízo nessa sua cabecinha oca, ! Você não pode depender de mim ou dos seus amigos, ou da , tem que fazer as coisas por si próprio, se quiser sair da banda, saia, se quiser terminar com ela, termine, se quiser parar de falar comigo, pare, mas faça isso por você, porque você quer! As pessoas não vão estar sempre esperando sua decisão, ou você acha que a sua namoradinha vai continuar com você quando você sair da sua banda?
- Mas eu não vou sair da banda, quem disse isso? – ele franziu a testa ao perguntar.
- Seus amigos, eles acreditam que com todo o interesse que você tem demonstrado pela banda, você provavelmente vai querer sair e se dedicar a sua namorada. Mas nós dois sabemos que ela não está com você por amor, e sim porque você conseguiu fazer alguém enxergar a existência dela, se liga!
- Vocês estão errados! Todos vocês! Ela não é assim, quando estamos juntos ela é carinhosa, dedicada, selvagem às vezes, ela é legal.
- ELA TE JOGOU UM CONTROLE NA TESTA! – gritei indignada, como era possível que ele fosse tão estúpido?
- Foi sem querer... – Ttentei me controlar para eu mesma não jogar um controle nele.
- Eu não vou discutir! Só que assim, seus amigos vão te dar um ultimato, eles ou ela, e francamente, não acho que ela mereça ser uma prioridade maior que a banda na sua vida, mas é você quem decide. – fui dirigindo-me para a porta, mas o ouvi atrás de mim.
- Mas eu faço parte da banda, eu tenho que estar lá.
- Você não está lá, não está aqui, não está com a sua mãe e muito menos com o , você está em todos os lugares, preenchendo mal e porcamente todos os papéis que se comprometeu a cumprir. Já conhece todas as opiniões que te importam, acho que sabe o que fazer. – falei firme, com um tom de voz que usava raramente.
- Mas eu não quero ficar sozinho, ! – ele resmungou baixinho, notei que estava com a voz embargada. – Festar e ficar com meninas diferentes a cada dia é legal por um tempo, mas eu gosto de ter uma namorada, de apresentá-la a todos, de ficar juntinho pra assistir filme, essas coisas. – respirei fundo e caminhei até ele, sentei-me ao seu lado no sofá e o abracei, fazendo um cafuné como fazia com o quando estava triste.
- A não é essa pessoa, sabe disso. Você não precisa de uma namorada pra fazer essas coisas, precisa de uma amiga, e namoradas você ainda pode ter quantas quiser. Pense no que está sacrificando por ter medo de ficar sozinho, não acha que é um preço muito alto a pagar?
- Acho que você tem razão... – soltei um suspiro baixo de alívio, finalmente ele havia entendido. – Vou ligar para o , preciso de um lugar para estar até ter onde ficar.
- Vou arrumar suas coisas, adiantar pra você.
Levantei animada do sofá e corri até o quarto, tirei a mala de dentro do closet e caminhei até o lado dele, pegando todas as suas roupas e dobrando cuidadosamente para por na mala. Blusas, camisas, calções, calças, roupas de baixo, roupas de banho, objetos pessoais, por incrível que pareça, não tinha muita coisa ali. Andei pelo quarto e procurei até no cesto de roupa suja para que ele não precisasse deixar nada para trás, afinal, não podia arriscar uma recaída.
- Já pegou tudo? – ele perguntou, finalmente aparecendo no quarto com seus calçados dentro de uma mala menor.
- Acho que sim. Vai esperar ela voltar para saber que saiu de casa? – perguntei e o vi assentir. – Quer que eu fique aqui?
- Tudo bem, pode me esperar lá no carro com as malas.
- Ok, como vai saber que ela chegou?
- Pedi ao porteiro que me avisasse, aí você vai no outro elevador, para evitar mais brigas, pode ser? – uma sensação ruim estava passando por mim, e honestamente, eu não achava que ele conseguiria.
- Vou ficar nas escadas, você não pode ter uma recaída.
- Não vou ter, fique tranquila.
O interfone tocou e eu me encaminhei com as malas para o outro elevador enquanto subia. Lá embaixo, obtive a ajuda do porteiro e coloquei todas as malas no porta-malas do carro do rapaz, mas ao invés de ficar esperando lá embaixo, como havia combinado, subi novamente e desci do elevador um andar antes do dele, subi o resto de escada, mas já podia ouvir os gritos e choros da garota histérica do outro lado da porta.
- VOCÊ NÃO PODE ME DEIXAR! – ela gritava em desespero. – VOCÊ É MEU NAMORADO, EU QUE TENHO QUE TERMINAR COM VOCÊ, NINGUÉM TERMINA COMIGO!
- Estou terminando, só esperei você chegar para dizer que estou indo embora. – ele disse, tentando ser firme, mas eu o conhecia o suficiente para saber que ele estava dando espaço à dúvida.
- Foi ela, não foi? Não percebe o que ela fez com a gente? – sensação de que estão falando de mim. – A é uma vadia que está tentando tomar o meu namorado de mim, você não está vendo?
- Você me acertou o controle na cabeça! Acho que não está mais em seu juízo perfeito e...
- EU NÃO SOU LOUCA! – ela gritou de repente. – EU TE AMO, MEU AMOR, NÃO ME DEIXA, POR FAVOR! - de repente, notei que ele abria a porta e ela saía atrás dele. – ENTÃO VAI EMBORA, QUEM PRECISA DE ? ESPERO QUE VOCÊ VÁ PRO INFERNO, SEU IMBECIL!
E ela fechou a porta dramaticamente, chaveando todos os tipos de trinco que conseguia e olhando pelo olho mágico (sim, dava pra perceber). Só quando o elevador chegou ao andar, que eu decidi sair da porta que escondia as escadas e entrar ao lado do garoto. Pude perceber em seu olhar que ele não sabia se era definitivo, não queria ficar solteiro, mas não queria ficar com ela, talvez quisesse a mim, de fato, mas eu não podia arriscar, não com o . Nem lembrava mais de Jim Sturgess até meu celular tocar na garagem do prédio de .
- Oi, Jim. – atendi, vi fechar a cara quase instantaneamente. – Posso te ligar mais tarde? Estou no meio de uma coisa aqui...
Ah, desculpe! Me liga quando puder?
– Certo, tchau.
Desliguei o celular e dei uma corridinha para alcançar , que estava quase na porta do carro. Não quis tocar no assunto “Jim” agora que estávamos progredindo, mas não teve jeito de escapar, ele tocou.
- Está mesmo saindo com ele, não está? - não dava para mentir, mas não queria dizer a verdade, não tão perto da ex como ele estava.
- Talvez. – respondi numa tentativa frustrada de ser enigmática.
- Talvez? – ele soltou uma risada debochada e eu quase relaxei, eu disse quase. – Vocês ficaram depois que eu saí, já estou sabendo. – primeiro eu gelei, mas depois vi um sorrisinho esperto escapando e relaxei.
- Jogando verde pra cima de mim? Meu amor, eu sou perita nisso! – respondi fazendo graça, tentando obviamente mudar de assunto.
- Isso quer dizer que ficou? – parou muito próximo de mim, fazendo com que eu encostasse-me na porta fechada do carro dele e minhas pernas bambearem.
- Isso não quer dizer nada... – respondi com a voz falha. – O que está fazendo?
- O que você quer que eu faça. – ele sorriu, aproximando-se ainda mais, até ficar perigosamente perto.
- E isso não será outro erro? – perguntei muito baixo. Então ele se afastou rindo muito e eu, com cara de pastel, olhando para ele.
- Ta admitindo que quer me beijar, ?
- Seu babaca! – saí brava, caminhando para fora da garagem, queria meu carro, queria ir pra casa, estava envergonhada, chateada. Ouvi passos atrás de mim e de repente, ele abraçou-me por trás e sussurrou em meu ouvido antes de me virar para ele:
- Não fica brava, eu também quero!
Então me deu outro beijo, e, se possível, ainda melhor que o anterior. Esse foi apressado, um pouco mais selvagem e com mais vontade que antes, porque dessa vez eu queria ele e não qualquer um, dessa vez eu não estava carente, estava com vontade, e principalmente, esse era o único erro que eu não me importaria de repetir.
Quando paramos para respirar, eu pude me ver arfando, quase pendurada no pescoço dele, com uma mão em suas costas e outra nos cabelos. As mãos dele espalmavam minhas costas na altura da cintura. Logo voltamos a nos beijar, ar era um elemento facultativo naquela hora.
Uma pena termos sido interrompidos por uma mensagem do Jim naquela hora. Jim! Como fui me esquecer dele?
- Pára, ! – o empurrei com certa agressividade. – Eu... – parei para respirar e, ao mesmo tempo, me preparar para contar. O garoto me encarava um pouco assustado. – Eu estou saindo com o Jim!



Capítulo 7



- Tá brincando? – perguntou incerto e eu fechei os olhos, colocando as mãos no rosto e me abaixando até sentar no chão. – Não tá brincando.
- Desculpa, eu não sei por que deixei você me beijar estando com ele... – levantei a cabeça devagar e pude vê-lo em pé na minha frente, bagunçando os cabelos freneticamente, como se pensasse numa solução.
- Tudo bem, não tem problema. – ele disse, abaixando-se até ficar na minha altura. – Só que você vai ter que escolher entre um e outro, não precisa ser nesse instante, mas deve ser logo, me entende? – apenas balancei a cabeça afirmativamente.
Ele não parecia o mesmo, ficava tão adulto nessa pose, parecia uma inversão de papéis.
- Sinto muito...
- Eu também. – respondeu, ficando em pé novamente. – Vá pra casa e pense bastante, posso ir para a casa do sozinho.
- Ok.
Não tive coragem de me despedir dele com um beijo, então, simplesmente levantei, peguei minha bolsa e saí. Tirei as chaves e abri o carro, entrando em seguida, fiquei alguns segundos pensando e segui para casa. Jim insistia em me ligar e eu insistia em ignorar suas chamadas, sabia que não era justo deixá-lo no escuro, mas naquele momento, eu só queria dormir e sonhar com a solução disso tudo, porque eu não tinha a menor ideia de com quem queria ficar, de quem seria melhor para mim e para o . O era lindo e engraçado, mas era parcialmente irresponsável, e o Jim era um fofo, me tratava bem e se importava comigo, mas eu não o conhecia tão bem quanto ao e AH! Minha cabeça deu um nó, não conseguiria decidir naquele momento, e não podia falar com nenhum dos dois até que decidisse.
Cheguei em casa e encontrei , e loucos da vida porque eu havia sumido antes deles acordarem e só tinha deixado um bilhete, mas poxa, eu deixei um bilhete, podia não ter deixado nada.
- Senta aqui, mocinha, pode começar a contar tudo sobre a festa. – e me sentaram. – , vai brincar.
- Ah, eu também quero saber! – ele ralhou. – O papai estava bonitão?
- Estava sim, . – sorri de leve e o peguei no colo. – Ele era o rapaz mais lindo da festa. – vi e se olharem suspeitas e ignorei. – Conheci Jim Sturgess, sabe? Aquele que atuou em Across The Universe e Quebrando a Banca?
- Não acredito! – os três falaram juntos e boquiabertos.
- Aham, estava ele, a irmã dele e o Max do filme, o Joe Anderson. – eles estavam tão impressionados que eu me empolguei em contar sobre a festa. – O Mcfly estava junto, mas eu estava em outra mesa, a mesa do Jim, do Joe e da , irmã do Jim, e eles foram muito simpáticos e...
- ? – perguntou. – Sturgess? – fiz que sim com a cabeça. – OMG! Eu adoro os livros dela, são tão maravilhosos que eu nem sei... Ah, diz que pegou um autógrafo dela pra mim? Por favooooor!
- Me desculpe, peguei só pra mim. – disse rindo. – Mas quando eu encontrar ela, eu peço um pra você. Nem sabia que gostava de livros adolescentes...
- Eu não gosto, só dos dela. – ela deu uma piscadinha.
Prossegui contando detalhe por detalhe do salão de festas, dos vestidos dos famosos, quem eu conheci, essas coisas. É claro que, na presença do , eu só contei as coisas boas, mas uma hora ele cansou e foi brincar. Então eu comecei a contar para elas as partes que sabia que elas queriam ouvir. Contei tudo, todas as palavras ditas, contei sobre a e do barraco que ela armou, contei que fiquei com o Jim, contei sobre a conversa dos rapazes sobre a permanência do na banda e contei que ele havia se mudado e que eu também tinha ficado com ele. estava boquiaberta e com uma expressão curiosa, como se já soubesse que alguma coisa aconteceria.
- Tá me dizendo que o te pediu pra escolher entre vocês dois e que o Jim não sabe de nada do que aconteceu hoje de manhã? – perguntou.
- Pára com isso, menina! – cutucou ela, repreendendo. – Ela pegou o Jim Sturgess! O maravilhoso e fofo do Jim Sturgess, e ele ainda cantou pra ela! Esquece o , minha filha, lembra que ele já te trocou uma vez.
- Ah, não é bem assim... – começou. – Ele trocou ela porque gostava da ex namorada, ela no lugar dele faria o mesmo...
- Não faria, não! – me defendi, como assim eu faria o mesmo? Óbvio que não!
- Claro que faria. – ela insistiu, e antes que ou eu falássemos ela já tornou. – Você gosta tanto de uma pessoa que faria de tudo por ela, e parar de falar com você não era um preço tão grande, afinal, vocês tinham um filho e ele poderia cuidar de você à distância, ou vocês acham que a mãe dele nunca contou nada pra ele? Que o e o , que conversam tanto com a , nunca contaram nada pra ele? Ou mesmo o , que é o mais distante da e, no entanto, fala com a 20 vezes por dia, nunca contou nada do que ela fala pra ele? Não falar contigo não quer dizer que ele não estava nem aí pra você, .
- Ah, cala a boca, ! – se exaltou. – O a largou na mão quando ela mais precisou, é hora de largar ele na mão também.
- Isso é uma tremenda mentira, e você é louca! – também se exaltou. – Ele a largou num momento qualquer da vida dela, a não precisava de ajuda financeira, nem tinha perdido nenhum parente e muito menos tinha levado um pé na bunda, ela estava mais do que bem, obrigada!
- , tira essa mulher daqui, eu vou dar uns tapas nela! – levantou e também.
- Calem a boca as duas! – pedi. – Vocês não entendem? Eu não sei com que eu quero ficar, não estou pesando que cada um fez pra mim, porque o Jim nunca fez nada, ele nem me conhecia!
- Exatamente, essa é a hora de conhecer alguém novo, alguém que vá mudar a sua vida completamente.
- Não que essa mudança seja necessariamente boa. – falou e a mataria com os olhos se pudesse. – O quê? , você nem o conhece e pode desperdiçar o amor da sua vida por alguém que pode te fazer mal, pense bem.
- Sai com esse seu sentimentalismo a La Sturgess de perto de mim, você está confundindo a cabeça dela.
- Sturgess! – exclamei sorridente. – A autora de livros tão bons deve ter vivido alguma situação parecida e vai me ajudar mais do que vocês, com certeza!
- Nossa, desfez da gente ainda, você viu? – perguntou, cutucando .
- É uma mal agradecida, se nós duas não tivéssemos deixado ela linda ontem, ela nem teria entrado na festa.
- Exatamente.
As deixei na sala e fui para a cozinha com o número que a havia me dado. Liguei para ela e prontamente marquei um almoço para dali à uma hora, depois subi para retocar a maquiagem, mantendo-me com a mesma roupa que estava. Passei no quarto do e lhe dei um beijo, depois desci e ao chegar na sala, pedi:
- Tomem conta do pra mim? Obrigada!
Saí apressada, não queria dar maiores explicações para elas, e sim, eu sabia que um dos caras por quem eu teria que me decidir era o irmão dela, mas pelo pouco que conheço da , ela daria o melhor conselho para mim, sem pensar no Jim como seu irmão. Cheguei ao restaurante e esperei tomando um café, rapidamente ela chegou.
- Oi, ! – me cumprimentou. – Não esperava vê-la tão cedo, sem me permite dizer, mas a que devo a honra? E por que você pediu para não contar ao Jim?
- Oi, ! – a abracei, aliviada por conversar com outra pessoa além das duas lá em casa. – É um assunto complicado, mas ninguém melhor que a autora de tantos livros românticos para me ajudar.
- Ai, não... – ela me olhou preocupada. – Que está havendo?
- Eu beijei outro cara depois que fiquei com o Jim, na garagem da casa dele, enquanto ele fazia a mudança, e agora eu não sei mais com quem eu devo ficar. – despejei tudo em cima dela, que sorriu de leve. – Se me disser pra pesar os prós e contras de cada um, eu junto você com as minhas duas amigas lá em casa e jogo vocês no Tâmisa!
- Essa é a frase típica de quem nunca passou por isso: pese os dois e vê quem é melhor. Mas nenhum dos dois é melhor, eles são tão diferentes que não dá pra comparar, um é calmo, simples, fofo, carinhoso e um, claro, sinal de recomeço de vida, o outro é agitado, um pouco imaturo, lindo, engraçado e absurdamente gostoso, e um sinal claro de que o destino insiste em colocá-lo na sua vida sem que você saiba exatamente o propósito, não é isso aí? – meu Deus, ela definiu tudo!
- Como você pode saber? Quer dizer, como você pode saber exatamente do que estou falando? Você simplesmente definiu os dois perfeitamente, sem nem trocar os papéis... – gesticulei pedindo explicação.
- Primeiro, eu conheço o meu irmão muito bem e sei que você só o conheceu ontem. – ela deu uma piscadinha e eu bati na testa, como fui esquecer? – Segundo, eu vivi essa exata situação, só que do outro lado, do lado do meu irmão.
- Não acredito! E o que aconteceu?
- Bem, eu estou solteira, não estou?! – ela sorriu, mostrando si mesma com as mãos.
- Ah, sinto muito. – sorri tristemente, me desculpando.
- Tudo bem. – ela sorriu e continuou. – Seu amigo, , há algum tempo, antes dele ficar com aquela menina, ele ficou comigo e alguns dias depois conheceu ela. Ele decidiu ficar com ela e eu fiquei sozinha por algum tempo, até conhecer um rapaz e namorar ele por uns dois anos, mas desde que eu terminei com esse rapaz, eu vejo o em quase todos os lugares que eu vou. O destino insiste em colocá-lo na minha vida sem que eu saiba o propósito, então eu pensei: se for pra eu ficar com ele, vai acontecer, afinal, eu namorei com o Henry e terminei com ele. Você pode namorar o Jim, mas se não for pra você ficar com ele, vocês vão namorar, vão terminar, vão sofrer um pouco e o vai estar ali, pois terá seguido em frente sem sucesso, assim como você.
- Eu... eu não disse que era o . Como sabia que era ele?
- De tudo que eu falei, você só escutou a última parte? – ela perguntou falsamente indignada. – Quem mais seria?
- Desculpe, eu ouvi tudo que você disse, mas é que achei estranho você saber quem era antes de...
- , presta atenção! – ela chamou, estalando os dedos na minha frente. – Esquece o que eu disse, se eu contei uma história da minha vida que envolve o seu amigo e você só está preocupada com o , esta é a sua resposta, é com ele que você quer ficar, entendeu?
- Tem certeza? – fiquei tentada com que ela disse, mas ainda assim, não totalmente convencida.
- , faça a pergunta para si mesma. – ela se apoiou na mesa para falar comigo. – Você quer ficar com Jim Sturgess? Com um cara que é fofo, mas é romântico demais, que é simpático, mas é grudento, que está mesmo afim de você, mas não é o pai do seu filho? Ou você quer ficar com , que é lindo e imaturo, engraçado e não muito atencioso, que está afim de você, mas acabou de retornar à banda com força total e vai te deixar de lado um pouco, que é pai do seu filho, mas já deixou de falar com você porque a namorada pediu?
- O não é assim, ele pode ser um pouco imaturo às vezes, mas com o ele é o melhor pai do mundo, e ele é bem atencioso comigo, com esse negócio da banda ele pode ficar meio distante, mas eu sou amiga dos amigos dele, não vai ser tanto assim, e ele me deixou porque estava muito comprometido com ela, quer dizer que ele sabe ser fiel, não quer?
- Com quem você quer ficar, ? – ela tornou a perguntar. – Com quem você quer ficar?
- Com o , é com o que eu quero ficar! – sorri feliz por ter decidido. E ela, apesar de saber que o irmão seria o mais educadamente chutado, parecia feliz por mim.
- Então vá atrás dele, eu pago a conta. – já estava saindo quando ela me segurou. – Só não se esqueça de contar ao meu irmão sobre a sua decisão.
- Ok! – me virei para sair dali e notei andando em minha direção, estava bonito, com uma calça jeans e uma camisa xadrez de mangas compridas. – ?!
- Finalmente te achei! – ele sorriu, cumprimentando-me com um beijinho e olhou para na cadeira sem reconhecê-la. – Oi, prazer. – então se virando para mim novamente. – Estou com a chave do apartamento, vem comigo? Espera aí, ?
- Oi, ...
- , eu preciso ir à casa do antes, tenho que falar com o , pode me passar o endereço e nos encontramos lá? – ele piscou algumas vezes para se situar. – !
- Ah, sim, aqui nesse papel tem o endereço. – ele entregou-me um papelzinho. – Vou esperar lá.
- , se quiser ir junto, está mais do que convidada. – sorri e dei um beijo no rosto de cada um, depois saí do restaurante, peguei meu carro e corri para a casa do .
Só quando já havia chegado à casa do garoto que a minha ficha caiu, deixei e juntos, e ela havia acabado de me contar que já havia sido trocada pela ex-namorada dele no passado, mas, ah, eles que se entendessem, eu tinha coisas mais importantes para pensar.
morava num prédio alto, bonito, tinha segurança reforçada e altos muros de concreto, parecia uma fortaleza e eu imaginei quem mais moraria ali, diplomatas, grandes empresários, não sei. Desci do carro e fui falar com o porteiro, que muito educadamente informou ao que eu estava ali e pedia para entrar. Fiquei absolutamente deslumbrada com a riqueza daquela recepção, era de longe a sala mais linda que eu poderia imaginar: tinha tons claros de verde e um branco claríssimo, como se tivesse sido pintado há alguns dias, algumas poltronas ficaram bem colocadas, formando uma sala aconchegante e sofisticada, tal como a lareira no canto e a televisão de plasma na parede. No teto, um lustre de cristal maravilhoso, que devia custar um apartamento para comprar.
- Srta. ? – ouvi o porteiro me chamar e olhei ligeiramente para ele, que me apontava o elevador.
- Isso aqui é lindo... – comentei.
- E a senhorita nem viu tudo. – ele sorriu simpaticamente e eu entrei no elevador. – Andar 21.
Caramba, 21 e nem é o último?! gosta de altura ou sim? O elevador tinha a velocidade normal, portanto, demorei alguns minutinhos para chegar ao andar dos garotos e quando as portas se abriram, vi toda a casa bagunçada de mudança, pizza, cerveja e música alta.
- O que aconteceu por aqui? Um furacão? – perguntei, desviando das coisas espalhadas no chão e vi e sorrirem para mim.
- É, o furacão ... – respondeu rindo. – Já venho aqui, vou ao banheiro. – então ele deu uma piscadela para o amigo e saiu. Enquanto isso, andou na minha direção com um sorriso cauteloso, como se não quisesse vibrar sem ter certeza da minha decisão.
- Então...
Olhei para ele sorrindo esperta e ele abriu no rosto o maior sorriso que eu já vi alguém dar, depois caminhou mais rapidamente até mim, segurou minha cintura e me puxou para um beijo longo, calmo, gostoso e sem interrupções, não dessa vez, não agora... A menos que...
- ! – disse sem mais nem menos e ele me olhou sem acreditar.
- O quê? Você ficou com o também e tem que se decidir entre ele e eu? – ele perguntou com sarcasmo na voz, mas ainda de bom humor. – Porque eu não sei se posso competir com ele...
- Que loucura, não... – ei e o puxei pela mão. – está me esperando no meu possível novo apartamento, tenho que ir encontrá-lo, você vem?
- Eu ainda vou conseguir te dar um beijo sem ser interrompido!
- Vem logo! – chamei entrando no elevador que já estava ali. - , JÁ VOLTAMOS!
- OK!
- E o pior, você sempre nos interrompe falando o nome de outro cara, isso deveria me frustrar!
- Ah, pára de fazer drama, a gente tá junto, não tá?! – respondi sorrindo. – Você vai me dar a sua opinião sobre o apartamento, para eu ver se compro ou não.
- Bem lembrado, eu nem sabia que você estava se mudando, por que isso agora? – o elevador se abriu e nós saímos para a rua, fomos com o meu carro, mas ele quem estava dirigindo.
- O bairro lá é ótimo, mas é longe de você, longe da sua mãe e até a babá anda enfrentando problemas para chegar lá, sem contar que a vai ficar ainda mais louca se continuar sem fazer nada o dia todo, é bom que assim ela tem mais chances de arrumar o que fazer.
- Quem sabe um emprego, né? – ele sorriu de lado.
- Não fala assim, eu sei que ela tem procurado, mas não ter um carro dificulta pra ela...
- Eu sei disso, desculpe. – ele passou a mão na minha perna, pedindo-me desculpas e eu sorri fraco. – Não vai ficar chateada, né?! Não falei por mal, você sabe disso...
- Não estou chateada, fique tranqüilo. É só que me lembrei que ainda não conversei com o Jim, não terminei com ele, aliás, não falei com ele desde a hora em que ele me deixou em casa.
- E pretende fazer isso quando?
- O mais rápido possível...
- Chegamos!
Vi e parados em frente ao edifício, que era muito mais simples do que o do , mas mesmo assim, parecia aconchegante e bonito. Cumprimentamos os dois e subimos para conhecer o tal apartamento, enquanto descrevia tudo que o corretor havia dito para ele.
Abrimos a porta do apartamento e vimos o caos. A pintura toda descascada, alguns azulejos quebrados na cozinha, o banheiro tinha peças amareladas pelo tempo, a minha vista era para o prédio ao lado e os quartos, bem, não vou nem comentar a situação em que se encontravam, eu podia jurar que vi ratos e baratas fazerem a festa dentro de alguns armários de cozinha que ficaram na casa.
- “Tem uma estrutura maravilhosa, é muito espaçosa e, por algum motivo, ninguém a alugou ainda...” – imitei , que olhou se desculpando, enquanto e mal seguravam a risada.
- Não sei o que houve, , ele me garantiu que você ia adorar! - tentou se justificar.
- Ah, eu adoraria, se fosse paisagista e quisesse um projeto que me custasse milhões, isso aqui está pós nuclear!
- Mas você vai concordar que esse apartamento destoa do resto do prédio, né?!
- Tem razão... – respondi, dando mais uma olhada no lugar. – Mas acho que o seu corretor só trabalha com investimentos milionários, , não tem jeito.
- Sinto muito, nós vamos procurar outro, um mais bem localizado, em melhor estado e com um preço acessível, pode deixar que eu irei verificar com outros corretores também, estou até com vergonha depois dessa...
- Pára de ser gay, ! – chamou a atenção. – Ela vai encontrar outro mais cedo ou mais tarde, não foi culpa sua... – todos rimos e o deu apenas um sorrisinho. – Vamos sair e tomar umas cervejas!
- Er, odeio cortar o barato, mas eu tenho que passar em alguns lugares antes. – falei.
- Eu também, vou descendo pra chamar um táxi. – comentou, dirigindo-se à porta.
- Não! – quase gritou. – Eu trouxe, eu levo. Vamos!
E assim fomos saindo, um a um, do apartamento e entregamos a chave ao porteiro. Dirigi até a casa do , deixei o lá e pedi ao Jim que me encontrasse em uma praça perto da minha casa, disse que precisávamos conversar e etc., apesar de preocupado, ele não cogitou a ideia de faltar ao encontro, por isso, meia hora depois ele estava lá.
- ! – ele me abraçou quando cheguei perto. – O que houve? Fiquei preocupado com a sua ligação...
- Jim, eu preciso conversar com você, porque você está cren...
- MÃE! – ouvi gritar ao longe e me virei. – Mãe! Tá fazendo o que aqui e quem é esse?
- , esse é o Jim, do filme, lembra que eu disse que o conheci na festa? – o garoto olhou admirado para o rapaz que sorria simpaticamente. – Jim, esse é o , meu filho.
- Fala, garotão, como você está?! – intimidou-se por alguns segundos, mas logo estavam apertando as mãos e conversando animadamente. Foi quando percebi que estava sendo jogada para escanteio e ainda não tinha falado o que devia falar com o Jim.
- , meu amor, cadê a ? – perguntei e ele encolheu os ombros, dizendo que não sabia. – Então, vá procurá-la, você devia cuidar dela, lembra?! Você é o adulto!
- Tá bom, já volto pra gente conversar mais, Jim! – saiu rindo e gritando pela , que provavelmente estava muito bem com algum rapaz que levava o cachorro pra passear.
- Seu filho é maravilhoso, !
- Obrigada, mas é que eu te chamei aqui pra uma conversa e nós ainda não conseguimos conversar...
- Pode falar. – ele sorriu.
- Eu não sei o que você esperava de mim ontem à noite, ou hoje de manhã, mas talvez eu não atenda às suas expectativas... – ele não disse nada, pacientemente, me deixou terminar. – Ontem foi ótimo, você é incrível e fez eu me sentir única, mas cá entre nós, há muita coisa em jogo, preciso colocar o na frente de tudo que eu faço e não sei se continuar com você seria bom pra mim...
- A quem está tentando enganar? – ele perguntou, com um sorriso irônico. – O não tem nada a ver com isso, o pai dele tem, você já voltou com ele, não voltou? Está apenas tentando amenizar a dor que você acha que eu vou sentir por ser trocado, mas não é verdade, você está enganada.
- Como assim, do que você...
- É claro que não é legal não ser o escolhido, , mas eu te conheço a menos de 24 horas, não deu tempo pra eu sentir saudade ainda, pra eu me apegar e tal, você fez a sua escolha e eu admiro ter coragem de fazê-la quando ainda é tão cedo que eu não tenha que sofrer e nem você.
- Jim, nem sei o que te dizer. Foi muito arrogante de minha parte pensar que você sentiria saudade, afinal, como você disse, nós nem nos conhecemos direito.
- Viu só, e olhando pelo lado bom, pelo menos a gente se curtiu por uma noite, foi bom enquanto durou. – o rapaz lançou-me uma piscadela e, beijando-me no rosto, saiu em direção ao seu carro e arrancou com ele dali, bem na hora em que voltou com uma de cara amarrada.
- Cadê o Jim? – meu filho perguntou.
- Foi embora, mas te deixou uma abraço. – sorri, pegando meu filho no colo e soltando-o em seguida, como ele estava grande e pesado. – E você, está com essa cara de bunda por quê?
- Tava no maior papo com o tio e eu fiz ela desligar pra vir pra cá.
- Gostava mais de você quando era menor e não falava, a gente não tinha combinado de não contar pra sua mãe?
- Mas se você tá quase namorando com ele, a mamãe já não pode sa... – tapou a boca do garoto e sorriu nervosamente para mim, que a olhava com desconfiança.
- Shhh, garoto, chega de papo, vamos pra casa.
- É, vamos pra casa, a tem muita coisa pra me explicar...


Voltamos para casa, estava anoitecendo e a , apressada, correu para tomar banho, pois iria sair. Eu, ainda encucada com essa história dela e do , deixei o assistindo TV na sala e subi atrás dela. Entrei no quarto e sentei na cama, esperando.
- ? – ela perguntou, surpresa, quando entrou no quarto. – O que faz aqui?
- Quando vai me contar que está saindo com o ? – perguntei.
- Quem te falou isso? , aquela cadela! – ela exclamou revoltada.
- Não foi a , eu já venho sacando isso há algum tempo, e o te entregou no parque, lembra? – ela fez uma careta. – Por que não quis me contar? Não é como se eu fosse ficar chateada ou sei lá...
- Sei disso, é só que você tinha outras coisas pra se preocupar. E eu estou morando de favor na sua casa, sem emprego e arrumando namorado antes de você?!
- Ah, que besteira! – exclamei rindo. – Mas me deixa contar que eu fui ver o primeiro apartamento para nós hoje, e ele era...
- Tá, muito legal, amiga, mas eu vi você com o Jim hoje, e o que ficou decidido? – ah, isso...
- Eu decidi ficar com o . – respondi simplesmente, mas psicologicamente preparada para os gritos que seguiriam minha humilde fala.
- O QUÊ? POR QUE VOCÊ FEZ UMA BURRADA DESSAS? – ela gritou indignada, como previsto. – ELE TROCOU VOCÊ, LEMBRA DISSO? ELE TE ABANDONOU, ELE TE FEZ CHORAR!
- ! – gritei em meio à revolta dela, fazendo-a se acalmar. – Você sabe que outros caras já me fizeram chorar também, não foi uma burrada, foi uma decisão sábia e bem pensada, relaxa, sei o que estou fazendo...
- É, outros caras já te fizeram chorar, mas você nunca voltou com nenhum deles, diz que eu estou errada!
- ...
- Tá, você é maior e vacinada, sabe o que faz! Só não quero te ouvir chorar à noite quando ele pisar na bola, eu vou ser aquela do lado da cama, fazendo carinho na sua cabeça e pensando: “Eu te avisei!”.
- Certo, o que te faz pensar que o Jim não me faria sofrer?
- O Jim poderia ser um erro, mas seria novo, pelo menos teria tentado, com o você está errando de novo.
- Ele não errou com a namorada dele, ele errou com a mãe do filho dele. Por que você não pode ficar feliz por mim?
- Tudo bem, mas o que te levou a decidir por ele? Se disser: “O meu coração mandou...”, eu te chuto! Onde está o seu bom senso?
- Meu bom senso está na minha felicidade, e você está preocupada com o , mas o e ele são farinha do mesmo saco!
- Isso é mentira, o nunca me trocaria...
- Que utopia... – suspirei rolando os olhos. – Se você está com ele hoje, é porque ele já trocou alguém por você, vai ter que ter fogo pra segurar aquele lá... – ri. – Vá se arrumar, o “príncipe” a espera.
- Obrigada, , agora estou preocupada!
- Vai dar tudo certo, fique tranquila.
Deixei o quarto sorrindo, e eu sempre estourávamos “bombas de efeito moral” uma na outra e depois ficava tudo bem. Desci e encontrei rindo do desenho que assistia, então sentei com ele e passei a assistir também.
- Essa Lisa é uma chata, prefiro o Bart, ele é mais que nem eu: esperto!
- Ah, então quer dizer que você é bagunceiro que nem ele?
- Aham!
- E inventa histórias pra não ter que fazer a lição de casa?
- Ahn... – ele parou para pensar e eu abri a boca indignada. – Não!
- Não? Tem certeza? – comecei a fazer cócegas nele, que gritava rindo e me pedia para parar. Então, quando eu já estava descabelada e ele sem ar, a campainha tocou para salvá-lo e uma toda produzida desceu e abriu a porta, deixando-os entrar.
- Oi, !
Cumprimentei de costas, tentando abaixar o meu cabelo arrepiado e me recompondo. Quando virei para trás, vi parado, rindo ao lado do amigo, então caí do sofá. O , que ainda não havia recuperado o ar, agora se contorcia no sofá de tanto rir, enquanto eu, morrendo de vergonha, me levantava.
- Oi, ! O que faz aqui?
- Oi, paizão! – pulou em seus braços e , cambaleando um pouco, o jogou de volta no sofá.
- Oi, campeão! Soube que a chata da vai sair e resolvi vir aqui.
- Há, há! Muito engraçado, ! – ela riu sarcasticamente. – Vamos, ? Tchau!
- Vamos! Tchau, não façam nada que eu não faria! – ele piscou antes de ser arrastado para fora da casa.
- E então, o que estão fazendo de bom? – perguntou, sentando-se entre e eu.
- O sr. Junior estava a caminho do chuveiro e eu ia fazer algo pra comer.
- Ah, mãe! – ele fez uma cara sapeca. – tomar banho é para os fracos!
- Onde foi que você aprendeu isso? – perguntei olhando séria para o pai dele.
- Ah, , o garoto tem razão.
- De jeito nenhum! – comecei a rir. – Pode subir, tomar banho e vestir pijama. Seu pai vai com você!
- Então, vamos, campeão!
subiu com o filho e eu sorri comigo mesma, indo até a geladeira e tirando uma pizza do congelador. Pouco depois, voltou e abraçou-me por trás, virando-me e beijando-me em seguida, confesso que cheguei a pensar que isso não aconteceria, mas logo o beijo intensificou e estávamos nos amassando na cozinha. Sem noção de tempo, de hora, de lugar ou qualquer outra coisa, ficamos assim tempo suficiente para o terminar o banho e descer, nos flagrando naquela situação.
- Mãe, onde tá o... Ah! – paramos na hora e rimos nervosamente.
- Filhão. – respirou fundo. – Vamos assistir o desenho!



Capítulo 8



A vida com ao meu lado parecia mais simples e mais feliz, todos à minha volta pareciam mais felizes, principalmente o , e isso me felicitava ainda mais. Eu já havia arrumado um apartamento médio no centro de Londres, um pouco longe do hospital, mas bem perto da escola do , o que já facilitava bastante. conseguira um emprego de fotógrafa em uma revista teen, localizada na metade do caminho entre o apartamento e o hospital, por isso, eu a deixava lá, e a babá também ficou feliz de não precisar usar ônibus para ir trabalhar.
O apartamento era incrivelmente bonito, mas tivemos que comprar vários móveis, como camas e armários para cozinha, já que esses vieram com a casa e eu não precisei comprá-los quando mudei para Londres. O lugar tinha sido comprado na planta por um investidor de imóveis e eu fui a primeira pessoa a comprá-lo, portanto, além das peças dos banheiros, havia apenas o piso e a pintura das paredes, que eram muito bonitos por sinal. Da porta da frente tínhamos a visão da sala de estar e ao lado da porta, a mesa de jantar pairava, na sala havia uma porta grande, de vidro, que dava acesso a uma sacada com vista para o parque atrás do prédio; passando a mesa de jantar havia uma porta na lateral direita, a qual indicava a cozinha e a área de serviço, que apesar de bem pequenas, serviriam; voltando à mesa de jantar, havia um corredor com quatro portas: duas do lado esquerdo, uma em frente e uma do lado direito, a do lado direito era um banheiro, as duas do lado esquerdo eram quartos — o da e o do , nessa ordem, da sala para dentro —, e o da frente era uma suíte, que eu ia pegar para mim, óbvio.
Passado duas semanas, e decidiram começar a sair de novo e ver se dava tudo certo. e finalmente assumiram o relacionamento para a imprensa, o que fazia dela uma das garotas mais comentadas no Mcfly’s world. Eu ainda me mantinha em segredo por causa de , a pressão é grande em cima dele, principalmente quando as irmãs dos outros garotos vão buscá-los só para ver o filho de e ter a esperança de que, de repente, o pai vá buscá-lo, coisa que eu nunca permiti. continuava trabalhando comigo, e continuava o mesmo pegador de sempre, talvez ele nunca mudasse, afinal.
Mas hoje era início do verão e estava de férias, assim como os meninos do Mcfly, então, estávamos todos na casa do , curtindo a piscina em sua maravilhosa cobertura. Estava quente e os meninos queriam comemorar o término de mais um álbum que faria sucesso nas rádios do mundo.
- , você finalmente chegou! – , que dormia mais na casa do do que na sua, apareceu e me abraçou. – ! Como vocês estão? Sintam-se em casa, os meninos estão lá atrás.
ainda morava com , mas já estava no , tinha chegado há pouco e também, e eu chegamos com . Passamos por e saímos para a área da piscina, encontrando todos os garotos de calção molhado, sem camisa e incrivelmente bonitos. , com aquele corpo, parecia hipnotizar-me, ele sorria largamente enquanto vinha em minha direção, abaixando-se e pegando no colo, depois me dando um selinho.
- Demoraram. – ele comentou.
- Desculpe, tinha que encontrar biquínis e roupas de banho para o , já que ele não usou no inverno. – sorri ironicamente. – Vá cumprimentar os rapazes, , eles estão esperando.
O garoto desceu do colo do pai e correu até a grelha, onde e fritavam as salsichas e os hambúrgueres, depois caminhou até , que estava deitado com ao seu lado em uma cadeira de sol.
- Vai usar biquíni? – perguntou com um olhar completamente pervertido.
- Só se você usar... – respondi com o mesmo olhar e me aproximei dele,colocando suas mãos em minha cintura.
- Tá falando sério? – ele perguntou, olhando-me surpreso e relutante.
- É claro que não!
Joguei minha cabeça para trás, soltando uma gargalhada gostosa e quando o olhei de novo, ele sorria divertido e me puxou para um beijo, que, como sempre, foi melhor do que os anteriores. Com as coisas sempre aconteciam dessa forma, um beijo era sempre melhor que o outro, uma transa era sempre melhor que a outra e só de ficarmos juntos ouvindo música, meus problemas pareciam se evaporar e minha vida melhorava como num passe de mágica. Acho que o nome disso é paixão.
- Precisamos conversar! – sussurrou em meu ouvido.
O garoto me puxou para dentro da casa e me levou para o quarto do casal, fechando a porta em seguida e indicando a cama. A princípio, pensei que ele quisesse alguma sacanagem, mas quando se virou pra mim, notei a expressão preocupada em seus olhos.
- O que houve, ? – perguntei, já temendo a turbulência.
- Você acha que consegue lidar com fotógrafos? – o rapaz sentou-se ao meu lado. Estranhei a pergunta, afinal, lidara com fotógrafos algumas vezes, claro que não foram muitos, pois sempre o protegi disso, mas ainda assim. – Quero dizer, um monte deles... – opa! Aí tudo muda.
- Do que estamos falando? – ele entregou-me um jornal e pediu que eu lesse em voz alta. – , ex-namorada do Mcfly, , revela o motivo do fim do namoro. Ela não fez isso! – exclamei para .
- Continue lendo, não pára por aí.
- Terminei com ele por causa de . Ela ligava constantemente para , não gostava de mim por eu ser a namorada dele e tentava de todas as formas possíveis afastar pai e filho. Chegou a ameaçá-lo, dizendo que o impediria de ver o filho se continuasse comigo, seu grau de ciúme é doentio. Não conseguiria imaginar a vida de sem , filho de e —, gosto tanto dos dois, que prefiro perdê-los a ter que conviver com esse peso. Só espero que consiga dormir à noite.” , com algumas lágrimas nos olhos, diz que tudo o que quer é que o ex seja muito feliz.” NÃO ACREDITO QUE ESSA VAGABUNDA FEZ ISSO! – fiquei louca ao terminar de ler, como ela teve coragem para algo tão baixo? – VOU ARRANCAR FIO A FIO DOS CABELOS DELA!
- Calma, , temos que pensar no , ele está de férias e todas as revistas devem estar no portão do seu prédio e do agora. Talvez, odeio dizer isso, mas talvez seja o caso de mandarmos nosso filho passar férias longe daqui.
- Não vou por meu filho de seis anos numa colônia de férias, !
- Eu pensei mais... nos seus pais. – ele sorriu hesitante. – No Brasil.
- No Brasil? Mas eu não posso ficar tanto tempo longe dele!
- Mas é por segurança, tente entender. Também detesto a simples ideia de afastá-lo de nós o verão todo, mas é preciso, para que ele possa ter férias tranqüilas. – fiz cara de quem não estava gostando nada da conversa, com um bico de tristeza. – Não precisamos decidir agora, mas você sabe o que é melhor pra ele, não sabe?
- Quando você virou tão responsável?
- Quando passei a morar com o , afinal, alguém tem que ser o responsável por lá. – ele sorriu, tentando me animar inutilmente, devolvi-lhe apenas um sorriso triste. – Ei, não faz essa cara, vai ficar tudo bem, eu garanto! – me deu um selinho e me abraçou. – Agora vamos, o churrasco está esperando.
- Hum, aposto que só sobrou pão e salada... – resmunguei, divertindo-o.
- Você não diria isso se conhecesse as noções de peso e medida do . Sério, tem carne para alimentar o Brasil inteiro!
- Que exagero! – dei um soquinho em seu braço e ri.
- É nada, quer ver?
Então saímos do quarto e caminhamos até a cozinha, onde abriu a geladeira e o freezer, revelando elevada quantidade de carne, tive que segurar um pacote que queria fugir do aperto da geladeira de . era muito sem noção, realmente!
- OH. MY. GOD. – foi tudo o que consegui dizer.

Andamos até o lado de fora da casa, onde estava sentadinho na borda da piscina, completamente molhado e balançando os pés na água, enquanto fartava-se de um espetinho preparado por . Andei até ele e sentei ao seu lado, sabia que era melhor para ele que passasse as férias com meus pais, mas pensar em ficar sem meu filhinho um verão inteiro por causa daquela mulher do capeta era demais para mim. Justo o primeiro verão dele em Londres e vou mandá-lo para o Brasil, que está praticamente no inverno? Espero que ele aceite a ideia. Decidi deixá-lo aproveitar o dia, quando em casa, eu ligaria para a minha mãe e contaria tudo que estava acontecendo.
- Filhão! – o chamou e ele olhou com o maior sorriso do mundo. – Vem buscar seu espetinho.
saiu correndo em direção ao pai, que lhe entregou outro espetinho. e estavam nas cadeiras de sol, ajudava com a salada e ajudava com a churrasqueira, na verdade, atrapalhava na churrasqueira, assim como e, agora, . aproximou-se de mim e sentou ao meu lado na borda da piscina.
- me contou o que houve. Como você está?!
- Com vontade de arrebentar aquela vadia maldita! – respondi, sentindo meu sangue ferver a cada palavra expelida sobre toda aquela situação. – Por que ela não podia simplesmente aceitar o término do namoro e nos deixar em paz?
- Porque ela nunca foi aceita pelas fãs da banda do namorado, porque ela era conhecida quando estava com ele e agora não tem mais nada, é só a ex dele... Lembra-se da Olívia Shaw?
- Quem? – perguntei.
- Exatamente! Olívia Shaw é uma ex do Danny, mas ninguém se lembra dela, porque depois que terminou... Enfim, é isso que a quer, continuar famosa por tabela.
- Isso é patético, ela é patética. Acredito na fama de pessoas que realmente fazem alguma coisa para serem reconhecidas, músicos, atores, cientistas e etc.
- Tá, mas você é famosa por tabela... – ela sorriu de lado.
- É, mas eu não me aproveito disso e nem tento manter isso. Nem saí com o porque ele era famoso...
- Ah, não?! Então você não foi groupie dele há seis ou sete anos?
- , você não está ajudando. – olhei com os olhos semi-serrados para ela. – O sugeriu que eu mandasse o para o Brasil, passar o verão com os meus pais...
- Eu sei, o disse isso também. O que está pensando em fazer?
- Não tem o que pensar, por mais que me doa, tenho que fazer o que é melhor pra ele. Mas é inegável que vou sentir uma saudade imensurável dele.
- É, eu também. Aquele pestinha correndo por todo canto do apartamento e revelando todos os segredos que eu combinei com ele de não contar. – rimos divertidas. – Mas você fará o que é melhor.
- Eu sei...
- As madames vão comer? – perguntou.
Honestamente, não consigo me lembrar de quando foi inclusa ao grupo, mas ela estava lá, em todas as nossas reuniões, em todas as nossas risadas e em todas as nossas lembranças. Ela era parte do octeto e meio — meio por causa do — e parecia divertir-se como ninguém, já estava enturmada e realizara o sonho de conhecer Sturgess, a autora de uma das suas séries preferidas. era uma pessoa no hospital e outra fora dele, lá dentro era séria, respeitada e até temida por alguns enfermeiros, era a melhor no que fazia; fora ela era engraçada, estilosa, fazia piadas e gargalhava alto, outra pessoa.
- Estamos indo! - e eu nos levantamos e corremos até a mesa antes que ficássemos sem comida, quer dizer, sem arroz, maionese e salada, porque carne tinha aos montes.
Depois do almoço, cada casal se juntou num canto — e , que não eram um casal, continuaram sentados à mesa do almoço. e entraram na piscina e por lá ficaram, e foram para a cozinha lavar a louça, e , eu e nos sentamos na mesma cadeira de sol e por lá ficamos, até aparecer convidando para jogar videogame. É claro que assim que ouviu a palavra videogame, correu para dentro, seguido de , seguido de , seguido por e ao mesmo tempo, deixando meu namorado e eu sozinhos ao crepúsculo. Meu namorado, huh, apesar de não ter um pedido oficial da parte dele, acho que aqui, com vocês, posso me referir a ele assim, secretamente, é claro!
- Acho que vamos mandar o para o Brasil. – falei triste, olhando o pôr do sol alaranjado em frente, ouvi seu suspiro e percebi que ele, talvez, tivesse uma esperança de que eu achasse outro jeito e não concordasse com ele, embora ele e eu soubéssemos que não havia outro jeito.
- É o melhor pra ele, né?! – respondi afirmativamente. – Eu posso levá-lo, já que estou de férias e você não. Daremos um jeito de sairmos sem sermos vistos e eu vou twittar sempre, como se estivesse aqui. Assim, não terá aquela multidão quando eu chegar lá.
- Você vai magoar suas fãs, . – sorri de leve. – Elas são completamente loucas por vocês, é mais ou menos “McFly sobre todas as coisas”, sabe disso.
- Mas eu não estou indo lá para vê-las, e sim para levá-lo.
- Mesmo assim, talvez você devesse comentar alguma coisa, nem que seja quando chegar lá, quando estiver descendo do avião, elas vão achar que está fazendo pouco caso, eu acharia...
- As brasileiras são nossas maiores fãs, né?! Acho que uma britânica ou americana, até espanhola, nunca saltou em uma van em movimento só para nos conhecer ou arrancar o cabelo de algum de nós, nem nunca fizemos tanto sucesso nos shows quanto no Brasil. Adoro seu país, sabia disso? Aliás, os meninos e eu, voltaríamos lá sempre, se não fosse tão cansativo viajar para tão longe.
- Sabe que se alguma delas te ouvir dizer isso, se sentirá realizada pelo resto da vida. Nós nos sentimos realizadas com um simples reply escrito “Oi” desde que venha de um de vocês, é emocionante. Sem contar as tags, a maioria delas somos nós que colocamos.
- Mas o Brasil é um país muito grande, e as pessoas se deslocam de todas as partes para nos conhecer. É maravilhoso. Espera, você disse “nós nos sentimos”?
- Sou brasileira, sou fã de Mcfly, a única diferença é que eu durmo com você e elas não tiveram essa chance. Ou tiveram, vai saber com quantas você já ficou por lá, né? – ele me olhou com os olhos semi-serrados. – É brincadeira, mas eu me sinto realizada por elas.
- E eu adoro o fato do meu filho ser filho de uma brasileira.
- Seu filho é brasileiro!
- E eu amo brasileiros!
Dito isso, ele puxou meu queixo e me deu um beijo. Um beijo desengonçado, torto, bagunçado, mas que conforme a vontade foi aumentando, foi melhorando e logo eu não estava mais encostada na barriga dele, mas sim, de frente, o beijando com intensidade, com velocidade, e, se o mundo acabasse naquele instante, eu seria a pessoa mais feliz do paraíso. me fazia feliz como eu jamais estive, exceto, é claro, quando nasceu, mas esse é um clichê de mãe, não vou nem comentar.
Depois do beijo, aliás, depois de vários beijos, decidi que estava na hora de ir embora, e quando estava aprontando , ouvi alguém gritar meu nome, acho que era a .
- O que foi? – perguntei.
- O porteiro acaba de interfonar, acho que encontraram vocês... Há não sei quantos jornalistas lá embaixo, todos tentando entrar, ele não sabe mais o que fazer.
- Não acredito! – exclamei. – O que vou fazer?
- Por que você não vai com a e dá um jeito de despistar os caras, levá-los para outro lugar? Enquanto isso, eu posso levar o pra casa, te ligo quando puder voltar. – se prontificou.
- Acho melhor fazer isso, . – disse .
- Tá, tudo bem. – pisquei um pouco, era muita coisa ao mesmo tempo. – , você vai daqui a pouco com a tia , tá? Nos encontramos em casa. – ele sorriu para mim e eu retribuí. – , vamos?!
- Vamos!

Despedi-me do e do , enquanto fazia o mesmo com , depois dei tchau para os outros e entreguei minha chave para . Descemos pelo elevador e chegamos à entrada do prédio. Havia flash para todo lado, nem sei como conseguimos atravessar aquilo tudo sem nos machucarmos. Perguntas como: “Você não tem vergonha de usar o próprio filho?”, ou “O que você tem a dizer sobre a ?” surgiam na boca de todos eles, me senti a víbora da história, embora não fosse, de maneira nenhuma.
Tentei andar, mas parecia impossível atravessar aquela multidão insistente. Quase não consegui entrar no carro. Rodamos por Londres, nos enfiamos nos becos mais estranhos para fugir daqueles parasitas, mas conseguimos, e quando chegamos em casa, só tinha uns dez jornalistas no portão, o que, com a ajuda do porteiro, foram facilmente contidos.

- ? – abri a porta gritando por ela. em meu encalço. – ?!
- AQUI! – ela gritou do quarto. – , não sei qual deles foi, mas acabaram acertando a câmera na testa do , fez um corte grande, eu não sabia o que fazer, então achei um kit de primeiros socorros aqui e fiz um curativo, não ficou bonito, mas ele está bem.
- Filho! – entrei no quarto e o encontrei deitadinho na cama. – Meu amor, você está bem?
- Tô, mãe... – ele deu um sorriso por me ver. – Mas tá doendo.
- Aqueles animais! Você não vai precisar passar por isso de novo. – respirei fundo. – Podem ficar com ele um pouco?

Saí do quarto e peguei o telefone, pouco me importava que horas eram no Brasil, aquela situação não podia ficar assim, o meu filho tinha saído machucado e eu não ia sujeitá-lo a isso nunca mais.
- Alô? – minha mãe atendeu.
- Mãe? É a ! – depois de algum tempo berrando ela se controlou. – Até parece que eu não te ligo toda semana, não é?!
- Ah, filha...
- Tudo bem, mãe? E o pai? – um assunto cordial antes de chegar ao que interessa.
- Todos bem, e você?
- Estão todos bem, mas estou te ligando para tratar de um assunto sério. Preciso da sua ajuda!
Depois de relatar tudo o que havia acontecido na última semana, perguntei se eles ficariam com durante as férias, nem preciso dizer que ela aceitou — contendo-se para não parecer tão feliz enquanto eu estava tão chateada. Combinamos tudo naquela mesma hora, precisava ir o mais rápido possível. e ele partiriam no próximo avião à Curitiba e lá eles pegariam outro avião para Londrina. Liguei para e combinei tudo com ele também, o vôo era no dia seguinte, às 16h.

Respirei fundo, finalmente decidida a comunicar da minha decisão.
– Meninas, podem me dar licença para conversar com ele?
- Claro, . Vamos procurar alguém para tirar esses jornalistas daqui.
- Obrigada! – sentei na cama, ao lado do , e acariciei seu rosto. – Eu conversei com seu pai, , e nós chegamos à conclusão de que é melhor você ir para a casa des seus avós nessas férias. No Brasil.
- Vamos ver a vovó e o vovô? Vamos pra Floripa?! – perguntou entusiasmado.
- Não, filho, você vai com seu pai para Londrina, onde seus avós moram. Eu tenho que trabalhar, não posso acompanhar vocês, mas vai ser bom, não vai? – já não conseguia conter as lágrimas. – Passar algum tempo com seus avós...
- Você não vai? – ele perguntou fazendo bico. Não disse nada, apenas fiz que não com a cabeça. – Por que eu tenho que ir, se você não pode ir?
- Porque alguém disse uma coisa muito ruim no jornal e agora isso pode te machucar de novo, e eu não posso permitir isso. Como o está de férias, ele vai levar você e volta no fim do verão para te buscar. – limpei as lágrimas e sorri fraco. – Vou te ligar todos os dias, você vai se divertir muito, eu prometo!
- Eu sei disso, mas preferia que você fosse.
- Eu também, filho. Mas você pode mostrar alguns lugares ao seu pai. Leve-o aos lugares que nós íamos juntos quando passávamos as nossas férias lá, o que acha?
- Ele vai gostar do parque e do lago...
- Claro que vai, desde que vá com você, ele vai adorar cada pedacinho daquela cidade. – respirei fundo, parando totalmente de chorar. – Só que você tem que ir amanhã.
- Amanhã?
- Amanhã.
- Por quê? – ele me olhou com cara de desespero.
- Porque é só amanhã que tem vôo para o Brasil. – menti para evitar perguntas. – Então vá tomar banho e eu vou arrumar suas malas, está bem?
- Tá...
Ele saiu para o banheiro e eu peguei no meu maleiro duas malas grandes e resolvi usar uma só. Peguei algumas peças de roupa de frio e outras de calor, afinal, embora fosse inverno, o Brasil era sempre mais quente. Depois peguei os calçados, cuecas e meias, separei shampoos, condicionadores, sabonetes, escova de dentes, pasta de dentes, arrumei a mala para ele passar três meses na casa dos avós. Quando ele saiu do banho, ela estava quase fechada.
- Coloque o pijama, , você vai dormir comigo hoje.
Ele sorriu de orelha a orelha e eu o acompanhei em seu sorriso. Depois fui para o meu quarto, juntei o meu pijama e entrei no banheiro. Tomei um banho rápido, lavei bem os cabelos, sequei e fui para o quarto, onde já dormia na minha cama. e se acomodaram em qualquer lugar da casa, não me importava nenhum pouco, na verdade, tudo que me importava eram as poucas horas que eu tinha com . O fato de precisar parecer forte quando estava desmoronando por simplesmente ter que deixá-lo, me consumia por dentro. Eu juro por Deus que isso vai ter troco, a vai receber tudo em dobro, maldita!
Deitei na cama e abracei meu filho, dormindo assim com ele. Pode parecer exagero, mas quando se tem um filho de seis anos, que não consegue se defender sozinho, que leva uma pancada na testa de um infeliz de um jornalista fofoqueiro e precisa praticamente fugir do país, fica fácil imaginar o drama.

No outro dia, levantei às 9h. já havia saído para hospital e falara com meu supervisor para me conseguir uma folga, explicando mais ou menos a situação, e ele me concedera. já havia saído para a redação e ainda dormia tranquilamente.
Como era verão, vesti uma calça jeans skinny, uma blusa nude de mangas ¾ bem larguinha e uma rasteirinha fechada atrás até o tornozelo. Caminhei lentamente até o porta-jóias e tirei um brinco que combinava, pulseiras, um anel e o meu escapulário. Então, fui ao quarto de e separei algumas roupas para ele usar durante o dia e deixei em cima da minha cama. Na cozinha, preparei um café da manhã especial com waffles, ovos mexidos e chocolate quente. Estava inspirada a passar todos os momentos possíveis antes dele ir.
- Mãe? – me chamou já vestido e de cabelo penteado. Ele não me deixava penteá-lo.
- Filho! – abaixei-me na outra extremidade do corredor e abri os braços. Ele correu e me deu o maior e mais gostoso abraço. – Dormiu bem?
- Aham! – ele sorriu. – Tô com fome!
- Ainda bem, porque eu fiz um café caprichado. Vamos comer.
Comemos e fomos assistir filmes, pois não poderíamos sair de casa. ligou, queria vir passar o dia com a gente, mas eu o dispensei, o dia era meu e do meu filho. Tiramos milhares de fotos, assistimos filme, comemos, ouvimos músicas, dançamos. Então chegou a hora do almoço e a minha casa foi invadida por mcflys famintos, suas namoradas e minha colega de trabalho.
- O que fazem aqui? – perguntei ao abrir a porta.
- Viemos passar o resto do dia com vocês. Tem comida? – perguntou entrando na casa.
- ! – bateu em seu braço. – Vamos fazer alguma coisa.
- Sugiro não deixar a perto do fogão, alguém mais concorda? – perguntou.
Todos levantaram a mão, inclusive .
- ! – ela surpreendeu-se.
- Certo, eu posso cozinhar, , me acompanha? – ela sorriu para a autora, que concordou e foram para a cozinha.
Sentei no sofá e me abraçou, assistimos perder do no videogame e ganhar de . Tão logo o almoço ficou pronto, nós comemos e a tarde passou. Quando nos demos conta, eram 15h30min, precisávamos ir para o aeroporto, por isso pegou a mala do e todos começaram a se despedir. Eu os levaria ao aeroporto, não abriria mão disso por nada.

Só eu fui até o aeroporto com e . Era uma tarde ensolarada de verão, mas havia poucos jornalistas em frente ao prédio e como a garagem era no subsolo, conseguimos esconder as malas facilmente e sair com o carro. Alguns até vieram atrás de nós, mas , em sua habilidade superior, os despistou. Chegamos ao aeroporto cinco minutos antes da hora de embarque, por isso, tive que me despedir com certa pressa.
- Eu vou ficar legal, mãe! – disse enquanto eu o abraçava.
- Sei que vai, mas o que eu vou fazer sem você? – ele sorriu e deu de ombros. – Escuta, filho, obedeça a seu pai e seus avós, esteja em casa todas as noites, porque eu vou te ligar e... E nada, divirta-se muito!

Última chamada para o vôo 546 com destino à São Paulo, Brasil.


- . – o mirei com os olhos marejados. – Cuida bem do meu menininho, tá? E se cuida também. Me liga sempre, promete?
- Claro que ligo, . Fique tranquila.
Ele me abraçou forte e eu retribuí com igual intensidade. As pessoas começaram a reconhecê-lo e se aproximavam mais a cada segundo. Ele me beijou apaixonadamente e eu quase os levei de volta para casa, mas não podia arriscar mais nada, eles precisavam sair.
- É melhor nós irmos, .
Assenti e dei outro abraço em , sussurrando em seu ouvido que eu o amava. Eles já caminhavam em direção à moça que recebia as passagens, quando eu gritei:
- !
Ele se virou bem a tempo de eu pular em seu colo e beijá-lo de novo.
- Eu te amo! – ele abriu o sorriso mais lindo do mundo. Era a primeira vez que eu falava isso para ele.



Capítulo 09


Assistir e partirem sozinhos em férias forçadas, me deixando para trás, trazia-me a sensação de que nunca mais os veria. Essa sensação instalou-se dentro de mim e fortaleceu-se a cada palavra impressionada de um que via o Brasil de um ângulo diferente, não como um membro do Mcfly, mas como um turista. A cada tweet das Mcfãs, meu coração se apertava, encolhendo-se mais e mais.
me contou sobre a recepção calorosa em São Paulo e depois em Londrina, sempre mencionando o quanto gostava de visitar o Brasil. Eu podia falar com eles todos os dias, depois do trabalho, em uma vídeo conferência; ouvia meus pais enlouquecidos com as milhares de meninas em frente a casa deles, ouvia se desculpar constantemente, ouvia as gostosas gargalhadas de e prometia que da próxima vez, eu iria junto.

Na quinta-feira à noite, depois de tomar banho e vestir pijama, sentei no sofá da sala e fiquei passando os canais para achar algo bom para assistir. Quando finalmente achei um filme, o telefone tocou, o identificador de chamadas denunciou quem ligava: Aquela-que-não-devemos-nomear.
- ... – no mesmo instante, o seu sorriso cínico e debochado veio a minha mente. – Já é quinta-feira e você ainda não se pronunciou?
- Preciso reconhecer sua coragem em me ligar, outras não teriam tamanha cara-de-pau.
- Ah, querida, eu sou uma pessoa que sabe o que quer e como fazer para conseguir. – ela suspirou e eu rolei os olhos, imaginando a combinação entre um taco de baseball e o focinho daquela cadela. – Vou admitir que não era loucamente apaixonada pelo , mas ele é bom de cama e me fazia aparecer bastante na mídia, então...
- Você é uma porca! – praticamente rosnei.
- Pode até ser, mas ninguém me rouba um troféu assim, tão facilmente. – ouvi uma risadinha contida da própria . – E ninguém pode negar que eu fui a melhor namorada dele.
- O quê?! – indignei-me profundamente. – Você lançou um controle remoto na testa dele! De propósito!
- E você lançou um filho remelento nele! Qual será que é permanente?
- Não fale...
- Eu falo o que eu quiser! Ou você acha que ele quis esse bostinha? Ele não queria um filho e você engravidou mesmo assim. Ele não queria vocês em Londres, mas vocês vieram mesmo assim. Ele não queria terminar comigo, mas você o convenceu mesmo assim. Você estragou a vida dele enquanto eu tentava salvá-la. A naja aqui é você, a egoísta aqui é você. – a essa altura, eu já chorava de raiva daquela infeliz e imaginava uma anaconda engolindo-a. – Quando tudo ia bem, você apareceu.
- Eu. Não. Acredito. Em. Uma. Palavra. Do que. Você. Está. Dizendo. – disse pausadamente, tentando conter as lágrimas.
- Então pergunta para ele. Ah, não pode, não é? Ele foi para aquele seu país no quinto dos infernos... – ela gargalhou. – Tome cuidado, não vai querer que ele engravide outra vagabundinha por lá.
- Eu devia arrancar seus olhos agora...
- Faça o que quiser, mas eu sou muito superior a você, sabe disso!
- Sorte sua que eu não estou na sua frente, você teria os seus olhos, os seus cabelos, as suas unhas e o seu silicone arrancados.
- Poor girl...
- Nunca mais me ligue!
Bati o telefone espumando de raiva. Não conseguia enxergar o que vira nele, ou como havia cogitado em ficar com ela. Encolhi as pernas sobre o sofá, as abracei e chorei. Não um choro triste, ou sentido, mas um choro de raiva, misturado com gritos e grunhidos, com juras de ódio eterno e a destruição de uma das almofadas do meu sofá, a qual apertei, mordi e arranhei até espalhar sua espuma pelo tapete da sala.
Depois de ver o tecido da almofada irrecuperável, resolvi que precisava acalmar-me de algum jeito. Pensei em , mas lembrei que ela saíra com , e também, saíram e estava de plantão. Restava , mas quem sabia onde se metia?
- No prédio do tem uma quadra de tênis! Talvez eles me deixem lançar algumas bolas...
Eu não jogava tênis, mas sabia, pela experiência do Nintendo Wii, que era extremamente relaxante. Eu podia ficar em casa e jogar no Wii, mas precisava sentir o vento em meu rosto, precisava sentir a liberdade que eu tinha e que a casa não me permitia desfrutar.

Vesti uma saia cinza de pregas - que eu não comprei pensando no tênis, mas que servia -, uma pólo branca e um vans branco também. Tomei um táxi para a casa do . Não sabia se ele estaria por lá, mas no condomínio, como eu já disse, havia uma quadra perfeita, o que era perfeito para que eu aliviasse o meu ódio, para que extravasasse a raiva. Ao chegar, fui informada de que não havia ninguém na cobertura, mas, porque me conhecia, o porteiro liberou a quadra por apenas uma hora.
Corri até lá, peguei a raquete e algumas bolinhas no armário para visitantes e treinei arremessos na quadra. Jogava a bolinha com toda a força, imaginando a cabeça da na parede, sendo acertada pela bolinha e explodindo. Nem imagino por quanto tempo joguei, gritando, grunhindo, pouco me importando com os moradores do prédio chique em que morava.
- Estou imaginando a cabeça da na parede, e você? – me virei instantaneamente e vi na entrada da quadra, sorrindo.
- Imagino na parede, na bolinha, na raquete... – caminhei ofegante e me larguei no meio da quadra. – Desculpe.
- Pelo quê? – ele sentou ao meu lado, olhando para o mesmo lugar que eu: a parede.
- Por invadir o seu prédio. – ele abraçou-me de lado e sorriu.
- Não se preocupe. – sorri. – Mas o que aconteceu? Qual o motivo dessa raiva? Além do óbvio, claro.
- Ela me ligou. – soltei. – Só para tripudiar sobre mim, ligou lá em casa e disse um monte de besteiras, quase perdi a cabeça. Precisava descontar a raiva.
- Vem, vamos subir e você me conta!
- Não acho que conseguirei repetir aqueles absurdos, desculpe. – falei, abaixando a cabeça e ele me abraçou de novo.
- Então a gente sobe, você toma um banho e a gente fica de boa, só conversando sobre qualquer coisa. – ele sorriu.
- Mas eu não trouxe outra roupa...
- Ah, não tem problema. Pode andar pelada pela casa, não vou me importar. – ele deu de ombros e me viu com a expressão mais apavorada possível. – Calma, é brincadeira! Te emprestarei uma roupa.
Ele se levantou e me ajudou a levantar, depois caminhamos em silêncio até o elevador e subimos à cobertura. me indicou o banheiro do quarto dele, me deu uma toalha e disse que deixaria a roupa em cima da cama. Entrei no banheiro branco, tranquei a porta e liguei o chuveiro, me despi em frente ao espelho, comparando-me, involuntariamente, com aquela-que-não-devemos-nomear. Eu tinha um corpo bonito, tinha sim, ainda mais para uma mãe, também era bonita de rosto, mas ela era linda! No fundo, ela tinha razão, não planejou o filho, não queria terminar com ela, talvez nem me quisesse em Londres realmente, mas eu também não planejei o , e ele terminou com a namorada por causa da banda, não por mim, e o e ele insistiram muito pela mudança, ele queria isso mais do que eu. Talvez se eu não o tivesse convencido, ele ainda estaria sem falar comigo, provavelmente preparando-se para um casamento. Será que ele ficou comigo por querer ou por conveniência?

Entrei no chuveiro e deixei a água quente escorrer pela cabeça e pelo corpo. Ele me chamou para dançar na festa e sentiu ciúme quando me viu dançar com o Jim, e tinha , que garantia que ele cuidava de mim à distância. Quando estávamos juntos, ele parecia gostar mesmo de mim, talvez não me amasse, mas era cedo para isso, era cedo para falar em amor, talvez nem mesmo eu o amasse tanto assim... Talvez.
Terminei meu banho, me sequei e escovei os cabelos molhados, depois de me enrolar na toalha e calçar uma lancha que o devia chamar de chinelo, abri a porta e saí para o quarto, onde, aliás, não encontrei roupa alguma em cima da cama. Abri algumas gavetas e encontrei a de cuecas, e, por sorte, algumas calcinhas — não sei se dele ou das garotas que lhe visitavam, brincadeira —, peguei uma, a vesti e, ainda enrolada na toalha, fui atrás dele.
- . – ele assistia o Manchester United massacrar o Chelsea no campeonato inglês.
- UOU! – o rapaz exclamou ao me ver só de toalha. – Eu disse que estava brincando sobre andar pelada pela casa.
- Mas eu estou de toalha! E se...
- Arranco isso antes que você possa perceber.
- ! – exclamei rindo, já estava acostumada com essas brincadeiras. – Se você tivesse deixado a roupa pra mim, eu não precisaria andar por aí de toalha!
- Ah, é! Esqueci, desculpe. – então ele pausou o jogo e levantou-se. – Vamos lá.
Fiquei em seu encalço e quando entramos no quarto, ele arrancou a camisa e jogou num canto qualquer . Observei seu corpo, boquiaberta — me julguem —, recordando o ensaio fotográfico para aquela revista que esqueci o nome. Que corpo, meu Deus, quase esqueço o . Vi parar em frente ao guarda-roupa e tirar uma camisa do Led Zappelin. Pisquei algumas vezes para sair dos devaneios e sorri, vestindo a camiseta por cima da toalha.
Do além, senti as mãos de puxarem a toalha, deixando-me de camiseta e calcinha, apenas. Virei surpresa e o vi rindo largamente.
- Eu disse que tiraria sem que você percebesse...
- Idiota! – também dei risada. – Anda, me arruma um samba-canção ou sei lá.
- Achou essa calcinha onde?
- Na sua gaveta, espero que não se importe, eu sei que você adora usá-las, mas...
- Muito engraçada. – ele semicerrou os olhos e eu continuei rindo. Depois, caminhou até uma gaveta e tirou um samba-canção e jogou em minha cara. – Toma!
- !
- Você exclama muito o meu nome, sabia? – dei um soco em seu braço. – Só não vai falar quando estiver com o , vai pegar mal e criar o maior climão na banda...
- Você é um imbecil! – dei risada e ele entrou no banheiro.
Dormi no quarto de hóspedes do e no dia seguinte acordei cedinho, vesti a minha roupa que estava na secadora e corri pra casa. Sexta-feira também é dia de trabalho.
Cheguei em casa e fui logo tomar um banho, sequei os cabelos e vesti logo o uniforme — blusa branca, calça branca, tênis branco e jaleco, adivinhem: branco! Nem bem entrei na cozinha, encontrei pronta a minha espera, tomando café da manhã.
- ! Achei que tivesse dormido no ... – comentei.
- Ah, não, mas ele bem que queria. – rimos. - Em dia de semana é melhor dormir em casa. – ela deu de ombros e deu uma dentada na torrada, apenas sorri, concordando. – E então, animada com a volta do ?
- Muito! Estou com tanta saudade daqueles dois...
- É... – queria falar alguma coisa. – ? Vocês podiam dar a primeira entrevista para revista que eu trabalho, né? Eu sei que não é legal falar sobre isso, mas vocês já vão fazê-lo mesmo assim, e se eu conseguir uma exclusiva com o casal do momento, vou crescer lá dentro. Levar crédito, entende?
- Tudo bem, eu falo com o e te aviso, pode ser?
- Muito obrigada, , de verdade. Agora, onde foi que a senhorita passou a noite?
- No . Você não acredita no que aconteceu.

Descemos para a garagem e eu fui relatando tudo o que me dissera, vendo a indignação se estampar no rosto de e me lembrando das coisas que ela disse, sentindo aquela angústia que senti na hora voltar, o amargo da minha boca, a sensação ruim de que ela ainda me perturbaria.
- Aquela... CADELA!
- Eu sei, mas depois fui jogar tênis lá no e me acalmei um pouco. Mas e você, onde o te levou?
Ela revelou todos os detalhes da noite, as roupas, o restaurante, as toalhas e o arranjo das mesas, o atendimento, sempre elogiando tudo. Depois contou que alguns fotógrafos os flagraram de mãos dadas na rua e nem tentou escapar, deixou que tirassem quantas fotos quisessem e ainda revelou o nome dela para eles, referindo-se a ela sempre como sua namorada. As fotos saíram nos jornais e muitas revistas. Mcfly sempre na boca do povo.

Cheguei ao hospital cinco minutos atrasada e ouvi o diretor ralhar e me mandar direto para o P.S., que estava lotado. Meu primeiro paciente foi um garotinho muito bonitinho, que me lembrou o e que, como ele, quebrou a perna caindo do escorregador.
- E como você caiu? – perguntei, tentando manter uma conversa agradável enquanto engessava sua perna depois de “consertada”.
- Eu ia descer em pé, porque é muito legal, sabe?! – assenti sorrindo, lembrando de quebrando a perna, ainda no Brasil, exatamente da mesma forma. Sorri. – Aí eu me desequilibrei e caí. Doeu, mas eu não chorei, porque eu sou homem. Aí a minha mãe ficou desesperada e me trouxe pra cá, mas eu não chorei!
- Nossa, você é um rapazinho muito forte mesmo, não é? – a mãe sorria. – Sabe, eu tenho um filho mais ou menos da sua idade, e ele também já quebrou a perna do mesmo jeito. Será que você é tão bagunceiro quanto ele?
- Ele é sim! – a mãe do garoto passou a mão na cabeça do filho. – É um espoleta!
Terminei com o garotinho, receitei alguns remédios para dor e os dispensei com algumas recomendações. Depois, segui para os leitos seguintes, conferindo o trabalho das enfermeiras e cuidando dos que faltavam. Por incrível que pareça, não tivemos nenhuma emergência de manhã, mas vários casos simples de gente que engoliu moeda, quebrou a perna, intoxicação alimentar, coma alcoólico...

Ao meio-dia, me ligou perguntando onde e eu almoçaríamos e nos convidou para almoçar com ela, pois queria contar uma novidade. Por isso, curiosas como somos, nos reunimos no almoço e seguimos de carro para o restaurante que escolhera.
- Mas ela não deu nenhuma dica do que era a tal novidade? – perguntou e eu neguei com a cabeça. – Estou morrendo de curiosidade, o que será que é?
- Não tenho ideia, mas deve ser coisa boa. Ela estava tão feliz ao telefone... – dei de ombros.
- ! – apontou para frente bem a tempo de eu frear e não bater no carro da frente, que, por algum motivo, ainda estava parado.
- Que susto! – coloquei a mão o peito. – Você está bem?
- Sim, estou. Foi só um susto.
Seguimos conversando sobre o quase acidente e depois sobre banalidades como o tempo, roupas, cabelo, unhas, etc. até chegarmos ao restaurante, onde entramos e logo achamos e tomando um suco e batendo um papo animado.
- Chegamos! – anunciei sorrindo e me sentei à mesa, tal como .
- Ótimo, então ela já pode contar a tal novidade, estou ansiosa! – bateu palminhas, chamando um pouco de atenção.
- Ok, ok! – fez mais um suspense. – Acontece que ontem... – fez um suspense ainda mais longo.
- Fala logo, ! e eu só temos uma hora de almoço! – disse .
- Tá, é que ontem eu saí com o , vocês sabem... – ela sorriu meio abobada. – E aí, no meio do jantar, ele sorriu e me chamou pra dançar. Não que ele não estivesse sorrindo antes, mas vocês entenderam. – rolamos os olhos e ela observou nossas expressões, uma a uma. – Então voltamos para a mesa quando a música acabou, terminamos o vinho e fomos para casa.
- E...? – incentivei, recusando-me a acreditar que isso era tudo.
- E ele me levou pro quarto e...
- Poupe-me dos detalhes sórdidos. – deu um tapa no ar.
- Ah, você não vai me dizer que é essa a novidade, não é? – manifestou-se.
- Me deixem terminar! – rolou os olhos. – Aí, em cima da cama tinha uma caixinha de veludo preta. Eu corri para abrir, pensando ser um anel, mas era um brinco de pérolas. – ela afastou o cabelo e mostrou os belos brincos. – Aí, fomos para a sala. Sentei no sofá e comecei a assistir uma série que eu acompanho.
- Sério, pra onde vai essa história? – já estava impaciente, mas eu já conhecia o final da história, é um troll, todos sabem disso.
- Calma! – e eu dissemos juntas.
- Aí, ele chegou perto de mim, me deu um beijo na bochecha e sentou ao meu lado. Então começou um desenho animado e ele disse que sentia falta do e que queria um daqueles para ele. – ela sorriu. – Aí, quando perguntei se ele queria logo, ele disse que sim, mas que queria se casar antes.
- E aí...? – perguntei com um sorriso largo.
- E aí fomos dormir. – sorriu irônica e nós três a olhamos decepcionadas. – Parem de me interromper! Aí ele disse que era muito feliz comigo, mas que faltava alguma coisa. Perguntei o que era, gelando já, e ele puxou uma caixinha preta de dentro do sofá, sorriu esperto e disse: “Você morando comigo pra sempre”. Gente, é um Harry Winston legítimo! É enorme e lindo.
- Ah! Meus parabéns! – abracei-a e fez o mesmo.
- Espera aí... – fez cara de desconfiada. – Você tá grávida?!
- Estou, mas isso não tem nada a ver. – disse ultrajada.
- O QUÊ?! – todas perguntamos juntas.
- Claro que não! Adoro trollar vocês...
- Nossa, gelei aqui. – sorri, voltando a respirar normalmente.
- Certo, mas queremos nos casar logo, então eu vou decidir quem será o quê. – continuou. – Eu quero que a seja minha madrinha. – vibrou. – Desculpem, meninas, mas vocês são extremamente ocupadas com seus pacientes e, podem imaginar o chá de panela da !? E a despedida, então!? Deve ser hilário! E eu guardei os cargos de damas de honra para vocês duas. Prometo escolher vestidos lindos.
- Eu vou ser a melhor madrinha do mundo. Pode deixar! – estava radiante.
- Tudo bem, mas eu quero ser madrinha do primeiro filho, sem mas! – argumentei brincando.
- Hm, pergunta. – levantou a mão como se estivesse no colegial. – Primeiro: quando vão revelar isso pro mundo? Segunda: quando vamos finalmente pedir a comida?
E ficou decidido que eles só revelariam tudo, quando seus pais já estivessem inteirados do assunto e só se casariam quando voltasse, pois fazia questão dele de terninho, entrando na igreja com a priminha dela. Depois de comer, e eu voltamos para o hospital e completamos o quadro de médicos. Nem acreditava que estava tudo dando tão certo: e assumindo o namoro sério, e noivando, voltando...


***



Não estava trabalhando no sábado, mas já tinha saído para correr, limpado a casa toda, tirado o pó, separado roupas para doação, deixado louca, tomado banho, almoçado, lavado louça, colocado a louça limpa na lava-louça sem motivo nenhum, ligado a televisão, me conectado ao twitter, saído do twitter, andado pela casa, levado as roupas de doação para a casa de repouso do outro lado de Londres, visitado a mãe de , conversado com as meninas, enfim, tudo que podia fazer. Estava ansiosa com a chegada de . Não sabia que horas ele ia chegar, só sabia que ia buscá-lo.
- , relaxa! – pediu. – disse que ligaria assim que o encontrasse no aeroporto!
- Mas eu queria ter ido buscá-lo... – fiz um biquinho e me deixei cair no sofá.
- Tá, mas não tem chance nenhuma do não vir pra cá antes de tudo.
- É, eu sei. – suspirei – Estou com tanta saudade...
- É, mas já pensou no depois? Dar entrevistas, jogar a na fogueira, arrumar sua vida e jogá-la ao mundo... Tem milhões de fãs e jornalistas sedentos por alguma notícia.
- Eu sei, ! – ralhei. – Mas você não pode me deixar pensar em uma coisa de cada vez? Vai ficar tudo bem, eu sei que vai.

Algumas horas depois, a campainha tocou. Num primeiro momento, pensei que fosse , mas lembrei que ligaria assim que o encontrasse no aeroporto, mesmo assim, estranhei o porteiro não ter avisado nada. Caminhei até a porta e abri o maior sorriso do mundo ao ver que era ele mesmo do outro lado, no corredor, com as malas — e as que ele levou pro Brasil — ao seu lado. Atirei-me em seus braços e o beijei como se essa semana tivesse se arrastado por dez anos, matando a saudade sem palavras, para quê palavras? Para quê ar?
Desci do colo dele, que colocou as malas para dentro, cumprimentando . Depois pedimos pizzas e o ouvimos relatar sua semana no Brasil e falar de e dos meus pais num tom tão ameno, tão... Não sei, mas ele parecia ter adorado os meus pais tanto quanto eu adorei a mãe dele.

A pizza chegou junto com e , e chegaram um pouco depois. Quando ficamos todos reunidos, as novidades, fofocas e revistas com nossas fotos foram mostradas, mas eu preferi deixar certa ligação para mais tarde, quando estivéssemos sozinhos. ainda deu alguns recados que conseguiu escutar das fãs malucas e mostrou bandeiras e camisetas que atiraram contra o jardim, segundo minha mãe, muitas meninas vieram de longe para vê-los, os hotéis de Londrina nunca ficaram tão cheios, exceto nos vestibulares, claro. - Espera aí, você tá grávida? – perguntou ao ouvir sobre o casamento entre e .
- Por que, estou gorda? – levantou-se, mostrando o belo corpo para todos. – Então por que todos insistem em perguntar se eu vou casar porque estou grávida?
- Desculpa, , mas achei que o ia cozinhá-la por mais tempo. – sorriu sem graça.
- Por que eu faria isso?
- Sei lá, mas eu também achei. – sorriu de lado e deu de ombros, concordou com a cabeça.
A conversa seguiu animada até altas horas, depois todos foram embora, inclusive , que foi dormir no , deixando-me a sós com meu namorado.
- Você me parece feliz e preocupada, o que mais aconteceu? – perguntou sorrindo e chamando-me para o sofá.
- Você não percebeu isso sozinho. – comentei. – O que o te disse? – ele riu, sabia que eu o conhecia realmente bem.
- Disse que você precisava me contar uma coisa séria. – ele deu de ombros. – O que aconteceu?
- Eu disse que só ia contar amanhã, o é um fofoqueiro! – sentei-me ao lado de e o senti me abraçar pela cintura, me encostei em seu peito e senti seu cheiro único, cheiro de . – me ligou.
- Hum. – senti a tensão tomar conta de todo o corpo dele, enquanto ele ponderava a raiva crescente que eu sabia que ele guardava. – E o que ela queria?
- Me atormentar, o que mais?!
Então eu contei todos os detalhes daquela ligação infame. Cada parte, cada tom de voz, cada palavra, cada acusação e cada vez que o sentimento de ódio se intensificava dentro de mim. Agora compartilhava do meu ódio, agora ele entendia, agora ele sentia o que eu sentia.
- , escuta bem o que eu vou te dizer: eu quis que você viesse pra cá, eu quis terminar com a e, acima de tudo, eu amo você e o incondicionalmente. Nunca acredite no contrário, nem mesmo se eu disser.
- Eu sei disso. Eu sei disso, . – sorri para ele sentindo os olhos lacrimejarem. – Nós também te amamos muito, acima de tudo!
Naquele momento, senti seus braços fortes me virarem de frente para ele e seus lábios beijarem os meus com calma. Depois, a velocidade foi aumentando de tal forma, que logo eu estava sem blusa e ele também. quebrou o beijo e sorriu, se levantando e me levando de cavalinho até o quarto, onde tornou a me deitar, dessa vez na cama e, bem, você sabe o que aconteceu.


***



Depois do fim de semana em comemoração à volta de , chegou a segunda-feira, dia em que tinha marcado a exclusiva com a revista na qual trabalhava.
- , está pronta?
Óbvio que não estava pronta, tinha tomado banho e secado os cabelos até ali. Depois de responder a , caminhei até o guarda-roupa e tirei uma calça jeans preta e uma blusa de mangas compridas, grossa, verde acinzentado com finas listras pretas. Nos pés, uma bota de veludo marrom escuro e salto fino preto. Modéstia à parte, eu estava linda! Completei o look com brincos e pulseiras e fiz uma maquiagem simples — provavelmente teria maquiadora no estúdio, de qualquer forma. Saí quando gritou pela vigésima oitava vez.

Entramos no carro e fomos seguidos até o estúdio, onde descemos de mãos dadas e sorridentes, até a recepção. Os fotógrafos foram barrados pelos seguranças e nós fomos gentilmente recebidos por uma recepcionista, que nos encaminhou para o estúdio para nos maquiarmos e então tirarmos as fotos para a entrevista.
O estúdio era uma sala de tamanho médio, havia sofás e “namoradeiras”, uma mesa de centro e uma lareira artificial para aquecer o ambiente. Um grande tapete branco felpudo jazia no chão, convidativo. A jornalista nos orientou a sentar bem à vontade no sofá, “como se estivessem vendo um filme em casa”, foram suas palavras.
- Tem certeza? – perguntou brincando e a mulher levou na esportiva.
Nos sentamos abraçados, lado a lado, no sofá maior e a jornalista sentou em uma poltrona na diagonal. Ficou decidido que responderíamos as perguntas e depois faríamos as fotos.
- Estão prontos? – assentimos sorrindo. – Ótimo, primeira pergunta: o que vocês têm a dizer sobre a ?
- O que posso dizer, ela cancelou uma viagem para o Caribe para me acompanhar em um tour uma vez, por ciúme!
- Ah, , qual é! Posso pensar em, pelo menos, cinco coisas piores que ela já fez...
- Pode listar as cinco, ? – a jornalista perguntou. Olhei para como se pedisse permissão, afinal, era da vida dele que estávamos falando.
- Número 1: no dia em que eu me mudei para Londres com , eles brigaram e ela xingou a mãe dele de falsa, mentirosa e afins. Eu posso dizer que a mãe dele é a melhor pessoa do mundo! Depois da minha, é claro. – comecei, me divertindo à beça em jogar na fogueira, modéstia à parte.
- É verdade, tinha esquecido disso!
- Na frente dele? Na sua frente, ?
- Acredite se quiser. – ele deu e ombros.
- Número 2: obrigou a escolher entre ela e eu, que até então era exclusivamente mãe do filho dele.
- É, ela disse que eu só poderia ver o na casa da minha mãe. Foi a única vez que eu a fiz chorar... – apontou para mim e eu assenti com a cabeça para a primeira afirmação e neguei a segunda.
- Acredite, , não foi. – ele fez cara de interrogação e a jornalista riu. – Eu chorei quando te conheci, chorei quando soube que estava grávida e chorei quando te contei do , pelo menos!
- Tá, tá... Mas ficamos sem conversar direito por muito tempo, exceto...
- Número 3: exceto quando ela tacou um controle remoto e abriu um buraco na testa dele. Eu tinha ido levar o na mãe dele e o encontrei lá, naquele estado.
- Um controle remoto? – a jornalista estava mais que surpresa.
- Uma crise de ciúmes...
- Oh, meu deus!
- Aqui, ó! – mostrou uma cicatriz minúscula na testa.
- Número 4: a festa da Rolling Stone. Ele ainda estava proibido de falar comigo, por isso, aproveitou quando ela estava no banheiro e me chamou para dançar, aí ela viu e, bem...
- É, essa todos vimos... – a jornalista sorriu, compreensiva. – Quinto ponto?
- Número 5: ela quase abraçou os pés do para ele não deixá-la e quase atirou coisas nele quando viu que não tinha volta.
- Ok, que relação perturbada! , por que você continuou com ela por tanto tempo?
- Ela era boa de cama. – , imbecil, deu de ombros, sorridente.
- ! – bati em seu braço e sorri. – Assim vai parecer que eu não sou. A gente tinha combinado de mentir sobre isso! – todos rimos da brincadeira, mas, em seguida, ele me puxou pelo queixo e me deu um selinho demorado.
- Você é muito mais que só boa de cama! – “todos choram”. Brincadeira, mas ele é um fofo.
- Ok, e como vocês reagiram ao que a disse aos jornais e revistas?
- Primeiro, fiquei com raiva. Depois decidimos afastar dessa loucura da mídia, deixá-lo passar as férias no Brasil, como sabem. – respondeu. – nunca me impediria de ficar com a . O que nos fez terminar foi o relacionamento obsessivo e o Mcfly, por causa dela eu estava me afastando da banda, só o que precisou fazer, foi me avisar disso.
- Certo. – a jornalista sorriu de lado, compreensiva. – , todos sabem que você, antes de namorada ou de mãe do herdeiro de um “Mcguy”, é uma fã assídua. Acha que foi isso que a impulsionou a abrir os olhos de ?
- Ah, acredito que foi um pouco de tudo isso junto, ser fã, saber que ele morreria se saísse da banda, saber que a criação do poderia ser comprometida... Sem contar que, como fã, sei que a banda acabaria se qualquer um deles saísse.
- Sei... Reconheço que se qualquer outro substituísse algum deles, a banda jamais seria a mesma. – a jornalista sorriu e sorriu largamente. – Última pergunta? – ambos assentimos. – Vocês estão namorando há algum tempo, pretendem se casar algum dia? Ter filhos e etc? – nos olhamos e ele sorriu para mim, abraçando-me ainda mais forte.
- Ainda não pensamos nisso. Estamos seguindo o curso das coisas. Ela só disse que me amava quando eu estava quase embarcando para o Brasil, na semana passada.
- Ah, mas você já sabia. – argumentei e ele me deu outro selinho, dessa vez mais rápido.
- É, eu sabia!
- Ok, então era isso. Vou deixar vocês com a . Foi um prazer conhecer um casal tão entrosado e tão alegre quanto vocês. Espero que depois de hoje, tudo dê certo, vou fazer uma matéria que garantirá isso por mais algum tempo.
Nos despedimos da jornalista e ficamos nas mãos nada confiáveis de , que nos fez fazer mil poses diferentes e tirar um milhão de fotos, sempre explicando que selecionaria as melhores. Tiramos fotos deitados um no colo do outro, tanto eu no dele, quanto dele no meu, tiramos fotos no tapete, de cavalinho, deitados juntos, sentados, em pé, só faltou de ponta-cabeça, porque, né...

- A é totalmente louca! – eu ri quando saímos do prédio. – Me deixa no hospital?
- Não conseguiu o dia todo livre? Pensei em passear, mostrar nossa felicidade pelas ruas londrinas.
- Que tentador, mas segundo o diretor geral do hospital: “Os escândalos do seu namorado estão afetando os meus pacientes”, então preciso trabalhar.
- Ah, tudo bem, acho que vou voltar lá e ajudar a com as fotos...
- Ih, vai dar bolor!
- Ah, fica quietinha, tá?! Fotos com jamais serão feias, compreende?
- Compreendo! – imitei em espanhol, tal como ele. – Então vá lá e tente impedir de fazer besteiras.
Sorri e o beijei, entrando no hospital em seguida e já colocando o jaleco para entrar no P.S.


***



Na semana seguinte, a revista saiu. Na capa, uma foto minha e do de cavalinho. Dentro, uma breve introdução favorecedora e o jogo de perguntas e respostas no roteiro, com mais fotos: uma página inteira com uma foto minha fazendo careta pro , que a retribuía, e outras pequenininhas, mais comuns. vibrou com as fotos, nós vibramos por finalmente esclarecer tudo e os jornalistas vibraram por uma possível coletiva, da qual eu não participaria.
não se manifestou, não disse nada na TV, nem nos jornais, nem nada. A última vez que ouvi falar, ela estava namorando um jogador de futebol conhecido. Tinha virado uma versão porca de Victória Beckham, mas sem a caridade.


Capítulo 10


O tempo passava depressa, mas não o suficiente para trazer de volta para casa. O que me agradava era ter a metade final de agosto e a metade inicial de setembro de férias. Com essa finalidade, e marcaram a data do casamento para o penúltimo fim de semana de agosto, o que adiantou a volta do meu filhinho.
- , vamos nos atrasar para a prova do vestido!
- Ah, pra isso você fica pronta em dois segundos, né?! – ele chegou à sala meio emburrado. – Por que diabos eu preciso ir junto?
- Para experimentar o terno, os meninos também vão, pare de reclamar! – o puxei para fora de casa e tranquei a porta, enquanto ele chamava o elevador.
- Por que o foi inventar de se casar, hein?!
- Você nunca vai se casar, não é? – perguntei rindo, porque, na verdade, eu também não queria me casar, pelo menos não tão cedo.
- Não. Se quiser, vai ter que procurar outro.
- Que foi, acordou do lado errado da cama? – perguntei, achando graça no mau humor dele.
- Não. Acordei com a pessoa errada na cama. – ele deixou o elevador e caminhou até o carro, sendo acompanhado por mim. Só que assim, eu não dormi com ele, logo, eu não sou a pessoa errada, o que quer dizer que ele dormiu com outra pessoa?
- Como assim, acordou com a pessoa errada na cama? – perguntei em tom desconfiado assim que entrei no carro.
- ! – ele ligou o carro e saiu da vaga. – Inventou de assistir “O iluminado” ontem e foi dormir comigo. Acontece que ele dormiu, eu não. – não resisti, soltei uma gargalhada gostosa, fazendo-o me encarar de cara feia.
- E esse mau humor todo é por causa de uma noite mal dormida? – ri mais ainda quando ele bufou, virando para frente, encarando a rua. – Own, meu bebê, prometo que será bem rapidinho. – apertei sua bochecha, fazendo biquinho.
- Acho bom, mesmo!
Tentei conversar coisas banais, mas logo desisti, vendo que só conseguiria patadas deles. Assim que chegamos ao local da prova, deixei e sua tromba com , , e Jim — sim, aquele Jim —, e fui para a outra sala, onde experimentava o vestido branco de noiva. - O que acharam, meninas? – perguntou em dúvida. – Sejam sinceras.
- Tá bom. Eu acho que essa barra está torta, essa saia com babados está fora de moda e... – olhei assustada para toda aquela sinceridade que exalava.
- E essa saia está parecendo um bolo, ou um vestido de princesa de contos de fadas. , você vai ter um casamento de campo, vai destoar totalmente... – se manifestou. Notei que segurava as lágrimas.
- Hey! Cadê o eufemismo de vocês? – perguntei indignada e virou sorrindo triste.
- Esse vestido é do casamento da minha mãe... – que droga.
- Me desculpe, , eu devia ter considerado isso... – disse. – O vestido da sua mãe...
- Ok, , me desculpe, mas como sua madrinha, preciso dizer que esse vestido não é legal. Não sei que mania é essa que as mulheres têm de passar adiante vestidos de noiva.
- ! – a repreendi. – Pare com isso! O que foi que deu em você?
- Ah, me desculpem! – ela sentou bufando no sofá branco da saleta. – Mas é que eu vejo os bolos, corro atrás de listas de presentes, vejo tecidos para vestidos, vou comprar flores e tudo mais, e isso só me faz pensar que o nunca vai me pedir em casamento!
- Ah, o é um bundão! – disse sorrindo e bateu nas costas da amiga.
- Mas , vocês namoram há pouquíssimo tempo... – argumentei em favor do bundão, quer dizer, .
- Namoramos há mais tempo que eles! – ela apontou inconformada para , que sorriu feliz. – Não é justo!
- Tecnicamente, eles namoraram mais que vocês, porque eles já namoraram antes. Mas isso não exclui o ser um bundão. – estava se revelando uma defensora de mão cheia, acreditem.
- Chega! – gritou, assustando a todas. – Eu sinto muito por vocês, mas eu vou me casar e preciso de ajuda! – e olhou para a estilista: – Acha que podemos usar outro?
- É evidente que sim, só preciso tirar as medidas exatas e...
Saí à francesa, como se diz, queria respirar ar puro e falar de algo que não fosse flores, bolo e vestido de noiva. Quando passei para a salinha onde os garotos experimentavam os ternos, os ouvi conversar e, curiosa que sou, parei.
- Caralho, ! A não pára mais de jogar indiretas sobre casamentos. Olha aí o que você foi arrumar. – era mesmo um bundão.
- Foi mal, caras, mas é que...
- É que nada, eu também ouço a e ela fazendo planos... – , isso é uma mentira deslavada, uma calúnia!
- Mas eu amo a !
- Tá, a é linda e tudo, mas você também amou a outra, porque seria diferente? – questionou.
- É, nós nunca mais vamos pegar groupies nas turnês, porque você vai estar encoleirado! – disse. Eu não podia acreditar.
- Mas eu já não pegava antes, não vai mudar nada... – tentava argumentar.
- E quando nos reunimos para beber e jogar videogame? O que ela vai fazer no meio de nós? – perguntou.
- Se juntar com a sua namorada, com a namorada dele – apontou . – e com a , para ficar falando mal de vocês, é claro!
- Ainda dá tempo de acabar com tudo isso, se a gente correr, podemos fugir e não voltar mais, nós quatro! – também é um bundão!
- E vai abandonar seu filho, ? – entrei na sala e encostei-me no batente da porta, olhando as caras assustadas dos quatro. – Responda, vai largá-lo aqui e esquecer que ele existe? – silêncio.
- Vocês estava ouvindo atrás da porta? – tentou amenizar as coisas.
- Fica quieto, ! – disse, irritada o suficiente com aqueles três bundões. – Podem me dar licença, por favor? Gostaria de falar com .
Observamos todos saírem, inclusive os alfaiates. sentou no sofá creme da salinha, me vendo sentar ao seu lado. O rapaz me olhou com desespero e eu levantei a mão, impedindo-o de começar a falar.
- Parem de ouvir atrás da porta! – ouvi pessoas se afastando rapidamente e sorri. - Agora, , preciso que você tenha certeza de que...
- Não conta nada pra ela, , por favor! – ele implorou.
- ! Recomponha-se, homem! Agora, não deixe esses três imbecis influenciarem a sua decisão, porque eu capo o se ele abandonar o . – falei meio alto, sabia que eles tinham voltado. – Sabe que eles estarão sempre com você. Mas essa decisão é muito sua, se é isso que quer, é; se não é, paciência. Só não deixe ela planejar tudo pra dizer que não quer mais, ok?
- Eu quero me casar com ela! Muito!
- Mas...?
- Mas nada, não tem mas. Eu a amo, eu amo o jeito que só ela me faz sentir, é inexplicável, !
- Acho que esse é um bom começo para os seus votos, não acha?
Só o vi sorrir feliz e me levantei, dei um beijo em sua bochecha e saí da saleta, encontrando os três parados, com os ouvidos colados à fina parede, escutando a conversa.
- Podem entrar. – resmunguei e saí decidida para a outra sala.
- ? – chamou. – Aquilo que eu falei...
- Depois conversamos, sim?! Ainda tenho que ver o meu vestido.
Entrei na salinha, onde terminava de tirar o vestido da mãe e vestia suas roupas. e aguardavam ansiosamente que as costureiras trouxessem seus vestidos.
- , sua fujona! Olhe que lindos os nossos vestidos?! – exclamou quando eles chegaram.
- Que bom que não foram das damas de honra da mãe da , né?! – e sua boca grande.
Elas ficaram discutindo alegremente a cor escolhida para os vestidos. Alheia a conversa, observei os olhos de brilharem com a ideia do casamento, sorri sozinha, agradecendo pelo noivo querer isso tanto quanto ela. Depois vi comentar, sonhadora, sobre algo que ficaria no casamento dela e compartilhar sua ideia de casamento.
- ?! – ouvi alguém me chamar cordialmente para , que estava na porta. – Desculpe, podemos ir?
- Mas ela nem experimentou o vestido... – comentou.
- Ah, experimentou sim. – a costureira deu uma piscadela para mim. – Já marquei todos os ajustes. Está liberada.
- Tchau, meninas. Se precisarem, estarei em casa.
segurou minha mão e caminhamos silenciosamente até o carro. Ouvimos o barulho da embreagem, do acelerador e do freio do carro, a música que saía do aparelho era do Blink 182, First Date, mais nada se ouvia.
- Não vai falar nada? – ele perguntou.
- Prefiro fazê-lo num lugar em que eu possa te bater com força, sem arriscar minha vida por isso. – respondi secamente.
Passei o resto do caminho me sentindo a Phoebe de “Friends”, quando o Mike diz que nunca se casaria de novo. É claro que eu não planejava me casar agora, na verdade, eu nem planejava me casar, mas gostava de ser um talvez, gostava da ideia de ter opção, se um dia a ideia me ocorresse. No entanto, eu não me imaginava vivendo sem o , de forma alguma.

Chegamos à minha casa, estacionou e eu saltei do carro no mesmo instante. Cumprimentei o porteiro e apertei o botão do meu andar. Subimos em um silêncio constrangedor, mas ambos se recusavam a quebrá-lo. Alcançamos o andar, abri a porta, ele entrou, eu entrei, fechei a porta e me virei.
- , eu... – o deixei falar – Eu nem sei o que dizer, não era para você ter escutado, era conversa de homem, besteira.
- Vocês me pareceram bem motivados a fazê-lo desistir do casamento...
- Era brincadeira!
- Não era, não, . – suspirei e caminhei pela sala, virando de novo para ele. – Eu vi como você falou hoje de manhã, você disse como todas as letras que era para eu procurar outro, se quisesse casar um dia, o que significa que vocês falavam sério. Mas por que o não pode pensar diferente de vocês? Por que ele não pode querer se casar e ter uma família?
- Ele pode e ele vai! Só que isso vai afetar a banda, ele vai acabar se afastando, até sair. – ele suspirou e sentou no sofá. – Eu sei que a é uma boa pessoa, mas as coisas vão mudar para a banda.
- É ruim, não é?! – sentei ao lado dele. – Sentir que seu amigo se apegou demais à namorada, vê-lo ameaçar a banda por causa disso, não é?
- Eu sei por que está fazendo isso, mas eu terminei com a . A é a nossa Yoko Ono!
- ! Eu sou muito mais Yoko Ono do que ela, e a nunca se meteria na banda.
- Tá, tudo bem, , eles já vão se casar mesmo assim... – resmungou, como uma criança mimada.
- Outra coisa. – levantei e caminhei pela sala, voltando para ele. – Eu nunca disse que queria me casar, você nunca me ouviu planejar nada com a ...
- Eu sei...
- Talvez eu queira me casar um dia, eu não sei, ninguém sabe. Mas independente de com quem eu vá me casar num futuro distante, nunca vou permitir que você abandone o . – ponderei o tom de voz para não desafinar. – Se quiser me deixar, tudo bem, eu agüento, mas ele não, .
- ... – ele se aproximou de mim e pegou em minhas mãos. – Eu me casaria agora mesmo se fosse para não te perder!
- Mas eu não quero isso se for te fazer infeliz, será que você não entende? Eu quero que você cogite a ideia de, de repente, algum dia, nós casarmos.
- Quando o momento chegar, eu vou saber o que quero. Confie em mim.
- Há! – soltei as mãos dele. – Falando nisso, quer dizer que vocês pegam groupies?
- Droga!
- É, é uma droga mesmo. – o encarei, incrédula. – Você sabe que eu não sou ciumenta, mas nem por isso sou otária. O que você quer comigo, afinal?
- Mas por que você ouviu aquela conversa? Era tudo brincadeira nossa, , nem o tem procurado groupies, acho até que ele está namorando escondido.
- O ? Com quem será?
E, de repente, não sei como ele fez isso, nós estávamos sentados lado a lado, conversando como dois amigos sobre as possíveis namoradas de e o motivo para ele escondê-la de nós. Naquele momento, esqueci completamente da conversa de rapazes que ouvi, da nossa discussão, de casamentos e tudo relacionado. De repente, éramos só um casal, no sofá de casa, fofocando sobre alguém e rindo, rindo muito, rindo sem parar.
Honestamente, que loucura de sábado!


***



Domingo era aquele dia que tínhamos para correr por aí, fazer churrascos, beber, ouvir boa música, conversar com os amigos e comer uma boa picanha. Mas não nesse domingo. Nesse domingo iríamos conhecer casas para fazer essas festas futuras. e estavam se mudando.
- Ih, , se você pretende visitar lugares como aquele que me mostrou...
- Que engraçada! – ele riu irônico.
- Não vamos conhecer. – sorriu marota. – Vocês vão.
Entramos na casa, que não aparentava ter o tamanho que tinha, e o casal começou a mostrar todos os cômodos. se empolgou em mostrar uma sala de jogos no andar de cima e eu fui com ver a piscina.
- É linda, ! De verdade. – sorri admirando a piscina em “L”. – Somos os primeiros a conhecê-la?
- Aham! – ela sorriu. – O me contou da conversa de vocês ontem... – ela sorria fraco agora. – Obrigada por convencê-lo.
- Eu jamais o convenceria, . – a encarei, no rosto, a expressão séria. – Se ele precisasse ser convencido, eu mesma te diria para desistir. Ele quer se casar com você, acredite!
- É, tem razão...
Andamos mais um pouco e sentamos num banco de concreto que tinha ali.
- Nós estávamos conversando ontem, o e eu, será que não está na hora de você e o morarem juntos?
- Tá falando isso por quê?
- Eu não sei, mas a história de vocês começou invertida, não é hora de consertar? Quero dizer, vocês tem um filho, será que o não ia querer morar com os dois?
- Eu sei, mas morar juntos implica em jogar a na casa do , e eu não posso fazer isso. Sem contar que eu preciso de estabilidade emocional e financeira, estou querendo fazer especialização em setembro.
- Jura? Em quê? – respirei fundo, essa era a hora que todos arregalavam os olhos e diziam que meu sangue é frio demais.
- Neurocirurgia. – dito e feito.
- Nossa! Precisa ter sangue frio pra isso, por que quis essa especialização?
- Ah, sempre quis alguma área de cirurgia, e adoro o mecanismo do cérebro. Acho que vou me dar bem! – sorri para ela e depois vimos os “machos” caminharem até nós para chamar para ir embora.
- O que achou da casa deles? – perguntei, como quem não quer nada. Preciso dizer que não funcionou?
- teve a mesma conversa comigo. Sobre morarmos juntos e etc. – sorri fraco e voltei a encarar a pista. Hoje, eu que estava dirigindo. – O que você acha?
- Ah, eu não sei. – iniciei a resposta. – Não posso mandar a embora e...
- Ela vai morar comigo e o , de qualquer jeito.
- O quê?! – quase gritei. – Desde quando? Ela não me contou nada!
- Eles decidiram ontem, acho que ela vai te contar à noite.
- Por Darwin! Não posso manter aquilo tudo sozinha! – suspirei. – O que fez aceitar essa ideia, afinal? Achei que ele fosse um bundão... – rimos.
- bateu um papo cabeça com a gente depois que você saiu. Nos inspirou, só não inspirou o a revelar a namorada...
- O e essa namorada...
- Mas não fuja do assunto, o que você acha de morarmos juntos? Nós podemos nos mudar para uma casa no condômino do , com piscina e tudo mais...
- Isso seria como um casamento, não?
- Pode ser, mas se vocês estragarem a banda, todos seremos os bundões que deixaram, então...
- Engraçadinho! – rimos. – Mas, , eu quero fazer minha especialização na Universidade de Londres, será caríssimo e não sei se posso bancar uma casa num condomínio daquele...
- Eu posso comprar sozinho e manter sozinho até você terminar, pelo menos.
- Sou orgulhosa demais para deixá-lo fazer isso.
- Tá, podemos morar no seu apartamento até você terminar, mas, por favor, não me faça morar com o e a !
- Tudo bem, deixe-a conversar comigo e aí eu te dou uma resposta, pode ser?
- Ótimo!
Estacionei em frente ao prédio deles, nos despedimos e eu dirigi até em casa, onde encontrei , esparramada pelo sofá como as pipocas.
- Quando você vai se mudar mesmo? – perguntei como se já soubesse, largando a chave na mesinha ao lado da porta.
- Amanhã... – ela respondeu distraída e eu cruzei os braços, olhando-a com a expressão mais sarcástica possível.
- Bazzinga! – exclamei junto com o Sheldon de The Big Bang Theory, programa que ela assistia. Ela me olhou assustada, percebendo o que tinha acabado de falar. – Quando ia me contar?
- Quando estivesse indo embora, na verdade. – ela fez uma careta. – Me desculpe, .
- Tudo bem, só sei que isso é um chute na bunda do , que vai morar aqui. – sentei ao lado dela, sorrindo, e comi uma pipoca.
- Sério?
Então pulou em cima de mim, gritando qualquer coisa que eu não entendia e rindo à toa. Acho que ela estava realmente feliz por ter a casa só para ela e . pode ser extremamente inconveniente quando quer.
Para encerrar o domingo e o nosso último dia morando juntas, resolvemos pedir comida chinesa e assistir filmes, depois tomamos tererê e relembramos o Brasil, onde estava e de onde ele voltaria em breve.


***



A mudança aconteceu sem demora, não havia nenhum móvel, apenas roupas e objetos pessoais, no caso de , que é baixista, bom, já sabe. Foram necessárias duas viagens para transportar tudo, mas, no fim do dia, tudo estava pronto. É claro que eu não vi tudo isso, pois estava trabalhando, mas me contou quando cheguei em casa.
- Vamos buscar na quarta-feira, né? – assenti sorridente. – É quando você entra de férias e nós dois saímos.
- Ele tem que experimentar o terninho, imagina que lindo ele vai ficar?
- Ah, sobre isso, será que a se importaria de eu usar vans? Sapatos me apertam demais, não quero comprar pares novos para não usar depois.
- Não, acho que não. Talvez eu deixe o ir de vans também, sapatos o apertam. – sorriu com uma espécie de orgulho. – Às vezes acho que fui só uma experiência, que o só puxou sua genética.
- Claro que não! O gosto pelos estudos ele não puxou de mim, pode ter certeza.
- Que gosto pelos estudos? Ele detesta estudar.
- Mas adora legumes, puxou você!
- Ok, discussão encerrada?
- Sim, encerrada.
veio chegando perto, mais perto, pertíssimo. Começou a me beijar no pescoço, alcançando a boca sem pressa e me encaixando em seu colo no sofá. Eu não conseguia explicar por que as coisas davam tão certo para mim, por que eu era tão feliz com o homem que eu amava tanto, com o filho mais lindo e com os melhores amigos do mundo. Secretamente, eu esperava cair do cavalo, desconfiava da vida, que pra mim nunca foi exatamente fácil, estar tão cheia de alegrias. Mas nada parecia piorar, a banda ia bem, ia bem, estava longe. Nada aconteceria de ruim, nada poderia estragar esse clima. Ou poderia?


***



Nossas passagens para o Brasil estavam compradas, nossas malas arrumadas, a notícia vazada e a nossa carona atrasada. Agora, alguém me explica onde estava que não era aqui?
- Com a namorada... – disse.
Já havíamos nos despedido de todos na noite anterior, num pequeno jantar em casa mesmo. Íamos na quarta-feira para voltar no sábado, exatamente uma semana antes do casamento. Só faltava a nossa carona chegar.
- O chegou! – anunciou , já carregando as malas para o carro. Àquela altura, esperávamos no saguão do prédio. – Que puta demora, hein. Tava onde?
- Vocês pedem carona e ainda reclamam? – rosnou, praticamente. – Tava por aí, esqueci de vocês...
- Que consideração, hein! – sorri, lhe dando um beijo na bochecha e entrando no carro, os vendo entrar também.
Corremos para o aeroporto, enfrentamos os flashes, quase perdemos nosso vôo, mas, por sorte — ou por ser um Mcfly —, conseguimos embarcar a tempo. estaria perdido se perdêssemos esse vôo, eu garantiria isso.
O que dizer da primeira classe? Poltronas horizontalmente reclináveis, champagne e vinho, filmes, músicas. Totalmente confortável pra você que, como eu, iria passar 23 horas da sua vida em um avião. Parte do tempo nós dormimos, ou só eu dormi ou só o dormiu. Assistimos a vários filmes e namoramos bastante. Mas em certas horas, nas quais eu não tinha vontade de fazer nada, ficava pensando que agora, morando junto com o , havia dois caminhos: virarmos uma família moderna com pai, mãe e filho que planejam as férias em família; ou educar duas crianças que espalhavam suas meias pela casa e não conseguiam guardar controles-remotos do videogame. É claro que me sentia uma pedófila com a segunda opção, mas com nunca é como esperamos. Não haverá viagens em família, não haverá almoços com a avó e, provavelmente, não haverá uma tarde comum no parque. Contudo, existirão turnês, prêmios, festas, viagens de luxo com a banda nas férias... A vida seria sempre uma aventura, alguém discorda?
- Vou ali pegar a aeromoça e já venho.
- O quê?! – virei rapidamente e vi fazer cara de aleluia.
- Até que enfim! Estou te chamando há horas. – ele sorriu. – Vamos aterrissar, aperte o cinto.
- Já?! – perguntei incrédula, como foi que o tempo passou tão rápido?
- Já? Eu diria: até que enfim! Desculpa, , mas o é muito mais divertido que você.
- Nossa, eu nem vi passar... – comentei, apertando meu cinto.
- Vinte e três horas? Você não viu 23 horas num avião passarem? Você, por acaso, é desse planeta?
- Não, eu sou a star girl, ! – rolei os olhos e sorri, sentindo-o estalar um beijo em minha bochecha.
- “Houston, we’ve got a problem! Ground control couldn’t stop her…”, você é a minha star girl, minha that girl, minha party girl, minha five colours in her hair, minha sorry’s not good enough, minha that’s the truth e…
- Espera! Tem umas aí que eu não quero ser, não! Quem quer ser a de that’s the truth? Até fiquei com dó naquele clipe!
- Tá, só as boas, as ruins são a , que é chata!
- Coitadinha, ! – o repreendi, rindo.
- Coitado de mim! – ele inclinou-se para me dar um beijo, mas a aeromoça o cutucou.
- Sugiro não se movimentar muito na poltrona, senhor. – e sempre sorridente, voltou para o seu posto.
- Vulgo: comportem-se. – falei, fazendo rir.
Depois da aterrissagem, enfrentamos flashes e uma legião de fãs enlouquecidas em São Paulo. As cumprimentamos, tirou fotos, conversou com elas e agradeceu, recebeu cartas e até eu tirei fotos e recebi agradecimentos. Quando conseguimos fugir da multidão, embarcamos para Londrina, numa viagem bem mais curta, para o , ainda bem.


***



- MAMÃE!
correu ao meu encontro e me abraçou forte, cheio de saudade, a qual eu compartilhava com uma intensidade infinitamente maior. Ainda abraçada ao , abracei meus pais e, acreditem ou não, eu estava chorando. Depois de cumprimentar a todos, partimos para a casa de meus pais sem precisar de escolta, esta só foi necessária quando chegamos em casa.
- ! ! – ouvíamos os gritos histéricos de dezenas de meninas na calçada e casa.
- Meu Deus, quando pensei que teríamos paz, você volta, não é, ? – traduzia rápida e silenciosamente as conversas entre eles. Me choquei ao perceber que dominava perfeitamente ambas as línguas.
- Me desculpe, sra. , podemos ficar num hotel se quiserem, ou só eu...
- Ah, deixe de bobagem, rapaz, não é como se não suportássemos algumas fãs. Vocês ficarão aqui!
Minha mãe falava tanto que cansava até quem não escutava, meu pai, sempre mais reservado, só falava quando falavam com ele, estava um pouco bronzeado de piscina e com vários amiguinhos em Londrina. Eu sei que ele veio no inverno, mas quem conhece Londrina, sabe que é uma cidade extremamente quente.
- Fiz uma torta para você, aquela que você tanto gosta. – minha mãe estava radiante em me ver e queria me mostrar tudo na casa que eu já conhecia tão bem.
Tomamos café com eles e depois, sob alegação de cansaço, fomos para o quarto arrumado para nós. Conversamos um pouco sobre os outros lugares que gostaríamos de conhecer, podíamos escolher apenas um lugar para visitar por um dia e tinha que ser uma cidade que eu também não conhecesse, portanto, decidimos que o melhor lugar era...



Continua...



N/A: Como sempre, agradeço à todas que acompanham a fic e aguardam pacientemente as atualizações. Peço mil desculpas pela demora, mas é que essa época do ano é crítica, tenho um vestibular atrás do outro e nas folas que tenho, preciso dormir (hehe). Mas cá estou. Se eu dissesse que demorei porque a atualização era dupla, estaria mentindo, demorei por falta de tempo, o capítulo 10 foi um bônus pela paciência de vocês comigo. Agora, para não demorar ainda mais, vou pedir ajuda à vocês para escolher o lugar em que a "família feliz" vai conhecer no Brasil, vocês podem dar sugestões e eu escolho alguma, creditando a dona da sugestão aqui na nota, é claro. Podem me falar no orkut, no facebook, no twitter, na caixinha de comentários, onde acharem melhor. Agradeço mais uma vez e já adianto que o capítulo 11 já está a caminho, apenas aguardando o término do 10. Um beijo, Gabi.

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