
Apenas chame meu nome e você sabe, onde quer que eu esteja, eu virei correndo para te encontrar novamente. Inverno, primavera, verão ou outono, tudo que você tem de fazer é chamar. E eu estarei lá, sim, sim, sim, você tem um amigo. (...) As pessoas podem ser tão frias, elas te magoarão e te abandonarão e então elas tomarão sua alma se você permitir... Oh, sim, mas não permita...
You’ve Got a Friend – McFly
Que todos os detalhes que eu vivi e nas pequenas coisas que eu passei você está aqui, já faz parte da minha história. Esqueci de te esquecer, resolvi lembrar quando eu quiser, em todos os momentos em minha consciência.
Subliminar – NxZero
Ele a empurrou com certa força para dentro do quarto e a deitou na cama. Corey a beijava com força e urgência, e já começava a tirar a roupa dela.
estava ali porque queria, não estava sendo obrigada nem nada, mas achou que aquele fosse o momento certo. Namorava Corey há três meses, e ele sempre foi um cara legal e tal, sempre ali pra ela. Agora parecia que esse garoto não existia, pela urgência e violência que estava usando. Em alguns segundos, talvez um minuto, ela já estava totalmente nua, e ele também.
- Corey... a camisinha. – Teve coragem de lembrar e Corey parou de beijar seus seios, abrindo a cômoda e pegando o preservativo. O ‘vestiu’ e a penetrou com certa força, fazendo-a soltar um gemido abafado. Ele investia com força nela, a machucando um pouco e fazendo os dois soltarem gemidos. Decididamente não era assim que ela queria a sua primeira vez, para falar a verdade.
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Corey está babando, de costas pra mim, do outro lado da cama. E eu? Estou aqui, encarando o teto, me perguntando se realmente fiz a coisa certa. sempre me falou que Corey só estava comigo porque eu era uma das meninas mais cobiçadas da escola (o que eu nego veemente, mas acho que é verdade) e só queria transar comigo desde o começo.
? Meu melhor amigo desde que somos pequenos. Não pense besteiras, pelo amor de Deus, ele é só meu amigo. Até porque nem daria para sermos ‘algo mais’, não que ele não seja MUITO gostoso ou lindo, é que ele... é gay. É, gay assumido. Tá, não sei se é assumido, mas ele é gay, tem jeito de gay e ele me disse que já pegou homem também, então... É gay. E é tão fácil me abrir com ele, contar as coisas que eu tenho medo, as fofocas e tudo mais! é a melhor pessoa da minha vida, com certeza.
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Na escola, todos já sabiam do ocorrido do dia anterior. chegou de cabeça baixa e foi ao seu cantinho no pátio esperar por . Ficou mexendo nos dedos e ouvindo as fofocas, até que Corey passou por ela. Ela esperava que ele fosse cumprimentá-la, conversar ou ao menos dizer que se viam na hora livre. Desapontou-se, ele passou reto, nem olhou na cara dela. Aquilo foi a gota d’água. Respirou fundo e se levantou, indo ao banheiro. Quando estava quase na porta, escutou alguém gritar seu nome e se virou.
- ! – acenava, indo em direção a ela, com um sorriso imenso no rosto.
Mas seu sorriso foi diminuindo ao ver a expressão da garota que o esperava parada no corredor.
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Eu sabia que tinha alguma coisa errada, aquele olhar não me enganava. Apressei um pouco o passo e cheguei perto dela, a abraçando de lado.
- , o que foi? – perguntei, e ela me olhou com seus lindos olhos , que no momento estavam vermelhos, mesmo ela ainda não tendo chorado. O que eu sabia que ela iria fazer dali a alguns minutos. Ou segundos.
- O C-Corey – ela disse simplesmente e fechou os olhos, deixando uma lágrima escapar. Não disse? A abracei e acariciei seu cabelo.
Filho de uma puta. Não, nem uma puta devia ser xingada desse jeito, o que trouxe esse cara ao mundo era algo muito pior, o ser era algo do Demo mesmo. Quem ele acha que é pra machucar minha menina assim? Tá que não é a ‘minha menina’, é só porque ela é a minha melhor amiga e eu a vejo assim, algum problema? Além de que eu sou gay. É, eu sou gay mesmo, algum problema com isso também? Qual é, depois de perceber que nenhuma garota que eu via fazia o meu tipo, decidi ver as coisas... por outro ângulo. Tá que de vez em quando eu pego umas garotas, então eu sou bi, certo? Ok, tanto faz, mas prefiro não comentar dos meus encontros. Não que eu tenha vergonha ou algo, é só que eu não gosto de sair em público com um cara, com todo esse preconceito que temos hoje.
Ok, chega de mim, vamos voltar à minha pequena.
Olhei em volta e o sinal bateu. Eu me dirigi com ela para a saída. apenas me acompanhou, ela sabia o que eu ia fazer. Nada melhor que a praça para fofocar de assuntos amorosos. É, cabular aula é legal, vocês deviam experimentar.
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Os dois se dirigiram para a praça, ainda abraçados, e sentaram embaixo da árvore ‘deles’. Tinha até o nome deles. se sentou antes e puxou para seu colo, a fazendo ficar de lado para ele. Acariciou as bochechas úmidas da garota e esperou ela falar.
- ... o Corey... bom, você sabe que eu confiava nele... eu achei que estava na hora certa... e fui com ele para a casa dele – contava, mexendo nos dedos, enquanto a olhava atentamente, espumando de raiva por dentro. Como pudera confiar no Corey? Ele não a havia advertido sobre ele?
- E... não foi o que você esperava? – perguntou, tentando manter a voz calma, e apenas negou com a cabeça.
- Ele foi bruto... me machucou... realmente eu não senti que estávamos fazendo amor. – Ela usou a expressão e sorriu de leve.
- Ele merece um soco, isso sim. Vai ver só na saída, vai apanhar bonito por ter machucado minha menina! – exclamou e riu, dando um beijo na bochecha dele.
- Você quando dá esses ataques ‘oi-sou-homem’ é bem engraçado! – Ela riu mais e ele a acompanhou.
- Hey, eu posso ter feito minhas escolhas, mas geneticamente e ‘nas-partes-íntimas-mente’ eu sou homem, muito homem, ok? – ele disse com voz afetada e ela riu da expressão dele.
- Você quis dizer anatomicamente – ela confirmou e ele sorriu.
- Exato! Viu, você me entende! – ele explicou e ela balançou a cabeça, mordendo o lábio com um sorriso.
- Só você pra me fazer rir nessas horas, ... – Ele sorriu e acariciou o cabelo dela, dando outro beijo em sua bochecha.
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Falei? Só o pra me fazer rir quando eu só quero que o mundo se exploda e me leve junto. É, eu sou dramática.
Sorri e encostei a cabeça em seu ombro, enquanto ele acariciava meu cabelo. Cabular aula é realmente bom, sério! Nossa, quem vê pensa, né? Mas abafa, é só bom passar um tempo com seu melhor amigo (gay). Fiquei com vontade de perguntar uma coisa que sempre quis e, como eu não penso (mentira), perguntei.
- Como é beijar alguém do seu sexo? - Corei logo em seguida. me olhou torto e deu um sorriso.
- Ah, é igual beijar alguém do sexo oposto. - Deu ombros e eu corei mais, satisfeita pela resposta. - Só que no meu caso, é um pouco estranho receber as 'carícias' que eu faço em garotas. - Ele sorriu torto pra mim e eu tentei fazer ao máximo uma cara normal e não de nojo. Acho que não consegui. Qual é, esse pensamento é estranho e nojento para mim, por favor! E eu nunca imaginei algo assim, é estranho.
- Hm - disse e ele me abraçou um pouco mais forte.
- Mas você sabe que você sempre vai ser a dona do meu coração, né ? – Eu ri e dei um beijo na bochecha dele.
- Hm, que pena, eu já estava investindo em outro, já que você é... gay – eu disse com relutância e ele riu.
- Eu mudo por você, a gente foge de casa, se casa com dezessete anos, tem trigêmeos com vinte e vamos ter nossas bodas de ouro com os três filhos e sete netos! – ele disse animado e eu gargalhei.
- ! Você sabe que você não é um cavalo-marinho e sou eu que vou ter que carregar três filhos na barriga! Eu que vou sofrer no parto e panz, não é melhor ter um por vez não? – eu disse rindo, fingindo estar brava.
- Pode ser, mas então a gente vai ter quatro filhos. – Eu gargalhei mais e ele me abraçou pela cintura, apoiando o rosto no meu pescoço.
Ficamos um tempo em silêncio, eu sentindo sua respiração no meu pescoço e acariciando o cabelo dele.
- Por que o único menino que é perfeito tem que ser você? – perguntei, indignada e divertida, e ele riu. - Você se clona e dá de presente pra mim, manda por Sedex, mas faz uma versão não gay, por favor. É só pra aproveitar mais. - Pausa para sorriso pervo mais gargalhada de nós dois. – Ok, esquece essa última frase - acrescentei rápido e ele riu mais.
- Ok, espera inventarem a máquina... - Eu ri também e ele me deu um selinho. Eu não me importava que ele me desse selinhos, afinal, ele era só meu melhor amigo, e selinho até primo dá. Tá, parei.
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Os dois passaram mais uma meia hora ali e optaram por entrar no segundo tempo das aulas, antes que a diretora ligasse para seus pais. Foram caminhando lentamente e chegaram 5 minutos antes do sinal bater.
Ouviram o barulho alto e abriram o portão, entrando no pátio que ainda estava meio vazio.
- Olha, a ... – uma menina cochichou e se sentiu desconfortável com aquilo, se abraçando mais a .
- Cara, que desperdício, um ser gostoso desses ser gay! – ouviram uma garota nova comentar e sorriu torto. As fofocas continuavam rolando enquanto eles passavam e avistou Corey com os amigos.
- , vou te deixar na mesa e já volto, porque eu preciso fazer um negócio antes – avisou e , inocente, apenas concordou.
deu meia volta e foi em direção a Corey e seus amigos. Era agora.
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Cheguei por trás do Corey-idiota-e-que-merece-um-soco-no-saco-Sanders e cutuquei o ombro dele. Ele se virou e me encarou com as sombrancelhas suspensas. Quem sabe olhando pra mim ele não lembra da menina que ele comeu, digo, transou no domingo? É, a minha melhor amiga.
- Que é, seu boiola? – Os amigos deles riram e eu virei pra trás, olhando , que me encarava com as sombrancelhas arqueadas. É, ela sabia o que eu ia fazer. Me voltei para Corey novamente e, antes que ele pudesse perguntar de novo, meti-lhe um soco no maxilar.
Deve ter doído, afinal, ele caiu no chão e eu acho que quebrei algum osso da mão, que maxilar mais duro!
Corey se levantou com raiva e já tinha começado a formar uma rodinha em volta da gente. Ele me encarou com raiva e massageou o rosto, cuspindo um pouco de sangue. Será que eu tinha quebrado algum dente dele?
Recebi uma resposta, não a que eu esperava, em forma de um soco no rosto. Também caí, e senti todo o rosto formigar.
- ! – escutei alguém gritar, mas não dei bola e avancei de novo, descontando toda a raiva que eu tinha dele num soco na barriga e outro seguido no saco. Espero que tenha castrado esse ser inútil.
Ele se levantou, gemendo, e me olhou. Os amigos dele o seguraram, e eu senti duas mãos leves nos meus ombros. Respirei fundo e olhei com nojo pra ele.
- Agora você sabe que se meter com a de novo vai levar! – disse e saí, com as mãos ainda no meu ombro. Olhei para onde devia estar e percebi que era ela que estava ao meu lado.
- , voc... – ela ia começar a falar alguma coisa, mas um grito nos interrompeu.
- SR. E SR. SANDERS, PRA SALA DA DIRETORA, JÁ! – a coordenadora apareceu e gritou com a gente. Me soltei de com um suspiro e segui aquela coisa feita pelo Demo (lê-se Corey, não coordenadora) até a sala da senhorita Mitchens, pra levar uma suspensão.
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foi chamado à diretoria e eu fiquei parada no meio do pátio enquanto os ‘telespectadores’ se dispersavam. Suspirei fundo. Não é que realmente acabou com o Corey?
Sentei de volta na mesa e fiquei pensando no que aconteceu. Nunca imaginei que alguém pudesse fazer aquilo por mim, nem ! Não sei, não que eu imaginasse que ele era fraco, longe disso, só com aquele corpinho dele... De qualquer forma, eu achei que ele ia levar uma bela surra do Corey, de verdade.
O sinal bateu de novo e eu fui para a sala, me sentando no lugar de sempre, só com a diferença que a carteira da minha frente – que era de – estava vazia.
A aula de Química começou lentamente, e eu anotava as coisas rapidamente, pra ficar moscando e pensando nas coisas depois. Mais ou menos no meio da aula, ouvimos uma batida na porta e pôs a cabeça para dentro, pedindo licença para entrar.
- E por que toda essa demora, sr. ? – o professor perguntou depois de ter dado permissão para ele entrar.
estendeu um papel para ele e se dirigiu à carteira, piscando e sorrindo para mim antes de se sentar. Tentei me concentrar na aula, mas não conseguia, estava morrendo de curiosidade para saber o que tinha acontecido, e acabei indo para a última página do caderno, rabiscando um bilhete rápido.
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recebeu um cutucão no ombro direito e automaticamente pôs a mão esquerda pra baixo, virada para cima, para receber o bilhete de . Era sempre assim.
“E aí? Vc n levou suspensão, levou?”
Riu baixinho e escreveu a resposta, e, fingindo mexer no cabelo, jogou para trás o papelzinho.
“Eu não, mas Corey sim! xD depois te explico, linda!”
sorriu com a resposta e rabiscou de novo, afinal, a aula servia para que mesmo? Não responda.
“Obrigada, de qualquer forma ^^ afinal... foi por mim, não?”
leu rápido e mexeu novamente no cabelo, no momento em que o professor virou.
- Problemas, sr. ? – engoliu em seco.
- Não, senhor. É só que meu cabelo está coçando... – As meninas se afastaram com nojo e medo de ser piolho e segurou o riso. O bilhete estava no seu colo, numa tentativa de esconder do professor. O professor rolou os olhos e virou-se novamente para a lousa, voltando a escrever. abriu a resposta rápido.
“Claro que não, foi pela Gerusa! Claro que foi por você, , esse cara eh um canalha, merecia uma surra mesmo! ;]”
Sorriu com a resposta e rasgou o papelzinho, o colocando no bolso para jogar em casa. Estendeu um pouco a mão e levou a carteira silenciosamente pra frente, encostando sua mão na nuca de , acariciando-a lentamente.
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Ok, eu sou gay, mas se a não parar com isso, eu vou ter que ir ao banheiro! Qual é, eu ainda sou homem, e a é uma menina linda, não é a toa que é uma das mais cobiçadas do colégio, e ainda fica fazendo isso...
Nossa, é muito bom! Me deitei um pouco mais e sorri, tentando não fechar os olhos e tentando não me concentrar nas partes intimas, que estavam querendo começar a formigar.
Me inclinei um pouco mais e fiz sinal para que ela se aproximasse um pouco mais e, assim que senti sua respiração perto do meu ouvido, sussurrei para que só ela escutasse:
- Se você continuar assim, acho que vou mudar meu conceito sexual, ... – Escutei a risada dela baixinho e logo um beijo atrás da orelha.
- Eu paro então... – Ela retirou a mão e voltou para seu lugar, me deixando um pouco desconcertado. Ok, a gente sempre estava próximo, e essa proximidade nunca tinha sido problema, na verdade, eu nunca tinha sentido algo assim antes. Fiquei meio incomodado, e o resto do dia foi entediante sem as carícias da na minha nuca, tenho que admitir.
O que diabos está acontecendo comigo?
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Capítulo 2.
Os dois saíram juntos da escola logo que o sinal bateu.
- Tá a fim de um sorvete, pequena? – ofereceu enquanto andavam.
- A fim eu tô, só estou sem grana... – Ela fez bico e ele rolou os olhos, abraçando-a pela cintura.
- Como se isso fosse realmente um problema. – Ela riu e deu um beijo na bochecha dele.
- Você sabe que eu não gosto que você fique pagando tudo pra mim, ... – ela reclamou e ele deu ombros, entrando na sorveteria.
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Gente, eu já disse que amo esse menino? Sim, o , quem mais? Cara, além de saber tudo sobre mim, me consolar e panz, é lindo! Por que diabos ele tinha que decidir ser gay? Meu Deus, deixa eu parar com esses pensamentos, ele é meu melhor amigo, nossa! Não que eu seja uma ninfomaníaca, mas eu queria uma experiência... melhor do que a que eu tive com o Corey. E não, não vou falar pra minha mãe por enquanto.
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Meu, a fica lançando uns olhares praqueles playboyzinhos da sorveteria, por que eu tinha que vir pra cá mesmo? Hm, pra tomar sorvete e também olhar os carinhas, mas eu queria atenção, poxa! Caramba, que isso? Ciúme? Ah, ok, eu tenho ciúmes da , eu sou o melhor amigo dela, me importo demais com ela e com os sentimentos dela. E eu gosto da atenção dela, odeio quando ela para de falar comigo para olhar um desses caras idiotas que entram direto aqui na sorveteria. Hm, nem tão idiotas, admito. Ah qual é, o loiro é hot.
- Hm, ?! – a chamei pela milésima vez.
- Oi? – ela perguntou, voltando a olhar pra mim.
Bufei e sentei mais desajeitado na cadeira.
- Nada, esquece. – Ela rolou os olhos e pulou pra cadeira do meu lado, e me abraçou pelo pescoço.
- Own, desculpa, amor... Diga. – Ela começou a me dar beijos curtos no pescoço e na bochecha, e meu Deus, isso acaba com minha muralha contra ela. Soltei uma risadinha e ela parou de me beijar para me olhar nos olhos. É, ela sabia como me provocar direitinho. Mesmo que não soubesse disso.
- Eu só tava comentando que o cara loiro é meu – eu disse e voltei a olhar pra ele, ouvindo a gargalhada dela.
- Vou perguntar a opção sexual dele, pera aí! – ela disse e eu rolei os olhos, fazendo bico.
- Não gosto quando você me zoa... – falei baixinho e ela me olhou com um sorriso triste.
- Awn, desculpa, amor... – Ela me deu outro beijo na bochecha. – Você sabe que eu não me importo, né? Porque você escolheu isso, e se isso te faz feliz, tudo bem – ela disse baixinho e eu sorri abertamente.
- Eu te amo, minha pequena! – falei, estalando um selinho nos lábios dela e ela sorriu mais.
- Eu também te amo! – ela disse e me deu um beijo de esquimó, incrível como a gente parece um casal de namorados melosos de vez em quando.
- E você sabe que eu só disse aquilo porque você fez uma escolha, mas sabe que não é todo cara que você acha gato que fez essa mesma escolha – ela disse e eu sorri.
- Sim, eu sei, pequena, eu tava zoando. Você pode ficar com o loiro, já que ele esta te secando direto. Mas, afinal, amigos servem para dividir, não? – eu disse e ela gargalhou, se levantando. Eu a segui.
- É, mas agindo do jeito que a gente tá, acho que ele não vai se aproximar de você, por causa desses roxos aí! – Então ela também reparou que estávamos agindo feito um casal bobo? Ela apontou pro meu rosto. Nem lembrava mais dos machucados.
- Ah, tanto faz. Eu me meto em briga pela minha garota. – Pisquei maroto e ela riu, se dirigindo ao balcão com o melhor dos sorrisos.
Eu percebi que cada cara daquele estabelecimento se virou para secar ela (exceto os mais velhos, eles tinham outras coisas a fazer em vez de secar meninas gostosas e adolescentes. A menos que fossem pedófilos).
Eu tenho que tomar cuidado com essa menina, ela tem o dom pra atrair problemas. Principalmente com caras.
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Cheguei ao balcão e esbocei o melhor sorriso. Ah, o atendente era bonito oras. Aliás, quase todos os garotos da sorveteria eram gatos, vou passar a frequentar sorveterias com frequência. Urg, isso soou tão puta, esquece isso.
- Com licença - apoiei no balcão –, você teria um pouco de gelo pra eu colocar no rosto do meu amigo? Erm, ele se meteu em encrencas hoje... – pedi, olhando para as minhas mãos, e depois o encarando nos olhos. O menino ofegou e sorriu, concordando. Ah, o dom das mulheres... sedução. Ele voltou logo, com um sorriso enorme no rosto.
- Aqui está, moça! – ele disse sorridente e eu sorri mais ainda. Cara, ele é realmente bonito! Ó: meio bronzeado, olhos verdes, cabelo castanho, com algumas partes mais claras. Um nariz um pouco torto (talvez tenha quebrado, não sei), olhos nem tão espaçados e nem tão juntos; e o sorriso! Meu Deus, que sorriso! Os dentes brancos, alinhadinhos, num sorriso que mal cabe na descrição de tão lindo.
- Muito obrigada! – agradeci, meio atordoada pelo verde-quase-grama dos olhos dele, e me afastei, me aproximando de .
- Ele estava dando em cima de você. – Ele fez bico e eu ri, saindo da loja e olhando antes para trás. O atendente sorriu pra mim e eu retribui, e percebi olhando o loiro lá.
Continuamos andando, segurando o gelo no roxo e eu pensando nos olhos do garoto. Com certeza eu passaria a frequentar aquela sorveteria.
- Você gostou dele, né? – Já disse que esse garoto me entende mais que ninguém? Virei pra ele e concordei silenciosamente. – Pelo menos você deixou o loiro pra mim.
Eu ri e virei pra frente.
- Tô com medo, ... – admiti, e sentei num banco da praça. Ele me olhou confuso e sentou do meu lado, me olhando.
- De quê?!
- De me apaixonar... Ou chegar perto disso, não sei. Eu achava que amava o Corey, mas não sei, depois de tudo, ficou tão vago. Eu tenho medo de me decepcionar de novo, e não ser do jeito que eu espero. – Suspirei. É, era a verdade. De que adianta se apaixonar se depois todas as pessoas vão acabar te deixando?
Sabe o que eu acho? Que amor não existe. O que o ser humano precisa é evitar a solidão, então criou um ‘sentimento’ – o amor – pra poder explicar o porquê de querer alguém o tempo todo. Mas depois que essa necessidade de companhia passa, ele abandona. Abandona o que ama, ou o que pensava que amava. Abandona aquilo que um dia chegou a falar que sentia ‘amor’. Mas isso não existe. É uma questão de comodidade.
- Não se preocupa, pequena. Um dia você vai achar alguém que realmente te mereça, e aí você vai perceber como foi boba de não ter percebido isso até aquele dia. – Ele sorriu e eu apoiei a cabeça no seu ombro, fitando as crianças brincarem.
- , você acha que o amor existe?
- Acho. Quer dizer, às vezes parece que não, mas... existe, ele está guardado o tempo todo dentro de você, pronto pra sair quando quiser. E então você vai amar e perceber o quanto é bom ter aquele alguém ao seu lado – ele respondeu, e eu pensei no que ele disse. É, talvez fosse isso. Eu não posso falar que algo não existe sendo que eu não sei o que é. É, acho que é isso, eu nunca amei, então acho que isso não existe, porque nunca tive um sentimento como esse.
- E você já amou alguém? – perguntei.
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- E você já amou alguém? – me perguntou e eu gelei. O que eu ia responder? Que não, nunca tinha amado? Mentira. Que eu amei? Era a verdade, mas... Quer saber, não adianta mentir pra .
- Já – respondi simplesmente, mas preferi não continuar aquilo, doía. Mas, de alguma forma, mesmo contra minhas vontades, continuei. – Eu amei uma garota mais que tudo. Eu sentia que faria qualquer coisa por ela, qualquer coisa que ela quisesse. Exceto uma coisa: o que ela me pediu. Mas tive que fazer. – Suspirei. me fitava mordendo os lábios.
- O... que ela pediu? – Ela estava curiosa, e eu sorri de leve.
- Ela me disse pra ficar longe dela. E nunca mais aparecer na frente dela. – Ela arregalou os olhos. – Aí eu desisti. Não sinto mais nada por ela, faz tempo até. Mas cansei. – Dei de ombros. – E aí fiz essa escolha.
Fiiiim! História linda, não, crianças? Tenho até um título: Desabafos de um gay. Vai ser um bestseller, tenho certeza. Affe. Senti os braços dela me envolverem e sorri fraco.
- Ah, ... – ela disse simplesmente e eu afaguei seu braço.
- Relaxa, , faz tempo. E eu nem ligo mais. – Ela se afastou levemente e eu encarei seus olhos. – Eu não ligo mais porque agora eu tenho você – eu disse e ela corou. Eu amo deixar ela corada.
- Não sei se é amor de verdade, , mas eu te amo – ela disse me dando um beijo no canto da boca. E de novo aqueles malditos arrepios.
Ficamos um tempo em silêncio, eu acariciando seus cabelos e ela com a cabeça apoiada no meu ombro.
- ? – ela chamou e eu a olhei. – Por que você não levou suspensão?
Eu ri e ela sorriu abertamente. Eu amo esse sorriso dela, se eu puder, eu vou sempre dizer coisas pra ela sorrir desse jeito.
- Porque é sempre o Corey que inicia as brigas, ela não acreditou quando eu falei que eu que tinha começado. Créditos de bom aluno. – Eu dei ombros e ela riu.
- Agora, acho melhor ir pra casa, não? Eu tô com fome! – eu disse pondo minha mão na barriga e ela rolou os olhos rindo.
- E quando não está?! – Dei língua e um pedala nela, e fomos pra casa dela almoçar. Sim, eu sou sedentário da Tia.
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No dia seguinte...
entrou na sala e se largou na carteira, com seus olhos quase fechando. Ficara até tarde lendo e perdeu a hora. Mas queria terminar o livro.
- Bom dia! – a coordenadora apareceu e falou para os poucos alunos que estavam ali. Começou a escrever na lousa o seguinte recado:
Alunos do 2º colegial: hoje vocês não terão o primeiro período das aulas, se quiserem voltem para suas casas e no segundo período vocês entram, visto que será feita uma reunião a respeito dessa classe. Favor não apagar.
Deixou o giz e saiu da sala, deixando todos animados. Corey entrou na sala, com o rosto roxo, e olhou na direção de . Suspirou e sentou-se, para logo depois ler o recado na lousa. rolou os olhos e levantou, pegando seu livro e indo para fora. Sentou-se embaixo de uma árvore e abriu na página marcada.
Enquanto todos os outros zoavam e corriam, ela se concentrava em seu livro e se sentia dentro da história. Porém, chegou numa parte muito emocional que ela não esperava e começou a chorar. Soluçava mesmo, tentava abafar, mas não conseguia. Então fechou o livro e esperou se acalmar antes de continuar a ler. Foi quando chegou.
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Eu a vi chorando, colocando a mão na frente da boca pra disfarçar, mas eu conheço a , ela não choraria por nada! Me aproximei correndo e me joguei ao seu lado, abraçando-a. O estranho foi que ela estranhou essa atitude.
- ? – ela perguntou.
- O que foi, pequena? Por que tá chorando? – perguntei, segurando seu rosto e limpando as lágrimas. O mais estranho foi isso: ela gargalhou. Isso, ela gargalhou, e eu fiquei com cara de merda olhando pra ela.
- O-o que foi? Por que tá rindo? – Vocês perceberam que eu repeti a pergunta, só mudando o ‘humor’?
- , você se preocupa demais, xuxu! – ela disse, ainda rindo, e eu não entendi. Então notei o livro que ela segurava: A menina que roubava livros. Ah, isso explica muita coisa.
Bufei e me encostei na árvore, com ela ainda rindo e chorando. Confuso.
- Ain, , fica assim não! É só o livro – ela disse com um sorriso lindo, e eu não consegui segurar o meu por muito tempo.
- Ok, ok, eu só me preocupei que o idiota do Corey tivesse feito alguma coisa em você pra se vingar de ontem, mas... Pera, ontem na verdade era uma vingança. Pera aí! – Comecei a me confundir com meus próprios pensamentos, e gargalhou de novo, enquanto eu ficava com cara de confuso.
- , fica calmo ok? – Ela riu mais uma vez e abriu de novo o livro. Ótimo, eu ia ser trocado por um livro.
- Ah, , não acredito que você vai ler! – Fiz bico e ela me olhou confusa.
- Por que não, ? – Poutz, ficou brava, ela só me chama pelo meu nome quando fica brava. Fudeu.
- Porque... oras, você chorou um oceano por causa desse livro, e eu vou ficar olhando você se desidratar? – Fiz bico de novo.
- Mas eu quero saber o fim! E você pode fazer outra coisa, não precisa ficar me olhando ler e chorar! – ela explicou e revirou os olhos.
Bufei e encostei de novo na árvore e comecei a olhar em volta, enquanto ela voltava pro seu livro. Ouvi uns soluços dela, mas não dei bola, estava olhando Corey. Ele não tinha levado suspensão?!
É interessante observar as pessoas, você percebe quando uma delas está sendo falsa e tudo mais. E observar as garotas é interessante. Qual é, não tem nenhum outro homossexual aqui pra eu partilhar meus sentimentos, eu tenho que reparar em garotas, certo? Afinal, tecnicamente (adoro essa palavra), eu sou bi.
Mas com esses arrepios que eu estou tendo a cada toque da é bem capaz que meu corpo tenha decidido outra coisa...
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Nós saímos da escola logo que o sinal tocou, e eu virei pra com biquinho. Ele não resiste, eu sei.
- ... – Ele me olhou e gemeu.
- Ah não... Biquinho não. – Eu ri e pulei nas costas dele, pra ele me levar de cavalinho.
- , deixa eu ir na sorveteria paquerar o atendente? – eu disse bem na lata mesmo.
Ele ficou em silêncio por um tempo e continuou andando, e eu esperava sua resposta.
- Sei lá, você tem que perguntar isso pro seu pai! – ele respondeu e eu ri, saindo das costas dele.
- É, mas você que é superprotetor e panz, meu pai é chato também mas—
- Também? Eu sou chato? – ele perguntou apontando pra si mesmo com uma cara incrédula, e com voz afetada e eu gargalhei.
- Não, não é, mas, como eu estava dizendo, o meu pedido seria pra você deixar eu ir sozinha, porque ele deve ter achado que você é meu namorado pra ficar assim comigo – expliquei e ele fez uma cara de compreensão.
- Saquei... Ok, só não procura encrenca, ok? – ele advertiu, e só faltou eu bater palminhas de felicidade.
- Eu não procuro encrencas, elas que sempre acabam me encontrando – eu disse com a maior cara de emoticon de óculos escuros [emoticon de óculos escuros=(H)] e aproveitei pra por o meu. riu e me deu um beijo na testa, atravessando a rua. Estranhei a atitude dele e me virei. Eu estava na frente da sorveteria. Pisquei feliz e entrei lá dentro.
E fui recebida por um par de olhos verdes maravilhosos, que, como o rosto, exibiam o sorriso mais lindo que eu já havia visto (sim, olhos sorriem).
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Eu estava tentando ser um aluno dedicado, mas já era de noite e eu não conseguia fazer a porcaria da lição de matemática. Matemática é uma coisa que está em todos os lugares, mas tem umas partes tão ridículas e chatas, e você vira e pergunta: “Quando diabos eu vou usar isso na minha vida?”. Meu, eu nem vou seguir carreira relacionada com Matemática! Por que eu tenho que aprender então? Tá, eu não sei que carreira eu vou seguir, mas vamos supor que seja, por exemplo, psicologia. diz que eu sou um bom ouvinte e dou bons conselhos. Hm, mas isso seria terapia. Enfim, eu não faço a menor ideia, e quer saber? Eu vou falar amanhã pro professor que não consegui esses exercícios e pronto, ou eu chego cedo (difícil) e copio da , ela sempre faz.
Decidi sair de casa, quem sabe pegar uma garota hoje? É, quer saber, acho que vou mudar meu conceito, garotas não são bichos de sete cabeças (eu descobri convivendo com a que elas tem pelo menos dez) e nem todas são como a Jackie. Veja só a , por exemplo. Péssimo exemplo, ela é minha melhor amiga. Er, mas é bem sexy, diga-se de passagem. Ok, chega de passagens.
Pus uma roupa boa, e quer saber outra coisa? Não, acho que não, mas deixe quieto, eu vou falar de qualquer jeito. Eu vou dormir com alguém hoje, estou me sentindo carente, sério. Ter uma amiga linda, que fica te provocando (mesmo sem ela saber disso, anyway) e que ainda por cima vai paquerar o menino da sorveteria, é fogo, eu me sinto carente, por exemplo, quando ela dá mais atenção pra um livro do que pra mim.
Me senti emo no momento, com licença, vou cortar meus pulsos com um apontador.
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AAAAAAAAAAAAAAAAH EU PRECISO SURTAR! Eu consegui, eu consegui, eu consegui! Yeah, consegui o telefone e o nome do garoto da sorveteria! Há, eu sou demais, há, eu sou demais! Meu Deus eu não acredito! E o melhor de tudo é que a gente vai se encontrar no J.E.H (n/a: freqüentado esse J.E.H hein? Até o pessoal de My Sweet Fifteen aparece por lá XD parey), uma das baladas mais freqüentadas daqui! Ain, o Kyle é perfeito, e olha o nome do rapaz: Kyle! É o nome do vocalista do The Click Five, meldels, eu estou surtando aqui, alguém traz água com açúcar, por favor?
Ok, respira, um, dois, três... Eu surto legal com isso, que exagerada, meldels. Hm, deu vontade de ouvir Click Five. Liguei o rádio e me joguei na cama. Sério, o Kyle tem uma voz perfeita! Os dois. Há-há. Lembrei de outro Kyle, o Kyle Burns, do Forever The Sickest Kids, mas ele não é nem balconista nem vocalista, ele é baterista. Hm, legal!
Credo, que surto de Kyle que eu dei agora. AAAAH LEMBREI DE OUTRA COISA RELACIONADA A KYLE! Meldels, me perseguem! A música do SoD, Boyband... “Give me Kenny, give me Kyle”... Cara, que medo.
De qualquer forma, vou ligar pro para ele ir comigo, ou ficar por perto, caso aconteça alguma coisa, vai saber.
Pulei na cama e peguei meu celular, discando o número que eu sabia de cor e salteado. Ah, dica, se alguém ai souber por que falamos ‘de cor e salteado’, me avisa, bgs.
- Alô? – atendeu e eu sorri. Incrível isso, eu ouço a voz dele e sorrio. Ele me faz feliz, tá?
- ! – eu disse animada (alguém aí percebeu que eu estou animada?).
- Diga, ... Como foi lá na sorveteria?
- Aaah foi ótimo! Eu consegui o telefone e o nome dele, e a gente vai se encontrar no J.E.H hoje, vem comigo? – pedi, e fiz biquinho mesmo sabendo que ele não podia ver.
- Hm, beleza, eu tava querendo sair mesmo, não aguento ficar mais em casa.
- Haha somos dois... – comentei, e enrolei a ponta do meu cabelo no dedo. – Vou me arrumar então, você passa aqui pra me pegar, ok?
- Ok, pequena! Até daqui a pouco! – ele disse e eu percebi que ele estava animado também.
- Até, amore... – Desliguei e deitei na cama.
Ia ser perfeito dessa vez. Pelo menos, era o que eu imaginava.
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Capítulo 3.
[N/A: coloquem pra carregar: Don’t Trust Me – 3OH!3 e Empty – The Click Five]
se arrumou rapidamente, bem simples. Uma saia jeans clara, uma legging preta por baixo, uma blusa preta do Paramore com alguns detalhes rosa choque. Seu All Star preto com cadarço rosa choque também, e o cabelo alisado, com cachos nas pontas. Achou que estava bom e desceu para a frente de casa, pra esperar . Alguns minutos depois, viu o carro dele se aproximar.
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Eu a avistei quando virei a esquina, e ela estava linda. Deu pra ver o cadarço rosa choque de lá mesmo, haha. Estacionei em frente a ela e sorri feito um idiota apaixonado quando aquela menina linda entrou no meu carro.
- Pronta pra farra? – perguntei, e ela fez um high-five com a mão, rindo.
- Vamos nessa! – ela disse e abriu a janela, bagunçando os cabelos. Eles estavam tão bonitos...
Logo que entrou no carro, ligou o rádio e pôs o CD do Paramore. Ela ta paramóica hoje. HAHA, que piada sem graça, ninguém riu. Começou a tocar Misery Business e ela começou a tentar imitar a Hayley, enquanto eu ria das caras e bocas dela. Eu acho que se a fosse pintar o cabelo de alguma cor, combinaria um preto bem forte com mechas de cores bem vivas, sabe? Podia ser rosa choque, azul elétrico, verde fosforescente, sei lá, mas ia ficar muito legal. Ou quem sabe todas juntas? O cabelo preto com mechas rosa, azuis, verdes e quem sabe um amarelo, ou um vermelho, até um laranja?
Nossa, por que eu tô falando disso?
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podia ser mais discreto, né, er. Enquanto eu me sinto a própria Hayley Williams, ele fica rindo e me secando. Melhor amigo pervertido que eu fui arranjar viu... Hm, mas não é tão ruim. Haha, esquece, vocês não leram isso, esqueci de tomar meus gardenais hoje.
Depois de uns ataques de risos, um minuto de silêncio pelo bichinho que morreu no pára-brisa do e muitas imitações da Hayley, nós chegamos ao J.E.H.
Eu estava quase dando pulinhos de alegria sabendo que eu ia encontrar o Kyle e que estava ali, e que hoje a noite seria perfeita!
Entramos e observamos o local, e eu procurei Kyle com os olhos.
- , vou à caça, quando você quiser ir embora, me manda uma mensagem no celular, tá ok? – ele disse perto de mim, e meu Deus, esses olhos dele me matam. Sentir a respiração dele na minha foi tão bom, e me deixou meio anestesiada, e tudo que fiz foi concordar com a cabeça.
Cara, o que tá acontecendo comigo?!
- Ooi, gatinha... – escutei uma voz, muito linda por sinal, e me virei, encontrando um par de olhos verdes.
- Kyle! Oi! – exclamei e ele sorriu, me dando um beijo no canto da boca, que na verdade era pra ser na bochecha, mas eu gostei e daí?
- E seu namoradinho, não veio? – ele perguntou brincando, e segurou meu braço, me levando até uma mesa vazia com delicadeza.
- Ah, ele não é meu namorado, mas veio sim. – Sorri sem-graça.
- Mas parecia, na sorveteria. – Ele corou e eu ri um pouco.
- Na verdade, ele é meu melhor amigo, mas cá entre nós, ele é gay, então... – Dei de ombros e ele arregalou os olhos.
- Isso é bom. – Eu o olhei confusa e ele riu um pouco. – Assim não vai ter um cara me matando por estar conversando com você. – Ele piscou e eu corei.
Pusemo-nos a conversar sobre vários assuntos, até que começou a tocar uma melodia que eu adorava, e eu me levantei, com os olhos brilhando. [N/A: coloquem Don’t Trust Me para tocar!]
- AAAH, EU AMO ESSA MÚSICA! – eu disse, e sem pensar, arrastei Kyle pra pista de dança. Ele riu da minha empolgação e eu comecei a dançar, como eu costumava dançar com . A gente ensaiava essa música, fazendo uns passos estranhos e provocativos.
Enquanto a música rolava, antes de chegar ao refrão, eu dançava rebolando de costas pra Kyle, e podia sentir suas mãos na minha cintura. Virei de frente pra ele e ele chegou mais perto, deixando os lábios próximos.
- Don’t trust a ho, never trust a ho, won’t trust a ho, ‘cause a ho won’t trust me [Não confie numa vadia, nunca confie numa vadia, eu não vou confiar numa vadia, porque uma vadia não confiaria em mim] – cantarolei o refrão e ele riu, e eu continuei a dançar. Quando o refrão acabou, voltei a dançar de costas, pronta pra provocar. Logo que o refrão começou novamente, eu fiz os passos que tinha ensaiado com , me esfregando em Kyle. Bem ho, mas hoje eu só queria me divertir e pronto.
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Eu estava conversando com uma garota linda, mas estava de olho num cara que eu tinha certeza que era... como eu. Pedi licença pra garota, que eu nem lembro o nome, e fui em direção a ele, com o copo de cerveja na mão. Quando estava perto o bastante, meu celular tocou. Mensagem, adivinha de quem? É, ela tem um radar em mim, sabe quando eu vou me divertir e corta meu barato. Tá, mentira. Abri o celular e li a mensagem.
Vamos pra outro lugar, plz! Xx
Suspirei e saí procurando-a. Logo a achei, e realmente, devia estar muito quente ali, eles estavam quase se comendo ali mesmo. Sorte que a tem uma consciência boa, e sabe que no meio de uma boate não é o melhor lugar para dar. Assoviei e ela parou de beijar o cara para olhar na minha direção, e eu indiquei a saída. Ela sorriu pra mim e disse alguma coisa no ouvido do cara, e eu senti uma coisa estranha. Lá dentro.
Minha pequena estava crescendo, daqui a pouco não precisaria mais de mim, já teria outros caras pra cuidar dela. Nossa, isso soou tão pai ao ver a filha menstruar pela primeira vez! De qualquer forma, eu me senti carente, e voltei o olhar para a garota que eu estava conversando antes, e fui até ela.
- Tá a fim de ir pra algum lugar, fazer alguma coisa mais interessante do que ficar aqui? – perguntei bem na lata, e ela me examinou, odeio quando fazem isso. Ela sorriu e passou a mão pela gola da minha camisa, me arrepiando um pouco. É, um pouco. Só uma pessoa me faz ter arrepios grandes, e essa pessoa está no outro lado da boate, talvez me esperando, com outro cara.
- Achei que você era gay, gatinho – ela disse e eu rolei os olhos, dando meu melhor sorriso tarado e pegando minha cantada favorita.
- Posso mudar hoje à noite por você. – Pisquei e ela pareceu se convencer, sorrindo e me dando a mão.
Encontramos e Kyle na porta, e eu fui no meu carro com Katie e com Kyle. Eu tinha relutado pra isso, mas às vezes tenho que fazer um esforço. Só sei que se esse cara não chegar com a no motel, eu incendeio a sorveteria (que a me contou que é do pai do cara) e ele vai se ferrar, porque eu tenho uns contatos que podem incriminá-lo. Haha, sim, eu sou mau.
Sabe o ataque que eu dei agora a pouco de pai desesperado? Então, pensando bem, acho que a não vai se afastar de mim, porque eu sou como um vício. É, isso mesmo. Ela é viciada em mim. Porque ela pode ter outros caras pra cuidar dela, mas ela sabe que se eles a desapontarem, eu vou sempre estar aqui pra ela. Porque... eu amo aquela garota.
- ! – Katie gritou e eu voltei a prestar atenção na pista a tempo de desviar de um carro que estava vindo na direção oposta. Brequei com tudo e paramos no acostamento.
Eu respirava rápido, e Katie estava com uma mão no coração.
- Desculpa... Você... tá bem? – eu perguntei com dificuldade, e ela concordou com a cabeça. – Desculpa, isso não acontece com frequência, eu só me distraí um pouco. – Ela voltou a concordar, e eu escutei pancadinhas leves na janela. Abri a janela e me encarou assustada.
- , tá tudo bem? – ela perguntou preocupada, e eu concordei com a cabeça.
- Tá sim, foi só... um momento de distração – expliquei e ela mordeu o lábio.
- Cuidado, hein? – ela disse, e voltou para o carro atrás de mim.
Saí do carro pra respirar um pouco, e logo entrei novamente e respirei fundo, antes de ligar o carro e olhar mais uma vez pra Katie.
- Obrigado por avisar, e desculpa, de novo. – Ela sorriu e me deu um beijo na bochecha, e seguimos para o motel.
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Eles chegaram ao motel, um pouco envergonhada por estar indo num lugar desses, e os outros com cara de quem já conheciam o ambiente. Ela estranhou principalmente a atitude de em relação a Kyle, eles estavam se dando bem.
- Boa noite! – se aproximou da balconista, com Katie abraçada à sua cintura. achava estranho conhecer ele e o ver com garotas, sabendo que se ele quisesse podia ter um cara ali.
- Boa noite, em que posso ajudá-los? – a balconista perguntou simpática, olhando os dois casais.
- Nós gostaríamos de dois quartos pra uma noite, por favor – pediu e a garota separou duas chaves, entregando-as a e Kyle.
- Prontinho! – eles disseram e se dirigindo aos quartos destinados, despedindo-se na porta.
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Entramos no quarto e eu respirei fundo, eu tinha chegado até aqui, não é?
- Se você não quiser, ou achar que estamos apressando, é só falar, tá bem? – Kyle me abraçou por trás e me deu um beijo na bochecha. Meu Deus, ele é muito perfeito.
- Eu já cheguei até aqui, Ky. Eu posso seguir em frente – eu disse sorrindo e me virando. Encostei nossos narizes e ele sorriu, me puxando para mais perto e selando nossos lábios. [N/A: coloquem Empty para tocar, não tem letra porque o importante mesmo é a melodia, ok?]
Ele me empurrava delicadamente até a cama, e eu tentava fazer de tudo para não pensar quantas vezes ela tinha sido usada para isso. Ele me apoiou pela cintura, ainda me beijando, e me deitou na cama, ficando por cima.
Ele se apoiava em um braço e com a mão livre passeava pelas minhas curvas. Eu tinha colocado uma mão por baixo de sua blusa e arranhava suas costas de leve, fazendo-o gemer baixinho enquanto me beijava.
Ele quebrou o beijo ofegante e desceu o beijo para o meu pescoço, enquanto eu levantava a sua blusa. Ele levantou, tirou-a e pôs-se a beijar minha barriga. Subia os beijos e levantava a blusa com isso. Quando chegou novamente no meu pescoço, parou os beijos e retirou minha blusa, lançando-a para um lado qualquer do quarto. Voltou a beijar-me na boca, e eu acariciava seu abdome, sentindo-o contrair ao toque de minha mão gelada, e suas mãos procuraram o fecho do meu sutiã. Abriu-o com facilidade, e ele se juntou à minha blusa no chão.
A temperatura tinha subido consideravelmente, e eu já estava começando a suar. Ele beijou meus seios de leve, tudo com muita delicadeza, muito diferente de Corey. Desceu os beijos pela minha barriga até chegar à minha saia, e parou como se pedisse permissão. Sorri e ele também, abaixando minha saia e já levando minha calcinha com ela. Fiquei com um pouco de vergonha, mas ele voltou a me beijar, então não tive tempo para pensar em outras coisas. Passei lentamente a mão sobre a calça dele e abri o botão. Logo ela estava nos pés dele, e ele a tirou.
Enquanto acariciava minhas coxas, interna e externamente, e me beijava, eu brincava com o elástico da boxer dele. Arranhei de leve a cintura e ele gemeu baixinho, apertando minha coxa e me fazendo gemer também.
Ele parou de me beijar e se dirigiu à minha intimidade. Gemi meio alto quando ele a tocou com a boca, e agarrei os lençóis da cama enquanto ele me lambia.
Quando estava prestes a gozar, ele se afastou e tirou a boxer. Antes que eu abrisse a boca para pedir a camisinha, ele abriu o criado-mudo e tirou uma de lá. Sorri e ele se ‘vestiu’, também sorrindo, sem desviar seus olhos do meu rosto e se ajeitou.
- Tudo bem? – ele perguntou e eu concordei, então ele me penetrou.
Movíamo-nos não muito rápido, para nos acostumarmos com o ritmo um do outro, e eu gemia baixinho em seu ouvido. Alguns minutos depois, nós já estávamos cansados e suados, e chegamos ao ápice juntos. Ele deixou-se cair exausto sobre mim, enquanto respirávamos fundo e lentamente.
- Puxa... – ele disse, depois de um tempo. Eu sorri e dei um beijo na cabeça dele.
- Obrigada, Ky... Foi assim que eu sempre imaginei – eu disse sorrindo e ele sorriu também, me dando um selinho e rolando para o meu lado. Enrosquei-me nos braços dele e fechei os olhos, exausta.
Como eu queria que essa tivesse sido minha primeira vez...
off
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Entramos no quarto já nos beijando e eu fechei a porta atrás de mim. Pressionei-a na porta enquanto acariciava sua cintura e toda a extensão do corpo dela alcançável para mim naquele momento. Ergui sua perna, mostrando o que queria, e ela entendeu. Garota esperta, gosto disso. Ela passou as duas pernas pela minha cintura e eu a tirei da parede, indo cambaleando para a cama. Joguei-a lá e fitei seu corpo, cheio de desejo.
Tá que eu sou bi, mas com certeza as mulheres são melhores, porque elas nos deixam ficar no comando (a maioria) e com os homens é meio aquela briga pra ver quem fica na ativa e quem fica na passiva.
Deitei por cima dela e voltei a beijá-la, já tirando sua blusa. Logo a blusa dela e o sutiã estavam voando, e a minha blusa já já ia junto. Desci o beijo para seus seios, e essa garota é dotada, meldels. Digo, meu Deus, já estou até falando como a , preciso tomar cuidado.
Ela tirou minha blusa e começou a arranhar minhas costas, essa é selvagem, gosto disso. Logo eu tirei suas calças e a observei apenas de calcinha sorrindo de um jeito um tanto tarado. Com um sorriso não muito diferente do dela, beijei-lhe o pé, a canela, e fui subindo os beijos até chegar ao início da coxa. Dei um sorriso e a lambi, fazendo-a gemer alto. Cheguei a sua intimidade e tirei sua calcinha, penetrando-a com um dedo e a masturbando. Ela se agarrava aos lençóis e aos meus cabelos, e eu pus mais um dedo. Ela quase gritou. Continuei os movimentos, e ao vê-la arfando, dei-me por satisfeito e tirei os dedos. Ela olhou pra mim com cara de ‘ué, acabou?’ e eu sorri malicioso, tocando-a na intimidade com a língua. Mordisquei seu clitóris e dessa vez ela gritou. Sorri e comecei a penetrá-la com a língua, ora sugando e ora mordendo sua vagina, fazendo-a gritar de prazer. Quando senti que ela ia gozar, me afastei e olhei em seus olhos. Ela respirava rapidamente. Segurou-me pela nuca, me puxando para um beijo quente.
Quando dei por mim, ela estava por cima de mim, me beijando. Quebrou o beijo me fazendo morder meu lábio e eu percebi que quem ‘sofreria’ agora, seria eu.
Ela foi beijando meu tórax, minha barriga, mordiscou meu abdome, me fazendo gemer baixinho. Chegou à minha calça e me olhou maliciosa, abrindo o botão e deslizando a calça pelas minhas pernas, fazendo seu cabelo acompanhar e me causar arrepios. Ela deu beijos curtos perto do elástico da boxer e a tirou com os dentes. Se aproximou do meu Jr., o lambeu de cima para baixo, e depois de baixo para cima. E meu Deus, eu gemi, isso é muito bom. Ela tocou a glande com a ponta da língua e fez movimentos circulares, e eu gemi mais alto. Essa garota sabe o que faz, e faz muito bem! Depois de um tempinho me provocando assim, ela envolveu todo o meu instrumento com a boca e começou a sugá-lo e mordiscá-lo.
- Aaaahh – eu gemi alto e ela sorriu enquanto continuava. Parou de me chupar e começou a me masturbar, alterando a velocidade e me fazendo ir à loucura. Quando ela viu que eu ia gozar, sorriu e parou, me olhando triunfante.
Sem me aguentar mais, a puxei para cima e voltei a ficar em cima dela. Abri o criado-mudo e peguei uma camisinha, me vestindo rapidamente e a penetrando com força.
- AAAH, BOURNE! – ela gritava de prazer e eu continuava os movimentos, cada vez mais rápido e com mais força. Ela gemia alto e eu também, aquilo estava sendo muito bom.
Depois de alguns minutos, desabei exausto, e ela me envolveu com os braços.
- Nossa... essa... foi... – Ela não completou a frase, então eu sorri e a beijei de leve.
- Foi ótimo – completei por ela e ela sorriu, concordando.
- Vamos mais uma? – ela pediu. Eu sorri virando de barriga pra cima e olhando significativamente pra ela. Ela entendeu e montou em mim, dessa vez sem enrolações ou brincadeiras.
Ela cavalgava em mim numa velocidade ótima, e depois de algum tempo nós gozamos, ela tentou mais um pouco, mas acabou deitando logo sobre mim.
Ajeitamo-nos na cama e ela logo caiu no sono. Viu como eu as canso fácil? Haha.
Depois de um tempo olhando pra cara da Katie, pensei na . Será que foi como ela esperava dessa vez?
E outra pergunta que não saí da minha cabeça e eu tentava a afastar sempre que podia. Teria sido melhor se fosse a aqui hoje?
off
No dia seguinte...
acordou com Kyle lhe apressando, dizendo que aparecera ali e dissera que deviam estar no caminho, porque tinham que chegar logo em casa.
se vestiu rapidamente, e quando estavam saindo, Kyle lhe puxou para um beijo e sussurrou em seu ouvido:
- Com certeza foi a melhor... – Ela sorriu e ele piscou, abrindo a porta para ela entrar no carro. entrou inocente, e Kyle sorriu, falando pra ela por o cinto. estranhou que ele pedisse isso, mas não falou nada.
- Cadê o ? – ela perguntou. Viu o carro dele, mas nem sinal dele.
- Falou para irmos indo na frente, já já ele nos alcança. – concordou em silêncio e ele arrancou com o carro. Em alguns minutos, já estavam na estrada. olhou-o fazer um desvio e achou estranho ele pegar o caminho diferente.
- Hey! A cidade fica pra lá! – Ela estranhou e ele sorriu de lado.
- Quem disse que estamos indo pra cidade, bonitinha? – Ela se assustou e pegou o celular, ia ligar pra .
Começou a discar o número, mas Kyle tirou o celular da mão dela.
- Nem pense nisso, mocinha. – estava começando a ficar assustada. Chegaram numa parte meio rural. Kyle começou a acelerar e estava com medo.
- Kyle, me leva pra casa – ela pediu. Ele riu.
- Não. Você é bem lerdinha, hein? É só usar as palavras de seu amigo que você acredita.
Ela o olhou espantada. Então não estava vindo atrás. Então não tinha falado pra se apressarem. Então não ia estar com ela dessa vez...
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Abri os olhos ao sentir uns cutucões irritantes no meu ombro. Devia ser querendo Nutella. Erm, mas eu não dormira com a . Abri os olhos e olhei para Katie, que me olhava espantada.
- Katie, o que foi? – perguntei aflito ao ver a expressão dela.
- A moça do hotel veio aqui perguntar se vamos fechar as contas – ela contou.
- As contas? Por quê? – perguntei depois de um tempo, meio lerdo por ter acordado, estranhando o plural.
- Porque e Kyle sumiram. off
Capítulo 4.
olhava espantada para o garoto que dirigia com um sorriso maligno ao seu lado. Como ele pôde fazer isso com ela? Ele era tão perfeito, fora sempre cuidadoso com ela, a tratando com carinho...
- Me leva pra casa – pediu de novo, com voz chorosa. Kyle revirou os olhos.
- Cala a boca e fica quieta aí. – ia voltar a reclamar, mas ele soltou uma mão do volante e deu-lhe um tapa na boca. – Eu disse pra ficar QUIETA!
ficou espantada, não conseguia chorar, nem conseguia gritar ou ter alguma reação. Ficou apenas quieta, segurando o choro, enquanto aquele cara levava-a para algum lugar.
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Tinha mão pesada, isso dava pra perceber. Olhei discretamente no espelho e estava vermelho, sem contar que estava ardendo, tamanha força ele aplicou nesse tapa. Eu me xingava de tudo que eu sabia. Como pudera ser tão idiota a chegar a esse ponto? Como que não fui falar com ? E agora, eu estava indo pra algum lugar, e ele ainda devia estar se divertindo com a garota no quarto alugado deles.
Deixei uma lágrima escapar. O que ele ia fazer comigo? E como que eu ia sair dessa? Sempre tivera pra ajudar, me vingava, brigava por mim... E agora eu nem sabia pra onde estava indo, com um cara que eu achei que era perfeito. Eu sou uma fraca, isso que eu sou, não consigo nem me defender sozinha.
- Olha, aprende rápido... – ele disse, como se estivesse orgulhoso. Me encolhi mais no banco e ele entrou numa fazenda. Parou o carro em frente ao curral e desceu. Continuei encolhida no meu canto, até ele abrir a porta com força e me tirar com violência do carro.
- Sai logo!
- Ai! Você está me machucando! – gritei, tentando me soltar de seu aperto, que estava começando a ficar vermelho. Meus pulsos estavam ardendo tamanha força, mas ele não me soltava e tentava me arrastar pra dentro do curral.
- DÁ PRA COLABORAR, PORRA? – ele gritou comigo, visto que eu estava fazendo força contrária a ele, me jogando para trás. Ele me soltou e eu caí pateticamente de bunda no chão.
Ele me levantou, segurando meu cotovelo, e me deu outro tapa na cara.
- PARA COM ISSO, SEU... SEU BRUTO! – eu disse, sem conseguir controlar as lágrimas. Esse tapa havia sido muito mais forte do que o outro, e estava ardendo bem mais. – ME LEVA DAQUI, EU NÃO QUERO MAIS FICAR COM VOCÊ!
Ele gargalhou ao ouvir essas minhas últimas palavras.
- Você ainda não percebeu que a sua escolha ou sua opinião não fazem mais diferença aqui? – ele gargalhou de novo e eu engoli em seco, soluçando.
off
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Entrei com pressa no carro, Katie quase fica pra trás. Tinha pedido informação para a menina e ela disse que eles foram para o sul. Parte rural de Londres, muito boa. Fazendas gigantes, você não sabe onde acaba uma e começa outra. Com um gosto amargo na boca, pisei fundo e saí com tudo, fazendo Katie se agarrar ao banco.
Como é que eu fui deixar isso acontecer?! Eu não confiava no cara desde o começo, porque eu fui os deixar ficarem numa boa? , você é o maior idiota que existe em toda a face terrestre.
Respirei fundo, não devia ficar me culpando por tudo também. Eu estava quase me batendo por causa de uma cagada que a fez. Cara, ela podia escolher melhor, pelo amor de Deus! Ela disse que confiava no cara, e agora some com ele e nem me avisa nem nada!
- , você pode diminuir um pouco? – Katie pediu, e eu percebi que ela estava meio verde. Desacelerei um pouco e ela respirou fundo.
- Você já pensou na possibilidade de ele ter levado ela apenas? – ela disse e eu soltei uma risada pelo nariz.
- Claro, sem me avisar, típico da ! – eu disse bravo. Eu sabia que ela não faria uma coisa dessas. me avisava de tudo, sempre que ia pra algum lugar, com quem e tal.
Mas e se... ela se cansou disso? Cansou de ser uma garota dependente de um cara pra tudo que faz, cansou de ser considerada uma garotinha de papai, só porque tinha que dar satisfação pro melhor amigo? Ah meu Deus, ...
- E... se ele levou ela pra algum lugar...? O-o que nós vamos fazer? – Katie perguntou, enquanto eu observava as casas das fazendas. Virei-me para ela e percebi que estava assustada.
- Não sei – sussurrei. – Eu... não sei – admiti. Parei o carro e encostei minha cabeça no encosto.
Katie me olhou com pena, eu percebi, e estendeu sua mão, acariciando meu rosto. Infelizmente, eu não precisava das carícias dela, nem do sorriso. Eu só queria isso de uma garota.
- Katie... E se ele estiver machucando ela? – falei, acho que com a maior expressão de dor que eu fiz em anos. Imaginar minha pequena sendo machucada doía tanto.
- Ela deve estar bem, ... Mas vamos continuar procurando, não se preocupe. – Sorri fraco e beijei a palma da sua mão.
- Obrigado. – Cara, e eu pensei que ela era peguete pra uma noite só... A Katie tem valor sim, mas não chega perto do valor que tem pra mim.
Eu e a crescemos juntos, ela me apoiou nas minhas escolhas, me apóia até hoje, sempre ao meu lado. Eu não sei conviver com uma garota como eu convivo com ela.
Liguei novamente o carro e saímos em busca de alguma fazenda, ou de alguma luz. Sorri por dentro. “Procurar alguma luz” me lembra a ...
Flashback
- , gostei do cadarço! – comentei, observando seu All Star preto, com cadarço verde fosforescente. riu e sentou-se. O professor de Química entrou na sala e também reparou (meio difícil não reparar em um cadarço daquela cor).
- Gente, vocês já sabem. Caso acabe a luz, sigam a , ela tem a luz. – gargalhou.
Mais tarde, no intervalo, ela comentou comigo.
- Sabe, eu não gostaria de ser a luz... – Eu ri.
- Oras, por quê? Não quer ser a inspiração, a saída, a ajuda praqueles que precisam? – eu disse, teatralmente, e ela gargalhou.
- Claro que não! Quando as pessoas estão morrendo, sempre falam “Não vá para a luz!”. Quer dizer que é ruim. – Gargalhamos.
End Flashback
Avistei um fazendeiro e parei o carro.
off
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Ele me empurrou pra dentro e eu caí no chão. Kyle é forte, não posso negar. Sentei, ainda soluçando, no chão cheio de palha e estrume de vaca.
- Para de chorar, porra! – ele gritou comigo e fiquei com medo que me batesse de novo. Não consegui conter o choro, mas chorava silenciosamente.
- O que você quer de mim? – perguntei timidamente, baixinho, e quase acreditei que ele não tinha me escutado. Ele me lançou um sorriso malicioso e me levantou com força, me segurando pelos cotovelos e me prendendo perto dele.
- Eu ia deixar pra mais tarde, mas já que você está tão curiosa... – ele disse e eu me arrependi de ter aberto minha boca.
Ele colou seus lábios aos meus fervorosamente, enquanto eu tentava recuar. Ele não era o moço dócil de olhos verdes da sorveteria, o cara que eu julguei ser perfeito... Eu tentava me afastar, estava com nojo dele, mas ele me pressionava e eu acabei cedendo.
Kyle me empurrou até uma saleta e me jogou em cima da mesa. Senti minhas costas baterem nas coisas que tinham em cima da mesma e pontadas me fizeram gemer. Ele se deitou em cima de mim e arrancou a minha blusa, sem cerimônias. O resto da minha roupa foi rápido também e ele tratou de se despir depressa. Suas mãos passavam pelo meu corpo, apertando com força e me fazendo gemer, e eu tentava recuar de seus beijos, mas obviamente não funcionava.
- PORRA, COLABORA! – ele disse, depois de tentar se ajeitar e eu não ter me movimentado. Ele levantou novamente a mão contra mim e eu fechei os olhos, sentindo a dor arder no meu rosto. Mas não foi só uma. Foram várias.
- PARA COM ISSO, ESTÁ ME MACHUCANDO! – eu gritei, tentando segurar seus braços.
- APRENDEU AGORA, VADIA? COLABORA! – ele gritou e me penetrou com força, me fazendo gritar de dor.
Ele investia com força, me apertando. Eu sabia que iam ficar marcas ali, marcas feias, e provavelmente no meu rosto também. Depois de um tempo, ele se cansou. Cansou de me usar e saiu de cima de mim, me deixando ali na mesa. E soluçava e sentia-me suja. Ele recolheu suas roupas e saiu da saleta, batendo a porta. Eu ouvi o barulho de uma tranca e me levantei rápido, forçando a maçaneta. Trancada.
- NÃO! ME SOLTA, PELO AMOR DE DEUS! – Eu esmurrava a porta, chorando. – KYLE, ME SOLTA! ABRE ESSA MERDA!
Minha única resposta foi uma risada do outro lado da porta.
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- Hey! – cumprimentei o velho senhor com um aceno de cabeça, tentando parecer calmo. –Você poderia me dar uma informação, por favor?
- Claro, meu jovem! - O idoso tinha uma cara simpática, parecido com o Papai Noel. Barrigudo, com uma barba e bigodes brancos, não tão grandes. Se estivesse nevando e ele estivesse de roupa vermelha, com botas pretas, eu pediria um presente. Mas ele podia me dar um agora mesmo.
- Você viu um carro... – Virei-me para Katie – Que carro era mesmo?
- Um gol preto – ela me respondeu com um sorriso
- Isso, um gol preto, passando rápido por aqui? – perguntei, e o velhinho coçou a barba.
- Sim sim, há algum tempo. Ele entrou na fazenda do Sr. Pushell.
Abençoei o velho enviado por Deus e perguntei as direções. Ele me concedeu e eu agradeci. Quando ia partir, fiquei tentado a dizer um Feliz Natal, mas me contentei em dar-lhe uma nota de 5 libras, o que o fez muito feliz.
Segui as direções dadas e em alguns minutos cheguei à fazenda indicada. O portão estava aberto e podíamos ver o gol preto estacionado em frente ao curral. Parei o carro perto dele e desci.
- Você pode esperar aqui? – perguntei à Katie e ela concordou. Dei-lhe um selinho. – Já volto.
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Meus braços já estavam cansados de bater. Eu havia me vestido, e comecei a sentir frio. Por que ele estava fazendo isso comigo? O que eu tinha feito a ele? Sentei-me ao chão, encostada na porta, e pus-me a chorar. Não conseguia parar, sentia dores por todo o corpo, e tudo que eu pensava era em .
Por que ele não tinha aparecido? Como que ele havia me abandonado assim, por causa de uma garota? Talvez ele nem soubesse que tínhamos desaparecido, talvez tenha ido para casa direto, com a Katie. Pensando nisso, solucei mais alto e tive a impressão de ouvir um carro chegando. Deve ser só minha imaginação.
- ... – chamei, baixinho, deitando no chão e chorando mais. Eu me sentia usada, dolorida, e só queria sentir seu perfume, seu abraço e seu sorriso.
Ok, agora é sério, eu realmente ouvi uma porta batendo. Eu não estou ficando louca. Fiquei de pé e voltei a esmurrar a porta.
- ! ! – Nem sei por que chamava o nome dele, sendo que nem sabia quem havia chegado. – KYLE, ME TIRA DAQUI! EU QUERO SAIR DAQUI!
Então eu ouvi o barulho da porta se abrindo. Me afastei, com um sorriso, mas Kyle entrou no quarto, e eu fechei a cara. Não queria vê-lo. Eu queria meu . Mas antes que pudesse falar alguma coisa, ou reclamar, ou entender por que ele voltara, ele me deu outro tapa. Eu caí no chão e olhei abismada para ele.
- Dá pra você calar a boca? Temos visita! – ele disse com voz cortante, me levantando e me jogando contra a parede.
Eu bati em uma estante, fazendo um barulho absurdo, e voltei a cair. Minhas pernas não suportavam mais, de tanto que eu havia chorado e de quanto eu havia sido usada. Algumas coisas caíram e quebraram perto de mim, no chão, e eu me senti levantada de novo.
Kyle me prensou contra a parede, tirando minhas partes de baixo, e quando eu notei ele também estava sem as dele. Fechei os olhos e não fiz nada, com medo de apanhar mais. Ele me penetrou com força novamente, mas antes me advertiu:
- Se gritar, eu te espanco mais.
Ele investia com força e eu tentava não gritar, nem tocá-lo. Não queria dar prazer a ele. Eu sentia seu membro dentro de mim, indo e vindo, indo e vindo, me machucando cada vez mais, e sentia suas mãos me apertarem na cintura, quase me esmagando. Sentia sua respiração descompassada perto da minha orelha, e minhas costas com dores por causa da madeira irregular em que eu estava apoiada. Mas não via nada, só .
Sim, . Ele estava na minha frente, sorrindo. Ele estendia a mão pra mim, pra me levar pra fora daquele lugar ruim. E eu perguntei por que ele estava sorrindo, sendo que eu estava sendo violentada. “Eu não ligo mais pra você”, ele me respondeu, e eu senti meu mundo explodir. Fechei os olhos com força e abafei um grito, e com isso voltei à realidade. Kyle tinha terminado, e parecia satisfeito. Me soltou e eu caí de novo, sem forças pra continuar. Ele ajeitou sua roupa e, nesse momento, ouvimos batidas fortes na porta.
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Entrei no curral, com cheiro de merda de vaca. Olhei em volta, não vi nem sinal da . E se Katie estivesse certa? E se eu estivesse me preocupando a toa? Talvez eles estivessem em Londres, e eu perdido aqui no meio desse fim de mundo, preocupado com ela. Mas ela teria me ligado. Ela perguntaria onde eu estava e por que não estava com ela. Senti um bolo na garganta. E se ela não se importasse mais comigo? Agora tinha Kyle, ele podia cuidar dela, ela não precisava mais de mim. Enquanto ia pensando isso, andava pelo curral e avistei um menino.
- HEY! – gritei, e o rapaz levantou a cabeça. – Quem é o dono daquele gol preto na entrada?
- Meu pai, senhor – o rapaz respondeu, e eu senti o chão sumir. Kyle não tinha filhos.
- Você tem irmãos?
- Não, senhor. – Suspirei. – Senhor, o senhor invadiu as terras do meu pai. Isso é crime, sabia?
- Sim, eu sei, me desculpe. É que eu estou procurando uma garota e meu amigo, e eles tinham um carro igual ao do seu pai. Imaginei que eles estavam aqui. Me desculpe, eu não quis incomodar – eu disse, desapontado, e ele concordou com a cabeça, voltando a trabalhar.
Eu voltei a passar pelo curral, e fui chutando pedrinhas. não se importava mais comigo, eu precisava associar isso. Mas não dava. Será que Katie me aceitava como melhor amigo gay? Mas que porra eu tô pensando, substituir a ?
Enquanto estava prestes a sair, ouvi um gemido atrás de uma porta que eu não havia notado antes. Então ouvi um grito abafado, e, contrariando todas as regras, comecei a esmurrar a porta.
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Kyle olhou pra com desprezo e raiva.
- Você chamou eles aqui, não, sua putinha? – Ele segurou seu cabelo e a levantou. soltou um grito abafado, que logo foi silenciado por um tapa dele. começou a soluçar em silêncio, e os murros continuavam na porta. – Eu falei pro criado falar que não tinha ninguém aqui, mas seu amigo é desconfiado, hein?
arregalou os olhos. Era esmurrando a porta ali? Era que estava ali para buscá-la? Ela ajeitou a roupa e, nesse momento, a porta abriu.
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Vê-lo ali, olhando abismado de mim para Kyle, me fez chorar mais.
- ! – eu gritei, e tentei chegar até ele, mas Kyle me empurrou pela barriga, me fazendo gemer de dor e cair no chão.
- SEU DESGRAÇADO! – ouvi um grito e abri os olhos, a tempo de ver meter um soco na cara de Kyle, fazendo-o cair no chão.
Antes que Kyle pudesse se levantar, foi pra cima dele e começou a dar socos repetidos, xingando-o de diversas coisas, e a mãe de Kyle foi muito insultada também. Kyle gritava, tentando amenizar os socos de , mas ele não parava. Eu não queria que meu melhor amigo virasse um homicida, por mais que achasse que o Kyle devia morrer.
- ... – eu chamei, e ele não me escutou. – ! – repeti, um pouco mais alto, e ele olhou para mim. Seu rosto passou da fúria para dó, ou pena, e se levantou, vindo correndo até mim, que ainda estava estirada no chão.
- ... Meu Deus, o que ele fez com você? Vamos, pequena, eu vou te levar daqui... – Sim. Ele ia me levar daqui. Voltei a chorar, agora de alívio, e ele me levantou no colo.
- , não me deixa, por favor... Não me abandona... – eu pedi, passando os braços pelo seu pescoço e chorando no seu ombro.
- Shhh... Calma, , eu não vou te deixar... Vamos, vem - ele disse com calma. Passou por Kyle e lhe deu um chute entre as pernas, fazendo-o gritar e rolar de dor.
Depois disso, eu apaguei...
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Senti ficar mais mole e percebi que ela ainda respirava com dificuldade, mas sem soluçar. Pensei que tinha se acalmado, mas quando tentei falar com ela, ela não me respondeu.
- , você tá me ouvindo? – Ela nada disse, e da posição que estávamos eu não conseguia ver seu rosto.
Cheguei perto do carro e Katie abriu a porta, assustada.
- Oh meu Deus, ! Ela está desmaiada! – Ah, isso explica por que ela não estava me respondendo. Pedi para Katie abrir a porta de trás e coloquei delicadamente no banco.
Eu pude sentir lágrimas se formando nos meus olhos, e não pude contê-las ao ver minha menina toda machucada ali, desmaiada.
- ! – Katie me deu um pedala, e eu limpei meus olhos. – Temos que levá-la para um hospital, ela está sangrando!
Arregalei os olhos e percebi que realmente estava sangrando, na região intima, e soquei o carro.
Entrei rapidamente no carro e Katie se ajeitou, então dirigi o mais rápido que eu pude pro hospital mais perto daquela espelunca. Com a minha melhor amiga desmaiada e sangrando no banco de trás.
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Capítulo 5.
entrou correndo com em seu colo no hospital, enquanto Katie falava com a moça da recepção. Logo estava sendo levada para um quarto.
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Eles a levaram e eu me deixei cair num banco do hospital. Escondi o rosto nas mãos e esfreguei os olhos com força. Como a foi confiar num cara daqueles?
Tá que eu também achei que ele era gente boa, eu nunca imaginei que ele ia abusar sexualmente dela, mas porra. A nunca acerta?
- Com licença, você precisa preencher a ficha dela... – Uma enfermeira apareceu e eu procurei Katie com os olhos.
A mulher me levou até um balcão e eu preenchi com os dados de .
- Com licença, onde está a moça que estava comigo? – perguntei, à procura de Katie.
- Ela foi embora assim que explicou que a amiga estava ruim. Disse que era com você. – Ótimo, tudo o que eu precisava.
- Ok, obrigado – agradeci de qualquer forma e ela me passou o número do quarto da . Eu me dirigi até lá lentamente. Bati no quarto 578 e abri a porta. estava ali na cama, de olhos fechados.
Me aproximei rapidamente e coloquei a mão na sua testa, ela abriu lentamente os olhos.
- ! , minha pequena! – falei desesperado e ela suspirou, fechando os olhos e deixando uma lágrima escapar. Dei-lhe um selinho e beijei sua testa, sentando ao seu lado e segurando sua mão.
- , não me deixa... – ela falou baixinho e eu senti a garganta apertar.
- Não vou te deixar, minha menina, não se preocupe, eu estou bem aqui... – falei baixinho, próximo ao seu ouvido, e ela apertou a minha mão um pouco mais forte.
- Então está tudo bem... – ela disse e sorriu fraco para mim, eu senti meu coração bater mais rápido.
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estava ali, era só o que eu precisava. Não me importava quantas vezes Kyle tinha me usado, o que importava era ao meu lado pra sempre.
Ele estava ao meu lado, sussurrando palavras doces e acariciando minha mão e meus cabelos enquanto eu me sentia dolorida.
- Ele abusou demais de você, não é, menina? – ele disse baixinho e eu concordei, deixando outra lágrima escapar. – Shh, não chora... Eu tô aqui com você agora, pequena, ninguém mais vai te fazer mal, tá bom?
Sorri e olhei em seus olhos. Os olhos que eu mais amava nesse mundo e que me olhavam preocupados.
- ... Você vai ficar aqui ao meu lado, não vai? – perguntei, com voz fraca, e ele concordou, me dando um beijo na testa. – Então eu vou ficar bem...
Ele sorriu mais e me deu um selinho. Os selinhos do são tão bons, os lábios macios me acariciavam e seu hálito de menta me fazia sentir bem.
Ele brincou um pouco com o meu cabelo e logo em seguida eu adormeci.
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Alguns dias depois...
- , me põe no chão! – gritou rindo e a jogou na cama.
- Está entregue, madame!
- Seu bobo, estou em processo de recuperação, você não pode ficar abusando de mim assim! – Ela mostrou a língua e ele riu, se jogando ao lado dela.
- Claaaro, já faz até piada disso! – Ela rolou os olhos e deu língua de novo, fazendo-o rir e dar-lhe um selinho.
- Chato! – Ele mordeu sua bochecha e ela riu, passando os braços pelo pescoço dele. – Te amo, pompom!
- Pompom?! Porra, , eu até posso ser gay, mas você ficar me chamando assim?! – Ela gargalhou e ele balançou a cabeça rindo.
- Ai, , você reclama demais! – Ela riu e se ajeitou nos braços dele.
- Eu reclamo, né? – Ela riu e mordeu-lhe a bochecha. – Eca, não precisa me babar!
gargalhou de novo e ele riu, dando-lhe outro selinho.
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me faz tão bem! Aqueles dias no hospital eu ainda estava assustada, mas com o por perto você não consegue nem ao menos se sentir mal. Ele me anima, me faz sorrir... é a melhor pessoa que existe, só pode.
- , eu amo você muito muito, sabia? – eu disse baixinho, quando nos acalmamos e ele acariciava meu cabelo. Ele sorriu e me deu um beijo na testa.
- Também te amo muito muito, pequena. E você sabe que eu faço qualquer coisa por você e pela nossa amizade, né?
- Sei... – eu disse sorrindo e encarei seus olhos. Ficamos nos olhando por um tempão, até minha mãe bater na porta. Estraga-prazeres, só porque o tem os olhos mais lindos do mundo!
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Ok, eu não estou muito bem. A melhorou e tals, e eu me sinto muito melhor que ela esteja bem e tenha essas crises de riso como antes e me xingue de bobo e idiota. Mas cara! Eu não sinto mais que sou gay, sabe? Tá que foi um trauma enorme com a Jackie, tanto que eu decidi ‘jogar do outro lado’. Mas eu paro para pensar, será que foi realmente o certo? Porque o que eu tô sentindo agora pela , esses arrepios... Isso não deveria ser normal. Deveria? Será que eu sou realmente gay? Ou fui, sei lá. Eu me sinto tão estranho. Tá, e ignorem, eu fui bi, tecnicamente. Certo? Ok, ora de apelar para a conselheira.
- ... hm... – eu a chamei e ela me olhou, depois de conversar com a tia.
- Oi, !
- Eu tô com uma dúvida... – Cocei minha nuca, não sei como falar pra ela. – E bem... eu queria sua ajuda...
- Fala, . – Ela sorriu me incentivando e eu hesitei. – Você sabe que eu vou te apoiar em qualquer coisa que você queira, se te faz feliz.
Sorri mais e acariciei-lhe a bochecha. Ela é a garota que eu preciso.
- Eu acho... que não sou mais... você sabe. – Ela arqueou as sobrancelhas.
- Gay? – Concordei e ela sorriu. – Você nunca foi, . Quer dizer, talvez tenha sido por uma época, mas ser realmente para toda a vida, você nunca ia ser.
Minha vez de arquear as sobrancelhas. Ela sorriu e se ajeitou na cama.
- Uma vez ouvi falar que homossexualismo não é uma doença. Tem muita gente que diz que é, mas não é. Normalmente essas pessoas que dizem esse tipo de coisas são preconceituosas, e não param para pensar realmente. Isso é totalmente normal na adolescência, essas dúvidas sobre homossexualismo, bissexualismo e tal. Claro, não ocorre com todos, mas com uma boa parte dos adolescentes. Entende? (n/a: créditos a Amanda, que notou que não estava bem formulado e me ajudou a consertar essa parte. Obrigada Amanda!)
Ela olhou gentil pra mim e eu cocei a cabeça. Eu não falei que ela era uma conselheira? Que lógica... Eu não tinha pensado desse jeito. Mas pera aí.
- Mas então por que eu fiquei com homem? Não só ficar, se você me entende – perguntei, demonstrando um pouco de nojo. Realmente, não sei por que fiz isso. Pensando bem, é bem nojento e tals, ECA, sou estranho, fato.
- Você só deve ser muuuuito curioso. – Ela riu da minha cara e eu fiz bico. – Alguns adolescentes, como você, querem aproveitar o que a vida proporciona a eles, e, no seu caso, não só as garotas. Mas você nunca foi gay, e você ficava com mais garotas do que garotos.
- Isso é bom, me alivia bastante! – Ela sorriu mais e eu dei um selinho nela. – Mas pensando bem, agora é bem nojento pensar que eu beijei um homem. Er, não só beijei e... ARGH! – Escondi meu rosto nas mãos.
Ela fez cara de nojo e gargalhou, rolando na cama.
- Eu adoro você, ! – ela disse apertando minhas bochechas e eu fiz careta. Deitei novamente ao seu lado e ficamos nos olhando. tem os olhos mais lindos que eu já vi. Eu gostaria de saber o que ela está pensando. Eu mal consigo interpretar meus próprios pensamentos, eles ficam voando todos confusos e rápidos, é estranho. Mas eu gostaria de saber se ela quer que eu a beije tanto quanto eu quero beijá-la agora.
Oh shit.
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fica me olhando assim, que tara! Eu amo observar os olhos deles, são sempre tão... Sei lá, eles me passam uma segurança imensa, eu sei que se eu estiver olhando naqueles olhos, vai ficar tudo bem. Alguém pode contar quantas vezes eu disse isso? Ér, melhor não, obrigada.
Sabe, às vezes eu tenho muita vontade de beijá-lo. Sei lá, ele é meu melhor amigo, eu tenho medo que dê tudo errado de novo e eu perca ele pra sempre... Mas essa vontade sempre prevalece, não sei, deve ser bom beijá-lo. Porque ele faz sucesso com as garotas, já pegou homem... Mas será que ele tem a mesma vontade que eu? De beijá-lo (ou me beijar, no caso dele) sempre que ficamos assim, nos encarando? E se ele me considerar só a melhor amiga? Mordi meu lábio e decidi arriscar. Eu podia tentar arrancar um beijo dele, não é?
- ... – Ele sorriu fraco pra mim e eu suspirei. – Me... beija?
Ele pareceu meio impressionado com o que eu pedi, mas sorriu um pouco mais, um sorriso torto que eu amava e falou:
- Com o maior prazer, pequena. – Então ele foi chegando mais perto e eu fechei os olhos.
Logo seus lábios estavam colados aos meus e eu senti a melhor sensação da minha vida quando nossas línguas se tocaram. realmente beija muito bem, nossos lábios se moviam em sincronia e nossas línguas brincavam descontraídas.
Depois de tantos erros, um beijo que me fazia bem era tudo que eu precisava.
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Quando ela me pediu para beijá-la, eu simplesmente não acreditei. Oras, eu tava pensando nisso. Apenas concordei e disse:
- Com o maior prazer, pequena. – E me aproximei dela. O que você queria? Eu tava pensando nisso!
E o beijo dela era simplesmente o melhor beijo que eu já tive na minha vida, superou meu primeiro beijo (que foi com a minha prima). Qual é, minha prima era gostosa. Ok, chega. Não se fazem mais primas como antigamente, elas estão mais atiradas hoje em dia. Isso não é uma reclamação, ok?
Tá bem, voltando ao beijo mais perfeito da minha vida, passou um braço pelo meu pescoço e o outro deixou na minha cintura. Eu rodei e fiquei por cima dela, acariciando-lhe a cintura por debaixo da blusa.
O beijo estava ganhando mais velocidade, mais empolgação, e eu já sentia os arrepios percorrerem meu corpo todo. Só ela fazia eu me sentir assim. Ela quebrou o beijo e eu suspirei, dando-lhe vários selinhos.
- Mas é atirado não? – ela comentou rindo e eu ri também, roubando-lhe mais um beijo. – Eu só pedi um beijo, , chega!
Ela falava rindo e eu sorri, beijando-lhe o pescoço.
- Não é minha culpa se você é linda e eu me empolguei um pouco! – eu disse fazendo bico.
- Bom, a parte de eu ser linda é culpa dos meus pais, mas de você se empolgar a culpa é sua sim senhor! – ela disse rindo e eu dei ombros.
- Tanto faz, já parei mesmo! – Ela gargalhou e me abraçou, encostando a testa na curva do meu pescoço.
Ficamos um tempo em silêncio e eu apenas acariciava seu cabelo.
- ... – ela me chamou e eu olhei para ela. – Você beija bem!
Eu ri convencido e dei-lhe um beijo no nariz.
- Você também, pequena!
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Três dias depois...
- FÉRIAS! – sentiu um peso nas costas saindo da escola e riu, quase caindo.
- Ow pequena, você tá pesada! – ele reclamou, sabendo que era . Ninguém com consciência sã pularia em cima de alguém prestes a descer as escadas.
- Não sou gorda, ! Malvado! – Ela desceu de suas costas e fez bico, andando ao seu lado. Ele sorriu torto e a puxou para andar abraçada com ele.
- Tô brincando, pequena... Férias! – ele disse sorrindo e riu.
- Foi o que eu acabei de dizer, loser! – Ela deu-lhe um pedala e saiu correndo, deixando-o para trás sorrindo abobado.
Hm.
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Fiquei sorrindo igual a um idiota até eu ser empurrado e quase cair. Balancei a cabeça e corri atrás de . É, eu tô gostando dela. O pior é que eu nem sei como falar pra ela! Eu nunca me enrolei nisso, mas talvez ela não queira me namorar por causa da nossa amizade e tudo mais... Me apaixonar pela minha melhor amiga, realmente bom isso. O pior de tudo é perdê-la se a gente brigar... Ah cara...
Ela me esperava encostada no portão, vendo alguma coisa no fichário dela. Levantou a cabeça quando me viu e sorriu. Eu adoro isso, saber que quando ela me vê ela sorri. Isso mostra que ela fica bem na minha presença, e pra mim isso é o suficiente. Tá, não é não, mas abafa. Cara, agora que eu não sou mais gay parece que tiraram um peso enorme das minhas costas, estranho! Eu já comentei que eu não sou normal?
off
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Ok, revelações: eu estou gostando do ! Isso é tão confuso, a gente se conhece desde pequeno, mas eu nunca tive uma atração por ele, ele foi sempre meu melhor amigo, meu melhor amigo! Agora eu começo a gostar dele...
Mas talvez ele não queira me namorar porque agora que ele não é mais gay, talvez ele queira pegar várias meninas e tal, além de que, se a gente brigar, vai ficar muito chato! Ele é meu melhor amigo, se a gente ficar brigado (o que nunca aconteceu, diga-se de passagem), eu não vou ter com quem afogar minhas magoas, então vou ser daquele tipo de pessoa que guarda tudo dentro de si e um dia explode por ter sentimentos demais guardados dentro de si. Uau, isso soou tão filósofa e dramática, gostei.
Ele chegou perto de mim e me deu um selinho. Sorri e ele passou o braço pelo meu ombro, me levando para fora do colégio.
- Vai um sorvete? – me perguntou e eu senti a respiração falhar, o coração descompassar e lágrimas voltaram aos meus olhos. Olhei para ele e ele me encarou assustado. – O quê...? Ah!
Ele parou e me abraçou. Eu afundei meu rosto em seu pescoço, sentindo seu cheiro, e deixei mais algumas lágrimas fujonas saírem.
- Desculpa, pequena, eu esqueci... Foi força do hábito… - Eu concordei com a cabeça e respirei fundo. Me afastei dele e ele me olhou nos olhos, segurando meu rosto com uma mão e acariciando minha bochecha. – Desculpa – sussurrou e eu sorri.
- Tá ok... – Limpei meus olhos e ele passou o polegar embaixo deles, sorrindo fraco.
- Você borrou seu lápis, pequena – ele avisou e eu parei em frente a um carro, olhando no vidro e arrumando.
segurou a risada e eu virei para ele, não entendi nada e ele gargalhou. Voltei a olhar o carro e um senhor tinha abaixado o vidro, me olhando com as sobrancelhas arqueadas.
Gente, eu corei da cabeça aos pés!
- Ér... Desculpa, eu... não... ér... – me enrolei, bati a mão na testa e saí correndo, deixando gargalhando.
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é tão lesa, meu Deus! Eu gargalhava da cara dela e ela saía correndo. O senhor do carro começou a rir também.
- Desculpe por isso, ela às vezes tem essas crises... – tentei explicar e ele deu ombros, saindo com o carro. Eu fui andando calmamente na direção que fugira, com um sorriso no rosto. Amar a é tão bom, tudo parece mais verde, mais colorido e alegre... Ok, chega de recaídas gays, você já superou essa fase. Encontrei-a num banco da praça, balançando a perna nervosamente e ainda muito corada. Ri e ela me olhou, dando um sorriso amarelo.
Fui até ela e sentei no seu colo, fazendo-a rir.
- Saaai! Você é pesado, ! – ela reclamou e eu escorreguei para o lado.
- E você é lesada! – Ela deu língua e desatou a rir.
- Cara, não acredito que paguei esse mico! – Eu comecei a rir lembrando a cena e nós dois ficamos rindo um bom tempo ali no banquinho da praça.
Nos acalmamos aos poucos e ela suspirou, encostando a cabeça no meu ombro. O cabelo dela cheira tão bem...
- Sabe, sempre que eu tô com você, as coisas parecem mais coloridas... – ela comentou e eu arregalei os olhos. – Tá, eu sei que é brega, mas...
- Não! – Ela me olhou confusa. –Ér... É que... eu também acho... – eu disse corando e ela sorriu fraco, me dando um selinho.
- Que coincidência... – Concordei e passei a fitar seus olhos. Nossa atração é muito grande, nós conseguimos ficar muito tempo apenas nos encarando e imaginando o que o outro está pensando. Mas sempre alguma coisa atrapalha. Hoje foi uma bola.
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Nós estávamos nos encarando, quando um grupinho que jogava vôlei mandou a bola errado, fazendo-a bater na cabeça de . Consequentemente, sua cabeça foi pra frente, batendo nossas testas.
- Ai! – dissemos em uníssono. Nos entreolhamos e começamos a rir.
- Ér, desculpem... – Uma garota de rabo de cavalo apareceu corada e a secou, EU VI, OLHA ELE! Fiquei com um pouco de ciúmes, mas nem liguei muito, dissemos que estava tudo bem e ela voltou para a rodinha. Nos entreolhamos com um sorriso e eu passei a mão em minha testa, aposto que estava vermelha.
- Aposto que vai ficar um galo, cabeça-dura! – eu disse, dando língua e ele riu, me dando um selinho.
- Cabeça-dura é você, eu até fiquei com dor de cabeça! – ele reclamou com um meio sorriso. Eu gargalhei.
- Ah, isso você resolve parando de beber toda noite, querido! – eu disse rindo e ele fez cara de quem descobriu a América.
- Nossa! Legal, finalmente descobri! – Eu gargalhei mais e ele riu comigo.
- A gente viaja muito, ! – Estendi a mão e ele bateu nela, ainda rindo.
- Pois é, , você é a minha má influência. – Nós gargalhamos de novo e eu o abracei.
- Eu adoro você, . Adoro muito muito muito! – falei dando-lhe beijinhos no rosto. Ele riu de novo e me abraçou também.
- Também te amo muito, pequena. Você sabe disso. – Sorri e olhei em seus olhos.
Será que eu realmente sabia?
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Capítulo 6.
Algumas semanas depois...
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Hoje tem festa, uhul! Sim, eu adoro uma farra! Principalmente porque a vai... Ah cara, eu não consigo dizer pra ela o quanto eu gosto dela. Ela sabe, lógico, que a amo, mas acho que ela acha que é só amizade. A gente vive falando ‘te amo’ um para o outro, mas, sabe, acho que é tão em vão. Vou começar a usar ‘gosto muito, muito de você’ haha. Ok, me ignora. Tenho que achar alguma coisa pra vestir, dessa vez sozinho. É, a não vai me ajudar, porque como é festa de quinze anos, garotas ficam horas se arrumando. Se bem que nunca foi disso. Ela no máximo vai por um vestido qualquer (que vai ficar sexy demais, já que qualquer roupa cai bem nela), vai arrumar o cabelo de forma diferente, uma maquiagem não muito pesada... Eu já a vi se arrumando para festas assim, quando eu ainda era gay. Ai, esse passado me condena. Quer saber, vou ligar pra ela, ela sabe o que eu tenho no armário de cor e salteado mesmo.
Disquei os oito números decorados rapidamente e esperei chamar. Tocou quatro vezes, eu já estava impaciente.
- Alô? – A voz dela é tão linda, cara!
- Oi, , é o . – Eu tenho realmente que me identificar? Desde quando ela não olha no visor para atender?
- Ah, oi, , desculpa, nem vi o visor, saí correndo do banheiro – ela disse meio rindo.
- Tá ok, pequena... – falei, sorrindo que nem um retardado.
- Então, o que você queria? – ela perguntou.
- Me ajuda com o que vestir?
- Mas, , eu não posso sair agora, eu já estou colocando o vestido!
- Mas você sabe meu guarda-roupas inteiro, você sabe o que fica bem... Eu não faço a menor ideia do que usar!
- Hmm ok, deixa eu ver... – Eu amo essa garota, cara! Ok, vocês já estão cansados de saber disso. – Já sei! Usa aquela sua blusa preta de botões, com algumas listras cinzas e... hmm... Aquela jeans azul escura que você tem que é linda! Acho que você pode por um tênis, não é tão formal, sabe?
Eu mexia no meu guarda-roupas enquanto ela falava, e separei as roupas. Olha, combina mesmo, vou ficar lindo! Ok, mentira, porque eu já sou lindo. HAHA’ Prazer, sou a Xuxa Menegel. Tá, chega desses ataques.
- Ok, valeu, pequena!
- Naaada, xuxu! Ah, e usa aquele seu perfume gostoso lá, eu quero você bem cheiroso, ouviu? – Eu ri e pude senti-la sorrindo. – Se bem que não tão cheiroso, senão as meninas vão cair matando e eu quero você só pra mim.
Sorri feito um idiota com essa frase. “Quero você só pra mim.” Eu também a queria só pra mim.
- Pode deixar, pequena, não se preocupa que eu já sou só seu. – Ok, eu senti as borboletas se agitarem no meu estômago, alguém me ajuda.
- Ok então, deixa eu terminar de me arrumar, a gente se vê na festa, xuxu! Vai bem lindo! – ela disse rindo.
- Já sou lindo por natureza, ! – eu disse convencido e ela gargalhou.
- Ahaam... Convencido! – Quase pude vê-la dando língua pra mim. Ela desligou e eu fiquei fitando o meu celular com cara de cu. Qual é, meu plano de fundo era uma foto que eu tirei com a beijando minha bochecha! E ela tava linda...
Chega de ataques, , vai se trocar.
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me liga pedindo para ajudar ele a se vestir, que lindo. Esse menino não sabe nem o que tem no próprio guarda-roupas! De qualquer forma, falei para ele um conjunto em que ele fica perfeito, afinal, eu o quero lindo, não quero? Quero, mas se as meninas caírem matando eu vou rodar a baiana, pronto, falei. Ele é meu e só meu, hamham. Uh, super possessiva agora, nem sei se o menino gosta de mim do jeito que eu gosto dele (o que é muuuuito). Tipo, eu vivo falando ‘eu te amo’, ‘eu te amo’, mas eu sinto que não é o ‘Eu te amo’ que eu gostaria de dizer, e o que eu gostaria de ouvir. Isso porque eu nem sei se ele gosta de mim assim, se for só amizade eu me ferro. Já cansei de me desapontar com os caras, acho que vou virar lésbica. Argh, um convento é melhor. Ah, esquece o convento, não sou mais virgem... Whatever, eu já disse que amei meu vestido? Sim, eu amei, é lindo! Ele é de um azul clarinho, mais apertado na cintura e vai abrindo, mas não exageradamente, sabe. Meio delicado. Ele é rodadinho, sem muitos babados e panz, odeio essas coisas... By the way, ele é um pouco acima do joelho, super sexy, ér. Ah, eu tenho que estar bonita para o , não é?
Bom, tenho que pensar o que eu vou fazer no cabelo, acho que vou só alisar mesmo, embora odeie meu cabelo liso, eu fico tão bochechuda! Ok, esquece, acho que vou alisar mesmo, e fazer cachos nas pontas, vai ficar legal. Ou senão eu prendo, com uma piranha, em um coque mal feito, com fios soltos e tal, acho que vou fazer isso mesmo. Agora vou ter que ir de salto, argh. Odeio salto, bem que eu podia ir de All Star, buut...
Mas então, eu fiquei meio surpresa quando a Camille me chamou para a festa de quinze anos para ela, eu nem falo muito com ela, coitada. Mas ela até que é gente boa, espero que a festa seja legal... Mas acho que ela só me chamou porque tem uma queda pelo , e sabe que ele não vai a lugar nenhum sem mim HAHA. De qualquer forma, foi gentil da parte dela me chamar também, ela podia chamar só o , assim teria mais tempo com ele... Ok , chega de devaneios, e que tal calar a boca? Assim você acaba com seu estoque de palavras. É, nós temos um estoque de palavras diárias, vocês sabiam disso? E o das mulheres é muito maior que o dos homens, por isso eles falam pouco. Se bem que o fala pra caralho, parece o Burro do Shrek, mas isso não vem ao caso HAHA. E pensando bem, eu estou só pensando as palavras, não falando, então não vou gastar meu estoque não é?
, cale-se, você está deixando todos loucos.
Ih, chegou.
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Cara, a estava linda! Linda não, maravilhosa, perfeita! Sem palavras para descrevê-la. Como ela consegue ser tão simples e tão maravilhosa? As garotas podiam ser como ela, o mundo seria um lugar melhor. Ok, não seria não, porque teriam várias pessoas iguais a ela, seria chato, minha menina é única, o resto é xerox! Ok, preciso melhorar meu repertório, isso é nome de comunidade no orkut.
- Hey! – ela me disse, entrando no carro. Eu estava babando nela, não tinha como evitar.
- Hey... – eu disse, ainda um pouco paralisado. Ela sorriu pra mim e se esticou, me dando um beijo na bochecha, que foi mais no canto da boca. Cadê os selinhos agora?!
- Hm, cheiroso! – ela disse e eu ri, saindo do meu devaneio e mudando a marcha, arrancando com o carro.
- Claro, minha menina pediu! – Pisquei para ela e ela corou, rindo. Engraçado, ela corando. Nunca aconteceu antes (vocês perceberam a ironia, né?).
- Own, que bonitinho! – ela disse e apertou minhas bochechas. Eu ri e ela também.
Depois de uns cinco minutos, chegamos ao local da festa.
Cara, a tá linda demais, eu mereço!
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saiu do carro e estendeu o braço para ela, que entrelaçou seu braço no dele. Sorriram um para o outro e entraram na festa. Camille veio logo recebê-los.
- Hey! Puxa, que legal, que vocês vieram! – ela disse sorrindo e não pode deixar de reparar os olhares que ela lançava a , que sorria simpático.
- Que isso! Obrigada por ter nos chamado! – tentou parecer simpática. – Feliz aniversário!
Ela acrescentou e Camille sorriu.
- Own, obrigada! Podem ficar a vontade, ali estão as bebidas e as comidas, o pessoal tá na pista... – Eles sorriram e foram para onde reconheceram alguns amigos. soltou seu braço do de ao chegar perto de Giu, e sentiu pontadas de ciúmes com isso. estava só sorrisos para a garota, que com certeza era a mais puta e a mais linda da escola. Cabelos castanhos, lisos, até as costas, com pequenos cachos nas pontas. Olhos azuis claríssimos, com um rostinho de bebê, pele perfeita, nariz perfeito, boca perfeita, corpo perfeito... Perfeita demais. ficou um tempo ali, mas não aguentava os olhares que Giu lançava a , e os que ele retribuía para ela não era nada agradável de ver, principalmente se ele é o cara que você gosta.
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Afastei-me dos dois com vontade de socar o . Eu não acredito, não acredito, NÃO ACREDITO! Ok, respira 1 2 3... Eu pensei em pegar uma bebida, mas ficar de fossa não é bem minha praia, nem ressaca. Acabei pegando um pratinho de salgadinhos e um refrigerante, e me sentei ao fundo, onde estava meio escuro e não me viam muito. Não gostava de ser encarada, principalmente depois do que aconteceu com Kyle. É, todo mundo sabia. E ficavam me olhando com dó, como se quisessem me ver sofrendo. Affe, eu não vou ficar chorando pelo que aconteceu. Foi ruim, foi, foi horrível. Mas já passou, e não vai se repetir. Eu não vou ficar toda ‘fragilzinha’ só porque abusaram sexualmente de mim. Não sou como elas.
Vi falar alguma coisa para Giu com um sorriso, e ela abriu o maior sorriso dela. Logo depois, ele pegou na mão dela e foram para pista de dança, onde tocava ‘Io e Te’, do Sonohra. Puta merda, precisava ser música romântica mesmo?
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sumiu de repente da minha vista, e eu fiquei realmente preocupado. Quando a some, você tem que ficar preocupado, aquela garota é um imã para problemas, principalmente com homens. Giu não parava de puxar assunto comigo, e puta merda, como ela é gostosa! que me perdoe, mas a Giu tem um corpo maravilhoso! E porra, sou homem, essas curvas me atraem pra caralho! Ela estava dando em cima de mim, estava óbvio. “, que camisa linda!” “, você está tão cheiroso!” “Puxa , você está realmente lindo hoje” são algumas das frases que ela me disse. E bom, eu fiquei feliz com isso ué. Eu nem sei se a gosta de mim como eu gosto dela, vou aproveitar um pouco, certo? Algum tempo depois eu já nem lembrava que a existia, para ser sincero.
- Giu... Quer dançar? – perguntei com um sorriso quando uma música lenta começou a tocar. Eu não sei de quem era, quem sabe bem essas coisas de banda é a .
- Claro! – Ela segurou minha mão e fomos para a pista de dança, e dançamos a meia luz e com uma música romântica ao fundo, realmente perfeita. Ela era em italiano ou espanhol (acho que italiano), nem ligo mesmo. Era perfeita. Como aquela garota à minha frente, que estava quase implorando em um pedido mudo que eu a beijasse.
E eu sou homem, e muito gentil, então atendi seu pedido.
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Eu passeava meus olhos pelo salão, já estava enchendo de gente. Voltei a olhar com Giu e senti meu coração se comprimir e então explodir em mil pedaços. Ou era efeito da luz, ou ele estava realmente a beijando. A luz voltou ao normal e os mil pedacinhos se desintegraram de vez, ele realmente estava beijando-a. As lágrimas vieram à tona e eu me levantei, indo para o jardim que havia ali atrás. Tive a estranha sensação de uma sombra me seguindo.
Sentei em um banco e desabei. Sério, chorei demais. Eu tentava me controlar, mas não conseguia. tinha me trazido para essa porra de festa, me pediu ajuda pra ficar lindo pra comer aquela puta da Giu no final?! Eu só queria ir embora, me jogar na minha cama, com um pote de sorvete do lado e chorar o resto da noite. Ok, eu não sou assim, mas ser traída pelo cara que você mais ama, que é seu melhor amigo?! Ok , raciocine: você gosta dele, mas pra ele você talvez seja só uma amiga. Puta merda, eu sou muito idiota. Alguém me dá algum pescoço para eu estrangular? De preferência o da Giu ou o do ?
Alguém se aproximou de mim.
- Hey... Tudo ok? – Olhei para o garoto e não o reconheci.
- Eu pareço bem? – Educação mandou lembranças, beijos. Ah que se dane, eu lá pareço bem?!
- Hm, não. Mas quando uma pessoa pergunta a outra que está chorando se está tudo bem, é pra mostrar que se importa com ela – o menino disse e se sentou ao meu lado. Eu sorri em meio às lágrimas.
- Obrigada então... – falei, dando ombros. Funguei e olhei para dentro, onde havia vários casais, mas não consegui reconhecer nenhum deles.
- Peter – ele disse e eu sorri. Peter Pan *-*. Ok, , sua sem infância, cala a boca.
- – falei, sorrindo. Ele estendeu a mão e limpou uma lágrima minha.
- Posso perguntar por que está chorando?
- Já perguntou – eu disse rindo e ele riu também. – É coisa boba... Quer dizer, não é bobo!
Ele esperou e eu suspirei.
- Eu gosto de um menino... Ele é meu melhor amigo, desde criança. Eu nunca tinha gostado dele antes, ele era só meu amigo, até porque ele era ‘gay’. – Fiz o sinal de aspas com as mãos e continuei. – Aí ele está aqui na festa só que... ele tá com outra garota. E, bem... eu não estou acostumada que ele me troque por outra garota.
Cocei o nariz e me senti idiota. Por dizer aquilo, não por coçar o nariz. Se bem que coçar o nariz é feio, pelo menos é melhor que enfiar discretamente o dedinho lá dentro, ECA ECA ECA.
- Hm, saquei... – ele disse, depois de um tempo em silêncio, e eu funguei.
- Mas acho que é besteira minha... Ele deve me ver só como melhor amiga, só isso. – Peter passou o braço pelo meu ombro, êee menino assanhado. Mas nem liguei, era isso que eu precisava agora. Um ombro para chorar. É, não um ombro amigo, porque o ombro amigo em questão deve estar fedendo a perfume barato de puta à essa altura do campeonato.
Começou a tocar Fly With Me, dos Jonas Brothers e eu levantei a cabeça. Era a única música que eu gostava dos JB. (n/a: nada contra se você gosta G_G e desculpa se alguém aqui lê com algum dos Jonas, eu escrevo com o JB - James Bourne kk)
- Essa música é legal... –falei e Peter sorriu.
- We’re chasing the stars to lose our shadow, Peter Pan and Wendy turned out fine… So won’t you fly with me? – ele cantarolou dando ênfase ao Peter e estendeu a mão para mim. Eu ri, pegando na mão dele.
- Essa é a parte que eu mais gosto! – falei e ele sorriu.
- Eu cantei só pra tentar te fazer sorrir – ele falou e eu sorri mais. – Há, sou bom!
- Não fique se sentindo por isso, ok? Eu que sou retardada e fico rindo do nada – falei e comecei a rir. Ele me olhou com cara de idiota e começou a rir também.
Ficamos um tempo no modo risada e depois nos acalmamos.
- Quer ir lá dentro? – ele disse, provavelmente percebendo que eu estava arrepiada de frio.
- Pode ser... É só que... está lá dentro. Com a Giu – falei e olhei para o chão. Ele ficou um tempo em silêncio, depois colocou a mão no meu queixo e levantou meu rosto.
- Olha, vou admitir. A minha intenção ao falar com você era ver se você queria ficar comigo... – ele falou e eu sorri fraco. – Mas você gosta demais dele, e provavelmente eu não tenho chance. Certo?
- Eu... não sei... acho... que não – eu disse e ele sorriu fraco.
- Ok, mas eu gostei de você . E vou te ajudar. – Olhei para ele com os olhos brilhantes e sorri.
- Sério? – Ele concordou. – Como?
- Vamos fazer ciúmes nele. – Ele piscou pra mim e eu adorei a ideia. Qual é, meu sonho de infância, fazer ciúmes num cara para ele me notar. Ok, isso é uma mentira. , para de mentir, isso é feio.
- Ok...
Concordei ué, já disse que sou sem infância? Calei.
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Eu estava no maior pega com a Giu, puta menina gostosa. Mas... tava enjoando. Sei lá, eu não sentia arrepios, o beijo dela não era bom, os peitos grandes demais me atrapalhavam quando eu queria abraçá-la, trazê-la pra mais perto. E então eu comecei a ver defeitos. Ela usava lentes de contato; tinha uma cicatriz no lábio, que não o deixava tão perfeito; seu nariz era meio arrebitado demais; suas curvas pareciam ser falsas demais, assim como seus peitos e bunda. Ela me parecia uma falsa, e então eu desejei estar nos braços de . Lá que era bom, com ela fazendo carinho nos meus cabelos, nada atrapalhando, nada a desvalorizando. Tudo natural. Quebrei o beijo e suspirei.
- Cansadinho, ? – A voz dela estava me enjoando também. Tirei meus braços de sua cintura e me afastei. Neguei com a cabeça.
- Só de você – disse e lhe virei as costas, procurando .
Encontrei-a sentada no barzinho, rindo com um cara. Um cara esquisito, não gostei dele. Primeiro, ele tava com um copo de cerveja; segundo, ele parecia mais velho; terceiro, tava com a minha garota. Andei até eles.
- ! – chamei-a e ela me olhou. Ela não sorriu, apenas ficou me encarando sem expressão. Cheguei perto dela e pus a mão em sua cintura, e ela se encolheu. Achei estranho.
- O que foi, cansou da vadiazinha? – ela me perguntou, olhando para o copo em suas mãos.
- Você sabe que eu prefiro estar com você do que com qualquer outra. – Era verdade oras, eu só tava tentando aproveitar com outra garota. Mas ela ainda era a menina que eu amava. E só porque eu achei que ela me via como melhor amigo que eu comecei a pegar outras...
Ela riu pelo nariz e olhou para o cara. Ele arqueou as sobrancelhas e olhou para mim.
- Você pode dar licença, por favor? – pedi ríspido para ele. Ele olhou novamente para .
- Pode deixar, Peter. – O cara é o que, o guarda-costas dela? Não posso nem mais conversar com a minha melhor amiga? Ele se afastou e eu soltei a cintura de , e percebi que ela ficou mais confortável assim.
- , o que você tá fazendo com ele? – perguntei, cruzando meus braços na altura do peito. O que é isso, ataque de ciúmes?
- Conversando, não viu? – ela me respondeu, sarcástica.
- Não usa esse tom de voz comigo! – Na verdade, eu não gostava quando ela falava assim comigo. Fazia eu me sentir mal.
- Claro, você é meu pai agora? – ela perguntou e eu descruzei os braços, engolindo em seco. Ela não esperou eu continuar. – Quer dizer que você pode se amassar a vontade com qualquer garota da festa, talvez até com todas, mas eu não posso sequer conversar com um cara?! – ela exclamou e eu rolei os olhos.
- Eu não estava me amassando com ninguém, só estava... – Aproveitando? Pensei em uma palavra melhor. – Curtindo.
- Desculpa, não sabia que a expressão ‘se comer’ tinha mudado de nome, obrigada por me avisar! – ela disse brava e se levantou do banquinho que estava sentada e ia sair, mas eu a segurei pelo braço.
- Ei, espera aí! Não fale assim comigo – falei para ela e percebi que logo ela ia chorar.
- Eu falo assim com quem eu quiser, ! E eu não vim nessa porra de festa só pra ver você se amassando com aquela vaca da Giu! – Ela já estava chamando a atenção, e algumas (muitas) pessoas olhavam para a gente. Aí eu perdi a paciência.
- E você queria que eu ficasse com você a festa inteira?! Porra, , CRESCE! Eu não preciso passar todo o tempo que eu tenho com você! Deixa eu curtir minha vida! Você não precisa mais de mim em tudo que você faz! – Ela ficou parada por causa das minhas palavras e uma lágrima escorreu do rosto dela. Ela me encarava em silêncio, assustada. Então me toquei realmente da cena.
Nós estávamos tendo uma briga. E eu fiz ela chorar.
- Pode deixar, ... Vou seguir seu conselho. Pode continuar curtindo sua vida, não vou mais roubar nenhum segundo do seu precioso tempo. Talvez as garotas fúteis gostem dele – ela me disse baixinho, e eu senti tudo a minha volta explodir. Eu queria pedir desculpas, queria pedir que ela me abraçasse e ficasse comigo até o fim da noite. Mas a voz não saía.
Ela baixou a cabeça e as pessoas comentavam a nossa volta. Como adoravam um barraco. Elas vêm nessa festa apenas por causa dos barracos, na esperança de haver alguma coisa interessante. começou a andar e passou por mim. Eu a segurei com um braço, olhando em seus olhos úmidos, tentando pedir desculpas. Mas a voz simplesmente desaparecera, eu ainda não tinha assimilado que ela estava chorando por minha causa. Eu fiz a minha garota, a minha menina linda chorar!
- Me solta, . Seu precioso tempo está passando... – ela sussurrou, desviando seus olhos dos meus. Se soltou e foi para o lado de Peter.
Puta que pariu.
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Capítulo 7.
“Você era tudo, tudo o que eu queria (...) Todas as memórias, tão perto de mim, apenas desapareceram. (…) Obrigada por agir como se eu fosse a única.” [ My Happy Ending – Avril Lavigne]
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Eu estava absolutamente sozinha. Nunca tive muitas amigas na escola, era sempre ele. Peter se tornou um grande amigo naquela noite. Quando me deixou em casa ele me disse que estava se mudando para cá, mas isso ia demorar alguns dias. Meus pais? Tão ocupados que eu vejo mais meu professor de química que eles. Eu só tinha . Só que agora, ele não quer mais ser meu. Não me quer mais. E isso só não machuca mais do que a sensação de estar sozinha. Sozinha do jeito que eu estou agora, sem ninguém para me ouvir, me consolar e me ajudar. Completamente sozinha. E, acredite, solidão não é o melhor sentimento que existe.
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As aulas recomeçaram, e nem sinal da . Eu tentava ligar para ela todos os dias, desde a festa de quinze anos, mas ela nunca me atendia. Perdi as contas de quantas vezes eu liguei. Eu queria me desculpar! Eu falei aquelas coisas por impulso, eu estava morrendo de ciúmes do cara que estava com ela, eu nunca falaria aquelas coisas para minha menina! Como que eu vou dizer agora que meu tempo é todo dela, minha vida é dela e ela pode fazer o que quiser com ela!? Como é que eu vou viver sem essa garota? Desde pequenos, eu olhava para o lado e ela estava lá, sempre! Ela não se afastou quando eu decidi ser gay, ela não me abandonou quando eu mais precisava de alguém.
Agora vocês viram e me perguntam: mas se você gosta tanto dela, se você estava apaixonado, por que diabos você pegou a Giu na festa? É, ótima pergunta, eu não faço a menor ideia. Eu realmente amo a , só ela existe para mim, mas quando vi a Giu na festa... Ela estava linda realmente, mas a ... a estava perfeita, ela é perfeita. Como é que eu fui fazer uma coisa dessas com a minha garota?! Quer saber, acho que ela está certa em se afastar de mim, eu não mereço que ela fique perto de mim. Eu nunca devia ter dito o que eu disse para ela, eu nunca deveria ter sequer olhado para a Giu, eu nunca deveria ter tido o direito de ter ciúmes, quando ela queria que eu ficasse com ela.
Só que agora é tarde demais.
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Alguns dias depois...
estava entrando na escola, cabisbaixo. Ele sempre estava assim ultimamente, não tinha vontade para mais nada. Entrou na sala e levantou os olhos, como sempre. Sempre na esperança de vê-la ali, sentada, lendo algum livro ou escrevendo no caderno. Ele sempre quis saber o que ela escrevia naquele caderno. Ele parou boquiaberto ao olhar para o lugar usual dela e ver alguém sentada ali. Seu coração batia mais rápido, suas mãos começaram a suar, e ele repassou cada frase que ensaiara para esse momento. Só que continuava a olhar para a janela, alheia a tudo, principalmente ao garoto que parara de boca aberta no meio da sala de aula, com os livros embaixo do braço, e que a observava.
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Só quando o professor entrou na sala que eu decidi voltar meus olhos para a sala. Eu não estava com saco para vir à escola, mas minha mãe me obrigou. Ela disse que eu já tinha faltado demais. Pelo menos ela tinha entendido meu lado, eu falei para ela sobre e a briga na festa, e ela foi super compreensiva. Ela é bem legal, e ela entendeu por que eu estava tão mal com essa briga, afinal, e eu somos amigos desde que eu cagava em fraldas. E ele também. Tá, sem exageros.
Eu havia faltado tanto tempo na escola que nem lembrava que ele se sentava atrás de mim nessa aula. Só lembrei disso na metade da última aula antes do intervalo, quando eu o ouvi batucando com a ponta do lápis nas costas da minha cadeira. Era um sinal combinado. Eu tinha que pegar o bilhete. Não; eu não tinha que pegar o bilhete, eu poderia fazê-lo, mas não fiz. Continuei tentando prestar atenção na aula, até que ele desistiu. Eu não queria ler o que ele escrevera, sua letra. Eu não queria relembrar suas palavras na festa. Eu sabia que ele estava arrependido, as 54 ligações não atendidas dele no meu celular comprovam isso, sem contar as que ele ligou em casa, e os e-mails. Só que eu não queria desculpá-lo. Eu não queria simplesmente chegar e falar ‘tá tudo bem, vamos voltar a ser melhores amigos’. Eu não queria e não ia. Porque eu queria mostrar a ele o quanto ele me machucou com aquilo, e o pior: eu queria que ele me esquecesse. Porque assim seria mais fácil esquecê-lo.
E eu estava disposta a isso.
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Eu desisti do bilhete assim que não pegou pela milésima vez que eu tava batucando. Cara, o que eu faço agora? Bateu o sinal do intervalo, ela se levantou tão rápido que eu mal tive tempo de guardar meu lápis no estojo. Quando eu voltei a olhar para cima, ela já não estava na sala.
Eu quis morrer.
Sério, eu acho que vou me suicidar, acho que os góticos do 3º C trazem armas para a escola. Ou quem sabe o estilete na sala de artes... Enquanto eu pensava seriamente em cada possibilidade de suicídio, esbarrei com alguém. Giu.
- ! Puxa, você na festa estava ótimo, sabia? – Ela vem com essa laia pra cima de mim, eu não tô a fim. Olha rimou! Tá, esquece. Eu tentava me afastar dela, mas ela me segurava e me fazia ficar em sua frente. Rolei os olhos enquanto ela falava alguma baboseira sobre o laboratório estar livre a esse horário e foquei meus olhos em algum ponto distante. Uma pessoa. Ela não olhava para mim, mas estava virada em minha direção. Ela lia alguma anotação em seu caderno. Então, como se soubesse que eu estava olhando-a, ela levantou os olhos para mim e finalmente seus olhos encontraram os meus. Eu senti choques, senti o chão sumir dos meus pés, só pela força daquele olhar. E não só por isso. Eles não tinham o brilho de antes, ela não sorria mais quando me via, nem seus olhos pareciam mais felizes. Eles estavam frios e duros, e a força que exerciam em mim me fez baixar os olhos, envergonhado. Eu não tinha direito nenhum de pedi-la de volta, de olhá-la nos olhos, de chamá-la de minha. Ela não é minha, não mais. Ela estava certa o tempo todo, de me evitar, de me fazer sofrer, só pelo que eu fiz a ela.
Acho que o estilete na sala de artes me parece uma boa opção. Alguém me acompanha para limpar a sujeira?
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olhou para mim no intervalo, ele estava conversando com aquela Giu filha de uma... Respirei fundo, depois que ele baixou os olhos, e fui para o pátio. As pessoas me olhavam, algumas cochichavam, outras davam risada. Nem ligo. Talvez fosse por causa das minhas meias três quartos, listradas de vermelho e preto, talvez fosse por causa da minha mini saia jeans apagada, ou minha blusa meio velha do Super Mario, que era avermelhada e tinha o símbolo do ‘1 up’. Nem ligo, adoro ser o centro das atenções. Ok, é mentira.
Me sentei embaixo de uma árvore e fiquei observando meus dedos. Isso é tão coisa de patricinha, ficar olhando as unhas o tempo todo, para ver se tem algum defeito. Lógico que as minhas têm algum defeito, minhas cutículas são um lixo, e as unhas estão sempre quebradas, porque eu adoro descamar elas! Affe , para de falar merda, você não tem nada de útil para fazer não? Hm, não.
Pessoas continuavam passando e eu nem liguei, mas eu queria sair dali, e sabia exatamente aonde ir. Levantei-me e saí discretamente. Cabular aulas é legal, nem me importo mesmo. Subi as escadas silenciosamente e quando cheguei ao topo, aspirei o perfume fresco do jardim de Biologia que havia na escola, ao ar livre.
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Depois que desviei os olhos, Giu me deu um tapa e saiu andando ofendida, eu nem liguei. Eu queria saber onde ela estava. Andei por entre as pessoas procurando-a com os olhos, mas um estalo em minha cabeça me fez entender que ela não estava lá. Eu sabia exatamente onde ela estava, quando ela estava magoada nós nos refugiávamos lá. Dei meia volta, fui até as escadas e comecei a subir. A porta estava entreaberta e eu a empurrei silenciosamente e entrei no jardim. As flores estavam bonitas, o céu estava um azul maravilhoso, como se fosse irônico e risse de mim. O sol brilhava fortemente e iluminava todo o lugar, e à primeira vista, nem sinal de . Engoli em seco. Talvez ela não estivesse aqui.
Então a ficha finalmente caiu. Se ela estivesse, o que eu ia dizer? “Sinto muito por ter um ataque idiota de ciúmes, eu amo você e quero que você não me odeie e fique comigo para sempre, vamos casar e ter 4 filhos e 7 netos. O que você acha?”. Hm, não. Algo me diz que essa não é a melhor ideia. Suspirei e achei melhor improvisar. Dei a volta no lugar e a vi. Ela estava de costas para mim, olhando um pássaro numa árvore. Eu nem liguei para o pássaro, eu estava preocupado com a . Aproximei-me alguns passos e senti minhas mãos começarem a suar, meu coração bater mais rápido... de repente oxigênio se tornou raro, eu não conseguia mais puxar o ar para encher meus pulmões. Minha visão embaçou, acho que vou morrer. Aos poucos foi voltando ao normal, ainda nem tinha virado. Depois que esse momento passou, respirei fundo e falei.
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- Oi – ouvi uma voz atrás de mim e me arrepiei. Era a voz dele. Virei lentamente e o encarei. Ele estava ali, parado, com as mãos no bolso. Me olhava meio assustado, e eu senti meu coração falhar e doer. Se ele não queria mais que eu interferisse no seu maldito tempo, na sua maldita vida, porque voltava atrás de mim? Para mim ele foi bem claro, obrigada.
- Como me achou aqui? – perguntei, nem respondi o oi. Ele coçou a cabeça e baixou os olhos.
- A gente se refugiava sempre aqui, – ouvi-lo dizer meu nome machucou mais ainda. – Eu sou melhor amigo, sei onde vou te encontrar.
- Era – falei, ouvindo suas palavras, suas mentiras. Ele me olhou confuso. –Você era meu melhor amigo, .
Eu pude ver a dor em seus olhos, em seu rosto, mas não me incomodei. 1 x 0 para mim. Ele engoliu em seco e baixou os olhos. Encarou o cadarço sujo do all star dele, mexendo nos dedos. Ele fazia isso quando estava nervoso, eu o conheço. Eu também fui sua melhor amiga. Mordi meu lábio inferior e me voltei para o pássaro, mas ele havia voado.
A vida é assim, você dá as costas a algo que se importa, e então isso desaparece. Como num passe de mágica.
- Estranho você estar aqui, o que você fez, congelou o tempo para vir aqui falar comigo, só para não gastá-lo? – falei, ainda olhando para o nada, onde antes havia um pássaro. Eu sabia que essas palavras iam machuca-lo, elas também me machucavam.
- ... – Eu fechei os olhos e apertei as mãos, ele deve ter percebido. – , por favor, para com isso, eu só disse isso de cabeça quente – ele disse, com esforço. Virei-me para ele. Ele me olhava com dor nos olhos. – Você sabe que eu nunca diria isso para você.
Eu ri pelo nariz e cruzei meus braços. Em algum lugar distante, o sinal tocou anunciando o fim do intervalo, mas eu não liguei.
- Nunca? Bem, você disse – falei e ele fechou os olhos. Mordi meu lábio. Eu estava sendo má, mas ele precisava sofrer um pouco.
- ... Por favor, pequena... – ele pediu, quase implorando, voltando a abrir os olhos e me encarando.
- Não me chama assim, . – Estranhamente eu ainda estava calma, eu estava conseguindo me manter, mas parecia que ele ia desabar a qualquer momento. Seu rosto ficou marcado pela dor, eu sabia que estava sendo cruel. Dores físicas passam, dores emocionais não. Ou demoram demais para passar. – Se você disse as coisas de cabeça quente, então acho que você não sabia que é quando estamos de cabeça quente que as verdades saem. As verdades ou algo que você pensou recentemente.
Ele balançou a cabeça negativamente, esfregando os olhos.
- , eu só disse aquilo porque perdi a cabeça, eu estava com ciúmes de você e do tal Peter e... – Eu perdi a paciência.
- E VOCÊ ACHA QUE EU NÃO ESTAVA COM CIÚMES DE VOCÊ E DA VACA DA GIU? – gritei. A calma finalmente foi embora e eu sentia tudo explodir no meu peito. – Você acha que eu não fiquei morrendo de raiva quando você me largou para comer ela na festa? Você acha que eu saí soltando flores e pulando quando você simplesmente se esqueceu de mim ao vê-la? Você acha que eu não fui naquela merda de jardim chorar por você? Então eu fui tentar encontrar alguém para conversar e você me vem com ataques de ciúmes!
Ele me olhava estupefato e eu tentava acalmar as explosões no meu peito. As verdades estavam explodindo ali o tempo todo, estavam machucando, mas eu não podia fazer nada. Não se pode quebrar um coração quebrado. Eu li isso alguma vez em algum lugar. Meu coração já foi estraçalhado e remendado tantas vezes que eu nem me importava mais, eram apenas arranhões dentro de mim.
- Eu... eu... – ele tentava falar alguma coisa, mas eu engoli e respirei fundo.
- Ao contrário de você, quando eu senti ciúmes, eu não dei escândalo. Fiquei quieta e esperei passar – continuei, ignorando o que ele tentava falar. Eu pude ver seus joelhos tremerem, ele estava quase desabando. Eu nunca havia o visto assim. E eu estava fazendo isso com ele. – Eu não disse para meu melhor amigo que o tempo que eu passei com ele não foi nada, que o tempo que eu poderia passar agora ia pertencer a outra pessoa, porque eu já não fazia parte da sua vida – eu completei sussurrando, e lágrimas me vieram aos olhos. Ele arregalou os olhos e negou com a cabeça.
- Não! , eu... eu nunca... eu não quis dizer isso! Você entendeu errado! – ele disse, desesperado. – Eu estava de cabeça quente, o ciúme me deixou louco, eu quis dizer... eu só... – Ele não sabia como continuar, eu via isso. Não me importei.
Peguei meu caderno em silêncio, sentindo aquela dor atrás dos olhos de quando nós estamos prestes a chorar, e passei por ele, sem olhar mais nenhuma vez em seus olhos. Quando passei ao seu lado, seu perfume me invadiu e eu apertei o passo, descendo as escadas com pressa.
Não quis ficar para ver o que eu fiz, o estrago completo.
O céu estava cinza.
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Tudo que me dissera ecoava em minha mente, em frases bagunçadas e dolorosas. Eu não podia negar, era verdade. Ela passou por mim sem me olhar, e eu finalmente desabei. Sabe, as pessoas acham que os homens são fortes, que homens não devem chorar, e todos seguem esse exemplo. Mas não é certo. Nós somos humanos, nós temos sentimentos, como todo mundo. Então eu caí no chão e deixei uma lágrima escorrer.
Ela me reduzira de idiota para miserável, insignificante. Eu não era mais nada para ela. Só um cara que estava tentando se desculpar por ter dito palavras feias, como uma criança que chega chorando na sala, com o dedo na boca, e pede soluçando timidamente desculpas para seus pais, depois de ter aprontado. Eu me sentia assim. Uma criança indefesa, chorando, sozinho. Não estava com vontade de voltar para a sala de aula. Não estava com vontade de permanecer naquele lugar, que algum tempo atrás, num passado remoto e que parecia muito distante, era um lugar nosso e só nosso.
Me levantei com esforço e limpei as lágrimas. As frases dela ecoavam cada vez mais alto em minha mente. “O tempo que eu passei com ele não foi nada, que o tempo que eu poderia passar agora ia pertencer a outra pessoa, porque eu já não fazia parte da sua vida”. Ela entendera errado! Eu não falei isso! Talvez, o que eu tinha tentado dizer era que eu estava de saco cheio de ter ela por perto o tempo todo. Lógico que era mentira, eu falei para ela que eu estava de cabeça quente. “É quando estamos de cabeça quente que as verdades saem. As verdades ou algo que você pensou recentemente.” Eu devo ter pensando recentemente, ou melhor, instantaneamente. Não era verdade! “Era. Você era meu melhor amigo.” Ok, depois dessa eu me dava um tiro. Eu não era mais o melhor amigo dela. Eu não era nada dela. Apenas um sujeito, como todos os outros, um sujeito que passava pelo corredor vazio, pensando como seria bom se um meteoro caísse em cima dele naquele momento.
Me arrastei para fora daquele lugar e continuei andando sem rumo, até acabar chegando na nossa árvore. Se é que ainda era nossa árvore. Larguei-me lá e algumas lágrimas voltaram a rolar pelo meu rosto. Olhei para o céu quando percebi grossas gotas de chuva caírem em cima de mim e estranhei o fato de este estar completamente cinza. Eu havia notado que ele estava azul mais cedo. É assim que as coisas são, elas mudam mais rápido do que você pode perceber, como foi comigo e com a . Eu me sentia sozinho, abandonado. Solidão não é um sentimento bom. Esperei o tempo passar como um condenado, até que vi umas pessoas da escola andarem pelo parque, então respirei fundo e voltei para casa.
Talvez eu precisasse sair hoje à noite, e tudo se resolveria. Talvez eu acordasse e percebesse que estava atrasado para buscá-la para uma certa festa de 15 anos. Talvez eu estivesse esperando que minha vida não fosse real. Mas infelizmente ela é, e é um porre.
off
se arrumou de noite e foi em uma balada que ele costumava ir com . Entrou cabisbaixo, precisava de algo alcoólico. Sentou-se ao bar e pediu a coisa mais forte que havia ali. Ele poderia morrer de coma alcoólico. Começou uma música qualquer, ele acompanhou a batida.
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Eu já estava no quarto ou quinto copo, não sei. Eu sei que o mundo estava rodando ligeiramente, e uma música do The All American Rejects tocava. Acho que vou me juntar a esses caras, não sou americano, mas eu sou um rejeitado. É, quando crescer vou ser um rejeitado, vou ter problemas sociais, vou virar altista e ser internado, então vou fazer amizade com uma planta e ela vai ser minha melhor amiga. E eu vou dar a ela o nome de . Que romântico. Isso se eu não morrer de coma alcoólico antes, é uma boa ideia!
Eu estava reparando um pouco na letra e eu senti meu estômago afundar ao ouvir o que o cara cantava.
Now you'll never see
Agora, você nunca perceberá
What you've done to me
O que você fez para mim
You can take back your memories
Você pode pegar suas memórias de volta
They're no good to me
Elas não me fazem bem
And here's all your lies
E aqui estão todas suas mentiras
You can look me in the eyes
Você pode me olhar nos olhos
With the sad, sad look that you wear so well
Com o triste, triste olhar que finge tão bem
Eu senti meu mundo rodar mais rápido, fiquei com medo. Parece que se encaixava perfeitamente com o que eu sentia. Ela nunca vai perceber o que ela fez para mim, já que ela nunca mais vai se importar comigo. E ela interpretou o que eu disse na festa como esse verso “pode pegar suas memórias de volta, elas não me fazem bem”. Acho que foi exatamente o que ela pensou! E... ela achando que eu estava mentindo, mentiras... Eu olhando-a nos olhos no corredor, sentindo a dor, tanto em mim quanto nela...
Levantei-me com rapidez e senti uma leve tontura, mas de repente tudo parecia engraçado. Não havia mais desgraça na minha vida, estava tudo bem agora. Tão bem que eu poderia sair cantando e dançando. Deixei um dinheiro na mesa e pedi mais um copo, virando rapidamente e saindo daquele lugar. Uma música de uma banda que eu não conheço começou enquanto eu passava pela porta, um sorriso maléfico no rosto, com as chaves do carro nas mãos. Eu sabia, no meu interior, que estava bêbado demais para dirigir. Mas no momento, a única coisa que me vinha na cabeça era como chegar à casa de . Porque quando estamos bêbados, nós não pensamos. Nós agimos. As consequências vêm depois, mas eu estava disposto. Pelo menos naquele momento eu estava. Então entrei no carro e dirigi como um louco até a casa dela.
Eu sabia inconscientemente que eu teria minha vingança naquela noite. Mesmo que meu interior gritasse em protesto, a parte sã de mim dissesse que isso era errado, que eu não precisava me vingar e que eu ia me sentir pior, a parte dominadora ficou mais forte e a vontade de vingança cresceu também. E, como ela me torturara de manhã com suas palavras, eu sabia exatamente como torturá-la. E é por isso que eu estou encostando em sua casa. Apenas para ter o gosto da vingança na boca.
off
Capítulo 8.
estacionou e pulou do carro, um pouco trôpego. Observou a casa e havia uma luz acesa no andar de cima. No quarto de . Aproximou-se da porta e vasculhou o arbusto que tinha ao lado, pegando a chave reserva. Abriu a porta e subiu lentamente as escadas, ouvindo o barulho do chuveiro. Ela estava no banho. Enquanto se aproximava do feixe de luz que era a porta entreaberta do quarto de , pensava no que ia dizer. Entrou no quarto e confirmou, era ela no banho, suas roupas estavam espalhadas pelo quarto. Sentou-se na cama no exato momento em que o chuveiro foi desligado.
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A água do chuveiro se misturava às minhas lágrimas durante o banho, e eu pensava em . Não sei como eu pude ser tão má mais cedo. Como eu pude machucar tanto o meu melhor amigo? Por que eu simplesmente não joguei tudo pro alto e o abracei? Me afundar naqueles braços perfumosos que eu tanto amo, seria tudo tão mais fácil.
Desliguei o chuveiro e peguei uma toalha, me enrolando nela. Soltei um suspiro que se perdeu no vapor e abri a porta do banheiro, indo direto ao meu armário. Separei um pijama e assim que me virei para colocá-lo em cima da cama, eu o vi.
off
deixou a roupa que segurava cair e encarou assustada. Sua boca entreabriu-se e ela imaginou-se sonhando.
- Oi – disse, sorrindo fraco.
- O-o que você tá fazendo aqui? – ela perguntou, com esforço, se sentindo desconfortável com a situação. levantou-se da cama e sorriu de lado.
- Vim conversar com você.
- Não quero conversar com você – ela falou depressa, e percebeu que ele estava bêbado. – Você está bêbado – acrescentou.
- Só um pouco – ele disse abanando o ar com a mão e se aproximando dela. Ela recuou o mesmo número de passos que ele deu.
-Vai embora, não quero você aqui – ela falou seca, sentindo a mentira raspar sua garganta e sair.
- Como se isso fizesse diferença – ele falou, soltando um riso sarcástico. – Quando você vai perceber que você pode não querer a minha presença, mas que você precisa dela?
engoliu em seco. Era verdade, ela não podia escolher. Ela precisava dele, era como um vício. Ele não esperou ela dizer alguma coisa, apenas continuou.
- Eu posso ter errado e feito a maior cagada da minha vida naquela festa de quinze anos, mas você não vai aguentar muito tempo longe de mim. Eu sou um vício para você. – Ele fez uma pausa e ela apenas o olhava assustada. - Quando você arranjava um novo namorado, você achava que ficava feliz com ele. Mas estava feliz sem nenhum namorado, apenas comigo. Era eu que te fazia feliz, não eles. Você é... como uma vadia. – Ela arregalou os olhos e sentiu o coração dar uma fisgada dolorosa.
- Eu... – ela ia falar alguma coisa, mas a voz falhou e ela parou. Enquanto ela dissera mentiras que machucavam de manhã para ele, ele estava dizendo verdades que machucavam ainda mais. Ela não passava disso, de uma vadia.
- Você quer caras que te satisfaçam na cama, que sejam bons em sexo, pra te fazer feliz. Você tentou Corey. Arriscou Kyle. Nenhum deu certo, mas eu estava aqui. Não sei como você nunca viu isso. Você quer que sua vida seja um conto de fadas. Desculpe estragar seus sonhos, mas não, não é. Eu poderia chegar perto de um príncipe encantado para você, não eles. Como você nunca viu isso?
- Não, ! – ela falou, fechando os olhos e colocando as mãos na cabeça. – Para!
Ele se aproximou um pouco e ela voltou a recuar, encostando-se a parede. Ela respirava com dificuldade e ia chorar.
- Parar com o quê? Parar de dizer a verdade e acabar com seus sonhos e seu mundinho de Barbie? – Ela deixou as lágrimas rolarem, ainda sem olhá-lo, e ele suspirou. Não conseguia fazer isso com ela. Aproximou-se mais um passo.
- ... para... – ela falou com dificuldade.
- Quer outra verdade? – ele perguntou, rude, e ela negou rapidamente com a cabeça, soluçando. Ele venceu a distância entre eles com poucos passos e segurou delicadamente o rosto dela com as mãos. Ela tentou se soltar, tentou lutar, em vão. Ele olhou em seus olhos molhados e limpou sua bochecha, antes de soltar. – Eu amo você. Isso é uma verdade.
sentiu o coração parar e olhou-o assustada.
- Mas você... na festa... você disse... – ela disse soluçando e ele negou com a cabeça.
- O que eu disse na festa foi uma grande besteira. Talvez eu quisesse significar que se você podia gastar seu tempo com outra pessoa, eu também podia. Que eu não precisava ficar com você o tempo todo, eu podia ter uma vida social sem você – ele explicou e ela fechou os olhos com força, deixando lágrimas escorrerem. - Lógico que era uma mentira deslavada – acrescentou, murmurando.
- ... – ela disse, finalmente soltando-se e abraçando-o com força. Finalmente estava entre os braços que queria estar, protegida como sempre esteve. Não tinha mais o que temer, agora estava tudo bem.
- ... Me desculpa, por favor – ele disse, sentindo-a tremer com os soluços entre seus braços e apertou-a mais forte. Ela apenas concordou com a cabeça e ele sentiu-se aliviado.
Ficaram um tempo em silâncio, apenas abraçados, enquanto ela se acalmava. sentia a pele da garota que não estava coberta pela toalha tocar-lhe o corpo e arrepiou-se levemente. nem se preocupava mais pelo fato de estar apenas de toalha, era o seu melhor amigo ali, e estava tudo bem.
- Vai ficar tudo bem entre a gente, né? – ele perguntou baixinho, ao ver que a garota havia parado de chorar.
- Espero que sim... – ela falou baixinho e se afastou dos braços dele. – Eu não sei, ... Eu... não sou assim, de fazer as coisas ficarem numa boa do nada... Eu preciso de... um tempo pra pensar... – ela falou, com dificuldade e ele concordou com a cabeça.
- Eu entendo, pequena.
- Eu só preciso me acostumar com a sua presença de novo, sem lembrar das coisas que você disse pra mim – ela confessou, sussurrando e ele segurou seu rosto entre as mãos novamente.
- Já devia ter esquecido aquelas baboseiras. – Ela sorriu de lado e ele deu-lhe um selinho demorado.
- Só me dá um tempo para escolher se... eu realmente vou querer isso de novo, tá ? – ela falou baixinho e ele concordou, sorrindo de lado.
- Escolhas nem sempre são fáceis, mas nem são pra sempre, lembra? Uma hora tudo vai voltar a ser como deve ser. Eu e você – falou, citando um trecho de uma música que ela gostava e completou com uma verdade. Ela abriu um sorriso que fez perder o fôlego e concordou com a cabeça.
- Não tenho mais dúvida, minha única certeza é você – ela recitou outra parte e ele também sorriu abertamente, encostando sua testa na dela.
- Não esqueça que eu te amo, tá? – Ela concordou com a cabeça e ele deu-lhe outro selinho demorado. – Boa noite, pequena...
Ele afastou-se meio trôpego e continuou parada olhando-o sair pela porta do quarto, encostada na parede. Soltou um suspiro e recolheu o pijama, começando a se vestir.
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Sabe, eu não acredito que isso realmente aconteceu. veio aqui, a gente conversou, e agora tá tudo bem. Não sei se está realmente tudo bem, porque eu não sei como vai ser. Eu tenho medo disso, talvez ele só tenha dito essas coisas por estar bêbado, talvez ele nem pense assim. Sentei-me na cama onde ele estivera sentado e me assustei com o fato de que seu perfume estava intenso naquela parte. Deitei, com a cabeça encostada ali, e fechei os olhos lentamente, pensando no dia de amanhã. Não sei como seria na escola, não sei como seria com , nem com Peter, que havia chegado.
Eu só teria que esperar para descobrir.
off
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Ressaca do caramba, nunca mais bebo na minha vida. E o pior é que eu não me lembro de absolutamente nada da noite passada. Só alguns flashbacks, mas acho que são de sonhos, porque a está neles, e na vida real a me odeia. Eu só lembro que ela estava chorando e de toalha. Estranho e sexy, fazer o quê.
Fui de ressaca para a escola, uma das piores coisas que existem. Entrei na sala e olhei novamente para ela, ela estava lá. Mas dessa vez foi diferente, ergueu os olhos e me olhou, e eu senti uma sensação esquisita. Como se ela soubesse alguma coisa que eu não sei. Estranho. Me sentei atrás dela e ela desviou os olhos rapidamente, virando-se para frente. O professor entrou e já começou a passar matéria na lousa. Minha mente trabalhava rápido (ok, relativamente rápido para alguém que está de ressaca e ainda por cima às 7h30min) para poder falar com a , e tudo que eu consegui fazer foi me sentar o mais pra frente possível na cadeira e me inclinar para falar com ela. Patético.
- ? – sussurrei, arriscando o nome, já que se eu chamasse ela pelo apelido era capaz de ela tirar uma pistola Colt 45 do estojo e me dar um tiro na testa ali na sala mesmo. É, assustador. Ela se sentou melhor na carteira, se inclinando para trás. Estranhei, mas continuei mesmo assim. – Você pode me esperar aqui no intervalo, só um pouquinho? Preciso falar com você.
Ok, não sei que santo baixou em mim pra dizer isso, mas eu disse e pronto, e sabe o que mais me assustou? Foi ela concordar com a cabeça e voltar a posição normal.
Então ela ia me esperar?
off
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Estranhei o me chamar, e ainda dizer aquilo. Ele não se lembrava de ontem à noite? Isso me deixou meio mal, porque ele falou coisas lindas, verdades que eu não tava querendo enxergar. Dito e feito, quando bateu o sinal eu permaneci sentada na cadeira enquanto todos saíam desesperados por ar puro. Exceto eu e . Engoli em seco ao vê-lo levantar pelo canto do olho e levantei meus olhos para que pudesse encará-lo.
- Eu... obrigado por esperar – ele falou e eu dei ombros, suspirando.
- Você não lembra, não é? – falei, sentindo minha voz falhar. Ele me olhou confuso e eu mordi meu lábio inferior.
- De ontem? – ele perguntou e eu senti uma bolhinha de esperança surgir no meu peito. – Gostaria muito. – Puf, a bolhinha estourou.
- Ah – eu disse apenas, desviando os olhos. Ele agachou-se e esfregou os olhos.
- É um saco isso. – Ele suspirou e voltou a me olhar. – Foram coisas importantes que aconteceram ontem?
- Muito – falei e ele fez uma careta.
- Envolve você de toalha? – Eu arregalei os olhos e corei. – Só tenho alguns flashbacks, nada de palavras, só imagens – ele falou rápido e eu corei mais.
- É, envolve – falei apenas e ele corou também.
- O que houve? – ele perguntou baixinho e eu suspirei.
- Bom, eu tava saindo de toalha do banheiro e você tava na minha cama... Você tava bêbado e... começou a falar algumas coisas pra mim. – Mordi meu lábio. Ele baixou os olhos.
- Não magoei você, magoei? – ele perguntou e eu fiquei com vontade de bater nele. Ele não tinha se importado com isso quando me disse aquelas coisas na festa. Controlei minha voz e respiração, pensando que isso não era mais o que importava.
- Não; você só disse umas verdades que eu não tava querendo enxergar – falei baixinho e ele levantou os olhos, com um sorriso nascendo no rosto.
- Por exemplo...? – ele perguntou, se aproximando um pouco de mim, ainda agachado.
- Quando você disse que eu podia não querer você por perto, mas que não adiantava nada porque eu preciso de você – falei, um sorriso surgindo nos meus lábios. Ele sorriu mais e eu continuei. - Quando você disse o que realmente quis significar na festa.
Seu olhar e seu sorriso tremeram um pouco e ele suspirou. Ele ia falar alguma coisa, mas eu o interrompi.
- Quando eu disse que precisava de um tempo para escolher e você... você disse... – eu parei nessa parte e ele se aproximou mais de mim, se ajoelhando e apoiando uma mão sobre a minha.
- O que eu disse? – ele sussurrou curioso e eu sorri mais.
- Que escolhas nem sempre são fáceis, mas nem são pra sempre – falei com um sorriso enorme e ele riu, jogando a cabeça para trás e voltando a me encarar com um sorriso maravilhoso e os olhos brilhantes.
- E você? – perguntou, mais curioso.
- Eu disse que não tenho mais dúvida, minha única certeza é você – repeti a cena da noite anterior e voltou a rir de felicidade. Me encarou com um sorriso enorme e acariciou meu rosto levemente.
- Não acredito que perdi tudo isso... – Ele ficou sério de repente. – Você não está inventando isso, né?
- Eu não sei mentir. Não pra você. Você é o meu melhor amigo, devia saber disso – falei com um sorriso de canto e ele me olhou com um olhar meio sofrido, o que eu estranhei. Nem deu tempo de perguntar, ele apenas levantou e me puxou pra um abraço. Eu me afundei nos braços perfeitos dele.
- Ah, ... Você não sabe como eu fico feliz de ouvir isso de novo... – ele disse baixinho, afundando o rosto no meu pescoço. O abracei mais forte e fechei os olhos com força.
- Por que a gente tava fazendo isso? – perguntei e ele se afastou, me olhando confuso. – Por que a gente tava se machucando tanto... ontem, no jardim... – Fechei os olhos com força e baixei a cabeça. – Eu me arrependi por cada palavra que disse a você... Eu só queria que você se sentisse machucado, mas... – Não terminei a frase, porque ele me abraçou apertado e não me deixou continuar.
- Esquece, pequena... Só esquece, tá? – Ele me deu um beijo na bochecha e eu concordei com a cabeça, apertando-me mais a ele.
- Eu devia apenas ter te abraçado – falei, sentindo minha voz tremer e ele negou com a cabeça.
Ele me encarou e eu senti de novo aquela vontade imensa de beijar ele, e ele lançou um olhar rápido pros meus lábios, então imaginei que ele pensou a mesma coisa. Ele começou a se inclinar lentamente, mas uma pessoa entrou na sala e nós nos afastamos rápido.
- Hey, , eu... er... oi – Peter disse e eu e coramos, mas sem nos soltarmos. Ele lançou um olhar nervoso de para mim e pousou seus olhos castanhos no meu rosto. – Tá tudo bem?
olhou para mim como se fizesse a mesma pergunta e eu suspirei, olhando em seus olhos, e depois voltando a olhar Peter.
- Tá, Pete... Agora tá – falei e sorriu. Pete deu um sorriso fraco também e saiu. Encostei minha cabeça no ombro de e senti seu perfume me invadir e seus braços me envolverem no abraço que eu tanto ansiei.
off
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Eu estava tão feliz por ter ajeitado tudo com a que nem me importei por Peter ter interrompido nosso quase beijo. É, eu ia beijá-la, está ficando mais difícil de controlar agora. O sinal anunciou o fim do intervalo e nos dirigimos às nossas próximas aulas.
Foi difícil me concentrar nas aulas, mas por incrível que pareça, o tempo passou voando e eu estava novamente ouvindo o sinal tocar. Me levantei, arrumando minhas coisas e logo depois saindo da sala, seguindo a corrente de alunos. me esperava encostada no portão da escola, e assim que a vi, sorri fraco.
- Hey. – Me aproximei dela e ela sorriu pra mim.
- Oi... – Tava meio estranho, mas tinha melhorado. Andamos juntos, como fazíamos há tanto tempo, mas dessa vez em silêncio.
- Vamos pra nossa árvore? – sugeri e ela me olhou sorrindo.
- Aham! – concordou animada e eu sorri também, segurando sua mão e entrelaçando seus dedos nos meus. Acariciei as costas de sua mão com o polegar e ela encostou a cabeça no meu ombro. Parecíamos um casal bobo e apaixonado.
Pouco tempo depois, chegamos ao parque e nos sentamos nas raízes da nossa árvore. Observei nossos nomes, que estavam saindo, e retirei o canivete que eu tinha na bolsa, marcando mais forte. me olhava atentamente e sorriu quando eu reforcei o coração em volta. É, tínhamos feito um coração, pra dizer que... Sei lá, acho que pra expressar toda essa amizade que tinha entre a gente.
- Pronto – falei com um sorriso e ela sorriu pra mim, se inclinando e me dando um selinho demorado. Preciso dizer que me arrepiei todo? Ela se afastou lentamente e eu mantive um sorriso idiota no rosto.
- Tava sentindo muita falta disso – ela falou e eu acariciei seu rosto, encarando seus lindos olhos .
- Eu também – murmurei e ela suspirou, encostando a cabeça no meu ombro. Beijei o topo da cabeça dela e a abracei mais forte. – Minha menina linda. Só minha – falei e senti ela enrijecer. Estranhei.
Eu falei alguma coisa errada?
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Tava tudo lindo, ele reforçou o coração nos nossos nomes, tava tudo às mil maravilhas. Mas aí ele tinha que soltar aquela, puta merda. Não que eu não adoooore quando ele me chama de menina linda, mas a parte do ‘só minha’ que me preocupa. E é bem ciumento, essa coisa de ‘só minha’ é levada bem a sério. Não que eu não goste de ser dele é...
- O que foi? Falei alguma coisa errada? – ele perguntou, segurando meu rosto com as mãos e me olhando preocupado. Desviei os olhos dos dele, porque senão eles iam me hipnotizar e a minha explicação consciente ia pro beleléu.
- Não... Não exatamente – falei, suspirando. – É que, ... Quando você fala ‘só minha’... não que eu não goste, é fofo e tudo mais, mas é que... Nesse tempo que a gente passou brigado eu senti muito a sua falta... Mas senti falta de ter alguém pra me consolar também. Eu não quero mais restringir minha amizade só a você, porque quando a gente brigar eu não vou ter ninguém pra ficar comigo... – expliquei e ele sorriu de lado.
- Pequena, eu não me importo que você tenha outros amigos. É que você tem uma certa... – ele escolheu a palavra – habilidade... para escolher pessoas erradas. – Ele deu um risinho. – Mas nada que você não possa arranjar alguma outra amiga ou amigo, sabe. E eu só falo que você é minha porque eu me preocupo demais com você, e quero tudo de bom pra você. Eu gosto de cuidar de você, de ficar perto... É isso que a gente faz quando tem alguém – ele explicou sorrindo, segurando meu rosto e eu acabei sorrindo também. diz coisas fofas demaaaaais, se mata.
- Tá ok, ... – falei, minha capacidade de falar se tornou precoce, beijos. Ele sorriu mais e me deu um selinho demorado.
- E quanto a precisar de alguém quando a gente brigar... Não precisa se preocupar, tá legal? – Sorri fraco e ele me deu outro selinho. – Porque a gente não vai brigar mais.
- Promete? – pedi e ele sorriu, acariciando meu rosto.
- Prometo. – O abracei e beijei sua bochecha, apoiando meu rosto no pescoço dele logo depois.
Ficamos mais um tempo ali e depois voltamos para casa, já que não tínhamos muito mais o que fazer.
off
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Amanheci sentindo minha pele queimar e amaldiçoei-me. Justo agora que eu tinha voltado a falar com a ia ter que faltar na escola, lindo e maravilhoso. Quando minha mãe veio ver porque eu ainda não tinha levantado e viu meu estado, deu um gritinho, então suponho que eu esteja realmente ruim. Pelo que ela me disse, nada de atividades físicas ou mentais. Ótimo.
off
:
Cheguei na escola e procurei com os olhos, mas não o encontrei. Peguei meu celular e disquei seu número rapidamente.
- Alô? – ele atendeu com uma voz esquisita e eu cocei o nariz.
- ? – perguntei incerta e ouvi a pessoa tossindo.
- Hey, pequena. – É, era ele.
- Nossa, sua voz tá estranha... O que houve? – perguntei, me encostando numa parede.
- Doente – ele disse, antes de recomeçar a tossir. – Não vou hoje.
- Aahh... – falei, desapontada.
- Passa aqui em casa depois das aulas?
- Claro – concordei, voltando a sorrir. Senti ele sorrir do outro lado também e ele soltou um suspiro.
- Até mais tarde então, pequena.
- Até, ... Te amo – falei, mas ele já tinha desligado. Encarei a tela do celular e suspirei, indo pra sala de aula.
off
entrou na sala e deu uma olhada para ver se tinha algum conhecido, e sentiu seu estômago revirar. Peter estava ali.
Capítulo 9.
(n/a: Ponham para carregar: Make You Smile - +44)
entrou na sala e sorriu para Peter. Sentou-se ao seu lado no fundo assim que o professor entrou. Eles não trocaram nenhuma palavra, mas lá pelo meio da aula, Peter cutucou-a e ela olhou a mensagem no caderno dele.
:
Me aproximei um pouco para ler o recado de Peter e senti uma coisa esquisita no estômago.
“Você e o se ajeitaram?”
Olhei para ele e concordei com a cabeça. Ele apagou e voltou a escrever. Apagou novamente, sem me mostrar e eu voltei minha atenção para a lousa, onde o professor escrevia incessantemente. Peter me cutucou novamente.
“Se vocês não forem ficar juntos, posso ter uma chance?”
A sensação no meu estômago aumentou consideravelmente e eu comecei a pensar nisso. O que é que eles viam em mim? Sério, eu nunca me achei nada demais assim, embora sempre diga que eu sou uma das mais cobiçadas e blábláblá. Mas ele sempre foi ciumento, aposto que metade dos caras que ele dizia estarem olhando para mim, não estavam. Mas aí me vem com essa. Se eu não ficar com o , fico com o Peter. Sem contar as indiretas dos outros, né. Tô me sentindo uma femme fatale aqui, me deixa. Voltei a focar meus olhos em Peter, que esperava minha resposta com um sorriso e eu escrevi no meu caderno.
“Vou ver =]”
Melhor não dar muitas esperanças. Ele sorriu com a resposta e voltou a apagar seu caderno, escrevendo rapidamente.
“Obrigado, mas de qualquer forma, espero que fique tudo bem entre vocês =]”
- Algum problema, srta. ? – a voz do professor atingiu meus ouvidos e eu senti Peter congelar ao meu lado, enquanto eu engolia em seco. Virei-me lentamente para ele, enquanto Peter recolhia o caderno.
- N-não, senhor – falei. Ele arqueou uma sobrancelha.
- Posso saber o motivo da senhorita estar olhando o caderno do senhor Peter? – ele falou e eu pensei em algo rápido. A letra confusa dele na lousa me ajudou bastante nisso.
- Bem – pigarreei. – Eu não estava entendendo o que o senhor escreveu no terceiro parágrafo, e como o senhor mesmo diz para não o interrompermos, eu pedi ajuda para Peter, que por algum método mágico conseguiu copiar o que estava escrito – falei, e alguns alunos seguraram o riso.
- Hm. Certo. Mas que não se repita – o professor anunciou e eu concordei nervosamente com a cabeça. Peter relaxou e eu também, voltando a copiar o que estava escrito na lousa (tendo que decifrar antes).
Peter me deu um cutucão, mas eu apenas o olhei e fiz um sinal de depois com a mão. Meu estoque de desculpas não era tão grande assim, e eu não queria me meter em confusões.
off
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Queria saber o que está acontecendo lá. Se a tá com o Peter, se ela tá bem... Tava foda viu. Mas vou ter que me contentar com a foto dela. Tenso.
off
:
O sinal finalmente bateu e eu esperei um pouco, imaginando que Peter queria falar comigo. Dito e feito, só restamos nós dois na sala. Eu não podia deixar de ficar meio nervosa, afinal, Peter quando foi falar comigo queria ficar comigo. Me levantei lentamente, e ele fez o mesmo.
- Bela saída – comentou, coçando o nariz. Sorri de lado. – Desculpa quase ter te metido em confusão.
- Relaxa – falei, acho que mais pra mim do que pra ele. Eu realmente estava precisando relaxar. Suspirei e olhei em seus olhos , que me analisavam lentamente, com um sorriso mínimo de canto de rosto. – Só vou falar com o e você vai ter sua chance, ok?
- Por mim. – Ele alargou o sorriso e eu tentei fazer o mesmo. – Mas você não precisa terminar qualquer relação com ele pra ficar comigo, . Não se esquece que eu sei o que você sente por ele – ele acrescentou e eu suspirei.
- Eu sei, Pete... É só que eu não sei se vai dar certo... Porque ele é meu melhor amigo. Eu, mesmo gostando dele, às vezes não consigo enxergá-lo de outra forma – confessei e ele colocou a mão no meu rosto.
- Então me deixa te fazer feliz do jeito que você quer – ele murmurou, aproximando seu rosto do meu e me deixando sem fôlego. Ele encostou nossas testas e o máximo que eu consegui fazer foi concordar debilmente com a cabeça. Ele sorriu e acariciou meu rosto, me deixando meio tonta. – Posso?
Ele perguntou e eu abri os olhos. Concordei novamente com a cabeça, voltando a fechar os olhos e sentindo seus lábios tocarem os meus lentamente. Inicialmente foi só um selinho, mas depois nós dois abrimos nossos lábios e começamos um beijo um pouco mais caloroso. Levei minhas mãos aos seus ombros largos e ele me abraçou pela cintura. Peter beijava muito bem, mas eu aprendi a não me deixar levar por caras que beijam bem. Quebramos o beijo e logo após ouvimos o sinal tocar, indicando o fim do recreio. Ele fez uma careta e eu ri, sentindo meu corpo se aliviar um pouco depois dos toques calmos dele.
- Vou esperar ansiosamente por amanhã... Só pra saber o que você falou com o – ele disse e eu sorri de lado, me sentindo meio triste.
- Só não espere demais. Não gosto de magoar as pessoas – falei e ele sorriu.
- Não se preocupe. Eu sei meus limites. – Piscou pra mim assim que as pessoas entraram na sala e eu voltei a me sentar, assim como ele.
off
:
Estar doente é um saco. Eu odeio, de verdade. Faltar na escola é bom, mas considerando todas as coisas ruins, nem vale a pena. Quer que eu diga as coisas ruins?
1. Não ver a .
2. Ver minha mãe entrar de meia em meia hora para me dar um remédio ruim.
3. Não poder fazer absolutamente nada.
4. Não ver a .
É absurdamente chato. Eu só esperava. Esperava minha mãe chegar com o remédio, esperava o cara do rádio anunciar alguma coisa que prestasse, esperava minha crise de tosse passar, esperava o tique-taque irritante do relógio aumentar de velocidade, para a coisa que eu mais esperava chegar mais rápido: quando viria.
Olhei o relógio, ela devia estar saindo da escola agora. Mais alguns minutos... e eu a veria. E aí, não precisaria esperar mais nada.
Esses minutos passaram lentamente, mas finalmente, depois de quatorze minutos, alguém bateu na porta.
- Entra – falei, com a voz rouca. colocou a cabeça para dentro e depois entrou sorrindo.
- Hey, ! – ela falou, se aproximando da cama e me fazendo abrir um sorriso.
- Oi, pequena! – falei e ela riu.
- Sua voz támuito engraçada. – Cruzei os braços e fiz bico, enquanto ela ria mais. – Own, não fica com essa carinha! – ela disse, se inclinando e me beijando a bochecha.
- Tá, assim você acaba com minhas defesas! – falei, resmungando, e ela riu mais, sentando-se ao meu lado.
- O que você tem? – Me contentei em me dar ombros e ela sorriu fraco. Hm, alguém percebeu a mudança de clima? É, parece que tem coisa importante por vir... – , eu... queria te falar uma coisa.
Nessa hora, minha respiração falhou. O jeito que ela falou... parecia que ia se declarar, sem brincadeira! Então, as três palavras. Eu queria ouvi-las, na voz daquela garota, para poder responder, dizendo que eu também. Eu fiquei ansioso, queria ouvir, tinha certeza que ela ia dizer isso.
- Pode falar, pequena – falei, com um sorriso tímido, tentando conter minha ansiedade. Ela suspirou e olhou para as mãos.
- Eu... não sei como... te dizer isso... sei lá. – Viu viu viu? Ela vai dizer, sim, ela vai dizer! Um sorriso começou a surgir no meu rosto, meu coração batia muito rápido.
- Fala logo, , para de enrolar! – resmunguei, conseguindo fingir minha ansiedade. Ela deu um risinho nervoso e mordeu o lábio.
- Hoje na escola... bom, eu falei com o Peter e... – Meu mundo caiu. Não, ela não me amava. A coisa que ela ia falar não era nem sobre mim, era sobre outro cara. O sorriso foi desaparecendo do meu rosto e ela me encarava aflita. – E... bom, a gente... – Calma, , eles não fizeram absolutamente nada, foi só uma conversa amigável... - ...a gente ficou.
Outch. Essa doeu. Bem aqui, foi fundo. Eu fiquei com cara de bunda olhando para ela, enquanto ela me olhava nervosa. Eu não conseguia respirar, era isso. Ela não me amava, ela ia ficar com o Peter. Não acredito nisso. Depois de tudo... depois de tudo... ela vai ficar com ele.
- ? – ela me chamou e eu voltei a focar meus olhos nela. Eu estava morrendo de vontade de chorar. – Tá tudo bem pra você? – Porra, como assim tá tudo bem pra mim? Lógico que não tá, ela é minha melhor amiga, ela é a garota da minha vida e tá com outro!
- Tá sim, pequena. O Peter é um cara legal. – Sou um ator muito foda, fala a verdade. Eu estava explodindo por dentro, e por fora eu o defendo. Perfeito. Ela suspirou.
- Ele... pediu uma chance... se eu e você não fôssemos ficar... juntos – ela disse, com dificuldade, e foi outra facada no meu coração. Então ela poderia ter escolhido entre nós dois? E ela escolheu ele? Eu acho que nunca senti tanta raiva da quanto agora.
- Não sei, pequena. Você é minha melhor amiga, e eu não quero te perder de jeito nenhum – falei, controlando a raiva na minha voz a muito custo. Ela sorriu de lado.
- Eu também não quero te perder, . É por isso que não arrisco nada com você, eu tenho... medo. – Ela fechou os olhos e eu me senti culpado. Eu estava bravo com ela, mas ela não tinha culpa. Ela não sabia que eu sou completamente apaixonado por ela, ela não sabia que doía ver ela falando assim. E ela tinha medo, assim como eu.
- Não se preocupa. Espero que ele te faça feliz – falei, sorrindo. Ela sorriu também e se inclinou, me dando um beijo demorado na bochecha.
- Eu preciso ir pra casa – murmurou. Olhei com carinha de cachorro abandonado para ela. – Desculpa, minha mãe ligou mandando eu voltar cedo.
- Certo. Regra #1: nunca contestar a tia – falei e ela riu.
- Pois é... Melhoras, xuxu, não vou aguentar outro dia sem você lá – falou sorrindo e eu senti um formigamento esquisito.
- Vou tentar – falei e ela me deu outro beijo, saindo logo em seguida.
Me recostei e me pus a pensar. Dessa vez, eu não ia deixar do jeito que estava. Ela tinha o direito de ser minha, ela sempre foi minha. Nenhum babaca vai mudar isso, muito menos o Peter. É uma pena, ele é um cara legal. Mas bem, vamos ver. Hmmm, está com a minha garota, um ponto a menos para ele.
Pensei em vários jeitos. Não podia simplesmente evitar a encontrá-lo, porque ela gostava dele. Deu pra perceber. Mas não podia simplesmente deixá-la com ele. Porque ela é minha. Então... eu vou mostrar pra . Vou mostrar que sou o cara que ela quer, que ela precisa. Não vou abandonar tudo e deixar ela ser feliz com outro. Dessa vez eu vou lutar pela minha garota. E não pretendo perder.
off
:
Saí da casa de com um pouco de pressa. Minha mãe não havia ligado porcaria nenhuma, eu só não aguentava mais o olhar do . O jeito que... ele me olhava... era difícil controlar a vontade de chorar, porque eu poderia estar com ele. Mas eu escolhi o Peter por ser o melhor para nós dois. Três, na verdade.
Andei lentamente até chegar em casa, que não era muito longe, e minha mãe me olhou com cara de interrogação.
- Chegou cedo, filha – ela falou e eu olhei o relógio. No horário de sempre, um pouco mais cedo por não ter enrolado em qualquer lugar.
- Não tinha nada de interessante no caminho hoje – murmurei, largando minhas coisas no sofá e me jogando.
- E ? – ela me perguntou e eu suspirei.
- Tava doente, não foi hoje. – Fiz uma careta.
- E você não foi visitá-lo? – ela me perguntou, sentando-se ao meu lado. Eu adoro os diálogos com a minha mãe, eles são legais!
- Fui, mas... sei lá, tá meio estranho depois de toda essa briga – contei. Ela acariciou meus cabelos levemente e eu suspirei. – Mãe, tá tudo muito confuso!
- O que está confuso, ? – ela perguntou, paciente. Eu respirei fundo.
- Bom, você sabe que o sempre foi meio... corda bamba. – Fiz uma careta da minha expressão e ela riu. – Mas um dia ele me contou que ele não se sentia mais assim, e eu... eu tô gostando dele, mãe – confessei e ela abriu um sorriso enorme.
- Eu sempre disse que vocês iam ficar juntos! – Neguei com a cabeça.
- Mas a gente não vai ficar juntos. – Ela me olhou confusa. – Não dá, mãe, se eu ficar com ele... e a gente brigar... eu não quero perdê-lo! – falei, sentindo as lágrimas voltarem. Elas nunca acabam? Minha mãe suspirou e acariciou meu cabelo novamente.
- Acho bonito isso que você tá fazendo, mas talvez você devesse dar uma chance a ele – minha mãe disse, e meu, ela não entendia! Eu não podia dar essa chance pra ele!
- Mas eu nem sei se ele gosta de mim do mesmo jeito que eu gosto dele! – falei exasperada e ela parou.
- Bom, isso é realmente um problema. – Concordei com a cabeça, aliviada que ela me entendeu. – Então sai com outros garotos, e explica isso pro . – Ela sorriu, como se fosse fácil.
- Então, eu... acho que vou começar a sair com o Peter... Lembra dele? – Ela olhou um tempo para nada, com os olhos desfocados, e teve um estalo. – Então...
- Bom, querida, é você quem sabe. – Ela se levantou e pegou as coisas do trabalho. – Mas se você gosta do , acho que deveria ficar com ele.
Ela me deu um beijo na testa e saiu pro trabalho, me deixando sozinha. Bem, não exatamente sozinha, porque meus pensamentos e dúvidas não me abandonavam nunca.
off
:
Amanheci melhor, graças a Deus. Me aprontei para ir para a escola com uma velocidade e um ânimo incríveis e, em alguns minutos, estava tomando café. Terminei rapidamente e peguei as chaves do carro. É, eu posso ter apenas 17 anos e meio, mas tenho carro, algum problema com isso? Ótimo.
Pensei em passar na casa da , e foi o que eu fiz. Buzinei e ela saiu de casa com um olhar confuso, mas depois seu rosto se iluminou e ela se apoiou na janela.
- Oi, ! – ela me cumprimentou sorrindo e eu sorri também.
- E aí pequena?
- Melhor? – Concordei e ela mordeu o lábio com um sorriso.
- Entra aí – falei, vendo que ela não se movia. Ela riu e entrou, me dando um beijo na bochecha.
- Que milagre foi esse de você vir me buscar? – ela perguntou rindo e eu dei ombros.
- Não posso nem mais vir te buscar e você acha estranho... Temos que passar mais tempo juntos de novo, . – Ela voltou a rir e eu sorri de lado.
- Eu gosto do seu carro, , ele é perfumoso que nem você! – ela falou e eu desatei a rir. Que é, foi engraçado.
- É, eu passo perfume no carro pra ser fodão que nem eu! – falei convencido e ela me deu um tapa ardido na perna. – Outch, pequena! Doeu! – De verdade, tá ardendo! Aposto que vai ficar marca, caraí, ela não sabe controlar a força dela.
- Doeu nada, , foi fraco.
- Aham – falei irônico e ela me deu um pedala muito forte. Sorte que estávamos parados, senão eu batia o carro. – AI CARALHO!
- Viu, isso foi forte – ela falou e eu massageei minha cabeça, trincando os dentes.
- Não precisava mostrar – resmunguei e fiz careta. Porra, foi forte mesmo. Juro que até vi estrelinhas.
Ficamos em silêncio e eu observei que ela mexia nos dedos. Eu conheço a , sei que ela tá arrependida e só não sabe como pedir desculpas, então ela fica quieta. Suspirei.
- Posso por música? – ela pediu tímida e eu concordei. Ela pegou meu porta CDs e eu não vi qual CD ela escolheu, mas ela pulou algumas músicas e em alguns segundos a melodia de Make You Smile invadiu nossos ouvidos. Eu entendi que esse era a forma que ela estava pedindo desculpas. Afinal, ela só queria me fazer sorrir. (n/a: ponham para tocar!)
The last time I saw you, you turned away
A última vez que eu te vi, você se virou
I couldn't see you with the Sun shining in my eyes
Eu não pude ver você com o sol brilhando nos meus olhos
I said "Hello" but you kept on walking
Eu disse "Olá” mas você continuou caminhando
I’m going deaf from the sound of the freeway
Estou ficando surda com o som da avenida
The last time I saw you, you turned away
A última vez que eu vi você, você se virou
I couldn't hear you with your voice ringing in my ears
Eu não pude ouvir com sua voz batendo em meus ouvidos
Do you remember where we used to sleep at night?
Você lembra de onde nós costumávamos dormir à noite?
I couldn't feel you, you’re always so far away
Eu não pude sentir você, você está sempre tão distante
Pensei nessa parte. Talvez, depois de toda essa briga, nós tivéssemos nos afastado. Flashbacks de quando eu era ‘gay’ e nós dormíamos juntos e abraçados passaram em minha mente, e então lembrei que não dormíamos assim há um bom tempo, porque estamos nos distanciando cada vez mais. E eu não posso deixar que isso aconteça. A voz de Mark e da mulherzinha voltou aos nossos ouvidos e eu me concentrei na letra.
The first time I saw you, you turned away
A primeira vez que eu vi você, você se virou
I couldn't see you with the smoke getting in my eyes
Eu não pude ver com a fumaça entrando nos meus olhos
I said "Hello" but you kept on walking
Eu disse "Olá” mas você continuou caminhando
I’m going deaf from the sound of the DJ
Estou ficando surda com o som do DJ
The first time I saw you, you turned away
A primeira vez que eu vi você, você se virou
I couldn't hear with the noise ringing in my ears
Eu não pude ouvir com o barulho roendo nos meus ouvidos
Do you remember where we used to sleep at night?
Você lembra onde nós costumávamos dormir à noite?
I couldn't feel you, you’re always so far away
Eu não pude sentir você, você está sempre distante
I don't, don't wanna take you home
Eu não, não quero te levar para casa
Please don't, don't make me sleep alone
Por favor não, não me faça dormir sozinho
If I could, I'd only want to make you smile
Se eu pudesse, eu apenas gostaria de fazer você sorrir
If you would stay with me a while
Se você pudesse ficar comigo um pouco
Sim, eu não queria levá-la para casa. Eu não queria dormir sozinho de novo. Eu sorri na parte que eles falaram ‘se eu pudesse, eu apenas gostaria de fazer você sorrir’. É, ela tinha conseguido, como sempre. E eu sabia que ela ia ficar comigo. Olhei de relance para ela e ela sorria de canto. Alarguei meu sorriso e eles continuaram a cantar.
The next time I see you, you'll turn away
Na próxima vez que eu ver você, você vai se virar
I'll say "Hello" but you'll keep on walking
Eu direi "Olá” mas você vai continuar caminhando
The next time you see me, I'll turn away
A próxima vez que você me ver, eu vou me virar
Do you remember where we used to sleep at night?
Você lembra de onde costumávamos dormir a noite?
I couldn't feel you, your always too far away
Eu não pude sentir você, você sempre está tão distante
I don't, don't wanna take you home
Eu não, não quero te levar para casa
Please don't, don't make me sleep alone
Por favor não, não me faça dormir sozinho
If I could, I'd only want to make you smile
Se eu pudesse, eu apenas gostaria de fazer você sorrir
If you would stay with me a while
Se você pudesse ficar comigo um pouco
I don't, don't wanna take you home
Eu não, não quero te levar para casa
Please don't, don't make me sleep alone
Por favor não, não me faça dormir sozinho
If I could, I'd only want to make you smile
Se eu pudesse, eu apenas gostaria de fazer você sorrir
If you would stay with me a while
Se você pudesse ficar comigo um pouco
A música acabou no momento em que eu estacionei no pátio da escola. continuava quieta, com um sorriso fraco no rosto, e eu estava começando a ficar nervoso com todo esse silêncio. Mas eu estava sorrindo.
- Essa música sempre me toca de alguma maneira – ela murmurou, ainda sem me olhar, soltando o cinto. Olhei intensamente para ela, mas ela não se virou, apenas pegou sua mochila e saiu do carro, e eu a imitei. Entramos juntos na escola e caminhamos lado a lado, ainda em silêncio. Eu olhava nervosamente para os lados, como se esperasse que Peter aparecesse e tirasse o silêncio estranho que estava entre nós, e ela apenas olhava os pés.
- ... – ouvi sua voz, fraca, e a olhei. Ela havia parado e ainda não me olhava. – Eu tô com medo – ela voltou a murmurar e eu franzi as sobrancelhas.
Segurei sua mão e olhei em volta. Havia um rebuliço de pessoas aproveitando enquanto o sinal não tocava, e eu a puxei. Subimos uma escada, passando despercebidos, e ela apenas me seguiu, ela sabia para onde eu estava levando-a. Depois de mais um ou dois lances de escada, abri a porta do jardim de biologia e nós entramos. Me arrepiei ao lembrar da última vez que estivemos ali, mas afastei as lembranças ruins e me concentrei no presente.
- Medo de que? – perguntei, finalmente, envolvendo seu rosto com minhas duas mãos e fazendo-a olhar para mim. Ela mordeu o lábio e suspirou.
- Medo de como vai ser com o Peter hoje e depois... Mas medo de... – ela parou e respirou fundo, desviando os olhos – de ter estragado tudo com você de novo.
Refleti sobre o que ela disse e dei um beijo rápido em seus lábios.
- Como você poderia ter estragado de novo? – perguntei e ela voltou a suspirar.
- Por causa do tapa... Você ficou realmente magoado com isso – ela falou, com voz triste, e eu sorri de lado.
- Mas eu te conheço, . Eu já te desculpei desde que você colocou Make You Smile. – Ela sorriu, me olhando, e eu encostei nossos narizes. – Eu sei que esse foi seu jeito de pedir desculpas.
- É... – ela falou baixinho e eu voltei a beijar rapidamente seus lábios.
- E quanto ao Peter... Por que está com medo? – perguntei, soltando seu rosto e envolvendo sua cintura. Ela encostou a cabeça no meu peito e suspirou.
- Não sei o que falar pra ele.
- Palavras, que tal? – falei sorrindo e ela mordeu levemente meu ombro. – Outch! O que é, o que mais você poderia falar pra ele? – Ela riu e me olhou.
- Se eu soubesse, não tinha perguntado! – Eu ri e ela sorriu mais. – É sério, .
- Ah, sei lá. Fala que vocês vão ficar juntos, ora. Não é o que você quer? – Por favor, responda não, por favor responda não, por favor responda não. Ela suspirou e mordeu o lábio.
- É... – ela falou vagamente. Suspirei e segurei sua mão.
- Vai dar tudo certo, pequena. – Sorri de lado e ela me acompanhou. – Vem, é melhor a gente ir pra aula.
Ela concordou e descemos as escadas correndo.
off
Capítulo 10.
e chegaram ao corredor e se separaram, correndo para chegar em suas salas a tempo.
:
Entrei na sala e Peter estava sentado mais ao fundo. O professor tinha se atrasado, então a classe estava uma zona, e ninguém reparou minha entrada. Só Peter.
- Hey – ele disse sorrindo, e eu sorri de volta. Dava para perceber a ansiedade dele.
- Oi! – o cumprimentei, beijando sua bochecha. Sentei-me ao seu lado e ele mordeu o lábio.
- Desculpa a curiosidade e a ansiedade, mas você falou com o ? – ele perguntou, e percebi que ele não estava aguentando mesmo. Sorri fraco e me levantei. Ele fez o mesmo.
- Bom, eu... – Nesse momento o professor entrou na sala e todos se sentaram rapidamente.
- Sentem-se e abram o livro na página 316 – ele anunciou, e eu suspirei, lançando um olhar para Peter.
Acho que ele entendeu que eu tentei falar ‘mais tarde’. Conversa não-verbal funciona melhor com o .
off
:
Entrei na sala e me sentei ao fundo, História não é realmente o meu forte. Eu não pretendia prestar atenção na aula de jeito nenhum, preferi ficar refletindo sobre as coisas recentes que aconteceram. É, recentes subentende-se à “briga” que eu tive agora há pouco com a , no carro. Mas pulando para outra parte, a parte que ela estava com medo.
Ela estava com medo de ter estragado tudo comigo. Isso a gente resolveu. Mas e a parte do Peter? Ela ia falar com ele, para eles ficarem juntos? Ela ia dizer que tava tudo bem e eles iam começar a namorar, sei lá?
A professora entrou na sala e nos cumprimentou, eu só murmurei qualquer coisa, estava perdido em pensamentos. Ela começou a dar matéria, alguma coisa sobre Mesopotâmia ou algo do gênero, e eu não estava nem aí.
Respirei fundo e esfreguei meus olhos. Eu estava cansado, depois de tudo isso. Eu só queria que tudo voltasse a ser como era quando eu conheci a .
- ! Venha cá! – minha mãe me chamou e eu fui em direção a ela.
- Sim?
- A está vindo para cá, comporte-se! – ela me avisou. Cara, que merda! Eu odeio aquela garota, ela é demoníaca!
- Mas mãe... – tentei retrucar e ela apontou o dedo ameaçadoramente para mim.
- Nada de mas, . Seja um bom menino, está certo?
- Mas por que ela tem que vir para cá? – perguntei, fazendo bico. – Ela não tem casa?
- Porque a mãe dela e eu vamos resolver uns assuntos, e ela está vindo para te fazer companhia na neve. – Ah, claro, como se eu precisasse de companhia.
Bufei e, quando ia retrucar, a campainha tocou.
- Ah, veja, devem ser elas! – minha mãe disse toda empolgada e eu revirei os olhos, fazendo uma careta. – Oh , como você está bonitinha!
Eu olhei para a garota e ela estava bonitinha, verdade. Porque as bonitinhas são as feias arrumadinhas, HAHA.
- Oi, . – Como ela sabe meu sobrenome? Fechei a cara e enfiei as mãos nos bolsos do grande casaco de neve que eu usava.
- Oi, – falei, queria saber o sobrenome dela também para me vingar.
Algum tempo depois, estávamos sentados no quintal da minha casa, que estava coberto de neve. Peguei um pouco de neve com a mão e comecei a rodar na mão, fazendo uma bolinha. Estávamos em silêncio, ela é toda esquisita. Ela soltou um suspiro e tirou a toca ridícula daquele passarinho amarelo cabeçudo que eu não lembro o nome e eu sorri maleficamente. Misturei lama à minha bola de neve e taquei em sua cara, pegou em cheio! Dei risada enquanto ela limpava o rosto e ela olhou para mim com aqueles olhos grandes e , que estavam se enchendo de lágrimas. Reparei que ela ficou mais bonita com o rosto sujo, garotas parecem mais normais assim.
Ela se levantou e eu sorri maleficamente, aposto que ia ‘contar para a mamãe’. Mas não, ela simplesmente sentou-se sozinha do outro lado do quintal. Encarei-a boquiaberto. Por que as garotas têm que ser mais evoluídas que os meninos e tão chatas?
Suspirei e me levantei, indo até ela.
- Desculpa – eu disse, me sentando ao seu lado. Ela riu pelo nariz, virando o rosto.
- Como se você realmente se importasse – ela falou e eu trinquei o maxilar.
- Não me importo, mas eu não queria fazer você chorar – falei e percebi um sorriso pequeno surgir no canto de seus lábios rosados.
- E o que você esperava? – ela falou, irônica, me olhando e eu dei ombros.
- Sei lá. Talvez que você revidasse. – Nesse momento, uma bola de neve me acertou em cheio na cara, e eu cuspi neve e grama, enquanto ria.
- Satisfeito? – ela perguntou, rindo, e eu fiz bico, rindo também.
Peguei uma bola de neve e começamos a fazer guerra. É exatamente assim que se começa uma amizade duradoura. Num inverno gelado e delicioso.
- ! – a voz da professora invadiu meus ouvidos e eu pulei assustado. Minha cabeça rodou e minha visão estava meio embaçada. Eu esfreguei os olhos. Eu nem sabia que tinha dormido.
- Sim, senhora – falei e algumas pessoas abafaram o riso.
- Pode me dizer o que eu estava explicando? – ela perguntou, cruzando os braços e eu cocei a cabeça.
- Erm... Não, senhora – falei e ela suspirou.
- Você sabe que eu odeio ser má, , porém isso passou dos limites – ela dizia e escrevia num papel. Engoli em seco e ela suspirou, colocando um ponto final. – Leve isso para o diretor. Te vejo de tarde.
Levantei com esforço e me dirigi pesadamente até ela, pegando o papel e saindo cabisbaixo da sala. Detenção significava uma tarde perdida da minha vida.
Que ótimo.
off
:
O sinal tocou e novamente eu esperei todos saírem, para falar com Peter. Assim que só restávamos nós dois na sala, ele se levantou e eu fiz o mesmo.
- Eu estava quase desmaiando de ansiedade aqui – ele disse com uma careta e eu ri. Ele se aproximou e segurou minhas mãos, mordendo o lábio.
- Bom, como eu disse... Eu falei com o e... – respirei fundo. – Bom, eu e ele não vamos ficar juntos, o que significa que você pode ter sua chance – falei com um sorriso e ele rolou os olhos, segurando meu rosto com uma mão, me olhando profundamente com aqueles olhos .
- , você tem certeza disso? E não é só porque você não vai ficar com ele que você precisa ficar comigo, se você não quiser e... – Eu coloquei o indicador nos lábios dele e ele parou de falar.
- Pete, eu gosto de você. De verdade – falei e um sorriso começou a surgir no rosto dele. – Você me ajudou quando eu mais precisava de alguém, e não estava lá – terminei de falar e ele abriu um sorriso ainda maior. Tirei meu dedo de seus lábios e ele se inclinou, colando-os aos meus.
Nos beijávamos lentamente, e ele manteve suas mãos em minha cintura, acariciando lentamente, enquanto eu apoiei minhas mãos em seus ombros largos. Quebramos o beijo e suspiramos, ambos com sorrisos no rosto.
- Prometo que você não vai se desapontar – ele sussurrou, acariciando meu nariz com o dele.
- Eu também – completei e ele sorriu mais, me dando um selinho demorado.
Passamos o intervalo todo nos agarrando e, hm, bem, foi bom. Muito bom.
off
:
O sinal tocou anunciando o fim das aulas e eu suspirei. Os alunos saíam todos felizes e animados, eles iam para suas casas, passar a tarde fazendo o que queriam. Já eu, ia ficar aqui na escola, fazer o quê?
Em meio à maré de gente, procurei minha pequena com os olhos. Encontrei-a vindo em minha direção, porém sem me ver. Ela conversava com o Peter e eu senti uma coisa esquisita, porque ela não tinha reparado em mim até Peter me olhar e cutucá-la.
off
:
Eu conversava animadamente com o Peter, até que ele me cutucou com um meio sorriso.
- , acho que o quer falar contigo – ele disse apontando e eu olhei para , que arqueou as sobrancelhas. Sorri exageradamente e pedi pro Peter me esperar um pouco, indo saltitante e feliz em direção ao meu melhor amigo.
- Ooooi! – falei toda animada, tentando disfarçar, e ele sorriu, ainda com as sobrancelhas arqueadas.
- Bonito, né? Nem me viu... – Ele fez joinha com a mão e eu ri, corando e escondendo meu rosto com as mãos.
- Ah, você me conhece, – falei e ele riu, colocando uma mecha do meu cabelo para trás da orelha.
- É, conheço, por isso que te dou um desconto. – Voltamos a rir e eu mordi meu lábio.
- E então, o que houve?
- Ah, eu preciso que você informe as autoridades que eu vou permanecer nos meus aposentos de estudo durante o período da tarde – ele falou e eu arqueei as sobrancelhas.
- Como é que é? – falei e ele gargalhou.
- Avisa minha mãe que eu peguei detenção – ele explicou e eu ri alto.
- Ah tá, tudo bem – falei sorrindo e ele sorriu também. – O que você fez?
- Dormi na aula da Isabel. – Ele fez uma careta e eu rolei os olhos. – Como se fosse uma coisa anormal.
Eu ri e arrumei meu cabelo, olhando para ele.
- Tá, eu aviso a sua mãe – falei e ele sorriu, beijando minha bochecha.
- Vai lá com o Peter, antes que ele me bata por estar tanto tempo com você – ele disse sorrindo tranquilo e eu sorri fraco, retribuindo o beijo na bochecha.
- Ele que venha tentar. Você é meu melhor amigo, eu não vou te evitar só porque estou namorando um cara. – Ele sorriu, mas me olhou confuso.
- Vocês estão namorando? – ele perguntou e eu juntei a ponta dos dedos, sorrindo culpada.
- Na verdade, ainda não, foi só expressão – falei e ele riu.
- Certo. – Ele olhou o horário e fez uma careta. – Preciso ir, pequena, não vou te prender mais aqui também.
- Tá bom, , boa... detenção? – falei, duvidando, e ele riu.
- Nunca é bom, mas... fazemos o possível. – Ele sorriu conformado e eu ri, acenando e me afastando dele.
Voltei para o lado de Peter e fomos andando para casa juntos.
off
:
Eu já estava em casa, graças a Deus. Não aguentava mais isso. Detenção de História é uma das piores coisas que existem. Eu estava ouvindo The Click Five e olhando o meu teto, muito interessante, mesmo. Eu gosto de Click Five, embora desde que a ficou com o Kyle eu tenha raiva do vocalista. Eu sei que não faz sentido, mas não me traz lembranças boas, então eu prefiro me concentrar só na voz dele e na letra. Acabou The Reason Why e a música que eu mais acho que combina comigo e com a começou. All I Need Is You. É, tipo, perfeita demais. Só o começo já mostra tudo.
You're scared (você está assustada)
It shows (dá pra perceber)
Been there (estive lá)
You're not prepared to be in love with me (você não está preparada para me amar)
So soon (tão cedo)
Cause you've been through enough to have (Porque você passou por bastante para ter)
Something hold you back (Alguma coisa a te segurar de volta)
Viu? Ela está assustada, porque não está preparada para me amar. Ela passou por muitos caras que a maltrataram, a fizeram sofrer, para ter alguma coisa que a segurasse apenas com um cara. No caso, eu. É, me ferrei.
We don’t need to go that far (nós não precisamos ir tão longe)
Let’s hold on to where we are (vamos esperar onde nós estamos)
If it’s real, we’ll make it through, (se é real, vamos passar por isso)
‘Cause all I need is you (Porque tudo o que eu preciso é você)
Exatamente, Kyle! Droga, falei o nome, anyway. A gente não precisa ir tão longe agora, a gente pode ficar onde nós estamos, porque se é real, nós vamos fazer através disso, porque tudo o que eu preciso é ela. Uau.
A música continuou a tocar, mas o refrão é parte que eu mais gosto, porque é a que mais combina.
We don’t need to go that far (nós não precisamos ir tão longe)
Let’s hold on to where we are (vamos esperar onde nós estamos)
If it’s real, we’ll make it through, (se é real, vamos passar por isso)
‘Cause all I need is you (Porque tudo o que eu preciso é você)
We don’t need the world by now (não precisamos do mundo agora)
We got time to work it out (temos tempo para planejar isso)
Hold on tight, I’ll hold on too (aguente firme, eu aguentarei também)
‘Cause all I need is you (Porque tudo que eu preciso é você)
Click Five me entende mesmo! Fiquei refletindo sobre a música e sobre o nosso relacionamento. Eu não quero mais só isso. Eu quero mais. Isso é um dos defeitos do ser humano, querer mais do que tem. Mas, ao contrario de muitos, eu quero algo, ou melhor, alguém, que pertence a mim por direito. Eu tenho que ser o cara que vai fazer a feliz, que ela vai acordar ao lado, vai sorrir, beijar a bochecha e dizer ‘bom dia, amor’.
Então eu tive uma ideia. Ridícula, patética, mas uma ideia. Que talvez funcionasse.
off
:
Eu estava no meu quarto, lendo pela milionésima vez Percy Jackson e o Ladrão de Raios (só porque eu tenho uma paixão platônica pelo Luke, por causa do ator que faz ele no filme. Amo o Jake Abel, prontofalei), quando minha mãe bateu na porta do quarto.
- Entra – falei, deixando o livro de lado.
Quando ela abriu a porta, a única coisa que eu consegui enxergar foi o enorme buquê e suas pernas. Arregalei os olhos e abri a boca, enquanto minha mãe depositava aquele jardim no meio do meu quarto.
- Isso... chegou para você agora – ela disse, coçando a cabeça. Eu concordei atônita com a cabeça e ela saiu do quarto, me deixando com o mundo dos Minimoys. Ajoelhei ao lado do buquê e observei suas flores. Rosas vermelhas, enormes. Contei-as e havia 11. Um pouco fora do comum, normalmente são doze. Mas então reparei um pequeno dente-de-leão colocado estrategicamente no meio delas. Sorri fraco com isso, dente-de-leão é a flor mais perfeita que existe. Vi um papel branco e estiquei meu braço para pegá-lo. Estava impresso, e eu li o que continha.
Descobri que dente-de-leão é a sua flor favorita. Espero que goste do arranjo, é especialmente para você. Se você quiser levar para o lado significativo, é para mostrar que talvez as mais simples, no meio de todas as outras, são as melhores.
Xx seu admirador secreto
Fiquei boba com o recadinho e sorri de lado. Admirador secreto? Fora de moda, mas ainda assim fofo.
Nessa noite eu fui dormir ainda olhando o recado e as flores. Obviamente não consegui dormir, imaginando quem seria o meu ‘admirador secreto’.
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Acordei e a primeira coisa que pensei foi nas flores de ontem. Foi ridículo dar uma de admirador secreto, mas espero que ela tenha gostado. Eu sempre soube que a flor favorita dela é dente-de-leão, ela tem uma admiração pelas sementinhas voando desde pequena.
Me arrumei e peguei as chaves do carro. Mas dessa vez eu não ia buscá-la em sua casa, eu ia direto para a escola.
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Eu estava saindo de casa para ir para a escola quando reparei uma coisa gostosa parada encostada num carro muito legal. É, Peter, me surpreendeu.
- Hey! – falei, meio espantada por ele ter vindo me buscar.
- Oi! Espero que não se importe se eu te der uma carona – ele disse, me cumprimentando com um selinho. Ain, ele tá todo fofo com esse casaco de frio e esse cachecol.
- Não me importo – falei sorrindo e ele abriu a porta do carro pra mim, com um sorriso. Se ele não tirar esse sorriso do rosto, vai ter que lidar com as consequências.
- A propósito, obrigada pelas flores – falei, sem pensar. Ele olhou pra mim com o cenho franzido e eu corei.
- Que flores? – É, não foi ele. Então quem foi?
- Aaah abafa, não era pra você que eu tinha que agradecer. – Fiz uma careta e ele riu, me olhando.
- Mas te mandaram flores? – ele perguntou desconfiado e eu sorri forçadamente.
- Ah é... quem foi...? ‘Pera... Ah sim, meu primo! É que eu esqueci quem foi, sabe, ele me mandou meio atrasado porque eu passei um tempo no hospital, aí ele esqueceu e mandou agora, sabe, besteirinha. – Melhor eu calar a boca, antes que piore. Ele riu e balançou a cabeça. Entramos no carro e ele deu a partida. No começo ficamos em silêncio, e eu odeio silêncio.
- Posso por música, Pete? – pedi e ele sorriu pra mim.
- Lógico que pode, . – Sorri e ele me estendeu o porta CDs. Dei uma olhada e meus olhos brilharam quando eu vi. Coloquei rapidamente e pulei para a música que eu mais gostava.
Comecei a cantarolar e Pete arqueou as sobrancelhas.
- Não sabia que você gostava de Bon Jovi – ele disse com um sorriso brincando nos lábios.
- Ah, eu adoro essa música... É a que eu mais ouço – falei, me referindo a It’s My Life. – Quando tocou no Glee, eu simplesmente adorei, o mash-up ficou muito bom.
- Também gostei – ele disse e a música acabou. Continuei olhando seus CDs e meus olhos brilharam novamente.
- Ain Pete, já apaixonei só pelo seu gosto musical! – falei, trocando o CD e colocando Brand New Eyes dessa vez.
- Bom saber. – Ele piscou e eu ri.
- Eu adoro Paramore, embora eu ache que Riot! ficou melhor que esse – comentei, cantarolando Careful.
- Eu gosto bastante desse, mas Riot! é imbatível, Misery Business é a melhor música deles – ele disse e eu dei ombros.
- É muito boa, mas não digo que é a melhor, porque é difícil escolher. Tem várias ótimas – comentei, olhando para fora.
- É, isso é verdade – ele disse sorrindo. Voltei a olhá-lo e ele alargou o sorriso, segurando minha mão.
Eu gosto bastante de discutir música com as pessoas, é algo legal. E se é alguém que eu gosto, é bom saber o gosto musical dele. E tipo, já adorei o Pete.
Chegamos na escola e eu soltei um suspiro. Ele esticou a mão e acariciou meu rosto, me fazendo sorrir fraco com o carinho. Ele sorriu também e se inclinou, me dando um selinho. Deixei que ele se aproximasse e sorri quando seus lábios encostaram nos meus. Ele sorriu também e aprofundou o beijo. Eu deixei novamente, afinal, é meu sonho se amassar num carro com o namorado. Mesmo que ele não seja meu namorado, whatever.
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Cheguei na escola e vi o carro de Peter. Será que ele trouxe a ? A resposta da minha pergunta estava bem óbvia, porque eles estavam se amassando lá dentro, eu só percebi quando me aproximei um pouco. Soltei um suspiro e uma dor lá dentro me incomodou.
Entrei no prédio da escola e cumprimentei a professora Isabel com um sorriso. Ela sorriu de volta. Ela é legal, eu gosto dela. Continuei andando e quando eu vi estava na frente do laboratório. Aquela área da escola estava meio vazia, então eu olhei para os lados e entrei lá.
Eu gosto de cabular aulas, e daí?
off
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Entrei no prédio e procurei . Peter havia ido para sua aula e eu tentava lembrar qual seria a minha agora. Eu sabia que era com . Ah, sim, Biologia. Me dirigi até a sala, mas o professor não estava lá. Nem . Mas eu havia visto seu carro, então ele estava aqui. Pensei um pouco e lembrei. Só havia dois lugares que ele poderia estar.
Decidi ir primeiro ao laboratório, e dei sorte, porque assim que entrei, o avistei sentado no sofázinho, com as coisas jogadas ao chão.
- Hey! – falei, fechando a porta atrás de mim e sorrindo para ele. Ele sorriu de volta e se espreguiçou.
- Oi, pequena – ele disse, parecia cansado.
- Tudo bem? – perguntei, meio preocupada, e ele sorriu pra mim.
- Tudo sim, só tava com preguiça de ir pra aula – ele explicou e eu deixei minhas coisas perto das dele e me joguei ao seu lado.
- Te faço companhia, então – falei e ele riu, me abraçando pelo ombro. Encostei minha cabeça em seu peito e soltei um suspiro. Ele começou a acariciar meu cabelo lentamente e eu encarava o chão.
- Por que a gente tá assim? – ele perguntou do nada, baixinho. Levantei minha cabeça e olhei em seus olhos.
- Assim como? – perguntei, confusa. Ele soltou um suspiro e acariciou meu rosto de leve.
- Sei lá... A gente, depois dessa briga... não se trata da mesma maneira, está esquisito – ele falou e eu suspirei.
- É, eu acho isso também... – falei, mordendo meu lábio e desviando meus olhos dos dele.
- Por que a gente não muda isso? As coisas podiam ser do jeito que eram antes, ... – ele disse e eu me ajeitei, ficando no colo dele. Olhei para ele.
- Você lembra como era? – murmurei e ele sorriu fraco.
- Lógico que lembro. Como é que eu posso me esquecer? – Eu dei um sorriso de lado e dei-lhe um selinho rápido.
- Não sei... Não sei se eu esqueceria também, tenho... medo disso – confessei e ele beijou minha testa.
- Não vou deixar você se esquecer, não se preocupe – ele disse e eu sorri agradecida para ele.
- Obrigada, – falei e ele me beijou demoradamente na bochecha. – Você lembra quando a gente se conheceu? – perguntei divertida e ele riu.
- Eu lembrei disso ontem, quando dormi na aula da Isabel – ele disse rindo e eu ri também.
- Você era malvado! – eu falei e ele riu de novo. – Eu tinha um tombo por você e você me ignorava, me maltratava! – falei e ele arregalou os olhos, gargalhando.
- Você tinha um tombo por mim? – ele perguntou com cara de bobo e rindo e eu corei. Bom, ainda tenho esse tombo, que já virou uma queda livre, mas ele não precisa saber dos detalhes.
- Tinha – falei e ele voltou a rir.
- Ah, eu te achava uma pentelha – ele contou e eu fiquei boquiaberta, rindo.
- Não acredito! – falei e ele voltou a rir, ele estava quase chorando. – Valeu.
- Ah pequena, você sabe que agora eu te amo – ele disse sorrindo lindamente e eu corei, dando um selinho nele.
- Ainda bem, né? Se eu continuasse sendo uma pentelha, como é que eu ia ficar sem você? – perguntei e ele riu.
Nos acalmamos e eu voltei a me encostar nele. Voltamos a ficar em silêncio e ele voltou a acariciar minhas costas. Afastei meu rosto do peito dele e encarei seus olhos demoradamente, enquanto ele me observava de volta. Aquela vontade de beijá-lo se apoderou de mim novamente e eu lancei um olhar aos seus lábios, sem conseguir me conter. Ele fez o mesmo e eu percebi ele engolindo em seco. De repente, ele se levantou, comigo no colo e eu assustei.
- Que isso? – perguntei e ele sorriu de lado, me colocando no chão.
- Vem comigo – ele disse, pegando nossas coisas e esticando sua mão para mim. Segurei-a sem hesitar, eu confio no . Ele sorriu fraco e me deu um selinho, logo depois me puxando. Andamos rapidamente pelo corredor e ele virou uma esquininha, subindo as escadas. Sorri comigo mesma ao entender onde ele estava me levando, e após alguns poucos minutos estávamos no jardim de Biologia.
Ele largou nossas coisas no chão e me puxou para um banco grande que havia ali. Eu acho que daria para deitarmos ali, de tão comprido. Nos sentamos e eu voltei a me apoiar nele.
- Por que a gente saiu de lá? – perguntei e ele olhou para mim com um sorriso de canto. Super sedutor.
- Ia ter aula lá agora. Aqui não tem nenhuma até o fim do dia – ele explicou e fiz cara de que tinha entendido. Na verdade, isso não me importava mais.
Eu estava novamente encarando seus olhos e senti os pêlos do meu corpo arrepiarem ao ver a intensidade que ele me olhava. Senti algo queimar por dentro e engoli em seco. não focava seus olhos em parte nenhuma do meu rosto, seus olhos estavam inquietos, e passavam dos meus olhos para meus lábios direto. Senti minha respiração falhar quando suas íris se aproximaram das minhas e fechei os olhos quando ele encostou a testa na minha, deixando meus outros sentidos explorarem aquela sensação. Sua respiração batia em minha boca e me desconcertava, enquanto eu tentava respirar direito.
Seus lábios tocaram os meus lentamente e eu senti ele hesitar, antes de pressioná-los levemente contra os meus. Apenas esse toque me deixou zonza e eu precisava urgentemente de ar, mas deixei para depois. Tinha coisa mais importante acontecendo. Sua língua invadiu minha boca sem nem ao menos pedir permissão, mas eu não me importei, retribuindo com vontade. Nossas línguas se acariciavam como se fossem velhas amigas, e seus braços se fecharam em minha volta num abraço firme e carinhoso, enquanto seus lábios se moviam em sincronia com os meus. Passei minhas mãos por seu tórax e me arrepiei ao sentir os relevos do físico perfeito dele. Ele aprofundou o beijo depois disso. Estávamos quase nos engolindo, tamanha era nossa vontade e excitação. Ele estava inclinado sobre mim, quase me deitando no banco. No momento em que pensei isso, ele me ajeitou em cima do banco, me deitando e ficando por cima. Eu sempre disse que nossas mentes tinham uma comunicação. E ainda bem que o banco é grande.
Levei minhas mãos ao seu cabelo e o acariciei, puxando delicada e lentamente. Ele colocou as mãos na minha cintura, sem parar de me beijar, e logo depois invadiu por baixo da minha blusa. Arrepios percorreram meu corpo no momento que seus dedos gelados tocaram minha pele e minha barriga se contraiu involuntariamente, fazendo-o sorrir e acelerar o beijo. Minhas mãos se fecharam em seus cabelos e ele se ajeitou novamente, ficando entre minhas pernas. Eu pude sentir que ele estava excitado, e esse fato me estimulou a continuar, mesmo sem que eu soubesse. Cruzei as pernas em sua cintura e levei minhas mãos até suas costas, arranhando-o levemente, consequentemente tendo meus lábios esmagados pelos dele. Um gemido torturado saiu do fundo de sua garganta, o que o fez acelerar o beijo ainda mais. Ele moveu seus quadris (ou sua ereção, como preferir) involuntariamente contra meu sexo e eu me arrepiei, sentindo a minha respiração e a dele falhar pavorosamente. Sua mão se dirigiu até meu bumbum e ele apertou com vontade, fazendo minha respiração falhar.
Quebramos o beijo, totalmente ofegantes, e ele escondeu seu rosto na curva do meu pescoço, beijando e mordiscando ali com vontade, me fazendo fechar os olhos com força e arranhá-lo mais forte. Minha blusa estava levantada até acima do umbigo, e ele estava praticamente sem a dele, com as costas toda arranhada. Ele se desviou do meu pescoço e voltou a me beijar nos lábios, mas de uma forma mais calma dessa vez. Quebrou o beijo e abriu os olhos, me olhando com um olhar malicioso, mas de certa forma controlado.
- Eu não pretendo fazer sexo com você agora, – ele soprou e eu ri fraco. – Talvez quando a gente casar... – ele murmurou e eu voltei a rir. Eu tinha esquecido que a gente ia se casar e ter filhos.
- E eu não tenho a menor tesão de fazer sexo na escola – falei sorrindo e ele riu fraco. – Se bem que estudar aqui nunca seria a mesma coisa.
- Verdade – ele disse, me beijando calmamente de novo. Quebrou o beijo com vários selinhos e me encarou.
Continuei encarando seus olhos, mas ele estava começando a ficar pesado, e eu me ajeitei embaixo dele. Ele fechou os olhos e eu parei ao ver sua expressão de dor.
- Acho melhor você ficar quietinha, ... Aqui está um pouco complicado – ele disse e eu demorei a entender.
- Ah! – finalmente entendi e ele sorriu fraco pra mim. Mordi meu lábio. – Certo.
Ficamos em silêncio, ele ainda em cima de mim, mas não deixando todo seu peso me esmagar (não que ele seja gordo, mas ser gostoso tem suas consequências). Um tempão depois ele soltou um suspiro e se levantou, depois esticando os braços e me ajudando a levantar. É, eu ia precisar mesmo, porque...
- Minhas pernas estão tremendo – contei esse fato a ele e ele riu baixinho, me abraçando e me trazendo mais perto de si. Meus lábios involuntariamente procuraram os seus e nos beijamos novamente, de uma forma mais calma. Quebramos o beijo novamente e ficamos com sorrisos idiotas no rosto.
- E agora? – perguntei baixinho, mordendo meu lábio inferior, que devia estar vermelho.
- Acho que a gente podia tentar entrar em alguma aula... – ele falou baixinho, passando seu nariz na minha bochecha. Não era exatamente isso que eu queria saber, mas como ele estava fazendo aquele carinho, minha atenção foi desviada para isso e para as carícias que ele fazia na minha cintura, por baixo da minha blusa.
- É... – foi tudo o que consegui responder. Patético.
- Vem, vamos – ele disse, e com um último beijo, me puxou escada abaixo, enquanto eu tentava assimilar.
Eu tinha acabado de me amassar com meu melhor amigo. E tinha adorado.
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Capítulo 11.
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Entrei na sala com as pernas tremendo e tratei de me sentar logo. Meu corpo todo estava acelerado, a adrenalina percorria ele numa sensação gratificante.
Eu tinha acabado de me amassar com a . Se eu não tivesse aquela maldita vozinha na minha cabeça (oi, consciência, brigado por me lembrar que você existe! Não.), nós teríamos feito sexo em pleno jardim de Biologia, num banco. Mas vamos deixar para momentos mais apropriados, afinal, esse é o plano, certo?
Errado. O plano era conquistá-la aos poucos, não sair me amassando com ela por todos os lugares. Mas se quiser saber, esse plano B me parece muito mais atraente. Ah, cale-se, , foco, vamos lá.
Eu não ia conseguir prestar atenção na aula de jeito nenhum, mas eu tinha que me distrair dos últimos acontecimentos, antes que eu tivesse que ir ao banheiro segurando entre as pernas. Só de pensar que ela correspondeu com tanta vontade quanto eu estava, e que ainda por cima só me estimulava... Bem, isso salvou meu dia! Nem tudo está perdido, afinal. E quando nos levantamos, eu dei a mão a ela e ela me beijou voluntariamente... E suas mãos passando pelo meu corpo, me arrepiando a cada toque...
Me levantei apressado e o professor me olhou.
- Banheiro – murmurei e saí correndo, sem saber se ele tinha concordado ou não.
off
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Entrei na sala com a cabeça nos ares. Eu ainda não tinha entendido. Sim, sou lerda. Poxa, eu e acabamos de nos amassar! E foi, hm, como posso dizer? MUITO BOOOOOOOM! Sério, ele foi o melhor de tooooodos eles. HA, sinta-se , você é o melhor do meu hanking, beijo.
Ai cara***! O Peter! Ain meu santo Apolo, disfarça, disfarça, disfarça, vamos lá.
- Oi! – eu disse, sentando-me ao seu lado. Ele me deu um selinho e abriu um sorriso enorme e lindo, igual ao chifre que ele vai começar a levar pra passear agora.
- Hey, pequena. – Ui, me arrepiei, só o me chama de pequena. Hmm, ... – ?
- Oi? – , seja gente uma vez na vida e converse normalmente com ele, não dá bandeira vai. Faz favor, não me envergonhe. Sim, eu dou ordens para mim mesma, se importa?
- ‘Cê ta legal? – ele perguntou preocupado e eu cocei o nariz.
- Não muito. – Franzi as sobrancelhas. Eu tinha que me concentrar no Pete. Qual é, por mais que o amasso com o tenha sido perfeito, eu decidi não ficar com ele. Então tenho que me concentrar em quem eu escolhi e esquecer essa manhã.
- Hmm, quer que eu avise o professor ou...? – ele sugeriu e eu sorri, negando com a cabeça.
- Não precisa se preocupar, já vai passar – falei sorrindo e olhei para fora da sala. Eu tenho mania de ficar vendo a porta aberta, é legal ver quem passa.
AAH MINHA SANTA! Sabem a frase que eu acabei de dizer? “Não precisa se preocupar, já vai passar”? Pois é, não precisei me preocupar mesmo, o acabou de passar apressado ali. Onde será que ele tava indo?
Que coisa feia, a gente entra na metade da segunda aula e ele ainda sai pra vagabundear. Mas não tem jeito mesmo, esse tá perdido.
Peter me passou um bilhete e eu li.
“Minha casa, amanhã?”
Engoli em seco. O que exatamente iríamos fazer na casa dele, sábado?
Fazer o quê? – perguntei, devolvendo o bilhete e esperando.
Suruba :B ~nn – Há, que bonito. Sou uma moça de família hein? HAHAHA Sei.
Uis, tô dentro o/. Noops =X Fala sério – insisti.
Sei lá. Assistir um filme, só nós dois. Passar um tempo juntos =D
Own que lindo. Rabisquei um OK, e mandei de volta, colocando a cabeça no futuro. Como será que ia ser sábado? Só que logo o futuro não pareceu tão interessante quanto o passado, porque o acabou de passar ali de novo e olhou para mim. Trazendo umas boas e recentes lembranças.
off
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Última aula do dia! Finalmente, eu tô louco pra ir pra casa e jogar um pouco de SWAT. Atirar em algumas pessoas, mesmo que virtuais, vai me fazer bem. Entrei na classe de Inglês e olhei para o lugar onde eu costumo sentar. Engoli em seco. Eu tinha esquecido totalmente que minha aula de Inglês era com a . Fui me aproximando dela devagar, e percebi que ela ainda não havia me notado, porque estava conversando virada para trás. Olhei com quem ela estava falando e estaquei. Peter.
Que beleza, todos os palhaços estão presentes. Que o circo pegue fogo, então.
- Hey gente – falei, sorrindo amarelo e me sentando perto deles. Peter sorriu pra mim e me deu um olhar nervoso, algo me diz que ela também não se esqueceu de mais cedo.
- Beleza, ? – Peter perguntou e eu concordei com a cabeça.
Ele é um cara legal, pena que está com a garota que eu amo. E isso significa um ponto a menos para ele, yeah.
- Sobre o que falavam? – perguntei, querendo me integrar e tornar as coisas naturais. Ou o mais natural possível.
- Sobre a Terra do Nunca – foi que me respondeu e eu e Peter rolamos os olhos.
- De novo? – perguntei, arqueando uma sobrancelha e ela corou.
- Ah, então ela já te encheu sobre isso? – Peter perguntou, fingindo que excluía a , que ficou com uma tromba enorme.
- Você não faz nem ideia – falei rindo e ela deu um pedala em nós dois. Violenta.
- Parem com isso, a Terra do Nunca é perfeita, tá?
- Se existisse – eu falei dando ombros e ela me deu outro pedala. Alguém por acaso colou nas minhas costas um aviso de ‘Me Bata’?
- Ah, é sim! Já pensou que tudo morar lá? – ela imaginou com os olhos brilhantes e eu e Peter trocamos um olhar. – Quando eu crescer, eu vou morar lá! – ela disse levantando o braço e nós rimos.
Peter segurou uma mão dela e acariciou, vou ignorar isso. Ok, mentira, é bom que ele ignore o olhar que eu lancei, né, ia ser esquisito. Nem quis decepar a mão dele fora agora, mas tudo bem. Controle-se, , pense na SWAT depois da aula, SWAT depois da aula...
- Mas, ... – ele começou e ela prestou atenção nele. – Se você crescesse, você não poderia ir para lá. E se você só vai pra lá quando crescer... Sinto muito – ele disse e eu e paramos um pouco para refletir.
Sinceramente? O cara é bom. Droga. Eu não conseguiria pensar numa coisa dessas, possivelmente só riria da cara dela e apanharia. Pra variar.
- Ah ok, vocês estão me deixando confusa, calem a boca. – Ela se virou para frente e nós rimos.
O professor entrou na sala e começou a dar aula.
Durante a aula, eu percebi e Peter trocando bilhetinhos. Ela às vezes sorria para o que ele escrevera e eu ficava enciumado. Mas ela também olhava pra mim. E, às vezes, ela também sorria para mim.
Um belo triângulo amoroso. Que grande merda.
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O sinal tocou e os três saíram juntos da sala, andando lentamente, ao contrário da maré de alunos.
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Estava MUITO tenso. De um lado, . Do outro, Peter. E eu no meio. Hm, isso não soou bem. Me virei para Pete.
- Amanhã na sua casa, então? – Ok, falar isso com o do lado não foi a ideia mais inteligente que eu já tive. Eu senti ele enrijecer ao meu lado, mas ele é um bom ator. Pete nem percebeu. Ou Peter que é lerdo mesmo, né.
- Uhum – ele disse apenas e eu franzi as sobrancelhas, virando para frente.
- Espera – falei e parei, segurando sua blusa. Ele parou também, mas deu uns passos para frente, e depois se virou para nós. – Você não disse essa semana que ia passar o fim de semana com sua família, porque sua avó voltou de viagem? – perguntei e ele arregalou os olhos. Será que ele não esperava que eu prestasse tanta atenção assim nas coisas que ele fala?
- Nossa! Esqueci completamente! – Ele deu um tapa em sua própria testa e olhou para mim pedindo desculpas. – Me desculpa, ... Não vai dar então.
- Tudo bem. – Dei ombros, nem tava a fim de ir mesmo. Ok, mentira. – Posso passar o fim de semana estudando, tem coisa melhor?
Eles apenas riram, mas eu tinha minha resposta. Talvez chamar meu melhor amigo para casa e dar uns amassos.
, finja que é um cocô e não pense, por favor.
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Eu e estávamos voltando pelo caminho de sempre. Peter se despediu dela com um beijo um pouco demorado demais para o meu gosto, mas eu tenho que me controlar. Ele me deu um aperto de mão e eu não pude evitar de dar um sorriso maligno. Eu ia passar o fim de semana com a , e ele não. Perdeu, otário.
Por instinto, segurei a mão da quando a gente passou em frente à sorveteria, mas ela não sorriu pra mim. Ela corou e baixou os olhos, e aí eu me senti embaraçado. Só as mulheres para complicar tudo. Soltei minha mão da dela e enfiei no bolso da calça, continuando a andar em silêncio.
Ok, isso tudo é muito esquisito. Antes a gente se abraçava, se beijava e não rolava nada, agora ela vai ficar de cu doce só porque eu segurei a mão dela? Faça-me favor.
Logo chegamos à casa dela e eu soltei um suspiro, parando no portão. Ela me olhou com as sobrancelhas franzidas e eu cocei o nariz.
- Não vai entrar? – ela perguntou murmurando e eu cocei a nuca. Essa situação me deixava constrangido.
- Não sei se vai ser uma boa ideia – confessei, respirando fundo. Ela mordeu o lábio e olhou para baixo.
- Deixa de ser bobo. Vem – falou depois de um tempo, e segurou minha mão, me puxando para dentro. Sorri fraco com isso e, assim que entramos, a mãe dela estava na sala.
- ! – ela me cumprimentou com um beijo na bochecha e eu sorri. A Sra. sempre foi muito legal comigo.
- Oi, tia! – falei.
- Quanto tempo! Faz tempo que você não aparece aqui – ela reclamou e eu voltei a coçar a nuca. Talvez eu só estivesse nervoso porque hoje cedo eu quase fiz sexo com a filha dela na escola. Talvez fosse só isso, certo.
- Ah desculpa... Teve aquele rolo todo... – falei e rolou os olhos.
- Vamos? – ela perguntou, apontando o quarto. Hm. Ok, sem pensamentos pervertidos .
- Desçam daqui a pouco para o almoço, está quase pronto. – A nem deixou a mãe dela terminar, já estava me puxando para cima.
Eu pensei em dizer “Tudo isso é vontade de ficar sozinha comigo?”, mas talvez não fosse a coisa mais inteligente a ser dita, certo?
Entramos no quarto e largamos nossas coisas no lugar de sempre. Ela se jogou na cama e ficou me encarando, até eu chegar perto e sentar próximo a ela.
- Não quero ficar assim com você – ela me disse, baixinho. Eu não olhava para ela, minhas mãos estavam bem mais interessantes.
- Eu também não quero ficar assim com você – falei, suspirando. Olhei ao redor e percebi as flores que eu mandara outro dia. Na cômoda ao lado da cama estava o cartão. Sorri e apontei.
- Bonito. Quem mandou? – perguntei, me fingindo de inocente.
- Não sei. Ainda não descobri – ela falou, pegando o cartão e me mostrando. Reli minhas palavras e sorri.
- Cheia de admiradores secretos, então? – perguntei rindo e ela se escondeu embaixo de uma almofada.
- Cala a boca – sua voz chegou a mim abafada e eu ri, mordendo meu lábio e me deitando perto dela. Retirei a almofada de cima de seu rosto.
Merda, perto demais. Engoli em seco ao perceber que estava novamente numa distância não muito recomendável dela, principalmente de sua boca. Podia sentir sua respiração acelerando rapidamente e batendo em meus lábios. Extremamente provocante.
Antes que eu pudesse pensar em hesitar, já tinha meus lábios colados aos dela. Ela não recusou o beijo, pelo contrário. Correspondeu com tamanha vontade que em alguns segundos eu já estava em cima dela. Suas mãos já se enroscavam no meu cabelo e me arranhavam nas costas, só me excitando cada vez mais. As minhas não hesitaram dessa vez em entrar debaixo da sua blusa e acariciar sua barriga, sentindo-a contrair por causa das minhas mãos geladas. Minha área baixa já começava a se mostrar, e eu pressionei meu quadril contra o dela, demonstrando isso. A mão dela que me arranhava parou e ela apoiou toda a palma nas minhas costas, percorrendo toda a extensão dessa fazendo um pouco de pressão. Lê-se: me deixando louco. Acelerei ainda mais o beijo e colei mais nossos corpos, segurando em sua coxa e apertando com vontade. Sua respiração, assim como a minha, falhou, e eu mal conseguia me concentrar em beijá-la direito.
A mão de continuou descendo e parou na minha bunda, apertando-a com vontade. Gemi, torturado, e ela sorriu. Minha mão, que estava embaixo de sua blusa, a ergueu completamente e eu parei o beijo por alguns segundos para tirá-la. Voltei a beijá-la, dessa vez no busto, e me deliciei por ali, enquanto minhas mãos exploravam as partes internas e externas de suas coxas. A mão dela, que estivera parada em minhas costas por um tempo, deu a volta e ela apertou exatamente aquele ponto, me fazendo ir à loucura. Essa garota sabe provocar.
Voltei a beijar seus lábios com força, e ela continuou a provocar, passando a mão por cima do tecido da jeans e me arrepiando cada vez mais. Levei minhas mãos aos seus seios e apertei, sentindo-a ficar arrepiada também. Desci para seus quadris e segurei-a com firmeza, voltando a mover o meu quadril contra o dela. Ela soltou um gemido baixinho e voltou a acariciar meus cabelos com as duas mãos.
A esse ponto, eu já estava praticamente gozando sem ao menos ter tirado a roupa. Ela me deixava cada vez mais excitado e estava começando a doer. Prazer contido não é nada, nada bom. Tentei desacelerar o beijo, fazer que um choque de realidade pairasse pelo meu corpo. Com muito esforço e força de vontade, eu me obriguei a pensar. E aí funcionou.
O que diabos eu estava fazendo ali?
Quebrei o beijo e me afastei rapidamente dela, indo me sentar no fim da cama. O problema é que eu sentei muito na ponta, e estava tão desconcertado que tudo que fiz foi virar para trás e meter a cabeça no chão com força.
Outch.
- ?! – perguntou assustada, aparecendo depois de um tempo no meu campo de visão. Puta que pariu.
Cabelos bagunçados, ofegante e com a boca vermelha, vestindo apenas jeans e sutiã. É demais para meu pobre corpo. Eu fechei os olhos com força e virei de lado, apertando meu sexo, para ele parar de pulsar e doer.
- Tá tud...? – ela ia perguntar, mas eu a interrompi.
- Sshhhhhhh – falei, ainda de olhos fechados, respirando rápido. Respirei fundo algumas vezes, já estava passando. Abri os olhos e ela me encarava assustada. Respirei rápido ainda mais algumas vezes e me levantei, pegando minhas coisas. Desci as escadas com pressa e a tia nem reparou quando eu abri a porta e saí correndo.
Eu precisava sair o mais rápido possível dali.
off
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Eu continuei encarando o lugar por onde se fora por um bom tempo. Eu não estava entendendo. Decidi colocar minha blusa antes que minha mãe aparecesse e me encontrasse nesse estado. Engoli o nó que se formava em minha garganta, aquela vontade idiota de chorar, e desci para almoçar.
- Ué, cadê o ? – minha mãe perguntou e eu inventei alguma coisa.
- Disse que ficou de ajudar a mãe dele na faxina e teve que ir embora. – Péssima, . Você consegue ser mais criativa.
- Hmmm... – ela disse e eu suspirei. Não podia me esquecer que minha mãe sabia que eu era a fim dele.
Só que depois de hoje, eu tinha certeza que ele não era a fim de mim. Ele parou tão abruptamente, como se lembrasse que era errado, ou algo do gênero. Depois foi embora sem dizer nada. Se ele realmente gostasse de mim, não agiria assim. Me levantei e minha mãe me olhou.
- Não estou com fome – murmurei e voltei para o quarto, me jogando na cama e deixando as lágrimas correrem.
Como diz aquele ditado, o primeiro que a gente aprende ao começar a amar... Amar dói.
off
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Ok, , concentre-se, sua casa é amarela não azul. É, estava difícil. Nem achar minha própria casa eu conseguia, na pior das hipóteses ia acabar entrando na casa da vizinha maluca e ficar preso lá, sendo alimentado com ração de gato. Tenso.
Entrei em casa e subi direto para o quarto, não estava com a menor fome. Larguei minhas coisas e me joguei na cama, afundando meu rosto no travesseiro.
Eu estava exausto, toda a tensão do dia me esgotara. Ser excitado duas vezes e nenhuma dar resultado... é foda. Tá que a primeira não daria resultados, estávamos em plena escola, mas a segunda... Por que eu havia parado? Não era certo, simplesmente não era. Fechei os olhos para relaxar um pouco.
Mal percebi quando adormeci.
Eu andava por alguma praia. Estava escuro, e eu não conseguia ver muita coisa. Consegui perceber um vulto se aproximando e senti meus músculos ficarem tensos. Quando você está sozinho numa praia, sinal de vida pode ser perigoso. Mas assim que a luz da lua a iluminou, uma calma imensa me atingiu e eu soltei um suspiro, sorrindo amplamente. sorriu de volta para mim e segurou minha mão, sempre se aproximando. Se aproximou até seus lábios encostarem levemente nos meus. Pude sentir seu gosto deliciosamente doce em meus lábios, mas por pouco tempo. O vento passou por nós e bagunçou o cabelo dela, me fazendo sorrir idiotamente.
- Gosto do vento. Ele clareia minha mente – ela disse com uma voz distante, mas eu não prestei atenção. O vento balançou novamente o cabelo dela e eu soltei um suspiro.
As coisas começaram a rodar ao nosso redor, apenas ela me encarando com um sorriso não mudava. Assim que se ajeitaram, olhei em volta e reconheci uma cidade antiga da Itália, talvez Verona. Nós começamos a andar de mãos dadas por lá, eu sentindo o quão bom era ter sua presença.
Ao longe, um relógio soou meia-noite. parou estática.
- O que foi? – perguntei, confuso, enquanto soava a terceira badalada.
- E-eu preciso ir – ela disse, se soltando de mim.
- Espera! – falei, mas ela já corria. Fui atrás dela, sentindo que corria em vão. Ela se distanciava e eu não saía do lugar.
No momento da décima segunda badalada, eu pude andar, mas ela dissolveu-se no ar e eu encarei assustado o lugar que ela desaparecera. Desaparecera. A garota que eu amo não existia mais.
Corri até onde ela estava, mas pisei em falso e caí. Mas não caí numa ponte, eu caí e caí, continuei caindo até ver água se aproximando em uma velocidade absurda e, quando eu supus que ia cair na água, ela se transformou em pedra.
- AH! – Acordei suando e com o coração a mil. Eu estava completamente encharcado de suor e meus olhos estavam arregalados. Ok, o que diabos foi isso?
Eu não costumo lembrar dos meus sonhos, mas esse era terrivelmente esquisito. Será que tinha algum significado maluco? Eu hein.
Passei a mão no rosto tentando me acalmar e olhei o relógio. Seis da tarde, eu dormi quase a tarde toda. Olhei uma foto minha e de e engoli em seco. Ela deve me odiar agora. Mas eu não podia continuar lá, não ia fazer bem pra nenhum de nós. Esfreguei os olhos e tentei me distrair. Pensei em alguma coisa para mandar para ela. Hmmm... chocolates? Muito brega. Posso mandar flores de novo... É, pode ser.
Liguei pra floricultura e pedi novamente dente-de-leão, dessa vez um buquê inteiro deles. Fui até o computador e pensei em algum poema para colocar. Um simples bilhete não bastaria. Então a inspiração chegou a mim e eu comecei a digitar rapidamente.
Em no máximo meia hora, o cartão estava sendo despachado com o buquê. Voltei para o quarto e me joguei na cama, voltando a dormir.
off
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Eu ainda estava no meu quarto, tentando fazer lição de casa, mas minha mãe bateu na porta.
- Querida, entrega pra você – ela falou e eu me sentei imediatamente. Ela entrou com um sorriso e me entregou o buquê de dente de leão.
Aquilo me acalmou. Eu estava tensa com aquele negócio do de hoje à tarde, mas ver os dentes de leão me tranquilizou. Peguei o cartão e deixei as flores no criado-mudo.
“Sonhei com você hoje. O sonho foi interessante, e me inspirou a fazer um poema. Espero que goste, assim como gostará dos dentes de leão. Talvez eles te tranquilizem, acho que talvez você precise disso.
Um beijo,
Seu admirador secreto
She said the wind (ela disse que o vento)
Clears her mind (clareia sua mente)
And I remember perfectly her hair (e eu me lembro perfeitamente do cabelo dela)
Swinging on the sound (balançando no som)
Of a sigh (de um suspiro)
Then we are walking (então estamos andando)
Not in the beach anymore (não mais na praia)
Under the stars and moonlight (debaixo de estrelas e do luar)
She’s so unbelievable (ela é tão inacreditável)
But the clock says it’s midnight (mas o relógio diz que é meia noite)
And she needs to go now (e ela precisa ir agora)
I don’t know why, but I think (eu não sei por que, mas eu acho)
Her spell is expiring (que o feitiço dela está expirando)
There’s no much time left (não resta muito tempo)
I should know it (eu devia saber disso)
Since the beginning (desde o começo)
It was too good to be true (era bom demais pra ser verdade)”
Olhei embasbacada para o poema e pisquei algumas vezes. Era lindo. Mas o que me incomodava era a frase do começo. “Talvez eles te tranquilizem, acho que talvez você precise disso”. Meu admirador secreto sabia que eu estava tensa?
Será que... ? ganhou um prêmio na quarta série de poesia. Mas... não sei, não me vinha na cabeça o porquê de ele estar fazendo isso. Se esta tivesse sido a primeira vez, eu até desconfiaria. Mas não se encaixava, faltava alguma peça...
Aquilo me deixou muito confusa, então deixei o cartão de lado e encostei a cabeça no travesseiro. Me sentindo exausta, adormeci quase instantaneamente.
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Capítulo 12.
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Acordei hoje (sábado) me sentindo realmente bem. Tudo bem, compensando os momentos de ontem, eu deveria estar me sentindo bem por obrigação. Mas o que me fazia pensar que ia ser um bom dia era:
- Estava sol, ou seja, momentos raros de piscina na minha casa;
- estava por aqui;
- Peter não estava por aqui.
Um dia perfeito, não? Levantei-me rápido e me troquei, colocando uma bermuda em degradê cinza e uma blusa (que provavelmente seria arrancada por volta do meio dia, se pá antes) branca com desenhos confusos em preto, da Hurley. Amo blusas da Hurley e da Puma.
Desci as escadas com pressa e entrei na cozinha apostando corrida comigo mesmo. Droga, perdi. HAHAHA O dia está ótimo para fazer piadas, não? Acho que não, melhor calar a boca.
- Bom dia, mãe! – falei sorridente e ela me olhou com as sobrancelhas arqueadas.
- Ontem chegou com uma cara de merda, hoje tá todo animado. Ó Deus, por que não fez os adolescentes menos bipolares? – E esta é minha mãe, dramática e teatral. Rolei os olhos e sentei na mesa pra tomar café. Minha mãe não cozinha muito bem, então ela simplesmente foi até a Starbucks mais próxima e trouxe um Cappuccino pra mim, com muffins. Não que seja ruim, pelo contrário. Muito melhor do que waffles que mais pareçam carvão.
Comi rapidamente (“Mastigue, , não engula direto!”) e logo me levantei, saindo pra fora de casa. Perfeito. Havia sol, havia cerveja, havia piscina, havia borboletas e passarinhos cantando Lady Gaga. Ok, essa parte é mentira e eu pareci um gay (dããr, meu passado me condena), mas estava tudo aparentemente perfeito mesmo. Mas seria legal se passarinhos cantassem Lady Gaga. Talvez depois de algumas garrafas de cerveja... Cale-se, , você nem gosta de Lady Gaga.
- Filho! – Meu pai apareceu atrás de mim e eu me virei. – Olha, eu sei que você já está crescido e que metade dos avisos que eu darei serão inúteis. – Boiei.
- Hm?
- Eu e sua mãe vamos sair para visitar sua tia e você vai ficar sozinho. – FESTA! – Você deve estar pensando que isso significa que você pode dar uma festa. – Tudo bem, finjam que eu não pensei aquela última palavra. Meu pai olhou pra trás, soltou um suspiro e se aproximou. – Tente deixar tudo limpo pelo menos, assim sua mãe não desconfia – ele sussurrou pra mim e eu pisquei várias vezes.
- Sério? – falei. Meu pai é foda, há, duvido que vocês tenham um pai tão legal quanto o meu, sintam-se inferiores.
- É claro. Eu sei que mesmo que eu dissesse não, você faria. É só sua mãe não desconfiar de nada, ok? – Ele piscou e eu concordei animado com a cabeça. – Voltamos amanhã às oito, tente não fazer durar até lá, ok?
- Certo, paizão, valeu! – agradeci, abraçando o velho e desejando boa viagem, assim como lembranças para a tia.
Olhei para a piscina, ela estava meio sujinha, então peguei aquela rede de limpar piscina e dei uma geral. Quando terminei, tava bonitinho. E eu estava todo suado, o sol tá forte hoje! Entrei em casa e tomei um refresco (leite com groselha. Sou viciado, é MUITO bom!). Liguei para uns dez caras que eu conhecia e que sabia que poderiam chamar uma boa galera. Deixei para ligar para a depois. Ou algum deles talvez se encarregasse disso. Espero que ela venha, talvez seja melhor que eu faça isso.
Mas antes: comprar comida. Adolescentes são bichos que tem uma fome insaciável, passam o dia todo se entupindo de comida. E cerveja; o que é uma festa colegial sem pessoas bêbadas passeando pelo jardim, dormindo abraçadas a garrafas vazias? Sem contar quando vomitam pela casa inteira. E o melhor de tudo é que os bêbados que sobram de manhã por estarem altos demais para irem para casa ajudam na limpeza. É, aqui é assim, até parece que eu ia me ferrar tanto por causa deles, né?
Entrei no meu carro e fui até o supermercado. Peguei meu celular e disquei o número da .
off
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Eu sabia que meu sábado não ia ser entediante. Quer dizer, começou com minha mãe me acordando e dizendo que ia passar o fim de semana fora. Depois me deixou voltar a dormir, esquecendo-se completamente que eu sou uma adolescente que precisa ser alimentada! Lá fui eu cozinhar, ainda bem que sei fazer omelete. Fui comer assistindo TV, coisa que NUNCA faço, até porque de manhã só passam coisas chatas. E não deu outra, enquanto de noite só passa missa, na minha TV de manhã só passa seriados antigos e sem graça. Poxa, nem MTV tá prestando aqui, assim é difícil. Odeio quando passa esses clipes esquisitos, enfim. Fui para o canal de filmes, minha omelete já tinha acabado, e tava passando Lua Nova. Já que não tinha nada melhor, fiquei por ali mesmo. Sério, Lua Nova é muito chatooo, é monótono demais, como as pessoas podem gostar disso?! O Pattinson nem é bonito, af. Prefiro meu , beijo.
Hm, falando (ou pensando, como preferir) no , o que será que ele vai fazer hoje? O Peter não está por aqui, e talvez o queira fazer alguma coisa. Se bem que, depois de ontem, parece que ele quer me evitar. Tipo, ele nem me deu tchau, simplesmente saiu correndo e e e e... só. Nem falou nada, só se amassou um pouquinho, caiu no chão, estourou os miolos e fugiu. Eu hein, menino doido.
Ok, não vamos negar que eu não fiquei super magoada com aquilo, mas depois eu recebi aquelas flores e o cartão... E aquela poesia não me sai da cabeça. E se foi ele que me mandou? Pode ser, oras. Ele sabe que eu gosto de dente-de-leão, sabia que talvez eu precisasse me acalmar e ainda por cima ganhou um concurso de poesia na quarta série. Mas não sei, ainda assim tem alguma coisa que não se encaixa.
Levei meu prato pra cozinha, desligando a TV. Voltei para o meu quarto e peguei o cartão, relendo a poesia. Sem que eu percebesse, um sorriso surgiu no meu rosto. Era realmente lindo. Recoloquei o cartão no momento em que meu celular tocou. Eu atendi, vendo o número de .
- Oi! – atendi meio animada.
- Oi, ! Tudo bem? – ele perguntou e eu sorri.
- Tudo sim, e com você? – falei, me deitando na cama e olhando o teto.
- Bem também... Viu, queria te falar uma coisa – ele disse e eu comecei a enrolar a ponta do meu cabelo com um dedo.
- Fale.
- Meus pais saíram hoje, e por estranho que pareça me deixaram dar uma festa. Vai começar com um churrasco aqui em casa, vai até de noite. ‘Cê vem? – ele falou e eu me sentei, coçando o nariz. Festa?
Festa é sinônimo de bêbados e assédio. Eu nunca me dava bem nelas, mas com o talvez não houvesse problemas. Com uma volta no estômago, me lembrei da última festa que fomos juntos.
- ? – ele perguntou, parecendo preocupado.
- Eu vou, mas me promete uma coisa? – pedi. – Na verdade, duas.
- Claro, pequena. – Sorri e mordi meu lábio.
- Primeiro... Promete que a gente não vai brigar dessa vez? – falei, insegura, e ele riu do outro lado.
- Eu já te prometi isso faz tempo, pequena – ele sussurrou e eu corei, sentindo os pelos da minha nuca arrepiarem. Estranho. – Mas eu prometo novamente.
- Obrigada. E outra coisa... Promete não me deixar muito tempo sozinha? – falei com voz de criança e ele riu baixinho do outro lado.
- Prometo, até porque Peter ia me matar se algo acontecesse com você. Sem contar seus pais. E eu mesmo, claro. Eu teria que morrer umas 15 vezes pelo menos. – Eu gargalhava do jeito que ele falava e ele riu também. A menção do Peter fez meu estômago dar mais uma volta, eu mal tinha me lembrado dele hoje.
- Ok, obrigada – falei sorrindo.
- Que isso, pequena. Te vejo mais tarde então?
- Aham! – falei animada e nós nos despedimos. Fui até meu guarda-roupa e separei uma roupa que achei que estava boa, e também uma troca. Provavelmente ficaria lá até amanhã, então já peguei pijamas e tudo o mais. Coloquei um biquíni por baixo do vestido vermelho e coloquei um chinelo vermelho também. Momento “I Heart Havaianas”. Prendi meu cabelo num rabo de cavalo alto e meio solto, com a franja solta de lado. É, acho que tá bom. Um lápis de olho básico e um gloss rosado. Perfeito.
Desci as escadas levando tudo que eu precisava e tranquei a casa. Ok, vou ir andando até a casa de , que é a uns três quarteirões daqui? Olhei de um lado pro outro na rua, como se fosse ajudar em alguma coisa. Suspirei e comecei a andar. Depois de buzinadas, assovios e 13 oferecimentos de carona, cheguei à casa de e bati. Ninguém atendeu. Olhei a garagem, nenhum carro. Certo, ele me chama para vir aqui e não está, lindo. Eu mereço viu. M-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o. Antes que eu pudesse pegar meu celular, ouvi uma buzina e vi o carro de se aproximando. Menos mal, assim não gasto os créditos que eu (não) tenho.
off
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Eu voltava com o carro lotado de cerveja e carnes pro churrasco, me sentindo feliz. viria e eu não fazia a menor ideia de como agir, mas eu me sentia bem. Estava quase chegando em casa quando vi uma figura de vermelho parada em frente à minha porta. Confuso. Buzinei e a figura se virou, eu quase tive um enfarto. Era a ! Ela sorriu pra mim, daquele jeito maravilhoso, enquanto eu me aproximava devagarzinho com o carro.
- Hey – falei, sentindo meu ar faltar. Por que diabos ela se vestiu de vermelho? Pra me aterrorizar? Para me excitar só de vê-la?
- Oii! – ela me disse animada, se inclinando e beijando minha bochecha. Meu Deus, que visão.
- Você podia ter ligado, eu ia te buscar... – falei, ainda atordoado. Ela sorriu mais e coçou o nariz.
- Eu nem pensei nisso, você sabe como eu sou. – Eu ri e peguei a chave de casa.
- Abre pra mim? – pedi, lançando um olhar para seu corpo realçado pelo vestido e ela ampliou o sorriso, se é que era possível.
Ela abriu a garagem para mim e eu senti o suor escorrer pelo meu corpo. Ainda bem que estava calor. Mas o calor não conseguiria explicar porque havia um volume assustador entre as minhas pernas, então era melhor eu me distrair.
Saí do carro e lancei outro olhar, agora para suas pernas. Suas curvas perfeitas, e aquele chinelinho. Fechei os olhos sem que ela percebesse e abri o carro.
- Quer ajuda? – ela se ofereceu, chegando perto de mim. Merdamerdamerda. Perfume, por que diabos elas usam perfume?
- E-e-eu acho que sim – falei, tentando me controlar. Pense em passarinhos cantando Lady Gaga, pense em passarinhos cantando Lady Gaga... Ela me lançou um olhar preocupado. Eu não havia dito isso em voz alta, havia?
- , você tá bem? – Ela se aproximou mais e colocou a mão na minha testa. Percebi que estava febril e suando. Tudo isso porque estava tentando me controlar em não agarrá-la ali.
- Acho que sim. É só o calor – murmurei. Não devo ter a convencido, porque ela me lançou um outro olhar preocupado e se afastou, levando duas caixas de cerveja.
Engoli em seco e fechei os olhos. O que diabos era tudo isso? Tudo bem, minha menina é linda, eu já sabia, e hoje está excepcionalmente linda. Mas essa sensação de que eu não posso, que é proibido... E depois de ontem, o que ela vai pensar de mim? A adrenalina e a excitação percorriam meu corpo rapidamente, enquanto eu tentava me acalmar. Passei a mão pelo rosto e olhei para onde ela havia sumido. Estou começando a achar que não foi uma boa ideia ter a chamado. Porém, ela está aqui, eu estou aqui e Peter não está aqui. E festas são feitas para se divertir...
off
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Deixei as caixas de cerveja na geladeira e apurei os ouvidos para ver se estava vindo. Silêncio total. Ele estava muito esquisito, e eu percebi o olhar dele em mim. Será que eu estava tão assim? Me olhei no microondas e girei, observando a barra do meu vestido esvoaçar seguindo meu movimento. Hm, talvez atrevida demais. Voltei a me olhar no microondas e ajeitei a franja. Ouvi um movimento atrás de mim e me virei, dando com . Aparentemente ele segurava o riso. Corei violentamente e comecei a rir, e ele me acompanhou. Ficamos rindo até que ele se aproximou e beijou minha bochecha.
- Você sabe onde é o banheiro, , o espelho de lá está normal – ele observou e eu voltei a rir, escondendo meu rosto nas mãos. Ouvi a risada dele e descobri meu rosto, vendo que ele estava realmente próximo.
Ultimamente ‘estar realmente próximo’ um do outro só significava uma coisa. Ele devia estar pensando o mesmo, porque, enquanto me encarava com aqueles olhos azuis, ele mordeu o lábio e olhou para os meus com desejo. Antes que eu pudesse pensar nas palavras ‘amassos bem quentes’, resposta da afirmação (afirmações podem ter respostas, certo?) anterior, seus lábios já estavam colados aos meus. Eu sabia que ia dar nisso.
Senti meu corpo encostar em algo sólido e gelado e me arrepiei, me agarrando mais a ele. Oi, parede. me beijava furiosamente, como se estivesse descontando frustrações, desejo, prazer, tudo naquele beijo infinito. Comecei com a mão boba, colocando-as por dentro da blusa dele e sentindo seu abdome quente contrair ao toque delas. Não sei nem porque ele está de camiseta, devia ser lei homens gostosos andarem sem camiseta em dias de calor. Realizando meu pedido, ele tirou sua blusa e parou de me beijar míseros segundos para passá-la pela cabeça. Um tempo que acabou rápido, e então logo seus lábios estavam de volta aos meus, causando-me novos arrepios. Uma mão dele se embrenhou no meu cabelo e arrancou o elástico que o prendia. A outra segurava fortemente minha cintura e dava uns apertões deliciosos ali. A mão que estava no meu cabelo escorregou para o pescoço e do pescoço para o colo. Mas, sem parar nos meus seios, como eu imaginei, desceu direto para a cintura, junto à outra. Só de senti-las ali eu tive arrepios assustadores, e me agarrei mais desesperadamente a . Isso é engraçado, quando a gente se amassa, eu preciso cada vez mais dele, é fazendo pequenas coisas que ele me deixa louca por ele. E eu não posso esconder que eu tenho uma puta queda por ele, não é?
As mãos que estavam na minha cintura desceram até encostar na pele das minhas coxas, fazendo choques elétricos percorrerem meu corpo e consequentemente me fazendo apertar ainda mais seus ombros, que já deviam estar vermelhos e arranhados. Quebrei o beijo, sem conseguir me concentrar nisso quando as mãos dele voltaram a subir, mas dessa vez por dentro do meu vestido e coladas às minhas coxas. Eu soltei meu ar pesadamente, enquanto ele mordiscava meu lábio/queixo/maxilar com a respiração falha também. Ele chegou na minha bunda e apertou demoradamente, me fazendo morder seu ombro de leve e esquecer onde eu estava e quem eu era. Seus lábios voltaram a se encostar aos meus, assim como seu quadril, e eu pude perceber o grande volume entre suas pernas. Uma coisa que eu sempre imaginei era se era bem dotado. A resposta estava visível, e bem era um adjetivo fraco para ele. Sua língua acariciava a minha de forma selvagem e carinhosa ao mesmo tempo, e eu levei minhas mãos trêmulas ao fecho da sua bermuda. Ele se arrepiou e subiu ainda mais as mãos, levando com elas meu vestido, de forma que agora toda a parte de baixo do meu biquíni estava à mostra. Ele parou de me beijar e olhou para baixo, onde minhas mãos trêmulas seguravam sua cintura com força.
- Você sabe que eu amo você de azul-bebê, não é? – ele sussurrou sedutoramente contra meu ouvido e eu prendi a respiração, sentindo-o acariciar a parte interior minha coxa com uma mão e minhas costas com a outra. – Fica extremamente sexy – ele voltou a sussurrar e eu me agarrei a ele, buscando seus lábios desesperadoramente. Me senti patética fazendo isso, mas eu não conseguia me controlar. Ele me beijou por pouco tempo, e eu gemi baixinho quando ele separou nossos lábios, mordendo o meu inferior e puxando-o. Se tem uma coisa que eu realmente gosto, é beijar o . Ele riu baixinho da minha indignação, apertou com força minha perna e voltou a colar o lábio na minha orelha. – Só menos sedutor e sexy do que esse vestido vermelho, mas se fosse tanto quanto, eu morreria de vez – ele riu baixinho e mordiscou minha orelha e pescoço. Eu já não conseguia manter meus olhos abertos, e ele deveria agradecer que eu não era o Wolverine, senão as costas dele estariam totalmente fatiadas em filés. Se com as minhas unhas não tão longas já deviam estar vermelhas e quase em carne viva... Se bem que não se amassaria com o Wolverine, whatever.
- Só você consegue me fazer ir do céu ao inferno com apenas uma roupa, um gesto, um sorriso. – Saindo de meus devaneios com a voz dele, sorri pervertidamente e mordi o lóbulo da orelha dele, deixando-o escorregar pelos meus dentes, enquanto ele se arrepiava e apertava ainda mais onde quer que as mãos dele estivessem.
- Você me leva com você, acredite – sussurrei também e me enrosquei nele, voltando a beijá-lo desesperadamente. Ele voltou a me encostar na parede e tirou as mãos de debaixo do meu vestido, mas deixando-as em minhas pernas. Segurou-as e me levantou, pressionando sua ereção contra mim, me fazendo gemer baixinho.
- Lógico que levo. Sem você, nenhum dos dois teria a menor graça – ele voltou a sussurrar contra minha pele e eu sorri pervertidamente. Estávamos chegando a algum lugar.
Ele me tirou da parede e eu pude sentir minha pele ficar com a marca dos azulejos, mas isso não me importava. Meio cambaleando, me beijando e me segurando, ele começou a subir as escadas. Eu nem imaginava para onde ele me levava (mentira deslavada, tinha uma boa ideia disso), mas não cheguei a descobrir se era para lá mesmo, porque a campainha soou e alguns gritos foram ouvidos através da porta, fazendo descolar seus lábios dos meus e me colocar no chão.
Ele me olhou e eu o encarei de volta. Trocávamos mensagens, sentimentos por esses olhares. No momento, havia frustração por não ter acontecido novamente, desejo um pelo outro, cada vez crescendo mais, medo do que estávamos prestes a fazer, raiva de termos sido interrompidos por algum outro motivo bobo novamente, e a lista seguia. Ele engoliu pesaroso e, sem dizer uma palavra, virou as costas para mim e foi abrir a porta.
Eu senti a garganta fechar e os olhos arderem, então subi até o quarto dele e me joguei na cama perfumada, deixando as lágrimas escorrerem livremente.
O que exatamente eu estou me tornando?!
off
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Depois de fingir alegria por toda aquela gente estar ali, senti um vazio enorme se apoderar de mim. Já haviam ligado a churrasqueira, a festa tinha começado. Mas eu não achava minha pequena, e imaginei o que ela estava sentindo. Nós dois estávamos a ponto de fazer algo proibido para menores de 18 anos (embora hoje em dia ninguém mais ligue para isso) e eu não faço a menor ideia de como seria depois disso. Talvez fosse até bom terem interrompido, aposto que a gente ia se arrepender muito se tivesse acontecido.
- Hey , tá pra baixo, a festa é sua, man! – um cara que eu não lembro o nome disse, levantando o copo de cerveja. Sorri a contragosto e entrei, procurando . Não demorei a achá-la, ela estava descendo as escadas, com o rosto vermelho. Havia chorado. Ela levantou seus olhos para mim e eu engoli em seco, me aproximando lentamente dela. Eu estava me sentindo péssimo. Eu fiz ela chorar novamente. Que tipo de melhor amigo eu estava me tornando?!
- Tudo bem? – perguntei baixinho, segurando sua cintura e a abraçando contra mim. Senti ela estremecer e hesitar, antes de apoiar suas mãos em meu peito.
- Acho que sim – ela murmurou. O lugar onde estávamos da casa não estava cheio, porque as pessoas estavam aproveitando o sol e a piscina. Encarei seus olhos e acariciei sua bochecha lentamente. Beijei sua testa e disse:- Estou cansado de te fazer chorar. – Ela riu baixinho e me abraçou pelo pescoço, encostando a testa na minha clavícula.
- Mas você sempre acha um jeito de me consolar quando isso acontece. Você é um bom amigo, – ela disse e eu suspirei, apertando-a um pouco mais contra mim.
- Um bom amigo não é aquele que seca suas lágrimas com palavras; é aquele que nunca as faz cair – falei um ditado que eu realmente gosto e senti ela sorrindo contra minha pele.
- Eu amo quando você fala coisas lindas como essa.
- Eu amo fazer você sorrir quando eu digo uma coisa como essa – rebati, beijando sua bochecha e fazendo-a aumentar seu sorriso.
- Obrigada por ser perfeito, – ela disse com o sorriso enorme e eu sorri também. Ela soltou um suspiro e desmanchou o sorriso, olhando o chão.
- Que foi? – perguntei, crises bipolares da me assustam.
- Eu... acho que vou pra casa, – ela disse com voz fraca, ainda sem me encarar. Percebi que ela tinha pensado bastante nisso, provavelmente enquanto eu arrumava as pessoas na festa. – Eu... sinto que se eu ficar aqui... talvez aconteça algo que nós dois vamos nos arrepender muito depois.
Senti meu estômago congelar. Ela não me olhava, mas eu segurei seu queixo e a fiz levantar seus olhos.
- Fica, ... – pedi. – A terra é tão sem graça quanto o céu e o inferno sem você aqui – murmurei e ela sorriu de canto. – Por favor? – Fiz cara de cachorro abandonado.
- ... – ela falou, fechando os olhos e respirando fundo. – Não é que eu não queira, ficar ao seu lado é... a melhor coisa do mundo, me dá uma sensação de felicidade, de segurança, de consolo... – Ela sorriu e eu não pude evitar também. – Mas ultimamente tem ficado perigoso ficar perto de ti. – Ela mordeu o lábio. – Perigoso pra nossa amizade, perigoso pro nosso futuro...
Eu ficava em silêncio enquanto ela dizia aquilo. Mastiguei as palavras calmamente e suspirei.
- Se eu me controlar, você fica? – pedi de novo. Ela sorriu de lado.
- Não é só você que precisa se controlar. – Ela riu nervosa e eu sorri, mordendo sua bochecha levemente. Ela voltou a me abraçar pelo pescoço e nos balançamos calmamente no ritmo da música que tocava lá fora. Pensamentos voavam em minha cabeça, e aposto que na dela também. Eu percebi no nosso contato que ela é tudo que eu preciso, é a garota que eu amo, é... é a minha menina. Minha menina linda.
- Eu me entrego totalmente aos meus sentimentos quando estou com você – ouvi a voz dela e olhei para seus cabelos, única parte visível por enquanto.
Pera aí. Isso quer dizer que... ‘se entregar totalmente aos meus sentimentos’ significa... me amar? Que ela se entrega ao amor que ela sente por mim e e e e e *momento em que estou raciocinando* ELA ME AMA? Senti minha respiração acelerar com essa descoberta e meu coração palpitar mais rápido.
- Então por que a gente não tá junto? – perguntei, tentando evitar a ansiedade na minha voz.
- Porque eu tenho medo de fazer tudo errado, como sempre, e perder você para sempre – ouvi o murmúrio dela e suspirei. Eu precisava fazê-la entender, fazê-la aceitar. – Mas... você quer que a gente fique junto? – ela perguntou, se afastando e me encarando com aqueles olhos penetrantes.
Senti meu estômago se deslocar alguns centímetros para baixo e o sangue subir à cabeça, me deixando, como Percy Jackson diz, “como uma das vacas sagradas de Apolo. Lentas, burras e muito vermelhas”. É, eu li PJ, porque minha pequena me obrigou, dizendo que era perfeito. E até que é legal, só que o Percy não tem o menor jeito com as garotas, tsc tsc. Precisa tomar aulas com o papai aqui. É, o mesmo papai que tá vermelho, lento e burro, encarando a menina à sua frente com cara de cu. Patético, , você sabe ser melhor que isso.
- Uuuhhn... – primeira palavra FAIL, CÉREBRO, COLABORA UMA VEZ NA VIDA? – Seria... éeer... seria... huun... – Percebi os olhos dela ficarem tristes novamente e ela os baixou. – Seria perfeito. – As palavras saíram voando da minha boca antes que eu pudesse perceber, e deixei escapar um sorriso.
Ela levantou os olhos novamente pra mim, e eu pude perceber que ela escondia um sorriso. Me inclinei e encostei meus lábios aos lábios dela, beijando-a calmamente. Beijando-a como eu nunca tinha feito antes, com calma e aproveitando cada milésimo daquele momento, antes que um babaca aparecesse e acabasse com a farra, como sempre. Mas acho que ela também sentiu o quanto aquele beijo era diferente. Foi impossível não perceber. O beijo estava cheio de desejo, como sempre, mas agora com algo mais forte.
Eu a beijava com verdadeiro amor, e aquele foi nosso primeiro beijo apaixonado.
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Capítulo 13. {ponha para carregar: We’ll be a Dream – We The Kings Ft Demi Lovato}
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A festa foi bastante agradável, eu fiquei perto do o tempo todo. Nós andávamos pelas pessoas, falávamos com alguns conhecidos. A festa foi um sucesso, claro. E até os momentos em que eu ficava a sós com , em que ele me beijava carinhosamente, eu aproveitei ao máximo.
Depois de toda aquela nossa conversa, eu não pude evitar de soltar indiretamente que eu o amo. Mas é que ouvindo ele dizer todas aquelas coisas... eu achava que ele não me queria, não gostava de mim, mas agora tá aí, todo carinhoso e fofo comigo. E ele se controlou realmente bem, não ficou bêbado, nem rolou mais nenhum amasso entre nós. Já os amigos dele, bem... eles estavam meio descontrolados, se empolgaram um pouco e tiveram que ir embora meio cedo.
No fim da festa, às quatro da manhã, só restavam eu e . Eu já estava meio sonolenta, mas alguém selecionou umas músicas lentas antes de sair e eu e ele estávamos ouvindo-as. Dentro da piscina. Ela estava quente, porque passou o dia todo no sol (eu tentei me concentrar muito para não dizer “passou o dia sendo mijada para esse momento especial de hoje à noite”, seria nojento, ecaut). Estávamos abraçados, embaixo do luar, meio que dançando uma música lenta.
- Quer virar a noite? – ele me perguntou baixinho e eu observei as formas que as ondas que nós formávamos ao nos mexer faziam. Coisa de gente retardada com sono, sim, eu sei.
- Não sei se aguento... – confessei, reprimindo um bocejo.
- Posso te manter acordada... – ele disse de um jeito pervertido e eu ri, mordendo seu ombro. – Ai! Que foi?
- Para de ser tarado, , que coisa feia – falei e ele riu. Beijou minha bochecha e me deu um selinho demorado. Deixamos nossos rostos próximos por um tempo, até que ele suspirou e se afastou de mim.
- Vem, vamos sair d’água antes que viremos uvas passas – ele disse, saindo e me puxando.
Um vento frio passou bem nesse momento e eu me arrepiei toda, começando a tiritar e pular no lugar enquanto ele buscava correndo as toalhas. Por que as deixamos tão longe mesmo?! Ele voltou e eu estava completamente congelada. soltou uma risada rouca e me abraçou rápido, me esquentando. Nós dois rimos e entramos em casa para colocarmos roupas quentes. Assim que eu coloquei o moletom do filme ‘De Volta Para o Futuro’, bateu na porta e olhou pra mim.
- Vem, vamos voltar lá fora? – Fiz uma careta e ele arqueou as sobrancelhas. – Você vai querer ver isso.
Me senti curiosa e dei minha mão a ele, descendo as escadas rapidamente e saindo ao ar livre novamente. O vento afagou meu rosto e eu olhei em volta procurando o que tinha dito. Ele me olhava sorrindo e eu olhei interrogativamente para ele.
- O que...? – Ele colocou um dedo no meu lábio, me calando, e logo me beijou carinhosamente. Nos beijamos por um tempo, até que ele separou nossas bocas com vários selinhos, suspirando e deixando nossas testas encostadas.
- Presta atenção nessa música – ele sussurrou e eu fechei os olhos, tentando aproveitar ainda mais a sensação. Deixei meus outros sentidos vagarem e reconheci o início da música, uma melodia maravilhosa. (n/a: ponham para tocar!) Era We’ll Be a Dream, do We The Kings com a Demi Lovato. Sorri calmamente enquanto murmurava a letra no meu ouvido.
Do you remember the nights we (Você se lembra das noites em que nós)
Stayed up just laughing (Ficávamos acordados apenas rindo)
Smiling for hours at anything? (Sorrindo durante horas por qualquer coisa?)
Remember the nights we (Você se lembra das noites que nós)
Drove around crazy in love? (Dirigíamos por ai, loucos de amor?)
When the lights go out (Quando as luzes se apagarem)
We'll be safe and sound (Nós estaremos salvos e seguros)
We'll take control of the world (Nós tomaremos controle do mundo)
Like it's all we have to hold onto (Como se fosse tudo que nós temos pra nos segurarmos)
And we'll be a dream (E nós seremos um sonho)
Tão perfeito. Pisquei algumas vezes abobadamente e ele sorriu pra mim, então comecei a cantar baixinho a parte da Demi Lovato. Ele alargou o sorriso e fechou os olhos, acompanhando o ritmo com a cabeça.
Do you remember the nights we (Você se lembra das noites em que nós)
Made our way dreaming (Fazíamos nossos caminhos sonhando)
Hoping of being someone big? (Esperando sermos alguém grande?)
We were so young then (Nós éramos tão jovens)
We were too crazy in love (Estávamos loucos demais de amor)
When the lights go out (Quando as luzes se apagarem)
We'll be safe and sound (Nós estaremos salvos e seguros)
We'll take control of the world (Nós tomaremos controle do mundo)
Like it's all we have to hold onto (Como se fosse tudo que nós temos pra nos segurarmos)
And we'll be a dream (E nós seremos um sonho)
Continuamos cantando e dançando, ao luar, e eu senti meus olhos marejarem ao perceber o quão perfeito meu melhor amigo era. Essa música me tocava imensamente, porque parecia que se referia justamente a nós dois. Tudo que sonhávamos, tudo que pensávamos... e agora parecia tudo apenas um sonho. Nós éramos um sonho. A música recomeçou e nós começamos a cantá-la em plenos pulmões. (n/a: não deu o tempo certo, rs, ignore)
When the lights go out (Quando as luzes se apagarem)
(And when the lights go out) [(E quando as luzes se apagarem)]
We'll be safe and sound (Nós estaremos salvos e seguros)
(We'll be safe and sound) [(Nós estaremos salvos e seguros)]
We'll take control of the world (Nós tomaremos controle do mundo)
Like it's all we have to hold onto (Como se fosse tudo que nós temos pra nos segurarmos)
And we'll be (E nós seremos)
(And we'll be) [(E nós seremos)]
When the lights go out (Quando as luzes se apagarem)
(And when the lights go out) [(E quando as luzes se apagarem)]
We'll be safe and sound (Nós estaremos salvos e seguros)
We'll take control of the world (Nós tomaremos controle do mundo)
Like it's all we have to hold onto (Como se fosse tudo que nós temos pra nos segurarmos)
And we'll be a dream (E nós seremos um sonho)
A música tocou mais um pouquinho e acabou, e eu senti uma lágrima escorrer involuntariamente pelo meu rosto. Essa música era incrivelmente linda, e ouvir o cara que você ama cantando-a para você era ainda mais excepcionalmente perfeito. E ela se encaixava tanto, eu me lembrava perfeitamente dos dias em que eu e passávamos rindo que nem retardados o tempo todo.
Ficamos em silêncio um tempão e não ouvíamos mais nada além de nossos batimentos cardíacos e respirações. Depois de um tempo, eu estava quase dormindo em pé, então me espreguicei.
- , vamos deitar? Eu estou caindo de sono aqui – falei e ele riu, me beijando delicadamente.
- Vamos sim, princesa – ele disse, me puxando.
Eu estava meio inconsciente, não sei se de sono ou de maravilhada, porque logo ele estava me deitando na cama com um sorriso.
Eu não pude evitar sorrir também, e ele me beijou novamente, daquele jeito fofo e calmo.
Acordei sentindo os lençóis se enroscarem em mim e aquele cheiro delicioso que é o perfume que o usa. Hmm... ... Abri os olhos e rolei na cama, encontrando-o ainda dormindo. Sorri calmamente e olhei a janela. Devia ser tarde já. Decidi acordá-lo, então me estiquei um pouquinho e dei vários beijinhos curtos em seu rosto, passando a mão pelo cabelo lindo (que tava todo bagunçado) dele. Ele soltou um resmungo qualquer e eu continuei, até sentir ele me abraçando lentamente pela cintura e enterrando o rosto na curva do meu pescoço. Sentir sua respiração ali arrepiou todos os meus pelinhos e eu sorri calmamente.
- Bom dia... – sussurrei. Senti ele sorrindo e logo sua voz rouca chegou aos meus ouvidos.
- Bom dia, meu anjo – ele falou e eu morri, pra variar. – Que horas são?
- Não faço ideia – respondi rindo baixinho. Ele riu também e beijou minha bochecha. Me soltou por um tempo e pegou o celular que estava em cima da mesinha de cabeceira dele.
- 14h44min – ele disse, esfregando os olhos. Eu me espreguicei e sorri.
- A gente ainda tem que arrumar a casa.
- Nem me lembre. – Ele voltou a fechar os olhos e enfiou a cabeça embaixo do cobertor.
- Aaaaaaah não, , pode ir acordando, você teve a ideia da festa e eu não vou limpar tudo sozinha – falei, cutucando as costas nuas dele. Comecei a empurrá-lo e ele ria, às vezes soltava um grunhido. Desisti e fiquei ofegante, toda descabelada. – Credo, , como você é pesado!
Ele saiu de baixo do cobertor com um sorriso maroto e eu ri mais. Ajoelhei na cama e passei uma perna em volta do tronco dele, ficando sentada em cima das costas dele.
- , eu não tô respirando – ele falou rindo e eu dei um tapa na cabeça dele.
- Não me chama de gorda – falei e ele riu, concordando.
Ficamos um tempo em silêncio, até eu começar a movimentar meu dedo acompanhando a linha da coluna dele. Me deitei em cima dele e beijei seu ombro. Me ajeitei e o abracei, e ficamos assim um tempão, só aproveitando a companhia um do outro.
-... – ele me chamou baixinho e eu saí de cima dele, deitando ao seu lado, para que eu pudesse vê-lo.
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Ela me olhou nos olhos e eu esqueci totalmente que ia falar que tava com fome. Minha barriga até parou de roncar. Eu me apoiei num braço e passei o outro por cima dela, e antes que pudesse reparar, eu estava praticamente deitado em cima dela, com nossos narizes se tocando. Sentia a respiração dela na minha e não conseguia desviar meus olhos.
- Oi, ... – ela sussurrou e eu fechei meus olhos, aproveitando o momento. Eu estava apoiado em meus cotovelos, e ela colocou as mãos na minhas costas, acariciando levemente com o polegar.
- Eu te amo.
Ok, para tudo. Cérebro, me dê um minutinho da sua atenção. QUANDO É QUE VOCÊ VAI COLABORAR PRA EU ME DAR BEM, HEIN? Me assustei com o que eu mesmo disse e continuei de olhos fechados, esperando a reação dela. Porque eu não disse um ‘eu te amo’ de amigo, não. Foi bem sério esse.
Os dedos dela pararam de me acariciar e eu percebi a respiração dela acelerar.
- Que bom... – ela falou baixinho e eu abri os olhos, encarando-a confuso. Ela sorria levemente. – Porque você sabe que eu odeio amar alguém que não me corresponde...
O alívio que percorreu meu corpo foi tão intenso que tudo que eu consegui fazer foi enterrar meu rosto na curva do pescoço dela e respirar fundo várias vezes. Eu estava quase chorando. Agora tudo ia ficar bem. Eu a amo, ela me ama.
Comecei a beijar seu pescoço várias vezes, beijos curtos e rápidos, e a cada intervalo eu sussurrava:
- Eu te amo, eu te amo, eu te amo... – Só pra ela não se esquecer nunca disso.
Ela me fez parar de beijá-la e segurou meu rosto com as duas mãos. Ela sorriu calmamente e uniu nossos lábios num beijo calmo e delicioso. O alívio ainda percorria meu corpo em ondas cada vez que eu sentia a língua dela acariciando a minha lentamente.
- ... – ela falou quebrando o beijo. Dei vários beijos no rosto dela e deixei o meu perto deste, encostando o nariz na bochecha macia.
- Diga, minha menina linda... – falei e ela me abraçou lentamente.
- Eu tenho medo... – ela falou, com uma voz chorosa, e eu a beijei na bochecha.
- Não precisa ter medo de nada, meu amor. Eu tô aqui contigo – falei baixinho e ela sorriu.
- Mas... e Peter? E... e se a gente brigar? – ela falou e eu percebi que os olhos dela estavam úmidos. – Eu não quero te perder. Não de novo – ela falou numa voz quase ininteligível e depois uma lágrima escorreu pelo canto do olho dela.
- Shhh... – falei, abraçando-a e deitando melhor, fazendo-a ficar entre meus braços. Comecei a acariciar os cabelos dela.
Eu realmente não entendia o porquê da gente não estar junto, mas eu respeitava. Só que agora ela sabia que eu amo ela, e eu sei que ela me ama. Qual o problema?! Casais brigam mesmo, mas isso não quer dizer que a gente vai se separar e nunca mais vai se ver.
- ... Não precisa ter medo se a gente brigar... Isso acontece com todo mundo... – falei em voz baixa o que tinha acabado de pensar. – Mas nem todos se separam por causa dessas brigas.
- Eu sei, mas... – Ela parecia indecisa, como se me amasse, mas não quisesse ficar comigo. Confuso.
- – falei, sério. A fiz olhar em meus olhos e acariciei sua bochecha. – Vamos só tentar, por favor? – Ela ia abrir a boca, mas eu a interrompi. – Eu te amo, você é a minha garota e nada mais importa pra mim se eu estiver ao seu lado. Por favor, , só vamos tentar! – falei, praticamente desesperado. Ela engoliu em seco e só puxou meu rosto de encontro ao seu. Vou considerar isso como um sim, então.
off
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Eu ainda estava meio tonta com tudo isso. E o pior é que ia sobrar pra mim falar pro Peter que não dá mais. Mas eu gosto do Peter, esse é o problema. Ele é legal comigo, e fofo, e beija bem. Argh, o também. Mas que droga, odeio indecisão. Pro inferno indecisão, o que vai ser de mim sem o ? Mas eu realmente gosto do Peter, ele tem me feito bem. Não sei se vou conseguir dizer pra ele que eu vou terminar, eu sempre fui péssima nisso. Falar de sentimentos. Pra mim, só é fácil com o . Até com ele está difícil agora.
Suspirei e voltei a mirar a TV. Estávamos assistindo The Notebook, e eu estava prestes a chorar. O bom é que eu estava com vontade de chorar, então podia resolver assim.
Continuei acariciando o cabelo dele, perdida em pensamentos, sem realmente assistir o filme. Pensei no que aconteceria com Peter, como que eu ia olhar pra ele e tudo o mais. Eu sou muito enrolada com essas coisas!
Assim, eu gosto do , eu AMO ele de verdade, e depois de hoje mais cedo, eu acredito que ele me ame também. Mas tem todo esse meu medo de perdê-lo, ele é tudo pra mim. Quando uma pessoa perde algo que é tudo para ela, ela não tem mais vontade de viver, não tem mais vontade de nada.
- ... – ouvi o sussurro de e olhei para o rosto dele no meu colo. – No que está pensando? – ele perguntou baixinho e eu corei.
- Ah... numas coisas aí... – falei enrolada e ele riu fraco, se levantando e apoiando o peso do corpo num braço, de forma que seu rosto ficou próximo ao meu.
- Te amo – ele sussurrou baixinho e colou nossos lábios. Beijei-o calmamente, aproveitando seu sabor e a maciez da sua língua.
- Eu também te amo – falei quando quebramos o beijo. Suspirei e o afastei levemente. – Preciso ir pra casa agora, . E ainda tenho que... falar com o Pete. – Engoli em seco e ele sentou-se normalmente, sorrindo fraco.
- Você só faz isso se você quiser, linda. Mas eu te quero pra mim, só pra mim. Por mim, o Peter podia ser Pan, ir pra Terra do Nunca e não voltar nunca mais – ele falou e eu ri, me levantando. Me espreguicei e sorriu pra mim. Sorri de volta e me inclinei, beijando-o delicadamente nos lábios.
- Vou indo, ...
- Certo – ele disse e se levantou, me acompanhando até a porta. – Não quer que eu te leve em casa? – ele ofereceu e eu neguei com a cabeça.
-Tô bem. – Sorri e beijei-o novamente, sentindo minha respiração falhar. – Até amanhã, .
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foi embora e eu voltei a me jogar no sofá, vegetar mais um pouco. Liguei o som e tocava We’ll be A Dream, e eu lembrei de ontem à noite. Sorri lembrando cada momento, cada sorriso. É incrível a capacidade que os caras tinham de tratar a mal. É impossível, cara, ela é perfeita, é tudo que alguém pode querer. Felizmente, eu sei dar valor a ela, então agora tudo vai ficar bem.
Ou talvez não. Vamos ver como o Peter vai reagir, né. Só sei que vou ter minha menina a todo custo, não importa o que aconteça. É a minha meta, e nada vai me tirar do caminho.
Me levantei e fui procurar alguma coisa pra comer. Sou um adolescente e preciso ser alimentado. A casa já estava nos trinques, então tá tudo bem, posso farrear mais um pouco.
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Cheguei na sala de aula acabada. Festa no fim de semana me esgota. Peter já estava lá sentado, e eu senti borboletas no estômago baterem as asinhas e me deixarem enjoada.
- Oi, Pete... – falei, me sentando ao seu lado. Ele sorriu e beijou meus lábios demoradamente.
- Oi, linda, tudo bom? – Concordei com a cabeça e comecei a virar as páginas do meu caderno. Pura vergonha, não acredito que vou terminar com ele. A gente tá junto há o que, menos de uma semana? E o pior de tudo é que eu gosto do , mas não é que eu não goste do Peter também. Ele é fofo comigo e tudo o mais. E ele estava lá quando eu precisei, quando não estava.
- ? – Eu realmente tenho que parar de divagar quando começo uma conversa com alguém. Daqui a pouco vão achar que eu não sou gente. Nem eu acho isso, hahaha.
- Oi, Pete, desculpa, tô meio cansada – falei sorrindo fracamente e ele riu.
- Aprontou muito esse fim de semana, é? – ele falou com um sorriso pervertido e eu ri. Ri de nervosismo, imagina se eu digo ‘sim’, né. Porque eu aprontei todas esse findê, ele não faz ideia.
- Ah claro – falei, rindo de novo. – Muitão, ‘cê me conhece. – Pisquei e ele riu. – Pete, eu preciso falar contigo – soltei e ele me olhou, meio preocupado.
- Ok, pode falar – ele disse, com as sobrancelhas franzidas. Ele devia estar confuso por causa do ataque bipolar, enfim.
- É que... – eu comecei a falar, mas eu mesma me interrompi. Não ia conseguir, eu sabia disso. Mordi meu lábio e olhei para ele. Eu não podia fazer isso, não ia conseguir. Eu sou fraca, não consigo nem dizer pra um cara que eu sou a fim que não vai rolar mais porque eu chifrei ele o fim de semana inteiro com o meu melhor amigo, que eu achei que nunca ia rolar nada porque não tinha queda por mim, mas que eu descobri que no fundo me ama que nem eu o amo e que precisa de mim do mesmo jeito que eu preciso dele e e e e e e, ok, respira fundo, .
- É que...? – ele perguntou, inclinando a cabeça. Abri a boca pra dizer de novo quando o professor entrou na sala e eu mordi meu lábio.
- Eu falo depois – sussurrei e ele concordou com a cabeça, voltando-se pra frente.
Respirei fundo e soltei o ar pesadamente, fechando os olhos.
Então uma ideia diabólica surgiu na minha frente. Eu sabia que a chance de dar errado era ainda maior do que se eu simplesmente contasse. Ia demorar mais para acabar com tudo. Mas talvez resolvesse essa indecisão, talvez resolvesse tudo. Não sei o que deu em mim pra pensar nisso, mas talvez funcionasse. Eu nunca fui assim, porém... nunca é tarde para mudar.
off
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Eu batucava na mesa ansiosamente, imaginando se teria falado com Peter ou algo assim. Estava com medo de ela acabar decidindo ficar com ele e não comigo, e dar todo um rolo que só me deixaria impaciente e propício a fazer merdas graves.
Ok, , respira, ela vai falar com ele, não se preocupe. Você vai ter sua menina logo logo contigo. Só pra você, e ninguém mais.
Só sua.
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Ou não.
Capítulo 14.
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O sinal bateu e eu senti o medo me apoderar. Como é que eu ia fazer isso? Eu nunca fui assim, sei lá. Tô achando que vou me dar mal nessa história. Respirei fundo e olhei para cima, para o sorriso de Peter.
- E ai? – ele perguntou, se inclinando e me dando um beijo demorado. Eu quis prolongar aquele momento, mas não consegui. Quebrei o beijo e me levantei, pra (tentar) ficar na altura dele.
- Eu tenho uma coisa importante pra te falar... – falei, com voz fraca. Ele sorriu e colocou as mãos na minha cintura, colando nossas testas.
- Você quer ficar com ele... – ele disse, sem se alterar, e eu respirei fundo várias vezes. Incrível como ele sabia exatamente o que eu tava pensando. Peter me conhece muito mais do que eu imaginava, e nós só somos amigos/ficantes há muito pouco tempo.
Apenas mexi minha cabeça positivamente e apaguei meu plano inicial da mente. Nunca iria dar certo ficar com os dois ao mesmo tempo. Uma hora, um deles iria descobrir e quem ia se ferrar, pra variar, seria eu.
Peter sorriu e me deu um beijo na testa, me abraçando carinhosamente. É incrível como mesmo assim eu ainda gosto intensamente dele.
- Brigada por entender – falei com voz fraca. Ele riu baixinho. Sorri.
- Você sabe que pode contar comigo sempre que precisar – ele sussurrou e eu olhei nos olhos dele.
- Acho que vou precisar – murmurei e ele rolou os olhos.
- Pare de ser boba, . – Arqueei as sobrancelhas e ele sorriu, chegando mais perto. – O é doido por você. Acha que eu não vi todos os olhares que ele me lança quando eu tô contigo? E não esquece que você também sente algo muito forte por ele, senão não estaria chorando na festa – ele falou e acariciou minha bochecha. Eu suspirei e concordei com a cabeça. – Vai dar certo – ele disse e eu sorri fraco.
- Vai dar certo – repeti, um pouco mais confiante. Ele abriu o sorriso lindo e me abraçou apertado.
- Eu acho que eu sou o único cara que gosta de uma menina e ajudou ela a ficar com outro – ele comentou e eu ri.
- Você é o melhor, Pete – falei, mas isso é mentira. O é o melhor, mas coitado do Pete, eu acabei de chutar ele.
- Duvido – ele falou e eu ri mais, acho que ele lê pensamentos. – Vai procurar o , . Acho que você precisa disso – ele falou com um sorriso triste e eu concordei, ficando na ponta dos pés e dando um último selinho demorado nele.
- Brigada de novo – sussurrei e dei as costas a ele, saindo pela porta e indo procurar .
off
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Eu estava morgando em algum lugar, sentindo minha ansiedade corroer meu estômago, que não parava de dar voltas e voltas de nervosismo. Todas as possibilidades passavam pela minha cabeça. A pior delas era que tinha falado com Peter, mas quando vinha me contar um meteoro cai em cima dela e ela morre. OMG, PÁRA DE PENSAR NISSO, .
Vocês devem imaginar meu alívio então quando eu a vi vindo na minha direção, sorrindo. Eu simplesmente levantei de um pulo e corri até ela, abraçando-a apertado.
- Céééééus, , eu tenho ossos! – ela falou e eu ri. Certo, acho que exagerei. Soltei um pouco o abraço, mas ainda deixei-a perto de mim, e a encarei.
- E aí? – perguntei, eu não conseguia me conter. Mordi meu lábio e ela rolou os olhos. O que isso significa? PORRA, , SEJA MAIS DIRETA, POR FAVOR?
Ela não falou nada e ficou nas pontas dos pés, colando nossos lábios. Uou, bem direta. Retribui o beijo rapidamente e senti seus braços no meu pescoço. Colei nossos corpos e acelerei o beijo. Nem deu pra empolgar, porque ela quebrou.
- Hey, , controle-se, a gente tá na escola – ela sussurrou meio rindo e eu mordi seu lábio inferior.
- Como se isso importasse – falei, me lembrando do nosso amasso. Ela riu mais e encostou nossos narizes, me dando um selinho rápido. – Você é minha? – perguntei, apertando sua cintura de leve.
- Mais que nunca – ela sussurrou e voltou a me beijar.
Eu sentia o alívio se apoderar de todo meu corpo e beijava-a com carinho. Ela finalmente era toda minha, e eu me sentia o cara mais feliz do mundo. Quebrei o beijo com vários selinhos e encostei meu nariz na sua bochecha.
- Nem com mil palavras eu poderia te contar como é ser o cara mais feliz do mundo, menina – sussurrei e ela beijou minha boca de leve.
- Não tente... A graça é o segredo – ela falou e eu sorri, beijando-a de leve várias vezes, no rosto, no nariz, na boca.
- Eu te amo – sussurrei, abraçando-a e encostando meu queixo em seu ombro. Ela retribuiu o abraço e senti sua respiração no meu pescoço, enquanto sua mão acariciava minha nuca.
- Eu também, .
Continuamos abraçados por muito tempo, e eu estava adorando ficar perto dela, sentindo sua presença e seu coração bater junto ao meu.
, você já superou sua fase gay, aquiete-se.
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Eu e estávamos na minha cama, eu deitada com a cabeça apoiada em seu peito e ele acariciando meus cabelos. Gostooooso... Tava tocando Queen no rádio, Somebody to Love, não sei porque, eu não gosto TANTO assim de Queen. Nós estávamos em silêncio e eu pensava em tudo isso que estava acontecendo. Pensei em Peter, como ele estaria. E sempre pensava em , mesmo com ele ali do lado.
- Eu tinha medo – falei. Ele mexeu a cabeça, então eu supus que estivesse me olhando. Suspirei e me apoiei no cotovelo, para olhá-lo. me olhava confuso e eu suspirei, passando o dedo de leve pelo rosto dele. – Eu tinha medo de muita coisa, pra arriscar algo com você. – Olhei para baixo e ele segurou minha mão com a dele, beijando-a de leve.
- Medo de quê? – ele perguntou com voz fraca. – Que eu não fosse tudo o que você esperava?
- Lógico que não, . Você sempre vai ser tudo o que eu espero – falei e ele sorriu de leve. – Eu tinha medo de... que desse errado com você também, e eu te perdesse. Você é importante demais pra mim, eu não sei como seria minha vida sem você – falei e ele acariciou minha bochecha, com um sorriso leve.
- Seria impossível uma vida sem você. Não existe sem – ele falou e eu sorri amplamente.
- Muito menos sem – eu disse, me inclinando e o beijando.
Nos beijamos alguns minutos, e depois ele separou nossas bocas.
- Do que mais você tinha medo? – ele perguntou, com voz falha. Eu suspirei e me deitei em cima dele, colando nossos corpos. Ele pôs a mão em minha cintura e me virou, ficando por cima.
- Não lembro... – falei e ele riu. Nos encaramos durante um tempo e ele decidiu voltar a me beijar, o que eu aprovei totalmente.
Quando eu beijo o , não importa quando, não importa onde, tudo começa a valer a pena. Porque eu tenho que estar ali por ele, eu tenho que fazer isso tudo por ele. Ele é meu tudo. Lembrei do que eu tinha medo e quebrei o beijo.
-Tinha medo que você não me amasse do mesmo jeito que eu amo você – confessei e ele sorriu.
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Eu acariciei o rosto dela quando ela me disse aquilo.
- Eu também – sussurrei e ela sorriu também. Como eu amo o sorriso dessa menina. – Nós dois então somos uns bobos – falei e ela gargalhou.
- Somos! – ela falou sorrindo e depois mordeu o lábio. Beijei-a rapidamente, e ela suspirou.
- Como será que o Peter está? – Isso, ela tinha que cagar tudo. Pô, , aguenta aí, né? Deixe suas preocupações com ele dentro de você, ok? Ignorei esse pensamento e dei ombros.
- Você é a única pessoa que importa para mim – falei, voltando a beijá-la. Pude senti-la sorrindo, o que me instigou a continuar. Agora não haveria nada de errado.
Acelerei o beijo e me ajeitei em cima dela. Ela abriu as pernas e eu me arrumei ali, incrível como o formato dos nossos corpos se encaixavam perfeitamente, eram como duas peças de quebra-cabeça. Separadas não faziam o menor sentido, mas, quando juntas, uma ao lado da outra, começavam o que seria o desenho mais lindo.
Sua mão estava na base das minhas costas e as minhas ao lado do corpo dela. Segurei em sua cintura e em seu rosto, beijando-a mais desesperadamente. Eu precisava disso, precisava dela. Ela desceu a mão e deixou-a pousada na minha bunda, e eu não sabia o que me excitava mais, o fato de ela deixar ali na expectativa de apertar ou realmente apertar. Só sei que eu já estava sentindo o jeans ficar “pequeno”, se eu posso dizer assim. Quebrei o beijo e beijei seu pescoço, fazendo o favor de mordiscar e chupar, pra deixar marcas mesmo, pra mostrar que ela era minha. E ok, o pescoço da é muito gostoso. Enquanto me deliciava em seu pescoço, minhas mãos exploravam sua barriga. Conforme iam subindo, eu levantava sua blusa também, então parei de beijar seu pescoço por um tempo para tirá-la. Ela me sorriu meio pervertida, e, eu juro, gamei nesse olhar. Aproveitei pra tirar minha blusa, eu já estava acalorado. Quando voltei a me deitar sobre ela, beijando-a incansavelmente e de forma desesperada, senti todo meu abdome contrair ao encostar com seu corpo.
Passei minhas mãos por todo aquele paraíso, pensando que nunca eu poderia ter dado sorte maior do que essa: uma melhor amiga perfeita como a , e gostosa ainda por cima. É tudo que eu peço de Natal desde os 13 anos. Ela tinha colocado os polegares por dentro da minha boxer e acariciava a área da minha cintura lentamente, me causando arrepios assustadores. Eu já nem tinha mais ar, então parei de beijá-la e respirei fundo, encostando minha boca entre seus seios. Dei vários beijos ali e fui descendo. Quando cheguei no umbigo, ela arqueou as costas levemente e soltou o que era um gemido baixinho. Satisfeito com isso, continuei descendo os beijos e abri os botões de sua calça. Deixei aberto e voltei a beijá-la. Quando percebi, ela havia me virado e sentado em cima de mim. Quebrou o beijo e mordeu meu lábio inferior com vontade, me fazendo gemer baixinho. Ela se afastou lentamente e deixou-o escorregar entre seus dentes. Eu já estava pirando, e minha boxer e jeans, que são bem larguinhas, estavam apertadas. Muito, por sinal. Ela beijou minha mandíbula e foi descendo, mordiscou minha orelha, pescoço, clavícula... chegou no meu peito e o lambeu lentamente, me deixando doido. Continuou descendo, intercalando beijos e mordidas, enquanto eu soltava uns grunhidos estranhos e matinha meus olhos fechados. Por mais que eu tentasse, eu não conseguia ver o que ela fazia. Senti suas mãos geladas abrirem o fecho da minha calça e logo entrarem por dentro dela, mas não por dentro da boxer. Ela acariciou minhas coxas. Eu ainda com a calça (que por ser dois números maior, ficava folgada e dava pra ela fazer isso) e eu abri meus olhos, pegando em seus braços e a jogando ao meu lado na cama. Ela caiu e riu, e eu subi em cima dela de novo, a beijando intensamente. Quase a engolia, e fazia questão de tentar estar com a minha mão em todas as curvas perfeitas dela ao mesmo tempo. Fiz o mesmo que ela, coloquei minha mão por dentro de calça skinny e apertada dela (o que só fez isso mais sensual), mas na bunda, e apertei com muita vontade. é muito bem dotada, que fique anotado. Obrigado, Deus. Comecei a abaixar sua calça, com um sorriso malicioso e respiração ofegante, mas ela pôs a mão no meu peito e olhou para mim.
- Não, – ela soprou e na hora eu broxei. ‘Não’? Como assim ‘não’? Ela me leva até aqui, me excita e tudo o mais, pra na melhor hora dizer ‘não’? Nossa, fiquei muito puto!
- Como assim ‘não’?! – perguntei, com um tom de voz fraco e frustrado. Ela mordeu o lábio e tentou me beijar, mas eu não deixei.
- ... Eu não sei se to pronta pra isso com você... – ela falou, com voz fraca, e eu só fiquei com mais raiva.
- Não devia ter começado então! – falei, bravo, me sentando na cama e pegando minha camisa.
- Você quem começou! – ela reclamou indignada, sentando-se também. Argh, agora eu sou o vilão não é?!
- Então porque deu continuidade?! Se você não queria, não devia ter me excitado. Porra, , isso é frustrante! – falei, levantando e fechando a minha calça. Ela me olhava com olhos tristes e eu trinquei o maxilar. Arrumei o cabelo e peguei minha mochila, saindo do quarto dela.
Última visão que eu quis muito apagar da minha mente, mas infelizmente não consegui: me vendo partir com aqueles olhos úmidos, sentada na cama bagunçada apenas de sutiã e calça aberta.
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saiu do quarto e uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Eu sabia que era idiota ficar chorando toda hora por causa dele, mas eu tinha prometido a mim mesma que dessa vez ia fazer certo, porque era com . Eu não podia arriscar ser uma idiota como fui com todos os outros. Tinha que dar certo. E a primeira coisa que eu faço é negar a ele uma coisa que ele quer, e que no fundo eu também quero. É só que... é rápido demais.
Eu preciso me acostumar ainda com a ideia de que meu melhor amigo agora é o meu ficante, ou namorado, ou sei lá o que somos, e que nós podemos nos amassar. Eu ainda estou com a ideia de que isso é errado. Fazer sexo com ele é uma coisa que eu quero, céus, eu seria lésbica se não sentisse desejo pelo , olha só aquelas formas daquele corpo, e aquele volume então?! E esses amassos me deixam excitada, por isso eu continuo. Mas se eu soubesse que ele iria ficar tão bravo assim, eu não teria continuado.
Enterrei o rosto nas mãos e limpei minhas lágrimas. Depois de um tempo de reflexão, decidi tomar um banho. Senti uma leve tontura e ignorei, indo para o chuveiro.
Depois de um banho quente e cheio de reflexões, eu me senti enjoada, e corri para a privada. Minha mãe veio ver o que eu tinha, e eu disse que não era nada demais. Ela perguntou se eu estaria em condições de ir na escola amanhã, e eu disse que iria ver. Tudo dependia do amanhã, como sempre.
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Entrei na sala, mas ainda não estava lá. Nós não nos falávamos desde que eu saí da casa dela ontem, e eu estava me sentindo culpado. Eu na verdade só fiquei bravo com ela na hora por causa da frustração, mas eu já me sentia arrependido e queria beijá-la e tê-la em meus braços de novo.
Sentei-me e alguns segundos depois ela entrou na sala, parecendo pálida e doente. Franzi as sobrancelhas e ela olhou pra mim, se aproximando lentamente.
- ... – falei, baixinho, e ela estendeu os braços pra mim. A abracei forte e beijei sua bochecha. – Desculpa por ontem. Não queria ter ficado bravo daquele jeito com você – sussurrei.
- Desculpa por ter continuado, , é só que... – ela começou a falar, mas eu pus o dedo indicador em seus lábios macios.
- Não precisa se desculpar, . Não foi sua culpa – falei e ela fechou os olhos, suspirando. Achei que ela ia sorrir e me beijar, mas ela ficou daquele jeito, quieta. Franzi novamente o cenho e levantei seu rosto com a mão, delicadamente. – O que você tem?
- Eu... não tô muito bem – murmurou. Nada que eu não tivesse percebido.
- Isso eu percebi – falei e ela sorriu de lado. – Não sabe ainda o que é? – Ela pareceu nervosa com essa pergunta por algum motivo, e eu estranhei.
- Não. Só não tô me sentindo muito bem, desde ontem. – Deu ombros. Nesse momento o professor entrou na sala e nós nos sentamos. Eu continuei preocupado com ela, então estendi minha mão para trás. Pude sentir a dela envolver a minha lentamente, e sua mão estava quente, o que eu estranhei, a mão e os pés da nunca estão quentes. Acho que ela não estava realmente bem. Eu nem pude aproveitar aquele momento, porque a coordenadora entrou e olhou para mim.
- – ela me chamou e eu engoli em seco, que que eu fiz de errado dessa vez? Levantei-me pesaroso e a segui, ao sinal dela. Lancei um último olhar pra , que me olhava com os olhos preocupados, mas ainda tristes, e eu reparei que eles estavam vermelhos. Sem poder ir lá e ver o que havia, segui a coordenadora, que me levou até a sala do diretor. Ixi, o caso era sério.
- Entre aí, o diretor quer conversar com você – ela disse e eu concordei com a cabeça, era meio óbvio, né. Assim que entrei, o Sr. Hammings me examinou com aqueles olhos escuros e inteligentes.
- Bom dia, .
- Bom dia, senhor – falei e sentei-me na cadeira em frente a ele, quando ele me indicou.
- Chamei-o aqui porque acho que se lembra do Sarau que vai ocorrer na próxima semana, aqui na escola. – Concordei com a cabeça. Ele me examinou novamente, sobre os óculos, e eu senti um arrepio na espinha. – Por que não se inscreveu esse ano?
Explicando, eu tenho um talento musical, dizem que eu toco muito bem e canto também, então eu sempre participava dessas coisas da escola, porque, como eu era ‘gay’, tinha que ter um jeito de as pessoas me aceitarem melhor, certo? Tanto faz, de qualquer forma, esse ano eu não me inscrevi, tava cansado.
- Ah... não sei...
- Se quiser, ainda posso te colocar na apresentação. Como um gran finale ou algo do gênero. – Sr Hammings propôs e eu sorri de leve. Eu sempre soube que ele me adorava!
- Não sei, Sr. Hammings... Não sei se conseguiria ensaiar a tempo, ou pensar numa música... – confessei. Eu até participaria, mas não tinha pensado em nada, tantas coisas acontecendo esse ano que nem me preparei.
- Entendo. Bom, se mudar de ideia, procure-me – ele falou, gentil. Eu concordei com um sorriso e me levantei, saindo da sala. Enquanto andava de volta para a sala, uma música me veio a mente e eu comecei a cantarolá-la. Parei com um sorriso no rosto e pensei em . Eu precisaria de ajuda para isso, mas não poderia ser a dela. Seria uma surpresa. Sem pensar novamente, dei meia volta.
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Alguns dias se passaram, e eu e ficamos mais algumas vezes, ora na minha casa, ora na dele. Nada que passasse dos limites, estávamos nos respeitando e dando tempo ao tempo. Na escola, já estavam comentando, mas eu não ligava. O que eu achava estranho é que ele parecia estar escondendo algo de mim, e nunca teve segredos de mim.
Estávamos na casa dele, nos beijando no sofá. Ele me dava beijos delicados que eu amava, e me sentia retardada depois que eles acabavam, eu não conseguia pensar. Bizarro, eu sei. Quebrei o beijo e suspirei, e ele riu baixinho, com o hálito de menta batendo em meu rosto. Acariciou minha bochecha lentamente e me olhou com carinho.
- Posso estar meio desapontado por não ter chegado nos finalmentes com você ainda, , mas preciso dizer... – ele soprou, beijando minha bochecha, e indo até minha orelha com beijos curtos - eu estou amando esses momentos com você – ele sussurrou sedutoramente e eu sorri babacamente. Quando ia responder, a campainha tocou e ele rolou os olhos, respirando fundo.
Levantou-se e eu fiquei no sofá. Me ajeitei, segurando uma almofada, e o ouvi abrir a porta. Uma voz de garota que eu conhecia o cumprimentou, e falou baixo com ela. Não pude entender o que diziam, mas logo o barulho de saltos subiam a escada, e fechou a porta. Eu estava totalmente deitada no sofá, tentando ouvir, então me ajeitei. Voltei à minha posição inicial e ele apareceu meio sem graça.
- ... er... Desculpa ter que te pedir isso... mas me avisaram aqui que... bom... – Ele estava todo enrolado, não consegue mentir pra mim, é isso. – Bom... eu vou ter que pedir pra... você ir embora. – Ele mordeu o lábio inferior e eu o olhei sem expressão.
Certo, recapitulando: estamos no amasso, uma garota bate à porta, sobe as escadas, provavelmente pro quarto dele, e ele me manda embora. Ótimo, normal. Vou encarar isso numa boa. Ah, vá pro inferno, .
- Certo – falei, sem conter minha raiva.
- Desculpa mesmo, é uma...
- Dane-se, – falei brava e passei por ele sem dar tchau nem nada, saindo pela porta.
- ! – ainda pude ouvi-lo me chamar, mas continuei andando.
Quando estava quase em casa, me lembrei de quem era a voz: Jennifer. Uma das Cheerleaders e melhor amiga da Giu. Que bom.
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Já era o dia do Sarau. me ignorou completamente nos últimos dois dias, e algo me diz que ela sabia que a Jennifer estava em casa. Mas eu não podia fazer nada! Ela não podia ficar lá. Eu precisava ensaiar com Jennifer meu número de Sarau, não é minha culpa! O pior é que eu sou péssimo mentindo e escondendo coisas dela, ela provavelmente deve ter desconfiado de alguma coisa e entendido tudo errado.
Eu estava sentado na minha cama, imaginando se ela iria no Sarau. Não teria sentido se ela não fosse. Eu estava ensaiando essa música por ela, levando indiretas da Jennifer por ela, aturando essa vaca por ela. Mandei um SMS.
Me encontra no Sarau hoje à noite? Por favor, eu sei que você tá brava, mas eu preciso mesmo falar com você. Tenho uma surpresa.
Como eu achei que ela ia simplesmente ler e tacar o celular de volta na cômoda, acrescentei algo.
Com amor, , seu admirador secreto.
Senti-me um babaca novamente escrevendo isso, mas eu tinha que instigar a curiosidade dela. E já estava na hora de contar sobre isso, não aguento mais enganar ela sobre nada.
Algumas horas depois, eu estava vestindo um jeans escuro, blusa social branca, com as mangas dobradas até o cotovelo, cheirando a Kaiak. Esperando que isso fosse suficiente pela minha garota, peguei meu violão e saí de casa.
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Recebi o SMS do e fiquei encarando a última linha confusa. Eu não queria vê-lo, principalmente depois de saber que ele estava me chifrando com a Jennifer. Ok, eu não tinha certeza disso, mas todos os fatos indicavam para isso. Mas isso de admirador secreto... tinha sido ele então?
Completamente confusa, decidi ir, até porque estava na hora de conversar sério com ele sobre tudo isso, fugir não dá mais. Me vesti de forma simples, deixei o cabelo solto e saí de casa.
Quando cheguei na escola, estava meio cheio, e eu não achava de jeito nenhum. Rodei aquele lugar, passei por Pete, que me acenou. Acenei de volta e fui até ele.
- Viu, ? – perguntei. Ele olhou em volta e depois me olhou.
- Nem vi. Vocês vieram juntos? – ele perguntou e eu neguei.
- Vou continuar procurando ele, brigada – falei e já ia sair quando ele me chamou.
- Se eu o vir, aviso que você tá procurando – ofereceu com um sorriso e eu agradeci.
Peguei uma bebida e o diretor subiu ao palco. Me encostei, imaginando que tinha se atrasado como sempre, e escutei a primeira banda ser anunciada. Era uma apresentação tosca, e assim continuou sendo.
Quando tinha desistido de esperar , dei meia volta e estava saindo quando ouvi o diretor anunciar a próxima apresentação musical.
- Ele já esteve aqui durante muitos anos e esse ano não estaria, mas eu o convenci de voltar! – Ele pareceu orgulhoso disso e eu dei meia volta, não valeria a pena. – Com vocês, , em parceria com Jennifer Tillows!
Ao ouvir “ ” eu fiquei estática. Não conseguia fugir dali, nem me voltar. Com muito esforço, virei-me e o vi subir no palco, incrivelmente lindo e sorridente. Com nós no estômago, vi Jennifer aparecer ao seu lado e me senti culpada imediatamente.
- Erm, oi, gente – ele falou no microfone e passou o olhar pela platéia, parando em mim. Seu sorriso pareceu alargar, e eu senti meu rosto todo corar. – , não vai embora ainda. Essa é pra você – ele disse e me senti queimando por dentro.
fez a contagem e começou a tocar.
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Capítulo 15.
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Depois que anunciei pra que essa era a música dela, pigarreei e comecei a tocar.Do you hear me, I'm talking to you (Você me escuta? Eu estou falando com você)
Across the water, across the deep blue ocean (do outro lado da água, do outro lado do profundo oceano azul)
Under the open sky oh my, baby I'm trying (Sobre o céu aberto, oh nossa! querida estou tentando!) Eu cantava encarando , e ela me encarava também, seu grandes olhos ficando molhados. Merda, odeio fazê-la chorar. Mas antes chorar de alegria do que tristeza, certo? Jennifer começou a cantar.
Boy I hear you in my dreams (Garoto, eu te escuto nos meus sonhos)
I feel you whisper across the sea (eu sinto seu sussurro do outro lado do mar)
I keep you with me in my heart (eu te mantenho comigo em meu coração)
You make it easier when life gets hard (você faz tudo ficar mais fácil quando a vida se torna difícil) Eu escolhi essa música justamente porque era tudo que eu sentia pela . Não importava a distância, eu sempre estaria pensando nela. E eu sabia que eu facilitava muito pra ela, ela sempre me disse isso. Que ela não saberia o que fazer sem mim. Então, eu e Jennifer voltamos a cantar juntos, uma harmonia bonita, embora eu não desviasse nunca meus olhos dos globos da minha menina. E essa, decididamente, era a parte que mais combinava com nós dois.
Lucky I'm in love with my best friend (sortudo por estar apaixonado pela minha melhor amiga)
Lucky to have been where I have been (sortudo por ter estado onde eu estive)
Lucky to be coming home again (sortudo por estar voltando para casa novamente)
Uma lágrima escorreu no rosto de e ela sorria largamente. Aquele sorriso era tudo que eu sempre quis manter no rosto dela. Sorri consequentemente, e voltei a cantar. As pessoas se balançavam ao som da música, algumas cantavam junto.
They don't know how long it takes (eles não sabem quanto tempo demora)
Waiting for a love like this (esperar por um amor como esse)
Every time we say goodbye (toda vez que nós dizemos adeus)
I wish we had one more kiss (eu desejo que nós pudéssemos ter mais um beijo)
I wait for you I promise you, I will (eu vou esperar por você, eu prometo, eu vou) Eu não era muito bom com promessas, mas essa decididamente eu iria cumprir. Eu esperaria sempre pela minha menina, não importava. Eu já esperei muito tempo.
Lucky I'm in love with my best friend (sortudo por estar apaixonado pela minha melhor amiga)
Lucky to have been where I have been (sortudo por ter estado onde eu estive)
Lucky to be coming home again (sortudo por estar voltando para casa novamente) Lucky we're in love in every way (sortudo por nós estarmos apaixonados de todas as maneiras)
Lucky to have stayed where we have stayed (sortudo por ter ficando onde ficamos)
Lucky to be coming home someday (sortudo por estar voltando pra casa algum dia…)Eu não conseguia parar de cantar sem olhar para ela. Ela ainda sorria daquele jeito lindo, a minha menina perfeita. Uma lágrima escorreu pelo rosto dela, e eu sorri. Não porque estivesse feliz que ela estava chorando, porque eu odeio fazê-la chorar, já disse. Mas porque naquela lágrima estavam todas as palavras não ditas do que eu sentia por ela, ela sentia por mim.
And so I'm sailing through the sea (E então estou velejando pelo mar)
To an island where we'll meet (Para uma ilha aonde vamos nos encontrar)
You'll hear the music, feel the air (Você ouvirá a música preencher o ar)
I put a flower in your hair (Vou colocar uma flor em seu cabelo)
And though the breeze is through trees (Apesar da brisa das árvores)
Move so pretty you're all I see (Se moverem tão graciosamente Você é tudo que vejo)
As the world keep spinning round (Enquanto o mundo continua girando)
You hold me right here right now (Você me abraça forte aqui, nesse instante) Certo, essa é a parte da música que não tem muito a ver conosco. Por enquanto. Se tudo der certo no meu plano, talvez tenha. Me preparei para cantar o refrão uma última vez.
Lucky I'm in love with my best friend (sortudo por estar apaixonado pela minha melhor amiga)
Lucky to have been where I have been (sortudo por ter estado onde eu estive)
Lucky to be coming home again (sortudo por estar voltando para casa novamente) Lucky we're in love in every way (sortudo por nós estarmos apaixonados de todas as maneiras)
Lucky to have stayed where we have stayed (sortudo por ter ficando onde ficamos)
Lucky to be coming home someday (sortudo por estar voltando pra casa algum dia…)
Toquei a nota final e eu e Jennifer (que, afinal, canta muito bem) fomos muito aplaudidos. E sorri e lancei um olhar por toda platéia, antes de voltar a olhar minha .
- Obrigado! – agradeci e me curvei. Saí do palco, tirei o violão e desci a escadinha. Sr. Hammings me esperava no fim da cochia.
- Parabéns, . Foi uma música muito boa. – Ele apertou minha mão e eu sorri.
- Obrigado, Sr. Hammings. Estou feliz que tenha gostado. – Acenei e saí na platéia. Garotas chegaram perto de mim, mas eu estava olhando uma pessoa só. Passei reto por todas elas e cheguei até . Ela não sorria mais e me olhava sem expressão.
- ... – ela falou e eu a abracei apertado. – Desculpa – ela sussurrou e eu franzi as sobrancelhas.
- Não tem que se desculpar por nada, linda. Que mania... – Ela riu fraco e eu beijei sua bochecha.
- Mas eu briguei com você por nada... Eu achei que você e a Jennifer... – A interrompi beijando seus lábios. Ela retribuiu o beijo, mas eu logo o quebrei.
- Você só interpretou errado. Eu fiz isso muitas vezes, pequena. Eu sou péssimo escondendo coisas de você, mas eu realmente queria que isso fosse uma surpresa. Eu odeio mentir e qualquer coisa do gênero pra você, você sabe disso – falei olhando em seus olhos e ela sorriu, passando as mãos pelas minhas bochechas, e depois para minha nuca, e acariciou meu cabelo.
- Eu adorei a surpresa – sussurrou e eu sorri, voltando a beijá-la.
- E quem disse que acabou? – murmurei e ela me olhou confusa. Eu ri e peguei em sua mão, puxando-a para fora do pátio.
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Saímos da escola e ele me levou até seu carro. Eu ainda estava boba com a música e a performance, e claro, como o estava lindo.
- Pra onde você está me levando? – perguntei. Ele olhou pra trás e sorriu pra mim.
- Pro mesmo lugar, só que agora é pra ficar. – Corei e sorri, eu amo esses momentos poéticos do (n/a: na verdade esse é um trecho do refrão da música ‘O Pensamento’ da banda Smelters :] )
- Sério, , minha mãe vai ficar preocupada! – Eu devia levar um soco pra calar minha boca. Minha mãe nunca ficaria preocupada comigo se estivesse ao meu lado.
- Sua mãe nunca ficaria preocupada se eu estivesse com você – ele disse piscando pra mim e eu dei língua pra ele. Odeio quando ele lê meus pensamentos. Ele riu e abriu a porta do carro pra mim, eu entrei dando um selinho rápido nele.
Entramos no carro e ele começou a dirigir, eu não sabia para onde estávamos indo, mas não queria perguntar. Eu sabia que ele não iria falar, porque era surpresa. Encostei minha cabeça no ombro dele e ele apenas dirigia. Não sei pra onde, mas eu confio no . Qualquer lugar que eu estiver, e ele também, vai ser seguro.
Ele dirigiu por bastante tempo, e eu às vezes suspirava e encostava minha cabeça em seu ombro. Não sei para onde estávamos indo, mas depois de bastante tempo, senti o cheiro de mar e olhei para ele com olhos arregalados.
- Praia? – perguntei e ele sorriu de lado.
- Sim. Mas nós não vamos ficar – ele falou e saiu do carro, me deixando com cara de interrogação. Logo ele apareceu do meu lado e abriu a porta. Saí e ele pegou uma bolsa no banco de trás, sem olhar pra mim. Franzi as sobrancelhas e ele me olhou, sorrindo lindamente. Fiz bico e ele riu.
- Não vai me convencer assim, pequena. Faça melhor. – Ele piscou e pegou na minha mão, trancando o carro e me levando pra algum lugar.
- Isso não vale, , você é chato! – falei e ele riu mais.
- Chato, sei. Você me ama! – Ele deu língua e eu cerrei meus olhos.
- Chato e convencido ainda por cima! – reclamei e, antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa, ele me girou e colou nossos lábios num beijo profundo e delicioso. Passei minhas mãos pelo seu cabelo e mordi seu lábio de leve.
- Mas tô mentindo? – ele perguntou com um sorriso de lado, de olhos ainda fechados. Fechei os meus novamente e suspirei. Odeio esse poder que ele tem sobre mim.
- Não... – sussurrei e ele alargou o sorriso, me dando vários selinhos.- Não estraga a surpresa, linda. ‘Cê vai adorar – disse com voz doce e eu concordei com a cabeça. Se ele me pedisse pra eu ficar nua e correr em círculos, dessa mesma forma, eu provavelmente concordaria também. Não que eu fosse fazer. Só concordaria. Voltamos a andar, com ele me guiando.
Após algum tempo, chegamos a um cais, com vários barcos (óbvio). Mantive-me em silêncio e deixei me levar pela mão até um veleiro. Lembrei imediatamente da música que ele cantou pouco tempo atrás. E também lembrei que fizera aulas de vela durante um verão, mas fazia tempo. Nem sabia que ele ainda sabia. Me entregou um colete salva vidas e eu fiz careta.
- Vou ficar bolhufuda com isso – reclamei e ele riu, colocando o dele. Ah, ele não fica bolhufudo, ele fica sexy. Droga. olhou pra si mesmo e fez uma careta, tirando o colete, e depois a camisa, e colocando o colete de novo. Sorriu pra mim, que ainda segurava o meu idiotamente olhando seu corpo. Ah, qual é, eu tinha que ter um melhor amigo/namorado gostoso mesmo, né, eu mereço.
- Quer ajuda? – ele disse, sorrindo de lado, quase me fazendo desmaiar. Pisquei várias vezes e ele se aproximou rindo.
- Vou ter que tirar a camiseta também? – perguntei arqueando uma sobrancelha e ele riu.
- Não, é só que assim fica mais confortável. Mas se quiser... – Ele deu um sorriso pervertido e eu cerrei meus olhos. – Certo, entendi. – Nós rimos.
Coloquei o colete e ele começou a me incomodar no minuto que grudou na minha pele. Treco chato. entrou no barco e me deu a mão para que eu conseguisse entrar também. Quando estava descendo, perdi o equilíbrio e caí, mas me segurou, rindo. Fiz bico de novo, mas ele me beijou, então eu relaxei. Estávamos naquela pose de cinema, super chique. quebrou o beijo com um sorriso e me colocou na posição normal.
- Sinto que isso vai acontecer muitas vezes – eu estava me referindo ao tombo, caso vocês não tenham reparado. riu baixo novamente e se aproximando de mim, colando nossos corpos o máximo que esses coletes permitiam. Senti sua mão na minha bunda e ele me olhou pervertidamente.
- Pode apostar que vai. – Corei e ele piscou, saindo pra arrumar o barco. Eu fiquei atordoada, acho que ele estava se referindo ao beijo. A menos que ele estivesse planejando me empurrar toda hora pra eu cair.
A parte da arrumação eu fiquei praticamente o tempo todo sentada, sem fazer nada, porque eu tinha medo de atrapalhar. Sempre que pedia algo, porém, eu fazia logo e me sentia bem o ajudando. Devia ser umas três da tarde quando ele terminou. Sentou-se ao meu lado completamente suado (e sexy, vai) e eu lhe passei uma garrafinha d’água. Ele agradeceu com um sorriso e virou metade dela de um gole. Medo, menino troglodita.
- Pronta para passar o melhor fim de semana da sua vida? – perguntou-me, piscando e sorrindo. Eu sorri e acariciei seu cabelo devagar, fazendo-o fechar os olhos.
- Eu desisti de fazer um ranking desde que você começou a passar fins de semana comigo – respondi e ele me olhou confuso. – Cada um é melhor que o outro. – Ele sorriu compreendendo.
- Mas esse vai ser o melhor mesmo. – Levantou-se e beijou meus lábios rapidamente, indo içar a vela.
Alguns minutos depois o vento batia no meu cabelo e eu olhava o horizonte azul à nossa frente. Eu estava com calor, com a roupa que estava, mas não tinha outra, e não ia ficar pelada, né.
- ! – ouvi me chamar e olhei para ele, que estava controlando tudo. – Esqueci de te avisar, pequena, na bolsa tem roupa pra ti, biquínis e etc. – Ele sorriu de lado e eu sorri também. É, ele lê meus pensamentos. Peguei a bolsa e desci as escadinhas, entrando finalmente na parte ‘casa’ do barco. Não tinha cômodos exatamente, apenas uma cama de casal aparentemente macia num canto, portinha do banheiro no outro, um barzinho/cozinha e uma mesa. Era aconchegante e confortável. Troquei de roupa ali mesmo, de porta fechada, depois de constatar que o banheiro era meio pequeno demais pra fazer isso. Depois de colocar um shorts, biquíni por baixo, e uma blusa de manga curta e capuz e de volta o colete, subi e secou minhas pernas, mas continuou atento ao barco. Fui até seu lado e beijei sua bochecha.
- Quer levar um pouco? – ele me perguntou sorrindo e eu arregalei os olhos, negando rapidamente com a cabeça. – Vamos, , é fácil! – Ele pegou minha mão e me sentou em seu colo. Colocou minha mão no leme e a dele por cima, guiando. Meu coração batia rápido, talvez pelo contato de (ele estava com a mão livre-não-tão-livre na minha coxa, acariciando devagar), talvez por estar sentindo a emoção de comandar o barco, não sei. Mas eu estava gostando muito.- Você tem que ficar aqui o tempo todo? – perguntei. – Digo, como esse vai ser o melhor final de semana da minha vida se você vai estar com a bunda colada aqui? – Arregalei meus olhos, pensando no que disse. – Er, essa frase não soou bem. - Ele gargalhou e beijou meu pescoço, me arrepiando.
- Não tenho não, pequena, só vamos chegar a um lugar calmo e ai eu posso sair. De noite a gente ancora em algum lugar, pra não velejar pro nada. – Concordei com a cabeça e suspirei. Tirei minha mão do leme, meu braço estava começando a doer, não sei como conseguia. Saí de seu colo e sentei-me ao seu lado.
Às vezes ele soltava o leme e velejávamos apenas com o vento mesmo. Nós conversávamos, nos beijávamos, olhávamos a água e fazíamos guerra. Logo o sol começou a baixar no horizonte e levantou-se, pegando a âncora com esforço.
- Quer ajuda? – perguntei mordendo o lábio, mas ele a lançou na água sem aparente dificuldade.
- Precisa não. – Piscou e me puxou para perto de si. – Vamos ficar por aqui e assistir o pôr-do-sol – disse, beijando meus lábios várias vezes.
- Hm, que romântico – comentei, tirando meu colete. Com o barco parado, eu não me preocuparia muito, afinal, eu sei nadar. fez o mesmo e me puxou novamente, dessa vez colando nossos corpos.
- Essa é a pior parte de usar coletes – ele reclamou e eu ri, abraçando-o. O céu começava a avermelhar, e estava ficando lindo refletido na água.
- ... – chamei, queria tirar uma dúvida. Ele fez um barulho com a boca e eu suspirei. – O que nós somos?
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- O que nós somos? – ela me perguntou e eu franzi as sobrancelhas. Eu estava meio ocupado observando a bunda dela, então achei a pergunta confusa. Se ela me perguntasse qual era meu nome, eu também acharia confuso. Até porque ela sabe meu nome e... tá bem, ignore.
- Como assim? – murmurei, me afastando um pouco para olhá-la nos olhos.
- Digo... você é meu melhor amigo. Mas agora a gente tá ficando... a gente é o que? – ela explicou e eu suspirei.
- Primeiro, eu ainda sou seu melhor amigo. Não é só porque a gente tá saindo que eu vou deixar de ser. Eu sempre vou estar aqui pra você. – Ela esboçou um sorriso de canto e eu coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. – Quanto ao que nós somos... – pensei um pouco, realmente não éramos nada. Repuxei o canto da boca, eu peguei mania de fazer isso quando vou dizer algo fodástico (tá, mentira), e depois sorri. – O que acha de ser minha namorada? Quer?
Os olhos da minha menina brilharam ao ouvir o que eu sugeri e ela pulou em meu pescoço, me abraçando forte.
- É lógico que eu quero – ela sussurrou e eu senti meu coração bater forte. Agora ela era mais do que minha. Nos afastamos ao mesmo tempo e eu colei meus lábios aos dela.
O beijo era profundo e carinhoso, e eu acariciava sua cintura, sentindo suas mãos em meu cabelo e sua língua encostar na minha fazendo arrepios percorrerem meu corpo. Dessa vez eu percebi que não haveria como negar. Mas eu não queria me empolgar agora, ainda tínhamos o pôr-do-sol pra assistir. Quebrei o beijo e olhei em seus olhos. Imaginei como estariam os meus, que são azuis, com o brilho da água e o sol.
- Sobe ali no deck que eu vou pegar uma coisa - sussurrei e ela concordou com a cabeça. Desci pro quarto e fui até o barzinho, pegando uma caixinha de suco de manga, o favorito da (n/a: eu AMO suco de manga *o* kk). Eu preferia algo alcoólico, mas é fraca pra bebidas, e eu não quero embebedá-la. Peguei dois copos e voltei pra lá. Ela já estava sentada no deck e eu a observei por um tempo. Minha menina linda. Saindo do meu transe, subi até lá e ela sorriu pra mim. Sentei-me ao seu lado e encostei as costas na muretinha. Ela encostou-se em mim e eu coloquei suco pra nós.
- Achei que ia trazer algo alcoólico. – Ela riu baixinho.
- Eu não quero te embebedar – falei e tomei um gole. Não é ruim, e eu também queria estar sóbrio pra hoje à noite. Assistimos o pôr-do-sol lado a lado, fazendo carícias e trocando beijos. Romântico. Muito romântico.
- Que sono – ela falou e eu ri. Já havíamos nos trocado, e ela estava com um pijama curto, eu apenas usando calça. Nos deitamos na cama e eu acariciei seu rosto. Ela me olhava compenetrada, e eu queria saber o que ela está pensando. Tudo o que passava na minha cabeça é que hoje à noite eu teria ela.
- Quem disse que você vai dormir agora, mocinha? – perguntei, arqueando uma sobrancelha e chegando mais perto dela. Ela sorriu meio pervertida e eu colei nossos lábios. os separou por poucos segundos, apenas para dizer:
- Mantenha-me acordada então. – E logo nossos lábios estavam unidos novamente. Rolei para ficar em cima dela, e só a sensação de que realmente iríamos fazer aquilo que eu sempre esperei (tá, não sempre, mas faz um bom tempinho) já me deixou extremamente empolgado.
Nos beijávamos furiosamente, a noite ia ser longa. Sem qualquer cerimônia, arranquei sua blusa e voltei a beijá-la, sem dar tempo nem pra respirar. As minhas costas já formigavam, porque eu já estava sem camisa, e ela me abraçava, puxava, arranhava de leve e forte... o que só me deixava mais excitado. Sua lingerie preta me deixava doido, e eu logo me distraí com ela, beijando seu colo e peitos por cima do sutiã. Ela puxava meu cabelo devagar e sua respiração estava ofegante.
Desci meus beijos por sua barriga, que encolheu ao sentir minha língua quente acariciá-la. Sem olhar para ela, percebi que ela ria de leve. Mordisquei sua cintura e abaixei seu shorts. Ele era tão curto que nem tinha feito muita diferença, mas quando eu fiquei de joelhos para observá-la, fez TODA a diferença. O conjunto preto de lingerie fez meus olhos arderem de desejo. me lançou um olhar pervertido e cerrou os olhos, segurando o fio da minha calça (aquele que fica em calças de moletom, para você fechar) e me puxou de volta para ela. Assim que meu peito estava colado ao dela, ela me girou e colou nossos lábios novamente. Com as pernas do lado do meu corpo, seus cabelos caindo sobre nosso beijo, ela nem parecia minha menina tímida. Coloquei minhas mãos nas coxas de e apertei, aproveitando toda a extensão delas, e também sua bunda. Ela quebrou o beijo e mordeu meu lábio inferior com força, machucando, e me fazendo soltar um gemido alto. Não porque doeu, e sim porque eu estava queimando. estava me deixando doido, eu nunca soube que ela era assim. Eu venho descobrindo aos poucos, nos nossos amassos, mas agora eu realmente vou saber como é senti-la.
- Não acredito que demorei tanto tempo pra isso – sussurrei e ela riu beijando meu pescoço.
- Vamos fazer valer a pena então – ela sussurrou de volta e eu fechei os olhos, apenas sentindo seus beijos molhados, curtos, longos, chupões, todos os tipos percorrerem do meu pescoço até a barra da minha calça. Nesse ponto, meu júnior já estava enorme, e pulsando, morrendo de vontade de sentir essa garota.
me lançou um olhar pervertido e abaixou minha calça lentamente, com as mãos coladas à minha coxa, ora interna ora externamente. Chegou no fim e a jogou para trás, junto com sua blusa. Encarou-me, do mesmo jeito que a encarei, e mordeu o lábio inferior com um sorriso malicioso. Voltou a abaixar-se e, com as unhas coladas nas minhas pernas, subiu novamente com as mãos coladas, arranhando-me levemente. Deixando-me doido. Gemi alto novamente e ouvi sua risada de leve. Fechei os olhos com força quando ela tirou minha boxer, eu estava em desvantagem. Só que eu não tinha controle dos meus movimentos, eu estava doido, queria puxá-la e meter nela com rapidez e velocidade, queria fazê-la gritar, gritar meu nome. Um quase grito escapou da minha mente quando ela envolveu meu membro com as mãos e começou a masturbar. Agarrei os lençóis, fechando os olhos fortemente. parou logo, e antes que eu pudesse abrir os olhos e tentar entender, sua língua tocou minha glande de leve, fazendo movimentos circulares. Logo sua boca toda envolveu meu membro e ela começou a sugar, eu estava quase gozando. Que ridículo, eu sei, mas céus, eu estava pirado. Depois de um tempo eu não agüentei mais.
- Pequena... – chamei com a voz fraca e ela me olhou, com as sobrancelhas arqueadas. Sem dizer mais nada, puxei-a e a joguei na cama, deitando por cima dela novamente e beijando-a. Sem perder tempo, tirei sua calcinha e seu sutiã e abri a gaveta ao lado da cama, pegando uma camisinha estrategicamente colocada. A vesti com atenção para não fazer nada errado (minhas mãos estavam tremendo, patético, é) e logo deitei em cima dela, penetrando-a com vontade. Como imaginei, ela gritou e eu continuei num ritmo acelerado, gemendo também e sentindo o suor se espalhar pelo meu corpo. Às vezes eu colava meus lábios aos delas, mas estávamos ofegantes e precisávamos respirar, então o beijo não durava muito. Mas eu deixava meu rosto perto do dela, queria ouvir os gemidos, todos eles, queria ter certeza que eu estava na cama, fazendo ter o melhor sexo da vida dela. Poucos minutos depois, ela soltou um gemido que soava como meu nome, e eu gozei junto com ela. Dei mais umas estocadas, mas não conseguia muito mais, e caí ofegante ao seu lado. Ficamos apenas respirando pesadamente por um tempo, olhando o teto. Eu ainda não acreditava. Depois de tanto tempo, era tudo isso que eu havia perdido. Senti se mover e olhei para ela, que sorriu de leve, os cabelos bagunçados, e encostou a cabeça no meu peito. Abracei-a e beijei sua testa, acariciando os fios castanhos e respirando fundo. Dessa vez não havia ninguém para nos atrapalhar e dera tudo certo.
- Você tava certo, – ouvi a voz fraca dela. Escutei com mais atenção. – Esse vai ser o melhor fim de semana da minha vida – ela completou. Ri baixinho e a apertei levemente.
- E ele apenas acabou de começar, minha menina. – Beijei sua cabeça novamente e fechei os olhos, sorrindo com o que acabara de dizer.
O fim de semana estava apenas começando.
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Capítulo 16.
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Acordei com o sol batendo em meus olhos, e balançando levemente de acordo com as ondas. ainda dormia profundamente, com um sorriso leve no rosto. Eu me sentia meio enjoada, provavelmente da grande atividade física que tivemos durante a noite (hihi), e também por causa do barco. Estranho, nunca senti enjôos em barcos antes. Levantei-me e peguei uma blusa que achei, não sei se era minha ou do , porque minha cabeça rodava. Mais rápido que esta rodando, era meu estômago, e tudo que consegui fazer foi correr para o banheiro, me ajoelhar e botar tudo pra fora. Quando passei pela portinha, escancarei-a, então ela abriu e fechou com um estrondo, provavelmente acordando , já que em poucos segundos ele apareceu ao meu lado. Cara de sono, apenas de boxer e semblante preocupado. Esse é o meu melhor amigo. Namorado. Que estranho.
- Hey, o que houve? – ele perguntou, ajoelhando-se ao meu lado e segurando meu cabelo, tirando-o da minha testa úmida. Eu sabia o que tinha.
Quando nos amassamos na minha casa, depois de eu ‘terminar’ com o Peter, eu havia sentido um enjôo logo após ele ir embora e disse para minha mãe que era apenas mal estar. Mas então fiz alguns cálculos e percebi que não poderia ser só mal-estar.- ... – abraçou-me e eu percebi que estava chorando. Chorando muito. Não queria lembrar disso, não queria pensar que isso estava acontecendo comigo. – É o barco? Está te dando enjôo? Posso te levar pra casa.
- ... – chamei-o e ele me levantou. Seus olhos azuis me olhavam preocupados e eu cambaleei pra fora do banheiro, lágrimas ainda escorrendo no meu rosto.
- , por favor, que tá acontecendo? – ele perguntou, meio nervoso e eu sentei na cama, escondendo o rosto nas mãos. Eu não conseguiria contar para ele.
- Eu... – tentei. ajoelhou na minha frente e limpou meu rosto. Então lembrei de uma coisa e, com as pernas moles, fui até minha bolsa de escola. Peguei o que tinha comprado no dia anterior, o quarto que eu comprara, e entrei no banheiro, sozinha.
Depois de fazer o que precisava fazer, a dor me acertou de novo e eu saí tremendo do banheiro. ainda estava sentado na cama e me olhou nervoso. Fui até ele e lhe entreguei o teste. Seus olhos ficaram confusos, mas quando entenderam ele me olhou assustado.
- Isso... é verdade?! – perguntou, sem desviar os olhos do teste de gravidez.
- Sim – minha voz saiu fraca e ele levantou-se, me abraçando apertado. - Eu fiz quatro vezes – soltei baixinho e retribuí o abraço. Agora uma pessoa sabia, mas eu continuava sem saber o que fazer.
- Meu Deus... Desde quando você sabe disso? – segurou meu rosto com as mãos.
- Uma semana, mais ou menos... O primeiro sintoma foi no dia que terminei com o Peter... – confessei e ele respirou fundo.
- Mas quem...? – ele que não era, óbvio. Mordi meu lábio e abaixei os olhos.
- Kyle – sussurrei, o nome saiu como um tiro em câmera lenta da minha boca. arregalou os olhos e abriu a boca. – É a única possibilidade.
- Filho da puta – disse, então virou-se e socou a parede do barco. - FILHO DA PUTA! – repetiu e eu abracei a mim mesma, como se ele estivesse me socando. Virou-se novamente para mim e me olhou com olhos doloridos. – Meu Deus, ...
- Eu não sei o que fazer... – confessei e voltei a chorar. Ele me abraçou e tentou me consolar, mas ele mesmo estava pasmo demais para isso. off
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Filho da puta, filho da puta, filho da puta! Imagens passaram em minha mente. Kyle derretendo numa banheira de ácido sulfúrico: sim, claro ou óbvio? Eu tinha que fazer algo com ele, esse desgraçado...
Eu tentava acalmar , mas não conseguia ficar calmo também. Deitei-a na cama e pedi pra ela descansar, eu ia nadar um pouco e aliviar os pensamentos. Ou eu acabaria voltando nesse momento para casa, acharia Kyle, o torturaria até ele pedir para parar que nem uma mulherzinha e pedisse desculpas por ter nascido. É, eu sou mau.
Arranquei minha roupa, ia nadar pelado mesmo, não havia ninguém além de aqui, e ela não estava muito no clima para nadar comigo da forma que viemos ao mundo. Embora essa tivesse sido uma das ideias que eu tive para esse fim de semana. Mas como sempre, algo tem que atrapalhar. E dessa vez, era o filho da puta do Kyle de novo. Pulei na água fria e afundei. Fiquei embaixo d’água até quanto meu metabolismo me permitiu e depois voltei a superfície. Apoiei no barco e fiquei olhando a água, o dia mal havia nascido e já haviam problemas. Eu iria ajudar a , e se ela fosse ficar com a criança e precisar de um pai, ela poderia contar comigo, eu nunca a deixaria sozinha com algo assim. Mas antes, eu iria praticamente matar o pai verdadeiro da criança de tanta porrada.
Eu não sabia se aceitava o aborto, eu achava horrível. Era uma sugestão, mas quem teria que escolher era ela. Mesmo que ela tivesse que criar o filho do capeta (literalmente) sem o capeta perto. Nem se ele quisesse ele ia chegar perto da de novo. Voltei a mergulhar e passei mais um tempão embaixo d’água. Cheguei ao meu extremo e subi, pra pegar ar. Cansado da água fria, subi no barco e peguei minhas roupas. Uma toalha estava ali perto, provavelmente a deixou ali, já que não peguei nenhuma. Me enxuguei e vesti minha boxer. Não sabia quanto tempo tinha ficado refletindo.
Entrei novamente no barco e encontrei pegando um copo d’água, o rosto ainda lavado de lágrimas, os olhos inchados. Meu olhar não pôde deixar de se dirigir à sua barriga, que nem aparentava ainda. Ainda. Ela olhou para mim com seus olhos lindos e e eu a abracei, beijando sua testa. retribuiu o abraço e percebi que tudo que ela precisava no momento era apoio.
- Saiba que eu vou estar com você, não importa o que acontecer, não importa que decisão tomar – sussurrei em seu ouvido, beijando sua bochecha logo depois. Ela me olhou com um sorriso triste e passou as mãos no meu rosto, beijando meus lábios de leve.
- É só disso que eu preciso, ... Eu não posso que você me abandone...
- Não vou... – falei e a abracei novamente.Ficamos um longo tempo em silêncio, eu acariciando seu corpo calmamente, sentindo sua respiração no meu ombro.
- Quer discutir sobre isso? – quebrei novamente o silêncio, arriscando, e ela se afastou, olhando em meus olhos.
- Esse era para ser o melhor fim de semana das nossas vidas. – Uma lágrima escorreu de seu rosto e eu a limpei rapidamente com um beijo.
- Se isso te faz melhor, foi a melhor sexta-feira da minha vida – falei com um sorriso de lado e ela riu baixo. – Continuaremos nosso hanking num outro fim de semana, o que acha?
- Ok... – respondeu sorrindo e entrelaçou sua mão na minha. Puxei-a até a cama e deitei, consequentemente deitando-a também. Ficamos virados um para o outro e eu acariciava seu cabelo.
- Seu enjôo passou? – perguntei. Ela concordou com a cabeça.
- Não dura muito tempo – murmurou. Fiz que ok com a cabeça e me aproximei um pouco mais dela.
- O que pretende fazer?
- Eu não sei... – ela disse, virando-se de barriga para cima. Cruzou as mãos sobre essa e encarou o teto. – Eu tenho medo. Não acho aborto uma opção saudável, portanto está fora de questão. – Sorri com isso. – Então eu vou ficar com a criança...
- Isso é uma grande decisão – sussurrei, fazendo-a me olhar. Me apoiei num cotovelo e passei o outro braço sobre ela, de forma a ficar quase por cima dela, mas com o resto do corpo ao lado do dela.
- Mas eu não sei como, . Minha mãe uma hora vai perceber. A escola vai perceber. E eu quero minha vida como ela era, quero minha vida normal! – ela disse, parecendo desesperada. Eu podia sentir a dor dela, então apenas coloquei o dedo indicador sobre seus lábios, depois beijando-os de leve.
- Calma. Vamos por partes, como diria Jack. – Ela franziu as sobrancelhas e eu sorri bobo. – Jack Estripador – expliquei e ela bufou. Eu ri do momento idiota e ela riu também, baixinho.
- Ok, piadista do ano – voltei a rir –, o que vou fazer?
- O que nós vamos fazer, – a corrigi, sério. Ela me olhou. – Eu estou com você nessa, menina.
Sem que eu pudesse dizer mais nada, ela pulou no meu pescoço e rodou, ficando por cima de mim. Pude perceber que tinha dito algo certo e ganhado um ponto. Sorri e acariciei seus cabelos, enquanto ela escorregava lentamente para o meu lado, sem deixar de me abraçar. Fiquei com a barriga virada para cima e ela entre meus braços, cabeça apoiada em meu peito.
- O que acha de falarmos para sua mãe que estamos juntos e precisamos de espaço, eu dou entrada em um apartamento e ficamos por lá... Não falta muito para acabarmos a escola, mais uns dois meses. Sua barriga não estará tão grande até lá e tudo que pode dizer é ‘estou comendo demais’. – Cocei o nariz. apoiou-se num cotovelo e me olhou com olhos marejados. Ah merda, por que eu sempre faço ela chorar?
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Eu queria dar um tiro no . Como que alguém poderia ser tão fofo assim?! Ele simplesmente estava pegando toda a responsabilidade, que supostamente era do Kyle, e me ajudando, me apoiando. Ele realmente estava comigo nessa. E nada me fazia mais feliz do que isso, meu maior medo quando descobri foi que ele se zangaria e se afastaria, e então eu perderia . Mas graças a Deus nada disso aconteceu e ele estava ao meu lado.
- Você faria mesmo isso? – perguntei murmurando e ele sorriu, aqueles olhos azuis maravilhosos sorrindo junto. Acariciou minha bochecha lentamente e chegou com seus lábios perto dos meus, me fazendo fechar os olhos e suspirar.
- Lógico que faria. Por você, eu faria qualquer coisa – ele disse baixinho e eu respirei fundo, inclinando meu rosto e colando nossos lábios num beijo romântico e lento. Não durou muito e voltei a me deitar.
Ficamos mais um tempo em silêncio, ele apenas acariciava meu cabelo e minhas costas. Eu, apoiada em seu peito, via sua respiração subindo e descendo junto ao seu peito. Mesmo com tudo que havia acontecido comigo, eu agora estava calma porque sabia que podia contar com .
- Mas, ... – ele começou, percebi que ele estava querendo falar aquilo por um tempo. Olhei-o. – Não seria melhor contar pra sua mãe? – Me sentei imediatamente.
- Você não vai fazer isso! – falei assustada. Ele franziu as sobrancelhas. – , me diga que você não vai fazer isso! – insisti, apertando seu braço.
- Não vou, , ê, calma, foi só uma sugestão – ele disse, parecendo assustado, e eu soltei seu braço, respirando fundo e passando a mão pela testa. – Só achei que seria melhor que enganá-la.
- Eu não posso, . Eu não sei como ela reagiria, como... como tudo poderia se desenrolar... – falei, com voz fraca. sentou-se e me abraçou, fazendo-me voltar à posição anterior, apoiada em seu peito.
- Ok. Fica calma. A gente vai dar um jeito. – Respirei fundo e aspirei seu perfume. Concordei com a cabeça. – Acho melhor voltarmos. Temos muito o que resolver.
Olhei-o e ele estava sério, como sempre ficava quando refletia sobre um assunto. Franzi meus lábios e concordei com a cabeça novamente. Ele soltou-se de mim e saiu do espaço, subindo as escadas.
Eu sentei-me na cama, peguei o celular e olhei minha foto com ele. Tudo tão perfeito naquela época... Colei meus joelhos ao meu peito e fiquei observando o nada.
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Levei o barco de volta ao cais, observando o horizonte. Muita coisa tinha mudado em apenas uma noite. Chegamos ao cais e a ajudei a descer, tomando cuidado. Nós dois estávamos quietos, e eu estava refletindo se contar para a mãe dela não seria melhor. Eu sei que ela me pediu que não e tudo o mais, mas eu não sabia muito o que fazer. Como é que poderíamos pedir conselhos se as pessoas não sabiam o que estava havendo? não poderia enfrentar isso sozinha, eu estava com ela, sim é verdade, mas eu nunca tivera uma criança dentro da minha barriga por nove meses, e nunca teria. Eu nunca poderia ser tão útil quanto a mãe dela.
Entramos no carro e ela ligou o rádio. Make you Smile começou a tocar e sorrimos um para o outro. apoiou a cabeça em meu ombro e eu coloquei uma mão em seu joelho, acariciando lentamente. Chegamos à sua casa e eu estacionei, olhando para a porta. Engoli em seco, com vontade de sair correndo, entrar lá e gritar para a mãe de que ela estava grávida.
- , tá tudo bem? – ela perguntou, me olhando um pouco preocupada. Suspirei e passei a mão pelo cabelo.
- É... Na medida do possível. Eu ainda acho melhor contar para sua mãe, porque ela vai dar melhores conselhos do que eu – falei e me olhou com os olhos grandes e , mais preocupados.
- Eu... vou tentar. – Ela engoliu em seco. Olhou para a porta e depois para mim. – Agora? – perguntou com voz fraca e eu segurei seu rosto.
- Quando você se sentir pronta, pequena. Quando você achar melhor – falei, nada de sorrisos. – E eu vou estar ao seu lado quando você decidir contar, não se preocupe. – Ela sorriu de leve e inclinou-se um pouco, beijando meus lábios de leve.
- Eu te amo, . – Cada vez que ela dizia isso meu coração disparava, não importava que eu já soubesse.
- Eu também te amo, . – Beijei sua testa. Ela se afastou e sorriu, abrindo a porta do carro.
- Não quer entrar comigo? O final de semana era pra ser nosso... Você pode ficar – ela sugeriu com um sorriso sapeca e eu sorri também, desligando o carro e saindo.
Corremos até a entrada, rindo de leve, e entramos na casa meio nada discretamente. A mãe da estava na sala, costurando, e nós coramos, mas mesmo assim ela sorriu. Sorrimos de volta e abracei por trás.
- Já sabe, né, tia? – falei piscando pra ela, que fez uma cara de reprovação.
- Sei sim, senhor. Cuide bem dessa daí, hein, não deixe ela aprontar! – a mãe da disse com tom de reprovação e eu ri.
- Mãe! – disse indignada e nós rimos mais.
- Pode deixar, dona Adriane. Ninguém vai se arrepender nisso daqui – falei e virou seu rosto, sorrindo de leve pra mim. Podia senti-la tensa em meus braços, mas a apertei de leve e beijei sua bochecha.
- Vamos pro quarto, mam – anunciou e me puxou escadas acima. Assim que chegamos ao topo desta, virei-a pra mim e beijei seus lábios com força.
Não me lembrava de gravidez, da mãe dela no andar de baixo, de nada disso. Apenas a beijei e passei minhas mãos por seu corpo. , percebendo o que eu queria, num pulo passou as pernas pela minha cintura, e eu a carreguei até seu quarto.
Que se danem os problemas, a vida é pra ser vivida, certo? off
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Meu relacionamento com já estava durando um mês e uma semana. Tínhamos acabado de nos mudar para um apartamento só nosso, pequeno, mas confortável. Com muita relutância dos meus pais de me deixarem ir, claro. Mas como sempre confiaram em , não faltaram bons argumentos pra eles concordarem.
Eu estava preocupada com a gravidez, tinha acabado de entrar no terceiro mês de acordo com as minhas contas, e minha barriga estava começando a mostrar. Passei a usar muitas roupas um pouco mais largas, blusas principalmente, mas ninguém parecia notar nada, além de .
Este parecia o próprio pai da criança. Ele cuidava de mim ainda mais carinhosamente que antes, e de noite, depois que fazíamos amor ou apenas estávamos deitados conversando, ele se abaixava até minha barriga e a beijava carinhosa e lentamente. Nem parecia que era o filho do capeta que estava ali. Não havíamos falado nada para Kyle, na verdade ninguém além de nós sabia. não me pressionava para contar para minha mãe, o que eu achava bom. Sentia que ele queria que eu contasse, porque assim ele também poderia contar para a dele e pedir conselhos para me dar. Um lindo.
Tínhamos acabado de fazer sexo e ainda estávamos nus e um pouco ofegantes. Era sexta à noite e nós estávamos deitados em nossa cama. Eu estava com a cabeça apoiada no peito de e ele me abraçava carinhosamente, fazendo carinhos.
- ... – ele me chamou e eu o olhei. – Eu estava pensando em uma coisa...
- Fale. – Me apoiei em meus cotovelos e comecei a acariciar seus cabelos. Ele estava sério, então devia ser algo importante. Seus olhos azuis estavam inquietos em minha face.
- E se... nós falássemos que eu sou o pai da criança? – Ele engoliu em seco e eu mordi meu lábio inferior. – Sua mãe sabe do estupro e tudo o mais, mas... acho que ela ficaria mais tranquila se fosse comigo. Sabe. – Ele coçou o nariz e eu passei as mãos pelo meu cabelo. Aquele nervoso que me dava na barriga quando pensava na cena de minha mãe e eu conversando sobre isso aconteceu de novo, e eu senti os olhos formigarem. Não conseguia ver alguma cena boa nisso. Eu não contei pra ela sobre o estupro, ela acabou descobrindo sozinha por causa... bem, de e de uma ligação do hospital. Mas agora era diferente.
- Eu... não sei, ... seria... mais fácil, sim seria, mas... – Dei ombros, não tinha muitos contras. apoiou-se num cotovelo e acariciou meu rosto.
- Não podemos esconder muito mais – ele sussurrou e eu concordei, sabia disso. Mordi meu lábio com mais força.
- Amanhã? – perguntei com voz falha e me analisou com olhos sérios, preocupados e espertos.
- Só se você se sentir pronta – sussurrou de volta e eu concordei. Ele beijou minha testa e voltou a se deitar. Fiz o mesmo e olhei pro teto, enquanto ele apagava o abajur ao lado da cama. Ficamos um tempo em silêncio e achei que ele tinha caído no sono, sabe como é, homens.
- Posso confessar uma coisa? – ouvi o sussurro dele, de repente, e virei meu rosto para ele. Não conseguia enxergá-lo.
- Claro que pode – falei e o ouvi virando-se para mim. Não me tocou, mas eu sabia que estava olhando em seus olhos.
- Eu... não paro de imaginar essa criança. – Percebi ele engolindo em seco. – Por pior que isso seja, e que tenha acontecido com você... eu meio que me... acostumei com a ideia de você ser mãe e... talvez eu ser pai. Se você quisesse, lógico – ele completou rápido, e antes que eu pudesse contestar dizendo que eu preferia ele a qualquer um, ele continuou. – E eu meio que... depois de acostumar, passei a gostar da ideia de ser pai. – Ele engoliu em seco de novo e movimentou-se, então eu o senti em cima de mim, de leve apenas. Seus braços estavam ao lado da minha cabeça, seu rosto perto do meu e o corpo colado ao meu, pelo lado. – , eu quero ser o pai dessa criança, eu... quero ser pai – sussurrou e eu não pude evitar de sorrir largamente. Levei minhas mãos até seu rosto e senti suas feições, ele parecia sério, preocupado. Beijei seus lábios e senti-o descontrair um pouco.
- , é lógico que você vai ser o pai dessa criança – murmurei, e logo seus lábios estavam colados aos meus.
Dormimos logo depois, abraçados, sentindo o coração um do outro e um volume em minha barriga tocar ambos de nós, tanto física quanto psicologicamente.
No dia seguinte, acordamos e eu senti tontura. Não sentia isso fazia um tempo, mas não comentei com . Senti que estava com febre e olhando-me no espelho percebi que estava certa. Aparência de febre, sabe. Me troquei e encontrei na cozinha. Não havia café-da-manhã pois acordamos meio tarde (resultado da noite agitada, sabe como é) e iríamos almoçar na minha casa. Lá, soltaríamos a bomba. Restava saber quem ia sobreviver.
- Bom dia. – sorriu pra mim e beijou meus lábios, abraçando-me pela cintura. Sorri dengosa com o mimo e passei meus braços pelo seu pescoço.
- Bom dia – sussurrei. Ele encostou seu nariz ao meu e nos balançamos lentamente.
- Uma coisa que sempre admirei em você é que você consegue ficar absolutamente linda vestindo roupas tão simples...
As roupas simples no caso eram um moletom azul dele (que ficava enorme em mim, mas eu adorava), jeans claro e um Adidas meio sujo. O cabelo estava solto e meio bagunçado, a preguiça de fazer algo nele falou mais alto.
- Segredo – falei baixinho e ele riu. Me olhou ainda sorrindo, mas parecendo sério. – E eu estou pronta, caso você pergunte isso de novo. – Sorri de leve, sentindo que a certeza estava apenas nas palavras, porque meu estômago não parava de dar voltas e voltas. Imaginei se o enjôo voltaria e na hora de contar para a minha mãe eu passaria mal.
- Certo. – tirou-me de meus pensamentos e pegou em minha mão, levando-me para fora do apartamento. Entramos no carro e ele nos guiou até minha casa, que era a uns 15 minutos de lá.
A cada metro percorrido eu ficava mais nervosa, eu não via como conseguiria, nem com ao meu lado. Em minha mente, teria apenas eu e minha mãe, e ela chorando, desapontada, brava, me expulsando de casa, excomungando, qualquer coisa trágica. Toda coisa trágica. Tudo isso passou pela minha mente.
- Vamos? – Quando voltei a mim estávamos parados, ainda dentro do carro, na rua da minha casa. Olhei a porta de madeira da minha casa e senti a tontura voltar, uma ânsia chegou até minha garganta, mas eu a repeli. Minha cabeça latejou dolorosamente e meu coração batia desesperado. Eu estava com medo. Muito medo.
- Sim – falei com a voz fraca e tremendo, abrindo a porta com dificuldade.
Quando fiquei de pé do lado de fora, já estava ao meu lado. Me olhava preocupado, mas eu ignorei. Eu realmente tremia da cabeça aos pés. me apoiou e nós começamos a andar lentamente até a porta. Eu estava morrendo de calor, percebi que estava suando feito uma porca, mas estava frio, talvez fosse coisa da febre.
Então a primeira pontada de dor me atingiu.
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não estava pronta, eu vi aquilo. Quando ia abrir a boca para dizer “não vamos falar com a sua mãe, fique tranquila, faremos isso depois”, ela se encolheu subitamente e soltou um gemido de dor, largando a minha mão e apertando a barriga. Meus olhos se arregalaram, eu sabia que era muito cedo para um parto, mas então o que seria?- !? – chamei assustado e ela se ajoelhou no chão, os dentes trincados, olhos fechados e uma expressão de dor, mãos apertando a barriga. Ah céus. Eu não posso ter uma adolescência normal nem por um minuto? Nem quando minha namorada está grávida de um outro cara? Isso não pode ser normal?
- ... – sua voz saiu fraca e eu me agachei ao seu lado. – Me leva embora daqui. – Lágrimas escorriam de seus olhos fechados e ela gemia baixo. Seu pedido saiu em um tom choroso, quase implorando. Ela não precisou repetir.
Peguei-a no colo e dei meia volta imediatamente, colocando-a deitada no banco de trás. Antes que os pais dela percebessem nossa presença, pisei no acelerador e saí dali. Ouvia os gemidos de no banco de trás e seu choro, e o primeiro lugar que minha mente se dirigiu foi o Hospital, então segui as ruas que dariam nele. Eu não conseguia me concentrar direito e quase bati duas vezes, porque estava doido para ver , virar meu rosto e ver se estava tudo bem. Chegamos no hospital e eu estacionei mal, torto, mas não liguei. Abri a porta e saí com pressa, abrindo a porta para pegar no colo, e então percebi o quão sério aquilo era.
estava chorando, suando muito, encolhida com os joelhos colados ao peito. E bem entre suas pernas, uma enorme mancha escarlate aparecia. A única coisa que fiz antes de pegá-la no colo e correr para o hospital foi soltar um sonoro palavrão.
Corri o melhor que pude com ela no colo e entrei na recepção. Deja vu. A moça da recepção apenas arqueou as sobrancelhas e me mandou esperar.
- Esperar?! A minha namorada está... está... – comecei a surtar, mas a verdade era: eu não sabia o que tinha. A ideia mais terrível passou pela minha mente e escapou pelos meus lábios em um sussurro. – Abortando... ela... ela está abortando.
Minhas pernas fraquejaram e eu olhei o rosto de , estava pálido, suado e molhado de lágrimas. A recepcionista repetiu para eu me sentar.
- NÃO VOU SENTAR! – rugi de volta. se apertou mais ao meu pescoço. – Minha namorada está abortando e eu exijo que ela seja atendida AGORA! – briguei. Sabia que havia pessoas na fila, mas não ligava. Meu rosto já estava molhado de lágrimas também, sem que eu percebesse.
- Deixe ele ir na minha frente, eu sou o próximo. Alguém se importa? – um senhor negro de cabelos brancos levantou-se e virei-me pra ele. Minhas pernas ainda tremiam, aguentar estava ficando mais complicado a cada segundo. Eu sentia um de meus braços molhados com seu sangue. Ninguém se importou, e nesse momento, um médico com cara de experiente apareceu e olhou todos, mas seu olhar demorou-se em mim.
- O próximo? – chamou e eu hesitei. Olhei o senhor negro com a garganta trancada e ele fez um aceno com a cabeça. Avancei.
- Eu, senhor. Minha namorada, digo. Ela está... abortando – falei, um bolo na garganta quase impedindo as palavras de sair. O médico arregalou os olhos.
- Abortando? Tragam uma maca urgente! – gritou por cima do ombro e me ajudou a sustentar . Ela estava meio desacordada, e assim que saiu de meus ombros, percebi o quão tensos estes estavam. – Ela deveria ter sido atendida imediatamente!
Lancei um olhar à recepcionista, que conferia alguns documentos, de olhos baixos e bochechas coradas. Ignorei e dei ombros pro médico, no momento em que a maca chegara. Colocamos minha namorada sobre a maca e ela foi empurrada. Tentei ir atrás, mas o médico me impediu.
- Daqui assumo eu, rapaz. Ali tem um lavabo, lave-se e, por favor, sente-se. – Foi a ordem mais difícil que eu já tive que obedecer. Insisti em tentar passar mais uma vez, mas o senhor negro me pegou pelos ombros e me guiou até o lavabo, banheiro, aquela merda. Entrei lá, e me olhei no espelho. Meu rosto estava vermelho e úmido, o cabelo bagunçado. Stress dá cabelos brancos, aquilo eram cabelos brancos?! Baixei meus olhos pra pia limpa do hospital e liguei a torneira, deixando a água correr. Minha consciência ecológica falou e eu passei a molhar meu rosto e braços, me limpando e me acalmando. Tentando me acalmar, correção. Desliguei a torneira e voltei a me encarar. Não muito melhor. Lágrimas brotaram dos meus olhos, e então percebi, com uma dor no coração, que tudo que eu construíra em minha mente, com uma criança, ia explodir, não ia acontecer... Comecei a soluçar e coloquei a cabeça entre as mãos, segurando meus cabelos com força.
Com o passar de alguns minutos, deixei o egoísmo de lado e pensei em . O que ela estava passando era muito pior. Com lágrimas voltando aos meus olhos, percebi que podia estar prestes a perdê-la também. Eu não sabia muito sobre aborto natural, mas ela poderia morrer?
Com a garganta fechada, escancarei a porta, sentindo raiva subitamente. Todos me olharam, eu estava com o rosto molhado de água e lágrimas, blusa com respingos, braço ainda um pouco sujo de sangue, cabelos de pé... eu devia estar parecendo um assassino.
- Preciso fazer uma ligação – falei com os dentes trincados. A recepcionista me passou o telefone e a agenda telefônica, então disquei os números e esperei até alguém atender. off
Capítulo 17.
Kyle:
Quando recebi aquela ligação, fiquei confuso. Realmente confuso. Aquele babaca do me ligando? Eu ainda tinha uma cicatriz na sobrancelha pelo que ele havia me feito.
- ... quanto tempo – consegui mesmo assim temperar minha voz com malícia e ironia. – Como vai sua amiguinha?
- Nem queira saber – ele rosnou, devia estar puto. O que me divertia ainda mais. Ri suavemente. – Preciso que você me encontre. Tenho que falar algo a você.
- E por que eu acreditaria nisso? Você me espancou da última vez que nos encontramos.
- E você estuprou minha namorada da última vez que nos encontramos. Você teve um ótimo motivo para ser espancado. – não estava brincando. – Não pense que estou pedindo pra te encontrar porque eu quero.
- Espere, você disse namorada? Então você e a bonequinha estão namorando? – perguntei, fingindo interesse. Fútil, fútil. – Achei que você era gay.
- Tanto quanto você, desgraçado. Dá pra vir me encontrar ou não?
- Hm, depende. Onde você está? – Eu não estava pensando realmente em encontrá-lo.
- No Hospital do Centro. É sobre a – ele disse, parecia meio abalado, mas ainda puto.
- E por que eu iria até o Hospital para vê-la? Acha que eu realmente me importo? – falei rindo. Ouvi-o bufar e respirar fundo.
- Você quem sabe, babaca. O filho é seu. – E desligou. Eu arregalei os olhos e encarei o telefone assustado. Filho?
Decidi passar pelo hospital, para entender essa história. E ai do se fosse uma zoação com a minha cara.
Kyle off
:
Eu estava esperando havia horas. Ok, há 43min pra ser mais exato, mas o tempo se arrastava! Nada de . Nada do médico que aparecera. A ligação para Kyle me deixou estressado, mais ainda, e eu não conseguia parar quieto. Não sabia se estava perdendo minha menina, por causa daquele filho da puta, mas sabia que ele ia sofrer, e muito. Eu sei que é antiético brigar num hospital, mas aquele cara merecia umas belas pancadas. Ele já estava num hospital mesmo.
Todos que estavam na sala comigo concordavam que ele merecia apanhar, e tinha uns que já tinham dito que me ajudariam. Eles acabaram ouvindo a conversa, e uma criança curiosa perguntou se eu não era o pai do filho da moça que eu tinha trazido. E então eu acabei contando tudo, pra todos. Me senti um pouco mais calmo, mas o que mais me afligia era o fato de estar atrás daquelas portas brancas e eu não poder nem sequer segurar a sua mão e ampará-la, como havia prometido.
- Mas você é o que dela, afinal? Namorado? – a menininha que perguntou se eu era o pai da criança voltou a perguntar. Ela estava sentada ao meu lado. Seu nome era Dakota. Ela se apresentara. Ver uma criança só fazia meus sentimentos interiores e o meu segredo que havia confessado na noite anterior a doerem mais ainda. Ia responder que sim, mas então hesitei.
- Eu sou o melhor amigo dela – falei, com um sorriso de lado. Dakota inclinou a cabeça, seus cabelos me lembrando os da minha menina, longos, caindo pelas costas. Ela não havia entendido, também fazia assim com a cabeça quando não entendia. – Não importa se eu sou o namorado, marido, vizinho, colega de classe dela. No fundo, eu sempre vou ser o melhor amigo dela. Eu sempre vou estar aqui pra ela, sempre que ela precisar.
Dakota sorriu e algumas pessoas que estavam lá também. Eu sei, elas devem achar que é bonitinho, um rapaz de 17, quase 18 anos, dizendo coisas assim sobre sua namorada.
- Que romântico, – ouvi a voz dele atrás de mim e meu sangue borbulhou nas veias. Olhei para Kyle, o demônio não havia mudado nada. Levantei-me e senti todos na sala tensos. – Então, vai me explicar essa história de filho direito?
- Vou, claro que vou – disse, fechando minha mão. – Amigão. – Aposto que doeu, sério. Ele até caiu no chão. Sem pausas para me gabar, continuei socando-o até que lembrei que Dakota estava ali. Sai ofegante de cima de Kyle, que tinha o nariz sangrando e gemia baixo, ele não havia nem recuado. Olhei para a garotinha, que tinha o rosto escondido no pescoço da mãe e ouvidos tapados. Garota esperta.
- Mas que diabos...? – Kyle, perguntou, já se levantando pra revidar. Segurei em seu colarinho e o levantei, encostando-o na parede.
- Isso foi só o começo. É bom se comportar, Kyle. A culpa é toda sua.
- Minha culpa de quê!? – ele perguntou, parecendo atordoado.
- Sua culpa, daquele lindo dia na fazenda, você engravidou a , camisinha é sempre bom, sabia? – minha voz saia em sussurros ameaçadores, até eu estava com medo de mim. Kyle arregalou os olhos.
- E por que estamos aqui? – ele engoliu em seco. Eu larguei seu colarinho e joguei-o ao chão. Ele me olhou, parecia atordoado, não tinha pensado em ser pai tanto quanto eu. Era como o começo, pensar ‘o que diabos eu vou fazer’.
- Porque, seu canalha... – senti a garganta fechar novamente. – está abortando.
Ele não demonstrou preocupação, nem nada, só ficou me olhando com aquela cara de cu. Antes que pudesse avançar nele e voltar a socá-lo, a porta branca se abriu e eu me virei, olhando o médico que havia levado . Ele olhava para mim e eu engoli em seco.
- Venha comigo.
Esqueci de Kyle, esqueci de Dakota, apenas corri atrás dele e o acompanhei.
- E ai? – Eu estava nervoso, tudo formigava, tudo corria rapidamente em meu corpo. Olhei o nome no crachá, Dr. Jackson. Ele parou e olhou em meus olhos, suspirando. Colocou a mão em um dos meus ombros e eu senti meu estômago morrer dando cambalhotas consecutivas.
- A criança não resistiu. Muito pequena, 3 meses apenas. Era um menino – Dr. Jackson disse e eu senti as pernas fraquejarem. Engoli o choro e tudo que consegui foi concordar com a cabeça, desviando meus olhos dos dele. – Sinto muito.
- E ? – perguntei com voz fraca. Ele sorriu de leve.
- Está bem. Descansando. Você pode ir vê-la e ficar ao lado dela. Só cuidado com o que diz, ela ainda está abalada.
Só o fato de ela estar bem já me aliviou intensamente. Eu não havia perdido a minha menina. Mas então ressoou em meu ouvido. “Era um menino”. Eu ia ser pai de um menino, ia ver o garoto crescer e educá-lo. Afastei esses pensamentos e percebi que havíamos parado novamente, eu nem tinha reparado que andávamos. Olhei a porta ao meu lado e depois Dr. Jackson. Ele apertou minha mão e eu forcei um sorriso.
- Obrigado por tudo – murmurei e ele concordou com a cabeça, afastando-se. Virei-me para a porta e empurrei-a de leve. off
:
Eu estava de olhos fechados, cansada. Não tinha forças para abrir os olhos sequer. Estava triste, cansada, literalmente exausta. Por isso, quando ouvi o barulho distante da porta abrindo, não fiz nenhum movimento para tentar identificar quem era. Devia ser apenas mais um dos vários médicos que tinham entrado na última hora para conferir como eu estava.
Quem entrou aproximou-se da cama e logo eu senti-o envolver minha mão, e com o toque eu finalmente percebi quem era. sentou-se ao meu lado e beijou minha mão de leve. Eu fiz um esforço e abri os olhos, olhando-o. Ele estava abalado também, os cabelos bagunçados e olhos cansados. Quando se tocou que eu o olhava, sorriu fracamente e se inclinou e beijou minha bochecha de leve.
- Você tá bem? – ele sussurrou pra mim e eu neguei com a cabeça. - Desculpa, foi idiota. – Ele fechou os olhos e baixou a cabeça e eu ri de leve.
- E você? – perguntei com a boca seca. Ele voltou a me olhar e suspirou. Negou também.
- Vou ficar velho logo por sua culpa, – ele falou, mas sorriu. Eu sorri culpada. Logo deixamos de sorrir e ficamos apenas em silêncio. Então pareceu lembrar de alguma coisa e mexeu desconfortavelmente no cabelo.
- O que foi? – perguntei e ele repuxou o canto da boca pra baixo.- Hm... eu... liguei pro Kyle... ele tá aqui – ele disse e eu arregalei os olhos, me sentando rápido na cama.
- Outch. – Eu sou o tipo de pessoa lesada que esquece que está numa MACA, dolorida, e mesmo assim levanta-se rápido como se estivesse normal.
- ! – brigou e eu voltei a deitar.
- Olha o que você me diz também! – reclamei. Ele respirou fundo e massageou a região interna dos olhos.
- Desculpa... foi um momento de fraqueza, eu precisava socar alguma coisa pra descontar meu nervosismo – ele explicou e eu ri fraco.
- E conseguiu, pelo visto – falei, pegando sua mão direita e examinando os nós dos dedos, que estavam vermelhos. Ele deu ombros.
- Não que eu esteja totalmente aliviado. Ainda é tudo culpa dele – resmungou e eu respirei fundo. Olhei para nossas mãos entrelaçadas e senti meus olhos voltarem a se encher de lágrimas.
Tudo que nós dois havíamos construído em nossas mentes, tudo que havíamos feito por aquilo que já nem estava entre nós mais... tinha sido culpa do Kyle. E, por minha culpa, de nervosismo, medo, doente... Por minha culpa tudo isso tinha ido por água abaixo. Quase literalmente.
- Hey, hey... – Tinha começado a chorar, e me abraçou, tentando me confortar. Ficamos um tempão abraçados e em silêncio, apenas sentindo a presença um do outro.
Ouvimos a porta abrir e me perguntei se seria Kyle, mas não era. Era uma garotinha de uns seis anos, cabelos e lisos que iam até metade das costas.
- Dakota! – a reprovou e eu franzi as sobrancelhas, de onde ele a conhecia? Não que eu estivesse com ciúmes de uma menininha de seis anos.
- Oi, – ela disse corando e sorrindo, e depois olhou pra mim. – Oi, . Você tá bem?
Olhei interrogativamente para , que sorriu de lado e mexeu no cabelo.- A conheci na recepção, acabei desabafando todo o nervosismo pra quem tava lá – ele explicou em voz baixa e eu ri, olhando novamente para a menina.
- Tô sim, Dakota. Melhorando – respondi sorrindo e ela chegou perto da gente, sentando do lado da cama.
- tava preocupado com você. Ele até bateu no outro moço – ela falou, ela era uma fofura. Eu ri e olhei de soslaio, que estava corado. – Ele é seu melhor amigo, né?- Sim. – Foi o melhor sorriso que eu dei hoje. Crianças são tão fofas.
- Dakota! – a mãe dela – provavelmente – entrou no quarto e a pegou pela mão, nos olhando. – Desculpem, não vi pra onde ela foi.
- Não tem problema – disse, pegando a mão de Dakota e beijando sua bochecha. Ver o ato carinhoso me fez pensar em quão incrível ele ia ser como pai, o que me deu vontade de chorar novamente.
- Bem, já vamos indo.
- Não quero, mãe! Não quero tomar remédio! – ela reclamou, sendo puxada. beijou minha testa e levantou-se, indo atrás de Dakota e abaixando-se ao seu lado.
- Hey! Tem que ser forte, menina. É só um remedinho, não vai doer nada – ele falou, baixinho, pra ela. Meu coração apertava e as lágrimas teimosas estavam quase saindo.- Promete? – ela perguntou, e então percebi o quanto ela parecia comigo quando era menor. sorriu e colocou uma mecha de cabelo dela atrás da orelha, exatamente como fazia comigo. E nisso as lágrimas vazaram.
- Prometo. – Beijou a bochecha dela e então levantou-se, enquanto ela saía. Virou-se pra mim e seu sorriso se apagou.
Sentei-me melhor na cama enquanto ele vinha pro meu lado a passos rápidos, logo me abraçando de novo.
- Shhh... – acalmou-me e eu me encolhi dentre seus braços, sentindo a dor me consumir por dentro.
- Quanto tempo isso vai durar? – perguntei, meu tom de voz fino e choroso. Percebi engolindo em seco.
- Não sei. – Beijou minha testa. – Nós vamos superar, . Eu estou com você nessa, lembra?
Sorri tristemente pra ele e voltei a apoiar minha cabeça em seu peito. E, mais uma vez, tudo dependeria do tempo.
off
:
Entrei na sala do Dr. Jackson com uma batida e ele me recebeu indicando a cadeira para eu me sentar. Assim que o fiz, ele tirou os óculos e me olhou.
- Você sabe o que causou o aborto da sua namorada? – perguntou-me. Neguei com a cabeça. Ele suspirou. – O feto não tinha nenhum problema cromossômico ou hormonal, foi puro psicológico. Ela teve alguma perda recente, um estresse grande...? – ele indagou e eu fechei os olhos, tentando lembrar.
- Ela estava meio desesperada desde que descobriu, principalmente porque o bebê obviamente foi gerado quando ela foi... – eu fiquei com dificuldade de dizer a palavra, mas ele concordou com a cabeça e fez sinal para prosseguir. – também estava começando a ficar preocupada na escola, porque sempre foi boa aluna, mas tem estado com déficit de atenção e as notas estão caindo, ela não tá acostumada. Fora o medo dos pais dela descobrirem.
- Então é uma série de fatores – o doutor observou e eu concordei, dãr, óbvio né. – Quando uma pessoa está sob muito estresse, o corpo libera o hormônio cortisol em excesso, e é isso que às vezes causa o aborto. O que foi o caso da Srta. .
- Então ela vai ficar bem? – perguntei ansioso e ele sorriu fraco.
- Em quesito físico, sim, ficará. Não terá nenhum problema futuro com os próximos filhos. O problema vai ser o psicológico dela por um tempo, seria bom ela começar a ir em uma clínica para melhorar, fazer coisas para distrair-se... Ajude-a nisso.
- Pode deixar – concordei e me levantei - Obrigada, doutor.
- Não há de quê rapaz. – Apertamos as mãos e eu saí do escritório.
Saímos do hospital uns três dias depois. ainda estava abalada, como não era novidade. A mãe dela ficou sabendo, óbvio, e elas tiveram uma discussão. Provavelmente nada como o que passava na mente da minha namorada, mas ela continua encolhida num canto, sem falar nada. Ainda estamos morando juntos, e continuamos indo pra escola do mesmo jeito, embora eu me pergunte porque ainda vou pra lá, com tudo isso que acontece na minha vida eu nem me sinto adolescente. Ah claro, porque é a minha vida, então ela tem que ser complexa.
Estávamos sentados no intervalo das aulas, um ao lado do outro, e ela quieta, como tem andado. Eu achei que ela ia superar logo, como quando superou o estupro, mas agora era algo mais profundo, uma ferida maior e que não cicatrizava. Eu podia ver seus olhos lacrimejarem a cada criança sorridente que passava, por isso passeios ao parque foram proibidos.
- ? – chamei-a baixinho, era hora de falar com ela, porque não estava mais aguentando isso. Ela levantou seus olhos pra mim e me olhou. – Linda, a gente precisa conversar...
- Sobre...? – sua voz soou fraca por falta de uso.
- Sobre você, sobre o que aconteceu, sobre o que tá acontecendo... , eu amo você e sinto tanta falta da menina que você era! Alegre, brincalhona... Eu não consigo suportar ver você sofrendo em silêncio assim, meu anjo.
- ...
- Eu sei, . Sei que vai levar um tempo, sei que foi algo doloroso e profundo. Mas você não está ao menos tentando superar. Está apenas deixando isso te romper por dentro, sofrendo, enquanto espera a vida passar – falei, e cada palavra doía em mim, a verdade dói muito. Ela franziu os lábios e baixou os olhos.
- Desculpe – sussurrou. Uma lágrima escorreu pela sua bochecha, parando em seu lábio. Limpei-a com um beijo leve e deixei meu rosto perto do dela.
- Eu te amo. Isso nunca vai mudar. Um dia nós iremos casar e teremos um monte de filhos. O suficiente para um time de futebol. – Ela riu de leve e eu sorri fraco. – Você só precisa acreditar nisso, como eu acredito. Você ainda vai ser uma mãe maravilhosa. Mas as coisas que acontecem, acontecem por uma razão, e acontecem no tempo certo. Você vai terminar a escola, vai fazer faculdade, e aí sim terá um filho, que você poderá cuidar sem ter que se preocupar com nada.
- Você promete? – ela perguntou, sussurrando e eu sorri, encostando meu nariz em sua bochecha. – Que nós vamos ficar juntos e tudo vai dar certo?
- Prometo. – Beijei seus lábios de leve. – I’m forever yours, faithfully.Ela sorriu e beijou meu nariz, depois encostando a cabeça em meu peito novamente.Então eu senti que tudo ficaria bem. off
:
Depois de uns dias que eu e conversamos sobre nosso futuro, eu já me sentia um pouco melhor. Andava pela escola sem precisar dele me apoiando o tempo todo e já conseguia ignorar os comentários com facilidade. Pessoas fúteis, é disso que essa escola é feita. Comecei a freqüentar um psicólogo também, por insistência do e da minha família, e até que estava funcionando. Estava passando pelo corredor de Exatas quando me deparei com um cartaz enorme, com “Vote em Giu! Rainha do Baile” e a foto da capeta sorridente. Fiquei com muita vontade de ter uma caneta esferográfica preta e rabiscar a foto. Baile, quem ainda se importa com o Baile? Com tudo que aconteceu na minha vida, eu devia estar esperando por algo do tipo “Promoção de emprego”. Baile parece-me uma coisa tão infantil agora.
- Quer participar? – ouvi um sussurro ao pé do ouvido e logo uma mordiscada no lóbulo da minha orelha. Virei para com as sobrancelhas arqueadas, ele estava mesmo me perguntando aquilo?
- É tão fútil e infantil – falei, rolando os olhos. Ele sorriu, daquele jeito fofo que eu adoro, e beijou meus lábios de leve.
- É exatamente disso que estamos precisando. Só temos 17/18 anos, . Não precisamos passar por tudo isso que estamos passando – comentou, e nós começamos a andar lado a lado pelo corredor. Inclinei minha cabeça para o lado, como tenho mania de fazer enquanto penso. Seria realmente uma boa fugir disso tudo, pelo menos por uma noite.
- É, quem sabe... – Dei ombros e sorriu pra mim, me abraçando pela cintura e me trazendo para perto de si.
- Eu sei, e nós vamos participar, ganhar e desbancar essa bitch. – Ele piscou pra mim e me deu um selinho breve. Fiz bico.
- Bitch. Você já me trocou por essa bitch. – Dei ênfase e fiz doce, enquanto ele fez uma careta.
- Se eu ao menos tivesse uma máquina do tempo... – ele pensou alto e eu ri, tascando um beijo em sua bochecha.
- É só você me prometer que não vai acontecer nunca mais que eu te perdôo – propus e ele fez uma expressão cansada.
- De novo? – Eu ri e ele soltou um suspiro. – Ok ok. , eu te prometo que você será a única e a melhor. Pra sempre – falou e piscou enquanto eu morria. Sorri e puxei-o pela nuca para um beijo rápido.
- Eu te amo – sussurrei, depois de quebrar o beijo. Ele deu um risinho.
- Eu sei disso. Mas adoro ouvir você dizer. – Mordi seu braço de leve e ele riu, me segurando contra si e afundando o rosto no meu pescoço. – Eu também te amo, bobona.
Entramos na sala e sentamos no fundo, juntos. Os olhares voltaram a se virar para nós, mas não ligamos. O professor logo entrou e começou a dar a matéria, enquanto eu me distraía conversando com o por libras. Eu soltei uma risada alta quando ele fez piada da plástica mal feita da July, e todos me olharam, me fazendo corar e afundar na cadeira. A aula voltou a passar lentamente e depois do sinal apitar, eu e fomos uns dos primeiros a sair dela.
- Puf, Geografia é tenso – ele reclamou e eu acariciei seu cabelo, enquanto ele guardava as coisas no armário dele. Encostei as costas nestes, virando para o corredor e vendo Giu colar mais um cartaz. Cerrei os olhos e percebeu, dando mais um risinho.
- Nós vamos ganhar isso, você vai ver – me garantiu, e beijou meus lábios com carinho.
O resto do dia passou lentamente, e depois fomos para nosso apartamento. Nós tínhamos andado procurado faculdades próximas, eu estava querendo Web Design e procurava algo como Produção Musical. Era uma tensão tudo isso, mas eu me sentia bem fazendo planos pro futuro. Eu só tinha medo de começar a construir barreiras de apoio, e elas acabarem sendo o ápice da minha queda. Mas com ao meu lado, rindo e brincando, nada disso parecia ser inseguro. Era apenas eu e ele.
- Então, o que faremos no baile? – ele perguntou, se espreguiçando. Dei ombros, nunca fui muito fã disso. – Só de te ver de vestido vai fazer tudo valer a pena – ele sussurrou e eu ri, deitando em seu peito e olhando seus olhos.
- Como se você já não tivesse me visto em todos os trajes e não-trajes possíveis. – Rolei os olhos e ele riu.
- Nunca te vi em uma fantasia sexual de policial, com algemas e... – Ele se interrompeu ao ver meu olhar, e depois voltou a rir.
- Você é um tarado, – reclamei e ia me levantar, mas ele puxou-me de volta.
- E você me ama, – disse, convencido e eu voltei a rolar os olhos, dessa vez com um sorriso no rosto.
- E tem como não amar? – rebati e ele corou, me fazendo rir e beijar seu nariz. – Vou tomar banho – avisei e me levantei, e em um segundo ele estava ao meu lado, me levantando no colo. – Que isso? – perguntei assustada e rindo.
- Eu vou junto. – fez uma cara safada que me fez rir e nós entramos no banheiro.
off
Contagem para o baile: 1 mês.
Capítulo 18.
(música! Coloque para carregar, e vocês já sabem o que fazer)
Música 1
Música 2
Contagem para o Baile: Duas semanas
:
Duas semanas haviam se passado desde que e eu decidimos participar do baile. Tínhamos feito cartazes e, como ela mexe bem com todo esse negócio de web design, propaganda e publicidade, tinham ficado incríveis. Arrecadamos alguns votos por amizade, outros por simpatia. Ficamos sabendo que tínhamos sido escolhidos para “Casal do Ano” no anuário e corava toda hora que via um anúncio deles. Uma coisa fofa que dava vontade de morder.
Estávamos no nosso apartamento, assistindo um filme qualquer e conversando sobre nossa roupa. Ela sempre disse que baile era besteira e etc, mas estava realmente empolgada. E o melhor de tudo: se divertindo. Era isso que mais importava para mim, ver minha sorrindo de novo, do jeito que sempre sorria, sem preocupações.
- Amanhã vamos para a prova de roupa, ouviu ? – ela apontou o dedo na minha cara e eu mordi a ponta deste.
- Sim senhora! – concordei e ela riu, aconchegando-se em meus braços. Sorri e beijei o topo da sua cabeça.
- Isso é mais divertido do que eu pensava – ela confessou e eu ri sozinho, sabia disso. – Do que ta rindo, bobo?
- De você, boba! – deu língua e levantou, espreguiçando-se. – Gooorda – falei e ela me mandou dedo, eu ri mais.
- Boa noite pra você também, seu gordo – reclamou e eu levantei-me, indo atrás dela para o quarto.
No dia seguinte saímos cedo e entramos na loja onde iríamos comprar nossas roupas. ia fazer uma surpresa com seu vestido pra mim, então fugiu para a ala feminina enquanto eu andava a passos calmos até a masculina. Uma atendente loira com um sorriso de Barbie me esperava.
- Senhor ! Seu terno já está pronto, só provar! – Ah vá, pra que é que eu vim pra cá mesmo? Sorri agradecido e esperei ela me trazer. O paletó era preto, comum, e a blusa que eu usaria por baixo era azul escura, o que me dava uma dica pelo menos de que cor seria o vestido de . Uma gravata branca simples acompanhava o conjunto, e eu entrei com tudo no provador.
Eu odeio provadores, porque é um espaço muito apertado para tirar muita roupa. Quando eu troco de roupa no quarto, eu entro já tirando a blusa, jogo em cima da cama, vou andando... Claro que quase apanho da depois por causa da bagunça, mas eu arrumo. Agora, dentro de um cubículo, mal cabia para me bater. Ou pra fazer qualquer outra coisa.
Comecei a me trocar e demorei mais tempo do que imaginava para fazer o nó na gravata, perdi a prática. Depois de pronto, me olhei no espelho e franzi as sobrancelhas. Até que estava bom, descontando os tênis velhos e meu cabelo todo desarrumado. Ah, foda-se o cabelo, eu não vou arrumá-lo no dia. Vai assim mesmo, sei que a gosta. Dei uma virada e, realmente, escolheu bem.
- Foi, ? – Ela de repente meteu a cabeça entre a cortina e eu pulei de susto, soltando um grito leve. Ela riu infantilmente enquanto eu me encostava à parede e respirava fundo.
- Sua doida, quase me matou! – Ela só continuava rindo. – E se eu ainda não tivesse terminado, hein?
Ela não disse nada, apenas deu um sorriso tarado e tirou a cabeça dali. Menos de dois segundos depois, entrou comigo no cubículo. Olha, até que cabe.
- E daí? – sussurrou, mantendo seus olhos nos meus. – Tem algo que você esconde de mim, é?
Ela falou aquilo de um jeito tão sexy que a próxima coisa que tenho consciência de ter feito era ter colado nossos lábios num beijo rápido.
Espero honestamente que ninguém tenha percebido movimentações estranhas naquele provador.
off
Contagem para o Baile: 1 semana
:
Eu não queria admitir, mas estava começando a ficar meio paranóica com o Baile. Digo, era uma coisa meio instintiva, sabe. Não queria ser fútil, mas me distraía tanto fazendo planos para a noite e para vencer, que não pensava em nada mais.
Depois das sessões com o psicólogo, sessões (de outra coisa, óbvio) com (aquele dia no provador foi inesquecível) e toda essa distração com o baile, eu estava praticamente recuperada.
Hoje estava sozinha. Minha perna balançava de nervosismo. O lápis escorregava dos meus dedos suados. Estava fazendo a prova para faculdade. Eu queria ter ao meu lado pra me acalmar. Tentava me concentrar nas perguntas. Tinham algumas pessoas conhecidas ao meu redor. Fechei os olhos e respirei fundo, eu não costumava ficar tão nervosa em provas. Lembrei-me do beijo de boa sorte que havia me dado, e foi quase como ele tivesse me dado de novo. Com um estremecimento, abri meus olhos e continuei a fazer a prova.
Algumas horas depois eu estava abrindo a porta de casa. tinha ido fazer a prova dele, e pelo visto ainda não havia chegado. Larguei minhas coisas na sala, tranquei a porta e fui para o banheiro. Precisava de um banho relaxante. Tirei minha roupa lá dentro, coloquei no cesto de roupas sujas e liguei o chuveiro. Depois de alguns longos minutos lá dentro, ouvi a porta do banheiro abrir.
- Tô aqui, amor – avisou e eu coloquei a cabeça para fora do box. Ele sorriu fraco e parecia muito cansado.
- Vem cá – falei com um sorriso e ele tirou a camiseta, assim como o resto das roupas. Entrou no box comigo e eu dei lugar para ele se molhar. Assim que ele estava quentinho, sorriu mais relaxado e me puxou em sua direção. Ficamos apenas abraçados, enquanto a água quente escorria por nós.
- É estranho... ter que decidir o futuro – ele murmurou, os lábios contra meu ombro. Concordei com a cabeça. – Eu sei que já passamos por tanta coisa, mas às vezes tudo que eu queria era voltar pra quando nada disso havia acontecido... era tão bom... – ele sussurrava e eu o apertei contra mim.
- Vamos fazer o futuro melhor então – falei e ele sorriu fraco, encostando seus lábios nos meus.
- Já é bom o suficiente saber que você estará lá – disse, passando seu nariz levemente sobre o meu.
- Sempre – sussurrei e voltei a beijá-lo.
off
Contagem para o Baile: 0 dias
:
Era finalmente o dia do baile, e desde que acordara não parara quieta. Ela chamara sua mãe para ajudá-la com maquiagem e cabelo, porque odiava ir para cabeleireiros e essas coisas, e desde cedo as duas estavam planejando coisas. Eu não podia saber de nada, porque tudo ia ser segredo pra mim. Eu odiava essa ideia de surpresas, porque tudo o que queria era descobrir e não pensava em outra coisa durante o dia.
Então, resumidamente, éramos dois adolescentes paranóicos com o baile de formatura. O que me deixava feliz, porque aparentemente tudo estava voltando ao normal.
Perto das seis da tarde, entrei no chuveiro e tomei um banho mais caprichado que o normal, conseqüentemente um pouco mais demorado. Saí dali e já coloquei a roupa, deixando a gravata desamarrada, já que ia passar a noite toda com ela ali. A campainha tocou e eu fui abrir, já que estava trancada no quarto com a mãe desde que saíra do banho. Abri a porta para os meus pais, que entraram fazendo festa e comentando o quanto eu estava bonito e todo aquele mimo de pais.
Sentei-me no sofá, minha perna balançando nervosamente e olhando de cinco em cinco minutos para a porta do quarto, querendo que saísse dali. Olhei no relógio, faltava um tempo, não precisávamos chegar exatamente na hora.
- Se aquieta, - meu pai brigou, ficando nervoso comigo. Ele era assim quando minha mãe demorava a sair pra algum lugar. Falando nela, tinha se enfiado lá no quarto também, e achei injusto todo mundo poder ir ver minha namorada, menos eu.
Fui para a cozinha e escondido enchi um copo de qualquer bebida. Virei antes que alguém pudesse ver e fiz careta, tossindo fraco. Rápido demais. Voltei para a sala, mascando um chiclete de menta. Disfarçando. Decidi não me sentar e comecei a andar em círculos. Minha mãe saiu logo depois pela porta do quarto, vindo para mim.
- Para quieto, menino, ela já tá saindo! - reclamou, pegando a gravada e atando-a. Acho que ela também estava nervosa, porque quase me enforcou, e eu tive que aliviar a pressão.
Cumprindo as palavras dela, a mãe de saiu do quarto e logo atrás ela, olhando para baixo. Minha boca foi ao chão quando focalizei o que ela vestia. Seus olhos levantaram-se e encontraram os meus, e ela sorria radiante. Sorri de volta, analisando seu vestido. Acabava um pouco depois do joelho, de cor azul marinho, mas conforme se aproximava da barra fazia um degradê branco. Tinha uma alça que cruzava atrás no pescoço, deixando as costas nuas (n/a: algo próximo a isso, o imaginem mais curto e com alças ^^). Seu cabelo estava trançado numa trança embutida lateral, com uns brilhinhos e grampos coloridos. Na maquiagem, coisa leve, apenas uns tons de azul de sombra e um delineador marcando bem os olhos dela. Mas o que estava mais lindo ali era o sorriso dela, ela estava feliz, e era tudo o que eu queria.
Quase corri até ela e a apertei num abraço, fazendo-a rir sufocado. Não querendo matar minha menina, afastei-me o suficiente dela e tirei uma mecha da franja dela que estava sobre o olho, sorrindo largamente também.
- Você está linda - sussurrei, sentindo ela rir e colocar seus lábios sobre os meus.
- Ok ok, pombinhos, vamos para a foto - minha mãe reclamou e nos afastamos, eu um pouco corado, porque sua mãe te chamando de "pombinho" é uma coisa meio embaraçosa.
Abracei de lado e a deixei bem próxima de mim. Meus olhos arderam com o flash, e minha mãe e a dela insistiram em tirar fotos de (quase) todos os ângulos possíveis. Alegando que íamos nos atrasar, consegui sair com ela para o estacionamento, abrindo a porta do carro para ela. sorriu para mim e me deu um outro beijo, antes de entrar no carro.
- Você também está lindo - sussurrou, enquanto sentava-se, e piscou para mim. Dei a volta e entrei no lugar do motorista, apoiando a mão em sua perna.
- Hoje a noite é nossa - falei, antes de dar a partida e largar para o local da festa.
off
(POV até o fim do capítulo):
estacionou o carro e podíamos ver as luzes e as pessoas indo em direção ao salão. Saímos do carro, meu estômago levemente revirando de nervosismo. Entrelacei meus dedos nos dele e abracei seu braço de leve. Eu não queria parecer uma menina fútil louca para ganhar o baile de formatura, queria apenas me divertir com meu namorado.
Andamos até a entrada e fomos recebidos por alguns colegas animados. Sorrimos e cumprimentamos todo mundo, e quando nos afastamos, ouvi alguns comentarem que votariam em mim para Rainha do Baile. Internamente, uma sensação de prazer espalhou-se pelo meu corpo e eu sorri, arrastando para a pista de dança, rindo das caretas e negações dele.
- Cala a boca, , você é meu hoje! - pisquei maliciosa e ele gargalhou, colando seu corpo ao meu e acompanhando meu rebolado provocador.
- Sou seu sempre, - murmurou no meu ouvido, mordiscando o lóbulo da orelha de leve, me fazendo rir abafado. A sensação de prazer voltou a percorrer meu corpo, mais forte dessa vez, me fazendo apertar os dedos em sua nuca e meus lábios em um sorriso.
Dançamos bastante, paramos poucas vezes para tomar um ponche ou dar oi para alguém. Vi alguns conhecidos como Giu, Jennifer e, com um revirar desconfortável, Kyle. Não liguei para ele, apenas enlacei meus braços na cintura de e beijei seu queixo, depois seus lábios. Era nossa noite, estava sendo incrível e nada conseguiria me deixar abalada hoje.
Depois de várias músicas, eu e já estávamos meio cansados. Recolhemo-nos a uma mesa num canto escuro e ficamos por lá. Alguns beijos e arranhões depois, eu já estava sentada sobre seu colo e o sentia animado. Eu sei, eu sei, estávamos no meio de uma festa e devíamos estar socializando e fingindo gostar daquelas pessoas ao menos hoje. Mas era inevitável, e pouco tempo depois estávamos indo juntos para um banheiro ali perto.
Entre risadas e sussurros abafados, entramos em um box e fizemos o que queríamos fazer, passando um tempo extra esperando o grupo de meninas acabar de se maquiar e sair para que pudéssemos ao menos fingir alguma dignidade e discrição. Voltamos de mãos dadas para o salão e começou a melodia de uma música lenta que eu conhecia. (n/a: coloquem a Música 1 agora!)
- Terrified! - meus olhos brilharam, e lá estava eu puxando novamente para a pista de dança.
Ele riu e me abraçou pela cintura, colando nossos corpos. A voz da Katharine McPhee ecoou em meus ouvidos e eu sussurrei a letra no ouvido de , enquanto balançávamos ao ritmo lento da música.
You by the light (Você sob a luz)
Is the greatest find (É um achado magnífico)
In a world full of wrong you're the thing that's right (Em um mundo cheio de erros, você é o que está certo)
Finally made it through the lonely to the other side (Finalmente passei através da solidão para o outro lado)
You said it again my heart's in motion (Você diz isso de novo e meu coração salta)
Every word feels like a shooting star (Cada palavra parece uma estrela cadente)
I'm at the edge of my emotions (Estou à beira de minhas emoções)
Watching the shadows burning in the dark, (Assistindo as sombras queimarem na escuridão)
And I'm in love and I'm terrified. (E eu estou apaixonada e eu estou aterrorizada)
For the first time in the last time (Pela primeira e última vez)
In my only life. (Na minha única vida)
A música dizia tanto sobre o que eu sentia em relação a que nós dois sorrimos enquanto trocávamos um olhar cheio de compreensão e amor. Ele depositou um beijo rápido nos meus lábios e continuou a cantar a outra parte.
This could be good (Isso poderia ser bom)
It's already better than that (Já é melhor do que isso)
And nothing is worse than knowing (E não há nada pior que saber)
You're holding back (Que você está hesitando)
I could be all that you needed (Eu poderia ser tudo que você precisa)
If you let me try (Se você me deixar tentar)
Dançamos ao refrão mais uma vez, ele me rodopiou e eu ri, alegremente. Aquela noite estava sendo incrível, só pelo fato de eu estar ao lado dele, aproveitando cada segundo. O jeito que ele me tratava fazia eu me sentir mais que especial, mais que perfeita. me fazia feliz, me fazia sentir... invencível. Sorri para ele, que puxou-me ainda mais perto do que era possível, continuando a sussurrar a letra no meu ouvido.
I only said it cause I mean it (Eu apenas disse isso porque eu quis significar isso)
I only mean cause it's true (Eu apenas signifiquei porque é verdade)
So don't you doubt what I've been dreaming (Então não duvide do que eu estive sonhando)
Cause it fills me up and holds me close (Porque isso me completa e me abraça)
Whenever I'm without you (Em todos os momentos que estou sem você)
You said it again my heart's in motion (Você diz isso de novo e meu coração salta)
Every word feels like a shooting star (Cada palavra parece uma estrela cadente)
I'm at the edge of my emotions (Estou à beira de minhas emoções)
Watching the shadows burning in the dark, (Assistindo as sombras queimarem na escuridão)
And I'm in love and I'm terrified. (E eu estou apaixonada e eu estou aterrorizada)
For the first time in the last time (Pela primeira e última vez)
In my only life. (Na minha única vida)
A música acabou e ergueu a mão para acariciar meu rosto. Percebi então que ele queria apenas enxugar as lágrimas que involuntariamente estavam saindo dos meus olhos. Ri, embaraçada, e ele apenas sorriu, trazendo meu rosto para perto do dele e unindo nossos lábios em um beijo calmo, enquanto outra música já começava a tocar. Era Don't Cry da Park Bom, e ouvi a voz de ao meu ouvido:
- It's ok baby, please don't cry... - ele cantarolou e eu ri, passando meus braços pelo seu pescoço. Beijei seus lábios seguidas vezes e depois encostei minha testa a dele, enquanto continuávamos dançando.
A noite passou rápido, mas mesmo assim deu pra aproveitar todos os momentos. Logo estávamos esperando pelo anúncio de rei e rainha do baile. Eu estava idiotamente ansiosa. sorria do jeito que eu apertava sua mão e me tranquilizou, piscando para mim.
- E para rei do baile, com uma diferença de 34 votos... - o diretor fez um leve suspense, mas eu sabia que era o . Ele tinha cara para isso, personalidade... Era a cara de ser anunciado o rei do baile. Por isso, não fiquei surpresa quando logo depois o diretor anunciou: - !
Meu namorado sorriu largamente e eu soltei sua mão para aplaudi-lo, sorrindo também. Ele me puxou para um beijo rápido e depois subiu ao palco. Foi coroado e agradeceu. Depois disso, não desviou seus olhos dos meus. O diretor pegou o papel que anunciava a rainha e minha barriga começou a dar voltas. Fechei meus olhos e respirei fundo. Não queria ser idiotamente fútil, mas eu não precisava de outra decepção na minha vida. Esse baile e a coroação idiota de Rainha dele era o que vinha me alimentando e me fazendo sorrir nas últimas semanas, nem que fosse enquanto zoava as outras candidatas com .
- A Rainha do Baile, com uma diferença relevante de votos... - o diretor sorriu largamente e depois olhou para . - Senhorita !
gritou um 'UOOU' de felicidade e riu para mim, enquanto eu era aplaudida e escondia meu rosto nas mãos. Me empurraram levemente e eu subi no palco, rindo. Abracei com força e murmurei um 'Obrigada' fraco em seu ouvido. Eu mal ouvia as coisas e pessoas ao meu redor, e quando colocaram a coroa em minha cabeça, eu tive que enxugar meus olhos da melhor forma possível, para que a maquiagem não borrasse.
Eu e tiramos milhares de fotos juntos, e na última ele me puxou pela cintura para beijar meus lábios. Eu estava apostando que aquela seria minha foto favorita.
No fim da noite, eu e estávamos sentados no capô do carro dele, numa colina que dava para ver todas as luzes da cidade. Eu estava encostada em seu peito e ele me abraçava de lado. Estávamos em silêncio havia muito tempo, mas não havia necessidade de palavras serem ditas.
Respirei fundo e olhei as estrelas, sorrindo e agradecendo por tudo que acontecera hoje à noite. Pensei melhor e agradeci por tudo que já acontecera em minha vida, e nos momentos ruins por estar lá comigo.
- Um beijo pelo que você está pensando - ouvi a voz dele, meio rouca, e olhei para cima, encontrando seus olhos e seu sorriso. Corei e ri fraco, aconchegando-me mais a ele.
- Estava agradecendo - respondi, fazendo um bico pra ele me beijar. Ele arqueou as sobrancelhas e não me beijou.
- Agradecendo o que? Tira esse bico, isso mal foi uma resposta! - falou, rindo, e eu dei língua, mordendo-o de leve.
- Agradecendo por tudo, bobão - falei, desencostando-me dele e ajeitando meu vestido. - Por hoje à noite. Por toda noite. Por cada momento que você estava lá pra me apoiar e me fazer sorrir. Mesmo nas piores horas - continuei e me virei para olhá-lo. me encarava com um meio sorriso, seus olhos azuis me admirando. - É isso que temos que fazer quando algo muito bom está na nossa vida e não temos ideia do porquê, não é?
- Você não sabe por que eu estou na sua vida, ? - ele arqueou uma sobrancelha e esticou os braços, me puxando para perto de si. Deu-me um beijo rápido, mostrando-me, novamente, que sempre cumpria suas promessas, e depois colocou uma mecha de meu cabelo atrás da minha orelha.
- Não - sussurrei. - Você é bom demais pra mim. Eu não sei o que seria sem você - respondi. Desviei meus olhos dos dele e mordi o lábio. - Com tudo que já me aconteceu, ... eu seria classificada como a pessoa mais azarada do mundo. Quer dizer, quem é sequestrada, estuprada, engravida e aborta?! - falei, minha voz tremendo e eu rindo pra tentar descontrair. Voltei a olhá-lo, e ele estava sério. - E ainda assim, tenho você. O que é a maior sorte do mundo. Não sei quantas pessoas matariam para ter alguém como você é pra mim. Então não, . Não tenho ideia do porquê você estar na vida de uma azarada como eu. - Uma lágrima escorreu pelo meu olho e ele limpou-a, sorrindo fraco. Inclinou-se para me beijar novamente e deixou seus lábios sobre os meus por um tempo.
- Eu estou na sua vida, ... porque é o certo - ele sussurrou, acariciando minha bochecha e me hipnotizando com seus olhos azuis. - Eu e você. É certo, desde sempre. Nunca seria tão certo quanto nós com outras pessoas. Eu te entendo, como só eu te entendo. Como se você e eu fôssemos feitos um pro outro - disse, sorrindo largamente, e eu concordei com a cabeça.
- Pra sempre - completei, num sussurro, e ele selou meus lábios com os dele.
off
Understand you, just like I do, just like you and I were meant to be forever.
Toy Soldiers - Marianas Trench
n/a:
Oi *acena*
Eu sei, eu sei. Fazem anos. Me desculpem por isso. De verdade. Não tenho como dizer o quanto encalhei nessa fic. Mas deve dar pra ver pela demora na att. Me desculpem MESMO por isso. Mas como sou uma autora super legal (n), coloquem a música 2 pra tocar agora. É, agora. Música na n/a, e aí?
Bom, nem tenho como começar. É o fim. Acabou OMAD. Se não fosse a Ana me cobrando no Twitter toda vez que eu falava de fics, eu provavelmente não estaria aqui agora. Então, obrigada, Ana. Por me aguentar, me cobrar, por aceitar eu respondendo suas replies anos depois. hahahah
Faz tanto tempo e tem tanta gente que eu quero agradecer, que nem vou citar nomes com medo de errar. Mas obrigada a você que acompanhou OMAD desde sempre, mesmo que não tenha comentado. Desde que tenha lido, e gostado, eu estou feliz. E grata.
Deh, sua linda. Não tenho nem palavras pra você não é? HAHAHAH nem tem como te agradecer o suficiente por toda a ajuda que você sempre me dá, por betar aqui lindamente. Vou sentir muito a sua falta, de verdade. Ainda acho que você devia ir pro All Time Fics pra ir ser minha beta lá também ~~lixa. hahahah Muito muito obrigada <3
Pois é. O fim. Eu nem sei o que falar aqui! Eu sempre tive a n/a planejada em mente, pra ela ser foda e enorme, mas a única coisa que lembro é da música. É The Reason, que vocês mesmas me mostraram quando tentavam chutar a música que o favorito ia cantar pra principal. Eu me apaixonei por ela hahahah Eu ia colocar ela na fic, mas achei que seria interessante deixar pra n/a. O que acharam de Terrified? Eu acho que é uma música tão linda!
So I have to say before I go, that I just want you to know I found a reason for me to change who I used to be, a reason to start over new... and the reason is you...
Eu queria deixar claro pra vocês que mesmo OMAD não sendo aquela fanfic restrita cheia de putaria, já que nunca foi essa minha intenção, é uma das fics que eu mais tenho orgulho. Não pela história, clichê (e azarada, diga-se de passagem). Mas pelas leitoras e amigas que conquistei escrevendo ela. Por ver que vocês gostavam de cada capítulo, que pediam por mais, que realmente queriam mais. Isso é o que me dá o maior orgulho. E esse é um dos motivos pelos quais eu estou tão envergonhada por ter demorado tanto com att e o último capítulo. Vocês foram minha razão de ainda estar no FFOBS, de continuar atualizando, de mostrar essa parte tarada que só as amigas íntimas conhecem hahah
Muitas vezes, nós autoras, escrevemos para nós, escrevemos aquilo porque queremos e não nos importamos se vão realmente ler ou gostar. Tenho que dizer que com OMAD foi completamente diferente. Para toda palavra que eu escrevia, a razão era vocês.
Então, obrigada. Espero ver muitas de vocês em outras fics minhas, no All Time Fics (vou ser banida por merchan, mas erm '-' hahah), ou falando comigo no Facebook, Twitter, MSN... eu não mordo ok (: só se você se chamar James Bourne HAHAHAHAHAH parei.
É isso. Beijos e obrigada por tudo <3
I found a reason to show a side of me you didn't know, a reason for all that I do, and the reason is you...
http://facebook.com/AnneliseStengel .:. http://twitter.com/_annestengel .:. annelisestengel@gmail.com / anne-pepper@hotmail.com
Em andamento:
Just Like a Dream (McFLY)
O Melhor amigo Dela (Restrita)
She’s Not There (All Time Low)
HOTMail (McFly)
Nights In The Camp II (McFLY)
Finalizadas:
I Was Dreaming So Much (McFly - Jones)
Another Memory Lane Story (McFly)
Wonderland e 'Wonderlindos' (McFly - Poynter)
Nights In The Camp (McFly)
Por Trás De Room On 3rd Floor (McFly)
Post Scriptum (McFly)
Arco-íris Decadente (McFly)
She Was Dreaming So Much (McFly)
Cachinhos Castanhos e os Três McGuys (McFly)
Loira de Neve e o Anão Solitário (McFly)
So Real (Outros)
Snow Globe (All Time Low/Especial de Natal)
Defying Gravity (McFLY)
Holiday in Copacabana (Son Of Dork)
This Is How We Do (All Time Low)
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Hey, Doctor! (McFly/Andamento)
A garota do futuro (James Bourne/Andamento)
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