Autora: Laura Weiller
Beta-Reader: Amy Moore



Nota da Autora: Clique aqui e procure o nome do seu anjo. Você só vai precisar do mês e do dia do seu aniversário, ok? Nome do seu anjo: você vai no mês do seu aniversário e no dia em que você nasceu, ok? Ai só copiar e colar. Espero ter explicado direito, e que entendam. Bem, divirtam-se lendo. Espero que gostem.



My Little Angel Without Wings



Eu precisava respirar, precisava viver, mas não conseguia. O ar em meus pulmões gritava com todas suas forças. Mas eu não conseguia reagir. Sentia uma energia passando pelo meu corpo, uma corrente elétrica que perfurava os meus sentidos. Eu estava deitada na cama, a pele pálida, os olhos fechados, apenas meu peito subia e descia lentamente – obedecendo aos comandos das máquinas. Mas como eu poderia estar de pé e ao mesmo tempo deitada? Havia mais alguém ali, sua mão segurava a minha, mas quando me virei para vê-lo, tudo escureceu.

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O vento entrelaçava-se em seus cabelos. Um cheiro doce e calmo tomava conta do meu corpo. Só conseguia observá-la; parecia tão calma e tranquila. Um sorriso sereno tomou posse do seu rosto de porcelana. Queria tocá-la, precisava ter certeza de que era real. Estiquei minha mão e acariciei seu rosto, seus lábios macios pousaram sobre minha mão. Ela estava ali, estava comigo, depois de tanto tempo ela havia voltado.
- Acorda! Anda; estamos atrasados. – Abri um olho e vi meu amado irmão andando pelo quarto com uma toalha na cintura. – Vamos, você demora pelo menos três horas para se arrumar. – Ele ia resmungando enquanto escolhia algumas de suas roupas enormes.
- Eu estou com dor de cabeça. Não vou! – Virei na cama e puxei a coberta, tentando voltar para meu sonho.
- Bill! – Ele gritou, puxando as cobertas. – Estamos meia hora atrasados. O David já veio esmurrar a porta duas vezes. – Dessa vez, ele puxou meu travesseiro. – E ninguém mandou você beber demais!
Fui levantando lentamente. Sentia o chão frio debaixo dos meus pés e resolvi tomar um banho gelado. Precisava acordar!

Azul. Se eu visse mais algo azul na minha frente eu juro que vomitaria. Lá estávamos nós – mais uma vez – dentro daquele avião. Fazia mais de cinco horas que estávamos no ar e nada de chegar. Todos dormiam tranquilamente, mas eu não conseguia. Em parte porque nunca conseguia dormir no avião e em outra porque ela sempre vinha em minha mente. O meu anjo.

A primeira vez que a vi, eu tinha um ano de vida. Lembro que estava brincando com Tom no jardim de casa. Corríamos um atrás do outro, rindo. Quando eu tropecei. Tom veio correndo ao meu encontro, mas eu só chorava. Ele foi correndo para dentro de casa chamando por nossa mãe. Eu segurava o meu joelho arranhado, quando senti um perfume diferente. Olhei para frente e a vi.
Estava com um vestido branco, seus cabelos era como se tivessem vida própria – dançavam no ar –, e ela sorria. O sorriso mais doce e perfeito do mundo. A dor no meu joelho logo desapareceu. Ela se ajoelhou na minha frente e tocou o meu rosto. A sua mão não era fria e nem quente, apenas uma temperatura agradável.
- Não tenha medo. Eu sempre estarei com você. – A sua voz doce, como a mais bela sinfonia permaneceria para sempre em minha mente. Seus lábios suaves pousaram sobre a minha bochecha e quando eu percebi, ela já havia ido embora.
- Bill, você está bem? – perguntou Mamãe, preocupada comigo.
- Sim – disse, dando um sorriso em meio às lágrimas. Desde aquele dia ela sempre me acompanhou.
A sua presença ficava cada vez mais forte, mesmo não podendo vê-la, eu sabia que ela estava comigo. Sempre que eu sentia medo, meu anjo aparecia. Quando acordava no meio da noite eu a via sentada do meu lado. Sorrindo. O sorriso mais lindo do mundo e era só meu!
Só que isso durou pouco, com meus três anos de idade ela começou a desaparecer. Quando os monstros do meu armário apareciam em vez de vê-la sorrindo, só sentia seu perfume. Isso me deixava triste, mas só de sentir o seu aroma todo o sentimento de raiva ia embora. Ela só voltou a aparecer para mim no meu aniversário de quatro anos.
- Eu sempre estarei com você! – disse, me abraçando. – Só não vou poder mais estar tão visível. – Suas mãos habilidosas acariciavam meus cabelos. Dormi. No colo do meu anjo.

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Eu sempre acreditei no meu anjo e lembro quando perguntei o seu nome.
- Bill, o que você tem? – perguntou, acariciando meus cabelos. Estava com seis anos de idade e como em todos os anos, no meu aniversário ela aparecia.
- Eu queria te fazer uma pergunta – respondi, tímido. Os seus dedos finos faziam cachinhos no meu cabelo. Ela começou a cantarolar e eu sabia que poderia fazer a pergunta. – Vovó me disse que todo mundo tem um anjo da guarda. E eu tenho você. – Olhei para seu rosto. Ela permanecia de olhos fechados sussurrando uma melodia qualquer. – E que todo anjo da guarda tem um nome. Mas eu não sei seu nome, eu só te chamo de meu anjo. – Senti minhas bochechas corarem, assim que sua risada suave ecoou pelo o quarto.
- Bem, eu tenho vários nomes. Mas o meu verdadeiro nome, você não poderá pronunciar. – Sentei em seu colo rapidamente.
- Por quê? – perguntei, pondo minhas mãos em seu rosto.
- Porque você não sabe falar a língua dos anjos. – Fiz um pequeno bico e senti o seu nariz sob o meu, fazendo um leve carinho. Sorri.
- Mas mesmo eu não sabendo pronunciar, você não poderia dizer? – perguntei, sorridente. Então, ela disse algo que eu nunca esqueceria. Sua voz doce se tornou mais suave, e era como uma melodia. Não conseguia entender nada - como ela havia dito -, mas mesmo assim eu amei. – É tão lindo.
- Como pode ser bonito, Bill, sendo que você nem entendeu? – perguntou, rindo, e dei de ombros. – Bem, eu tenho o meu nome de anjo. Já que sou teu anjo da guarda e tem o meu nome terrestre.
- Terrestre? – perguntei, assustado. – Para mim os anjos viviam no céu.
- Sim. Mas eu reencarnei, só que você não precisa saber disso. Por enquanto. Você pode me chamar de Pahalian.
- Pahalian? – perguntei, confuso. – Pahalian, Pahalian. Não sei porque, mas combina com você. E o seu nome terrestre?
- .

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Sentia um vazio no peito, pois eu não sentia mais sua presença. Chamava-a todas as noites, chegava a gritar seu nome, mas nem o seu perfume eu sentia mais. Era como se estivessem arrancando um pedaço de mim, um buraco em meu peito se formava que ia se abrindo mais e mais a cada segundo.

- Não! Por que você não aparece? – gritei no meio do jardim de casa. – Não vê que eu preciso de você? – Estava parado no mesmo lugar da primeira vez que a vi. – Volta! Eu preciso de você. – As lágrimas embaçavam minha visão. – Pahalian! – gritei com todas as minhas forças. – Pahalian, apareça! Volta, por favor. – Senti meus joelhos fraquejarem e irem de encontro ao chão. – Meu anjo. Minha .
- Bill? – Ouvi a voz do meu irmão me chamar. – Bill, o que você esta fazendo aqui fora, com toda essa chuva? – Ele se agachou a minha frente, mas eu só conseguia chorar. – Quem é Pahalian, Bill? Responde, por favor. – Olhei em seus olhos e vi a preocupação estampada neles. Queria poder explicar tudo.
- Meu anjo. Minha Pahalian. Tom, a faça aparecer,Tom, faz, por favor. – Me joguei em seus braços e não conseguia mais ver nada. Depois só lembro-me de estar deitado em minha cama, Tom me disse que eu estava ardendo em febre e delirava muito. Ela não apareceu, o seu perfume não veio me reconfortar. Essa foi a primeira vez que eu a chamei e ela não manifestou nenhum sinal de sua presença.
Hoje eu vejo que a culpa foi toda minha, um garoto com doze anos andando com a turma errada e tendo atitudes completamente erradas. No meu aniversário de trezes anos ela não precisou dizer nada.
- Parabéns, pequeno. – Estava deitado na cama, o relógio marcava 6:19, todo ano às 6:20 ela aparecia e eu desfrutava dos vinte minutos de sua presença. Não me virei para vê-la. Senti sua mão tocar meus cabelos suavemente. – Não vai falar comigo?
- Desculpe, me desculpe. – Grossas lágrimas já escorriam pelo meu rosto. Abracei-a fortemente, enquanto ela cantava para mim. – Me perdoa?
- Não tem o que ser perdoado. Se você está arrependido, se você se perdoou, é isso o que importa. – Eu queria que ela brigasse comigo, dissesse para mim nunca mais fazer aquilo. Mas como sempre, ela só sorriu e me abraçou. – Parabéns, meu amor.

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"Se você está arrependido, se você se perdoou é isso o que importa." Essa frase nunca mais saiu de minha mente. No meu aniversário de doze anos ela não apareceu, no de treze veio ao meu encontro e aqueles vinte minutos nunca foram tão rápidos em toda minha vida. Eu precisava de mais; só esses míseros minutos não estavam me reconfortando.
Doze anos. Foi o ano mais feliz e mais triste de toda minha vida. Nesse ano eu e Tom conhecemos Georg e Gustav. Nesse ano, formamos o Devilish. Nesse ano, ela não veio ao meu encontro. Nesse ano, eu não parava de escrever. Nesse ano, eu chorava todas as noites por ela. Nesse ano, eu fazia coisas erradas cada vez que ela não aparecia. Esse foi o pior ano de minha vida. Esse foi o melhor ano de minha vida.
Quatorze anos. Tom me desafiou a participar do Star Search. Nunca paguei tanto mico em minha vida, mas a melhor parte do concurso ninguém sabe.
- Está nervoso? – Virei a cadeira e ela estava parada atrás de mim. Sorria aquele sorriso, o meu sorriso.
- Sim.
- E tudo por causa de uma música. – Sua risada ecoou por todo o camarim. Senti meus lábios se puxarem em um leve sorriso.
- Mas você já aprestou atenção na letra da música? It's raining men. Hallelujah it's raining men... – Cantarolei um trecho da música, fazendo careta, e ela riu mais ainda.
- Que eu saiba, não foi você que escolheu. Está parecendo um duende.
- Estou? – perguntei, sorrindo, e droga, como sempre ela conseguiu mudar de assunto, conseguiu me fazer ficar calmo, conseguiu me dominar.
- Está. Esse cabelo espetado e essa roupa verde, tsc, tsc. Boa sorte, meu pequeno duende. – E seus lábios macios pousaram pela minha bochecha, me fazendo arrepiar. Só pela sua visita inesperada eu participaria desse concurso mais mil vezes. Subi no palco e consegui vê-la sorrindo para mim, e foi com seu rosto angelical em minha mente que consegui cantar com toda minha força.

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Mudamos o nome da banda. De Devilish passamos por Tokio Hotel. Acho que a mudança fez bem, começamos a ficar conhecidos em nosso país. Fechamos um contrato com uma gravadora e quando o nosso primeiro show em Portugal iria acontecer, Tom, Georg e Gustav tiveram que subir ao palco e pedir desculpas ao público, pois não teria show. E onde eu estava? No meu quarto de hotel tentando entender o que acontecia com minha voz. No mesmo dia voltamos para a Alemanha, depois de vários exames, remédios, descobriram um quisto nas minhas cordas vocais. Eu não falava desde o dia do show em Portugal e a única coisa que eu queria era poder chorar. O dia da operação se aproximava cada vez mais, meus pais e Tom se revezavam para ficar comigo no hospital. Gee e Gust sempre me visitam e me zoavam, a presença dos três me dava um pouco de ânimo.

Era um grande campo, a grama tão verde que dava receio de pisar em cima. Mais a frente eu podia ver uma silueta e aquele vestido branco sendo levado pelo vento. Seus cabelos participavam de uma dança com o vento, e o perfume... Aquele perfume se intensificava cada vez mais que eu me aproximava.
- Você demorou – disse, sem tirar os olhos do pôr-do-sol.
- Desculpe. – Eu queria admirar o pôr-do-sol, mas também queria decorar cada traço de seu rosto. Mesmo a conhecendo tão bem, sempre que eu pensava em Pahalian, o seu rosto sempre vinha desfocado em minha mente. Sempre que a via, só conseguia admirar o seu sorriso ou o profundo de seus olhos . Mas agora, eu queria admirá-la, conhecer cada linha de seu rosto, assim como eu conheço cada linha de minhas mãos.
Sua boca era carnuda, bem desenhada, assim como seu rosto oval. Estiquei meus dedos e pude sentir a sua pele macia e quente. Ela estava mais real, mais humana. Seus olhos eram castanhos e quando os raios de sol os atingiam pareciam que eles iam do castanho para o mel e era como se eu pudesse ver o arco-íris através deles. Seus cabelos castanhos e cacheados flutuavam levemente e aquele perfume cítrico tomava conta do meu corpo, eu podia sentir todo o meu corpo formigar só de tê-la ao meu lado.
- Cada vez que o sol se põe, o nosso dia se aproxima. – Retirei minhas mãos de seu rosto e ela se virou para mim. – Tudo dará certo, Bill. – Ela segurou minhas mãos entrelaçando nossos dedos. – Não precisa ter medo, pois o destino está ao nosso favor.
- Por que parece ter medo? – Senti seus dedos longos e finos apertarem minhas mãos com mais força.
- Eu tenho medo de você não conseguir. – Uma lágrima escapou de seus olhos e escorreu pelo seu rosto, ela caiu naquela grama e antes que eu pudesse perguntar o que eu não conseguiria acordei e me deparei com Tom lendo uma revista.
- Até que enfim, pensei que não ia acordar mais – disse, brincando.
Eu estava calmo com a cirurgia, ela tinha me dito que tudo daria certo. Eu a tinha visto horas antes de tudo acontecer. Mas do que ela tinha medo? O que eu não seria capaz de conseguir?

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E novamente aquele enorme campo invadia meus sonhos. O que eu conseguia fazer? Apenas admirar o pôr-do-sol. Enquanto eu me perdia naquela imensidão de azuis, amarelos e vermelhos eu pude sentir alguém chegar do meu lado. E o que eu conseguia ver além da imensidão dos castanhos dos seus olhos? Nada. Definitivamente nada. Era como se eu conhecesse aqueles olhos há muito tempo. Como se eu me perdesse na profundidade daquele olhar há anos. Mas eu não conseguia me lembrar de onde o conhecia.
- Pahalian – ele disse, com a voz doce. E mesmo eu estranhando o nome, um calor eu senti no meu peito. Era aconchegante.
- . – A voz saiu pela minha garganta sem eu ver. Meus lábios se repuxaram em um leve sorriso. – . – Repeti sentindo a doçura desse nome em minha voz.
- Deu tudo certo. Assim como você tinha dito. – A animação era tão presente em sua voz que me lembrava a de uma criança ao ganhar seu brinquedo de natal. Só consegui rir e admirar seu rosto. Os traços eram delicados, podia dizer que era até um pouco andrógino. Traços delicados como de um anjo, por um momento eu senti vergonha de estar em sua frente. – Pahalian? O que você tem? – Sua mão levantou o meu queixo e preocupação eu conseguia ler em seus olhos, pelos seus olhos eu conseguia ver sua alma. E eu só tinha uma certeza. Eu precisava dele, assim como eu preciso do ar para viver. Eu precisava de para viver.
- Acho que estou tornando-me mais humana. – Essas palavras sem sentido algum para mim, novamente escaparam de meus lábios sem eu ver. E agora estou encarando o teto de meu quarto e tentando entender tudo. Virei para o lado e 07:40 marcava no relógio.

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Um mês para a nossa primeira turnê pelo Brasil. E por algum motivo estou mais ansioso que o normal. Sinto uma estranha sensação toda vez que imagino meus pés tocando aquele país. Uma sensação de esperança, e muita ansiedade. Não só ansiedade por causa do show, mas é como se eu fosse reencontrar alguém que não vejo há muito tempo. Já pensei milhares de vezes que talvez fosse encontrar Pahalian. Mas ela é o meu anjo, não estaria na terra. Respirei fundo, meus dedos tocaram levemente o retrato de minha Pahalian.

- Andreas, você seria capaz de desenhar algo só com a descrição? – perguntei, meio acanhado.
- Acho que sim – ele respondeu, entediado.
- Você seria capaz de desenhar um retrato? – Já conseguia sentir a agitação em meu corpo.
- Quem você quer que eu desenhe, Bill? – Ele retirou seu olhar da TV e voltou-se para mim. Incrível como ele conseguia me conhecer tão bem. – É ela não?
- Sim. – Respirei fundo. – Pahalian.

Nesta tarde eu descrevi cada detalhe do rosto de Pahalian para Andreas, seus olhos grandes, redondos e amendoados. Seu cabelo cacheado, que a deixava mais leve. Seu nariz pequeno e levemente arrebitado, suas bochechas rosadas e sua boca carnuda num leve tom de carmim. Tenho que admitir que até eu fiquei impressionado com o resultado, Andy sempre foi bom em desenhar, mas não imaginei que tanto. Cada detalhe, cada minúsculo detalhe que eu tinha relatado para ele, estava lá retratado com tamanha perfeição. Desde então, eu carrego o retrato de minha Pahalian comigo. Não importa aonde eu vá, ela sempre está comigo.

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Estava sentada no pátio da escola. Lucas havia ido comprar balinhas para nós, o restante de nossos amigos foram dar uma volta pela escola. Fazia alguns dias que eu tinha sonhado com aquele garoto. Ele era tão comum para mim. Como se sempre tivesse feito parte da minha vida.
- Vai, desembucha.
- Ahn? – perguntei, sem entender nada.
- O que a está incomodado? – Ele me entregou uma bala e a enfiei com tudo na boca. E tentei murmurar algo com o caramelo derretendo em minha boca. – Vamos, .
- Lucas, você acredita em alma gêmea? – perguntei baixo, com medo da reação dele.
- Acho que sim – respondeu, pensativo. – Acho que todo mundo tem a sua metade. Não precisa ser do sexo oposto, pode ser sua mãe, tio, tia, um amigo – disse, me dando um meio abraço. – Mas também acho que não é só uma metade, temos várias metades em nossa vida.
é o meu melhor amigo, desde que eu me conheço por gente. E como sempre, ele está me ajudando. As suas palavras me reconfortaram. Saber que talvez todos nós tenhamos outra pessoa que se encaixe perfeitamente em nossos braços é reconfortante. Só tem uma coisa que me atormenta. Ele. . Bill.
Descobri que o menino dos meus sonhos se chamava e descobri ainda que sonhei com isso na mesma época que Bill se operara. Mas nessa época eu nem conhecia Tokio Hotel. Fui descobri-los em 2009. Como explicar eu ter cantado o trecho de uma música dele com apenas 8 anos? Ele havia cantado para mim.

- Por que está chorando? – Em meus sonhos ele sempre fora tão alto. Eu apenas uma criança, e ele já um adulto. Seus grandes braços me abraçaram e ele me colocou em seu colo.
- O que é isso? – perguntei passando meus dedos pela sua tatuagem no braço esquerdo.
- É uma tatuagem. Nunca viu? – perguntou, risonho.
- Já, sim. Meu primo Roôh tem uma tatuagem grandona no braço. Maior que a sua. O que tá escrito? Fre-fre-iheintn? – Ao ouvir-me tentar ler aquela palavra, ele começou a rir.
- Freiheit. Significa liberdade em alemão, e 89 é o ano em que eu nasci. – Suas mãos alisavam meu cabelo. – Mas me diga, , por que estava chorando?
- Trovões. Eu não gosto deles. – Enterrei meu rosto em seu pescoço e o abracei forte. – , faça eles irem embora. – Choraminguei. E foi quando ele começou a cantarolar para mim.
- Eu devo, através da monção. Atrás do mundo, até o fim do tempo, até que a chuva já não caia. Lutar contra a tempestade, ao lado do abismo. E quando eu não conseguir mais, eu penso que algum dia vamos correr juntos. Através da monção. E então vai estar tudo bem, vai estar tudo bem. – Depois só lembro que assim que acordei saí correndo atrás do meu diário, para escrever outro sonho sobre o meu anjo e cada palavra que ele havia cantado para mim, hoje está marcado naquelas páginas. Como explicar isso?

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Vários sonhos. Milhares de sonhos. Noites sem dormir. Lágrimas que foram limpas pelas as mãos de um anjo. Ele sempre vinha me ajudar, ele sempre vinha cuidar de mim. Sempre, sempre. Por mais que seja sempre em meus sonhos, ele sempre esteve comigo. Eu pensava que era só fruto da minha imaginação, até que ontem eu tive a certeza de que era algo além da compreensão humana.
Desde que descobri que era na verdade o Bill, tinha dito para mim mesma que era tudo fruto da minha imaginação. Mesmo que eu tenha escrito um trecho de Durch den Monsun com apenas oito anos. Mesmo eu sonhando com ele, muito antes de conhecer a banda. Eu estava confusa. Tokio Hotel viria ao Brasil, e eu não sabia se devia ir ou não ir ao show. Tinha medo do que podia acontecer. E foi quando o chegou um dia na escola com um envelope para mim, contendo um ingresso do show.
- Eu sei que você não se perdoaria se não fosse. Não tenha medo. Nada de ruim irá acontecer – disse, me entregando o envelope.
Agora eu estava deitada na minha cama, analisando aquele pedaço de papel. Mil possibilidades passavam por minha mente. E foi quando eu adormeci e ele apareceu. Novamente o mesmo campo, o nosso campo. Ele me esperava de braços abertos e com o maior sorriso em seus lábios.
- Pahalian – disse, vindo me abraçar. O seu perfume forte e intenso invadiu minhas narinas fazendo-me arrepiar. – Estamos cada vez mais próximos um do outro, meu anjo. – Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha e beijou minha testa.
- Sim, . Estamos cada vez mais próximos. – Aconcheguei meu rosto na curva do seu pescoço e depositei um beijo lá. Senti seus braços me apertarem mais.

Quando acordei, passei minha mão distraída pelo meu cabelo, e notei que havia algo. Corri em direção ao espelho, e ao notar pequeninas flores estavam espalhadas por ele. Essas flores eu só havia visto em meus sonhos, só havia visto elas em meu jardim. havia me dito que elas se chamavam "Filhas do Céu" e que significavam o amor puro. Sorri ao lembrar disso e quando meus olhos cruzaram o meu reflexo, vi ao invés da minha imagem.
- Estamos cada vez mais próximos. – Consegui ler os seus lábios, seu reflexo foi sumindo de minha vista lentamente.

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A cada dia que se passava, eu tinha mais certeza de que iria ver minha Pahalian. E depois do sonho que eu tive com ela, tinha mais certeza ainda. Estávamos deitados na grama, sua cabeça repousava sobre meu tórax. Meus dedos deslizavam pelo seu cabelo.
- ? – Ela virou-se para mim. – Que flor é essa? Eu nunca a vi em lugar nenhum, só aqui – disse, me mostrando uma pequenina flor.
- Ela se chama Miosótis. Ou Filhas do Céu, mas o meu favorito é não-me-deixes. – Ela passou o seu nariz levemente pelo o meu sorrindo. – Quer ouvir a historia dela?
- Sim – ela respondeu animadamente, já ficando sentada. Ri de sua animação. – Vai, para de rir e desembucha – disse me dando um leve tapa.
- Ok, calma, tá? Bem, conta-se que um anjo tinha que enviar uma mensagem de Deus para um sábio persa. Durante sua trajetória, ele avistou uma bela moça que estava sentada à beira de um rio e enfeitava os seus cabelos com umas flores delicadas, quase tão belas como ela mesma. Enquanto trançava seus louros cabelos que pareciam feitos de fios de seda, cantava com uma bela voz, uma canção de amor.
"O anjo encantado com tanta beleza desceu e a raptou. Passaram-se muitos dias de um amor infinito e o anjo lembrou-se de que a mensagem não fora entregue. Arrependido, voltou ao céu, pensando em obter o perdão para sua falta. Mas encontrou fechadas as portas do paraíso. Triste e choroso, o anjo ficou por ali lamentando a sua sorte e as loucuras que fizera por amor; mostrava-se sinceramente arrependido e Deus, comovido, enviou o Arcanjo Gabriel com um recado. - Deus ordena que antes de trazeres para o céu uma filha da terra, povoes o solo de filhos do céu. Confuso, o anjo voltou para a terra e contou à esposa o recado de Deus, confessando que não tinha entendido nada. Será que a moça teria uma explicação? - É claro. Ela lhe disse, sorridente. - Essas flores que trago nos cabelos chama-se "filhas do céu", mas podem também ser chamadas de "não-me-deixes". De mãos dadas e felizes eles saíram pelo mundo, plantando, por toda parte, os miosótis ou não-me-deixes e terminada a tarefa o anjo envolveu a esposa nos seus braços vigorosos e voou para o céu."
- Que linda. – Ela pegou a flor que segurava e colocou atrás da orelha. – Você é o meu anjo e eu sou uma filha da terra.
- Você é o meu anjo – disse a abraçando. Quando acordei o perfume de seus cabelos ainda estava impregnado em minha pele.

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- Brasil. Brasil. Ahh... Meu amado Brasil. – Tom começou a pular de excitação quando Jost nos lembrou de nossa apresentação.
- Estou ansioso para conhecer o Brasil, mas como o Tom, acho meio difícil. Parece um cachorro no cio – disse Georg, rindo.
- Sim, é só falar Brasil que ele fica ofegante. Olha – disse, apontando para meu gêmeo que estava olhando pro nada sorridente.
- Brasil. Mulheres. Caipirinha. Sol. Mar. Biquínis. Mulheres. Biquínis pequenos. Mulheres gostosas. Muitas mulheres. – Ele falava sem parar, esfregando as mãos. – Ohh, céus, eu vou enlouquecer.
Logo Jost encerrou a reunião nos dispensando. Dali a dois dias estaria no Brasil. Meu estômago embrulhou. Era uma sensação boa e ao mesmo tempo ruim. Eu tinha quase certeza de que Pahalian estava lá. Mas como que meu anjo está na terra? Eles não deveriam viver em outro mundo?
- Bill! Bill! Bill! – Tom gritou em meu ouvido.
- O que foi? – perguntei, já irritado por ele ter me tirado de meus pensamentos.
- Estou te chamando a meia hora, estamos só te esperando pra ir embora. – Respirei fundo e levantei da cadeira. – Então está preparado para conhecer sua anja?
- Acho que não. – Encolhi meus ombros e o senti me abraçando de lado.
- Vamos lá, rapaz. Se ela for tão linda quanto aquele seu retrato acho bom tomar cuidado – disse, risonho. Olhei de lado para ele e senti sua risada aumentar. – Relaxa, maninho, acha mesmo que eu vou dar em cima da sua anjinha?

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Não há explicação para o que esses reles mortais viveram ao longo de suas vidas. Sonhar com anjos? Desde pequenos? Ou é uma imaginação muito fértil, ou pode ser a ligação de suas almas gêmeas. Quando dois corações são criados para ficarem juntos, nada pode separá-los. Nem à distância. Nem a morte. Nada. E esses corações sentiam que estavam cada vez mais próximos um do outro.
Os portões já haviam sido abertos. Os fãs já gritavam desesperados. Várias músicas já haviam sido cantadas por aquele estádio enorme. Mas eles não eram os únicos ansiosos. Bill não conseguia sentir suas pernas, e sua voz estava rouca. Seu coração batia descontrolado. Mas não era o único. não sabia como conseguia se manter em pé, tinha apenas umas 5 pessoas a sua frente. Não quis ficar na grade. Provavelmente seria esmagada, e tinha certeza de que o enjôo resultaria em algo. Apertou forte a mão de .
morava em São Paulo e as duas haviam combinado de irem para o show juntas. Já que morava no interior. As mãos das duas já suavam, mas não desgrudavam por nada. Elas viraram seus olhares ao mesmo tempo uma para a outra, e uma risada nervosa saiu de seus lábios. Elas levantaram as mãos para o alto e cantaram junto com as outras.

Scream till you feel it. Scream till you believe it. Scream and when it hurts you. Scream it out loud. Scream. Scream. Scream.

sentia toda a tensão se esvaziando junto com o coro da multidão. E foi quando tudo ficou em silêncio. As luzes haviam sido acessas e ela sabia que havia chegado a hora. Seu anjo estava a poucos metros de distância. Seu coração batia lentamente, como se tivesse se acalmado. Como se soubesse que sua outra metade estava próxima.
Todo o show foi como um choque vê-lo ali tão de perto a fazia se arrepiar. Não estava sentindo mais seu corpo, nem os pisões nos pés, estava anestesiada. Então ele era real, existia mesmo. Mas mesmo assim ela ainda tinha dúvidas, tudo parecia tão irreal, tão estranho e todos os sonhos que teve antes de saber da existência de Bill? E se tudo não se passou de uma ilusão? Um delírio?

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Coloque para carregar Geisterfahrer - Tokio Hotel

Os olhos de Bill corriam pela multidão. Ele sabia que ela estava naquela multidão, era como se uma voz gritasse dentro de sua mente. Mas por que tinha tanta certeza? Por que desde que pisará naquele palco suas mãos não paravam de suar e ele se sentia tonto? Era para ele estar acostumado, não é? Já fez tantos shows que não era para estar tão nervoso. Mas neste show, estaria lá, apenas alguns metros de distância. Foi quando ele ia em direção a frente do palco que sentiu seu perfume e teve certeza de que ela estava ali. Olhou calmamente para todas as meninas que estavam mais perto do palco e a umas cinco fileiras, lá estava ela. O cabelo preso em um grande rabo de cavalo e um enorme sorriso nos lábios, sua mão estendida estava entrelaçada com a da menina do seu lado e elas cantavam juntas o refrão da música, de olhos fechados.

Nota: Aperte play!

Ele teve vontade de gritar por ela, de fazer alguma coisa para que o visse, mas não precisou fazer muito - foi como se algo os conectasse. Ela abriu os olhos e seus olhares se chocaram. A mão da garota foi se abaixando lentamente, os olhos de . Nem piscavam, assim como os de . Lá estava ele. Lá estava ela. Bill teve vontade de gritar pros seguranças a pegarem, teve vontade de ir correndo através da multidão e ir de encontro com aqueles braços no qual se sentia tão seguro. Mas ele não fez nada disso. Tom deu um cutucão nele, pois não havia cantado o restante da música e já estavam iniciando outra. Os gritos das vozes das fãs preenchiam o estádio. Bill levou o microfone à boca e sem tirar os olhos de , começou a cantar os primeiros versos da música.

Benzin im blut. Mir geht's gut. Ist nicht mehr weit. Die letzte ausfahrt

Seus olhos não se desconectaram, todo o instante Bill olhava para ela. sussurrou em seu ouvido: “Ele está cantando para você”, mas ela não quis acreditar nisso. Acreditar nisso a levaria a acreditar que tudo é real? Que tudo não passou de um sonho? E não é mais seguro acreditar que tudo foi um sonho? Apenas uma ilusão?
E foi quando seu sonho se tornou seu pesadelo, seu celular que estava guardado no bolso interno de seu moletom começou a vibrar, o pegou rapidamente imaginando que seria querendo saber como que estava o show, e já se viu gritando para ele, mas não foi isso que aconteceu. Seus joelhos cederam e ela tropeçou para trás, aquilo não podia ser real, não podia ser verdade. Por que justo agora? Justo agora que tinha encontrado ? Por que nada em sua vida poderia ser completo? Porque sempre que algo de bom acontecia, algo de ruim também acontecia?

Ele está morto.

não conseguia se manter em pé, um grito de dor rasgou sua garganta, mas foi abafado pelos gritos que preenchiam o ambiente, em cima do palco Bill sentiu uma forte pontada em seu coração, olhou em direção a e a viu debruçada sobre sua amiga. Ela olhou para a garota a sua frente, apertou forte a sua mão e decidida, ambas saíram correndo contra a multidão.

- Vamos lá, rapaz. Se ela for tão linda quanto aquele seu retrato, acho bom tomar cuidado – disse, risonho. Olhei de lado para ele e ouvi sua risada aumentar. – Relaxa, maninho. Acha mesmo que eu vou dar em cima da sua anjinha?

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Coloque para tocar Scream – Tokio Hotel

Não há explicação para o que esses reles mortais viveram ao longo de suas vidas. Sonhar com anjos? Desde pequenos? Ou é uma imaginação muito fértil, ou pode ser a ligação de suas almas gêmeas. Quando dois corações são criados para ficarem juntos, nada pode separá-los. Nem a distância. Nem a morte. Nada. E esses corações sentiam que estavam cada vez mais próximos um do outro.

Os portões já haviam sido abertos. Os fãs já gritavam desesperados. Várias músicas já haviam sido cantadas por aquele estádio enorme. Mas eles não eram os únicos ansiosos. Bill não conseguia sentir suas pernas e sua voz estava rouca. Seu coração batia descontroladamente, mas não era o único. não sabia como conseguia manter-se em pé, tinha apenas umas 5 pessoas a sua frente. Não quis ficar na grade. Provavelmente seria esmagada, e tinha certeza de que o enjôo resultaria em algum resultado. Apertou forte a mão de .

morava em São Paulo, e as duas haviam combinado de irem para o show juntas, já que morava no interior. As mãos das duas já suavam, mas não desgrudavam por nada. Elas viraram seus olhares ao mesmo tempo uma para a outra, e uma risada nervosa saiu de seus lábios. Elas levantaram as mãos para o alto e cantaram junto com as outras.

Scream till you feel it. Scream till you believe it. Scream and when it hurts you. Scream it out loud. Scream. Scream. Scream.

sentia toda a tensão se esvaziando junto com o coro da multidão. E foi quando tudo ficou em silêncio. As luzes haviam sido acessas e ela sabia que havia chegado a hora. Seu anjo estava a poucos metros de distância. Seu coração batia lentamente, como se tivesse se acalmado. Como se soubesse que sua outra metade estava próxima.

Todo o show foi como um choque; vê-lo ali tão de perto a fazia se arrepiar. Não estava sentindo mais seu corpo, nem os “pisões” nos pés. Estava anestesiada. Então ele era real; existia mesmo. Mas mesmo assim ela ainda tinha dúvidas. Tudo parecia tão irreal, tão estranho... E todos os sonhos que teve antes de saber da existência de Bill? E se tudo não se passou de uma ilusão? Um delírio?

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Coloque para carregar Geisterfahrer - Tokio Hotel

Os olhos de Bill corriam pela multidão. Ele sabia que ela estava naquela multidão, pois era como se uma voz gritasse dentro de sua mente. Mas por que tinha tanta certeza? Por que, desde que pisara naquele palco, suas mãos não paravam de suar e ele se sentia tonto? Era para ele estar acostumado, não é? Já fez tantos shows que não era para estar tão nervoso. Mas neste show, Pahalian estaria ali, à apenas alguns metros de distância. Foi quando ele ia em direção a frente do palco que sentiu seu perfume e teve certeza de que ela estava ali. Olhou calmamente para todas as meninas que estavam mais perto do palco e, umas cinco fileiras adiante, estava ela. O cabelo preso em um grande rabo de cavalo e um enorme sorriso nos lábios, sua mão estendida estava entrelaçada com a da menina do seu lado e elas cantavam juntas o refrão da música, de olhos fechados.

Ele teve vontade de gritar por ela, de fazer alguma coisa para que o visse, mas não precisou fazer muito. Foi como se algo os conectasse. Ela abriu os olhos e seus olhares se chocaram. A mão da garota foi se abaixando lentamente, os olhos de nem piscavam, assim como os de . Lá estava ele – e lá estava ela. Bill teve vontade de gritar pros seguranças a pegarem, teve vontade de ir correndo através da multidão e ir de encontro com aqueles braços no qual se sentia tão seguro, mas ele não fez nada disso. Tom deu um cutucão nele; ele não havia cantado o restante da música e já estavam iniciando outra. Os gritos das vozes das fãs preenchiam o estádio. Bill levou o microfone à boca e, sem tirar os olhos de Pahalian, começou a cantar os primeiros versos da música.

Benzin im blut. Mir geht's gut. Ist nicht mehr weit. Die letzte ausfahrt…

Seus olhos não se desconectaram. A todo o instante, Bill olhava para ela. sussurrou em seu ouvido: “ele está cantando para você”, mas ela não quis acreditar nisso. Acreditar nisso levá-la-ia a acreditar que tudo é real. Que tudo não passou de um sonho. E não é mais seguro acreditar que tudo foi um sonho? Apenas uma ilusão?
E foi quando seu sonho se tornou seu pesadelo.

Seu celular, que estava guardado no bolso interno de seu moletom, começou a vibrar. Pegou rapidamente, imaginando que seria , querendo saber como que estava o show, e já se via gritando para ele, mas não foi isso que aconteceu. Seus joelhos cederam e ela tropeçou para trás; aquilo não podia ser real, não podia ser verdade. Por que justo agora? Justo agora que tinha encontrado ? Por que nada em sua vida poderia ser completo? Por que sempre que algo de bom acontecia, algo de ruim também acontecia?

Ele está morto.

não conseguia se manter em pé. Um grito de dor rasgou sua garganta, mas foi abafado pelos gritos que preenchiam o ambiente. Em cima do palco, Bill sentiu uma forte pontada em seu coração, olhou em direção a Pahalian e a viu debruçada sobre sua amiga. Ela olhou para a garota a sua frente, apertou forte a sua mão e, decidida, ambas saíram correndo contra a multidão.

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Correr, correr... Parecia a única solução. O vento gelado trazia um certo conforto, mas só de imaginar que o que leu fosse verdade, seu coração parava de bater. correu mais rápido, empurrando a multidão. Sentiu a mão de firmemente segura na sua. Queria poder correr mais rápido, mas quanto mais ia para o meio da multidão, mais difícil ficava de passar. A morena parou de repente, olhou para cima, pros lados, para seu All Star sujo. Estava perdida, sem rumo, e não sabia o que fazer. Foi quando o rosto tão conhecido de sua amiga encontrou com o seu. Ela a abraçou forte, a apertando, tentando de alguma forma reduzir a dor da amiga. gritou de dor. As meninas ao redor a olhavam, assustada.
- Vá. Nós duas não conseguiremos atravessar essa multidão juntas. – acenou negativamente com a cabeça.
- Eu preciso de você – disse, com a voz trêmula.
- , vá. Eu estou mandando, vá! – gritou, soltando a mão da menor e a empurrando pro meio da multidão. – Corre! Logo estarei contigo. Eu prometo!
Pahalian corria, se trombando no meio das pessoas. Sentiu seu braço arder e viu de relance algumas marcas de unhas. Já ofegante e quase desistindo, ela avistou os seguranças do outro lado. Começou a acenar e gritar, dizendo que precisava sair. O mais alto abriu espaço e a puxou pela grade de proteção.
- Obri-obrigada – disse, pondo as mãos no joelho. Respirou fundo e seguiu rumo aos portões.

Ich darf hier nicht sein. Geisterfahrer… Fahrer immer allein…

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- Mas como, ela saiu correndo? – perguntou Gustav, assim que Bill contou tudo o que aconteceu no palco.
- Eu não sei. Em um momento ela estava ali, na minha frente. Depois, começou a chorar e foi como se eu sentisse sua dor, e logo em seguida ela saiu correndo. – Bill esfregou as mãos no rosto.
- Você tem certeza de que era ela, Bill? – O mais velho dos Kaulitz perguntou, cauteloso.
- Tenho. Você viu, Tom. Era ela, era igual ao retrato do Andreas. – De repente, ele pulou do sofá. – Eu vou atrás dela. Não, eu não sei como. Não sei onde ela está, mas sua amiga sabe... – Ele interrompeu o irmão, foi em direção aos seguranças e perguntou se algum deles havia visto uma loira. Tentou descrever ao máximo a garota. Logo um segurança veio, trazendo umas vinte garotas todas loiras que tentavam entrar no camarim.
O gêmeo mais novo olhava pela fresta da porta para cada uma das meninas. Andreas estava do outro lado, vendo as garotas e ao telefone com Bill. Ele procurava descrever ao máximo a menina.
- Ela está com o cabelo trançado? Blusa preta com uma caveira estampada? Estou vendo, acho que a estou vendo – Andreas dizia, animado pelo telefone, pediu para um dos seguranças darem passagem para a menina. Ela estava de frente pra Andreas. – É esta?
Bill deu um grito pelo celular. Logo Andreas puxou a menina pela mão e a levou até o camarim dos garotos. As outras meninas ao verem isso se desesperaram e empurravam cada vez com mais força os seguranças, mas logo eles conseguiram controlar elas e as dispensar.
- Hey, o que é isso? – exclamou, brava, assim que o menino a puxou para dentro do camarim. – Você é louco ou o quê? Meu braço está roxo. – Ele a olhava com a testa franzida. Foi quando ela olhou ao redor e viu seus ídolos a olhando do mesmo modo que Andreas. Ela percebeu que estava falando em português.
Constrangida, a garota soltou um tímido “Hi”, com um pequeno aceno de mão. Bill viu a esperança voltar para seu corpo. Correu ao encontro de , abraçando-a fortemente. Ele pegou a menina no colo e começou a rodopiar com ela pelo camarim. Ela gritava, dando murrinhos no ombro dele, estranhando sua atitude. Quando ele parou, colocou as mãos em seu rosto e perguntou:
- Onde está Pahalian?
- Eu não sei.
- Sim, você sabe. Onde ela está? Pahalian, minha Pahalian, cadê ela? – ele dizia, desesperado. entrou em desespero. Então o sonho de era verdade. Pois era a única explicação para tudo que estava acontecendo, mas mesmo assim ela só sabia a cidade que sua amiga morava, não sabia o endereço de sua casa e muito menos como chegar.
- Calma, Bill. – Tom puxou seu irmão, ao ver que ele estava assustando a garota. – Tudo vai dar certo.
- Tudo vai dar certo? Como? Como? Ela era minha única esperança... eu nunca mais vou ver Pahalian e meu sonho irá se realizar. – Bill se jogou contra a parede, tateou seus bolsos e logo encontrou um maço de cigarro.
- Ela não iria gostar disso – disse, quando o viu levando o cigarro a boca e o acendendo. – Eu sei a cidade que ela mora – disse a menina, desviando o olhar do moreno, que a fuzilava. – Ela mora em outro estado, numa cidade do interior. Eu sei que demora umas seis horas de carro.
- Seis horas... Não dá, é demais. – Bill soltou a fumaça para cima, ignorando todos ao seu redor.
- Mas é se formos de carro... se formos de avião, chegaremos lá mais rápido, não é? – Georg perguntou. Tom o olhou, intrigado. – Nós temos um avião, Tom – disse, revirando os olhos.
- David nunca nos deixaria sair assim. – Bill olhou pro teto e apagou o cigarro na parede. – Mas eu estou pouco me lixando pra opinião dele. – Foi em direção ao sofá, onde estava jogada uma bolsa imensa preta. Pegou lá de dentro seus óculos escuros e foi em direção a porta. – Vamos logo! – disse, assim que viu todos parados apenas o observando.

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Por alguma ironia do destino – ou não, – havia conseguido trocar sua passagem do outro dia para um vôo daqui a quinze minutos. Havia levado uma pequena mochila com seus pertences para a casa de , mas agora consigo tinha apenas uma câmera e um celular em mãos. Não se preocupava com seus pertences, se preocupava com o conteúdo da mensagem. Como assim seu melhor amigo havia morrido? Não podia, isso era impossível. Há algumas horas ele estava a abraçando e desejando boa sorte, os dois estavam felizes por causa do show. Ele estava feliz. sorria quando deu tchau.

Balançou a cabeça e quando ouviu o anúncio para seu vôo limpou rapidamente as lágrimas e foi em direção ao avião. Suas pernas não paravam de balançar na poltrona, a aeromoça já fora três vezes perguntar se ela estava bem e a mesma só acenava positivamente com a cabeça. Ela só queria que o avião decolasse logo é pedir muito? Lembrou-se do olhar de Bill sobre si, era radiante, assim que os olhos do mais alto pousaram sobre si, ela sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo e sua cabeça gritar: É ele, é ele. Ele é .

provavelmente riria dela e diria que sempre achou que os sonhos dela fossem verdade e que ela era uma boba por não acreditar neles. . Doía pensar em seu melhor amigo. O conheceu na terceira série e desde então nunca se separaram. Ele sempre a incentivou a acreditar em seus sonhos, a correr atrás deles. E agora como seria seus dias sem aquele que sempre a apoiou?

Uma hora e meia depois o avião pousou. Seu estômago embrulhou, na verdade seu corpo inteiro embrulhou. Sentiu seus ossos sumirem de seu corpo e o mesmo virar gelatina. Não conseguia se levantar, sua respiração estava cada vez mais rápida, tirou o cinto lentamente e assim que conseguiu ficar de pé sentiu uma vertigem, apoiou-se na parede do avião e foi quando viu tudo ficar tonto. Sentiu uma mão segura-la e desejou que tudo não passasse de um sonho, um sonho ruim, ela iria acordar chorando, beberia água e tudo estaria normal. Não é?

Mas teve certeza de que nada estava normal, quando acordou deitada no chão do avião com um médico escutando seu coração.

- Você está bem? – perguntou o médico, assim que viu ela abrir os olhos.
- Não sei – disse mais para si mesma. – Há quanto tempo estou aqui?
- Você ficou desacordada durante uns dez minutos. Como se chama?
- . – Viu a confusão passar pelo rosto do homem. – Não, está no hospital ele está me esperando, preciso vê-lo. Ele... Ele... – Não conseguiu completar a frase, as lágrimas já rolavam pelo seu rosto. – Eu preciso dele. – Conseguiu dizer entre soluços.

O homem a acompanhou até a saguão do aeroporto e fez uma aeromoça deixá-la em um táxi, apenas seguia as ordens, rejeitou o calmante e pediu apenas água. Não queria tomar nada, tinha medo de que a dopassem e ficasse fora da realidade. Fora da realidade, se não fosse mais possível. Era tudo um sonho ruim, não era?

Continua...

Comentários da Autora:

Realmente espero que gostem, e realmente espero por comentários. ^^
Qualquer coisa me gritem...

@BlubliPlutao / Orkut / Tumblr: Secrets of the Heart





Nota da Beta: Comentem. Não demora, faz a autora feliz e evita possíveis sequestros - só um toque. Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise por email ou Twitter. Obrigada. Amy Moore xx