Fiction por: TashF. | Betada por: Kay
CAPÍTULO 1
Ah, finalmente terminei o segundo grau e ia para a faculdade. Meus irmãos, mais velhos, já estavam nessa vida de universitários, e eu iria me juntar a eles. Faltavam ainda três semanas para o ano letivo da faculdade começar e eu já estava por lá, para me habituar e aprender a andar pela cidade, já que eu, como legítima menina do interior, não estava acostumada com as agitações da cidade grande. Só que, claro, minha cidade era pequena, mas isso não impedia a gente de se divertir, se é que me entende!
Pois bem, certo dia meus irmãos já tinham saído para fazerem as suas coisas e eu fiquei sozinha no apartamento. Decidi dar uma saidinha e visitar o centro da cidade.
Olhei umas lojas e parei pra comprar uma garrafinha de Keep Cooler. Eu ainda tinha 17 anos, mas eu lancei um charme para o moço do bar e ele nem perguntou a minha idade.
Voltando ao apartamento, vi que o vizinho do lado estava de mudança, ou melhor, um novo estudante estava arrumando suas coisas por lá. Fiquei curiosíssima pra saber quem era, ou se era gatinho. Mas também não ia ficar parada feito uma bocó esperando pra ver o fulano. Entrei em casa e aproveitei pra terminar de ler meu livro.
No outro dia, acordei às dez horas da manhã e fui tomar meu café. Mas como casa de estudante nunca tem nada para comer, fui ao mercado comprar algumas coisas. Eu, religiosamente, como uma fruta com chá no café da manhã.
Na volta eu encontrei com um casal. Cumprimentei normalmente e subi. Quando estava chegando ao meu apartamento, ouvi uma voz que me parecia familiar falando.
- Ah! Enquanto a faculdade não começa, vou aproveitar meu tempo livre.
E ouvi a maçaneta girar. Confesso que sou curiosa, em vez de entrar em casa, fiquei esperando o menino sair de lá pra ver se era bonito ou não.
Quando a porta abriu e eu vi quem saiu de lá, quase desmaiei, sério. ELE ERA NEM MAIS, NEM MENOS, QUE A PORRA LOUCA DO ! Não acredito infinito! Aquele bocó que namorava, ou namora ainda, a minha ex melhor amiga e atual inimizade. Sim, a gente parou de se falar de maneira nada amigável, admito. Resumindo a nossa briga: ela simplesmente começou a se afastar de mim. Até aí tudo bem. Mas depois eu descobri que ela falava que eu era falsa, que tinha inveja dela, e ainda inventou que eu falava mal de outras meninas da sala e blábláblá. Isso me deixou possessa. Eu não agüentei e fui tirar satisfação com ela, a gente acabou discutindo e, desde então, nunca mais nos falamos.
E o , namorado dela, me virou a cara também, porque enquanto eu era amiga dela, eu e ele sempre tivemos muita afinidade. Mas depois peguei uma puta raiva dele por AJUDAR A FALAR MAL DE MIM. Achei falta de consideração. Mas fiquei na minha.
Não posso negar que ele era bonito, muito bonito, diga-se de passagem. Mas eu não estava nem aí pra ele.
Quando ele me viu, exclamou:
- ? O que você está fazendo aqui? - Sua cara de espanto foi engraçada, admito.
- Ah, é que eu fiquei mor-ren-do de saudades de você, e resolvi vir aqui te visitar!
Quando ele ficou com uma cara mais confusa ainda, eu ri e contei a verdade.
- Eu sou a sua vizinha de lado. Infelizmente. - E fiz uma cara de tédio.
Ele olhou pra mim e deu um sorriso.
- Sério? Então quer dizer que vamos nos ver todos os dias!
- Todos os dias não, só quando eu tiver a infelicidade de encontrá-lo. - E sorri irônica.
- Nossa, quanta hostilidade! Qual é , a gente sempre conversou tão de boa.
- Conversávamos, porque desde que você virou um cuzão comigo, eu não faço mais questão de dirigir a palavra a você. Aliás, eu nem sei por que estou fazendo isso agora. Com licença.
E entrei em casa. Se ele pensa que depois de tudo que fez, com a total falta de consideração que teve comigo, eu ia dar trela pra ele, estava muito enganado.
Quando era meio dia, eu estava com muita fome. Por sorte, tinha um restaurante baratinho perto de casa. Fui lá comer, já que os meus irmãos só iriam chegar depois das dezoito horas.
Fiz meu prato e sentei-me em uma mesa. Sozinha. Enquanto eu estava perdida em meus pensamentos, alguém senta na minha mesa. Eu olho e reparo que é o idiota do . O que ele quer ainda? Já não fui bem clara que não quero papo com ele?
- Tem outras mesas vagas, .
- Mas eu quero sentar aqui, a vista é mais bonita.
- Ah, se a ouvisse o que você está falando, e justamente pra mim, não ia gostar nada!
- A gente terminou. - E fez uma cara de nada. Eu ri.
- Que peninha, hein?! Um casal tão bonito quanto vocês dois terminarem é realmente um pecado.
- Odeio quando você vem com ironias.
- Oh, desculpe se te ofendi, é que eu realmente não posso evitar.
Ele apenas sorriu e se sentou. Quer dizer, acho que fui bem explícita que não queria ele comendo comigo. Porém, como sou uma moça educada e não quero fazer escândalos em lugares públicos, não disse mais nada. Iria dar a ele apenas o meu silêncio.
- Sorry's not good enough, why are we breaking up? Cos I didn't treat you rough so please don't go changing. What was I thinking of? You said you're out of love, baby don't call this off because sorry's not good enough.¹
Quando ele terminou essa estrofe da música, eu olhei pra ele e falei:
- Ficou louco agora?
- Achei que essa parte da música pudesse, de alguma maneira, dizer o que eu quero dizer a você!
- Você quer me pedir desculpa? - E enquanto disse isso, levantei as sobrancelhas em tom de surpresa.
- Bingo. Eu quero. Mas sei que isso não é o suficiente, você está magoada comigo, e eu sei a causa. – Eu ri.
- Faz me rir, por que eu ficaria magoada com você? Desculpa, mas o que você faz ou fala não me afeta desta maneira. - Claro que eu não estava sendo cem por cento sincera, mas ele não precisava saber.
- Então por que não quer falar comigo e é tão grossa? Não minta , você está sendo assim porque acha que falei mal de você, e que ajudei a a te prejudicar, não foi?
Droga, agora ele tinha me pegado, era bem isso mesmo. Mas não queria que ele ficasse achando que eu tinha dado importância para o que ele pensa. Só que agora não tinha mais jeito, então resolvi desabafar e dizer tudo que estava entalado na minha garganta.
- Quer mesmo saber? É isso sim. Eu tinha consideração por você, e achei que o sentimento era recíproco, mas eu vi que não. Tudo bem que ela era sua namorada, mas precisava falar mal pelas minhas costas, e ajudá-la naqueles planos patéticos dela para me queimar com a turma? Poupe-me, não é porque você terminou com ela que agora vai ficar tudo bem e a gente vai poder ser amiguinho de volta. Eu não confio mais em você!
- O que? – Ele riu. - Você acha mesmo que eu ajudei a a te ferrar? De onde tirou um absurdo desses?
- Uma amiga em comum nossa me contou que ela queria espalhar que eu estava tendo um caso com o professor de educação física só para ficar com fama de puta no colégio. E essa nossa mesma amiga em comum, falou que você tinha concordado em ajudar a nisso. Negue olhando nos meus olhos agora.
- Por favor, , a queria fazer isso sim, e quando ela pediu para que eu a ajudasse eu achei ridículo, tanto que ela nem fez isso porque eu disse que não era pra ela fazer! A sua amiga deve ter escutado errado.
- Ela ouviu isso da própria boca da sua namoradinha, ou melhor, ex-namoradinha. De qualquer forma, ainda tem o fato que você falou mal de mim.
- Não falei... Ok. Eu falei sim. Falei que você era desiludida no amor porque nunca tinha se apaixonado, e que se continuasse do jeito que você é nunca ia gostar de alguém de verdade.
Ai. Aquela doeu. Como assim eu nunca tinha me apaixonado? Eu já tinha me apaixonado inúmeras vezes. Eu só não me lembro quando e por quem exatamente, mas eu com certeza já devo ter me apaixonado... Eu acho.
- Ah você disse isso é? E era apaixonado pela por acaso?
- Eu gostava dela, e era isso que me fazia ficar com ela, porque como você sabe, ela nem era bonita.
- UAU, revelações, dessa eu confesso que não sabia. Mas só uma pergunta antes de ir embora, você gostava dela ou da periquita dela? - E antes que ele pudesse responder eu sai, e o deixei bravo na mesa.
(Tradução¹: Desculpa não é bom o bastante. Por que nós estamos terminando? Porque eu não te tratei mal então, por favor, não mude. No que eu estava pensando? Você disse que está cansada do amor, baby não termine isso porque desculpa não é bom o bastante.).
CAPÍTULO 2
Ding dong. Barulho de campainha. Eu estava só de camisola, quem seria às dez horas da noite? E meus irmãos também são uma parada. O Ulisses me ligou, avisando que iria dormir na casa da namorada. E o Lourenço, que eu pensei que iria dormir em casa, avisou que passaria a noite na casa do amigo, já que eles tinham que terminar um trabalho da faculdade. Me deixaram sozinha essa noite, ninguém merece.
Abri a porta e lá estava , eu já estava ficando irritada, será que ele não tinha mais nada para fazer a não ser me irritar? O que ele queria a essa hora?
- Não gostei do que você insinuou, no almoço, hoje.
- Eu insinuei alguma coisa? – E fiz uma cara super forçada de desentendida.
- Não seja dissimulada , você sabe muito bem o que falou. E não. Eu não gostava só da “periquita” dela. – Quando ele falou periquita fez umas aspas com as mãos.
- Desculpa se eu te ofendi mais uma vez, é que eu sou assim mesmo, uma desiludida, então é normal eu fazer grosserias.
- Está desculpada e, para provar o quanto eu sou legal, trouxe um filme para a gente ver. Que tal? Aliás, adorei a sua camisola. – E fez uma cara de safado.
- Isso só pode ser piada, não é? E eu não vou poder, meu irmão está em casa e ele não vai gostar que eu fique vendo filme com um vizinho que eu mal conheço. – Ora, ele não precisava saber que eu estava sozinha em casa. E aquela cara de pau dele já estava me deixando com os nervos a flor da pele.
- Eu não sou um vizinho que você mal conhece e, com licença, que eu vou pedir permissão ao seu irmão. – Ele foi entrando, eu nem tive tempo de segurá-lo, quando eu o vi, já estava indo pelos corredores a procura do meu irmão.
- Seu irmão tomou pó de pirlimpimpim, que sumiu? – Ele falou e sorriu. Sorriu de uma maneira tão fofa e... Ai Jesus, eu pensei isso mesmo? Não, não. Eu vou me ignorar, só posso estar delirando.
- Ok. Eu admito que esteja sozinha em casa, mas isso não muda o fato que eu não quero você aqui! – Eu tenho a mania de falar uma coisa totalmente contrária do que eu realmente quero. Ai não! Estou de volta com esses pensamentos idiotas.
- Ah, mas que maravilha. Agora a gente pode ver o filme bem sossegado, e você pode me abraçar, quando ficar com medo, porque eu peguei um filme de terror. – E ele foi se espichando no sofá, como se fosse de casa. Ele não queria óleo de peroba para passar naquela cara de pau dele?
Estava derrotada. Eu não tinha mais argumentos. já estava pondo o DVD e eu sentei ao lado dele. Enquanto ele colocava o filme, eu comecei a reparar nos seus tributos físicos, e eles, realmente, eram muitos. Não podia negar que ele tinha um corpo bem definido e um porte muito atrativo. Seu perfume entrava em meus pulmões e me deixava embriagada. Era um cheiro muito bom. Um cheiro dele. Somente dele.
O filme já tinha começado e, nas horas mais tensas, em vez de eu me agarrar nele, o sem vergonha fingia que estava com medo e me abraçava. Em um momento, o filme já nem interessava mais, ele tinha me dado um abraço não repentino que eu tinha caído no sofá e ele ficou sobre mim. Eu olhava nos seus olhos e ele nos meus. Eu já não estava mais conseguindo resistir, sua boca começou a chegar cada vez mais perto da minha, e quando ele foi me dar um beijo, eu segui meus instintos, sou ‘má e odeio os homens’ e virei o rosto. Sim. EU VIREI O ROSTO. Eu estava querendo, mas eu não podia. Nem eu estava me entendendo mais. Não podia admitir que eu o desejasse, assim como ele me desejava. Eu sentia quando ele olhava para as minhas pernas desnudas e para o meu busto.
Depois do quase beijo, a gente voltou a ver o filme, por incrível que pareça, conversamos e brincamos muito. Desmoralizamos geral com as cenas. O filme era bem meia boca, então criticar ficava fácil.
Tinha passado uma semana desde que a gente tinha visto o filme e não tínhamos nos visto muito, desde aquele dia. Eu estava muito atarefada, um dia comprando material que faltava para a faculdade, outro dia fazendo mercado, e, no outro, limpando a casa. Minha semana passou assim, até que um dia eu acordei bem cedo, às cinco horas e trinta minutos da manhã e resolvi caminhar. Às seis eu já estava pronta e saí de casa. Era domingo e a rua estava bem deserta, tinham poucas pessoas sem juízo perfeito, como eu, que decidiram madrugar em um domingo para caminhar. Mas eu estava precisando andar, além de me ajudar a entrar em forma, já que eu só ia começar a academia na terça-feira, me ajudaria a pensar na minha vida e nos meus sentimentos.
já tinha tomado conta da minha mente. Toda hora eu me pegava pensando nele e no nosso quase beijo. Ou no seu sorriso, seu cheiro. Aquilo já estava me deixando louca. Será que ele estava sentindo o mesmo por mim? Ou eu só seria mais uma? Lembro-me da época em que ele namorava a , ele dizia que gostava dela, mas nunca foi apaixonado por ela. Quer dizer, pelo que ele fazia, não parecia. E uma vez ele tinha me dito que não amava ela, só gostava assim, o que, ao meu ver, é bem diferente de amar. Fiquei com medo de ficar com ele e depois ser descartada. Eu nunca fui de me apegar a homem nenhum, mas ele era diferente, sentia por ele uma coisa que nunca tinha sentido por pessoa alguma, e não sabia bem o que era aquilo. Eu não acreditava no amor, para mim, isso era coisa de gente com a cabeça nas nuvens. E agora estava começando a gostar de alguém, e estava odiando isso.
Já tinha passado uma hora e eu resolvi voltar para casa, estava tão desnorteada que resolvi parar em uma padaria e comprar um maço de cigarros. Eu não era de fumar, só fumava em ocasiões raras, quando estava com vazio ou com os sentimentos confusos. E era este o caso. Aproveitei e comprei um isqueiro junto. Sentei-me num banco de praça, acendi meu cigarro e fiquei fumando bem devagar, perdida em meus devaneios.
Depois de fumar uns dois cigarros, guardei o maço com o isqueiro dentro da minha bolsa tira colo e voltei para casa. Aproveitei e tomei um banho rápido. Quando vi, o relógio já marcava meio dia, meu estômago já começava a reclamar. Resolvi ir ao mesmo restaurante, perto da minha casa, de sempre.
No caminho encontrei o desgraçado, ele veio na minha direção e perguntou se eu estava indo almoçar, eu confirmei e ele me chamou para comer na casa dele.
Hum, ele cozinhando? Essa eu pagava para ver.
- Fala sério que você sabe cozinhar? Antes você mal sabia fritar um ovo.
- Ai que calúnia, eu sei fritar ovo sim, e, eu posso não ser um chefe de cozinha, mas me viro, ok?
- Essa eu quero ver! – Ele estava todo atrapalhado se virando com as panelas, resolvi intervir, para que aquilo não virasse um desastre. Sabia que na cozinha não iria prestar.
- Dê-me isso aqui, você não presta para nada mesmo, não é? – Disse rindo.
- Eu presto para muitas coisas ! – Ele deu um meio sorriso.
É impressão minha ou isso foi uma indireta? Comecei a ficar nervosa. Minhas mãos até suavam um pouco.
De repente ele me puxou pelo braço e me levou até o quarto dele. O que ele queria? Ok. Vou parar de me fazer de sonsa, eu já estava bem desconfiada que aquilo tivesse segundas intenções.
- Chega de joguinhos, eu quero você! – Ele me jogou na cama e foi para cima de mim, com a clara intenção de me beijar, ou até algo mais, do jeito que estava.
- Não. Eu posso ter voltado a ser sua amiga, mas não vamos misturar as coisas.
Pare de fingir que você não quer! – Ele tentou me beijar mais uma vez.
- Eu tenho que ir. Até outro dia . – Saí rápido e o deixei na cama, com uma cara confusa e indignada, ao mesmo tempo.
CAPÍTULO 3
Primeiro dia de aula na faculdade! Estava muito animada, nem consegui comer direito no café da manhã, de tão ansiosa.
Como caloura, estava ciente que os veteranos não iam perdoar, tinha certo receio do trote que aplicariam, dependendo do que fosse eu não me sujeitaria, tudo tem um limite.
Bem da maneira que havia previsto, os veteranos estavam caprichando no trote, puta merda, estavam vindo uns garotos na minha direção. O que eu faço?
- Oi gatinha. Caloura não? Esse ano veio com material de qualidade. – Ele estava já alegre, não chegava a estar bêbado, mas alegre, com certeza.
- É, sou nova por aqui sim. – E dei uma risadinha amarela.
- Venha com a gente que o trote de agora você vai adorar. Aposto. – E, antes que eu pudesse responder alguma coisa, ele já estava me puxando pelo braço e me levando para um canto. Eu comecei a estranhar, já que o lugar que estávamos indo não tinha muita gente. Quando chegamos ao destino desejado, ele e os amigos falaram que o trote de agora era eu tirar a roupa e ficar só de peças íntimas.
- Isso é algum tipo de piada, não é? Bem capaz que eu vou ficar só de calcinha e sutiã, ainda mais com um bando de marmanjo me olhando, era só o que me faltava. – Revirei os olhos, e, quando já estava indo embora, um deles puxou novamente o meu braço e me prendeu contra a parede.
- Não senhora, só vai poder ir embora quando fizer o que a gente mandar!
Aquilo já estava me deixando preocupada, eu queria sair dali, odiava me sentir encurralada e impotente.
- Não! Eu quero ir embora, me larguem! – Tentei me desvencilhar deles, só que três contra uma era muita covardia.
Dois deles seguravam os meus braços e um tentou me beijar a força, eu virava o rosto quanto podia, mas já estava ficado muito difícil me livrar deles.
Quando pensei que tudo já estava perdido, que eles tirariam a minha roupa a força, ali mesmo, quando eu estava com uma lágrima de arrependimento brotando nos olhos, arrependida de ter respondido aqueles escrotos, arrependida até mesmo de ter ido ao primeiro dia de aula... Eis que surge . Ele me tira com força das mãos dos veteranos. E diz:
- Eu não quero ver vocês tocando em um fio de cabelo dela, ou vão se ver comigo, fui claro? – Aqueles veteranos de merda eram magros, daqueles tipos desengonçados que não fazem um exercício físico, então não tiveram nem peito de bater de frente com um musculoso e com cara de bravo. Bem feito para eles.
- Obrigada, eu nem sei o que faria se não fosse você! – Falei, com uma lágrima quase escorrendo, mas eu sou tinhosa, e segurei tudo que pude para não a deixar escapar.
- Não precisa agradecer. Só cuidado, e vê se não fica dando bola para qualquer um, aí dá nisso, eu não vou estar aqui toda hora para te ajudar. – Ele falou bravo, pude até perceber certo ressentimento na sua voz.
- Eu não dei bola para eles, eu apenas respondi quando falaram comigo, isso não é dar bola! – Falei ofendida.
- Não precisa se alterar, eu não tenho nada com a sua vida mesmo. Agora, com licença que eu tenho que fazer algumas coisas. Salvar você me fez perder muito tempo.
Quando ele virou as costas para mim e foi embora, eu fiquei parada, estática, não acreditando que ele falou daquela maneira comigo. Bom, era de se esperar, ele toda hora me dando indiretas e investindo em mim, e eu só respondia com nãos. E depois ele me pega com três rapazes, longe de tudo e de todos, em um canto vazio do campus.
Mesmo assim eu odiei em como ele foi grosso e indiferente comigo. Odiei.
O jeito vai ser eu ficar na minha, ficar quieta e... Pensando bem, o desgraçado falou comigo naquele tom e eu iria ficar calada? Ele ia ter que me escutar, até porque, tinha entendido tudo errado.
Cheguei perto dele, decidida a lavar a minha alma, mas, quando cheguei perto, desisti. Sério, é que às vezes eu mesma me irrito de como mudo rápido de idéia. Não ia ficar perdendo tempo com aquele idiota. Não mesmo. Até porque ele não me afetava em nada. NADA. Vou pegar o primeiro que me aparecer só de raiva. Ok, isso soou muito vadia. Mas não importa, não quero mais ver o nem pintado de ouro.
Depois cheguei em casa, toda pintada e melecada, éca. Precisava de um banho urgente, fui correndo para o chuveiro. Sai água, sai logo. Não creio, sério, isso só pode ser algum tipo de carma, a porra da água não queria sair. Calma , calma. Respira fundo e pensa em alguma coisa racional e madura para fazer numa hora dessas!
- ULISSES, vem me ajudar que o chuveiro enguiçou! ULISSES CADÊ VOCÊ?
- Credo! O que foi, ?
- Essa bosta não quer ligar!
- Ah, esqueci de te avisar que o nosso chuveiro deu pau mesmo, eu chamei o zelador do prédio para consertar, mas ele só vai poder vir depois do expediente, isto é, daqui quatro horas. – Ele me olhou com uma cara de quem esperava a minha reação histérica.
- COMO É QUE É? Diga-me que isso é uma brincadeira, eu não posso ficar quatro horas nesse estado lamentável.
- Desculpa , mas eu realmente não posso fazer nada, eu não sei consertar. Mas você tem opções, ou toma um banho de tanque, ou vai a alguma vizinha e pede para usar o chuveiro. São os únicos jeitos. Ah, mas você também pode esperar o zelador chegar! – Ele tentou dar uma risadinha para descontrair a tensão, mas não funcionou muito.
Infelizmente, o único jeito foi eu ter que recorrer a última pessoa que eu queria ter que olhar na cara. Mas não tinha outro jeito.
CAPÍTULO 4
- O que você quer aqui? – disse seco.
- Não pense que isso está sendo divertido para mim, mas eu, er... Eu preciso que você me deixe usar o chuveiro. O da minha casa estragou e o zelador só vem consertar daqui quatro horas, e eu não posso esperar tanto tempo do jeito que estou. – Confesso que falar aquilo foi super vergonhoso para mim.
- Ah é? Bom, então se vire. Aposto que para você não vai ser muito difícil achar um cara que aceite de boa que você tome banho na casa dele. – O sorriso dele foi tão cínico que deu até raiva.
- Você quer que eu implore agora? – Falei, começando a ficar irritada.
- Não. Eu não quero nada. Tchau . – E fechou a porta na minha cara.
Eu não sei nem descrever o tamanho do ódio que eu estou daquele garoto. Aquele infeliz, insuportável. Eu precisava de um banho urgente, e eu não estava nem aí se ele tinha ficado brabinho comigo. Vá à merda. Bati de volta na porta da casa dele, e dessa vez com mais força.
Eu não acredito que ele ia me ignorar. Deixou-me batendo feito uma palhaça e não se prestou nem em atender a porta. EU VOU MATAR AQUELE IDIOTA!
Quando já tinha desistido, e pensei que a única solução seria tomar banho NO TANQUE, ouvi um barulho de chaves girando.
- Entre, mas pare de ficar dando showzinhos. – O que? Se eu não estivesse tão desesperada tinha o mandado tomar bem naquele lugar.
- Não estou dando showzinhos. – Disse de cara fechada e entrei o mais rápido que pude, antes que ele pudesse mudar de idéia e não me deixar mais entrar.
Ai como é bom tirar toda essa tinta, ovo, farinha e mais o diabo a quatro que jogaram em mim. Eu só estava um pouco preocupada que o banheiro do não tinha chaves, então eu não pude trancar a porta. Mas se bem que, ele sabia que eu estava ali, e não seria nem louco de entrar.
De repente eu vejo a maçaneta girar, e não, não pode ser. Ele não se atreveria, não seria capaz disso. Tentei me convencer em vão, porque quando notei, estava dentro do banheiro, como se não tivesse uma mulher nua tomando banho no chuveiro dele.
- O que você está fazendo aqui? – Disse, completamente alterada, puta da cara mesmo.
- Ué, que eu saiba esse é o MEU banheiro, não? – Ele disse, com um sorriso mais cínico ainda. Que raiva que eu estava ficando daquele imbecil. – E eu, aliás, fiz o favor de deixar você usá-lo, já que alguém estava imunda e com o chuveiro estragado.
- Mas precisava entrar enquanto eu estou aqui? Cadê a privacidade? Eu posso te processar por assédio sexual! Estou aqui faz cinco minutos, será que não podia esperar um pouco? – Falei com a voz irritada, super irritada, diga-se de passagem.
- Precisava. E na minha casa não existe isso de privacidade. Minha casa, minhas regras, se não está bom, pode ir embora. E eu duvido muito que você vá me processar. Primeiro, porque nem tem como provar, segundo, que eu sei que por trás de toda essa irritação, você está morrendo de vontade que eu vá até aí e te acalme na marra. E respondendo a sua última pergunta: não, eu não poderia esperar. – Depois que ele falou tudo aquilo, teve a cara de pau de me olhar de cima a baixo e dar um sorrisinho. Se eu não estivesse totalmente pelada, teria pulado no pescoço daquele fulano.
- Eu nunca ouvi um absurdo desse tamanho. Mas é muito descaramento mesmo. Se eu não estivesse tão puta daria até risada. Eu? Com vontade que você me agarre? Chega até a ser engraçado. – Falei, rolando os olhos e dando uma leve risada incrédula. Mas antes que eu pudesse me recompor desse ataque de indignação, eu já vi o abrindo a porta do box.
- Ah não quer? – Entrou e me abraçou pela cintura, puxando meu corpo bem colado ao dele. – Então prove que não quer.
grudou ainda mais forte o meu corpo no dele, e o pior, eu estava em desvantagem, pois ele estava vestido, e eu sem nenhuma peça. Confesso que resistir ficava mais difícil a cada segundo. Já podia até sentir seu membro, e aquilo me deixou ainda mais louca.
- Eu... Eu não quero. – Falei com a respiração totalmente fraca, as palavras nem saiam direito da minha boca.
Ele percebeu que o que eu dizia era totalmente ao contrário do que eu realmente queria, estava estampado na minha cara. Não teve mais como evitar, aproximou ainda mais os nossos rostos e me beijou, sua língua foi com vontade ao encontro da minha, ele me beijava com força, nossas línguas se massageavam em perfeita sintonia. Depois do beijo ele me tirou do chuveiro, me levantou e eu encaixei minhas pernas ao redor da sua cintura, me carregou até seu quarto e me deitou na cama, ele foi para cima de mim e me beijou mais uma vez, novamente com fúria e, dessa vez, puxava meus lábios e mordiscava de leve. Ele foi descendo seus beijos pelo meu pescoço, com leves chupões, chegou ao meu colo e, finalmente, aos seios. Ele chupava, beijava e me fazia soltar leves gemidos. Quando escutou que estava me fazendo explodir de prazer, levantou seu rosto e me encarou com um olhar pervertido. Tirou sua blusa rapidamente e desceu seus beijos por minha barriga e, finalmente, chegando a minha intimidade. Beijou-a por alguns momentos, e após começou a usar a língua, sugando e me fazendo gemer ainda mais forte. Levei minha cabeça para trás e resolvi oferecer a ele um pouco de prazer também, já que, até agora, eu tinha sido egoísta e só ele tinha feito tudo.
Levantei e sentei-me sobre ele, soltei o seu cinto e comecei a abrir o zíper de sua calça, ele me olhava com os olhos brilhando, excitação talvez. Comecei dando selinhos em sua boca, depois desci por seu pescoço, eu pude senti-lo estremecer. Fui descendo e dando leves sugadas em seus mamilos, passei por sua barriga e cheguei ao seu membro rígido, beijei levemente a base, e passei a língua por aquela parte, demonstrando um carinho todo especial entre os testículos, subi com a minha boca até a glande, beijando-a devagar, e comecei a chupá-lo com força, em um vai e vem rápido. Antes que ele gozasse, eu parei, ainda pude vê-lo com os olhos fechados, e um pequeno sorriso formado em seus lábios. Quando ele voltou de seu transe, segurou a minha cintura e me jogou na cama, ficou por cima de mim, ele me olhava nos olhos, e, em um rápido momento de consciência, abriu a gaveta do lado da cama e pegou a camisinha, quando já estava devidamente protegido, me beijou. Levei minhas mãos ao seu ombro e massageei toda aquela parte, passei para seu cabelo e o puxei com força, desci e finquei minhas unhas em suas costas, pude ouvi-lo soltar um gemido, de dor e prazer ao mesmo tempo. Aquele homem me deixava fora de mim, eu respirava tão pesado e ficava tão sem ar que parecia que ele era uma droga, cada toque dele me fazia sentir mais prazer, sua pele parecia ter sido feita para ficar grudada na minha, suas mãos desciam pelo meu corpo e seus dedos chegaram à minha parte íntima. Fechei meus olhos com força e esbocei um sorriso satisfeito, começou usando um dedo, massageando o meu clitóris, por vezes descia e subia, sem ainda me penetrar com o dedo. Como ele conseguia me deixar enlouquecida usando apenas os dedos? Devo confessar que eu sempre senti alguma coisa por ele, mas nunca imaginei que algo pudesse acontecer entre a gente. Ele me penetrou com um dedo, e o outro ainda massageava suavemente o meu clitóris enquanto me beijava, ai senhor, ele colocou dois dedos, já não estava mais suportando, tive que gemer.
- Awn, por favor, , me penetre de uma vez, por favor! – Aquele sacana apenas me olhou e sorriu maliciosamente. Sabia, ele me maltrataria até que eu estivesse gritando por seu nome e implorando para que ele me penetrasse.
- Acho que como você foi uma garota muito má, terá que ser punida. – E quando terminou de falar isso, apertou com força a minha bunda e colocou a cabeça de seu instrumento maravilhoso dentro de mim. Ele colocava e tirava a cabeça, me fazendo revirar os olhos, eu precisava que ele entrasse em mim, meu corpo estava fervendo, minha pele estava quente. Aquele infeliz queria que eu implorasse, eu não queria, mas tive que engolir o orgulho, como ele conseguia ser tão mau? Como ele conseguia não me penetrar, eu sei que estava sendo difícil para ele também, mas, pelo jeito, me fazer pagar por tudo que eu o fiz passar, valeria a pena para ele.
- PELO AMOR DE DEUS, EU PRECISO QUE VOCÊ... - Arfei, eu respirava muito rápido, minhas mãos apertavam os lençóis com força, meus olhos reviravam.
- Você precisa? – Ele falava e mordia os lábios, segurando para que não me penetrasse de uma vez.
- Não me faça implorar, eu preciso de você. Penetre-me... Seu cachorro desgraçado. – Por mais que ele estivesse tendo poder sobre mim, não pude deixar de sorrir pervertidamente para ele. Sabia que ele mesmo não continuaria com aquele joguinho por muito tempo.
sorriu satisfeito. Tinha conseguido o que queria. Seus olhos ardendo de desejo olharam meu corpo despido rapidamente, e, logo após, ele abriu minhas pernas, deixando-as totalmente abertas, ele segurava cada uma delas e foi indo com as suas mãos para detrás de minhas coxas, quando, finalmente, entrou com tudo dentro de mim, me bombeando lentamente no início, e indo cada vez mais rápido, com mais força. Devo dizer que ele era muito bem dotado? Oh sim, ele era. Puxava meu corpo com força contra o corpo dele, deixando a penetração ainda mais intensa. Minhas mãos apertavam suas costas com força, minhas unhas cravaram em sua pele. Desci minhas mãos até aquela bunda deliciosa dele e apertei também, ajudando-o a entrar ainda mais em mim. Garotas também curtem bumbuns masculinos, ok? Ainda mais aquele que era tudo de bom. parecia ter gostado da minha atitude repentina, tanto que pude ouvi-lo gemer.
Fechei meus olhos, apertando-os. Eu estava chegando quase lá. Só mais um pouco , isso, assim, bem assim. Ele ia rápido, até que eu cheguei ao meu ponto máximo, sentia a minha intimidade super molhada. Logo após eu ter chegado ao orgasmo, também chegou ao seu clímax. Nossos corpos relaxaram totalmente, até que ele me abraçou pelas costas e ficamos de conchinha. Eu simplesmente AMO ficar de conchinha. Por fim ele deu um beijo em minha nuca.
Ficamos abraçados por um bom tempo, até que eu, exausta, adormeci em seus braços. Logicamente e eu tínhamos feito bastante esforço, mas ainda vale lembrar que o trote foi muito cansativo também.
Acordei assustada, que horas são agora? Meu irmão estranharia o fato de eu demorar tanto para tomar um banho. Quando dei por mim, percebi que estava sozinha na cama. Será que o puto do saiu e me deixou lá sozinha? Mas é bem a cara dele fazer isso, ele vai se ver comigo, espera só eu encontrar ele!
- Olá gatona. Dormiu bem? – Ele disse com um sorriso de orelha a orelha.
Ok. Minha cara foi ao chão, equivoquei-me, admito.
- Er, oi! Acordou e não me chamou? Sabe que horas são agora? – Falei, já dando um sorrisinho tímido.
- Ah, você estava dormindo tão gostoso que tive pena de acordar. E agora são exatamente dezoito horas e treze minutos. – Hum, até que o horário não estava tão mau assim. Provavelmente Ulisses perceberia que eu tinha ido a outro lugar, ou que tinha estendido o tempo “conversando com a vizinha”. Quando desse sete horas eu voltaria para casa e daria essa desculpa muito mais que esfarrapada!
- Então, meu amor, vai à festa de boas vindas aos calouros?
- Nem sabia que teria essa festa. – Falei, espantada com a minha total desinformação, é sempre assim, eu só fico sabendo das festas quando todo mundo já está comentando.
- Vai sim, e é a fantasia. Do que será que você pode ir? Acho que seria a sua cara ir de pirata ou gangster, já que você é uma tratante e muito da mau caráter. Se bem que diaba e viúva negra também dariam certo com a sua personalidade. Já que muitas vezes eu me senti esfaqueado só com um olhar teu. – E dizia isso já rindo da minha cara.
- Engraçadinho! Pois saiba que eu deveria ir de santa, já que para aturar você, eu tenho que ter uma paciência do tamanho do mundo. – Falei, mostrando a língua para ele.
- Então isso quer dizer que você vai à festa? Diz que vai, diz que vai. – Dava para sentir o olhar de pidão dele. Não tive como negar. Ah, ninguém consegue negar qualquer coisa a ele com aquele olhar de cachorro sem dono.
- Vou pensar no seu caso. – Falei e dei um sorriso como se quem dissesse: mas é claro. Só que eu sou eu e jamais diria isso. Jamais. Se bem que quando estava perto dele, nunca tinha certeza de nada. Estou virando uma contradição ambulante. sua idiota, acorda para a vida garota.
Bem, e já que eu iria mesmo à festa, teria que pensar qual fantasia usaria. As idéias dele não foram tão más assim, só que eu acho que vou vestindo outra coisa...
CAPÍTULO 5
A festa, o castigo
- Por favor, me fale do que você vai fantasiada. – implorava tanto que dava até dó.
- Não digo, não digo e não digo. Vai ser surpresa! E nem é nada de espetacular, é só para te deixar curioso mesmo. – Adoro fazer isso.
- Não adianta mesmo, hein ?! Nem a minha chatice supera a sua teimosia.
- É. Pode esquecer mesmo.
A festa seria daqui dois dias, e eu, de certa forma, estava ansiosa, e louca de vontade para saber qual a fantasia que o usaria, já que ele, Senhor Vingança, também não quis me contar qual era a dele. Odeio ficar curiosa. Odeio.
Enfim o tão esperado dia, a festa começaria às nove horas e trinta minutos, da noite. E às oito horas eu já comecei a me arrumar. Banho, secar o cabelo, passar creme, por a fantasia, me maquiar, fazer o cabelo, passar perfume e tudo mais que eu tinha direito. Ulisses, que era bem mais ciumento que o Lourenço, quando me viu pronta já reclamou:
- Eu não acredito que você vai assim ! Não tinha uma fantasia mais indecente não? – Irmão ciumento é foda.
- Corta essa, eu estou decente, e largue mão de ser ciumento, porque qualquer coisa acima do joelho já é indecente para você!
- Fazer o que, e vê se não vai aprontar mocinha, a mãe e o pai não estão aqui, mas eu ainda posso cuidar da senhorita, ouviu bem?
- Pode deixar maninho querido do meu coração, eu só vou à festa da faculdade, nada de mais. – Falei, dando um risinho.
- Comporte-se.
Sentei no sofá e fiquei esperando o chegar para irmos juntos. Já estava na hora, exatamente nove e meia. Ok, estou sendo exigente, ele não precisa ser o Senhor Pontualidade, desde que não me faça esperar demais, tudo bem. Nove e quarenta e cinco. Nada de chegar. Já falei que odeio ficar esperando muito tempo? Pois é, e principalmente quando tem uma festa para ir, e mais principalmente ainda, quando o garoto que vem me buscar é lindo de morrer.
Não demora muito e toca a campainha. Ainda bem, não podia roer as minhas unhas já que hoje elas estavam feitas.
Quando abri a porta e o vi parado, fiquei em choque com a fantasia dele, Jesus, como estava lindo. Ele usava uma fantasia de bandido do faroeste. Enfim, acho que formaríamos um belo casal, já que ele estava fantasiado de vilão, e eu de mocinha.
- Ai não. Por favor, não me prenda. Caralho, você está incrível de Tomb Raider! – Ele sorria maliciosamente. Eu posso com isso? Não, não posso.
- E você não fica para trás de bandido! – E dei uma piscadinha para ele. – Ulisses, Lourenço, eu estou indo!
- Ok , divirta-se. – Lourenço berrou. Ulisses apenas disse um se cuida.
Chegamos à festa e fomos para o barzinho pedir alguma coisa para tomarmos. Pedi uma caipirinha e uma cerveja. E eu, como não agüento ficar parada muito tempo, o puxei para o meio da pista. Comecei a dançar sensualmente para ele, que pegou em minha cintura e colou nossos corpos. Ficamos nessa por algum tempo até que não segurou mais e me levou pela mão até um canto mais reservado, que tinha uns pufes. Ele puxou dois para mais longe do resto, ele foi me deitando e se pondo por cima de mim. Puxou meu queixo perto do dele e me deu um selinho forte, logo em seguida adentrando com a língua em minha boca. Passei minhas mãos por sua nuca e puxei de leve seus cabelos. Ele se inclinou mais sobre mim e colocou uma de suas pernas pelo meio das minhas. Suas mãos apertaram com força a minha cintura e desceram por detrás das minhas coxas e me apertaram mais forte contra ele. Minha respiração deu uma falhada e comecei a beijar seu pescoço, beijei lentamente e subi até sua orelha, mordi fracamente seu lóbulo e fui descendo novamente. De súbito, tirei-o de cima de mim, e antes que ele pudesse reclamar, me sentei no colo dele e parti para um novo beijo, dessa vez calmo, e ele algumas vezes mordiscava meus lábios. Já pude sentir seu membro roçando em mim, e eu cada vez mais doida, abracei seu ombro e me deitei sobre ele, indo e vindo meu corpo contra o dele. puxou-me com força e apertava minhas coxas. Subiu suas mãos e colocou-as dentro de minha blusa, subindo perigosamente e se depositando em meu busto, o qual ele massageava enquanto me beijava.
inverteu as nossas posições e ficou novamente por cima, e eu ainda com as pernas entre o corpo dele. Segurou meus pulsos, um do lado de cada ombro, e deu selinhos em meus lábios, e estes foram descendo pelo pescoço, e chegando ao colo.
Já disse que eu amo quando ele beija meu busto? Sim, eu realmente adoro. E amo mais ainda quando ele usa sabiamente a sua língua, pena que estamos em um lugar público, porque do jeito que ele está me provocando, talvez eu não agüente e transe com ele aqui mesmo.
- , acho melhor você pegar leve. Não pretendo ser presa por atentado ao pudor.
- Desculpa , é que quando estou perto de você, não consigo me conter.
- Eu só te perdôo com a condição de você me levar para algum lugar mais reservado. – E sorri safada.
Nem precisei pedir duas vezes, ele me puxou pelos pulsos e foi me levando até o carro. E como eu sou uma metamorfose ambulante (n/a: sim, copiei do Raul, hehe), ou melhor, sou uma bipolar que muda de idéia a cada cinco segundos, tive que dar uma de doida e paralisar.
- O que foi ? Por que parou de repente? – Sua cara foi confusa. Ri.
- Sabe, acho que não devemos ir para lugar algum, vamos ficar aqui, a gente nem curtiu a festa direito e... – Antes que eu pudesse contestar mais alguma coisa, me pegou no colo, e me pôs em suas costas, como se eu fosse um saco de batatas, com minha bunda virada para frente, e meu peito apoiado em seu ombro.
- Ai, ai, me larga! – Inferno de homem, teimoso que só ele.
- Não largo. Sua praga, teimosa, mal criada e bipolar. – Me repreendeu.
- Vai ter que começar a se acostumar. Eu te avisei que era muito ruim e implicante para me relacionar com alguém. – Falo mesmo, e sou muito da retardada por isso, mas às vezes eu insisto em não admitir que esteja entrando em um relacionamento sério e se apaixonando de verdade. Sou patética, eu sei.
- Você nunca me falou que era ruim e implicante. – Não puder ver a cara que ele fazia porque que eu AINDA ESTAVA SENDO CARREGADA COMO UM SACO DE BATATAS POR ELE! E quando fui falar que ainda não tinha tido tempo para avisá-lo disso, ele continuou. – Embora eu sempre tivesse uma desconfiança enorme desse seu lado megera. - E riu.
- Ah é? Então me bota no chão. Agora! – Falei imperativa.
- Até parece. Para começar quem bota é galinha, e, como você anda uma rapariga muito, mas muito indisciplinada, vai ter que ter outra punição. Você é meio lerdinha para aprender, não é mesmo? – E riu novamente da minha cara. Se ele pudesse ver a minha expressão, viria a cara de ânus que estava fazendo.
- Quero só ver. Duvido muito que você me obrigue a alguma coisa. – E ri sarcástica.
- Veremos.
Sim. Eu estava numa casa de Streep Tease. E sim, ele me obrigou a subir em um cano e dançar para ele. Muitos perguntariam: cadê a sua força de vontade? Sua determinação é tão forte quanto uma brisa de primavera. Mas o que eu posso fazer quando ele fala daquele jeito sexy e irresistível? Não consegui negar. E também, eu tinha um plano na minha mente. Não é só ele que tinha cartas na manga.
CAPÍTULO 6
Estava no palco e pude perceber que muitas atenções se voltaram a mim. Os donos do lugar pareceram não se importar muito que eu estivesse ali sem nem menos trabalhar naquele lugar, mas pela boa maneira que fui recebida pelos clientes, eu me admiraria muito se eles me tirassem dali, já que daria lucros para eles sem cobrar nada. E tudo culpa do . Ele é o culpado de todas as minhas desgraças. Mas agora eu seria culpada pelas desgraças dele também. Aguarde-me, querido.
Eu acho que nasci com o dom de dançar no queijo. Sabia que fazer algumas aulas de pole dance me seriam úteis um dia. Girava com facilidade e até consegui subi no cano em alguns momentos. Por que está me olhando perplexo? Vai ver ele não imaginava que eu tinha esse talento desconhecido. Mas, infelizmente, para , e felizmente para mim, ele não era o único que tinha gostado de me ver dançar. E era agora que a vingança começava. Adoro! Enquanto ele babava, alguns caras vieram me parabenizar depois da apresentação, e eu, claro, dei trela. Sorria, agradecia, e dava umas voltinhas quando pediam. Até dinheiro me deram. Estou me sentindo uma verdadeira stripper, o que é muito diferente de puta, ok? Só aceitei o dinheiro para fazer ciúmes no , nada mais. E, falando nele, acho que alguém está ficando um pouco chateado de me ver tão assediada. A idéia não tinha sido dele de me levar naquele lugar? Agora agüenta! Ops. Acho que exagerei um pouquinho, está vindo para cá, e sua cara não é nada boa. Pronto. Agora ele está me puxando pelo braço e me tirando de perto daqueles caras. Poxa, agora que estava ficando divertido?
- Hey cara, quem você pensa que é para tirar essa belezinha daqui? – Um dos homens que estava em volta de mim falou.
- Ela é minha namorada. – falou bravo. Espera aí, eu ouvi bem? Ele disse namorada? Quando que a gente começou a namorar que eu não fiquei sabendo?
- E você deixa a sua garota dançar para os outros dessa forma? – Outro homem, que estava me assistindo, perguntou.
- O plano não era esse, era para ela dançar só para mim, não é mesmo, ? Mas alguém passou dos limites! – Ui, é impressão minha ou ele ficou irritado?
- Era? Acho que talvez eu tenha exagerado um pouquinho. – Meu sorriso inocente quase o convenceu, mas eu disse bem, QUASE o convenceu.
- UM POUQUINHO? QUANTA CARA DE PAU! Você é simplesmente inacreditável, garota. Só faltou você deixar aqueles homens esfregarem as mãos em você. Isso se não deixou. – Fúria perceptível. Mas espera um momento. É impressão minha ou ele insinuou que eu sou puta?
- Primeiro: ninguém passou a mão em mim, e mesmo se passassem isso não seria da sua conta. Segundo: a idéia de me trazer aqui foi sua, agora agüenta. E terceiro: acho que esse negócio de stripper não é tão má idéia assim. Rendeu-me uma boa grana hoje. – Sorri irônica.
- Eu vou te levar para casa. – Ele me puxava pelas mãos como se fosse meu pai. Ninguém merece.
Estávamos no carro e ele dirigia calado. Concentrado apenas no trânsito e fingindo que eu não estava ali. Decidi acabar com aquela briga boba. Que, pensando bem, era até culpa minha. Sim, era culpa minha. Acho melhor me desculpar.
- , eu, er... Bem, talvez hoje eu tenh,a realmente, sem ser irônica agora, eu talvez tenha, em algum momento, bem você sabe né. Então se não for muito, será que você poderia er... Poderia quem sabe... Me desculpar?- Sim, a última parte foi praticamente um sussurro.
- Como é que é? Eu não entendi nada do que você falou. Dava para repetir? Mais alto e mais claro, dessa vez. – Um sorriso vitorioso surgia em seus lábios. Ai, quanta força de vontade eu terei que ter para pedir desculpas a ele. Enfim, não adianta enrolar . Fala de uma vez.
- Ok. A culpa foi minha. Eu exagerei, fui mala, mal criada e não merecedora de você hoje. Será que poderia me perdoar? Se você ainda quiser ver a minha cara, é claro.
- Eu também tenho uma parcela de culpa nisso. Como eu pude ser tão idiota a ponto de levá-la contrariada a um bar de Streep Tease e achar que não aprontaria nada? E sim, eu te desculpo. É impossível ficar bravo com você. Mesmo que eu queira. Sua louca varrida.
- Eu sabia que você não resistiria ao meu rosto angelical. – E pisquei várias vezes, forçando uma meiguice. Ele riu.
- De angelical acho que só o rosto, não é mesmo? E, aliás, onde que você aprendeu a dançar daquela maneira? Creio que não ensinam isso na faculdade.
- Pode apostar que não ensinam. Bem, , querido, há tantas coisas sobre mim que você ainda não sabe. – E lancei-lhe um olhar misterioso.
- Falou bem, há coisas que eu AINDA não sei. Mas um dia eu hei de saber, minha cara.
- Quem sabe. Quem sabe. – E apoiei minha cabeça na janela, vendo as luzes dos postes passarem como borrões pela janela.
Bem, não existe nada melhor que reconciliações. Nada. Eu e estávamos a mil e uma maravilhas. Sinto que nada mais poderá abalar nosso namoro. Sim, namoro. Porque desde aquele dia da festa a fantasia, eu e ele passamos a namorar. O pedido dele foi diferente de todos que eu já vi, aliás, nem sei se aquilo foi mesmo um pedido.
No caminho de volta para casa, toquei no assunto de quando ele falou que eu era a namorada dele para aqueles rapazes da boate. E sabe o que ele fez? Tentarei reproduzir as palavras dele, que foram estas: "ah sim, muito bem lembrado , querida. Venho a Vossa Alteza Real comunicar que, a partir de hoje, estou namorando contigo." Que romântico, não? Pois é. Mas mesmo assim eu achei fofo o modo como ele falou. Estou parecendo uma bocó apaixonada e não estou acostumada com isso. Já falei que odeio aquele garoto? Não? Eu o odeio. Enfim, quando ele terminou de comunicar o nosso namoro, só o olhei perplexa. Quando perguntei o que ele faria se eu recusasse, ele me disse que seria forçado a me obrigar a aceitar. Nem perguntei como, mas só pelo olhar malicioso dele, já pude perceber. E lógico, eu não me contrapus ao aviso. Se bem que seria interessante, só para ver o que aconteceria se me negasse. Acho melhor parar de fazer essa cara pervertida aqui no campus. Ou vão achar que eu sou uma ninfomaníaca. Eu, hein.
Ah, o intervalo. Estou varada de fome. E, hm, está ali com alguns amigos e... Amigas. Olha como elas olham interessadas nele. Coitadas. Espera só até eu dar a minha entrada triunfal e acabar com a banca daquelas universitárias sem sal. Modéstia e superficialidade a parte, eu sou muito mais bonita do que elas. E se houver alguma mulher que não goste de se achar bonita, que atire a primeira pedra. E que mulher também não gosta de ser mais bonita de que as fulanas que dão em cima do seu namorado? Pois é. Um pouco de massagem ao ego não faz mal a ninguém.
Cheguei até a mesa deles e dei um selinho em . Cumprimentei a todos. Inclusive as que estavam paquerando o meu . Também não sou mal educada, e também não vou dar crise de ciúmes por coisas à toa. Não faz o meu perfil.
- Então, , vocês estão namorando há quanto tempo? – Uma loira que se chamava Agatha perguntou a mim.
- Bem, na verdade, estamos completando doze horas de namoro hoje. Não é mesmo, meu amor? – Sorri brincalhona para , que apenas riu da minha graça.
- Namoro recente então. Espero que dure. – Eu fico me perguntando como alguém pode dar um sorriso tão falso. Ela olhou para com segundas, terceiras, quartas e quintas intenções. Eu não sou uma paranóica, mas acho que ninguém esfrega os peitos na cara de alguém a toa. Apenas rolei os olhos e sorri de boca fechada. Sinto pena.
- Então , pretende ter filhos? – Hã? Que pergunta estranha, eu mal começo a namorar e ela já pergunta se eu quero ter filhos. Aquela garota tem algum retardo mental e não me avisaram, só pode.
- Não, não pretendo. – Ter filhos não estava nos meus planos. E eu tenho motivos para isso.
- Não? Nossa! Mas aposto que o sim quer ter filhos. Eu, por exemplo, quero ter seis. – Alguém pode explicar para essa coisa algo chamado controle de natalidade?
Nojenta, ela está querendo que o também queira ter filhos só para haver um motivo de briga entre a gente. Estou sacando qual é a dela. Que ódio!
- Pior que eu também não quero ter, Agatha. – sorriu docemente me olhando. Bem feito. Tomou papuda?
- Ah, mas aposto que mais tarde você mudará de idéia, . – A vadia falou com um sorriso sexy ridículo no rosto, sem perder a pose. Eu vou por fogo na cara dela e apagar a tamancadas. Se segura . Se segura.
Mais tarde no ônibus, voltando para casa, parei para pensar na conversa do intervalo. E se o mudasse mesmo de idéia e quisesse ter filhos? No que você está pensando . Você fala como se fosse casar com ele. Mas, mesmo assim, aquela dúvida me perseguia. Quando eu estava perto dele era tudo tão diferente. Eu nunca amei de verdade para comparar. Mas, com certeza, a sensação de estar no céu, e pequenas explosões dentro de você quando está perto da pessoa, se não for amor, é algo muito próximo. Eu sei que muitos me perguntariam o porquê de eu não querer ter filhos. Mas eu posso apostar que tenho um motivo muito forte para isso. Ah, o meu passado, às vezes ele vem à tona de uma forma não muito agradável. E tudo começou naquela segunda-feira depois na aula...
CAPÍTULO 7
(Flashback On)
Segunda-feira, durante o almoço.
- Filha, eu marquei médico para você na terça-feira à tarde.
- Mas por que eu vou ao médico se nem estou doente? – Minha mãe, às vezes, é tão exagerada.
- Exames de rotina, querida. Você nunca foi ao ginecologista depois que menstruou, e tem quase dezesseis anos.
- Está bem então. Assim eu já fico livre disso logo.
***
Não me sinto muito confortável indo ao ginecologista, mas, pelo menos, vou a uma mulher. Pode até ser infantil, e para os médicos é tão normal que ver uma vagina, para eles, é o mesmo que um ortopedista ver um osso quebrado. Mas mesmo assim preferi ir a uma mulher. Ainda bem que minha mãe me conhece e me marcou com a médica dela.
- Hum, acho melhor fazermos alguns exames nessa moça.
- Por que doutora? Ela tem alguma coisa?
- É o que veremos no exame. Mas é melhor não nos precipitarmos antes de sair o resultado. Eu vou passar bem direito a receita.
Que exame estranho. Para que fazer ultra-sonografia se não estou grávida? Quer dizer, eu nem tive relação sexual ainda. Não seja tonta . Esses exames não servem somente para isso.
Devo dizer que adorei a sensação daquele líquido meio gelatinoso na minha barriga, ou melhor, um pouco abaixo, exatamente no local em que fica o útero. É geladinho, tão bom. Só uma coisa eu achei estranha, a expressão do homem que estava fazendo o exame em mim, numa hora ele ficou mais sério, no início ele tinha entrado tão brincalhão e divertido. Só espero que não seja nada grave.
Esse mesmo homem pediu para que eu esperasse lá fora, que queria falar em particular com a minha mãe. Agora estou ficando realmente preocupada. Por que eu não posso escutar? Será que é algo grave? Oh Deus, que agonia. Essa demora deles está me matando, já faz meia hora que a minha mãe está lá dentro. E eu, que não tenho mania de roer unhas, já acabei com todas elas. Aflição, nervosismo, ansiedade e mais aflição. Sinto até a minha mão gelada. Mas calma, é melhor ficar calma, ter um colapso nervoso agora não vai adiantar em nada. Vou achar alguma coisa para me distrair. Uma revista. Perfeito.
Comecei a ler uma matéria sobre menopausa. Bem, isso não seria útil para mim, pelo menos não agora, mas é sempre bom me informar de coisas novas. Nem tinha terminado de ler a matéria e vi a porta se abrindo. Larguei a revista rapidamente e fui à direção da minha mãe (que estava com uma cara péssima) e perguntei se eu tinha alguma coisa. Ela apenas olhou nos meus olhos, sem saber como me dizer, vendo a situação da minha mãe, o médico pediu para que entrássemos no consultório dele. E começou a falar:
- , você tem um problema no útero... - Quando viu a minha cara espantada ele tratou de se apressar em falar. - Mas não é nada grave, só que, infelizmente, querida, nós vamos ter que remover o seu útero para que ele não se transforme em um problema mais tarde. A sua aparência permanecerá a mesma, não ficará mais parecida com um homem, nada disso. Mas infelizmente... – Ele parou de falar, eu o interrompi dizendo:
- Então, isso significa que eu não vou poder ter... – Não consegui terminar, a ficha ainda não tinha caído.
- Isso significa que você não poderá ter filhos, meu amor. – Minha mãe terminou a frase por mim e já havia me dado um abraço. Eu apenas fiquei lá, parada, olhando para o nada.
(Flashback Off)
Depois de me lembrar daquele dia, olhei para o lugar em que um dia meu útero esteve, e fixei meu olhar na pequena cicatriz que ficara depois da cirurgia, era pequena, nem era feia, mas servia para me lembrar que ser mãe nunca faria parte dos meus planos. Apesar de tudo, eu não tive problemas em superar este fato. Ser mãe nunca foi meu sonho de vida, mas pensar que se um dia eu mudasse de opinião, eu não poderia gerar, me deixou um pouco chateada. Com o tempo foi superado, lógico. Mas agora, esse sentimento voltou, e se o homem que eu amasse quisesse ter filhos? Eu nunca poderia dar isso a ele. Primeiro, porque simplesmente não podia, e segundo, porque também não queria. Não queria mais. Mesmo se me acontecesse um milagre e meu útero se regenerasse, eu mesmo assim não ia querer. Já havia feito planos, e filhos não estavam nele. Foquei-me em me empenhar muito nos estudos e trabalho. Com filhos, com certeza, eu teria que abrir mão de muitas coisas. Nem toda mulher nasceu para ser mãe, e eu era uma que não tinha nascido para isso, o destino terminou de deixar isso bem claro.
Eu não vou contar isso ao . Eu sei que talvez a gente nem dure muito (pensar nisso me deixa com um aperto no peito), mas mesmo se durar, e se um dia ele mudar de idéia quanto a ter filhos, terminaria na hora. Não suportaria ser trocada por uma mulher que pudesse dar filhos a ele. Seria melhor acabar pensando que apenas não deu certo. O sentimento de rejeição seria um baque e tanto. Sim, sou uma dramática. Minha mãe sempre me disse isso.
Minha tarde foi bem sem graça hoje. De tarde estudei, e de noite eu estudei também. Vida de universitária não é fácil, oxalá. Agora vou jantar, porque saco vazio não pára em pé (frase by minha avó), tomar um banho, ler meu livro e dormir.
Já falei que dispensa de estudante nunca tem nada? E eu ainda vivo com dois marmanjos inúteis. Sabia que fazer compras, manter a casa em ordem, pagar as contas, enfim, TUDO, sobraria para quem? Para a pobre coitada aqui. Vim para ser escrava deles. Eu tenho até medo de entrar no quarto do Lourenço. Ele fede. E calma, eu estou falando do quarto, se bem que, às vezes o Lourenço fede também. Brincadeirinha. E é exatamente por isso que ele nunca leva nenhuma menina no quarto dele. Bom, pelo menos ele tem essa decência, já que seria extremamente broxante namorar (lê-se: se amassar) naquele quarto imundo. Mas espero que aquele leitão em forma de gente, não se atreva a pedir o meu quarto, que já é o menor de todos, para levar as milhares garotas que ele arranja. O Lourenço é um amor, mas em matéria de organização, ele seria totalmente reprovado. O Ulisses ainda não é tão ruim, ele pelo menos não deixa resto de comida no quarto como o Lourenço. E eu ainda não sei como lá não tem baratas. Ou tem, sei lá, eu não tenho coragem de entrar lá mesmo. Estou me sentindo até mal em pensar assim do meu irmão. Mas o dia que ele deixar de tomar banho, eu esqueço os laços sanguíneos e o mando morar num chiqueiro. Coitadinho.
Comi pão com ovo, que são as únicas coisas comestíveis que eu encontrei aqui, e já estava indo para o meu banho. Banhos são tão relaxantes. Triiiiiiiiim, triiiiiiiiiiiim. Não acredito, eu nem ao menos fiquei um minuto debaixo do chuveiro e o telefone toca. Já que, para variar, meus dois maninhos queridos são se encontravam em casa, corri pelada e ensaboada atender aquela porcaria. Eu nem ia atender, mas imaginei que se fosse a minha mãe e ninguém atendesse, ela teria um colapso em casa, achando que entrou um psicopata aqui dentro e matou todo mundo. Já descobri de quem eu puxei a dramaticidade. E ela ainda tem coragem de falar de mim. Se bem que ainda acho que sou um pouco pior.
- Alô!
- Oi meu amor! Aqui é o seu namorado mais lindo.
- Que eu saiba você é o único, não? – O que foi isso ?
- Era só para ver se você caía. Mas amor meu, já que amanhã é sábado, eu e mais uma galera da faculdade combinamos de ir à praia. Vi na internet que o de dia amanhã fará muito sol. Vamos junto? Eu não aceito não como resposta!
- É. Acho que eu posso. Que horas a gente vai?
- Vamos às dez horas da manhã. Eu passo na sua casa te pegar. Ela é tão longe, eu preciso dar dois passos. – Riu.
- Fechado então. Mas , só uma coisa, onde você está?
- Em casa, por que a pergunta?
- Você me ligou da sua casa sendo que é só dar dois passos que você já está na minha?! – Ou o é meio lesado, ou alguma ele estava aprontando.
- É que... Bem, você não ia gostar de me ver agora. – Ele falou, gaguejando.
- Ah, mas eu gostaria SIM. Venha aqui agora, e quando eu digo agora, é no máximo dez segundos! – Falei muito brava e desliguei na cara dele. Alguma coisa aquele lá estava aprontando. Sabia que os homens não são confiáveis. Não deu nem dez segundos e ele bateu na porta. Respirei fundo e fui atender. Lá vem bomba. - Acho bom que você tenha uma boa explicação para isso e... – Não consegui terminar, quando vi a cara dele toda inchada arregalei os olhos e fiquei com o queixo no chão. – A... Amor! O que aconteceu no seu rosto?
- Bem, era por isso que eu te liguei em vez de vir aqui. Eu sou alérgico a gergelim, e na pressa de jantar rápido, já que eu queria voltar logo para casa e terminar os detalhes de um trabalho da faculdade, eu nem vi que no sanduíche que eu comi tinha gergelim. Só reparei nos restos de gergelim no meu prato depois que comi e comecei a espirrar, me coçar, ficar todo embolado e sem ar. Corri tomar meu remédio, já estou bem melhor agora, só que meu rosto continua inchado. Ele só vai voltar ao normal amanhã de manhã. E eu não queria que você me visse dessa maneira. Por isso te liguei. – Culpa surgindo. Coitado. Eu sou uma carrasca! Ele passando mal, com vergonha que eu o visse com o rosto inchado e eu só me preocupando com coisas idiotas. Eu sou muito burra. Que vontade que eu estou de me jogar da sacada agora.
- Ai amor, me desculpa. Eu não sabia que isso tinha acontecido. Por que não me falou isso no telefone mesmo? – Franzi toda a minha cara em tom preocupado e com um remorso do tamanho do mundo.
- Eu tentei, mas não deu tempo. – sua carrasca, cruel, tirana, histérica, louca, idiota, demente, bruxa e tudo de ruim que existe na face da Terra. – Mas tudo bem amor, você fica linda toda bravinha.
- Então entre querido, que eu vou cuidar de você hoje. – Ele entrou, eu fechei a porta, ele me olhou de cima a baixo com uma cara confusa e falou:
- Você costuma andar nua e ensaboada pela casa? – Droga, eu fiquei tão atordoada com tudo aquilo que me esqueci completamente que eu ainda estava sem roupa.
- É que você me ligou na hora do banho, mas já estou indo me enxaguar e vestir alguma coisa. – Corei.
- Por mim pode continuar assim que está ótimo. – Que sorriso mais tarado.
- Muito engraçadinho.
- Poxa amor, não custava fazer esse agrado para mim. Eu estou mal e com o corpo todo inchado!
- É? E quando você diz o corpo todo inchado, é o corpo todo mesmo? – E olhei sugestivamente para o lugar que o instrumento ficava.
- Sua tarada. Deixa o Junior em paz! – E riu da minha piada maliciosa. Às vezes eu acho que só sei fazer piadas assim. Triste isso.
- Poxa amor, não custava fazer esse agrado pra mim. Eu estou mal e com o corpo todo ensaboado! – O imitei. Mas acho que aquela cabecinha do devia estar maquinando algo, e eu tenho medo. Muito medo.
- Ah é? Então venha aqui meu bebê, que eu lhe dou um banho. – Nosso namoro vive de piadas taradas. Muito triste isso. Mentira, nem é. E quem disse que ele estava fazendo uma piada? Ele realmente estava pretendendo me dar um banho. Pegou-me no colo e me levou até o banheiro. Ligou o chuveiro e começou a me dar um banho. Só que claro, um banho um pouco mais insinuante. Engraçado, não é mesmo, que ele se aproveitava das regiões mais íntimas. Meios seios foram tão bem lavados. Se eu dissesse que estava odiando, seria uma mentirosa, porque, bem, ele levava jeito para a coisa. Acho que a partir de agora não vou mais tomar banho sozinha.
E o que vem depois do banho? Secar. pegou uma toalha, me sentou em um banquinho do banheiro e começou pelos meus pés, subiu para as canelas, coxas, virilhas, pulou a minha intimidade e foi para a barriga, ele fez tudo tão lentamente, aproveitando cada segundo do toque. Ele secou tudo. Tudo menos... Ela.
- Ih, acho que a sua vagina está molhada. – Eu não disse que o nosso namoro vive de piadinhas pervertidas?!
- Deve ser porque alguém não a secou direito. – E levantei as sobrancelhas.
- Ou deve ser porque alguém está feliz em me ver. – O nojento estava ganhando. Faz alguma coisa .
- Então vamos ver quem está feliz em ver quem. – E o puxei pelo colarinho, aproximando nossos lábios bem próximos, muito próximos. - Como vai o Junior, amor? - Falei num sussurro.
- O Junior anda em estado de calamidade, então, por favor, se contenha e não me provoque, amor.
- Então nós podemos comer alguma coisa. O que você acha de macarrão com molho de gergelim?
- Engraçadinha. E respondendo àquela sua pergunta: sim, meu corpo todo está inchado... E pipocado. E isso não é nada sexy. – Droga. Mas agora também, eu fiquei curiosa para saber como ficou.
- Não creio. Deixe-me ver amor. – Falei rindo e indo na direção do zíper de sua calça para abri-la.
- Não senhora. Não ouse. Você não vai ver. Ah! Mas não vai MESMO. – Ele falou tirando as minhas mãos dali. Acho que ele estava um pouco envergonhado, já que pude ver sua face ficar avermelhada. Mas e daí? Eu queria ver. E ele teria que me mostrar!
- Ah, por favor. – Tentei fazer minha melhor cara pidona.
- Esqueça . Eu não vou deixar!
Eu me levantei, e fui em direção a minha cama. Deitei, abri um pouco as pernas e olhei para ele.
- Você é quem sabe amor. Pode até não me mostrar, mas eu também não vou parar de te provocar!
- Você é má! Vai se vestir! – Ele puxou a toalha e foi me cobrir. Mas enquanto ele a depositava sobre meu corpo, eu abri o botão e puxei o zíper de sua calça. Ele só percebeu quando eu já a estava abaixando. - Não irá desistir, não é mesmo?
- Não mesmo. – Uhú, ele estava cedendo.
- Ok. Eu lhe mostro. Mas não ria. – Se eu não estivesse tão curiosa, teria desistido da idéia de ver só pela cara derrotada e envergonhada que ele fez. Eu sou uma vaca.
Ele terminou de abaixar a calça e desceu a sua boxer, e, então, eu pude ver o que o tal do gergelim fez ao meu tão amado Junior. Puta que pariu, estava vermelho e cheio de pipocos. Aquilo devia coçar. Pobre Junior, pobre . Arregalei meus olhos e meu queixo caiu. E o coitadinho do fez uma carinha que deu muito dó. Ele estava morrendo de vergonha. E também não é para menos. Eu mereço o título da pior namorada do mundo só pelo que eu estou fazendo com ele esta noite. Mas eu vou dar um jeito nisso. Saí rapidamente da cama e abri a gaveta do meu criado mudo. Peguei um potinho que continha um creme especial para alergias. Meu já estava fechando a calça, e eu fui até ele, o puxei pela mão, joguei na cama e comecei a abrir novamente o zíper de sua calça. E antes que ele pudesse falar alguma coisa, eu já fui me adiantando:
- Psiu. Hoje eu vou cuidar de você! – Peguei um pouco do conteúdo do pote em minha mão, passei um pouco na base do local afetado e me pus a massagear. Bem lentamente. Passei em tudo com as pontas dos dedos, com a maior delicadeza e fazia movimentos circulares. Talvez isso não me redimisse totalmente, mas acho que ele estava gostando. Sorrisos demonstram satisfação, não é mesmo?
Amanhã eu teria de ir à praia. voltou para casa porque não queria que eu o visse por muito tempo com aquela cara, não adiantou falar que eu o amava de qualquer jeito, mas até entendo. No lugar dele eu faria a mesma coisa. Aliás, no lugar dele eu nunca teria mostrado a minha cara, nem que o perdesse a voz de tanto gritar no telefone. Agora vou dormir porque, pelo jeito, terei de ir à praia. Mas para que tanto estresse? Amanhã será um dia normal, só que na praia.
CAPÍTULO 8
Nada melhor do que acordar cedo para ir à praia. Agora só falta escolher um biquíni, e eu ainda não me decidi qual. Por que é tão difícil escolher um biquíni? Eu nunca me importei com isso antes, mas agora que o entrou na minha vida, até nisso eu fico idiota. Coloca qualquer um, sua retardada. Treine seu autocontrole, vou fechar meus olhos e pegar o primeiro que eu ver na frente. Um, dois, três e... Er, esse bege com a parte debaixo gigante eu não ponho, não. Acho que vou pegar esse vermelho sangue de amarrar na parte debaixo. Quem liga para sorteios? Eu que não. Pronto, agora só falta o aparecer e está tudo certo.
Barulho de campainha, só pode ser ele. É ele.
Sabe que praia é sempre a mesma coisa? As mulheres ficam tomando sol enquanto os homens ficam enchendo o cú de cerveja. Que saco. Hoje estou meio a fim de sair do clichê, e levarei meu , mesmo que a contragosto, comigo. Puxei-o e falei num sussurro em seu ouvido:
- Que tal a gente dar uma voltinha por aí?
- Agora? Aonde você quer ir agora?
- Ah, , só cale a boca e me segue.
- Tudo bem, amor, não se irrite. – É impressão minha ou às vezes ele tem medo de mim? Mas por que ele teria medo de uma criatura tão adorável, que sou eu? Levei-o até uma trilha que tinha perto da praia, no meio do caminho saí da trilha e fui até uma gruta, eu já conhecia esse caminho, fui muitas vezes lá com o meu pai nas férias. - Onde você está me levando?
- Estou te levando para um lugar bem longe, assim fica fácil te estuprar sem que ninguém nos veja. – Será que ele ainda não percebeu minhas reais intenções?
- Acho mais fácil ao contrário, .
- Então aproveita a sua chance, já que tem uma gruta vazia logo ali. – Apontei enquanto falava.
Nem tive tempo de terminar e ele me pegou no colo e me levou até lá. Adentrou na gruta comigo ainda em seu colo.
O lugar não era nenhum motel cinco estrelas, aliás, aquilo nem parecia um motel, mas aquela gruta sempre me pareceu convidativa. Mal entramos e me prensou contra a parede, segurando meus pulsos, um de cada lado, sua boca já estava beijando meu pescoço ferozmente, e eu ainda imobilizada, mas como minhas pernas estavam livres coloquei uma de cada lado de seu quadril e o puxei para mais perto de mim, já podia sentir que ele estava “animado”. Eu estava morrendo só com seus beijos em meu colo quando, de repente, ouço uma voz familiar:
- Alguém aí? – Puta merda. Agora que o clima estava esquentando. Quem será a mula que atrapalhou? Ah, não acredito. Só podia ser a galinha número um da Agatha. Essa vadia só pode ter feito de propósito. Calma, respira, e se segura para não dar uma na cara dessa macaca oxigenada.
- Ah, oi, Agatha. – deu um sorrisinho amarelo. Ele não tinha nem que sorrir, tinha que fazer essa mocréia sair voando daqui. Eu preferi ficar calada, porque se abrisse a minha boca, xingaria tanto que ela precisaria de dois anos de terapia para reconstituir a auto estima perdida. Ok, menos. Eu preferi ficar quieta para não dar uma de barraqueira mesmo.
- ! Ai, eu fui lá na praia e não te achei. Então me falaram que vocês vieram aqui na trilha. E, olha que bom, encontrei um casal e eles me disseram que viram vocês entrando aqui. Que sorte, não é? – A Barbie mal feita falou isso tão empolgada. Mas só podia estar mesmo. Ela conseguiu o que queria: melar tudo.
- Ô! Bota sorte nisso. – Tentei esconder a ironia, mas a minha cara de nádegas entregou tudo.
- Bem, espero não estar atrapalhando nada. – Imagina querida, não foi nada, você só dizimou com o clima e acabou com os meus sonhos de transar com o aqui.
- Não, Agatha, tudo bem, a gente logo ia voltar mesmo. – Por que ele não mandou ela se enxergar e dizer para arrumar algum cara solteiro para encher o saco? Conta até dez, até dez. Se eu tiver um colapso nervoso algum dia desses, ela que vai pagar a terapia.
- Ai, que bom então, . Venha comigo, eu conheço um restaurante aqui perto que é muito bom. O camarão de lá é uma delícia, vamos comigo dar uma petiscada. – Com licença que eu vou à farmácia comprar semancol para ela. Era só o que me faltava. Quer saber? Cansei! O que se engula com essa daí, ele fica dando bola para ela e dá nisso. A culpa é toda dele. Eu vou embora antes que fique passando raiva. Sem falar que a piriguete ali ignorou minha presença completamente.
- Pode ir, , vai lá, depois você me conta se o camarão estava gostoso. Eu vou dar um mergulho enquanto isso. Bom apetite para os dois! – Saí rapidamente e nem dei ouvidos quando ele me mandou esperar. Quando olhei para trás pela última vez vi que ele estava emburrado de eu não o ter esperado. Só para a informação dele, a única que tinha que estar furiosa nessa história toda sou eu.
Decidi que não ia dar mergulho coisíssima nenhuma, peguei as minhas coisas, dei tchau para o pessoal e fui embora. E olha que ótimo, a praia era longe da minha casa, eu tinha que passar pela rodovia e, ainda por cima, não conseguia enxergar nenhum ponto de ônibus próximo. Eu vou a pé, tudo bem. Se algum caminhoneiro me seqüestrar a culpa toda vai ser do -senhor-maravilha e da Agatha-não-posso-ver-homem-comprometido-que-me-assanho-toda.
- ! , espere! – berrava, mas eu nem dava ouvidos. - Pára de andar! Eu preciso falar com você!
- Eu não tenho nada para falar com você! – Berrei de volta, em seguida continuei a andar.
- Sua cabeça dura! Será que não pode me escutar? – Ele ainda berrava e agora estava correndo na minha direção.
- Eu estou escutando, pode falar. – Parei e agora esperava ele vir até mim. – Ah, nem precisa dizer nada, eu já sei o que é, enjôo da Agatha e agora veio variar um pouco o cardápio comigo?
- Não tem nada a ver, garota. Eu dispensei a Agatha e quando fui atrás de você disseram que tinha ido embora. Eu só quero você, tente entender isso!
- É difícil confiar em você. Depois de tudo que aprontou enquanto namorava com a . Eu sei que você gostava de ganhar cantadas de garotas enquanto era comprometido. E sei também que você olhava e até comentava de outras. Aliás, até já comentou comigo uma vez. Para mim, que era a melhor amiga dela na época.
- E a senhorita muy amiga não contou nada para ela. – Agora ele estava me enfrentando. Quem ele pensa que é? – Se você fosse tão melhor assim, não teria escondido dela que o namorado era um cachorro.
- Eu não queria que ela se magoasse! Pensa que seria fácil contar uma coisa dessas para ela? – Eu já devia estar ficando vermelha de raiva.
- De qualquer forma, não contou. Deixou que ela namorasse com alguém como eu. Uma pessoa que você acha tão terrível, uma pessoa que você não confia nem um pouco. Onde eu estava com a cabeça quando pensei que você, justo você, conseguiria amar de verdade? Viva essa tua vida que tanto aprecia, sendo de todos e de ninguém ao mesmo tempo. Viva essa vida vazia, essa vida sem amor. Aliás, você só ama a si mesma.
- Não fale o que não sabe! Eu tentei te amar, mas é difícil me entregar a quem não confio. Aposto que para a Agatha estar cheia de “nhé, nhé, nhé” contigo, era porque alguma bola você deu. – A gente estava no meio da rodovia, quase aos berros.
- Não fale você o que não sabe. Eu nunca dei trela para ela, não sei porque aquela guria encarnou em mim. Eu gosto muito de você, muito mesmo. Gosto como nunca gostei de alguém na vida. Mas acho que está complicado demais para entender isso. Aliás, acho que gostava de você.
- Ótimo! Porque acho que nós dois nunca daríamos certo juntos.
- Tenho que concordar.
- Então adeus, .
- Adeus, .
Depois daquele dia na praia, eu não falei mais com . E nem queria mais saber dele. Não queria saber de homem nenhum na minha vida mais. Nasci para ser solteira. Se toda panela tem sua tampa, eu sou uma frigideira. É a vida, às vezes temos que aceitar certas coisas, eu tentei nadar contra a maré e olha o que eu ganhei, um coração despedaçado. Mas eu não chorei, não chorei. Quer dizer, não chorei por fora, mas meu coração tinha ficado dolorido. Mas tudo que não me mata me fortalece. Então, cabeça erguida e segue tua vida. E agora as férias de meio de ano estavam chegando, então não demoraria muito e iria para casa. Saudades de rever meus pais, minhas amigas. Só mais duas semanas e eu, junto com meus irmãos, pegaríamos um ônibus e iríamos para nossa terra natal. Que meigo, eu sei.
Depois de dez horas dentro de um ônibus, eu finalmente cheguei. Minha bunda está quadrada, sério. Não vou sentar por uma semana. Credo, até parece que eu tenho hemorróidas para não sentar. Eu vou ficar uma hora sem sentar então.
- Filha, querida! Que saudades! – Minha mãe já me amassava antes que eu pudesse abrir a minha boca para falar alguma coisa.
- Também estava morrendo de saudades! O Ulisses comeu todo o salgadinho que eu tinha levado. Agora estou morrendo de fome.
- Qual é, . Eu sou maior e estava com fome. – Apenas mostrei a língua para ele e fui abraçar meu pai.
- Oi bonequinha. Fique tranqüila, a sua mãe fez nega maluca para esperar vocês. – Eu ouvi bem? Nega maluca? Nem pude ver a minha cara, mas com certeza meus olhos estavam brilhando.
Enfim, depois de passado toda a melação do reencontro, minha vida foi seguindo normalmente, até que finalmente eu ia reencontrar as minhas loucas. A gente marcou de se encontrar em uma pizzaria da cidade.
Já estava quase todo mundo lá, só tinha ainda dois lugares vazios.
- Já podemos pedir? – Eu dizia, já varada de fome. Poxa, eu nem tinha jantado para poder me empanturrar lá.
- Calma, , só falta chegar a e o . – ? O que ele ia fazer lá? Algo me diz que não vem coisa boa.
Eu já estava comendo meus dedos quando vejo entrando pela porta a de mão dada com o... . ?! Eu estou vendo direito?! Ele está segurando a mão dela? Câmeras podem aparecer agora. Mas que maravilha! Dispenso a pizza, melhor não comer para evitar ter uma indigestão.
- e juntos novamente. Vocês voltaram quando? – Dara perguntou assim que eles chegaram à mesa.
- Dois dias depois que ele chegou me ligou, nós saímos e decidimos voltar. Não é incrível?
- Quem diria, hein?! Essa vida é uma caixinha de surpresas. – Opa. Acho que falei isso alto.
- O que você disse, ? – me olhava com uma sobrancelha levantada.
- Eu? Nada não. Estava me lembrando de uma coisa, só isso. – Vejo que esse será um longo jantar.
Depois que já tínhamos comido a pizza, ficamos lá conversando e botando os assuntos em dia. Fazia tempo que não nos víamos pessoalmente.
- Ainda solteira, ? – Minha mão anda querendo fazer uma visita bem na cara da .
- Ainda, sabe como é: antes só do que mal acompanhada. – Tome, vaca.
- Tenho que concordar, mas eu tive sorte, encontrei a ótima companhia do . Pena que você ainda não achou ninguém. – Vamos fingir que eu acredito na cara triste que ela fez. Debochada, fingida.
- Logo se vê que seu julgamento de boas companhias não anda dos melhores.
- Como que é, ? – Dessa vez se intrometeu na conversa. Estou vendo tudo. Senhoras e senhores tirem as crianças da sala porque estou prevendo que vai jorrar sangue hoje.
- É isso mesmo o que você escutou, agora, com licença que eu preciso ir ao banheiro. – Falei mesmo, falei e falaria de volta. O que é um peido para quem já está cagado? Agora que eu entrei na discussão, nada melhor que atacar e bater em retirada, sem deixar que meu oponente retruque. Minha mente insana me diz que se esses dois pombinhos de araque continuarem a me provocar, alguma eu vou aprontar.
- Por que eles tinham que construir esse banheiro perto da saída dos fundos? Aliás, o que eu vim fazer no banheiro mesmo? Ah, é. Fugir do casalzinho em fúria. Não acredito que veio aqui para não ter que ficar perto dele. Vou me chicotear quando chegar em casa.
- Você não reclamou enquanto gemia meu nome e pedia mais. – chegou bem perto do meu ouvido e sussurrou, me fazendo arrepiar.
- Não reclamei porque sou uma pessoa educada. – Eu nunca daria o braço a torcer.
- Não sabia que quando alguém não gosta de alguma coisa tem orgasmos e fica louquinha por mais. Você é algum tipo de masoquista?
- Não sou. Por isso mesmo não estamos mais juntos. – Virei meu rosto para que ele não percebesse que eu mentia descaradamente. Quando fui dar o próximo passo, senti uma mão agarrando meu braço e me puxando contra algo, e esse algo era entre os braços de . Ele me puxou bem perto e bem colada dele. Com a boca perto do meu ouvido, pude sentir sua respiração bem próxima do meu pescoço, o que fez eu me arrepiar, mesmo contra vontade.
- Você mente. – Ele disse simplesmente, como se pudesse ler meus pensamentos. Mas antes que eu ficasse mais encurralada, empurrei seu peito e me livrei de seus braços. Saí rapidamente, voltei à mesa só para pegar minhas coisas e me despedir do pessoal. Resolvi ligar para meu irmão vir me buscar, já que saí tão rápido que não havia pedido carona e não estava nem um pouco a fim de caminhar até em casa.
- Alô?! Ulisses? Vem me buscar. Claro que tem que ser agora. O que? Venha logo. Não vou esperar, está frio. Ninguém merece. Ok, mas não demore. – Um dia eu ainda patino com o carro na cara do Ulisses, ele me tira do sério. Não vou nem dizer porque ele queria que eu esperasse. Ok, vou dizer sim. O infeliz está fazendo as necessidades, ele disse que o macarrão com frutos do mar não fez bem para ele. Acho que já da para imaginar o que está acontecendo naquele banheiro. Provavelmente ele vai ter que ser interditado por uma semana. Cruzes.
Nossa senhora da bicicletinha, dá-me equilíbrio. Estou esperando faz vinte minutos. A diarréia está nervosa, ui. Adoro ficar sozinha em calçadas escuras e mal iluminada, me sinto tão protegida, nossa, a sensação de que você pode ser abordada a qualquer momento por um mal encarado é tão reconfortante.
- Uau, o que uma moça tão bonita faz perdida por aí? – Ô boca. – Não vai falar nada? O gato comeu a sua língua? – Um homem que devia ter uns vinte anos, trajava bermuda e camisa largas e usava um boné maior que a sua cabeça, falou, chegando bem perto de mim e tentando me abraçar.
- Sai daqui. – Praticamente rosnei.
- A gatinha é arisca. Hum, adoro. – Que cara mais asqueroso. Cadê o Ulisses que não chega? O sujeito já estava indo para cima de mim, e a cada passo que ele dava na minha direção eu dava na direção contrária. E assim foi indo até que eu esbarrei numa parede e não tinha mais para onde ir. Então ele colocou os dois braços dele me prendendo contra a parede e me impedindo de sair.
Ulisses, chegue logo, pelo amor da virgem. Minhas pernas já estavam ficando bambas e a minha respiração ofegante. Senti minhas mãos suarem e as pontas dos dedos começarem a ficar geladas. Eu tentava a todo custo desviar dos beijos dele. Mas sabia que não conseguiria por muito tempo.
- Solta ela. – Ouvi uma voz grave dizer em tom irritado.
- Epa, vaza daí mermão, antes que sobre para você. – Mal o rapaz que me segurava terminou a frase e meu salvador já o puxava com força e lhe dava um soco em cheio no rosto. O homem até caiu no chão, e quando conseguiu ficar em pé saiu correndo como podia, já que ainda estava meio zonzo devido ao murro que tinha levado. Eu apenas olhava aquela cena com os olhos arregalados. E o alívio estava começando a invadir meu coração.
- Será que eu sempre terei de te salvar? – Quando olhei melhor, pude ver me olhando com uma expressão de repreensão.
CAPÍTULO 9
- Eu podia muito bem me livrar dele sozinha. – Ok, não sei se podia, mas o orgulho é mais alto.
- Ah, claro, estava vendo que podia. Se eu chegasse mais tarde era bem capaz de te encontrar jogada e estuprada. Quantas vezes eu tenho que te dizer pra não ficar dando bola pra qualquer um? Daí da nisso. – Seu tom mudou de irônico para preocupado e de preocupado para irritado em questão de segundos.
- Epa, epa. Primeiro lugar: eu não preciso que você me salve. Segundo lugar: ele não me estupraria, eu não ia deixar. E em terceiro lugar: eu.não.estava.dando.bola.para.ele. – Essa parte disse bem pausadamente para ver se entrava naquela cabeça dura dele. - O imbecil chegou puxando papo e eu o mandei ir embora, mas ele não me escutou. Tua fuça que eu fico dando bola pra qualquer um na rua. Pra começar que eu não sou a sua namoradinha pra fazer essas coisas. – Nossas conversas ultimamente estão acabando em briga. Acho que se começarmos a falar sobre pôneis cor de rosa também vamos acabar brigando.
- Sabe o que você é? Uma ingrata. Uma ingrata e desaforada ainda por cima. Por que será que essas coisas, vindas de você, ainda me surpreendem? Já devia estar acostumado com essas suas reações imprevisíveis. Em pensar que eu achei que você reagiria como qualquer garota normal e me agradeceria, doce ilusão.
- Pra você ver, não é mesmo? – Sorriso debochado é o que há. Ainda bem que vi o carro do Ulisses vindo para cá, assim eu bato em retirada e não preciso ficar escutando sermão de alguém que nem parente meu é. Quando o carro do Ulisses estacionou, eu fui feito uma bala até lá. Eu até agradeceria, mas depois que ele falou que eu fico dando bola pra qualquer um, fiquei ofendida. Não é só porque ele me deu uma mísera ajudinha que pode falar o que bem entende. Aliás, eu podia me safar dessa sozinha.
’s POV
Sinceramente? Não acredito. Aquela guria me paga. Quem ela pensa que é? Eu a salvo e é assim que agradece? Me deixando sozinho, com cara de tacho, sem nem ao menos dar tchau? Deixe estar.
Não que eu me importe com ela, é claro, mas um pouco de consideração e gratidão não faz mal a ninguém. Da próxima vez eu a deixo ser agarrada. Bom, mas também dá para entender o motivo dessas coisas sempre acontecerem com ela, àquela garota é muito... Linda. Ah, eu posso não gostar dela, mas também não sou cego.
Pena que ela seja tão insuportável, teimosa, metida e coração de pedra. Eu tento me controlar, não chegar perto dela, mas é mais forte que eu. Pois é, não tenho um pingo de amor próprio. Ela me pisa, me esnoba, sai sempre por cima e vai embora como se eu nem estivesse perto. Só que agora as coisas vão mudar, eu disse que ela me pagaria, e vai, com juros e correção monetária, ainda por cima.
Hoje o dia amanheceu ensolarado, radiante, e meu humor, por incrível que pareça, está ótimo. Deve ser porque nessa noite tive uma idéia genial pra me vingar da . Hoje vai ter reunião de amigos na casa da Dara, nossa amiga em comum. Ela vai, eu também. Momento perfeito pra sacanear com a minha doce amiguinha.
O dia estava correndo bem, até que ouvi meu celular tocar e ver que a estava me ligando, ótimo, esqueci dela. Provavelmente vai querer que eu vá com ela. Merda.
- Alô, amorzinho! Aqui é a sua namorada linda. - Ela fez uma voz toda manhosa. Até seria bonitinho, se não fosse tão artificial.
- Ah, oi, amor. – Falei, forçando alegria na voz. Qual é?! Ela me liga às dez da manhã, poxa. Ninguém merece atender ao telefone nessa hora da manhã.
- Sabe, hoje vai ter uma reunião na casa da Dara, e, bem, como estamos namorando novamente, você podia passar de carro aqui para irmos juntos, né? - Sabia que iria me chamar pra ir com ela, mas ainda tinha uma pontinha de esperança de que não fosse isso.
- Ah, tudo bem. Te pego às sete e meia, pode ser?
- Pode. Mas... Eu estava pensando se não podia me buscar um pouco antes, pra gente matar a saudade. – Quando percebi, estava rolando os olhos. Por que voltei com ela, mesmo? Ah, sim, pra fazer ciúmes na .
- É que vou ter um compromisso antes, eu vou... Ter que levar a minha mãe no mercado. – Desculpa esfarrapada, espero que cole, até fiquei mal por ter que enganá-la, mas tenho que resolver umas coisinhas do meu plano hoje à tarde.
- Hum, então tudo bem. Até depois, amor. Te amo.
- Beijos, amor.
Sete da noite. Já estava pronto, arrumado e perfumado. Agora tenho que buscar a na casa dela e ir pra casa da Dara. Bem, e com certeza estará lá. Não sei o que aquela garota tem que me faz ficar com as mãos suando toda vez que penso em vê-la. Eu devo gostar de sofrer, só pode. Cadê as chaves do carro? Se eu não quisesse tanto ver a , não iria nessa reunião, não ando com muito saco pra agüentar a . Fiquei implicante, eu sei.
As sete e quarenta buzinei em frente a casa dela. Atrasei porque decidi dar umas voltas de carro pra poder botar os pensamentos em ordem. Respirei fundo e dei um sorriso fechado quando abriu a porta do carro.
- Oi, meu chuchuzinho! – dizia com uma entonação exagerada e vinha ao meu encontro me dar um selinho. Não vou nem comentar sobre o apelido que ela me deu.
- Oi... Amor. – Dei um sorriso amarelo e parti com o carro. Liguei o rádio e fiquei concentrado no trânsito pra não ter que engatar uma conversa com ela. Eu não presto, eu sei. Mas situações desesperadas requerem medidas desesperadas. E eu vou ficar maluco se ficar sem ver a . Até a esse papelão eu me sujeitei, mas enfim, homem apaixonado fica idiota. É, estou apaixonado. Melhor admitir logo do que tentar ficar me enganando. Eu estou apaixonado, eu estou apaixonado, eu estou apaixonado, eu estou apaixonado, eu estou apaixonado. Ufa. Me sinto até mais leve por admitir isso.
Parei em frente da casa de Dara e entrei de mãos dadas com a minha “namorada”. Com os olhos, percorri todo o lugar a procura da que eu queria que estivesse ao meu lado neste momento. Não achei. Tudo bem, logo ela chega. Logo.
Mais meia hora tinha se passado e nem sinal dela. Estava no final da segunda garrafa de cerveja pra poder aturar os papos na , além de tudo não parava de batucar com as unhas na mesa de impaciência. De cinco em cinco minutos olhava da porta para o relógio e do relógio para a porta. Esperava ansiosamente o momento em que ela entrasse deslumbrante e fosse sentar, conversar com alguns amigos. Então, na primeira oportunidade, colocaria meu plano em prática.
- Você está parecendo tão distante hoje, . – perguntava com uma cara confusa. Eu sei que estava sendo um cafajeste com ela, estava a usando, mas não achei outra maneira, eu estava com raiva e queria, de uma maneira bem imbecil, causar ciúmes na . Estou completamente arrependido de ter começado esse relacionamento, mas não posso acabar o namoro assim, do nada. Ok, eu até posso, mas agora estou com pena dela, vou esperar até eu ir embora para ter uma desculpa para o fim do nosso “romance”.
Perdido em pensamentos, só fui me concentrar de volta quando vi a maçaneta girando e, sim, era ela, era . Ela veio. Se eu pudesse ter me visto, ficaria ofuscado pelo brilho que meus olhos deviam emanar. Ela estava deslumbrante com uma calça jeans clara, uma batinha branca de alcinha, sapatilha verde escura e uma tiara preta nos cabelos. Simples, casual e linda. Que vontade de puxá-la pelo braço e lhe dar um beijo. Agora só me falta esperar uma oportunidade e botar meu plano em prática.
Ela cumprimentou todo mundo, menos eu e – já imaginava, - ainda pude ver que o primo da Dara se interessou nela, não parava de olhá-la. Então falou alguma coisa com Dara e... Ela está indo embora? Como assim? Não, quer dizer, não pode ser. Ela mal chegou, não pode ir agora, eu tenho que fazer alguma coisa. Assim que deixou o local, tive que tomar uma atitude desesperada.
- Amor, acho que eu estou com... Dor de barriga. A dobradinha que eu comi no almoço hoje não deve ter feito muito bem pra mim. Acho que vou voltar pra casa pra poder, ah, você sabe. Quer que eu te leve agora? – Desculpa constrangedora, mas foi a única que pensei.
- Er, bem, acho que vou de carona com outra pessoa, então. Quero conversar algumas coisinhas com a Dara ainda. Amanhã você me liga então? – Imaginei que ela não fosse querer ir, decerto ficou com medo do cheiro que podia ficar no carro.
- Se eu melhorar te chamo para sairmos. Beijos, amor.
- Beijos, meu lindinho. Te amo. – Ela mandou um beijo no ar e se levantou para ir conversar com Dara.
Entrei no carro e só quando pus a chave na ignição percebi que não fazia a mínica idéia de onde devia estar indo. Procurei pelas redondezas, mas nem sinal dela. Será que ela voltou pra casa? Passei por frente, apertei o interfone e a sua mãe me falou que ela não estava. Droga. Pensei em ligar para o celular dela, mas, com certeza, quando visse o meu número na tela não atenderia. Passei em uma farmácia e comprei cartão para telefone público. Quando ela atendeu, mudei um pouco a voz pra poder falar com ela.
- Alô, ? – Tomara que ela não me reconheça, tomara que ela não me reconheça, tomara que ela não me reconheça.
- Alô, é ela. Quem fala? – Ufa.
- Bem, aqui é o Josh, primo da Dara, nós acabamos de nos ver lá na casa dela. Então, não queria incomodar, mas ela bebeu um monte, está delirando aqui e chamando por você. Será que poderia passar aqui?
- Oh, claro que sim. Ela ainda está na casa dela? Chego aí daqui a pouco.
- Não! – Droga, ela não pode ir pra casa da Dara. Deixe-me ver um lugar reservado pra nós. Hum, já sei um lugar que fica bem perto de onde estou. - Ela está aqui no morrinho da cidade. Sabe, onde tem um mirante que dá para ver a cidade inteira de cima.
- Do lado daquela sorveteria em forma de sorvete?
- Bem essa.
- Ok, estou indo aí agora.
- Tudo bem. – Caiu na isca. Agora é só esperar. Subi bem rápido até o mirante e fiquei a esperando chegar enquanto olhava para a cidade. Tinham se passado 5 minutos e escutei um barulho de carro cantando pneu. Nossa, ela tinha ficado mesmo preocupada, espero que não me mate quando souber que inventei tudo isso. De repente, um celta vermelho pára bruscamente o carro perto de onde estava, e sai correndo do carro. Quando a mesma vê que estava apenas eu ali, pergunta:
- Cadê a Dara? – Sua voz demonstrava certo receio.
- Ela não está. – Me virei e reparei que sua expressão mudou de surpresa para raiva num piscar de olhos.
- Você mentiu pra mim? Eu vou te matar, . – Melhor eu agir rápido antes que ela pule em cima de mim.
- Calma, não precisa se assustar. – Segurei seus braços antes que ela pudesse me dar alguns tapas. – Só venha comigo.
- Ah, mas eu não vou mesmo. – Ela virou os olhos, me desafiando. Quer me desafiar agora? Não pense que me esqueci da minha pequena vingança.
- Você vai sim! – Peguei-a no colo e a carreguei até meu carro, no percurso ela não parava de se debater. Quem visse pensaria que eu estava a seqüestrando, mas, de certa forma, estava mesmo.
- Hey, e o meu carro?
- Ele está trancando?
- Está, mas...
- Então depois a gente o busca. – Parti com o carro e dirigi ignorando as suas reclamações. Eu disse que teria volta.
Depois de uns vinte minutos dirigindo, chegamos a um chalé que eu tinha alugado em uma pousada perto da cidade. Quando parei o carro em frente, ela me olhou com as sobrancelhas levantadas e com os olhos ardendo de fúria.
- Nem pense que vou passar a noite aí com você. Eu nem ao menos avisei a minha mãe que dormiria fora de casa.
- Então liga pra ela e avisa que vai dormir na Dara.
- Não.
- Sim.
- Não.
- Bom, você é quem sabe. Não ligue então, mas ela vai morrer de preocupação e te matar quando você chegar em casa amanhã. – Quando ela abriu a boca para protestar eu fui mais rápido e continuei. – Nem adianta reclamar, você vai dormir aqui. A não ser que queria andar sozinha pela estrada, a pé e de noite. – Mesmo a contragosto, ela viu que não tinha alternativa e ligou para sua mãe, avisando que dormiria na Dara.
- Eu não trouxe pijama, nem escova de dente, nem roupa, nem nada.
- Sem problemas, eu comprei uma escova pra você, e trouxe mais algumas coisas para sua higiene pessoal. E roupas, bem, acho que você não vai precisar delas. – Ver a cara que ela fez depois do que eu disse, fez valer a pena todo o trabalho.
CAPÍTULO 10
estava entretida pegando umas cobertas no armário e jogando-as no chão. Estranhei e perguntei o que ela pretendia com aquilo.
- Estou arrumando a sua cama, queridinho. Você vai dormir aqui no chão e eu lá na cama. – Após ouvir sua intenção, dei uma risada alta e gostosa. Ela realmente achava que eu ia dormir sozinho? Eu até poderia dormir no chão, mas com ela em meus braços.
- Você só vai perder seu tempo, queridinha. – Dei ênfase na última palavra para imitá-la e a irritar ainda mais. Aquela garota me despertava coisas, perto dela eu me sentia mais... Vivo.
- Isso é o que veremos. – respondeu, me enfrentando. Resolvi acabar com aqueles joginhos e partir para o ataque. Arranquei as cobertas de suas mãos e a joguei na cama. Ela caiu de bruços e, com a queda, soltou um gritinho pela ação não esperada. tentou se levantar, mas eu a prensei contra a cama. Conseguia ouvir sua respiração alta e descompassada. Afundei minha cabeça em sua nuca e cheirei o perfume de seus cabelos, céus, seu perfume era delicioso. Tudo nela me instigava, me provocava, me viciava, e eu precisava sempre de mais.
Como que por instinto, separei suas pernas com o meu joelho, porém, minha parte mais sã me pedia para eu ver se ela realmente queria aquilo tanto quanto eu. Puxando todo o meu controle perguntei:
- Quer continuar? Pois se não quiser, eu paro aqui mesmo. Agora, que fique de aviso, se não me mandar parar agora, depois será tarde.
- Não. – Fechei meus olhos, frustrado por ela ter me chutado, já estava saindo de cima dela quando ela continuou. – Não pare, por favor. – Uma onda de alívio passou por todo meu corpo e continuei o que estava fazendo. Arranquei sua blusa e depois a minha, joguei nossas peças de roupa bem longe. Rapidamente desci até a sua calça e logo ela fazia companhia a nossas blusas no chão. estava ali, para mim, apenas de lingerie. Meu instinto não me deixava parar, com uma força brutal, arranquei seu sutiã e sua calcinha, a um ponto que eles rasgaram. tentou se virar, mas eu não deixei, a queria ali para mim, naquela posição. Concordando comigo, ela nem precisou falar que gostava da situação, suas costas se arquearam e sua bunda foi ao encontro do meu membro já rígido. Soltei todo o ar pesadamente. Não conseguiria mais me controlar. Abri a braguilha da minha calça e a desci junto com a minha boxer, numa altura que me deixava confortável para agir. Antes de penetrá-la, levei a minha mão até o seu seio e o apertei, demorei-me naqueles seus deliciosos peitos, mais tarde eu gostaria muito de provar novamente o gosto que eles tinham. Pude ouvir um suspiro de satisfação vindo de sua boca, sim, ela estava gostando daquilo tudo tanto quanto eu. Não agüentava mais, eu precisava estar dentro dela, agora. Posicionei-me e penetrei-a sem dó, meus movimentos começaram lentos, pois não foi fácil me colocar inteiro dentro dela, ela era tão apertada. Meu membro teve dificuldades para entrar completamente. Durante a operação, escutei-a reclamar de alguma dor, porém, uma dor prazerosa, pois ela não parava de arquear seu corpo em minha direção. soltava gemidos altos e arqueava cada vez mais as costas na minha direção. Fui aumentando meu ritmo até que meu corpo já não agüentava, esperei ela chegar ao seu clímax para só então chegar ao meu e esvaziar-me dentro dela, sem camisinha, sem nada. Meu corpo relaxou, mas tive o cuidado de não cair em cima dela, não queria machucá-la.
Rolei para o lado e puxei-a para perto de mim, então dormimos assim, juntos, como tinha que ser.
/’s POV
’s POV
Acordei quando os primeiros raios de sol entravam no quarto e com um peso abraçando minha cintura. Quando me virei, pude ver dormindo abraçado comigo. Lembranças da noite passada vieram a toda em minha cabeça. Aconteceu tanta coisa que nem parecia que só tinha acontecido somente há algumas horas.
Por que eu não conseguia resistir àquele idiota? Talvez eu não possa mais nadar contra a correnteza, meu corpo, minha alma precisam dele e sinto que é recíproco. Melhor deixar esses pensamentos resistentes de lado e me entregar de uma vez, vou parar de lutar contra os meus sentimentos e ficar com de corpo e alma. É isso o que vou fazer a partir de agora. Aconcheguei-me em seus braços e voltei a dormir, plena, feliz, completa.
- Psiu, acorda dorminhoca. – Despertei pela segunda vez, só que agora estava na minha frente, sorrindo e com uma bandeja de café da manhã. – Trouxe alguminhas coisinhas para você comer, imagino que esteja com fome. – Sim, eu estava.
- Estou morrendo de fome! – Disse com um sorriso nos lábios. Eu estava alegre, mas , ah, este estava radiante.
- Ótimo, aqui tem frutas, bolachas, bolo, pão, suco...
- Nossa, quero ver eu comer tudo isso.
- Ah, tudo para a minha princesa. Anda, coma o quanto agüentar que depois eu levo a bandeja de volta. Dormiu bem?
- Hm, dormi muito bem. E você?
- Nunca dormi tão bem em toda minha vida. – Sabe, antes eu não sabia o que estava perdendo sendo tão anti-paixão. É simplesmente esplendido estar apaixonada.
Depois da manhã incrível que tive com , tivemos que voltar. Ele me deixou em casa e disse que me ligaria mais tarde, antes ele tinha que terminar tudo com a e só depois de tudo resolvido ele voltaria para me ver. Preciso dizer que eu estava muito feliz? Além de tudo, estava ansiosa para vê-lo novamente.
Chegando em casa, a primeira coisa que vou fazer é ligar para Dara e contar tudo! Se ela não for uma das primeiras a saber, vai me matar, conheço a peça.
- Alô, Dara?
- Ela mesma, é a ?
- Sim, Dara, eu tenho uma coisa para te contar! – Falei, animada.
- Nossa, Jesus, e o que você tem para me contar? Deve ser coisa boa pelo tom da sua voz!
- Dara, eu e o , nós, quer dizer. Ai, é uma longa história. Mas resumindo: nós voltamos ontem!
- Sério? Ai, eu sabia que vocês dois combinavam juntos, estou tão feliz por vocês e... – Dara parou de repente como se tivesse lembrado-se de alguma coisa. –... Não querendo ser estraga prazer, mas, ele não estava de rolo com a ?
- É, estava. Ele voltou com ela para me fazer ciúmes, só que agora, nesse exato instante, ele está indo até a casa dela para terminar tudo. Não é ótimo?
- Olha, vou ser bem sincera, eu nunca fui muito com a cara daquela guria e sempre me perguntei os motivos de alguém como ter namorado com ela algum dia. Amiga, vocês dois são perfeitos juntos!
- Seria muito suspeito se eu dissesse que também acho? – Ri. Logo após Dara começou a me contar as novidades da reunião que eu havia perdido, fiquei escutando, sempre fui boa em ouvir.
Passei o resto da tarde lendo e esperando me ligar. Foi então que tocou o barulho de mensagem do meu celular. Vi o número e não o reconheci, cliquei para ler e me deparei com uma mensagem, no mínimo, inesperada.
Oi, fofinha, mandei essa mensagem para dizer que você não vai tirar o de mim, ok? Nem tente. Eu sei que você deve estar achando estranho a mensagem, mas daqui a pouco você vai entender. Beijinhos. Xoxo, .
O que ela quis dizer com aquilo? O que aquela vadia estava aprontando? Mas ela que só tente, ela que pense que vou ficar aqui parada enquanto ela faz o que bem entende. Será que ela não se conforma que o não a ama? Essa criatura me dá asco. Só que para uma coisa aquela mensagem que ela mandou serviu, para me deixar com a pulga atrás da orelha. Quer dizer, ela não mandaria aquilo se alguma coisa não tivesse acontecido. Liguei imediatamente para o celular do , queria esclarecer toda aquela história para poder ficar tranqüila novamente. Chamou, mas ninguém atendeu, aquilo estava ficando muito esquisito. Muito.
Para tentar me acalmar, fui arrumar meu quarto, mas do jeito que estava nervosa, podia limpar a casa toda que mesmo assim estaria toda tensa.
Dito e feito, não só arrumei meu quarto, como lavei a louça, lavei minha roupa, varri a cozinha, tirei o pó, reguei as plantas, dei banho no cachorro e mesmo assim minha cabeça ainda estava naquela mensagem. Bem, talvez ela só estivesse blefando. Mesmo pensando em inúmeras desculpas para aquela mensagem, ainda estava invocada e precisava urgentemente falar com .
Tomei um banho para tirar aquele cheiro de água sanitária e produto de limpeza do meu corpo. Era só o que faltava, o chegar e eu estar fedendo.
Sabe quando parece que o tempo não passa? Pois é. É exatamente isso que estou sentindo agora. Mas sabe o que me dá mais raiva ainda? Saber que aquela filha da mãe conseguiu me deixar assim, se o objetivo dela era me deixar nervosa, conseguiu, e com bônus ainda.
Fiquei deitada pensando na vida, olhando para o teto, já não tinha cabeça nem para ler, que é uma coisa que eu gosto tanto. Fiquei nessa até que meu telefone tocou de volta, quando vi o nome na tela, quase caí para trás. Meu Deus, era ele, era . Peguei o aparelho, nervosa, e cliquei no botão para atender.
- Alô. – Falei receosa.
- Alô, . Preciso falar com você. – É impressão minha ou o tom de voz dele está diferente? Me parece meio triste.
- Fale.
- , bem, acho que é melhor eu ser direto. – Okay, agora eu estava realmente nervosa.
- Fale logo, , o que está acontecendo? O que você tem para me falar? Por que a sua voz está diferente? – O bombardeei com perguntas, mas não podia evitar, estava sentindo que não vinha coisa boa por aí.
- , eu liguei para dizer para você não me procurar mais. Acabou tudo entre a gente. – Após soltar a bomba, ele desligou. Então eu fiquei lá, em choque. Sim, eu esperava tudo, menos o que ele tinha acabado de me dizer, menos que ele fosse terminar tudo. Não era possível, estava tudo tão bom entre a gente, por que então ele mudou tão de repente? Ah, sim... . Claro que tinha dedo dela naquela história. Mas isso não ia ficar assim, até não podia ficar comigo, mas ele me explicaria toda essa história. E a , bem, a vez dela também chegaria, ela que me aguarde.
CAPÍTULO 11
Acordei no outro dia com uma cara do cão. Desci para tomar o café encarando todo mundo. Até o Ulisses, que tem mania de implicar comigo, teve a sensata decisão de permanecer calado desta vez. Quando me sentei à mesa, mamãe e papai já haviam saído e só meus dois irmãos ainda permaneciam em casa. Devorei o pão com café em um minuto e subi novamente para o meu quarto. Cheguei à cama e afundei meu rosto no travesseiro, pensando em maneiras de torturar a e o . Tentava engolir aquela raiva crescente em meu peito, mas estava cada vez mais difícil imaginar que fui trocada, usada e nem ao menos recebi explicações do porquê da separação repentina. Uma hora está tudo bem, na outra não mais. Alguma coisa estava muito, mas muito errada ali.
Nem lembro quanto tempo fiquei deitada, me remoendo, só sei que saí da cama com uma idéia fixa em minha mente. Não me interessava se queria ou não me ver, mas ele me explicaria aquela história direitinho. Depois, se ele não quisesse nunca mais me ver, ótimo, mas não sem antes me esclarecer as coisas.
Nem tirei o pijama, apenas escovei os dentes, penteei o cabelo e coloquei um moletom velho e enorme por cima de tudo. O tempo estava fechando lá fora e em breve começaria a chover, claro, não poderia ficar mais perfeito. Peguei o fusca azulão do meu pai emprestado e dei partida em direção à casa do meu “amado”. Dirigia tão brava que quase arranquei o volante fora, entretanto consegui chegar sã e salva ao meu destino. Desci naquele estado lamentável mesmo e apertei a campainha, umas duas vezes, para ser mais exata. Por sorte, a pessoa a qual eu procurava foi quem atendeu, me identifiquei e o mandei descer. Ele tentou relutar, mas antes de inventar alguma coisa, cedeu as minhas ordens e disse que logo desceria.
Esperei lá em, embaixo encostada ao portão e de braços cruzados. Quando, de relance, olhei para a porta de entrada, vi que ela se abria e logo o esperado descia com cara de tacho. É agora.
- Olá, querido. Sabe, espero realmente que você não se importe, mas eu só vim aqui saber, assim, como quem não quer nada, POR QUE DIABOS VOCÊ TERMINOU COMIGO DE UMA HORA PARA OUTRA E SEM NENHUMA EXPLICAÇÃO! – Falei a última parte com um tom de voz um pouco maior e mais ameaçador. arregalou aqueles olhos enormes e ficou me olhando com cara de bobo. – O que foi? Desaprendeu a falar agora?
- Não tenho o que explicar. Só que quando fui terminar tudo com a , percebi a burrada que eu ia fazer. Percebi que não te amava, então desisti de terminar com ela e resolvi terminar com você. – Curto e grosso. Objetivo e direto. Duro e cruel. Aquelas palavras me atingiram como punhais adentrando em meu peito. Respirei fundo, lutando para não derramar nenhuma lágrima.
- Então me esclareça uma dúvida. – Peguei meu celular do bolso e mostrei a mensagem que me mandou. – Pelo que ela deu a entender na mensagem, ela sabia que estávamos tendo um caso. Você, por acaso, contou isso à ela?
- Contei. Disse que estava com você, mas que foi um erro e que eu, na verdade, amava ela. entendeu e nós voltamos. Simples assim. Mais alguma dúvida?
- Não, nenhuma. Quer saber? Sejam felizes, porque vocês dois se merecem! – Falei dando um sorriso debochado e andando de costas em direção ao carro. – E quer saber de mais uma coisa? Você também foi um erro, o maior erro da minha vida! – Tão logo terminei a frase e a chuva começou a cair, me virei na direção da maçaneta da porta para entrar antes que acabasse me molhando mais. Olhei rapidamente para trás e vi que já estava voltando para dentro de sua casa também. Adentrei ao veículo e dei a partida, só queria dar uma volta e espairecer um pouco, esquecer que um dia em minha vida conheci alguém tão desprezível quanto .
***
Aquelas férias passaram tão rápidas quanto uma lesma. Dara estava sendo uma grande amiga para mim, ajudou-me a ficar melhor depois do fim do meu curto, porém intenso, relacionamento. Decidi matar as mágoas trabalhando. É, em vez de me entupir de doces e tudo que não presta, fui prestar trabalho voluntário. Assim seria útil e me manteria ocupada para não lembrar os recentes acontecimentos. E assim passou o tempo. Logo me encontrava sentada no ônibus, voltando para a minha rotina de estudos. Infelizmente ainda teria alguns encontros desagradáveis com o , já que o mesmo é meu vizinho.
A viagem passou normalmente e estava louca para chegar em casa, tomar um banho e cair na cama.
***
A semana passou normal. As aulas ainda não haviam começado, mas eu havia voltado um pouco mais cedo para me preparar e ajeitar as minhas coisas, detestava fazer tudo as pressas e de última hora. Durante a semana teve um dia em que a deprê me assolou e eu desci caminhar um pouco, com esperança de que ver novas paisagens faria eu me sentir melhor. Andei e andei até encontrar um boteco, daqueles bem sem vergonhas. Meus olhos pararam em um maço de cigarros e então eu travei uma luta comigo mesma para ver se comprava ou não o dito cujo. Comprei. Depois de ter sido derrotada na minha batalha interna de força de vontade, sentei num banco de praça, com um cigarro em uma mão e o isqueiro na outra. Olhando fixamente para os objetos em minha mão e me decidindo se acenderia ou não. Não valeria a pena foder com o meu pulmão só por causa de um ser humano patético, ou melhor, por um casalzinho patético. Mais uma vez fui vencida e já estava com o tabaco aceso, preso em minha boca, sendo tragado. Por que eu tinha que ser tão fraca? Abaixei a minha cabeça e a segurei entre minhas mãos, olhei fixamente o chão, não pude me segurar e uma lágrima desgraçada escapou de meus olhos. Sim, eu estava chorando por um homem. E o pior, este homem não valia nada, nem ao menos uma única lágrima, uma única maldita lágrima! Como forma de punição, peguei o que sobrou do meu cigarro e o apaguei em minha própria pele. Com raiva, peguei aquele maço novo em folha, que eu recém havia comprado e o arremessei ao lixo.
Voltei para casa pisando duro, me martirizando por estar sofrendo, por estar mal por ele. Ignorei meus pensamentos e joguei meus sentimentos para escanteio. Definitivamente eu teria que esquecê-lo, custe o que custar. Subi as escadas do prédio de dois em dois e quando cheguei ao meu andar, tive mais uma surpresa. A casa do meu vizinho, vulgo , estava aberta e caixotes estavam espalhados por dentro e por fora, algumas pessoas entravam e saíam levando essas mesmas caixas. A conclusão foi óbvia, ele estava de mudança. Então ele chegou a esse ponto. Melhor assim, pelo menos evitaria vários encontros desagradáveis.
Respirei fundo e enfiei as chaves na fechadura. É, acho que teria que me conformar em nunca mais vê-lo. Eu sei que sou uma burra, que ele me chutou, mas mesmo assim eu não queria cortar relações tão bruscamente. No máximo uma olhadela de relance na faculdade, mas depois, nem isso mais. Duro. Jogando meu corpo pesadamente no sofá, fiquei olhando para o teto com uma cara aborrecida.
Horas se passaram e o dia havia virado noite. Eu ainda estava naquele mesmo estado lamentável. Pois então, quase pirando, saí de casa apressada só dando tempo de pegar a bolsa que estava em cima da cadeira. Andando loucamente pela calçada, dava passos largos na noite escura e nebulosa da cidade. O clima era frio e um sobretudo conseguia fazer seu papel de me proteger do tempo. Estava sem rumo e sem direção, mas gostava da sensação do vento frio batendo na pele do meu rosto, podia sentir uma pontada de felicidade e uma sensaçãozinha de liberdade.
Segui andando sem curso até parar em uma ruela, com poucos postes e deserta. Um medo atravessou a minha espinha, mas meu lado inconseqüente ignorou e seguiu andando, mais adentro do local. De repente me deparei com uma porta, à iluminação da entrada estava com falhas, mas ainda dava para ver o que estava escrito, Estabelecimento Wotson. Estranho. Não dizia nem ao menos do que se tratava. Invadida por uma curiosidade e atrevimento inexplicável, decidi entrar para descobrir do que se tratava.
Dentro do estabelecimento, só vi um homem de idade sentado atrás de um balcão. Esquisito, aquele lugar não era nada convencional e nem parecia com algo que eu já tivesse visto. Era todo de madeira por dentro e havia um tapete na frente da porta, a iluminação deixava ainda uma penumbra dentro do lugar e atrás do balcão onde estava o homem só havia uma porta. Alguns quadros enfeitavam o ambiente e um pequeno sofá estava rente a parede. O local não era grande.
- Olá, jovem. O que deseja? – Perguntou gentilmente.
- Bem, na verdade, nem eu sei. Eu vi a porta e decidi entrar. Acho que por curiosidade. Aliás, do que se trata? – Falei um pouco desconcertada. O homem riu de mim, mas de um jeito leve.
- Curiosidade, uma característica típica feminina. Pois bem, senhorita, lhe direi do que se trata minha loja. – Dei um sorriso amarelo e ele continuou. – O nome não é muito chamativo e a entrada é meio escondida, porque geralmente as pessoas que vem aqui já sabem o que fazemos, ou em casos mais raros, entram por curiosidade. Eu já prefiro chamar de destino. - Fiz uma cara confusa com aquela afirmação, não bastava ele apenas dizer o que faziam lá e pronto? Coisa esquisita. - Sem mais delongas da minha parte, aqui trabalhamos com natureza. Mexemos com plantas, ervas e até animais. Produzimos muita coisa retirando a maior parte do que precisamos do meio ambiente. Mas, óbvio, sem degradá-lo.
- Mas, aqui é tão pequeno, e eu não estou vendo nenhuma planta, erva, ou produto relacionado a isso aqui. – Aquilo estava muito, muito estranho. Mas mesmo assim não senti vontade de sair. Por incrível que pareça, aquele lugar tinha alguma coisa que me prendia, fazia-me querer ficar.
- Mas é que aqui é só a entrada, lá dentro é que as coisas acontecem de verdade.
- Claro, mas é lógico. Bom, desculpe o incomodo, eu já vou indo.
- Não tem de que. Volte sempre! – Dizia o senhor com um sorriso no rosto.
Saí de lá com uma vontade do tamanho do mundo de ver o que tinha por trás daquela porta. Eu fazia ciências biológicas e estava fervendo de curiosidade para ver aquilo e, quem sabe, até mexer com aquilo. Dei uns três passos para voltar para casa, mas a tentação de ver como era aquele lugar foi mais alta e eu voltei ao estabelecimento daquele homem. Entrei novamente naquele lugar, estava tudo silencioso, exceto pelo barulho dos sininhos de quando abri a porta.
- Desculpa de novo, mas será que eu poderia ver como é lá dentro? Sabe, é que eu faço faculdade de biologia e, bem, eu me interesso muito por tudo que seja relacionado a isso com que vocês trabalham. – Falei, apontando em direção da porta que ficava atrás do homem do balcão. – Claro, se eu puder. Se não der, eu vou entender. – Falei com uma carinha digna do gatinho do Shrek.
- Sabe... – Dizia o senhor bem calmamente. –... Eu pensei que você nunca fosse pedir. Venha, minha jovem, eu vou lhe mostrar o que tem aqui dentro. - Falou o senhor enquanto pegava uma chave de dentro de uma gaveta e abria a porta.
Eu sei que uma pessoa um pouco mais esperta e com um pouco mais de bom senso diria para eu não entrar. Vai que o cara era um psicopata e lá dentro não tinha plantas coisa nenhuma, mas só objetos de tortura e ele ia me prender e depois me matar? Só que eu não sei explicar o sentimento que me invadiu que me fez querer muito ver aquele lugar, aquela sensação era muito forte e eu não podia evitar. Eu tinha que ver.
Mesmo assim, antes de entrar, dei uma espiada no que tinha lá dentro enquanto o senhor abria a porta. Pelo que pude ver, não tinha nada afiado, menos mal. Então fui no ‘seja o que Deus quiser’ e entrei.
A entrada não era direto no lugar, tinha um corredor primeiro. Segui o homem até o final e tinha umas portas, cada uma com um número. Entramos na porta que tinha o número 59.
Minha. Nossa. Senhora. Que lugar era aquele?! Sabe quando que eu imaginaria que aquela sala seria tão maravilhosa? Nunca! Tinha estufas de plantas, potes com vários tipos de ervas, tubos de ensaio, microscópios, gaiolas de vidros com ratos, aranhas, e algumas enormes contendo cobras. Sinceramente, fiquei fascinada. Seria um sonho ter a oportunidade e o privilégio de trabalhar em um lugar como aquele. O senhor deve ter percebido minha cara deslumbrada e cortou meu momento do tipo criança-em-loja-de-brinquedos falando comigo.
- Pelo visto você gostou. – Dizia o homem, ainda parado e olhando para a sala, assim como eu.
- Bom, sim, eu realmente amei isto aqui. – Meu sorriso devia ter um metro de largura.
- Então, já que você gostou, podia estagiar aqui. Estamos precisando de funcionários para ajudar.
- Que? Ai. Meu. Deus. Eu adoraria! Quando posso começar? – Eu estou sonhando? Alguém me belisca? Finalmente uma notícia boa depois de algum tempo.
- Eu acho que na próxima semana você já pode começar. Aqui tem várias áreas que você, talvez, possa se interessar mais tarde, mas isso vai depender do seu desempenho. Enfim, com o tempo você vai se acostumando e conhecendo mais como funciona aqui. Alguma dúvida?
- Sim, bem, eu tenho uma. Não que eu não esteja feliz de ter sido chamada para estagiar aqui, mas... O senhor nem me conhece direito e já me contratou, quer dizer...
- Gostei de você. E tenho a impressão de que será muito útil para a nossa corporação. – E ele foi fechando a porta. O homem seguiu caminho até a entrada e eu fui atrás. Ainda estava meio entorpecida, sem reação. Dei um tchau ainda meio anestesiada e saí por aquela porta. Agora eu ia começar uma nova vida, um novo começo. Segui aquelas ruas escuras e vazias da cidade com a sensação de que tudo ia mudar, uma sensação estranha, mas acho que era boa.
Continuei andando e sentindo o vento da noite no rosto, um sentimento caloroso invadia o meu peito, estava ansiosa para trabalhar naquele lugar, mal via a hora de começar.
Capítulos betados por Thai
CAPÍTULO 12
Havia se passado uma semana desde o dia em que entrei naquele estabelecimento e, quando dei por mim, estava estagiando em um lugar incrível, com equipamentos que eu nem tinha ouvido falar. logo se mudou e eu não faço a mínima ideia pra onde ele foi. Também a essa altura pouco importava. Sempre fui realista demais para acreditar no amor, foi só um acidente de percurso. Decidi que me focar na carreira e treinar as minhas habilidades seriam uma boa perspectiva de vida. Amores, romances, paixões, bem, isso eu deixo para as novelas, a vida real não é tão cor de rosa. Então, tomando uma decisão digna de mim, decidi seguir meu caminho sozinha. Bem, quer dizer, com algumas leves distrações, porém nada mais que isso.
Ah, a propósito, o dono do meu atual lugar de trabalho se chama Bob, Bob Woodson, é o mesmo que me atendeu naquela noite. Só acho estranho que o dono daquele lugar fique sentado atrás de um balcão atendendo como se fosse um reles funcionário (lê-se: um reles funcionário como eu, por exemplo), mas isso também não é da minha conta. Ele é legal, pelo menos é o que parece, não converso muito com ele, eu falo mais com os meus chefes, Giulio e Shirley, e esses, por sinal, são um pouco estranhos. Agem como se escondessem alguma coisa, sem falar que volta e meia os vejo conversando com Bob a portas fechadas em um escritório. Aliás, eles não são os únicos, vários outros funcionários de mais alto escalão, como eles, também ficam horas conversando com o dono.
Isso é outra coisa que também não é da minha conta, mas não pude evitar reparar. De qualquer forma, sendo meus chefes estranhos ou não, não posso negar que aprendi muito com eles, sem falar que minha vida virou toda em função do meu crescimento profissional. Eu adoraria ir subindo de cargo lá mesmo, no estabelecimento Woodson. Tinha muita coisa naquele lugar que eu ainda queria descobrir, ver, experimentar... tudo lá me fascinava.
***
Eu estava realmente, redondamente, infinitamente, exageradamente, definitivamente obcecada. Subi de posto no trabalho, não era mais uma estagiária, agora já era uma funcionária contratada, meu salário subiu, minhas funções e, principalmente, responsabilidades também. Se eu já estava fascinada antes, agora então quando me deparei com as inúmeras possibilidades, com tudo o que posso aprender, parece que estou enfeitiçada. Fui junto com Giulio e Shirley fazer uma pesquisa no meio da floresta. Shirley me falou que se quisesse continuar trabalhando no instituto e se quisesse crescer lá dentro, teria que aprender algumas coisas um pouco fora da minha grade de matérias da universidade. O esquisito é que ela me mandou aprender algumas coisas que eu achei fora para ser uma bióloga pesquisadora. Não sei direito como era o modo de trabalhar no instituto, mas se aprender alguns esportes radicais fosse melhorar a minha posição, então, eu topo. Estava topando qualquer coisa ultimamente. Sabe como é, falta de vida pessoal, amorosa, afetiva ou qualquer coisa do tipo, geralmente leva as pessoas a um estado um tanto quanto psicótico. Ou talvez eu só esteja tentando arrumar alguma desculpa para explicar o comportamento obcecado que eu ando tendo ultimamente. Infelizmente tenho que admitir que a segunda hipótese seja a mais provável. Dura constatação.
Enfim, melhor eu parar de divagar e fazer o que realmente importa. Acertou quem falou trabalhar. Bom, isso também não é nenhuma novidade.
Sabe o que é o pior de se ter chefes estranhos? É que você acaba ficando um pouco, hm, esquisita também. Por exemplo, eu estou pegando a péssima mania da Shirley de cheirar tudo. Sério, eu cheiro tudo, esses dias me vi cheirando flores de plástico. Isso mesmo, de plástico. Não que eu as tivesse confundido com flores naturais, eu sabia que eram falsas, mas as cheirei, por puro hábito. Odeio a Shirley. Mas não tanto a ponto de largar o emprego. É sempre o emprego. Às vezes sinto medo do que eu posso me tornar um dia. Sabe, as coisas podem fugir do meu controle, e quando eu perceber, na verdade quando eu me tornar aquilo que eu tenho medo que eu me torne, eu nem vou perceber, porque eu já serei aquilo, e aquela realidade era a que seria a normal. E é isso que me assusta. Tá, eu acho que se eu continuar paranóica desse jeito eu vou pirar. Na verdade, eu já estou pirando. Merda. Vou me calar. Até porque estou atrasada... Para o trabalho.
Tudo bem. Eu vou ignorar o que vi e fingir que nada aconteceu. Vamos lá, você consegue, . Até porque é absolutamente comum ver seus chefes – bem anormais por sinal – falando em alguma língua ininteligível e ambos segurando punhais. Com certeza eles devem ter alguma explicação racional e razoável para isso. Mas por que diabo tinha que ser um punhal? Não podia ser, sei lá, uma colher de madeira? Ou pelo menos algo menos perigoso... e menos afiado também. ELES PODEM MATAR UMA PESSOA COM AQUILO. OU, PIOR, ELES PODEM ME MATAR COM AQUILO... Tá, eu acabei de dar a entender que eu não sou uma pessoa. Enfim, deu para entender o que eu realmente quis dizer. E é nessas horas que eu agradeço por as pessoas não poderem ler pensamentos.
Eu não vou perguntar o que foi aquilo que eu vi a Shirley e o Giulio fazendo. Eu não vou perguntar e vou fingir que nada aconteceu. Isso. É a melhor coisa a se fazer. Eu não vi nada, eu não sei de nada. Inspira, expira, inspira, expira. Contar carneirinhos resolve? Não, sua otária, carneirinhos são só para fazer você dormir. O que, aliás, nunca funcionou comigo, só para constar.
***
- , eu vou precisar que você venha até àquela sala comigo. – ordenou Giulio, apontando para a mesma sala onde eu o vi com a Shirley e o punhal. Assim que me situei no que estava realmente acontecendo, só consegui manifestar como reação um olhar totalmente arregalado e meias palavras que não conseguiam passar pelo muro do meu nervosismo. Conseguia apenas proferir alguns sons guturais. Só que isso estava me deixando ainda mais patética e também muito mais vulnerável. Não demonstre medo. Nunca.
- Agora? É que eu tenho que ir até à estufa ver como estão as babosas. – a desculpa foi esfarrapada, mas essa foi a única que eu encontrei.
- Você vai lá depois. Isso que eu estou pedindo é mais importante. – respondeu ele, sério.
- Mas é que eu não posso ir depois.
- E posso saber por que não? – perguntou.
- Bom, porque... Porque eu marquei nesse horário com a Ashley e em qualquer outro horário ela não vai poder. Então, eu vou indo, volto logo, tá? – eu já estava me preparando para sair daquele laboratório quando meus planos foram frustrados por apenas três letrinhas. Três letras e uma palavra que mudaram a minha vida.
- Não.
- Não? Por que não? – perguntei apreensiva.
- Porque o que eu tenho aqui é mais importante. Como eu disse, depois você vai ver a babosa. Agora você apenas vai me obedecer e entrar naquela sala. – ele falou calmo, mas seu tom austero me causou arrepios. Estava sem saída. Eu tinha que ir. Na verdade, das duas uma. Ou eu entrava naquela sala ou eu saia correndo. Decidi entrar. Mas não sem antes pegar uma faquinha que estava jogada numa bancada, que a Shirley tinha usado para cortar o caule de uma flor. Peguei-a e escondi na parte de trás da minha calça, ainda contei com a ajuda da minha blusa para escondê-la.
- Então, por que você quis que eu viesse aqui? – perguntei, tentando demonstrar segurança. Minha mão já estava posicionada perto do lugar onde eu tinha posto a faca. É melhor prevenir.
- , não posso negar que você me surpreendeu. – começou ele.
- Ah é? Por quê?
- Você aprendeu tudo tão rápido, é esperta, dedicada, e o Bob tem um ótimo pressentimento sobre você. Achamos que você está pronta para fazer parte da equipe. – como assim fazer parte da equipe? Eu já não faço parte da equipe?
- Mas eu já faço parte da equipe, Giulio. – verbalizei meus pensamentos.
- Mas não faz parte dessa equipe. – e quando tentei responder senti um pano prensando o meu nariz. Só pode ser clorofórm...
***
Acordei sentindo uma dor de cabeça. Dor de cabeça, desmaio... Aqueles filhos da mãe me fizeram inalar clorofórmio. Eu sabia que tinha alguma coisa de errado. Eu sou uma burra mesmo. Por que eu tinha que ter entrado? Agora eles vão fazer não sei o quê lá comigo, e coisa boa não vai ser. Será que eu vou ser algum sacrifício humano para algum ritual maníaco deles?
Desespero. Em minha mente, nada que eu tente conseguir fazer para que alguma coisa me conforte, faz passar esse desespero. Além do medo inundando a minha corrente sanguínea e irrigando cada parte do meu corpo com pavor. Conseguia sentir as pontas dos meus dedos geladas e um suor frio percorrer a palma da minha mão. Eu preciso sair daqui. Passei os olhos pelo local mas era impossível ver alguma coisa, estava em uma sala completamente escura. Procurei qualquer sinal, mesmo que pequeno, que tivesse alguma luz para que eu pudesse ver alguma coisa. Não achei nada. Estava num breu total. Porém, agradeci mentalmente por não estar amarrada. Tentei levantar, mas ainda estava muito fraca para ficar de pé e acabei caindo no chão. Foi então que uma onda de choro começou a brotar dos meus olhos. Eu estava prestes a chorar. Prestes. Até que escutei uma voz.
- Fique calma. Nada de ruim vai te acontecer aqui. – falou uma voz que eu reconheci ser masculina.
- É mesmo? Não é o que está parecendo. – respondi raivosa. De alguma forma doentia eles deviam estar querendo me perturbar ainda mais. Eu até posso morrer, mas não vou dar o gostinho de ser algum tipo de brinquedinho para eles.
- Eu sei que não foi nada gentil trazê-la aqui desta maneira, mas foi a única que encontramos.
- Huhum. – foi o que consegui pronunciar.
- Giulio, acenda a luz. – falou novamente esse homem. E foi então que meus olhos, já acostumados com a escuridão, receberam uma rajada luminosa. Virei meu rosto para tentar me acostumar com o desconforto que era receber um jato de luz quando se está dentro de uma sala escura. Quando consegui enxergar alguma coisa, percebi que estava em um cômodo amplo, e, diferente do que eu pensei, não era algum quarto cheio de objetos de tortura cobertos de poeira. Era uma sala bonita, com sofás e vasos de plantas. Havia também uma grande mesa com inúmeras cadeiras em volta. Na ponta dessa mesa tinha algum tipo de painel, acho que para refletir algo que fosse projetado por um ‘data show’.
Mas mesmo assim não conseguia ficar tranquila. Acho que o motivo é facilmente compreensível, apesar de estar em um lugar bonito, isso não anulava o fato de que eu fui sequestrada.
- Acho que te devemos uma explicação. – falou Shirley. E foi só então que eu percebi a presença dela naquele lugar.
- Eu também acho que devem. Eu pelo menos posso saber de que forma eu vou morrer? – perguntei irritada. Já que eu estava no inferno mesmo, e não tinha mais saída, não há problema nenhum em eu dar uma abraçadinha no capeta.
- Morrer? – disse Shirley no meio de uma gargalhada. – Quem disse que nós vamos te matar?
- O punhal que eu vi você e o Giulio segurando é que me disse. – respondi firme - sem contar o fato que fui sequestrada, mas isso é um mero detalhe, óbvio.
- Ah, o punhal. Mas aquele punhal não era para te matar. Ele fazia parte de um ritual. E que de maneira nenhuma envolve a morte de um ser.
- Huhum. – não estava afim de conversa sobre ritual nenhum. Eu apenas queria ir para a minha casa e esquecer que isso, de fato, aconteceu.
- Tudo bem. Vou parar de enrolar e te explicar o verdadeiro motivo de te trazermos aqui. – começou Shirley, parecendo mais séria que o comum. – Nós fazemos parte de uma instituição, digamos, secreta. – A Shirley anda vendo muitos filmes de ficção. Porque ela só pode ter pirado de vez. Eu sempre soube que ela era estranha.
- Instituição secreta? – agora foi a minha vez de rir – Ô 007, acho melhor você parar de ler muito Dan Brown, hein. Isso não está te fazendo bem. – falei debochada. Eles só podem estar querendo tirar uma com a minha cara. Essa é a única explicação plausível.
- ! O que a Shirley está falando é verdadeiro. Não deboche. – é impressão minha ou as pessoas aqui gostam de fazer uma entrada triunfal? Até o Bob está envolvido nesta palhaçada toda. E ainda por cima defendendo a maluca da Shirley. Ele, por acaso, sabe que ela tem o costume de fazer rituais com punhal e tudo?
- Ai, não. Até você, Bob? Isso é mais sério do que eu pensava. – falei desolada.
- É muito mais sério do que você pensava. – começou Bob – Shirley, ligue o projetor, fazendo o favor. Vamos mostrar tudo à para que ela possa entender o quão sério estamos falando.
Continua…
Nota da Autora:
OOOLÁ! Gente, eu sei que eu demorei muuuuuito pra atualizar OGDV, mas posso garantir que a culpa é toda do colégio. Sério. Eles acham que eu não tenho vida, só pode. Mas eu volteeiiii *-* e na próxima att eu prometo que vou explicar tudinho o que essa 'instituição secreta' faz. HUAHUAHAUHAUHAUHA Ah, só pra confirmar, o caminho escolhido, pela quantia ESMAGADORA de leitoras, foi o caminho número UM. Então será esse que eu vou seguir, muahuahaha. E podem deixar que eu não esqueci do principal não. Ele só vai demorar mais um pouquinho para aparecer. Mas ele logo logo vai estar de volta irritando a nossa principal. Ele e mais uns agregados junto (alguns não tão agradáveis, mas tbm vão aparecer). O/ Hmm, então acho que é isso, por hoje é só. AH, também quero agradecer por todas as leitoras que votaram e tbm quero agradecer a todas as leitoras que comentaram e me deixaram mais feliz, hihihi. Agora acabei. Beijos gente, e até a próxima ;*
P.s.: Troquei de beta, a Thai teve que se ausentar e agora quem está betando é a Kay!
Seja bem vinda e obrigada por ter tido paciência comigo, huahuahuaua.
Nota da Beta: Comentem. Não demora e faz a autora feliz. Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise por email. Obrigada. Kay xxx