Por: Nath Mariano | Participação: Tass Vieira
Prólogo:
Não sabia que minha vida, em uma única decisão, mudaria tanto assim. Sentada de frente ao Tâmisa, quase um ano e meio depois, consigo compreender que a vida não é tão fácil quanto se imagina, nem é tão fácil administrar alguma coisa por sua própria conta, mas uma hora, a sua maturidade chega, e você tem que tomar uma decisão, e eu tomei a minha.
Capítulo 1
Eu não tenho o costume de acordar cedo, mas naquele dia, acho que uma ficha caiu em minha cabeça, e eu acordei assustada. Sentia meu corpo tremendo, e meus pés batiam contra o assoalho de cinco em cinco minutos, de tanto que eu andava. Olhei pela décima vez para o relógio, que me dizia que eram 06h12. Meu último dia de aula começava em mais de uma hora, e eu já estava vestida, já tinha tomado café, arrumado a cama, e agora eu andava de um lado para o outro, com o coração acelerado e com as mãos suadas, de um jeito que me enojava, me fazendo lavá- las o tempo todo. Caminhei até a minha janela, e vi o mundo que era minha cidade, tantas vidas, tantas pessoas, tanta coisa que eu não sabia sobre ela, mesmo morando ali há anos, acho que meu mini mundo sempre foi a escola, e eu estava a um dia de perdê- lo para sempre. O colegial acabou, e agora, era faculdade, mas antes de tudo, minha tia Eleonor, que mora a sei lá quantos anos em Londres, me chamou para morar uns tempos com ela, dizendo, que antes de iniciar minha vida de universitária, eu deveria conhecer novos ares e lugares. Por mim, eu ficaria aqui, em casa, com a minha mãe, com minhas amigas, e apenas para ver como está o... o Gustavo. Gustavo é um garoto que mudou para minha escola, há dois anos, e desde então, nós nos aproximamos, graças a algumas aulas de violão que eu comecei a ter. Ele virou meu professor, e durante as aulas, um clima começou entre nós e foi aí que ele virou meu namorado. É, meu namorado. Estávamos há um ano e dois meses juntos. Estávamos, porque minha decisão de aceitar ir para Londres, foi única e exclusivamente porque peguei ele e a garota que eu achava que era minha melhor amiga, aos beijos, num canto da escola, e no mesmo dia, fiz minha mãe reservar a passagem. Foi dura aquela decisão, fez meu coração doer, e nem lembro exatamente quantas horas naquele dia e nos que se prosseguiram eu gastei chorando por causa deles. Toda vez que os via de mãos dadas pelos corredores, ou aos beijos nos parques e shopping da cidade, era como se um buraco se abrisse no meu estômago, e era eu deitar a minha cabeça no travesseiro, que eu podia ver a cena deles juntos. Foram os três meses mais dolorosos para mim, mas eu consegui superar. Quando peguei a minha passagem na mão, e tive a certeza que estaria a um oceano inteiro de distância deles, senti meu pulmão respirar uma quantidade de ar incrível, me dando força de novo. Saí da janela, caminhei até minha cadeira na escrivaninha, peguei minha bolsa, e me olhei no espelho. Sempre gostei do último dia de aula, por não precisar ir com o uniforme, é tão mais... você, quando não tem que usar aquelas roupas. Olhei para minha calça jeans clara skinny; meu tênis All Star branco, de couro; e minha t- shirt preta comprida, lisa. Sorri satisfeita quando minha bolsa de alça comprida, preta com branca, caiu sobre meu ombro, terminando o visual. Era isso, estava pronta para pisar no Colégio Alexandre Dumas uma última vez. Peguei minha câmera na escrivaninha, a guardei dentro da bolsa, e saí do meu quarto, ansiosa para o que aconteceria naquele dia. Fui até a sala, e peguei as chaves de casa que eu deixo sempre no aparador, e quando estava abrindo a porta, ouvi.
- Isso que eu chamo de disposição para o último dia de aula – me virei, dando de cara com a minha mãe, sentada no sofá da sala, com a televisão ligada no jornal da manhã, enrolada num roupão branco, com uma xícara de café na mão e um pão francês na outra. Ela não me olhava, mas consegui ver o sorrisinho maroto que ela tinha no canto da boca. Caminhei até ela, e cocei a nuca.
- Não é bem disposição, é...
- Alívio? - ela questionou, agora sim olhando para mim, me fazendo engolir saliva e sentindo o coração acelerar um pouco. Incrível como, mesmo a gente não gostando, mãe sempre nos conhece melhor do que ninguém, por mais que a gente tente negar, dizer que não, mas mãe é mãe, e isso não se compara, nada pode mudar.
- É, é isso – abaixei meu olhar, encarando meu tênis. Caraca, não tinha reparado em como eles estão sujos! Levantei meu rosto quando vi minha mãe colocando a xícara e o pão sobre a mesa, e caminhando até mim. Ela passou a mão no meu rosto sutilmente, e tirando o amarrador do meu cabelo - que estava preso em rabo de cavalo - , fazendo os fios cairem sobre meu busto, ficando levemente ondulado. Ela falou.
- Agora meu anjo, é mais um período que se inicia, sei que já disse isso quando você fez dezoito, mas agora está na hora de você entender que o que passou, passou, e quenesse momento você tem que levantar a cabeça, e ter certeza de que você cumpriu o seu dever, e se sentir orgulhosa por isso – sorri para ela e a abracei. Acho que nunca vou entender a mágica por trás dos abraços maternos, eles fazem a gente se sentir tão seguro de si.
- Obrigada mãe, isso era tudo que eu precisava ouvir, de verdade! – falei assim que eu me separei dela. - Me desculpa, mas eu tenho que ir, não posso me atrasar logo no último dia, né? – ela sorriu para mim, e me levou até a porta. Quando ia sair, ela me puxou, estendeu meu braço e colocou as chaves do carro na minha mão, me fazendo olhá- la sem entender.
- Estou te dando a liberdade de ir onde quiser hoje, contanto que não me volte com o carro batido e sem gasolina! - ela colocou a mão na cintura, numa pose de mãe mandona, e girei as chaves nos dedos, sorrindo.
- Pode deixar que vou cuidar dele como se cuida de um bebê - dei um beijo nela, e quando estava saindo, me virei de novo, a chamando, que me olhou curiosa. – Aquele cara da firma, vai vir te buscar hoje de novo, não vai? - minha mãe, há alguns dias, está saindo com um cara que trabalha na mesma empresa que ela, o que me deixou bastante feliz. Desde o divórcio com o meu pai, a dez anos atrás, minha mãe não se envolvia com ninguém, não que ela ainda amasse meu pai, não, pelo contrário, eles só se falavam quando ele atrasava a pensão – o que era quase sempre -, mas porque minha mãe começou a trabalhar muito, e de acordo com ela, ela não tinha tempo para romances. Mas, há alguns meses, esse cara, o Ricardo, foi lá em casa para um jantar, que de acordo com a minha mãe, era de negócios, e desde então, eles "saem" para jantar. Não que eu me incomode, pelo contrário, minha mãe ainda é jovem, e tem todo direito de reconstruir a vida dela, e meu, desde que ele apareceu, ela anda sorrindo mais, se arrumando mais, anda mais cheirosa, e vale muito a pena vê- la desse jeito. Mas, voltando, ela sorriu para mim, e vi suas bochechas ficando coradas, e ela apenas concordou com um aceno de cabeça, me fazendo sorrir. Joguei um beijo no ar, dizendo que a amava, e saí correndo para o elevador, que por sorte, estava parado no meu andar. Assim que entrei, tive a sensação de que minhas mãos voltaram a suar, e eu novamente fiquei com nojo, mas, como não tinha nenhuma pia por perto, a única coisa que eu pude fazer, foi esfregá-las uma na outra, e respirar fundo, eu só tinha que aguentar mais seis horas, e tudo estaria finalizado, para sempre.
Capítulo 2
Estacionei o carro na frente da escola, e assim que o desliguei, respirei fundo e encostei a testa no volante. Sinceramente, não sei o que tanto me assustava, eu lembro que assim que entrei no primeiro colegial, desejei com todas as minhas forças, que o terceiro ano chegasse, e acabasse logo, e agora que eu estava aqui, alguma coisa me assustava mais do que eu jamais imaginei, e não consigo saber se é o medo de crescer que me assusta ou do que a vida me reserva a partir do momento que eu fechar esse ciclo. Você passa quase vinte anos da sua vida numa escola, fazendo amigos e mais amigos a cada ano que passa, e incrível que você cada dia repete "não vejo a hora desse inferno acabar logo", e quando isso acontece, você se desespera. Como o humano se contradiz não é mesmo? Tirei a chave do contato e saí do carro, o fechando em seguida. Guardei-as no bolso da calça, olhei para os dois lados da rua, e fui entrando na escola, lembrando do primeiro dia que botei meu pé nela. Eu era uma pirralha, de dez anos de idade, usando maria-chiquinhas, e com nojo dos garotos chatos da minha sala. Incrível como as coisas mudam. Hoje, os garotos nojentos, são os caras mais lindos e populares da escola, que todas as garotas morreriam apenas para encostar neles. Enquanto eu, de garota de maria-chiquinhas, me tornei apenas mais velha, com um corpo e uma atitude mais legal, carregando um violão para cima e para baixo, fazendo apenas os nerds espinhosos olharem para mim, porque os nerds gatinhos deixam simplesmente para gostar das nerds bonitonas, coisa que eu nunca fui, e nunca vou ser. Eu nunca fui a melhor da classe, nem a pior também. Tiro aquelas notas na média, que a minha mãe odeia, mas me faz passar de ano, e isso é o suficiente para mim. Ridículo, e eu deveria ter vergonha de falar algo assim, mas, é a minha realidade, o que eu posso fazer? Me sentei na arquibancada da quadra vendo as moças da cozinha arrumando a mesa de quitutes da festa de despedida dos terceiros anos, que eram divididos entre A, B, C, D, ou seja, teremos pelo menos, cento e vinte alunos no pátio da escola, enquanto as outras turmas, fazem as festinhas deles dentro de suas salas. Não sei o que é pior, ficar enfurnado na sala com aquele calor, ou aqui fora, com um bando de sem educação, que vai fugir para os cantos da escola, para se pegarem por aí. De boa, difícil decisão.
Peguei meu iPod dentro da bolsa, coloquei na pasta de músicas diversas, e deixei tocando no último volume, sem me preocupar com as horas, com as pessoas que cada vez mais lotavam aquele pátio. Tudo que eu mais queria naquele, era que me entregassem logo meu boletim para que eu pudesse sair dali, de uma vez por todas. Mas como nem tudo é perfeito, quando eu tinha decido não ficar minhas últimas horas naquela escola, de cabeça baixa, pedindo para o tempo passar, foi que aquela sensação estranha tomou conta do meu corpo, assim que encontrei os olhos de Gustavo me encarando, e ao lado dele, Luisa, a garota que eu conheço a mais de dez anos, e que eu achei que fosse minha amiga. Tirei meus olhos deles e comecei a procura por Felipe e Camilla, que não estavam longe, estavam, para variar, na única parte que presta dessa escola - mais conhecido como o jardim do professor de biologia -, mas antes que eu pudesse sair dali, Gustavo apareceu na minha frente, meio sem jeito e sem graça, coisa que ele nunca foi comigo.
- Posso falar com você um pouco, por favor? – ele disse, e eu sentia todos os membros do meu corpo dizendo "diga que não , diga que não, diga que não!" mas, eu apenas falei.
- Não demore – ele então se sentou ao meu lado, olhando para o chão, e esfregou uma mão na outra, eu sei que ele sempre faz isso quando esta nervoso, então, para não ser muito rude, o deixei se acalmar um pouquinho, senão, ele morre aqui do meu lado e eu ainda vou ser acusada de homicídio.
- Eu... Fiquei sabendo que você vai para Londres, isso é verdade? - perguntou de repente, me olhando. Olhei dentro de seus olhos, e meu coração palpitou, dentre todas as coisas que eu mais odeio nessa vida, nesse lugar, são os olhos do Gustavo, que me fascinam, que parecem fazer cada ponto do meu corpo corresponder a ele, e eu não gosto disso, não gosto mesmo, pois tenho medo que dessa forma ele consiga me entender bem demais, e saber que eu ainda sou completamente apaixonada por ele, mesmo não gostando de admitir isso.
- É, é verdade sim, por quê? - falei, tentando controlar a minha voz, coisa que eu adquiri quando quis esconder meus sentimentos de todos, e eu havia ficado muito, muito boa nisso.
- Não, por nada, eu só queria saber se era verdade, eu... Nunca te imaginei saindo do Brasil! - me levantei, ajeitando a bolsa no ombro e o iPod no bolso.
- Tem muitas coisas que a gente não imagina e que acabam acontecendo, Gustavo - falei da forma mais rude que consegui, o vendo engolir saliva e ficando um pouco vermelho. - Agora, se me dá licença, vou me despedir dos meus amigos - e então, saí a passos largos na direção de Felipe e Camilla, sentindo meu sangue fervendo e meu coração um pouco disparado. Assim que passei por Luisa, ela me olhou como se tentando me dizer alguma coisa, mas eu se quer dei tempo a ela de falar algo, passei reto, e quando cheguei perto dos meus amigos, joguei minha bolsa no chão, e me sentei na grama verde, embaixo do pé de macieira. Eu respirava fundo, tentando me acalmar, enquanto Felipe estava deitado no chão, com os braços em baixo da cabeça, e Camilla tocava violão encostada no tronco da árvore.
- O que foi que ele foi te perguntar para você ficar tão nervosinha? – Felipe me questionou sem me olhar, me fazendo passar a mão nos cabelos soltos, e os rodar, fazendo com que ele ficasse meio embaraçado.
- Veio me perguntar se era verdade que eu estou indo para Londres, vê se tem cabimento uma coisa dessas, quem ele pensa que é para ficar querendo saber o que eu faço ou não da minha vida?
- Seu ex? - Camilla falou sem tirar os olhos do violão um segundo se quer, me fazendo a encarar.
- Não é porque ele é meu ex que ele tem o direito de se meter na minha vida, a hora que ele bem quiser. Pelo contrário, ele perdeu esse direito quando colocou a língua dele dentro da boca da Luisa a primeira vez, e tenho dito – depois disso, passamos o resto do dia ali, calados, sem dizer mais uma palavra se quer, e assim que entregaram os boletins, eu fiz questão de sair dali. Mais um minuto naquele lugar, e eu seria capaz de ficar louca. Claro que as duas pestes que eu chamo de melhores amigos não saíram do meu pé, e foram comigo até em casa. De acordo com eles, meu último dia no Brasil tinha que ser memorável, e realmente foi, fizemos tudo que temos direito. Eles me ajudaram a terminar de arrumar a mala, enquanto dançávamos musicas da Lady Gaga. Juro que minha câmera pegou momentos marcantes de Felipe rebolando a bunda enquanto dançava "Love Game", e depois, momentos incríveis da Camis sendo sensual" enquanto tentava imitar a Gaga em "Bad Romance", coisa que, não saiu muito bem.
Depois de muitas, e muitas garrafas de Red Bull jogadas fora, eles quiseram sair, e como eu tinha o carro, a primeira coisa que eu quis fazer foi ir à paraia, depois de comparar muitas garrafas de vodka, e tudo que três pessoas maiores de idade podem pedir, e foi assim mesmo, claro, sem esquecer de deixar um recadinho para minha mãe, sabe como é né, ela poderia pirar. Era meia noite e meia, quando me dei conta que estava na paraia, depois de tomar, sei lá, a quarta garrafa de Smirnoff Ice, e que estava dançando uma música muito provocante, com os cabelos ao vento, a camiseta um pouco levantada por causa da minha mão dentro dela, e sentia que o corpo de alguém estava logo atrás de mim, mordendo de leve meu lóbulo, fazendo meu corpo formigar. Um sentimento esquisito tomava conta do meu corpo, e quando me virei, vi os olhos de Felipe, vermelhos, me olhando de um jeito absurdo que me causava calafrios na nuca, e não pude deixar de reparar quando ele umedeceu os lábios e começou a se aproximar. Continuei ali, parada, o deixando estar cada vez mais próximo, até que o senti mordendo meu lábio, e em seguida, senti o gosto de vodka que tinha em sua boca. Depois disso, eu não consegui mais parar, cada toque dele me deixava maluca, o jeito que ele apertava minha cintura, que mordia meu ombro, e fazia com que eu soltasse suspiros, fez com que eu perdesse a noção do que fazia, a única coisa que eu queria, cada vez mais, e mais, era sentir a pele dele na minha, sentir o movimento que os quadris dele faziam sobre os meus, o jeito que ele respirava alto, soltando alguns gemidos baixos quando o corpo dele batia sobre o banco do carro, o jeito com que ele apertava meu corpo contra o dele, até que o meu relaxasse, e depois disso, tudo ficasse preto, e eu não visse mais absolutamente nada.
Eu acordei com os raios de sol na minha cara, sentindo minha cabeça latejando, e meu corpo estava esquisito, sei lá. Cocei minha nuca e olhei a minha volta, nem Felipe, nem as roupas dele estavam ali, comecei a olhar ao redor, e vi, na paraia, perto da orla do mar, um garoto em pé, o vento bagunçando seus cabelos pretos e fazendo a camisa aberta voar. Sem querer, um sorriso maroto surgiu no meu rosto. Olhei no banco de trás, e Camilla dormia profundamente, sorri novamente e voltei a olhar para frente, esfreguei uma mão na outra, me dando conta que eu já estava vestida, e ri baixinho, gostando do cuidado de Felipe. Abri a porta do carro, e fui de encontro a ele, sentindo a forte brisa batendo no meu rosto. Parei ao lado do meu amigo, e fiquei em silêncio, assim como ele, por sabe-se lá quanto tempo. O fato é que esse acontecimento da noite anterior, não é novidade para nós. Já deve ser a quinta ou sexta vez que isso acontece conosco, e chegamos num ponto, que nem ligamos mais, simplesmente, deixamos rolar, já que não conseguimos mais controlar nossos próprios hormônios. Depois de uma conversa séria entre nós dois, decidimos que vergonha era coisa do passado, que não estávamos apaixonados, e que se por acaso um de nós estivéssemos, deveríamos contar. Deus é pai que isso não vai acontecer, nunca, porque Felipe gosta de uma prima dele, que mora no interior, e eu sei que toda vez que ela vem pAra cá de férias, eles dão uma rapidinha! Cansada do silêncio, olhei para ele, e comecei o interrogatório de sempre.
- Você usou...
- Camisinha? Sim usei! – ele falou antes de eu conseguir terminar de dizer, me fazendo sorrir por ele sempre saber que faço essa pergunta antes de qualquer coisa. – Te machuquei? - perguntou, agora me olhando.
- Não, por quê? - estranhei a pergunta.
- Porque você machucou a mim! - arregalei os olhos assim que ele terminou de dizer.
- Como, quando, machucou muito, doeu? - disparei a perguntar o vendo soltar uma gargalhada, me fazendo dar um tapa de leve em seu braço. - Eu 'to falando sério, poxa!
- Ai pô, não precisa partir para a agressividade! - falou esfregando o braço enquanto ria, mas assim que controlou a risada, ele disse. – Bom, respondendo às suas perguntas, quando você chegou ao orgasmo, você fincou suas unhas nos meus ombros, e eu só não gritei de dor, porque em seguida meu orgasmo veio também. Satisfeita? – não é por nada, mas eu ainda fico sem graça sabendo que tenho orgasmos com o meu melhor amigo. Cheguei mais na frente dele, e passei a mão por dentro de sua camisa, puxando-a um pouco para baixo, para ver o ombro dele, que tinha leves marcas de unhas, me fazendo morder o lábio, mas Felipe apenas riu de leve, e me deu um beijo na testa, me fazendo abraçá-lo forte, e logo, tive esse abraço correspondido.
- Vou sentir sua falta, Fê – falei baixinho, ainda abraçada a ele, sentindo seu peito subir e descer por conta da respiração, ouvi uma risada baixinha se desprendendo de sua garganta. Me apertando mais forte, ele disse.
- Também vou sentir a sua, todos os dias!
Foi um longo dia, o meu último no Brasil. Assim que Camilla acordou, nós três voltamos para casa, e para minha surpresa, meu apartamento estava vazio, ou seja, minha mãe não estava em casa, e a minha pergunta era onde ela se encontrava. Mas quando estava na cozinha, ouvi a porta da sala se abrindo, e minha mãe passava por ela, com um sorriso maior que o permitido. Quando perguntei o que tinha acontecido, ela apenas disse que tinha dormido na casa do cara de sua firma, que agora eu conheci por André, e bom, depois de sei lá quantas horas sentada no sofá ouvindo ela me falar de como ele era incrível, charmoso, educado, e blábláblá, fui para o meu quarto, finalizar minha última mala. Quando terminei, tomei um bom banho, me arrumei, me preparando emocionalmente para estar dentro de um avião em poucas horas, e depois de levar minhas malas até o carro, buscar o Felipe e a Camilla em suas respectivas casas, e chegar no aeroporto, eis que agora estou sentada no banco do avião, sentindo muitas lágrimas ainda rolando nos meus olhos, graças à despedida dos meus amigos, e principalmente da minha mãe. Agora um novo futuro me aguarda, e eu acho que tenho um pouco de medo do que posso esperar dele.
Capítulo 3
Assim que o avião pousou em Londres, senti um formigamento diferente na boca do meu estômago. Sabe aquela sensação estranha que sentimos quando temos plena certeza de que algo novo e diferente está para acontecer e de certa forma, aquilo te deixa... apavorada? Tipo quando mudamos de escola, nós nunca sabemos o que está por vir, se faremos muitos amigos, se teremos inimigos, se tem caras bonitos e sensuais que fará com que a gente passe o intervalo inteiro suspirando para lá e para cá... sabe essa sensação? É mais ou menos por aí, só que, a minha certeza era que eu passaria um tempo numa terra desconhecida, onde não falam a minha língua, onde não teria meus pais, meus melhores amigos, minha cama quente, e meu habitat natural, eu não teria nada, a não ser uma tia que eu não vejo há um bom tempo. É, isso é realmente assustador. Peguei minha bagagem de mão, e comecei a ir até a porta do avião, onde alguns passageiros já tinham descido, fazendo com que a passagem estivesse mais livre. Logo que eu cheguei à porta, senti a brisa extremamente gelada de Londres batendo no meu rosto. Me encolhi no agasalho de moletom que coloquei durante a noite, e desci as escadas, sentindo minhas bochechas ficarem geladas, assim como a ponta do meu nariz. Soltei meu cabelo que estava preso num coque, e deixei que eles ficassem em volta do meu pescoço, numa falha tentativa de aquecê-lo. Céus, eu sabia que aqui era frio, só não fazia idéia de que estaria TÃO frio assim. Caminhei junto com o restante dos passageiros para dentro do aeroporto, e fui até a esteira procurar minhas três malas de desenhos Disney, o que foi muito fácil de achar. Assim que coloquei-as no carrinho, peguei meu celular para ligar para minha tia, para saber onde ela estava e em qual lugar eu deveria encontrá-la.
Ouvi alguns toques e finalmente minha tia atendeu.
- Oi, , eu já estou chegando, meu anjo! – incrível, ouvindo minha tia falando, me lembra tanto o jeito despojado da minha mãe. Isso porque ela é irmã do meu pai, super dica.
- Ah sim, tudo bem, tia. Onde você quer que eu te espere? - perguntei, esfregando meu braço, sentindo meu corpo esquentar muito pouco naquela região, mesmo o aeroporto tendo calefação, não estava adiantando muito para mim.
- Pode esperar aí dentro mesmo, meu anjo. Tem umas lojas de agasalhos que quero passar com você antes de irmos até a cafeteria - ela falou, e eu podia ouvir bem baixinho no carro, o som do rádio ligado, tocando Shania Twain, uma das cantoras favoritas dela.
- Tudo bem, tia. Vou estar na frente de uma grande livraria que tem aqui, a fachada é amarela, tudo bem? - falei caminhando com o carrinho até a tal livraria.
- Tudo bem, meu anjo. Em mais vinte minutos devo estar aí.
- Ok, estarei esperando – me sentei num banco, cruzando as pernas, e ajeitando meu corpo sobre o encosto.
- Ok, beijos.
- Beijos, tia – e desligamos. Fiquei ali, olhando aquelas pessoas num vai e vem com malas, algumas se abraçando sorrindo, outras se abraçando chorando. O mais engraçado, é que não dá para identificar quem está chegando a Londres, e quem está indo viajar, estranho não? Peguei meu iPod dentro da minha bolsa, e fiquei ali, ouvindo música, e olhando as pessoas indo e vindo, única e exclusivamente para esperar o tempo passar. Eu batia o pé no ritmo da música, quando reparei uma certa agitação em um dos portões de desembarque. Fiquei com os olhos ali, reparando em algumas garotas, e dois meninos, que estavam frenéticos na frente daquele portão. O que será que está acontecendo? Minutos depois, o portão se abriu, e vi algumas pessoas saindo, mas foi em quatro garotos que meus olhos ficaram indecisos. Eu os conhecia. Era McFLY o nome da banda, se não me engano. Camilla era fã deles a não sei quantos anos, e eu gostava de algumas músicas, mas nada que eu pudesse me auto-rotular "sou fã". Achei super fofo o modo como os garotos abraçavam as pessoas, tiravam fotos, riam, sorriam, e eram atenciosos. Para mim, isso sim era ser um artista, aquele que além de ter uma vida agitada, paára pelo menos cinco minutos para poder dar atenção ao seu fã. Afinal, se não fossem eles, os artistas não venderiam discos, dica. Senti meu celular, que estava no meu colo, vibrando. O peguei e vi o número da minha tia na bina, rapidamente o atendi.
- Oi tia!
- Meu anjo, você está sentada? - mordi o canto do lábio, estranhando um pouco sua pergunta.
- Ér, estou sim, tia. Por quê? – a ouvi suspirar e rir baixinho.
- Você poderia se levantar, por favor? Não estou conseguindo te ver! - não pude deixar de rir a escutando, e logo me coloquei de pé, a ouvindo rir logo depois. – Ahá, te achei! - então ela desligou, me fazendo rir mais ainda. Segundos depois, ela estava na minha frente, me dando um forte abraço, me dizendo o quanto eu tinha ficado linda, e grande. Vem cá, ela esperava que eu fosse uma baixinha para sempre? Logo depois, nós caminhamos até uma das lojas que ficava dentro do aeroporto. Tia Eleonor me fez escolher alguns agasalhos, alegando que eu iria precisar, e muito. Disse que dinheiro não era problema, e que eu poderia escolher o que quisesse, que era um presente de boas vindas, me fazendo adorar a idéia. Peguei dois grandes agasalhos, um preto, e um vermelho; três moletons da GAP, um rosa, um cinza, e um vermelho; e um sobretudo preto também, que era muito quentinho por sinal. Saí da loja completamente feliz, fazendo minha tia rir.
- De verdade tia, muito obrigada! – falei enquanto estávamos indo até o estacionamento onde ela havia deixado o carro. Eu já estava vestindo o agasalho preto, me sentindo muito mais confortável e aquecida do que quando cheguei.
- Pára com isso, , eu não poderia deixar você morrer de frio aqui, não é? O que seus pais pensariam de mim? Que sou uma tia desleixada? Nunca! – não pude evitar, comecei a rir um pouco alto pelo modo como ela falou. Ah cara, não tem como, ela ser irmã do meu pai e agir feito a minha mãe. Não sei se é porque ela é mulher e tudo o mais, só que sei lá, parece. Logo nos chegamos ao carro modesto da titia, um C4 preto, onde eu a ajudei a colocar as malas, o celular dela começou a tocar instantes depois, e ela me pediu um minuto para atendê- lo. Fiquei imaginando o quanto minha tia não ganhava trabalhando na tal cafeteria, afinal, um C4 não é para qualquer um. Me encostei na lataria do carro, a vendo falar no celular. Como não tinha sol, fiquei apenas olhando o céu completamente fechado de Londres, sentindo novamente aquele formigamento na boca do estômago. Meu Deus, tanta coisa se passava na minha cabeça, que eu me sentia até meio tonta, e quando eu tive a impressão que começaria a chorar, ouvi um risada alta, bem alta, e me virei para olhar. E então, vi aqueles caras de novo, um deles estava caído por cima do outro, no chão, e dois deles estavam rindo, me fazendo respirar fundo, sentindo uma coisa gostosa dentro de mim. Fechei os olhos, apenas para respirar fundo, e quando os abri de novo, vi um dos garotos, o , que estava de pé, encostado na lataria do carro, retribuía meu olhar. Por algo que eu simplesmente não sei dizer, os olhos dele me prendiam, me hipnotizavam de uma forma, que eu sustentei o olhar, sentindo meu coração acelerar um pouco. Foi quando minha tia chegou perto de mim, falando alguma coisa e eu abaixei a cabeça, desviando meu olhar do tal de olhos .
- , meu anjo, eu estou falando com você! – Tia Eleonor falou, me arrancando de meu transe, eu então, levantei minha cabeça, a olhando de novo.
- Desculpa tia, me perdi nos meus pensamentos, o que você disse?
- Disse que já podemos ir, que eu te deixarei no meu apartamento, enquanto vou resolver umas coisas com alguns entregadores que chegaram lá na cafeteria, e então, mais tarde conversamos e arrumamos as coisas, pode ser? – o que ela esperava que eu dissesse, eu não tinha escolha, tinha?
- Ah, tudo bem, tia. É bom que eu tenho muita coisa para arrumar! - ela então sorriu, e foi para o lado do motorista. Eu fechei meus olhos com força, e respirei fundo, e os abri, ainda olhando para o chão. Percebi uma movimentação perto do carro onde o estava, e então olhei para aquela direção. Vi que os dois garotos que estavam no chão, agora entravam no carro, junto com o garoto , e eu olhei para ele novamente, que, por incrível que pareça, ainda me fitava, de braços cruzados na altura do peito, com apenas um lado do corpo encostado na lataria, e aqueles olhos, se não me engano, ainda olhavam para mim, fazendo com que eu sentisse as bochechas quentes, o que eu agradeci um pouco. O então abriu um sorriso torto para mim, fazendo com que eu sentisse minhas bochechas mais quentes ainda, e em seguida correspondi o sorriso, ainda sustentando seu olhar. Quando vi que ele descruzou os braços, e deu um passo para frente, um moço careca se aproximou dele, e ele murchou o sorriso, olhou para mim, deu um leve aceno, me fazendo corresponder com um balanço de cabeça, e então, ele entrou no carro. Eu suspirei, e decidi entrar no automóvel de Tia Eleonor, que me olhou sorrindo, e aquele sorriso, era... diferente.
- Mal chegou a Londres, e já está chamando a atenção de garotos? – eu apenas dei um sorriso amarelo, engolindo minha vontade de dizer um "ah, não me enche", mas ela está me acolhendo, melhor eu ser simpática, né?
E bom, duas semanas se passaram depois disso. Nada de muito interessante aconteceu, como uma mera adolescente de dezoito anos, eu ainda, repito, ainda não estava sentindo tanto a falta de casa, e nem da minha mãe, até porque, eu falava com ela via MSN e webcam todo santo dia, assim como falava com Felipe e Camilla. Ah, eu comecei a trabalhar na cafeteria onde minha tia era a gerente, descobri o porquê dela ganhar tão bem. A CoffenBook era a segunda melhor cafeteria de todo o Reino Unido, só perdia para minha queridíssima Starbucks, mas até que era um ótimo lugar. Era uma cafeteria junto com uma biblioteca, onde as pessoas poderiam pegar desde gibis aos grandes clássicos da literatura atual. Alguns dos livros eram dados, ou seja, era meio que um sebo, legal né? Eu gostei, pelo menos. Hm, o apartamento onde eu estou morando é bem espaçoso até, são apenas. Dois apartamentos por andar, o que rende muito espaço mesmo. Temos uma sala, uma sala de jantar, cozinha, um banheiro, duas suítes, e um quarto onde minha tia fez um escritório, o que eu achei realmente interessante. A parte mais triste, é que titia é uma mulher de quarenta e cinco anos, que nunca amou alguém de verdade na vida, mesmo tendo diversos homens, seria uma boa eu aprender a ser fria como ela. Mas é isso, nada de muito interessante, meu corpo até está se acostumando com o inverno daqui, acho que é porque eu passo mais tempo presa na cafeteria, e quando eu saio, vou do carro da titia direto para casa, ou seja, sem muito contato com o frio, mas, pulemos isso, né? Hoje é mais um típico dia em que a clientela está bem movimentada, depois do fim de expediente das empresas que ficam em volta, e por isso, todos vem para cá, tomar um café, conversar, e alguns, trazem seus devidos notebooks para continuar trabalhando. Vai entender essa gente obcecada por trabalho. Eu estava de atendente hoje, ficava servindo cafés nas mesas, enquanto alguns serventes trabalhavam atrás do balcão. Eu já estava sentindo meu pé doer, de tanto ir para lá e para cá. Cansa essa vida, de boa. Quando eu me encostei no balcão pzra respirar um pouco, ouvi o sininho da porta tocando pela milésima vez ao dia. Olhei para Susan, uma das balconistas, e ela riu quando eu rolei os olhos, e logo em seguida, ela voltou aos seus afazeres, pela primeira vez em dias, eu conseguia fazer alguém rir naquele lugar. Britânicos são tão frios que me irritava, às vezes.
Bom, quando fui dar conta de mim, estava no carro com a minha tia, voltando para casa. Era quase meia noite, e para quem acorda às cinco, devo dizer que eu estava morrendo de sono, por isso, relaxei meu corpo, e me permiti um cochilo. Foi então que minha mente começou a criar coisas, e coisas coloridas, que de repente se transformaram em uma multidão de pessoas, que corriam, andavam, como se eu estivesse na 25 de março, em São Paulo, ou então, no shopping, em comparas de final de ano. E foi no meio dessa multidão que um par de olhos me chamou atenção, um par de olhos , que me fitavam com uma intensidade que amedrontaria qualquer pessoa em sua sã conciência, mas, não afetou a mim. Eu não conseguia ver o corpo da tal pessoa, dona daqueles olhos, mas meu coração pedia para ir até ele, e eu obedeci. Eu era empurrada pelas pessoas, e pude ver que ninguém encostava no dono, ou dona, daqueles olhos, mas todos olhavam para ele, ou ela, porém eu não. Eu queria saber quem era, eu queria encostar nem que fosse um dedo, eu queria saber se era real. E então, o corpo da pessoa começou a aparecer, e eu pude ver que era um homem, ou melhor, um rapaz, com largos ombros, e com a pele branquinha, e muito bem vestido. Quando eu estava muito próxima dele, uma voz ecoou na minha cabeça "não se aproxime, , não faça isso", mas eu não a obedeci, e me aproximei, mais, e mais, e mais, até que eu estava frente a frente com a pessoa. Eu não conseguia ver seu rosto, porque ele estava usando um capuz, mas podia ver seus olhos, porque a luz refletia neles. Então, respirei fundo e disse um "oi", fraco, leve e muito baixo, e por um instante, duvidei que ele tivesse escutado, mas foi então que vi seu sorriso, e quando jurei que ele iria dizer algo, seu "oi" saiu como um trovão, alto, forte, o que me despertou, a tempo de ver o trovão cortando o céu de Londres, e vi que estava na rua do prédio que agora eu chamava de casa.
- Está tudo bem, querida. Foi apenas um trovão - minha tia disse, querendo me acalmar. Respirei fundo, tentando fazer com que as batidas de meu coração desacelerassem um pouco, e só consegui fazer isso quando já estava dentro do elevador do prédio. Titia me dizia alguma coisa, mas eu não conseguia prestar atenção, aqueles olhos estavam fixos em minha mente, e eu sabia que eu os conhecia de algum lugar, mas estava com dificuldade de saber de onde. Era como se em algum ponto, eu tivesse me esquecido de já tê-los visto. Meus pensamentos foram interrompidos quando chegamos no andar. Era dia da titia fazer a janta e de ligarmos para minha mãe, então, já viu... não iria conseguir dormir tão cedo. Caminhei até a porta de casa e assim que coloquei a chave na fechadura, ouvi um barulho no apartamento vizinho, o que me fez olhar para trás. Titia ostentava um sorriso estranho, que mostrava todos os dentes, o que eu achava esquisito.
- Algum problema, tia? – perguntei apenas por curiosidade.
- Problema algum, querida. Tem dias que eu espero por esse momento! - disse com um tom de voz carregado de ansiedade.
- Mas o que está... - minha pergunta foi interrompida assim que o vizinhO, isso mesmo, vizinhO, abriu a porta. Meu sangue bombeou meu coração. Titia então, riu, e falou.
- , ah, mas quanto tempo! - ela foi até ele, e o abraçou. O mesmo a abraçou com um sorriso no rosto, e eu sentia meu coração batendo freneticamente dentro do meu peito. Assim que eles se separaram, titia voltou a dizer. – Há dias que quero te apresentar uma pessoa – ela então, olhou para mim, e eu olhei para ela de volta, sentindo minhas bochechas corarem rapidamente. - Eu não te apresentei aquele dia no aeroporto , mas esse aqui é meu vizinho, . , essa aqui é a , minha sobrinha.
Quando olhei para ele, confirmei o que meu coração me avisou assim que ele abriu a porta. Esse tal era o cara famoso do aeroporto, era o encostado no carro, e não sei se isso é bom ou ruim, mas era o dono dos olhos do meu sonho.
Capítulo 4
Eu não conseguia dizer nada, nem agir, o fato de ter aqueles olhos olhando diretamente para mim fazia algo estranho ferver dentro do meu peito, me dava nervoso, ansiedade de algo que eu não sei dizer.
- , meu amor, cumprimenta o ! - titia falou me chamando e fazendo com que eu acordasse dos meus devaneios. Eu então olhei para ela e para ele, não sabendo ao certo o que fazer. Então, ele estendeu sua mão para mim, fazendo com que eu o fitasse, e percebesse o sorriso encantador que ele tinha; eu acabei retribuindo, tanto o sorriso, quanto sua mão estendida; coloquei uma mecha do cabelo para trás, sempre faço isso quando estou com vergonha, é habito.
- Oi! – ele disse e senti um leve arrepio, sua voz era gostosa de se escutar, grossa, com um sotaque carregado digno de um britânico, isso o deixava simplesmente mais encantador.
- Oi - respondi um pouco mais baixo, morrendo de vergonha pela minha voz estranha de brasileira; mordi meu lábio e então desviei os olhos, não sabendo mais o que fazer. Simplesmente olhei para minha tia enquanto soltava a mão de . Ela, por sua vez, vendo que eu não conseguia falar mais nada, olhou para ele e disse.
- Mas e então querido, como foi a turnê? Vocês ficaram fora por semanas dessa vez! - os olhos de Eleonor brilhavam de uma forma hilária, ela parecia uma adolescente querendo detalhes da vida do ídolo, e eu não duvido nada de que ela seja mesmo fã da banda de , o McFLY era bom, não tenho nada contra os guris.
- Na verdade foi uma turnê mundial que fizemos dessa vez, passamos por vários continentes, um mais lindo que o outro, você nem pode imaginar! - disse me fazendo olhar para ele. Como eu acho que já disse, os olhos dele faziam meu corpo tremer por dentro, e toda a euforia transmitida pela sua voz, fazia com que uma curiosidade ativasse no meu interior. Eu queria saber esses lugares que ele foi, queria saber o que ele fazia na banda, queria saber muitas coisas, e isso me irritava, pois eu gostava de ter as coisas sob meu controle, odiava quando alguma coisa saía errada, de forma que eu não esperasse, mas nessa situação, eu não poderia fazer nada, eu mal tinha o conhecido, não poderia sair fazendo mil perguntas. Eleonor e ficaram conversando sobre algumas coisas sem importância, e quando um dos dois olhavam para mim, eu apenas dava um sorrisinho amarelo por não saber exatamente o que dizer a eles, e foi quando o telefone de casa começou a tocar, e foi nessa hora que eu lembrei que eu tinha uma mãe do outro lado do oceano, que estava esperando minha ligação do dia. Titia olhou para mim, fazendo uma careta engraçada, me forçando a sorrir naturalmente.
- Tinha me esquecido de sua mãe, ! - jura titia? Você não é a única, isso que dá ter um vizinho tão mais interessante que um telefonema. - Melhor você ir atendê-la, ela deve estar histérica! - concordei com a cabeça, pronta para sair correndo daqueles turbilhões de sentimentos estranhos que me fez sentir, mas eu tenho boas maneiras, então, olhei para ele, que me olhava de forma curiosa, dei o melhor sorriso que consegui naquela hora, e disse.
- Foi um prazer te conhecer! - pude ver de canto de olho, que o sorriso de Eleonor cresceu mais do que deveria, mas o que será que essa velha está aprontando comigo?
- O prazer foi todo meu, - disse, correspondendo meu sorriso, com seu sorriso estonteante. Deus, esse cara tem algum defeito? Se tem, não vejo a hora de conhecer. Sorri para os dois ali, e entrei no apartamento fechando a porta rapidamente, joguei a mochila no chão e corri até o telefone.
- Alô?
- , onde você e sua tia se meteram? Vocês ficaram de me ligar, tem noção de que está uma hora atrasada? O que estavam fazendo? Está tudo bem? Onde você está? – mães conseguem ser tão exageradas em algumas situações, vou te dizer viu, oi, eu tenho dezoito anos, mamãe!
- Calma, mãe, calma, é que Tia Eleonor e eu encontramos seu vizinho, e acabamos nos distraindo, e mãe, se eu atendi o telefone de casa, onde mais eu haveria de estar? - um silêncio se instalou no telefone, e eu ri imaginando a cara de minha mãe de "ah, é verdade!".
- Ah sim, claro, é, eu entendo - alguém percebeu que ela ficou um tanto sem graça? Eu sim. Fiquei horas no telefone com a minha mãe aquele dia, ela veio me contar casos que aconteceram com ela. E aquele cara da firma, agora era meu padrasto, porque ele pediu minha mãe em namoro durante o almoço deles. E isso não foi tudo, ficamos fofocando sobre várias coisas, e minha tia apareceu em casa alguns minutos depois que eu entrei, avisando que ia tomar banho. Eu me perdi um pouco na conversa, imaginando o que iria fazer saindo aquela hora do apartamento, mas, o modo lindo com que ele se vestia, e a aparência bem arrumada dele, me dizia que ele iria aproveitar o tempo perdido que teve enquanto estava em turnê, indo se esbanjar em algum pub pela cidade, cara de sorte ele. Depois disso, acabou que minha mãe quis contar a novidade para minha tia, nós nos despedimos e passei o telefone à ela, que ficou sentada no sofá com Yan, seu yorkshire macho. Peguei minha mochila, que estava jogada no chão, e fui até meu quarto. Naquela noite eu não falaria com Felipe e Camilla, pois ambos iriam a uma festa de aniversário de um primo de Felipe, que como não quis ir sozinho, chamou a Camis para ir com ele. Como eu queria estar lá, geralmente fazíamos tanta zuações nessas festas, os queria comigo hoje. E foi nesse momento que percebi a saudade dentro do meu ser, eu não fazia idéia que amigos são tão necessários em momentos assim, mas dizem que só damos valor depois que perdemos, então eu estou no lucro, porque sei que não os perdi, mas já estou dando valor. Joguei minha mochila na cama, e caminhei direto para o banheiro, completamente louca de vontade de uma bela ducha quente. E foi isso que eu fiz, a sensação mais prazerosa para mim desde que havia chego em Londres, era quando eu estava debaixo do chuveiro, e eu sentia as pequenas gotinhas de água caindo sobre meu corpo, me relaxava, me esquentava, e fazia com que eu me sentisse limpa, óbvio. Deixei a torrente de água cair sobre meu corpo, e fechei os olhos, querendo relaxar o melhor que conseguisse. Encostei minha testa na parede e foi quando os olhos de voltaram à minha mente, num misto do meu sonho conturbado, com a nossa troca de olhares no estacionamento, até agora no corredor do prédio. Não sei por que logo aqueles olhos, justo aquele par de olhos ... tão comuns, mas ao mesmo tempo, lindos, brilhantes, intensos, e profundos. , , , , , . Seu nome rondava na minha cabeça como uma alucinação estranha, eu estava curiosa sobre ele, queria saber mais agora, queria saber o máximo que eu conseguisse saber sobre ele, só assim eu estaria no controle da situação de novo. Terminei meu banho rapidamente, e fui ao meu quarto colocar meu pijama – uma calça de moletom preta, uma camiseta de manga comprida, e um casaco de moletom do "The Doors" que Felipe tinha me dado.
Assim que me senti confortável o suficiente, fui até a cozinha, e percebi que minha tia já não estava mais ao telefone, - ela devia ter ido dormir e eu nem percebi -, comecei a preparar um chocolate quente, e Yan estava sentado no chão, me olhando. Terminado de preparar o chocolate, voltei para o meu quarto, ligando o lep top em seguida, e Yan veio atrás de mim, se deitando na minha cama. Cachorro folgado!
Sentei na minha escrivaninha, e conectei a internet, que logo que abriu, fui ao Google, e digitei: McFLY.
Saiu assim:
McFLY é uma banda britânica de pop rock que alcançou a fama em 2004. A banda, formada em Londres, tem como membros Tom Fletcher, Danny Jones, Dougie Poynter e Harry Judd. É gerenciada pela Prestige Management, e tinha contrato assinado com a gravadora Island Records desde o seu lançamento em 2004, até dezembro de 2007, antes de criar sua própria gravadora, a Super Records.(...)
Meus olhos liam todo o conteúdo no Wikipédia, mas apenas o nome ficou registrado na minha cabeça, então, decidi procurar por mais, e mais, e mais, até que me dei conta da hora, que estava tarde, muito tarde. Desliguei o computador, e caminhei até a varanda enrolada numa manta que eu havia ganho de Eleonor, na minha primeira semana ali. Eu escrevi todas as informações sobre o McFLY e sobre num caderninho que eu tinha; como eu disse, gosto de ter informações sobre a pessoa, acho que me sinto mais segura assim.
Fiquei parada na minha varanda uns bons minutos, pois eu precisava absorver tudo que eu tinha visto. era muito mais do que um simples cara de banda. Ele e seus outros amigos, batalharam para estar onde estão, e acho que é por isso que conquistaram a legião de fãs que hoje eles têm, bom para eles e para seus bolsos também. Incrível como cada vez que eu páro para olhar a vista de Londres, ela me faz sorrir desse jeito débil, eu odiava admitir, mas mesmo com a chuva de todo dia, mesmo com o frio que parece sempre querer cortar minhas bochechas, eu estava começando, repito, começando a gostar de morar aqui. A Inglaterra é completamente diferente do Brasil, sinto isso só de respirar aqui. A frieza das pessoas, acabou fazendo com que em pouco tempo eu entrasse ainda mais em meu casulo, se antes eu sobrevivia apenas com dois amigos, hoje, sobrevivo sozinha, só não consigo decidir se isso é algo bom ou ruim.
Fechei os olhos por um instante. Comecei a cantarolar "Use Somebody" do Kings Of Leon. Essa música tinha vindo muito na minha cabeça nos últimos dias, e a saudade de cantar estava gritando dentro de mim, e ficou forte demais para que eu resistisse naquele momento. A verdade, é que eu canto desde que eu tinha três anos de idade, participei de muitos festivais na escola todos os anos, e devo agradecer aos meus pais por isso. Meu pai era um ex- baterista de uma banda de metal dos anos oitenta, bandinha de garagem que nunca saiu da garagem, - não consigo imaginar meu pai com vinte anos, usando uma calça de couro colada ao corpo, com cabelos rebeldes e uma bota coturno no pé, definitivamente não dá - e agradeço muito à minha mãe por ser uma puta de uma cantora boa - ela cantava no coral da igreja, nas missas, mas quando eu nasci, ela parou de cantar, a não ser quando era para me fazer dormir, e confesso, morro de saudade disso -. Então, eu sempre tive apoio de meus pais para qualquer coisa que fosse relacionada à música.
Ainda cantando de olhos fechados, senti uma lágrima solitária rolar pelo meu rosto, me fazendo abrir os olhos e secá-la. Incrível como cantar alivia minha alma, como se fosse um tipo de calmante, que me ajudava a descarregar, eu me sentia viva, me sentia feliz, me sentia livre. Parei de cantar, e respirei fundo.
- "Use Somebody" é a minha música favorita do Kings Of Leon... - ouvi uma voz masculina e me assustei duplamente, primeiro por que eu estava sozinha - pelo menos era o que eu achava -, cantando, chorando e não sabia que tinha alguém me observando e que esse alguém era justamente ; segundo, que eu não sabia que a varanda do quarto dele, era ao lado da varanda do meu quarto, e que se ele quisesse, ele precisava apenas passar sua perna pelo outro lado, que ele conseguia entrar na minha varanda, e claro, em meu quarto. Isso era tenso.
Coloquei a mão no meu peito, em uma tentativa falha de acalmar meu coração, - ah qual é, como se eu conseguisse acalmar um coração só de encostar a mão no peito, dã - e olhei para , , sei lá, ele estava estupidamente lindo, era irritante, seu cabelo estava molhado e meio bagunçado, estava usando uma camiseta manga curta cinza, que desenhava seu corpo, e sua calça de moletom preta era larga, porém o deixava lindo,e eu não conseguia me concentrar para poder respondê-lo, não dava, era beleza demais parada ali, na minha frente. "Respira, , respira sua idiota, aproveita e fala alguma coisa".
- Você está aí há muito tempo? - perguntei da forma mais normal que consegui, qual é, com um cara lindo desses te olhando, você ficaria bem pior!
- Tempo suficiente para achar sua voz linda! - disse de forma suave e eu acabei encarando seus olhos, seus terríveis lindos olhos. Era estranha a sensação que eu sentia naquele momento, os olhos dele eram algo que me hipnotizavam, que faziam com que algo estranho acontecesse com todo o meu sistema nervoso, e eu odeio perder o controle de mim mesma desse jeito, mas, aqueles olhos me prendiam, e eu não queria parar de olhar para eles, de olhar para .
- Desculpa, eu não percebi que estava cantando alto demais - coloquei uma mecha do meu cabelo para trás da orelha, isso era algo que eu odiava fazer, mas sempre que tinha vergonha o fazia. Vergonha é sinônimo de perda de controle, odeio.
- Não, nem estava. É que eu tinha acabado de sair do banho, estava me trocando e aí por acaso eu acabei te ouvindo – ele sorriu, mostrando toda aquela dentadura branca, porém um pouco amarelada, aposto que de cigarro, mas oi, , pare de encarar a boca dele. AGORA!
- Hm, entendi... – voltei a olhar para a vista de Londres, respirando fundo para ver se conseguia voltar ao meu controle habitual, e confesso, que não olhar para estava sendo um teste contra mim mesma, eu me sinto atraída a olhá-lo, me sinto atraída para falar com ele e fazer muitas perguntas, me sinto fora de controle.
Ficamos algum tempo calados, eu olhando a vista e estava encostado no parapeito, de costas para a vista, com os braços cruzados, completamente lindo.
- "Use Somebody" é minha música favorita deles também - resolvi falar por fim, sorrindo tímida para ele. me encarou e abriu um sorriso estonteante, me deixando ainda mais envergonhada.
- Posso te pedir um favor? - ele perguntou, um pouco acanhado agora, levando as mãos até os bolsos da calça, ficando tão atraente que me senti ridícula perto dele. Ele então se desencostou do muro da varanda e veio até o final dela, tentando ficar mais próximo o possível de mim. Por reflexo, me distanciei dele, indo mais para trás e quase caí. Ele, por sua vez, soltou uma risadinha fraca fechando os olhos, e eu me ajeitei e parei no meio da varanda, completamente sem graça.
- Hã... peça - falei, indo mais para frente.
- Canta "Use Somebody" para mim? - ele pediu com a carinha mais linda do mundo, cara de cachorro sem dono, de bebê sem doce... e eu não pude fazer nada, a não ser aceitar seu pedido. Então ficamos ali, eu cantando a música para ele, e ele me olhando com aqueles olhos que parecem perfurar minha alma. Sabe que eu não consigo entender por que me sinto tão patética perto dele, mas eu não tenho como evitar e acho que, de fato, pela primeira vez em muito tempo, não quero evitar. Quando terminei de cantar ele sorriu abertamente para mim, e eu acabei correspondendo por impulso; e como sempre, colocando o cabelo para trás da orelha.
- Obrigada por isso! - disse com a voz um pouco grave, fazendo os cabelos da minha nuca arrepiarem, sorri torto.
- Que isso, foi... ér, legal! - falei enquanto me afastava um pouco. Ele mordeu o lábio inferior, me fazendo engolir seco. Então, cocei minha nuca. - Eu tenho que ir, preciso acordar cedo amanhã – o sorriso dele murchou um pouco e ele se desencostou da paredinha da varanda.
- Ah, claro, eu também, por sinal. Sabe como é, coisas de artista... - olhei para ele entortando a boca e ri baixinho.
- Não, não sei, mas acho que posso imaginar - nós dois rimos e então eu acenei. – Tchau, !
- Tchau, ! – ele correspondeu o aceno e eu sorri fraco, fechando a porta da varanda em seguida. Suspirei e fui até a minha escrivaninha, onde peguei dentro da gaveta meu caderninho, que tinha escrito coisas sobre o e o McFLY. Peguei uma caneta e então escrevi:
"A música favorita do Kings Of Leon do é "Use Somebody". Obs: Cantar essa música enquanto ele me observa, faz com que eu não sinta meus pés no chão."
Capítulo 5
O dia foi estranho. No começo da manhã, eu estava mais dormindo do que acordada, pois apenas lembro de borrões, como eu indo tomar banho, depois tomando café e indo para o trabalho. Depois, o dia de trabalho foi realmente tumultuado, afinal resolveu ir tomar café da manhã na cafeteira; o que atraiu seus companheiros de banda; que atraiu um grupo de fãs e imprensa, o que seriam apenas os paparazzi no caso; e precisou de parte da equipe da cafeteria para acalmar os ânimos de todos ali, porque, a barulheira que as fãs e a impressa estava fazendo, começou a incomodar os clientes, e também para deixar "o McFLY" tomar café em paz, afinal, eles também eram clientes. Bom, quando acalmamos as coisas – depois claro, dos McGays, ops, McGuys assinarem todas as coisas que as fãs doidas botaram na cara deles, e tirarem duas fotos para os fotógrafos -, tudo voltou ao normal dentro daquela cafeteria e o silêncio reinava de novo, eu estava limpando quando o veio pagar a conta. Cara, ele estava lindo aquela manhã, e seus olhos pareciam brilhar de um jeito enlouquecedor. Eu fiquei com borboletas no estômago quando nossos olhos se encontraram e ele sorriu para mim, me fazendo sorrir de volta. Tive que me concentrar muito e parar de pensar no para conseguir fazer meu trabalho de novo. Bom, quando dei por mim, estava na porta de casa, entrando no apartamento, sendo recebida pelo Yan, que estava meio mole, aposto que de tanto dormir. Eu estava aérea, e só escutei minha tia dizer que ia para o quarto tomar banho e dormir. Fiquei ali, parada no meio da sala, olhando para a cara do pulguento mais limpo que eu já vi. É, eu sei, isso não faz muito sentido.
Minha cabeça dava voltas, e o sorriso de invadiu minha mente, acabei sorrindo sozinha e fui caminhando devagar para o meu quarto. Tomei um bom banho, e toda vez que eu fechava meus olhos, era o olhar de que vinha à minha mente. Eu estava começando a me sentir obcecada. Eu começava a odiar me sentir assim, tão patética, estúpida, mas eu não parava, não conseguia me controlar, meus pensamentos simplesmente fluíam de forma natural.
Assim que terminei o banho, voltei ao quarto e coloquei um camisetão e um short, não estava uma noite muito fria, então, nada melhor que roupas leves.
Quando estava acertando abrir a porta do meu quarto para ir à cozinha preparar meu chocolate de toda noite, ouvi um dedilhar de violão que fez um sorriso imenso se abrir no meu rosto. Caminhei até a varanda, olhando em seguida para a varanda ao lado, onde encontrei um sentado em uma cadeira, com as pernas esticadas em um banquinho, o violão no colo, uma calça de moletom cinza e... ah pai, sem camiseta!
- Olá! – ele disse, ainda dedilhando o violão, que era de um mapple muito bonito por sinal.
- Hey... É costume seu ficar todas as noites por aqui? - perguntei sorrindo para ele, que riu baixinho.
- Para falar a verdade, sim. Sempre que eu fico muito tempo sozinho gosto de ficar aqui, me ajuda a compor músicas às vezes, aí eu acrescento alguma coisa para o McFLY - falou, e em seguida fez um barulho engraçado no violão. Me apoiei no murinho que dividia as nossas varandas.
- Achei que hoje você teria um dia agitado. Como pode estar se sentindo sozinho depois de passar o dia com os seus melhores amigos? – ele olhou para mim e deu uma risadinha baixa, parecendo ficar meio envergonhado.
- Bom, digamos que eu realmente tive um dia agitado, como você mesma pôde ver lá na cafeteria, às vezes é difícil até para se tomar um café da manhã decente. Mas depois de sessões de fotos, entrevistas para revistas, até visitas a futuros locais de gravação de DVD, e passar na gravadora, digamos que cada um dos caras quando volta para casa, têm a sua respectiva McGirl para fazer companhia, e fazer um carinho quando eles chegam. E eu, quando chego em casa, tenho apenas um violão. Agora - ele olhou para mim -, tenho noites agradáveis com a minha nova vizinha, na minha sacada. Então, eu tenho que aproveitar, entendeu? – senti minhas bochechas corarem e oi, lá vamos nós colocar o cabelo atrás da orelha.
- Pelo menos agora você não está sozinho! - sorri sem graça para ele.
- Definitivamente, eu não estou.
Passei um bom tempo ali com . Horas que, para mim, não poderiam ter sido melhores. Fiquei sentada no murinho, com as pernas viradas para dentro de sua sacada. Ele simplesmente guardou o violão e me pediu para que eu lhe contasse histórias minhas no Brasil, e foi exatamente o que eu fiz. Contei sobre meus pais e a paixão familiar que temos pela música, contei de Felipe e Camilla, e o motivo pelo qual eu tinha ido a Londres – desde o motivo pelo qual minha tia me chamou, até o motivo da minha ida -, contei sobre festas, passeios, lugares no Brasil que eu já tinha visitado, ou seja, quase li um diário para ele; que por sua vez, me contou como o McFLY tinha conseguido tirar o Beatles de lugar de destaque no Reino Unido, como foi que conheceu os amigos de banda, suas namoradas – que foram um número considerável -, como foi mudar sua vida de um simples adolescente para um rock star reconhecido em grande parte do mundo, ou seja, eu fui o diário dele. Conhecer o , - ele insistiu para que eu o chamasse assim - foi como um alívio para mim, pois novamente eu conhecia em partes, a pessoa com quem eu estava lidando, e sinceramente, um cara que é reprimido por dentro por estar sozinho, não me parece muito assustador, só... quando ele dá risada, porque ele pode exagerar às vezes, mas a gente não conta essa parte. Enfim, quando fui deitar naquela noite, meu caderninho onde eu estava anotando todas as coisas sobre ele, tinha acabado de ganhar oito páginas, cheias de coisas escritas, e eu deitei minha cabeça no travesseiro, esboçando um sorriso que há dias eu não abria.
- , querida, acorde... - eu conseguia ouvir a voz de tia Eleonor falando comigo. – , acorda... - mas eu não conseguia saber se era sonho, ou se eu realmente estava sendo acordada. - ! – titia gritou e eu abri os olhos de uma vez, rolando na cama, quase caindo no chão. – Meu Deus do céu, menina, mas que sono mais pesado esse seu! Ande, se levante, lave esse rosto e venha tomar café, temos companhia! E eu não vou te chamar duas vezes, então não me faça voltar aqui em mais de quinze minutos, por favor - ela então saiu do meu quarto batendo a porta, nada sutil essa minha tia. Vai ser ex-cunhada igual minha mãe assim lá na conchinchina, titia!
Peguei meu celular embaixo do travesseiro e olhei a hora, que marcava exatamente 8h33. Se eu te disser que dormi apenas três horas e meia, não vou estar mentindo. Me levantei, literalmente me arrastando até o banheiro, e fiz minha higiene matinal. Fiquei pelo menos uns cinco minutos apenas para escovar meu cabelo. Cara, eu não tinha reparado em como ele cresceu. Saí do banheiro, colocando um short jeans escuro e uma camiseta largada - com a gola cortada para que ela caísse no meu ombro – "amarela cheguei". Coloquei meu crocs branco no pé, e fui indo para a cozinha, seguindo o cheiro de café que minhas narinas detectavam. Quando cheguei no corredor, ouvi minha tia falando e eu estranhei. Hm, eu sabia que um dia a sua solidão ia acabar fazendo-a conversar com o Yan, eu sabia! Continuei andando e quando cheguei na sala de jantar - que estava sendo usada de café da manhã -, parei no chão, vendo que ao lado da minha tia, estava um , completamente lindo, parado ali.
- Ah, ora, vejam quem decidiu acordar e nos fazer companhia! - titia falou e eu quis mandá-la para um lugar nada bonito de se mencionar, porém, riu e olhou para mim. Quando digo olhou, é olhou mesmo, desde meu lindo crocs até aos meus olhos, fazendo meu estômago borbulhar, e minhas bochechas certamente corarem.
- Bom dia, - ele disse e eu caminhei mais para perto deles, sentando na mesa de frente para minha tia, e ao lado de .
- Ao que se deve a honra da sua ilustríssima visita? - perguntei enquanto olhava para a mesa de café bem posta, que Eleonor tinha preparado. Isso que eu chamo de querer impressionar uma visita.
- Digamos que encontrei com sua tia na padaria e decidimos tomar café da manhã juntos, e chamar por você, porque seria muita falta de educação da nossa parte comermos sem você estar presente, sabe? - ele falou em um tom brincalhão, me fazendo rir. Olhei para ele, enquanto colocava um copo de suco de laranja para mim.
- Ah claro, eu sei que vocês não conseguem viver sem mim, minha presença é extremamente importante para vocês dois - ele estendeu seu copo para mim, me fazendo servi-lo, e eu acabei arrancando uma risada gostosa dele, o que me fez sorrir abertamente.
- Orra, você nem faz idéia, , a gente já não aguentava mais ficar sem você!
- Eu imagino, afinal você não conseguiu ficar longe de mim nem por quatro horas, então eu sei que no seu interior, você estava se remoendo de saudade da minha pessoa! - nós dois rimos alto. Acho que ele concordou comigo.
- Menos de quatro horas, ora, minha nossa, o que foi que eu perdi? - olhamos para Eleonor. Meu pai, por um minuto tinha esquecido completamente da presença dela ali, nos olhando. Eu olhei para , que olhou para mim. E para variar um pouco, nós dois caímos na risada. Tomei um gole de suco e olhei para minha tia, que olhava para a gente com uma cara de "o que esta acontecendo?".
- Resumidamente, tia, é meu vizinho de sacada - tomei outro gole de suco enquanto via a expressão facial dela ir mudando de interrogação para compreensão.
- É, sou obrigado a ouvir sua sobrinha cantando no meio da noite - disse fazendo titia rir, e eu olhei indignada para ele, dando um tapa leve em seu braço.
- Ah, seu filho da mãe, não reclama não porque eu sei que você gosta, ainda veio com aquele papinho "ah, canta 'Use Somebody' para mim", nhénhénhé, cospe no prato que comeu, ! - ele riu alto, e eu então me toquei da merda que eu tinha falado, sentindo minhas bochechas esquentarem mais quando minha tia começou a rir também.
- Eu ainda não comi no seu prato não, , sua taradinha! - fui só eu que entendi, ou ele disse mesmo, ainda?
- Olha só, temos uma mocinha ficando vermelha! – sério titia, seu comentário não acrescentou em nada na minha vida, juro! e titia ficaram um tempo me zoando, até que finalmente conseguimos tomar café. Titia insistiu tanto, que acabou contando à ela, toda a viagem que ele e o resto do McFLY fizeram de turnê, o que acabou sendo interessante até mesmo para mim, que fiquei apenas ali, observando aquele ser da natureza falar, e falar, e falar, sem sequer se cansar. Tudo que ele falava parecia ser ainda melhor do que aparentava. E eu fiquei ali, feito uma idiota, reparando nos detalhes daquele ser humano. O modo como o peito dele subia e descia, em um ritmo contado, enquanto ele respirava e falava ao mesmo tempo; o modo como ele esfregava as mãos uma na outra, quando ficava ansioso ou animado; o jeito que ele mechia nos cabelos quando contava da multidão de fãs, querendo expressar sua admiração; e como eram engraçados os comentários que ele fazia sobre seus amigos. E principalmente, o quanto os olhos dele pareciam perdidos quando ele imaginava uma cena; quanto os olhos brilhavam quando ele lembrava dos shows e dos lugares que esteve, mas, eu simplesmente passei a amar o olhar sincero que ele tinha. Fez com que eu tivesse vontade de olhar a sua alma, e me deu a impressão de que eu realmente pudesse fazer isso.
- Bom... Está na minha hora – disse depois de quase duas horas falando sem parar, e então nós três levantamos. Tia Eleonor o abraçou, e os dois sorriram quando se afastaram.
- Obrigada pela companhia, , e vê se aparece mais vezes! - Eleonor falando, e eu tive vontade de rir, não me perguntem o porquê.
- Eu irei aparecer mais – ele então olhou para mim. – Com toda certeza! - dei um sorriso torto, olhando para minha tia em seguida, e ela continha um olhar que me intrigava, e um sorriso que hm... não sei se gosto dele.
- Vem, , eu... te levo até a porta! - falei coçando minha nuca, me sentindo completamente sem graça. Ele deu um beijo na testa da minha tia, e foi indo comigo até a porta. Vi minha tia entrando dentro da cozinha. então ficou do lado de fora de casa, e eu segurando a porta. Nós dois nos olhávamos, e se quer conseguíamos falar alguma coisa, até que ele deu um passo na minha frente, me dando um beijo na bochecha.
- Te vejo hoje à noite na sacada? - ele perguntou depois que se afastou de mim.
- Claro! - falei baixinho enquanto passava a mão no meu braço, sentindo o mesmo ficar frio pelo vento gelado que passava no corredor. Eu me acostumei tanto com a calefação dentro de casa, que esqueço que estou em pleno inverno britânico.
então, abriu a porta de sua casa, acenou para mim, me fazendo acenar de volta, então fechei a porta. Me encostei nela sorrindo feito uma imbecil, fechei os olhos, e suspirei sentindo o coração um pouco acelerado. Eu sequer sabia o porquê daquilo. Assim que abri meus olhos, vi minha tia sorrindo para mim.
- Que foi? – perguntei sem saber o que falar.
- Quando ia me contar que já está amiguinha assim do ? - me perguntou e eu senti minhas bochechas esquentarem ainda mais, acho que pela oitava vez naquela manhã.
- Se eu te disser que nem eu mesma sei como ficamos assim, acreditaria em mim?
- Acreditaria se contasse desde o começo como foi que isso aconteceu... - falou correndo e se sentando no sofá, me fazendo ir até ela. Me sentei de pernas de índio e suspirei, enquanto mexia nas pontas dos meus cabelos.
- Ah, tudo começou com o dia que você o me apresentou no corredor, ele me ouviu cantando na varanda, a gente conversou um pouco, me pediu para cantar para ele, e hoje de madrugada ficamos conversando sobre a minha vida e a dele. Não sei, de uma hora para outra, parece que a gente se conhece há anos, como se eu já o conhecesse, mas...
- Sem saber de onde? - Eleonor completou minha frase, olhando para mim com um olhar curioso e sorrindo. Mordi meu lábio e parei para analisar, realmente, ela estava correta no seu ponto de vista.
- É tia, é isso, sinto como se o conhecesse há anos, mas sem saber exatamente da onde, e eu gosto disso, gosto mesmo – ela se levantou e passou a mão na minha cabeça.
- 'To sentindo cheirinho de romance no ar... - ela saiu andando, me deixando ali. Romance no ar? Não, impossível, não ia escolher logo a mim, uma garota que tem tara por olhos, definitivamente, as opções que ele tinha eram bem melhores do que eu, uma garota brasileira que é simplesmente... simples, uma simples garota que gosta de cantar e que veio para uma terra distante para esquecer um merdinha de um garoto que não soube me dar valor. Por que diabos então, , um cara famoso, lindo, e com olhos intrigantes, iria olhar logo... para mim?
Capítulo 6
Continuei sentada no sofá. Cheirinho de romance no ar, honestamente, o que tinha no suco dessa mulher? Podia ouvi-la cantando alguma coisa, como também podia ouvir o barulho das unhas de Yan batendo contra o assoalho do apartamento, e eu juro que estava começando a ficar entediada dentro daquele lugar. Por isso, me levantei, corri até meu quarto, tirei meu short; coloquei uma meia calça e por cima um jeans, bem quentinho; troquei a camiseta que eu estava por uma de mangas compridas e meu blusão rosa da GAP; coloquei um cachecol colorido; calcei meu Addidas branco com listrinhas rosas; peguei meu iPod e documentos, colocando tudo nos bolsos de trás da minha calça; bati na porta do quarto de titia avisando que iria sair e ela apenas me respondeu um "volte logo", me fazendo rir. Caminhei feliz até a sala, e peguei o guia de Londres, dentro da gaveta da mesinha do escritório quando passei por ele. Saí do prédio em poucos minutos, e senti a brisa fria tocar meu rosto. Sem um motivo aparente, sorri sem saber do quê, e comecei a caminhar. Tarde bem proveitosa a que eu tive, passei por pontos turísticos incríveis, e torrei uma nota preta, mas valeu muito a pena. Conheci a London Eye, Tower Bridge, o Museu de Cera, fui até uma Starbucks – é, eu não resisti e fui até a concorrência -, passei em uma livraria e de uma vez só, comprei três livros que me atraíram apenas pela capa. Então, comecei simplesmente a andar, andar, andar, e andar pelas ruas movimentadas de Londres. Fiquei olhando as lojas da Oxford Street, fiquei sentada na Picadilly Circus apenas para olhar o movimento enquanto comia um brownie e uma mocha de chocolate, quando passei pela quarta vez na Starbucks, até que voltei a caminhar, fui parar em um parque estadual, e foi quando senti um nó no peito. Naquele parque tinham muitas mães com seus bebês, brincando em um pequeno parquinho que tinha ali. Senti falta da minha mãe, e quando dei por mim, uma lágrima que tinha vontade própria estava rolando pela minha bochecha. Finalmente um sinal de saudade. Estava começando a achar que minha frieza estava fora de controle. Decidida a não chorar mais, - e ligar para minha mãe assim que chegasse em casa -, comecei a caminhar pelo parque, e confesso que nunca tinha reparado como parques podem ser nostálgicos. Possuem todos os tipos de nostalgias: mães com filhos, amigos juntos fazendo coisas... de amigos, namorados andando de mãos dadas, ou deitados na grama, um olhando para o outro com cara de peixe morto, for God’s sake! Definitivamente, parques estão riscados da minha lista de passeios agradáveis, que coisa!
Comecei a caminhar para sair dele, quando encontrei uma pequena movimentação de pessoas em um canto do parque, e eu, nada curiosa, decidi ir até onde estava acontecendo o que me parecia, uma sessão de fotos. Eram fotos de crianças, jovens e adultos, vestindo roupas e mais roupas. Deveria ser nova coleção de alguma marca, e então, decidi me sentar em um montinho de grama que tinha no chão, e fiquei assistindo a sessão até ela acabar. Foi quando decidi voltar para casa, claro, passando mais uma vez na Starbucks. Sem brincar, eles faturaram comigo hoje.
Fui o caminho todo de casa, pensando naquela sessão de fotos. Poxa, eu tinha esquecido que precisava fazer a faculdade, eu sequer estava me importando com aquilo, afinal, eu trabalhava, tinha um teto, estava bem até com um vizinho famoso, e sem contar que estava já me acostumando com o clima maluco que tinha na Inglaterra. Então, estava tudo bem, poxa, não tinha muito do que reclamar. Errado. Eu tinha que reclamar porque não estava correndo atrás do meu sonho, que é ser alguém na minha vida, ao invés de ser mais uma garota fútil e imprestável na Terra, que se acha alguma coisa por estar servido café para um monte de gente, que nem ao menos se importa com a sua presença. É, eu não nasci para isso. Mas a questão é: o que fazer? Acho que todo mundo um dia já fez e irá se fazer essa pergunta. Que coisa! Eu gosto de fazer tanta coisa, que seria difícil demais decidir apenas uma para se fazer nessa minha vida, sem contar que eu entendo bem todas as matérias - quando eu estudo, claro -, então, se eu me esforçar, sei que posso fazer até o que eu mesma duvido. Com esse pensamento doido, mal notei quando cheguei ao prédio e subi de elevador, apenas notei quando Yan veio com aquela cara de... Yan para cima de mim.
- , graças a Deus, - minha tia correu até mim, e veio me abraçar rapidamente, me fazendo arregalar os olhos porque ela me deu a visão da sala, que tinha e , os dois me olhando com cara de intrigados, mas o que estava acontecendo nesse apartamento? Titia se afastou de mim. – , tem noção do susto que você me deu?
- Ér, não? - os garotos na sala riram baixinho, e eu cocei minha nuca. Alô, alguém me explica o que está acontecendo, por favor?
- , você saiu daqui tem mais de sete horas e não levou o celular, ninguém sabia onde você tinha se metido, estava me matando de preocupação! - ops, sabia que faltava alguma coisa quando estava saindo de casa, tsc. Hm, mas espera aí...
- E como foi que e vieram parar na nossa casa?
- Eu estava saindo de casa para te procurar, quando encontrei com e os meninos chegando de uma entrevista. me perguntou o que estava havendo, eu contei, e então ele e saíram para te procurar. e ficaram para me fazer companhia. – nossa, que bons garotos, não? Quer dizer que se preocupou comigo e foi me pocurar, é? Bom saber.
- Eu sinto muito, titia, eu tinha me esquecido completamente de levar o celular, e eu juro que isso nunca mais irá se repetir - olhei para e . – Obrigada por tentarem ajudar.
- Não foi nada, ficamos realmente preocupados contigo - disse, sorrindo, e oi, os amigos do são tão gatos quanto ele, como foi que nunca reparei nisso antes, pouts!
- É, e por favor, saia com o celular da próxima vez, é psra isso que eles são feitos, para serem usados quando vamos sair e alguém quer nos achar, não queira mais matar sua tia do coração assim! - falou e eu senti que queria enfiar a minha cara no primeiro buraco que aparecesse por perto. deu um cutucão nele, e ele resmungou um "o quê? É verdade, cara". Definitivamente, tinha razão e eu tinha sido muito descuidada mesmo. Ouvi o barulho de passos no corredor e quando me virei, dei de cara com .
- , por Deus, onde foi que você se meteu? - ele disse com o tom de voz elevado, fazendo meu coração acelerar mais do que devia, me dando a impressão de que todos ali poderiam escutar. estava lindo, absurdamente lindo. Um converse preto no pé, uma calça jeans escura, uma camiseta preta com uma jaqueta bege por cima, seus cabelos bagunçados, e eu podia sentir o perfume maravilhoso emanando dele. Juro, que se eu pudesse, estaria com meus dedos dedilhando seu peitoral. QUÊ? , sua depravada, você acabou de conhecer o cara e já quer sair dedilhando o corpo dele, que isso?
- Eu... Ér, eu estava andando por aí...
- Sem levar o celular, onde já se viu? - continuou com seu sermão, e eu sentia o olhar de todos. – , , Eleonor e inclusive de , parado atrás de -, me encarando, de forma que eu não sabia o que fazer, nem o que dizer. Nossa, eu me sinto retardada.
- , eu não fiz de propósito, ok? Eu me esqueci, foi um descuido meu! - falei, tentando ver se conseguia achar desculpas, onde não tinha uma.
- Descuido muito grave por sinal, tem noção de que sua tia estava completamente desesperada pelo seu sumiço? - engoli em seco. - Tem noção de que eu não sabia mais por onde te procurar, e já estava até pensando em chamar a polícia para ir atrás de você? Poxa, , você mal conhece a cidade, não pode sair por aí assim, sem contar que...
- Ei, ei , vai com calma, cara, assim você vai deixar a garota maluca de tanta bronca e tanta informação, tenho certeza de que a não quis fazer isso, e sei que ela está muito arrependida pelo ato, não é mesmo, ? – cortou o , falando tudo isso em seguida. Eu concordei com um aceno de cabeça. Olha, cara legal esse , mal conversei com ele, mas sei que é um cara legal só por ter cortado o , me impedido de ouvir o sermão do século, e de um cara que eu tinha acabado de conhecer. É, , você está decaindo, amiguinha.
Ficamos todos quietos por um tempo, eu não olhava para canto algum que não fosse para a barra da minha calça que estava suja demais, eu realmente devo ter andado muito hoje, porque, cara, sete horas e eu sequer percebi isso, eu realmente tenho que me desculpar com Eleonor.
- Bom, o silêncio 'ta muito bom, mas 'ta na minha hora, minha namorada deve estar tendo um ataque por eu não ter dado notícia nenhuma até agora! - falou fazendo todos olharem para ele de uma vez, e concordaram com ele. Agora entendi o que quis dizer com "digamos que cada um dos caras quando volta para casa, tem a sua respectiva garota para fazer companhia". Deve ser dificil nunca ter alguém para quem voltar.
Bom, os garotos cumprimentaram a mim e a Eleonor, depois, eles conversaram com , dizendo que ligavam para ele mais tarde, e eles falaram mais uma idiotices como "fode bem aá, heim?!", "vai com gosto, gatão" e "mostra o que há dentro de você", mas eu não entendi essa parte. Quando eles sumiram de vista, olhou para mim, e quando eu ia falar alguma coisa, Eleonor falou.
- , olha, me desculpa o transtorno, te agradeço de coração tudo o que você e seus amigos fizeram, mas eu realmente preciso ir tomar um banho e relaxar agora!
- Tudo bem, Ele, pode ir, eu já estou de saída também - titia acenou e saiu de vista. Olhei para o chão e coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha, suspirei.
- Olha, , eu... - ele me interrompeu, me dando um forte abraço. Fiquei estática. Meu cérebro começou a captar pequenos momentos: seu peito subindo e descendo contra o meu, seu hálito batendo no meu pescoço, seu cheiro maravilhoso emanando de sua pele, seus dedos tocando minhas costas, seus braços fortes envolvendo meu corpo me fazendo sentir o mundo parado, e eu conseguia sentir seu coração bater um pouco acelerado. Eu nunca imaginei estar em uma situação como essas, porque meu corpo não funcionava, eu não entendia o que estava acontecendo comigo naquele momento. Uma pessoa normal ficaria surpresa e depois abraçaria a outra, como se é de costume fazer, mas eu não, eu estava ali, com meus braços colados ao meu corpo enquanto um dos caras mais lindos que eu já tinha visto em toda a minha vida – um dos, porque hoje eu já tinha visto três - me abraçava daquele jeito. se afastou. Ele deve ter cansado de me abraçar sem receber nada em troca, e me olhou nos olhos.
- Obrigada... - eu consegui dizer baixinho e ele piscou, me fazendo focar em seus olhos.
- Não precisa agradecer só... não me assuste mais desse jeito, por favor! - ele falou de forma calma e doce, de um jeito que eu jamais imaginaria fazendo.
- Eu não pretendo mais fazer isso, juro – ele sorriu abertamente e me deu um beijo na testa, depois começou a dar passos para trás, indo até a porta de seu apartamento.
- Não vá até a varanda hoje - entortei a boca, o ouvindo.
- Por que não?
- Bom, você pode até ir, mas eu não estarei lá, eu... tenho um jantar para ir essa noite - esperei um pouco para que meu cérebro processasse suas palavras, e então consegui entender o que os meninos quiseram dizer com aquelas "idiotices" não tão idiotas assim.
- Ah, sim claro, eu irei à minha varanda como vou todas as noites desde que me mudei, não é por que estará ou deixará de estar lá, que mudarei esse hábito - falei sendo ríspida, sem entender exatamente o porquê. Vai entender, eu tenho um gênio meio bipolar. suspirou e balançou a cabeça, concordando comigo.
- Tenha uma boa noite, .
- Você também, - falei o vendo entrar em seu apartamento. Fechei a porta com força e saí marchando em direção ao meu quarto. Onde assim que entrei, fui direto para a gaveta da minha cômoda, que era onde eu tinha deixado meu caderninho McFLY – sim, eu apelidei o caderninho onde escrevo coisas sobre os garotos -, e peguei a caneta mais próxima, escrevendo com a letra tremida de fúria.
" pode ser a pessoa mais incrível do mundo, ele consegue ser incrivelmente fofo quando se preocupa e pode ser estremanete atraente enquanto te abraça, mas ao mesmo tempo, ele consegue dizer em uma noite que se sente sozinho e na outra, sair para transar com uma mulher. Ou seja, é mais um canalha como todos os outros."
Capítulo 7
Acordei de madrugada, com o barulho irritante do celular tocando. Olhei para criado-mudo, ao lado da cama, e o peguei.
- Alô?! - perguntei sonolenta.
- ? - ouvi uma voz masculina do outro lado da linha, e um barulho de fundo. Parecia música alta.
- Quem é? - perguntei, colocando minha mão na cabeça e sentando na cama.
- É o , . É que o me ligou para vir buscá-lo numa festa, sabe. Na verdade... Ah, eu preciso que você o deixe na sua casa. Pode?
- O ? Digo, . Por que ele não vai para casa dele, que é aqui ao lado? - perguntei, confusa.
- Eu explico quando eu chegar aí, pode ser?
- Ok, então - assenti e desligamos. Bufei, sempre essas coisas sobram para mim. O tem mil amigos, e eu que levo a conta.
Menos de dez minutos, ouvi a campainha do apartamento tocar, e fui calmamente atendê-la. se encontrava rindo, enquanto o segurava.
- Bêbado, acertei? - revirei os olhos, com uma mão na cintura e a outra na porta, me apoiando na mesma e abrindo passagem para entrarem. assentiu, parecendo um pouco desconcertado.
- Linda! - falou, me abraçando estranhamente. [Lê- se: caindo comigo no chão]
- Pára, ! - falei com a voz um pouco alterada, tirando-o de cima de mim, e olhei brava para ele, e sem expressão para .
- O que foi? - ouvi a voz de Tia Eleonor atrás de mim, me assustando, e me virei para ver. - , querido. ! O que houve? O que fazem aqui a essa hora? Aconteceu alguma coisa? - ela começou a enchê-los de perguntas.
- Merda! Desculpa, tia, vir a esse horário aqui, mas é que...
- Eleonor! - falou ainda rindo e caindo sobre titia. Ai, fodeu!
- , o que está faze... está bêbado? - perguntou, o olhando de rabo de olho.
- Então, deixa eu explicar - falou, indo em direção a eles. - , pára quieto! - exclamou com a voz um pouco alterada também, parecia um pouco nervoso com .
- Que que é, ?
Uh, irritadinho?
- Sossega. Olha, Eleonor, desculpa, eu sei que vocês estavam dormindo, e que nós talvez estejamos atrapalhando, mas é que uma garota ligou no meu celular com o celular do , dizendo que ele estava muito bêbado e que era situação de vir embora. Mas, eu não acho a chave de sua casa, e é meio difícil perguntar para ele agora, não é? E eu tenho uma namorada, quase mulher, que mora comigo, você sabe, que não gosta muito do . Então, eu não poderia deixá-lo lá em casa. E nenhum dos outros guys atenderam o celular, então, pensei em vocês, já que a é um pouco íntima dele, não é? - falou, esfregando as mãos, parecendo nervoso.
Eu?
- Imagina querido, tudo bem. Ele fica no quarto da . Vem cá, filho - tia Eleonor falou, e eu arregalei os olhos. Como assim no meu quarto? Quando eu digo que sempre sou eu que me ferro, ninguém acredita. Ela o segurou pelo ombro, o levando para o meu quarto, e eu continuei com cara de pastel de vento. - Olha, se virem aí, porque eu vou dormir, ok? - saiu, e foi dormir. me olhou confuso.
- Desculpa, tá? - falou, com um biquinho, olhando para mim. Fechei os olhos sorrindo um pouco, e assenti.
- Relaxa - ele riu, e pareceu mais tranquilo.
Nos despedimos, e ele foi embora, enquanto eu ia para o meu quarto. Mal abri a porta, e encontrei a cena que eu nunca imaginei encontrar. em pé, apenas de cueca. Vocês tem uma noção do que é um sem roupa? Apenas de cueca, na sua frente? NA SUA FRENTE? Vocês sozinhos! Ah, porcaria.
- ! - começou a rir, e veio devagar até mim, com a expressão pervertida. Huh?
- 'Ta fazendo o quê? - perguntei dando passos para trás, com ele vindo junto.
- Só quero sua ajuda - continuou com a mesma expressão pervertida no rosto.
- Ajuda para quê? Vai dormir, ponha uma roupa! - falei, saindo pelo lado de sua frente, e indo em direção à cama, pegando suas roupas em cima. - Vamos, pegue e vista! - entreguei a ele, que revirou os olhos, e jogou de volta na cama.
- Eu preciso tomar banho - disse se jogando na cama junto. Ah! Pelado, na minha cama.
- Ah, agora você não sabe tomar banho? - retruquei grossa.
- Não sozinho! - respondeu, e logo tratou-se de sentar na cama com um pulo. - Vamos? - fez bico.
- Não. Vai tomar seu banho, então. Quando acabar, me chama, vou estar na sala - falei, indo em direção à porta.
- Não, , volta aqui - correu meio cambaleante até a porta, fechando-a na minha frente, impedindo minha passagem. Segurou minha mão, me puxando lentamente. Perdi todos os meus sentidos. Meu coração começou a disparar mais que o normal, eu já sentia minhas veias pulsando rapidamente, minha respiração pesada, minhas pernas bambas, e eu estava sufocada. O que é um apenas de cueca, me guiando? Vocês me entenderiam se estivessem no meu lugar.
- - gaguejei sem querer, e ele me levou devagar para o banheiro, abrindo passagem para eu entrar, ainda sem desgrudar de minha mão. - Eu não preciso fazer isso, você cosnegue tomar banho sozinho - falei, engolindo seco. Diz para mim que você não consegue tomar banho sozinho, diz.
- Por favor - falou, com aquela típica voz de -cachorro-sem-dono. Mais uma vez, porcaria!
- , por que você não vai pedir para a garota com quem você estava? - seca novamente. me olhou, erguendo as sobrancelhas. E quando pensei em abrir a boca novamente, ele deu seu sorriso esperto.
- Ciúmes? - ah, vá.
- Até parece! - exclamei, e me virei para ir sentar em minha cama, e assim que sentei, encarei ainda parado.
- Vai logo tomar seu banho, - falei, sentindo a raiva ainda borbulhando dentro de mim. Como ele conseguiu me irritar!
- Eu preciso de uma toalha - falou se encostando no batente da porta do banheiro, por mal conseguir ficar em pé, me fazendo ficar em dúvida se realmente ele iria conseguir tomar banho sozinho sem quebrar o vidro do box. Me levantei e fui até o armário, pegando uma toalha e jogando-a contra seu peito.
- Obrigado - ele disse e fechou a porta, me fazendo deitar na cama. Esmurrei o travesseiro de tanta raiva e me xinguei - mentalmente - por me sentir tão atraída por . Em meio a mil pensamentos, me peguei relembrando do corpo de . Ô calor!
A porta se abriu novamente, e eu já estava pronta para xingar o filho de uma égua corna, mas quando olhei para o seu rosto, vi que ele estava muito pálido, e estava se segurando no batente.
- Por favor, eu realmente preciso da sua ajuda, mal consigo achar o registro do chuveiro para ligá-lo, quanto mais me equilibrar sozinho e tomar um banho, me ajuda! - oi, precisa suplicar desse jeito, garoto?
- Ah, por favor, né , essa não é a sua primeira bebedeira, vai logo se virar sozinho! - alguém reparou que depois que eu soube da coisinha com quem ele iria sair, eu fiquei muito mais ignorante com ele? Adoro isso, realmente me sinto no poder novamente, e meu controle começou a reaparecer. Ele me olhou meio sem jeito e voltou para dentro do banheiro com uma cara muito mal, o que fez com que eu me sentisse quebrada por dentro. Pude ouvir um barulho dentro do banheiro, e me assustei, de fato. Acho que bêbado, dentro daquele lugar minúsculo, ou ele iria sair muito machucado, ou então alguma coisa iria sair quebrada. E eu temi pelo meu amado box, ér, não. Respirei fundo e acabei decidindo ajudá-lo de uma vez por todas, então coloquei um short e uma camiseta, e caminhei até o banheiro. Quando abri a porta, dei de cara com sentado no vaso sanitário, com o rosto nas mãos e eu tive que ficar olhando para entender que ele estava realmente se sentindo mal, me fazendo respirar fundo.
- , está tudo bem? - peguntei a coisa mais óbvia do mundo, chegando mais perto dele e vendo que ele tremia um pouco. Acabei - por instinto, deixo claro -, alisando suas costas, e eu pude reparar que sua pele se eriçou, o que acabou me fazendo sorrir, afinal, eu parecia não ser a única vunerável a um toque aqui.
- Minha cabeça 'ta girando um pouco e meu estômago está meio embrulhado... - a voz dele saiu mole, trêmula e bem baixinha, me fazendo ficar ainda mais preocupada.
- Acha que consegue ficar de pé para tomar banho? - perguntei me agachando na frente dele, tirando suas mãos do rosto. Ele então olhou para mim, e fitei aqueles olhos que tanto me enlouquecem desde que pisei meus pés nesta cidade, e a parte branca do seu olho estava completamente vermelha, realçando o intenso, fazendo com que meu coração acelerasse.
- Se você ficar comigo, acho que sim - ele então colocou as mãos nos meus ombros e eu levantei, o levando até o box, o posicionando embaixo do chuveiro, ligando o mesmo e fazendo com que a água fria caisse pelo corpo de , que soltou um urro pelo choque térmico e fez uma careta feia, fechando os olhos, me fazendo ficar com vontade de rir por um segundo. E assim que ele me viu com vontade de rir, começou a jogar água em mim, e brincar feito uma criança.
- , eu achei que você estava passando mal! - reclamei enquanto ele insistia em me molhar e jogar água para cima.
- TE PEGUEEEEI!- gritou, me fazendo fechar a cara no mesmo instante e desligar o registro, o que o fez ficar olhando para cima e dizendo, "aaaah, acabou a chuvinha".
- Não tem chuva alguma, . Isso é um chuveiro, ok? - falei perdendo a paciência.
- Era chuva, você viu como ela caía? - falou com a maior cara de tapado.
- Vi, vi. Vamos voltar para o quarto e dormir - segurei em sua mão com ignorância, sem ao menos pegar toalha nem nada, e o tirei de dentro do box. foi sem reclamar comigo, até chegar perto da cama, e se soltar da minha mão para ir correndo para a sacada. É, hoje eu vou literalmente sofrer.
- Volta aqui, pelo amor de Deus - fui andando até ele, que estava parado olhando para a paisagem de Londres. Mal cheguei perto, e ele saiu, se jogando na cama.
- Vem, , vamos dormir.
WTF?
- Vai REALMENTE sossegar? - perguntei, erguendo as duas sobrancelhas. Ele assentiu, e eu dei a volta na cama para deitar em seu lado. Não deu cinco minutos e eu levantei. É, ele tinha me deixado sem sono. Sai em direção à porta, e ouvi novamente a voz de .
- Vai aonde? - perguntou, tirando o cobertor de cima de si, parecendo levantar também. Saco, vai dormir!
- Vou beber um copo de leite, continua deitado, você estava bem melhor assim - ele negou, e se levantou, vindo até mim.
- Eu não vou dormir sozinho, então vou com você para a cozinha - disse abrindo a porta, e saindo do quarto. Sai atrás revirando os olhos, e quando cheguei à cozinha, peguei dois copos e coloquei na mesa, junto ao leite. já estava sentado na cadeira, com o cotovelo sobre a mesa, segurando sua cabeça. Pegou o copo com leite que coloquei em sua frente, e tomou lentamente. Fiquei observando. Ele babava.
- , me dá aqui, já chega. Você tá babando tudo! - falei, tirando o copo de sua mão. Ele soltou um riso fraco e negou, se levantando da cadeira e vindo até mim. De novo?
- Me deixa tomar o leite - falou fazendo bico.
- Não, você não quer leite, está com frescura - reclamei, tirando o leite de perto de suas vistas.
- Me dá! - disse, vindo para cima de mim para pegar. Passei o copo de leite para a outra mão, colocando meus braços para baixo. Ele me agarrou pela cintura, me fazendo cosquinha para eu soltar. Eu não soltei. Enquanto o enganava, fui caminhando até a pia, colocando o copo em cima da mesma, e quando fui me virar para sair correndo, o poste entrou na minha frente, tentando alcançar a pia. Bati com a cabeça perto de seu pescoço, e ele soltou seu braço, colocando as mãos em minha cintura. Respirei fundo, muito fundo, e juntei todas as minhas forças para sair dali.
- Sai, - eu disse saindo de seus braços, e quando me virei de novo, ele me puxou para si, encostando nossos corpos. Senti um arrepio dentro de mim, e sem tempo de aproveitar tudo isso, o senti me encostar na pia, colando ainda mais nossos corpos. Senti sua respiração quente perto da minha boca, e seus dois braços fortes me agarrando pela cintura, enquanto não se decidia se olhava para os meus olhos ou para meus lábios, que pareciam lhe chamar mais atenção. Tentei respirar, mas quando vi, já estava com os meus lábios grudados aos dele. Primeiramente, tentei sair, mas parecia desesperado e apertou minha cintura, envolvendo-a. Sem resistir, deixei-me levar por ele e retribui seu beijo na mesma intensidade, sentindo meu corpo inteiro ficar quente de uma hora para outra, me fazendo desejar ainda mais os lábios de . Depois de um tempo assim, parecendo dois seres completamente insaciáveis, que desejam um ao outro de uma forma maluca, paramos de nos beijar e ele mordeu meu lábio inferior.
- Desculpa se... Te enchi o saco - ele disse sorrindo com a voz ofegante, e quando eu pensei em sorrir também, fiquei séria, e na mesma hora, o sorriso dele murchou. - O que foi?
- Por que você fez isso, seu idiota? - perguntei mais grossa que o necessário, e ele logo se afastou de mim.
- Você retribuiu! - ele disse, se defendendo.
- Porque não consegui me soltar! - cruzei meus braços na altura do peito e fiz cara de quem está com a razão, e de fato, eu estou.
- Quando uma pessoa não quer, ela sabe se defender! - ah é, , diga isso para as pessoas estupradas por aí!
- Você é mais forte do que eu!
- Não te segurei com tanta força assim! - foi a vez dele cruzar os braços e retrucar o que eu estava dizendo, garoto atrevido.
- Mas... Eu sou fraca - tentei um argumento ridículo, afinal ele estava bêbado, que diferença faria?
- Desculpa de alejado é muleta, ! - ér, para um bêbado, a voz dele fica uma loucura dizendo meu sobrenome, shit.
- Cala. Essa. Sua. Boca. - falei com os dentes cerrados, sentindo minha raiva crescer ainda mais.
- Calo, e você cala comigo - ele disse com ar de superior, vem cá, isso que eu chamo de bêbado atrevido, puta merda!
- Não calo porcaria nenhuma! Quem você pensa que é, garoto?
- O cara que vai te calar! - e quando fui pensar em responder, os lábios de já estavam sobre os meus de novo. Ah cacete, eu e minha mania de responder torto para as pessoas ainda vai me meter numa fodida. Bom, pelo menos o beijo dele é legal... Ok, mesmo bêbado, o beijo dele consegue ser maravilhoso, e adoro sentir essas borboletas no meu estômago quando ele está por perto, eu me sinto tão... Viva.
aprofundou o beijo, e eu pude sentir o calor quente de seus lábios, sua língua brincando com a minha, seus suspiros ao tocar todo meu corpo, eu simplesmente não resistia. Mas mesmo com tudo isso, algo me incomodava, que era a mulher da tal festa de ontem, encasquei com essa puta. Ele se ferra com ela, e vem para cima de mim? Acha que eu sou o quê?
Quando percebi, eu já estava em cima da mesa, sentada, enquanto ele se encaixava entre minhas pernas, e nos beijávamos com mais vontade. Ele apertava com força em minha cintura, enquanto eu apertava sua nuca.
me puxou, colando seu corpo ainda mais no meu, e me arrepiei. Ficamos apenas nos amassos, até ouvirmos um som. Na hora do susto, pulei da mesa, e quando olhei para trás e a meu redor, não havia mais ninguém além de eu e . Ah, o despertador da tia Eleonor. Droga, como eu pude ter esquecido? Eu deveria ter lembrado que ela acordava cedo. Que nós acordávamos cedo. Cedo! Que horas eram? Ela acorda cinco horas, como o tempo pode ter passado assim sem eu sequer perceber? Eram apenas três horas quando olhei no relógio e vim tomar leite.
- O que foi isso? - perguntou com cara de burro quando foge do pasto, e eu fiquei com vontade de rir, e acabei o puxando pela mão, trazendo-o de volta para o meu quarto, e assim que fechei a porta, ele voltou a perguntar. - , o que foi aquilo? - eu me virei para ele, e sem querer encarei sua boca, que estava muito vermelha. Ah Deus, ela está parecendo ainda mais gostosa agora.
- Era o despertador da minha tia... - desencostei da porta e caminhei de novo para a minha cama, me deitando e me acomodando. O quarto ficou em um completo silêncio, e eu me deitei na cama, fechando os olhos, e tentando ignorar , que continuava sentado na cama, sem fazer nada. Respirei fundo antes de voltar a dormir, e quando soltei o ar, um barulho de batida na porta me atrapalhou.
- Querida?! - ouvi a voz de tia Eleonor chamar, e abri os olhos novamente. Porcaria, é hoje que eu não durmo. - 'Ta tudo bem? Acorda! Já são seis horas, levanta - disse e abriu a porta. - Oi, . Que bom que já acordou - titia sorriu para ele, e deu uma cutucada no meu cobertor para eu levantar, saindo do quarto. Vi sorrir para mim, e voltar a deitar na cama ao meu lado.
- Hoje é sábado, dorme - ele disse, me abraçando pela cintura e aposentando seu rosto entre meu pescoço.
Hoje é domingo, seu idiota.
- É domingo! - tirei os braços dele da minha cintura e me levantei da cama. Sai do quarto, indo até o de minha tia, a vendo colocar o cachecol no pescoço.
- Eu não vou hoje, tia! - falei, me encostando no batente da porta. Ela me olhou com o olhar surpreso, e entortou a boca. Seria a primeira vez que eu faltaria no trabalho.
- Por que não, querida? - ela perguntou depois de um tempo, apenas me analisando.
- Simples. Eu tenho um bêbado no meu quarto que não me deixou dormir a madrugada toda - ela balançou a cabeça em sinal de compreensão, pegou a bolsa de cima da cama e veio até mim, me dando um beijo na testa.
- Tudo bem, eu já estou indo, tenha um bom dia, e juízo - ela foi indo pelo corredor e eu me encostei na parede, respirado fundo. O fato de ter beijado meu pescoço estava me deixando sem ar, e aquele beijo estava me deixando de pernas bambas. Fazia muito tempo que eu não me sentia assim. Quando ouvi a porta do apartamento fechando, voltei ao meu quarto, encontrando ainda na minha cama, só que completamente desmaiado. Dormia tranquilamente, como um bebê.
O deixei do jeito que estava e fui para a cozinha tomar café da manhã, enquanto ele dormia. Depois de já alimentada, fui para a sala assistir televisão e não encontrei nada de interessante nela, deixei no canal da Warner, esperando começar um de meus seriados favoritos, que era Gossip Girl.
Enquanto assistia, deu a hora do almoço, e eu precisava fazer comida. Me levantei com muita preguiça, e ouvi passos atrás de mim. Me virei assustada, e vi um com os braços na cabeça, fazendo cara de dor.
- Dor de cabeça, certo? - perguntei já advinhando, seca.
- Bom dia para você também, e sim, estou com dor de cabeça. Como eu vim parar aqui? - perguntou confuso, e me encarou.
- Vou pegar um comprimido para você! - exclamei, ignorando-o. Fui até o banheiro do meu quarto, e peguei dentro da caixinha uma aspirina, e caminhei até a cozinha, pegando um copo com água.
estava sentado no sofá, com as mãos na cabeça, respirei fundo e caminhei até ele.
- Olha, toma aqui, você vai se sentir melhor - falei, entregando a ele o copo e a aspirina, e eu me sentei na mesinha de centro, olhando-o. Assim que ele terminou, colocou o copo no chão e me encarou.
- Eu fiz merda, não foi? - a voz dele saiu baixa e completamente rouca, arrepiando os cabelos da minha nuca. Legal, ele não se lembra. Neguei, ele não precisava saber que quase cedi, mesmo bêbado.
- Você só bebeu demais e o te trouxe para cá...
- Eu fiz alguma coisa contigo? - ele tornou a perguntar, sério.
- Não - respondi da mesma forma, e a mais convincente possível. Tá, e daí que eu queria que ele lembrasse do beijo?
- Não fiz nada mesmo? - voltou a perguntar. O que é, eu não fui convincente o suficiente?
- Não fez nada, ! - falei ainda calma.
Lembra, lembra, lembra.
Não, não lembra!
- Ok, então, se fiz, desculpa.
Não, não desculpo.
- Tudo bem - dei meu sorriso fraco, tentando também ser convincente.
- Tudo bem? Então eu fiz mesmo alguma coisa! - falou, parecendo assustado.
- Você... digo, não, você não fez nada – cocei minha nuca e respirei fundo.
- ! - ele falou com a voz um pouco apelativa.
- !
- O quê? - fez bico.
- Prefiro que me chame pelo nome, apelido é só para íntimos - olhei nos olhos dele, que me olhava como se não entendesse uma vírgula do que eu estava falando, porém, um tempo depois, vi que ele tinha entendido.
- Eu achei que fôssemos amigos! - ele disse meio sem jeito.
- Conhecidos seria a melhor colocação! - me levantei e fui caminhando, mas ele me puxou para si, me fazendo bater com as mãos em seu peito. Na mesma hora, me lembrei do nosso beijo, o que me fez fechar os olhos com força. – , me solta, por favor! - minha voz saiu fraca e eu me odiei por isso. Ele me soltou, respirei fundo e caminhei até a janela de casa, olhando para o movimento da rua, porque, acho que se eu passasse mais um minuto olhando para ele, eu era capaz de cometer uma insanidade.
- Bom, acho melhor eu ir, você parece não querer a minha companhia - ouvi os passos dele e me virei.
- , espera! - ele parou de andar e ficou de costas para mim. Mordi meu lábio, sentindo minha respiração descompassada. – Eu não quero ficar sozinha! - então se virou para mim, me encarando com aqueles glóbulos torturantes.
- Eu não deveria ficar, não depois do que você disse! - e eu não deveria nunca mais olhar na sua cara, pelas coisas que você fez e ainda mais por não se lembrar!
- Eu sei, mas além de eu querer sua companhia, você não poderia ir para casa de qualquer jeito mesmo...
- Por que não? – cruzou os braços no peito, me fazendo fitar seus músculos acentuados. Ah merda, concentre-se, ), concentre-se!
- Pelo motivo de você ter vindo para cá – sorri vitoriosa. – Você perdeu as chaves da sua casa! – ele parou em silêncio enquanto olhava para mim, provavelmente estava com dificuldade de entender as coisas, isso que dá ficar tri-bebado, é. Logo, ele bufou.
- Eu posso ir pela sacada!
- Ah, é? Então vai! – o desafiei.
- Você duvida então? – ergueu as sobrancelhas, ficando mais sexy do que já estava, shit.
- Não, não duvido, eu não quero ficar sozinha, mas se acha que vou implorar para que fique, está redondamente enganado, então faça o que quiser, porque eu não vou implorar pela sua companhia – caminhei para a poltrona e me sentei, olhando para a tv, e vendo que estava reprisando um episódio de Friends, um dos meus seriados favoritos.
- Hm, já que é assim, então tchau! – falou saindo de perto de mim, indo em direção ao quarto. Ele pareceu rir, mas posso ter visto errado. Poucos segundos depois, ouvi um barulho alto vindo do meu quarto. OMFG! Pronto, esse infeliz se matou e eu ainda vou parar na cadeia por ter assassinado um astro do rock. Que ótimo, , você está decaindo em grande estilo! Levantei correndo da poltrona e fui o mais rápido que consegui até meu quarto, quase passando por cima de Yan, que estava andando no corredor. Abri a porta do meu quarto com tudo.
- ! - gritei assustada. Ele estava rindo, rindo muito por sinal, e estava sentado no chão, não entendi a graça.
- Sabia que você acabaria vindo atrás - sorriu vitorioso, ainda rindo. Coloquei as mãos na cintura, sentindo a raiva crescendo dentro de mim, me fazendo ir até ele e puxá-lo pela gola da camiseta.
- Seu idiota, achei que você tinha se machucado! - tá, achei que tivesse se matado, mas tudo bem. Comecei então a bater forte no peito dele, tamanha era a minha raiva, mas ao mesmo tempo que ria, ele tentava se esquivar dos tapas.
- Aiai garota, 'ta me machucando!- continuei batendo, e quando ia bater com mais força, ele me segurou pelos pulsos, me encostou na parede e de repente seus olhos se focaram no meu pescoço, engoli seco.
- O que é isso no seu pescoço? - perguntou.
- Não sei, espinha, picada de pernilongo? - tentei enrolar e me soltar de suas mãos, foi em vão.
- Isso parece um chupão, ! - me olhou e eu comecei a maquinar alguma coisa, mas estava meio difícil com o corpo dele tão perto do meu, entendem?
- E...? - foi o máximo que eu consegui, juro!
- Diz que eu não fiz isso, diz para mim! - ele me fitava de uma forma estranha, e eu tentei maquinar mais rápido alguma resposta. Bosta, isso que dá não ter uma boa noite de sono.
- Você não é o único que se diverte pela noite, ! - uh, isso foi bom. Eu dei uma risadinha meio sacana, para ficar completo meu 'showzinho', e eu acho que ele acabou acreditando, heim?! Ele me olhou sem expressão e logo, a seu feição mudou para nervosa.
- Quem foi? - perguntou com a voz um pouco mais alta que o normal.
- Não te importa quem foi! - falei com um sorriso cínico, e tentei novamente soltar meus pulsos.
- Importa sim! - ele segurou mais firme, e estava praticamente me fuzilando com os olhos.
- Não, , não te importa, o que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta! - puxei meus pulsos com mais força, e ele acabou me soltando, olhando meio estático para mim, com o queixo trincado. O vi fechar os olhos, apoiando seus braços na parede, encostando a cabeça no meu ombro. Espera aí, eu fui super grossa e ele, ao invés de sair soltando os cachorros, me xingando e fazendo o inferno, ele deita a cabeça no meu ombro? For God’s sake, o que está acontecendo aqui? Bom, não deu muito tempo e ele logo levantou a cabeça, desencostando os braços da parede, e acabou bufando. Búfalo .
- Ok, eu vou pra casa, sinto que estou te atrapalhando. E obrigado por cuidar de mim essa noite, pode ficar tranquila que isso não voltará a acontecer! - ele saiu de perto de mim, e com muita rapidez, pulou a sacada, entrando em seu quarto. Ih!
Eu não queria que ele fosse embora, não mesmo, mas poxa, fiquei muito chateada por ele não lembrar de nada do que fez. E ainda teve a cara de pau de dizer que lembraria sim, faça me o favor. Fui até a cozinha, fazendo carinho no Yan, que estava no meio do caminho - para variar -, e comi um pouco, bem pouco mesmo, fome eu não tinha, definitivamente. Depois voltei para o meu quarto, indo até o banheiro, escovando os dentes, e penteando o cabelo, o que tinha se tornado uma mania constante depois que o deixei crescer.
Meu celular começou a tocar e eu corri para procurá-lo. Eu revirei tudo, escrivaninha, travesseiros, dentro do armário, tudo, e só fui encontrar o bendito embaixo da cama. Como? Peguei-o rapidamente, atendendo e indo em direção à varanda, porque o sinal era melhor do que dentro do quarto.
- Sim? – uh, belo modo de atender um celular.
- ? – epa, engano meu ou era mesmo me ligando?
- Ah, oi, ! – falei rindo.
- Oi, o que houve? - perguntou acompanhando minha risada.
- Nada, deixa para lá, o que foi? - questionei enquanto olhava Londres movimentada, essa cidade não pára, 'ta quase igual a São Paulo, que isso!
- Ah, eu só queria saber como o está.
- Sim, claro, ele está melhor, pulou a sacada para entrar em casa! – gargalhou em seguida, me fazendo rir junto, impressão minha ou todos eles riem de forma escrachada?
- Não imagino a cena! Mas enfim, só liguei mesmo para saber se não tinha acontecido nada, se não aprontou alguma coisa, ou...
- Hum... - pigarreei sem querer, e ele parou de falar.
- Tudo bem, ? - perguntou, rindo fraco.
- Ahan, tudo, continua falando, ! - disse, querendo que ele falasse para que eu não tivesse que falar.
- Não, me diz o que aconteceu! - falou com o timbre de voz curioso. Depois somos nós, mulheres, as fofoqueiras e curiosas, vejam só.
- Mas, não aconteceu nada! - eu disse fechando os olhos, torcendo para que ele acreditasse.
- O não fez nada com você?
Um minuto de silêncio.
- Nem adianta você se calar, eu não vou desligar o telefone enquanto você não me disser! - falou, me fazendo bufar.
- Ok, você não vai desistir, né? – o ouvi responder um 'nops', e eu acabei desistindo. - 'Ta legal, me encheu o saco, me fez fazer leite para ele, não me deixou dormir, foi um pé no saco, e ainda por cima me beijou, e quando acordou, simplesmente não se lembrou de porra nenhuma, mas eu também não fiz questão de lembrá-lo! - falei tudo um pouco rápido, atirando toda a verdade em , que entendeu tudo o que eu disse.
- Eu sabia que iria acontecer alguma coisa, enfim, olha ... - eu não ouvi mais nada! Mas não por que eu passei mal e desmaiei, ou por que caiu a ligação, mas por que quando fui olhar para a sacada de , o mesmo estava parado, estático, olhando para mim sem expressão, me encarando, e provavelmente tinha ouvido toda a conversa. Burra, como não me toquei de que ele poderia estar ali, como não lembrei que ele não tinha como sair de casa, como não me lembrei de que ele poderia escutar tudo, e aí fu*** com tudo, como pude ser tão patética assim? Burra, burra, burra. então voltou a sua expressão, e me fuzilando com o olhar, disse.
- Por que você não me disse a verdade?
Capítulo 8
- ? 'Ta me ouvindo? Alô-ou! - falava insistentemente do outro lado da linha, mas eu não conseguia responder, os olhos de estavam me prendendo de uma forma tão instigante, como nunca houvera acontecido antes. Respirei fundo, tentando controlar minha respiração; fechei meus olhos, para me desconcentrar de .
- Você pode me ligar depois, ? - pedi, sentindo minhas mãos formigarem. Seria nervoso? Ih!
- Me deixe adivinhar, você foi para sua varanda, ele estava na dele, e por isso ele escutou tudo, não é? – vem cá, esse garoto é vidente agora? Que isso! E o pior, ele desatou a rir, argh, cachorro!
- É... - respondi, abrindo um dos olhos, vendo respirar fundo, com uma cara de impaciente que eu não gostei nada, na boa.
- 'Ta bom então, , se cuida aí, e seja boazinha com meu amigo, preciso dele inteiro! - disse e começou a rir que nem um idiota, por isso repito: cachorro!
Ficamos em silêncio por um tempo após eu ter desligado o telefone, até ele resolver se pronunciar.
- Então, eu te beijei?
- Foi - disse o mais ríspida que consegui, não querendo demonstrar nenhum tipo de sentimento com relação àquilo.
- Quando? - tornou a perguntar, sua voz agora era mais ríspida do que a minha.
- Na cozinha, quando preparei um leite para você - ele parou, me olhando profundamente, arrepiando os fios de cabelo da minha nuca, e de repente, ele pulou para a minha sacada. Os olhos, mais do que nunca.
- E por que diabos você não me contou quando eu te perguntei?
- Eu sei que perguntou, mas... - não sabia o que dizer.
- Mas?
- Nada, esquece isso, , já foi, cara! - falei em desdém.
- Não, agora eu quero saber de tudo! Tem mais alguma coisa que você escondeu de mim? - seus olhos estavam demonstrando curiosidade, e ele começou a andar na minha direção, para ficar mais perto de mim, o que acabou me fazendo andar para trás e encostar na parede. Droga!
- Nã...
- O CHUPÃO! - ele me cortou com a voz um pouco mais alta, dizendo isso assim que chegou com o corpo mais próximo ao meu, e por isso eu não consegui responder mais. Pô, não dava mais para inventar coisas, eu era boa com respostas rápidas, mas agora fo*** com tudo. – Eu vou tomar isso como um sim - disse por fim. Então, senti as pontas dos dedos dele tocando a pele do meu pescoço, o que me fez fechar os olhos, ao sentir meu corpo se arrepiar.
não falou mais nada, porém seus dedos ainda acariciavam meu pescoço, e foi quando eu pude sentir a respiração dele se misturar com a minha, mesmo eu sentindo meu coração vir parar na minha boca e minhas pernas amolecerem no mesmo instante, consegui ter forças para sussurrar.
- ... - e quando consegui reagir, foi apenas para embrenhar meus dedos nos cabelos dele e grudar nossos lábios. Logo a língua de estava enroscada na minha, fazendo meu corpo inteiro estremecer. Ele me beijava com uma calma incrível, fazendo com que eu pudesse sentir seu gosto de forma diferente, fazendo meu coração bater desesperadamente contra o meu peito, e cada vez que eu respirava fundo, ele sorria. Eu não consigo negar, aquele beijo estava me deixando maluca, me fazendo desejá-lo com uma força absurda. Se esse garoto estava me deixando louca há dias, imagine agora?!
mordeu meu lábio inferior e o sugou em seguida, fazendo com que um gemido quase inaudível escapasse da minha garganta, o que me fez abrir meus olhos e encontrar os dele olhando para mim. Engoli em seco e não consegui me mover, fiquei completamente estática. Ai cara, eu estava morrendo de vergonha, e quando cheguei à essa conclusão, senti minhas bochechas esquentarem, o que passou percebido por ele, então eu resolvi falar.
- Me desculpe, eu não me...
E ele me surpreendeu, me interrompendo com outro beijo. Um beijo mais quente, mais intenso, com... mais desejo. Passei minhas mãos por sua nuca, embrenhando meus dedos com mais vontade em seus cabelos, puxando-os, me fazendo ouvir um urro muito baixo vindo de assim que sentiu a dor. Eu sorri, fazendo ele sorrir junto, logo em seguida. Comecei a brincar com sua língua, sentindo pequenos calafrios, sendo que não parava de sorrir.
Enquanto eu o puxava para cada vez mais perto de mim, ele apertava minha cintura, com uma força moderada, até me puxar pela bunda, me fazendo abrir as pernas e deixá-lo encaixado entre elas. Então tomei impulso, e envolvi minhas pernas em sua cintura. Com isso, o beijo foi ficando cada vez mais intenso e parecíamos não querer parar mais.
Envolvi meus braços ao redor de seu pescoço, e ele me puxou mais para si, como se não quisesse me tirar dali de jeito nenhum, como se não quisesse nunca mais me largar. Confesso que até fiquei com um pouco de falta de ar, mas logo ele apertou minha coxa, e me segurou, e o ar foi um simples fato que deixou de fazer diferença para mim naquele momento. Então, me segurando pelas coxas, ele me levou para dentro do quarto, me colocou deitada na cama. Eu o puxei para mim, e ele se deitou sobre mim, abrindo os braços para se apoiar no colchão e não me machucar, colocando sua força toda naqueles maravilhosos músculos. Tudo isso sem desgrudarmos as bocas, um segundo sequer.
começou a passar a mão pelo meu corpo, tentando descobrir aquilo que a roupa esconde, aquilo que ele nunca pôde encostar. Apertei sua bunda, e ele minha coxa, e quando senti os dedos dele subirem e pararem na barra da minha camiseta, começando a subi-la, a merda de um celular começou a tocar.
parou de me beijar no mesmo minuto, com o rosto muito vermelho e a respiração descompassada, me encarando.
- Mas que porra é essa agora?
- E eu é que sei, não é o toque do meu celular, cacete! - então paramos e olhamos para a minha escrivaninha, onde a calça que usava ontem estava jogada. Ele levantou em um pulo e correu até ela, tirando o aparelho de dentro do bolso, enquanto eu sentava de perna de índio.
- Alô? - ele atendeu muito ríspido. - Ah, ér, oi, desculpa, não vi quem era na bina – mudou o tom de voz para um mais calmo e coçou a nuca. - Ah sim, eu 'to melhor, valeu... – virou as costas para mim e foi para a varanda. No mesmo minuto eu entendi: era a garota que estava com ele na balada ontem à noite.
Me levantei e comecei a andar de um lado para o outro, sentindo a raiva tomar conta do meu corpo. Argh, como eu pude ser tão ridícula? Ele só veio até aqui por que bebeu demais e depois me beijou porque... Aff, nem sei por que esse imbecil me beijou. Fala sério, , você é realmente muito burra, estava quase tendo uma relação sexual e só agora conseguiu parar para pensar que ele havia saído com outra?! Puta merda, como você é BURRA! Burra, burra, burra, já não basta o Gustavo ter te metido um belo par de chifres e ter te feito de palhaça, agora você se deixa tornar passatempo desse... desse... desse cafajeste?! Definitivamente não, só por que esse maldito tem o par de olhos mais lindos que eu já vi, um corpo que simplesmente me deixa louca e um beijo que me faz desejá-lo de uma forma incontrolável, não significa nada. É, absolutamente nada! Pelo menos eu quero acreditar nisso...
- Ér – ouvi a voz de e me virei para ele. – Encontraram a chave da minha casa, estão vindo me devolver, então vou lá embaixo pegar – respirei fundo enquanto olhava como seus lábios estavam vermelhos e inchados, seus cabelos completamente bagunçados e sua roupa toda amarrotada. Nossa, em que belo estado eu o deixei.
- Faça como quiser, ninguém está te impedindo - soltei de forma grossa, fazendo-o me encarar de forma séria, sem entender nada.
- Mas eu... – tentou falar, mas eu não lhe dei oportunidade, enquanto caminhava para o banheiro, o interrompi dizendo.
- Ah e, por favor, feche direito a porta quando sair - entrei no banheiro e bati a porta com força, enquanto fechava meus olhos com vontade e respirava fundo. Pude ouvir os passos fortes de saindo do meu quarto, e um tempo depois, a porta da sala batendo com força. Me permiti respirar aliviada e abri a porta do banheiro, voltando para o meu quarto. Caminhei até a porta da varanda e a fechei passando o trinco. Depois me joguei na minha cama, porém quando deitei a cabeça no travesseiro e senti aquele cheiro de impregnado, joguei o mesmo longe. Então, me deitei calmamente, pronta para ter a "noite" de sono que me foi roubada.
Só fui acordar, seis e meia da manhã do dia seguinte, e apenas por que a droga do despertador ficou me irritando.
Meti a mão em cima da escrivaninha, procurando pelo celular, e bati nele com tudo assim que o achei, o desligando. Levantei cansada, sem saber exatamente o porquê daquilo. Minhas pernas estavam bambas e por isso quase caí. Eu precisava voltar à minha rotina de acordar cedo, trabalhar, dormir... É muito melhor do que ficar cuidando de um bêbado, e este atrapalhar totalmente sua vida, sua rotina. À partir de hoje, tudo voltaria ao normal e dane-se, se ele dormir aqui novamente, quem vai cuidar dele vai ser o Yan, e eu não quero nem saber como o cachorro vai cuidar. Pobre, Yan.
Me arrumei e acabei me atrasando graças ao sono, o que acabou me fazendo sair de casa às pressas, afinal, Eleonor não estava mais em casa a muito tempo, e eu tinha brigado com . Na verdade, não chegamos a brigar, mas é como se fosse, então, de qualquer jeito, sem carona. Cheguei na cafeteria toda suada e cansada. Nela estava tudo tranquilo, ainda bem, pois no meu estado, estou muito estressada, aí imagina, né? Como eu não seria simpática com os fregueses...
- , querida, que bom que você chegou! - Eleonor disse, me abraçando em seguida.
- Ah é, desculpa o atraso, tia, pode ficar tranquila que estou indo guardar minhas coisas e já atendo os clientes - falei, e quando ia andar, ela me puxou pelo braço e disse.
- Na verdade, hoje eu preciso que você faça outra coisa, meu amor! - disse com os olhos brilhando, porém vermelhos, seria de sono?
- Hm, diga, tia... - pedi, sentindo meu corpo cansado de ficar parado. Tenso.
- Preciso que você faça uma programação com o Fletch para mim.
- Fletcher? - cuma?
- Não amor, Fletch, o empresário dele e dos meninos, eu preciso marcar uma reunião com ele, mas estou completamente ocupada hoje, preciso ir até Liverpool e voltar ainda hoje! - disse enquanto colocava a mão em meu ombro.
- Ok, faço isso e volto para trabalhar?
- Então, terá que ficar em casa, porque eu, nas minhas correrias, acabei dando o telefone de casa para ele, e não o daqui, e também preciso que... – ela chegou mais perto de mim, e sussurrou. - Preciso que espere uma ligação de um empresário da Starbucks - QUÊ?
- Da concorrente? – sussurrei de volta, olhando fixamente para ela, como quem dissesse 'que absurdo'.
- Calma, querida, só uma reunião básica de concorrência, são apenas procedimentos necessários.
- Ah, 'ta certo, vou para casa então - tem noção da raiva que eu estou de ter corrido à toa? É quase o mesmo sentimento de quando eu corria mais de vinte e quatro quarteirões, da minha casa até a escola, para conseguir chegar a tempo para a primeira aula, e quando chegasse lá, só me deixassem entrar na segunda, por causa de cinco minutos de atraso, sendo que certamente, o professor ainda não estava na sala. Huh, que ódio! Mas por fim, acabei sorrindo para Eleonor, e ela saiu de perto de mim, sem agradecer, sem dar tchau, sem nada, me deixando literalmente no vácuo. Legal, heim titia, valeu!
Fui para casa, sentindo o tempo gélido de Londres passando pelo meu rosto. Comecei a caminhar a passos largos, esperando atentamente que chegasse em casa para poder tomar um chocolate bem quente, me cobrir com várias cobertas, assistir televisão no sofá e dormir, quem sabe, enquanto esperava as tais ligações. E foi assim mesmo quando cheguei, tudo como planejado, sem nada dar errado. Então veio a primeira ligação do dia.
- Alô?
- Por favor, a Sra. Eleonor, ou a sobrinha dela, Srta. ? – uma voz feminina falou do outro lado da linha.
- É a sobrinha dela, pode falar - falei da forma mais educada que consegui, hm.
- Ah sim, bom dia senhorita, aqui é da Relações Públicas da Starbucks, e de acordo com o que falamos com sua tia, precisamos marcar uma reunião, presumo que sua tia tenha lhe informado - a moça falou com a voz muito calma, como se já tivesse feito isso trocentas vezes. Desculpa aí, heim?!
- Sim, ela me disse - falei sorrindo, mesmo sabendo que ela não iria ver.
- Ok, só preciso saber se ela tem algum dia disponível para essa semana.
- Terça-feira - respondi certa do que eu estava falando, porque sei que titia sempre tem as terças mais livres, então...
- Podemos marcar para às 15h? – perguntou a mulher, me parecendo um tanto entediada.
- Claro.
- Ok, na própria cafeteria dela?
- Não, aqui na casa dela mesmo, você tem o endereço? - cara, que mulher estúpida, óbvio que não seria na cafeteria, Eleonor não gostaria de ser 'vista' com alguém que fosse funcionário(a) de seu maior concorrente, apesar de ser algo ridículo, por não ser da conta dos paparazzi, ainda sim, é um forte boato, e titia tem sua reputação a zelar.
- Sim, consta aqui, então, faremos a reunião aí mesmo. Obrigada e até mais - a mulher desligou, e DESLIGOU NA MINHA CARA, ô filha de uma égua corna, a educação 'ta enfiada aonde, manola? Vai se ferrar, viu?! A ligação com Fletch foi mais tranquila, ele apenas marcou para quarta às 18h, e depois desligou. Pelo menos ele teve mais educação, huh. Só que, um tempo depois que eu desliguei, e estava assistindo um episódio de Simpsons, o telefone voltou a tocar, o que me fez estranhar.
- Alô?
- Eleonor?
- Não, quem é? - perguntei, mesmo já sabendo quem era.
- É o . ?
- Não, Papai Noel de saias, claro, né garoto?! - falei bem... educadinha, comprovando ser quem eu achava que era, na verdade, quem eu tinha certeza que era.
- Hm, então, Eleonor está aí? – perguntou tranquilo.
- Não, na cafeteria. O que quer? – perguntei um pouco grossa. Se ele queria falar com ela, ligasse no celular dela.
- Não, nada. Depois eu ligo, tchau – falou por último e desligou. Na minha cara! Filho da puta, quem ele acha que é?
Coloquei o telefone no gancho, saindo da sala e indo para o meu quarto pegar um casaco. Abri a janela para ver se estava realmente muito frio, e vi um pequeno sol no canto do céu, como se estivesse ali apenas para iluminar, sem nem pensar em esquentar. Me virei para entrar no quarto, e encontrei com um em sua varanda, encostado na parede, me olhando. Respirei fundo, e o encarei sem expressão alguma.
- Eu esqueci de dizer no telefone... eu preciso falar com você – ele disse, colocando as mãos no bolso e desencostando da parede, vindo o mais próximo possível de mim, no canto da varanda. Sorri fraco, com ar de pena.
- Eu não tenho tempo, desculpe, – falei, saindo da varanda e ouvindo meu nome ser chamado várias vezes por ele. Ignorei e fui para porta da sala, tentando sair de casa. Caramba, esse garoto 'ta com a macaca hoje, puta merda!
- Espera, eu preciso mesmo falar com você – me puxou pelo braço, e senti um choque no meu cotovelo, me deixando ainda mais estressada. – Sabe, eu que...
- , eu...
- Deixa eu falar! – me interrompeu, parecendo ficar nervoso também. AH, VÁ!
- O que é? – perguntei o encarando.
- Eu preciso... – começou, fechando os olhos, parecendo desconcertado. – Bom, eu preciso... eu quero... eu tenho... ahn... – gaguejou, soltando meu braço. – Sobre aquele dia lá que...
- Não importa, – interrompi, soltando meu braço de suas mãos, indo em direção ao elevador, e apertando o botão para chamá-lo, ficando de costas para .
- Como não importa? Eu sei que fui errado em...
- É, você foi errado, mas isso não importa mais – interrompi mais uma vez, e faria isso quantas vezes fosse preciso.
- Nossa! – ele riu irônico. Idiota. – Não significou nada para você?
- Você esquecer? - ri irônica também.
- Você sabe do que eu 'to falando – disse seco. Ignorei, ainda rindo debochadamente. Balancei a cabeça negativamente, e entrei no elevador. – Do beijo.
- Ah! Eu nem lembrava mais desse beijo – continuei irônica e com a mentira mais deslavada que eu já inventei em toda a minha vida, fala sério, se esse palerma acreditar em alguma coisa do que eu disse, eu dou o troféu banana para ele, e olha que esse premio é bem, bem velho mesmo!
- É, realmente não significou nada para você – afirmou, segurando a porta do elevador. Ok, , definitivamente parabéns, o troféu banana é todinho seu, na verdade, devem ter feito esse troféu especialmente para você, seu banana, palerma, argh. Assenti, e ele bufou, tirando a mão. – Não dá para conversar com você – falou enquanto sua voz foi sumindo, devido a porta do elevador que se fechava automaticamente. Respirei fundo, quase me engasgando, assim que esta se fechou completamente, e continuei com o que estava em mente.
Eu andava tão rápido pelas ruas frias iluminadas pelo sol, que eu parecia atrasada para um compromisso. Não, eu estava tão sem rumo que só queria sumir. Sumir do mapa, sumir de tudo e de todos. Sumir para sempre.
- Opa, desculpa! – ouvi uma voz grossa desconhecida dizer, assim que esbarrou em mim. Quer dizer, fui eu que esbarrei, afinal, eu estava com pressa para sair do mundo e me afogar no mar mais próximo. Tudo isso não tem um motivo.
- Desculpa digo eu. É que... - tipo, voz cadê? Meu pai, que guri putamente lindo é esse?
- Não, tudo bem, culpa dos dois então – deu um sorriso, e estendeu seu braço para mim, sorrindo mais uma vez. – Eric! - disse, e eu quase babei à sua frente. Seu sorriso era tão lindo que me lembrava até o... ninguém.
- - falei sorrindo tímida, e ele apertou minha mão.
- Então, está atrasada para alguma coisa? - perguntou, e acho que demorei no mínimo dois minutos para respondê-lo. Sim, eu estava viajando. Sua beleza era estonteante. Seus olhos - para variar, ataca novamente com sua tara por olhos - pareciam sinceros, verdes brilhantes, de um jeito encantador. Sua boca estava um pouco rosada, roxa, avermelhada por causa do frio. Seu corpo era esbelto, com músculos perfeitos em seus braços. Ele era alto, o suficiente para uma boa altura... um metro e noventa, acho. Dois alargadores pretos, de no mínimo dez milímetros. Suas mãos agora se escondiam no bolso quente de sua blusa. Blusa preta, calça skinny, All Star... Adorei!
- Erm... não, eu... estava apenas... - gaguejei, e por quê? Ah, simples, porque tem um cara danado de lindo, estiloso, e que parece ser cheiroso, na minha frente, olhando para mim, e puta merda, ele ainda não fugiu de mim!
- Andando por aí? - perguntou, rindo fraco. Ai, até a risada é perfeita.
- É... digamos que sim - sorri fraco também, colocando uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. Hm, déjà vu. E eu não estou falando da banda brasileira, eca. Nada contra quem gosta, mas...
- E tem companhia? Precisa de uma? - que guri rapidinho! Isso me lembra muito alguém... Ninguém! Falando em alguém-ninguém, ele provavelmente deve estar com outra.
- Hm... acho que preciso sim de uma companhia - sorri e ele fez o mesmo, alargando-o de orelha a orelha. Lindo! E quem diria que britânicos são todos ruins?! Achei uma exceção. Eric. Assim, seguimos sem rumo pela rua. E por "increça que parível", ele me fez esquecer de todos os meus problemas, até consegui me soltar o bastante a ponto de jogar katchup nele, claro, brincando com o cachorro-quente que ele pagou para mim. E o pior, ele revidou, rindo, e passou mostarda na minha cara, que caiu na roupa. Parecíamos dois loucos no meio da rua, as velhinhas no parque até olharam para gente com cara de reprovação, mas fazer o quê, nossa geração já está perdida mesmo, vamos é curtir. E cara, eu me senti tão confortável ao lado dele, que parecia que eu o conhecia há anos, e isso para mim, todos sabem que é uma puta de uma exceção.
- Eu me diverti muito, obrigado, linda - ele piscou, me deixando em frente ao prédio da minha tia.
- Imagina, eu que agradeço - respondi sorrindo, e ficamos por um tempo em silêncio. Ok, é agora a hora do "estou sem jeito, então faça alguma coisa"? Se é, está demorando, meu filho.
- Bom, então, eu vou indo - sorriu, cortando o momento constrangedor.
- É, a gente se vê por aí, então... - falei sorrindo, e estendi meu braço para ele, meio tímida.
- O quê? Não, me dá seu número de telefone - falou, parecendo desesperado. E eu ri. Passei meu número, e ele passou o dele. Assim, me despedi.
Entrei em casa com o maior sorrido no rosto. Tomei um banho, coloquei a roupa para lavar, e esperei titia chegar, dando apenas boa noite à ela, e indo dormir. Foi uma tarde divertida, porém cansativa.
Capítulo 9
Eu estava na cozinha preparando meu almoço, quando ouço o telefone tocar.
- Alô?
- Alô. Oi. Por favor, a ?! – ouvi uma voz conhecida, sem conseguir identificar.
- É ela. Quem 'ta falando? - perguntei. Se era para mim, ligasse no meu celular, poxa. Saí da cozinha apoiando o telefone na orelha, secando minhas mãos no pano de prato, enquanto caminhava até o sofá da sala.
- Erm, oi linda. É o Eric - senti um frio na barriga assim que ouvi o nome dele ser dito do outro lado da linha, e sorri imediatamente, imaginando o mesmo sorriso vindo dele, um dos sorrisos mais bonitos que meus olhos já viram.
Me sentei no sofá, respirando fundo, tentando controlar minha mente, que estava fabricando a imagem absurdamente linda dele. Se controle, , por Deus.
- Oi, Eric - sorri. - Tudo bem? Não imaginei que fosse me ligar tão cedo - soltei um riso baixo, e pude ouvi-lo fazendo o mesmo.
- Estou legal, mas por que não imaginou isso?
- Ah, sei lá, muitos não ligariam, sabe, e... - parei de falar quando ouvi uma gargalhada do outro lado da linha. Ele estava debochando de mim ou era minha impressão? - O que foi? - decidi perguntar, afinal, sou uma pessoa curiosa, ainda mais quando eram coisas relacionadas à minha pessoa.
- É melhor aprender logo, , eu não sou como os outros, se eu pedi seu telefone, é por que eu realmente iria te ligar, e é exatamente o que eu estou fazendo agora - deixa eu colocar uma coisa em pauta por aqui: QUE VOZ É ESSA?! Sério, ele é exatamente o tipo de cara que você se pergunta "o que ele está fazendo perdendo o tempo comigo, sendo que ele pode ter qualquer tipo de mulher, milhões de vezes mais bonitas do que eu?", e eu juro, estou me perguntando o que um cara como ele, está fazendo me ligando, caramba!
- Ah, sim, aprendi, senhor! - disse meio sem jeito, e acabamos rindo em seguida. - Desculpa então, se você é diferente.
- Está desculpada - eu ri e ele riu ainda mais. - Bom, estou te ligando, porque queria saber se você vai fazer alguma coisa hoje - falou cortando as risadas.
- Hm, hoje eu só preciso esperar a ligação de um cara aí, para minha tia; depois disso, estou livre. Por quê? - perguntei vendo Yan subindo no sofá e deitando sua cabeça no meu colo, me fazendo rir bem baixinho enquanto acariciava sua cabeça.
- Queria te convidar para sair. Mas se você não puder ou não qui...
- Claro! - eu ri interrompendo-o. - Eu só preciso esperar primeiro chegar umas coisas para minha tia, mas depois, tenho o resto do dia livre, então... - sorri sozinha, mordendo meu lábio. O quê? Eu estava feliz, poxa.
- Bom, tudo bem então. Faz assim, depois que chegarem essas coisas, você me liga, e eu passo aí no seu prédio e te busco, pode ser? - a voz rouca dele ecoou do outro lado da linha, me fazendo suspirar.
- Hm, ok? - sorri, agradecendo por ele não estar vendo a cara completamente babaca que eu estava fazendo.
- Ok então, até mais - riu baixinho, mas ainda assim consegui ouvir.
- Até - e então desligamos. Olhei para Yan, e sorri abobalhada para mim mesma.
Esperei um bom tempo, e quando deu quatro horas da tarde, eis que aquelas coisas, que eu identifiquei como cinco enormes caixas, chegaram; e eu fiquei agradecida quando os caras grandões que as trouxeram foram embora e pararam de me encarar. Ah, faça me o favor, né?! Bom, assim que fechei a porta, corri para o telefone e liguei para Eric, que disse que em quarenta minutos estaria aqui. Eu achei tempo demais, afinal, já tinha se passado quase metade do dia, e poxa, o que é que se dá para fazer em tão pouco tempo? Não responda.
Coloquei um blusão roxo, uma calça skinny escura e uma sapatilha preta. Prendi meus cabelos no alto, passei uma leve maquiagem e saí do apartamento, morrendo de ansiedade. Chamei o elevador. Já perceberam o quanto eu sou sedentária, né? Esperei um pouco o elevador e, impaciente pela demora, decidi abrir mão da preguiça e fui pelas escadas. É muito azar, desistir de ir de elevador, para ir pelas escadas, e ainda conseguir esbarrar na última pessoa que você imaginaria ver, vulgo: .
- Licença - ele deu um sorriso fraco e saiu andando, como se eu fosse uma qualquer moradora daquele condomínio. Ele não me deu tempo nem de xingar, porque ele já saiu andando, argh. É i-n-c-r-i-v-e-l como há tantos lugares para passarmos e termos que nos esbarrar, e fomos nos esbarrar logo em um lugar escuro, vazio e sem ninguém por perto, sem contar as portas isolantes de fogo, se por acaso eu precisasse gritar, também acho que ninguém me escutaria. Droga, eu deveria ter esperado o elevador. Percebem meu estado? Isso só dele passar ao meu lado em uma escadaria? Eu deveria ter esperado o elevador.
Quando estava descendo devagar as escadas - porque eu tinha tempo de sobra -, senti a mão de alguém me puxar, e quando eu ia soltar o maior grito, apareceu em meu campo de vista, e logo senti os lábios dele se encostarem aos meus. Eu poderia ter feito tudo. Empurrado, não correspondido, chutado suas bolas, qualquer coisa; mas o que eu fiz, foi entrelaçar meus dedos em seu cabelo, respirar fundo, sentindo o cheiro dele invadindo meus pulmões; e logo dar passagem para que sua língua começasse a tocar a minha.
Ele me encostou na parede - e eu agradecia aos céus por não ter corrimão naquele lado -, e então suas mãos desceram até a minha cintura, apertando a mesma com uma força que fez meu corpo inteiro implorar por mais.
Enquanto sua língua brincava com a minha, tratei de colocar minhas mãos no seu corpo. Uma firme em sua nuca, e a outra dentro de sua camiseta, arranhando suas costas, fazendo-o gemer contra meus lábios, me arrepiando e aguçando meus instintos.
Ele me pressionou mais contra a parede enquanto uma de suas mãos dedilhava minhas costas, e a mão que antes estava na minha coxa, começasse a apertar minha virilha com vontade, me fazendo ter desejos que não eram apropriados para uma escada de prédio.
Estávamos em um estado um tanto quanto deplorável, e quase esmurramos a pessoa, quando meu celular começou a tocar. Só podia ser perseguição. parou de me beijar, para começar a beijar meu pescoço, ignorando completamente o toque do meu aparelho, enquanto encaixava seu corpo no meio das minhas pernas e apertava mais meu corpo contra o dele. O celular continuou tocando insistentemente, e eu dei um tapa fraco no braço musculoso dele, tentando afastá-lo. Inutilmente.
- ... - falei, e ele não moveu um músculo se quer, foi quando o celular parou de tocar. Ele soltou uma risada fraca e eu percebi que foi de "vencedor". Sorri e passei meus braços em volta do seu pescoço, arranhando de leve o mesmo. Enquanto me sentia completamente envolvida entre seus beijos, senti a mão dele entrar por dentro da minha camiseta, e dedilhar minha barriga, me fazendo suspirar. Porém quando ele subiu mais a mão, indo em direção ao meu seio, meu celular voltou a tocar e ecoar pela escadaria.
- Caralho, já ouviu falar no modo vibrar? Atende logo essa porra! - a voz de ecoou, e ele logo parou o que estava fazendo, me fazendo respirar fundo e pegar o aparelho no bolso da calça.
- Alô? - atendi sem sequer olhar na bina. Quem quer que fosse, estava me atrapalhando muito naquele momento.
- Ér, , cadê você? Estou aqui em baixo te esperando há pelo menos quinze minutos! - a voz de Eric invadiu meus ouvidos, me fazendo bater a mão na testa, enquanto me observava com os cabelos todos desgrenhados e os lábios muito vermelhos.
- Ai, desculpa Eric, eu me distraí aqui mas, relaxa, eu já estou descendo! - desliguei o telefone assim que o ouvi falando um "beleza". Arrumei minhas roupas e me endireitei. Ah, tinha se afastado quando ouviu o nome Eric. Assim que achei que estava apresentável outra vez, olhei para o cara na minha frente, que me fitava, e eu acho que ele não estava feliz não.
- Quem é ele? - é, nada nada feliz. Ele me perguntou com a voz rouca e o cenho franzido.
- É um amigo - respondi simplesmente e comecei a descer as escadas, ouvindo me seguir. Droga, isso vai dar merda!
- Não sabia que você já tinha amigos aqui em Londres... - ele falou com o timbre de voz meio irônico, me fazendo revirar os olhos.
- Tem muita coisa que você não sabe sobre mim, ! - e dito isso, ouvi os passos dele pararem, e eu acabei parando para poder olhá-lo. No momento, ele estava com uma expressão vazia, sem emoções. Porém, de repente, a expressão passou para raiva. Ih!
- Verdade, muita coisa eu não sei sobre você, e nem por que eu ainda perco meu tempo, afinal, você já tem dezoito anos, não é mais nenhuma criança, sabe muito bem se cuidar por conta própria, então quem sou eu para interferir na sua vida, não é mesmo? - o rosto dele estava muito vermelho, e quando eu pensei em dizer alguma coisa, ele voltou a dizer. - Quer saber, eu não vou mais falar nada, nem me meter, você que se vire sozinha! - dito isso, ele subiu as escadas com uma pose de pessoa superior, enquanto fiquei digerindo o que ele tinha acabado de me dizer, e foi quando eu cheguei à conclusão: esse cara é meio bipolar.
Desci o resto das escadas que faltava - um andar -, e quando cheguei no hall do prédio, vi uma equipe arrumando o elevador, e está aí a explicação para ele nunca chegar ao andar.
Bom, fui até o portão, e lá estava Eric, encostado em um Porshe preto lustroso, lindo. E Eric ainda mais estonteante do que nunca. Ele usava um Vans preto; uma calça jeans de lavagem acinzentada; uma camiseta branca; e por cima, uma camisa listrada de branco com azul; os cabelos bagunçados e os olhos me fitavam, entrando em contraste com o sorriso estupidamente lindo que ele abriu para mim. Assim que cheguei perto dele, ele me puxou pela cintura, me dando um abraço gostoso, me deixando sem jeito.
- Me desculpa a demora, eu tive que descer as escadas - falei assim que nós nos separamos. Ok, eu contei a verdade, só não contei que me distraí com o no meio do caminho, é.
- Relaxa, temos o resto da noite só para nós dois, certo? - ele sorriu e pegou na minha mão, me fazendo sorrir junto com ele.
- Certo! - ele então me deu um beijo na bochecha e abriu a porta do Porshe para mim. Olhei do carro para ele, levantando a sobrancelha.
- Um Porshe?
Eric sorriu, e disse com a maior simplicidade do mundo, como se estivesse falando de um Fusca 64.
- É só um carro que ganhei quando fiz vinte e um anos, no começo do ano, nada de mais.
Pisquei algumas vezes como sempre faço quando estou digerindo uma informação nova, e tudo que consegui fazer foi um "hm", e entrar no carro.
Logo, Eric entrou também, se virou para mim e sorrindo diss.
- Gostosuras ou travessuras? - ok, se você parar para analisar, eu posso levar isso paro lado pejorativo. Tipo, isso pode me levar para alguma escolha masoquista, capitche?
- Hm, como vou saber que, dependendo do que eu escolher, não vou me arrepender depois? - perguntei enquanto encarava seus olhos, que me fitavam de um jeito muito misterioso. E devo confessar, eu simplesmente adoro esse tipo de mistério, mesmo sendo curiosa de mão cheia! Porém, depois que eu perguntei isso, Eric sorriu de lado, mordeu o lábio inferior em seguida, riu baixinho, chegou perto de mim, a milímetros do meu rosto, levantou a sobrancelha, colocando uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha, e disse com a voz mais rouca que o normal.
- Terá que confiar em mim! - right, é agora que eu tenho uma síncope e morro? Faça-me o favor, de onde é que saiu tanta beleza e sensualidade assim? Tenho que confessar que me arrepiei inteira pelo modo como ele falou. Na boa, não é todo dia que um cara lindo e maravilhoso me dá uma bola dessas. Bom, na verdade tem o , mas eu tenho a leve impressão de que ele dá bola para qualquer rabo de saia que passa na sua frente, que me usa nas horas que sente vontade. Mesmo que eu esteja puta da vida de ter chegado nessa conclusão apenas agora, o que eu posso fazer? Eu cedo fácil às provocações, e ao fato de tê-lo muito perto de mim. Eu não consigo me controlar, sinto uma coisa no meu corpo, que me faz ceder a ele, que me faz sonhar com ele, ficar desejando os seus beijos, e que eu esqueça de responder o bonitão na minha frente. Respirei fundo, encarei no fundo de seus olhos, e erguendo uma sobrancelha também, como se o estivesse imitando, disse com a voz mais sexy que consegui.
- Vamos às travessuras! - ele então sorriu abertamente, se encostou no banco, colocou o cinto, ligou a ignição, e antes de partir, disse.
- Que venham as travessuras!
Durante o caminho, Eric me contou um pouco da sua vida. Ele faz faculdade de administração de empresas por vontade do pai, que além de banqueiro, é empresário, sócio de um dos bancos mais importantes do Reino Unido. Ele quer que o Eric seja seu sucessor, porém o filho é apaixonado por artes. Ele faz escondido curso de fotografia. Colocou dois alargadores de dez milímetros, tem uma tatuagem no braço, que infelizmente está coberta pela camisa, e ah, sem contar que ele toca violão graças à mãe, que toca piano, violão e flauta transversal. O irmão mais velho dele é advogado, e a irmã mais nova está em um colégio interno para garotas. Ela é apenas três anos mais nova que eu. Contei a ele sobre o Brasil, dos meus pais, e do meu amor pela música e pelo canto. Ele acabou me fazendo prometer que um dia ainda iria cantar para ele. Fazer o que, né?
Um tempo depois, ele apontou para um local, me chamando a atenção.
- Consegue ver ali, logo mais adiante? - perguntou e eu forcei minha visão. E ali, bem no meio do crepúsculo, tinha uma roda gigante, e se não me engano uma... uma montanha russa? Olhei para Eric, que sorria abobalhado.
- Você me trouxe para um parque de diversões sendo que já está escurecendo? - falei surpresa. Enquanto estava triste, estava feliz, muito feliz mesmo. Triste porque teríamos que ir embora logo, e feliz por ter vindo, e por ter vindo com o Eric.
- Esse não é um parque qualquer, é o Colidean Park. Nele acontecem as melhores festas noturnas de Londres, e hoje é o Spring Night Festival, que celebra a primeira madrugada da primavera - explicou, com um sorriso estonteante, me fazendo admirá-lo.
- Então quer dizer que vamos passar a madrugada aqui? Dançando e brincando? - acabo de notar que minha voz saiu em um tom muito animado, como o de uma criança de cinco anos querendo logo seu presente de Natal.
- Exatamente. Claro, eu sei que você precisa avisar sua tia e tudo o mais, e caso você queira ir embora mais cedo, é só me avisar que a gente volta! - own, mas não é um fofo esse garoto? Peguei o celular e liguei para Eleonor, que disse que tudo bem, que eu podia chegar a hora que eu quisesse, contanto que eu me cuidasse e não voltasse bêbada para casa. Assim que desliguei, entrei no Twitter, avisando ao Felipe e a Camilla que eu não iria entrar no Messenger. Depois, mandei um e-mail para minha mãe, avisando que não iria entrar no Messenger, logo recebendo a resposta dela dizendo que tudo bem. Por isso digo: adoro carros com conexão wi-fi. Por fim, acabei colocando o celular na função "vibrar", e depois o guardei, olhando para Eric em seguida. Ele, por sua vez, olhou para mim, e perguntou "como é que vai ser?"
- A noite é uma criança! - rimos juntos.
Minutos depois, Eric estacionou o carro. Saímos do mesmo e fomos correndo em direção à entrada do parque. Parecíamos realmente duas crianças que nunca haviam visto um parque de diversão antes na vida.
- E aí, qual primeiro? - perguntou, segurando em minha mão e me levando em direção à cabine para comprarmos nossas entradas.
- A montanha russa, com certeza! - falei rindo, e ele logo tratou de pagar as entradas. Fomos direto para a montanha russa, esperamos uns trinta minutos na fila, e eu agradeci porque as pessoas não eram todas desesperadas como no Brasil, que tínhamos que ficar mais de uma hora na fila graças aos engraçadinhos que a furavam.
- Na frente? - perguntei, o olhando rindo e ele assentiu, me parecendo muito empolgado. Logo, entramos e nos sentamos nos carrinhos, roubando os dois primeiros lugares da frente. Era muito mais emocionante assim. Os carrinhos começaram a andar um tempo depois, e eu me prendi na base de ferro que tinha para nos segurar. Vi Eric fazer o mesmo, se preparando. O carrinho deu uma pequena volta até chegar na subida. Nós nos entreolhamos rindo, e eu acabei fechando os olhos, ouvindo uma risada alta ao meu lado, e uma mão encostar em cima da minha, como se quisesse me acalmar. Sorri, e ouvi a voz de Eric sussurrar baixinha no meu ouvido.
- Pode abrir os olhos, ainda vai demorar um pouco.
Abri os olhos, na esperança de olhá-lo e me preparar, e quando menos percebi, estávamos "voando' no carrinho, enquanto este descia com alta velocidade. Gritei, gritei muito, e a única coisa que eu conseguia ouvir eram mais e mais gritos ao meu redor, além do o barulho irritante do carrinho passando no trilho, e a risada escandalosa de Eric, ao meu lado, me gozando.
O carrinho dava voltas e mais voltas, e eu conseguia sentir a adrenalina correndo nas minhas veias de uma forma simplesmente incrível, fazendo meu coração acelerar, e que a vontade de gritar fosse ainda maior. Foi quando ele virou de ponta cabeça, de novo, e parou no alto como um boomerang, descendo com tudo mais uma vez, até parar de uma vez na entrada do brinquedo. Parei de gritar e olhei para Eric, que continuava gargalhando.
- Eu estava tão engraçada assim? - perguntei rindo de mim mesma e da risada dele, que era contagiante. Descemos do carrinho e ele finalmente parou de rir.
- Olha só o seu cabelo - voltou a rir. Comecei rapidamente a me arrumar, rindo também. E assim, passamos a noite nos brinquedos até dar meia noite. [N/A da Tass: Não, ele não vai virar lobisomem, haha.]
Meia-noite era a hora que começaria a balada, e eu nem lembrava mais disso. Comecei a ouvir um badalar, como o Big Bang faz quando anuncia as horas em Londres, e Eric parou de andar segurando minha mão. Assim que as badaladas terminaram, o parque ganhou uma nova atmosfera. Em alguns cantos, uma fumaça começou a sair, e os brinquedos trocaram as luzes chamativas por néon, que deixava os brinquedos de um jeito muito mais legal. A música alta começou a invadir os alto-falantes do parque, fazendo algumas pessoas se movimentarem.
Um ponto específico do parque estava mais iluminado, e as pessoas estavam se dirigindo até lá, o que me fez concluir que lá deveria ser a pista de dança.
Olhei para Eric e ele sorriu para mim, passando seus braços em volta das minhas pernas e das minhas costas, me carregando no colo até a tal pista de dança, que não estava muito longe.
Me segurei em seu pescoço, rindo como uma criança, enquanto meu cabelo - que agora estava solto - balançava de um lado para o outro, conforme o vento batia nos fios.
Ele me colocou no chão, rindo também, e colocou suas mãos apoiadas na minha cintura, de leve, e começou a se balançar [lê-se: rebolar]. Ri para ele e comecei a me movimentar, seguindo as batidas da música que tocava, que eu sequer sabia qual era. Eric sorriu e me soltou, deixando com que eu fizesse o que eu quisesse, mas para ele. E então, ele começou a dançar separado, mas de frente para mim. Olhando para mim, só para mim.
Muitas músicas se passaram e sempre tem aquela lenta, como um baile mesmo. Que saudade disso!
Uma música desconhecida por mim começou a tocar e sorrimos um para o outro. Eric segurou minha mão, me puxando para si, e envolveu seus braços em volta da minha cintura, colando nossos corpos. Passei meus braços em volta do seu pescoço, e encostei minha cabeça na curva do mesmo. Ele me agarrou um pouco mais forte, me prendendo nele, como se não quisesse que eu saísse dali de jeito nenhum. Dançamos lentamente conforme a música, até que quando percebi, estava com o rosto colado ao dele, e eu podia sentir sua respiração junto a minha, se encontrando. Olhei nos olhos dele, que fez o mesmo, sem expressão alguma. Eric parecia não saber se olhava para os meus olhos ou para os meus lábios, e quando fui virar meu rosto, desconcertada, senti seus lábios grudados aos meus, me beijando devagar. Sem hesitar, retribui do mesmo jeito, sem pará-lo. Era um beijo diferente, gostoso, e tão calmo, que fez meu corpo relaxar nos braços do garoto. Enquanto sentia uma das mãos dele acariciando minha nuca; e a outra, apertava minha cintura, fazendo meu coração acelerar de uma forma que eu não conseguia controlar, me fazendo temer que ele chegasse a escutar os batimentos fortes que provocava em mim. Sua língua tocava a minha em uma suavidade que eu não compreendia. Ele não tinha pressa alguma, e nem estava preocupado na hora que pararia, estava curtindo, e foi quando eu decidi largar mão e curtir também, mesmo que eu estivesse me sentindo uma puta por ter beijado dois caras diferentes no mesmo dia.
A música acabou e ele mordeu meu lábio inferior. Sorri um pouco envergonhada, e ele retribuiu, me abraçando forte, me dando um selinho logo depois.
Assim passamos a noite, no mesmo ritmo, tirando uma hora em que fomos para um canto escondido. Depois do sol se pondo no horizonte, ele me levou para casa, e não sei mais quanto tempo passamos nos beijando na entrada do prédio. Demos mais um selinho, e ele foi embora, com a promessa de me ligar mais tarde.
- Ops, oi tia - falei assim que entrei em casa, encontrando Eleonor sentada no sofá, trocando suas coisas de uma bolsa para a outra. Seus olhos se arregalaram de surpresa.
- Meu Deus do céu, , você está chegando agora? Eu achei que estivesse no seu quarto, a porta está fechada! - falou enquanto eu caminhava em sua direção e sentava na poltrona ao lado do sofá.
- Não, eu fiquei no parque a noite inteira, Eric só me trouxe para casa agora e... não era para a senhora já estar na cafeteria uma hora dessas? - perguntei enquanto me ajeitava na poltrona, me esticando completamente relaxada, recebendo um olhar torto de Eleonor, que eu fiz questão de ignorar. Porra, estou com sono, quero mais é que se dane os modos e costumes de boa moça.
- Eu tenho uma reunião com o empresário do McFLY, só estou esperando o me chamar para a gente ir - eu, que estava com os olhos fechados, os abri na mesma hora em que ouvi o nome de . E é estranho, mas em todo o tempo que passei com Eric no parque, até agora, eu não lembrei de uma vez sequer, como se estivesse anestesiada, e é uma sensação tão... estranha.
- Está esperando ele para quê? - minha voz saiu baixa e interrogativa demais, o que acabou fazendo com que ela me olhasse com uma expressão estranha, muito estranha mesmo. Ela se virou para mim, largando a bolsa em cima da mesa de centro, dizendo.
- Eu não sei o caminho do escritório, então ele irá me levar - ficamos um tempo nos encarando, e eu não falei mais nada. Então, ela disse. - , o que foi que rolou entre vocês aquele dia em que o trouxe para cá? Desde aquele dia parece que você tem aversão ao nome dele e tudo que se refere a ele! Você passou a trancar a porta da sua sacada, que antes vivia aberta. Trocou a roupa de cama que ele deitou e que estava ainda com cheiro de lavada, e sem contar que não se falam mais e nem olham mais um para o outro...
- Como sabe que não falo mais direito com ele? - perguntei de forma ríspida, a surpreendendo com a minha atitude.
- Ele sequer sabia do Eric e... - eu a cortei.
- Você contou para ele sobre o Eric? Tia! - me levantei da poltrona e saí marchando em direção ao meu quarto, sendo seguida por ela. Pô, as pessoas estão com mania de me seguirem! Abri a porta do quarto, tirando o blusão, o jogando na cama, enquanto Eleonor parava na porta.
- Desculpa, eu não sabia que não era para contar. Eu realmente achei que o saberia, afinal vocês estavam tão amiguinhos dias atrás, que até achei que vocês iriam ter alguma coisa, ou até mesmo poderiam namorar, sabe? - falava enquanto eu ia jogando algumas peças de roupa na cama para poder ir tomar banho. Eu fechei a porta do armário, respirei fundo e olhei para minha tia. Poxa, eu não podia tratá-la assim, afinal ela não tem culpa de absolutamente nada, se alguém tem culpa aqui, essa sou eu por deixar me usar daquela forma.
- Olha, tia, a verdade é que o me beijou naquele dia, só que quando acordou, não lembrou de nada porque estava muito bêbado, e quando ele descobriu que havia me beijado, ele tornou a me beijar, só que...
- Só que o quê? - os olhos dela brilharam, me fazendo suspirar.
- Só que depois, a garota com quem ele tinha saído de noite, ligou para ele, que correu para ela feito um cachorrinho atrás de um osso. Então eu desisti. Não quero que ele me use apenas como diversão, estou fugindo disso, na verdade - me sentei na cama, e olhei para a sapatilha que eu estava usando, que estava completamente imunda.
- Eu entendo, você tem razão, precisa dar valor a si mesma! - e quando ela terminou de falar, a campainha tocou. - Vou lá atender a porta - deu as costas para mim, mas eu a chamei de volta, fazendo-a gritar um "I’m going", e se virar para mim.
- O que o sabe sobre o Eric, tia? - mordi meu lábio e ela me deu um sorriso terno.
- Apenas que você saiu com ele e que deveria ter passado a madrugada fora - concordei com a cabeça e ela continuou. - Preciso ir, se comporte, vá para a cafeteria depois do almoço, e à noite eu passo lá para te pegar, beijos! - e saiu correndo na direção da porta.
Me levantei e caminhei até a porta, me encostando no batente da mesma, vendo titia falar com , e quando ela pegou a bolsa no sofá, olhou para mim, me deu uma piscadinha, e saiu, fechando-a em seguida. Respirei fundo, caminhei até a porta da sacada, saí de encontro aos raios de sol e fechei os olhos, absorvendo um pouco do calor que eles emanavam. Puta merda, velho. Se minha tia havia contado ao que eu tinha passado a madrugada inteira fora, e ele viu a hora que eu saí, posso até fazer idéia das milhares de merdas que ele devia pensar de mim nesse momento. Abri os olhos e olhei para sua sacada, me surpreendendo ao encontrar um post-it preso no murinho que separava minha sacada da dele. Nele estava escrito exatamente assim: "Espero que ele tenha se lembrado de usar camisinha, xx ". Descolei o post-it que ele deixou, e fui até minha escrivaninha, pegando o meu bloquinho, escrevvendo assim: "Não se preocupe, ele não é como certas pessoas que esquecem das coisas, ele gosta de ter tudo gravado na memória, xx ", e coloquei meu post-it no lugar em que estava o dele antes. Depois, voltei até minha escrivaninha, peguei dentro da minha gaveta uma caneta, e o caderninho McFLY, colei o post-it lá, escrevendo: "Não consigo entender, está claro que isso foi uma demonstração nítida de ciúmes, só que, um dia ele me beija, depois sai com uma garota, depois me beija na escadaria do prédio, instantes depois me diz que não está nem aí com as decisões que eu tomo, e quando minha tia conta para ele do Eric, é essa a reação que tem? O que quer de mim? Me enlouquecer? Porque se for, ele está conseguindo, definitivamente". Fechei o caderninho e fui para o banheiro, decidida a tirar da minha cabeça.
Fiz como minha tia havia mandado, e fui para a CoffenBook logo depois do almoço, e como não havia dormido nada a noite inteira, fiquei à base de café para ficar atenta a tudo e conseguir prestar atenção nos pedidos dos clientes. A única coisa que errei, foi quando tropecei na barra da calça, mas isso já é tão normal que eu acabei me acostumando, e pelo menos eu tropecei sem causar grandes estragos.
Sentei no sofá de funcionários, dentro da nossa saleta, e peguei meu celular na mão, vendo que continham duas chamadas não atendidas; uma de minha mãe, e outra de Eric. Liguei para minha mãe, e nossa conversa foi a mesma de sempre: saber como eu estava, contar as novidades, jogando papo fora e tentando matar um pouco da saudade. Desligamos e eu retornei a ligação para Eric.
- ? - ouvi sua voz do outro lado da linha, um pouco feliz.
- Oi! - falei animada também, dando ênfase no "i".
- Linda, deixa eu te falar, sábado que vem é aniversário do meu irmão, e ele vai fazer uma festa. Ele disse que eu podia levar quem eu quisesse. Vem comigo? - disse com a voz animada, porém quando falou "vem comigo", sua voz pareceu fraquejar um pouco. Seria isso esperanças, Eric?
- Claro, claro! - aceitei rindo baixinho, e ouvi a risada dele na linha, a coisa mais gostosa de se ouvi.
- Bom, então fechou, temos uma semana aí, heim?! - riu e continuou. - E então, como você está?
- Estou um pouco cansada, e aposto que quando deitar vou dormir feito pedra, mas fora isso estou bem, e você?
- Muito melhor agora! - falou com a voz doce, e pela primeira vez, me senti bem com uma cantada tão furada. Me senti tão bem que notei minhas bochechas esquentarem. Eu ri baixinho e ele me acompanhou, mas acabamos ficando em silêncio. Risadas. Silêncio. Silêncio. Mais silêncio.
- É melhor desligar então, né? - eu disse, cortando o silêncio.
- Não - falou simplesmente.
- Huh?- comecei a rir.
- Eu quero continuar ouvindo sua voz - não sei, mas eu senti como se ele tivesse sorrindo.
- Mas eu nem estou falando nada - respondi ainda rindo.
- Ouvir sua respiração - e então silêncio. E mais risadas.
- Do que estamos rindo, afinal? - perguntei, ainda misturando minhas risadas as dele.
- Não sei, "as risadas quando a gente não sabia o que falar" - ele cantou baixinho e eu senti meu rosto ferver. Pelo amor de Deus. - Beleza, eu parei, linda, agora eu tenho que desligar mesmo - a voz dele saiu meio triste. Ah, mas não é um lindo esse menino? Own.
- Ok, a gente se fala depois, beijos - não é por nada, mas eu também não queria desligar, hm.
- Ok, beijos - e então o maldito "tu tu tu" invadiu o meu ouvido e eu desliguei. Fiquei olhando para o iPhone na minha mão, vendo minha foto com Felipe e Camilla, e imaginei o quanto precisaria de Camilla aqui para me ajudar a escolher uma roupa para a tal festa. Vestido? Saia? Short? Calça? Pelada? Ah! Enquanto estava presa em meus próprios pensamentos, ouvi uma voz me chamar várias vezes.
- ? ? ? Terra, , oi?! - Eleonor me sacudiu e eu acordei. - 'Ta tudo bem contigo, querida? É o ? - perguntou me encarando.
- O quê? Não, sai dessa, tia! - falei rapidamente e ela começou a rir da minha cara. Valeu mesmo, tia amada. - Ér, tia, eu tenho uma festa para ir sábado que vem com o Eric, mas não sei com que roupa eu vou! - fiz bico, e ela riu mais.
- Quem é esse Eric afinal? - perguntou me encarando, enquanto sentava ao meu lado no sofá.
- É só um cara que eu conheci enquanto andava esse dias. A gente esbarrou um no outro, começamos a conversar, passamos o dia juntos, aí ele me chamou para sair, e o resto da história a senhora já sabe... desculpa, você! - Eleonor odiava quando chamavam-a de senhora, então, assim que me olhou torto, tratei de consertar. Soltei meu cabelo, mexendo em suas pontas, lembrando do rosto de Eric, e meu coração logo deu sinal de vida, acelerando um pouco.
- Você parece gostar muito dele... - titia disse, mexendo no Blackberry dela que apitou, me fazendo encarar o aparelho.
- É, eu gosto sim! - ela apenas respondeu um "uhun" e continuou digitando no aparelho. - Algum problema? - resolvi perguntar.
- Não, nenhum, é só que eu fui convidada para um jantar e eu não sei se quero ir - parou de digitar, mexeu no cabelo, e olhou para mim.
- Por que não? - Perguntei.
- É um jantar de grandes empresários que tem todo ano, mas é sempre os mesmos assuntos entediantes. Com o passar do tempo, fica um porre ir nesses lugares, entende? - será que ela ficaria surpresa se eu dissesse que sim?
- Acho que sim tia, acho que sim... - ficamos em silêncio por um tempo. Eu encarando o nada, e Eleonor parecia estar com o pensamento muito longe, até que se pronunciou.
- Bom, melhor você voltar ao trabalho! - ah, eu preferiria que ela tivesse ficado calada!
Me levantei e prendi o cabelo enquanto voltava para o batente, e foi sem muito movimento até as onze horas da noite, que foi quando Eleonor e eu voltamos para casa.
Capítulo 10
Uma semana se passou, sem grandes acontecimentos.
Fazia uma semana que eu e Eric nos falávamos todos os dias. Uma semana que Felipe e Camilla voltaram a me ligar e a falar comigo todos os dias; que eu trabalhava feito uma louca; que eu havia ficado muito amiga de e... uma semana que eu não falava com .
Depois daquele fora que eu dei nele, do post-it na sacada, as coisas entre nós esfriaram. Toda vez que nos encontrávamos no corredor, nem sequer trocávamos uma palavra. Se ele aparecia na cafeteria – o que só aconteceu uma vez nessa semana -, nem olhava na minha cara, parecendo aquelas garotinhas de quinta série.
Bom, à noite acontece a festa do irmão de Eric, que se chama Anthony. Como entramos na primavera, é o primeiro dia com mais de dezenove graus, o que está deixando o clima muito agradável aqui em Londres, e particularmente, me fazendo um bem danado.
Eric tinha ficado de me buscar às sete e meia, e como ainda são seis e meia, tenho uma hora para terminar de me arrumar.
Eu estava sentada na minha cama, colocando um scarpin preto. Minha combinação - que Camilla me ajudou a montar via MSN - era uma saia azul marinho, de cintura alta social e lisa; uma camiseta de manga três quartos, branca; um colar de pérolas brancas; os cabelos soltos, lisos na raiz e com pontas todas enroladas com baby-lis.
Me levantei e fui até o banheiro, começando a fazer minha maquiagem: lápis de olho forte; rímel preto; sombra branca, com brilhos delicados; blush claro; um batom rosa, bem clarinho. Logo que terminei, passei perfume, sorrindo para mim mesma, refletida no espelho do banheiro. Voltei para o quarto e, instintivamente, olhei para a porta da sacada, que estava fechada. Suspirei, querendo saber o que estaria fazendo naquele momento. E mesmo que eu sentisse a maior vontade do mundo em abrir aquela porta, me segurei, e me obriguei a pensar em alguma outra coisa, a me concentrar na noite que teria junto com Eric.
Peguei minha bolsa-carteira preta, coloquei meu RG, meu visto – caso precisasse mostrar para alguma autoridade local, eu era precavida -, meu celular, e um brilho labial sem cor. Quando fui me olhar no espelho novamente, meu celular apitou. O olhei, e na tela estava escrito que eu tinha uma nova mensagem de Eric: "Cheguei, linda. Desça logo, quero te ver (:". Sorri boba, desliguei a luz do quarto e fui para a sala, desligando as luzes de casa, pois titia tinha ido à casa de uma amiga; parece que nós duas teremos uma noite agradável. Abri a porta de casa, e acabei dando de cara com ... mais lindo do que nunca. Ele usava um Converse todo preto; uma calça jeans escura, que deixava sua boxer preta à mostra; uma camiseta regata branca, por baixo de uma camisa social preta; os cabelos bagunçados, de modo arrumado; e os olhos que eu tanto amo, me fitavam de um jeito que estremecia meu corpo por completo. Eu seria muito vagal se dissesse que, por mim, minha boca já estaria grudada na dele, sem pensar em festa, nem em Eric? É, estaria, né?! Mas, mesmo com milhares de pensamentos insanos com ele, a única coisa que fiz foi fechar a porta atrás de mim e ir em direção ao elevador, que por sorte, estava parado no meu andar.
Assim que entrei, entrou em seguida, apertando o botão da garagem; eu, do térreo. Então, as portas se fecharam, deixando nós dois ali, juntos, sozinhos, perto demais mas ao mesmo tempo, longe. Estou me sentindo ridícula, sério, consigo sentir seu perfume, e devo dizer que em poucos segundos já tive um monte de pensamentos pornôs, que fizeram meu coração bater rápido e meu estômago ficar com uma porção de borboletas. E eu acabo me sentindo assim, patética. Não olhava nem sequer um segundo para ele, e quando vi que o elevador parou no térreo, esperei as portas se abrirem. Assim que o fez, eu saí, deixando sozinho, e conseguindo depois de uns poucos minutos, respirar normalmente, sem me segurar. Caminhei para fora do prédio, sorrindo abertamente assim que meus olhos se encontraram os de Eric.
- Meu Deus do céu, essa beleza toda é para mim? – ele sussurrou em meu ouvido assim que eu o abracei, me fazendo rir baixinho, me afastando um pouco para poder olhá-loe, que me abraçou pela cintura.
- Hm, digamos que é um pouco sim! – falei, ele fez bico, mas acabamos rindo.
Eric estava lindo, como sempre. Ele usava um tênis que eu não sei a marca, preto com verde; uma calça jeans cinza; uma camisa social branca aberta, e a por baixo era verde. Os alargadores hoje era pretos, com strass, o que me lembrou o Di, do NxZero, não sei o porquê. E uau, o cheiro dele era incrível! Não era bom como o do , mas quem liga? Ele se aproximou de mim, e me beijou. Não um beijão, apenas um selinho demorado, que foi interrompido por um barulho alto de pneu cantando no chão, de um carro que saia rápido da garagem. . Fiquei olhando o automóvel correr pela rua, ganhando velocidade, e depois, quando virou a esquina, onde não pude mais vê-lo. Voltei meu olhar para Eric, que me fitava.
- E aí, vamos? – perguntou, me tirando do transe.
- Claro! – ele abriu a porta do carro para mim, e eu me acomodei, colocando o cinto. Logo, Eric estava dirigindo. Enquanto me contava algo - que eu não prestava atenção -, eu só conseguia me perguntar onde deveria estar indo, ainda mais, lindo daquele jeito.
's POV On
Eu tinha uma das melhores festas do ano hoje, e tudo que eu queria era aproveitar bastante, beber muito, pegar muita mulher, gastar muito dinheiro, acordar ao lado de alguma gostosa... mas sempre tem alguma coisa para atrapalhar, como sempre.
Eu passava no corredor, em direção ao elevador, quando, para minha "felicidade", acabei dando de cara com a saindo de seu apartamento, maravilhosamente linda. Para o meu desgosto. Já comentei que ficamos uma semana sem nos falar? E quando nos víamos, não trocávamos um olhar ou uma palavra. E hoje está calor, o que facilitou, pois ela não está toda coberta. E está linda, muito linda. Estaria me rebaixando se dissesse que quase voei nela para beijá-la? Sua boca aberta ao me olhar assustada estava totalmente implorando pela minha. Mas sabe o que eu fiz? Nada! Simplesmente nada, fiquei parado a analisando, enquanto ela fechava a porta e ia em direção ao elevador, sem olhar para trás. Fui junto, afinal, precisava ir para o estacionamento, e assim que entrei, apertei o botão da garagem; ela, do térreo. Onde ela iria assim tão bonita? Se curiosidade matasse, eu já teria morrido. Daria tudo para agarrá-la nesse momento, encostá-la nessa parede de elevador, e poder tocá-la. Ela estava realmente deslumbrante, e eu só não fiz nada, porque o andar dela chegou.
Esperei a porta do elevador fechar, e esmurrei a parede de raiva. Sim, raiva de mim, dela, dessa situação idiota. Como uma garota de dezoito anos pode mexer tanto assim com a minha cabeça? Eu tenho quase vinte e cinco, sou seis anos mais velho do que ela; ainda assim, me sinto atraído como um garoto da mesma idade que ela. Que foi? Você não sabia que nossa idade era assim tão diferente? Pois é, a , nesses poucos meses, me fez sentir e agir como um garoto de dezoito, mas na verdade, eu não sou mais assim tão novinho. É! E acho que definitivamente, estava na hora de eu começar a agir como um cara mais velho, afinal, eu sou , tenho sempre milhares de garotas nos meus pés, dando bola para mim, por que diabos eu iria me deixar levar por uma... uma fedelha? Não, definitivamente, isso está fora de cogitação.
Entrei no meu carro, bati a porta, abri o portão e saí. Para variar, sempre acontece alguma coisa, e quando fui olhar a rua, para ver se vinha algum carro, senti o sangue ferver no meu corpo. Logo mais à frente, estava abraçada com um cara, que eu não conseguia ver quem era. Tudo o que eu mais queria, era poder sair de dentro desse veículo, e ir lá dar um soco na cara do idiota.
Fiquei nervoso, estressado. Tudo que eu queria era aquele cara no chão, gemendo de dor, e eu saindo abraçado à ela, mas... claro que eu não faria isso, nunca.
Respirei fundo, engolindo com agonia minha saliva. Quando o vi beijar a , pisei no acelerador, e saí da garagem cantando pneu. Realmente, eu espero com todas as minhas forças terminar essa noite com uma gostosa deitada na minha cama, preciso disso.
's POV Off
Chegamos à casa de Eric, e o som estava tão alto, que eu não conseguia ouvir o que ele falava. E ele falava tanto!
- Entendeu? – ele disse, rindo baixo. Comecei a rir, não por que precisava disfarçar ter entendido alguma coisa, mas por que a cena era realmente engraçada. Eu não ouvi nada do que ele falou. Apenas assenti, e ficou por isso mesmo.
Entramos na casa, enquanto ele acenava para todo mundo. Parecia aquelas escolas americanas que havia um casal de populares, a casa de um dos dois tinha festa no final de semana, e o popular chegava acompanhado da popular, cumprimentando todo mundo. Mas eu não era popular, e não estava nenhum pouco perto disso.
- Aqui, linda, esse é meu irmão – Eric falou, me apresentando ao aniversariante.
- Ah, oi! – falei animada, cumprimentando-o com um beijo na bochecha. – Parabéns!- sorri, e ele me abraçou, parecendo meio bêbado.
- Obrigada, linda – me soltou de seus braços, e eu comecei a rir.
Continuamos andando, enquanto Eric me apresentava a todos. Agora posso dizer: conheço metade de Londres! Ok, não, mas é realmente bastante gente.
- Vou pegar uma bebida para nós. Você já conheceu bastante gente, então não tem problema deixá-la cinco minutos sozinha, não é? – assenti e ele saiu em direção ao que eu acho que era a cozinha, sei lá. Já comentei que a casa não era uma casa? Era uma mansão, realmente muito grande. Para terem noção, a cozinha tinha espaço para um bar. E com certeza haviam cinco quartos na residência. No mínimo! Vocês tem noção do que são três pessoas morando numa mansão de cinco quartos? Para quê? Para o caseiro dormir lá também? Quando menos percebi, Eric estava novamente ao meu lado, com duas bebidas na mão.
- Oi? – ele me chamou, passando as mãos com as bebidas na frente do meu rosto, e eu comecei a rir.
- Desculpa, é que eu fiquei pensando no porquê de tanto quarto, se só moram seus pais e seu irmão aqui – continuei rindo e ele me acompanhou.
- Meus pais não tem noção disso – riu e deu um gole em sua bebida. Eric já havia me falado sobre isso, disse que a casa que seus pais compraram era um exagero, e que também não sabia para quê tinha tantos cômodos, mas ele gostava mesmo assim, e viveu grande parte de sua vida aqui. Agora, que é maior de idade, tem seu próprio apartamento, que por um acaso nunca fui, apenas passei na frente. É muito bonito e parece ser bastante espaçoso.
Dei um gole na minha bebida, que desceu rasgando pela minha garganta. Fomos para a pista de dança, que na verdade era a sala de estar, e era E-N-O-R-M-E! Ficamos dançando por um bom tempo, enquanto bebíamos um copo atrás do outro, até que percebi que eu já estava com a voz um pouco alterada e que era hora de parar.
- Ah, pode beber, qual é! – Eric disse, fazendo bico. Quando percebi, seus lábios estavam grudados nos meus, e a única coisa que fiz, foi abrir minha boca, dando passagem para sua língua, deixando rolar. Por que não, não é? Afinal, ele é comigo o que nenhum homem até hoje foi. Até agora.
Sua língua começou a brincar com a minha e eu sorri, dando um último beijo e selinho. Ele também sorriu, e eu só não voei para beijá-lo outra vez, porque vi de longe, por cima de seu ombro, alguém muito conhecido.
- O que foi? – Eric perguntou, olhando na mesma direção que eu, que desviei meu olhar.
...
's POV On
Cheguei à festa fazia um tempinho, e a primeira coisa que fiz foi pegar uma bebida e uma mulher. Festa sem isso, não é festa, principalmente quando se trata de Anthony Brant.
Fiquei com pelo menos seis garotas, enquanto havia bebido apenas três garrafas de Heineken. Já me viu beber tão pouco? Eu? ? Estava tão desperto em pensamentos, que só acordei quando encontrei Eric, irmão do Anthony, dançando com uma menina na pista de dança. Uh, belas pernas, que estão escondidas por... uma saia social azul marinho? Olhei para eles quando pararam de se mexer tanto, e vi quem eu menos queria nos braços daquele cara. Sim, . Acompanhada do Eric, o maldito do Eric, como eu não desconfiei? Estava na minha cara. O tal Eric da vez do celular, o cara conhecido no carro, levando-a para sair... só poderia ser ele mesmo, o irmão do Anth.
Eles dançavam, e a única coisa que consegui fazer foi ficar parado, olhando, enquanto os dois se divertiam juntos. Até ele dar um beijo nela. O beijo que eu queria ter dado a horas atrás. Mas eu não me importo com isso, é, que se foda também. Eles pararam de se beijar e foi quando ela me viu, e ele se virou para mim também. Era só o que me faltava, de verdade!
- ! – Eric gritou, parecendo bêbado, e se virou para , falando alguma coisa e segurando sua mão, vindo até mim. – E aí, irmão!- falou, me cumprimentando com um abraço de um braço só. Fiz o mesmo, sem olhar para .
- Eric! - falei rindo, totalmente falso. Ele era como um de meus melhores amigos. Não melhor, mas éramos parceiros, e eu o considerava para caralho. O que ele faz com ela? Logo com ela?
- Deixa eu te apresentar. Essa é a , a garota dos meus sonhos, sabe? – falou sorrindo, enquanto a abraçou forte e continuava bebendo.
- Ah, oi – cumprimentei com um sorriso irônico, dando um beijo em sua bochecha [lê-se: canto de sua boca], propositalmente.
- Olá, - ela respondeu ironicamente também, e eu cerrei os olhos para ela.
- Vocês já se conhecem? – Eric perguntou de repente, e engoli em seco.
- Não! - disse rapidamente.
- Ela sabe seu nome - ele apontou dela para mim, e a vi rolar os olhos.
- Você gritou o nome dele quando o viu - falou e eu respirei aliviado. Nem eu lembrava mais disso, que filha da puta.
- Ah, é verdade – Eric começou a rir, e eu a olhei, virando a cara em seguida. – Então, não vai beber? A gente precisa marcar de sair de novo, faz uns dias que não vamos a nenhum pub ou coisa assim... – falou e eu assenti.
- Só nos falamos por telefone, não é? – comecei a rir e ele fez o mesmo, enquanto eu gritava de alegria por dentro por deixar a fora da conversa, completamente sem jeito.
- Ah, falando em telefone, ela é a garota que eu te falei no outro dia, no celular. A garota dos meus sonhos, que eu conhecia há pouco tempo. Ela é realmente linda, não é? – perguntou, e sério, eu assenti. Ainda bem que passou despercebido, enquanto ria.
Flashback
- , tenho uma notícia muito irada para você, velho! - Eric disse assim que eu atendi o celular.
- Fala, moleque! – respondi, rindo de sua empolgação.
- 'To apaixonado, brother! – falou e eu comecei a rir mais ainda.
- Imagina só... você? Por quem?
- Acho que você não vai saber quem é, eu te apresento depois. Mas cara, é a garota dos meus sonhos! – ri mais alto ainda, e ele riu junto. – 'To falando sério, ela é a garota mais linda que eu já vi, e ainda é divertida. Estamos ficando, dude! – falou, parecendo muito empolgado, enquanto eu entrava no meu quarto e ia até a sacada, vendo outra vez, a de , com a porta fechada.
End of flashback
- Lembro disso! – falei rindo. Quando fui terminar, ele me interrompeu.
- Não sei como não se conhecem, ela é do mesmo prédio que você! – se engasgou com a bebida, e eu me assustei.
- Tudo bem? – Eric perguntou à ela, a encarando preocupado. Ela assentiu, voltando ao normal, mesmo que suas bochechas estivessem muito vermelhas. Ela se virou, rindo. Fizemos desdém, e quando fui puxar outro assunto com ele, Eric a pegou pela cintura, e a beijou na minha frente. Com muito nojo, e sem muito oxigênio, saí dali. Não é por nada, mas nesses momentos, eu bem que poderia estar no lugar dele. Só comigo para acontecer essas coisas...
's POV Off
Correspondi o beijo de Eric, mesmo me sentindo envergonhada por estar por perto. Mas o que eu deveria fazer? Eu não podia mostrar ao que me importava com a presença dele, afinal, ele não se importou com a minha quando atendeu ao telefonema daquela loira, depois de ter me dado uns pegas.
Assim que Eric mordeu meu lábio e parou de me beijar, olhei para o lado, de canto de olho, e não estava ali. Respirei aliviada. Eu merecia um tempo desse cara, parecia perseguição, às vezes.
Passei grande parte do tempo com Eric. Pessoas iam e vinham a todo instante. Anthony sempre parava para saber o que eu estava achando, se eu queria alguma coisa... Por sinal, ele era lindo. A beleza era herança genética.
Quando Eric cansou da pista de dança, ele me levou até a área da piscina, que assim como tudo naquela casa, era enorme. Bom, primeiro tinha um descampado com grama, onde tinham muitas pessoas conversando, bebendo e rindo muito. Todas, claro, muito bem vestidas e lindas. Depois, tinha uma área onde ficava uma espécie de canto do churrasco, onde algumas pessoas estavam aglomeradas conversando e se divertindo. Subindo três degraus, estava a área da piscina, que eu não sei te dizer por que, estava completamente vazia. Não tinha uma pessoa nem na água, nem nas espreguiçadeiras por ali. Coisa estranha. Tipo... oi gente, é primavera, alô-ou!
Eric me puxava pelo descampado, e de repente, alguém esbarrou no braço dele.
- Porra, velho, olha por onde anda! – Eric falou, visivelmente alterado, ou seja, bêbado.
- Pô Eric, foi mal, cara, eu não te vi! - o garoto falou, e eu achei estranho, pois ele estava tudo, menos sem jeito pelo que fez. – Olha, deixa que eu vou buscar alguma coisa para você beber... – e quando ia se afastar, Eric o puxou de volta pelo braço, dizendo.
- Nem fodendo, é capaz de você ainda me trazer alguma coisa que eu não goste, e aí vou te caçar até te matar, 'bora comigo, cara! – disse, puxando o garoto e gritando para mim, enquanto se afastava. – Já venho, ! – e virou para a frente, porém, o garoto ao seu lado deu um sorriso muito estranho para mim. Será que eu o conhecia e não estava me lembrando disso? Não, impossível, eu não estou assim tão bêbada.
Olhei à minha volta, e fiquei sem jeito quando percebi alguns olhares direcionados a mim. Por isso, querendo fugir, caminhei até a piscina, rezando para que ninguém se atrevesse a fazer o mesmo.
Parei perto da margem, sem ficar muito rente à agua. Vai que outra pessoa acabasse esbarrando em mim, e ao invés de eu ficar sem minha bebida, eu acabasse caindo lá dentro? Aí sim seria o fim do mundo. Olhei de longe o meu reflexo, e fiquei me encarando. Sim, eu já estou com uma cara de bêbada que não é brincadeira. , vergonhoso, não duvido nada que amanhã você vá trabalhar de ressaca, aí eu quero só ver o modo como você irá atender os clientes. Isso se eles não fugirem com medo da sua aparência, porque convenhamos, você não fica muito agradável de ressaca. Aliás, acho que ninguém de fato fica, e se fica, me apresenta, porque eu vou ser fã dessa pessoa.
Tornei o líquido que estava no copo que Eric tinha me dado, e pareceu não fazer absolutamente nada descendo pela minha garganta. Porém, quando chegou ao meu estômago, o senti queimar tudo por dentro, me dando tontura. Fechei os olhos, pois tudo saiu de foco ligeiramente, e dei um passo para frente, sentindo literalmente tudo à minha volta girar muito rápido. Quando eu achei que ia desequilibrar, senti dois braços me puxando, e ao virar, encontrei os olhos de . Aqueles dois glóbulos que eu tanto amo, me olhando. Espera, vermelho com , com vermelho. Hum, está bêbado.
- Te peguei – ele sussurrou, e eu senti seu hálito forte, cheirando à... maconha?
- , você usou um baseado? – perguntei, vendo-o me fitar curioso.
- O que foi que me entregou? Meus olhos ou o modo como tive coragem de me aproximar de você depois de uma semana? – começou dizendo isso alto. Depois, no fim, sua voz era apenas um sussurro. Suas mãos em minha cintura me apertaram, me fazendo suspirar, e o sorriso cretino de crescer, me dando vontade de esbofetear sua cara. Mas poxa, ele é lindo demais para eu estragar sua carinha. Ai, meu cérebro de bêbada não presta.
Olhei para o lado e vi Eric, ainda discutindo com o garoto na cozinha. Virei meu rosto para , e disse.
- Definitivamente seus olhos te entregaram, mas a cara de pau confirmou ainda mais - ele soltou uma gargalhada histérica e eu senti meu corpo arrepiar quando parou de rir e colocou a mão em minha nuca, olhando no fundo dos meus olhos, dizendo com a voz rouca.
- Você bem que gosta! – o que eu podia responder, ele está certíssimo! Acho que é minha sina gostar de idiotas como ele, né? Não é possível.
Fiquei calada, e ele abriu um pequeno sorriso ladino, colocando suas mãos em meu rosto, se aproximando mais ainda de mim. Minha respiração começou a ficar um pouco falha, e minhas pernas bambas. Continuei parada, e ele aproximou nossos rostos, me fazendo fechar os olhos, e ouvir de repente, a voz de Eric ao nosso lado. Abri os olhos.
- Já resolvi a questão do moleque ali, amor... , e aí, cara?! Eu acho que vou dormir, não 'to nem aguentan ... – ele falou assim que nos separamos rapidamente, e parou na metade do caminho para bocejar. – , ... – me chamou, colocando seus braços em volta dos meus ombros, tentando inutilmente me abraçar.
- Estou ouvindo – falei um pouco seca, que por minha sorte, passou despercebido por ele.
- Você não vai ficar chateada se eu te deixar um pouco sozinha para deitar, né? Eu precis... – bocejou novamente. – Hm, preciso dormir, sabe? Se quiser, pode vir comigo, amanhã eu te levo para casa.
- 'Ta ficando maluco, Eric? Eu tenho que ir embora, amanhã eu trabalho. – falei rindo um pouco, e ele fez bico, caindo em cima de mim.
- Ah, por favor – continuou fazendo bico, e eu ri mais ainda. - Amanhã é domingo, poxa.
- Não posso, amor – fiz bico junto, e segurei-o, com um pouco de ajuda do . Eric começou a rir, e ficamos com cara de pastel de vento, tentando entender o que se passava.
- Vou te levar embora primeiro, tá? – fez carinha de anjo, e eu sorri, negando.
- Não precisa, eu dou um jeito – falei, e quando fui terminar, me atrapalhou.
- Eu posso levá-la, é no mesmo condomínio.
Ele só podia estar brincando ou sonhando, se achava mesmo que eu iria embora com ele, no mesmo carro, para casa.
- Cara, você faz isso mesmo? – Eric perguntou, sem expressão alguma no rosto. Pude achar que ele ia falar para o não fazer aquilo.
- Ué, do jeito que você 'ta, é melhor que eu leve – respondeu, e Eric começou a rir.
- Você não está muito diferente, né dude?! – continuou rindo, e eu balancei a cabeça negativamente.
- Eric, vamos subir, vai. É melhor você se deitar, eu me viro para ir embora, ok? – falei, empurrando-o para a entrada da casa, e veio junto, me ajudando a carregá-lo para seu quarto.
Passamos por algumas pessoas no corredor e vimos outras ainda dançando na sala. Subimos as escadas, com Eric reclamando que não deveria ter bebido tanto, sendo que era a primeira vez que eu ia em sua casa.
Chegamos no corredor de cima, e ficamos procurando seu quarto, afinal, haviam vários e todos pareciam ocupados. Perguntei para Eric em qual dos quartos ele costumava ficar quando vinha à casa de seus pais, e ele apontou para qualquer um, no fundo do corredor. O levamos até lá. Fiquei boquiaberta assim que abriu a porta e nos deparamos com três pessoas na cama, fazendo aquilo que não se deve na casa dos outros. Logo virei a cara. Afe, que falta de respeito! Sexo à três na casa dos pais de um amigo? Vão a um motel!
fez questão de atrapalhar e tirar todos do cômodo à força, alegando que o dono da casa precisava dormir. E parecendo com medo, todos concordaram, pegando suas coisas e saindo dali o mais rápido possível.
- Pode virar a cara, até parece que nunca viu nada do tipo, – falou para mim, se virando para nós e segurando Eric, para levá-lo para a cama. Ele esqueceu que não pode falar comigo como se já nos conhecêssemos antes? E olha esse tom, que grosseiro.
Ignorei completamente sua fala, e o ajudei a colocar Eric na cama, com ele soltando alguns gemidos de sono. Dei um selinho nele rapidamente, e o vi se virar para o lado, como um bebê. Balancei a cabeça negativamente e fui em direção à porta, com em me encalço. Mas que saco, sai do meu pé, chulé.
Saí do cômodo, e deixei que fechasse a porta. Me virei para ele para dizer que não precisava de sua carona, e em questão de segundos, ele me puxou pelo braço, me encostando na parede ao lado da porta, apoiando seus braços em volta de mim, como se estivesse me prendendo, para eu não sair de jeito nenhum.
- Eu não acredito que vo...
- Eu preciso ir, ok? – falei, interrompendo-o. Dei um leve tapa em seu peitoral para afastá-lo, o que não deu muito certo.
- Espera! Falei que ia te levar, e eu vou te levar. Só deixa eu falar...
- , deixa de ser idiota e sai da minha frente? Eu quero ir embora. – interrompi mais uma vez, e isso só fez com que ele envolvesse seus braços em ao redor da minha cintura, me apertando, e me prendendo mais contra a parede. Ah, pai! Tentei retrucar, afastá-lo, mas não arranjei força alguma, e quando menos percebi, seus lábios já estavam encostados nos meus, e eu já dava passagem para sua língua.
O beijo começou meio agressivo, parecíamos dois famintos, duas pessoas que tinham saudade, que precisavam sentir o gosto um do outro. O beijo foi ficando tão intenso, que eu não lembrei mais nem de oxigênio. Aliás, para que ele serve mesmo?
Passei meus braços automaticamente em volta de seu pescoço, dando o gostinho de consequentemente seu corpo colar ao meu, com uma rapidez incrível, e subi um pouco minhas mãos para seus cabelos, prendendo meus dedos ali, puxando-os de leve. me prensou mais contra a parede, e apertou minha cintura com um pouco de força, me fazendo contorcer um pouco no seu corpo. Percebi um sorrisinho entre o beijo, e puxei mais seu cabelo, para trás, afastando um pouco nossas bocas. Eu precisava respirar.
Arfei alto, sugando todo o oxigênio do ambiente, afinal, não é sempre que recebemos um beijo de desentupidor de pia.
Olhei para ele, sem saber o que falar, completamente sem reação, e quando ele abriu a boca, ouvimos um barulho vindo do andar debaixo, atrapalhando total e desagradavelmente nossa situação. Arrumei minha roupa, que havia desarrumando um pouco durante o beijo, e fez o mesmo, seguindo comigo para as escadas, para ver o que era. Tudo bem que a casa já estava toda bagunçada e barulhenta, mas o barulho era estranho, todos começaram a gritar de repente, como se tivesse briga. E se tem uma coisa que eu não suporto ver é briga.
Chegamos lá em baixo, e nos deparamos com uma roda de pessoas gritando feito loucas, com muitas garrafas e dinheiro na mão. Para variar, eram todos homens. Fiquei parada, observando. Ainda sem entender o que se passava no meio da roda, tentei me infiltrar entre eles para ver o que era, mas eu digo uma coisa, se arrependimento matasse, eu com certeza já estaria morta a uma hora dessas.
- Hey gatinha, você vai lá também? Quanto você quer? - ouvi um idiota perguntar ao meu lado, assim que cheguei na frente, vendo uma garota dançando em volta de uma cadeira, como uma vadia. Todos gritavam, e ela ía até eles, seminua pegar o dinheiro.
- Que garota mais linda! Eu dou mais para você do que para ela - outro falou, rindo. Revirei os olhos, e quando fui me virar para ir embora, ignorando todos os brutamontes, uma mão segurou o meu braço e me empurrou para o meio da roda. Respirei fundo antes de dizer qualquer palavra ofensiva, e voltei a andar entre todos, querendo sair.
- O que foi? 'Ta com medo? Vamos, entre.
- Vai lá.
- Demorou, hein?!
- 'Ta esperando o quê?
Comecei a olhar para os lados, procurando apenas um para xingar, mas quando dei por mim, outro já estava me agarrando, querendo tirar a minha blusa. Comecei a ficar desesperada. Batia em seu ombro e peitoral para me soltar, o que foi em vão. Bati, mas ele era mais forte. Gritei, mas os outros gritos para a garota abafaram a minha voz, e foi quase inaudível.
- Fica quietinha e obedece a gente - o escutei falar no meu ouvido, e juntando todas as minhas forças, dei um chute em seu membro. O garoto logo se afastou, mas outro me agarrou. Mas será possível? Puta que pariu. Fui fazer a mesma coisa - bater, chutar, gritar e tudo o que vinha ao meu alcance -, mas algo melhor que isso me defendeu, e a única coisa que eu vi foi dando um soco no cara que estava me agarrando, e me puxando para ir embora dali.
- Nunca mais se intrometa onde você não conhece - disse, dirigindo em direção ao condomínio. Pelo menos eu acho que estávamos indo para lá.
- Eu só queria saber o que era e...
- Pergunte! - exclamou, me interrompendo. Fiz cara de emburrada. Ele me olhou de rabo de olho rapidamente, e bufou, voltando a olhar para a rua à sua frente.
Continuamos o caminho todo em silêncio, sem música, nem nada. bufava toda hora, encostava o braço na janela aberta, fazendo-a de apoio, e passava a mão pelos cabelos, parecendo nervoso. Chegamos no prédio, e antes de sair do carro, ele tirou o cinto e se virou para mim. Sem falar nada, ficou me encarando.
- Se é obrigada que você quer... obrigada - falei, dando um sorriso fraco. Tirei o cinto, abrindo a porta do carro. Senti sua mão segurar meu braço e me puxar de volta. Vou acabar ficando sem braço se todos continuarem a puxá-lo. Me sentei no banco, olhando para ele, ainda com cara de emburrada. Sem hesitar, ele me beijou. Novamente.
Dessa vez, um beijo mais carinhoso, mais devagar, e parecia que agora sim eu conseguia sentir cada parte macia de seus lábios. Sua respiração rápida junto à minha, seu hálito quente se misturando ao meu, unindo em um só sabor.
Deixei minha mão encostada de leve em seu rosto, e dei passagem à sua língua, enquanto ele fazia o mesmo, tentando me puxar para mais perto. Nessas horas, um carro não dá certo.
Ficamos uns bons minutos nos beijando, e apenas isso. Afastei-me, encarando seus olhos me olhando, confusos.
- Você quer...
- Não. Não fala nada - coloquei meu dedo indicador em seu lábio, e ele fechou os olhos, me fazendo fechar os meus também. Encostei nossas testas, respirei fundo e me afastei novamente, agora saindo do carro, sem deixar chance para ele falar nada, e sem olhar para trás.
Capítulo 11
Acordei com o sol batendo nas cortinas que cobriam minha janela do quarto. Espreguicei-me, tentando abrir os olhos. Que porra de sol era esse em plena primavera? Parecia tão forte que meus olhos não suportavam ver, e fui obrigada a levantar e lavar meu rosto. Olhei no relógio de cabeceira e ainda eram 05h15, eu tinha tempo para me arrumar tranquila e ir trabalhar. Esperava não encontrar com hoje. Pelo menos hoje, sabe?
Comecei a me arrumar. Assim que saí do banho, abri meu guarda-roupa, encarando uma bagunça enorme de roupa lá dentro. Há quanto tempo eu não arrumava aqui mesmo? Eu nem encontrava mais minhas calcinhas. Tirei tudo, jogando no chão, em frente ao guarda-roupa, e comecei a procurar uma roupa decente para ir trabalhar. Quando eu chegasse, eu arrumaria, sem condições. Me arrumei sem pressa, tomei café, falei com titia e fui direto para a cafeteria. Graças a Deus, meu pedido aconteceu. Não encontrei com .
Estava no balcão, pegando os pedidos, e senti duas mãos em minha cintura, me abraçando carinhosamente. Estranhei, de novo? Mas que porr...
- Eu ia te ligar para saber como é que você estava, mas preferi vir aqui te ver, é muito melhor! - ouviu a voz de Eric sussurrar em meu ouvido, e me virei, vendo que não era quem eu estava pensando. Ainda bem (?).
- Concordo que é muito melhor - falei sorrindo, e passando meus braços em volta de seu pescoço, lhe dando um rápido selinho. - Mas aqui é meu local de trabalho, e eu não posso ficar namorando - fiz cara de dó, e vi formar uma espécie de bico em seus lábios. Sorri de novo, lhe dando outro selinho, me afastando dele, voltando a trabalhar, enquanto ele aproveitava para pedir seu café.
Fiquei atendendo alguns clientes, meio sem jeito por ter os olhos do Eric me encarando. Vou dizer, me sentia culpada, muito, muito culpada mesmo. Dei uns pegas no enquanto ele estava dormindo, e isso não é legal. Tudo bem que a gente não tem nada sério, a não ser uma ficada meio séria, mas ainda assim, sinto que eu o trai. Só não tenho força para admitir que eu fui uma puta. Puta sim, afinal que tipo de garota eu poderia ser ficando com dois caras ao mesmo tempo, ainda mais quando eu sabia que um deles não valia nada, e o outro era simplesmente um fofo? Eu me meto em um sinuca de bico como essa, e ninguém me tira. Está fazendo algum sentido isso tudo? Certo, o problema é o seguinte, Eric arranca suspiros profundos de mim, o modo como ele fala, me toca, cme beija... é tudo perfeito, principalmente o modo como me trata, mas o é completamente diferente, e eu não sei explicar o porquê. Mas desde a primeira vez que eu o vi, ainda lá no aeroporto, era como se aqueles dois glóbulos ficassem gravados no meu subconsciente, porque eu não sei se vocês se lembram, que antes mesmo de trocarmos palavras, eu sonhei... Sonhei com os seus olhos. Aí chega no ponto onde tudo se revira dentro de mim, o que eu posso fazer? Quando estou com o Eric, nem me lembro do , mas se ele aparecer na minha frente, meu corpo corresponde, fazendo meus órgãos funcionarem de uma forma estranha. Só posso dizer que é estranha, porque normal definitivamente não é!
Olhei para Eric, que lia distraidamente uma revista. Respirei fundo. O café dele estava pronto e eu teria que levar até ele. Peguei sua xícara, coloquei na bandeja com seu muffin de chocolate, e caminhei até ele.
- Aqui está o seu pedido, senhor! – disse, contendo o sorriso quando ele abriu um para mim.
- Oh, muito obrigada, senhorita, é ótimo ser atendido por uma garota tão linda quanto você! - disse, enquanto alisava minha mão, que estava repousando sobre a mesa, com o polegar. Mordi meu lábio e acabei sorrindo para ele, que riu baixinho.
- Você vai querer mais alguma coisa? – perguntei, me lembrando de minhas funções.
- Na verdade, gostaria sim - ele disse, sorrindo, abaixando o rosto para a revista que estava em suas mãos. – Eu gostaria muito de poder te puxar e te beijar agora, mas como não posso... - levantou os olhos para mim e disse com um sorriso avassalador, com a voz rouca – você está me devendo um! – senti meu coração acelerar e fiquei sem jeito. Olha só pelas coisas que eu passo, Deus!
- É... Não me provoque no meu local de trabalho, isso é sacanagem! – falei, sentindo minhas bochechas esquentarem, e agradeci por meu cabelo estar preso, porque senão já estaria o colocando para trás da orelha. Ouvi o sininho da porta se abrindo e olhei para lá, vendo Eleonor passar por ela, que sorriu para mim. A chamei, e ela veio até mim, me dando um beijo na bochecha.
- Bom dia, querida! – ela sorriu para mim, e depois olhou para Eric. – Olá, bom dia!
- Bom dia! – Eric respondeu sorridente. Titia ficou o encarando com os olhos brilhando. Hm, acho que ela concorda comigo no quesito da beleza do rapaz à nossa frente, o que acham?
- Tia, esse que é o Eric. Eric, essa é Eleonor, minha tia – os dois sorriram abertamente, e ele levantou, dando dois beijos em titia, um em cada lado da bochecha. Não pude deixar de notar minha tia dando uma conferida nele. Ai, pai!
- É um prazer conhecê-la! – Eric disse, parando ao meu lado, segurando minha cintura, me fazendo sorrir.
- O prazer é todo meu, querido. Ouvi muito sobre você! – e um sorriso quase rasgou o rosto dele. Que coisa, quanto sorriso!
Eleonor e Eric começaram a conversar, e eu sorria vez ou outra, ouvindo o comentário dos dois. O sininho da porta de entrada tocou, avisando que um cliente tinha chegado, e quando olhei para ele, meu coração veio parar na garganta. . Mas que coisa, é perseguição, só pode, cara!
- Hey, , chega aí, dude - ouvi Eric falar, fazendo meu coração dar pulos dentro do meu peito. Ah, mas que lindo, era tudo que eu precisava, que se aproximasse assim. Obrigada Eric, me lembre de te dar uns tapas mais tarde.
Vi de longe, dar um sorriso amarelo, enquanto minha tia olhava para mim e eu a fitava, entortando a boca.
- Olá, pessoal! – disse, e sua voz rouca fez os cabelos da minha nuca arrepiarem. Bosta de instinto.
- Oi, querido, como você está? - Eleonor disse animada, dando um beijo estalado em sua bochecha.
- Estou ótimo Ele, e você? – perguntou sorrindo, me fazendo respirar fundo. Devo comentar que o sorriso de ganha dos sorrisos do Eric?
- Estou ótima também, não te vi pela manhã, dormiu até tarde? – respirei fundo. Não é por nada, mas eu tenho a impressão de que alguma coisa estava errada, não sei se é pelo fato de ter e Eric sóbrios no mesmo recinto que eu - também sóbria -, ou se por que eu estava perdendo alguma coisa importante, que era escondida pelo meu cérebro sóbrio.
- Espera, vocês... Vocês se conhecem? – Eric perguntou, e eu e nos olhamos no mesmo instante. Merda, o que eu estava esquecendo?
- Claro que sim. é o nosso vizinho da frente – titia disse, e meu coração acelerou. Mas que porra, cérebro, me ajude!
- Mas... – Eric olhou de para mim. – Vocês disseram que não se conheciam! – e foi então que eu tive um 'remember':
- Vocês já se conhecem? – Eric perguntou de repente, e fiquei sem saber o que fazer, olhando para , o vendo engolir seco.
- Não! - falou rapidamente, me fazendo respirar aliviada e olhar para Eric.
- Ela sabe seu nome - ele apontou de mim para , e acabei rolando os olhos.
- Você gritou o nome dele quando o viu - falei, respirar aliviado.
(...)
- - Não sei como não se conhecem, ela é do mesmo prédio que você! – assim que ouvi isso, fingi que estava engasgada, apenas para distrair Eric do assunto. Não sei por que, mas não queria que ele soubesse que eu e , somos vizinhos.
- Ah cara, sabe como é, não queríamos ser deselegantes contigo – disse, me tirando do meu transe, e ainda assim, Eric ainda me encarava, como se quisesse ouvir alguma coisa de mim. Mas poxa, o que eu poderia dizer? Tipo: "Oi Eric, não te falei nada sobre ser vizinha do porque eu dou uns pegas nele há uns tempos. E foi graças a um pega mal sucedido que eu te conheci, e não queria que você ficasse sabendo disso". Não dava para simplesmente falar isso para ele, pô!
Olhei para Eric, que estava me fitando, e eu não sabia o que fazer, estava me sentindo entre a cruz e a espada.
- Vocês podiam ter me dito, não teria problema nenhum, e não teriam sido – ele então olhou para , me fazendo olhar também – deselegantes, como você disse, – fitou-o, e a mim também. Eu não sabia mais para onde olhar, então apenas mirei meu tênis, que dessa vez, hm, estavam limpos, que estranho.
- Ér, o papo está ótimo, meninos, mas eu tenho que voltar ao trabalho, e a também. Então, se nos dão licença... – titia deu um beijo em e dois em Eric, e saiu de perto, me mandando ir logo. Eu concordei.
- É... a gente se fala depois? - perguntei, temendo a resposta, porque nunca vi Eric com o rosto tão estranho.
- Pode ser, ainda vou ficar um pouco aqui – ele disse, demorando a tirar os olhos de . Logo depois, olhando para mim, passou a mão no meu rosto. – Eu te aviso quando estiver indo, quero... botar o papo em dia com o – engoli seco, e dei um sorriso amarelo para ele.
- Ok, eu... estarei aqui... qualquer coisa – ai, , que coisa mais óbvia, né, minha filha.
Ele sorriu e abaixou o rosto na direção do meu, selando nossos lábios, me fazendo fechar os olhos no mesmo instante. O quê? Eu? Provocando o ? Imagina, querida!
's POV On
Ah dude, fala sério, cada coisa que eu sou obrigado a presenciar. Virei o rosto quando vi beijando Eric, isso me dá náuseas, na boa. E o que eu podia fazer a respeito? Absolutamente nada, pois ela estava com ele, no fim das contas. Não é por que a gente se beijou ontem, enquanto estávamos mais bêbados do que qualquer outra coisa, que hoje ela largaria o Eric. Não, definitivamente, ela não faria isso, essa não é a .
Eles se separaram, vi um sorrindo para o outro, e fiquei esperando que se afastasse para que eu pudesse ir embora, mas quando ela o fez, Eric disse.
- Senta aí, , precisamos conversar – pronto, que merda vem agora? Olhei para ele e sorri torto, fitando ao longe, que me encarava. Pedi um café, e ela, assim que entendeu, concordou com um aceno de cabeça. Quando me sentei, Eric começou. – E então, como vai o McFLY?
- Vai bem, estamos terminando de arrumar umas coisas para o encerramento da turnê, e aí vamos entrar em férias finalmente – disse, entrelaçando os meus dedos em cima da mesa, enquanto a expressão do cara sentado à minha frente era diferente da habitual.
- Sei. E aí, depois das férias, vão gravar outro CD? – tornou a perguntar.
- Ainda não sei, eu e os caras ainda não conversamos sobre isso – disse, cortando logo o assunto.
- E as mulheres, , pegando muitas? – Eric perguntou assim que parou na nossa mesa, trazendo o meu café. Olhei para ela, que me olhou de volta. O que eu iria responder? Ele entenderia se eu dissesse que meu coração passou a bater mais rápido por uma garota seis anos mais nova que eu, que estava nesse momento me servindo um café, depois de tê-lo beijado. E que na noite anterior, era a mim que ela estava beijando, mesmo que não estivesse sóbria para entender as coisas que fazia... será que ele aguentaria ouvir que estou apaixonado por - até então - sua garota?
- Estou sozinho, por enquanto. Depois da última, decidi ficar sozinho por um tempo – respondi, olhando de para Eric, que estava com o maxilar fechado, me encarando de uma forma estranha.
- Sei como é... – ele olhou para , que o fitou, e logo saiu, voltando para o balcão. Abaixei minha cabeça, e respirei fundo.
- ... - Eric me chamou, e olhei para ele. – O que rola ou rolou, entre você e a ? – meu sangue bombeou rápido, e eu senti meu coração acelerar, puta merda, que pergunta era aquela?
- Como assim, cara? Que pergunta é essa?
- Olha, , eu posso até ser mais novo que você, mas idiota eu não sou! Acha que eu não percebi o jeito que se olham? Que não achei estranho essa de não me contarem que são vizinhos, e de fingirem que nunca tinham se visto antes? Qual é cara, eu não nasci ontem! – fiquei o encarando, vendo que ele não estava brincando, e que estava meio bravo. Mas e aí, eu falo o quê agora? Fiquei o olhando, tentando bolar alguma coisa para dizer, mas nada parecia bom o suficiente para que ele acreditasse. Então optei por meias verdades.
- Olha, a é apenas minha vizinha, não rola nada entre a gente, acho que ficou um clima meio estranho porque nós não contamos que somos vizinhos, e para te falar a verdade, eu nem sei por que acabamos fazendo isso. Acho que é por que estávamos bêbados demais para contar alguma coisa, e acabou por isso mesmo. Mas nada de mais, cara.
- Olha, , até aí tudo bem, mas eu vi. Eu vi o modo como vocês se olham. Vi o modo como se olharam agora que te perguntei das mulheres. Vi o seu olhar para ela e vice-versa. Eu não sou idiota, cara!
- Eu sei que não é, mas é a mais pura verdade, dude, não rola nada entre a e eu!
Pelo menos não mais.
Ele ficou me olhando por um tempo e então, sua expressão suavizou.
- Pô velho, foi mal, é que... Eu gosto tanto dela, mas tanto, que eu tenho medo de que ela saia da minha vida do mesmo jeito que entrou, entende? – o fitei, e dei um sorriso de lado, tentando dizer alguma coisa, mas eu estava enjoado demais para sequer pensar em alguma coisa. Um dos caras que eu mais considerava estava apaixonado, pela garota que eu estava apaixonado. Tem como essa vida ser mais fodida?
's POV Off
Fiquei olhando, de longe, Eric e conversarem, sentindo meu coração apertar. O que estava acontecendo na minha vida? O meu vizinho era integrante de uma banda de sucesso no Reino Unido, e em diversos lugares do mundo; era lindo, maravilhoso, idiota, mas ainda assim, maravilhoso; com os olhos mais incríveis que eu já vi em toda a minha vida; com um beijo que simplesmente me fazia esquecer do lugar onde eu estava; e que por acaso, é amigo do cara que eu estou ficando, que também é lindo e maravilhoso, mas não consegue despertar dentro de mim as mesmas sensações que o conseguia. Ah, que ótimo!
- , se concentra! – Pierre, o outro balconista, gritou para mim.
- O que foi? – perguntei irritada.
- Telefone para você, lá na sala dos funcionários! – ele disse e eu suspirei, o agradecendo.
Olhei de longe para e Eric. Parecia que os dois estavam conversando calmamente, então me senti melhor para ir até a sala. Cheguei lá e a ligação era de Camilla, querendo saber como eu estava, e por mais que fosse errado ela me ligar em pleno serviço, senti uma alegria imensa em meu peito, em saber que mesmo longe, ela não esquecia de mim. Fiquei no mínimo uns quinze minutos ao telefone, e pedi que me ligasse depois no celular, porque eu tinha que trabalhar. Ela concordou, e eu desliguei, voltando para o balcão. Cheguei lá, e vi Eric sozinho novamente, batucando com a chave do carro na mesa, de leve. Me aproximei dele, com a maior felicidade do mundo. Primeiro, minha melhor amiga me ligou. E segundo, não estava mais aqui, me importunando.
Passei meus braços em volta do seu pescoço, por trás, beijando de leve sua bochecha, sorrindo. O vi sorrir também, e segurar em meus braços, depositando um beijo fraco em uma de minhas mãos, em forma de carinho.
- Diz para mim que você não vai me abandonar? - ele pediu, parecendo uma súplica. Meu sorriso se desmanchou sem querer, confusa com a pergunta. Demorei um pouco para responder, e ele me olhou, me virando para ele.
- E-eu não vou te abandonar - falei, gaguejando, mesmo não querendo. Ele aproximou seu rosto do meu, passando uma de suas mãos entre minha bochecha.
- Mesmo? Eu... - parou um pouco, com a cabeça baixa, mas logo voltou a me encarar. - Fiquei com um pouco de ciúme - disse, e eu sorri comigo mesma.
- Ciúme do quê? - fingi não entender, lhe dando um selinho. Own, ele gostava mesmo tanto assim de mim?
- - disse, coçando a cabeça. - Achei que vocês tivessem alguma coisa, ou sei lá - falou e eu congelei. E o que será que o havia dito? E se ele disse que sim? Acho que não, né?! - Que vocês estivessem me escondendo alguma coisa... alguma outra coisa – fiquei olhando para ele e sentei na mesa, ao seu lado, tentando encontrar algo para dizer, mas eu não sabia o quê. Eu estava nessa situação por culpa própria. É, minha, porque ao mesmo tempo que eu sentia essas coisas pelo Eric, sentia pelo . E eu sou egoísta demais para escolher um só. Não posso fazer isso com ele, por mais que seja incrível, que me entorpeça, que me deixe assim sem saber o que fazer. E ainda mais quando ele me olha assim, com essa carinha fofa, fico sem saber o que fazer. Droga!
- Nós não estamos escondendo nada, eu juro para você! – mentirosa, mentirosa, mentirosa.
Ele olhou para mim e deu um meio sorriso, esticando as mãos. As segurei, sentindo uma coisa estranha dentro do meu estômago.
- Quer jantar comigo? Hoje à noite? – perguntou, me pegando de surpresa.
- Eu não sei, tenho que ver com a minha tia se ela me libera.
- Eu já perguntei – disse, sorrindo para mim. – Passo na sua casa às oito, pode ser? – cara, se você conhece alguém mais incrível do que ele, me apresenta, porque eu simplesmente não consigo acreditar nisso! Concordei com um aceno de cabeça, e então ele me beijou, me fazendo esquecer de todas as demais coisas à minha volta, menos .
- Você está linda! – titia disse, enquanto eu me olhava no espelho.
- Obrigada. Acha mesmo que está bom, não está exagerado, nem nada do tipo? – perguntei, ainda me olhando, vendo-a caminhar até a ponta da minha cama, e se sentar. Eu usava um vestido tomara que caia preto, com uma fita rosa prendendo abaixo dos meus seios; meus cabelos estavam soltos e ondulados, caindo sobre o meu busto; meu sapato era um scarpin rosa bebê, como a da cor da fita; e minha maquiagem, simples como sempre.
- Exagerada, meu amor? Que isso, poxa, você consegue estar perfeita na simplicidade, e luxuosa nos mínimos detalhes! – disse, sorrindo para mim, me fazendo sorrir de volta, me virando para ela.
- Estou nervosa, não sei por que, mas estou! – assumi. Eu não deveria estar assim tão nervosa, mas o fato é que eu estava com um pressentimento sobre a noite de hoje, e isso não me deixava muito à vontade.
- Está nervosa porque é uma boba, porque irá ficar tudo bem, você vai ver! – assim que ela terminou de dizer, meu celular apitou, avisando que tinha uma mensagem. Como sempre, era de Eric: "I’m here, my dear xx"
- É ele... – peguei minha bolsa, colocando o celular dentro dela. Olhei para titia, que estava com Yan no colo. Os dois estavam me olhando, e eu acabei sorrindo por isso. – O que foi?
- Olha, você realmente gosta desse garoto, mas seus olhos não brilham como quando você estava perto ou falando sobre o – ela disse, fazendo meu coração apertar e disparar de repente. Por que ela tinha que falar dele bem agora? Justo agora, quando eu estava me sentindo ansiosa para aquele jantar? Que coisa!
- Tia, por favor, será que a gente poderia não falar nele. Eu não quero estragar a minha noite pensando nisso – falei, olhando para baixo, vendo meus pés, que olha só, dessa vez estavam cobertos por um sapato. Nada de tênis encardidos essa noite.
- Você gosta dele, ! - ela tornou a dizer, agora se levantando, segurando nos meus braços.
- Não faça isso comigo, não essa noite, tia, por favor, não essa noite... – falei com a voz mais baixa, sentindo meu peito queimar. Ela então soltou meus braços e eu caminhei para fora daquele apartamento o mais rápido que pude.
Assim que entrei no elevador, respirei fundo, olhando para o espelho, tentando mudar minha expressão, que estava muito angustiada. Mas que diabos Eleonor, por que você tinha que dizer essas coisas justo hoje, por quê? Minha vida já está de ponta cabeça demais para alguém querer me jogar do penhasco ou da Tower Bridge, pô. Tudo que minha tia me disse não era nada do que eu não sabia, porém eram coisas que eu não queria escutar para não ter fixo na minha cabeça, mas parece que ela fez questão de dizer, só para eu me torturar mais um pouquinho. Incrível, cara, parece que quando cai uma gota, em seguida, desencadeia uma tempestade, como isso pode ser possível? São só dois. Dois caras: um que eu estou completamente apaixonada, mas que é um idiota, mulherengo e que sai pegando qualquer rabo de saia que encontra pela frente; já o outro, está morrendo de medo de me perder, é lindo, fofo, toca violão, me trata de um jeito incrível, mas não faz meu coração bater em um ritmo descompassado como faz. Ô vida!
Assim que o elevador se abriu, sai sentindo uma brisa quente tocar meu rosto, novamente me fazendo respirar fundo. Caminhei até Eric, sorrindo, recebendo outro sorriso em resposta. O que quer que seja, vou fazer dessa noite a mais incrível desde que cheguei a Londres.
- Meu Deus do céu, cada vez que te vejo, você consegue estar ainda mais linda! – ele disse depois de nos beijarmos, com a voz rouca, no pé do meu ouvido.
- Agradeço, nobre senhor, é gentileza de sua parte! – sorri, ouvindo-o rindo, depositando um beijo no meu lóbulo, fazendo meu corpo estremecer.
- Então, sem delongas, vamos? – disse, enquanto eu olhava para o carro prateado.
- Uma BMW? Mas cadê o Porshe? – perguntei, dando a volta para entrar no lado esquerdo, o lado dos passageiros. Confesso que ainda me confundo às vezes.
- Anthony me pediu emprestado, então trocamos de carro durante essa noite, algo errado com isso? - questionou, parecendo realmente preocupado, me fazendo rir.
- De jeito nenhum, é que o Porshe tem mais a sua cara – disse, sorrindo, vendo-o sorrir de volta enquanto entrava no carro.
Segurei a porta, e por instinto, olhei para cima, querendo ver meu apartamento, mas... me surpreendi ao ver, de longe, a silhueta do meu vizinho, me fitando. Fiquei um tempo olhando para ele, sentindo meu coração acelerar levemente, estremecida com o fato de que ele estava me encarando.
- Vamos, ? – ouvi Eric perguntar, me acordando de meus devaneios. Mordi meu lábio, engoli seco e entrei no carro, querendo logo que saísse de meus pensamentos.
Eric me levou a um incrível restaurante - para variar - luxuoso, assim como tudo que envolvia sua família. Mesa reservada para dois, champagne, velas, talheres de prata, louças de porcelana detalhada, taças de um cristal tão fino, que eu tinha medo de encostar a boca e quebrá-las. Na minha frente, um garoto incrível, vestido com um sapato social preto, calça social da mesma cor, uma camisa branca, com os dois primeiros botões abertos, me olhando de uma forma incrivelmente sexy. Desde o primeiro momento em que beijei Eric naquela noite, senti meus hormônios gritando dentro de mim, mas depois de quase duas horas, sentada em uma mesa com ele, era tortura não poder tocá-lo nem por um segundo. Não que a noite não tenha sido incrível, pelo contrário, ela foi maravilhosa, conversamos sobre tudo, deliberadamente. Ele me contou sua primeira vez, assim como eu. Ele me contou quantas namorou, e eu lhe contei sobre meu único namoro fracassado. Contamos tudo, ou, de minha parte, quase tudo. Teve até certos momentos em que tínhamos que nos controlar, porque ríamos tão abertamente que recebemos uns olhares tortos das pessoas que estavam no restaurante conosco, mas o que podíamos fazer? Estávamos felizes, juntos, e pelo menos, era aquilo que nos importava naquele momento. Então, quando ele pediu a conta, percebi meus hormônios gritando novamente. Quando fomos embora, e estávamos no caminho, Eric disse.
- Está cedo ainda – olhei no relógio do carro, que marcava 22h30.
- Sim, está!- concordei com ele, o olhando.
- Quer... Quer ir até meu apartamento? - perguntou, e foi quando meu cérebro começou a trabalhar juntamente com meu corpo. Aquele pedido poderia significar muito mais do que apenas uma visita. – Eu te levo para casa depois – tornou a dizer assim que paramos no farol. Não sei se por causa das inúmeras taças de champagne que tomei, ou se por que realmente estava querendo esquecer de tudo, mas eu estava sim com vontade de ir para o seu apartamento. Queria ficar com ele, sem nada nos impedindo, sem me preocupar com minha tia, com Yan, com e qualquer coisa do tipo. Tudo que eu queria, era ele naquele momento, e nada iria me tirar isso, não naquela noite.
- Claro, por que não? – sorri de lado, mordendo o lábio em seguida, tentando parecer sexy, o que deve ter funcionado, pois Eric se arrumou no banco do motorista, e concordou, correndo com o carro assim que o sinal abriu, o que nos fez chegar ao lugar em menos de cinco minutos.
Ele estacionou na garagem, e pegamos o elevador.
- Não repara não, mas meu apartamento nem se compara com a casa dos meus pais – disse, enquanto estávamos abraçados.
- Eu não me importo com o tamanho do seu apartamento, Brant - sorri, e ele sorriu junto.
- Você nunca me chamou pelo sobrenome antes – colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha, me fazendo sorrir.
- Tem muitas coisas que ainda não tive oportunidade de fazer, Eric - disse, e me surpreendi com a minha própria cara de pau. O garoto à minha frente engoliu seco, e eu sorri quando a porta do elevador abriu, fazendo com que ele me puxasse para fora do mesmo.
Assim que ele abriu a porta do apartamento, entrei, vendo sua sala. Linda, arrumada e tão masculina! Os tons de preto predominavam, juntamente com o cinza e o branco, o que deixava aquele lugar magnífico. Logo ao lado, a cozinha, toda branquinha, que eu tinha medo de sujar qualquer coisa por ali. Mais adiante, uma sacada incrível, que dava para a vista de Londres, mas que não era tão incrível como a minha. Olhei para trás e vi Eric encostado na parede, perto da porta.
- Está tudo bem? – perguntei, vendo-o olhar para mim em seguida.
- Sim, está - ficamos um tempo nos encarando, e eu pude sentir o clima tenso que se formava naquele lugar. Juro que eu estava tentando controlar todos os meus hormônios para não arrancar aquela camisa do seu corpo, de uma vez por todas. – Ér, vem, eu quero te mostrar meu estúdio – disse, me puxando para um corredor que ficava ao lado da cozinha. E então, ele abriu uma porta de madeira, me revelando o lugar. As paredes estavam cobertas por fotos, para todos os lados. Eu sorri, vendo a variedade que tinha ali: shows, pessoas, praças, crianças, cachorros, pássaros, pessoas, instrumentos, pessoas, crianças, ruas, Big Ben, London Eye, e iam se repetindo, porém, nenhuma parecia como as outras, eram sempre de modos diferentes, com pessoas e animais diferentes. Tinha um mini sofá encostado em uma das paredes, e um varal com várias fotos atravessava o meio do estúdio. Uau, como alguém tinha tanto tempo para tirar tantas fotos, e como ele conseguiu fazer tudo ficar tão diferente desse jeito? Só ele mesmo.
Ouvi seus passos se aproximarem, e ele então envolveu minha cintura, me fazendo fechar os olhos e encostar minha cabeça em seu ombro.
- E então? – ele sussurrou em meu ouvido, me fazendo arrepiar dos pés a cabeça. Droga, hormônios, me deixem em paz, por favor.
- É incrível. Realmente, você é um ótimo fotógrafo! Não tenho nem palavras – disse, enquanto me virava de frente para ele. Ficamos nos olhando e aquela sensação voltou a predominar meu corpo, fazendo meu coração acelerar no mesmo instante. Ele levantou a mão e colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha, e em seguida falou.
- Acho que palavras não são necessárias agora... – e no segundo seguinte, seus lábios estavam grudados aos meus.
A partir daí, as coisas aconteceram rápido demais. Seus toques em minha pele, o modo como ele me deitou em sua cama, a forma como seus lábios beijavam a pele do meu busto e como eu puxava seus cabelos, o fazendo urrar vez ou outra. O jeito que eu arranhei suas costas quando senti seus lábios beijando um de meus mamilos, o modo como me faltou ar quando consegui deslizar minhas mãos pelo seu tronco, o fazendo apertar seu membro sobre mim, me deixando ainda mais fora de controle. A forma como em poucos segundos senti sua pele quente em contato com a minha, fazendo minha respiração e as batidas do meu coração descompassarem, e aqueles sentimentos de desejo e luxúria crescerem dentro do meu peito.
Quando percebi, estava gemendo alto em seu ouvido, e ele se movimentava cada vez com mais precisão sobre mim, enquanto eu tentava respirar. Quando senti que já tinha atingido meu máximo, cravei minhas unhas em seu ombro, sentindo-o chegar ao seu máximo, instantes depois.
Ele deitou ao meu lado, e ficamos quietos durantes uns minutos, até ele me puxar para perto e me fazer deitar a cabeça sobre seu peito.
Fiquei ouvindo as batidas do seu coração, tentando assimilar tudo que tinha acontecido naqueles minutos, e só de relembrar, minha pele se arrepiava, afinal, foi intenso.
Olhei para sua cômoda, ao lado da cama. Continha um relógio, e respirei fundo vendo que faltavam dois minutos para a meia noite.
- O que foi? – Eric sussurrou baixinho e de forma rouca em meu ouvido, me fazendo olhar para ele.
- Tenho que ir para casa, amanhã eu trabalho - mordi meu lábio quando o vi fazer cara de triste. Ficamos um tempo nos encarando, até ele me dar um selinho demorado, enquanto acariciava minha nuca.
- Eu queria que ficasse! – ele sussurrou, com a boca grudada na minha, me fazendo sorrir e morder seu lábio, enquanto me ajeitava em seu peito, ficando um pouco mais para cima. Acariciei sua bochecha, e sussurrei.
- Eu queria ficar, mas tenho um compromisso com o trabalho, tenho que estar às sete na cafeteria, e eu não quero te arrancar cedo da cama só pelo fato de que eu tenho que ir trabalhar – ele olhou para mim assim que afastei nossos lábios, e suspirou, ficando um tempo calado. Por fim, acabou dizendo.
- Ok, não quero encrencas com a sua tia. Vamos, vamos nos vestir e eu te deixo em casa - e depois de um beijo um tanto quanto demorado, foi o que acabamos fazendo.
Me troquei sob seus olhares, o que volta e meia me deixava completamente sem graça. No elevador, mesmo com câmeras, acabamos nos beijando, e quando entramos no carro, e em cada semáforo fechado que pegávamos, até a hora em que desci do veículo.
Fui caminhando para o elevador, sorrindo, porém algo dentro do meu peito ardia, e eu não sabia dizer o que era.
Entrei no elevador e me encostei na parede, após apertar o botão do meu andar. Fechei os olhos e respirei fundo, tentando entender o que estava errado comigo, eu não tinha por que estar daquela forma, tinha? O elevador parou e eu saí, indo em direção ao apartamento, e quando entrei, estava tudo escuro. Fechei a porta silenciosamente e fui para o meu quarto. Tranquei minha porta, tirei os sapatos, joguei a bolsa em cima da cama, e fui para o banheiro com o pijama em mãos. Enquanto tomava um banho, a sensação de que algo estava errado crescia no meu peito, e eu podia sentir como se um buraco estivesse crescendo dentro de mim, mas eu não sabia o que o causava, ou por que ele estava ali, e enquanto sentia as gotas de água no meu corpo, notava meu coração batendo de forma estranha, me deixando agoniada. Algo estava estranhamente errado. Me vesti e voltei para o quarto, terminando de escovar os cabelos. Olhei para a porta da sacada, e meu coração deu um pulo: ela estava aberta. Fiquei um tempo encarando-a, sentindo meu coração bater aceleradamente de novo, fazendo minhas mãos suarem e causando tremedeira. Mas ainda assim, tomei coragem, joguei a escova na cama, e caminhei até ela, e quando entrei na sacada, dei de cara com , me olhando, com os olhos vermelhos.
- Dessa vez ele usou camisinha? – ele sussurrou, com a voz rouca, carregada, fazendo meu corpo todo arrepiar. E como eu não sabia o que responder, apenas fiquei o olhando, sem saber o que fazer. – Me diz, isso te fez feliz? Te fez melhor? – tornou a dizer, fazendo aquele buraco dentro de mim arder de forma agonizante. Meus olhos lacrimejaram, me fazendo arfar. – Diz para mim que agora a gente pode parar com isso de ignorarmos um ao outro - ele sussurrou, e eu acabei suspirando, enquanto abaixava a cabeça. O que diabos estava acontecendo comigo? O que diabos estava acontecendo com ele paradizeressas coisas?
Caminhei, indo para trás, encostando minhas costas na parede.
- Não é da sua conta o que eu faço ou deixo de fazer, lembra? – perguntei e levantei o rosto, tomando um susto quando o vi em minha sacada, próximo a mim. Ele levantou a mão e tocou meu pescoço, me fazendo arrepiar.
- Eu queria que isso fosse verdade. Pelo menos queria não me importar com as coisas que você faz ou deixa de fazer, porém eu me importo, e muito, e de uma forma ou de outra, eu sempre acabo querendo estar perto de você, te tocando... - sussurrou com os lábios próximos dos meus, fazendo meu corpo gritar, gemer, ter pequenas explosões, entretanto eu sabia que algo não estava certo, e assim que senti os lábios quentes de tocando meu lóbulo, me lembrei o que era: Eric.
- Eu transei com ele, – falei, sentindo meu corpo protestar. se afastou, e me encarou.
- Tran-transou com ele? - sussurrou, me fazendo confirmar com a cabeça. Seus olhos me fitavam de uma forma que eu não podia ler, e eu estava começando a entrar em desespero por isso. Mas meu desespero só aumentou quando ele concordou com a cabeça, e se afastou de mim, pulando sua sacada de volta.
Eu tentei controlar minhas lágrimas, que estavam se acumulando, e querendo esconder isso, fui para o meu quarto, porém, antes de eu conseguir fechar a porta, apareceu e disse.
- Não vou ficar para sempre correndo atrás de você, é a ultima vez que te incomodo desse jeito – e então, se afastou de mim e pulou novamente para sua sacada, me fazendo fechar a porta da minha.
Caminhei até minha escrivaninha, peguei o caderninho McFLY e escrevi, sentindo as lágrimas embaçarem minha visão:
"Ai, meu Deus, eu o amo."
Capítulo 12
A partir daí as semanas começaram a passar de forma rápida, porém angustiante. E eu sentia aquele buraco no meu estômago cada vez mais incômodo dentro de mim. Eu o ignorava constantemente, e tentava levar uma vida tranquila.
Eric havia me pedido em namoro dois dias depois da nossa primeira vez juntos, e ele tinha se mostrado um namorado exemplar, atencioso, muito carinhoso e zeloso, cuidava de mim de uma forma incrível, e eu adorava os momentos em que estávamos juntos, pois eram os únicos em que conseguia ignorar completamente o buraco no meu interior.
Eleonor começou a sair com mais frequência, o que eu achei bem interessante. Ddesde que eu havia chegado a Londres, nunca a tinha visto saindo desse jeito, e por isso não me surpreendi nada quando ela um dia chegou em casa com um cara chamado Fred, que era dono de uma Starbucks, entenderam? Pois é, titia acabou namorando com o cara que ela tinha reuniões. Esperta, não?
vez ou outra me ligava e ficávamos horas seguidas no telefone, o que acabou me rendendo a amizade da namorada dele, Giovanna, e vez ou outra ela ia até a cafeteria conversar comigo. Teve até um final de semana que o McFLY foi fazer uma viagem, ela acabou me chamando para ir à sua casa, e eu fui. Podem imaginar que depois disso ganhei uma amiga, não é? É, era bom ter alguém por perto para poder conversar.
A Camilla tinha passado a me ligar todos os dias, o que era ótimo; a distância era muito cruel e eu tinha a impressão de que cada dia sentia mais saudade dela e de Felipe. Falando nele, aquele desgarrado, só via por MSN mesmo. E bom, para o meu desespero, estava cumprindo sua promessa. Ele sempre me trava friamente. Quando nos víamos, meu buraco ardia de um jeito desesperador, e eu tinha a impressão de que cada vez que ele me olhava e eu via seu olhar vazio, o buraco me engolia ainda mais.
Quando dei por mim, eu estava há uma semana para fazer um ano que morava em Londres. Eu decididamente tentava me concentrar no meu trabalho – limpar o balcão da CoffeenBook –, e como em todos os dias nos últimos meses, estava tentando mais do que nunca ignorar aquele buraco instalado dentro de mim. Ouvi o sininho da porta principal da cafeteria fazer barulho e sorri ao ver meu namorado entrando por ali.
- Tenho uma proposta para te fazer! – ele disse depois de se apoiar no balcão e me dar um selinho. O olhei e respirei fundo, uma das melhores partes do meu dia era quando Eric estava por perto, parecia que as coisas à minha volta ficavam mais suportáveis.
- Hm, você é cheio das propostas, Eric! – falei rindo, enquanto começava a limpar os cardápios.
- Mas essa proposta é muito boa para você! – disse de uma forma tão alegre que acabou chamando minha atenção, me fazendo parar um pouco o que fazia para lhe dar atenção. Concordei com a cabeça, dizendo a ele que poderia continuar a falar. – Bom, eu estava andando na rua ontem, saindo do estúdio de fotografia, e eu encontrei uma escola. A construção era antiga e acabou chamando a minha atenção, e quando fui pedir autorização para poder tirar algumas fotos, descobri isso – me entregou um folheto. Quando eu o li, senti um arrepio passando pela minha coluna. – É uma escola de música, , a mais conceituada de Londres, e eles estão fazendo audições para quem quer bolsa de estudos, aí eu pensei que essa seria uma chance que você não poderia desperdiçar!
No folheto estava escrito "Audições para bolsa de estudos". Também estava escrito as modalidades de música; o endereço da escola; a data das audições, que para a minha surpresa, seriam no dia seguinte. Fiquei um tempo encarando o folheto sem saber o que fazer, eu estava com o meu sonho nas mãos, e sequer sabia o que fazer.
– Eu sei que posso ter sido intrometido, mas eu te inscrevi para a audição das seis e meia da tarde, de amanhã – olhei para ele e senti um sorriso crescer involuntariamente em meu rosto. - Eu achei que você ia colocar muitos empecilhos, então, te dei uma mãozinha, a única coisa que você terá que fazer agora é pedir a autorização da sua tia, e ir até lá amanhã, no horário – fiquei quieta, olhando para ele, vendo aqueles glóbulos verdes me fitando, com uma ansiedade absurda pela resposta, mas o que eu poderia dizer? Ele simplesmente foi perfeito nos mínimos detalhes, e eu não saberia nunca como agradecê-lo. Eu dei a volta no balcão, parei à sua frente e o abracei, dando um dos abraços mais sinceros que já dei em toda a minha vida.
- Obrigada, muito, muito, muito obrigada mesmo! – foi a única coisa que consegui dizer, dentre todas as coisas, era isso que eu precisava dizer.
- Que isso, amor, não tem que agradecer nada, só... faça acontecer! – me afastei dele sorrindo, lhe dando um selinho demorado. Ele apertou minha cintura, me fazendo rir baixinho.
- Eu estou no meu local de trabalho, Eric! – disse e ele resmungou, fazendo bico e se afastando de mim em seguida, me fazendo voltar para trás do balcão.
Enquanto eu ia fazendo algumas coisas, fiquei conversando com ele, que me contava das fotos que havia tirado no dia anterior. Eu adoro o modo como ele fala, é sempre tão animado, tão contagiante, que eu me pego vez ou outra rindo, e isso acaba me fazendo um bem danado, consigo esquecer a saudade que sinto do Brasil, da saudade imensa que sinto da minha mãe, mas principalmente, da saudade que tenho do . Mas como nem tudo é perfeito, volta e meia, eu acabo encontrando com no meio do meu caminho, como agora. Olhei para a porta e vi , , e , entrando com mais dois senhores. Mas eu não ligava, pois meus olhos ficaram grudados na figura de , que para variar, estava tão lindo que me fazia até esquecer de como é que se respirava. Eles se sentaram em uma mesa de canto, pois estava meio cheio e não haviam muitos lugares. Para a minha "felicidade", eu seria obrigada a atendê-los. Eric parou seu olhar neles também, me fazendo desviar o meu rapidamente. Ele acenou para os garotos e se virou para mim.
- Vamos até lá – disse, se virando de volta para mim e me puxando pela mão delicadamente. Mas é claro que eu tenho que ir, não tem outra escolha.
- E aí, galera! – Eric cumprimentou todos com aqueles toques de homem, enquanto se levantava para me dar um beijo estalado na bochecha. Porém, para a minha desgraça completa, Eric se sentou logo ao lado de , ótimo não? Realmente, muito bom.
- O que vocês vão querer? – perguntei, depois de sorrir para eles.
's POV On
Entrei na cafeteria junto com os caras, e para variar, meus olhos encontraram com os dela, que estava conversando alegremente com Eric, como sempre. Isso estava ficando ridículo. Fomos para uma mesa mais ao canto e nos sentamos, poucos segundos depois, Eric acenou para nós, falou alguma coisa com e a puxou na nossa direção.
- E aí, galera! – ele cumprimentou a todos nós, e vi dar um beijo na bochecha de , arrancando um sorriso lindo dela, me dando uma inveja danada, mas me surpreendi ao ver Eric se sentando justamente ao meu lado. Tanto lugar para ele sentar...
- O que vocês vão querer? – ouvi perguntar, sorrindo. "Você, eu só quero você", pensei mas não disse nada, é claro. Tentei pensar em alguma coisa e da forma mais grosseira que pude, disse.
- Não quero nada – todos me olharam, surpresos com meu tom de voz, mas logo tratei de ignorá-los, e eles fizeram o mesmo, logo fazendo seus pedidos. Muito bom, , seja mais grosseiro e todos vão desconfiar. Ela assentiu, anotando os pedidos e saiu de perto, nos deixando sozinhos.
- E então, como estão os Marty McFLY? – perguntou Eric, e todos o olharam, começando com falando. É, seria uma longa manhã.
- Aqui está o de vocês – chegou de repente, assim que tinha terminado de falar.
- Vem cá, amor! Fica aqui com a gente! – Eric a chamou e ela sorriu, balançando a cabeça de forma fofa. Certo, pareci uma bicha falando assim.
- Não posso, eu tenho que voltar ao trabalho, Eric - passou a mão nos cabelos dele, me fazendo revirar os olhos. – Bom, vocês querem mais alguma coisa?
"Eu já disse que só quero você."
- Eu acho que vou querer um salgado, o que você me sugere, Brazilian Girl? – perguntou depois de abaixar o cardápio, arrancando risadas de todos na mesa, menos de mim, é claro.
- Hm, definitivamente o folhado de quatro queijos. Titia trouxe essa semana, é uma delícia! – ela sorria, com os olhos brilhando. Ah, que saudade desses olhos olhando apenas para mim.
- Então me traga um desses, sim? – falou, e logo , Fletch, Jason e pediram um para eles também.
- Ok – ela disse e saiu rindo, me dando a liberdade de conseguir controlar meu coração e respirar normalmente.
A situação estava tensa, o expediente de era até o horário de almoço, então assim que ele acabou, saímos todos juntos da cafeteria, mas Fletch e Jason seguiram para a gravadora, deixando apenas nós, e Eric. Ficamos conversando na entrada de nosso prédio. Os dois pombinhos ficaram se agarrando o tempo todo, e por um momento me peguei olhando fixamente para ela, que ria de alguma coisa que dizia. Eu nem sequer prestava atenção, e foi quando ela finalmente olhou para mim, só para mim. No começo pareceu meio constrangida por eu a olhar sem mover um músculo sequer, depois apenas correspondeu meu olhar, haviam coisas subentendidas ali, eu sei que sim. Mas, o que eu estava fazendo secando a namorada do meu amigo? Eu não tenho mais nada com ela, nem nunca quis! É, isso aí! Ok, , você não é bom mentindo para si próprio.
Ela me encarou, parecendo também parar de ouvir o que dizia. Quando percebi, havia alguém me cutucando.
- Não é verdade, ? – me perguntou e eu acordei, vendo todos me olhando e esperando uma resposta. Acabei desviando o olhar de .
- Erm... É, é verdade sim – concordei, chutando. Deveria ser verdade mesmo, sei lá.
- Não, não é verdade, você estava lá, , sabe que eu não fiz nada disso! - disse, tentando se defender de algo. Continuei sem entender.
- Não, ele comprovou. Diga, , é verdade! – disse e vi gargalhar, segurando em seus joelhos de tanto rir. Quê?
- Está em que mundo, ? – ouvi Eric perguntar e meu coração deu um salto.
's POV Off
Todos nós olhávamos para , quando o fez uma pergunta que eu não consegui entender o que era, não estava prestando atenção nisso, exatamente. Antes disso, eu ria de algo que dizia – que eu nem mesmo me lembro mais o que era -, e percebi que alguém estava me olhando. Quando eu vi quem era, meus olhos pareceram não querer mais desgrudar dele. Era , e ele me encarava de uma forma muito constrangedora, que me fazia querer sair dali, mas eu não conseguia. Me assustei com os meninos e com desviando seus olhos dos meus, me fazendo apertar o braço de Eric, que estava em volta do meu pescoço, de lado. Apenas me senti mais lúcida quando ouvi concordando com alguma coisa que fez com que todos caíssem na risada, mas definitivamente era o mais engraçado.
- Está em que mundo, ? – ouvi Eric perguntar e me apertar um pouco mais em seu corpo. Para evitar mais constrangimento, continuei olhando para , que estava tentando parar de rir, vendo a cara de ódio que mandava para ele.
- Sei lá, cara! – respondeu e eu olhei para ele. Ele fitou o céu, coçando a nuca, respirando fundo. Engoli seco, vendo seu bíceps e tríceps me dando um 'oi' e fazendo com que eu tivesse um pensamento muito, mais muito malicioso mesmo, principalmente quando um raio de sol fez os olhos dele brilharem. Ah, pai!
Senti um beijo de Eric no topo da minha cabeça e eu sorri para ele, até que um celular começou a tocar e vi atendê-lo.
- Oi, amor! Não, não sei não... Não, eu estou com os caras na frente do prédio da e do . Sim, eu mando um beijo para ela - sorri para ele e falei baixinho "mande outro!" - Ela acaba de te mandar outro beijo, amor. Tudo bem, já estou indo para aí então. Beijo para você também. Tchau, amor! – e desligou. – , ela disse que você a deve uma visita!
- Vixi, devo mesmo, diga a ela que eu irei assim que puder respirar e fugir da Coffeenbook! - sorri e ele concordou.
- Bom, eu tenho que ir gente, a Giovanna quer ir comprar um presente para sua mãe, que vai vir aqui visitar a gente semana que vem. E de acordo com ela, eu já estou atrasado! - ele riu e todos nós acabamos rindo.
- Mulheres... só mudam de endereço! – resmungou.
- Ei, eu estou aqui e sou uma mulher, sabia? – apontei o dedo para , que fez uma cara engraçada.
- Jura, amiga, nem tinha reparado! - ele fez uma voz de traveco, arrancando mais risadas de todos ali, inclusive de . Milagre!
- Olha, foi muito bom zoar com vocês, mas eu realmente preciso ir! E o negócio do era verdade! – ele disse depois de dar um toque com e Eric, posteriormente me dando um beijo no topo da testa.
- Ah, vai se fod...
- Olha, se xingar, papai não dá carona! – interrompeu , e eu ri com a cara que ambos fizeram.
- Vai ficar aí? – perguntou, olhando para Eric e ele assentiu.
sorriu e nos deu tchau também, seguindo e , que já tinham nos cumprimentado e saído andando. Olhei para Eric, desviando meu olhar para , que respirou fundo, com a mão no bolso. Nos entreolhamos e Eric deu um passo para frente, dando dois tapinhas de fraco em minha cintura, para eu andar em direção ao apartamento, ignorando completamente , que ficou parado sem saber o que fazer. Segui em frente e entramos no hall. Em seguida, no elevador. Até aí, já não sei mais para onde iria. Subimos e Eric foi o caminho todo em silêncio, entrando no apartamento com cara fechada. Atrás dele, fechei a porta, confusa.
- Pode me dizer o que você tem? – perguntei, me sentando no sofá e cruzando as pernas em posição de índio.
- Pode me dizer o que você e realmente tem ou tiveram? – disse de forma rude. Gelei, respirei fundo, engolindo em seco e abaixei a cabeça, encarando o tapete da sala, como se ele me interessasse. Olhar para Eric agora seria o fim do mundo. – Vocês já ficaram alguma vez? – perguntou, enquanto permanecia de pé.
- Eu não acredito que você voltou com isso! – falei, voltando a olhá-lo, tentando mudar um pouco o clima.
- Não me enrola, , me responde! – fiquei sustentando seu olhar, tentando pensar no que eu iria dizer. Afinal, o que eu iria mesmo dizer? – Responde, não minta para mim, por favor - ele disse em um tom mais baixo, fazendo eu me sentir a pior pessoa do mundo.
- Ok, nós... nós tivemos algo sim! – acabei dizendo, olhando para o chão, para a mesinha de centro, para o Yan, para a tudo, menos para ele.
- Foi antes ou depois de nós nos conhecermos? – ele tornou a perguntar.
- Antes... – respondi baixinho. Ah, , conte a verdade logo!
- Menos mal! – ele disse. Sua voz ainda brava. Ah, pai!
- E depois também... – falei bem baixinho e o olhei. Seus olhos me fitavam de um jeito que eu não compreendia. A essa altura, eu já tentava segurar o choro.
- Nós estávamos namorando? – perguntou, cortando o silêncio que havia se instalado, e eu neguei com a cabeça.
- Foi antes – respondi, brincando com as minhas mãos.
Voltou o silêncio.
- Só? – ele voltou a falar e eu tornei a olhar para o chão. Assenti e ele bufou.
- Tem mais alguma coisa que eu não sei? – ah, e agora? – Se tiver, é melhor falar agora! – assenti. – O quê?
- Senta, por favor – pedi.
- Fala! – disse de forma estúpida.
- Fiquei com ele, quando já estávamos ficando sério – falei rapidamente, colocando as mãos no meu rosto, apoiando os cotovelos na perna. Silêncio. Silêncio. E uma porta batendo. Ele havia ido embora, droga.
- Oi – ouvi uma voz vinda do meu lado, na sacada, e me virei, com os olhos marejados.
- Oi – respondi sorrindo fraquinho. olhou assustado para mim, e se apoiou no murinho que separava nossas sacadas, se aproximando.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou, parecendo preocupado. Neguei, me virando para frente. – Fala!
- Por que quer saber? Você mal fala comigo agora! - me virei, olhando para ele.
- Só estou preocupado – disse, e assim que eu ia retrucar, o celular dele tocou. Ele o tirou do bolso.
- Alô? E aí, Anthony? – nossa que coincidência, aproveita e pergunta como o Eric está? Mal, com certeza, porcaria. – Não, então, nem falei com ela ainda – ele riu e meu peito apertou. Ela? No feminino? Uma mulher? Ah, , você não muda. – Aham, falo sim, relaxa – parou de rir. – Hoje? Claro, claro. Beleza, mas... Ah, ok. Às 20h. Beleza, falou – e desligou. Ele ficou um tempo olhando para o celular e eu respirei fundo, voltando a olhar para Londres. Ah, Londres, quantas coisas novas você trouxe para a minha vida...
- Erm, desculpa, eu tenho que sair. Depois, ér.... se você quiser, me conta o que houve, 'ta bem? – disse.
Assenti para ele, o olhando então. Ficamos nos olhando por um tempo, reparei no peito dele subindo e descendo, e se não me engano, o meu estava na mesma situação. Eu queria muito que ele pulasse sacada adentro e me abraçasse, queria que ele pudesse me dar um beijo e dizer que eu não sou o monstro que estou me sentindo por amá-lo e magoar Eric do jeito que sei que estou fazendo. Mas queria ser menos monstro por amar tanto , e não conseguir sentir o mesmo por Eric. Então, respirou fundo e abaixou a cabeça. Segundos depois, voltando a olhar para mim, dando um sorriso murcho, entrando de volta no seu quarto. Respirei fundo, muito fundo, tentando controlar as lágrimas que estavam invadindo meus olhos, mas foi em vão. Comecei a senti-las banhando meu rosto, e eu sequer tinha força para controlá-las. Enxuguei meu rosto e entrei em meu quarto, decidida a ir tomar um banho, precisava relaxar, eu sentia meu corpo muito tenso, e me incomodava com esse fato. Senti a água caindo sobre meu corpo, relaxando meus músculos, molhando meu cabelo, me fazendo fechar os olhos. A única coisa que eu conseguia pensar era no modo que Eric saiu do meu apartamento, e como ele estaria naquele momento.
- Querida, cheguei! – titia bateu na porta do banheiro.
- Ok, tia! – resmunguei. Suspirei e senti meus olhos – mesmo fechados - tornarem a marejar. Sabe que, mesmo que eu realmente não ame Eric nem um terço do que amo o , não quer dizer que eu não sinta nada por ele, muito pelo contrário, eu o amo, mas de uma forma diferente. Ele faz com que eu me sinta especial, ele pára para me ouvir quando eu preciso, ele me abraça nos momentos certos, e me faz esquecer ... às vezes.
Desliguei o chuveiro meia hora depois, me enxuguei e enrolei a toalha no meu corpo. Caminhei até o espelho embaçado, passei a mão nele para que eu me visse, e me assustei ao ver meus olhos bem vermelhos. Peguei o creme para pentear e passei nos cabelos, o penteando em seguida, vendo que meu cabelo passava do meu busto. Realmente, está comprido. Saí do banheiro em seguida. Me assustei quando me deparei com Eric sentado em minha cama, olhando para o chão.
- Eric? – o chamei, fazendo com que ele olhasse para mim. Vi seu olhar vasculhar todo o meu corpo, parando quando entrou em contato com meus olhos. – O que está fazendo aqui? – ele se levantou, caminhou até a porta do meu quarto, a fechou passada a chave, depois caminhou lentamente até mim, me fazendo sentir meu coração disparar. Ele tocou em meu braço, o acariciando enquanto falava.
- Eu fui um idiota, um ciumento idiota, e eu vim aqui te pedir desculpa – huh?
- Não, Eric, quem te deve desculpas sou eu, que deveria ter te contado tudo desde o começo! – coloquei uma mão em sua nuca, o fazendo olhar para mim.
- Não, você não me deve satisfação sobre o seu passado, porque se você ficou com ele antes de namorarmos, eu não tenho nada a ver com isso, porque você só devia fidelidade a mim a partir do momento em que aceitou ser a minha namorada. Eu não deveria ter ficado daquele jeito com você, me desculpe – fiquei paralisada, apenas ouvindo o que ele dizia. Depois digo que esse garoto é incrível, ninguém acredita!
- Me desculpa, amor! – ele disse novamente, fazendo bico. Ah, golpe baixo! Sorri para ele e o puxei para um abraço, apertado e sincero. Logo ele se afastou e ficou olhando no fundo dos meus olhos, e segundos depois senti os lábios dele tocando nos meus, me fazendo arrepiar. Ele percebeu, pois envolveu rapidamente seus braços em volta da minha cintura, e me puxou para mais perto, terminando de grudar completamente nossos lábios em um beijo calmo e caloroso. Dei passagem para a sua língua, sentindo sua mão passar de minha cintura para o laço feito por mim na toalha. Disfarçadamente a soltou, deixando a mesma cair, ainda sem parar o beijo. Com meus braços em volta de seu pescoço, passei delicadamente meus dedos por sua nuca, vendo-o se arrepiar, sorrindo entre o beijo. Lá íamos nós de novo.
Eric passou a noite comigo, já que titia iria passar a noite com Frederic, seu namorado. Fizemos de tudo: assistimos filmes abraçados; jogamos uma partida de "Guittar Hero", mas ele desistiu quando perdeu para mim; ficamos nos amassos; e bom, vocês podem imaginar o que mais. Logo cedo ele me acordou, me lembrando que eu tinha uma audição para fazer, e que por isso tinha que ir mais cedo à cafeteria.
Tomamos café juntos depois do meu banho, e ele acabou me levando até o trabalho, onde eu tive um dia para lá de agitado. As quartas feiras eram sempre as mais agitadas, nunca entendi muito bem o porquê disso.
Hoje, o buraco maligno dentro de mim estava camuflado pela ansiedade na qual eu me encontrava. A cada hora que se passava, parecia que meu coração ia sair pela boca. Quando deu 16h, Eleonor me liberou. Fui para casa e tomei um bom banho. Saí do banheiro e senti um vento muito forte dominar meu quarto. Droga, eu tinha pedido para Eric não abrir a porta da sacada! Fui até lá para fechá-la e ouvi um barulho vindo do lado de fora. Olhei e vi pegando o celular do chão, levantando rapidamente. Respirei fundo, sentindo o buraco arder. Quando percebi, estava parada apenas de toalha, com dois glóbulos à minha frente, me fitando, paralisados.
- Oi – disse envergonhada. Ele assentiu como cumprimento, mas não falou nada. – Erm... Você 'ta... bem? – perguntei, abrindo um sorriso fraco. E não é que o frio passou? Impressionante!
- 'To – respondeu seco, e eu fiquei sem reação. Por que diabos ele está me tratando assim agora? E por que eu queria tanto falar com ele agora? Abri a boca querendo dizer alguma coisa, mas acabei desistindo. Virei-me, e ele me chamou, me fazendo parar de frente para a porta da minha sacada.
- E você? Como está o namoro? Vi Eric saindo com você hoje de manhã – ah, aí está minha resposta do motivo dele estar me tratando assim. Ele colocou o celular no bolso, deixando suas mãos dentro dos bolsos da calça jeans que usava.
- Eu estou bem, e o namoro está... bem também - respondi séria, e ele assentiu. Ele se virou, indo para o quarto, quando pouco mais de cinco minutos em silêncio se passaram.
- Espera, . Vamos ficar assim quanto tempo mais, fingindo que somos dois estranhos um para o outro? – perguntei, o impedindo de entrar em seu quarto. Ele voltou, se virando para mim, e bufou, revirando os olhos, se aproximando do murinho das nossas sacadas.
- Foi uma escolha sua, tem que arcar com ela! – engoli seco, respirando fundo.
- Nós podíamos pelo menos sermos amigos, !
Ele pulou para dentro da minha sacada, depois que eu disse isso, parando bem na minha frente. Depois que eu dei um passo para trás. Ele chegou ainda mais perto, e eu não me movi, não mexi um músculo sequer, e eu não sei explicar, mas quando o corpo dele se aproximou, o buraco amenizou o ardor de uma forma incrível.
ficou olhando nos meus olhos e senti minha espinha gelar. Senti falta daqueles olhos, olhando daquele jeito para mim. O olhar que eu sonhei assim que cheguei a Londres.
- Você acha mesmo que depois que eu toquei você... – colocou uma mão em meu braço e a outra em minha cintura. – Que eu tive seu corpo perto demais do meu... – puxou meu corpo para perto do dele, fazendo-os se encostarem e meu coração disparar. - Depois que eu provei o gosto da sua pele... – sussurrou, encostando os lábios na curva do meu pescoço, fazendo minha pele se arrepiar inteira. – Depois de sentir seus lábios nos meus... – sussurrou com nossas bocas a milímetros uma da outra, e se eu me movesse um pouquinho, nossos lábios estariam grudados. Respirávamos forte e eu pude perceber que não estava sentindo o ardor do buraco. Ele havia sumido, completamente. – Acha mesmo, que depois de tudo isso, eu iria conseguir ser apenas um amigo seu, como ? Acha que eu iria me contentar com o fato de não poder beijar você, de não poder te tocar? – fechei meus olhos enquanto eu o ouvia falar, meu coração acelerado me deixava zonza e eu não sabia o que fazer.
- ... – sussurrei. E por estar segurando em seus braços, senti o mesmo se arrepiar depois que eu disse isso, o fazendo se encolher e afastastar.
- Olha, é melhor continuarmos afastados. Eu não consigo ficar longe de você, mas eu não posso ficar perto por causa do Eric. Não é justo com ele. Então, deixa como está, , por favor – quando ele terminou de dizer isso, pulou para dentro de sua sacada, me deixando sozinha, na minha. Soltei meu ar com força, caminhei para dentro do meu quarto e fechei a porta da sacada. Parece que é muito mais seguro quando ela está fechada. Olhei para o relógio, que marcava exatamente 17h05. Apertei os olhos com força e sentei em minha cama, tornando a sentir o buraco com força total. Comecei a chorar quando levantei para me trocar. Eu passei a entender o que era aquele buraco: ele só era completamente amenizado, sem dor nenhuma em mim, quando o preenchia.
Capítulo 13
- ? - a secretária perguntou, olhando para mim. Eu estava na escola de música há mais de trinta minutos, lendo "A Cabana", enquanto esperava.
- Sim - respondi a ela, fechando o livro.
- Já pode se dirigir ao auditório, estão esperando por você! - sorriu e eu concordei. Me levantei e caminhei até a porta que estava escrito - obviamente - "Auditório". Meu coração disparava a cada passo que eu dava depois de ter ultrapassado aquela porta, pois tudo estava escuro e eu não fazia ideia de onde estava, até que uma luz forte acendeu no meu rosto, me deixando assustada. E cega, devo dizer.
- Senhorita... ? - ouvi alguém dizer, sem conseguir pronunciar meu sobrenome de forma correta. Tentei olhar mais à frente, vendo três pessoas sentadas em uma bancada. Ah sim, quando me situei, eu estava exatamente no centro do palco do auditório. Me virei na direção dos jurados, vendo que perto de onde eu estava, havia um "X" marcado no piso de madeira. Então, caminhei um pouco, parando em cima dele. Olhei para os três, mais à frente, e sorri.
- Sim, sou eu - percebi que eram dois homens e uma mulher. Ou melhor, um homem, uma biba e uma mulher.
- Está pronta para começar, querida? - a mulher perguntou, sorridente. Coloquei minha bolsa no chão.
- Estou sim, senhora! - todos riram, e o gay falou, se apoiando na mesa, cruzando as mãos embaixo do queixo.
- Pode começar então.
Respirei fundo. Ok, aqui estou eu, com a chance da minha vida na minha garganta, e então, hm, é isso.
- A nossa banda irá acompanha-lá - o homem tornou a dizer, apontando para a minha esquerda, onde eu vi dois garotos com guitarra, um baixista, um contra-baixista, uma garota na bateria, e outra no teclado. Sorri para eles, que sorriram de volta.
- Agora sim, pode começar - o gay disse. Sério, é horrível chamá-lo assim, mas não sei o nome dele, então...
- Essa se chama "Addicted" - eu disse, e a mulher sorriu para mim.
Os primeiros acordes da música começaram a tocar, e eu respirei fundo. Chegou a sua hora, !
It's like you're a drug
(É como se você fosse uma droga)
It's like you're a demon I can't face down
(É como se você fosse um demônio que eu não consigo encarar)
It's like I'm stuck
(É como se eu estivesse presa)
It's like I'm running from you all the time
(É como se eu estivesse fugindo de você o tempo todo)
And I know I let you have all the power
(E eu sei que eu deixo você ter todo o poder)
It's like the only company I seek
(É como se a única companhia que eu procuro)
Is a misery all around
(Fosse miséria por todos os cantos)
It's like you're a leach
(É como se você fosse um sanguessuga)
Sucking the life from me
(Sugando a minha vida)
It's like I can't breathe
(É como se eu não pudesse respirar)
Without you inside of me
(Sem você dentro de mim)
And I know I let you have all the power
E eu sei que eu deixo você ter todo o poder)
And I realize I'm never gonna quit you over time
(E eu percebi que eu nunca vou te esquecer, mesmo que o tempo passe)
Eu sentia como se cada pedaço daquela letra estivesse saindo da minha alma, pois eu não tinha escolhido essa música por acaso, mas sim por ser o único meio de eu tirar de dentro de mim todos os meus sentimentos mais obscuros.
E para mim, não havia nada melhor do que extravasar cantando, e era isso que eu estava fazendo.
De uma forma diferente, estava cantando para , sem ele saber e presenciar. Os únicos que presenciavam eram os jurados à minha frente. E a banda. Mas até aí, eles não sabem pelo que eu estou passando. Estou desabafando com estranhos enquanto canto.
It's like I can't breathe
(É como se não pudesse respirar)
It's like I can't see anything
(É como se eu não pudesse ver nada)
Nothing but you
(Nada além de você)
I'm addicted to you
(Eu estou viciada em você)
It's like I can't think
(É como se eu não conseguisse pensar)
Without you interrupting me
(Sem você me interromper)
In my thoughts
(Nos meus pensamentos)
In my dreams
(Nos meus sonhos)
You've taken over me
(Você tomou conta de mim)
It's like I'm not me
(É como se eu não fosse mais eu)
It's like I'm not me
(É como se eu não fosse mais eu)
Respirei fundo depois de cantar essa parte da música. Eu queria chorar, eu precisava chorar, mas não podia.
Olhei para os jurados, analisando suas reações, mas eles são profissionais, e estavam com aparência de serenidade. Tirando a biba, que estava com os olhos fechados.
It's like I'm lost
(É como se eu estivesse perdida)
It's like I'm giving up slowly
(É como se e estivesse desistindo devagar)
It's like you're a ghost
(É como se você fosse um fantasma)
That's haunting me
(Me assombrando)
Leave me alone
(Deixe-me em paz)
And I know theses voices in
(E eu sei que essas vozes na)
My head are mine alone
(Minha cabeça são só minhas)
And I know I'll never change my ways
(E eu sei que eu nunca vou mudar o meu jeito)
If I don't give up you now
(Se eu não desistir de você agora)
It's like I can't breathe
(É como se não pudesse respirar)
It's like I can't see anything
(É como se eu não pudesse ver nada)
Nothing but you
(Nada além de você)
I'm addicted to you
(Eu estou viciada em você)
It's like I can't think
(É como se eu não conseguisse pensar)
Without you interrupting me
(Sem você me interromper)
In my thoughts
(Nos meus pensamentos)
In my dreams
(Nos meus sonhos)
You've taken over me
(Você tomou conta de mim)
It's like I'm not me
(É como se eu não fosse mais eu)
It's like I'm not me
(É como se eu não fosse mais eu)
Caminhei no palco quando comecei a cantar essa parte da música, expondo meus sentimentos com a minha presença de palco. Se tem algo muito importante em uma cantora, é a sua presença de palco, e isso, foi algo que minha mãe me ensinou a ter desde minha primeira apresentação.
Lembrar da minha mãe me fez ter mais força ainda. Mesmo que ela não estivesse ali, eu queria que se orgulhasse de sua filha, e eu iria dar o melhor de mim para que isso viesse a acontecer, afinal, eu sou , e quando eu quero uma coisa, eu não desisto. Nunca.!
I'm hooked on you
(Eu estou viciada em você)
I need a fix, I can't take it
(Eu preciso de uma dose, eu não aguento isso)
Just one more hit
(Só mais uma dose)
I promise I can deal with it
( Eu prometo que eu posso lidar com isso)
I'll handle it, quit it
(Eu vou aguentar, acabe com isso)
Just one more time, then that's it
(Só mais uma vez, depois é isso)
Just a little bit more to get me through this
(Só um pouco mais para eu superar isso)
Fechei meus olhos para cantar essa parte da música, sentindo as batidas da canção invadindo minha alma, percorrendo minhas veias, bombeando meu coração. Isso que eu chamo de viver a música.
It's like I can't breathe
(É como se não pudesse respirar)
It's like I can't see anything
(É como se eu não pudesse ver nada)
Nothing but you
(Nada além de você)
I'm addicted to you
(Eu estou viciada em você)
It's like I can't think
(É como se eu não conseguisse pensar)
Without you interrupting me
(Sem você me interromper)
In my thoughts
(Nos meus pensamentos)
In my dreams
(Nos meus sonhos)
You've taken over me
(Você tomou conta de mim)
It's like I'm not me
(É como se eu não fosse mais eu)
It's like I'm not me
(É como se eu não fosse mais eu)
Terminei de cantar e abri meus olhos, respirando fundo. Olhei para a banda, agradecendo, e me virei para os jurados. Vi os três à minha frente, me encarando. A mulher estava com um sorriso de orelha a orelha; o homem me olhava com os olhos brilhando e arregalados; o gay estava com os olhos arregalados, brilhando com a boca aberta, sorrindo de orelha a orelha.
- Meu-Deus-do-céu - o gay falou, rindo.
- Senhorita, se me permite perguntar, onde esteve esse tempo todo que não lhe tínhamos encontrado? - o homem perguntou, me fazendo rir e sentir minhas bochechas esquentarem.
- Eu? Estava em casa... - falei, fazendo todos rirem.
- Meus sinceros parabéns, querida, você é realmente uma excelente cantora! - a mulher falou, sorrindo ainda.
- Sem contar na sua presença de palco, minha Nossa Senhora, me ilumine assim! - o gay falou e eu senti meus olhos marejarem.
- Obrigada, muito obrigada - agradeci, tentando controlar minha emoção. Essa foi para a senhora, mamãe.
- Bom, querida, obrigada pelo show particular, entraremos em contato contigo assim que possível! - a mulher falou, e eu sorri para ela, que acenou com a cabeça.
- Ok. Novamente, obrigada - peguei minha bolsa do chão e caminhei, indo para trás. - Tchau! - acenei para eles, que sorriram.
- Tchaaau! - o gay falou de forma mais engraçada.
Caminhei para fora do auditório com um sorriso quase rasgando meu rosto. Caminhei pelos corredores da escola sentindo meu corpo formigando de alegria. E uma hora dessas, as lágrimas sutilmente embaçavam minha visão, e molhavam meu rosto, mas eu não estava nem aí, eu estava morrendo de alegria, e era isso que me importava, de verdade.
Quando cheguei à rua, sequei meu rosto, sentindo o vento tocando minha face. Então, consegui respirar direito.
"Eu preciso ligar para o Eric", pensei. Peguei meu celular e vi que tinha uma mensagem, justamente dele.
"Amor, assim que puder, liga para mim. Te amo, xx E.". Sorri e liguei.
- ? - ele perguntou, dois toques depois.
- Oi, amor, pediu para eu te ligar, o que foi? - perguntei, caminhando até a estação de metro.
- É, pedi sim, é que... aconteceu um imprevisto e eu vou ter que ir viajar com meu pai, vou ficar fora até segunda feira. Você aguenta quatro dias sem mim? - disse, e eu respirei fundo. Com Eric fora por quatro dias, como eu faria para amenizar a ardência do buraco?
- Ah, vai ser estranho, mas, eu vou tentar - falei, me sentindo nervosa, voltando a sentir o buraco. Desde que havíamos começado a namorar, o máximo que ficamos separados foram dois dias, porque ele teve que trabalhar em Liverpool.
- Vai passar rápido, amor. E qualquer coisa eu estou na Itália, é só você pegar o trem, você sabe disso! - disse. Sua voz foi quase abafada por um apito, supus que ele estivesse na estação ainda. Como se eu fosse mesmo pegar um trem, né? Oi, ainda trabalho e eu não sou rica não. - Bom, eu tenho que ir agora, meu trem já está saindo.
- 'Ta bom, amor. A gente se vê em quatro dias - falei, descendo as escadas da estação.
- Eu te amo - ele sussurrou, me fazendo suspirar.
- Também te amo, Eric - e desligamos.
Cheguei em casa e acendi as luzes enquanto tirava os fones de ouvido. Yan, que estava dormindo no sofá, acordou assustado, me fazendo rir.
- Tia? - perguntei alto enquanto passava a mão em Yan. Nenhuma resposta. - Eleonor? - questionei ainda mais alto. Silêncio. Olhei para o cachorro e ri. - Ela ainda não voltou da casa do Fred, não é? - ele lambeu minha mão e depois latiu para o telefone. Olhei para o aparelho, que estava com uma luz vermelha piscando, indicando que havia mensagem. Apertei o botão e a secretária eletrônica disse que havia uma mensagem.
- , querida, sou eu. Olha, eu vou dormir novamente na casa do Frederic. Comporte-se, jante alguma coisa. E qualquer problema, tem dinheiro na minha cômoda. Se cuide, e amanhã no trabalho me conte como foi na escola de música. Eu te amo - ouvi a voz de Fred ao fundo. - E o Fred está mandando um beijo. Tchau, querida - e então a secretaria começou a dar as opções para apagar, salvar e blábláblá. Apaguei a mensagem, e olhei para Yan.
- Você é mais esperto do que eu imaginava, pulguento - ele latiu e eu ri, indo para o meu quarto.
Joguei minha bolsa na cadeira da escrivaninha. Eu teria uma noite inteira sozinha, que milagre!
Tomei uma ducha rápida e coloquei uma camisola, estava realmente calor, muito calor. Liguei para a pizzaria, pedindo uma pizza toscana, e só de imaginar o gosto dela, meu estômago revirou, eu estava faminta. Abri as janelas de vidro da varanda da sala, sentindo a brisa tocando minha pele, me fazendo suspirar. Eu estava feliz, mas, por uma razão misteriosa, a ardência no buraco me deixava ansiosa. Fiquei olhando a vista, tentando entender o que acontecia dentro de mim. Eric estava viajando, Eleonor estava fora, e então, o que era que estava errado? Fechei meus olhos, sentindo o buraco dentro de mim arder, e um pensamento passou em minha cabeça. Não, não, eu não ia fazer aquilo. Meu buraco pediu para ser preenchido, pedia que eu fosse até e acabasse com aquela dor maldita, mas eu não ia fazer isso. Eu tinha o Eric, não podia fazer isso com ele. Podia? Não, por Deus, ! A campainha tocou, me assustando por me tirar da minha luta interna, e eu suspirei, caminhando até a porta, lembrando que era o entregador da pizza.
- Olá, Austin - cumprimentei-o. E sim, de tanto que eu peço pizzas, eu conheci o entregador.
- E aí, , está entregue uma pizza toscana! - ele me entregou a caixa, e eu lhe dei o dinheiro. - Valeu! - falou, fechando a mochila onde ficam as pizzas.
- Eu que agradeço - disse, e ao tentar fechar a porta, Yan saiu correndo para fora do apartamento. - YAN, VOLTA AQUI! - gritei. Quando ia correr atrás do pulguento, vi o que não esperava. As portas do elevador se abriram, e saiu dele, lindo, maravilhoso. Ele usava uma skinny de lavagem escura, uma camisa social cinza, com os três primeiros botões abertos, com as mangas dobradas até o cotovelo, e com um Vans preto. Ele pegou Yan no colo e olhou para mim, fazendo meu coração disparar e o buraco arder fortemente, me deixando tonta e sem ar. Ele veio até mim e ficou me olhando por um tempo, sem nada dizer, até que ele entrou no meu apartamento, com Yan ainda em seu colo. Pulguento maldito! Acabei entrando no apartamento também, indo direto para a cozinha, colocar a caixa da pizza na mesa.
Olhei para a minha mão assim que coloquei a caixa, e vi que ela estava muito vermelha e quente, por isso fui até a pia e joguei água nela, sentindo o calor aliviar. O que está acontecendo comigo? Cadê a dor na mão? Eu deveria estar com a mão doendo, não devia? Parece até que eu estava anestesiada. Tirando, é claro, pelo buraco que estava fervendo, implorando para ser mesmo preenchido, isso é ridículo. Me virei, dando de cara com . Ah pai, se ele fosse mais feinho seria mais fácil de resistir.
- Eleonor ainda não voltou? - ele perguntou, com a voz rouca, fazendo meu braço arrepiar e eu escondê-lo atrás do corpo.
- Não, ela vai dormir com o Fred de novo - respondi. Ele se encostou ao batente da porta, e eu olhei para o chão, para tentar me controlar.
- Vem, vamos lá para casa - ele simplesmente disse, pegando a caixa da pizza nas mãos, logo depois saindo do meu campo de visão.
Fechei a porta do meu apartamento e caminhei lentamente até o dele, fechando a porta em seguida. O apartamento era exatamente como o meu, mas com um toque bem mais masculino; a mobília era escura, assim como as cortinas e os poucos objetos de decoração. Fechei a porta e apareceu novamente. Yan, que o seguia, foi para o sofá, se deitando ali. Ele olhou para mim e eu cerrei os olhos para ele, que apenas virou a cara e fechou os olhos. Bufei e fui para a varanda da sala de , que estava aberta.
Esse cachorro, não sei não, eu acho que ele recebeu ordens da Eleonor para me ferrar.
Olhei para a vista dali, era ainda mais linda que a minha. Mas a quem eu estava querendo enganar? Eu não estava dando a mínima para a vista, eu estava sim era tentando me distrair dos milhares de pensamentos e vontades que eu estava naquele momento. Isso sim!
- ... - chamou e eu me virei, vendo-o parado ao lado da mesa de jantar. Era isso, era agora ou nunca. Fui andando até ele lentamente e parei à sua frente, fazendo com que ele me olhasse nos olhos. Isso era tudo que eu queria, e o que eu precisava. Levantei minha mão e toquei seu rosto, o fazendo fechar os olhos. Ele, por sua vez, levantou a mão também e tocou a minha, que estava em seu rosto, beijando a palma da minha. Me aproximei mais dele, que colocou a outra mão em minha cintura, enquanto abria os olhos.
- Senti sua falta - ele sussurrou, fazendo meu coração acelerar.
- Não mais do que eu senti a sua! - falei baixinho e uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Ele tirou a mão que estava sobre a minha e delicadamente secou a lágrima, depois levou a mão até minha nuca, puxando meu rosto devagar para perto do dele. Suspirei profundamente quando o senti beijar minha testa, depois a ponta do meu nariz. Ficamos nos encarando e percebi que ele não sabia mais o que fazer. Então, eu fiz o que mais queria. Fui com o rosto mais para frente e encostei meus lábios nos dele. Ele novamente fechou os olhos, me fazendo fechar junto. Ele envolveu mais seu braço em volta da minha cintura, me agarrando com força. Passei meus braços em volta do seu pescoço, e intensifiquei o beijo, brincando um pouco com sua língua. Nossa, como eu precisava disso.
me levou lentamente até a parede, me prensando, colocando um de seus braços nela, se apoiando, me prendendo. E com a outra, apertou minha cintura, com força. Ele separou nossas bocas e me pegou no colo com rapidez, me levando para seu quarto. É agora que eu morro, com gosto.
Deixei meus braços ainda em volta do seu pescoço, enquanto ele me carregava. Me colocou na cama, e antes que ele pudesse deitar em cima de mim, me levantei rapidamente e o vi com cara de confuso. Sorri comigo mesma e fui até ele, o segurando pela camisa, jogando-o na cama, com força. Subi nela e engatinhei até ele, ainda sorrindo. O beijei novamente, dessa vez com mais ferocidade, enquanto ia abrindo os botões de sua camisa, mas parei o beijo, querendo analisar seu tronco. Qual é, eu tenho esse direito! Passei minhas unhas de baixo para cima, o vendo fechar os olhos e respirar fundo, fazendo um barulho sair de sua boca, como se ele estivesse sugando o ar. Sorri com isso.
Assim que cheguei à parte de cima do seu tronco, fiz com que sua camisa caísse de seus ombros. A joguei longe.
Dedilhei os seus ombros e apertei seu bíceps, sentindo meu corpo formigar. Desci minhas mãos para o cinto de sua calça. Ele, percebendo que eu estava no controle, segurou minhas mãos assim que eu tirei o cinto, trocando as nossas posições.
Deitou por cima de mim, e mordeu meu lábio inferior. Sorri e ele começou a beijar meu pescoço, devagar. Passava seus lábios por cada canto do mesmo. Me arrepiei e ele pareceu perceber, pois deu um pequeno sorriso de lado, enquanto passava lentamente sua língua na parte em que ele havia acabado de chupar. Eu só esperava não ficar com hematomas, mas quem liga para isso em uma hora dessas?
Fechei meus olhos e ergui minha cabeça para trás, enquanto sentia seus lábios descendo para o decote da camisola. Olhei de relance para ele, quando o vi parar de me beijar e descer engatinhando, até seus lábios encontrarem minhas coxas descobertas. Ele logo me olhou, apenas erguendo o olhar para mim, sem levantar a cabeça.
Começou a levantar minha camisola, parando-a na barra de minha calcinha. Ele mordiscou de leve minha virilha, me fazendo afastar as pernas em reflexo, mas por vontade própria levantei uma perna e passei por seu pescoço, deixando sua cabeça entre minhas coxas. soltou um riso malicioso baixo, mas não reagiu contra, e apenas voltou a beijar minha coxa, procurando meu pé com a mão. Assim que o achou, segurou-o e deslizou sua boca, do meu pé até minha virilha, dando algumas mordidas e lambidas pelo caminho de minha perna.
Parou com o rosto de frente à minha intimidade, e seus olhos percorreram o resto de meu corpo. Ele então levantou mais ainda minha camisola e passou a língua em seus lábios, mordendo o inferior em seguida, enquanto me olhava. Mostrou os dentes, me fazendo rir de leve, até que ele abaixou o rosto até minha calcinha. Lentamente, ele foi a retirando, a puxando com os dentes, e assim que chegou ao final, arrancou-a do meu pé com força, a jogando longe.
Voltou com seu trajeto de beijos até minha intimidade, e levantou uma sobrancelha quando viu que a camisola havia caído por cima dela. Ele então a levantou devagar, passando a mão de minha intimidade até a minha barriga. Fechei os olhos com força quando senti sua língua passando de minha intimidade, para minha virilha, até a minha coxa, enquanto massageava minha barriga. Me contorci, deixando minhas mãos presas no lençol da cama, que antes estava arrumada. Segurei com força, mas quando senti que eu estava mole demais, peguei em seus braços e o puxei para mim.
Ele acabou puxando minha camisola, tirando-a.
Já ofegante, o olhei, e assim que fui empurrá-lo para subir em cima dele, ele mostrou o indicador, movimentando negativamente, me dando um selinho. Ele tornou a beijar minha barriga, e foi a beijando até chegar aos meus seios. Ele travava uma luta com o fecho e eu ri, mostrando a ele que era na frente. O vi respirar fundo, e abrir o zíper da calça, que... Wow. Ele arrancou o sutiã com força, me fazendo gemer.
Rapidamente, passou sua língua por um de meus seios, enquanto massageava o outro. Passei a me contorcer um pouco. Segurando o lençol em uma mão; e a outra, presa em seus cabelos, puxando-o.
Ele então passou a mordiscar meus mamilos, me fazendo gemer e apertar os olhos com força.
Sem aguentar mais, puxei-o para cima, pelos cabelos, o beijando e dando chupões em seu lábio. Parei para respirar e finalmente consegui empurrá-lo para o lado na cama, e subir em cima dele, ficando no controle.
Apoiei um braço meu na cama, fazendo o mesmo com o joelho, ficando em uma posição confortável; para mim, claro. Comecei a passar a mão desde seu peitoral até chegar na barra de sua calça, e já que o zíper estava aberto, apenas tive o trabalho de abrir o botão e puxá-la para baixo. Feito isso, passei minhas mãos por suas pernas, subindo para suas coxas, e apertando uma de suas virilhas, o fazendo se remexer na cama, o que acabou fazendo com que um sorriso involuntário escapasse de mim. Eu gosto da ideia de deixá-lo assim.
Peguei no elástico de sua boxer e a arranquei, jogando-a contra a parede. Passei minha mão por cima de seu membro, e percebi um arrepio vindo de seu corpo, seguido de um gemido. Quando olhei, o vi pegando uma camisinha dentro de sua cômoda, me entregando em seguida, fazendo com que eu mordesse o lábio. Coloquei-a em seu membro, da forma mais lenta que consegui. Depois de abrir o pacotinho com os dentes, e perceber o modo como me olhou com ansiedade, aquilo se tornou ainda mais prazeroso. Pórem, assim que eu o fiz, me posicionei em cima de seu membro, segundos depois, o sentindo dentro de mim.
Joguei meu corpo suado sobre o dele, exausta. Nós dois respirávamos fundo e rapidamente, e eu conseguia sentir as batidas do seu coração aceleradas. Sorri com isso.
Não sei quanto tempo se passou exatamente, mas eu não queria me soltar dele, eu tinha medo de nunca mais poder estar ali com ele, de não sentir seu gosto outra vez, de não ter seus toques e nunca mais ouvi-lo gemendo meu nome. Eu preciso dele para conseguir viver.
- Está dormindo? - perguntou baixinho, colocando suavemente as pontas dos dedos na linha da minha coluna, me acariciando, e eu acabei arrepiando, arrancando uma risada gostosa dele. - Pelo visto não - aproveitei que eu estava com o rosto escondido em seu pescoço e dei uma mordida de leve nele, que se encolheu no mesmo minuto. - Sacanagem, ! - sussurrou, agora me abraçando com um pouco de força. Eu ri, levantando o rosto para olhá-lo.
- Quer dizer que eu posso me arrepiar e você não? - perguntei, passando meu polegar em sua bochecha.
- Claro, eu sou o mais velho! - disse, levantando a sobrancelha. Uh, sexy.
- Desculpa então "antes de Cristo"! - falei, revirando os olhos. Ele riu e trocou de posição comigo, me jogando na cama, prendendo minhas pernas com as dele.
- Sou mais velho, mas não precisa esculachar também, caralho - disse e eu acabei rindo.
Ficamos nos encarando depois que eu parei de rir, e eu percebi que meu coração começou a acelerar. Eu sorri, fazia tempo que ele não batia rápido de alegria. Toquei de novo o seu rosto, que fechou os olhos, sorrindo.
- Acho que eu nunca me senti assim antes, estou parecendo um bobo idiota! - ele disse, abrindo os olhos impactantes, e eu achei fofo quando senti sua bochecha esquentar.
- Um bobo idiota lindo, por sinal - eu disse, selando meus lábios nos dele.
- "Lindo" eu sei. Minhas fãs gritando e querendo tirar suas roupas para mim sempre me lembram disso! - disse, me fazendo rir alto. Sério que fãs fazem isso?
- Nossa, e a humildade, , cadê? - questionei e ele colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. Deus, faz tempo que eu não faço isso.
- Humildade é uma palavra que consta pouco no meu dicionário - sussurrou enquanto deslizava o nariz no meu pescoço, me fazendo suspirar. Puxei o seu rosto para mim, e o beijei. Um beijo calmo, sem pressa nenhuma, apenas curtindo aquele momento. Nossas línguas brincando, as mãos dele deslizando na lateral do meu corpo, e uma mordida finalizando o beijo.
- Onde estava indo hoje, depois daquilo na sacada? - ele me perguntou, um tempo depois. Estávamos sentados na cama, eu estava no meio de suas pernas, com a cabeça encostada no seu pescoço, enquanto ele passava a mão no meu cabelo e eu acariciava sua nuca.
- Fui a uma escola de música fazer uma audição para ganhar uma bolsa de estudos - disse e senti o seu coração acelerar de leve. Ele se mexeu, me fazendo virar de frente para ele.
- E aí? Como é que foi lá? - sua voz saiu animada enquanto ele sorria. Dei um selinho nele. Ah, poxa, não aguentei, ele foi fofinho demais.
- Ah, foi incrível! Eu cantei junto com a banda deles, e tinha três jurados. Eelo que parece, eles realmente gostaram de me ouvir cantar! - sorri abertamente, me lembrando dos comentários de cada um deles.
- E quando é que você vai saber a resposta? - tornou a perguntar, seus olhos estavam brilhando.
- Ainda não sei, eles ficaram de ligar... - mordi a pontinha da minha unha, ele me abraçou, e eu fiquei sem entender aquela reação dele.
- Estou feliz por você. Você é uma ótima cantora, aposto que irá conseguir! - sorri e dei um beijo em seu pescoço.
- Obrigada, .
Ficamos abraçados daquele jeito por um tempo, até que foi a minha vez de perguntar.
- E você? Onde estava que foi tão bonito? - me afastei dele, que sorriu para mim.
- McFLY foi a uma rádio, estamos lançando um CD novo e nosso novo single já sai semana que vem. Para isso, vamos a várias rádios para divulgar. Semana que vem vamos começar a ir em programas de televisão. Se me seguisse no Twitter, saberia disso! - ele falou de uma forma tão... pomposa, que eu pergunto onde é que cabe tanto ego.
- Hm, primeiro que nem tempo para Twitter eu tenho. Segundo, eu vou ganhar esse CD aí? - perguntei, fazendo charme, mas apenas consegui fazê-lo rir.
- Desde quando você gosta de McFLY? - riu, beijando a ponta do meu nariz enquanto entrelaçava nossas mãos.
- Desde que um dos integrantes roubou de vez meu coração! - falei sincera, pela primeira vez assim, tão de cara. No começo ele sorriu abertamente, mas de repente o sorriso murchou completamente. - O que foi, ? - passei uma das mãos em seu rosto, e ele a segurou volta.
- Eric - disse, e o pequeno sorriso que eu tinha em meu rosto desapareceu. - , não dá para ignorar esse fato. Ele é meu amigo e... - suspirou.
- Meu namorado - falei baixinho. Ficamos quietos por um tempo, eu olhava para as nossas mãos, tentando entender meus sentimentos. Eu sentia pena de Eric, remorso por ele, mas nada de culpa pelo que eu estava fazendo, muito pelo contrário, eu estava em êxtase. O buraco estava completamente preenchido, sem dor, sem latejar, sem queimar, nada. Era como se ele jamais tivesse existido.
- Ele está na Itália - eu disse, por fim. Fazendo com que ele me olhasse. - Viajou com o pai dele, vai ficar lá até segunda feira - ele engoliu saliva e ficou olhando para mim, sem dizer mais nada. Aquilo era horrível, céus. Eu não sabia o que fazer, eu sabia que considerava muito Eric, mas até aí, ficar assim comigo...
Olhei para baixo, sentindo meus olhos começarem a produzir lágrimas em excesso. O que era um problema para mim, escondê-las. Dependendo do que dissesse, seria difícil.
- Quer dizer que eu vou te ter toda para mim, só pra mim, por quatro dias? - disse de repente, me fazendo olhá-lo. Fiquei sem saber o que fazer, então apenas sorri abertamente e assenti.
- Toda e completamente, só para você! - afirmei, e recebi um sorriso com um beijo no meu pescoço em seguida. Ele deu um pequeno e leve chupão no mesmo, e eu senti um arrepio passando pelo meu corpo quando ele tornou a dizer. - Não quero pensar em mais nada nesses quatro dias que não seja nós dois, nossos corpos juntos, e nossas respirações entrecortadas nos próximos quatro dias. Certo? - tornou a chupar meu pescoço, me fazendo fechar os olhos, arfando, e apenas respondendo um "ahan" meio arrastado. - Ótimo, deixemos o peso na consciência para terça feira - disse com a voz mais rouca que o normal, carregada de luxúria. Esse é o meu . Segurei em seu cabelo, puxando-o com vontade, ouvindo gemer baixinho em meu ouvido. Uma mão dele foi para na minha cintura. Ele inclinou o corpo sobre o meu, me fazendo deitar na cama, deixando com que ele ficasse no meio de minhas pernas. Sua outra mão foi para a minha coxa, a apertando fortemente, me fazendo fechar os olhos novamente, com força.
- Só minha, completamente minha! - ele sussurrou com a voz rouca na parte atrás da minha orelha, me dando uma mordida no lóbulo em seguida, me deixando completamente extasiada. A partir dali, a noite foi muito quente, e olha que as roupas já não eram empecilhos. Se é que me entendem...
Acordei sozinha naquela manhã. Estava a não sei exatamente quanto tempo olhando dormir. Eu sabia que tinha que me levantar e ir trabalhar, mas olhar o corpo semi nu dele, coberto até a metade, vendo seu peito subindo e descendo conforme respirava, e na forma em que havia um pequeno sorriso estampado em seu rosto, estava me prendendo ali.
Fechei meus olhos com força e sorri. Aquela sensação era maravilhosa. Sem dor, sem ardência, apenas uma felicidade tomando cada pedaço do meu corpo, bombeando cada veia e fazendo meu coração bater de forma tão forte. Isso é o amor, definitivamente, é!
Abri meus olhos e não olhei para . Me coloquei de pé, eu sabia que se olhasse para ele seria difícil sair dali, e aí eu perderia meu emprego. Mesmo titia sendo minha chefe, eu não tinha moleza. Tudo bem que vez o outra ela me dava uma regalia, mas sempre tinha alguém pronto para me substituir, então, acho que o pessoal agradecia quando eu tinha alguma coisa para fazer; significava dinheiro entrando para eles. Mas para Eleonor não era assim, já que eu estava morando de favor, e não fazia mais nada em Londres, eu tinha a obrigação de trabalhar, e eu não acho que ela está errada... não, muito pelo contrário! Por isso mesmo eu sabia que tinha que me levantar e ir logo para o meu apartamento, me vestir.
Fui até a escrivaninha de , pegando seu bendito post-it, que ainda estava ali, e uma caneta. Escrevi: "Não, não fugi. Mas sabe como é, né? Eu não tenho uma banda super famosa para me sustentar e me dar dinheiro, então tenho que levantar cedo e ir para a CoffeenBook. Qualquer coisa acho que sabe onde me encontrar, afinal, eu vou te obrigar a me suportar nos próximos quatro dias. xx ".
Ok, eu precisei de três post-it para escrever isso, mas quem liga, o bloco não é meu mesmo...
Colei-os no abajur que fica do lado onde estava deitado, e depois de dar um selinho de leve nele, saí logo do quarto. Passei pela sala e vi Yan, ainda deitado no sofá. Mas é muito folgado mesmo.
- Pulguento! - gritei, sussurrando. Entenderam?
Ele olhou para mim, e eu chamei.
- Vem, você não é hospede não! - disse e ele acabou vindo comigo para o nosso apartamento. Nosso? Nosso o caramba, meu apartamento. Ou pior, apartamento da Eleonor! E ela me mataria se soubesse que eu deixei a porta destrancada. Ah, pai.
Fui para o meu quarto, tomando uma ducha rápida. Logo em seguida, me vesti. Me olhei no espelho e senti meus olhos se arregalarem do tamanho do mundo, quando meu olhar foi parar no meu pescoço. Tinha um roxo absurdamente grande na parte direita, e eu quis matar por isso. Eu sabia que ficariam hematomas!
Peguei meu corretivo e a base, e passei até que ele ficasse bem disfarçado. E só para disfarçar mais ainda, penteei meus cabelos e os joguei para frente, ficando por cima do pescoço e do roxo. Bem melhor!
Fui até minha escrivaninha, pegando minha bolsa da cadeira, e quando ia sair, meus olhos pararam na gaveta onde guardo meu caderninho McFLY. Mordi meu lábio, tentada a escrever, e como eu não tinha nada a perder, não resisti e o peguei. Nos últimos meses, eu tinha escrito coisas como: "Ele fica bem de Polo verde", "Ele me olhou hoje, os raios de sol fizeram com que seus olhos ficassem ainda mais lindos", "Ele ouviu 'The Clash' hoje", "Ele continua me ignorando. Hoje completam três meses.".
Eu acabei sorrindo ao ler aquelas coisas, eu realmente sofri nessa primavera, mas agora, eu tinha coisas novas para escrever.
"Foi minha primeira noite com ele. Nada se compara ao modo como ele me beija, ao modo como me toca, e nenhum som é mais perfeito do que quando ele sussurra meu apelido de forma apelativa. Nossos corpos juntos parecem ser a coisa mais certa em todo esse mundo, e eu não sei explicar, mas sinto como se meu rosto fosse rasgar toda vez que sorrio, e que meu coração achou o modo certo de bater depois que bateu junto ao dele. Posso estar exageradamente romântica essa manhã, mas dessa vez, sei que o amor que eu sinto, nunca valeu tanto a pena, quanto tem feito hoje. E será assim... até que ele diga chega."
Capítulo 14
Eu empilhava umas caixas no depósito enquanto ouvia meu iPod. Eu escutava o cd "Just My Luck", do McFLY, que eu havia baixado. Na verdade, no final de semana que eu fui até a casa da Giovanna, ela me deu todos os CD's do McFLY. Legal, não? E bom, eu acabei ouvindo todos, porque era um meio de ter o mais perto de mim, porém, hoje eu estava ouvindo porque estava estupidamente feliz. Então, McFLY na veia, e é isso.
Terminei de guardar todas as caixas empilhadinhas e respirei fundo. Esse trabalho é a parte mais cansativa.
Saí de dentro do depósito, enquanto desligava o iPod, e tomei um susto quando levantei minha cabeça e dei de cara do tomando café no balcão. Caramba, ele fica cada dia mais bonito, como isso é possível? Ele usava - pelo menos a parte que eu conseguia ver - uma pólo preta, com os dois primeiro botões abertos; um colar grosso e de prata, que eu não conseguia ver direito, mas acho que era uma cruz o pingente; e os cabelos, como sempre, bagunçados arrumados, o que eu sempre achei um charme nele.
Guardei o iPod no bolso do meu avental e caminhei até ele, que lia uma revista que eu não fazia a mínima ideia sobre o que se tratava. Parei em sua frente, e percebi ele dando um sorriso torto. Sexy.
- Sabia que estão dizendo que o novo CD do McFLY é o mais esperado em nossos sete anos de banda? - ele perguntou, sem olhar para mim.
- Pensei que tivesse sido o "Radio:Active"... - é eu realmente achava isso. Ele então levantou seu rosto da revista, me deixando me perder naqueles glóbulos que tanto amo.
- Eu disse o mais esperado, não o melhor produzido - dei uma risada leve, enquanto via Joan - o atendente - passando atrás de mim. - Desde quando se tornou uma sabe-tudo sobre o mundo McFLY? - perguntou com a voz rouca de sempre, enquanto levava a xícara de café à boca.
- Eu gosto de ser bem informada sobre a vida das pessoas das quais eu me relaciono - ele arqueou a sobrancelha, concordando comigo.
- É um ótimo começo - disse e eu concordei.
Ficamos em silêncio, apenas nos olhando, e isso estava começando a me dar um certo nervosismo. Eu não podia dar tão na telha assim, eu precisava controlar meus sentimentos, minhas emoções... e principalmente minhas vontades. É, minhas vontades estavam complicando bem a situação.
O sininho tocou, e eu olhei, Eleonor entrava pela porta com um sorriso de orelha a orelha, me fazendo sorrir instantaneamente.
- Uh, então você lembrou que trabalha? - eu disse quando ela chegou perto.
- Pois é, quando você olha para o relógio e ele te recorda da realidade, é difícil não se lembrar! - falou rindo, me fazendo rir junto.
- Oi, Ele - disse, se virando para ela, que sorriu enquanto o abraçava.
- Ora ora, mas se não é . Lembrou que a CoffeenBook existe, é? - falou enquanto se sentava ao seu lado.
- Pois é, quando você olha para o relógio, e ele te recorda da realidade, é difícil não se lembrar das coisas maravilhosas que essa vida pode te proporcionar - disse, me fazendo suspirar e morder o lábio, quando ele então olhou para mim. Tentando disfarçar, olhei para Eleonor, que olhava dele para mim, de uma forma... bem titia.
- Uhun, sei como é, , sei exatamente como é - abriu um sorriso incrivelmente grande. - Erm, , será que nós poderíamos ir até o estoque, preciso ver os produtos novos que chegaram.
- O Joan não pode ir até lá com a senhora? - perguntei e ela se levantou, entrando na parte de trás do balcão, parando ao meu lado, de costas para o .
- Não, tem que ser você - ela me puxou pelo braço e eu olhei para , que piscou para mim, me fazendo sorrir.
- O que foi que aconteceu com vocês dois? - ela perguntou assim que entramos no depósito.
- Desculpa? - questionei, não entendendo.
- Entre você e o , não se faça de desentendida, eu sei que aconteceu alguma coisa, não sei se ontem, nem anteontem, mas quero saber agora! - dizia, parecendo uma adolescente afoita, me fazendo rir. Eu deveria contar? É, acho que sim, afinal ela é minha tia, a pessoa que me acolheu aqui em Londres, e a única pessoa que acompanha a mim e a o tempo todo. E bom, ela nos conhece bem demais para entender as coisas.
Caminhei até uma prateleira e me encostei nela.
- Dormimos juntos - disse por fim, vendo o sorriso dela, quase que impossivelmente, crescer ainda mais.
- Dormiram de só dormir ou... - fez um gesto com a mão para que eu continuasse.
- Transamos e eu dormi na casa dele - disse, mordendo meu lábio, e sentindo meu coração disparar ao que minha mente produziu flashes da noite anterior.
- Meu Deus, quando foi isso? - colocou a mão na boca, ainda sorrindo.
- Ontem, assim que voltei da audição da escola de música - respondi. Comecei a rir ao que ela começou a dar pulinhos na minha frente. - Tia, por Deus, se controle!
- Me controlar? Me controlar? Faz ideia da felicidade na qual eu me encontro? - perguntou, chegando perto de mim, me segurando pelos ombros.
- Não, mas posso ver seu contentamento pelo menos! - eu disse, enquanto tentava me segurar para não gargalhar da cara que ela estava fazendo.
- Meu Deus, eu achei que vocês não iam se acertar nunca, eu estou tão feliz! - me abraçou e eu fiquei com uma pulga atrás da orelha.
- Tia, tia! - a afastei e olhei nos olhos dela. - Do que a senhora está falando no final das contas?
- Bom, digamos que tudo, desde sua vinda para cá, a sua contratação na CoffeenBook, a escolha do seu quarto, e tudo mais, foi... uma obra minha - colocou uma mão na boca e eu fiquei sem entender.
- Como assim?
- Bom, , é simples. Certo dia, quando eu estava voltando do trabalho, eu encontrei com o , ele estava muito solitário, para baixo. E tinha acabado de terminar um namoro. Ele não estava triste por gostar da garota, mas sim, cansado de não encontrar a menina certa, e eu passei a noite conversando com ele, que me disse que queria uma moça alegre, sorridente, que conseguisse manter uma conversa por mais de cinco minutos com ela sem querer beijá-la apenas para calar sua boca - eu ri nessa parte, e ela também. - E queria uma pessoa que entendesse que a vida dele é de ponta cabeça, sem horários fixos, e que não fosse tão exigente com ele. E então, eu pensei em você - disse, sorrindo, passando a mão em minha bochecha.
- Em mim? Por quê? - perguntei, arqueando a sobrancelha.
- Bom, sua mãe sempre esteve correndo com suas coisas de trabalho, as viagens de última hora, chegava tarde por fazer hora extra, e principalmente com a ausência de seu pai. E você sempre se deu bem com isso, nunca reclamou, pelo contrário, você gostava dessa liberdade de não ter ninguém te pressionando, certo? - eu apenas assenti com a cabeça, afinal, ela estava coberta de razão. - E bom, depois dessa conversa com o , eu liguei para sua mãe. Ela me disse que você estava namorando e que estava muito feliz. Eu cheguei a achar que estava errada, mas quando me ligou confirmando que viria, eu quase tive um ataque de alegria. Claro, fiquei puta da vida com aquele garoto, erm, como é mesmo o nome dele?
- Gustavo - disse, e era bom saber que ele já era uma página completamente virada em minha vida.
- Certo, Gustavo. Então, fiquei puta da vida com ele, mas você viria, do jeito como eu havia planejado. E foi aí que eu tive certeza absoluta dos meus pensamentos. Você e precisavam se conhecer! Eu modifiquei o quarto de bagunças para que você pudesse ficar nele, já que era exatamente ao lado do quarto dele. Você veio duas semanas depois, e tudo começou a funcionar de uma forma tão estranha, que por coincidência, no mesmo dia que você confirmou que viria, foi viajar, e quando você chegou, ele voltou para Londres. Vocês se viram na hora do desembarque dele, no estacionamento, e eu nem sequer havia planejado aquilo! - disse com os olhos brilhando, e eu senti meu coração acelerar ao lembrar daquilo. Realmente, titia não poderia planejar aquilo. Mordi meu lábio e suspirei.
- E o que mais? - perguntei, olhando para ela.
- E aí que tudo ocorreu da forma mais natural que podia. abriu aquela porta na hora certa, vocês se viram, e quando ele veio tomar café em nossa casa, e que eu vi o modo como se trataram, eu fiquei tão boba, tão feliz, que eu mal podia me controlar de alegria. Fiquei sorrindo feito boba. Eu finalmente havia feito vocês estarem juntos, mas por algum motivo, eu acho que o destino deu uma mãozinha para os dois - suspirou depois que terminou de falar, me fazendo arquear a sobrancelha.
- Destino? A... senhora acha que era o meu destino encontrar o ? - perguntei, e ela concordou.
- Por qual motivo então seria? Planejei, vocês se viram exatamente no aeroporto, e depois eu fui ser justamente a vizinha dele? - ela me questionou e eu me calei. Por qual motivo então? Será que ela estaria certa? Eu e somos predestinados a estarmos juntos? Isso é loucura!
- Tia, isso é loucura! - falei por fim, passando a mão em meu cabelo. Ela novamente chegou perto de mim, passou a mão de meus cabelos até os ombros, e sorriu.
- Qual história de amor não é loucura, ? - me deu um beijo na bochecha e saiu do depósito, me deixando ali, sozinha com meus pensamentos. Tudo o que ela tinha dito fazia um sentido absurdo, mesmo eu querendo negar. Parece que desde o começo era para que eu encontrasse com , para que eu realmente falasse com ele, o visse e tudo mais. E agora o buraco fez mais sentido do que nunca. era uma parte minha, que estava desconhecida até o momento em que foi preenchida por ele. E quando ele o preencheu, ela passou a existir, porém, quando eu troquei pelo Eric, a parte, o buraco, ficou vazio, incompleto, e noite passada, quando estive com ele, o buraco foi novamente preenchido. E como eu tenho certeza que estarei com ele nos próximos dias, o buraco não dói, porque eu estou sendo... apenas do .
Balancei minha cabeça e me senti tonta. Por Deus, tudo agora fazia um sentido absurdamente grande!
Fiquei um tempo parada, passando todos os meus momentos em Londres até ali. E realmente, era muito engraçado e estranho como tudo que Eleonor havia dito. Fazia sentido, era incrível, ao mesmo tempo em que era assustador, e eu não sabia mais o que fazer, minha única vontade naquele minuto era poder estar com até... sei lá. Queria apenas estar junto dele.
Tomei fôlego e saí de dentro daquele depósito, vendo levantar os olhos para mim instantaneamente, quando apareci no salão da CoffeenBook.
- Cacete, eu já estava quase indo lá dentro ver se estava tudo bem contigo! - disse por entre os dentes, de forma baixa, me fazendo rir.
- Está tudo bem, eu só... me perdi em pensamentos - falei, pegando uma flanela, fingindo que estava limpando o balcão.
- Se perdeu em pensamentos por quase quarenta minutos? - perguntou, me fazendo olhá-lo.
- Fiquei lá por quarenta minutos? - interroguei assustada, e ele apenas balançou a cabeça, confirmando. Caraca, sou lerda até pensando. - Desculpa, eu estava pensando em algumas coisas que Eleonor me contou.
- Ah, por falar nela, ela já sabe do Eric na Itália... - abaixou o olhar e abriu um sorriso sacana.
- Ah é, e como ela sabe? - perguntei rindo, enquanto olhava disfarçadamente para titia, que se encontrava falando com a balconista, um pouco longe de mim. Ela me olhou e piscou, sorrindo. Tornei a olhar para .
- Bom, eu precisava explicar a ela o porquê de você ficar fora por todo o final de semana - levantou o olhar para mim. Pisquei, desacreditada.
- O final de semana todo? - questionei rindo, e ele confirmou.
- Você disse que seria minha por quatro dias. Então, como sexta feira meio que já faz parte do final de semana, eu vou te levar para o meu esconderijo secreto, e eu não aceito "não" como resposta - uh, desculpa então amigo!
- Já que eu não tenho como recusar, só posso perguntar que hora você passa para me buscar? - perguntei, sentindo borboletas em meu estômago.
- Passo na sua casa às oito, e a gente sai. É bom viajar à noite com carro insufilmado, ninguém sabe quem está lá dentro - levantou uma única sobrancelha e eu ri, entendendo o que ele queria dizer.
- Certo, às oito então! - eu disse, o vendo se levantar e colocar dentro da comanda, o dinheiro do seu café da manhã.
- Leve roupas confortáveis, bastante moletom e biquíni. Vai precisar - piscou e saiu andando, mandando beijos para Eleonor, que retribuiu.
Assim que ele saiu da cafeteria, notei meus joelhos amolecerem, e me apoiei no balcão, sentindo uma onda de felicidade invadindo meu corpo. Olhei para Eleonor, que apenas sorriu para mim. Por Deus, um final de semana inteiro, eu e , em um lugar que precisa de moletom e biquíni. Mal posso esperar!
A campainha tocou e olhei para a porta, vendo Yan levantar da poltrona e caminhar até ela, lentamente.
- Se você está achando que eu vou te levar comigo, está muito enganado, pulguento! - falei rindo, enquanto me levantava e caminhava até a porta. Yan me olhou e voltou em direção à poltrona, me fazendo rir. Esse cachorro é mesmo muito inteligente.
Abri a porta, dando de cara com . E caralho, que lindo!
Ele usava uma regata preta, uma calça skinny cinza, um Converse de couro preto, e cheirava tão bem que me deixava doida. Olhei para ele, que sorriu abertamente para mim, e antes de eu poder dizer qualquer coisa, os lábios dele já estavam colados aos meus, me fazendo rir.
Ele passou a língua nos meus lábios, e eu os abri, dando passagem para que ela tocasse a minha, instantes depois. Ele me beijava com calma, enquanto meus dedos iam de encontro ao seu cabelo, e uma das minhas mãos para o seu bíceps, que estava completamente à mostra naquele momento, me fazendo passar as unhas por ali, o fazendo me apertar com vontade.
Ele me ergueu do chão e eu passei minhas pernas em sua cintura, por instinto, fazendo com que uma de suas mãos parasse em minha bunda, enquanto ele me levava até o sofá, me fazendo sentar no seu encosto, e não na parte correta.
Suas mãos deslizaram para as minhas coxas, as apertando de leve, e eu aproveitei para passar uma de minhas mãos para dentro de sua camiseta, arranhando o seu tanquinho, o fazendo rir de leve.
Estávamos felizes, isso era mais do que claro para mim.
Apertei a nuca dele, o fazendo morder meu lábio, parando o beijo.
- Caramba, que fogo, homem! - eu disse, o fazendo gargalhar.
- Isso que dá te ver lá naquela cafeteria e não poder te beijar. Principalmente passar tanto tempo longe de você. Tem noção de quantos beijos terei que te dar para poder saciar toda a minha vontade? - perguntou, passando a mão em meu cabelo, me fazendo sorrir.
- Saber eu não sei, mas eu espero que tenha muita vontade para saciar, porque eu quero te beijar muito - dei um selinho nele. - Muito - um beijo na ponta do nariz. - Muito - na bochecha. - Muito - e um beijo no lóbulo. - Mas muito mesmo! - sussurrei no ouvido dele, o arrepiando, me fazendo rir baixinho.
- Garota, você não existe! - e tornou a me beijar, me impedindo de rir. Dessa vez, um beijo um pouco mais apressado, com mais vontade e intensidade, mas que também foi interrompido. - Acho melhor pararmos aqui, antes que eu me empolgue de vez e aí a gente só sai daqui depois da meia noite! - ele me fez descer do sofá e eu ri.
- Má ideia não é, mas não gosto de ter que dirigir de madrugada, então.... - o vi pegando minha mala, que é de rodinhas, saindo do apartamento. Olhei para Yan, que estava deitado, e sorri. - Até mais, pulguento! - ele apenas olhou para mim e latiu, virando a cara em seguida. - Alguém precisa te ensinar boas maneiras, sabia disso? - e fechei a porta de casa.
já estava segurando o elevador, com nossas malas lá dentro, e eu saí correndo, entrando em seguida.
Enquanto o elevador descia, apenas olhava para mim, com um sorriso bobo brincando em seus lábios.
- O que foi? - perguntei, rindo com vergonha. Ele apenas negou com a cabeça. Instantes depois, as portas do elevador se abriram, e nós dois saímos, levando nossas malas. Aquele era o sub-solo, uma das áreas da garagem mais bem vigiadas, pelo que titia havia me dito. - Não sabia que guardava seu carro aqui - disse, vendo as Ferrari's, BMW's, Porshe's e carros caros espalhados por ali.
- Meu carro do dia-a-dia não fica aqui, fica no andar de cima. Fica apenas meu automóvel para despistar a imprensa e os fotógrafos de plantão... - disse, apontando para um veículo preto, logo mais à frente. Uma Ferrari preta. Senti meus olhos se arregalarem um pouco, e minha boca se abrir. Ok, eu sabia que o McFLY havia faturado para caramba, mas eu não sabia que era tanto assim! Fiquei parada olhando para , enquanto ele caminhava para o carro. Ele abriu a porta e colocou a mala na parte de trás, e quando olhou para o lado, me vendo ainda tão longe, ele arqueou a sobrancelha. - Vem, ! - pisquei algumas vezes e fui até ele, lhe entregando a mala.
Passei a ponta dos dedos no capô, e depois no símbolo da Ferrari.
- Agora eu que pergunto: o que foi? - disse, e eu ainda passava meus dedos no carro.
- Quando eu era pequena, lembro que meu pai me levou até uma exposição de carros, e que lá tinha uma Ferrari, preta, exatamente assim, porém com um estilo diferente. E eu bati o pé, querendo entrar no veículo, e meu pai não deixava, até que o dono do carro viu que eu estava brigando com meu pai, e disse a ele que eu podia entrar. Lembro perfeitamente bem o sentimento que eu tive quando coloquei as mãos naquele volante e sentei no couro do assento - levantei meu rosto, olhando para , que estava com um olhar deslumbrado. - Sensação de poder, de velocidade, e de vontade de sair correndo pelas auto estradas de São Paulo - mordi meu lábio, colocando o cabelo atrás da orelha. - Posso parecer um menino falando assim, mas eu sempre fui louca por adrenalina, e esse carro, é a lembrança mais intensa de adrenalina que eu já tive - falei, rindo de mim mesma.
ficou me olhando com um sorriso lindo nos lábios, e eu não sabia o que fazer. Tinha um clima diferente pairando ali, e eu não sabia se queria quebrá-lo e falar alguma coisa, pois eu estava realmente muito confortável naquela situação. Até o cabelo para trás da orelha eu tornei a pôr.
- Você não devia dizer essas coisas para mim em um lugar cheio de câmeras, , eu fico louco de vontade de te beijar e não posso! - disse, enquanto fechava os olhos fortemente e respirava fundo. Eu ri, vendo que ele realmente tinha se excitado com aquilo.
Fui para o meu lado da porta, e a abri.
- Fica tranquilo, , você tem o final de semana inteiro para isso - e antes de entrar, eu disse da forma mais sexy que consegui. - E sem câmeras.
Ele entrou no carro instantes depois, e passou o cinto de uma forma muito engraçada, meio desesperado. Eu abaixei meu olhar para suas calças, vendo um volume um tanto quanto avantajado na parte do zíper. Levantei meu olhar, rindo disfarçadamente.
- Vamos sair logo daqui! - e ele acelerou o carro, deixando a garagem instantes depois.
A viagem durou pouco mais de uma hora. Passamos todo o percurso conversando: eu contando coisas a ele; e ele me contando absolutamente tudo sobre sua vida, o que eu achei maravilhoso. Ele me contou sobra as viagens que o McFLY já havia feito, e cada lugar especial. Me contou das fãs, e disse que as brasileiras definitivamente não se comparam às outras, e que sente saudade de ir até lá. Ou seja, eu mal percebi a hora passando. quando dei por mim, ele estava parando na frente de um condomínio de casas.
- Bom noite, senhor ! - o moço da cabine de segurança do condomínio disse quando ele abriu a janela.
- Boa noite, Eduard. Meu crachá, por favor! - pediu, e instantes depois o moço lhe entregou. - Valeu, boa noite aí para você!
- Obrigado, tenha uma boa estádia, senhor! - e então, arrancou com o carro. Fiquei olhando para as casas que tinham ali, me surpreendendo com cada uma que passava, mais linda do que a outra. E então, entramos em uma estradinha de terra, e eu olhei para .
- Onde é que você está me levando? - perguntei, pela terceira vez aquela noite. Ele riu.
- Espere só mais um minuto e você vai ver! - respondeu e eu rolei os olhos.
- Poxa, isso é angustiante demais, sabia? A curiosidade é grande! - fiz birra.
- , pára com isso, sim? Nós já chegamos! - apontou mais para frente, me fazendo olhar onde ele apontava. Era uma casa, linda como todas as outras ali, porém de madeira, com cara de chalé de fazenda.
Assim que ele estacionou o carro na frente à casa, eu desci, a olhando feito uma boba. apareceu ao meu lado, me puxando pela mão, me levando para dentro.
Era uma casa linda por sinal. Por dentro, o toque era exatamente como o do apartamento dele, com detalhes em tons escuros, fortes, e era toda de madeira. A sala era decorada de forma simples; e nas janelas, grandes cortinas de cor creme, pesadas, com bastão de madeira; o abajur da mesma cor do tecido; o tapete era peludo, clarinho e com uma cara de quentinho, assim como os dois sofás ali. Logo mais ao lado, havia um tipo de bar, com várias bebidas expostas. Havia também uma grande escada - de madeira, obviamente - e que levava ao segundo andar. E no andar debaixo, tinha um longo corredor, que devia levar até a cozinha.
Caminhei até o sofá e me virei, vendo parado, me olhando, com os olhos brilhando. Ah, eu preciso brincar!
- Quantas mulheres você já trouxe até aqui para seduzir, ? - segurei a vontade de sorrir, e o vi rir.
- Acredite se quiser, mas as únicas mulheres que já vieram até aqui foram minha avó, minha mãe, minha irmã, e minha priminha de dez anos - ele começou a caminhar lentamente na minha direção.
- Então, eu sou a primeira mulher que não é da sua família que vem até aqui? - perguntei, sentindo que minha brincadeira acabou ficando mais séria do que eu imaginei que poderia ficar.
- Eu nunca precisei curtir quatro dias com uma pessoa, tendo que esconder de todo mundo. E esse lugar é especial demais para mim, para eu trazer qualquer pessoa... - ele encostou meu corpo no sofá, se encostando em mim. - E você, não é qualquer uma... - sorri para ele, lhe dando um selinho.
- Não quer... me levar para conhecer o andar de cima? - perguntei, saindo de perto dele e começando a subir as escadas, o vendo sorrir sem mostrar os dentes. - Eu nunca contei isso para ninguém, mas eu sempre gostei de casas com dois andares! - ah gente, eu sei, eu deveria estar querendo saber as histórias que já haviam acontecido ali, do por que ele nunca havia levado nenhuma mulher e tudo isso, mas desde a hora em que deixamos o estacionamento do meu prédio, eu estava louca de vontade de ter a pele dele grudada na minha de novo, então, não me julguem, sim?
Quando estava subindo o quinto degrau, olhou para mim com um olhar marcante, cheio de luxúria, fazendo meu corpo formigar de uma forma incrível. E antes de pisar no sexto degrau, correu até mim, me pegando pela cintura, e me beijando de um jeito enlouquecedor, que fez com que eu apenas correspondesse da mesma forma.
Ele passou as mãos nas minhas pernas, as puxando na altura de sua cintura, me fazendo envolvê-la, e recebendo um apertão forte na virilha. Ah, . Prendi minhas duas pernas em volta dele. Ele correu comigo até o ultimo degrau, me beijando com força, fazendo meus lábios doerem, com aquele sentimento de mais, mais, mais, mais crescendo dentro de mim.
Ele me encostou em uma parede, passando a mão no meu corpo, me fazendo respirar fundo quando parou de beijar meu lábio para beijar meu pescoço, de uma forma completamente enlouquecedora e apelativa.
Passei minhas mãos em suas costas, e comecei a puxar sua regata, fazendo-o se desesperar e tirá-la com vontade, me fazendo sorrir, e ele beijar de leve meus lábios e puxar a minha camiseta, jogando-a longe.
Apertei meus olhos com força quando ele mordeu meu seio de forma forte, me fazendo puxar os seus cabelos. Ele gemeu alto em meu ouvido, e me puxou da parede.
Instantes depois me deitou na cama, me fazendo perceber que o quarto dele era bem perto das escadas, mas quem se importa? Me sentei na cama, indo com as mãos diretamente no botão da calça jeans, a abaixando logo, e tratou de chutá-la para longe. Mordi meu lábio e arranhei seu peito, mesmo sentada. Ele então se abaixou e desabotoou meu short, me fazendo fechar os olhos. Ele passou a peça devagar entre minhas pernas, me fazendo ir com as costas mais para trás, e apoiar meus braços na cama, quando senti suas mãos tornando a passar as palmas em minha panturrilha, nas coxas, ante coxas, parando na virilha. O senti abrir mais minhas pernas, e morder desde o começo do meu joelho até minha virilha, me fazendo gemer alto, sem conseguir me controlar. subiu de repente, e me deitou na cama, sussurrando em meu ouvido.
- Hoje pode gemer, não tem vizinho para ouvir - olhei para ele, e realmente, nunca havia visto com tanta luxúria assim, e eu nunca irei reclamar disso!
Ele tirou meu sutiã e rapidamente começou a beijar meus seios, me fazendo respirar com dificuldade. Seio é o meu ponto fraco, e ele pareceu saber disso.
Com dificuldade, comecei a tirar a sua boxer. Ele, já irritado com a minha lerdeza, a tirou por si só.
- Nervoso? - sussurrei no ouvido dele, fazendo-o parar, e me arrependi por isso.
- Ansioso - disse, com a voz rouca demais, fazendo meu desejo aumentar.
Ele prendeu os dedos nas laterais da minha calcinha, a puxando rapidamente, e mostrando que estava mesmo ansioso por aquilo, fazendo até mesmo meus pensamentos ficarem meio confusos. O vi levantar de repente, me fazendo olhá-lo. Ele caminhou até a calça, e pegou a carteira no bolso, e entendi o que estava fazendo. Ele olhou para mim com o pacotinho de camisinhas em mãos, me fazendo rir de leve. Quando ele se aproximou, disse.
- Vai com calma, garotão, eu não vou fugir, e sou toda sua!
Ele respirou bem fundo, sorriu para mim, rasgou o pacotinho e colocou em si próprio. Mordi o canto do lábio e comecei a ir para onde os travesseiros estavam, me encostando na cabeceira da cama. Ele veio até mim, e novamente afastou as minhas pernas, ficando no meio delas. Porém, ele se sentou e me puxou para si, fazendo assim, com que eu pudesse senti-lo dentro de mim.
Caí ao seu lado na cama, encarando o teto, como se houvesse algo interessante nele. fez a mesma coisa, mas logo se virou de frente para mim, encolhendo os ombros. Me virei também, sentindo seu olhar sobre mim, e sorrimos; ele me olhou com cara de cão-sem-dono-agora-com-dona e envolveu um de seus braços em volta da minha barriga, se acolhendo em mim, colocando suas pernas entre as minhas. Passei meus braços em volta de seu pescoço, deixando que ele apoiasse a cabeça em meu peito. Beijei o topo de sua cabeça e ele olhou de canto de olho para mim.
- Nossa, como eu 'to sacana - falei rindo, começando a fazer carinho em seu cabelo.
's POV On
- Por quê? - Perguntei rindo, e lhe dei um selinho. Estávamos agarrados na cama, e nossa, que delicia!
- Eu nem conheci a casa direito e já transamos em um dos cômodos dela! - não aguentei segurar a gargalhada. Me levantei e vi sua expressão ficar confusa. Peguei minha regata do chão e fui até ela, me sentando na beirada da cama, ao seu lado.
- Se você se acha sacana por isso, o que acharia de mim se eu dissesse que eu já estava louco para tirar suas roupas desde a hora em que estávamos na garagem do nosso prédio? - perguntei, sendo sincero. Mas era um fato, a hora que ela começou com aquilo de "sensação de poder", de "adrenalina". Adrenalina eu senti a vendo com aquele olhar para o carro de uma forma que ficou sexy demais para mim. Eu adoro garotas com bom gosto para automóveis, eu acho excitante, pô. Quem olha para mim não imagina que eu fico excitado com esse tipo de coisa, mas eu sou homem, e mesmo eu tendo gostos estranhos, meu gosto masculino por carros continua intacto!
sorriu para mim, e segurando o lençol da cama nos seios, veio mais perto, sorrindo... quando chegou com o rosto, deixando nossas bocas a milímetros uma da outra.
- Eu diria que você é um puta depravado. Nada que eu já não fizesse ideia, ! - e então mordeu meu lábio inferior, me fazendo - instantaneamente - levar minha mão até sua nuca, a apertando. Depois eu não tenho motivos para ficar do jeito que fico!
- Se você não parar de me atentar assim, vou acabar transando com você de novo e adeus tour pela casa! - eu disse, já sentindo meus hormônios aquecendo meu corpo. Ela sentou na cama, e olhou para mim com uma cara assustada.
- Meu Deus do céu, , foi só uma mordidinha! - ela riu e eu fiz careta.
- Mordidinhas são provocativas, ok? - cruzei os braços, a fazendo desatar a rir feito doida, apertando a barriga. Essa garota acha que eu estou brincando? Não é fácil se controlar com mordidinhas não, ouviram bem? Ainda mais quando você está... quando você está como eu estou. É, só não me pergunte o que eu estou exatamente, porque eu não sei explicar não.
- Me leva logo para conhecer a casa, ! - ela disse, puxando a regata - que eu ia vestir - da minha mão, vestindo-a.
- Ei, eu ia usar isso! - eu disse, a vendo se levantar e pular para fora da cama, indo em direção à porta. Porém, ela parou no batente e cruzou os braços, sorrindo.
- Disse bem, você ia usar isso! - cerrei os olhos para ela, me levantando e vestindo minha boxer. Fui até o batente, encostando meu corpo ao da , que passou os braços na minha cintura.
- Você 'ta ficando muito abusadinha, garota! - eu disse, entortando a boca, a fazendo afagar minha bochecha.
- Eu sei disso - falou por fim, me beijando. Ah, cara, essa garota é demais.
Mostrei toda a casa para a . Os quatro quartos - dois com suítes - e o banheiro do andar de cima; e mostrei o andar de baixo, a sala, sala de jantar, o escritório, lavabo, e quando mostrei a cozinha, ela falou.
- Hm, eu 'to com fome! - colocou a mão no estômago. - Não tem pizzaria por aqui, não é? - os olhos dela brilharam com a possibilidade.
- , a gente comeu pizza ontem à noite! - levantei a sobrancelha, e ela deu de ombros.
- Sempre que quero uma coisa rápida, gostosa e quente para comer, eu peço pizza - disse, se sentando na bancada da pia. Rolei os olhos.
- Isso é coisa de homem! - falei, enquanto olhava para ela, que balançava os pés.
- Não, não é, isso se chama praticidade, e eu sou adepta a isso. Praticidade rules! - ela levantou um braço, com o punho fechado apontando para o ar, e eu desatei a rir. Onde foi que eu fui amarrar meu burrinho, meu pai?
- Olha, , vamos fazer assim... - fui até ela, abaixando seu braço, a puxando pela cintura para fazer com que ela descesse da bancada. - Eu cozinho essa noite, ok?
- Você? Cozinhar? - perguntou, sorrindo para mim.
- É claro, está duvidando das minhas habilidades "culinarísticas"? - puta merda, existe essa palavra? Ela gargalhou alto e eu sorri, era bom fazê-la sorrir e rir assim.
- Primeiro, essa palavra nem existe - levantou um dedo, quando disse "primeiro". - Segundo - levantou outro dedo, ficando agora com dois dedos de pé -, você vai fazer o quê, ? Brócolis? - outch, essa foi feia, !
- Olha aqui, mocinha, para sua informação, me ensinou a fazer steaks, que são uma delícia, 'ta bom? E eu sei cozinhar, então não me venha com essa de brócolis! - eu disse, a empurrando para fora da cozinha, a fazendo sentar no sofá.
- Desculpa, desculpa, não está mais aqui quem falou! - ela levantou os braços, como se estivesse dizendo "eu me rendo", e eu ri. - Agora, vem cá, por que me expulsou da cozinha, posso saber? - arqueou uma sobrancelha. Sexy para caralho!
- Simples, o jantar é uma surpresa - falei, fazendo uma reverência exagerada, a fazendo sorrir. - Pode ir assistir TV. Instalei a televisão a cabo há pouco tempo, se bobear você acha um canal brasileiro aí - disse, e dei um selinho nela, me afastando em seguida. Ela pegou o controle da tv e se encolheu no sofá, e depois olhou para mim, piscando. Eu ri e fui para a cozinha.
Olhei para os azulejos e comecei a sorrir feito um idiota. Uma onda de alegria e satisfação começou a me invadir, e eu achava que se eu sorrisse mais um pouco, ia acabar rasgando meu rosto, mas quem liga? Eu jamais havia me sentido tão bem assim. Nunca alguém despertou tantos sentimentos em mim do jeito que a fazia, nunca senti tanta necessidade de estar perto de alguém como sentia com ela, e eu nunca fiquei tão nervoso para preparar um jantar na minha vida, só por que quero agradar a outra pessoa que vai jantar comigo. Isso é realmente exagerado, . Como diz aquela música brasileira que um dia o Levi me mostrou "Exagerado, jogado aos seus pés, eu sou mesmo exagerado".
- O jantar está servido, madame! - eu disse, levando a tigela de macarrão ao molho branco para a mesa da sala de jantar, que era exatamente ao lado da sala, e não continha nenhuma divisória.
olhou para mim no mesmo instante em que eu falei, com os olhos arregalados, sorrindo feito criança. Minha criança.
- Minha nossa, que capricho, - falou, chegando perto de mim depois de eu ter colocado a tigela sobre a mesa. Me virei para ela, a puxando pela cintura, selando nossos lábios. Ela sorriu, retribuindo. Não foi um beijo longo, mas como sempre, foi incrivelmente bom para mim. Tenho sempre a impressão de que nosso beijo encaixa, entendem? Enfim.
- Eu nem percebi você colocando a mesa - disse, puxando uma cadeira e se sentando.
- Claro, você estava prestando atenção na TV de um jeito que seus olhos pareciam que iam pular da órbita - ri, me sentando ao lado dela, pegando seu prato, a servindo, enquanto ela observava. Em seguida, lhe entreguei o prato, me servindo depois.
- Ah, era "CSI" que passava em uma rede de canal brasileiro. Eu não perdia um capítulo sequer quando morava no Brasil. Eu e minha mãe parávamos tudo às nove da noite, nos sentávamos no sofá com um pote de pipoca, e parecíamos duas mudas assistindo, sempre caladas. Porém, era dar o intervalo e desatávamos a falar, e quando o programa começava, ficávamos quietas de novo. Era muito... bom - comentou. Seus olhos pareciam longe, e eu tinha quase certeza que se passava um filme em sua cabeça, e ela estava se lembrando daquelas noites. Os olhos dela marejaram, e ela balançou a cabeça. - São memórias muito boas! - disse por fim, fungando e olhando para mim. Coloquei meu prato na mesa, e olhei para ela.
- Sente muita falta dela, não é? - coloquei a Coca-Cola nos nossos copos, e ela sorriu abertamente.
- Sinto, sinto sim, claro. Às vezes, com a correria do dia-a-dia, eu mal tenho tempo para falar com ela. Ela me liga sempre, e quando não pode ligar, ficamos nos falando por MSN ou mensagens de texto. Pena que os créditos acabam muito rápido por conta disso, mas... - parou no meio da frase, pegando o copo entre as mãos, o rodando.
- Mas...? - a incentivei a continuar, e coloquei a mão em seu queixo, virando seu rosto para mim. Me arrependi instantaneamente. Os olhos dela estavam completamente marejados, e ela mordia os lábios, segurando as lágrimas. Pelo menos tentando, pois duas grossas lágrimas rolaram pelo seu rosto, me fazendo sentir uma dor forte no peito. Fui até ela e a abracei, fazendo com que deitasse a cabeça no meu peito, e me abraçasse também.
- Mesmo falando com ela assim, sinto falta de vê-la, de tocá-la, e de abraçá-la! Minha mãe é a minha melhor amiga, sabe? - disse com a voz completamente embargada, e vez ou outra era atrapalhada por um leve soluço. Eu era um merda mesmo, por que eu tinha que ter feito aquela pergunta? Eu não podia simplesmente ter ficado com a boca fechada? Que merda, , você fez nossa garota chorar, nossa garota!
- Amor, não chora, por favor, eu não suporto isso - eu disse baixinho no seu ouvido.
Ela se afastou de mim. Os olhos arregalados agora me pareciam surpresos. O que eu fiz de errado?
- Vo-você, me chamou de "amor"? - perguntou e eu pude compreender. Eu estava tão absorto nos meus sentimentos, que o que eu sinto por ela saiu em forma de um apelido carinhoso, algo simples, porém com força, carregado de significado e sentimentos.
- Chamei. Se não quiser, não chamo mais - eu disse, passando a mão no seu rosto, secando suas lágrimas, fazendo com que ela sorrisse para mim. Deus, obrigado, ela sorriu!
- Não, eu... eu gostei de você me chamando assim - disse, com as bochechas ficando vermelhas instantaneamente. Eu sorri e me aproximei dela, selando nossos lábios, e sentindo-a colocar os dedos presos no meu cabelo. Eu amo isso! Nos beijamos por um longo tempo, um beijo bom de verdade, com os sentimentos aflorados, e todas essas coisas que eu não vou citar senão vai ficar gay demais da conta!
Ela mordeu meu lábio, partindo o beijo.
- Eu sei que eu deveria dizer algo bonitinho, mas... , eu 'to realmente morrendo de fome! - disse, fazendo bico. Eu ri, mordendo de leve o bico. Me afastei e olhei para o meu prato, depois para ela.
- Atacar!
O jantar foi muito bom. Ficamos conversando sobre diversas coisas.
Contei sobre as coisas que já havia vivido naquela casa; e acreditem, já vivi de tudo ali dentro, afinal, essa foi a primeira residência em que meu avô morou com a minha avó, logo depois do casamento, e ela havia sido reformada pela minha mãe, meus tios e minhas tias. Então, conseguem imaginar o quanto essa casa é querida pelos meus parentes?
Uma vez eu trouxe os caras da banda aqui. Estávamos preparando músicas para um novo CD demo, quando decidimos fazer uma festinha entre nós. Fomos no mercado, na estrada. Compramos caixas e mais caixas de cerveja e bebidas variadas, salgadinhos e mais salgadinhos. Entramos noite adentro, até ficarmos tão bêbados que eu nem mesmo sei o que fizemos. Só sei que quando eu acordei, a casa estava de pernas para o ar, com salgadinho espalhado pelo sofá, tapete, poltronas e em vários potes. Latas e mais latas espalhadas pela mesa de centro, pelo chão da sala, cozinha, na escada, no barzinho... tudo estava com latinha. E poça de cerveja. Quando olhei aquilo, lembro de apenas sentir muito enjôo e dor de cabeça, mas minha dor aumentou quando vi que eu tinha uma mensagem de voz no celular. Quando a escutei, era minha mãe avisando que ia vir com meus avós apenas para passar o dia, e a mensagem havia sido deixada há uma hora, ou seja, nós tínhamos uma hora para limpar absolutamente tudo.
Nossa, lembro de ter acordado os guys em um desespero tão grande, que limpamos a casa em quarenta minutos. Minha avó ficou feliz em saber que cuidamos bem daqui. Coitada, mal ela sabe...
Teve uma vez também em que eu e meus primos levamos uma máquina de fazer sabão e colocamos no jardim. Minha mãe quase teve um ataque, porque toda a horta dela e da minha tia havia sido destruída pelo sabão.
Podem perceber o quanto riu de mim, não é? É, mas ela não ficou atrás, me contou que quando era pequena, subiu em cima de uma árvore e ficou brincando de Tarzan sozinha. Me contou também que o avô dela tinha um Fusca, e que ela e os primos subiam em cima do carro para brincar de navio pirata. Confesso que fiquei muito tempo para entender onde um navio pirata se parece com um Fusca, mas confessou que nem ela mesma sabia. Mas, de acordo com ela, tudo se deve à imaginação fértil de criança.
Foi uma noite completamente agradável, onde rimos e nos conhecemos mais do que já conhecíamos. E pela primeira vez compartilhei com ela, coisas que eu nunca havia compartilhado com ninguém em toda a minha vida.
Estávamos deitados no sofá assistindo "PS: Eu te amo". O filme já estava quase no fim, mas quando fui comentar sobre algo com a , percebi que ela estava dormindo. Sorri comigo mesmo. Ela estava com a cabeça deitada no meu peito, e os braços presos na minha cintura. Fiquei tentando, da melhor forma possível, me esquivar dela. Foi difícil conseguir. Assim que consegui sair do sofá, sem acordá-la, aproveitei para me espreguiçar. É duro ficar deitado no sofá, encostado no braço, sem poder me mexer para não incomodar a .
Cheguei perto dela, passei um braço embaixo de suas pernas e outro nas costas, a puxando para mim, encostando-a contra o meu peito. Caminhei até a escada, a subindo o mais devagar que consegui, para não acordá-la. Mas não vou te enganar não, meu, ela é bem pesadinha. Tentei subir mais um degrau, mas eu tive que resmungar baixinho por conta do peso, e ela acabou acordando. Merda!
- O que você está fazendo, ? - perguntou com a voz manhosa, bem sonolenta.
- Só estou te levando para a cama. Pode dormir - eu disse de forma baixa, fazendo com que ela escondesse o rosto no meu pescoço e voltasse a dormir.
Alguns poucos degraus depois, cheguei no corredor e entrei no quarto. Coloquei-a deitada na cama, cuidadosamente. Respirei fundo, tentando controlar meus instintos quando vi que a minha camiseta regata, que ela estava usando, havia subido, deixando suas coxas à mostra. Mordi meu lábio, e passei apenas a ponta dos meus dedos na sua pele, sentindo meu corpo formigar de desejo no mesmo momento. Fechei meus olhos e balancei minha cabeça, negando o desejo de acordá-la para fazer aquela noite esquentar mais.
Fui até a sacada e fiquei olhando o céu estrelado. E quer saber, eu realmente amo essa parte da cidade, consigo pensar longe da mídia, longe de tudo aquilo que me atormenta quando estou no centro de Londres. Porém, naquele momento, a única coisa que eu conseguia pensar era no que eu estava vivendo agora com a . Eu tentava entender o que ainda a prendia ao Eric, afinal, se hoje estamos aqui, nós dois juntos, significa que sentimos alguma coisa, certo? Não é qualquer casal que consegue sentir o que eu sei que ambos sentimos. Pelo menos eu me sinto inteiro, completo, não preciso de mais nada quando ela está por perto, só preciso que ela esteja próxima para que eu fique bem. E eu percebi isso nela... sei que ela se sente exatamente igual, então, por que será que ela insiste nesse relacionamento sem sentido com o Eric?
Passei a mão no meu rosto e me apoiei na mureta da sacada, olhando ainda para o céu. Sabe, eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo, sei que tenho milhares de defeitos, e que eu já pisei forte na bola com a , sei que eu merecia que ela nunca mais olhasse para mim ou quisesse que eu nunca me aproximasse dela outra vez, mas não, ela está aqui. Ainda bem que ela está aqui. Tudo que eu passei, em todos esses meses vendo-a longe de mim, sem poder tocá-la, sem poder beijá-la, sem conseguir trocar uma palavra sequer com ela, foram os meses mais angustiantes que eu já vivi.
Não posso explicar, mas é diferente quando ela está por perto, é diferente quando é com ela. Se fosse qualquer outra garota, certamente eu já teria desistido, procurado por qualquer outra mulher para ficar comigo, mas com ela não é assim. Quando ela me disse que havia transado com Eric pela primeira vez, eu senti como se, naquele momento, nada mais fizesse pleno sentido na minha cabeça. Eu sentia como se um buraco imenso tivesse sido aberto dentro do meu peito, que o fazia arder de uma forma completamente angustiante, que me deu até mesmo a sensação de que o chão tinha se aberto debaixo dos meus pés. Eu me sentia sufocado.
Nos dias que se seguiram a partir daí, não foram diferentes. Eu sentia aquele ardor no meu peito me consumindo dia após dia, e eu não sabia o que fazer para que ele parasse. E eu tentei de tudo: enchi a cara, compus várias músicas, vim para essa casa, fui para a casa da minha mãe, fui à Paris, Itália, beijei várias garotas, dormi com algumas, mas nada, nem mesmo fazer música, ajudava a passar aquele sentimento. Nada era forte o suficiente para fazer com que eu me sentisse completo outra vez.
E era estranho como toda vez que correspondia um olhar ou simplesmente passava por mim no corredor do prédio, ou fazia qualquer coisa, aquela ardência crescia, fumegava, me deixava completamente tonto, sem saber o que fazer e como reagir. Até que cheguei perto dela outra vez... Aquele sentimento de queimação amenizou, e apenas a vontade de ficar perto dela começou a tomar conta de todo meu corpo.
Comecei a pensar no que estava acontecendo. Mas ontem, na hora que ela foi minha, que o corpo dela estava perto do meu, colado, e eu podia beijar, tocar, e respirar mais dela, aquela ardência que me incomodou por tanto tempo cessou, acabou no mesmo instante em que os lábios dela tocaram os meus. Então, não tem como negar que existe realmente alguma coisa forte entre nós dois, algo que eu me nego a acreditar que ela sinta com o Eric, algo que eu me nego a acreditar que ela venha a sentir com qualquer outra pessoa que não seja comigo. Não faria sentido.
Respirei fundo e fechei meus olhos.
Meu corpo se corrói em ciúme só de imaginar que dentro de poucos dias o corpo dela estará nas mãos dele, e não nas minhas. É algo que dói só de imaginar, a pessoa que você mais... mais... é, a pessoa que você mais ama na sua vida, longe de você. Era esse o sentimento que eu vinha tentando desvendar. Amor. Amor. Eu a amo. Definitivamente aprendi a amá-la, analisando todos os seus detalhes. Amo o jeito como ela anda, como fala e como sorri. Amo o modo como é atenciosa, prestativa e a forma como nunca deixa as coisas por fazer, mesmo que seja para não levar bronca. Amo a forma como ela se esforça em cada detalhe de seu dia, mesmo que seja para fingir que me ignora, ou para fingir que não se importa, porque eu sei que, no fundo, ela se importa. Só preciso agora consertar os detalhes do meu dia, da minha correria por conta do novo CD e pedir para que ela desista dessa ideia absurda de namorar com Eric, e pedir para que ela fique de uma vez por todas comigo.
O meu lugar é ao lado dela, e sei que o dela é ao meu.
Vou fazer o possível e o impossível para que entenda que eu mudo por ela, eu mudei e vou mudar ainda mais se for preciso, porque eu não posso ficar sem tê-la ao meu lado, é impossível sobreviver agora que eu a tive, eu preciso dela constantemente, disso eu tenho certeza. Uma vez que se tem a dose do seu primeiro vício, é difícil largar dele. E desse vício, eu não quero largar. Nunca.
Senti dois braços envolvendo minha cintura, me fazendo sorrir no mesmo instante.
's POV Off
- Achei que estivesse dormindo - disse, se virando para a menina, a envolvendo em um abraço, fazendo com que ela se acolhesse em seus braços enquanto deitava a cabeça em seu peito.
- Aquela cama fica grande e vazia demais sem você - respondeu com a voz manhosa, sabendo que o garoto riria dela. E foi exatamente o que ele fez, tomado de uma alegria sem igual em saber que ela sentia sua falta.
- Eu já ia... só estava colocando alguns pensamentos em ordem - beijou o topo da cabeça de , que sentiu o coração apertar levemente, suspirando e se encolhendo ainda mais nos braços do garoto, que percebeu o modo diferente com que ela o abraçava. - O que foi, ? - perguntou um tanto curioso.
- Tenho medo dos seus pensamentos - sussurrou, sendo sincera. afastou-a de seu corpo e olhou nos seus olhos, que transpareciam uma insegurança da parte dela, que ele jamais havia visto antes.
- Medo dos meus pensamentos? Mas por quê? - perguntou, querendo logo acabar com todos os medos, não queria que ela se sentisse mal, não no final de semana deles. Não!
A menina, por sua vez, sentia que deveria desabafar, mas tinha medo de ser mal interpretada. Ela sabia que amava o garoto à sua frente, mas não sabia se a recíproca era verdadeira, o que a deixava com medo de que estivesse apenas se aproveitando dela.
"Mas que diabos é isso que esou pensando? É o , o MEU , ele jamais se aproveitaria assim de mim, eu o conheço!", pensou consigo mesma. Ela sabia que não era de demonstrar sentimentos, mas sabia que ele poderia sentir a mesma coisa, afinal, por que a levaria a um lugar tão especial para ele e sua família, querendo se esconder de tudo e de todos, para que tivessem um final de semana agradável, se ele não sentia o mesmo? Não faria sentido, certo? Certo.
- Ei, , me responde! - o garoto pediu, acordando-a de seus pensamentos.
- Bom, eu tenho medo que... seus pensamentos... te levem para longe de mim - assumiu, abaixando a cabeça e sentindo as bochechas arderem de uma forma até mesmo constrangedora e patética para ela, mas que aos olhos do garoto, a deixou ainda mais fascinante. Onde já se viu aquele tipo de pensamento?
- Você não precisa temer - ele segurou no seu queixo, fazendo com que ela olhasse para ele. - Quanto mais eu penso, mais meus pensamentos me levam para perto de você! - sorriu ao terminar de dizer aquelas simples palavras, carregadas de verdade. olhava dentro dos olhos do rapaz, vendo que ele falava a verdade. Sorriu abertamente, e passou os braços em volta do pescoço dele, dando lhe um abraço apertado.
- Eu preciso tanto de você, ! - admitiu, fazendo com que o rapaz a apertasse em seus braços, fazendo-a se sentir segura.
- Eu te entendo, , pois eu preciso de você muito mais do que posso descrever. Palavras seriam muito insignificantes na descrição de tudo o que sinto - disse, e ficou surpreso com suas próprias palavras.
"E não é que o amor nos deixa mesmo retardados?", pensou consigo, guardando uma risada dentro de si.
afrouxou um pouco o abraço e olhou nos olhos do rapaz, que sorriu. Ela sorriu de volta, e logo depois selou os lábios nos dele, que apertou a cintura dela, a trazendo mais para si, aproveitando quando ela foi gemer baixinho, para aprofundar o beijo. Então, os dois ficaram ali, sozinhos naquela imensidão, deixando com que todos seus sentimentos fossem ditos através de um único beijo.
Capítulo 15
Acordei sentindo meu corpo meio preguiçoso. Caramba, que noite foi essa! Passei a mão no lado de na cama, e constatei que estava vazio, me fazendo abrir os olhos rapidamente.
Realmente a cama estava vazia e eu senti meu coração acelerar. Ah, caramba, onde é que o se meteu?
Me sentei e puxei o lençol para cima dos meus seios, vendo também todo o quarto vazio, me deixando um pouco nervosa com aquela situação. Por Deus, onde é que ele havia se metido? Respirei fundo, sentindo vários pensamentos rondando a minha cabeça, me deixando confusa, fazendo com que cada vez mais meu medo crescesse. O fato é que eu tinha medo que os pensamentos de fizessem com que ele desistisse de tudo aquilo que estávamos vivendo. Medo de que ele considerasse tanto a amizade de Eric e me deixasse sozinha, sentindo aquele buraco de novo. Ah, só de pensar naquela dor e angústia, eu já me sentia mil vezes pior.
Abaixei a cabeça e mexi no meu cabelo
- que estava todo ondulado -, e com isso consegui ouvir um barulho que eu não tinha escutado antes, que era de água caindo, mas como não estava chovendo, apenas olhei para a porta do banheiro da suíte, constatando que ela estava fechada e que o barulho vinha de lá. Respirei aliviada com isso.
Deitei na cama, fechando os olhos e deixando que imagens da madrugada passassem na minha cabeça: seus lábios nos meus; meu corpo encostado ao dele; suas mãos passando pelo meu corpo, apertando-me contra si; a respiração ofegante de nós dois... tudo foi extremamente intenso, cada partezinha.
Ouvi o barulho do chuveiro desligar e eu sorri abertamente, já ansiosa para vê-lo. Coisa de doido, né? Tornei a me sentar na cama, puxando o lençol novamente; mesmo que já tivesse me visto sem nada, eu ainda me sentia um pouco com vergonha à luz do dia. A porta do banheiro se abriu e eu mordi meu lábio assim que o vi saindo de lá, e eu tive que respirar fundo para não deixar meu queixo cair enquanto o olhava. Seu corpo estava, do quadril para baixo, enrolado na toalha. Todo molhado, cheio de gotas d'água no seu tronco... seu bíceps, como sempre, me dava um "olá" graças ao fato dele estar bagunçando seu cabelo molhado. E eu não sei como ainda não corri até ele para arrancar aquela toalha de seu corpo!
Ele então me fitou. Os olhos, como sempre, brilhando. E sua beleza ainda mais estonteante.
Ele caminhou até mim, sentando-se na minha frente. Levantou a mão, acariciando meu rosto em seguida. Instantes depois, se inclinou na minha direção, selando nossos lábios em um selinho demorado.
- Uma ótima maneira de se acordar! - acabei dizendo, tomada pelos meus pensamentos.
- Achei que já estivesse acordada – ele sussurrou, descendo a mão pelo meu corpo, me fazendo sorrir abertamente.
Rimos, e então começamos a nos beijar instantes depois.
Era domingo, o que dizia que era nosso último dia juntos.
Passamos um ótimo final de semana. O melhor de minha vida, eu poderia dizer.
Sexta, assim que acordei, trouxe o café da manhã na cama para mim, e como sou uma menina muito educada, o agradeci com um beijo, que instantes depois se tornou algo muito mais sensual.
Depois disso, ele me levou para conhecer o parque florestal que existia do lado do condomínio, dizendo que nosso almoço seria um piquenique por lá. Você deve até pensar que seria perigoso, que poderia aparecer alguém e nos ver juntos, mas não, pois pagou aos seguranças para que não permitissem a entrada de ninguém na trilha que seguíamos. O que o dinheiro não faz, não é?
Passeamos por toda a trilha, sem incômodo algum, de mãos dadas, conversando sobre assuntos inimagináveis. Depois, nos sentamos embaixo de uma árvore e almoçamos ali. Logo em seguida, após muita carícia e alegria, me trouxe de volta para casa. Jogamos videogame, fizemos o jantar – o que rendeu muita sujeira e depois uma boa limpeza -, e após muitos amassos no sofá, vocês podem imaginar o que aconteceu em seguida...
No sábado, ficamos a manhã inteira enrolando na cama, brincando, trocando carícias, nos encaixando - se é que me entendem -, e sendo os mais melosos que podíamos.
Quando a tarde chegou e o sol brilhava intensamente no céu, me fez colocar o biquíni e fomos para a piscina, no quintal da casa. Passamos o dia todo ali, brincando feito crianças; duas crianças felizes. Almoçamos ali também, pois ele havia feito comida para a gente. Porém, quando deu por volta das quatro da tarde, um vento forte começou a soprar, fazendo com que corrêssemos para dentro da casa. Tomamos banho e nos agasalhamos com moletom. ÀAo fim do dia, já se podia ver uma chuva forte caindo, estremecendo as estruturas daquela casa.
A noite foi ótima. Fiz bolo de aipim com côco, alegando que era uma receita exclusiva da minha mãe, o que fez com que, no final das contas, ele lambesse os beiços, dizendo que aquele era o melhor bolo que já havia experimentado. Mentiroso!
Quando anoiteceu, ele alegou que queria ir para o quarto por que na sala estava muito frio. Como eu realmente estava com frio, quis ir para debaixo das cobertas, com toda certeza.
Fomos para o cômodo e ficamos deitados em sua cama. Conversar era algo que vínhamos fazendo com bastante frequência, parecíamos estar botando os assuntos em dia, mas quando eles acabaram, nossos corpos colaram instantes depois. Quando terminamos a segunda vez, parecia mais elétrico do que nunca, e disse que tinha uma surpresa para mim. Depois de colocar a samba canção, correu para o corredor, me deixando sozinha, e claro, aproveitei para me ajeitar na cama, e desembaraçar os cabelos, usando os dedos como pente.
Instantes seguintes, apareceu no quarto com o violão em mãos, perguntando se eu sabia que a qualidade de ser membro de uma banda é que você aprendia a tocar vários instrumentos, me fazendo rir. Ele então tocou uma música para mim, dizendo ser do novo CD. Uma música chamada "I'll Be Your Man". A canção era linda, e ele tocava vez olhando para os acordes que fazia, vez olhando para mim, com aquele olhar que só ele tinha. Quando a música acabou, o puxei pela nuca, para mais próximo, o beijando com toda vontade que pude, o que o fez sem empolgar rapidamente e as coisas esquentarem naquele quarto. E foi assim que passamos a virada do sábado para o dia de hoje.
Senti se deitar por cima de mim, enquanto suas mãos passeavam por todo meu corpo, afastando o lençol que me cobria. Quando eu consegui tirar a toalha do seu corpo, o celular dele começou a tocar, alto. Nós nos olhamos.
- Atende - eu disse, passando a mão no seu rosto, que bufou.
- Eu pedi para ninguém me incomodar. Não esse final de semana! - sorri ao vê-lo se levantar de cima de mim, começando a procurar o aparelho. Puxei de novo o lençol para o meu corpo, e me sentei na cama, o olhando.
- Então se estão ligando, deve ser algo importante, não? - perguntei e o ouvi resmungar um "deve ser".
- Que é, ? - ele perguntou muito simpático, sabe? - Como é que é? Quando foi isso? Mas e o que temos a ver com o cara ter pego laringite, dude? O QUÊ? HOJE ISSO? Puta que me pariu, heim, ?! Ok, eu vou pegar as minhas coisas e vou para aí agora mesmo! Não, eu... - ele então olhou para mim, suspirando. - Eu infelizmente estou sozinho - disse, me fazendo rir.
Eu entendo o porquê dele não contar aos meninos que eu estava com ele, afinal, todos eram amigos de Eric, e pode ser que eles não concordassem com o fato de eu estar traindo um dos seus melhores amigos com... outro melhor amigo deles. Xi!
- Beleza, dude, a gente se vê em três horas! Tchau - e então ele desligou o telefone. Mordi meu lábio, vendo a expressão dele mudar, me deixando angustiada. Eu sabia que o final de semana estava acabando, mas eu não esperava ter que me afastar dele.
- ? - o chamei, fazendo com que ele olhasse para mim. - O que houve? - ele suspirou e caminhou na minha direção, sentando novamente na minha frente.
- Uma banda foi contratada para um festival português, mas o vocalista está com laringite e não consegue cantar, então estão pagando duzentas mil libras a cada um de nós, do McFLY, para irmos lá hoje mesmo, para tocarmos no lugar dos caras - explicou.
- Duzentas mil, caramba, é... muito dinheiro! - soltei sem querer, fazendo-o me olhar.
- Organizador desesperado, isso ocorre muito, eles pagam bastante quando estão desesperados! - concordei com a cabeça e me levantei, indo para a varanda. Respirei o ar dali, vendo o sol brilhando no céu. Quem viu a noite anterior, jamais pensaria que hoje o sol brilharia com tanta força. Mas o outono é assim, ainda mais na Inglaterra.
Senti os braços de na minha cintura, e eu respirei fundo por conta daquilo, afinal, eu ainda estava completa, ele ainda estava comigo, e eu sei que depois de um final de semana como esse, nada voltaria a ser tão confuso como antes; agora que sabemos que precisamos um do outro, eu espero conseguir arrumar as coisas com Eric, para poder ficar com . Eu espero...
- Está chateada comigo? - ele sussurrou no meu ouvido, me arrepiando, enquanto eu passava os meus braços nos dele, que estavam em minha cintura.
- Não, nem um pouco. Eu te entendo - disse, apoiando minha cabeça em seu ombro, o sentindo respirar fundo.
- Entende mesmo? - perguntou, em um tom que jamais havia usado. Me virei para ele. Era tom de desconfiança...
- Entendo sim. Você precisa cumprir com suas obrigações. O McFLY não é o McFLY sem você. E tudo o que pode fazer, é correr até lá... ir para Portugal e fazer milhares de garotinhas gritarem enlouquecidamente por você. Esse é o seu trabalho. E quando você voltar, é só pular na varanda ao lado. A partir de hoje, ela sempre estará aberta para você! - falei, passando a mão em seu rosto, vendo seus olhos brilharem quando terminei de dizer. Ele se aproximou ainda mais de mim, selando seus lábios nos meus.
- Obrigado - disse baixinho, me apertando em seus braços. E depois disso, ele me beijou, o beijo mais sincero que eu já havia recebido em minha vida.
A volta para casa foi mais tranquila.
Pedi a para me deixar dirigir, e ele deixou. Toda aquela sensação que eu sempre sonhei me atingiu de um jeito incrível, fazendo todo meu sistema nervoso funcionar a milhão, o que rendeu a ele muitas risadas, que aproveitou para filmar todo nosso retorno, fazendo comentários engraçados e muitos que me deixavam realmente constrangida.
Ele aproveitava quando eu parava o carro para cesar a filmagem e me beijar, muitas vezes aproveitando e tirando foto, me fazendo gargalhar enlouquecidamente quando os veículos atrás de nós começavam a buzinar. Porém, quando voltamos para o apartamento... no elevador apenas fingimos que nada havia acontecido, mas muitas vezes acabei rindo das caras que ele fazia. Sério, ele é palhaço demais!
Entrei no meu apartamento, já indo para o meu quarto.
- Oi para você também, pulguento! – disse quando vi que Yan estava me seguindo com o rabinho abanando.
Joguei a mala no chão do meu quarto, fui até minha escrivaninha, peguei meu diário; depois, o caderninho McFLY.
Escrevi detalhadamente tudo o que tinha descoberto do no final de semana:
"Ele não gosta de maçã, gosta de fazer carinho no meu cabelo, tem um sorriso incrivelmente fofo e infantil quando faz alguma besteira, e principalmente quando fala uma, mas ele incrementa um pouco de malícia no olhar. Ele disse que gostou do meu bolo e que nunca gostou tanto de andar de mãos dadas com alguém do jeito que fez comigo. Ele conseguiu despertar em mim sentimentos que jamais achei possível chegar a sentir!".
No meu diário, dei outros detalhes. Quis colocar exatamente tudo, de um jeito que eu pudesse ler e lembrar de tudo, até mesmo dos detalhes mais insignificantes – se é que pode se dizer que quando se está com , algo é insignificante -.
Fiquei escrevendo e enchendo as folhas do meu diário, que desde seu início, de minha chegada a Londres, nunca havia sido tão escrito antes.
Escrever sobre é bom, faz com que eu me sinta à vontade, escrevendo sobre algo que eu conheço, que faz pleno sentido para mim. Escrever sobre alguém que eu amo...
Ouvi um barulho na minha varanda e me virei para olhar. se ajeitava depois de ter pulado ali, e eu sorri quando ele parou com as mãos nos bolsos, olhando para mim de forma avassaladora. A forma que só ele tem de me olhar.
Coloquei o caderninho e o diário na cama e fui andando até ele, que sorriu para mim. Assim que cheguei perto dele, fui puxada para um beijo gostoso e calmo, apenas suprindo a nossa necessidade de estarmos perto um do outro. Ele parou de me beijar, mordendo de leve meu lábio, e eu sorri, apertando seu corpo dele contra o meu.
- Eu estou indo, pequena! – sussurrou, me fazendo olhá-lo.
- Quando você volta? - perguntei, acariciando seu rosto, mordendo meu lábio.
- Devo voltar amanhã mesmo, a não ser que inventem alguma coisa para fazermos por lá! – respondeu, fechando os olhos, acariciando a minha mão, que estava em sua bochecha.
- Com toda certeza irão inventar... – olhei para baixo, tirando minha mão do seu rosto, colocando no ombro, enquanto tentava controlar a onda de medo que me tomava naquele momento. Sim, medo. O quê? Eu estou apreensiva, ok?
é solteiro, gostando ou não, quem está cometendo um adultério aqui sou eu, não se esqueçam que ele tem a liberdade para fazer o que quiser, ou seja, pegar a garota que quiser, quando e como quiser! E ele ficando mais tempo em Portugal, vai saber o que não pode acontecer, afinal, é do que estamos falando. Ou seja, um homem, com desejos e fraquezas, o que facilita muito quando um rabo de saia passar à sua frente, rebolando. Droga!
Ele puxou meu queixo para cima e me olhou, me fazendo suspirar quando entrei em contato com o dos seus olhos.
- Por que isso me pareceu com um pouco de ciúme? – ele sorria abertamente, na maior cara larga. Rolei os olhos e me soltei dele, indo para perto do beiral da sacada. Caramba, ele já me conhece tão bem assim para saber como estou me sentindo?
- Não é ciúme, não seja patético, ! – disse, tentando encobrir o que eu realmente sentia. Respirei fundo e olhei a paisagem, querendo enterrar todo aquele sentimento bobo dentro de mim, pois eu não deveria me sentir assim. Não, não deveria, mas estava. Senti se aproximar de mim, abraçando minha cintura com uma mão, enquanto a outra afastava os cabelos do meu pescoço, depositando um beijo ali, em seguida. Arrepiei, não teve como não arrepiar e fechar os olhos. Ele então começou a sussurrar.
- Não estou sendo patético, arrogante, metido ou qualquer outra coisa, mas é legal saber que a garota que a gente gosta, sente ciúme quando a gente vai viajar, é... uma sensação gostosa – fechei os olhos, ouvindo a voz rouca dele tomando conta do meu corpo, me deixando sem ar. Golpe muito baixo, .
- Essa sensação não é gostosa para mim – admiti, deitando minha cabeça em seu ombro, enquanto sentia-o passando o nariz pelo meu pescoço. Era gostoso.
Ele mordeu de leve meu pescoço, me fazendo levar minha mão até sua nuca, com vontade. Eu preciso aprender a controlar meus hormônios. Ele começou a mordiscar o local de leve, e eu estava resistindo com todas as minhas forças aos meus instintos, mas quando decidi acabar com aquilo e ter um pouco mais do , antes dele ir para Portugal, eis que um aparelho sonoro nos impede. É o quê, castigo de Deus isso? Ele se separou de mim, e foi até o canto da sacada, tentando ouvir dentro do apartamento. Me virei para ele e coloquei a mão no lugar onde antes era mordida. Ele suspirou e soltou uma risada nasalada, vindo até o beiral da sacada, olhando lá para baixo.
- O que foi? – perguntei, chegando perto do beiral também, olhando lá embaixo, vendo que na frente do prédio tinha um carro prata parado. me olhou e eu correspondi. Saímos do beiral em seguida.
- chegou para me buscar, vamos juntos à gravadora pegar o carro para o aeroporto – falou, passando a mão no meu rosto.
O olhei de uma forma diferente. Concordei com a cabeça, sorrindo torto para ele, que abaixou o rosto, selando nossos lábios, me fazendo suspirar.
- Amanhã é quando o Eric volta... – sussurrei quando ele se afastou, o vendo suspirar e apertar os dentes, me olhando no fundo dos olhos, enquanto passava a mão delicadamente em meu rosto.
- Eu sei. Só de imaginar que... – ele fechou os olhos com força, enrugando a testa, trancando o maxilar.
- Só de imaginar o quê? – perguntei, passando a ponta dos meus dedos sobre seuas rugas na testa, que foram se relaxando, fazendo-o abrir os olhos, me fitando de um jeito profundo.
- Imaginar que ele vai tocar no seu corpo, beijar a sua boca... Ah, , isso me enlouquece de ciúme! Agora mais do que nunca!
Mesmo não querendo, acabei rindo baixinho. Quem era o ciumento agora?
Me aproximei mais dele, ficando na ponta dos pés, passando meus braços pelo seu pescoço, o fazendo me puxar pela cintura, deixando nossos corpos juntos do jeito que eu gosto. Fechei meus olhos.
- Eu posso ser muito maldosa falando assim, mas, ele nunca vai ter de mim algo que você já tem – abri meus olhos, encarando os dele, que me fitavam com curiosidade.
- O que é? - perguntou com a voz baixa, rouca, que fez meu corpo todo tremer e meu coração parar na boca, tamanho o nervoso que eu senti por proferir aquelas palavras.
- O meu coração! – sussurrei, mas de forma audível o suficiente. Ficamos quietos, nos olhando, por um tempo que eu não saberia de dizer quanto, mas sabe quando palavras não são necessárias? É isso. Ele me abraçou fortemente, me fazendo entender que ele estava dizendo o mesmo. – A propósito, vou sentir sua falta, mesmo sendo por pouco tempo! – falei baixinho em sua orelha, sentindo-o se contorcer.
- Não me provoque, ! está lá embaixo, não tenho tempo para eliminar tensões no caminho até o hall! – ele sussurrou, me apertando contra seu corpo, me fazendo rir. Nos afastamos, e ele sorriu para mim, depositando um beijo rápido em meus lábios. – Eu também irei sentir sua falta – concluiu, se afastando de mim, me fazendo engolir seco.
- Até logo! – eu disse quando ele pulou a sacada, me respondendo um "até!", antes de sumir da minha vista.
Respirei fundo inúmeras vezes depois que ouvi a porta da casa dele sendo fechada.
Caminhei de novo até o beiral e fiquei olhando lá para baixo, tentando ver se dava para enxergar alguma coisa. Foi quando vi ajudando com a mala, colocando-a no porta-malas, enquanto olhava para cima. Sorri torto, mesmo sabendo que talvez ele não enxergasse isso. O vendo ali, naquela situação, lembrei de quando saí com Eric para jantar... e que era ele mesmo que estava na sacada aquele dia. Sem dúvida era. E agora, eu que estava nessa posição de observadora. Como as coisas mudam. Bom, pelo menos não é uma mulher o levando para jantar, querendo transar com ele depois. Eu espero, pelo menos. Esses garotos são muito estranhos juntos. O vi estender a mão para mim, e eu estendi a minha também, em uma forma silenciosa de dar tchau. Cara, eu realmente não queria que ele fosse embora. Vi o chamando e os dois entraram no carro, mas não antes de me olhar uma última vez, e assim que o automóvel partiu, eu voltei para dentro do meu quarto, respirando fundo, sem saber o que fazer dali em diante. De algumas coisas eu estava certa: aquele final de semana havia mudado a minha vida pra sempre; iria passar dois dias longe, o que me deixava com medo; titia não estava em casa, de novo; Eric voltava hoje, e eu não sabia o que fazer!
Suspirei e balancei a cabeça, querendo afastar de mim esses pensamentos.
Peguei meu caderninho e o diário, os guardando em seus devidos lugares, pegando em seguida meu notebook, querendo checar se eu tinha muitos e-mails não respondidos. Meus olhos arregalaram quando vi que eu tinha exatos trinta e um e-mails não lidos. Dezoito deles eram propagandas, e nem me preocupei em olhar, exclui todos sem piedade alguma; dez deles eram da minha mãe, me contando sobre coisas doidas, e outros eram do tipo "O que diabos você tanto faz aí nessa terra que não tem tempo para responder sua mãe?". Nem queira saber, mamãe! Sério, ela mandou cinco e-mails só querendo saber por que eu não a respondia, então resolvi respondê-la logo de uma vez.
"Oi, mamãe!
Desculpe por não tê-la respondido antes, eu ando realmente muito atarefada com as coisas da CoffeenBook, e eu tenho que dar atenção ao Eric também, então, mal tenho tempo para abrir esse e-mail. Não se desespere com os meus sumiços, afinal, o telefone da casa da titia continua o mesmo, já disse que se a conta ficar muito cara, eu posso mandar dinheiro para a senhora pagar, afinal, eu trabalho aqui, né?
Fico feliz que seu namoro esteja indo tão bem. A senhora merece mesmo alguém que lhe ame e lhe trate do jeito que é, pois é uma pessoa incrível, merece toda felicidade do mundo.
Titia não está em casa agora, mas pode ficar tranquila que eu direi a ela que a senhora mandou um beijo! Ela também está namorando, sabia disso? O cara, além de rico, é bonitão, kkk.
Meu namoro anda... anda bem, ué, rs. Eric é um cara muito legal, faz com que eu me sinta muito bem ao lado dele, e me faz rir e esquecer os problemas e a saudade de casa. Isso é bom, não é?
Bom, tenho que parar por aqui. Tenho milhares de coisas para resolver, e o Eric logo deve estar aqui, preciso estar, no mínimo, apresentável, rs.
Eu amo você, mãe!
Estou morrendo de saudades!
xx. "
Suspirei assim que terminei de responder, tentando conter as lágrimas que queriam cair. E para fazer isso, fui respondendo os três outros e-mails. Um era de Felipe, me contando que tinha ido viajar para o Canadá, contando das gurias com quem tinha ficado, e me fez rir quando disse "Não tenha ciúme, você ainda é minha favorita!". Temos essa de favorita desde que me entendo por gente; Camilla e eu somos suas favoritas.
Lembrando de Felipe, às vezes me sinto tão constrangida... Céus!
Outro era de meu pai, querendo saber se eu estava, e eu respondi da mesma forma seca na qual ele havia perguntado.
O último era da Camis, que me deixou com uma pulga atrás da orelha: "Surpresas são sempre bem vindas (?)". Estranho, não? O que me fez responder a ela um "Sempre serão!".
Me levantei e caminhei até a cozinha, indo pegar um lanche no armário, enquanto tentava entender o que Camilla estava aprontando no final das contas. Ok, a quem eu estava querendo enganar? Eu estava pensando em , prestes a pegar um avião para Portugal enquanto eu teria que receber meu namorado que eu não amo. Que vida não?
Fui até a sala e liguei a TV na Warner, há dias eu queria assistir algum seriado, então, era a hora, porque eu definitivamente não estava querendo pensar muito naquele momento. Dei um berro quando anunciou que em quinze minutos começaria a maratona da primeira temporada de "The Vampire Diaries", o que acabou fazendo com que o Yan quase caísse da poltrona, arrancando boas gargalhadas de mim. Era tudo que eu precisava, uma dose dos irmãos Salvatore rondando nas minhas veias. Sério mesmo, se eles quisessem dar uma mordida na minha jugular, eu não iria reclamar! Puxei a manta que sempre fica no sofá para cima das minhas pernas, a fim de me cobrir enquanto comia Sucrilhos no pote com leite morno, hm. Que venham os vampiros!
Estava no sétimo episódio de "The Vampire Diaries" quando ouvi o barulho de chaves na porta. Sorri quando vi Yan já correndo para lá.
- , meu anjo, você voltou! – Eleonor disse assim que me viu, fechando a porta enquanto jogava a bolsa na poltrona e colocava algumas sacolas de lojas no canto da entrada. Me levantei e fui até ela, a abraçando. Eu estava com saudades da minha tia.
- Como você está, tia? – perguntei, a puxando para se sentar no sofá comigo. Ela suspirou, e me olhou sorrindo.
- Estou em um turbilhão de acontecimentos, acho melhor você me falar primeiro como foi seu final de semana – suspirou e se encostou no sofá. Comecei a contar a ela, tudo exatamente do jeito que havia acontecido, desde o beijo de tirar o fôlego dentro desse apartamento, até a minha despedida na varanda com ele. Contei o que ele havia dito, feito e o quanto eu me sentia polvorosa por dentro. O modo como eu nunca achei que fosse ficar, que até mesmo ultrapassava tudo que eu havia sentido pelo Gustavo, me dando a certeza de que ele era apenas um passado bem distante em minha vida. Também contei dos e-mails engraçados da minha mãe, do seco do meu pai, do Felipe e do e-mail misterioso da Camilla.
- Você faz ideia do que ela quis dizer com aquilo? – me perguntou e eu neguei com a cabeça.
- Não faço a menor ideia!
Ela concordou e logo em seguida bocejou.
- Olha, meu amor, eu 'to exausta, preciso de um bom banho e descansar, tudo bem para você ficar aí? – neguei com a cabeça, e estranhei. Desde que eu havia me mudado para Londres, nunca vi Eleonor chegar tão cedo do trabalho e com tanta cara de cansada do jeito que estava. O que será que houve? – Ah, , se não for pedir demais, será que você poderia fazer uma sopa de pacotinho para mim? Estou faminta!
- Claro, sem problemas – respondi, vendo-a se afastar, sendo seguida por Yan. Ah, tem alguma coisa aí, tem caroço nesse angu, como dizia a minha avó.
Minutos depois, eu já tinha feito a sopa. Então, coloquei em um prato e fui até o quarto da minha tia, levar para ela.
Coloquei na sua mesinha de canto, enquanto a via se trocar em uma calma tão grande que até estranhei, afinal, ela sempre foi uma mulher tão agitada, que não dava para entender o que estava acontecendo.
- Tia? – chamei-a, vendo-a se olhar no espelho e me responder com um “hm”. – O que está acontecendo? Nunca te vi tão cansada!
Ela sorriu para sua imagem no espelho, e respondeu.
- Relaxa, querida, são os hormônios – Hormônios? Ela estava de TPM então?
- Os... os hormônios "ele"? – perguntei e ela riu baixinho.
- Olhe na sacola, ... – apontou em cima da cama, e eu me virei para elas. Puxei de dentro de uma dois embrulhos, os abrindo em seguida. Senti meus olhos se arregalarem e meu coração começar a bater rápido, ao que eu sentia um sorriso estupidamente grande crescendo no meu rosto. Alguns risos entrecortados saiam da minha boca e eu mal podia acreditar no que via.
- Isso... isso é sério? – perguntei, olhando-a, vendo minha tia virada para mim com os olhos marejados.
- É sim, meu anjo! – respondeu, deixando algumas singelas lágrimas rolarem pelo rosto.
- Quando você descobriu isso? – olhei para o pacotinho na minha mão e depois tornei a olhá-la.
- Na sexta feira. Isso não é surreal? – questionou, colocando uma mecha do cabelo dela para trás da orelha. Opa, conheço essa mania!
- Não tinha, isso, isso é... – olhei dela para o pacotinho, dele para ela. – Isso é lindo! – ok, o pacotinho no qual estava me referindo era um pacotinho de fraldas. É isso aí, de fraldas! E dentro da outra sacola estavam três macacões pequenininhos, da cor amarela, verde e branca, todos bem clarinhos. Fraldas e macacões de bebê! Eleonor está grávida! GRÁVIDA!
Me levantei da cama, e a abracei, sorrindo. Sentindo-a molhar minha camiseta com suas lágrimas.
Ficamos um tempo abraçadas, e eu sentia meu coração acelerando devido ao fato de estar tão surpresa e tão feliz ao mesmo tempo.
- O Fred já sabe? – perguntei assim que nos afastamos, vendo-a secar as lágrimas com as mãos.
- Sabe sim! Eu fui até a casa dele na sexta feira, e eu comi um macarrão que ele havia feito, mas já havia algumas semanas que eu estava muito enjoada, e ele sabia disso. Então, quando eu passei mal com o macarrão, ele insistiu para me levar ao médico, e eu deixei, também estava preocupada porque minha menstruação estava muito atrasada. E bom, fiz um exame de sangue, que constatou que eu estou grávida de um mês e meio já! – seus olhos brilhavam, e eu sorri mais abertamente por causa disso! Ela caminhou até a cama e se sentou, suspirando. – Fred ficou mais feliz do que eu, por causa do trabalho dele. Sua ex mulher nunca quis ter filhos, e ele sempre foi um tio muito atencioso para seus sobrinhos. Eu mesma vi isso. As crianças simplesmente o amam de um jeito muito fofo, então, imagine a alegria em que ele ficou quando descobriu que iria ser pai?!
- E você, tia, como ficou? Como está?
- Eu? Ah, na hora eu fiquei assustada, nem dormir de noite eu consegui, mas no dia seguinte, Fred me deu tanto amor e carinho, acariava minha barriga... e nossa, quando ele começou a chorar, não teve como, eu me senti a mulher mais feliz do mundo inteiro, ! – ela secou uma lágrima que rolava pela sua bochecha, e eu sorri. Era bom ver que tudo estava dando certo para ela!
Ficamos um tempo ali, juntas, sobre coisinhas de bebê, e tudo mais. Eu estava feliz em ver minha tia feliz!
Ouvi meu celular tocar e saí correndo para meu quarto, tendo esperanças de que fosse avisando que havia chegado em Portugal. Mas na tela mostrava que eu tinha uma mensagem, de Eric.
“Faltam apenas algumas horas para eu poder te ter nos meus braços outra vez! Mal posso esperar! Eu te amo, xx E.”
Mordi meu lábio e senti meu corpo começar a pesar, me sentei na cama enquanto meus olhos estavam marejando. Droga, eu não queria vê-lo, eu não queria estar nos braços dele, nem sentir os seus lábios. Estava tudo errado, tudo completamente errado. Eu estava namorando o cara errado!
- ? – Eleonor apareceu na porta do meu quarto e eu olhei para ela. – Não era o , não é? – perguntou docemente, vindo se sentar ao meu lado. Balancei negativamente a cabeça e passei o celular para ela, mostrando a mensagem. – Oh, querida, eu... O que você vai fazer?
- E eu que sei, tia? Tudo que eu sei é que eu não consigo mais me imaginar nos braços dele, não consigo mais querer estar nos braços dele! Eu me sinto péssima falando assim, mas o único motivo que me fazia querer o Eric era para tapar o buraco que havia deixado, mas agora que ele está na minha vida, que eu não preciso mais que buraco nenhum seja tampado, o que eu vou fazer com o Eric? Ele é um cara tão legal, sabe? Ele merecia alguém que o amasse do jeito que merece mesmo, mas eu não sou essa pessoa, eu já amo outro. Mas eu não tenho coragem de falar isso para ele! – falei enquanto deixava que as lágrimas tomassem conta do meu rosto.
- Vem cá, meu anjo! – titia me puxou para um abraço apertado, e dessa vez foi a minha vez de molhar o pijama dela.
Ficamos por um tempo indeterminado abraçadas. Eu, chorando amargurada; minha tia, sendo a única pessoa a me entender naquele momento.
Segunda feira.
Fatídico dia em que um namorado em questão retornaria.
Eu não sei como será, não sei o que esperar do dia de hoje, mas sei que meu coração está batendo de um jeito diferente essa manhã.
Como todos os dias da minha semana, acordei cedo para ir trabalhar na CoffeenBook. Eu tinha acordado sentindo um algo estranho, que começou a incomodar meu estômago, então desisti de enrolar na cama e comecei a me arrumar para poder ver se me distraia um pouco.
Titia iria mais tarde para lá, alegando que a gravidez a deixava com mais sono que o normal. Já que eu não estou grávida e nem nunca fiquei, não sei quais são os sintomas, então não questionei os dela. Quem sou eu pra fazer isso?
Peguei minha mochila do chão e saí do meu quarto, indo para a sala enquanto pegava meu celular, que estava dentro da bolsa. Abri um sorriso idiota quando li na tela.
“Você tem 1 mensagem de: .”
Não consegui deixar de sorrir estupidamente com aquilo.
“Sabe que eu sempre gostei muito de Portugal, sempre gostei de receber bem por shows de última hora, sempre gostei de fãs ensandecidas gritando pelo meu nome enquanto berram que me amam. Mas desde o momento em que parou de falar merda na minha orelha e eu consegui respirar fundo, seu cheiro me invadiu de um jeito que me deixou zonzo. Depois do show, fomos em um pub, e aquelas garotas dançando, rebolando, dançando e rebolando, não chegaram perto de prender a minha atenção do jeito que prenderia se fosse o seu corpo se movendo na minha frente. Já estou sentindo sua falta. xx".
Mordi meu lábio. estava mesmo começando a botar os sentimentos para fora. Enquanto esperava o elevador, digitei bobamente.
“Nunca te disseram que as brasileiras são melhores no rebolado? Haha, estou brincando. Me faz bem saber que está pensando em mim na mesma proporção que estou pensando em ti. Espero que esteja tudo bem por aí. Também sinto a sua falta. Mesmo! xx ".
Enviei a mensagem enquanto entrava no elevador, logo depois o guardando dentro da minha bolsa, pegando o iPod em seguida.
Entrei na pasta do McFLY, selecionando o CD Radio:Active, enquanto ia andando para a CoffeenBook. No meio do caminho, senti algo vibrando na minha bolsa - o celular, obviamente, eu não ando por aí com objetos que vibram -. Peguei o dito cujo e sorri ao ver que era outra mensagem de .
“I’ll be your man through the fire, I’ll hold your hand through the flames. Essa é minha única verdade agora, xx .".
Ok, quase tive um ataque cardíaco agora!
Bem na hora em que eu li essa mensagem, "Falling In Love" começou a tocar. Uma música romântica tocando, tem como ser mais clichê que isso? Continuei andando para a CoffeenBook, meus dedos coçando querendo responder a ele, mas como eu estava no meio de uma longa caminhada, tinha medo de ser assaltada, afinal, no mundo em que vivemos hoje, estamos sujeitos a tudo, mesmo estando na Inglaterra. Na Inglaterra também tem bandidinhos, viu?
Vinte minutos depois eu já estava na sala dos funcionários, guardando minhas coisas e pegando meu avental. Peguei meu celular e digitei rapidamente.
"Você é a harmonia de cada canção que eu canto! Indo trabalhar, xx .".
Coloquei o celular no bolso da calça e saí correndo para atender, seria um longo dia pela frente.
Sentei com tudo na poltrona vazia, no ambiente vazio da CoffeenBook. Nove longas horas, foi o tempo que trabalhei nessa longa noite de segunda feira. Já comentei como as detesto?
Eric não me deu sinal de vida, o que eu não sei se é bom ou ruim, mas que seja. Quando eu chegar em casa, ligo para ele.
me mandou torpedos o dia todo, e Eleonor que é bom, só apareceu por aqui uma única vez, e estava com cara de quem corria com algumas coisas. Agora, o que eram, não sei, afinal ela saiu correndo daqui. E por falar nela...
- Oi, tia! – disse quando a vi se aproximando de mim.
- Pega suas coisas e vamos para casa, por favor, estou morrendo por um banho! – disse enquanto revirava a bolsa.
Me levantei e fui até meu armário, peguei minha bolsa, taquei meu avental lá dentro, e arrumei meu cabelo, que está mesmo precisando de um corte! Voltei para o salão e me surpreendi vendo que as janelas já estavam cobertas pelas lonas, o caixa fechado, as luzes apagadas e Eleonor na porta, me esperando.
- Está tudo bem, tia? – perguntei enquanto fechava a porta, e titia começava a ir para o carro.
- Estou grávida, estou agitada, , só isso! – hm, chupa essa. Concordei com a cabeça e entrei no carro. Velho, tem algo muito estranho acontecendo.
Peguei meu celular, e digitei rapidamente para .
"Eleonor está dando alok, HELP!".
Esperei uns segundos e recebi minha resposta.
"LOL, ela deve estar preocupada com alguma coisa, relaxa, !".
Respirei fundo e aguentei aquele silêncio maligno dentro do carro, ou melhor, não aguentei não!
- Eric não ligou o dia todo, estranho, não? – falei assim, como quem não quer nada, enquanto olhava para o retrovisor. A ouvi bufar.
- Ele devia ter outras coisas a fazer, mas não se preocupe, você ainda vai falar com ele hoje – disse, enquanto segurava fortemente no volante.
- Por que está dizendo isso, sabe de algo que eu não sei? – questionei assim mesmo, sou curiosa.
- Não, meu anjo, é que se tratando do Eric, é algo muito previsível! – ela sorriu, e então chegamos na entrada do nosso prédio. Tinha algo estranho acontecendo, eu conseguia sentir no ar, mas eu não sabia explicar exatamente o que era, e por que ela estava desse jeito, só sei que era muito ruim esse clima.
Saímos do carro em silêncio, e pegamos o elevador da mesma forma, até que...
- Er, você por acaso sabe que dia é hoje, querida? – Eleonor perguntou enquanto eu encarava meu All Star. Levantei meu rosto, olhando para ela.
- Segunda-feira. – falei, sabendo que eu estava certa quanto ao que dizia.
- Sim, mas me refiro ao dia mesmo, a data! – a olhei, vendo que sua fisionomia já estava completamente diferente da hora que estava me esperando para entrar no carro. 'To dizendo que tem algo aí!
- Vinte e um de novembro, por quê? – respondi, vendo-a sorrir enquanto digitava algo em seu celular, sempre acompanhada do aparelho, não é, Eleonor? Aposto que é o Fred. Ela então me olhou, com um sorriso nos lábios.
- Não passa nada na sua cabeça com relação a essa data? – perguntou enquanto o elevador chegava ao nosso andar, e eu negava com a cabeça. Ela riu, abaixou a cabeça, e saiu de dentro do elevador. Vinte e um de novembro... é, realmente, tem algo familiar aí.
- Tia, o que tem o dia de hoje? – eu tinha que perguntar, não iria aguentar de curiosidade. Ela então parou, segurando a maçaneta da porta, e sorriu mostrando todos seus dentes.
- Tem um ano que você mora aqui, ! – e então ela abriu a porta, me fazendo arregalar os olhos.
No meio da sala tinha uma faixa escrita "Um ano até aqui, baby!", me fazendo rir. Os funcionários da CoffenBook estavam ali, rindo e batendo palma. Perto da mesa da sala de jantar estava Fred, com a... MEU DEUS, COM A MINHA MÃE! E COM A CAMILLA!
Perto dali estava ele, o cara que devia ter me ligado o dia inteiro, Eric, com seu irmão, Anthony, e seus pais, claro.
Do outro lado, próximo a Anth, estavam os meninos... , e com suas devidas namoradas; logo ao fundo, escorado na janela de vidro da varanda, estava ele, lindo como sempre, olhando para mim como olhou na primeira vez que nos fitamos nesse corredor em que estou, fazendo meu coração acelerar como fez naquele mesmo dia. Mas agora, podendo chamá-lo de meu, meu . Espera, espera, deixa eu ver se entendi, minha mãe, Camilla, os pais de Eric, o irmão do Eric, amigos, funcionários, Eric... e . e Eric. O meu namorado no mesmo recinto que o homem que eu amo. Todos juntos em uma festa? Fuck, isso não vai prestar!
Capítulo 16.
Ok, o que eu iria fazer era a questão. Eu sequer conseguia me mexer, era informação demais para o meu lento cérebro . Vi minha mãe dar um passo na minha direção e de repente eu sabia o que fazer. Corri até ela e abracei, jogando minha mochila no chão, abracei minha mãe com todas as minhas forças – que não era muita –, descontando toda a minha saudade naquilo, naquele singelo abraço.
- Mamãe! – Eu disse, fechando meus olhos com força, sentindo-a me abraçar exatamente com a mesma força.
- Ai, , como senti sua falta, meu amor! – Ela disse, me abraçando com a mesma intensidade que eu estava lhe abraçando. É incrível como começamos a dar valor a partir do momento em que as coisas na qual estávamos acostumados sai da nossa rotina. Eu estava acostumada a ver minha mãe tinha dezoito anos, e em pensar que tinha dias que eu simplesmente não queria olhar pra ela, não queria saber aonde ela ia, e quando era mais nova, não queria que ela voltasse pra casa quando me deixava por muito tempo sozinha. Mas agora, com esse ano todo, sem ela, sem estar perto de seus abraços, de seus carinhos e dos poucos momentos que tínhamos pra estarmos perto uma da outra, eu percebi o quanto a presença materna pode fazer falta. Realmente, minha vida ficou muito mais agitada depois que vim pra cá, e que tem horas que eu mal consigo respirar e mal consigo entrar no MSN pra falar com ela, mas ainda assim acho que eu daria um jeito se ela estivesse aqui, pra ela, eu arrumaria um tempo. Senti uma lágrima grossa rolar pela minha bochecha.
- Também senti sua falta, mamãe! – Suspirei e abri os olhos, dando de cara com , que piscou pra mim, sorrindo e me mostrando toda aquela arcada dentaria, o sorriso mais lindo da minha vida. Sorri de volta pra ele, sentindo borboletas, as irritantes borboletas, batendo asas dentro de mim. Me afastei da minha mãe, vendo-a sorrir pra mim, me analisando com aqueles olhos de mãe.
- Você está diferente, não parece mais aquela garota que deixou o meu apartamento um ano atrás! – Seus olhos me fitavam e eu tive medo do que eles pudessem estar captando. Sério, mãe é terrível pra esse tipo de coisa.
- Eu me... – Olhei pra de relance, vendo que ele ainda olhava pra mim, me fazendo voltar a olhar pra minha mãe – Eu me sinto diferente mãe, temos tantas coisas pra conversar! – Peguei em suas mãos e ela riu, soltando uma, passando a acariciar meu rosto. Me afastei dela, olhando pra Camilla. Senti meus olhos marejarem quando ela sorriu. Abracei minha melhor amiga, deixando poucas lágrimas rolarem pelo meu rosto.
- Olha aqui, , se você continuar chorando eu vou chorar e eu não estou afim de borrar a minha maquiagem no meio deles! – Ela disse baixinho e em português, no meu ouvido, me fazendo rir. Eu tinha esquecido que Camilla era fã de McFLY e eu acho que não cheguei a contar a ela do meu suposto caso com um dos integrantes da banda. Me afastei dela rindo, enquanto secava minhas lágrimas e sorria em sua direção.
- É bom te ter por perto, vagal! – Eu disse, ainda em português, vendo-a em seguida colocar a mão embaixo do queixo fazendo pose pra mim. Eu ri e quando me virei senti dois braços envolvendo minha cintura, me levantando do chão enquanto beijava meu pescoço. Desejei que aquela pessoa fosse , mas eu sabia pelo modo que a pessoa me abraçava e beijava meu pescoço, que aquele definitivamente não era o meu McFLY.
- Ah, meu amor, senti tanto a sua falta! – Ouvi Eric sussurrar em minha orelha e abri meus olhos que tinham se fechado subitamente depois que ele me pegou no colo. Meus olhos pararam em , que ainda estava no batente da porta da sacada, e respirei fundo vendo que ele olhava pros pés e não pra mim. Meu coração apertou com essa cena. Senti meus pés tocando o chão e Eric se afastar levemente, se aproximar outra vez, mas pra selar nossos lábios. De um modo horrível, meu estomago deu voltas, ficando embrulhado, como se meu corpo inteiro rejeitasse aqueles lábios, mas não sabia como demonstrar. Rapidamente, separei nossos lábios, me deixando mais aliviada, mas com uma sensação de enjôo forte. Olhei para ele que sorriu, parecendo não perceber meu estado de repulsa com aquela situação. Ótimo, queria ver como eu conseguiria ficar sozinha com ele.
- Foram só quatro dias, Eric! – Eu disse, tentando sorrir, e ele sorriu amarelo. Me afastei e corri abraçando , que me esperava com um sorriso lindo. A festa a partir daí começou a ficar melhor, como tinha que falar com muitas pessoas, consegui ficar boa parte longe do Eric. Sim, eu estava evitando falar com ele, pois eu tinha medo do que sentiria quando ele se aproximasse demais, e demais quando digo é que ele me beijasse, não queria outros lábios nos meus se não fossem os de . No meio da festa coloquei uma roupa mais confortável, sendo seguida por Camilla que me pediu pra lhe apresentar os McGuys e as garotas. Até que foi divertido, ela quase teve um ataque cardíaco quando lhe deu um beijo na bochecha, o que fez a namorada dele quase explodir em risadas. Mas a conversa em si foi boa, se entrosou e foi simpático com Camilla, a deixando doida, realmente, os olhos da minha amiga brilhavam, a única dificuldade que eu tive foi de não encarar por mais de dez segundos, sério, ele estava tão estupidamente lindo que eu cheguei a ficar sem ar quando ele olhou pra mim. Ele usava uma calça skinny escura, com um tênis preto, uma camisa branca sem estampas e um palito preto por cima, os cabelos hoje estavam arrumados com um pouco de gel, deixando alguns fios arrepiados, dando a ele um ar de... . Depois que eu percebi que não estava muito bem ficando perto dele sem poder o tocar, puxei pra conhecer minha mãe e as duas engataram uma conversa animada sobre tantas coisas que eu fiquei perdida, por isso fui falar com os pais de Eric e seu irmão, sempre me divirto com o pai de Eric, ele me faz rir demais, exatamente como Anthony faz, mas, ele consegue ser mais idiota. Depois de um bom tempo, quando já estava constrangida com os abraços e beijos na bochecha de Eric – que parecia mais querer mostrar aos pais que éramos um casal fofo do que estava mesmo querendo mostrar que gosta de mim –, me enchi e fui para o pessoal da CoffeenBook, brigando com eles por terem me escondido a festa, mas eles me disseram que tinha sido por uma boa causa, filhos da mãe. Estávamos conversando sobre um assunto qualquer quando vi Fred chegando, beijando Eleonor rapidamente e depois acariciando sua barriga. Fiquei encarando os dois enquanto o pessoal começou um assunto doido, que eu nem sei ao certo o que era, mas ao olhar pra Ele e Fred, eu me perdi, o modo lindo como eles estavam fazia meu coração bater alegremente, e eu sabia que aquele pequeno ser dentro de Ele seria a criança mais amada de toda essa Inglaterra.
- ? – Ouvi meu apelido sendo chamado, dando de cara com a mãe de Eric.
- Oi, senhora Brant! – Disse sorrindo, tentando me focar em seus olhos igualmente verdes como os de Eric.
- Querida, eu, meu marido e Anthony estamos indo, Anth e o pai tem coisas a fazer amanhã cedo, e eu apenas preciso acompanhá-los! Não se importa, não é? – Ela disse, com sua voz suave.
- Claro que não, muito obrigada por terem vindo! – Falei simpaticamente quando Senhor Brant e Anth se aproximaram. Os cumprimentei, os levando com Eric até o elevador. Meu coração disparou, eu sabia exatamente bem porque Eric tinha me acompanhado até lá. Quando as portas do elevador se fecharam, senti ele me empurrando até uma parede, me beijando com vontade em seguida. Era o beijo mais estranho que ele já havia me dado, era feroz, ele me beijava tão forte, tão agressivamente que chegava a machucar, pressionando meus lábios contra os meus dentes, de uma forma muito ruim. Senti uma das mãos dele tocando minha virilha, a apalpando e apertando depois, respirei fundo quando senti ele levantando uma mão, tocando meu seio, o apertando com tamanha força que me fez gritar baixinho e o afastar. Toquei meu seio, e respirei fundo.
- Eric, o que é isso? – Perguntei, arregalando os olhos, com uma mão no seio e a outra nos lábios, eu até conseguia sentir o gosto do sangue. Ficamos nos encarando por um tempo, eu tentando entender o que diabos tinha acontecido ali e ele respirando fundo. Eu só não saia dali correndo, porque eu devia estar com os lábios inchados e vermelhos. Abaixei meu olhar para o chão, mas vi quando ele estava se aproximando. Eu sabia que não precisava sentir medo dele, mas eu estava, o que posso fazer?
- Não tenha medo de mim, por favor, eu não... Não fiz isso por mal, ! - Ele sussurrou quando chegou perto de mim, passando a mão no meu rosto, agora sim como o Eric, o cara que eu tinha visto da ultima vez, o que as pessoas diziam que era meu.
- Você me machucou, cara! – Eu respirei fundo olhando pra ele, e ele abaixou a cabeça, depois a deitou no meu ombro, me fazendo encarar a outra parede.
- Me desculpa, me desculpa, me desculpa! Eu só não consegui me controlar direito! – Ele finalmente olhou pra mim e eu não consegui sorrir, apenas balancei a cabeça querendo dizer que estava tudo bem.
- Tudo bem. – Acabei dizendo, sentindo meu coração pulando dentro do meu peito. Ele levantou a cabeça e me olhou, passando a mão no meu cabelo, depois no meu rosto, e em meus lábios. Ele fitou meus lábios enquanto abaixava a mão.
- Eu queria ficar contigo hoje à noite, mas acho que você quer ficar com sua melhor amiga e sua mãe, né? – Ele perguntou, ainda sem tirar os olhos dos meus lábios. Eu me sinto horrível em pensar assim, mas não era com elas que eu queria ficar essa noite. Apenas concordei com a cabeça e ele finalmente me fitou, sorrindo amarelo.
- A gente se vê amanhã, pode ser? – Perguntei e ele concordou, vindo pra me beijar, mas eu acabei virando o rosto e me afastando dele, indo de volta pra sala. Pelo menos ele iria achar que aquela reação era devido ao fato de que eu não tinha gostado do modo como ele havia agido, já era uma boa desculpa pra me afastar. Assim que entrei no apartamento, percebi como aquela sala ficava cheia com apenas vinte pessoas, e olha que três já haviam ido. Mas aí é que está, alguém tinha colocado música pra tocar, e em um canto da sala estavam Eleonor e Fred, e sua namorada, e , e mais uns amigos em casais dançando músicas aleatórias de uma rádio. Eu sorri com aquilo, pois estava me lembrando muito aqueles bailinhos de colégios de filmes americanos, aquele em que o garoto chama a garota, eles dançam loucamente e depois dão o primeiro grande beijo, aquela coisa bem bobinha e melosa, mas que para garotas apaixonadas fazem todo o sentido do mundo. Olhei de relance pra e respirei fundo quando ele me encarou, com um copo de bebida nas mãos. Ele me olhava diferente e eu engoli seco sabendo que ele havia percebido algo, pois ele me encarava com uma sobrancelha levantada. Meu coração disparou quando vi que ele começava a caminhar em minha direção, e enquanto via Eric parar ao meu lado, a única coisa que se passava na minha cabeça era “Vai dar merda, vai dar merda, vai dar merda!”. Eric me puxou mais pra si e eu engoli seco quando parou na nossa frente.
- Se incomoda se eu tirar sua namorada pra dançar, caro amigo? – perguntou enquanto sorria amigavelmente para nós dois. Senti a mão de Eric apertar um pouco forte demais minha cintura e eu me contorci. Bosta, mas que diabos esse tem em sua cabeça?
Olhei para Eric que estava com o maxilar travado com força e fitava que estava tão sério quanto ele, mas com uma expressão mais calma. Eric então respirou fundo, soltou minha cintura e sorriu, mas um sorriso que não era o dele.
- Claro, por que não? – Me deu um empurrão e eu parei na frente de o vendo se afastar. estendeu sua mão pra mim.
- Mas que diabos... – Eu ia perguntar mas ele apenas colocou o dedo indicador na boca, me pedindo silêncio, em seguida estendendo sua mão pra mim.
- Apenas iremos dançar, como bons amigos que somos, certo? – Sorriu pra mim, aquele sorriso que tiraria o fôlego de vida de qualquer velhinha que estivesse por perto. Graças a Deus não tínhamos idosas ali. Bons amigos, sei. Segurei sua mão e fui com ele até onde o pessoal estava dançando, o vendo colocar seu copo de bebida na mesinha de centro, perto de onde estavam dançando. Ele segurou minha cintura, me prendeu perto do seu corpo e então ele começou a embalar meu corpo no ritmo de uma música que eu não conhecia, mas que era mais agitada do que o ritmo em que estávamos.
- Hm, só pra confirmar, ele te beijou, certo? – Ouvi a voz de no meu ouvido e eu arrepiei quase que instantaneamente. Mas que diabos de pergunta era aquela?
- Erm, sim. – Respondi, olhando de longe, vendo Eric em uma conversa social com os Marty McFLY.
- E está tudo bem? – tornou a perguntar e eu respirei fundo, eu tinha certeza que ele notaria.
- Não sei dizer, , ele está um tanto agressivo. – Tirei meus olhos dele e fiquei apenas concentrada em minha dança com .
- Agressivo como? – Senti ele me apertando mais contra seu corpo e eu fechei os olhos respirando fundo.
- Não sei te explicar, é só que ele não está em seu estado habitual. – Resumi, pois não sabia um sentido certo para dar para aquele comportamento estranho que Eric estava tendo.
- Ciúmes por eu estar aqui, talvez? Insegurança também serve. – Ele disse e eu ri baixinho. Eu havia contado a ele a crise que Eric havia dado quando soube que já havíamos ficado e depois disso ele acabava sempre fazendo piadinhas em horas inadequadas. Como agora.
- Para de brincar, ok? Estou falando sério. Ele me beijou de um jeito tão forte que até sangrou, ! – Passei a língua nos meus lábios ao que terminei de dizer e me olhou, sem afastar nossos corpos.
- Ele te machucou? – Apenas balancei a cabeça e o vi engolindo saliva enquanto respirava.
- Ele só pode ter merda na cabeça, se eu pudesse te trancava no meu apartamento e socava esse... Idiota! - Ele suspirou e mordeu os lábios, fazendo com que eu o achasse fofo em uma hora que não devia. Levantei minha mão, a colocando em sua nuca e a acariciei enquanto sorria.
- Relaxa, ta bom? Não está doendo nem nada, mas eu realmente me assustei. Mas isso não é assunto pra agora, a gente fala disso mais tarde, sei lá. – Ele sorriu e concordou, sem dizer mais nada, apenas encostou a cabeça no meu ombro e começamos a dançar. Só naquele minuto percebi a voz de John Meyer em Slow Dancing In a Burning Room. me balançava levemente no ritmo da música enquanto começava a cantar a segunda parte da música que se iniciava. Ficamos dançando, com o corpo perto do meu, aquela música linda e toda aquela vontade avassaladora de tocá-lo estava ficando mais forte. Senti ele aproximar mais nossos corpos, me fazendo envolver meus braços em seu pescoço, sentindo-o envolver minha cintura, balançando nossos corpos na melodia da música, enquanto ele cantava a música pra mim. Não tinha nada melhor do que aquilo, era definitivamente tudo que eu precisava naquele momento, não dava pra negar isso de forma alguma.
De repente, senti meu corpo sendo puxado com força, me fazendo despertar , dando de cara com um Eric, não o Eric que eu conheço. Vi tudo como se estivesse em câmera lenta: Eric me puxou pra trás dele, e em seguida vi e tentarem o segurar, mas não foi o suficiente, ele acabou dando um soco na boca de , que apenas virou o rosto, segurando a boca com a mão. Minha mãe me puxou e me segurou, mas eu estava tão puta que eu apenas me soltei dos braços dela, e parei na frente de Eric, olhando no fundo dos olhos dele. Comentei os gritos de insultos que ele estava soltando aos quatro ventos? Pois é, nem mesmo vou repeti-los.
- Eric, para! Será que você poderia parar com esse escândalo? Esta assustando os convidados! – Eu gritei com ele, segurando o rosto dele fazendo-o olhar pra mim. Ele bufava e eu conseguia perceber que os olhos dele estavam mais vermelhos que o normal, e eu não sei se era de raiva ou de mais alguma outra coisa, mas ele estava assustador, isso não dava pra negar.
- , ele, ele... ELE ESTAVA QUASE BEIJANDO VOCÊ! E NA FRENTE DE TODO MUNDO E... - Ele tornou a gritar e eu me irritei. Quem ele pensava que era pra fazer aquele estardalhaço todo, ainda mais na minha festa?
- CALA A BOCA, ERIC! – O puxei pelo braço, cruzando a sala com ele o levando para o corredor do quarto da titia, entrando no mesmo e fechando a porta. – MAS QUE MERDA É ESSA AGORA, BRANT? O QUE DEU NA SUA CABEÇA? É A MINHA FESTA! E PIOR, NA FRENTE DOS MEUS AMIGOS, NA FRENTE DA MINHA MELHOR AMIGA, NA FRENTE... NA FRENTE DA MINHA MÃE, ERIC, CARAMBA! – Bati as mãos nas pernas e caminhei no quarto, irritada, sentindo o meu sangue subindo à cabeça, mas tentando com todas as forças controlar os meus instintos de descer o cacete nele ali mesmo, mas por outro lado do jeito que ele estava estranho, tinha medo de que ele mesmo acabasse me batendo. Eric caminhou no quarto, sentando na cama da Eleonor, passando a mão nos cabelos nervosamente fitando o chão.
- Ele ia te beijar, e você ia corresponder! – Sua voz saiu baixa e estremecida, e eu tive vontade de entender o que se passava dentro da cabeça dele.
- Estávamos dançando, o rosto dele estava no meu ombro, como que ele ia me beijar desse jeito, Eric, como? – Perguntei, olhando pra ele, sem receber um único olhar em resposta.
- Não sei, , eu não sei! Eu só sei que eu não gosto de vocês dois juntos, perto demais um do outro, me incomoda! – Ele levantou da cama rapidamente, me olhando fundo nos olhos, me fazendo sentir uma coisa muito ruim dentro de mim. Ele começou a se aproximar, me olhando fundo e diretamente, fazendo com que eu me sentisse como um pedaço de carne a uma pessoa faminta. Ele me encostou na parede. – Me desculpe, eu estou sendo ridículo, mas é só que eu sinto ciúmes de vocês juntos, e vocês estavam tão juntos que eu não consegui me controlar! – Respirei fundo, sentindo a parede gelada, mas conseguia perceber que ele estava tentando ser sincero. - Me beija! – Ele disse, simplesmente. Ótimo, o que eu faria agora? Mil pensamentos se passaram pela minha cabeça, mas não cheguei a conseguir formular uma boa razão para não beijá-lo. Por isso o puxei pela nuca e acabei o beijando, mas logo aquela sensação de nojo veio a minha boca, mas eu continuei firme, beijando ele, sentindo minha língua tocando a dele, o que eu poderia fazer senão agüentar firme e continuar aquele beijo até o fim? A coisa mais clichê que deveria acontecer, seria aparecer ali e nós dois pararmos de nos beijar, mas não. Ele não apareceu, ninguém apareceu, e eu tive que continuar aquilo, mesmo que estivesse me matando. Ele pressionava meu corpo na parede, do jeito que ele sempre fez desde que começamos a namorar e que antes eu até gostava, mas não era isso que estava acontecendo, pelo contrário, eu queria que ele parasse, se afastasse e fosse logo embora dali! Mas se passaram vários minutos até que ele finalmente parou de passar a mão pelo meu corpo, de beijar meu pescoço e desistiu de me provocar.
- Eu preciso voltar pros convidados! – Disse, da forma mais seca e fria que eu podia, eu estava realmente com nojo dele e do modo que ele estava, além disso, estava com raiva.
- Claro, vai lá. – Ele disse, me soltando e me deixando ir pra sala. Tentei com todas as forças disfarçar o que eu estava sentindo pros convidados, mais precisamente para , ele tinha aprendido a me conhecer no final de semana, então tinha medo de que ele acabasse me entendendo pelo olhar e fazendo alguma coisa ruim. Passaram umas duas horas, algumas pessoas já haviam ido embora, Eric já havia me enchido o saco várias vezes, me levando muitas vezes para o corredor para me beijar e ficava sussurrando “me desculpa” no meu ouvido o tempo todo, e eu juro que me senti imunda todas as vezes que eu sentia a mão dele passando dos limites. Depois de conversar com os guys, voltei a conversar com o pessoal da CoffenBook tendo que me desculpar inúmeras vezes, mas graças à Deus, ouvi deles várias vezes que aquele tipo de coisa sempre acontecia, que as vezes era até mais legal que dava um pique mais divertido na festa, e isso acabou fazendo com que eu me aliviasse. Estava entrosada na conversa com os guys quando de relance vi Eric tornar a se aproximar. Bosta, será que é hoje?
- Eu to indo embora! – Ele disse, me pegando pelo braço e me machucando um pouco.
- Ok, quer que eu te leve no elevador? – Perguntei, tentando agir normalmente, pelo menos na frente do pessoal.
- Quero, por favor! – Ele sorriu e depois saiu, após cumprimentar o pessoal. Fui com ele até o elevador e depois de um beijo mais tranqüilo e rápido ele se foi. Encostei-me à parede, conseguindo finalmente respirar normalmente e acabei deixando uma lágrima rolar. Desses meses todos em que eu estava namorando ele, eu nunca me senti tão mal, pelo contrário, estar com Eric antes era sinônimo de alivio, mas, definitivamente, esses quatro dias haviam transformado ele de um jeito estranho e eu não sabia o que havia acontecido com ele, mas eu sabia que queria distância, pelo menos por um tempo, pra conseguir respirar sem sentir nojo. Voltei pra dentro do apartamento e fui até minha mãe, que conversava com Eleonor e Fred. Eles estavam contando o que estavam planejando pro bebê, os planos do futuro. Queria entender porque os pais querem por si próprios planejar o futuro de seu filho, isso não se faz, pode ser que os pais queiram que o bebê seja médico quando crescer, mas ele queira ser músico, ou professor, sei lá. As pessoas deveriam parar de planejar o que o filho será, eles precisam saber é que o filho tem que ser feliz independente do que ele queira ser quando crescer, seja médico, músico, professor e o raio que seja. Minha mente mudou de foco quando vi indo pra varanda e eu não agüentei, precisava ir até ele, falar com ele. Pedi licença e fui até lá, vendo se tinha alguém me olhando, encontrei os olhos da , que estava tentando entrosar Camilla com os meninos, e acho que ela estava mesmo conseguindo. Pisquei pra ela que piscou de volta, voltando a conversar com os meninos. Cheguei à porta e o vento jogou o cheiro dele contra mim, me deixando tonta, mas dessa vez, de um jeito muito bom, como eu não me sentia desde a hora em que ele havia ido embora. Me aproximei dele, me apoiando no beiral, vendo ele me fitar, depois abaixar o rosto com um sorriso de lado que me deixa louca.
- Você está bem?- Ouvi ele perguntar e instantaneamente me arrepiei. Eric não havia se dado ao trabalho de me perguntar isso ante de sair me agarrando pelas paredes. Olhei pra , que continuou de cabeça abaixada.
- Estou, agora estou! – Confessei, tornando a olhar para a vista. Meu coração estava batendo freneticamente e eu sabia que não era de nervoso, mas porque todos os meus instintos estavam me implorando pra ter dele um único toque, mas eu sabia que não podia fazer isso, não agora, não na frente de todos. – E você, como está? – me olhou, com aqueles olhos enlouquecedores e sorriu.
- Pra ser sincero, não estou no meu melhor momento! Além da minha boca estar doendo, sei lá! – Riu baixinho e sorriu torto, me deixando confusa. Mesmo que uma parte do meu cérebro estivesse preocupada com o fato dele não estar bem, a outra analisava como ele fica lindo quando sorri assim.
- O que você tem? Além da boca, claro. – Me ouvi falando, e percebi que meu lado que prevalecia era o que se preocupava com o bem estar dele. Engoli seco e me aproximei mais dele, o vendo olhar pra mim de um jeito diferente.
- Está doendo! – Ele fechou com força a boca depois de falar isso, e enrugou o nariz, respirando fundo.
- O que está doendo, ? Me fala, eu te levo pro hospital, peço pra alguém te dar algum remédio, sei lá! – Eu comecei a me preocupar, tudo podia acontecer, mas ver com dor era a ultima coisa que eu queria naquele momento, eu só queria ele bem, pra eu estar bem.
- Minha dor não é desse tipo, , não é dor nesse sentido físico, se bem que além de levar um soco na boca... – Ele tornou a sorrir torto – Meu peito não gosta quando meu coração se contrai tanto. – Ele riu de uma forma diferente, olhou pra dentro do apartamento.
- Não estou entendendo, . O que você está dizendo, afinal? – Me controlei, mas não consegui, acabei levando minha mão até o rosto dele, vendo-o fechar os olhos e morder o lábio, mas segundos depois, tirou minha mão do seu rosto, e ficou a segurando, passando a olhar no fundo dos meus olhos.
- Passei o melhor final de semana da minha vida alguns dias atrás, percebendo que a garota que estava ao meu lado não estava preocupada porque eu era um integrante do McFLY, e nem estava ligando pelo fato de ter que sair comigo em um carro todo insufilmado para que a imprensa não nos veja, que não está preocupada em ter que ir pro interior comigo pra ter que se esconder de tudo e de todos, que não está preocupada na popularidade ou na fama que terá, caso esteja ao meu lado, a única coisa que essa garota, ou melhor, que essa mulher fez, foi me conhecer, deixar o verdadeiro ser quem ele é e não o do McFLY, ela deixou que ele contasse seus medos, suas inseguranças, suas covardias, suas iras e até mesmo todas as merdas que ele já fez em sua vida. A única coisa com o que ela se preocupou foi em conhecer o cara que estava com ela, e não se deixou levar pelas coisas que a imprensa fala. Isso foi a coisa mais importante pra mim. E eu saí, por algumas horas, e deixei ela aqui, e quando voltei tinha um cara a abraçando e a beijando, e eu vi que esse cara não estava a tratando do jeito que ela merece, do jeito que eu quero tratá-la, do jeito que... – ele respirou fundo – do jeito que eu estou louco para beijá-la, para tocá-la. – Ele deu uma pausa e se aproximou mais de mim e eu mordi meu lábio, tentando com todas as minhas forças não chorar e nem o beijar ali, na frente de todos. – , eu não sei o que o Eric fez, não sei mesmo, mas eu sei que eu odiei o seu olhar, odiei a energia estranha com que você estava, a cara com que você estava e sei que ele fez alguma coisa que não te agradou nem um pouco, só que eu sei que eu não devo me meter, sei que eu não sou nada, a não ser o cara que te quer do mesmo jeito que seu namorado quer, mas por favor, se ele fizer alguma coisa contigo, você tem que me prometer que irá me dizer, porque se ele te machucar eu... Eu acho que faço uma idiotice, eu juro que faço! – E foi aí que eu não agüentei, me joguei nos braços dele, o abraçando, o abraçando forte, e sem querer, deixando duas lágrimas grossas rolarem pelo meu rosto. Afundei meu rosto na curva do pescoço dele quando senti seus braços envolvendo meu corpo, nos aproximando da forma que eu queria desde que o tinha visto parado no batente da porta.
- Eu preciso de você! – Sussurrei com a voz embargada, o apertando ainda mais, completamente tomada pelos meus sentimentos. Senti os dedos dele tocando minha nuca e meu corpo se arrepiou exatamente no mesmo momento.
- Não mais do que eu preciso de você!- Sua voz rouca invadiu meus ouvidos, me fazendo fechar os olhos fortemente, passando minhas unhas em sua nuca, sentindo-o me apertar ainda mais. Ficamos um tempo daquele jeito, apenas abraçados. – Quero te beijar! – Ele sussurrou outra vez, me fazendo sorrir.
- Também quero! – Me afastei dele, mesmo contra minha vontade, mas eu sabia que uma hora ou outra alguém ia perceber que estávamos ali.
- Sua amiga deve dormir com você hoje, não é? – Perguntou enquanto olhava pra dentro do apartamento. Nossa, eu tinha esquecido completamente de Camilla.
- É, acho que sim, eu na verdade não estava esperando a visita dela e nem a da minha mãe, pra ser bem sincera! – Cocei minha nuca, me sentindo feliz, não só por estar por perto, mas por ter minha mãe e minha melhor amiga comigo de novo. voltou a me olhar, mas agora com um sorriso sacana nos lábios. Adoro esse sorriso. – O que está passando na sua cabeça, ? – Perguntei, já ansiosa pela sua resposta.
- Acho que dessa vez é a porta da minha sacada que estará aberta. – Ele disse se afastando, entrando no apartamento instantes depois, fazendo meu coração acelerar e meu sorriso crescer estupidamente.
- Pode me explicar o que aconteceu aqui nessa varanda, dona ? – Ouvi a voz de Camilla invadir meu ouvido, me fazendo rir baixinho, me virando pra ela enquanto me apoiava no beiral da varanda. – Eu venho ver minha amiga, viajo por mais de 8 horas porque terá uma festa comemorando o fato dela ter me abandonado em um país tropical há um ano, e quando eu venho vê-la na varanda, a encontro abraçada fortemente pelo integrante da minha banda favorita. Ah, não, espere, esqueci de comentar que a minha banda favorita está na festa e minha melhor amiga namora um cara estupidamente gostoso e esquisito. Hm, esqueci alguma coisa? - Eu ri alto, vendo-a cruzar os braços, e eu fui até ela a puxando pra perto. Eu sabia que alguém acabaria me vendo abraçada com .
- A história é simples, ok? é meu vizinho, por sorte ou não. Isso fez com que eu acabasse pegando uma... - Procurei uma palavra - Amizade forte com ele, o que me fez ficar amiga dos meninos, pois eles além de serem amigos do meu vizinho, sempre tomam café na cafeteria que eu trabalho, então, também fiquei amiga deles e de suas namoradas, por isso estão todos aqui. Simples. – Sorri pra ela, que mordia o lábio com uma cara estupidamente empolgada.
- Não dá pra acreditar nessa sua sorte putamente grande! – Ela disse me dando um cutucão no braço, e me empurrando. – Ah, por sinal, quando você ia me contar que transava com o Felipe quando enchíamos a cara? – Ela levantou a sobrancelha, mexendo a cabeça com cara de sacana.
- Meu Deus dos céu, nada escapa de você, não é? – Eu a abracei, rindo loucamente por conta daquilo. Comecei a explicar pra ela tudo, desde a nossa primeira vez até a ultima, que foi meu ultimo dia decente no Brasil, meu ultimo dia letivo. Ficamos ali conversando até minha tia avisar que os convidados da CoffeenBook estavam indo embora, então fui até eles, os levei até a porta e todos foram embora. Então ficaram os McGuys, McGirls, mamãe, Fred, Eleonor e Camilla, todos nós juntos, em uma conversa louca sobre o meu aniversário que era em quatro dias, eu tinha até me esquecido. No ano passado, quando fiz dezoito, - mesmo, porque antes só dizia que tinha dezoito porque faltava pouco -, mas como eu não conhecia absolutamente ninguém naquele lugar, comemoramos apenas eu e titia, depois do meu expediente, e achei que esse ano seria igual, mas como minha mãe e Camilla ficariam por duas semanas, já que mamãe tirou férias de 15 dias e Camilla está de férias da faculdade, elas decidiram juntamente com Fred e os guys e as garotas que faríamos uma festa, me convencendo de que 19 anos não poderiam se passar em branco. Quando todos foram embora, estendeu a mão para mim, mas deixou um post-it preso nela, que dizia “A porta estará aberta, você sabe o caminho. XX”. Fiquei pelo menos uma hora conversando com a minha mãe na sala, até que ela me disse que iria dormir, que a viagem e a organização da festinha tinham a deixado cansada. Por isso, dei-lhe um beijo na testa e quando entrei no meu quarto dei de cara com Camilla enrolada na toalha, secando o cabelo em outra e me olhando de novo com a sobrancelha levantada.
- O que é? Já te expliquei tudo, o que mais está faltando? – Fechei a porta e caminhei até a minha escrivaninha, tirando de lá de dentro o meu diário e o caderninho McFLY. Camilla colocou o pijama e começou a puxar o colchão extra, colocando-o no chão ao lado da minha cama.
- Não é nada, mas que eu sei que rola algo a mais entre você e o , querida, isso eu sei! – Ela estendeu o lençol na cama, colocou um travesseiro e puxou um edredom, tudo isso estava em cima da minha cama.
-Você só pode estar ficando doida, não rola nada entre a gente além de amizade, Camis! – Eu disse, sentando na minha escrivaninha abrindo o caderninho McFLY e já colocando o novo post-it colado ali.
- , olha aqui, eu vi o jeito como vocês dançaram juntinhos e entendi o motivo até mesmo do seu namorado ter ficado daquele jeito, percebi como ficaram quando estavam se despedindo, vi o jeito diferente como ele te olhou a festa inteira, vi o jeito como você olhou pra ele quando entrou com o Eric depois de levar os pais dele no elevador e que estava na cara que vocês tinham se pegado, e vi o modo como ele ficou quando seu namorado te pegou no colo. Olha aqui, , eu posso ser tudo, mas cega, isso eu não sou! – Ela falou enquanto eu escrevia no caderninho “É hoje! Ele voltou, menos de vinte quatro horas e eu senti como se ele estivesse fora por meses! Preciso dele e hoje soube que ele precisa de mim tanto quanto eu dele!”. Fechei o caderninho e guardei na gaveta da escrivaninha. Suspirei e olhei pra ela com cara de tédio.
- Olha aqui, coisinha, já te disse que ele é apenas meu vizinho, não viaja, ok? – Peguei minha toalha e meu pijama que estava na cama, enquanto me dirigia pro banheiro, ela estava se deitando no colchão.
- Ok, ok. Uma hora ou outra eu vou acabar descobrindo, assim como descobri as coisas do Felipe. Você não me engana por muito tempo! – Rolei os olhos e dei risada, enquanto fechava a porta do banheiro. Encostei minha mão na testa, tentando controlar minhas risadas, eu sabia que ela já tinha percebido a verdade, mas enrolá-la era tão divertido que eu não podia simplesmente contar tudo pra ela. Não, não dava, até porque tenho o Eric no meio do meu caminho, e enquanto as coisas estiverem bem entre eu e o do jeito que estão, é melhor não botar mais ninguém no meio do caminho, titia já está de bom tamanho.
Afastei meus pensamentos e tirei minha roupa enquanto a água do chuveiro esquentava. Em duas semanas o inverno começaria, e eu teria que agüentar aquele frio maligno de novo, e eu teria que comprar mais roupas, preciso me lembrar disso. Fechei meus olhos e Eric veio em minha cabeça, me deixando atordoada, olhei pra baixo e passei a mão no meu seio, vendo que onde ele tinha apertado estava um pouco vermelho, assim como minha coxa e meu braço. O que diabos será que deu nesse cara, na boa? Eric nunca havia agido de forma tão agressiva e estranha comigo, muito pelo contrário, ele sempre foi muito simpático, sempre foi atencioso e cuidadoso, principalmente. Mas hoje, hoje ele até mesmo parecia outra pessoa, um cara que eu não conhecia e não o cara com quem eu vinha namorando nos últimos meses. Seu olhar estava agressivo, seu beijo estava sufocante, suas mãos estavam pesadas e fortes, seu hálito e cheiro eram diferentes, e eu sabia que estava acontecendo alguma coisa, eu só não tinha certeza do que era. Seja lá o que for, eu vou ter que descobrir, não dá pra eu namorar com um cara que tente passar a mão e acabe me deixando vermelha onde toca, é maluco. Chacoalhei a cabeça, e logo veio a minha mente, tudo o que ele havia dito tinha feito meu coração disparar, fez eu me sentir tão bem, tão feliz e segura. Eu sabia que estava me apaixonando mais a cada dia que passava, e sabia que ele ainda não tinha demonstrado nenhum tipo de sentimento a não ser de saudade e de vontade de ficar comigo, mas eu acho que qualquer cara diria isso, certo? Olhem o exemplo do Gustavo, ele tinha feito coisas lindas pra mim, me ensinado a tocar violão, tinha me levado em parques e passado a tarde embaixo de árvores comigo deitada em seu peito, tinha cantado pra mim, tudo parecido demais com o que fazia, e tinha vezes que eu até esperava que uma hora ou outra, aparecesse outra Luisa pra tirar o de mim. Na época eu fiquei tão mal, mas tão mal que eu me sentia horrível, acho que se fosse hoje, e com o , tenho a impressão de que seria ainda pior, definitivamente, eu sei que aquele buraco maldito voltaria e me faria sofrer ainda mais, já que ele soube como era ser inteiramente preenchido. Agora eu tinha certeza, se eu o perdesse, eu sofreria como nunca. Apertei os olhos com força, e joguei água no meu rosto, tentando não pensar naquilo. Desliguei o chuveiro e saí do Box, me secando em seguida e logo coloquei meu pijama. Soltei meu cabelo e fiquei na frente do espelho o penteando enquanto tentava parar de sorrir feito uma idiota ao imaginar que dentro de pouco tempo eu estaria nos braços de outra vez. Saí de dentro do banheiro e dei de cara com meu quarto completamente escuro, olhei pra porta da minha sacada e ela estava fechada, presumi que Camilla devia estar com frio e por isso a fechou, mas eu sorri lembrando do que havia dito:
“- Acho que dessa vez é a porta da minha sacada que estará aberta!”. Me sentei na minha cama e respirei fundo enquanto me deitava, esperando apenas um pouco de tempo para que eu tivesse certeza absoluta de que Camis estivesse mesmo dormindo.
5 minutos depois.
Me levantei da cama sem fazer muito barulho e caminhei até a porta da varanda, a abrindo devagar e depois que a abri, suspirei vendo que Camilla sequer havia se movido. Quando já estava na área aberta, apenas encostei as portas para que eu pudesse as abrir quando voltasse pro meu quarto. Pulei sem fazer barulho para a varanda de e sorri quando vi a porta literalmente escancarada, acabei entrando logo, vendo o quarto dele completamente vazio.
-? – Chamei não muito alto, fiquei com medo de que alguém ouvisse. Fui até o batente da porta do quarto, vendo se ele estava nos outros cômodos da casa sem passar da porta do quarto, e foi quando ouvi um barulho no trinco da porta do banheiro do quarto e eu ri baixinho, porque é que ele sempre está no banheiro? Me virei e caminhei até a ponta da cama dele, sem demonstrar minha preocupação de segundos atrás. Sorri quando ele saiu apenas usando uma boxer branca do banheiro, meus pensamentos começando a ficar mais impuros do que o normal. Ele bagunçava os cabelos que estavam molhados e ainda não tinha me visto perto da cama, e eu acabei rindo baixinho por isso, o fazendo pular e colocar a mão no coração.
- Pó, , que susto, pequena! – Acabei rindo mais alto e me apoiei na cama para continuar rindo, enquanto ele se encostou na parede, começando a rir também. – Para de rir assim, o quarto está escuro ok? Não consegui te enxergar no escuro! – Respirei fundo e me concentrei para não continuar rindo da cara dele. Caminhei até ele e o encostei ainda mais na parede, o fazendo finalmente parar de rir. Arqueei uma sobrancelha, -mesmo não sabendo se ele podia me ver ou não -, e passei a mão no seu peito desnudo, sentindo meu corpo começar esquentar, então mordi meu lábio olhando para seu tronco, passando minhas unhas nele devagar. Levantei meu olhar pra ele, que retribuiu no mesmo instante, e eu cheguei a conclusão de que ele me via, sim.
- Consegue me enxergar agora, ? – Perguntei olhando no fundo dos olhos dele, sem tirar as mãos do corpo dele, o vendo engolir seco quando desci minhas unhas até a barra da boxer dele. Por sinal, ele fica muito bem de boxer, haha. Ficamos nos encarando por tempo indeterminado e eu percebi que ele estava tentando controlar a respiração.
- Posso te ver, mas preciso te tocar! – Disse por fim, me fazendo sorrir de lado. Peguei a mão dele e entrelacei nossos dedos, me sentindo diferente naquele momento.
- Confia em mim? – Minha voz saiu baixa, como o de uma menina desconfiada, mas decidida e não sei se vocês conseguiram perceber, mas eu estou mesmo me sentindo diferente neste exato momento. olhou pra mim de um jeito diferente, como tudo que estava acontecendo nessa noite.
- Confio! – Ele disse, em seguida vi seu pomo de adão subir e descer.
- Fecha os olhos! –Sussurrei e depois o vi fechar os olhos lentamente. Oh God, o que eu estou fazendo? Me entregando de corpo e alma a um cara que no mês que vem pode simplesmente fingir que eu não existo, mas por outro lado, sinto como se fosse a coisa mais certa que eu já fiz em toda a minha vida. Preciso parar de pensar no que pode acontecer no futuro, preciso aprender a me concentrar no agora. E agora a única coisa que eu consigo ver é o cara que eu me apaixonei, segurando minha mão de olhos fechados, se entregando a mim, confiando em mim mesmo sem saber o que eu estou fazendo. Coloquei a mão dele em minha cintura e devagar comecei a subi-la, sentindo meu coração acelerar de forma significativa com aquilo, continuei subindo a mão até que cheguei no meu seio, e pude ouvir gemer baixinho. Olhei pra ele e o vi encostar a cabeça na parede engolindo saliva e respirando fundo, mordi meu lábio e o fiz apertar meu seio, agora sim o ouvindo gemer mais alto, subi de novo a mão dele passando pelo meu busto, pescoço, pelo meu rosto e em seguida tornando a descer. O desencostei da parede e comecei a andar com ele, mesmo eu estando de costas, e então olhou pra mim, seus olhos estavam mostrando explicitamente o que sua boxer já não consegui esconder a um certo tempo. O sentei na cama e em seguida sentei em seu colo com uma perna em cada lado do seu corpo, lentamente fui passando a mão dele pelo meu corpo, o fazendo vez ou outra respirar fundo e fechar os olhos com força. Eu queria que ele me sentisse, que me tocasse, que me descobrisse nos mínimos detalhes possíveis, eu queria que ele conhecesse meu corpo de uma forma diferente, queria que ele mesmo inconscientemente tomasse posse do meu corpo como dele, porque eu tinha chegado a conclusão de que eu nunca iria me entregar de forma tão intensa e tão verdadeira a outra pessoa do jeito que eu estava fazendo com ele, e de uma forma ou de outra, ele estava percebendo isso, no fundo no fundo ele sabia que eu era dele. Ele então abriu os olhos e parou de movimentar a mão, me encarando com tanta profundidade que eu me senti tonta ao me perder nos seus olhos, me olhando com o meu olhar. soltou todo o ar que estava preso em seu pulmão e respirou novamente, sem tirar os olhos do meu, ele pegou minha mão, colocando-a em cima de seu coração, pousando ela ali, sem movimentá-la.
Pude sentir o calor de seu corpo, pude sentir sua respiração fazendo seu peito subir e descer em uma sincronia incrível, mas principalmente, pude sentir o seu coração, batendo rápido, batendo de uma forma incompreensível por mim.
- Olha o que você está fazendo comigo, ! – Sua voz saiu extremamente rouca e apelativa, fazendo com que meu corpo ficasse mole de uma hora pra outra, e eu acho que se a outra mão dele não estivesse pousada em minhas costas, deixando-me perto dele, eu já teria desequilibrado.
- O que estou fazendo? – Minha voz saiu fraca, sem força. sorriu seu sorriso torto, e respirou fundo outra vez, fechando os olhos e em seguida, deitou a cabeça no meu ombro.
- Meu coração nunca bateu tão desesperadamente assim, parece até que eu corri por horas e mais horas sem parar, mas não, eu apenas estou ao seu lado e é você estar por perto, é só esse seu cheiro invadir minhas narinas, é só de tocar na maciez da sua pele, e de saber que eu de alguma forma posso dizer que você é minha, nem que seja por algumas horas no dia, ou por um final de semana que eu já me sinto assim, um bobo até, mas com o coração disparado, entorpecido, saciado, maluco, completamente maluco. Você está me deixando maluco, ! – Segurou com as duas mãos na minha bochecha, me olhando no fundo dos olhos enquanto repetia “maluco, você está me deixando maluco...”. Eu senti meu coração inflar, tamanha declaração, e o vendo ali, perto de mim, dizendo que sentia exatamente a mesma coisa que eu era capaz de sentir, eu entendi que não precisava de três palavrinhas pra me sentir completa, pois de uma forma ou de outra, todo o corpo de , seus sentidos e principalmente seus olhos me diziam isso. Prendi meus dedos nos cabelos dele, sorrindo feito uma boba e sem agüentar mais, grudei nossos lábios, querendo ter mais dele, eu precisava de mais dele. Desde o começo o beijo foi intenso, foi forte, mas nada comparado ao que Eric fez, era melhor, infinitamente melhor, ele estava transmitindo pra mim exatamente o que eu senti nessas poucas horas em que ele esteve longe, que eu já não era mais nada sem ele, e saber que ele estava sentindo exatamente a mesma coisa fez com que meus hormônios gritassem dentro de mim. Logo senti arrancar a blusa do meu pijama, e eu me amaldiçoei por ter sentido frio e não ter colocado uma camisola ao invés de calça e camiseta. Os lábios dele tocaram um dos meus seios, e eu gemi, sem conseguir me conter, o que fez com que meu puxasse pra mais perto dele, e acabou me fazendo sentir sua ereção com mais precisão.
- Por que você faz isso comigo? – Acabei falando depois de fechar fortemente os olhos quando ele continuou passando a língua pelos meus seios. Pude ouvir ele rir pelo nariz e logo subir a boca para a minha orelha.
- Só pelo simples prazer de te ter em minha mãos! – Sua voz saiu mais pesada do que eu imaginava, e seu hálito quente batendo no meu pescoço fez com que eu me arrepiasse e me contorcesse em seu colo. Puxei seus cabelos com força quando senti ele me dando uma mordida no lóbulo o puxando depois. Ok, se ele estava querendo me enlouquecer, estava conseguindo! Senti seus dedos descerem pelas minhas costas, me fazendo ergue-la, até que eles pararam na barra da minha calça, a puxando pra baixo, me fazendo levantar pra poder tirá-la, mas quando fui sentar no colo dele outra vez, ele apenas me empurrou na cama, me surpreendendo. Ele prendeu meus pulsos na altura da minha cabeça e se deitou contra mim, me fazendo morder os lábios. Quando olhei em seus olhos me surpreendi ao que a luxuria saiu de seus olhos, dando lugar a algo que eu não saberia explicar com palavras, mas posso te dizer que arrepiou meu corpo de forma intensa e fez com que meu coração passasse a bater dentro da minha garganta. Ele soltou um dos meus pulsos, deslizando a mão pela lateral do meu corpo, acompanhando com os olhos o caminho que sua mão fazia. Seus olhos voltaram pra mim, dessa vez consegui perceber o quão apelativos estavam. Obrigada, luz da lua.
- Eu preciso de você! – Ele disse, começando a puxar minha calcinha, mas sem tirar os olhos dos meus. Quando ela terminou de passar pelas minhas pernas, ele a jogou longe e em seguida me puxou pra si, me fazendo sentar em seu colo novamente. Joguei o cabelo pra trás e respirei fundo, sabendo exatamente o que dizer.
- Não mais do que eu preciso de você!- Disse com firmeza na voz, e ele sorriu me deitando na cama, esticando o braço e pegando embaixo do travesseiro um preservativo. Ele mesmo rasgou o pacote e me entregou me fazendo sorrir. Tentei colocar sem machucá-lo, mas não tive o mínimo cuidado em provocá-lo ainda mais, demorando significativamente pra colocá-lo. Assim que terminei de colocar, me puxou com força, ainda sem me penetrar, e sorriu com seu sorriso torto.
- Está pronta? – Ele disse em tom brincalhão. Como ele consegue brincar na melhor parte da diversão? Respirei fundo pela centésima vez em pouco tempo e concordei com a cabeça, e ele em seguida veio com a boca no meu ouvido, mordendo de leve minha orelha, rindo baixinho e então pude o sentir dentro de mim.
XX
estava deitado na cama olhando pra mim e eu estava sentada de frente pra ele e ao seu lado, vestindo uma camisa xadrez que eu havia encontrado no chão. Depois de termos chegado ao clímax, engajamos uma conversa atrás da outra, fiz ele me contar de como tinha sido o show em Portugal, ele me contou que os garotos repararam algo diferente nele, da adrenalina que sentiu, das risadas que os garotos arrancaram dele no meio do show porque eles pediram desculpa ao publico o fato de ele estar mais estranho do que o normal, contou das garotas engraçadas e com sotaque forte que tiraram fotos com eles no camarim, e disse que depois que tudo isso acabou ele ficou no hotel, sem vontade de sair e lá ficou até a hora de voltar pra cá. Contei a ele que esperava que ele e os meninos ficassem mais tempo por lá e quando ele disse, com a voz meio enrolada que não ficaram lá pelo fato de que eles teriam que passar uma semana em Madrid e então depois disso, poderia voltar pra Portugal. Foi depois disso que me calei.
- Ficou chateada? – perguntou, pegando uma de minhas mãos, acariciando a minha com o dedão.
- Não, não é ficar chateada, é só que... - Olhei pra ele suspirando - É ruim ficar longe de você! – Assumi e ele sorriu pra mim, ainda com fazendo carinho em minha mão.
- É clichê dizer isso, mas vai passar rápido, pequena! – Ele levantou a outra mão livre e tocou meu rosto, me fazendo entortar a boca.
- É, mas uma semana pode mudar muita coisa, ! – Eu disse, tentando não parecer muito infantil, mas acho que não adiantou muito não.
- Por que está dizendo isso? – Perguntou confuso.
- Olha o estado do Eric, se em quatro dias ele conseguiu ficar desse jeito, imagina só o que não pode acontecer com você em uma semana inteira?! – Disse me virando pra ele, tentando não deixar meu medo ficar tão transparente, sem ter certeza se estava sendo bem sucedida nisso.
- Relaxa, nada vai mudar, você não tem com o que se preocupar, ok? – Ele disse, se sentando na cama, depois se aproximou e selou seus lábios nos meus rapidamente.
- Não quero te perder! – Deixei escapar sem querer e fechei os olhos com medo da reação dele. Tudo ficou em silêncio e achei que ele estava segurando a risada, mas quando voltei a abrir os olhos, ele estava com um sorriso de orelha a orelha estampado no rosto. Minha vez de ficar sem reação, sem saber o que fazer, porque a única coisa que eu queria fazer era agarrá-lo e mordê-lo até ele ficar roxo, de tão lindo que aquele sorriso foi. aproximou seu rosto do meu, me dando vários selinhos, parecendo feliz até demais.
- Você não vai me perder, de jeito algum! – Me deu um último selinho e abriu outro sorriso largo, me agarrando, me jogando contra a cama, subindo em cima de mim e me fazendo rir. Juro que eu esperava tudo, menos aquilo da parte dele, por mais que fosse muito infantil as vezes, ele conseguia ser tudo dentro de um só. Paramos de rir, ficamos nos olhando feito dois bobos, até que ele sorriu mais ainda.
- Oh yeah, I tell you something, I think you’ll understand, when I feel that something, I wanna hold your hand, I wanna hold your hand, oh let me hold your hand! – Cantarolou, me fazendo sorrir abobalhada. Levantei um pouco meu corpo selando nossos lábios, lhe dando uma mordida em seguida.
- AAAAAI, CARALHO! – Ele gritou fechando os olhos com força, me assustando.
- Ain, desculpa, desculpa, desculpa! Não pensei que eu estivesse mordendo tão forte assim! – Me afastei dele e sentei na cama, percebendo a cara de dor que ele fazia, com sua mão na boca. Ele abriu os olhos, olhando pra mim e colocou uma mão no meu joelho, fazendo sinal de não com a cabeça.
- Não se preocupe, não foi sua culpa, é só que você mordeu onde Eric bateu. É que acabou cortando um pouco com a força do soco. – Ele disse olhando pra mim, me fazendo suspirar. Me aproximei dele e tirei sua mão da boca, tocando e puxando de leve seu lábio. O corte não era grande, mas era visível e eu suspeito que ficaria inchado no outro.
- Está doendo? – Perguntei engolindo seco, chateada por aquilo ter acontecido com ele por minha culpa. Abaixei minha mão e meus olhos, não conseguindo encará-lo. Foi quando um sentimento estranho começou a se instalar dentro de mim, algo ruim, que estava fazendo com que eu me sentisse perdida, me sentisse fria.
- Nada, é que como disse, você mordeu muito em cima, por isso gritei, me desculpe! – Senti ele apertando meu joelho, mas não consegui voltar a olhar pra ele. Era algo ruim, definitivamente um pressentimento, como se tudo aquilo que eu estava vivendo com fosse escapar pelos meus dedos e fugir de mim de uma hora pra outra. O que estava acontecendo comigo? – Ei, por que não olha pra mim? – Ele perguntou e eu sorri, ainda sem olhar pra ele. Levantei meus olhos pra ele e sorri, sem saber como falar o que estava entalado na minha garganta. – O que foi, ? – Ele perguntou, seus olhos vasculhando os meus, e eu sentia meu estomago revirando, mas eu tinha que falar.
- Estou com um pressentimento ruim, e isso não está me fazendo muito bem, pra ser bem sincera! – Confessei e mordi meu lábio, tornando a abaixar a cabeça, respirando fundo pra controlar a vontade que eu estava de chorar. O que raios estava acontecendo comigo? Senti ele colocando a mão debaixo do meu queixo e levantar meu rosto, me fazendo encará-lo, mesmo sem querer. Ele olhou no fundo dos meus olhos, mas no fundo mesmo, me fazendo transparecer o que eu estava sentindo, e mesmo sem querer algumas lágrimas escaparam do meu rosto e eu senti meu corpo doendo, meu interior estava completamente encolhido e dolorido, e eu sentia como se eu estivesse doente. Tudo isso de uma hora pra outra? Que tipo de bipolar eu sou? me puxou contra o peito dele e eu o abracei com força, querendo senti-lo perto de mim. Ele nos deitou na cama e eu pude ficar ali, apenas abraçada com ele por um tempo indeterminado.
Cheguei à conclusão que a melhor coisa não é aquela pessoa que seca suas lágrimas e te pede para não chorar, mas sim aquela que te deixar chorar e desabafar, mesmo que seja um choro sem motivo. Depois do meu choro excessivo, expliquei a ele o que eu estava sentindo, e ele pareceu entender o que eu estava dizendo, mesmo achando que eu estava exagerando. Me contou que viajaria pra Madrid de noite e assim que eu voltasse era pra avisá-lo, pra que pudéssemos nos despedir. As terças e quintas eram os dias em que eu chegava mais cedo da CoffeenBook , e eu esperava que quando ele voltasse pudéssemos aproveitar melhor isso. O resto da noite com não poderia ser melhor, ele não me forçou a nada, apenas foi carinhoso e ficou conversando comigo, claro que não somos de ferro e não conseguimos ficar só no carinho né. Quando demos por nós, já era muito tarde, e disse pra eu ficar na casa dele e dormir com ele. É claro que eu não estava achando isso ruim, pelo contrário, eu estava precisando ficar perto dele. Quando amanheceu, me acordou e depois de nos beijarmos e eu quase cair em depressão por ter que deixá-lo, saí de sua casa. Ok, fui exagerada, mas quem se importa, eu realmente estava me sentindo mal. Assim que cheguei ao meu quarto, peguei o caderninho McFLY e pra variar escrevi ali o que eu estava sentindo. Fechei o caderno e vi que Camilla estava dormindo, por isso decidi voltar a dormir até dar a hora de levantar e ir pra CoffeenBook. Por sinal, eu não fui trabalhar, tive que levar Camilla pra todos os cantos de Londres, tanto pra fazermos compras como pra todas as outras coisas. Minha mãe e minha tia foram com Fred para Liverpool, iriam olhar umas coisas para o bebê por lá e eles não tinham idéia de que horas voltariam. Camilla disse que era bom, pois estava devendo a ela uma tarde como amigas havia um ano. Ela me perguntou umas 20 vezes sobre e eu sempre negava, negava, negava, até que quando estávamos voltando pra casa, já perto de casa, eu me cansei e contei tudo pra ela. Mas tudo, tudo mesmo!
- AAAAH, EU SABIA! EU SABIA! EU SABIA! – Ela gritava, batendo palmas e sorrindo, fazendo as sacolas fazerem um barulho absurdo enquanto eu gargalhava da cara de feliz dela. – Cara, você e , isso é tão surreal! Quem imaginaria isso, amiga? – Ela perguntou depois de acabar com seu chilique. Entramos no prédio e eu acenei para o porteiro.
- Não sei te explicar, foi tudo muito rápido, muito intenso, e eu tenho tentado entender o que acontece comigo quando estou com ele, mas eu simplesmente não consigo descrever! – Eu sorria, mesmo que pensar em me trouxesse de volta o mesmo sentimento da madrugada.
- Ah, eu achei tudo muito lindo e muito digno, o é um deus mesmo, não mais do que o , mas quem se importa? – Rimos alto pegando o elevador. – Mas vem cá, como vai ser isso agora de seu namorado ter voltado e estar indo pra Madrid por uma semana e depois ir pra Portugal? Você vai terminar com Eric ou o quê? – Ela perguntou na lata e eu senti meu estomago se contrair. Eu ainda não tinha pensado na probabilidade de terminar com Eric pra ficar de uma vez com . Afinal, as coisas estavam acontecendo tão rápido que eu sequer tinha tempo pra planejar qualquer coisa, elas simplesmente iam acontecendo e se encaixando, eu não precisava me preocupar com nada.
- Eu ainda não sei. Pra ser bem sincera, não pensei nisso. – As portas do elevador se abriram e eu caminhei pra fora dele sendo seguida por ela. Entramos no apartamento em silêncio, as duas indo direto para o meu quarto. E foi quando meu coração parou de bater. estava encostado na parede ao lado da minha escrivaninha, com o caderninho McFLY nas mãos, aberto nas primeiras páginas, seu rosto estava vermelho e sua feição não estava nada animadora. Ele então levantou os olhos e me fuzilou, literalmente. Camilla parou atrás de mim e ouvi quando ela prendeu a respiração.
- Camilla, você se importaria em nos deixar sozinhos? – Perguntei pra ela, sem olhá-la nos olhos, apenas olhando pra que estava com sua expressão fechada e nada amigável.
Camilla colocou as sacolas no chão e saiu, fechando a porta atrás de mim. E foi a primeira vez que eu vi realmente bravo. Ele jogou o caderninho McFLY nos meus pés e apontou pra ele.
- Você quer me dizer que porra é essa? Você vem anotando coisas sobre mim e meus amigos? Sobre o que fazemos juntos? Meus tipos favoritos de música, meus gostos, as coisas que eu deixo de gostar ou não? – Ele perguntou, falando um pouco alto comigo.
- Calma, , eu posso explicar! – Dei um passo pra frente, mas ele voltou a falar.
- Pra que você estava fazendo isso? Ia vender uma história pra alguma revista ou jornal? Estou até vendo qual seria o título da história, - ele riu irônico – “Como transformar um McGuy em um OTÁRIO!” – Ele gritou “otário”, fazendo eu fechar meus olhos com força, e fazendo com que eu me sentisse muito mal mesmo. Ele estava entendendo tudo completamente errado, aquele caderninho tinha um propósito completamente diferente do que ele estava pensando e eu simplesmente não estava conseguindo ter uma oportunidade de me explicar, de tão bravo que ele estava.
- , , pelo amor de Deus, não é isso! – Eu tentava dizer, mas ele começou a andar pelo meu quarto,e se ele fosse um desenho animado, em sua cabeça estaria saindo uma fumaça, de tão vermelho que ele estava. A sensação estava de volta e me invadia de uma forma louca. Deixei que as lágrimas tomassem conta do meu rosto, me fazendo colocar as mãos no rosto e chorar abertamente.
- O quê? Lágrimas de crocodilo? – Ouvi ele dizer e pude ouvir seus passos contra o assoalho. Senti ele pegando em meus braços, me fazendo olhar pra ele com raiva. Eu estava decepcionada, não conseguia acreditar que depois de tudo que havíamos vivido ele pudesse mesmo pensar tal coisa sobre mim. Ele estava conseguindo me machucar, muito mais do que as atitudes de Eric noite passada. Olhei no fundo dos olhos de e me senti gelada por dentro, pois seus olhos não mentiam pra mim. estava ferido, tanto quanto eu estava sendo ferida agora, ele estava decepcionado, mas por um motivo errado, e ele estava convicto de que eu não era aquilo que ele achou que eu fosse. Pensamentos completamente errados e sem sentido! Fiquei quieta, não tinha vontade de me defender, estava me sentindo ofendida, me sentindo traída, e mal por ele conseguir pensar tal coisa a meu respeito. – Diz alguma coisa! – disse, sua voz rude, fazendo com que uma onda de repulsa passasse pelo meu corpo, afinal, eu era muito orgulhosa em alguns momentos, ele estava jogando um jogo errado comigo. A pior parte de mim estava falando mais alto.
- Pra que eu vou dizer algo? Você já tem todas as respostas, não tem? – Ergui uma sobrancelha e me soltei do aperto firme que estava fazendo pra prender meus braços. Ficamos os dois parados, olhando um para o outro.
- Você mentiu pra mim, me enganou, me fez acreditar que você era uma coisa, quando na verdade era outra completamente diferente! – Ele abaixou a cabeça, e sua voz falhou, me fazendo morder o lábio com força.
- É você quem está dizendo. – Falei sem ânimo, olhando pra minha cama, mas não pra ele. Não era justo ele vir cheio de acusações pra cima de mim e não me deixar explicar nada, agora ele que ficasse com seus pensamentos. Sentia as lágrimas rolando pelo meu rosto e não tentava as impedir, pelo contrário, deixava que elas rolassem por vontade própria, não estava preocupada com isso. Olhei pra quando ele levantou a cabeça e eu senti minhas pernas vacilarem, os olhos dele estavam vermelhos, mas não como os de Eric no dia anterior. Estavam vermelhos pois assim como eu, ele havia se rendido às lágrimas. A cor de seus olhos havia sido intensificada graças ao vermelho, e eu senti quando meu olho marejou mais ainda, me fazendo suspirar, soluçar baixinho, abaixando minha cabeça e me afastando dele. Parei de costas pra ele, e deixei que meu rosto se contorcesse de dor, e as lágrimas caíssem com mais força.
- Me faz um favor? – Ouvi a voz dele sair embargada, me fazendo virar pra ele, com a mão na boca, sentindo meu coração doer por ver o estado em que ele se encontrava. Eu estava mal, mas ele estava tão mal quanto eu. Balancei a cabeça positivamente, enquanto olhava pra ele. – Da última vez que nós falamos, eu disse pra não me procurar mais, mas agora, definitivamente, nunca mais – ele colocou o dedo indicador na boca, deixando algumas lágrimas a mais caírem – Nunca mais olhe pra mim, fale comigo, troque uma palavra se quer comigo, porque de gente como você, eu estou cheio! – Ele então respirou fundo, abriu a porta do meu quarto e saiu, me deixando sozinha. Comecei a chorar desesperadamente, sentindo o buraco dentro de mim voltando com força total, me fazendo cair no chão, tamanha a dor que eu estava sentindo, e essa dor era desesperadora, pois ela estava me mostrando que eu estava perdendo o que mais amava, e eu tinha certeza disso, mesmo não querendo. Me encolhi no chão, sentindo como se eu estivesse sendo engolida por aquela dor. Senti os braços de Camilla me envolverem, me fazendo deitar a cabeça em seu colo, enquanto ela repetia.
- Calma, amiga, calma, vai ficar tudo bem, vai passar, vai passar, shiiii!- Sua voz era suave, e eu a sentia passando os dedos em meus cabelos, fazendo com que eu me sentisse uma criança. Mas eu sabia que aquela dor não iria passar. Pelo contrário, iria piorar.
Capitulo 17.
’s POV On.
Dor. Era isso o que eu estava sentindo exatamente naquele momento. Fechei a porta do meu apartamento com toda a força que eu tinha e sai marchando para o meu quarto, trancando a porta da sacada. Encostei minha testa na porta e deixei que mais lágrimas caíssem de meu rosto, sentindo uma dor aguda na boca do meu estômago, fazendo com que eu caísse sentado no chão. Tudo isso graças a uma única ligação. me ligou três horas depois que havia ido para o seu apartamento, me avisando que nosso vôo sairia um pouco mais tarde e que era para eu ir de carro até a nossa gravadora, pra pegarmos a van que nos levaria até o aeroporto. Eu, todo idiota, arrumei logo minha bagagem, querendo aproveitar a uma hora que eu havia ganhado pra ficar com a . Assim que tudo estava pronto, pulei para a sacada ao lado, me deparando com o quarto dela completamente vazio, a não ser por um caderno amarelo em cima de uma escrivaninha. Fiquei curioso e o abri. Imaginem o meu susto, quando percebi que naquelas páginas, estavam escritas coisas sobre mim, sobre os caras e sobre tudo que fizemos e ainda fazemos. Ela escreveu sobre nossa primeira noite na sacada, e detalhou tudo sobre a segunda noite, tudo que eu havia contado a ela sobre a minha vida estava naquilo. Várias coisas se passaram pela minha cabeça, mas eu tinha certeza, eu sabia que tudo aquilo que eu estava vivendo com ela era bom demais pra ser verdade, era impossível que existisse mesmo alguém nesse mundo que me quisesse pelo simples fato de eu, ser eu, e não o cara do McFLY. chegou minutos depois com a sua amiga e tivemos a maior discussão que eu já tive em toda a minha vida, e ela não fez o que eu mais queria que ela tivesse feito: Não me desmentiu. Eu disse tudo o que estava passando pela minha cabeça, e ela não negou, não disse absolutamente nada ao contrário, mas chorou. Malditas lágrimas falsas, de crocodilo, lágrimas que me deixaram furioso. Mas o pior de tudo era que eu queria que ela me desmentisse, queria que me dissesse que tudo aquilo não passava de um terrível mal entendido, que aquilo tudo tinha uma explicação e que o que ela sentia por mim era real. Mas ela não o fez. Agora, eu tenho certeza de que tudo o que vivemos foi a maior das ilusões, a maior das mentiras. nunca amou, não ama e nunca amará .
Me levantei do chão, secando meu rosto, fungando e peguei minha mala, saindo do quarto em seguida, passando pela casa, conferindo se estava tudo fechado e todas as coisas fora das tomadas. Parei em frente a minha porta e olhei a do lado. Algo dentro de mim pareceu não muito bem, fazendo meus olhos tornarem a marejar. Esfreguei-os com força, me negava a chorar de novo. Ficar parado em frente à porta da garota que eu não quero mais olhar na cara não me ajuda muito no meu estresse e muito menos na angústia que eu estou sentindo. Beleza, , vamos parar de pensar nela, ok? Ok.
Entrei no apartamento de novo apenas para beber um copo de água e quando fui sair, ajeitando o case da guitarra nas costas, ouvi um barulho alto vindo da vizinha, seguida da voz da Camilla chamando a . O que será que aquela garota aprontou? Não, não, não vou deixar isso chamar a minha atenção, não adianta. Olhei para o lado imaginando que merda de barulho estranho poderia ser aquele, mas logo caminhei para dentro do elevador e segui em frente. já é bem grandinha pra se virar sozinha, e é assim que será daqui pra frente.
’s POV Off. – Narração em 3ª pessoa.
estava deitada em sua cama, seu rosto tomado por lágrimas, a dor angustiante graças ao buraco que a engolia cada mais estava fazendo com que ela se sentisse ainda pior.
Camilla revirava os armários da cozinha atrás de um remédio para dor, mas não encontrava nada em canto algum daquele apartamento. Ela já estava mais que desesperada por ver o estado em que sua amiga se encontrava e não sabia se era melhor deixar as coisas como estavam, ou se era melhor ligar para a mãe e tia de . O fato é que e Camilla eram amigas desde sempre e nunca, em todos aqueles anos de amizade, ela havia visto a amiga tão mal e chorando tanto. não era de desembestar a chorar na frente de todo mundo, ela era do tipo que chorava sozinha, então, para ela estar do jeito que estava, Camilla sabia que era algo realmente sério. Ela sabia que a conversa que a amiga teve com não havia sido nada boa, sabia por que ficou atrás da porta ouvindo tudo, por sorte, quando saiu, ele estava tão cabisbaixo que sequer notou que ela estava encostada na parede. Quando ela viu a amiga deitada no chão, chorando desesperadamente e contorcida no chão, ela soube que não seria fácil a partir dali. Então, deitou a amiga na cama e correu pela casa atrás de uma caixa de remédios, decidida a dar um remédio que ajudasse na dor da amiga, mas ela simplesmente não sabia onde essa bendita caixa poderia estar. Quando ela achou uma caixa de remédios e curativos, apareceu na cozinha, chorando de soluçar, com mais intensidade do que quando Camilla deixou o quarto, e segurando o estômago. Pelo menos agora ela sabia onde era a dor de .
- , volta pra cama, por favor! – Camilla pediu, sentindo-se ainda pior por ver sua amiga chorando daquele jeito. respirou fundo, tentando formular uma frase sem que seus soluços a impedissem de falar.
- Não... Não dá! – Ela soluçou mais uma vez e apertou o estômago, sentindo seu buraco queimando, como se estivesse em brasa viva ao que se lembrou por que havia saído de sua cama. – Minha cama... – Tornou a dizer com dificuldade, vendo Camilla a olhando – Minha cama está com... Com o cheiro dele! – Fechou os olhos com força, ao que o buraco ardeu, a fazendo se segurar no batente da porta da cozinha. Camilla correu até ela e segurou na cintura da amiga, suspirando e pensando o que faria para ajudar.
- Acha que consegue ir sozinha se deitar no sofá? – Perguntou vendo a amiga abrir os olhos – que estavam completamente inchados e vermelhos – e concordar com a cabeça.
Camilla se afastou e foi até a caixa de remédios, pegando um por um para ver o que serviria. Quando lia o terceiro, ouviu um barulho muito alto vindo da sala. Largou a bula ali e correu até a fonte do barulho, encontrando , novamente, caída no chão, mas dessa vez, desmaiada.
- !
Fim da narração em 3ª pessoa. – ’s POV On.
Cheguei à garagem e logo joguei as malas no porta malas da Ferrari, querendo sair logo dali. Assim que sentei no banco do motorista, o cheiro de me invadiu como um soco no estômago. Deitei minha cabeça no volante e respirei fundo, sentindo aquele cheiro invadindo minhas narinas, fazendo com que todos os meus sentidos adormecessem e me deixasse fora de sintonia. Meu estômago deu voltas e eu sentia como se estivesse pegando fogo por dentro, um sentimento ruim, angustiante, me deixando cada segundo mais agoniado, como se eu tivesse um vazio dentro de mim, um abismo, sei lá, como... Como um buraco. Apertei meus olhos com força e coloquei a mão na barriga, pressionando meu estômago para que ele parasse de doer, mas não adiantou de nada. Fiquei um tempo tentando me controlar, tentando fazer com que toda aquela nostalgia passasse e me deixasse viver em paz. Eu ainda tenho que encontrar os caras para irmos ao aeroporto, preciso me sentir melhor. Levantei meu rosto e olhei pelo espelho retrovisor para dar a ré e sair logo dali, mas me assustei ao ver meu rosto molhado e uma lágrima escorrendo no meu rosto, fazendo par com várias outras. Mas que diabos? Estou chorando e nem mais percebo isso, como assim? Sequei meu rosto, com raiva de mim mesmo e liguei o carro, saindo da garagem o mais rápido que me foi permitido. Seriam quase duas semanas longe de tudo isso, só com meus amigos, Madrid, minhas músicas, minhas fãs e nada mais. Eu tirarei da minha cabeça, nem que seja a última coisa que eu faça.
’s POV Off – Narração em 3ª pessoa.
Camilla levantou a amiga do chão, colocando a cabeça dela em seu colo.
- , por favor, por favor, fala comigo! – Mas não obteve resposta, a amiga estava desacordada. Puxou uma almofada que estava no sofá e deitou a cabeça da amiga na mesma, saindo correndo para a cozinha, atrás de álcool, mas, assim como teve dificuldade em achar os remédios, estava sendo difícil encontrar o álcool, até que pensando, decidiu correr até o quarto da amiga e pegar a acetona. Era o único jeito. Assim que a pegou, correu até a sala e posicionou o frasco aberto embaixo do nariz da amiga.
- Vai, acorda, pelo amor de Deus, acorda, ! – Ela choramingou e depois de alguns segundos, finalmente acordou. Camilla suspirou aliviada.
- Me ajuda, Camilla, eu preciso esquecer ele, eu preciso! – tornou a chorar e Camilla apenas a abraçou. Ela não sabia se iria mesmo esquecer , mas sabia que o dia de amanhã sempre é mais fácil. Assim ela esperava.
Fim da narração em 3ª pessoa. – ’s POV On.
A melhor parte em um vôo é quando você pode meter os fones no ouvido, descansar, relaxar e esperar um pouco para estar em seu destino, afinal, você sabe que chegará lá. Você pode até dormir, é relaxante. Eu só queria conseguir fazer isso. Três horas e meia, era o tempo estimado de vôo e já estávamos no avião há 45 minutos, se fosse antigamente, eu já estaria dormindo há muito tempo, mas hoje não, hoje essa dor estava me consumindo, e eu não conseguia parar de pensar no barulho vindo do apartamento da , ou melhor, do apartamento da Eleonor, é, porque aquele apartamento era da Ele, e não da . O grito da Camilla me deixou preocupado, não posso negar, por mais que eu quisesse, poderia ter acontecido alguma coisa com e eu fui frio o bastante pra seguir em frente e não ter coragem de ver o que era. Mas foi melhor assim, se aconteceu alguma coisa, elas sabem se virar, afinal, ela não precisa mais de mim.
’s POV Off
O buraco no meu estômago parecia cada vez pior e parecia não querer passar nunca mais, já havia tomado um remédio que Camilla tinha me dado pra dor no estômago, mas não era de um medicamento que eu precisava. Deveria lembrar de agradecer a Camilla depois, porque ela deixou de sair pra cuidar de mim, mesmo eu dizendo que ela poderia ir à vontade, que não precisava se preocupar. Ela tentou me distrair, fez pipoca, colocou seriado, conversamos sobre várias coisas que não tivesse o nome no meio, discutimos em como o Stefan de The Vampire Diares era realmente um cara muito gostoso, falamos de como titia e mamãe demoravam pra chegar e depois, eu adormeci, graças ao efeito do remédio que ela havia me dado.
Acordei assustada, com um peso enorme na cabeça, parecia que a dor do estômago tinha subido e remédio nenhum conseguiria tirar. Mas que saco! Olhei no relógio e eram quatro horas da manhã. Levantei da cama, com a mão na cabeça, parecia que ela ia desgrudar do meu pescoço e iria cair. Fui até a cozinha, vendo tudo em silêncio, e abri a geladeira, pegando um copo de leite, acho que nunca gostei tanto de leite como agora. De repente, um barulho muito alto de pessoas gritando soou no corredor do prédio e por pouco o copo de leite não caiu. Coloquei em cima da pia e fui ver o que era. Estava tudo escuro e quando cheguei perto da sala, pronta pra seguir em frente e abrir a porta, ela mesma se abriu e eu sai correndo pro quarto. Fechei a porta respirei fundo, mas instantes depois alguém bateu.
- ? Camilla? –ouvi a voz de titia e logo me acalmei, abrindo a porta e vendo uma Camilla levantar da cama também.
- O ... Oi ti... Titia. – Gaguejei sem querer e Camilla me abraçou. Olhei pra ela confusa e ela estava preocupada.
- O que foi? – Mamãe perguntou, preocupada também, mas vermelha. Muito vermelha. Como se tivesse acabado de dar MUITA risada.
- Eu acordei assustada porque tive um pesadelo e vim tomar um leite. Mas ouvi um barulho enorme no corredor, e depois duas risadas e ... –assim que parei de falar, percebi o quão idiota eu fui. – Eram vocês? –comecei a rir. – Não acredito, eu achei que fosse algum tipo de assassino ou ...
E elas começaram a rir. Tem situação pior? Pelo menos foi tão divertido e engraçado que minha dor de cabeça sumiu. Perguntei pra elas o porquê de voltarem tão tarde, o que andaram aprontando pra terem chegado de madrugada e elas começaram a contar em todos os lugares que tinham ido. Meu Deus, minha mãe mal tinha chegado a Londres e já conhecia mais do que eu. Vi as duas bocejarem, prontas para irem dormir, e percebi em como falei demais, fazendo muitas perguntas. Assim, todos voltaram a dormir, e assim que deitei na minha cama, a dor voltou. Que vontade de jogar ela pela janela, puta merda. O mais difícil, realmente, foi voltar a dormir.
- ... – me chamou, erguendo as mãos pra me puxar. Levei as minhas até as dele e ele me puxou pra um abraço, um abraço bem apertado. Era como estar embaixo do chuveiro e sentir a água levar todos os seus problemas embora. O abraço de me fazia esquecer tudo e todos e a única coisa que eu queria era continuar ali, e ali, e ali sempre. – Eu te perdôo. –ele disse por fim, me abraçando mais forte e me soltando. Olhei pra ele confusa. Me perdoar? Quem tinha que perdoar ele era eu, quem foi acusada injustamente fui eu!
- ...
E ele começou a andar pra trás.
- ...
E sumiu.
- –acordei com Camilla me chamando. Outro pesadelo? E agora com ? Isso significava que eu precisava mais e mais dele. Mas o orgulho sempre fala mais alto e, se ele quisesse, que viesse ele. Te perdôo, vê se eu posso com isso, argh. – Tá tudo bem? Você tava gemendo. – ela me olhou com uma cara de depravada me fazendo olhar torto pra ela,que começou a rir. – Mas era de desespero. Outro pesadelo? – perguntou, e eu assenti, levantando da cama. – Você tá chamando muita atenção, menina. – voltou a rir, e me olhou com a expressão divertida, saindo do quarto.
Assim que ela saiu, comecei a rir também e prometi a mim mesma: Hoje nenhum iria arruinar meu dia. Eu iria sair, iria ligar pro Eric... Opa, opa, ahn? Ligar pro Eric? Não, volta volta. Hoje nenhum iria arruinar meu dia. Eu iria sair e curtir. O que eu posso fazer? Deixar que esse buraco seja mais forte do que minha vontade de levar minha vida numa boa? Não posso, poxa. Aquela dor era devida ao meu orgulho não era? E eu já tinha deixado que um dia todo fosse tomado de dor, choro e tudo o que era possível, não foi? Então, a culpa era minha. Eu ia levantar, respirar fundo e fingir que aquela dor não estava tomando conta de mim e isso estava decidido. Levantei da cama, pronta pra diversão, afinal, hoje eu não iria trabalhar. Graças a Deus. Tomei um banho, fiz minha higiene pessoal e fui escolher uma roupa. Vestido? Calça e blusa? Sandália? Tênis? Bota? Essa parte sempre é a pior e a mais divertida. Abri a janela e as cortinas, vendo o tempo completamente fechado, automaticamente fazendo com que eu me sentisse fria por dentro. Então escolhi mesmo uma calça jeans, uma camiseta de manga comprida e um blusão bem quentinho que eu havia comprado logo que cheguei a Londres. Era meu blusão favorito, preto, escrito GAP em verde clarinho. Deixei meu cabelo solto, passei uma maquiagem básica e gritei por Camilla. Ela iria comigo nem que eu precisasse a puxar pelos cabelos, afinal, ela não saiu com a minha mãe e com titia para conhecer a cidade porque eu a tinha prometido fazer isso e, no final das contas, ela perdeu um tempão cuidando de mim ontem, então hoje ela seria recompensada. E nem precisei de muito esforço, ela já estava na minha frente, arrumada, e assim saímos de casa. Claro que ela tinha que reclamar que o dia não era o mais favorável pra passeio, mas se no inverno fôssemos esperar por um dia quente, de céu aberto e com um solzinho esquentando nossa pele, ela teria que esperar pelo verão e isso ia demorar um bom tempo.
Meu dia não foi dos melhores, mas eu consegui mostrar pelo menos metade da cidade pra Camilla e conseguimos nos divertir. Conhecemos dois caras no meio do parque de diversões. Um se chamava John, que deu muito em cima da Camilla, e o outro, por pura coincidência, se chamava . Era muita falta de sorte na minha vida. Por sorte, ele tem uma namorada, que é muito linda, por sinal. Ela apareceu instantes depois, e ficamos nós três conversando bastante tempo, enquanto Camilla foi com o tal de John comprar alguma coisa pra beber, mas eles estavam demorando demais pra voltar. Enfim, Nathalie, namorada do , me contou que fazia faculdade de música, na mesma escola na qual eu havia prestado bolsa e me disse que se eu ainda não havia recebido a resposta, era capaz de eu receber logo, pois as aulas começariam em três semanas. Foi nessa hora que Camilla e John voltaram, ambos bem coradinhos. Te falar, essa menina não perde tempo né, puta que o pariu. Acabou que eu peguei o telefone da Nathalie, pra que eu avisasse a ela caso passasse na audição e entrasse na escola, e a Camilla, óbvio, pegou o telefone do tal John. Quando voltamos pra casa, ficamos conversando com Eleonor e com a minha mãe, elas estavam tão felizes com as coisas do bebê que eu acabei me distraindo. No meio disso tudo, Eric me ligou, dizendo que estava atolado de trabalho e que talvez ficasse até tarde no estúdio de fotografia, se eu não queria ir pra lá, ficar com ele. Mas alguma coisa na voz dele não estava muito boa, então achei melhor ficar em casa, com a desculpa de que ainda não tinha dado atenção pra minha mãe, ele me pareceu entender isso.
- Mãe, quer vir comigo, por favor? – Pedi, me levantando do sofá, estendendo minha mão pra ela que a pegou e veio comigo, deixando Camilla e titia conversando. Fechei a porta do meu quarto e suspirei, quando virei e peguei minha mãe sentada na minha cama. Fiquei olhando pra ela por um tempo que eu não sei dizer exato quanto foi, mas eu estava sentindo todos meus sentimentos que eu tentei guardar o dia todo voltando com uma força avassaladora. Não consegui mentir pra mim mesma por mais de 14 horas, aquele buraco foi enganado, mas não foi tampado, não, ele ainda estava ali, sufocante, e muito, muito, muito mais dolorido do que eu jamais imaginei. Lágrimas banharam meus olhos e eu fui até minha mãe, deitando minha cabeça no colo dela, fazendo com que ela começasse a acariciar meus cabelos, fazendo com que eu me encolhesse, tamanha era a dor que eu sentia. E ali no colo da minha mãe eu chorei, chorei toda a dor que eu estava sentindo e guardando dentro de mim.
’s POV On.
Desci as escadas correndo, sentindo as gotas de suor escorrendo por todo meu rosto e pescoço. Havia sido o primeiro show em Madrid, é, mal havíamos chegado e já estávamos trabalhando. Se é que posso chamar o que eu mais gosto de fazer de trabalho. Peguei a toalha na mão de um dos caras da equipe e sai marchando em direção ao camarim.
- ? – Ouvi a voz de , mas ignorei e continuei a andar para o camarim, cada passo um pouco mais rápido.
- Dude, eu ‘tô falando com você! – tornou a dizer. Andei mais rápido, virei em um corredor, chegando ainda mais perto do camarim.
- ! – Ouvi a voz de . Mais rápido.
- , caramba! – . Mais rápido. Abri a porta do camarim e me sentei no sofá, enterrando os meus dedos nos cabelos. Aquela dor, maldita dor não me deixava em paz um segundo sequer e eu não sabia mais o que fazer, a única coisa que eu sabia era que eu estava ficando irritado, no show eu não senti nada, mas assim que a última música foi anunciada, eu senti aquele início de dor, e quando toquei o último acorde, ela me atingiu em cheio, me deixando fulo da vida. Não estava sendo fácil, desde que eu havia deixado aquela garagem eu me sentia enjoado, com náuseas, como se eu estivesse com um buraco, um rombo dentro de mim e que se eu fizesse algo, ele ia me causar ainda mais dor. Isso não é fácil. Respirei fundo e senti esse... Esse buraco, ardendo, fumegando, como se estivesse em brasa viva, o que me deixava com uma raiva que eu não podia controlar.
- , que diabos está acontecendo com você? – perguntou, parando na minha frente no sofá, e eu só sabia porque estava com os olhos abertos, olhando pro chão.
- Nada. – Eu respondi, seco, sentindo minha garganta arder.
- Que diabos, ? – resmungou, sentando ao meu lado. – Dude, o que aconteceu com você? – Ele tocou meu ombro, eu suspirei sentindo meus olhos arderem e levei uma mão até eles.
- É, cara, você está assim desde que te vimos ontem. Você mal falou ontem, hoje no ensaio ficava se contorcendo como se algo estivesse doendo, olha, se você estiver doente, pode nos contar! – sentou no braço do sofá e eu olhei pra ele.
- Somos seus melhores amigos, cara. – disse e eu apertei forte os dentes, tentando não deixar meus olhos marejarem, mas quando percebi que isso ia acontecer, abaixei a cabeça e respirei fundo. O que eu ia dizer pra eles se nem mesmo eu sei o que está acontecendo? Essa dor idiota que apareceu do nada, a traição da comigo, sendo que eles nem mesmo sabem que eu estava tendo um... Afinal, o que eu estava tendo com a ? Tudo era cheio de questões e dúvidas. O que eu iria dizer pra eles? Viram, outra pergunta.
- ? – perguntou outra vez e eu respirei fundo. – Por acaso tem alguma coisa a ver com a ? – Ele perguntou e eu levantei minha cabeça, olhando pra ele.
- Por que acha isso? – Perguntei, deixando que minha voz saísse um tanto quanto mais elevada do que o normal.
- Cara, nós não somos cegos. A gente viu como vocês se trataram, como vocês estavam reagindo quando estavam por perto e como se olhavam, nós não nascemos ontem e ainda somos seus melhores amigos pra saber o modo como você fica quando está afim de alguém e quando você está tendo um caso com alguém também, então não enrola, ok? – riu de leve e me deu um empurrão de leve no ombro. Abaixei de novo minha cabeça, assim que vi sentando na mesinha de centro na minha frente.
- Tem uma semana, nem isso, que a gente dormiu juntos a primeira vez. Mas isso já vem desde a primeira vez que eu a vi, eu sempre senti uma atração muito forte por ela e eu não conseguia fingir que não. – Eu disse, lembrando a primeira vez que eu olhei nos olhos dela. Os intensos olhos dela.
- Isso já não é de hoje que nós sabemos. Dá pra ir pra parte que importa? – riu, me fazendo rir um pouco, não conseguindo respirar graças à dor que eu estava sentindo. Acabei contando tudo pra eles, detalhe por detalhe, fazendo com que eu me sentisse uma mulherzinha contando algo pras amigas de salão. Relembrar as coisas que vivemos fez com que eu analisasse cada situação e eu não podia acreditar que ela tinha fingido tão bem, fazendo com que eu acreditasse que as coisas que ela dizia eram verdade, com que os sentimentos dela pudessem ser de verdade e que existisse de verdade alguém que pudesse sentir por mim algo sem pensar em mim como um cara de uma banda, mas sim como um homem normal. Mas, ela foi exatamente como todas as outras, interesseiras, aproveitadoras e tudo o mais, mas de todas, parece que levou algo a mais com ela, levou uma parte de mim, mas isso eu jamais admitiria em alta voz. Assim que terminei de contar, já estávamos na van que nos levaria para o hotel e os três estavam em silencio, sem fazer barulho nenhum.
- Difícil acreditar que ela seria capaz de fazer tal coisa. - acabou dizendo primeiro, seu olhar perdido na janela e o celular na mão, batucando nele.
- É, o está certo, a Brasil pode ser tudo, mas eu não acho que ela seja do tipo que engana caras famosos pra vender histórias pra revistas de fofocas, até porque, se ela fosse, acho que ela já teria falhado em alguma coisa em torno desse um ano, mas a única coisa foi esse caderno ai! – me olhou, desviando os olhos do celular, onde ele trocava mensagens com a namorada.
- É, , mas nesse caderno não tinham coisas apenas sobre mim, mas sobre todos nós! – Eu disse, sentindo náuseas. Ainda.
- , olha, você chegou acusando a garota, nem mesmo deixou que ela se explicasse, como você pode sair acusando as pessoas desses jeito? – se pronunciou assim que a van parou e um monte de garotas vieram pra cima do carro.
- Que tal as duas moças deixarem pra falarem disso depois? Temos uma legião de fãs para atender. – disse, arrumando o blusão de frio e bagunçando os cabelos, assim como . E assim foi, um por um, os caras desceram da van e eu respirei fundo tentando ignorar o maldito buraco – ou seja lá o que isso for – e dar o melhor sorriso para as minhas fãs. Elas merecem.
’s POV Off.
Eu, definitivamente, ali, no colo da minha mãe, havia entendido que eu não queria fingir que estava tudo bem, não dava pra fingir que estava, porque até mesmo aquilo fazia com que o buraco doesse com mais intensidade, então, que se danasse o que os outros iriam pensar, eu precisava desabafar, botar todos meus sentimentos pra fora. E foi isso que eu fiz, contei tudo pra minha mãe, chorando, deixando que meus sentimentos falassem mais alto que meu orgulho.
Mamãe pareceu entender tudo de forma tão tranqüila, disse até que pela primeira vez eu estava parecendo mais humana, mas ela me disse algo que me deixou mal, que foi que meu orgulho conseguia estragar minha felicidade e aquilo ficou na minha cabeça. Já passava da uma da manhã e eu estava olhando para o teto, respirando fundo e fechando os olhos em seguida. Os olhos dele são as únicas coisas que ainda parecem vivas e intensas dentro de mim.
’s POV On.
Era o penúltimo dia em Madrid, estávamos acabados, mas, sobrevivendo. Depois que havíamos chegado, os caras me fizeram contar mais umas quatro vezes, tudo o que eu tinha vivido com a , mas com mais detalhes. Quem acha que homem não gosta de detalhes é porque nunca conversou com esses homens que se dizem meus melhores amigos. Os três achavam que eu deveria dar uma oportunidade para que se explicasse, o que me deixou completamente puto da vida, eu simplesmente não conseguia acreditar que eles preferiam ficar com dó dela do que acreditar em tudo aquilo que eu estava contando a eles. Velho, ela não havia traído só minha confiança, mas a deles também, ela havia escrito sobre eles também, sobre seus modos, comportamentos, gostos e o caralho a quatro, então, por que diabos eu era o único que estava puto com ela?
Estávamos nós quatro no elevador, em um silêncio absurdo e eu estava irritado com isso, eu sabia o que estava passando na cabeça de cada um ali e eu odeio isso. Eu tinha quase certeza de que iria querer ficar do lado da , mas não esperava a reação de , muito menos a de , mas, a vida está sempre aí surpreendendo a gente, não é mesmo? A porta do elevador se abriu e os três saíram apressados, me deixando pra trás. Peguei a chave na minha mão e respirei fundo.
- Não vai rolar nenhuma after party hoje? – Perguntei, olhando pros meus amigos indo cada um pro seu quarto. Eles se entreolharam e me olharam, com caras estranhas.
- Foi mal, , ‘tô exausto da viagem e eu quero falar com a... – começou a falar mas eu o interrompi.
- Sua namorada, sei. – Rodei a chave do quarto nos dedos e suspirei, olhando pra e .
- No way, man, ‘tô caidasso e também quero falar com a minha namorada, sabe como é! - abriu a porta do quarto. – Até amanhã, caras! – E fechou a porta em seguida. também cumprimentou a mim e a , entrando em seu quarto em seguida. Fiquei parado, olhando pro chão, sentindo o buraco no meu estômago embrulhar.
- Vai dormir, , ainda temos milhares de coisa pra fazer amanhã, é melhor que esteja descansado. – falou, abrindo a porta do seu quarto. Olhei pra ele e não agüentei minha raiva.
- Não acredito que vai ficar do lado dela, ! Eu sou seu melhor amigo, nós nos conhecemos há quase oito anos, como pode ficar do lado dessa... Dessa... Garota que você acabou de conhecer? – Dei um soco na parede e apenas suspirou.
- Não estou do lado de ninguém, apenas estou do lado da minha consciência, eu acho que vocês dois são muito orgulhosos, cara, acho que ela não quis se explicar porque você foi cheio dos julgamentos precipitados, é só isso. – Ele falou super calmo e eu parei pra pensar no que ele estava dizendo.
- O que você quer dizer com isso, ? – Perguntei, cruzando os braços.
- Bom, você mesmo me disse que a era orgulhosa e que uma vez ela disse que gostava de conhecer bem as pessoas com quem ela estava se relacionando para saber com quem ela estava lidando, não é? - Apenas concordei com um aceno de cabeça. - Então, e esse ela tivesse feito isso, de escrever coisas sobre nós no caderno, apenas pra, sei lá, registrar o que somos de verdade para nos conhecer melhor? – Parei e fiquei quieto. Eu não havia pensado daquele jeito, não havia passado nada daquele tipo na minha cabeça, muito pelo contrário, eu tinha pensado mil coisas ruins, mas nenhuma boa. Não sei quanto tempo fiquei quieto, mas deu dois socos leves na porta dele e disse: - Esquece isso, ! Você nem gosta dela mesmo, não é? – Ele riu baixinho e entrou no quarto dele, me desejando boa noite. Eu me sentia tonto, meio enjoado, e sentia meus músculos um tanto quanto travados, mas consegui entrar no meu quarto e sentar na cama que eu estava usando há dias. Meu pensamento estava a milhão e eu não consigo nem descrever o que eu estava sentindo e pensando naquele momento, apenas minha briga com a , ficava passando na minha mente.
“- Você quer me dizer que porra é essa? Você vem anotando coisas sobre mim e meus amigos? Sobre o que fazemos juntos? Meus tipos favoritos de música, meus gostos, as coisas que eu deixo de gostar ou não? – Eu perguntei, falando um pouco alto demais com ela.
- Calma, , eu posso explicar! – Ela deu um passo na minha direção, mas eu não a queria perto de mim, por isso decidi voltar a falar.
- Pra que você estava fazendo isso? Ia vender uma história pra alguma revista ou jornal? Estou até vendo qual seria o titulo da história, - ele riu irônico – “Como transformar um McGuy em um OTÁRIO!” – Não consegui me controlar e acabei gritando com ela quando falei “otário”, fazendo com que ela fechasse os olhos e os apertasse com força.”
Eu estava fulo e ela com uma cara de assustada, sua boca abria e fechava várias vezes como se ela quisesse dizer alguma coisa, e eu lembro o que ela disse:
“- , , pelo amor de Deus, não é isso! – Ela dizia, mas eu estava tão irritado e decepcionado com meus pensamentos que comecei a andar pelo quarto dela. Mil e um xingamentos passavam em minha cabeça e eu queria, por Deus no céu, poder dar um soco na cara dela, tamanho era meu ódio naquele minuto, por isso me virei pra ela, pronto para dar o soco em forma de palavras, porém quando me virei, a encontrei chorando, muito, e por um momento quis envolvê-la e abraçá-la pra que ela ficasse bem, mas no mesmo segundo esse sentimento passou e eu me irritei ainda mais com a ceninha que ela estava fazendo enquanto escondia o rosto nas mãos.
- O que? Lágrimas de crocodilo? – Perguntei e acabei indo até ela, pegando em seus braços a fazendo me olhar, mas tinha raiva em seus olhos. Ela jamais olhou pra mim desse jeito, era a primeira vez que eu sentia a frieza de seu olhar, mas eu não gostava disso, nem um pouco. Como já disse, os olhos de fazem com que eu me sinta fora de mim, mas é a primeira vez que fazia com que eu me sentisse completamente em mim, mas de um jeito nada agradável. Ela me olhava de um modo estranho e eu sentia todos os meus membros doloridos tamanha era minha dor, minha raiva, minha decepção. Ela ficou quieta então e eu queria ouvir algo dela, alguma defesa, alguma acusação contra mim, mas nada vinha dela, pelo contrário, apenas seu olhar frio, que estava me cortando por dentro. – Diz alguma coisa! – Exigi, minha voz saindo rude, fazendo com que ela trancasse o maxilar e respirasse muito fundo.
- Pra que eu vou dizer algo? Você já tem todas as respostas, não tem? – Ela ergueu uma sobrancelha e se soltou de meu aperto firme. Ficamos os dois parados, olhando um para o outro.
- Você mentiu pra mim, me enganou, me fez acreditar que você era uma coisa, quando na verdade era outra completamente diferente! – Abaixei a cabeça e minha voz falhou, a fazendo morder seu próprio lábio.
- É você quem está dizendo. – Ela falou, sem ânimo algum em sua voz, desviando seu olhar do meu. Ela continuava chorando, fazendo meu coração apertar de raiva, de frustração.”
Olhei pra ela, a vendo ainda querendo falar alguma coisa, mas seu desespero e as lágrimas não a deixavam sequer respirar. E, sem esperar, continuei falando:
“- Me faz um favor? – deixei minha voz sair embargada, fazendo ela se virar pra mim, com a mão na boca. Eu estava ma, e ela parecia mal também, mas nesse momento achei que era deboche, e que na verdade ela não sentia nada do que transparecia . Ela balançou a cabeça positivamente, enquanto me olhava. – Da última vez que nós falamos, eu disse pra não me procurar mais, mas agora, definitivamente, nunca mais. – coloquei o dedo indicador na boca, deixando algumas lágrimas a mais caírem – Nunca mais olhe pra mim, fale comigo, troque uma palavra sequer comigo, porque de gente como você eu estou cheio! – E então eu respirei fundo, abri a porta de seu quarto e sai, a deixando sozinha.”
Olhei para o chão, prendendo meus dedos nos meus cabelos, sentindo meus olhos ardendo. Não, não, chega disso, , está na hora de superar isso, tem quase uma semana, cara, você precisa esquecer esse sentimento, precisa esquecer essa garota de uma vez por todas. Liguei a televisão e coloquei na Mtv, que estava passando o Mtv Playlist, me deitei na cama e respirei fundo. Foi então que uma batida conhecida muito bem por mim começou a tocar, me sentei na cama, completamente desacreditado com a minha puta falta de sorte. Use Somebody começava a ser tocado e eu quis simplesmente tacar o controle remoto na direção da televisão, mas me controlei por saber que aquela televisão não era minha e eu teria que pagar por ela se eu a quebrasse. Desliguei-a e me levantei, indo em direção a varanda do meu quarto, olhando pra lua no céu. Ah, caralho, eu estou ficando cada dia pior e mais clichê.
“ - Esquece isso, ! Você nem gosta dela mesmo, não é?” está certo, preciso mesmo esquecer isso, eu não gosto da . É, isso, eu não gosto mesmo dela, ela é só mais uma garota que entrou na minha vida e que logo logo irá sair, tanto da minha vida quanto dos meus pensamentos. Abaixei meu olhar para a cidade de Madrid e respirei fundo, pensando no que disse antes :
“- Bom, você mesmo me disse que a era orgulhosa e que uma vez ela disse que gostava de conhecer bem as pessoas com quem ela estava se relacionando para saber com quem ela estava lidando, não é? Então, e esse ela tivesse feito isso de escrever coisas sobre nós no caderno apenas pra, sei lá, registrar o que somos de verdade para nos conhecer melhor?” Dei um soco na parede ao meu lado e fechei os olhos com força, querendo com todas as minhas forças que aquele sentimento de piedade, de vontade de tê-la saísse do meu corpo, e foi quando, de repente, um flashback começou a me invadir com força.
“- Desde quando se tornou uma sabe tudo sobre o mundo McFLY? - Perguntei com a minha voz rouca como sempre, enquanto levantava a xícara de café, tomando um gole quente em seguida.
- Eu gosto de ser bem informada sobre a vida de pessoas com quem eu me relaciono. – Arqueei uma sobrancelha, surpreso com sua resposta.
- É um ótimo começo. – Eu disse e ela, que concordou comigo, sorrindo.”
Tudo fazia sentido, as palavras de e a confirmação fez com que eu me sentisse ainda pior por não ter dado a ela uma chance de se explicar, mas, ainda assim, ela podia ter me dado uma explicação, podia ter quebrado o orgulho idiota dela e explicado a mim tudo como era ao invés de ficar mentindo pra mim, me escondendo as coisas, assim é sempre pior, sempre muito pior. Mas pelo menos de uma coisa eu consegui entender, ela não é, definitivamente, como as outras, pelo contrário, ela realmente é a garota que eu estava procurando, a garota que me queria por ser o , não o , a garota que realmente me quis por ser quem eu sou, a garota que virou o meu diário, que virou minha melhor companhia, meu melhor delírio, minha melhor amiga. Virou a garota que faz com que meu coração bata mais rápido do que eu consiga controlar.
- Ela é a garota que eu amo. Que eu amo! – Assumi alto, porque eu precisava me ouvir dizer, precisava aceitar que era isso mesmo, era esse o sentimento que estava e consumindo por dias, era o meu amor por ela, pedindo por ela, desejando mais dela, somente dela.
Eu a amo. Amo.
’s POV Off.
Estava parada na minha varanda, respirando fundo enquanto olhava pra lua. Uma semana, uma semana havia passado e aquele buraco já estava fazendo parte de mim outra vez, as noites com Eric me faziam chorar cada vez mais, ele estava me machucando cada vez mais, me apertando com mais força a cada toque, me ferindo com suas palavras e palavras imundas com as quais me chamava, fazendo com que eu me sentisse ainda mais nojenta. O sexo era pior ainda, eu não transava, ele transava por si só, parecia mais um estupro do que qualquer outra coisa, mas, depois da segunda vez, eu impedia que ele me tocasse, impedia que ele me beijasse, que olhasse pra mim por mais de quinze minutos, e fazia mais de dois dias que eu não falava com ele, que não o via e isso estava me fazendo um bem que eu jamais poderia esconder. Eu queria distância de tudo, pelo menos um pouco. Eu cancelei minha festa de aniversário, pedi para ficar apenas com a minha mãe, Ele e Camis em casa, e já que as McGirls estavam trabalhando cada uma em seu projeto, elas entenderam. Suspeito até mesmo que tenha entendido mais do que algo que eu disse. Hoje era meu grande dia, estava fazendo 19 anos. , , , , mamãe, Eleonor e Camilla haviam se juntado com Fred e me deram um carro, um carro LINDO por sinal. Titia disse que, a partir daquele dia, eu não teria mais desculpa pra chegar atrasada em casa. Fala sério, com um New Beatle na garagem, quem vai querer chegar atrasado? Pelo contrário, sai mais cedo de casa só pra ficar andando mais tempo com ele. Enfim, na hora do almoço, fui surpreendida pelas McGirls em casa com um bolo de chocolate com morango maravilhoso, com a desculpa de que aquilo não era uma festa, e sim a sobremesa do almoço, vê se posso com isso. Elas me encheram de sacolas de presentes, assim como Titia e Mamãe. Roupas, jóias, acessórios e uma bolsa branca estupidamente linda, e, AH, ganhei três vezes a mais do que costumo a ganhar no meu salário, titia disse que eu merecia. Estranho, eu, dentro da CoffeenBook, sou a que menos trabalho e a que mais ganha, posso reclamar? Não mesmo. Bom, depois de comermos o bolo, as meninas irem embora para voltarem aos seus devidos trabalhos, fiquei com minhas mulheres, - conhecidas como mãe, tia e melhor amiga – vendo o que eu havia ganhado. Mas elas, não se dando por satisfeitas, me fizeram ir até o cartório Britanico para transferir minha habilitação para o país. O que elas se arrependeram amargamente, pois ficamos três horas naquele lugar, esperando a transferência. Até que foi rapidinho, se fosse no Brasil, levariam semanas, meses até. Bom, quando voltamos, as três marias ficaram na sala assistindo um filme e eu vim para meu quarto e o resto, você já sabe.
- ! – Ouvi a voz de Camilla me chamando, ou melhor dizendo, me gritando e eu sequei minha lágrima, entrando no quarto.
- O que foi, mulher, está gritando por quê? – Perguntei, vendo Eleonor e mamãe seguindo ela, todas as três sorrindo abertamente pra mim. Camilla mordia o lábio, titia estava com a mão na boca, escondendo um sorriso e minha mãe apenas sorria, o sorriso terno dela de mãe.
- Mulher, eu tenho uma coisa pra você que vai fazer seu coração disparar! – Camilla disse, sua voz saindo mais animada do que o normal, e eu sorri por isso. Eu sabia que não era nada grave, afinal o buraco não estava ardendo demais ou me sufocando como ele sempre faz.
- O que foi que aconteceu? – Perguntei, deixando um singelo sorriso escapar, mas todas elas estavam quietas, apenas sorrindo. - MEU DEUS, fale logo, eu já estou ficando agoniada! – Dei risada e as três riram junto comigo.
- Camilla, para de judiar da sua amiga e entregue logo o envelope pra ela, poxa! – Eleonor entrou no quarto, sentou na minha cama, colocou a mão na barriga enquanto cruzava as pernas na minha cama. Olhei pra Camilla e cerrei os olhos.
- Que envelope é esse, Camilla? – Cruzei os braços e ela tirou um braço de trás das costas e mostrando em sua mão um grande envelope branco. Instintivamente coloquei minha mão na boca, respirando fundo, sentindo as lágrimas começando a encherem meus olhos.
- Isso, isso... Isso é o que eu estou pensando? – Perguntei, sentindo um par de lágrimas rolando pelo meu rosto. Camilla caminhou até mim, colocando o envelope em minha mão.
- Depende, ué! – Ela riu e eu olhei para o envelope que estava escrito London University Of Music. Abri o envelope e estava uma carta, uma carta que fez com que eu me sentasse na minha cama e começasse a chorar, chorar e chorar.
- Meu Deus, filha, o que houve? – Minha mãe me perguntou, sentando ao meu lado, enquanto colocava uma mão sobre meu ombro.
- Eu passei, mãe, eu passei! – chorei, sentindo meu corpo explodindo por dentro. – PASSEI COM BOLSA DE 100%! NÃO PRECISO PAGAR NADA, ABSOLUTAMENTE NADA, NA MELHOR FACULDADE DESSA CIDADE! – Pulei da cama e puxei minha mãe pra me abraçar enquanto Camilla vinha nos abraçar. Eu simplesmente não podia acreditar, ao mesmo tempo que as coisas estavam fora do eixo, elas começaram a acertar. Como isso é possível, a melhor alegria e a pior tristeza da minha vida.
- Que tal chamarmos uma pizza pra comemorar? – Titia falou e todas nós concordamos, felizes. As três saíram do meu quarto, me deixando sozinha e sorrindo. Mas por pouco tempo. Caminhei até minha varanda e respirei fundo.
- Eu queria que você estivesse aqui, , e que fosse você a pessoa que eu abraçava, mas um dia eu vou superar você, por mais que eu te ame com todas as minhas forças, com todo meu coração, eu vou viver e dessa vez buraco nenhum vai me impedir de seguir com o meu sonho. – Falei aos quatro ventos, querendo que minhas palavras chegassem até ele. Naquele instante eu havia decidido parar de sofrer, eu iria ligar pra Nathalie, pedir ajuda a ela para as inscrições na escola, daria um jeito para terminar com Eric e então viveria minha vida, fosse com ou sem .
Duas semanas depois.
Foram duas semanas bastante agitadas, eu resolvi cuidar mais da minha vida e tentar ignorar o buraco com a felicidade de passar mais tempo com a minha mãe. Não poderia ter sido melhor, não é? Nós fomos a todos os pontos principais de Londres, a levei até Liverpool pra conhecer os pontos turísticos dos Beatles, o que a deixou muito feliz. Passamos horas sentadas na concorrência, ou melhor, na Starbucks, e ela me contou sobre seu namoro, as mensagens fofas que ele ficava mandando pra ela enquanto ela está aqui, me contou sobre as coisas românticas que ele vive fazendo pra ela, e do modo como o seu coração bate frenético quando estão juntos. Bom, algumas partes me fizeram enjoar, afinal, é da minha mãe e de sua vida amorosa que estamos falando. Ela me fez contar minha história com , - sim, ela descobriu graças à minha tia que foi induzida a contar a ela e depois Camilla terminou de explicar -, expliquei tudo desde o começo e eu por várias vezes faltei chorar ali na frente dela, mas consegui me controlar a tempo de não cair em lágrimas na frente dela, por mais que eu soubesse que podia fazer isso na frente dela, eu não estava a fim de chorar na frente dos outros clientes da Starbucks. Quando ela percebeu meu estado e pareceu entender a situação, mudou o assunto pra que eu me sentisse melhor. Tudo foi ótimo dali pra frente, ela e eu passamos horas e dias seguidos juntas, fazendo compras, rindo, e evitando ao máximo qualquer coisa que tivesse o nome do no meio, até mesmo fiz que ela conversasse com no telefone, o que deve ter causado um estrago e tanto na conta telefônica dela, porque minha mãe quando começa a falar, só Deus pra tirá-la do telefone, mas, no fim, acho que a acabou gostando de conversar com ela, pois um dia veio almoçar com a gente e passou o dia conversando comigo, titia, mamãe e Camilla, claro que Camis teve que fazer todas aquelas perguntas de fãs e foi incrível a paciência que teve de responder cada uma das perguntas dela. Mas Camilla não ficou atrás no quesito passeio, afinal, ela é minha melhor amiga e fizemos tudo o que duas amigas gostam de fazer além de fofocar, fomos até a Oxford Street e ficamos horas lá, comprando roupas, indo em lojas de CDs, fazendo a maior festa que conseguimos e era daquilo que eu estava precisando, pelo menos era o que eu dizia pra mim mesma.Claro que tive que a ouvir reclamar umas trezentas vezes sobre o frio que estava fazendo e eu até fiquei com dó dela, eu estava tão acostumada com o clima de lá que nem mesmo havia percebido quão frio os dias estavam, enfim. Em um dia, quando eu voltei pra casa, tinham várias ligações acumuladas do Eric e foi quando eu decidi que precisava tomar uma atitude definitiva. Liguei pra ele e perguntei se poderia ir até o seu apartamento. E, bom, ali estava eu, parada em frente à porta do apartamento dele. Fazia duas semanas que nós não nos víamos e eu precisava botar um fim em uma relação que pra mim já havia acabado há muito tempo. Ele então abriu a porta, seus olhos estavam vermelhos, seu rosto com uma aparência de cansaço, sem camisa, me parecendo mais magro do que o normal, fazendo com que eu me preocupasse demais com seu estado de