Betada por: Camila Darc.
Capítulo 1
38 graus, essa cidade nunca esfria. Morar no interior é foda. Meu deus, pra que tanto calor? Eu moro aqui há cinco anos e ainda não me acostumei. Vim morar com minha tia depois que minha mãe se casou de novo, nada contra meu padrasto, apenas queria dar privacidade a ela. Uma adolescente de 15 anos morando com recém-casados não é lá muito agradável.
Parei diante do espelho pra admirar meu trabalho, olhos bem marcados com delineador, bochechas coradas graças o blush, boca com um leve gloss. Pronta pra ir à escola!
- , anda logo, você vai se atrasar!
- Ok, tia, eu já tô indo!
- Querida, lembra do meu filho ? - ela começou a falar quanto estávamos no carro.
- Você falou dele algumas vezes, por quê?
- Bem, ele terminou o colégio, é eu quero aproveitá-lo um pouco antes dele ir pra faculdade. Ele vai morar um ano aqui conosco.
Um estranho em casa? Claro ele não é um estranho porque é filho da minha tia, ter mais uma pessoa em casa vai ser estranho, sempre foi só eu e minha tia.
- Ah, legal! Quantos anos ele tem, tia?
- Ele acabou de completar 18! - ela falava toda orgulhosa, como se o filhinho completar 18 anos fosse o acontecimento do ano.
- Ah!
- Bem, estude muito, você vai ter que ir a pé hoje pra casa, preciso buscar meu bebê na rodoviária! - esqueci de mencionar, nesse fim de mundo onde me encontro atualmente não existe aeroporto.
- Tudo bem, não é tão longe!
Os minutos se arrastaram, parecia que o tempo sentia prazer em me torturar. Eu tentava ignorar as cantadas ridículas que ouvia dos meus colegas, estava muito quente, por isso eu estava com um short tão curto, uma mulher não pode mais vestir o que quiser?
Depois de seis horas de tortura naquele colégio, finalmente eu estava livre. Fui andando calmamente, a casa da minha tia não era tão longe, mas também não era tão perto. Cheguei exausta, maluca por um copo d'água, é por um banho.
Fui tirando minhas roupas e as deixando pela casa, titia trabalhava o dia todo, era advogada. Só chegaria a noite. Depois de tirar meu short e a blusa de uniforme ficando de sutiã e calcinha, andei em direção ao meu quarto para tomar um belo banho no meu banheiro, pensei bem, por que bagunçar justo o meu banheiro? Melhor usar o banheiro do corredor.
Peguei uma presilha e prendi meu cabelo em um coque. Desabotoei o sutiã e abri a porta. Meus músculos paralisaram, meu olhos se arregalaram, meu coração se acelerou mais o que estava acontecendo?
Tinha um deus grego tomando banho bem ali na minha frente. Ele estava de costas e não me viu, e eu não consegui parar de olhar, o corpo perfeitamente desenhado, o cabelo molhado, a pele bronzeada quase dourada, e quando ele olhou pra mim pude perceber que seus olhos eram . Um azul intenso.
Quando ele me olhou tive consciência que o estava encarando de boca aberta. Ele me olhava com semelhante espanto, mas também me olhava com desejo. Tomei então consciência de que estava praticamente nua. Peguei a toalha mais próxima me enrolei nela e comecei a gritar.
- Socorro!Socorro! Alguém me ajuda! - minha última frase foi calada quando aquele misterioso homem enlaçou minha cintura com uma das mãos e cobriu minha boca com a outra. A proximidade me deixou muito excitada devo admitir. Os olhos dele eram como um oceano muito profundo, parecia que eu via quilômetros e quilômetros através deles.
- Ficou maluca, garota? Para de gritar! Olha, eu vou tirar a mão da sua boca e vamos conversar, tá bem? - o hálito de menta dele fez cócegas do meu rosto. Ele foi tirando a mão devagar, mas nossa proximidade permaneceu. Quando já não havia mais nada na minha boca eu gritei novamente.
- Alguém me ajud... - fui calada novamente. Por que eu gritei? Ele me prendeu entre seu corpo completamente nu e a parede, nem precisou tampar minha boca eu estava totalmente sem reação pela proximidade exagerada, mais alguns centímetros e eu poderia beijá-lo.
- Como você é teimosa.- ele sussurrou, e abriu um sorriso de canto - Olha, eu não sei quem você pensa que é, acontece que eu moro aqui!
Eu olhei incrédula pra aquele ser a minha frente.
- Querido, você não pode morar aqui, porque EU moro aqui!
- ?
- Te conheço?
- Eu sou o , você é minha prima!
Ah meu deus, isso é pegadinha? Ele é meu primo? Sério mesmo? Puta que pariu. Ninguém me falou que eu tinha um primo tão gostoso. E agora nos fazemos o que? Eu e ele sozinhos, sem roupas num banheiro... Se minha tia chega agora, não quero nem pensar!
- Fica calma, foi só um mal entendido!
Eu me desvencilhei dos seus braços, e saí sem olhar pra trás, direto pro meu quarto.
Não senti ninguém vindo atrás de mim. Tomei banho no meu banheiro, lavei meu cabelo e coloquei um vestidinho fresco. Já refeita do susto, desci até a sala de estar onde encontrei meu priminho assistindo a um jogo de basquete.
- Hãn... Foi mal ter invadido o banheiro daquele jeito!
- Tudo bem! - ele sorriu amigavelmente.
Eu estava pensando em puxar algum assunto, quando fui retirada dos meus pensamentos pela campainha.
se levantou e foi abrir a porta, enquanto eu admirava o quando ele era forte, não tinha o corpo de um adolescente, tinha o corpo de um homem já, o cabelo escuro contrastava perfeitamente com a pele bronzeada.
- E aí, cara, beleza? - um garoto que aparentava ter a mesma idade, porém menos forte, e com a pele muito clara falou.
- Beleza! Quanto tempo! - eles trocaram um abraço rápido.
Eu estava imóvel, parada perto da escada, apenas observando a cena.
- Ah, cara, essa é minha prima ...
- Muito prazer! - estendi minha mão, ele a segurou olhando em meus olhos, o olhar dele não escondia a forma como estava me encarando. - Bom, eu vou subir, foi um prazer te conhecer!
Quando estava no auge da escada, consegui ouvir os comentários.
- Mano, sua prima é muito gostosa! Andou escondendo ela da gente foi?
- Que nada, você sabe que é a primeira vez que eu vejo ela, pode até ser gostosa, mas é muito pirralha!
Então quer dizer que eu sou pirralha, não é? Ele que é um idoso! Eu vou provar ao meu adorável priminho, que a pirralha aqui sabe ser muito mulher e seduzi-lo, e quando ele estiver comendo na minha mão vai aprender a lição mais valiosa de todas: nunca subestime uma mulher.
Fui até meu quarto, e procurei um conjunto de lingerie preto com laçinhos rosas. Esse era perfeito! O vesti e me fitei no espelho.
Nada de desistir agora, dona , se começou vai até o fim. Esperei até não ouvir mais vozes vindo da sala. A porta bateu. Ótimo! O amigo tinha ido embora, hora de entrar em ação.
Desci as escadas, respirando lentamente, com as pernas tremendo e o coração acelerado, mas com a cabeça erguida não demonstrando aflição.
- Priminho? - o chamei ainda na escada.
Seus olhos pareceram em choque ao me ver, ele me olhou dos pés a cabeça, e seus olhos queimavam de desejo. Acho que a pirralha não é tão pirralha assim!
- O gato comeu sua língua? Bom, sabe o que é, aqui faz muito calor, então eu ando assim pela casa, espero que não se incomode, você não se incomoda, não é?
- Mas... - eu o interrompi.
- Mas eu estou morrendo de fome mesmo, adivinhou meus pensamentos, me acompanha até a cozinha? Vamos fazer alguma coisa pra comermos, estou morrendo de fome e você? - dei uma piscadinha, e andei em direção a cozinha, deixando um confuso que vinha atrás de mim, igual um cachorrinho. Espero que ele agüente fortes emoções.
Fui até a geladeira, abri o congelador e tirei um pote de sorvete de lá, o coloquei sobre o balcão, enquanto meu adorável priminho apenas me fitava. Seus olhos hora percorriam meu corpo, hora ficavam focados no meu rosto. Me virei de costas pra ele, coloquei duas taças em cima do balcão e quando eu ia servir o sorvete, senti um corpo se colar ao meu. Minhas mãos começaram a suar, meu coração batia freneticamente, com certo esforço me virei e encarei seus olhos cristalinos, eu poderia me afogar naquele azul.
Ele me pressionou ainda mais , eu acabei sentada sobre o balcão de mármore. Ele colocou as mãos nos meus joelhos, os apertando com alguma força.
- Você quer me enlouquecer? - murmurou, ele usava um tom baixo e irritado. Ele separou meus joelhos, se colocando entre as minhas pernas, puxou minha cintura fazendo nossos corpos se chocarem.
- Eu? Priminho, qual é seu problema, hein?
- Você!
Ele foi aproximando seu rosto do meu, encostou suavemente os lábios nos meus, num selinho demorado, e então ouvimos o barulho do portão da garagem.
- Queridos, cheguei!
Capítulo 2
Droga, droga, droga! E agora o que eu faço?
- Vai pro seu quarto! - sussurrou no meu ouvido, e me deu um beijo na bochecha. Ele estava sendo... carinhoso?
Eu prontamente obedeci, e subi as escadas numa velocidade que eu duvido que um humano alguma vez tenha conseguido, eu teria quebrado o recorde mundial.
Cheguei ao meu quarto, coloquei o pijama mais comportado que eu achei, liguei a televisão e deitei na cama. Meu coração ainda batia num ritmo acelerado.
Ouvi batidas na porta, e logo depois o rosto da minha tia surgir.
- Oi, querida!
- Oi - tentei parecer animada.
- Como foi hoje?
- Ah, normal, não aconteceu nada demais! - Ah... eu só me agarrei com seu filho, estávamos no maior amasso e ai você chegou, mas fora isso... nada demais!
- O que achou do ?
- Ele é legal - e lindo, sedutor, tudo de bom e eu quero tanto ele pra mim.
- Ele mandou isso aqui pra você! - ela me entregou uma taça de sorvete de flocos.
- Obrigada!
- Eu vou dormir, nós sempre dormimos cedo, não é, querida? O tem o péssimo habito de só dormir de madrugada. Espero que o barulho não te incomode!
- Ah, não se preocupe, eu nem vou notar.
- Boa noite, querida!
- Boa noite!
Ela fechou a porta, e eu soltei um longo suspiro. Meu deus, o que eu estava fazendo? Brincando de "vou te comer" com meu primo? Isso não era certo, e eu não era assim. Não que eu seja o exemplo de inocência, mas não sou 'piriguete' a esse ponto.
Caminhei até a sala o mais silenciosamente que consegui, quando consegui ouvir o barulho da televisão, respirei fundo e encarei o , que desviou a sua atenção da televisão, para o meu rosto.
- Eu - falamos juntos.
- Fala você! - incentivei.
- Eu sei, o que aconteceu na cozinha foi um erro, eu cheguei hoje, e nos nem nos conhecíamos, e você é uma criança!
Criança? Então, e isso que eu sou pra ele? - meus olhos se encheram de lagrimas, eu pude sentir a rejeição. Fiz o maior esforço possível para não chorar, mas foi inevitável. Grossas lágrimas caiam pelo meu rosto. Cadê a garota de antes? Como eu posso ser tão estúpida?
O choque atravessou o rosto dele, ele parecia sentir dor, se aproximou de mim, e me puxou pra um acolhedor abraço. Seus braços em volta de mim me proporcionavam uma paz indescritível, ele era tão quente e confortável.
Ele foi nos guiando até o sofá, sentou comigo no colo ainda abraçados. Me segurou como se eu fosse uma garotinha, e ficou fazendo carinho no meu cabelo.
- Me desculpe!
- Pelo o quê? - perguntei, agora sem lágrimas, com a voz estável.
- Pelo que te magoou, mas você tem que entender uma coisa. Eu sou mais velho, deveria ser responsável, e nós dois... - eu não deixei ele terminar.
Dei um selinho, que logo foi virando um beijo, e o beijo começou a ser mais profundo. E quando percebi, ambos estávamos ofegantes, os lábios dele estavam vermelhos e levemente inchados, eu imagino que os meus também.
Então eu tive um lapso de consciência... ", acorda! O objetivo é você seduzi-lo e não se apaixonar, não se deixe envolver!" - repreendi a mim mesma. Esse era o meu jogo, meu jogo, minhas regras!
A fria e calculista entrou em ação.
- Não fale comigo como se eu tivesse quatro anos, priminho! Você ainda não entendeu? - coloquei as mãos no seu rosto - Você não me magoou, eu apenas estava sensível, e quem disse que existe um nós dois? - dei um selinho nele, mordendo seu lábio inferior e deixei meus dedos passearem pelo seu rosto, eu queria tanto que fosse diferente, porém não era, as coisas eram assim. E como ele disse: eu sou apenas uma criança. Qual o problema em fazer algumas travessuras? - Até mais tarde!
- Você não vai a lugar algum! - ele falou ríspido, segurou meu braço, prendendo-me ali.
- Você acha que manda em mim? - perguntei irônica.
- Por que tá fazendo isso, garota? Esse rosto de anjo, e esses olhos de malicia, o que você quer de mim?
- O que eu quero você não pode me dar, AINDA!- dei enfatizei a última palavra.
- Você é maluca!
- Eu prefiro exótica. - abri um sorriso.
- Não se aproxime mais de mim, vamos deixar as coisas bem claras aqui, você é minha prima!
- Não se preocupe - tentei manter minha voz o mais estável possível, meu sorriso ainda estava no meu rosto, mas eu estava me sentindo destruída por dentro - você não significa nada pra mim, é só um passatempo, eu estou entediada!
- Vai se divertir de outra forma! - ele falou indiferente.
- Se é assim que você quer. - eu estava com raiva, se ele queria que eu me divertisse, então eu iria me divertir!
A noite foi longa, eu rolava na cama e eu não conseguia dormir, eu estava frustrada, e com raiva. Se ele queria tanto que eu me divertisse, então ótimo! Eu iria me divertir.
Quando o sol finalmente nasceu, eu já estava de pé, maquiada, com uma regata, e um short jeans curto, graças a deus hoje era sábado. Desci pro café da manhã.
Na mesa já estavam três pessoas, o amigo do que eu vi ontem estava aqui. Motivo e oportunidade juntos, tudo diante de mim. Perfeito!
- Oi, querida, que bom que acordou, eu preciso trabalhar, vou deixar você com esses rapazes! - minha tia me deu um beijo e foi em direção a garagem.
- Oi - sorri, muito simpática pro rapaz ao lado do , ignorando meu priminho totalmente.
- Oi, eu sou o Lucas!
- Eu sei, você é o tipo de pessoa difícil de esquecer! - dei uma piscadinha. Ele nem tinha me falado o nome ontem, mas quem liga?
- Você quer um babador, Lucas? - perguntou o com irritação.
Ciúmes priminho? Espero que meu priminho não tenha indigestão, afinal, ele vai presenciar muito mais nesse café da manhã. Idiota! Ele vai se arrepender do dia em que pisou nessa casa, principalmente do dia que achou que eu não era boa o suficiente pra ele.
Eu me sentei à mesa ao lado do Lucas. Eu o observei, a verdade e que ele não era feio, ele era até muito atraente, fazia o tipo "atleta". Porém, perto do , ele parecia tão sem sal.
- Babador? - me fingi de inocente.
- Palhaçada do . - o Lucas quis encerrar o assunto.
- Você ficar secando minha prima não é palhaçada! - o respondeu sério. Seus olhos agora pareciam de um azul impenetrável.
- Então você me acha bonita, Lucas? - perguntei na voz mais doce possível, e na melhor cara de inocente que eu consegui.
O Lucas coçou a cabeça, ele parecia constrangido. Eu não deixei ele desviar o olhar do meu, não que eu estivesse gostando disso (n/a : ela tá gostando sim), mas a idéia de flertar com outro cara na frente do , me pareceu incrivelmente inteligente.
Eu apenas encarava o Lucas, e ele a mim, quando o nosso "encanto" foi quebrado, com alguém me puxando pelo braço e me levando até a sala.
- Ai, meu solta, seu estúpido, tá me machucando! - falei com a voz meio chorosa.
- Eu estou te machucando? O que você pensa que tá fazendo, ein, pirralha?
- Solta ela, ! - 0 Lucas praticamente gritou.
Ah, agora eu quero ver. Isso mesmo, Lucas, faça algum de útil!
- Fica fora disso, Lucas, o assunto não é com você!
- Você vai soltá-la por bem, ou por mal?
Ui, por bem ou por mal? Ok, ele é legalzinho. Hora de intervir; a situação 'tava ficando muito tensa, e será que o Lucas não enxerga, o assunto era meu e do , ele não tinha nada que entrar no meio. Será que ele não percebeu que esse estilo "príncipe encantado" tá fora de moda?
- Lucas, é melhor você ir. - eu disse.
- Eu não vou deixar você! - nossa, que drama. Eu mereço!
- Que lindo, ele não vai deixar você! - o fez uma imitação ridícula da voz do Lucas me fazendo encará-lo, fiquei presa nas íris e no tom de deboche que elas estavam agora e foi inevitável, nós dois começamos a rir. O Lucas nos olhava espantado.
- Mas vocês são o quê? Perturbados? - gritou ele. Não entendendo os risos.
- Lucas, é sério, obrigada mais eu já resolvi a situação! - tentei ser delicada.
- Eu te acompanho até a porta - disse o , ele então soltou meu braço, me deu uma olhada significativa, e levou o Lucas até a porta. Acho que o amigo do meu adorável priminho não estava entendendo nada. Ele não disse uma palavra apenas cedeu calmamente. Eu sinceramente não sabia descrever o que o Lucas estava pensando, talvez que nos fossemos loucos, eu pelo menos não tô vendo nenhum louco aqui, você tá? Somos perfeitamente e totalmente comuns e normais!
- O que você pensa que 'tava fazendo? - o perguntou sério, me encarando.
- Eu estava tomando um café da manhã! Qual o problema? - respondi como se fosse óbvio.
- Nenhum! Mas desde quando o Lucas faz parte do cardápio?
- Desde quando você mandou eu me divertir! - respondi ríspida.
- Ah, então é isso! Nossa, qual seu problema, garota?
- Qual é o seu problema, ? - respondi alto e rápido.
- Você é meu problema! Você tá me enlouquecendo. Eu mal cheguei aqui e você já virou minha vida de pernas pro ar. - ele também gritava.
Ficamos nos encarando, e então ele se aproximou de mim e me puxou com certa força, começando um beijo intenso. Quando necessitamos urgentemente de ar, eu pude percebeu ser olhar e nesse momento, como em nenhum outro eu desejei acabar com todo esse jogo, eu desejei ser só uma garota com um cara em uma sala. Eu desejei que tudo fosse diferente. Ele também parecia ter cedido, seus olhos antes impenetráveis, agora pareciam derretidos.
- Por que você faz isso? - ele sussurrou, contornando minha boca com a ponta do seu dedo, eu estava tão embriagada, através da neblina que ele causava em minha mente, que não pensei, apenas me entreguei. Dei um leve selinho na boca perfeitamente delineada e vermelha, ele contornou meus lábios com a ponta da língua, pedindo passagem, e eu cedi.
Não sei quanto tempo durou nosso beijo, faltava ar, ainda não tinha me recuperado do anterior, acontece que nenhum de nós dois queria parar, eu nem pensava em parar, ele iniciou o beijo e teve que terminar. Eu não o olhei, coloquei meu rosto na curvatura do seu pescoço e sorri. Um sorriso muito sincero. Eu me sentia tão bem, tão confortável, acho que o nome disso é felicidade. Ele me abraçou, e permanecemos assim! O que estava acontecendo comigo? Eu estava me sentindo... apaixonada?
Capítulo 3
- narrando on.
Estar com ela assim, tão perto, poder sentir o cheiro de morango que irradiava do seu cabelo, o perfume doce que ela usava. O toque dela era algum indescritível. Hora de assumir o que eu ando tentando negar, eu estou apaixonado por ela! Apaixonado pela minha prima pirralha.
Mas ela fica sempre com essas atitudes malucas, uma hora ela lembra um anjo, e em outras parece que a maldade irradia dela, maldade acompanhada de muita sedução. Como pode existir alguém assim? Eu a queria tanto pra mim.
Eu fechei meus braços em volta da sua cintura, e eu queria permanecer assim por muito tempo. Ter ela só pra mim!
Ela me deu um beijo no pescoço que me provocou muitos arrepios.
Ela me encarou, e sorriu. Era a primeira vez que eu a via sorrindo assim, um sorriso tão verdadeiro, tão sincero.
Ela se tornou tão convidativa, não era a malícia em pessoa, era como um anjo.
Eu sorri, e a puxei pela mão, até o sofá.
Ela me olhou confusa.
- Vamos assistir televisão! - esclareci.
- Ah! - ela respondeu.
Assistimos alguns clips, até que entrou uma música da Shakira, eu não ouvia essa musica há muito tempo, era bem antiga, mas com aquela mulher dançando nunca sai de moda.
Acho que a percebeu meus olhares nada discretos pra tela, já que eu ganhei um beliscão.
- Ai, essa doeu. O quê? Que eu fiz?
- Ah, você não fez nada! Agora responda: O que ela tem que eu não tenho? - ela perguntou num tom tão infantil e tão lindo. - ela é loira e eu também, ela tem bunda e eu também, então o que ela tem que eu não tenho?
- Quanta humildade! - respondi sorrindo.
- RESPONDA! - ordenou.
- Calma! Não é nada disso que você tá pensando! Ela dança bem, só isso.
Ouvi uma risada gostosa, não entendi muito bem o motivo, até ela desligar a televisão, ir até o aparelho de som colocar um CD, e sussurrar a palavra: "Prepare-se".
Ela tirou a blusa, por baixo havia um top rosa bebê. Começou a tocar uma música que eu não reconheci de quem era, mas reconheci que era uma daquelas músicas de dança do ventre, onde só se ouve os instrumentos.
Ela se colocou no centro do tapete felpudo, e pra minha alegria ou pra minha loucura, talvez pra realmente acabar com qualquer juízo que me restava, ela começou a dançar.
Seus quadris se moviam no toque exato da música, as pernas expostas pelo short curto, dançavam em semelhante sincronia. As mãos eram tão delicadas. Eu estava fazendo um esforço enorme para me manter ali imóvel. Eu tentava decorar cada parte do corpo dela, cada centímetro. Tenho certeza de que ela a partir de hoje vai estar presente em muitos dos meus sonhos.
- O que está acontecendo aqui? - minha mãe perguntou. Minha mãe? Mano, era minha mãe! Ela estava parada na porta, nos olhando com um olhar assassino. parou de dançar, a música continuava tocando já que nos dois estávamos paralisados.
- Eu perguntei o que está acontecendo aqui? - ela repetiu, impaciente.
Eu continuava imóvel, paralisado pelo susto. O que minha mãe estava fazendo ali? Ela não deveria estar no trabalho? Eu precisava salvar nos dois.
Minha priminha foi mais rápida. Enquanto há segundos atrás ela estava tão imóvel quanto eu, agora ela correu e se jogou nos braços da minha mãe e em abraço.
- Oi, tia... Aconteceu alguma coisa? - ela perguntou com a voz super tranquila, sem dar o menos sinal de nervosismo, ou incomodo. Reage, !
- Oi, mãe, o que tá fazendo aqui?
- Eu que pergunto, , o que tá acontecendo aqui? - ela me olhava como se eu tivesse corrompendo a garotinha dela. O atacado aqui sou eu!
- Ué, tia, tá acontecendo que eu tô dançando. Dãã, não é óbvio?
Minha mãe a olhou como se ela fosse uma boneca e ela sorriu no mesmo tom angelical, que menina perigosa é essa, meu Deus? Onde eu fui me meter?
- Eu sei, querida - ela sorriu - eu quero saber o que o estava olhando?
- Eu dançar, titia, eu tô ensaiando pra um show no colégio, e queria público. Você sabe que eu sou tímida.
Ah é, super tímida, a pureza em pessoa!
- , eu esqueci meu celular no meu quarto, me acompanha?
- Claro, mãe! - concordei.
Subimos as escadas em silêncio. Quando entramos no quarto ela fechou a porta e me encarou com uma expressão muito séria.
- Eu vi claramente o modo como você a olhava, filho, ela é uma menina ainda! - ela me repreendia.
- Eu não tenho idéia do que tá falando mãe! - neguei veementemente.
- Eu vi o desejo com que você a olhava, como suas mãos estavam apertando as almofadas, filho ela ainda é uma menina e você já é um homem, eu não admito que se aproveite dela! - ela estava gritando.
- Eu nunca faria isso, ela é minha prima!
- Espero mesmo, estou de olho!
Saímos do quarto, eu estava enfurecido, e o pior e que eu sabia que ela tinha razão. A era só uma menina.
- Tchau, querida ! - minha mãe se despediu da com um beijo na testa, e ela continuava com a cara de anjo. Pra minha mãe era isso que ela era, um anjo, uma santa, a mais alta divindade, enquanto pra mim era o próprio pecado.
Minha mãe saiu. A foi até a janela e quando teve certeza que ela estava longe, veio até mim.
- Se assustou? - perguntou debochada e sorrindo.
- Não é engraçado! - respondi ríspido
- Não, mas pode ser divertido! - ela abriu aquele sorriso cheio de malícia.
Colocou os braços em volta do meu pescoço, e sussurrou no meu ouvido:
- O que você acha? Diversão?
Eu tentava pensar, mas tê-la tão perto impedia. Todos os vestígios de juízo de responsabilidade foram apagados da minha mente.
Fechei os braços em volta da sua cintura, e a puxei pra mim.
Acabamos no sofá. Eu deitei por cima dela, sem quebrar o beijo,mas chegou um momento em que não havia mais ar. Eu não queria me afastar dela, precisava respirar, mas precisada dela. Deixei sua boca e distribui beijos pelo seu pescoço, seus colo, até onde o top me permitia, dei algumas mordidas na barriga dela.
Eu estava totalmente enlouquecido por aquela garota. Parecia que as roupas nos incomodavam. Ah é, como incomodavam! Eu parei de beijá-la por alguns instantes. Ela me olhou enquanto eu tirava minha camisa.
E as roupas dela estavam me incomodando também. Eu tirei minha camisa com tanta rapidez e acho que com brutalidade que percebi a arregalar os olhos. E então me dei conta do que eu estava fazendo? Estava sendo agressivo. Não era assim que deveria ser.
- Desculpe! - sussurrei.
Fui fazendo desenhos por toda sua pele descobertas, formas indefinidas que provocavam arrepios nela. Sorri com isso.
- Você é lindo! - ela sorriu.
- Você já me viu sem roupa antes, não se lembra?
- Não, eu só me lembro das coisas importantes! - ela respondeu com certa ironia.
- Eu não sou importante? - perguntei, mordendo o lóbulo da sua orelha.
- ? - ela sussurrou - Cala a boca e me beija logo!
- Sim, senhora!
A obedeci; enquanto eu a beijava, não sei como ela conseguiu, mas inverteu as posições, se colocando por cima de mim. E agora ela que mordia meu pescoço, bagunçava meu cabelo com as mãos, ela foi descendo suas mãos e as suas unhas arranhavam delicadamente minha pele. Fazendo-me soltar alguns gemidos.
Suas mãos pararam no cós da minha calça, ela desabotoou o primeiro botão, desceu o zíper, e voltou a me beijar. Eu segurava sua cintura com força, explorando toda aquela área.
Eu tinha consciência do que estava prestes a fazer, sabia as consequências, sabia que era errado e mesmo assim nem sequer cogitei parar.
Mas não foi exatamente uma escolha minha, já que a companhia tocou.
- AH, QUE INFERNO! Não é possível - reclamei, eu estava xingando mentalmente a "visita" com todos os palavrões que me vinham a minha mente.
A se levantou antes que eu pudesse sugerir: "ignore". Ela subiu correndo a escada.
E me deixou na sala totalmente frustrado, irritado, excitado, que visita inconveniente. Caralho, como pode ser tão estraga prazer?
Abotoei minha calça, vesti minha camisa, e fui bufando abri a porta.
Deparei-me com uma morena de cabelos cumpridos e lisos, usando uma mini-saia branca, e me olhando de uma forma nada inocente.
- Mary? - perguntei em choque.
- Oi, amor! - ela foi logo entrando, e me dando um selinho. - senti tanta saudade, por que não me disse que voltou?
- O que você tá fazendo aqui? - perguntei ainda estático.
- Credo! Nossa, amor, parece que não gostou de me ver? - ela usou um tom de voz manhoso e que pareceu irritante aos meus ouvidos.
- Não é isso, só estou surpreso!
- E parece que surpreso não é a única coisa que você está! - ela sorriu, e apontou pra minha calça, onde minha ereção era visível. Droga!
- Mary, olha...
- Não precisa dizer nada, , eu já entendi tudo! - ela falou séria
- Já? - perguntei surpreso.
- Claro! Isso é normal, ficamos muito tempo longe, e eu cheguei de surpresa! Mas vamos resolver isso, tá bom?
- Hãn? - Que raio essa mulher 'tava falando? Com toda certeza não era da mesma coisa que eu, o único pensamento que estava na minha mente era uma certa garota que até minutos atrás estava nos meus braços.
- Amor, eu tenho todo o tempo do mundo! - ela se aproximou de mim, foi me beijando, me empurrando pra trás, até que chegamos a escada.
- Eu, Mary, não é... - fui interrompido.
- Shii, não importa!
Eu sou homem também, e nas condições que a me deixou, a situação 'tava difícil. A Mary era linda, mas não era a garota que eu queria, porém na falta dela, eu posso fingir que é.
Ela enlaçou minha cintura com as pernas, e eu subi as escadas com ela no colo.
Enquanto ela me beijava vorazmente, eu comecei a tirar as roupas dela. Chegamos à porta do meu quarto, coloquei uma das mãos por baixo das pernas da Mary para sustentar seu peso, e com a outra abri a porta, fechando-a logo em seguida.
Ela desceu do meu colo, tirou a saia, a essa altura ela estava só de calcinha e eu continuava totalmente vestido, mas ela logo tratou de igualar a situação. Tirou minha camisa e minha calça rapidamente.
Eu a puxei pra mim usando uma certa força, e a beijei. Nesse momento eu percebi, os seios dela eram grandes demais, atrapalhavam ao abraçá-la, os olhos verdes não passavam de lentes, a pele dela era ressecada, consequência de tomar sol demais pra ficar com aquele ar de bronzeada. Tudo nela parecia falso. Tão diferente da minha garota, os seios dela eram do tamanho perfeito pra mim, os olhos dela me hipnotizavam, a pele era perfeitamente macia, o corpo lindo. Pensar nela me fez gemer.
Mary entendeu isso como incentivo, segundos depois e eu estava totalmente nu. Não era ela que eu queria, e eu ia mandá-la parar, antes deu conseguir dizer alguma coisa, ela se ajoelhou e abocanhou o meu "amigão". Ainda assim eu ia pedir pra que ela parasse, mas não deu tempo.
Olhei em direção a porta e vi uma me encarando com os olhos vermelhos, enquanto grossas lágrimas caiam por seu rosto. Como eu não a ouvi entrar? Desde quando ela estava ali? Eu fiquei a olhando por alguns segundos sem saber o que fazer, foi como se o mundo inteiro tivesse parado, o tempo congelado naquele momento, houve a ausência do som, a ausência do toque, eu não ouvia e não sentia nada. Só ouvi os batimentos descompassados do meu coração por ver minha garota chorando.
Foi muito rápido, num momento ela estava aqui e no outro não estava mais.
Eu não estava sentindo prazer nenhum, pelo contrário, senti repulsa pela Mary.
- Para! - gritei.
- O que foi? O que eu fiz de errado?
- Nada, apenas vá embora!
- O quê?
- VÁ EMBORA! - me exaltei, não havia tempo pra ser educado.
- , você vai se arrepender!
Ela vestiu suas roupas me fuzilando com o olhar, ela deve ter se sentido muito humilhada, mas eu não a queria. Ela jamais me proporcionaria com uma noite de sexo inteira, o mesmo prazer que um beijo da me proporciona.
Ela saiu batendo a porta com força. Eu respirei fundo. Melhor tomar um banho na água fria. Tomei rapidamente meu banho, e me vesti.
Caminhei a passos lentos até o quarto da minha prima, apesar de tudo ela ainda era minha prima. Abri com cuidado a porta, me preparando pra ser xingado, espancado, o que ela tivesse vontade de fazer comigo. O quarto estava vazio.
Notei a porta do banheiro entre aberta.
Pelo espelho, pude ver que a estava na banheira, a espuma cobria até o início do seu pescoço, o cabelo molhado grudava na sua testa. Ela foi escorregando, até que mergulhou totalmente sumindo da minha vista.
narrando off.
As lágrimas ardiam nos meus olhos, como eu pude confiar tanto nele? Eu sou tão idiota, tão estúpida, como eu fui me apaixonar pelo ? Me deixar encantar por aqueles olhos cristalinos?
Ele em um minuto estava em cima de mim no sofá, e no outro se esfregando na Mary, justo a Mary. Minha melhor amiga! Ela era mais velha, então sempre me dava conselhos, e vê-la com o destruiu qualquer vestígio de felicidade que existia em mim.
O me viu, e quando eu olhei pra ele eu senti o tempo parar. Literalmente, na minha mente tudo se congelou, sem nenhum som, nenhuma lágrima, nenhuma dor, nada! Apenas eu e ele nos encarando. E por um segundo foi assim, quando eu voltei à realidade, a dor foi esmagadora. Meus olhos ardiam de uma forma cruel, e minha presença ali ficou insustentável.
Andei o mais rápido que consegui até o meu quarto, fechei a porta, e deixei que tudo que eu estava sufocando todos esses dias, se libertasse. Chorei muito, chorei de raiva, chorei de amor, chorei de culpa, chorei de vergonha, e eu deveria ter chorado de tristeza, mas quando chegou essa parte eu não tinha mais lágrimas. Simples assim, sem lágrimas. Sem lágrimas não significa sem dor. Só me restou o vazio, um vazio avassalador.
Um banho me pareceu uma ótima opção, fui até o banheiro, deixei a porta entreaberta, tirei minhas roupas com calma, enquanto a banheira enchia. Coloquei sais de banho na água, e me encarei no espelho.
Eu não me reconhecia, meu cabelo estava com o mesmo liso impecável, meu rosto pálido contrariava a aparência saudável do meu cabelo, meus olhos estavam com um vermelho intenso, e minhas pupilas dilatadas. Minha pele muito clara parecia um fino véu, que podia ser rasgado facilmente.
Eu não sei quanto tempo levei nessa minha análise. A banheira já estava cheia. Coloquei um pé depois o outro, me acostumando com a temperatura quente. Mergulhei e fiquei uns 20 segundos em baixo d'agua, porém meus pulmões clamaram por ar me obrigando a voltar a superfície. Meu cabelo grudava na minha testa, eu estava em uma posição relapsa, deitada dentro da banheira apenas com minha cabeça fora da água. E nesse momento o buraco que se formou no meu peito parecia em carne viva, afinal o que eu tinha a perder? Minhas amigas? Eu tinha muitas colegas, mas minha amiga mesmo era a Mary, que agora eu descubro que é namorada do . Ah, o ! Que raiva... que ódio... que dor! Sério, eu não tenho nada a perder, foda-se!
Prendi a respiração e afundei totalmente. Usei minhas mãos para dar impulso e me prender no fundo.
'Tum... tum... tum...' Eu estava contando as batidas do meu coração até que elas ficaram muito rápidas, rápidas demais e eu fui me sentindo fraca, meu corpo lutava com meu cérebro, eu precisa de ar, mas não queria. Fechei meus olhos esperando pela ausência da dor. Mas ela não veio!
O que eu senti, foram duas mãos sendo colocadas uma de cada lado dos meus braços e me puxando pra cima. Eu respirei fundo, sentindo meu nariz, e meus olhos arderem, mas eu permaneci com meus olhos fechados.
Quem me puxou da minha quase morte, me tirou da banheira e me colocou instantaneamente no seu colo, com os braços em volta de mim, me abraçando protetoramente.
- ? Fala comigo, por favor! - eu reconheceria essa voz, desse ou do outro lado da vida, o havia me tirado da água.
Eu abri meus olhos lentamente tentando me acostumar com a claridade, me vi refletida no espelho, a situação que eu estava. O estava no chão do banheiro comigo no colo, totalmente nua, me abraçando como se eu fosse uma criança, e eu estava encharcando as roupas dele. Meu corpo parecia débil, fraco.
- Você está bem? - ele me encarava extremamente preocupado, uma lágrima escorria por seu rosto, levei minha mão para enxugá-la, e quando a lágrima tocou minha mão eu senti cada célula do meu corpo tremer. Eu estava com frio.
O me abraçou mais fortemente ainda. Todo esse carinho, esse cuidado não apagavam da minha memória a cena que eu havia presenciado.
- Me deixa em paz! - pedi chorosa, minha voz saiu extremamente baixa e fina.
- Nunca! Eu nunca vou te deixar. - ele afirmou com convicção. Tirou com a mão o cabelo que estava grudando no meu rosto.
- Você já deixou!
Eu me senti novamente fraca, toda força que eu tinha desapareceu, e minha mente foi tomada pelo escuro.
Quando eu finalmente abri meus olhos, senti minha cabeça latejar, eu estava em um quarto que não era o meu, eu logo reconheci como sendo o quarto do . Eu ainda sem me mexer tentei organizar as informações. Eu estava com uma camiseta preta de homem, ok eu estava vestida com a camiseta dele, mas também só com ela, não havia nada por baixo. Pensei em levantar quando senti um braço em volta da minha cintura. Eu já sabia quem era
Virei-me lentamente, e encarei um par de olhos me olhando preocupados.
- Como você se sente?
- Como eu cheguei aqui? - perguntei ríspida.
- Não se responde uma pergunta com outra! - ele colocou uma mecha do meu cabelo agora seco atrás da minha orelha, e deu um sorriso triste. - Me desculpe?
- Desculpa é só uma palavra, não significa nada!
- Então não vamos usar palavras, não essa noite!
- Você não pode mudar o passado. - argumentei o encarando, sentindo meu corpo formigar, e lágrimas começando a se formar.
- Não, eu não posso, mas eu posso construir um futuro!
- Eu não...- ele não me deixou terminar. Colocou o dedo indicador sobre os meus lábios.
- Apenas essa noite, está bem?
Eu me sentia perdida, e ali com ele, o buraco que se instalou no meu peito parecia inexistente, curado. Então qual o problema com uma noite?
- Ok, uma noite! - concordei.
Ele sorriu, me deu um selinho e me puxou pros seus braços. Eu estava deitada de costas pra ele agora, um braço estava na minha cintura enquanto o outro era meu travesseiro. Ele sussurrou um: "durma bem", e eu fechei meus olhos sentindo a deliciosa sensação de ter a respiração do na minha nuca, e finalmente entrei novamente no estado de inconsciência, e eu sabia que por uma noite eu estaria bem.
Capítulo 4 - Madrugada em claro
Minha garganta ardeu. Eu estava com sede, com sede e com preguiça. Até levantar o dedo parecia um grande esforço. Mas a sede era muito intensa então me virei tentando me levantar.
- Acordou? - o sussurrou.
- Não! Minha alma gosta de vagar pelos cantos da casa durante a madrugada!
- Educação te mandou lembranças, viu?
- Ah! Diga que mandei beijos! Que horas são?
- Um pouco mais de duas da manhã.
- Hum... AI MEU DEUS!
- Que foi?
O acendeu a luz e me olhou preocupado.
- Como o que foi? Esqueceu que não moramos sozinhos?
- Não me assusta assim de novo! Minha mãe acha que você tá dormindo na casa da sua melhor amiga.
Melhor amiga. Essas duas palavras me fizeram lembrar da Mary, vagabunda!
-Que foi?
- Minha melhor amiga era a Mary! - respondi sincera.
A expressão do se transformou em compreensão, tristeza, dor. Ele não era tão frio como eu pensava. Mas isso não muda o fato de eu ter pego ele com a Mary.
- Eu sinto muito! - e agora ele sente muito?
- Não sinta!
- Sério, eu e a Mary namorávamos quando eu tinha... O quê? Uns quize anos? Eu era apaixonado por ela e ela por mim, e quando eu fui morar com meu pai prometemos amor eterno essas coisas, mas tudo mudou!
- O que mudou?
- Eu te conheci!
- Não entendo como isso muda alguma coisa?
- Eu me apaixonei por você, pronto falei!
Eu fiquei digamos... Espantada? Ele era apaixonado por mim? O meu primo era apaixonado por mim? Eu não soube o que dizer, mas pra que dizer quando se pode mostrar?
Rolei na cama, até ficar por cima dele. Coloquei meus braços em volta do seu pescoço e o beijei. Foi o beijo mais carinhoso que eu já dei em alguém. Não era um beijo meramente por desejo, era um beijo de amor. Um beijo lento e, nem eu nem ele, aprofundamos o beijo. Ficamos apenas curtindo o momento, que me pareceu muito curto. Quem foi que inventou essa estupidez de que precisamos de ar mesmo? Alguém me avise pra eu matar!
Eu sorri entre o beijo, lembrando das coisas que tinham acontecido.
- Qual a graça? - ele perguntou sorrindo.
- Tudo! Isso é tão sem lógica.
- Pra mim tem lógica, você também é apaixonada por mim!
- Quem disse? - perguntei sorrindo, fazendo cara de inocente.
- Ah, quer que eu prove?
- E como você faria isso?
- Assim!
O rolou por cima de mim, e ao invés de me beijar como eu imaginei que ele faria, me fez muitas cócegas. Eu ria tanto, mas tanto. Que demorei a perceber que eu só estava com a camiseta dele. Eu corei na hora, ficando séria.
- O que foi? - ele perguntou, parando de fazer cócegas e me olhando interessado, percebendo que eu estava séria.
- Eu estou só com a sua blusa! - confessei.
- E?
- Como é? Eu estou só com a sua blusa, eu tô morrendo de vergonha!
- Ah, amor, eu não acredito que você tem vergonha de mim?
Ele me chamou de amor! AH, ELE ME CHAMOU DE AMOR!
- Fala de novo?
- Que você tem vergonha de mim? - ele fez uma cara muito engraçada.
- Não, me chama de amor!
- Amor, amor, amor, amor! Seu amor é a minha cura, é doce paixão ninguém segura!
- Eu preciso me vestir!
- Não, fica assim!
- ! - adverti indignada.
- Ah, qual o problema? Só estamos dos dois aqui, e eu não acredito que você tem vergonha de mim, olha eu já te vi totalmente nua antes e, além do mais, eu não vou fazer nada com você essa noite está bem?
- Ah, então por que você não quer deixar que eu me vista?
- Porque eu quero conhecer você! Quero saber o que te provoca arrepios - ele falou isso e passou o dedo indicados pela lateral da minha coxa, me provocando arrepios - quero saber o que te faz sorrir - ele então soprou meu pescoço provocando cosquinhas, me fazendo sorrir - quero saber o que te dá prazer.
E por fim, ele me beijou.
- Ok, você me convenceu!
- Que bom!
- Mas eu preciso tomar água, tô morrendo de sede!
- Tem aqui! - ao lado da cama, havia uma bandeja com uma jara contendo água, havia barrinhas de cereal, morangos, e alguns bombons.
- O que é isso?
- Er... Comida! - ele me olhou antes de responder como se eu fosse retardada, mas depois sorriu, como se a resposta fosse óbvia.
- Isso eu sei, né! Quero dizer, por que está aqui?
- Eu imaginei que você acordaria e sentiria fome, e eu não queria que você saísse do meu lado.
- Ah, mais você saiu! - o acusei.
- Eu precisei sair, mas foi muito rápido. Além disso, quem iria dar explicações a Dona Rose, perguntando pela sobrinha dela?
- Ela nunca vai aprovar isso!
- Isso o quê?
- Isso, , esse negócio da gente! - nesse momento eu percebi o que nos éramos? Primos com benefícios?
- Esse negócio? Isso? Bom pra mim isso é um namoro!
- Namoro?
- É sabe, quando duas pessoas se gostam, elas andam de mãos dadas, se beijam, e então dizem que estão namorando.
- Tá me pedindo em namoro?
- Sim, mas se você preferir eu posso me ajoelhar?
- Não, assim é o suficiente. Eu aceito! - sorri.
- Mas você tem razão, sobre a minha mãe nunca concordar.
- Namoramos escondido por um tempo! - conclui, afinal era a coisa mais óbvia.
- Eu tenho uma novidade!
- Qual? - perguntei interessada.
- Sou seu novo professor de educação física!
- Meu professor ?
Capítulo 5 - A melhor noite
- É, seu colégio está sem professor de educação física, e como eu sou um ótimo atleta fui convidado pra ser o novo professor.
- Hum...
- Parece que você não gostou!
- Não, não é isso, só não esperava.
- Eu vou ficar vigiando você o tempo todo agora. - ele deu um sorriso sínico.
- Ha, ha, ha... Seu lobinho bobinho, eu que vou te ter sob o meu domínio.
- Às vezes você me assusta!
Eu ri, ele ainda não tinha visto nada. Estávamos deitados na cama dele comendo barrinhas de cereal, chocolate...
- Quer conhecer um lugar comigo?
- O quê? Agora?
- Aham, só eu e você!
- , meu querido, são quase três da manhã.
- Isso torna a noite só nossa!
- Ok.
Fazer o quê? O que mais podia acontecer?
Eu fui levantar pra tocar de roupa, mas ele não deixou.
- O que foi agora? Você quer que eu vá assim?
- Qual o problema? Somos só nós dois.
Eu não me importei, ele tinha razão mesmo. A camisa dele cobria até metade da minha coxa.
O estava sem camisa, óbvio, já que a camiseta dele estava comigo, ele usava uma calça de moletom larga. Fomos ambos descalços caminhando pela casa no escuro. Ele ia na frente puxando-me pela mão.
Na cozinha pegamos a chave do carro e então fomos tentando fazer o mínimo de barulho possível até a garagem.
Eu estava me sentindo em um daqueles filmes estilo "Missão impossível" e o 'tava muito sexy envolvido por aquele suspense.
Quando saímos da casa, eu respirei aliviada.
- Er... você não acha perigoso sair nesse horário?
Ele riu.
- Não fica preocupada, o lugar onde eu estou te levando é seguro, totalmente seguro. Confia em mim!
Ele dirigiu uns trinta, quarenta minutos... confesso que me apavorei um pouco quando vi uma placa que avisava que estávamos saindo da cidade. Meu coração estava acelerado, e por mais que eu confiasse no meu coração estava inquieto.
Ele estacionou na entrada de uma floresta. Meu deus, será que ele era algum tipo de psicopata? Iria me matar e me deixar pra ser comida por bichos asquerosos?
Minhas idéias absurdas sumiram quando senti os braços quentes dele em volta da minha cintura. Abraçando-me por trás. Ele colocou o rosto perto do meu e falou no meu ouvido:
- Quero te mostrar um lugar que descobri quando era criança!
Ele pegou uma lanterna no carro, e foi nos guiando floresta à dentro, estávamos em uma trilha, porém o medo de nos perdemos habitava em mim.
Depois de caminhar uns sete ou dez minutos, eu não sei direito, estávamos em frente à um lago cristalino. A água era de um azul intenso onde eu conseguia apesar do escuro ver o fundo. Aquele azul iluminava o ambiente, era como houvesse luz no fundo do lado. A lua prateada deixava aquele lugar perfeito. Eu jamais esqueci daquele lugar, se tornou meu lugar favorito.
- Gostou?
Eu apenas acenei, já que estava sem palavras.
- Mas não é isso que eu quero te mostrar.
- Hãn? - o que podia ser mais lindo do que aquele lago?
- O que eu quero te mostrar está escondido, é preciso entrar no lago pra ver. Vem comigo?
Ele estendeu a mão e eu a segurei com força e confiança.
Senti cócegas quando os dedos dele passaram pela minha cintura levando a camiseta junto. Eu estava totalmente nua, mas não sentia frio, aquele lugar era quente.
- Entra na água! - ele me disse.
Me virei de costas pra ele e fui caminhando lentamente, me preparando pra sentir a água gélida, mas quando meus pés tocaram a margem fui surpreendida, a água era quente. Era um lago de águas quentes.
Eu não olhei pra trás, mas logo em seguida senti o corpo dele se colar ao meu, e percebi que ele também estava nu.
- Você conseguiu me impressionar. - eu falei simplesmente.
- Mas não é exatamente isso que eu quero que você veja.
- Como assim?
- A melhor parte desse lugar, precisa ser descoberta. Eu vou mergulhar e quero que você me siga, respira fundo porque precisamos descer um metro mais o menos, ok?
- Tudo bem!
Ambos respiramos fundo, e então mergulhamos. Ele estava certo um metro abaixo havia uma fenda, uma grande abertura em uma rocha, ela devia ter uns três metros de largura. O foi na frente e eu o seguia. Não senti medo ou insegurança, apenas o segui, e jamais me arrependi disso.
Eu jamais conheci lugar tão esplendido!
Depois de atravessar aquela "passagem" eu precisava urgentemente de ar, o pegou minha mão nos levando rápido a superfície. A água continuava quente, e quando chegamos à superfície, aí sim meus olhos ficaram realmente maravilhados.
Estávamos em uma gruta. Havia uma pequena parte com água, era onde nos estávamos. No resto do ambiente era apenas areia branca. Sobre a areia havia um cobertor azul escuro.
- Alguém esteve aqui antes de nos - conclui.
- Não, eu que deixei isso aí. Sempre que eu venho à cidade, eu venho aqui. Eu deixei esse cobertos aí há alguns anos, e ele permaneceu intocado. Esse lugar é só meu!
- Por que me trouxe aqui?
Ele me prensou contra a rocha, colocando um braço de cada lado, não exatamente me prendendo, apenas se aproximando.
- Porque quero que essa seja a noite mais especial da sua vida!
- Ela será!
Capítulo 6
- Você parece nervosa! – ele murmurou.
Eu estava em pânico, eu conto ou não conto ? Conto ou não conto?
Aiin meu Deus eu contou ou eu não conto? MELHOR CONTAR!
- éporqueeununcafizissoeusouvgeimr. – eu falei tudo rápido e embaralhado.
- Amor, desculpa, mas eu não entendi uma palavra! – ele falou tão carinhoso,tão compreensivo, meus olhos ficaram presos nos deles, e enquanto eu estava o encarando, não senti medo, vergonha, nem nada disso.
- Eu disse que eu estou nervosa, na verdade muito nervosa, porque eu nunca fiz isso... quer dizer, eu sou...hãn...você sabe!
- Virgem? – ele repetiu com um sorrisinho.
- Arg... é.
De repente seu sorriso se fechou, e ele me fitou incrédulo. Eu sabia... eu estraguei tudo!
- Ah eu sabia! Você detestou, DROGA!
- Ei, calma – ele passou os braços em volta da minha cintura, me puxando pra perto dele – você acha que eu não adorei saber que nenhum outro homem nunca te tocou?
- Adorou?
- Claro que sim, eu vou ser seu primeiro, você sempre vai lembrar de mim!
- Mas eu sempre vou lembrar de você de qualquer jeito! – sussurrei como se fosse óbvio.
Ele riu, deve ter ouvido.
- Então por que você me encarou com aquela cara de “eu não tô acreditando nisso?” - perguntei séria.
- Porque eu me senti muito culpado, você tem idéia de quantas vezes podia ter acontecido? Quantas vezes estávamos só nós dois e eu podia ter feito o que eu quisesse com você? Eu jamais iria me perdoar se eu soubesse que a sua primeira vez não foi especial. – ele tirou uma mecha do meu cabelo que estava no meu rosto, me abraçou e me deu um beijo na testa. Ok, eu me derreti!
- Mas a intenção era só te provocar, eu nunca pensei ir pros “finalmente” com você, era só brincadeira no início, mas aí... – eu não consegui terminar a frase. Nesse momento eu estaria jogando fora todo o meu trabalho, todo o meu jogo, absolutamente tudo que eu tentei esconder. Mas se eu estivesse com ele todo o resto poderia esvair-se, um momento com ele, valia mais do que a eternidade de glória sem ele.
- Aí eu me apaixonei por você! – o meu sorriso favorito cintilou no seu rosto.
- Eu já sabia! – ele falou convencido.
Abri a boca incrédula, como ele era tão metido? Eu dei um tapa no braço dele, e ele se afastou rindo.
- Em minha defesa, eu digo que já sabia porque quando você me viu com a Mary eu sei o que seus olhos estavam mostrando, você não estava se sentindo mal por ter perdido uma competição, você se sentiu traída. Só quem ama se sente assim.
Encolhi-me com a lembrança, o percebendo isso veio me abraçar.
- Mas estamos aqui agora!
- É, estamos!
- Hum... Tive uma idéia.
- Que idéia ? – perguntei me preparando pra alguma idéia maluca.
- Eu já volto!
- QUÊ? – eu não queria que ele fosse.
- Eu vou voltar, calma, são só uns minutos eu prometo. Não saia daqui!
- Como se eu pudesse ir a algum lugar, de madrugada, sozinha, sem roupa, e na floresta. Só se eu for visitar a chapeuzinho vermelho!
Ele mergulhou, e eu fiquei lá sozinha, esperando pela “idéia”. Eu nadei um pouco, e então fiquei lembrando dos momentos que eu tive com o desde que eu o conheci. Tudo isso a pouco mais de uma semana! Era uma loucura total, eu estar ali e eu nunca tive tanta certeza de estar fazendo algo totalmente certo.
Minutos e minutos se passaram, cadê o ? Será que eu o assustei falando que estava apaixonada?
A gruta estava incrivelmente silenciosa e iluminada, o azul da água clareava todo o ambiente, a areia era muito alva, aquele lugar era enorme. Eu acho que o paraíso deve ser semelhante a esse lugar.
- Voltei! – sussurrou no meu ouvido. Fazendo-me arrepiar, eu estava tão abscissa nos meus próprios pensamentos.
Eu não disse nada, nem ele. Ele estava com um saco plástico nas mãos, eu não tinha a menos idéia do que tinha lá até ele sair da água.
Meu coração ‘tava lutando persistentemente pra sair do meu peito, eu acho que até o poderia ouvi-lo de tão forte que ele batia. Eu estava ofegante já, nossa que visão era aquela? Papai do céu na hora de fazer o caprichou.
Ele não se sentiu envergonhado por eu o estar olhando tão descaradamente, ele fingiu nem perceber, acho que pra não me deixar constrangida. Ele abriu o saco plástico, e tirou de lá 15 velinhas (é, eu contei) em forma de estrelas. E as espalhou em volta do enorme cobertor azul escuro. Com um isqueiro que ele também havia levado, as acendeu. O ambiente foi invadido pelo cheiro de chocolate, sorri involuntariamente, velas aromáticas!
Ele ainda levara morangos, morangos e mais morangos. Quando ele terminou de arrumar tudo, o ambiente havia ficado assim:
Velas em forma de estrelas com aroma de chocolate em volta do cobertor e algumas indicando o caminho. Uma vasilha de vidro repleta de morango um pouco mais distante, e agora o caminhava de volta pra mim. Meu corpo inteiro tremia, mas não era de frio.
Ele se ajoelhou na margem e estendeu a mão pra mim. Eu respirei fundo, e peguei a mão dele. Caminhando para fora da água.
Caminhamos de mãos dados, até o cobertor. Eu me deitei e ele veio por cima de mim. Ele me olhava tão ternamente, com tanto, mas tanto, carinho que eu nunca me senti tão querida, tão amada.
Eu sorri, eu estava quase explodindo de felicidade.
Ele colou os lábios nos meus, e no começo foi um beijo calmo, mas foi ficando urgente, desesperado. Nós dois queríamos mais, e mais. Chegou um momento em que não tínhamos mais ar, ele deixou minha boca, e me dando leves selinhos desceu pro meu pescoço. Ele chupou meu pescoço com tanta força que eu tenho certeza que vai ficar uma marca. O distribuiu beijos pelo meu colo, até chegar aos meus seios. Eles pareciam sensíveis ao toque dele. Ele não foi agressivo, pelo contrário, os beijou delicadamente, os sugando às vezes, choques percorriam meu corpo.
Eu queria retribuir a ele o que eu estava sentindo, mas antes que eu pudesse inverter as posições, senti a língua dele na minha intimidade. Eu acho que é impossível descrever o que ele fez, mas em 2 minutos eu tinha atingido meu primeiro orgasmo, e que orgasmo.
Eu o puxei pra mim novamente e o beijei, nos dois a todo momento arfávamos, falávamos coisas desconexas, gemíamos, ele parou de me beijar, e se encaixou entre as minhas pernas. Eu me mexi em baixo dele tentando acomodá-lo melhor. Ele segurou em uma das minhas coxas, acho que pra impedir que eu fechasse as pernas pela dor. E lentamente ele começou a entrar em mim.
Fechei meus olhos na hora, a dor era imensa.
- Olha pra mim! – ele pediu amoroso.
Eu abri meus olhos, e as suas íris estavam escuras, repletas de desejo, deslumbre e principalmente amor. Os olhos dele brilhavam. Eu fui invadida pelos mesmos sentimentos, e não desgrudei meus olhos dos dele, como um feitiço inquebrável. Então senti uma dor mais forte, e uma lágrima escorreu pelo canto do meu olho direito, mas não me importei com aquela dor, senti ele entrando em mim completamente, e agora ele começou a se movimentar, movimentos leves. Eu ainda sentia ardência, mas não dei importância, era bom. Com o tempo eu nem sentia mais dor, eu apenas queria mais e mais do , e ele sabia disso, aumentou cada vez mais os movimentos, e eu atingi pela segunda vez o orgasmo, ele continuou mais alguns segundos, e então também atingiu o seu clímax. Ele saiu de mim, e aí eu senti uma pequena ardência, me movimentei procurando uma posição onde a dor fosse menor. Ele me abraçou por trás.
- Não se preocupe, essa dor vai passar! Desculpe te fazer sentir dor, mas não havia outro jeito. Arrependida? – ele perguntou cauteloso.
- Jamais! – respondi decidida.
- Feliz? – perguntou sorrindo, enquanto fazia carinho no meu braço.
- Totalmente, foi a melhor noite da minha vida!
Ele me deu um beijo na bochecha, e murmurou:
- Durma!
Ele me aconchegou ainda mais nos seus braços, e dormimos.
Eu estava com calor. A água existente na gruta tornava o ar úmido e quente. Gotas de suor escorriam da minha testa, meu corpo inteiro estava suado. O corpo ao meu lado também, eu me sentei procurando me refrescar, diminuir pelo menos um pouco o calor.
- Você é linda! – o pronunciou de uma forma muito natural.
- Há quanto tempo tá acordado? – eu não o ouvi se mexer.
- Eu não dormi!
- Nem um pouco?
- Não, ficar observado você é uma atividade bem... Interessante!
- Que horas são? Precisamos voltar!
- Você é muito preocupada com o tempo.
Ele enlaçou minha cintura, me puxando pra cima dele. Eu cedi, deitei por cima do e ficamos nos fitando.
- Precisamos passar em uma farmácia antes de ir pra casa. – ele falou.
- Por quê? – O que ele queria em uma farmácia afinal?
- Pílula do dia seguinte ué! Não nos protegemos. – agora ouvindo essas palavras meu coração disparou, A CAMISINHA. Como eu me esqueci? E se eu ficasse grávida? Ok, a gravidez poderia ser precavida com a pílula do dia seguinte, mas e as doenças a que estávamos sujeitos? Ele deve ter percebido minha expressão de pânico, apertou o braço em volta da minha cintura, me abraçando.
- Me desculpa, de verdade. Eu sei que fui um grande irresponsável e que quanto eu tô com você eu perco completamente o juízo, eu sei que isso não é desculpa, mas...
Eu selei nossos lábios antes que ele falasse mais alguma coisa, foi um selinho demorado, mas não passou disso.
- Não estou preocupada comigo, mas com você!
- Comigo?
- , podemos evitar ter um filho, basta eu tomar uma pílula, mas e se eu tiver te passado alguma coisa?
Ele riu alto.
- Minha linda, você era virgem. Você deveria ficar preocupada se eu te passei algo, e não o contrário.
Eu fiquei pensativa, o pior e que ele tinha razão.
- Eu não tenho nada eu juro, eu jamais te exporia a perigo algum.
- Eu sei disso, amor, eu estou pensando é como vai ser quando sairmos daqui? Gostaria de ficar aqui para sempre.
- Somos dois! – ele beijou meu pescoço. - faltam alguns minutos pra 5 da manhã, mas hoje é domingo, minha mãe só vai sentir nossa falta lá pelas nove da manhã, então temos tempo ainda.
- E o que você pretende fazer com esse tempo? – perguntei de uma forma maliciosa.
- Você nem imagina? – ele sorriu malicioso também – eu quero ir nadar, não tem mais nada pra fazer aqui além disso.
- Arg... seu idiota! – eu disse dando socos de brincadeira nele, e ambos estávamos rindo. – gostei da idéia, vamos nadar.
Levantei totalmente livre de pudores, de vergonha. Eu já disse o quanto eu amo aquele lugar? A água parecia mais perfeita do que ontem. Mergulhei, molhando novamente meu cabelo que já havia secado. O veio logo atrás de mim. Parecíamos duas crianças, brincando, rindo, fazendo caretas embaixo da água.
Eu passei meus braços em volta do seu pescoço e o puxei pra mim, o convidando para um beijo. Não foi um beijo carinhoso, foi um beijo avassalador, eu estava realmente sendo consumida pelo desejo, e o meu lindo primo entrou no clima no mesmo instante. Em poucos segundos eu estava pressionada contra uma rocha. Enlacei minhas pernas em volta do seu quadril, as mãos ágeis dele estavam em todos os lugares ao mesmo tempo, ele dava atenção especial as minhas coxas e ao meu bumbum. Um feroz e viril entrava em ação, agora ele parecia um pouco menos preocupado com a minha dor, já que ele não podia mais me machucar, não precisou ter cuidado.
Penetrou-me com força, e os ritmos que ele ditava eram alucinantes, depois do meu terceiro orgasmo eu parei de contar. E cada vez parecia ficar melhor, eu devo acrescentar na lista de qualidades do meu primo “ele é muito, mas muito bom no quesito sexo”. Não que eu tivesse muita experiência, mas aposto que ele faria inveja a qualquer homem.
Ele também já havia atingido o seu clímax e continuávamos grudados, ofegantes.
Ele me deu um beijo carinhoso, calmo.
- Eu te amo – ele sussurrou no meu ouvido. Aquelas palavras pra mim sempre pareceram clichê, mas ouvindo da boca dele naquele momento eu realmente entendi o seu real significado.
- Eu te amo mais! – encarei o meu azul favorito dos seus olhos.
Eu percebi que quando ele fica excitado, feliz, ou com raiva, sempre que ele tem um sentimento intenso seus olhos se tornam de um azul intenso e escuro.
- Impossível! – ele respondeu sorrindo.
Ficamos abraçados dentro da água, durante alguns minutos jogando conversa fora, falando sobre nossos momentos.
Comemos os morangos, eu estava faminta.
Não tiramos nada da gruta, deixamos o cobertor, as velas, apenas mergulhamos de volta para nossa realidade que agora parecia sonho. Quando chegamos a superfície do lago, eu avistei nossas roupas, e ao lado delas havia uma toalha. Eu sorri, o pensava em tudo.
Nos secamos e nos vestimos. O sol estava nascendo. Ele me abraçou por trás, deu um beijo no meu ombro.
- Olha como é lindo! – ele pronunciou.
Sentou em uma das pedras, eu sentei entre as suas pernas, ele abraçava minha cintura. Os tons de laranja e amarelo irradiavam lindamente no céu. Eu me lembro perfeitamente daquele amanhecer apesar de não me lembrar de nenhum antes daquele, eu nunca havia parado pra ver um nascer do sol? Não, até aquele momento. Eu estava descobrindo um mundo novo com o , um mundo que eu já conhecia, mas que nunca tinha visto com aqueles olhos.
O céu estava azul e límpido.
- Sabe, eu amo seus olhos ! São os olhos mais lindos que eu já vi. – falei.
- Os seus olhos são mais bonitos que os meus! – ele falou bem perto do meu ouvido me provocando arrepios.
- Meus olhos são castanhos, não .
- Isso não os torna menos vividos. Não importa se você tem olhos azuis, verdes ou escuros, não importa se você é tão branca que nunca consegue ficar bronzeada, não me importa se você é minha prima, eu te amo independente de tudo isso. Sabe por quê? Porque você consegue me fascinar com um gesto, me irritar com uma frase, me deixar apaixonado com um olhar.
Algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto.
- Eu nunca vou esquecer esse final de semana. Promete pra mim que mesmo se brigarmos, ou nos separarmos esse vai ser nosso lugar? Promete dividi-lo comigo?
- Prometo! Esse lugar é como minha verdadeira casa, não importa onde eu esteja meu pensamento sempre me traz aqui.
Desde que eu soubesse que a presença dele estaria lá mesmo sem ele pisar naquele lugar, só por saber que a sua essência se concentrava ali, eu suportaria tudo, porque ele era minha fonte de imortalidade, minha fonte de vitalidade, ele era meu milagre pessoal.
Caminhamos até o carro de mãos dadas. Ele ainda me chamava de pirralha, mas fazer o quê? Eu era mesmo, tenho 15 anos e ele 18.
Fizemos todo o caminho que havíamos feito na madrugada, só paramos em dois lugares. Primeiro em uma padaria, ele comprou mais comida que o necessário, bolo de chocolate, pão de queijo e outras coisinhas mega calóricas. Comemos no carro, enquanto ele dirigia eu me sujava de bolo.
Depois de devidamente alimentados, nos fomos à farmácia. Ele preferiu que ele fosse comprar a pílula, afinal, cidade pequena as pessoas falam demais. Além do mais ele estava vestido, tinha roupas extra do carro dele, mas eu ainda estava só com a sua camiseta.
Eu fiquei no carro ouvindo música, mas algo chamou minha atenção. Uma morena entrou na farmácia um pouco depois do e eu reconheceria aquela garota em qualquer lugar, Mary.
Desesperei-me quando vi voltando pro carro, e a Mary atrás dele, ele não percebeu a presença dela ou então a ignorou. Quando ele entrou no carro e ela encostou na janela, meu coração realmente entrou em desespero.
- Eu não acredito no que eu estou vendo! – ela falou tentando controlar a voz, com os olhos cheios de lágrimas, e a voz carregada de ódio.
- Mary? – o parecia espantado, ele realmente não a havia visto.
- Agora eu entendo porque não me quis. Por favor, me trocar por uma vadia como ela? – ela apontou pra mim. Meu sangue ferveu.
- A única vadia aqui é você! – gritei.
- Mesmo? Eu não dormi com o meu próprio primo!
- Claro que não, ele não te quis!
- Você não vai ganhar essa garota, você é só uma pirralha!
- Eu já ganhei! Procure outro, sua oferecida, porque esse aqui é meu.
- E o que sua titia acha disso? – ela pegou meu ponto fraco.
O interferiu nesse momento, ao contrário de mim ele parecia calmo.
- Eu vou te explicar uma coisa e quero que me escute bem, você não significa mais nada pra mim, não faz mais parte da minha vida, e veja bem como você fala com ela, porque ela é a mulher que eu escolhi, e se tem alguém aqui que é vadia esse alguém é você, ela não precisa ficar se oferecendo pra mim, ou usando roupas indecentes pra me provocar, porque eu a amo sendo exatamente essa “pirralha” como você diz.
- Não se iluda, garota, ele disse que te ama? Bom, ele me falou a mesma coisa, viajou e veja só... renega qualquer sentimento que teve por mim. Não pense que com você será diferente, você é muito menos interessante que eu. – ela falava com tanta convicção que, por um momento, achei que ela tivesse razão. Mas eu logo espantei esse pensamento, eu confiava no homem que estava ao meu lado, e mesmo que ela tivesse razão que um dia ele me esquecesse, o que havia acontecido entre nós valia por uma vida inteira.
- Chega! Vá embora, Mariana, você não tem a menor idéia do que está falando.
Ele ligou o carro e acelerou. Depois de 20 minutos estávamos em casa.
Entramos tentando fazer o mínimo de barulho possível. O foi até a cozinha pegou um copo de água e me entregou a pílula rosa. Eu a tomei.
- Você sabe que ela estava mentindo não sabe? – ele perguntou, fazendo carinho no meu cabelo.
-É claro que eu sei. – eu estava falando a verdade, enquanto eu estava com ele, a única verdade que eu conhecia era a que ele me contasse.
- Vamos descansar!
- Vamos! – concordei.
Ele me levou até a porta do meu quarto, uniu nossos lábios em um selinho demorado, e então em entrei.
O perfume que vinha da camiseta dele seria suficiente por aquele momento para me proporcionar paz e velar meu sono. Fechei os olhos me sentindo imensamente cansada e entrei no estado da inconsciência.
Minha sensação de paz foi abalada, por gritos. Gritos? Sim, vozes gritando. Senti como se houvessem injetado água gélida nas minhas veias. Reconheci todas aquelas vozes, , Mary e minha tia. Os três gritavam, e o motivo da discussão era eu!
Capítulo 7
Meu estado de paz e harmonia, foi interrompido por gritos. Gritos? Sim, vários gritos! Foi como se houvessem injetado água gélida em cada uma das minhas veias. Reconheci instantaneamente as vozes que discutiam. , Mary e minha tia.
Abri a porta e assim que coloquei o pé pra fora, pude ouvir com mais clareza.
Andei com cuidado, fazendo o mínimo de barulho possível, tomando todo cuidado para passar despercebida. Fiquei bem próxima a escada, e obtive sucesso já que a discussão continuava pegando fogo.
- Ela é maluca, totalmente louca! – gritou o .
- Eu sou louca? Louco é você seu imbecil, como você teve coragem? Ela é só uma menina! – retribuiu a Mary.
- Acalmem-se vocês dois! – minha tia pediu, estranhamente nervosa, e muito desconfiada. – quero entender o que está acontecendo aqui, e ambos vão me explicar.
Mary sorria sem humor, o estava irado.
- Seu filho transou com a sua sobrinha, é simples! – ironizou a vagabunda da minha ex-melhor amiga.
- Você não tem noção do que tá falando sua mal amada. O que foi? Não aceitou levar o fora e quer dar o troco inventando essa história sem fundamento?
- Mal amada? Mais cedo me chamou de vadia, e agora mal amada? VOCE NÃO ME CHAMAVA ASSIM QUANDO TRANSAVA COMIGO!
- Não, chamava de coisa muito pior! – o falou com tanto ódio que me senti intimidada.
- CHEGA! Parem agora. Eu não admito isso dentro da minha casa. Meu filho, respeite sua namorada.
- Eu não sei como um dia eu pude namorar essa garota! – ele falou com desprezo.
Mary estava com as mãos tremendo, os olhos repletos de lágrimas, algumas rolavam por seu rosto. Por um momento, eu reconheci aquela garota, a minha amiga. Tive vontade de ir até ela e lhe consolar, mas logo percebi que ela jamais seria minha amiga novamente, e que todos os nossos laços já foram rompidos e minha fidelidade agora era com o .
- Mary, você disse que mais cedo ele te chamou de vadia? Mas então, você saiu hoje ? – minha tia perguntou calmamente, tentando compreender todos os fatos.
- Não! – ele negou – Mãe, você mesma me viu levantando, e olha o que ela disse, que eu estava com a no carro e que ela estava seminua, usando só minha camisa e que havíamos passado a noite fora. A tá na casa sei lá de que amiga dela, mas ela não está comigo, e você viu que eu dormi em casa mãe.
- Eu aposto como a tá lá em cima agora. – Mary acusou.
Nesse instante eu corri pro meu quarto, ainda tentando não fazer barulho, assim que fechei a porta, tirei a camisa do e a guardei no meu guarda-roupa. Peguei uma calça jeans, uma blusa rosa bebe, um conjunto de lingerie e me vesti o mais rápido que consegui. Coloquei meu celular e algumas roupas dentro de uma bolsa, e a joguei pela janela que dava pra parte detrás da casa.
Olhei a altura, era alto. Mas eu não podia colocar tudo a perder, respirei fundo encarando o gramado, e então fechei meus olhos e saltei.
Caí em cima da minha perna, e tive que reprimir um grito. PQP! Doeu pra caramba!
Peguei minha bolsa, respirei fundo, repassei mentalmente meu plano e abri a porta da cozinha que sempre ficava destrancada.
Entrei a passos lentos como se nada tivesse acontecido.
Quando eu entrei na sala, todos me olharam e eu via expressões diferentes em casa um dos olhos, Mary me olhava incrédula, me olhava com admiração e reprimia um sorriso, já minha tia me olhava com alívio.
- Hey! Bom dia pra vocês também! Que cara de enterro, gente, que foi? – eu acho que eu deveria ser atriz.
- ? – Mary falou com surpresa, incredulidade, frustração, uma mistura de várias emoções na voz.
- É claro que sou eu, amiga, o que tá fazendo aqui? Marcamos alguma coisa?
Minha tia não sabia que Mary e eu deixamos de ser amigas, e eu precisava manter a farsa na sua perfeita ordem. Então que motivos teria eu para sentir ódio exceto por amarmos o mesmo homem? Se eu não a odiasse não haveria motivos.
Abri o meu delicado sorriso para todos, encarei especialmente a Mary. Meu olhar era vitorioso e ela sabia disso, essa eu já havia ganhado.
- Que bom que chegou, ! Onde estava? – O , com o olhar semelhante ao meu, perguntou de forma natural.
- Na casa da Sophia, eu te pedi pra avisar. Você não avisou que eu ia dormir fora?
- Claro que eu avisei, priminha, acontece que a Mary veio aqui dizer que eu e você passamos a noite juntos! – ele disse sutilmente.
- QUÊ? Gente, que brincadeira é essa? – me fiz totalmente de desentendida, e eu estava me saindo muito bem, minha tia me olhava com toda compreensão do mundo.
- Deixa de ser sínica, garota, você sabe muito bem do que eu tô falando, você dormiu com o , eu vi você! – ela me acusou.
Realmente todos os vestígios da nossa amizade, haviam sumido, lembrei de tudo que havíamos feito juntas, ela conhecia todos os meus sonhos, segredos e medos, e agora eu a detestava. E quanto a todas as promessas que nós fizemos? Que sempre protegeríamos uma a outra? Lágrimas rolaram pelo meu rosto.
Não foi um choro falso, realmente chorei pela minha amizade ter terminado, não foi falso, porém foi conveniente, minha tia me abraçou.
- Desculpe por isso, querida, sei que você não tem nada haver com as brigas do seu primo, e a Mary não tinha o direito de ter te metido nisso, eu realmente sinto muito!
- Eles estão mentindo pra você, será que não percebe! – Mary gritou.
- Então vamos resolver isso de uma vez por todas. – Minha tia foi até o telefone, e discou alguns números, meu coração disparou eu não tinha idéia do que ela ia fazer.
O se colocou ao meu lado e discretamente, pegou minha mão, mas logo a soltou.
- Alô? Anne? – Minha tia falou educadamente. – eu poderia falar com a Sophia?
- Sophia, aqui é a Rose, a tia da , como vai?
Ouve silêncio, imagino que minha amiga estava dizendo: “vou bem”.
- Eu também estou bem, querida, mas estou ligando porque gostaria de saber se a dormiu aí na sua casa? E se ela saiu daí hoje pela manhã?
Meu coração poderia ser ouvido a quilômetros de distância, sei que fisicamente isso era impossível, mas ele pulsava tão rápido e tão forte que duvidei que a física estivesse correta.
- Oh, me desculpe tomar seu tempo, meu bem... Obrigada!
Assim que ela desligou o telefone, meu batimento se intensificou. Eu pensava que isso era impossível, mas sim... Ele pulsava ainda mais forte. Meu deus! Eu iria ter um ataque cardíaco? Respirei tentando me acalmar, já prevendo que estávamos perdidos, totalmente ferrados. Ela colocou o telefone na base e nos encarou.
- Mary, por que inventou essas coisas absurdas? – Como? A Mary que se deu mal? Tô confusa, mas, Sophia, eu te amo, amiga – Só você perdeu com isso, se expôr de forma vergonhosa, eu lamento muito por você, pela pessoa que você se tornou, eu te considerava minha filha, a Sophia acabou de confirmar tudo que a disse.
Eu respirei aliviada, era como se o ar tivesse gosto, um gosto muito doce.
- Saia da minha casa! – o pronunciou de forma rude, ele estava verdadeiramente muito irritado, não era o que eu conhecia – AGORA!
Minha ex melhor amiga nos olhou com desprezo e, rebolando mais do que o necessário, saiu, levando consigo todo o clima de tensão que havia antes entre nós.
Eu tinha vontade de correr para os braços do e o abraçar. Queria na verdade ser abraçada, porque era apenas nos seus braços que me sentia segura. Porém minha tia ainda estava na sala.
- Eu sinto muito por isso – ela disse em um tom baixo.
- Tudo bem, tia, eu só estou chocada, muito surpresa mesmo, não entendo o que deu na Mary. Eu nunca fiz nada pra ela.
- Meu amor, não é você, ela é uma garota frustrada quando não tem o que quer. Mas vamos esquecer isso está bem?
- Sim! – dissemos e eu em conjunto.
Depois do dramático evento, passamos um domingo tranquilo. A todo momento eu tinha flashes da noite anterior. Acho que leva um tempo pra cair a fixa, mas eu finalmente entendi o que eu havia feito. Eu havia realmente transado com o , e não me arrependi disso em momento nenhum.
O meu domingo foi preenchido por filmes, pipoca e doces. Já estava tarde, havíamos visto quatro filmes seguidos, horas e horas de dramaturgia, eu estava cansada confesso. Avisei a minha tia e ao meu primo que iria dormir.
Entrei no meu quarto e fui tomar um banho. Tomei um banho bem demorado, o contato da água quente com minha pele gélida era magnífico. Extremamente relaxante. Enrolei-me na toalha e fui para o meu quarto procurar um pijama.
Coloquei uma camisola com um ursinho estampado, e fui deitar. Era quase meia noite quando senti alguém sentando em minha cama. Eu retirei os fones de ouvido e me virei para ver quem era. Eu sempre durmo ouvindo música, se não eu não consigo dormir.
Ele estava ali, pálido sobre a luz da lua me encarando petrificado no mais lindo dos sorrisos. Feixes de luz irradiavam dos seus olhos deixando para trás muitos cristais. Acho que nunca vou me acostumar com ele, acho que não mereço tanto.
- Desculpe te acordar! – ele sussurrou com uma voz rouca.
- Tá tudo bem, eu não estava dormindo.
Ele se deitou ao meu lado, quase em cima de mim para poder me encarar.
- Por que a senhorita não estava dormindo? Já é hora de criança tá na cama!
- Eu não sou uma criança – respondi divertida
- Não? Quem disse?
- Você! Acabou com qualquer vestígio de inocência que existia em mim, me transformou em uma mulher.
Ele sorriu, e iniciou um beijo. Eu tive que interrompê-lo pela falta de ar.
- Vamos dormir! – ele me disse.
- Sério? – perguntei um pouco frustrada, como assim dormir? Eu tinha coisas bem mais interessantes pra fazer e ele queria dormir?
- Amanhã você tem aula, e eu também tenho que ir trabalhar, ou se esqueceu que sou seu professor?
- Ah, é mesmo, não estava lembrando desse detalhe. Poxa, que pena, acho que vou ter que me divertir sozinha.
- O quê? – ele me olhou confuso.
Me levantei, me certificando que a porta estava trancada e como eu esperava estava, ele pensa em tudo. Fiquei em frente a cama e fui levantando a camisola, quando ela estava na minha cintura pude perceber os olhos do se intensificarem naquele azul que eu tanto amo.
A tirei completamente, ficando só de calcinha branca. Ele me olhava hipnotizado e eu adorei isso. Caminhei até o espelho que ficava fixado em uma parede ao lado direito da cama, o me seguiu com o seu olhar.
Eu prendi meu cabelo em um coque frouxo e então me fitei. Fiz biquinho como se estivesse me analisando. Deslizei minhas mãos do meu rosto para os meus seios.
- Você acha que eles são pequenos? – perguntei fazendo cara de inocente, e encarando meu priminho pelo espelho.
Ele não me respondeu, apenas continuava me olhando. Parecia que ele estava com muita, muita fome mesmo, e eu era um prato de comida.
Percorri minhas mãos pela minha barriga até chegar ao elástico da minha calcinha. Usei meus dedos para tocar minha intimidade por fora do pano, apenas me estimulando, gemi baixinho.
Fingi pensar um pouquinho e então falei:
- Você tem razão, é melhor dormimos.
O se levantou da cama e me prensou contra o espelho, realmente se colando em mim eu não conseguia mexer um músculo.
Pude perceber que consegui o que queria, senti sua ereção por baixo da bermuda que ele usava.
- Você tenta me enlouquecer, não é? Parabéns, conseguiu! – ele me beijou vorazmente, acho que aquele foi o beijo mais repleto de luxúria que havíamos experimentado.
- Consegui? – perguntei, sorrindo entre o beijo, ainda com nossas bocas grudadas.
- Ver você se tocando foi sem dúvida a visão mais excitante da minha vida!
Fiquei muito satisfeita ouvindo aquilo. Tirei sua camisa a jogando em um canto qualquer do quarto, minhas mãos deslizaram por sua barriga o aranhando com minhas unhas.
Eu não ficaria em desvantagem, assim que minhas mãos encontraram o feixe de sua bermuda, rapidamente a tirei, ele tratou de se livrar dela. Beijos e beijos e ele foi me conduzindo até a cama. Sem romper o beijo pude sentir suas mãos na minha calcinha, a tirando. Eu percebi que era sempre ele quem me agradava, era minha vez de fazer isso por ele. Me virei, ficando por cima e desci beijando seu pescoço, sua barriga, e tirei sua boxer. Eu não tinha absoluta certeza do que fazer, mas tinha uma ideia eu não poderia me sair tão mal.
Minhas mãos foram até o seu membro, junto com a minha boca, distribui beijos e lambidas antes de intensificar os movimentos, com a ajuda das minhas mãos. Pude sentir que ele estava preste a gozar e intensifiquei mais ainda os movimentos, então ele me puxou para um beijo. Suas mãos estavam procurando alguma coisa, eu ri no meio do beijo.
- Droga! Não consigo achar minha bermuda, cadê os preservativos? – ele parecia frustrado.
- Calminha aí! – pedi.
Abri a gaveta do meu criado mudo, e tirei de lá uma camisinha e mostrei a ele.
- Aula de educação sexual! – expliquei.
- Você escolheu um lugar bem prático. – ele elogiou.
Voltamos a nos beijar, e pude ouvir barulho de plástico se rasgando, o colocou a camisinha e me penetrou.
Foi entre estocadas fortes e gemidos que terminei minha noite.
O me abraçou e mais uma vez sussurrou um: “Durma” e eu prontamente obedeci, estava exausta.
- , acorda! – minha tia gritava do lado de fora do meu quarto.
Ok, momento de desespero, abri os olhos muito rápido procurando o , mas o lado da minha cama estava vazia. Respirei aliviada, e juntei forças para responder:
- Já levantei, tia, estou me arrumando.
- Você vai com o , querida, agora que vocês vão para o mesmo lugar não tem sentido eu levar você, tudo bem?
Tudo maravilhosamente bem.
- Claro!
Mesmo ritual de todos os dias de aula, banho, uniforme e maquiagem.
Quando estava pronta desci para tomar café, porém só encontrei o que sorria lindamente para mim.
- Bom dia! – ele cumprimentou.
- Bom dia, cadê minha, tia?
- Saiu pra trabalhar, ela acha que não tem problema te deixar comigo, não é como se eu fosse roubar sua inocência.
- Quando você saiu? – perguntei.
Ele sabia o que eu queria dizer, estava perguntando sobre ontem.
- Assim que tive certeza que você dormiu. – ele sorriu.
- Ok.
Tomamos nosso café sem conversas muito longas, e fomos para a escola, encarar esse novo dia.
Seguimos nosso caminho até o colégio rindo de bobeiras e ouvindo música. O colégio não era tão longe de carro, quando estávamos chegando, pedi para que ele me deixasse na esquina. O estranhou mais concordou, eu tratei logo de explicar:
- Não quero que desconfiem de nada, nem que saibam que somos primos, podem pensar que você está me favorecendo! – expliquei.
- Como você achar melhor. – ele sorriu e me deu um selinho, me despedi e andei até a entrada no colégio.
Saia xadrez, blusinha branca, meias longas e sapato fechado. Esse era meu uniforme, não se engane achando que ele era “sexy”. A saia não era curtinha como aparece muito nos filmes, ela era até metade das coxas. Bom, não vou reclamar.
Logo que cheguei ao pátio, avistei minhas melhores amigas.
Maria_Clara, Aninha, e Sophia estavam em um pequeno circulo, conversando. Me dirigi até elas e entrei na rodinha.
- Ah, mas você me deve muitas explicações! – Sophia foi logo me cobrando.
Maria_Clara mal esperou ela terminar de falar e foi se intrometendo:
- Você tem que contar absolutamente TUDO pra gente. Onde você dormiu? Sejamos sinceras, com quem você dormiu?
Eu ia abrir a boca pra responder, mas a Aninha não deixou.
- Cala a boca, Maria_Clara! Vocês duas só ficam enchendo ela de pergunta, assim ela não vai nos contar nada. POR QUE VOCÊ AINDA TÁ CALADA, .toUpperCase())? FALA LOGO! – ela gritou.
Que fique registrado, eu tenho as amigas mais loucas que podem existir. Não estou exagerando, elas são realmente piradas.
- Ok, uma pergunta de cada vez. Primeiro, Sophia, minha amiga, eu te amo de todo meu coração, poxa... você não imagina da enrascada que me tirou ontem, confirmando que eu dormi na sua casa. Muito obrigada mesmo!
Sophia sorriu angelicalmente, e respondeu:
- Que isso, amiga, já conheço nossos esquemas, protegemos uma a outra! Sua tia não me ligaria por nada, eu imaginei que você precisasse que eu mentisse um pouquinho, fala sério, eu sou muito inteligente, não sou? – ela falou, jogando o cabelo cumprido para trás, e fazendo uma pose de intelectual.
Todas rimos.
Maria_Clara ainda está aflita.
- Vamos nos conte logo, onde estava?
- Tudo bem, Clarinha, eu conto, mas só porque eu confio muito em vocês, e vocês são as melhores amigas que eu sonharia em ter e..
- ANDA, .toUpperCase())! – Aninha berrou.
- Eu estava com meu namorado! – contei.
- QUÊ? – As três falaram juntas.
- AH, meu deus, que isso, não acredito no que meus olhos estão vendo – Clarinha falou.
- Eu sei, eu ia contar...- ela me interrompeu.
- Amiga, não tô falando de você, anta! Tô falando daquele ser ali – ela apontou o dedo indicador discretamente para o que entrava agora.
- É nosso professor de educação física! – expliquei.
- Como você sabe? – perguntaram novamente em coro.
- Porque é meu primo!
- Sua sortuda! – Aninha falou.
- Então, ele também é meu namorado - falei baixinho.
Todas as três me olharam atônicas. Não falaram nada durante alguns segundos, e eu já comecei a me arrepender de ter contado e então na cena mais cômica que eu já vi, elas começaram a fazer uma dancinha da vitória. Eu já conhecia a coreografia e entrei na dança.
Rimos no final.
- Você vai nos contar cada detalhe! – Maria_Clara me avisou.
O sinal bateu, avisando que teríamos que ir para nossas aulas. Eu disse que no intervalo contava a elas. Todas fomos sorrindo, elas estavam achando isso incrível, e eu achando que elas me reprovariam. Enfim, fomos fazer algo importante da vida... estudar!
Minutos, minutos, minutos. No terceiro período, teríamos aula de educação física. Inconscientemente sorri com a ideia de ver meu tão adorado priminho ali.
Ele entrou na sala sorrindo, vestia calça e blusa da Adidas, ambas pretas.
Eu já disse o quanto ele fica lindo de preto?
Ouvia-se suspiros femininos por toda a sala, meus olhos estávamos focados no olhar dele, apesar de que ele não olhava pra mim.
- Bom dia à todos! Me chamo e sou seu novo professor de educação física, hoje não teremos aquela aula pratica, quero conhecer vocês!
Uma das líderes de torcida que sentava em uma das primeiras cadeiras se levantou e foi até a frente da sala.
- Muito prazer! Me chamo Gabi e em nome da nossa turma quero dar as boas vindas. - ela mascara um chiclete de menta de forma vulgar, no melhor estilo “Oi, eu sou puta”, isso me encheu de ódio.
olhou pra mim e deu uma piscadinha.
- Senhorita Gabi, sabia que quem masca chiclete de boca aberta, ingere o dobro de bactérias, do que alguém de boca fechada? Isso é questão de higiene. ( N/A : esclarecendo que esse trecho eu tirei da fic Biology, recomendo a todas que leiam Biology, não é plágio, eu apenas gosto dessa "tirada". VIVA A BIOLOGY).
Eu segurei fortemente o riso. Ele soube colocá-la no lugar dela, sem descer o nível. A Gabi sorriu sem graça, e voltou ao seu lugar.
- Alguém tem alguma pergunta ? – O pronunciou calmamente, nem parecia seu primeiro dia.
- Você é casado? – uma voz feminina falou.
- Não, casado não, mas tenho namorada!
A Maria_Clara olhou pra mim sugestivamente, e sinalizou um positivo sorrindo.
Ou seja, ele estava aprovado!
- Você tem quantos anos? – um voz masculinas agora foi quem falou.
- Tenho dezoito!
Seguiram muitas perguntas desnecessárias, e finalmente o sinal tocou. Desceram todos as escadas com pressa. Ficaram na sala, o , minhas três melhores amigas, a Gabi, e eu.
Gabi conversava animada com nosso novo professor, enquanto minhas amigas corriam ao meu encontro.
- Ele é um gato, aprovadíssimo! – Clarinha falou.
Aninha não estava com uma cara tão feliz. Ela, como se adivinhasse meus pensamentos, respondeu:
- Se ele é seu namorado/primo/professor, mil e uma utilidades, e você dormiu fora ontem. Você estava com ele?
- Estava! – confessei.
- Aiin, meu Deus! – as três pronunciaram juntas.
A Clarinha estava espevitada de tanta felicidade, Aninha me olhava com certa censura, enquanto Sophia não tinha expressão nenhuma.
- Alguém pode falar alguma coisa, por favor! – implorei.
- Eu tô feliz por você – clarinha pronunciou – acho um pouco precipitado, mas te apoio em tudo, amiga – aninha completou. Todas olhamos pra Sophia.
- Ah, qual é gente, claro que eu tô dentro! Sempre sonhei com essa coisa de novela mexicana!
- Mas ele é seu primo mesmo? De sangue?
- É sim, eu sei que isso é de certa forma errado, mas eu não consigo mais evitar meninas! Além do mais, já estamos muito ligados, muuuito mesmo.
- Você gosta dele? – Maria_Clara perguntou.
- Gosto, muito mais do que já gostei de qualquer pessoa.
- Amiga, então não importa se o destino, o céu, a terra, ou o mundo estão contra vocês. Vocês tem que lutar por isso, porque se você pudesse ver seus olhos agora, eles estão brilhando! – ela me encorajou.
Nos abraçamos ao mesmo tempo, e quando o abraço foi rompido. Senti meu sangue borbulhar a cem graus. Não acreditava no que estava vendo, uma raiva desconhecida tomou conta de mim.
- , NÃO! – minhas amigas me seguraram.
Meus olhos transbordavam irritação, eu simplesmente não acreditava no que estava vendo. Ok, respira, respira e respira mais um pouquinho.
O tinha se virado para sair da sala, quando meus olhos focalizaram as mãos da Gabi dando um tapa na bunda dele.
Será que ela não se tocou que aquela bunda me pertence? Meus olhos faiscaram, eu já pensei em três formas lentas e cruéis de matar aquela biscate.
Minhas amigas me seguraram, e então por isso eu não pulei no pescoço dela.
O a encarou incrédulo, enquanto deu um sorriso de canto. ELE SORRIU PRA ELA?
Se aproximou da Gabi, enquanto ela dava um sorriso vitorioso e uma piscadinha. Quando ele estava bem próximo ele disse em alto e bom som:
- Nunca mais se atreva a colocar suas mãos em mim, primeiro eu não te dei intimidade nenhuma e nunca vou dar pra uma garota como você, segundo minha namorada é muito, muito brava mesmo.
O rosto da Gabi estava sem expressão. Enquanto ela fazia cara de (lê-se puta) chocada. Eu relaxei nos braços das minhas amigas, enquanto elas sorriam totalmente bobas.
Clarinha começou a dar pulinhos enquanto todas nos olhávamos pra ela.
- AH, APROVADO! – ela gritou.
Gabi, , Aninha, Sophia e eu olhávamos pra ela.
- Que foi gente? – ela perguntou se fazendo de desentendida.
- Ah, que coisinha irritante – Gabriela falou olhando diretamente pra Clarinha – Sabe, eu não me importo se você tem namorada, porque quando você se der conta do que perdeu vai voltar correndo aqui pra mim, e eu não vou estar te esperando! – ela falou em um tom arrogante.
Eu estava com a boca aberta. Sério... não esperava aquilo.
Ela saiu da sala, se equilibrando perfeitamente sobre os seus finos saltos. Kelly era uma garota linda, isso eu não podia negar. Cabelos cumpridos e lisos, olhos castanhos, até aí tudo normal, mas o corpo dela era estilo “modelo”. Ela era modelo! Irônico, não?
veio até nosso grupinho de meninas.
- As garotas daqui são todas assim? – ele perguntou olhando pra mim.
- Algumas, por isso não quero o senhor dando atenção não, ouviu? – eu respondi extremamente brava e dando alguns tapinhas no braço dele.
- Como eu disse, minha namorada era muito, muito brava! – ele disse rindo e enlaçando minha cintura, me dando um rápido selinho. Assim que ele tomou consciência de que não estávamos sozinhos me soltou.
- Desculpem, meninas! Mas eu tenho certeza que vocês já sabem de tudo! Ainda mais do jeito que essa daqui é fofoqueira. – ele disse apontando pra mim.
- Fofoqueira? – Aninha perguntou e logo em seguida disparou a rir.
Nossa manhã no colégio, passou tranquilamente . Eu não vi o , mas durante aquela manhã, ele provavelmente devia estar se apresentando para as outras turmas.
Minhas amigas me encheram de perguntas, algumas discretas outras totalmente pervertidas. Elas estavam curiosas, e armamos um esquema é claro. Se minha tia ligasse pra elas perguntando por mim, eu estaria com elas. Assim como Sophia fez, elas também iriam me proteger.
Eu tinha as melhores amigas do mundo!
O último e estridente sinal tocou, nos libertando daquela prisão conhecida como escola. Eu gosto de estudar, gosto mesmo, mas na maioria das vezes é algo que me irrita, e me enche de tédio.
estava encostado no seu carro esperando por mim. Sorriu ao me ver, abriu a porta do passageiro, enquanto eu encarava Gabi e sua turma. Não trocamos nenhuma caricia, nenhum beijo nada disso. Ele apenas abriu a porta pra mim, e em seguida foi para o banco do motorista.
Quando nos afastamos do colégio, começamos uma conversa banal. Na verdade, ele falou mais do que eu, comentou sobre os alunos que conheceu e que ele estava empolgado, de acordo com ele, estar de volta ao colégio era algo bom.
Nós passamos no drive no McDonalds, e comemos no carro mesmo enquanto, atendendo a um pedido meu, fomos para o meu lugar preferido.
Quando chegamos a lagoa, as águas cristalinas deslumbraram meus olhos. Como eu amava aquele lugar, as lembranças que eu tinha daquele lugar, eu posso afirmar que aquelas águas guardavam a lembrança da melhor noite da minha vida.
Sentamos nas pedras, perto da lagoa. Eu tirei os sapatos e coloquei meus pés na água quente, era extremamente relaxante.
O se sentou de frente pra mim, eu sorri e fui pro colo dele. Basicamente, eu estava sentada sobre as pernas dele, com as minha pernas sobre a sua cintura, nossas barrigas estavam coladas. Meus seios subiam e desciam de acordo com a respiração dele.
Ele ficou fazendo um leve carinho na minha bochecha. Sorri com isso.
- Eu não sabia que as adolescentes são tão atrevidas – ele comentou rindo.
- Mas elas são, e eu realmente não te quero por aí dando moral, ainda mais que você não usa uma aliança mostrando que você tem namorada!
- Eu me esqueci disso! – ele pareceu pensativo por um momento – quer ir comprar as alianças mais tarde?
- Quê? – falei um pouco confusa.
- Bom, temos que usar alianças, estamos namorando. Ou você acha que nos temos o quê?
- Bom...então isso é um namoro?
- Não!
Meus olhos se arregalaram por um momento. Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, enquanto seu outro braço estava em volta na minha cintura, me mantendo extremamente próxima a ele.
- Temos bem mais que um namoro. Um simples namoro não resume o que sentimos um pelo outro, compromisso é uma palavra muito vaga pra nós. Acho que nós temos o que qualquer casal gostaria de ter! – ele sorriu.
- E o que nós temos?
- Amor! – ele disse simplesmente. – o mais verdadeiro e puro amor.
Sorri também. Iniciei um beijo, um beijo extremamente carinhoso, calmo.
As mãos deles agora estavam fechadas em torno da minha cintura, com os braços ele me puxava como se assim pudesse nos juntar mais. Acho que estávamos querendo quebrar a regra da física que diz “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço”. Minhas mãos estavam bagunçando seus cabelos, eu adoro o cabelo dele, isso é um fato.
Rompemos o beijo, ofegantes e sorrimos um pro outro. Seu polegar fez um carinho gostoso na minha cintura. Eu fechei os olhos com isso, e quando os abri constatei que os seus olhos estavam vidrados em mim.
Eu jamais, jamais mesmo vou conseguir explicar o quanto “aquele” azul me encanta, me impressiona, me fascina. Eu encarei atentamente aquelas íris cristalinas, eu acabei sorrindo, afinal ele era meu. Eu não cansava de repetir isso.
Meu, meu, meu, meu, meu!
Ele com muito cuidado levantou minha blusa. Como se eu fosse feita de vidro e no menor dos movimentos pudesse me quebrar.
Capítulo 8
PDV
- Eu não acredito que você ainda tem vergonha de mim! – eu disse.
- Lógico que eu tenho, só porque você já me viu sem roupa, não quer dizer que eu ainda não fique constrangida! – ela respondeu escondendo seu rosto, no meu pescoço.
Eu beijei sua testa e sorri.
Entre beijos e mordidas fomos nos desfazendo das nossas roupas, ela ainda estava no meu colo. Sinceramente, eu não sei como conseguimos tirar nossas peças de roupa sem nos desgrudar.
Vê-la ali, daquela forma, totalmente entregue a mim foi sem duvida a melhor sensação da minha vida. Não só pelo sexo, mas porque ela estava ali inteiramente, eu fui o primeiro, e ela confiava em mim, isso de alguma forma me trazia a melhor sensação de paz que existe.
Ela estava ofegante e cansada, nós estávamos! Eu ri me lembrando na primeira vez dela.
- Qual a graça ? – ela me olhou como se eu fosse louco.
- Tô lembrando da sua primeira vez! – admiti sorrindo.
- Eu nunca me senti tão nervosa.
- Nem eu.
Ela começou a gargalhar.
- Fala sério, não era a SUA primeira vez.
- Era como se fosse, viu? Eu estava super preocupado em não machucar você, em não fazer nada errado, em não deixar meus instintos me dominarem.
- Você sabe que nós estamos totalmente encrencados. – ela falou me olhando com cara de gatinho do Sherek.
- Eu sei, mas vamos dar um jeito nisso, ouviu? – A pior parte de amar sua própria prima e que geralmente ninguém entende isso. Meu tio ia me matar. Disso eu tenho certeza, sou um homem morto o dia que o pai dela descobrir que a menininha dele agora é minha!
PDV
Ficamos conversando besteiras, apenas curtindo o nosso momento. Horas e horas se passaram, porque quando voltamos já era noite.
Dois loucos cantando músicas ridículas o caminho inteiro. Meus olhos arderam de raiva quando eu abri a porta do carro e me deparei com uma certa morena nos esperando.
Mary estava sentada nos degraus da entrada na porta. Eu respirei fundo várias e várias vezes, mas não estava funcionando. Eu sentia muito ódio daquela garota, muito mesmo.
- Calma – ouvi o sussurrar no meu ouvido, e ir andando na minha frente em direção a ela.
- Que bom que os pombinhos chegaram! – Mary falou em uma voz baixa, não irônica como eu imaginei, mas melancólica.
- O que você quer ? – eu falei ríspida.
- Pedir desculpas! – QUE? Sério, quem seria o idiota a acreditar nisso.
- Por que aceitaríamos em suas desculpas? – a encarou sério, será que ele estava considerando essa ideia absurda?
- Porque eu realmente me arrependi. De tudo, mas porra imaginem-se no meu lugar, a sua melhor amiga pega seu namorado, você vai fazer o que mesmo? Abraçá-los e desejar felicidades?
Eu 'tava com meu orgulho ferido, , e você uma vez pronunciou três palavrinhas que deveriam ser eternas. Você disse eu te amo, e agora você não ama mais.
- Eu sei que foi um erro, Mariana, eu realmente sei... mas eu pensava que te amava, eu não conhecia a ainda.
- Eu sei, por isso eu vim pedir desculpas. Não vale a pena brigar, trégua? – Hello, eu tô aqui, ninguém quer minha opinião?
- Trégua! – eles trocaram um abraço. Eu assistia a cena atônita. Como ele teve coragem? Meus olhos se encheram d’água e eu corri para meu quarto, deixando os dois e a voz do pra trás.
Corri o mais rápido que pude, sabia que ele estava atrás de mim, então bati a porta do meu quarto e me tranquei lá.
- Amor, abre a porta! – ele pedia carinhoso.
- VAI EMBORA DAQUI! – Eu gritei chorando. Nem eu mesma entendi minha reação
exagerada, mas ver ele abraçando-a, justamente ela! Isso foi o fim pra mim.
- PARA DE SER INFANTIL, JESSICA, EU TENHO AMIGAS OK? A MARY AGORA É MAIS UMA DELAS, MESMO QUE EU NÃO A QUEIRA POR PERTO, EU TIVE UM PASSADO COM ELA E O MÍNIMO QUE EU POSSO FAZER É TRATÁ-LA BEM.
- POR QUE VOCÊ NÃO VAI REVIVER SEU PASSADO ENTÃO? PARECE QUE VOCÊ SENTE FALTA DELE! – Respondi ríspida e com vontade de arrebentar aquela carinha dele.
- TALVEZ EU VÁ MESMO, PORQUE ELA NÃO É CRIANÇA AO PONTO DE CONVERSAR ATRÁS DE UMA PORTA!
- CLARO, EU SOU A CRIANÇA AQUI, MAS EU NÃO ERA ATÉ UMAS HORAS ATRÁS, NÃO É? – Abri a porta nesse momento, e ele viu o quanto meu rosto estava vermelho, e como as lágrimas queimavam minha face.
Seu rosto se misturou entre arrependimento, irritação, culpa.
Eu novamente bati a porta na sua cara, sem esperar pela resposta da minha pergunta. Chorei litros, e nessa hora fiz o que eu sempre fazia quando precisava de socorro. Liguei para minhas amigas.
Contei tudo o que tinha acontecido pra Aninha, e ela chorou junto comigo, até que de uma hora pra outra me convenceu a sair, definitivamente eu estava sem animo, mas não ia dar pro o gosto de me ver derrubada por causa dele.
ANA POV
Estacionei em frente à casa de e buzinei. Ela não apareceu.
Dez minutos se passaram e um cri cri cri geral no carro onde eu e Clarinha estávamos.
Levantei no conversível vermelho, ficando em pé no banco do motorista, e gritei em direção à janela de :
- BORA, JESSICA! EU NÃO TENHO A NOITE TODA, NÃO!- e fiquei apertando a buzina por uns dez segundos enquanto Clarinha berrava. Quando soltei, ela gritou:
- ANINHA, TU QUER ME DEIXAR SURDA, SUA LOIRA BURRA? PORRA, OLHA MEU OUVIDO, CACETE! - Clarinha, sempre tão carinhosa, Clarinha! Por isso eu a amo.
Clarinha deu uma boa olhada nela e falou com voz selvagem:
- UI! Sexy! Rawr! - ela disse arranhando o ar com a mão.
- AGORA EU 'TO SOLTEIRA E NINGUÉM VAI ME SEGURAR! DAQUELE JEITO! - eu cantei para , rebolando no banco. – ela ficou me olhando com a expressão assustada. - Que foi? Entra logo! Que a noite é uma criança e eu tô afim de pegar geral! HAHAHA! ALOKA LADY GAGA - eu disse rindo.
Ninguém me deu atenção. falou:
- Hmm, vocês também tão arrasando! - ela disse nos olhando meio tristonha do banco de trás. A estava brigada com seu super mega lindo, primo, professor de educação física e namorado, Nando. Tivemos que literalmente obrigá-la a sair e descontrair com a gente hoje. Estávamos dispostas a fazê-la esquecer ele por uma noite, pelo menos. Ela merecia isso. – Depois quero saber onde vocês arranjaram esses modelitos super fashion!
Acelerei o carro.
Clarinha ligou o rádio e tocava ‘Solteira Sim, Sozinha Nunca’ da Mulher Melancia. Eu comecei a cantar, sim eu 'adogo' funk.
- SOLTEIRA SIM, SOZINHA NUNCA! QUEM SABE SOU EU, NINGUÉM MANDA QUANDO EU CHEGO NO BAILE. EU REBOLO ATÉ O FIM! VOU PEGAR QUEM EU QUISER! MAS EU NÃO SOU BAGUNÇA! O MEU LEMA É ESSE AQUI: SOLTEIRA SIM, SOZINHA NUNCA! - gritei alto sentindo o vento em meus cabelos. Parei no sinal e se exasperou:
- SAI, CAPETA! Vou mudar de rádio. – mudou, terminou uma música na hora e ‘I Gotta a Feeling’ de Black Eyed Peas começou a tocar. Clarinha deu um grito. Era a música dela, agora ela que começou a cantar, o problema é que ela, não sabe cantar, eu também não sei, mas...
- MEUS TIMPANOS!! - eu disse pra pirraçar.
- Minha voz é o coro melodioso dos arcanjos do céu. Morra, sua loira sebosa. - ela disse sem parar de cantar.
Eu virei na esquina e parei em frente à casa de Sophia. Clarinha cantava. Eu tampava os ouvidos e gritava: "SOCORRO! MEUS TÍMPANOS VÃO ESTOURAR!". E , bem, ela tentava se esconder com sua bolsa-carteira, sem muito sucesso.
Sophia desceu, olhou e entrou de novo em casa, com cara de medo. Clarinha riu diabolicamente e gritou:
- AMIGA, EU TE VI, NEM TENTE SE ESCONDER, BORA, ENTRA NESSA BULDEGA E “VAMOS SE EMBORA!”
Sophia entrou corada olhando para os lados no carro. Ela era a mais tímida, coitada. Tenho até pena. era meio termo, mas quando toma álcool ela solta a franga.
- Menos, gente. - Sophia disse.
E Clarinha respondeu, procurando alguma coisa em sua bolsa:
- Menos? Menos? MAIS, BOFE ESCÂNDALO! MAIS E MAIS, UI! - e começou a se tremer e a gemer.
- HOJE SOPHIA SAI DO ARMÁRIO! TIRA A PURPURINA DO POTINHO! SOLTA A BEYONCÉ, A MADONNA, A CIARA E A... LADY GAGA - eu disse gesticulando.
Sophia olhou para e disse:
- Elas tomaram Red Bull?
- Aninha? Aninha? ANINHA, OLHA! TEM UMA LIQUIDAÇÃO DE LIVROS POR R$5,00 ALI! - Sophia gritou em meu ouvido.
- ONDE? ONDE? - eu disse saindo do transe. - É que eu 'tava pensando...
- Tu pensando? - Sophia disse.
- ACEITE A REALIDADE, ANINHA, TU É LOIRA, TU NÃO PENSA, MONGOL! - disse.
Magoada, acelerei o carro e começou a tocar Baby do Justin Bieber. Olhamos uma pra outra e começamos a cantar:
- IÚ NÔU IÚ LÓVIMI, AI NÔU IÚ QUÉR. TICHEPTINEVER, ENALBIDEEEEEER.- Paramos para rir, na verdade gargalhar da cara de Clarinha, ela ODEIA essa música. Cara de assassina, com certeza!- BEEEEEEIBI, BEEEEEEEIBI, BEEEEEEEEIBI, OOOOOOOOOOOOUN, LAAAAAAAIQUI BEEEEEEEEEIBI, BEEEEEEEEIBI, BEEEEEEEEEEIBI, NOOOOOOOOOOOOOOOOU.
Então, ficou em pé no banco de trás cantando. E ouvimos sirenes. Afundei o pé no acelerador, sentou.
- TÁ VENDO, PORRA? É ISSO QUE DÁ CANTAR ESSA MERDA DE VIADO – Clarinha disse, com o tom de ‘eu avisei, MUAHAHAHA’.
- Aninha, entra aí. - Sophia apontou pra uma rua de barro.
- Mas...
- VAI LOGO, PORRA! - ela gritou olhando pra trás nervosamente. Às vezes eu tinha medo de Sophia.
- Isso é porque a gente nem chegou na Aundrey ainda - Clarinha disse. E ela e bateram na palma, num ‘toca aqui!’
Entrei na rua que Soph indicou, subi a capota do carro e desliguei o rádio.
- Agora entra ali - ela apontou para minha direita. A polícia ainda nos seguia. Virei de novo e todas nós caímos para o lado. Sophia foi me guiando até que o som das sirenes foi ficando bem para trás.
Então voltamos para as lindas ruas asfaltadas.
Logo avistamos as luzes da Audrey, eu olhei para trás pra ver com as meninas estavam, quando gritou:
- CUIDADO COM O MENDIGO!
Quando olhei para frente, vi que tinha atropelado um mendigo que atravessava a rua. Ele se levantou e começou a gritar.
- Eu negocio com ele! - Clarinha disse saindo do carro, eu e as meninas nos entreolhamos, apreensivas.
- Qual é, gente! Vamos dar um crédito à Clarinha, ela se comunica bem com os mendigos. – falei.
Pudemos ouvir ela falando de dentro do carro:
- Ei, cara, dexculpa nóix aê é que a boyzinha ali começou a dirigir agora, mas ela é doida sacax? E aí pra dexculpar tudo isso, vou ter dar um presente.
O cara deu de ombros sem responder. Clarinha sorriu e tirou uma Red Bull da bolsa. Mas como ela consegue guardar um Red Bull em uma bolsa-carteira? Quem souber morre.
- E aí, que tal?
Ele sorriu sem dentes e disse:
- Pra você moça. - e entregou a ela uma pulseirinha do Reggae.
- Valeu, tio. 'Tava doidona por uma dessas. - ela respondeu, entusiasmada, colocando a pulseira no pulso.
Virei-me paras as meninas que olhavam pra doida com nojo. Clarinha fez sinal positivo pro cara que sorriu e saiu correndo. Ela voltou pro carro rebolando os quadris e se sentou. Todas olhavam pra ela.
- Que foi? QUEREM PEGAR UM PEDAÇO, PORRA? – exasperou.
- Você não vai tirar essa pulseira, não? - disse.
- Por que eu tiraria? É a única lembrança que eu vou ter do meu 'brodinho'! - ela disse balançando a cabeça, como se o que tinha dito fosse o maior insulto do mundo.
- Por que ela está imunda, com muitos germes, de um mendigo que dorme na rua. - Sophie disse. Ela olhou pro próprio braço e arrancou a pulseira a jogando na rua.
- Eca. Homem seboso. - disse. - Vamos embora! Tá esperando o que, Aninha? A morte da bezerra? Eu quero dançar!
Dei de ombros e acelerei.
Depois de alguns minutos, chegamos à boate, finalmente. Eu, realmente, não sabia mais o que esperar dessa noite, só sei que ia pegar geral. Deixei o carro no estacionamento, que ficava em frente à Audrey. Todas desceram. Eu e Clarinha fomos à frente enquanto Sophia e vinham atrás, conversando. Clarinha e eu pagamos e quando olhamos pra frente de novo, vimos e Sophia brigando com os seguranças, depois passaram por baixo das pernas deles e saíram correndo.
Eles saíram atrás delas, todos que estavam na fila de entrada, gritaram e passaram correndo sem pagar. Clarinha e eu andamos rápido para não sermos esmagadas, principalmente Clarinha que não é tão alta, na verdade, ELA É UMA TAMPINHA!
A Audrey era fantástica, um espaço enorme, escuro com algumas luzes no teto, quase uma discoteca, estava lotado de gente. Eu passava praticamente me esfregando nos corpos ao redor, serpenteei para chegar à algum lugar. Todos estavam dançando conforme o ritmo contagiante de Stereo Love, de Edward Maya com a participação de Vika Jigulina, não me aguentei e comecei a andar dançando, me movendo com as pessoas.
Me dei falta de alguma coisa pequena me importunando. Hm... DIABOS! CADÊ A CLARINHA?
- ANA! – ouvi sua voz gritar meu nome e me virei à procura de onde vinha o chamado.
De repente, senti um forte impacto contra minhas costas. Ok, alguém está montando em mim.
Literalmente.
- Vai, pangaré! UHULES! – Claro. Quem mais poderia ser? Clarinha estava montando em mim como se estivesse num rodeio, com um copo na Mao, gritava e ria – como uma retardada – POCOTÓ, POCOTÓ, POCOTÓ, MINHA EGUINHA POCOTÓ! – Estava demorando pra ela começar a cantar as músicas do Latino. Como ela conseguia fazer essas estripulias com um tubinho e uma anckle boot? Boa pergunta.
- TU TÁ ME ACHANDO COM CARA DE QUÊ, GURIA? DESCE DAÍ! – Gritei enfurecida.
Dançamos e dançamos até que os três - o de Ana de chamava Pedro, o da Soph de chamava Lucas - meninos se juntaram a nós, e nós sete dançamos, bebemos, conversamos e nos divertimos até não podermos mais.
Claridade, merda de claridade!
A luz da janela se esparramava quarto a dentro.
Eu abri meus olhos bem lentamente tentando me acostumar com toda aquela luz. Meus olhos doíam, minha cabeça doía, tudo doía. Então eu percebi que tinha algo muito errado.
Primeiro – eu estou deitada na banheira, com um monte de bombons jogados em cima de mim, e que tanto de garrafas de smirnoff ice eram aquelas?
- Tá bom, , respira! Tente se lembrar de algo, tenta! LEMBRA DROGA! – eu me irritei comigo mesma. Era como se minha memória tivesse sido totalmente apagada.
- Ah que saco, dá pra calar a boca? – Alguém resmungou perto de mim, EPA! Como assim alguém resmungou?
Olhei pra baixo, e caída ao lado da banheira estava Clarinha que aparentemente tentava dormir abraçada a um rolo de papel higiênico.
Perto da porta estavam Aninha e Sophia que dormiam uma próxima a outra. Sophia estava com o cabelo loiro? Sim, estava, só que até ontem ela era morena. Rapidamente peguei uma mecha do meu cabelo, estava na sua cor habitual, mas todo melecado, acho que eu dormi muito suada.
Minha cabeça parecia que ia explodir.
Eu me levantei muito preguiçosamente, eu estava com uma camiseta do , se eu me lembro bem foi essa camiseta que eu usei quando voltamos pra casa da gruta, eu não tinha guardado ela no guarda-roupa? Por que eu usei isso?
- Ei, meninas, acordem! – eu chamei e nada, putz não tô com paciência, fui até a pia do banheiro e me encarei no espelho.
Eu estava destruída, meu cabelo como eu imaginava estava muito sujo. meus olhos estavam com a maquiagem levemente borrada, eu estava bem pálida. Eu estava sentindo uma imensa vontade de vomitar.
Peguei uma xuxinha que estava sobre a pia e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo totalmente desajeitado.
Liguei a torneira e joguei um pouco de água no rosto, quando virei meu pescoço não pude evitar.
- AH!
PDV
Eu estava tentando compor alguma coisa no meu violão quando ouvi um grito ensurdecedor, e o pior era que eu conhecia esse grito muito bem.
Era o grito da minha pirralha. Como ela estava em casa?
Eu a esperei a noite toda acordado, querendo pedir desculpas, querendo conversar. Como foi que ela entrou? Eu pensava isso enquanto corria pro quarto dela.
Quando abri a porta do quarto, achei que tivesse entrado no lugar errado. Havia roupas jogada pra todo canto, sobre a cama dela havia muitas caixas de tintura pra cabelo. Duas delas eram loiras, um era rocha e então eu ouvi outro grito vindo do banheiro e corri pra lá.
Quando abrir a porta, congelei do lugar. O banheiro estava uma bagunça, duas amigas dela estavam no chão com o rosto todo sujo de chocolate, uma outra estava perto da banheira com cara de quem não 'tava entendo nada.
Ela tinha uma cara de cachaceira.
A minha menina estava em frente ao espelho, negando algo com a cabeça como se não acreditasse na situação.
- , o que foi? – eu perguntei muito preocupado.
Ela olhou pra mim, e levantou a mão como se fosse me bater, e foi isso que ela fez. Me deu um tapa no rosto. Depois continuou me dando tapas, eu andei para trás instintivamente, sem compreender muito bem a situação. Segurei os pulsos dela, e a olhei confuso.
- É tudo culpa sua, sua, sua se não fosse por você eu não teria feito isso! – ela se debatia nos meus braços.
- O que foi que eu fiz dessa vez? – Perguntei irritado quem tinha saído pra festinha ela era, não eu.
- Você? Você existe! – ela gritou, e depois fez biquinho e começou a chorar.
Mano, que negócio é esse?
- ... o que tá acontecendo? - Ela se afastou de mim e abaixou um pouco a gola da camisa que ela estava usando, essa camisa não era minha? Mas então eu entendi do que ela estava falando.
No pescoço dela, perto da nuca estava escrito “ , te amo”.
Ela fez uma tatuagem? Encarei a tatuagem, encarei a . Não sabia o que dizer!
PDV
- Entendeu agora? – perguntei vendo finalmente compreensão nos seus olhos. MERDA, MERDA, MERDA. COMO EU FIZ UMA TATUAGEM?
Eu marquei meu corpo pra sempre, que droga!
O teve a última reação que eu esperava que ele tivesse, ele me abraçou me pegando no colo e sussurrou um “está tudo bem”.
Eu deixei que ele me guiasse, afinal, eu me sentia extremamente ferrada no momento. Ele me levou até seu quarto, me colocou na sua cama.
- Precisamos conversar! – antes que eu pudesse responder ele já continuou falando – você não pode fazer isso comigo, não pode sair a hora que bem entender, não tô dizendo que sou seu dono, mas eu preciso que você confie em mim! Você tem alguma ideia do quanto eu fiquei preocupado? Sair com 3 garotas irresponsáveis que acabaram de largar a mamadeira? E que pelo que eu pude perceber vocês beberam muito mais do que aguentavam, e que tintura pra cabelo era aquela? Como você faz uma tatuagem, perdeu o juízo? O que mais vocês fizeram?
- Primeiro, aquelas 3 garotas são minhas amigas. Ela estavam comigo quando você não estava, eu exijo respeito! E eu sinceramente não me lembro de nada, absolutamente nada! Não sei nada sobre tinta de cabelo, ou tatuagem – suspirei – principalmente não sei porque fui tão idiota, a única coisa que eu me lembro e que eu sei que jamais te esqueci e que eu amo você!
O me encarou sem nenhuma expressão, ele juntou nossas testas, nos deixando muito próximos e murmurou:
- Eu também amo você, sempre e pra sempre!
E ele finalmente me beijou.
- Você me ama pra sempre, não se esqueça! – sussurrei entre o beijo, ainda com a boca colada a dele.
Ele sorriu se afastando.
- Por que eu não posso me esquecer? – perguntou, colocando uma mecha que estava solta do meu cabelo atrás da orelha.
- Ah, larga meu cabelo, tá sujo, eu sei que tá nojento! – ele sorriu.
- Você está linda!
Ouvimos batidas sutis na porta, como se quem estivesse batendo estivesse receoso em entrar. A porta se abriu e Sophia e Aninha entraram, eu ainda não me acostumei com a Sophia loira ficou muito diferente!
- Podemos entrar? – Sophia perguntou de cabeça baixa.
- A gente já entrou, amiga – Aninha estava praticamente gritando, ela parecia nervosa – olha só , eu não sei o que você acha que aconteceu, mas não aconteceu o que você tá achando que você sabe que acha que aconteceu, entendeu?
- Não! – respondeu segurando o riso.
- Aninha, tá tudo bem! – eu falei pela primeira vez – ele me ama! – dei de ombros.
- Convencida!
O após me chamar de convencida, me jogou na cama e fez muitas cosquinhas em mim. Sophia ficou muito vermelha, mas enquanto ele me fazia cosquinhas eu me lembrei de algo.
Flashback
A música estava muito alta, uma música eletrônica que eu já não conseguia identificar quem cantava. Tudo a minha volta rodava, quando será que eu comecei a beber?
Procurei no meio de tanta gente minhas amigas. Elas estavam bem ao meu lado dançando com três garotos desconhecidos pra mim.
Eu me afastei um pouco delas, fui ao bar.
- Eu quero um SMIRNOFF! – gritei para o barman.
- Oi, eu já não te conheço? – Um homem parou ao meu lado.
- Ah, meu querido, essa é tão velha! – respondi com desdém sem olhar para ele.
- Tô falando sério! Eu já te conheço, . – ele sabia meu nome? Então eu olhei para ele, tentando me lembrar de onde eu o conhecia, quando então me toquei, era o Lucas.
- Lucas! – exclamei bem animada e pulei em seus braços em um abraço afetuoso.
Da onde veio tanto carinho? Eu sei lá, eu estava bêbeda.
- Você se lembra. O que faz aqui “sozinha”? – ele deu um certo ênfase no sozinha o que fez meus olhos arderem e algumas lágrimas caírem.
- Eu não sei! – respondi a ele. A essa altura eu nem sabia o que eu estava fazendo lá porque eu queria mesmo era estar nos braços no pedindo desculpas!
- Desculpa, não precisa chorar, vem aqui! – ele me puxou pro seu colo me consolando.
Fim do flashback
- MERDA! – Gritei.
- Desculpa, amor, te machuquei? – parou de me fazer cosquinhas preocupado.
- Não, não é isso eu apenas me lembrei que... er... eu... tenho... que ir ver a Clarinha que não tá aqui, e você sabe que ela é louca, é uma péssima ideia deixar ela sozinha até mais! – dei um selinho rápido nele indo para meu quarto novamente.
Abri a porta, e minhas amigas me seguiram. Sabe quando você acha que não pode ficar pior? Bom, eu estava achando, mas minha tia apareceu!
Instantaneamente eu soltei meu cabelo, fazendo assim os fios cumpridos e loiros cobrirem a tatuagem.
- Querida, você não foi para a escola? – Minha tia perguntou amável.
- Pois é, eu não tô me sentindo muito bem! Que horas são?
- São 11 horas da manhã!
- Ah, obrigada, titia! – sorri amarelo, puxando minhas amigas comigo para meu quarto.
Abri a porta do meu quarto e entrei rapidamente. Me joguei na minha cama muito preocupada, com uma puta dor de cabeça.
- , o que foi? – Sophia se ajoelhou na minha frente.
- Eu não sei direito – respondi quase chorando – eu acho que eu trai o ! Quer dizer, eu acabei de me lembrar que eu encontrei o Lucas um amigo do lá na boate, e aí nós conversamos um pouco e no final eu estava no colo dele me deixando ser abraçada, e depois, sabe o que aconteceu?
Elas negaram com a cabeça.
- Pois é, nem eu. Só tem o vazio aqui na minha cabeça eu não me lembro de nada, nadinha, NADA!
- Calma, amiga, você teve um flash da noite passada, provavelmente terão outros! - Aninha tentou me consolar.
- Nós também não nos lembramos de nada. Como foi que eu fiquei loira? – Sophia perguntou visivelmente triste, mas totalmente calma. Eu não entendo como ela conseguia ser assim, totalmente tranquila em qualquer situação.
- Tenho uma pergunta melhor, amiga, se você tá loira quem é que tingiu o cabelo de roxo? – perguntei notando que as embalagens de tintas estavam todas usadas.
- Eu não tô ligando, meu cabelo pelo menos tá normal. – aninha se virou e então Sophia e eu abrimos a boca em espanto.
- Que foi gente? – Aninha perguntou vendo que nos estávamos com a boca aberta.
- Bem, é que você cortou o cabelo! – Sophia falou calmamente.
- QUÊ? – ela começou a ter uma crise – EU NÃO ACREDITO NISSO!
Então ela foi até o espelho que ficava fixado na parede do meu quarto, tentando se virar e ver o que nos estávamos falando. E realmente, o cabelo dela estava bem mais curto atrás, ela tinha o cabelo na cintura na parte da frente e atrás ele estava na nuca, naquele estilo Chanel.
- Quando eu penso que tudo pode piorar, acontece algo! – falei me levantando da cama, e depois de dar dois passos escorreguei em algo, levando um tombo feio.
Peguei o objeto que me fez cair, era um celular.
Abri o aparelho e vi o nome no visor “Lucas”.
MEUDEUSDOCEUMEAJUDAQUEEUVOUINFARTAR.
- O Lucas esteve aqui! – falei para mim mesma.
Capítulo 9
Ainda estática com o aparelho em minhas mãos, eu não tinha ideia do que fazer. Me pareceu extremamente absurdo que o Lucas tenha estado no meu quarto essa noite, com o na sala e duas garotas bêbadas junto comigo. E outra pergunta que não saia da minha mente era... Se Lucas estava aqui, quem mais estava?
Minha respiração ficou ofegante, apertei o aparelho fortemente na minha mão.
- Preciso ficar sozinha, meninas! – disse rapidamente.
Elas me olharam um tanto incrédulas, talvez pela minha grosseria, mas entenderam que eu estava nervosa e, juntando rapidamente as coisas, foram embora.
Quando me encontrei totalmente só, comecei a limpar meu quarto – pela graça de Deus eu não achei nada muito estranho, quero dizer, nada de camisinha, drogas, nada ilícito. Claro que para menores de idade beber é ilícito, mas, considerando a quantidade de garrafas que havia ali, não acho que tenhamos respeitado muito a lei.
Precisei de dois sacos de lixo para limpar tudo, no final meu quarto ficou impecável. Mas eu tinha grandes problemas, nem sei por onde enumerá-los.
1 – Eu tenho uma tatuagem que eu não me lembro de como fiz.
2 – Eu estou com o celular de um cara que eu vi umas três vezes, ou talvez nem isso, no meu quarto, o que significa que ele esteve aqui e eu não tenho ideia do que fizemos.
3 – O não pode sonhar com isso.
4 – Eu odeio mentir pra ele.
5 - Eu estou perdidamente e completamente apavorada.
Tomei um longo, longo banho. Sentei-me na cama enrolada em uma toalha, pensativa. Devo ter ficado encarando o teto uns 4 minutos sem pensar em nada, apenas no branco que era a cor que ele levava.
Me vesti quase que em luto, pois minha calça de couro preta e meu espartilho preto me davam um ar gótico. Por que eu estava vestida assim? Sinceramente, não sei. Parecer intimidadora, vampira, me faz sentir confiante.
Não usei maquiagem, o que se opunha a minha roupa. Deixei meu cabelo solto contrastando com a minha pele que ainda estava muitíssimo pálida. Peguei minha bolsa e saí de casa, sabendo exatamente o meu destino.
Caminhei quadras e quadras até chegar à porta do hospital Santa Casa que, pela agenda do celular, pude rastrear o número e conseguir o endereço de onde estava escrito “trabalho”.
Com as mãos trêmulas, adentrei o lugar e perguntei diretamente à recepcionista se ela conhecia o Lucas.
- Bom dia! Quer dizer... Boa tarde! Me desculpe, mas trabalha aqui o Lucas?
- Senhorita, temos dois Lucas que trabalham aqui. Está falando do Lucas Stillo? Ou do Lucas Melo?
- Hãn... Do Lucas de cabelos lisos e curtinhos, bem branco... Sabe?
- Ah sim, é o Dr. Lucas Stillo. É um dos nossos estagiários esse ano. Pode seguir por aquele corredor e virar à direita, encontrará um corredor de consultórios, o dele está com o nome na porta.
- Obrigada!
Entrei um pouco trêmula no consultório a minha frente. O Lucas estava sentado de olhos fechados na cadeira com uma cara de poucos amigos.
- Oi! – eu disse sussurrando.
Ele abriu os olhos instintivamente, me olhando como se esperasse por mim.
- Eu sabia que você viria!
- Sabia?
- Depois do que aconteceu ontem... – ele disse, examinando minhas roupas, eu sabia que estava um tanto ridícula talvez devido ao horário.
- O que exatamente houve ontem? – fechei os olhos com medo da resposta.
- Abra os olhos, ! – ele pediu, sério, e eu obedeci – Não aconteceu absolutamente nada que você possa se arrepender, não rolou nada entre nós! Apenas conversamos! Você realmente não se lembra do que eu lhe disse?
- Não! – sussurrei, o encarando.
- Eu tenho algo muito sério pra te contar sobre o , eu não deveria, mas você tem o direito de saber!
- Meu Deus... Você está me assustando!
- ... Eu... Er...
Ouvimos batidas na porta.
- Lucas, eu preciso falar com você!
Eu reconhecia aquela voz, fiquei paralisada no lugar, e não tive coragem de me virar para encarar o que provavelmente me olharia confuso.
PDV
Quando minha menininha retornou pra casa, quando eu pude estar com ela novamente nos meus braços, finalmente me senti em paz. Eu não sei o que vou fazer daqui pra frente, tenho tanto medo das minhas decisões.
Se bem que já errei tanto que a partir de agora qualquer escolha seria certa. Eu não posso contar a verdade para jamais, essa é totalmente a última opção. Contar para minha mãe? Bom, ela sem dúvida teria o direito de saber, mas não posso fazê-la sofrer tanto por mim, não posso mais causar sofrimento a ninguém, preciso ir ver o Lucas.
Fui até seu consultório, e, quando entrei lá, minha surpresa foi a estar ali, e ela estava com uma roupa muito sexy pra aquela hora do dia, por que ela estava ali falando com o Lucas?
- , que bom que está aqui! – Lucas disse parecendo desconcertado, como se eu houvesse interrompido algo.
- Interrompi alguma coisa? – Perguntei, sentindo meu próprio ciúme na minha voz.
- Claro que não, eu vim apenas devolver o celular do Lucas! – disse pela primeira vez se pronunciando, mas sem olhar pra mim.
- Celular? Como conseguiu? – ainda insisti nas perguntas.
- Eu esqueci ontem na boate onde estava, ela veio me fazer o favor de devolvê-lo! – Lucas se explicou.
- Ok! – Eu precisava da minha menina fora dali, para poder conversar com o Lucas. Como se adivinhasse meus pensamentos, ela se despediu de todos e foi embora.
- Lucas, o que você contou a ela? – perguntei irritado.
- Eu não disse nada, , mas você conhece muito bem minha opinião, ela tem o direito de saber a verdade. Ela PRECISA saber o que está acontecendo!
- Isso é uma escolha minha, seu imbecil, se EU quiser, eu conto a ela, e ela não vai saber de uma palavra. Será que você não entende que eu NÃO POSSO FAZER ELA SOFRER?
- VOCÊ PRECISA!
- Não, eu morreria!
- Mas você vai morrer de toda forma, em 6 meses!
- É isso que meus últimos exames dizem? – guardei a última pontada de esperança que existia em mim.
- Sim, é isso que seus exames diagnosticaram. , você é meu amigo de infância e eu quero salvar você, mas temos pouquíssimas opções!
- Quais são elas? – eu estava abalado, sem chão. A verdade é que no fundo eu ainda esperava alguma notícia boa.
Há alguns dias eu vinha me sentindo mal, tonto, procurei Lucas, que era meu amigo há anos, para fazer uns exames de rotina, pra ver o que eu tinha.
Os primeiros exames diagnosticaram um tumor no coração.
- Eu vou tentar explicar da forma mais simples... Nós podemos tentar um transplante, dentro de seis meses, que é o tempo que te resta de vida, mas, para realizar o transplante, você precisará ficar internado fazendo quimioterapia para evitar que o tumor se espalhe. Entende?
- Entendi, mas... Se eu fizer quimioterapia, qual será minha qualidade de vida?
- Muito baixa, você ficará extremamente fraco, perderá peso, cabelo, não terá disposição. Mas podemos tentar salvar sua vida.
- Quais as chances de conseguir o transplante?
- Não são as melhores, mas...
- Quais as chances, Lucas?
- 1 em 60 mil.
- E se eu não fizer quimioterapia?
- Sentirá fortes dores no peito, como tem sentido, e vai piorar até morrer.
- Podemos controlar essas dores com remédios?
- , isso é inviável, eu estou dizendo...
- Eu estou dizendo que quero passar o tempo que eu ainda tenho na minha casa, com as pessoas que eu amo. Caralho, Lucas, você é meu melhor amigo, será que pode respeitar minha decisão?
Lucas abaixou a cabeça e pensou por alguns instantes.
- Sim, podemos controlar a dor e os outros sintomas com remédios, mas isso não impedirá o câncer de se espalhar. Você está preparado para morrer?
- Estou.
PDV
Saí do consultório me sentindo mal, não mal por estar enganando o , até porque o Lucas mesmo me disse que não aconteceu nada demais. Eu sentia como se houvesse alguém apertando meu coração. Já teve a sensação de estar rodeada por pessoas e mesmo assim se sentir sozinha? De todos os meus medos esse era o maior – me sentir assim!
Fui para casa, ao chegar, deitei na minha cama, sentindo meu coração doer mais ainda. O que estava acontecendo? Adormeci alguns minutos. Eu pensei que tivessem sido apenas alguns minutos, mas quando eu abri meus olhos já era quase noite, o sol já começava a se pôr.
- Finalmente acordou! – ouvi a voz do ao meu lado.
- Há quanto tempo está aí? – perguntei, me espreguiçando, e todo aquele vazio desapareceu. Era falta dele, saudade!
- Algumas horas. – respondeu, dando de ombros.
- Você me observou dormir por horas?
- Eu não queria ficar um segundo longe de você. – ele sorriu.
- Seu bobo, temos a vida inteira pra ficar juntos, não precisa ficar pensando que o tempo está passando, temos muito e muito tempo juntos ainda! – respondi sorrindo também.
Ele me encarou como se quisesse memorizar cada traço do meu rosto e fixou seu olhar nos meus olhos. Sem pronunciar nenhuma outra palavra, ele apenas se aproximou e me beijou, não foi um beijo de desejo, de luxúria, foi apenas um beijo de carinho.
- Eu te amo, tanto, tanto, tanto! – me permitiu olhar suas íris próximas demais, me hipnotizando.
- Por que você está me olhando como quem tem medo? – era assim que ele me olhava, apreensivo.
- Porque eu não suportaria ficar sem você. – ele grudou nossas testas.
- Você não vai ficar, nunca! Antes de você chegar aqui, meu coração estava apertado, doendo, como se a qualquer momento ele fosse se quebrar em milhares de pedacinhos. E quando você chegou foi como se eu estivesse curada. Não, curada não é a palavra, porque não há sinais de cicatriz. Foi como se eu estivesse completa!
- Me promete uma coisa?
- Claro, qualquer coisa!
- Promete que sempre vai confiar em mim?
- Eu confio em você.
- Não, não é nesse sentido. Eu quero dizer, , você confiaria sua vida a mim?
- Como assim?
- Eu teria o direito de escolher o seu futuro?
- Meu futuro é você! – respondi, o beijando.
- Isso é um sim? – ele perguntou sorrindo.
- Sim, desde que você esteja incluído nele.
- Eu vou estar, de uma forma que você jamais vai deixar de se lembrar de mim um momento sequer, eu vou estar sempre com você, da minha maneira.
Meus olhos se arregalaram, aquilo parecia uma despedida.
- Você vai embora? – perguntei rapidamente.
- Não – ele respirou fundo – eu não vou embora, não pensa isso, acho que eu estou dramático, não é?
- Não, eu que sou insegura mesmo.
Os dias foram se passando rapidamente, depois daquela conversa. O e eu estávamos super bem, ele se dedicava tanto a mim que em certos momentos eu me sentia culpada por ele não estar tendo outra vida.
Eu procurei Lucas para saber o que é que ele queria conversar comigo aquele dia, mas todas as vezes ele fugiu, até que me disse que não era nada, me enrolou e no fim das contas eu desisti, devia ser qualquer bobagem.
Hoje é dia 21 de novembro e eu estou indo em direção a nossa gruta, ele disse que tinha uma surpresa pra mim lá, e eu estou muito nervosa, ansiosa, ele anda tão misteriosos esses dias.
O táxi me deixou perto da lagoa, mas o restante do caminho eu tive que ir andando, é bom essa surpresa ser ótima porque eu estou cansada de andar.
Quando eu cheguei, vi o carro dele parado perto da trilha, mas a lagoa estava silenciosa. O tempo estava nublado e nem um único raio de sol era visível. Sorri comigo mesma e comecei a tirar minhas roupas, ficando de biquíni. Andei até a lagoa e hoje a água estava gelada, o que era estranho. Geralmente a lagoa era sempre quente.
Mergulhei e ao submergir na água pude ver o meu primo sentado na margem da gruta, com os pés dentro da água.
Sorri, nadando até ele que me esperava de braços abertos e entrou na água logo em seguida, me abraçando.
- Posso saber por que eu estou aqui, Sr. ?
- Porque eu tenho um presente! – Ele sussurrou no meu ouvido, me fazendo arrepiar.
Saímos da água de mãos dadas e ele me pediu para sentar e fechar os olhos. Quando tive permissão para abri-los, vi um cordão a minha frente.
- O que é isso? – perguntei tentando achar uma explicação para aquilo.
- Isso é um segno d’amore.
- Um o quê?
- Segno d’amore significa sinal de amor em italiano, eu mandei fazer especialmente pra você. Pedi para gravar a palavra “breathe”, significa “respire” em inglês.
O colar era um coração de ouro que se abria em duas partes. Em uma delas estava escrito “breathe” e na outra “temos a eternidade”.
Sinceramente não entendi muito bem o motivo do presente, mas achei lindo e me senti muito feliz.
Eu e fizemos amor várias e várias vezes aquele dia, antes de irmos para casa. Me lembro perfeitamente bem desse dia, 21 de novembro, o dia que ganhei o melhor presente da minha vida.
Coloquei o colar no meu pescoço e nunca mais o tirarei!
N/A: Eu sei que a ultima att a parte do capitulo que a Aninha escreveu não foi muito bem aceito, não se preocupem foi apenas uma vez. Agradeço a todas que continuam lendo a fic apesar de desagradadas no capitulo anterior. Vamos ao que interessa...1 - A fic está chegando ao seu final, por isso os capitulos ficaram um pouco maiores. 2 - Já está tudo pronto, eu queria uma opiniao sobre postar todos os capitulos juntos ou ir postando aos poucos deixando a fic durar mais ? Juro que fiquei na duvida, queria saber a opinião de voces! Estava com muita saudade de todas, 3- Viram que estamos de Beta nova? Seja muuuuito bem-vinda Mah! Mandem elogios pra ela meninas rsrsrs' Beijos.
N/B: Se encontrar algum erro nesta fanfic, por favor, avise-me, seja por e-mail ou twitter. Boa leitura!