
Escrita por Gabi Dalton
Betada por Lelen
01
(n/a: aconselho começar a ler escutando Sol ou Chuva - Forfun fica legal)
Numa bela tarde de domingo, se depara com um imenso mar. Sim, ela estava perdida. Olhava para baixo e via seu corpo totalmente molhado, seu vestido vermelho encharcado. Olhava então para os lados e encontrava seu bote salva-vidas. Conseguiu chegar a conclusão de que provavelmente ficou inconsciente no bote e veio parar nesta ilha. Quem pensaria que este estava sendo o dia mais feliz de sua vida? - Ou era para ter sido, pelo menos.
Quando, de repente, ela avista algo boiando na água. Seu coração gelou. O que poderia ser? Não, não era! Não, não...
Será que mais alguém sobreviveu? Será que ele sobreviveu? Por favor, por favor, diz que sim! Bom, não que eu tivesse alguma coisa com o , mas... É... Tipo, ele era muito perfeito! E imagina eu, perdidinha aqui nessa ilha - que parecia deserta - e o chegar nadando na minha direção? MEU DEUS DO CÉU, O QUE EU ESTOU FALANDO? Mas que podia ser ele, podia...
Tanto quanto podia muito bem ser um tubarão, um cardume, ou sei lá o quê. Nunca fui boa em biologia mesmo. Mas e se fosse a mala da Annabekleia? Eu ia fazer ela se afogar de volta. E, para mim, ela é a culpada do barco ter pegado fogo. Onde aquele ser estava, que deixou eu e totalmente desconfortáveis e sozinhos por quase horas na cabine superior? Estaríamos bem confortáveis se ela não existisse para começar, isso eu garanto. E quando ela me aparece de volta, já foi no meio de todo aquele fogaréu. Com certeza essa criatura estava estragando o melhor dia da minha vida!
E eu devia parar de ficar aqui enrolando, pensando nas mil possibilidades que aquela coisa pode ser e no meu ódio. Anda ! Para de medinho e vai lá ver que merda é essa.
Quando chegou na maré, saiu correndo em direção à água. Até de baixo d'água ela podia reconhecer aqueles cabelos curtos, lisos... AH! Aqueles cabelos de ! Ela tirou o garoto da água após muito esforço e o deitou na areia da praia. Não havia outra opção. Ela teria que fazer boca-a-boca para salvá-lo. Nossa, como aquilo seria difícil para ela... Tocar aquela pele branca e molhada, aqueles lábios que a deixavam sem ar...
estava com o nariz colado com o de ao sentir aquela respiração calma em seus lábios, e encontrou aqueles olhos lhe encarando. estava vivo! E disse:
- , você está bem?
02
Foi quando eu percebi que havia prendido minha respiração. Estava de boca aberta e podia sentir aquele hálito inigualável e estonteante em minha boca. Nunca, nem em todos os meus sonhos, essas sensações eram tão fortes.
Me obriguei a falar com :
- Oi! - Disse assim que se lembrou de respirar. - Eu estou bem, claro, ainda mais agora que você está aqui... Er, quero dizer, é só que eu pensei que tinha ficado aqui sozinha!
- Ah, não precisa mais se preocupar então. Eu estou aqui agora! - Respondeu ele sorrindo e continuou. - Mas você pode sair de cima de mim agora e me ajudar a ficar de pé?! - Só então percebeu que seus rostos ainda estavam tão próximos quanto antes. Contra sua própria vontade ela saiu de cima dele e os dois ficaram de pé, então perguntou. - É, você não encontrou mais ninguém? Cadê todo mundo? Onde está a Annabekleia? E o ? - Ok, ele tinha que quebrar o clima perguntando por ela! então respondeu:
- Eu não sei, não vi ninguém ainda, a não ser você. Onde será que nós estamos?
- Não sei, mas acho melhor irmos procurar o resto do pessoal.
De repente, começaram alguns gritos de mulher. Parecia que tinha alguém espancando ela, de tão alto que foram. falou:
- Nossa! Essa voz é da Annabekleia! Vamos seguir o som, ela deve estar em perigo. - Mas que MERDA. Aquela maldita tinha conseguido sair da água e vem fazer escândalo agora que eu estou sozinha com ele. Eu mereço. Os dois seguiram os gritos, e ao encontrar Annabekleia levaram um susto. Ela estava deitada no chão, bastante ferida. Não parecia haver chances de sobrevivência. - Annabekleia, o que aconteceu com você? - estava desesperado, e eu completamente assustada. - Annabe, meu... Meu amor, o que houve? Quem fez isso com você? - Precisava mesmo do "meu amor"?
Enfim, Annabekleia disse que havia sido atacada por nativos que estavam defendendo suas terras contra os "invasores" - no caso, eles -, pouco depois disso ela não agüentou e acabou morrendo.
Bom, está certo que eu não gostava dela, porque ela estava pegando o ... Mas quando a vi deitada e morta na areia, sangrando por causa de vários arranhões, é óbvio que eu tive pena dela. E admito que senti medo. Porque eu estava em um lugar desconhecido, com um bando de canibais ou sei lá o que, se eu tivesse o mesmo destino que ela?
Foi então que escutamos um barulho vindo de uns arbustos. Eu desesperei. E nunca fiquei tão feliz em dar de cara com o em toda a minha vida!
- , o que aconteceu por aqui? - Perguntou - Você está bem? Cara, pensei que você tivesse morrido!
- Não morri ainda. Porque foi por pouco. Eles pegaram nós dois e eu fugi, mas Annabekleia não conseguiu fazer o mesmo.
- Bom meninos, me desculpem, mas o corpo dela não vai poder ficar aqui, vamos ter que enterrá-la. E , você encontrou mais alguém que estava no barco?
- Não. Eu e Annabekleia estávamos no porão...
- Onde? - Perguntou .
- É... No... Porão.
- Fazendo o quê?
- Ah , você me desculpe, mas o que você acha? Será que só você não via que ela gostava mesmo era do e que só ficava com você por conta de ser o " da banda da escola que assinou com a gravadora"? Era só isso que ela sabia falar sobre você para todo mundo.
03
foi obrigado a se calar. Ele devia sentir raiva de , devia partir para cima do amigo, mas não, ele não tinha vontade de fazer nada disso. Era como se a ficha finalmente tivesse caído, como se a última peça do quebra-cabeça que ele nunca conseguiu entender finalmente fosse encontrada. Neste momento, entendeu porque lhe pareceu tão estranho chamar Annabe de seu amor.
Enquanto se acalmava, e jogaram o corpo na margem do mar, perto da ponta da praia. Ao voltarem, o pôr-do-sol já começava, e percebia o olhar de em seu corpo. O vestido vermelho da Victoria's Land, que deixava grande parte de suas pernas à mostra, roubava completamente a atenção dos olhos de . Tudo bem que os olhos de eram tremendamente sedutores, mas e o...
afastava uma mecha de cabelo do rosto da garota e resolvia se afastar, já que ele não era cego e via os olhos de virarem para a frente. Era nítido que ela queria voltar para .
Quando voltaram ao meio da praia, estava sentado em um tronco de árvore e encarava o pôr-do-sol. Mas seus olhos se alertaram ao ver aquelas duas mãos entrelaçadas. Porque ele sentia raiva vendo este simples toque de em ? O vento lhe trouxe a resposta. Ao ver os cabelos da garota se esvoaçarem e grudarem nos lábios avermelhados. Ele havia notado aquelas pernas, claro. Mas ao encontrar aqueles olhos encarando os seus, com a luz do sol ao fundo, uma rápida tonteira o invadiu. Fez com que ele mordesse o lábio e se levantasse.
A única mão que deveria tocar aquela pele era a dele. gritou:
- , solte a mão da agora mesmo! Você já me fez perder alguém muito especial quando se escondeu atrás daquela moita em vez de ajudar Annabekleia, seu covarde. Mas nem a morte dela me causou tanta dor como agora... Eu acabo de perceber que, apesar de gostar muito da Anna, quem eu amo de verdade é você ! Eu não vou errar como fiz da outra vez, não vou deixar que você roube a melhor parte de mim, não mesmo, !
Apesar de não ter acontecido nada entre ela e , , nesse momento, se sentiu culpada e soltou a mão dele. E numa fração de segundos as palavras de foram de encontro à ela, que foi compreendendo tudo e ainda achava que tudo parecia uma mentira... Mas não, ela não tinha entendido errado, a amava! Nesse momento uma onda de alegria a alcançou.
então começou a se aproximar de , sentindo o coração bater mais forte a cada passo. Mas segurou a garota pelo braço e falou para :
- Não! Você não vai fazer isso comigo, não de novo! Primeiro foi Annabekleia. Eu sempre gostei dela e você a tomou de mim, agora a . Eu não vou deixar.
E ao terminar de falar, foi em direção à . De punhos fechados.
assistia à cena paralisada e surpresa até ouvir batuques e gritos indígenas em uma língua desconhecida. Os nativos estavam se aproximando!
Agora parava para pensar em tudo o que estava acontecendo até aquele momento.
Primeiro: Na festa de seu décimo oitavo aniversário ela estava em um barco com seus amigos que pegou fogo.
Segundo: Ela não sabe se o restante dos amigos sobreviveu.
Terceiro: Ela, pelo menos encontra , e Annabekleia - que morreu graças ao ataque dos nativos, enquanto não faz nada, por medo.
Quarto: Eles estavam sem abrigo, sem comida, já estava anoitecendo e, para piorar, os canibais estão vindo. E aqueles dois lunáticos - um em particular, pelo qual ela era perdidamente apaixonada - estavam brigando por causa de uma bobagem enquanto eles poderiam terminar igual Annabekleia. E por pensar nela, não que ela fosse a melhor, nem a pior pessoa do mundo, mesmo tendo azucrinado muito a vida de , mas pô, ela MORREU. Tipo, acabou! Como ficariam os pais dela?
E a Brenda? O que será que aconteceu com ela? Minha melhor amiga. O que será que aconteceu com ela?
E aqueles dois idiotas lá brigando. Novamente, eu repito. Eu mereço.
- Aqui, vocês dois... Parem já com essa briga ridícula, agora não vai mais adiantar nada, não sei se vocês perceberam, mas esses nativos estão se aproximando e se nós não fugirmos agora, estamos perdidos!
Assim se sentiu um pouco mais aliviada porque ainda tinham tempo para se esconder, e agora os meninos já tinham parado de brigar, felizmente, nenhum dos dois se machucou muito, mesmo quase merecendo apanhar um pouquinho...
Enquanto estavam escondidos atrás do arbusto - no meio dos meninos - avistaram os nativos. Eles estavam se reunindo em volta de uma fogueira, parecia que iam fazer um ritual... E então quase deu um berro - se não fosse tampar sua boca - ao ver aquelas quatro pessoas deitadas em tábuas no meio dos indígenas. Eram três garotos e uma garota. Garotos de pele branca e uma garota ruiva. Eram , , e Brenda!
04
Os índios estavam pintando os corpos dos quatro amigos, e todos pareciam desacordados. Foi quando todos os nativos subitamente paralisaram. Brenda havia acordado enquanto seu rosto era pintado. Ela se sentou e olhou assustada para o grupo à sua volta, e o chefe deles gritou, acordando também , e , que se sentaram igualmente assustados:
- Umba lumba ueba, rachinum Kzarum! Azum carumba shiruá!
sussurrou: "Parem com isso, encontramos Kzarum! Rainha dos olhos azuis!". e olharam perplexos para o garoto que se explicou rapidamente:
- Ah, noite de frio, à toa em casa, sozinho, com pizza e muito Discovery Channel legendado no sangue. Fiquei ouvindo o dialeto por horas, e como é engraçadão, acabei gravando, hehe. Sem comentar que foi para o nosso trabalho de história sobre os índios ainda existentes perto de Manhattan, como eu que tive que digitar ele, acabei gravando mais as coisas... E acabei de lembrar o que significa isso tudo! Os índios acham que encontraram Kzarum, a deusa dos dois poderes, cabelos de fogo e olhos de água! Quando ela abriu os olhos eles se curvaram diante dela por isso!
Confesso que fiquei chocada. Primeiro pelo fato de ter esse incrível, estranho e salvador ataque de inteligência. Segundo por que eu sempre achei os olhos da Brenda LINDOS, mas quem imaginaria que eles seriam objeto de adoração e salvariam nossas vidas!
Brenda levantou, ainda meio tonta pela batida que levou na cabeça e por encontrar um bando de índios que ela não sabia de onde tinham saído, ajoelhados à sua volta, num lugar desconhecido. Foi aí que ela caiu em si e lembrou-se do acidente, olhando para o lado desesperadamente buscando seus outros amigos. Se não fosse pelo momento, ela cairia na gargalhada, pela felicidade que sentiu aos encontrar aqueles três pares de olhos voltados para si, e pela hilária cara de confusão dos três amigos. Até que o desespero finalmente a tomou. ONDE ESTAVAM SUA MELHOR AMIGA E OS OUTROS? Será que aqueles malditos indígenas já haviam acabado com todos?
Brenda começou então a chorar e gritar pela amiga, repetindo várias vezes:
- !
Os outros, escondidos atrás da moita, estavam chocados com todo o ocorrido, e estava desesperada com o sofrimento dos amigos rendidos, que não entendiam nada do que estava acontecendo:
- Nós precisamos fazer alguma coisa, não podemos deixar eles lá nessa mesma situação!
- Já sei! É meio arriscado, mas nós podemos entrar lá e eu conversaria com os nativos, em nome de sua "rainha"! - aproveitava que seu momento de inteligência estava ativado. e concordaram, então eles entraram no meio do círculo do ritual e, assim que Brenda mostrou conhecê-los, os indígenas abaixaram suas armas. Todos se abraçaram, , e totalmente aliviados.
então traduziu aos índios que eles deviam entrar na mata à procura de um inimigo que os ameaçava - que lógico, não existia - e indicou a direção oposta da ilha, fazendo com que eles fossem embora, provavelmente para seu local de moradia, deixando os sete amigos sozinhos. Em meio a tantos acontecimentos, depois de contar tudo o que passaram, a morte de Annabekleia e etc., o silêncio pairou sobre eles, todos parecendo se recuperar, até que um barulho estrondoso iniciou o assunto:
- Isso foi o seu estômago? - Perguntou à . - Acho que esse negócio de ficar traduzindo línguas indígenas te deixou com mais fome!
- Ok, mas o que vamos comer? Ou melhor, como vamos fazer para comer alguma coisa? - Perguntou Brenda.
- É verdade. - Concordou .
- Hum, eu e Annabe escondemos um baú que sobrou do barco, com comida enlatada, que a gente achou na areia com os destroços. Vamos lá pegar comigo? - Disse .
- Podemos pegar folhas, bambus e cipós para fazermos nossa cabana. , você vem comigo, a Brenda vai com o . , e vocês vão pelo lado contrário da praia e depois a gente se encontra no meio, lá nos troncos... Beleza?
- Vamos então. - Afirmou .
gostou da idéia. Qualquer momento a sós com deixava-a nervosa. e Brenda foram mais em direção ao laguinho dentro da mata. Os outros meninos foram na direção contrária, enquanto e foram para a beira da praia.
05
- , posso te perguntar uma coisa?
- Sim... Claro.
- Por que você ficou aquele tempo todo com a Annabekleia sabendo que ela não gostava realmente de você?
- Bom, eu pretendia nunca ter de explicar isso para alguém, mas eu não quero mentir para você.
- Isso é... Bom. - E eu dava meus costumeiros risos ridículos e sem-graças. - Então, er, pode começar...
- Eu queria fazer ciúmes em você, sempre foi por isso, eu também à levei para a festa do seu aniversário para te fazer ciúmes. - se aproxima e segura as mãos de . - Será que você pode me perdoar? Eu sempre fiz tudo por conta de você. Já que você não sai da minha cabeça e eu não suportava a idéia de te ver com outros garotos. - Disse , atropelando as palavras.
sentiu seu rosto corar, mal podia acreditar no que estava falando!
Lentamente os dois começaram a se aproximar um do outro. Mal eles roçaram os lábios, escutaram gritos. Meu Deus, será que são os nativos? Os dois se afastaram e ficaram paralisados por um tempo, depois perceberam que eram e chamando por eles:
- , olha só o que encontramos! - Disse .
- Isso é... PERFEITO! - Disse maravilhada.
06
Uma casa de praia enorme estava na frente dos garotos. Dois andares, portas de vidro... Uma CASA! BRANCA, LINDA, MARAVILHOSA! Estava do outro lado da pedra, onde eles ainda não haviam visitado. Onde o mar era mais calmo... E era sinônimo de que era uma praia particular. Alguém iria aparecer ali e salvá-los.
foi chamar e Brenda, que vieram com o baú, e todos entraram na casa.
Perfeitamente mobiliada. Era incrível eles terem uma sorte daquelas. Para quem estava se preparando para dormir embaixo de folhas de bananeira, encontrar uma casa assim deixa qualquer um de boca aberta. E de bônus ela estava destrancada, mas também, não havia perigo de roubo nenhum ali.
Uma sala grande e mobiliada bem casualmente, sofás brancos, portas-retrato sempre de um casal de adultos, ricos obviamente, por aquela casa, um homem muito bonito, de olhos verdes, e uma mulher morena de olhos azuis. Uma cozinha que encantou , o cozinheiro da turma, totalmente equipada com mais alimentos, fogão de lenha... Passaram pela belíssima sala de jantar e subiram para o segundo andar.
Haviam quatro quartos, para alívio deles, todos com camas de casal king size. Sim, eu realmente disse king size. Como éramos sete pessoas, alguém poderia dormir sozinho, e como presente de aniversário, eu ganhei essa regalia. Brenda ficou meio sem-jeito de ter que dormir com um dos meninos, então eles se dividiram por sorteio. Ela acabou ganhando como parceiro, e em um quarto, e em outro.
Como já estava bem tarde, após a janta preparada por , todos tomaram seus banhos e se deitaram. O dia tinha sido longo demais, e o seguinte provavelmente também não seria fácil.
Minha noite não estava tão boa. Com tudo o que tínhamos passado durante o dia, eu esperava ter alguns pesadelos mesmo. Levantei-me, desci e tomei um copo de água na cozinha. Nós, felizmente, achamos vários galões de água na dispensa, daria para uns cinco dias, e sairemos daqui antes disso. A casa também tinha um gerador próprio de energia, dava para agüentar até lá.
Depois de se acalmar, subiu e antes de entrar em seu quarto, olhou pelas frestas dos outros. Para se distrair. Viu abraçado como uma criança em um travesseiro e Brenda na outra ponta da cama. e estavam quase dormindo de conchinha. foi rindo baixinho até a próxima fresta. quase caía da cama e dormia numa paz que prendeu seus olhos. Os cabelos perfeitamente bagunçados daquele jeito que ela idolatrava. Até dormindo, meu Deus! Parecia que ela observava um anjo. E era mesmo. Era o seu anjo.
suspirou e foi para seu quarto. O resto de sua noite foi boa. Ela, mais uma vez, sonhou com aquela mesma pessoa em especial. Mais uma vez ela sonhou com o anjo que dormia no quarto vizinho.
07
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Na mesa de café no dia seguinte, todos haviam reparado o sorriso incandescente de . intrigada perguntou:
- O que aconteceu ? Você está tão feliz.
- Ah, vocês não vão acreditar! Eu abri o armário lá do nosso quarto hoje e achei um violão!
- Nossa, acho que vou morar por aqui mesmo. - Brincou .
- Por falar nisso, gente o Guim deve estar pirado atrás da gente, não é? Cara, a gente tem que voltar logo, daqui a uma semana é a gravação do CD! - Disse . Guim era o produtor da banda dos meninos.
- É verdade, mas a gente vai conseguir sair daqui logo. - Disse .
O dia passou como uma vaga tentativa de todos andando pela praia pensando e procurando alguma forma de voltar para casa. , ao encontrar sozinho depois de falar com os amigos, resolve ir até ele. Eles precisavam conversar. Depois de tudo aquilo que ele disse a respeito dela, nunca mais tocou no assunto. Não é possível que fosse tudo mentira. Por que ele não fez mais nada? Aquelas palavras não saiam da cabeça dela "sempre fiz tudo por conta de você", "já que você não sai da minha cabeça". Se isso era verdade, o que aconteceu depois? Ele teve amnésia?
('s POV)
Lá vem ela com aquela carinha de brava que eu bem conheço. O que será que eu fiz?
- , a gente precisa conversar seriamente.
- ‘Tá bom . Sobre o que? - Sorri para ela.
- Er... Er... Sobre o que quis dizer todas aquelas coisas que você falou naquela confusão estranha com o e também sobre sentir ciúmes de mim. Afinal de contas, você me despeja toda aquela declaração e depois não fala mais nada? O que aconteceu? Era tudo mentira?
Merda. Um grande merda que eu sou. Nem eu sabia o que responder para ela. Nem eu sabia o que estava acontecendo comigo. E era parcialmente culpa dela, porque perto dela eu nunca fazia as coisas conscientemente. O problema todo, na verdade, começou depois do nosso quase-beijo aquele dia. Foram tantos choques que correram pelo meu corpo, e minha boca latejou tanto pela dela que eu acho que desencadeou alguma trava na minha língua. Eu tinha toda a resposta para clarear a cabeça dela naquele momento, mas as palavras não saíam, eu ficava nervoso e nada saía.
- Hum... Sei... Er, é verdade. É só que... Que... - E travei. Mais uma vez. – Ah, , foi mal, mas o está me chamando ali, depois a gente conversa, ‘tá? - E beijei sua testa.
Salvo pelo . Saí sem olhar para trás. Tinha medo da confusão que encontraria nos olhos dela. Será que eu teria que me parabenizar por perder ela? Só porque eu não conseguia dizer o que sentia por ela normalmente? Mas eu sempre recorria a esse problema de formular frases e dizê-las de outra forma: cantando. As frases só saiam na minha boca, quando isso acontecia, cantadas. Era isso! Eu só precisava fazer uma música para ela!
('s POV Off)
Estou chocada. Não acredito que ele fez aquilo comigo. Teria sido melhor se ele tivesse jogado na minha cara logo que tudo não passava de uma pegadinha do malandro. Mas não, não foi capaz de me dizer nada. Ele fugiu de mim. FU-GIU. Agora minha dúvida ficou pior. A confusão na minha cabeça está deprimente. Ele me faria gastar meu tempo trabalhando meus neurônios mais ainda em tentar entendê-lo. Mas ele foi salvo pelo dessa vez, eu colocaria ele na parede de novo.
08
Durante o resto da noite não ficou sozinho. Eu deixaria para falar com ele amanhã então. Decidi tomar um banho e tentar relaxar meu corpo que estava completamente tenso.
('s POV)
Acordei subitamente com uma parte da música que apareceu na minha cabeça. Levantei e fui anotá-la. Quando me sentei na cama de novo, prestei atenção no barulho que vinha do corredor. Era o barulho de um chuveiro. Mas todo mundo já estava dormindo... Me levantei e vi que a porta do banheiro estava um pouco aberta. Estranho... Dei um toquinho, ninguém respondeu, abri ela um pouco mais e me fodi. Era ela. Era ela. Era ela.
O vidro estava bem embaçado, mas estava de lado enquanto deixava a água cair por seu rosto. A água em contato com sua pele, a água em contato com sua boca. Ah, aquela boca. A boca de definitivamente era minha droga. Agora mais do que nunca eu queria ela. Eu necessitava dela.
Obriguei meus pés a não se enraizarem ali e saí de lá. Todo o momento não chegou nem há trinta segundos. Se com esse tempo eu fui para o meu quarto de pernas bambas e ofegante... Como eu conseguiria falar com ela agora? Se aquela boca se mexesse a poucos centímetros da minha, eu, com certeza, avançaria nela. Eu tinha que me afastar dela. Se eu fizesse isso era capaz dela ficar com ódio de mim, ou achar que eu era louco. Não conseguiria suportar. Pelo menos até a música ficar pronta.
('s POV Off)
09
Hoje resolvemos relaxar. Um dia de diversão pelo menos, que foi o propósito da viagem e nós não realizamos até agora. A nossa saída era esperar os donos da casa aparecerem mesmo, ou mais alguém. Não adiantava ficarmos o dia inteiro pensando e pensando sendo que não iríamos chegar a lugar nenhum. Nos distraindo, pelo menos, o tempo passava mais rápido.
A Brenda teve a idéia óbvia de irmos nadar. Era só o que tínhamos para fazer. Partiu todo mundo ir colocar seus biquínis e bermudas. Aposto que o ficou todo decepcionado quando aquela ruiva que estava deixando ele todo bobo veio trocar de roupa no meu quarto. Mas eu sabia que a Brenda também estava caidinha por ele. Também, vamos combinar, o é bem abençoado.
- Você está gostando de provocar o , não é? - Perguntei com um sorriso malicioso para Brenda. Eu sabia que aqueles pijamas curtinhos, aquelas camisolas nada comportadas não estavam saindo da mala de Brenda para que o cobertor admirasse.
- Você é fogo, ! O pior é que tu sempre acertas! Estou gostando mesmo, ainda mais a cara de sofrimento que ele faz quando coloco um muro de travesseiros no meio da cama... Eu não sou idiota. Quanto mais vontade ele passar, melhor para mim depois.
Aquilo fez um estalo na minha cabeça. "Quanto mais vontade ele passar, melhor pra mim depois". Era realmente uma coisa óbvia. Provocação. Como eu não tinha pensado naquilo antes?
Por incrível que pareça, nós terminamos de nos aprontar antes dos garotos. Muitas vezes a regra de que mulher demora mais que homem pra se arrumar é violada, viu? No nosso caso, por exemplo, era porque os meninos eram umas crianças. A gente escutava barulho de travesseiro voando no quarto, um zoando do outro... E como o sol estava perfeito, agilizamos mais que o normal, realmente para descer antes e ir para a beira do mar. Deixamos para passar o protetor lá embaixo. É mais por isso que as mulheres demoram. Homem é que dá uma de machão e fica gemendo de dor depois, todo queimado. E eu confesso que a idéia foi minha. Parte um do plano.
Mas eu acabei percebendo que o meu feitiço poderia voltar-se contra mim antes mesmo de ser lançado. Quando eu vi os cinco meninos descendo pela praia até nós. brincando com , e empurrando que vinha andando quase lesado, olhando Brenda passar seu protetor nos braços. A minha tentação veio por último. Naquela bermuda negra, que deixava à mostra o elástico roxo de sua boxer. E quando eu tentei olhar para cima, piorou minha situação. Porque ele não veio de blusa? Aquele corpo definido, do jeito que eu gostava. Aquele cabelo desarrumado e ao vento. Do jeito que me fazia perder a sanidade. Aquele olhar no meu. Foco , foco! É para VOCÊ provocar ele. E não o contrário!
('s POV)
Como aqueles moleques podiam ser tão idiotas, hein? Mas que eu estava me divertindo muito, estava! Como a gente zuou do quando percebemos que as meninas já tinham descido!
- Sério cara, não estou mais agüentando aquele muro de travesseiros que a Brenda fica colocando na cama!
- Por quê? Está com ciúme? Você quer abraçar todos eles? - Zuou .
- Vai te ferrar. Eu quero ultrapassar a fronteira é para agarrar a Brenda! - O que eu ri dele falando isso é sacanagem.
- Nossa, ela está te destruindo mesmo, hein? Tu estás falando tão desesperado! - Disse rindo.
- Você nem imagina, cara! Vocês estão rindo porque não tem que resistir à camisola preta, não é? Dormem um com os outros! E de renda! Ela pega pesado. - Disse , fazendo um bico emburrado.
Descemos então para a praia, onde estavam as garotas. Brenda passava protetor nos braços e, por um momento, abaixou os óculos para olhar para , que recebeu um coro de zoações. Eu, que vinha atrás, procurei em seguida por . E daí para frente entrei em uma batalha estranha. Porque eu queria perder.
Ela me olhava de um jeito que acabaria com o equilíbrio de qualquer homem na face da Terra. Seus olhos estavam em chamas, enquanto percorriam todo o meu corpo. Aquilo me hipnotizou. Eu andava olhando fixamente para ela. Até que ela chegou ao meu olhar. E rapidamente desviou para o livro que lia. Fiquei confuso, mas continuei meu caminho. Sentamos nas cadeiras na praia, tirando e que já se afogavam na água. e conversavam animados, até que Brenda nos chamou para irmos mergulhar. foi antes que pudesse terminar o convite, e quando eu e nos levantamos, ouvi:
- Espera. (n/a: dê play na música)
Quando olhei para o lado, já estava andando, e, ao olhar para trás, encontrei em pé, me encarando. Biquíni roxo. Hum, combina com as minhas boxers. Êpa. Percebi que estava secando demais seu corpo quando lhe vi me chamando:
- Hey! ! Você pode passar o protetor nas minhas costas ou não?
- Aham. - Respondi mais rápido do que devia.
Até que eu consegui me controlar bem. Foi mais difícil quando ela puxou os cabelos, deixando a nuca à mostra, mas, ao todo, levei aquilo mais facilmente do que imaginei. Quando fui lhe entregar o protetor, é que fui surpreendido:
- E você ? Não vai passar? - Perguntou-me com cara de inocente.
- Não, não precisa não.
- É claro que precisa.
E quando dei por mim, já me arrepiei com o creme gelado em meu peito. fechou o pote e começou a espalhar o creme. Só no contato imediato de suas mãos e minha pele, eu já senti espasmos. Ela conseguia piorar tudo. Subiu para os meus ombros, descendo pelos braços e alisando-os. Fez o caminho de volta, cravando as unhas em minhas costas. Primeiro momento que vi o descontrole próximo. Voltou para o meu peito e mordeu o lábio. Segundo momento. Desceu as mãos para minha barriga e um leve arranhão de bônus. Mais que aquele eu ia explodir. O descontrole estava à beira de me dominar. Segurei em seus punhos, assustando-a e vendo-a levantar os olhos para mim. Novamente profundamente intensos. Já é demais.
- Está bom, . Brigada, vou... Vou... Mergulhar, agora, viu?
- Ok.
Eu queria ir para longe, ficar sozinho, terminar logo aquela bendita música, mas sentia aqueles olhos queimarem minhas costas e fui obrigado a cumprir com as minhas palavras e me juntar ao resto do pessoal no mar. Depois de um tempo eu já estava me divertindo junto com todos que a cada momento resolviam afogar alguém. E consegui me controlar, que era o objetivo de eu apelar para a água.
havia saído para começar a fazer o almoço, e Brenda saiu da água, voltando para as cadeiras onde permanecia. e chamaram-na dezenas de vezes para vir, pelo menos, experimentar a água, mas ela continuava lá, impassível, junto de seu livro e no refúgio de seus óculos . Achei aquilo um pouco estranho, já que desde que eu conheço a , ela é uma das que mais se diverte em festas na piscina e idas à praia.
- Vamos dar uma volta pelo resto da praia então ? - me chamou.
- Essas meninas estão muito frescas, vamos caminhar!
- Caminhar ? Que expressãozinha mais gay!
- Vai te catar, !
- Ih gente, vamos logo! - Eu disse, rindo.
Acabamos demorando um pouco mais que o esperado, e quando voltamos, só encontramos a ainda na praia.
- O acabou de vir aqui nos chamar para o almoço. A Brenda estava morrendo de fome e já foi, vocês podem ir também.
- E você? Não está com fome ? - Eu lhe perguntei.
- Não, ainda não.
- Então, vamos? - já foi indo em direção à casa.
- O vai ter que mergulhar antes! Quem mandou apanhar da gente! - Disse rindo.
- Merda! É verdade! - Olhei para meu corpo todo sujo de areia e não sei se foi minha imaginação, mas vi um sorrisinho surgir no canto da boca de .
Fui andando novamente para o mar, enquanto todos já entravam na casa. Fui nadando devagar até onde a água batia em meu peito. Mergulhei mais algumas vezes, o mar ali era realmente muito calmo, como uma banheira, e dificultava a vontade de sair da água. Lavei meu rosto pela última vez, até que senti uma respiração quente bater contra as minhas costas molhadas. Eu devia ter previsto.
alisava meu peito e barriga e eu não conseguia controlar meu corpo, que respondia ao seu contato sem freá-la. Ela subiu os lábios para meu pescoço e eu levei minhas mãos às suas pernas, apertando-as quando ela aumentava os beijos quentes que dava em meu pescoço. Para terminar, ela sussurrou em meu ouvido com uma voz rouca e terrivelmente sexy "Come closer" e mordeu o lóbulo de minha orelha. Em um movimento rápido eu a virei, encarei seus lábios vermelhos e finalmente cedi à vontade que vinha me consumindo há tanto tempo. Um beijo repleto de ansiedade, voracidade, desejo e quando ela cedeu à passagem da minha língua, todo meu desejo aumentou triplamente, apertando sua cintura contra meu corpo. Ela parecia estar em êxtase também, e após um tempo, ofegante pela intensidade do beijo, ela dirigiu os lábios novamente à minha orelha e disse:
- Eu não ligo se você não me ama de verdade, mas eu quero acreditar nisso. Mesmo que tenha sido tudo mentira, me deixe te controlar pelo menos hoje.
Então aquelas palavras caíram como uma bomba em minha cabeça. Como eu deixei chegar a esse ponto? Se eu sei que não teria coragem de explicá-la agora, porque não resisti antes? Aquilo era exatamente o meu pesadelo se tornando realidade. Ela não acreditava em tudo o que eu lhe havia dito milagrosamente sob pressão do ciúme. Na verdade, ela acreditou, mas perdeu as esperanças. Queria se entregar a mim pensando que eu só a queria por atração física. Soltei sua cintura e comecei mais uma tentativa:
- Não . Não é isso... Eu...
- Eu sei... - Ela me interrompeu. - Você amava a Annabe...
- Não ! Não é isso! Eu nunca senti isso por ela... Você está confundindo tudo!
- O que é então, ?! Pelo amor de Deus, me diz!
Com todo aquele nervosismo, a situação piorara. Minha cabeça estava completamente confusa. Estava tudo pior ainda. Ela acreditava que eu realmente amava Annabekleia. Que só a queria por diversão. Mas não. Ela tinha que saber que meu coração era dela. E eu mal conseguia falar naquele momento. E, com o meu silêncio momentâneo, ela bufou e saiu de volta para a beira da praia. Corri atrás dela. Eu tinha que fazer alguma coisa. Pelo menos tentar! Peguei seu braço e lhe virei de volta para mim quando ela estava chegando perto das cadeiras.
- Está pior. Eu não sei como te explicar assim, eu... Você não entende... Eu...
- Chega. Você é pior do que eu imaginava. Se você mentiu para mim , ASSUME! Eu te dei uma chance de não precisar mais que a gente tenha que sustentar essa mentira só para você me ter. Eu aceitei você não me amar e mesmo assim me entregar a você, porque EU TE AMO. EU TE QUERO. Mas você é tão babaca, idiota, corno, escroto, viado que acha divertido ficar brincando comigo! Tu tens noção quantas noites, quantas horas, eu passo tentando te entender? E você parece estar só se divertindo com isso. Com essa palhaçada de não fingir direito. Porque toda essa dúvida dói mais do que a mentira. Era minha última esperança de você assumir logo para mim que não há sentimento da sua parte. Cansei. Eu te odeio. Foi minha última tentativa. Desisto de você.
Ela soltou-se do meu braço e saiu correndo em direção à casa. Eu estava completamente estático e petrificado ali. O ódio que eu sentia de mim mesmo era mais forte que tudo. O que eu havia feito? Eu estava machucando ela também? E só agora, sozinho ali, e com os olhos vermelhos e ardentes eu consegui dizer:
- Eu não vou desistir de você.
('s POV Off)
10
Entrei na casa e subi correndo para o meu quarto. Eu precisava chorar. Agora que aquele maldito mistério havia se resolvido, agora que a verdade sufocante veio à tona, eu me permitiria chorar por quanto tempo quisesse. O meu coração sempre foi do , apesar de ele nunca ter tido a vontade de tê-lo. Até que se declarou totalmente para mim e era tudo uma mentira ridícula e cruel. Tudo foi parte de um jogo imbecil e que eu não enxergava o propósito, produzido e executado por ele. Mas felizmente eu não deixei nada chegar à um ponto sem volta. Se a dor agora é lancinante, eu deveria ficar feliz e aliviada por não ser pior. Porém, agora eu só desejo chorar. Agradeço mentalmente aos donos dessa casa por terem uma cama tão boa quanto esta. E um travesseiro que me lembre tanto o meu, fazendo com que eu possa chorar e me sentir mais confortável. Estou com saudades da minha casa. Quero meus pais, minha irmã chata. Acho que esse amor maldito que eu sentia por aquele babaca andava enganando minhas saudades. Agora que eu não tenho mais ele...
As lágrimas corriam pelo meu rosto sem interrupção. Eu tentava chorar o mais baixo que pudesse, mas eu já estava em um estágio em que engasgava e soluçava. Por que, meu Deus, o precisava fazer aquilo comigo? Era tão difícil só me dar logo um fora?
Eu pretendia nunca mais ter que sair daquele quarto, mas esqueci que não estava sozinha naquela casa. Ouvi batidas na porta.
- ? Você não vai comer não? O quer arrumar a cozinha. - Brenda me perguntou.
Me virei para olhá-la e meu estado devia estar deplorável. Brenda arregalou os olhos e veio correndo se ajoelhar perto da cama.
- , o que está acontecendo? Pelo amor de Deus! - Eu só consegui me levantar e abraçá-la. Eu precisava disso. E foi aí que chorei mais ainda. Brenda alisava meus cabelos e me perguntou mais calma. - Amiga, tenta falar comigo, eu quero te ajudar.
Em meio à soluços, eu contei toda a história para Brenda. Desde a declaração. Agora eu percebia o quanto me deixava cega. Até àquela hora eu não havia contado nada para minha melhor amiga! Ela ficou brava ao perceber isso também! Mas, no momento, só quis me consolar.
- , você não pode ficar assim, acabada. O foi um babaca sim, mas agora você tem é que dar um jeito de esquecê-lo e ignorá-lo, ainda bem que tudo isso acabou cedo. Ainda bem que você é tão apaixonada por ele que colocou ele contra a parede! - eu gemi enquanto ela dizia isso. – Desculpa! Desculpa! Vamos mudar de assunto? Quer que eu traga seu prato aqui para cima? - eu confirmei com a cabeça. – Ok, já volto.
Naquela noite eu não saí mais de meu quarto. E antes de dormir, relembrei o que eu havia decidido fazer. Depois de me olhar no espelho, com os olhos muito inchados e vermelhos, depois de sentir a dor que aquele buraco no meu peito causava, eu só tinha uma coisa a fazer. Afastar-me do que me machucava. E o primeiro passo a seguir, na minha doutrina anti-, era ordenar ao meu cérebro: nada de sonhos.
(’s POV)
Acordei de repente, com um de olhos arregalados, agachado e me encarando. Percebi então que já havia anoitecido e eu acabei dormindo na praia, ao lado da casa. Pelo frio que já estava e eu não ter acordado ainda, só os empurrões de meu amigo mesmo para me despertarem.
- Cara, o que você está fazendo aqui fora até agora? E sozinho? Como não achei você em lugar nenhum da casa, vim tentar aqui.
- Acabei dormindo sem querer, . Eu pretendia voltar para casa quando começasse a escurecer...
- E o que você estava fazendo aqui? Eu nem te vi almoçando hoje.
Eu pretendia não revelar aquilo, porém se eu dei a mancada de deixar desconfiado, agora teria de arcar com as consequências e contá-lo, pois quando ele ficava assim, poderia repetir “O que você estava fazendo aqui?” até o dia seguinte.
- Estava fazendo música. - E apontei para o violão ao meu lado, com um caderno e caneta em cima.
- Sério, cara? Poxa, que legal! Quero ver! - E antes que eu pudesse tentar mais uma desculpa, ele tomou o caderno em mãos rapidamente. Deitei novamente na areia e fechei os olhos, esperando sua reação. Até que seria bom uma opinião antes de tudo. – É, , a cada dia você me surpreende mais! Como você conseguiu escrever uma letra tão foda?!
- . - Era uma pergunta fácil, essa resposta eu tinha na ponta da língua.
- Olha , na boa, você sabe que eu sou um cara que nunca sentiu amor de verdade. Sou mais intenso, de momento. A é gostosa pra caramba, e aquele dia da nossa briga, bom, eu não resisti ao vestido vermelho e inventei toda aquela palhaçada. Mas, pelo que eu estou percebendo, você realmente gosta dela! Por que ainda não estão juntos? Ela sempre gostou de você e só você não percebia, então não é caso de amor não-correspondido.
- É que eu sou um completo idiota, cara, é só por isso. - E tendo meu velho e bom amigo de volta ali, pronto para me ajudar, eu resolvi finalmente desabafar e pedir ajuda a alguém. se sentou e escutou tudo o que se passou desde a nossa briga.
- Sabia. Você sempre foi meio boiola, né ? - E começou a rir. Incrível como ele parecia nunca falar sério. Eu ri também.
- Pelo menos está chegando a hora de falar com ela. Você acha que ela vai gostar da música?
- Disso, meu amigo, não tenho nem sombra de dúvidas. E acabei de ter uma ideia aqui para esse dia glorioso! Mas a gente tem que contar para os moleques e combinar com eles.
- Beleza. O que é?
- Ah, surprise! Mas me diz: você terminou a melodia e tal, a música está prontinha?
- Aham, fiquei tempo demais aqui depois que a foi embora. Eu só queria chorar, mas me obriguei a pegar o violão e terminar a música. Depois daquilo tudo, foi mais fácil do que eu pensei.
- Então podemos entrar, né? Se você ficar doente por causa desse frio aqui, vai estragar o dia glorioso! - Ele parecia ter dado um apelido ao dia em que eu fosse cantar para a .
- Ok cara, vamos.
Entrei na casa, comi o que achei na cozinha, e fui dormir, assim como . Apesar de toda a sua ansiedade e a minha também, todos já estavam dormindo. O jeito era esperar mais um pouco, porém o sofrimento estava perto de seu fim, assim eu acreditava pelo menos.
(’s POV Off)
11
Se eu pudesse, não acordaria mais. Como eu queria acreditar que todo o dia de ontem não passou de um pesadelo. Porém os gritos e risadas do , no quarto vizinho, me lembravam que não. Eu poderia até não sair do quarto, porém eu preferia muito mais o banheiro enorme do corredor do que os das suítes. Então, lá vamos nós.
(’s POV)
Eu tinha vontade de matar o naquela hora. Olhei para o lado, para ver se só eu acordei com suas risadas, mas não estava lá. Estranho, era difícil ele acordar cedo. Saí do quarto para “investigar” e, passando pelo quarto de e Brenda, só a vi na cama. sair da cama antes dela? Muito estranho. Ele aproveitava todos os segundos para observá-la. Fui até a porta do quarto de e , e com certeza todos estavam lá. Era algum tipo de reuniãozinha? Quando fiz menção de abrir a porta, tomei um susto. saía de seu quarto com um pijama que fez minha felicidade. Não resisti, e lhe disse com um sorriso malicioso:
- Bom dia, .
Ela me olhou espantada, e quando subi meus olhos de suas pernas para seu rosto, tive vontade de me matar ali, naquele segundo. Seus olhos estavam vermelhos e muito inchados. Seu nariz estava muito vermelho. sempre ficava assim quando chorava, e, pelo seu estado, parecia ter passado a noite inteira chorando. Seu olhar mudou então para pura raiva, e ela virou-se em direção ao banheiro, me ignorando. Era o melhor que ela devia mesmo fazer. Abri então a porta do quarto, e todos me olharam, num minuto com caras de sarcasmo e no outro de choque.
- Ô, , você está bem? A gente esperava você entrar aqui todo nervosinho porque foi acordado, aconteceu alguma coisa?
- É cara, você parece triste. - complementou a pergunta de .
- É que eu só fui um idiota mais uma vez.
- Vixe, isso me cheira a . - Disse . – Mas relaxa meu amigo, mal sabe você que todo mundo aqui já sabe de tudo, que você está de joelhos por ela, e já organizamos totalmente aquela minha ideia para o dia glorioso. - Ele sorriu orgulhoso.
- Você vai ter que nos agradecer muito depois, man. - disse animado.
- O que vocês vão fazer? Vão me ajudar a cantar para ela?
- Ficou doidão, ? Pelo amor de Deus, serenata irmão? Aí que eu apoio a mina a te largar. Vamos fazer o oposto. - piscou pra mim.
- Não entendi.
- Que bom que não, quase que o te contou o que era. Melhor você ficar curiosinho. Na hora que você decidir que quer cantar para ela, só nos avise e botamos o plano em prática. - Sorriu .
- Ok, então.
(’s POV Off)
Entrei no banheiro e bati a porta com uma força que nem eu sabia que tinha. Apoiei-me na bancada de mármore da pia e enterrei minha cabeça entre minhas mãos. Eu não acreditava em como eu era burra por ter me apaixonado por . Bufei, tentando me acalmar e quando me olhei no espelho entendi a cara aterrorizada que aquele idiota havia feito quando me encarou. Realmente até a pior criatura, a mais sem coração, teria pena de mim. Eu nunca havia me visto naquele estado. E acho que se meu pai me visse assim, a vida de não duraria mais 25 segundos. Parecia que eu havia chorado o rio Nilo inteiro de tão inchados que os meus olhos estavam. Olhei para meu pijama amarrotado e dei um sorriso sem o mínimo de humor. No fundo, aquele babaca só me queria mesmo, pois apesar de não chegar nem perto das minhas camisolas e outros pijamas mais sensuais, aquele shorts curto e de oncinha reviveu o espírito desprezível do . Imbecil. A cada segundo eu tinha certeza que o ódio que eu sentia por ele estava tomando as mesmas proporções do amor. Que bom. Era isso mesmo que eu queria. Ele que não tentasse me dirigir a palavra, porque ignorar pessoas era uma das melhores coisas que eu sabia fazer.
Voltei para meu quarto, tirei meu pijama e só coloquei uma blusa branca e uma calça de moletom. Não estava afim nem de colocar roupas, botei as mais confortáveis que vi. Desci para tomar café, e da escada eu já podia escutar as gargalhadas de no primeiro andar.
Quando entrei na cozinha, todos me olharam e ficaram em silêncio absoluto. Eu não podia ficar tão mal assim e nem deixar que todos se preocupassem comigo. Abri um sorriso e me espreguiçando, caminhei até a mesa:
- Bom dia, gente! Estavam falando de mim? Por que pararam, hein?
- Claro que não, ! - me olhou e respondeu rápido e cautelosamente. Achei muito fofa sua preocupação! Realmente, de amigos, eu não podia reclamar.
- Own! Então está bom! - lhe dei um beijo na bochecha e me sentei entre ele e Brenda, que previsivelmente tinha à seu lado. Não aguentei e ri.
- Que foi, ? - Brenda me perguntou.
- Nada não. – E, sem querer, ao levantar meu olhar, dei de cara com aqueles malditos e maravilhosos olhos . Qual era o meu problema? Eu tinha que me sentar logo na frente de ?
Quando o olhei, vi uma mistura de medo e esperança naquele olhar. Logo desviei o meu. Se fosse pra ignorar, eu iria ignorar direito. Quando terminamos o café, , que era a preguiça em pessoa, saiu correndo pra não ter que lavar a louça. Brenda e já haviam lavado a do dia anterior, e disse que pegava a da noite. Eu me ofereci então para ajudar a lavar e estava retirando a mesa. Quando me virei para a pia, achei ter visto sorrir e piscar para , mas sabia que devia estar me confundindo. Até que aquele traidor chegou perto de mim e disse:
- , acho que vou ajudar o na da noite, eles foram jogar bola, não posso perder! O está aqui mesmo, você ajuda ele! - Deu um beijo na minha bochecha e saiu correndo porta afora antes que eu pudesse reclamar. Revirei os olhos e, sem a mínima vontade, me virei, vendo guardar os potes de biscoito no lugar. Fui até a mesa e peguei a caixinha de leite, levando-a para o pequeno frigobar. guardou as frutas. Me encaminhei então de volta à pia. Maldita percepção essa minha! Senti meus pêlos da nuca se arrepiar quando eu sabia que estava atrás de mim. Ele se postou do meu lado, e nossos braços se tocaram. Senti as milhões de terminações do meu corpo gritarem “É ele!”. Eu odiava meu corpo ter essa vida própria. Me virei para ele, sem cometer o suicídio da missão de olhar-lhe nos olhos, e disse bruscamente:
- Olha, não preciso de ajuda não, viu? Pode ir lá com os meninos, eu não falo pra ninguém que lavei tudo sozinha.
- Quem disse que eu quero ir? , você agora vai me evitar para sempre? Eu não espero que você morra de amores por mim, mas precisa disso tudo? Eu não mordo.
Que ódio, que ódio, que ódio. O pior é que eu morria de amores por aquela praga.
- Eu não estou afim de conversa, muito menos com você. Se você quer tanto ajudar, cala a boca e pega um pano. Eu lavo e você seca.
Eu não dei mais nenhuma palavra durante aqueles vinte minutos. tentou falar alguma coisa comigo por mais umas duas vezes. Mas eu executei bem minha doutrina anti-, tive a ideia de ficar cantando Crawl do Chris Brown na minha cabeça e nem prestei atenção ao que ele tentou dizer. Enquanto ele se dirigia ao frigobar pra pegar algo, eu vi que na pressa tinha esquecido uma caixa de leite na mesa. Peguei-a e fui também em direção ao frigobar, e, por causa dele, já que quando ele estava perto eu tentava olhar somente pra baixo, eu bati naquele imbecil quando ele estava se virando e fechando o frigobar, deixando a caixa de leite cair no chão, quando senti toda aquela água congelante molhar meu peito. Com o esbarrão, a jarra de vidro com água gelada que estava segurando bateu em mim, derrubando tudo em cima da minha blusa. Ele me olhava com olhos arregalados, parecendo ter medo da minha reação. Depois do grito que eu dei, olhei pra baixo e vi minha blusa branca, que ficara totalmente transparente graças à água e disse:
- Merda, só porque eu não pus sutiã hoje.
Acho que a água gelada me deu um choque e eu falei aquilo sem lembrar que estava colado a mim. Quando me toquei nesse fato e resolvi lhe olhar nos olhos, eles estavam cheios de agonia, nervosismo e excitação. olhava fixamente para meus peitos e mordia o lábio com uma força que parecia que iria cortá-lo a qualquer momento. Em vez de ficar com raiva, eu fiquei com muita vergonha. Em vez de xingá-lo de cachorro, desgraçado, eu só pigarreei para que ele olhasse pra cima. Ele saiu de seu transe, parecendo que fazia força para levantar o olhar pra mim, levou as mãos aos cabelos, jogando-os pra trás e me disse com um suspiro:
- Me desculpa, . De verdade, eu só posso te pedir desculpas. Eu não te vi aqui atrás de mim. Eu juro, por favor, acredite em m...
- Tudo bem, , tudo bem. Eu vou trocar de roupa, você se importa de limpar essa bagunça por mim? - Eu o interrompi. Eu sabia que aquilo não tinha sido inteiramente culpa dele, então não havia o porquê de eu acusá-lo naquela hora. Eu podia odiá-lo, mas não era injusta. Sem esperar que ele me respondesse, saí correndo pelas escadas para o meu quarto e a última coisa que vi foi de olhos arregalados. Eu estava morrendo de calor, mesmo com aquela água gelada. E no caminho fui colocando na minha cabeça que era pelo fato de estar morrendo de vergonha, e não pelo contato de nossos corpos, e não pelos olhos de desejo dele.
(’s POV)
Confuso era pouco para o meu estado. Quando eu vi aquela água gelada cair em câmera lenta em , pensei “Estou muito fodido agora”. Ela já havia me ignorado cruelmente por vinte minutos, me mandado calar a boca. Eu sabia que ela estava muito furiosa comigo. E depois daquilo? Fiquei com medo até de que ela me esfaqueasse ali. Eu só saí de meu estado de pânico quando um alerta soou pelos meus ouvidos: “Merda, só porque eu não pus sutiã hoje.”. Eu não sou cafajeste, eu sou só homem. E aguentar ver aquilo foi um tanto difícil pra mim. Me controlar então, com ela tão perto como estava. Eu podia agarrá-la ali rapidamente, se não me segurasse. E, apesar de tudo, ela foi compreensiva. Ela não brigou comigo, não me ofendeu, não me bateu. Parecia só ter ficado com vergonha. E me respondeu! O mais importante: ela havia falado comigo! Me lembrei então do que havia me dito durante o café.
(Flashback)
Depois de me ver igual um idiota com cara de cachorro abandonado olhando para , que ria conversando com , me cutucou:
- Cara, você não pode ser derrotista não!
- É eu sei. Você não tem noção de como eu quero que amanhã chegue logo! Pra poder voltar a falar com ela.
- Ah, então você já decidiu? Vai cantar pra ela amanhã? Isso aí, moleque, é disso que eu estou falando, atitude! Quando mais rápido, melhor. Mais rápido vocês vão estar juntos!
- É o que eu espero. - Eu disse baixo. Mas ignorou meu comentário pessimista.
- Vou ter que avisar o resto do pessoal que é amanhã então, pra gente poder preparar tudo... - Ele falava como se estivesse pensando sozinho e olhava para frente, franzindo a testa.
- ... ! - Estalei os dedos na sua frente. - O que vocês estão armando hein?
- Já te falamos que você vai saber na hora! Você tem é que se preocupar com outra coisa! Eu estava pensando aqui, e pra tudo dar certo, você tem que arrumar um jeito da , pelo menos, falar com você socialmente. Dela pelo menos aceitar ficar sozinha com você. Se não nada vai dar certo, se não ela não vai escutar nem a introdução da música!
Quando terminou de falar, eu arregalei os olhos pra ele. COMO EU NÃO ESTAVA PENSANDO NISSO ANTES? Naquele momento, eu desesperei.
- O que eu vou fazer, ? Ela nem me respondeu um bom dia! Ela nunca mais vai falar comigo! Imagina ficar sozinha comigo?
- Ah, cara, a gente tem que dar um jeito, agora é sua vez de pensar, né? Eu não sou um oráculo pra saber todas as respostas. – Mas, para sorte de , , que estava sentando do lado de e ouvia a conversa enquanto comia, encarnou um.
- Calma aí, brother. Pra sua felicidade, o gênio aqui teve uma ideia de como fazer vocês ficarem juntos e sozinhos pra você tentar fazer com que ela pelo menos te responda alguma palavra.
(Flashback OFF)
Era isso. Eu havia achado a solução. Eu havia achado o modo de fazer me responder. Mesmo que me custasse muito autocontrole, era bom que eu estava praticando. A cada vez eu conseguia mais e mais falar com ela. Mesmo que eu sentisse que quando a provocava, estava também me provocando, era a única saída. Foi como ela finalmente me dirigiu a palavra, hoje. Eu tinha que fazer com que ela quisesse novamente ficar junto, e sozinha, comigo.
(’s POV Off)
12
Cheguei ao meu quarto, mudei de roupa e deitei por alguns minutos só, para tentar me acalmar. Só para tentar acalmar o meu coração, que insistia em esmurrar o meu peito. Por que eu tinha que continuar sentindo isso por ele? Você tem que continuar me traindo, coração? Mesmo depois de tudo, eu tinha que assumir, ele ainda me causava as piores reações. E eu tinha que acabar com isso. Foi justamente por esse motivo que eu fiquei ali, deitada, me acalmando, me controlando, e repensando todos os defeitos de . Eu tinha que recuperar minha doutrina!
Brenda, minutos depois, bateu à minha porta e me chamou para tomar um sol. Todos os meninos estavam jogando bola, e a gente só tinha isso para fazer ali mesmo. Sairíamos daquele lugar morenas, de acordo com o andar da carruagem. Mudei então, novamente, de roupa e fomos.
Os meninos se divertiam tanto, que aquilo era minha distração. Eu havia levado meu livro, “Fallen”, para ler, mas eu também sempre fui apaixonada em assistir futebol, e aqueles garotos jogando, era melhor ainda! Um zoava o outro, constantemente ficava nervoso com empurrões de propósito de e , e todos ríamos. , que era bom até no futebol... Espera aí, risca essa frase! , que era bom no futebol, fez uns quatro gols em . E eu estava querendo me matar com as próprias mãos por não tirar os olhos dele. Mas ele estava sem camisa, ele tinha que me tentar assim? Inferno.
Brenda e eu conversávamos sobre tudo o que vinha à nossa mente, desde a última coleção de All Star's, até o último CD do Eminem. e vieram repentinamente em nossa direção e uma tragédia aconteceu. Quando chegou às nossas cadeiras, balançando aquele maldito e perfeito cabelo devido ao suor, se curvou sobre mim, com todo aquele esplêndido peitoral e eu não entendi mais nada. Sabe quando você para por uns segundos de raciocinar? Então, foi isso. Eu só olhei abobadamente para, onde ele seguia seu braço, e vi que era para pegar uma toalha que estava ao meu lado. Ele sorriu, então, para mim. Dei um sorriso amarelo pensando: “, seja forte! SEJA FORTE!”. virou-se para nós:
- E aí, meninas? Não topam jogar um pouquinho com a gente, não? Vamos lá!
- Somos lerdas, , o vai ficar mais bravinho ainda! - Brenda disse, rindo.
- Mas é essa a questão, é esse o fundamento. Não é fazer mais gols, e, sim, quem irrita mais o ! - disse, caindo na gargalhada.
- Putz, jogar “vamos irritar o ”? Nem tem como eu perder isso! - Juntei-me à brincadeira.
- Vamos? - disse .
E então fomos. E eu que pensava que não teria como rir mais do que eu estava rindo observando-os. Jogar futebol de areia com mais seis idiotas era a melhor terapia do riso que eu já conheci. Eu era péssima em jogar. Torcia loucamente, adorava assistir futebol, ler sobre, acompanhar e tal. Mas na ação? Não era meu forte. Brenda era bem melhor que eu, mas os meninos nos atrapalhavam de propósito! Roubavam a bola e ficavam nos fazendo de idiota, dando-nos “olés”, até nos jogando areia! Tudo não passava de pura brincadeira. , que havia cansado de ficar como goleiro, pegou a bola e gritou “Agora é futebol americano!”, e aí que a confusão aumentou mais ainda! Quando a bola estava em nossas mãos, eles pegavam mais leve, mas se era entre eles, voava menino para cima do outro! Como eles eram bobos, deus. passou a bola pra mim e eu fui totalmente surpreendida nessa hora. Como eu estava só de biquíni, senti um tronco quente e forte pressionar minhas costas. Senti braços envolverem minha cintura. Senti uma respiração pesada e entorpecente bater na minha nuca. Senti colado ao meu corpo, me pressionando contra si. E parecendo tentar pegar a bola de minhas mãos. Foi aí, que como diria Maysa, meu mundo caiu. Prendi fortemente minha respiração e ao ver Brenda no meu campo de visão, tampei a bola por impulso. Na prática, minha doutrina sumia. Na prática, eu queria continuar ali, naqueles braços. Na prática, eu o queria de volta. E ele beijou meu pescoço, fazendo-me estremecer dos pés a cabeça, e sussurrou cruelmente em meu ouvido: “Espertinha”, saindo correndo atrás de . Me deixando completamente abobada. Me deixando completamente arrepiada. Me deixando de um jeito que eu não deveria estar.
13
Você deve estar aí na curiosidade de saber o que eu fiz, né? Eu gostaria de nem comentar a minha criancice. Por que eu tenho que agir como uma retardada quase sempre? Depois de eu sair do meu transe momentâneo causado por , fiquei lá, parada no meio de todos, que continuavam a correr e brincar, sem nem me notar! Vi Brenda voltar às cadeiras para descansar um pouco daquela correria, e quando olhei os garotos em volta, não conseguia retirar a porcaria dos meus olhos de somente um deles. Quando seu olhar encontrou o meu, por um rápido segundo, eu o senti tão penetrante em mim, que não agüentei. Depois de um bom tempo, eu voltava a me mover. E foi então que minha atitude idiota entrou em cena. Eu não só me movi. Eu não agüentava mais toda aquela loucura dentro de mim. Eu saí correndo. Sim, como uma criancinha que não quer mais brincar. E não me dei conta dos troncos de árvore na minha frente, porque eu corria totalmente com a cabeça e os olhos em outro mundo. Para completar minha cena, eu tropecei em um dos troncos, bati de raspão meu joelho em uma das pedras e caí divinamente no chão! Como eu sou uma pessoa que realmente sofre calada sempre, eu não dei nem um mínimo gritinho. Nem um muxoxo. Apesar de eu sentir na hora meu joelho arder. Porém, eu não contava que ao abandonar , ele ainda continuou me observando. Ninguém ouviu ou viu meu tombo, menos aquele imbecil! E sabe como eu me toquei disso? Quando dirigi minhas mãos para tocar meu joelho machucado e senti suas mãos me segurarem:
- Calma aí, ! Você vai se machucar mais ainda! Temos que lavar isso antes! Você está bem? Só machucou o joelho mesmo? - me disse.
- Estou muito bem. Foi um tombinho de nada. E agora pode me largar que eu sei cuidar de mim! - respondi, orgulhosa como sempre.
Olhei diretamente para suas mãos em meu braço, como que ordenasse que ele me soltasse, e, ao perceber que ele não havia feito isso, subi meu olhar para seu rosto. EU NUNCA VOU APRENDER QUE É UM ERRO O OLHAR NOS OLHOS? Ele me transmitia uma intensidade tão grande, que eu quase cedi. Ele me hipnotizava daquela forma. Meu auto-controle, com a graça divina, falou mais alto e eu me levantei rapidamente para que ele me largasse. Rápido até demais. Meu joelho no exato momento reclamou e eu quase caí novamente, se não tivesse mantido suas mãos em mim e me segurado.
- Deixa eu te ajudar... - nessa hora sua voz foi tão apelativa, ele parecia estar sofrendo mais que eu, mas não fui irredutível.
- Me deixa, ! Eu vou lavar isso! - Fui caminhando, cambaleando, na verdade, até a água. Mas percebi que ele continuava andando atrás de mim. Um pouco afastado, mas de postos para me segurar, caso precisasse. Comecei a lavar meu joelho, e ao observá-lo todo ralado, enquanto o sangue fluía, fiz uma careta. Quando senti o contato da água salgada no ferimento, não suportei e gemi baixo. Vi impacientemente dar dois passos para frente. Continuei a lavar e a sofrer até que, num estalar de dedos, me senti suspensa no ar. passara uma mão atrás de minhas coxas e uma em minhas costas, e me carregava em seu colo. O olhei assustada, e com o choque de sua atitude repentina, não fiz nada. Se estivesse sã, eu gritaria, iria lhe distribuir tapas, me sacudir, até que me soltasse. Mas só fiquei parada, observando sua feição determinada enquanto caminhava comigo em seus braços. Ele me sentou na toalha estendida no chão, a uns metros de onde Brenda estava sentada. Pude vê-la olhar assustada em nossa direção, vendo-me chegando no colo dele e sendo depositada lá.
Permaneci em meu estado de choque. Eu dei um tempo para toda aquela minha preocupação, para toda a agitação que se passava em meu cérebro e me permiti só observá-lo. Eu queria ver o que ele faria agora. Mesmo sendo errado, eu o deixei cuidar de mim.
Ele pegou outra toalha em mãos e começou a secar meu machucado. O tecido mesmo sendo macio, grudava na pele, e aquilo doía um pouco. Fiz careta e gemi de dor. Ele então largou a toalha e começou a beijar minhas pernas, indo em direção ao meu joelho. Sua intenção, que parecia ser secar cada gotícula de água em minha pele com os lábios, agia inversamente, já que ele me dava beijos molhados. Eu observava sua calma, sua fissura em chegar a cada gota, sua perfeição, e o pior era sua respiração quente que batia em minha pele fria. pareceu ter escutado meus pensamentos, pois ao chegar finalmente em meu joelho, ele posicionou sua boca perto de meu machucado e soprou-o lentamente. Eu não agüentei. Mordi meus lábios, fechei meus olhos e inclinei minha cabeça para trás. Eu não gemeria para ele. Não mesmo!
Talvez ele tivesse levantando seu olhar pra mim nessa hora. Percebido que eu estava fraquejando, pois tudo só piorou. Ele apenas roçou seus lábios em meu joelho, soprou mais uma vez, e então o beijou calma e suavemente. Três beijos como esse se seguiram. Ele levantou seu olhar então para mim. Eu me sentia tonta. Eu estava completamente entregue naquele momento. Com certeza ele notou isso. Abriu um sorriso torto pra mim e aproximou mais seu corpo do meu. levou uma de suas mãos à minha nuca, segurando meu cabelo, e encaminhou a outra à minha cintura. Ele aproximou meu rosto do seu, e disse colado à minha orelha:
- Viu como eu sei cuidar de você como ninguém? Beijos saram. - disse com uma voz baixa e indevidamente provocante.
Lambeu minha orelha, fazendo com que eu quase pulasse, e depois a soprou, daquela mesma forma. Seguiu com pequenos beijos. Ele queria acabar comigo, não é possível. E eu continuava procurando minhas forças de resistência, mas não encontrava em lugar algum. Eu ainda continuava mole em seus braços, entregue. E ele, que não é bobo nem nada, aproveitou-se mais ainda da situação. Roçou os lábios de minha orelha até meu queixo, passando por meu maxilar. Chegou, então, à minha boca. Passou a língua por meus lábios e eu pensando que ele me beijaria, estava errada. O que ele fez então? Soprou meus lábios. Sim, daquele jeito mesmo. Não contive um suspiro. Ele então deu um sorrisinho malicioso e em seguida mordeu meu lábio inferior, levando a cabeça pra trás e puxando-o consigo. Estremeci em todos os lugares imagináveis. E, para terminar de acabar com qualquer controle que eu ainda tivesse sobre meu corpo, ele sugou meu lábio. Aí já é covardia. Não há ser humano que agüente. Levei minhas mãos para sua nuca, puxando seu cabelo, ele apertou fortemente minha cintura, e fiz então nossos lábios se tocarem com força e urgência de minha parte. Entretanto, só me deu um selinho. Segurou em meu queixo e disse:
- Acho que seu joelho já melhorou, né? Bom, mas se você quiser que eu cuide de você de novo, é só me chamar, viu? - Ele então mordeu minha bochecha e se levantou, indo para a casa.
Filho da puta. Desgraçado. Como ele podia fazer aquilo comigo? E eu? Burra e incompetente. Eu tinha que ter resistido a ele! Agora ele sabia que me tinha nas mãos! Como eu pude ser tão fraca? O ódio circulava por cada veia do meu corpo. Maldito joelho. E ele era tão cruel ao ponto de me deixar insana daquele jeito? Levantei-me e fui sentar na cadeira ao lado de Brenda, bufando. Fiquei ali balançando os pés, nervosa e muda. MUITO nervosa, para constar. Até que ela rompeu o silêncio com um súbito:
- Cara, você é muito fraca, hein, ?
- Do que você está falando?
- Do quê? Que você não resiste à carne, amiga! O te tem na palma da mão, quando quiser!
- Mentira. Ele tenta, mas não me altera em nada. Não me desequilibra em nada.
- Imagina se ele conseguisse, né? Para de mentir, ! Eu vi! Você quase teve um orgasmo com ele ali, agora!
Eu corei. Meu Deus. Ele acabava comigo e eu ainda passava vergonha de deixar todo mundo perceber? Que poder era esse dele sobre mim?
- Eu...Eu... - Tentava me defender.
- Relaxa, ! Quem não te entende? Um cara gostoso como o , te beijando e te provocando... Ninguém resiste mesmo!
- Mas eu tinha que resistir! Ele não merece!
- É, amiga, então não posso fazer nada. Só saiba que pelo que eu vi hoje, você vai ter que ter muita força de vontade.
E eu sabia que Brenda estava certa. Depois de provar o que me causara hoje, não restavam dúvidas disso. Ele conhecia bem o poder que tinha sobre mim agora. E o pior não era isso. Era que eu sabia que não resistiria. O pior era o que eu sentia naquele momento: precisava de um beijo dele mais do que tudo. Precisava dele.
14
Passamos o resto da tarde ali, na praia, os meninos brincando e tudo mais. não apareceu lá fora novamente. O vi só durante o almoço. Foi vergonhoso. Eu devia estar parecendo um cachorro olhando para um bife. Eu tentava, juro que tentava, mas não conseguia tirar os olhos dele. Minha cara devia estar MUITO vergonhosa. Ele, de vez em quando, me olhava, um olhar ora sarcástico, ora malicioso. Ele me provocava. Ah, que ódio! Ódio de eu não responder à altura! Meu corpo teria que começar a me obedecer, porque a situação estava ficando cada vez mais difícil de encarar.
Quando estava um pouco mais tarde, eu subi, junto com Brenda, para seu quarto, para conversarmos e guardarmos as roupas que estavam lavadas. Separávamos as roupas, quando vi entrar no banheiro com uma toalha. Hum, que bom. Depois de uns minutos, a porta se abriu de novo. Jesus, por favor, me alivia aí? Um de cabelo molhado, um com aquela toalha branca tão baixa, um com aquele santo tronco molhado. É, rapadura é doce, mas não é mole não. Ele olhou para nós dentro do quarto e continuou até seu quarto com . Depois daquela cena, eu mordi os lábios, fechei os olhos com força e balancei a cabeça, pensando ”Afasta o pensamento, , afasta!”. Brenda começou com um risinho muito irônico baixo e eu perguntei nervosa:
- O que foi? Está rindo do quê?
- Nada... Imagina! Nem vi seu sofrimento pelo Deus grego de toalha ali, não! Devo estar imaginando coisas! - e riu mais ainda.
- É, com certeza está! - eu disse, falsamente emburrada, e bufei, dando um sorriso cúmplice para ela, em seguida.
Terminamos de separar as pilhas de roupa dobrada de cada garoto e depois por quarto. Brenda, de pura sacanagem, me mandou levar as minhas e as de “ e do seu !”. Levei as minhas para o meu quarto e depois, inspirando e expirando, fui caminhando, praticamente pisando em ovos, para o quarto de , em que a porta ainda estava fechada. Se ele estivesse mudando de roupa... É, minha situação não melhoraria em nada. Mas eu escutava um barulho de violão. Não dava para entender muita coisa, mas não era necessário. O som da voz dele, não importava cantando o quê, era a coisa mais arrepiante do mundo. Pelo menos para mim...
Bati na porta rapidamente, para acabar logo com aquilo, eu estava suspirando e isso não era bom sinal. Era coisa do passado. O som do violão parou, e eu só não fiz respiração cachorrinho porque, se eu fosse pega, ia foder tudo mais ainda! Quando a porta se abriu... SAGRADO CORAÇÃO! Por eu ser toda errada, em vez de deixar as roupas caírem, como naquelas cenas de filme, eu apertei-as com tanta força, que praticamente amassei tudo! Você deve estar se perguntando o porquê do showzinho agora. Nem me culpe. Um abrir a porta me amedrontava, receber um só de boxer vermelha me descontrolou totalmente. Sério, me dêem um break. Preciso parabenizar a Deus por tamanha perfeição! E não dizem que as cores dos fast-foods são vermelho e amarelo pelo fato de nos darem fome? Comprovo isso pra ti, ok? Me deu fome mesmo!
Senti um dedo em meu queixo, e ele levantou meu rosto na direção do seu. Foi quando eu ruborizei. Era só agora que eu estava olhando no meu amado rosto, naqueles adorados olhos castanhos por mim. Entendi que eu devo ter feito a minha usual cara de cachorro para aquela boxer e seu conteúdo. Merda. estava com a sobrancelha arqueada, com uma cara que parecia me desafiar. Ele quebrou o silêncio:
- Posso ajudar? - disse, dando um sorriso desconcertante.
- Emm...po-pode sim! Eu vim só lhe trazer as suas roupas e as do , que eu e a Brenda lavamos pra vocês! - eu disse na velocidade da luz enquanto franzia a testa, parecendo tentar assimilar o que eu falava.
- Ah! Sim! Muito obrigada! Vocês são muito eficientes, merecem até um prêmio! - ele piscou pra mim. - Você vai me entregar ou não? - disse, rindo.
Percebi que eu tinha as roupas pressionadas num abraço forte contra o meu peito. Pigarreei e larguei-as, direcionando para ele. pegou-as, sorriu lindamente, como sempre, para mim e se virou para colocá-las na cama. Lá vamos nós de novo. Quando ele se virou e começou a ir até a cama, eu prendi a respiração. Desde que eu conheço , eu admiro muito sua bunda. De verdade, não existe uma bunda mais linda, mais deliciosa, mais perfeita que a dele. É algo de outro mundo. E aquilo apresentado a você numa boxer vermelha? Faz-me rir se alguém vier disser que eu é quem sou fraca. Eu me senti Tungstênio em fusão. Meu corpo deve ter ido a 3370°C. Se eu ainda escrevesse cartas ao Papai Noel, já sabia o que pediria de Natal esse ano. “Caro Papai Noel, eu não sei se isso é errado, mas eu queria a bunda do de presente. E confesso que ele todo. Tem como? Agradeço!”. Na boa, o caminhar dele até a cama rodou em slow motion na minha cabeça. Acho que vocês já conseguiram visualizar, né? Ele caminhou de volta até mim e perguntou:
- Mais alguma coisa, ?
Eu me senti envergonhada por ter suspirado longamente, voltando a respirar só agora, e respondi:
- Não, não. Acho que... Na verdade, eu não sei o que estou fazendo aqui ainda e porque não consigo ir embora. Não sei porque vim, não sei... Não sei de mais nada. - eu comecei a soltar tudo isso baixíssimo, e rezando mentalmente para que ele não ouvisse, olhando para baixo.
Fui surpreendida por ele, que agarrou minha cintura, puxando-me para seu corpo, e depois me empurrando com força na parede ao lado da porta.
- Eu sei porque você está aqui, . Sei porque veio. Sei porque não consegue ir embora. Sei o que você quer. - ele disse tudo aquilo no meu ouvido, enfatizando a última parte de uma forma que me enlouqueceu novamente e mordeu o lóbulo de minha orelha, enquanto apertava com força minha cintura e pressionava fortemente meu corpo, desregulando todas as minhas idéias.
- Por favor, , me ajuda. Não faz isso comigo. Eu não posso. - com muita, mas muita concentração eu pronunciei o que meu cérebro gritava, mas com a voz totalmente trêmula, pois meu corpo sempre me entregava.
- Não pode? É mentira sua. Você quer, você pode.
- Eu...eu...n-não que-quero. Me solta. Me deixa ir. - Isso foi mais difícil ainda de falar.
- Não quer? Você não consegue me enganar. Olhe para as suas mãos. - Quando o fiz, vi que minhas unhas fincavam seus ombros. Eu não disse que meu corpo era dedo-duro? Eu gemi de desgosto. Mas ele entendeu de outra forma, que no fundo, era a verdadeira, de qualquer jeito. - Está vendo? Você me quer, não pode negar isso. Seu corpo precisa de mim. Ele não nega, ele demonstra. Esquece um pouco o mundo, de tudo à nossa volta. Deixa eu dar o que seu corpo quer. O que você quer. Foi por isso que você veio aqui hoje, que você não consegue ir embora. É isso que os seus olhos passam o tempo todo me implorando. Então cede. - ele se dirigiu ao meu pescoço e começou a beijá-lo. Automaticamente eu cedi passagem, levantando a cabeça para trás e suspirei. Apertei seus braços, e levei minhas mãos ao seu tórax. Ele mordeu meu pescoço e eu gemi, conseguindo empurrá-lo para trás.
- Eu... Disse... Que... Não... Posso. Me larga. Por... Favor. - eu fiz a cara mais desesperada que pude. Minha respiração praticamente não existia mais, eu estava muito ofegante. E me contorcia por dentro naquele momento. Doía muito fazer aquilo. Parar naquela hora.
Ele me olhou ensandecido, com os olhos pegando fogo. E minha cara de desespero e dor refletiu-se na dele, após alguns minutos me encarando.
- Tudo bem, eu vou deixar você ir agora. Não vou conseguir parar depois, se for mais além, e não quero te machucar. - ele me soltou, com as mãos trêmulas. Sentou-se na cama e passou as mãos pelo cabelo.
Depois que ele me largou, eu saí correndo para o meu quarto. Continuando ofegante e respirando fundo. Caí deitada na cama. Eu estava quente, muito quente. Eu sentia meu corpo pinicar por dentro. E minha cabeça estava a mil. Eu pedi, mas esperava que ele negasse, que não estivesse nem aí e só quisesse me foder mesmo. Mas ele se controlou por mim, parou por mim. Mesmo sendo tão difícil para ele. Ele disse que se importava comigo, não queria me machucar. Isso tudo fez minha cabeça disparar. Eu estava muito confusa depois daquilo. Respirei fundo, tentando primeiro me recuperar e me controlar. Quando me virei de lado e abracei com força meu travesseiro contra meu corpo, a voz de Brenda ecoou em minha mente: ”Você vai ter que ter muita força de vontade”. Ela estava certíssima. Hoje eu tive uma prova e tanto disso. Nunca exercitei tanto minha força de vontade. Só que eu não confiava que ela perduraria por mais tempo. Acho que ela não passava por mais uma. Eu sabia que por muito pouco eu perderia o controle dela e iria de encontro ao que eu mais necessitava e desejava no mundo: ele.
15
(’s POV)
Olha ao ponto que eu deixei tudo isso chegar. Tudo bem que desde o começo eu sabia que essa idéia de reaproximação seria praticamente um teste prático de autocontrole, mas hoje foi o clímax. Se ela não estivesse um pouco controlada pela razão, pelas feridas que eu deixei nela, afirmando que não podia, eu teria feito o que mais abomino: uma atitude que daria impressão de só querer comê-la. Todo esse joguinho que eu venho praticando nas últimas horas... Eu devia prever que uma hora daria resultado. Mas, nada está perdido ainda. Eu me controlei e não fiz nada com ela. Pelo menos não agora, precipitadamente. Por pensar na hora certa, eu preciso ver com o resto dos moleques sobre amanhã. Como eu disse, hoje foi o ápice. Não dá mais. Tem que ser amanhã.
Me encaminhei para o quarto de e . Entrei, e só não estava lá. Eu ri, pois era certo que ele estava seguindo ou babando por Brenda. Ela sempre gostava de provocá-lo, desde que chegamos aqui, eu só não sei como meu amigo estava suportando a distância que ela impunha. Ela se divertia com ele, e ele logo, logo acordaria desse transe e conseguiria o que queria. sempre foi assim: no começo, um lerdo deslumbrado, depois quando provava o que queria... Se aproveitava e se lambuzava.
- E aí, cara? O que você manda? - perguntou quando eu me sentei no banquinho em frente à cama.
- Eu queria saber com vocês quais os esquemas que vocês estão preparando para amanhã... Vocês me disseram para só avisar...
- Cara, relaxa! Está tudo esquematizado! Vai ser tão inesquecível para ela, como para você! Como esse espírito genial me apossou, eu tive idéias que... Merecerei o melhor lugar no ônibus da turnê! - todos nós rimos do jeito que exclamava sobre si mesmo.
- Beleza, beleza... Eu só quero que as horas passem voando, e que eu possa acabar com tudo isso logo.
- E a música? Está na boa já? - questionou.
- Tudo certo. Já ensaiei ela várias vezes, já sei de cor, os acordes estão perfeitos. Espero que amanhã nada dê errado. E bom, vocês não vão me contar nada? Como vocês vão me avisar amanhã o que eu vou fazer? Gente, por favor... Eu preciso saber de algo!
- Ih, você está muito ansiosinho, hein? Vou te dar instruções simples então: eu, e vamos falar para que vamos sair atrás de mais comida pela ilha, e o e a Brenda... Ela vai ver com os próprios olhos o que eles irão fazer. - caiu no riso e eu arqueei minhas sobrancelhas.
- Hum... Tudo bem, mas e eu nessa história? Qual vai ser a desculpa de eu e ela sermos os únicos a ficar aqui?
- , meu querido, não vamos deixá-la se embrenhar na mata conosco e... Papai e mamãe tem que tomar conta da casa! - riu escandalosamente e ninguém resistiu em acompanhá-lo.
- Ok, então. Vamos deixar tudo se desenrolar de acordo com o planejado de vocês... Eu ainda estou curioso por vários pontos, tipo essa história do e a Brenda, mas tranquilo.
- Por falar nisso, , a gente tem que ir conversar com a Brenda antes de eles irem dormir! - disse para .
- É mesmo cara! , você podia nos dar licença, né? Temos os detalhes finais do teu encontro de amor para arrumar, vai dormir, vai... Descansa tua garganta, canário, para conquistar a fêmea amanhã! Deixe-nos terminar nossa parte, vamos, vamos! - eu saí a contragosto, empurrado por , do quarto, porém rindo. É, eu estava entregando meu destino nas mãos de um bando de loucos, porém loucos que estiveram comigo a vida inteira. Valia a pena investir, eu creio.
(’s POV Off)
(’s POV)
Depois que saiu do quarto para que pudéssemos terminar os preparativos em paz, eu saí direto com e à procura de e Brenda. Encontramos os dois na cozinha: Brenda lavava a louça e estava sentado na mesa, comendo alguns biscoitos.
- Qual é, ? Chega aí que eu quero te mostrar uma parada muito louca! - como o combinado, seguraria fora para acertarmos com Brenda.
- Ver o quê, cara? - se levantou de mau gosto.
- Vem, velho! Tu vai gostar de ver! - e encaminhou-se com ele para fora da casa.
Nos sentamos na mesa e eu chamei Brenda. A garota ruiva terminou as últimas vasilhas que restavam e se sentou ao lado de .
- O que vocês querem, garotos?
- Bem, Brenda, você, como amiga de , sabe tanto quanto nós, amigos de , que eles estão totalmente apaixonados um pelo outro. E amanhã ele pretende reconquistá-la, mas precisa da casa vazia, de todos nós longe, claro. Sendo assim, como somos bons amigos, estamos ajudando-o e preparando tudo, mas vamos precisar de uma mãozinha sua.
- Hum... Bom, que eu saiba o só quer comer a , pelo que ela diz, né... Mas como eu não sou idiota e tenho acompanhando os dois ultimamente, eu vou ajudá-los. O que vocês querem que eu faça amanhã? Para onde devo sumir por algumas horas?
- Eba, assim que eu gosto! Então, precisamos primeiro arrumar o quarto de , limpá-lo e deixá-lo perfeito. Achamos algumas velas e vamos espalhar pela casa. O aqui até pegou flores por aí, para jogarmos no caminho! Idéia de gay é boa! - zuei , e todos rimos – E sobre você dar uma desaparecida... Vamos matar dois coelhos com um tiro só! Você sabe que está conseguindo fazer o de cachorrinho negando a ele um beijo, não é? Por isso, você vai acabar com esse joguinho amanhã, e ir se atracar com o por algumas horas, aí pela praia, bem longe daqui!
- Ai, a me paga! Poxa, a brincadeira vai terminar antes que planejei! Mas mesmo assim vai ser legal surpreendê-lo amanhã! - a garota dizia e mordia o próprio lábio, olhando fixamente para o nada, provavelmente arquitetando seus próprios planos. Ah, ia nos dever uma também! – Ok, garotos, estou dentro. Dou uma limpeza no quarto dos meninos amanhã cedo, deixo tudo prontinho, e vocês depois só arrumam os detalhes gays! Brincadeira, ! E sobre o ... Podem deixá-lo comigo. Eu o distraio por boas horas! - Brenda caiu na gargalhada. Eu e nos entreolhamos e nos despedimos ao ver de volta à sala.
- Tudo certo, então. Até amanhã cedo, Brenda. - terminou nossa conversa.
Ainda ficamos mais um pouco na sala conversando, e mais tarde cada um se dirigiu ao seus quartos. Vi Brenda sequer dirigir um olhar à , e este não tirava o cenho preocupado do rosto. Contive minhas risadas. É, era entendível estar de quatro por ela, a garota era cruel na dosagem certa. Até eu estava curioso pelo dia de amanhã! Mas principalmente ansioso. Se tudo não desse perfeitamente certo amanhã, eu estaria acabado. confiara a nós um dos momentos mais importantes de sua vida, e o pior era que, se algo desse errado, não era só um coração que terminaria arrebentado, e sim dois. Por isso, que tudo dê certo amanhã. E que acabe logo. Nunca quis tanto ver um casal meloso junto!
(’s POV Off)
16
(n/a: coloque essa música para carregar e dê play quando ver a nota)
(Brenda's POV)
Logo após e virem falar comigo na cozinha sobre todo o plano que eles estavam organizando pra finalmente juntar a e o , e me disseram a ajuda que queriam de mim nisso, eu animei. É óbvio que a minha parte era animadora, né? Pra juntar minha amiga com um gato, eu precisava pegar outro! Nunca me fizeram um pedido tão delicioso assim! E logo que eles me falaram isso, um plano inteirinho surgiu no mesmo segundo na minha cabeça. A brincadeira acabaria mais cedo, porém eu faria com que esse resto de tempo que ela durasse fosse extremamente divertido. Esse plano era infinitamente mais prazeroso que o que eu tinha antes, de longa duração. Sequer saber, não era nem a , nem o que iam ficar me devendo uma. E sim o contrário!
Quando voltou com para a sala, o pouco de ternura e carinho que eu tinha concedido a ele durante aquela tarde, foi cortado na hora. Parte do plano. Ele se sentou no sofá e me olhou com olhos divertidos, chamando-me para sentar do seu lado. O olhei friamente e me sentei na poltrona mais distante de onde ele estava. Ele franziu o cenho e no mesmo momento vi sua expressão se entristecer. Melhor ainda! Conversamos ali mais um tempo, porém eu não dirigi mais meu olhar à , nem minha palavra. volta e meia me olhava com uma expressão de puro riso no rosto, e um olhar intrigado, pelo fato de que quando eu deveria me aproximar mais ainda do garoto, estava renegando-o. Pobre . Mente pequena. Mal fazia ideia do resultado que meus planos causariam naquele garoto. Toda essa minha tortura era má? Era. Porém também era divertida? Era. Visava só o meu prazer? Não. Torturava só à ele? Não. Minha sorte era que saber do resultado que aquilo tudo teria, fazia com que eu me controlasse. Eu visava o futuro. Seria muito mais gostoso.
Chegando ao nosso quarto - e preciso fazer uma pausa para agradecer ao destino que nos colocou para dormir juntos! Era a arma com que eu mais contava, e foi um elemento surpresa! - fizemos a nossa rotina diária. Porém, normalmente era eu quem ia para o banheiro da suíte mudar de roupa primeiro, e saia com algum pijama ou camisola para provocar . Depois que ele conseguia desviar os olhos esfomeados de mim, ele ia se trocar, e voltava com alguma boxer, cada dia de uma cor. Algumas me atentavam bastante, outras com desenhos engraçados, não. Eu agradecia à essas, que me davam só vontade de rir. Como hoje era um dia especial, eu me dirigi às minhas malas, pois não foram todas as roupas que haviam dentro delas que eu tinha tirado pra fora. Com muita sorte nós encontramos nossas malas pela enseada da praia enquanto caminhávamos no primeiro dia que chegamos aqui. E era dentro dela que estava a “arma” que eu precisava hoje. A última e mais perigosa. Enquanto eu me dirigia até lá, percebi que foi até suas gavetas, me procurou com os olhos, cabisbaixo, deu um gemido de insatisfação e foi para o banheiro.
Só que eu não contava com aquilo. Eu estava sentada na beirada da cama, com minha surpresinha enrolada e escondida nas mãos, quando tive a visão mais alucinante da minha vida. abriu a porta do banheiro, e ia apertando o interruptor de luz, de cabeça baixa, enquanto aqueles divinos cabelos caiam em seu rosto. Isso, foi a visão superior. Desci meu olhar e encarei seu tronco que me arrepiava, toda vez. E aí, cheguei na miragem. Ele vestia uma boxer Armani preta. Até hoje, ele nunca havia usado uma boxer preta. Muito menos Armani. E naquele corpo, naquele homem. Vamos reprisar? Eu disse que a tortura era o quê? Mútua. A única diferença é que a minha era consciente, a dele não. Ele não precisava fazer nada. Só ele existir, me atiçava.
Com muita força e quase tendo que utilizar as mãos, retirei meus olhos de cima dele, e fechei minha boca. Pois é. Eu disse que era alucinante. Vi sair do banheiro segurando suas roupas na mão, e me olhando com os olhos cerrados e confuso, pelo fato provavelmente do meu desespero em vê-lo daquele jeito e de ele pensar que eu não o queria. Ah, mas queria. E como. Quando ele estava chegando perto da cama, me levantei rapidamente, um pouco zonza, e corri para o banheiro. Agora era minha vez.
Vesti minha lingerie, penteei meus cabelos, lavei meu rosto, escovei meus dentes e passei um pouco de lápis nos olhos. Admito, eu era muito má. Deixei minhas roupas em um canto no banheiro e saí livremente. Aquilo realmente era a última tentação porque não havia algo pior. Era praticamente um projeto de lingerie. Pois se você puxasse aquele nó do laço frontal, bingo. Eu já estava quase que completamente nua. E tem mais um detalhe: eu fiz propositalmente um nó frouxo e fraquíssimo. Movimentos rudes? Ops, abriu.
Ao deixar a porta do banheiro, pude ter aquela tentadora visão de deitado na cama com um dos braços em cima do rosto. Pesei um pouco mais meus passos, para fazer com que ele me olhasse. Reação involuntária do corpo. Ele subiu milimetricamente um pouco o braço acima dos olhos, como que para me espionar. O ato seguinte me faria rir, se eu não estivesse tentando provocá-lo e ser o mais sexy possível. Ele subiu rudemente o braço que estava em seu rosto, batendo-o na cabeceira da cama com muita força, em seguida apertando-a com mais força ainda. Olhei para sua outra mão e pude vê-la agarrando-se ao lençol branco da cama como se sua vida dependesse daquilo. E a respiração? Simplesmente não existia. Devia estar presa pelos deliciosos lábios de que eram também fortemente apertados pelos seus dentes. Segui para seus olhos e me arrependi bastante. O fogo que havia ali dentro era tão forte, intenso e explícito, que me queimou tanto externamente como internamente inteira. Sentia minha pele pinicar com todo aquele desejo sobre mim. Me aproximei mais da beirada da cama, e a cada passo, ele parecia se contorcer e ficar mais tenso ainda. Ele parecia estar se segurando para não avançar, literalmente, em mim. Quando cheguei à beirada da cama, encarei novamente seus olhos, e percebi que eles agora estavam confusos. Confusos de onde se estacionarem. Em meus peitos, na grande abertura de minha camisola, que permitia-lhe olhar de minha barriga até a parte inferior, ou em minhas pernas. E por último, seu olhar dirigiu-se ao frouxo laço, com tamanha intensidade que ele parecia querer arrancá-lo com os olhos.
Depositei uma perna sob a cama, e assim, a fenda da camisola abriu-se mais ainda, dando mais terreno aos seus olhos esfomeados. E junto veio algo inesperado. Um gemido seu. Um gemido de dor e de pura necessidade. E a minha reação também era algo preocupante, pois ao ouvir aquilo reverberando de seu peito e lábios fortemente comprimidos, todo meu corpo se arrepiou, e minha vontade era jogar o pescoço pra trás, mas me controlei. Subi rapidamente minha outra perna pra cima da cama, com medo de todas aquelas reações imprevisíveis e me deitei sem me preocupar em ajeitar minha camisola que não cobria mais nada de meu tronco. Ao me ver tão próxima, à seu lado, sem perceber começou a soltar leves sons, e ele realmente me comia com os olhos. Relaxou o braço que esmagava a cabeceira da cama, e deitou-o sobre seu tórax, e sua mão sobre o lençol também relaxou. Seu morder de lábios ainda estava ali, mas não era tão selvagem quanto antes. E ele não retirava os olhos de cima de mim. Meu peito subia e descia tão rápido que eu me assustava. Meu coração parecia um bumbo que me ensurdecia. Pelo canto do olho eu ora via aquele tórax já brilhante, que já estava um pouco suado com todo aquele fogo de , ora olhava mais para cima e via sua expressão de puro desejo sobre mim. Com aqueles cabelos levemente suados sobre sua testa. Algo tão maravilhoso que era incomodador. Eu não sabia que as reações dele com a minha ideia seriam tão intensas, incontroláveis, e principalmente, prazerosas para mim. Quando eu já sentia minha própria respiração me sufocar, me virei para o lado oposto ao dele, e lá se foi a camisola. Porém, agora eu não veria e consequentemente seria atingida pelas suas reações. Com meu movimento, todo o lado da camisola caiu, deixando toda a minha bunda à mostra. Pra ele. Na cara dele. Do seu lado. Próximo até demais.
Ouvi seu choramingar e a cama ranger com seus movimentos. Espiei um tempo depois por cima do ombro e vi que ele havia feito o mesmo e se virado para o lado oposto. Porém um de seus braços apertava com força seus cabelos, suas pernas estavam apertadas uma contra a outra, estava todo tenso. Me virei com até um pouco de dó pelo que eu causava nele. Dó que não durou muito. Passei a escutar sua forte e ofegante respiração enchendo o quarto. Algum tempo depois, ouvi a cama reclamar novamente seus movimentos bruscos. Quando pensei em espionar de novo, não precisei. Senti aquela respiração quente, rápida e descompassada batendo em meu ouvido e nuca. Me arrepiei. Estranhei o fato de que ela só aumentava, e ficava mais forte. Foi quando eu esqueci meu próprio nome. Senti a ponta de seus dedos tocar meu ombro. Ele descia lentamente por todo meu braço, me arrepiando mais ainda. Sem ter minha cabeça no lugar para controlar aquilo, quando o toque parou, agradeci. Para então praguejar. Pois quando o toque dos dedos de veio novamente, foi pior. Ele havia tocado meu joelho, e subia mais lentamente ainda, passando por minhas coxas, fazendo pequenos círculos. E com aquela maldita respiração ali no meu ouvido, me enlouquecendo. Seu toque chegou então à minha bunda. Passeou ali por cada centímetro, e eu sentia sua respiração parar por alguns segundos, e depois voltar com mais força. Ele desceu novamente os dedos para a parte interna de minha coxa. Eu dei gemidos sôfregos e de contestação. Ele voltou os dedos para minha bunda, para então, apertá-la com toda a força. E com uma força igual, eu fechei meus olhos, me controlando. Quando eu já respirava mais forte para acabar com aquilo, fui puxada pela cintura com força em direção ao seu corpo. Nossos corpos se chocaram num baque, principalmente nossas partes inferiores. Ele colou minha cintura à sua. E me apertou ali, de forma que eu senti sua gloriosa ereção contra minha bunda. Mais um movimento e eu não aguentaria segurar. E eu precisava deixá-lo alucinado pela manhã, para que sumisse comigo pelo tempo que fosse, sem se preocupar com nada, sem lembramos nossos nomes. Foi assim que juntando toda a força no meu ser, e fechando os olhos, segurando os gemidos e a vontade de mandá-lo acabar logo com aquilo, eu puxei meu travesseiro e o enfiei em nosso meio, me afastando dele. Que aquele antigo muro de almofadas o impusesse o antigo respeito e também o segurasse como antes. Vi respirar pausadamente, enquanto grunhia, virei para o lado oposto, dei um forte nó em minha camisola, pois eu já tinha conhecido o perigo e visto que ele poderia aparecer ao mínimo motivo. E me contorci ali. Pra me segurar e não atacar o cara que eu tanto desejava, que estava à distância de um travesseiro, respirando, grunhindo, queimando de desejo por mim.
A noite foi difícil demais. Nunca senti tanto calor e nervoso na vida. Ao invés do fato de eu estar praticamente sem roupa refrescar, era ele o agravante do calor. Ao invés de eu não querer de forma alguma me enroscar em outra pele mais quente ainda, pra não intensificar o calor, aquela pele maravilhosa e macia do corpo de longe de mim me desesperava mais ainda. Foi uma noite torturante. Uma noite de respirações ofegantes, gemidos sôfregos, mãos tensas que ora apertavam o lençol, ora a outra mão de forma a controlá-la. E o sofrimento era duplo. Tanto vivia aquele delicioso terror, quanto eu. Nem se eu quisesse conseguiria dormir, com toda aquela tensão, e quando eu me virava sem querer para o seu lado na cama, e tinha a infelicidade de encontrar seu rosto ali... Que situação. Quando um pedaço de pele se encostava, qualquer e mínimo que fosse, quando uma coxa minha esbarrava na dele, graças a toda nossa tensão de virar pra lá e pra cá na cama pra nos segurarmos, eu respirava fundo e tirava-a de lá o mais rápido possível. Eu sabia, conhecia meu corpo, e aquele contato pele-a-pele não poderia passar de muitos segundos, ou então mais pele se uniria à dele. E pelo estado que ele se encontrava, sabia mais ainda que era meu trabalho fugir. Ele já fazia muito em não me atacar.
Sendo assim, quando o sol começou a dar sua pontinha de luz, eu me levantei e fui tomar um banho frio. Levei para o banheiro um biquíni azul, e roupas leves, pois eu não era louca de sair daquele banheiro agora de biquíni. Aquilo já tinha ultrapassado o máximo do máximo. Quando saí do quarto vi que estava bem mais relaxado na cama, sua respiração era calma, e não contive conferir: não havia mais aquela gritante ereção na boxer Armani. Não me deixei olhar muito para aquele ser estonteante, e saí do quarto. Aproveitaria que estava tentando se recuperar e relaxar, e acordaria e . Se eles queriam tudo certo hoje, que me ajudassem a arrumar todo o plano cedo! Agora mais do que nunca eu também precisava acabar com aquilo.
Nem bati na porta do quarto dos garotos. Já entrei e puxei o lençol de cada um e fui cutucando-os e balançando:
- ! ! Anda gente, acorda! É hoje! Dá pra levantar? A gente tem que arrumar tudo cedo, antes da acordar! E vocês precisam dar um jeito de levar o lá pra fora também! Até eu poder ir cuidar dele. E ele aqui também vai me atrapalhar. Não posso vê-lo mais até o momento certo.
Eu falava mais para mim, já que e só acordavam aos poucos, com aquelas adoráveis caras amassadas e caretas.
- Quê? Do que você tá falando? Acordar agora? Que horas são? Seis? Você tá louca Brenda? Acordou assim cedo por quê? - resmungou com a voz rouca, enquanto tentava se sentar na cama.
- Bom, na verdade eu nem consegui dormir...Estou um pouco agitada também, preciso fazer alguma coisa, então vamos começar logo!
- Puff, já sei. Tem a ver com o . É a tensão sexual entre vocês aumentando, né? - disse.
Eu me envergonhei e olhei com cara de séria pra eles, que me olhavam com sorrisos nos olhos:
- Não interessa. Anda. Levantem vocês dois! Levem o lá pra fora e mantenham ele lá, acordem o também, mas ele fica aqui na casa comigo. E a eu vou fazer ir lá pra fora também e vocês segurem ela por lá. Vamos, vamos gente. Não é só pra escutar. É pra levantar e fazer!
Só assim e levantaram, com grunhidos de raiva, e um dirigiu-se para o banheiro da suíte, enquanto o outro se encaminhava para o do corredor. Ah, como eu adorava essa minha faceta brava, de capitã! Conseguia tantas coisas com isso e os outros me obedecendo! Me encaminhei então para o quarto de . Precisava acordar minha amiga devagar e mais calma, pra que ela não percebesse nada estranho. Entrei devagar no quarto, e me sentei na borda da cama. Ai, eu estava tão ansiosa pra que tudo desse certo hoje. Minha amiga merecia.
Cutuquei-a de leve e a chamei:
- ? ? Acorda amiga, os meninos tem planos cedo hoje!
Era incrível como era de natureza humana, ou adolescente, mas todos agiam igual. Assim como os meninos, se remexia na cama, e fazia caretas! Hahaha. Coçando os olhos e abrindo-os lentamente, ela me olhou e disse com a voz também rouca:
- Quê? Planos cedo? De quê? Pra gente sair daqui?
- Infelizmente ainda não amiga, mas para sobrevivermos até isso! A comida que tinha na despensa, de enlatados e etc., está acabando. Por isso os meninos resolveram procurar por mais frutas e tal pela floresta, pra comermos mais isso e economizarmos.
- Ah sim, entendi. E eu vou ajudar como? Eu vou também?
- Óbvio que não né, amiga? Vê se a gente vai se embrenhar na mata? Mas alguém tem que preparar esses meninos, né? Passar protetor e tal, você conhece. E o sol abriu tão lindo hoje! A gente faz isso e depois fica tomando sol, até eles voltarem! , já lhe disse, já que temos que ficar aqui, vamos aproveitar!
- Tudo bem, tudo bem...Vou então tomar um banho rápido, colocar meu biquíni e vou lá pra fora...Já que é corte de comida, ninguém vai tomar café, né?
- Isso mesmo...Vaaaaamos gata! - puxei da cama, rindo.
Enquanto foi tomar seu banho, ao sair eu pude ver e descendo as escadas com , só de bermuda amarela, com o elástico da Armani aparecendo, e ao encontrar meu olhar, tão intensamente que eu me arrepiei e desviei os olhos desconcertada. Vi no quarto de , em pé em frente à cama, enquanto estava sentado nela e ainda, amarrotado e sonolento, escutava-o com cara de confuso.
- Aí está sua instrutora. Brenda vai lhe explicar tudo, ok ? Eu tenho que ir pra segurar e . É todo seu, ruiva. - sorriu e piscou pra mim enquanto também descia as escadas. então me olhou como se me implorasse por ajuda.
- Calma, bonitão. Primeiro tira esse desespero e confusão do rosto, eu vou te explicar tudinho o que vamos fazer hoje, tá? Se você ficar assim, vai fazer tudo errado com a !
- É, eu sei...Antes parecia mais fácil, mas agora... me acorda assim do nada me mandando levantar que é hoje, pra eu ir logo. E quando eu penso nisso... Que ou falo tudo o que tá guardado aqui pra ou perco ela de vez... E eu não sei de nada, o que faço, como faço...
- Ei, ei, ei! ! O que eu acabei de falar? Se acalma! Vamos por partes. Primeiro: os meninos inventaram a desculpa de que precisam sair hoje pela mata, pra buscar mais alimento, que o que temos está acabando. É uma meia verdade isso, não estamos assim precisados, mas tudo bem. Nisso, somente , e é que vão se embrenhar por aí. Ficaremos eu, você, e aqui. Do , eu mesma vou cuidar – não consegui conter um sorrisinho malicioso, que até acalmou – e então a vai ficar aqui e não pode ficar sozinha, é aí que você entra.
- OK, de tudo isso eu já sei...
- Posso terminar de falar? Eu mandei-a lá pra baixo ficar com os meninos e ajudar a prepará-los pra irem, passar protetor e essas coisas todas, eu e você só que ficamos aqui porque temos que limpar seu quarto e arrumar toda a casa pra consumação de vocês, né? Que eu espero e sei que vai acontecer. Depois que terminarmos de arrumar tudo, as velas, as flores e tal, a casa terá que ficar intacta. Você só pode voltar aqui com a . Por isso, quando eu sair e for cuidar de , vou falar pra ela que você ficou na casa, arrumando-a, e se ela precisar de algo, que você vai estar aqui. Como eu conheço ela e sei que está fugindo de vir atrás e ficar sozinha com você, isso vai manter ela longe da casa por bons tempos. Até a hora que você estiver preparado pra sair daqui, e ir lá fazer seu trabalho. Entendeu?
- En-entendi. - me olhava com olhos arregalados.
- E não se preocupe, todos nós pretendemos voltar só pela noite, quando vocês já vão estar no quarto, bem cansados e dormindo. - Eu não evitei gargalhar e o clima de desespero de se acalmou novamente.
- Brenda, Brenda, só você! Só pensa nisso, é?
- Óbvio que não meu querido , a culpa é toda do seu amigo que fica me tentando, e só me faz imaginar isso! Mas hoje eu vou me aliviar de tudo! Graças à vocês!
- Hahaha, é porque que eu saiba quem está quase me fazendo perder um amigo por combustão espontânea é a senhorita!
- É mútuo gato, mútuo!
Com o clima mais leve para , e após rirmos mais um pouco, me levantei e abri a porta do quarto, indo até o de e vendo que ela não estava mais lá, nem no banheiro, então já havia descido. Desci para a cozinha, para preparar tudo, enquanto tomava seu banho e mudava de roupa. Voltei trazendo panos molhados e vassouras. Limpei todo o quarto de , e ele me ajudou. Não estava sujo, só bagunçado. Arrumamos tudo aquilo. As roupas soltas pelo chão, boxers abandonadas pelo banheiro... Tudo foi limpo, dobrado e guardado. Peguei então na gaveta os lençóis brancos mais bonitos da casa. Eram realmente lindos, e rendados. Um sonho. Arrumei toda a cama e os travesseiros. Estava tudo tão perfeito! foi separando velas por pontos estratégicos do quarto, e disse que acenderia todas antes de sair da casa. Enquanto ele fazia isso, eu fui ao banheiro, liguei a banheira e preparei ela todinha, jogando pétalas das rosas que havia pego. Saí de lá, fechei a porta e avisei à pra que só entrasse com . Fiz ele jurar isso, e descemos. Passei a vassoura e depois um pano somente pelas escadas, e o caminho. Enquanto isso ia firme posicionando as velas que ainda restavam em cada degrau da escada. Ia ficar tão lindo! Joguei também mais pétalas pela escada. Fizemos todo este caminho da porta da sala, de saída, até o primeiro degrau da escada. Tudo maravilhoso! Eu imagino aquilo lá pela tardinha, todas aquelas velas acesas, no crepúsculo. Meu Deus, estava feita! disse e era verdade, seria inesquecível pra todos. Também via isso no sorriso e no nervoso de enquanto preparava tudo. Que lindo! Como esses dois mereciam!
(Brenda's POV Off)
17
Ao chegar lá fora, depois de Brenda ter me dado o recado, eu ter tomado meu banho e ido pra lá, dei de cara com e cochichando estranhamente, perto de que parecia concentrado e de um de dar dó. Ironicamente, era a felicidade em pessoa. Nunca o havia visto tão tristinho daquele jeito. Me aproximei deles com o cenho preocupado e desconfiado. Ao me notar, deu um pulo e se separou de . Humm... Muito estranho. então chamou minha atenção:
- E aí, ? Será que você pode nos ajudar a nos prepararmos pra grande aventura de hoje? - ele disse levantando os braços e eu ri.
- Sim, vim ajudar vocês, mas estão tão estranhos... , porque você está assim, o que aconteceu?
- Pergunta pra sua amiga. - o garoto me respondeu em um tom raivoso.
- Relaxa , é só porque a gente acordou ele cedo, e o trouxemos pra cá...mau humor matinal!
- Aham, sei...Vocês vão agora de tarde? Vamos começar? - eu agora pretendia me livrar logo dos meninos para poder perguntar à o que realmente havia acontecido.
- É, vamos agora pela tarde! Começamos por onde? - disse.
- Não sei...vocês já arrumaram suas coisas pra levar, tipo água?
- Óbvio, está tudo aqui! Não falta pegar nada lá dentro! - respondeu rápido demais, e eu estranhei novamente, mas tudo bem. Ele é que estava mesmo estranho hoje.
- OK então, vamos passar o protetor em vocês! Quem vem primeiro?
Após quase duas horas, eu havia conseguido terminar de passar o protetor solar nos garotos. Era muita confusão, eles não paravam quietos para que eu pudesse passar direito, não me deixavam espalhar bem... Como garotos são complicados! Meu Deus! E depois tem coragem de falar da gente... Vou te contar, viu... Estavam então aqueles bobalhões já jogando areia uns nos outros, enquanto eu vi o tempo todo sentado numa das cadeiras de praia, emburrado. Deixei os meninos então zoando entre si e fui dar um apoio ao meu querido amigo:
- , o que foi, meu amor?
- Ah , me desculpe a grosseria com você, mas a culpa inteira é da Brenda! O que aquela garota quer? Me deixar louco? Me prenda num sótão então, que será mais rápido e menos doloroso do que o que ela faz.
- Ela aprontou algo pesado dessa vez?
- Se você acha que dormir quase pelada e ofegante em cima de mim, sem me deixar encostá-la é pesado, sim.
- Meu...Deus... - consegui pronunciar com meu queixo caído.
- Não aguento mais esse joguinhos dela, de verdade. Até ontem à tarde tava divertido, ela me dava pequenas recompensas, mas tudo piorou. Não quero saber mais dela, não quero saber de mais nada.
- Acalme-se meu querido , sua hora está chegando. É sempre assim, quando você não conhece mais seu limite, que Brenda dá o bote. Confie em mim. - eu pisquei para , dando um beijo em sua buchecha. - Vamos passar protetor também? Ela não vai te querer torradinho. Hahaha.
se levantou bufando e parou à minha frente, de forma que eu lhe aplicasse também o protetor solar. Ficamos ali sentados, conversando, brincando, e pela posição do sol, já deveria ser quase 13 horas. Brenda então finalmente saiu da casa, fazendo com que eu questionasse seu tamanho atraso: só para tomar um banho e se aprontar ter levado horas. Mas ao ver meu cenho desconfiado quando ela se aproximava, vi ela mudar sua rota e se dirigir aos meninos que estavam brincando perto das rochas.
- E então garotos, prontos? disse que vocês já podem ir, ele já levantou e começou a arrumar a casa. - Brenda disse muito alto, de forma que eu escutasse. Como se parecesse de propósito, pois assim eu deixei de prestar atenção à conversa ao ouvir aquele bendito nome, ou ela voltou a falar em tom normal com os garotos. Vi todos conversando e cochichando. Parecia mais que combinavam algo. Devia ser sobre a arrecadação dos alimentos, e dividindo-se para qual lado da ilha iriam, onde se encontrariam, e Brenda só devia estar no meio das instruções como forma a fugir de meus questionamentos sobre seu atraso exótico. Viu como sou um gênio? Tinha respostas pra tudo.
Os garotos gritaram eu e , de forma que pudessem se despedir. Eu gritei um ”Cuidado!” para eles, já que se embreariam naquela mata desconhecida. Mas eram um bando de homenzarrões, que saberiam se virar sozinhos. Eu imaginava que iriam demorar, já que metade do tempo, certamente, passariam brincando entre si. Logo que Brenda se aproximou, levantou-se da cadeira num estalo e murmurou para mim ”Vou dar uma caminhada pela praia.” e beijou minha bochecha, lançando então um olhar duro para Brenda e saindo à passos lentos pela margem, onde as ondas quebravam em seus pés. Era uma visão de dar dó. Até o jeito desanimado e frouxo com que ele andava. Logo que Brenda ocupou a cadeira ao meu lado, antes ocupada por meu amigo, eu me virei com o rosto totalmente bravo para ela.
- Senhorita Brenda Williams, tenho várias perguntas para você. Espero que me responda todas com sinceridade e sem enrolação. Porque demorou tanto lá dentro? E o que você fez com o , sua monstra?
Brenda arqueou as sobrancelhas para mim, me olhando como se achasse graça no meu nervosismo com suas atitudes, e pigarreou antes de me responder:
- Bom, patroa, eu demorei porque necessitei de um demorado banho para me acalmar após minha agitação durante à noite e esta manhã, e veio me dar coordenadas de seus planos durante o dia em relação à casa, de forma que eu informasse os garotos que foram na expedição. Satisfeita com o relatório? Fui aprovada?
- OK, parte das perguntas respondida. Agora me explica o que você aprontou pra arrasar um garoto desses?
- Eu? Não aprontei nada. Simplesmente coloquei uma camisola e fui dormir. Se ele não consegue controlar os próprios hormônios, aí já não é comigo.
- Aham, sei. Eu te conheço de outros carnavais, sua ruiva cruel. Essa história de camisola indecente na hora de dormir eu já conhecia. E ele aguentava. Você fez algo a mais ontem...
- A mais? Deixa eu pensar... Ehm... Eu estreei a camisola que a Tati me deu no amigo oculto ano passado, só isso de diferente. - Meu queixo despencou. A camisola da Tati, a qual brincávamos que a Brenda fisgaria até o Johnny Depp com ela. E era verdade. Nenhum homem com algo entre as pernas resistiria.
- Eu. Não. Acredito. Que. Você. Fez. Isso! COMO VOCÊ PÔDE BRENDA?
- Ai , não vem defender o não. Não foi difícil só pra ele, tá? Você só escuta a parte dele! Ele dormiu com uma boxer Armani preta, e você sabe a minha queda por boxers pretas. E Armani.
- Fiquei sabendo que não foi só isso. Que você ficou daquele jeito e ainda ofegando em cima dele.
- ÓBVIO NÉ ? AQUELE HOMEM PASSANDO A MÃO EM MIM, VOCÊ QUERIA O QUÊ? A vítima aqui sou eu. Quase morri sufocada essa noite.
- Não quero mais saber de detalhes, já entendi tudo. Me responde só uma coisa: quando essa palhaçada toda vai acabar? - Brenda arregalou os olhos pra mim – Por que é divertido? É. Mas só enquanto os dois não se machucam na brincadeira. O chegou a me dizer hoje que não quer mais saber de você.
Vi inúmeras reações na expressão e nos olhos de Brenda. Susto, seguido de compreensão, tristeza e então raiva.
- Vamos ver então se ele não quer. - Brenda virou o rosto de forma determinada para a direção onde tinha ido, vendo-o de longe. Então, apertou os olhos. Ali, eu sabia que ela havia sido vencida. O joguinho ia terminar.
Após quase uma hora, eu conseguia ver no meio da orla da praia, chegando perto de nós, e Brenda estava deitada em cima de sua canga, tomando sol. Quando ela o viu, se sentou, e ele que parecia vir se sentar conosco, mudou de rota e seguiu para a água, bem à nossa frente. Um fugindo do outro. Brenda bufou. Tampou seus óculos na areia. Enquanto isso entrava mais fundo no mar, passando de onde as ondas quebravam. Brenda apertou os olhos, sorriu e se levantou. Vixi.
- Onde você vai? - eu abaixei meus óculos para olhá-la.
- Pegar meu prêmio. Venci o jogo. Se você precisar de algo pela tarde, o está dentro da casa, arrumando-a. Ele te ajuda. - E piscou os olhos pra mim, com um sorriso malicioso.
Foi caminhando em direção ao mar da forma mais convencida possível. E ela podia. Sempre que Brenda decidia lutar por algo, só terminava quando tinha em mãos. Vi ela tocar o ombro de , e de onde eu estava pude perceber o quão rígido seu corpo ficou. No silêncio mortal, tirando o fraco barulho das ondas, em que estávamos, eu conseguia escutar tudo.
- ... - Brenda disse naquela voz chorosa, a voz de quando ela iria dar o bote.
Ele se virou com uma expressão de raiva tão grande, que até eu me assustei.
- Tira a mão de mim. Eu não quero mais saber de você. Some, me larga. Já cansei da brincadeira. Você me encosta, me deixa doido e sai. Eu não sou imbecil. Então não me toca. Você não vai continuar até o fim, e se não é pra me encostar e ficar, sai.
Brenda arranhou todo o peito de . Ele deixou a cabeça cair para trás.
- Sabe toda a raiva que você está sentindo de mim esta manhã? Sabe toda a tensão acumulada de ontem, de dias? Pra mim já estão no ponto. Agora sim eu quero que você solte tudo o que você está segurando em mim. Eu me entrego pra você o dia inteiro. É o que precisamos pra saciar a vontade que eu também sinto de você, e estou segurando a tempos.
Ao terminar, Brenda puxou o rosto de pelo pescoço, ele quase fundiu a cintura dela na dele, e eu fiquei com medo de perder meu amigo, já que Brenda quase o engolia. Ela passou as pernas pela cintura dele, e se dirigiu à orelha dele, falando coisas com um sorriso de 300ª intenções no rosto. E que poder essas palavras tinham, pois logo após ela morder a orelha de , ele começou a chupar seu pescoço num desespero, apertar sua bunda, e tudo isso enquanto andava para a margem da praia, e para o lado oposto da casa. Acho que eles iriam descobrir novos lugares pela margem da ilha. Uma caverna, talvez? Provável. Fiquei ali então parada rindo, vendo a cena de um desesperado tentar arrancar a parte de cima do biquíni de Brenda, mas sendo impedido por ela. Aquele era um casal sensacional. Um casal que gostava de um drama, de uma provocação, de um teatro. Mas que eram frio e edredom. Um não viveria sem o outro.
Ao me ver ali sozinha, me veio à cabeça . Eu julgava a complexidade no relacionamento de e Brenda, mas eu tinha teto de vidro. Minha relação com nos últimos dias foi composta de quê? Provocação, teatro e drama. Só a verdade não existia ali. Bufei. Veio então à minha cabeça as últimas palavras de Brenda para mim, as quais eu não havia prestado atenção, envolvida com sua atitude com .
Se você precisar de algo pela tarde, o está dentro da casa, arrumando-a. Ele te ajuda.
Ajuda de . Humpf, vê se pode...Eu estava querendo é distância. Que glória ele ficar ali dentro de casa o dia inteiro. Pelo menos era o pedido que eu fazia com toda a força. Que a casa estivesse bem suja, para que ele demorasse. Pois se ficássemos só eu e ele ali fora, juntos...Não ia ser legal. Mas a Lei de Murphy nunca é sua amiga, e sempre atua nos momentos mais inoportunos. Fui interrompida de meus pensamentos quando ouvi um barulho vindo da porta da casa. E olha, Murphy! Não é que era o meu pensamento em pessoa é que estava saindo por aquela porta? Um pensamento lindo, com aqueles cabelos desarrumados maravilhosos, uma bermuda vermelha encantadora, uma blusa branca que... Espera, fui eu que dei. Aiiii , você quer acabar comigo e meu sentimental? E tinha mais. Um violão? Pra quê o estava com aquele violão ali fora? Quando seu olhar se encontrou com o meu, ele parecia estar apreensivo, e com medo. Ele fez uma carinha tão bonitinha. ! Pode parar! Se desmanchando só por uma camisa? Assim já estou na metade do caminho da rendição.
Após terminar de fechar a porta, veio andando devagar, se encaminhando em minha direção, enquanto segurava o belo violão em uma das mãos. Coloquei meus óculos e afundei em minha cadeira, como se dessa forma eu pudesse me camuflar, e ele passar direto por mim.
- ? Posso te pedir um favor?
Eu somente levantei meu pescoço em sua direção. Só ouvir sua voz, me causava reações traidoras.
- Vem comigo ver um negócio? - Opa, aí já é demais. Sinal de que daria algo errado. Eu já lhe responder e dar ouvidos, não o ignorar, já era errado, ir pra longe com ele...
- Não. Estou bem aqui, obrigada.
- M-mas... É, é uma música nova. Que eu fiz esses dias. Eu só queria que você escutasse ela. Você sempre me apoiou tanto nisso... - Então ele abaixou seu rosto. Aquilo era covardia, sério.
- Tá bom, . Vamos logo com isso. - Eu precisava ser pelo menos rude, já que já tinha feito a merda de concordar.
Ele me deu a outra mão para me ajudar a levantar e eu o ignorei, levantando sozinha. Contato físico não. Eu sabia que ainda controlava minha cabeça, o corpo já tinha perdido. Ele foi então andando na minha frente, de forma que eu o seguia. Já imaginava o que iria fazer: me levar para os troncos de árvore ali perto, que serviam como bancos, e seriam mais confortáveis.
Chegando lá, se sentou em um dos troncos, e eu me sentei no outro à sua frente. Ele posicionou o violão em cima de sua perna, e parecia estar respirando fundo. Quando eu começava a me preocupar, ele subitamente levantou os olhos pra mim.
- Eu sei de tudo o que estamos passando esses dias, de toda a confusão e que você não quer mais escutar uma palavra que saia da minha boca, pois todas elas só te machucam e te confundem. Eu sei o quão difícil está lutar contra isso, graças à forma que você está pensando de mim. Mas tudo não passou de uma confusão e de um medo inicial meu. Eu estava perdido ao descobrir o quanto estou apaixonado por você. Quando eu me dei conta, você estava na minha frente, eu não tive tempo pra pensar, pra entender, e pra te falar. Você interpretou como eu estar te ignorando, mas não era.
Eu virei meu rosto e pensava se era ali que eu levantava e ia embora. Já havia ouvido tudo aquilo. Tudo o que se repetia sempre. Mas o que ele realmente sentia por mim, não estava no meio de nada daquilo, então eu não precisava escutar.
- , se essa é a sua música, eu já conheço. É um hit que está na ponta da minha língua. Sempre a mesma coisa, as mesmas voltas. Já sei disso tudo.
Ele me interrompeu:
- Só não pôde ouvir ainda, até hoje, claramente o que eu sinto por você. Eu não estou só brincando com você. E tudo que eu queria te falar, desde que você me encontrou aqui, só consegui reunir de uma forma. Por favor, escute até o fim. Depois se você quiser, pode ir embora.
Respirei fundo. Ele se abaixou para o violão. Era a última idiotice que eu faria por aquele garoto. Ficar até o fim. (n/a: dê play na música)
Seria mentira minha dizer que não estava arrepiada só de ver a cena daquele garoto que eu tanto amava tocando aquela introdução arrepiante. Percebi que eu ter concordado com aquilo era meu passaporte para a redenção.
Eu te deixei falar, agora é minha vez
Quero paz, aposto que você também
Deixei de lado valores que eu me apeguei
Quando eu te encontrei
Só de ouvir aquela voz que rondava meus sonhos, que me controlava, eu me perdi.
Vem que eu tenho o amor que satisfaz
Não peço nada em troca, é você e nada mais
Sem mais
Razões pra fingir não querer...
Eu sentia meu coração paralisar com tudo o que sempre quis ouvir.
É o passo certo pro acerto que você sempre precisou
Nunca encontrou
Te achei!
Se procura alguém que tenha o teu jeito e os seus medos também,
Encontrou...
É o passo certo pro acerto que você sempre precisou
Hoje encontrou
levantou aquele divino rosto e eu via seus olhos acompanhando aquele sorriso impressionante pra mim.
Eu e você
Com aquela frase, dita por ele, minha mente e coração reconheciam seu lar.
Vou fazer seu mal progredir pro bem
Dos seus mil defeitos, todos eu gostei
A cara de brava eu já decorei
Me tem nas mãos
Meu sorriso se abriu largamente acompanhando o dele, e foi aí que eu percebi minha vista nublando-se.
Se meus amigos falam que isso não é amor
Por favor o que é amor então?
O que é amor então?
Desconfio que amor é você!
Era o bastante pra eu desabar.
É o passo certo pro acerto que você sempre precisou
Nunca encontrou
Te achei!
Se procura alguém que tenha o teu jeito e os seus medos também,
Encontrou...
É o passo certo pro acerto que você sempre precisou
Hoje encontrou
Eu e você
Pense nisso, pense em tudo que eu falei pra você
Se ainda não for o bastante, posso te prometer
O beijo que sonhou, escolher nosso som pra marcar um verão
Eu quero mesmo, me entregar pra ti
Por um momento, te assistir dormir
E dormir com você, até o amanhecer
Não era só mais meu coração que pulsava desesperado para realizar todo o seu desejo de ser entregue ao seu dono. Era meu corpo, mente. Era o sonho de uma vida. Eu achava que não caberia mais amor em mim. E as lágrimas que eu chorava de felicidade não eram nada para expressar fisicamente o que se passava dentro de mim com aquelas palavras tão docemente ditas.
É o passo certo pro acerto que você sempre precisou
Nunca encontrou
Te achei!
Se procura alguém que tenha o teu jeito e os seus medos também,
Encontrou...
É o passo certo pro acerto que você sempre precisou
Hoje encontrou
Eu e você
Após terminar, colocou o violão na areia e levantou lentamente seu rosto, seus olhos, para mim. E eu limpava minhas lágrimas. Quando consegui voltar a enxergar melhor, pude ver o que resumia toda aquela canção perfeita. Aqueles olhos que eu idolatrava me olhavam da maneira que eu sempre esperei ver, e talvez nunca tivesse conseguido quando dominada pela raiva: eram olhos apaixonados. Só o que eu via ali era: Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor.
Não poderia mais me conter com aquela visão. Me levantei e corri para o colo de , abraçando-o e esquecendo de que não éramos um só. Isso não existia naquele abraço. Meu coração é que controlava-o, encontrando o lugar onde sempre pertenceu. Voltei a chorar e embrenhei meus dedos no pescoço e cabelos de , enquanto ele apertava com mais força minha cintura contra si, aparentando também estar realizando seu maior desejo há tempos.
Quando nos soltamos, me sentou do seu lado, e se virou de frente pra mim, me dando também um sorriso apaixonado, limpando abaixo de meus olhos as lágrimas que ainda queriam descer e acariciando meu rosto e minha bochecha com a ponta dos dedos.
- , faz muito tempo que eu me apaixonei pelo seu sorriso, pelos seus olhos, pela sua voz. Por tudo que vinha de você. Eu sou completamente apaixonado por você. Eu posso enfrentar o mundo todo se você estiver do meu lado. Mas sem você, eu fico desnorteado, não encontro maneiras de viver. A Annabe foi algo que aconteceu por acaso, algo pra até te fazer ciúmes. Quem sempre obteve e regeu meu coração foi você. Eu preciso de você. Eu te amo, .
Eu sentia meus olhos se enxerem d'água novamente, mas eu precisava respondê-lo, dizer tudo o que eu esperei tanto tempo e ansiava por dizer para aquele rosto que me esperava tão ansioso, então segurei e o fiz:
- Awn – eu levei minhas mãos ao seu rosto, alisando-o – Eu achava que o meu único erro até hoje era te amar e querer ver-te bem mais do que a mim. Eu não conseguia entender meu amor por você. Porque mesmo com o teu silêncio, era algo que gritava no meu peito. Mesmo com a distância que eu via entre nós, meu coração te mantinha guardado em mim. Eu acordava todos os dias apaixonada e me condenava por ser sempre pela pessoa errada: você. Eu não conseguia te tirar de mim. Porque com um olhar você voltava a me ter. Com a sua respiração, com o teu sorriso, a tua voz. E eu deveria ser mais orgulhosa sabe? Não te aceitar assim tão facilmente depois do tanto que eu me enganei sobre você! - eu ri e ele mesmo emocionado, me acompanhou – Mas qualquer ideia some da minha mente quando você grita para o meu coração tudo o que ele quer pra ser seu. E sabe a única coisa que sobra? Eu também te amo. Mais que tudo. Sempre amei e depois de hoje sei que a cada segundo arranjo inexplicavelmente formas de te amar mais. Você é e sempre foi tudo pra mim .
Acho que tinha duas opções na mente: cair em prantos no meu colo ou fazer o que fez. Puxou meu rosto em sua direção e me beijou de uma maneira que eu nunca vou esquecer. Sua respiração era rápida, e estávamos tão apertados um ao outro que eu sentia seu coração bater rápido contra meu peito, que fazia o mesmo. Ele massageava minha nuca, apertava minhas costas mais ainda contra ele, e me beijava como se realizasse um tipo de sonho. Me beijava com todo o amor que eu também sentia por ele. Nossas línguas dançavam uma contra a outra regidas pelos batimentos do coração. Com movimentos lentos e calmos, apaixonados e sonhadores. Ele me despertava, me descobria, me encontrava, me dominava. Ele buscava finalmente o que era dele e sempre foi. Ele me buscava.
Respirar é algo inconveniente às vezes. Tivemos que nos separar, mordeu meu lábio inferior, levou sua cabeça para trás, puxando-o consigo, fez o contorno de meus lábios com a língua e começou a me dar vários selinhos repetidamente. Eu ri e disse em meio aos beijos:
- A gente podia estar fazendo isso há muito tempo, se não fosse a sua moleza!
- Pois depois de agora, tudo o que você me disse, de eu saber que você é minha, eu sou é um cara à jato.
- Ahhh é? Posso saber por quê? - eu disse, rindo mais.
- Pode e deve, porque trata-se de uma pergunta pra você, meu amor.
Me iluminei internamente com aquele meu amor e respondi um “Hum...”.
- , namora comigo?
Katy Perry narraria minha reação: “Baby, you're a firework!”. Eu sentia que meu corpo explodia em milhões de partículas de euforia. Era possível alguém ter overdose de felicidade? Como assim todos os meus sonhos estavam se realizando em efeito dominó? Finalmente o homem que eu queria, estava se oferecendo pra ser meu. Se entregar pra mim. Eu já achava que amor era uma palavra fraca para o que eu sentia.
- , é o que eu mais queria no mundo. Eu já sou sua. E quero namorar com você. Quero você.
Os olhos de brilharam de felicidade, amor, e no final, eram duas órbitas em chamas.
- Não tanto quanto eu te quero, e dormir com você, até o amanhecer.
Com o sorriso malicioso que me lançou, que me faria despencar no chão se não estivesse sentada, e sua mordida necessitada no lábio inferior, eu entendi. A raiva, mágoa e ressentimento estavam curados e substituídos por felicidade, amor e carinho. Porém, ainda estava em cheque a questão da provocação. Dois dias. Intensos. E sem resultados. E agora, não haviam mais obstáculos. Era hora de acertarmos as contas, na cama.
Continua
Nota da Autora: Licença, ainda lembram de mim? HAUAHUAUAHUHA brincadeira, vamos direto para as minhas explicações da demora demoradíssima desta vez: 1º- O tamanho da att já é explicativo né? 2 capítulos gigantescos é algo que demora pra gente escrever e ficar digno de mandar pra vocês sem correr pra me esconder! E bom, é a cena principal da fic, que todos esperavam...fiquei com MUITO medo de escrever ela, e ficar ruim, porque eu imaginei tanto e é tão importante, que eu não sabia se iria ficar bom...mas, aqui está. Não adiantava eu escrever em 2 semanas e mandar uma att porcaria pra vocês!
2º- Escola né minhas lindas? É só voltar que o tempo da gente ó: VUPT. Passa voando. Eu só conseguia escrever em finais de semana, e nos livres, porque tinha aqueles que eu tinha trabalho e provas, por isso demorou. Além daqueles em que eu abria o arquivo e: nada.
3º- Minha linda, maravilhosa, e inesquecível beta Thai Barcella, saiu do FFOBS. Por questões de estudo também, e aí eu me perdi! Namora Comigo? é minha primeira fic, e eu tinha medo de enviar pro FFOBS, então mandei um e-mail pra Thai e ela me recebeu tão linda e simpática! Vocês devem à ela isso! Senão eu teria me amedrontado e nunca postado! Ela que sempre betou incrivelmente essa fic, e aguentou minhas chatices! Uma beta inesquecível e MUITO foda! Vou sentir falta e saudades dela, então, todas se despeçam e desejem boa sorte à Thai na faculdade!
4º- E RECEBAM BEM A MINHA NOVA E LINDÍSSIMA BETA Lelen! A própria Thai que me mandou ela de presente, como sua última ação gloriosa por Namora Comigo?, porque ela também é fã de Cine! E é uma fofa! Logo de primeira já adorei ela, me senti super à vontade, muito simpática! Realmente é alguém digna de assumir o posto da Thai! Tenho certeza que vamos nos dar muito bem, então recebam com muito carinho nossa linda Lelen! *---------*
5º e última explicação: Segurei uma ou duas semanas o envio da att, pra que ela caísse perto do meu aniversário! Ela deve sair um pouquinho depois dele, mas sem problemas, fiz isso porque como eu amo muito vocês, quero ter vocês, minhas leitoras tão maravilhosas, comigo nesse dia também né? Então podem me dar parabéns, viu? Dia 10/04 eu faço 17 anos, e quero ver os parabéns lindos de vocês pra que eu possa ficar inteiramente feliz! HAHAHAHAHA – sou malanda .
Então é isso, os motivos foram dados, aposto que vocês vão entender e nem vão me odiar tanto assim ao verem o tamanho da att que mandei pra vocês, dupla, e com o momento principal da fic! Acho que a espera que fiz vocês aguentarem valeu a pena, né? E continuo agradecendo imensamente, nem tenho palavras, para o carinho de vocês com Namora Comigo?! Todos os comentários LINDOS que vocês NUNCA deixam de mandar, e eu fico toda boba com todos eles! Até brigando comigo por att vocês são lindas! E claro, as mentions no twitter de MUITO apoio, e elogiando mais do que tudo a fic, e a mim. Além das meninas que estão sempre em alerta e vigiando a que passos anda a att pelo Formspring, vocês são sensacionais! E por último, aquelas que vieram falar comigo no orkut, e me adicionaram! Vocês são insanamente lindas, maravilhosas, as melhores leitoras do mundo! Eu escrevo para e por vocês! Se não fosse o apoio, os elogios, e vocês cobrando, isso nunca iria pra frente!
Fecharei minha boca e vou responder alguns comentários:
Victória F. owwwwwnnn minha linda, você não sabe como eu fico ao ler Gabi, eu falei "tá zuando que tem att de NC? hoje?". Meus olhos se encheram de lágrimas. Saber que vocês amam tanto a fic assim, me deixa inteiramente feliz! E sua ansiedade chega ao fim! Está aqui o momento casal meloso! HAUAHUAUHAHAU @CintiaAkemii sua pressão psicológica e fofura comigo no twister é bastante responsável pela continuação dessa fanfic! Pode ter certeza disso! <333 Lola a maior fic de Cine é normal ser, porque todos percebem que a autora fala bastante mesmo! Mas a mais digna? Até tremi com esse seu comentário, de verdade! Obrigada mesmo, isso é muito importante pra mim! Vitoria Que isso linda, eu que agradeço você ler e apoiar a fic! Não precisa se desculpar, eu mesmo sinto vergonha do tanto que faço vocês esperarem, mas abandonar Namora Comigo? Fica tranquila. Não existe essa possibilidade. Sara KÉ KÉ ISSO? HAUAHUHAUHAHA tenho que parar em partes emocionante ué, senão ninguém fica com gostinho de quero mais na boca! Mandy e Pamela OBRIGADA! De verdade *----* Kah não fique louca! Aqui está a att ;DD Thaís e Bru obrigada pelo apoio! Fico MUITO feliz que vocês tenham gostado! Dryzinha eu vou ser a escritora do sexteto então? HAUAUUAHAUHU mais delirante que essa att então, hein? situação indigente e isolada,comunicável apenas por sinais de fumaça e por ai vai... KKKKKKKKKKKKKKK morta! Deitou amiga! É isso mesmo, escrevo pras meninas que gostam da fic, e só elas! Verdade, tá quase nos 30 *--------* Isabela Rosa desde o começo? Que liiiiiinda você! É mesmo! Desde janeiro! =X perdão pela demora gata, mas, cá está seu pedido realizado! @sarahdcs_, Bia e Thaay Gomes desculpem a demora, mas aqui está a att! Obrigada pelo carinho!
Ufa, terminamos. Só gostaria de terminar explicando o capítulo 16, que eu aposto que algumas vão ficar intrigadas pelo fato de ele se aprofundar tanto na Brenda. Eu ainda não havia feito isso, né? Ela era só uma figurante mesmo, e a relação dela com o 2º cineboy era só mencionada, e nesse foi mais explícita. É o seguinte: a Brenda e todas as suas características são inspiradas em uma amiga minha, e como presente de aniversário pra essa minha amiga, eu dedico o capítulo 16 pra ela, com cenas dela e o cineboy dela! Andressa, finalmente aqui está seu capítulo de presente! Te amo mtmtmtmtmtmt!
E bom, sobre o 17...gostaram? Como eu já disse, pra mim, ele é meu tesouro: o capítulo mais importante! Alguma de vocês achavam que seria outra a música que o seu cineboy cantaria pra você? Porque era meio óbvio né galera? HAUAUHAUHUAHUA
Parei de falar, juro. Mas vocês já estão acostumadas com as minhas notas GIGANTESKIAS né? Beijos melhores leitoras do mundo. Amo vocês, até mais!
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