
História por J.Stonem | Revisão por Gabriella
- Agonia, do grego agonia = luta (contra a morte), é o conjunto de fenômenos que anunciam a morte.
Prólogo:
“Sentir-se usada e com medo, ao mesmo tempo, é uma das piores coisas do mundo. E eu nunca imaginei que fosse me sentir assim alguma vez. Eu havia ligado os pontos
e percebi que agora eu sabia de mais. E ele sabia disso.”
Capítulo 1 - Pretty Handsome Awkward
“Your dream vacation is my hostage refuge, a work in progress, you bleed just like you puke while running a mile”
The Used - ‘Pretty Handsome Awkward’
Estacionei o carro em frente à casa na Cherry St. Eu estava de mudança para New Castle, Delaware, com minha melhor amiga. Ela chegaria dali alguns dias.
Desci do carro e contemplei a bela casa que nós tínhamos comprado. Era exageradamente grande para nós duas, mas tinha sido um bom investimento e eu realmente
gostaria de morar ali. Abri o porta malas do carro e comecei a descer minhas malas.
Alguns moradores me observavam de suas casas, mas ninguém se propôs a me ajudar. Andei pelo caminho de pedras até a porta de casa e depositei as minhas malas no
chão, procurando pela chave da porta.
- Nova por aqui? - um homem, mais ou menos da minha idade, perguntou aproximando-se.
- Tão óbvio assim? - falei sorrindo.
- Acho que foram as malas que te entregaram. Sou .
- . Muito prazer. Mas pode chamar apenas de .
- Quer ajuda com isso tudo? - ele apontou para o resto das malas no banco de trás do carro.
- Seria muito bom. Aqui, é só abaixar a capota. - falei entregando-lhe as chaves do carro.
- Certo.
me ajudou a colocar as malas no meu quarto, a suíte da frente da casa.
- Muito, mas muito obrigada. - falei sentando-me no sofá. foi na outra semana para receber os móveis, voltou para resolver umas pendências.
- Sempre que precisar. - ele sorriu.- Eu sinto, mas tenho que ir, entro no trabalho daqui a pouco. - ele falou constrangido.
- Oh, certo! Desculpe.
- Meu telefone, se precisar de alguma ajuda: é só ligar.
- Certo. Até mais, . - falei sorrindo e fechando a porta.
Descansei algumas horas e depois sai para fazer compras para a casa. Passei no supermercado e comprei tudo o que precisava. Chegando em casa guardei as coisas e fui para meu quarto arrumá-lo. Eu estava exausta quando terminei. Joguei-me na cama e adormeci até às 8 horas do dia seguinte, quando meu despertador resolveu me acordar.
Levantei-me, ainda com sono, e entrei no chuveiro. Fiz minha higiene matinal e vesti a primeira coisa que vi no armário: uma calça de moletom preta e uma camiseta, tomei café, peguei as chaves do carro e fui para a universidade.
Pra variar, não me enturmei muito. Eu não fazia exatamente o tipo social na maior parte do dia. Mas algo me chamou a atenção quando eu fazia uma pausa entre as aulas.
Eu estava sentada no jardim da faculdade, lendo meu livro quando ele passou. Alto, cabelos castanhos e olhos bem azuis. O rosto perfeitamente desenhado e um ar misterioso em volta dele.
- !- falei levantando. Ele sorriu ao me ver.
- Que surpresa. Não imaginava que você já estivesse na faculdade.
- É, eu sei. Pareço mais nova e tudo mais. - disse sorrindo.
- O que acha de irmos comer algo mais tarde?- falou de repente.
- Ok, eu acho. Ainda não me situei direito na cidade. - sorri.
- Acho que posso ajudar quanto a isso. Eu passo para te buscar às 19h. - ele sorriu e foi para a classe. Tinha algo intrigante nele, mas eu não sabia dizer o que.
Terminando as aulas saí apressadamente. Ainda tinha que procurar um emprego. Eu e a havíamos comprado a casa com nossas economias dos antigos empregos, mas para nos manter em New Castle ambas teriam que arrumar emprego.
Depois de tanto procurar consegui finalmente algo na Biblioteca Pública de New Castle. Não era muito, mas era melhor que nada.
No caminho para casa eu passava pela Delaware St. e vi um dos meus professores de faculdade entrando em uma loja de armamentos de caça. Hábito estranho.
Cheguei em casa e preparei um banho de banheira. Ficava imaginando quando será que a viria para cá quando fui assustada pela campainha. Olhei o relógio do meu celular na borda da banheira e constatei que eu havia esquecido de .
- Já vou! - gritei terminando o banho e enrolei uma toalha no corpo. Desci as escadas apressada e abri a porta. Ele pareceu surpreso por me encontrar de toalha, bom, eu também estaria.
- Ahm... - ele murmurou.
- Eu esqueci completamente. Só vou me arrumar rapidinho e já desço. Fique à vontade.- subi as escadas, sequei o cabelo e coloquei um conjunto de calça jeans e camiseta, uma sapatilha, passei lápis e desci. - Pronto.
Ele abriu a porta do carro para que eu entrasse, eu agradeci com um sorriso. Fomos ao Jack’s Bistro que estava relativamente cheio. Algumas pessoas lançavam olhares curiosos para nós e isso me deixava um tanto incomodada.
- Betty, como vai?- ele falou para uma moça que estava anotando o pedido de um cliente.
- ! Quanto tempo! Quem é essa? - ela apontou a caneta para mim, sorrindo.
- . Nova na cidade, estou tentando ajudá-la a se situar por aqui.
- Prazer. - falei sorrindo para a mulher.
- Seja bem vinda. Posso pedir a mesa lá fora de sempre? - ela falou para ele.
- Com certeza.
Ficamos acomodados em uma das mesas do lado de fora, ouvindo os outros conversarem e rirem.
- Durante a semana é mais tranqüilo, como hoje é sexta feira...
- Imaginei.
-! - alguém gritou atrás de mim.
- Lila, oi.- ele falou sorrindo. A garota chegou até nós e depositou-lhe um selinho.
- Oh, quem é você? - ela falou seca.
- . Nova por aqui. - falei envergonhada. Ok, o cara tinha namorada.
- Lila, namorada dele. - ela falou. Eu senti o tom possessivo em sua voz, mesmo que ela quisesse parecer simpática. - Querido, posso te ligar mais tarde?
- Eu passo na sua casa depois de deixar a , ok? - ele falou. Oi, eu ainda estou aqui, obrigada. Limitei-me a dar um sorriso torto.
Eu havia, obviamente perdido meu apetite, mas acabei comendo assim mesmo. O jantar foi mais do que constrangedor, pelo menos para mim. Conversamos algumas coisas, mas nada de mais. pagou a conta e ao lembrar que ele teria que passar na casa da namorada depois eu me senti realmente desconfortável em ser levada até em casa.
- Não precisa se preocupar. - falei quando ele fez menção de abrir a porta do carro. Ele me olhou confuso. - Eu acho que vou a pé, pra dar uma olhada por aí. - tentei não falar o real motivo.
- Olhe, desculpe pela Lila mais cedo...
- Magina! - falei rindo.- Até mais, .
Andei até em casa tentando entender o motivo daquela noite ter tudo para parecer um encontro e ter dado estupendamente errado. Uma sensação estranha percorreu meu corpo, como se algo estivesse me observando. Olhei por cima do ombro, assustada e dei de cara com um cachorro. Bom, uma cadela na verdade.
- Céus, quase me matou de susto! O que faz aqui, está perdida? - como se ela fosse responder.- Certo, ahm... Acho que... Hm... Ok, não faço idéia do que fazer aqui.
Achei melhor continuar andando, ela deveria pertencer a alguma daquelas casas e logo o dono iria buscá-la. Quase chegando em casa a sensação percorreu meu corpo novamente e eu olhei para trás. Dessa vez nada de cachorro. Um vento frio passou por mim e eu resolvi apertar o passo. Aquilo estava muito filme de terror para o meu gosto.
Cheguei em frente a minha casa e para minha surpresa a cadela de antes estava lá, sentada olhando para mim.
- Mas... Como você chegou mais rápido que eu? - falei passando a mão na cabeça dela. Não faria mal deixá-la entrar um pouco, certo? Abri a porta e ela correu para dentro de casa, subindo no sofá.- Ok, mas amanhã vamos atrás de seus donos.
Tranquei as portas da casa e fechei as janelas de todas as salas, mas quando fui fechar a janela da sala tive a leve impressão de ver alguém lá fora, olhando para mim. A cachorra me esperava no pé da escada, olhando-me confusa.
- Já estou começando a ver coisas. - disse balançando a cabeça e fechando a cortina. - Vamos subir.
Deitei-me e ela deitou-se no pé da cama.
- Boa noite.
Acordei no dia seguinte com um barulhinho irritante. Abri os olhos e ela me encarava séria.
- Que diabos é isso? - sonolenta, procurei a fonte do barulho. Era meu celular. - Ótimo.
Peguei o aparelho e olhei o visor. ‘1 nova mensagem’.
“Hey, desculpe por ontem à noite. Podemos nos encontrar hoje?
.”
Eu realmente não estava com ânimo depois da vergonha de ontem. Falei que tinha algumas coisas pra resolver e que não daria para vê-lo.
E eu realmente tinha coisas pra fazer. A cadela teria que ficar comigo até achar o dono dela, então tinha coisas para comprar. Fui até o pet shop mais próximo e comecei a fazer as compras. Enquanto eu decidia qual ração levar alguém se aproximou de mim.
- Eu levaria aquela ali, se fosse você. - uma voz grossa que me deu arrepios falou. Virei para encarar o homem ali. Ele tinha pouco mais que a minha idade, olhos extremamente verdes e cabelo castanho escuro. - Desculpe se te assustei, meu nome é . - ele se apresentou.
- .- estendi a mão para a dele.
- A garota nova.- ele riu.
- Como sabe? A cidade não é tão pequena assim.- falei surpresa.
- Sou seu vizinho.
- Oh. - exclamei sem graça. Peguei a ração que ele havia me indicado e coloquei apressadamente no carrinho.
- O que acha de passar lá em casa para um café mais tarde? Para desculpar minha falta de educação em não ter ido dar-lhe as boas vindas.
- Acho que é melhor não...
- Não aceitarei não como resposta.- ele piscou. Poderia ser mais clichê?
Algo naquele homem me deixava nervosa, assim como acontecia quando eu estava com .
Paguei as compras e vi em um caixa mais a frente, ele sorriu para mim.
Coloquei as coisas para a cachorra, que agora atendia pelo nome de Mimi depois de horas procurando um nome pra ela e preparei um chocolate para mim. Saí na varanda
enquanto bebia e sentei-me na namoradeira que tinha ali. Olhei para o jornal que estava no chão e peguei. Quase engasguei com o chocolate quando vi a matéria da primeira página.
Capítulo 2 - What Lies Beneath
“So I'll find what lies beneath your sick twisted smile”
Breaking Benjamin - ‘What Lies Beneath’
“Garota encontrada morta dentro de casa.” E a foto de Lila estampada ao lado do corpo desfigurado e esquartejado.
- Que porra?!- exclamei largando a caneca do meu lado e desembrulhando o jornal.
“Lila Hastings, 19, foi encontrada morta nessa manhã de sábado. O corpo estava esquartejado e espalhado pela casa, impecavelmente limpa. Um vizinho notou a falta
de movimento na casa da vítima e foi tocar a campainha, como ninguém atendeu resolveu entrar sentindo que algo estava errado.
- A porta estava destrancada, o que me deixou com uma sensação pior ainda.- conta o Senhor Richards.- Quando encontrei a cabeça dela quase enfartei.
Os olhos da garota estavam abertos e uma expressão de terror estava estampada em sua face. As partes de seu corpo estavam espalhadas pela casa, felizmente
a polícia conseguiu encontrar quase todas, exceto seu dedo indicador da mão esquerda. Não se tem pistas sobre o crime ainda, mas sabe-se que ocorreu por volta das 22 horas de sexta feira.”
Fiquei um tempo olhando para o jornal em minhas mãos e logo me peguei pensando sobre quem poderia cometer tal atrocidade. Era terrível.
Entrei em casa, sendo recebida por Mimi e seu abano de rabo feliz, larguei o jornal em cima da bancada na cozinha e fui lavar a caneca quando meu celular tocou. Era outra mensagem de .
. Ele não iria passar na casa de Lila ontem à noite? Devo estar enlouquecendo por sequer pensar na possibilidade dele ter feito tal coisa, loucura.
Troquei de roupa e fui até a casa de . Toquei a campainha e ele me atendeu sorrindo.
- Espero que não tenha jantado ainda!- falou sorridente.- Estou cozinhando algo especial, entre.
Entrei na casa impecavelmente arrumada dele e observei tudo ali. Era realmente bonita. Sentei-me em uma cadeira na cozinha, observando enquanto ele cozinhava.
- Vou abrir uma garrafa de vinho, se não se importar.
- Nem um pouco.- sorri, agradecendo pela bebida para esquecer as fotos do corpo de Lila. Vi o jornal aberto em cima da bancada, na matéria sobre o assassinato.- Você viu?- apontei para a matéria.
- Sim, eu estava lendo. Realmente assustador.- falou entregando-me uma taça com vinho.
- Quem faria uma coisa dessas?
- Qualquer um.- olhei confusa.- Digo, qualquer um pode ser um assassino, entende? As vezes quem você menos espera que seja.
- Como Dexter.- falei rindo.
- Exato.- ele riu.- Está quase pronto, importa-se de colocar os pratos na mesa?
- Certo.- peguei os pratos e talheres nos armários que ele indicou e os coloquei na mesa da sala de jantar. Ele chegou com a comida alguns segundos depois que eu havia terminado.
- Bom apetite.- disse sorrindo. A comida estava uma delícia, tenho que admitir. Terminamos de jantar e fomos assistir a um filme, por insistência dele.
- , já está tarde, é melhor eu ir...- falei quando terminou o filme.
- Certo, deixe-me acompanhá-la até a porta.- ele disse sorrindo.- Boa noite.- falou quando eu saí.
- Noite.- respondi sorrindo e fui para casa.
Não tive nenhuma notícia de durante alguns dias, até ele aparecer na minha casa.
- Hey.- ele falou quando eu abri a porta.
- Tudo bem?
- Ótimo.
- Isso é... Estranho.
- Por quê?
- Lila...
- Ah, sim. Eu sei, eu li.- ele disse não parecendo afetado nem um pouco.
- Eu já estava de saída para o trabalho.- disse pegando as chaves do carro.
- Vou com você até seu carro.- sorriu.- Estava pensando, o que acha de sairmos essa semana?
- Acho que... Bem, não tem problema.- olhei para a casa de . Ele não parecia estar lá, mesmo que seu carro estivesse na garagem.
- Certo, eu te ligo então.- ele sorriu e entrou em seu carro, indo embora.
Observei enquanto ele se afastava. Ele não parecia nem um pouco abalado com a história de Lila.
Cheguei na biblioteca e estacionei meu carro no estacionamento mais próximo. Entrei no prédio que estava abarrotado de pessoas. Caminhei entre elas e fui para a sala dos funcionários.
- Novata, olá.- falou uma garota.- Meu nome é Mindy.
- .
- Vamos lá, serei sua mentora hoje. Isso daqui está um caos.
- Por quê esse tumulto todo?
- Sei lá.
Mindy ficou comigo o dia todo, mostrando tudo o que eu precisava saber. Na hora do almoço eu fiquei na biblioteca.
- Com licença, eu precisava ver uns jornais datados de uns dois anos atrás.
- Seu nome?
- Brian.
- Por aqui, Brian.- levei o garoto até a sala onde ficavam as versões digitalizadas das fotos dos jornais antigos.
- Obrigado.- ele sentou-se e começou a vasculhar. Eu fiquei curiosa quando uma foto conhecida apareceu.
- É sobre Lila?- aproximei-me.
- Na verdade, esse caso é de 2008.
- Parece a mesma foto.
- Isso porque é o mesmo método. Vê?- ele apontou para o corpo esquartejado. A expressão, os olhos abertos, os cortes, eram todos iguais.
- Mas isso...
- É um problema. A polícia ainda não ligou os casos, e nem pensa em fazê-lo. Meu pai é detetive, está trabalhando no caso.
- Isso quer dizer...
- Que temos um problema de serial killer. Ele esteve aqui há dois anos e voltou. Ou nunca foi embora.
- É assustador pensar nisso.
- As vítimas foram quase sempre mulheres e a última delas foi a morte mais brutal de todas. A polícia arquivou o caso, mas eu continuei dando uma vasculhada por ai. Não consegui muita coisa.
- Pode continuar sua pesquisa o tempo que precisar, Brian. Qualquer coisa é só chamar.- falei em estado de choque. Um serial killer, uau.
Cheguei em casa e coloquei comida para Mimi, chequei meus recados e subi para tomar um banho. Ao sair do banho desci as escadas e encontrei Mimi na cozinha latindo
para a janela. Olhei para fora e podia jurar que tinha visto alguém novamente. Senti um arrepio pelo meu corpo todo e tranquei rapidamente todas as portas
e janelas, indo para o quarto. Quando eu estava prestes a dormir, Mimi, no pé da cama, levantou-se correndo e começou a latir indo para o andar de baixo. Sentei-me
assustada. Levantei, peguei meu celular e tentei fazer o mínimo possível de barulho enquanto descia a escada. Uma sensação ruim tomou conta de
mim e piorou quando eu ouvi passos. Quase morri de susto quando meu celular tocou. Atendi correndo, parada no meio da escada. Mimi havia parado de latir e estava junto comigo.
- ?- sussurrei.
- Por que está falando tão baixo? Tudo bem?
- Eu... Eu acho que pode ter alguém dentro da casa. Estou com medo.
- Estou indo para ai.- desligou. Senti-me um pouco mais calma, mas aquela sensação estranha ainda percorria meu corpo. Poucos minutos depois ouvi o carro de
parando na porta de casa. Corri para fora, abrindo apressadamente a porta e indo ao encontro dele. Eu estava chorando e ainda não tinha me dado conta.
- Eu... Eu ouvi alguém, ouvi alguém andando...- eu estava em choque.
- Vou lá dentro, fique aqui fora com ela.- apontou para Mimi e foi em direção à casa.
- Cuidado, por favor.
entrou em casa e eu via as luzes acendendo sala por sala. Após alguns minutos ele saiu.
- Não tinha ninguém. Está tudo seguro.- ele falou vindo em minha direção. Entramos na casa e eu fui até a cozinha pegar um copo de vinho. Água com açúcar uma pinóia.
Enquanto eu colocava o vinho no copo observei a porta. A tranca estava estranha. Girei a maçaneta e a porta abriu sem dificuldade. Senti meu coração vir na garganta.
- T-!- gritei afastando-me da porta como se ela fosse um bicho leproso.
- O que foi?- ele entrou correndo no aposento.
- A porta. Eu tranquei, eu tenho certeza.
- Calma, ok? Você deve ter esquecido.
- Eu tenho certeza que fechei!- gritei.
- Shhh!- ele sussurrou.- Calma! Vai ver você foi fazer outra coisa e esqueceu de fechá-la, acontece.- como minha memória estava afetada pelo choque e pelo medo,
talvez ele tivesse razão.- Vem, vamos sentar na sala.- ele pegou-me delicadamente pelo braço e sentou-me no sofá.
- Não vou conseguir dormir assim. Eu estou com muito medo agora.
- Quer que eu fique aqui? Posso dormir no sofá.
- Você faria isso?
- Sem problemas.- ele sorriu. Eu senti um pouco mais de segurança depois disso.
Acabei adormecendo no sofá e acordei de madrugada. Ouvi alguém na cozinha. Levantei e fui até lá, encontrando .
- Vim beber um pouco de água.- informou.- Mimi foi deitar na sua cama.
- Ok.- falei pegando um copo e colocando água também.- Obrigada por ficar, fico mais tranqüila com alguém em casa.
- Uhum.- ele murmurou.- Sempre que precisar.- sorriu. Tinha algo nele que me intrigava. Ele tinha um ar de mistério na expressão de seus olhos, é como se ele escondesse
algo. Percebi que fiquei observando o rosto dele por muito tempo quando ele me chamou.
- Hm?
- Eu perguntei se estava tudo bem.
- Ah, sim.- falei envergonhada. Ele riu baixo.- Acho melhor eu ir deitar. Boa noite, .
Subi as escadas e entrei no quarto. Mimi nem levantou a cabeça de onde ela estava. Aconcheguei-me na cama e fiquei encarando o teto. Ótimo, havia perdido o sono,
que maravilha. Ouvi a TV no andar de baixo e comecei a pensar sobre . Ele havia ficado extremamente calmo quanto ao assassinato de Lila, isso estava terrivelmente errado.
Capítulo 3 - Scars
“My weakness is that I care too much and my scars remind me that the past is real”
Papa Roach ‘Scars’
Levantei-me e Mimi olhou para mim, voltando a dormir em seguida. Eu precisava tirar essa história a limpo. Ela era namorada dele afinal de contas e foi brutalmente assassinada! Como ele não estava deprimido?
- ? - falei chegando ao fim da escada. Ele virou para olhar para mim.
- Sim? - ele assistia meu DVD de Heartless.- Espero que não se importe, eu perdi o sono e peguei um filme...
- Sem problema. - sorri.- , eu precisava te perguntar... Sobre o que aconteceu com Lila...
- O que tem? - ele respondeu indiferente.
- Você não, hm, sentiu nada? - falei hesitante.
- Eu fiquei fora da cidade uns dias, fui para a casa de meus pais em Little Rock para esfriar a cabeça. Eu havia terminado com ela aquela noite.- ele deu de ombros como se não fosse nada de mais.
- Então você ficou abalado.- confirmei. Ele parou um tempo, como se estivesse pensando na resposta.
- É, pode-se dizer que sim.- respondeu. Eu fiquei ainda mais confusa, não deveria ser uma resposta para se pensar, afinal de contas.
- Acho melhor eu voltar a tentar dormir.- disse de repente.
- Não quer terminar de ver o filme?
- Ah, já assisti umas vezes.- sorri e levantei. Senti a mão dele se fechar em meu braço de uma maneira quase bruta e o encarei.
- Ah, desculpe, eu... Hm... Esqueci de te dizer, preciso estar em um lugar logo cedo. Se importa se eu sair antes de você acordar?
- Não, só tranque a porta. Tem uma chave em baixo de uma das plantas.
- Ok. Bom resto de noite.- ele sorriu e voltou a assistir o filme. Eu subi para o quarto e Mimi estava deitada em meu travesseiro. Deitei do outro lado da cama e acabei adormecendo.
Na manhã seguinte meu despertador tocou avisando-me que eu precisava ir para a faculdade. Levantei sem vontade e fui tomar um banho demorado. Chegaria atrasada, mas eu não estava mesmo dando importância. Liguei para Nati para saber quando ela chegaria, mas o telefone caiu na caixa postal. Saí do banho e enrolei uma toalha em mim e uma no cabelo. Sentei-me de frente para o closet e fiquei encarando-o por alguns minutos sem pensar em nada até que decidi me vestir. Coloquei uma calça jeans e uma camiseta simples, calcei um tênis e desci para tomar café. A cafeteira estava cheia, sorri involuntariamente ao pensar que
havia feito aquilo. Peguei uma xícara e coloquei o café, saindo para pegar o jornal. Nada de notícias sobre assassinatos na primeira página, ainda bem. Havia, contudo, uma nota de desaparecimento que eu dei uma lida, sem dar muita importância.
“Professor da universidade desaparecido desde terça-feira.
O professor Bartholomeu Cunnings, da Universidade Wilmington, encontra-se desaparecido desde a tarde dessa terça-feira quando foi visto por último na Jessop’sTavern. Não se sabe o motivo do desaparecimento, mas as autoridades pedem para que qualquer informação seja notificada imediatamente.”
Professor Bartholomeu Cunnings, não foi quem eu vi comprando equipamento de caça?
Entrei no carro, dando tchau para Mimi que me observava pela janela com uma cara feliz. Olhei para a casa de e não vi seu carro ali. Não tinha notícia dele há um tempo, mais tarde talvez eu passasse lá. Fui para a universidade chegando atrasada como previsto.
No fim das aulas corri para meu carro, apressada para ir para o trabalho, quando dei um encontrão com alguém, caindo ao chão.
- Você precisa tomar mais cuidado quando anda por aí.- a voz conhecida falou rindo.
- ?- levantei-me.- Desculpe, eu estou meio com pressa.
- Percebi. Está tudo bem?
- Sim, mas o que você faz aqui?
- Trabalho aqui. Sou professor na universidade.
- Oh. Certo, bem, acho que nos falamos depois então.- entrei no carro e dirigi para a biblioteca. Chegando lá fui recebida por Mindy e uma outra garota chamada . Ficamos conversando um tempo, já que a biblioteca estava largada às moscas, até entrar uma figura que eu reconheci.
- Hey, .- falou Brian.- Posso falar com você um instante?
- Uhum.- segui o garoto até uma repartição onde havia livros de terror.
- Ficou sabendo sobre o desaparecimento do Sr. Cunnings?
- Eu li alguma coisa no jornal.- falei confusa.
- Você sabe o que isso quer dizer, certo?
- Não, mas creio que você vá me contar.
- Outro corpo vai aparecer hoje, sem dúvidas.
- Tem certeza, Brian? Será que não foi só um acontecimento isolado? Ele demorou pra voltar de uma viajem de caça, ou algo assim?
- Ele não caçava.
- Mas... Eu vi o Professor entrando em uma loja de equipamentos de caça.
- Ele era professor de Biologia, . Ele não gostava dessa prática.
- Então por quê...- Brian parou para pensar um pouco.
- Talvez... Talvez ele estivesse querendo se proteger de algo.
- Ou alguém.- conclui.- Céus, isso é uma bagunça.
- Tome cuidado, .
- Brian.- chamei-o quando ele se afastou.
- Hm?
- Eu, acho que não tem nada a ver, mas, eu ouvi alguém dentro da minha casa essa noite. Será que...- ele pareceu assustado.
- , tem alguém que possa ficar com você?
- Não. Minha amiga está com o telefone desligado há dias, não apareceu na cidade ainda...
- Tente falar com ela de toda forma possível. Você não pode ficar sozinha.- ele falou parecendo pensar sobre alguma coisa e saiu apressado.
- Quem era o bonitinho? - perguntou aproximando-se.
- Um amigo. Brian.- respondi.
- Amigo?- ela sorriu.
- Amigo, , amigo.- falei rindo da insinuação.- Vamos voltar a trabalhar vai.
- É, as moscas estão dando muito trabalho.
- Agora que você mencionou... Esse lugar está cheio delas, isso é normal?
- Não, mas acho que deve ser o calor.
Nesse momento Mindy deu um grito terrivelmente alto.
- Mindy?!- gritamos juntas indo atrás da garota. Ela estava parada na porta da sala dos arquivos com uma expressão de choque e as mãos no rosto.
- É... É ele!- ela gritou apontando com uma mão para o chão. Chegamos mais perto e um cheiro podre invadiu minhas narinas, provocando-me náuseas. Tapei o nariz
e cheguei aonde Mindy estava. Era o Sr. Cunnings, Brian estava certo.
- , ligue para a polícia. Agora. Vou checar as filmagens de segurança.
Corri para a sala de vigilância e pedi para que Peter, o segurança, mostrasse para mim as filmagens desde terça feira. Algo suspeito teria que aparecer. Nada
na terça, nada na quarta, mas hoje, quinta feira, apareceu. Observei a pessoa com uma mochila grande o suficiente para caberem as partes do corpo esquartejado do Sr. Cunnings.
- Temos que mostrar isso para a polícia.- a fisionomia me parecia bastante familiar, mas eu não consegui identificar a pessoa pelo choque.
Fomos todos interrogados pelos policiais, liberados depois de muitas horas. Quando saí da biblioteca, estava lá fora na multidão, diferente de todos, não
parecia curioso nem chocado.
- !- falei indo em direção a ele e abraçado-o.- É horrível... Ele... Céus!
- Shhh, calma.- ele falou passando a mão em meu cabelo.- Vem, vou levá-la para casa.- ele abriu a porta de meu carro e sentou-me no banco do passageiro.
- !- gritou vindo em minha direção.- Os policiais acham que tem um suspeito.- ao ouvir aquelas palavras pareceu ficar incomodado com algo.
- , eu preciso descansar, isso é...
- Traumático.- falou bruscamente.
- Posso ir com você? Vai precisar de uma amiga por perto.
- Entra ai.- falei apontando o banco de trás.
Fomos para minha casa, onde preparou um chá de camomila para mim e pegou uma taça de vinho. A campainha tocou, foi abrir.
- , seu amigo está aqui!- ela gritou, Brian entrou apressado.
- , você está bem? Eu ouvi o que aconteceu.
- E você é?- perguntou seco.
- Brian. Amigo dela.- ele falou olhando curioso para .- Você é o garoto dos pais assassinados, não é?
- . Murphy.
- Assassinados?- perguntei confusa. Ele não havia ido visitar os pais em Little Rock?
- Foi há um tempo atrás, não interessa agora.- ele desconversou entregando-me a xícara de chá. ligou a TV no noticiário e estava passando sobre o assassinato do professor.
“Segundo a polícia o professor foi morto da mesma maneira que a jovem encontrada na semana retrasada. Eles dizem que podem ser acontecimentos separados, mas que a população deve ficar em alerta, pois pode haver um assassino...” desligou a TV abruptamente.
- Besteira.- falou indo para a cozinha. Brian olhou para mim e eu não consegui decifrar o que ele queria dizer.
- Então, ahm, Brian, acho que é melhor você ir agora.- falou levantando-se do sofá. Brian lançou outro olhar para mim.
- Eu acompanho até a porta.- falei levantando-me. Abri a porta e Brian, com o pretexto de me dar um abraço, sussurrou:
- Cuidado com ele.
- Quem?- sussurrei de volta.
- .- ele falou indo embora deixando-me evidentemente confusa. Ouvi uma movimentação e olhei em direção ao barulho. Era chegando em casa. Ele acenou
para mim e entrou. Fechei a porta e me olhava curioso da cozinha.
- Tudo bem?- ele perguntou aproximando-se.
- Uhum.- respondi tentando soar convincente.- Só estou um pouco cansada, nada de mais.
- Então acho melhor você ir dormir.- falou vindo em nossa direção.
- É, é melhor. Boa noite, .- falei sorrindo fracamente para ele e subindo a escada. Entrei em meu quarto e fechei a porta, correndo para o computador. Eu
precisava saber o que tinha de errado na história de .
Capítulo 4 - Cut
“I do not want to be afraid, I do not wanna die inside just to breathe in”
Plumb - ‘Cut’
Assim que abri meu e-mail tinha uma mensagem de Brian:
“ Assunto: Nenhum
‘ Casal encontrado morto em casa. Filho em estado de choque.
Nessa noite de quarta-feira o casal James e Lucy Murphy foram encontrados em sua residência assassinados brutalmente. O filho do casal, Murphy, chegou
em casa e encontrou os corpos de seus pais na sala de estar. O garoto de 16 anos não falou com a polícia sobre o caso ainda, o psicólogo Dr. Foster
diz que ele ainda está em estado de choque e se recusa a aceitar o fato.’
Dizem que pessoas que passaram por traumas extremos podem desenvolver psicopatia. Seu amigo ficou sem abrir a boca por 3 meses, até o psicólogo conseguir arrancar algo dele.
Tome cuidado.
Xoxx
Brian”
Fiquei encarando a tela do computador sem saber direito como agir. Comecei a pesquisar sobre o caso e as imagens que encontrei foram impressionantes. Ainda
bem que eu pretendia seguir a carreira médica, porque alguém com estômago mais fraco teria desmaiado ao ver as fotos do casal Murphy. A Sra. Murphy tinha
tido seu rosto completamente desfigurado pela bala da arma, e tinha uma poça de sangue enorme em volta dela. O Sr. Murphy havia levado dois tiros, um havia
aberto um rombo em seu tronco, e o outro na cabeça. Imagino o motivo de ter entrado em choque por tanto tempo, se eu encontrasse meus pais naquela
situação eu provavelmente morreria junto. Desliguei o computador e fiquei olhando para o céu através da minha janela. Será que aquilo poderia ter criado
algo obscuro dentro de ?
Levantei e fui até a janela, ainda ouvindo no andar de baixo assistindo TV. Olhei para fora e vi a casa de . Ele estava na sala de estar. Peguei meu
celular e acabei por digitar o número dele.
- Alô?- falou a voz grossa do outro lado.
- ?
- , que surpresa. Tá tudo bem?
- Ah, meio em choque ainda com o que aconteceu hoje...
- Eu fiquei sabendo, desculpe não ter passado ai, tinha uns assuntos urgentes para resolver.
- Não se preocupe. Pensei que poderia conversar com alguém e vi você pela janela, resolvi ligar.
- Oh, você está na janela?- ele perguntou e pude vê-lo virando-se no sofá procurando por mim com os olhos.
- Aqui.- acenei quando ele me encontrou.
- Por que não vem até aqui? Podemos conversar melhor do que pelo telefone e posso abrir uma garrafa de vinho.
- Parece ótimo.- sorri.- Vou só avisar a e vou logo em seguida.- desliguei o telefone e saí do quarto.- ?
- Hm?- ela perguntou virando-se para mim.
- Vou até o outro lado da rua, não vou demorar muito. Mas se você quiser dormir, tem o quarto de hóspedes, é mais confortável que o sofá.
- Certo. Espero que não se importe, eu peguei um pacote de batatinhas ali no armário.
- Sinta-se em casa.- dei uma olhada para Mimi que observava apreensiva do topo da escada e saí. Apertei meu casaco contra meu corpo e fui em direção a casa de
, que estava na porta me esperando.
- Vamos entrando, está muito frio aqui fora.- ele falou dando passagem para que eu entrasse na casa. Ele fechou a porta e dirigiu-se para a sala, para acender
a lareira.- Ao menos podemos ficar aquecidos, deixe-me só pegar o vinho para ajudar. Fique a vontade.
- Obrigada.- falei sentando-me no sofá. Ele estava assistindo Bones.
- Ainda bem que eu não estava com apetite para o canal pornô, pois seria constrangedor ser pego dessa maneira.- ele riu entregando-me uma taça e sentando ao
meu lado.
- Acho que eu ia ficar mais sem graça que você.- sorri de volta, agradecendo o vinho.
- Então, o que aconteceu hoje?
- Bom, você deve ter visto no jornal... Encontramos o corpo do Sr. Cunnings na biblioteca, totalmente em início de decomposição.
- A polícia tem algum suspeito?
- Parece que sim, a me disse. Mas eu não procurei saber de nada. Eles provavelmente vão vir me interrogar. E tem essa coisa que está me incomodando...
- O quê?
- Você conhece Murphy?
- Como não lembrar? Eu havia acabado de me mudar pra cá quando ocorreu o assassinato dos Murphy.
- Então, um amigo meu sugeriu que ele pode ter algo relacionado com o que está acontecendo.
- Como assim?
- Traumas severos desse tipo podem levar uma pessoa a desenvolver psicopatia.
- Esse seu amigo...
- Brian.
- Brian, o filho do detetive Williams?
- Ele mesmo.
- O que ele sabe sobre isso tudo?
- Ele vem pesquisando sobre o assassino em todo o país. Ele acha que pode se tratar de um serial killer que voltou pra cá.
- Hm... Interessante. Ao mesmo tempo assustador.- ele respondeu dando um gole em seu vinho.
- É muito estranho pensar que qualquer um pode ser um assassino. Eu, ou você, qualquer pessoa.
- Vamos parar de pensar nisso antes que fiquemos paranóicos.- ele riu pousando a taça na mesinha de centro.- Vou pegar uma coberta, você está tremendo.
- Certo.- sorri em resposta. Ele voltou pouco tempo depois com uma coberta em mãos e a colocou em volta de nossos ombros.
- Assim é melhor.- falou sorrindo.- Vamos assistir alguma coisa?
- O que você tem ai?
- Hm, vejamos... Que tal uma comédia romântica para acalmar os nervos?- ele sugeriu com o DVD de “Quando em Roma” em mãos.
- Acho que vou ter que dizer sim.
Ele colocou o filme e sentou-se novamente no sofá. Senti o cheiro de seu perfume invadir minhas narinas e me peguei despercebida encarando seu perfil. Ele
tinha o rosto belamente desenhado, seus olhos verdes pareciam não ter notado que eu o observava, e sua boca era perfeitamente traçada. Ele olhou para mim de
repente e eu senti meu rosto esquentar, lógico, eu estava encarando o cara sem motivo aparente, mas ele apenas sorriu. Não um sorriso amigável, pareceu mais um sorriso malicioso.
- , acho que é melhor eu ir.. Hm...- falei esbanjando nervosismo em minha voz.
- ...- ele falou aproximando-se de mim. Senti uma de suas mãos em minha perna esquerda, acariciando-a. Logo senti seus lábios tocarem os meus e foi como
se pequenas correntes elétricas passassem pelo meu corpo. Uma de minhas mãos foi parar em sua nuca, arranhando-a de leve, como implorando para que ele
aprofundasse o beijo e assim o fez. Senti sua língua pedir passagem pelos meus lábios e cedi sem pensar duas vezes. As mãos dele que antes estavam em minhas
costas pareciam encontrar problemas para explorar o resto de meu corpo no espaço limitado do sofá.- Vem.- ele sussurrou levantando-se e puxando-me junto para
o andar de cima. Chegamos na porta de seu quarto e ele voltou a me beijar com certa impaciência, colocando uma de suas mãos por baixo de minha blusa. Enquanto
andávamos para trás em direção a sua cama, ele retirou meu casaco, jogando-o no chão. Senti minhas pernas baterem na cama e ele quebrou um pouco o beijo
para deitar-se sobre mim, conforme ia me deitando na cama. Sua mão parecia deixar uma trilha quente por onde passava, deixando-me ainda mais
excitada. Tirei sua camisa com pressa e passei minha mão por seu abdômen definido, sentindo cada pedaço dele. Ele passou a mão pela barra da minha blusa,
levantando-a lentamente, mudando o ritmo com que avançamos e deixando-me ainda mais fora de mim. Quando senti sua pele em contado com a minha achei
que fosse enlouquecer e deixei um gemido abafado sair por meus lábios, fazendo um sorriso brotar nos dele.
-3ª pessoa-
Ele desceu os beijos para o pescoço dela, fazendo com que ela soltasse pequenos gemidos. Passeava as mãos pelo corpo dela, sentindo sua pele macia, enquanto ela
agarrava-se a ele como se pedisse por mais. Ele abriu o sutiã dela, jogando-o longe e começou a beijar os seios da garota, fazendo-a delirar quando usava
sua língua ou mordiscava levemente seus mamilos. Ele desceu uma de suas mãos pela barriga dela, chegando até sua calcinha. Começou a provocá-la por cima
desta, acariciando sua intimidade. Ela mordeu seu lábio inferior e soltou um gemido abafado quando ele arrancou bruscamente a peça de roupa e introduziu
dois dedos dentro dela. Ele começou a movimentá-los devagar arrancando suspiros de prazer da garota que se intensificaram quando seus movimentos
tornaram-se mais fortes e rápidos. Ele ficava mais excitado a cada segundo e ela pôde perceber isso. Tirou seus dedos dela e trocou de posição com ele,
sentando em seu colo. Estavam sentados na ponta da cama e ele passava as mãos pelo corpo dela, acariciando seus seios nada delicadamente. Ela sorriu,
ajoelhando-se em frente a ele e tirando a boxer preta que ele usava, revelando a ereção -nada pequena- dele. Pegou seu membro firmemente em suas mãos e
começou a masturbá-lo, ele fechou os olhos e mordeu o lábio inferior na intenção de segurar um gemido, coisa que não funcionou quando ele sentiu a boca da
garota entrando em contato com seu pênis. Ela o lambia e sugava, fazendo-o enlouquecer a cada toque. Ele agarrou firmemente no cabelo dela, conduzindo
o ritmo com que ela dava-lhe prazer. Tirou o membro dele da boca, vendo um certo ar de desapontamento no rosto dele.
- Você vai ter sua vez.- ele falou sorrindo maliciosamente. Ela apenas sorriu de volta, sentindo seu corpo entrar em contato com o tecido da coberta. Ele desceu
os beijos pelo corpo dela, parando em sua intimidade. Quando sentiu a língua dele em contato com sua intimidade reprimiu um gemido. Ele parecia torturá-la
com aquilo, exatamente como ela havia feito com ele. Quando ela estava quase em seu limite, ele parou abruptamente, recebendo um resmungo de reprovação. Ele
foi até seu criado mudo e pegou um preservativo, colocando-o. Deu uma última olhada para a garota. Ela sentiu uma onda de prazer invadi-la quando
ele a penetrou sem cerimônias. Ele deitou-se por cima dela na cama ditando agora o ritmo com que eles transavam. Começou devagar, provocando-a, e logo foi
acelerando, saindo completamente dela e voltando com certa brutalidade. Eles agora gemiam alto de prazer, falando coisas que em sã consciência não
sairiam de suas bocas, ela arranhava as costas dele e aquilo deixaria marcas por um bom tempo enquanto ele dava chupões em seu pescoço que também
ficariam marcados. Ela sentiu seu corpo esquentar absurdamente e a onda de prazer que antecedia o orgasmo começou a aparecer, e percebeu que ele também
estava pra gozar. Ela arqueou as costas, gritando o nome dele quando chegou ao ápice, ao mesmo tempo em que ele gritava seu nome. Seus corpos enrijeceram por
um momento e depois relaxaram, exaustos e suados. Ele saiu de dentro dela, jogando-se ao lado dela na cama.
- 3ª pessoa OFF-
- Céus, ...- falei ofegante enquanto ele se levantava indo ao banheiro, voltando logo em seguida e me aconchegando próxima a seu corpo. Eu estava incapacitada
de formular alguma frase decente.
- Eu que o diga.- ele disse igualmente sem ar.- Importa-se de passar a noite aqui?
- Acho que não faz mal.- disse quase caindo no sono.
- Certo.- ele disse. Apaguei depois disso.
Capítulo 5 - Toxic Valentine
“She’s got a target painted on her back and keeps a list of the qualities a good girl lacks”
All Time Low - ‘Toxic Valentine’
Acordei e demorei um tempo para perceber que não estava no meu quarto. Sentei-me na cama. A luz do Sol entrava pela janela à minha direita. Procurei por no quarto, sem sucesso. Levantei-me e vesti minhas roupas de volta, descendo as escadas até a sala. Nenhum sinal dele ali também. Fui até a cozinha e encontrei panquecas acompanhando um copo de suco de laranja em cima da bancada, com um bilhete para mim.
‘Tive que ir com urgência para um lugar. Recebi a ligação hoje de manhã, sinto muito por não estar aí. Aproveite o café, te ligo mais tarde.
Xx
Larguei o bilhete sobre o balcão e sentei-me. Comi as panquecas e pude jurar que ouvi um barulho vindo do porão enquanto tomava o suco. Fui até lá, mas a porta estava trancada. Provavelmente era fruto de minha imaginação.
Saí da casa e atravessei a tua, alcançando o meu gramado. Passei para pegar a correspondência na caixa de correio e entrei em casa. não estava na sala, mas Mimi já me esperava, aparentemente aflita. Pulou de alegria ao me ver, enquanto eu depositava as cartas no balcão da cozinha. Uma delas era de . Abri preocupada, e comecei a ler. Ótimo, mais algum tempo até ela vir pra cá, sorte a minha. Revirei os olhos e larguei o papel ali mesmo, e logo em seguida subi para tomar um banho. Ouvi meu computador apitar, avisando-me que chegara alguma mensagem. Dei de ombros e entrei no chuveiro, deixando a água quente escorrer pelo meu corpo. Estava com uma sensação ruim, e esperava que conseguisse me aliviar pelo menos um pouco. Ouvi o computador apitando novamente e ignorei. Seja o que fosse, esperaria até que eu terminasse meu banho.
Depois de trinta minutos dentro do chuveiro, eu saí enrolando-me numa toalha e indo até o quarto para ver as tais mensagens. Eram de , perguntando se podia encontrá-lo mais tarde.
. Eu esquecera completamente dele.
Respondi a mensagem, dizendo que tudo bem, era só ele passar em casa. Saí do quarto. estava na cozinha, pelo que pude ouvir, e Mimi lá fora, latindo para algum pedestre. Olhei pela janela do pequeno corredor do andar de cima e vi o carro de ainda na garagem. Ele não saíra?
Me vesti e saí para dar uma volta com Mimi no Battery Park como de costume, passando pelo supermercado na volta para casa.
Tomei outro banho, pois havia suado bastante na caminhada, e coloquei um Vestido Simples para sair com . Depois da noite com , eu me sentia estranha por estar indo até a casa dele, mas eu realmente queria saber sobre aquela história de Little Rock.
Ele chegou e eu adentrei seu carro. O caminho foi demorado e eu fiquei de boca aberta quando vi a casa dele. Era maravilhosa.
- Vamos, a comida está quase pronta. - falou sorrindo e saindo do carro. Fiz o mesmo e o acompanhei até dentro do imóvel, maravilhada com tudo aquilo. – Vou terminar de prepará-la e te encontro na sala de jantar, ok?- assenti com a cabeça e segui na direção que ele indicara. Apareceu algum tempo depois, com uma travessa contendo belas costelas de cordeiro com molho de maçã. – Espero que não seja vegetariana.
- Não, não sou. – sorri, enquanto ele me servia. Conversamos durante o jantar, rimos bastante, embora parte disso fosse o efeito do vinho, e depois ajudei a tirar as coisas da mesa. Fomos até a sala de estar, onde ele ligou a TV enquanto eu perambulava, mexendo nas coisas. Rude, eu sei, mas quem liga?
- ?
- Hm? – ele falou, e notei que estava próximo.
- Eu queria saber... Seus pais foram mortos, não?
- Sim, foram. – eu tocara em um ponto sensível. Por mais que ele tivesse tentado responder naturalmente, senti a mágoa em sua voz.
- Então... O que você fazia em Little Rock?
- Fui visitar meus tios. Eu me refiro a eles como meus pais porque eles me criaram depois do que aconteceu. Você achou o quê?
- Nada, só achei estranho, pensei que você estivesse confuso. - menti. Eu havia super desconfiado dele sim, obrigada. E sim, estava me sentindo culpada por isso. Puxei uma gaveta e dei de cara com uma bela coleção de facas prateadas reluzentes. – Que interessante.
- São apenas para datas especiais. Natal, ação de graças, essas coisas.
- Pra que tantas?
- Herança de família. – falou rapidamente.
- Hmm. – resmunguei, fechando a gaveta.
- Preciso pegar uma coisa lá em cima, fique à vontade.
- Ok. – falei, observando-o deixar a sala. Abri a porta que dava para o escritório: ele tinha uma grande coleção de livros. Medicina forense, medicina tradicional, história medieval... Vi vários papéis em cima de sua escrivaninha e fui dar uma olhada. Ok, isso estava ficando realmente estranho e eu precisava parar de dar uma de bisbilhoteira. Eram recortes de jornal sobre vários assassinatos ocorridos pelo país. Pareciam aquelas coisas que Brian investigara durante esses tempos todos.
- Tudo bem?- ele entrou na sala, fazendo com que eu me assustasse.
- Tudo, tudo... Eu só... - apontei para os recortes.
- Hm, isso. Tenho um interesse por essas coisas desde que meus pais foram assassinados. Você deve achar esquisito, eu sei, isso se não achar suspeito... Certo? Eu só queria poder fazer algo a respeito. - apontou os recortes.
- Não, eu não quis dizer...
- Eu sei que não. Vem, vamos ver um pouco de TV. - ele esticou o braço para mim. Eu fui até ele e passei para a sala novamente, ouvindo a porta se fechando atrás de mim. Eu tinha sido extremamente desagradável, e tinha ciência disso.
- , sinto muito se pareceu...
- Não se preocupe. - ele sorriu. E que sorriso... , você dormiu com o na noite passada, para com essa vagabundagem! Nessa hora, meu telefone tocou despertando-me da briga mental comigo mesma.
- Já volto. – falei, pegando o aparelho e saindo da sala. Era .
- Oi, tudo bem? Passei na sua casa e a disse que você não estava...
- Estou jantando na casa de uma amiga. - menti.
- Podemos nos ver amanhã à noite?
- Não sei... Tenho umas coisas pra estudar e estou bem atrasada na matéria, com tudo que tem acontecido...
- Hm, certo. - ele falou seco.- Te ligo depois.
- O... - ele desligou antes que eu terminasse. Grosso.
- Tudo bem? - perguntou atrás de mim, fazendo com que eu me assustasse.
- Era só... A querendo saber se eu vou demorar muito a voltar.
- Posso te levar agora, se você quiser. - ele falou, aproximando-se para pegar algo em cima do móvel atrás de mim. Seu corpo encostou no meu e senti uma onda de calor percorrê-lo. me encarava, colocando o celular no bolso.
- Ahm... Eu... Hm... É uma boa idéia. – falei, atrapalhada.
- Certo, então vamos. - passou por mim e eu o segui até a porta de entrada, que já estava aberta. Fui até o carro e o ouvi trancando a porta de sua casa. - Tá tudo bem com você? - perguntou de repente, no meio do caminho até a minha residência.
- Uhum. - murmurei. Ele encostou o carro e eu o olhei, confusa.
- Olha só... Eu... Eu realmente gostaria de saber por que você desconfia tanto de mim. - ele falou, passando os dedos pelo cabelo e dando um sorriso nervoso. - Eu sei que mantenho minha vida meio reservada e tudo, mas ainda assim...
- , eu só...
- Seja honesta, é sério. - ele falou encarando a rua.
- Pensei que você pudesse estar relacionado às coisas que estão acontecendo... - ele arregalou os olhos e me encarou, inconformado.
- Aos assassinatos?! – Então notei como havia sido absurda.
- Desculpe, eu nem sei por que pensei algo assim, ... É só que você me intriga.
- Já ouvi isso antes. - ele riu.- Vou te levar pra casa.
- , espera.- falei antes que ele ligasse o carro.- Me desculpe. Sério. De novo.
- Ok. - ele respondeu, me encarando.
- Eu me sinto horrível pelo modo que me comportei hoje.
- Já falei para não se preocupar. - falou ainda me olhando. Ficamos em silêncio e ele me lançou um olhar intenso. Senti meu corpo esquentar novamente e quando me dei conta, o corpo dele se aproximava do meu. Não quis recuar.
Senti sua mão acariciando minha bochecha enquanto seus olhos fitavam meus lábios e seu rosto se aproximava do meu. Fechei meus olhos e senti ondas de calor percorrerem meu corpo quando nossos lábios se juntaram. Os dele se entreabriram e eu dei passagem para que aprofundasse o beijo. Quando sua mão escorregou de minha nuca para meu colo, perto dos meus seios, meu celular tocou arrastando-me bruscamente para a realidade. Respirei um tanto ofegante, enquanto ele olhou para a rua, sem graça.
- Alô?
- ?- era .
- Oi... Eu já estou voltando pra casa...
- Ah, ok, posso passar lá para te ver?- O que acontecera com o senhor nervosinho de pouco tempo atrás?
- Não dá, vou direto para a cama. Nos falamos amanhã.- desliguei rapidamente.
- Vamos?
- Uhum.
Ele ligou o carro e logo estávamos na porta de minha casa.
- Obrigada por tudo, .- falei sorrindo. Ele colocou a mão em meu queixo, virando meu rosto para si. Nossos lábios se tocaram rapidamente antes que eu descesse do carro.
- Te ligo amanhã. - ele falou e foi embora. Olhei para a casa de . O que eu estava fazendo com eles? Onde eu estava com a cabeça, exatamente?
Entrei em casa e me esperava, sentada no sofá.
- Hey, tudo certo?
- Ah, nem pergunte. Minha cabeça parece que vai explodir. - despejei, jogando-me no sofá ao lado dela.
- O vizinho gato passou perguntando por você, falei que não sabia onde estava.
- Obrigada.
- Mas então... O que você vai fazer com essa situação?
- Não há uma situação. e eu ficamos juntos uma noite, isso não implica em nada.
- Ainda acho bom que vocês conversem. - ela falou mordendo uma batatinha.
- Ligo pra ele amanhã. - disse bocejando.- Agora acho que preciso dormir.
- Boa noite... Tenha bons sonhos.- ela falou, rindo.
- Não amola. - respondi dando risada e subi para meu quarto, fechando a porta. Encarei minha cama. Fui até o guarda roupas e me despi, pegando um pijama e vestindo de qualquer jeito. Deitei a cabeça no travesseiro calmamente, ela borbulhava com pensamentos e perguntas
que eu não sabia responder. E provavelmente não saberia tão cedo.
Acordei assustada com a porta do meu quarto sendo aberta, e dei de cara com . Ele adentrou o aposento e fechou a porta atrás de si com brutalidade. Sentei na cama assustada pensando em como ele teria entrado ali. Veio em minha direção e senti seus braços urgentes em meu rosto, logo em seguida o toque de seus lábios cobrindo os meus com pressa em um beijo ao mesmo tempo bruto e quente. Ele acariciava meu rosto com uma das mãos enquanto a outra em minha nuca puxava de leve meu cabelo. Assustei-me quando ouvi a porta abrir novamente e rompi o beijo.
- ?- falei desesperada. Como aquilo estava acontecendo?
- , mas o que...?- ele falou olhando para e em seguida para mim.
- Eu... Eu não sei como explicar... Eu... Só... Aconteceu. - o nervosismo estava estampado em minha voz.
- , olha...- ele falou sentando-se ao meu lado. Ok, eu estava sonhando, certo? - Eu não posso dizer que me importo, considerando o fato que nós não temos, bem... Nada demais.
- Certo… - olhei de um para o outro tentando entender o que estava se passando quando senti aproximar-se de mim. Ele tocou meu rosto, fazendo com que eu olhasse para ele ainda confusa, e tomou meus lábios em um beijo carregado de segundas intenções. Quando nos separamos olhei para , que apenas observava tudo. Foi a vez dele de vir me beijar. As mãos ágeis de invadiram minha camisa enquanto a língua de explorava minha boca. Soltei um gemido quando começou a acariciar meus seios, e então...
Eu acordei. Frustrada, não posso negar. Estava ofegante e olhei em volta pelo meu quarto procurando por algo que me fizesse crer que estava acordada. E foi com esse sonho que eu percebi que tinha um problema bem sério pra cuidar.
Liguei para na manhã seguinte. Ele atendeu após três toques com uma voz de quem já estava acordado há um bom tempo.
- ?- ele falou, surpreso.- Aconteceu alguma coisa para me ligar a essa hora? Não deveria estar na aula?- Oh céus, a faculdade.
- Eu, hm, esqueci. Com tudo que tem acontecido, eu ando meio atrapalhada.
- É, é muita coisa pra aguentar, eu suponho.
- Enfim, , sinto muito por não ter aceitado sua visita ontem, eu estava meio ocupada...
- Eu vi que você voltou tarde. - ele falou, indiferente. Espero que ele tenha visto apenas isso. - Quem era no carro?
- O irmão da minha amiga. - como eu sou mentirosa! - Ele fez o favor de vir me trazer devido ao horário e tudo mais...- silêncio.
- Então...
- Oh, sim, eu queria saber se o convite para sair hoje ainda está de pé.
- Claro. Te pego às oito. , você vai me desculpar, mas eu estava prestes a resolver uns assuntos e..
- Sem problemas. Até mais tarde.
- Até. - desliguei.
Eu precisava resolver essa situação, quanto antes melhor. Desci para a cozinha na esperança de que pudesse me ajudar.
- Faltando muito?- perguntou , que estava lavando a louça.
- Não sei o que aconteceu com o despertador...
- Ele tocou. Você que estava apagada. - ela sorriu, fechando a torneira.- Não quis te acordar, você parecia realmente cansada, babando e tudo mais.
- Não saia espalhando por aí.
- Tarde demais, já mandei para o jornal. - rimos enquanto eu pegava uma xícara de café. - E aí?
- Não sei, . - larguei-me sentada no sofá e ela sentou-se também. - Não sei o que fazer mesmo.
- Talvez você devesse ser direta com . Quer dizer, vocês só passaram uma noite juntos, mas se ele já veio te procurar ontem à noite, quer dizer algo, não?
- Não necessariamente, eu creio.
- Simplesmente pergunte a ele. Praticamente indolor.
- Perguntar se nossa transa de uma noite teve algum significado ou foi só isso? Acho que talvez seja melhor esperar algum tempo antes disso. E tem o ...
- , o gato sinistro.
- Por aí. Sabe, definitivamente sinto uma atração física por ele.
- Se aquilo com foi só uma noite, não sei porquê não mandar ver com o Olhos Azuis.
- Eu me sentiria meio... Vadia.
- Entendo... Então espere alguns dias e reze para ele não te ver hoje à noite com o bonitão aí.
- É cedo pra me preocupar com essas coisas, vou esperar mais algumas semanas antes de surtar.
- Ponto pra você. - ela ligou a TV e estava passando algo sobre alguma notícia urgente.
“A polícia suspeita que pode se tratar de um serial killer que não atacava há algum tempo. O padrão no corpo das duas vítimas é o mesmo: esquartejadas e sem o dedo indicador da mão esquerda.”
- Isso acabou de ficar sério. - falou , apreensiva.
- Sinto que ainda vai piorar. - senti um calafrio percorrer minha espinha. E não era dos bons.
XX
Eram oito horas quando a campainha tocou. Exatamente oito horas.
- Céus, gente pontual é um porre... - bufou , indo atender a porta enquanto eu terminava de passar maquiagem. - Olá, ela já vem...- ela saiu andando, deixando a porta aberta e foi para o andar de cima.
- Ela é meio... Assim. - falei sorrindo.
- Sem problemas... E devo acrescentar que você está muito bonita. - ele falou sorrindo, e saímos.
A noite correu tranquila. Fomos jantar em um restaurante e depois me levou para a casa dele. O toque dele tinha efeitos diferentes dos de em mim, e eu me peguei comparando os dois. Claro que não tinha como comparar a transa de com a de alguém com quem eu nunca havia transado, então era um bônus a favor dele.
Acabei dormindo em sua casa, e o processo daquela manhã se repetiu nessa. Porém, dispensei as panquecas e fui para casa.
- Bom dia. - falou, assim que eu entrei em casa.
- Banho, faculdade. - falei rapidamente. Tomei meu banho, apressada, e me troquei correndo, em tempo de ir para a universidade. Estacionei o carro e o dia correu normalmente a partir daí.
- Hey, !- alguém me chamou na saída das aulas.
- , oi.- falei sorrindo.
- Então, como andam as coisas?
- Tudo certo... E com você?- Isso tá pior que conversa de MSN.
- Indo... Então, meus tios estão na cidade, e eu queria te convidar para jantar conosco.
- Desculpe, , mas eu tenho um compromisso com mais tarde.- falei, encerrando de vez qualquer dúvida que houvesse ali, mesmo que isso fosse mentira.
- Oh, certo... Te vejo por aí então.- ele sorriu e se afastou.
Cheguei em casa exausta, e não estava. Subi para meu quarto e deitei na cama, encarando o teto. Conforme o sono foi chegando, algumas imagens foram passando pela minha cabeça. Coisas do passado, que eu preferia que ficassem enterradas para sempre.
Capítulo 6 – So Cold
“Show me how defensless you really are”
Breaking Benjamin - ‘So Cold’
*Flashback*
A garota corria, chorando. Corria o máximo que podia. Não pensou que isso fosse possível, que algo assim fosse lhe acontecer. Fugia. Entrou em casa, para esconder os gritos que não poderiam ser ouvidos, pois não havia ninguém ali, as lágrimas que não seriam vistas por nenhuma pessoa e o desespero que ninguém conseguiria sentir. Seu coração batia forte enquanto ela trancava a porta e corria para a cozinha em busca de alguma segurança. Pegou a faca na gaveta, e ao ouvir o barulho da porta sendo chutada, correu para o andar de cima, trancando-se em seu quarto. Sentia o terror aproximando-se quando a porta dos fundos foi fechada, mas estava segura por enquanto, e se a porta cedesse, ela usaria a faca em sua mão como último recurso.
Ouviu os passos calmos. Afastou-se da porta e se assustou quando os chutes começaram. Ela chorava e implorava para que aquilo parasse, não entendia como havia acontecido ou o porquê de estar acontecendo. Ela não percebera.
O barulho parou e ela pôde ouvir sua respiração ofegante enquanto encarava a porta. Quando o barulho recomeçou, soube que não estava mais segura. E chorou. A porta desprendeu-se e se abriu, revelando o que tinha do outro lado. Ela implorou, gritou, chorou, mas foi em vão. Soube o que aconteceria quando foi pega pelos pulsos e prensada contra o chão, a faca que segurava voando longe.
“Não, por favor, eu imploro...”
Ela sabia que não tinha como. Sentiu quando mãos violentas e brutas despiram seu corpo e a última coisa que foi ouvida por aquelas paredes foi um grito. De dor, de desespero, de socorro.
*Fim do flashback*
Acordei assustada e ofegante. Estava encharcada de suor e as lembranças vinham como raios em minha mente. Eu pensei ter esquecido isso, pensei que essas cicatrizes haviam ficado no passado, mas agora elas voltavam para me assombrar.
- !- gritou do andar de baixo. Pude ouvir seus passos na escada e a porta do meu quarto se abriu. - Tá tudo bem? Você deu um berro enquanto dormia.
- Sim, ... Foi só um pesadelo.
- Ok, se você diz... Se precisar é só chamar.
- Obrigada. – falei, ainda tentado normalizar a respiração, encostando a cabeça de volta no travesseiro. O passado estava de volta.
XX
Acordei no dia seguinte ainda com as imagens daquela noite em minha cabeça. Levantei-me e fui até o computador, ligando-o. Mandei um e-mail para minha mãe e outro para , esperando notícias de alguém. A resposta de minha mãe não demorou, mostrando que ela estava online naquele momento, o que fez com que eu ficasse também.
“ Rita: Filha, que saudades... Como está tudo por aí?
: Indo, mãe.. Alguma notícia da ? Ela ainda não chegou.
Rita: Mas que estranho, ela já foi embora há dias.
: Jura?
Rita: Claro que sim. Vou ligar para Samantha e perguntar, só um instante.
: Ok.
Rita: Ela confirma que ela já foi.
: Estranho não ter chego ainda.. Vou tentar ligar para ela. Os pesadelos voltaram.
Rita: Oh filha, não acredito... Aquilo... Aquilo foi algo terrível, mas nós temos que ir em frente... Eles também vêm para mim, às vezes.
: Os seus são menos brutais que os meus, acredite.
Rita: Querida, ligo para você mais tarde para conversarmos melhor, John está com problemas lá no quintal... xoxo
: Até.. xx”
John era meu padrasto. Meu pai... Bem, era uma longa história. Sentei-me na cama com o telefone na mão e digitei o número do celular de . Nada, caixa postal. E foi aí que eu ouvi um berro vindo do andar de baixo.
- , o que houve?- falei, correndo escada abaixo. Ela olhava aterrorizada para o chão à sua frente, com as mãos na boca.
- Céus... Isso... Isso... Chegou para você! - ela tremia enquanto apontava para algo que estava fora do alcance da minha visão. Dei uns passos para o lado até chegar perto dela, e olhei o que tinha provocado aquilo. Minhas pernas quase cederam. Fui até o envelope e peguei seu conteúdo.
“Isso é apenas um souvenir, espere até amanhã.”
Olhei o dedo indicador jogado no chão da cozinha e o esmalte azul chamou minha atenção. Quando olhei novamente dentro da carta, havia algo mais. Puxei, e assim que
meus olhos pousaram naquilo, senti minhas pernas cederem de vez, a vista escurecer, e ouvi a voz de longe gritando meu nome.
Acordei horas depois e olhei ao meu redor com a vista ainda embaçada. Estava em um leito de hospital e uma preocupada permanecia sentada ao meu lado.
- Você acordou, graças a Deus.
- O que aconteceu?- falei ainda zonza.
- Você... Você viu a foto que estava dentro daquele envelope e desmaiou em seguida... Eu não sei o que era, mas deve ter sido realmente perturbador. Chamei para me ajudar a te trazer pra cá, ele está com a polícia e a foto ali do outro lado. - ela apontou na direção deles.
- Sinto muito. - foi tudo que disse, aproximando-se de nós e olhando de relance para os policiais que iam embora.
- SENTE MUITO?!- gritei. - EU TENHO UMA FOTO DA CABEÇA DA MINHA MELHOR AMIGA E ESSE É O MELHOR QUE VOCÊ PODE ME DIZER?!
- , calma... Não tem nada que eu possa dizer pra... - ele começou.
- PUTA QUE PARIU, QUAL É O SEU PROBLEMA?!- exclamei. empurrou-me de volta para a maca da qual eu havia me desencostado.
- Calma, . A culpa não é dele, nem minha, nem sua. Se acalma, por favor. - ela falou. Eu chorava descontroladamente.
- Des... Desculpe. Eu estou realmente nervosa. - falei exaltada, mas controlando meu tom de voz.
- Eu imagino, mas não há motivos para descontar nele. Afinal, conseguiu que você saísse daqui ainda hoje.
- Obrigada.- eu solucei em agradecimento.
- Não se preocupe. Vem, vamos te levar pra casa. - ele disse. Ok, eu me senti realmente mal por ter gritado com ele daquele jeito e ainda ser tratada tão bem. Minha consciência parecia ter sido atingida por uma bigorna.
- Eu só queria que isso parasse... – choraminguei, enquanto caminhava para fora do hospital com os dois. olhou-me aflita e meneou a cabeça
.
Chegamos em casa. Eu estava tremendo e vi Mimi nos aguardando, olhando pela janela. Ela era inteligente demais para um cachorro, juro. Subi para o quarto. Um trauma seguido de outro era muito pra mim, eu só queria que isso acabasse.
- Eu passo amanhã pra ver como você está. - falou , despedindo-se com um aceno de mão na porta do meu quarto. Assenti com a cabeça e deitei-me na cama. Dormi sem precisar de muita história.
A foto com a cabeça de ficou me atormentando a noite toda em pesadelos, e acordei às 5 da manhã completamente perturbada. Desci a escada, com Mimi em
meu encalço, e fui até a cozinha beber água. Chegando lá, olhei novamente pela janela para o mesmo lugar onde jurava ter visto alguém no outro dia. Nada. Coloquei o copo na pia e subi, tentando voltar a dormir.
*Flashback*
- Mãe? Pai?- ela falava, enquanto andava pelo jardim. O céu nublado e o tempo levemente frio faziam parecer que era mais tarde do que realmente fora. A grama tocava de leve seus pés descalços enquanto ela procurava os pais. O pai havia saído primeiro, dizendo que veria que barulho havia sido aquele do lado de fora da casa. A grande casa
localizada no campo era relativamente isolada e rodeada por um bosque, o qual ela sempre teve medo de chegar perto. A mãe saíra depois,
quando ouviu um barulho parecido com um grito vindo de algum lugar lá fora.
- Não se mova, fique dentro de casa e tranque tudo. - ela falou para a garota, pouco antes de sair pela porta dos fundos em direção ao bosque. Talvez fosse melhor se ela tivesse obedecido.
- Mãe? Pai? Cadê vocês? - ela ainda chamava, indo em direção ao local que havia visto a mãe seguir. Quando chegou à orla do bosque, soube que não teria escolha. Embrenhou-se
pelas árvores e podia ouvir o farfalhar de folhas sendo pisadas em algum lugar próximo, talvez na clareira, onde seu pai a levava para acender fogueiras e comer marshmallows quando criança. Agora, ela já tinha seus dezesseis anos e a tradição havia cessado. Ouviu vozes próximas, mas não conseguia entender o que elas falavam. Seus pés doíam, com cortes e arranhões causados pelos galhos secos e quebrados no chão que pisava. Aproximou-se com cautela, algo dentro dela lhe dizia isso e também dizia que algo ruim estava para acontecer. Seu coração quase saiu pela sua boca quando ouviu passos rápidos ao seu lado, encarou sua mãe aterrorizada e extremamente machucada mirando-a com desespero.
- Céus, querida! Fuja rápido! Vá para dentro de casa e chame a polícia, vai!- A mãe gritou e empurrou-lhe para o lado que levava de volta pra casa. Correu sem saber o que acontecia, apavorada pelo estado da mãe, e quando chegou de volta à orla, sentiu-se perdida ao ouvir o grito de sua mãe vindo do local que havia sido deixada. Ficou encarando o bosque por um tempo, em choque, enquanto se afastava de costas para a casa e pôde ouvir os passos rápidos daquela figura se aproximando. Encarou o homem vestido de preto com uma máscara de esqui e sentiu sua respiração ficar ainda pior quando viu seus olhos. Ela conhecia aqueles olhos. O homem arrancou a máscara, mostrando que ela estava certa.
- Céus, não... Não é possível, você...
- Não precisa ficar assustada. Ninguém percebe, isso não te torna burra.
- Eu confiei em você, nós...
- Nós fizemos muitas coisas juntos, minha querida. Agora acabou. Uma pena que tenha que ser assim.
Ela sentiu lágrimas de raiva em seus olhos e urrou de volta para ele:
- O QUE VOCÊ FEZ COM ELES?!- ela se afastava sentindo medo, mas ao mesmo tempo queria deixar que a raiva tomasse seu lugar.
- Sua mãe vai acordar em algumas horas... Quanto ao seu pai... Bom, foi uma verdadeira obra prima. - ela parou em choque, encarando o sangue em suas luvas e em sua roupa, e entendeu.
- SEU MONSTRO!- gritou inutilmente.
- É, eu sou. - ele falou indiferente. E então ela deu-lhe as costas e começou a correr...
*Fim do Flashback*
Acordei com lágrimas em meus olhos e o suor escorrendo em minha testa, novamente. Esses pesadelos estavam de volta, era culpa de tudo que estava acontecendo.
O fato daquele homem nunca ter sido pego foi o que mais mexeu comigo. Não conseguia dormir à noite, não conseguia sair de casa sem medo, mas nada foi pior do que a imagem do corpo de meu pai que eu vi de relance. Minha mãe foi para o hospital com um machucado sério na cabeça, e meu pai... Meu pai foi assassinado brutalmente. Eu ouvi quando os policiais contaram para minha mãe sobre o que aconteceu, ele foi torturado antes de tudo acabar, antes que finalmente pudesse descansar. Eles só não entendiam o porquê, ou quem fizera algo assim. Ele fugira e nunca mais foi visto. Nunca pude ver direito o corpo de meu pai, seu caixão foi fechado, o que só me deixou a imaginar o estado horrível que estava seu corpo. Essas lembranças tinham sido controladas e ficaram no passado, eu já havia superado, mas com esses assassinatos acontecendo, tudo estava voltando à tona. O assassinato, o estupro, tudo... E não tinha como compartilhar isso com ninguém, era muito doloroso pra mim e eu não precisava que alguém me visse assim tão frágil, mas eu sabia que depois de hoje as coisas não voltariam ao normal.
Capítulos betados por Ana Caroline Mello
Continua...
Nota da Autora: Desculpem a demora mesmooo.. tive uns problemas pessoais e tbm com o meu computador :x
enfim, espero que a fic esteja boa até agora e gostaria de agradecer à todas as pessoas lindas que têm comentado, seus comentários me deixam mega feliz.. xD e agradecer tbm à minha beta que é uma fofa e que eu escolhi bem pq ela gosta de praticamente tudo q eu gosto, vai entender, talvez eu tenha um sexto sentido :]~
Prometo que a próxima att não vai demorar tanto quanto essa..
;**
Nota da Beta:Meninas, já sabem: caso tenha algum erro de português/script/html, podem entrar em contato comigo pelo twitter ou por e-mail.