I'm fake
Escrita por Laai e Nath apple l Betada por (a partir do capítulo 7)


Prólogo

Eu não sei bem onde estava com a cabeça quando pensei em viver em um outro mundo.
Eu achei que poderia fugir um pouco dos meus problemas, mas parece que, entrando nisso, eu só arrumei ainda mais pra minha cabeça.


Capítulo 1

Eu estava fechando o notebook, olhei no relógio e já eram 8 da manhã. Eu estava atrasada cinco minutos para a aula, minha melhor amiga devia estar me xingando até o último palavrão e a minha querida mãezinha, mas, como eu disse, isso já estava se tornando um vício e eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Ficar no computador até a uma da manhã e acordar duas horas mais cedo para ficar mais um pouco, isso é mais que um vício. Eu queria parar, mas estava totalmente difícil para mim.
Peguei minha mochila no canto do quarto e desci as escadas correndo, encontrei , mais conhecida como , minha melhor amiga. Ela estava jogada na poltrona da sala de olhos fechados, provavelmente ela já sabia que eu estava no computador para demorar esses míseros cinco minutos. Olhei para ela, e pensei que ela também tinha o mesmo vício, mas não tanto quanto eu tinha. Parei de frente para ela, e a chamei:
- ? - Ela continuou de olhos fechados, mas seria impossível ela estar dormindo... Para mim, ela estava apenas descansando os olhos... Ai, Deus, viu.
- ! – gritei na frente dela, saindo um pouco de perto, tinha certeza que eu ia apanhar. Ela deu um pulo da poltrona, me olhando com os olhos mais arregalados que eu já vi, eu comecei a rir demais e disse: - Vamos para a aula? – fui andando em direção a porta, pude ouvir ela resmungar atrás de mim.
- Eu só não te bato porque estou com preguiça. – Dei minha melhor risada e fui trancar a porta, comecei a falar com , mas ela estava parada, olhando a rua, comecei a avistar o que ela tanto olhava, era ele: , , todas as meninas da escola morriam por ele. Tá, não que ele fosse tudo isso, mas ele era bonitinho. A morria de amores por ele, mas, para mim, quem era bonito mesmo, era seu amigo. Ele tinha uma banda, com mais três amigos, que minhas amigas achavam fofos, mas, assim, digamos que temos uma pequena briga em relação ao McFLY.
É, tu deve achar estranho, mas é esse o nome da banda deles, eles gostam de um cara daquele filme o De volta para o Futuro. Gosto daquele filme, é bem surreal. Sabe, eu não estou a fim de contar a história da nossa briga com esses meninos, acho que não vale muito a pena, se precisar eu conto depois, prometo.
Eu fico feliz da pensar que é apenas meu vizinho, mal ela sabe que ele fala dela, e, ainda por cima, fala para mim. Sim, se você está pensando que ele é meu amigo, acertou, a gente se fala quase todos os dias, escondidos, claro. Como eu disse, nossos amigos têm uma briga um tanto quanto feia, e eles nem se olham. Como estudamos na mesma escola e somos da mesma sala, se nós nos falarmos na escola, somos linchados, e, como não queremos morrer, deixamos para nos falar quase de madrugada. Ele é meu melhor amigo, eu gosto muito dele, é realmente o irmão que eu não tenho... Chega de pensar, vamos acordar a , a escola nos espera.
- ? Ele já está quase na escola e você ainda está olhando? – eu disse séria, vendo nos olhos da minha melhor amiga que ela gostava mesmo daquele garoto.
- Ah é... Eu só... Tava... Olhando, . – Ela disse sem graça, indo o mais depressa possível para o meu carro, que se encontrava na garagem. Eu fui atrás, tentando acompanhá-la, mas só cheguei a tempo de vê-la bater a porta do meu querido e lindo new beatle preto, dei a volta e entrei.
- Por favor, não quebre, ele rendeu bons choros com meu pai. – Eu disse, jogando a mochila, e a ouvi murmurar um simples “desculpa”. Eu liguei o carro e fui saindo da garagem, olhei para a e ela ainda estava com o olhar triste, eu tive que me pronunciar, ela é minha amiga, porra.
- Acho que você deveria ao menos dizer oi a ele. – Disse, dirigindo e vendo o carro de bem a minha frente.
- Tá doida? Eles nem ao menos lembram que um dia nós nos falamos, . – MENTIRA, o lembra dela sempre. disse, ainda olhando para o carro dele que estava a nossa frente.
- Eu não acho que eles esqueceram, eles lembram sim. Se você está falando isso, é porque seu irmão deve ter dito algo. – Eu disse com um olhar de raiva, olhando para o retrovisor.
- O ? Ele não comentou nada, ele nem ao menos comenta, acho que só fala comigo porque é meu irmão. – Ela disse, olhando a hora no celular e olhando de volta pra mim.
- Esse é o problema, é seu irmão. – Eu disse um pouco mais alto do que achei que tinha dito, ela me encarou estranha, mas não deu tempo de ela dizer nada, eu parei na primeira vaga que vi a frente da escola e desci do carro, vendo descer ao mesmo tempo que eu e acenar com a cabeça na minha direção, sem ninguém perceber.
Sorri bem sem graça e fui indo em direção a escola, entrei como não entrava há tempos, sem ao menos olhar para o lado, fui direto pro meu armário, e lá estavam meus preciosos livros. Peguei tudo que tinha de pegar para aquela aula, e saí dali indo para a mesma. Entrei na sala e adivinha? A mesma coisa, , no fundo, , , e sentados um do lado do outro no meio da sala, não me importei em olhar para eles, apenas sentei no lugar que tinha separado para mim e mais nada. Pude ver entrar na sala e me olhar com cara feia, sorri de canto e fiquei quieta.
Achei que talvez ela tivesse visto que tinha acenado para mim, aí ia fuder tudo de vez e eu morreria, sem nada mesmo. Olhei para o lado, a vendo se sentar na frente da , que, no caso, seria ao meu lado. Ela me deu um tapa, dizendo:
- Não precisava correr, me esperava, CHATA. – Eu suspirei, nunca um tapa foi tão relaxante, logo depois vi aquele professor viado entrar na sala e começar a falar das guerras que ocorreram em não sei que país e tal. Abaixei a cabeça e só levantei quando só estávamos eu e o tal na sala. PUUUUTZ, todos foram e me deixaram aqui, desgraça, viu.


Capítulo 2

Eu me levantei sem fazer muito barulho. Esse escroto estava tão lento que mal percebeu minha presença. Caminhei até a porta e a abri sem fazer muito barulho, não queria que ele acordasse e me enchesse como, de costume, ele sempre faz. Mas, como nem tudo se é perfeito nessa vida, quando ia sair pela porta, a voz rouca de , embargada de sono, me parou.
- Fungindo de mim, ? – Respirei fundo, ouvindo seu tom de voz. Sério, ninguém melhor que para fuder com o meu dia. Incrível como exatamente tudo o que ele fazia conseguia me tirar do sério, suas atitudes machistas e infantis, o jeito como ele agia com as garotas, sempre tão machista, se achando o superior, sendo que era um merda, e o jeito com que sempre olhava para as garotas, como se elas fossem um pedaço de carne, mas eu odiava, principalmente, o jeito com que ele as descartava. Que tipo de ser humano transa com uma pessoa, e no dia seguinte está beijando outra na frente da própria? É ridículo, asqueroso, e muito, muito, muito nojento mesmo. Por isso eu o odeio com todas as forças existentes em mim. Virei-me para, ele encarando no fundo de seus olhos, joguei o cabelo para trás e falei, sem temer:
- E porque diabos eu fugiria logo de um merda como você? – Vi a íris de escurecer mais que o normal, ele, então, se levantou de sua mesa, e veio até mim fazendo, não sei por que, meu coração disparar, mas mantive minha pose. Ele colocou o dedo no meu rosto, e disse com a voz carregada de raiva:
- E quem você pensa que é para falar assim comigo, sua metidinha nojenta? - Olhei para o dedo dele e bati nele, fazendo-o abaixar aquela porcaria. Quem diabos ele pensa que é para me apontar essa coisa?
- Olha aqui, nunca mais, nunca mais, ouviu bem, aponte a porra dessa salsicha que você chama de dedo para mim, tá me entendendo? - Eu podia sentir em minhas veias o quanto meu ódio por ele era gritante! Não posso explicar da onde surgiu isso, mas meu coração batia tão rápido, minha respiração ficava tão ofegante, e o ódio fazia com que minhas mãos ficassem trêmulas, até demais, acho que nunca odiei alguém como odeio e tenho dito!
- Nossa, que medinho! Vai fazer o quê, ? – Ele falou em tom de deboxe. Mano, sabe quando você tem vontade de socar tanto a cara de uma pessoa que nem uma plástica do doutor Hollywood concertaria? Então, tô tão a fim de dar uma assim no hoje!
- Você nem suportaria imaginar, ! – Cheguei o corpo mais perto do dele, vendo-o mudar de atitude e engolir seco. Mordi meu lábio e olhei nos olhos dele. Sorri ao ver que os olhos dele brilhavam e ri na cara dele.
- Tá fraquinho, hein, ! Acha mesmo que eu teria coragem de encostar meus lábios nos seus, mesmo que por um segundo que seja? - sussurrei de forma sedutora, vendo que o olhar dele era nos meus lábios. Ele os umedeceu e chegou mais perto, olhando agora nos meus olhos. Ele sorriu.
- Pois eu te levaria aos céus de um jeito que você jamais foi, faria você gemer tanto que os vizinhos teriam que dormir com tampões, te faria me querer tanto, , que seu corpo não conseguiria ficar longe do meu, nem por um segundo sequer! - Enquanto ele falava, foi me prensando contra a parede da sala, fazendo meu coração bater tão rápido, que suspeitei que pudesse escutá-lo. Incrível como esse garoto se acha. Desencostei-me um pouco da parede, coloquei minha mão na nuca dele e sussurrei com os lábios perto, perigosamente, perto demais dos dele.
– Nunca, jamais, repita isso! Eu nunca vou permitir que você sequer chegue perto de me fazer alguma coisa, ! – Ele sorriu e puxou minha cintura para perto de seu corpo, me fazendo segurar em seus braços e olhar furtivamente para sua boca, próxima a minha.
- Tem medo que eu realmente consiga? - Olhei em seus olhos, e dei uma risada sarcástica, o que o fez franzir a testa.
- Você, definitivamente, não é bom o bastante para me fazer gemer, . Você é fraquinho demais! - Bati em seus braços, e me afastei de seu corpo. Segurei minha bolsa no ombro e saí da sala, vendo se encostar na parede.
Puta merda, como pode? Menino chato e inconveniente esse, cara. Estava andando pelos corredores para guardar meus livros, com o pensamento naquele troxa, mas, de repente, senti uma pessoa se jogar nas minhas costas, e, sim, irmã de troxa, troxinha é, era a , berrando.
- AAAAAAH! Oi, amiga! – ela disse, berrando na minha orelha e parando a minha frente.
- Oi - disse, achando meu armário e o abrindo, jogando os livros dentro, decidindo sair da escola e não ficar mais ali naquele dia. - Antes que me pergunte, não vou mais assistir aulas hoje, para mim o dia já acabou, se quiser vir junto, se apresse, se não, boa sorte. – Eu disse rápido, grossa e bem clara. Ai, como aquele guri me estressava, literalmente, ele acabou com meu dia, não tinha como ficar pior, eu acho...
- Nossa, guria, que coisa. Ah, eu teria que ficar, não podia perder a aula de química, mas vou com você. Me espere no lugar de sempre. – disse e se virou, indo para o outro corredor guardar suas coisas e pegar a bolsa para irmos embora daquele lugar. Não sei por que nossos pais pagam uma fortuna de colégio, eles devem nos amar muito, né? Olhei para a quadra que ficava a frente do meu armário e vi que e estavam na sua aula de educação física, eles estavam rindo, e pareciam não se importar com nada naquele momento, eu lembrei de quando éramos da mesma aula, nós sempre escolhíamos os mesmos horários para ficarmos juntos, os oito sempre, mas agora é essa putaria toda.
Coloquei minhas coisas no armário, vendo no fundo dele uma foto em que estavamos eu, , , , , , , e . Sorri fraco, peguei minha bolsa e fechei o armário, saí em direção a uma saída da escola que ninguém mais usava, exceto aqueles que queriam matar aula. Fiquei ali parada, esperando , que demorava horas. Nunca vi demorar tanto, cara. Senti alguma coisa vibrar no meu bolso, e era meu celular, peguei e havia uma mensagem, só faltava a ter desistido, que porra de vida, mano... Abri o flip do celular e vi o nome D.J, era o . Eu ri quando o vi o nome, o que a gente não faz para esconder as coisas, né? Cliquei em Read e li a mensagem:
Não agüento mais a escola, era tão melhor antes, vai entrar a noite, né? Mande um beijo para a sua amiguinha.
Eu sorri, não queria responder exatamente naquela hora, sei lá, eu estava sentindo que não era para responder e pude ter a confirmação quando ouvi a voz de .
- São dez horas já, temos que ir rápido, já já é intervalo. – Ela disse, com a sua bolsa amarela nos ombros. Incrível, se tinha alguém depois de mim com muito estilo, essa pessoa era a . Só ela fazia jus ao sobrenome e aos pais que tinha, ô família boa aquela. Eu apenas sorri para ela, pegando a minha bolsa, e saindo dali.
Entrei no carro jogando a bolsa no banco de trás e colocando a chave no contato, até o silêncio ser quebrado pela matraca.
- O que você esta vendo no celular? - Ela disse, pondo os pés no banco, e vendo a caixinha de cd’s.
- Nada oras, o horário. Mas você me informou ele. – Eu disse, rindo, saindo do estacionamento da escola o mais rápido possível. Lembrei que não havia comido nada desde que tinha acordado, olhei para e pude vê-la colocando um CD do MCR (My Chemical Romance) no rádio do carro. - Vamos na Starbucks? Estou com fome. – Eu disse, olhando para ela e vi que ela acenou com a cabeça afirmativamente, olhei a janela e vi que começou a garoar. Isso era tão normal nessa terra, em menos de cinco minutos já havia parado.
Fui para a Starbucks mais próxima, entrando no drive-tru e pedindo as coisas mais engraçadas que duas meninas podiam pedir. Fomos para o parque da cidade, comendo e rindo de tudo o que era mais besta possível. Estacionei o carro, vendo descer do próprio cantando Paramore: “What a shame we all became such fragile broken things, a memory remains, just a tiny spark. I give it all my oxygen to let the flames begin, so let the flames begin", eu ri, acho que era por isso que nós também tínhamos uma banda, pois cantávamos bem. Sério, o tal pode ser tudo, mas até que ele canta. Eu queria ser irmã do às vezes, cara, ele me cativa com aquela voz rouca, mas beleza. A saiu andando na frente enquanto cantava, e a vi parar e cumprimentar uns meninos que pude reconhecer como o Lauren e o Becky, eram o baterista e o baixista da nossa banda, o Lauren é o querido Lauren , primo da ele era gato, hein? Desculpa, meninas, mas era mesmo. Cheguei mais perto, cumprimentando-os também e pude ouvir o Lauren dizer quando veio me cumprimentar:
- Marcaram com eles para virem para cá? – Ele disse, parado na minha frente, e apontando para uma árvore a uns 3 metros de distância da gente, quando eu olhei, pude avistar e o tal sentados no chão com um violão. PUTA MERDA VIU, como pode? E eu achando que meu dia não podia piorar... Olhei com a minha melhor cara para o Lauren e disse:
- Não faço nem idéia do que eles fazem aqui. – Dei um beijo no canto da boca do primo, sentando no chão, vendo a olhar de para mim, de mim para .
- Não me olhe assim, eu não sei MESMO, que coisa! – Encostei no tronco da árvore fechando os olhos.


pov's on.

Eu não agüentava mesmo ficar trancado dentro daquela sala, vendo aquele louco falar de números bases e mais números, e ainda olhando paro lado, vi que o estava na mesma situação que eu. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para a , mas nem ela se dignou a me responder. Mandei um papel para o , falando para ele que assim que batesse o sinal eu iria pegar meu carro e vazar dali. Ele concordou comigo e fomos juntos para o parque que todos que querem matar aula, ou ter um encontro vão. Fui pensando, pensando que meus melhores momentos foram ali, com todo aquele povo, nunca zoamos tanto, bebemos e fumamos tanto como naquele lugar. E pensar que não, mas tínhamos nossa própria árvore ali, chamamos ela de Arlete, foi o que deu o nome a ela. Óbvio que ele estava totalmente chapado, mas ficou, e até hoje ela é nosso xodó. Estacionei meu carro, descendo e pegando o violão no banco de trás, ele nunca saía dali, ele me ajudava tanto, tanto, tanto, eu não tinha como realmente recusá-lo naquele momento. Bati o porta malas do carro, e pude ver pegar um cigarro e tragar com força, algo o incomodava, e como incomodava... Não ia me preocupar com isso agora, ele devia ter transado com alguma pobre coitada e não ter pego o telefone ou algo assim, peguei meu celular no bolso da calça e nada da . Que coisa, dude, ela some!

Entramos no parque avistando a Arlete, ela estava ali no mesmo lugar de sempre e não havia mudado nada, mas nós, sim, tínhamos mudado bastante. Eu queria ser ela às vezes, não mudar e ficar ali, parada no tempo... Tendo e vendo sempre tudo, sem mudar absolutamente nada. Fomos andando em direção a ela e pudemos ver que o Lauren e o Becky estavam em uma árvore a uns 3 metros longe da Arlete. acenou com a cabeça para o Lauren, que logo virou a cara para ele. Eles eram primos, mas depois da nossa briga com as meninas, eles não falavam muito com a gente, nós nem víamos mais eles na escola, mas ninguém quer saber disso, né?
Sentamos no chão, pegou o violão e começou a dedilhar algo, eu peguei meu ipod e fui achar algo que queria ouvir ali, junto da árvore. Por mais que estivéssemos um pouco longe dos meninos, pude ouvir uma voz conhecida. Virei um pouco minha cabeça, e pude ver parada na frente do Lauren, a cara dela não era uma das melhores. Olhei um pouco mais para o lado e a vi ali, mais linda do que nunca, mais maravilhosa impossível. Elas tinham matado aula na mesma hora que nós. Nada bom, pude ver gesticular um pouco e se sentar no chão, encostando a cabeça na árvore, vi logo depois se contorcer um pouco e andar em direção ao banheiro. Olhei para na minha frente que nem havia percebido a presença delas ali no parque, me levantei, batendo a mão na calça, dizendo que ia beber algo e comprar uma cerveja para ele, ele fez que sim com a cabeça e nem ao menos olhou para o lado.
Fui em direção ao banheiro, vendo entrar no banheiro feminino, pude ver que não havia ninguém lá, e entrei nele. Vendo que ela estava em dos boxes, entrei em um box e fiquei ali sem que ela soubesse que eu estava lá. Pude vê-la saindo do banheiro e começar a lavar as mãos, saí do box, a vendo pelo espelho.
- Você continua linda como sempre, queria saber como isso é possível... – eu disse com a voz falha e rouca, com muito medo de qual seria a resposta dela. Pude ver que ela me olhou com uma cara muito assustada, e apenas abaixou o olhar para a torneira. Eu sabia que não devia ter ido até lá, era o maior erro da minha vida, mas meu impulso foi muito mais forte, juro. Apenas abaixei minha cabeça também e respirei fundo indo em direção a porta antes que alguém me pegasse ali. Quando coloquei a mão na maçaneta da porta, pude ouvir o tom de voz mais doce que eu já ouvira em toda minha vida.
- O que você quer aqui? – Ela parecia fria, mas não havia mudado muito, dava para perceber que ela não iria perder a chance de me humilhar uma última vez.
- Nada, queria só ouvir sua voz de novo, e ver de perto como você estaria sem seu namorado... - disse, lembrando de tudo que tínhamos passado juntos, e pude lembrar de quando abri a porta do quarto de e a vi beijando o tal Becky, ô cena infeliz.
- Você não é mais meu namorado, . – Ela disse com firmeza na voz, olhando nos meus olhos.
- Não mesmo, posso ser corno, mas seu namorado jamais voltarei a ser... – Falei isso sem pensar no que estava dizendo e posso me arrepender depois, mas já estava dito. Ela abriu a boca várias vezes, tentando dizer algo, mas não disse nada, eu apenas olhei mais uma vez dentro dos olhos dela antes de deixar aquele lugar. Abaixei a cabeça, virei e saí de lá. Eu não poderia olhá-la de novo, achei que podia, mas não conseguiria, não naquela hora.

pov's off.


Capítulo 3

’s pov on.


Estava sentado com o violão no colo, quando disse que ia ao banheiro. Incrível como esse cara gosta de ir no banheiro, que coisa, velho!
Comecei a tocar uma música que eu não conheço, era uma melodia estranha, meio melancólica, e quando fechei meus olhos, começou a perturbar meus pensamentos. Devo confessar, odeio o modo como ela perturba meus sonhos, meus pensamentos e o meu dia-a-dia, queria que, depois de todo esse tempo, ela não estivesse mais tão presente.
Nós éramos amigos, nos conhecemos desde que eu e entramos na escola, é a melhor amiga da desde então, e sempre ela estava presente, no momento que fosse, na hora que fosse, e, por mais que tentássemos, estávamos o tempo todo discutindo, brigando, e cutucando um ao outro, mas depois do término de namoro da e do , nossa convivência se tornou insuportável. Eu defendendo o lado de , e ela, o de , agora, não conseguimos mais passar um segundo na presença do outro sem brigarmos. O mais terrível de tudo isso é o modo como o corpo dela parece sempre chamar o meu, sempre implorando por um contato ou um pouco de atenção, não é algo com que eu consigo lidar, é algo que me domina segundo a segundo, e, sei lá, quando ela se aproxima meu corpo todo formiga, e, poxa, dude, é complicado explicar.
Ouvi risadas próximo de onde eu estava e olhei, me arrependendo segundos depois. Vi e Lauren juntos, eles dois estão ficando a algum tempo e se tratam de um jeito que me embrulha o estômago. Queria poder meter um soco bem no meio da cara dele, mas não posso, porque ele é meu primo e acho que minha tia não faz idéia do quanto o filhinho dela me estressa.
Lauren girou a no ar e vi Becky gargalhando por isso. Estranhei a não estar ali presente. Levantei-me, não querendo mais ficar perto deles, e fui caminhando de volta para o carro. Tive que passar na frente deles, e, para variar, algo tinha que fuder, né.
- Incomodado, priminho? – Lauren me parou, fazendo com que eu soltasse o ar rudemente. Olhei para a cara de bosta dele e respondi:
- Incomodado com o quê, se tenho que agüentar essa sua cara insuportável desde que você nasceu? – Ele engoliu saliva, pois vi seu pomo de adão subir e descer, me fazendo soltar uma risada nasalada.
- Tá pensando que é quem para falar assim comigo? – ele me empurrou, fazendo meu corpo ir um pouco para trás. No mesmo minuto, agarrou o braço dele, enquanto Becky se posicionava ao lado dele,
- Lauren, para com isso, por favor! – falou, olhando dele para mim e, quando encontrei seus olhos, senti meu corpo tremer de uma forma sem tamanho. Becky, então, olhou para ela e disse:
- Foi ele quem começou, não se mete nisso, , por favor. – E, então, olhou para mim, batendo uma mão na outra, mas uma de suas mãos estava fechada em punho.
- Nossa, que medinho, meu filho, pode vir, tem meses que quero meter um soco nessa sua cara de cão esculachado! – Dei dois passos na direção dele e puxou o seu braço. Senti meu sangue ferver. - Para de protegê-lo, ! - falei alto, fazendo-a arregalar um pouco os olhos e engolir seco.
- Não grita com ela, seu infeliz! – Lauren falou, indo em minha direção, e, quando fui para cima dele, senti uma mão no meu ombro, me puxando. Quando fui meter um soco na pessoa, vi parado atrás de mim, com os olhos um tanto avermelhados e com a cara fechada.
- Não perde tempo com ele, , e nem com a , as coisas mudaram e muito! Vamos embora daqui, vai! - Ele me puxou e começamos a andar, então, pudemos ouvir:
- Ei, ! - Nos viramos e vi parada ao lado de Becky, que se posicionava logo atrás dela, olhando para nós dois. olhava fundo para , dava para perceber de longe o ódio emanado nos olhos dele, e, então, ela continuou: – Vai ter volta, me aguarde!

’s pov off.

Fechei a porta de casa e me encostei nela. Minha cabeça dava voltas e eu sentia meu estomago embrulhado.
Depois que e saíram do parque, o clima ficou muito pesado, Lauren estava nervoso demais e estava muito melancólica no colo de Becky. Sinceramente, não aguentava mais a cara que eles estavam, então, decidi voltar para casa, os deixando no parque. Estou cansada do jeito que minha vida está, tão de ponta à cabeça, tão sem controle, tão desorganizada, caramba, eu só queria ser a de novo, sem ter que esconder as coisas, e, poxa, ela esta assim desde que e terminaram!
Bom, posso explicar a história para vocês com calma agora. e são irmãos e se mudaram para a nossa cidade há mais ou menos 4 anos, e, desde então, todos, eu, , , , , , , , Lauren e Becky andávamos para cima e para baixo, o tempo todo, e, meu, foi incrível o jeito que o gostou da assim que olhou para ela. Todo mundo tentava fazê-la enxergar, mas a tchonga era cega demais e nunca percebeu que só tinha olhos para ela. Passamos dois anos numa luta macabra para fazê-los ficarem juntos, até que, numa festa da escola, enquanto todos nós estávamos sentados numa mesa, tomando refrigerantes batizados, She will be loved do Maroon 5 começou a tocar, e lembro-me como se fosse ontem, virou a coca dele garganta abaixo, se levantou, e chamou a para dançar. Ela sequer olhou para algum de nós na mesa, ela simplesmente aceitou a mão que estendia para ela, e foi para a pista com ele. Nem preciso comentar que no meio da música os dois estavam se beijando, né?
É, mas foi, e eles namoraram por seis meses, até que inventamos de ir a uma festa, bem no dia em que e tinham brigado feio, aquelas brigas de casal, entende? Bom, o problema foi que ambos encheram a cara, e , muito embriagado, começou a dançar com uma garota, e, o pior, na frente da , que começou a chorar e logo saiu correndo. Becky foi atrás dela, óbvio, porque ele, assim como , era apaixonado pela . Mas, então, quando se sentiu arrependido, ele quis ir atrás da , e eu resolvi ir com ele, procuramos em todos os cômodos do primeiro andar, se recusava em ir até o segundo, porque era onde ficavam os quartos, mas, como não tínhamos mais escolha, tivemos que ir para o segundo andar, que tinha uns 5 cômodos. Abrimos um por um, até interrompemos alguns casais, mas quando abrimos a porta do último quarto, estava prensada no armário, e Becky estava a beijando, e, cara, era um beijo desentupidor de pia, sabe? Pois é, quando viu isso, ele partiu para cima do Becky, e os dois começaram uma briga feia. Como estava estática no meio do quarto, eu corri até a ponta da escada e gritei pelos meninos, que subiram no mesmo minuto. Foi um sufoco tamanho, e quando eu cheguei no quarto de novo, os meninos os separavam, e estava abraçada a si própria, chorando oceanos, fui até ela e a abracei forte, a fazendo chorar abertamente. Assim que os meninos conseguiram acalmar tanto o quanto o Becky, foi que meu inferno começou. olhou para , que olhou para ele, e jogou na cara dela que ela era uma vadia, uma traidora e que não confiava mais nela, disse que tinha nojo dela e que nunca mais queria chegar perto dela, nem se ela fosse pintada de ouro. Ele saiu do quarto e foi aí que nós, meninas, Lauren, e, óbvio, Becky, ficamos do lado da , enquanto , e ficaram do lado de . Então, não houve um dia sequer em que os McGuys e nós tivéssemos um dia de paz. e , mesmo sendo irmãos, mal olham um na cara do outro. , que era apaixonada por , reprimiu seu amor. e , que estavam ficando, pararam de ficar. E eu e continuamos nos odiando, mas, como eu havia entendido o lado de , e por ele ser meu vizinho, não consegui passar muito tempo o odiando, ou brigando com ele, então, tivemos que manter nossa camaradagem em segredo absoluto. E eu carrego esse carma há mais de um ano. Como o tempo passou, cada um foi seguindo seu rumo, Becky e Lauren mudaram de escola, mas continuamos nos vendo, graças a nossa banda, e, claro, e são as nossas tietes favoritas, haha. Só que nenhum dos meninos voltou a falar normalmente conosco, e, sério, sinto falta disso, e conversando tanto com como com , descobri que os dois ainda se amam, o que é óbvio, uma vez que não o pode ver passar na frente que fica imóvel, e o escreve todas as músicas que pode pensando na , que é a sua musa inspiradora, algo que eu acho muito fofo, mas quem sou eu pra meter a colher?
Então, povo, agora vocês me entendem, né? Mas, como estava cansada da minha vida real, me meti num mundo viciante, que não é o das drogas, se bem que é parecido: eu entrei no mundo dos fakes. No começo, era algo tranqüilo, algo onde eu deixava a de lado e vivia o mundo da Tiffany, minha fake, mas, quando eu achava que estava tudo bem, foi aí que a vida da Tiff ficou mais interessante, Brian apareceu, e botou meu mundo de pernas pro ar assim que pediu a Tiff em namoro. Brian, além de namorado da minha fake, virou a única pessoa com quem e consigo conversar abertamente, claro que ele não sabe que meu nome é , e não sabe de nada da minha vida off (que, no caso, é a minha vida mesmo, a vida on é a vida da Tiff, deu para sacar?), mas, assim, eu meio que conto meus problemas, dizendo o que está acontecendo, mas sem citar nomes, e o mais legal é que ele me entende como ninguém jamais entendeu. Isso me faz tão bem, ele me deixa falar e falar e falar, sem reclamar, e quando ele precisa, também o deixo falar a vontade, amo ver como os caras também sofrem por causa de garotas, haha.
Uma pena que hoje o off do Brian tem que estudar para uma prova de faculdade, e aí ele não vai entrar para a gente conversar, mas, por um lado, acho que é bom, minha cabeça está tão cheia de coisas que não daria a atenção que ele merece, sabe? Subi as escadas de casa, vendo tudo apagado, esse é um dos benefícios dos pais trabalharem fora o dia todo, quando você quer ficar sozinha, não tem ninguém em casa para encher seu saco! Entrei no meu quarto e olhei pela sacada: vi o quarto de aceso, sorri, joguei minha mochila no chão e fui até meu banheiro, joguei uma água no rosto, sentindo-o resfriar do jeito que eu queria e o sequei, voltando para o meu quarto. Quando entrei no mesmo, vi sentado na grade da minha sacada de cabeça baixa, aí está um problema de casas perto demais, o vizinho sempre consegue pular para dentro da sua sacada!
- Isso é invasão de domicílio, ! – Falei, me sentando na minha cadeira na varanda. Ele levantou o rosto, e respirou fundo.
- Hoje, no parque, quando ela foi ao banheiro, eu a segui. – Olhei dentro dos olhos dele, não pronunciava alto o nome de , ele sempre a chamava de “ela” ou “aquela garota”. Respirei fundo quando absorvi o que ele tinha dito, encolhi as pernas na cadeira, e comecei aquele diálogo de sempre:
- E o que ganhou indo até lá, ?
- Nada, para variar, eu não ganhei porra nenhuma, a não ser a confirmação de que ela está bem melhor sem mim, pelo que parece! – Ele se levantou e começou a andar de um lado para o outro na pequena varanda. – Sabe o que é pior, ? Eu escrevo músicas, eu vou atrás dela, eu sonho com ela todos os dias, eu a desejo como nunca, mas parece que eu sou um nada na vida dela e que eu não faço diferença alguma na vidinha de merda que ela leva! Porra, eu durmo com garotas pensando nela, , e no corpo dela, e no quanto eu gostaria que fosse ela ali do meu lado, como um cara consegue ser corno e continuar amando a pessoa assim mesmo? Me explica! – Enquanto falava, podia se ver claramente seu peito subindo e descendo, ele arfava desesperadamente, lutando contra o turbilhão de sentimentos que ele tinha dentro de si. Se ele visse a cena patética da babando nele mais cedo, acho que ele não teria tanta certeza nas afirmações que estava fazendo.
- Eu não posso te explicar isso, , o amor de vocês é mais complexo do que se pode imaginar! - Falei, tentando passar calma a ele, mas parece que foi em vão.
- Amor de vocês não, o meu amor por ela, porque ela, simplesmente, não me ama mais, ! - se sentou no chão e bagunçou os cabelos, desesperadamente.
- Não diga o que não tem certeza, , você pode se arrepender no futuro por causa disso! - levantou o rosto para mim e bufou.
- Quando é que você vai parar de defendê-la, ? - Virei os olhos e olhei para a cara dele.
- Nunca, , porque eu conheço o lado da , sei que ela ainda ama você, e que o que aconteceu naquela noite foi um acidente no qual ela não teve controle porque estava bêbada e com raiva de você! – Ele tentou me interromper, mas eu levantei mais meu tom de voz: - Eu conheço os dois lados da história, , e sei o que sei, e se me deixasse falar, poderia ver que ambos estão sofrendo porque querem, porque se quisessem, já estariam juntos de novo, e se amando do jeito que tem que ser! - bufou e se levantou, parou de frente para a sacada do quarto dele e disse baixinho:
- Ela nunca vai me amar do jeito que eu a amo, ! – Eu sorri de lado e caminhei até ele, coloquei a mão no seu ombro e falei, o olhando:
- Você se surpreenderia em descobrir no quanto ela realmente te ama, ! Mas, agora, se me dá licença, tenho que estudar! – Ele olhou para mim e disse:
- Só me diz por que não me respondeu a mensagem! – Comecei a rir e baguncei os cabelos dele.
- Simples, porque fugi da escola com a ! - Ele arqueou as sobrancelhas, compreendendo e, depois que me deu um beijo na testa, pulou para sua sacada, entrando no quarto em seguida. Dei risada e caminhei para dentro do meu quarto, olhei em volta e não tinha nada para fazer, então, resolvi fazer o que disse a que faria, peguei meu livro de química e comecei a estudar a matéria nova que o professor João nos tinha passado de manhã.
A porra do tempo passa tão rápido quando a gente estuda. Eu acordei às seis da manhã com o sol na minha cara e com o livro de química todo babado. Eu soltei uma risada nasalada pensando que quem me visse naquele estado literalmente ia achar que eu estudava, né, mas, bem, como num dia literalmente mais do que raro, eu ia chegar mais cedo na escola, já que a disse que ia com aquilo que ela diz que é um irmão.
Tomei meu lindo banho rápido, desci as escadas correndo, indo ver o que meu pai estava aprontando desta vez, e eu cheguei lá e, adivinhem, NADA, como assim nada? Cadê meu pai? Senhor, que medo de ficar sozinha no mundo, eu ficaria doida com aquela casa sozinha, sem ter mãe e ainda sem o único homem que eu tenho na vida: meu papis. Olhei em cima da mesa de centro da sala e vi que havia um bilhete, andei devagar até lá, abaixando e ficando da altura da mesa, de uma forma que eu pudesse ver o bilhete e ver que ele estava escrito com a letra linda do meu lindo pai. Fechei os olhos com medo do que podia conter ali, tá, talvez fosse ele dizendo que tinha ido mais cedo para o trabalho por urgência, não sei, abri o os olhos, finalmente, pegando o bilhete e lendo com atenção:
Filha, eu saí mais cedo de casa hoje, tinha uns exames marcados no médico e depois irei direto para a empresa, não se preocupe, são só exames de rotina, eu estou com saudades de você, pimentinha, vê se pare em casa! Eu te amo.
Respirei fundo, é, não é nada, eu acho, dobrei o bilhete e coloquei no bolso da calça, levantando, e indo até a cozinha pegar um Red Bull para começar o dia mais agitada que o normal.
Peguei minha bolsa no sofá, indo até a mesinha perto da porta e pegando a chave do meu lindo carro, coisa fofa ele, adoro tanto, abri a porta e tive a maior surpresa que eu poderia ter na minha porta, a maior ou talvez mais que um choque para mim, não é quem você esta pensando, eu acho, era ninguém mais ninguém menos que parado na minha porta com os olhos inchados e mais branco que o normal. Eu olhei para a cara do com um ar supreso e a única coisa de que saiu da minha boca foi:
- O que faz aqui, ? – Ele me retribuiu o olhar com lágrimas nos olhos, deixando apenas uma escorrer em sua face. Partiu-me o coração vê-lo daquela forma, eu quero e eu preciso ajuda-lo, e preciso que o ajude também. Cadê todos a essa hora? Que merda, viu! Eu acordei dos meus pensamentos individualistas quando ouvi a voz do , era ainda a voz grossa de homem, mais um voz abalada de uma forma que eu não podia explicar:
- Preciso conversar, . – Olhei para a cara dele, o dando passagem para entrar, eu não podia ir embora sem antes resolver isso...

Capítulo 4

Eu olhava o , sem saber o que fazer e muito menos o que falar. Tinha um bom tempo que eu não trocava uma palavra, nem sequer um olhar com ele, ou com qualquer outro deles, entende? E, de repente, ele aparece na porta da minha casa, chorando rios de lágrimas como um homem não faria. Bom, até faria, mas não ele, não do jeito que eu o conhecia. Mas talvez tudo tivesse mudado, havia tanto tempo que eu não falava com ele, não é?
Então, de repente, eu estava ali, estática, sentada na poltrona, olhando à minha frente, sentado no sofá. Enquanto ele chorava baixinho, eu aposto como minha cara de “oi, , eu não sei o que fazer por você” estava super nítida. Eu abaixei a cabeça, lembrando da última vez que eu ajudei o em alguma coisa. Foi o dia mais engraçado da minha vida, nós realmente percebemos que não prestávamos para dar uma de cupido. Olhei novamente para a cara dele que já estava me dando desespero de tantas lágrimas que escorriam, decidi levantar e pegar um copo d’água antes que ele desidratasse. Levantei devagar, falando baixo, mas num som que ele pudesse ouvir:
- Vou pegar água pra você. – Fui andando lentamente em direção à cozinha, falando o mais baixo possível, mas com a certeza de que ele tinha ouvido.
Quando estava quase perto da cozinha, pude ouvir a mesma voz que eu tinha ouvido quando abri a porta da minha casa, mas em frases diferentes:
- Eu não quero água, só quero que você me ouça. – Eu parei onde estava, minhas pernas ficaram bambas, não por motivos de paixonites agudas, mas por ver e ouvir meu melhor amigo ou ex, sei lá, naquele estado. Eu me virei, indo em direção a ele e me sentando em sua frente, olhando diretamente em seus olhos. Ele olhou pra mim, sabendo que poderia começar a falar, eu respirei fundo e, então, pude ouvi-lo de novo:
- Eu estava acostumado demais com a presença dele comigo, , você sabe que ele era a única presença masculina que eu tinha em casa, a única em quem eu me espelhava... - Ele parou de falar e respirou fundo, limpando onde suas lágrimas caíram, mas logo caiam mais e mais, e na minha mente era impossível que poderia ter acontecido algo com o Sr. , mas até aí eu me mantive quieta, com as mãos um pouco trêmulas.
Depois de não sei exatamente quanto tempo, resolvi perguntar, enquanto me sentava de perna de índio no sofá:
- , diz logo o que houve! – Disse, já aflita.
- Eu cheguei em casa hoje de manhã de uma festa onde eu estava com o e o resto dos garotos, eu vi, , eu vi a beijando o Matt, dá pra imaginar? A garota que eu amo beijando um dos meus melhores amigos. – Ele parou de falar de repente e pude ver que ele apertava as mãos como se fosse bater em alguém. Ele respirou fundo e eu pude ouvir a voz dele de novo. – Meu melhor amigo, pelo menos um deles, o filho da puta sabe que eu amo aquela mulher e simplesmente toma o lugar que era meu por direito. – É, deixa eu dizer, Matt é um amigo (super amigo) de sala do , um cara que realmente ele considera demais, tipo um irmão, e mais velho, sabe, aquele que você conta pra tudo, como se fosse um pai, pra quem você desabafa, chora, ri, e compartilha os melhores momentos de sua vida? Então, isso, e, agora, Matt simplesmente pega a e fica assim? Não, comigo não é assim, não, esse Matt metido a mauricinho que me aguarde, tenho dito. Passei horas ali, conversando com o – sim, perdemos a aula -, de uma forma que, dude, havia meses que eu não fazia, tenho que admitir que acho que, por partes, agradeço ao Matt ser um tremendo filho da puta, já que isso trouxe um dos meus melhores amigos de volta pra mim.
estava deitado no meu colo, e eu acariciava seus cabelos, quando ele disse:
- Sabe que... Eu senti sua falta, pequena. - Então, senti meu coração acelerar de alegria, era tão fechado, mal falava o que sentia, eu deveria me sentir uma pessoa privilegiada por ele estar falando isso. Sorri abertamente pra ele e me abaixei, dando um leve beijo em sua testa, olhei em seus olhos, que estavam inchados e vermelhos por causa de seu choro minutos atrás, e, quando me toquei que ele esperava resposta, apenas respondi:
- Também senti a sua, , senti demais, mesmo! – Rimos levemente e ele se levantou do meu colo, se colocando em pé, e eu o imitei, em seguida, arrumando a barra da camiseta que estava meio amassada.
- Está muito bom esse carinho e tudo mais, só que eu preciso ir, , sabe que os caras ficam irritados quando eu falto aos ensaios da banda. – Ah, claro, o McFLY, a banda dos meninos. , , , e têm essa banda desde o ano retrasado, e, desde então, vivem ensaiando aqui e ali, cada dia na casa de alguém, e quando eu ainda era amiga deles, eu sempre ia nos ensaios com as meninas, e foi assim que tanta coisa rolou desde então: e se apaixonaram com mais intensidade, se apaixonou pela e vice versa, e viviam de agarração sem nada sério, e eu e , bom, acho que nosso ódio cresceu, porque sempre discutíamos demais, isso que manda esse ser metido a engomadinho comigo, é.
- Ah, sim, claro, é melhor ir, mesmo, senão o vai dar seu pitizinho de gay! – Falei, rindo, e riu junto comigo, me dando um abraço logo em seguida, eita abraço bom da porra. E, bom, depois que ele se foi, me vi ali sem nada mais pra fazer, logo meu pai chegaria do trabalho e me levaria no Jhonny’s pra comer, como de costume, então, acho que terei que me render aos canais da tv a cabo, e esperar até que alguma coisa aconteça e me tire dessa rotina infernal.

’s pov on.

Saí da minha sala de anatomia e respirei fundo, esse professor fala tanto que meu ouvido chega a zunir no fim do período, sério, mesmo. Olhei para aquela multidão de adolescentes andando pelo corredor, felizes por mais um dia letivo ter acabado, e não pude deixar de sorrir por isso, afinal, a semana está acabando, o que me dá a sensação boa de dois dias de descanso a caminho, e isso era definitivamente bom. Comecei a caminhar na direção do meu armário, indo no sentido contrário do fluxo de alunos - porque meu armário ficava no fundo do corredor, perto das escadas, e eu sequer olhava no rosto das pessoas de tão perdida em meus pensamentos como eu estava. Eu estava pensando na minha fake, a Liv, ontem o rolo dela a pediu em namoro e ela não conseguiu aceitar por ainda ser apaixonada pelo Alan, o que não é bom. Alan traiu a Liv com nove meninas, e isso foi forte demais pra ela, então, com o coração partido, eu a fiz terminar com ele, e, mesmo ele implorando, se humilhando de várias formas, meu orgulho ficou transparente na minha fake, não a deixei perdoá-lo. Foi difícil, mas sei que foi o certo. O problema é que, desde então, ela tenta seguir sua vidinha, ficando com caras às vezes nas festas – sim, fakes fazem festas, e, sim, é bem legal-, tem ficantes que até duram algumas semanas, mas nenhum deles fazem o coração dela bater tão acelerado como o Alan fazia. O fato é que até eu mesma, no meu lado of, fico balançada quando me lembro do modo como ele tratava a Liv, porque me lembra muito o , e eu sentia como se eu precisasse do Alan pra sentir o perto de mim, o que me causava fortes arrepios quando Liv e Alan se beijavam, pois eu inconscientemente me lembrava dos beijos e carícias que trocava com . Mas o que eu posso fazer? Agora, é tudo um passado, tanto pra Liv, quanto pra mim. Cheguei ao meu armário, destranquei a fechadura e joguei meus livros lá dentro, suspirando em seguida. Irrita-me o fato de que eu continuo procurando um pouco do nas pequenas coisas do meu dia, seja em um fake, seja em uma letra de uma canção, seja nas melodias que escutávamos quando estávamos juntos, eu sempre procuro mais dele, eu sempre o quero, me pego até em sonhos procurando por ele, ou então lembrando de nossos momentos juntos, chega até a ser uma tortura, mas eu não tenho como escapar, é assim que eu vejo minha vida, presa a um passado, sem me importar muito com o futuro. Porém, a culpa é minha, quem mandou eu ter bebido tanto naquela festa e descontar minha raiva do em um beijo com o Becky? Ah, se soubesse o quanto me arrependo por ter brigado com ele naquele maldito dia, se ele soubesse o quanto me arrependo pelo maldito momento em que a língua do Becky encostou na minha, argh, como eu queria voltar naquele dia e fazer tudo diferente, como queria que ainda estivesse ao meu lado me chamando de “minha ”. Eu ainda sou dele, mesmo depois de todo esse tempo, meu coração é do , única e exclusivamente. Encostei minha testa na porta – agora fechada - do meu armário e respirei fundo, sentindo minhas lágrimas sendo formadas em grande quantidade em meus olhos, respirei fundo algumas vezes, sem me importar em chorar, pois sabia que Becky e Lauren tinham ido até a casa da , e e devem ter ido pra minha casa pro ensaio do McFLY, então, que mal teria se eu chorasse ali? Acho que nenhum. Então, libertei minhas lágrimas, que começaram a rolar dos meus olhos, encharcando meu rosto, e fazendo com que minha respiração ficasse falha, e eu sentisse uma leve dor no estômago, a dor que eu sempre sentia quando chorava por causa dele. Não sei exatamente quanto tempo fiquei ali chorando, só parei quando me assustei com uma mão em meu ombro, e me virei para encarar aquela tal pessoa, que era o zelador da escola.
- Está tudo bem, menina? – Ele me perguntou, seus olhos eram gentis e com um tom de voz de preocupação. Respirei fundo, secando minhas lágrimas, sorri amarelo pra ele.
- Não muito, mas irá ficar, obrigada por se preocupar. E pode ficar tranqüilo, já estou saindo. – Disse, querendo evitar falar muita coisa, nunca fui de sair falando pra qualquer um o motivo de minhas lágrimas, então, o senhor concordou com um aceno de cabeça e deu meia volta, saindo do meu campo de visão, me fazendo respirar fundo. Tranquei meu armário, e saí em passos largos da escola, indo até meu New Beatle amarelo no estacionamento da escola. Abri o carro e joguei a mochila dentro dele, ainda com o coração batendo rápido, mas eu não sabia exatamente o porquê daquilo, fechei, então, meus olhos, e encostei o corpo na lataria do carro, tentando respirar várias e várias vezes, tentando ver se tudo dentro de mim se acalmava logo, e só abri os olhos quando tive certeza de que estava tudo certo. Então, entrei no carro e dirigi até em casa, tentando repetir várias vezes que passaria reto pelos meninos em casa e iria direto para o meu quarto, e continuei com esse pensamento quando desliguei o carro. Peguei minha bolsa e comecei a entrar em casa. O barulho da tv e das vozes dos meninos era alto, tinha certeza que a dona Abigail, nossa vizinha, ainda ia reclamar disso pros meus pais, e, se bobear, faria essa noite ainda, mas quem se importa? Ela é uma velha chata, mesmo, meu pai tinha horrores quando ela aparecia do nada, e uma vez até disse para o fazer mais barulho da próxima vez, vai ver era isso que ele estava fazendo agora.
Quando abri a porta da sala, todos se calaram, menos a musiquinha do jogo de futebol que passava na televisão, então, eu respirei fundo, fechei a porta da sala, olhando no rosto de todos ali: me olhava enquanto mordia seu lábio, uma mania que provocava muitas garotas, mas como eu já convivi muito com ele, sei que essa era apenas uma mania que ele tinha pegado de sua irmã, e ele odiava isso; me olhava com sua cara de merda de sempre; , ah, , meu ex-melhor amigo, esse coçava a nuca e não sabia se olhava pro chão, pra ou pra mim, e ele, , estava esticado no sofá, olhando fixamente pra televisão, sem sequer me encarar, o que fez meus olhos transbordarem de novo. Fechei meus olhos, coloquei minhas chaves do carro em cima do aparador, e comecei a andar em direção a cozinha pra pegar uma garrafa de água, e, quando me movi, todos fingiram olhar em outras direções que não fossem pra mim e ainda sem proferirem uma palavra sequer. Eu, por minha vez, peguei a garrafinha, fechei a geladeira com uma força desnecessária, e se minha mãe tivesse visto, teria provavelmente gritado comigo, mas eu não estava me importando muito no momento, tudo que eu queria era sair logo dali e ir de uma vez por todas pro meu quarto, e poder respirar sem quatro babacas em silêncio por não quererem falar comigo. Entrei na sala, indo em direção às escadas que davam ao segundo andar, passei por , , e estirado no sofá, e quando coloquei um pé na escada, ouvi:
- ? - Arregalei meus olhos e me virei pra onde a voz estava vindo: , que estava de pé, me olhando atencioso, e todos ali, até mesmo eu, estavam com caras do tipo “mas o que você está fazendo?”. Engoli saliva, desci o degrau e olhei pra , sorrindo de fraco.
- Sim... - Disse tão fraco que fiquei com medo de ele não ter escutado.
- Er, queria saber como está a . – Ele disse e, em seguida, voltou a coçar a nuca. Eu senti meu corpo quente, de repente, sem entender o porquê. Mas eu acho que o fato foi que eu fiquei feliz, porque, depois de tanto tempo, finalmente disse algo pra mim, mesmo que fosse pra perguntar sobre a . O fato é que ela e os pais haviam discutido muito sério, e, então, ela resolveu sair de casa e foi morar com a há algumas semanas. Ela foi o comentário da escola por dias, porque ninguém ali sabia desse lado tão revoltado dela, só que o que ninguém sabia era que essa revolta toda foi única e exclusivamente porque ela não tinha mais o com ela, e eu me senti mais terrível ainda por isso. Olhar triste quando passa por ela, ver o a olhando de longe quando estamos no refeitório almoçando, e saber que os dois sentem falta um do outro e que só não estão juntos por minha causa faz com que eu pareça um monstro, e aposto que todos os garotos, , e principalmente , concordam com isso.
- Ela... Ela está bem na medida do possível, , os pais dela estão se mudando pra Cambridge e ela vai ficar aqui em Bolton com a gente, na verdade, ela e a – não pude deixar de olhar pra nessa hora, que me olhou também, se interessando mais pelo assunto quando o nome de foi citado - estão indo até a casa dela buscar o resto das coisas dela, porque ela se muda pra casa dos Gomes de vez hoje. – Falei, dando um ultra mega resumo pra ele, que balançou a cabeça concordando. Eu engoli saliva e olhei pra todos ali, olhava pro sofá que estava deitado, provavelmente olhando pra ele, e sequer se levantara pra me encarar, olhava pros pés, e ainda me olhava.
- Obrigado, ... . - Ele disse meio baixo, e eu senti meu coração apertando de pouquinho em pouquinho, porque tudo que eu queria era correr até ele, abraçá-lo bem forte e contar a ele o quanto a estava precisando dele nesses últimos dias, mas tudo que eu fiz foi acenar com a cabeça e subir escada acima, correndo. Assim que entrei no meu quarto, bati a porta com força, me jogando na cama, e deixando que minhas lágrimas encharcassem meu travesseiro.

’s pov off.

’s pov on.

Assim que eu ouvi a porta do quarto da se fechando, me sentei, desliguei a tv e olhei pra , perguntando com a voz um pouco alta:
- Mas que merda foi essa, ? Eu não acredito que você falou com ela, dude! - Passei as mãos pelos cabelos, sentindo a raiva crescendo dentro de mim, e fazendo com que minha respiração acelerasse um pouco mais.
- E qual é o problema nisso? - me perguntou com o olhar um pouco distante e eu via seu peito subindo e descendo por conta de sua respiração pesada.
- O problema, o problema? - Perguntei a ele, me levantando rapidamente. - O problema é que é ELA, , é a ! A garota que me traiu, que traiu minha confiança, e você ousou dirigir a palavra a ela sabendo todas as merdas que ela fez comigo, cara! - Eu gritei com ele, vendo-o fechar os olhos e começar a respirar fundo inúmeras vezes, até que, de repente, ele começou a gritar:
- CALA ESSA SUA BOCA, ! É A , SIM, E DAÍ? O QUE EU POSSO FAZER SE ELA É A ÚNICA PESSOA COM QUEM EU CONSIGO NOTÍCIAS VERDADEIRAS DA ? PORRA, CARA, TUDO QUE EU FIZ ATÉ AGORA FOI PREZANDO SUA AMIZADE, CUIDANDO PRA QUE VOCÊ NÃO FICASSE BRAVO E COISA E TAL, MAS E EU, CARALHO? COMO EU FICO? ONDE EU ENFIO A PORRA DO AMOR QUE EU SINTO PELA ? COMO EU FAÇO PRA ESQUECÊ-LA, PRA TIRÁ-LA DA MINHA CABEÇA, PRA QUE EU CONSIGA ACORDAR TODAS AS MANHÃS SABENDO QUE VAI SER MAIS UM DIA SEM ELA, PORQUE VOCÊ E A SÃO DOIS IMBECIS QUE NÃO CONSEGUEM SE RESOLVER? – Ele me empurrou pelo peito, fazendo-me sentar de novo, e assim que me sentei com força, foi pra perto dele, puxando-o um pouco pra longe de mim, e falando:
- , calma, cara!
- CALMA NADA, , NÃO ME PEDE CALMA! EU TÔ DESESPERADO HÁ DIAS! A SAIU DE CASA, OS PAIS DELA ESTÃO SE MUDANDO E EU NÃO ESTOU LÁ DO LADO DELA PRA DIZER QUE A AMO, PRA DIZER QUE QUERO CUIDAR DELA, DUDE! - disse isso olhando pra , mas, de repente, ele soluçou e, então, uma porção de lágrimas começou a rolar pelos olhos dele, fazendo-o cobrir o rosto com as mãos, me fazendo ficar assustado. Nunca na vida tinha visto chorar por alguém, e, cara, isso acabou comigo. Ele, então, se virou pra mim, apontou o dedo na minha cara e disse: - Olha aqui, , eu fiz isso tudo, me afastei, me mantive longe, sofri quieto, vendo minha menina com outros caras que não eram eu, sofri com o corpo de outras mulheres em minhas mãos, sendo que eu queria o corpo dela, mas deu pra mim! A precisa saber que eu estou ao lado dela, precisa saber que a amo, que quero estar com ela, independente do que for, quero que ela saiba que sempre quis cuidar dela, e que ainda quero, e, mano, não vai ser a porra do seu problema com a que vai atrapalhar isso, porque pela primeira vez eu amo alguém ao ponto de me corroer por dentro de saudade, e, na boa, tô pouco me fudendo pro que você vai pensar, só quero que, pelo menos uma vez, pare de cu doce e se ponha no meu lugar! E, sério, não vou mais ensaiar hoje! – Ele olhou pro , e depois pro , abaixando a cabeça. - Foi mal, caras, depois vocês me passam o que decidirem hoje. – Ele, então, caminhou até o canto da sala onde tínhamos amontoado nossas mochilas, pegou a sua, e saiu da casa, fazendo com que um clima tenso ficasse ali.
Não preciso nem dizer que não teve ensaio, né? De tudo aquilo, eu não tive nem mais cara de ficar ali, parado, olhando pros meninos, ou ouvir alguma coisa que eles pudessem me dizer ou me bater. Ouvir aquilo do foi pior do que ter trinta caras fortões em cima de mim, me batendo ou tentando me matar de tanta porrada.
Eu não estava muito longe da casa dos , eu estava sentado em um banco, acho que já tinha mais ou menos uma hora e meia, já estava escuro e já tinha ido embora. Eu não tive a mínima coragem de ligar para e contar tudo aquilo eu precisava contar, mas não tinha como, a única coisa que estava me deixando calmo no momento era olhar pra janela do quarto daquela garota, a luz estava acesa, a janela, aberta, e eu podia ouvi-la cantar em alto e bom som Let The Flames Begin do Paramore . Ela e sua mania de músicas. O meu maior medo era que ela me visse, eu continuei ali, olhando, sem nem piscar, pra janela dela. Pude ver sua sombra ir e vir, ir e vir, até vê-la debruçada na janela, olhando pra mim como se realmente não esperasse me ver ali. Eu fiquei olhando até meus olhos encontrarem os olhos dela, apenas por um olhar dela eu pude ver que de tudo que ela queria me falar, uma dessas coisas era me pedir perdão e dizer que ainda precisava de mim, eu poderia estar fantasiando e, se estivesse mesmo, ia ser a melhor fantasia que alguém poderia inventar pra mim.
Agora, que ela já estava vendo, mesmo, que mal fazia ficar ali mais um pouco observando? Não iria matar ninguém, aliás, iriam me matar se me pegassem ali, mas, até aí, não seria nada demais, perto do que já havia acontecido mais cedo. Eu continuei a encarando e mexendo levemente minha boca, e, sem emitir som nenhum, cantei um pedaço de uma música que eu tinha feito com , alguns ensaios passados:
Coz you've got all the things that I want, and I just cant explain, so help me, babe, I gotta get over you!
Ela me olhou sem entender ainda, fez uma cara meio engraçada como se quisesse entender o que eu estivesse falando. Eu, não muito contente, olhei mais uma vez e cantarolei baixinho, sabendo que, mesmo naquele tom de voz, ela não iria me ouvir:
“Now and then she looks in my direction, I’m hoping for a sign of her affection, but she’s in denile and she’s got some worries today...”

Ela me olhou de novo, com um sorriso mais aberto no rosto, eu não resisti, ok? Eu me levantei do banco, atravessando a rua e chegando um pouco mais perto de sua janela. Olhei o mais dentro que pude de seus olhos e cantei num som baixo mais que ela podia ouvir:
“But I think if she'd give me a chance, I'll pleasantly surprise, but help me, babe, I gotta get over you...”
Eu a olhei mais uma vez, pra ter certeza de que ela havia escutado e entendido o que eu quis dizer. Dei meu famoso sorriso torto e saí daquela rua e de perto daquela janela que horas atrás estava me matando, tanto por dentro quanto por fora.

’s pov of

Capítulo 5

’s pov on.

Vi se afastar e respirei fundo, sentindo uma lágrima escorrendo pelo meu rosto. O que posso fazer? Eu não posso dizer que eu imaginaria ver o cara que eu amo, mas que não fala mais comigo porque o traí, sentado do outro lado da rua da minha casa, olhando pra janela do meu quarto, e, do nada, vem até a frente da minha janela e canta uma música que eu nunca ouvi, mas que fala coisas que eu sei quem têm a ver comigo. Agora, me diga, se você fosse eu, você piraria? Ok, eu pirei! Caminhei para a minha cama e me sentei, repassando a cena de na minha mente umas trinta vezes, e, quando dei por mim, haviam se passado exatamente duas horas. Cara, duas horas pensando o porquê de tudo isso, e por que comigo. Tente me entender, foi o momento mais romântico da minha vida depois de tudo que aconteceu, ninguém jamais teria feito isso pra mim nem que seja só pra demonstrar ódio, amor ou tristeza, qualquer coisa do tipo, eu realmente não sei bem o que dizer, sério, é algo que eu jamais esperaria... Eu já pensei nisso, que merda. Pensei mais de uma, duas ou três vezes nisso, então, saí da minha cama, abrindo devagar a porta, descendo as escadas sem fazer barulho, porque da última vez, eu tropecei na escada, meu pai achou que fosse um ladrão, saiu correndo pela casa de cueca, tipo, foi hilário, mas seria trágico se acontecesse de novo, afinal, eu não queria assustá-lo e nem queria que ele assustasse e mamãe; só queria um copo d’água. Olhei em volta da sala e estava tudo muito escuro, caminhei na pontinha do pé e entrei na cozinha, constando que continuava tudo escuro da mesma forma, caminhei até a geladeira e abri, pegando uma garrafa de água que tinha ali, e enquanto eu pegava a dita cuja, me veio em mente o rosto de cantando “But I think if she'd give me a chance, I'll pleasantly surprise, but help me, babe, I gotta get over you”... Ele cantava com um sentimento nos olhos que jamais vira em pessoa alguma, e eu estava tentando entender o que ele queria me dizer com aquilo, pois os olhares de sempre foram uma incógnita pra mim, algo que eu nunca entendi, nem compreendi, e era isso que o deixava ainda mais fascinante pra mim. Respirei fundo e, quando decidi tirar aquele pensamento de minha cabeça, ouvi a voz de alguém.
- Com sede, ? – Eu ouvi a voz do ecoar baixinho pela cozinha, me fazendo segurar a minha garrafa com força e virei rápido, vendo-o sentado na bancada da cozinha com a sua garrafa na mão; eu só o enxergava porque a luz da geladeira me fazia vê-lo. No começo, eu fiquei com receio de respondê-lo, porque, afinal, fazia meses que eu não falava com meu irmão, meu próprio irmão, o cara que dorme no quarto ao lado do meu, que cresceu comigo, que sempre foi como um melhor amigo, é, esse cara mesmo.
- Uhum, sede e insônia. - Balancei a cabeça fechando a porta da geladeira atrás de mim, deixando a cozinha em uma completa escuridão, porém eu sabia onde ele estava. Comecei a caminhar em direção a porta da cozinha, decidida a voltar pro meu quarto, até ouvi-lo novamente.
- Eu também não consigo dormir. - Ele pigarreou, e tenho a impressão de que ele bagunçou os cabelos. – Eu só precisava saber como você está, mana, aliás, preciso saber. - Ele disse, com a voz baixa e meio roca, acho que ele estava prestes a pegar um resfriado, ou então estava rouco, sei lá.
- Por que quer saber agora? – Eu disse, ainda achando estranha toda aquela preocupação.
- tem razão, não é culpa nossa a história de você e terem acabado assim, você é minha irmã e eu te amo, eu me preocupo com você, eu não sou assim: esse cara estranho que não liga pros sentimentos da irmã. Não, pelo contrário, eu preciso saber como você está, se você precisa de alguma coisa, a mínima coisa que for. – Eu olhei pra trás e pude ver, em sua sombra, abaixar a cabeça. Fui andando até ele, e peguei em seu rosto, fazendo-o levantar. Mesmo estando escuro, falei, tentando olhar em seus olhos:
- devia ter dito isso há muito tempo, e não, eu não estou bem desde o dia que o saiu daquele quarto dizendo que eu era uma vadia, eu precisei do meu irmão esse tempo todo, e agora que ele se dispõe a me ajudar, eu acho que isso tudo não passa de um sonho, eu sempre precisei de você ao meu lado, , eu nunca fui nada, eu nunca pude ser uma boa sem você me ajudando e estando do meu lado quando eu precisava de você, isso não parece como um discurso de irmã para irmão, mas eu queria que me desculpasse por ter feito as coisas ficarem dessa forma, eu só queria que você voltasse a ser meu irmão, aquele irmão que esteve do meu lado quando aprendi a andar de bicicleta, que me ensinou os primeiros acordes de violão, e que me abraçava quando a tempestade me assustava, eu só preciso de você de volta , por favor... - Eu disse, deixando muitas lágrimas caírem dos meus olhos, e, em um impulso, o abracei muito forte, como eu queria ter feito no dia em que eu saí daquela festa e não tive o apoio dele, que era quem eu mais precisava que estivesse do meu lado. Segundos depois, correspondeu meu abraço, me fazendo sentar no seu colo – sem pensamentos impuros, por favor, afinal, ele é só meu irmão -, e eu aproveitei pra deitar a cabeça na curva de seu pescoço, deixando que as lágrimas rolassem livremente pelos meus olhos, sem temer coisa alguma.
- Não peça por favor, isso não é um favor, era o que eu deveria ter feito desde o começo, deveria estar ao seu lado, como eu sempre estive! - Eu o ouvi fungando baixinho e o apertei ainda mais forte, sabendo que, definitivamente, de uma vez por todas, eu tinha meu irmão de volta comigo. E foi assim, logo que eu parei de chorar, me levou até a sala, e me fez contar o meu lado da história, o que de certa forma foi difícil, mas ele, pelo menos, entendeu que eu não tive a intenção de trair o , e que a verdadeira culpada era a porra da bebida que eu tinha tomado, que tinha me feito trocar as bolas completamente naquela noite. Contei a ele o quanto eu sentia falta de , dele e dos meninos - e ele ficou realmente mal nessa parte -, contei o quanto ficou mal quando se separou de e o quanto sentia falta de , mesmo que ela não demonstrasse de forma alguma, e, quando dei por mim, o Sol estava iluminando as janelas da sala, fazendo meus olhos se arregalarem.
- Meu Deus do céu, que horas são? – Perguntei a , que se virou, olhando pro relógio de parede que tinha na sala.
- É, seis e dois... - Ele disse e suspirou. – Você vai querer ir a aula hoje?
- Eu não tenho escolha, tenho um teste de inglês justo hoje, e preciso de nota porque no último eu não me dei bem, e se faltar hoje, fecho minha média com nota vermelha. – Expliquei, e ele apenas concordou, balançando a cabeça. Eu me levantei e olhei pra ele. - Você vai? – Ele olhou pra mim e deu um sorrisinho torto, o sorrisinho dos ’s que eu tanto amo.
- Ainda não sei, mas vá se trocar, senão perde a hora, vou ir fazendo o café da manhã. – Meu Deus, fazia tanto tempo que não fazia o café da manhã pra mim, que eu nem sei mais como é isso. Ai, como é bom tê-lo de volta. Eu me apoiei nas pontas do pé, e o abracei por alguns segundos, fazendo-o rir baixinho. - Melhor ir logo, se não quiser se atrasar. – Eu me soltei dele, apertei suas bochechas e subi correndo escadas acima.
Bom, fiz minha higiene matinal, tomei um belo banho, com direito a uma atenção especial aos meus cabelos, escovei os dentes, e peguei minha roupa, optando por uma skinny cinza escura, a camisa da escola com os três primeiros botões abertos, um colar com pingente da minha inicial, uma sapatilha preta, e, por cima, minha camisa de flanela xadrez e vermelha. Sequei os cabelos, que notei que estavam muito cumpridos agora, então, alisei da raiz até o meio, e do meio pras pontas os deixei bem ondulado, finalizando com um óleo pra não ressecar as pontas. Passei meu rímel, um pouco de lápis preto, e coloquei na mochila um gloss sem cor, então, peguei minha mochila e desci as escadas rodando as chaves do meu carro nos dedos, sorrindo como há muito tempo não sorria. Entrei na cozinha dando de cara com a mesa posta, com um bilhete de :

“Não me espere pra comer, devore tudo
xx

Sorri mais boba ainda, e decidi tomar um belo copo de café acompanhado de uma pequena xícara de leite com achocolatado, um pão com manteiga, e, depois, comi uma fatia de mamão. Fui até o banheiro que fica no minúsculo corredor que separa a sala da cozinha apenas pra escovar os dentes, e, quando estava saindo, dei de cara com , que vestia a camisa da escola, uma camisa de xadrez verde, uma calça jeans larga e escura que estava no meio de sua bunda, e o all star preto nos pés, os cabelos no estilo bagunçados/arrumados, e com o seu wayfarer na cabeça, com a mochila presa em um único ombro.
- Vou chamar isso de telepatia, ok? – Disse a ele, apontando pros nossos gostos parecidos, o que o fez rir, passar o braço sobre meus ombros, me tirando de dentro de casa.
- Digamos que temos muito bom gosto, maninha. – Assim que fechei a porta, ele colocou os óculos, e eu o imitei, tirando meus óculos de dentro da mochila. Quando chegamos à garagem, fui em direção ao meu carro, e, então, ele disse:
- Onde você pensa que vai?
- É, pra escola? - Disse, fazendo uma pergunta um tanto óbvia.
- Na-na-ni-na-não, você vai comigo hoje! - Ele disse, abrindo a porta do passageiro pra mim, me fazendo fechar a porta do meu carro que eu já tinha aberto.
- Mas, , você disse que não sabia se ia...
- Eu vou, não tenho nada de muito importante pra fazer na escola, mas me sinto bem, se eu me sentir mal por causa do sono, saio mais cedo e você volta pra casa com a , mas eu me sinto perfeitamente bem pra agüentar sete aulas. - Sorri pra ele e entrei no passageiro de seu carro. É, definitivamente as coisas pareciam finalmente terem entrado nos eixos, não é? O caminho até a escola foi bastante divertido, ficamos ouvindo músicas alheias no carro, e fazia suas imitações frustradas dos cantores, mas quando ele estacionou o carro no estacionamento da escola, meu estômago embrulhou, pois logo mais a frente, em dois cantos do pátio, em um estava , e , no outro, , e... , estonteantemente, lindo.
- Ei, está tudo bem, a gente vai conseguir enfrentá-los! - disse, pegando minha mão, e sorriu pra mim.
- Juro que nossas declarações estão ficando muito, estranhas . – Disse, e ele soltou minha mão, me dando um tapinha na minha perna.
- Não espere que eu vá te beijar, mas, espere, eu abro sua porta. – Ele, então, saiu do carro e, pra variar, fez aquela cena de sempre. Ok, não sei o que seria agora, mas meu estômago dava voltas dentro de mim, e, o que quer que for, é agora ou nunca.

's pov off.

Vi o carro de parar no estacionamento, e se não me engano... Tem uma garota com ele, mas eu não consigo ver quem é e pouco me importo quem seja, eu só gostaria de saber onde a se meteu desde ontem. saiu do carro e... Puta que me pariu gemendo, como esse garoto pode ficar lindo desse jeito sempre, todo dia? Eu sei lá, mas os genes desse cara são muito bons, de verdade, ah, mas voltando ao foco, ele olhou do grupinho de amigos dele até o nosso, e sei que ele fez isso porque ele não foi nada discreto em mover a cabeça, porque seus olhos estavam cobertos pelos óculos de sol que ele estava usando. Tive um surto quando o vi andar olhando em nossa direção, lentamente, como se estivesse sendo filmado, e quando ele parou na frente de seu carro, abaixou a cabeça, deu um sorriso torto que o deixou ainda mais lindo e logo olhou na nossa direção, fazendo meu coração vir parar na boca quando ele aumentou o sorriso e quando eu achei que ele fosse continuar andando, ele deu a volta e parou no lado do passageiro, dando um sorriso meio estranho, cúmplice pra pessoa que estava lá dentro, logo abriu a porta, fazendo com que meu queixo viesse parar nos meus pés. Olhei pro lado, mais precisamente para o grupo de , onde estava , e , e os três idiotas me pareceram tão surpresos quanto eu estava me sentindo.
- Mas que porra é essa? – Ouvi a voz de , e, ok, acho que até as meninas estavam muito surpresas, porque acho que esperávamos qualquer garota sair de dentro daquele carro, menos a em questão, eu não sei o que estava acontecendo, mas isso não vai prestar.

Narração em terceira pessoa.

Nas cabeças de todos os três garotos e das três garotas estavam rondando mil perguntas, ninguém entendia o que tinha acontecido para que e tivessem voltado a andar juntos, e tudo que eles queriam eram algumas explicações. viu passar o braço pelo ombro de e ela sorrir para o irmão, o que fez com que ele sentisse seu peito arder no mesmo instante; fazia meses que ele não via a garota sorrir daquele jeito, e esse foi o mesmo pensamento que passou na cabeça de , que estava a ponto de ter um colapso, percebendo que algo estava fora do normal por ali.
e percebiam os olhares dirigidos pra eles, mas ambos estavam seguros do que estavam fazendo, pois estavam felizes de terem um ao outro de volta, porque era isso o que importava para eles, pois com os amigos eles se entenderiam depois.
- Eles vão nos linchar. - disse, rindo baixinho, quando subia os poucos degraus para entrar no pátio.
- Que se foda. - disse, junto com seu melhor sorriso pra irmã. Assim que os dois chegaram ao pátio, deu um beijo estalado na testa dela, tirou o braço dos ombros da garota e se dirigiu em direção aos amigos, fazendo a mesma coisa. Mil coisas se passavam na mente das amigas dela, e ela podia notar isso de longe, sabendo exatamente os tipos de perguntas que elas fariam, e sabendo que elas fariam de tudo parar virá-la contra o irmão, e sabia que os meninos iriam fazer o mesmo com , e foi quando ela tremeu e parou de andar no mesmo minuto, enquanto olhava no fundo dos olhos de , levantou o óculos, vendo a amiga a fuzilar. Mas ela só conseguia pensar “ e se os meninos convencerem o a se virar novamente contra mim, o que eu vou fazer?
- , vem aqui! – a chamou, mas ela não obedeceu.
- ... – chamou com a voz terna. Novamente, a garota não saiu do lugar.
- , elas estão, quer dizer, estamos falando contigo, garota, dá pra responder? – falou, perdendo a paciência, afinal, ela tinha muitas coisas pra saber, e queria explicações das melhores. Mas as três não obtiveram resposta, pois jogou a mochila no chão e se virou pra ver onde estava , encontrando-o um pouco a frente, andando em direção as salas.
- ! – Ela gritou e saiu correndo na direção do irmão, ouvindo suas amigas gritarem seu nome, mas ignorou. ouviu sua irmã o chamar e se virou na direção dela, aliás, os outros três garotos se viraram também, mas um deles sentiu o coração mais acelerado do que nunca, principalmente quando a garota parou ao seu lado, já que estava ao seu lado, também.
- , o que foi? – perguntou, vendo os olhos da irmã marejarem.
- Você... Você... Por favor, diz que você não vai dar ouvidos ao que te disserem, por favor, diga pra mim que você vai continuar falando comigo e que, quando nos encontrarmos de novo, você irá me tratar exatamente igual como está me tratando desde esta noite, por favor, por favor! – olhou pra , que o olhou de volta, ambos pasmos com a situação à frente. secou uma lágrima que descia no rosto da irmã e disse:
- Estarei exatamente igual, já tomei minha decisão, e eu não vou sair do seu lado, pois é o meu lugar, sou seu irmão, tô contigo e não largo! – sorriu e abraçou o irmão, fazendo-o abraçá-la de volta. , ao longe, pegava a mochila da amiga do chão e quase teve um treco do coração ao vê-la abraçada ao irmão.
- Alguém pode pelo amor de Deus me explicar o que diabos está acontecendo com aqueles dois hoje? – disse, alterada, quase botando os bofes pra fora.
- Nossa, conseguiu colocar Deus e o diabo na mesma frase, . - disse, rindo, e acabou recebendo um dedo do meio da amiga, que simplesmente ignorou, era a única que estava vendo beleza em toda aquela situação.
- Eu, sinceramente não sei, , mas... Isso não vai ficar assim, não vai! – caminhou até onde estava a amiga e disse: – !
A menina, que até então estava abraçada no irmão, se soltou dele e secou as lágrimas, olhando pra amiga. – Dá pra parar com a palhaçada pra gente poder ir pra sala de aula? Afinal, temos um teste pra fazer daqui a pouco! – As palavras saíram como fogo da boca de , e ela não se importou em parecer estúpida, afinal, ela estava sendo, mesmo.
- Ah, claro, é... - olhou desconcertada para o irmão, que sorriu, concordando. Olhou de relance pra , que coçava a nuca, e a fitava de um jeito estranho. Ela ignorou, deu as costas, e pegou a mochila. Quando estava prestes a ir em direção a sala de aula, ouviu falar:
- Aposto que ela fez essa cena porque não quer ficar sem carona para ir pra casa. - Ela olhou pra trás, a tempo de ver dizendo: “cala essa boca, ”.
- Quer saber de uma coisa, ? - Ela não se agüento e caminhou na direção dele. Parando bem perto, falou: – Não preciso do pra ir pra casa, pois, além de eu ter três amigas que tem seus próprios carros, e podem me dar uma carona, eu tenho duas pernas, e posso muito bem ir andando pra casa sem precisar da bosta de uma carona. Então, vê se cresce e muda seus conceitos, seu idiota! – Ela viu o garoto olhar no fundo dos olhos dela e dar dois passos em sua direção, ficando próximo demais. O coração de ambos estava trabalhando muito rápido, e os dois não sabiam se era da raiva que estavam sentindo, ou pela aproximação tão grande que há meses não existia. Os olhos de não se desgrudavam de , e o menino também não sabia onde parava seus olhos, pois estava preocupado com fazer alguma merda, mas, ao mesmo tempo, sentia que as coisas estavam começando a entrar nos eixos, e na hora certa. olhava pra abismada com a atitude da amiga, porém logo sua atenção mudou quando viu olhando pra ela, o que provocou algo que há tempos ela não sabia o que era: seu coração batendo de forma acelerada, suas mãos suando, sua perna bamba e os olhos pareciam presos no de , que estava sentindo que uma porção de bichos estranhos estavam dançando no seu estômago, ou era a sensação de, depois de tanto tempo, ter um olhar correspondido por . Ele estava confuso, porém feliz, e não queria piscar, por ter medo de perder os olhos da garota outra vez. Já e não sabiam o que fazer, se separavam e , ou se simplesmente deixavam que os dois se matassem, até que resolveu puxar , já que não queria perder nem o amigo e nem a irmã.
- , calma, cara! - falou, colocando a mão no ombro do amigo, que respirou fundo.
- , não vale a pena! - encostou na amiga, puxando-a para longe de , e não ofereceu nenhum tipo de recusa, pelo contrário, apenas concordou com a cabeça, olhou pra , deu um sorriso de lado, e deu as costas, fazendo parar de olhar pra , e apenas sorriu de lado pra , que fingiu segurar o coração, fazendo a menina rir baixinho, acompanhando as amigas. deu um passo pra frente, vendo ir embora com as amigas, ele sentiu o mundo abrir debaixo de seus pés, e quando ia abaixar a cabeça, viu a menina olhar pra trás e pra ele, morder o lábio e sorrir de leve, dando tchau, o que o fez estender a mão, a cumprimentando também. É, as coisas mudaram no meio desses oito adolescentes.

Capítulo 6

Como vocês viram muitas coisas mudaram... É, eu estava sentada na minha cama esperando meu celular vibrar, dar algum apito, sei lá. Eu mandei uma mensagem pro Brian de manhã e até agora adivinhem, nada, isso aí, nada. O que acontece com essas coisas fake? Tenso, muito tenso. Eu estava deitada ouvindo algo, um tal de Glee Cast, de repente minha cama vibrou e meu coração veio na boca, juro. Seria a hora mais feliz do meu dia. Eu abri a mensagem esperando uma surpresa e a única coisa que vi foram as palavras da :
“Amiga, vem pro apple’s bar? Estamos te esperando byyyyye xx”.
Se eu recusasse, ela iria até a minha casa como sempre fazia, e me obrigaria a sair, mas também já está mais do na hora de crescer e deixar essa vida pra lá, não é? O que fake pode acrescentar de tão bom assim na minha vida? Eu levantei pensando nisso, aumentei meu som, escolhendo uma roupa legal, olhei pela janela e vi que a luz do quarto de estava apagada, suspirei, escolhi minha roupa jogando-a em cima da minha cama.
Tomei o banho mais rápido que podia tomar, e vamos lá. Troquei-me e fiz uma maquiagem básica. Desci as escadas de casa e nada do meu pai por lá, ele nunca está em casa aos domingos, é sempre algo como futebol de botão e cervejas com os amigos. Sai de casa, entrando no carro e colocando algo animado no radio, o bar não era longe assim, mas não ia morgando até lá, não é?
Estava realmente cheio aquele lugar, mas achei uma vaga logo de cara, estacionei e sai do carro. Quando olhei pra frente, juro que não consegui me equilibrar no salto que eu usava, eu vi um garoto de costas com uma camiseta preta e cabelos não tão curtos, de forma mediana, e isso me lembrou da vez que o Brian me disse as características dele. Sacudi a cabeça, me lembrando que ele disse que preto não era uma de suas cores preferidas, onde é que eu estava com a cabeça? Acorda . Bati a porta do carro, olhando lá pra dentro, é estava realmente cheio. Guardei as chaves do carro no bolso do short e entrei no bar, pelo visto eu não iria mesmo achar as meninas tão facilmente. Fui andando no meio de muita gente, uns conhecidos e outros nem tanto assim, até que vi um garoto de costas e tinha certeza de que eu conhecia aquele corpo de algum lugar. Pude confirmar isso, quando vi virar e soltar uma risada, quando o olhar dele encontrou com o meu, seu sorriso desapareceu. Nós ficamos nos olhando por alguns segundos e eu apenas olhei pro lado, pude ver acenar pra mim e fui até a mesa aonde minhas amigas se encontravam, podendo assim, fingir que não estava nem aí pro meu melhor amigo. Argh.
- Se você tivesse me dito que teríamos companhias tão agradáveis, eu teria ficado em casa vendo Star Wars. – Eu disse, olhando pra e sentando ao seu lado, ela me olhou e soltou uma risada sarcástica.
- Se eu tivesse dito, você não estaria aqui! - Ela pegou sua bebida e deu um gole. Eu olhei a minha volta e havia mesmo muitas pessoas. Quando olhei pra frente, encontrei o olhar de quem eu menos queria. Ele mesmo, . Eu fiquei uns dois minutos sustentando aquele olhar, o modo com que ele me olha me lembra muito as coisas que o Brian me diz. Como: “E eu faria qualquer coisa que você me pedisse, eu realmente queria muito te abraçar, poder olhar no fundo dos seus olhos, te tocar. Bastaria você deixar e eu saberia que tudo valeria a pena.” Tirei meus olhos do e percebi que ao meu lado estava , que sorriu pra mim, e notei que ela estava segurando a mão de ... . Mas que porra é essa agora?
- Alguém pode me dizer o que raios está acontecendo aqui? – Perguntei, vendo que estava perdendo alguma coisa, afinal tinha um bom tempo que não estávamos os oito... Juntos.
- e estão juntos... De novo! - disse, olhando para seu copo, parecia que ela já estava um pouco alterada.
- Como é que é? – Eu disse olhando pra , que deitou a cabeça no ombro de .
- Simples, foi até minha casa, nós conversamos e chegamos a conclusão de que sentíamos falta um do outro. E como e superaram os problemas, nós também poderíamos resolver os nossos, e parar de agir feito dois estranhos, sendo que nós nos gostamos, só isso , alguma objeção com relação a isso? – Respirei fundo, e olhei pra que estava chegando à mesa, mas que assim como , estava cabisbaixo, começando a rodar o copo dele na mesa.
- Objeção eu não tenho, se... Vocês estão felizes, é isso que importa! – Disse olhando pra eles. E então olhei pra , que sorria para mim, foi quando Like a Virgen começou a tocar na boate e deu um grito que fez com que , ao lado dela, desse um pulo com o susto.
- CARA, EU PRECISO DANÇAR ESSA MÚSICA! – saiu correndo pra pista de dança, fazendo com que eu, , , e começássemos a rir, enquanto apenas olhava. é realmente doida, não tem como negar, ela rebolava, dançava, passava as mãos no corpo e eu apenas dava risada, enquanto bebia meu whisky, afinal, a música ainda nem tinha começado direito. Quando olhei para a mesa, vi e se engolindo, digitando algo no Iphone dele, e conversavam, e as bochechas da minha amiga estavam vermelhas, enquanto o palerma do comia com os olhos. Chutei-o por debaixo da mesa e ele olhou pra mim e sussurrei: “Vá até lá e dance com ela”. Ele arregalou os olhos e disse algo como: “Não”. , seu frouxo. Ia beber outro gole do meu drink quando meu celular, que estava no bolso do short, vibrou. Tirei-o do bolso e senti meu corpo tremer quando vi “Brian” escrito. “Meu amor, me perdoe, eu estava ocupado com umas coisas de família, meu pai às vezes pode ser inconveniente. Sem contar que minha irmã me obrigou a ir até o shopping com ela, o que não foi nada agradável, mas não me esqueci de ti, hoje à noite nós nos encontramos e matamos a saudade, Love you xx B”. Ok, esse cara é definitivamente um fofo e eu mal posso esperar pra tê-lo outra vez!

’s POV on

Eu olhava pra dançando, morrendo de vontade de levantar do meu lugar e dançar com ela, mas tinha certeza - ou quase - de que se fizesse isso, ela iria me dar um tapa na cara. Olhei pra , que mexia a boca dizendo: “Vá até lá e dance com ela.”, acredite , vontade não me falta. Porém, a única coisa que se passou pela minha cabeça foi: “Não” e foi exatamente o que eu disse pra ela. Mas não obtive resposta, porque a mesma abaixou a cabeça, pegou seu celular e não olhou mais para mim. Voltei a minha atenção à , a vontade que eu tinha de levantar e ir até ela ficava maior. Peguei meu copo, e não tinha mais nada, teria que levantar e ir até o bar, esse aqui só se fode mesmo, que saco!
Levantei e fui atrás da bebida. Comecei a passar no meio da multidão. Quando reparei, todas aquelas pessoas que TINHAM que dançar em casais e logo ouvi a musica começar a ser cantada.

“I made it through the wilderness
(Eu atravessei a imensidão)
Somehow I made it through,
(De algum jeito eu atravessei)
Didn't know how lost I was,
(Não sabia quão perdida estava)
Until I found you”
(Até achar você)

Eu olhava a minha volta e parecia a única dançando sozinha no meio da multidão e eu pude sentir meu corpo tremer. Inconscientemente, fui andando até ela, como se nossos corpos fossem como dois imãs que se atraiam, eu não se bem como aquilo rolou, só sei que enquanto a música entrava na minha cabeça, eu já estava cantarolando na orelha dela, bem baixinho, e a abraçando por trás, com a mão em sua cintura.

“I was beat incomplete,
(Eu era uma batida incompleta)
I'd been had,
(Eu tinha sido)
I was sad and blue,
(Eu era triste e deprimido)
But you made me feel,
(Mas você me fez sentir)
Yeah, you made me feel,
(Sim, você me fez sentir)
Shiny and new”
(Brilhante e novo)

Eu pude senti-la sorrir ao ouvir minha voz perto de sua pele, pois vi que ela tinha se arrepiado. Então ela se virou pra mim, cantando junto comigo, olhando nos meus olhos:

Like a virgin,
(Como uma virgem)
Touched for the very first time,
(Tocada pela primeira vez)
Like a virgin,
(Como uma virgem)
When your heart beats,
(Quando seu coração bate)
Next to mine.
(Perto do meu)

Eu a girei e a vi rebolar de uma maneira sexy, eu realmente sorria como um bobo apaixonado, poxa cara que sensação boa. Nós sorrimos juntos e pude ver seus olhos brilharem como eu jamais tinha visto, jamais. Ela chegou mais perto do meu corpo, deixando seu rosto em meu pescoço, enquanto ficava cantarolando a musica que voltava a ser cantada.

You're so fine and you're mine,
(Você é tão bom e você é meu)
Make me strong,
(Me faz forte)
Yeah you make me bold,
(Sim, você me faz corajosa)
Oh your love thawed out,
(Oh nosso amor derreteu)
Yeah, your love thawed out,
(Sim, nosso amor derreteu)
What was scared and cold.
(O que era assustador e frio)

Eu tive arrepios por todo o corpo e quando eu pensei que era apenas aquilo, ela cantarolou baixinho no meu ouvido.

You make me feel like a virgin… Oh baby.
(Você me faz sentir virgem... Oh baby.)

Fechei os olhos para ouvir e quando os abri, ela não estava mais lá, acreditem se quiser. Onde ela estava, mano? Quando olhei pro lado, ela estava me dando tchauzinho, enquanto andava de costas e então entrou no banheiro, eu pisquei e em questão de segundos ela não estava mais lá, saco.

’s POV off

Olhei para o lado vendo se levantar, estava na hora desse estrume fazer alguma coisa, faça-me o favor! Percebi que estava me olhando, eu engoli seco, sentindo-me um pouco desconfortável, só não sei dizer exatamente porque. Ok, o cara é mesmo lindo, irritantemente lindo, mesmo eu não gostando de admitir, mas até aí, fica na sua . Tentando desviar meus pensamentos do macho, olhei pra fêmea, me surpreendi ao vê-la dançando coladinha com . Dei risada e peguei minha bebida em cima da mesa, tomando um grande gole, sentindo minha garganta queimar com conta do álcool. Eu estava mesmo ansiosa, queria muito falar com Brian, mesmo sabendo que deveria curtir a minha vida off como eu havia prometido a ele, mas minha vida on implorava por um pouco de ação! Implorava por um pouco mais de Brian, das coisas que ele fala, do modo com que ele trata a Tiff, e principalmente do modo como ele digita as ações. Toda vez que eu leio aquelas coisas, fico imaginando como se fosse ele ali comigo, me tocando, me beijando e eu sempre acabo com um calor exagerado. Tomei outro grande gole da bebida, tentando tirar as cenas obscenas da minha mente. Senti meu celular tornar a vibrar, olhei, vendo outra mensagem de Brian.
“Preciso de você, preciso ter você e te possuir. Sou louco por isso, sou louco por você”. Respirei fundo e sorri abertamente, respondendo em seguida: “Você faz a minha vida valer a pena! Eu te amo.” E fechei o celular me sentindo super boba. Olhei pra , que sorria olhando pro celular enquanto com a outra mão segurava seu copo. Ele levantou o rosto, e riu de um jeito encantador. Por que raios ele está me chamando minha atenção hoje? Olhei para meu lado vendo e se engolindo, do outro lado, e continuavam conversando. Quer saber, deu pra mim.
- Gente, estou indo embora! – Falei, me levantando e pegando minha bolsa. parou de se agarrar com e olhou pra mim, com a boca toda vermelha.
- Por quê? Está tão cedo amiga! – concordou. olhou pra mim com a sobrancelha arqueada.
- Só estou entediada e como eu... – Olhei pra . – Tenho outras coisas a fazer. – Enfatizei o “coisas” e ela entendeu o que eu quis dizer, pois sorriu de lado pra mim. – Acho melhor eu ir nessa!
- Bom, eu também vou! – se pronunciou, levantando, colocando as mãos nos bolsos da calça jeans.
- Tem certeza? – perguntou, abraçando pela cintura.
- Aham, tenho sim. – confirmou e eu bufei.
- Então, tchau pessoas! – Falei, acenando para todos.
- Erm, , pede pro levar a pra casa, tá? – falou e eu ri por dentro. Ouvi resmungar algo como “Eles irão te matar!”. Fomos para o estacionamento sem trocarmos uma palavra se quer e quando chegamos aos nossos carros, ele me chamou. Por algum motivo, que não está claro pra mim, além de eu ter me arrepiado, meu coração acelerou um pouco, era como se eu quisesse que ele me notasse, como se quisesse que ele me chamasse. Isso é estranho e ridículo! Tentando disfarçar tudo isso, olhei torto pra ele.
- Que é? – Perguntei de forma rude.
- Preciso da sua ajuda. - Ele disse, chegando perto de mim, se encostando à lateral de seu carro. Sexy.
- Pra quê? – Perguntei, tentando controlar meus pensamentos.
- O aniversário da está chegando, eu queria fazer uma festa surpresa pra ela e como você é a melhor amiga dela, eu pensei que você pudesse me ajudar. – Realmente faltavam duas semanas pro aniversário da . Hm.
- A gente pode falar sobre isso depois? Eu não estou a fim de ser vista falando com você. – Falei e ele arregalou os olhos sutilmente. Ficamos quietos por algum tempo, nos olhando de uma forma que eu não sei descrever exatamente. sabia que eu não gostava muito dele e que eu não gostava de falar com ele na frente de todo mundo, então qual é a surpresa?
- Beleza, a gente combina de se falar então, em um lugar onde ninguém possa nos ver.
- Certo.
- Certo.- Eu entrei no meu carro assim como ele. Isso era estranho, eu e , juntos, em uma conversa civilizada, se me dissessem, eu não iria acreditar.
’s POV on.

Eu ainda estava com cara de idiota no meio da pista de dança. Sei lá, já tinham alguns minutos que eu estava ali e nada, absolutamente nada da , e eu estava começando a achar que ela tinha ido embora. Óbvio! Porque ela voltaria a falar comigo? Não é por nada não, mas eu estava apertado, velho. Sai correndo pro banheiro, passando entre muitas pessoas e juro que até senti alguém passar a mão na minha bunda. Caramba, que falta de respeito, mano. Fui pro banheiro, aliviei e depois de lavar as mãos, sai, olhando para a porta do banheiro feminino. Eu só posso estar ficando muito maluco. Olhei para os dois lados, e seja o que Deus quiser! Entrei no banheiro feminino e logo ouvi um barulho de dentro de um dos box, logo pensei “FUUU”. Entrei no primeiro box que vi, subindo em cima do vazo sanitário e olhando por cima da porta, consegui vê-la. estava saindo do último box, o único ocupado naquele banheiro. Ela se olhou no espelho suspirando, eu desci rápido do vazo, abrindo a porta. Ela olhou para mim pelo espelho, arqueou uma sobrancelha e depois revirou os olhos.
- O que está fazendo aqui, ? – Ela se virou para mim, encostando o corpo na pia, olhando diretamente nos meus olhos. Eu sustentei o olhar chegando perto dela, bem devagar, vendo-a morder os lábios. Tudo acontecendo em câmera lenta. Sorri abertamente sentindo os nossos corpos se encostarem, passando minhas mãos em sua cintura, indo com meu rosto em direção ao dela, desviando quando cheguei perto de sua boca. Encostei minha bochecha na dela, passando minha barba mal feita pela pele dela e pude perceber quando ela suspirou, provavelmente fechando os olhos. Não resisti. Comecei a sussurrar na orelha dela:
- Sabia que eu poderia me arrepender de tudo que eu disse, porque você me deixa completamente louco! – Disse, passando meu nariz por sua bochecha e encostei levemente meus lábios nos dela, tentando convencê-la a me beijar de verdade. Eu senti quando sua língua quente encostou-se em meus lábios gelados, tornando aquilo um sim para começar a beijá-la. Eu sentia sua boca na minha, nossas línguas brincando de um jeito que me fazia falta, eu podia perceber o quanto eu gostava de tudo nela. O modo como ela estava puxando meu cabelo, o modo como nossos corpos estavam grudados, aquela saudade enlouquecedora brotando de dentro do meu peito, e a vontade de mais, mais, mais e mais... Esse sentimento é o mais verdadeiro dentre todos em minha vida. Eu estava com as mãos em sua cintura, puxando-a para mim, então senti uma mordida um pouco mais forte em meu lábio, parando o beijo. Paramos de nos beijar e eu fiquei sem entender. Enquanto eu passava a mão em seus cabelos, ela respirou fundo e disse:
- Você não se arrepende? – Ela disse, com o tom de voz e com o rosto numa feição decepcionada.
- Como assim? – Eu quis entender, afinal depois de um beijo desses e dos vários copos de bebidas que eu já havia entornado, era mesmo capaz que eu já tivesse com os neurônios fracos. Ok, eu estava mesmo muito lerdo.
- Você não se arrepende das coisas que me disse? Ter me chamado de puta, vadia e de ter dito que podia ser corno, mas que meu namorado nunca mais seria. Não se arrepende nenhum pouco? – Ela disse com o olhar perdido no meu, eu parei de mexer em seus cabelos e me afastei um pouco dela. Quer saber mano, me fudi, porque eu não sei se me arrependo ou não. Fiquei um tempo quieto, sem saber o que dizer, e sério, acho que eu demorei demais.
- Quer saber , esquece de tudo isso, mas nunca mais me use do jeito que acabou de fazer, nunca mais chegue perto de mim, ou melhor, NUNCA MAIS OLHE NA MINHA CARA! – Ela disse, me empurrando e foi andando pra porta do banheiro, mas parou na porta, me olhando de novo. – Nunca mais ! – Ela bateu a porta com força e eu sentei no chão, ali mesmo. Maldita hora em que fui buscar aquela bebida.

’s POV off.

Cheguei em casa e subi correndo para o meu quarto. Sim, eu estou mesmo ansiosa. Joguei minha bolsa no chão, fui correndo ligar o notebook e enquanto ele ia ligando, eu coloquei uma roupa mais confortável. Sentei na minha cama e entrei no MSN da Tiff, vendo segundos depois a janelinha do Brian subir.

Brian diz:

Oi, meu amor!
Tiffany diz:
Oi, meu lindo (: Demorei muito?
Brian diz:
Que nada, acabei de entrar também.
Tiffany diz:
Ah! que bom, amor *---*
Brian diz:
Velho, que saudades de você, amor ><
Tiffany diz:
Nem me fale, eu precisava da minha dose de você!
Brian diz:
Sou todo seu e não saio daqui tão cedo, hoje somos só eu e você!

E então ficamos conversando sobre os mais diversos assuntos, de um jeito fofo e carinhoso, o jeito do Brian que eu tanto amo. Até que chegou um ponto da conversa que eu me senti estranha.

Tiffany diz:
Amor, seu of é menino mesmo?
Brian diz:
Pô amor, já disse que sim!

Respirei fundo pensando no próximo passo.

Tiffany diz:
Era só pra confirmar. É que... Bom...
Brian diz:
O que foi, amor?
Tiffany diz:
Será que você me deixaria ver uma foto do seu off?
Meu coração estava disparado. Em todo nosso “tempo de namoro”, nunca pedi para ver o off dele e agora, com a demora, eu estava pensando se não havia feito uma besteira. Fechei os olhos e coloquei a mão no rosto, esperando que meu coração parasse de bater tão forte e torcendo para que o arrependimento não tomasse conta de mim. Ouvi o barulho do MSN e tirei as mãos do rosto, sentindo-me ansiosa. Abri a janela dele:

Brian diz:
Mostro, claro. Mas... Você vai ter que me mostrar uma sua primeiro.

Suspirei aliviada e sorri. Deus, qual foto eu irei mandar? Fiquei passando foto por foto no meu computador, até achar uma que me agradasse e quando achei, torci os dedos pra que ele me achasse bonita pelo menos né. Coisa boba de se pensar, mas ele é tão importante pra mim, que eu nem ligo com os pensamentos bobos que eu tenho. Abri de novo a janela dele e enviei a foto.

Narração em 3ª pessoa.

ficou olhando pra foto em seu computador, sentindo como se seu coração fosse sair pela boca. Não era possível, era ela mesmo? Durante todos aqueles meses, era ela e ele se quer desconfiou! O que iria dizer agora? O que iria fazer? Como conseguiria encarar , sabendo que ela era Tiffany? Como explicaria pra ela que ele era o Brian? Sem contar que tinha quase certeza que quando ela descobrisse, iria querer deletar a Tiff no mesmo minuto e não era isso que ele queria, muito pelo contrário, ele já era dependente dela, ele precisava daquilo que ele sentia quando estava com ela e se ela deletasse, seria o fim de tudo. Fudeu, era a única coisa que ele conseguia pensar. Respirou fundo e deixou os sentimentos do Brian falarem mais alto.

Brian diz:
Nossa! Você é... Linda, linda demais!
Tiffany diz:
Haha, obrigada meu amor *-* E aí, vai me mostrar sua foto?
O que ele diria? Ele não podia contar pra ela quem ele era, como iria fazer isso? Ficou olhando suas fotos tentando pensar o que iria fazer. Até que ele parou em uma foto em questão. Era ele e James, um de seus melhores amigos que tinha mudado para Nova York há alguns anos, e aquela foto havia sido tirada no ano anterior quando havia ido para a Disney e para a Itália. Na foto estavam ele e James, porém, estava com a mão na cara enquanto ria. Era perfeito, James estava do outro lado do Atlântico, e ele não estaria mentindo, afinal ele estava na foto, não estava? Então.
Ele enviou a foto para a menina e passou as mãos pelos cabelos, apoiando os cotovelos na mesa de sua escrivaninha, escondendo o rosto nas mãos. Agora tudo fazia sentido. No bar nessa noite, ele reparou quanto ela olhava o celular e até então, coincidentemente, era sempre depois que ele mandava suas mensagens para Tiffany. Ela estava tão linda hoje, especialmente hoje, e quando estavam se falando, na hora de ir embora, ele até mesmo chegou a pensar em com seria beijá-la, mas ele privou-se desse pensamento, porque do jeito que eles brigam, nunca se dariam bem a ponto de conseguirem deixar um clima rolar. Só que agora era diferente, ele tinha uma prova de que eles se dariam bem sim, afinal Brian e Tiff são eles, e , significa que se eles se dessem uma chance, poderiam sim se dar bem, no fim das contas. É, parece que os planejamentos da festa de chegaram em uma ótima hora!

Narração em 3ª pessoa, off.

Fiquei olhando para a foto, sentindo minhas bochechas esquentarem. Meu Deus, ele é lindo, muito, muito, muito lindo. Eu preciso reagir, ai caramba.

Tiffany diz:
Você é bem mais bonito do que eu imaginei :$
Brian diz:
Isso é bom ou ruim?
Tiffany diz:
É ótimo (:

A partir daí voltamos a conversar sobre várias outras coisas. Por algum motivo ele desviou completamente o assunto, mas tudo bem, Brian sempre foi assim, nunca fala do off e quando fala, sempre muda de assunto. Pelo visto, ainda terei que me acostumar com isso.

’s Pov on

Eu estava sentado no chão do banheiro feminino do Apple’s Bar, olhando pro teto, poxa, porque comigo acontece esse tipo de coisa?
Olhei no meu relógio e fazia uns 15 minutos que eu estava ali moscando e eu tinha tido a sorte de ninguém ter entrado e me pego ali, né? Eu levantei e sai normalmente do banheiro, olhei em volta e ainda vi uma puta de uma multidão, parece que aquele lugar nunca esvazia, fui andando, andando, andando, parecia que eu não achava a mesa ou que ela estava muito mais longe do banheiro.
De repente vi a discutindo com o , enquanto a entrava na discussão também, eu não entendi nada. Cheguei na mesa, fiquei olhando e ainda não entendia nada.
- O que foi? – eu disse, olhando pra que já estava vermelho. Ele olhou pra mim, dizendo com uma voz bem brava.
- Simples, o foi embora e disse pra você levar a pra casa. – Eu arregalei meus olhos, parecia que tinham apertado minha bunda, meus olhos saltaram. COMO ASSIM? Levar a em casa? Ele tá doido? Que porrinha.
- Ok, eu a levo, vamos . – eu disse olhando pra cara dela, enquanto a via olhar com cara de raiva para o .
- Viu, eu disse que ele ia te levar, eu vou ficar por aqui , me desculpe. - , olhou pra que mexeu a boca dizendo: “eu ainda te mato Judd”. virou e foi para a saída, me fazendo correr, sem dar tempo ao menos de me despedir dos meninos que restavam na mesa. Pelo o que eu tinha percebido e não estavam lá, algo soava estranho, mas tudo bem. Eu vi abrir a porta e soltar quando fui sair, quase meti a cara na porta, que merda de menina também! Eu estava correndo atrás dela, até ela parar do nada e virar, eu trombei com ela e dei dois passos para trás involuntariamente.
- Você tem duas opções : ou me deixa ir a pé ou me leva pra casa e não abre a boca o caminho inteiro. – ela disse. olhando pra minha cara e para os pés ao mesmo tempo.
- Eu te levo e não abrirei a boca. Eu não deixaria você andar sozinha por ai, ainda mais quando o me pediu pra te levar. – Foi minha vez de sair andando. Destravei o alarme do carro, entrei batendo a porta e passei as mãos pelo cabelo. Ouvi a porta abrir e alguém sentar ao meu lado, eu não precisava olhar para ver quem era, só pelo perfume eu já sabia que era ela e eu ainda estava com as mãos trêmulas. Liguei o carro, percebendo movimentos suaves da parte dela, algo como colocar o cinto, depois pude ver seus dedos delicados ligarem o som do carro e de repente a musica invadiu o carro.

You look so innocent, but the guilt in your voice gives you away.Yeah, you know what I mean
(Você parece tão inocente, mas a culpa na sua voz te entrega. É, você sabe o que eu quero dizer)

A musica começou a tocar e eu olhei para seu rosto, que parecia vermelho, mas não dei muita atenção, apenas voltei a olhar pra frente.

How does it feel when you kiss when you know that I trust you, and do you think about me when he fucks you?Could you be more obscene?
(Como é beijá-lo sabendo que eu confio em você? Ou você pensa em mim quando transa com ele? Você poderia ser mais obscena?)

Ao ouvir essa parte, senti minha boca ficar seca e meu rosto gelado. Caramba, como uma música pode dizer tantas verdades? Fiquei na minha, não tava afim de discussões, mas pude ver a ficar inquieta e desligar o som, assim que a ultima palavra tinha sido cantada.
Olhei em volta e já estava chegando perto da casa do . A luz da sala estava acesa, deveria estar em casa, parei o carro na frente da casa, ficando quieto e pude vê-la olhar pra minha cara. Eu continuei olhando pra frente, realmente não seria hoje que eu tomaria mais uma iniciativa, não de novo.
Ela olhou pra minha cara e pronunciou um: “Obrigada, tchau” e bateu a porta do carro, indo rápido em direção a porta.


Capítulo 06 betado por That Pereira



Capítulo 7

Sábado, uma e meia da tarde e eu sem nada pra fazer. Meu notebook está aberto em cima da cama com minha página do facebook aberto, MSN ligado no online, twitter mostrando muitas coisas, e NADA pra fazer, como pode, né? Desde que meu namorado no fake decidiu que passaria uma semana fora para estudar e ter tempo de resolver “pendências” na sua vida off, como ele mesmo colocara, minha vida resolveu ficar mais entediante do que nunca, o que me deixava irritada e cansada demais de ficar em casa. Decidi levantar e pegar algo pra beber, sei lá. Meu pai havia saído para alguma partida de futebol de botão que, Jesus, sempre tem, e é incrível como sempre acabava tarde, enfim. Levantei e fui pegar algo pra beber, mesmo que fosse refrigerante, que era a única porcaria que tinha mesmo, né, fazer o quê. Quando se tem homem na casa, cerveja nunca sobra, incrível. Caminhei até a sala, abrindo com um pouco de dificuldade a latinha de coca; porcaria, quando se é feminina e tem unhas grandes, coisas simples ficam difíceis, esses inventores precisam pensar mais em nós, falo mesmo. E, bom, cheguei à porta e pude ouvir uma música tocar alta; olhei pra minha mesa e sim, era meu celular. Voltei correndo e vi na bina que era um número estranho, eu não tinha mesmo aquele número na minha agenda, quem será o ser estranho que me liga? Peguei o celular e olhei mais uma vez antes de atendê-lo.
- Alô? – eu disse meio estranha, com medo de ouvir a voz do outro lado.
- PORRA, até que enfim, mano, achei que celular era de enfeite! – disse gritando do outro lado, eu esqueço como ele pode ser fofo às vezes. Irônica eu, imagina.
- Ah, é você? Manda, grandão. – eu disse rindo e olhando pras unhas ao mesmo tempo em que ia pro lado de fora e subia as escadas. Entrando no meu quarto, vejo a janela da varanda do quarto de aberta enquanto ele jogava seu vídeo-game, jogado no puff de seu quarto. Tão típico.
- Então, mano, preciso falar com você e pá, tem como eu passar aí daqui a pouco? – ele disse mais calminho e eu podia ouvir ao fundo o som de algo tocando, ou melhor, batucando.
- Você está sozinho ou acompanhado? - eu disse sentando no chão da minha varanda, colocando a latinha no chão, observando o céu ao longe.
- Ér, bom, eu... Eu estou com o , e ele vai também, algum problema? – ele disse naquele tom de voz que eu conheço muito bem.
- O ? Eca, mano, melhora suas companhias, cara. – Disse revirando os olhos, contendo uma risada.
- Eu estou ouvindo, caso goste de saber, . – eu ouvi a voz de , que provavelmente estaria no viva voz, e pude ouvir rir um pouco ao fundo. Estranho como a voz de sempre pareceu mais séria do que ele mesmo, uma voz que ao mesmo tempo em que soa suave, soa rígida, e me dá uma quentura no peito de um jeito muito esquisito. É, esquisito mesmo.
- A verdade dói, não é, ? – Disse e riu abertamente, me fazendo rir também, mas em seguida murmurou um “outch” - Enfim, venham logo os dois, afinal eu não tenho tempo a perder, tchau pra vocês! – eu disse, desligando rápido pra não ficar com mais vergonha, e fiquei olhando pro celular sem conseguir evitar que um sorriso débil crescesse nos meus lábios.
- e na sua casa? – Olhei pro lado, encontrando apoiado na grade da sua varanda me olhando com aqueles olhos tão conhecidos por mim – Isso não é muito normal, principalmente a parte do . – Ele estava bravo, é, estava sim, conheço esse cara muito bem pra saber isso.
- É, eu não sei exatamente o que eles querem comigo, só pediram pra vir aqui conversar. – Me virei pra ele, que olhou pros lados, coçou a nuca e tornou a olhar pra mim.
- Você sabe que não precisa me dar explicações da sua vida, né? – Ele se apoiou nas grades, pegando impulso, e pulou pras minhas grades, entrando na minha varanda e sentando no chão, perto de mim. devia ser dublê do homem aranha, nossa.
- Eu sei, eu só... - Tentei falar, mas ele me interrompeu.
- Eles vão falar sobre o aniversário da , certeza que vão. – Ele suspirou e eu me senti mal. – Ouvi comentando com que os pais deles estão programando um presente pra ela e o ficou de organizar uma festa. Aposto como será isso que eles vão falar contigo. – Ele terminou de dizer, estralando os dedos, respirando fundo e calando-se em seguida.
- Isso ainda te dói, não é? – Peguei na mão dele, que estava gelada demais, e ele olhou pra mim, e vi seu pomo de adão subir e descer. E quando achei que ele fosse dizer alguma coisa, a campainha tocou me fazendo olhar na direção da escada. soltou a minha mão, me dando um beijo na testa em seguida.
- Se precisarem de alguma coisa, estarei no meu quarto fazendo alguma coisa pra ocupar minha cabeça. – Eu até tentei falar algo, mas ele já estava na varanda dele no segundo seguinte. A campainha tocou novamente e eu corri até o corredor, parando no espelho do banheiro pra ver se eu estava em condições de receber aqueles dois. Shorts, camiseta, rímel, lápis, cabelos ondulados, hm, nada anormal, e até que eu não estava tão desarrumada como havia imaginado. Fui até a porta da sala e a abri, dando de cara com os dois garotos rindo na minha porta.
- Qual é a graça? – Perguntei cerrando os olhos para os dois engraçadinhos.
- Nada, é que tínhamos esquecido o quão perto da casa do você mora. – coçou a cabeça rindo e eu rolei os olhos.
- Entrem, não quero correr o risco de alguém ver vocês entrando aqui. – Puxei pra dentro e entrou logo em seguida, me olhando de cima a baixo, fazendo minhas bochechas esquentarem e, para disfarçar a vergonha, o empurrei pra dentro de casa e fechei a porta, indo para a sala e fazendo os dois me seguirem. Minha cabeça estava um turbilhão e eu tinha muita coisa pra pensar naquele momento pra me preocupar com o que será que estava passando na cabeça de . Sentei no sofá de dois lugares, vendo os dois sentarem-se no de três.
- Então, a que devo a visita dos dois por aqui? – Perguntei sentando de perna de índio, me acomodando melhor no sofá.
- . – Os dois disseram ao mesmo tempo e se olharam rindo, fazendo um toque estranho deles em seguida e me fazendo rolar os olhos devido àquilo.
- O que tem ela? – Perguntei, puxando os dois pro foco. Eles me olharam e começou a dizer:
- Bom, a vai fazer dezoito anos e meus pais estavam querendo fazer uma festa surpresa pra ela, mas precisamos de ajuda para a organização e para distraí-la no dia da festa...
- E ninguém melhor que o irmão e a melhor amiga dela para fazer esse tipo de coisa, não é? – continuou, e se eu tivesse bebendo alguma coisa, certeza que teria engasgado.
- Desculpa, como é que é? Acho que não entendi muito bem, devo estar com algum problema de audição - Ironia, um dom de Deus. Mas, sério, o que esses merdas tinham na cabeça? e eu trabalhando juntos, só podia ser brincadeira e daquelas de um puta mau gosto.
- É simples, ok? - disse se ajeitando no sofá e olhando pra ; logo depois ele olhou pra mim. – Olha, para nós impedirmos a de ir pra casa, precisamos simular uma briga daquelas que ela sempre sentou e esperou acabar, sabe? Então a ideia é você ligar pra ela, dizer que eu apareci na sua casa, bêbado e brigando contigo sem você ao menos entender o porquê. Aí, a , que estará com ela no shopping, vai trazê-la até aqui. A prendemos por aproximadamente uma hora, e então você se oferece para nos levar pra casa e pronto, surpresa pra ela. – Fiquei quieta absorvendo tudo aquilo que ouvia, eu não podia negar, a ideia era genial. sempre gostou de ficar ao nosso lado quando brigávamos, para, caso acontecesse algo, ela se metia no meio pra separar a gente. Sempre foi assim, acho que nada melhor.
- A única parte ruim é fazer isso no aniversário dela. – Concluí meu pensamento, falando alto. Os dois se olharam e , com aquele seu jeito galanteador, levantou a sobrancelha e disse:
- Não vamos fazer isso no aniversário dela, mas sim um dia antes, para a que os parabéns dela sejam à meia noite. – Fiquei olhando pra eles, surpresa pelo plano deles estar tão bem planejado. Ficamos naquela conversa por aproximadamente uma hora, até que a mãe de ligou e, no mesmo minuto, meu pai entrou pela porta, sorrindo ao ver os rapazes. Assim que desligou, meu pai os cumprimentou e em seguida me deu um beijo na testa.
- Terminou cedo o jogo hoje, pai. – Falei sorrindo ao vê-lo com a camisa xadrez que eu havia dado pra ele de dia dos pais.
- Pois é, vim pra casa fazer o jantar pra você, mas, pelo jeito, acho que vou pedir uma pizza. – Rimos os quatro juntos – Ficam pra janta, rapazes? – Papai perguntou olhando pra e .
- Eu topo, não é sempre que se tem uma oportunidade de comer pizza de graça na casa de amigos. – falou fazendo meu pai rir. Papai sempre amou os , o que eu não sei se é bom ou ruim.
- Eu queria, mas minha mãe disse que alguém precisa buscar meu pai no trabalho e, né, sobrou pra mim, como sempre. Então, acho melhor ficar pra uma próxima, mesmo. – Ele se levantou, vindo até mim e me dando um beijo na testa, logo depois cumprimentando . – Bom, não esqueçam nosso plano, o aniversário dela já é no sábado que vem, temos uma semana para acertarmos tudo, então, vocês dois, aproveitem que vão ficar e falem com o . Precisamos saber se ele vai querer ajudar. Vejo vocês depois, até mais, senhor !
- Tchau, . – E então ele saiu porta afora. Ficamos nós três, nos olhando, calados, até que meu pai bateu as mãos como de costume e resolveu falar.
- Bem, vão lá falar com o , eu vou pedir a pizza. Aproveitem e o convidem para jantar, faz tempo que não vejo esse garoto. – Olhei pra , que coçou a nuca - sem jeito, aposto - e fui seguindo para a escada, puxando o macho junto comigo. – Ei, ei, peço pizza do quê?
- Marguerita! - e eu falamos juntos, rindo juntos depois. Subi as escadas sendo seguida pelo e, devo dizer, eu estava estranhamente nervosa, e eu sequer entendo a razão disso. Ao chegar ao meu quarto, tomei um susto ao encontrar sentado no chão, perto da porta da varanda.
- ? – perguntou, fazendo olhar pra ele.
- Achei que você tinha dito que iria ficar no seu quarto. – Falei indo sentar na minha cama, vendo os dois bobões se encarando. – Sim, , ele tem livre acesso ao meu quarto. Agora, dá pra irmos direto ao assunto, aproveitando que ele ainda está aqui? – Perguntei vendo os dois olhando pra mim, me fazendo sorrir ironicamente. De novo ironia, estou ficando boa nisso.
- Direto ao assunto, que assunto? – perguntou olhando de mim pra , de pra mim. – Anda, digam logo.
Tivemos que contar tudo pra ele desde o começo e ele pareceu prestar atenção em cada detalhe do que dizíamos, e vez ou outra eu podia reparar em seus distantes. Eu daria qualquer coisinha pra saber o que se passava na cabeça dele. Mas, acima de qualquer coisa, perdi meu olhar em Tom. Não pude evitar, ele estava tão lindo, tão fofo falando daquele jeito da irmã, que eu simplesmente me vi perdida no modo como ele agia, no modo como falava, o jeito como piscava, como sorria, como ele era ele, sem ter mudado nada desde que nos conhecemos. Ele continuava o mesmo , só que muito mais gostoso do que antes. Percebi quando ele parou de falar e começou a encarar , que se levantou e começou a andar pelo quarto. me olhou e eu correspondi o olhar; dei de ombros e ele entortou a boca. Por mais que soubéssemos que tínhamos que olhar pra , nosso olhar ficou preso um no outro, e era quase impossível eu ter força para desviar. Por Deus, eu não sei o que acontece comigo, mas sei que sensações que eu achava que haviam sido esquecidas por mim, estavam ali de novo. E se não fosse ter começado a falar, não sei que desejos iriam ser despertados dentro de mim.
-Onde eu entro nessa história?
- Simples, nossa banda vai tocar e, além disso, eu queria que você escolhesse as músicas que irão tocar. E, claro, a música da valsa que ela irá dançar comigo e com o meu pai, pode ser? – perguntou e eu me forcei a não olhar pra ele, mas só pro , somente pra ele.
- Por que eu vou cuidar das músicas? – perguntou e eu mordi o lábio inferior.
- Porque você a conquistou pelo seu gosto musical. – Acabei falando e os dois olharam pra mim. – É sério, sempre gostou das mesmas coisas tensas que você, das mesmas piadas. Parece que foi hoje, mas lembro perfeitamente o dia que ela disse que casaria com você só por ter um excelente gosto musical. – Eu não estava mentindo, era muito mais que verdade que quando assumiu pra que escutava Beatles, ela assumiu que casaria com ele por causa disso, pois na nossa geração poucos garotos decentes gostavam de Beatles. E ali estava ele, coçando a nuca, o rosto rosado que parecia estar constrangido, e eu sorri por isso. nunca foi muito bom em não mostrar esse tipo de coisa.
- E então, você vai ajudar ou devo contratar um DJ? – perguntou pra ele, que apenas balançou a cabeça, chacoalhando-a algumas vezes, bagunçando o cabelo e bufando.
- Eu não sei, não sei, ela é tão surpreendente que eu simplesmente não sei o que fazer. Já pensou se ela me expulsa da festa, me manda sair à cacetadas, é muito difícil isso... Pra mim é muito difícil, porra, vocês dois sabem o quanto minha história com ela é complicada, porra. Foi ela que me traiu, que me deixou no estado que eu estou, porra, e agora eu devo ir lá, tocar músicas, vê-la dançar, vê-la sorrindo e sabendo que eu não faço mais parte disso, porra, caralho. – Ele estava nervoso, da pra perceber isso apenas pela quantidade de palavrões que ele disse em uma mesma frase, sem contar pelo modo como ele havia ficado agitado de repente, o que me fez ir até ele, segurar em seus ombros e olhar nos olhos dele.
- Hey, calma, vai ficar tudo bem, você pode pensar com calma. Temos até sexta que vem, mas até quarta feira você precisa me dar uma resposta, e é sério isso. – Falei calmamente. Passei a mão no rosto dele, que estava pegando fogo. Eu sempre me via nessas crises dele, eu ficava exatamente do mesmo jeito e quem me acalmava era sempre ele, então mais do que justo de eu estar fazendo o mesmo com ele naquele momento. respirou fundo e concordou com a cabeça, sorrindo pra mim.
- Ow, crianças, a pizza chegou, e não se esqueçam de chamar o ! – Nós três nos olhamos assim que meu pai chamou na escada, e rimos.
- Ele quer que eu jante aqui? - perguntou confuso, fazendo com que eu e acabássemos dando risada, nos encarando por estarmos rindo dele.
- Relaxa, isso vai te dar tempo o suficiente para pensar, né? - O puxei pelo braço, tirando tanto quanto de lá para descermos e comer logo aquela pizza.

Meu pai ficou empolgado com aquela pizza, passou horas conversando com os rapazes, querendo saber o que eles estavam fazendo este tempo todo que estavam sumidos e tinham parado de frequentar minha casa. Achei que esse seria o momento mais constrangedor da noite, mas meu pai começou a relembrar coisas da minha vida e os rapazes não foram nada sutis em esconder as risadas escandalosas. Mas, quer saber, não era a situação mais fácil do mundo pra mim, afinal tinha um bom tempo que eu não sabia o que era ser “amiga” daqueles dois. Não tinha mais ideia de como era conviver, não sabia mais se eles tinham os mesmos gostos e jeitos de lidar com as coisas, ou seja, a situação tava pra lá de tensa e eu não sei lidar com situação, então tê-los na mesa de jantar, comendo e rindo com meu pai, e pior, rindo da minha cara, era a coisa mais esquisita, fala sério. Duas horas depois que estávamos todos ali, meu pai recolheu nossos pratos com a desculpa de lavá-los, quando a verdade é que tínhamos uma maquina de lavar louça, então chamei os rapazes para irmos pro quarto e eis aqui estamos os três jogados no tapete, olhando pro teto do meu quarto com uma rádio qualquer tocando. Não sei exatamente quanto tempo estávamos ali, mas aquela música tocando tava me irritando já. Eu queria vozes faladas, e não cantadas. Sentei-me e percebi que o único que parecia literalmente acordado ali era o , porque já tava no vigésimo sono mesmo, esse imprestável.
- Oh, viado, que foi? - Perguntei dando uma cutucada no ombro de , que apenas virou os olhos pra mim. Respirou fundo e olhou pra , vendo que o mesmo ainda estava dormindo. Ele então se levantou, me puxou pela mão e me levou para a varanda. – Eita, que foi, ?
- Eu beijei a , , beijei! - Ele passou as mãos nos cabelos, bagunçando-os, e eu apenas senti meus olhos arregalarem-se um pouco.
- Beijou? Como assim? Quando foi isso, ? – Perguntei fazendo-o olhar pra mim.
- Foi na balada que todo mundo foi junto. Ela estava dançando, eu já tava meio alto, fui perto dela, ela continuou dançando. Lembro que ela disse alguma coisa e foi pro banheiro, nisso eu fui atrás dela, beijei-a e ficamos juntos, mas, aff cara, você sabe como nós somos. Discutimos feio e eu disse pra ela que não a queria mais, caralho, eu sempre faço tudo errado, e agora, se eu aparecer pra tocar na festa dela, tenho medo do que pode acontecer, entendeu? - Ele sentou no chão, passando a mão nos cabelos o tempo todo, e acabou tirando de dentro do bolso da calça um maço de cigarro e seu fiel isqueiro com a bandeira britânica como desenho, acendendo um e tragando com tanta força que eu achei que ele iria acabar com o cigarro em um trago só. Tentei pensar em alguma coisa pra dizer, mas conhecendo a fêmea do jeito que eu conhecia, sabia que ela devia estar no mínimo furiosa. Mas, com o mais novo plano formado na minha cabeça, eu podia apostar que dessa vez iria dar certo. Tirei o cigarro da boca dele, joguei no chão, pisando nele e o chutando pra fora da minha sacada, olhando pro meu melhor amigo ali na minha frente.
- Presta atenção, , você terá que fazer exatamente como eu estou mandando, e se você fizer alguma coisa errada, eu juro que castro você.

Narração em 3ª pessoa.

viu pulando para a própria sacada com um sorriso estupidamente grande no rosto, fazendo a menina sorrir por isso, afinal é sempre muito bom fazer amigos sorrirem, principalmente quando se tratava de alguém como , que por mais que ela não convivesse mais com tanta frequência, era mais do que um irmão pra ela. Entrou em seu quarto, dando de cara com ainda dormindo no tapete. Pensou em chutá-lo dali, mas ficou entorpecida com o rosto calmo do garoto, que parecia estar no décimo sono, então, aproveitando-se do pequeno momento de compaixão, pegou o cobertor de sofá que ela mantinha na cadeira do computador no caso de dias frios, jogou por cima dele e riu. Não podia negar o quão lindo o garoto estava ficando agora que estava crescendo, estava ficando com o rosto com traços masculinos fortes, a barba deixando marcas mais profundas no rosto dele, fazendo com que os lábios vermelhos dele estivessem mais lindos e chamativos do que ela jamais imaginou. Parecia que os lábios dele estavam implorando pelos dela, os cabelos pedindo pros dedos ficarem emaranhados neles. Ela já podia imaginar o cheiro que ele não devia ter. Fechou os olhos com força, contendo os hormônios que já estavam imaginando mais do que deviam, por isso foi ligar o computador, ver se tinha alguma coisa boa por ali, mas nem no fake e nem na vida real tinha alguma coisa que prestasse. Parece que seu namorado havia esquecido, de novo, de dar um sinal de vida, então decidiu colocar os preparativos da festa da amiga numa planilha para começar a arrumar tudo, porque no próximo dia mesmo ela precisaria começar a arrumar tudo para que nada saísse do controle. Quando estava terminando a planilha, sentiu um cheiro puramente masculino invadir-lhe as narinas, fazendo seu corpo congelar.
- É, parece que isso vai ficar muito bom. – sussurrou referindo-se à festa da irmã, sem deixar de provocar, nem que fosse um pouquinho, a garota sentada ali à sua frente. Já tinha certo tempo que ele havia acordado e ficou um tempo apenas analisando os trejeitos da menina, que vez o outra mordia o lábio, enrolava um fio do cabelo nos dedos e batia com o lápis na tela do notebook e no caderno que ela matinha à sua frente, e ele, que não era idiota, aproveitou que nem Becky e nem mais ninguém estava por perto para fazê-la se render de uma vez por todas a ele e ficar de uma vez por todas com ele. Viu quando a menina se arrepiou e virou um pouco a cabeça pra ele, que sorriu torto.
-Te-tem que ficar, afinal não é todo dia que se faz dezoito anos, e a sua irmã merece, não é mesmo? – apenas concordou com a cabeça e foi essa a única resposta que ela teve; o rosto dele perto do seu. Os dois sentiram uma onda de calor percorrendo ambos os corpos. Não era a primeira vez que se sentia assim, e desde que descobrira que era a sua namorada no fake, ele tinha certeza absoluta de que as coisas não melhorariam pra ele, mas apenas ficariam ainda pior, se é que tinha como. Ele sabia que a garota não ia com a sua cara, então era óbvio pra ele que, assim que ela descobrisse, ela iria o repugnar e provavelmente deletaria seu fake, acabando de uma vez com a única coisa boa que existia entre eles. Mas, talvez... Talvez, se eles passassem um pouco mais de tempo juntos, ele poderia fazer com que ela enxergasse que o mesmo cara que estava ali no fake era ele mesmo, e do mesmo jeito que fez com que ela gostasse dele na vida on, poderia tentar fazer com que ela gostasse dele na vida off. Será que seria muito difícil? Mas talvez, com tantas coisas para fazer, os preparativos pra festa de , eles pudessem passar mais tempo juntos, e tudo sairia melhor do que ele poderia imaginar.
, que ainda estava entorpecida com o cheiro que emanava do garoto, tentava entender o que ele tinha de tão enlouquecedor para deixá-la do jeito que deixava, parecia que algo nele era tão familiar que fazia com que o corpo dela respondesse em uma agilidade que não dava nem mesmo tempo para ela pensar em se afastar. Mas ela não queria se afastar, ela queria fazer muito mais. Ela, afinal, era muito mais rápida que para certos tipos de coisas. Virou a cadeira, ficando de frente para o garoto, que não se moveu, colocando as mãos nos apoios da cadeira da menina, deixando ambos os rostos perto demais. Ele conseguia olhar dentro dos olhos dela, fazendo com que o estômago de desse voltas. Era fato de que tinha algo nele que perturbava todo o interior dela. Ela respirou fundo e tentou manter o controle, afinal ela era a durona ali, não era?
Ela se levantou, caminhou até perto da sua sacada, vendo sentado, dedilhando um violão com um caderno aos seus pés. Sorriu por isso e se virou pra .
- Venha me pegar amanhã ao meio dia, vamos para o centro da cidade, passar em algumas lojas para comprar a decoração. Depois de amanhã temos que contratar o Buffet, mas acho que isso irei tratar primeiramente com a sua mãe, aí depois a gente vai ter que ir com as meninas numa loja de vestidos. Precisamos encontrar o vestido mais estonteante o possível para ela. Deu pra entender tudo, ? – Ela se apoiou no batente da porta e ele apenas ficou parado, absorvendo tudo que ela havia dito. Foi até a cama dela, pegando sua jaqueta jeans e pegou dentro do bolso da calça a chave de seu carro. Rodou-a nos dedos, encarando a menina.
- Meio dia, espero que esteja pronta nesse mesmo horário. – Ele foi até ela, dando um beijo em sua bochecha, saindo do quarto dela deixando a mesma boba. Era óbvio que era lindo, mas o que fora aquilo? Tudo ficou em câmera lenta pra ela, e apenas desceu as escadas com um sorriso enorme, começando a acreditar que talvez nunca mais precisasse se esconder com fotos dos amigos, mas ele iria fazer gostar dele pelo que ele era.

Capítulo 8

A semana tinha passado rápido até demais, e faltavam apenas dois dias para a grande festa de aniversário de . e haviam passado todos os dias cuidando da decoração, acabaram sem tempo para pensar nos vestidos. Estavam na quinta feira, sem um vestido para a aniversariante e para todos eles mesmo, por isso haviam combinado todos juntos de se encontrarem na Oxford Street, a melhor rua em Londres para compras, e era isso o que estava motivando todas as meninas a se arrumarem, assim como os rapazes. Eles só não pensaram em uma coisa: havia uma menina, uma quase mulher, que havia notado algo estranho. Ninguém comentava nada sobre seu aniversário, e se ela falava alguma coisa, logo todos mudavam de assunto, o que a fez se sentir mal, mal até demais. As meninas ficavam de cochicho na escola assim como os rapazes, e ela percebia que estava olhando pra ela de uma forma esquisita já tinham alguns dias, e isso a deixava com os cabelos em pé. Era a última aula, sua aula de história, a qual ela tinha com , , e . Os quatro estavam com as malas prontas pra sair e ainda faltavam dez minutos para a aula acabar, o que fez com que a menina ficasse desconfiada. Olhou de relance para trás, vendo desviar os olhos dela, abaixando a cabeça enquanto escrevia alguma coisa em um pedaço de papel. Ela não sabia o que diabos estava acontecendo, mas tudo a deixava confusa. Por que estava daquele jeito, por que estava tão distante, por que e não puxaram assunto com ela a aula inteira? O sinal bateu e ela abaixou a cabeça para fechar o fichário, e no segundo seguinte, quando levantou a cabeça, ela estava sozinha na sala; isso mesmo, sozinha. Nem as meninas e nem os rapazes estavam ali. Ela pegou sua fiel bolsa amarela correndo e saiu rápido da sala, correndo nos corredores da escola, e assim que chegou à garagem viu algo que não estava acostumada: suas amigas entrando no carro de seu irmão com todos os rapazes juntos, rindo, fazendo baderna, e ela ali, respirando fundo, vendo envolver em um abraço apertado enquanto ela ria e ele sorria o sorriso que ela mais amava na vida. Segundos depois eles estavam indo embora, e ela ficava ali, sem saber o que fazer, apenas com vontade de chorar.

Enquanto isso, estavam os sete amigos em uma loja chique da Oxford Street. Os rapazes sentados em um sofá fofo que tinha na loja, esperando já com seus ternos devidamente escolhidos. As meninas ainda olhavam as araras de roupas, indecisas, pensando cuidadosamente no que iriam vestir, afinal, a festa que tinham programado havia sido a festa do ano. iria chorar até secarem os tubos lacrimais, era o que pensavam.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – gritou com os olhos brilhando, chamando a atenção de suas amigas. – ACHEI! OLHA ISSO! – tirou da arara um vestido roxo que era um corpete liso com um saiote rendado, simples, porém lindo.
- Nossa, finalmente uma escolha decente partindo da senhorita! – disse rindo voltando a olhar os vestidos.
- Ei, meus gostos são perfeitos, você que é recalcada só porque ainda não achou nenhum pra você. – disse sem olhar pra amiga, com os olhos ainda grudados no vestido em suas mãos.
- Nem vou comentar, . – rolou os olhos nem ao menos se dando ao luxo de rebater ao comentário da amiga.
- Vamos parar vocês duas, ainda temos o vestido da pra achar, ok? – disse tirando um vestido longo amarelo, lembrando o vestido da Kate Hudson do filme “Como perder um homem em dez dias”. Ela olhava pra ele enquanto mordia o lábio, pensando se ficaria bom ou não em seu corpo, e pensando nisso deixou que seus olhos levantassem, olhando diretamente para . O garoto mantinha seus olhos sobre ela, sorrindo, olhando do vestido pra ela. Ela virou um pouco a cabeça, entortando a boca como quem queria dizer “o que acha?”, fazendo sorrir e concordar com um aceno de cabeça, dando mais confiança para ela, que sorriu timidamente e foi segurando o vestido para o provador.
ainda permanecia olhando os vestidos, cansada já. Era a quarta loja que eles procuravam alguma coisa e nada. Isso a deixa cansada demais e estressada, mas nada que não fosse anormal.
se levantou e foi até a menina, parando ao seu lado e puxando da arara atrás dela um lindíssimo vestido vermelho, que fez com que os olhos da menina se grudassem nele com um sorriso estampando-lhe o rosto.
- Aposto que esse irá cair perfeitamente bem em você – disse com a voz baixa, o rosto perto do rosto de , que levantou os olhos encarando os olhos intensos do rapaz, que fizeram com que o coração dela se acelerasse ainda mais do que já estava desde que ele chegou perto dela. engoliu em seco pegando o vestido em mãos e saindo rapidamente de perto dele antes que acabasse fazendo alguma coisa na qual não se responsabilizaria depois.
bagunçou os cabelos e foi pra perto dos amigos, que o encararam. – O quê? Se vocês não fazem nada para ter as suas garotas ao lado de vocês, sinto muito se eu não vou fazer o mesmo. – Ele levantou novamente tirando o maço de cigarros do bolso, indo pra fora da loja para fumar um pouco, tentando esconder ali o nervosismo que sentiu em apenas estar perto da menina, sentindo o seu perfume e sua respiração tão perto dele que quase o fez responder por impulso. Os outros três rapazes que estavam ali ficaram com as palavras de martelando em suas cabeças, o que deixou nervoso.
- Vocês acham que ele tem razão? – Perguntou mexendo nervosamente as mãos, esfregando-as uma nas outras. Olhava para esperando uma resposta, mas como ele iria dizer algo? A semana que teve com a , depois de descobrir que ela era sua namorada fake, havia feito com que todos os seus sentimentos mais intensos fossem descobertos. Ele não conseguia mais olhar pra ela sem que seu coração por si só batesse em uma agilidade que fazia até com que ele respirasse fortemente várias vezes seguidas. Então... Por que diabos ele tinha tanto medo? Medo de que ela não o quisesse, medo de que ela não aceitasse que ele sim - e não seu amigo James - era o namorado fake dela, o cara que sempre estava ali pra ela esperando apenas uma mensagem para que ele entrasse na internet e passasse a noite inteira conversando e deixando-a desabafar.
- Eu... Eu não sou a pessoa mais adequada pra esse assunto, . – Ele acabou respondendo, bagunçando seus cabelos, sentindo um enjôo inexplicável de uma hora pra outra. – Eu não sei o que dizer, sabe? – Ele acrescentou, sentindo com que o seu corpo estremecesse quando levantou os olhos, vendo sair de dentro do provador ainda mais estonteante do que ele poderia imaginar.
- É, acho que agora sim você não vai saber o que dizer, cara. – disse fazendo rir, e nem ao menos conseguia assimilar, olhando para a menina, que estava se olhando no espelho grande que tinha ali na loja, sendo paparicada pela lojista, que estava falando um monte de coisa para a menina, que estava ficando até tonta. Ela se virou, olhando pra e , e então, olhando pra . Ela mordeu o lábio inferior notando que ele estava olhando diretamente pra ela como se seus olhos estivessem perdidos nela. Ele estava com os braços apoiados na perna, o corpo mais pra frente, olhando pra ela; os olhos brilhando, intensos, do jeito que ela sempre gostou.
- O que acha? – Ela perguntou sem emitir som, apenas mexendo os lábios para que ele pudesse ler. O coração dele disparou, ela estava mesmo querendo a opinião dele? Aquilo fez com que ele sorrisse abertamente pra ela balançando a cabeça positivamente.
- Ficou perfeito! – Ele respondeu também sem emitir som apenas pra que ela soubesse sua resposta. Ela mordeu novamente o lábio inferior, sorrindo, voltando a olhar pro espelho. Ele disse mesmo que ela estava perfeita? disse? ? Seu coração batia freneticamente. Voltou para dentro do provador para tirar aquele vestido. Se tinha dito que estava perfeito, era aquele mesmo que ela levaria.

estava sentando olhando todo aquele episódio de e . Ele queria que estivesse ali perguntando pra ele sem som algum se o vestido cairia bem nela na noite em que ela sempre sonhara ter. Ele olhou , que estava ao celular vendo sei lá o quê. Olhou pela janela e viu fumando e olhando pro nada, e viu olhar fixamente pro provador em que estava. Ele queria ajudar em alguma coisa sobre roupas, mas não sabia como, ele nunca tinha sido tão bom em se vestir. sempre o ajudava nas horas mais desesperadoras pra ele. Ele levantou não chamando a atenção de ninguém, já que todos estavam fixados em alguma coisa. Ele ouviu o sininho da loja tocar, sinal de que a porta havia sido aberta. Olhou um pouco pra trás, vendo entrar e guardar o maço de cigarro no bolso de sua calça. Ele continuou andando em direção a uma arara de vestidos longos que ficava pertinho do provador que estava. Era a arara que ela havia pegado seu vestido. Ele começou a passar a mão e ver alguns vestidos pretos, azul marinho, verde e passou a mão na nuca, subindo pros cabelos e os bagunçando um pouco, pensando onde estava com a cabeça de tentar achar algo pra ela. De repente ele ouviu a voz de uma vendedora atrás dele.
- Posso ajudar em alguma coisa? – A moça bem vestida com uniforme da loja CARÍSSIMA de vestidos que eles estavam perguntou. Ele apenas balançou a cabeça negativamente e voltou sua atenção a arara, passando dos vestidos amarelos e entrando em alguns que tinham alguns tons brancos e beges. Ele pegou um em sua mão, retirando da arará um vestido branco onde seu corpete era todo rendado, lembrando algo meio vintage, como diriam as meninas. Ele era longo, com sua saia e caldas lisas, e havia uma faixa dourada no meio, onde dava uma cara de . Ele sorriu de canto olhando o vestido novamente. Ele olhou pra frente e viu a enorme porta de vidro do provador abrir, e viu à sua frente. Ela olhou sem entender o que o amigo fazia com um vestido na mão. Ele olhou pra ela e sorriu.
- Achei o vestido da disse sorrindo de lado sem saber se a amiga aprovaria ou não o vestido. Ela olhou pra ele dando seu melhor sorriso, andou até seu lado, pra ficar de frente pro vestido, e o olhou de cima a baixo umas três vezes.
- É perfeito pra ela, será esse mesmo, pegou o vestido da mão do amigo e foi ao caixa junto com a vendedora, que hora antes estava enchendo sua orelha. olhou pra sentado, que lhe mandou um olhar mexendo a boca sem som “ela vai amar”. sorriu de novo, indo ao encontro de , que estava parado na porta.
- Dia difícil? – perguntou ao amigo, que pisava no cigarro que havia acabado de terminar.
- Um pouco. – respondeu olhando pro céu, que estava começando a dar sinal de chuva. não tinha muita facilidade em lidar com seus sentimentos, alguns deles ainda ardiam nele, e ter de volta ao seu meio social fazia com que ele se sentisse meio sem ação, sem saber o que dizer, sem saber o que fazer, e aquilo o incomodava. Fazia com que seu coração diminuísse e apertasse vezes seguidas. Só que ele era forte demais para querer mostrar aquilo, mesmo que fosse pro seu melhor amigo.
- Tudo vai se acertar, cara, as coisas irão melhorar. – disse, mas estava falando aquilo mais pra si mesmo do que pra qualquer um. apareceu na porta, estralando as costas, seguido de , que coçava a nuca e bocejava. É, definitivamente, compras não era coisa para garotos fazerem.
saiu da cabine com o vestido em mãos, vendo e pagando o delas. Se sentiu envergonhada por estar levando justamente o vestido que havia gostado, então se escondeu atrás de uma arara de roupas e apenas saiu dali quando as amigas foram para fora conversar com os meninos. Viu de longe falar algo, responder apontando pra dentro da loja, e ele encarar a vitrine como se estivesse vasculhando o lugar. Teria ele perguntado sobre ela?

Mais tarde estavam todos em uma praça próxima à loja que estavam antes, com sorvetes em uma mão e sacolas em outra. Eles tomavam tranquilamente seu sorvete sentados no banco da praça. ,, e em um banco e , e em outro banco, todos concentrados demais pra ver o movimento da rua, olhando fixamente pra frente. deu um pulo com os olhos um pouco arregalados de quem não estava mais concentrado no que estava fazendo.
- CARALHO, MEU, A ESTÁ NAQUELA LOJA, CORRE, CORRE – levantou correndo indo pra trás de uma árvore e puxou junto dele, deixando todos desesperados. saiu correndo com sua sacola pra uma árvore um pouco distante da de , que era um pouco mais larga que as outras. Ela ficou de costas pra mesma, respirando pesadamente, sentindo a presença de mais alguém. Ela estava de olhos fechados e puxou o ar profundamente sentindo o perfume inconfundível que ela sentia há algumas semanas já. abriu os olhos devagar vendo à sua frente com o rosto pertíssimo do seu, que sorrio meio sem graça ao perceber a situação.
- Desculpa, eu saí correndo que nem besta e parei aqui – disse num sussurro, meio sem graça.
- Tudo bem... - disse olhando para o lado, vendo agachado atrás de uma árvore, e na mesma posição que ela e em outra árvore, invertendo os papeis, e e em outra. Todos estavam quietos. e observavam cada movimento de na loja.
- Ela está pagando – disse tirando o olhar da loja e sustentando um olhar com . O mesmo ficou fitando os olhos da garota, que estava ali tão perto dele, e ele não podia fazer muita coisa. , que já estava ficando meio sem graça, sorrio meio fraco pra ele o que parecia ser um sorriso que dava algumas pequenas permissões, o que fez chegar perto e encostar seu nariz no da menina, que fechava involuntariamente os olhos . estava passando seu nariz no da menina carinhosamente como um beijinho de esquimó. , que já estava com os olhos fechados, respirou fundo podendo sentir o perfume suave que vinha do garoto. Seu pensamento estava longe, mas mesmo assim era possível ouvir o berro, que estava um pouco longe de seus ouvidos.
- VAMOS GENTE, ELA SAIU, ELA SAIU – berrava que nem doido puxando em direção onde estava o carro que os levaram até ali. abriu os olhos com cara de brava.
- Desse jeito ela vai saber que estamos aqui, você não é nada discreto, disse abrindo os olhos e saindo de perto de , furiosa.
olhou para o amigo, não entendendo a cena, mas ficando quieto e pegando novamente pelo braço.

já havia deixado , , e em casa, e restavam apenas ele, e no carro. estava no banco de trás olhando seu iPod e estava no banco da frente ao lado de . A menina olhava de segundo em segundo o celular como se esperasse algo muito importante. Levou um susto com a voz de , que quebrou o silêncio do carro.
- Esperando alguém importante ligar? – perguntou olhando pra ela e pra frente, intercalando os olhares. olhou pro menino, meio sem graça.
- A mensagem de um amigo importante que não chegou hoje ainda, ele manda sempre, sabe? Mas tudo bem, ele deve estar ocupado – Ela deu um sorrisinho de lado, e , que havia acabado de parar num farol vermelho, olhou pra ela pensando “eu estou ocupado olhando para você, princesa” . Ele passou as costas de sua mão na bochecha de , falando baixo.
- Já já ele aparece, você vai ver – Ele abriu um sorriso enorme e voltou sua atenção ao trânsito. Já na rua em que eles moravam, passou devagar na frente de sua casa, que ficava a uns metros pra trás da casa de e . O menino passava devagar por ali até se pronunciar.
- OMG, é a ali? Sozinha? Por quê? – parou o carro no mesmo instante, olhando pro mesmo canto que olhava. percebeu a movimentação estranha do carro e tirou os fones, olhando pra mesma direção. , e olhavam , que estava sentada no balanço do jardim da casa dos , no mínimo cantarolando uma música, porque de longe dava pra ver sua boca mexendo devagar e um fio saindo da calça, que parecia obviamente de um fone de ouvido.
- Eu vou até lá, vocês dois fiquem aqui, ok? – falou olhando para frente. olhou pra trás, indignada.
- Vai até lá? Tá usando drogas, ? Ela não fala com você, lembra? – levantou uma sobrancelha olhando nos olhos penetrantes de , que já estava decido.
- Ué, eu vou e acabou, não quero ninguém atrás de mim, a não ser que ela me bata. – Ele abriu a porta de trás do carro de deixando e o mesmo, que não tinha dito nada até então, de bocas abertas e sem reação.
foi em direção a menina, que cantarolava uma composição dele, uma composição totalmente mau acabada, mas que ela deveria ter roubado do notebook do ou do da melhor amiga, já que ele mostrava tudo para . A menina cantava baixinho “Life is getting harder day by day, and I don't know what to do, what to say, and my mind is growing weak every step I take” (A vida tem ficado difícil dia após dia e eu, eu não sei o que fazer, o que falar, e minha mente está enfraquecendo a cada passo que eu dou). , que estava chegando perto sem a menina perceber sua presença, falou:
- Você, cada dia que passa, canta melhor – Ele disse em voz alta para que ouvisse. A menina tirou os fones e olhou pra cara dele, surpresa e sem entender.
- O que faz aqui, ? – Ela perguntou cabisbaixa sem nenhum tipo de rancor ou malícia na voz, como sempre ocorria entre eles.
- Estávamos passando aqui na rua, nós te vimos, aliás, a te viu, e fez a gente parar o carro, e eu vim ver o que está acontecendo. Você não é de ficar assim, sozinha, cantando, ainda mais num balanço de anos luz, não é – Ele disse sorrindo de lado, vendo a menina olhar para seu sorriso e não para seus olhos.
- Eu não estou nos meus melhores dias, apenas isso – ela disse, olhando pros pés em seguida.
- Melhores dias? Digamos que te conheço muito bem pra saber o porquê você não está num barzinho em plena quinta à noite. Cadê suas amigas? Cadê o Lauren? O Becky? Onde estão? – disse olhando pra , que levantou o olhar e olhou pros seus olhos – Você tem medo, não é? Medo de que todos eles não lembrem que sábado é o seu dia, que sábado você completa seus 18 anos. Eu vou te falar uma coisa, , apesar de tudo que aconteceu entre nós dois. Eu, o trouxa do , NUNCA deixei por um segundo que seja de amar você. – apontou pra , que estava com os olhos um pouco marejados, e chegou um pouco mais perto – Por esse motivo posso dizer que o que eu vou te falar agora, nesse instante, eu não poderei te dizer depois, afinal não sabemos o dia de amanhã, não é? Você por aqui é muito mais importante do que pensa. Que cara ainda veria importância numa menina que beijou outro e deu a maior galhada nele? Pois é, eu conheço seus amigos, eu já fui seu amigo, ou melhor, seu namorado, e te digo com a maior certeza que alguém pode te dar, , você é muito querida entre todos. Então, por favor, não fique assim, não se faça assim, porque você não é assim, entendeu? Eu não quero ouvir nenhuma palavra de volta, eu não estou dizendo isso tudo pra ouvir palavras que podem me dar esperanças falsas, eu estou falando isso porque é a verdade, e pra mim o que sempre permanece é a verdade entre todos. Por isso que a amizade de nenhum de nós vai morrer, porque, independente da briga ou dos casais, no final, todos somos verdadeiros. - olhou uma última vez nos olhos da garota, que deixou escorrer uma lágrima e se virou, caminhando lentamente de volta para o carro até ouvir a voz da meninas atrás de si.
- , espera – levantou do balanço e ele inclinou seu corpo um pouco pra trás olhando pra mesma, esperando ela falar.
- Você não sabe da metade das coisas que eu pensei depois daquele beijo no Becky. Eu sei a grande merda que eu fiz, ok? Eu sei que te chateei e sei que acabei com parte de uma amizade, e não só a minha, o que é pior, a de todos, e eu não queria isso. Eu agi sem pensar, como sempre fiz. Eu sou uma idiota, mais eu só quero te dizer obrigada. Obrigada por me lembrar que todos me amam muito e que mesmo com isso tudo todos ainda estão do meu lado, levando galhada ou não. Você não se torna menos homem e não está se rebaixando por vir aqui me dizer tudo isso depois de tudo que eu fiz. Isso só mostra que você tem muito mais caráter do que todos um dia sonhamos em imaginar. Eu só tenho a dizer, obrigada. – disse sem desgrudar um minuto sequer seus olhos dos do garoto, que estava parado respirando fundo a cada virgula que ela falava – E, a propósito, suas composições são maravilhosas. Um dia elas irão chegar ao ouvido de quem precisa como chegou ao meu hoje – sorriu de lado e passou a palma da mão no rosto secando onde as lágrimas haviam molhado. apenas olhava profundamente se segurando cada vez mais pra não fazer nada que depois fosse se arrepender. andou alguns passos pra frente, esticando seu braço e puxando a garota pela mão, lhe dando um abraço carinhoso.

POV – Enquanto isso, no carro


- PORRA, MEU, ELE ABRAÇOU A , E SEM PORRADA – berrava vermelha e feliz olhando pela janela do carro. começou a rir de , que estava toda empolgada vendo a cena entre e . olhou pra cara do menino, que estava meio rosada ao rir um pouco e sorrio também. A menina encostou a cabeça no banco do carro e olhou para ele, suspirando.
- É tão bom saber que as coisas estão voltando a ser como eram, sabe? Eu senti falta de tudo isso – sorrio de novo meio sem graça.
- Pois é, eu espero que volte... Só nos dois que tínhamos que parar de discutir um pouco – rolou os olhos inclinando o corpo de frente pra ela.
- Ah, se não discutíssemos não teria muita graça nossa relação – disse soltando uma risadinha nasalada em seguida, e olhou sem entender, mas sorrindo também. O menino chegou mais perto da mesma, que não estava se importando com a aproximação.
- Sabe o que faria ter mais graça nossa relação? – disse indo cada vez mais perto da menina, que estava quieta. Ela apenas deu um sorrisinho de lado e safadinho, balançando a cabeça negativamente – Se a gente terminasse todas às vezes que eu tentei fazer com meus lábios tocassem os seus por ao menos alguns segundos. Isso sim teria muito mais graça e tornaria nossa relação muito legal – ele disse chegando mais perto que o normal, fazendo sentir uma pulsação anormal em seu coração, fazendo com que as borboletas aparecessem e fizessem todas as voltas possíveis em seu estômago. A mesma decidiu entrar no jogo do garoto, que já estava com um braço apoiado no banco em que ela estava, e seu rosto estava próximo ao dela. Ela colocou seu dedo indicador entre os lábios de , que se aproximavam dela, e disse – E você acha que eu vou deixar ou deixaria com que isso acontecesse TÃO fácil assim, ? Por favor – ela disse baixo num tom de voz provocador fazendo com que seu dedo escorregasse dos lábios do garoto para seu pescoço, e sua mão subisse ao encontro dos cabelos dele, que estavam macios como sempre. puxou os cabelos dele bem leve fazendo o mesmo chegar mais perto e seus narizes se encostarem. Ela rodou a cabeça devagar fazendo os narizes se encostarem, deixando os lábios deles encostados BEM de leve e passando sua língua nos lábios dele. já estava se entregando à situação, seus olhos fechavam involuntariamente a tudo o que fazia. Quando ele estava prestes a puxar a garota mais forte para que aquilo se tornasse realmente um beijo de verdade, ambos ouviram a porta do carro abrir e pularam, batendo a cabeça no teto do carro.
- PORRA! – os dois berraram juntos.
-Desculpa, não queria assustar, meu. Vamos, tá tudo bem agora – disse sem perceber a malícia e a raiva no olhar dos dois, que antes estavam quase num beijo. e se olharam rindo e olharam pra com cara de raiva.
- O que eu fiz, ahn? – disse sem entender e os dois começaram a rir, saindo dali.

To be Continued...

N/A: Eu estou pasma, como assim? Brincadeira... Acreditem se quiser, eu estou escrevendo isso em pleno escritório, isso mesmo. Uma pessoa que não tem tempo, essa sou eu. Bom, meninas, as coisas estão evoluindo entre eles, neh? Espero que possa rolar algo logo (isso foi irônico demais). Bom, eu dou a dica de ler esse POV do casal principal com uma música sexy, ficará bem legal. (Falo pelo que escrevi e como escrevi) Acho que é só, espero que esteja acompanhando, continue gostando e repassem a fic (;
Já sabem, né? Qualquer coisa, comentário, ou me acham no Twitter, adicionar no Facebook e e-mail
E thanks à minha beta mais linda do mundo.

N/B: Comassim eu só ganho um 'beta mais linda do mundo'? Eu quero uma n/a inteirinha dedicada a mim na próxima atualização ou então não beto mais sua fic, tá me lendo, Laai? Ameaço mesmo u.u kkkkkkkk To brincando, só pra não perder o costume de encher seu saco.
E, meninas, comentem e façam uma Laai feliz!


Atenção, qualquer erro nesta fic, notifique a beta.