História por Luana N. | Revisão por Gabriella

PRÓLOGO

caça criaturas sobrenaturais, mas além disso consegue ter uma vida normal, mora em um apartamento grande e confortável numa pequena cidade do Texas, junto com e , duas amigas consideradas irmãs, que não fazem nem idéia do seu mundo da caça. As três cursam faculdade e também têm seus próprios empregos. Desde pequenas são muito próximas, cresceram em famílias diferentes mas muito unidas, até que a tragédia aconteceu. Quando acabara de completar seus dezoito anos, avistou cenas horríveis que teimam em atormentá-la...

FLASHBACK

Voltando para a casa depois de um dia de trabalho, encontra sua casa completamente em chamas, dois carros encontravam-se estacionados frente ao jardim, eram os carros de seus tios, tão próximos à ela que eram considerados seus segundos pais. Paralisada pela visão do fogo e com lágrimas escorrendo pelo rosto, a garota não pensou duas vezes antes de atravessar as chamas e entrar na casa, com esperanças de não encontrar ninguém ali, com esperanças de que todos estivessem no jardim dos fundos, mas não foi o que aconteceu.

Seus pais e seus tios estavam todos na sala, caídos no chão. tentou encontrar algum sinal vital em cada um deles, mas era tarde demais, eles estavam mortos. Rapidamente o fogo se apoderou dos corpos, queimando-os por inteiro. Vendo aquilo, desesperada e chorando, ela não sabia mais o que fazer. Por um momento pensou em sentar-se no que restava do sofá e morrer ali também, junto com sua família, até que escutara gritos vindo do jardim dos fundos, eram e . levantou-se e atravessou a casa que estava prestes e desmoronar, saiu pela porta dos fundos, avistando assim as duas. A mais velha segurou nas mãos das menores e deu a volta pelo quintal, chegando assim ao jardim da frente. as sentou dentro do velho Ford Camaro que acabara de ganhar de seu pai, e começou a gritar no jardim, ajoelhada na grama, com um sentimento de raiva e ódio subindo pela sua garganta, queimando-a vagarosamente por dentro, olhando sua casa se desfazer, esperando que os bombeiros chegassem logo. Até que eles chegaram e conteram o fogo, tiraram o que restou dos corpos e levaram as três para o hospital.

Chegando ao hospital todas foram foram examinadas, e estavam perfeitamente bem, com apenas alguns arranhões no corpo, mas a mais velha possuia queimaduras mais graves. Enquanto era cuidada pelas enfermeiras, lágrimas escorriam pelo seu rosto que permanecia paralisado, olhando para um lugar fixo na parede. A dor era insuportável, mas apesar disso a dor maior estava perda de seus pais, da sua família.

sabia que aquele incêndio não tinha sido um simples acidente, que sua família não morreu sufocada pela fumaça como os bombeiros disseram, nem eles acreditavam nessa hipótese na verdade. A garota sabia que havia algo sobrenatural por trás de todas aquelas mortes, e ela dedicaria sua vida para encontrar a criatura que fez isso. Sozinha e sem a ajuda de ninguém, ela se vingaria.

Mas agora tinha duas vidas para se preocupar além da sua, e estavam sob sua responsabilidade, e ela estava decidida a não contar nada sobre a caça para elas, manteria esse segredo até quando pudesse. A última coisa que queria era expô-las à sua outra realidade.

END FLASHBACK

Três anos se passaram após a tragédia, agora as irmãs moram em outra cidade, compraram um apartamento e vivem muito bem juntas. Mas é claro que ainda esconde seu segredo, apesar de serem tão próximas e de contarem tudo uma para as outras, ela não quer contar nada sobre a caça para elas.

CAPÍTULO 001
San Antonio, Texas. Apartamento 111.
San Antonio era uma pequena cidade do Texas na qual escolheu para viver após a tragédia. O prédio era lindo, grande e simples, muito confortável dentro dos apartamentos, pricipalmente o 111, onde moravam as meninas. Ao abrir a porta dava-se de cara com um pequeno corredor que ia para a sala, nele tinha uma mesinha de madeira com um potinho de vidro em cima, aonde as meninas jogavam as chaves ao entrar, também haviam vários porta retratos com fotos delas e seus falecidos pais. Chegando na sala, duas grandes janelas mantinham o lugar claro e arejado, da maneira como elas gostavam. As paredes eram cobertas pela cor branca, com pequenos detalhes em vermelho em volta das portas e janelas, os móveis eram todos de madeira, uma madeira escura que dava mais luxo ao local. Os sofás eram vermelhos escuros, assim como os dois puffs que estavam distribuídos na sala, a estante era recheada de aparelhos eletrônicos e dvd's. Havia uma mesinha de centro com o tampo de vidro também, onde estavam espalhadas revistas e jornais das meninas. O apartamento era um lugar muito agradável e confortável. Cada uma tinha seu próprio quarto e podia fazer o que quisesse com eles, tanto que num final de semana as três se juntaram para pintar cada quarto de uma cor diferente. pintou o seu de lilás, de azul e optou pelo cinza. Apesar de tudo elas conseguiam ser muito felizes, faziam o que quisessem na hora que queriam, eram jovens, estudavam e trabalhavam, saiam a hora que bem entendessem, era ótimo.

— Se demorarem mais um pouco eu vou sem vocês. - dizia olhando para o relógio de pulso, sentada no sofá da sala.
— A culpa não é nossa se você se arruma tão rápido. - gritava do banheiro.
— Pronto estressadinha. - dizia colocando a bolsa nas costas e ajeitando os cabelos.
— Tá, vamos então. - saia e trancava a porta, colocando logo depois a chave reserva debaixo do extintor de incêndio, na parede do lado de fora.
— Que horas são? - dizia enquanto andavam em direção ao elevador.
— São... - olhava no relógio. - ...Dez pras sete, estamos muito atrasadas, de novo.
— Cadê esse elevador que não chega? - batia os pés.
— Chegou, entrem logo. - as empurrava pra dentro do elevador e apertava os botões apressadamente.
— Calma , a escola não vai sair do lugar. - dizia, então lançou um olhar fulminante em direção a ela.

Após sairem do elevador entrando direto na garagem, as três correram até o velho Ford Camaro de e entraram apressadas. dirigia, sentava no banco de trás e no banco de carona, como de costume.

— Pisa fundo, . Não quero me atrasar de novo. - apressava ainda mais .
— Calma , a escola não vai sair do lugar. - dizia com sarcasmo na voz.
— Haha, engraçadas vocês duas, agora dá pra você pisar nesse acelerador, ? - dizia enquanto colocava a cabeça no vão entre os dois bancos dianteiros, cortando qualquer visão entre e .
— Segurem-se meninas. - acelerava o carro.

dirigia muito bem, porém metia medo em qualquer um quando aumentava um pouco a velocidade. Menos é claro nas suas irmãs, que já estavam mais que acostumadas. Ultrapassando inúmeros carros e sinais vermelhos, ela dirigia olhando para seu relógio de pulso que parecia apressá-la ainda mais. Ela não podia chegar atrasada, hoje era dia de prova e seu professor era muito rígido, não a deixaria fazer se chegasse um minuto depois do horário, levava muito á sério a faculdade, seu futuro dependia daquilo e ela estava no último ano, não podia vacilar.

Finalmente chegaram, estacionou rapidamente o carro e correu para a porta da faculdade, deixando suas irmãs para trás, subiu as escadarias ainda correndo e trombou com um cara alto, derrubando assim sua bolsa, espalhando seus livros no chão.

— Ai. Olha por onde anda. - ajoelhou no chão enquanto pegava seus livros, olhando para o relógio.
— Desculpe, eu não vi você. - Ele também ajoelhou e ajudou-a a juntar os livros.
— É, percebi. - Levantava-se e recebia os livros das mãos dele, até que olha para cima e seus olhares se encontram.
?
— Sam? - disseram em uníssono, surpresos.
— Oi. - Sam deu um sorriso torto.
— Oi, Sammy! - abriu um sorriso de orelha a orelha e abraçou o rapaz, largando os livros no chão novamente. - O que você faz aqui?
— Eu acho que tem um caso aqui no colégio, não tenho nada confirmado, mas é possível. - Sam sorria.
— Fala baixo, o pessoal daqui é muito curioso. - aproximou sua cabeça em direção a ele e cochichou, afastando-se logo em seguida. Segundos depois então se tocou de que Sam não caçava pelo que ela sabia, por que ele estava falando sobre um "caso"?
— Desculpa. - Sam a encarava sem ao menos perceber.
— Espera, espera. Você caça? - disse um pouco alto, fazendo com que sam soltasse um "shh".
— Sim, logo depois que você foi embora eu comecei a caçar com meu irmão.
— Que coincidência mais... - fazia uma cara de surpresa misturada com de assustada.
— ...Assustadora, eu sei. - Sam dizia um pouco asssustado também.
— Uau. Eu não acredito que você está aqui, faz tanto tempo, Sam Winchester. - sorria.
— Muito. Mas me diz, você também está... - Sam é interrompido por quando um grupo de adolescentes passa ao lado deles.
— Aqui não é um bom lugar para conversarmos, Sam. - dizia preocupada.
— Tem razão. Nós podemos marcar um almoço, então. - sorriu.
— Sim, claro! Foi bom te rever, Sammy. Eu estou um pouco atrasada, desculpa! Depois a gente se fala, tá? - dizia num tom apressado, e logo em seguida saiu correndo pelos corredores, ajeitando sua bolsa nas costas e seus livros nos braços.
— Você ainda tem meu telefone? - Sam falava num tom alto, pois já estava distante.
— Não sei, mas a gente se esbarra por aí de novo! - gritava enquanto virava o corredor, saindo assim da vista de Sam.
— Ok. - Sam balançou a cabeça e riu baixo.

's POV

Sam Winchester em San Antonio, quem diria. Depois de tanto tempo sem vê-lo, agora ele voltou. Eu me demonstraria mais surpresa se não estivesse tão atrasada. Ai meu Deus, eu corri mesmo na frente dele? Fala sério, eu não fiz isso. Ele deve estar rindo de mim até agora, lembro-me muito bem de como ele adorava as brechas que eu dava pra ele rir da minha cara. É impressão minha ou ele tá mais forte? Uau, que músculos são aqueles? Tô até dolorida com a batida. Doeria menos se eu tivesse batido á cem por hora num muro de concreto. (N/A: Exagero? Imagina!) Mas agora não é hora de suspirar por ninguém, o Sr. Beaver vai me matar, tô até vendo.

's POV Off

continuava correndo, como aquela faculdade era grande! Chegando a sua sala ela deu de cara com o Sr. Beaver que esperava o resto dos poucos alunos entrarem. Acho que hoje ele estava de bom humor. Enquanto isso, Sam descia as escadas em direção a porta de saída, pensando com um sorriso bobo no rosto.

Sam's POV

aqui, na faculdade aonde ocorreram várias mortes? Ela com certeza está investigando o mesmo caso que eu e o Dean, ela está caçando. Depois de tanto tempo, após aquela tragédia que a tirou do Kansas, ela mudou tanto, tem tanta coisa acontecendo com ela que eu nunca imaginei que aconteceria, afinal, ela está CAÇANDO. Certamente ela sabe que o que aconteceu com seus pais não foi algo natural, ela sabe que houve um dedo do sobrenatural naquilo tudo. Ela deve ser uma baita caçadora, e pelo jeito continua a mesma atrapalhada de sempre.

Sam's POV off

Sam e costumavam estudar juntos a alguns anos atrás, no Kansas, até que a tragédia aconteceu, fazendo-a mudar-se para San Antonio, sem nem ao menos despedir-se de Sam. Pouco depois Dean apareceu e tirou Sam de sua vida normal para ajudá-lo a buscar seu pai, John. A partir daí Sam nunca mais voltou a estudar, passou a caçar junto com seu irmão mais velho, percorrendo as estradas dos EUA atrás de coisas malígnas. Agora depois de três anos, Sam encontra um caso na faculdade de graças a uma grande coincidência, que pelo jeito agradou aos dois.

CAPÍTULO 002
— Então você tá achando que tem um outro caçador envolvido nesse trabalho? - Dean dizia enquanto comia um cheeseburger.
— Sim, UMA caçadora. - Sam explicava.
— Ela estava investigando o colégio também?
— Sim, creio que sim.
— Não acredito, uma mulher vai resolver o caso antes da gente. - Dean falava de boca cheia.
— É Dean, talvez seja porque ela esteja mais interessada que nós. Ou melhor, do que você.
— Do que você tá falando? Eu estou super interessado nesse caso. - cuspia pedaços de queijo quando falava.
— Ah claro. Sentados numa mesa, comendo, nós vamos resolver esse caso rapidinho. - Sam dizia com sarcasmo.
— Cala a boca, Sammy. Nós estamos conversando sobre o caso, não estamos? Então, me fala aí o que você descobriu sobre as mortes.
— Bom, eu falei com alguns amigos das vítimas e encontrei um padrão entre as mortes: Eram mulheres, todas estudavam de manhã e trabalhavam a noite, bem quando desapareceram.
— Desapareceram após saírem do trabalho? Sam, eu te falei, esse não é um dos nossos casos, estamos perdendo tempo!
— E o que te faz pensar assim, sabichão?
— Todas desapareceram a noite depois do trabalho, provavelmente foram sequestradas. Não há nada sobrenatural nisso, esse não é nosso departamento.
— Mas e se for, Dean? Pelo o que eu sei, há 50% de chances de eu estar certo e 50% de você estar. Nós estávamos de passagem pela cidade mesmo, o que custa ficar mais uns dois dias, no máximo?
— Por que você tá tão interessado nesse caso, Sam? - Dean disse desconfiado.
— Simplesmente porque estaremos salvando vidas se eu estiver certo.
— Ok, você tocou meu coração agora. Vamos procurar um hotel pra passar a noite.
— Cala a boca, Dean.
— Cretino.
— Babaca.

E então os irmãos se hospedaram num hotel como combinado, já era noite e Dean resolveu ir tomar um banho para dormir. Quando seu irmão começara a roncar, Sam tomou seu banho e saiu do quarto com seu celular em mãos. Do lado de fora, ele sentou-se no degrau da escada que se encontrava em frente a porta e começou a fuçar a agenda de seu celular, procurando por um nome, quando finalmente o achou e ligou para aquele número, o de .

Enquanto isso no apartamento das meninas, as três conversavam como de costume sobre o dia de cada uma, elas gostavam de compartilhar tudo o que acontecia com elas, menos claro , pelo pequeno detalhe da caça. Cada uma sentava em um lugar diferente: sentava no chão pois era uma mania sua, no sofá com as pernas pra cima, encostadas no encosto do sofá, com a cabeça para baixo e no puff vermelho, que ficava entre os dois sofás.

— E como foi o dia de vocês? - perguntava interessada.
— Nada de bom aconteceu, a mesma rotina de sempre. O professor pediu uma redação enorme pra gente fazer em uma hora, mas deu tudo certo. - sorriu.
— Hum. E você, , conseguiu entrar na sala? - ria.
— Pelo jeito sim né, . Olha só a cara dela, toda felizinha, parece até que tirou um dez na prova. - dizia.
— Eu com cara de feliz? Você que tá louca. Eu estou muito cansada, corri muito hoje, e ao contrário do que você pensa, não sei se fui muito bem. - dizia desinteressada.
— Aham, mas que você está com cara de boba-alegre, ah você está! - falava.
— Desembucha logo, .
— Desembuchar o que, ? Eu já disse tudo que aconteceu comigo hoje, bem resumidamente por sinal. O que quer saber, mais? - estressava-se, odiava a forma como as duas a conheciam tão bem.
— Quero saber o verdadeiro motivo pra esse seu risinho bobo na cara.
não queria mencionar Sam Winchester pras duas, as duas adoravam fazer piadinhas com os colegas dela. Por quê? Simplesmente porque não a viam muito em relacionamentos, era mais reservada nesse assunto. Ela então resolveu responder e cortar o assunto, indo tomar banho. — Eu apenas reencontrei um antigo amigo. - deu um sorriso torto e foi em direção ao seu quarto.

e olharam uma para a outra, com sorrisos peraltas, levantaram-se e correram atrás de .

— Um antigo amigo então, né? - dizia encostando os ombros na porta.
— Sim , um antigo amigo. - dizia séria, não dando muita atenção.
— Hum, ele é gatinho? - insistia naquele assunto, enquanto apenas observava.
— Eu não sei, ele era meu colega, eu não fico prestando atenção na beleza dele. - dizia inconformada com a pergunta.
— Qual é, então ele não é gatinho, senão você teria notado. - sorriu.
— Com certeza. - concordava com a amiga.
— Gente, eu não sei se vocês perceberam mas eu não quero falar sobre ele e... - seu celular que estava em cima da cômoda tocou, a foto de Sam apareceu no visor, chamando a atenção de que estava bem ao lado.
— Hum, é ele?
— É sim, .
— Hum, meio magrelo mas é bem bonitinho. - sorriu, sendo expulsa do quarto por , logo em seguida.
— Oi, Sammy. Achou meu número, então? - deu um riso abafado.
— É sim, . - sorriu da mesma maneira.
— E então, descobriu alguma coisa lá na faculdade?
— Não muito, conversei com alguns amigos das pessoas que morreram, mas nada relevante. E você, conseguiu algo?
— Eu?
— É. Você está investigando também, não está?
— Sammy nós precisamos conversar mesmo. Eu estudo lá, não estou investigando nada. - riu.
— Mas, você sabe que há algo estranho acontecendo lá, não sabe? - Sam disse confuso.
— Eu fiquei sabendo de algumas mortes sim, mas não achei que fosse algo malígno. Nós precisamos conversar num lugar mais particular, não posso falar sobre a caça aqui. - dizia olhando para a porta, pensando nas amigas.
— Ah sim, claro. Podemos conversar depois, então.
— Que horas são?
— É... - Sam afastou o celular das orelhas e olhou o horário. - São 22:30, por que?
— Podemos nos encontrar agora?
— É, claro. - disse surpreso. - Aonde?
— Aí aonde você está, ué.
— Acho que não vai dar, estou num hotel e meu irmão está dormindo, não quero acordá-lo, ele vai ficar estressado, e quando fica assim ele fica um verdadeiro pé no... Ahm, entendeu?
— Ah claro. - riu. - Me fala o nome do Hotel.
— Hot Nights Motel's, é. - disse sem graça.
— Você estão hospedados num Motel?
— Não tivemos escolha, os hotéis estavam todos lotados, e aqui é bem confortável.
— Não têm vergonha do que os outros vão pensar? - riu.
— Não vamos vê-los nunca mais mesmo, então podem pensar o que quiserem. - riu.
— Claro, claro. Estou indo aí. Nós precisamos conversar em particular e aí será perfeito.
— O quê? Mas...
— Eu escutei o que você disse, mas espere e verá. Tchau, Sammy.
— Tchau... - desligou antes mesmo dele se despedir, era típico dela. - ....

Chegando próximo ao local, estacionou seu carro a alguns metros dali e foi andando até o motel com as mãos nos bolsos. Viu Sam ainda sentado nas escadas e foi até ele, olhando a sua volta, não havia mais ninguém ali.

— Oi Sammy. - sorria enquanto subia as escadas em direção a ele.
— Oi . - sorriu e levantou-se. - E então, qual seu plano mirabolante?
— Eu não tenho nenhum plano mirabolante. - ria, passou por Sam e foi direto procurar um quarto vazio, espiando pelas janelas.
— O que você tá fazendo? - Sam ria, olhando espiar cada janela.
— Eu estou procurando um quarto vazio, ué. Ahá, estava. - tirava do bolso traseiro da calça um objeto de metal.
— Você continua louca. - Sam a olhava enquanto ela se ajoelhava e tentava abrir a porta.
— Três anos não conseguiram botar juízo nessa cabeça aqui, Sam. Consegui, vem. - fazia gestos chamando-o.
— Ok. - Sam segurava-se para não rir.
— Então, me fala mais sobre esse caso. - dizia enquanto fechava a porta e as cortinas.
— Bom, na verdade eu nem sei se é mesmo um caso, estou começando a achar que meu irmão está certo. Você não vai acender a luz?
— Tá com medo de ficar no escuro ou o quê? É melhor não chamar muita atenção.
— Ah claro. - sorriu.
— Porque você acha que o Dean está certo?
— Como você sabe o nome dele?
— As notícias voam no mundo da caça, Sam. O Dean é como o Harry Potter no mundo da magia, todo mundo já ouviu falar. - sorriu.
— Ah claro. - riu torto. - Ele acha que não há nenhum caso aqui na cidade, mas eu não sei por que, tenho a sensação de que existe algo sobrenatural rondando sua faculdade.
— Olha Sam, eu acho que tenho que concordar com o Dean. Acho que as mortes foram obras de algum psicopata, só.
— E como vocês podem falar com tanta frieza? De qualquer forma pessoas estão morrendo, certo?
— É mas Sam, caçadores não podem salvar a todos, nós não lidamos com pessoas. - lançava um olhar signicativo para Sam.
— Talvez vocês tenham razão. - Sam abaixava a cabeça, pensando.
— Mas nós podemos investigar a faculdade, se você quiser. - Aquela carinha do Sam de "cachorro sem dono" era o ponto fraco de .
— Seria ótimo. - Sam levantava a cabeça e olhava para com um sorriso torto.

CAPÍTULO 003
, ! Acorda, a não tá em casa. - chacoalhava , acordando-a.
— Ah , não enche. Me deixa dormir. - dizia ainda de olhos fechados.
— Mas a não tá em casa, amiga.
— Oh, meu Deus que calamidade. Tchau . - virava de costas para .
— Sabe que horas são?
— Sei, hora de dormir. Vai dormir garota, me erra.
— É 1:00 da manhã, . A sumiu, não acha estranho?
— Estranho seria se o Gasparzinho fosse real. Ela deve estar vagando pelas ruas pensando na vida, você sabe como ela é estranha. - se sentou na cama, e toda descabelada, falava aumentando o tom de voz para a amiga.
— Eu acho que eu vou atrás dela.
, pára de ser burra! - gritou.
— Ain, não precisa me xingar. Por que eu sou burra, hein?
— Não se tocou de que a está com o amiguinho dela, não?
— Como você sabe? Ela te contou e não contou pra mim? Ah deixa ela, ela vai ver só uma coisa quando...
— Ai meus Deuses. - passava a palma da mão sobre o rosto, indignada. - Ela não me contou nada, meu amor. Pare e pense um pouquinho. - tentava se acalmar.
— Você acha mesmo?
— Aham. Eles estão juntos, não se preocupe.
— O que você acha que eles estão fazendo? Já está tarde, tomara que a não esteja bebendo.
— Aí eu já prefiro não imaginar. Deixa eles lá e vá dormir, doida.
— Tá bom então. - sorriu.

— O quê? Não não, eu não vou fazer isso.
— Mas , nós não encontramos nada na faculdade inteira, temos que verificar os dutos agora.
— Entra você.
— Eu já disse que não dá, eu sou muito grande.
— Muito forte, isso sim. Pra quê todos esses músculos? Vai fazer teste pro papel do Jason no próximo remake de Sexta feira 13, é?
— Eu preciso lutar com muitas criaturas no meu trabalho, é bom eu estar em forma.
— Aham, em forma até demais.
— Sobe logo, . - Estendia a mão, fazendo de escadinha pra ela.
— Ai, tá. - subia com dificuldade. - Me passa a lanterna e segura meu celular, aí.
— Cuidado.
— Tá, tá. - movia-se engatinhando. - Eu to muito velha pra isso.

engatinhava com a lanterna procurando algo, por metros de dutos, até que escutou um gemido vindo de uma sala, aonde um dos corredores de dutos acabava. Olhando por uma grade, avistou uma sala pequena e até então escura, até que ela iluminou o quarto com a lanterna e viu as garotas desaparecias, todas amarradas e amordaçadas. Elas pareciam fracas e esgotadas, pudera, estavam ali à mais de duas semanas, sem comida e água, gritando por ajuda.

— Santo Capitão Gostoso do Time de Basquetebol, achei vocês. Eu já volto com ajuda meninas, aguentem firme.

Esse era o plano de , mas um imprevisto a surpreendeu, o suposto sequestrador abriu a grade e a puxou para baixo, fazendo-a derrubar a lanterna e quebrá-la, deixando tudo escuro novamente. Ela gritou por Sam, mas logo depois ficou inconsciente quando um pano enxarcado de álcool a sufocou por alguns segundos.

? ! Merda. - Sam estava desesperado. Sem saber o que fazer, pois não conseguia entrar pelos dutos estreitos, rapidamente ligou para o número de que estava na lista de contatos do celular de . Lembrou-se de falando com uma mais cedo naquele dia, quando ligara para ela.
— Alô? - dizia sonolenta.
?
— Sim, quem fala? - Levantou-se rapidamente e sentou-se, esfregando os olhos.
— É o Sam, amigo da .
— O que você tá fazendo com o celular dela? E por que está com essa voz ofegante?
— Eu não tenho tempo pra explicar, eu só preciso que você venha á faculdade, AGORA!
— Pra quê? Como eu posso saber se é mesmo o amigo magrelo da ? Você pode muito bem ser um sequestrador que quer me sequestrar também, há.
— E quanto a sua irmã? Você não se preocupa com ela? Enfim, sou eu mesmo, e a está precisando muito da sua ajuda, acredite.
— Então você é amigo dela e TAMBÉM um sequestrador? Interessante.
— NÃO! Vem logo, ela corre perigo. - Desligou o telefone.
— Credo, que mal educado.
— Que gritaria é essa aqui, ? - apareceu na porta, sonolenta.
— Um cara ligou do celular da dizendo ser o amigo dela, pedindo minha ajuda, falando pra eu ir lá na faculdade. Vê se pode, é ruim que eu caio nesse trote. Eu sou esperta, djôw.
... querida... LIGOU DO CELULAR da ? Então ela está em perigo, sua doida. O que eu faço com você, hein? Vá se vestir rápido.
— Ain, ok.

Enquanto isso, Sam procurava desesperadamente por uma sala, qualquer quarto na qual eles não tivessem checado. Ele estava preocupado, não escutava barulho nenhum. Os gritos de não duraram muito, deixando-o ainda mais tenso. Ele corria pelos extensos corredores da faculdade, mas nada encontrava. Até que a porta da frente foi aberta, o barulho feito ao abrir soava como o de um chute, parecia ter chegado. Mas com cautela, Sam achou melhor ir silenciosamente checar pra ver quem estava ali, até que escutara um grito feminino gritando por seu nome, ou quase.

CAPÍTULO 004
— SHAAAUN! - gritava.
— Olá, que bom que você... - Sam percebeu que não estava sozinha. - ...Vocês chegaram. A está presa numa sala, e a única maneira que encontramos pra entrar lá foi pelos dutos.
Ao ver Sam, o encarou por alguns segundos, não acreditando que aquele ser alto e forte era aquele magrelo da foto do celular de .
— Tá, mas dá pra explicar direito o que vocês estão fazendo aqui? - entrava na frente de e perguntara a Sam, preocupada.
— Nós estávamos, é... - Sam lembrou que não mencionava sobre a caça para as amigas e tentou disfarçar. - Relembrando os velhos tempos.
— Ah sim, e decidiram entrar pelos dutos pra quê mesmo? Relembrar a infância que não tiveram, ou o que?
— Nós escutamos um barulho vindo de lá, então a doida como é, quis subir e checar, e agora... - o interrompeu.
— Ah claro, e suas esquisitisses. Agora a burra não consegue sair, é isso?
— Sim, mas não é questão de burrice... é questão de...
— Falta de parafusos na cabeça. - disse, interrompendo-o. - Não tente protegê-la, ela não bate bem mesmo.
É normal pras três interromperem as pessoas enquanto elas falam.
— É, ok então. - Sam fez uma cara engraçada, franziu levemente a testa e deu um risinho torto. - Mas eu temo que ela esteja machucada, eu tentei gritar por ela mas não obtive respostas. Qual das duas vão lá buscá-la?
— Uau, você se preocupa com ela né, bonitão. - dizia com um risinho malicioso no rosto.
, pára de ser indiscreta. Não tá vendo que tá deixando o pobre vermelho?
Sam sentia suas bochechas corarem cada vez mais.
— Ó quem fala, depois dessa ele ficou até roxo. Olha lá. - apontava para o rosto dele.
— Tá meninas, a situação aqui é meio urgente. - Sam cortava o assunto delas sobre suas bochechas.
— Ah sim, pode estar morrendo nesse momento. Que vacilo. - dizia na tentativa de fazer uma piada, mas não deu muito certo, fazendo-a ficar sem graça e disfarçar depois. - ...Então, sobe lá e ajuda ela, .
— Ah tá, e o que te faz pensar que EU vou subir nesse buraco?
— Eu que não vou, e o bonitão aí não cabe, então sobra tu. - sorriu, inclinando levemente a cabeça para o lado.
— E por que a senhorita não? - cruzava os braços, enquanto Sam passava a palma da mão sobre o rosto, indignado com o momento que as duas escolheram para discutir.
— Simplesmente porque eu sou medrosa e ninguém vai me obrigar e entrar nesses pequenos corredores escuros para ratos.
— Ah claro, esqueci que você é cagona.
— Certo, meninas, oi? - Sam tentava chamar a atenção, abria as palmas das mãos viradas para cima, estendendo-as para a frente.
— Tá, eu vou. - falava olhando feio para , que agora sorria satisfeita. - Me ajuda a subir então, sua besta.
— Ain, besta é você. - dizia enquanto abraçava as pernas de , que segurava no buraco do duto, empurrando-a para cima.
— Você não teria uma lanterna, teria? - colocava só a cabeça para fora, olhando para baixo.
— Ah tenho sim, desculpe. - Sam a entregava.
— E então, bonitão. Você é namorado da minha irmã, ou o que? - soltou um sorriso malicioso, encarando Sam.
— É, não. - Sam disse assustado, não esperava por aquela pergunta.
— Ah sim. Está solteiro? - dava pra ver o brilho nos olhos dela, sorria de orelha a orelha.
— Sim. - sorriu sem graça, dando um passo para o lado, distanciando-se de , que agora fazia uma careta, cruzando os braços. Ela não estava acostumada a levar foras, sempre tinha quem ela quisesse. Aquilo estava sendo estranho pra ela.

Já dentro dos dutos e engatinhando por varios corredores, reclamava e falava sozinha.

— Fala sério, você me paga. Vou te internar numa clínica psiquiátrica menina, só assim mesmo. - Parou de falar quando viu uma única abertura sem grade. Se aproximou mais e iluminou o quarto, avistando assim e as outras mulheres, inconscientes. - Ai meu Jesus, ? - Até que quando iluminou mais abaixo, se surpreendeu com um homem que a encarava, bem próximo a ela, deixando-a apavorada. Ele era deformado, parecia estar com o rosto queimado. então gritou e derrubou a lanterna, voltando para a saída dali. - Ai Deus, Deus, Deus. Me proteja. - engatinhava desesperada. Chegando perto da abertura por onde havia entrado, chegou muito perto da beirada e se desequilibrou, caindo para fora.

— AAAH. - ela gritara, mas logo a queda foi amortecida por alguém.
— Calma, eu te peguei. - Dean dizia enquanto a segurava nos braços.
— Ah valeu, Sam. - dizia distraída, até que olhou para o lado e, com dificuldade pois estava muito escuro, viu que Sam estava olhando aquela cena, e obviamente, então, não era ele quem a segurava. Olhou assustada pra cima, dando de cara com Dean. - AHHH. - gritou assustada e logo pulou do colo dele.
— Calma, gata. - dizia enquanto ajeitava a jaqueta, distraído.
— Esse é o Dean, ele deu por minha falta e me ligou, achei melhor chamá-lo pra ajudar. - Sam falava ao ver que estava confusa, não sabia quem era aquele outro.
— Ah claro. Desculpa, é que... A precisa de ajuda!! - mantinha os olhos arregalados enquanto falava. - Tem um cara feio lá, tem mais ou menos mais umas cinco mulheres com ela e...
— Um homem? - Sam dizia preocupado.
— Aham, e feio. - acrescentava, tentando provocar Sam.
— Nós precisamos ajudar a , antes que ela se machuque. - Sam estava muito preocupado com ela.
— Calma maninho, nós não podemos entrar nesses dutos estreitos, nem podemos mandar as meninas entrarem lá e enfrentar o homem feio, então vamos achar outra entrada. - Dean sorria e logo após virou as costas, indo em direção a porta de saída da escola.
— Aonde você vai? - dizia preocupada.
— Buscar umas ferramentas, lindinha.
— Como você pode saber se ela é lindinha ou não se está escuro? - dizia enciumada.
— Cala a boca, . - irritava-se.

Logo depois de voltar com um machado e umas lanternas, Dean andava pela enorme faculdade, sendo seguido pelos outros.

— O que você viu na sala, lindinha? Lembra-se de algum detalhe, qualquer coisa que possa ajudar?
— Na verdade, lembro-me de uma coisa... Do cheiro. Tinha um fedor de lixo. - ressaltava.
— O depósito de lixo. - Sam e Dean falaram em uníssono.
— Tem isso aqui? Nossa, que legal. - dizia.
— Super legal, . Só não é mais porque nossa irmã tá lá, com um lixeiro do mal.
— Vocês são muito estressados, credo. O mundo é mágico, cadê a magia nos corações de vocês? - dizia.
— Sua irmã tá bem? - Dean cochichava para .
— Está, esse é o normal dela. Não esquenta.
— Hum. - Dean fez cara de assustado.
— Vamos ficar conversando ou vamos ajudar a ? - Sam estressava-se, não entendia como eles estavam tão calmos enquanto seis pessoas estavam correndo perigo, e , era uma delas.

CAPÍTULO 005
— Por isso não achamos esse quarto, a entrada fica do lado de fora, nos fundos da escola. - Sam dizia incorfomado em não ter procurado ali.
— É maninho, você parece um pouco enferrujado. - Dean dizia, rindo.
— Gente, eu estou me sentindo muito inútil aqui, será que eu posso ajudar em alguma coisa? - dizia interessada.
— Claro que pode, você servirá de isca. - Dean sorria.
— Isca? Bom, acho melhor eu ficar aqui no meu canto, sendo inútil mesmo, então. - cruzava os braços e se afastava, enquanto Sam e Dean passaram a olhar para , com um olhar signicativo.
— Ah nem vem! Eu já entrei naqueles dutos fedidos e dei de cara com um monstro, tô legal de aventura por hoje.
— Alguém tem que servir de isca, não podemos entrar lá no sopetão, o sequestrador pode machucar alguma delas. - Sam dizia.
— Então vai você. - olhava feio.
— Eu sou homem, não acho que ele vá me sequestar e...
— Perfeito maninho, vai lá.
— O que você tá querendo dizer, Dean? - Sam olhava com uma sombrancelha arriada.
— Que o cara gosta de menininhas, momento perfeito pra você entrar em ação. - Dean sorria satisfeito com sua piada.
— Cala a boca, Dean.
— Desculpa Sammy, eu não resisto. Então, tira par ou ímpar pra ver quem vai, meninas.
— Eu sempre perco. - reclamava.
— Eu sou pior ainda. - cruzava os braços.
— Uma tem que ganhar, e quanto mais rápido você tirarem, mais rápido salvamos a . Então apressem-se. - Sam dizia.
— Vamos tirar pra elas então, Sam.
— Ok. Você joga pra que eu jogo pra... - Pausou a fala, tipo perguntando o nome dela.
— .... - a mesma respondeu.
— Ok.
Pedra, papel, tesoura.
— Merda!
— Dean, sempre com as tesouras.
— O que isso significa? - dizia assustada.
— Que é a sua vez de dar de cara com o homem feio. - dizia satisfeita.
— Tá tudo bem, nós estamos aqui e nada vai te acontecer. - Dean dizia, confortando-a.
— Erm, ok. - subitamente aceitou.

— E agora, o que eu faço? - tremia as mãos.
— Agora você fica quietinha aí, torcendo pra que o sequestrador apareça, pra gente acabar com ele e salvar sua irmã e as outras. - Dean dizia escondido atrás das árvores, junto com e Sam.
— Mas e se não der certo? - dizia preocupada.
— Vai dar certo sim, sempre dá. - Sam tentava confortá-la.
— Como assim "sempre"? Vocês fazem isso com frequencia? - parecia estar assustada.
— O nosso trabalho nos obriga, nos deparamos com muitas criaturas... - Dean falava até que Sam o deu uma cotovelada.
— Ouch, pra que isso, cara? - Dean dizia passando a mão no braço, no local atingido, até que Sam lançou um olhar significativo. - Ahh, captei.
— Vocês podem nos explicar o que está acontecendo? - dizia desconfiada.
— Nada não, lindinha. - Dean disfarçava.
— Ok, . Sua vez de entrar em ação. - Sam sorria.
— Senhor dos Anéis, me proteja.

— Escutou isso, Sam? - Dean dizia após escutar um barulho vindo da porta na qual permanecia sentada, a frente.
— Sim, fica preparado.
— Falou.
— E o que eu faço? - dizia.
— Apenas mantenha-se segura aqui, não faça nada. - Dean falava.
— Ok.

A porta se abria vagarosamente, era possível ver a sombra da criatura sobre a grama, os Winchesters estavam preparados para atirar.

— No três. - Dean chochichava para o irmão. - Um, dois, três! Abaixe-se, ! - Sam atira e acerta o alvo.
— Isso aí, Sammy. - Dean dizia orgulhoso, enquanto ia checar a criatura atingida, pra ver se estava caída.
— Uau, bela pontaria. Se no escuro é assim, não imagino de dia. - sorria, satisfeita em agora poder apanhar sua irmã.
— Opa. - a voz de Dean soava preocupante.
— O que foi, Dean? - Sam dizia tenso.
— Acho que você atingiu o alvo errado, Sammy.
— O quê? Não é possível e...
— Tanto é possível que você conseguiu, valeu Sam. - dizia, curvada com as mãos apertando a coxa, atingida pelo cartucho de sal.
? - Sam, e Dean disseram em uníssono.
— Pois é né. - dizia irritada e mancando, enquanto ia em direção a eles.

CAPÍTULO 006
Vendo mancar, corre para ajudá-la, enquanto Sam e Dean apenas olhavam, confusos.

— Eu tô bem, . - dispensava ajuda.
— Claro que não tá, . Presta atenção menina, você levou um tiro! - se desesperava.
— Ela vai ficar bem, não se preocupe. - Dean explicava, tentando acalmar .
, ai meu Deus, desculpa. Tá escuro, eu pensei que... - Sam explicava, estava desesperado. - Você tá bem? - Dizia enquanto verificava a coxa de .
— Tô sim, Sam. - falava irritada.
— O que tá acontecendo aqui, hein? Minha amiga levou um TIRO, será que alguém pode levá-la pra um hospital, por favor? - estava confusa, ninguém parecia estar preocupado.
— Não é preciso. - disse enquanto se dirigia para seu Camaro.
— Como assim, "Não é preciso"? - dizia desconfiada.
, querida, o tiro que eu levei foi de sal, SAL, entendeu? Não foi munição de verdade, então, por favor, RELAXA. - dizia irritando-se ainda mais. - Agora vamos embora, ok? Deixa que os garotões aí ajudam as outras que estão lá dentro.
— Mas, cadê o homem feio? - perguntara.
— Tá lá dentro, mas antes que façam escândalo, ele tá caído.
— O que você fez? - Dean dizia desconfiado.
— O que qualquer mulher deveria fazer quando um tarado tentasse agarrá-la: chutei as partes baixas dele. Agora podemos ir?
, você vai para um hospital. - Sam afirmava.
— E quem vai me obrigar? Eu tô bem, Sam. Me deixa em paz, vai. - estava muito irritada, tudo o que ela queria era ir pra casa e tomar um banho, aquele dia havia sido muito estressante para ela.
— EU vou te obrigar, . Eu atirei em você, posso pelo menos te levar pra fazer um curativo? Larga de ser teimosa. - Sam se aproximava de , pegou as chaves do carro das mãos dela e a puxou pra dentro do Camaro. não parecia nem um pouco a vontade com aquilo, odiava fazer coisas contra sua vontade.

— E agora? - perguntara para Dean, quando vira o Camaro virar a esquina.
— Agora a gente ajuda as mulheres que continuam presas lá dentro. - Dean sorria.
— Mas e se o homem acordou?
— Relaxa, eu vou na frente, verifico, depois você entra. - Dean já se aproximava da porta, com uma arma em mãos, apesar de se mostrar confiante, ele estava apreensivo. Não sabia se a criatura que estava lá dentro era humana ou não, ele não queria ser a pessoa que apresentou a caça para .
— Você é policial? - dizia enquanto acompanhava Dean, logo atrás.
— Não não, lindinha. Eu sou caçador. - Dean olhou para trás e deu um de seus sorrisos conquistadores.
— Caçador de quê? - dizia assustada.
— Ursos. - Dean sorriu.
— Ah claro. Mas por que estamos aqui, prestes a enfrentar um psicopata, se podemos chamar a policia e resolver isso de uma forma mais segura?
— Eu não confio neles.
— Ah, e por isso vamos arriscar nossas vidas? Que super. - dizia com sarcasmo.
— Só, relaxa tá? - Dean se estressava.
— Ok, a situação não favorece, mas ok.
— No três. Um, dois... - Dean dizia do lado esquerdo da porta, enquanto do lado direito se preparava para empurrar e abrir espaço para Dean entrar. - Três! - empurra a porta, Dean entra mas não vê nenhum homem caído, apenas as mulheres amordaçadas e muito fracas.
— Ai meu Deus, precisamos chamar uma ambulância. - estava preocupada.
— Sim, mas vamos tirá-las daqui primeiro.
— Cadê o cara?
— Eu não sei, talvez ele tenha fugido pelos dutos.
— Ai Deus, então ele pode estar por aí. Temos que chamar a polícia, Dean.
— Eu já disse que não, eu posso resolver isso sozinho. Mas primeiro vamos levá-las para fora e chamar uma ambulância.
— Ok, mandão.
— Do que você me chamou?
— De mandão. - repetia sem dar a mínima para o que Dean acharia.
— Quando se trata de salvar vidas, eu sou mandão sim, é. - Dean dizia irritado.
— Que seja, agora vamos logo. - desamarrava as mulheres e carregava uma por uma no ombro, até o lado de fora, deitando-as na grama, assim como Dean.

CAPÍTULO 007
— O hospital fica do outro lado, gênio. - resmungava.
— Eu não estou te levando pro Hospital, eu ainda sei que você os odeia.
— Poderia me dizer pra onde, então?
— Pro Hotel aonde estou hospedado, eu mesmo vou fazer os curativos.
— Ótimo, só não piore as coisas. - dizia séria, olhando fixamente para a frente.
— Eu já pedi desculpas, ok?
— É, eu escutei todas as trinta vezes que você se desculpou. Mas você não viu o que eu vi, Sam.
— O que aconteceu lá? - Sam dizia preocupado.
— O cara não era nenhuma criatura sobrenatural, mas fez coisas horríveis com aquelas mulheres. Um demônio não seria tão... cruel. - Sam ficou mudo enquanto explicava, apenas prestava atenção, preocupado. - O cara...
, não precisa falar se não quiser.
— Não, eu quero. O cara, era um tarado, um nojento! O que ele fez com elas... - agora virou o rosto para a janela, olhava fixamente as pessoas que passavam. - Escutando aquilo, Sam encostou o carro rapidamente e pegou as mãos de , fazendo-a virar rapidamente em sua direção.
— O que ele fez com você, ? - Sam dizia assustado. - Eu mato ele se...
— Não, comigo ele não fez nada. Mas meu, aquelas mulheres vão carregar aquilo com elas pro resto da vida, aquelas cenas... Foi tudo horrível. - dizia olhando para Sam, era possível ver seus olhos encherem de lágrimas.
— É realmente horrível, . Mas elas estão vivas, agora elas ficarão bem. O Dean está lá as ajudando, o cara será preso. Não se preocupe. - Sam sorria, ainda estava um pouco assustado ao ver daquele jeito. Desde que ele a conhece nunca a viu chorar, ela era uma pessoa forte, estava sempre sorrindo. Aquela cena estava sendo estranha pra ele.
— Você tem razão. Está tudo bem agora. - forçava um sorriso.
— Vem cá, chorona. - Sam a puxara para um abraço.
— Chorona? - afastou Sam, olhando-o nos olhos, brava.
— Eu tô brincando, . - Sam riu e a abraçou de novo.
— Eu sei, Sammy. - o abraçava mas aquelas cenas ainda teimavam em permanecer em sua cabeça.

— Er, cadê a ? - se dava conta da falta de sua irmã.
— Ela estava bem aqui quando... Ai meu Deus.
— O que, o que foi? - estava preocupada com sua amiga.
— Quando levou um tiro, o cara deve ter aproveitado que estávamos distraídos e a pegou.
— O quê? E agora, o que vamos fazer? - se desesperava.
— Eu não sei, não temos pistas de onde ele possa estar, não sabemos pra onde ele possa ter ido. - Dean estava irritado, não gostava nem um pouco de ser enganado.
— Você disse que ele pode ter fugido pelos dutos, podemos procurar lá, né?
— Claro, mas como ele a pegou e nós não vimos? Isso está muito estranho.
— Pois é né, mas a vida da minha melhor amiga está em perigo, então vamos logo.

— Valeu, Sam.
— Por ter atirado em você? Disponha. - Sam brincava.
— Não, por se preocupar tanto comigo. - encarava Sam, deixando-o sem graça.
— Estamos chegando. - Sam sorriu.
— Ok.
— Como está a perna?
— Dolorida, mas eu sobrevivo. - sorriu.
— Que bom. - Sam riu.

Os dois estavam distraídos conversando, até que Sam olha pelo retrovisor e vê uma sombra no banco de trás do carro que o assustou, fazendo-o brecar o carro bruscamente.

CAPÍTULO 008
— Ouch, o que foi Sam? - dizia passando a mão na cabeça, pois havia batido contra o pára-brisa.
— Ninguém sai do carro, ou eu mato a amiguinha de vocês! - uma voz grossa e em tom alto vinda do banco traseiro, falou.
— Calma, afaste essa faca do pescoço dela. - Sam dizia preocupado.
— Ai meu Deus, o que você quer? - dizia assustada.
— Eu quero minha liberdade, ninguém chama a polícia e eu entrego ela. - o homem afirmava, ainda com a faca encostada no pescoço de , que permanecia desacordada.
— Claro, claro. Agora a solte e saia do carro, por favor! - Sam afirmava, com medo do homem machucá-la.
— Como eu posso ter certeza de que vocês não chamarão depois disso?
— Não podemos provar, mas a vida dela vem primeiro. - Sam dizia.
— Nós moramos aqui, se chamarmos a polícia e ela falhar, corremos o risco de você vir atrás da gente depois. Não seríamos tão idiotas. - afirmava.
— Ok. Mas que fique bem claro, se a polícia vier atrás de mim, eu procuro vocês e os mato! - o homem aproveitara as palavras de para ameaçá-los.
— Certo, agora bem devagar, saia do carro. - Sam dizia, cuidadoso.
O homem saiu do carro bem devagar, ainda com a faca sobre o pescoço de , depois a soltou e saiu correndo. rapidamente pegou uma arma que guardara na cintura, saiu do carro e atirou nas pernas do bandido.
— O que você fez!? - Sam gritou, ainda dentro carro. Mas logo após saiu, indo em direção a .
— Ué, eu atirei nas pernas dele. - dizia indo em direção ao homem caído.
— Você é louca? - Sam dizia desesperado, olhando para os lados.
— Não. Eu só estou garantindo que esse canalha não venha atrás da minha família. Agora vamos, temos que levá-lo para um hospital antes que alguém perceba.
— O que você pretende falar?
— Que ele tentou me atacar e eu agi por legítima defesa.
— Mas e as testemunhas?
— Que testemunhas, Sam? Ninguém nem ouviu o tiro, eu tenho silenciador, sabe? Olhe ou seu redor, vê alguma pessoa olhando? A rua é deserta.
— Mas e se alguém viu e já chamou a polícia?
— Sem problemas, lá do hospital eu mesma ligo pra polícia ir tomar conta do traste. - dizia com um risinho vitorioso.
— E se eles não acreditarem?
— Sam, você tá meio enferrujado, hein. Esse bandido abusou de mais de cinco mulheres, acho que temos cinco testemunhas a nosso favor, não acha?
— Você tá certa, . - Sam afirmava, ainda assim, preocupado.

— Como a sua irmã está? - Dean perguntava para .
— Bem, tirando o medo que ela passou nas mãos daquele traste, ótima.
— Ótimo. - Dean sorriu.
— E o resto das mulheres, como estão? - perguntara.
— Ficarão bem. - Dean respondeu.
— Fisicamente, ele quis dizer. Agora, mentalmente, não dá pra saber. - dizia, preocupada com elas.
— E tudo isso graças à vocês dois, né? - falava para Sam e .
— Que nada, tivemos a ajuda de todos vocês. - Sam afirmava.
— Não, não foi isso que quis dizer. Se vocês não estivessem lá na faculdade naquele momento, elas provavelmente ainda estariam lá. Ou pior, podiam estar mortas numa altura dessas. - explicava.
— Mas eles estavam inves... - Dean falava quando se tocou e calou-se.
— Inves...tigando? - finalizou.
— Haha, que maluquice é essa que vocês estão falando? - falava num tom engraçado.
— Desde quando relembrar os velhos tempos é investigar, Dean? - Sam dizia rindo, tentando disfarçar.
— Palavra errada, errar é humano, pô! - Dean ria, disfarçando também.
— E qual palavra você estava tentando dizer, gênio? - perguntara, estava disconfiada daquela cena.
— Eles estavam... - Dean pensou por alguns instantes e nenhuma palavra veio à cabeça, a não ser... - Flertando.
— O quê? - Sam e disseram em uníssono.
— Hum, sabia que você gostava dele, . - dizia.
— Pois é, né. - corava. - Agora vamos embora desse hospital nojento?
— Credo, . Têm pessoas morrendo aqui, sabia? - chamava a atenção de .
— Por isso mesmo. - sorriu.
— Concordo, vamos sair daqui. - Dean disse após rir, como todos os outros.
— Mas e aí, os policiais acreditaram em você? - Dean perguntara enquanto andavam em direção ao elevador.
— Como assim? - disfarçava, e não faziam idéia de que fora que atirou no homem.
— Fala sério, Dean. - Sam cutucava o irmão discretamente.
— Por que eles não acreditariam na ? - perguntara.
— Eu definitivamente preciso aprender a colocar minhas palavras. - Dean fazia uma cara engraçada, estava pensando no que diria em seguida. - O que eu quis dizer com essa pergunta foi, se os policiais acreditaram na , porque tudo isso é uma loucura! É até difícil de acreditar. - Dean fingia uma cara de preocupado.
— É verdade, não dá pra acreditar no que as pessoas são capazes de fazer. - ressaltava.
— Pois é. - Dean dizia fingindo indignação, com a mão sobre a testa, balançando a cabeça. Sam ria baixo.


CAPÍTULO 009
— Cara, eu vou tomar um banho e dormir. Adios, muchachos. - Dean dizia enquanto abria a porta e entrava no quarto do hotel. — Falou. Eu vou ficar aqui fora um pouco. - Sam afirmava. — Falou, flerte um pouco mais. Ai ai, eu sou muito ninja. - Dean dizia convencido.
— Você realmente pensa rápido, não? - ria.
— Fazer o que né. Boa noite, . - Dean disse e logo depois entrou e fechou a porta.
— Então, tá a fim de me falar o por quê dessa cara? - perguntava para Sam, enquanto sentava nas escadas.
— Que cara? - Sam dizia confuso.
— Ah qual é, Sam.
— Ok, você percebeu. - Sam dizia com um ar de derrotado, sentando-se ao lado de .
— Eu te conheço um pouco. - sorriu.
— Não é nada, . É que você me lembrou muito meu irmão hoje, quando atirou no cara.
— E isso é ruim, porque...
— Você foi fria.
— Qual é, você só pode estar brincando, né? O cara é um babaca, Sam.
— Eu sei, você tem razão, . - Sam dizia, agora tentando pôr fim ao assunto.
— Olha Sam, eu não quero que você fique com essa imagem de mim na cabeça, ok? - dizia olhando para Sam, vendo que ele estava olhando para o horizonte e não para ela, virou a cabeça dele em sua direção. - Escuta, tenta me entender.
— Eu sei, . Eu só acho que isso é estranho pra mim porque... eu não teria coragem de atirar numa pessoa assim, tão friamente. - Sam explicava. - Mas eu não estou te julgando, estou apenas tentando me acostumar com você caçadora. - Sam sorria.
— Entendi, tá tudo muito estranho ainda. Antes de nós irmos embora, nós éramos pessoas totalmente diferentes da que somos agora.
— Sim. Mas esquece isso, . - os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos, apenas olhando para a frente. - Mas e a sua perna, vamos fazer os curativos?
— Está dolorida, mas acho que não é necessário...
— É sim, eu vou pegar o kit de enfermagem lá no carro. - Sam afirmou e logo em seguida fez o que disse.
— Ok, né. - esperava.
— O Dean está dormindo, vamos pro outro quarto pra fazer os curativos. - Sam sorria.
— Sim. - confirmou e os dois foram em direção ao mesmo quarto que estava vazio mais cedo, mas já não estava mais. - Mas que droga, são 5:30 da matina, quem é que se hospedou numa hora dessas?
— Não sei, talvez alguém que chegou de viagem, sei lá.
— Pode ser. Então vamos ter que deixar os curativos pra outro dia. - sorria vitoriosa.
— Não tente fugir, . Tá até sangrando, eu não vou deixar seu machucado assim, exposto.
— Ah fala sério, Sam. Então vamos lá pra minha casa.
— Ok.

— Você viu, ? - falava.
— Não vi mas ouvi tudo enquanto lá no quarto. Então o bonitão vai fazer uns curativos na , né? - disse com certa malícia na voz.
— Sim, foi o que ela disse. E que cara é essa, menina?
— Que cara, amiga? Eu só estou falando. - riu.
— Ah sim. Agora vamos cuidar das nossas vidas. - mudou de assunto.
— Preciso arrumar uma amiga mais fofoqueira, você é chata. - brincou.
— Ok então. - disse não dando a mínima para .
— Credo amiga, não sabe nem brincar.
— Cala a boca, . - ria.
— Ain. Ei, vamos assistir um filme?
— Sim. Mas nada de casamentos, . Por favor.
— Ah, só porque eu gosto.
— Nada a ver, só porque são muito chatos.
— Ok né, o que quer assistir então?
— Sharkboy e LavaGirl. - riu.
— Tá falando sério? - olhou com cara de "afe".
— Sim, o Taylor Lautner era miúdo. - ainda ria.
— Credo, amiga. Ok então, né.

CAPÍTULO 010

— Prontinho. Doeu? - Sam provocava .
— Não, não doeu. E não enche o saco, tá?
— Mas o que eu to falando? - disse rindo.
— Está sendo um chato. - disse estressada.
— Alguém está rabugenta de novo.
— É, eu sou imprevisível.
— O que houve agora, ?
— Nada. Eu só acho que tô chateada porque... - fez uma pausa.
— Porque...
— Ah eu não vou falar isso, vai soar muito idiota.
— Ok, então. - Sam levantava-se do sofá onde fez os curativos em e foi em direção à porta, fingindo não ligar para o que ela tinha a falar.
— Porque você vai embora. Pronto, falei.
— Pelo menos eu estou me despedindo. - Sam riu.
— Ah, então agora você vai jogar isso na minha cara? Escuta, só um detalhe que você provavelmente se esqueceu: MEUS PAIS HAVIAM MORRIDO, sabe? Um pouco de sensibilidade agora não faria mal. - dizia irritada.
— E é por isso que eu não faço brincadeiras. Desculpa , eu fui um idiota, eu sei. Desculpa. - Sam dizia enquanto se sentava novamente no sofá, aproximando-se de .
— Relaxa, Sam. - dizia rindo da cara do rapaz.
— E eu que sou o insensível.
— Ah, cala a boca. - ainda ria.
— Então você tá tristinha porque eu vou embora? - Sam ria.
— Não se ache, eu estava zoando com a sua cara, meu bem.
— Ah tá. Toda brincadeira tem um pouco de verdade, sabia?
— Que seja, essa não teve. - sorria.
— Ok então, . Eu preciso ir, daqui a pouco vou pegar a estrada, de novo.
— Ok, Sam. Pra onde vão, agora?
— Não sabemos ainda. Tchau e não chore, hein. - Sam ria enquanto ia abraçar a garota.
— Me erra, Sam. - dizia rindo. - Quando chegar me liga.
— Claro. - Sam sorria. - Não vai me acompanhar até a porta?
— Não, você sabe o caminho. - fazia cara de indiferença, segurando o riso.
— Tá, essa brincadeira magoou.
— E quem disse que foi brincadeira?
— Ah cala a boca. Tchau, . Se cuida, hein.
— Falou, Sam. Toma cuidado, eu espero poder te ver de novo, vivo de preferência.
— Pode deixar. - disse rindo, logo depois saindo do quarto e indo embora.

CAPÍTULO 011
— Você tá maluca? Viajar!? - disse, com a voz alterada.
— Qual o problema em dar um tempinho dos estudos, garota?
— O problema é que não estamos mais na escola, estamos cursando a faculdade, “garota”. E também, temos o trabalho...
— Pare de ser idiota, as provas já acabaram e finalmente podemos descansar, relaxa. E do trabalho, a gente tira uma folguinha. Muito simples. - tentava convencer .
— Pra onde você pretende ir, ? - perguntou interessada.
— Não sei, estava pensando em pegar a estrada e conhecer várias cidades diferentes aqui do Texas. Seria bem divertido, só nós três...
— Ah tá! Tudo o que eu mais queria na minha vida era viajar dentro de uma lata de sardinhas com você reclamando do meu lado. - implicava.
— Ah, valeu... Vaca.
— Você me chamou de quê? - se irritou.
— Ei! Vamos parar por aqui? Parecem duas velhas brigando! - se intrometeu.
— Cala a boca você também. - disse, estressada.
— Não a mande calar a boca. Você é quem deveria ficar quieta, assim não falaria tanta besteira. - defendia sua amiga.
— Tá bom, gente! Chega, vamos resolver isso como as adultas que somos. - tentava colocar um fim naquela discussão.
Mimimi, adultas que somos. - repetiu, debochando com uma voz aguda e irritante.
— Chega, . Fala, . - disse, séria.
— Vamos fazer uma votação! A maioria vence, pode ser?
— Ah, e é assim que adultos resolvem as coisas. Cala a boca. Quem quiser vem, caso contrário, fique e acabou. Eu sei que eu vou. - dispensava a votação.
— Mas é uma chata mesmo! - disse.
— Ok então, eu não vou e você vai. Ficaremos bem longe uma da outra por algumas semanas e tudo resolvido. - dizia com convicção.
— ÓTIMO. - confirmava a decisão de .
— ÓTIMO. - repetia satisfeita.
— E eu? Não vou poder resolver nada nessa história mesmo? - dizia.
— Claro que pode. Decide se vai ou não. - , sarcástica.
— É, ficar longe de você por semanas será o melhor. - afirmou.
— Me ame, trouxa. - dizia, encerrando o assunto e dando as costas para as duas.

— Qual é Sammy, eu sempre quis conhecer o Grand Canyon! - Dean dizia, animado.
— Dean, vidas estão correndo perigo. Nós temos muito trabalho.
— Larga de ser chato, maninho! Qual é, vai ser maneirão!
— Ô criança, eu vou pensar no assunto, pode ser? - Sam dizia, irritando-se com o irmão persistente.
— Me chamou do quê?
— De nada. Agora dirige mais rápido. Tá com medo de passar do limite mínimo? Eu quero dormir.
— Folgado. Tenho quase certeza de que tem um hotel aqui por perto, relaxa.
— Tá.

— Minha mala está pronta. Última chance pra mudarem de idéia. - insistia em convencê-las.
— Não mesmo, obrigado. - falava.
— Eu também não vou. Quando você vai? - perguntava.
— Nessa madrugada. Quero visitar o Grand Canyon no sábado, bem cedinho.
— Ah, que legal. Tira umas fotos de lá. - dizia empolgada.
— É claro que sim, tá louca? - dizia sorrindo.

— Aonde você vai? - Dean pergunta a Sam, que estava prestes a sair pela porta do quarto de hotel.
— Fazer uma ligação. Também quer saber pra quem?
— Não precisa ser mal-educado. - Dean dizia, bravo.

— Eu vou levar minhas coisas lá pro carro, já volto. - dizia, abrindo a porta e saindo.
— Tá. - e disseram em uníssono.

Após descer à garagem e guardar suas coisas, escuta seu celular tocar e o atende, voltando para o elevador.

— Alô.
— Oi , aqui é o Sam.
— Oi, Sammy! Já está com saudades? - dizia convencida.
— Não é nada disso. - Sam dizia rindo.
— Ah, que pena.
— Na verdade, um pouco.
— O quê? - disse séria, mas surpresa.
— Ãhn, nada. Escuta... - Sam disfarçou ao deixar escapar que sentia falta de . - Eu só queria dizer que esses dias que passamos juntos foram ótimos, e deveríamos repetir.
— Ah claro, sem dúvida! Apesar de que disfarçar depois de dizer que sentia minha falta e logo em seguida falar que quer me ver de novo não tenha funcionado... Claro! - riu.
— É, acho que não deu pra escapar dessa. - Disse sem-graça.
— Relaxa Sam, não estamos mais no colegial. Nós podíamos marcar qualquer coisa, né?
— Claro! O que você quiser, quando quiser.
— Ok! - disse empolgada. - Então, o que pretende fazer nesse final de semana?
— Não sei. Talvez trabalhar, talvez relaxar...
— Eu vou pro Grand Canyon! - disse empolgada.
— Relaxar! Definitivamente vou relaxar esse final de semana. Estava combinando com o Dean de visitar o Grand Canyon também. Parece que estamos cercados de coincidências. – a ideia de Dean nunca parecera tão conveniente.
— Nossa, tá brincando? Coincidência mesmo, ou então o destino que quer que fiquemos juntos... Quero dizer... Próximos. - deu um tapa na testa ao perceber que falou demais.
— Não sei, mas que tal marcarmos o dia e descobrirmos isso de uma vez? - Sam disse convicto.
— Seria ótimo. Não sei você, mas eu vou sair de casa nessa madrugada pra chegar lá de manhã!
— Ótimo! Vou conversar com o Dean, e nos encontraremos lá.
— Certo.
— Certo.

Os dois ficaram mudos por alguns segundos, apenas com cara de bobos, um de cada lado da linha, pensando no encontro que teriam no dia seguinte. (N/A: Cafona, mas fofo, tá? U.U)

— Até mais então, Sam.
— Até, .

— Que cara de tonta é essa, ? - perguntara a quando a mesma entrou pela porta.
— É a cara normal dela, . - brincava.
— Cala a boca. Eu não estou com cara de tonta, estou apenas pensativa. — Aham, e eu nunca me apaixonei na minha vida. Eu conheço essa cara, . - insistia no assunto.
— Você já se apaixonou? Jura!? - dizia sarcástica.
— Cala a boca.
— O que aconteceu hein, safadinha? - perguntava curiosa.
— Safadinha? Ai Deus, as coisas que a gente escuta... Não aconteceu nada, meninas. Boa noite.
— Então você não vai contar mesmo, né? - dizia irritada.
— O que aconteceria de tão interessante em uma inocente ida até a garagem? O Sam ligou, só isso.
— Ahá! Sabia que tinha algum homem nisso. - dizia.
— Não sabia não. Eu sabia! - dizia.
— Whatever.
— O que ele disse? - perguntava.
— Nada que seja da conta de vocês. Boa noite e boa sorte estudando na folga, otárias. - dizia sorrindo.

— Eu sabia que te convenceria a ir ao Grand Canyon, dude. - Dean dizia convencido.
— E quem disse que é por sua causa?
— Não entendi. - Dean disse confuso.
— Nada. Vamos dormir logo, amanhã acordaremos cedo.
— Ok. - disse desconfiado.

CAPÍTULO 012
— Ah, finalmente! - apressava-se em sair do carro.
— Nossa, não sabia que você estava tão ansiosa pra chegar. - dizia para a amiga, também saindo do carro.
— E ela não estava, . Ela estava de saco cheio de ficar no carro comigo, me escutando falar sobre tudo o que faremos aqui. - disse convicta.
— Uau! Você até que me conhece, man. - dizia com deboche. - Não acredito que você nos convenceu à vir.
— Eu não ia deixar vocês, crianças, lá, sozinhas. Já pensou se eu volto e vocês botaram fogo no apê? De jeito nenhum. Eu vou estacionar o carro, peguem as malas e me esperem aqui.
— Nós vamos ficar nessas cabaninhas? Nossa, que mágico. - dizia com empolgação.
— Realmente é bem bonito aqui, é bom que valha a pena. - reclamava.
— Sim , é aqui que ficaremos hospedadas.Yupi! E, , cale a boca.
— Tá, qual é o nosso quarto? - dizia enquanto pegava as malas.
— Eu me esqueci de ligar antes pra resevar um quarto, mas é cedo, a gente aluga um agora. - dizia enquanto ia estacionar o carro.
— Ok, só espero que tenham quartos, . - dizia.
— Amiga, seja otimista. E chega de estresse, você ‘tá acabando com o clima mágico do lugar. - dizia.

— Putz, esqueci de reservar um quarto pra gente lá. - Sam lamentava-se.
— Liga lá agora e reserva, pô. - Dean dizia enquanto dirigia, já em direção ao Grand Canyon.
— É, com MUITA sorte a gente consegue um quarto vazio.
— Qualquer coisa eu durmo no carro e ‘tá tudo certo. - Dean dizia.
— Vai ser difícil dividir o Impala com você.
— Opa, eu disse EU. Você eu não sei. - Dean dizia rindo.
— Valeu, cara. - Sam dizia irritado. - É melhor eu tentar uma reserva logo.
— É, tenta aí.

— Vamos? - disse após chegar do estacionamento.
— Demorou, quero dormir mais um pouquinho. - dizia.
— ‘Tá brincando, né? A gente saiu de madrugada pra chegar aqui cedinho e aproveitar o dia, e você ‘tá querendo dormir? - dizia irritada.
— Sim, posso?
— Ah, você que sabe.
— Ai gente, vocês poderiam parar de discutir, só por cinco minutinhos? - dizia, irritando-se.
— E nós vamos, . Eu vou dormir e ela vai escalar as montanhas por aí.
— Se eu quisesse escalar montanhas eu iria pro Himalaia escalar o Everest. Eu vou fazer uma trilha e tirar algumas fotos. Ai, divino.
— Uh, diviníssimo. Agora vamos alugar logo esse quarto? - dizia estressada.
— Sim, bela aborrecida. - dizia.
— Nossa, que hilrário. - dizia com ironia, se irritando ainda mais.

Chegando na recepção...

— Oi, bom dia. - cumprimentava o balconista.
— Bom dia, em que posso ajudá-la? – O telefone do balcão tocou. - Desculpe, só um minuto. Alô? - o balconista interrompeu o atendimento com para atender ao telefone. - Sim, temos. Hoje é o seu dia de sorte, um casal acabou de deixar um quarto. Seu nome, por favor? - Ouvindo isso, fazia uma cara de indignada, não estava acreditando que o último quarto estava sendo reservado na frente dela. - Quarto número 31. Esperamos por você, Sr. Dickenson. - Desligou o telefone. - Ah desculpe, senhorita. Estamos com falta de funcionários, o telefone é minha responsabilidade, se eu não atender...
— Tudo bem, tudo bem. Só quero entender uma coisinha, essa reserva que você acabou de fazer era a última, é isso? - dizia apreensiva, olhando discretamente para as meninas logo atrás, disfarçando para que e não escutassem a conversa.
— Sim, me desculpe.
— Mas eu cheguei aqui primeiro, puta sacanagem, hein! - alterava a voz, mas tentava manter a calma para não chamar a atenção de suas amigas.
— Desculpe senhorita, não há nada que eu possa fazer.
— Ah, cale a boca. - dizia enquanto ia em direção às meninas.

— E aí, dude? Conseguiu? - Dean dizia curioso.
— Por sorte, sim. E, graças ao Sr. Ronald Dickenson ficaremos hospedados num quarto 5 estrelas. - Sam dizia satisfeito.
— Essa viagem está sendo melhor do que eu imaginava. - Dean dizia com um sorriso no rosto, acelerando o carro.

— E aí, ? - dizia como se estivesse perguntando o número do quarto.
— É... surpresa. Vamos lá que eu mostro a beleza de quarto que eu consegui. - dizia apreensiva, saindo da recepção e indo em direção aos quartos que ficavam do lado de fora.
— Tomara que a cama seja bem confortável, não vejo a hora de pular nela e desmaiar. - dizia com empolgação.
— E eu não vejo a hora de tomar um belo banho nessa banheira enorme, ui. - dizia para a amiga, mostrando a foto da banheira no panfleto do hotel.
— Vai ser ótimo, meninas. - dizia preocupada. Então, bem vindas ao quarto 31!
— Aham, agora abre a porta. - dizia ansiosa para entrar.
— Calma, menina. - então agaixou e tentou esconder com a cabeça o que fazia para abrir a porta, já que usava um grampo de cabelos.
— Pra que tudo isso pra abrir uma porta, menina? Você é tão alta assim que precisa agaixar pra destrancar? - ria da sua piadinha.
— Essa fechadura está com problema. - mentiu.
— Hotel 5 estrelas, né? - dizia sarcástica.
— Pela décima vez, cale a boca, .

Após, discretamente, abrir a porta e invadir o quarto, entrou e logo depois as meninas entraram, ficando boquiabertas com o tamanho e o luxo do lugar.

— Cinco estrelas sim, . - dizia com a mesma expressão no rosto que as outras duas, seus olhos levemente arregalados e impressionados com a beleza e o tamanho do quarto.

Ao entrar pela porta, dava-se de cara com dois balcões: um embutido na parede do lado direito e outro do lado oposto. Na ponta de cada um deles haviam pilares finos e redondos, que davam mais sofisticação ao lugar. Em cima desses balcões encontravam-se vasos de orquídeas e uma pequena tigela de vidro usada como porta-chaves pelos hóspedes. Um pouco mais à frente, havia uma escada com dois degraus, apenas, que davam para a grande e arejada sala, aquela única sala na qual todos os cômodos de uma casa normal se encontravam; apesar de parecer que tudo isso numa sala só tenha ficado apertado, o lugar era muito bem decorado e os móveis tinham uma distribuição muito organizada, mantendo o lugar bonito e muito confortável, ótimo para relaxar e passar um tempo longe dos problemas do cotidiano. E o melhor de tudo, havia no canto da parede uma lareira grande com algumas almofadas espalhadas no chão à sua frente, perfeita para as noites frias que estavam fazendo ultimamente. A primeira reação dos hóspedes era sempre a mesma ao entrar pela porta...

— Talvez essa viagem não tenha sido lá tão ruim. - dizia segurando as malas, observando de canto a canto o quarto, com a mesma expressão que e , com a boca levemente aberta.
— Tá brincando? Acho que não vou visitar Grand Canyon nenhum, vou é ficar aqui dentro relaxando. - dizia encantada com a cabaninha mágica, como ela mesma disse.
— E tudo isso de graça... - deixara escapar.
— O que você disse? - dizia distraída, ainda meio extasiada com o quarto.
— Hm, nada. Só que o preço foi bem acessível. - disfarçava com uma leve risada.
— Muita sorte a nossa, estou com um bom pressentimento sobre a nossa semana. - dizia empolgada.
— É, eu também. - dizia e voz mais baixa, pensando no encontro com Sam. - Mas agora eu preciso ir lá fora.
— O que você vai fazer naquele gelo, tá louca? Fica aqui no quentinho, tonta.
— Não se preocupe, . Estou muito bem agasalhada, vou apenas conhecer os arredores. Fiquem aqui arrumando as coisas. - sorriu, saindo pela porta.

CAPÍTULO 013
O papo de "conhecer os arredores" era balela, estava preocupada com o tal Sr. Dickenson que poderia chegar à qualquer instante no seu quarto reservado. O que ela estava pensando em fazer? Enrolar o cara e suborná-lo com dinheiro para tentar convencê-lo em deixá-las ficar lá. Honestamente ela não estava muito confiante com isso, mas tentaria ficar naquele quarto maravilhoso de qualquer maneira.

— Bem vindo Sr. Dickenson, seu quarto já está à sua espera, e... do seu companheiro também. - O recepcionista falava lançando um olhar significativo em direção ao Dean.
— Ah, não não, ele é meu irmão. - Sam disse sem-graça.
— Tenho certeza que sim. Aqui estão suas chaves e tenha uma boa semana conosco, o "Close to Canyon's Hotel" garante um ótimo atendimento à vocês durante sua estadia.
— Obrigado. - Sam sorria.
— E aí dude, qual o quarto?
— 31, é logo ali atrás daquela mulher. - Sam apontava para que estava de costas.

— Com licença. - Sam falava com , sem ainda saber que era ela.
— Ah sim, desculpe... SAM! - virou-se e alterou um pouco a voz ao cumprimentar o amigo.
— Oi . - Sam disse surpreso, virando levemente a cabeça para o lado, dando um sorriso pelo canto da boca. - Que bom que você veio! - abraçou a amiga. Dean apenas olhava os dois, com uma cara de "ahá, eu sabia que ela tava envolvida nessa viagem, Sam safadão."
— Eu disse que viria, não disse? Oi Dean. - disse sorrindo.
— Oi . Pelo jeito essa semana será ótima, não é maninho? - Dean deu uma cotovelada no irmão, provocando-o.
— É Dean, vai ser demais. - Sam deu um tapa na nuca do irmão.
— Mas e aí Sam, aonde tá hospedado?
— Aqui mesmo, . Nesse quarto atrás de você.
— HAHAHAHAHAHAHA não creio. - deu uma gargalhada ao perceber a coincidência. - Anda fraudando cartões de crédito é, Sam? Realmente, caçador não é um emprego, er, remunerado e...
— Como? - Sam estava confuso, assim como Dean. Os dois faziam uma cara engraçada, de ponto de interrogação.
— Sr. Dickenson? - disse na tentativa de explicação.
— Como você... - Dean tentou entender.
— Eu cheguei bem na hora que o recepcionista nojento registrou vocês hoje de manhã por telefone. Era o último quarto, sabiam?
— Ah... - os dois ainda estavam confusos, não conseguiam achar tanta graça naquilo tudo como , até que...
— A verdade é que eu invadi o quarto reservado por vocês, digo, pelo Dickenson. E eu estava esperando o dito cujo chegar pra subornar ele e tentar convencer ele à deixar eu e minhas amigas à ficar no quarto e...
— Peraí, você o quê? , o que aconteceu com aquela menina que eu conheci no colégio? - Sam dizia surpreso, com uma cara fofa de "tô bege".
— Ela cresceu, Sammy. - disse rindo.
— E se tornou uma fora da lei, por sinal. - Sam disse sorrindo.
— Como se vocês não fizessem coisas iguais ou até piores por aí, né "Sr. Dickenson"? - sorriu.
— Pego, confesso. - Sam disse e sorriu com o canto da boca, e sem perceber encarava , que retribuia.
— Tá gente, vamos entrar logo? - Dean interrompeu. Eu tô congelando aqui. Tem alguma lanchonete por perto? Tô faminto.
— Não sei, mas depois a gente pode procurar. Também estou morrendo de fome. - sorriu.

Depois de entrarem no quarto e se cumprimentarem, todos sairam para comer alguma coisa. Voltando da lanchonete, Dean conversava com e , estranhamente tranqüilo (e quando digo tranqüilo quero dizer sem dar em cima delas), enquanto e Sam conversavam logo atrás. Eles andavam pela cidade, para conhecer melhor o lugar, coisa que os Winchesters não estavam habituados à fazer, mas faziam pois estavam dando um tempo do trabalho.

— E como suas amigas ficaram depois do que aconteceu lá em San Antonio?
— Ficaram estranhamente bem. Elas são aceitaram os fatos melhor do que eu imaginei. - respondia.
— Que bom. Caso contrário seria preciso muitas consultas à psiquiátras.
— Nem me fale... Senti sua falta quando você foi embora, Sam. - sorriu amigavelmente para Sam.
— Eu sei ... - Sam dizia até que o interrompeu.
— Você é convencido né? Não estraga o momento, cara. - riu baixo.
— E você não me deixa terminar minhas frases. - Sam olhou com cara de indignação. - "Eu sei ...", eu também senti sua falta. - sorriu e logo depois riu abafadamenete .
— Desculpa Sam, eu vou parar com isso. - riu. - Que bom, não tô me sentindo tão boba agora.
— Por que "boba"? É um sentimento normal... eu acho. - os dois riram, olhando para o outro, depois desviando o olhar para o caminho à frente.

— Tá na cara que rola, . - respondia a amiga.
— Ah não sei não, hein. No começo eu até achava que sim, mas agora, tô achando que são só grandes amigos mesmo. - dizia, enquanto Dean apenas escutava as duas e sorria, quase rindo da conversa.
— A minha opinião continua a mesma desde o começo, eles se amam. - agora mostrava um sorriso.
— E o que você acha, Dean? - perguntava, curiosa.
— Eu acho que o Sam é um safadão. - dizia olhando para trás e apontando disfarçadamente para o casal ao fundo, mostrando sua opinião sobre o assunto.
— Como não pode haver nada ali, ? Viu só, é meio óbvio! - insistia.
— É, pode ser... - dizia derrotada, mas com um sorrisinho no canto da boca, feliz pela amiga que supostamente estava com o bonitão, afinal, achava Sam um pão, haha.

CAPÍTULO 014
O sol se pôs e a noite apareceu, junto com um frio gostoso que tomava conta de todo o Colorado.

— Eaí, o que estamos esperando pra acender essa lareira? - Dean disse.
— Boa pergunta. - respondeu.
— E o que VOCÊ está esperando pra acender, Dean? Vai lá. - disse.
— Desculpe pela atitude da minha irmã mais velha, aquela que deveria ser o exemplo a ser seguido, Dean. - dizia envergonhada pela irmã.
— Pois é, essa aí não sabe como tratar as pessoas, é uma sem educação mesmo. - acrescentava.

Após a chamada de atenção, , Sam e Dean se entreolharam, rindo em seguida.

— Calma garotas, tá tudo bem. Não sabem brincar não? - Dean riu.
— Mas... isso não é brincadeira que se faça e... - tentava explicar.
— Relaxa, docinho. - Dean dizia sorrindo.
— Cêis são muito chatas. Eu devia deixar vocês irem embora sozinhas e ficar aqui com eles, ELES são divertidos. - brincou.
— Fique à vontade. - disse mal-humorada.
— Tá vendo? É disso que eu tô falando, nao é à toa que você tem tantas rugas e... - Após escutar isso, correu para o banheiro olhar-se no espelho.
você me paga. - voltou nervosa com a brincadeira.
— Relaxa, "irmãzinha". Mas então gente, nós devíamos ir buscar a janta, né? - disse passando a mão na barriga, demonstrando fome.
— Você leu meus pensamentos, . Tô faminto. - Dean concordava.
— Impressionante como vocês são... parecidos. - Sam dizia rindo.
— Em certas circunstâncias, é. - Dean dizia. - E quem aqui não está morrendo de fome também, me diz?
— Eu não. - Sam dizia convícto.
— Eu também, nem tanto. - dizia.
— Eu muito menos. - concordava com os dois últimos.
— Esquisitos. - e Dean disseram em uníssono.
— Vamos buscar um lanche então. - Sam dizia para .
— Demorou! - concordou.
— É, vamos sim. - dizia, até que foi cutucada sutilmente por . - Ai! O que foi? - dizia sussurrando para a amiga.
— Deixa eles irem sozinhos, mulher. - lançou um olhar significativo ao casal.
— Ah tá, entendi. - disse ainda sussurrando. - Mas aí eu vou ficar de vela aqui.
— O quê? - disse com uma careta engraçada.
— É, ué. Você e o Dean...
— Cala a boca, . Não fala besteira, vai.
— Ei, vocês duas. Vão ficar cochichando aí ou vão vir? - Sam disse simpaticamente, com um sorriso.
— A gente vai ficar. - sorriu.
— Ok. - Sam sorriu. - Vamos, ?
— Aham.

— Ah Sammy, ele precisa aprender umas coisinhas sobre conquista. - Dean dizia convencido.
— Nossa, desculpe "garanhão", mas eu acho que ele está indo muito bem, é o tipo certinho de cara pra minha irmã. - discordava de Dean.
— Wow, você é mesmo irritante hein, baixinha. - Dean respondeu.
— Como é? Escuta aqui, "gigante", eu só tenho uma concepção diferente da sua, de quê "homem que é homem conquista uma mulher rapidinho". Isso é pura babaquice. - dizia séria.
— Até agora deu certo pra mim. - Dean retrucava.
— Opa, peraí... Você está com alguma mulher agora? - dizia sarcástica.
— Na verdade... NÃO. - Após dar uma olhada pelo quarto, Dean responde sarcasticamente.
— Ei! Vocês pessoas poderiam me enxergar? HELLO!? - dizia brava e ofendida.
— Ah desculpa, . É que... - Dean tentava se explicar.
— ...Você é um grosso. "É que..." é isso. - dizia convícta.
— Escuta aqui, baixinha! - Dean se aproximava de , olhando fixa e furiosamente para seus olhos.
— Escutar o quê? - dizia olhando levemente para cima, para alcançar os olhos de Dean. Até que os dois passaram à se encarar por segundos, mantendo a mesma expressão de nervosismo.
— Então, eu tô indo ali e já volto. - dizia enquanto saía pela porta.
— Escutar o quê, Dean? - dizia num tom mais lento, provocando-o, até que Dean numa atitude rápida e impulsiva, agarrou-a pela cintura e a beijou intensamente.

CAPÍTULO 015
— E nós acabamos nem indo visitar o Canyon, né. - dizia para Sam, no caminho de volta ao Hotel.
— É mesmo, mas amanhã a gente vai, não se preocupe. - Sam sorriu.
— O dia passou tão rápido...
— Quando nós estamos juntos o tempo voa. É realmente como dizem: quando a gente se diverte...
— ...O tempo passa rápido demais. - finalizou, sorrindo. - Acho melhor a gente ir mais rápido, o Dean deve estar roxo de fome. - riu.
— Eu acho que não. É melhor irmos mais rápido antes que ele comece à dar em cima das meninas, isso sim. - Sam riu.

Ao chegar na frente da porta do quarto, e Sam vêm sentada num balanço na varanda que havia ali mesmo, pensativa e com uma feição preocupada.

— O que tá fazendo aqui fora sozinha, ? - Sam perguntou.
— Ah, eu saí porque o Dean e a começaram à discutir e eu não quis ficar no meio. - sorriu. - Mas eu tô procupada...
— Quê foi? - perguntou.
— Eu não tô escutando mais eles, será que se mataram? - disse séria, arrancando risos de Sam e .
— Acredito que não, . - Sam disse.
— Bom, só entrando pra ver, né? Vamos que eu quero comer. - disse convícta.

Os três entraram, surpresos com a cena que viram. Dean e ainda se beijavam.

— Que cachaça é essa aqui? - disse surpresa, cruzando os braços. Ao vê-los, se afastou do beijo e deu um tapa na cara de Dean.
— Esse sem vergonha me agarrou. - Disse irritada, ou fingindo irritação.
— O quê? Eu não... Ah eu agarrei sim, mas bem que você gostou. - Dean disse convencido.
— Quem disse? - o provocava.
— Claro que gostou. Até eles chegarem você...
— Ahh cala a boca, Dean. - o interrompeu.
— Não me manda calar a boca, baixinha. - Dean disse irritado.
— Mando sim e, opa... JÁ MANDEI! - dizia. Sam, e apenas olhavam a discussão, dividindo a mesma expressão engraçada de surpresa, até que...
— AAAAAH, calem a boca vocês dois! - deu um grito pra chamar a atenção e pôr um ponto final naquela confusão.
— Dean, eu não disse pra você não dar em cima da irmã da ? Fala sério, cara. - Sam dizia bravo.
— Ah Sam, não enche o saco. - Dean dizia sem dar atenção ao irmão.
— E mais uma vez, eu estava certa, há. - apontava para e Dean.
— Sobre o quê, garota? - dizia ainda irritada.
— Eu disse que rolava um sentimento entre vocês dois briguentos, haha. - dizia brincalhona.
— Mas como assim "mais uma vez eu estava certa"? Qual foi a última vez que você acertou em alguma coisa? - dizia tirando sarro da amiga, rindo.
— Ué, você e o bonitão aí, amiguinha. - dizia arqueando as sombrancelhas, provocando a irmã mais velha.
— O quê? - disse surpresa. - Você tá louca?
— Tá sim, . Essa aí deve ter saído pra beber. - dizia.
— Ah larga de ser sonsa, . Ninguém aqui é tonto, tá? Tá na cara que você gosta dele. - dizia sem o menor pudor.
— É melhor prara por aqui, né gente? Vocês já estão falando demais e... - dizia até que foi interrompida.
— Já estão falando demais mesmo. É melhor falar pros dois garanhões aí calarem a boca de vocês com um BEIJÃO. - dizia rindo.
— Gente, será que podemos parar com essa discussão boba? - Sam dizia irritantemente calmo e sem graça com o comentário de .
— Cala a boca, Sammy. Briga de gostosas, cara. Senta e assiste. - Dean dizia empolgado.
— "Gostosas"? Respeito é bom, querido. Você poderia parar de tratar as mulheres como se fossem objetos sexuais, por favor? - dizia reprimindo Dean.
— Cala a boca, . Ele acha que nós somos gostosas. - Agora era quem reprimia a amiga.
, você não está cooperando muito hoje... - disse tentando ficar calma para não gritar com a amiga.
— AAAAAAAAAAAAAH! - gritou novamente tentando chamar a atenção, só que desta vez mais alto. Até que todos pararam de discutir e olharam para ela. - Vamos comer que o mal de vocês é fome.
— Até que enfim alguém que ainda usa o cérebro. Vamos? - Dean dizia empolgado para comer.
— Me chamou de burra? - dizia indo em direção à Dean, encarando-o, nervosa.
— Não, docinho. - disse pegando no queixo de . - Só quis dizer que a é mais esperta que nós. - sorriu. Logo depois levando um tapa na mão de , que o afastava.
— O que um pessoa não diz e faz pra comer logo. - disse indignada com a cena que vira.

Após pegarem seus lanches e se espalharem pelo quarto para comer, conversavam e combinavam o que fariam no dia seguinte.

— Mas nós temos que acordar bem cedinho, se não vai lotar lá. - dizia de boca cheia, sentada na escada frente à porta.
— Cedo que horas? - Dean dizia preocupado, queria dormir até mais tarde. Ele estava sentado na cadeira, com seus lanches em cima de uma mesinha.
— O que você acha, Sam? - pedia a opinião do amigo.
— Acho que às oito tá bom. Concordam? - Sam respondia. Este estava sentado num puff, no chão ao lado de .
— Pra mim tá ótimo. - dizia, sentada no sofá ao lado da amiga.
— Pra mim também. - concordava.
— Pra mim não. - e Dean disseram em uníssono.
— Então você dormem até um pouco mais tarde e nos encontramos lá depois. - dizia.
— Ah não! Eu ficar aqui sozinha com o tarado aí? De jeito nenhum. - dizia cruzando os braços.
— Fique à vontade pra ir, benzinho. - Dean dizia com um sorrisinho irritante no rosto. (N/A: E fofo *-*)
— Bem que você queria, né? Ok, vamos fazer isso sim. - concordava com a proposta de .
— E quem disse que eu concordei em ficar aqui com você? - Dean dizia.
— Fique à vontade pra ir, "benzinho". - o provocava.
— Tá, então vocês vão ficar. Legal, resolvido. - dizia, tentando evitar uma nova discussão.
— Certo... Que horas são? - perguntava.
— 20:30, por quê? - Sam respondia, após olhar no seu relógio de pulso.
— Por nada. Vou tomar um banho pra dormir. - sorria.
— Mas já? Vamos fazer alguma coisa, sei lá. - propunha.
— O quê, por exemplo? - dizia interessada.
— Sei lá... jogar alguma coisa? Assistir à um filme? Tá cedo pra dormir.
— Me sinto numa festa do pijama. - Dean dizia desinteressado.
— Se não quiser vá dormir, mal educado. - dizia em defesa da amiga.
— É o que eu vou fazer. Deixa e sair do banho que eu serei o próximo, depois "Buenas Noches".
— Ai como vocês são chatos. - dizia.
— Ah pára com isso, . Eu sou muito legal, só estou cansado. - Dean dizia convencido.
— Cansado de quê? De comer? - dizia provocando-o.
— Não. Cansado de ver sua cara. - Dean disse, virando as costas e saindo do quarto com seu celular em mãos.
— Não liga, . Ele é xarope assim mesmo. - Sam dizia indignado com as atitudes do irmão, ele nunca esteve tão... insuportável.

Do lado de fora do quarto, Dean ligava para Bobby.

— Alô. - Bobby atendeu.
— Fala, Bobby! Tem algum caso aí pra mim?
— Ãhn, oi, Dean. Que surpresa você ligando perguntando por um caso. Geralmente o Sam pesquisa pra você. O que acontece? - Bobby disse preocupado.
— Não aconteceu nada, Bob. É que eu tô de folga aqui no Canyon, mas não achei que seria tão chato. Tô entendiado, cara.
— Qual é, moleque. Não me enche o saco e vá descansar um pouco. - Bobby desligou o telefone na cara de Dean, que nem ligou pois já estava acostumado com as atitudes do velho amigo.

CAPÍTULO 016

Não passava das 6:30 da manhã e já estava em pé, andando pelo quarto nas pontas dos pés para não acordar ninguém. e dormiam nas duas camas, Sam dormia num colchão no chão, entre as duas camas das meninas, do lado de que havia dormido da mesma forma, só que num outro colchão. Já Dean, dormia no sofá cama, escutava-se até seus roncos. De fininho, pegou suas roupas na mala e trocou-se no banheiro e logo depois andou em direção à porta para sair, até que Sam que tinha um sono mais leve acordou, observando os passos da amiga. Devagar e silenciosamente, o Winchester mais novo se levantou e foi em direção a ela, com intenção de perguntar aonde ela iria.

— Bom dia, . - Sam disse segurando a amiga pela cintura com uma das mãos, enquanto que com a outra ele coçava os olhos, ainda sonolento.
— Ai meu Deus! Tá maluco, homem? - disse cochichando, após ter pulado de susto.
— Desculpa. - Sam disse rindo baixo. (N/A: Agora imaginem Jared Padalecki com carinha de sono, com os olhos mais fechadinhos que o normal, te agarrando pela cintura logo de manhã, que sonho!) Só queria saber aonde você vai tão cedo. Quer companhia? - então, lançou um olhar significativo, como de quem prefere ir sozinha, mas ficou sem graça em dizer. - Ah desculpa, não é da minha conta, né? Então eu vou voltar a dormir. - Sam riu sem graça e voltou em direção à cama.
— Não, Sam! Espera. - A garota puxou o amigo pelos braços, segurando-o. Ainda falava cochichando. - É que eu queria dar uma voltinha sozinha pra tirar umas fotos, aproveitar que ainda tá cedo e o lugar tá vazio, entende né? - Ela sorriu.
— Claro, .
— Eu adoro andar por aí com você e tagarelar, você sabe que eu adoro! Nem vem querer me deixar com remorso, tá? Com essa sua carinha de cachorrinho sem dono. - dizia cruzando os braços e sorrindo.
— Quem tá querendo te deixar com remorso? - Sam disse sério, logo depois fazendo uma carinha de cachorro pidão, propositalmente, arrancando uma risada abafada de . - Parei de te encher o saco. Vai lá , eu vou voltar a dormir. Toma cuidado. - Sam sorriu.
— Pode deixar, Sam. - sorriu em resposta.
— Não vai levar a bolsa? - Sam apontava para a poltrona, aonde se encontrava a bolsa.
— É... Não. A câmera tá dentro de outra bolsa no meu carro. - sorriu.
— Ah. - Sam sorriu e voltou para o colchão. apenas olhava para o amigo, com um olhar triste. Ela acabara de mentir para Sam, a bolsa que ela pegaria no porta-malas do carro era uma sacola com suas armas, não uma bolsa com sua câmera, como havia dito. estava ali para uma caçada e pretendia fazer tudo sozinha.

Aproveitando que ainda estava bem cedo e não havia ninguém por perto, invadiu o parque de visitas do Canyon e começou à investigar, procurar por aquela criatura que vinha caçando há tanto tempo, aquilo que matou sua família, ela estava a procura de vingança. Depois de tanto tempo sem pistas, finalmente Bobby conseguiu algo para alegrar a garota: possíveis rastros do demônio. De que era um demônio eles já tinham certeza, pois nada poderia ter feito algo mais cruel, mas como poderia ser tão difícil caçá-lo? O desgraçado era esperto, não havia como negar, mas dessa vez ele não escaparia, estava convicta de que o mataria e acabaria com toda aquela agonia de uma vez por todas, ali e agora.
As possíveis pistas que a levaram até ali estavam estampadas na capa de um jornal local: "Mais de 15 turistas desaparecidos em menos de uma semana no Canyon! Cinco corpos já foram encontrados e estão sob revisão para reconhecimento, pois de alguma forma parecem ter sido carbonizados. Causas ainda desconhecidas."
Não precisava de mais nada para a garota pegar a estrada rumo ao local, aquilo estava definitivamente cheirando a enxofre. Já passavam das 8:00 horas e nada do demônio, até que resolveu dar um tempo e voltar para o Hotel antes que dessem por falta dela. A garota havia percorrido todo o caminho que havia entre as gigantescas montanhas de pedra do lugar, mas nenhuma pista dos desaparecidos, nem uma trilha que levasse ao cativeiro. No caminho de volta algo a surpreendeu, uma sombra do que parecia ser qualquer criatura, menos um demônio, se movimentou rapidamente a sua volta, a derrubando. O desgraçado se movia muito rápido, era quase impossível acompanhá-lo com os olhos.
abria sua sacola numa tentativa de pegar uma arma, qualquer uma, mas a tentativa foi fracassada. A criatura deu um tapa na sacola jogando-a longe, e empurrou contra uma pilha de pedras, fazendo-a bater a cabeça e desmaiar.

CAPÍTULO 017
— Ué, cadê a ? - acabara de acordar e perguntava para Sam, que escovava os dentes.
— Ela saiu um pouco mais cedo pra tirar umas fotos, daqui a pouco ela chega. - Sam disse após cuspir.
— Ah tá. - dizia penteando os cabelos com os dedos e coçando os olhos sonolentos. - Acorda, ! - foi até a amiga e a chacoalhou.
— Ãhn? Pra quê? Sai fora, . Só mais cinco minutinhos e...
— Levanta logo, menina! - dizia após puxar os cobertores da amiga.
— Ai, menina! Tá bom, tá bom! Fazer o quê, né. - dizia irritada, com os olhos ainda pregados.

Sam já havia trocado de roupas e feito sua higiene matinal, agora ele olhava para seu relógio de pulso e preocupava-se com , ela já deveria ter chegado, já estava quase na hora de saírem para visitarem o Canyon, na verdade estavam até atrasados para irem no horário combinado. e haviam ido ao banheiro para se prepararem juntas, Dean ainda dormia e Sam sentou-se numa poltrona, tamborilando os dedos contra a perna, esperando por . Distraído e entediado, Sam resolveu acordar o irmão, até que avistou uma alça de máquina fotográfica saindo da bolsa de , que permanecia em cima da poltrona. Ele não hesitou em puxá-la, e quando o fez, um jornal também saiu da bolsa, com a notícia dos desaparecimentos estampados e com fatos mais relevantes ressaltados por um marcador. Após ver aquilo, Sam imediatamente acordou o irmão.

— Dean, Dean! Acorda, cara. - Sam o chacoalhava.
— Que é, Sammy? Me deixa dormir, pô. - Dean esquivava-se do irmão.
— A sumiu, ela tá caçando! Acorda logo, a gente tem que ir procurar por ela. - Sam agora falava mais baixo, mas ainda chacoalhava o irmão.
— O quê? - Dean levantou-se, ainda com os olhos fechados.
— Ela saiu de manhã e disse que iria tirar fotos, mas ela não levou a câmera e eu achei isso na bolsa dela. - Sam entregou o jornal para o irmão que estava sentado.
— E você deixou ela sair? - Dean disse reprimindo-o.
— Eu não tenho uma bola de cristal, Dean. - Sam disse irritado.
— Tá, tá. Vamos, então. - Dean disse bravo com uma feição irritada.
— Qual é, cara! Isso não é hora pra isso.
— Pra isso o quê, Sam? Eu não disse nada. - Dean disse sério.
— Eu não sabia da caçada dela, Dean! Será que dá pra você parar de ser otário? Você acha mesmo que se eu soubesse eu a deixaria sair? - Sam dizia alto, alterando a voz.
— Eu sei que não, Sam! É que eu já tô de saco cheio dessa viagem, é isso. E agora acontece isso? Sua amiguinha some de novo? Eu não tô aqui pra servir de babá, e ela não vai ter a gente por perto pra sempre, cara!
— Cala a boca, Dean! - Sam disse definitivamente alto, alterando-se cada vez mais. - Se você não quiser me ajudar, fique, eu vou com ou sem você.
— Eu sei, cara, escutar umas verdades às vezes dói, mas...
— Dean, acho melhor você calar a sua boca, ou eu vou... - Sam interropeu o irmão.
— Vai o quê? Você sabe que o que eu estou falando é verdade.
— Sim, eu sei. Ela é minha amiga e talvez você não saiba como é isso, porque nunca sequer cultivou uma amizade. Então Dean, enquanto eu estiver por perto, nada vai acontecer com ela, me entendeu? - Sam disse ainda alterado.
— Você se importa mesmo com ela, não? - Dean disse mais calmo.
— Sim. E se não te conhecesse melhor diria que você está com ciúmes. - Sam disse.
— Se liga, mermão. Baixa a tua bola. - Dean disse indo em direção à porta.
— Cara, eu sabia! Você tá com raiva, porque você queria estar caçando e a tá no caminho, não é isso? Você acha que ela tá me segurando? Fala sério, Dean!
— Apocalipse, Sam. Lembra-se desse pequeno detalhe? (A história se passa mais ou menos da 4ª pra 5ª temporada) - Dean disse agora alterando sua voz. - Nós temos um peixe maior pra pescar, cara! - Dean dizia indignado.
— Você não percebe mesmo o quão egoísta você é, não é!?
— E você não percebe o quão idiota está sendo? Sam, não entenda mau, eu vou te ajudar a procurar a e nós vamos encontrá-la, mas você tá se apegando demais à ela, cara! E você sabe o que sempre acontece depois... chegam as despedidas e é sempre um saco!
— Eu não sou uma criança, Dean! E você ser meu irmão mais velho não lhe dá direito de cuidar da minha vida. Eu sei que nós vamos embora depois e eu terei que lidar com a despedida, não sou burro.
— E não é só isso, cara. Você não percebe que nós só machucamos as pessoas que amamos? Você não quer isso pra e nem eu, Sammy.
— Eu sei disso, Dean. E é por isso que nós vamos embora semana que vem. Agora relaxa e curte essa folga, porra! - Sam disse quase gritando, até que as meninas saíram do banheiro distraídas, sem apresentar qualquer reação de que escutaram algo.
— E com elas, o que a gente vai fazer? - Dean falou cochichando para o irmão.
— Lá a gente resolve, agora vamos. - Sam dizia baixo, depois alterando a voz para o tom normal novamente. - Vamos meninas? - sorriu.
— Mas cadê a ? - perguntou.
— Ela vai nos encontrar lá. - Sam mentiu.
— Ah, ok. - sorriu em resposta.

Chegando lá...

— Então Dean, fica aqui com as meninas enquanto eu procuro a . Ela deve estar esperando a gente por aí. - Sam sorriu disfarçando.
— Tá Sammy, só não demora. - Dean dizia sério, odiando ter de ficar ali com as duas.
— Por que essa cara, Dean? - perguntava cruzando os braços.
— É a minha cara, não dá pra mudar. - Dean disse distraído, sem ao menos perceber que fora grosso.
— A educação parou aqui e ficou, né? - dizia séria.
— Quê? - Dean disse distraído.
— Oi? Você tá aqui com a gente? - agora balançava a mão frente ao rosto de Dean, na tentativa de chamar a atenção.
— Tô... tô sim. Estou pensando numas paradas aí, é isso. - Dean disse sério.
— Ah sim. - disse desconfiada.
— Tô com fome. - reclamava. - Vamos comer que horas?
— Depois que o Sam encontrar a , relaxa. - Dean dizia.
— Tomara que ele não demore então! - passava as mãos pela barriga.

CAPÍTULO 018

Já passava do meio-dia e Sam ainda não havia encontrado . Preocupado e pensando no que fazer, ligou para Dean que já chegara no limite de sua paciência.

— Alô! - Dean disse rabugento.
— Eu não encontrei ela em lugar nenhum, cara. - Sam dizia preocupado, passando as mãos pelos cabelos.
— Jura? Pensei que eu estivesse aqui bancanco a babá pra você namorar um pouquinho. - Dean dizia com sarcasmo.
— Cadê as meninas? Elas já perceberam alguma coisa?
— Elas foram comer um lanche por aí, mas já estão começando a ficar impacientes. A sua sorte é que elas pensam que você tá se agarrando com a por aí.
— O quê? - Sam disse assustado.
— É, cara. Elas só estão esperando ainda, porque acham que você tá pegando a . - Dean disse com indiferença.
— Fala sério, cara! Mas enfim, o que a gente vai fazer? - Sam dizia ignorando.
— Não sei. Só sei que eu cansei de ficar aqui sem fazer nada. Tô indo aí.
— Tá louco? E as meninas? O que vai fazer com elas?
— Vou levá-las pra fazer uma trilha pelo Canyon. Não foi pra isso que elas vieram, afinal?
— Claro que não! A gente não sabe com o que estamos lidando, Dean! Trazê-las pra cá é perigoso.
— Tchau, Sammy. - Dean desligou o telefone em resposta.

Enquanto isso, acordava em um lugar escuro, avistando apenas uma brecha de luz. Ela estava pendurada pelos pulsos, sentia-se fraca e impotente, tudo o que escutava era o barulho da água caindo em uma goteira. Até que do meio da escuridão, surge uma silhueta que aproximava-se lentamente.

— Olá, .
— Quem é você? Ou melhor, O QUE é você!? Como sabe o meu nome? - dizia com dificuldade e sem forças.
— Quantas perguntas... Mas creio que se você pensar um pouquinho eu não precisarei respondê-las. - Após um tempo sem obter respostas, a criatura insistiu. - Estou decepcionado, pensei que você pensasse um pouco mais rápido, . Te darei uma dica, então: Os corpos que sumiram já não existem mais, digamos que foram... cremados.
— Seu filho da puta! É claro que eu sei quem você é. O que você quer comigo? Por que você fez aquilo? - tirou forças de não se sabe onde para gritar.
— Uma pergunta de cada vez, querida. Assim eu me confundo. - Riu com desdém.
— Eu vou te matar, seu desgraçado! Me diz de uma vez, por que você fez aquilo com a minha família!? - gritava com dificuldade, enquanto o demônio se aproximava.
— Porque foi divertido. - Cochichou aos ouvidos de . Furiosa e tentando conter as lágrimas que vinham junto com o ódio, a garota virou rapidamente e deu uma cabeçada na criatura, na tentativa de fazê-lo desmaiar. Sem sucesso e ainda meio tonta, tentou soltar-se desesperadamente, mas o demônio que ainda cambaleava foi mais rápido, batendo com força na cabeça de com um pedaço de madeira, fazendo-a desmaiar novamente.

— A gente vai fazer a trilha sem eles mesmo? - perguntava.
— Pelo jeito sim né, . - dizia cruzando os braços.
— Ah , safadona. - dizia rindo.
, você não presta. - ria, enquanto Dean apenas caminhava, atento.
— Você não parece muito empolgado, Dean. - falava tentando chamar a atenção dele.
— O quê? Hum, eu estou apreciando a vista. - Respondeu sem muito interesse.
— Aqui é realmente lindo, muito melhor que nas fotos do Google. - dizia divertida.
— É sim, parece que as montanhas nunca acabam. - dizia apontando para o horizonte de pedras. Dean apenas ficava em silêncio, atento à qualquer grito de socorro ou à qualquer movimento.

— Oi, com licença, mas você viu uma garota por aqui... ela estava sozinha, é baixa... - Sam perguntava esperançoso.
— Desculpe, mas não. - um turista disse desinteressado.
— Erm, obrigado. - Sam sorriu torto.

"Cadê você, ... como uma pessoa tão pequena pode dar tanto trabalho!? Aonde você tá, cara..." - Sam pensava enquanto não obtinha nenhuma pista de onde sua amiga podia estar.

— Hey, Dean... o que tá acontecendo? - cochichava para não chamar a atenção de , que estava extasiada com a vista do lugar.
— Como assim? Estamos fazendo a trilha como combinado. - Dean mentia.
— Você acha que eu sou otária ou o quê?
— Quer mesmo que eu responda? - Dean brincava para disfarçar. apenas fez silêncio e lançou um olhar significativo.
— Não aconteceu nada, gatinha. Eu só estou pensando nuns lances aí, coisas pessoais, nada relacionado ao passeio... relaxa. - Dean sabia mesmo disfarçar... e aquele charme todo ajudava, e muito.
— Tá bem, então... - sorria. - Ei , olha um lagarto! - quando olhara para trás para cutucar a amiga, não a vira mais. - !? Dean, cadê ela?
— Ela tava bem atrás da gente... não pode ter ido muito longe! - estava cada vez mais difícil disfarçar, Dean sabia que estava em perigo.
— Como assim "não pode ter ido muito longe"!? Nós estamos no meio do nada! Dean, me conta AGORA o que tá acontecendo! O que você sabe que eu não!? - se desesperava.
— Ai, merda... - o estoque de desculpas esfarrapadas de Dean já estava se esvaziando. - Escuta, tá tudo bem, tá? Relaxa um pouco, garota! - Dean forçava um risinho, até que levara um tapa de .
— Para de mentir, tá legal? Eu não sou mais uma criança, Dean! O que tá acontecendo aqui!? - cruzara os braços e começara a tremer graças ao seu nervosismo.
— Tá, tá... Eu não sei ao certo o que tá acontecendo...mas eu acho que estamos lidando com outro psicopata. Só que esse é mais rápido e mais esperto, bem diferente daquele no seu colégio e...
— Puta que pariu! E por que diachos nós estamos passeando por aqui mesmo!? Você sabia disso antes de trazer a gente pra cá, seu maluco!? Você tem merda na sua cabecinha!? Ai meu Deus... - tentava se controlar, mas seu sangue estava subindo à cabeça, fervendo, queimando todas as veias no caminho.
— Eu sei, foi errado! Mas agora não é hora pra dramas... eu prometo que vou encontrar suas irmãs, ok?
— Como assim "minhas irmãs"? A ... ai meu Deus... ela... SUMIU TAMBÉM? Dean, eu vou matar você e o seu irmão, cara! - estava visivelmente descontrolada e nervosa.
— Puta merda... relaxa, você tem que respirar e se acalmar! Nós vamos encontrá-las, só... me ajuda, tá? - Dean tentava acalmar .
— Eu tenho outra escolha? - dizia mordendo os lábios de raiva.

CAPÍTULO 019

permanecia desacordada, enquanto o demônio levava para a cova também. A criatura a carregava nas costas, logo depois a deitou numa mesa, prendendo seus braços e pernas. Minutos depois de o demônio deixar o local, acordou. Sem entender o que acontecia e com medo, começou a gritar por socorro.

— AAAAAH, SOCORRO! ALGUÉM TÁ ME OUVINDO? SOCORROOOOOOO! - depois de alguns segundos, acordara com os gritos.
? É você? - tentava enxergar sua amiga dentro da escuridão, mas era impossível. Apenas ouvia-se o barulho da mesa balançando.
? Ai meu Deus, o que tá acontecendo agora? Onde a gente tá? Isso é um pesadelo, né?
— É um pesadelo sim... Só que bem real. Eu ainda não sei onde a gente tá, mas eu vou descobrir, tenha calma.
— "Tenha calma"? Tá maluca? Como eu vim parar aqui? AAAAAAAH, SOCORRO!
— Pára de gritar, menina! Vai irritá-lo ainda mais.
— Irritar quem? Outro psicopata? Ai, Deus, por que nós? HEIN?
— Pára de drama, ! Tenta se soltar aí e cala a boca.
— Parar de drama o cacete! Você tem noção do que tá acontecendo aqui? A gente pode morrer, sabia?
— Se você não calar a boca, vai morrer antes que perceba. Eu acho que estou conseguindo me soltar, espera.
— Tá. - segurava-se para não gritar. - ? Eu acho que...
— Calma, menina. Já estou quase lá, só me dá mais uns minutinhos...
— Não é isso, é que... - não queria deixar mais nervosa, mas uma sombra aproximava-se da entrada da caverna, estava do lado de fora. - Eu não queria te apressar nem nada, mas...
— O quê? Espera aí, meu. Estou quase lá. - estava distraída demais, tentando desfazer o nó, nem prestava muito atenção em .
— Vai logo, ! O cara tá chegando! - não conseguiu mais segurar o nervosismo e gritou as palavras.
— Só mais um nó... Vai, cacete! - desesperava-se. Até que, finalmente, desfez o último nó restante, pulando rapidamente em cima da criatura que se aproximava. Lutaram por alguns minutos e depois de muitos socos e chutes, caíram no chão e rolaram até a porta da caverna, onde havia uma sobra de luz. estava por baixo, a criatura conseguiu tomar controle sobre ela, mas graças à luz que iluminou seus rostos, algo inesperado aconteceu.
— Quem é você? - olhava desconfiada e confusa para o rapaz em cima dela.
— Eu sou o cara que veio te salvar. E... De nada. - o rapaz, que aparentava ter uns 20 anos, disse, logo depois se levantando e ajudando a garota a levantar também.
— Obrigado. Mas eu não costumo confiar em pessoas que eu não conheço. - sacou rapidamente uma faca de sua bota, apontando para o rosto do rapaz.
— Acalme-se, eu sou um caçador. Ou melhor, "acho" que sou... – disse, levantando as mãos à cabeça.
— Hello? Alguém tá lembrado de mim aqui? - dizia, chacoalhando-se. aproximou-se dela lentamente, ainda apontando a faca para o cara, logo depois soltando sua amiga rapidamente, cortando as tiras de couro que a prendiam.
— Como pode me provar que... - tentava ao máximo não revelar a caça para , mas estava ficando cada vez mais difícil. - Que você não é uma das criaturas que caçamos?
— Eu tenho um pouco de água benta... Talvez você queira jogar em mim. - o rapaz dizia, tirando a garrafa de seu bolso.
— Eu tenho cara de otária? Como eu posso saber se tá benzida mesmo?
— Olha, nós não temos tempo pra isso e...
— Você tem três segundos pra me provar que não é um demônio. - após soltar a palavra, percebeu o que acabara de falar e preocupou-se com .
— O verdadeiro demônio pode chegar a qualquer momento! Você quer morrer?
— Um... Dois...
— AHHH, dá pra vocês dois discutirem isso lá fora? - intrometeu-se e puxou pelos braços.
— Tá louca, menina? Me solta! - alterou-se.
— Ela tá certa, vamos sair desse buraco. - o rapaz disse, saindo logo em seguida.
— E as outras pessoas? Temos que tirá-las daqui! - tentava se soltar.
— Quais outras pessoas? Por que ninguém me fala o que tá acontecendo aqui? - soltou a amiga e falava com a voz alterada.
— A gente volta, mas primeiro temos que buscar ajuda. - o rapaz disse.
— Ótimo! - concordou.

Após saírem pela abertura da caverna, os três perceberam onde se encontravam. Estavam no ponto mais alto de uma das montanhas e teriam que escalar até a trilha, a mais ou menos uns 7 metros abaixo, mas algo os surpreendeu. O demônio voltou e estava logo acima de suas cabeças, numa outra entrada, provavelmente onde estavam as outras pessoas desaparecidas. O rapaz e deram um passo para trás e entraram novamente, mas se desequilibrou com o susto que levou e caiu, rolando assim, pedras abaixo. O rapaz não pensou duas vezes antes de escalar até e salvá-la. ficou e tentou distrair o demônio, mas se distraiu ao ver que a criatura na qual ela lidava não era um demônio e sim outra criatura já conhecida... Um Wendigo. Confusa e tentando processar informações na sua cabeça, foi surpreendida por um soco que a derrubou.

— Leva ela daqui! Eu me viro. - gritou para o rapaz com as últimas forças que lhe restavam.
— Toma cuidado, eu volto pra te pegar! - o rapaz disse, já lá embaixo, pegando no colo e a levando para fora dali.

Sem forças e arrastando-se, tentava achar qualquer arma para acabar com aquele monstro, mas ele era rápido e forte demais.

— Muito esperto. Possuir um Wendigo... Não pensei que vocês, demônios, tivessem a capacidade de pensar em algo tão inteligente.
— Pois temos. Somos muito criativos quando se trata de diversão, quando se trata de matar vocês, humanos idiotas. - riu. - Com tanta agilidade e força, fica bem mais fácil capturá-los...
— Percebi. - cuspia o sangue que escorria de seus lábios cortados. - Onde estão as pessoas desaparecidas?
— No quarto acima. - riu. - Mas não creio que vá achar muitos corações batendo. - gargalhou com acidez.
— Você me dá nojo. - encostou numa parede e levou as mãos ao ombro, onde concentrava-se a dor.
— Eu sei. - a criatura aproximava-se.
— Fica longe de mim, seu desgraçado.
— E perder a chance de matar mais uma ? Nunca! - gargalhou com desdém.
— Você vai morrer, seu filho da puta, eu juro!
— Já ouvi isso algumas vezes hoje, queridinha. Mas não estou enxergando quaisquer ações vindas de você. Pudera, você está meio... Ferrada. Dê adeus a esse mundo, . - a criatura levantou as mãos, segurando um pedaço de madeira afiado em direção à , mas, antes que pudesse agir, foi surpreendido por uma voz conhecida.
— Ei! Que tal se VOCÊ desse adeus? - Sam atirou no Wendigo com um sinalizador, que o fez queimar e explodir por dentro. Logo depois de atirar, Sam correu em direção à e a abraçou, protegendo-a.
— Sam... - estava surpresa, mas não conseguia demonstrar qualquer reação, estava fraca e prestes a desmaiar.
— Shh, . Vamos sair daqui. - Sam a pegou e a carregou nos braços até a saída, logo depois a ajeitou nas costas e desceu em direção à trilha.

CAPÍTULO 020

Após toda a confusão, todos voltaram para os chalés e Sam ligou anonimamente para a polícia para informar-lhes o local que se encontravam os corpos das pessoas desaparecidas. Apesar de finalmente ter dado fim à perseguição ao demônio, agora obtinha problemas maiores: explicar tudo para sua irmãs. A verdade finalmente viria à tona.

— Estamos esperando uma explicação, ! - gritava.
— E não minta, por favor! Eu escutei tudo lá, você disse coisas MUITO esquisitas! - também gritava.
— Acho melhor a gente ir lá pra fora e... - Dean dizia para Sam, até o interromper.
— Você fica quietinho aí! Seu... estranho! Todos vocês vão explicar direitinho o que tá acontecendo e o que vocês fazem! - dizia descontrolada.
— Tá, ! - dizia derrotada. Após alguns segundos em silêncio, tomou coragem e disse a verdade. - Somos... caçadores. - Todos permaneceram em silêncio, e estavam confusas, Dean e Sam apenas olhavam lamentando. - Caçamos criaturas que você nem imaginam que existem... coisas que vocês só viam em filmes de terror e... desenhos animados.
— Estamos escutando... - dizia séria, tentando acreditar.
— Nossos pais não morreram no incêndio... eles foram assassinados por demônios. Um demônio só, na verdade, aquele que o Sam matou hoje. Foi ele quem seqüestrou todas aquelas pessoas e as matou, assim como fez com a nossa família.
— Cala a boca, ! Eu não tô acreditando no que eu estou ouvindo... você prefere inventar tudo isso do que nos falar a verdade!? - andava de um lado pro outro, estava claramente perturbada. Recusava-se à acreditar naquilo.
... eu acho que ela não tá mentindo. - dizia assustada.
— Você também pirou, !? - ia em direção à amiga.
— Ela não está mentindo, . - Dean se intrometeu. - Um demônio levou nossos pais também. Tudo isso infelizmente é real.
— Sinto dizer que é verdade, . - Sam disse.
— Olha... eu vou embora daqui e espero que nenhum de vocês me siga. Malucos. - pegou sua mala e andou em direção à porta.
— Pra onde você vai!? - perguntou.
— Não sei, mas aqui eu não fico mais. Você vem ou não, ?
— Não. Eu preciso saber mais sobre isso... sobre a... caça ou o que seja. Isso é importante, . Fica!
— Até você, cara!? Sinto muito, , mas eu vou embora.
... - tentava convencer a amiga.
— Tchau, . Eu tô indo pra casa, caso vocês fiquem desesperadas. - disse, saindo logo em seguida.
— Ah qual é, . - tentara levantar, mas a dor no ombro a impediu, fazendo-a sentar novamente no sofá. foi atrás da amiga.
— Fica quieta aí, . Seu ombro deve ter saído do lugar.
— Não me manda ficar quieta. O que restou da minha família tá se afastando de mim aos poucos, Sam! Tudo o que eu mais temia aconteceu e agora tudo fugiu do meu controle... - passava a mão pelo rosto, angustiada.
— Só dá um tempo pra ela se acalmar... Ela vai entender. - Sam tentava acalmar a amiga.
— Tomara que você esteja certo.
— Dean, é melhor você ir atrás das meninas, elas estão muito nervosas.
— Ah não, Sam. Tô legal de tapas por hoje. - Dean cruzou os braços e fez uma cara engraçada.
— Vai logo, cara! - Sam disse sério e riu depois que o irmão saiu do quarto.

— Pra que lado a foi? - Dean perguntara para que estava sentada num banco do lado de fora do quarto.
— Deixa, Dean. Ela precisa pensar um pouco, sozinha. Ela vai ficar bem. - sorriu.
— Você tá bem? - Dean perguntou preocupado.
— Estranhamente... sim. Acho que a verdade me fez bem. Bem melhor do que viver numa rede de mentiras, sei lá.
— Isso é... então, eu vou ali comer alguma coisa... quer ir junto? - Dean sorriu.
— Não, obrigado. É estranho, mas eu não tô com fome. - forçou um sorriso.
— Ok. Se cuida. - Dean sorriu simpático.
— Pode deixar. - sorriu torto.

Após alguns minutos sozinha, se levantou e ia em direção à porta, até que o rapaz que a salvou mais cedo, apareceu.

— Oi. - disse ele simpaticamente.
— Oi! Eu pensei que você tivesse ido embora e...
— Não, eu fui tomar uma cerveja e só voltei pra ver se está tudo bem com vocês. - sorriu.
— Ah, é muito gentil da sua parte. Estamos bem... quer dizer... é. - disse um pouco confusa.
— Ótimo. - sorriu amigavelmente. - A propósito... meu nome é Tommy. (Ele aparece no episódio "Wendigo" 1x02, é um personagem real, ok?)
— O meu é . - sorriu simpática e o cumprimentou com um aperto de mãos. - Você também é um... caçador, né?
— Não sei se posso ser chamado de caçador ainda. - sorriu.
— Por quê? - perguntou confusa.
— Ainda não cacei nenhuma criatura... estou aprendendo mais sobre esse novo mundo. É tudo muito estranho ainda.
— Nem me fale... Mas porque diabos você quer fazer parte disso!? Eu não entendo... - disse sentando-se no banco novamente.
— Já fiquei de cara com a morte uma vez e os Winchesters me salvaram. Só quero saber mais sobre a caça, quero aprender à me defender... defender minha família. - Tommy disse olhando fixamente para o céu estrelado, caminhando até a parede do lado de , encostando.
— Isso é... lindo. Mas o que sua família pensa sobre isso!? O que disseram quando você saiu de casa?
— Minha irmã quase me acorrentou no pé da cama... - riu. - Mas logo aceitou quando eu expliquei melhor as coisas.
— Entendo. Mas não acha que deixando-os sozinhos, não será mais perigoso?
— Não, não... já combinamos de manter contato todos os dias, três vezes ao dia, pelo menos. Com telefonemas e vídeos... assim como fiz uma vez ao acampar com meus amigos. Todas as noites eu gravava e mandava um vídeo pra ela, avisando que eu estava bem e que ela não precisava se preocupar. - sorriu.
— Hum... Você tá aprendendo tudo sozinho? Tipo, sobre as criaturas e de como matá-las? Nossa, essa é a coisa mais estranha que eu já falei... por enquanto.
— Realmente essa é uma conversa... perturbadora. Quando eles me explicaram eu fiquei meio, tipo que... sei lá. Foi bem tenso. - riu. - Mas você se acostuma. Então, eu estava pensando em passar um tempo com os Winchester, se eles concordarem, pra me ensinarem pelo menos o básico da coisa. - sorriu.
— Você acha que eles concordarão? - sorriu.
— Eu realmente não sei... mas espero que sim! - disse confiante.
— Boa sorte. - disse sorrindo.
— Obrigado. - Tommy sorriu, logo depois direcionando seu olhar para o rosto da garota, que permanecia sentada olhando fixamente para sua frente. Ela nem percebia que o rapaz a encarava.
— Quer falar com eles agora? Eu já vou entrar. - sorriu, agora olhava para o rapaz, que ficou sem-graça ao perceber que a encarava.
— Ãhn... não. Já está tarde, amanhã eu falo. - sorriu. - Preciso ir. Boa noite, . - disse, logo em seguida piscando para a garota.
— Boa noite, Tom. - a garota sorriu, mas não entrou como dito, ficou sentada ali por mais alguns minutos, apenas olhando para o céu, tentando aceitar todas as informações que recebera naquela tarde.

— Você o quê!? - disse arregalando os olhos.
— Eu preciso colocar seu ombro no lugar. Larga de ser mulherzinha e fica quietinha... - Sam sorriu se aproximando da garota.
— Não! Sai fora, Sam! - se distanciava com dificuldade, estava toda dolorida.
, eu preciso cuidar de você. Vai ser rápido, que nem tirar band-aid. - sorriu tentando convencê-la.
— Mas Sam... ai pelo amor de Deus. Faz logo, então! - dizia sentada, apertando os olhos fechados.
— No três. Um... dois... - antes que chegasse no três, Sam colocou o ombro da amiga no lugar, logo depois sentou ao seu lado, verificando se a mesma estava bem.
— PUTA MERDA! - gritou descontrolada, logo depois abaixando a cabeça na altura da barriga, apertando os olhos com a dor.
— Melhorou? - Sam disse tentando olhar no rosto da amiga, que permanecia abaixada.
— Acho que sim. - disse levantando-se. - Obrigado, Sam. De novo... - sorriu.
— O que você seria sem mim... eu me pergunto. - sorriu convencido.
— Uma pessoa morta. - sorriu com os olhos. Encarou Sam por alguns segundos, que retribuiu.
— Você tem que me prometer uma coisa, . - Sam disse sério, ainda a encarando.
— Fale.
— Não se meta em mais confusões. O Dean me disse algo hoje que me fez pensar... e se você estiver em perigo e eu não estiver lá pra te ajudar? Você pode morrer, e eu morreria se isso acontecesse. - disse desviando o olhar da garota, agora olhava para o chão.
— Tá se achando o herói já, né? - riu. - Escuta, Sam... - levou a mão ao queixo do rapaz, virando-o em sua direção. - Você me salvou pela última vez hoje, sabe por quê? Você matou o desgraçado que eu procurava à muito tempo... a única razão pela qual eu caçava. Eu não tenho mais motivos pra continuar com isso, então, relaxa. - sorriu, olhando Sam nos olhos.
— Você quer dizer que... aquele demônio...
— ...Matou minha família e acabou com a minha vida. Sim.
— Nossa... - Sam encostou pensativo no sofá, não acreditando que matou o demônio desgraçado que por anos atormentou a amiga.
— Brigada, Sam. DE NOVO. - riu, logo depois abraçando-o.
— Fico feliz por ter feito isso por você, . - disse afastando do abraço, agora a encarava. Os rostos estavam próximos, os olhares se encontraram, até que num ato impulsivo, Sam a beijou.

CAPÍTULO 021

retribuia o beijo e ambos tentavam abolir todo e qualquer espaço que havia entre eles. Sam percorria suas mãos pela cintura e pernas do corpo à sua frente, e percorria as suas pelas costas do rapaz. O sofá parecia muito pequeno naquele ponto, os dois então se levantaram sem selar o beijo e andaram em direção aos colchões. Tropeçaram em alguns móveis e objetos no caminho e finalmente alcançaram os colchões que se encontravam entre as duas camas de solteiro, no chão.

— Espera. – Sam partiu o beijo. afastou-se assustada. – Você tem certeza disso, ? – disse ofegante.
sorriu e aproximou-se novamente, olhando-o fixamente nos olhos. Acariciou a nuca de Sam e disse num tom baixo e suave.
— Absoluta. – Sam sorriu e beijou-a novamente.

ainda encarava o nada e permanecia pensativa, até que Dean chegou e a tirou do pequeno transe.

— E aí, . Tá aí desde quando eu saí? – Dean perguntou, sentando-se ao seu lado.
— É... – disse sem qualquer emoção. – Dean permaneceu em silêncio, não tinha a agilidade de dar bons conselhos como seu irmão.
— Vai ficar tudo bem. – disse encarando sua frente, como fazia.
— Mesmo? – perguntou esperançosa, mas ainda sem demonstrar qualquer anseio.
— ...Não. – disse tentando ser sincero, mas sem querer magoá-la. lançou-lhe um olhar triste. – Olha , eu tô nessa vida há algum tempo e tudo que a caça fez com a minha família foi destruí-la, pouco a pouco. Não quero mentir pra você, quero que você saiba da verdade antes que a realidade te machuque ainda mais. – disse num tom abatido, com as mãos juntas e seus dedos entrelaçados, apenas encarando o chão.
— Obrigado. – disse após algum tempo. Dean sorriu fraco em resposta.
— Vamos entrar? Tá um gelo aqui fora.
— Claro.

e Sam beijavam-se intensamente e ambos, ajoelhados frente a frente, já despiam um ao outro. Até que foram surpreendidos por e Dean.

— Ai, meu Deus. – gritou e escondeu-se atrás de Dean, que também assustou-se com a cena.
— Dean!
! – e Sam disseram ao mesmo tempo.
— Opa, foi mal maninho. Já estamos de saída, viu?
— Sai logo, Dean! – Sam disse irritado, enquanto cobria-se com o lençol e escondia-se atrás de Sam.
— Já tô indo... Mas da próxima vez a gente devia colocar um aviso na porta, igual fazem na faculdade, tá ligado? Tipo: “Não entra não, hoje dei sorte!”. – disse não resistindo à chance de fazer uma piadinha. Saiu gargalhando, graças à que puxava-o pela camisa.
— Dean! – e Sam gritaram em uníssono. Logo após Dean fechar a porta, os dois começaram a rir, ainda sentados nos colchões.
ainda estava atrás dele, só que agora apoiava sua cabeça em um de seus ombros e suas mãos entrelaçavam-se em sua cintura. Sam segurava as mãos da garota, acariciando-as. Até que as levantou e as beijou carinhosamente. Ambos sorriram.
— Sam... – soltou num tom baixo e levemente abatido.
— Hum. – gemeu em resposta, virando-se para ela.
— Não acha que... Não sei... É meio estranho nós estarmos aqui, depois de tudo o que aconteceu hoje? Eu tô me sentindo...
— Não se sinta culpada, . – Sam beijou sua testa e segurou suas mãos. – Suas irmãs vão ficar bem, eu prometo. – sorriu.
— Você não quer que eu acredite que é nisso que você acredita, não é? – disse preocupada.
— Sim eu quero, porque é a verdade. – sorriu. abraçou-o.
— Vamos sair pra comer alguma coisa? Tô morrendo de fome.
— Que exagero. – Sam riu. – Vamos.
Após vestirem-se, saíram e encontraram Dean e sentados, conversando.
— Podem entrar se quiserem. – riu.
— Já terminaram? – Dean tirou sarro.
— Nossa, que rápido. – não perdeu a oportunidade.
— Calem a boca. – disse e Sam riu.
— Nós estamos indo comer alguma coisa. Querem ir?
— Não, já comi. Valeu.
— E eu não estou com fome.
, tá passando mal? – brincou com a amiga.
— Não. – riu. – Só perdi meu apetitte pelas próximas dez semanas. – Sam, Dean e entreolharam-se preocupados, pois sabiam o motivo daquilo.
— Não se preocupem, amanhã ela acorda querendo tomar um café bem caprichado. – brincou . – Vamos?
— Vamos. – Sam sorriu.

No caminho de volta...

— Aonde será que a tá, Sam? Eu acho que eu vou atrás dela e...
— Acho melhor não, .
— E é por isso que eu não gosto de comunicar as pessoas sobre o que eu vou fazer.
— Fazer isso não funcionou muito bem da última vez.
— O quê? - disse com a voz levemente alterada. Sam não percebeu.
— Wendigo possuído te lembra alguma coisa? – Sam tentou brincar, mas já tinha levado a sério o comentário.
— Eu não acredito no que eu to escutando.
, você sabe que é brincadeira, não é? – Sam disse preocupado, após parar de andar e segurar pelas mãos.
— Não, eu não sei, Sam. Me larga. – disse soltando-se. Andou mais alguns passos e logo parou, olhou para Sam que permanecia parado sem reação. – Você não me conhece, Sam.
, eu não quis te ofender e... – virou as costas e continuou andando. – , espera! – Sam disse irritado, correu e a segurou pelo braço. – Eu não vou ficar me desculpando por algo que eu nem fiz de errado. O que você quer que eu faça ou diga pra você se sentir melhor? Eu sei que tá difícil, mas eu não vou me ajoelhar aos seus pés e... – Enquanto Sam se alterava e aumentava a voz, o escutava pasmada. Seus olhos encheram-se de lágrimas, ela nunca havia visto Sam daquele jeito.
— Você é um otário. – tentou virar as costas novamente e entrar no quarto, mas Sam chamou sua atenção, quase gritando.
— Não vira as costas pra mim, !
— Não enche, Sam! Você já falou demais por uma noite, não acha?
— Pelo jeito você não gosta de escutar a verdade, não é? – Sam aproximou-se de e só parou quando estava a centímetros dela, com os braços estendidos para os lados, na tentativa de obter alguma resposta. Dean que escutara tudo do lado de dentro do quarto, saiu ao ouvir como seu irmão estava alterado.
— Chega, Sammy. – Dean puxou Sam pelos braços ao ver o quão próximo ele estava de .
— Sai fora, Dean! – Sam gritou alterado. – Eu não preciso da sua ajuda!
— Ah você precisa sim, maninho.
, entra. – chamava da porta.
— Entra , não se intrometa. – tentava manter a calma.
— É, por que vocês dois não entram!? Nós ainda não terminamos nossa conversa.
— Não, Sam, vem antes que você se descontrole e...
— “E” o que, Dean? O que o Sam faria se se descontrolasse? – provocava. – Sam apenas a encarou. Ficaram em silêncio por alguns segundos. Até que voltou ao assunto mais uma vez, antes que Dean puxasse Sam para dentro do Impala, como ele havia tentado. – Mas me responda Sam. Por que você tá tão alteradinho, mesmo!? Eu ainda não entendi. – apenas encarava-o e ele fazia o mesmo. – Resolveu ficar em silêncio agora!? – quase gritou. Sam pegou as chaves do Impala do bolso de Dean e saiu com o carro, cantando pneus, antes mesmo que alguém pudesse impedí-lo.
— Sam! Ai meu carro! – Dean gritava alterado. então correu até seu Camaro e resolveu ir atrás de Sam.
! – gritou. Dean e ela ficaram apenas observando, de braços literalmente cruzados, pois não havia nada que pudessem fazer naquele ponto.

conseguiu alcançar Sam que dirigia o Impala em alta velocidade pela estrada. Ao vê-la, Sam acelerou, mas não saía de perto do Impala. Buzinando e tentando fazê-lo parar, já estava ficando preocupada com aquela “perseguição” em alta velocidade.

— Encosta, Sam! – gritou ao conseguir colocar o Camaro ao lado do Impala, até que os dois foram surpreendidos por um caminhão que havia surgido na curva. freou e voltou para a sua pista, mas perdeu o controle, deslizou para o gramado e raspou toda a lateral do carro numa árvore violentamente. Sam tomou o controle do veículo novamente após também deslizar na grama.

Ambos permaneceram nos carros por alguns segundos, até que seus batimentos cardíacos os deixassem retomar qualquer movimento. estava paralisada, sem reação. Sam, diferentemente, saiu do carro e imediatamente correu até o Camaro, o mais rápido possível, para ver se estava bem.

!? – disse após fazer um esforço para abrir a porta amassada do carro. – , você tá bem!? – não reagia, apenas encarava o pára-brisa rachado. Sam tentava livrá-la do cinto de segurança, ao mesmo tempo em que checava se estava tudo bem com ela. – !
— Sam... – sussurrou.
, nós temos que ir para um Hospital e...
— Não. – ela permanecia parada, olhando fixamente para frente. Até que após alguns segundos saiu do transe e passou a encarar Sam, que permanecia preocupado.
— Você se arranhou, bateu a cabeça ou alguma parte do corpo!? – Sam verificava. Sem resposta, ele apenas a encarou de volta, apreensivo.
— ...Desculpa. – soltou num tom baixo.
...
— Não Sam, deixa eu falar. Não é sempre que eu to disposta a me desculpar. – Sam a tirou do carro pelos braços e a escutava com atenção. – Eu... Mais cedo eu me alterei porque...
— Eu sei por que, . Eu que devo me desculpar pela brincadeira que fiz. Muito cedo, não acha? E também pelo modo que agi. – sorriu, tentando fazê-la sorrir de volta. Não obteve sucesso.
— Eu nunca havia visto você daquele jeito, Sam.
— Eu sei, acho que eu me alterei um pouco demais. Me desculpa, .
— Não foi nada Sam, é que...
— O quê?

por um segundo sentiu uma sensação estranha, como se algo estivesse errado. Ela podia jurar que já havia visto aquela cena, que tudo aquilo já havia acontecido. Aquela sensação de dejávu tomou conta dela por inteiro. Sam a observou preocupado.

? O que foi?

se afastou num impulso e encarou Sam.

— O que tá acontecendo? – disse desconfiada, distanciando-se.

CAPÍTULO 022

Obs.: Recomendo assistir ao episódio 20, "Apenas um Sonho", da segunda temporada, para aqueles que ainda não viram. Mesmo aqueles que já assistiram, deem uma refrescada na memória antes de ler esse capítulo, vocês entenderão melhor!

— O quê? , você tá me assustando...
— Não, Sam, você tá me assustando. Isso tá me assustando.
, o quê...
— Nós matamos o demônio que eu caçava há anos, eu estou viajando com minhas irmãs e por coincidência encontrei você e... E aí você me salvou e nós estávamos juntos, nós estamos juntos... Eu já vi isso acontecer... – distanciava-se rápido, a cada palavra que dizia.
, eu não to entendendo. O que você está dizendo? Seus pais não estão mortos. – lançou um olhar assustado para Sam, que permanecia preocupado. – Vamos voltar, sim? Nós precisamos voltar, Dean e estão nos esperando.
— Não! – gritou. – Meus pais estão mortos, tá ouvindo!? Mortos! Que diabos tá acontecendo aqui, droga!? – alterava-se.
... – Sam permaneceu parado, com uma feição mais tranquila. Dean, Tommy, , e seus pais surgiram de trás das árvores e passaram a encarar , que havia entendido tudo.
— Tudo isso...
— Foi apenas um sonho, . Mas você não precisa acordar, ok? Você pode viver a vida que você sempre quis, aqui conosco, pra sempre. – Sam aproximava-se, levando as mãos ao queixo da garota.
, será como se nada tivesse acontecido. Nós estaremos aqui com você. – seus pais aproximavam-se, de mãos dadas, tentando convencer a filha. – Nós te amamos, querida. – eles possuíam compaixão nos olhos. A saudade desceu a seco a garganta de , rasgando todo o caminho, fazendo-a sufocar. Lágrimas escorriam pelo seu rosto pálido.
, apesar das discussões e brigas, nós seremos felizes. Eu cuidarei da como puder. – Dean afirmava, sorrindo ao segurar pela cintura. A mesma apenas concordava com a cabeça.
— E eu cuidarei de , não duvide disso. – Tommy segurava as mãos da garota, que também concordava com um sorriso no rosto. encarava a cena aterrorizada, sem saber o que dizer ou fazer, apenas dando pequenos passos para trás, tropeçando algumas vezes nas pedras no caminho. Sam aproximou-se mais uma vez e a beijou carinhosamente.
— Nós ficaremos bem, . Eu prometo. – , num ato rápido e impensado, puxou sua arma de sua jaqueta e atirou em seu peito. – Eu prometo... – As palavras de Sam foram as últimas que escutara.
, acorda! !?

abria os olhos vagarosamente e piscava com força para enxergar. Suas mãos permaneciam presas e seus braços amarrados por uma corrente numa pedra ao alto, o que a deixava suspensa. Ela mal conseguia se mexer ou falar, apenas grunhia na tentativa de dizer algo.

— Eu vou tirar você daqui, ! Eu prometo. Eu prometo! - Sam dizia, tentando soltá-la.

Ao ouvir aquelas palavras, seus olhos fecharam-se e apagou novamente. Algumas horas depois, acordou sozinha numa cama, num quarto de hospital. Ela estava fraca, mal conseguia mover-se. Tentando entender o que havia acontecido e qual fora a última coisa que fizera antes dali, surpreendeu-se com Sam, que entrava com dois copos de café em mãos.

! – Sam deixou os copos numa mesa e andou com pressa até . Curvou-se em direção a ela e observou-a com alívio. – Eu não acredito que... Você... – permaneceu em silêncio, com uma feição assustada. - ... – Sam observou-a desconfiado. Ela parecia aborrecida, quer dizer, além de tudo que tivera acontecido com elas nos últimos dias.
— O que aconteceu? – disse entre pequenas crises de tosse.
, você realmente não se lembra de nada?

Ao ouvir aquelas palavras, lembrou-se num flashback de tudo que havia acontecido... Ou melhor, sonhado.

— Não. Eu não me lembro. – desviou seu olhar, após decidir mentir para Sam. Mas sobre algo, ela não mentira: realmente não se lembrava do que havia acontecido antes do grande “sonho”.
, o jinn. – Sam disse preocupado.
Jinn? – não pôde esconder a decepção em seu olhar. Sam notou, mas optou por ignorar aquilo, afinal, ela havia passado por muito naqueles últimos dias.
— Você realmente não se lembra de nada? - negou com a cabeça. Sam surpreendeu-se, passando as mãos pelos cabelos. – , você foi pega por um jinn enquanto andava sozinha pelo Canyon. Ele te prendeu durante um dia inteiro, até que eu te achei. Vim o mais rápido que pude pra cá e achei essa caverna perto da trilha que pedi pra que você me esperasse. Lembra-se? Eu te liguei, nós iríamos nos encontrar. – ficou parada, forçando sua mente para lembrar-se. Tudo o que acontecera naqueles últimos dias parecia ter sido apagado de sua memória. - Eu te trouxe para cá, você estava fraca e eu achei que fosse te perder, . Você estava descordada há quase três dias.
— O quê? – sussurrou para si mesma, tentando processar as informações. Ainda estava muito fraca e impossibilitada de reagir de qualquer forma.
? – Sam apenas a encarava. Ela permaneceu em silêncio, até que uma mancha escura tomou conta de sua visão. A garota desmaiara e seus aparelhos começaram a emitir um som alto e contínuo, indicando que seus sinais vitais estavam parando. – !

Após gritar por algum médico, Sam foi direcionado para fora da sala, pois passaria pela desfibrilação, o tratamento feito para a reestabilização de seus batimentos cardíacos. Tenso e com lágrimas em seus olhos, Sam apenas esperava do lado de fora, torcendo para que sua amiga fosse forte o bastante para superar aquilo. Tudo o que vinha a sua mente foi a cena de seu pai, já morto, numa cama de Hospital. Sam não aguentaria mais uma morte de alguém que ele amava. Por sorte, aqueles pensamentos não passaram daquilo, já que conseguira voltar.

— Ela ainda está muito fraca, mas seu estado está estável. Paradas cardíacas no estado em que ela se encontra são possíveis, mas não sei se ela resistiria à outra. Ela tem sorte. – um médico saiu da sala segurando uma prancheta.
— Obrigado. – Sam sorriu fraco e sentou-se do lado da cama de . – , você precisa voltar.
— E aí, cara, como ela tá? – Dean adentrou o quarto, preocupado não só com , mas também com seu irmão.
— Estável. – Sam permanecia encarando , com uma feição preocupada e triste no rosto. – Depois que ela acordar... – pausou entre as palavras, pois sabia que aquilo era apenas uma possibilidade. - ...Nós vamos embora, Dean.
— É, eu sei, Sam. Nós sempre vamos, não é? – disse sem compreender as verdadeiras intenções de Sam.
— Não, você não entendeu. Nós vamos embora e eu vou sair da vida da , pra sempre. – Dean lançou um olhar preocupado para o irmão.
— Sam, não precisa ser assim, cara. Vocês...
— Não, Dean! Você não entende!? Não existe “vocês”, não quando se trata de mim e mais alguém. As pessoas se machucam ao se aproximar da gente, Dean! – Sam gritou. – estava a passeio com as irmãs e eu liguei pra ela. Pedi pra que nós pudéssemos nos encontrar e olha o que aconteceu!
— Sam...
— Nós... – Sam tentava se acalmar. – Vamos apenas esperar ela acordar. – Sam deixou uma lágrima escorrer pelo seu rosto.

Continua...


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