I DON'T TRUST MYSELF LOVING YOU
Fic por: Karolyne e Bruna Fernandes
Beta-Reader: Babi Lorentz
PRÓLOGO
Eu poderia sentir o cheiro daqueles cabelos de longe. Longos e com algumas ondas no final de cada fio, seu corpo sempre me enfeitiçou, suas curvas não dignas de alguma modelo, mas certamente era melhor. Sua pele pálida combinava perfeitamente com seu jeito radiante, ela transparecia luz e por mais que eu negasse pra mim mesmo, no fundo eu tinha total convicção. Seus olhos com cores perfeitas enfatizavam ainda mais sua beleza. Ela era perfeita. Bem, isso se eu não a conhecesse tão bem. Eu sabia de seus surtos de amargura por baixo daquela pele, ela não era tão amável, a incrível garota que um dia eu conheci. Ela era confusa, misteriosa, tal como uma bruxa. Tão confusa e misteriosa que não existia reparo. A imagem de uma vadia rica não escapava da minha mente e nem a cicatriz que ela causara. Não era nada que pudesse ser visto em minha pele e nada que pudesse ser comparado a um tombo de uma árvore alta. O nome dela fazia minha garganta queimar e minha língua enrolar com tamanha frustração. Eu não podia descrever o meu amor e ódio por essa mulher. Há algum tempo atrás, mas precisamente dois anos eu a namorei, mas ao contrário que todos podem pensar, não encostei um dedo sequer naquele corpo. Não a possuí da maneira que sempre almejei e você me pergunta o porquê? Ela não se rendeu, por medo ou até por tentar me levar à beira da loucura. Ela era uma garota má. Eu estava apaixonado e podia jurar que ela também estava, até o dia em que a vi, deitada, prestes a fazer o que nunca havia feito comigo, com um de meus melhores amigos.
CAPÍTULO UM
Estava fazendo um frio de cortar em Londres naquela noite. Eu estava em casa, sem ter nada o que fazer. No auge dos meus vinte e alguns anos eu descobri o quão bom pode ser você beber sem ter pais e nem ninguém para te encher o saco e além de beber, consumir alguns dos meios proibidos. Ultimamente eu ando adorando coisas proibidas e uma delas é as drogas. Você pode estar achando que eu sou um vagabundo drogado, mas não é isso. Eu trabalhei desde cedo com o meu pai e digamos que eu tenha dinheiro o suficiente para me dar este tipo de luxo. “Luxo?” É, luxo. Pra mim é luxo.
Levantei-me do sofá, determinado a sair mesmo com aquele tempo que havia se formado lá fora. Joguei um casaco preto de moletom por cima da roupa que eu vestia e calcei meus inseparáveis vans. Na garagem olhei por um momento a bela caminhonete que eu tinha. Tudo bem que seu modelo não era um dos mais novos que existiam no mercado, mas eu a queria desde sempre. Era uma linda L200 preta, da Mitsubishi . Tamborilando meus dedos no volante, comecei a cantar uma música que tocava no rádio... Who says I can’t get stoned, turn off the lights and the telephone? Me and my house alone, who says I can’t get stoned? (Quem disse que eu não posso ficar chapado? Desligar as luzes e o telefone? Eu e a minha casa, sozinhos. Quem disse que eu não posso ficar chapado?) Ri sozinho enquanto ouvia aquela linda melodia que John Mayer havia feito inspirado em minha pessoa. Eu morava no norte de Londres e, bem, onde eu pretendia ir era um pouco longe, mas, pelo horário, não peguei movimento. Estacionei minha caminhonete em uma esquina e fui dirigindo-me até o beco que eu estava acostumado a pegar as minhas lindas belezinhas. Chegando lá, pude ouvir alguns barulhos de garrafas de cervejas e risadas, como se os dois bandidos que me vendiam drogas estivesses, hm, socializando. Seria legal escutar um pouquinho né? As coisas que esses caras falam às vezes chegam a ser tão absurdas que... São muito absurdas.
- Cara, sabe o que me dá vontade de fazer? – Ouvi o tal de George falar. Os dois que se encontravam no recinto àquele momento, eram da minha idade e por incrível que pareça, haviam estudado no mesmo colégio que eu, mas a minha vida, com a graça do bom Deus, havia tomado um rumo diferente. Mas, tá, isso não interessa agora, me deixa prestar atenção no que o tal George vai falar.
- Transar com um homem? – O outro que pelo que eu lembre se chamava Arthur, falou.
- Só se for pra comer o santo ânus de seu pai – George disse e eu tive que me controlar pra não rir. Ponto pra ele. O outro deu uma risadinha sem graça e George prosseguiu – Tenho vontade de seqüestrar aquela que estudava no mesmo colégio que a gente, a , lembra?
- ? ? Não estou lembrado.
- . Meu Deus, aquilo sim era mulher, eu era bem capaz de seqüestrar ela, trancá-la num quarto e fazer loucuras. Ela deve ser muito gostosa, imagina ela, gemendo em seu ouvido... Me dá arrepios só de pensar. – Espera. Eles estavam falando de quem eu acho que eles estavam falando? ? ? Minha ex-namorada e a vadia que eu odeio tanto?
- Sabe que isso seria uma boa idéia, chefe? A gente poderia seqüestrá-la, fazer o que tinha que fazer com ela e filmar, claro, e depois, ainda dá pra pedir uma bela recompensa pelos vídeos. – Arthur disse e eu fiquei boquiaberto.
- Você até que pensa, meu caro. Achei que tivesse uma azeitona ao invés de um cérebro aí dentro. Mas, no caso de “fazer o que tinha que fazer com ela” fica por minha conta. Se você quiser filmar, fique à vontade. – Só de pensar no que esses escrotos estavam pensando, meu sangue ferveu. Fechei minhas mãos em punho, respirei fundo e tentei não perder o controle.
- E se ela resistir a nos dar a grana, é simples, executamos. Já fizemos isso tantas vezes não é chefe? E ela não vai ser nem a primeira e nem a última gostosa que iremos fazer isso. – Não. Isso estava fora de cogitação. Por mais que ela seja a vadia que eu odeie e que me fez sofrer durante esse tempo todo, ela não merecia isso. Eu fico imaginando esses dois energúmenos tocando nela, fazendo maldades com ela. Por mais que eu fosse o cara mais frio do mundo, não conseguiria pensar em fazer isso com uma pessoa. É, definitivamente, eu não sou o cara mais frio do mundo. Pensa , pensa ...
O momento era tenso. Eu estava em um beco escuro em uma área de Londres que eu não conhecia muito bem, ouvindo dois bandidos confabularem para seqüestrá-la. Ela. ELA. O que eu devia fazer? Bater neles até a morte? Só se for a minha morte! Ligar pra polícia? E alegar que eu estava indo comprar pó e maconha e ouvi eles falando... Aí eles aproveitam e me colocam dentro do camburão por compra de drogas. É, , você está fodido meu amigo. Se bem que...
Levantei-me silenciosamente e quando fui virar-me e sair daquele lugar, meu braço esbarrou em uma das garrafas de cerveja vazia que estava em cima do lixo. Droga.
- Quem está aí? – George levantou rapidamente e foi como um touro em direção à porta.
Não sabia o que fazer, fiquei estático esperando que meu corpo correspondesse os comandos do meu cérebro e desse o pé dali o mais rápido o possível. A porta se abriu e a luz que vinha da pequena sala iluminou o meu rosto assustado. George de cara me reconheceu. Não pensei nem uma vez e meia, comecei a correr o mais rápido que pude. Eu estava ferrado, eu estava ferrado e eu estava ferrado. Notei que os dois corriam atrás de mim. Já deviam ter percebido que eu tinha ouvido toda a conversa deles e com certeza haviam ligado os pontos. Eu, , namorados, ex-namorados, conversa de seqüestro, idiota ouvindo tudo atrás da porta. Isso tudo seria igual à: correndo o mais rápido que podia pra tentar salvar a pele da garota. E era isso que eu iria fazer, ou tentar pelo menos. Se eu fosse pra minha casa dormir e ficar chapado eles iriam fazer o que haviam pensado com e depois viriam atrás de mim. era uma garota rica, da alta sociedade de Londres. Isso seria capa de todos os jornais e quem soubesse de toda aquela brutalidade, ou seja, eu, eles iriam certamente aniquilar.
Consegui chegar à minha caminhonete e acelerei mais do que não era permitido, ou seja, Deus me guie e guarde. Estava aflito, toda hora olhava para o retrovisor para verificar se não estava sendo seguido. Olhei para o relógio do carro e marcava quase uma hora da manhã. Pude sentir um farol alto vindo logo atrás de mim e notei que eram eles, não conseguia parar de pensar o quão ferrado eu estava se não achasse um meio de sair e despistá-los. Respirei fundo e com tudo que meu pai me ensinou sobre direção defensiva e com o pouco que aprendi na auto-escola, comecei a fazer loucuras. Atravessei inúmeros sinais vermelhos e sempre com eles na minha cola. Eu estava fazendo um caminho desconhecido, não sabia ao certo o que pensar naquele momento. Pisei mais fundo no acelerador e então vi uma luz branca vindo em minha direção, desviei o mais rápido que pude e senti o choque de dois carros, eu tinha me livrado, mas parece que meus companheiros ali de trás não. Olhei pelo retrovisor e parece que aquele maldito motorista bêbado que eu xingaria muito se tivesse batido em mim, me fez um favor. Eles estavam lá, detonados com seu carro velho e ouvindo um bêbado xingar até os alienígenas existentes em algum lugar da terra. Eu teria tempo ou até mais do que isso, talvez eles nem viessem mais atrás de nós, mas como eu não confio muito na minha sorte, resolvi seguir o caminho em direção à casa de o mais rápido o possível. Eu não podia perder tempo.
Fiz o caminho que em dois anos eu ia quase todos os dias e logo cheguei à casa de . Saí do carro às pressas e olhei para a porta de entrada, havia jurado a mim mesmo que nunca mais colocaria os pés naquela casa. Pensei no óbvio e que talvez não pudesse ter mudado, me agachei e levantei um dos pequenos vasos com flores que existiam ali e embaixo de um deles estava a chave reserva da casa. Sempre achara isso um absurdo, ela, uma menina que mora sozinha em uma casa de luxo, em Londres, rica e com uma chave reserva embaixo de um vasinho com flores? Isso é bem o tipo de , nunca se preocupava realmente com as coisas, ela nunca vai mudar.
Entrei tentando fazer o mínimo de barulho o possível e olhei ao redor, tudo estava exatamente como eu havia visto pela última vez. Subi as escadas, percorrendo o caminho que eu mais adorava, que dava para o quarto dela, para o lugar da casa onde tinha o cheiro dela, as coisas dela e... Ela. Abri a porta vagarosamente e vi que a televisão estava ligada e estava deitada de lado, virada para a mesma. Vestida com apenas uma blusa curta, regata e uma calcinha branca com coraçõezinhos vermelhos. Suspirei mais para mim mesmo ao pensar em tudo o que passamos juntos, mas aquele não era o momento. Estava tudo girando em minha cabeça e existiam muitas informações para serem diluídas.
Eu não sabia como chamar a atenção dela, parecia que estava prestes a pegar no sono, tão serena... Mas eu tinha que tirá-la dali o quanto antes. O único som que saiu de mim foi um alto pigarro a fazendo olhar rapidamente na direção da porta. Assim que me viu, escorado no vão da porta de braços cruzados a encarando sem desvios, sua boca foi escancarada pela surpresa. Eu.
CAPÍTULO DOIS
- O que você pensa que está fazendo aqui? – ela perguntou algum tempo depois, assimilando a idéia de me ver após tanto tempo. Detalhe: Em seu quarto.
- Te salvando – eu respondi seco. – Agora levante rápido e vista-se.
- Como é? Mas que porra é essa? – ela perguntou alterada – ! O que está acontecendo e por que eu estou falando com você? NO MEU QUARTO? Caralho, responde!
- Não tenho tempo para os seus showzinhos – eu disse indo apagar a televisão e indo para a janela verificar se havia algum perigo – O que faz ainda sentada aí me olhando? Já disse, vista-se!
- Como assim não há tempo? Você tem noção do que está fazendo? Ou resolveu assumir a loucura de vez? Você só pode ter algum problema mental, uma pessoa em sã consciência não faria isso... Pois bem, vamos recapitular os últimos acontecimentos, por favor – ela disse irônica e se ajeitando melhor na cama.
- , eu já disse... – eu comecei a falar, mas ela logo me cortou.
- Cala a boca! – ela fez sinal com o indicador – Você invade minha casa, após anos sem nem ao menos olhar em minha cara, entra no meu quarto, a essa hora da madrugada e ainda acha que tem o direito de dizer o que eu devo ou deixo de fazer? – ela falou enumerando nos dedos - , se toca!
- Você acha que eu gostaria de estar aqui? Pensa. – eu a fuzilei com os olhos – Eu tenho os meus motivos.
- Ah você tem os seus motivos? A merda você e os seus motivos! Eu não tenho nada a ver com isso. Eu não quero mais saber o que você veio fazer aqui, da última vez que nos vimos, não terminou muito bem, e eu estou querendo DISTÂNCIA de problemas. E você é um dos grandes, então faça o favor e some daqui, ou melhor, some da minha vida de uma vez por todas e me deixa em PAZ! – ela disse, já se levantando e indo em direção a porta.
- Não – eu falei sem encará-la, estava ainda com os olhos fixos na rua deserta – E não adianta fazer birra e se fazer de menininha mimada que eu não estou com um bom humor hoje.
- Com ou sem humor, você vai sair daqui, ou por bem ou por mal. Sai agora – ela falou firme e eu olhei de relance para ela que segurava a maçaneta da porta - SCRIPT>document.write(Danny). Fora!
- Onde você guarda sua mala? – eu perguntei indo para seu armário a ignorando – E sim, você vem comigo.
- Eu já disse para você cair fora! Você está ficando maluco? Eu não vou a lugar nenhum com você. Nunca. Está me ouvindo? NUNCA! Mas o que você está fazendo? Larga as minhas roupas, seu psicopata, eu não sou mais nada sua. Me esquece garoto, eu... – ela berrava enquanto eu pegava algumas mudas de roupas e colocava em uma pequena mala que achei em cima de seu guarda roupa. Minha cabeça latejava, meu ódio trasbordava tanto por aqueles seres do beco, tanto por causa de , ela simplesmente não calava a boca. Resolvi tomar uma atitude.
- Se você continuar a espernear desse jeito eu juro que os ajudo a acabarem com você... Pra sempre. Encosto. – eu disse entre dentes a segurando forte no braço aproximando nossos rostos.
- O quê? – ela sussurrou. Nossa aproximação estava perigosa demais.
- Se você calasse essa maldita boca eu poderia te falar o que eu vim fazer aqui, mas você não muda. Continua a mesma de sempre. Cresce. – eu falei rude, ela não tinha escolha, ela iria comigo.
- Está drogado? E quem te deu o direito de falar assim comigo? – ela falou muito perto do meu rosto. Como ela poderia despertar em mim um sentimento de ódio e, ao mesmo tempo, um efeito indescritível?
- Quieta – eu sussurrei e a vi estremecer em meus braços – Vão te seqüestrar. Ainda hoje. E eu posso garantir que eles não serão nada gentis com você. Agora quer fazer o que eu mandar?
- ... Que história é essa? – ela perguntou entre dentes – Seqüestro? Você não está falando coisa com coisa...
- Eu ouvi uma conversa de uns capangas, e foi isso que disseram, que iriam te seqüestrar. Satisfeita? ... A merda agarrou mesmo quando eles me viram e me reconheceram, eles sabem da minha ligação com você. Ou seja, estamos fodidos nessa.
- Isso é mentira, por que justo eu? – ela se perguntava e eu revirava os olhos, o tempo estava passando e ela não tinha sequer se movido.
- Eu. Sinceramente. Não. SEI! Mas que tal você se mexer? Huh? – eu perguntei colocando as coisas dela na mala e fechando. Sei lá se eu coloquei as coisas certas, se ela não queria me ajudar, problema era dela.
- Ma... Mas... Você surtou? Isso não está certo. Por que eu acreditaria em você? – ela se desvencilhou do meu aperto e começou a berrar novamente. Mas um pouco e eu a deixo. Merda. Não posso, agora minha vida também está em jogo. Maldição. – ! Você está fazendo isso, só para se aproximar de mim, que ridículo. Além de louco está virando um mentiroso? Aliás, da próxima vez ensaie melhor e use a criatividade, por que essa foi muito infeliz. Deixa de ser imbecil e continua sua vida sem mim! – ela falava andando de um lado para o outro fazendo gestos rápidos com as mãos.
- O quê? Acha que o mundo está em torno do seu umbigo? Mas é muita coragem sua me dizer isso! – eu falei me alterando também - Depois de tudo o que você me fez, depois de você ter me feito de idiota e ter mostrado a verdadeira vadia e inescrupulosa que é. Acha mesmo que eu seria estúpido ao ponto de correr atrás de VOCÊ?
- Eu nunca fiz nada pra você me xingar desse jeito, você que é um ignorante que sempre acha que está na razão. Já cansei de tentar consertar isso, você vive apertando na mesma tecla e isso me estressa, mas agora é passado, chega!
- CANSOU? Cala essa boca e me ouve: Não temos tempo. Quer morrer, vai em frente, mas eu não quero ir junto, entendeu? – eu disse me aproximando dela com os olhos saltando dos orbitas tamanha era a minha raiva. Mas assim que ela abriu a boca para me retrucar, um barulho de pneus arrastando no asfalto em uma freada brusca pôde ser ouvido por nós em seu quarto. Nos encaramos rapidamente, mudando nossas expressões de raiva para a de assustados. Bosta. Eles chegaram mais cedo que eu esperava. As portas do veículo foram batidas com força e algumas vozes foram aparecendo a partir do momento que eles foram se aproximando da casa.
- ...
- São eles – eu disse frio. Eu tinha que dar um jeito de tirá-la dali o quanto antes, mas com eles no andar de baixo eu não sabia como.
- Eu... Meu Deus. – ela tapou a boca com as mãos delicadas - Temos que sair daqui. Eu vou pegar as minhas coisas – ela falou e eu a trouxe para mais perto pelo braço.
- Tarde demais – eu disse em seu ouvido, podendo sentir o cheiro de seus cabelos sedosos novamente – Vista qualquer coisa por cima, aquela mala é o suficiente.
- Eu estou com medo – ela falou chorosa me encarando com os olhos marejados. Me cortava o coração vê-la daquele jeito, eu sofria junto com ela. Eles não a pegariam de jeito nenhum, eu não permitiria.
- Fique calma – eu falei mais cauteloso, posicionando minhas mãos, uma em cada lado de seu braço – E agora faça como eu mandar dessa vez, ok?! – ela apenas concordou com a cabeça, mas fez algo que eu não esperava. Me abraçou e começou a chorar. Eu estava nervoso demais com a situação, olhava para ela totalmente indefesa e provavelmente me tendo como suporte e confiança. Eu pretendia ser o herói da noite, mas com a situação que eu me encontro, não posso garantir exatamente nada. Se não fosse um estrondo que ouvi vindo do andar de baixo, eu ficaria abraçado a ela por muito mais tempo. Apesar de tudo, sentia falta de tê-la em meus braços, mas eu realmente precisava ser ágil e muito, muito preciso.
’s P.O.V
Era muita coisa para se pensar. Eu estava ali, estava ali no meu quarto, estávamos correndo perigo e eu não parava de chorar e nem ao menos conseguia pensar no que fazer. Não sei se seria certo pensar nisso agora, não é o momento, mas vestia o meu moletom preferido, era antigo, preto, mas continha uma das prioridades que sempre me enfeitiçou, e posso apostar que é a única coisa que me enfeitiça até o hoje: Seu cheiro. Ali, naquele abraço eu me sentia segura, mas eu sabia que não estávamos. O peito de subia e descia rapidamente, a tensão que se aplicara ali era inigualável e eu tinha que ajudá-lo a sair dali.
- Respire fundo, não temos muito tempo – disse, tentando limpar minhas lágrimas em uma forma desajeitada – É muito alto pular daqui? Pelos barulhos que estamos ouvindo, eles vão arrombar a sua porta da entrada.
- ... Não! Não podemos pular... É perigoso!
- Mais perigoso do que ficar aqui? Garanto que não é.
Em um movimento súbito, me largou e foi em direção à pequena mala que ele mesmo tinha preparado pra mim. Pegou-a e rapidamente atirou pela janela. Virou-se e veio em minha direção.
- Você definitivamente vai ter que confiar em mim agora – Ele disse com seus olhos , como se pudessem me invadir.
- Eu não tenho escolhas...
pegou em minha mão e sentou na janela, me fazendo sentar de frente a ele e envolver meus braços ao redor de seu pescoço.
- Não quero que você se machuque, mas se isso acontecer, tente não gritar – Ele disse me abraçando forte, enquanto tentava olhar pra mim e pra altura que teríamos que encarar. conseguiu ficar de costas para a rua, me fazendo literalmente sentar em seu colo. Ficamos nos olhando durante alguns segundos, quando um barulho ensurdecedor nos acordou e fez com que tomasse impulso para trás, sem nem ao menos me avisar. Em menos de três segundos, pude sentir o baque do chão e a imediata dor se instalando no rosto de .
- Por favor, , olha pra mim, tá tudo bem? – Eu disse um pouco desesperada, mas tentando controlar meu tom de voz.
abriu os olhos lentamente e eu ainda me encontrava em cima de seu corpo. Sua íris quase transparente me inebriou. Minha respiração ficou falha e eu podia sentir meu coração batendo a mais de mil. e seus olhos, como explicá-los? , acorde! Mantenha o foco. Você está em cima de seu ex-namorado que conseqüentemente está tentando te salvar, dois bandidos acabaram de adentrar sua casa à procura de vocês dois e está machucado.
- Venha, , deixa eu te ajudar... – Disse me levantando sem jeito, tentando fazer com que fizesse o mesmo. – Onde está seu carro? – O vi apontado a direção que se encontrava a caminhonete e fomos andando até lá. estava apoiado em meus ombros e com o outro braço, eu carregava a minha mala.
CAPÍTULO TRÊS
Nós tínhamos que ser rápidos, apesar de mal conseguir caminhar direito, ele tinha que fazer um esforço. Logo os bandidos iriam perceber que não estávamos mais na minha casa e certamente iriam correr atrás de nós. Peguei a chave da mão de e ordenei que ele fosse para o banco do carona. Ele hesitou de imediato, mas logo uma dor em suas costas lhe disse que seria melhor que eu dirigisse. Liguei o carro e saí de lá o mais rápido que pude e, ao olhar para o lado, vi fitando o nada, certamente tentando proceder as informações e todos os acontecimentos dos últimos vinte minutos. Eu também estava com a cabeça a mil, não existia razões que não fossem únicas e exclusivas de que teria que salvar sua pele, salvando a minha. Eu não podia pensar que ele estaria fazendo aquilo porque ainda restava um pingo de sentimento quanto à minha pessoa. Eu sei do que eu sinto, mas ele é um enigma.
- Você tem idéia do que iremos fazer agora? – Eu disse, quebrando o silêncio que havia se instalado no carro.
- Nós vamos para Aberdeen, em Scotland. – Ele respondeu, seco.
- A-a-berdeen? Mas, como? O que iremos fazer lá?
Ele fez um sinal que eu me calasse por um instante e tirou o seu iPhone do porta-luvas e discou um número muito rápido.
- , o que está fazendo? Olha a hora! – E mais um sinal para eu ficar quieta.
- Jess? Desculpa eu estar ligando essa hora – Aposto que se fosse comigo, eu estaria entrando na linha telefônica para dar um belo tabefe nele, mas era Jess e, se eu bem me lembrava, era a prima boazinha do Jones. – Então, sabe o que é? Tô precisando de uma ajuda sua... Acabei de ter uma vontade súbita de passar algum tempo em Aberdeen com a , a minha namorada, você lembra dela? – , o que você pensa que está fazendo? Nós terminamos há dois anos! – Então, estamos à caminho de Scotland... Você poderia, por um acaso... Arranjar um lugar para ficarmos? Uma casa, apartamento, seja o que for, eu alugo.
Ouvi celebrando mais alguma coisa e dando continuação naquela cena patética e então, ele desligou o celular.
- Resolvido, nós vamos para Aberdeen.
- Como você pode fazer uma coisa dessas? Você vai envolver sua prima nisso? Pelo amor do santo Antônio, ! Já não basta eu e você estarmos correndo perigo?
- Para Jess, nós somos aquele casal de dois anos atrás, querendo passar um tempo na maravilhosa Aberdeen para curtir. Relaxa.
- Relaxar? Você é ridículo. Como pode me pedir pra relaxar?
- Pedindo. Agora vê se presta atenção no trânsito ou eu te faço parar essa merda.
Bufei e voltei minha atenção toda para a estrada. Eram quase três horas da manhã e eu já estava ficando cansada, com as minhas pisadas no acelerador, já tínhamos andado muito. A distância de Londres para Scotland, mas precisamente naquele raio de cidade com o nome de Aberdeen resumia-se em quase dez horas e isso eu sabia porque quando namorávamos, fomos algumas vezes. Eu não agüentava mais e implorei à que tentasse dirigir ou que concordasse que devíamos parar em algum lugar seguro para dormir. Ele ficou com a segunda opção e logo achamos um lugar, perto de uma lanchonete 24 horas de beira de estrada. nem sequer me deu um “boa noite” e logo reclinou seu banco e ajeitou-se para dormir. Eu estava cansada e não com sono. Liguei o som do carro e percebi que havia um CD com algumas MP3 de John Mayer. Desde sempre amávamos aquele cara, era definitivamente nossa trilha sonora. Abaixei o que pude e notei que aquela música, que embalou meus pensamentos voltados à , era a primeira faixa do CD.
We got the afternoon
You got this room for two
One thing I've left to do
Discover me
Discovering you…
Ao ouvir a melodia de “Your body is a wonderland” ser tocada e instalada naquele ambiente, memórias vieram à tona. Virei meu corpo de lado, para que eu pudesse observar dormir. Parecia um anjo, totalmente diferente do que eu vi há algumas horas. Aquele menino que eu conheci havia tornado-se um homem durão, incapaz de entender algumas coisas e sentimentos.
- Como eu queria que tivesse sido diferente... – Disse, sussurrando, fazendo um carinho gostoso em sua cabeça, enquanto ele dormia profundamente. – Você entendeu tudo errado, tudo errado.
No instante seguinte, abriu seus olhos, deixando à vista aquele que só Deus sabe distinguir da perfeição. Fiquei sem jeito e tentei disfarçar duas coisas: Que eu não estava fazendo carinho nele e que eu não havia dito nada.
- O que você disse?
- Nada, eu não disse nada. – Eu falei, virando-me para frente e tentando não ficar atordoada.
’s P.O.V
Não disse nada, é? Eu ouvi muito bem o que ela falou e se ela pensa que eu vou acreditar em qualquer desculpa que ela me der para tentar justificar o que aconteceu naquela noite... Coitada, ela está muito enganada. Pelo menos, eu não vou demonstrar o que eu tô sentindo. Olhei para o lado e vi de braços cruzados, olhando o pára-brisa, sem nenhuma emoção e logo depois de certo tempo, seu rosto virou em uma queda leve, mostrando-me que ela já havia caído em um sono profundo.
Inferno! Mesmo depois de tudo o que aconteceu, eu ainda não consigo tirá-la de minha cabeça. Queria poder achá-la feia, cheia de defeitos e uma pessoa com quem eu não gostaria de ficar um segundo no mesmo lugar, mas quanto mais perto, mais eu quero.
Em algum lugar da Inglaterra, 06:00AM.
Pude ouvir o meu relógio de pulso avisar que eram seis da manhã em um bip quase imperceptível. parecia estar serena, mergulhada em seus sonhos e sem nenhuma aparente preocupação. Eu não poderia acordá-la, ela certamente iria reclamar a viagem inteira por ter sido acordada àquela hora da manhã e eu definitivamente não estava precisando de alguém falando em meu ouvido por mais sete horas de viagem. Abri a porta do carro com cautela, segui para a porta do motorista e, do mesmo jeito, abri-a. Envolvi meus braços pelo pescoço e as delici... as pernas de e com um cuidado especial, a coloquei deitada em meu colo e logo depois, no banco do carona. Agora, respire ... Onde essa maluca colocou as chaves? Falei para mim mesmo e notei uma certa coisa brilhante, muito parecida com um molho de chaves no bolso traseiro dela. Agora, respire de novo, ... É só um bolso que se encontra encostado nos glúteos dela. Só isso. Com a ponta dos meus dedos indicador e polegar, tentei ao máximo não encostar em nenhuma parte à mostra de sua pele e logo estava com as chaves em minhas mãos.
O silêncio que se instalou durante o percurso fez com minha cabeça parasse de girar e latejar, assim eu pude pensar melhor no que deveria fazer dali por diante. O único som que podia ser ouvido era o ronco do motor do carro e o leve ressonar de .
Quatro horas depois pude perceber se mexer um pouco e sorri de lado, ao lembrar que ela não havia mudado nem um pouco, continuava com o seu sono pesado de sempre. virou o rosto em minha direção e deu um doce sorriso, seu bom humor matinal sempre me surpreendeu, retribuí o gesto e voltei minha atenção para a estrada.
- Você está acordado há muito tempo? – ela me perguntou, com a voz ainda meio sonolenta.
- Estou acordado e dirigindo, desde às seis horas da manhã – respondi, sem encará-la – Você nem ao menos percebeu.
- Eu dirigi a noite inteira enquanto você se lamentava por aquele tombo insignificante – ela disse, alterada.
- Eu salvei a sua vida – retruquei.
- Ah, , faz-me rir, você estava com mais medo do que eu – ela disse, debochada.
- Então você preferia que eu a deixasse lá sozinha e sabe lá Deus o que estaria acontecendo com você agora?
- , você sabe que eu nunca precisei de você e que eu acho que eu estaria sendo mais bem tratada do que eu estou sendo agora por você.
Ao ouvi-la dizer aquilo meu sangue subiu a cabeça, e sem pensar dei uma freada brusca e pude ver pela minha visão periférica que ela virou para me encarar, surpresa.
- Então desce.
- O quê? Você não teria coragem... – falou, pretensiosa.
- Então fica quieta. - respondi, seco.
- Seu babaca – ela falou, emburrada, virando para frente e com os braços cruzados.
- Ridícula – eu disse, encarando aquele protótipo de mulher ao meu lado, fazendo a mais infantil cena que eu já havia visto.
- Eu não sei o que eu tinha na cabeça... – ela começou a ficar vermelha de raiva e disse me encarando - Quando... Quando eu me... Apaix...
- , cala a boca... – a interrompi. Ela revirou os olhos bufando de ódio, e eu não pude evitar um sorrisinho vitorioso, tinha me esquecido do quão bom era deixá-la irritada, o problema que depois não haveria mais reconciliações e nunca mais voltaria a ser como sempre deveria ter sido.
Assim que senti meu estômago gritar por socorro e um pouco de comida, resolvi fazer uma pequena pausa.
- Está com fome? – perguntei, diminuindo a velocidade assim que avistei uma lanchonete no meio do nada.
- Não.
- Deixa de manha, você precisa se alimentar – eu disse, ríspido, já descendo do carro.
- Já disse que não estou com fome!
- Vou trazer alguma coisa e você come no carro – falei, sem ao menos esperar por resposta. Fui até a tal lanchonete, fiz nossos pedidos e logo já estava dirigindo novamente.
CAPÍTULO QUATRO
Duas da tarde. Aberdeen, Scotland, Inglaterra.
- Agora você tenta melhorar essa cara de... De... Essa, essa aí que você está usando no momento, e seja uma boa menina. Somos um casal, lembra? – eu disse, abrindo a porta do carona para ela.
- Que seja.
- Não era bem essa cara que eu estava em mente – eu disse, e recebi um dedo do meio em troca. Lancei-lhe um olhar mortal e ela sorriu amarelo de má vontade.
- Está do jeito que você quer, querido? – perguntou, irônica.
- Melhorou, só não exagere muito, não quero que você coloque tudo a perder – eu disse, olhando-a firmemente em seus olhos cerrados.
- Por que você não vai à merda e me deixa em paz? – ela perguntou, já indo em direção a porta da casa de Jess. Apressei meus passos me colocando ao seu lado, nos olhamos por um instante e, após um suspiro cansado meu, apertei a campainha.
- Pois não? – Jess atendeu e depois deixou um sorriso iluminar seu rosto. - ! Quanto tempo! – ela disse, indo me abraçar.
- Pois é. – falei, simplesmente – Lembra de , não é mesmo?
- Oh, claro que sim – Jess disse, se afastando de mim e indo cumprimentar ela – Como vai, querida? Vejo que o tempo só faz bem a vocês.
- Vou bem, Jess, e obrigada pelo elogio – falou constrangida com a cabeça baixa.
- Algum problema? – Jess perguntou, com a voz um pouco afetada pela preocupação. Notei que nós nem de longe parecíamos um casal ao menos normal, contra minha vontade – ou não – passei meu braço pela cintura de e trazendo para mais perto, ela ficou rígida com o meu toque e não se moveu. Se for para Jess pensar que continuávamos o mesmo casal que dois há atrás, teríamos que fazer bem feito, como a própria disse: Não devemos envolver mais pessoas nessa loucura.
- Não, Jess, apenas estamos cansados pela longa viagem – respondi, sorrindo – Então, se você nos mostrasse onde nos hospedaremos, eu ficaria muito grato.
- Imagino. Entre, por favor – ela disse, nos dando passagem.
- Esperem aqui um minuto que eu vou pegar as chaves do apartamento – ela falou, subindo as escadas de sua casa.
- Você não está se saindo uma boa namorada, faça melhor seu papel – eu disse, sussurrando em seu ouvido.
- Desculpe, mas de manhã meu estômago não funciona direito – ela disse, fazendo careta.
- Muito engraçado – eu falei, sério.
- Aqui, casal! – Jess falou, saltitante – As chaves e o endereço – ela nos disse, estendendo um papel com o chaveiro – Não é grande coisa, mas em cima da hora foi o que eu consegui, espero que se divirtam.
- Com certeza – falou baixo. Apertei de leve sua cintura para fazê-la calar aquela boca, sem que Jess percebesse.
- Obrigado, Jess, mas, como eu disse, estamos cansados demais, então nós já vamos indo – eu falei, tentando ser o mais grato possível.
- Oh, não! Vocês vão ficar para o jantar, não me façam essa desfeita.
- está certo, Jess, a viagem foi muito cansativa – falou mudando completamente o seu comportamento e sendo pela primeira vez desde que nós nos vimos, simpática – Gostei muito de revê-la, que tal deixarmos esse jantar para outro dia quem sabe, huh?
- Certo, mas eu vou cobrar, hein?! Eu sei que a viagem é longa, então estão liberados – ela falou sorrindo.
- Mais uma vez, obrigado, Jess, outro dia nos falamos – eu disse, já do lado de fora da casa.
- Não por isso, aproveitem – Jess disse encostada a porta nos observando ir para o carro. Abri a porta do carona para que entrasse, como um digno namorado faria, me virei para Jess e acenei antes de entrar no carro.
De acordo com o endereço, a casa onde ficaríamos era mais afastado do centro e não era lá grande coisa mesmo, era simples, com dois andares e pequena. e eu descemos do carro em silêncio e abrimos a porta.
- Tá de brincadeira que só tem um quarto? E só uma cama? E de casal? – falou, alterada ,quando chegou ao fim do pequeno e estreito corredor.
- E você queria o que por esse preço? – eu perguntei, vendo-a colocar a mala em cima da cama com fúria em seus olhos – Vai ter que aprender a viver nesse lugar daqui por diante. Você não tem escolhas, madame.
- Tudo bem, eu sobrevivo, agora fora.
- O quê? – perguntei, com a voz falhada.
- Ah não me diz que você cogitou a possibilidade, quem sabe vir a dormir no mesmo quarto que eu?... Você pensou? – e soltou uma gargalhada – Pobre ...
- E acha que eu irei dormir aonde? Tem alguma idéia brilhante, senhora-eu-sei-de-tudo?
- Não faço a mínima idéia, mas, nesse quarto, você não fica.
- Não tem onde eu dormir...
- Não me importo, aliás, tem uma caminhonete sua estacionada no lado de fora, com o tempo eu acredito que você se acostuma com o banco – ela falou, cínica. Ah, mas se ela pensava que eu iria mesmo deixá-la tripudiar pra cima de mim, ela estava completa e redondamente enganada.
- Ah é? Por que VOCÊ não experimenta? Porque eu paguei por essa casa, e o quarto estava incluso... Então, com licença? – eu disse, já entrando do quarto.
- Mas eu não quero ter que dormir com... Com você! – ela disse, quando eu dei as costas a ela.
- Eu também não.
- Mas eu não vou sair desse quarto, não mesmo – ela voltou a fazer a mesma cena anteriormente no carro, cruzando os braços.
- Ok.
- Como assim, ok?
- Bom, eu não vou sair desse quarto, você também não, o que nos resta apenas é dividi-lo. – falei dando de ombros.
- Está zoando com a minha cara? Surtou?
- Não.
- Mas eu disse que eu não queria... – o resto eu não ouvi. Me tranquei dentro do banheiro e a primeira coisa que eu fiz foi ligar o chuveiro, eu precisava de um banho com extrema urgência. Quem sabe assim eu não me recuperava um pouco dos últimos acontecimentos. Senti dor nas minhas costas quando a água se chocou com minha pele, e ela ainda me diz que foi um tombo insignificante, por que ela não se ofereceu para ir em meu lugar, então? – pensei, ao olhar meus ferimentos no pequeno espelho quetinha dentro do Box. Eu precisaria de alguns remédios para aquilo.
Ainda pude ouvir um gritinho de dizendo que ela havia dito que iria tomar banho primeiro, mas eu nem me importei, o que eu queria mesmo era um pouco de solidão.
Alguns dias depois...
- , nós precisamos comprar um pouco de comida – falou da cozinha que não era muito distante do sofá onde eu me encontrava estirado assistindo ao jogo de futebol.
- Uhum – soltei, sem desviar minha atenção da TV.
- ! Você me ouviu? Não temos mais comida.
- Tá, tá.
- ! – ela disse, se colocando na frente da televisão com as mãos na cintura. Nos últimos dias nós estávamos nos tratando assim, conversando apenas o necessário, evitando ao máximo ter que trocar qualquer tipo de contato e mais brigas.
- O que foi, mulher?!
- Eu disse que estamos sem comida! – ela disse, bufando. Me incomodar na hora do meu sagrado joguinho? Urgh!
- Sim, eu ouvi – eu disse, tentando manter a calma e a voz baixa. Imagina se ela inventa de começar uma briga? O segundo tempo acaba e nós nem chegamos ao ápice da discussão, não... – Por que você não liga e pede alguma coisa?
- Sim, mas eu disse que não tem nada. NADA!
- Tudo bem, – eu suspirei, vencido - Ligue e peça o almoço, depois nós vemos isso, ok?
- Então deixe que eu vou ao supermercado, e compro o que precisamos... Quer alguma coisa?
- Sozinha? – eu perguntei, deixando totalmente de lado o jogo e prestando atenção nela.
- Sim.
- Não quero, digo, não acho que deva ser seguro você ficar andando sozinha por aí. Eu vou depois, pode deixar – eu ainda sentia muito medo de deixá-la desprotegida e longe do alcance de meus olhos.
- Mas eu sempre fiz isso. – ela protestou.
- Eu ainda acho muito cedo, é melhor ficarmos quietos e tentar não chamar a atenção, por favor – eu pedi.
- ... – ela disse, se sentando ao meu lado – Eu não agüento mais ficar trancafiada aqui dentro! – ela falou, bagunçando os cabelos, nervosa - Não podemos sair para nada, eu não posso entrar em contato com ninguém da minha família ou os meus amigos, não sei nem ao menos se estão vivos! Larguei tudo, deixei para trás coisas importantes que eu conquistei na minha vida e olhe aonde eu vim parar? – ela desabafou. Me cortava o coração vê-la naquele estado, mas era preciso. Ouvi um suspiro forte e, logo em seguida, ela fungando. Por favor, diz que ela não está chorando? enxugou sua própria lágrima. Ô, caralho, eu disse que era para dizer, não disse? Meio hesitante eu tentei me aproximar dela com cuidado, ela não se moveu um centímetro, então eu segui em frente. Ainda muito receoso, passei meus braços pelo pescoço dela trazendo-a para mais perto de mim, esperando por um empurrão, socos, pontapés, ela me surpreendeu com um abraço apertado, colocando sua cabeça em meu peito e desabou a chorar. Afaguei seus cabelos, lhe fazendo um cafuné. Minha cabeça tentava decifrar o que estava havendo ali, mas era quase impossível, desde quando e se entendem assim tão fácil? Minha mente disparava a mil e eu já tinha me esquecido de metade das nossas desavenças, ter ela ali agarrada e vulnerável em meus braços me trazia boas recordações e, por incrível que possa parecer, a situação não ser a mais propícia eu me sentia bem com aquilo.
- eu não queria...
- Shhh... Não fala nada – eu disse, fazendo carinho em sua cabeça.
- Mas é tu-tudo tão difícil, quero notícias, que-quero sair daqui – ela disse, com a voz meio abafada pela minha roupa – Eu nunca pensei que isso aconteceria co-comigo, eu deixei tudo para trás...
- Eu sei disso, , acha que eu me sinto bem com isso? Apesar de tudo, eu não quero ver você em perigo, por isso eu também me meti nisso até o pescoço.
- Eu se-sei. Mas eu não agüento mais, merda! Eu não conheço nada, não posso fazer nada, é um porre! – ela disse, se afastando de mim.
- E eu? Não deixei tudo para trás também? E ainda por cima tentando salvar sua pele?
- Desculpe – ela abaixou a cabeça e foi aí que eu vi todo o sofrimento dela. ? Me pedindo desculpas? O caso é sério mesmo.
- , tente entender, eu só estou a mantendo trancada aqui para o seu próprio bem. – eu disse, colocando uma mexa de seu cabelo para trás da orelha.
- ... Por que eu? O que foi que e-eu fiz? – ela me perguntou, me encarando com os olhos completamente marejados.
- Não sei – sussurrei.
- Agora que nós estamos envolvidos com isso, tenho medo que algo de muito ruim possa acontecer com a gente...
- Não vamos pensar assim, ok? – eu disse, colocando minha mão em seu queixo e virando o seu rosto para me encarar – Ok, ? Huh? – perguntei baixo e ela concordou levemente com a cabeça desviando o olhar e, segundos depois, voltando a me encarar com uma lágrima escorregando lentamente por suas bochechas rosadas.
- Queria que tudo tivesse sido diferente – ela sussurrou, mas eu pude ouvir claramente e algo me dizia que aquela frase também teria outro sentido.
- Eu também. – eu disse, hipnotizado por aquele olhar que só ela tinha, que só ela sabia dar, que só ela me fazia perder inteiramente a concentração. Nos encaramos em silêncio por alguns segundos ou minutos, talvez horas? Quem fica contando isso num momento tenso como esse? Que seja, de repente ela ficou rígida, só me dando conta do porquê quando senti a respiração quente e ofegante dela se chocando com a minha. Ops, acho que eu me aproximei demais...
- eu...
- Shhh – ela imitou o que eu fiz com ela, porém colocando o indicador em meus lábios e, ao senti-la me tocar, eu não pude evitar fechar os olhos. Eu não sei bem como e nem porque – ok o porquê eu sei, mas não vem ao caso – talvez instinto, nós fomos nos aproximando um do outro calma e lentamente até sentir nossos lábios roçarem de leve. Deus, como eu senti falta disso. Passei minha língua pelo contorno de sua boca e logo ela me deu passagem para iniciarmos um beijo mais profundo e calmo.
totalmente entregue ao momento envolveu meu pescoço em seus braços e me puxou para mais perto, não hesitei ao também apertá-la na cintura. O beijo foi tomando uma velocidade considerável e logo estávamos ofegantes, com cuidado a empurrei para que se deitasse no sofá sem desgrudar um segundo sequer de sua boca, ela começou a me incentivar a seguir com aquilo, enlaçando os dedos em meus cabelos e os puxando – ela sabia muito bem que aquilo para mim era letal. Sorri no meio do beijo e comecei a estimulá-la, subindo e descendo minhas mãos pela lateral de sua cintura, levantando sua blusa junto e apertando de leve em certos locais. Pude ouvir um baixo gemido vindo dela e aquilo me deixou louco, tê-la para mim era mais do que necessário: era vital. Comecei a sugar seu lábio inferior com vontade, sem nem ao menos pensar se deixaria marcas ou não no dia seguinte. arqueou a coluna soltando o ar e eu resolvi apelar, desci meus beijos para sua bochecha, passei rente ao seu ouvido soltando o ar e ataquei seu pescoço, se ela queria tirar minha sanidade, eu a levaria à loucura comigo. deu um pequeno impulso, me fazendo sentar. A pequena se posicionou em meu colo, enquanto eu tentava tirar a blusa que ela estava vestindo e, ao mesmo tempo, dar uma atenção especial para seu pescoço. Estávamos abraçados e ofegantes...
- ... O que estamos fazendo? – perguntou, sussurrando em meio de gemidos, perto do meu ouvido.
- O que devíamos ter feito dois anos atrás – Respondi, olhando diretamente naqueles olhos que sempre me deixavam louco.
Na mesma hora, levantou de meu colo e isso me deixou confuso. Ela não iria desistir agora e me fazer ficar daquele jeito, não é?
- Então vamos fazer bem feito. – Ela disse, determinada, sorrindo maliciosa e me chamando para o quarto. Sem hesitar, levantei, caminhando atrás dela.
Chegando naquele cubículo que nós chamávamos de quarto, ela me fez deitar lentamente na cama. Naquele momento, pensamentos absurdos passavam pela minha cabeça. Meu Deus, eu sempre sonhei em fazer isso... já estava sem sua blusa, que deveria estar jogada em algum canto da sala, enquanto estávamos no sofá. Deitado, dei um impulso e fiquei encostado sob a grade que servia de cabeceira da cama, apenas a observando. Ela desabotoou o short que usava lentamente e não desviava os olhos dos meus. Depois de alguns segundos me torturando com apenas a retirada de uma peça de roupa, se juntou a mim na cama, se posicionando em cima de mim, com suas pernas uma de cada lado de minha cintura. Foi desabotoando minha camisa branca, quando a mesma já estava no chão, ela me lançou um olhar significativo para que eu não me movesse. Começou a tirar minha calça e meias, me deixando apenas de boxer. As únicas peças de roupas de restavam eram as íntimas. Ela posicionou sua entrada em cima de meu membro já ereto e começou a me estimular, como se já estivéssemos transando. Apoiou sua cabeça no meu ombro e soprou em meu ouvido:
- Eu sonho com isso desde o dia em que te vi pela primeira vez...
- Eu sonho com isso desde que eu nasci. – Em um movimento rápido, depois de eu ter dito aquilo, colei meus lábios nos dela e a fiz deitar embaixo do meu corpo, me posicionando entre suas pernas. agarrava meus cabelos perto da nuca e tentava buscar por algum ar entre o nosso beijo. Era um beijo cheio de más intenções e voracidade, mas ao mesmo tempo, ele queria se tornar inesquecível, como o momento em que estávamos construindo ali, agora, naquela cama.
Levantei-me lentamente e fez o mesmo, ficando de joelhos me fitando. Estávamos na mesma posição, olhando um para o outro, ofegantes. Cheguei mais perto e a abracei, pegando no feixe de seu sutiã e o abrindo rapidamente. Quando o fiz fiquei encarando-a quase nua e deixei escapar um sorriso satisfatório. Ela foi chegando de joelhos, até encostar seu tronco no meu, puxou meu cabelo e colocou uma de minhas mãos sobre seu peito. Comecei a massageá-lo e o outro logo entrou em contato com a minha boca. Sugando, chupando e lambendo a cada gemido mais alto que a minha pequena dava. Com a outra mão fui descendo ao lado de sua cintura, até encontrar a barra de sua calcinha fio dental preta. Aquela mulher era uma escultura detalhadamente bem feita, dentro de suas roupas íntimas que iriam encontrar o chão naquele exato momento. deitou lentamente, completamente nua, sob meus poderes. Juntei meu corpo ao dela e caprichei nos beijos no pescoço, cada contato com sua pele eu podia perceber o quão arrepiada a cada toque ela ficava. Abri suas pernas a fitando, ela sorriu da mais meiga forma que foi possível, me dando estímulo para continuar. Comecei a satisfazê-la com a ponta de meus dedos, só para provocar. Ela gemia e soprava, pedindo por mais. Pensei nas melhores maneiras e comecei a fazer o melhor sexo oral que ela poderia sentir e, eu, promover. Pude observar sua coluna envergar e sua respiração ficar descompassada e forte a cada sugada que eu dava. É, eu estava fazendo bem a minha lição de casa. rapidamente me puxou para cima, fazendo colar meus lábios no dela, ofegante. Dava para perceber que a sensação que ela queria mostrar era de fundir nossos corpos, ela respirava fundo, como se tivesse buscando todo o ar existente na atmosfera naquele momento. Era bom saber que eu estava causando esse tipo de sensação nela. Logo depois, ela me olhou sapeca, me deitando onde ela estava e praticamente montou em cima de mim. Me olhando com um sorriso de lado, ela foi abaixando minha boxer, deixando a mostra o quão excitado eu estava, mordendo os lábios, com a sua delicada mão o pegou, começando uma masturbação diferente de todas as outras que eu tive. Ela ia da base até a ponta sem mostrar inexperiência no assunto. Parecia que ela era expert e isso me assustava um pouco. Pensamentos desse tipo não são bem vindos num momento como e...e...esse... passou a língua em toda a extensão de meu querido e grande companheiro e, meu Deus do céu... Do que eu estava falando mesmo? Inex o que? Não agüentei a pressão. Eu tinha que possuí-la, eu tinha que tê-la e tinha que ser agora. A agarrei pelos braços, fazendo a sentar em mim. A fiz olhar dentro de meus olhos e pude ver o quão realizada ela estava. A puxei para perto e apenas a olhando, pude jurar para a pequena grande mulher em minha frente, que ela iria sentir-se a mais completa de todas. virou-se de lado e buscou na gaveta uma camisinha e eu dei graças a Deus por ela ter lembrado. Ela colocou devagar, me provocando e então, voltando a sua posição inicial. Posicionei meu membro em sua entrada e ela mesma fez o serviço, descendo lentamente pelo meu corpo. Segurei com força sua cintura e observei-a jogando a cabeça para trás. O movimento que antes começou lento, tomou uma certa velocidade e não conseguíamos parar, não queríamos parar, precisávamos disso, precisávamos um do outro. Notei o quanto estava ofegante e cansada por ter que fazer o trabalho “sozinha” e a deitei delicadamente na cama, posicionando-me em cima dela e a penetrando, sem dó e nem piedade. não suportava mais segurar seus gemidos e estava arfando muito. Pegou meus cabelos com força, tirando meu rosto que se encontrava em seu delicioso pescoço e me fez encará-la.
- Isso... Tá sendo... Melhor do que eu pensava – Ela disse, entre gemidos, olhando dentro de meus olhos.
- Isso... É só o começo – Eu disse, certo, unindo meus lábios nos dela, tentando não parar o ritmo.
Nossos movimentos começaram a ficar cada vez mais rápidos e jogava sua cabeça para trás, de olhos fechados e boca entreaberta. Eu podia sentir meu orgasmo cada vez mais perto, mas eu teria que esperar pelo dela também... Eu queria fazer o serviço completo, como eu sempre havia imaginado.
Junto com as investidas fortes e intensas que eu dava, ela começou a estimular seu clitóris, ao ponto de saciar seu desejo, enquanto eu acariciava de uma forma não tão delicada os seus seios. Chegamos ao ápice juntos e logo eu estava com a respiração falha, deitado por cima daquele corpo escultural. sorriu, fazendo carinho em meus cabelos e, então, virou-se de bruços, tirando os cabelos que estavam colados pelo suor de suas costas. Posicionei-me um pouco de lado, colando meu corpo também suado, passando meu dedo indicador pelas suas costas, em um carinho delicioso. Deitei lentamente minha cabeça, encostando-a na de , deixando minha boca ficar em contato com seu ouvido. A respiração dela que antes estava descompassada, parecia ficar mais calma e serena, como se eu propusesse isso. Levantei a cabeça um pouco e pude notar a bela adormecida ao meu lado... Deitei-me novamente, na mesma posição de antes, mas agora com as mãos em sua cintura... Ela adormeceu se sentindo realizada e tranqüila, da mesma forma que eu me sentia naquele momento. Realizado, tranqüilo e nu.
- O silêncio não me parece tão desesperador agora... Quando eu posso ouvir apenas a sua respiração, aqui, deitada do meu lado. Eu olho minhas mãos apoiadas no seu corpo e me sinto triste por não tê-lo antes. Minha princesa. – Sem pensar no que eu estava dizendo, sussurrei em seu ouvido e adormeci logo depois, abraçado a ela.
CONTINUA...
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