GOING TO 30
Escrita por: Vicky Amaral
Betada por: Bih Hedegaard


Prólogo

- Hesol's, senhor Flanraff?
- Mas é claro, senhora Flanraff!

“... And I'm crazy for you!”

Ai, eu adoro esse filme! Ele é tão bonitinho, não consigo segurar as lágrimas. Bom, na verdade eu adoro todo tipo de comédia romântica, né, mas essa é especial... A história da menina de treze anos que, depois de um pedido, acorda com trinta e descobre que sua vida não é o que sempre sonhou. E no final, quando ela descobre que seu melhor amigo iria virar o amor de sua vida no futuro? Lindo! Nunca parei para pensar no que eu faria quando tivesse trinta anos. Hm, eu seria uma cantora super famosa e casada com um ator de Hollywood extremamente rico e gostoso. Algo como Zac Efron, Logan Lerman, Jude Law... Oh, my Jonas!
Por enquanto sou uma garota comum de Londres com apenas quinze anos que é obrigada a ir para o colégio todo santo dia, menos nos finais de semana, claro. Acho melhor ir dormir, senão não vou conseguir acordar para completar a minha odisséia semanal, afinal, amanhã é quarta-feira!

Capítulo 1

“You break you little heart”

Dormia tranquilamente na minha cama macia e gostosa sonhando com o meu muito bem resolvido par, Zac Efron, quando um toque alto me fez tomar um susto e acordar de imediato.
- Mas que porra! – gritei, procurando meu celular para desligar aquela música infernal. Nada contra o All Time Low, adoro-os, principalmente a música que toca no meu despertador, que o momento e o sono não me deixam lembrar o nome, mas, quando se é acordada desse tipo de sonho, você não tem vontade de matar? Ah, tá.
Achei a droga do celular uns segundos depois da música resolver recomeçar e o desliguei sem nem olhar para que tecla eu clicava. É, sono. Levantei e fui direto para o banheiro tomar banho e fazer minha higiene matinal. Saí de lá enrolada na toalha, tremendo de frio. Porcaria de vento gelado e janela aberta. Troquei-me em questão de segundos, o mais rápido que consegui, coloquei aquele uniforme mistura de branco e vinho e desci correndo para tomar meu café.
Meus pais estavam comendo calmamente sem trocar muitas palavras. Quem ainda não acredita que o sono semi-mata?
Passei pelos dois lhes desejando bom dia meio sem ânimo, indo pegar uma maçã na geladeira, já com a mochila nas costas. Minha mãe beijou-me as bochechas animadinha.
- Coloque um casaco, mocinha, está frio. - revirei os olhos e balancei a cabeça positivamente. Meu pai comia seu último pedaço de torrada.
- Venha comigo, eu te levo, já estou de saída. - ele deixou a louça na pia e me olhou, esperando minha resposta.
Brincadeira, né? Papai me levando ao colégio? Era só o que me faltava agora. Pfff.
- Não precisa, pai, acho que já estou grande o suficiente para ir sozinha para o colégio. - ele semicerrou os olhos e revirei os meus de novo - E outra, não vou sozinha, o vizinho aqui do lado, , vai comigo como sempre.
Vi que minha mãe estava prestes a abrir a boca para falar alguma coisa, mas antes mesmo que ela pudesse abri-la, gritei um tchau safado e saí correndo em direção à porta. Odeio que fiquem batucando no meu ouvido, ainda mais àquela hora da manhã. Peguei as chaves no bolso da mochila e abri a porta, dando de cara com o par de olhos mais lindos que já vi e uma mão fechada batendo no ar.
- Hey atrasado. - abri um pequeno sorriso enquanto acenava para o garoto, fechando a porta logo em seguida. Ele ia começar a me responder, porém, puxei-o. Ele passou as mãos timidamente pelo cabelo, bagunçando-o. O vi ainda parado, balbuciando alguma coisa que realmente não entendi e o olhei meio sem paciência - Dá para ser? Hoje tem prova de química! - o peguei pela mão e corri um pouco. Logo ele acordou e me acompanhou, soltando nossas mãos.
é meu melhor amigo desde que me entendo por gente. Na verdade, nos conhecemos desde que eu nasci; ele é alguns meses mais velho do que eu. Sempre fomos vizinhos e nossas mães, amigas de infância também.
Logo, fazíamos tudo juntos. Ele sabe o que eu penso e sinto e eu sei o que ele pensa e sente, é fácil. Apesar de não ser notado pelas meninas do colégio, considero-o lindo e sempre tive minhas quedinhas por ele. Mas nosso relacionamento nunca passou de amizade.
Fomos o caminho todo rindo de algumas piadas novas que aprendera no dia anterior em um programa de TV. Chegamos ao colégio e nos encaminhamos direto para os nossos armários, que eram lado a lado. Quando eu estava quase chegando ao meu armário, tropecei em um pé. Giorgia. Ela e seus clones oxigenados riam escandalosamente enquanto eu estava jogada no chão. me olhou meio preocupado.
- , você está bem? - levantei a cabeça para encará-las com cara de poucos amigos, o sangue fervia e juro que se eu não tivesse visto Ryan vindo em minha direção, teria levantado e acertado uma porrada bem no meio da fuça daquela puta maldita. Sim, era ele, o cara mais bonito, gostoso e popular do colégio. Bem ali na minha frente, estendendo a mão para mim. Segurei a mão dele um pouco desconfiada e tremendo, levantei-me e dei um pequeno sorriso sem ao menos perceber. Sem soltar nossas mãos, Ryan olhou para mim com um sorriso maravilhoso esculpido no rosto.
- Sou Ryan Wilders, pode chamar apenas de Ryan. Você está bem?
- Eu sei quem você é, aliás, todos aqui sabem e estou bem, obrigada. - sorri ainda mais, olhei nossas mãos juntas e corei levemente. Puxei minha mão, soltando-a da dele, que me olhou com uma cara esquisita.
- Não era para soltar. - Ryan falou, pegando minha mão novamente e naquele momento eu nem me lembrava que existia e estava do meu lado, assim como as oxigenadas - Sua mão é tão macia. Por mim não soltava mais. - ia dar uma resposta para ele quando ouvi barulhos atrás de nós e me virei; vi as cinco ridículas com caras de bunda nos olhando passadas.
- RYAN WILDERS, O QUE FOI ISSO? – Giorgia gritava extremamente vermelha.
- O quê? Ah, Giorgia, me esquece, não enche o saco vai! – Ryan disse com cara de desprezo para as meninas e voltou a sorrir para mim – Te vejo mais tarde, linda?
Balbuciei um sim gaguejado. Foi o que consegui responder e depois fiquei observando-o andar pelos corredores brancos do colégio. Ele se virou, deu uma piscadela para mim. Sorri abertamente e encostei-me ao meu armário. Suspirei.
- Planeta Terra chamando, alô?! - balançava as mãos na minha frente. O olhei confusa – Acorda, star girl, temos prova de química, lembra? - concordei meio sem ânimo e fomos para a sala.

Capítulo 2

Depois de fazer aquela prova interminável de química, saí da sala e fui andando pelos corredores. Encontrei me esperando para o intervalo. Olhei para todos os lados discretamente tentando achar o Ryan.
- Está procurando-o, não é mesmo?
– Não, não. Estou procurando o ... O pessoal! – sorri de lado. Desculpa mais esfarrapada EVER.
- Sei, se eles fossem cobras já tinham te mordido! – disse rindo, apontando o nosso ‘grupo’ de amigos sentados em uma mesa no refeitório. Soltei uma gargalhada e fui puxada por ele para me sentar com nossos amigos. Todos riam provavelmente de alguma besteira que ou mesmo haviam dito.
- E o que me dizem, gente bonita? – chegou cumprimentando todo mundo. Sentamo-nos no meio de todo mundo nem ligando se estávamos atrapalhando ou não. Era tão legal fazer esse tipo de coisa.
- Nossa, já estava na hora, né?! – riu – Aí, , tem que ir mais devagar com a , poxa! – continuou, olhando de mim para e recebeu um pedala. Ri alto da cara que fez. estava abraçada a . Deu um beijinho na bochecha dele e perguntou se tínhamos achado a prova difícil. Revirei os olhos assobiando. e negaram como sempre. Riram por terem falado juntos. Dois nerds, sempre se dando bem em épocas de provas. É claro que estava fácil, eram os mais esforçados da turma. Ou seja, nerds de novo.
- Novidade! – revirou os olhos meio sem saco – Vocês têm que passar nota pra mim, assim não dá! Quero ir para Paris esse mês, viu?! – ela não iria caso tirasse notas baixas e estava ficando desesperada atrás de notas. Se o colégio deixasse passar nota assim eu passava com os restos de todo mundo, falo mesmo.
- Só não te ajudo, meu amorzinho, porque também não sei. – deu um selinho nela, que retribuiu sorrindo.
Uma conversa começou, mas eu nem prestei muita atenção, só ouvia gargalhadas e os barulhos dos tapas para todo lado. Só conseguia pensar em uma coisa: O que foi aquilo? Afinal, o que Ryan queria comigo? Por que ele falou daquele jeito com a própria namorada? Aposto que ele nem sabe o meu nome.
- E você, ? – ouvi alguém me chamar e acordei de meus pensamentos. Olhei-os confusa e eles entenderam que eu não tinha entendido ou ouvido e que era para eles repetirem - O que está acontecendo com você hoje? – perguntou me olhando esquisito. Eu ia responder que era só sono, mas fui interrompida.
- Aposto que tem homem aí no meio! – falou rindo, olhando de mim para . Mas que saco! Por que eles sempre fazem isso?
- Nem olha pra mim, foi aquele Ryan. – falou a última parte, cabisbaixo.
- Ryan? Ryan Wilders? Por que? O que houve? – perguntou preocupada.
Respirei fundo e contei para todos o que havia acontecido logo de manhã. Tive que contar com detalhes, lógico. Minhas amigas iriam me fazer de todo o jeito contar os detalhes e não estava nem um pouco a fim de contar de novo. Notei que me olhava com um olhar diferente. Um olhar que eu nunca tinha reparado antes. Um olhar que eu desconhecia.

Estava jogada na minha cama ouvindo música quando ouvi o meu celular tocar. Como de costume, atendi sem nem olhar quem era. Minha voz saiu desanimada e pela resposta que recebi acho que saiu até meio grossa. Não era a intenção.
- Nossa, quanto amor, hein! – reconheci aquela voz que tanto me animava, sorri instantaneamente.
- ! Foi mal, estava aqui pensando na vida. Mas e aí, pode falar. – soltei uma risadinha e ri ainda mais quando ouvi a dele.
- Er, , vem aqui fora na varanda, quero te falar uma coisa. – ai, garoto complicadinho, se ligou, por que não fala logo? Chato.
Murmurei um ‘Ok’ e desliguei o celular, jogando-o na cama. Corri até a varanda. Quando abri a porta ele estava lá, sorrindo para mim. Aproximei-me dele e lhe dei um beijo demorado na bochecha. Percebi que ele estava nervoso já que bagunçava os cabelos sem parar.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntei preocupada, ele já estava me assustando.
- Não, é só que... Droga. – ele disse a última palavra baixinho.
Percebi que aquilo ia demorar um pouco e revirei os olhos, pude reparar em como a lua estava bonita e tive uma idéia.
- Hey, ! – interrompi-o de sua briga particular extremamente engraçada e o puxei sem menção alguma - Vem cá! – fui seguindo pela minha casa indo até o jardim dos fundos, me seguiu sem falar nada. Parei em frente a uma árvore que tinha uma casinha pintada em verde e laranja um pouco já desgastada por causa do tempo. Antes que eu pudesse perguntar se ele se lembrava daquilo ele abriu um super sorriso.
- Nossa casa no espaço!
Comecei a subir. Quando estava quase no topo, olhei para ele, que ainda estava parado olhando para mim com cara de confuso.
- Vamos lá, , isso aqui aguentava meu pai, lembra? – o vi concordar e subir logo atrás de mim. Aquela casa tinha sido construída por nós e nossos pais quando tínhamos 4 anos. Não era grande, mas era aconchegante.
- Nossa, quanto tempo que eu não venho aqui, nem lembrava mais disso. - olhei para ele e sorri, involuntariamente me lembrando de quando éramos menores. Segui calada até a janela e voltei a admirar a lua, que estava maravilhosa. veio logo atrás e se apoiou na janela assim como eu.
– Lembra de quando vínhamos aqui e dizíamos que quando nos casássemos moraríamos aqui?
- Mas é claro, seria impossível esquecer! – ficamos um tempo em silêncio apenas ouvindo os grilos e alguns sapos. A noite estava linda e nada melhor do que um clima bom para esquecer o Ryan por alguns segundos. fez uns barulhos estranhos e me virei, achando que ele estava engasgado, mas não - , eu queria te pedir para... Que merda! – ele disse todo sem jeito com um sorriso tímido no rosto.
- Hey, my star boy, relaxa e fala, ok? – disse tentando acalmá-lo. respirou fundo e disparou a falar.
– Queria saber se você quer ir ao baile de primavera comigo, , você topa? Quer dizer, sempre fizemos tudo juntos e sei lá, queria que o meu primeiro baile fosse com você porque você sabe, né, minha mãe...
- É claro que eu aceito! – disse rindo da cara que ele fez - Seria uma honra ir ao baile com você meu, star boy! – dei um beijo demorado em sua bochecha e ele me abraçou sorrindo. Ficamos ali mais um tempo abraçados observando a lua.

Capítulo 3

Lá vamos nós de novo para mais um dia de inutilidades e perda de tempo. Fui ao colégio junto com e ele estava muito empolgado com o baile. Sua mãe tinha ficado feliz em saber que eu aceitei, não fiquei surpresa com isso, afinal, contava tudo para sua mãe. Tivemos aulas normais e igualmente cansativas, voltamos do intervalo para as duas últimas aulas: de biologia. Naquele dia as duplas seriam sorteadas para um trabalho em grupo. Os nomes iam sendo sorteados e eu torcia para cair com um de meus amigos. Mas fiquei totalmente surpresa ao saber quem era minha dupla.
e Giorgia Smithers! – a professora anunciou. Imagina a minha reação. Melhor de todas, lógico. O sonho da minha vida era fazer um trabalho com aquele pedaço de gente dos infernos.
- O QUÊ? – berramos ao mesmo tempo. Como é que é? Só podia ser um castigo isso, é praga de alguém, só pode. A professora nos ignorou e continuou sorteando os nomes. Esperei por um tempo para pensar no que faria para ficar doente ou me matar com a faca da cozinha. Abaixei a cabeça nos braços, na mesa. Eu poderia chorar de tanta raiva. Mas não o fiz. Alguns minutos depois, pude ouvir a voz arranhada de Giorgia já querendo botar moral achando que era a ‘líder’ do grupo. Ah é, vai pondo a fé.
- Ok, , na minha casa amanhã, às seis horas, não se atrase! – ela disse com nojo na voz. Jogou o cabelo para trás e saiu sendo seguida por suas fiéis escudeiras.

O dia passou sem mais delongas e nada pior do que isso aconteceu (graças ao meu bom Deus!). No dia seguinte, como era sábado, acordei tarde e fiquei enrolando até o tempo de ir à casa da Giorgia. Faltando 20 minutos para as seis horas, saí da minha casa em direção à dela. O caminho não era muito longo, já que a casa dela era perto da minha. Infelizmente. Eu daria muita coisa para demorar mais tempo do que eu demorei a parar na porta da casa na qual eu nunca nem pensei que entraria. Chegando lá, bati na porta e a própria veio me atender com um sorriso até que simpático no rosto. Ela me mostrou a mansão casa e finalmente fomos ao seu quarto. Ela estava sendo muito simpática para o meu gosto. Tinha alguma coisa ali. Ah, tinha. E essa coisa eu jurava que era Ryan. Ou , ela sempre teve suas recaidinhas por ele.
- Ai, nem estou a fim de estudar hoje ! Vamos dar uma festa já que meus pais estão viajando, que tal? – ela disse me olhando com um brilho nos olhos. Eu? Numa festa com os populares? Tá, só pode ser piada, cadê a câmera, Ashton Kutcher...
- Não sei, a casa é sua... – dei de ombros. Se ela quisesse arrombar a casa, ficasse à vontade, não era minha mesmo. Nem ligo.
- Vamos lá, , você vai gostar, pega. – ela jogou o telefone em mim. Espera aí, ‘’? Desde quando eu tinha dado aquela intimidade para ela? Eu hein - Liga aí para as pessoas que eu vou ver se tem cerveja lá embaixo. Ah, antes que eu me esqueça, me chama de Gio. – ela sorriu amigavelmente (de novo) e saiu pela porta do quarto. Estranho, muito estranho.
Meu Deus! Quem é essa pessoa e o que fizeram com a Giorgia? Quer dizer, a ‘Gio’? Ah, tanto faz! Só sei que eu estou gostando dessa nova ‘Gio’. Talvez.
Disquei todos os números da lista e em poucos minutos a casa estava cheia. Gio me apresentava a todos, que me recebiam amigavelmente. Estava adorando aquilo, meu sonho estava se realizando, só faltava meu príncipe encantado. Até que senti uma mão em minhas costas, e sim, era ele!
- Oi, linda, finalmente nos vemos novamente! – sorri meio sem graça, concordando com um ‘É mesmo’ animado - Você poderia me falar seu nome, por favor? Estou louco tentando descobrir. – ele disse fazendo um bico muito fofo, não tinha como resistir.
- Meu nome é , mas pode me chamar de . – Meu deus! Com esse sorriso você pode me chamar do que quiser, meu bem.
- Ok, , queria saber... Você tem par para ir ao baile de amanhã? – o quê? Baile? É claro que eu aceito, senhor delícia.
- Mas e a Gio? – perguntei tentando dar uma de difícil.
- Quem? A Giorgia? Ah! A gente terminou, somos só amigos agora, então você aceita? – sem que desse tempo de pensar ele me puxou pela cintura e encostou o seu nariz no meu.
- Ok, passe lá em casa às 9 horas e não se atrase! – me soltei dele, mandando-lhe um beijinho no ar e saí andando pela festa, conversando com as pessoas. Era bom de mais para ser verdade!

Capítulo 4

Era o dia, meu sonho iria finalmente se realizar! Ir ao baile com ‘O’ garoto. Dar meu primeiro beijo e nada para estragar. Nada e nem ninguém poderia estragar o meu dia, NADA! Nem a merda do celular que ficava tocando sem parar.
– JÁ VAI, CACETE! - gritei procurando o aparelho que parecia que tocava cada vez mais alto - Quem perturba o meu sono de beleza matinal? – atendi educadamente, de novo sem olhar o visor. Estava virando mania.
- ? – disse rindo do outro lado da linha.
- Não, aqui é a Vanessa Hudgens, baby! – rimos juntos.
- Então... A que horas eu passo aí hoje?
- Hein?! – que merda era aquela? Ir onde, quando e por quê? Hã?!
- Você anda muito desligada, mocinha, nem tem falado com a gente direito esses dias, sumiu... Mas, enfim, o baile do colégio hoje à noite, lembra?
Mas é claro que eu lembro, como poderia esquecer a noite da minha vida? Eu, no meio dos populares com o Ryan, é, realmente não tem como esquecer. Eu respondi um ‘uhum’ enquanto me levantava e me espreguiçava.
- Então, cabeçuda, que horas eu passo aí para irmos juntos?!
Espera aí... Nós? Juntos? Ai, cacete, o ! Que merda, tinha me esquecido disso! Ah, mas ele nem iria se importar mesmo.
- Então, , preciso te contar uma coisa... Você sempre soube que eu tenho uma queda pelo Ryan, né? Uma queda não, um barranco inteiro. – ele concordou do outro lado da linha, parecendo que estava com uma batata inteira na boca. Eu ri por uns segundos, mas parei. Então, eu estava na casa da Gio fazendo o trabalho ontem e ele também estava lá e me chamou pra ir ao baile de hoje com ele, você não se importa, né? – fiquei aguardando uma resposta, mas ele não disse nada, ficou em silêncio. Comecei a ficar irritada - ?!
- Não, não me importo, bom baile pra vocês. – foi o que ele disse antes de desligar o telefone na minha cara. Mas que putaria era aquela? Quem ele pensa que é para ficar desligando na minha cara? Ninguém desliga na minha cara, OK?! Ai, quer saber, que se foda! Nada poderia estragar meu dia, nada!

Passei o dia inteiro sem falar com ninguém, apenas me embelezando para o baile. Fui ao salão e fiz tudo o que uma mulher tem direito antes do seu primeiro baile.
Fiquei pensando no e tentei ligar para ele algumas vezes, mas ele não me atendeu.
“Desencana, , de noite ele vai estar lá, afinal, a banda dele vai tocar, né”. Pensei comigo, enquanto uma mulher tirava metade da carne do meu dedo. Gritei e ela me olhou feio. Queria ver se fosse no dela.
O tinha uma banda junto com o , o e o , nunca tinha ouvido nenhuma música deles porque não deixava. Ele dizia que na hora certa eu iria ouvir. Bom, acho que a hora certa seria no baile, certo?

A hora tão esperada chegou. Nove horas em ponto. Estava dando aquela última olhadinha no espelho, antes que Ryan chegasse. Uau, realmente eu me superei, nunca havia me visto tão bonita!
Estava usando um vestido roxo frente única que ia até metade da coxa com alguns detalhes brilhantes e uma faixa num tom mais claro e também brilhante, marcando logo abaixo dos seios. Meu cabelo estava preso em um coque frouxo e com algumas mechas soltas que formavam cachinho; minha maquiagem estava mais forte do que costumava usar e estava simplesmente adorando. E finalmente os sapatos: minhas sandálias eram pratas, bem delicadas, com um salto agulha de dez centímetros. Passei dias treinando para não fazer feio na hora do baile. Olhei no relógio e já eram nove e dez! Onde estava Ryan?
‘Calma, , relaxa, ele vai chegar’ disse para mim mesma tentando me acalmar. Peguei meu iPod e me sentei na minha cama com cuidado para não amassar minha roupa. Tentei não olhar para o relógio. Fiquei ali cantando por longos minutos que pareciam não passar. Não conseguindo me conter, olhei no relógio novamente e já eram dez e meia. COMO ASSIM? ONDE ESTAVA O MERDA DO RYAN? Um desespero começou a passar pelo meu corpo e eu senti as lágrimas chegando.
‘Burra! Imbecil! Otária!’. Eram as únicas coisas que conseguia falar. Ouvi o toque escandaloso do meu celular e saí correndo para atendê-lo; talvez fosse o Ryan. Podia estar preso no trânsito ou sei lá.
- ? Onde você está? Os meninos já vão começar a tocar! – reconheci como sendo a voz da .
- ! O está aí? Deixa eu falar com ele? – precisava falar com o , pedir-lhe desculpas depois da cagada que eu fiz. Não importava mais nada, hora, baile, se eu estava lá ou não. Mas antes dos meninos entrarem eu precisava!
- Ele não está com você? – perguntou me parecendo preocupada.
- Não, eu estou em casa! – meu Deus, onde esse menino havia se metido?
- Nossa, o disse que ia te procurar e sumiu.
Desliguei na cara de e desci as escadas correndo. Quando fui abrir a porta, dei de cara com um machucado.
- ‘Aloka’! O que houve contigo? – olhei assustada para ele, que estava sangrando muito no nariz. Fiquei assustada com aquilo. Era uma cachoeira.
- O Ryan! – ele disse entre dentes.
- O que tem o Ryan? Você o machucou, ? – falei irritada, afastando-me dele. Então era isso? Ele tinha estragado a minha noite? Aquilo não ia ficar daquele jeito! Ah, não mesmo. Não na MINHA noite dos sonhos. Eu tinha me produzido e tudo o mais. Argh!
- QUÊ? Aquele mané que te enganou, ! – ele falou indignado.
- , o Ryan NUNCA faria isso. Quer saber de uma coisa? Vai embora, eu te odeio! Esse é o pior dia da minha vida! – tentei bater a porta, mas ele a segurou com o pé. Saí correndo em direção ao lavabo e me tranquei lá dentro. Sentei no chão e abracei minhas pernas, fiquei me balançando sem parar. Logo as lágrimas rolavam pelo meu rosto sem previsão de término. esmurrava a porta do banheiro tentando abri-la.
- EU ODEIO VOCÊ, , ODEIO A MINHA VIDA, ODEIO TUDO E TODOS! MAS QUE MERDA, QUERIA CRESCER DE UMA VEZ, QUERIA TER TRINTA ANOS COMO NO FILME! TRINTA, A IDADE DO SUCESSO, TRINTA, A IDADE DO SUCESSO...

Capítulo 5

Sem saber onde estava e mais nada, tentei abrir os olhos. Tudo doía e percebi então que estava sentindo uma dor de cabeça horrenda! Tentei abrir os olhos de novo, mas estava tudo muito escuro. Comecei a me levantar e senti uma coisa macia sob meus pés. ‘Não me lembro do chão do banheiro ser tão fofinho assim’ pensei enquanto caminhava sem rumo.
– CARALHO! – pisei em falso e logo senti meu corpo caindo em uma coisa dura. É, provavelmente o chão. Coloquei a mão em minha testa e tentei esfregar os olhos, mas uma coisa me impediu – Uma máscara, é claro! – disse ironicamente e retirei-a, já que impedia minha visão – MAS QUE PORRA É ESSA? – assustei-me de novo. Aquele não era o meu banheiro. Espera, de quem era aquele quarto? Ai, meu Deus, o que eu havia feito na noite passada? Ai, meu santo Efron!
Andei pelo quarto estranho apavoradamente, era tudo tão... Roxo! Eu sempre quis um quarto com tudo roxo, mas minha mãe nunca permitiu, ela diz que quartos têm de ter uma cor neutra. Falando em...
– MÃE! – gritei inutilmente. Continuei caminhando, aquele quarto era enorme e bagunçado. Jesus Luz! Avistei a porta do banheiro. Bom, precisava mesmo usá-lo, acho que a pessoa não ia se importar, né?! Segui até aquela porta e me deparei com várias... Roupas? Era um closet! – Que tudo! – sussurrei enquanto caminhava pelas e roupas e...
- AH! - minha Nossa Senhora da Bicicletinha, dai-me equilíbrio, estou imaginado coisas já! Olhei novamente naquele enorme espelho que se encontrava na salinha e suspirei. Sim era eu. Mas... De pijama? Se é que poderíamos chamar aquele treco que eu estava usando de pijama. Eu estava um pouco, digamos que... Diferente. Coloquei as mãos no meu rosto, aquilo não era possível, fui descendo as mãos pelo meu pescoço e depois... – MEU DEUS, EU TENHO PEITOS ENORMES! – gritei com os olhos arregalados ainda fitando a ‘minha’ imagem. Passei as mãos por todo meu corpo e estava tudo maior! Como assim? – MÃE! PAI! SOCORRO! – saí correndo e gritando. Percebi que estava numa casa completamente desconhecia e, puxa, como era grande. Era muito bonita e de muito bom gosto, isso eu não posso negar.
Deparei-me com um pôster meu na parede, fui me aproximando. Ele era realmente grande, mas não tinha só eu ali, também havia mais 5 garotas que eu já tinha visto em algum lugar. No pôster eu usava uma roupa preta curta e bem apertada, diga-se de passagem, mas até que eu gostei.
- Oi, gostosa, você viu minhas boxers? - WTF? Eu acho que eu perdi alguma coisa, alguma não, várias coisas!
- O QUÊ?! Quem é você e por que está pelado?! – reparei assustada em um homem parado na minha frente. Hm, bonito até; só de toalha e com um físico mais que bacana vindo cada vez mais em minha direção. Arregalei os olhos – NÃO ENCOSTA EM MIM. PAI! – berrei, estava ficando desesperada.
- Esse joguinho de novo? Ok, não me canso dele mesmo! – o homem fez uma cara de safado nojenta e veio para cima de mim. Sem pensar duas vezes saí correndo, peguei um sobretudo e um par de scarpin que estavam na porta, uma bolsa (que deveria ser minha) e disparei para fora daquele apartamento deixando aquele homem gritando meu nome.
Entrei no elevador e apertei o térreo, reparei que estava na cobertura e o prédio possuía vinte e cinco andares. Enquanto esperava o elevador descer, coloquei meu sobretudo e meus sapatos. De repente uma música começou a tocar e minha bolsa vibrou. Abri-a, tentando achar o que deveria ser o meu celular. O elevador parou e uma mulher apareceu e me cumprimentou, entrando e ficando perto de mim, no fundo. Percebi que estávamos no térreo, sorri amarelo para a mulher e corri em direção à porta de saída do prédio.
Várias pessoas me cumprimentavam, mas eu só balançava a cabeça, não conhecia ninguém. Finalmente saí daquele lugar que era realmente chique, mas que estava me dando um pouco de medo. Olhei em volta e suspirei, ainda estava perdida. Ouvi meu nome e comecei a procurar quem me chamava, olhei para uma mulher... Espera, eu já vi essa mulher no, no, NO PÔSTER!
- Vem logo, ! A gente vai se atrasar e dessa vez a culpa será sua! – ela disse rindo e apontando para a porta de trás de um Audi A8 preto, muito digno.
- Desculpa, mas... Eu te conheço? – perguntei com um pouco de receio, não sabia quem era aquela mulher e qual seriam a reação e as intenções dela. Er.
- Ai, ! Bebeu demais de novo, não foi? Entra aí no carro que eu te dou um remedinho, vai. – ela olhou para mim com um olhar divertido e me puxou para dentro do carro.
- Aonde vamos, senhorita Giorgia? – o que o motorista falou? Gio quem? Ela sorriu para o homem e depois deu de ombros respondendo um ‘para a gravadora!’ mais normal impossível. Ai Jesus! Eu já ouvir dizer que ressaca é uma coisa péssima e que deixa as pessoas um pouco atormentadas, mas no meu caso, a situação estava péssima.
- Preciso de um médico! – falei encarando a tal da Giorgia. Ela riu e depois olhou para a janela.
- Pára de ser boba, mulher! As meninas já estão nos esperando pro ensaio, não esquece que a letra mudou e a coreografia também, hein! Ah, deixamos a Chelsea escolher o figurino pra não fazer aquele escândalo de novo. – eu ia responder alguma coisa, mas fui interrompida.
- Chegamos, senhoritas, até mais tarde, senhorita Smithers, até mais ver, senhorita , tenham um bom dia. – o motorista disse enquanto saíamos do carro. Como ele sabia meu nome? Fiquei parada tentando entender a situação, mas fui puxada mais uma vez, por Giorgia.
- Venha, gata, estamos mesmo atrasadas!
Olhei para frente e pude ver a entrada da Universal Records. Não consegui andar, piscar, nem pensar, se não fosse Giorgia me puxar, estaria no mesmo lugar só observando a entrada do céu.

Capítulo 6

Entramos em um saguão quinze vezes maior que a casa de onde saí e uma moça loira, bonitinha até, cumprimentou-nos quando passamos por ela.
- Bom dia, senhorita Smithers, bom dia, senhorita . - sorri amarelo para a moça, balbuciando um ‘Oi’ tímido.
- Quem é essa? – sussurrei para Giorgia, que andava ao meu lado de cabeça erguida.
- Tanto faz. – ela respondeu com desprezo, ainda andando sem ao menos me olhar.
Fiquei observando o lugar e era tudo muito empolgante, eu me sentia extremamente bem mesmo não sabendo o que estava fazendo ali. Segui Giorgia até entrarmos em uma sala. Gigantesca, diga-se de passagem.
- Demoraram, lindinhas, experimentem suas roupas e vamos ao trabalho, temos muitas coisas para preparar hoje, divas. – um homem (com certeza ele era gay) disse, entregando-nos dois cabides com roupas bem interessantes. – As outras meninas já estão trocadas repassando a música já no estúdio ‘B’, só faltam vocês, poderosas. – ele fez uma cara esquisita e soltou um ‘rugido’ enquanto mostrava as ‘garras’. Ri com a atitude da ‘biba louca’ e fui até o que parecia ser o provador.
Tirei a roupa que usava e vesti a que o Ray (assim que chamavam o gay) pediu. Olhei-me no espelho admirando a roupa. Usava um vestidinho curto um pouco soltinho com mangas também curtas, amei, ele tinha um tom meio verde musgo, um charme. Calcei os sapatos de bico fino amarelos que me entregaram e segui uma moça baixinha até o tal ‘estúdio B’. Deparei-me com mais quatro garotas igualmente vestidas como eu, só que com cores diferentes. Todas vieram me cumprimentar com beijinhos e abraços.
- Gostou da escolha, ? Achei que ia ficar legal assim! – uma ruiva de olhos incrivelmente verdes me perguntou sorrindo. Ela que escolheu essas roupas? Ah! Essa devia ser a Chelsea. Concordei um pouco tímida e ela entendeu que era um ‘Sim, as roupas são lindas’. Humildade. Enquanto eu tentava organizar as coisas na minha cabeça, ouvi uma terceira (ou quarta) voz. Olhei para os lados e pude ver de relance uma loira oxigenada de olhos castanhos claros, quase verdes. Havia um certo nojo na voz dela.
- Eu não gostei, e acho que a Giorgia também não vai gostar, onde já se viu? Todo mundo igual? Tem que ser uma coisa mais original. – fiquei olhando meio abobalhada para uma outra que entrara atrás dela, já reclamando da mesma.
- Cala a boca Clair, da última vez que você escolheu as roupas, parecia que tínhamos acabado de sair do zoológico, se não fosse a , a Katty, e a Lizzie, aquele clipe jamais teria saído! – essa menina falante era morena de cabelo bem curto e preto. Assim que viu que a loira oxigenada não tinha resposta melhor, ela nos olhou com um sorriso vitorioso no rosto.
- Tanto faz, Lauren, mas a Giorgia não vai gostar! – Clair (estou decorando o nome delas já) disse dando de ombros e me pareceu que ela ficou chateada.
Elas começaram a discutir e a se xingar. Meu santo Efron, o que mais poderia me acontecer? Afinal, quem eram aquelas loucas e por que estavam brigando mesmo? E pior, o que EU estava fazendo ali no meio? Cansada da sensação, e não aguentando mais ficar perdida, me achei super pior do que os carinhas de Lost! Só tinha uma pessoa que poderia me ajudar naquele momento, .
‘Só espero que ele não esteja mais bravo comigo’ pensei enquanto tentava me lembrar de onde estava meu celular. Reparei que a garota baixinha que havia me levado até o estúdio estava lá mexendo em alguns papéis. Aproximei-me dela e soltei um ‘Hey!’ animado, sorrindo. Ela se virou para mim também com um sorriso simpático.
- Deseja alguma coisa, senhorita ?
- Por que todos vocês me chamam de ‘senhorita ’? Só já está de bom tamanho. – disse com uma voz divertida e percebi certo espanto na menina. – Ok, posso te pedir um favor, é... – eu não sabia o nome dela. ‘Que coisa mais descente, , fica pedindo as coisas para a pobre menina e nem sabe o nome dela! Ótimo, pontos para você’.
- Ingrid! – ela fez uma careta. – Mas é claro, senho... ! É só pedir, estou aqui pra isso. – ela riu da careta que eu fiz ao ouvir o ‘Senho...’ e logo depois relaxou. Dei de ombros sabendo que ela se acostumaria com o tempo e peguei um papel e uma caneta da mesa dela, escrevendo ‘ ’ e virando-o.
- Consegue achar esse cara aqui para mim, por favor?
Ela pegou o papel de minhas mãos e me olhou com um sorriso malicioso no rosto. Oi? Não entendi o porquê daquele sorrisinho. Vi-a sair em direção ao saguão e não mais olhar para trás.
– Mas é claro, com licença.
Fiquei parada alguns minutos realmente tentando entender o porquê daquele sorriso de Ingrid. Fui acordada de meus pensamentos quando ouvi um grito. Olhei na direção de onde tinha vindo o ruído e reparei que Chelsea chorava e Giorgia gritava alguma coisa com as outras quatro meninas. Resolvi ir até lá saber o que estava acontecendo.
- Mas o que é isso? – perguntei já atrás de Giorgia e todas olharam para mim.
- Olha essas roupas, ! Ridículo! Não sei quem é pior aqui nesse grupo! Eu já disse que quero fazer carreira solo. Ou melhor, só eu e você, sem essas inúteis! – Giorgia cuspia as palavras com raiva e pude perceber os olhares tristes das outras quatro meninas.
- Por hoje é só, meninas, vamos para casa descansar e amanhã damos um jeito em tudo. – disse meio receosa, mas logo sorri quando recebi o sorriso de Chelsea. As outras meninas, inclusive Giorgia, bufaram e se retiraram do estúdio. Revirei os olhos e já estava quase saindo dali quando ouvi Chelsea murmurar um ‘Obrigada’ meio sem graça. Pisquei para ela querendo lhe passar alguma confiança e finalmente saí dali, de volta para o meu lugar no Saguão.
Balancei a cabeça tentando organizar meus pensamentos. E agora? O que eu ia fazer? Estava completamente perdida, não conhecia nada e nem ninguém que estava à minha volta, aquela sensação de ‘lost’ voltou a me dominar, até que vi Ingrid se aproximando.
- Aqui , aqui está o endereço de . – ouvi-a dizer em um tom vitorioso enquanto me entregava o papel com os dados.
- Muito obrigada. – sorri sincera e disparei e direção à saída. Precisava encontrar , só ele podia me ajudar.
Capítulo 7

Lá estava eu no endereço que o papel indicava. Encontrava-me em frente a um prédio simples, mas que aparentava ser aconchegante. Andei até o portão e percebi que havia um painel com vários números. Apertei duas vezes o número 53, que era o número que eu tinha registrado em meu papel como sendo o apartamento de .
- Alô, alô! – uma voz grossa de homem saiu do interfone e nos primeiros segundos fiquei sem reação.
- ? ? Eu não sei se é o certo, mas se a sua banda favorita for Beatles, você adorar lagartos e o seu filme favorito for ‘De Volta Para O Futuro’, eu preciso falar com você agora! – soltei tudo de uma vez e finalmente parei para respirar.
- Hein? Alô? Olha, eu não entendi nada. Se você for do restaurante chinês, por favor, toque duas vezes, se não, eu não quero nada, obrigado!
Sem hesitar apertei rapidamente o botão com o número 53 duas vezes. Em uma fração de segundo o portão se abriu. Ele era meio retardado, mas fazer o quê? Entrei no prédio e chamei o elevador, apertei o botão do quinto andar e balançava a cabeça freneticamente enquanto aguardava. O elevador parou e eu disparei pelo corredor, dando de cara com uma porta com o número 53 estampado nela. Respirei fundo e dei duas batidas na porta.
A porta se abriu revelando apenas uma pequena visão da casa já que estava com a trava.
- Você não é chinesa... - ouvi aquela voz que antes estava no interfone dizer e olhei para o homem na minha frente. Meu Deus! Ele tinha mudado muito e estava extremamente lindo! Apesar de ver apenas um de seus belos olhos azuis, sabia que era ele, aqueles olhos eram inconfundíveis! tinha mudado bastante, estava mais ‘forte’, vamos dizer, os cabelos estavam mais compridos, mas mesmo assim continuavam em um estilo bagunçado; sua voz estava muito mais grossa do que eu lembrava e ele tinha uma pequena barbinha em seu rosto. Apertei os olhos, acordando do meu transe. Enquanto ele esperava impacientemente a minha resposta. Ou não.
- ? ? – não, Zac Efron! É claro que era ele, reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar. Até no escuro.
- Sim? – ele respondeu com certa insegurança na voz.
- Ai, Jesus Luz! Não acredito que é você, ! Olha só para você, está assim, o seu nariz não está mais sangrando como ontem... É claro que não foi ontem porque eu não tenho mais 15 anos e... – eu disparei a falar novamente enquanto balançava as mãos no ar.
- , . – aquilo não foi uma pergunta, foi uma afirmação, antes que eu pudesse dizer alguma coisa, fechou a porta na minha cara e pude ouvir barulho de trava de porta.
Uma angústia tomou conta do meu corpo e eu senti as lágrimas chegarem, tudo ficou embaçado e uma forte dor em meu peito surgiu. Fiquei alguns segundos encarando a porta, que se abriu por inteiro, assim como um sorriso no meu rosto.
- ! – gritei e o agarrei por longos segundos, estava precisando daquele abraço, daquele cheiro que ainda era o mesmo.
- , por que não entra? – ele disse em um tom irônico. Olhei para ele e sorri abertamente, soltando-o. Fui entrando em seu apartamento e percebi que não era muito grande e nem tão luxuoso quanto o que eu estava antes, mas era um tanto quanto confortável. Reparei em alguns instrumentos jogados na sala e sorri. – Ah, isso... – ele reparou que eu fitava os instrumentos e coçou a cabeça um pouco envergonhado. – É que eu e os meninos continuamos tocando por aí, sabe? Eles vêm aqui para ensaiar já que as esposas não gostam muito que seja nas casas delas. – ele continuou, rindo. Esposas? Mas e as minhas amigas?
- Esposas? – perguntei temendo a resposta.
- Sim, o se casou com a , o com a e o com a . - abri a boca indignada. Como assim casaram e eu não fui convidada?! Mas que diabos estava acontecendo ali? Já estava farta de perguntas, queria respostas.
- Não faça essa cara, , eles te convidaram, mas você não apareceu. – disse cabisbaixo. Como assim eu não apareci? Eu não fui ao casamento dos meus melhores amigos? Por quê? E ele também era casado?
- , eu... Eu preciso de ajuda! Aconteceu uma coisa muito estranha, eu não me lembro de nada da minha vida e ninguém melhor que você pra me ajudar a lembrar! – disse em um tom de voz que pareceu um pouco desesperado.
- Por que eu, ? – me perguntou em um tom de deboche.
- Porque você é meu melhor amigo, oras! – disse o óbvio e ele riu.
- Não, , eu não posso.
- Mas por que não? – ok, desde quando me nega ajuda?
- Não posso porque não fiz parte dela. Não somos mais amigos, . Não nos falamos desde aquele baile no colégio, nunca mais nos vimos.
- Não! Não! Isso é mentira! Você, você é meu melhor amigo! - aquela angústia voltou e àquela altura eu não conseguiria mais segurar minhas lágrimas, tudo começou a rodar.
- , não chora, por favor! Quer um copo de água? Um calmante? Senta aqui um pouco. – tentava me acalmar e me ajudou a sentar no sofá. Vi-o sumir por uma porta e voltar com um copo de água nas mãos. – Pega, bebe. - peguei o copo de suas mãos e bebi todo o conteúdo. Fui me acalmando aos poucos e parei de chorar. me olhava com um olhar preocupado como há muito tempo não o via fazer.
- Você precisa me ajudar, por favor! – olhei-o suplicante. Ele me retribuía com um olhar duro, mas, ao mesmo tempo, carinhoso. - Eu não sei nem quem eu sou... – sussurrei muito baixo, mas ele me ouviu e balançou a cabeça afirmativamente. Agradeci com os olhos e me levantei.
- Vamos, eu te levo até a sua casa. - pegou o casaco que estava em cima do sofá e me guiou até a porta. Será que tudo finalmente iria se esclarecer?


Capítulo 8

- Eu não sei, , não nos falamos desde o colégio! Depois daquele dia do baile, minha mãe resolveu me mudar de escola e a mãe do o mudou também. Logo todos da nossa turma mudaram, só você que ficou. – dizia enquanto seguia ao meu lado com as mãos em seu bolso.
- Mas vocês nem tentaram me procurar? – belos amigos esses, hein.
- Claro que tentamos, mas você estava sempre com a Giorgia e sua turma. – ele respondeu dando de ombros. – É aqui que você mora agora. - olhei para cima e pude ver o prédio em que eu me encontrava de manhã. Então eu morava mesmo ali?
- Como você sabe que eu moro aqui? – perguntei fazendo careta.
- Por favor, , todos sabem onde a vocalista principal do The Star Girls mora. Pergunte a qualquer um. – ele disse em um tom debochado e depois riu da minha cara. “The Star Girls”? Vocalista? Eu entendi direito?
- Vocaquem? – perguntei ainda olhando abismada para ele.
- Já vi que isso vai demorar... Vamos subir que eu te explico tudo. - Nossa, que menino autoritário! Subimos então para o ‘meu’ apartamento. Peguei as chaves em minha bolsa (como elas foram parar ali?) e abri a porta.
- Bom, seja bem vindo ao meu apartamento, eu acho. – disse sorrindo de lado e ainda meio tímida. riu do meu comentário e entrou logo depois de mim.
- É tudo muito... Roxo por aqui. – ele disse ainda rindo.
- Quer beber alguma coisa? Acho que tem bebida na geladeira. – vi-o sorrir e concordar com a cabeça. Fui até a cozinha e abri a geladeira; encontrei várias garrafas de bebidas alcoólicas. Fiz uma careta e peguei duas latinhas de Coca que estavam na porta. Voltei à sala e encontrei-o em pé, pensativo, observando um livro em suas mãos. Parei ao lado dele, entreguei-lhe a Coca e movimentei a cabeça para frente, indicando o livro.
- É o anuário do último ano que estudamos juntos, piores anos da minha vida! – ele respondeu meio amargo, dando um gole em sua coca. Peguei o anuário de suas mãos e me sentei em um dos sofás. Ele sentou-se ao meu lado e comecei a folhear o caderno que estava em meu colo.
- Eu fui rainha do baile com o Ryan! – gritei abrindo um sorriso enorme enquanto fitava uma foto minha com Ryan abraçados. apenas confirmou com a cabeça e virou para a próxima página. - Olha, sou eu aqui também! O que estou fazendo, cantando? – aproximei mais a foto de meu rosto e sim, era eu ali cantando de verdade.
- Acertou de novo! – respondeu com um pequeno sorriso em seus lábios. Virei a página e vi mais uma foto minha só que com algumas meninas.
- Eu aqui de novo! Com a Giorgia, espera, eu conheço essas meninas.
- É claro que conhece, elas fazem parte da sua banda. – ele disse como de fosse óbvio e até um chipanzé soubesse.
- Mas é claro! Giorgia, Chelsea, Clair, Katty e Lizzie. Como não percebi isso antes?! Eu era popular no colégio e hoje sou uma cantora famosa, não acredito que isso está acontecendo! Consegui tudo que eu sempre quis! – gritei entre pulos e gargalhadas de felicidade. se levantou do sofá e foi em direção à porta.
- Bom, parece que você voltou a ser o que era antes, eu já vou indo. Foi bom te ver. – vi-o sorrir com o canto dos lábios.
- O quê, mas já? Eu não tive tempo nem de... – meu celular começou a tocar e fui correndo atendê-lo. – Só um minutinho, , não vai ainda. - atendi e era Giorgia. Conversamos alguns minutos e desliguei; parecia que ela já estava de bom humor. - Era a Giorgia, ela disse que tenho que ir para a gravadora agora ensaiar, vamos ter o lançamento de um single hoje à noite, você quer ir? – perguntei olhando em seus olhos e com um enorme sorriso no rosto.
- Não sei, hoje os meninos vão lá em casa ensaiar... – coçou a nuca.
- Chame-os também. Estou com saudades; queria ver as meninas! Pedir desculpas pelo casamento e tudo mais... – enquanto eu falava sem parar, ouvi por trás da minha voz, dizer algo como ‘Se der aparecemos por lá, tchau’, e a última coisa que ouvi, antes do silêncio, foi o baque da porta.
Corri até a porta após alguns segundos observando o nada e a abri. Ele caminhava até o elevador e o gritei. Parei no meio do corredor e ele continuava a me olhar como se esperasse que eu dissesse algo. Mexi os lábios formando um ‘Obrigada’ e ele sorriu, logo depois fazendo uma careta e entrou no elevador. Voltei à minha porta e entrei em casa. Fitei o espelho no hall de entrada do meu apartamento. E se aquilo não fosse um sonho? E se eu tivesse mesmo trinta anos?
‘Trinta anos, tudo o que sempre quis... Isso é demais!’ comemorei sozinha na minha cabeça. Continuei a me olhar no espelho por mais alguns minutos, peguei meu celular e minha bolsa e desci para o hall do prédio novamente. Na calçada várias pessoas vieram pedir autógrafos e fotos. Seguranças surgiram não sei de onde e me ajudaram a entrar no táxi. Segui em direção à gravadora onde as outras estariam me esperando.
Entrei na sala de ensaio já mais animadinha, quase que gritando um ‘Oi’. Uma mulher de cabelos cacheados surgiu do meu lado e me entregou um papel. Ela devia ser a empresária ou agente, seja lá o que for, peguei o papel da mão dela e dei uma olhada no mesmo.
- Precisamos que todas estejam no mesmo ritmo e tempo, por isso, ensaiaremos o quanto precisar. – as outras fizeram caras desanimadas, mas, como eu tinha acabado de descobrir que fui tudo o que sempre quis, nada me desanimou e fui a primeira a mexer a cabeça freneticamente indicando que estava pronta para qualquer coisa que viesse a seguir.
Passamos horas cantando e dançando e foi muito divertido. Parecíamos melhores amigas. Bom, acho que éramos mesmo, né. Depois de muitas horas de suor, fui para casa. Tinha que me arrumar para estar na festa de lançamento que seria às vinte e uma.

Capítulo 9

Saí do banho enrolada em uma toalha fofinha e fui em direção ao meu closet. Ele era razoavelmente grande e abarrotado de roupas elegantes. Optei por um vestido azul escuro de manga comprida colado ao corpo que ia até um pouco acima do meio da coxa. Coloquei uma sandália de salto estilo gladiador, prata com alguns brilhos. Passei uma maquiagem forte destacando bem os meus olhos e para finalizar, deixei meu cabelo solto e fiz cachos em algumas mechas.
Dei mais uma olhada no espelho, estava magnífica! Peguei minha bolsa e desci. O motorista da limusine já me aguardava.

Cheguei em frente ao pub onde seria a festa, estava lotado! Cheio de fotógrafos, fãs e famosos também. Sorri ao ver que tudo aquilo era para mim. Na verdade, não só para mim, como para as meninas também. Mas era a minha banda. Saí da limusine com vários seguranças à minha volta. Tirei algumas fotos e dei alguns autógrafos antes de entrar.
Era tudo muito mágico, era como eu sempre imaginava que fosse um pub. Tudo escuro com apenas luzes coloridas piscando e iluminando, em cima havia a área vip e em um canto mais pra esquerda tinha um grande bar. Vi Gio vindo em minha direção, sorrindo; ela estava incrivelmente linda também. Logo em seguida todas vieram me cumprimentar, estavam todas nervosas, assim como eu.
- , às vinte e três temos que ir nos preparar para a apresentação que será à meia noite em ponto, ok? – Katty disse animada enquanto pegava sua bebida que o garçom havia acabado de colocar em cima do balcão. Concordei com a cabeça, olhei um pouco em volta e senti um frio bom correr pela barriga e espinha. Voltei meu olhar a elas e sorri.
- Como estão se sentindo?
- Muito nervosa, nem acredito que finalmente vamos lançar esse single! – Lizzie respondeu, ela parecia a mais animada ali no meio.
- Hey, meninas, umas fotos, por favor! – um paparazzo pediu. Juntamo-nos e tiramos algumas fotos em poses diferentes, às vezes sorríamos, fazíamos caretas, nada de muito, ‘Oh, você viu a calcinha dela?’ – Agora só das líderes, e Giorgia, por favor – reparei que as outras meninas se afastaram um pouco cabisbaixas. Não havia gostado nem um pouco do termo ‘líderes’. Tiramos mais algumas fotos e nos dividimos. Cada uma foi para um canto conhecer e reencontrar pessoas.
Estava sentada no balcão tomando meu Martini quando senti uma mão em minhas costas. Virei-me e pude ver com um sorriso maravilhoso nos lábios. Ele estava incrivelmente lindo e bem vestido. Usava uma blusa escura xadrez que realçava seus olhos e eu simplesmente tinha AMADO. Ele disse um ‘Oi’ tímido, quase mudo, e o respondi da mesma maneira. Levantei-me e o abracei.
Acho que o assustei, porque nós dois rimos da reação dele. Ele arregalou os olhos e soltou um ‘Wow’.
- O que foi? Estou tão feia assim? – perguntei insegura. Senti-me a noiva cadáver. Ele era homem, se ele dissesse que eu estava feia, acabava com a minha noite. E ainda mais sendo meu melhor amigo, tinha uma responsabilidade dupla.
- Pelo contrário, você está incrível! – fiquei extremamente vermelha com aquele comentário e senti minhas bochechas queimarem.
- Você também está lindo! - sorriu em agradecimento e pegou em minha mão. Senti falta de ar quando ele me tocou, mas logo voltei a respirar. Ele me puxou até um canto do pub onde pude ver uma pequena movimentação. Ergui minha cabeça tentando ver onde ele estava me levando. Ouvi uma gargalhada escandalosa e gostosa que só poderia ser de uma pessoa: .
Eles estavam ali. Senti algumas lágrimas chegando e congelei. percebeu que eu parei de andar e se virou para me olhar. Antes que ele pudesse perguntar alguma coisa, já fui me explicando.
- E se eles não quiserem falar comigo? – perguntei em seu ouvido e depois me afastei para poder encará-lo novamente. Ele se aproximou de mim e disse em meu ouvido:
– Larga de ser boba, , se eles vieram é porque querem sim falar com você. – logo após falar isso, soltou uma pequena risada. Tive que rir junto, ele tinha razão, se estavam lá, é porque queriam me ver.
Ele me puxou novamente pela mão e continuamos passando pela multidão até chegar à mesa deles. parou e eu fiquei atrás dele, ainda com um pouco de receio. Fechei os olhos e apertei sua mão de leve. Ele acariciou minha mão em resposta e entendi que aquilo era para me acalmar. Respirei fundo e saí de trás dele. Avistei todos eles me olhando sem expressão alguma nos olhos. Senti um aperto no coração e uma vontade imensa de chorar.
- , que saudades, perdida! - foi o primeiro a se pronunciar e veio me abraçar. Senti-me extremamente bem com aquilo; então, ele não estava bravo comigo? Abracei-o mais e alguns segundos depois o soltei.
- boy! Você não está bravo comigo? – perguntei só por perguntar mesmo, depois daquele abraço, acho que era difícil estar, mas tudo bem.
- É claro que não! Isso foi há tanto tempo, o importante é estarmos todos juntos outra vez. – ele me abraçou de lado e bagunçou meu cabelo. Todos rimos e logo os ‘restantes’ vieram me abraçar. Senti-me completamente renovada com aqueles abraços calorosos. - Me perdoem, desculpa mesmo! Eu juro que não sei o que deu em mim, não queria perder amigos como vocês, que são a coisa mais importante pra mim, junto com a minha família e a minha carreira, é claro! – explodimos em gargalhadas e nos abraçamos mais uma vez.
- Sentimos sua falta, , promete que não vai fugir de novo? – me perguntou fazendo uma cara de cachorro pidão.
- É verdade, quem vai fazer aquele bagulho de chocolate que só você sabe fazer, hein? Tô morrendo de saudades daquilo, se tivesse grávido, meu filho já tinha nascido com cara de briga... briga... – brincou, levando um pedala de .
- Brigadeiro, ! Então faz assim, estão todos convidados pra irem à minha casa amanhã comer brigadeiro, o que acham?
- Essa é a minha garota! – disse empolgado e veio me abraçar.
- Ei, vou ficar com ciúmes! – disse olhando feio para mim e , que demos de ombros e rimos da cara de indignada que ela fez.
- Você sabe que é única pra mim, chuchuzinha! – ele disse em uma voz melosa e foi beijar a ‘esposa’. Nossa, que estranho falar isso, esposa. Estou ultrapassada para eles.
- Ei, casal 20, acabou a melação aí! – disse tentando pôr moral.
- Que foi, ? Está assim porque a sua noivinha está em Liverpool, é? – disse e logo todos começaram a zoá-lo. Noiva? O era noivo? Como assim? Eu me senti completamente estranha naquele momento. Não sei explicar o que era, nunca tinha sentido aquilo antes.
- Noi-noivo? – eu perguntei e acho que todos perceberam que eu estava me sentindo diferente...
- Sim, ele não te contou? Vai se casar daqui a três semanas! – disse animado. Forcei o máximo que eu pude um sorriso e acho que funcionou. nem me olhava, acho que estava com vergonha, mas do quê?
- Ah sim, que bom! Meus parabéns, , que vocês sejam muito felizes! – tentei achar outro assunto então me lembrei da apresentação. - Que horas são?
- São vinte e três e dez, por quê? - Jesus Luz! Eu tinha que ir me arrumar!
- Gente, vou ter que me preparar. Divirtam-se, espero eu gostem do show! – sorri e todos vieram me abraçar e desejar boa sorte, menos . Ele forçou um sorriso e me desejou boa sorte com um aceno, então saí à procura das outras meninas, ainda pensando no casamento de .
- Arrasa, lindona! – pude ouvir gritar e ri com isso.