Nothing is as it seems
No one wants to live in Jerkland
See that girl running?
Down goes another one
No one wants to fall in love
See that girl falling?
Down goes another
Capítulo 1 – Nothing is what it seems
A sala estava fria e eu puxava minha saia para baixo, segurando as lágrimas de nervosismo. Sentia-me meio sem ar, não sabia que era claustrofóbica. Talvez eu fosse quando estivesse perto do Tom, ou, talvez, a situação toda é uma bagunça de tal magnitude, que não tem espaço para respirar. A luz cegava meus olhos, mas a sala ainda era escura. Via meu reflexo na janela escura. Joshua vai me matar, já é meia noite, e não estou em casa. Me tirem daqui, só me tirem daqui.
A porta abriu e o policial entrou na sala da delegacia junto com o policial que nos prendeu. Ele deu um longo suspiro e sentou-se do outro lado da mesa.
“Então, vejamos o que temos aqui.” Ele largou uma pasta no meio da mesa, abriu e pousou os olhos em mim. Depois em Tom, depois em mim de novo. Afanou os bigodes, e cerrou os olhos. “É o seguinte: eu não gosto de vocês. Não gosto do seu tipo...” Ele apontou para mim. “E tenho nojo do seu!” Ele apontou para Tom. “Digo, logo alguém como você, fazendo isso.” Ele balançou a cabeça negativamente. “Eu tenho uma filha de doze anos que é completamente apaixonada por você, imagine o sorriso dela se esvaindo quando ela ficar sabendo quem o papai encontrou hoje. E por esperança disso tudo ser um mal entendido, vou pedir para você explicar o que aconteceu, e para quem exatamente ela trabalha.”
“Eu já expliquei!” Tom falou irritado. “EU QUERO MEU ADVOGADO!”
“Senhor Fletcher...” O outro policial, o filho da mãe que nos prendeu, disse. “Se você elevar sua voz novamente, eu chamo a imprensa. Imaginem a primeira capa de amanhã: Ídolo Britânico Tom Fletcher pagando prostituta nas avenidas de Londres.”
É, acho que não vou a lugar nenhum hoje à noite, muito menos para casa.
***
(Flashback)
Tudo começou naquela manhã, quando eu olhava Joshua na mesa tomar – engolir, enfiar a cara no pote e arrotar três vezes – seu café da manhã. Sim, meus pais tinham toda a razão em mandá-lo para Londres para estudar. Mas me lembra por que mesmo ele veio morar comigo? E por que meninos de dezesseis anos hoje em dia são repugnantes? Seus jeans largos, moletom roxo, com uma camiseta azul de um tom estranho que não combina, e seu tênis, surrado e sujo, de skatista. Ele nem anda de skate... Pelo amor de Deus!
“, posso dar uma festa se...”
“Não.” Eu o interrompi.
“Mas você nem ouviu o que eu ia falar!”
“Não. Você, mais festa, mais amigos é igual a desastre.” Ele abriu a boca para dizer algo, mas eu continuei. “Não me vem com essa de somente os íntimos, e eu pago tudo, e eu limpo tudo, a resposta ainda é não.”
Ele enfiou a cara no pote de cereal de novo, e engoliu, pensando. Ao abrir a boca, eu já me antecipei.
“Nem se você tirar três notas dez seguidas, lavar meu carro e, ou limpar a casa por um ano.”
Ele bufou.
“Mas é meu aniversário!”
“É o meu apartamento. Agora vai para a escola, Joshua.”
“Josh.” Ele me corrigiu. Não importa se todo mundo o chama de Josh, o nome dele é Joshua, ok? Menino mimado.
Ele colocou o prato na pia e eu também.
“Então, o que farei no meu aniversário? Tickets do McFly não valem.”
Eu ri, bagunçando seus cabelos. Claro que não valem, ele já ganha os tickets de graça mesmo, e passe VIP, e assiste às gravações no estúdio. Eu sou massagista, e Jeff, o produtor, me contratou para três sessões semanais para a banda. Meninas histéricas de quinze anos diriam que eu tenho o melhor trabalho do mundo. Ou, pelos menos, é o que as amigas do Joshua dizem. Eu gosto do meu trabalho, mas não é nada tão fantasiado assim. Eles são pessoas normais, com qualidades e defeitos, mas com um charme extremo. Também têm defeitos, como, por exemplo, não me escutam. Harry não senta direito na cadeira e tem dor no lombar. Já Dougie toca o baixo olhando para baixo, tendo dor no pescoço. E não adianta quanto eu falar e aconselhar, eles não mudam. O que garante meu segundo emprego, amém!
“Será surpresa.” O que, na realidade, se lê como eu não tenho idéia do que eu vou te dar de aniversário. “Agora, hoje à noite, vai ser a festa da Rebecca, então vou chegar tarde. Me manda uma mensagem quando chegar e me avisa se você sair.”
Ele foi para a escola, e eu para o trabalho. Após um longo, porém não cheio, dia na clínica em que trabalho, chega às cinco horas: hora de ir para o estúdio e ganhar o dobro do que eu ganho na clínica em apenas algumas horas.
Passei pela recepção do estúdio, e peguei o elevador. Eu ainda acho estranho que esse tipo de lugar tenha uma sala de massagem. Às vezes fico pensando quantas celebridades já deitaram naquela cama. Antes mesmo da porta se abrir eu já conseguia ouvir Dougie gritando e todos rindo. Assim que a porta abriu, vi que Danny e Harry faziam um montinho nele. Eu entrei normalmente na sala, passando sobre o braço de Dougie, e fui cumprimentar Jeff. Logo depois, entrei na sala especial de massagem, logo no final do corredor. Lavei minhas mãos, e ouvi Tom chegar, falando no celular.
“Sim, eu sei Gi.” Ele já estava enrolado na toalha, e notei uma estrela tatuada no seu peito. “Acho melhor nos vermos na festa da Rebecca. Não sei se vou para casa hoje.”
É Gi, porque hoje ele vai para a minha casa. Minha mente diz. Andei nervosa até o bebedouro, no canto do quarto, e desci um copo de água. Odeio quando tenho esses pensamentos involuntários.
Eu só ficava ali olhando para ele, esticado na cama, semi nu, esperando ele acabar. “Giovanna, te vejo depois, está na hora da minha massagem agora.” Uma pausa, ela ainda falava. Eu suspirei, desliga logo Giovanna.
“Tenho que ir, beijos.” Ele desligou o celular e o jogou no sofá. “Desculpe.” Ele falou, com um sorriso sem graça.
“Tatuagem nova?”
“Aham.” Eu comecei a massagear as costas do Tom, duras como sempre.
Tom não fala muito comigo. Danny, por outro lado, não cala a boca. Dougie é hilário, e Harry é sério e tímido. Mas eu não sei, sempre esperei ele ser mais... Comunicativo. Ele fala comigo, ele me olha, ele age como se a Giovanna, a namorada dele, estivesse olhando. Não sei, me faz sentir inconfortável.
Falando em inconfortável, odeio gemidos dos clientes. Não somente com o Tom, mas qualquer pessoa, homem ou mulher, eu odeio quando gemem. Não sei, deveria estar acostumada depois de três anos na profissão, mas não gosto, eu me sinto desconfortável. Quando começam, eu aperto mais forte, e se os gemidos aumentarem, eu mudo de lugar, nunca mais encosto ali. Ainda tenho que refazer a lista de por que mesmo eu gosto do trabalho.
Por que eu não gosto. Digo, não é ruim, mas não queria ser massagista como profissão, queria mais como hobbie. Pelo menos paga bem, e eu não preciso pagar pelo Joshua, meus pais me dão dinheiro suficiente para alimentá-lo. Mas não para aturar ele.
Que tipo de menino de dezesseis anos dorme na aula e tira noventa e cinco em uma prova? E que tipo de menino de dezesseis anos com aquele rostinho lindo nunca teve uma namorada? Bom, não que eu saiba, pelo menos. Se bem que ele me conta bastante da vida dele. Até demais.
Falando em Joshua, eu ainda preciso fazer alguma coisa para ele. E dar um presente. Deixá-lo dar uma festa está longe de cogitação. Ele vai destruir meu apartamento, lotá-lo com adolescentes bêbados, e sabe Deus mais o que.
O pé do Tom era macio. Oh céus! Eu já estou no pé? O pé sempre é a última parte da massagem. E a completa, geralmente, dura três horas. O que significa que não vou poder fazer massagem no Dougie, Danny e Harry, e que estou atrasada para a festa da Rebecca.
“Tom?” Ele não respondeu. Devia estar dormindo. Eu o cutuquei no ombro. “Tom?”
“Ahn, oi?” Ele se levantou mole.
“Eu acabei esquecendo-me da vida, e já são oito horas da noite.”
Ele levantou as sobrancelhas e pude ouvir o grande pensamento: puta que pariu, esqueci da Giovanna.
“Imagina, eu que acabei esquecendo-me de pedir para você parar.” Por alguma razão senti meu rosto rosar.
Eu abri a porta da sala, precisava me trocar para ir até a casa da Rebecca. Notei que não havia ninguém ali. E as luzes já estavam apagadas. Acho que todos já deviam ter ido para a festa da Rebecca. Depois de voltar do banheiro, já arrumada para sair, com uma blusa folgada amarela, uma saia preta curta com cintura alta, uma maquiagem leve, minha meia calça favorita cinza com símbolos amarelos do Batman e uma bota de couro de salto alto e calcanhar baixo. Tom parou no corredor, me olhando. Senti meu rosto queimar. Me sinto desconfortável em saias.
“Você vai para a festa da Rebecca?”
“Vou.”
“Eu te dou carona, é o mínimo que posso fazer.”
Eu aceitei, não queria pegar ônibus com essa saia. Tom tinha uma cara de sono, e fundos olhos castanhos. E uma pele macia, uma cova no queixo. Um cabelo macio, e uma respiração que me fazia esquecer tudo. Está aí o porquê eu gosto do meu trabalho.
Entrando no carro, um Jaguar preto com bancos de couro, onde não se sentava em bancos, mas em poltronas, Tom ligou o rádio, e algo qualquer tocava.
“Então , onde você aprendeu a ser tão maravilhosa assim?” Tom disse, quebrando o silêncio.
“Ahn?” Senti meu rosto queimar.
“Em massagem.”
“Ah!” Céus. “Sempre gostei de fazer massagem, e fiz um curso...”
“E você só trabalha com isso?”
“Sim, é o suficiente para sustentar eu e o Joshua.”
“Oh sim, menino maneiro ele.”
“Irritante, isso sim. É o aniversário daquela peste no fim do mês, não sei o que eu faço.”
“O que ele quer?”
“Adivinha?”
Tom ficou pensativo por uns momentos.
“Tickets do McFly?” Ele disse, finalmente, rindo.
“Não, esses não valem mais. Ele quer dar uma festa.” Havia um trânsito lascado em Londres nessa hora. Estávamos parados no mesmo farol há alguns minutos. Não que me importasse, ficar ali sentada naquele carro com Tom Fletcher. Especialmente agora que ele resolveu falar comigo.
“Deixa, oras.”
“De jeito nenhum! Ele vai destruir meu apartamento com uma multidão de adolescentes bêbados.”
“Ah, até parece que você nunca teve dezesseis anos e não sabe o que é isso!”
Eu ri sem graça. Sim! Eu sei como é ter dezesseis anos e viver a vida loucamente. Mas eu também sei definir loucamente.
“Talvez nem tudo seja como parece.”
Senti-me sem ar para responder, e cortando o momento, meu celular vibrou, e vi uma mensagem do Joshua.
Seria legal se você me deixasse em casa sexta-feira à noite com comida na geladeira ou dinheiro para pizza.
“Ai! Droga.”
“Que foi?”
“Esqueci de passar no supermercado ontem e agora não tem nada em casa para o Joshua comer. Sem problemas, eu trago comida da casa da Rebecca na volta.”
“Ah! Você vai voltar?” Tom riu alto. O sorriso dele me deixa quentinha por dentro.
O fato era que as festas que a Rebecca, uma das minhas clientes mais fiéis, a que me arrumou esse bico com o Jeff, eram cheias de tequila, vodka, martinis e sangria. Ninguem sai de lá até a manhã seguinte.
“Sem problemas , a gente passa em uma rotisserie e na sua casa antes de ir para a festa da Rebecca.”
“Você faria isso?”
“Claro, já estamos atrasados do mesmo, e ninguém deu falta da gente, certo?” Ele me deu um sorriso maroto, que fez minhas pernas tremerem.
Pela viagem toda, Tom falou e falou e falou como ele nunca tinha falando antes. Acho que saia, realmente, é a melhor amiga de uma mulher. Ao chegar à rotisserie, Tom parou o carro e eu saí do carro para pegar uma macarronada ou lasanha qualquer para Joshua. Hoje seria tão divertido, eu, Tom, o aniversário da Rebecca. Eu realmente precisava desestressar. E, oh céus, de sexo. Estava frio fora do carro, o pavimento estava molhado da chuva que acabara de cair. Ouvi Tom me chamar de dentro do carro, com a janela aberta.
“Hey!” Ele abanava uma nota de cinqüenta na mão. Ele dizia algo que eu não conseguia ouvir pelo barulho de carros na rua movimentada. Eu corri para o carro e me curvei para dentro do carro pela janela aberta, rezando para nenhum tarado passar atrás de mim. “Me compra um vinho? Esqueci de comprar presente para a Becca.”
Nossos rostos foram ofuscados por uma luz forte vinda de trás do carro. Logo as sirenes polícias gritaram, e Tom olhou para trás. Fiquei por um momento sem saber o que fazer. Ele tinha parado em local proibido? Olhei para a rua, não havia sinais nenhum, mas Tom estava pálido, com a mão congelada no ar, segurando o dinheiro.
“.” Tom olhou para mim. “Eu acho que, er...”
O que está acontecendo? Eu me olhei, olhei para o dinheiro, olhei para Tom. Ai, merda.
“Ora, ora, ora o que temos aqui?” O policial saiu do carro, e Tom saiu também. Antes mesmo dele falar alguma coisa, o policial tinha algemas nas mãos. E outro, mais gordinho, saía do carro e vinha em minha direção. “Terceiro caso de prostituição, somente essa noite...”
“Eu não sou prostituta, não! Sou massagista!” Por isso não soou nem um pouco melhor?
“É isso que vocês, crianças, chamam nesses dias?” O policial gordinho riu.
“Não, sou mesmo! Sou dele, e tenho contrato, trabalho em uma clínica e tudo!” O policial algemou minhas mãos e me empurrou contra a lataria do carro. EU ESTOU SENDO PRESA?!
“Hey, Jefferson!” Ele gritou. “Essa aqui tem até contrato!” Os dois riram. NÃO ERA ENGRAÇADO! “Talvez você queira chamar o patrão na delegacia.”
“Não é o que parece!” Tom falou, curvado no carro ao meu lado. Eles vasculhavam o carro.
“Nunca é!” O gordinho respondeu.
“Estávamos indo para uma festa, e passamos aqui para comprar um presente, e...”
“É, é, guarde a história para o delegado, garanhão.” O outro policial saiu do carro, verificando os documentos do Tom e os meus, os quais ele achou na minha bolsa.
Oh céus, em que me meti agora? O que eu vou falar para o Joshua? Para os meus pais? O JEFF VAI ME DEMITIR!
Eu olhei para Tom, com água nos olhos. Ele vigiava os policiais irritados. Era tudo um mal entendido! Se eu tremia antes, agora eu estava em um ataque epilético. Meu coração batia a mil por hora, havia pessoas me olhando, e a sirene da polícia, azul e vermelha, coloria a cena. Tom pousou seus olhos em mim, e senti seus dedos entrelaçarem nos meus, de mau jeito, pelas algemas.
“Shhh...” Ele chegou mais perto. “Vai ficar tudo bem.”
Os policiais pegaram nossos braços e nos colocaram dentro do carro de polícia.
Eu realmente espero que aquilo seja uma promessa.
Cap 2 – I Said No
Eu não sei quanto tempo eu fiquei ali, com o rosto enfiado nas mãos, esperando Jeff chegar e explicar tudo. Eu olhava para minhas pernas arrepiadas, eu estava morrendo de frio nas pernas. Cara, minha saia nem era tão curta assim. E olha no que me meteu! Vou para a cadeia porque acham que sou prostituta. Toda vez que faço algo relativamente incorreto, sou punida. Puta. Que. Pariu. Daria tudo para ser daquelas pessoas que se safam de tudo. Tipo o Tom. Ele vai sair dessa ileso, assim que Jeff chegar. Mas vê, eu não sei se Jeff vai me salvar também. Teoricamente sim, mas ele não chegou no momento seguinte quase arrombando a porta pra me salvar, especificamente.
“Mas o que RAIOS está se passando aqui?” Ele chegou, apertando sua maleta com força. Seu rosto estava vermelho, e seus olhos pulavam das órbitas. “Alguém PODE me EXPLICAR por que o Mr. Fletcher está sendo PRESO, e o que RAIOS a senhorita está fazendo aqui?”
“Senhor, acalme-se.” O delegado disse, hesitando em se levantar.
“Me ACALMAR? Me diga, por que mesmo eles estão aqui?”
O delegado apontou para o policial que nos prendeu, e ele explicou tudo em detalhes. Observação extra na minha saia e na nota de cinquenta.
“Vocês me chamaram aqui por que foram presos pelo comprimento da saia da ?” Jeff nos perguntou, mas não precisávamos responder. A sala caiu morta em silêncio. Senti uma mão apertar a minha, era Tom. Acho que estava tão nervoso quanto eu. “, por favor, ilumine-me: por que você estava na rua com essa saia?”
“Eu já expliquei, estava indo na festa da Rebecca, uma amiga nossa.” Indiquei Tom com a cabeça. “E paramos em uma rotisserie para comprar comida para meu irmão mais novo. Então Tom me chamou de volta para o carro, me deu dinheiro para comprar um vinho para Rebecca, já que ele não tinha presente.”
“E a que horas foi isso?”
“Oito e quarenta, por aí.” Tom respondeu alto.
“E agora são...” Ele olhou para o pulso, nervoso. “Meia noite e meia. Eles passaram quatro horas nessa delegacia, numa sexta-feira à noite porque eles foram comprar vinho para ir numa festa, e a senhora estava com roupa de festa. E seus policiais deduziram que doutora era uma prostituta negociando com Tom Fletcher por causa de uma merda de uma nota de cinquenta e uma saia. É isso mesmo?”
Os dois policiais se encolheram ao ouvir a palavra doutora. O delegado se desculpou fervorosamente e mandou os dois policiais para a sala dele. Nós fomos liberados, mas Jeff continuou lá por uns quinze minutos, e seus gritos podiam ser escutados do lado de fora da sala. Para minha surpresa, Harry Judd e Giovanna estavam na sala de espera. Giovanna, com maquiagem borrada, claramente esteve chorando e Harry me recebeu, com um abraço cheiroso que era somente tudo o que eu precisava no momento. Giovanna, ao contrario, deu um tapa na cabeça de Tom e me lançou um olhar mortal.
“Ela podia ter acabado com sua carreira! E se isso saísse nos jornais? Hein?” Ela cuspia as palavras. Sempre a vi como uma pessoa risonha e doce. Agora, ela estava prestes a me morder.
“Woah, calma aí Giovanna, a culpa não foi dela!” Tom disse, passando as mãos em seus braços, que logo se soltaram.
“Eu fiquei preocupada, ok? Você disse que ia para a festa e não foi, e vocês perderam toda a surpresa, e você não atendia o celular, aí eu descubro você ainda estava com ela, e...”
Eu fiquei parada, besta de como ela estava me culpando por tudo isso. Harry respirava nervoso, e Tom não tocava mais Giovanna.
“Giovanna, você não me dá espaço, o que é o único motivo que estamos dando um tempo. E quando eu tento chegar perto de você, você me empurra! Mas você não parece me entender, ou confiar em mim. Então talvez eu devesse sair para um hotel, por algumas semanas.”
“Tom, por favor, tenta me entender!”
“Eu não sei se quero te entender, ok? Eu não sei se vale a pena me frustrar pelo mesmo problema de novo e de novo!”
“E você? Você fica cada vez mais distante! Primeiro era o break, agora você vai sair de casa... O que vem depois? Você terminar comigo?” Lágrimas rolaram por suas bochechas e senti Harry puxar meu corpo para longe da cena, e ficamos do lado de fora, congelando. Eu ainda conseguia ver Tom falando com gestos.
“Para aumentar o astral, você ouviu da surpresa?” Harry disse sorrindo, com aqueles olhos gélidos azuis.
“Não, que surpresa?”
“Rebecca e o Dougie vão casar!”
OH. MEU. DEUS! Uma onda de felicidade me inundou. Rebecca não era só minha cliente mais leal, ela era minha melhor amiga! Como ela não me disse? OH CÉUS! Meu queixo havia caído e congelado em tal posição.
Tom saiu apressado e cumprimentou Harry, quem nos levou rapidamente para o seu carro.
“E aí cara, tudo bem?”
“Claro, claro. Mas a Giovanna meio que terminou comigo e eu meio que estou sem teto, e meio que puto por passar cinco horas nessa delegacia de merda. O Jeff vem?” Ele perguntou enquanto colocava seu cinto de segurança no banco do passageiro.
“Não, ele tem o carro dele. Bom, eu diria para você ficar comigo, mas sabe como é, não é? Meu apartamento ainda está em reforma e estou na casa do Dougie já... Mas você pode pedir para a Becca.”
“Não, não, ela já está cansada e bêbada, e já são duas horas da manhã, só me leva pra um hotel...”
“Bêbada só se for de felicidade!” Eu disse sorrindo do banco de trás. Londres ainda estava cheia de carros, mesmo sendo duas horas da manhã. “Ela está noiva! O Dougie finalmente a pediu!”
“NÃO ACREDITO!” Um sorriso iluminou seu rosto, me fazendo sentir mais calma. “É sério, Harry?!”
“Yep, hoje mesmo!” Harry disse, entrando numa esquina.
Tom parecia sem ar de tanta felicidade. Eu cantarolava alguma música que tocava no rádio. Queria tomar um banho quente e abraçar Josh até dormir. Espero que ele não esteja muito preocupado.
“Mas então, para um hotel não acho uma boa idéia. Você sabe, paparazzis e jornalistas para todos os lados. E você tem sido um menino muito mau ultimamente.” Ele disse numa voz zombadora que me fez rir. “Pede para o Danny.”
Tom ficou em silêncio e torceu o nariz logo em seguida.
“Você pode ficar lá em casa.” Eu sugeri. Expliquei que tenho quarto de hóspedes, só não tenho comida e nem luxo algum.
E, surpreendentemente, ele aceitou sem pensar duas vezes e agradeceu. Acho que nem tudo é como parece.
***
Tom’s POV
Meus ombros e nuca doíam, e minhas costas estavam me matando. Só não pedia uma massagem para porque eu já dormiria na casa dela, mas se não fosse de favor, assim, acredite, eu pediria. Assim que ela girou a chave, tímida, ouvi passos correndo dentro de casa.
“ . ONDE RAIOS VOCÊ ESTAVA?” parou no meio da porta entreaberta, tapando a visão de Joshua, que, pelo tom de voz, estava tão furioso quanto Jeff. “Eu te mandei quarenta e cinco mensagens, te liguei mais de vinte vezes e apenas caixa postal!” Ela não respondeu ou se moveu. Então apenas o espiei pela fresta da porta. “Imagine meu desepero quando eu liguei para Rebecca e ela me disse que você não estava lá! Eu estava quase ligando para a polícia! Não, PIOR, ESTAVA QUASE LIGANDO PARA A MAMÃE!”
Ela se moveu lentamente, com a cabeça baixa, abrindo a porta e indo em sua direção com os braços abertos. Não precisava ver seu rosto, eu sabia que ela estava chorando. Ela o abraçou apertado e ele abriu a boca para começar a gritar de novo. Mas logo ele me viu, desconfortavelmente, parado no pé da porta, então não disse nada e apenas a abraçou de volta.
“Er, houve um pequeno mal entendido na polícia, e ficamos lá por algumas horas.” Eu disse, entrando e fechando a porta atrás de mim. O apartamento dela era arrumado, e não muito grande, daqueles pequenos, mas de dois andares, visto a escada.
“Polícia?” Joshua repetiu. “O que aconteceu?”
saiu de seus braços, não o respondendo. Sua expressão exausta deixava escapar que ela não queria falar sobre isso. Ou falar sobre qualquer outra coisa.
“, onde eu coloco meu casaco?” Eu tentei mudar de assunto. Ela apontou para uma porta logo a minha direita.
Assim que me virei, senti Joshua arregalar os olhos e puxar a irmã brutamente para seus braços. Era esquisito vê-lo agir assim. Assim que abri a porta do armário, minha pele quase pulou do meu corpo ao ver uma garota de jeans e sutiã dentro do armário, igualmente assustada.
“Mas você ficou bonzinho, não é, Joshua?” Eu ouvi dizer alto, ainda abraçada.
“Sim, claro.” Ele olhou fundo para mim, e com os lábios disse para eu ajudá-lo.
Se descobrisse agora que ele estava se pegando com uma menina enquanto ela estava na delegacia, ele talvez não sobreviva hoje. Digo, não é um elogio ser presa por acharem que você é uma prostituta por apenas julgar o comprimento da saia. Ela já tinha passado por muito, e acho que não faria mal ajudar Josh apenas dessa vez. Por ela.
Eu pendurei meu casaco, e sinalizei para a menina que eu a ajudaria. Ela, envergonhada, fez que sim com a cabeça. Mas quase soltou um grito quando percebeu quem eu era. Fale-me de momento ordinário para conhecer uma celebridade.
“Ahm, ...” Eu me aproximei deles dois no meio da sala de estar, e ela saiu dos braços do irmão, limpando as bochechas. “Por que você não sobe e toma um banho que eu te faço algo para comer?”
Ela agradeceu com os olhos cheios de lágrimas e subiu em silêncio. Assim que eu ouvi uma porta se fechar no andar de cima, encarei Joshua, que, por algum motivo, pareceu três vezes mais crescido desde a última vez que eu o vi. E, por algum motivo, eu estava irritado. Talvez fosse o cansaço, talvez fosse porque sempre me disse como eles eram “chegados”, quando ela nem sonha que ele trás essa menina para casa quando ela não está. Essa, e talvez muitas outras.
“Cara, obrigado por me ajudar.” Ele disse, coçando a cabeça.
“Não estou te ajudando. Só acho que já passou por muitas essa noite.” Tanto ele como eu, nos espantamos com meu tom de voz. “Agora, tira ela daqui.”
Ouvi a maçaneta do armário girar, e uma cabeça loira semi-sair.
“Josh, eu preciso das minhas roupas.”
“Onde você as deixou?”
“No quarto.”
Josh olhou para mim de novo. Ai, cacete, o que foi agora? Eu ignorei os dois e fui para a cozinha fazer um sanduíche ou cereal com leite para ela, qualquer coisa que pudesse achar. Na geladeira não tinha muito, e nos armários também. Josh não estava brincando quando disse que não tinha comida em casa. Peguei uns biscoitos e coloquei uma xícara de água no microondas para o chá. Agora era só achar o açúcar e uma bandeja.
“Tom?” Josh disse, com um pote de açúcar nas mãos. Eu sabia que ele ia me pedir mais alguma coisa. Carona para ela? Dinheiro para ônibus? UM AUTÓGRAFO? “As roupas dela estão no quarto da .”
Eu pisquei duas vezes para ele, com minha cara vazia. Eu escutei direito? Eles tinham ficado no quarto dela? Havia tantas coisas erradas com tal fato que eu não sabia o que dizer. Peguei uma bandeja, coloquei os biscoitos, chá e açúcar e subi as escadas, dando o ombro gelado ao Josh.
No andar de cima, o corredor abria para uma pequena saleta onde ficava o computador e três portas. Uma aberta para um quarto azul de adolescente, e as outras portas estavam fechadas. Eu suspirei e encostei o ouvido em uma delas. Nada. Devia ser o quarto dela.
Virei a maçaneta, equilibrando a bandeja em apenas uma mão, e bingo! Era o quarto dela. Eu deixei a bandeja na cama dela, que estava arrumada. Pelo menos isso eles tiveram a decência de arrumar. O quarto era espaçoso e ela tinha uma televisão no canto, uma cômoda, e uma cama de casal bem grande. Também havia o closet e pinturas de flores atrás da cama. Me pus a procurar o moletom da garota. Achei pé da cama um embolado de roupas e os peguei. Feliz que o achei e nervoso para sair dali, eu me levantei rápido, em meia volta, mas me choquei com tudo em um corpo molhado, enrolado numa toalha que foi ao chão. deu um gritinho ao cair no chão, e eu a olhei perplexo. Não por que ela estava nua, meramente enrolada em uma toalha e molhada, mas suas costas. Nelas havia uma enorme cicatriz dos ombros até o lombar, vários pontos e linhas, e manchas vermelhas.
Assustada, ela se levantou e correu até o banheiro e bateu a porta, enquanto eu rapidamente desci as escadas. Joshua estava na sala, assistindo televisão. Eu joguei as roupas para ele. Ofegante e traumatizado. O que era aquilo?!
***
“Ela foi embora com um moletom meu.” Ele disse. “Obrigado mesmo Thomas, e desculpa pela confusão.”
Não sei se devia perguntar para ele o que aconteceu com a , ou se ele mesmo sabia o que aconteceu com ela, dado o relacionamento íntimo deles. Josh me mostrou o quarto de hóspedes. Era a terceira porta do corredor. E todos os três quartos tinham acesso ao único banheiro da casa. Ele explicou que no quarto só dormiam os pais deles, quando vinham visitá-los.
“Então, por que só tem uma cama de solteiro?”
“Meus pais são separados.”
Assenti com a cabeça. Josh deu boa noite e foi para o seu quarto, ao lado do meu. Eu tirei a camisa e os jeans, ficando somente de boxers e logo me joguei na cama, relaxando instantaneamente. Mesmo cansado e numa cama confortável, eu não conseguia dormir. Estava intrigado demais com tudo o que me aconteceu hoje. Fiquei olhando para o teto, pensando.
O álbum novo está ótimo, mas não tão rápido quanto eu queria. Danny e Dougie zoam demais, é difícil me concentrar, e muitas vezes eu me frustro. Mesmo assim, no final de cada dia, eu ainda faria tudo de novo com eles. Tive minha sessão de massagem hoje, que tirou toda a minha dor nas costas. E não somente tira a dor, ela tira o stress. Suas mãos quentes e macias na minha pele fazem minha mente viajar enquanto meu corpo relaxa. Ultimamente, minha mente tem ido para outros lugares. Ela tem esse dom, sempre soube disso. Mas, com todo o stress que tive, a dor voltou.
O que fazia eu me sentir estranho, era que era do tipo de pessoa que você vê todo dia, ouve falar sobre, mas simplesmente não dá a mínima. Como, por exemplo, o porteiro do meu prédio, ou a ruiva que faz meu café no Starbucks toda manhã. E, somente hoje, quando eu a vi fora do uniforme “funcionária Tom Fletcher”, eu realmente a vi. Sou crente em que nem tudo é o que parece, mas aqueles olhos azuis escuros e aquele longo cabelo castanho fora do rabo de cavalo... Aquela roupa com a meia calça do Batman e salto alto, era como se ela fosse igual a mim. Digo, claro que ela não é inferior a mim, não existe tal coisa. Mas era como se ela fosse uma amiga que eu conheço e não via há muito tempo, era como se ela fizesse sentido para mim.
Não sei, não dá para explicar. Também não sei explicar o que deu em Giovanna hoje. Era um ataque de ciúmes, TPM, preocupação e raiva, tudo junto. Eu sempre soube que ela era do tipo de pessoa que come seus sentimentos, mas também sei que comigo ela não precisa fazer isso. Ela pode me contar qualquer coisa que eu vou entender. Mas chegou a um ponto que ela parou de me contar as coisas com medo do meu julgamento, desapontamento, ou sei lá o que ela tema. Ela havia mudado, e não me deixava chegar perto. Era como se eu tivesse me aproximado demais para ser confortável viver junto.
Me chateia que ela tenha medo da minha opinião, mas também não é somente minha culpa se ela acha que a minha opinião é mais certa e tenha mais valor que a dela. Opinião todo mundo tem o mesmo peso, certo? E nunca a machuquei com nenhuma opinião que jamais dei. Ela nem me deu motivos para tal. Mas talvez, o que ela não me contou, seja para eu continuar não tendo. Não sei, não entendo mulheres. Elas mandam sinais que homem não leem, e leem sinais que homens não mandam. E fazem não somente uma opinião baseada nos sinais, mas uma total e completa dimensão paralela. E quando eu simplesmente não sei mais o que ela está dizendo, ela fica ofendida. Mas se sente culpada em sentir raiva de mim, então ela culpa os outros. Como, por exemplo, a , que não tem nada com isso.
Eu passei a mão no rosto, confuso. Giovanna é como um quebra-cabeça que eu já estou de saco cheio de decifrar. Mudando de assunto, e Josh? Imagino a reação de quando ela descobrir que o irmão dela não é quem ela pensa, e só rezo para que eu não esteja perto. Ou esteja? Ela estava certa sobre a coisa da festa e que adolescentes não tem um pingo de juízo. Sei como ele se sente na idade dele, mas ele não sabe como eu me sinto. Ainda. Ainda não engulo essa história de mandarem ele para Londres para estudar. O menino vai bem na escola e tal, mas não sei porque ele ainda se incomoda em estudar. Ele toca guitarra melhor que eu e tem uma voz melhor que a do Danny.
Eu virava e desvirava na cama, encarando o teto, a janela, o quarto, o chão, e o teto de novo.
Meus pensamentos foram interropidos com um barulho. Era bem baixinho quase inaudível. Eu sentei na cama, procurando o que era. Vinha da parede atrás da minha cabeceira. Era algo como gemidos. Não do tipo que eu esperaria ouvir vindo do quarto do Josh, já que eu não vi a garota ir embora. Mas vinham com soluços. Eu abri minha porta, e o barulho vinha do quarto da .
Meu coração se apertou ao entender o que era. Ela estava chorando.
***
Capítulo 3 – Notice you, noticing me.
Debati se eu devia ou não entrar. Levei um susto ao encotrar os olhos de Josh no escuro. Ele estava sentado ao lado da porta com os olhos vidrados.
“Ela chora dormindo.” Ele sussurrou.
“Por quê?” Eu sussurrei de volta. Imaginei se tinha algo haver com a cicatriz.
Ele suspirou pesado e não disse nada.
“É melhor você se sentar, porque nada aqui é o que se parece.”
Como se eu não tivesse notado.
***
Era Natal passado e eu estava jogando vídeo-game no meu quarto, esperando os convidados chegarem. e mamãe estavam fazendo a ceia lá em baixo, junto com minha tia. Lá fora a neve caía sem fim. Não se via diferença entre neve e jardim, você sabe, Bristol sempre neva mais que Londres. Era tudo um grande plano branco com calombos em formato de carros e árvores.
parecia nervosa, não sei se era porque o peru ia ficar ruim com alguma receita maluca nova ou ser era porque o namorado dela finalmente voltou do treinamento na Alemanha. Ele era soldado da infantaria e tem as melhores histórias do mundo para contar nos jantares, como desarmar uma bomba, ou correr atrás de inimigos pela floresta no escuro, ou todas as simulações de resgate, as explosões, as tempestades, os jogos mentais e acidentes com armas. Sorte minha que hoje é Natal e, com um pouco de sorte, ele talvez conte sua última saga.
e se encontraram, por mais estranho que se pareça, na auto-escola. só tirou a carteira com dezenove anos, pois ela é péssima na direção. E ainda é, tanto que ela não tem carro. Começaram a namorar por vários anos, até que ele decidiu (para mim, foi mais obrigado, já que era tradição de família) se alistar. entendeu, mas ficou de coração partido. Ainda acho que ela o amou mais ainda depois que ele partiu. E, semana passada, depois de “uma vida inteira”, como diz, ele voltou, e ficou aqui em casa com ela, ou melhor, vai ficar por um mês inteiro.
Assim que todos chegaram com casacos e botas cheias de neve, eu decidi desligar meu jogo e ir lá para baixo. A comida estava na mesa, a árvore de Natal brilhando, os presentes empilhados, a lareira acessa, e sentados juntos na mesa.
Havia algo muito errado com . Mas eu não conseguia dizer o que era. Ele parecia incrivelmente mais velho de alguma maneira, e, pelo sorriso não tão ofuscante de , ela havia notado também.
Assim que a deliociosa comida e conversa se desenrolou sobre a viagem de , soube o porquê: ele havia acabado o treinamento séculos atrás, ele havia ido para a guerra. E logo mudou de assunto, como se ele tivesse vergonha ou até medo de seguir em frente com suas histórias sobre o exército britânico. Algo havia acontecido e ele não queria nos contar. Agora não era mais treinamento e simulações. Foi de verdade. E , o cara que leva tudo na esportiva e ri da desgraça dos outros, não queria falar sobre isso. E não somente na frente de todo mundo, eu sei que ele não vai contar para a também.
Mesmo assim ele parecia feliz por ter voltado. Feliz por estar com a , feliz de estar com nossa nada funcional familia. Porém, silenciosamente feliz. E silenciosamente nervosa.
Então o jantar foi, e a sobremesa acabou, e agora era a hora do vinho, onde todos se soltavam um pouco mais, riam mais alto, e faziam discursos de como o ano que passou foi bom e etc.. Mesmo não sendo ano novo, todo mundo estava muito alcoolicamente feliz para dizer a diferença.
Então, pegou a colher e bateu na taça, pedindo silêncio ao se levantar. Todos olhavam para ele, sorrindo. estava quieta, e curiosa ao seu lado.
“Gostaria de dizer o quanto eu amo rir das piadas do tio Ronald, e da comida da dona Tina, e, por mais que eu ame Natal, e estar de volta na Inglaterra, tem uma coisa que eu amo ainda mais...” Ele pausou, pegando na mão de . “. , eu te amava loucamente antes do exército, e, de alguma maneira, eu te amo mais agora que voltei. E a cada dia eu vou te amando mais, e mais. E quero continuar crescendo esse amor para sempre.” tinha os maiores olhos do mundo. Era como se ela mentalemente gritasse para ele NÃO fazer o que ela estava pensando. “ , casa comigo?”
A sala ficou silenciosa, esperando a resposta. E olhou fundo nos olhos de , aqueles olhos velhos e sem brilho, e sorriu disfarçadamente. Ela se levantou e murmurou sua resposta.
“Posso falar com você por um momento?” E saiu da sala, abrindo o armário de casacos e pegando um preto felpudo, fechando a porta silenciosamente, com em seu encalço.
Todos nós ficamos cochichando qual seria a resposta dela, ser era um sim ou não. E se sim, como, quando e onde. E se não, por quê? Mas depois de um tempo, paramos de cochichar felizes, para ouvir as vozes altas que vinham da varanda.
“Eu não quero falar sobre isso! Nunca!”
“, você tem que me contar o que raios aconteceu com você! Você está mudado.”
“Eu não mudei nada!”
“Mentira! Olhe para você! Eu vejo nos seus olhos, , eu escuto o tom desesperado na sua voz quando falam da guerra, quando você fala que está bem, mas chora dormindo. Quando você escaneia a rua e as janelas quando passeamos no parque, ou como você sempre procura rotas de fuga quando vamos fazer compras, ou como você acorda com cada ruído de noite, ou...”
“Eu ainda sou o mesmo antes ou depois da guerra, ok? O mesmo que te ama, o mesmo que vai desistir da carreira no exército para ficar com você o resto da vida! O mesmo que te respeita, que te cuida, que quer te fazer feliz.”
“Eu sei que você me ama, . Mas como eu vou ser sua esposa se você não vai dividir seus pesadelos comigo?”
“Eu não quero dividir meu pesadelos com ninguém. Muito menos com você.”
Silêncio. Aquela conversa não estava indo bem, mesmo com os passos de botas descendo as escadas da varanda, e o carro alugado de rugindo e saindo da nossa entrada da garagem. começou a gritar para ele voltar, e assim que ele dobrou a esquina, vimos entrar no carro da mamãe, tirando as chaves do bolso do casaco dela, e indo atrás dele. Minha mãe levantou rápido e correu até a porta. Ir atrás de em uma rua cheia de neve e escorregadia, de noite, era suicídio. Mas de nada adiantou.
Natal foi estragado, apesar de todos prosseguirem com a conversa, música e dança. Todos estavam preocupados com e , para onde eles foram.
Eu acalmei minha mãe, falando que ele provavelmente iria para algum motel, e ela o seguiria, lá eles resolveriam a briga e fariam as pazes até amanhã de manhã.
Até que duas horas depois, o hospital ligou.
estava correndo na estrada, e logo atrás dele. Até que ele perdeu o controle do carro, e colidiu com um caminhão, também fora do controle. O carro de havia passado logo ao lado, sendo rebatido pelo caminhão e jogado (após de ter capotado várias vezes) para a vala no canto da estrada. Toras de vinte metros de madeira se soltaram da caçamba do caminhão (que estava em chama, colocando fogo na lenha também) e rolaram pela estrada, envolvendo outros dois carros no acidente, e duas toras em chamas rolaram até a vala, esmagando o carro de .
Por algum milagre de Deus, sobreviveu, com várias lesões, cortes e machucados nas costas. Os motoristas de dois carros morreram na hora, e, um deles, era . acordou dos medicamentos quatro dias depois, ela estava completamente enrolada em gaze e curativos, com vários roxos pelo corpo todo.
A primeira coisa que ela perguntou depois de acordar foi por , e tivemos que contar. E ela lidou da pior maneira possível. Não chorando, ou fazendo escândalo, ou entrando em depressão, ou ameaçando se matar, mas ela disse “ok” e nunca mais falou sobre ele.
No dia do funeral, a mãe de fez o maior escândalo, culpando ela pela morte dele. Se ela tivesse dito sim ao pedido de casamento, ele não teria entrado no carro. Se ela tivesse dito sim, poderia ter se recuperado psicologicamente com o tempo. Se ela tivesse dito sim, ele não teria que se realistar no exército e ficado seguro na Inglaterra para sempre, com ela. Apesar de todos terem ficado no lado da nessa briga, ela friamente não disse nenhuma palavra. Colocou a rosa em seu caixão, passou os dedos pelo cabelo dele, sorriu, e foi embora. Sem nenhuma palavra. E não falou muito depois disso também. Ficou quieta, trancanda em seu quarto por dias. Lendo, ou estudando, como se nada tivesse acontecido.
Mas, apenas de olhar para ela, todos viam, ela estava quebrada por dentro, tanto quanto estava. Quando ela se formou na faculdade no verão seguinte, ela se mudou para Londres. E após um mês sem ouvir dela, minha super preocupada mãe se encontrou com meu pai, primeira vez em nove anos após o divórcio, para discutir a saúde mental de .
Alguns “e se” e “mas” depois, eu acabei vindo para Londres, para morar com ela. E quase toda noite, ela chora até dormir. Baixinho, se estiver chovendo eu não consigo escutar. Eu temo perguntar do . Eu temo que ela nunca se recupere também. Talvez ela tenha se curado, ou talvez, ainda não.
Outro dia, passou na televisão sobre a guerra no oriente médio, fez uma missão e não sucedeu, perdendo todos os trinta e dois soldados do esquadrão B, em um tiroteio nas ruas da cidade do Kwait. era do esquadrão B. Mesmo se ele não tivesse morrido no acidente, ele teria morrido na guerra. Mas se ele tivesse casado com a e não se realistado, ele ainda estaria vivo.
Sinto-me péssimo toda vez que me lembro da briga. Ela não o quis porque ele não falava do que ele sentia, mas ela passou a ser igual. Sinto-me mais péssimo ainda quando minha linha de pensamento vai a algum novo lugar que começa com “e se” e termina com “ele ainda estaria vivo”. Parece que todas as variáveis rodam em volta do mesmo evento, o pequeno evento, um segundo, uma palavra não dita, porém expressada, um pensamento, uma dúvida. Uma reação após a ação que foi inútil, resultando em cicatrizes. Destinos mudados por três simples palavras.
disse não.
***
Uma chuva fina caia lá fora, e eu ainda estava sentado no chão do corredor, sozinho. Josh havia ido dormir já que não se podia ouvir chorar mais, mas eu, por algum motivo, não conseguia sair dali. Não conseguia tirar os olhos daquela porta branca que dava para o seu quarto. Seu quarto que continha uma pessoa com tantos segredos.
Sentia-me um tanto ridículo por ter tido insônia e uma briga tola com Giovanna e ela ter feito todo esse drama. Agora eu sei o que é realmente um drama. sempre estava de bom humor, sempre tímida, sempre com perguntas, sempre tirando a minha dor, não esperando nem um obrigado depois. Tirando a dor de todos, já que a dor de quem realmente fez diferença na vida dela, ela não conseguiu tirar.
Mas ali parado, olhando para aquela porta, agora no silêncio, imaginando com o que ela estava sonhando, eu me pergunto: quem, ou o que, tira a dor dela?
***
Capítulo 4 – Brand new day, same old pain.
“Tom?” A luz da manhã invadia o quarto, e uma voz abafada vinha de trás da porta. Demorei um momento para me lembrar onde estava. “Tom? Está acordado?”
“Estou sim, , pode entrar.” Eu disse, me retirando dos lençóis, e procurando minhas calças.
Ela colocou a cabeça para dentro do quarto, e não reagiu ao me ver de boxer. Ela me faz massagem há quatro meses, acho que não tem nada aqui que ela não tenha visto.
“Fui à padaria, agora temos comida disponível.” Ela disse sorrindo tímida.
“Ok, vamos comer!” Eu peguei na maçaneta gelada, e desci as escadas, observando cada movimento seu.
Ela agia como se ela estivesse perfeitamente bem. Na verdade, se eu não a tivesse ouvido chorar e Josh não tivesse me contado, eu diria que ela é perfeitamente normal. Nada mudou apenas por que eu sei do passado dela. Ela já era assim antes de eu saber. O que eu não sabia, e estranhamente queria saber era como ela é assim?
“Você come o que de manhã?” Ela parou da minha frente, de jeans e uma blusa branca, nada sexy, mas não conseguia piscar os olhos e perder um momento sequer dela. Onde ela esteve esse tempo todo?
“Comida, mas agora quero você.” Eu quase me ouvi dizer, mas logo apaguei esse pensamento e desviei o olhar para o chão. “Torrada e café.”
Eu odeio meus pensamentos involutarios. Esses impulsos que eu tenho. Eu nunca os deixei escapar, mas toda vez que eu os tenho, eu sinto como as palavras já estivessem na minha boca.
“Dormiu bem?” perguntou, colocando pães na torradeira.
“Sim, e você?” Eu esperei curioso pela resposta.
“Como um bebê. Estava tão cansada ontem...” Ela suspirou, sorrindo.
Ela disse normalmente. Nem um desafino no tom da voz, nenhuma dúvida no olhar. Nem um momento desconfortável depois. Sem olhos vermelhos ou olheiras. Nada. Zero. Seria ela uma ótima mentirosa? Será que ela sabia que ela chora dormindo?
“Então... Sobre ontem...” Eu disse, já me desculpando sobre a invasão de privacidade de ontem.
“Hey, não se desculpe, não tem problemas. Fiquei meio assustada com a polícia, e que eu quase fui presa. Mas se você pensar bem, foi engraçado. Que a única noite que eu uso uma saia, eu sou confundida com uma prostituta.”
Eu não sabia como dizer o que eu queria dizer. Pela primeira vez na vida. Ela continuava fugindo da onde eu queria chegar. Será que ela sabia disso?
“Yeah, uma ótima história para contar na ação de graças esse ano.” Foi tudo o que eu consegui dizer.
Ela tirou um BlackBerry do bolso e começou a ler a lista em voz alta.
“Café da manha, check. E-mails, check. Deixar Josh na casa do Derek, check. O que mais que eu tenho que fazer hoje? Hm...”
Isso me lembrou da minha lista do que fazer esse fim de semana. Ligar para o Jeff, pegar meus sapatos novos na loja, checar e-mails, Twitter, ligar para a Giovanna, ir para o sound check de tarde, e ir para o show hoje a noite as seis, e...
“Dar parabéns para a Becca.” Eu me peguei falando alto.
“Verdade. Vamos juntos?”
Eu fiz que sim com a cabeça, e as torradas pularam. Não era minha vida para saber dos problemas dela, muito menos resolvê-los. Ela não era minha irmã, familiar, ou amiga íntima. Mas ela tira minha dor todos os dias, ela me acolhe em sua casa, ela me desperta essa coisa no fundo do meu estômago, e ela tem meia calças do Batman.
Meia calça do freaking Batman.
***
Os raios de sol passavam pela janela da frente do carro e iluminavam minha barriga e os braços de Tom ao meu lado. Algo qualquer tocava no rádio, e eu ficava ali, como uma idiota, olhado para aquele ser humano de um metro e oitenta, loiro, de olhos castanhos, dirigindo. Seus dedos deslizando pelo volante, sua mão trocando o câmbio do carro sem olhar, seus lábios murmurando a letra da música.
E esse mesmo ser humano dormiu em casa. Pena que no quarto do lado. Mas, mesmo assim, na minha casa. Tom quebrou o silêncio.
“Você acha que eles vão conseguir?” Eu fiquei pensando sobre o que ele estava falando. Como passei um tempo sem responder, ele reformulou a pergunta. “Dougie, Rebecca e, bom, casamento?”
“Ah. Eu acho que sim.” Digamos que eles tem que conseguir, se não, não sobrara esperanças em relacionamento nenhum que eu conheça.
“Hm.” Ele adicionou.
“Por quê? Você não acha?”
Ele, estranhamente, deu de ombros.
“Dougie tem o que? Vinte e quatro anos? E Rebecca tem vinte e três. Eles são meio novos para saber se querem passar o resto da vida juntos.”
“Hm, ou talvez eles saibam. Eles moram há quase um ano juntos, e eles são felizes. Não se pode dizer não a isso, podem?”
“Verdade.” O carro estacionou, e tirando os óculos escuros, Tom olhou fundo nos meus olhos, sem sorrir. “Eles não podem dizer não.”
Meu estômago congelou, mas eu conseguir dar um sorriso. Eu saí do carro, e pegamos o elevador sem uma palavra. Ele apenas disse. Não significa nada. Não é que ele sabe o que aconteceu. Ele não pode apenas olhar para mim e tirar conclusões.
Ou pode?
***
“!” Rebecca abriu a porta num pulo. “Menina! O que raios aconteceu ontem a noite?!” Eu entrei sem graça, mas me distraindo com o cachorro dela, grande peludo, macio, dócil. Sam era o cachorro mais divino que eu já tinha visto. Não era a toa que ele era parte da família.
“Bom...” Tom começou a contar enquanto tomávamos chá. Dougie não estava em casa, e Rebecca estava radiante. Como sempre.
Assim que ele terminou de contar, eu não sei como, Rebecca começou a rir. Alto. Primeiro eu não entedi a graça, mas logo depois acabei rindo junto com ela e Tom. Realmente, o que aconteceu tinha seu humor. Negro, mas humor.
“Mas então, , Harry nos contou da surpresa!”
“É...” Ela sorriu. “Ele me levou para o parque onde a gente se conheceu, exatamente um ano atrás, jogamos rúgbi, e quando cansamos, ele simplesmente... Pediu. E eu disse sim, claro.”
Tom franziu a testa, e por um momento achei inapropriado. Até eu ver que ele havia recebido uma mensagem no celular, e se retirou da mesa. Ninguém precisava ter falado nada, eu sabia extamente quem era. Giovanna. Tom foi até a varanda e fechou a porta de vidro.
“O que exatamente está acontecendo com o Tom?” Eu perguntei curiosa. Afinal, ela o conhecia muito melhor que eu.
“Diga-me você.”
“Como assim?”
“Não foi na sua casa que ele dormiu ontem à noite?”
“Sim, mas... Não foi assim. Ele dormiu no quarto de hóspedes.” Eu olhei para o chão, envergonhada. Rebecca me lançou um olhar desconfiado. “Rebecca, eu acho que ele sabe.” Eu confessei num respiro.
“Sabe do que?”
“Do acidente.”
“Mas como ele saberia? Digo, por que você acha que ele sabe?”
“Não sei. Ele me viu saindo do banho ontem a noite, e hoje me disse algo estranho...”
Ficamos em silêncio. Rebecca sabe o quanto eu odeio o passado. Ela sabe o quanto eu odeio essa maldita cicatriz nas minhas costas. Como se não fosse o bastante para me lembrar do que eu fiz.
Eu olhei pela janela da varanda, e olhei Tom quieto no celular, andando de um lado para o outro. Ele estava com dor. Eu podia ver.
“Eu só queria que não me afetasse mais.” Eu suspirei.
“Eu sei. Mas você não pode fugir de você mesma. Você não pode fugir de Jerkland, .”
Eu olhei em seus olhos azuis. Quando ela falava de Jerkland, algo em mim clicava. Jerkland não é uma pessoa, nem um lugar. Jerkland é onde todos parecem ser felizes, e você é a única que não é. Jerkland dói, Jerkland é cheia de canalhas, cheia de mentiras. Eu tentei fugir de Jerkland, vindo de Bristol para Londres. Mas não vi muita diferença aqui. Apenas diferença em mim mesma.
A diferença estava no meu coração, na minha mente, nos meus sonhos, na minha pele. Especialmente na minha pele.
Jerkland estava em mim.
***
Tom ficou um tempão lá fora. Por alguns momentos eu achava que a Giovanna já tinha desligado fazia um tempo, mas ele continuava a segurar o celular no ouvido. Como uma desculpa para não ter que encarar eu e Rebecca. Ou com esperaças que seja lá o que ele tem com a Giovanna não acabaram.
Agora, quando olhava para ele, tão sozinho naquela varanda, tão perdido, eu me perdia também. Vai soar ridículo, mas eu sinto a dor de outras pessoas. E é por sentir a dor deles, que eu faço meu melhor para fazer parar. Não que eu entenda o que se passa com ele. E não que eu deveria me intrometer na vida dele. Não que eu não ache ele arrogante, exibicionista, com opiniões formadas precocemente. Mas havia algo. Algo que eu não sabia o que era. Algo novo. Ele era diferente de tudo que eu já tinha visto. E, graças a Deus, completamente diferente de mim.
Dougie entrou na porta, e Sam foi correndo adoidado fazer festinha.
“E ai ? Conta-me como é ver o sol nascer quadadro.” Ele me deu um beijo na testa, rindo.
“Dougie!” Rebecca reclamou.
“Indescritível Dougie, acho que você tem que ver por si só!”
Dougie parou ao ver Tom na varanda com o celular. Ele sentou ao lado de Rebecca, sem saber se devia perguntar para a gente agora, ou saber de tudo pelo Tom depois. Assim que a sala caiu no silêncio, Tom desligou o celular, e entrou na sala de novo. Surpreendentemente animado.
“MAS OLHA QUEM VAI CASAR!” Ele disse abrindo os braços, fazendo Dougie se levantar, e o engolindo em um abraço. “Quando vocês tiverem filhos vão ser baixinhos viu? Quero só ver! Estou torcendo para ser menino primeiro! Um Dougie Junior!”
Eu não pude evitar rir do Dougie Junior. Tom se sentou ao meu lado, sorridente.
“E aí cara? Como você está?” Ele perguntou.
“Ah, naquelas. É o mesmo problema de novo, e de novo. Estamos há anos juntos, por que eperar mais? Estamos tão separados ultimamente, nós temos que largar tudo e ficar juntos por um tempo. Ou para sempre... Como assim você não sabe se quer passar o resto da sua vida comigo? Essas coisas...”
“E o que você vai fazer?”
“Parar de apertar na mesma tecla, ou dar para ela o que ela quer. Eu não sei.”
“E o que exatamente ela quer, Tom?” Rebecca perguntou, confusa.
“Casar.”
E, de repente, Tom faz aquilo de novo. Aquele olhar que me faz concluir que nada é o que parece. Que eu jurava que éramos tão diferentes, e, no fim, somos iguais.
***
Estávamos voltando para a minha casa, e o carro tinha um silêncio desconfortável. Era difícil não pensar em tudo que aconteceu lá. Tom nervoso quase me dava aflição. E eu odiava velo dirigir com aquele olhar distante.
“What you gonna do, Katie?” Eu disse num suspiro descontraído.
“Que?” Tom pareceu voltar para a realidade. Me perguntei o quão distante sua mente estava antes de eu chamá-lo.
“É uma música do Libertines.”
Silêncio voltou, mas eu sabia que a mente do Tom estava dentro do carro.
“Você vai ao show hoje?”
“Que show?” Eu perguntei, idiota. Tom ficou em silêncio de novo.
“Eu nunca te vi nos bastidores. Você fica na pista?”
Eu fiz que não com a cabeça.
“Para falar a verdade, eu nunca fui para um show de vocês.”
Ele levantou a sobrancelha, e deu um sorriso. Uma covinha apareceu na sua bochecha, fazendo meu coração pular uma batida.
“Quer ir ao show hoje? Por minha conta, VIP e, após, festa.”
“Hm, muito tentador.” Eu ri.
“...” Ele parou o carro no farol vermelho, e senti seus olhos castanhos nos meus. “Muito obrigado por ter me deixado dormir na sua casa.”
Eu sorri, meio sem graça.
“Espero não ter roncado.”
Ele me encarou mais sério, me fazendo corar. Por que ele estava me olhando assim?
“Não...” Ele tirou os olhos de mim, e de volta as ruas, atravessando a rua. “Você não tem idéia da confusão que me tirou. Se eu tivesse dormido em um hotel, paparazzi com certeza descobririam que eu e a Giovanna brigamos.”
Não sei se foi o nome dela, ou o tom de voz dele, mas algo dentro de mim não gostou do que ele disse. Obrigado por me deixar usar você, foi o que eu entendi.
“De nada.”
“Mas eu temo que terei que ir para um hotel hoje à noite.” E, estranhamente, eu fiquei chateada. Eu meio que gostava da idéia de ter Tom Fletcher no meu apartamento.
“Mas aí a mídia vai achar que vocês terminaram.” Silêncio. O carro fez uma curva, e estávamos chegando perto do meu prédio. Então eu entendi. “Ah, você vai terminar com ela.”
Ele fez que sim com a cabeça.
“Eu não vou terminar com ela porque eu não sei se quero passar o resto da minha vida com ela ou não. Por somente de não saber, eu sei que eu não quero. É como eu perguntar se você ama alguém, se a pessoa disser ‘não sei’ então ela não ama. Se ela amasse, ela saberia.”
“Então passou seis anos com ela para descobrir agora que você não quer passar os próximos sessenta com ela?”
“Não, eu passei os últimos seis anos com ela tentando descobrir.” Ele estacionou na frente do meu apartamento. “Eu te pego às seis horas. Mas vou precisar de uma sessão antes do show.”
Ele sorriu para mim, e fez sinal para eu sair do carro. Assim que cheguei eu me larguei no sofá, me sentindo leve. Nunca pensei que ouviria dele aquelas palavras. Eu passei o último ano tentando esperando ouvir isso.
Se eu o amasse, eu saberia.
Sem mais, ou menos. Apenas isso.
***
Hoje eu não usaria saia. E não usaria saia por um bom tempo. Melhor ainda, nunca mais. Por isso, vesti um vestido vermelho, não muito arrumado ou curto e um salto baixo. Alisei meu cabelo e fiz a maquiagem. Joshua foi dormir na casa do primo dele, o Derek, e com minha tia lá, eu confiava que eles não fariam nenhuma besteira fora do normal.
Assim que fui pegar um copo de água na cozinha, alguém bateu na porta. Levei um susto ao abrir a porta e ver Tom, já que era somente cinco e vinte. Ele me olhou da cabeça aos pés, levando um susto igual ao meu.
“Você chegou cedo.”
“E você está pronta.” Ele disse, entrando. Ele usava apenas uma camiseta branca e jeans, e estava cheiroso. “Eu disse que precisava de uma sessão antes do show.”
Eu era, com certeza, a pessoa mais idiota do mundo por ter esquecido. Eu não estava acostumada a receber clientes em casa, mas como o Tom já dormiu aqui, quase foi para a cadeia comigo e dividiu um carro comigo mais vezes em vinte e quatro horas do que eu andaria em um ano, eu acho que ele não se importaria em deitar na minha cama para a massagem.
Eu sei que eu não me importaria.
Assim que cheguei ao meu quarto, disse para ele se preparar enquanto eu lavava as mãos e tirava minhas pulseiras no banheiro. Ao voltar, eu encontro Tom de boxers, sentado na minha cama. Prendi minha respiração ao sentir minhas pernas moles. Meu Santo Agostinho da Cantuaria. Barriga com leve tanquinos e aquela estrela tatuada no peito esquerdo.
“Onde dói?” Eu perguntei, disfarçando.
“Ombros e pescoço, o de sempre.” Ele disse, se deitando de barriga para baixo. Eu me ajoelhei na cama ao seu lado e comecei a massagear sua pele quente e macia. “Cadê o Josh?” Ele perguntou logo em seguida.
“Dormindo na casa do primo.”
“Então hoje você pode ir para a cadeia que ninguém vai notar?” Ele riu, e eu ri de volta.
“Não, ninguém vai sentir minha falta hoje à noite.”
Eu deixei os músculos dele moles feito bebê ontem, e hoje eles estavam duros como pedra. Juro que não sei como tem gente que consegue concentrar tanto stress nos músculos.
“Você acha que ela ficaria chateada se eu terminasse com ela antes do show?” Ele disse de repente.
Tom me perguntando concelhos amorosos? Há. Hilário.
“Ela vai ficar chateada de qualquer jeito.”
“Será que ela ficaria menos triste se eu dedicasse uma música para ela?”
“Não.” Silêncio. Eu sei que eu não ficaria. “Mas talvez você ficaria.”
“Funcionou com o Dougie e com a Rebecca.” Ele comentou.
“Sim, mas foi diferente. Dougie dedicou um show para ela porque ele a amava, e não porque ele estava terminando com ela.”
“Hm. Bom show...” Tom lembrou. Ele deu um breve gemido assim que eu apertei um nó em suas costas. “Eu simplesmente não entendo mais ela. Eu não sei de mais nada. Era tudo tão maravilhoso e agora...”
Ele não terminou a frase. Queria saber arrumar ele. Queria saber fazer a dor dele parar. Mas eu não sabia como. Depois de minutos sem falar nada, eu terminei a massagem, então fiz a pergunta diária.
“Onde mais dói?”
Ele virou de barriga para cima, e me olhou nos olhos. Meu coração bateu descompassadamente, ele nunca tinha me olhado assim. Eu nunca tinha visto aqueles olhos castanhos. Ele subiu a mão até o peito e parou em cima da tatuagem dele, sob o coração.
“Aqui.” Ele murmurou.
Sem hesitar, eu pus minha mão sobre o peito dele, e o senti bater forte. Senti ele bater quebrado, senti fugir de Jerkland. Tom queria fugir da dor, como eu. E o que ele queria ouvir, é que a dor vai parar. Mas eu não podia falar que sim, porque, na realidade, é o que eu mais quero ouvir também.
“Vai ficar tudo bem.”
Ele me olhou mais profundamente, passando do impossível. Acho que ele conseguia ouvir meu coração bater, de tão forte.
“Eu realmente espero que isso seja uma promessa.”
***
Capítulo 5 – Scars
Logo estávamos naquele carro de novo. Tão chique, com banco de couro e cheiro de novo. Eu gostava daquele carro, não vou mentir.
“A Rebecca vai estar na área VIP junto com um monte de celebridades. Ok, não super celebridades, mas sei lá. Você sabe...”
Não, não sei. Mas eu estava tão empolgada que era dificil me conter. Imaginava quem estaria lá. Talvez atores das minhas novelas de segunda à tarde? Outras bandas tipo Busted? Jonas Brothers estavam em Londres, até onde eu saiba... Quem sabe a Kate Nash? Oh, céus.
“E a Giovanna vai estar lá. Então fique perto da Rebecca... Só por precaução. Ela talvez faça uma cena.”
Não mencionei antes, mas Rebecca era jogadora de rugby antes de conhecer Dougie. Não, ela não era monstruosamente forte, ou parruda, ou alta. Ela era, e ainda é, super em forma e sabia os macetes de machucar alguém em campo. E agora, eu realmente espero que ela também tenha os macetes pra machucar alguém fora do campo.
***
Multidão. Eu já expliquei que nunca estive em uma? Estranho, mas eu não me lembro de ter visto esta quantidade absurda de pessoas gritando num só lugar. Ok, eu não estava na multidão, mas via a multidão de cima, na área VIP. Idiota. Eu já expliquei que sou uma? Tem celebridades ao meu redor e eu fico olhando o mar de pessoas lá embaixo na pista, esperando o show começar.
Havia um bar no mezanino, e eu podia ver o palco inteirinho da onde eu estava apoiada. Digo, não era a toa que se chama área VIP. Eu conseguia ver os botões coloridos dos amplificadores e pessoas andando nos bastidores. A única coisa que eu não conseguia ver era a Rebecca, quem eu não conseguia achar em lugar nenhum. Eu via uma das cantoras das The Saturdays, dois VJs da MTV e alguns outros rostos conhecidos. Todos lindos e bem vestidos. Até que finalmente vi a Rebecca chegando entre a pequena população famosa.
“Sentiu minha falta?”
“Sim, quase morri.”
“O show já vai começar. Ai o Dougie me expulsou do camarim.” Ela riu. Algo me diz que só havia ela e o Dougie no camarin. “Enfim, tive que vir te salvar.”
“De que?”
“Você vai ver.”
De repente as luzes do palco mudaram e a multidão começou a gritar. Todo mundo do mezanino chegou perto da grade, onde eu já me situava há alguns minutos. Os meninos entraram pulando no palco, todos animados com “I’ll be Ok”. Depois “POV” e, minha favorita que eu ouvi no rádio, “Falling in Love”. Danny tinha uma voz maravilhosa. Foi então que eu notei que a namorada do mesmo estava ao meu lado, com um mini vestido preto e cabelos loiros volumosos impecáveis, deduzi que era a tal de Georgia que Rebecca tinha me falado. Namorada ou ex, não dava para saber, ela tinha uma cara azeda, junto com a Giovanna que estava logo ao lado dela. Giovanna tinha uma expressão vazia, como se estivesse esperando alguma coisa.
Assim que a música acabou, Danny comprimentou o público, e Tom disse logo após.
“Esta música é nova, e eu não estava planejando tocar hoje à noite, mas ela é especialmente para alguém.” Ele disse meio nervoso, evitando olhar para o mezanino.
Silêncio na multidão. Eu sabia que era pra Giovanna, mas eu queria saber o que.
I never meant the things I said
To make you cry
Can I say I'm sorry
It's hard to forget
And yes I regret
All these mistakes
I don't know why you're leaving me
But I know you must have your reasons
There's tears in your eyes
I watch as you cry
But it's getting late
Was I invading in on your secrets
Was I too close for comfort
You're pushing me out
When I wanted in
What was I just about to discover
When I got too close for comfort
Driving you home
Guess I'll never know
Remember when we scratched our names into the sand
And told me you loved me
But now that I find
That you've changed your mind
I'm lost for words
And everything I feel for you
I wrote down on one piece of paper
The one in your hand
You won't understand
How much it hurts to let you go
Was I invading in on your secrets
Was I too close for comfort
You're pushing me out
When I wanted in
What was I just about to discover
I got too close for comfort
Driving you home
Guess I'll never know
All this time you've been telling me lies
Hidden in bags that are under your eyes
And when I asked you I knew I was right
But if you turn your back on me now
When I need you most
But you chose to let me down
Won't you think about what you're about to do to me
And back down...
Was I invading in on your secrets
Was I too close for comfort
You're pushing me out
When I wanted in
What was I just about to discover
I got too close for comfort
You're pushing me out
When I'm wanting in
(Yeah yeah yeah)
What was I just about to discover
When I got too close for comfort
Driving you home
I guess I'll never know...
E, logo em seguida, não tendo pausa dramática, ou silêncio onde ele encara Giovanna, ou nada dessas coisas, 5 Colours in Her Hair começa a tocar com um solo divino do Danny. A multidão gritava de novo, e o momento foi embora tão cedo quanto veio. Não vi Giovanna ou Georgia sairem do meu lado, mas elas não estavam mais ali. Rebecca cantava 5 Colours, junto com Tom e Danny, ao meu lado.
Fácil assim. Terminar com alguém, explicar seus sentimentos. Dedicar uma música, e quando você menos esperar, it’s over. Sem cerimônias. Ele fazia parecer tão fácil.
Mas gostava disso. Sem cerimônias, digo.
O show continuou, e eu fui amando, me emocionando, e gritando junto com todos. Acho que depois de hoje, nunca vou perder um show deles. Não era a toa que o Josh amava tocar com eles. Digo, o que era aquilo?
Assim que o show acabou, outra banda, que eu nunca tinha ouvido falar, entrou no palco, e a multidão gritava e pulava. Não importa quanto você cantar, e chorar, você não se sente cansada. Espero não vir tudo depois.
Rebecca me puxou pela mão, e fomos nos emanharando pelas escadas e pessoas. Acho que ela estava me levando aos bastidores, mas eu não sei. Uma coisa que, porém, eu sei, é que há muito mais entre o Tom e a Giovanna do que sei, do que a Rebecca sabe, do que qualquer um sabe. Me pergunto o que mais tem ali, nele. O que mais ele sente, o que mais ele pensa, o mais se passa naquele coração. Mas, para descobrir, ele vai ter que saber o que se passa dentro de mim também. Isso é a coisa que eu mais temo nessa vida. Me abrir de novo. Mas eu sei que ele vai entender cada lágrima que eu derrubo, ou cada parede que eu ponho em volta de mim mesma. Eu sei que ele entende, porque ele mesmo escreveu uma música sobre isso. Assim como ele escreveu uma, ou várias músicas para Giovanna. Talvez eu o deixe entrar na minha vida. Talvez eu deva aumentar as paredes, e continuar fugindo.
Engraçada essa palavra. Talvez. Seis letras em duas sílabas. Te fazem jogar tudo pro alto e desistir de tudo; te fazem continuar em frente esperançosa; te fazem parar no tempo.
Eu só espero que ele não me machuque. Por que de cicatrizes, eu já tenho suficiente.
***
Eu nem passei perto do camarim, Rebecca já me arrastou pros fundos onde havia duas Blazers pretas esperando a gente com motorista e tudo. Eles estavam suados, elétricos e eu tenho certeza que Danny e Harry estavam bêbados. Eu não tinha idéia pra onde estávamos indo, eu apenas ri junto com as piadas e via o trânsito de noite em Londres. A movimentada, molhada e fria Londres que eu tanto amo. Não que haja algo errado com Bristol, mas aqui era diferente. Aqui era completo. Tinha tudo de absolutamente tudo. Se você não achasse em Londres, não existia.
“Então, o que achou do show, ?” Harry perguntou, já não tão bêbado. Mas com certeza ele ficaria trebado quando chegassemos na festa. Pelo menos é onde eu acho que a gente estava indo.
“Maravilhoso. Emocionante do começo ao fim. Sério mesmo.” Ele sorriu e continou a rir do Danny ao seu lado. Rebecca dirigia e Dougie estava no meio da frente, e Tom sentado na minha frente. “Hm, aonde a gente está indo?”
“Festa no telhado do prédio do Danny.” Rebecca disse, fazendo uma curva lentamente em meio de dezenas de carros a nossa volta. “Na verdade, ia ser no telhado do prédio do Tom, mas...”
Tom deu um sorriso sem graça, e Dougie logo riu da sua cara.
“Bem vindo ao paraíso dos solteiros, cara!” Ele deu tapinhas nas costas.
“Como disse?” Rebecca o deu um olhar assassino.
“Ah, Rebecca! É brincadeirinha, você sabe! Mas digo, ele namora a Giovanna desde o que? Os doze?”
“Dezesseis.” Tom o corrigiu. “Mas...”
“Vocês tem tanta história juntos, vocês passaram por tantas coisas ruins que os deixaram mais perto, e de repente é como se ela tivesse mudado. Mas você se diz por muito tempo que ainda a ama, e que ela te ama também. Mas isso não muda o fato que ela virou completamente outra e não te deixa conhecer essa nova pessoa. Você fica se perguntando se você a ama, ou as memórias que vocês tem. Aí você termina tudo, mas meio que se arrepende, pois não deu a chance dela mudar de volta ou apenas se mostrar, mas vocês passaram tanto tempo juntos e isso é um problema tão antigo, que você se pergunta se realmente vale a pena.” Eu disse numa respiração só. “Porque todo mundo muda, mas, estranhamente, você se encontra no mesmo lugar.”
O carro ficou em silêncio. Eu me arrependi imediatamente de ter dito isso. Digo, eu nem sei se é verdade, eu apenas julguei. O pouco que eu sabia dessa história, isso parecia a continuação mais óbvia. E mais tosca também, a vida não é tão clichê assim. Eu esperava Tom desconcordar e ficar bravo comigo. Ou apenas mudar de assunto.
“Como você sabe?” Ele disse me olhando pelo espelho retrovisor. Eu dei de ombros, um tanto chocada por ter acertado. Céus, minha vida é tão tosca e clichê.
“Aconteceu comigo.”
Capítulo 6 – Remember me
Assim que chegamos ao telhado, eu tinha essa coisa no meu estômago. Eu não sabia exatamente o que era, mas não sentia certo. E toda vez que me lembrava de Tom sorrindo, me faltava ar. Como eu disse, eu acho que sou claustrofóbica perto dele ou dos pensamentos dele. O lugar tinha chão de madeira, vasos com lindas árvores e arbustos e luzes brancas de Natal penduradas por todo lugar. Havia um bar, e um DJ. Eu não via banheiro em nenhum lugar por perto, mas provavelmente havia algum, pois os meninos haviam se trocado: de roupa confortável e suada de show pra... Oh, meu santo Agostinho da Cantuaria! Que coisas mais sexys e gostosas esculpidas pelos DEUSES eram AQUILO? Meu olhos so focaram em um deles, de jeans escuro surrado, camisa xadrez semi aberta, deixando uma das pontas da estrela aparecer. E, claro, aquele cabelo loiro e macio de propaganda de shampoo. E aquele sorriso que fazia borboletas voarem pela minha barriga. E o que RAIOS ele está fazendo?!
Aquilo, senhores e senhoras, era Tom Flecher. VINDO. NA. MINHA. DIREÇÃO. Eu olhei para os lados, procurando qualquer coisa que disfarçasse minha babação por ele, e que me faça parecer menos idiota, não-importante, deslocada e sozinha naquela festa de celebridades.
“Sabe do que eu preciso?” Ele disse sorrindo. Ele parecia genuinamente mais aliviado. Como ele consegue?
“Uma massagem?” Eu perguntei sorrindo de volta, mas logo parei ao pensar que meu sorriso nunca vai ser tão radiante quanto o dele.
Ele colocou as mãos no bolso, andando até a beira do prédio e indicou com a cabeça para segui-lo. Estava pensando, se borboletas ficassem nervosas, elas sentiriam pessoas no estômago?
Eu agora sei por que eu tinha borboletas no estômago: altura. E eu abomino altura. Nós estávamos há, pelo menos, 15 andares do chão, e lá em baixo se via carros de formigas passando ligeiras nas ruas, e um mar de prédios a nossa volta. Uma brisa gelada corria entre os vãos dos prédios, junto com os carros.
“Eu preciso de um favor seu.” Ele murmurou ao meu lado. Estávamos na beirada do prédio, e suas mãos se apoiavam na mureta. Eu não respondi, ao invés disso, o deixei continuar. “Eu quero esquecer tudo hoje à noite. Giovanna, todo aquele drama, toda aquela dor, confusão, frustração e mentiras e lágrimas.”
Eu ri, irônica.
“Não funciona assim, Tom. Ninguém tem o botão ‘deletar’ memórias, acredite.” Silêncio na cidade luminosa. Exceto no resto do mundo, onde outras vidas dançavam, junto com a música na festa logo ao nosso lado. Eu continuei, um tanto revoltada. “Você tem que encarar as consequências amanhã.”
“Ah, eu sei.” Ele disse olhando para mim, tão confiante, mas eu olhava para a cidade aos nossos pés. “Mas não foi isso que eu disse. Eu sei que temos que encarar as consequências. Mas isso é amanhã. Eu estava falando de hoje à noite, de agora. Esquecer de tudo. Quero que você esqueça tudo também. Hoje eu quero esquecer o ontem e não me preocupar com o amanhã.” Meu coração parou, e ele continou, olhando nos meus olhos que agora não desgrudavam dos dele. “Hoje eu só quero lembrar de você.” Ele chegou mais perto, seus olhos perigosamente perto dos meus. “Você pode lembrar só de mim hoje?”
***
Antes mesmo de pular nos lábios do Tom, gritando mentalmente que sim, eu me lembraria dele hoje, amanhã e no dia depois, o momento acabou. Eu ouvi passos de salto alto virem em nossa direção remota. Uma figura de cabelos encaracolados castanhos e uma cara de raiva expressada em seus lábios comprimidos, olhos tristes e sombrancelhas juntas. Ela me ignorou totalmente, como de costume, e já começou a cuspir as palavras tão rápido que foi difícil de distinguir que língua que ela estava falando.
“Você tem que encarar o fato que eu não tenho mais quinze anos, e que a gente não deita no capô do carro em algum fim de mundo e sonha acordado! Você tem que entender que eu não sou mais aquela menina, eu sou uma mulher! MAS É LÓGICO que eu cresci, LÓGICO que eu mudei!”
“Sim, Giovanna, mas...” Ele começou, mas ela o interrompeu, falando mais alto ainda. Consegui ver alguns olhares sendo lançados em nossa direção.
“Mas? Mas o que, Thomas? E tudo que a gente construiu junto? Você vai largar assim? Você não acredita quando eu digo que eu te amo? Eu posso ter mudado, mas o que eu sinto cresceu junto comigo!”
Eu sentia que não fazia parte daquilo. Não fazia parte daquela cena, daquela história, daquela vida. Eu não estava nem ali.
“Não, Giovanna, não começa...” Ele suspirou nervoso, jogando a cabeça pro lado, dando passos para longe dela. “A gente já discutiu isso milhões de vezes!”
“E por você eu vou discutir quantas vezes for preciso!” Vi lágrimas descerem por suas bochechas redondas. Eu não era parte da vida do Tom. O que ele disse 30 segundos atrás foi me faz esquecer da minha ex.
“Escuta...” Ele a pegou pelos ombros e abaixou a cabeça para ficar de nível com os dela. “As pessoas mudam pra gente poder deixá-las ir. Agora vá, Giovanna, por favor.”
Ela soltou um soluço que quebrou meu coração em pedaços. Ela me fuzilou com o olhar e fez meu estômago encolher.
“É ela, não é? Massagista PORRA nenhuma, ela deve ser OUTRA COISA, QUE EU SEI!” Ela apontou o dedo para mim. É impressão minha ou eu REALMENTE tenho cara de prostituta?
“Ela não tem NADA haver com isso.” Exato, eu não fazia parte daquilo tudo. Não importa o quanto eu queria. “Isso é entre eu e você. Você mudou, Giovanna, e eu estou te deixando ir.”
Eu conseguia ver Georgia olhando a cena de uma certa distância junto com uma mulher alta e morena, de cabelos curtos. As duas cochichavam atrás de suas bebidas e depois lançavam olhares assassinos para mim. O único olhar amigo que eu precisava era o da Rebecca, que não estava em nenhum lugar a ser visto.
“Mas você não mudou, Tom. Como eu vou deixar você ir?”
***
Did the best that I could
Said I’d die for you
And I would
But I drowned all those feelings in the flood
Eu não sei o que aconteceu com a Giovanna, com o Tom ou a Rebecca. Eu só tinha que sair dali. Eu tinha que sair do topo do mundo e voltar para onde eu pertenço, lá em baixo, em Londres.
Eu nunca corri tanto na minha vida, por aquelas ruas escuras de Londres. Eu não sabia exatamente do que eu estava correndo, mas eu só queria chegar em casa, e dormir. Dormir até amanhã e lembrar disso como um sonho. Ou pesadelo, não sei exatamente. Eu não sei como eu consegui ser tão estúpida ao ponto de pensar que Tom me queria com intenções verdadeiras.
Need to know
If you are there
If you are listening to my prayers
To my tears feel like raindrops through the mud
How was I to know that a year ago
I needed to read between the lies
Eu também eu não sei porque eu fico tao assim, sentida com a história dele com a Giovanna. Digo, eles parecem eu e o . Só que a Giovanna não morre, graças a Deus. Talvez seja o medo de assumir que Tom é igual a mim, mais do que eu queria, até. Eu não sei, eu não sei.
And every time
I fall asleep my dreams are haunted
And every time I close my eyes I’m not alone
And every time I cry I’m right back where you wanted
I try to drain you out
So down goes another one
Down goes another one
Down goes another one
Chegando em casa, eu abri a porta de um apartamento vazio. Lembrei que Josh estava na casa da minha tia. Pensei em ligar para ele, só escutar sua voz, mas já eram duas da manhã e preferi não incomodar.
Eu caí na cama, esperando as lágrimas virem. Nada.
Living fast, dying young
But I’m living with what you’ve done
Out of face, accusations, I will run
No.
No escuro, a qualquer momento, o fantasma do ia aparecer nos meus sonhos e falar que me ama. Que me quer. Que precisa de mim. Que nunca vai me deixar. Mas hoje ele não veio.
I’ve started to remember things that you said
I’m unravelling what they meant
But the world moves one, you’re just another one
And how can I go on, ‘cause when I’m in the sun
I see your shadow on the ground
But you’re never there
When I turn around
Eu choro, rezando para ele parar de vir. Eu quero que ele pare de tormentar e ir embora de uma vez, não importa o quanto eu sinta falta dele, da voz dele, do cheiro e do toque. Da sua risada e dos seus abraços. Da sua paixão por tudo que fazia, e do jeito encantador que ele contava histórias.
And every time
I fall asleep my dreams are haunted
And every time I close my eyes I’m not alone
And every time I cry I’m right back where you wanted
I try to drain you out
So down goes another one
Down goes another one
Down goes another one
E como eu vou poder gostar de qualquer cara, se eu ainda sonho com meu ex que está morto? Se o único jeito de fazê-lo ir embora da minha cabeça era acabar com meus olhos de tanto chorar? Era uma ilusão.
How can I go on, ‘cause when I’m in the sun
I see your shadow on the ground
But you’re never there
When I turn around
Pelo menos era o que eu achava, até achar o Tom. Porque ele escreveu Down Goes Another One, que descreve extamente o que eu sinto, portanto eu acreditei que ele entenderia.
And every time
I fall asleep my dreams are haunted
And every time I close my eyes I’m not alone
And every time I cry I’m right back where you wanted
I try to drain you out
So down goes another one
Down goes another one
Down goes another one
Mas tudo o que ele faz, desde dormir na minha casa, pedir sessões exclusivas de massagem ou lembrar ele por uma noite, soa como se ele estivesse me usando para esquecer a ex. E isso é errado, eu não sou um brinquedo ou um aparelho que pode ser usado e depois descartado.
Down goes another one
Down goes another one
Eu não usei ninguém para esquecer o . Mas, também, talvez seja por isso que eu não me esqueci dele até hoje.
Down goes another one
Down goes another one...
Eu jurava que Tom entenderia, mas agora eu não tenho tanta certeza.
Eu pulei de susto quando a campanhia tocou. Quem seria batendo na minha porta às duas e quarenta e cinco da manhã? Joshua? Será que ele foi pra alguma festa com o Derek e se meteu em confusão? Será que ele está bem? Eu corri as escadas e me atirei na porta, abrindo-a.
Mas eu não encontrei Josh, ou Tom. Ou Giovanna, muito menos Rebecca. Senti meu queixo cair.
“Georgia?”
***
Continua…
Nota da Autora: SOCORR TEM UM GRINCH NA MINHA PORTA -q. AAAAAI TOM QUE PUTA FALTA DE SACANAGEM D: Ta, parei. (me deixei surtar okay?)
PERDAO PELA DEMORA, é que essa escola acha que eu nao tenho vida :(
Mas enfim, espero que gostem riri.
xoxo
Lady Lala
Outras Fictions:
Playing God (McFly)
Too Late For Love (Supernatural)
Série Jerkland:
Cada Jerkland é dedicada a um McGuy, assim como essa foi dedicada ao Tom. Portanto a talvez apareça com outro nome (Jéssica Miller) se mencionada nas outras 3 fictions.
Jerkland 1 - Husky Girl
Jerkland 2 - Nothing is as it Seems
Jerkland 3 - Give up Baby
Nota da Beta: EU NÃO ACREDITO NISSO! Como você pára em uma parte assim, Lala?! Vamos lá, me ajudem a chantagear ela por nos deixar curiosas desse jeito, hihi!
Qualquer erro que você encontrou, mande um e-mail diretamente para mim. Obrigada, Thai.