Capítulo um
De volta pra casa.

Fim das férias. Acordei, fui ao banheiro, já que era um quarto com suíte, lavei meu rosto e me olhei no espelho. Voltei ao meu quarto e fui até a varanda que tinha lá e que, a propósito, encantava com uma vista linda que eu tinha lá e me deixava olhando pra uma fonte, onde muitas vezes passei horas, olhando-a, pensando na minha vida.
- É, , último dia na Espanha. Hora de dar adeus à titia e – fiz uma careta inesperada- voltar pra casa, aturar seu irmão idiota que você infelizmente não vive sem e os amiguinhos dele mais idiota ainda; ‘ta, exceto o , que é outro irmão pra você. – passei as mãos nos braços pra espantar a frieza e adeus, Espanha. Em breve nos vemos.
Tomei um banho, arrumei minhas malas e já desci pronta, afinal, a hora do vôo já estava chegando. Tomei meu café, quer dizer, na verdade eu tentei. Não conseguia nem mastigar, engolia tudo de vez; não via a hora de ficar com algo preso na garganta. Minha tia não parava de me chamar, de me mandar correr. Nossa, que mulher mais louca, eu nunca tinha visto igual na vida. Despedi-me de todos. Nossa, como tinha gente pra falar; primos, tios, caseiro, empregados, mas todos, todos, sem exceção nenhuma, trataram-me super bem. Entrei no táxi e, bom, adeus, Espanha.
- Inglaterra, aí vou eu. – sorri para o taxista – Podemos ir.
Quando entrei no avião, senti o celular vibrar.
- Quem pode ser? – olhei - É mensagem. “Volte logo, sua bitch. A Inglaterra não é a mesma sem você”. – comecei a rir. Quem que aquela vaca pensa que é pra me chamar de vadia? Ok, ela é uma das minhas melhores amigas.

Entrei em casa – família, eu cheguei –, olhei pra frente, pros lados – ué ninguém? Nossa, viu como você é querida? – comecei a escutar as vozes dos meninos. Sabem, os idiotas amigos do meu irmão. Fui subindo devagar até chegar à porta do quarto do meu irmão que estava com os amigos , e.
- Puta que pariu, velho, ainda não acredito que peguei a Kate. Gata demais, velho. – gloriava-se o .
Vi quando o deu um tapinha na cabeça do
– Qual é, mané? Eu peguei a Jenny, que vamos combinar, é bem gostosa e aquele peitos dela...
pegou um prato que tinha por perto, já que eles estavam comendo sanduíches, e colocou debaixo da boca do .
– Do jeito que ele ‘ta babando, vamos morrer afogados. - falou o idiota do . Já mencionei que o odeio? Pois é, eu não suporto o , que isso fique bem claro.
deu um tapa na mão do. Adoro quando alguém bate nele.
– Não vi graça nenhuma, seu otário.
- Vocês ficam babando. Gente, são apenas mulheres e elas foram feitas pra isso, pra serem pegas, fazermos o que der vontade e depois... Bom, depois a gente deixa pra outro otário pegar.
- Canalha – bufei baixo. É assim? Um dia ele vai se arrepender de ter dito isso.
Hey , não é hoje que a metidinha da sua irmã chega? – perguntou, fazendo uma careta. E ,isso por acaso é da conta dele? E desde quando ele tem o direito de me chamar de metida?
- Eita, caralho. É mesmo. – deu uma tapa na própria cabeça. Às vezes acho que meu irmão é meio retardado - Eu tenho que ir buscá-la no aeroporto!
Foi na hora que eu resolvi fazer minha entrada triunfal.
– Não precisa, seus imbecis, já estou aqui. – mostrei a língua pros quatro, até pro . Poxa, ele me esqueceu - Ah , pode levar minhas malas pro quarto, – eu já estava de saída quando dei meia voltar e... – a propósito, onde ‘ta a mamãe?
- A mamãe foi pra Itáliam a vovó ‘ta doente. Daí, ela foi pra lá cuidar dela. Vai passar mais ou menos um mês.
- Uau . Você realmente é informada de tudo! Mas bem, leve as minhas malas. – mandei um beijo pro e fui pro meu quarto que fica no fim do corredor. Sério, ‘to morta. Minha mãe na Itália e esses meninos vão viver enfiados aqui em casa; não que eles já não vivessem, mas acho que agora eles podem até pensar em se mudar pra cá. Pensei, balancei a cabeça pra acordar do transe e entrei no meu quarto.
Já no quarto do :
- Ela não mudou nada, continua a mesma metidinha. Desculpa, cara, que é a sua irmã, mas não agüento. – reclamou .
- Você que é um chato. Ela não é metida, é uma princesinha, é diferente. Você não a conhece. – defendeu o .
- Cara, você é louco? Quase há 10 anos que venho aqui e ela nunca mudou. Sempre foi assim. Já nasceu assim mandona, esnobe. – respondeu ao a ponto de explodir.
- E você, , o que acha da minha irmã? Já que ‘ta todo mundo se abrindo aqui? – perguntou o .
sem graça.
- Para ser sincero, velho, às vezes eu penso que ela nem sabe que eu existo.
retrucou.
- Sorte a tua, dude.
levantou.
– Bom, agora vamos pegar as malas da lady ou vocês acham que eu vou carregar sozinho? bufando de raiva.
– Não vou carregar nada.
- Cala a boca, dude. Anda, vamos todos carregar malas – falou o .
Eu estava no quarto e já tinha ligado pra minha melhor amiga, a . Deitei na cama e acabei pegando no sono. Os meninos entraram calmamente e puseram as malas no cantinho. Sei disso porque quando acordei, elas estavam lá. ‘Ta, reconheço que quando eles querem, são agradáveis.
- Eu vou ficar aqui e falar com ela – reconheci ser a voz do , mas eu ‘tava com muita preguiça de acordar; ainda mais sentindo-o alisar meu braços - Acorda.
Abri os meus olhos devagar, passando as mãos neles. Olhei pro e sorri. Era tão fácil sorrir pra ele
- Oi amor.
Deitei a cabeça nas pernas do
– Senti tua falta sabia? ‘Ta, tem vários meninos na Espanha, cada um mais lindo que o outro. Fiquei com alguns, mas nenhum é meu segundo irmão e amigo de confiança como você, .
- Senti falta de todos, até do ; quer dizer, até do idiota do , mas bom, eu estou de volta, baby. – pisquei pro e fiquei sorrindo. Era incrível a capacidade que ele tinha me deixar calma – Mas bom, a viagem foi cansativa e o mocinho já pode ir se retirando. – comecei a empurrar o , mas ele ficou se segurando só pra me provocar.
– Ah vamos dormir juntinhos.
- Uii, proposta tentadora, maaaas, não. Pode ir saindo.
Bom, o venceu. Não, ele não deitou na cama comigo, mas me puxou e me fez levantar. Foi bom porque desci pra beber água. ‘Tava com tanta sede, mas estava com mais preguiça ainda. Enquanto ‘tava na cozinha, deu pra escutar uma conversa sem importância do com o .
- ‘Ta fazendo o que aí sozinho?
- Esperando lady se arrumar pra gente sair, ué. Hoje é sábado, esqueceu? Dia que pegar um, duas, três, bom... Dia de sair pra caçar.
- Então se divirtam porque eu não vou.
- Como assim não vai? ‘Ta doente, cara?
Vi quando o passou a mão no cabelo, colocando-o pra trás.
- ‘To só com dor de cabeça e cansado. Avisa aí pros caras que eu já fui. – deu um aperto de mão e uma tapinha na cabeça do .
- Eeeeei, eu aviso, seu mané. É até melhor porque sobra mais mulher pra gente. - deu um risinho amarelo e saiu.

Capítulo dois
Fake.

Acordei, desci as escadas dei de cara com o , o e o bêbados, jogados no chão da sala.
- Pleno domingo, eu acordo e dou de cara com isso. Vou tomar minha água que é melhor. – olhei pros meninos e dei um risinho. Eu sou um anjo, eu sei.
- Vem gostosa, vem – eu ‘tava observando o tatear o ar e confesso que foi bem hilário ver aquilo.
- Eca, , você não precisa presenciar isso .– peguei a garrafa que ‘tava na mão e joguei água sobre os três, nem o escapou. Comecei a rir quase sem forçar pra subir as escadas, correndo antes que um dele se levantasse pra descontar.
- , volte aqui ou eu te deserdo!
- Eu sou sua irmã e não sua filha pra você me deserdar, mané!
- Então você está despedida do cargo de irmã!
- Eu não tenho essa sorte. Assim, eu não teria que agüentar você e seus amigos idiotas. - Hey até eu? – protestou .
- Não, , você é exceção, Ah sim, amores, arrumem-se que a vam aí. – mal terminei de falar e a campainha tocou – É ela. , amor, abre aí que eu vou me trocar.
- Sim, senhora. – acredito que ele abriu a porta. Deixei a porta do meu quarto aberta e pude ouvir mais ou menos o que se passava lá embaixo.
– Oi , a foi se trocar e... - do jeito que conheço a , acredito que ela deu um empurrão nele.
– Sai daí, , até parece que eu não conheço vocês e nem a casa.
- Ué, cadê a outra loira?
- Que loira? – perguntou confuso.
- O , claro, quem mais seria?
- Ah, ‘ta, ele não quis sair ontem. Deve ‘ta em casa dormindo.
A subiu, deixando os bêbados na sala e fingindo que não escutava a conversa deles. Porque se eu que ‘tava no meu quarto escutei, é óbvio que ela escutou.
- Até que a é bem gostosinha. – baba o .
- Ih, qual é, ? Que nojo. – reclamou o .
- Nojo por que, dude? Tem nojo de mulher agora?
- Não, né, cara! Mas essa daí é quase nossa irmã!
- Bom, eu só tenho uma irmã e se chama , já o resto... É mulher? Vamos cair pra dentro, dude. – ouvi uma risada abafada do . Deve ter posto a mão ou a almofada no rosto; ele tem essa mania idiota.
- Bom, como nenhuma delas é minha irmã, eu ‘to livre.
- Toca na e eu te mato. – falou num tom bravo
- Toca na e nós te matamos. – falou no mesmo que tom que o . Olha só, tenho defensores! Sorri no quarto.
- ‘Ta bom, qualquer uma menos a . ‘Ta bom pra vocês?
- Melhorou. – falaram os dois ao mesmo tempo.

- E aí, , muitos gatinhos lá? – perguntou, deitando-se ou melhor, jogando-se na minha cama, agarrando uma almofada que eu tenho de coração. Ganhei de um ex meu que eu o odeio. Eu amo o cheirinho da minha almofada e ela tem o cheirinho dele.
- Até tinha, menina. Fiquei com alguns lá, mas vocês sabem que na verdade quero um cara que me entenda, sabe? Que me aceite. Se bem que eu também não iria me amarrar num carinha de outro país, mas pra pegar eles são bons. – fiquei um tempo parada, olhando pro espelho, penteando-me. Na verdade, minha cabeça estava nas nuvens.
- Ah, mas pelo menos ‘ta melhor do que aqui, né? Eu cheguei e já dei de cara com três bêbados jogados na tua sala.
- Três, ? – perguntei, mas depois me lembrei da conversa do e do de ontem e também me lembrei de que ele não ‘tava aqui quando dei um banho nos meninos.
pegou meu notebook. Na verdade, eu nem ligo. Ela tem todas as minhas senhas e sabe de tudo; não tenho nada pra esconder dela.
– Styx? Ah não, . Você com 16 anos e no fake?
- Ah, deixa aí, . Eu fiz pra passar o tempo na Espanha. Já que eu só saía à noite, no resto do dia ficava na net. Daí fiz uns amigos legais e o deixei aí.
- Amigos, sei. Ou namorado, gente, olha isso: “Ah minha Styx linda, faz mais ou menos um mês que a gente se conheceu e você já se tornou parte da minha vida. Eu fico aqui, imaginando como deve ser cada sorriso teu, teu olhar, teu cheiro. Pra mim, você é perfeita, é a única que eu posso dizer verdadeiramente que amo. Sei que isso é fake, mas o que sinto por você é verdadeiro. Não posso te ver que meu coração acelera, sinto que a qualquer momento, ele pode sair pela boca. E você... Você é tão carinhosa, tão atenciosa e me faz tão bem. Ah minha Styx, eu te amo, eu te quero, eu te desejo como nunca amei, quis, ou desejei alguém na minha vida. Saiba que o Sony aqui é só teu. EU TE AMO!!”. Uau, Sonyzinho apaixonado, hein ? De onde ele é? Tem que idade? É gostoso?
- Ai, é fake, eu não sei, Mas vem cá, tem isso aí mesmo, é?
- Tem sim, é um depoimento aceito?
- Não, quer dizer, eu quero ler antes. Passe-me aí esse notebook. – estendi as mãos pra pra pegar meu notebook. Acho que fiquei com um sorriso bobo no olhar, mas acontece que me senti tão bem lendo aquilo... Como posso dizer? Senti-me amada. Acho que até esqueci que a ‘tava no quarto comigo.
- Eu te amo, sonyzinho, – falei num sussurro. Lembrei que não estava sozinha, balancei a cabeça, voltando da viagem e dei uma olhada pra minha amiga.
– Que foi? – perguntei meio que sem entender a expressão dela.
- O que foi, ? – ela me perguntou – O que foi que você ficou aí toda idiota, olhando pra esse computador. “Ai sonyzinho, eu te amo”. – falou, fazendo uma voz engraçada.
- Eu não fiz isso, !
- Ah, fez sim. – ela me falou chateada.
- Amiga, você tem que entender que o Sony me fez bem enquanto eu ‘tava na Espanha. Ele me entendia, sabe? Parecia até que... Até que ele me conhecia. Sei lá, ele é tão perfeito...
- , você não sabe nem como ele é. Vai que ele é um vovô pedófilo, tarado por gostosas e quer te pegar?
- Mas ele também não sabe como eu sou! E quer saber, ? Já deu. Vou por um biquíni, ir pra piscina enquanto tem sol aqui, mas antes, deixa fazer isso aqui. – aceitei o depoimento do Sony e sorri idiota pro computador como se ele pudesse me ver. Levantei-me e vesti meu biquíni. É claro que antes de sair do quarto, dei uma última olhada pra tela do computador.
- Minha pequena, você está aí?
- Ain. – falei, mordendo o lábio inferior – Amiga, vai na frente que já vou indo. Estou, sim, meu ursinho. Quer dizer, estava; vou pra piscina agora e depois dar uma saidinha. Sabe como é, último dia de aula. Mas entra à noite que a gente conversa. Pelo menos um boa noite antes de dormir faço questão de te dar. Ah só pra não perder o costume: EU TE AMO. – mandei o recado e saí correndo atrás da que já me esperava impaciente no corredor. Confesso que se pudesse, levava o notebook comigo. Mas se fizesse isso, ela seria capaz de me matar.
- Vamos? – falou a com cara de pouco amigos.
- Vamos, vamos.

Duas garotas lindas de biquíni e três bêbados jogados nos sofás. Eu fui descendo e a foi me seguindo.
- Aí, . Você abriu um aeroporto? Só estou vendo avião. – o disse, babando.
No momento em que eu passava pelo , fui puxada pro colo dele.
– É, , mas essa aqui é jatinho particular. – falou, segurando a minha coxa. Na verdade, esse tipo de liberdade era bem comum entre eu e o .
- É propriedade minha. – o falou, puxando-me pro colo dele. Já que ele ‘tava do lado do , isso foi fácil. ‘Ta, confesso que eu e meu irmão nos damos bem.
- Calma, gente, tem menina pra todo mundo aqui, – olhei pros meninos e não acreditei que eles estavam ficando excitados. Meu Deus, o que é isso? – menos pra vocês. – bati no queixo do pra ver se ele fechava a boca. – Vamos, . – chamei-a com a mão. Quando estava na porta de casa, dei de cara com o . Por que justo ele pra estragar o meu domingo?
- Só era o que me faltava.
- Só era o que me faltava, sua patricinha fútil.
- Sou melhor que você, seu mendigo.
- Melhor em quê? Em sair com os jogadores? Em DAR pra eles? Realmente, você é bem melhor que eu nisso.
- Seu... – não acredito que fiquei sem respostas diante desse imbecil. Cara, como senti ódio de mim. – Viu como ele é idiota?
- Mas vamos combinar que ele ‘tava quieto você que começou.
- Qual é, ? Vai defender o agora? Corre atrás dele então, ele é um perfeito idiota.
- ‘Ta, amiga, esquece o que eu falei.
- Mas aí, vamos sair à noite? – ela perguntou animada.
- Só se for pra voltar às oito.
- Por que isso, ?
- Por que amanhã é o primeiro dia de aula e eu tenho que ter meu sono de beleza pra chegar lá com a pele perfeita e as novatas perceberem quem reina naquele colégio.
- Bem que eu poderia dormir aqui com você, .
- NÃO! Quer dizer, não dá, amiga. Minha mãe não ‘ta, não é legal, só depois que eu falar com ela, ok?
- Ok. – ela falou com certo tom de desânimo na voz.
- Ain, amiga. Ânimo! – falei, tentando animá-la.
Enquanto isso na sala:
- Dude, o que foi aquilo na porta? – perguntou incrédulo.
- A estúpida da que fica me provocando. Só disse uma verdade e ela engoliu a língua dela.
- O que você falou pra minha irmã?
- Nada demais, já disse que falei apenas uma verdade.
- Então vamos sair à noite? – disse , parecendo uma criança jogada no sofá, jogando a almofada pro alto e segurando.
- Claro que vamos. Último dia antes de voltar pro inferno. Mas mudando de assunto, como serão as novatas? Afinal, é último ano, temos que apavorar. – falou , pondo-se de pé – Bom, vou comer algo. Se quiserem também, sigam-me. – rumam direto pra cozinha.

- Amiga, você pretende levar aquele fake a sério?
- Não sei, . Por quê?
- Vai que descobrem que a rainha do colégio tem fake? Vão te zoar pro resto da vida.
- Ah que se fodam, a vida é minha, o pc é meu, a internet também, faço o que eu quero e no momento quero me arrumar que já ‘ta tarde. Vamos ao shopping almoçar e dar um volta que eu quero descansar.
- Sim, senhora!
- Sabia que você me entenderia.

Capítulo três
Boa noite.

- E então, como estamos? – eu estava como uma porca jogada no sofá, vendo TV quando fui surpreendia pelo e pelo .
- Uh la lá, uns gatões. Se não fossem meus irmãos, eu faria questão de pegar. – mordi o lábio pra provocar.
- Mas eu não sou seu irmão, gata. – falou, aproximando-se.
- Mas é como se fosse. – falei e dei um tapa da bunda do
– Agora, seus vagabundos, dêem-me um beijo e saiam. - me deu um selinho. Eu já disse que temos esse tipo de liberdade, né? E eu sorri pra ele.
– Bobo, não perca a chance.
- Vocês são irmãos. Isso é nojento.
- Idiota só você que é meu irmão.
- Mas é que vocês falam tanto que são irmãos que eu acabo acreditando.
Olhei incrédula pro . – Vem me dar meu beijo e vaza, – ele me beijou no rosto, lógico, e deu um tapa na bunda dele; só pra ele não ficar com inveja do , sabe.
– Cuidado, não peguem barangas e voltem cedo porque amanhã tem aula. E não bebam muito.
- Mas alguma coisa, mamãe? – falou o , fazendo voz de criança.
- Não que eu lembre. Agora vão embora. – mandei beijo pros dois no ar. Olhei a hora nervosa. - 19:30. Eu marquei às 20:00 com ele. Por que será que eu ‘to assim? Não posso estar apaixonada por ele, ele é de mentira, ele não existe, mas é tão doce, tão meigo, conhece-me tão bem. Não é como os idiotas desses meninos que eu conheço. Tem 18 anos, a idade do , e é tão mais maduro – deitei novamente no sofá , zapeando os canais da televisão – 19:45. Será que ele fica assim como eu? Ai, vou subir. Se ele estiver ansioso, já deve estar lá. – subi pro quarto, correndo com uma felicidade de dar inveja a qualquer pessoa. Joguei-me na cama, abri o notebook e ele já ‘tava lá.
- Sei que isso é gay, mas fiquei ansioso pra falar com você. Já estou aqui te esperando. - Acredito que meus olhos brilharam como dois diamantes, o coração acelerou a respiração e ficou mais forte.
- Calma, , calma. – falei baixinho pra mim mesma e logo comecei a digitar – Oi ursinho, ficou ansioso? Que lindo e não é nada de gay, ok? Enfim, estou aqui!
- Entra no msn, amor?
- ‘Ta bom, ‘to entrando!

Entrei no msn mais que rápido. Eu ‘tava louca pra falar com ele.
- Ursinho, ursinho, cheguei.
- Que bom, minha pequena, mas me conte, como foi o seu dia?
- Ah ursinho, foi legal. Voltei de viagem, cheguei a casa ontem. O imbecil do meu irmão não foi me buscar no aeroporto porque ele estava muito ocupado conversando com os amiguinhos dele. Então cheguei a casa e descobri que minha mãe viajou.
- Mas tem aquele amigo que você não gosta, não é?
- Tem, sim, mas só esbarro nele às vezes. Ainda bem
- E tem o que você gosta?
- Tem, sim , ele vai ficar aqui enquanto minha mãe viaja. Ela confia nele, sabe?
- Uhun, sei, mas e depois, o que você fez?
- Então, hoje acordei e estavam os três jogados bêbados no chão, menos o idiota que não gosto. Minha amiga veio e fomos pra piscina, mas ainda esbarrei naquele idiota que só fala merda.

Ele sumiu, comecei a ficar preocupada. Falei algo errado? Meu Deus, o que eu fiz?
- Ursinho?
- Oi pequena, voltei. Minha mãe tinha me chamado.
- Ah ‘ta, ‘ta explicado. Mas e você, o que fez de bom hoje?
- A única coisa boa de hoje eu ‘to fazendo agora, que é falar com você!
- Pára, seu bobo.
- Falar a verdade faz mal?
- Falando em falar a verdade, aquele depoimento é de verdade?
- Aquilo não é 1/3 da verdade, você me faz bem. Esse teu jeito de menina, tem horas que já parece mulher. Você me enfeitiça, isso é verdade. Fico louco se não te tiver por perto. Às vezes, chego até a sonhar que estou com você.
- ‘Ta me fazendo ficar sem graça.
- Queria muito poder te ver sem graça.
- Queria nada, fico parecendo um pimentão.
- Oun, ainda fica vermelhinha? Queria muito ver isso.
- Você é um idiota, sabia?
- Só porque sei apreciar a beleza da vida, Styx? Como você é má, garota – risos.
- Não, é porque você fica me provocando, fazendo-me ficar corada e isso não é legal.
- ‘Ta bom, meu amor, parei.
- Seu amor?
- Claro, Styx. Você é só minha e de mais ninguém. Não te divido, ok?
- Onde que tem escrito que eu sou só sua?
- Em todos os lugares.
- Prova!
- Quer namorar comigo e ser só minha?
- Quero!
- ‘Ta vendo? Você é minha, só minha, apenas minha, Styx.
- Só sua, meu Sonyzinho persistente. Caralho, olha a hora, já passamos duas horas aqui. Então, MEU amor, MEU Sonyzinho, vou ter que sair porque preciso descansar minha pele pra amanhã. :p.
- ‘Ta bom, meu amor. Dorme com os anjos e sonha comigo, quem sabe um dia você não dorme comigo e sonha com os anjos?
- Oun, que lindo, amor. –
ela falou com os olhos cheios de lágrimas – Dorme bem, ursinho, e cuidado com o que sonha.
- Pode deixar, amor. Ah, você disse que ia entrar nem que fosse pra me dizer uma coisa que você ainda não disse.
- Foi? Ah, foi. Boa noite, meu amor.
- Boa noite, minha pequena.

Fechei o msn e o notebook com uma vontade imensa de deixá-los abertos e passar a noite toda lá. Ele realmente me faz bem, não é como os meninos com que eu costumo ficar. Ele tem algo diferente, é especial, entende-me, faz questão de saber como eu estou e ‘ta começando a me fazer suspirar como nunca suspirei por nenhum menino.

- Dude, o que ‘ta acontecendo contigo? Virou gay e desistiu de sair com a gente com medo de não resistir? – escutei a voz do e levantei pra ver o que era. Era só ele no celular.
- O que foi? – perguntei ao .
- Nada, só o .
- O que aquele idiota fez?
- O que ele não fez, na verdade. Dois dias que ele não sai com a gente e não diz o por quê. O acha que se ele ‘ta com algum problema, deve contar a gente.
- Nossa, será que ele criou maturidade e percebeu que andar com vocês não tem futuro?
- Nossa, maninha, valeu.
- Precisando, estou às ordens, gatinho – eu disse, piscando pro .
- , AMANHà A GENTE CONVERSA. – desligou o celular com muita raiva.
- Calma, , é só o . Eu mesma não sinto nenhuma falta dele.
- , não enche, você sabe que o é um dos meus melhores amigos. Se tem algo acontecendo com ele, ele tinha que nos contar.
- Eu te entendo, meu chuchu. – dei um beijo no meu irmão e o abracei – Tentem conversar com ele na calma, talvez resolva. Agora vou dormir. Kisses, my babys.
Entrei no quarto, joguei-me na cama e comecei a pensar na minha conversa com o Sony.
- Como ele pode ser tão perfeito? Ele não existe. - e assim foi a noite. Pensei nele até cair no sono, afinal, no dia seguinte seria o primeiro dia de aula e eu? Bom, eu sou a Rainha do colégio.

Capítulo quatro
Bom dia, Rainha!

Seis horas da manhã meu despertador tocou – maldito despertador-. Pensei em desligar e voltar a dormir, mas ‘peraí, hoje é o primeiro dia de aula.
- Meus Deus, ‘to atrasada. Tenho que arrumar o cabelo, maquiagem e a . Amiga, acorda!
- Que houve? O mundo ‘ta acabando? – falou sonolenta.
- Pior que isso, . É o primeiro dia de aula!
- O QUÊ? – gritou histérica.
- Então, amiga, arrume-se e venha pra cá. Nós vamos juntas, precisamos chegar juntas e mostrar o nosso poder.
- Vai com decote que todo mundo vai enxergar o seu poder de longe, .
- Pára, . Isso é sério!
- ‘Ta, ok. Vou me arrumar e daqui a pouco chego aí. Câmbio, desligo!
- sem graça.
Desliguei o telefone, joguei-o na cama e saí correndo. Afinal, tenho que tomar banho, arrumar o cabelo, maquiagem e acordar o e o – ai Senhor, os meninos.
Corri até o quarto do , abri a porta com toda força, joguei-me na cama, coloquei um joelho em cada lado do e fiquei balançando, tentando fazê-lo acordar.
- , acorda. , acorde agora! – comecei a dar tapas no e nada dele dar um sinalzinho sequer de quem iria levantar. Juro que se não precisasse da carona dele, não faria isso - , tem uma loira gostosa te esperando na sala. – sussurrei próximo ao ouvido do irmão que acordou de imediato.
- Loira? Gostosa? Onde? Eu quero.
- No colégio deve ter um monte. Agora levanta e se arruma que você vai me dar carona. Agora vou acordar o . Juro que quando, morrer vou pro céu, só em ter que aturar vocês dois.
Saí de cima do , abri as cortinas e as janelas. Saí, deixando a porta aberta. Entrando no quarto da frente, dei um enorme pulo na cam,a mas me surpreendi, pulando sobre um monte de almofadas.
- Peguei! Achou que ia poder ficar em cima do gostosão aqui, né?
- Ai seu idiota, quase que me mata do coração. Bom, pelo menos você já tá de pé. Arrume-se que daqui a pouco, a chega e nós vamos embora.
- Ah que é isso? Nem um bom dia eu vou ganhar da rainha?
- Tolo! Bom dia, – pendurei-me no pescoço dele, dei-lhe um beijo estalado no rosto e saí do quarto, já descendo a escada pronta pra esperar o , plantada no sofá.
Dez minutos se passaram e nenhum sinal do ou do , até que enfim a campainha resolveu tocar. Levantei-me, bufando e fui atender a porta.
- Bom dia, amiga, o... Ah, é você – senti minha expressão mudar, meu sorriso murchar, quando vi que não era a minha amiga que estava a porta. – Pode entrar, os meninos estão lá em cima. - ele sussurrou algo, mas foi tão baixo que eu juro que não entendi. - Falou comigo?
- Você acha que eu teria algo pra falar pra você? Enxergue-se, garota!
- Qual é a sua? Não pode se comportar como pessoa normal? Ah, esqueci. Você não tem mentalidade o suficiente pra isso.
- Pelo menos não preciso dar pro jogadores pra provar que sou alguém.
- Você só sabe falar isso pra se defender? Será que essa realmente não é a sua vontade? DAR pra eles, como você diz no seu vocabulário chulo.
- Eita que o casalzinho começou cedo hoje – falou uma voz, adentrando a sala.
- Cala a boca, – gritei, jogando uma almofada no rosto dele.
- Que emoção, . Você sabe meu nome. – com uma cara de idiota, que só ele sabia fazer.
- Retardado.
- Eu também tenho um carinho muito especial por você, .
- Bobo. – segurei o rosto do e lhe dei um beijo.
- Ela ‘ta normal? – perguntou ele, confuso.
Saí, fingindo não ter escutado aquilo. Quando estava subindo as escadas pra chamar o meu querido e amado irmão, ele as desce correndo, parecendo um cavalo, quase me levando. Mas como é meu irmão, eu entendo; acho que ele sofre de problemas mentais.
- , seu cego. – gritei na hora que ele me abraçou pra eu não cair.
- Qual é, ? Deixa de ser esquentada. Agora, vamos!
- Como assim “vamos”? Nós seis em um carro? Vai amassar toda a minha roupa.
- Seis? - perguntou o , contando quantos tinham na sala com o dedo.
- É, . Seis. A vem aí.
- Eu ‘to com o carro aí. – falou o , tentando ser prestativo, como se ele fosse alguém.
- Resolvido. Tchau . – falei, acenando pra ele, louca pra tê-lo longe da minha vista.
- Nunca entendi porque você e o são assim.
- Não se mete, . – falei com a voz seca.
- Sim, senhora. Não está mais aqui quem falou.
- Bom, o já foi. Vamos?
- Hey, vocês iam sem mim? – chegou quase desmaiando na porta de casa. Tenho quase certeza de que ela foi correndo da casa dela até a minha.
- Claro que não, . Você acha que eu ia esquecer a minha melhor amiga? – fui até ela, dando-lhe um abraço e um beijo no rosto. – Bom dia, segunda rainha. E então, vamos?
- Vamos.
E fomos os cinco, todos apertados no carro do . Quer dizer, a coitada da que foi apertada entre o e o no banco de trás. Afinal, uma rainha não se mistura.

Capítulo cinco
O primeiro dia.

Enfim, o colégio. Por que os homens são tão nojentos? Vim ouvindo uma sinfonia de arrotos que eu achava que não tinha fim. Como quando nós saímos a empregada ainda não tinha chegado, deixamos pra tomar café no colégio. Os meninos ficaram no carro, olhando as novatas enquanto eu a > entrávamos no colégio. Quando passamos pelo corredor, todos os olhares se dirigiram pra nós. Sabe, como acontece nos filmes, mas ali não era filme; era a verdade. Sabe, é bem difícil ser popular e onde a gente passava, escutávamos assobios e, claro, xingamentos sendo sussurrados pelas invejosas. Mas não nos importávamos com isso, afinal, a inveja delas fazia a nossa fama.
Eu estava no meu armário, quando senti alguém atrás de mim. Virei-me pra olhar vi que era o Brad, capitão do time de futebol. Ele tem uns olhos, um sorriso, um peitoral, umas coxas... “Calma, . Calma e respira” pensei.
- Ah, oi Brad, – tentei dar o meu melhor sorriso.
- Oi . – vi quando ele passou as mãos nos cabelos espetados. Eu já caindo ali mesmo; minhas pernas tremiam como se fosses dois bambus.
- É, e então?
- Queria ver se você não quer sair comigo, tomar um sorvete à tarde. Pode ser?
- Ah, claro. - dei meus livros pra ele segurar; ou eu fazia isso ou ele ia fugir nervoso. E com meu livros, ele me levou até a porta da sala, fazendo as invejosas sentirem mais raiva ainda e a > foi conversando com o Toby, amigo do Brad.
- Então, , é a sua sala.
- É, Brad, é a minha sala. – falei, dando um risinho.
- Bom, vou pra sala assistir à minha aula.
- Hey Brad! – Eee me olhou com um sorriso perfeito nos lábios.- Meus livros. - peguei os livros das mãos dele, dei um sorriso e corri pra sala. Aula de álgebra. Nem sei pra que assisto a isso, nunca vou aprender mesmo. Mas bom, fazer o quê? Vamos lá, , a tortura te espera. Sentei na última cadeira. A estava à minha frente. A aula ‘tava um saco, uma merda mesmo. Ele falava, falava, falava e eu não entendia nada. Peguei o celular e fiquei escutando uma rádio local. Também era uma porcaria, mas ‘tava melhor que aquela aula. Foi quando chegou a aluna nova.
- Desculpa, professor, posso entrar? – ela perguntou baixinho. ‘Tava com vergonha.
- Claro. Você deve ser a , é isso?
- Sim, sou eu.
- Então procure uma cadeira e sente-se, senhorita.
- Obrigada!
Só tinha duas cadeiras vazia na sala e eu estava entre as duas. Ela me olhou e abaixou a cabeça. Devia ser tímida. Não sei o que foi, mas algo nessa menina me chamou atenção. Bom, no fim da aula eu falo com ela. Baixei a cabeça, comecei a pensar no meu ex. Na verdade, nossa história foi curta e já faz bastante tempo, três anos pra ser mais exata, mas às vezes me pego pensando nele. É, ele era um cara legal. AMÉM! A aula terminou. Próxima aula, História. Ah, eu gosto. É legal saber das coisas antigas, dos Deuses e Deusas. Até na época deles já rolava pegação. Desliguei o celular e prestei atenção na aula, afinal, depois era o intervalo.

Intervalo. Olhei pro lado e vi a de cabeça baixa. Peguei um lápis e fiquei mexendo no cabelo dela, até ela levantar a cabeça.
- Oi?- falei, tentando parecer amigável.
- Oi! – ela me respondeu sem graça. Foi quando a se virou, chamando-me pra sair. Eu disse que se ela quisesse sair, que fosse, mas eu ia ficar ali, conversando ou ao menos tentando e ela, como boa amiga, ficou também.
- Meu nome é , mas se quiser chamar de , fique à vontade. E essa é a , minha melhor amiga. Se você quiser conversar, sair, sabe, qualquer coisa, pode contar com a gente. – sorri pra el,a tentando ganhar confiança e acho que ‘tava conseguindo. – Bom, agora vamos comer algo antes que o intervalo termine. – levantamos e fomos até a lanchonete. Como de costume, eu a pegamos sanduíches naturais e a pegou só um suco. Como ela sobrevive com apenas um suco?
Como sempre, a mesa que eu gosto estava vazia. Sentamos lá e ficamos vendo as palhaçadas de alguns meninos. Confesso que esses meninos eram nada mais, nada menos do que o meu irmão e os amigos dele. Foi quando notei que a olhava pra um ponto fixo. Eu falava e ela não demonstrava um sinal de que estava na terra. Decidi seguir o olhar dela e vi que ela estava olhando nada mais, nada menos que o .
- Ei gatinho. – chamei o , que estava dançando em cima de uma cadeira. Nem precisei chamar mais de uma vez, que ele veio até mim, com um sorrisão no rosto e me deu um beijo na testa.
- Oi amor. – vi quando a sacudiu a cabeça, acordando do transe. Acho que ela pensou que o era meu namorado.
- Bom, , essa é a , minha nova amiga. E, ... Posso te chamar assim, não é? – ela consentiu com a cabeça – Então, , esse é o , meu irmão.
Senti que ela suspirou aliviada quando eu disse que era meu irmão. E ele, como é cavalheiro, pegou a mão da e disse que era um prazer conhecê-la. Quando olhei pra ela, estava um arco-íris de tão nervosa. Em compensação, seus olhos brilhavam como os de uma menina que ganhou a Barbie dos sonhos.
- Amiga, acorda. – fale, sussurrando pra ela – Não baba.
- Por que eu iria babar, ?
- Porque você ‘ta aí, toda rosa só porque o beijou a sua mão. – a falou, provocando.
- É o seguinte, meninas, vocês vão dormir lá em casa hoje.
- Seu irmão não se importa?
- Quem, o ? Pra ele tanto faz quem eu levo ou quem eu deixo de levar pra casa.
- ? Não era ?
- Ahhhhh. O não é meu irmão de verdade. - não consegui conter o riso, olhando a expressão confusa no rosto dela – O é irmão de consideração, sabe? Meu irmão de verdade é o ; aquela musa ali, rebolando na mesa. – apontei pro meu irmão. Sério, ainda vou arrastá-lo pra um psicólogo, psiquiatra ou algo do tipo.
- Então eu vou, - ela me respondeu com um jeito aliviado. Olhei pra e pisquei. Afinal, a não sabia que o ‘tava morando lá em casa.
- O Brad me chamou pra gente ir tomar sorvete hoje à tarde. – falei, brincando com o guardanapo. Não sei por que, mas aquilo estava me fazendo bem.
- E você vai?
- É, eu vou. Não tem nada pra fazer à tarde mesmo e à noite, vocês vão lá pra casa.
- ‘Ta, ok. - a respondeu, ainda aliviada.
O intervalo terminou e voltamos pra sala de aula, ou melhor, pra sala de tortura. Mais duas horas de sofrimento.

Bom, chegamos a casa e não sentimos nem um cheirinho de comida. Tinha um recado na secretaria: “meus babies, não vou poder ir hoje; estou muito doente e fui ao médico”. Droga, nossa empregada estava doente. E agora, o que vamos comer? Eu não estava nem um pouco a fim de almoçar num restaurante, ainda por cima com aqueles meninos; só se eu estivesse muito a fim de passar vergonha. Até que eu tive a brilhante idéia.
- Farei panquecas. – falei, indo em direção à cozinha. Meu ex amava minhas panquecas. Droga, por que ele de novo? Ele, pra mim, morreu.
- Fala sério? – disse , voltando da porta e sendo seguido pelo .
- Estou falando. Sentem aí, meus animaizinhos, que daqui a pouco chamo vocês pra comer.
Então fui pra cozinha, fiz as panquecas e chamei os meninos pra comer. Minha intenção seria que comêssemos todos sentados à mesa como pessoas civilizadas, mas esse papo de civilizados não rola com eles. Não sei o que deu no , que ele começou a tirar histórias do fundo do baú pra me provocar.
- , e aquele seu namorado de mentira que você teve, quando tinha uns treze anos?
- Não era de mentira, , e não fode.
- Por que você nunca quis me dizer quem era?
- Porque não é da sua conta, seu mané, e fica calado que fica mais bonito.
- Fala, vai, . – o começou a me encher.
- Querem saber? Ele existiu e eu o amei, amei muito, mas ele foi um cachorro comigo, errou e na hora de assumir a culpa, jogou tudo em cima de mim.
- Como você sabe que ele errou? Vai que a errada é você e você ‘tava jogando a culpa nele? – o falou, olhando nos meus olhos
- Eu tenho quem prove que ele é um canalha. – apoiei as mãos na mesa, ficando um pouco de pé – E não se meta, . – falei, aproximando-me mais dele. Minha vontade era enfiar a cara dele na comida, mas aí seria um estrago de comida muito grande.
- Duvido. – ele me falou, encarando-me.
- Querem saber? Vou subir e me arrumar. Daqui a pouco, o Brad chega pra gente sair. Ah, confio na capacidade de vocês pra lavarem os pratos.
- Vai lá com seu jogadorzinho. – escutei quando o falou. Ele consegue me tirar do sério.
- A coisa ficou pesada. – escutei o falar, fechei a porta do quarto com força e fui me trocar. Quando abri o guarda – roupas, fui atingida por uma avalanche. Achei até roupa velha, até um casaco do meu ex. Não resisti e cheirei. Como pensei, ainda tinha o cheiro dele. – É, preciso arrumar isso. – falei pra mim mesma. Olhei o computador na cama; deu uma vontade enorme de abrir e desabafar com o Sony, sabe? Mas bom, ele não precisa saber dos meus problemas pessoais e sem contar que não dava tempo. O Brad ‘tava pra chegar e eu não o queria contaminado pelos meninos e principalmente não queria que ele tivesse qualquer tipo de contato com o por mais de cinco minutos.
Coloquei um vestido lilás, que tem um lacinho entre os seios e é bem soltinho. Qualquer vento e todo mundo pode ver todo o meu bumbum. Bem, na verdade eu adoro isso. Deixei os cabelos soltos, maquiagem só de leve e coloquei o meu melhor perfume. Dei a última olhada no espelho e desci pra esperar o meu salvador.
- Eu te pago sorvete, cachorro quente, pizza, o que você quiser. – dei de cara com o de joelhos no pé da escada.
- Levanta daí, seu bobo. Até parece que não sabe que só quero jogadores. O sabe disso melhor que eu.
- Toma, . – o me passou um spray de pimenta.
- Pra que isso, seu louco?
- Vai que ele tente algo.
- , não vou levar bolsa e não vou andar com isso, não. – falei, rindo, quando escutei a campanhia – Amém. – levantei as mãos, dei um beijo no rosto de cada um dos três. É, dos três. Não chego perto do . Peguei na mão do Brad e saí, puxando-o antes que os meninos começassem a falar besteira perto dele.

Capítulo seis
Amigas.

Cheguei a casa, fui até o banheiro e comecei a tirar a roupa. - Nossa, como preciso de um banho. Esqueci que daqui a pouco as meninas chegam e a tarde com o Brad foi bem legal. ‘Ta, vamos combinar que ele é bem forte, muito bonito, mas assim, o excesso de massa corporal lhe resultou na falta de massa encefálica. Porém, até que deu pra conversar com ele. - saí do banho enrolada na toalha e dei de cara com o .
- Que coisa feia, .
- Quê? Nem ‘to tão gorda assim.
- Pára, sua boba – e ele me abraçou, fazendo-me cócegas.
- , pára! – gritei – Deixa eu me vestir que daqui a pouco as meninas chegam.
- Ok, vai lá. – ele me soltou e me um tapa na bunda.
Fui pro quarto, fingindo pro que ‘tava com raiva. Vesti-me e fiquei lá, encarando o computador. Ah, o que custa dar uma olhadinha enquanto as meninas não chegam? Nada demais e foi isso que fiz. Deitei-me na cama, abri o computador e ‘tava lá: “Minha pequena, esqueceu-me? Quase 24 horas de namoro e eu sem você”.
- Ain amor, também sinto muito a tua falta, mas hoje não vai dar pra ficar aqui. Eu te juro que ainda vou passar um dia todinho só com você.
- E por que hoje não vai dar?
– nossa, como ele é rápido.
- Porque vou ter que resolver umas coisas aqui em casa.
- Ok, mas não se esquece você acabou de prometer um dia só pra mim.
- Claro que não vou esquecer, amor. Agora deixa eu sair. Tchau, eu te amo.
- Também te amo, minha pequena. Cuide-se.

Fechei o computador, mais uma vez com o coração apertado. Como eu queria poder senti-lo perto de mim. Às vezes acho que ele podia enxergar meu coração, sabe? Como ele podia saber tão bem o que eu sinto?
- , ‘ta aí? – a perguntou, batendo na porta do meu quarto.
- Entrem, meninas, estou aqui. Esbarraram com o meu irmão por aí? – perguntei, na verdade querendo saber se a já tinha visto o aqui em casa.
- Não, não esbarramos em ninguém. – a respondeu, entendendo muito bem a minha pergunta.
- Mas e então, o que vamos fazer? – perguntei, abraçando minha almofada de coração.
- Acho que dormir. – a respondeu sem muito ânimo.
- Que dormir, primeiro nós vamos fofocar. – sentei na cama – Venham, sentem aqui. – olhei pra , que me encarava meio desconfiada – , – olhei pra ela com aquelas caras que os detetives fazem nos filmes.
- Eeee...uuu. Que foi que eu fiz?
- Nem adianta disfarçar, nós vimos muito bem que você ficou de olho no .
- N-n-ã-oo. Quer dizer, eu o achei bonito, atraente, engraçado...
- Terra chamado , câmbio, câmbio – falei, passando as mãos em frente ao rosto dela. Parecia que ela estava fora de órbita ou algo do tipo. Foi quando escutei alguém cantando no corredor – Chuchu, é você? – perguntei, mas já tinha certeza que era ele.
- Oi . Sou eu, sim – o falou, colocando a cabeça dentro do quarto e dando um sorriso perfeito. Ah, confesso que meu amigo e gato. Olhei pra e ela estava parecendo uma folha de papel. Sem brincar, ela está mais branca.
- , lembra-se da ? Eu te apresentei a ela hoje. – falei, apontando pra minha amiga que ‘tava suando. Eu ‘tava me preparando psicologicamente pra ter que levá-la pra um hospital.
- Oi . É isso? Acertei?
- É, . – ela falou, mas foi quase um sussurro interno.
- Bom ‘to indo dormir. - ele falou, deu um beijo no meu rosto, na e na .
- Como isso ‘ta educado.
- Eu sou educado, amor.
- ‘Ta, vou fingir que acredito. E fecha a porta. – olhei pra . Sério, achei que ela tivesse morrido. – Acho que ele também se interessou por você.
- Por que você acha isso?
- Bom, eu conheço o desde os meus três anos de idade, a conhece desde que tem oito anos e nós sabemos que ele não é assim. Ele ‘ta bancando o educado pra te conquistar. – vi quando ela deu um risinho. Sabe quando criança ganha doce? Era o mesmo sorriso da . Acho que gostaria de tê-la como cunhada. Coloquei a mão do meu lado e sentir um celular. Bom, peguei e comecei a fuçar; nunca tive segredos com a e acreditava que ela nunca tivesse segredos comigo. Bom, até eu ler uma mensagem.
- Eu ainda te quero garota. Não pense que vou e esquecer assim tão fácil. – fui descendo rápido pra ver quem tinha mandado quando cheguei ao fim, “ ”. – Você ainda ‘ta tendo um rolo com meu irmão e está me escondendo, ? - fiz cara de brava. Fiz brincando só pra ver a reação dela.
- Não, . Eu posso te explicar.
- Explique-se agora, mocinha.
- Desde a semana passada ele voltou a me mandar mensagens, dizendo que ainda sente a minha falta, que todas as meninas que ele fica é pensando em mim, dizendo que quer ficar comigo!
- Ele disse que quer ficar com você de novo mais de uma vez?
- Sim, ele disse!
- E por que você não ficou, sua tonta – falei, abrindo um sorriso. Vi a expressão de tranqüilidade e leveza se formando no rosto da minha amiga. Ah, qual é? Desde quando controlo com quem ela tem que ficar? Ainda mais se esse alguém for meu irmão, que tem defeitos, mas é perfeito.
-Mas bom, o fica pra mim, o pra e pra você, ?
- Pra mim o quê? Eu fico bem sozinha.
- Nenhum dos outros dois te interessa?
- Que dois? O e o ? Nem em sonho, amiga. Ah, eu ia me esquecendo de contar pra vocês como foi a minha saída com o Brad hoje à tarde.
- Sim, conte-nos. – a falou, arrumando-se na casa e a se deitou pra ouvir.
- Então, o Brad é lindo, acho que isso vocês já devem ter notado, mas não tem muito cérebro, sabe? Mas até que é legal sair com ele. Ele é divertido, ele me fez rir.
- Mas e aí? – a me perguntou, ajeitando-se na cama - Vocês vão namorar?
- Calma, amiga, não é assim, não. Não pode ser tão fácil assim. Ele vai ter que rebolar se quiser me ter.
- Então vou ter que ser difícil com o ?
- Ah, o é diferente, mas sim, você vai ter que ser um pouquinho difícil com ele.
Fiquei olhando pra e puts, ela é linda, só precisa de um trato, sabe? O cabelo dela é enorme e reto, dá certo ar de desânimo.
- , você confia em mim? ‘Ta certo que a gente se conheceu hoje, mas você já vai dormir aqui em casa, então confia, né?!
- Sim, eu confio.
- Então se senta nessa cadeira. – esperei-a sentar na cadeira, vendei os olhos dela, peguei uma tesoura e comecei a repicar seu cabelo. Nossa Senhora, eu sou uma artista. Quando tirei a venda, que a se olhou no espelho, quase que teve um troço. – Então, gostou?
- Caramba, ‘ta lindo, .
- Eu sou foda. Eu sei, eu sei.
- E humilde também, – completou a .
- Calada, . Bom, na geladeira tem sorvete e brigadeiro. E então, vamos?
Saímos do quarto, descemos e demos de cara com o quarteto fantástico na sala. Eu tinha certeza de que o não ia dormir, como ele tinha dito, e só então nos demos conta de que estávamos de camisola. Ah, que se fodam. Adoro ver os meninos babando como uns cachorrinhos.
- Pra onde as mocinhas pensam que vão assim?
- A gente vai pra uma balada, . – olhei incrédula pro meu irmão. Pra onde ele acha que a gente ia de camisola?
- Como assim, ? Você está bêbada? Não vou deixar você sair assim, sou seu irmão mais velho e...
- Cala a boca, . – falei, interrompendo-o – Só porque sou sua irmã não significa que sou tapada a ponto de ir pra uma balada de camisola. Só vou à cozinha e me esquece.
Na cozinha, pudemos ouvir coro de “uuuuuiiiiiiii ” e caímos na risada. Sério, o é maluco, mas até que gosto do meu irmão assim, retardadinho; melhor do que muitos irmãos que vejo por aí. Passamos pelos meninos e subimos de novo. Sentimos os olhares deles em nós. Quer dizer, em mim só o do , já que o é meu irmão, o é quase e o , bom, esse eu prefiro que não me olhe mesmo. Joguei-me na cama. Cara, eu ‘tava acabada, muita vontade de abrir o notebook pra ver se o Sony ‘tava lá. Ah, as meninas que se danem. Abri, olhei e ele não ‘tava ali. Foi até bom, pelo menos não fiquei com tanta vontade de ficar no PC, já que não tinha motivo.
- Amiga, vamos dormir, vai. – olhei pra e vi que ela lutava pra manter os olhos abertos. Olhei pra e ela ‘tava na mesma situação que a .
- Vamos, amores, que amanhã é o segundo dia de guerra. – apaguei as luzes e ficamos deitadas, conversando besteira, até que adormecemos.

Capítulo sete
Mais uma para o time.

Caralho, como o tempo passa rápido. Já estamos na segunda semana de aula e aquele lugar ao meu lado ainda está vazio. Será que vai ficar assim até o fim do ano? Tenho que começar a pensar nas festas e no Sony. Saí o fim de semana todo e não sei como ele ficou. Quando me lembro dele, chega a doer. Meu coração aperta. É estranho. Nunca senti nada assim por alguém. Desci, já pronta, e como de costume me sentei no sofá para esperar o e o . A mulher da casa sou eu, mas as duas ladies demoram mais que eu para se arrumarem.
Enfim, chegamos ao colégio e fui direto ao meu armário. Como de costume, o Brad foi lá, me deu um beijo, uma caixa de bombons, perguntou como dormi e me acompanhou até a sala. Cheguei à sala a e a já estavam lá. Para minha surpresa, o lugar ao meu lado também estava ocupado. e também estavam lá. Eles estavam se entendendo com as meninas. Fico feliz por ver minhas amigas felizes.
Passei pelas minhas amigas, dei bom dia às duas e beijei cada uma no rosto. Sentei-me, liguei o mp4 e fiquei escutando de cabeça baixa. Notei que ficaram sem entender o porquê de eu estar daquele jeito, mas bem, nem eu entendia.
Na hora do intervalo, e foram à sala buscar as meninas. Preferi ficar. Realmente não estava legal. Foi quando senti alguém mexendo no meu cabelo.
- Oi. Você está legal? – virei-me para vem quem era e era a menina da última cadeira vazia.
- Oi. É, estou bem. Quer dizer, acho que estou.
- Tá sentindo alguma dor? Quer que a ajude a chegar à enfermaria?
- Não. Estou bem. Não sinto dor alguma. Estou falando sério – falei, sorrindo. Alguém podia ser tão legal assim sem nem me conhecer?
- Sabe, eu queria saber quem é uma tal de . Disseram-me que ela é toda metidinha a rainha do colégio, gosta de esnobar todo mundo e....
- Ei, a não é assim. Ela é bem legal. Só mexe com quem mexe com ela – falei, interrompendo o falatório da menina.
- Então você a conhece?
- Claro que conheço.
- Você me mostra quem ela é?
- Só se você me prometer que não vai fazer nada com ela.
- Como gostei muito de você e percebi que é amiga dessa , prometo que não vou fazer nada contra ela.
- Promete mesmo?
- Prometo – ela falou com as duas mãos espalmadas sobre a mesa.
- Prazer. – falei, estendendo a mão para ela. Ela olhou pra mim incrédula.
- Prazer. – cumprimentamo-nos com um aperto de mãos, como duas mocinhas civilizadas que somos – Mas é sério? Você é a ?
- Sim. Sou a . Ainda não acredita? – falei, sorrindo.
- É. Acho que acredito.
Foi quando ouvimos o sinal tocar. Acabou o intervalo e a veio tagarelando.
- , tome e coma.
- Não quero, .
- Quer, sim. Seu irmão disse que você não come nada desde o almoço de ontem.
- Estou começando a sentir raiva de vocês dois juntinhos.
- Vá, . Coma. É para o seu bem. O que você tem? Quer que a gente vá ao médico com você? Está sentindo algum tipo de dor?
- Tenho nada, não quero ir ao médico,e não estou sentindo dor. Dá para parar? Que saco – notei que ela ia vir com sermão e, antes que começasse, liguei o mp4 novamente, enfiei os fones nos ouvidos e abaixei a cabeça. Fiquei assim até o fim da aula. Saí da sala, quieta, e fiquei esperando o na frente do colégio para poder ir para casa. No carro, me sentei no banco detrás. A se sentou ao meu lado.
- Fale pra mim... Que foi?
- Foi nada, . Não encha.
- A gente lhe fez algo?
- Não. Ninguém me fez nada. Só não estou legal – abaixei a cabeça e falei num sussurro – Saudades do Sony.
- Você está assim por causa dele? – ela perguntou, baixando a voz.
- É. Acho que sim – falei como uma criança triste – Mas vai passar –suspirei.
O mal estacionou o carro e eu saí correndo para dentro de casa.
- Vai comer, filha? – a Rosa, nossa empregada, me perguntou.
- Não, Rosa. Estou sem fome. Vou subir.
- Mas está tão magrinha.
- Comi na escola, Rosa. Licença.
Subi correndo, me joguei na cama e abri o notebook. Não sei por que, mas a essa altura eu já estava chorando. Comecei a digitar loucamente. Não pensava no que estava escrevendo. Posso dizer que eu estava escrevendo com o coração.
- Sony, cadê você? Estou sentindo a sua falta. Preciso muito de você aqui. Pode até parecer drama, mas estou com tanta saudade que não sinto vontade de fazer mais nada. Não tenho vontade de comer, de dormir, de assistir à aula, de absolutamente nada. Você se tornou meu vício, minha melhor companhia, meu... MEU NAMORADO PERFEITO.
Fiquei sentada, olhando obcecada para a tela daquele computador, esperando uma resposta dele, mas nada. Nada. Senti fome. Daí, desci para pegar um suco e estavam absolutamente todos na cozinha, menos o . Esse estava com o notebook do na sala. Com certeza estava vendo alguma pornografia. Olhei para ele e não senti a mínima vontade de mexer com ele. Minha vontade era de subir e voltar a encarar o computador.
- , venha cá.
- Fale, .
- Venha para cá. Preciso falar com você – eu nunca tinha escutado meu irmão falar daquele jeito, mas... Bom, desci os degraus que já havia subido e fui até a sala.
- Venha aqui – o foi até mim e me deu um abraço apertado. Foi um abraço bom. Acho que estava precisando.
- Que foi, maninha? Estou preocupado com você, . Você ficou calada o dia todo hoje. Reclamou de nada, comeu nada... Está sentindo alguma coisa? Quer ir a um hospital ou quer que eu chame o médico? Sei lá... Posso lhe ajudar em algo?
Ralmente gostei de ver meu irmão preocupado comigo e não sei por que o abracei o mais forte que pude e comecei a chorar. Afastei-me um pouco do meu irmão e segurei o rosto dele.
- É nada, , mas muito obrigada por se preocupar comigo.
- Tem certeza de que é nada?
- Tenho, sim. Deixe-me subir.
- Sabe, quando você era pequena, costumava falar uma coisa que sempre me deixava bravo, porque eu sentia vergonha quando falava na frente dos meus amigos.
- Sei. O que é que tem?
- Fala agora?
- Por que isso agora, ? Seus amigos estão aqui. Daí você vai ficar com vergonha e ficar bravo comigo.
- Fale que estou mandando, porra.
Subi no sofá, rindo, abri os braços e comecei a gritar.
– Eu o amo, , e sempre, sempre vou amar – pulei em cima dele, que me segurou e começou a me girar. Todo mundo parou para olhar para a gente. Parecia que eu tinha voltado a ser criança. Sentia falta de ficar assim com o .
Ele continuava a me girar, até que chegou uma hora em que caímos tontos no meio da sala e ficamos sorrindo como quando éramos pequenos. Por um momento, nos esquecemos de que os nossos amigos estavam nos olhando.
- Também a amo, sua chatinha. Já sabe: se tiver algo lhe fazendo mal, estou aqui. - Pode deixar, minha jujubinha – beijei-o no rosto e subi correndo.
Quando subi, voei para a cama e abri o notebook, quando me deparei com um recado do Sony.
- O que foi, pequena? Você está bem? Desculpe. Não deu para entrar esses dias. Também sinto muito a sua falta. Não sinto mais vontade de ficar com ninguém. Com qualquer garota que se aproxima de mim, fico pensando em você. Isso nunca tinha acontecido, mas estou feliz por isso. Estou feliz por ter a conhecido. Qualquer coisa que estiver lhe preocupando, me diga. Não quero vê-la mal.
Eu estava parecendo uma manteiga derretida na frente do computador. Como que pode uma carinha que nunca vi na vida mexer tanto comigo? Comecei a escrever loucamente. Meus dedos atacavam o teclado ferozmente.
- Agora posso dizer que estou bem. Tive medo de que você fosse sumir e me largar, de que estivesse cansado de mim ou algo do tipo. Se isso acontecer, não sei o que vou fazer.
- Calma, amor. Eu já disse que estou aqui com você. Não vou largá-la nunca. Entendeu bem? NUNCA! É só você que eu quero. É só em você que penso. Se algum dia eu me cansar de você, pode me internar, que só posso estar louco.
- Ai, você não sabe como me tranqüiliza ler isso. Faz-me bem. Sinto meu coração bater feliz...
- ! O BRAD ESTÁ AQUI!- escutei o gritar. Que merda! Logo agora?
-ESTOU DESCENDO! – gritei. Na verdade, estava com vontade de dizer que estava morrendo, só para ver se o Brad se mandava.
Voltei a falar com o Sony.
- Amor, vou ter que sair. Depois a gente se fala. Por favor, não suma. Não quero passar por essa sensação de perdê-lo de novo.
- Ah, pequena... Fique aqui comigo, vai?
- Não posso, amor. É sério.
- Está legal, então. Não se preocupe. Já disse que nunca vou largá-la. Eu a amo muito. Cuide-se. Fechei o notebook e a sensação que tive foi a de que estavam enfiando um punhal no meu peito. Por que agora, Brad? Que saco!

- Oi Brad – falei, enquanto descia as escadas.
- Você está bem? – falou, vindo em minha direção. Quando percebi que ele ia me beijar, virei o rosto, fazendo o beijo pegar na bochecha.
- O que foi?
- Venha cá – fui até o quintal, puxando o Brad, e percebi que o nos seguia com o olhar. Deixei quieto.
- Fale.
- Brad, é que, desculpe, mas não dá mais.
- Não entendi – tão bonito e tão burro.
- A gente, Brad. Não quero mais namorar com você. É isso.
- Mas, ... Só estamos juntos há uma semana.
- Eu sei, Brad, e foi tudo ótimo, mas realmente não dá. Não estou conseguido olhá-lo, tocá-lo, beijá-lo com aquela vontade do começo. Vai ser melhor para nós dois. Eu ia ficar mal em sentir que estou o enganando.
- Está legal, – ele me deu beijo na testa – Posso ser um brutamontes, mas não quero ver ninguém mal. Também não quero ficar mal. Se precisar de um amigo, pode me procurar.
Confesso que fiquei surpresa com a reação dele. Eu achava que ele ia me atirar na fonte de frente de casa, quebrar as vidraças, ou algo do tipo, mas até que ele foi compreensivo.
- Valeu, Brad – abracei-o forte e nos despedimos.
Entrei em casa como se tivesse flutuando um peso a menos na minha consciência.

Capítulo oito
Coisa de menina.

Tinha resolvido ir dar uma volta sozinha pra arejar minha mente. Estava tudo indo tão bem com o Sony, mas eu precisava de um tempo pra mim, sem fake, irmãos e até amigas. Confesso que fiquei surpresa quando cheguei a casa e me deparei com o e a num sofá, o e a em outro, e o e a no chão. Aquele idiota, em uma semana, conseguiu roubar a amiga de mim.
- Muito bonito. Eu pensava que vocês eram minhas amigas, mas você nem se importam comigo.
- Pare com isso, . A gente chegou aqui e foi direto ao seu quarto. Você que não estava.
- Aham. Sei.
- Oun, minha ciumenta, sente-se aqui – o me puxou para me sentar ao lado dele, passando o braço sobre o meu ombro.
- Vocês são umas falsas.
- Maninha, vamos acampar amanhã quando chegarmos do colégio e voltamos na segunda, já que não vai ter aula.
- Sério? Acampar? - senti meus olhos brilharem, mas, depois de pensar por um segundo, vi que a idéia não era tão legal – Nós quem?
- Nós seis. Quer dizer, sete se você quiser ir.
- E o ?
- Ah é, oito. Tinha me esquecido.
- Você é um demente, .
- Desculpe-me por ter nascido.
- Oun, está vendo, ? Você magoou o meu bebê – a falou, enquanto enchia o de selinhos.
- Er... Não vou – parei um instante e corri meus olhos pela sala. Eu estava ficando com inveja deles. Eles podiam se tocar e se beijar de verdade. Já eu... – Bom, vou subir – falei, me pondo de pé e pegando algumas sacolas.
Entrei no quarto com uma vontade incontrolável de chorar. Não estava me sentindo bem. Ver os casaizinhos lá embaixo todos juntos estava me deixando enjoada. Decidi ir dar mais uma volta e, como tava fazendo frio, resolvi pegar um casaco. Abri o guarda-roupa e dei de cara com o casaco do meu ex. Acabei o vestindo mesmo.
Quando desci, os seis estavam lá, se beijando. Não que isso me importe, mas acho até que eles estavam deixando o de lado. Passei por eles sem fazer ruído.
Comecei a andar sem rumo. Deixei meus pés serem meus guias e, quando dei por mim, tinha chegado à praia que não é muito longe da minha casa. Chegando lá, me deparei com alguém sentado na areia e aquela silhueta não me era estranha. Resolvi me aproximar.
- Oi. Posso me sentar? – perguntei de frente para a pessoa com as mãos nos bolsos do casaco.
- Claro. Não sou dono da praia e, a propósito, gostei do casaco.
- É... Ele é legal. Era de um ex meu e jurava que tinha devolvido. Se ele quiser, devolvo agora – sorri.
- Ele fica bem melhor em você do que em mim. Eu achava que o tinha perdido.
- Pois é – falei, enquanto me sentava – Lá em casa está tudo tão meloso. Está um saco ficar lá.
- Imagino. Eles vão acampar. Por que você não leva o Brad... – ele fez questão de pronunciar essa palavra com ênfase –... Com você?
- Terminei com ele.
- Ah, por quê? Ele é um jogador. Pensei que era o tipo de cara que você gosta.
- O que o faz pensar assim?
- O que vi há três anos: você se agarrando com o grandalhão do Mark. Depois vem posar de boa moça.
- Você não parou para me ouvir, não é? Só soube me julgar. Não que você mereça saber, mas eu vou lhe contar a verdade agora.
- Não me interessa – ele respondeu ríspido, fazendo menção de que ia se levantar.
- Ah, não! Você vai me ouvir, sim, – e o puxei, fazendo-o ficar sentado – Eu o amava. Foi com você meu primeiro beijo, você foi meu primeiro namorado... Eu não tinha necessidade de querer mais ninguém. Era tudo pra mim. Tudo que eu fazia era pensar em você. Então foi quando a vaca da Charlotte o beijou na minha frente para me fazer raiva. Ela sabia que nós namorávamos escondidos, então Mark, o namoradinho dela, me procurou e disse que se eu não ficasse com ele, ele iria lhe dar uma surra. Na hora, não me importei se a escola toda ia saber do nosso namoro. Eu só tinha medo que ele o machucasse, lhe fizesse mal, e aceitei ficar com ele.
- Você podia ter me contado antes de aceitar.
- , eu era uma menina ingênua. Eu estava cega. Quando ele falou, na hora veio à imagem de você todo machucado, e acabei aceitando.
- Você está me denegrindo.
- Vamos combinar que você perto do Mark era mais impotente que uma formiga.
- Nossa, não imaginei que estava tão em baixa.
Sorri, fazendo-o sorrir também, e os nossos olhos se encontraram. Fiquei toda errada e passei a olhar o mar.
- Mas foi isso? Você ficou com ele para eu não apanhar?
- Foi, mas o que importa agora, não é? Já se passaram três anos e, como você bem sabe, agora só curto jogadores – soltei-o e me pus de pé – Já vou.
- Vou com você. Dormirei na sua casa.
- Ah, legal – olhei-o – Mas não foi causa dessa conversa que voltamos a ser amigos. A trégua é só até chegarmos a casa, ok?
- Fechado.

Não nos demos conta, mas entramos juntos em casa.
- Acho que tem mais duas pessoas que vão viajar conosco.
- CALE A BOCA, falamos juntos.
- Meu Deus, não posso falar mais nada.
- Ah amor, vamos combinar que você calado às vezes é mais bonitinho.
- Boa, . A propósito, as mocinhas vão dormir aqui?
- Sim, senhora – as três falaram juntas.
- Então subam ou vou traçar a porta do quarto.
- Qual e, maninha?
- Quieto, . Vamos, meninas – cada uma se despediu do namorado com um selinho e subiram depois de mim. Eu já estava ficando com nojo.

Na sexta, fomos à aula normalmente. Eu e o voltamos ao nosso “normal”. Foi estranho encontrar o Brad no corredor, até porque ele fez o mesmo de sempre: foi ao meu armário e me acompanhou até a sala.
Saindo da escola, voltamos para casa. Os casais pegaram as coisas e saíram para a viagem. Como eu estava sozinha, resolvi dispensar a Rosa.
Peguei meu notebook e fui para a sala. Não precisava esconder nada por esses dias.
- Sony? – perguntei ao entrar no msn e ver que ele estava ausente.
- Oi amor.
- Ai, que bom – respirei aliviada – É que você está como ausente...
- É para ninguém vir encher meu saco, pequena. Mas me diga: como você está?
- Ah amor, estou bem. Fui largada sozinha nesse mundo, mas estou bem.
- Pode até ter sido largada, mas você não estará sozinha. Sabe que estou sempre com você.
- Ah amor, você entendeu.
- Entendi, pequena. Fique tranqüila. É que estou a achando diferente, tensa ou algo do tipo.
- Ah ursinho, é que estou com uma mega dor de cabeça.
- Então tome um remédio e vá dormir.
- E você? Não quero deixá-lo aqui.
- Vou ficar bem melhor sabendo que você está descansando do que sabendo que está se prejudicando para ficar comigo. Estou falando sério. Vá descansar. Amanhã a gente conversa. Não vou sumir.
- Está bom amor. Cuide-se.
- Você também, pequena.
O nosso namoro era diferente do da maioria dos fake. Não ficávamos nos pegando por ações. Era tão tosco fazer aquilo... Era algo forte, algo em que depositávamos todos os nossos sentimentos. Era algo puro.

Fui despertada por uma enorme pontada na barriga. Essa dor eu conheço muito bem... Só pode ser CÓLICA.
Corri até o banheiro e, quando abri o armário, não tinha mais remédio. Droga, pior: só tem um absorvente.
- ! – droga, ele foi acampar – ROSA! – MERDA! Esqueci-me de que dei folga a ela. Olhei incrédula para o meu celular. Sem irmãos, sem amigas, sem empregada... Só tinha um jeito. Peguei o telefone e digitei seu número. Não acredito que estava fazendo isso.
- ? – a voz perguntou do outro lado da linha.
- Oi . Sou eu. É que estou precisando de um favor seu.
- Fale!
- Espere. Vou desligar e tirar uma foto do que preciso. Compre e, quando você chegar aqui, o pago.
- Beleza.
Desliguei o telefone, peguei meu celular, tirei uma foto do remédio e mandei. Depois, tirei a fotos do absorvente e mandei com a seguinte descrição: “isso é um absorvente. Acredito que você saiba o que é”. Em seguida, mandei outra mensagem para ele: “traga sorvete de flocos também”.
Deitei no chão, com as pernas sobre o sofá para amenizar a dor, enquanto o não chegava. Ele estava vindo de ré. Essa demora só pode ser proposital. Eu queria o ali o mais rápido possível.
- ? – ele chamou indo em direção à escada.
- Estou aqui, no chão.
- Você está bem? Quer que eu a leve até um hospital?
- Não precisa. Só me ajude a levantar.
Ele veio em minha direção e se ajoelhou ao meu lado. Foi levantando meu tronco aos poucos e depois cruzou meus braços no seu pescoço, levantando lentamente. Ele estava tão cuidadoso que não senti dor alguma.
Fiquei mais surpresa ainda quando ele me pôs no colo e me levou até a porta do banheiro. Se estivesse em outras condições, eu estaria berrando, ordenando que ele me pusesse no chão, mas se eu fizesse isso agora só iria piorar.
- Não tranque a porta!
- Por que não? Virou tarado?
- Não, sua mula. É no caso de acontecer alguma coisa com você.
Tive que ficar calada. No fundo sei que ele tem razão. Fiz o que tinha que fazer no banheiro e saí.
- Venha cá – ele me pôs no colo de novo e desceu comigo, me deixando no sofá.
- Er, .
- Fale!
- Pegue o sorvete lá dentro e duas colheres.
- Para que duas? Não quero!
- Ah, vai ter que querer. Só pedi de flocos porque você gosta. Se não comer, vou sair daqui correndo atrás de você e, se eu tiver uma hemorragia, a culpa é sua.
- Exagerada. Está bem, eu quero. Estou louco por sorvete – resmungando, enquanto ia buscar o sorvete – Está aqui.
- Valeu – puxei-o para se sentar ao meu lado, lhe dando um beijo no rosto.
Ficamos tomando sorvete como duas pessoas civilizadas faziam há muito. Há muito tempo que não nos entediamos tão bem. Na verdade, desde que terminamos o namoro. Às vezes eu sentia falta disso no . Na realidade, já senti mais falta, mas agora tenho ao Sony. Vez ou outra, enquanto falava com o , eu soltava um “o meu namorado” e ele me olhava esquisito. Algumas vezes ele falava que eu estava inventando esse namorado e eu tinha vontade de socá-lo.
- Meu Deus, ! Isso porque você não queria sorvete – falei, olhando o pote vazio e rindo.
- Você comeu mais que eu. Nem venha.
- Calúnia.
- Quer? Ainda tem aqui, olhe – ele ainda tinha um pouco de sorvete na colher.
- Não. Obrigada.
- Quer, sim – ele passou a colher no meu rosto.
- Não acredito que você fez isso.
- Fiz – como ele pode ser tão cínico desse jeito.
- Idiota – fechei a cara e pus uma almofada nas pernas dele, deitando minha cabeça sobre ela.
- Folgada – ele tirou o elástico que prendia meu cabelo num rabo-de-cavalo e começou a acariciá-los. Aos poucos, fui fechando os olhos e acabei dormindo.

Quando acordei, ele já não estava mais lá. Procurei-o pela casa e nada. Foi quando notei um papelzinho dobrado na mesa de centro.
“Pensei que nunca mais fosse dizer isso, mas realmente gostei de ter passado esse tempo com você. Tive que ir embora, mesmo querendo ficar. Qualquer coisa, me ligue. Não importa a hora. Ligue para mim até se aparecer uma barata.


Capítulo nove
Momentos de paz

Bem, apesar das dores ainda insistirem em se lembrar de mim, eu estava bem. Olhei o relógio e vi que já era tarde - dez e sete da noite. Passei um bom tempo deitada na cama, admirando o teto, pensando em tudo que eu passei nos últimos três anos da minha vida: meu último pensamento ficou dividido entre o e o Sony.
Levantei as almofadas que tinha colocado sobre o notebook e o abri. Na verdade, não estava com muita vontade, mas mesmo assim resolvi ver se o Sony estava lá. E ele estava. Eu particularmente estava me estranhando. Pela primeira vez, não sorri para o computador ao ver o Sony ali, mas, bem... Respirei fundo e fui falar com ele.
-Oi amor.
-Oi pequena. Por que você está offline?
-Ah, estou a fim de falar com ninguém.
-Nem comigo?
-Só com você.
-Não me convenceu.
-Só não estou muito bem. É só isso. Mas e você, como está?
-Preocupado.
-Com o quê? Algum problema? Posso ajudar?
-Estou preocupado com você. Ontem, era dor de cabeça. Hoje, não está bem. Não deixa de ser teimosa e ficar no computador... Você deveria estar deitada, descansando. -Mas já fiz isso o dia todo.
-Faça mais. Quero a minha Styx... Sabe aquela que parece que passa a noite toda carregando na eletricidade? Só quero falar com você quando estiver assim.
-Ah amor...
-Nem “ah”, nem meio “ah”. Styx, saia agora. E não adianta ficar off. Estou fazendo isso para o seu bem. É sério, pequena. Cada vez que você faz qualquer tipo de esforço, demora mais para ficar bem. E isso é uma tortura para mim, porque, quanto mais demorar, significa que vou ficar mais tempo sem você.
-Mas não estou fazendo esforço algum. Você que está dramático demais, Sony.
-Você que pensa que não está se esforçando. Vá, Styx. Saia.
-Para que quer eu saia? Praa ficar à vontade com alguma galinha? – não sei se é porque estou de TPM ou sei lá, mas eu já estava ficando com raiva de ele me mandando sair – Pode ficar com ela. Mesmo comigo aqui, não estou vendo mesmo.
-PORRA! Está doida, Styx? Eu me preocupando com você e vem me falar de outra? Quer ficar aí? Fique! Quando morrer, peça para avisarem, ok? Estou saindo.
“Sonny está offline”. Li e reli esta frase e toda a conversa inúmeras vezes, e cada vez chorava mais. Sou uma burra, idiota. Consegui fazê-lo ter raiva de mim. Era tudo que eu não queria.

Não consegui pregar os olhos. Nada na TV me agradava, as frases das conversas corriam soltas em meu pensamento a cada segundo. Como eu sou burra, estúpida.
Resolvi descer e andar pela casa para ver se distraía a mente com algo, mas nada ali me fez esquecer o Sony. Nada.

- Alô – ouvi a voz do outro lado da linha.
- Senhora ? Sou eu, a – falei com um pouco de vergonha na voz. Amãe do foi a única pessoa para quem tivemos coragem de contar sobre o nosso namoro.
- Oi minha princesa. Você sumiu... Vocês terminam o namoro e eu que perco a companhia – ela tinha um jeito doce na voz que me deixava bem à vontade.
- Estou lhe devendo uma visita, eu sei, mas é que desde então não me entendo bem com o . A senhora deve saber.
- Primeiro, senhora está no céu. Segundo, você não está me devendo uma, e sim várias visitas. Outra, que história é essa de não vir por causa do ? Você vem para me ver e ai dele se ousar pensar em falar algo, quanto mais dizer.
- Está certo, Lícia – falei, sorrindo.
- Então você lembrou-se de mim e resolveu ligar?
Sorri.
- Não. Na verdade, não. Liguei para falar com o .
- Vocês voltaram? Vão voltar?
- Não e não - eu não conseguia parar de rir.
- Ah ,como vocês são bobos... Mas vou chamá-lo.
- Obrigada.
Fiquei cantarolando algo no telefone, enquanto esperava o .
- Fale!
- Oi . Na verdade, é nada. É que eu estava com tédio, sabe? Sozinha... Então me lembrei do seu bilhete e resolvi ligar.
- Está me zoando, ? Era só se acontecesse algo sério e não porque você está no tédio. Francamente...
- Ah, calma, . Só pensei que...
- Só pensou que o quê? Que eu não tinha nada de importante para fazer? Pensou errado e outra: olhe a hora, . Vá dormir que o seu mal é sono – ouvi um estalo e um “ai” vindo do – e agora o seu fã clube de um membro só resolveu me bater
- Fale direito com ela, – escutei a senhora falando ao fundo, seguida de uma respiração pesada do .
- , minha flor, vá dormir. Qualquer coisa, passo aí amanh㠖 ele falou, parecendo um gay – Está melhor assim, senhora Lícia?
- Bem melhor.
Soltei um falso pigarro. Afinal, não liguei para ouvir mãe e filho discutindo por minha causa.
- É, então, você tem algo melhor para fazer do que ficar conversando comigo... ‘Ta, entendo. Desculpe-me por ligar a essa hora – olhei pro relógio e já passara da meia noite – Desculpe e tchau.
Desliguei o telefone sem esperar uma resposta, mas o que eu queria? Brigamos todo o temp. Eu não esperava que ele fosse ficar falando comigo o tempo que eu quisesse. Acho que nem teríamos assunto.
Comecei a pensar e agora as conversas se fundiam em minha mente. “Porra! Styx, vá dormir que seu mal é sono”. Balancei a cabeça. Já estava misturando as frases, Briguei com o Sony e o em uma única noite. Realmente sou uma débil mental.
Deitei no sofá e acabei dormindo um pouco.

Fui acordada por um carro buzinando insistentemente e o interfone tocando. Olhei no relógio - meia noite e vinte e seis. Olhei pela janela, mas meus olhos foram ofuscados pelos faróis do carro, me impedindo de ver quem era.
- Quem é? – perguntei ao atender o interfone.
- Sou eu, . Abra.
Apertei o botão que abria o portão e o esperei entrar para poder fechar. Abri a porta e fiquei esperando.
- O que você está fazendo aqui?
- Fiquei pensando em você sozinha aqui e... Não vai me mandar entrar?
- Você já é de casa – dei espaço para que ele entrasse, fechando a porta em seguida.
- Desculpe-me, vai. Fui um grosso no telefone. Não devia ter falado com você daquele jeito e...
- Cale a boca, – interrompi-o – O que importa é que você está aqui – senti meu rosto queimar e minhas bochechas aderirem certo blush natural.
- Estou com medo disso tudo. Nós dois, conversando como duas pessoas educadas.
- Ei, sou educada, amorzinho – falei, lhe dando um tapa no ombro.
- Você me entendeu, – senti suas mãos na minha cintura.
Aquilo não podia estar acontecendo. Ele é o e o odeio. Como aquele simples toque dele estava me deixando daquele jeito? Meu coração estava batendo tão rápido, desesperado. Senti que podia enfartar a qualquer momento e aquele cheiro... Era o cheiro dele. O tem alergia a perfume. Descobri quando pus um pouco do meu perfume em seu pescoço e ficou todo vermelho, mas isso não vem ao caso.
Acho que, se ele não tivesse segurando a minha cintura com tanta força, eu já teria caído ali há tempos. Minhas pernas não me obedeciam.
Quando dei por mim, meus lábios procuravam os dele com urgência e os nossos corpos estavam tão juntos... Eu estava ficando sem ar. Queria parar, queria empurrá-lo, mas ao mesmo tempo queria que nunca tivesse fim.
- Desculpe-me, – sussurrei quando consegui me afastar dele.
- Desculpar você por quê? Também quis.
- Mas tenho namorado – escutei-o bufar.
- Então mande-o vir ficar com você.
- Não, . Você não entende. É que...
- Você está melhor? – percebi que ele não queria mais insistir no assunto.
- É, estou.
- Que bom.
- Você vai ficar até que horas?
- Não sei.
- Bom, vou subir pra dormir. Qualquer coisa você poder ir para o quarto do ou o do .
Aproximei-me pra lhe dar um beijo no rosto, mas percebi que não podia ser uma idéia muito boa. Apenas lhe sorri e subi.

- NÃO, NÃO, NÃO!
- Calma, estou aqui. Respire. Já passou – senti seus braços quentes e seu peitoral nu em meu corpo. Percebi que era aquele pesadelo mais uma vez.
- Meu pai, ... Meu pai – falei entre soluços, tentando deter o choro.
- Foi só um sonho ruim. Já passou. Venha, vamos descer. Vou fazer um chocolate quente do para você.
- Sim, chefe – falei, sorrindo da pose dele.

- Mas nunca entendi bem como foi isso. Vocês se mudaram com ele e, quando voltaram...
Peguei a xícara de chocolate quente que ele havia posto pra mim e comecei a contar a história.
- Então, ... Fomos morar na Irlanda por um tempo. Eu havia saído com meu pai e, quando voltamos para casa, saí do carro antes de ele entrar, porque o havia passado duas semanas fora e eu estava morrendo de saudades. Eu não queria esperar meu pai guardar o carro para poder ir ver o . Então ouvi um barulho, o carro arrancando, e o meu pai lá no chão, todo cercado de sangue – eu fixava meus olhos no chocolate, revendo toda a cena, mas dessa vez eu estava acordada.
- Está bom. Não fale mais nada. Esqueça-se disso. Desculpe-me por fazer você lembrar .
Bebi um pouco de chocolate e fiquei encarando o .
- Nossa, como você está sexy de bigode, . Deixe-me limpar isso – falou, pegando um guardanapo e limpando o meu bigode de chocolate – Vai dormir agora?
- Dorme comigo?
- Mas, mas....
- Vá, . Minha cama é grande e qualquer coisa você já vai estar lá.
- Está bem.

Acordei cedo e fui à padaria. Comprei pão, torradas, queijo, tudo que eu sabia que o gostava. Fiz uma mesa tão linda que tirei fotos. Não sabia que tinha capacidade para fazer tudo aquilo.

Quase meio dia e nada de ele acordar. Eu já estava impaciente. A mesa ia ficar feia, então resolvi acordá-lo.
- Bom dia – sussurrei no seu ouvido.
- Mais cinco minutos e juro que me levanto, mãe –sorri.
- Acorde, vá - assoprei na sua nuca e o vi ficando arrepiando.
Ele foi se virando com certo esforço e abrindo os olhos com mais esforço ainda.
- ?
- Sou eu –sorri – Levante-se. Tem uma surpresa para você lá embaixo. Mas você vai de olhos vendados – peguei a primeira camisa que vi e a amarrei nos olhos do , caso ele quisesse espiar algo antes da hora.
- Que cheirinho bom. Já estou em casa?
- Sem graça – falei, tirando a camisa dos seus olhos – Bom dia. Eu queria levar um café na cama, mas acho que seria impossível levar tudo isso.
- Está vindo mais gente toma café aqui?
- Não. Na verdade, esse foi o único meio que encontrei de lhe agradecer por tudo que fez para mim. Ah, ia me esquecendo: já ligou para sua mãe e disse onde estava?
- Não precisa. Ela me viu saindo e disse que se eu estivesse com você não precisaria avisar a ela. - Meu fã clube pode ter só um membro, mas vale por mil.

Tenho que confessar que passei uma tarde bem agradável com o , até a me ligar, dando graças a Deus por ter chegado a um lugar que o celular pegasse e avisar que já estavam voltando. O achou melhor ir para casa e eu concordei. Ia ser estranho os seis chegando a casa e dar de cara com e juntos. E o mais estranho ainda: vivos e com todas as partes do corpo no lugar. Não sei como tratar o daqui pra frente. Se vamos continuar brigando, ou se do nada vamos ficar em paz... Bom, tudo vai depender de como ele vai me tratar daqui para frente.

Capítulo dez
Juntos?

- Maninha, chegamos.
- Ai – falei, sorrindo e pulando nos seus braços. Parece que faz um século que não o vejo.
- Comportou-se bem? Deu alguma festinha na minha ausência? Abriu a porta para algum estranho?
- Foda-se, – imagine se ele soubesse que única pessoa que esteve ali foi o ?
- E as meninas?
- Elas queriam ir para casa logo; descansar para ir à aula amanh㠖 respondeu, me abraçando e beijando meu pescoço. Droga, ele sabe que isso me deixa arrepiada.
Olhei para o e ele tesava “se distraindo” com as malas. Sabe tipo cachorrinho abandonado? Pela primeira vez, me senti mal nessa situação.
- Senti a sua falta também, – falei, pulando nas suas costas e arrepiando seus cabelos, sorrindo.
Ele só fazia sorrir. Acho que estranhou a minha atitude. Se até eu me estranhei, por que o moleque não poderia? Às vezes, faz bem fazer uma boa ação.

- Bom dia.
Pela primeira vez na vida, depois de três anos, me arrepiei ao ouvir a sua voz atrás de mim.
- Ei - o gritou, pulando nas costas do em seguida. Vá entender esses meninos.
Ele me olhou e respondi com um sorriso. Notei o me olhar e abaixei a cabeça, sem graça. Eu tinha quase todas as aulas com as meninas, menos artes. Essa eu tinha com o e, para ser sincera, isso nunca mudou nada na minha vida. Se ele se sentava na direita, eu me sentava na esquerda. Se ele se sentava na última cadeira, eu me sentava na primeira. Assim, nos “entendíamos” muito bem.
- Você tem aula de que agora?
- Nem sei. , deve ser português. Espere – abri o fichário e dei de cara com uma matéria que eu não estava preparada. Não naquela hora – Artes.
- Não se vá, . Precisamos de você.
- Deixe de ser ridícula, – falei, rindo – Não serei abduzida. Eu garanto - saí de lá com a mão na testa, fazendo uma cena dramática – Oh, estou indo para o abatimento. Adeus, meus amores – vi as meninas sorrindo e comecei a rir também. O vinha bem atrás de mim, mudo como uma porta. Também não tive coragem de falar. Merda, como sou inútil. Entramos na sala e, mecanicamente, ele estava sentado na última cadeira e eu, na primeira. Senti um arrepio, como se pudesse sentir a sua respiração na minha nuca.
- Bom dia, meus amores! – a professora falou com certo ânimo. Não dou um mês para ela estar nos chamando de capetas. Mas ela é legal. Era uma senhora. Deve ter seus sessenta e dois anos, já é aposentada e dá aula porque quer mesmo – Vamos começar o ano com um trabalho em dupla bem fácil- juro que eu tinha medo quando ouvia falar isso – Você e seu parceiro, ou parceira, vão ter que escrever uma música juntos. Mas não é qualquer música, e sim uma que tenha a ver com os dois. Pode ser falando do quanto que o ama ou odeia, do quanto que o acha lindo ou horrível... Vocês vão expor seus sentimentos em uma única música e quero que ela seja bem trabalhada, com letra e melodia.
- Professora e as duplas? Podemos fazer com quem quisermos? – escutei alguém perguntar atrás de mim.
- Claro... – ela sorriu –... Que não. Vocês sabem que tudo funciona à base do sorteio – merda - Vamos lá. Vou abrir a caderneta e ver que nome sai. O nome do próximo será a sua dupla e assim sucessivamente – então ela pegou a caderneta e abriu – – Ok, nada mal, desde que... não, por favor... não, por favor... – – oh God, que parte de “ não, por favor,” o Senhor não entendeu? Eu devia ter pedido “ não, por favor”?
Olhei para ele e dei um sorrisinho. Pelo menos fui respondida não fiquei no vácuo.
- Como é a primeira aula e acho que vocês têm muito o que fazer, estão liberados. Porém não quero vê-los fazendo bagunça pelo colégio, e sim já organizando os trabalhos – ela terminou de falar e deixou a sala. Abaixei minha cabeça. Queria pensar um pouco, mas não tive chance.
- – escutei-o chamar. Quando levantei a cabeça, a bati no queixo dele. Eu sabia que ele estava perto, mas não tanto.
- Ai, desculpe-me, – quando me dei conta, estava com a mão no seu queixo – Machuquei você? - Você tem culpa de nada.
- Mas, bem... – soltei o seu queixo e peguei um lápis, só para ocupar a mão, e passei a bater impacientemente na mesa – Juntos, né? Tem idéia de alguma música?
- Nenhuma... Mas nada que a gente não dê um jeito.
Assisti às outras aulas que eu tinha com as meninas, mas não toquei no assunto da aula de artes. Elas não precisavam saber disso.

- Filha, chegou isso para você. É da senhora Joanna - Rosa falou, me entregando um envelope, assim que entrei em casa. No envelope, tinha e .
– , venha cá. A mamãe mandou uma carta.
- Opa, leia aí.
-“Meus filhos, como estão? Isso também inclui você, ”.
- “Aê”, tia.
- Cale a boca. Deixe-me continuar: “a vovó já está bem. Como até agora recebi nenhuma notícia de que vocês tentaram matar um ao outro, resolvi ficar aqui por mais um tempo. Depositei um dinheiro na conta da , já que ela é mais responsável que você, , cabeça de vento. Com o decorrer do tempo, ponho mais. Só não pensem em gastar tudo fazendo festinha. Quero voltar e encontrar a minha casa do jeitinho que deixei. Primeiro paguem a Rosa, as contas, façam a feira e aí, sim, gastem o dinheiro com besteiras, que isso vocês sabem fazer muito bem. Qualquer coisa, liguem. Estou na casa da vovó. Amo vocês, meus...”. Ah, essa parte não precisa ler.
- “Meus filhotinhos ‘picochutinhos fofuchinhos’ da mamãe” – puxou a carta de mim e leu meio afetado, apertando as nossas bochechas.
- Ouviu bem, ? O dinheiro está sob o meu controle.
- Mancada da mamãe, dude. Sou mais velho.
- Fisicamente, . Estamos falando mentalmente. , preciso falar com você. Passa no meu quarto depois?
- Claro, amor – ganhei um beijo na testa e fui para o meu quarto.
Tomei um banho, me deitei para tentar escrever uma música, mas nada saía da minha cabeça. Eu já tinha jogado umas vinte folhas fora e nada. Só saíam frasezinhas idiotas do tipo “nunca o esqueci” ou “eu o odeio, mas no fundo gosto de você”. Esse trabalho realmente estava sendo trabalhoso.
- Amor, posso entrar? – ouvi o perguntar ao bater na porta.
- Claro, .
- Aconteceu algo? – perguntou ao fechar a porta, caminhado em direção à minha cama, sentando-se.
- Foi o .
- O que ele fez?
- Nada. Não agora... Mas foi ele o namorado que tive há três anos e ninguém sabia. Quer dizer, só alguns idiotas e a mãe dele.
- Caralho, maninha... Nem sei o que dizer.
- E quando vocês viajaram, ele passou praticamente o tempo todo aqui comigo e...
- Vocês se entenderam? Ficaram? Vão voltar? – interrogou-me, me interrompendo.
- Não, mas nos beijamos.
- Então por que vocês...
- Tenho namorado, .
- Tem? Eu conheço?
- Não, mas é ele é perfeito e alguém que tem me feito muito bem ultimamente. Só que não quero falar sobre isso. Está bem?
- Claro, amor – senti seus braços em volta de mim. Aquilo era tão aconchegante.

- Dude, vou usar seu notebook – ouvi o falar, mas nem dei bola. Fiquei na cozinha, fazendo o meu brigadeiro, até que...
- NÃO TOQUE NESSE NOTEBOOK! – gritei com toda a força que tinha, correndo até a sala e deixando o brigadeiro no fogo.
- Calma – falou, colocando o notebook no sofá - Ele está inteiro. Não o matei.
- Viu algo?
- Está escondendo algo, ?
- ANDE, SEU IDIOTA! PERGUNTEI SE VIU ALGO! – eu estava a ponto de esganá-lo, se ele demorasse mais meio segundo para me responder.
- Não, Nem deu tempo. Mal toquei nele e você veio voando com essa cara de assassina para cima de mim.
- Acho bom.
- Ei, tem algo no fogo.
- Meu... MEU BRIGADEIRO! Odeio você, Thomas . Odeio você – agarrei o meu notebook (literalmente) e corri até a cozinha. Não tinha mais jeito. Joguei todo o meu projeto de brigadeiro queimado embaixo d’água e subi até o meu quarto. Ele estava lá; meu namorado perfeito.
- Ainda está bravo comigo?
- Nunca estive bravo com você. Está maluca?
- Não estava querendo que eu morresse?
- Endoidou? Se você morrer, vou junto. É como se cortassem todo o oxigênio da Terra.
- Ai amor... Também não é para tanto.
- Pequena, vou ter que sair. Se der, volto depois.
- Está bom, neném. Cuide-se – Sony está offline – E te amo – sussurrei para mim mesma.
Ele estava estranho. Não parecia o mesmo que falou comigo dias atrás... Deixe para lá. Vai ver está com algum problema.

- Amiga, vamos ao clube amanhã?
- Ah, não, . Vocês vão todos em casais. Não nasci para ser vela.
- Ah , qual é? Vai parar de sair conosco porque agora estamos em casais?
- Não é isso, . É que ultimamente tem acontecido tanta coisa... Tenho um trabalho de artes para entregar segunda-feira e nem sonhei em começar. E... Que dia é hoje?
- Sexta.
- Sexta? Como assim, sexta?
- Então, um dia depois da quinta e antes do sábado costuma se chamar sexta. Ontem foi quinta, amanhã é sábado... Então hoje é sexta.
- Jura, ? – olhei incrédula.
- Amo você, bebezona – falou, apertando minhas bochechas e me dando um beijo no rosto.
- Bem que podíamos passar no shopping depois da aula. Ultimamente estou tão desprezada.
- Quem está desprezada? – perguntou a , chegando juntamente com a .
- Me – fiz carinha de cadelinha abandonada.
- Oun, nenê....
- Não termine o que estava pensando em falar e nem o que tinha a intenção de fazer – interrompi-a.
- Chata.
- Vamos no shopping ou não? But apenas meninas.
- Sim, senhora - a falou, batendo continência.
- E vocês?
- Claro, né, .
Abraçamo-nos tão forte, tão forte, que tinha gente dizendo que tínhamos passado super cola.

Acordei e, quando saí do quarto, escutei alguém cantando uma música, acompanhando com o violão.
-“If I had a dollar for every single time I fought her, I'd buy a handgun. But that couldn't shoot away the bull's eye that she made on my heart” (se eu ganhasse um dólar por cada vez que eu brigasse com ela, compraria uma arma. Mas isso não poderia afastar o tiro certeiro que ela deu no meu coração).
- Uau, está inspirado – falei, enquanto descia as escadas – Já saiu todo mundo?
- Saíram, então resolvi ficar para fazermos a nossa música.
- Nossa? – perguntei, me sentando do seu lado.
- É, não é?
- Claro que é, mas não pensei em coisa alguma. Consegui escrever nada construtivo...
- A gente tenta agora. Já a vi cantando e percebi que não é mal. Feche os olhos por cinco minutos e comece a pôr para fora o ódio que você sente por mim, só que cantando – sorri.
- Ok, cuidado com o que pode sair.
- Fique tranqüila – falou, tirando o celular do bolso – Vou gravando tudo.
- “This stubborn memory hadn't faded. Too many dumb mistakes… And all the grief it makes left nothing else to be debated . And if you say that you understand, then you're lying. But if you figure that I'm alright now, I can't deny it. Baby's coming back, baby's coming back, so I'm on my best behavior. I can't take it anymore. I just woke up on the floor today, yeah, yeah. I've long run out of my last chances, but he's on his way” (esta memória teimosa não tinha desaparecido. Muitos erros bobos... E toda a tristeza que isso causa deixou nada mais para ser debatido. E se você disser que entende, então está mentindo. Mas se descobrir que estou bem agora, não posso negar. Baby está voltando, baby está voltando, então estou me comportando da melhor forma. Não agüento mais. Simplesmente acordei no chão hoje, yeah, yeah. Já gastei todas minhas últimas chances, mas ele está a caminho) - respirei fundo e abri os olhos – E aí? Falei muita besteira?
- Você foi ótima. Melhor, impossível. Vamos tirar a melhor nota.
- Mentir é feio e Deus castiga. Sabia?
- Aham, mas falei a verdade.
- Sim, e o resto?
- O resto deixe comigo. Qualquer coisa, ligo. Er... Vou ao banheiro.
- Legal.
Ele foi e o segui com os olhos. Ouvi um celular tocar e não era o meu. Olhei e era o dele na mesa de centro. Claire, mensagem. Como assim, Claire? Ela é uma nojentinha.
Juro que lutei com todas as minhas forças, mas não resisti e li a mensagem: “amor, meus pais viajaram esse fim de semana. Venha dormir comigo, gatinho. Você não vai se arrepender... E não se esqueça das camisinhas”.
- Filho da mãe... Ele está com a Claire, que mal gosto. Não que eu tenha ficado com ciúmes... Longe de mim isso.
Marquei a mensagem como não lida e coloquei o celular no mesmo lugar. Sentei-me no sofá com os joelhos dobrados, encostando a cabeça a eles. As aulas de teatro do colégio tinham que servir para algo.
- Está tudo bem? – perguntou, já de volta à sala.
- Ah, seu celular tocou. Deve ter sido mensagem – levantei a cabeça e o olhei, lendo a mensagem, e vi o sorriso que ele deu.
- Bom, vou indo.
- !
- O que foi?
- Dorme comigo essa noite?
- Eles vão viajar de novo?
- Não, mas sei lá... Esqueça-se. Foi besteira minha – sorri.
- Está legal. Cuide-se e, qualquer coisa, ligue – despediu-se, me dando um beijo na testa.
- Vamos ver quem ganha, sua vadia – falei para mim mesma.

- O que é isso? – olhei a hora. Uma e trinta e três da manh㠖 Barulho filho de mãe – levantei-me e ao abri a janela do meu quarto. Fui recepcionada por uma pedra no meio da testa, levandoa mão automaticamente ao local da pedrada - Ai!
- Desculpe-me – ouvi uma espécie de sussurro.
- Seu idiota, o que você veio fazer aqui?
- Fui convidado. Lembra-se? Agora abra a porta para mim, vá.
- ‘Ta. Espere.
Desci com um sorriso enorme no rosto. Ganhei daquela vadia. Ele escolheu dormir comigo, mesmo sabendo que é apenas dormir.
Abri a porta com o maior sorriso do mundo.
- Nossa, isso tudo porque me viu?
- Entre logo – tentei conter o sorriso, mas estava impossível – Suba sem fazer barulho, direto para o meu quarto.
- Eita, que a noite promete.
- Promete nada. Vá logo.– estavamos cochichando e discutindo? Increditável – Entre! – empurrei-o, fechando a porta do quarto em seguida – Você é maluco? E o carro? - Você me convidou e vim andando.
- Por quê?
- Porque sim. Você acha que vou esconder o carro onde? No meu bolso? O caras são burros, mas não tanto assim, a ponto de ver meu carro lá na frente e desconfiar de nada.
- É, ainda mais o .
- O que é que tem o ?
- Contei tudo para ele: que a gente namorou, o que aconteceu quando eles viajaram... - Você é doida?
- Ele vai contar para ninguém. Confio nele - segui até o espelho para ver o tamanho do estrago que ele me causou - Olhe isso, ! Devia jogá-lo pela janela!
- Oun, deculpe-me - ele encheu minha testa de beijo no local do machucado – Passou? - Idiota – falei, sorrindo.
Deitei-me na cama e observei incrédula o estendendo o casaco no chão e deitando sobre ele. - O que você está fazendo?
- Vou domir, ué.
- Pare de ser idiota. Venha para a cama.
- Tem certeza?
- !
“Eu não podia acreditar... Ele preferiu dormir comigo a ir transar com a vadiazinha oferecida”. Não conseguia parar de pensar nisso, enquanto pegava no sono, com ele enrolando o meu cabelo. Às vezes, eu o olhava e ele sorria. Era incrível como ficamos tão dependentes um do outro. Eu não conseguia mas brigar com o , por mais que eu quisesse. Só o sorriso dele me derretia e me transformava em um fantoche nas suas mãos, mas não podia ser assim. Não podia mesmo.

Coloquem pra carregar.

- Bom dia - gritei, abraçando as meninas no pátio do colégio.
- Que carinha feliz.
- Ai amiga... – falei, abraçando a – Tenho um trabalho monstro para apresentar hoje, logo na primeira aula.
- Precisa de sorte?
- De muit. Você não tem noção, ... Toda a sorte do mundo duplicada ainda é pouca.
Os meninos estavam em grupo, separados no outro canto do pátio. Foi quando vi a Claire passando e abraçando o . Respirei fundo.
- Bom, vou para a sala.
- Já? Nem tocou.
- Preciso me preparar para a apresentação, dear. Até a próxima – soltei um beijo para as três que figiram pegar no céu e simularam uma briga para ver de quem era o beijo. Fui sorrindo para a sala. Na verdade, eu só estava sorrindo por fora. Por dentro, era como se tivesse um punhal me rasgando. Mas então comecei a pensar no Sony. Apesar de tudo, ele ainda me confortava.
- Bom dia, classe. Vamos às apresentação dos trabalhos – como? Nem escutei tocar – e , vocês são a primeira dupla. Venham e fiquem de pé aqui na frente.
Fui até à frente da sala por pura e espotânea pressão. Chegando, lá o me entregou um papel e ligou a guitarra no caixa de som. Ele começou a tocar algo e me perguntei se iríamos cantar Gipsy da Shakira, mas fiquei quieta, esperando-o começar.
(podem soltar o audio) - I knew that when I saw her that my life would soon move over from the fast lane. Gone would be the days of all by drinking and my carrying on. But when I settled down the party, king uncrowned (eu sabia quando a vi que a minha vida ia logo deixar de ser fácil. Os dias de todas minhas bebidas e farras irão embora. Mas quando me acalmei, o rei da festa perdeu a coroa).
Então ele me olhou e deduzi que estava na minha parte.
- This stubborn memory hadn't faded. Too many dumb mistakes… And all the grief it makes left nothing else to be debated . And if you say that you understand, then you're lying. But if you figure that I'm alright now , I can't deny it. Baby's coming back, baby's coming back, so I'm on my best behavior. I can't take it anymore. I just woke up on the floor today, yeah, yeah. I've long run out of my last chances, but he's on his way” (esta memória teimosa não tinha desaparecido. Muitos erros bobos... E toda a tristeza que isso causa deixou nada mais para ser debatido. E se você disser que entende, então está mentindo. Mas se você descobrir que estou bem agora, não posso negar. Baby está voltando, baby está voltando, então estou me comportando da melhor forma. Não agüento mais. Simplesmente acordei no chão hoje, yeah, yeah. Já gastei todas minhas últimas chances, mas ele está a caminho.)
- If I had a dollar for every single time I fought her, I'd buy a handgun. But that couldn't shoot away the bull's eye that she made on my heart. And if i sound like a beaten man… Well, I guess so, but on her way is the sweetest prize and I can't let go (se eu ganhasse um dólar por cada vez que brigasse com ela, compraria uma arma. Mas isso não poderia afastar o tiro certeiro que ela deu no meu coração. E se eu soar como um homem derrotado... Bem, acho que sim, mas ela estando a caminho é o melhor prêmio e não posso deixar).
Então ele me olhou de novo e sussurrou “refrão”. Bom, ao menos isso eu sabia.
- Baby's coming back, baby's coming back, so I'm on my best behavior. I can't take it anymore. I just woke up on the floor today, yeah, yeah. I've long run out of my last chances, but he's on his way. (Baby está voltando, baby está voltando, então estou me comportando da melhor forma. Não agüento mais. Simplesmente acordei no chão hoje, yeah, yeah. Já gastei todas as minhas últimas chances, mas ele está a caminho) – parei enquanto ele seguiu cantando.
- What I told her on the telephone was that I'd been so bad. I wouldn't blame her if she mowed down these wild oats I'd sown. But when she said she'd give me one more chance, I said “knock three times when you arrive” (o que eu disse a ela no telefone foi que tenho sido tão mau. Eu não a culparia, se ela cortasse esta aveia que eu tinha semeado. Mas quando ela disse que ia me dar mais uma chance, eu disse “bata três vezes quando chegar”).
- Baby's coming back, baby's coming back, so I'm on my best behavior. I can't take it anymore. I just woke up on the floor today, yeah, yeah. Baby's coming back, my darling. Baby's coming back this evening. I've long run out of my last chances but she's on her way. (Baby está voltando, baby está voltando, então estou me comportando da melhor forma. Não agüento mais. Simplesmente acordei no chão hoje, yeah, yeah. Baby está voltando, minha querida. Baby está voltando essa noite. Já gastei todas minhas últimas chances, mas ela está a caminho).
Parecia que todo mundo havia sumido e só estávamos eu e ele na sala. Meus olhos ficaram grudados nos dele. Por mais que eu tentasse piscar ou olhar para os lados, conseguia fazer nada. Finalmente fui salva pelo gongo ou pela professora. Como quiser.
- Juro que, quando seus nomes saíram para a dupla, achei que a música só conteria coisa do tipo “eu odeio você” ou e “vou matar você enquanto estiver dormindo”, mas depois disso só tenho uma pergunta a fazer: para quando é o casório?.
Casório? É o fim. E se assunto rodasse a escola a toda? Estou morta.
Procurei um lugar para enfiar a minha cabeça e não achei. Pedi permissão para ir ao banheiro e passei o resto da aula lá.

Capítulo onze
O pior dia da minha vida.

Como se já não bastasse a minha humilhação gratuita na aula de artes, dei de cara com a cena mais grotesca de toda a minha vida quando estava saindo do colégio: e Claire Carter. Aquilo me deu náuseas.
- Vamos, – puxei o meu irmão pelo cós da calça com cara de poucos amigos.
- O que você tem, ?
- Fome! Agora vamos.
- Eu lhe pago um lanche, maninha.
- Não, . Obrigada. Agora ande, – falei, puxando-o mais.
Estávamos indo para casa e fiquei o tempo todo calada, o que não é normal.
- Cara, o lhe contou da Claire? – ouvi o falar e liguei as minhas anteninhas.
- Ele ia falar quando fosse embora, mas me puxaram – ele falou, virando-se para o banco de trás para ter uma visão do .
- Vire-se, idiota – resmunguei.
- Dude, ela o chamou para dormir na casa dela. Quando chegou lá e tocou a campainha, quem atendeu foi o irmão dela, que tinha saído do quartel para passar uns dias em casa, e ele teve que fingir que estava na casa errada.
- Imagine se ele pega o em cima da irmãzinha dele... Acho que perderíamos um amigo.
Ouvi aquilo e encostei o casaco à boca para poder gritar.
- Calma aí, a gente já está chegando. Você não vai morrer de fome se esperar mais cinco minutinhos.
- Shiu .
Eu precisava me desligar do mundo e falar com a única pessoa que sei que se importava comigo: o meu Sony, o meu príncipe azul que um dia viria me resgatar no seu cavalo branco.
Entrei em casa e me deparei com Rosa pondo a mesa. Subi correndo.
- Ei, volte aqui. Você não estava morrendo de fome? - ouvi o perguntar, mas nem dei bola.
Tranquei-me no quarto, peguei meu notebook como se fosse a coisa mais valiosa do mundo, e para mim ele realmente era naquele momento, e ele estava lá, lindo e perfeito, todo meu.
- Oi, amor. Como você está? Não tem noção do dia que passei hoje. Foi um inferno. Tive que fazer coisas por notas... Coisas que não me fizeram bem, sabe? Ah, é tão bom tê-lo aqui. Só você para me fazer relaxar, para me deixar segura e... - mandei tudo isso para ele, sempre enviando, não de uma vez só. Nem dava chances para ele responder.
- Styx, respire, por favor.
- Desculpe-me, amor.
- Estou bem, mas já sei que você não está legal. Fico feliz que queira dividir isso comigo, que você se sinta bem. Também me senti bem durante esse tempo que passei com você.
- Passou? Como assim passou? – perguntei, sem entender o porquê de ele ter falado no passado.
- É, pequena... Nunca a vi, mas sei que você é linda, por dentro e por fora. Só que não dá mais. Fico me prendendo a você. Mais injusto ainda: fico prendendo você a mim, um cara que você nem sabe como é. Não quero lhe fazer mal.
- Dá para ser mais claro? - eu já estava com os olhos cheios de lágrimas. Sabia o que ele queria dizer, mas não aceitava.
- Que acabou, Styx. Foi lindo e eu realmente a amei. Amo você, para falar a verdade, e isso está doendo muito em mim. Só que conheci uma garota. Ela não é melhor que você em nada, mas está perto de mim. Sinto-me como se tivesse traindo você e nem sei seu...
Aquilo era demais para mim. Fechei o MSN sem esperá-lo falar o resto. Olhei ali offline e a estava lá. Passei tudo do fake para ela, mandei-a deletar Facebook, mudar senha do MSN... Tudo, tudo para me manter longe dele.
- Primeiro, a humilhação de cantar com o . Depois, descobrir que ele só veio ficar comigo porque o irmão da Claire estava lá. Agora, o Sony. Esse é o pior dia da minha vida

POV on

- Dude, já faz um mês que a sua irmã não vai para o colégio..
- Está sentindo falta, é, ?
- , avise para a sua namorada que ela calada é um pouco mais simpática.
- Virem-se.
- Belo namorado você, .
- Eu sei, amor.
- Pois é. Já vocês, que são as amigas e o irmão dela, parecem estar nem aí. Tentaram falar com ela?
- Ah, não, . Imagine. A gente vem aqui e bate na porta do quarto dela todo dia só para ver se está sem cupins.
- Vou lá.
- Vá lá. Do jeito que ela o ama, pode até abrir a porta só para quebrar a sua cara.
- Cale a boca, – dei as costas a todos que estavam na sala e subi em direção ao quarto dela. Ela não podia ficar assim. Estava praticamente vivendo à base de água por uma semana – – chamei enquanto batia na porta no quarto.
- Morra, .
Agora fodeu. O que eu fiz?
- , abra. Está todo mundo lá embaixo preocupado com você.
- Não chamei ninguém. Agora vaze.
Peguei um papel e escrevi: “Quando quiser falar com alguém, é só chamar. Todas as pessoas que a amam e se importam com você estão na sala. Não me deixe mal, por favor. Preciso ter você comigo”. Terminando de escrever, passei o papel por debaixo da porta e me sentei ao lado da entrada do quarto, encostado à parede.
Não demorou muito para eu ver um papel saindo por debaixo da porta. “Chame o , por favor”.
- ! – gritei - Corra aqui, rápido.
- Venha aqui você. É a mesma distância.
- Venha logo. A está chamando você – num piscar de olhos, ele estava de pé ao meu lado.
- Pronto, . Pode falar.
Ficamos esperando algo e ela não falava nada, quando vimos outro papelzinho passando por debaixo da porta. “Joguei a minha chave no jardim e não tenho outra”.
- Fodeu! – gritamos ao mesmo tempo.
- Gente, vamos brincar de caça ao tesouro – falava enquanto descia as escadas.
- A minha irmã pediu isso?
- Não, – já estava perto dos outros – Quer dizer mais ou menos. Ela decidiu provar que é sua irmã de verdade e jogou a chave no jardim. Então ou a gente arromba a porta ou vai caçar a chave no jardim.
- Se a minha mãe vir a porta arrombada, a mulher me mata. Logo, vamos para o jardim - se pôs de pé.
Fomos todos ao jardim procurar a chave. Será que a > tinha noção do tamanho do jardim da casa dela quando fez isso?
Depois de tanto procurar, resolvi me sentar na beira da fonte para descansar um pouco. Comecei a brincar, passando a mão na água. Foi quando vi algo dentro da água. Não acredito que depois de tanto procurar a chave estaria na fonte. Peguei-a quieto e inventei que ia ao banheiro. Subi em silêncio até o quarto dela, abrindo a porta com calma. Deparei-me com uma sentada num canto, com as pernas dobradas, abraçando-as, os olhos inchados, olhando-me com certa raiva.
- O que houve com você? – fui me aproximando aos poucos até estar ajoelhado diante dela.
- Nasci, sou fútil, idiota, burra, uma menina mimada que só serve de brinquedo para caras como você.
- Não fale besteira, .
- Besteira? – gritou, pondo-se de pé – Besteira eu fiz quando pensei que tinha o MEU de volta. Tem noção do quanto fiquei feliz por você ter vindo passar a noite comigo? Mas só veio porque o irmão da Claire estava em casa, e não por ter pensado em mim. Besteira eu fiz quando comecei a amá-lo, quando achei que você....
- , , acorde! – comecei a chorar desesperado, segurando-a nos meus braços. Coloquei-a na cama e a olhei por um tempo. Como ela estava estranha... Não estava feia. Nunca será feia. Mas estava pálida, magra, e precisava de mim.
Fui até a varanda do jardim dela, chamando os outros.
- O que você está fazendo aí? - perguntou o .
- Depois explico. Agora corra rápido. A não está bem.

POV off

Acordei, sentindo um forte cheiro de álcool no meu nariz. Estava meio tonta ainda, mas sorri ao ver todos que amo ao meu redor e feliz por me verem acordada.
- , COMO TEM CORAGEM DE FAZER ISSO?! VOCÊ É LOUCA?!
- Amor, acho que assim você não está ajudando – o abraçou ao terminar de falar.
- Mas ela é louca. Sabe que se eu a perder, não sou ninguém - eu nunca tinha visto o meu irmão chorando por minha causa - E olha como ela está magra.
- Não é assim que vocês gostam? - perguntei, tentando fazer graça.
- Qual é, maninha? Gostamos de gostosas. Não de esqueléticas.
- Deixe de ser besta, – retruquei enquanto me sentava na cama.
- , conte para mim. O que houve? O que a fez se trancar aqui?
- Não foi nada, .
- Conte para a gente.
- , acabei e dizer que não foi nada.
- É porque você viu o Brad com outra?
- Qual é? Faz tempo que não tenho absolutamente nada como Brad. Foi porque eu quis. Vocês estão malucos? Agora me deixam falar com o ?
- Depois me conte o que ela lhe contar.
- Ouvi isso, dona - esperei todos saírem para ter da minha conversa com o – Desculpa-me?
- Desculpá-la por quê?
- Por ter sido tão idiota, fazer tudo isso, ter o deixado preocupado.
- Relaxe, maninha - falou, pondo uma mecha de cabelo atrás da minha orelha - Só me prometa que não vai fazer de novo. Sei que isso foi algum menino que a deixou mal, mas nenhum moleque desses merece que você sofra por ele.
- Pode deixar. Dessa vez, vou escutá-lo.
Abraçamo-nos fortemente. Era um dos raros momentos dos irmãos .


Capítulo doze
Um drinque, por favor!

- Tem ficando velhinho nesse fim de semana.
- Vou ficar maior de idade – falou, fazendo pose de machão.
- Maninho, desculpe desapontá-lo, mas você já virou maior de idade ano passado.
- Mas fale aí... Tenho dezoito com corpinho de dezessete – às vezes acho que ninguém tem irmão mais tapado que o meu.
- Mas vai ter festinha ou não?
- Era a esse ponto que eu queria chegar, . Como estou tomando conta do dinheiro, deu para fazer umas economias e dá para a gente fazer uma festinha. Já falei com a mamãe e ela disse que hoje depositará um extra, desde que a gente deixe a casa inteira.
- Só estava faltando eu não ter direito a festa.
- Oun, que bebê. Mas então, você vai querer festa, churrasco, jantar íntimo ou o quê? A gente tem cinco dias para organizar.
- Quero uma house party. Muita gente, bebida, comida... E eu confio em você.
- Certo. Vou pedir para as meninas me ajudarem.

- É hoje, é hoje, é hoje – o vinha cantando enquanto descia as escadas com uma toalha em volta do corpo e passando a outra nas costas – Oi, Rosa – falou, dando um beijo no pescoço dela, abraçando-a por trás.
- Tome jeito, menino – Rosa falou, rindo e batendo nele com um pano.
- Deixe-o, Rosa. Está feliz – falei sorrindo.
- Então está tudo pronto?
- Está. Você vai com o buscar as bebidas e as comidas.
- Mas já? Não vai ficar ruim?
- , já são oito da noite. A Bela Adormecida dormiu demais.
- Credo, que sono de beleza longo. E a ?
- Ela foi pegar a roupa dela e já volta. E você, dona Rosa, já pode ir embora – falei, dando-lhe um beijo no rosto – O resto agora é comigo e as meninas. Vá para casar relaxar para segunda estar aqui lindona.
Esperei a e as outras meninas chegarem para nós terminarmos de arrumar as coisas e começarmos a nos vestir. Coloquei uma meia arrastão, um open boot e um vestido mega curto, tudo preto, com uns olhos esfumados de preto também.
- A revolta da .
- Ai que engraçada que você é, .
- Mas está linda, amiga.
- Obrigada, .
- Chamou alguém especial?
- Não, ué. Vesti-me assim porque estou a fim. Só isso. Todas prontas?
- Estamos – falaram em coro.
- Então vamos.
Descemos as escadas e estava tocando House Party do 3OH3!. Fui na frente e as três me seguiam com os seus respectivos pares à espera no fim da escada. Por mais que eu quisesse demonstrar que estava tudo bem, a verdade é que estou morrendo de inveja das minhas melhores amigas. Sabe... Sinto falta de um abraço. Não qualquer abraço, mas de um abraço de alguém que me ame como mulher, e não como irmã ou amiga. Sinto falta de ter em quem encostar a cabeça quando estiver assistindo a um filme, falta de alguém fazendo carinho nos meus cabelos, alguém dizendo que me ama e que quer passar o resto da vida ao meu lado. Sei que isso pode acontecer um dia, que ainda sou nova, mas estou precisando disso nesse exato momento.
Olhei pra frente e me deparei com o e a Claire se beijando. Já não bastava tudo que passei e ainda teria que aturar isso... Porém fiquei satisfeita ao ver que estavam curtindo a festa, que as pessoas estavam se divertindo no karaokê. Só que estava difícil ter que sorrir para todos.
- Eu a amo. Você é a irmã mais perfeita que alguém poderia ter.
- O que não faço por você, ? – falei, beijando-o no rosto – Também o amo.
Sem querer sem egoísta, mas já sendo, olhar casais felizes estava me deixando mal. Então comecei a beber feito uma louca. O relógio tocou era meia-noite. Cada badalada dava a entender que a minha cabeça ia estourar. Percebi que já estava alegre demais e resolvi me integrar na festa. Fui até o karaokê, escolhi minha música, peguei um microfone e subi na mesa.

’s POV on

A estava perfeita. Usava uma roupa bem diferente do estilo que ela costumava usar, mas estava linda. Eu tentava parar de olhar para ela, porém não conseguia e acho que a Claire percebeu, porque ela ficava o tempo todo me beijando. Mas sempre que tinha oportunidade, eu mantinha a na minha vista. Teve um momento em que ela sumiu e, quando pensei em sair por aí a procurando, a menina apareceu com um microfone sobre a mesa. Ela estava usando aquelas meias com buracos – não sei o nome – e um salto alto. Em um momento cogitei a idéia de um discurso, contudo bêbada do jeito que ela estava não iria sair algo muito bom. Foi quando a música começou a tocar e comecei a sentir seu olhar sobre mim.
Ela começou a andar sobre a mesa como se estivesse desfilando. As pessoas foram formando uma multidão em volta. Alguns sacudiam bebida para “agitar”. Não que ela já não estivesse agitada o suficiente.

(N/A: pôr para tocar.)

I'm bleeding blood out of a microphone. Come watch me as I'm turning deaf to tone. You're a self-righteous piece of dirt. I wanna kick you where it hurts. I'll bleed your blood out of a microphone.
Eu estou sangrando sangue de um microfone. Venha me ver enquanto eu me torno surda para o tom. Você é um pedaço de lixo metido. Eu quero chutá-lo onde machuca. Vou fazer o seu sangue sangrar de um microfone.

- Por que essa vadia fica olhando para você enquanto canta? - a Claire perguntou me olhando.
- Ela não está me olhando e não é vadia - respondi enquanto estava com os olhos colados na , que pegou uma garrafa de tequila e virou como eu nunca tinha visto ninguém fazer na vida. As pessoas ao redor aplaudiam.

Yeah, it's amusing how I'll hurt. You call me reckless. Don't you burn? Oooh, I'm as twisted as I seem. Don't you love me?
Sim, é divertido como vou me machucar. Chama-me de sem juízo. Você não queima? Oooh, sou tão zoada quanto pareço. Você não me ama?

- Ok. Ela não está o olhando e eu sou a Madonna.
- Claire, você pode ser quem quiser, mas agora dê um tempo.
Olhei à minha volta e vi os caras chegando ao meu lado.

I lost my innocence. Don't know where it went, baby. Don't you love me? Don't you love me? Don't you love me, now?!
Perdi a minha inocência. Não sei para onde ela foi, querido. Você não me ama? Você não me ama? Você não me ama agora?!

Então ela pegou o cigarro de alguém que estava perto dela e tenho certeza que não era um cigarro comum. Como posso dizer...? Era um cigarro natural.

Caffeine and cigarettes in hand. How do you think that I can stand you running through my veins?
Cafeína e cigarros na mão. Como você acha que eu consigo suportá-lo correndo pelas minhas veias?

- Caras, vocês têm que fazer algo! – gritei e me virei para o .
- Acho que quem tem que fazer algo aqui é você, .
Quando olhei para cima da mesa, a já estava tirando os sapatos e jogando em algum lugar da casa.

I lost my innocence. Don't know where it went, baby. Don't you love me? Don't you love me? Don't you love me now?! (Don't you love me?) Don't you love me now?! (Don't you love me?) Don't you love me?
Perdi a minha inocência. Não sei para onde ela foi, querido. Você não me ama? Você não me ama? Você não me ama agora?! (Você não me ama?) Você não me ama agora?! (Você não me ama?) Você não me ama?

Tive certeza de que todos perceberam que ela me olhava na hora que enfatizou o “you Know they know. Just look at me”. Até o me olhou nessa hora e ele estava com uma cara de “, explique-me isso agora!”.

No, I don't mean to… Mean to make a speech. You know they know. Just look at me... For a self-righteous piece of dirt, you've really learned how to make me hurt. I'll hit reverse, I'll watch you burn! (Don't you love me?)
Não, eu não queria... Queria fazer um discurso. Você sabe que eles sabem. Só olhe para mim... Para um pedaço de lixo metido, você realmente aprendeu a me machucar. Vou revidar, vou ver você queimar! (Você não me ama?)

- Vamos sair daqui. Esse showzinho está perdendo a graça – Claire começou a me puxar.
- Se quiser ir, pode sair. Não vou sair daqui.
- , eu estou chamando.
- E eu estou mandando você ir à merda e ficar lá de uma vez por todas.
Acho que já estava tendo problemas demais com a se despindo sobre a mesa e todos aqueles idiotas bêbados e drogados querendo agarrá-la. Foi então que decidi ir até a mesa. Mas eu dava um passo para frente e era empurrado dois para trás.

I lost my innocence. Don't know where it went, baby. Don't you love me? Don't you love me?
Perdi a minha inocência. Não sei para onde ela foi, querido. Você não me ama? Você não me ama?
I lost my innocence. Don't know where it went, baby. Don't you love me? Don't you love me? Don't you love me now? (Don't you love me? Don't you love me now? Don't you love...?)
Perdi a minha inocência. Não sei para onde ela foi, querido. Você não me ama? Você não me ama? Você não me ama agora? (Você não me ama?) Você não me ama agora? Você não ama...?

A essa altura do campeonato, ela só estava de calcinha e sutiã sobre a mesa. Um idiota meteu a mão na sua coxa, fazendo-a gritar, mas não a impediu de cantar. Ou melhor, de gritar a última parte da música. Só faltou um “e essa foi pra você ”.

Don't you love me? Don't you love me noooow?!
Você não me ama? Você não me ama agoooora?!

Vi um filho da puta subindo na mesa e a agarrando. Não me segurei. Subi atrás dele, puxando-o pela camisa, e dei um soco nele. Tirei a minha camisa e a fiz vestir. Abracei-a, levando-a a força para o quarto. Olhei para os caras e ele estavam com cara de “mas que porra é essa?”.
- , dá para me explicar que papel ridículo foi esse que você pagou lá embaixo? - perguntei mais com jeito de pai que de qualquer outra coisa.
- Se foi ridículo, por que não me deixou lá? Pelo menos estava me divertindo. Sabe o que foi mais ridículo do que o que fiz? Você e aquela puta da Claire se agarrando – ela soltou uma gargalhada e começou a abrir o sutiã, ficando só de calcinha na minha frente – Está um calor, né?
- Não, . Não está. Você que está bêbada mesmo. Agora vá tomar um banho que eu espero – levei-a para o banheiro. Foi difícil, eu sei. Ela estava praticamente pelada na minha frente e eu tinha que me controlar, fingir que aquilo não estava mexendo comigo, enquanto na verdade eu estava louco para agarrá-la.

Coloquei-a dentro do banheiro com um camisola que tinha em cima da cama e fiquei sentado e esperando. Olhei a hora e eram três da manhã. Deitei-me na cama para esperá-la e acabei cochilando um pouco. Quando acordei eram três e quarenta e cinco e nada da e nem barulho de água. Abri a porta do banheiro e ela estava lá dormindo no chão. Então resolvi descer e chamar alguma das meninas.
- Acabou? – questionei, olhando a casa vazia.
- Não, . Todos os convidados ficaram invisíveis. Apenas isso.
- Que engraçado que você é, . Meninas, alguma de vocês, ou as três, não sei, pode ir lá em cima dar um banho na ? Ela acabou dormindo no chão do banheiro.
- Nós vamos. Não é, meninas? – a respondeu e as outras concordaram, subindo em seguida.
- , você pode me explicar o que aconteceu? – pediu com uma cara confusa.
Então expliquei toda a história de quando a gente namorava, o motivo do término, o que aconteceu quando eles acamparam, tudo.
- Saia da minha casa agora – ele falou entre os dentes.
- Só vou sair depois que falar com ela.
- Calma, . Ele já esclareceu tudo – o tentava acalmá-lo.
- Calma? CALMA?! Vocês viram como a ficou e se trancou naquele quarto? Ficou magra, doente, tudo por causa desse idiota. E eu o tinha como um irmão. Ele não pensou em mim quando a fez sofrer, ele não pensou NELA. Eu poderia ter perdido uma das pessoas que mais amo no mundo e vocês me pedem para ficar calmo?
- É, o tem razão – o não sabia de que lado ficar.
- Cara, só preciso falar com ela e saio daqui. Pode relaxar.
- O que você ainda quer falar com ela? Quer fazê-la sofrer mais?
- Olhe, cara, se ela não quiser mais falar comigo, vou embora. De boa. Mas eu preciso.
- , vá tomar um banho, descansar. Depois você desce. Eu e o vamos ficar aqui até o ir embora. Vá lá. Fique tranqüilo.
O subiu e confesso que ficou um clima estranho entre eu, o e o .
- , ela disse que quer falar com você – a disse, aparecendo na escada. Subi correndo e as outras meninas saíram do quarto no momento que entrei – Você está bem? Eu queria lhe pedir desculpas... – estava preocupado, mas fui interrompido.
- , pegue aquela bailarina ali na penteadeira – não entendi muito bem, porém resolvi fazer o que ela pedia – Agora a jogue no chão com toda força possível. Quero que use toda a sua força.
- Mas vai quebrar – ela realmente não estava bem. Só podia ser toda a bebedeira.
- Faça o que estou dizendo. Pode ficar despreocupado. Não vou tentar jogá-lo pela janela nem nada do tipo.
- Você tem certeza que ainda não está sob efeito da bebida?
- Dá para fazer o que estou mandando? – já que ela foi tão delicada, fechei os olhos e usei toda a minha força para jogar a bailarina no chão como ela pediu - Agora olhe e diga para mim se quebrou. Não dá para ver daqui – ela estava sentada na cama.
- É, quebrou. Avisei que ia quebrar. Não venha dizer que a culpa é minha.
- Agora peça desculpas a ela.
- ?
- Peça desculpa a ela – ok. Ela com certeza ainda está bêbada.
- Desculpe-me, bonequinha – olhei-a – Pronto. Feliz?
- Agora me diga: ela se consertou? Os pedaços se juntaram?
- Você está louca?!
- Ande. Responda-me.
- Não, ! Os pedaços não se juntaram. Satisfeita?
- Agora me diga como você quer que meu coração se recupere com um simples pedido de desculpas depois de tudo que aconteceu. Acho meio difícil. Não é, ? Porque a mesma coisa que fez com a bailarina você fez comigo e, como você pôde ver, ela não se consertou. Agora pode ir. Não tenho mais nada para falar com você.
- Mas, , deixe-me...
- Adeus, – ela disse, interrompendo-me e me indicando a porta.
Quando desci, o já estava lá.
- ! – ele chamou.
- Já estou saindo, . Não se preocupe.
- Não, cara. Se quiser, pode ficar. Eles disseram que a quis falar com você e acho que vocês já são grandes o suficiente. E você é como um irmão. Não queria perder a sua amizade assim. Porém, por favor, não a faça sofrer. Ela é praticamente tudo que tenho.
- Não vou fazer. Pode ficar despreocupado.
- Então se quiser dormir aqui, você sabe.
- Não, . Valeu, mas não. Preciso ir para casa pensar um pouco. Até mais – e fechei a porta atrás de mim.

’s POV off

Capítulo treze
Teenage dream.

Acordei hoje e sem querer ouvi o e o falando a respeito de uma despedida para o . Mas como assim despedida? Eles disseram que nem eu e nem as namoradas deles poderíamos saber pra onde o ia, que é melhor assim e blá, blá, blá. Confesso que tenho pensado cada vez menos no Sony. É, ainda penso nele depois de tudo, depois de todo esse tempo. Já faz dois meses desde que falei com o na festa do . Sempre nos vemos, mas não trocamos uma palavra sequer.
- Oi, amiga - a falou, atendendo ao celular.
- , sabe o que é? Mande-me a senha do e-mail da Styx.
- Mas você disse que não queria saber disso, que não era para lhe passar mesmo se você me pedisse de joelhos ou me pagasse um milhão de dólares.
- , passe-me logo a droga da senha.
- Certo. A senha é “eu amo meu namorado”.
- Brincou, né?
- Claro que não. Ponha aí para você ver – já estava com tudo aberto e só faltava a senha. Digitei aquela coisa ridícula e, voilá, entrou. E tinha tipo uns vinte e-mails do Sony. Não sei por que senti um aperto no coração e ele começou a acelerar quando vi uma janela no chat do e-mail piscar.
- Quem é viva sempre aparece.
- Pois é. É o que dizem.
- Como você está, minha pequena?
- Bem, na verdade melhor impossível. E você? – eu não ia chegar e dizer “minha vida está uma bosta. Quero sumir do mundo” ou algo do tipo, por mais que tudo que falasse fosse mentira.
- Ah, estou bem.
- Legal. E o namoro está bem?
- Ah, a gente ainda estava se conhecendo, mas, bem, não deu certo. Até lhe mandei alguns e-mails. Na verdade acho que queria que ela fosse você.
- Hum, legal – peguei o notebook e desci até a sala. Se ficasse isolada poderia me sentir fraca e, sei lá. Poderia fazer algo perigoso como ligar a câmera e começar a chorar na “frente” dele. E com alguém me olhando seria mais difícil.
Ao chegar à sala, deparei-me com o lá. Na verdade foi até melhor, porque na frente dele é que eu não iria chorar mesmo. Sentei-me numa poltrona com as pernas dobradas e o notebook sobre as mesmas, fazendo de tudo para não olhar para ele.
- Sério, pequena. Acho que ficava procurando o seu sorriso, seu jeito simples... – simples? Eu? – Meigo... Aquela menina que sempre queria colo, que sempre queria a atenção do namorado e tê-lo por perto. E quando consegui enxergar que ela não era você...
- Não sei o que dizer.
- Diga que me aceita de volta.
- Olhe, Sony, ou seja lá como você se chama. Já cansei de toda essa história de fake, de ter um namorado distante. Sabe por quê? Porque nenhum, nenhum presta. Tive namorado perto e ele me fez mal. Resolvi lhe dar uma chance e você me deixou pior ainda. No começo você me fazia bem. Fazia que com que me sentisse amada. Eu tinha a leve impressão de que alguém além dos meus familiares e amigos se importava comigo, mas não. Você foi igual ou pior que o meu ex. Fez-me acreditar que me amava de verdade, depois veio com “estou conhecendo uma garota” e agora vem com essa desculpa esfarrapada? Olhe só, maldita foi a hora que inventei de entrar aqui. Confesso que entrei com esperança de encontrá-lo, que fiquei feliz ao vê-lo falar comigo, mas agora sinto nojo. Nojo não. Sinto pena de você, que acha que pode me enganar de novo, que deve pensar “ah, saio por aí pegando menininhas e a otária fica me esperando”. Não, Sony. Eu cansei. EU CANSEI!
- Mas, Styx, deixe-me explicar.
- Ah, e meu nome é . Você pode ter certeza de que a Styx acabou de morrer.
Fechei o e-mail com um sorriso vitorioso nos lábios e não deixei de reparar que o estava olhando um tanto quanto curioso. Ignorei-o e comecei a fuçar em outros sites. Sabem... Sites de roupas, cabelos, unhas e maquiagens. Qual menina não gosta disso? E também eu tinha que escolher as coisas para o baile da primavera.
- Então vai ao baile com quem?
- Você está falando comigo? – perguntou, olhando para os lados.
- Não, . Estou perguntando para o meu computador. Com essa tecnologia, vai que ele decide ir com o meu celular.
- Ah, pensei que estava perguntando a mim, mas em todo caso não vou ao baile.
- Ah - meio que balbuciei isso, enquanto na verdade minha vontade era de puxá-lo pela camisa e perguntar o porquê, gritar que ele não podia fazer aquilo. – E por que não?
- Acho que não vou estar por aqui – então, era verdade, ele vai embora - Mas e você? Vai com quem?
- Sozinha mesmo. Afinal de contas, não nasci grudada com ninguém. O Brad até me chamou, mas não rola – sorri meio sem graça – Bom, vou até a loja provar o meu vestido.

Chegou o grande dia: o baile de primavera. Meu vestido era rosa, bem colado no corpo, com um laço na frente. Era bem diferente e muito, muito bonito. Como de costume para grandes ocasiões, as meninas vieram se arrumam aqui em casa. Elas estavam tão lindas, tão perfeitas, com uns sorrisos estampados nos lábios. Os olhos delas brilhavam. Por um momento cheguei a me sentir excluída. Todas elas com o vestido combinando com a gravata dos namorados. Eu sem ter com quem combinar qualquer coisa. Minha vontade era de ligar para o , dizer tudo que eu sentia, tudo que estava entalado, mas eu não conseguia. Acho que ativei um mecanismo de defesa que, quando estava perto dele, só conseguia tratá-lo com indiferença mas por dentro aquilo me corroesse.
- Ai, amiga você está linda no estilo Pantera Cor-De-Rosa.
- Pare de ser besta, – sentei-me na ponta da cama, murchando o sorriso – Acho que não quero mais ir – sussurrei, mas não tão baixo, já que a pôde ouvir.
- Por que não?
- Não sei. Apenas não quero ir.
Ela se afastou e foi saindo do quarto, levando a e a consigo. Pouco tempo depois o e o entraram no quarto.
- Que história é essa que você não quer ir mais? – perguntou num tom um pouco bravo.
- É. Que história é essa? Desde as férias que você falava desse maldito baile.
- Só não quero ir e pronto.
- É porque o não vai?
- Não, não é por isso. É que provavelmente as pessoas vão estar em casais. Isso não teria problema algum se minhas amigas estivessem solteiras. Que fique claro que não é nada contra vocês. Mas não sei... Isso nunca me afetou. Muito pelo contrário. Eu gostava de ser livre por aí, contudo agora isso está me machucando e não sei como evitar.
- Olhe, , se você não quer ir, se ir vai fazê-la se sentir mal, então não vá, mas acho que se você ficar em casa vai ser pior, Vai ficar e só começar a pensar besteira. Lá vai ter as pessoas que mais a amam. Já está cansada de saber que sempre a amamos e sempre vamos amá-la independentemente do estado civil da gente. Sem contar que você é a principal organizadora do baile.
- Orra, falou bonito agora, meu ídolo – falou com um sorriso idiota que me fez rir instantaneamente.
- Pode entrar – respondi ao ouvir alguém batendo à porta.
- Desculpe. É reunião de família?
- Não, . Pode ficar. Afinal de contas, acho que depois de tanto tempo você também é da família – respondi.
- Então você vai? – perguntou, pondo-se de pé ao meu lado esquerdo e me estendendo o braço. fez a mesma coisa. Só que do meu lado direito.
- Certo. Vocês venceram – coloquei-me de pé, de braços dados com eles. Saímos do quarto e o veio atrás com a minha bolsa.
Chegando ao baile, fiquei feliz. Feliz porque as pessoas estavam alegres com tudo que planejei. Olhar e ver que tudo, até uma fitinha pendurada no salão, foi planejado por mim me deixava uma pouco em paz.
O Brad me tirou para dançar, deixando a Claire (que, pasmem, ele levou como acompanhante) furiosa. Ainda bem que não era uma música lenta, senão ela teria se matado ali mesmo.
- Ainda não entendo por que terminamos. Achei que a gente estava indo tão bem.
- Foi para o seu bem, Brad. Eu estava o enganando e me enganando. Vá por mim. Foi melhor assim.
- Se você acha que foi melhor, quem sou eu para discordar? Mas você sabe. Sempre que precisar de algum amigo, pode correr para o Brad aqui.
- Oun, meu ursão lindo – abracei-o com toda a minha força – Muito obrigada. Agora vá lá chamar a Claire para dançar antes que ela exploda e estrague tudo que planejei com tanto carinho.
- Tudo bem. –ele respondeu, sorrindo e me dando um beijo na testa – Cuide-se, .
Olhei para a mesa do ponche e vi o lá com uma cara meio suspeita. Apressei meus passos em direção a ele.
- , recuso-me a acreditar que você está batizando o ponche. Se algum pinguço estragar esse baile...
- Estou começando a achar que você deveria ter ficado em casa.
- Ah, claro. E deixar você estragar tudo que planejei?
- Maninha, foi só um pouquinho de vodka. Juro que ninguém vai entrar em coma alcoólico ou algo do tipo.
- Assim eu espero.
Distanciei-me do , entrando pelos corredores do colégio com uma sensação terrível de estar sendo seguida. Porém, sempre que olhava para trás, não havia nada nem ninguém. Nem a minha sombra estava me acompanhando. Quando dei por mim, estava no salão de música. Sentei-me no banquinho do piano, passando os dedos sobre as teclas.
- Tudo começou aqui – assustei-me ao ouvir aquela voz, sentindo que meu coração ia sair pela boca. Não porque estava feliz em ver a pessoa. Não que eu não estivesse. Eu estava, mas foi mais por medo mesmo.
- Foi aqui que dei o meu primeiro beijo.
- Foi aqui que beijei a única garota que amei na minha vida.
- Seria bom se isso fosse verdade.
- Seria bom que ela acreditasse em mim.
Olhei-o com um sorriso sem graça no canto dos lábios e parei para observá-lo. Era um tão diferente do que conheci. Parecia um homem. E não aquele moleque com quem eu estava acostumada a conviver desde os meus seis anos de idade.
- Na verdade vim me despedir de você.
- Como assim? Não vai aproveitar mais o baile?
- Para que se tudo que me interessa nesse baile está nessa sala?
- , pare.
- Já falei. Vim me despedir de você – ele se ajoelhou à minha frente, segurando minhas mãos entre as dele – Só quero que você prometa para mim que vai sempre continuar a ser essa pessoa linda que é, que, embora de faça de durona, arrogante, é o ser humano mais doce que conheci. Na verdade não sei por que você faz questão de mostrar o seu oposto às pessoas se você não é assim. Mas isso não vem ao caso... Quero que você me prometa isso e que vai se cuidar direitinho.
- Por quê? – senti um nó na minha garganta. Levantei minha cabeça para que as lágrimas que ameaçavam cair voltassem para os seus lugares, embora isso fosse impossível – Para onde você vai?
- É melhor você não saber. Pelo menos não por enquanto. Porém não se preocupe, porque sempre vou procurar saber de você.
- Se eu pedir para você ficar? – não consegui. Comecei a desmanchar ali na frente do .
- Melhor não, – e ele encostou os lábios nos meus que estavam trêmulos e encharcados pelas minhas lágrimas – Você tem três garotos ótimos que a amam e pode ter certeza de que dariam a vida por você. Até o . E tem amigas maravilhosas. Com o tempo vou fazer parte do seu passado. Só espero que tenha sido de um passado bom.
- O que tenho que fazer para ter você comigo?
- Basta olhar para dentro. Olhar para o seu coração que você vai me encontrar lá até o dia que você não quiser mais – então nossos lábios se estreitaram mais. Foi um beijo intenso e rápido.
Tentei segurar suas mãos, mas foi inútil. Fiquei paralisada, olhando-o partir. Queria correr atrás dele, queria impedi-lo de ficar longe de mim, porém não conseguia me mover. Por mais que eu quisesse me pôr de pé e correr o mais rápido de podia para alcançá-lo, o meu corpo não obedecia a mim. Abaixei minha cabeça e comecei a pensar naquele colega de escola dos meus irmãos que ele levaram para dormir lá em casa, primeiro amigo do que ia lá sem ser o . Um moleque que implicava comigo, que dizia que o quarto do era um clube só para meninos e eu não podia entrar, que sete anos depois veio a ser o meu primeiro beijo, meu primeiro namoro, meu primeiro e único amor.
- , posso entrar?
- Claro que pode – falei com um sorriso forçado.
- Tudo isso vai passar. É só uma questão de tempo. Vai ver que com o tempo tudo vai ficar bem com você, pequena.
- Pequena? Só uma pessoa me chamava assim.
- É? Quem?
- Não era ninguém. Deixe para lá - abaixei um pouco a cabeça.
- Era o Sony?

Capítulo catorze
The truth.

- Como você sabe? Mexeu no meu computador?
- Não, não precisei disso.
- Então como você sabe?
- É uma longa história.
- Tenho toda a vida.
- Ok. Vou lhe contar. Tudo começou um dia quando fui na casa do .

- Então, , foi isso o que aconteceu entre mim e a – o me contou com certo desânimo.
- E agora você está deprimido porque ela está na Espanha?!
- Não é porque ela está, e sim porque ela disse ao que está pensando seriamente em ficar lá. Será que ela esqueceu tudo? Conseguiu superar o que passou entre a gente?
- Cara, você aceitou namorá-la escondido e ela o traiu. Acho que a menina já o superou há muito tempo.
- É, também estou começando a pensar assim.
- Cara, por que você não faz um fake?
- Isso é coisa de criança, – ele me olhou incrédulo.
- Ah, que se foda, . Pelo menos você conhece gente, distrai-se e não precisa se mostrar.
- Dude, você tem fake? É isso mesmo? – ele perguntou com um sorriso de deboche.
- Já tive e não me arrependo, mas fui ficando sem temp. Sabe como é, né?
- Sei... Vou pensar nisso.

- Cara, fiz o fake - falou assim que ouviu a minha respiração ao atender o telefone.
- E aí?
- E aí que não sei para onde vai essa porra – respondeu rindo.
- É assim: você finge que está com uma pessoa, imagina e vai digitando tudo.
- Chegaram umas meninas fazendo isso e achei que elas fossem loucas.
- É assim mesmo, seu otário.
- Certo.
Ele começou a usar aquilo e realmente foi “conhecendo” muita gente, mas teve uma pessoa em especial que chamou a atenção dele porque ela era diferente. As outras meninas chegavam se jogando. Já ela queria saber como ele estava, puxava assunto, e desse jeito o ganhou. Com o tempo ele percebeu que estava dependente dela. Deixava de sair conosco porque tinha marcado de ficar conversando com a garota, pegar as metidinhas da escola já não tinha a mesma graça, e o melhor: ela o fez esquecer tudo o que eu passou com você. Até mandou um depoimento para a garrota explicando tudo o que sentia, porém na verdade tudo não passou de fogo de palha. Uma semana depois, ele já tinha se cansado de tudo aquilo.


- Para de falar “dela”, que sei que sou eu.
- Shiu. Não me atrapalhe, se não sai do contexto – olhei-o sem acreditar.
- Ande. Continue.

- E aí, dude?!
- Oi, .
- Então, e o fake?
- Velho, já cansei. Sabe?
- E a menina que você conheceu, que vocês estavam se dando super bem?
- Ela está viajando, entra pouco, e sei lá... Ainda continuo achando que isso é coisa de criança. Vou lá tomar um banho. Fique à vontade. “Mi PC es su PC” – falou, dando-me uma toalhada e correndo para o banheiro.

- Pronto. Você agora tem uma namorada.
- Oi? O quê? Como? Onde? Só passei quinze minutos no banho. Mais quinze eu já estaria casado e pai de cinco filhos no mínimo.
- Não, Mané. Estou falando da Styx. E, a propósito, ela não está mais viajando.
- Mentira. Quer dizer a Styx é minha? Só minha e de mais ninguém?
- Uhum. Graças ao big aqui.
- Amo você, porra. Amo tanto que sou até capaz de lhe dar um beijo.
- Não, obrigado. Estou dispensando isso.


Fui escutando o falar até que comecei a dar risada sozinha.
- Endoidou de vez?
- Não. É que eu estava me lembrando de quando vocês foram acampar e pedi para o me fazer companhia. Tinha horas que eu soltava que tinha namorado e ele ficava muito bravo. E só agora me dei conta de que ele estava com ciúmes dele mesmo.
- Ah, ‘ta. Posso continuar?
- Faça o favor.
- Lembra-se daquele dia do brigadeiro, do notebook e tudo mais?
- Lembro!
- Então, antes de avisar que ia usar, eu tinha olhado antes e confesso que não sei o que senti quando descobri que você era Styx. Senti vontade de perguntar se você sabia que o Sony era o e só queria brincar com ele. Não sabia se ficava feliz pelo ou se o mandava excluir o fake, então resolvi fingir que ia usar o notebook para ver a sua reação e, dependendo dela, eu resolveria o que fazer. Sem contar que sei muito bem a diferença do seu notebook para o do .
- Ele não me amava, .
- Ele não a amava. Ele a AMA.
- Sabe quando passei dias trancada no quarto?
- Quando você estava tentando fazer o cosplay da Noiva Cadáver? Sei sim.
- Nunca contei pra ninguém, mas vou lhe explicar o que houve.
- Explique!
- Chamei o para dormir comigo, mas só dormir sem segunda intenções. Na verdade, ouvi a Clarie falando que o chamou para passar a noite com ela e meio que quis saber de quem ele gostava de verdade, então o convidei. Fiquei feliz quando no meio da noite o estava jogando pedrinhas na janela do meu quarto, mesmo acertando uma na minha cabeça. Mas enfim... Eu tinha ganhado sabe? Ele escolheu dormir comigo a passar a noite transando com aquela cachorra. Naquele dia tive que apresentar uma música com ele na aula de Artes e no mesmo dia, quando as aulas acabaram, eu me deparei com ele e a Claire se agarrando. Aquilo me deu um asco. Eu queria fugir. Chegando ao carro, o disse que o só não passou a noite com a outra por que o irmão dela estava em casa. Aí percebi que eu era a segunda opção dele e aquilo apertou o meu peito – e eu apertava os meus olhos e levantava a cabeça, tentando fazer com as lágrimas não descessem, porém elas foram mais teimosas e fortes que eu, então começaram a cair – E, para completar, no mesmo dia o Sony, o , que diabos que seja, terminou comigo.
- Ele falou que ia terminar, que não era certo trair a Styx por mais que o namoro com ela, com você, fosse no fake.
- Esse foi o pior dia da minha vida, . O PIOR. Eu não sabia o que fazer. Milhões de coisas se passaram pela mente, mas não tive coragem de fazer nenhuma delas. Apenas de me sentar num canto e chorar. Chorar com a esperança de que as lágrimas me secassem e de que todos me esquecessem.
- A gente nunca iria se esquecer de você. Até parece.
- Mas você entendeu o meu motivo? O pensou até que fosse pelo Brad. Imagine se eu dissesse que foi pelo , um dos melhores amigos dele. E depois, ... Depois foi o pior. Cara, como ele teve a coragem de levar a Claire na minha casa, NA MINHA CASA, ficar se agarrando com ela na minha frente depois de tudo? Aquilo para mim foi o fim. Só me restou beber, beber e beber. Na verdade, a minha vontade era sair agarrando todos os meninos, mas então pensei no e resolvi me agarrar com o álcool que nessas horas pode ser o seu melhor amigo.
- Percebi. O ficou morrendo de ciúmes. Ele disse que ficou louco quando viu o cara a agarrando e me contou da conversa de vocês também. Foi depois dela que ele viu que só estava fazendo uma merda atrás da outra com você. E ele me disse que resolveu procurar a Styx, porém só para esquecê-la. Meio que ia usar você para esquecer você. Foi quando ele me disse que tinha mandado e-mail e nada da Styx responder ou aparecer. No dia que você entrou, eu que estava no MSN. Acho que o estava na sua casa. Contudo resolvi falar com você para ver se voltavam, pra ver se o ficava bem, ficava feliz, pra eu poder dizer a ele que vocês voltaram e foi aí que você resolveu acabar de vez e disse o seu nome e tudo. Naquele momento, fiquei aliviado por estar no MSN no lugar dele. Não sei o que ele faria se soubesse que você era a Styx. Sabe?
- Ele estava lá em casa sim, sentado na minha frente.
- Então você terminou comigo.
- Afinal, quem eu namorei? Você ou o ?
- Bom, você aceitou namorar comigo, namorou o , ele terminou com você e você terminou comigo.
- Entendo. , me faz um favor? – pedi, olhando-o nos olhos.
- Fale.
- O está mesmo indo embora? Para onde? Você me diz?
- Sim, ele está. Não posso lhe dizer para onde. Isso foi o que ele mais pediu para mim e os dudes. Desculpe.
- Eu vou descobrir – levantei-me, sentindo meu rosto arder como brasa, e passei pelo meio do baile bem na hora que o diretor estava agradecendo.
- E quero pedir uma salva de palmas para a líder do comitê de organização do baile. Venha até aqui, senhorita – era só o que me faltava. Eu estava vermelha. Os meus olhos estavam vermelhos de tanto chorar e minha maquiagem se não fosse à prova d’água estaria toda borrada. Porém respirei bem fundo, estufei o peito e lá fui subindo no palco para pegar a flores que a escola me deu em forma de agradecimento.
- Eu que agradeço a todos por terem vindo – comecei o discurso, aproximando-me do microfone – Tudo aqui foi pensado e feito para a diversão de vocês. Realmente espero que estejam contentes com o baile e que quem veio com a pessoa que ama que seja feliz. Aproveitem o baile para declarar o seu amor. E, quem encontrou alguém interessante que mexeu fundo com você, também aproveite o perfume e a magia das flores para se declarar. Quem veio sem a pessoa que ama, mas ela está aqui, vá fundo. Essa pode ser a chance de vocês se descobrirem. Não deixem a pessoa que toma conta do seu coração e do pensamento fugirem das suas mãos. Por mim, não façam isso. Vão, lutem por elas, façam o possível e o impossível por ela. Porque, se você sentar e esperar, ela vai embora e você vai ficar sem saber o que fazer, vai perder o seu chão. E, vão por mim: ter quem você ama e deixar ir é a pior coisa do mundo – nessa hora vi pessoas se abraçando, beijando-se, trocando de par, rapazes ajoelhados pedindo garotas em namoro. Senti-me tão pequena, tão insignificante por não ter lutado pelo , que apenas sussurrei um “obrigada” no microfone e saí do baile, passando pelos meus amigos todos se beijando em um canto. Sorri. Resolvi não atrapalhar e peguei um táxi para ir embora.

- Ei, princesa- senti alguém se sentando ao meu lado e mexendo nos meus cabelos.
- Oi, – olhei-o sorrindo e em seguida olhei para o relógio que marcava 1h23min da manh㠖 Foi bom o fim do baile?
- Foi. A melhor parte foi ficar lá feito um louco a procurando, chorando e arrancando os meus cabelos, até que alguém disse que a viu pegar um táxi.
- E por que não me ligou?
- Ah, você acha que não? Só dava desligado.
- Ih, descarregou – falei, tirando o celular de baixo do travesseiro.
- E o da casa ninguém atendia.
- Oun, meu amor, desculpe-me – abracei-o com todas as minhas forças – Mas é que você e a estavam tão agarrados que preferi sair sem avisar.
- E me matar do coração, né?
- Desculpe – falei manhosa, fazendo um semi-bico, o que fez o pular sobre mim e me encher de cócegas.

Ainda tínhamos dois meses de aula. Eu tinha esperanças de que o não tivesse ido, que ele estivesse apenas me pregando uma peça, que ao chegar à escola segunda-feira eu fosse esbarrar com ele na aula de Artes, mas passou segunda, terça, quarta, quinta a outra segunda e nada do .
- Pode ficar relaxado, dude. Ela está bem ou finge muito bem – parei na porta do para tentar descobrir com quem ele falava, mesmo tendo a certeza de que era o – Não, ela não perguntou por você. Pelo menos não para mim – ele vai pensar que já o esqueci.
Não resisti. Entrei no quarto do e, como ele estava relaxado, consegui tomar o celular dele no ouvido, conseguindo ouvir um pouco do que o dizia.
- Então acho que ela está bem – consegui sentir que ele estava triste.
- Eu não o esqueci, . E nunca vou esquecer – o tentou pegar o celular e saí correndo e gritando dentro de casa, sem descolar o aparelho do meu ouvido – Por favor, fale comigo.
- Cuide-se – ele meio que sussurrou e desligou o telefone.
- , fale comigo, por favor. Não desligue – insistia, mesmo ouvindo o “tututu” do telefone. Tentei ver as últimas ligações feitas e era para a . Das recebidas, era de um número não identificado – Bosta.
Joguei o celular do no chão e me joguei no sofá, com o rosto enfiado num travesseiro, chorando e tendo os meus gritos abafados pelo mesmo.
- Não é o celular do no chão? Ele não quer mais? – o foi entrando e perguntando. Só soltei um gemido abafado e o senti se sentar ao meu lado e acarinhar as minhas costas – Ei, o que houve, criança?
- “Uneis” – falei, abafando o rosto na almofada.
- E o que é isso?
- Você – virei-me, agora olhando para .
- O que tem a gente?
- Vocês estão me escondendo o . Se ele não estiver bem, se ele estiver doente, se estiver precisando de mim... Consegui ouvir a voz dele hoje e ele precisa de mim. Sei que precisa.
- Conseguiu? Como?
- Ele estava falando com o , peguei o celular e saí correndo. Por favor, , diga-me onde ele está. Se vocês não me disserem, vou pegar carona com o primeiro caminhoneiro que passar e vou atrás do . Vou à China se for preciso, mas só vou sossegar quando puder abraçá-lo, quando puder sentir o rosto, o cabelo dele nas minhas mãos, sentir o cheiro dele entrando nas minhas narinas.
- Então é sério mesmo? Você ama o ?
- Sempre amei, , sempre. Mesmo com a gente brigando, mesmo nos tratando com indiferença, sempre o amei. Aquilo não me atingia, tanto que mesmo a gente brigando eu o tinha por perto. Mas agora não. Não sei onde ele está, não sei como falar com ele. O número que tenho não existe mais, os meus e-mails ele não responde e telepatia ainda não sei fazer. Preciso dele aqui, preciso do perto de mim. Por favor, ajude-me. Sei que você, e sabem onde ele está, e sei que vocês não contaram as meninas para elas não me contarem. Porém acham justo? Cara, estou sofrendo e, pelo tom da voz dele, ele também está. Então façam um bem por nós dois, por favor - abracei o , deixando-o com uma camisa completamente ensopada pelas minhas lágrimas.
- Ei, calma – ele falou enquanto segurava o meu rosto e secava as minhas lágrimas - Se for para você e o se encontrarem, isso vai acontecer com toda essa loucura, com ele se escondendo. O que tiver que ser será. Confesso que não entendi ainda toda essa loucura do , contudo acho que ele está apenas dando um tempo para vocês dois. Se mesmo depois de tudo isso, mesmo depois de um tempo separados vocês seguirem se amando, ele volta.
- Você promete que ele volta? – senti-me como uma criança indefesa naquele momento, de quando meu pai me prometia um brinquedo e eu queria que ele dissesse que ia me dar.
- Prometo, minha criança. Se sua vida for ao lado do , ela será. Não se preocupe. Nem que eu vá buscar onde ele está e trazê-lo arrastado pela cueca.
- Tadinho – sorri – não quero isso. Quero que ele venha por que me ama e não por que foi forçado.
- E ele virá, maninha – abraçou-me forte – Virá – mexeu no meu cabelo.
Senti o abraço ficar maior e, quando parei para olhar, o tinha se juntado a nós. Eu tinha os melhores irmãos do mundo, mas precisava de mais alguém ali para me sentir completa. Se eles pensam que vou ficar sentadinha e esperar o bater na minha porta, eles estão muito enganados. Ah, se estão.

Capítulo quinze
E a tristeza não se parece a ti.

-Vamos lá. Hoje começa a missão “caça ao ” – falei para mim mesma, enquanto pegava o telefone, ligando para as meninas Vamos combinar que fazer uma conferência é bem mais rápido do que ligar para uma de cada vez.
- Fale, vaca – a me ama tanto que já atende assim.
- Vá à merda, . A e a também estão na linha.
- Oi, bitches, tchutchucas, gatinhas.
- , você bebeu?
- Não. Só estou feliz. Você reparou que seu irmão não dormiu em casa essa noite? Ele passou aqui. Foi tudo tão lindo, tão mágico. Ele foi tão carinhoso – juro que, se fosse outro garoto, eu até me esforçaria pra ouvir, mas, cacete. Não quero imaginar meu irmão transando com a minha melhor amiga.
- Por favor, . Não me faça vomitar.
- Como você está azeda, chata.
- Caladinha, . Gente, acho que vocês sabem que o foi embora e os meninos se recusam a me dizer para onde ele foi. Só que, meninas, entendam-me. Preciso encontrar o . E vou atrás dele com ou sem a ajuda de vocês.
- Calma, . A gente vai ajudar – a falou, dando-me um tempo para respirar – Você tem algo em mente?
- Esse é o problema. Não tenho a menor idéia do que fazer. já olhei tanto no celular do quanto no do . Não tem nenhum número, a menos que esteja com outro nome. Só que não vou sair ligando para todos os números.
- Verdade. Vou ver se consigo algo no celular do .
- Você pode fazer isso, ?
- Claro que posso. Mas o que você pretende fazer se descobrir algo? -QUE LINDA! MINHA NENÉM APAIXONADA! – berrou ao telefone.
- Cale a boca, . Essa desgraça está bêbada. Só pode. Porém, meninas e cachaceira, estou aberta a idéias. , se conseguir qualquer coisa com o , ligue, por favor. Câmbio desligo.
Eu tinha que pensar. Ele ligou para o sem identificação. O tem dinheiro, contudo não o suficiente para ir para longe. Pense, , pense...
Eu estava pensando até ouvir a campainha. Toda vez que ela tocava, corria loucamente com a esperança de que fosse ele e dessa vez não foi diferente. Corri até a porta e...
- MÃE?! – espantei-me ao abrir a porta – O que a senhora faz aqui?
- Oi, minha filha – ganhei um beijo na testa – Sei que passei muito tempo longe, porém aqui ainda é a minha casa.
- Mas, mas você não avisou... - gaguejei.
- Queria fazer surpresa e, pela sua cara, acho que consegui. E o seu irmão, cadê?
- Qual deles?
- O que eu pari, lógico. Aliás, a mãe do tem reclamado que ele quase não vai para casa – nossas mães eram modernas e amigas. Tornaram-se companheiras por causa da gente e conversavam por MSN. Já não se fazem mães como antigamente.

Tive uma idéia. Vou ter que me desfazer da minha bolsa favorita, mas é o único jeito e, bom... Não tenho certeza de que vai dar certo, porém espero que dê.
- Claire, sabia que nessa escola não existe menina mais bonita que você? – aproveitei para empurrar a azeda para dentro do banheiro.
- Sei disso, – respondeu, mexendo no cabelo. Credo. Como a pessoa nasce uma só vez e pode ser assim tão nojentinha.
- Então, coisinha linda do meu viver, o que você achar de ganhar essa linda bolsa Louis Vuitton? – ai, que facada no meu coração. você me paga.
- Assim, do nada? – ela falou, puxando o chiclete e colocando de volta a boca. Sabe, meio que tenho raiva, asco de chiclete. Não entendo muito bem para que serve.
- Bom, você vai ter que fazer um favorzinho para mim.
- Fale – será que ela não pode parar de brincar com esse chiclete? Credo.
- Você vai usar todo o seu charme... – na verdade, eu não enxergava nenhum charme, mas já que os meninos babavam nela... – Com os meninos, , e , e tentar arrancar deles o número de telefone, é... – mordi meu lábio, ficando envergonhada, e sussurrei – Do .
-Por quê? Ele lhe deu um chute e mudou o número? Por isso que não o vejo na escola. O cara não quer ver essa sua cara irritante.
- Ele foi embora – sussurrei – Porém isso não é da sua conta – aumentei o tom da voz – Então, vai querer a bolsa ou não?
- Certo.
A cada intervalo, eu via a Claire com um dos meninos. Bom, pelo menos ela pensou um pouco e não deixou para atacar quando todos estivessem juntos. Talvez ela não fosse tão burra.

- Olhe, , cada um deu um número diferente, mas fiz o prometido. Pode passar a bolsa – tenho certeza de que nenhum número é o verdadeiro. Perdi minha bolsinha em vão, mas vamos lá. Força. Respirei fundo e entreguei a bolsa a ela – Se precisa de outro favorzinho, pode me procurar – dei um risinho amarelo. Vaca.
Depois das aulas, as meninas foram para a minha casa. Precisávamos fazer uma reunião, juntar tudo que tínhamos e tentar descobrir algo.
- Então, a Claire conseguiu esses números – falei, jogando os papéis com os números na cama e me sentando na mesma em seguida – Porém não acho que nenhum seja verdadeiro. Se vocês quiserem tentar ligar...
- Eu ligo – a pegou o celular e colocou um pedaço da camisa na boca, se por acaso alguém atendesse. Cada vez que ela me olhava, eu sentia uma pontinha de esperança, mas então a menina me olhava, balançava a cabeça negativamente e pegava outro número – Nenhum deles existe.
- Tinha certeza disso – senti meus olhos se encherem de lágrimas, todavia eu não queria chorar. Queria mostrar que eu era forte, mas mostrar a quem? Às minhas amigas? Não preciso esconder nada delas.
Foi quando vi a se sentar ao meu lado, puxando-se para o seu colo. Deitei minha cabeça nas pernas dela e desabei.
- Chore que vai lhe fazer bem. Coloque tudo para fora – falava enquanto mexia no meu cabelo.
- Por que tinha que ser assim? Ele não podia ficar? A gente conversava. Tudo seria tão menos doloroso... – nesse momento, comecei a soluçar – Vou buscá-lo. Vocês vão ver. Vou ter de volta antes do meu aniversário – nesse momento, nem eu entendia mais o que estava falando. Quanto mais as meninas.

- Você tem falado com ele? Ah, então está tudo bem – ouvi minha mãe falando ao telefone ao passar em frente à porta do quarto dela que estava entreaberta – Mas ele está na casa de quem? Ah, então está morando com o pai. Sozinho?! Você acha que o rapaz volta? Sabe, Lícia, é que não aguento mais ver a chorando pela casa. Já faz um mês que ele foi embora e ela não pára de chorar. Sabe qual foi a última que a menina aprontou? Passou três, TRÊS dias sem comer absolutamente nada – falou, alterando o tom da voz e ficando um tempo calada em seguida – Entendo. Sei que ele é seu filho, mas você tem que entender que ela é minha filha. É mulher e tenho certeza de que está sofrendo mais do que ele – espere aí um momento. DESDE QUANDO A MINHA MÃE SABE DA MINHA HISTÓRIA COM O ?! Calma. Respire, inspire, puxe o ar, solte o ar, para dentro, para fora. Agora se concentre na conversa – Não, Lícia. Eu entendo. Juro que entendo, porém o ainda liga para os meninos, tem notícias dela, mas ela não sabe absolutamente nada. O irmão não conta, os amigos não contam, e as amigas estão tão por fora quanto ela. Se ele está sofrendo como você diz, por que não volta e acaba logo com essa tortura? Você não sabe como fico cada vez que vejo a minha filha com os olhos vermelhos de tanto chorar. Eu sei, eu sei que pelo menos ela está aqui comigo, contudo o seu filho foi embora porque qui. Ele poderia ter tentado conversar com ela. Está ok, Lícia. Vá lá. Qualquer coisa, ligue – minha mãe desligou o telefone. Contei até dez para ela não desconfiar de nada e então bati na porta – Pode entrar, princesa – ligou a TV e se sentou na cama, encostando as costas à cabeceira do móvel. Fui engatinhando até ela como fazia quando era pequena, procurando um lugarzinho por debaixo das cobertas. Deitei minha cabeça nas suas pernas. Senti quando ela começou a mexer no meu cabelo, fazendo-me pegar no sono.
- Ela está bem? – escutei a voz do ao longe. Às vezes, eu tinha raiva disso tudo. Tratavam-me como uma doente em estado terminal ou talvez eu desse motivo para isso, chorando o tempo todo, mas é que tudo me lembrava do . Até o próprio .
- Estou, sim – respondi, espreguiçando-me – Só cochilei um pouco – sorri e o se deitou do meu lado. voltou à sua casa desde que a minha mãe chegara de viagem, então éramos só nós três em casa.
- Ele me ligou e disse que está bem, que você não precisa se preocupar e nem deixar de comer, se não vai ficar chateado e não voltará.
- Quem você pensa que está enganando, senhor ? Pare de inventar as coisas só para eu não ficar sem comer.
- Quem disse que inventei? – deu-me um beijo no rosto e me abraçou. Minha mãe teve que dividir os carinhos. Um tempo para mim e um tempo para o .
- Quem sabe, se eu morrer, ele venha ao meu enterro... – sussurrei, mas alto o suficiente para que o escutasse, embora não fosse a minha intenção.
- Não fale isso nem brincando. Ouviu bem? Nem brincando – eu não queria acreditar no que via à minha frente. com os olhos cheios de lágrimas. Sei que somos irmãos, temos nossas desavenças, porém também não sei o que faria sem ter o por perto.
Então dormimos na cama com a nossa mãe como fazíamos quando pequenos. Às vezes, era bom ficarmos assim os três juntos. Afinal de contas, tudo o que tínhamos era uns aos outros.

As provas finais estavam se aproximando e, pela primeira vez na vida, fiquei feliz por isso. Enquanto me preocupava com Física, Química, Matemática, que odeio, eu iria me esquecer um pouco do . Mas bem pouco.
- Então, o que minha maninha vai querer de presente de aniversário? – perguntou, beijando minha bochecha, enquanto eu estava sentada numa das mesinhas de cimento que tem no pátio da escola.
- Quero o outro aniversariante do dia aqui comigo – em algum momento mencionei que eu e o fazemos aniversário no mesmo dia? Pois é.
-Você sabe que, se ele quiser, o cara vem.
- Então ferrou. Já devo me conformar que nunca mais irei vê-lo de novo.
- Como você é otimista. Mas me conte: como estão os estudos?
- Acho que dá para passar tranqüila do jeito que estou estudando. Já posso sair daqui formada como professora de alguma matéria – ele sorriu. tem um sorriso tão bonito. A tem sorte de ter encontrado um cara como ele. Realmente quero que eles se casem e me dêem sobrinhos lindos para eu poder paparicar e morder o tempo todo.
- Está tranqüila mesmo para todas as provas?
- Estou, sim, senhor. E você? Preparado para sair da escola, encarar a faculdade, virar um homem de verdade?
- Ah, , nem pensei nisso. Eu e os caras decidimos passar um ano sem estudar. Sabe? Para poder ver o que a gente realmente quer, qual carreira é a certa para nós. Essa coisa de terminar o colégio e já ter que estar em uma faculdade é puxado demais.
- O me disse dessa decisão de vocês. Se acham que é o melhor... Porém me diga uma coisa: e o ? Ele está estudando?
- Está, sim. Nem se preocupe. Ele levou as notas dele, explicou tudo na escola perto da casa e está tudo certo. Não vai perder o ano nem se atrasar nem nada do tipo. Contudo deve ser muito puxado para ele, já que está morando sozinho lá em Du... Brighton. Em Brighton.
- Dublin? O está em Dublin? – gritei no meio do pátio da escola, ficando de pé na cadeira que estava sentada.
- Não falei Dublin. Falei Brighton – puxou-me para eu me sentar de novo.
- Não sou idiota, , e é para Dublin que vou quando as aulas terminarem.
- Eu estou fo-di-do – bufou, batendo com a mão na testa.

A semana de provas passou correndo e, no último dia, senti uma alegria e um alívio tão grande. Meu está em Dublin. Ok que, se eu for lá, não vai ter placas e letreiros luminosos indicando “dobre a direita, agora a esquerda e, finalmente, parabéns. Você conseguiu. está aqui”. Vou ter que ir a outro país. Está certo que é tranqüilo chegar à Irlanda, mas não deixa de ser outro país. E sair procurando pelo ... Talvez eu faça cartazes com foto dele e saia perguntando “você viu esse garoto?”. Bom, assim pode ser que tudo fique mais fácil.
Enfim acabaram as aulas. Passei de ano. Também, pudera o tanto de tempo que passei estudando. Todavia, agora meu foco é outro. É chegar a Dublin e carregar o senhor de volta para a Inglaterra.
- , quero conversar com você – falei, pondo a cabeça para fora do quarto ao ouvir os passos dele.
- Fale.
- Venha aqui – chamei, entrando no quarto. Sentei-me na minha cama e bati ao lado, fazendo sinal para que ele se sentasse. Assim o fez e ficou com cara de cachorrinho que foi abandonado na mudança. Beijei-o no rosto e sorri – Bom, não vou ficar de enrolação. Você tem o endereço do ?
- Não faço a menor idéia de onde ele está.
- Não minta para mim, . Já sei que ele está em Dublin.
- Quem contou?
- Ahá, então ele está mesmo em Dublin? – berrei, apontando o dedo no rosto do com um sorriso vitorioso nos lábios.
- É, está.
- Vou ser direta com você. Ou me diz o endereço tudo direitinho, ou vou para Dublin sair de batendo de porta em porta até encontrá-lo. Quero passar meu aniversário com ele e aposto que o cara vai ficar feliz em passar dele comigo.
- Vou vigiá-la vinte e seis horas por dia. Muito obrigado por me avisar.
- Você não é páreo para mim, mas, se não vai ajudar, pode ir.
- Sim, senhora. – ele saiu do meu quarto e comecei a pensar. Quem poderia me ajudar? Eu tinha muito tempo vago para pensar, porém faltava apenas uma semana para o nosso aniversário. As meninas estavam fazendo o possível para me ajudar. Já os meninos faziam o impossível. Minha mãe só sabe dizer que, se ele tiver que ser meu, será. É o que dizem, não é? Soltem o que você ama. Se voltar, é porque é seu. Mas por que tenho que esperar voltar? Por que não posso ir atrás? Afinal, também dizem que devemos correr atrás dos nossos sonhos e, no momento, o meu maior sonho é estar ao lado dele.
Mas como? Sair por aí com a foto dele é loucura, contudo estou desesperada. Já que não tenho aula, minha cabeça fica vaga. Foi aí que ascendeu uma luzinha na minha cabeça. Quem é meu fã-clube de um membro só e que ainda por cima está sofrendo porque o filho está longe? Claro! Dona Lícia!
Levantei-me, peguei um casaco (na verdade, o casaco que era do ) e desci correndo.
- Onde a mocinha pensa que vai a essa hora?
- Que horas são?
- Apenas onze e meia da noite.
- Ah, mãe, preciso sair. É urgente. É caso de vida ou morte. Por favor, deixe, por favor.
- Não deixe, não. Ela quer fugir atrás do .
- Não se intrometa, ! – berrei, já ficando vermelha de raiva.
- Você vai o que, dona ?
- Não vou atrás do – “não agora”, falei em pensamento – Mas é que preciso sair. Olhe, só estou com a roupa do couro. Vá, mãe. Cada minuto que passa vai ficando mais tarde – ajoelhei-me diante dela, com os olhos cheios de lágrimas – Mãezinha, por favor, entenda – respirei fundo e fiquei olhando nos olhos dela. Não tinha mais o que falar.
- Eu não deixaria – o estava pedindo para apanhar. Fuzilei-o com os olhos e depois desviei o olhar antes que pudesse voar nele.
- Você promete que vai voltar e que não está indo atrás do ? – falou, pegando uma pontinha do meu cabelo e enrolando. Senti-me tão protegida, tão feliz, tão amada só pelo olhar que minha mãe me lançava.
- Prometo – levantei-me, beijando-a na testa e em seguida mostrando a língua ao – Eu volto mãe. Não se preocupe.
Peguei um táxi até a casa da dona Lícia e peguei o telefone do motorista para ele ir me buscar depois. Não sei se iria conseguir outro táxi rapidamente de madrugada.
Ao parar defronte à casa, reparei que apenas uma luz estava acesa e era a luz do quarto dela. Preparei-me psicologicamente para tocar a campainha. Ela sempre gostou de mim, mas o filho dela foi embora por minha causa. Não sei como me receberia e ainda por cima àquela hora, mas chegou a hora. Toquei a campainha e aguardei um pouco.
- Quem é? – ouvi uma voz rouca perguntar atrás da porta.
- Sou eu, dona Lícia. A .
- Oi, minha filha. Pode entrar – ela tinha um jeito maternal. Uma mulher doce. Realmente não sei por que o marido a largou. Segundo o , ela ainda sofreu por um bom tempo após a separação. Na verdade, ele acha que mesmo depois de dez anos ela ainda não superou.
- Acho que a senhora sabe por que estou aqui – falei enquanto ouvia a porta se fechando atrás de mim. Sentei-me no sofá e esperei que ela se sentasse à minha frente. Olhando-a bem, pude reparar nos seus olhos vermelhos e nas olheiras fortemente marcadas.
- Achei até que você demorou – o olhar dela estava me torturando. Senti uma vontade tão grande de abraçá-la que, quando dei por mim, estávamos abraçadas, chorando, e sabe-se lá quanto tempo passamos assim. Só sei que não foram menos de dez minutos.
- Desculpe-me, por favor – implorei enquanto passava a mão no rosto para enxugar as lágrimas.
- Desculpá-la pelo que, criança? – respondeu, fazendo o mesmo movimento que eu fazia.
- Afastei seu filho de você, tirei-o de casa. É tudo culpa minha.
- Coloque uma coisa na sua cabeça: o já tem praticamente dezenove anos. Ele sabe muito bem o que está fazendo e, por mais que eu queira, sei que não vou tê-lo de baixo das minhas asas por toda a vida. Já é quase um homem, minha filha. Não é mais aquele menininho que eu dizia que não e ele obedecia. O que me deixa mais tranquila é o fato de falar com o rapaz todos os dias. Ele não me deu o número, mas todos os dias me liga e pergunta de você. Na verdade, acho que pergunta de você a todo mundo. Ainda não sei por que aquele cabeça-dura foi para Dublin – sorri ao ouvi-la chamá-lo de cabeça-dura. Porém ele realmente é um. Só que então nem a mãe tem o número dele... Talvez os meninos não estivessem mentindo. Quem sabe eles só soubessem que ele está em Dublin e fim?
- Mas, dona Lícia, a senhora, er... Tem o endereço dele?
- Tenho, sim, querida – dei um sorriso que senti que ia morder minhas orelhas e ela retribuiu. Como eu queria pular, soltar fogos, gritar – Sério? De verdade? A senhora pode me passar? Por favor, por favor, por favorzinho – juntei minhas mãos, ajoelhando-me e implorando.
- Calma, minha flor. É claro que passo – ela sorriu de um jeito tão angelical – É o antigo endereço da gente, onde moramos antes de vir para cá.
- Mas ele está morando sozinho ou com alguém?
- Bom, na verdade, a casa é dele. Eu e o pai dele compramos quando nos casamos e, para não haver confusão no futuro, colocamos no nome dele. Então ele está sozinho lá - peguei o endereço e comecei a me despedir dela – Filha, são duas da manhã. Não é seguro você sair por aí sozinha.
- Mas eu pego um táxi.
- Ficou louca? Você bonita e sozinha num carro com um desconhecido? Fique e durma aqui. Bom, o quarto do está livre e tenho certeza de que ele não se importa que você durma lá. Apenas ligue para a sua casa e avise que está aqui.
Assim o fiz. Acho que foi até melhor mesmo. Hoje em dia não se pode confiar em ninguém. Peguei o telefone e liguei para a minha casa.
- A mocinha ligou para dizer que fugiu e não volta mais?
- Se eu tivesse fugido, não ligaria, meu bem. Liguei para dizer que não vou dormir em casa hoje.
- COMO ASSIM NÃO VAI DORMIR EM CASA HOJE?! – e tinha um tipo de eco atrás dele perguntando “como ela não vem para casa?” – Posso ao menos saber onde você está?
- Quero falar com a minha mãe – e ainda bem que, sem fazer mais perguntas, ele atendeu ao meu pedido – Oi, mãe.
- Você está bem?
- Estou, sim. Não se preocupe. Estou na casa da dona Lícia e ela achou melhor eu dormir aqui do que pegar um táxi a essa hora.
- É, também acho bom.
- Mas não diga ao onde estou. Ele está merecendo um pouco de castigo.
- Tudo bem, querida. Cuide-se e até amanhã. Melhor, até mais tarde. Amo você.
- Também a amo, mãezinha – desliguei o telefone – Pronto. Está tudo certo.
- Você sabe onde fica o quarto do . Se quiser, pode vestir alguma roupa dele para ficar mais à vontade, porque deve incomodar dormir com essas roupas apertadas – ela fez uma expressão estranha e acabei rindo. Não consegui me conter.

- Bom dia, dona Lícia.
- Bom... – o telefone tocou e ela correu depressa. Meu coração acelerou e fiquei sem reação – Alô. Oi, meu filho. Você está bem? Dormiu bem? Anda se alimentando direito? Não está comendo só essas porcarias de macarrão instantâneo, não, não é? – era ele e eu não podia fazer nada. Apenas caminhei até a sala e me sentei no sofá ao lado da mãe dele – A ? Ela está bem, sim, meu filho. Você deveria vir passar seu aniversário com ela. É, sei que você completam anos juntos. Quando vem me ver, meu filho? Como assim quando tudo passar? Você não entende que é ela a garota da sua vida? Se for esperar tudo o que você sente por ela passar, morrerei e não vou abraçá-lo outra vez – não agüentei a comecei a chorar, segurando-me para ele não escutar. Foi quando eles começaram a se despedir – Cuide-se, agasalhe-se, não fale com estranhos e, meu filho – nesse momento ela encostou o telefone ao meu ouvido – Fale – ela sussurrou “eu o amo, ”. Falei sem conseguir conter minhas lágrimas e fiquei a observando encostar o telefone ao ouvido novamente – Não é só você que está sofrendo, seu cabeça-dura. Está bom, . Está bom. Tchau. Cuide-se e me ligue qualquer coisa.
- Queria ter escutado a voz dele – falei baixinho, enrolando uma mecha do meu cabelo.
- Você vai escutar tanto que vai chegar o momento que vai mandá-lo se calar. Deixe só vocês casarem – sorri e devo ter ficado com uma puta cara de retardada imaginando nós dois casados.
Tomamos café e voltei para casa, já montando todo um esquema mentalmente. Compraria as passagens para o dia do nosso aniversário. Teria uma semana para preparar o terreno em casa organizar tudo bem direitinho com as meninas.
- Bom dia, família – entrei em casa, exalando felicidade, e realmente acho que perceberam – E a família hoje está realmente completa – falei, dando um beijo no alto da cabeça do em seguida.
- Não vai tomar café comigo?
- Ah, desculpe, , mas já tomei café no lugar em que passei a noite.
- Estou indo trabalhar. Cuidem-se – mamãe se despediu de todos com um beijo na testa. Todos, inclusive o .
- “Baun mom e quexo xaber” – engoliu a comida – Onde a senhorita passou a noite.
- Em um lugar maravilhoso e com um ótimo café da manhã, se você quer saber.
- Maninha, você não...? - falou me olhando.
- Pensem o que quiserem – subi correndo e rindo – O chegou – gritei quando passei por uma das janelas.
Tranquei-me no quarto, peguei o telefone e marquei uma reunião com as meninas. Elas resolveram dormir aqui em casa.
- Então nos conte tudo – me jogou um olhar ameaçador. Juro que às vezes tenho medo dela e daquela cara de psicopata.
- Então – falei, pegando o Fred (meu urso de estimação) e me jogando na cama, em seguida me colocando de pé. Eu estava elétrica. Sabe, acho que era como se tivesse ganhado uns dez milhões em barras de ouro – A mãe do me deu o endereço dele – sentei-me (joguei-me) na cama, caindo sobre as meninas – E eu irei encontrá-lo no dia do nosso aniversário.
- COMO ASSIM?!
- Como assim sendo, né, ? Ah, cara, a passagem é super barata. Tenho minhas economias e dá para eu me virar super bem. A Irlanda é logo ali do lado.
- Cara, imagine a cara do quando abrir a porta e der de cara com você.
- Já imaginei isso no mínimo um zilhão de vezes, .
- Imagine só, . Você vai de roupão sem nada por baixo e, quando ele abrir a porta, abre o roupão. Duvido que ele vá mandá-la de volta para casa.
- É assim que você recebe o meu irmão quando ele vai à sua casa, não é? Sua devassa – todas caíram no riso e sinto que voltamos a ser como no começo. Acho que a minha depressão estava afetando a todas – Claro, querida. Se eu não eu fizer “vem uma de fora e creu”, pegue seu irmão de mim.
- E créu – falamos ao mesmo tempo.
- Gente, agora vamos falar sério.
- Sério.
- Cale a boca, – falei, rindo – Sério, preciso de ajuda. Tenho que sair daqui de madrugada sem ninguém ver e vou precisar de um táxi já à minha espera. O disse que vai ficar vinte e seis horas por dia no meu pé. Alguém pode ir ao aeroporto para mim e comprar a passagem?
- Todas podem, .
- Obrigada, .
- Temos outro problema. O e o têm o costume me de acordar no dia do meu aniversário. , você tem como conseguir uns remedinhos daqueles da sua avó? Vou pôr para todo mundo, até para a mamãe. Deus me perdoe, mas é para uma boa causa.
- Deixe comigo – ela fez joinha.

Chegou o grande dia. Peguei os remédios com a e coloquei uma cartela do remédio todo picadinho no suco do total. Foram oito remédios e é claro que não tomei. Disse que estava enjoada. Meia hora depois, estavam todos desmaiados em suas camas e ainda eram 21h. Peguei minha mala, desci o mais silenciosamente possível. O táxi já estava à minha espera. Levamos meia hora até o aeroporto. Chegando lá, o vôo mais cedo sairia 01h30min. Liguei para as meninas
- Você está levando o roupão, não é?
- Cale a boca, – não sei se dava risada da idiotice dela ou de nervoso.
- Boa sorte, . Vá na fé que o bofe é seu.
- Vou, .
- Mas, , você vai chegar lá de madrugada. Não vai ficar perigoso?
- Alguém que se preocupa comigo. Segundo a mãe dele, o lugar é super movimentado. Tem gente até as 4h e é super fácil de encontrar. Então acho que não tem perigo eu chegar lá de madrugada. Ai, gente, estou tão feliz. Sério. Já, já vão pensar que sou uma louca.
- Ainda vão pensar? Que pessoas lerdas nesse aeroporto.
- Também a amo, – foi quando ouvi aquela voz linda e sexy super anasalada chamar o meu vôo – Gente, agora é a hora. Desejem-me sorte.
- Boa sorte, linda – falaram ao mesmo tempo.
- Amo vocês.
Corri, sentindo o coração sair pela boca. Mais meia hora. Só mais meia hora.
Sentei-me do lado de uma senhora super simpática que ficava puxando conversa comigo, sobre como conheceu o marido na época da guerra. Ela era enfermeira e ele, um soldado ferido. Contei um resumo da minha história. A mulher me olhou com um sorriso nos olhos e disse “esse é o lado bom da juventude ter forças para conquistar o que quer. E escute, minha jovenzinha: se ele não quiser recebê-la, é porque não a merece. Não são todos os rapazes que tem a sorte de ter uma garota como você”.
A conversa foi tão alegre, descontraída e relaxante que meia hora pareceram apenas cinco minutos.
- Escute, minha jovem: para que rua você vai? Nasci e fui criada aqui. Sei andar por toda a cidade. Posso pedir para o meu filho levá-la antes de irmos para casa – está bom demais para ser verdade, mas acho que posso confiar na senhorinha.
- A senhora faria isso por mim?
- Claro, filha. Você se parece comigo quando mais nova e gostei da sua pessoa. Agora me diga o endereço e vamos levá-la até o seu... Como se chama mesmo o rapaz?
- . .
- . Vamos levar você até o .
Acompanhei a Mary (sim, a senhora se chama Mary) até o carro e passei ao filho dela o endereço que, para minha sorte, ficava por trás da rua da Mary. Sou a bitch com a maior sorte do mundo todo.
Desci do carro e a Mary me passou o telefone dela, caso o endereço estivesse errado. Porém, ao conferir, era aquele mesmo. Ainda tinha uma luz acesa e uma música tocando. Respirei fundo e bati na porta.

’s POV on

Eu estava lá, dando uma de dono de casa. Não tinha mais nada para fazer para passar o tempo e escutar a voz dela chorando dizendo que me amava não estava me ajudando a dormir. Quero-a para mim, só para mim. Quero voltar, mas não sei como olhar para ela depois de tudo isso. Foi uma burrice minha, coisa de momento.
Já tinha escutado todas a músicas preferidas dela. Tinha acabado de escutar Don’t Forget da Demi Lovato e estava começando a escutar You da The Pretty Reckless.

You don't want me, no. / You don't need me / like I want you, oh, / like I need you.
Você não me quer, não. / Você não precisa de mim / como eu quero você, oh, / como eu preciso de você.
And I want you in my life / and I need you in my life.
E eu quero você na minha vida / e preciso de você na minha vida.
You can't see me, no, / like I see you. / I can't have you, no, / like you have me.
Você não pode me ver, não, / como eu vejo você. / Não posso ter você, não / como você me tem.
And I want you in my life / and I need you in my life.
E eu quero você na minha vida / e preciso de você na minha vida.
Love, love, love, love, love, love.
Amor, amor, amor, amor, amor, amor.
Eu estava parecendo uma dona de casa, sentado no sofá com o espanador do lado, avental na cintura e quase dormindo ouvindo a música, ouvindo a voz dela, ouvindo batidas na porta... Opa! Como assim? Batidas na porta não faziam parte das minhas lembranças.
Armei-me com o espanador e fui em direção à porta.

Capítulo dezesseis
If this is love, then love is easy.

Narrado em terceira pessoa.
PS¹: Assistam ao filme “Like Crazy”.
PS²: Assistam ao filme “Casa Comigo?”.


E lá estavam eles, e , frente a frente.
- O que... O que você está fazendo aqui?
- Não vai me convidar para entrar?
Ele apenas abriu mais a porta e deu espaço para que ela pudesse passar. Então a menina entrou, soltou a mala no chão de qualquer jeito e ficou parada, olhando para o garoto.
- Nunca pensei que viria atrás de mim – o rapaz percebeu que olhos dela se enchiam de lágrimas.
- Não? – perguntou com sarcasmo, aproximando-se do garoto – Você simplesmente achou... – então a garota começou a chorar – Que eu o deixaria... – aproximou-se mais e começou a bater nele – Fugir assim de mim? Achou que o deixaria escapar assim das minhas mãos? – sua respiração começou a ficar ofegante e ele finalmente conseguiu segurar os pulsos da menina.
- Calma. Mereci, eu sei – então olhou para os olhos de , como se pudesse penetrar na sua alma através deles. Era como se não tivesse mais nada diante dos olhos dele além dos dela – Apenas achei que estava fazendo o certo. Estava a deixando livre, deixando-a respirar. Só brigávamos. Pensei que, saindo de perto, tudo ia ficar em paz.
- Pensou errado – ela deu mais um sorriso, com uma pitada de sarcasmo – , você não percebeu que todas as brigas eram porque nós nos amamos? Cada segundo depois da sua partida foi um inferno para mim e tudo era muito injusto. Você podia falar com os meninos, sabia como eu estava, mas ninguém me falava nada sobre você. Eu não sabia se estava passando frio, fome, se estava doente... Não sabia nada. A única certeza que eu tinha era a de que ia encontrá-lo.
Então ele se aproximou da garota, enxugando suas lágrimas. Encostou a testa à dela e falou em um tom baixo, quase impossível de ouvir:
- Eu também tinha essa certeza... Até porque não aguentaria passar mais nem uma semana longe de você.
E começou a beijá-la calmamente. Os olhos de ambos foram se fechando e o garoto se deu conta de que ainda a segurava pelo pulso. Foi afrouxando as mãos aos poucos. Ela, por sua vez, segurou-o pela pontinha da barra da camisa do , que foi subindo uma das mãos e a entrelaçando nos cabelos da . Com a mesma calma que o beijo se iniciara, ele foi terminado.
- Se você não tirar esse avental agora, não sei se vou me controlar. Está tão sexy – e a menina deu uma risada frouxa. Era aquele sorriso que gostava de ver nos lábios da garota.
- Sei que estou lindo – falou, colocando as mãos na cintura – Na verdade, eu sou lindo.
- Menos, . Menos.
- Quer dormir, descansar, comer alguma coisa – o cara olhou para o relógio – São duas e meia da manhã e você deve estar com sono. Quer me contar como foi a viagem e...?
- , cale a boca – ela deu um selinho demorado no garoto – Vamos ver algum filme na TV e depois conversamos, dormimos, comemos. Tudo bem assim?
- Por mim, tudo ótimo – o rapaz pegou o controle e colocou na programação da para verem o que estava passando.
- Esse filme! Esse! Gosto dele. É lindo. Por favor, .
- Claro, minha boneca – ele se sentou, encaixando-a entre as pernas dele, e lhe um beijo no topo da cabeça.
"Eu achei que entendesse, mas não consegui. Apenas o superficial. A avidez contida e semipreciosa. Não percebi que, às vezes, seria mais que o inteiro. Que o inteiro era uma idéia confortável porque são as metades que o dividem ao meio. Eu não sabia, nem sei, sobre os pedaços do meio, os pedaços sangrentos de você e de mim", repetia uma das falas da personagem principal.
- Quantas vezes você assistiu a esse filme? - ele perguntou, olhando-a assustado.
- O suficiente para criar coragem de vir atrás de você – a menina respondeu, segurando o rosto do rapaz e lhe dando um selinho - Agora preste atenção ao filme - e deu um sorriso. O sorriso que ele adorava ver desde que eram crianças. O sorriso que o fazia sorrir inconscientemente.
- Sua mãe já lhe perguntou se você é adulta? - perguntou, segurando o sorriso.
- Não, mas talvez pergunte quando eu voltar para casa. Ou talvez ela me mate antes.
- Ah, não. Você não vai morrer sem ser adulta. Não vou deixar.
- Não? E vai fazer o quê? Forçar-me? Olhe que vou à delegacia – o menino sorria junto com a garota. Foi ela, é ela e sempre será ela o que ele sempre desejou.
- Se eu lhe der uma cadeira, você vira adulta comigo?
- , pare! E não é qualquer cadeira. É uma cadeira feita por ele com todo o amor do mundo. Agora feche essa matraca. Fala mais que uma mulherzinha...
- Sim, senhora macho da relação.
- Idiota – disse, dando uma mordida no queixo do em seguida.
- Uma vez salvei um gato de uma árvore.
- E eu com isso?
- Nossa, como você é insensível. O cara diz isso a e menina dá um beijo nele, sua grossa – respondeu, fingindo estar ofendido.
- , por favor.
- Sei muito bem o que é isso.
- Isso o quê?
- Querer falar com a pessoa que ama e não poder.
- Não, você não sabe. Eu que sei podia falar comigo quando quisesse, mas eu? Não fazia idéia de como fazer isso e, cada vez que ouvia a sua voz, era como se tudo na vida criasse cor, como se eu estivesse presa a algum lugar sem respirar e de repente conseguisse isso.
- Desculpe - sussurrou, levando a mão da até a sua boca, dando-lhe um beijo estalado, e a fez sorrir.
- Quantas vezes forem necessárias.
- Quero ficar assim com você... - ele comentou, enquanto passava uma cena em que o casal estava na cama, apenas se abraçando e falando besteiras.
- Pelo resto da minha vida - sem querer completou a frase do .
- É a cadeira. Que lindo - comentou, enquanto Anna (personagem do filme) abria uma caixa que chegou para ela.
- Como você foi gay agora. Acho que vou trocar de... O que você é meu?
- O que você quiser.
- Ah ok - ela disse num sussurro - Esse vizinho dela é bem gostosinho.
- É? Já provou?
- Não, porém, se ele quisesse, eu viraria adulta fácil, fácil.
- O homem não disse que não aceitava ficar com outras? O que está fazendo com essa daí? Cara idiota.
- Você fez pior que ele. Só trocar o nome da Samantha por Claire e imaginar que eu estava por perto, vendo tudo. Não tive a sorte da Anna de estar em outro país, longe de tudo. Era assim que eu me sentia. Como a Anna, não conseguia ficar com mais ninguém... Como se fosse errado o fato de estarmos separados. Fiquei com outros garotos, você sabe, mas não cheguei a ter um namoro sério com ninguém...
- E o...
- O Brad? - ela o interrompeu – Bom, eu não chamaria aquilo de namoro. Éramos mais amigos do que tudo. Ele era uma das poucas pessoas que sabia tudo sobre nós. Muitos o julgam por ser jogador, ou por ser bonito e até um pouco burrinho, contudo é um ótimo ouvinte e um bom ombro amigo quando eu não podia contar com o - ficaram um tempo em silêncio, até que a mais uma vez tornou a repetir as falas do filme: - "E, lembrando-me deste dia, nunca permitirei que nada destrua o que sentimos um pelo outro, o sentimento de amor e alegria, sempre".
- Nossa lua de mel vai ser assim?
- Só se você prometer que vai me deixar ganhar na luta de travesseiros.
- Vou pensar no seu caso, Mrs. .
- Viu? Ela quis passar o verão sendo adulta.
- Eu nunca deixaria você fazer isso, se soubesse que poderia afastá-la de mim.
- Claro que não faria. Você prefere apenas sumir do mapa e ignorar a minha existência.
- Está conseguindo fazer com que eu me sinta o pior homem da face da Terra.
- Você não é. É ótimo. Apenas alguns de seus atos impensados fazem com que seja um pouco otário, mas isso não muda o que sinto por você. Ou eu não estaria aqui, nesse exato momento, sentada entre as suas pernas, sentindo o seu cheiro e sabendo que ninguém nunca mais vai tirar isso de mim.
- Nós nunca vamos no casar. Ok?
- Por que não?
- Você não está vendo? Eles viviam bem até se casarem.
- Mas eles são eles e nós somos nós. Quando você menos perceber, já estaremos casados e com crianças correndo pela casa e fazendo o papai de cavalinho - ela deu um selinho rápido nele - Achará tudo muito engraçado e não vai querer que aquele momento nunca passe. Porém, aí já vai ser tarde demais, porque teremos nossos netos e estaremos velhinhos com os cabelos brancos, tratando-nos por “meu velho” e “minha velha”. E o Jacob é um idiota porque praticamente a jogou nos braços do Simon.
- Quem é Simon?
- O vizinho gostoso - ela falou e recebeu uma mordida no ombro – Ouch, . Se a gente brigasse de novo, sabe, daqui a uns dois anos você procuraria pela Claire?
- Só porque ele procurou pela loira, não quer dizer que eu vá procurar a Claire. E não procurarei ninguém, porque em todas as pessoas eu estaria procurando por você.
- Você completa meu o quebra-cabeça - disse a , comentando uma cena do filme.
- E você é o meu quebra-cabeça completo.
- Exagerado.
- Linda. Como eles conseguem agir assim como se nada tivesse acontecido?
- , eles se amam. Afinal de contas, você se lembra de como estávamos há três horas? Você aqui, todo fazendo a linha faxineira, e eu em um avião, vindo encontrá-lo com uma vontade louca de beijá-lo e matá-lo ao mesmo tempo.
- Acabou? Foi o fim? - perguntou, fingindo indignação com o final do filme ou não.
- Aham - riu.
- Da próxima vez, eu escolho o filme.

-Está cansada? Quer dormir?
- A Styx era eu.
- O quê?
- A Styx, sua namorada do fake, era eu.
- E você sabia que era eu o tempo todo e estava brincando comigo? – ele estava se segurando para não alterar a voz.
- Não, eu não sabia. Conhecemo-nos por acaso.
- E como você soube que eu tinha fake, que o Sonny era eu?
- O . Ele me contou no dia do baile pouco tempo depois de você partir. O cara descobriu que eu era a Styx por acaso. Deixei meu notebook dando bobeira na sala, enquanto fazia brigadeiro, e, bom... Ele viu – ela abaixou a cabeça para disfarça, enquanto enxugava uma lágrima que escorria pela maçã do seu rosto. Então ergueu a cabeça e sorriu – Apaixonamo-nos, sentimos ciúmes de nós mesmos... Isso só prova o quanto que o destino queria no unir, que não adiantava a gente se xingar, brigar, fingir guardar rancor, que depois íamos para a frente do computador nos amar. Você, Sonny, me acalmava de um jeito fazia com que eu esquecesse toda a raiva que você, , me dava.
- E terminei com você, Styx, por medo de magoá-la porque estava a traindo com você, – ele passou a mão nos cabelos – E me desculpe por terminado com você.
- Isso é muito confuso. Imagina se fosse com o ? – eles gargalharam. Sabiam que pensar não era o forte do rapaz – E fui eu quem terminou com você, na verdade. Lembra aquele dia que eu estava na sala, que estávamos sem nos falar, e perguntei se você ia para o baile? – o rapaz apenas afirmou com a cabeça – Então, eu estava terminando com você ou com o , na verdade. Agora acho que foi até melhor, porque uma das frases que falei foi: “E meu nome não é Styx, e sim ”, ou foi algo do tipo. Imagina só se fosse você lendo isso?
- Acho que eu iria surtar. Ou ficar feliz e querer matá-la. Na verdade, não sei o que eu faria. Só sei que, naquele momento, queria abraçá-la e saber por que estava tão vermelhinha e com os olhinhos cheios de lágrimas - então ela passou os braços em volta do pescoço de , deitando a cabeça no ombro dele e deixando escapar um suspiro de cansaço - Já são quatro e meia da manhã. Vá tomar um banho e se trocar, que vamos dormir. Quando acordar, quero levá-la para um lugar especial – a menina soltou o rapaz com dificuldade. Queria passar o resto da vida ali, porém sabia que isso era possível dali em diante e seguiu rumo ao banheiro – Deveria ter me abraçado – sussurrou ao passar por ela, enquanto carregava a bolsa dela para o quarto, arrumando a cama para os dois.
- Vai dormir de avental mesmo? – a garota perguntou, chegando ao quarto com um rabo de cavalo frouxo, uma calcinha tipo cueca e uma camisa de que ficava parecendo um vestido nela.
- Fiquei tão preocupado em fazer que você ficasse bem que me esqueci de tirar – falou, enquanto tirava a peça pela cabeça, em seguida se deitando na cama – Venha. Deite-se aqui.
se deitou na cama, aninhando-se ao peito do , enquanto ele enrolava a pontinha do cabelo dela no dedo, fazendo-a pegar no sono e ele logo em seguida.

Ela acordou, sentindo um cheiro bom na cozinha, mas, antes de ver o que estava fazendo com o que seu estômago batesse um papo legal consigo, foi ao banheiro fazer sua higiene matinal, que já não era tão matinal assim, pois já passavam das uma da tarde e ela sabia que ninguém acorda com um hálito legal.
- Você sabe que fica sexy com esse avental e fica me provocando – sussurrou próximo ao ouvido do , enquanto o abraçava por trás, deixando-o arrepiado.
-Claro. Fico provocando para ver se você abusa de mim. O patrão abusando da empregadinha gostosa. Porém, você não percebe... – ele sorriu, enquanto se virava, ficando de frente para e se encostado ao balcão – Dormiu bem? – perguntou e, logo em seguida, depositou um selinho demorado nos lábios da garota.
- Como uma anjinha – ela sorriu. Queria que aquele momento nunca passasse. Eram apenas ela e sendo eles mesmo, demonstrando tudo o que sentiam, e seria assim dali em diante – E, a propósito, feliz aniversário – a menina começou beijando o pescoço do rapaz, até alcançar seus lábios e começar a beijá-lo lentamente, enquanto ele apertava a sua cintura, juntando mais os seus corpos. A garota, por sua vez, colocou a mão direita no na nuca de , enquanto cravava as unhas com leveza e apoiava a mão esquerda no peito dele – Só não trouxe presente – falou, quando pararam o beijo, fazendo um bico que o fez questão de morder.
- É meu aniversário e que presente melhor posso querer do que ter você aqui comigo sem medo de que alguém descubra algo?
- Bom, eu poderia ter acatado a idéia da e ter trazido um roupão. Sabe, quando você abrisse a porta, eu abriria o roupão e não teria nada por baixo – a menina deu um sorriso malicioso.
- É, pensando bem, você deveria ter aceitado a idéia dela. Já falei que de todas as suas amigas ela é a mais legal?
- Seu idiota – a garota sorria, enquanto dava tapas no peito dele.
- Ei, também a você – ele sorriu, tirando uma mecha do cabelo dela e colocando atrás da orelha – Feliz aniversário, minha pequena – deu um beijo na testa da e lhe deu um cupcake que pegou atrás de si no balcão.
- Que lindo. Amo você – selinho – Amo você – selinho – Amo você – selinho – Mas senti algo cheirando muito bem e sei que não foi esse cupcake. O que temos para hoje, senhor chef?
- Lasanha à la . Especialidade da casa.
Eles se sentaram e almoçaram, dando risadas. Sabiam que tudo ia ser diferente. Todo mundo sabia que se amavam. Nada seria mais escondido. Ela seria só dele e ele seria só dela. E nada além da morte poderia separá-los. Na verdade, isso não estava muito longe de acontecer.
- , empresta seu celular? Preciso ligar para o .
- Por que para o e por que não liga do seu?
- Porque o não vai querer me matar como minha mãe e o . Na verdade, ele também vai querer me matar, mas vai ter menos vontade. E comigo ligando do seu, bom, ele vai pensar que é você.
- Pegue lá. Está no sofá.
Ela pegou o celular que continha pouquíssimos números na agenda. Apenas o dela, os dos amigos e o da mãe de .
- ! Dude, por favor, diga-me que a está com você. Ela sumiu de casa e tudo que tinha na cama dela era um bilhete escrito: “Fui atrás do meu presente”. A menina tinha comentado comigo que a única coisa que queria de aniversário era estar com você – ela notava que já estava ficando sem ar, mas ele não parava de falar – Por favor, diga-me que você tem alguma notícia dela. Ninguém aqui sabe, nem as meninas – a garota resolveu guardar o lembrete de que as amigas são ótimas atrizes – O está louco, não para de chorar. E, para ser sincero, estou achando muito estranho o fato da mãe dela estar calma. Ela tem certeza de que a está bem e com você e...
- E coração de mãe não mente, .
- ! – ouviu uma agitação em torno do telefone – Silêncio! – o rapaz pediu as pessoas ao redor.
- Dê-me essa porra desse telefone agora. Ande, . Não estou brincando.
- Não vou lhe dar nada, . Acalme-se aí. , como você está?
- Estou bem. A viagem foi tranqüila e tenha muito cuidado com a sua namorada, porque ela é uma ótima atriz. Todas as meninas sabiam de tudo. Liguei para avisar que estou bem, para não se preocuparem e dizer que, em breve, eu e o voltaremos – ela olhou para o garoto, que assentiu com a cabeça, e respondeu, mordendo o lábio: – Então é isso. Não se preocupem. Estou aqui curtindo minha lua de mel com o e...
- SUA O QUÊ?! – perguntou, obrigando a afastar o aparelho da orelha.
- Calma – a menina ria incontrolavelmente – Estava brincando.
- Estava nada. Ela vai virar adulta comigo.
- Cale a boca, . Não piore a situação. Então estamos bem. Podem voltar à vida normal de vocês que daqui a pouquinho estamos de volta. E, por favor, avise a Dona Lícia. Câmbio, desliga.
- Lua de mel, é? – perguntou, deitando-se no sofá e puxando para se deitar sobre ele.
- Eu estava apenas brincando com o , senhor safadinho.
- Ah, sua chata – ele deu uma tapa na bunda dela, que soltou um: “Eeeeei!” – Ande. Vá se arrumar, porque temos um passeio a fazer.
Ela correu até o quarto para se trocar, colocando um vestido soltinho, uma sapatilha com detalhe de caveira, e deixou o cabelo solto. Com um gloss de leve nos lábios, deixou um completamente embasbacado. Porém, ele também não ficava para trás. Colocou uma calça skinny, uma camisa listrada e calçava um Vans. Passaram um tempo se olhando. Um era tudo o que o outro desejava, sem mudar um fio de cabelo.
- Então, aonde vamos?
- Segredo – respondeu, estendo-lhe o braço.
Ela estava feliz. Na verdade, eles estavam alegres. Era a primeira vez que sairiam na rua como um casal de verdade, sem se preocupar com o que iam falar ou pensar sobre eles.
pegou o carro que o pai o deixou usar, enquanto estivesse na Irlanda, e abriu a porta para .
- Senhorita – segurou a mão dela e a colocou dentro do carro.
- Posso saber aonde vamos? – perguntou assim que o rapaz se sentou ao seu lado.
- É um seqüestro.
Passaram meia hora dentro do carro até chegar ao pé de uma montanha que reconheceu ser do filme “Leap Year” (“Casa Comigo?”, aqui no Brasil). Ela ficou encantada com o lugar e a idéia de . Realmente não esperava isso dele. Começaram a subir a montanha.
- Imagine se eu tivesse vindo de salto.
- Eu avisaria que não era adequado – ele a beijou na testa e, em quinze minutos, chegaram ao topo – Bem-vinda ao Castelo de Ballycarberi. Na verdade, o que sobrou dele – abriu os braços e o jeito como o sol atrás dele iluminava seus cabelos e seu sorriso deixava a garota com um sorriso bobo no rosto – Agora me deixe contar a história do lugar.
- Mal posso esperar – respondeu e se sentou em uma das muretas.
- Caham – limpou a garganta - Centenas de anos atrás, havia essa linda garota chamada Granite. Ela havia sido prometida em casamento a esse cara, Fionn, um cidadão maníaco e mal-humorado. Ele podia ser pai dela ou até avô. E, por isso, a menina não o amava. De qualquer maneira, uma noite, quem ela conheceu? Um guerreiro jovem e bonito, Diarmaid –“Realmente acho que ele poderia se chamar ”, comentou durante a história – Mas voltemos... Foi um louco amor à primeira vista, porém o que ela podia fazer? Colocou uma poção do sono para todos beberem e fugiram juntos através da escuridão – começou a rir, fazendo parar diante dela com uma pose engraçada, com as mãos na cintura.
- O que foi agora?
- Não sei se o jovem e bonito Diarmaid deveria se chamar , mas a Granite com certeza deveria se chamar .
- Por quê? – o rapaz indagou com uma cara estranha.
- Peguei uns remédios com a . Sabe os que a avó dela toma para dormir? Então, ela me deu alguns e misturei no suco que o , o e a mamãe tomaram. Daí, quando todos caíram no sono, fugi para o aeroporto.
- Ai, meu Deus. Você é terrível – ele se aproximou da menina, beijando-a no topo da cabeça – Linda, porém terrível – então voltou à posição inicial – Agora me deixe continuar a história – e assentiu com a cabeça - Quando Fionn acordou, já estavam na fronteira. Rapidamente, o maníaco juntou o exército e saiu em perseguição. Mas as pessoas, você sabe, nas aldeias da Irlanda, acolheram Diarmaid e Granite. Eles os escondiam na floresta e em seus celeiros. Dormiam uma noite e depois seguiam em frente. Sempre dormindo juntos. Contudo, Diarmaid, um homem honesto, não ousava consumar o amor em deferência a Fionn. Por respeito a ela, não foi mais a diante. Então vieram para esse castelo e viram essa vista. E não foram capazes de resistir a tanta beleza. Aqui, neste lugar, eles consumaram o amor.
- Que linda história – a garota falou enquanto segurava o riso.
- O que eu falei? – ele perguntou sem entender nada.
- Sabe quantas vezes assisti a esse filme? Pois é. Nem eu, porque já perdi as contas. Eu, curiosa como sou, já procurei a história desse lugar e agora é a sua vez de se sentar e ouvir – deu um pulo, descendo da mureta e esperando se acomodar - O Castelo Rock of Dunamese era um lugar estratégico para construir uma fortaleza. O primeiro assentamento conhecido sobre o castelo foi Dun Masc, ou Fort Masc, uma liquidação antecipada cristã que foi saqueada em 842 pelos vikings. Quando os normandos chegaram à Irlanda, no ano de 1100, Dunamase se tornou a mais importante fortificação Anglo-Normanda em Laois. O castelo fazia parte do dote da filha de Diarmuid Mac Murrough, o rei de Leinster, quando ela foi dada em casamento ao conquistador Norman Strongbow, em 1170. Quando Isabel, filha de Strongbow e Aoife, casou-se com William Marshal, Conde de Pembroke, Dunamase era parte do seu dote. É provável que Marshall tenha realizado algumas obras enquanto viveu aqui, entre 1208 e 1213, embora a maior parte do castelo tenha sido construída antes disso. Ele foi sucessivamente mantido por cinco gerações da família Marshal, antes de passar para a família de Mortimer através da filha de Marshal, Eva de Braoise, que passou o castelo para sua filha Maud quando casou com Roger Mortimer. Todas as terras de Mortimer, incluindo Dunamase, foram confiscadas para a Coroa em 1330. Pouco depois, o castelo parece que foi passado para as mãos do O'Moores e abandonado. A tradição local diz que a construção foi cercada e destruída pelos generais Cromwellian Hewson e Reynolds, em 1651. Embora não existam registros contemporâneos desses eventos, é provavelmente a melhor explicação para o estado ruinoso do castelo como o vemos agora que, na verdade, nem parece ter sido um castelo. Em 1795, John Parnell, chanceler do Parlamento irlandês, tentou desenvolver uma residência e um salão de banquetes em Dunamase. Todas as características medievais, como janelas e portas, foram retirados de outras ruínas e adicionados ao castelo neste momento. Quando Parnell morreu, seu filho permitiu que o edifício caísse em decadência. Hoje, as ruínas sobre o Rochedo de Dunamase são geridos pelo Estado. Escavações arqueológicas e trabalhos de conservação pelo Instituto de Obras Públicas asseguraram que o Rock of Dunamase vá durar para outras pessoas e outros casais, assim como eu e você... – ela se aproximou de , encaixando-se entre as pernas dele – Possam visitar no futuro – levantou um pouco o rosto e ali iniciaram um beijo lento e demorado.

XxX


- ELA O QUÊ? – berrava em casa.
- Foi isso que disse: que estava na lua de mel dela com o .
- Ele tem amor àquilo que tem entre as pernas dele, ou sou capaz de cortar – a mãe o olhava sem conter o riso.
- Ah, , qual é? Pelo menos estão em um lugar romântico e não foi escondida enquanto sua mãe viajava.
- Amor, caladinha, por favor – segurou pela nuca, dando um selinho demorado.
- ! Você nem para levar a menina a um lugar romântico?
- Pois é, minha querida tia-sogra. Ele aproveitou que meus pais viajaram e foi lá me seduzir.
- Sei e você é muito inocente. É mais tendo o seduzido do jeito que isso daí é – a menina corou de vergonha e os outros casais caíam de tanto rir.
- Minha mãe me conhece. Você que é uma safada, dona .
- Olhe que o deixo de castigo, – a menina falou brava.
- Deixa nada. Você não resiste ao meu charme.
- Idiota.
- Imbecil – ele a abraçou de lado pela cintura, depositando beijos em seu ombro.

XxX


- O que acha da gente passar em alguma pizzaria?
- Você é a melhor namorada que alguém poderia ter – rodaram um pouco pela cidade até encontrar uma pizzaria. Pegaram as pizzas e os refrigerantes.
Chegando a casa, sentaram-se no chão da sala, comendo e assistindo a algo sem importância que passava na TV. Até fizeram uma competição de arroto. Com ele, ela não precisava se portar como a rainha da escola. Apenas era , que o amava desde os treze anos de idade.
- Então, quando vamos ser mortos? Ou melhor, quando vamos voltar para casa?
- Quando você quiser.
- Podemos ir amanhã, ao anoitecer – ela falou, enquanto se levantava com a caixas de pizza – Venha. Ajude-me trazendo as garrafas – e ele a seguiu. Colocaram tudo no lixo e seguiram para o quarto. Teriam que entregar o carro ao pai do e deixar a casa organizada – Você, daqui, parece tão perfeito para mim – a menina estava deitada na cama de barriga para cima, com por cima a encarando.
- Engraçado. Daqui é você que parece ser perfeita para mim – a garota apenas sorriu.
Ele abaixou o rosto, encostando seus lábios de leve, enquanto iam se aprofundando no beijo. deslizava a mão na barriga na por debaixo do vestido, que por sua vez sentia cócegas e contraía um pouco a barriga. Ele riu entre o beijo, quando percebeu a situação. Então ali, sozinho, depois de um dia perfeito, tendo um momento perfeito, tinha a certeza de que tudo o que mais queria ali e naquele momento era perder a virgindade com . Muitos na escola acreditavam que a virgindade da era lenda. Diziam que ela já tinha transado com metade do time de futebol. A garota não dizia nem que era verdade, nem que era mentira. Por incrível que pareça, as pessoas a respeitavam por isso.
Eles pararam de se beijar por um momento e começou a tirar a camisa da menina. Não conseguiu conter o riso ao se deparar com um sutiã de cupcake.
- Uma delícia.
- , pare. Não me preparei para e situação e não reclame.
- Não estou reclamando – começou a beijar o pescoço de que ficava cada vez mais arrepiada. Então passou as mãos nas costas da menina, abrindo o sutiã e descendo os beijos, parando entre os seios da garota. Ela começou a puxar a camisa do garoto, fazendo-o tirá-la, e em seguido tirou a calça, ficando só de boxer preta. Aquilo era realmente tentador. ficou feliz e assustada ao mesmo tempo. Apenas havia visto aquilo em revistas e em sites e, uau. Aquilo ia caber nela?
“Respire que na calma tudo vai dar certo”, pensou, soltando um suspiro aliviada. A menina ficou olhando para o enquanto ele tirava a calcinha dela. Estava tão nervosa e tão feliz que era capaz de soltar fogos quando tudo terminasse.
- Você tem certeza? – ele perguntou, olhando para a garota.
- , você acha que, se eu realmente não estivesse certa do que quero, estaria pelada debaixo de você? – corou ao dizer isso e o menino achou graça. Pegou a camisinha na gaveta da mesinha ao lado da cama e a colocou no seu amigão.
Então ele tirou a boxer e começou com calma, sempre a olhando para ver se ela demonstrava algum sinal de desconforto. Quando percebeu que a menina relaxara os músculos, começou a aumentar o ritmo, fazendo-a soltar alguns gritos misturados com gemidos [N/A: O resto fica a critério de vocês, ou isso teria que ser uma fic restrita].

Quando terminaram, se aninhou no peito de e se cobriu com um lençol, porque estava com vergonha e achou engraçado ver o amigão do “morto”. Achou feio e sem graça. Olhou, deu um risinho e fechou os olho,s sendo embalada pelo movimento que o peitoral do garoto fazia, enquanto ele respirava.

- Bom dia – ele a acordou com um beijo na testa.
- Bom... – ela viu uma mancha de sangue no lençol azul claro - Dia! – gritou e puxou rapidamente para que visse.
- O que houve? – perguntou, sem entender nada.
- Nada de mais – sorriu – Então... - pegou o celular, olhando a hora – Que horas nós vamos?
- A hora que você quiser.
- Não sei se quero sair dessa cama.
- Sei que sou irresistível.
- Tadinho. Você só foi bom uma vez.
- É? Em qual delas? Na primeira, segunda, terceira ou quarta?
- Teve a quarta?
- Aham – ele assentiu com a cabeça, fazendo uma carinha safada.
- Juro que não lembro.
- Venha cá. Vou fazê-la lembrar agorinha – pôs o seu corpo no da garota, colocando-a por cima dele. Ela, por sua vez, deu um jeito de jogar o lençol longe.
“Nota mental: jogar esse lençol fora antes de ir embora”, pensou. Então começaram a se divertir novamente.

- , são duas da manhã. Faça silêncio – sussurrou, enquanto entravam na sua casa, e sem querer derrubou um jarro que ficava na porta.
- Desculpe – respondeu no mesmo tom.
Subiram as escadas devagar, mas parece que, quanto mais silêncio queriam, mais as escadas rangiam. Foram direto ao quarto do . estava ansiosa para ver a mãe, claro, mas sabia que o estivera mais preocupado com ela. Então entrou no quarto do irmão, sentou-se na ponta da cama, fazendo carinho em seus cabelos. Abaixou um pouco a cabeça, começou a assoprar o rosto do garoto e ficava espantando algo com a mão, enquanto ficava parado na porta, segurando o riso – Acorde, dorminhoco – sussurrou no ouvido de que acordou, olhando para a irmã assustado.
- ?! – forçava os olhos, tentando enxergar algo. Então acendeu a luz – Ai, seu filho da puta – reclamou da claridade.
- – ela sorriu e ele a abraçou o mais forte que podia - Senti tanto a sua falta.
- Eu que senti a sua. Não faça mais isso, por favor. Não sei o que faria sem você aqui – então ela sentiu algo molhar seu ombro e se deu conta de que o irmão estava chorando. Logo começou a chorar – Sério, . Desculpe-me por ter brigado com você, porém, da próxima vez que planejar algo do tipo, diga-me, por favor. Ou me ligue assim que der dez passos e me diga: “Olhe, estou fugindo, mas não se preocupe que estou bem”.
- Lembrarei na próxima vez – a menina sorriu.
- Próxima? E de quem você pretende ir atrás, dona ?
- , silêncio, por favor.
- E você, seu grande filho da puta, venha aqui me dar um abraço – se colocou de pé, usando apenas uma samba-canção.
- Não. Obrigado. Estou recusando.
- Foda-se – foi até o amigo e o agarrou, dando-lhe um beijo estalado no rosto.
- Eca, reclamando, passando a mão no lugar do beijo.
- Que bonito. Chega a casa a essa hora e vai logo ver o irmão. Saiba, mocinha, que fui eu quem a colocou no mundo, e não ele.
- Mãe – a garota correu até os braços dela, dando um abraço forte – Eu já ia falar com você.
- Sei. Agora vão todos dormir que amanhã a gente conversa.
- Sim, senhora – saiu do quando de , puxando o pela mão.
- Mocinho.
- Eu?
- É, . Você mesmo. Decida-se: ou dorme no quarto de hóspedes com o , ou dorme com o .
- O está aqui? – perguntou, sentindo seus olhos brilharem.
- Está, mas, por favor, não o acordem. E você, , nada de tentar ir para o quarto da .
- Pode deixar, mãe. Eu fico de olho – sorriu, batendo continência.
- Muito bem. Boa noite, crianças.
- Boa noite, mãe – e disseram.
Boa noite, dona Eva – falou.
Antes de dormir, pegou o celular e mandou um SMS em grupo para as amigas: “I’m Back, bitches. PS: venham tomar café da manhã comigo”.

- Como assim o tentou enganá-la com a história do castelo de “Casa Comigo?”
- Você acredita nisso, ? – todos, mas todos mesmo estavam conversando em volta da mesa, tomando café da manhã: e , e , e , e , dona Eva e dona Lícia, conversavam e riam animadamente, felizes com a volta dos dois loucos.
- Parece que todo mundo sabia a história desse castelo, menos eu – se manifestou.
- Dude, até eu sabia – falou – Ah, e por nada. Não precisam me agradecer por ter feito o fazer o fake e por ter acontecido tudo na vida de vocês.
- Obrigado, , meu amor – se levantou do seu lugar na mesa e caminho até , dando-lhe um beijo no rosto. Então voltou para o seu lugar e ficou de pé na cadeira.
- , meu filho, desça já daí. Não foi essa a educação que lhe dei.
- Calma, mãe – respondeu, sentindo o rosto ficar vermelho, e o sorriso no rosto da o deixava mais certo disso – Quero falar, na verdade, pedir uma coisa importante, dona Eva – ele desceu da cadeira – Quero pedir a mão da sua filha em casamento – , e , que estavam bebendo suco no momento, cuspiram tudo em direção a – Grato pelo banho de suco de laranja, mas eu não queria.
- Porém, vocês são tão jovens. A só tem dezessete anos, ainda tem um ano de escola pela frente e...
- Calma. Não agora. Quando a gente tiver um futuro, daqui a uns três anos quem, sabe? Mas preciso ter certeza de que ela vai ser minha.
- Isso quem pode lhe dizer é ela.
- Então, – ele afastou a cadeira e se ajoelhou diante da moça – Você aceita se casar comigo? Como eu disse antes, não precisa ser agora, mas quando a gente já tiver uma vida certa. Contudo, agora, nesse momento, você aceita ser minha noiva?


N/A:
Primeiramente, deixem-me dar uma notícia boa e ruim para vocês. A boa é que, como perceberam, esse não foi o último capítulo, Tem muita coisa que eu queria por e ia ficar parecendo que queria cuspir tudo assim para vocês. Agora, vamos responder aos comments:
Dark Princess: Se você não acreditou que parei quando ele ia abrir a porta, imagine agora. D: Kettley S.: Pegando a bomba de volta e soltando de novo. Lara Lins: Isso. Mate-me porque aí ninguém vai ver o fim. Deixei-o abrir a porta e ainda fiz “Vai abrir agora ou não?”, mas ele ficou com preguiça. Turn your face: Ai, sua linda. Sou a favorita de alguém. *-* Larissa Christina: Olhe, Blackonilds, vsf. Tlg? Pronto, falei de você, huauhauhauha. Amo você, preta. Alessandra Zhong: Desculpe, moça. Não era a minha intenção. =\ Mandy Oliveira: SUA DEVASSA, huauauhuahuhauha. Então, como você viu, ela estava linda e comportada. Monique Premazzi: Por que escrevi seu nome de gente? Nikita. o/ Olhe que legals. Vai ter mais um capítulo. Anne: Ressuscite, mulher. Sra. Stypaylikhorson: Um aviso... Tire esse “Hor” do nome ou vai rolar sangue. Brinks. Laura: Sei que demorei. Desculpe. =\ Flavia: Frávia. Writingstyle 2: Awn, sua linda. Morre, não. Karenluar20: Também quero, mas primeiro preciso encontrar um amor, porque está complicado. =( Anna: Sorry por decepcioná-la, mas esse não foi o último. -q Carolina: Então, não foi o último. o/ Depois explico por que sumi, mas valeu pela preocupação. Era só me procurar no twitter ou no face. Jayne Machado e Distrito 182 (Oo): Apareci. =x Potato do Niall NADA DO NIALL. SÓ EU SOU DELE!! Também estou, nega. Tanto que achei melhor fazer mais um. Gabe: Mãe? A senhora está aqui usando um nome falso? D: Então, acho que o último vai demorar mais um cadinho. Mariangelamendoca1: Todas querem e eu sou má. -n Nikita: Olhe você again, huauhauhauha. Assassina não, porque sei que, se você fizer isso, se mata em seguida. E pare de falar meu nome, que é feio e Deus castiga. Gabi: Chegou a hora. \o/
Então, mandei a atualização em setembro, mas a fic só foi atualizada em novembro, se não me engano. Como expliquei, gosto de ler os comments antes de enviar o próximo capítulo para eu poder saber se vocês gostaram e poder “falar” com vocês, JÁ QUE NÃO VÊM FALAR COMIGO E EU FICO CARENTE. =x, Sério, gente. Pode vir falar comigo no Facebook ou no Twitter. Ah, e agora tenho Ask também, então venham conversar comigo. =(
Agora me deixe me explicar: no dia 03/12, minhas aulas começaram. Tipo, eu estudo em Universidade Federal e, por causa do lance da greve e tal, minhas aulas começaram esse dia. Aí, no mesmo dia a minha avó ficou internada... Então vocês dizem: já li isso em algum lugar. É, foi por aqui mesmo. Ela ficou internada quatro vezes em 2012 e, nessa última vez, passou dois dias na UTI. Então eu tinha faculdade pra ir, trabalho da faculdade para fazer, curso de inglês aos sábados à tarde e à noite ia para o hospital dormir e passar o domingo, para a minha mãe poder vir para casa. Mas, graças a Deus, dessa vez ela ficou internada menos tempo que as outras e também rola a preguiça e falta de inspiração para escrever. Aí espero o Chico Xavier baixar em mim e corro para o PC. E, bom, já comecei a escrever o próximo e, dessa vez, último capítulo. Na verdade, enquanto você lê isso, ele já deve estar pronto, porém vou esperar pelo menos por uma semana para ver os comments e ver se mudo algo.
Eu não sei se pode, mas vou deixar aqui os links para vocês baixarem os filmes. Caso não, peçam-me depois: Like Crazy (é importante ou vocês vão ficar meios perdidas na atualização) e Casa Comigo?. Ah, e não esqueçam que tem outra fic minha no site, que está no comecinho e um pouquinho abandonadinha porque estou me dedicando mais a LF. Contudo, assim que a LF acabar, vou tomar conta da outra bem direitinho. Então, se quiserem, dêem uma passadinha por lá: The Wrong Guy (McFly +T¹ /Andamento) e descubram como é se apaixonar por um garoto que não tem uma vida certinha.
Então é isso, gente. Beijos e até o fim. Não se esqueçam que pode vir falar comigo. :*
PS: Larissa Christina, Flavia Furletti, Monique Premazzi, Julia Fernandes, Laís Amorim e Adrielle Cavalcante, amo vocês e obrigada pelo apoio. Ah, sim, e a Mari Ficuccielo também. Se bem que a fic não é recomendável para a sua idade. u.u Agora adiós, se não a N/A fica maior que a atualização.
Beijoynter. (13/01/2013)

comments powered by Disqus