Por: Hanny



Prólogo: Um novo começo.

Nem conseguia acreditar no que estava fazendo, era algo completamente inusitado, a primeira vez que eu fazia uma loucura como essa, eu não queria que tudo acabasse assim, mas eu era fraca. Na verdade, eu não estava com vontade de enfrentar meus problemas, estava cansada deles. Mas olhando por outro ponto de vista, nada estava terminando, estava apenas começando e essa é a minha chance de recomeçar. Lugar novo, novos amigos, novos problemas (é claro!), mas acima de tudo... vida nova!

Capítulo 1 - The decision

Lá estava eu na minha sala, com meu irmão mais novo. Só um ano, é claro, assistindo "O Dia Em Que A Terra Parou", quando meu olho esquerdo começou a doer e lacrimejar. Então, fui atrás da minha mãe para pedir um colírio. É por que ficar olhando para o Keanu Reeves não adiantava, e meu olho já estava me enchendo. Do quarto da minha mãe, pude escutar o barulho do portão se abrindo. Ótimo, meu pai chegou, e pela demora, ele só podia estar bebendo até essa hora, e só para constar, já são 21h30, e ele saiu umas 18h30, alegando que ia fazer umas compras.
- Mãe, a senhora tem colírio? - perguntei.
- Tenho, procura aqui - e ela indicou a porta do banheiro atrás do espelho. Então, lá fui eu procurar meu querido colírio. De lá do banheiro, pude escutar meu pai entrando no quarto.
- Demorou, hein?! - minha mãe falou com uma voz desconfiada e cansada, ela sabia.
- Demorei mesmo, amor - meu pai disse com uma voz estranha. Merda, ele tinha mesmo bebido.
- Sai, amor - ela pediu, provavelmente o empurrando. Eu não sei, estava no banheiro procurando meu colírio. Então, escutei a porta do quarto batendo.
- Achou, ? - minha mãe me perguntou.
- Não.
- Ah! Não sei não onde é que está - ela disse que nem criança, e eu fui olhar ao lado da cama dela, na pequena cômoda que tem, e lá estava o pequenino colírio.
- Achei! - eu disse, saindo do quarto. Fui até a cozinha e meu pai estava lá. Dar-te-ei um doce se você adivinhar o que tinha nas mãos dele. Uma cerveja.
- Oi, pai - disse cansada.
- Oi, filha – respondeu alterado. E eu fui para a sala, para continuar a assistir o filme.
- E aí? O que eu perdi? - perguntei para o meu irmão.
- Nada, só que ela é uma cientista.
- Ah, tá! - fiz uma pausa. - Quero pizza - eu disse que nem criança.
- Compra! - falou esperto.
Gargalhei, revirando os olhos.
- Acho que eu vou fazer pizza, tu queres? - ele abriu um sorriso de orelha a orelha e balançou a cabeça, afirmativamente. - É claro que quer - eu disse, sorrindo esperta, e voltei a assistir ao filme.

- Filha, vai lá com seu pai comprar Tylenol na drogaria para mim - minha mãe apareceu na sala.
- Agora?- perguntei cansada.
- É!
Bufei e fui trocar de roupa. Enquanto minha mãe ficava para trás falando alguma coisa para mim, que eu não fiz questão de escutar, mas pude ouvir meu pai falando.
- Olha para sua mãe que ela 'ta falando contigo - revirei os olhos e continuei meu caminho até meu quarto. Troquei-me e fui ateé a sala emburrada, pois estavam me fazendo perder o meu filme. Saco! Quando eu estava passando pela frente do carro do meu pai, ele estanca para frente, batendo na minha perna, me deixando ainda mais emburrada. Entrei no carro e ele perguntou.
- Por que que tu 'ta com essa cara?
- O senhor não viu não que quase me atropelou? - "seu idiota", pensei.
Ele ficou calado, me olhando superior, e dirigiu até a drogaria. Comprei o remédio e voltei para o carro, entrando e ficando calada sem olhá-lo. Podia sentir aquele olhar que se diz superior a mim, mas não o olhei, fingi que ele nem existia.
- Já comprou? - questionou como se eu tivesse acabado de entrar. E eu balancei a cabeça afirmativamente, parece que quando a pessoa bebe, o raciocínio fica mais lento que o normal, dificultando o entender. Ele dirigiu mais um pouco e parou num bar. "Ótimo!", pensei.
Ele comprou a cerveja e fomos para casa, finalmente, depois de uma seção minha de reviradas de olho. Fui entregar o remédio para minha mãe e meu pai falou.
- Da próxima vez, tu vais com ela, amor. Ficou o tempo todo de cara feia... - ele falou e eu sai do quarto mais raivosa e revirando os olhos. Me dirigi à cozinha e decidi preparar a pizza para me acalmar. Peguei todos os ingredientes e coloquei uma música para tocar no meu celular, e de repente meu pai apareceu. "OH, INFERNO!", pensei.
- Dá próxima vez, você vai comprar essa merda com a sua mãe porque eu não vou mais - disse superior. Como se eu quisesse que ele fosse...
- Tá - e comecei a cantar a música que tocava para me acalmar e não estressar muito, enquanto ele reclamava.
- ... a tua mãe é que se faz de babaca para ti...
- Não chama a minha mãe assim, por favor! - disse áspera, sentindo lágrimas de raiva descendo.
- Eu chamo sim - falou e eu tentei manter a calma.
- 'Ta bem, pai. 'Ta bom, tchau - eu disse tentando me acalmar, rezando para que ele atendesse meu pedido. Ele andou em minha direção, levantando a mão, e logo depois pude escutar um baque surdo, e senti minha bochecha ardendo. Muito!
- Você me respeita, não fala assim comigo se não eu te bato de novo, sua filha da puta, quem você pensa que é? Você é um nada, você não existe! Por isso que todos sempre te largam - ah não, agora ele apelou.
- Não fala comigo assim e não chama a minha mãe assim - eu disse, sentindo o sangue ferver e me dirigindo até o quarto da minha mãe.
- MÃE! - chamei, já chorando.
- O que foi? - ela levantou e foi em minha direção, ficando entre eu e meu pai. Pude ver que nos olhos dela, ela sentia medo e preocupação.
- A senhora fala para ele não te chamar de puta na minha frente - eu disse chorando, e pude escutar o som de um tapa. Ela batera nele.
- Por que você 'ta me chamando de puta? - falou com raiva. Ele ficou calado.
- Olha, você pode me xingar, mas não xingá-la, e se você falar "filha da puta", você não 'ta xingando a mim, mas sim à ela. Não é tão difícil de entender! - eu disse chorando. Ele se virou, e fui em direção a ele. Minha mãe tentou me segurar, mas eu me soltei dela.
- Quer saber por que eu estava com ela, cara? - eu perguntei chorando, enquanto ele me olhava superior. - Porque eu não gosto de ver o senhor bêbado, porque o senhor se prejudica e acaba nos prejudicando. Ninguém gosta disso, o senhor diz que já 'ta com o pé na cova, mas sabe por quê? Porque o senhor bebe, e pensa que nós gostamos de vê-lo assim? Não. Nós não gostamos, porque a gente sabe que isso faz mal para o senhor. E o que faz mal para o senhor, faz mal para a gente! - terminei de falar com o rosto encharcado de lágrimas.
- Não dirija mais a palavra a mim - ele disse, ainda superior. Chorei ainda mais e fui para o meu quarto, me jogando em baixo do chuveiro, de roupa e tudo. Depois de já estar completamente encharcada, aos poucos fui me livrando da minha roupa, ficando apenas de lingerie. Encostei minha testa na parede fria e fechei meus olhos, ainda chorando muito.
Minha bochecha continuava ardendo, toquei nela, que estava dolorida e um pouco inchada.
Após alguns minutos, ainda com a testa encostada na parede e de olhos fechados naquela água fria, senti um calor sobre mim, como se alguém me envolvesse com um abraço. Senti também um perfume masculino. Tinha cheiro de... mar, sol, brisa e canela. Também tinha um cheiro de bebê no meio dessa mistura maravilhosa e intoxicante, a qual nunca havia sentido. Senti como se alguém depositasse um beijo em meu ombro e em meu pescoço, fazendo com que eu me arrepiasse. Me virei assustada e nada vi, não havia ninguém ali, era como se eu tivesse imaginado tudo, definitivamente estava na hora de dormir.
Livrei-me de minhas roupas íntimas e terminei meu banho. Escovei meus dentes e passei meus cremes. Coloquei um short jeans que era folgado, quase duas vezes o meu tamanho; uma blusa branca e meu moletom, que era rosa e cinza. Deitei-me na cama, ainda chorando, e fiquei pensando nos últimos acontecimentos.

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Estava na casa de , deitado no sofá dele, jogando videogame com . Estava ganhando, é claro, quando deu pause no jogo, bem quando eu ia dar um nocaute nele.
- Dude, por que você fez isso? Eu ia ganhar! - eu disse indignado.
- Cara – ele fez uma pausa. - Eu preciso ir ao banheiro - e saiu correndo da sala, passando por , que estava com um pacote de Doritos na mão.
- O que deu nele? - me perguntou, arqueando as sobrancelhas, apontando para . Dei de ombros.
- Foi no banheiro.
Era incrível como nós tínhamos mania de nos apoderar da casa de , enquanto os pais dele estavam trabalhando. Era incrível como ele deixava com que fizéssemos isso, e era mais incrível ainda, como eu era bom nesse jogo que o pausou.
Fiquei pensando em coisas alheias enquanto não voltava do banheiro. Até que, de repente, uma sensação no mínimo estranha, tomou conta de mim.
Uma tristeza repentina passando, depois para uma espécie de conforto. Foi como se eu estivesse abraçando alguém, sentindo um calor corporal e uma mistura de perfume feminino viciante. Uma mistura de cheiros. Dentre eles, pude reconhecer um cheiro floral e outro perfume diferente, mas mesmo assim, igualmente viciante. Também tinha um fraco cheiro de morango. Pude sentir em meus lábios, uma maciez e um calor o aquecendo, mas estava meio... Molhado?
Estava com o olhar fixo na televisão, que não passava nada além do pause no jogo, quando a sensação de abraçar passou. Vi uma almofada voando em minha direção, olhei para e este estava me fitando, espantado.
- Que foi, dude? - perguntei.
- Eu que pergunto o que é que foi! Você fica aí, com uma cara de autista e não responde quando eu falo - ele disse ofendido.
- Não seja gay, cara! – eu disse revirando os olhos. - Você não sentiu? - olhei para ele com uma cara estranha.
- Senti o quê?- ele me perguntou estranhando.
- Aquele perfume feminino?
- Não! A única fragrância que eu sinto, é esse meu perfume maravilhoso - disse convencido, e eu revirei os olhos.
acabara de sair do banheiro e sentou do meu lado, dando start no vídeo-game.
Uma coisa muito estranha tinha acontecido agora. Eu não sei bem o que era. Só conseguia sentir que algo iria mudar, e que essa mudança não estava muito distante, e apesar de não gostar de admitir, essa sensação é boa.
- Dude, presta atenção no jogo - disse chateado, me despertando dos meus pensamentos, fazendo com que eu o nocauteasse no jogo. Ele me olhou com raiva e eu dei um sorriso de sou-melhor-que-você-até-dormindo.
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Era sempre a mesma coisa, todos os finais de semana meu pai chegava bêbado e quando não brigava com a minha mãe, brigava comigo. Já estava cansada disso! Cansada dessa vida e cansada de ele nunca me pedir desculpas das merdas que ele faz e fala. Cansada de ter passado por TUDO aquilo na escola, cansada de ser traída! Tão cansada a ponto de... fugir e nunca mais voltar! Nessa hora, um sorriso apareceu em meu rosto e eu me levante à procura de meu celular. Minha decisão já estava formada, eu já sabia muito bem o que fazer. Liguei para uma das únicas pessoas que me deixava calma em qualquer circunstância, e que com um jeito diferente, conseguia me fazia sorrir.
- Alô? - ele falou com uma voz rouca e sonolenta.
- ? - perguntei e ouvi que minha voz estava uma merda, de tanto chorar.
- ? O que foi? O que aconteceu? Você 'ta bem? - perguntou eufórico e preocupado.
- Eu 'to bem sim. Eu só... Eu só preciso da sua ajuda.

Capítulo 2 - Best Friend Forever (BFF)

- Onde você 'ta?- perguntou eufórico.
- Em casa- eu disse sem muita entonação.
- Ótimo! Em quinze minutos eu 'to aí! - ele disse.
- Não, espe... - desligou. Impossível ele estar aqui em quinze minutos, ele mora quase do outro lado da cidade. Nem ele conseguiria chegar aqui tão rápido. Quinze minutos depois senti meu celular vibrando.
- 'To aqui na frente já! - disse esperto. Minha boca escancarou. - Vem logo e coloque algo decente, por favor - e pronto. Ele desligou. Nem me deixou falar nada, que abuso! Coloquei só um cinto e tirei meu moleton, amarrando-o na cintura. Fui até a porta em silêncio, agradecendo a Deus por todos já estarem em seus quartos, provavelmente dormindo. Saí de casa, me dirigindo ao Audi preta do pai do , típico dele pegar o carro do pai. Entrei no veículo, e ele me olhou de cima a baixo, preocupado.
- Você 'ta bem?
- Não! - eu disse suspirando.
- O que aconteceu? O que foi isso no seu rosto.
- Briguei com meu pai - disse cansada.
- De novo, ? - disse bufando, batendo a cabeça no encosto do banco.
Contei tudo sobre a briga para ele, que ouvia atentamente. Já estava chorando, e por fim, ele me abraçou.
- Você precisa de um sorvete - ele disse divertido, e eu ri.
- Onde você vai encontrar uma sorveteria aberta às... – me estiquei para ver o relógio – 00h43?
- Eu dou um jeito - falou convencido. - É melhor colocar o cinto, – fiz o que foi mandado, e ele saiu em alta velocidade.
- Convencido – eu disse e ele riu.
Por incrível que pareça, ele consegui achar uma sorveteria (aberta). Fizemos nossos pedidos e sentamos.
- 'Ta doendo? - apontou para minha bochecha.
- Um pouco.
- Eu vou fazer melhorar! - UI! Que sexy! Papo! Ele se aproximou e passou o sorvete em minha bochecha, fiz uma cara indignada.
- Eu não acredito que você fez isso! - olhei com raiva para ele.
- Eu disse que ia melhorar! - deu de ombros e eu passei o sorvete na bochecha dele.
- , você é terrível! - ele disse e pegou um paninho que tinha na mesa, estendendo um para mim.
– ESPERA! - gritei e ele parou com o paninho perto do rosto, olhando assustado. - Temos que fotografar isso! Disse e ele riu.
- Só você mesmo, sua louca! - ele tirou o celular do bolso e eu fui para o lado dele. Estávamos lado a lado, ele virou para mim e lambeu minha bochecha suja de sorvete, bem na hora que tirou a foto.
- Que nojo, ! - Passei a mão no rosto e rimos mais um pouco.
- Mas então? Você disse que precisava da minha ajuda...
- Disse. Na verdade não é bem a sua ajuda... é mais o seu apoio - disse, me limpando.
- Pode falar. Te apoio no que precisar, eu prometo - falou, levantando uma mão em sinal de promessa.
- Euvoufugirdecasa! - disse rápido.
- O quê? - ele perguntou confuso.
- Eu-vou-fugir-de-casa - disse mais calma.
- O QUÊ? - gritou, recebendo um olhar reprovador meu. - Como assim fugir?
- Não é bem fugir, eu só vou antecipar minha viagem para Londres.
- Ah, isso muda tudo! - disse sarcástico, eu revirei os olhos. - Você não pode fazer isso, !
- , você prometeu! - disse triste, ele fechou os olhos com força e respirou fundo, abrindo-os logo em seguida, olhando para mim.
- Qual o seu plano? - sorri abertamente, fazendo-o sorrir também.
- Bem – disse animada -, eu já tenho tudo separado... visto, passaporte, e a escola de lá já tem a minha vaga desde o começo do ano, só falta o meu histórico, a declaração, e algumas outras parafernálias de lá do nosso colégio, mas eu acho que eu já peguei tudo. Eu vou precisar de um motorista, e é aí que você entra, meu amor.
- É claro! Porque é só para isso que eu sirvo, não é, "meu amor"?
- Correto, meu amado!- sorrimos.

estacionou em frente à minha casa, desci e pedi para ele abaixar o vidro.
- Vem, , você tem que me ajudar – ele revirou os olhos e saiu do carro, me acompanhando. Entramos em silêncio, e rapidamente estávamos no meu quarto.
- Ah, esse quarto me traz tantas lembranças boas... - ele disse sorrindo.
- É! A Cath me falou que naquele dia que vocês vieram para cá, vocês se beijaram aqui, no meu quarto. Vocês deviam se envergonhar por ficarem fazendo safadeza pelas minhas costas! - falei insultada, e ele sorriu maroto.
- Você queria ver então? - ele levantou uma sobrancelha.
- Eca! Senta logo aí na cama, que eu vou arrumar minhas coisas.
Em menos de meia hora eu já estava com duas malas masters GG cheias de roupas. Duas grandes; uma com meus sapatos, e outra com minhas bolsas. Uma média, com meus produtos de beleza devidamente protegidos. E duas pequenas; uma com meus bichinhos de pelúcia, e outra com meus livros, CDS, DVDs fotos e etc.
- Er, , meu amorzinho lindo... Eu acho que isso tudo não vai caber no humilde Audi do meu pai - disse, avaliando minhas coisas.
- Claro que vai, ! Não seja bobo. Agora aproveite que estão todos dormindo e coloque tudo isso no carro logo - disse divertida e ele deu de ombros, fazendo o que eu mandei.
- O que você vai fazer?
- Escrever a carta para eles - disse respirando fundo e começando a escrevê-la.

Mãe, sou eu, a . Eu sei que provavelmente a senhora deve estar super preocupada, mas não fique, afinal: eu estou bem e a senhora com certeza já deve saber onde eu estou!
Caso não saiba, eu estou em Londres, ou indo para lá. Não pense nesse meu ato como uma fuga, pense mais como se eu antecipasse minha ida. Mas isso não vem ao caso, o negócio é que eu te amo muito, e vou morrer de saudade de você, não fique chateada com o papai, isso tudo vai passar, é só esperar. Só que eu não consigo esperar, então eu vou viver uma nova vida, e vou te mandar e-mails, cartas, fotos, scraps, vou te telefonar regularmente.
Fala para o papai que eu o amo, e confio nele. E para o meu irmão, que ele vai ter que cuidar da própria comida. Fala para minha irmã ficar bem e não arrumar confusão. Te amo muito mãe, amo todos vocês.
Beijos!

x.o.x.o.


Depois de escrever a carta, fui deixá-la no quarto da minha mãe. Respirei fundo, entrei, e coloquei a carta na cômoda, onde estava o colírio. Olhei para minha mãe, que dormia calmamente, e uma lágrima caiu sobre meu rosto. Eu me sentei ao lado dela, e dei um beijo em sua bochecha. Logo depois, um abraço desajeitado.
- Eu te amo! - sussurrei, ela se mexeu um pouco, mas continuou dormindo. Saí do quarto de fininho, sentindo lágrimas caírem. Fui em direção ao meu quarto e entrei, me deparando com sentado na cama.
- Onde você estava? O que aconteceu? - ele veio em minha direção e me abraçou. Eu enxuguei minhas lágrimas e respirei fundo.
- Odeio despedidas - disse triste e ele sorriu. - Deixa eu me arrumar, amado - ele me soltou e eu fui em direção ao banheiro, pegando a roupa que eu tinha separado. Uma calça legging cirré preta, um regatão branco, minha bota de salto fino e um sobretudo branco. Me vesti e saí do banheiro.
me olhou de cima a baixo.
- Uau! 'To vendo que eu vou perder minha maninha para aqueles londrinos fedorentos - ele disse rindo e eu ri também.
- Vem, vamos logo - falei, colocando toda a minha papelada (passaporte, passagem, visto, RG, CPF, parafernalha da escola e dinheiro) na bolsa.
- , como você consegui dois mil euros?- me perguntou desconfiado.
- Calma, , relaxa aí que eu não assaltei nenhum banco. Lembra que a foi para Londres quando a gente tinha completado quinze anos, né? - ele assentiu. - Pois é nessa época eu trabalhei de babá e consegui juntar dinheiro suficiente para poder trocar, e aqui está o meu rico dinheirinho. Você acaba de ver quase dois anos de trabalho duro, transformados em euros.
- Que bom - ele disse e eu revirei os olhos. - Você não quer dormir um pouco não, ? A gente ainda tem tempo, seu vôo só sai daqui duas horas e cinquenta minutos, e o aeroporto é aqui pertinho.
- Não, eu 'to com medo de perder o avião, e além disso já são duas e dez - eu disse conferindo no meu relógio do Mickey.
- Então a gente dorme meia hora e acorda três horas! - ele disse, fazendo cara de inteligente.
- Ô tapado, a gente tem cinquenta minutos. Como é que você quer dormir meia hora, acordar três horas, se é duas e dez? - eu perguntei, levantando a sobrancelha.
- É por que vamos demorar vinte minutos para dormir! - ele disse, fazendo cara de esperto.
- Você vai! Eu já vou dormir – eu disse, tirando meu sobretudo e minha legging, ficando apenas com meu short/calcinha e meu regatão, me acomodando na cama e me cobrindo. – E apaga a luz! - pude escutá-lo bufando e logo tudo ficou escuro.
- Você é muito mandona! - ele disse manhoso, pude sentir a cama se mexer e o meu cobertor ser levemente puxado. - Afasta para lá, .
- Quem disse que você vai dormir comigo, folgado? - falei superior.
- Ai, mas como você é chata! Minha nossa senhora! - e ele saiu, provavelmente indo se deitar no chão. Cinco minutos depois. - ? ? , caralho, acorda - senti uma almofada em mim.
- Que é, menino chato - sentei-me na cama.
- Me deixa dormir aí contigo? - pela meia luz, pude ver que ele fazia aquela irresistível carinha de: Oi! Me adota?
- 'Ta bom, amado, vem para cá! - dei espaço para que ele se deitasse. Alguns instantes depois ouvi uns barulhos e logo depois a cama se mexeu. Ele já estava deitado. Ele puxou um pouco meu cobertor e entrou por debaixo dele, me abraçando, ficando com o rosto em meu ombro, já que eu estava de lado, pude sentir que ele estava muito frio.
- Você 'ta tão frio, ! - disse, apertando o braço dele que estava em minha cintura.
- E você 'ta tão quentinha – ele me apertou. - Sabe, é estranho estar aqui nesse quarto, com tão poucas roupas, de conchinha com uma garota que, para mim, é como minha irmã! - ele disse e eu ri.
- Nós não estamos com poucas roupas, ! - disse rindo.
- , eu só 'to de boxer e você 'ta assim... - fiquei de frente para ele para ter certeza se ele só estava mesmo de boxer. E sim, ele estava, prestei atenção em outra coisa também.
- Você 'ta indo para a academia, é? – eu perguntei rindo, tocando em seu abdômen, ele confirmou contraindo-o. – Tudo isso para sua suposta namorada, é?
- Correto, ! - ele disse me fazendo rir, eu me virei e ele voltou a me abraçar.
- ?
- Hum - murmurou cansado e eu sorri.
- Canta para mim? - sim, meu amigo canta! E muito bem, morra de inveja!
E ele começou a cantar "Lonely Day", do System Of a Down

Such a lonely day
(Um dia tão solitário!)
And it's mine
(E é meu)
The most loneliest day of my life
(O dia mais solitário da minha vida)

Such a lonely day
(Um dia tão solitário!)
Should be banned
(Devia ser banido)
It's a day that I can't stand
(É o dia o qual não posso aguentar)

The most loneliest day of my life
(O dia mais solitário da minha vida)
The most loneliest day of my life
(O dia mais solitário da minha vida)

Such a lonely day
(Um dia tão solitário!)
Shouldn't exist
(Não deveria existir)
It's a day that I'll never miss
(É um dia que nunca sentirei falta)

Such a lonely day
(Um dia tão solitário!)
And it's mine
(E é meu)
The most loneliest day of my life
(O dia mais solitário da minha vida)

And if you go
(E se você for)
I wanna go with you
(Eu quero ir com você)
And if you die
(E se você morrer)
I wanna die with you
(Eu quero morrer com você)

Ele cantou essa parte com tanta entonação, me abraçando tão forte, que fez partir meu coração. Eu estava deixando para trás, além da minha família, o meu melhor amigo. Meus olhos pesavam, e esse último pensamento fez meu coração apertar.
segurou minha mão, fazendo movimentos circulares nela.

Take your hand
(Pegar sua mão)
And walk away
(E ir embora)

The most loneliest day of my life
(O dia mais solitário da minha vida)
The most loneliest day of my life
(O dia mais solitário da minha vida)
The most loneliest day of my life
(O dia mais triste da minha vida)

fez uma voz fina, imitando o carinha da banda, me fazendo rir.

Such a lonely day
(Um dia tão solitário!)
And it's mine
(E é meu)
It's a day that I'm glad I survived
(É um dia do qual estou feliz por ter sobrevivido)

O senti depositar um beijo atrás da minha orelha. E dizer: - Boa noite, monstrinha! - deixei que o cansaço me dominasse, e logo caí rumo à inconsciência. Em um sonho muito estranho.

- Gordinha? Menina? Jujuba? Hey, pimentinha? Vamos, preguiçosa! - escutei a voz de berrando sussurradamente em meu ouvido, pude sentir beijinhos sendo depositados em meu pescoço, fazendo-me cócegas, e leves tapas em minha cabeça.
- 'Ta bom, eu já acordei! - eu disse de olhos fechados, sem me mover.
- você 'ta atrasada, vai perder seu vôo - disse e eu me levantei rapidamente, me arrumando. Ele riu.
- Não tem graça! - falei, fazendo bico.
- Vai se arrumar, vai – ele disse e assim fiz. Alguns minutos depois, fui até o quarto de minha mãe, dei um beijo em sua bochecha, logo me dirigi com o até o carro do pai dele.
- Tive um sonho estranho!
- Foi? Sonhou com o quê?
- Não lembro! - disse tentando me lembrar do meu sonho, era algo como um garoto, num lugar muito bonito (acho), olhos , e o mesmo perfume que eu senti hoje/ontem no banho. Mas não lembro.
- Típico de você não lembrar dos sonhos - disse irônico.
- Cala a boca e dirige!
dirigiu rápido, e em menos de quinze minutos estávamos no aeroporto.
Depois de fazer o check-in, fui avisar a que eu estava indo para lá.

’s P.O.V. mode on
Sabe? Às vezes eu canso de ficar na casa do por tanto tempo, jogando vídeogame. Erm, nope!
Claro que não! Pode ser pura preguiça, mas o que eu mais quero é cair na cama e dormir. Eu já disse que algo diferente vai acontecer? Pois é! Vai acontecer algo diferente, o bom é que eu 'to preparado para isso! Desde aquela sensação estranha que eu tive na casa do , eu 'to assim! É um saco, meu Deus, eu preciso saber o que aconteceu comigo, de quem era aquele perfume? Se eu não descobrir, talvez enlouqueça! E eu sou muito jovem (e gostoso) para enlouquecer!
Mas agora eu acho melhor tentar esquecer e dormir.

Havia algo no ar, não sabia onde estava, mas esse lugar me era familiar!
Espere, já sei onde estou!
No lugar secreto, no Hyde Park!
Mas há alguém aqui.
Uma garota.
- Moça? Ei, moça? - perguntei chegando perto, ela estava no laguinho, e... OH, MEU DEUS! ELA PARECIA ESTAR NUA. Ela mais parecia uma ninfa ou uma fada. Parecia pertencer ao lugar, como se fosse uma pintura, ela estava nas águas, parecia cantarolar algo, mas em uma língua diferente. Ela tinha uma voz doce, que me chamava para mais perto, como aqueles cantos de sereia, sabe?
- As cores lá fora, me disseram para continuar, elas me disseram para continuar...
Cheguei mais perto e ela parece ter notado minha presença, pois se alarmou e puxou algo como uma toalha, que estava sobre uma pedra. Na verdade, parecia mais como um vestido muito fino, de um azul muito claro. Me lançou um olhar de novo, e ao invés de gritar ou fugir, ela só sorriu e pôs o vestido por cima da roupa íntima (que agora percebi que ela usava). - Até que enfim você chegou! - ela disse, vindo em minha direção. - Esperei por você, mas você parecia nunca vir! Mas algo me dizia que eu devia continuar te esperando!
. - Como assim? - ela colocou a mão leve e molhada nos meus lábios, não me deixando falar e chegou perto de mim, ela tinha o mesmo perfume que eu havia sentido na casa de , e a única coisa que eu consegui dizer foi...
- É você! - e sorri.
- Shi!- ela sussurrou e aproximou os lábios dos meus. - Eu sabia que você viria! - disse e deu mais um sorriso, coloquei as mãos em seu rosto delicado, e encostei meus lábios aos dela.
Ela tinha um hálito doce e encantador. Sentia muitas coisas, uma libertação que nunca senti antes, um formigamento desde a sola do meu pé até minha cabeça. Só ficamos com os lábios encostados, ninguém ousou se mexer. Tentava decorar cada sensação nova, até que ouvimos alguém chamando.
- GORDINHA? - ouvimos um grito, nos separamos e ela olhou profundamente em meus olhos, como se quisesse tirar uma foto mentalmente. Os gritos continuavam: - MENINA?
- Preciso ir! - ela disse, tirando minha mão de seu rosto, mas eu a segurei.
- Espere! Isso é um sonho? - perguntei e ela sorriu.
- Eu não sei! - respondeu, sorrindo fraca.
- JUJUBA?
- Como faço para te ver de novo? Qual seu nome? - perguntei meio desesperado. Ela abriu e fechou a boca várias vezes, rapidamente.
- HEY, PIMENTINHA? VAMOS, PREGUIÇOSA! - o grito de novo.
- Tenho que ir! - disse e saiu correndo. Tentei correr atrás dela, mas não importava o quanto eu corresse, não saia do lugar, até que pareci cair em um buraco sem fim...


Acordei assustado e suado, como se realmente tivesse caído.
Esse havia sido o sonho mais estranho e o mais incrível de minha vida, e olha que ela ainda nem chegou ao fim! O que sentia agora era uma decepção grande por ter sido apenas um sonho, e uma grande raiva por já estar esquecendo-me de como ela era.
Era como se eu tivesse entrado num universo paralelo, foi tudo tão real, o cheiro dela, a textura de seus lábios macios e quentes, a leveza de seu toque, todas as sensações novas. Foi tão real, mas ao mesmo tempo irreal.
- Foi só um sonho! - suspirei alto e tentei voltar a dormir.
’s P.O.V. mode off

Capítulo 3 - Free Fallen

’s P.O.V. mode on
Estávamos eu e o na sala da casa dele, sentados no sofá, com pernas de índio, e violões entre elas. Ele estava me ensinando a tocar, até que eu errei uma nota.
- Poxa, você não acerta uma - falou, bagunçando. Olhei para ele irritada, meio que surtando, se assustou.
- Eu não acerto uma? Você que é um péssimo professor e fica errando todas, seu viadinho - disse debochando, enquanto ele me lançava um olhar mortal.
- Corre! - disse levantando, e eu pulei rápido do sofá com em meus calcanhares. Começamos a correr como duas crianças em volta do sofá, até que ele subiu em cima e se jogou em cima de mim.
- Outch, ! - disse manhosa. Ele me olhou preocupado.
- Desculpa, – ele disse cuidadoso, mas eu já nem estava mais me preocupando, não conseguia parar de olhar para aqueles grandes e perfeitos olhos.
não estava tão diferente, mas dividia a atenção entre meus olhos e minha boca. Ele se aproximou e pude sentir seu coração acelerado, pensando que o meu não estava tão diferente. Estava ofegante por conta da proximidade e pelo fato de estar em cima de mim, e vamos combinar que ele não é nenhuma pena. Certo?
Ele estava a menos de cinco centímetros, eu já podia sentir sua respiração quente e acelerada em meus lábios, até que:
"Shut up and let me go, this words I told you so", The Ting Tings começou a tocar ao longe.
Eu não sairia de lá se eu não reconhecesse de quem era aquele toque.
- ! - exclamei empurrando e correndo até minha bolsa para pegar meu celular.
- Alô? - minha voz saiu ofegante.
- Ui, amiga! 'Tava se agarrando com quem? - ela riu. - Amiga, liguei para te avisar que eu 'to indo para aí.
- O quê? - falei assustada.
- É amiga, eu vou chegar por volta das oito, ok? Amo-te, chuchu! - disse e desligou o telefone na minha cara.
- Quem era?- perguntou mal humorado.
- A ! - falei, me sentando no sofá boquiaberta, surpresa pela ligação.
- Quem?- perguntou sem entender.
- A ! – gritei apressada e levantei. - Olha, , foi mal, mas eu tenho que ir. Tenho que avisar a que a 'ta vindo - me dirigi até a porta. - Tchau, ! - lancei um beijo no ar, saindo em seguida e deixando um com cara de tacho.
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- E aí, como ela reagiu? - me perguntou.
- Não sei - disse e dei de ombros. me olhou como se não entendesse. - Eu não a deixei falar - e ri. Eu e ele nos dirigimos até um banco e ficamos lá sentados, de mãos dadas. Levantei meu pulso e vi que já eram quatro e vinte, suspirei.
- Daqui vinte minutos eu já vou ter que estar naquele avião - falei nervosa e ele me olhou triste. – Não fica assim, baby! A gente ainda vai se ver!
- É claro que vai, coisinha linda da minha vida - disse bagunçando meus cabelos, e passou um braço pelos meus ombros, encostei-me ao seu peito, fechando os olhos. O senti colocar sua cabeça em cima da minha. - Vou sentir sua falta, - sussurrou. Uma lágrima caiu pelo meu rosto e tudo ficou preto. (N/A: Calma, você não desmaiou)

- , acorda maninha, 'ta na hora de ir! - ouvi a voz de me chamando. Levantei-me, ajeitando-me, e olhei para ele, que me fitava de uma maneira super fofa, porém triste.
- Maninho, vem cá! - o chamei de braços abertos, com lágrimas desabando pelos meus olhos. Ele veio e nós nos abraçamos. - Eu vou sentir muito a sua falta, ok? Eu te amo!
- Eu também te amo, maninha! Você sabe que sempre que precisar pode correr de volta para cá, que eu vou estar sempre aqui te esperando, para te consolar. Você vai estar sempre comigo e eu com você, nós nunca vamos nos esquecer, vamos ser sempre esse casal de amigos/irmãos estranhos que se odeiam, mas se amam. Eu vou te amar para sempre, de qualquer forma, e vou esperar impacientemente você voltar para casa. Estarei sempre com seu sorriso em minha cabeça, e quando você estiver triste, lembre-se de todos os momentos felizes que passamos. Eu, você, a e a louca da . Desculpa por todas as merdas que eu já falei para ti - disse tudo afobado, enquanto eu ria e chorava ao mesmo tempo.
- Dude... Você é perfeito! – o abracei mais forte. – Se cuida e toma conta da minha mãe – rimos. - Te amo muito, maninho!
- Última chamada para o vôo 2468, rumo à Londres - ouvimos aquela voz assustadora e fomos de mãos dadas até o portão de embarque, me virei para ele e dei um abraço mega forte, deixando minha cabeça em seu peito. Ele deu um beijo em minha testa, eu fiquei de ponta de pé e dei um beijo em sua bochecha.
- Me desculpa por estar te deixando aqui, - disse ainda abraçada a ele.
- Você é uma boa garota, , louca como ninguém, e apaixonante como ninguém nunca foi e nunca será. Nunca deixe ninguém destruir esse seu coração de ouro, pois você vale mais do que qualquer bem ou pedra preciosa. Eu sou um filho da mãe de muita sorte por ter te conhecido, vou sentir sua falta! Tenho certeza que sem você aqui, meus dias vão se alongar, mas eu sei que você só quer se libertar de tudo, eu te admiro muito por ter coragem de fazer isso. Minha maninha pequenina – ele apertou meu nariz. – Agora me dá um abraço e vai logo, porque por mais que eu ache o contrário, você não pode perder esse vôo. Eu vou sentir horrores sua falta! - ele beijou minha testa e secou minhas lágrimas.
- E eu vou sentir a sua! – abracei-o uma última vez.
- Haja o que houver, , não olhe para trás. Siga sempre em frente, SEMPRE! Até breve! - ele disse, me abraçando de novo. Sussurrou: – E pare de fugir!
Soltei-me dele meio abalada com sua última frase, me recuperei e fui em direção ao portão de embarque do avião, onde ele não podia mais ir.
Quando já estava no fim do corredor, me virei e o olhei uma última vez antes de entrar no avião. Ele olhou para mim e gritou:
- EU NÃO DISSE PARA VOCÊ NÃO OLHAR?! - riu e eu sorri.
- EU SÓ QUERIA DIZER QUE EU TE AMO – gritei de volta.
- Eu sei! – disse convencido. Revirei os olhos, mandando um beijo no ar para ele, que fingiu segurá-lo e colocar no coração, mandando outro de volta. Eu segurei e coloquei no coração, piscando marota. Em seguida, me virei e fui em direção ao avião, com um sorriso triste no rosto.
Procurei meu lugar, agradecendo ao papai do céu por ser na janela. Sentei-me e logo depois veio um deus grego e se sentou ao meu lado, lançando seu sorriso de: oi-eu-acabei-de-fazer-clareamento-dental.
- Bom dia - ele disse com uma voz rouca enlouquecedora. Ele era alto, branco, mas bronzeado, com olhos cor de mel bem claro, puxando pra um tom de verde, tinha um cabelo médio e preto, parecia ter mais ou menos uns dezoito anos.
- Bom dia - eu disse, sentindo minhas bochechas corarem, ele sorriu. E eu agradeci por só ter dois lugares nessa fileira.
- Também está viajando sozinha?
- Sim. Você vai para Londres também? - perguntei simpática.
- Sim. Ah, a propósito, meu nome é David, mas pode me chamar de Dave - ele estendeu a mão para mim e eu a apertei.
- , mas pode me chamar de .
- Satisfação – ele disse e eu estranhei, não deveria ser "Prazer"?. - É que prazer é só na cama! - a maneira como ele havia dito aquilo era tão cômica que eu dei uma das minhas gargalhadas altas e vergonhosas. - Alguém já disse que você tem uma gargalhada maravilhosamente contagiante? - ele perguntou sorrindo e eu corei. De novo. Ele deveria parar de me constranger.
- Mas então? - mudando de assunto, talvez assim ele parasse. - Você vai passar um tempo lá? Vai visitar ou o quê?
- Não, eu sou de lá - disse e eu olhei boquiaberta, ele nem mesmo tinha sotaque. - É que eu nasci lá, mas me mudei para cá com três anos, e só ficava indo nas férias ou quando desse, mas agora com dezoito eu vou para lá de vez. Vou fazer faculdade de música.
- Ah, você toca? - perguntei interessada.
- Também! Na verdade eu canto, e toco.
- E você já tem uma banda?
- Ainda não, mas estou à procura de uma - continuaríamos conversando, se eu não tivesse bocejado. Droga de bocejo que não consigo controlar! – Oh, me desculpe! Você deve estar cansada, eu estou te impedindo de descansar, não é?!
- Imagina! Pode continuar - disse reprimindo um bocejo, fazendo-o rir.
- Descanse, , eu vou aproveitar e fazer o mesmo! - piscou, encostou a cabeça no encosto da poltrona, e fechando os olhos. Nossa! Que poço de educação, nem pergunta se é o que eu quero. Whatever. Virei para a janela, me encostei à ela e fechei os olhos.
É incrível como de uma hora para outra, minha vida muda!
Primeiro eu estava brigando com meu pai, depois chorando no meu quarto, depois tomando sorvete com o , depois me despedindo do mesmo, e agora estou aqui.
É realmente muito estranho!
Eu não sei de onde tirei coragem para fazer tudo isso. Só sei que me sinto feliz por ter feito, afinal eu nunca tinha feito nada assim. Peguei o fone de ouvido e conectei em uma estação do avião mesmo, sorrindo ao reconhecer a música de John Mayer.

She's a good girl, loves her mama
Ela é uma boa garota, ama sua mãe
Loves Jesus and America too
Ama Jesus e a América também
She's a good girl, crazy 'bout Elvis
Ela é uma boa garota, louca pelo Elvis
Loves horses and her boyfriend too
Ama cavalos e o seu namorado também

A música tinha a ver com tudo o que eu estava passando e fazendo.

It's a long day living in Reseda
É um longo dia vivendo em Reseda
There's a freeway runnin' through the yard
Há uma estrada em direção ao jardim
And I'm a bad boy
E eu sou um cara mau
Cos I don't even miss her
porque eu nem sinto a falta dela
I'm a bad boy for breakin' her heart
Eu sou um cara mau por quebrar o coração dela

É como se ele estivesse cantando para mim, tirando a parte que ele não me conhece, mas isso é só um detalhe!
E o principal:
Que quem estava se sentindo maravilhosamente livre, era eu.
E Meu Deus! Essa liberdade é maravilhosa.

And I'm free, free fallin'
E eu estou livre, caindo livremente
Yeah I'm free, free fallin'
Sim eu estou livre, caindo livremente

É como se pela primeira vez na vida eu sentisse que tudo iria dar certo, como se eu não precisasse me preocupar com absolutamente nada, e pudesse esquecer por tudo o que eu passei.

All the vampires walkin' through the valley
Todos os vampiros caminhando para o vale
Move west down Ventura Boulevard
Indo para o oeste de Ventura Boulevard
And all the bad boys are standing in the shadows
E todos os caras maus estão permanecendo nas sombras
All the good girls are home with broken hearts
Todas as garotas boas estão em casa com seus corações quebrados

Eu finalmente tinha encontrado uma maneira de ser livre, que vai me fazer feliz. E mesmo que minha família, meus antigos amigos (que eu com certeza não vou sentir falta!) ou até mesmo o , não estejam comigo, eu vou sempre ter a e a .

And I'm free, free fallin'
E eu estou livre, caindo livremente
Yeah I'm free, free fallin'
Sim eu estou livre, caindo livremente
Free fallin', now
Caindo livremente, agora eu estou,
I'm a, free fallin', now
Caindo livremente, agora eu estou
I'm a Free fallin', now
Caindo livremente, agora eu estou,
I'm a, free fallin', now I'm a
Caindo livremente, agora eu estou

A ansiedade em mim apenas crescia, eu estava louca para me encontrar com minhas amigas, e saber o que essa viagem me aguarda.

I wanna glide down over Mulholland
Eu quero deslizar até Mulholland
I wanna write her name in the sky
Eu quero escrever o nome dela no céu
Gonna free fall out into nothin'
Quero cair livremente pro nada
Gonna leave this world for a while
Quero deixar esse mundo por enquanto

Era como eu me sentia. A música retratava o que eu sentia. Como eu estava.
Livre de tudo e todos. Livre dessa vida que eu levava. Livre desse meu mundo. Eu não sabia o que eu encontraria em Londres, não tinha certeza se era realmente o certo para mim e para todos. Mas por incrível que pareça, eu me sintia pronta. Pronta para novos problemas, novos amores, novos amigos, mas acima de tudo... pronta para começar uma vida nova. Onde eu possa ser quem eu sempre quis ser: eu mesma.
Londres que se cuide, porque eu estou chegando!

And I'm free, free fallin'
E eu estou livre, caindo livremente
Yeah I'm free, free fallin
Sim eu estou livre, caindo livremente

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- Que é, ?- perguntei mal humorado assim que atendi ao telefone.
- Quem é, ? - ele perguntou.
- Quem? - é um ser retardado, de outro planeta.
- , dude! Você já viu?
- Não faço a mínima idéia de quem você está falando. Por quê?
- Porque eu ia me dar bem com a e ela atrapalhou! - parecia frustrado. Eu ri.
- faz quanto tempo que você quer ficar com a mesmo?
- Desde que eu pus meus olhos nela, eu me apaixonei, dude! - Está aí uma coisa que eu nunca pensei que fosse acontecer: apaixonado.
- Poupe-me dessa conversinha. E essa tal de ?
- A já tinha me falado dela uma vez, parece que é uma amiga delas que mora no Brasil e vinha pra cá não sei quando!
- E ela é hot?- perguntei malicioso.
- Sei lá, dude, eu nunca vi a garota.
- Pena! Vou desligar, , tchau!- desliguei sem deixar ele pronunciar uma palavra a mais, fui em direção ao radio e o liguei.

And I'm free, free fallin'
E eu estou livre, caindo livremente
Yeah I'm free, free fallin'
Sim eu estou livre, caindo livremente
Free fallin', now
Caindo livremente, agora eu estou,
I'm a, free fallin', now

John Mayer! Ele é o cara! Sério, as músicas dele são boas. Essa, em especial, me dá uma sensação de liberdade. Agora, mais que nunca. Parece que a intensidade da sensação de liberdade aumentou. Como isso é possível? Cara, acho que estou enlouquecendo.
Ando tendo cada sonhos bizarros, quer dizer, só aquele mesmo, mas foi tão bizarro que vale por vários, mas não são só os sonhos, às vezes uma animação repentina passa por mim, como se eu pudesse correr uma maratona com tanta animação e adrenalina. E agora a sensação de liberdade, muito bizarro!
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Capítulo 4 – Welcome to London

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Estava na minha casa assistindo televisão quando escutei a campainha tocar.
- ?! – disse comemorando. – O que você 'ta fazendo aqui?- perguntei e ele me olhou malicioso.
- Vim te fazer uma visita, fofa! 'Tava com saudades! – falou carinhoso e eu sorri boba.
- Oun, chuchu! Não precisava!- eu disse, me jogando nos braços dele. - Vem, entra - chamei-o.
– Cadê a ? - ele perguntou, vasculhando minha casa com os olhos.
- 'Ta aprendendo a tocar violão com o – sorri marota.
- Ótimo!- ele disse, aumentando o sorriso. – Assim ela não atrapalha. Eu quero matar minha saudade de você - disse, tentando ser sedutor. Resultado: fracasso total!
- , meu querido! Você tem que aprender que é péssimo com esse tipo de coisa, sabe? Você é desajeitado demais para parecer sedutor! - falei rindo e ele veio em minha direção lentamente, mas com passos largos.
- Minha querida, , você não deveria falar esse tipo de coisa para mim. Afinal, eu posso me zangar... - ficou a menos de um metro de distância.
- Eu não tenho medo de você meu querido – disse superior.
- Pois deveria! - colou seu corpo ao meu. Nós já estávamos muito perto. não sabia se olhava para minha boca ou para os meus olhos. Ele se aproximava cada vez mais, até que finalmente colou seus lábios aos meus, acabando com meu sofrimento e agonia.
Fomos andando até o sofá, e ele foi me deitando devagar, sem separar nossas bocas, fazendo com que eu ficasse em cima dele. Estávamos em um beijo calmo e apaixonado.
passava as mãos pela minha cintura, e eu passava a minha por debaixo de sua blusa, arranhando suas costas. Separamos-nos em busca de ar, mas ele não me deixou respirar por muito tempo, e foi logo beijando meu pescoço. Não sabia se ficava naquela agonia deixando-o fazer a festa pelo local, ou se o beijava. Optei por voltar a beijá-lo, invertendo nossa posição, sem partir o ato.
passava as mãos por baixo de minha blusa como um louco, até que ameaçou abrir meu sutiã. Me mexi desconfortável, separando nossas bocas e beijando seu pescoço, fazendo com que ele ficasse arrepiado. Sorri feliz com esse efeito que causo nele.
Ele me puxou para um beijo, continuando a passar as mãos por debaixo de minha camisa. Era incrível como a temperatura de Londres mudava rápido; em um instante você estava congelando, e no outro parecia estar mais de quarenta graus! Jesus, que loucura!
Podia jurar que ouvi um barulho diferente, mas não liguei, afinal, estava concentrada em outra coisa.
- Ai, meu Deus! Vocês estão querendo fazer um filho ou algo parecido? – ouvi a voz de alarmada e pulei de cima de , rindo loucamente pela cara deles dois, e a dormência que eu sentia em meus lábios.
- Sabe, , você chegou numa hora não muito boa... - disse frustrado. (N.A. Frustração sexual, gente! Tadinho!).
- Desculpa, zinho chuchu! Mas vocês podem deixar esse momento para depois - ela disse cômica. – Afinal, , nós temos uma certa amiga , que está vindo para Londres HOJE - terminou animada.
- AI, MEU DEUS! A ? - a vi confirmar. – SÉRIO?
- Seríssimo! - afirmou com a cabeça e dei um grito animado, fazendo com que risse e me olhasse assustado.
- Quem é ? - ele perguntou.
- , meu amor, me desculpa, mas você vai ter que ir embora. Não se preocupe que um dia nós terminaremos isso! - disse só para ele.
- AI, , que nojo! Eu ouvi, tá?!- falou enojada.
- Ouviu por que quis! - , emburrado, me deu um selinho. – Tchau, amor. Tchau, ! - e saiu.
- A é louca, ela nem me avisa! – disse chateada.
- Ela me ligou hoje, essa vadia - falou mais chateada.
- Sabe o que isso quer dizer...? - perguntei com olhar de criança, e ela sorriu, entendendo.
teria uma surpresa, e nós teríamos MUITO trabalho!
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- Senhoras e senhores passageiros, dentro de alguns minutos estaremos pousando em Londres. Favor retornem seus assentos para a posição vertical. Obrigada por voarem com a "Linhas Aéreas Brasil", e tenham uma ótima estadia em Londres! - a voz da aeromoça ecoou ao longe, e senti um cutucão em minha cintura.
- , já está na hora de ir. Acorda - escutei a voz de Dave e abri os olhos vagarosamente, me deparando com aquela visão.
- Nossa! Londres é sempre assim estrelada? - me inclinei em direção à janela para procurar a lua.
- Na verdade não! - disse se inclinando, e eu pude sentir seu perfume maravilhoso. – Me parece que você teve sorte! - e me lançou aquele sorriso perfeito. É! Parece-me que eu estou tendo muita sorte! Afinal, encontrar um gato desses não é fácil!
- Acho que ela está me acompanhando nessa viagem! - sorri.
- Sabe? Eu costumo ser um cara muito azarado - ele disse, me olhando maroto - Então, acho bom você ficar um tempo comigo nessa sua estadia em Londres, para tentar me passar essa sua sorte!
- Eu receio que você não ira aguentar! Eu sou muito chata! Até minhas amigas vão ter que me aturar. Eu irei morar com elas. E minha estadia em Londres será longa, pretendo fazer minha faculdade aqui.
- Mas isso é ótimo! Tenho certeza que você vai gostar. Eu sei que vou adorar ter você aqui! - disse com um sorriso que ia de orelha a orelha, fazendo-me corar e esconder o rosto. - Acho melhor você se ajeitar, , nós já vamos descer! - ajeitou-se, e eu aproveitei para fazer a mesma coisa.

Saí do avião com Dave. Estávamos conversando sobre coisas alheias e sem importância.
- , essa é sua primeira vinda a Londres?
- Yep! - respondi sorrindo abertamente, em busca das minhas malas que passavam naquela esteira.
- Você conhece algo daqui?
- Nope!
- Alguém vem te buscar no aeroporto?
- Não sei!
- Você sabe onde fica a casa das suas amigas?
Parei e pensei um pouco. Eu não conhecia nada e nem sabia onde minhas amigas moravam, o que eu estava fazendo aqui e assim tão calma?
- E se ninguém vier te buscar, ? Como vai fazer? - questionou preocupado.
- Não sei! - disse com medo e ele sorriu.
- Já sei! - olhei para ele como quem espera algo. - Como conheço Londres, EU irei te ajudar! - sorriu, anunciando meu "herói". - Você vai ligar para suas amigas, perguntar onde fica a casa delas, e depois eu vou te levar para lá! - disse entusiasmado e eu sorri.
- Você faria isso? - perguntei com os olhos brilhando.
- Mas é claro que sim! Não posso deixar você sozinha por aí, uma menina linda! Vai que alguém tenta algo?! - ele disse fofo e eu sorri.
- Cara... Tu és um amor! - falei e ele deu um master sorriso, dando de ombros, meio envergonhado. Nem preciso dizer que achei isso super fofo!
Pegamos nossas bagagens. Eu, com muita dificuldade, claro!
- , por que você trouxe tudo isso? - perguntou abismado.
- Eu posso sentir falta de algo! – disse dando de ombros e ele riu. – Como é que você vai me levar? Você 'ta de carro?
- Bom... Primeiro você tem que ligar para as suas amigas, e relaxa que em relação ao carro, cuido eu – disse convencido.
- 'Ta bom - falei e peguei meu celular, discando para em seguida.
- Oi, ! - disse estranha. - Já chegou?
- Já, né? Sua amiga desnaturada! - disse e ela riu. - , me fala onde é sua casa!
- Como assim? Você não quer que eu vá te buscar?
- Não! Você vai demorar um século! - disse indignada.
- Ai, que horror! – falou e me passou o endereço. Eu anotei, é claro. - É numa casa de dois andares meio rosa, quase roxa!
- Sério? - perguntei confusa.
- Sério!
- 'Ta bom, , tchau. Amo-te chuchu! - disse e desliguei, entregando o endereço a Dave, que me olhou de olhos arregalados.
- Sério que elas moram aqui?
- Eu acho que sim! - falei incerta.
- Eu moro depois dessa rua.
- Sério? - meus olhos brilhavam, e ele afirmou com a cabeça. – Isso é ótimo!
- Com certeza! Vamos? - estendeu-me o braço.
- Vamos! – segurei seu braço e tentei pegar meus três carrinhos de bagagens com uma só mão.
- Sai daí e deixe que eu faço isso, sua molenga! – ele disse, me empurrando.
- E como você pretende fazer isso, senhor machão? - perguntei semi cerrando os olhos.
- Se você me fizer o favor de levar meus carrinhos... - disse pegando minhas coisas e empilhando, deixando um carrinho sem nada. Ele começou andar à minha frente com os dois carrinhos com minhas coisas, e eu com o dele.
- Você é muito exibido, sabia?! - eu disse e ele riu.
- Quem pode, tem que abusar! - falou convencido e eu revirei os olhos.
Fomos andando em direção à saída, ele parou um táxi e colocou (com muito esforço) nossas coisas lá dentro.
- A casa fica muito longe? Por que o táxi pode sair caro - disse preocupada.
- Relaxa, ! Isso só vai nos levar até a garagem daqui - ele disse, dando de ombros e entrando no táxi. Entrei em seguida.
O táxi nos levou até um lugar subterrâneo escuro, cheio de carros.
- Pode parar aqui - Dave disse indicando uma Mercedes preta, absolutamente linda.
- Eu não acredito que esse carro é seu! - saí do táxi de boca aberta. Dave riu, e foi pagar e ajudar o taxista a tirar nossas coisas do veículo. Eu (pobre, é claro) fui olhar o carro de perto, admirando-o.
- Gostou? - Dave perguntou, abrindo o porta malas.
- Adorei! - disse, olhando-o colocar nossas coisas. - Tem certeza que vai caber tudo aí?
- Qualquer coisa, coloco aqui - ele disse, colocando a última mala no carro, na parte traseira. – Pronto! Vamos? - abriu a porta para mim.
- Vamos! - entrei e ele deu partida, rumo à casa das minhas amigas.
Eu fiquei só admirando a paisagem, entusiasmada para conhecer completamente aquela capital. Londres era linda à noite, com todas aquelas luzes e casas.
- , amanhã eu passo na sua casa para te mostrar Londres, tá? - Dave perguntou, mas aquilo mais parecia uma ordem.
- Se você insiste... - dei de ombros. - Que horas?
- Umas dez horas – disse, virando em uma rua. – Essa é minha casa - apontou uma casa, ou melhor, um palácio de três andares. Na verdade, todas as casas eram assim, grandes como a dele, que era uma das primeiras da rua e ocupava a metade dela. Branca, com um jardim enorme, grades beges e, minha nossa, tem uma daquelas fontes bonitinhas que os passarinhos bebem água!
- E-essa é sua casa? - perguntei de boca aberta.
- Sim! - deu um master sorriso. - É linda, né?
- É maravilhosa! - ele continuou dirigindo até a outra rua, e parou numa casa rosa quase roxa, de dois andares, enorme. Ela tinha umas cinco varandas, só olhando as laterais e a frente, mas a da frente era enorme, cabiam umas quinze pessoas e um sofá.
- Chegamos - ele disse, fazendo bico. Ouwn! E saiu do carro. Saí em seguida, e ele já estava tirando minhas coisas do veículo. Tentei ajudar, mas ele me impediu.
- Deixa que eu faço isso! Vai logo tocando a campainha e chamando alguém aí!
Toquei o interfone e logo escutei a voz da minha amiga.
- Quem é?
- Como assim quem é? Sua desnaturada? - disse rindo.
- AMIGAAAAA! - ela gritou.
- Pois é, né! Não grita, amiga. E por favor, vem me ajudar a levar minhas coisas! - mal terminei de falar, eu já conseguia ver uma de pijama saindo da casa, vindo em minha direção e se segurando na barra do portão.
- AMIGAAAAA! - ela gritou assim que se agarrou ao portão, sacudindo-o como uma presidiária que quer sair da cadeia. - VEM LOGO ABRIR ESSE PORTÃO! AMIGA, VOCÊ 'TA AQUI! EU NEM ACREDITO! AI, SUA LOUCA, POR QUE VOCÊ NÃO ME FALOU NADA, SUA MALUCA?! EU TE ODEIO! - ela parou de gritar e ficou de cara feia, largando o portão. - AMIGA, EU NÃO ACREDITOOOOOOO!- voltou a se agarrar ao portão e eu ri.
- AMIGAAAAA! - vinha correndo em direção ao portão. Ela abriu-o rapidamente com o controle, fazendo se soltar do mesmo e vir se jogar em cima de mim. fez o mesmo, e ficamos gritando e rindo, nos abraçando.
- AAAAAAAAAH - gritávamos juntas até que ouvi Dave pigarreando. Me soltei das garotas com dificuldade, virando para ele, que estava com aquele sorriso.
- Oi – as meninas disseram envergonhadas, talvez por estarem de pijamas.
- Oi - ele disse.
- Meninas, esse é o David - eu disse.
- Pode me chamar de Dave.
- Oi, eu sou a , mas pode me chamar de .
- , ou , como preferir! Você quer entrar?
- Eu adoraria, mas acho melhor ir para casa. Mas antes, tenho que ajudar a colocar essas coisas para dentro.
- Ah, claro! - disse, ajudando Dave. Eu e fomos fazer o mesmo. - Mas , me explica, por que você trouxe tanta coisa?
- Eu posso sentir falta de algo! - disse cansada daquela pergunta. Colocamos todas as coisas na varanda de baixo, na frente.
- Eu tenho que ir - Dave disse olhando no relógio.
- Eu te levo lá fora - fui até ele.
- Tchau, meninas. Foi um prazer! - disse acenando, e elas fizeram o mesmo.
- Bye, Dave! - disseram juntas.
Fomos até lá fora, e eu me despedi.
- Foi muito bom te conhecer, ! Até amanhã! - disse beijando minha bochecha, entrando no carro em seguida, deixando-me com a bochecha vermelha. Me virei indo em direção à casa, para ele não me ver com as bochechas coradas. – ... - ele me chamou e eu virei. – É que eu me esqueci de te dizer uma coisa - deu um sorriso maroto. - Bem vinda a Londres! - deu o master sorriso e foi embora, deixando-me parada, vendo-o partir, de boca aberta e babando horrores.

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- Dude, você sabe quem é ?. Por que essa pergunta não me é estranha?
- , por que você não pergunta para o ? Deixa eu adivinhar: ela atrapalhou você e a ?
- Não foi bem ela, mas ela 'ta no meio! - revirei os olhos. - A chegou bem na hora, gritando que essa tal de 'tava vindo, e me atrapalhou!
- Vocês 'tão aumentando a minha ansiedade de conhecer essa garota!
- Isso é bom! Se ela for hot, talvez você fique com ela e pare de segurar vela!
- HÁ HÁ! – falei com sarcasmo. - Esquece que o também 'ta só?
- Mas o tem o rolo lá com a Jojo, então ele não 'ta tão sozinho assim, meu caro!
- , tenho mais o que fazer, tchau! - desliguei chateado. Se eu ainda 'to sozinho é por que ainda não encontrei nenhuma menina boa o bastante para mim!
E por que eu estou esperando a garota dos meus sonhos.
Isso foi meio gay, mas estou literalmente esperando.
O único problema é que eu nem me lembro direito como ela era. Seu belo rosto é apenas uma imagem borrada em minha mente, e isso me deixa fulo da vida.
Eu podia ter uma memória boa e tudo mais, mas não!
Agora toda vez que durmo, tenho esperanças de sonhar com ela. Tenho vontade de dormir o tempo todo apenas para ver se lembro de seu rosto ou a vejo de novo. A única coisa que sei, é que seu perfume eu nunca vou esquecer, é como uma lembrança recente em minha mente, até por que foram duas vezes que eu o senti, então não tem como esquecer.
Meu único medo é, quando eu finalmente encontrá-la, não saber associar.
Tento manter recente em minha memória, levo sempre comigo. A única coisa que eu posso fazer agora é esperar. Mas cada dia fica mais difícil.
Acho que o melhor que tenho a fazer agora é dormir.
Talvez eu a encontre.
Talvez eu passe a eternidade apenas sonhando com ela.
Contanto que estejamos juntos, nem que seja em sonho, eu não me incomodaria.
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Capítulo 5 - The girl’s night!

Caminhei de volta para a casa flutuando, pensando no dia que eu poderia ter amanhã, e como ele poderia ser bom.
Acabei entrando na casa com um sorriso bobo em meu rosto, que ficou mais bobo ainda quando reparei na residência. Ela parecia ser revestida a ouro. Era toda branca, com detalhes dourados. E o lustre, meu Deus! A sala era enorme e tinha uma parede só de espelhos, fazendo com que o local parecesse maior.
- Meu Deus! Essa casa é linda! - eu disse para as meninas, que me olhavam com os olhinhos brilhando. veio em minha direção com os braços abertos, me abraçando.
- Amiga, que saudade! - falou com lágrimas nos olhos, e logo em seguida veio , também me abraçando.
- Amiga, a gente tem tanto para te contar. E você também, né mocinha?! - ela disse, piscando. - Vamos lá para cima?
- Isso! Você tem que ver seu quarto! - disse, dando pulinhos, me arrastando escada acima.
Subimos os degraus revestidos de madeira. A escada era enorme, ficava no meio da sala (na parede, é claro), que tinham duas partes (esquerda e direita). Dobramos à esquerda, em direção a uma porta branca, ao fim de um corredor largo, com outras duas portas.
- Esse é meu quarto – indicou um cômodo à minha esquerda.
- E esse é o meu - apontou o da minha direita. - E esse é o seu! - ela abriu a porta à minha frente, e meu queixo foi até o chão.
Ele era enorme, três vezes maior do que o que tinha em minha casa no Brasil. Era de um branco gelo, com uma parede lilás, coberta por pôsteres das bandas que eu gosto, e um mural de metal com fotos minhas com as minhas amigas, desde quando éramos pequenas.
Encostada nessa parede, abaixo do mural, tinha uma cama king size com lençóis brancos. Abaixo dela, tinha um tapete felpudo bege, que eu sempre quis ter, cobrindo aquela parte toda. Depois da cama, você descia um degrau para uma parte, já sem o tapete. Lá tinha uma parede, que não era bem uma parede. Na verdade, era só uma cortina bem delicada que cobria a "parede" toda. Deduzi que devia ser a maxi varanda.
Na outra parede tinha o rack com uma televisão LCD, de sei lá quantas mil polegadas; um aparelho de som e um DVD. O lugar de estudo era como um balcão branco enorme, tinha um monte de coisinhas coloridas e fofas, vários porta-retratos; acima dele, pendurada na parede, uma mini estante para colocar os livros. Na outra parede (N.A. É, são quatro, né!) tinham duas portas de madeira clara, e o resto era só espelho e uma barra de balé.
- E aí? Gostou? - perguntou esperançosa. - Você 'ta brincando, né? - eu disse maravilhada. - Esse quarto é lin-do!
- Que bom que você gostou! Deu muito trabalho para arrumar, sabe?! Já estava pronto na verdade, os móveis e tal, mas tivemos que ajeitar mais um pouco. E naquela hora que você ligou para perguntar onde era a casa, estávamos terminando de organizar - disse sincera. - Espera só até ver seu closet – falou, indo em direção às portas de madeira, abrindo-as. E meu queixo foi parar no chão de novo.
Era da metade do tamanho do meu quarto no Brasil, e já tinham várias roupas e muitos sapatos, de todos os tipos e cores. Minhas amigas definitivamente sabiam como me agradar. Tinha uma mesinha pequena de mármore, redonda, com uma poltrona e um pufe, que pareciam ser muito confortáveis. Olhei para ela e virei para as meninas, como quem pergunta algo, apontando para a mesinha.
- Caso você queira fugir - disse, dando de ombros. Eu sorri.
Tinha mais uma parede de espelhos, e encostada nela, um som moderninho pequeno. Eu sorri pelo fato de ter vários CDs ao lado.
Ao lado do som, tinha mais uma porta. Fui em direção a ela, já sabendo o que seria. A abri, e sorri abertamente vendo O banheiro.
Ele tinha o tamanho da outra metade do meu quarto no Brasil, com um monte de toalhas de todos os tamanhos possíveis; uma pia de mármore preto enorme, cheia de cremes e perfumes; um suporte com uma chapinha, um secador, um baby-liss e vários pregadores para cabelo. Naquele banheiro, um pouco longe da pia, tinha um degrau baixo, e subindo, você ia em direção à enorme banheira, que mais parece uma piscina de hidromassagem.
- Eu posso me afogar aí dentro! - olhei maravilhada para a banheira.
- Relaxa, ! - disse. - Tem bordas e você pode se apoiar nelas - rimos. - Agora vamos pegar as coisas que você deixou jogadas lá na sala - falou, saindo do banheiro com em seus calcanhares. Fomos em direção à sala, e levamos minhas malas - com muita dificuldade - até o quarto.
- Meu Deus, ! Você trouxe muita coisa! - disse, se jogando em minha nova cama. – Acho que emagreci uns vinte quilos só nisso! - ela comentou e nós rimos.
- Não exagera, ! - eu disse, abrindo minhas malas e começando a ajeitar meus livros, ursinhos e etc. - E então? Como estão as coisas aqui em Londres? - perguntei animada.
- Ótimas!- me respondeu. – Na nossa primeira semana já fizemos amizades. E quando fui avisar para que você estava vindo, ela quase fazia um filho com o - disse normalmente e jogou uma almofada em sua cara.
- !- ela a repreendeu e eu ri.
- E quem é , senhorita ? - perguntei marota, ela ficou vermelha.
- É o ficante/namorado dela - falou, e atingiu um tom de vermelho que eu nunca achei que fosse possível.
- Eu é que faço as perguntas aqui, dona ! - ela disse, mudando de assunto. - Quem é esse tal de David?
- Ah! Ele mora aqui perto – disse, sentindo minhas bochechas corarem. - A gente se conheceu no avião, e ele é lindo...
- E 'ta louquinho por você - disse, me cortando.
- Claro, né! - falou. - Para gostar da só se for louco! - elas riram e eu joguei um ursinho na cara dela.
- Pára tá! - disse, fazendo bico.
- É, ! Não fala assim da ! - disse, batendo na cabeça dela, que fez uma cara de indignada. - Mas me fala amiga, por que você decidiu antecipar sua viagem a Londres?
- Bom... – eu disse, terminando de ajeitar meus ursinhos e sentando na cama junto à elas, para contar sobre a briga, a parte da sensação estranha, do , e a parte do Dave.
- Nossa, que estranho! - disse e eu concordei.
- É, . Muito estranha essa parte da sensação - disse.
- Cara, eu senti até um perfume! - eu disse com o olhar perdido. - E sabe o que é pior?
- O quê?
- Eu gostei de ter sentido isso! Foi como se eu estivesse sendo consolada no momento que eu mais precisava. Foi perfeito, sabe?! – falei e elas balançaram a cabeça afirmativamente. - Mas agora, dona , você vai me explicar por que você 'tava ofegante quando atendeu ao telefone àquela hora... - mudei de assunto e ela ficou vermelha. olhou para ela, como quem pergunta algo.
- Bom... - ela enrolou.
- Desembucha - dissemos juntas.
- Naquela hora que você me ligou, eu estava correndo do . Ele caiu em cima de mim e... - parou.
- E? - eu disse desesperada.
- Euachoqueeleiamebeijar! - ela disse tudo muito rápido.
- O QUÊ? - perguntei histérica.
- Eu acho que ele ia me beijar – disse tudo devagar.
- Que lindooooo! - falei entusiasmada. – Agora, quem é ?
- É o amigo/pseudo-namorado da disse, e ficou roxa.
- Não é nada disso! Ele é só meu amigo! - ela disse.
- Um amigo que queria te beijar? - perguntei rindo.
- Não, mas é que... Ah, sei lá - ela disse, mal humorada.
- Calma, amiga! Isso não é nada demais! - eu disse rindo.
- Nem vem , que você já 'ta no maior love com o Dave, e vocês se conheceram hoje! - ela disse irritada.
- Oh! 'Ta na defensiva! - provoquei.
- Não enche - e fez bico.
- É papo, amiga! Gente, vamos dormir? Amanhã vou sair com o Dave às dez horas – disse sorrindo.
- Ui, ui, ui! 'Ta toda animadinha por que vai sair com o Dave! - bagunçou.
- 'To mesmo! Quem não estaria animada por sair com um Deus grego como ele? - disse feliz.
- É! Ela tem razão! - me apoiou e bocejou em seguida. Eu fui em direção à minha bolsa e peguei meu celular, ligando-o.
- Caralh...! - disse.
- O que foi? - me perguntou, vindo em minha direção.
- Minha mãe! - disse, olhando o celular e depois passando para ela.
- Trinta e cinco chamadas não atendidas. É amiga, você 'ta fod... - falou e entregou o celular para , que colocou no ouvido, rindo.
- Saca só as mensagens - apertou o viva-voz.

- ... se você não voltar para casa imediatamente, vou te deserdar, 'ta me entendendo, mocinha?
Fim da mensagem.

Mensagem número nove de "Mãe", às 10h35:
, se você não aparecer eu vou ligar para a polícia.
Fim da mensagem.

Mensagem número vinte e nove de " mano", às 10h45:
, sua perturbada, sua mãe 'ta me ligando adoidado, e eu não sei o que falar à ela. Boa sorte, me liga quando chegar, beijo.
Fim da mensagem.

Mensagem número trinta e três de "Mãe", às 17h:
Olha, eu sei que esse e a têm a ver com essa história. Vou ligar para ele mais uma vez, que se não atender, vou chamar a polícia!
Fim da mensagem.

- Eu e nos olhamos assustadas.

Mensagem número trinta e quatro de " mano", às 17h48:
chuchu, eu liguei para sua mãe e expliquei a história. Agora ela já sabe onde você está, e que está tudo bem. Beijo e tchau, que eu vou sair com a suposta namorada.
Fim da mensagem.

- Eu e reviramos os olhos, e fez cara de nojo.

Mensagem número trinta e cinco de "Mãe", às 18h02:
Olha, mocinha, a sua sorte é que o é um menino de ouro...
Nessa hora olhei para as meninas, que tinham expressões descrentes em seus rostos.
... e me explicou toda sua história de querer ir para Londres para esquecer tudo e rever suas amigas.
A voz dela estava mais calma.
Agora, por favor, me liga assim que puder, e não me deixe mais preocupada! Beijo, sua mãe!
Fim da mensagem.

- Agora eu já sei de onde você tirou a sua bipolaridade! - disse rindo, e o celular começou a tocar na mão de , que me olhou assustada.
Ooh, baby, don't you know I suffer?
Ooh, baby, can't you hear me moan?
- E agora? - perguntei assustada.
- Atende, ué!- me entregou o aparelho.
You caught me under false pretenses
How long before you...
- Oi, mãe! - disse com medo na voz.
- Oi, filha! Como está tudo aí? Teve uma boa viagem? Já está instalada? - ela perguntou com uma voz doce. É, me parece que o fez um ótimo trabalho!
- Já! 'Ta tudo bem, sim! - disse mais calma.
- Que bom! Olha, minha filha, você nunca mais faça isso, ok?! Você quase me matou de susto.
- Eu sei! Desculpa, mãe! - disse arrependida de não ter dado satisfações.
- Pelo menos o pior já passou, e eu estou feliz que você esteja bem! Aproveite bem esse intercâmbio e, por favor, não dê trabalho para a avó da . - 'Ta bom, mãe! - eu ri.
- Bom, agora eu vou desligar por que você tem que descansar. Um beijo, filha, eu te amo e já sinto sua falta.
- Eu também, mãe, muito. Beijo e boa noite - disse e mandei um beijo. Ela mandou outro e desligou.
Olhei para as meninas, que me olhavam estáticas.
- Eu achei que ela fosse pirar! - falou rindo.
- Eu também – concordei.
- Parece que o fez alguma coisa que preste, e acalmou sua mãe! - disse. - Você devia ligar para ele para agradecer!
- Tem razão - falei e disquei os números tão conhecidos por mim.
- Alô? - ele disse com uma voz meio embriagada.
- Que isso, ? Já 'tava bebendo? - eu disse, tirando sarro e colocando no viva-voz.
- Há há há! Muito engraçadinha você, . Pois saiba que você me acordou no melhor do sonho - falou indignado, e rimos juntas. - Quem 'ta aí?
- A , a e eu!
- Oi, meninas - ele disse gay.
- Oi, moça! - cumprimentou.
- Sabe, eu já estava com saudade da sua doce voz, - foi irônico.
- E eu da sua, meu caro! - falou cômica.
- Oi, ! - foi a vez de .
- Oi, ! Sua voz continua maravilhosa, sabia?! - ele disse e ela riu.
- Eu sei! - falou convencida.
- Agora, pulando toda essa conversinha... - disse com sono e meio irritado -, por que você me ligou, ?
- Primeiro, porque você pediu. Segundo, porque queria agradecer por ter me ajudado com minha mãe! - disse com voz de criança.
- De nada! Agora tchau que eu quero dormir. Beijo. Amo vocês, meninas. Até algum dia. Tchau! – e desligou.
- Ignorância! - e disseram juntas, indignadas. Eu dei de ombros, acostumada com isso.
- Vamos dormir? - perguntou.
- Vamos - eu disse cansada, me jogando no meio da cama, junto com elas. - Vocês vão dormir aqui?
- Sim!- falaram juntas.
- Alguém apaga a luz? - pedi, cansada.
- Não precisa! - avisou e bateu palmas, apagando a luz.
- Que chique! Obrigada, amiga! - agradeci feliz.
- De nada! Boa noite, meninas! - disse.
- Boa noite, chuchus! - falou.
- Boa noite, goiabadas! - desejei, com sono.
Fiquei um pouco impressionada por minha mãe não ter gritado comigo ao telefone. Eu pensei que ela ia ter um treco e me mandar voltar para casa, mas eu achei bom que nada disso tenha acontecido. Nossa! Agora mudando de assunto, o que é o Dave? Uma pessoa maravilhosamente gentil e bom moço! 'To começando a acreditar que ele é perfeito! E ele ainda foi super fofo com as minhas amigas, que foram super fofas com ele. Que saudade que eu estava delas! E o meu quarto? Nossa! É quase um apartamento! Acho que era disso que eu precisava... uma noite com minhas amigas, juntas, como nos velhos tempos. Meus olhos começaram a pesar e eu me deixei ser vencida pelo sono. E foi aí, nesse exato momento, um pouquinho antes de tudo apagar de vez, que eu tive um vislumbre de seus olhos, perfeitamente . Sabia que cairia em mais um dos meus sonhos...

’s P.O.V. mode on
Eu sabia que estava sonhando. O que eu mais queria era agarrá-la pelos ombros e exigir que me dissesse quem era, por que eu estava sonhando com ela e não conseguia tirá-la da cabeça. Mas sei que uma garota não deve ser tratada com dureza, muito menos ela, que para mim, é a garota mais especial que já conheci, sonhei, imaginei ou seja lá o que esteja acontecendo.
- HELLO? - gritei para o vento.
Estava no mesmo lugar do outro sonho. Sinto medo de pensar e acordar, porque meu consciente já sabe que é um sonho.
- OLÁ? - a voz feminina apareceu. Ela saiu por entre as árvores, e veio em minha direção. Estava vestida com um vestido amarelo simples. Ela parou em minha frente e olhou em meus olhos, deu um sorriso e levantou a mão, deixando uma trilha de choques quando tocou meu rosto.
"Quem é você?", queria perguntar, mas minha voz não saia, nem minha boca se mexia.
Ela ficou na ponta dos pés. Arrepios, choques e muitas outras coisas aconteceram assim que encostamos os lábios. Ela desencostou, ainda de olhos fechados e um sorriso sereno nos lábios.
- Quem é você? – consegui pronunciar. Ela abriu os olhos, deu um sorriso sapeca e aproximou os lábios de meu ouvido.
- A garota dos seus sonhos - ela sussurrou e mordeu o lóbulo da minha orelha.
Olhei para ela. Sua imagem não estava mais nítida, ficando meio translúcida. Ela se olhou e reparou também, franzindo o cenho.
- É impressão minha ou estou sumindo? - perguntou.
- Você está sumindo, mas por favor, não vá! - implorei à ela, que deu um sorriso triste.
- Isso não é algo que eu possa controlar - disse chorosa.
- Eu vou te ver de novo?
- Eu não sei - mordeu o lábio inferior. Inclinei-me para frente e a beijei, com medo de nunca mais vê-la novamente. Sim, foi um beijo quente, muito quente. Eu podia sentir o seu perfume de novo, lembrei de guardar em minha memória. Nos separamos e ela abriu os olhos, me dando um sorriso. - Até algum dia, ou sonho... - foi sumindo aos poucos, até que desapareceu completamente.


Acordei respirando fundo e muitas vezes. Suava, e não entendia muitas coisas que tinha acontecido. Sentia-me frustrado por não saber se ela realmente existia, e senti medo de não vê-la de novo.
Mais que isso, abominava o fato dela não existir, ansiava para encontrá-la, tanto que cada segundo que passava, a tormenta ficava maior. Como se ela fosse o motivo pela minha existência. Como se sem ela, minha vida fracassasse.
É, eu realmente precisava encontrá-la.
’s P.O.V. mode off

Capítulo 6 – Meeting London with a little bit of destiny

Acordei com meu despertador me tirando do meu sonho. Odeio quando esse tipo de coisa acontece. Isso é péssimo! Eu nunca vou saber quem é ele. Como posso sonhar com uma pessoa durante, sei lá... umas mil vezes seguidas e não lembrar? É incrível! Eu só sonho se for para sonhar com ele, e nunca lembro como ele é... Só uma vaga lembrança de seus olhos sufocantemente .
Estranhei o lugar assim que abri meus olhos, mas quando virei para o lado, vi minhas amigas com cara de anjinhos e sorri, procurando meu celular, que estava debaixo do travesseiro. Olhei no relógio, vendo que já eram nove horas. Me levantei com cuidado para não acordar as meninas, mas tem o sono leve.
- Amiga, onde você vai? - ela me perguntou sonolenta.
- Eu vou sair com o Dave, esqueceu?!
- UI, UI, UI! Vai lá, amiga! - ela disse e voltou a dormir, enquanto eu ria da cara dela, indo para meu banheiro para tomar um banho de quinze minutos. Após passar todos os meus cremes, fui dar uma olhada na minha varanda, ainda de roupão. Fiquei impressionada como tinha vista para a cidade, que era muito fria. Fui me vestir e optei por uma calça jeans skinny de lavagem escura, uma regata branca, botas cano baixo, luvas pretas e um casaquinho que é um pouquinho mais curto que meu sobretudo. Arrumei minha bolsa, e fui em direção às meninas.
- , eu já vou, tá?! - disse.
- Tá, né?! - ela disse sonolenta.
- Beijo, amo vocês - mandei beijos no ar.
Olhei para meu relógio e vi que já eram nove e cinquenta e três. Quer saber? Eu não iria ficar esperando pelo Dave, eu iria até ele!
Fui em direção à saída, e um porteiro - que eu não havia visto na noite passada - abriu a porta para mim.
- Obrigada - agradeci simpática e ele acenou com a cabeça.
Estava indo em direção à casa de Dave, e quando cheguei lá na frente, pude ver que ele já ia entrar no carro. Ele parou e olhou em minha direção.
- Eu não falei que ia te buscar? - perguntou mal humorado.
- Eu não quis esperar - disse esperta.
- Mas eu não estou atrasado. Estou? - questionou confuso.
- Eu disse que estava?
- Não! Ah, e a propósito... - sorriu e me deu um beijo a bochecha. - Bom dia, .
- Bom dia, Dave.
- Já tomou café?
- Não!
- Então entra logo no carro que eu vou te levar para tomar café! – entrei, ele foi dirigindo e parou em frente a uma Starbucks.
- Starbucks! - Disse animada e ele riu.
Fomos até uma mesa, e logo uma garçonete veio nos atender.
- O que vão querer? - ela disse, engolindo Dave com os olhos.
- O que vai querer, ? - ela se virou com desgosto e me deu um sorriso falso.
- Um mocca e um cupcake – disse simpática. - E você, Dave, meu amor? - ele me olhou estranhando.
- Só um descafeinado mesmo - ela saiu, mas não sem antes dar uma boa olhada nele. Posteriormente trouxe nossos pedidos.
Nós comemos, e depois ele me levou para conhecer Londres. Fomos em todos os lugares possíveis, menos London Eye. Ele me levou num parque que fica perto de casa, e é lindo. Fato! Tem uma fonte maravilhosa, um lugar cheio de flores e um outro com patos ou cisnes. Eu não sei, não estudo pássaros. Por fim, ele me levou para casa. Ainda não estava tão tarde, devia ser umas cinco horas.
- Você vai querer entrar? - perguntei para ele, que negou.
- Acho melhor eu ir para casa terminar de matar a saudade da família. Tchau, - disse e foi embora.
- Poxa - falei, entrando em casa, vendo as meninas sentadas no sofá.
- Que foi, chuchu? - perguntou.
- Ele foi embora! - fiz bico e elas riram.
- Calma que ele volta, amiga! - disse, fazendo graça. - E aí, como foi o dia?
- Foi bom. Ele me levou num parque lindo que tem aqui perto.
- O Hyde Park?
- Esse mesmo! E aí, o que vocês fizeram o dia todo?
- Nada! Ficamos aqui morgando, sem fazer absolutamente nada - disse rápida, e eu estranhei.
- E o que vamos fazer amanhã?
- Eu não sei, . Você já conheceu Londres, e esse era o nosso plano para te entreter. Agora só nos resta fazer compras - disse, como se fosse algo ruim.
- Eu aceito isso numa boa! - falei, como se não fosse grande coisa. – Cadê a avó de vocês?
- 'Ta numa viagem com as amigas, no Caribe – revirou os olhos.
- Que legal!
- Pois é, eu também acho, mas a não gosta. Quer que ela esteja o tempo todo aqui, mas eu já a convenci de que a vovó tem mais é que se divertir!
- Ok, gente. Eu já sei! - disse, cortando o assunto. - Amanhã nós iremos comprar uma roupinha super fofa para quinta, pois iremos ao pub. Quinta é dia D.
- Uhu! - eu e falamos juntas.

Saí de casa às nove horas. Estava afim de ir para naquele parque aqui perto de casa, que fui ontem com o Dave. Mas como eu sou péssima para lembrar-me dos lugares, levei um mapinha, assim não teria como me perder. Na verdade, eu nem precisaria dele, tinha um monte de placas dizendo "Hyde Park this way ->". Pareciam ter sido feitas só para mim! Ai, que emoção!
Entrei no parque querendo conhecê-lo melhor, então peguei uma trilha, daquelas que passa por todo o local. Fiquei caminhando lá por horas, até que meu celular tocou.
- Heloouu - (N.A.: , em Radio:ACTIVE! o/)
- Onde você está, ? - era , e ela parecia zangada.
- Naquele parque que o Dave me levou ontem.
- E o que te dá o direito de sair de casa sem avisar ninguém? Eu acordo em plenas dez horas da manhã, e percebo que minha amiga não está mais aqui! Que ela FUGIU, sem me dar nenhuma explicação! Sem deixar nenhum bilhetinho!
- Desculpa, amiga! - eu disse fofa.
- Tá, eu te perdôo, mas só por que eu te amo e por que você 'ta aqui pertinho de casa!
- Iupi - disse e dei um pulinho.
- Amiga, vê se não chega muito tarde, ok? Nós temos que ir ao shopping, ao meio dia! - disse animada.
- "Shoppis" - falei mais animada.
Conversava com ela ainda, caminhando, e olhei para cima, vendo um objeto voador não identificado vindo em minha direção. OH, MEU DEUS, EU VOU MORRER!
- CUIDADO! - alguém gritou, e aquela coisa atingiu minha testa com toda a força. Caí na grama e meu celular voou longe. Fiquei deitada no chão, de olhos fechados, só sentindo a dor. Na verdade, eu não sei se desmaiei ou se morri, mas minha testa doía muito. Então, como eu a sentia, eu não devia estar morta, acho que isso é bom!
- AI, MEU DEUS! Matamos uma menina - uma pessoa gritou desesperada. Podia sentir o pouco de sol que tinha sobre mim, ser coberto.
- A gente não matou ninguém! , seu idiota! - outra pessoa disse.
- Mas , ela 'ta super mal, olha sua testa...
"Ai, meu Deus! O que tem minha testa?", pensei.
- 'Ta sangrando - o menino que tinha gritado "CUIDADO" disse.
- E a culpa é sua, ! Quem manda você não pegar a bola? - o garoto que calou o tal do comentou.
- Minha? A culpa é do , que não segurou a bola - o tal do , eu presumo, disse. Não sei por que, mas é como se eu já estivesse escutado essa voz antes.
- Nem vem, , você que não sabe jogar bola - esse, o mesmo que tinha gritado "CUIDADO", que devia ser o , disse.
Minha testa doía muito, mas resolvi abrir logo meus olhos, vagarosamente.
- Silêncio vocês! Ela 'ta acordando - o menino que calou , o tal de , disse.
- Outch! - gemi e finalmente terminei de abrir meus olhos, vendo três meninos absolutamente lindos, bem perto do meu rosto, como se estivessem me estudando. - Meu Deus, morri e 'to vendo anjinhos! - eu disse devagar.
- Você não morreu! - um deles disse e reconheci a voz como sendo do tal do .
- Mas podemos ser seus anjinhos - o tal foi galanteador, e eu ri, sentindo minhas bochechas corarem, não acreditando que realmente falei isso em voz alta. Gemi de dor em seguida, e toquei minha testa.
- Outch! - gemi de novo, e outro Deus grego empurrou os três meninos, que caíram praticamente um em cima do outro.
- Dude, qual o seu problema? - o tal de perguntou, e eu olhei para o Deus grego à minha frente. Ele fixou os olhos incrivelmente no meu. Senti como se já o tivesse visto antes, como se já o conhecesse há muito tempo. Por um momento não pude fazer nada, além de admirar aqueles olhos... Eu já os vi antes. Mas onde?
- Você 'ta legal? - ele perguntou preocupado, olhando profundamente em meus olhos, fazendo-me corar. De novo!
- 'To! Minha testa só 'ta doendo um pouco - falei, olhando naqueles olhos magníficos, e tocando em minha testa.
- Ai – gemi e olhei para a mão que eu tinha tocado minha testa. - Nossa! Minha testa 'ta sangrando!
- Eu já tinha percebido - disse rindo. - Vem, vamos limpar isso - ele ficou de pé e me ajudou a levantar.
- Cadê meu celular? – olhei em volta e vi um brilhinho próximo a mim. - Ah, não!- disse triste.
- O que foi? - o menino perguntou.
- Meu celular! - peguei o aparelho, que estava com a bateria fora. - Vai ficar tudo bem, ele é resistente! - disse e sorri, ajeitando meu celular e colocando no bolso em seguida.
- Dudes, eu vou ajudá-la com o ferimento, depois venho aqui com vocês.
- Vai lá! Tem um kit de primeiros socorros no carro, você sabe que o 'ta sempre se machucando! – disse, dando de ombros, e o Deus grego master sorriu.
- Vem comigo - pediu e me levou até um Cooper S, preto. Abriu e tirou de lá uma caixinha de primeiros socorros. - Pode sentar aí - indicou o banco do carro, e eu sentei.
- Pode deixar que eu faço isso - eu disse, tentando pegar o kit.
- Nem pensar! – falou indignado. - A culpa de você estar machucada é minha! Então, fica quietinha aí que eu cuido disso!
- Eu sei que você não deve ter jeito para isso! É melhor me dar esse negócio logo - me levantei. E ele me empurrou de volta, fazendo eu me sentar novamente no banco, com força.
- Ai! - gemi e peguei em minha testa.
- Desculpa, não foi minha intenção - disse arrependido. - Mas, por favor, me deixa cuidar disso - quase implorou.
- 'Ta bom, mas, por favor, não faça com que doa! - fiz bico e ele sorriu.
- Eu levo jeito para isso. Relaxe e confie em mim - ele olhou profundamente em meus olhos, assim não dá para resistir! Ele começou a passar cuidadosamente uma gaze com anti-séptico. E cara, aquilo estava ardendo.
- Ai! - gemi baixinho e olhei para ele, que parecia muito concentrado.
- Desculpa - falou, continuando seu trabalho. - Até que não 'ta tão ruim. Espero que não fique roxo.
- Não pode ficar roxo! - disse com pesar, o sentindo pressionar a gaze sobre o ferimento. Gemi de novo.
- Ajuda se você se concentrar em outra coisa e não pensar na dor - aconselhou. – Você não é daqui, é?
- Não. Eu sou do Brasil – sorri.
- Que legal! - disse entusiasmado. - Eu sempre quis conhecer o Brasil.
- Sério? - perguntei, estranhando.
- Sério! Dizem que lá é lindo, que as pessoas são muito gente boa e bonitas, e parece que não mentiram - disse e olhou para mim, sorrindo. Eu corei, é claro. - Eu tenho umas amigas que são brasileiras. Eelas são muito legais, você iria gostar delas. Pronto, terminei - passou o dedo pela minha testa, numa espécie de... carinho?
- Não é que você leva jeito mesmo?! - fiz graça, me levantando.
- Eu te disse - e deu de ombros. - Desculpe-me, eu nem me apresentei - sorriu tímido. - Meu nome é - e estendeu a mão em minha direção.
- . Mas pode me chamar de - sorrio e apertei sua mão. Nesse momento, foi como se eu sentisse uma corrente elétrica nos ligando. Meu coração começou a acelerar e minha respiração a descompassar. Olhei para nossas mãos ainda juntas, e pareciam tão unidas... Olhei para , que olhava para nossas mãos com um olhar perdido. Ele o desviou de nossas mãos, e fitou-me sorrindo. Soltamos e continuamos nos olhando, sem piscar, até um cachorro latir e nos despertar.
- Então, ... – ele parecia desconcertado. – Você já conhece todo o parque?
- Na verdade sim. Eu passei o dia todo aqui rodando, creio que já conheço tudo.
- Eu acho que não... - disse e deu um sorriso esperto. – Vem comigo!- estendeu a mão de novo para mim.
- Você não é nenhum assassino, nem nada do tipo, é? Porque se for, eu já fiz balé! - disse ameaçadora e ele riu.
- E eu tenho cara de assassino?
- Não! Mas nunca se sabe... - falei e dei de ombros. – Olha, eu só vou com você porque eu fui com a sua cara, mas saiba que lá no Brasil nós fomos ensinados a não sair com estranhos, por mais bonitos que eles sejam!
- Obrigado - disse convencido e estendeu a mão de novo. Eu a segurei, tentando ignorar as correntes elétricas, mas parecia ser impossível.
Ele fechou e trancou o carro.
me levou até uma trilha, e de lá, depois de andarmos um pouco, entramos no meio das árvores.
- Ai, meu Deus, você vai me matar! - eu disse, fazendo drama.
- , vem logo - falou cansado. Depois de andarmos mais um pouco, eu já havia cansado, e ficava um pouco mais atrás dele, mas nós ainda estávamos de mãos dadas.
- Já 'ta chegando? - perguntei manhosa.
- Na verdade - fez suspense -, nós já chegamos - parei ao seu lado, escancarando a boca, admirada com a paisagem que aquele lugar tinha.
Era uma espécie de laguinho. Era simples e bonito, a água era tão cristalina que você podia ver os peixinhos coloridinhos nadando por lá. As rochas que tinham no lugar pareciam ter sido feitas para estarem lá, e em volta tinham várias espécies de flores pequenas e coloridas. E o mais estranho disso, é que eu senti como se já estivesse estado aqui antes.
- Uau! , como você achou esse lugar? - perguntei, me virando para ele, e reparei que já estava me olhando. Sorri.
- Eu venho aqui desde pequeno para ganhar inspiração, foi meu pai quem me trouxe aqui.
- Inspiração? - perguntei confusa.
- É! Para escrever alguma música.
- Você toca?
- Sim! É uma das coisas que eu mais gosto de fazer! - ele disse sincero, e eu deu um sorriso Colgate. - E você? Toca?
- Na verdade, eu e minhas amigas queríamos montar uma banda, mas como nós somos preguiçosas, não fizemos as aulas – sorri.
- Se você quiser, eu te ensino - disse tímido.
- Sério? - perguntei e ele confirmou. - Eu adoraria! - sorri e ele também.
- Mas então? O que você veio fazer aqui na Inglaterra, tão longe de casa? - perguntou depois de um longo silêncio.
- Você não iria querer saber... - falei, balançando a cabeça.
- Se eu não quisesse saber, não teria perguntado - fiz uma cara indignada e ele sorriu.
- Bom - larguei sua mão e sentei-me numa das rochas, ele sentou-se ao meu lado –, tudo começou quando a minha amiga veio para cá e eu não podia vir ainda... – contei toda a história, inclusive a briga com meu pai. Eera incrível como eu conseguia me abrir facilmente com ele, e eu mal o conhecia!
- Nossa! - disse assim que terminei. - Parece-me que você passou por muita coisa antes de vir para cá!
- Mas eu 'to feliz porque eu vim - sorri. - Esse sempre foi meu sonho!
- Ainda bem que você veio - comentou. Eu o olhei como quem pergunta algo. - Se você não tivesse vindo, eu nunca teria te acertado, nós nunca teríamos nos conhecido e nunca estaríamos aqui!
- É verdade! - sorri. – E eu adorei ter conhecido... - olhei para ele, que me olhou esperançoso - esse lugar maravilhoso - eu disse e ele murchou.
- E eu?
- Ah, é! Você também! - fiz pouco caso e ri em seguida.
- Eu sei que gostei de ter te conhecido - disse sincero.
- Isso é só por que você já conhecia esse lugar! - ri.
- É serio, - disse sincero, e nos olhamos profundamente. - Eu realmente gostei de ter te conhecido!
Ele se aproximou aos poucos e meu coração começou a disparar.
- Não sou o tipo de garota que beija qualquer um assim tão fácil - afirmei sorrindo, próxima aos seus lábios.
- Eu não sou qualquer um – suspirou. Eu já podia sentir o calor de seus lábios, extremamente convidativos, roçando nos meus, me trazendo lembranças que não podia identificar de onde vinham, tudo era tão confuso. Fechei os olhos, meu cérebro começou a processar rápido, estava me lembrando, tudo fazia sentido...
Até que meu raciocínio foi interrompido, perdi o fio da meada, e esqueci o que estava prestes a lembrar.

I've been thinking about you, my love
And all the crazy things that you put me through
Now I'm coming around, throwing it back to you
Were you thinking of me, when you kissed him

Meu celular começou a vibrar e tocar no meu bolso, fazendo-me afastar de e atendê-lo.
- Oi, . O que foi? - perguntei meio chateada. Sinto que estava prestes a me lembrar de algo muito importante.
- Como o que foi, ? Você devia estar aqui se aprontando para nós irmos ao "shoppis"!
- Ih, é mesmo! Desculpa, amiga, eu perdi a noção do tempo!
- Eu percebi. , chuchu, por favor, volte logo e venha se arrumar, nós realmente temos que ir.
- 'Ta ok, já 'to indo. Tchau! - Desliguei o celular, me virando para o .
- Você tem que ir... – ele parecia triste.
- Tenho – falei desanimada. - Você... poderia me levar de volta?
- Claro! – levantou-se, e nós voltamos à parte do parque que eu realmente conhecia.
Ele me olhou uma última vez, e meu celular vibrou de novo. Era uma mensagem da , dizendo para eu me apressar porque já era meio dia e... MEU DEUS, JÁ ERA MEIO DIA!
- , tenho que ir. Foi realmente um prazer te conhecer, tchau! - disse e saí correndo, deixando-o com uma cara de paisagem, sem entender nada e sem me responder.
Corri até em casa, e assim que cheguei, fui me vestir, ouvindo as meninas me fazerem um longo interrogatório. Eu não respondi absolutamente nada.
- Vai, , fala por que você demorou - disse e eu a ignorei completamente. - Tudo bem se você não vai falar agora, eu te faço falar depois - disse determinada e saiu do meu quarto, batendo a porta com força.
Fomos ao shopping e compramos tudo o que tínhamos direito. Voltamos para casa exaustas.
Eu realmente adorei meu dia. Conheci um menino lindo e fofo, apesar de saber que eu nunca irei encontrá-lo de novo. Conheci um lugar lindo, e o Hyde Park todo. Ah, e ganhei um ferimento na testa, que já nem doía mais. E saí para fazer compras com minhas amigas.
Meu dia não podia ter sido melhor. Tirando o beijo que a vaca da interrompeu.
Oh, como a vida, (e o ) são belos!

Capítulo 7 - The party

N/A: Queridos morangos vermelhos e suculentos (que sexy! Isso me lembrou "Biology"!), a coisa estranha que escreve isso aqui (lê-se: EU!), vai começar a narrar em terceira pessoa agora, desculpe-me quem não gosta, eu prometo que não vai ser toda a fic assim, e sei que provavelmente vai ficar horrível! Beijos.

- Amiga, já 'ta tudo pronto para hoje à noite, né? - perguntou para .
- Já! Nós vamos fazer assim: você vai pegar e levá-la para algum lugar...
- Não, não e não! Isso vai dar muito trabalho. É melhor uma de nós ficar trancada com ela no quarto, assistindo um filme, enquanto a outra fica aqui em baixo, arrumando tudo!
- Isso! E depois do filme, a gente se arruma e diz para ela que vamos ao pub!
- Mas quem vai ficar com ela?
- Você fica com ela e eu cuido de tudo - disse. - Posso pedir ajuda dos meninos!
- Isso! Aproveita e vê se consegue falar com o Dave.
- Mas como? Eu nem sei o número dele.
- Relaxa, ! Do jeito que ele 'ta caidinho pela , é bem capaz dele vir visitá-la hoje, já que eles não se viram ontem - disse, com um sorriso conspiratório.
- Concentra, - falou, chamando a atenção dela. – Nos já temos a música, a bebida, as pessoas, só falta enfeitar a casa.
- Você não convidou ninguém barra pesada não, né?
- Claro que não! Vai ser só uma festa comum, para apresentar nossa amiga à sociedade londrina!
- É bom que seja mesmo! - disse, repreendendo-a. – Porque senão nossa casa vai ficar destruída, e teremos que limpar. E você sabe que eu detesto limpar essa casa.
- Eu sei, eu sei! Relaxa que vai dar tudo cer...
- Bom dia, flores negras do meu dia azul! - disse, entrando animada na cozinha.
- Boa tarde, você quer dizer... - sorriu amarelo.
- Que seja! - deu de ombros. - O que faremos hoje?
- Bom – começou -, eu e você vamos ficar aqui vendo filmes no seu quarto, e a vai sei lá para onde.
- Isso, isso, isso! - balançou a cabeça autistamente.
- Para onde você vai? - perguntou.
- Vou passear.
- Eu quero ir também! - disse, fazendo cara de cachorrinho sem dono.
- Nem pensar, mocinha, você vai ficar aqui comigo - fez voz de mãe, fazendo o bico de aumentar.
- É, ! Você nem vai gostar de ir comigo mesmo. Vou visitar uma amiga minha, que a não gosta. Então, você fica aqui com ela.
- Se você 'ta dizendo, né - deu de ombros.
- , o Dave vem aqui de novo? - perguntou.
- Não sei. Talvez. Por quê?
- Por nada não - respondeu, dando de ombros.
- Olha aqui, vocês duas - chamou. - Não se esqueçam que vamos ao pub. Por isso, arrumem-se umas sete horas, já que para ficarem prontas é preciso de décadas! - Tá! Mas e você, ? - perguntou. - Eu posso me arrumar na casa da minha amiga, ou então eu chego em tempo para nos arrumarmos juntas. Mas se eu não chegar aqui às sete horas, vocês podem se arrumar. As quero prontas às oito horas, certo?
e afirmaram com a cabeça.

Já era quatro e meia, e as meninas estavam no quarto de , assistindo "Operação Babilônia".
- Sabe, eu não entendo por que que ela diz "Preciso que você viva", e depois ela mesma atira nele! - disse, indignada.
- Ai, , assiste o filme - falou, concentrada.
-, você já não devia ter ido lá com a sua amiguinha? - foi irônica, e a garota olhou no relógio, pulando da cama, percebendo que já estava tarde.
- Gente, como assim? Nem vi o tempo passar! Tchau, meus amores! – deu um beijo na bochecha de cada uma, saindo do quarto em seguida.

saiu de casa apressada, indo até a de . Ela ia tocar a campainha, mas ouviu um barulho alto vindo da garagem, e decidiu ir até lá.
- EEEEEIIII - ela gritou desesperada para aqueles quatro meninos à sua frente, que subitamente pararam de tocar e a olharam.
- Oi, meu amor – foi em direção à .
- Oi, chuchu!- ela deu um selinho apressado nele. - Meninos, preciso da ajuda de vocês.
- Oi para você também, disse irônico.
- Desculpa, gente, mas é que eu 'to com muita pressa! - falou agoniada.
- Fala logo então - a apressou.
- É que uma amiga nossa chegou de viagem e...
- Me deixa adivinhar - fez uma cara pensativa. – A tal da ?!
- Isso! Aí a gente queria fazer uma festa para ela, já 'ta tudo encomendado: comida, bebida, a música já 'ta toda ajeitadinha, só falta a decoração. E é aí que vocês entram.
- Desculpe. Acho que não entendi - fez uma cara engraçada.
- É! Não é tão difícil de acreditar - tirou sarro e fez um bico enorme.
- Eu preciso que vocês me ajudem a decorar a casa – esclareceu.
- Ah! - finalmente entendeu. - Agora? - perguntou.
- Isso, , agora! Já era para vocês estarem indo para lá! Na verdade, vocês vão ter que levar uma roupa para usarem na festa. Então, é melhor cada um ir para sua respectiva casa, pegar sua roupinha, seu perfuminho, creminho, ou sei lá o quê vocês usam. Daí a gente se encontra lá em casa. E por favor, não apertem a campainha, porque o porteiro já vai estar avisado que terá festa hoje. E a minha amiga 'ta em casa com a .
- A também vai ajudar? - perguntou interessado.
- Na verdade, ela já 'ta ajudando - disse, sorrindo. - Ela está trancada no quarto com a minha amiga.
- Mas ela não vai ajudar a decorar?
- Não - disse e fez um bico ainda maior que o primeiro. - Tudo bem, cambada. E aí? Vocês vão ou não vão me ajudar?
- Eu topo - disse, levantando a mão, abrindo um sorriso para .
- Eu também - falou.
- Por mim, tanto faz - foi a vez de .
- Se vocês vão... - disse, dando de ombros. - Então, eu também vou.
- Ótimo! Agora vão para suas casas, peguem suas coisinhas, que em meia hora eu quero vocês lá na minha! - disse entusiasmada, e todos foram embora. Menos , é claro!
- Amor, é melhor você ir também! - empurrou para a porta que faz ligação da garagem com a cozinha.
Depois de pegar suas coisinhas e colocar numa mochila, ele e foram de volta à casa das meninas, e entraram silenciosamente.
- , foi por causa dela que a entrou feito uma desesperada na sua casa aquele dia?
- Foi! - confirmou, sorrindo.
- E ela sabe o que atrapalhou? - perguntou, se aproximando dela.
- Quem? A ou a ?
- As duas.
- Não sabem, porque elas não atrapalharam nada! – chegou finalmente bem perto de , e a abraçou pela cintura enquanto ela abraçava seu pescoço.
- Tem certeza? - ele perguntou. Em seguida, deu nela de um beijo desentupidor de pia.

- Dude, será que a já 'ta em casa? - perguntou depois deles terem passado pelo porteiro. Estavam todos com mochilas em suas costas.
- Não sei, eu acho melhor bater na porta - disse inocente.
- , seu tapado - deu um pedala nele. - Lembra que a disse para não fazer barulho?
- 'Ta! Então vamos entrar de uma vez - abriu a porta e todos deram de cara com uma cena nada pura entre e , se engolindo no sofá. - OPA! Crianças, por favor, parem com isso! - disse sorrindo. Nisso, se assustou, empurrando de cima dela, que caiu no chão, fazendo um baque surdo.
- Porra, ! - exclamou.
- Desculpa, dude, mas vocês já estavam para se fundir aí! - disse, fazendo ficar vermelha.
- Vamos começar logo a arrumação? - falou, se levantando do sofá e indo buscar as coisas na cozinha.

Já eram seis e meia quando se mexeu na cama, saindo em seguida.
- Para onde você vai? - perguntou, com medo que sua amiga descesse e visse seus amigos arrumando o salão.
- Tomar banho - respondeu e deu de ombros.
- Mas já?
- Eu pretendo passar uma hora na minha maravilhosa banheira, então, por favor, não me perturbe!
- Eu não iria... - disse, levantando as mãos em sinal de rendição.
- Acho bom! - piscou, entrando em seu closet, se trancando lá dentro.
Assim que escutou o barulho do chuveiro enchendo a banheira, ela saiu do quarto e correu em direção à sala, vendo enchendo balões com gás hélio, e amarrando e e passando uma fita para que o balão flutuasse, e que ficaria pendurada nele, também decorando o ambiente .
- , o que você 'ta fazendo aqui? - perguntou surpresa. Assim que ouviu, parou de fazer sua função para prestar atenção em .
- Relaxa, , ela 'ta tomando banho e você sabe que ela ainda não aproveitou a banheira, provavelmente vai ficar horas lá dentro - concluiu. - Mas então, em que posso ajudar?
- Você pode ir ajeitando a comida e a bebida, amiga. Faz um bolo? - fez carinha de cachorro pidão.
- O que você não me pede com essa carinha que eu não faço chorando? Um bolo, ? - perguntou preguiçosa.
- É, amiga! De chocolate!
- 'Ta bom!
se dirigiu até a cozinha e começou a fazer o bolo cuidadosamente. Quando estava batendo a massa...
- Oi, - falou perto dela com uma voz fininha.
- , por favor, me diz que você não respirou aquele gás! - riu, passando a massa para a forma retangular.
- Como você sabe? - perguntou curioso.
- Não sei! – fingiu pensar. - Talvez por causa da sua voz!
- Mas a minha voz sempre foi assim!
- Claro, , claro! - olhou no relógio, assustando-se com as horas. - Meu Deus! Eu tenho que ver se a já saiu do banheiro - ela disse, colocando a forma no forno. – , cuida do bolo para mim?
- Cuido.
- Obrigada, , você é um amorzinho. Eu te amo! - disse, saindo da cozinha, deixando um com cara de bobo.
- Eu também te amo, - falou baixinho, ainda com a voz fina.

- ? - perguntou, entrando no closet. – Você ainda 'ta viva?
- , eu não disse para você não me perturbar? - falou calma, de olhos fechados, com a cabeça encostada no encosto da banheira.
- Desculpa, amiga! Você pretende ficar por mais quanto tempo aí?
- Só mais meia hora, depois eu saio, mas é melhor você já ir tomar logo seu banho!
- 'Ta bom, , você que sabe. Até daqui a pouco.
- Tchau, - disse, expulsando , que saiu revirando os olhos.
foi para seu quarto e colocou seu celular para despertar em quinze minutos, o que devia ser o tempo que o bolo ficaria pronto. Nisso, ela foi tomar seu banho e acabou se distraindo, até que seu celular despertou. Ela saiu desesperada do banheiro, se enrolando na toalha e descendo com os cabelos pingando, completamente molhada. Passou pela sala, onde agora enchia os balões, e amarravam e colocava a fita, fazendo todos olharem para ela.
- O que deu nela? - perguntou para , que deu de ombros, vendo sua amiga correr até a cozinha.
chegou à cozinha, encontrando um olhando para o bolo, como um cachorro que olha àquela "coisinha que gira frangos".
- ? O que você 'ta fazendo aí? - perguntou desconfiada.
- Você pediu para eu cuidar do bo... - ele foi se virando devagar, encarando de baixo a... baixo, já que seus olhos não desgrudavam de suas pernas semi cobertas pela toalha. corou e pigarreou, fazendo-o olhar em seus olhos e dar um sorriso sem graça. Ela foi até o forno e tirou o bolo, enquanto a encarava.
- Eu achei que ia queimar - sorriu, se virando para , que estava ao seu lado, perigosamente perto. Ele ia se aproximando cada vez mais, e ela já podia sentir seu hálito quente em sua boca quando...
- , o bolo já 'ta pronto? - entrou distraída com a fita, fazendo os dois se separarem. - Eu 'to interropendo alguma coisa? - perguntou marota, vendo o estado de ambos.
- Não! - disse ofegante, fazendo semicerrar os olhos. - Já, amiga, o bolo já 'ta pronto. Agora com licença que eu tenho que me trocar. E você e os meninos também!
- É verdade! Que horas são? - pareceu acordar.
- Sete e vinte - disse, saindo da cozinha.
- , pega suas coisas e se troca no banheiro lá de cima, é do lado do quarto da - ele assentiu, indo pegar suas coisas. se dirigiu até a sala.
- Seguinte, cambada - chamou a atenção de todos. – 'Ta na hora da gente se arrumar. Então, , você vem comigo. , você pode se trocar no quarto da minha avó. E , você pode se trocar depois do – disse, e todos foram pegar suas coisinhas.
- , você ainda vai demorar muito? - perguntou depois de quinze minutos que ela tinha entrado no banheiro. saiu usando uma calça jeans skinny, um sapato com um salto consideravelmente alto, uma blusa soltinha que valorizava suas curvas e o cabelo solto, ajeitando a franja.
- Já 'to pronta - disse, sorrindo.
- Uau! - falou admirado, e sorriu sem graça.
- Vai logo, bebê, senão a gente vai se atrasar! - o empurrou em direção ao banheiro.

usava uma regata branca, com uma saia de cintura alta, de tule preto, até o meio da coxa e um scarpin rosa candy, com seu cabelo solto. Resumindo: ela já estava pronta. Resolveu sair do quarto para chamar . Assim que saiu deu de cara com um com a camisa em uma mão, enxugando o cabelo com a tolha na outra.
- Er... Oi - ela cumprimentou.
- Oi - olhou-a de baixo a cima, parando nos olhos. - Você... você 'ta muito bonita hoje - disse tímido. - Não que você não seja bonita nos outros dias... - apressou-se em explicar, desajeitado, fazendo dar um sorriso de canto. - É só que... hoje você está especialmente bonita!
- Obrigada - falou sincera. - Você também está muito bonito, só falta pôr a camisa - disse sorrindo, fazendo-o sorrir também.
- ? Você 'ta aí? - eles puderam ouvir chamando.
- Oh, my god! A ! - o empurrou até a escada. - Desce, , ela não pode te ver!
fez o que ela pediu sem dizer nada, um pouco aborrecido. foi até .
- Amiga? - chamou. - Já 'ta pronta?
- Ainda não! - disse, fazendo um bico enorme. - Me ajuda com meu cabelo?
- Ajudo! O que você quer fazer?
- Eu não sei, escolhe você.
- A gente pode fazer um coque bagunçado - disse, sorriu entusiasmada.
- 'Ta bom! A já chegou? - foram se dirigindo até o banheiro de . A mesma sentou, e começou o penteado.
- Ainda não. Ela deve estar se arrumando na casa de sua amiguinha - disse irônica, morrendo de rir internamente.
- Tomara que ela se atrase!
- Por quê?
- Porque eu preciso de mais tempo para me arrumar - deu de ombros, fazendo rir. - Sem falar que eu acho que os pubs não começam a bombar às oito horas - disse, prestando atenção em suas unhas enquanto sorria duro.
- Mas você sabe como a é, né? Ela quer primeiro conhecer o lugar e as presas, para depois atacar - disse sapeca, e riu, assentindo.
Após aprontar o cabelo de , ela foi se vestir, colocando um vestidinho que era uma palma e meia acima do joelho, acinturado, com uma meia arrastão e um scarpin vermelho.
- Amiga, você já 'ta pronta? - bateu no closet quinze minutos após expulsá-la de lá.
- Já! – respondeu e saiu do closet, dando uma voltinha.
- Você 'ta louca? - perguntou, com cara de mãe.
- Por que, amiga?
- Nós estamos em Londres, e não no Brasil. Você não acha que isso 'ta muito curto?
- Curto? - disse indignada. - Curta é essa sua saia, que ainda dá volume para levantar - fez bico.
- 'Ta bom, amiga. Desculpa, você 'ta linda! - abraçou sua amiga.
- Você também 'ta um arraso. Agora me solta, que 'ta arruinando meu cabelo! - disse, se afastando de , que fez uma cara indignada. - A já chegou?
- Não sei, fica aqui que eu vou ver - falou, e assentiu.
Assim que chegou aos primeiros degraus da escada, ela pôde ver um número considerável de conhecidos. Não que a sala estivesse lotada, havia mais ou menos umas quinze ou vinte pessoas, fora a e os meninos.
desceu, indo direto falar com , que estava junto com os garotos.
- Seguinte, ela já 'ta pronta, mas eu acho que vai precisar de mais uns quinze minutos, porque ainda nem passou a maquiagem nem nada, mas vai logo falando com a galera. Aí sobe na escada e avisa que ela 'ta vindo. Quando ela chegar, vai parar lá na escada, e você a apresenta para todo mundo, entendeu? - falava tudo muito rápido, mas mesmo assim conseguiu entender e assentiu. - Ótimo! Eu vou lá falar com ela.
- disse e subiu.

Enquanto isso, no quarto, já estava se maquiando. Ela passava uma maquiagem que marcava seus olhos. E um batom vermelho, não muito forte.
- Amiga, você já está completamente pronta? - perguntou.
- Já, . Vamos? - disse, impaciente E dirigiu-se até a porta.
- Vamos - falou baixo, fazendo o sinal da cruz, indo até sua amiga.

- Seguinte, povo - disse do alto da escada. - Vocês sabem por que estão aqui. Quem não sabe, é por que uma amiga nossa chegou de viagem, e queremos apresentá-la para a sociedade londrina, ou seja... - deu um sorriso - vocês! Mas silêncio, porque isso é para ser uma festa surpresa.
, já estava saindo do quarto, à frente de , olhou para , que olhou para ela, afirmando com a cabeça, mostrando que já havia falado com as pessoas. puxou para fora do quarto e se dirigiu até onde estava.
- Olha a ! – disse feliz, seguindo calmamente até sua amiga, parando ao ver o monte de gente que tinha na sala. - O que é i-isso?
- Gente, essa aqui é a - apontou para ela. - , essa é a sociedade londrina – apontou para as pessoas na sala, que a aplaudiram. Ela estava com um enorme sorriso no rosto, olhando aquelas pessoas.

- Merda, a festa vai começar sem mim - falou após ouvir os aplausos. Ele tinha ido à cozinha buscar uma Smirnoff. Dirigiu-se à sala a tempo de ver no alto da escada, com o sorriso enorme, junto à e . Ele se juntou aos meninos, que estavam do lado da escada. sabia que a conhecia.
- Dude, essa menina não me é estranha - disse e os outros assentiram, olhando e as meninas.
alargou seu sorriso e desceu a escada, ladeada por e .
, que a acompanhava com os olhos, sentiu seu coração dar um giro de trezentos e sessenta graus, e seu peito começar a formigar.
Elas desceram a escada calmamente, com enormes sorrisos, e puxou para o lado dos meninos.
- Primeiro você tem que conhecer essas criaturas aqui - disse, e parou com as garotas na frente deles. - Galerinha, essa é a . Ou . , esse é o - ela apontou e ele acenou com a cabeça. - Esse é o ...
- Prazer, ou - disse comicamente, fazendo-a rir.
começou a prestar atenção em , apreciando a maneira dela sorrir.
- Esse é o - apontou para ele, que sorriu. Ela sabia que os conhecia, só não sabia de onde, mas suas dúvidas acabaram quando olhou para o menino que faltava ser apresentado. - E esse é o...
- - ela disse, como se o cumprimentasse, e olhou em seus olhos.
- - ele sorriu abertamente, e ela não pôde deixar de sorrir junto.
- Vocês já se conhecem? - perguntou.
- Espera... – disse, se aproximando de . Ele ficou olhando para o rosto dela, bem perto, a examinando. - Você é a garota que a gente matou no parque! - disse, como se fizesse uma grande descoberta, apontando para a menina.
- , eu não morri! - sorriu. - Se eu 'to aqui falando com você é por que eu não morri! Olha só - ela pegou a mão de e colocou em seu rosto.
- É, sua besta - disse e deu um pedala em , que fez um bico. - Não, meu amor! Não fica assim - falou e foi abraçá-lo, que fez uma cara de horror, indo se esconder atrás de , que ria dos dois. - Ninguém me ama! - fez um bico.
- Eu te amo, meu amor - foi abraçá-lo, que a puxou para um beijo caloroso.
- , eu acho melhor você vir comigo, eu te apresento para o resto do pessoal, porque se formos esperar a ... - fez uma cara sapeca. - Ela só vai estar disponível daqui nove meses! - brincou, levando-a para conhecer as pessoas, sendo o tempo todo observada por .

- , você quer beber alguma coisa? - John, um menino loiro dos olhos verdes, que acabara de conhecer, perguntou depois de um tempo de conversa.
- Na verdade, sim! - disse sorrindo. - Eu 'to morrendo de sede. O que tem para beber?
- Eu posso te dar uma tequila, se você quiser...
- A não bebe assim, John, só em ocasiões especiais – falou enquanto afirmava.
- Então, um refrigerante? Talvez?
- Pode ser. Mas deixa que eu vou lá buscar - falou, e se dirigiu até a cozinha. Pegou a Coca-Cola, e depois foi em direção à porta dos fundos, saindo de casa, fugindo da multidão que a cercava de vez em quando, indo se sentar na beira da piscinha, de lado, com as pernas esticadas. Ela fechou os olhos e ficou pensando no que suas amigas haviam feito para ela, em como foi bom reencontrar os meninos do parque, mas um em especial...
- Eu posso me sentar aqui? - perguntou, fazendo-a abrir os olhos e prestar atenção nele, indicando o lugar ao lado de .
- Por mim... – disse, dando de ombros, fechando os olhos em seguida. Ela podia sentir o olhar de em si, mas mesmo assim continuou de olhos fechados.
- Por que você não me disse que conhecia a e a ? - ela perguntou.
- Eu nem sabia que você as conhecia - deu de ombros.
– Vocês chegaram que horas?
- A pediu para virmos ajudá-la a arrumar as coisas aqui, então chegamos umas cinco ou seis horas.

- Você já falou com o seu pai depois da briga? - ele disparou, depois de um incômodo silêncio, fazendo-a abrir os olhos, assustada. Ela não imaginava que ele fosse perguntar algo assim. Na verdade, ela não imaginava nem que ele fosse lembrar disso.
- Ainda não - falou, finalmente o olhando. - Ainda não tive coragem.
- Você tem que falar com ele, . Pedir desculpas, mesmo que a culpa não seja sua. Ele deve ser muito orgulhoso, e você com certeza também deve ser. Nem vem fazer essa cara, porque você é! - disse depois de ver a cara indignada de . - Um de vocês tem que pôr o orgulho de lado e pedir desculpa. E eu acho que quem tem que fazer isso é você.
- Por que eu? - perguntou de uma maneira infantil.
- Porque você é melhor que ele - falou simplesmente, fazendo sorrir. - Por que aqui 'ta tão quente? - perguntou de repente, abrindo três botões de sua camisa branca.
- Quantas dessas você já tomou? - questionou, apontando para a garrafa. Ele deu de ombros.
- Sei lá! Só sei que não foram muitas. Só umas cinco ou seis - disse.
- Pouquíssimas! - foi sarcástica - Bom... Eu tenho duas opções. Ou pode ser isso aí - ela disse, apontando a garrafa e sorrindo marota. - Ou pode ser que seja eu mesma que esteja te esquentando! - falou e ele deu um sorriso malicioso.
- Talvez seja você - continuou sorrindo. - Mas eu posso dar um jeito nesse seu calor - largou a garrafa, e se aproximou vagarosamente de , a levantando e a abraçando pela cintura, andando com ela para trás. Tudo aconteceu muito rápido. Ele virou e a tacou na piscina, rindo em seguida.
- Ah, não, ! Eu não acredito que você fez isso! 'Ta frio aqui, o aquecedor não 'ta ligado e... ah, meu Deus! Você estragou meu cabelo! - disse chorosa enquanto ele ria.
- Eu disse que ia dar um jeito no calor... - falou entre risos.
- Há, há, há muito engraçado! Agora me ajuda a sair daqui! - riu irônica.
- Para você me puxar para a piscina?! Hãn, hãn. No way - foi esperto e ela fez um bico.
- , por favor! Eu não vou fazer nada e aqui 'ta frio - disse, tremendo os lábios, ainda bicuda.
- 'Ta bom, - cedeu, indo na direção dela. Assim que segurou a mão dele, ela o puxou com força, fazendo-o cair quase em cima dela.
- Eu sabia que você ia me puxar, nem sei por que eu fui te ajudar - disse chateado, e ela chegou perto dele.
- Passou seu calor? - perguntou num sussurro, com os lábios a centímetros dos dele.
- Na verdade... - passou os braços pela cintura dela, puxando-a para si. - Ele só aumentou. É, , definitivamente é você.
- Relaxa - sorriuo sapeca. - Eu faço passar - ela se aproximou mais ainda de , jogando montes de água em cima dele, que sacudiu o cabelo e jogou o líquido em quantidade três vezes maior. Eles ficaram brincando com a água como duas crianças felizes que gostam de tomar banho, até que parou de jogare fez uma expressão de dor, tocando o olho.
- , você 'ta bem? — perguntou preocupado, aproximando-se dela.
- Caiu água no meu olho - disse chorosa, e ele se aproximou, colocando um braço em volta de sua cintura, aproximando-a dele. Pôs a mão no rosto dela, passando levemente o indicador abaixo de seu olho. - 'Ta ardendo - falou, e ele beijou seu olho com delicadeza, se afastando para olhar seu rosto. Eles ficaram se fitando (intensamente) por um longo tempo, sentindo a presença um do outro. Pelo fato de estarem colados, ele podia sentir o coração acelerado dela em seu peito. E ela podia sentir o dele. Ambos movimentaram seus rostos vagarosamente, um na direção do outro...

Capítulo 8 - The party II

- VOCÊ 'TA AQUI? - ela pôde escutar a voz de Dave ao longe. piscou algumas vezes, como se despertasse de um transe, ambos se afastando vagarosamente. – Achei você! Eu 'to interrompendo alguma coisa? - perguntou com uma raiva contida, olhando-os sair da piscina.
- Na verdade... - começou.
- Não – respondeu rápido, cutucando , que olhou para ela com uma sobrancelha arqueada, em desafio. - Dave, esse aqui é o – disse, apontando-o. Ele deu um sorriso e estendeu a mão.
- Prazer - disse simpático. Dave olhou a mão dele estendida com uma expressão de repulsa e raiva.
- Satisfação – ele disse a contragosto, fazendo recolher a mão, desfazer o sorriso e fazer uma cara nada agradável. – Céus, , você está encharcada! - Dave tirou seu casaco, oferecendo a ela.
- Não precisa, Dave – disse, se afastando. - Eu vou subir e me trocar. Dave, por que você não entra e curte o resto da festa? , acho melhor você vir comigo e se secar antes que adoeça – ela disse, assentiu.
- É! Eu acho que é isso mesmo que eu vou fazer - falou, segurando a mão de , entrelaçando seus dedos. Ela o olhou com uma cara confusa, mas depois sorriu. Dave assistia à cena com uma expressão desagradável no rosto.
Os três se dirigiram à sala. Assim que subiu o primeiro degrau da escada com , Dave segurou em seu braço, fazendo-a se virar para ele.
- Você ainda vai descer?
- Vou - respondeu um pouco incomodada com o contato bruto.
- Então 'ta! – ele disse, soltando seu braço. - Cuidado - Dave falou um pouco mais alto, no momento em que ela se virou.
Assim que eles estavam no corredor, começou a rir.
- Do que você 'ta rindo, seu retardado? - perguntou, se controlando para não rir junto. A risada dele era realmente contagiante.
- Ele disse "cuidado", como se eu fosse te atacar ou fazer algo ruim com você - disse rindo, mas mesmo assim, um pouco indignado.
- Ele só se preocupa comigo - deu de ombros. - , você tem alguma roupa aqui?
- Tenho - fez uma cara pensativa. - Eu acho.
- 'Ta, vai lá ver. Se você não tiver, bate lá no meu quarto - disse e apontou a porta do próprio cômodo.
- Ok - ele foi em direção ao quarto da avó de e .

- ? - chamou após cinco minutos batendo na porta, mas ela não respondia. Ele resolveu entrar assim mesmo, ficando um pouco admirado com a grandeza daquele quarto, até ouvir uma música vinda de duas portas. Foi ate lá, abriu-as e entrou naquele lugar, que parecia ser um closet.

I want you to want me
I need you to need me
I’m begging you to beg me
Shine up the old brow shoes
Put on a brand knew shirt

Ele pôde ouvir cantando distraidamente, enrolada em uma toalha enquanto secava os cabelos com outra. sentia como se já tivesse escutado-a cantar antes, mas não sabia como isso era possível.

Get home early from work
If you say, that you love me

Ela terminou de secar os cabelos e tirou a toalha, ficando apenas de lingerie preta. , que até agora tinha ficado paralisado, resolveu sair de lá e esperá-la no quarto, antes que ela brigasse com ele, mas já era tarde demais. deu um grito agudo, olhando para , se enrolando rapidamente na toalha.
- O QUE VOCÊ 'TA FAZENDO AQUI? - ela perguntou desesperada.
- Desculpa, eu não sabia. Você disse que era para eu vir aqui se não tivesse a roupa, mas...
- Sai, , sai - expulsou-o do closet, batendo a porta em seguida. sentou-se na cama, bufando.

- Ninguém nunca te ensinou a bater na porta não? - disse mais calma, saindo do banheiro e sentando na cama ao lado de . Ela vestia uma blusa do Dashboard - que era duas vezes o seu tamanho - e um short.
- Eu bati! Você que não me escutou! - disse sincero.
- Isso não é motivo para você ficar entrando em quartos alheios - falou um pouco chateada. - Mas tudo bem. Parece-me que você achou uma roupa - o olhou, (e quase se perdendo naquele abdômen maravilhoso) que estava devidamente seco e vestido com uma bermuda e blusa preta, que vamos combinar, só favorecia seus belos músculos.
- Foi por isso que eu vim aqui - disse meio sem graça, bagunçando os cabelos. - Era só para te dizer que eu tinha roupa.
- Que bom! Mas eu acho que não precisava vir aqui só para me dizer isso - arqueou as sobrancelhas.
- Na verdade, eu vim terminar o que nós começamos antes do seu amiguinho nos atrapalhar - deu um sorriso malicioso, e fez uma cara de desentendida, mas logo deu um sorriso, mordendo os lábios, assim que ele chegou perto dela.
- , já 'ta vestida? - eles puderam escutar Dave chamando ao longe. afastou- se de , que revirou os olhos e bufou irritado.
- Pode entrar, Dave - ela disse, sorrindo envergonhada para , colocando a mão em cima da dele, apertando levemente.
- Eu só vim ver se você 'ta bem e... - ele disse, olhando de para , parando nas mãos dos dois, que estavam unidas.
- Como você pode ver, ela está bem... - disse, interrompendo-o e dando um sorriso de superior, levando um aperto forte na mão em seguida. – Eu 'to cuidando bem dela!
- ... se você vai voltar para a festa - Dave o ignorou e continuou com sua expressão irritada.
- Eu 'to cansada de ficar rodando para lá e para cá. Acho que vou ficar por aqui mesmo - disse, aparentemente cansada, deitando na cama com a cabeça apoiada na perna de , que começou a fazer carinho nos seus cabelos. - , se você continuar fazendo isso, vou dormir - fechou os olhos, fazendo Dave revirar os dele para aquela cena.
- , você tem certeza de que não vai voltar para a festa? - Dave perguntou com a voz exaltada.
- Eu acho que não. Que horas são? – questionou, abrindo os olhos, encarando Dave.
- Vai dar duas horas - ele disse, olhando no relógio.
- Já? - perguntou assustada. - Acho melhor vocês dois irem. Já não deve ter ninguém lá embaixo.
- Na verdade, começou –, a disse que se a festa acabasse muito tarde, nós poderíamos dormir aqui. E como já está tarde, eu acho que vou dormir aqui - disse convencido. Claro que ele estava mentindo, mas não precisava saber, e muito menos Dave.
- E onde você iria dormir? - Dave perguntou, analisando .
- Creio eu que isso não seja da sua conta - disse presunçoso.
- Mas é da minha! - disse, ainda mais presunçosa, fazendo Dave sorrir. - E eu quero saber onde você dormiria.
- Bom... - começou, dando um sorriso malicioso. - O provavelmente vai querer dormir com a , e eu vou mexer os pauzinhos para fazer o ficar com a . E eu não durmo com o nem que me paguem, então acho que eu vou dormir na sala - fez bico.
- Eu acho uma ótima ideia – Dave disse.
- Absolutamente não! - falou indignada, se levantando rapidamente. - Deve ter outro quarto aqui – disse pensativa, andando de um lado para o outro, em frente a . De repente ela parou, deu um sorriso e disse. - Ou você pode dormir aqui comigo.
- Claro que não! - Dave disse indignado e com raiva. - , por favor reconsidere, você não pode deixar ele dormir aqui! Vai que ele é um assassino, estuprador de moças alheias, frágeis e indefesas?!
- Dave, por favor! - disse, revirando os olhos. - Eu confio nele - sorriu e fez uma cara zombeteira para Dave.
- Se você diz... - deu de ombros. – Só não é legal para você dormir com um cara que mal conhece.
- Se fôssemos fazer alguma coisa realmente, não seria nada bonito. Mas como só vamos dormir, e o vai ficar no chão, é obvio, não tem nada demais e ninguém precisa saber – disse convicta, enquanto fazia uma careta ao ouvir que iria dormir no chão. Dave deu um meio sorriso.
- Se for assim, por mim tudo bem - Dave disse.
- É claro que para você tudo bem! O que você tem a ver com isso mesmo? - o desafiou.
- , por favor, fica calado! - disse, se sentando na cama. - Dave, você já vai?
- Não sei, acho que sim - disse triste.
- Então vou te levar lá para baixo - se levantou da cama. segurou em seu braço com delicadeza, fazendo-a olhar para ele. - Você também não quer ir lá embaixo, ?
- Tanto faz - disse, se levantando e soltando o seu braço. foi até Dave, postando-se ao seu lado. Ele, por sua vez, passou o braço pelos braços de em uma espécie de abraço, fazendo sentir uma pontada estranha em seu coração e desviar o olhar, como se estivesse muito interessado em seus pés.
Eles desceram. foi deixar Dave na porta, sendo, o tempo todo, vigiada por , que tinha ficado para trás.
- Você vai estar aqui amanhã? - Dave perguntou para .
- Todo dia – disse e deu um sorriso.
- Boa noite, - virou-se, mas logo voltou-se para ela. - E cuidado com esse tal de , você pode confiar nele, mas eu não confio - disse, fazendo revirar os olhos, sorrindo. - É serio, , se cuida. Amanhã eu passo aqui.
- Boa noite, Dave. Até amanhã - deu um abraço nele, que a puxou e deu um beijo no canto de seus lábios.
- Boa noite, - deu um sorriso colgate Plax Whitening e foi embora. olhou-o ir, escorada na porta, com um sorriso bobo. Depois foi até , que a olhava com um olhar desconfiado.
- Que foi? - perguntou confusa.
- Ele é seu namorado? - questionou.
- Não, somos só amigos – disse e passou por ele, que a seguiu. Já não havia mais ninguém na casa, apenas os amigos mais próximos, ou seja; , , , e . E é óbvio, e . Ao que parecia, , , , e haviam arrumado a casa, já que ela já estava limpa.
- E você costuma beijar os lábios de todos os seus amigos?
- Ele não beijou meus lábios, beijou meu rosto - disse calma.
- Não era o que parecia! - falou meio exaltado, seguindo , que já estava subindo as escadas. Ela parou e se virou para ele, tentando controlar a raiva.
- Se ele tivesse beijado meus lábios, isso não teria nada a ver com você - disse meio exaltada. Ele se calou, ficando parado. Ela desceu um degrau, se aproximando. - Teria? - ela o desafiou.
- Não - olhou-a dos lábios para os olhos. - Não, não teria.
- Foi o que pensei.
- , , venham cá - chamou-os.
- Eu acho melhor não, vou dormir - disse, voltando a subir, mas subitamente parou e lembrou-se de algo. Ela se virou e desceu, indo até seus amigos, parando em frente à . a seguiu e sentou no sofá ao lado de . - , o disse que, como está tarde, você falou que eles dormiriam aqui. Que talvez o dormiria com você, o com a , o no quarto da vovó, e ele na sala por que não queria dormir com o . Eu queria saber se é verdade - disparou. olhou para , que olhou para ela como quem pede ajuda.
- É, eu falei - ela disse. - Não falei, meninos? - perguntou para eles, que pareciam entusiasmados com a ideia.
- Falou! Não falou, ? - a olhou.
- Falou sim, eu acho, não estava com vocês – disse confusa, dando de ombros.
- E como eu disse... mas o que foi que eu disse mesmo, ? - perguntou confusa e olhou desconfiada.
- Que eu vou dormir na sala, o no quarto da avó de vocês, o com a , e o com você!
- Isso, foi isso aí! Eu só estava te testando - disse, sorrindo amarelo, abanando o ar para ele. - Vocês não querem se trocar? - ela perguntou, olhando para os meninos.
- Eu acho uma ótima ideia! - disse, indo em direção à escada.
- , eu posso falar com você? - disse, indo em direção à cozinha. Ele a seguiu. - O que é que você 'ta aprontando?
- Não é nada! É só que... - começou envergonhado. - Foi só que aquele tal de Dave 'tava enchendo o saco, e eu resolvi fazer ciúme para ele. Ao que me parece, ele 'ta muito afim da !
- Como assim? O que o Dave tem a ver... – parou e fez uma cara de quem tinha entendido. - , por favor, me diz que você não fez isso por ciúme da .
- E-eu... - enrolava-se. - Não, é claro que não! É só que eu não fui com a cara desse Dave e percebi que ele gostou da . Aí eu resolvi provocar. , eu mal conheço a !
- E daí? Olha, eu só tenho uma coisa para te dizer: a odeia tipinhos ridículos de demonstração de ciúme. Isso realmente é algo que a irrita, e tratá-la com possessividade só vai irritá-la mais ainda.
- Deixa para lá. Eu vou indo... - ele disse e foi embora para a sala, deixando uma confusa na cozinha. Logo, ela foi para sala, encontrando apenas .
- Onde foi todo mundo? - perguntou.
- Subiram e foram se trocar para ir dormir - disse, dando de ombros. - , me explica essa história dos meninos dormirem aqui, por favor.
- Nem eu sei!
- Mas a ideia não foi sua?
- Não, foi do .
- Como assim do ?
- É. Ele disse que foi por que o Dave 'tava enchendo o saco, e como ele tinha percebido que o garoto 'tava gostando da , resolveu fazer ciúme. Mas sei lá, eu acho que quem 'ta gostando dela agora é o .
- Pode até ser, mas como é que a gente vai fazer? Onde eles vão dormir?
- Vai ser como o falou.
- O vai ter que dormir comigo? - arregalou os olhos.
- Vai, mas não precisa ser na mesma cama. Usa o colchão para emergência, que fica embaixo dela.
- Se você diz... - ela deu de ombros e , , e desceram logo depois, todos prontos para dormir, de boxers estilo samba-canção e as camisas que usaram na festa.
- Onde é que a gente vai dormir? Eu 'to cansado de decorar e arrumar essa casa enoooorme! - disse manhoso.
- Não sei, meu amor, pergunte para o - disse carinhosa para .
- Por que para o ? - perguntou confuso.
- Porque a ideia disso tudo foi dele - disse, cansada.
- , onde a gente vai dormir? - perguntou.
- , você vai dormir com a . , você talvez vai dormir no quarto da avó das meninas. , você vai dormir com a . E eu, nesse sofá...
- Eu 'to com sono. Vamos, ? - perguntou aparentemente cansado e feliz com a ideia.
- Vamos, chuchu! - disse, indo até , que a abraçou. Eles foram subindo a escada abraçados.
- É hoje que eles vão fazer meu sobrinho! - disse, de voz baixa.
- Eu ouvi isso! - berrou.
- Então preserve-se! - gritou de volta, recebendo um dedo do meio de .
- , onde é que eu vou dormir? - perguntou impacientemente cansado.
- Tem um quarto de hóspedes do lado do da minha avó, acho melhor você dormir lá! Vem que eu te levo - disse, se levantando.
- E eu, ? - perguntou, fazendo biquinho.
- Você pode dormir comigo, ou com o .
- Eu vou ficar com você – ele disse, subindo com , que falou ainda de costas.
- Você já sabe que vai dormir no sofá, certo ? Afinal, isso é culpa sua! Aproveita e fecha e apaga tudo - disse, indo levar e para seus respectivos quartos.
- Eu não acredito que eu realmente vou ter que dormir nesse sofá! - exclamou chateado.
- , eu trouxe isso aqui para você - disse, carregando dois lençóis e dois travesseiros.
- Obrigado, - falou mal-humorado, pegado as coisas e ajeitando o sofá. - Boa noite!
- De nada, . Boa noite - bocejou e subiu as escadas em direção ao seu quarto.
"Eu não acredito nisso! Olha a merda que eu fui fazer, e ela ainda ficou com raiva de mim por causa da minha demonstração ridícula de ciúme. Espera" Aquilo não era ciúme. Eu não posso sentir ciúme de uma pessoa que eu não gosto tanto assim, ou será que gosto? Claro que não! Eu acabei de conhecê-la. 'Ta que é como se eu já a conhecesse. Ok, eu sinto uma coisa estranha dentro de mim quando ela 'ta por perto, como se meu coração estivesse dentro de uma centrífuga, dando voltas e mais voltas, batendo cada vez mais rápido, mas não pode ser que eu goste assim dela! De uma coisa eu sei, eu não fui nem um pouco com a cara daquele David, e ao que parece ele não foi com a minha. Agora o que mais me 'emputeceu', foi o fato dele achar que eu poderia fazer algo de mal para a . A ! Aquela que eu cuidei quando se machucou! Ele é um idiota! Um filho de uma..." pensava enquanto apagava as luzes da casa e se deitava.

"Quem esses garotos pensam que são para ficarem se metendo assim em minha vida? Sinceramente, eu não sei para quê tudo isso! Homens são idiotas. Fato!" pensava em seu quarto. Uma hora depois, se revirando na cama sem conseguir dormir, ela decidiu ir até a cozinha para buscar um copo com água, vendo esparramado no sofá, todo torto.
- ... - ela sussurrou perto dele, que entreabriu os olhos devagar e deu um sorriso besta.
- Isso é mais um sonho, não é? Eu 'to sonhando? - ele perguntou num volume quase mais baixo que , que deu um sorriso.
- Não, , você não está sonhando – disse sorrindo. - Eu acho melhor você se ajeitar aí, senão vai ficar todo dolorido.
- , eu não quero dormir aqui! - fez bico, de olhos fechados, e teve que se controlar para não apertar suas bochechas. - Aqui é duuuuro.
- 'Ta bom, , pára de manha e vem logo - disse, revirando os olhos. Ele abriu os dele, a encarando. - Você vai dormir lá em cima comigo.
- Obrigado, ! - foi sincero e se levantou.
- Acho bom você trazer essas coisas - falou, apontando os travesseiros e lençóis que ele logo foi buscar. Eles se dirigiram até o quarto de , que pegou as coisas que ele segurava e alguns ursinhos.
- O que você vai fazer com isso? - perguntou desconfiado.
- Uma barreira – disse, dirigindo-se até a cama.
- Por quê? Você acha que eu vou te atacar ou algo do tipo, que nem o seu amiguinho acha que eu faria? - questionou exaltado.
- É exatamente por isso que eu vou fazer essa barreira - disse, apontando para ele.
- Então você realmente acha que...
- Não, seu idiota, eu não acho que você vá me atacar! - cortou-o, revirando os olhos. – Estou fazendo essa barreira por que estou com raiva de você e das suas atitudes estúpidas! Eu nem sei por que 'to te deixando dormir aqui! Talvez por que eu seja uma alma muito caridosa, ou sei lá! - disse, terminando de fazer a barreira, fazendo se calar. Ele sabia que não devia ter agido daquela maneira estúpida com ela, afinal, eles não tinham nada, então por que todo aquele ciúme?
- Você vem? – ela perguntou, se deitando e se cobrindo.
Ele caminhou em direção à cama e se deitou do outro lado da barreira, que não era bem uma barreira, e sim uma camada de travesseiros que fazia um pequeno auto-relevo).
- Boa noite, - disse envergonhado.
- Boa noite, - falou orgulhosa.
- Desculpa por ter agido feito um idiota, - pediu, quinze minutos depois.
- 'Ta tudo bem, . Eu já esqueci - disse calma, de olhos fechados.
- Então por que nós ainda estamos separados pela barreira?
- Porque eu ainda estou chateada com você e estou com preguiça de tirá-la daí - reprimiu um bocejo. - Agora, boa noite, .
- Boa noite, - disse triste.
- Boa noite, - repetiu e fechou os olhos.


Capítulo 9 - After Party

"Meu Deus, que sono! Onde é que eu 'to? Ah, em LONDRES! Nem acredito (grita, pula, morre...). Que cheiro é esse? Eu já senti antes, mas quando? É muuuuito bom! De quem é esse perfume?"
Isso é estranho. Sinto uma parte do meu corpo mais alta e outra mais baixa (e com isso o desconforto), como se estivesse dividida. E tem alguém acariciando meus cabelos. Medo.
De repente, flashes da noite passada começaram a passar em minha cabeça. Abri os olhos rapidamente, dando de cara com uma pele branca, que definitivamente não era a minha.
Me mexi, levantando a cabeça, olhando para o rosto da pessoa ao meu lado, que deu um sorriso.
- Bom dia! - sorriu.
- Bom dia! - sorri de volta. - Você 'ta acordado faz muito tempo?
- Não muito, uns dez minutos, por aí.
- E 'tava esse tempo todo só me olhando dormir? - fiz uma cara marota.
- Talvez. Você não faz ideia de como fica ainda mais linda dormindo - fez uma cara fofa. Senti que corei, fazendo uma feição confusa.
- Eu achava que eu tinha feito uma barreira - tentei mudar de assunto.
- E você fez - disse. - Mas passou por cima dela. Vamos combinar que não era tão alta...
- E por que você está sem camisa?
- Eu falei para você que ia tirar. Não se lembra? - balancei a cabeça negativamente. - Eu disse ", odeio dormir de camisa. Vou tirar, ok?". E você disse "uhum".
- Eu devia estar com muito sono, porque não me lembro disso – bufei, deitando a cabeça de volta no peito de . - E ainda 'to!
- Pode dormir se quiser... - ele voltou a passar a mão pelos meus cabelos.
- Não. Eu 'to incomodada - fiz um bico.
- Com o quê?
- Aqui 'ta frio.
- Você não está mais no Brasil. 'Ta em Londres, e a temperatura é muito diferente.
- Esse colchão 'ta estranho - disse manhosa, de olhos fechados. riu. - Que foi?
- Provavelmente está estranho por que você está em cima da barreira - abri os olhos e percebi que eu estava em cima da barreira, deitada no peito de , que estava sem camisa. Yeah, baby, yeah! Não posso dizer que não estava gostando.
- É isso então?
- É - falou e me sentei, bufando. - Você já vai?
- Não! - virei e comecei a tirar os travesseiros e ursinhos, jogando-os em outra parte da cama. Assim que a barreira estava desfeita, me joguei de volta sobre o colchão, com força. me puxou para que eu deitasse de novo com a cabeça no seu peito. O que vou dizer agora me fez lembrar do . - Você 'ta tão quentinho!
- Eu sou quente - sorriu convencido, e dei uma tapinha em sua barriga. – , você ainda está chateada comigo?
- Não, , eu já esqueci - falei cansada, bocejando.
- Dorme, .

Boys and girls of every age
Wouldn't you like to see something strange?

Meu celular tocou ao longe.
E falando em ...

Come with us and you will see
This, our town of Halloween

- ! - levantei rapidamente, sendo seguida pelo olhar de .
- Quem é ? - perguntou, levantando a sobrancelha.
- Hello, my Love! - disse ao atender o celular.
- Droga! Eu nem te acordei! - falou frustrado. – E que jeito estranho de atender ao telefone, ! Isso tudo é saudade?
- Of course it is! I can’t leave without you!
- Dá para você parar de falar em inglês comigo? Acabei de acordar do meu sono da tarde, não consigo raciocinar direito.
- O que você quer, ? - disse, ainda sorrindo, falando em português agora.
- Eu queria te acordar, mas como você já está acordada...
- Muito nobre da sua parte.
-, é que eu 'to com saudade - comentou com uma voz fofa.
- Ouwn, baby, I miss you to! – fiz um bico.
- Essa não é uma fala de "Crepúsculo"? Aquela parte que a Bella 'ta falando com a mãe dela ao telefone?
- Isso mesmo! Muito bem, mas você não é minha mãe, e eu não sou a Bella.
- Chatinha! E às vezes eu consigo lembrar desses filmes... - disse convencido. - Qualquer dia desses eu vou visitar vocês.
- Sério? Quando?
- Ainda não sei. Tenho que ir, mana. Vou visitar a minha namorada - falou animado e revirei os olhos.
- Boa sorte, bye bye - desliguei o telefone na cara dele. Segundos depois, ele vibrou na minha mão.
"Nem deixa eu me despedir, né? Tchau, maninha! ! :* "
Dei um sorriso depois de ler a mensagem e fui sentar na cama.
- Então? – olhou para mim, com expectativa.
- O quê? - perguntei, voltando a me deitar abraçada a ele.
- Nada! - disse, deixando a pergunta que tinha em mente de lado, matando-me de curiosidade.
- Era um amigo meu - falei alguns minutos depois, de olhos fechados e com um sorriso no rosto. - Ele é quase meu irmão, e eu morro de saudades dele - me deu um olhar de compreensão, dando um sorriso depois, parecendo aliviado.
- E ele é melhor que o tal do Dave? - questionou, levantando uma sobrancelha.
- Por que a pergunta, ? - o olhei esperta, arqueando a sobrancelha. - Isso é ciúme?
- Não, claro que não - apressou-se em dizer.
Fiquei de joelhos em cima da cama, olhei para e sorri maliciosa. Sentei em cima de seus quadris, passando uma perna de cada lado de seu corpo. Ele olhou para mim com os olhos arregalados.
- Pois eu acho que isso é ciúme! - sorri, arranhando o peito de , que soltou um gemido involuntário e fechou os olhos, fazendo-me abrir um sorriso divertido.
- Não é ciúme! Eu não poderia... - sussurrou e abriu os olhos em seguida, me encarando. Abaixei o rosto, deixando os lábios a centímetros de distância dos dele.
- E por que não? - sussurrei.
- Por que...
- , SOCORRO! O SUMI... - entrou correndo e gritando no quarto. Parou subitamente ao ver aquela cena. Congelei como estava, e olhei para , que deu um sorrisinho malicioso. - Desculpa, eu não queria interromper... - saiu do quarto com um leve tom avermelhado no rosto.
Assim que saiu, e eu demos uma gargalhada gostosa. Saí de cima dele, e depois da cama. O olhei, sorri e disse.
- Isso não acaba aqui - saí do quarto em seguida, deixando um com olhar confuso e levemente animado. Se é que você me entende...

- Então... – disse, com uma cara maliciosa, assim que passei pela porta da cozinha.
- Então o quê? - me fiz de boba, apoiando a mão no encosto da cadeira.
- Quando vocês vão escolher o nome do meu sobrinho?
- O QUÊ? - gritei histérica.
- Vocês estavam fazendo meu sobrinho ainda há pouco. Eu só quero saber o nome dele.
- Não viaja, ! - revirei os olhos.
- OI, FAMÍLIA! - disse animada, passando pela porta da cozinha. - Que gritaria toda era aquela?
- A fantasiando um conto de fadas - falei.
- Como assim? - perguntou confusa.
- Eu só queria saber o nome do meu sobrinho! - deu de ombros, e olhou com uma cara de quem não entendeu nada.
- Como assim?
- Ah, bom, é que a e o estavam providenciando um... – disse, como quem diz que quer uma banana. sorriu maliciosa.
- Interessante.
- OI, GATAS!- chegou entusiasmado. Ele me abraçou pela cintura, deu um beijo em minha bochecha e descansou o queixo em meu ombro. Dei um sorriso bobo.
- Bom dia - dei um beijo na bochecha dele, que acabou corando.
- Ouwn! Vocês dois são TÃO fofos!- falou, fazendo um biquinho. - Queria fazer parte de um casal também!
- Oi, amor!- chegou e fez em a mesma coisa que fez em mim.
- 'Ta aí o seu par - disse cômica.
- Não enche! - falou, virando para . - Oi, - incrível! Ela deu um sorriso mais bobo que o meu.
- Me sinto um castiçal - disse, dramática. - CADÊ O MEU HOMEM? - gritou e saiu da cozinha.
- Depois você vem falar da gente, né ? - sorri maliciosa.
- Falar o quê? - perguntou.
- Nada – disse, me virando para ele. - Mas então, , você não acha que a e o fazem um casal perfeito?
- Acho - afirmou com a cabeça.
- E você, ? - se virou para ele e entrelaçou os braços em seu pescoço. A olhou espantado, mas sorriu docemente depois, a abraçando pela cintura. - Não acha que a e o são fofos juntos, e que fariam um casal perfeito?
- Eu acho sim!
- É por que nós somos - afirmou e me puxou pela cintura, colando nossos corpos, fazendo barulhos de beijos sendo soltos, se aproximando de mim, dando a entender que me encheria deles.
- Pára, ! PÁRAAA! - gritei, me desviando dele. Nós dois ríamos muito. Eestávamos tão distraídos que nem percebemos que e saíram da cozinha.
- Uê? Cadê eles? - perguntei, olhando em volta.
- Não sei - me abraçou por trás novamente. - 'To com fome!
- Coma algo - disse, como se fosse óbvio.
- Você está incluída no cardápio? - questionou malicioso. Abri a boca e lhe dei um tapa. - Brincadeirinha, brincadeirinha!
- Bobo!
- Faz algo para mim, ? - soltei-me dele e pude ver que ele fazia um bico fofo e extremamente convidativo.
- 'Ta bom - falei, indo preparar panquecas. E como sabia que não haviam poucas pessoas, e que essas mesmas pessoas comiam feito animais, resolvi fazer logo cinquenta.
- Tudo isso? - perguntou, espantado, meia hora depois, quando eu coloquei as panquecas na mesa.
- Não é só para você, seu folgado - bati na mão dele, que ia cutucar a comida. - Vem, , me ajuda a terminar - disse manhosa. Ele sorriu e foi buscar a cestinha com pães, mel, leite, presunto, queijo, margarina e geléia. Peguei o café e o suco, coloquei-os na mesa. A olhei arrumada e dei um sorriso satisfeito.
- POVO! - gritei, mas ninguém apareceu. - SE NÃO VIEREM AGORA, NÃO VOU DAR CAFÉ DA MANHÃ PARA VOCÊS! - gritei de novo. Em menos de dois minutos, apareceu com no cavalinho, a derrubando na cadeira e atacando as panquecas.
- , comporte- se - falei, parecendo uma mãe. Alguns minutos depois, e apareceram abraçados e sentaram à mesa, lado a lado. vinha atrás deles, com uma cara amassada.
- Bom dia, amor! - ele disse, sentando-se ao meu lado, me dando um beijo na bochecha.
- Bom dia, meu amado! - retribui, dando um beijo de volta em sua bochecha.
- , eu achava que eu era o seu amor - disse, apontando para si mesmo com um enorme bico.
- , você é meu amante. A é meu amor, mas shiu! - ele colocou um dedo sobre os lábios, como quem pede para guardar segredo. - Ela não pode saber disso!
- Como se eu não estivesse escutado... - disse, dando um tapinha em sua barriga, me fingindo de indignada. - Você prefere esse traveco a mim! Está tudo acabado entre nós, !
- Não! - fingiu desespero. - Mas , eu te amo!
- Mas , e eu?- fez uma voz gay. - Deixa essa baranga e vamos ser felizes juntos!
- Mas eu quero a ! - fez bico. Nessa mesma hora a campainha tocou.
- Mas eu não te quero mais! - disse, me levantando. - Pode ficar com a sua amante que eu vou sair por aí e encontrar um homem! Vocês estão me dando enxaqueca - falei dramática, com uma mão na testa, indo atender a porta.

Continua...


Nota da autora: 01/10/10
Oi, minhas queridas leitoras. Eu sei que eu continuo sendo má e vou atrasar um pouquinho com "Run Away", mas vou tentar escrever o mais rápido possível.
Dividi esse capitulo em dois, porque eu 'to ficando sem capítulos para mandar, já que encalhei no doze, mas prometo que vai melhorar, vou tentar escrever mais, pedir ajuda...
Ah sim, eu não lembro se alguém perguntou, mas o seu BFF vai voltar a aparecer. Ops, calei.
Meninas, vou lançar uma promoção aqui, é quase como uma corrente, tirando o fato que nada vai voltar para vocês três vezes pior, cumpre quem quiser. Eu aprendi com a Núria, uma autora de uma fic super legal: "Save Me From The Nothing I’ve Become". 'Ta muito tudo de bom, e vale a pena dar uma conferida. Quem ler, comenta lá que fui eu (Hanna) que indiquei, 'ta?
É assim: indica minha fic para alguém. Essa pessoa vem aqui, lê e deixa um comentário, dizendo qualquer coisa. Pode ser: "Está uma merda essa fic, só vim ler por que a Florentina me indicou". Ou qualquer coisa assim. A pessoa que tiver indicado para mais pessoas, e essas tiverem deixado o comentário dizendo que você indicou, vai ganhar um adiantamento dos dois próximos capítulos, e ter uma prévia. E quem fizer isso lá em "Band AID", ganha em dobro. Ufa, é isso.
Voltando...
Gracias para Aline querida, ela é minha diva. Quando eu crescer eu quero ser que nem ela. *-* Desculpe mamãe, mas a Aline ganha.
Beijinho pra Bali.
É isso, amo vocês e ate a próxima (que não vai demorar).
x.o.x.o.
Hanny.
x.o.x.o.

Editado:
Muito dificil fazer uma segunda N.A. como essa, é um dia triste, estou de luto. Mas calma que ninguém morreu.
A Aline, como eu havia dito, (eu acho) vai sair porque tem que fazer coisas super importantes (como casar e ter milhões de filhos). Não que betar fics não seja importante, de certeza é.
O negocio é: essa é uma homenagem a ela, que me aturou, betou minha fic chata e me aturou de novo.
Gente, passei por um monte de coisas com a Aline, ela foi minha primeira beta (ela tirou minha virgindade de betas –q) e com certeza a mais importante de todas, porque ela me escutou e me deu super dicas. E eu, sinceramente, espero que ela tenha uma vida maravilhosa, porque ela é maravilhosa. Não só por isso, eu sempre admirei o relacionamento beta-escritora de um monte de autoras quando aparecia a N.A., e eu tenho isso com a Aline, e sempre vou ter. Minhas amigas ficam falando porque eu sempre 'to falando da Aline pra elas. Hihi. =D
Ela é demais, tinha mais um monte de coisas pra falar pra ela, mas não vou escrever tudo aqui. É isso, vou parar porque eu não quero molhar o computador com minhas lágrimas de despedidas. Mimi. :'(
O importante é que eu NUNCA, em hipótese alguma, vou esquecer-me de você, Aline, porque você é meu exemplo de vida e me ajudou a crescer tanto como pessoa quanto escritora, e eu sinceramente nunca pensei que uma pessoa que eu nem sequer vi, mudaria tanto minha vida.
E é por isso que eu te amo e nunca vou te esquecer.

Outra fic da autora: Band Aid

Nota da beta: Nota da autora + nota da beta = short fic. hahaha
Estou emocionada. Sinta-se esmagada, Hanna.
Bom, *respira*. Hoje vou usar esse meu "cantinho" para me despedir de "Run Away".
Ééé, a beta aqui vai se "aposentar" do FFOBS, e não poderia deixar de dizer algumas palavrinhas à autora.
Hanny, quero te agradecer - MUITO - por todo o carinho que teve comigo. Acho que, além de uma boa história, uma fic precisa de uma autora consciente, que deixa a beta fazer seu trabalho ao seu tempo, sem pressão. E posso dizer que você se encaixa nessa categoria. Sempre fofa, atenciosa e divertida. Foi muito bom "trabalhar" com você.
Agradeço por ter confiado "Run Away" a mim, e por ter deixado eu ler "Band Aid" antes de ir ao ar.
Desejo muito sucesso a todas as suas fics, e que "Run Away" tenha mais ceninhas de sonhos, que adoro tanto.
E páro com as revisões mas continuo como leitora. Ou acha que vou te largar assim? Não, não.
Leitoras, obrigada pelos recadinhos também.
E um "oi" para a Jana, que assume a fic a partir de agora. Boas vindas! :)
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im? Não, não.
Leitoras, obrigada pelos recadinhos também.
E um "oi" para a Jana, que assume a fic a partir de agora. Boas vindas! :)
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