Fic by: Letícia Almeida | Beta: Lilá


ONE

Respirei fundo ao apertar o botão para o sétimo andar. Normalmente, eu não tinha motivos para ficar daquele jeito, mas ultimamente algo estava me deixando tensa, sem sono, ansiosa. Isso tinha nome e sobrenome, e eu sabia muito bem disso. Quando as portas se abriram, respirei fundo mais uma vez, inutilmente achando que aquilo aliviaria a tensão em que eu me encontrava. Vê-lo todos os dias, sempre tão charmoso sentado em sua cadeira preta, na maioria das vezes sério. Nunca foi de conversar muito. Aquele ar de mistério me deixava curiosa. Inúmeras vezes nossos olhares se encontraram e eu tentei entender o que suas íris tão brilhantes e ao mesmo tempo tão reservadas estavam dizendo. Foi inútil, claro. Sabe aquela sensação que você sente por alguém em algum momento da vida? Não sei definir bem se isso é amor. Mas seja lá que diabos fosse, aquela maldita sensação de desconforto me possuía assim que eu colocava meus pés naquele andar.
Alarguei minha gravata preta que estava perfeitamente arrumada em minha camisa que se ajustava ao meu corpo devido à saia preta de cintura alta que eu usava. Senti o barulho dos meus saltos altos pretos fazer eco por entre os corredores que eu passava para chegar até meu destino. Parecia uma longa caminhada, um lugar longe, o pior é que não era. Era essa maldita ansiedade que tornava as coisas mais lentas. Ok, eu quero acabar com isso logo. Sentir aquela maldita divina sensação de quando seus olhos se encontram com os meus e depois deixar por isso mesmo. Voltar pra casa, deitar minha cabeça no travesseiro e ter mais uma noite de insônia. Perfeito.
Abri a porta já esperando o que encontraria do outro lado e respirei aliviada quando não encontrei o que tanto pensei ter que encarar logo pela manhã.
- Bom dia, ! – Uma das mulheres que eram do mesmo andar que eu disse, sorridente, anotando algumas coisas em uma folha branca.
- Hey! Bom dia! – Eu disse meio atordoada, ajeitando a franja que não parava quieta. Peguei um prendedorzinho em minha bolsa e dei um jeito nisso facilmente.
- Você tá estranha, o que foi? – Por que as pessoas têm que perceber facilmente meu estado de espírito? Será que eu sou tão transparente assim?
- Nada, Cass! Sério... – respirei fundo, sentando-me em minha cadeira marrom de couro, coloquei meu notebook na enorme mesa ocupada por diversas coisas e encarei a parede azul à esquerda.
Ainda não tive o prazer de dizer o que faço. Pois então, eu trabalho em um renomado escritório de Londres. Na verdade, quando comecei aqui, eu era uma simples entregadora de recados, ou seja lá o nome desta função. Mas o chefe achou que eu era Qualificada demais para um serviço tão fraco. Então, hoje sou secretária de , o chefe e dono daqui. Bom, na verdade o dono mesmo é o pai dele, mas ouvi falar que o homem sumiu há um bom tempo. Como eu estava dizendo... Esse é o emprego dos meus sonhos, não posso mentir, mas ficar aqui tem sido sufocante.
- Se serve de consolo, ele vai chegar mais tarde hoje. Lá pras nove da manhã. – virei meu rosto bruscamente para Cassie, ela me olhava sem expressão e eu paralisei.
- Quem? Do que está falando? – tentei controlar minha mão que começou a tremer, para variar.
- Do nosso chefe, fofa! – ela sorriu. – Sei muito bem o motivo desse seu nervosismo. E quer saber a verdade? Não é difícil de notar.
Maldita Cassie, maldita! Por que ela tinha que perceber tudo que acontece comigo? Nós nem somos melhores amigas nem nada do tipo, só colegas de trabalho. Quem ela acha que é pra se sentir no direito de desvendar meus sentimentos e emoções? Faça-me o favor!
- Vou tomar um café, estou precisando. – levantei rapidamente, abrindo a porta do outro lado da sala que levava a cafeteria.
Fiquei enrolando lá por um tempo, não tinha com o que me apressar. Meu chefe entenderia se eu perdesse alguns minutos do meu trabalho tomando um café quentinho. E ele demoraria a chegar.
Mas o tempo tem que passar rápido quando nós não queremos, não é?
Logo o relógio marcava cinco para as nove e eu senti aquela mesma sensação ridícula de horas atrás. Eu o veria de novo. Qual seria a cor de seu terno hoje? Eu espero que seja preto, ele fica exageradamente sexy com essa cor. Sinto-me uma vadia por falar assim de um homem a quem eu devo respeito, mas ninguém vai ler meus pensamentos, ou vai?
Acabei com o último gole do café que já estava frio e me dirigi a porta, voltando para minha sala, percebi que um botão de minha camisa havia aberto. Concentrei minha atenção no botão que não queria se fechar e continuei andando até sentir um baque e em seguida quase cair no chão.
- ! Que recepção, hein? Bom dia! – ele passou por mim, andando rápido e meio atordoado assim como eu. A droga do paletó era preto, como eu havia imaginado. Xinguei-me em silêncio pelas coisas impuras que passaram em minha mente assim que vi as calças pretas e não tão largas assim que ele usava. Meu Deus, como seria esse homem sem essas roupas todas? Quem acha que a invenção de vestir o corpo ao invés de deixá-lo nu foi idiota? Eu acho.

O tempo havia passado e Cassie e eu não fizemos muitas coisas, o serviço estava diminuído hoje, já que logo entraria o período de férias para todos os empregados da empresa. faria uma pequena reunião particular com alguns empregados, apenas para comemorar mais um ano em que a empresa havia se saído bem em todos os setores.
- Preciso das relações de gastos do mês passado, Cassie! – ele saiu de sua sala como na velocidade da luz e eu mal pude perceber como ele estava perto de minha mesa. – , vá a minha sala, sim? Preciso tratar de um assunto com você. - Concordei com a cabeça e um turbilhão de pensamentos surgiram. O que ele queria tratar de tão importante assim que não podia ser dito ali, na frente de Cassie? Ao ver ele entrando novamente em sua sala e fechando a porta, comecei a roer uma de minhas unhas, na esperança de me concentrar em algo que não fosse o “encontro” que teríamos daqui alguns minutos.
- Vai logo, ele quer falar com você! – Cass riu maliciosa e fechou seu notebook, levantando-se em seguida. – É minha hora de almoço, você tem todo o andar livre para tratar do assunto que quiser com o nosso chefe. – piscou, e saiu, batendo a porta.
Decidi parar de pensar besteiras e ir logo à sala de . Caminhei em passos firmes pela curta distância que separava minha mesa da porta de sua sala. Ouvi sua voz e percebi que estava alterada.
- Não! Você acha que ele seria tão idiota ao ponto de aparecer? James, você sabe a merda que ele fez, sabe que vamos atrás dele até o inferno. Aquele cretino vai me pagar!
Recuei e pensei se seria melhor voltar outra hora. Mas ele não precisava saber que eu tinha escutado aquela conversa. Eu nem sabia do que tratava.
- Sr. ? – pedi, batendo levemente na porta.
- Entre, . – sua voz rígida respondeu.
Abri a porta com cautela e entrei devagar. Meus olhos percorreram toda sua sala em tons de branco e cinza escuro. Ele estava no canto, olhando fixamente para mim. Deu uma mexida nos cabelos e foi se aproximando. Eu ainda estava perto da porta, meio em dúvida do que ele iria fazer.
- Eu gostaria de te chamar pra reunião que vou realizar neste sábado. Afinal, você é uma ótima secretária. – sorriu e aquele sorriso tinha mais do que uma simples simpatia.
- Hm, obrigada, Sr. ... Me sinto honrada. – minhas mãos passeavam por meu pescoço tenso e o pior era que ele estava percebendo minha situação. – Mas... Não poderei ir – o ar saiu totalmente fraco de meus pulmões.
- Minha querida , sabe que eu não aceito um não como resposta, não é? – O sorriso diferente de decifrar mais uma vez se formou em seu rosto. – Tenho assuntos importantes para tratar com você.
- Não pode tratá-los aqui, Senhor... – antes que eu pudesse terminar a pergunta, segurou minha cintura com força e me prensou na parede, seus olhos se encontraram com os meus, que estavam assustados e confusos.
- Você vai, entendeu? Acha que eu não sei que você ouviu mais do que deveria quando estava entrando aqui? E eu vou precisar de sua ajuda.
- Minha... Ajuda? – eu poderia cair ali mesmo, minhas forças estavam me deixando. Aquelas mãos fortes e grandes em minha cintura estavam fazendo com que meu corpo todo gritasse por mais, gritasse por ele.
- Vá à reunião. – me largou, indo na direção de sua mesa. – Vestido vermelho, por favor.
Olhei sem entender para ele, que fez um sinal com as mãos para que e saísse de sua sala.
- ... – do tempo que estou trabalhando aqui, acho que não me lembro dele ter me chamado pelo nome. Isso fez com que meu estado ficasse pior ainda. – Tenho certeza que nossa reunião será incrível. – Me virei e ele segurava um copo com um liquido escuro, provavelmente alguma bebida. O sorriso que brincava em seus lábios era sacana, promíscuo e todos os adjetivos que possam ser comparados com os anteriores.
Poderia até ser perigoso, mas sim, eu estaria em sua casa no sábado.


TWO
Os dias que antecediam o final da semana haviam se passado lentamente. O trabalho no escritório continuou calmo, sem muito estresse. Eu, pelo contrário, estava uma pilha de nervos. não trocou uma palavra comigo nos últimos dois dias, depois que aconteceram aquelas coisas em sua sala. Mas eu percebia seus olhos em mim todo santo dia, principalmente quando minha roupa era um pouco mais aberta, devido ao calor. Ignorá-lo seria o melhor, afinal, eu sentia um pouco de medo. O que ele poderia querer comigo? Não era algo simples, tenho certeza.
Era bom estar em minha cama, envolvida em meu cobertor, sozinha. Parecia que assim eu conseguia organizar meus pensamentos. Adoro sábados, pois sempre posso ficar em casa de pijama, comendo porcarias e vendo filmes românticos, como se eu fosse uma adolescente. Mas hoje não, hoje eu teria que passar o dia inteiro imaginando o que aconteceria à noite, se eu voltaria viva para casa. Tenho que pensar nas piores hipóteses, não é? Levantei preguiçosa da cama, sentindo um pouco de frio ao ser deixada pelos cobertores. Entrei direto no banheiro e já fui arrancando toda a minha roupa e jogando pelo chão. O banho estava ótimo, a temperatura da água era bem agradável. Meu corpo estava coberto pela espuma e eu lavava meus cabelos. Comecei a me enxaguar e de repente a imagem de me empurrando contra a parede surgiu em minha mente, seguida por um calor estranho que percorreu meu corpo naquele exato momento. Não, eu não iria fazer isso, não iria me tocar pensando nele. Era demais. Mas ao mesmo tempo em que meu cérebro dizia que não, meu corpo implorava por aquilo. Comecei a massagear meus seios, com os olhos fechados e sentindo a água quente cair por eles, escorreguei as mãos por minha barriga, imaginando que aquelas fossem as mãos dele, me arrepiei completamente só de pensar naquilo. Desliguei o chuveiro bruscamente ao perceber que uma de minhas mãos estava escorregando para minha intimidade. Acorde, , acorde! Peguei uma toalha e comecei a me secar, ainda sentindo aquela sensação em meu corpo. Vesti uma calcinha e coloquei um short meio curto, um blusão largo e prendi meus cabelos. Preparei um breve café e, durante esse tempo todo, tudo que eu conseguia imaginar era o que ele estava pensando em fazer comigo.

Ajeitei o vestido em meu corpo, calçando meus sapatos pretos em seguida. Dei uma última conferida na maquiagem e no cabelo, que estava meio preso e meio solto, peguei uma bolsa simples e preta e segui meu caminho até meu carro. Dei a partida e peguei o papel com o endereço da casa de . Eu nunca havia estado lá, então, precisaria de um auxílio. Meu estômago chegava a doer de tanta que era a ansiedade. Algum tempo dirigindo, finalmente encontrei o endereço. Minha boca involuntariamente se abriu ao ver aquela casa. Era toda pintada de azul, umas três vezes maior que a minha. Dava para ver o jardim bem cuidado e a piscina que refletia as luzes que iluminavam todo o lugar. Engoli em seco e desci do carro, ajeitando meu vestido. A casa estava tão silenciosa, acho que nenhum dos convidados havia chegado ainda. Toquei a campainha e esfreguei minhas mãos, sentindo um leve frio. A porta se abriu e um sem terno, com uma camisa vinho, calças escuras e justas e um sapato comum, sorriu, ao perceber toda a minha produção.
- Bom te ver, ! – não seria mais fácil ele dizer “Nossa, como você está gostosa, me deixa ver isso tudo logo”. Mas não, tinha que ficar fazendo aqueles joguinhos malditos comigo. – Está frio, entre! Os outros já devem estar chegando.
Entrei, admirando todos os móveis claros e caros. Uma escada enorme estava de frente para a porta, revelando várias portas. Ele ficou do meu lado, sem dizer nada.
- Sua casa é linda, Sr. . – sorri, meio sem graça.
- Sr. ? Por favor, , não estamos na empresa. Me chame de ... Ou melhor, me chame de ! – saiu andando, me chamando com a mão.
- Tudo bem, . – a sala era enorme, acho que do tamanho de umas cinco casas comuns todas juntas.
- Sente-se, por favor. – apontou para o enorme sofá branco, e um outro vermelho que contrastava com uma lareira e uma luz fraca, um ambiente muito agradável. - Você está muito quieta, sabia? O que quer beber? – Ele se dirigiu a uma pequena adega que ficava no canto da sala.
- Apenas um champagne, por favor. – ninguém no mundo teria ideia de como eu estava me sentindo ali, sozinha com ele. Parecia que eu estava nua.
- Só champagne? Ok, vamos começar com coisas leves. – riu, colocando a bebida em duas taças compridas e brilhantes. Passou pelo outro lado da sala e ligou o equipamento de som.
- Onde estão os convidados? – perguntei, dando um gole no champagne e vendo se aproximar.
- Não devem demorar.
Uma música começou a tocar e eu logo reconheci qual era. Lembro-me de me acabar em pistas de dança com minhas amigas ao som daquela música. Na maioria das vezes eu estava bêbada, mas acho que isso não aconteceria ali. Ele se aproximou e olhou para mim por um tempo, tomando o conteúdo de sua taça de uma vez.
- Está desconfortável com a música? - sentou-se ao meu lado, olhando sem vergonha para minhas pernas. Esse homem não sabia disfarçar, ou melhor, não queria disfarçar.
- Não, eu só... Não imaginava que você...
- Gostasse desse tipo de música? Bem, são as melhores para... Dançar. - a malícia em seu sorriso era tanta que chegava a me incomodar. – E já que é uma música para se dançar... Levante-se e dance comigo. - Ele só poderia estar brincando. Dançar aquele tipo de música com ele seria como fazer um convite para passar as mãos por minhas pernas e me atacar ali mesmo. O que uma melodia como aquela não faria com alguém? Bastavam algumas bebidas.
Dei-me por vencida e levantei sem graça.
- Tive uma idéia – ele foi até o aparelho de som novamente e apertou um botão, fazendo com que outra música começasse a tocar.
- Somebody To Love? – não pude deixar de sorrir, eu simplesmente adorava aquela música, como ele sabia? Ele não me respondeu, se manteve quieto, balançando um pouco o corpo no ritmo. Era digamos que... Engraçado vê-lo daquele jeito, eu poderia jurar que era um cara sério, do tipo que ouvia música clássica.
- Dança comigo, ! – me puxou pela cintura, fazendo nossos corpos se chocarem. A força que suas mãos depositavam em minha cintura, fazia com que ele controlasse os nossos movimentos que eram fracos, mas acompanhavam a música.
- Alguém pode chegar aqui e ver isso...
- Ninguém vai chegar aqui hoje, . – riu, como se aquilo fosse óbvio.
- Mas e a reunião...
- Somos só você e eu, tipo um encontro... Não percebeu ainda? – suas mãos desceram um pouco, ficando próximas de meus quadris. – É melhor assim, não acha? – encostou sua boca em meu pescoço. A verdade é que estava chegando a hora de parar de querer dar uma de tímida. Eu sonhei durante muito tempo em estar a sós com aquele homem, e agora que estava com ele, não aproveitar aquilo seria como um pecado.
- Certo, vou te mostrar o que é dançar, . – sorri, me soltando dele e ficando meio distante. Pousei as mãos em minhas coxas e fui subindo fazendo o contorno de meu corpo, tudo isso no ritmo da música. Virei de costas para ele e comecei a dançar mais rápido, já perdendo toda a vergonha que estava presente em mim. Tirei o prendedor de meus cabelos e o olhei. Tenho que confessar que foi muito bom ver naquela situação, ele estava com o olhar preso em mim, rígido, imóvel, com suor na testa.
- Je t’adore, Je t’adore - cantei junto com a música, fazendo um movimento com o dedo para que ele se aproximasse. Ele veio rápido, quase feroz e entrelaçou suas mãos em meu corpo, o empurrando para a parede. Ele adorava paredes, repararam? Continuei a dançar, mesmo presa entre ele e a parede, nossos corpos estavam próximos e isso fez com que eu sentisse a excitação em que ele se encontrava. Mordi o lábio ao senti-lo com a boca perto de meu pescoço.
- Ooh, I like it… - prensou meu corpo com mais força, se mexendo e me fazendo soltar um pequeno suspiro. - Ooh, I need it... - Cantou em meu ouvido, mordendo o lóbulo em seguida. - Ooh, I Want it... - soltei um gemido alto ao sentir o chupão que ele deu em meu pescoço e sua ereção esfregando-se em mim.
Ignorando o final da música, ele segurou meu rosto com uma das mãos e começou a mordiscar meus lábios.
- ... – pedi ofegante, fazendo de tudo para conseguir abrir a camisa dele. O que estava fazendo era meio impossível.
- Eu sempre quis isso, e você também. Acha que eu nunca percebi seus olhares para mim, não é? – ele não esperou que eu respondesse, me beijou com vontade. Dei passagem para sua língua e logo ela parecia fazer parte dali. Enquanto o beijo esquentava mais, ele procurava desesperadamente pelo fecho do meu vestido. O ajudei, ainda o beijando. Ele abaixou o zíper e começou a descê-lo com calma.
- Vamos ver o que você esconde por trás dessas roupas provocantes – falou, parando o beijo e abaixando o vestido de uma vez, me deixando só de calcinha. Não tive vergonha por ele estar vendo meus seios. A verdade não era mais necessária ali. Suas mãos rapidamente começaram a massageá-los, eu mordia o lábio e sentia meu corpo cada vez mais quente, estava a ponto de explodir. segurou na barra de minha calcinha e começou a me provocar, fazendo com que ela descesse e subisse em seguida. Com muita luta, consegui tirar sua camisa, revelando um abdômen definido e completamente delicioso. Largou-me por um momento e abriu o zíper de suas calças, as abaixando e levando sua boxer preta junto. Gemi ao observar seu membro completamente ereto. Ele me agarrou de novo, puxando minha calcinha para baixo de uma vez.
- Eu queria muito te levar até o meu quarto, mas acho que não posso esperar mais. – me empurrou com cuidado para o chão, que era coberto por um tapete grosso e fofo, me fazendo ficar por cima dele. - Droga, a camisinha. – bufou, procurando algo com os olhos pelo cômodo. – Ali, naquela gaveta, por favor. – Ele já não agüentava mais, e eu também não. Levantei-me e fui até a gaveta encontrando vários preservativos. Que sem vergonha esse, .
- Coloque. Confio em você.
Obedeci e coloquei meio sem jeito a camisinha em seu pênis. Fechei os olhos e senti ele me segurar pelo quadril, o puxando para baixo. Foram apenas segundos até eu o sentir me penetrar com força. Gemi alto de dor e prazer. Ele sorriu, completamente em dúvida de onde passeava com as mãos, hora estavam massageando meus seios, hora em minha cintura, fazendo com que os movimentos ficassem ainda mais prazerosos. Mas o melhor eram suas mãos em meus quadris, que me faziam rebolar e isso aumentava ainda mais o prazer. Gemidos e mais gemidos se misturavam com a atmosfera quente e completamente viciante que aquela sala havia se tornado.
- Você é perfeita. – ele dizia com a cabeça virada para o lado, a boca entreaberta e as mãos firmes em meus quadris. Eu cavalgava sobre ele e gemia alto, sem vergonha, sem restrições. Meu sonho finalmente havia se realizado, eu estava sendo dele. Só dele. Quando percebi que ele estava prestes a gozar, me apoiei no chão, diminuindo os movimentos. Aquilo era uma tortura para mim, mas provocá-lo era inevitável.
- Não faça isso comigo. – ele urrou, com os espalhados pela testa.
- Calma, chefe, eu sei muito bem o que estou fazendo. – mordi os lábios e rebolei com vontade, arrancando quase um grito de prazer de minha garganta. apertou minha cintura e me estocou com força, fazendo com que chegássemos ao ponto máximo juntos. Meu corpo caiu sobre o dele, seu peito subia e descia. Nossas respirações ofegantes eram tudo que se escutava. fez carinho em meus cabelos e segurou em meu queixo, fazendo com que meu rosto ficasse de frente para o dele. Deu-me um selinho e em seguida mordeu meu lábio inferior.
- Vamos ficar aqui mesmo? – disse, abraçando minha cintura.
- Não vejo problemas. – levei minha mão até seu pescoço, passando minhas unhas pelo local. Ele pareceu gostar do agrado e sorriu. Minhas pálpebras foram ficando pesadas e meu corpo completamente mole.
- Me acorde de manhã. – sua voz rouca e fraca disse.
- Você que me acorde. – a minha estava igual.
- Vou te acordar de um jeitinho especial... – apertou minhas nádegas.
Sorri e logo ele caiu no sono, com nossos corpos envolvidos. Minha vista ficou embaçada e logo eu também estava dormindo.
Nos braços dele. Nos braços de . Meu chefe.


THREE


Abri os olhos com dificuldade. Tudo estava embaçado e rodando, mas isso não me impediu de ver que eu ainda estava na casa dele.
- Até que enfim você acordou. – virei na direção da voz, sentindo uma leve dor na cabeça em seguida. estava sem camisa, vestido só na parte de baixo. – Nem amanheceu ainda, mas eu não estava conseguindo dormir.
Levantei sem jeito, já que eu estava nua, e procurei por meu vestido. Coloquei minha calcinha e em seguida comecei a subi-lo pelo meu corpo.
- Eu sabia que você me obedeceria e viria com um vestido vermelho. – sorriu malicioso, enquanto eu subia o zíper do mesmo.
- É verdade, agora que fui lembrar – minha voz saiu baixa, quase não a reconheci. – Por que me pediu para vir com um vestido vermelho? – ajeitei o cabelo com as mãos, ainda meio tonta.
- Tenho tara por mulheres vestidas de vermelho. – riu – E garanto que essa tara aumentou desde ontem.
- Bom, eu não sei o que dizer... Eu... Acho melhor eu ir embora, estou de carro mesmo. – antes que eu pudesse dar mais um passo, ele segurou meu braço e riu mais uma vez.
- , não seja tola! – eu o olhei sem entender. – Acha que os assuntos que eu tinha para tratar com você eram apenas sexuais? Bom, também... Mas não só isso.
- Me deixe ir pra casa, eu preciso de um banho, preciso comer, estou com uma dor de cabeça terrível e...
- Você não vai pra sua casa. Pelo menos não por um bom tempo. – ele me largou, ficando na frente da entrada da sala. – Acho que essa é a hora perfeita para começarmos a nossa conversa tão importante. – Não falei nada, apenas permaneci olhando para ele.
- Bom, eu te conheço há um tempo... Tempo suficiente para saber que você é confiável. E também boa de sexo, mas isso não convém agora... – ele sorriu, sentando-se em um dos sofás. – Não dá pra explicar com todos os detalhes agora, mas eu preciso de um favor seu.
- Por que eu te ajudaria? - manti o olhar fixo no dele, tentando aparentar indiferença. se levantou e caminhou calmamente, ficando de frente para mim.
- E por que não ajudaria? - sua mão puxou os cabelos de minha nuca com força. Fechei os olhos e logo o senti perigosamente próximo. – Olha, , você não me conhece, não sabe o que eu já fiz por muito menos que uma mulher fresca. Custa dizer sim e facilitar as coisas? Não me obrigue a fazer o que eu não quero.
Estremeci com suas palavras. Não era possível que um homem tão sério como ele pudesse ser capaz de fazer mal a alguém, eu não conseguia enxergar isso.
- Você nem se quer me disse o que tenho que fazer, eu... – senti meus olhos arderem, e logo lágrimas se formaram. – Por favor...
- Shhh... Não chore. Eu não vou te machucar, mas você vai ter que fazer tudo que eu pedir.
- Como um seqüestro, é isso? – ele balançou a cabeça negativamente.
- Um seqüestro tem o objetivo de torturar e até matar uma pessoa, eu não pretendo fazer nada disso com você. A menos que seja muito necessário. De qualquer jeito...
- Eu quero sair daqui! – tentei correr e sair da sala, mas sua mão forte segurou meu braço mais uma vez. Fez com que nossos corpos ficassem extremamente próximos e mordeu meu lábio com força.
- Você é tão mais atraente quando faz o que eu digo e fica calada, sabia? – sua mão foi para minha cintura, a apertando de leve. – Não vamos discutir sobre isso agora. Suba, entre na última porta à esquerda, tome um banho, se vista como quiser, as roupas estão no closet. Quando terminar, desça para comer comigo, daí poderemos conversar melhor.
Respirei fundo, o sentindo sair de perto de mim. Preferi não dizer nada, apenas saí da sala, subindo a enorme escada. me olhava lá de baixo, mas não tive coragem de encontrar meu olhar com o dele.
O que esse homem planejava fazer comigo? Nunca em toda a minha vida me vi metida em uma situação tão complicada e ao mesmo tempo tão tentadora. Sim, tentadora, porque apesar de tudo, os sentimentos que eu nutria por não haviam duminuindo nem um milímetro se quer e eu não podia fazer nada quando a isso.
Parei na última porta, como ele havia me indicado e a abri. Dei de cara com um enorme quarto, os móveis eram escuros e grandes. A cama era enorme e uma colcha roxa fazia com que ela ficasse ainda mais bonita. Pareciam aqueles quartos de filmes, aqueles que davam para se fazer uma festa sem problema algum com o espaço. Procurei pela porta do closet, achando ela facilmente. Abri com cuidado e minha boca se abriu ao ver a quantidade de roupas, sapatos e todo tipo de acessório existente. Tudo muito caro.
Com medo do que poderia fazer se eu não o obedecesse, peguei a primeira roupa que vi pela frente. Uma saia preta de cintura alta, uma blusa florida em tons pretos e marrons com mangas curtas e um sapato boneca preto. Quem havia colocado aquelas roupas ali? Será que pertenciam a alguém que morava com ele? Talvez uma irmã, ou até outra coisa... Ou tudo estava muito bem calculado e todas aquelas coisas eram para mim? Um plano, eu era vítima de um plano.

Depois de tomar um banho não muito demorado, me vesti e penteei meu cabelo, o deixando solto mesmo. Eu me sentia como uma prisioneira, me sentia sufocada e sabia que aquilo não acabaria tão cedo. Uma batida na porta me fez levantar rápido da cama e encarar a porta.
- Como você está bonita. – ele disse entrando, já vestido com outra roupa, completamente arrumado e perfumado. Uma tentação. – Entendeu o meu recado, não foi, ? Gosto de você pela sua eficiência.
- Chega de joguinhos, por favor, me diga o que você quer comigo!
- Vamos comer alguma coisa, você está sem comer desde ontem e tenho certeza que gastei suas energias. – piscou para mim e estendeu sua mão para que eu a segurasse. O encarei com raiva, atendendo seu pedido em seguida.
Descemos em silêncio. A cozinha ficava perto da entrada da casa e era ainda maior que os outros cômodos. Uma mesa, totalmente farta estava a minha frente. Meu estômago deu uma volta e percebeu que eu estava faminta.
- A empregada fez tudo pra você, depois te ajudo a queimar todas essas milhares de colorias. – riu malicioso.
- Você não perde a chance de fazer brincadeiras, não é? – finalmente tive coragem o suficiente para dizer alguma coisa descente a ele. Sentei-me, pegando uma maçã e mordendo-a. Encarei a janela, vendo o sol começando a nascer, era estranho estar acordada àquela hora, e o principal: eu não estava em minha casa.
Depois de um tempo comendo em silêncio, ele se levantou e tirou o celular do bolso da calça, discando algum número e caminhando até a sala.
- Jared? Sim, sou eu. Ela já está aqui comigo. – levantei em silêncio, ficando próxima a porta da cozinha. – Claro que ela é confiável, acha que eu escolheria qualquer vadiazinha por ai? Ah, não se atrasem, está bem? Quero você, Ian e James aqui às oito horas da manhã. Não vou tolerar atrasos. Desligou o telefone e ainda de costas, pareceu notar minha presença perto da porta.
- Pode vir aqui, . – se virou, me encarando sério. Obedeci e sentei-me no sofá.
- Está bem, chega de rodeios.
- Fale logo, eu não agüento mais isso. – pedi impaciente, cruzando as pernas.
- Eu vou para Los Angeles depois de amanhã, e você vai comigo!
- O quê? – minha voz se alterou – Você é maluco? Los Angeles?
- Atrás de um filho da puta que me deve muita coisa. Favores, dinheiro... Mas o real motivo para ir atrás dele é por vingança. Coisas que não lhe interessam no momento. O que quero é o seguinte: Sei que você é uma mulher muito bonita, que conseguiria tudo que quisesse com um estalar dos dedos. – ele disse tudo aquilo, ignorando meu nervosismo. – Não posso simplesmente procurá-lo sozinho ou com a ajuda de outras pessoas que trabalham pra mim, ele nos conhece e provavelmente irá fugir. Mas, se uma mulher bonita entrasse em seu caminho... – sorriu pra mim, levantando uma sobrancelha.
- Você... Você quer me usar para se vingar de uma pessoa? – estava incrédula, muito incrédula com tudo aquilo.
- Sim. Apenas para isso. Se tudo der certo, no máximo em três semanas você terá sua vida de volta. A menos que não queria ela de volta... É uma escolha sua.
- E se eu não fizer nada disso? E se eu der um chute em suas partes baixas e sair por aquela porta às pressas tentando fugir?
- Eu acabo com você, simples assim. – a expressão infantil que ele fazia ao ameaçar me fazia sentir mais raiva ainda.
- Então quer dizer que eu não significo nada...
- ! – ele começou a rir descontroladamente. – Desde quando dormir com alguém é sinal de amor ou qualquer baboseira desse tipo? Eu tinha que te seduzir, você tornou tudo muito fácil com essa quedinha que tem por mim.
Levantei-me, já com a intenção de dar um tapa bem dado em sua cara, mas ele segurou minha mão, segurando a outra em seguida e juntando as duas. Olhou fundo em meus olhos.
– Você vai se divertir tanto quanto eu nisso tudo, não estrague a simpatia que eu tenho por você... – seu olhar me lembrava o de algum psicopata irônico que ninguém nunca imaginaria ser o que era.
- Posso contar com você? – pediu, falando perto de meu ouvido.
- Po... Pode! – eu disse, engolindo o choro.
- Ótimo, é assim que eu gosto. – segurou meu rosto e me beijou. Ele não podia fazer aquilo comigo, primeiro me ameaçava e depois me seduzia daquele jeito? Quem ele achava que era?
Sua língua brincava com a minha, enquanto sua outra mão subia até meu busto. Sentou-me no sofá, ficando por cima de mim. Gemi enquanto ele distribuía mordidas e chupões por meu pescoço e colo.
O medo não era maior que o desejo que eu sentia por ele, e isso fazia com que eu rapidamente cedesse a suas provocações e ameaças. Ele era perigoso, um perigo que eu ia adorar enfrentar.

Nossa "brincadeira" não havia durado muito, porque ele tinha algumas coisas para fazer em seu escritório. Eu continuei no sofá, estática, encarando um ponto qualquer da sala.
Ouvi passos e logo ele havia voltado ao cômodo, tinha um sorriso no rosto.
- Você tornaria tudo menos tortutante se não sorrisse desse jeito! - falei, fria.
- Suas mudanças de humor também são bem chatinhas, se quer saber...
Ele ia se aproximar, até que a campainha tocou e ele virou o corpo em direção a porta. Tudo ficou quieto por um momento, até que três homens, junto com , adentraram a sala, com olhares pesados sobre mim. Um deles, o maior e mais musculoso sorriu, passando as mãos no cabelo castanho em seguida.
Os olhares de ambos me assustaram, parecia que eu era algum tipo isca para atrair algo maior, muito maior.
E realmente eu era.
- Ela é mais bonita do que eu imaginei! - o loiro, dos cabelos meio grandes disse, vindo em minha direção. Percebi o olhar de ficar tenso. Ele se sentou ao meu lado, enquanto os outros se sentavam nos outros sofás.
- Droga, esqueci uma coisa no escritório. - disse, lançando um olhar perigoso para eles, saindo da sala novamente.
- Então... Qual é o seu nome, boneca? - o que estava do meu lado, perguntou com uma voz que me causou certo nojo.
- ... - disse, sem encará-lo.
- Hm, então, , você provavelmente já sabe um pouco do que vamos fazer, não é? - chegou mais perto e eu me encolhi no pouco espaço que me restava. - Sabe também que homens precisam de diversões, porque se quer saber, esse trabalho acaba com a gente.
- E como acaba! - o menor e mais magro resolveu abrir a boca e um sorriso brotou em seus lábios.
- O que eu tenho com isso? - maldita ignorância que aparece sempre nas piores horas.
Foi então, que o que estava do meu lado segurou meu braço e praticamente se jogou em cima de mim, segurando meu rosto e tentando me beijar. Eu lutava contra ele, ouvindo as risadas dos outros dois. Que tipos de homens eram aqueles?
Tentei me soltar, mas a força que ele tinha no braço era assustadora e estava começando a me machucar. Olhei de relance para o bico de meu sapato e então um impulso fez com que eu chutasse com toda força o conteúdo que ele possui no meio das pernas. Vi ele se jogar no chão, com as mãos no local e os olhos fechados. Os outros dois estavam parados, olhando tensos para mim e para ele.
Levantei, caminhando rápido em direção a porta, quase correndo. Até que senti uma mão forte puxar meu ombro. - Ah, então a garotinha que o arrumou gosta de brincar? Tá certo, tá certo! - ele havia se levantado quase que na velocidade da luz. Virou-me de frente, e sem que eu pudesse impedir, grudou os lábios nos meus, segurando meus dois braços. Eu tentava não dar passagem para a língua dele, mas ficava cada vez mais impossível, o medo estava me amolecendo aos poucos e minha garganta não conseguiria reproduzir um grito.
Sua mão entrou pela minha blusa, e senti um choque ao senti-lá fria em minhas costas. Até que uma voz surgiu...
- MAS QUE DIABOS SIGNIFICA ISSO? - Senti meu corpo ser empurrado para trás. Fechei os olhos com força e caí sentada no chão. Abri eles devagar, vendo um totalmente vermelho e irritado com as mãos no colarinho da camisa do que me agarrou. Seu olhar nunca havia me dado tanto medo.
- EU TENHO CARA DE IDIOTA OU O QUE? - Continuava gritando, assustando os outros dois. - SE VOCÊ FIZER ISSO DE NOVO, JARED, EU JURO POR DEUS QUE ARRANCO ESSA SUA CABEÇA VAZIA, FICOU CLARO? - antes do mesmo responder, deu um soco em seu rosto, fazendo com Jared caísse no chão, com os olhos fechados e uma expressão de dor.
- Isso vale para todos vocês, encostem nela e eu os mato sem pensar duas vezes. - apenas concordaram com a cabeça e senti os olhos dele sobre mim. Aproximou-se e me ajudou a levantar, eu estava completamente tonta.
- Tudo bem? - perguntou, me olhando preocupado. Aquilo era surreal, não sei por que, mas eu não conhecia aquela pessoa que falava comigo. Balancei a cabeça afirmativamente e ele me puxou, saindo da sala e lançando um último olhar para os três.
- Eu já volto e espero que meu aviso seja respeitado, caso contrário... - seu olhar voltou a ficar ameaçador e eu respirei fundo. Caminhando em direção à escada.
- Eu tive que me controlar, mas minha vontade era de... - ele fechou os olhos com força, apertando um pouco meu braço. - Não me perdoaria se aquele idiota fizesse algo a você.
Arregalei meus olhos, totalmente confusa com as últimas palavras dele.


FOUR


Passei o resto daquele dia no quarto, não desci nem pra comer. Não me interessava os assuntos que conversaria com aqueles homens, eu ainda estava meio abalada com o acontecimento daquela manhã. Minha cabeça dava voltas e eu pensava em tudo que havia acontecido comigo durante aqueles dias. Em um momento, eu era apenas uma secretária eficiente, no outro uma prisioneira, isca e até mesmo uma companhia sexual.
Lembrei de quando eu lutava contra mim mesma todos os dias para encará-lo no escritório, disfarçando tudo que sentia por ele. Eu não passava de uma tola, ele sempre desconfiou e usou isso para seu benefício. Xinguei mentalmente todas as decisões que tomei durante esses anos, elas me levaram até aquele emprego, me levaram até ele e ao seu plano de vingança. Plano esse que eu tinha um conhecimento vago. Lembrei que apesar de não morar com minha família - que vivia na Suíça - eu tinha amigos, amigos que deveriam estar telefonando para minha casa para me convidar para uma festa qualquer e eu não estava lá para atendê-los.
Encarei o relógio no criado-mudo que marcava quatro da tarde, fiz força para levantar da cama e encarei a porta. Ele não havia entrado no quarto desde manhã quando me deixou aqui, preocupado e ainda nervoso pelo que Jared havia feito. Estremeci com aquela lembrança e esfreguei as mãos em meu rosto. Levantei-me vagamente e caminhei até a grande janela. Empurrei a cortina branca para o lado e observei e os outros três parados em frente a um carro. Reparei em suas expressões e percebi que ambos riam e pareciam comemorar algo. Até Jared, que estava com um notável hematoma no rosto participava daquilo. se virou e seu olhar encontrou com o meu. Um sorriso malicioso brotou em seus lábios e apenas voltei a cortina em seu lugar e saí da janela. Sentei na cama de novo, tirando os sapatos e soltando o ar devagar. Estava começando a me irritar, toda aquela maldita brincadeira estava perdendo a graça. Fechei os olhos para reprimir minha raiva e percebi um barulho vindo da porta.
Ele sorriu mais uma vez, um brilho intenso em seu olhar provocou um frio em minha barriga. Caminhou calmo até a cama e sentou-se do meu lado.
- Quase tudo pronto. - disse, olhando para frente, sem me encarar.
- Ótimo! - disse, forçando uma animação que não existia. Ele percebeu minha ironia e se virou para me olhar. Ficamos quietos por alguns minutos, até que resolvi quebrar o silêncio.
- Por que eu? Com tantas mulheres que devem passar por sua vida diariamente... - ele ergueu seu dedo indicador, me fazendo parar de falar.
- Acho que já te expliquei.
- Não, aquela explicação não é válida. Eu falo sério, por quê? Eu nunca te fiz nada e acho que você tem consciência que seus atos estão me colocando em perigo.
- Você não disse nada disso ontem, na sala, comigo... nua - cruzou os braços. - Decida-se, uma hora é completamente dócil e outro se revolta.
- Não me trate como se eu fosse um animal que você está domesticando. - alterei meu tom de voz.
- Que engraçada você - ele riu - Eu adoraria mais algumas piadas, mas estou realmente cansado. Jared, James e Ian ficaram praticamente o dia todo aqui e amanhã preciso checar os últimos preparativos pra viagem. Ah, e não se preocupe, Ian já tomou a precaução de pegar seus documentos em sua casa, caso queira saber.
Congelei naquele momento. Como era? Um daqueles três invadiu minha casa?
- QUEM VOCÊ PENSA QUE É? - me levantei, sendo seguida por ele. Caminhei rápido até a porta, ele foi atrás e segurou meu braço. - Tire as mãos de mim! - Por impulso, mirei um tapa em seu rosto e segundos depois ouvi o barulho produzido pelo impacto de minha mão em sua pele.
- Sua... - ele tinha a mão no rosto, os olhos fechados.
- Cala a porra da sua boca! Primeiro me faz dormir com você, depois me prende nessa droga de casa, seu empregado ou Deus sabe o que ele é de você tenta me violentar e agora você me diz que mandou invadirem minha casa? Quem diabos acha que é? - minha voz era tão autoritária que eu mesma não a reconheci. - Eu deveria...
Ele me empurrou para a porta, fazendo com que minhas costas se chocassem com a mesma.
- Deveria o que, ? - seu rosto a milímetros do meu refletiam raiva e superioridade. Me encolhi, sentindo ele me apertar contra a porta fria. - Eu tentei ser bom com você... Tentei mesmo...
- TENTOU? AQUILO QUE QUASE ACONTECEU COMIGO HOJE SERIA BOM? - lágrimas brotaram em meus olhos. - Eu sentir algo ou não por você não te dá o direito de achar que pode controlar a minha vida.
Ele saiu de perto, ficando de costas. Parecia refletir sobre algo. Continuei a falar.
- Eu fui uma tola em achar que você era uma pessoa boa, fui ainda mais tola em achar que um dia... Que um dia poderia ter algo sério com você. - uma risada ecoou no quarto. Sim, ele ria de mim.
- Como você gosta de construir castelos. - voltou a ficar de frente pra mim, dessa vez com uma certa distância. - Eu não sinto nada por você, eu não te amo. Se por acaso faço sexo com você é por pura vontade, só por fazer. Pare de sonhar. - encarei-o, tentando ao máximo controlar o mar de lágrimas que imploravam para sair de meus olhos.
Aquela foi a gota d'água.
- Quer saber? Me mata! Vai, me mata de uma vez. - larguei meus braços no ar. - Eu não quero mais fazer parte disso. - ele sacudiu a cabeça negativamente, continuando parado. Fui até e comecei a dar socos em seu peito, o que o assustou um pouco. - Anda, acabe logo com isso. Você mesmo disse, se eu não lhe ajudasse, iria dar um jeito, não é? Acabe comigo agora! - senti uma dor em meus dedos ao acertar seu tórax com força. Ele se mantinha imóvel, piscou algumas vezes e então me segurou pelos braços com agressividade.
- Pare de ser ridícula. - disse pausadamente.
Antes que eu pudesse dizer algo, sua boca se chocou com a minha, sua língua ignorou qualquer barreira e já se misturava com o interior de minha boca. Recuei um pouco, tentando me soltar, mas logo aquele efeito que ele ainda provocava em mim começou a se manifestar. As mãos fortes em minha cintura faziam com que nossos corpos quase se fundissem. Parou o beijo e me encarou, sua respiração estava acelerada e meus lábios formigavam.
- Por que... Por que você é tão... - seu indicador que foi colocado em minha boca me impediu de continuar.
- Talvez um dia você descubra. - a raiva não estava mais em seu rosto. Por um instante poderia jurar que vi tristeza em seu olhar. Ele se afastou, abrindo a porta e saindo em seguida. Voltei para cama e desabei a chorar, molhando o travesseiro e sentindo as lágrimas grossas e quentes correrem livres por meu rosto.

O sol entrava pela janela aberta do quarto, me fazendo virar o rosto. Era terça, o dia em que as coisas mudariam talvez para sempre. Vesti a calça jeans que havia colocado sobre a cama e a blusa vermelha de mangas. Não tinha vontade de me olhar no espelho, não queria encarar a verdade. A televisão estava ligado e ao fundo de um programa que eu não reconheci tocava uma música. Uma parte da letra me chamou atenção.

Searching for the truth in your eyes
Procurando pela verdade nos seus olhos
Found myself so lost to recognize
Me encontro tão perdida pra ser reconhecida
The person now that you, you claim to be
A pessoa que agora você diz ser
Don't know when to stop, where to start
Não sabe quando parar ou quando começar
You're just so caught up to who you are
Você está tão apegado a quem você é
Now you're far too high for me to see
E agora você está muito alto para eu poder ver

Suspirei, sentindo uma pontada em meu peito. Aquela música só podia ter sido feito pra mim, feita para aquele momento.

I'd never thought that we'd come to this
Eu nunca pensei que chegaríamos a esse ponto...

- Já está pronta? - apareceu na porta, me acordando de pensamentos. Sua expressão se tornou séria quando ele notou a minha. Mas simplesmente ignorou, pegou uma mala que estava no canto do quarto e caminhou até a porta novamente. Lançou um olhar sério para mim, fazendo sinal com a mão para que eu saísse também. Sem questionar, deixei o quarto, não me preocupando se a porta estava aberta ou não. Caminhávamos em silêncio. Desde aquela última briga em meu quarto, mal havíamos nos falado direito, ele não ia até o quarto e eu raramente descia. Algo havia mudado, tanto nele quanto em mim, eu só não sabia o que era. Saímos pela porta que dava para o jardim e percebi que Jared, James e Ian estavam em frente a um carro preto. Se indireitaram ao perceber que estávamos chegando perto. Jared me lançou um olhar estranho e eu preferi desviar o meu.
- Entre! - disse para mim, abrindo a porta.
Entrei no veículo sendo seguida por ele e por James, que ficaram nos bancos de trás comigo. Jared entrou pelo morotista e Ian pelo passageiro. Nada superaria a tensão que se encontrava ali. Eu me sentia pesada, observada e com uma terrível sensação de repulsa ao ver o olhar de Jared me observar pelo espelho do carro. O carro ganhou movimento e logo eu percebi que já estávamos longe da rua da casa de . Eles conversavam sobre algo que eu não conseguia prestar atenção. Me mantive imóvel, encarando a paisagem que passava rapidamente pelo carro que estava em alta velocidade.
- Acha que dessa vez vamos conseguir? - Ian perguntou, virando o pescoço para encarar .
- É claro que sim! - sua voz estava alta demais, o que me desesperou. - Dessa vez eu vou ter o prazer de olhar nos olhos daquele babaca e fazê-lo perceber que mexeu com a pessoa errada.
- É uma pena pra família ! - Jared falou, rindo em seguida, demonstrando que não estava preocupado com família nenhuma, na verdade.
... - Já posso imaginar ele pedindo pra que eu não faça nada, cara, eu já posso ver a cara branca dele se contorcendo de dor e lágrimas caindo dos seus olhos, feito um bichinha. - senti nojo ao ouvir aquilo sair da boca de . Mas eu precisava perguntar uma coisa, uma coisa que chamou minha atenção e que eu torcia com todas as forças para que a resposta não fosse a que eu imaginava.
- Qual é o nome desse homem? - perguntei, a voz tão baixa que eles poderiam até nem ter escutado.
- . . - o nome saiu com certa repugnância da boca de , que ganhou um olhar de raiva em seguida.
Meus olhos se arregalaram e meu coração acelerou. Não, não podia ser verdade. Respirei fundo e tentei me recompor, aquela deveria ser uma simples coincidência.
- Eu... preciso ligar pra um amigo... Avisar que...
- Não, você não vai ligar pra ninguém. - ele disse, me olhando, como se aquilo fosse óbvio.
- Ele vai ficar preocupado comigo... Eu só vou dizer que vou fazer uma viagem de trabalho. - olhei suplicante para que revirou os olhos e pegou o celular que estava com James. Entregou ele para mim, me observando.
Tentei me lembrar dos números, mas minha cabeça estava em plena confusão, aquilo não seria fácil. Chutei uma sequência de números, ouvindo chamar em seguida.
- Alô?
- Mike? - pedi, tentando controlar minha voz o maximo que podia.
- ? Onde é que você está? Caramba, eu tô te procurando há dois dias e...
- Mike, eu tenho que fazer uma... - olhei para que prestava atenção em minha conversa. - Viagem de trabalho, vou demorar uns... Acho que três semanas.
- O quê? Como assim? Mas...
- Tchau, Mike, preciso desligar.
Entreguei o telefone de volta para .
- Mike, hein? Seu namorado? - ele disse, rindo em seguida.
- E se fosse, o que isso importaria a você? - respondi sem prestar atenção no que dizia, encarando a janela.
- Tem razão, tanto faz.

Flashback – 6 anos atrás.
Narrativa em 3ª pessoa.

O pátio da escola estava lotado, o sinal havia acabado de tocar e os corredores estavam cheios de alunos, alguns em seus armários e outros andando despreocupados com o horário.
A menina surgiu meio desajeitada, os jeans surrados em um tom claro, a camiseta preta de alguma banda não identificada, o all star preto completamente gasto. Os cabelos pretos meio desgrenhados e feitos em um coque frouxo. A maquiagem em seus olhos era forte e borrada de propósito. Os fones em seus ouvidos, com o volume mais alto do que deveria indicaram que ela estava ouvindo Oasis. Parou em seu armário, abrindo-o com dificuldade. Guardou alguns livros e o fechou. Abaixou o olhar ao perceber que um grupo de garotas com roupas curtas e cabelos exageradamente loiros a encarava. Os dedos nervosos mudaram a música, agora uma mais agitada, ela cantarolou um trecho junto.
- Hey! Me espera! - um garoto ruivo, com sardas pelo rosto e vestido no mesmo estilo que ela disse, ficando ao lado da garota.
- Oi, Mike. - disse distraidamente, sem olhar para o amigo.
- Você... Você tá sabendo do baile? - ele coçou a nuca, meio sem graça. A verdade é que ele queria muito convidá-la para o baile que a escola realizaria no final do semestre. Todos os preparativos estavam sendo feitos e aquilo irritava a garota.
- Quem é que não sabe dessa porcaria? - ela disse brava, roendo uma das unhas que continham um esmalte preto descascado.
- Você quer ir... - ele ia dizer, até que um batalhão de garotos passou correndo por eles, fazendo os dois livros que a menina carregava caírem no chão.
- Filhos de uma puta! - ela xingou, se abaixando e recolhendo seus livros. - O que você dizia, Mike? - o garoto ficou sem graça novamente e seu rosto assumiu uma expressão triste.
- Esquece, falo com você depois. - virou o corredor, entrando na última sala onde metade dos alunos estavam para fora.
Ela continuou a caminhar, já que sua sala era uma das últimas.
- Olha só a roqueira nojenta. - ouviu uma voz familiar falar atrás de si, bufou ao perceber quem era. Preferiu não falar nada, apenas deu de ombros.
- Ora, não vai me dar atenção hoje, bonequinha das trevas? Quem vai te levar pro baile? Um cadáver? - todos que estavam ao redor começaram a rir loucamente.
- Deixa ela, cara. - um deles, que estava meio longe pediu, olhando em dúvida para a menina.
- Fica na sua, .
- Cala a boca, Carter, cuide da sua vida! - ela disse, agressiva. Avançando para cima do menino. Balançou a cabeça negativamente ao perceber que aquilo não valia a pena. Mostrou o dedo do meio para todos que estavam ali e entrou em sua sala.

- ? - a acordou de seus pensamentos, enquanto estava sentada em uma das mesas do pátio. Estava sozinha como sempre, com um livro entre as mãos e os fones nos ouvidos.
- Que foi? - ela o fuzilou com o olhar. Por dentro sentiu uma coisa estranha no estômago. Ela não sabia porque ficava daquele jeito quando via , mas preferia ignorar aquilo.
- Desculpe pelo Carter, ele exagera às vezes.
- Às vezes? - disse alto.
- Bom, desculpa. Tchau. - ela mordou o lábio ao ver o garoto se afastar e um impulso a fez gritar seu nome.
- ! - ele olhou para atrás e ela fez sinal com a mão para que ele se aproximasse.
- Sim?
- Você... Bom, você... Gostaria de ir ao baile comigo? - sua mente a xingava de todos os palavrões possíveis por ter dito aquilo, mas já estava feito. engasgou e disfarçou, olhando em volta. Melissa, uma garota loira que usava uma saia jeans curta e uma blusa rosa decotada olhou pra ele do lugar que estava e sorriu maliciosa.
- Você tá brincando com a minha cara, né? Eu? Ir no baile com você? Que piada! - riu alto, deixando a menina sem entender.
- Qual é o problema?
- Você é o problema, sua estranha. - olhou debochado para ela, se afastando e indo ao encontro da loira. Ela o abraçou e logo a beijava com vontade. Tudo isso na frente de .
- Um dia você vai se arrepender de ter dito isso. - simplesmente soltou as palavras, amassando uma das folhas do livro que lia.

/Flashback


FIVE

(n/a: Coloque essa música para carregar, dê play quando a letra aparecer.)


Eu não conseguia me mover, estava escuro e tudo que conseguia enxergar eram pontos brilhantes passando rápido por minha visão. Um vento forte fazia meus cabelos se bagunçarem e eu tentava sair dali.
Então, ao longe, avistei . Ele estava em fúria e corria em minha direção. Virei para o outro lado ouvindo um grito e avistei outro homem, esse não corria, mas também tinha uma expressão ruim. Os dois ficaram próximos de mim e começaram a se encarar como dois leões prontos para uma briga. De repente, senti minhas pernas sendo soltas e consegui correr até um deles, o que eu não conhecia. Chegando perto, levei um susto ao reconhecer aquele rosto, aquele rosto que eu lutei para deixar guardado junto com minha adolescência em um passado que já não importava mais. Só que diferente de como eu me lembrava, seus cabelos agora estavam mais curtos, suas roupas eram mais formais e seu corpo estava completamente definido.
Era ...
Ao chegar perto dele, senti uma mão segurar meu braço, virei bruscamente e dei de cara com , que olhava agressivamente para nós dois. Os olhares se fuzilando só fizeram com que o meu pânico aumentasse. Foi então que o vi tirar uma arma de seu bolso, meus olhos se arregalaram de novo e eu gritei com todas as minhas forças para que ele parasse com aquilo, mas ele pareceu não me ouvir. Avançou até e apontou a arma para seu peito, ficou rígido e olhou em dúvida para mim.
Mas algo me impediu de ver o resto daquela cena, minha visão foi ficando branca e depois preta. Um barulho alto, seguido de um zumbido atingiu meus ouvidos, tentei tampá-los, mas minhas mãos não saíam do lugar.
Algo segurava meus braços, tentava fazer com que eu me movesse, mas era inútil.


- Porra, , acorda! - abri os olhos, respirando fundo em seguida. Minha testa estava suada.
- Ela dormiu demais, cara... Deu até tempo de chegar sem que ela acordasse. - James disse, saindo do carro.
- Ou isso tudo foi medo do avião? - me encarou, sorridente.
Avião? Mas que diabos de avião, nós...
- Bem vinda a Los Angeles! - ele disse, estendendo a mão para que eu a segurasse. Nós já estávamos em Los Angeles e eu simplesmente não conseguia lembrar de nada da viagem. Não me lembrava de chegar ao aeroporto, de entrar no avião...
- Vai sair daí ou não? - ele disse, impaciente. - segurei sua mão, saindo do carro em seguida. Aquele sonho ainda martelava em minha cabeça.
Entramos em outro carro - ainda mais luxuoso - e dessa vez foi para o banco do motorista. Ainda meio atordoada, abri uma das portas do carro sem esperar que alguém abrisse pra mim e entrei, sentando-me no banco do passageiro. Os outros três sentaram-se atrás, eufóricos por finalmente terem chegado. Ele deu a partida, dando uma ré exagerada que quase fez com que o carro batesse em outro. Jared riu alto, pegando uma garrafa de cerveja e abrindo em seguida.
- Hey, seu idiota, vê se não vai acabar com todas. - ele disse, se fingindo de sério. Por um momento, sua expressão me deu vontade de rir. Uma de suas mãos foi até o aparelho de som do carro, ele apertou alguns botões e logo uma música com a batida forte começou.
- Hysteria? - eu disse, olhando pra ele com um meio sorriso.
- Você gosta do Muse? - ele me perguntou, se balançando junto com as batidas da música.
- Gosto até demais. - eu disse, tomando a liberdade de apertar o botão do volume e aumentando ainda mais a música.
- Essa é a que eu conheço. - adotou um olhar malicioso, escorregando uma das mãos por minha coxa coberta pelo jeans. Apertou ela com certa força, me fazendo fechar os olhos.
- Mal posso esperar pra chegar ao hotel... - ele sussurrou, para que os outros não escutassem. Apenas virei meu olhar, fazendo charme. Ele tirou a mão de minha coxa e voltou a se fixar no volante.
O jogo havia começado.

Durante o caminho não perguntei para onde estávamos indo, provavelmente para um hotel, isso não importava. Não demorou muito até o carro parar em frente a um enorme prédio. E quando eu digo enorme, é enorme mesmo. Olhei boquiaberta da janela. Era incrível, deveria ter uns 30 andares ou mais. A pintura era toda trabalhada, em tons de azul escuro e detalhes em branco. As janelas completamente enormes em cada andar, a entrada parecia um jardim, com tantas plantas. Carros luxuosos transitavam pelo local e pessoas bem vestidas passavam tranquilamente por ali, cheguei até a ficar com vergonha, afinal meus trajes não eram dos melhores. Descemos do carro, deixando as bagagens para os outros trazerem e me conduziu até a entrada, que dava acesso ao Hall.
Ao entrar lá, meus olhos brilharam, assim como tudo que se encontrava naquele lugar. fez um sinal com a mão para um rapaz uniformizado que estava no saguão e me guiou até um enorme elevador. Entramos, ele apertou o botão que indicava "andar 27" e se manteve quieto ao meu lado.
- Uau... - consegui dizer, depois de algum tempo.
- É, meu pai fez um bom trabalho aqui. - ele dizia, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Olhei incrédula para ele, que começou a rir da minha cara.
- Esse hotel é do seu pai? - não consegui esconder a surpresa em minha voz e quando percebi já estava próxima demais dele.
- Sim, sim, é dele. - ele sorriu abertamente, colocando as mãos em minha cintura. - Mas hoje e durante um tempo é nosso. - mordeu o lóbulo da minha orelha, me fazendo arrepiar. - Um elevador, hm? - mordiscou o mesmo local, colocando pressão em suas mãos e me encostando em uma das paredes.
- Parece muito... - tomei fôlego, seu olhar encontrou com o meu - Sexy...
A porta do elevador se abriu, revelando uma enorme porta na cor marrom com os detalhes em dourado.
- Mas na cama desse quarto é muito, muito melhor. - me puxou pela mão. Passou um cartão, que eu não havia o visto pegar lá em baixo - por um compartimento da porta e logo a mesma se abriu. Mais uma surpresa ao ver aquele quarto. Ainda mais bonito que o da própria casa dele, tinha uma janela que provavelmente daria para ver uma bela paisagem, os moveis claros e assustadoramente enormes, na cama caberiam muito bem umas cinco pessoas.
- Você se admira com pouco - ele jogou o cartão pelo chão e foi até a cama, deitando-se nela. - Ah, isso é ótimo! - fiquei olhando para ele, em dúvida de ir até a cama ou não.
- Vem aqui, , não vai me deixar sozinho na cama, né? - senti um arrepio ao ouvi-lo dizer meu nome. Aquilo era raro e simplesmente delicioso de se ouvir.

Well is it still me that makes you sweat?
Ainda sou eu quem te faz suar?
Am I who you think about in bed?
Eu sou quem você pensa quando está na cama?
When the lights are dim and your hands are shaking as you're sliding off your dress?
Quando as luzes estão turvas e suas mãos estão tremendo enquanto você desliza seu vestido?
Well Then think of what you did. And I hope to God he was worth it.
E de pensar no que você fez, e como eu rezo à Deus para que ele tenha valido a pena.
When the lights are dim and your heart is racing as you're fingers touch your skin.
Quando as luzes estão turvas e seu coração está acelerado enquanto seus dedos tocam sua pele.

Antes que eu pudesse me deitar na cama, suas mãos ágeis me puxaram. Ele me deitou, ficando em cima de mim, sem soltar muito seu peso. Sua boca logo beijava e mordiscava meu pescoço, me fazendo suspirar alto embaixo dele. Foi descendo os beijos pelo meu colo e parando onde o decote da blusa vermelha terminava, olhou para mim, dando um daqueles sorrisos que eu tanto amava em seguida. Puxou a blusa pela barra, levantando-a, eu o ajudei e tirei a peça de roupa rapidamente, jogando ela no chão. Suas mãos logo estavam em meus seios, ainda cobertos pelo sutiã branco de renda. Se abaixou, começando a distribuir beijos por toda a minha barrida, mas suas mãos preferiam ficar em meu busto. Logo elas começaram a se movimentar e meu sutiã foi puxado até que finalmente cedeu e se abriu sozinho, ele o jogou longe e voltou a beijar minha barriga. Minha cabeça já estava rodando, meus olhos não conseguiam mais ficar abertos, tudo que eu conseguia fazer era soltar gemidos baixos e tentar respirar.
Sua boca parou no cós da minha calça, seu olhar subiu até meu rosto e ele me lançou um olhar intrigante, pouco me importava o que queria dizer. Suas mãos frias passaram por minha barriga, arrepiando meu corpo por completo, chegaram até o zíper da calça e foram fazendo com que ele descesse rapidamente, sem demoras ele abaixou minha calça e eu senti um frio gostoso ao perceber que estava só de calcinha. Voltou sua atenção para mim, após jogar a calça longe e colocou um dedo de cada lado da barra de minha lingerie. Soltei um grunhido, impaciente com as provocações dele, minha calcinha foi se abaixando e eu já estava nua. Nua nas mãos dele, mais uma vez. Levantou seu tronco, abrindo sua camisa em seguida. Ele não podia fazer aquilo depois? Não percebia a minha situação? Mas mordi o lábio inferior ao ver seu abdômen definido e tão convidativo.

I've got more wit, a better kiss, a hotter touch, a better fuck
Eu tenho mais inteligência, um beijo melhor, um toque mais sensual, um sexo melhor
than any boy you'll ever meet, sweetie you had me.
Do que qualquer garoto que você jamais conhecerá, querida, você me teve.
Girl I was it look past the sweat, a better love deserving of
Garota eu fui quem você olhava passado o êxtase, um merecedor do seu amor
Exchanging body heat in the passenger seat?
Trocando calor corporal no banco do passageiro?
No, no, no you know it will always just be... me
Não, não, não você sabe que sempre será somente... eu.

Suas mãos se posicionaram em minhas pernas, fazendo com que elas se abrissem. Ficou sobre elas e começou a acariciar o interior de minhas coxas, passando as unhas curtas de leve.
Sua língua em minha intimidade me causou um choque e um grito abafado escapou de minha boca. Ele se divertia passeando com a língua pelo meu clitóris, me deixando atordoada e sem saída a não ser agarrar a colcha da cama com força. Sugava minha vulva me provocando espasmos de prazer, apertei os olhos com força ao sentir seu dedo me penetrar sem aviso prévio. Movimentou-o com vontade, percebendo que minha vagina já se contraia sob as caricias deliciosas que ele fazia.

Let's get those teen hearts beating. faster, faster!
Vamos bater esses corações adolescentes mais rápido, rápido!

Gemi alto ao sentir que meu ponto máximo havia chegado, ele ainda mantinha seu dedo em minha intimidade, movimentando-o agora mais devagar, até que o tirou completamente. O puxei pelo braço, chocando nossas bocas. Aquele estava sendo o beijo mais quente de toda minha vida. Sua língua ágil massageava a minha, enquanto minhas mãos procuravam desesperadas pelo zíper de sua calça. Puxei-o com raiva, e ele riu entre o beijo, me ajudando a abri-lo, levando sua boxer junto.

So testosterone boys and harlequin girls
Então, garotos testosterona e garotas arlequim
Will you dance to this beat, and hold a lover close?
Vocês vão dançar nesse ritmo e segurar seu amado perto? (2x)

Ele já ia pegar sua calça para pegar uma camisinha no bolso, mas eu coloquei uma de minhas mãos em seu pescoço, o impedindo de sair de cima de mim. Fiz um sinal negativo com a cabeça e aproximei seu rosto do meu.
- Agora é a minha vez... - joguei seu corpo para o lado, me posicionando e ficando em cima dele. Comecei a fazer o mesmo que ele fez comigo, beijando com vontade sua barriga bem definida, sentindo-a se contrair em cada canto que minha boca passava. Segurei um gemido ao ver seu membro completamente ereto. Comecei a acariciá-lo devagar enquanto já começava a adquirir uma respiração falha. Sem esperar mais, fui colocando seu pênis em minha boca, ainda o segurando com a mão. Dei bastante atenção a glande e continuei a masturbar toda a extensão com as mãos. Ele gemia alto e dizia meu nome várias vezes, o que me fez aumentar gradativamente os movimentos, ele colocou uma das mãos em minha cabeça, tentando pedir para que eu parasse, pois não aguentaria por muito tempo.

So I guess we're back to us, oh cameraman, swing the focus!
Então eu acho que estamos de volta para nós, oh câmera, ajeite o foco!
In case I lost my train of thought, where was it that we last left off?
No caso de eu perder minha linha de pensamento... onde estávamos mesmo?
(Let's pick up, pick up)
(Vamos nos apressar, apressar)

Oh, now I do recall, we just were getting to the part...
Oh, agora me lembro, nós estávamos indo para a parte...
Where the shock sets in, and the stomach acid finds a new way to make you get sick.
Onde o choque entra em cena, e o ácido estomacal acha uma maneira de te fazer você ficar enjoado
I sure hope you didn't expect that you'd get all of the attention.
Eu desejo que não espere ter toda a atenção
Now let's not get selfish
Agora não vamos ser egoístas
Did you really think I'd let you kill this chorus?
Você realmente acha que eu deixaria você acabar com o refrão?

Sorri, saindo de cima dele em seguida. Fui até sua calça que estava no chão e vasculhei em um dos bolsos, achando o pacotinho. Ele se sentou na cama, me encarando com certo desespero no olhar, achei aquilo muito bom, se quer saber. Abri o pacotinho com toda a paciência do mundo só para provocá-lo mais ainda, mas ele foi ágil e pegou o mesmo de minha mão, tirando a camisinha e colocando-a. Puxou-me bruscamente pela cintura, me fazendo sentar em seu colo. espalmou as mãos em minhas nádegas, me puxando para cima e depois para baixo. Fechei os olhos ao senti-lo me penetrar por completo e entrelacei minhas mãos em seu pescoço já coberto de suor. Ele não se importava nem um pouco se não estava sendo delicado e eu não ligava a mínima para isso, finquei minhas unhas em seus ombros, dizendo seu nome em meio a gemidos.
Movimentei meu quadril, provocando espasmos de prazer em nós dois. Afundei meu rosto em seu pescoço, inalando aquele cheiro tão maravilhoso que ele tinha. Suas mãos não desgrudavam de meus quadris, os bicos eretos dos meus seios roçavam em sua pele, me causando ainda mais prazer, se é que isso fosse possível.
Apenas mais três investidas foram necessárias para que eu chegasse ao ápice, mas continuei me movimentando mais lentamente, até que ele pendeu a cabeça sobre meu ombro, respirando fundo. Seu peito subia e descia de uma forma frenética. Eu conseguia sentir seu coração bater em minha pele.

Let's get these teen hearts beating faster...
Vamos bater esses corações adolescentes mais rápido...

Saí de seu colo, me jogando na cama, recuperando o fôlego aos poucos. O vi sorrir, ainda sentado e fiquei admirando aquilo. era realmente uma pessoa que despertava muito a minha curiosidade. Ele conseguia ser a fúria em pessoa e minutos depois se tornar alguém completamente agradável. Isso fazia aquela droga de sensação de borboletas no estômago tomar conta de mim. Como se eu fosse uma adolescente... Chegava a ser patético.
- Você vai ficar me olhando por quanto tempo? - sua voz rouca disse, olhando pra mim em seguida.
- Não, eu só... - me surpreendi ao vê-lo se deitar perto de mim e envolver os braços em minha cintura, depositando o queixo em meu ombro. - Estava pensando...
- Pensando no que?
- Em como minha vida deu uma virada... É estranho.
Ele ficou quieto, apenas olhando para o nada, como se estivesse processando o que eu tinha acabado de dizer. Nosso silêncio nem um pouco confortável foi quebrado pelo celular de , que começou a tocar alto. Ele me soltou, se levantando e pegando sua boxer. Caminhou até a calça e tirou o telefone de lá, atendendo em seguida. Sua expressão era séria, até que um sorriso surgiu em seus lábios, e ele fez uma espécie de sinal de comemoração com as mãos.
- Vocês acharam mesmo? Ah, Jared, foi mais fácil do que eu imaginei. Porra! Sim, sim, amanhã. - foi caminhando pelo quarto, de costas para mim. - Sim, hoje vocês estão liberados pra fazer o que quiserem, amanhã nos encontramos em frente ao hotel. - ele desligou, se virando pra mim em seguida. Caminhou de novo até a cama, parando ao meu lado.
- Nós encontramos a casa do . - disse, como se eu tivesse perguntado alguma coisa. Seus olhos brilhavam de um jeito estranho e tudo que eu consegui dizer foi um "hm"
- Eu tô com fome... - ele trocou de expressão assustadoramente rápido e passou uma das mãos pela barriga. Se eu não estivesse meio tensa com a notícia que ele havia me dado, com certeza teria rido. - Merda, cadê o serviço de quarto com o meu jantar! - saiu de perto de mim de novo, indo até um telefone branco que ficava na parede perto do banheiro. Apertou um único botão e disse que se tratava de e que ele queria um jantar para duas pessoas. Voltou para a cama, deitando-se nela de novo.
- , amanhã você vai poder sair! - ele disse, como uma criança. - Irei te livrar um pouco da minha companhia chata e desagradável... - como se ele não soubesse que eu nunca acharia isso.
- Como assim? - pedi, pegando sua camisa que estava perto da cama e colocando-a.
- Bom, amanhã o James vai te levar até o lugar que... o mora! - mais uma vez aquela comemoração infantil tomou conta de .
- Ah, que bom, liberdade! - imitei o jeito dele, rindo sem humor algum em seguida.
- É uma recompensa pelo que você me proporcionou hoje... E, a propósito, adorei minha camisa em você.
É, a sedução em pessoa entrou em ação mais uma vez, me fazendo corar.
Alguém bateu na porta e ele se levantou de novo, foi até lá e pegou uma bandeja móvel, fechando-a logo.
- Hmm, vamos comer! - ele encostou a bandeja na cama, pegando as duas bandejas menores em seguida. - Ravioli de frango e champagne? Como adivinharam que eu adoro essa combinação? - riu, mais uma vez me lembrando uma criança ao ver que a mãe preparava seu prato favorito.
Meu estômago roncou, e eu logo peguei uma das bandejas. Ele pegou um controle que estava em um criado-mudo e ligou a televisão que deveria ter umas 42 polegadas e eu nem tinha percebido a existência dela naquele quarto. Mudou rapidamente de canal, parando em algo que só podia ser um filme pornô. Olhei incrédula para ele, que desatou a rir em seguida.
- Certo... Não vamos ver isso. - mudou de canal.
- Ainda bem, você não me faria ver duas loiras e um gay magrelo se... - enfiei um ravióli na boca, sem terminar minha frase.
- Você não precisa ver essas coisas, eu estou aqui e podemos fazer muito melhor que eles... Bando de amadores! - deu de ombros, começando a comer e eu quase engasguei, rindo em seguida.
O restante da refeição foi quieta, exceto pela voz fina de algum desenho animado que passava na televisão. colocou o prato sobre a bandeja novamente, pegando a champagne e duas taças, fiz o mesmo com o meu prato também e peguei uma taça de sua mão. Ele a abriu, com um pouco de esforço e deixou que um pouco da espuma caísse sobre a cama, colocando uma quantidade razoável em minha taça e depois na sua. Quando ia guardar a garrafa, tombou-a para o lado, fazendo que um pouco do conteúdo caísse sobre minha perna descoberta. Gemi, sentindo o champagne gelado escorrer por ela, ele sorriu, encarando minha perna.
- com champagne deve ser uma delí... - dei um tapa em seu braço, limpando a pequena travessura dele. - com champagne e uma dose de agressividade, que coisa boa! - ele disse alto, se esquivando de mim antes que levasse mais um tapa.
- Ah, é? - olhei para o resto que continha em minha taça e joguei nele, vendo o champagne escorrer por seu abdômen. - Estamos quites, Senhor ! - pisquei pra ele.
- Ninguém mandou você me sujar com isso, então agora vai ter que tomar banho comigo... Já que estamos "quites" - fez aspas com os dedos.
E pela primeira vez desde que me envolvi naquele problema, estava sendo divertido. Estava sendo bom.

SIX


Desci pelo elevador, percebendo que o saguão do hotel estava praticamente vazio. Por que ficar aqui quando podem aproveitar seus quartos maravilhosos, não é? Coloquei óculos escuros e caminhei até a entrada. Jared estava parado do outro lado da rua, encostado no carro, seu olhar ficou sério quando encontrou com o meu. Não, merda, ele que iria me levar? Maldição.
- Olá! - me abraçou por trás, me dando um susto. Aproximou a boca de minha orelha e sussurrou. - Posso contar com você hoje? - fiz que sim com a cabeça, me soltando dele e caminhando até o outro lado da rua. Sem esperar nada, entrei pelo banco do passageiro, vendo que ele conversava com Jared, parecia estar dando instruções de algo para ele, pois gesticulava com as mãos. Sorriu, olhando pra mim e em seguida atravessou a rua, entrando no hotel novamente. Minhas mãos estavam geladas, eu estava com medo de estar no mesmo carro que Jared, sozinha com ele. Não guardava boas recordações daquele homem. Ele entrou no carro e girou a chave na ignição, logo já estava virando a esquina.
Silêncio.
Eu já não sabia onde estávamos, afinal, eu não conhecia aquele lugar, só consegui perceber que o lugar era composto apenas por prédios comerciais e residências, nada além disso. As ruas eram calmas e era raro ver pessoas comuns transitando por ali.
- Me desculpe. - levei um susto ao ouvir a voz de Jared. Dessa vez, ela não era grosseira como quando estávamos na casa de , era normal, talvez até culpada.
- O quê? - eu disse, atordoada.
- A merda que eu tentei fazer com você, me desculpe mesmo. - ele não podia me encarar, pois estava no volante, mas senti que suas palavras eram sinceras.
- Hm... Tá certo, esquece isso. - respirei fundo, sentindo uma ponta de alívio ao ouvi-lo dizer aquelas palavras.
Toda aquela demora estava começando a me incomodar, só Deus sabia onde o tal morava... Sim, eu preferia falar assim, às vezes nem era a mesma pessoa que eu tanto imaginava. Talvez fosse só uma coincidência de nomes. Mesmo assim, aquilo era horrível, saber que eu teria que tentar seduzir alguém por motivos de vingança... E onde é que o conseguiu essas informações sobre ele? Quanto mais eu pensava, mais eu me assustava com as coisas que poderiam acontecer. O carro parou subitamente, e eu olhei sem entender para Jared, talvez a gasolina tivesse acabado, ou coisa pior... Ele olhou para mim, em silêncio. Respirando pesadamente em seguida.
- Tome cuidado. - as palavras saltaram de sua boca, de uma maneira que não ficou muito explicada. - Ele não é o que parece ser... - fiquei tentando entender o que ele quis dizer com aquilo.
- Por que você parou o carro?
- Por que isso é loucura! Olha, senhorita ...
- ! - eu o corrigi.
- Como quiser... Isso é loucura... Você tem noção do que ele quer fazer? Já parou pra imaginar? - me arrepiei com as cenas das possíveis coisas que planejava, que vieram em minha cabeça.
- Não é estranho você estar me falando isso? Você trabalha pra ele. - minha voz estava alta.
- Eu não tenho escolha... - virou o olhar para baixo, balançando uma das pernas em seguida. Estava tenso.
- Não? Jared... Por que você trabalha pra ele? - fiquei com medo da resposta que receberia.
Ele fez com que o carro se movimentasse de novo, encarando a rua vazia. Mantive-me parada, encarando seu rosto. Ele me ignorou e continuou a dirigir. Depois de alguns sinais vermelhos, ele parou o carro novamente em frente a um prédio um pouco menor do que o hotel em que estávamos. A fachada era cinza, não muito luxuosa, mas bonita e bem cuidada.
- Faça o que tem que fazer. - ele disse, passando uma das mãos no cabelo. - Não irrite o , falo sério.
- Você me deve uma resposta! - eu disse, abrindo a porta do carro em seguida. Ele deu a volta e foi até o final da rua, parando o carro em uma esquina. Levantei minha cabeça, imaginando o que me esperava lá em cima. Peguei o pequeno papel em meu bolso que continha o número do apartamento e o que eu deveria dizer.

Depois de inventar uma desculpa para o porteiro, entrei no elevador, apertando o botão do andar indicado no papel. Meu estômago dava cambalhotas e minhas pernas queriam sair imediatamente dali. E se fosse ele? E se fosse o garoto que me deu o fora? Não, não podia ser. Era só o maldito nome que era igual, só isso. Deveria ser um homem mais velho, talvez até com mais de 40 anos, eu lá saberia o tipo de pessoa com quem se metia?
As portas do elevador se abriram, indicando um ambiente branco, com várias portas espalhadas por um enorme corredor. Engoli em seco, esfregando minhas mãos. A cada passo que eu dava, uma memória de minha adolescência surgia em minha mente como um pequeno filme. Tentei me livrar daquilo, respirando fundo várias vezes. Dei de cara com a porta que continha o número anotado no papel, passei as mãos freneticamente em meus cabelos, procurando calma dentro de mim, mas não encontrei, toda a minha calma tinha ficado em Londres. Mentalizei tudo que deveria dizer, não importava quem atendesse aquela porta. Não estrague tudo, , não estrague.
Toquei a campainha que ficava do lado da porta. Nada... Talvez não estivesse em casa, isso me causou um alívio que logo se transformou em surpresa, confusão, medo, raiva...
- Sim? - abriu a porta, me olhando confuso. - tive que me segurar na parede, ou cairia.
Era ele, era ... Eu nunca poderia esquecer aquele rosto, aquele cabelo que agora estava mais curto, porém continuava tão convidativo. Suas feições continuavam as mesmas, apenas um pouco mais adultas, seu corpo estava definido e uma camisa vinho junto com uma calça jeans escura o cobria. Meus lábios estavam trêmulos, minhas pernas queriam vacilar, mas eu balancei a cabeça rapidamente e tentei lidar com aquilo.
- Hm... Eu preciso de ajuda. - eu disse, soltando o ar o mais devagar que conseguia.
- Ajuda? Em quê? - ele deveria estar começando a pensar que eu era uma louca ou que estava passando mal, porque eu deveria estar mais branca que o papel em meu bolso.
- Meu... Meu primo, estou procurando o apartamento do meu primo. - olhei para as outras portas. - Ele me disse que morava nesse andar, mas não o encontrei, acho que se enganou... - meus olhos ainda surpresos deveriam estar dizendo que aquilo era uma desculpa, mas ele sorriu, olhando em volta.
- Qual é o nome do seu primo? Talvez eu o conheça! - pensei em algum maldito nome.
- Carter! - soltei, antes de perceber o que eu tinha feito. Carter era amigo dele, Carter era o garoto que mais zombava de mim na escola.
- Nossa, eu tenho um amigo chamado Carter, mas ele mora em Londres.
Claro, o filhinho de papai ridículo ainda morava em Londres.
Por um momento, senti o nervosismo me deixar e fui tomada por um sentimento de vingança, ou algo do tipo.
- Não conheço nenhum Carter por aqui, sinto muito. - ele ia fechar a porta, mas eu fui mais rápida e coloquei o pé na mesma, deixando minha perna descoberta esticada. Ele a encarou, olhando meu rosto em seguida.
- Posso usar seu telefone? - pedi, mordendo o lábio. - ele pareceu pensar duas vezes antes de deixar que uma estranha entrasse ali.
- Claro, entre! - deu espaço para que eu entrasse, fechando a porta em seguida. Seu apartamento era grande, claro e confortável. Ele encostou-se a uma parede, esperando que eu fosse até o telefone. Fiz isso, discando um número qualquer em seguida. Apertei o botão que fazia a linha cair e fingi que conversava com alguém. O enganei por dois minutos, de costas, fingindo estar conversando com o meu suposto primo.
- Puxa, me enganei de prédio. - sorri, sendo acompanhada pelo riso dele. - Desculpe.
- Tudo bem... - ele disse, chegando um pouco mais perto. - Escuta, te olhando melhor... Nós nos conhecemos de algum lugar? - colocou a mãos no queixo, pensativo.
O filho da puta me achou familiar, então? Acho que a falta de maquiagem preta, cabelos bagunçados e aparência roqueira fizeram com que ele não percebesse.
- Hm, não sei, vejamos... Como se chama? - como se eu não soubesse.
- , mas pode chamar de . - nós estávamos em uma pequena distância um do outro, ele tinha os braços cruzados e eu tentava controlar minha perna que ainda se mantinha meio trêmula. - Qual é o seu?
- ... - sorri, mais para vingativa do que simpática. - .
Seus olhos se arregalaram e seu olhar ficou mais pesado sobre mim. Ele abriu a boca para falar, mas a fechou de novo. Começou a rir, encarando a janela. Onde diabos estava a graça naquilo?
- ... Não, não pode ser... Você...
- Você é o problema, sua estranha. - forcei uma voz masculina, cruzando os braços e mordendo o lábio em seguida. - Sua coleguinha roqueira, excluída da sociedade, deixe-me ver o que mais... Maluca, assustadora...
- Porra! - ele me interrompeu, se aproximando. O abraço inesperado fez com que meu coração acelerasse. Esse era um cachorro mesmo, hein? Me tratou como nada na escola e agora vem me abraçando? Francamente...
- Quanto tempo! - me soltou, ainda rindo em seguida. - O que você faz aqui?
- Como eu disse, eu tô atrás do meu primo e por outras coisinhas mais. - fiz uma expressão monótona.
- Puxa, você tá tão... Tão... - ele estava bobo, logo eu teria que colocar um babador em seu pescoço.
- Eu cresci, assim como você! - mexi em meu cabelo de propósito - Bom, já que Carter não mora aqui, vou indo. - fui até a porta. - Bom te ver de novo, ...
- Não! Espera! O que você faz aqui? - repetiu a pergunta. - em Los Angeles? - estava eufórico... Ainda.
- Eu trabalho, sou... - lembrei de e de tudo que havia acontecido. - Bem, estou aqui a motivos de trabalho. - ele sorriu, indo até a porta junto comigo.
- Olha, faz muito tempo que eu não encontro colegas da escola, quer ir tomar um café ou qualquer coisa comigo qualquer dia? - sorriu e, puta que pariu, aquele cara continuava sexy como sempre.
- A Melissa não vai se importar? - o peguei de surpresa, rindo por dentro de como ele ficou sem graça.
- A Melissa foi um namorico sem importância... - balançou a cabeça negativamente. - Onde você está morando? - fiquei em silêncio por um tempo, mantendo a expressão indiferente.
- Não te interessa onde eu moro... E, sim, aceito tomar qualquer coisa com você... - sorrimos juntos.
- Amanhã? - fiz que sim com a cabeça. - Me encontra aqui?
- Tudo bem, . Até mais. - fiz com que nossos corpos se chocassem de propósito, passando rapidamente pela porta do apartamento em seguida. Saí rebolando, sem olhar para trás.
Adoro um reencontro, espero que ele também. Se bem que... Aquilo não dependeria de mim como eu gostaria...

Depois de sair do apartamento de , convenci Jared a ir até uma cafeteria comigo. não precisava saber, precisava? Entramos, sentando em uma mesa afastada. A garçonete veio até nós, pedi apenas dois capuccinos. Encarei o lugar, que estava meio vazio, e depois virei meu olhar para Jared, ele não me olhava, estava tenso e provavelmente preocupado que o chefe descobrisse onde ele estava.
- Não fique assim... Você cumpriu com sua obrigação, eu acho. - nosso pedido chegou, esperei até a moça se afastar e bati na mesma tecla de antes. - Agora você pode me dizer?
- Pra atirar em sua cabeça não precisa de muito! - ele ignorou minha pergunta, distraído. Gelei com aquela revelação, imaginando se aquilo realmente era verdade, se ele já havia feito aquilo com alguém.
- Por que você trabalha pra ele?
- Você também trabalha pra ele, deveria perguntar isso a si mesma.
- Você sabe que é diferente, Jared. - dei um gole no conteúdo de minha xícara.
- Não tenho escolha, eu preciso desse emprego. - franziu o cenho, bufando em seguida. Fiquei em silêncio, esperando que ele falasse mais - Há um ano, meu pai saiu de casa, deixando eu, minha mãe e minha irmã mais nova desamparados. Ele não se importou com nada, não se importou que talvez nós até passaríamos fome. Com o passar do tempo, minha mãe foi ficando fraca e doente, até o dia que descobriu que sofria de uma doença rara do coração. Depois de muitos exames, ela descobriu que precisava tomar vários remédios para que não morresse. O problema era que esses remédios eram caros, tínhamos que escolher, ou os remédios para ela ou a comida dentro de casa. A situação cada dia ficava mais deplorável, minha irmã se tornou uma vagabunda que virava as noites fora de casa, dormindo com qualquer um por aí. Um dia, cansado de ver minha mãe morrendo aos poucos, eu saí de casa e jurei pra mim mesmo que só voltaria quando arranjasse um emprego. No caminho, dei de cara com um enorme prédio... Era tão bonito! - deu uma pausa, tomando o resto de seu capuccino. Eu continuava olhando pra ele, absorvendo tudo que dizia. - Resolvi entrar, eu pediria um emprego ali, nem que fosse pra varrer o chão ou até uma coisa menos significante. Foi então que encontrei o , a princípio eu achei que ele me chutaria dali como um cachorro, mas quando eu pedi o emprego, ele sorriu e ainda me lembro de suas palavras "Que tal ser mais do que isso? Ouça, Jared... É Jared, né? Gostaria de ser meu segurança e ajudante? Você não será o único, tenho mais dois amigos pra você!" Claro que ele me alertou que não seria um serviço fácil, mas o dinheiro que eu ganharia era o suficiente para comprar tudo que minha mãe precisasse e ainda sobraria... Bom, é isso. - ele respirou fundo, olhando para mim.
Eu nunca imaginaria que um cara que tentou abusar de mim tinha passado por coisas como aquelas, e isso fez com que eu me sentisse mal.
- Fez isso pela sua mãe? - eu disse, com um meio sorriso.
- Ela é a única coisa que vale a pena que eu ainda tenho... - sorriu também, mas sem alegria alguma. - Aquele dia, na casa dele... - fiquei desconfortável com o rumo que a conversa tomou. - Eu não sei o que me deu... Sabe, ficar com pessoas tão frias, com o tempo, acaba fazendo com que você fique frio... Mas eu não sou assim, eu não quero ser assim. - desabafou.
- Isso vai acabar logo, Jared.
- Eu só espero que acabe bem.
Abaixei o olhar, com medo de pensar no futuro, com medo de pensar no rumo que aquela história tomaria. Eu não tinha mais certeza de nada, principalmente depois de encontrar com de novo. Agora, sim, estava tudo de cabeça para baixo com tendência a piorar.

Voltamos para o hotel, Jared me deixou na entrada e foi com o carro para o estacionamento. Subi correndo, com uma ansiedade esquisita. Cheguei ao quarto reparando que ele estava vazio. Olhei para a cama, lembrando do que havia acontecido noite passada ali, eu poderia até sorrir se aquilo não fosse completamente errado. Virei de costas, indo até a janela. Fiquei ali por um tempo, até ouvir a porta do banheiro se abrir. Virei meu pescoço rapidamente e dei de cara com um de toalha, tampando suas partes baixas, meio molhado e um perfume delicioso entrando por minhas narinas.
- Olha só, já chegou... - ele me olhou, e eu entendi aquele olhar como uma pergunta.
- Eu o encontrei e nós marcamos de sair amanhã. - ele sorriu de imediato, vindo até mim e me levantando no ar e eu gritei, não esperando que ele faria aquilo.
- , você é ótima, caralho, foi fácil! - me colocou no chão de novo, envolvendo as mãos em minha cintura. Sua toalha estava quase caindo o que tornava a situação meio perigosa. - Vamos sair pra comemorar hoje! - sorriu malicioso e se virou, indo atrás de uma roupa para se trocar.

Flashback

O sinal que indicava o fim das aulas finalmente havia batido para o alívio de . Arrumou seu material rapidamente e saiu andando rápido pelo corredor até chegar a saída da escola. Ali, várias rodinhas de amigos faziam bagunça, meninas falavam sobre o baile, meninos se gabavam das parceiras que haviam conseguido para a noite que se aproximava. Bufou, lutando para que lágrimas não saíssem de seus olhos.
"Porra de mundo injusto". Pensou, vendo abraçado com Melissa. Todos se divertiriam naquele maldito baile, todos festejariam com os amigos, e ela? Ficaria em casa ouvindo músicas dramáticas em um volume tão alto que com certeza irritaria sua mãe. Passou pelo portão principal, caminhando com raiva pela calçada larga. Colocou os fones nos ouvidos, aumentando no máximo o rock com batidas fortes que tocava. Começou a atravessar a rua, pisando firme, com raiva, sem olhar para os lados...
- CUIDADO, GAROTA! - uma voz a fez arregalar os olhos e se jogar para o lado. O carro estava a poucos centímetros de seu corpo. Suas pernas tremiam tanto que ele não conseguia sair dali, apenas encarava o motorista do carro e um garoto que colocou a cabeça para fora da janela. Seus olhos se encontraram e de repente uma tristeza sufocante invadiu seu peito.
Depois de um grito do velho que dirigia o carro, ela continuou a andar, pálida e trêmula, com aquela sensação ruim.

/Flashback

estacionou o carro em uma das vagas do estacionamento de uma das boates mais badaladas de Los Angeles. As luzes piscavam fortes na entrada, o que lembrava um bordel. Pessoas bem vestidas e com garrafas nas mãos andavam por ali, conversando alto umas com as outras. Desci do carro, ajeitando meu vestido preto tomara-que-caia e fui até o lado dele, segurando em seu braço em seguida. Ele usava uma camisa preta, com as mangas dobradas e uma calça jeans também preta. Ele ficava gostoso de preto, fazer o quê? Passamos pelo segurança da boate, entrando em seguida. O lugar era incrível.
- Esse é só o começo da nossa comemoração particular. - colocou uma das mãos em meu quadril, apertando em seguida. Mordi o lábio e voltei meu olhar para a boate. Tinha dois andares, os jogos de luzes eram tão intensos que por um momento eu me sentia mais solta, como se fosse algum tipo de droga. Pessoas dançavam, se esfregando umas nas outras, algumas bebiam, bebiam e bebiam mais, sem se preocupar com nada do mundo lá fora. Bionic da Christina Aguilera tocava no volume máximo, meu coração batia junto com as batidas, de tão altas que eram, mas um mal estar repentino fez meu estômago embrulhar e eu procurei com os olhos alguma porta que indicasse o banheiro.
- Vou ao banheiro! - disse para ele, andando meio desengonçada, mas segurou meu braço e me trouxe para perto de si.
- Acabamos de chegar, , não me deixe aqui sozinho. - grudei nossos lábios, passando minhas unhas por seu pescoço.
- Eu volto logo. - me soltei dele e sorri.
Depois de ter conseguido passar por toda aquela gente, encontrei o banheiro, me perguntando como eu encontraria quando saísse dali. Entrei, percebendo que estava vazio, o que era estranho. Apoiei minhas mãos no mármore da enorme pia e encarei minha imagem no espelho. Eu estava bem, não estava pálida, aquilo era só uma reação às coisas que aconteceram nesses últimos dias. Respirei fundo, pegando o batom em minha bolsa e comecei a retocá-lo. A porta se abriu e uma mulher com um vestido azul entrou, foi até o espelho e também começou a retocar sua maquiagem. Guardei o batom na bolsa, já pronta para sair do banheiro.
- Como é estar com ? - sua voz firme fez com que eu virasse meu corpo na direção dela, em choque. Ela me conhecia? Conhecia ? - Você é uma garota de sorte... - se aproximou e eu fui dando passos para trás, conforme ela chegava mais perto. - Só tome cuidado, garota... - senti a parede gelada atrás de mim. Ela parou, a poucos centímetros me lançando um olhar assustador e debochado ao mesmo tempo - Você pode estar se metendo em uma fria... - por que diabos aquela mulher estava tão perto de mim? - Ele é perigoso, muito perigoso. No começo, é um perigo que excita - falou, perto do meu ouvido e eu arregalei os olhos, pronta para tirá-la da minha frente. - Mas pode acabar se tornando algo que mata.
A empurrei para trás, abrindo a porta do banheiro e saindo rápido dali, quase tropeçando com meu salto. Consegui ouvir sua risada e a última coisa que ela disse, que fez com que aquilo ficasse ainda mais sinistro.
- É só o começo, querida.

SEVEN


Respirei fundo, andando encostada na parede do corredor que dava para a pista da boate. Meu coração estava acelerado, as palavras embaralhadas em minha cabeça e aquela sensação de perigo mais uma vez tomava conta de mim. Seja lá quem fosse aquela mulher, ela conhecia , sabia de quem estava falando. Eu estava ferrada, mais do que nunca.
Dei de cara com um casal que se amassava no final do corredor e depois de receber um xingamento do rapaz por estar atrapalhando o clima deles, voltei para a pista, forçando minha vista, tentando encontrar o . Não seria fácil. E para piorar, eu estava com medo de encontrar com aquela mulher de novo.
Fui parar no bar, sentando-me em uma das cadeiras altas e revestidas com um estofado vermelho sangue e respirei fundo, apoiando os cotovelos na bancada onde várias outras pessoas bebiam e conversavam. As luzes fortes dificultavam ainda mais minha visão e eu achei que estava realmente ficando tonta e que desmaiaria ali.
- Vai querer o quê, gata? - levantei meu rosto, dando de cara com o barman que sorria pra mim. Não gostei do sorriso dele, mas o que isso importava. Beber seria ótimo naquele momento, era a única saída. Quem sabe se eu estivesse bêbada as coisas não ficariam mais fáceis? Talvez assim eu conseguisse ver algum sentido naquele filme que minha vida havia se tornado.
- Vodka pura! - eu disse a primeira coisa que veio em minha cabeça.
- Uh, já vai começar assim? Essa noite promete! - ele disse malicioso, pegando a garrafa de vodka e colocando em um copo próprio, peguei antes que ele falasse mais alguma coisa e virei o copo de uma vez, sentindo minha garganta queimar e um calor estranho correr por meu corpo em seguida.
- Só se for pra você! - eu disse, indiferente.
- Ah, não fala assim, como uma moça tão bonita como você pode estar reclamando em um lugar como esse? - como se ele soubesse a merda que minha vida andava. Chegou mais perto e colocou uma das mãos que cheirava à bebida alcoólica em meu rosto, desviei, olhando feio para ele que riu e foi atender outra pessoa. Virei meu corpo, procurando por algum sinal de , mas ele não estava em lugar nenhum. O que me deixava cada vez mais tensa. Levantei, atravessando mais uma vez a multidão e fui parar do outro lado da boate, onde era mais reservado, talvez para que os casais tivessem mais privacidade. Procurei com os olhos, enxergando uma camisa preta.
Meu coração poderia ter parado naquele momento.
O dono da camisa preta estava com as mãos envolvidas na cintura de uma mulher que eu não fazia questão de saber quem era, que usava um vestido. Não, vestido não, aquilo era um pedaço de pano, de tão curto que ficava em seu corpo. Ele dizia alguma coisa no ouvido dela e sorria daquele jeito que só ele sabia.
Cachorro, desgraçado, filho de uma...
Fechei os olhos com força, abrindo de novo e encontrando o olhar dele, que tirou as mãos imediatamente da cintura da mulher. Ela olhou em dúvida para ele e depois se virou, me encarando. Que cara de puta, que ódio.
Sem esperar mais, não acreditando no que estava acontecendo, só pra variar, saí correndo dali, esbarrando em todos que vinham em minha frente. Depois de vários xingamentos e alguns tombos evitados, encontrei a saída do lugar, passando pelo segurança que me olhou torto. Estava frio, minha pele se arrepiou e eu tentei segurar as lágrimas que se formavam em meus olhos.
Já não bastava tudo aquilo, já não bastava...
- ! Por que você saiu assim, porra, eu...
- ME DEIXA EM PAZ! - berrei, vendo que se aproximava de mim. - EU NÃO PENSEI QUE... NÃO PENSEI QUE...
- Você me largou sozinho no meio daquela porra, ela veio me agarrando, queria que eu fizesse o quê? - ele segurou meu braço, fazendo nossos rostos ficaram de frente um para o outro.
- Por favor, tire suas mãos de mim, por favor. - fechei os olhos, sentindo as lágrimas caírem. - Me leva pro hotel, ou melhor... Me leva pra minha casa. - ele respirou fundo, percebendo minha voz chorosa. Soltou-me e caminhou até o carro, entrando e batendo a porta com força em seguida. Entrei pelo outro lado, abraçando meus braços, sem conseguir encará-lo.
A verdade era que eu já estava mais do que cansada daquilo, cansada de ser um fantoche nas mãos dele, cansada de amar uma pessoa que estava pouco se fodendo pra mim. Mas eu não conseguia protestar, algo maior parecia me segurar e gritar para que eu não tentasse me livrar daquilo. E eu pensando que as coisas estavam se ajeitando... Você é uma idiota, , ele mesmo já disse que só dorme com você por dormir. A pessoal real que ele é está na sua frente, você só custa a enxergar isso.

's POV

Ela ainda não havia olhado na minha cara depois daquilo. Entramos no quarto do hotel e ela correu para o banheiro, batendo a porta. Fui até a cama, me jogando nela de qualquer jeito.
Qual era a porra do problema? Eu não estava fazendo nada demais. Ela me larga sozinho no meio de todas aquelas mulheres e quer que eu fique quieto no meu canto? Porra nenhuma! Às vezes eu acho que estou sendo errado com ela, agindo assim, mas eu já havia avisado que não é o que ela pensa. Custa entender?
Arranquei a camisa do meu corpo, me ajeitando na cama em seguida. Fiquei encarando o teto e deixei que alguns pensamentos idiotas tomassem conta de mim. O que eu estava pensando? Não, não seria assim. Seria de outro jeito, eu sabia muito bem qual e nada mudaria aquilo. Senti o celular vibrar no bolso da minha calça e o peguei, atendendo de qualquer jeito.
- Er... Tem uma pessoa aqui fora... Ela quer... - Jared gaguejava, mas que idiota!
- Querendo entrar aqui? Quem é?
- É uma mulher.
Uma mulher, interessante.
- Que mulher? - sorri, olhando para a porta do banheiro. Nem sinal de , sem dúvidas ela ficaria ali por um bom tempo. Chorando, é claro.
- Ela não disse o nome, mas disse que conhece você! - ele deveria estar com Ian e James, já que eu podia ouvi-los conversando no fundo.
- Fala pra ela subir até o meu quarto, veremos quem ela é. - desliguei, levantando e vestindo minha camisa de volta. Não era possível que haviam mandando uma prostituta especial pra mim, era? Não, não fariam isso. Meu pai nunca mais fez isso desde o dia que... Bons tempos, ou nem tanto assim, a verdade é que não importa. Depois de alguns minutos, alguém bateu na porta. Encostei-me à parede, esperando que batesse de novo, e de novo... Pronto, a pessoa já deveria estar irritada. Fui até lá, abrindo devagar a porta e tomei um susto ao olhar para aquele rosto.
- Não é legal deixar uma dama esperando na porta, ... - ela disse, voando em mim, envolvendo os braços em meu pescoço.
Puta que pariu, eu estava... fodido.
- ? - berrei - O que você faz aqui? - eu estava de boca aberta, o que aquela vadia fazia em Los Angeles? Como ela sabia que eu estava aqui?
- Meu querido, quando se trata de achar meu garotinho, pode acreditar que eu consigo. - piscou, passando por mim e deitando na cama. - A propósito, cadê sua amiguinha? - ela sorriu, sem vontade alguma, aquilo estava mais pra uma cara de nojo. - Eu assustei ela na boate... - riu.
- Na boate? Você tava lá? - baguncei meu cabelo, não consigo deixar de rir com ela.
- Sim, estava te observando, gato. - se levantou e foi até mim de novo. - Acha que eu esqueci de você? Das coisas que passamos juntos? - beijou meu pescoço, me fazendo morder o lábio e segurar na cintura dela. era como eu, talvez até pior.
- Chega, . - eu a afastei com cuidado, sorrindo para ela. - Não estamos sozinhos aqui. - apontei para o banheiro, dando de ombros em seguida.
- Não tem problema, eu curto um ménage, ! - ela bateu palminhas e eu ri alto. Que louca! Mas devo confessar que essa ideia não era tão ruim assim, ah, agora vou ficar imaginando isso...
- É sério, melhor você ir, nos vemos outro... - eu ia terminar, até que ouvi a porta do banheiro se abrir e sair de lá apenas com uma toalha no corpo. Porra, ia me provocar mesmo?
Ao levantar seu olhar e perceber a presença de , ela arregalou os olhos e quase deixou a toalha cair, o que teria sido muito bom. Não sabia se olhava para ela ou para mim, ela parecia não acreditar.
- Oi de novo, queridinha. Isso são trajes de se andar pelo quarto de um homem? - segurei uma gargalhada em seguida. O olhar de era quase mortal, eu conseguia ver a cena dela avançando em e fazendo um estrago naquele cabelo castanho avermelhado que ela tinha.
- Olha só, o trazendo as amiguinhas dele aqui... É bom mesmo, assim ela tem mais uma pra apagar o fogo dele! - Ok, eu não esperava essa reação, não esperava ver a dizendo isso, a ... Uau.
- Eu dei a ideia do ménage, mas ele não quis. Se bem que nós dois sozinhos é melhor, não é? - antes que eu pudesse responder, ela me puxou pela camisa e começou a me beijar. Não queria que eu ficasse parado, queria?
Separei minha boca da dela, procurando por e ela não estava mais em meu campo de visão. Afastei , imaginando a merda que aquela garota causaria a partir de agora, contando que não me atrapalhasse... Tudo bem.

/'s POV

Estava doendo, acho que nunca havia doído tanto como agora. Malditos, malditos, malditos. Ele nem se importou, ele riu da minha cara. Fez-me de idiota como sempre, como eu poderia imaginar que algum dia as coisas seriam diferentes... Droga.
Abracei meus joelhos, encolhendo ainda mais meu corpo em uma espécie de área de serviço que eu havia encontrado enquanto vagava pelo hotel. Depois de vestir qualquer porcaria, eu não podia mais aguentar ver aquela cena. Os dois juntos, só Deus sabe o que estavam fazendo agora que eu não estava mais ali. Segurar o choro já não adiantava mais, eu não conseguia e nem queria. Esse era o único barulho ali, meu choro abafado e carregado de dor. Eles deveriam estar naquela cama agora, fazendo o que ele fez comigo ontem. Não era justo, não era justo. Tudo que eu queria na vida era significar algo para ele, mas nem isso eu conseguia... Nem isso.
Limpei uma lágrima, jurando para mim mesma que daquele dia em diante as coisas mudariam. Não fazia mais sentido eu me importar com consequencias. Pra que ser a boa moça se não existiam vantagens? É como jogar um jogo e entregar a vitória para o adversário sem nem ao menos pensar em uma estratégia para vencer. Não, comigo não seria assim.

Com o pensamento de que a partir daquele dia eu jogaria aquele jogo como deveria, voltei para o quarto naquela noite, não encontrando a mulher com , ele estava sozinho e tudo que conseguiu fazer foi virar a cara para mim. Não disse uma única palavra. Apesar de não conseguir como eu queria, acho que passei a impressão de que aquilo não estava me importando. Dormimos na mesma cama, por mais idiota que isso pareça, e no dia seguinte as únicas palavras que trocamos foram sobre o meu encontro com . Ah, , você apareceu de novo na hora certa em minha vida.

E lá estava eu mais uma vez, de frente para a porta daquele apartamento. Toquei a campainha, sem demorar e logo um totalmente perfumado apareceu, sorrindo ao me ver.
- Você veio mesmo! - me deu um beijo na bochecha, não conseguindo evitar olhar para meu corpo em seguida. Eu usava uma jaqueta de couro e uma saia jeans curta, deixando minhas pernas amostra. Ele estava com uma camisa em tom cinza e uma calça justa preta, o corpo tão gostoso como da última vez.
- Eu disse que viria, . Então... Aonde vai me levar? - sorri, e ele logo fechou a porta atrás de si.
- É a sua primeira vez por aqui? - concordei com a cabeça. - Então não vejo nada melhor a não ser dar uma volta por Los Angeles, é o mínimo que eu posso fazer! - sorrimos juntos, caminhando até o elevador em seguida.
Ao sairmos do apartamento, nossos olhares se encontraram e eu consegui ver algo no de que me deixou ainda mais certa de que a partir daquele momento, perceberia que ele não era o único jogador daquele jogo. Eu ainda podia ser uma vitima dele, mas quem disse que eu continuava do seu lado?
Eu também sabia magoar, eu também sabia ferir os sentimentos de alguém... Acho que posso ter aprendido com ele.


EIGHT
(n/a: Você não precisa necessariamente ouvir as músicas citadas nesse capítulo, fica a sua escolha.)


- Fala sério que você ainda ouve aquelas bandas? Oasis? Incubus? - tinha uma expressão de surpresa que me divertiu.
- Escuto tudo que escutava antes, qual é o problema? - olhei para o lado, vendo a bela vista de Los Angeles da janela do restaurante que estávamos. Depois de uma volta por vários lugares dali, estávamos famintos e resolveu me levar naquele restaurante para comer algo. Era um restaurante bem bonito e com dois andares enormes, estávamos no segundo, que possuía aquela vista.
- Nenhum, só é estranho... - ele colocou a mão no queixo, refletindo sobre algo. era interessante, devo dizer. Sei lá, algo nele parecia atraente, talvez a pinta de intelectual ou a sensualidade exposta mesmo, um belo conjunto.
- Ah, tá, quando a conversa sair do assunto "Que bandas a ouve" me avise! - eu ri, terminando meu champagne. Champagne me lembrava uma pessoa... Eu precisava de foco!
- Meu Deus, se há seis anos alguém tivesse me dito que hoje eu estaria em Los Angeles, jantando com você... - nossos olhares se encontraram e eu percebi algo neles. Era mais do que óbvio.
estava caidinho por mim.
O que era completamente bizarro, digo, desde o nosso reencontro, não tivemos nenhum tipo de contato corporal mais forte, acho que em grande parte do tempo o contato foi visual, mas ele sempre foi fraco quanto a isso. Um par de pernas descobertas e lá está babando sem pedir permissão. O que me lembrava que eu não poderia brincar com ele como eu gostaria. Ah, quem me dera estar em Los Angeles por vontade própria, ir onde eu quisesse, fazer o que eu quisesse. Mas infelizmente não era assim, eu tinha que obedecer ordens, ou...
- Já estou satisfeito! - ele me acordou daqueles pensamentos, pisquei os olhos algumas vezes, o vendo pedir a conta. - Sabe, não acabou ainda... Vamos para algum lugar. Que tal uma boate?
Boate de novo? Eu poderia até pegar trauma desse jeito...
- Depende... - me fiz de difícil. Era legal ser assim com ele, depois de tudo.
- Se eu te disser que estou com duas entradas para a Villa Lounge, o que vai dizer?
Pera aí... Ele tinha falado Villa Lounge mesmo? Não, não pode ser... Não era aquela boate onde várias celebridades frequentavam? Como ele conseguiu isso? Não que eu fosse interesseira, mas não tinha como negar aquilo.
- Eu diria que aceito com uma condição. - cruzei minhas pernas, as deixando amostra. olhou para elas, não se importando que eu percebesse aquilo.
- O que você quiser! - se aproximou, me olhando nos olhos.
- Nós vamos e depois que sairmos de lá, você vai fazer aqueles passinhos dos Backstreet Boys, isso mesmo, aqueles que fazia na escola. - Ri alto, me lembrando de quando estávamos no segundo colegial e ele dançou, se não me engano, "Everybody" só de boxer, no meio da educação física. Eu era do jeito que era, então tudo que consegui fazer foi olhar aquilo e sair de perto. Eu já gostava dele, mas sentia vergonha em ver um garoto naqueles trajes.
Nos tempos que estávamos atualmente... É, seria muito diferente.
- Não, você não pode ter lembrado disso... - colocou uma das mãos nos rosto, fingindo estar com vergonha. - Na rua?
- Olha só, pra você ver que eu sou boazinha, aceito ver isso sem ninguém por perto, tipo... Entre quatro paredes... - mordi o lábio, desabando a rir em seguida, deixando claro que aquelas não eram minhas reais intenções. Mas bem, deixe ele pensar o que quiser.
Ele sorriu malicioso, se levantando e indo até mim, estendendo sua mão para que eu a segurasse. Fiz isso, me levantando. Depois dele ter pagado a conta, saímos do restaurante, sentindo a noite fria. Ok, isso não era esperado.
- Que frio! - eu disse, chegando mais perto dele.
- Tá quente dentro do carro e logo você não vai mais sentir esse frio todo, ! - Hm, que ousadia era essa? Primeiro insinuar que logo eu deixaria de sentir frio, isso poderia ser interpretado de dois jeitos... E depois me chamar pelo apelido? , ... Vá com calma, você pode se dar mal.
Acho que ele se daria mal mesmo.

A boate estava cheia, mais do que eu havia imaginado. E quanta gente conhecida, aquilo era tão... Irreal.
e eu estávamos sentados em um dos enormes sofás escondidos nos cantos do lugar, com uma iluminação fraca e envolvente. Uma música alta tocava, dificultando que eu ouvisse alguma coisa a não ser , que estava perto... Bem perto de mim.
- Vamos dançar? - ele sussurrou em meu ouvido, já me puxando pela mão. Sem hesitar, o acompanhei, até um canto da boate onde havia mais espaço. Droga, aquelas luzes fracas, aquela música, aquele cheiro do seu perfume penetrando por minhas narinas... Não, não era mais como antes, você tinha que esquecer aquilo, .
A música mudou, e os movimentos das pessoas ao redor do lugar ficaram mais frenéticos acompanhando as batidas. Perfect Lover da Britney Spears tocava, já estava com as mãos envolvidas em minha cintura e eu nem havia percebido.
- Será que sabe dançar? - ele me encarou, por um instante eu achei que fosse me beijar devido a proximidade que sua boca estava da minha, gelei com aquilo e ele sorriu maroto em seguida.
- Quer que eu te mostre ou quer descobrir sozinho? - mordi o lábio, começando a mover meu corpo de acordo com a música, mas sem me mexer muito.
- Não sou bom em descobrir as coisas, me mostra! - sorri, tirando suas mãos de minha cintura e me afastando um pouco dele. Ao modo que o refrão começou a tocar, comecei a dançar mais rápido, não tirando o olhar dele, que fazia o mesmo e tentava me acompanhar, mas ele estava perdido demais com aquilo.

I know what you're missing
Eu sei o que você está perdendo
Better hurry up 'cuz time is ticking
Melhor se apressar, o tempo está correndo
Tick tock, tick tock
Come and get me while I'm hot now
Venha e me pegue enquanto eu estiver quente.

Antes que eu percebesse, ele já havia rompido a distância sobre nós e seu corpo estava grudado no meu, acompanhando meus movimentos, em uma dança quase sincronizada e perigosa.
- Eu tentaria ter mais cautela, mas fica impossível com você rebolando desse jeito. - fechei os olhos ao senti-lo morder o lóbulo de minha orelha e guiar minha cintura para a direção que seu corpo ia, fazendo com que ambos se esfregassem um no outro. Coloquei umas das mãos em seus cabelos, o puxando de leve, fazendo seu rosto ficar de frente para o meu.
- Escuta bem, , você pensa que ainda está no colegial ou o quê? - passei minha outra mão por cima de sua camisa, mas de um jeito que o fez sentir meu toque. - As coisas mudaram. - desci um pouco mais, o vendo me olhar tenso.
Ponto pra mim.
- Não sabe como saber disso me deixa feliz. - ele olhou significadamente para minha mão perto do seu ponto fraco. Ri, percebendo que a música estava acabando, mas nós ainda estávamos com os corpos colados, confesso que era meio impossível resistir àquela tensão sexual que começava a se manifestar, mas eu não seria tão fraca, não como ele.
Então, como se estivéssemos em câmera lenta, meu campo de visão avistou dois rostos que eu preferia não ter visto.
.
não estava sozinho. não estava sozinho, estava com aquela mulher... Eu o ouvi dizer seu nome... .
Alguém poderia me beliscar ou dizer que aquilo não passava de um pesadelo, sabe? Não, não, não, e no mesmo lugar, como isso aconteceu? Com tantos lugares em Los Angeles, por que vir justo pra cá? O destino me amava, não era possível. percebeu meu desconforto e me encarou sério, mas eu sorri para ele, dando a entender que estava tudo bem.
- Olha, vou ao banheiro, ok? - saí de perto, antes que ele pudesse responder algo. A verdade era que eu queria encarar e perguntar o que ele fazia ali. Será que havia seguido eu e e resolveu chamar a amiguinha para deixar as coisas mais... Divertidas? Eu não sabia bem como aquela noite acabaria, mas torcia com todas as minhas forças para que nenhum corpo sem vida tocasse o chão, não ainda...
A cada passo eu ficava mais perto do lugar onde ele e estavam, ela parecia estar empolgada com o lugar e ele apenas bebia algo. Respirei fundo, tomando uma decisão repentina e mudando minha direção. As coisas teriam que ser feitas do meu jeito pelo menos uma vez. Antes que eu acabasse com a distância entre nós, notou minha presença e disparou a rir. Como ela havia apontado para trás, virou seu rosto em minha direção, não deixando de demonstrar surpresa a me ver.
- ? - ele berrou, devido a música alta - ? Meu Deus, eu não acredito! Você tá aqui com ele? - se levantou bruscamente, indo em minha direção e sendo seguida pela coisinha insuportável. - Não, essa noite não poderia ficar melhor!
- ... - foi tudo que consegui dizer.
- Ah, para, vai, cadê ele? Nossa, eu quero cumprimentá-lo por estar com uma mulher tão bonita essa noite! - riu alto, passando por mim com , ela parecia uma cachorrinha que não largava do pé do dono. Patético. Mas o que eu estava fazendo parada ali mesmo? Corri para junto deles, encontrando sentado em um daqueles sofás de novo, estava tomando alguma bebiba e levantou as sobrancelhas ao me ver chegando com os outros dois.
Medo, muito medo.
- ? - ele pediu, confuso.
- E aí, , quanto tempo! - como ele conseguia ser tão falso? - ? Oh, meu Deus, ? Como assim? - ele se levantou e eu achei aquela cena bizarra. Sim, os dois pareciam amigos de verdade que não se encontravam há tempos. Mas como? Será que não sabia que na verdade...
- Quatro Sex On The Beach para nós aqui, garçom! - Assustei-me ao ouvir berrar aquilo. sentou-se ao lado de , olhando significativamente para mim. Definitivamente eu havia perdido a piada ou havia ficado louca.
- , você conhece o ? - era como se eu tivesse tomado um choque.
- Ele é meu... Eu trabalho com ele... É isso. - percebeu meu espanto e tentou completar minhas palavras trêmulas.
- Trabalhamos juntos, e estávamos aqui a motivos de trabalho. Que engraçado, né? Eu, , vocês... Todos no mesmo lugar. - as bebidas haviam chegado e propôs um brinde. Todos toparam e brindaram. Meus movimentos estavam meio que congelados e eu só conseguia olhar para as expressões dos dois. Eu ainda tinha esperança de acordar e estar no quarto do hotel.
- Preciso tomar um ar! - disparei a correr, passando por várias pessoas. Eu precisava sair dali por um tempo, claro que era imprudente deixar sozinho com , mas algo estava me sufocando e eu precisava pensar, precisava de alguns malditos minutos para pensar. Fui parar no estacionamento, avistando o carro de no fundo, caminhei com pressa até lá, com a sensação de que estava sendo seguida. Olhei para trás durante o caminho, mas ninguém estava ali. Encostei-me ao carro, sentindo o vento bagunçar meus cabelos, respirei fundo e em minha mente só existia uma pergunta: Por quê?
Aquilo começava a ultrapassar os limites do provável, não me lembrava nem de ter visto filmes com aquela situação. Quanto mais eu tentava entender, achar uma solução, o buraco ficava mais fundo, mais isolado, mais difícil de sair.
Olhei para frente de novo, e avistei uma figura sair pelas portas da boate. Meu corpo se enrijeceu e logo percebi quem era. caminhava calmamente, apesar da escuridão, eu conseguia ver um sorriso em seus lábios. Um sorriso de vitória. Encolhi-me, dobrando uma perna e encostando meu salto no carro de .
A distância estava acabando, estava acabando.
- Por que tanto medo? - surpreendi-me com sua voz rouca. Permaneci em silêncio, formulando palavras que não demonstrassem o desconforto que eu estava sentindo. - Não vou fazer nada com ele... Hoje não. - parou, de frente para mim. Abaixei meu rosto, encarando o chão rústico. Ele aproximou a mão do meu queixo e fez com que meu rosto se levantasse. Sua mão estava gelada e isso fez meu estômago embrulhar de um jeito que eu não sabia dizer se era bom ou ruim.
- Se você soubesse o quanto fica sexy nessa posição que está agora... - agora meus olhos encaram os dele, e a malícia era clara ali. - Eu poderia entrar nesse carro, que deve ser do , agora mesmo, com você e... - comecei a rir, o fazendo recuar um pouco.
- Nem pensar! - balancei minha perna, de um modo que ela encostou na coxa dele.
- Você já foi minha duas vezes, ... Não vejo motivos para recusar ser por uma terceira... - inclinei meu corpo para mais perto dele, posicionando uma de minhas pernas no meio das suas, sussurrando em seu ouvido.
- Hoje não vai ser como você quer, e eu digo isso, pois sei o quanto você deve estar me desejando agora... - encostei meus lábios em seu lóbulo, sentindo o lugar arrepiar. - Se me dá licença, eu estou em uma das melhores boates do mundo e quero dançar. - empurrei-o, passando rápido por seu corpo estático e correndo até a porta de novo. Olhei pra trás algumas vezes, vendo que ele também se aproximava.

- Ah, até que enfim os dois apareceram! - disse, já meio alterada devido ao álcool. Olhei para o rosto de e era um misto de confusão e talvez... Ciúme?
- Eu tinha alguns assuntos de trabalho que havia esquecido de comentar com ela! - Ah, , isso era desculpa para não dizer que seu amiguinho aí embaixo deve estar querendo se libertar agora?
Ponto pra mim... De novo.
- Gente, eu vou ao banheiro rapidinho, me espera aqui, tá ? - se levantou, passando por nós. Por um segundo, sim, um segundo, achei que estava sendo errada com ele.
Aquela era a nossa noite de reencontro. Mas a culpa não era minha.
- Olha só, eu tive que me controlar pra não pegar ele, sei lá... Curto caras quietos! - disse do nada, balançando a cabeça no ritmo da música.
- Você gosta de qualquer cara, desde que ele tenha um pênis tá bom pra você. - disse, dando de ombros. Ok, eu queria ter rido.
O que eu faria pra dar um fim naquilo por enquanto? Era melhor você pensar rápido, .
Eu até teria pensado se uma música contagiante não tivesse começado e meus olhos avistaram um se levantar, vindo em minha direção. Empurrou-me para mais longe de , que estava fora de si e me encostou em uma das paredes do lugar.
- Essa você vai dançar comigo e eu tô pouco me fodendo para o que o idiota vai achar, eu vou acabar com ele mesmo! - sorriu, me puxando pela cintura. Céus, aquelas mãos e a minha cintura eram uma combinação explosiva. Depois que ele havia dito aquilo, era como se eu tivesse perdido o foco do mundo. Maldição, .
E lá estava eu mais uma vez na pista de dança me esfregando com um homem. Poderia começar a pensar que era uma vadia ou espero mais cinco minutos até que outro cara chegasse de surpresa e eu fizesse o mesmo? Não, era melhor não.
Everything But Mine dos Backstreet Boys tocava e aquela mesma gente ainda dançava, sem perder a vontade.
- Seu hálito é de Sex On The Beach... - ele disse, encostando a boca em minha bochecha, balançando o corpo junto com o meu.
- Sorte sua por isso, mas azar porque não vai poder provar... - rebolei, seguindo as batidas da música e me soltando dele, indo mais para o meio da pista. me seguiu, atordoado e eu ri maliciosa, acompanhando o pessoal que estava por ali. Como eu estava envolvida na música, perdi-o de vista por um minuto, sendo surpreendida por ele me abraçando por trás logo depois.
- Quando você ficou malvada desse jeito, ? Olha que eu não resisto, hein... - tamanha proximidade fez com que eu sentisse o que não deveria encostando em minha nádega. Afastei-me dele, recebendo outra risada maliciosa.

I hold you close when it all goes crazy
Eu te abraço apertado quando tudo está louco
And through it all, you'd be my lady
E por isso tudo, você será a minha dama
Why, tell me why
Por quê? Me diz por quê?
You're everything, everything but mine
Você é tudo, tudo menos minha

- não gosta das coisas assim? Pois bem... - dei meia volta, dançando e fazendo meu cabelo se bagunçar de propósito. Eu havia conseguido o que queria àquela noite, ele estava me desejando... E o melhor de tudo: Desejando sem conseguir obter.

Depois da música ter acabado, voltamos para o lugar onde ainda deveria estar. E droga, eu havia me esquecido de .
Dito e feito, os dois estavam lá ainda, conversando... Ou pelo menos tentando, já que estava completamente bêbada e pelo jeito estava conseguindo levar para o mesmo caminho. Pelo menos ele não ficaria tão sentido.
- Olha, eles apareceram. - disse, com a voz alterada e meio enrolada.
- Gente, gente... Vamos sair daqui? Eu quero ir pra um lugar mais vazio, por favor... - disse com aquela voz insuportável, indo até e brincando com os botões de sua camisa. Olhei para os dois, fingindo que não me importava com aquela provocação e puxei pela mão, beijando seu rosto em seguida.
- Eu vou com o para o apartamento dele! - nem precisei dar algum sinal para que o mesmo concordasse, pois logo sorriu e me abraçou pela cintura. A testa de se enrugou, logo voltando em seguida. Nem ele esperava por aquilo.
- Apartamento de ? Ah, eu quero! Adoro apartamentos, adoro! - bêbada maluca. - Vamos também, ?
Opa... Isso não estava nos meus planos. Não, não...
- Por mim tudo bem, e por você, ? - falou, cínico, e todos olharam para mim. Dois bêbados, um maluco sedento por vingança e eu, em um apartamento... Que divertido.
- Tudo bem! - claro que não estava bem, mas como eu diria que não?
- Então vamos! - me puxou, quase fazendo com que nós dois caíssemos e ouvi rir, andando conosco e com logo atrás. Chegamos ao estacionamento e eu dei um olhar piedoso para , ele pareceu entender.
- - ele tinha algum problema com primeiro nome? - Acho melhor eu dirigir ou irmos no meu carro.
- Como quiser, ! Nem tava afim mesmo, quero o banco de trás, ah, banco de trás, como eu te quero! - ele deu de ombros e abriu a porta de trás de seu carro, quase batendo a cabeça na mesma. Pegou minha mão para que eu entrasse também.
- Certo! - sorriu, como aqueles caras que estão a ponto de matar alguém violentamente e entrou no carro, seguido por , que batia palminhas feito uma criança.
- Acho que sei onde você mora, se me lembro bem... - É claro que ele sabia.

O caminho até o apartamento de parecia estar durando uma eternidade. Apesar de eu tentar fingir que estava tudo bem e que curtia aquela situação, eu não conseguia enganar e isso me irritava. Quem sabe se eu agisse diferente as coisas não se tornariam diferentes? Digo, olhando para todos desse carro, uma pessoa que estava por fora da situação não imaginaria o ódio que pairava ali. E o que diabos faríamos no apartamento do ? Eu esperava que ninguém sugerisse sexo grupal... Isso era demais pra mim, chega, existia um limite de loucura em minha vida.
Pelo menos eu achava que sim...
tinha que causar mais ainda e ligou o rádio do carro, colocando em uma estação qualquer. Break Your Heart do Taio Cruz tocava e ela soltou um gritinho animado, balançando os braços e cantando junto.
- Você me assusta! - disse, rindo em seguida, balançando os ombros no ritmo da música. E entrava em ação o cara que raramente era visto.

If you fall for me
Se você se apaixonar por mim
I'm not easy to please
Eu não sou fácil de agradar
I might tear you apart
Eu posso te destruir
Told you from the start baby from the start.
Te disse desde o início, baby, desde o início...

I'm only gonna break break ya break break your heart (x4)
Eu só vou quebrar quebrar seu... quebrar quebrar seu coração. (x4)

Olhei para o retrovisor do carro e encontrei o olhar de , ele estava com um sorrisinho de lado e eu entendi bem o porquê daquilo. A letra da música que tocava... Falava tanto, era como se ele estivesse dizendo aquilo para mim.
Ele quebraria meu coração? Não sem eu quebrar o dele também.

Chegamos ao apartamento de em poucos minutos depois e se jogou no sofá, agradecendo por estar longe daquela festa. ficou em pé, perto de mim enquanto eu evitava encará-lo. começou a rir, sendo acompanhado pela outra. Pareciam dois loucos.
- Escuta, que tal brincarmos de algum joguinho? - ela disse, rindo alto.
- Tipo...? - colocou a mão no queixo.
- Vamos brincar de "Eu nunca". - sorriu maliciosa, sendo acompanhada por . Pois é, o bêbado virava outra pessoa.
- Não mesmo, isso é coisa de pirralhos de 17 anos! - cruzou os braços e quando me olhou, eu desviei o olhar.
- Você fala como se fosse um velho de 70 anos! E outra, não é o "Eu nunca" que vocês estão acostumados. - não estava entendendo onde ela queria chegar. - Ao invés de beber alguma coisa quem já tiver feito algo, vai tirar uma peça de roupa. - ela mordeu o lábio, fingindo que abaixava a alça da blusa preta. pareceu gostar da ideia. Pensei por um tempo, aquilo não seria tão ruim... Era a oportunidade para eu começar a agir.
- Só se o topar! - coloquei a mão na cintura.
- Só se você ficar nua pra mim! - senti minhas bochechas corarem e agradeci mentalmente por estar bêbado. No dia seguinte ele não lembraria daquilo.
- Acho que você fica nu primeiro. - dizendo isso, nos sentamos no sofá também, ficando próximos.
- Quem vai começar? - soltou o cabelo, fazendo com que ele batesse no rosto de , que xingou um palavrão em seguida.
Como eu disse antes, isso estaria sendo a experiência mais hilária da minha vida... Se as circunstâncias fossem outras.
- Eu começo! - , como sempre, tão seguro de si.
- Manda a ver, gostoso. - gritou, rindo em seguida. Louca, louca, louca.
- Eu nunca... - me olhou, abaixando a cabeça e sorrindo um sorriso sacana em seguida. - Eu nunca transei com duas pessoas ao mesmo tempo! - a sala foi tomada por risos altos dos dois alegrinhos.
- Pelo amor de Deus, , em que mundo você vive? - ela se levantou, abrindo os botões da blusa e a tirando, sem nenhum pingo de vergonha. Estava agora apenas com um sutiã preto. Os dois homens no local deveriam estar adorando aquilo.
- Minha vez! - ela disse, se sentando de novo. - Eu nunca... Amarrei alguém em uma cama, sabe aquelas coisas de sadomasoquismo? Pois é, nunca fiz isso.
Silêncio constrangedor.
- Uuuh, e olha que eu achei que você já tivesse feito de tudo. - piscou pra ela. Agora eu o deixaria com o queixo no chão. Antes que alguém falasse alguma coisa, me levantei, tirando minha jaqueta e a jogando longe.
- COMO ASSIM? VOCÊ JÁ... VOCÊ JÁ... - gritou, seguida pela risada alta de , que só sabia fazer isso no momento e um olhar completamente assustado de .
Ponto pra mim pela terceira vez...
- Dois anos atrás... O cara pediu, eu não neguei... - soltei um risinho malicioso.
Ver a cara de foi impagável.


NINE


Ficamos cerca de uma hora brincando daquilo, somado, é claro, ao tempo que alguém ia à cozinha pegar uma bebiba. Apesar das risadas, sorrisos maliciosos e tudo o mais, eu ainda podia sentir a tensão ali. Os olhares de para , o jeito que ele apertava as mãos quando o outro ia falar alguma coisa, o jeito que ele olhava pra mim, querendo dizer alguma coisa. Querendo dizer que eu o ajudaria a fazer o ele queria.
Ninguém no lugar estava completamente nu: ainda estava com suas calças, apenas sem camisa, estava apenas com a lingerie - dava pra perceber o tipo que ela era - estava apenas de boxers e eu ainda estava com minha saia e minha blusa. Eu não era tão experiente assim, sexualmente falando.
- Isso daria uma bela orgia! - soltou, gargalhando alto em seguida. Os bêbados não pegavam no sono rápido? O que aquela coisa fazia acordada? aparentava estar morrendo de sono e logo cairia ali.
- Cala a boca, vamos embora! - se levantou, pegando suas roupas e as vestindo ali mesmo. Todos fizeram o mesmo que ele, exceto por , ele estava em sua casa mesmo, pra que vestir a roupa que havia tirado?
Vi tombar a cabeça para o lado e por uma das mãos na mesma, sua expressão não era muito boa e eu olhei para , que me encarava, esperando que eu saísse com eles. já estava na porta, se segurando na mesma para não cair.
- Eu... Vou ficar aqui com ele. - disse, recebendo um olhar surpreso de e um que não consegui identificar de .
- Ah, você vai? - ele disse, com aquele olhar de superioridade que sempre fazia.
- Sim, ele não está bem, não é legal deixá-lo sozinho.
- , vamos embora, eu tô com sono, merda! - choramingou, batendo o pé. A voz ainda mole.
Olhei para , dando um meio sorriso para ele, que retribuiu, apesar da expressão de dor. Voltei meu olhar para e torci para que ele aceitasse aquilo, por mais impossível que fosse. Eu poderia tentar fugir, poderia ligar para a polícia ou qualquer outra coisa, mas confesso que nada daquilo havia passado pela minha cabeça, na verdade.
- Fica aí com ele então... Te vejo amanhã no hotel. - ele não estava apenas dizendo, ele estava mandando. Após dizer isso, saiu pela porta sem ligar para , seguida pela amiga que deu um aceno exagerado com a mão. Bêbada.
Respirei aliviada, por finalmente ter me livrado de toda aquela companhia e olhei para . Droga, ele não estava bem. Fui rápido até ele, me sentando do seu lado, antes que eu percebesse, ele já havia se inclinado e deitado a cabeça em minhas pernas, virando de lado.
- Tudo bem? - eu disse baixinho.
- Não, minha cabeça dói. - como era ruim vê-lo daquele jeito, era como se toda a raiva que eu sentia se transformasse em... Não, nada disso. Você seria apenas legal com o homem e o ajudaria a ir pra cama, daí você passaria a noite ao lado dele, apenas o olhando, como uma idiota. Isso, , parabéns.
Sem falar nada, mexi-me, vendo ele levantar a cabeça segurando-a e me levantei, o ajudando a se levantar. colocou um braço por volta do meu ombro, olhei para ele, afinal, não sabia onde ficavam os quartos.
- À direita. - ele disse, sonolento. Fui caminhando devagar, passando pelo corredor e chegando ao final, abri uma porta e lá realmente era seu quarto. Como a cama era grande. Mas por que eu estava reparando nisso? Caminhamos até a cama, ele sentou, ainda abraçando meu ombro e quando se deitou, acabou levando meu corpo junto, fazendo com que nossos rostos ficassem praticamente colados.
- Desculpe. - ele disse, me soltando e virando o corpo para o lado. - Pode ficar à vontade, desculpe por isso.
- Sem problemas. - eu disse, me ajeitando na cama e olhando em volta. Seria uma longa noite.
Sem aventura alguma, é claro.

's POV

Vi se jogar em minha cama, após termos entrado no quarto do hotel. Ela era tão fraca que conseguia ficar bêbada com as porcarias que havia bebido. Eu estava sóbrio, apenas frustrado. Como quis ficar com aquele... Não que eu me importasse, mas que graça teria ficar em um apartamento com um bêbado sonolento? A verdade era que isso tinha seu lado bom, mas não era algo que eu queria pensar naquele momento. Minha amiga problemática sorriu, fazendo sinal com o dedo para que eu fosse até a cama.
Por incrível que pareça, eu não estava afim de sexo naquele dia... Não com ela.
- O que você quer? - revirei os olhos, sem mover um músculo.
- Ai, como você é grosso. - ela se levantou. - Olha, , eu posso estar bêbada, mas sei o que acontece a minha volta. - riu, cruzando os braços. - Que merda toda é essa?
- Do que você tá falando? A bebiba afetou o cérebro? - sorri.
- Você é tão patético perto daquela mulher, fala sério, ir no apartamento do cara que você odeia e não fazer nada? - chegou ainda mais perto, ficando de frente para mim.
- Isso não é da sua conta, e outra, foi você que inventou de ir pra lá! - eu estava perdendo a paciência.
- É da minha conta sim, eu não sou qualquer prostituta que você comeu por aí, meu queridinho. - ela aumentou o nível de sua voz, quem ela pensava que era? - Tá se esquecendo das coisas que passamos? Quer um refresco de memória?
- Grande merda! - eu disse simplesmente, passando por ela indiferente, tirando minha camisa e entrando no banheiro.
- Eu sou uma das poucas pessoas que sabe do... - não, ela não começaria a falar sobre aquilo, vadia. Saí do banheiro, indo na direção dela e a empurrei na parede, encarando seus olhos, com fúria. Quem mandou me provocar.
- Acho bom você calar a boca, antes que eu perca a cabeça... - ela riu, diferente de como eu havia imaginado.
- Meu caro , eu te conheço mais do que ninguém, eu praticamente passei minha adolescência com você... - me empurrou pelo peito, invertendo as posições, me deixando encostado na parede. - Não se lembra daquele dia que eu te chamei pra festa da Stacy e depois nós fugimos e passamos a noite toda em uma casa abandonada? Ah, eu me lembro como se fosse ontem. - engoli em seco, eu não queria lembrar daquilo agora. - Um garotinho indefeso, que ainda não conhecia os perigos do mundo, fumando seu primeiro baseado... Chega a ser lindo, nossa, fico emocionada em saber que te fiz provar umas das escapatórias dos problemas do mundo. E quando eu te deixei bêbado e...
- Chega! - empurrei-a para trás, sentindo meu sangue ferver.
- Você não deveria me tratar assim, afinal, a primeira garota da vida de um homem é especial... Ou se esqueceu quem foi que te apresentou o sexo? Há, só porque agora pode comer qualquer uma fica se achando e...
- EU FALEI PRA CALAR A BOCA! - quando percebi, minha mão já havia atingido seu rosto que agora tinha uma expressão incrédula, os olhos dela me fitavam com tamanha raiva que eu poderia até ter sentido medo... - Não jogue essas coisas na minha cara como se fosse algo do qual eu me orgulhasse... Aliás, não sei por que você voltou, sua vadia. - soltei as palavras, não aguentando mais. Ela sorriu, já recuperada do tapa e apenas arrumou o cabelo. - Você aprendeu a ser assim comigo, então não espere que eu tenha medo de você... Afinal, os alunos nunca superaram os professores, se é que me entende... - ela sorriu, maliciosa. - Eu sei demais sobre você, , e acredite, não é um tapa que vai me calar. - ela avançou em mim, me dando um selinho agressivo e em seguida me empurrou, fazendo com que eu caísse sentado na cama, saiu pela porta, batendo-a com força em seguida. Levei minha mão até a nuca, digerindo tudo que havia acontecido, com trechos de lembranças que há muito tempo não me visitavam. O celular começou a tocar. Merda.
- Fala - eu disse, depois de pegar o celular em meu bolso. - Fala logo, porra!
- Senhor , er... - era Jared, eu já deveria imaginar. Medroso como sempre, como se o mundo sempre estivesse acabando.
- Jared, meu caro, fala logo que eu não tô com paciência alguma... Anda!
- O hotel acabou de ser informado que algo realmente terrível aconteceu e pediram para lhe avisar imediatamente.

/'s POV

Abri os olhos, ficando sentada na cama. Já era manhã... Ou tarde. Olhei para o lado, vendo um apenas de calças, dormindo tranquilamente. Seu peito subia e descia de uma maneira suave e sua pele era de um rosado natural. Um sorriso queria escapar por meus lábios ao ver aquilo, mas eu me controlei. Graças a Deus minha cabeça ainda não estava doendo e eu tinha total consciência de tudo que havia acontecido na noite anterior.
E que noite...
Encarei meu corpo, percebendo que estava sem minha jaqueta e com uma boxer de que eu havia pegado quando decidi que dormir de saia na mesma cama que ele seria estranho e desconfortável. Ele não se importaria de me ver usando uma peça de roupa sua, tenho certeza.
No mesmo instante que pensei nisso, o corpo dele se mexeu preguiçosamente e vi que ele já estava com os olhos abertos.
- Olá, dorminhoco! - falei, meio sem graça.
- Hey, , você ainda tá aqui... - ele sorriu e sua cara amassada me fez rir. - Obrigado por não me deixar sozinho ontem. - se levantou. Ficamos sentados, um do lado do outro em silêncio. Percebi seu olhar sobre a boxer que eu estava vestida e ri, sem jeito.
- Não se importa, né? - senti que minhas bochechas haviam corado.
- Se eu me importo? É claro que não! - achei a resposta meio empolgada demais, mas tudo bem.
- Nossa, eu preciso de um banho agora! - se levantou, me fazendo dar de cara com seu abdômen e braços nus... - Ainda bem que a dor de cabeça passou, mas eu não consigo me lembrar direito do que fiz ontem... Eu já volto, ! - dito isso, ele entrou no banheiro, fechando a porta e logo eu ouvi o barulho do chuveiro sendo ligado. Tenho que confessar que foi difícil não imaginá-lo naquele momento, imaginar a água correndo pelo seu corpo... Não havia motivos, eu não poderia mentir para mim mesma, eu sentia algo por , apesar de não conseguir definir o que era.
Quando se é adolescente, as coisas são fáceis, é só sentir o coração bater mais forte por algum garoto e pronto, é como se a vida mudasse, mas com o passar do tempo você percebe que não é só isso, a vida não se baseava apenas nisso.
Meu momento filosófico foi interrompido por um com sinais de espuma pelos braços que havia aberto a porta do banheiro e estava com metade do corpo para fora, o chuveiro ainda estava ligado. Haviam se passado quinze minutos.
- Hm, você pode pegar aquela toalha ali pra mim? - ele pediu sem graça, apontando pra uma toalha azul que estava jogada no chão, no canto do quarto.
Levantei da cama, indo até lá e pegando a toalha, fui até a porta do banheiro e a coloquei na mão de . Só quando levantei o olhar, percebi seus olhos me fitando tão intensamente, tão...
Eu ainda segurava a outra ponta da toalha e foi como se eu tivesse levado um choque ao sentir sua mão molhada entrar em contato com a minha. Engoli em seco, sentindo meu corpo mandando uma resposta àquilo tudo.
Foi rápido demais.
Ele empurrou a porta que estava meio fechada com a mão, exibindo seu corpo coberto por espuma e nu, me fazendo arregalar os olhos e recuar por impulso para trás. Ele veio até mim, entrelaçou as mãos em minha cintura, molhando minha roupa e minha pele. Puxou meu corpo para trás, fazendo com que eu encostasse na parede do banheiro. Sua boca atacou meu pescoço, que se arrepiou de imediato, assim como o resto do meu corpo.
- Não, não, não - ele começou a sussurrar. - Eu tive que resistir uma noite inteira, não me faça sofrer mais. - assim que disse isso, grudou os lábios nos meus, me puxando pra perto do chuveiro. A medida que o beijo ia se aprofundando, nós dois dávamos passos cegos até o box, entrando desajeitadamente lá dentro. Ele me empurrou pro canto, me fazendo gemer alto ao perceber que a água estava gelada. Depois de não haver mais parte do meu corpo que estivesse seca, ele me abraçou pela cintura de novo, encarando meus olhos e voltou a me beijar. Sua língua era ágil e quente, passeava pela minha boca, se enroscando com a minha língua. Coloquei minhas mãos em sua nuca, subindo para seu cabelo e o puxando de leve, ele sorriu entre o beijo, mordendo meu lábio inferior.
Aquilo era loucura.
Desceu uma das mãos até a boxer que eu vestia e a puxou para baixo, levando junto minha calcinha. Eu não me importei. Apenas deslizei uma de minhas mãos por seu abdômen, parando em baixo de seu umbigo, ele me olhou mais uma vez, fazendo um sinal positivo com a cabeça. Foi então que sem pensar duas vezes, minha mão envolveu seu membro ereto, o acariciando desde a base até a glande. Ele fechou os olhos, soltando um gemido abafado, mas eu logo acabei com aquilo, o fazendo soltar outro gemido, mas esse era em protesto. Passei minhas unhas por suas costas, sentindo-o arquear o corpo e quase o fundir com o meu. Sorri maliciosa, lembrando-me de uma coisa.
- Sabe, - minha boca estava próxima de sua orelha - Seis anos atrás, eu fiquei muito mal com a sua rejeição, sabe? Naquele mesmo dia em que você se negou a ir ao baile comigo, eu tomei uma decisão. - ele se arrepiou ao me sentir morder sem cuidado algum seu lóbulo, gemeu meu nome, fazendo com que eu sentisse sua ereção roçar em minha perna. - Eu mudaria, eu mostraria para todos o que eu poderia fazer e com quem eu poderia fazer. Eu jurei a mim mesma que um dia, mesmo que demorasse muito... - o olhei nos olhos, meu Deus, como eram intensos, como transbordavam luxúria. - Você iria me olhar e pensar "que besteira que eu fiz". E olha só... Olha onde nós estamos agora, agora a sua cara olhando para mim. Chega a ser irônico, não? - mordi o lábio, vendo-o ficar sério e em seguida sorrir.
- Meus parabéns, , você conseguiu, olha como eu estou por sua causa - ele começou a subir minha blusa, passando uma das mãos em minha barriga, como seu toque era bom. - Eu estou completamente louco por você... Bastou uma noite... - sua voz era tão sedutora que meu corpo queimava ao ouvi-la. - Você tem que ser minha agora! - a voz foi ficando rouca e eu já não sentia mais a blusa em meu corpo, o ajudei a tirá-la por completo. Como ela era frente única, eu não estava usando sutiã. Ponto para ele.
Balancei minha cabeça negativamente, me sentindo malvada em torturá-lo daquele jeito, ri por dentro me sentindo extremamente parecida com naquele momento. Mas que se danasse .
- Por favor, ... - sua voz era suplicante e aquilo me excitava mais ainda. Beijei-o, sentindo suas mãos percorreram todo o meu corpo, sem restrições. - Oh, droga! - ele me soltou, indo rápido na direção de um pequeno armário que ficava no canto do banheiro. Voltando rapidamente com uma camisinha em mãos, colocou-a rapidamente e me agarrou de novo.
- Eu não preciso dizer nada, meu corpo fala por mim. - senti-o me pressionar contra a parede, massageando uma de minhas coxas, ele a apertou no interior e fez o mesmo com a outra, com um pouco de força enlacei as duas em sua cintura, o sentindo me penetrar sem aviso prévio.
Gemi alto, me movimentando em sincronia com ele. A todo o momento, nossos olhares se encontravam e era como se meu coração quisesse sair pela boca, não cabia mais dentro do meu peito. Eu não deveria me sentir balançada daquele jeito.
Ele começou a investir mais rápido, me fazendo gritar e pedir mais, por mais, mais... Uma última investida... Chegamos tão rápido ao ponto máximo que quando minhas pernas se soltaram de sua cintura, elas estavam moles e ele teve que me segurar. Pousou o queixo em meu pescoço, respirando fundo.
- Não sei o que dizer. - falou, fazendo um carinho gostoso em minha cintura.
Eu também não sabia, nunca imaginei que ficaria tão balançada com algo que envolvesse depois daqueles anos. Foi muito rápido, mas foi muito bom e eu não queria aceitar aquele fato. Não, de novo não.
Ele me olhou confuso quando eu tirei suas mãos de minha cintura e separei nossos corpos, recolhendo minhas roupas molhadas e saindo desajeitada do banheiro.
- O que foi? Volta aqui! - ele disparou atrás de mim. Vesti minhas roupas no quarto, com ele ali, em dúvida do que falar, peguei minha jaqueta, colocando por cima da blusa molhada, xingando alto porque minhas mãos tremiam tanto que eu não conseguia movê-las direito.
- ... - Isso foi um erro, droga, , será que você não percebe? - peguei minha bolsa no chão, passando por ele que estava com uma toalha amarrada na cintura.
- Você não pode ir embora assim... - ele ia chegar perto, mas eu balancei a cabeça, em reprovação. - Não pode!
- Eu posso e eu vou. - saí do quarto, correndo pelo corredor, calçando meus sapatos e abrindo a porta da sala, parando de andar quando ele me alcançou.
- Eu sei que você vai voltar! - olhei séria para ele, vendo um sorriso surgir em seus lábios. - Isso não mexeu apenas comigo. - dei as costas em seguida, entrando no elevador. Completamente ensopada.

Desci do táxi, ainda molhada e entrei correndo no hotel. Eu não precisava me explicar, eu estava ali com , nem dirigiam a palavra a mim para impedir alguma coisa.
Entrei no quarto, não encontrando ninguém. Abri o closet e algumas coisas não estavam ali, como algumas roupas de . Onde diabos ele havia se metido? Ok, por um momento aquilo foi aliviante, como eu explicaria estar molhada daquele jeito?
Conseguindo tirar de meus pensamentos por um minuto, saí do quarto, dando de cara com Jared na entrada do elevador.
- O que aconteceu? Jared, que cara é essa... - sua expressão era tensa, triste e confusa. - O que aconteceu? - ele parecia não ter notado meu estado e apenas balançou a cabeça, respirando fundo. - Cadê o ? - segurei seu braço, me arrependendo depois.
- Ele... Ele teve que ir pra Londres e... - cada palavra era solta com cuidado.
- Por quê? - Só podia ser brincadeira, o que diabos ele pretendia voltando para Londres? Nessa hora, senti um mal estar, me segurando na parede para que eu não caísse. Estava sem comer há tantas horas que aquilo obviamente aconteceria logo.
- O pai dele... O pai dele...
- Diz logo, merda!
- O pai dele faleceu ontem.
O chão havia sumido.


TEN


's POV

Eu encarava aquele corpo na minha frente. O caixão de cor escura estava aberto, sem necessidade alguma.
O ambiente estava calmo, as pessoas estavam caladas, talvez porque eu estava ali. Olhei mais uma vez para o corpo sem vida daquele homem. Eu não conseguia chamá-lo de pai há um bom tempo. Encarei sua boca, em um tom roxeado e sua voz invadiu minha mente, me fazendo recuar. Era como se ele estivesse falando comigo.

"Garoto idiota, você nunca consegue fazer nada direito!"

"Moleque, saia da minha frente antes que eu te mande pro hospital!"

Respirei fundo, engolindo a porra da raiva que me invadiu. Minha vontade mesmo era de socar aquela droga de caixão. Coloquei meus óculos escuros e virei meu corpo, encarando várias pessoas, vestidas de preto assim como eu. Elas me olhavam com curiosidade e pena. Eu não suportava que sentissem pena de mim.
Saí da sala onde estava o corpo daquele... Homem e de repente vários homens completamente apressados vieram correndo em minha direção. Uns seguravam câmeras, outros microfones. Dispararam a falar na minha frente e eu não conseguia acreditar no que estava vendo.
Paparazzis? Puta que pariu.
- , é verdade que agora você vai assumir todos os negócios do seu pai? - ignorei a pergunta, passando reto por eles. Na verdade eu queria mesmo era socá-los. - Por que estão dizendo que o seu pai morreu de um jeito misterioso? Foi um infarto mesmo? - o filho da puta estava me seguindo, apontando aquela maldita câmera pra mim.
- Olha aqui... - forcei um sorriso. - Tira essa porra dessa câmera da minha cara antes que eu te faça engolir ela. – empurrei-o, vendo uma pequena movimentação se formar devido à cena que eu estava fazendo. Andei rápido até o estacionamento, parando do lado do meu carro. Senti o vento forte que chegava a incomodar meu rosto e no meio de tudo aquilo, uma vontade de chorar invadiu meu corpo.
Essa era boa, eu iria chorar porque meu... Meu... Pai tinha morrido? Não, talvez não fosse isso, talvez fosse... tudo. A imagem de tomou forma em minha mente, pisquei os olhos algumas vezes, bagunçando meus cabelos em seguida. Entrei no carro, colocando um rock pesado para tocar.
É, , você estava sozinho no mundo, mais do que nunca. Foda-se, não era isso que queria? Ficar livre de tudo e todos?
Bom, a princípio sim...

/'s POV

Abracei meus joelhos, sentindo minha roupa ainda molhada e meus cabelos, que estavam quase secos, atrapalhando um pouco minha visão devido à bagunça que estavam com alguns fios espalhados em meu rosto. Olhei ao redor do quarto, sentindo uma sensação péssima. havia perdido o pai... Como ele deveria estar se sentindo? Será que pelo menos quando algo assim acontecesse ele seria mais... Sensível?
Levantei, olhando a movimentação do lado de fora do hotel pela janela. Todas as pessoas que trabalhavam ali estavam de preto, como uma espécie de luto. Deveriam estar se perguntando o que aconteceria depois daquilo, se ainda ficariam com seus empregos. E eu me perguntava quando iria voltar pra casa.
Ouvi passos atrás de mim e fechei os olhos antes de me virar e acabar encontrando alguém que eu não queria. Para minha sorte era Jared, ele estava em dúvida se chegava mais perto ou não. Olhei triste para ele, que devolveu meu olhar.
- Oi. - ele disse, olhando para os próprios pés.
- Jared... - eu disse, dando um passo para frente. - Posso te pedir uma coisa? - ele levantou o olhar, meio surpreso com a minha pergunta, mas concordou com a cabeça. - Posso te abraçar? - seus olhos se arregalaram - Eu preciso de um abraço!
Fui rápido até ele, o abraçando, envolvendo minhas mãos em seus ombros, ele, meio sem jeito, colocou uma das mãos em minha cintura, envolvendo a outra em minhas costas. Não sei por que eu estava fazendo aquilo, mas eu precisava de algum conforto, precisava de alguém que me dissesse que logo aquilo acabaria.
- Obrigada! - eu disse, afrouxando o abraço e dando um beijo em sua bochecha. Ele estava envolvido em nosso contato e sua mão ainda estava em minha cintura. Ouvi alguém pigarrear e soltei o corpo de Jared na mesma hora, ficando de frente para a porta.
Era Ian.
- Eu estava te procurando, Jared! - ele olhou suspeito para mim e depois para ele. - Mas já vi que você tá meio... Ocupado.
- Não é nada disso, Ian. - ouvi a voz de Jared dizer, firme.
- Não é pra mim que você deve explicações, e sim pro . - Ian riu, balançando a cabeça.
- Olha só... - ele lançou um olhar de cima a baixo pra mim - Parece que a mocinha aí resolveu se render e agora vai deixar que você termine o que começou na casa do chefe - ele bateu palmas. Que cara ridículo.
- Cala a boca, idiota. - me ouvi dizer e quase arregalei os olhos em seguida.
- O que você quer comigo? - Jared falou.
- Não esquece que ela tem que continuar a se encontrar com o . O chefe deixou claro que era para cuidarmos dela e manter os planos ativos.
Olhei para Jared, recebendo um olhar duvidoso em seguida. Ian saiu dali, sem dizer mais nada e voltei a me sentar na cama. Eu tinha me esquecido disso, tinha me esquecido que não dependia de mim voltar ao apartamento de ou não. Eu teria que vê-lo de novo, e de novo e de novo... Mas eu não podia fazer aquilo com ele, iludi-lo e na verdade estar apenas o envolvendo em algo que custaria sua própria vida. Eu falaria com ele, eu contaria tudo.
- Você vai me levar lá hoje? - perguntei, percebendo que ele ainda estava formulando uma resposta.
- Você sabe que eu estou tentando ajudar você, mas eu realmente não sei como... O Ian tá de olho em mim, ainda mais depois disso... Digo, depois que ele nos viu abraçados, eu tô ferrado! - ele bufou.
- Não tá não, eu prometo! Mas você pode me ajudar? Eu vou te livrar dessa, Jared. Custe o que custar.
- Se arrume, eu te levo até o apartamento. - dizendo isso, ele saiu do quarto, batendo a porta. Encarei o closet fechado e lembrei-me de de novo. Onde ele estaria? Por mais que o meu ser lutasse para conseguir sentir raiva dele, eu queria muito abraçá-lo, estar com ele naquele momento.
Peguei a primeira roupa que vi pela frente, colocando sem demoras e depois dei um jeito em meu cabelo, o prendendo. Logo Jared havia voltado ao quarto e eu o acompanhei até o saguão do hotel, indo para o estacionamento. A todo o momento ele tentava parecer rude comigo, como os outros dois eram, mas eu percebia que aquilo era uma máscara. Jared não merecia viver daquele jeito e isso só acabava mais ainda comigo. Eu sentia que ele era um homem bom, talvez a única pessoa que eu poderia chamar de amigo naquela loucura toda.
Entramos no carro e logo Jared já virava a esquina. Eu balançava minhas pernas freneticamente, devido ao nervosismo. Tinha dito a que não voltaria e horas depois apareceria de novo em sua casa. Eu era ou não era uma mulher de palavra?
- Eu vou contar pra ele. Vou contar tudo! - Jared freou o carro, me olhando com os olhos arregalados. - Não tem outra saída.
- Não, ele não pode saber... Você é maluca?
- Não vou deixar que façam nada com o , tá me entendendo? Eu não tô do lado do e espero que você não esteja fingindo que está do meu só pra ir correndo contar isso pra ele. - me arrependi imediatamente de ter sido tão fria. Jared me olhou triste, respirando pesadamente.
- Eu não sou como eles, já te falei.
- Desculpa, eu... - encarei o vidro do carro, vendo que ele havia voltado a dirigir.
- Seja o que Deus quiser! - ele me interrompeu, com os olhos presos na rua e uma expressão de confiança.
Eu impediria o pior que estava por vir e havia conseguido um aliado.

Apertei a campainha sentindo meu estomago embrulhar só de imaginar que eu o veria de novo. Depois do que havia acontecido entre nós há apenas algumas horas. Logo ele estava na porta, com um olhar de surpresa e satisfação ao mesmo tempo. Estava sem camisa, apenas com uma calça jeans. Desviei o olhar de seu corpo, olhando para os lados.
- Eu disse que você voltaria. - sua voz era de vitória e aquilo me irritou.
- Dá pra você colocar uma camisa? - pedi, ainda evitando olhá-lo.
- Só se você entrar! - aceitei seu pedido, entrando depois dele no apartamento. pegou uma camisa que estava no sofá e a colocou, me olhando em seguida. Eu estava de pé, no canto da sala, ainda sem coragem para fazer com que nossos olhares se encontrassem.
- , dá pra você olhar pra mim? - ele disse, autoritário. - Ou pelo menos sentar no sofá.
Tomei coragem e o encarei nos olhos, me arrependendo depois. No momento que eu avistei suas íris brilhantes, meu estômago mais uma vez se revirou. Que ridículo.
Esfreguei minhas mãos, indo até o sofá que ficava próximo de onde ele estava. Sentei-me, vendo-o sentar-se ao meu lado. Eu estava bem desconfortável ao lado do homem que havia transado comigo há poucas horas.
- Nós precisamos conversar. - eu disse, recebendo um olhar de dúvida dele.
- Sobre hoje cedo? Olha, não estava nos meus planos, mas como você queria que eu me controlasse, é impossível, afinal eu acho que...
- Não é nada disso, ! - cortei seu falatório, vendo-o mexer nos cabelos. Estava começando a ficar tão desconfortável quanto eu.
- Então o que é, ? Dá pra me falar de uma vez? - segurou um dos meus braços, aproximando seu corpo do meu. Tremi com o seu toque, procurando ar para meus pulmões. Encolhi-me no sofá, respirando devagar diversas vezes.
Um dos momentos que eu mais temia havia chegado.
- Não é fácil o que eu tenho pra te contar, . - olhei para ele, que estava parado feito uma estátua e não tirava os olhos de mim - Eu não estou aqui porque eu quero... - fechei meus olhos, procurando forças pra continuar.
- Não? Mas você está aqui com o , então... - toda a calma que eu estava conseguindo juntar evaporou ao ouvir aquele nome. O motivo pelo qual eu estava ali.
- Sim, eu estou aqui com o , mas não é nada do que parece. - meus olhos estavam começando a arder e logo eu não aguentaria mais segurar as lágrimas.
- , você tá me assustando, pelo amor de Deus, o que tá acontecendo? - ele levantou, pegando uma de minhas mãos e eu percebi o quanto a sua estava gelada e trêmula.
- ... - era a hora. - , querem te matar! - soltei, sentindo um enjoo horrível em seguida. Não queria olhar seu rosto, não queria ver a expressão que ele havia adquirido, não queria sentir aquela dor, não queria estar ali... Merda.
Um silêncio assustador tomou conto do lugar e senti que não segurava mais minha mão.
- O quê? - sua voz estava baixa.
- veio pra Los Angeles atrás de você, ele quer vingança por algo que eu desconheço. Eu sou secretária dele, fui sequestrada para... - um filme das coisas que eu havia vivido com naquele curto espaço de tempo surgiu em minha mente. Mordi o lábio, segurando o choro. - Te seduzir e tornar o que ele planeja mais fácil de acontecer. Uma armadilha , isso é uma armadilha.
Senti o peso de seu corpo cair sobre o sofá, ele estava sem expressão, mas piscava os olhos freneticamente, digerindo aquilo. Levantei-me, percebendo seu olhar sobre mim, pensei por alguns minutos em sair correndo dali, mas eu precisava colocar aquela situação em pratos limpos.
- Você tá brincando comigo, né? , o não tem motivos pra fazer nada dessas besteiras que você tá dizendo! - ele praticamente gritou.
- Tem certeza que não? - olhei nos olhos dele. ficou sem saber o que responder, abriu a boca várias vezes, mas sempre a fechava de volta, sem ter o que dizer. Ele escondia algo? Será que o que eu conhecia do colegial havia feito coisas que eu desconhecia? Coisas ruins?
- Me matar? - ele começou a andar pelo cômodo. - É isso que ele quer? Se fingir de meu amigo pra depois me matar? - me olhou e começou a rir. Senti medo. - E ainda por cima não foi homem o suficiente pra vir até mim e apontar uma arma na minha cara? Eu deveria imaginar... - eu não reconhecia mais a pessoa que estava na minha frente. - Usou uma mulher pra me seduzir e me fazer cair feito um patinho... Você, ... Eu nunca poderia imaginar isso...
- ... Eu não, eu, não quero mais fazer isso, eu... - as lágrimas não conseguiam mais ficar presas.
- Nada foi real, então? - ele respirou fundo. - Você não tem porcaria de primo nenhum chamado Carter, não estava saindo comigo porque queria - colocou a mão na cabeça, irritado. - Não transou comigo porque quis... Sai daqui! - ele avançou em minha direção, mas parou quando estava perto demais.
- Sim, eu quis - eu não deveria ter dito aquilo. - Porra, é claro que eu quis... Mas, entenda...
- Eu pedi pra você sair daqui. - ele me segurou pelo braço, me levando até a porta, abriu-a e me empurrou meio agressivo para fora. - Diga pro seu chefe fazer o que tem que fazer sem se esconder atrás de uma mulher!
Bateu a porta, sem me deixar dizer mais nada. Sentei-me em um dos cantos do corredor e deixei que as lágrimas caíssem. Eu era mesmo uma idiota, deveria pensar que eu era uma qualquer e só estava fazendo tudo aquilo com ele porque um cara que quer o matar me mandou. Mas ele não sabia que quando eu o vi pela primeira vez, seu rosto não saiu de minha mente, quando eu fui dele pela primeira vez, a sensação não saiu tão cedo do meu corpo.
Mas eu ainda não desistiria, ninguém perderia sua vida naquele jogo.

Depois de ficar quase uma hora parada em frente à porta de esperando que talvez ele se arrependesse e saísse dali pra falar comigo, me levantei, caminhando até o elevador.
Após sair do apartamento, avistei o carro de Jared que estava do outro lado da rua. Ele estava sentado no banco do motorista e ouvia uma música em um volume baixo. Pareceu preocupado ao ver meu estado. Meus olhos estavam vermelhos e minhas mãos ainda tremiam.
- O que houve? O que ele fez com você? - abriu a porta do carro, estava tenso.
- Nada, ele não fez nada... Quem fez fui eu. - funguei. - Ele já sabe de tudo e deve me odiar agora.
Jared ia responder alguma coisa, mas seu celular começou a tocar alto e ele se afastou um pouco de mim para atender. Mesmo com a distância, identifiquei que ele falava com Ian. Senti meu coração acelerar quando o ouvi dizer que estava voltando para Los Angeles e que chegaria ao hotel em menos de duas horas.
Eu não sabia mais o que me esperava, como ele ficaria quando soubesse que eu não iria mais atrás de ? Provavelmente daria um fim em mim e depois nele. Acho que isso era o melhor mesmo, eu já não aguentava mais.
Só que, ignorando todas as coisas ruins, uma chama de esperança não se apagava dentro de mim. Ela enfraquecia, mas não perdia seu calor.

Jared havia me convencido a ir comer algo com ele, antes que eu começasse a passar mal. Acho que ele não queria tanto quando eu voltar para o hotel e aguentar as consequencias de nossos atos. Eu sempre achei que um dos outros dois me seguiam quando eu ia para o apartamento de com Jared e, se isso realmente fosse verdade, eu estava completamente ferrada.
Três horas haviam se passado e o sol já estava desaparecendo, escurecendo as ruas. Chegamos ao hotel, e Jared me olhou com receio, fiz um sinal positivo com a cabeça para que entrássemos logo. Saímos do carro, entrando no saguão e dando de cara com James.
- Ele já chegou. - o rapaz disse, olhando torto para mim. - Está na piscina.
Claro, como que um hotel como aquele não teria uma piscina luxuosa para seus hóspedes?
Deixei Jared e James para trás e fui caminhando pelo local, até achar alguma indicação de piscina. Passei por dois corredores, vendo uma porta de vidro logo mais a frente. Ela era grande e dava vista para algumas árvores e um reflexo me fez perceber que ali ficava a piscina. Engoli em seco, ouvindo o barulho do vento batendo nas árvores. Segurei a porta, vendo que o lugar estava vazio, provavelmente havia mandado fecharem a piscina para que ele ficasse sozinho ali.
Saí, dando passos silenciosos, sentindo a brisa fria em meu rosto. Ele estava ali, sentado na beirada da piscina, com os pés dentro da água. Estava sério, bem sério.
- . - ouvi sua voz e levei um susto. - Gostou da piscina? - sua voz era fria. Fiquei em silêncio, vendo ele se levantar e caminhar em minha direção, se sentou em uma das cadeiras que ficavam perto de onde eu estava e acompanhou meu silêncio.
- Eu sinto... Eu sinto...
- Não sente não. Nem eu sinto. - ele soltou uma risada nasalada. - Finalmente eu fiquei livre daquele velho.
- ... - senti meu coração bater mais forte. - Pare, por favor.
- De novo? De novo você me pedindo uma coisa que sabe que não vai acontecer? - se levantou, ficando de frente pra mim.
- Eu vi vocês dois ontem, o que o fez? Ele te considera um amigo... Não entendo porque disse que não poderia chegar perto dele sem que ele fugisse! - eu disse tudo de uma vez, ele pareceu refletir por um segundo. - Qual é a verdade por trás disso?
- Você é idiota ou o quê? - não havia entendido. - Por que acha que eu te trouxe aqui? Pra brincar um pouquinho com o enquanto eu preparo uma arma pra atirar nele? - colocou a mão em meu queixo, mas eu a tirei violentamente. - ... A ideia sempre foi que você se livraria do pra mim, mas acho que não conseguiu se dar conta disso...
Um choque, eu havia levado um choque.
- Eu? Mas eu pensei que... - ele sorriu sem humor algum.
- Você pensou errado. Digamos que isso é uma espécie de troca... Você mata ele pra eu não ter que matar os dois. O que acha? Não é justo?
- NÃO, CLARO QUE NÃO É! - berrei, dando as costas pra ele. - Eu não vou mais fazer o que você diz, ...
- Não dê as costas pra mim, , depois você não vai poder voltar atrás.
- Eu não vou voltar atrás, já chega dos seus caprichos, - disse firme.
- Você só vai tornar tudo mais divertido pra mim... Dois coelhos com uma cajadada só! - me virei, não suportando mais ouvir aquelas coisas e fui até ele.
- Então eu quero que você olhe nos meus olhos e diga que vai me matar, que isso não vai lhe causar nada a não ser uma sensação de alívio por ter me tirado do seu caminho. - ele não movia um músculo enquanto eu falava. - Vamos! Faça isso! E se quiser, pode acabar comigo agora. - ainda estava sem reação, fazendo minha raiva aumentar. Dei as costas pra ele, dando dois passos e voltando em seguida, olhando para seu rosto que estava encarando o nada.
- Vamos... Não é homem pra fazer isso? - no instante que eu disse isso, seu olhar mudou de direção e se encontrou com o meu.
Gelei, vendo um sorriso maléfico se formar em seus lábios. Era isso, ele me mataria, ele não se importava, ele...
Ele me puxou pelo braço e grudou nossos lábios, começando um beijo feroz. Sua língua entrou em minha boca, sem pedir permissão. Eu lutava contra ele, tentava me soltar dele, mas meu corpo foi amolecendo com o passar dos segundos e logo eu era prisioneira de seu beijo, mais uma vez como tantas outras.
Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, ele me segurou com força pela cintura e fez com que nós dois caíssemos na piscina que não era tão funda. Senti o ar sumir de meus pulmões e logo suas mãos me puxaram para cima. Ele pressionou seu corpo no meu, me encostando a uma das beiradas e começou a descer a mão por minha calça.
- Como você tem coragem de dizer que eu não sou homem? - grudou a boca no meu pescoço. Senti sua mão puxando o zíper da minha calça, fazendo com que ela ficasse mais frouxa no meu corpo. - Eu deveria fazer você se arrepender de ter dito isso. - minha calça não estava mais em meu corpo e eu soltei um gemido ao sentir sua mão puxar minha calcinha para baixo. - Não acha, ? - me olhou nos olhos mais uma vez. - Eu vou te matar sim... - arregalei meus olhos ao sentir ele me penetrar com dois dedos sem aviso prévio, os movimentando e fazendo meu quadril mexer de acordo com seus movimentos. - De prazer...

ELEVEN


- Vamos, , diga agora, eu sou homem ou não sou? - disse, em meio a gemidos que ficavam cada vez mais intensos. Eu não estava muito diferente, ele me penetrava com tanta força que o ar quase faltava. Segurei com força em seus ombros, me movendo de acordo com suas investidas. Nossos movimentos eram tão fortes, era como se estivessem cheios de raiva, ou algo do tipo. Ele segurou meu quadril, fazendo com que eu rebolasse, sentindo seu membro quase pulsar dentro de mim.
- Vamos... - ele sussurrou no meu ouvido, com a voz mais sexy que eu havia ouvido em toda minha vida - Diga o que eu quero ouvir... - investiu mais uma vez, me fazendo gritar de prazer. - O que você quer que eu faça com você? - a cada palavra dita, era como se o prazer aumentasse, eu já não sentia mais minhas pernas, estava segurando nele com tanta força que com certeza deixaria os locais marcados.
- Me faça... - respirei fundo, não conseguindo terminar a frase. Gemi junto com ele, sentindo meu coração lutar para sair do meu peito. - Me faça gozar... - soltei as palavras, recebendo uma outra investida ainda mais forte.
- Eu não ouvi direito, repita! - ele envolveu meu seio em uma das mãos e o apertou com certa força, mas dor era uma coisa que eu não conseguiria sentir naquele momento.
- Me faça gozar, agora, por favor... - eu não aguentava mais e ele havia diminuído os movimentos, apenas para me provocar. – Porra, , AGORA! - gritei, sentindo meu corpo amolecer e uma sensação inexplicável me dominar dos pés a cabeça. O corpo dele amoleceu sobre o meu, eu podia sentir o meu coração bater junto com o dele, um batia mais intensamente que o outro.
Eu me odiava por ceder facilmente, por ser tão fraca nas mãos dele, mas era algo mais forte do que eu, eu tinha quase certeza que nunca conseguiria ficar livre do efeito que aquele homem tinha sobre mim.
Ele me soltou, mergulhando em seguida, logo voltou à superfície, com as roupas em sua mão, entregou as minhas, evitando soltar qualquer palavra. Apoiou-se na beirada da piscina e saiu dela, revelando seu corpo nu e molhado, que se jogou no chão. Ele ainda respirava com dificuldade e demorou um pouco pra vestir sua roupa. Eu apenas o olhava, sem forças para sair dali. Nossos olhares se encontraram e ele soltou um sorriso de canto, ficando sério em seguida. Eu nunca entenderia as reações daquele ser.
Muito menos as minhas.
- Espero que agora você tome cuidado com suas palavras! - se levantou, caminhando pela piscina. - Vai ficar aí? Tá frio, ! - sorriu, indo até a porta e sumindo de minha visão.
Nunca, em toda minha vida, eu havia conseguido me sentir tão fora de curso, tão em dúvida em relação a tudo. Uma hora eu o odiava, o amaldiçoava por ter tornado minha vida aquele filme... Mas depois, era como se algo viesse e levasse tudo embora, eu precisava daquela droga, daquele homem, eu precisava ver seus olhos sobre os meus, precisava sentir seus lábios ferozes se chocando com os meus, necessitava ser dele, de qualquer jeito.
Apaixonada... Sim, era isso mesmo... Era tarde demais para negar.
Meu corpo estava viciado em uma droga, talvez - pelo menos no meu mundo - a mais poderosa e mortal delas: .

Chuva. Gotas grossas e geladas caíam sobre minha pele coberta apenas por um vestido curto, eu olhava ao redor, mas não conseguia achar um rosto conhecido, apenas o frio era meu companheiro. Tentei correr, tendo dificuldades devido a meu salto. Quanto mais eu tentava me esconder da chuva, mais os pingos ficavam fortes e se chocavam contra minha pele. Ouvi passos, cada vez mais próximos, meu coração acelerou.
Ouvi gritar algo como um "NÃO!"
Um barulho de tiro... Sangue...


Abri os olhos, me levantando bruscamente da cama, respirando fundo. A cena que veio em minha visão só podia ser a continuação daquele pesadelo: e estavam dentro do quarto, conversando e bebendo... Ele virou o rosto ao me ver acordar e pareceu ficar sem graça, ela apenas riu, terminando sua bebida e revirando os olhos.
- Por que você tem que dormir no mesmo quarto que essa coisinha? Ou pior, por que você tem que dormir na mesma cama que ela? - apontou pra mim, com aquela cara que tanto me dava nojo. - Se eu quiser brincar um pouquinho com você não vou poder. - ela segurou no colarinho da camisa dele, se apoiando para beijá-lo.
Uma ira desconhecida me fez pular da cama e minha voz alta se manifestou.
- Eu não sou obrigada a ver isso! - arregalou os olhos. - Eu não quero ver, dá pra entender?
- Olha aqui... Quem você pensa que é? Sua secretariazinha ridícula... - ela ia continuar, mas eu fui até onde ela estava e acertei seu rosto com um tapa, meu Deus, o que estava acontecendo comigo?
- Antes secretariazinha do que uma vadia desgraçada como você! - estava parado, com os olhos arregalados, assistindo aquela cena perturbadora.
- Olha só quem fala - ela veio até mim, com a mão no rosto e me acertou com um tapa no mesmo local que eu havia dado nela. - Você dorme com seu chefe, fica se fazendo de coitada, mas não passa de uma...
- , CHEGA! - resolveu se manifestar, depois de tanto tempo. - SAI DAQUI!
- De novo, ? De novo você me tratando como nada? - ela fez uma expressão de raiva. - Por causa dessa filha da puta? - apontou pra mim, indo até a porta. Ele não disse nada, apenas fez sinal com as mãos para que ela saísse. - Pode esperar, , isso não fica assim! - ela disse as palavras pausadamente, indo embora.
Segurei o choro, sentindo a parte que havia recebido o golpe em meu rosto latejar, caindo na cama. me olhou, em dúvida se chegava perto ou não.
- Tá doendo? - ele disse, cauteloso.
- Ah, e você se importa muito, né? - eu tentava esconder que estava quase chorando.
- Eu só fiz uma pergunta, porra.
- Não dói tanto quando estar vivendo isso... - olhei para ele, com lágrimas nos olhos - Você tá transformando minha vida em um inferno, ... Espero que esteja orgulhoso! - virei o rosto, ouvindo seus passos para o outro lado do quarto, ele abriu a janela e depois de alguns minutos em silêncio voltou a falar.
- Eu não tenho orgulho de nada... Não tenho do que me orgulhar e nem nunca vou ter... - encarei seu corpo que estava de costas para mim, não entendendo muito bem aquela frase. Ele se virou, andando em minha direção. Senti meu corpo se arrepiar quando ele chegou perto e sentou do meu lado.
- ... - ele tinha dito meu nome, isso ainda soava estranho e surreal. - Eu preciso que você saiba de uma coisa... - seu olhar era diferente, tinha algo diferente, algo que eu ainda não conhecia. Não disse nada, apenas esperei em silêncio até ele resolver falar de novo. - Eu gostaria muito que as coisas fossem diferentes, que as circunstâncias fossem outras... Mas não são. - ele bufou, se afastando um pouco de mim.
- Por que você tá me dizendo isso?
- Por que eu não me sinto tão diferente de você e... - ele ia continuar, mas seu telefone tocou alto, o fazendo xingar um palavrão. Pelo jeito era Ian, que havia pedido que ele descesse. Ignorou-me, saindo do quarto e batendo a porta com força.
Entrei no banheiro, tomando um banho e dando um jeito no estado caótico em que eu me encontrava. Encarei meu reflexo no enorme espelho e me perguntei o que eu havia feito para merecer tudo aquilo. Eu não aguentava mais me lamentar, procurar motivos pras coisas serem daquele jeito e tentar achar uma saída. Às vezes minha única vontade era mandar tudo aquilo pro inferno. Tornar-me uma pessoa como ou até mesmo como , apesar de achar que escondia algo, algo que explicasse o motivo dele ser aquela pessoa tão fria... Que conseguia se tornar tão quente em um piscar de olhos.

- A te bateu? - Jared estava perplexo. Estávamos sentados na entrada do hotel, já que não gostava que ele e os outros dois ficassem andando pelas dependências o tempo todo. Eu não o tinha visto mais aquele dia, deveria ter ido atrás de para tentar consertar as coisas, ele, com certeza, fazia questão que alguém como ela ficasse brava com ele, de qualquer jeito... Ele não se importava comigo, a amiga de anos era mais importante.
- Sim, mas eu bati nela primeiro! - eu poderia ter sorrido.
- Oh, meu Deus... Eu perdi isso? - ele riu, colocando a mão em meu ombro.
- Como se isso fosse uma coisa feliz, né, Jared? - acompanhei seu riso, sem vontade alguma.
- Ah, vamos, dá pra você sorrir pelo menos uma vez? Acho que ainda não vi você fazendo isso do jeito que se deve... - tinha algo estranho no jeito que ele disse aquilo. Foi doce. Nossos olhares se encontraram e ele sorriu, esperando que eu retribuísse aquilo, era difícil. - Acho que quando as coisas estão ruins, um sorriso é uma das poucas saídas, ... - Me chamando pelo apelido, aquilo estava me assustando. - Quando ele é dado com sinceridade, é claro!
- Você é um filósofo e esqueceu de me avisar? - eu ri, ouvindo uma risada mais forte dele em seguida. Droga, ele havia me feito rir.
- Você riu! - ele fez uma voz afetada, me fazendo rir de novo. - Eu fiz você rir.
Levantei, sendo seguida pelo seu olhar. Jared fez um sinal negativo com a cabeça, pedindo para que eu ficasse, mas eu não podia continuar naquelas brincadeiras com ele, não queria piorar tudo, se é que tinha como...
Ele se levantou também, parando ao meu lado, nossos olhares se encontraram de novo e eu percebi que suas bochechas estavam ficando vermelhas. Meu Deus, ele parecia um adolescente, um menino daqueles que eu via tanto no colégio.
- Jared... - arrisquei. - Quantos anos você tem? - aquela pergunta deveria ter soado tão ridícula que eu quase achei que ele ia começar a rir.
- Que pergunta estranha... - ele colocou a mão no queixo. - Tenho 21 anos. - ele era mais novo que eu? Tá, poucos anos, mas mesmo assim, Jared era tão adulto às vezes, aparentava ter quase 30 anos, pelas atitudes e também pelo corpo que ele tinha. Corpo esse que eu ainda não havia reparado tão bem. Ele estava com uma camisa de mangas curtas e isso me possibilitou ver seus braços brancos e fortes. Mas que merda eu estava pensando?
Quando acordei de meus pensamentos, ele estava mais perto, uma proximidade que quase me incomodava.
- Jared? O que foi? - ele me olhava, tinha algo como determinação estampada no olhar.
- Desculpe, eu preciso fazer isso. - antes que eu perguntasse do que ele estava falando, sua boca se chocou com a minha, começando um beijo desajeitado e repleto de pressa. Eu tentei me soltar dele, mas sua língua passou pela minha boca e isso fez com que eu me entregasse àquele beijo tão errado. Meu Deus, onde eu e principalmente ele estava com a cabeça?
- Jared! Para! – empurrei-o pelo peito, vendo-o respirar com dificuldade devido ao beijo rápido.
- Desculpa! Desculpa! - disse, alto, se afastando de mim. – Oh, droga, eu não posso fazer isso, me esqueci, desculpa!
- Para de pedir desculpas, porra! - dei um soquinho em seu ombro, sorrindo em seguida. - Você é um cara impulsivo, essas coisas acontecem com os impulsivos. Tentei contornar a situação, até que uma voz fez com que todos os pêlos do meu corpo se arrepiassem... De medo.
- Jura, ? É assim com os impulsivos? Que bom! - estava atrás de nós, com os braços cruzados e falava com uma voz debochada. Jared ficou na minha frente, com os músculos tensos e os olhos fixos em qualquer movimento que poderia fazer. Engoli em seco, vendo um sorriso se formar no rosto de que mexeu no bolso do casaco que usava.
- Não... Senhor , não... - eu não estava conseguindo entender o que acontecia, Jared avançou um pouco mais, com as mãos entendidas, falando coisas que eu não conseguia entender muito bem. - Não é o que parece, me desculpe!
- Quieto, caralho! - disse, em um tom divertido e diabólico.
Tentei me afastar dos dois aos poucos, dando passos tímidos, encostando meu corpo na parede alta que ficava a meu lado. Olhei de para Jared, que estavam parados, se encarando como se conversassem mentalmente.
Quase soltei um grito de horror ao ver tirar uma arma de seu casaco. Coloquei a mão em minha boca, sentindo minhas pernas ficarem bambas e ver o rosto de Jared ficar mais branco do que já era.
- Acho que eu vou ter que testar essa belezinha em outra pessoa... - ele parecia brincar com a arma, a apontando para diversos lados e por fim a colocando de frente a Jared. - Não vou estrear ela com o ...
- NÃO! - eu gritei, correndo até ele, segurando seu braço e vendo a arma mudar de direção.
Agora ela estava apontada para mim.

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- Não faça isso, por favor, olha... - Jared estendeu o braço, com o olhar fixo no de . - Eu juro, aquilo não era pra acontecer... Eu juro. - olhei para Jared e percebi que agora ele me fitava, tentando transparecer confiança. Lentamente vi a arma sumindo de minha visão e voltar para o casaco de que sorriu, balançando a cabeça negativamente em seguida.
- Idiota, ela tá sem balas! - ele riu, dando um tapinha nas costas de Jared e em seguida lançou um olhar penetrante em mim. - É difícil se segurar com a perto mesmo... - eu pude sentir o tom de malícia em suas palavras e preferi evitá-lo.
entrou no hotel, deixando Jared e eu parados, um olhando para a expressão assustada do outro. Antes mesmo de eu dizer alguma palavra, ele começou a rir como se aquilo realmente tivesse sido engraçado.
- Ele é louco! - eu disse, olhando pra cima e para Jared depois, que me encarava pensativo. - O que foi?
- Nós nos beijamos... E nada explodiu! - tive que rir da cara de comemoração que ele fez, levantando os braços em seguida e piscando pra mim. O que foi estranho, bem estranho.
- Acho que você também é louco. - franzi o cenho, começando a ficar desconfortável de novo. O que Jared queria? Pelo amor de Deus, ele sabia como as coisas eram complicadas... E como sabia.
Ficamos sentados onde estávamos antes por algum tempo. Enquanto Jared falava alguma coisa que eu não me esforçava em ouvir, vi um carro parar do outro lado da rua. Ok, aquilo era comum, mas... Quando a porta do carro se abriu, aquilo havia fugido do comum e passado para o assustador.
estava de óculos escuros, os três primeiros botões da camisa azul-marinho estavam abertos e aquilo parecia uma cena de filme... Em câmera lenta.
- Você tá ouvindo o que eu tô falando? - Jared balançou a mão na frente do meu rosto, me fazendo virar para ele, assustada. - O que houve?
- O , ali, droga! - apontei disfarçadamente, me levantando em seguida. Jared fez o mesmo, ficando sério e olhando com uma cara não muito boa para . O mesmo notou nossa presença ali e deu um meio sorriso, que não me agradou muito, caminhando mais rápido em nossa direção. Eu podia sentir minhas mãos começarem a suar. No fundo eu estava com raiva dele, com raiva por não ter me escutado, por ter sido tão idiota...
E tão certo. Tá, eu merecia aquilo.
- ... - ele disse, no tom de voz mais normal possível, como se nada tivesse acontecido. - Posso falar com você? - ele olhou para Jared e logo eu estava apenas com , evitando encará-lo nos olhos. Senti o vento bater sobre meu rosto e acidentalmente meu olhar se encontrou com o dele, que já havia tirado os óculos.
- O que você faz aqui, ? Tá maluco? - sussurrei, quase não ouvindo minha própria voz.
- Eu não sou um covarde, linda, eu vou enfrentá-lo... Vou começar agora! - ele se virou, caminhando determinado até a entrada que dava para o saguão. - Mas é claro que primeiro vou fazê-lo pensar que não sei de nada!
Corri em sua direção, segurando seu braço e olhando firme em seus olhos.
- Eu tô tentando evitar que o pior aconteça, se você ainda não percebeu, ! - soltei seu braço, o vendo colocar a mão no local e em seguida me olhar, em dúvida. Olhou para os lados, olhou mais uma vez e me puxou pela cintura, grudando seus lábios nos meus. Na verdade, seu objetivo não era dar um beijo digno de cinema, pois ele logo me soltou e deu um meio sorriso, abrindo a porta do saguão, passando pelo segurança e sem olhar para trás.
O encontro de titãs... Digo, de e ...

's POV

Consegui passar facilmente por toda a segurança daquele hotel, garantindo a todos que eu era um velho amigo de .
E eu imaginava que fosse mesmo... Pelo menos até algumas horas atrás.
Aquele estúpido não podia ter armado algo daquele tipo, ele era louco? Eu não conseguia ver fundamento em fingir ser meu amigo durante tantos anos e estar planejando me apunhalar pelas costas. Não por aqueles motivos...
Motivos esses que ficaram tão intocáveis durante tanto tempo...
Não precisei andar muito até dar de cara com o próprio , ele estava na área de jogos e pareceu bastante surpreso ao me ver. O que foi interessante, devo acrescentar.
- ... - ele piscou os olhos algumas vezes, assumindo uma expressão cínica em seguida. Aquele ser nunca mudaria. - O que faz aqui? Como me achou? - ele veio até mim.
- Quando se é filho de Joseph ... Bom, não é difícil te achar! - só depois de ter soltado todas as palavras, eu percebi o erro que tinha cometido. Ele com certeza não queria falar do pai agora, pois o mesmo havia morrido. Todos já sabiam. Dei um sorriso sem graça e ele percebeu meu desconforto. - Aliás, eu sinto muito, cara... Muito mesmo. - educação e são o par perfeito... Mesmo que eu tenha que ser falso, fazer o que.
- Sem problemas com isso... As pessoas morrem, meu caro ... É a ordem da vida! - confesso que seu olhar poderia até ter me assustado se ele não tivesse soltado uma risada alta depois. Mas mesmo assim, eu sabia das suas intenções. - Escuta, o que acha de irmos até a área da piscina? Lá tem uma pista de golfe, um bar... - ele levantou as sobrancelhas, já andando na minha frente. Acompanhei-o, meio desconfortável. Passamos por algumas atendentes e garçonetes que olharam para mim trocando risadas umas com as outras. Estranho.
Chegamos à área e eu nunca havia visto aquele lugar, era grande, algumas pessoas circulavam por ali, mas o movimento não era tão intenso. Ele foi até o bar e voltou com duas cervejas, nos sentamos em uma das mesas que ficavam ao redor. A princípio fiquei com medo de engolir aquela cerveja, vai saber o que tinha nela? O cara queria me matar, provavelmente era correr um risco. Desviei meu olhar de onde estávamos e um par de pernas descobertas fez com que eu ficasse com meu olhar fixo no mesmo ponto.
se aproximava de nós. Que bela visão era aquela...
Seus passos rapidamente foram interrompidos quando o olhar dela se encontrou com o meu. Dei um gole na cerveja, sorrindo confiante para ela. Infelizmente, havia percebido e também virou seu corpo, olhando-a de cima a baixo. Como aquilo estava me irritando.
- Secretária! - ele disse alto. - Venha até aqui... - ele fez um sinal com o dedo para ela, que parecia estar com medo, mas logo estava do nosso lado. - Olha só quem veio me visitar... - olhou pra mim, sorrindo sem mostrar os dentes e depois pediu que ela se sentasse na cadeira vaga em nossa mesa.

/'s POV

Eu estava mais do que desconfortável, eu estava apavorada. Os dois me olhavam, ambos com olhares impossíveis de se decifrar e o pior de tudo era que eu tinha que disfarçar, tinha que fingir que toda aquela droga estava bem. Inferno.
Cruzei minhas pernas, vendo que percebeu meu gesto e se movimentou, ficando mais perto de mim. Nossas cadeiras estavam praticamente coladas.
- Então, , me diga... Como andam as mulheres? - sorriu malicioso e olhou para mim, como se perguntasse o que deveria responder. A única coisa que vinha em minha mente era o maldito momento em que nós acabamos passando dos limites naquele banheiro do seu apartamento. Aquela maldita cena não saía da minha cabeça. - Vamos, não me olhe com essa cara... Vai me dizer que você tá... - colocou a mão no queixo, lançando um breve olhar pra mim em seguida. - Na seca? - ouvi a risada alta de ecoar pelo ambiente, seguida pelo riso sem graça de , que logo se recompôs e seu rosto assumiu uma expressão de convencido.
- Na seca? Ora, não estamos no colegial meu caro, já ouviu falar em sexo matinal? Sexo no chuveiro? - eu tive que lutar com todas as minhas forças para que minha boca não se abrisse e meus olhos não se arregalassem.
Filho da puta!
apenas fez um som com a boca, algo como "hmmm" e logo eles começaram a rir, se esquecendo de mim. Afinal, por que eu tinha que participar daquela conversa?
- Como se isso surpreendesse alguém, ... - mordeu o lábio, percebi que uma de suas mãos não estava em meu campo de visão.
- Ah é? Então me conte você... O que anda aprontando por aí? - senti medo da resposta. Tanto medo que minhas mãos ficaram geladas.
- Digamos que nós temos algo em comum, sabe? Ambos gostamos de água... - eu podia sentir meu coração pulsando com tanta velocidade que logo não aguentaria e explodiria meu peito. Eles estavam falando de mim. Ambos contavam experiências que tiveram comigo.
Era bizarro... Talvez com uma pitada de interessante... Quem sabe... Não, não, era apenas bizarro, só isso!
- Sexo na piscina! - riu, sendo acompanhado por que olhou pra mim. Percebi o que seu olhar queria dizer. Era óbvio que ele sabia que o contato que e eu tínhamos não era apenas para negócios... Em todo caso, não sabia do meu contato com .
- Uuh, pegador! - colocou seus óculos escuros, dando o último gole em sua cerveja.
- Há! Tô pensando seriamente em pedir um bis... - senti um arrepio tremendo por todo o meu corpo ao perceber que a mão de deslizava pela minha perna descoberta. Ele subiu um pouco, ainda se mantendo imóvel, disfarçando, e apertou de leve minha coxa, passando as unhas nela de maneira suave e torturando. Respirei fundo, não deixando que percebesse aquilo.
- Bom, o papo tá ótimo, mas eu preciso ir embora... Só vim mesmo para conversar um pouco com você, ... Nos vemos em breve?
- Claro que sim, ! - eu podia imaginar o que se passava naquele momento na cabeça de . deu um aceno de cabeça e olhou para mim, sério.
- Tchau... ! - apenas concordei com a cabeça, ainda sentindo a sensação do toque de em minha perna.
Vi se afastar, passando pela entrada da área de jogos e logo estava com o rosto próximo do meu, me encarando.
- Se eu te perguntar uma coisa, , você vai ser sincera? - engoli em seco, estranhando a serenidade de sua voz.
- Não sei o que você quer perguntar, mas acho que sinceridade não entra em questão aqui.
- Olha só, ela sabe ser ousada. - sorriu mais uma vez, aproximando a boca do meu ouvido, segurando o lóbulo e o mordendo com certa força. Fechei os olhos, lamentando por aquele ser meu ponto fraco e logo me afastei, sentindo o local que ele mordeu pegar fogo. - Quer saber? Não me interessa saber o que você quer perguntar – levantei-me. - Vou pro quarto! - saí correndo, ainda conseguindo ouvir a risada meio maliciosa dele.

Olhei para a janela do quarto, vendo que o dia já estava no seu fim. Soltei meu cabelo que estava preso e encarei a porta. Onde estava? Não que isso importasse, até porque era inútil pensar assim, mas ele estava distante de mim... Depois da morte de seu pai ele preferia passar horas sozinho, em algum local mais isolado do hotel. Aquilo me deixava com uma sensação estranha... Talvez até esperançosa...
Ouvi um barulho vindo da porta e fiquei parada, esperando ela ser aberta e entrar por ali. Mas nada aconteceu, apenas um silêncio meio assustador do quarto se misturando com o barulho do vento que vinha de fora. Caminhei lentamente até a porta, segurando firme na maçaneta, pronta para alguma surpresa.
Nada.
O corredor estava vazio, as luzes eram fracas e se notava uma pequena agitação vinda dos andares mais baixos. Saí do quarto, dando passos cautelosos, encostando-me à parede do outro lado do corredor, procurei por algo suspeito com olhos, encontrando um pedaço de papel jogado no chão mais a frente. Fui até ele, me abaixando para pegá-lo. A caligrafia era bonita.
"Eu não teria saído do quarto se fosse você."
Larguei o papel no chão, levantando rapidamente e correndo até a porta do quarto que não queria abrir. Porra, eu não tinha fechado aquela porcaria. Tentei com todas as forças fazer a maçaneta girar e me trancar naquele quarto logo, mas nada acontecia.
Eu estava ficando realmente assustada.
Por um momento, me senti em um típico filme de terror, com direito a hotel luxuoso e bilhetes assustadores. Com mais um pouco de esforço, a porta estranhamente se abriu, revelando que havia alguém dentro do quarto, me fazendo quase cair para trás. Eu ia gritar, sair correndo, mas era como se meu corpo tivesse congelado.
- Não grita! - a voz era baixa, porém autoritária. - Vem comigo, agora! - encarei seu rosto sem sentimento algum e sua mão... Que carregava uma arma. Estava apontado para mim.
Eu sentia que daquele dia não passaria, as coisas não teriam o fim previsto... Seria algo pior, algo que no fundo eu poderia ter imaginado que aconteceria.
segurou meu braço com força, apontando a arma na direção do meu rosto, sua mão tremia tanto quanto a minha. Começou a andar, me puxando junto. Quanto mais andávamos, mais aquela agonia em meu peito ficava pior, aquele mulher era louca, ela estava armada, só Deus sabe o que ela seria capaz de fazer. Eu poderia ser uma tola, mas eu não conseguia pensar em mim, mas sim em ... Até ele corria perigo.
Chegamos ao elevador e ela me empurrou para dentro dele, desviando a arma por um segundo de mim, para entrar também e apertar algum botão. Foi naquele momento que eu vi a única oportunidade...
- SOCORRO! - gritei com todas as forças que consegui, vendo o corpo dela se virar bruscamente e a arma entrar em cena mais uma vez. - ! - as portas do elevador se fecharam e ela foi para perto de mim, puxando meu cabelo para baixo com força. Gemi de dor, sentindo meus olhos começar a arder e ela me olhar... Tanto ódio... Transbordava de suas íris.
- Agora me escuta bem, ... - sua voz era tão firme que conseguia assustar. - Eu acho bom que o não tenha te escutado! - ela olhou para a arma e sorriu, como uma psicopata. - Eu não tenho medo de usar isso, já usei outras vezes... - senti meu estômago embrulhar e logo a porta do elevador se abriu. Sentindo-a puxar meu braço, caminhei até o local. Só podia ser a cobertura do hotel, afinal, eu até poderia apreciar aquela vista... Se uma arma não estivesse apontada pra mim, é claro.
- Senta aí! - ela me soltou, apontando pra uma das cadeiras que estavam em volta de uma grande mesa. Eu conseguia reparar muito nos detalhes naquele momento, mas pude ver que o local era iluminado por postes decorativos de luz, a sacada não era tão alta e a vista deveria dar para toda a Los Angeles.
Ela começou a rir, sentada um pouco longe de onde eu estava.
- Se você não fosse intrometida... - ela foi interrompida pelo baque na enorme porta de vidro. Meu coração acelerou ao ver nos olhar com os olhos arregalados e soltar um palavrão em voz alta em seguida. correu até mim, sem que ele pudesse evitar e senti a arma encostar em minha cabeça, fechei os olhos com força e abrindo em seguida. Olhando em desespero para que não sabia o que fazer.
- , porra, para com isso! - ele tentou deixar seu tom de voz alto, mas estava quase tão trêmulo quanto eu.
- Eu avisei, , eu avisei que ela me pagaria! - ela pressionou a arma, fazendo com que eu fechasse os olhos e trincasse os dentes. Implorando para que encontrasse um jeito de pará-la.
- Deixa ela fora disso, o seu problema é comigo! (n/a: Coloque a música para tocar.) Ele balançou a cabeça negativamente e eu senti que as mãos de ficaram mais frouxas enquanto ela me segurava. Ela tirou a arma da minha cabeça e soltou meu corpo, me empurrando, fazendo com que eu caísse sentada no chão.
- O problema é tudo, ! Tudo! - sua voz estava fina, diferente de minutos atrás. Eu estava imóvel no chão, assistindo àquela cena.
- Você é louca... - ele respirou fundo. - LARGA ESSA PORRA DESSA ARMA. - sua expressão ficou irritada, assim como a dela, que mirou a arma para o peito de . Eu já estava chorando, me segurando para não ir correndo até ele e... Protegê-lo.
- Cala a boca, , eu que tô no controle... Hoje você não é nada perto de mim! Só fique quieto! - percebi que a voz de falhou quando ela disse a última palavra e logo ouvi o barulho dela fungar. Estava chorando.
- Larga essa arma. - ele disse pausadamente, andando na direção dela.
- Eu quero que tudo se foda, , eu quero que você se foda, quero que ela se foda... O mundo pode explodir... - ela fungou mais forte. - Você era tudo que eu achava que tinha... O único motivo para...
- PARA O QUE, ? - estava tão alterado quanto ela, apenas não chorava.
- VIVER! VOCÊ NÃO ENTENDE? EU TE AMAVA, EU VIA VOCÊ COMO UMA SALVAÇÃO! - ela limpou as lágrimas, olhando com raiva para mim. - Daí, essa maldita apareceu... - a arma estava na minha direção de novo.
- Você não vai atirar nela, se tem alguém aqui que merece morrer somos eu e você! - as palavras de eram repletas de raiva, como se ele quisesse que aquilo realmente acontecesse.
- Fui eu que te ajudei a superar tudo... Fui eu que emprestei meu ombro pra que você chorasse no dia que a sua mãe... Que a sua mãe...
- NÃO! - ele correu até ela, tirando a arma de suas mãos e apontando pra si mesmo. - Não me faça ouvir isso!
- Você é doente, ... Você deveria ter continuado naquela clínica... - coloquei a mão em minha boca ao ouvir aquilo. andou em minha direção, sorrindo.
- Você não sabia, né? Seu parceiro de cama já ficou internado em uma clínica para loucos... O falecido paizinho dele, que descanse em paz... - ela riu, se arrependendo da última parte. - Achou que ele precisava... Na verdade ele ainda precisa. - ela se virou, olhando para ele. Eu tive que me esforçar para enxergar aquilo... Não, não podia ser.
Uma lágrima escorria pelo rosto de .
- Ele não passa de um fraco, ele... Ele é um amargurado que fica se fazendo de fodão pra pôr medo nas pessoas. - parou na frente dele, olhando em seus olhos. O peito de subia e descia de uma maneira frenética. - Mas a verdade é que ele não é nada! - ela deu um soco em seu tórax, fazendo com que fechasse os olhos com força. Seus lábios ficaram em linha reta. Ele levantou o braço que segurava a arma e apontou para .
- NÃO! - ouvi minha voz chorosa implorar, inutilmente. - Não, você não vai atirar em mim. - ela foi dando passos para trás, deixando ele sem entender. Colocou um dos pés sobre a abertura da sacada e se sentou na mesma, virando o corpo para frente.
- ... , para... - ele estava angustiado, meu coração poderia se partir a qualquer momento vendo aquela cena.
- ... Cuidado pra não ficar louca igual a ele. - ela soltou uma risada alta, virando o rosto, fazendo seus cabelos se bagunçarem devido ao vento.
- PORRA, SAI DAÍ! - ele perdeu a cabeça e largou a arma, correndo até onde ela estava.
soltou uma das mãos, impulsionando o corpo para frente.
- Você não me correspondeu... Esse é o seu castigo... A culpa eterna... Você é o culpado por isso.
Era tarde demais. Não tinha mais como evitar.
Soltei um grito de horror ao ver o corpo de se desgrudar totalmente da sacada e logo não havia mais vista dela.
estava parado, com uma lágrima presa em seu rosto, com os olhos arregalados, as mãos trêmulas. Fui correndo até ele, com medo de encostar em seu corpo.
- Eu não... Eu não... , eu não fiz nada! Eu não fiz! - ele segurou meu rosto com as mãos, olhando fundo em meus olhos. Seus lábios estavam trêmulos. - Eu não fiz!

THIRTEEN

(n/a: Recomendo ler o capítulo inteiro ouvindo essa= http://www.youtube.com/watch?v=CK-xCfrJWgQ&ob=av2n música!)


- Então... Senhorita? - um policial alto, com uma barba mal feita e uma cara de pouco amigos falou comigo, chegando até o saguão onde eu estava sentada encarando o nada. Tudo havia se transformado brutalmente. A rua toda estava cercada por viaturas, policiais, paramédicos e pessoas curiosas, mas tudo que eu conseguia pensar era que ela estava morta e em parte a culpa daquilo era minha. Depois do acontecimento de alguns minutos atrás, eu não tinha mais falado com , saímos atordoados da cobertura e quando chegamos aos andares inferiores, os polícias já haviam cercado o hotel. - Senhorita? Eu não tenho todo o tempo do mundo, me responda!
- ! - eu disse com a voz fraca, ainda sentindo meus olhos queimarem e minha voz fraca e trêmula.
- Obrigado, pode me dizer o que aconteceu? - ele tirou os óculos escuros, parando a meu lado. Olhei para ele, engolindo em seco ao ver a arma pendurada em seu cinto.
- Ela se jogou do prédio. - enxuguei uma lágrima, o ouvindo bufar e se ajoelhar, ficando da minha altura.
- Eu sei disso, boneca, e acho bom você cooperar comigo, está certo? - ele piscou, se levantando novamente. - O que aconteceu?
- Ela estava tentando me... Me matar. - olhei para longe, vendo outros policias conversando. Eu precisava saber como estava. Confesso que senti pena dele quando o vi desesperado repetindo que não tinha feito nada.
- Ah, é mesmo? - ele coçou o queixo. - E por quê?
- Pode parar com essas perguntas? - olhei piedosa para ele, abraçando meus joelhos.
- Senhorita , são oito horas da noite, eu quero ir pra minha casa, tirar esse uniforme e ter pelo menos uma noite normal - a voz dele ficou mais alta. - Mas eu não posso fazer isso até terminar aqui. Aquela vadia da não podia resolver se jogar em um dia que eu estivesse de folga?
- Você a conhecia? - pisquei os olhos, tentando me livrar do ardor e olhei em dúvida para ele.
- Isso não importa mais. - balançou a cabeça negativamente. - Agora vamos, me diga!
- Deixa ela! - levantei meu rosto rapidamente, encontrando parado a poucos centímetros de nós. Ele estava acabado. - Ela não fez nada, se quer saber de algo, fale comigo! - parou, ficando de frente com o policial. - Já descobriram as câmeras, já viram o que precisavam ver, então, por favor, saiam do meu hotel! - ele disse tudo bem firme, não deixando de olhar nos olhos do homem. - E você, , vá para o quarto!
Não esperei que o policial discordasse, apenas me levantei, indo na direção do elevador e entrando vagarosamente nele.

Tonight we drink to youth and holding fast to truth
Esta noite nós bebemos a juventude e agarramos firmemente à verdade.
I don't want to lose what I had as a boy
Eu não quero perder o que eu tinha quando era garoto.
My heart still has a beat but love is now a feat
Meu coração continua a bater, mas o amor é agora uma proeza As common as a cold day in LA
Tão comum quanto um dia frio em Los Angeles

Sentei sem forças na cama, olhando para minhas próprias mãos, ainda conseguindo ouvir a agitação do que estava do lado de fora. Era incrível o fato das coisas só piorarem mais a cada dia... Pessoas estavam morrendo, não existiam consequencias piores do que essas. Como escapar de tudo isso? Como achar uma luz? Como encontrar alguém para responder todas essas perguntas? Senti aquela maldita vontade de chorar me tomar de novo e não resisti, deixei que as lágrimas caíssem livres. Ouvi um barulho de telefone tocando, procurando com os olhos. Estava em cima de um dos criado-mudos. Fui sem vontade até o local, percebendo que aquele era o celular de . Sem reconhecer o número, resolvi atender, me arrependendo ao ouvir aquela voz.
- Eu soube do que aconteceu. - falou baixo, com pesar na voz.
- Por que você ligou no celular dele? E se ele te atendesse? Algo que seria meio óbvio! - ele não se preocupou em arranjar uma resposta para minha pergunta, apenas aumentou o nível da voz.
- O que aconteceu com ela, cedo ou tarde pode acontecer com você! - funguei ao ouvir aquilo, pronta para desligar na cara de . - Comigo também... Você já deve ter percebido que isso não é mais uma brincadeira... Fuja comigo! - ele falou rápido, com certa euforia na voz. Balancei minha cabeça, quase rindo daquela proposta absurda.
- Ah, claro, e antes era só uma brincadeira! - ironizei. - E fugir com você? Isso é loucura!
- Acho que depois de tudo isso que anda acontecendo, a palavra loucura perdeu seu valor, ! Mas pense no que eu disse. - ele desligou. Joguei o celular longe, passando as mãos nervosamente por meu cabelo.
- Meu Deus... Quando eu vou me livrar disso? - falei, deixando que mais algumas lágrimas caíssem.
Aquela proposta de não era tão ruim, eu poderia até pensar naquele assunto, mas uma parte de mim não queria... Uma parte de mim se recusava a deixar , por mais perigoso que ele fosse. E no fundo, eu tinha total consciência que aquela parte sempre conseguiria me dominar, ignorando a outra que queria fugir para o mais longe possível.

Sometimes when I'm alone, I wonder
Às vezes quando estou sozinho, eu imagino
Is there a spell that I am under
Será que estou sob um feitiço
Keeping me from seeing the real thing?
Que me impede de ver a realidade?

Flashback
Um ano atrás.

- Por favor, peço que todas me acompanhem até a sala de reuniões, lá vocês vão poder ter uma conversa com nosso chefe e garanto que assim ele poderá fazer uma melhor escolha. - A moça chamada Cassie disse, sendo acompanhada por várias moças vestidas socialmente.
- Senhor , aqui estão as candidatas a promoção! - ela abriu a enorme porta, saindo do local, deixando que as outras se sentassem nos lugares da enorme mesa. O chefe estava no centro, olhando atento e talvez até malicioso para cada uma, até que seus olhos pararam em uma camisa lilás. Levantando um pouco o olhar, ele se deparou com um rosto tímido, acompanhando por cabelos presos com alguns fios que caiam sobre os ombros da mulher. Ele nunca havia a visto por ali, o que era estranho, já que sempre estava com os olhos alertas para as moças do prédio.
- Você! - ele disse alto, apontando para ela. - Qual é o seu nome mesmo? - ela olhou para os lados, tendo certeza que era ela quem tinha sido chamada.
- ! - disse, em um tom de voz baixo, fazendo sorrir e as outras presentes na sala não entenderem nada.
- Está contratada! Bom... - ele riu, percebendo o erro que havia cometido. - Contratada você já estava, mas agora será promovida. - ele disse simplesmente, se levantando da mesa e fazendo um gesto educado para as outras, que foram deixando seus lugares e saindo da sala aos poucos.
- Mas o senhor nem... - ela ia responder, mas aproximou-se, parando ao lado dela.
- Alguma coisa me diz que você será a melhor secretária que alguém poderá ter.

/Flashback

Abri os olhos com dificuldade devido à luz que estava acesa, vendo que eu não estava mais sozinha no quarto. estava parado do lado da porta, me observando.
- Eu preciso conversar com você! - ele disse, andando rápido até mim. Sentou-se na cama e pegou uma de minhas mãos. - Você tem que vir comigo.
- Pra onde? - eu disse com a voz mole, levantando com dificuldade.
- Não interessa, mas você vai! - ele saiu da cama, esperando eu sair também e me puxou pela mão até a porta do quarto.
Depois de passar pelo elevador e pelo saguão, onde vi Jared e os outros três, fui com até seu carro, entrando rapidamente. Ele fez o mesmo, respirando fundo, apertando com força o volante. Depois de alguns minutos de silêncio, ele me olhou.
- Vamos para Venice Beach. - arregalei meus olhos ao ouvi-lo dizer aquilo. - Não é longe, não se preocupe! - ele tirou os olhos de mim, dando a partida, acelerando o carro até demais.
- Você... ... CUIDADO! - gritei ao ver o carro de quase se chocar com outro que vinha de uma outra rua. - Você vai nos matar! - meu coração estava acelerado e ele começou a rir.
- Até que seria uma boa... Já reparou como as pessoas próximas a mim estão morrendo? - nossos olhares se encontraram de novo. - Eu sou um merda mesmo, e você... Não deveria estar aqui comigo, não deveria... - olhei confusa para ele, imaginando que aquelas palavras sem nexo deveriam ser por efeito de alguma bebida. - Não, eu não to bêbado! - ele riu, como se lesse meus pensamentos, tirando as mãos do volante e apoiando elas sobre a cabeça, lançando um olhar vazio para mim.
Olhei aflita para a rua, vendo que um caminhão se aproximava. Em um impulso, fui pra cima dele, pegando no volante e tentando fazer com que o carro parasse, mas segurou minha mão, me empurrando com certa violência para o outro banco de novo.
- Você é maluco? Quer mesmo nos matar? - coloquei a mão em meu peito, conseguindo sentir as batidas do meu coração.
- Ué, não ouviu o que a disse? Sobre o lugar que meu pai me mandou... - ele sorriu e aquilo começava a me assustar. - Talvez ele estivesse certo e eu esteja mesmo louco. Quer saber? Que se dane! - ele acelerou de novo, fazendo com que tudo a nossa volta passasse como manchas coloridas, sem forma alguma. O vento fazia com que meus cabelos se espalhassem pelo rosto.
- Para, , para! - eu gritei, vendo-o desacelerar ainda mais.

Love hurts but sometimes it's a good hurt
O amor machuca, mas às vezes é uma dor boa
And it feels like I'm alive
E me faz sentir vivo
Love sings when it transcends the bad things
O amor canta quando transcende as coisas ruins
Have a heart and try me
Tenha um coração e me teste
'Cause without love I won't survive
Pois sem amor eu não sobreviverei.

parou o carro e eu senti uma brisa diferente, sem dúvida nós estávamos chegando à praia que ele havia falado. Olhei para seu rosto, que, diferente de alguns minutos, estava confuso e percebi que agora eu só conseguia ver tristeza ali. Eu queria tentar pelo menos dizer palavras que mudassem alguma coisa, eu queria tentar mudá-lo, mas isso era mais difícil do que parecia, era mais difícil do que eu poderia ter imaginado durante todo esse tempo. Ainda em silêncio, olhei para a janela e mais a frente consegui avistar o mar. Sorri fraco, morrendo de vontade de ir até lá e tentar, nem que por cinco minutos, esquecer todos os meus problemas. Ouvi a respiração de ficar mais forte e então resolvi falar, meio que como um impulso.
- O sabe! - sem olhar para seu rosto, me encolhi um pouco, vendo ele mudar de posição.
- Sobre o que? - ele disse pausadamente, chegando mais perto. - ...
- Sobre tudo! - fechei meus olhos ao ver ele dar um murro no volante do carro e abrir a porta com violência. Eu não sabia se fazia o mesmo ou se ficava ali, esperando ele se acalmar. Optei pela primeira opção, saindo devagar do carro e batendo a porta. Dei de cara com a vista maravilhosa de uma praia calma, vazia... Um lugar que poderia ser nomeado como "A fuga dos problemas". Ele foi caminhando, ficando cada vez mais distante de mim, até que parou e virou bruscamente seu corpo, voltando para minha direção.
- Sabe o que eu deveria fazer, sabe? - segurou em meus braços, me fazendo sentir sua mão forte ali.
- Esquecer tudo isso! – desafiei-o, já acostumada com as crises que ele tinha.
- Nunca! – largou-me, desviando o olhar e voltando a andar pela areia branca.
- Tem mais... - ele não parou, mas percebi que seu corpo estava tenso. - No dia seguinte que fomos a Villa Lounge, nós...
- Não precisa falar... - ele alterou a voz, já meio longe de mim. - Eu já imaginava que isso aconteceria, cedo ou tarde.
Corri até ele, sentindo a brisa fria, porém gostosa sobre mim, parando ao lado dele, que estava olhando para o mar calmo. O céu estava sem estrela alguma, continha apenas uma lua brilhante.
- Eu não pensei que isso pudesse ficar tão sério... Mas a partir do momento que eu vi pular daquela altura... - ele se virou, encostando o dedo indicador em meus lábios, me impedindo de continuar a falar e fazendo um som de "shh". Olhei em seus olhos, sentindo que pela primeira vez no dia eles não transmitiam raiva ou alguma coisa parecida. Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, ele se aproximou e apenas encostou os lábios nos meus, sem fazer questão de começar um beijo mais forte, apenas se manteve imóvel, assim como eu. Ao abrir os olhos, percebi que ele estava se esforçando ao máximo para não chorar, pois seus olhos estavam ficando vermelhos.

I'm fettered and abused, I stand naked and accused
Eu estou acorrentado e abusado, eu estou pelado e acusado
Should I surface this one man submarine?
Será que eu deveria emergir esse FanFusion.org pessoal?
I only want the truth so tonight we drink to youth
Eu só quero a verdade, então, essa noite nós bebemos pela juventude
I'll never lose what I had as a boy
Eu nunca irei perder o que eu tinha quando era garoto.

Ele colocou sua mão fria em meu rosto, começando um leve carinho, mas logo se deu conta do que estava fazendo e se virou, sentando-se na areia, bem próximo do mar. Fiz o mesmo, ficando um pouco distante dele, olhando para o mar.
- Olhar pra isso não te faz pensar em como a vida pode ser melhor? - fechei meus olhos, sorrindo sem mostrar os dentes. - Olha esse mar e essa lua...
- Faz muito tempo que eu não paro pra reparar nessas coisas... Cresci achando que parar pra pensar na vida era coisa de idiotas, de gente que não tinha mais nada pra fazer.
- Desculpe, mas isso é um erro.
- Eu sou um erro, sem chances de ser arrumado, não sei por que você ainda tenta... - cheguei mais perto dele, colocando uma mão em seu ombro. Eu ainda estava tentando entender o motivo dele aparecer no quarto e me trazer a uma praia, mas era melhor deixar isso sem conclusão, muitas vezes seria a melhor a se fazer.
- Eu não vou desistir... Enquanto isso que eu chamo de vida me manter com os olhos abertos, eu vou tentar provar... - respirei fundo, abrindo um sorriso confiante para ele, que apenas balançou a cabeça. - Tentar provar que o que o mundo merecia conhecer está aí dentro, esperando uma chance de sair.
- Como você fala besteira, ... - ele inclinou o corpo, se deitando na areia.

Sometimes when I'm alone, I wonder
Às vezes quando estou sozinho, eu imagino
Is there a spell that I am under
Será que estou sob um feitiço
Keeping me from seeing the real thing?
Que me impede de ver a realidade?

- Se você pudesse ser qualquer coisa agora... O que seria? - perguntei, fazendo desenhos sem sentido na areia, sentindo um frio suportável.
- Que tipo de pergunta é essa? - ele disse sério, ficando de lado.
- Responda, ! - eu disse distraída, enquanto começava a escrever um nome.
- Eu gostaria de ser o mar... - olhei assustada para ele, que riu da minha cara. - Sempre estar em todos os lugares, com seus momentos de fúria e calmaria. Acho que combina bem comigo. - fiquei em silêncio, olhando para o mar e tentando imaginar a semelhança que poderia existir entre ele e e acho que realmente existia uma. - E você? - eu não esperava que ele perguntasse aquilo, então franzi o cenho, parando pra pensar.
- Eu gostaria de ser a lua... - vi que ele levantou o rosto, encarando a mesma. - Ela muda, ela não é contemplada o dia inteiro, mas consegue ter o seu brilho durante a noite. Consegue ser notada.
- Lua e Mar combinam, é só olhar pra frente e você vai ter a prova do que eu estou falando! - senti minhas bochechas ficarem levemente coradas e logo percebi que o corpo de estava do meu lado de novo, só que dessa vez mais próximo. Coloquei minha mão na areia, sentindo que a dele estava próxima, bem próxima.
- Sabe... - ele começou, e eu olhei para seu rosto. O jeito que o brilho da lua refletia em sua pele e em seus olhos era tão incrível que era o tipo de vista que eu gostaria de ter pra sempre. Seus cabelos balançavam levemente pelo vento e eu conseguia enxergar que naquele momento outra pessoa falava comigo... A pessoa que eu tanto desejava ver por aí, sendo o que realmente sempre deveria ter sido. - Eu gostaria de não me sentir mais assim... - ele olhou para as próprias mãos, que estavam entrelaçadas. - Magoado... - senti uma tristeza em meu peito. - Mas eu só consigo magoar os outros, então não sei mais o que fazer. Eu me sinto mais perdido do que nunca, não sei mais o que eu quero, o que eu sou... Isso me desespera, isso queima dentro de mim.

Love hurts but sometimes it's a good hurt
O amor machuca, mas às vezes é uma dor boa
And it feels like I'm alive
E me faz sentir vivo
Love sings when it transcends the bad things
O amor canta quando transcende as coisas ruins
Have a heart and try me
Tenha um coração e me teste
'Cause without love I won't survive
Pois sem amor eu não sobreviverei.
- Isso reforça ainda mais o que eu disse, ! Eu vou tentar, vou tentar por você... Porque eu...
- Não! - ele se levantou, caminhando na direção em que seu carro estava e eu fiz o mesmo, correndo em sua direção. - Não diga isso, eu não quero ouvir.
- Você tem medo! - gritei, vendo-o parar de andar.
- Medo? Não seja idiota, do que eu teria medo? - soltou uma risada.
- Você tem medo que eu diga que te amo - dei um passo à frente, o vendo recuar. - Tem medo que os pensamentos que passam pela sua mente agora te dominem. - continuamos naqueles movimentos, eu avançava e ele tentava fugir. - Porque é isso que tá começando a acontecer, você quer mudar, você sabe que quer... E sabe que pode.
- Me deixa em paz! - ele ia abrir a porta do carro, mas eu fui até ele e segurei seu braço.
- Eu te amo, . - aproximei meu rosto do dele, esperando alguma mudança em sua expressão.
- Não espere ouvir o mesmo... - ele disse aquelas palavras tão friamente que eu poderia socá-lo com todas as minhas forças, mas tudo que eu consegui fazer foi soltar seu braço e me encostar ao carro. Ele respirou fundo e continuou aquela frase, mudando toda a minha linha de pensamento. - Pois eu não consigo!

FOURTEEN


- Não sei por que eu me surpreendo com uma resposta como essa. - dei meia volta no carro, abrindo a porta e entrando, sem esperar uma reação da parte dele. Logo estava ao meu lado, sem dizer qualquer palavra. Enquanto ele dirigia e o mar ficava cada vez mais distante, deixei que minha mente fizesse uma espécie de filme de todos os acontecimentos das últimas semanas. Voltei a olhar pra ele, que estava com o olhar preso na estrada e as mãos fixas até demais no volante, mas sua expressão era vazia. Pensei em falar alguma coisa, mas ele percebeu minha agitação e virou o rosto por alguns segundos, me olhando.
- Não vai perguntar mais nada? - disse simplesmente.
- O que eu teria pra perguntar? - me fiz de indiferente, ainda com as palavras que ele havia dito na praia. sabia confundir minha cabeça. Não que eu achasse que ele sofria de algum transtorno bipolar, mas suas atitudes não eram nem de longe previsíveis, muito pelo contrário, cada dia eu me surpreendia mais com algo que ele falava ou fazia. Como ele mesmo havia falado, ele poderia ser o mar. Tendo seus momentos de fúria e calmaria, como se fossem duas pessoas completamente diferentes presas em apenas um corpo.
- Vá em frente, eu sei que muitas coisas passam pela sua cabeça agora, . - ele sorriu brevemente, levantando uma sobrancelha, já se preparando pra pergunta que viria a seguir. E sim, eu estava curiosa, estava à procura de respostas para muitas coisas.
- Por que a... - respirei, antes de dizer o nome. - A disse aquilo, digo, de você ter estado em um tipo de clínica por causa do seu pai? - com certeza aquele não era o tipo de pergunta que ele responderia com um sorriso no rosto.
- Porque é a verdade. - senti os pelos do meu braço se arrepiarem. - Ele achava que eu não batia muito bem da cabeça! - riu, apontando para a própria cabeça. - Mas como eu não apresentei comportamento ruim, os médicos de lá me soltaram logo. É uma história curta.
- Seu pai te odiava? - ele ficou sério, quase tenso, mudando totalmente a expressão que segundos antes era divertida.
- Eu prefiro pensar que ele era um homem com ausência de amor no coração... - seus olhos estavam concentrados na estrada escura, já com poucos carros devido ao horário.
- Assim como você! - eu disse baixo, mas ele ouviu e apenas balançou a cabeça.
- Muito engraçada você, ... Mas acho que te prefiro quando está em silêncio, ou quem sabe... - ele me olhou, malicioso. - Gemendo! - ri irônica, devolvendo o mesmo olhar que o dele, satisfeita comigo mesma por estar lidando bem com aquilo e não demonstrando tanto minha insegurança.
- Engraçado que eu não sou a única que geme. - olhei para minhas unhas, mordendo o lábio. Ele murmurou algo que eu não consegui identificar e virou uma esquina, acelerando um pouco o carro. O vento ainda era forte e batia nas árvores que estavam pelo local.
- Me diga uma coisa - eu encarava minhas pernas, vendo pelo canto dos olhos que ele não havia movido um músculo. - Quando vai ser?
- Não sei do que você fala.
- Sabe sim, . - a imagem de veio em minha mente, em um misto de lembranças. Desde os anos de colégio, quando eu não passava de uma garota revoltada por não ter quem eu queria e ele era o garoto popular da escola, que havia se recusado a ir ao baile comigo. Às vezes eu tinha a maldita vontade de ser adolescente de novo. Não consegui ir ao show da minha banda preferida ou levar o fora do cara que eu gostava, começaram a parecer problemas muito menores quando se estava do lado de um cara que queria matar alguém, um cara que, aparentemente, não se importava com ninguém. A verdade era que eu ainda esperava que aquilo fosse um pesadelo... Eu acordaria, jogaria água fria em meu rosto e iria para meu trabalho, vendo apenas o misterioso que eu tanto queria desvendar.
Ah, se eu soubesse...
- Nós estamos aqui ainda, não estamos? - percebi que ele havia parado o carro e nós já estávamos na frente do hotel. Abri a porta, deixando a fala dele sem retorno, mas ao virar meu pescoço para o lado, nossos olhares se encontraram e eu senti aquele embrulho no estômago que já me acompanhava há algum tempo.

's POV

Saí da piscina, pegando a toalha que estava jogada no chão, dando uma breve secada em meu corpo. Avistei duas mulheres que tomavam sol do outro lado da piscina. Ambas me olharam, dando leves sorrisos. Que droga, , elas deveriam ser bem mais velhas que você! Ri sozinho, saindo do lugar, entrando no hotel sem me preocupar que estava molhando todo o chão. Depois de pegar o elevador e trocar de roupa em meu quarto, ignorando que estava sentada na cama, exatamente como permanecia nesses dois últimos, saí do quarto procurando por Jared, que logo atendeu meu chamado e se encontrou comigo, junto com Ian e James. Fui breve com eles, contando que a partir daquele momento as coisas mudariam, já que fez o favor de abrir a boca e contar o que eu pretendia fazer. Eu poderia matá-la...
É, se eu conseguisse...
- Vamos ter que mudar nossos planos! - eu disse, com os braços cruzados, percebendo que Jared havia ficado mudo e Ian apenas demonstrou estar bravo. James era meio que invisível, então nem reparei nele. Virei-me, vendo que uma das atendentes do saguão vinha em nossa direção, com uma expressão tensa. Ótimo, lá vinha bomba. Olhei sério para ela, esperando ouvir algo que com certeza me irritaria.
- Senhor ... - seu olhar foi de Ian, que estava no canto, até mim. - Tem uma pessoa que quer te ver! - uma visita... Dá última vez que eu havia ouvido aquilo, a pessoa se revelou alguém que eu realmente não queria ter encontrado de novo. Pra variar, a visitinha amigável dela havia terminado com uma mudança rápida de prédio alto para o chão. Pobre , eu iria sentir falta dela... Na verdade, não ia não.
- Quem, Kristen?
- Ela se identificou como Elizabeth , senhor... - arregalei meus olhos, dando um passo para trás e sentindo meu corpo se chocar com a parede, Jared, Ian e James me olharam confusos, junto com Kristen, que logo pediu licença e voltou ao seu trabalho.
Não, não podia ser... Era só o que me faltava, era o que faltava para completar tudo.
Fui até a entrada do hotel, torcendo para não dar de cara com o rosto que eu não havia mais visto desde alguns anos. Mas com uma pequena dose de azar, foi exatamente isso que aconteceu. Ela estava parada, segurando uma bolsa pequena - incrível como não havia perdido aquele hábito - e me olhando... Eu diria que feliz.
- Meu filho... Quanto tempo! - mantive meu olhar congelado nela, não conseguindo abrir a boca para dizer nada. - Eu soube o que aconteceu, tive que vir correndo pra cá. - ela foi dando passos rápidos em minha direção. - Achei que poderia ter acontecido alguma coisa com você, ... - quando os braços dela se abriram, prontos para envolverem meu corpo, eu recuei pra trás, balançando a cabeça negativamente e começando uma risada cínica. - O que foi?
- Ah, olha só... A preocupação de mãe em pessoa... - coloquei a mão no queixo, vendo ela me olhar triste. - Você poderia simplesmente parar de fingir que se importa, mamãe. Afinal, essa cara de mãe preocupada com o filho não combina mais com você. - dei meia volta, sentindo que ela segurou imediatamente meu braço.
- Eu vim pra conversar com você, , eu sou sua mãe e querendo ou não você vai ter que me ouvir. - aquela expressão autoritária não surtia efeito nenhum sobre mim.
- Qual é a parte que eu vou me sentir comovido? - ironizei, fingindo uma expressão triste. Ela bufou, mantendo o olhar sério.
- Podemos ir conversar em algum lugar? - por mais que eu quisesse dizer não, preferi aceitar com um aceno de cabeça e passei na frente dela, indo na direção do meu carro.
- Seu marido não veio com você, veio? - vi ela negar com a cabeça. - Porque se eu tiver que olhar para aquele rosto de novo...
- ! - ela entrou no carro, me olhando feio. Francamente, depois de tanto tempo, como ela poderia achar que tinha algum direito sobre mim?

Tomei meu café com indiferença, enquanto ela olhava ao redor, procurando palavras para começar algum diálogo que eu não estava com paciência de ouvir.
- Eu não sou mais um menino, eu tenho coisas a fazer, então... - olhei significadamente.
Ela colocou açúcar em seu chá e começou a mexê-lo nervosamente com a colher.
- Você assumiu mesmo os negócios do seu pai? - que legal, ela começaria a falar sobre o assunto que menos me agradava.
- Sim! - eu disse simplesmente, afastando a xícara vazia.
- Eu sinto muito, meu filho, acredite... Eu sinto. - percebi que logo ela começaria a chorar e aquilo me provocou uma sensação ruim. Eu sabia que no fundo meu ser havia se sentido feliz por ter a visto de novo. Mas meu orgulho - naquele momento e sempre - era mais forte.
- Depois de quinze anos você continua falando a mesma coisa... Será que não se cansa? - eu não acreditava que ela conseguia fazer aquela mesma cara e dizer aquela mesma frase todas as raras vezes que nós nos víamos.
- Querido, eu... - respirei fundo, me levantando e olhando nos olhos dela.
- Você não sabe o que aconteceu depois daquilo, você não sabe como tudo mudou... Você não sabe mais a pessoa que o seu filho é. - tirei com pressa algumas notas da minha carteira, jogando grosseiramente na mesa. - Suma da minha vida, como você sempre foi especialista em fazer. - abri a porta do café, batendo-a com força, lançando um último olhar para Elizabeth, que continha lágrimas nos olhos.

/'s POV

Eu observava enquanto Jared e James tentavam jogar golfe, claro que nenhum dos dois parecia saber o que estava fazendo direito, o que me fez rir um pouco. Estranhei o fato de Ian não estar com eles, mas era melhor daquele jeito, eu não me sentia bem na presença daquele homem. Digo, com tinha horas que eu sentia medo, mas com ele a sensação era pior...
- Hey, moça distraída! - Jared gritou, atraindo minha atenção. Ele falou algo pra James e veio correndo em minha direção, se sentando ao meu lado. - Eu vi você rindo de mim! - ele fingiu estar bravo, colocando uma das mãos em volta do meu ombro. Encolhi meu ombro, desfazendo rapidamente daquilo e levantando, olhando convencida pra ele.
- Eu faria melhor! – coloquei as mãos na cintura e vi que ele me olhou de cima a baixo. James gritou por ele, propondo que começassem outra partida de golfe logo.
- Não vou esquecer disso! – ele riu, correndo até onde estava antes.
Balancei minha cabeça negativamente ainda rindo e decidi sair dali e voltar para o quarto.
Depois de já estar há um tempo lá dentro, um barulho na porta atraiu minha atenção, andei vagarosamente até a mesma, pensando se deveria abrir ou não. Bom, não bateria, ele não se importaria com esse gesto de cavalheirismo. Contanto que não fosse alguém tentando me matar de novo, acho que estava tudo bem.
Girei a maçaneta, abrindo a porta aos poucos e não acreditando em quem estava ali, como aquele ser conseguia ser tão... Imprevisível?
- ? - eu disse assustada, o vendo empurrar a porta e entrar no quarto sem ser convidado. Seus olhos eram intensos e ele lançou um olhar nada discreto para minhas pernas descobertas - O que faz aqui? O pode... Ele pode... - ele avançou em minha direção, me calando com um breve selinho.
- Olá... - disse com uma voz suave, depositando outro selinho em meus lábios. - Eu precisava te ver... - outra olhada de cima a baixo. - E quando a recepcionista de um hotel é caidinha por você, fica fácil entrar no mesmo quando bem entende...
- Acho melhor você ir embora. - me livrei dele, andando para o fundo do quarto, perto da cama.
- Não! - ele balançou a cabeça, mordendo com força o lábio inferior. - Eu quero ver o quão excitante é fazer na cama do cara que quer me matar! - tive que olhar para o chão e refletir por cinco segundos, só assim consegui processar o que ele tinha acabado de falar. Ele bateu a porta atrás de si e mais uma vez a distância entre nós deixou de existir. colocou suas mãos firmes em minha cintura, começando a beijar levemente meu pescoço, provocando arrepios por todo o meu corpo.
Mas aquilo não poderia acontecer ali...
- , não! - eu disse, vendo ele levantar o rosto e olhar nos meus olhos. Eles eram suplicantes. - O pode chegar aqui a qualquer momento e...
- Você acha mesmo que eu me importo com o ? Que se dane! - ele me interrompeu, grudando mais uma vez seus lábios nos meus, mas dessa vez começando um beijo sedento. Sem pedir passagem, enfiou sua língua dentro da minha boca, fazendo com que minhas pernas ficassem bambas devido ao jeito que ele estava me segurando. Lutei por um tempo, mas como meus músculos não queriam colaborar, acabei cedendo e aprofundando o beijo, entrelaçando minhas mãos nos ombros fortes dele.
me empurrou pela cintura, fazendo com que eu caísse sentada em uma das laterais da cama, indo em minha direção. Fez com que eu me deitasse e se colocou sobre mim. Tomando cuidado para que todo o peso de seu corpo não me machucasse, começou outro beijo cheio de desejo e necessidade. Sua mão ágil alisou minha perna, puxando a saia que eu usava para cima.
Foi apenas o tempo dos meus olhos se abrirem e aquele barulho de porta batendo tomar conta dos meus ouvidos...
Meus olhos se chocaram com os de , por impulso empurrei o corpo de para trás, fazendo com que ele caísse na cama do meu lado, talvez tão assustado quanto eu.
- QUE PORRA É ESSA? - gritou, estático, parado na porta. - Alguém me diz que eu não tô vendo isso... - sem forças para levantar da cama, com medo do que ele poderia fazer, vi se levantar, ajeitando a camisa e olhando sorridente para . - Por que o sorriso, ? - olhava de para mim.
- Eu sei o que você quer!
- Não, parem! - praticamente saltei da cama, me colocando no meio dos dois, mas foi mais rápido e me deixou pra atrás, se colocando a frente de .
- Então, se sabe, é melhor se afastar. - eu já conseguia ver tirando uma arma de seu casaco preto, eu já conseguia ver o fim de tudo aquilo...
- Eu não vou me esconder atrás de uma mulher... Assim como você está fazendo! - riu, passando a mão em seu cabelo. - Que vergonha, ... E olha que eu achava que você era um homem de presença... - gritei au ouvir o barulho que a mão de provocou ao se chocar com o rosto de , fazendo com que o mesmo cambaleasse, se segurando na cama para não cair.
- Não diga o que você não sabe, imbecil. - disse, com um ódio evidente na voz. , que agora estava com um pequeno sangramento um pouco abaixo do olho esquerdo, avançou em , revidando o soco. Assim que ele colocou a mão no rosto e fechou os olhos devido a dor, me olhou como se pedisse desculpas por algo.
- Vocês dois... Parem! - empurrei pelo ombro, ficando na frente dele. se recuperou rápido, caminhando em nossa direção. Parou, ficando a poucos milímetros de distância de mim, olhando nos meus olhos. Eu estava no meio dos dois.
- , saia da minha frente! - ele disse decidido, colocando a mão no bolso do casado.
Não, eu não deixaria aquilo acontecer... Droga, e tudo que eu estava planejando pra tentar mudar a cabeça de ? Não era possível que minhas chances haviam se esgotado.
Encarei a arma, sentindo meu estômago dar uma volta completa. Apesar de não conseguir ver o rosto de , eu praticamente conseguia sentir a tensão do seu corpo. Duas mãos foram colocadas em minha cintura e eu senti meu corpo ser empurrada para o lado, eu estava fora da briga e os dois cara a cara.
- Atira logo, ! - olhava firme nos olhos de , mas eu vi que sua mão tremia. - Acabe logo comigo, finalize seu planinho maléfico! - ele zombou.
Vi um sorriso assustador surgir nos lábios de .
- Você tem certeza que eu me escondo atrás de uma mulher, meu caro ? - ele brincava com a arma, fazendo-a ir de uma mão para a outra, com um dos dedos próximo do gatilho. Qualquer movimento poderia ser fatal.
- Eu não tenho medo de você! - o peito de subia e descia, freneticamente. - Anda, acabe com isso logo, porra!
- Pra que a pressa? - olhou pra mim e eu só consegui devolver o olhar com nojo.
- Pra que demorar mais, irmãozinho?
Minha boca se abriu involuntariamente ao ouvir do que havia sido chamado.

FIFTEEN


- Não ouse me chamar assim! - trincou os dentes, colocando mais pressão nos dedos que seguravam a arma. Engoli em seco, já conseguindo ouvir o barulho do tiro ecoando pelo quarto.
- Deixa ele ir, , por favor! - pedi, olhando fixamente nos olhos dele.
- Não, ... - me olhou, determinado. - Eu não quero ir! - seu olhou voltou para . - Você não sabe superar as coisas ou é impressão minha? - sem dúvida alguma ele estava decidido a provocar . Aquela arma não o intimidava nem um pouco. Corajoso.
- Não te interessa o que eu supero ou não, aliás... Por que não cuida da sua vida pelo menos uma vez? - eu sempre acabava boiando nas conversas dos dois e isso me irritava. Sempre que isso acontecia, eu tinha certeza que ambos me escondiam algo... Algo grande, algo que com certeza mudaria toda a minha perspectiva sobre aquela situação.
- Olha aqui, justiceiro, faz anos, ok? Você que fica remoendo aquilo, você que faz questão de sempre trazer tudo de volta, você que não aceita o fato do seu pai não ter dado conta da... - CHEGA! - praticamente gritou, bufando e abaixando a arma, mantendo o olhar fixo no de que balançou a cabeça negativamente e soltou uma risada baixa. - Chega? É sempre a mesma coisa... Vocês me envolvem nisso e conversam como se eu não estivesse ouvindo! - naquele momento nós trocávamos olhares uns com os outros. Certa hora, os olhares dos dois pairaram sobre mim, me causando um frio na barriga. Por um momento eu me senti a vilã de tudo aquilo. Eu não estava do lado de , mas também não sabia mais o que pensar de . Não tinha total certeza se podia confiar em Jared... Eu estava começando a achar que aquele jogo havia se tornado o típico "cada um por si". E, bom, se fosse daquele jeito, eu tentaria escapar.
- É, parece que ele esconde as coisas de você! - cruzou os braços, com um ar de superior. - Mas eu vou ficar quieto, não é? Já que ele insiste em apontar essa arminha pra mim. Oh, meu Deus, como eu tenho medo! - balançou as mãos, evidentemente fazendo piada com a cara de . - O dia que você tiver coragem de fazer alguma coisa com essa porcaria, me procure!
- Saia daqui, e eu não quero ver seu rosto tão cedo! - guardou a arma enquanto ia caminhando até a porta. Abriu a mesma, saindo e voltando em seguida, só com a metade do corpo a mostra.
- Hey, , não se esqueça do que eu te disse! - não demorei muito para entender o que ele estava dizendo. Era certeza absoluta que ele se referia a sua proposta tentadora de fugirmos. Eu estava começando a considerar aquela opção e fugir com ele, talvez pra um lugar bem longe. Afastar-me de seria bom, pois enquanto eu estivesse perto dele, estava automaticamente perto do perigo.
- Sei que vai pensar com carinho!
Mas era isso mesmo que eu realmente queria? Nem eu mesma sabia responder àquela pergunta.
mostrou o dedo do meio para , que apenas revirou os olhos e passou reto por mim, abrindo a porta do banheiro e a batendo com força em seguida. Logo eu pude escutar o barulho do chuveiro sendo ligado. Caminhei sem fazer barulho e abri a porta do quarto, indo até o elevador e minutos depois eu estava no saguão. Procurei Jared com os olhos, conseguindo avistá-lo depois de um tempo. Ele me viu e veio andando rápido até mim.
- Conseguiu escapar da agitação que estava naquele quarto? - ele tinha uma expressão meio assustada, mas eu não poderia parar pra rir ou algo do tipo. Eu tinha que ser breve.
- Ouça, Jared, eu preciso te contar uma coisa! - mordi o lábio, imaginando o que ele pensaria assim que ouvisse o que eu tinha pra dizer. - E vou precisar da sua ajuda. - ele fez um sinal positivo com a cabeça, pedindo para que eu prosseguisse.
- Eu... Pra mim acabou! - olhei nos olhos dele, vendo que estavam confusos. Eu teria que me explicar melhor. - Eu vou fugir...
- Ah... Não diga que ele... O ... - como ele sabia? Ou será que aquilo estava na cara? - Não, você não pode!
- Quem disse que eu não posso? - o desafiei, nossos corpos estavam quase colados e ele só conseguiu me repreender com o olhar.
- Se você fizer isso... - ele parou de falar e ficou pensativo, analisando se realmente deveria dizer a frase seguinte - Esqueça minha ajuda!
- Jared... Não complique as coisas! - tentei falar calmamente, mas ele estava irritado.
- Quer saber? Foda-se, ! - ele disse frio e saiu andando, sem me dar mais nenhuma atenção. Por um instante eu senti vontade de chorar. Sim, eu gostava de Jared, aparentemente ele era como um irmão pra mim. Eu realmente achava que nós conseguiríamos nos livrar de tudo aquilo ajudando um ao outro, mas a situação não era mais aquela, o controle não estava mais em minhas mãos.
Corações precisavam ser quebrados... Antes que outras coisas acabassem se quebrando.

Já decidida sobre o que eu faria, tomei o caminho de volta ao quarto, tentando imaginar como eu faria para me livrar de . Eu precisava ser rápida, precisava agir de um jeito que eu jamais teria pensado em agir. Mas por que continuar sendo alguém que não se encaixava mais nas condições em que vivia, não é mesmo?
Parei, encarando os botões do elevador e percebendo que alguém se aproximava de mim. Levantei meu rosto, vendo uma mulher que já aparentava certa idade, me olhando em dúvida.
- Você é a moça que eu já vi tantas vezes com meu filho! - me controlei para não arregalar os olhos, demonstrando indiferença àquela afirmação. Mas que diabos... A mãe de ? Ok, era tudo confuso demais para minha cabeça. Personagens e mais personagens daquele quebra-cabeças tão perigoso. - Você é namorada dele ou algo do tipo? - não consegui evitar e acabei engasgando ao ouvir aquilo. Apoiei uma de minhas mãos na parede, me recuperando e vendo ela me olhar meio assustada.
- Não! Eu não sou nada dele! - respondi com a voz firme, desejando com todas as minhas forças para que, de algum jeito, tivesse ouvido aquilo. Ah, como eu queria...
Ela ia responder, mas a porta do elevador se abriu e, pra fechar com chave de ouro, saiu dali, parando bruscamente ao perceber que eu estava do lado de sua... Mãe? Olhei para ele e depois para a senhora, que pareceu feliz ao ver o filho, mas o mesmo apenas balançou a cabeça negativamente e segurou meu braço. Maldita sensação que o corpo dele causava no meu quando ambos estavam em contato, eu nunca me livraria daquilo.
- Eu já disse que não quero te ver! - ele olhou rapidamente para ela, mudando o olhar de direção e olhando para mim. - Eu estava te procurando, ! Vamos subir! - sem ligar para sua mãe, ele me levou até o elevador. Fui para o canto, ficando de costas e encarando o grande espelho que me dava uma visão completa de de costas. Ele estava em silêncio, mas eu conseguia perceber que sua respiração estava forte.
Era a chance...
Virei-me, caminhando lentamente até ele, que ainda não havia percebido que eu estava tão perto. Coloquei minhas mãos em suas costas, fazendo com que ele virasse o pescoço e me olhasse. Mantive meu olhar apenas em suas costas, descendo um pouco a mão. Aproximei meu rosto do seu pescoço, acompanhando ele tenso e fechar as mãos em punhos. Depositei um beijo em sua orelha.
- Sabe... - minha mão fez o caminho até seu abdômen coberto pela camisa, puxando um dos botões. - Eu me lembrei daquele dia que o veio aqui... - ele colocou a mão dele sobre a minha, puxando-a para mais baixo. Para a conhecida "zona de perigo". Sorri, não deixando que ele me guiasse, tirando minha mão bruscamente de seu corpo. Ele se virou e começou a caminhar, fazendo com que eu fosse dando passos para trás, mantendo apenas o contato visual. Senti minhas costas baterem no espelho. - E você disse que queria um bis... - mordi o lábio, vendo um sorriso muito malicioso brincar em seus lábios.
- Sim, eu me lembro! - imediatamente senti suas mãos envolverem minha cintura, me provocando aquela velha sensação, aquela que pelo jeito nunca deixaria de existir. À medida que ele aproximava ainda mais seu corpo do meu, fazendo com que os dois ficassem colados até demais, eu começava a imaginar se o que eu faria era certo. Bom, certo não era... Mas existia uma segunda opção? - E ainda quero! - uma de suas mãos escorregou até minha coxa, e ele a puxou para cima, fazendo com que minha perna ficasse dobrada, na altura de seu quadril. Controlei um gemido ao já conseguir perceber certo volume por suas calças.
, você conseguia ser muito fácil...
Nossos lábios se chocaram e logo sua língua quente e atrevida se misturava com a minha. Como sempre, ele não podia permissão e se sentia dono do meu corpo, passeando com as mãos sem restrições. Seria difícil resistir àquilo, mas eu tinha uma carta na manga, uma carta que horas antes deveria estar fora do meu jogo.
Separei nossas bocas, olhando maliciosa para ele, que fazia questão de devolver o mesmo olhar.
- Eu tô afim de fazer uma coisinha! - ameacei beijá-lo, recuando e rindo em seguida.
- Tomara que seja o que acabou de passar pela minha cabeça... - fiz uma cara de surpresa, comemorando por dentro pelas coisas estarem tão fáceis, pelo menos até aquele ponto.
- O quê? - coloquei minha mão no zíper da calça dele, fazendo leves movimentos com o dedo. Ele apertou mais a mão que segurava minha cintura, fechando os olhos e os abrindo pausadamente depois.
- Já que você curte essas brincadeiras sadomasoquistas, eu quero ver o que você realmente saber fazer! - as coisas realmente não poderiam ter se saído melhores, era como se ele tivesse lido meus pensamentos. - Você não presta! - ele concordou com a cabeça e começou a brincar com o botão da minha blusa. - Mas eu não tenho algemas e nem nada do tipo, querido... - fiz um bico, o vendo gargalhar e me soltar. A porta do elevador se abriu e ele puxou minha mão. Percebi que aquele não era o andar do nosso... Digo, do quarto dele. Olhei ao redor, vendo menos portas do que estava acostumada. Ele entrou em uma sala que não aparentava ser um quarto e depois de alguns minutos saiu de lá com algo entre as mãos.
Segurei o riso ao ver uma algema reluzir por entre seus dedos. Ele olhou para ela e depois para mim, piscando. Provavelmente aquela era alguma sala da segurança. Policiais entravam ali... É, fazia sentido.
- Com é só querer... - ele correu até mim e prensou meu corpo contra a parede. - Querida... - confesso que foi interessante ver ele me chamar do que eu havia chamado ele.
- Mas... - olhei ao redor, vendo que mais a frente havia portas comuns, que deveriam ser quartos.
- Pra que perder tempo e subir pro outro quarto se aqui tem vários outros? Várias outras camas... Se quebrarmos uma, tem outra... E outra...
Logo estávamos entrando as pressas dentro de um dos quartos. Ok, não era tão grande quanto o que eu estava acostumada a ficar, mas também parecia ser aconchegante. Acho que todos eram.
Caminhei até a cama, subindo na mesma. Fiquei de joelhos, abrindo dois botões da blusa que eu usava. acompanhou meus dedos, que iam deixando a blusa mais aberta a cada segundo, vindo para a cama junto de mim. Tomei a algema de suas mãos, o puxando pela camisa com minha mão que estava livre. Dei um beijo rápido em seus lábios, invertendo as posições e o fazendo cair deitado na cama.
Estava muito fácil... Era quase como se ele esperasse tudo aquilo.
Coloquei-me sobre ele, beijando lentamente seu pescoço, percebendo que o lugar se arrepiava instantaneamente. Peguei uma de suas mãos, o vendo aprovar meu gesto e a coloquei em uma das algemas, juntando com a outra e o deixando como eu queria.
Preso.
- Como você se tornou uma garota malvada, . - ele disse, deitado na cama, já com as mãos presas. Fiquei totalmente em cima dele, com uma perna de cada lado do seu corpo, soltando cada um dos botões da camisa vermelha que ele usava. - Eu gosto disso... Não faz ideia do quanto! - sorri, me abaixando um pouco e dando uma leve mordida em seu queixo. Ele fechou os olhos e se remexeu, tentando se soltar.
Era tarde demais, meu querido prisioneiro.
Dei uma mordida não muito cuidadosa em seu pescoço, o fazendo soltar um gemido leve.
- E quem é você pra falar de maldade? - abri a camisa por completo, deixando todo o abdômen dele a mostra. Não pude evitar distribuir uns beijos e mordidas pelo local. Ver a cara de desespero dele me excitava. Fui descendo até chegar a sua calça, levantando meu corpo e encarando o rosto dele, que já estava coberto por uma fina camada de suor. Abri o zíper devagar e depois puxei a calça sem calma alguma, encarei a cueca branca que ele usava com certa malícia. Logo aquela peça também não estava mais em seu corpo. me olhou, seus olhos praticamente implorando para que minhas mãos voltassem a tocar seu corpo e foi o que eu fiz. De leve, comecei a acariciar seu membro ereto, recebendo um gemido alto de aprovação, comecei a fazer movimentos variados, passando pela grande, o deixando cada vez mais louco. Mantive-ne naquela brincadeira olhando firme em seus olhos, eu ainda estava totalmente vestida. Senti pelo olhar de que ele não aguentaria por muito tempo e parei meus movimentos, afastando minha mão de seu membro e recebendo um olhar zangado.
- ... Não faça isso comigo... - ri, me levantando e saindo da cama. Ele me olhou incrédulo e balançou a mãos, tentando se soltar. Confesso que consegui sentir um pouquinho de pena dele, devido à situação que se encontrava, mas como dizem... A vingança é doce, não?
Olhei maliciosa para ele, fechando os botões da minha blusa e percebendo que seu olhar começava a transmitir raiva. Eu não poderia deixar de provocá-lo, o que ele poderia fazer preso? Completamente nada!
- Ora, , Você tem suas mãos... - estendi minhas mãos, olhando para ambas. - Bom... Não necessariamente, já que elas estão presas! - mordi o lábio, sorrindo vitoriosa e o ouvindo xingar um palavrão alto. Ignorei, abrindo a porta e tendo uma última visão daquela cena tão tentadora e ao mesmo tempo hilária. - Ah, antes que eu me esqueça, obrigada por me mostrar onde eu posso conseguir uma arma. - mandei um beijo no ar para ele. - Querido chefe! - fechei a porta, sentindo uma adrenalina incontrolável correr por minhas veias.
- SUA DESGRAÇADA, VOCÊ VAI ME PAGAR! - o ouvi gritando e me adiantei a sair dali logo, antes que meu plano fosse por água abaixo. - VAI ME PAGAR CARO, ! - soltei uma risada, imaginando o que a pessoa que o encontrasse naquela situação faria… Depois de rir, é claro. Naquele momento eu precisava voltar para o quarto em que ficávamos, pegar minhas coisas e sair logo dali.

Depois de passar na salinha onde havia pegado as algemas, e pegado uma arma, fui para o quarto e joguei água no rosto, troquei de roupa e fiz uma pequena mala, só com algumas roupas, já que nada dali era meu mesmo, mas acho que ninguém se importaria.
Quando saí do elevador, olhando cautelosamente para todos os lados, percebi que não havia ninguém reparando em mim, o que era ótimo. Eu poderia simplesmente pegar um táxi e dar fim àquilo tudo logo.
Mas meu otimismo não adiantou muito, já que quando sai do hotel, dei de cara com Jared parado em frente ao carro que sempre costumava usar.
- Você não vai sair daqui! - a expressão em seu rosto era desconhecida por mim.
- Ah é, e quem vai me impedir? Você? - apontei pra ele, fazendo uma cara de deboche.
- Esse é meu trabalho, não é? Tomar conta da secretária do ... - senti raiva e vontade de socá-lo depois de ver o sorriso diabólico que se formou em seus lábios. - Então não vou deixá-la sair.
- Jared... Você não toma conta nem de si próprio! - eu não calculava mais o que saía da minha boca. Olhei nos olhos dele, percebendo que ele evitava fazer o mesmo.
- O que te faz pensar que eu sou tão ingênuo assim? Eu posso ter mentido esse tempo todo pra você... Eu posso até não estar realmente me sentindo culpado por ter te agarrado aquela vez... Quem é que vai saber, né? - não me controlei e dei um tapa em seu rosto, o vendo dar um passo pra atrás e colocar a mão no local. Avistei um táxi se aproximar e disparei a correr, quase caindo pelo caminho por estar segurando uma mala. Virei meu pescoço, mas ele não vinha atrás de mim, o que foi um alívio.

Toquei a campainha do apartamento de , sentindo vontade de correr dali e tentar desfazer toda a merda que eu tinha feito naquele hotel, mas era tarde demais. Nem com Jared eu podia mais contar... Só tinha a ... Bom, por via das dúvidas, acho que só tinha eu mesma.
Ele logo abriu a porta e se assustou ao me ver, encarando com surpresa a mala que eu segurava.
- Vai ficar me olhando com essa cara? Acho que você sabe por que eu estou tô aqui! - empurrei a porta, passando na frente dele e colocando a mala no chão. Sentei-me em um dos sofás e o encarei séria. - Ok, não temos muito tempo, mas... Se você realmente que fugir, vai me contar tudo que eu quero saber, e não finja que não sabe do que eu tô falando!
Vi-o sorrir e depois passar as mãos pelos cabelos. Caminhou e se sentou ao meu lado, encarando o chão.
- Eu não imaginava que você viria... E imaginava menos ainda que fugiria comigo! – virei-me, olhando seu rosto e pensando em como eu já havia sofrido por ele. Tantas noites que eu poderia passar em festas com meus amigos, passei no meu quarto, deitada em minha cama, escutando músicas tristes e pensando naquele estúpido e lindo sorriso que ele tinha.
- Anda, , eu quero saber... Quero saber por que quer te matar! - ele respirou fundo, segurando minha mão que estava apoiada em minha perna. Olhei para as duas, que estavam entrelaçadas e depois encarei seu rosto, esperando uma resposta.
- Basicamente, é por causa do meu pai! - certo, tinha mais gente envolvida naquilo...
- Seu pai?
- Sim... Digamos que o meu pai roubou algo que pertencia ao pai dele... - eu não estava entendendo aquilo direito.
- Pode ser mais claro?
- , meu pai casou com a mãe do ! - arregalei meus olhos, processando o que havia acabado de ouvir. - Obviamente ela largou do pai do e... - ele balançou a cabeça, a expressão em seu rosto ficou tensa.
- Ah, você jura que é só isso? - afastei nossas mãos, me ajeitando no sofá. - Já viu o olhar dele pra você? Pare de me esconder as coisas, eu sei que não é só isso! - ele virou o rosto, olhando para o chão da sala e depois para os próprios pés, como se pensasse em algo para me dizer.
- Podemos ir? - começou a bater o pé impacientemente no chão, evitando me olhar.
- Não! - cruzei os braços. - O que você fez pro ?
- Ele é louco! - ele se levantou, com a voz alterada. - Eu não fiz nada! Agora me escuta... - ele se aproximou, segurando meus braços. - Podemos ir agora e evitar alguma encrenca ou podemos ficar aqui remoendo o passado e ele acabar nos achando. - balancei minha cabeça e uma onda de arrependimento passou por mim.
Mas fugir era a coisa certa, não era?
Apenas levantei, pegando minha mala e indo até a porta, sem dizer nada.
Tudo começava a fazer sentido, eu só não conseguia entender por que era o jurado de morte... Alguma peça ainda faltava naquele jogo e eu a acharia. Mesmo que longe de , mas eu descobriria.
Quando chegamos ao estacionamento, imediatamente entrei no carro, enquanto colocava as duas pequenas malas no banco traseiro. Quando ele saiu do lugar, já na rua, olhei para cima e pensei na loucura que estava fazendo, ele largaria a vida boa que tinha por minha causa? Alguma coisa estava errada... - Eu me sinto um adolescente! - ele entrou no carro, com uma aparente empolgação na voz. - Não me faça lembrar de adolescência... - ele revirou os olhos e depois me encarou, segurando o volante com as duas mãos. Aquele idiota tinha que parar de ser sexy, mas que droga. - Você nunca vai me perdoar, não é? - Eu tô dentro de um carro prestes a fugir com você! Isso responde sua pergunta? - ele sorriu e deu a partida.

's POV

Aquela... Aquela maldita iria me pagar, como ela teve coragem?
Balancei meu braço com força, tentando a todo custo me livrar daquela porra daquela algema, mas não adiantava, ela não iria abrir. Eu precisava de ajuda.
Pensar que alguém iria me ver naquela situação era constrangedor demais... Bom, dar a honra de verem seu conteúdo ou ficar naquele quarto por horas? Eu tinha que pensar rápido. Mas que diabos pensar rápido, eu me encontrava em uma situação ridícula.
Não demorou muito até que a porta se abrisse e o grito da faxineira quase me deixasse surdo. Percebi que ela não tirava os olhos de mim e mandei que ela parasse de olhar como se nunca tivesse visto um daqueles antes e fosse procurar ajuda. A coitada saiu correndo e eu só consegui xingar, e xingar e xingar mais um pouco .
Ah... Isso não ficaria assim.
Eu esperava que ela soubesse o significado da palavra revanche.
Depois de passar por um dos momentos mais constrangedoras da minha vida, estava finalmente solto. Assim que a policial que havia me soltado saiu do quarto rindo da minha cara, vesti minhas roupas e saí praticamente correndo do hotel. Eu precisava encontrar ela e algo me dizia que precisava encontrar também. Era óbvio que ela tinha fugido com ele.
Isso provava que... Ela não se importava... E eu também não.

Avistei Jared no saguão e fui até ele, avançando sobre o mesmo e segurando no colarinho de sua camisa. Eu podia sentir a fúria pulsando por todo meu corpo e ver aquele olhar dele não ajudava em nada.
- Onde ela foi? - fechei meus olhos, o soltando. - Por que eu saberia? - era óbvio que ele estava mentindo. Eu só poderia estar com "idiota" escrito na minha testa aquele dia, não era possível.
- Jared, eu não vou perguntar de novo! - tomei a arma de um dos guardas que passava por ali, segurando-a firmemente.
- Ela... - ele respirou fundo, evitando olhar direto pra mim. - Ela fugiu com o !
Naquele momento senti que meu corpo ia explodir de tanta raiva, ao ponto de querer destruir tudo ao meu redor. Meu estado só piorava, logo eu teria um ataque cardíaco.
Mas não antes de acabar com a raça daquele filho da puta.
Era tudo culpa dele. De novo, de novo aquele desgraçado ferrando com a minha vida!
- Vem comigo! - disparei até meu carro, sendo seguido por Jared que estava bem tenso, dava pra notar pela cara de merda que ele fazia. Entrei no carro, apertando o volante com toda a força que eu tinha, fechando meus olhos e soltando o ar pausadamente.
Eu me odiaria pra sempre por pensar aquilo...
Mas toda aquela situação não havia apenas me deixado puto... Havia me deixado... Como era mesmo o nome daquela palavra?
Acho que... Magoado, triste, aborrecido... Não sei bem.
- Vamos pegá-los! - eu disse, com o olhar fixo na estrada.

/'s POV

- It's my life, it's now or never... I ain't gonna live forever! - cantarolava, sem tirar os olhos do caminho. Olhei torto para ele, me sentindo um pouco incomodada pelo volume da música. Logo ele percebeu aquilo e abaixou a música, não deixando de continuar a cantar.
- Oh, me desculpe, é que eu não resisto quando se trata de Bon Jovi... - deu um sorrisinho de canto.
Uma chuva fina caía sobre a estrada, eu apenas conseguia encarar o nada, pensando no que havia feito, pensando em como deveria me odiar depois de tudo. Eu não estava feliz com aquilo.
continuava a cantarolar, virando a esquina do apartamento, já que demoramos um pouco para sair de lá devido a um telefonema do pai dele. Digamos que teve que pensar em uma desculpa para estar saindo de seu apartamento, mas isso não me importava nem um pouco. Vi ele sorrir, não suportando a maneira como ele conseguia se manter calmo.
- , por que você tá tão calmo, sem medo... Ele quer te matar! - falei, virando meu rosto e olhando a estrada úmida.
- Se ele quer me matar, vamos deixá-lo tentar. Passar esses dias com você tá sendo ótimo, e olha só, eu devo isso a ele. - deu um sorriso de canto.
- Que irônico, não? - olhei para ele, sorrindo em seguida. Mas uma preocupação sem tamanho me dominava por dentro. Ele ia cantar o último trecho da música, quando um barulho de celular tocando me assustou e logo ele estava com o aparelho na mão. Olhou algumas vezes para o visor, lançando um olhar de canto para mim e enrugando a testa.
- Não vai atender? - apontei para o aparelho, percebendo que ele estava estranho.
- Não! - se recompôs, desligando o celular e o guardando de volta no bolso. - Mas e aí, como você conseguiu escapar do ? - tratou logo de mudar de assunto.
- Você não vai querer saber... - abaixei a cabeça, fingindo um riso.
- Merda! - ele xingou e eu percebi que o carro ia perdendo a velocidade. - Gasolina... - olhou ao redor, respirando aliviado ao ver um posto do outro lado da rua, usou o pouco de gasolina ainda presente no carro e conseguiu levá-lo até lá. Abriu a porta do carro e colocou o corpo para fora.
- Quer alguma coisa? - respondi que sim com a cabeça.
- Um suco qualquer, minha garganta tá seca demais! - ele fechou a porta e caminhou até uma lojinha de conveniência, entrando na mesma. Depois de alguns minutos ele saiu e me entregou o suco pela janela, cuidou do problema da gasolina e voltou para dentro do carro. Vi que o sol estava forte e batia no rosto de devido a janela aberta. Evitando aquela claridade, virei meu rosto e dei de cara com o retrovisor do carro.
Merda, não podia ser...
- Tom... - eu disse, imóvel. - Liga essa droga desse carro... Agora! - ele me olhou sem entender e eu olhei em desespero para trás, comprovando que aquele era o carro de e ele estava com Jared. - ANDA LOGO, PORRA! AGORA!
Ele me obedeceu ligando o carro e dando ré, quase batendo em outro durante uma curva. Aumentando a velocidade, o carro de foi ficando mais longe e percebeu que tínhamos companhia.
- Droga!
- VAI LOGO! - eu gritei, desesperada, sentindo todos os músculos do meu corpo doerem de tanta tensão. Eu estava morrendo de medo.
entrou em outra rua, quase atropelando um casal que passava despreocupado por ali e gritou um palavrão. Olhei pra frente, acompanhando sua visão e percebi que aquela era uma rua sem saída. Ótimo. Ele tentou dar ré, mas o carro de já havia entrado na mesma rua e nos cercado completamente.
Respirei fundo, percebendo o olhar de sobre mim e evitando olhar na janela. Inclinei-me, pegando minha mala e tirando de dentro dela a arma que eu havia me esquecido por todo aquele tempo que estava ali. arregalou os olhos ao vê e segurou meu braço, tentando impedir que eu a usasse.
- Me solta! Eu tô tentando salvar a sua vida! - eu disse aquilo duvidando de mim mesma e abri a porta do carro, saindo. Logo de cara meu olhar se encontrou com o de , que sorriu assustadoramente ao me ver. Mais ao fundo, estava Jared que também me olhou, mas aquele era um olhar triste. saiu também, parando ao meu lado.
- Olha só que coisa mais romântica! - fingiu uma expressão romântica. - O casal fugindo do vilão... - balançou a cabeça negativamente e fez um sinal com a mão para Jared. - E eu tentei ser bom com os dois... ... Que situação você me deixou, aprendeu a ser malvada desse jeito com quem? - ele vinha dando passos lentos, mas ficava cada vez mais perto de nós. - Jared!
Ao dizer o nome de Jared, o mesmo apontou uma arma para , que tentou correr, mas seu corpo parecia ter congelado de imediato. Olhei para o rosto de todos, percebendo que se aproximava de mim. Lembrei da arma que estava na minha mão e sem pensar duas vezes a apontei para ele, o vendo parar de andar.
Jared me olhou surpreso, sua mão estava completamente trêmula.

SIXTEEN
(n/a: Coloque essa música para carregar e espere a letra aparecer para dar play!)


Soltei o ar pesadamente, sentindo minhas pernas irem ficando fracas aos poucos. Nós quatro estávamos naquela cena que parecia acontecer em câmera lenta há vários minutos, um apenas encarando o outro. Olhei mais uma vez para Jared, vendo que ele não desistiria e continuaria com aquela maldita arma apontada para . Eu não podia vacilar, eu não sabia mais se realmente podia confiar nele, e isso me deixava mais sem chão ainda. Desviei meu olhar dele, voltando para que me encarava como se estivesse pedindo para que eu tentasse algo contra ele. Provocando-me.
Balancei a arma, recuando um passo e ouvindo soltar um palavrão baixo. riu e se manteve imóvel, apenas esperando alguma ação minha. Eu tinha um limite para provocações, por mais que às vezes eu fingisse não ligar, tudo ia sendo guardado dentro de mim, as coisas iam se acumulando.
Mas simplesmente não tinha mais espaço.
- Vamos, ... - ele cruzou os braços, sorrindo descaradamente para mim. - Tem medo de usar uma arma? - fechei os olhos, sentindo aquelas palavras entrarem em mim de uma forma que fez meu corpo estremecer. Aquele era o limite da minha raiva, era o limite de tudo. Pressionei meu dedo no gatilho e o apertei forte, vendo que nada acontecia. Tentei mais uma vez... Tentei outra...
começou a rir.
Encarei-o com raiva, frustração e alívio ao mesmo tempo. Minhas pernas estavam bambas, eu realmente havia tentado algo contra o homem que... Dane-se.
- Muita ingenuidade da sua parte achar que eu deixaria uma arma com balas exposta pra qualquer um entrar naquele quarto e pegar - ele balançou a cabeça negativamente e em um piscar de olhos já estava frente a frente comigo. Tirou a arma de minha mão que tremia e olhou fundo nos meus olhos. - Se você quer brincar, tem que saber fazer isso do jeito certo.
Evitei ao máximo manter contato visual com ele e voltei meus olhos a Jared, que já havia desistido de manter a arma apontada para e a guardou. Respirei aliviada mais uma vez, sentindo a mão de segurar meu braço com força.
- Agora - ele aproximou a boca da minha orelha. - Você vai voltar pro hotel comigo e nós vamos fingir que nada aconteceu... Pelo menos até chegar lá! - fiz força para me soltar, o encarando sem medo. Eu tinha que ser forte e mostrar que, como ele mesmo havia dito, eu sabia brincar do jeito certo.
- Quer que eu continue o que não terminamos? - mordi o lábio inferior, o vendo olhar para o mesmo. - Eu sabia que você não ia conseguir terminar de se virar sozinho, precisava de mim para... - antes que eu terminasse, ele puxou meu braço com forma mais uma vez, me arrastando até a porta do carro, fazendo com que eu desse de cara com Jared, que me evitou. olhou para mim e depois para , balançando a cabeça negativamente e voltando para o seu carro, entrando no mesmo.
Entrei no carro de , ficando sentada sozinha no banco de trás, tendo uma visão nítida de do outro lado da rua, parado, sem reação em seu carro. Nossos olhares se encontraram e ele parecia estar magoado. Virei meu rosto, xingando a mim mesma de todos os palavrões possíveis. Eu só estava conseguindo piorar tudo.
- Por que aquele babaca não para de olhar? - disse com a voz rouca. – Logo, logo eu vou me acertar como se deve com ele! Agora anda, Jared, dirige logo que eu quero voltar pro hotel. - dizendo isso, ele virou o rosto, olhando pra mim. Devolvi seu olhar, mantendo meu corpo parado, sem demonstrar emoção alguma.

Senti um arrepio ao perceber que já estávamos de volta ao hotel. Saí do carro antes de e Jared, parando em frente a entrada, vendo Jared se aproximar, enquanto havia parado para falar com um homem que surgiu e começou a fazer perguntas sobre o hotel pra ele. Que coisa mais chata.
- Muito obrigada, Jared. - eu disse com raiva.
- Não há de quê! Aliás, por que você tá falando comigo? - ele não era aquela pessoa fria que tentava demonstrar má educação, ele só estava magoado comigo. E com razão, talvez.
- Você prometeu que ia me ajudar! Como pôde contar pra ele?
- Você também prometeu me ajudar, . - ele aumentou um pouco a voz. - E o que estava prestes a fazer? Fugir com aquele cara e me deixar aqui, sem ajuda alguma. Eu deveria imaginar que você não se importava nem um pouco.
- Cala a boca, seu idiota, eu me importo até demais. - nós já discutíamos em alto e bom som na entrada do hotel. Incrível que ninguém, inclusive , ainda não tivesse reparado. - E é isso que me cansou, tentar ajudar as pessoas a saírem de um problema que cada dia me afunda mais.
Ele ia responder algo, mas percebi que já havia se livrado do homem estranho e vinha andando rápido até nós. Ignorou Jared e passou a mão pela minha cintura, puxando-a para frente. Ele não desistiria de terminar aquilo mesmo, mas é claro que eu não seria tão fácil. Apesar de parecer meio cruel, eu adorava vê-lo sofrendo, implorando por mim, necessitando que eu desse o que ele queria.
Desfiz-me de sua mão e entrei no hotel, não esperando que ele me acompanhasse e comecei a correr para uma direção que não era de costume. Encontrei um elevador, entrando rapidamente nele e apertando o andar 20. Não demorou muito para que eu chegasse a um andar que fez minha boca se abrir involuntariamente. O corredor principal era quase do mesmo tamanho do saguão, as portas eram maiores e mais a frente percebi que vários lances de escada de intercalavam, revelando vários e vários outros andares. Mas que diabos era aquilo? Um tipo de área especial? Bom, quem se importava, eu só queria me esconder de e fazer ele ficar me procurando até que se cansasse.
Era óbvio que eu estava sendo infantil, era como se eu quisesse brincar de esconde-esconde ou algo do tipo, mas é claro que, quando ele me achasse, ele não iria simplesmente dizer "te achei" e correr para se esconder, dando continuidade ao jogo. Nomeei aquilo que estava fazendo como esconde-esconde sexual. Meu deus, como eu estava ficando promíscua.
Mas eu tinha a quem culpar, claro.
Comecei a andar, não deixando de reparar em nenhum detalhe da - sem dúvida alguma - parte mais luxuosa do hotel. Percebi que as luzes dali eram mais fracas, causando um clima diferente de todo o resto. Por que não ficava ali? Era tão grande e agradável, eu não me importaria tanto de ficar presa se fosse ali. Cheguei ao pé da enorme escada que parecia não ter fim e sem pensar duas vezes comecei a subi-la, imaginando se sentiria dor nas pernas depois daquele enorme percurso, mas eu precisava saber aonde aquilo daria.
No instante seguinte, ouvi o barulho da porta pela qual eu havia entrado bater com força, virei meu rosto rapidamente, dando de cara com que me procurava pelos cantos do corredor. Comecei a subir com pressa, mas no instante que o salto do meu sapato se chocou com força na escada, o rosto dele se levantou rápido e ele apertou o passo, provavelmente percebendo que eu estava ali.

Eu subia com pressa e, apesar de não ouvir sinal nenhum de , podia sentir a presença dele perto de mim, quase conseguia ouvir a respiração dele e confesso que era inevitável não considerar aquilo um tanto quanto excitante. Dei mais uma volta completa nas escadas, percebendo que aquilo era interminável. Quando avistei um corredor no andar que ficava acima de onde eu estava, gritei de susto ao perceber que todas as luzes do local se apagaram ao mesmo tempo, o deixando escuro devido à tarde que já estava sumindo e dava lugar a noite. Ouvi passos mais altos atrás de mim e antes que eu pensasse em como continuar correndo, aquela voz me causou arrepios.
- Eu sei que você tá perto, . - sua voz não era tão alta, mas estava rouca e falha. Imaginá-lo subindo toda aquela enorme escada atrás de mim foi bem medonho, mas eu sabia pelo que ele estava desesperado. - E eu vou te alcançar!
Sorri, voltando a subir as escadas que ainda faltavam, conseguindo ver a sombra de subir rapidamente, mas ele ainda estava bem abaixo de mim. Foi aí que uma coisa completamente sem sentido passou pela minha cabeça: Uma vez, eu tinha visto um clipe, acho que era daquela Hilary Duff e, se não me engano, a música se chamava With Love. Senti vontade de rir ao perceber que estava passando por uma cena super parecida com a que acontecia no meio do clipe. - Então venha me achar! - eu disse alto, chegando ao fim das escadas e encontrando um corredor escuro, porém lindo como o que havia visto antes. Percebi que ele era dividido em dois e dava uma volta, se tornando um corredor de dois lados.
Os passos de ficaram perto de novo e eu me apressei, me escondendo atrás de uma das paredes que cercavam as várias portas. Não precisei espiar pra saber que ele já estava no mesmo lugar que eu e isso só aumentava os arrepios que faziam meu corpo não parar quieto de maneira alguma.
Tomei fôlego e passei para o outro lado do corredor, ouvindo a risada dele.
- Eu consigo ouvir a sua respiração acelerada. - a dele também estava. - E acredite, isso tá me excitando. - deixei ele falar sozinho e fui até o final do corredor, ficando ali por algum tempo.
Ele tinha sumido ou estava se escondendo?
Resolvi entrar em uma das portas que estava encostada, encontrando um quarto escuro. Tateei pela parede em busca de conseguir ligar alguma luz, mas não estava dando muito certo. Coloquei todo o meu corpo para dentro do quarto, fechando a porta e tentando enxergar algo. Assim que minha vista se acostumou um pouco, o quarto já não era mais tão escuro.
Só que eu queria não ter enxergado o que enxerguei... Tá, na verdade eu queria sim.

I know you suffered
Eu sei que você sofreu
But I don't want you to hide
Mas eu não quero que você esconda
It's cold and loveless
Está frio e sem amor
I won't let you be denied
Eu não vou deixar que você seja negada

- Olha só quem eu encontrei... - estava sentado na cama, com a camisa aberta, me olhando quase que com fogo nos olhos. - Se não fosse por mim, você estaria trancada por tempo indeterminado aqui. - olhei para a porta, puxando a maçaneta e vendo que nada acontecia. Droga, era uma daquelas portas que só abrem com chave. - Seria um bom castigo... - senti como se todo o meu corpo pegasse fogo também, me encostando com firmeza na porta. Não, eu não podia fraquejar.
Ele se levantou, caminhando em minha direção, sem perder o contato visual. Engoli em seco, vendo que ele mudou o olhar de rumo. Agora seus olhos estavam fixos no decote que minha blusa formava. Percebi isso de imediato e coloquei a mão no local, impedindo que ele continuasse a ver. Antes que eu piscasse mais uma vez, ele já estava com o corpo colado ao meu, me apertando completamente contra a parede.
- Não perca seu tempo tampando nada, você sabe que daqui no máximo dois minutos toda a sua roupa vai estar no chão. - deu uma mordida no meu pescoço. - E não vai ter como esconder, .
- Você sabe que a minha intenção nunca é esconder nada de você. - entrei no jogo dele, recebendo outra mordida deliciosa no pescoço.
- Ah, para, você deve ter algum desejo secreto... - ele sorriu, subindo com beijos pelo meu maxilar, até chegar ao canto da minha boca. Fechou os olhos e grudou os lábios nos meus, começando um beijo calmo. Dei passagem para sua língua quente e logo estávamos completamente envolvidos naquilo. Movi minha mão, que provavelmente estava gelada, até seu peito frio, fazendo-o contrair um pouco. mordeu meu lábio, fazendo um carinho gostoso na minha cintura. - Eu sei que tem... Eu também tenho.

Soothe me
Me acalme
I'll make you feel pure
Eu vou fazer você se sentir pura
Trust me
Confie em mim
You can be sure
Você pode ter certeza

Deixei que ele tirasse minha blusa de uma vez, suas mãos correram até meus seios que ainda estavam cobertos por um sutiã branco de rendas. Ele apenas os sentiu e desceu as mãos, passando-as pela minha barriga e me provocando vários arrepios.
- Quais seriam os desejos secretos de ? - fingi uma cara pensativa enquanto ele parecia estar perdido e não sabia onde pôr as mãos em meu corpo. Às vezes ele me lembrava um adolescente que tinha perdido a virgindade recentemente.
- Não é nada muito complexo. - sua camisa já estava fazendo companhia para minha blusa no chão. - Eu só gostaria de fazer você gritar meu nome até perder a voz, e também gostaria de te fazer sentir algo que nenhum outro homem na face da terra consiga.
Eu poderia ter parado de respirar, talvez eu até tenha mesmo parado de respirar naquele momento. O frio em minha barriga estava quase se tornando insuportável. Aquele homem estava me torturando com palavras, palavras que só faziam a minha vontade de tê-lo aumentar cada maldito segundo que se passava. Maldito.

I want to reconcile the violence in your heart
Eu quero reconciliar a violência no seu coração
I want to recognize your beauty's not just a mask
Eu quero reconhecer que a sua beleza não é só uma máscara
I want to exorcize the demons from your past
Eu quero exorcizar os demônios do seu passado
I want to satisfy the undisclosed desires in your heart
Eu quero satisfazer os desejos secretos do seu coração

- Você não vai me dizer nada? - ele me encarou nos olhos, puxando a alça do meu sutiã para baixo, enquanto eu tentava formular algo que fosse a altura das coisas que ele havia me dito. Vi mexer nos bolsos da calça, tirando uma chave de dentro de um deles. - Agora essa porta só vai abrir com essa chave - ele a balançou na minha frente. - Ou você sai desse quarto agora, ou só vai sair depois que me fazer realizar as coisas que eu disse que quero. - mais uma vez senti todo o meu corpo tremer e segurei firme em seus braços, roçando o meu corpo no dele. - Escolha a segunda opção, eu não costumo dizer isso... - seus olhos eram suplicantes, algo que era raro. - Por favor, escolha ela.
Senti meu sutiã ser aberto e logo ele havia deixado meu corpo, sem muito o que dizer, puxei-o pelo pescoço, começando um beijo mais intenso, expressando tudo que eu queria dizer, mas não conseguia. Senti-o colocar as mãos firmes em minhas costas e depois deu um jeito de me pegar no colo, sem desgrudar os lábios dos meus. Levou-me até a cama, deitando-me na mesma e ficando por cima, sem jogar totalmente o peso do seu corpo sobre mim.
Continuamos a nos beijar, enquanto ele tentava abrir o zíper da própria calça, senti vontade de sorrir ao vê-lo naquela situação e acabei o ajudando. Depois de receber um olhar agradecido, ele prendeu a atenção na minha calça, tirando-a facilmente, levando a calcinha junto.

Please me
Me satisfaça
Show me how it's done
Me mostre como se faz
Trust me
Me provoque
You are the one
Você é a única

Enquanto ele fazia um belo trabalho no meu pescoço e ia se livrando de sua boxer, abri mais minhas pernas, envolvendo o quadril dele com uma delas. percebeu meu gesto e logo sua mão acariciava minha coxa, às vezes apertando a parte internada e usando as unhas curtas pra me causar ainda mais arrepios. Puxei seus cabelos, fazendo com que ele me olhasse, respirando com dificuldade.
- Eu não preciso te dizer nada, você sabe qual é a minha resposta quando se trata de você... E sempre vai ser ela... - vi ele sair de cima de mim, estranhando seu comportamento e me perguntando o que havia feito de errado. Felizmente, ele logo estava ao lugar de antes, agora com uma camisinha na mão. Colocou-a sem dificuldades e segurou firme com uma das mãos em minha cintura, voltando a apertar minha coxa com a outra.
- Por hoje... - fechei meus olhos, sentindo que ele começava a me penetrar. - Apenas por hoje... - ele gemeu, não conseguindo terminar sua fala. começou a se movimentar sobre mim, de acordo com a intensidade que me penetrava. - Eu vou tentar fazer com que você esqueça a encrenca que eu te meti. - acompanhei seus movimentos, o sentindo completamente dentro de mim. - Finja que nada disso existe, apenas hoje... .

I want to reconcile the violence in your heart
Eu quero reconciliar a violência no seu coração
I want to recognize your beauty's not just a mask
Eu quero reconhecer que a sua beleza não é só uma máscara
I want to exorcize the demons from your past
Eu quero exorcizar os demônios do seu passado
I want to satisfy the undisclosed desires in your heart
Eu quero satisfazer os desejos secretos do seu coração

Gravei minhas unhas em suas costas, sentindo o corpo suado dele se movimentar freneticamente sobre o meu. A sensação só aumentava, aumentava, aumentava... Nenhuma dor teria efeito sobre o meu corpo naquele momento. Nenhuma dor teria efeito enquanto eu fosse dele.
Beijou-me, não conseguindo evitar soltar gemidos entre o beijo, se aproveitando de todas as partes possíveis do meu corpo com as mãos, investindo cada vez mais forte. Eu sabia que ele não iria aguentar por muito tempo e eu também não. Então segurei seus cabelos com força e comecei a dizer seu nome repetitivas vezes. Seu nome que saía da minha boca era misturado com gemidos que aumentavam gradativamente.
Não aguentando mais, deixei que minha garganta juntasse todas as forças que tinha e gritasse seu nome, em meio ao orgasmo que me atingia e fez minhas pernas ficarem mais bambas do que nunca. Ele também chegou em seu ponto máximo, saindo de dentro de mim e abraçando minha cintura. Soltou um último suspiro pesado, com as mãos presas a minha cintura. Respirei fundo, ainda sentindo como se ele estivesse dentro de mim, como se nossos corpos fossem um só. Seus olhos se fecharam e logo se abriram, fixando-se nos meus.
- Eu... - senti que uma de suas mãos mudou de direção e foi direto ao meu cabelo, começando a afagá-lo. - Eu te... - meu corpo inteiro se arrepiou de novo. Senti que poderia desmaiar a qualquer momento, sem força alguma para me levantar.
Ele iria dizer... Sim, ele iria...
- Eu te mato se fizer o que fez hoje de novo, juro que te mato.


SEVENTEEN
Música do capítulo!

Ao dizer aquilo, o corpo dele saiu de cima do meu, se jogando ao lado na cama. Permaneci olhando para o teto, sentindo a sensação de fraqueza nas pernas ir embora aos poucos. O que era bom, já que eu não poderia ficar naquele quarto pra sempre. Percebi que ele começou a olhar para o mesmo ponto do teto que eu, virei meu rosto, encarando o dele e voltando a olhar para o ponto de antes.
- Eu queria poder ficar nesse quarto pra sempre. - a princípio achei estranho o que ele tinha dito. - Os problemas parecem longe...
- Que bom que você pensa assim! - minha voz estava baixa.
- Não, é sério... - ele virou seu corpo, ficando de lado da cama e mantendo contato visual comigo. - Nunca teve a sensação de que se isolar do mundo torna as coisas melhores? - ele disse aquilo com tanta calma, de uma maneira tão suave... Como se fosse outra pessoa.
- Nunca parei pra pensar nisso. - sem estar muito afim de conversar, me levantei, ficando sentada no canto da cama, de costas para ele.
- Suas costas são bonitas. - franzi o cenho, olhando para o chão. Aquela transa havia deixado ele tão louco ao ponto de não falar coisa com coisa? - E, olha só, você tem um pequeno sinal aqui! - senti seu dedo encostar-se ao meio das minhas costas, o que foi algo inesperado... Até demais. Levantei-me, sem esperar que ele retirasse a mão dali e fui atrás das minhas roupas, vestindo-as rapidamente e ajeitando meu cabelo que estava bagunçado.
- Onde você vai? - ele ficou sentado na cama, cobrindo a parte de baixo do seu corpo com o lençol branco.
- Eu vou voltar para o mundo real... Pode me dar a chave? - estendi minha mão, já esperando que ele não cooperaria com aquilo tão facilmente.
- Eu ainda não disse que você pode sair, . - o sorriso de antes voltou aos seus lábios.
- Agora você tem suas duas mãos soltinhas, por que precisa de mim? - ele começou a rir, enquanto a minha cara ficou mais séria do que estava antes. Não gostava de ficar muito tempo com ele, era como se aquilo me enfraquecesse, era como se eu fosse ceder a todas as suas vontades, caprichos e loucuras.
- Qual é o seu problema? - ele jogou o lençol longe, se levantando e vestindo a boxer. - Eu não sou uma máquina de sexo. - era estranho ouvir aquilo dele, já que eu poderia pensar o contrário. - Só quero que você fique aqui! – encarou-me, vestindo a camisa e tirando a chave do bolso da calça, estendendo-a para mim. - Mas quem sou eu pra te pedir alguma coisa, não é? - balançou a cabeça negativamente, vestindo o resto de suas roupas.
Abri a porta, lançando um último olhar para ele, desejando mais do que nunca que existisse realmente uma escapatória para o mundo, como ele mesmo havia dito. Deixei-o sozinho no quarto e saí, voltando a fazer todo aquele enorme percurso. Só que dessa vez ele não vinha atrás de mim, como eu gostaria.

1 dia depois...

Tédio.
Era o que aquele dia havia se tornado.
Eu realmente não imaginava que conseguiria sentir tédio em Los Angeles, não passou pela minha cabeça que ficaria isolado durante aquele tempo, como se estivesse se preparando para algo, decidindo o que fazer ou simplesmente tentando fugir do que um lado dele queria fazer.
Afinal, ele tinha dois lados.
Senti algumas gotas de água atingirem minha pele devido a duas crianças que pulavam na piscina, já que o dia estava quente e vários hóspedes decidiram ficar por ali. Procurei com os olhos, na esperança de ver , mas tudo que consegui ver foi Jared, sentado em uma das cadeiras do bar. Seu olhar estava longe. Levantei-me, indo até ele e sentando em sua mesa, recebendo um olhar confuso em troca.
- Antes que você me mande ficar longe de você... - comecei, com receio. - Eu queria dizer que... Bom, eu confio em você, eu sei que você não fingiu nada pra mim, eu sei. - ele levantou uma sobrancelha, dando um gole em seu suco e olhando para a piscina.
- Essa sua confiança cega nas pessoas ainda vai te meter em sérios problemas. Vai acabar te matando. - ignorei as palavras frias dele, dando um meio sorriso e pensando em como puxar assunto, consertar as coisas.
- Eu não quero ficar brigada com você, entende isso? - não sei bem se Jared estava me ouvindo, já que ele não me encarava. - Você é meu amigo, eu acho.
- Sou? Tem certeza? - ele coçou a nuca, percebendo que eu não desistiria até estarmos nos falando normalmente de novo.
- Claro que sim! Não nas circunstâncias que eu gostaria, mas somos sim! - ele se aproximou um pouco, sussurrando um "Me Desculpe!" e dando um leve beijo em minha bochecha. Olhei para os lados, com medo de encontrar alguém que não gostaria de ver aquela cena e sorri pra ele.
- Eu acho que nós vamos conseguir! - levantei da cadeira, seguida por ele.
- Eu não teria tanta certeza se fosse você... De qualquer jeito, você viu o Ian por aí? - neguei com a cabeça, deixando ele onde estávamos e voltando para dentro do hotel.

Abri a porta do quarto, não vendo sinal de . Entrei com cuidado, não ouvindo meus próprios passos e minha respiração. Olhei ao redor, percebendo que uma mala não muito grande estava em um dos cantos do quarto, caminhei até ela, me abaixando e depois de pensar um pouco, abri seu zíper. Eu nunca havia percebido a existência dela ali, mas também, com tantas coisas para reparar e tomar cuidado, quem olharia para uma mala?
A princípio, tudo que vi foram coisas comuns, algumas roupas, uma boxer vermelha que me fez imaginar como ele ficaria vestindo aquilo... Mexi mais no fundo, encontrando uma pequena e comprida caixinha de madeira. Estranhei aquilo, tirando a mesma de dentro da mala e tentando abri-la. Não demorou muito e eu avistei um papel dobrado e amarelado sobre todas as outras coisas que pareciam estar dentro da caixinha. Optei por abri-lo e deixar o resto para depois, sempre dando uma olhada na porta, que estava encostada. Levantei-me, segurando a caixa nas mãos e me sentando na cama arrumada. Abri o papel, não entendendo logo de cara o desenho que ali se encontrava. Eu tinha certeza que uma criança havia feito aquilo, já que a caligrafia que estavam em cima do desenho era infantil. Olhando com mais atenção, percebi que o nome de estava escrito no canto da folha, com a mesma caligrafia da parte de cima.

"Às vezes eu queria sumir..."

"Ninguém se importa... Eu também não deveria."

Passei a mão sobre a folha, grudando meus olhos no desenho abaixo daquelas duas frases. Um garoto estava no meio, com uma expressão triste. Ao seu lado esquerdo, uma mulher também com a expressão triste e um pouco distante. Do lado direito, um homem também afastado do garotinho possuía um rosto que demonstrava raiva e tristeza. Não precisei pensar muito para reconhecer que as pessoas daquele desenho só podiam ser , sua mãe e seu pai. Dobrei a folha, colocando-a com cuidado na cama e voltando minha atenção para a caixinha. Peguei uma foto velha e que começava a se rasgar por uma das pontas, sentindo um aperto em meu coração na mesma hora.
e seus pais estavam abraçados. De fundo, uma paisagem verde que parecia ser bonita.
Ele era uma criança... Ele ainda era um inocente.
Peguei a última coisa que estava na caixinha, percebendo que também se tratava de uma foto. Tomei um susto ao reconhecer meu rosto naquela fotografia tão recente... A mesma estava dobrada, provavelmente ocultando alguém. Desfiz aquela dobrada, vendo a meu lado.
Senti um misto de emoções ao me lembrar do dia em que aquela foto foi tirada. Logo que eu comecei a trabalhar no escritório, foi feita uma reunião na empresa mesmo, onde e eu ficamos conversando um pouco, como se a presença dele não me deixasse completamente idiota naquela época.
Ainda deixava, na verdade.
Mas por que ele guardava aquela foto? Por que ele guardava aquelas coisas?
Arrumei tudo dentro da caixinha de novo, sentindo meu coração acelerado e, em questão de minutos, a porta se abriu. Ele olhou meu rosto assustado e seu olhar logo desceu para minhas mãos, que seguravam seus pertences. Piscou várias vezes, abrindo a boca e a fechando. Sustentei seu olhar, deixando evidente que eu sabia o que tinha ali dentro e logo ele estava caminhando rápido em minha direção, tomando o objeto de madeira das minhas mãos. Nesse instante, o mesmo caiu no chão, revelando novamente as fotos e o desenho. Percebi que ele estava mudo e se abaixou para recolher aquilo, pensei em falar algo, pensei em perguntar o motivo daquilo...
- Você não deveria ter mexido nisso! - se levantou, segurando a caixa entre as mãos. fechou os olhos, os abrindo em seguida. Algo estava errado com ele, seu olhar não era apagado daquele jeito. - Saia do quarto, . - neguei com a cabeça, ouvindo ele bufar. - Me deixa sozinho, porra!
- Você não consegue mais esconder, não é? - ele me olhou sem entender. - Eu sei, tem alguma coisa errada, eu sempre soube! - e então ele segurou meu braço, puxando-me para a porta, mas parou no meio do caminho, percebendo que estava depositando força demais em meu braço. Olhou-me nos olhos e abriu a porta, lançando-me um último olhar antes de minhas pernas me tirarem dali.


's POV

Fechei a porta com força, jogando a caixa de madeira longe. Livrei-me daquela camisa que só servia para incomodar meu corpo e abri uma das gavetas que ficavam ao lado da cama. Retirei dali uma garrafa de whisky que até o momento eu não tinha tido vontade de tomar. Mas naquele momento eu precisava... Precisava apagar as coisas que estavam na minha cabeça de algum jeito. Senti a bebida descer queimando pela minha garganta e sentei do lado da cama, olhando para a janela que estava aberta.
Mais um gole, outro... Outro... Porra, por que eu não podia ficar bêbado logo e pegar no sono?
A verdade era que eu não era fraco quando o assunto era álcool, aquilo não adiantava comigo.
Deixei a garrafa que estava pela metade no chão, me levantando e andando pelo quarto. Encostei-me à parede, fechando os olhos e respirando o mais fundo que eu conseguia. O gosto de álcool ainda estava em minha boca e meu estômago estava embrulhado há horas.
Eu não conseguia me livrar daquela maldita sensação...

" Tem razão, eu tento me convencer que ainda vale a pena lutar pelo meu filho, mas você é igual a seu pai... Você é um insensível, não se importa com nada. Se um dia eu te ver no fundo do poço, , eu não irei te ajudar. Eu cansei de tentar. Boa sorte com essa merda que você chama de vida, estou seguindo seu conselho e me afastando de você."

Que porra eram aquelas malditas lágrimas querendo sair dos meus olhos? Não, eu não iria chorar. não chorava por merda nenhuma, ele era maior que aquilo... Ele sempre superava.
Eu estava cansado de superar. Só superar.
Soquei a parede, engolindo aquele maldito choro e sentindo minha mão latejar. Todo o meu corpo latejava, todo o meu corpo doía, não só por fora, mas por dentro também. Eu me sentia uma espécie de bomba relógio, a qualquer momento eu simplesmente não aguentaria mais, eu explodiria e causaria danos e mais danos. Danos a pessoas inocentes.
Ignorar os outros sempre foi o meu forte, mas quem disse que aquilo ainda funcionava?
No meio de tudo aquilo, confesso que eu conseguia sentir um pequeno alívio. Às vezes eu gostava de ficar sozinho, era o único momento da minha vida que eu poderia ser eu mesmo... Ou pelo menos pensar como eu realmente quero, não esconder sentimentos, vontades e mágoas de ninguém. Ali, sozinho naquele quarto, eu sabia quais eram os meus problemas, eu sabia qual eram os meus erros. E sim, eu sabia que ainda... Por mais que a palavra ainda me irritasse, havia uma saída.
Senti o sol que vinha da janela bater em meu rosto e junto com ele um cheiro estranho de queimado me fez correr até a porta e abri-la de imediato. A parte do corredor que levava aos elevadores e as escadas estava tomada por um rastro de fogo que aos poucos ia chegando mais perto, impossibilitando que eu saísse dali. De onde aquilo tinha saído? Alguém estava tentando me matar?
Bem na hora... Na verdade, já tinha passado da hora.

/'s POV


Caminhei com passos firmes e com minhas mãos fechadas em punhos pelo saguão movimentado, esbarrando em uma pessoa ou outra, sem me virar e pedir desculpa. Passei direto por Jared, o ouvindo gritar meu nome e parando de andar.
- O que foi? - me virei, não escondendo meu estado. - Imagino o que tenha sido e... - o cortei.
- Você achou o Ian? - ele abriu a boca para responder, mas nossos ouvidos foram tomados por algo que aparentava ser uma sirene, pareciam ser os bombeiros. Rapidamente o saguão havia se tornado uma aglomeração de gente que observava três bombeiros entrarem correndo e se dirigindo até as escadas de emergência que ficavam no fundo.
"Fogo."
"Andar 27."
"Onde está o senhor ?"
As vozes das pessoas que estavam por perto ecoavam dentro da minha cabeça como pancadas. Um aperto forte em meu corpo fez com que eu corresse até a escada principal, sentindo a mão de Jared me segurar.
- Me solta! - tentei manter minha voz baixa, mas era impossível. - ME SOLTA! - gritei, sentindo as mãos dele apertarem meus braços com força. Droga, eu precisava chegar naquele andar, eu precisava fazer alguma coisa. Logo o cheiro de fogo já era percebido por todos ali e um dos encarregados que ajudavam a cuidar do hotel veio correndo até Jared, com uma expressão tensa no rosto. Ele olhou pra mim, e pareceu pensar em alguma coisa.
- Metade do andar foi tomado, a outra ainda está normal, mas eles vão ter dificuldade para passar. O estranho é que isso aconteceu somente com o andar 27, eu não entendo... Pelo menos não vamos ter muitos prejuízos. - senti uma raiva tomar conta do meu corpo e consegui me livrar das mãos de Jared, empurrando o homem que falava calmamente com nós, como se nada estivesse acontecendo.
- Acho melhor você calar a boca e fazer alguma coisa! O tá lá em cima, ele não saiu do andar, vocês têm que fazer alguma coisa! - minha voz foi falhando e logo eu estava chorando. Jared envolveu os braços sobre mim de novo, tentando me conduzir até o elevador, por mais que eu lutasse contra aquilo, acabei deixando ele me guiar.
- Eu vou te levar pra um quarto, ficar aqui não vai ajudar. Daí você se acalma e tudo vai ficar bem.
- Eu não quero me acalmar, porra! Eu quero saber se ele tá bem. - funguei, já dentro do elevador, sentindo todo o meu corpo tremer. Ele abriu uma das portas usando uma chave que eu não tinha o visto pegar e segurou minha mão, entrando comigo no quarto. Sentei na cama, enxugando algumas lágrimas que estavam em meu rosto.
- Calma. - ele se sentou do meu lado. - Não aconteceu nada com ele... - deixei meu corpo cair na cama, fechando os olhos e pedindo com todas as forças para que realmente nada de ruim estivesse acontecendo. - Estranho só aquele andar pegar fogo... - Jared estava pensativo, com uma mão no queixo. - E o Ian sumiu... - dizendo isso, ele arregalou os olhos e se levantou, saindo sem dizer nada e me deixando sozinha.
Eu queria levantar, queria saber se estava tudo bem, mas minhas pernas estavam fracas e meu corpo implorava por descanso. Coisa que era rara eu ter durante aqueles tempos. Minhas pálpebras ficaram pesadas, meu corpo inteiro amoleceu...

A fumaça era fraca, mas tornava o ambiente meio abafado e meus pulmões trabalhavam com dificuldade. O corredor estava vazio, mas eu ouvia vozes altas mais a frente. Uma delas era a de Jared, ele lamentou algo e depois chamou meu nome. Antes que eu chegasse até a única porta que estava aberta, olhei para o chão, vendo que uma parte dele estava preta e saía uma leve fumaça, como se algum fogo estivesse sido apagado ali há pouco tempo. Jared entrou no meu campo de visão e correu até mim, entrando em minha frente e impedindo que eu passasse. Segurei seu braço com força, o vendo tentar a todo custo me segurar.
- Não entre lá, não entre. Por favor! - Ignorei seu pedido, avançando e dando de cara com a porta do quarto que estava aberta.
Aquela foi a pior visão da minha vida...
estava caído no chão, o rosto virado para o lado da parede. Imóvel.
Aproximei-me com medo, sentindo a vontade de chorar ficar maior a cada passo que eu dava. Senti uma lágrima quente correr por toda a extensão do meu rosto ao avistar aqueles olhos que eu tanto gostava. Estavam abertos... Sem brilho algum, imóveis como seu corpo. Seu nariz estava sangrando e ele já não respirava mais. Ajoelhei-me ao lado dele, colocando a mão em seu peito. Ele estava frio e seu coração não demonstrava sinal algum de batimentos. Eu não conseguia me mexer, não conseguia dizer nada, não conseguia chorar...
Uma voz veio da porta.
- Era pra ele ter morrido queimado, mas enfim... Asfixia devido à fumaça também serviu...
Consegui me virar, dando de cara com Ian. Seu rosto carregava uma expressão fria, logo ele soltou uma risada alta, tirando uma arma de dentro de seu casaco.
Não consegui gritar...
Estava tudo acabado.



's POV

Abri a porta, vendo deitada na cama. (n/a: Coloque a música.)
Eu havia conseguido escapar daquele maldito fogo. Ok, meu braço tinha sofrido algumas pequenas queimaduras, mas isso não importava. Quando consegui sair daquele andar, a primeira coisa que veio em minha cabeça foi ela. Eu tentei evitar, mas quem disse que eu estava conseguindo? Procurei Jared, avisando que estava tudo bem e quando ele me disse que ela estava em um quarto do andar 25, não pensei duas vezes e fui do jeito que estava até ela.
Cheguei mais perto, parando em frente à cama. Sua mão estava fechada em punho, segurando com força a colcha, sua expressão era tensa... Ela deveria estar sonhando com algo ruim. Sentei-me com cuidado na cama, me aproximando aos poucos. Nunca tinha reparado no rosto dela daquele jeito, nunca tinha prestado atenção nos detalhes...
Antes que eu pudesse evitar, minha mão foi até seu rosto, fazendo um carinho leve. Ela se mexeu e percebi que sua respiração estava acelerada demais. Tirei minha mão de seu rosto, sentindo a queimadura em meu braço arder um pouco. Inclinei-me, aproximando meu corpo do dela e seu rosto estava muito próximo do meu. Fiz um leve carinho de novo, sentindo sua pele agora mais quente. Em questão de segundos, ela abriu os olhos e os arregalou, respirando com dificuldade. Afastei-me um pouco, esperando alguma reação da parte dela ao me ver.
Os olhos de foram ficando vermelhos e logo lágrimas começaram a cair. Ela praticamente se jogou em mim, envolvendo os braços em meus ombros e chorando, soluçando alto. Eu não sabia o que fazer, nunca tinha visto ela daquele jeito. Eu estava me sentindo impotente...
- Me diz que foi só um sonho! - ela pressionou uma das mãos nas minhas costas, estava desesperada. - Você não pode ter morrido, não pode! - ela havia sonhado com isso? Ela estava daquele jeito por minha causa? Fiz ela tirar os braços dos meus ombros, segurando seu rosto com as duas mãos e olhando fundo em seus olhos encharcados e cheios de desespero.
- Eu tô aqui! - ela fungou de novo, seu corpo inteiro tremia. - Eu poderia ter ficado naquele quarto e esperado tudo queimar... - mostrei meu braço a ela, que colocou a mão na boca e voltou a chorar de novo. - Mas eu tinha que sair de lá, eu tinha que sair por... - senti que algo dentro de mim gritava para que eu falasse logo, mas outra coisa que também estava dentro de mim fazia com que eu travasse. , não tinha mais sentido enganar a si mesmo. - Por você.
Ela me olhou surpresa e eu limpei uma lágrima que estava em sua bochecha com o dedo.
- Ignore esse pesadelo, eu não morreria antes de te mostrar que eu posso ser diferente, acredite em mim... - a razão já não importava mais, deixei que tudo aquilo saísse.
- O Ian... Ele estava no sonho... Ele te...
- Shh! - selei meus lábios nos dela. - Não se deu conta das coisas que eu acabei de te dizer, ? - envolvi minhas mãos na cintura dela, que se ajeitou ao meu corpo, encostando a cabeça em meu ombro, não estava mais chorando.
- Por um instante eu achei que tinha te perdido! - ficou de joelhos na cama, segurando meu rosto com uma das mãos. Colocou a outra no meu braço machucado. Senti o toque dela na queimadura, soltando um gemido baixo de dor.
- Eu acho que você precisa saber... - fiz ela sentar na cama, segurando sua mão que estava gelada.
- Saber o quê? - eu não estava me reconhecendo, mas foda-se, aquilo era mais importante que meu orgulho idiota.
- O motivo de tudo... De você estar sentada nessa cama chorando, o motivo de você estar em Los Angeles...
- Isso eu sei, você quer matar o ! - o olhar dela ao dizer aquilo me fez sentir um aperto.
- Mas você não sabe o motivo real de tudo isso! - soltei sua mão, me afastando um pouco. Coloquei as pernas pra fora da cama. se encostou na cabeceira e encolheu as pernas, me olhando, ainda com os olhos inchados.
- Eu tenho medo de saber.
- E eu tenho medo do que pode acontecer se eu continuar com isso... - abaixei minha cabeça, sendo tomado por dezenas de memórias. Aquelas das quais eu me recusava e lutava para não lembrar todo santo dia.
- ...
- , você não entende? E se não fosse eu naquele quarto, e se fosse você? E se você tivesse... - os olhos dela começaram a ficar vermelhos de novo. Eu não conseguia terminar aquela frase.
Alguns minutos de silêncio.
- Então me conta!
Respirei fundo, me preparando. Não seria fácil.
- Você deve estar se perguntando o motivo de eu ter aquelas fotos e aquele desenho, não? - ela concordou com a cabeça. - Quem me visse há quinze anos atrás, nunca imaginaria que eu me tornaria o que sou hoje.
- Por quê?
- Eu morava com meus pais, em uma casa maior ainda do que aquela que você conheceu em Londres. Meu pai sempre foi rico, eu nunca soube bem de onde vinha toda aquela fortuna dele. Só que, diferente de como todos deveriam imaginar, nós não éramos uma família de aparências, nós éramos felizes. Pelo menos eu achava que sim. - me ajeitei na cama, evitando olhar diretamente para . - Uma noite que chovia muito, eu subi pro meu quarto correndo, porque eu tinha medo de trovões. Deus, como eu era medroso! - ri sem humor algum. - Apesar do forte barulho da chuva, eu conseguia escutar a briga que acontecia no andar de baixo. Eu conseguia reconhecer as vozes alteradas dos meus pais. Eles raramente brigavam, mas eu odiava tanto quando aquilo acontecia, tanto... Lembro que comecei a chorar, eu queria morrer, aquelas gritos se tornavam insuportáveis com o passar do tempo. - o rosto dela estava imóvel, assim como o resto de seu corpo. - Pouco tempo depois, minha mãe entrou em meu quarto.


Flashback - 15 anos antes...

fechou os olhos com força, forçando as mãos contra os ouvidos. Ele não queria ter que ouvir aquilo. Aqueles não eram seus pais, seus pais nunca brigariam daquele jeito.
Um trovão estrondoso fez a porta do quarto tremer e os raios clareavam por um curto tempo seu quarto, que era praticamente todo azul. Percebeu que os gritos haviam parado, tirando então as mãos das orelhas e se deitando de novo. Pegou sua coberta azul e jogou por cima de si, deixando apenas a cabeça para fora. Os olhos ainda ardiam por causa do choro e ele queria poder fazer alguma coisa, descobrir o que acontecia no andar de baixo.
Mas era só uma criança.
Piscou os pequenos olhos algumas vezes, querendo dormir, mas sabia que não iria conseguir. Olhou assustado para a porta ao ouvir o barulho da maçaneta. Estava meio escuro, mas ele conseguia ver perfeitamente que era sua mãe. Elizabeth fechou a porta com cuidado e nas mãos tinha uma caneca azul com o desenho do mickey. adorava aquela caneca. Assim como toda criança, ele tinha afeto por alguns objetos infantis. Ela sorriu levemente e se sentou na ponta da cama do menino, ele levantou o tronco e ficou sentado, apenas encarando a mãe. Ela estendeu a caneca e ele a pegou, levando a mesma até a boca e tomando o chocolate quente com cuidado, pois estava quente. Outro trovão fez o menino fechar os olhos com força e puxar mais a coberta, para se proteger.
- Quando é que você vai perder o medo de trovões, querido? - Elizabeth se aproximou e fez um carinho leve no rosto do filho, que abaixou o olhar e levou uma das mãos até os cabelos, os bagunçando. Mania essa que nunca perdeu.
- Quando eles deixarem de existir! - cruzou os braços e encarou o rosto dela. Apesar de ser pequeno, sabia que algo estava errado. Ela respirou fundo e sentou do mesmo jeito que ele na cama, com as pernas cruzadas, do jeito que um índio se sentava.
- Você é maior que seus medos, . Seja lá o quão monstruosos eles sejam. - outro trovão. Elizabeth segurou a mão pequena do filho. - Feche os olhos e pense em algo que te fortaleça. - o menino fez isso, abrindo os olhos segundos depois. - Seus medos estão sumindo, não estão? Eles não vão ter forças para lutar contra o que torna você forte e capaz de derrotá-los.
O pequeno sorriu sem mostrar os dentes, se mostrando mais calmo. Porém, seus olhinhos ainda analisavam cada detalhe do rosto de sua mãe. Ela não era a mesma, de jeito nenhum.
- Não quero que vocês briguem, não gosto disso.
- Não vamos mais brigar, meu amor. Prometo! - ela abaixou o olhar e se aproximou, dando um beijo na testa dele. Ajudou a se deitar e o cobriu, tirando alguns fios de cabelo de sua testa. - Agora durma, amanhã será um novo dia. Amo você, anjo.
- Também te amo, mamãe.

/Flashback


- Eu dormi. Acordei no dia seguinte e saí correndo do meu quarto, indo atrás dela ou do meu pai. Não a encontrei, mas o encontrei... - parei de falar, fechando meus olhos.
- Não precisa continuar se não quiser. - ignorei o que ela disse e continuei.
- Eu nunca tinha visto meu pai com aquele olhar, era outra pessoa, me causou medo. Naquele mesmo dia, ele me ameaçou, disse que se eu falasse o nome da minha mãe e ele ouvisse, eu pagaria caro. Não era mais meu pai que estava ali... Sabe por quê? Porque minha mãe o trocou. Traiu ele. Sabe com quem? Acho que você deve imaginar... Ou até saber... - baguncei meus cabelos, maldita mania.
- Eu sei... - olhei para ela, já imaginando quem havia contado. - me contou.
- Eu já esperava isso... - balancei minha cabeça. - Continuando... Depois que ela trocou meu pai pelo pai do , minha vida se tornou um inferno.
- Ele... Ele te batia? - doía lembrar daquilo.
- Sim. - levantei minha camisa, mostrando minhas costas para ela. - Vê essa cicatriz aqui? Você nunca deve ter reparado nela... - não sabia o que dizer, com razão. - Sabe como aconteceu? - eu falava agressivamente, sentindo todas as sensações daquelas memórias. - Eu disse que sentia saudades da minha mãe e ele não aguentou ouvir aquilo... Ele...
- Pare! - ela fechou os olhos, com uma expressão de dor. Decidi pular aquela parte.
- Na época a estudava comigo e insistia em ir na minha casa todos os dias. Ela era a única pessoa que eu podia contar naquele momento. Não havia rastros da minha mãe, em lugar algum... Mas a convivência com ela também não me ajudou. Os anos se passaram e eu virei um idiota, tentava de todos os jeitos possíveis esquecer do inferno que eu vivia. Porém, encher a cara não adiantava, usar drogas não adiantava, sair com garotas menos ainda... Eu sabia que no fundo faltava alguma coisa, eu sabia que aquelas porcarias não tampariam o vazio que eu tinha dentro de mim.
- Meu Deus... - estava estática, suas mãos estavam fechadas em punhos. - Você... Você...
- Não há um dia sequer que eu não lembre disso. Quando abro meus olhos de manhã, aquela frase que minha mãe usou para afastar meu medo de trovões está comigo. - soltei meu peso na cama, não aguentando mais. - E eu penso todos os dias no meu pai... - olhei pra ela, recebendo um olhar de pena. Eu não poderia reclamar, eu era digno de pena mesmo. - Penso todos os dias no homem que, até meus 10 anos de idade, foi meu herói.
- Eu lamento tanto... Tanto!
- , eu queria voltar no tempo. Eu daria qualquer coisa por uma chance, só uma! - fechei os olhos, me sentindo mais fraco do que nunca. - Eu teria evitado tanta coisa, teria evitado te deixar nesse estado... Eu não seria um monstro agora! - parei de falar, sentindo aquele silêncio insuportável dominar o quarto. Ouvi a respiração alta dela.
- Por que o e não o pai dele? - foi direta, já recuperada do choro, porém, ainda com uma expressão que fazia com que eu me xingasse de tudo por deixá-la daquele jeito.
- Porque ele contribuiu para o inferno na minha vida... Nós estudávamos juntos quando tínhamos uns 15 anos... Ele sabia dos meus problemas, sabia por que eu achava que ele era meu amigo, achava que podia confiar nele. Apesar do pai dele ter roubado minha mãe. O desgraçado espalhou tudo para a escola inteira, disse que minha mãe havia trocado meu pai pelo dele porque Joseph batia nela, fazia a vida dela e a minha um inferno... Isso não era verdade... Ele inventou dezenas de coisas. ... Você não conhece aquele cara como eu conheço, ele pode parecer um santo, mas não é. E o pai dele... O pai dele é o culpado de tudo!
- Mas...
- Eu cresci com uma revolta enorme dentro de mim... Eu queria me vingar dele através do filho... Eu não pensava em ter misericórdia de ninguém... - senti meus olhos arderem... Chorar era demais, eu não podia! - Porque ninguém teve de mim quando eu ficava trancado naquela casa chorando, implorando que o meu pai parasse de ser daquele jeito. E onde minha mãe estava? Com outro homem, ignorando o filho dela, fingindo que o pequeno não existia. Hoje ela me ligou, e disse que tinha desistido de lutar por mim... Como se eu quisesse isso dela. - bufei, olhando para que devolveu meu olhar.
- Depois de saber dessas coisas, você não imagina como eu queria ter te conhecido antes... - ela se aproximou, segurando minha mão e aproximando o rosto do meu. - Como eu queria poder ter te abraçado e evitado tantas lágrimas... , você não sabe como eu gostaria de ter evitado tudo isso.
- A culpa não é sua... Apesar de eu ter feito parecer que sim, várias vezes... - grudei nossos lábios, sentindo um choque assim como todas as vezes que tinha contato com o corpo dela. - Exatamente por isso eu vou te deixar ir!
- Ir aonde? - ela me olhou confusa.
- Você pode voltar pra Londres, eu não vou mais colocar você em perigo, não vou me perdoar se algo acontecer... Quero que você vá! - eu disse, com o olhar firme. No fundo eu sabia que não queria que ela se afastasse, mas era melhor...
Para ela.
- Eu não vou a lugar algum. - seu nariz encostou-se ao meu e ela pegou minhas mãos, colocando-as em sua cintura. Juntou nossos lábios, dei passagem para sua língua, apertando mais a cintura dela e trazendo seu corpo para mais perto de mim. Nós nunca havíamos nos beijado daquele jeito... Tinha algo a mais. encerrou o beijo, respirando com dificuldade e me olhando nos olhos. - Não estou mais aqui porque você quer, estou porque eu quero!
- Eu sou um monstro.
- Eu. Não. Me. Importo! - ela disse pausadamente, pressionando ainda mais seu corpo no meu, juntando nossas mãos e lançando o olhar mais confiante que eu já tinha recebido em toda minha vida.

EIGHTEEN
Música do capítulo!

Ela queria ficar.
Eu não a obrigava mais a ficar comigo, ela queria.
Ao pronunciar aquela palavras, ela se virou, escondendo o rosto de mim. Permaneceu imóvel, deitada de lado. Encarei a janela, vendo que a tarde já começava a desaparecer. O tempo passava tão rápido.
O tempo estava correndo contra mim.
Deitei do lado dela, virando meu corpo de lado, assim como o seu. Cheguei mais perto, aproximando minha boca do pescoço de , que estava descoberto. Dei um leve beijo ali, sentindo a pela dela se arrepiar. Coloquei minha mão em sua cintura, fechando os olhos e sentindo um cansaço repentino tomar conta de mim. Ela não se mexia, eu apenas observava sua respiração mais normalizada e sabia que seus olhos estavam abertos, sabia que ela estava pensando em algo. Pensando em tudo.
- E seu braço? - sua voz repentina me fez despertar de inúmeros pensamentos. Olhei meu braço, não sentindo mais tanta dor.
- Eu já tinha me esquecido disso.
- Se eu dormir, quando acordar as coisas vão continuar as mesmas? - entranhei aquela pergunta, a vendo virar o corpo e ficar de barriga para cima na cama, continuei na mesma posição, olhando seu rosto. - Você vai estar aqui?
- É claro que eu vou estar aqui. - olhei nos olhos dela, tentando passar confiança.
- Você não entendeu. - ela riu de leve, balançando a cabeça de forma negativa. - Você vai estar aqui ou aquele que me trouxe até Los Angeles? Qual dos dois? - seu olhar ficou triste ao mencionar a segunda opção. Não consegui esconder o desconforto que aquilo me causou. Eu sabia que a fazia sofrer sendo como eu era, sabia que tentaria de todas as formas me mudar. Eu não podia deixar de me sentir culpado, com medo e confuso. Eu não sabia se conseguiria mudar, se aquilo ainda tinha volta.
Um longo caminho já tinha sido percorrido... Ainda restava tempo para retornar?
- Eu não gosto de ver ninguém chorando por mim. - não respondi diretamente sua pergunta, mas disse o que queria dizer. - Não mereço as lágrimas de ninguém.
- Merece as minhas. - ela sempre tinha uma resposta na ponta da língua. Aquela mulher sempre me deixava sem saber o que dizer, como ela conseguia?
Movimentei meu corpo, apoiando minhas duas mãos na cama, uma de cada lado do corpo de , ficando por cima dela. Olhou-me surpresa, encolhendo um pouco o corpo.
- Eu sinto que tenho que aproveitar esse momento, como se logo ele fosse acabar. - ela olhou para meu braço e depois para meu rosto. - Sinto que logo essa pessoa que está no quarto comigo vai sumir de novo. Se eu pudesse segurá-la de algum jeito, eu faria qualquer coisa. - soltei o peso do meu corpo com cuidado sobre ela, grudando nossos lábios de novo. Ela segurou meu rosto com as duas mãos, separando nossas bocas.
- Por que você não diz nada?
- Porque eu não sei o que dizer, eu tenho medo de te prometer algo e não conseguir cumprir. Também tento, juro que tento, segurar essa pessoa que está aqui agora, mas não sei por quanto tempo eu vou aguentar.
- Eu sei que você consegue. - saí de cima dela, bufando.
- Por que você não tem medo de mim? - seu olhar foi de confusão. - Por que não pode simplesmente sentir medo e tornar as coisas mais fáceis?
- Você quer isso, ? Quer que eu sinta medo de você? - ela me desafiou com o olhar, ainda deitada. - Seja sincero!
- Não! - voltei a deitar na cama, com o corpo meio longe do dela. Ficamos em silêncio por alguns minutos, e o aperto no meu peito só aumentava, a vontade de explodir me consumia, mas eu não podia demonstrar que era um fraco, que eu ainda sentia falta dos meus pais juntos, sentia falta da minha vida, sentia falta de poder dizer que eu realmente estava feliz. Eu sentia que não conseguiria segurar aquele choro por muito tempo e percebeu isso, se aproximando de mim. Passou a mão pelo meu peito e encostou a cabeça no mesmo.
- Desculpe. - eu disse, sentindo meus olhos arderem e logo marejarem, ela se levantou e fez com que eu também me levantasse. Passou o braço pelo meu ombro, me envolvendo em um abraço. Encaixei minha cabeça em seu ombro, me sentindo a pessoa mais fraca do mundo. – Mas, por favor, você pode fazer com que essa dor diminua? Me faça esquecer de algum jeito... Eu não aguento mais todo esse peso sobre mim. - as lágrimas desciam pelo meu rosto e ela só apertava ainda mais o abraço, me fazendo sentir o calor do seu corpo.
- Me escuta, ... - ela havia me chamado de , isso deveria ter acontecido no máximo duas vezes desde que nos conhecemos. - Se imagine diferente, se imagine como você gostaria de ter sido todo esse tempo. - eu não entendia onde ela queria chegar, mas obedeci. A imagem que veio em minha cabeça parecia tão distante, tão estranha. - Agora, pense no que te impede de ser desse jeito... - tudo impedia, tudo. - Pensou? Ok, agora use a sua arma e atire nessas coisas, pronto! Você está livre! - ela riu e depois de algum tempo eu não pude deixar de acompanhar seu riso. - Foi uma brincadeira.
- Só você mesmo, ! - arrisquei o apelido, mordendo o pescoço dela de leve, tirando meu rosto dali e a puxando para ambos deitarmos na cama.
- Agora vamos dormir, eu tô morta! - ela fechou os olhos com força, segurando minha mão.
- Nós nem fizemos nada hoje, eu nem te cansei... Por que tá assim, ? - senti um murro em meu braço que estava bom, sorrindo depois.

/'s POV


Horas depois...

Abri os olhos, os piscando algumas vezes. O quarto ainda estava escuro, deveria ser madrugada, já que pela janela eu só conseguia enxergar a escuridão. Coloquei minhas pernas para fora da cama e me sentei. Virei meu pescoço e não estava ali. E ele tinha prometido que não sairia do quarto...
Levantei, cambaleando até a porta, tateando ela por causa do escuro. Puxei a maçaneta, dando de cara com o corredor iluminado apenas por uma fraca luz. Fechei a porta e comecei a caminhar por ele, abraçando meus braços, sentindo um pouco de frio. Todas as portas do andar estavam fechadas, o único barulho era produzido pelos meus pés descalços, se minha cabeça não estivesse ocupada com tantas outras coisas, eu começaria a ficar com medo de alguma assombração ou coisa do tipo. Ao pensar nisso, ouvi um barulho do outro lado do corredor, virando o pescoço bruscamente e mudando a direção de meus passos, seguindo o barulho. Percebi que no final do corredor tinha alguém sentado. Estava encostado na parede, com as pernas esticadas e olhava para uma enorme janela que era privilegiada com a claridade da lua. Seu rosto se virou e eu o reconheci. Caminhei com passos rápidos até , que percebeu minha presença e dobrou as pernas. Fiquei parada na frente dele, esperando que ele encarasse meu rosto.
- Por que você saiu do quarto?
- Eu queria pensar. - ele não me olhava. Percebi que seus cabelos estavam totalmente bagunçados sobre a testa, diferente de todos os outros dias, quando estavam sempre arrumados. Lembrava um adolescente.
- Pensar? - encostei-me à parede, olhando para o chão, apreciando o silêncio da noite.
Demorei a perceber que ele já estava a minha frente de pé, encarando meu rosto. Seu dedo indicador foi até meu queixo, fazendo meu rosto levantar. Encarei suas íris, tentando desvendar o que elas estavam tentando transmitir. Ele segurou minhas mãos, me puxando um pouco para frente e depois me fazendo dar um giro, lentamente. Como se estivéssemos dançando. Olhei sem entender para ele, que tinha um sorriso quase imperceptível nos lábios.
- É como se você fosse a Bela e eu a Fera, percebeu? - franzi o cenho, achando idiota ele ter nos comparado com um conto de fadas.
- Eles ficaram juntos no final, não ficaram? - participei de sua comparação.
- Apenas um filme. - estava com os olhos distraídos, perdidos. Ultimamente ele me lembrava uma criança, uma criança desorientada, que não tinha certeza do que era certo ou errado. Sem ter um adulto por perto para orientá-la. Ele olhou para meus pés. - Vá colocar seus sapatos e coloque isso - tirou a jaqueta, colocando-a sobre meus ombros. - Me encontre no saguão.
- Por quê? O que vamos fazer a essa hora da madrugada? - arregalei os olhos, vestindo sua jaqueta.
- Uma loucura. - mordeu o lábio, levantando uma das sobrancelhas.
- Loucura?
- Apenas uma das muitas que ainda vai ter que cometer se quiser continuar a meu lado, . - ele me deixou para trás e começou a caminhar pelo corredor escuro. Parou e virou apenas o rosto. - Afinal, você está aqui porque quer, se lembra? - sorri, balançando positivamente minha cabeça. Corri até o quarto, procurando meus sapatos e os calçando. Passei correndo pela porta, pelo corredor e cheguei ao elevador. Tudo já estava bem, não tinha mais incêndio, não teria problema.
Eu parecia uma garota de 17 anos fugindo de casa.
À noite.
Com o namorado.
Saí do elevador, encontrando o saguão vazio. As portas de vidro me possibilitavam ver todos os outros prédios ao redor. Incrível como aquele hotel ficava maior quando ninguém estava por perto, quando as luzes estavam apagadas. Procurei com os olhos, sentindo uma leve pontada de medo e um frio na barriga. Ele não estava em lugar nenhum. Dei mais alguns passos, olhando para todos os lados. Não podia ser uma brincadeira, não depois de tudo que tinha acontecido naquele dia. Ouvi passos apressados atrás de mim e me virei, sentindo meu coração acelerar.
Mas que diabos... Não tinha ninguém ali.
Virei-me, cansada de procurar por e caminhei de volta para o elevador. Apertei o botão e esperei sem paciência. Outro barulho, esse um pouco mais de perto de onde eu estava. Só podiam ser ladrões ou algo do tipo, não era possível. Desisti do elevador e fui para o meio do saguão de novo, parando e olhando para um dos corredores onde começavam as escadarias para outros andares. Cruzei os braços, sentindo um leve calor pelo fato de estar com a jaqueta de couro de .
- Tem alguém ai? ? - eu disse em um tom alto, mas que não chamasse atenção de ninguém. Sem resposta.
Senti uma mão gelada segurar meu braço, me impossibilitando de virar o corpo. Meu coração estava quase na boca e eu sentia uma respiração instável perto de meu ouvido. Mas logo eu reconheci seu toque, seu perfume fraco.
- Você ainda se assusta comigo, está vendo? - me soltou e então eu pude ver seu rosto. Estava rindo.
- Dá próxima vez me lembre de sair por aí com uma arma ou algo que machuque nas mãos. - revirei os olhos, sendo quase vencida pela risada dele e rindo junto.
- Nossa, que perigo! Não se preocupe, você tá comigo, não vai acontecer nada. - ele puxou minha mão e começou a andar em direção a saída, mas eu a puxei de volta e permaneci parada, batendo o salto contra o piso. Ele me olhou sem entender e então eu sorri.
- Acha que eu sou tão frágil assim, Sr. ? - levei as duas mãos até a cintura. Meus cabelos estavam soltos, meus olhos estavam levemente borrados de maquiagem escura, e aquela jaqueta de couro por cima de uma roupa social deveriam estar me dando um ar de maluca.
- Não, não, . - ele parecia estar adorando meu estado. - Eu sei do que você é capaz. - voltei a sorrir, passando por ele e sussurrando perto de sua orelha.
- Não sabe, não. - desci as escadas que levavam até o subsolo e esperei que ele viesse correndo atrás de mim. Bingo. Comecei a andar pelo enorme estacionamento com carros de todos os tipos, um mais luxuoso que o outro. Avistei o de e fui até lá, e sim, ele me perseguia.

's POV

Lentamente ela foi até o carro, encostando-se ao capô. Tirou uma mecha de cabelo do rosto e me lançou um olhar desafiador. O que ela estava querendo, afinal? Permaneci parado, esperando algum tipo de reação dela, ficamos naquela troca de olhares por uns dois minutos.
Como ela ficava sexy com a minha jaqueta.
- A chave. - ela estendeu o braço, com a palma da mão aberta e um olhar autoritário.
E de repente nada do que havia acontecido horas antes importava. A habilidade que ela tinha de me fazer esquecer os problemas era absurda. Apenas com um olhar, removia tudo e deixava apenas o que era desejado, o que realmente contava. Tirei as chaves do bolso da calça e as girei no ar, caminhando até ela. Parei a sua frente, colocando o cabelo dela atrás da orelha, tendo uma visão privilegiada de seu rosto.
- Vai querer dirigir, agora? - ela fez um sinal positivo e tomou a chave que estava por entre meus dedos. Abriu a porta do carro e entrou. - , isso não parece uma boa ideia, não que você seja...
- Cala a boca e entra no carro, ! - arregalei meus olhos e por um momento senti que tínhamos trocado os papéis. Logo eu estava dentro do carro, ao lado dela, encarando sua expressão diferente e provocativa. era um enigma.
Às vezes era tão fácil entendê-la, já outras vezes eu simplesmente não sabia o que fazer.
Ela deu a partida e não disse nada. Acelerou e logo já estávamos fora do hotel, a toda velocidade pelas ruas escuras e praticamente vazias de Los Angeles.
- E pra onde você pretende me levar, ? - afinei a voz, a fim de imitá-la, recebendo um olhar ameaçador em seguida. Ela apertou as duas mãos no volante e mordeu o lábio inferior. Virou o rosto e sua expressão era séria e engraçada ao mesmo tempo.
- Não interessa, ! Você vai fazer o que eu quiser, e sabe que não vai conseguir resistir. - engrossou a voz, mandando um beijo no ar e voltando a prender os olhos na estrada. Soltei uma gargalhada.
- É sério que eu falo desse jeito? Eu sou tão... mandão. - parei pra refletir alguns segundos e senti sua mão apertar minha coxa. Opa.
- Sim, eu sou e sou muito mandão e essa noite você vai gritar o meu nome... - ela parou de falar e olhou o nada. - Não, isso só fica bom quando você diz.
- Então você quer gritar meu nome hoje à noite? - ela riu e deu um leve aperto na parte da minha coxa onde sua mão repousava. Logo tirou ela dali e mudou de direção na estrada. Os lugares estavam quase vazios, um carro ou outro, uma pessoa ou outra, era como se a cidade pertencesse a nós dois.
- E agora irei estacionar o carro aqui! - percebi que o carro parou em frente a um bar e logo ela já estava para fora, esperando que eu saísse também. - Agora nós vamos brincar um pouquinho. - estava tentando me provar alguma coisa? Estava agindo de um jeito tão espontâneo, divertido e diferente, que eu estava começando a me perguntar se aquela era mesmo a pessoa que eu trouxe de Londres. Ela entrou no local e eu a acompanhei, percebendo que apenas algumas mesas estavam ocupadas. Ela foi até o barman, apoiando os cotovelos no balcão e inclinando um pouco o corpo. Seria um movimento comum se ela não estivesse de costas para mim. Só podia estar querendo me provar, era evidente. Parei de encarar seu corpo e fui até onde ela estava, percebendo que o barman a encarava de um jeito meio obsceno. Ele se afastou e voltou com algumas garrafas. pegou uma delas e olhou significantemente pra mim, esperando que eu pegasse as outras duas. Fiz isso e encarei o barman, já pensando em pagá-lo.
- Tchau, amigão. Muito obrigada! - ela passou por mim, indo até a porta. - , vem logo! - olhei sem entender para o cara e a segui, saindo do bar e voltando para dentro do carro.
- Agora você é do tipo que entra em um bar, pega todas essas bebidas e sai sem pagar?
- Relaxa. Eu conheço o barman, estudei com ele. Tínhamos uma banda de garagem. - seus dedos começaram a tentar abrir uma das garrafas. Ela bufou e eu a tomei de sua mão, abrindo facilmente e dando um gole. Logo depois parei para pensar no que ela tinha acabado de falar. Uma banda de garagem?
- Viu só? Parece que a moça rebelde não sabe abrir uma garrafa! - ela tomou a garrafa das minhas mãos e deu outro gole. - Ah, então o seu objetivo hoje é me seduzir loucamente, ficar bêbada, me deixar bêbado... E aí, o que vem depois? - fez uma careta por causa da bebida e deu partida no carro. A velocidade que estávamos tornava tudo ao redor pequenos pontos de luz. Sua mão foi até o rádio e ela sorriu quando os primeiros acordes de alguma música começaram. (n/a: Coloque a música para tocar.)
- Já fizemos isso uma vez, mas naquela época as coisas não eram como são agora. Como são essa noite. - virou a estrada e eu já começava a sentir um vento diferente. - Hoje foi um dia cruel, um dia que quase custou vidas. - encarei seu rosto, percebendo que ela estava se segurando para não chorar. Virou a garrafa de novo, fechando os olhos com força e sorrindo. - Mas passou, e agora eu quero que, pelo menos hoje à noite, as coisas possam ser como eu gostaria que fossem, sempre. - ainda não estava entendendo o que ela queria dizer com aquelas palavras. Mas minha visão logo avistou areia, avistou o mar. E então eu entendi.
- Sem dor, sem regras, sem problemas. Não para sempre, amanhã a realidade bate na porta de novo, mas hoje...
- Hoje seremos apenas você e eu. Como deveríamos ter sido há muito tempo. Los Angeles é nosso, a noite é nossa, essa praia é nossa. Somos a lua e o mar, se lembra? - a interrompi, pegando a outra garrafa com bebida.
- Me lembro completamente.

/'s POV

saiu do carro e depois de algum esforço conseguiu abrir a garrafa. Sem preocupação alguma ele começou a andar pela areia da praia, ainda um pouco afastado do mar. Coloquei meu cabelo para trás, que não parava quieto em meu rosto por causa do vento e o segui. Estávamos a alguns centímetros de distância. Lembrei-me da última vez que pisei naquela areia, na época em que as coisas ainda estavam confusas e as incertezas eram profundas.
Muito mudou.
parou de andar e se virou, ficando de frente para mim. O vento fazia seus cabelos curtos brincarem pela testa e sua camisa que estava com os três primeiros botões abertos balançava. Aquele era o momento de mudar tudo? Será que essa minha mudança de atitude mascararia os problemas? Ou seria apenas uma escapatória temporária? Sinceramente? Eu não me importava mais. Eu não importava mais com consequências, com ações mal pensadas.
Poderia soar tão clichê, mas eu sentia que deveria aproveitar minha vida, não só naquele momento, mas em outros que viriam a seguir. Era aquela estranha sensação de que o tempo está correndo contra você, suas pernas já estão cansadas e você não conseguiria alcançá-lo. Ali, parada, sentindo a brisa da praia sobre minha pele e encarando o olhar mais enigmático e bonito de todo o mundo, eu decidi que cada segundo seria uma vida. Sem desperdícios.
Sorri para ele e joguei a garrafa no chão, tirando meus sapatos e os chutando longe. riu do meu gesto, observando eu me livrar de sua jaqueta e também jogá-la na areia da praia. Corri até ele, chutando areia em sua direção. Ele se esquivou e disparou a correr atrás de mim. Obviamente ele corria mais rápido que eu e logo me alcançou, abraçando minha cintura por trás e fazendo com que nós dois caíssemos deitados sobre a areia.

I'll be just fine pretending I'm not
Vou ficar bem fingindo não estar
I'm far from lonely
Estou longe da solidão
And it's all that I've got
E isso é tudo que tenho

Caí deitada na areia e senti se deitar ao meu lado. Olhei o céu estrelado e virei meu rosto para encarar o seu, estava distraído, como sempre. Tomei a garrafa de champanhe de suas mãos, atraindo sua atenção. Tomei um pouco, percebendo que ele se sentou e me puxou para encostar a cabeça em seu ombro. Fiquei em silêncio, o único som presente eram as ondas se quebrando ou alguma gaivota que voava livre por ali.
- É isso? Vamos ficar bêbados em uma praia? - acordei de meus pensamentos com sua voz. Concordei com a cabeça, levantando e o puxando pela sua mão para me acompanhar. Fui para mais perto do mar, molhando meus pés e abrindo os braços. O vento batia sem piedade contra meus cabelos. Dei uma volta, pulando sobre uma pequena onda que passava e comecei a cantarolar alguma música que, certamente, há anos eu não parava para ouvir. E então eu havia ficado maluca, em Venice Beach.
- E então, sereia... - ele gritou, chegando perto do mar. - Como se sente hoje sabendo que isso tudo - ele abriu os braços e apontou para todas as direções da praia. - É apenas nosso? - corri até onde ele estava e o puxei pela mão. entrou no mar e começou a fazer de tudo para tentar me molhar por completo. Estávamos em guerra, um tentando afundar o outro. No fim, estávamos completamente molhados e sem cumprir o objetivo principal.
- Isso não te lembra aqueles filmes? Aqueles que passam à tarde nos canais de televisão? - saímos do mar e começamos a caminhar pela praia, o vento se chocando contra minha pele e minha roupa molhada me provocavam arrepios gostosos de se sentir.
- Só se eu for um ator hollywoodiano, totalmente egocêntrico, malvado e desesperado por sangue!
- Menos, ! - percebi que nossas mãos já estavam entrelaçadas. Ele riu e depois ficou sério.
- Quer conversar sobre alguma coisa? - arrisquei.
- Eu só estou me perguntando como as coisas seriam se nossas vidas tivessem tomado outro rumo. - entendi o que ele quis dizer e parei para imaginar.
- Provavelmente agora eu estaria por aí tentando o sucesso com minha banda formada na garagem de casa.
- É meio maluco te imaginar assim, em uma banda! - soltei sua mão e parei em sua frente. Fingi que estava tocando uma guitarra e comecei a me balançar sensualmente, cantando totalmente desafinada algum rock que passou pela minha cabeça. – Tá, ok, seria sensual e eu seria seu fã.
- Não, você seria o homem que entraria em meu camarim para dar inspiração antes dos shows. - abracei seus ombros e senti uma das mãos dele passear por minha coxa. - E você, o que seria agora?
- Provavelmente agora eu estaria salvando a vida de alguém. - o olhei sem entender. - Quando pequeno o meu sonho era ser médico. Fazer com que a dor dos outros desaparecesse... Mas, veja bem... - ele revirou os olhos e fez um gesto com as mãos se referindo a si próprio. - Só consegui o contrário.
- Bem, o futuro é incerto. Quem sabe daqui alguns anos não estamos fazendo exatamente o que queríamos quando crianças? - assim que terminei de dizer, ele roçou seus lábios nos meus, apertando um pouco minha coxa. Fechei os olhos sentindo seus toques, enquanto ele deu uma leve mordida em meu lábio inferior. Depositei minha mão em sua nuca, puxando de leve os cabelos dali e ele sorriu, me provocando e não começando logo o beijo que eu tanto queria.
- É bom te torturar, ! - beijou minha bochecha e foi descendo até meu pescoço. Não sei se era o vento da praia ou as provocações dele, mas minha pele ficava cada vez mais arrepiada.
- Melhor ainda é quando eu também quero te torturar. - sussurrei, passando as mãos pelo seu abdômen através da camisa e, pegando de surpresa, o empurrei, mas ele puxou minhas mãos junto e nós caímos deitados. Eu em cima dele.
E então ele desistiu de resistir e me beijou, as mãos firmes em minha cintura puxavam meu corpo para baixo, provocando sensações diversas em ambos. Deu um jeito de trocar de posições e me deixou por baixo.
- Você tornou tudo tão mais suportável, . - olhou em meus olhos. Seu olhar era um misto de desejo, confusão, determinação e um brilho especial.
- provando que sabe ser romântico e fazendo uma mulher se sentir no paraíso. - eu disse, sentindo a mão dele acariciar toda a extensão da minha perna.
- A última opção eu prefiro fazer de outro jeito. Aquele que você já provocou diversas vezes.
- E que vou querer provar muitas mais. - ele mordeu o lábio e eu percebi que tinha conseguido provocá-lo. Quando respirava fundo, fechando os olhos por alguns segundos e em seguida seus dentes iam de encontro com seu lábio, ele estava me desejando.


Horas depois...

Depois de acordar nos braços dele, na areia de praia e bem na hora em que o sol começava a nascer, acordei e logo estávamos dentro do carro de novo. Ele dirigia dessa vez.
- Vamos voltar pro hotel? - me estiquei no banco, com a voz desanimada.
- Não queria morar na praia, não é, rockgirl? - um sorrisinho de canto estampou seus lábios. Estava com o cabelo totalmente bagunçado, leves olheiras abaixo dos olhos e a roupa amassada, não muito diferente de mim.
- Até que não seria uma má ideia, Dr. !
Logo chegamos ao hotel. E, é claro, todos os olhares se voltaram para nós. Ainda era bem cedo, mas o movimento no hotel já era grande. Ignorei os olhares que me analisavam de cima a baixo, assim como e entramos. Uma das atendentes do saguão veio até nós, ignorando nossa situação e entregou um envelope para . Ele abriu na mesma hora e leu rapidamente as letras miúdas.
- Uma festa. - ele disse, dobrando o envelope de novo. - De máscaras. De Mark Donovan. É um convite para dois.
- E quem é Mark Donovan?
- Não faço ideia! - ele riu, me puxando até o elevador.
Tomamos banho separados, infelizmente, e trocamos de roupa em nosso novo quarto. Descemos novamente e foi então que, ao olhar para o saguão, eu avistei aqueles cabelos loiros tão familiares.
Cassie Smith? Oh!
A mulher que trabalhava comigo naquele escritório em Londres. A mulher que me disse para entrar logo naquela sala...
Como tudo havia começado.
me olhou sem entender, mas fiz um gesto com a mão indicando ela e logo ele também se surpreendeu. Cassie tirou os óculos escuros e virou um pouco o rosto, observando todas as partes do lugar com um sorriso no rosto. Por um instante seu olhar parou em nós e ela se virou de novo, como se não tivesse nos percebido, mas arrancou os óculos do rosto e se virou novamente, com os olhos arregalados. Logo ela vinha correndo em nossa direção.
- Eu não acredito nisso! - sua boca estava meio aberta de surpresa e ela nos olhou de cima a baixo, soltando um sorrisinho malicioso.
- O que você faz aqui, Cassie? Você tá de férias! - disse, totalmente surpreso. Ela olhou pra ele e em seguida pra mim, o sorriso de antes ainda brincava em seus lábios.
- Eu... Bem, eu estou de férias e resolvi passar essas férias em Los Angeles. Bom, achei que seria legal ficar nesse hotel... Mas o que vocês fazem juntos? - meu Deus, como ela falava. Cassie era tipo uma máquina.
- Hm... Cassie...
- Ok, deixa eu ver se entendi. - seu dedo apontava para nós. - Sr. e ... - cruzou os braços. - Vocês dois... Por acaso...? - coçou a nuca, e eu percebi que Jared se aproximava.
- Vou falar com o Jared! - ele saiu de perto de nós quase correndo. Cassie virou o corpo na direção onde ele ia, soltando um palavrão em tom de voz baixo.
- O JARED TÁ AQUI? - ela praticamente gritou, segurando meu braço. - Meu Deus, Meu Deus...
- Cassie, olha pra mim! - percebi que e Jared estavam mais afastados, porém olhavam para nós. - Eu não sei o que diabos você está fazendo aqui, mas...
- Eu também fico feliz em te ver, ! - ela ironizou, rindo e me abraçando em seguida. Cassie e eu nunca havíamos sido grandes amigas, mas na empresa de , eu sempre gostava de ficar conversando com ela, ouvindo suas maluquices e histórias de namoros frustrados. Ela tinha uma quedinha por Jared, algo sem importância, pelo menos eu achava isso.
- Ah, essas férias não podem ficar melhores! Primeiro, eu venho para Los Angeles - ela falava sem parar, como se não precisasse de ar. - Depois encontro você e o juntos, o que só pode significar uma coisa... E depois... O Jared! - ela sorriu maliciosa, balançando as mãos em forma de comemoração.
- Olha, o e eu...
- Agora você chama ele pelo primeiro nome? Sua danadinha! - ela abriu a boca em sinal de surpresa, virando o pescoço e olhando pra ele. - Sempre achei que vocês formavam um casal... Quente!
- Cala a boca! - tentei disfarçar, vendo se aproximar de novo de nós. Cassie olhou para ele, esperando a minha reação e depois começou a rir.
- ... Nos vemos depois, temos que pensar na festa! - ele nem chegou perto de mim, apenas disse isso. - Bom ter você por aqui, Cassie. Aproveite o hotel! - tinha sumido de nossa visão de novo.
- Festa? - ela colocou as mãos na cintura. Sempre tão intrometida. - Vai começar a falar?
- Acabei de saber disso, Cass. É uma festa com máscaras! - vi Cassie sorrir de novo. Não sei por que ela estava se animando com aquilo, ela não tinha sido convidada.
- E pra melhorar ainda mais minha viagem de férias... Uma festa.
- Hey, calma, você não foi convidada! - me senti totalmente estranha por estar em uma conversa daquelas com ela. Era bom poder conversar com pessoas que eu não havia mais visto desde que saí de Londres, eu começava a sentir que as coisas estavam voltando ao seu lugar.
Ou ficando mais bagunças do que já estavam...
- Não existem festas sem penetras, minha querida! - olhou para os lados e quando viu que uma moça uniformizada se aproximava, ela foi andando até a mesma, retornou correndo até onde estava antes, acertando os últimos detalhes de sua estadia no hotel. Voltou a mim, com uma chave em mãos.
- Vem comigo até meu quarto? - ela ignorou suas malas que estavam perto do balcão e me puxou até o elevador. Eu não tinha muita escolha, apenas a acompanhei.
Quando chegamos no andar indicado e saímos do elevador, demos de cara com Ian. Ele sorriu para Cassie que retribuiu, mesmo sem conhecê-lo e depois se virou para mim. Algo nele me dava calafrios, eu só não sabia o quê.
- Secretária, é sempre um prazer te ver! - deu um sorriso cínico. Eu e Cassie passamos por ele, deixando o elevador vazio.
- Pena que eu não posso dizer o mesmo.
- Oh, eu lamento tanto...

Sujeitinho desprezível.

NINETEEN
Música do capítulo!

- Será que o Jared aceita ir à festa comigo? - Cassie pegou duas sacolas, enquanto saíamos de uma das lojas do mini-shopping do hotel. Até isso aquele hotel tinha.
- Por que não pergunta pra ele? - sorri, apontando discretamente para o próprio, que vinha caminhando em nossa direção. Ao perceber nossa presença, ele ficou um pouco sem graça, provavelmente imaginando o que Cassie fazia ali.
- Hey! - ele disse, com as bochechas meio rosadas.
- Oi, Jared! - Cassie estava quase dando pulos de alegria, quase deixou suas sacolas caírem. - Posso falar com você, Jar? - achei engraçado ela ter o chamado por aquele apelido e o olhei, levantando as duas sobrancelhas.
- Pode! - ele ia se afastar, achando que ela queria conversar a sós...
- Quer ir a uma festa comigo? - pessoas que passavam por perto viraram o rosto para nós, devido à voz alta de Cass ao dizer aquilo. - Com o Sr. e a ! Diz que sim! - ela fez um bico infantil, me fazendo ter a breve sensação de que estava no colegial de novo e o baile de formatura se aproximava... Malditas lembranças aquelas.
Jared olhou para mim, como se perguntasse com os olhos o que responder e eu dei de ombros, sorrindo. Ele olhou para os lados, tentando disfarçar o estado que estava e depois olhou para ela, dando um meio sorriso.
- Quero sim! - Cass sorriu de orelha a orelha, me puxando pelo braço, rumo à saída do mini-shopping, deixando Jared para trás, imaginando o quanto louca ela era.

***

Lembranças da noite anterior me assustavam e alegravam ao mesmo tempo, ele estava tão diferente, estava como eu sempre havia desejado. Mas e o fogo? Quem havia provocado aquele acidente? Eu não iria acreditar em um sonho, Ian não faria aquilo, ele trabalhava para , ele seria muito idiota traindo a confiança de um homem como . Eu estava sozinha no quarto, estranhando o sumiço repentino de , mas não liguei muito e fiquei sentada na cama, olhando meus próprios pés. Não fazia muito tempo que eu estava ali, e tinha a sensação estranha de que não estava sozinha. Ouvi o barulho da porta do banheiro e levantei, quase dando um pulo. saiu de lá, com os cabelos bagunçados e molhados, caindo por sua testa, apenas com uma toalha bem abaixo de sua cintura. Olhou-me por um instante, e eu sorri aliviada.
- Te assustei?
- Não, eu só... - tentei desviar minha atenção de seu corpo. - Fica difícil pensar em uma desculpa com você assim na minha frente. - assim que eu disse aquilo, ele sorriu brevemente, puxando a toalha para baixo e logo ela estava caída no chão. Cocei a cabeça, segurando o riso acompanhado de um sorriso que queria surgir em meus lábios. Disfarcei, percebendo que ele não dava a mínima por estar nu na minha frente.
- Onde eu coloquei minhas roupas? - passou rápido por mim, fazendo com que seu perfume entrasse por minhas narinas. Virei-me, encarando suas costas nuas, tudo nu, na verdade, e o chamei. - O quê?
- Vai mesmo ficar desfilando assim? Você está a fim de me matar ou coisa do tipo? Pode abrir o jogo! - sentei na cama, cruzando as pernas e vendo-o balançar a cabeça negativamente e vestir a boxer, seguida da calça e por fim a camisa. Eu encarava minhas unhas e logo senti o peso do seu corpo cair sobre mim, me deitando na cama.
- Só por que eu tinha esperanças que você seguisse meu exemplo e também ficasse como veio ao mundo. - ele fingiu uma expressão de tristeza, saindo de cima de mim e se sentando. - A propósito, vamos sair hoje.
- Sair?
- É, se esqueceu da festa do tal Mark? Pensei que talvez pudéssemos ir ao shopping comprar roupas apropriadas. - concursei com a cabeça. Mas era estranho, eu não conseguia imaginar dentro de um shopping escolhendo roupas. Ele sempre pareceu o tipo de homem que tinha pessoas próprias para fazer essas coisas. Em todo caso, logo decidimos sair do hotel e ir de vez no shopping, não seria tão ruim assim. estava muito diferente, era como se sua voz estivesse diferente, seu jeito de andar, seus movimentos eram mais calmos, deixando de lado toda aquela agressividade e superioridade que ele sempre costumava transmitir. Saí do carro, não sabendo pra onde olhar primeiro. Assim que entramos naquele que deveria ser um dos maiores shoppings do mundo, um batalhão de lojas encheu meus olhos. Uma mais perfeita que a outra.
- Pode comprar o que quiser! - olhei séria para ele, percebendo que estava com os braços cruzados, não dando a mínima para tudo ao seu redor. Típico dos homens mesmo.
- Ah não, você vem comigo! - olhei maliciosa para ele. - Não vai querer me ajudar a escolher o que vou usar por baixo do vestido? - ele devolveu meu sorriso, apontando com os olhos para uma loja de lingeries. Andamos até lá, entrando na loja sem demoras. Eu estava me sentindo meio desconfortável por estar com... Meu chefe dentro de uma loja daquele tipo, mas logo percebi que ele começou a andar na minha frente, olhando tudo, como uma mulher indecisa. Achei aquela cena hilária.
O que foi realmente mais hilário ainda foi quando ele pegou um sutiã que deveria ser o maior de toda a loja e colocou sobre a camisa escura, na altura do peito.
- Meu Deus, olha o tamanho disso! - ri alto, percebendo que algumas mulheres olhavam para nós. Tirei o enorme sutiã de sua mão, devolvendo ele ao lugar. me ignorou, continuando a andar. Perdi-o de vista por alguns minutos, olhando as fantasias que estavam em um corredor meio isolado. Abri minha boca várias vezes, vendo os tipos de coisas que estavam disponíveis para serem compradas ali. Quem usaria coisas daquele estilo? Se eu fosse um homem acharia tudo super broxante! Ignorei o resto das coisas bizarras e avistei vindo em minha direção, com algo vermelho nas mãos. Não precisei pensar muito parar deduzir o que era.
Vermelho, , Lingerie... Não necessariamente naquela ordem, mas fazia sentido.
- Você vai comprar isso... - ele colocou a calcinha vermelha nas minhas mãos. Era realmente bem bonita e provocante, e eu só conseguia ficar com mais vergonha, por incrível que parecesse. - Agora vamos sair dessa loja!
Logo estávamos com algumas sacolas nas mãos, já havíamos comprado as roupas para a festa do tal Mark, faltavam apenas máscaras, mas isso deveria ter no local, não é?
Confesso que aquele estava sendo o dia mais estranho da minha vida, apesar de estar sendo bom, é claro. Eu não sabia por quanto tempo tudo aquilo duraria, então era melhor aproveitar.
- Quer comer algo? - pensei para responder, encarando as lojas por onde passávamos. Estávamos perto de uma escada rolante e eu forcei minha vista, achando que tinha visto alguém familiar. - , o que foi? - apertou minha mão, olhando na mesma direção que eu. Dei de ombros, virando o pescoço algumas vezes, mas tudo que consegui ver foi um homem caminhando rápido em direção a uma das saídas. Usava terno e tinha uma sacola parecida com a que segurava nas mãos. Coisas da minha cabeça, nada mais que isso.


Horas depois...

Estava com uma mão em cada lado de minha cintura, na frente de um grande espelho. Não conseguia deixar de sorrir só de imaginar como deveria estar lindo. Já era noite e logo nós iríamos para a festa do homem chamado Mark. Essas pessoas importantes que convidam outras sem nem as conhecer... Não tinha problema, não? Aliás, uma festa era tudo que eu precisava. Não fazia a mínima ideia de onde Cassie e Jared estavam, mas era bom que logo eles dessem um sinal de vida, ou ficariam sem carona para a festa. Os dois penetras.
Dei meia volta, me olhando por outro angulo. O vestido preto que eu usava era curto, porém, elegante. Os saltos pretos deixaram minha silhueta mais alongada. Meus cabelos estavam soltos, com cachos nas pontas. A maquiagem não era lá tão chamativa, mas estava bem destacada. Os olhos bem delineados e negros, o botão em tom vermelho marcando bem meus lábios. Não consegui evitar e me olhei de novo no espelho, ajustando alguns detalhes, foi quando ouvi a porta se abrir. Preferi não me virar e esperei até que aquelas duas mãos tão familiares e capacitadas de causar tantas reações diferentes em meu corpo envolvessem minha cintura, a apertando um pouco. Vi o reflexo de sorrir malicioso, me abraçando por atrás, com o queixo pousado no meu ombro.
- Eu acho que não vou te deixar sair desse quarto. - ele me virou, começando a beijar meu pescoço. Eu poderia ficar horas ali, apenas sentindo o cheiro maravilhoso daquele perfume novo que ele usava. Estava com terno e gravata pretos e a camisa branca. Era, sem dúvidas, uma das visões mais excitantes e maravilhosas da minha vida. Só perdia para a dele arrancando a toalha na minha frente, devo comentar.
- De jeito nenhum! Anda, vem! - o puxei pela mão, pegando uma bolsa preta que estava sobre a cama.
Saímos do quarto e não demorou muito para Cassie aparecer com Jared. Ela usava um vestido roxo que marcava a cintura e descia rodado, ele estava também de preto, deveria ter combinado com .
- Sinto que estou com os homens de preto! - ela riu, balançando os cabelos presos em um coque com alguns fios caídos.
Decidimos por ir todos no maior carro que tinha, ficando eu na frente com ele e Cass com Jared atrás. Durante o caminho lembrei-me das máscaras, nós precisamos delas, não? Foi só então que olhei para o banco de trás do carro, vendo quatro máscaras perto de onde Cassie estava sentada.
- Viu como eu penso nas coisas? - ela pegou uma preta que continha detalhes roxos e colocou, prendendo-a atrás da orelha. Fez charme para Jared, arrancando uma risada dele. Jared pegou uma também, que era preta com detalhes dourados e colocou. Ficaram fazendo palhaçadas e eu olhei para , que tinha os olhos presos na estrada.
Ele estava mais lindo do que nunca.
- Vou começar a pensar que você congelou olhando pra mim! - ele disse de repente, dando um sorriso. Mordi o lábio, meio envergonhada e pedi para Cassie me dar as duas máscaras que ainda restavam. Ambas eram pretas, uma com detalhes azuis e a outra com apenas com alguns detalhes da própria cor. Coloquei a com azul, entregando a outra para .
Ele estacionou o carro em uma das poucas vagas que ainda restavam, revelando uma mansão muito maior do que eu havia imaginado. Ao redor, várias pessoas conversavam com garrafas de bebida, algumas com máscaras e outras não. Senti um embrulho no estômago, como se aquela fosse a primeira festa da minha vida. O que era uma idiotice.
saiu do carro, dando a volta e abrindo a porta pra mim. Saí do carro enquanto ele colocava a máscara.
- Que idiota! - ele riu, ficando extremamente sexy com aquilo no rosto. Já era misterioso, daquele jeito então...
Cassie e Jared já estavam bem a nossa frente, como se realmente tivessem convites para entrar, mas era óbvio que eles conseguiriam. Eles estavam com .
No enorme caminho até a casa, um homem vinha cambaleando um pouco, segurava alguma bebida entre as mãos e falava sozinho. Parou ao nosso lado, tirando o chapéu preto que parecia aqueles que Justin Timberlake usava e colocou na cabeça de , começando a rir em seguida. Esse sabia aproveitar uma festa... Ou não. Comecei a rir olhando para com aquela máscara e o chapéu, recebendo um olhar sério.
- Até que é charmoso, não acha, ? - concordei com a cabeça, finalmente chegando até a entrada da festa. Passamos por um segurança que pegava os convites e me perguntei como Cassie e Jared tinham entrado. Assim que colocamos os pés dentro da casa, avistei os dois sumirem por entre as várias pessoas que estavam ali dentro, já envolvidos na música alta e dançante que tocava. Um homem alto vestido não muito socialmente percebeu nossa presença e veio rápido, já cumprimentando com um aperto de mão e se curvando sobre mim. Achei aquilo engraçado, me sentindo em um filme de época.
- Bem vindos à minha festa! - ele abriu os braços, apontando para sua própria casa.
- Obrigado, Mark! - olhou pra mim, segurando minha mão e me guiou até um dos cantos do que deveria ser a sala de estar.
Encostou-me na parede, colando o corpo no meu. Comecei a me balançar no ritmo da música que tocava, era alguma da Lady Gaga, mas eu estava concentrada demais em outra coisa para saber qual era. Vi-o morder o lábio inferior, arrancando o chapéu com rapidez da cabeça, o jogando por ali. Senti uma de suas mãos passear pela minha perna descoberta, me causando arrepios constantes. Abracei-lhe pelo ombro, fazendo com que ele também se movimentasse de acordo com a música.
- Eu tô começando a criar uma fantasia que envolve essa sua máscara... - não o deixei terminar, grudando minha boca na dele e começando um beijo. Sua língua estava mais impaciente do que nunca, travava uma briga com a minha. Depois de um tempo, ele decidiu ir buscar algo para bebermos, voltou minutos depois com duas bebidas transparentes, muito gelo e uma cereja cada no topo.
- Cerejas? - peguei a do meu copo, colocando na boca, lançando-lhe um olhar provocante. - Como sabe que adoro cerejas? - voltou a me segurar pela cintura, enquanto aquela mesma música tocava, o ritmo era tão envolvente que fazia um calor estranho subir pelo meu corpo. Dei alguns goles na bebida, percebendo que era forte, porém doce, a de já não existia mais, ele apenas segurava a cereja entre as mãos, depois de um tempo colocou ela dentro da minha boca, lançando um olhar extremamente sexy e malvado.
- Nós poderíamos subir... - senti seus lábios ágeis trabalhando em meu pescoço, me causando choques elétricos.
- Nós acabamos de chegar! - eu também não estava mais aguentando a tantas provocações, ainda mais com o corpo dele roçando no meu daquele jeito.
- E isso importa? Eu sei que a minha diversão depende de você, então quero começar longe de todas essas pessoas. - ele levantou minha perna, a colocando na altura do seu quadril, passando as unhas de leve no interior da minha coxa. - E eu sinto que não vou aguentar por muito tempo... A menos que você queira fazer na frente de todos... - arregalei meus olhos, rindo junto com ele depois.
- Tentador, mas não vou permitir que todas essas mulheres vejam você nu! - foi a minha vez de dar uma mordida no pescoço dele, o fazendo fechar os olhos e soltar um gemido abafado.
- Vem... - me puxou pela cintura, parando um garçom que passava pelo local com uma garrafa de champanhe e algumas taças nas mãos. tomou a garrafa das mãos do rapaz, pegando duas taças. - Desculpe, amigo, obrigado! - ele sorriu, deixando o garçom sem entender nada para trás, me conduzindo até uma enorme escada que, sem dúvidas, levava aos dois outros andares que a casa deveria ter. Enquanto eu subia, dei uma olhada para baixo, no instante seguinte meus olhos grudaram em um terno preto, muito parecido com o que usava. Não podia ser, não podia estar ali também... E completamente igual a .
Tentei ignorar aquilo e entrei no primeiro banheiro do andar com ele, que já havia tirado a máscara. Olhei ao redor, vendo que o lugar definitivamente não era muito grande, exceto pela bancada da enorme pia. Apoiei minhas mãos na mesma, me sentando nela. Comecei a balançar minhas pernas enquanto travava uma luta com a garrafa de champanhe que não queria abrir.
- Acho que você já foi melhor nisso! - provoquei, tirando minha máscara e vendo-o abrir a garrafa e vir na minha direção segurando a mesma.
- O que foi que você disse? - ele tombou um pouco a garrafa e eu já conseguia imaginar aquilo caindo no vestido.
- Eu disse que você... Que você... - não me deixou terminar, pousou a mão gelada devido à garrafa do champanhe na minha perna, separando-a da outra e colocando o corpo no meio delas. Senti um pouco de frio e comecei a brincar com a gravata dele. Peguei a garrafa de champanhe e coloquei desajeitadamente nas taças, derrubando um pouco na pia. Vendo que ele começou a rir daquilo, tombei a garrafa de propósito sobre ele, derramando um pouco do líquido na sua camisa e paletó. Não se preocupou com aquilo, apenas me olhou como se dissesse "Ah, então você quer brincar?" e tomou a garrafa da minha mão colocando mais um pouco na taça. Ele dava um gole e parava para me beijar, fazendo com que eu sentisse a deliciosa combinação do champanhe junto com o beijo dele. Senti algo gelado escorrer sobre o meu pescoço e então percebi que ele havia jogado em mim, escondendo a garrafa atrás de si depois.
- Eu não acredito que você fez isso! - fingi estar brava, vendo o líquido escorrer pelo meu decote.
Ótimo destino. Os olhos dele que o digam!
Sorri maliciosa, o puxando pela gravata e começando a tirar seu paletó, tentando abrir os botões da camisa ao mesmo tempo. Logo metade do corpo dele estava nu.
- Vai jogar champanhe em mim? - ele mordeu o lábio, ficando um pouco longe.
- Hm... Vou! - sorri diabolicamente. Ele avançou em mim, procurando sem paciência pelo zíper do vestido, ao encontrá-lo, o abaixou de uma vez, puxando as mangas e fazendo com que meus seios ficassem expostos.
- Agora estamos de igual pra igual! - ele me olhava com aquele olhar malvado, sexy, pervertido e várias outras combinações que só ficavam perfeitas nele. Senti como se todo o meu corpo começasse a queimar quando estávamos nos beijando de novo, cada vez de um jeito mais necessitado. A garrafa de champanhe ia e vinha por nossas mãos, estávamos em um tipo de guerra pra ver quem ficava mais lambuzado com aquilo. Brinquei com o zíper da calça dele, conseguindo sentir os sinais de sua excitação.
- Chega de champanhe! - ele tirou a garrafa da minha mão mais uma vez, a colocando longe de nós. Procurou por algo nos bolsos da calça, sorrindo ao encontrar.
Ficou entre minhas pernas de novo, começando a beijar toda a extensão do meu pescoço, maxilar e boca. Senti suas mãos passearem por dentro do meu vestido, os dedos se entrelaçando nas alças da minha calcinha. Logo ela foi puxada para baixo. Eu conseguia ouvir que Womanizer da Britney Spears tocava no andar de baixo da mansão.
- You say I'm Crazy, I got you crazy... - sussurrei um trecho da música em seu ouvido.
Rapidamente, já havia abaixado suas calças e sua boxer e colocado a camisinha, puxou meu corpo com vontade, me penetrando sem aviso prévio. Cravei minhas unhas nas costas dele, sentindo seu corpo se movimentar rápido. Gemi, tentando me controlar para que ninguém ouvisse, mas não estava sendo fácil já que ele investia cada vez mais rápido, segurando firme na minha cintura com uma mão e massageando meu seio com a outra.
- Você... - ele passou a língua pelos meus lábios, tentando se segurar para não gemer, mordendo os lábios com força, mas não conseguia. - Você ainda vai me deixar louco! - contraí minhas costas quando senti suas unhas curtas passarem sobre elas com vontade e senti espasmos por todo o meu corpo.
Alguém batia na porta.
A principio, ignorou e continuou a se movimentar, enquanto eu estava com as mãos agarradas em seus ombros e sentia meu ponto máximo cada vez mais próximo.
E voltaram a bater...
- Tem alguém aí? - uma voz masculina disse alto, batendo de novo na porta. bufou, enquanto nossos corpos já suados se roçavam.
- TEM! - ao gritar, ele não conseguiu segurar a acabou gemendo junto, me fazendo soltar uma risada e em seguida sentir meu corpo todo amolecer. Respirei fundo, olhando pra ele que estava parado, com os olhos fechados, ainda dentro de mim.
- Agora ele sabe que banheiros fechados durante uma festa são para... - abriu os olhos, rindo.
Senti minhas pernas um pouco fracas e ele saiu de perto de mim, pegando suas roupas que estavam no chão e as vestindo rápido, enquanto eu procurava por minha calcinha no chão.
- Não sei se ainda consigo lidar com uma festa depois disso... - ele disse, se jogando no chão, ainda com a respiração acelerada. Subi meu vestido, percebendo que o estrago com a champanhe não tinha sido muito grande. Desci da bancada, pegando minha calcinha e a colocando. Tentei dar uma arrumada no estado que meu cabelo havia ficado e fui até a porta, segurando na maçaneta e abrindo devagar, verificando se não tinha ninguém por ali. O corredor estava vazio.
- Vai primeiro... - ele estava exausto, sua voz que praticamente implorando para que eu fosse antes dele era hilária. - Mais alguns minutos e eu me recupero! - concordei com a cabeça, rindo e saindo de dentro do banheiro.
Desci as escadas, ainda me ajeitando, com medo de que alguém percebesse o que eu tinha acabado de fazer e ouvi Cassie gritar meu nome. Jared não estava com ela.
- , onde você tava? - sua voz estava animada até demais. - Você tem que experimentar isso, é muito bom! - ela segurava um copo com uma bebida vermelha. Fui até ela, pegando a mesma bebida com um garçom que estava perto. Era realmente muito boa.
- Cadê o Jared? - perguntei, ainda me recuperando de .
- Eu não sei, ele disse que ia pegar mais bebidas pra nós, deve ter ido ao banheiro, sei lá... - Cassie deu de ombros, se sentando em um sofá que estava atrás de nós. Fiz o mesmo que ela, olhando ao redor. Alguns minutos se passaram, enquanto nós apenas comentavamos sobre as roupas das pessoas ao redor ou riamos de alguma piadinha sem noção que alguém próximo fazia. Apertei meus olhos, vendo um homem de terno preto e o mesmo chapéu que usava quando chegamos, que escondia seu cabelo. Minha vista não estava muito boa devido às bebidas, mas eu não estava bêbada, só podia ser ele.
- Já volto, Cass! - ela me ignorou, entretida demais com a bebida vermelha e eu me aproximei do sujeito de chapéu preto, sentindo o perfume de tomar conta das minhas narinas.
Era ele mesmo.
Mas por que estava de costas e seu corpo parecia tão tenso?
Não esperei e coloquei minhas mãos em seu ombro, aproximando minha boca de seu ouvido.
- Desceu rápido... - dei uma mordida no lóbulo, enquanto ele continuava imóvel, o que foi estranho. - Quem sabe no fim da noite... - não terminei a frase e saí de perto dele, rindo comigo mesma e voltei para onde Cassie estava. Depois de alguns minutos de silêncio, eu já estava estranhando não ter vindo até mim.
- Sabe... - ela começou. - A vida é engraçada, às vezes vemos as pessoas e pensamos que elas são de um jeito... - poderia jurar que ela estava bêbada, bem bêbada. Isso era evidente pela sua voz. - Mas elas se mostram totalmente de outro... Sr. é um exemplo! - ignorei seu comentário sem sentido e voltei a beber.
Piadinhas iam, piadinhas vinham, eu e Cassie parecíamos duas loucas rindo das coisas idiotas que aconteciam pela festa.
parou na nossa frente... Foi tão rápido.
Por que diabos ele estava com um chapéu preto?
Chapéu preto... tinha se livrado dele quando começamos a nos agarrar naquele canto...
Seu terno... Exatamente igual ao de .
O perfume...
Era ele no shopping, eu só não queria aceitar. Seguiu-nos, comprando as mesmas coisas que comprava. Era uma armação.
Merda!
Cassie começou a rir dele, mesmo não o conhecendo. Fiquei séria, vendo um sorriso safado se abrir em seus lábios. se aproximou, segurando meu braços e fazendo com que eu me levantasse. Grudou nossos corpos e eu tentava digerir o que estava acontecendo, mas o efeito da bebida não ajudava...
- Desculpa, mas você me deixou ansioso para o fim da noite! - arregalei meus olhos e antes que eu pudesse fazer alguma coisa, ele me puxou, grudando nossos lábios de novo, sua língua pedia passagem, mas a partir daquele momento eu só consegui ouvir a voz de soltar um palavrão alto.
- Seu filho da puta! - ele puxou pelo braço, dando um soco no rosto do mesmo. Toda a festa estava olhando aquela cena e tudo começou a fazer sentido. Os dois estavam frente a frente, se olhando de cima a baixo. Estavam com a mesma roupa, era bizarro.
- Qual é, ela deu em cima de mim, idiota! - parou para me olhar e aproveitou para retribuir o soco no rosto, fazendo ele cambalear, com a mão sobre o local. Xingou um palavrão alto e as agressões continuaram. Ninguém fazia nada, ninguém movia um dedo para impedir que o meu pesadelo começasse a se tornar realidade.
Já começava a sentir as lágrimas se formarem em meus olhos...
- , não... - tentei dizer, mas ele me interrompeu, a voz estava alterada.
- Cala a boca, eu já vi o que tinha que ver! - ele se virou e disparou por entre a multidão que estava acumulada ao nosso redor. Ignorei e Cassie e fui correndo atrás dele, o alcançando e segurando seu braço.

It's funny how
É engraçado como
Even now
Mesmo agora
You still support me after all the things that I've done
Você continua me apoiando depois de tudo que eu fiz
You're so good to me
Você é tão bom para mim
Waiting patiently
Esperando pacientemente
And isn't it sad that you still have to ask if I care?
E não é triste que você continue tendo que perguntar se eu me importo?

- , me escuta! Não é o que parece, mas que droga! - eu já chorava e ele apenas me olhava, frio - Eu vi o com o chapéu que você estava usando antes, pensei que fosse você e...
- ACHA QUE EU SOU IDIOTA OU O QUE, PORRA? - ele segurou meus braços com força, olhando em meus olhos. - Como eu pude acreditar que...
- Para! Confia em mim!
- Você é uma... - ele me soltou, fechando os olhos. Suas mãos estavam fechadas em punhos. - Você é uma vadia como qualquer outra! - não aguentei ouvir aquilo e sem me controlar acertei o mesmo lado de seu rosto que tinha levado um soco de , com um tapa.
- Não sei por que eu achei que você mudaria... - olhei com nojo para ele, sentimento que meu corpo explodiria a qualquer momento de tanta raiva.
- Não sei por que eu acreditei que valia a pena mudar por você! - apontou pra mim, balançando a cabeça negativamente.
- Parece que foi um engano... - limpei uma lágrima, sentindo que minha maquiagem estava borrada. - Nós dois nos enganamos!
- Dá pra você sair da minha frente? - e o que eu achava que não existia mais estava de volta.
- Eu vou embora! - ele levantou uma sobrancelha. - Vou embora de Los Angeles, você disse que eu podia ir, não disse? - peguei uma taça que estava em uma mesa perto de onde eu estava e bebi o conteúdo, o sentindo descer queimando por minha garganta e lancei um olhar de desprezo pra ele.
Só eu sabia como estava doendo por dentro...
Ele ficou quieto por alguns segundos, dando o sorriso cínico que eu tanto odiava.
- Faça isso, suas coisas estão no hotel. - chegou perto, colocando um dedo no meu queixo, olhando fundo nos meus olhos. - Me sinto aliviado! - intensificou um pouco seu toque em minha pele. - Eu não conseguiria ser um fraco por muito tempo mesmo... Tirei sua mão com violência do meu rosto e saí correndo dali, esbarrando em várias pessoas. Vi Cassie e Jared sentados naquele mesmo sofá de antes, ela estava quase dormindo e ele balançava a cabeça de acordo com a música. Meus olhos queimaram e mais lágrimas saíram deles.
Foi tão fugaz. Foi como uma chama, que infelizmente acabava de ser atingida por um vento com força maior. Eliminando-a.

I never said I was perfect
Eu nunca disse que era perfeita
But I can take you away
Mas eu posso te levar embora
Walk on shells tonight
Andando sobre conchas essa noite
Can't do right tonight
Não posso fazer certo essa noite
And you can't say a word cause I leap down your throat
E você não pode dizer uma palavra porque eu pulo na sua garganta

Olhei para o outro lado e vi encostado em uma parede, segurando um copo vazio nas mãos. Tentei controlar aquele estranho sentimento de vingança que pulsava dentro de mim, mas quando percebi, eu já limpava meus olhos e caminhava com passos firmes em sua direção. Ele levantou o olhar e eu vi que o local do soco estava roxo.
- Vamos subir? - falei fria, vendo ele me olhar sem entender. - Anda, vamos? - todos os músculos do meu corpo imploravam para que eu saísse de perto dele, mas depois de descobrir todas aquelas coisas sobre ele eu só conseguia sentir raiva, só queria me vingar de algum jeito.
não merecia, mas era mais forte do que eu.
- Não sei o que deu naquele idiota do , mas deixa isso pra lá, né? - ele ficou do meu lado e segurou minha mão, começando a nos guiar até a escada.
- Vai subindo, querido... - eu não estava me reconhecendo. - Já encontro você no quarto do final do corredor. - sorri brevemente, vendo-o concordar e desci as escadas de novo. Avistei um segurança em um dos cantos da festa, caminhei com passos provocantes até ele, com uma expressão de tristeza no olhar.
- Com licença... - cheguei o mais próximo que pude. Ele era alto, sua pele era bronzeada e os cabelos eram negros. - Pode me emprestar sua arma? - a bebida ainda estava fazendo efeito sobre mim, aquilo era evidente.
- Ficou doida, moça? - ele sorriu e depois balançou a cabeça. - Eu posso saber pra quê?
- Só pra assustar um desgraçado... Ai, ai, esses homens! - passei a mão por meus cabelos, tentando fazer com que ele me entregasse logo aquela droga daquela arma.
- Promete que não vai arranjar problemas, boneca? Aí eu posso te emprestar! - ele deveria ser um safado qualquer. E muito idiota. Que segurança daria sua arma para uma moça sem nem pensar em consequências terríveis?
Fiz que sim com a cabeça, vendo-o olhar pros lados e tirar a arma do bolso do terno, colocando cautelosamente em minha mão. Sorri agradecida, sem esperar que ele dissesse mais alguma coisa. Segurei a arma com firmeza e coloquei meu braço para trás, a escondendo. Subi correndo até o quarto que deveria estar e me perguntei se já tinha ido embora.
Não, ele não merecia mais a minha preocupação, deveria estar se pegando com alguma vadia mascarada...
Bati na porta do quarto, sorrindo satisfeita ao ver abri-la, dando passagem para que eu passasse. Olhei ao redor do quarto, percebendo que não era grande coisa, mas não era realmente necessário.
- Eu achei que nunca mais teríamos momentos assim... - ele foi se aproximando, afrouxando a gravata, mas eu fiz um sinal com as mãos para que ele parasse.
- Tire a roupa! - disse simplesmente e ele riu, sussurrando um "ok". Aquele era muito idiota mesmo.
- Mas por que tão rápido? - ele já estava sem paletó e desabotoava a camisa branca. Maldito, tinha que estar vestido igual ao ? Maldito! - Vamos com calma!
- Tire a roupa! - repeti, com a voz um pouco mais forte.
Ele não discutiu e logo estava nu na minha frente. Olhei-o de cima a baixo, sentindo uma enorme vontade de rir. E naquele momento uma coisa passou pela minha cabeça.
Eu estava me tornando uma pessoa tão insana quanto .
- É o seguinte, meu querido ... - parei de esconder a arma, expondo-a de vez. Seus olhos se arregalaram de espanto e ele deu um passo para trás. - Eu tô de saco cheio de você, tá me entendendo? - fui até ele, o empurrando até a parede. Aproximei a arma de seu rosto, o olhando com um meio sorriso nos lábios.
- Você ficou maluca? , onde você conseguiu essa arma, pelo amor...
- SHH! - grudei nossos corpos, ignorando totalmente a excitação dele. - Eu quero que você suma da minha vida, suma da vida do e suma de Los Angeles, fui clara? - quem eu era pra falar aquilo? Meu Deus.
- Você se preocupa mesmo com aquele imbecil? - gostava de bancar o poderoso perto de armas, aquilo era bizarro. - E você tá completamente bêbada! - ele riu.
- To bêbada, mas tenho uma arma! - sorri vitoriosa, brincando com aquele objeto que no fundo me causava medo.
- Tá, eu já entendi! Agora você pode parar de apontar isso pra mim? Por favor!
- Passar bem, ! - abri a porta, rindo por dentro da situação que eu havia o deixado. Caminhei pelo corredor ouvindo a agitação ficar cada vez maior naquela maldita festa.
Eu estava me sentindo um lixo.

So uptight am I
Tão tensa eu sou
I never said I was perfect
Eu nunca disse que era perfeita
But I can drive you home
Mas eu posso te levar pra casa

Eu poderia morrer, que diferença faria?
Devolvi a arma pro moreno que realmente ficou achando que eu o pagaria de algum jeito e, mais uma vez, avistei Cassie e Jared que agora dançavam feito loucos na pista de dança. Nem sinal de . Fui até eles, que me olharam como se eu fosse algum tipo de assombração.
- O que houve com você, mulher? - Cassie colocou a mão na boca, olhando para Jared que estava com os olhos arregalados.
- Eu vou embora! Acabou! - tentei passar por eles, mas Jared segurou meu braço de um jeito que não me machucasse.
- O que houve? - ele e Cassie me conduziram até um sofá, me obrigando a sentar.
- Eu e o brigamos, ele me chamou de vadia, eu disse que ia embora... - não aguentando mais, desabei a chorar no colo de Cassie que começou a afagar meu cabelo. Jared tinha uma expressão preocupada e se levantou, olhando significadamente para Cassie.
- Eu duvido que ele tenha ido embora, deve estar por aqui ainda... - ele olhou para todos os lados.
Levantei-me, sentindo minha cabeça horrivelmente pesada e senti meu coração quase parar de bater ao ver descendo as escadas correndo e com um olhar mortal.
Era só o que faltava mesmo!
Sem dar explicações para Cass e Jared, saí correndo, olhando para trás várias vezes, percebendo que ele vinha atrás de mim. Dei meia volta em um corredor escuro e encontrei o que deveria ser a cozinha, passei correndo por ela, encontrando outra porta e uma enorme piscina onde alguns casais se agarravam. Percebi que mais pra frente tinha uma saída, consegui ver vários carros do outro lado da rua devido ao portão com aberturas. Corri, já conseguindo ouvir os passos de perto de mim e agradeci pelo portão estar aberto.
Eu pegaria um táxi e tudo estava terminado.
Ao passar pelo portão, precisei me segurar na grade para não cair.
e Ian estavam parados no meio da rua, com olhares tensos um para o outro. Tentei prender minha respiração e fazer menos barulho possível para que eles não notassem minha presença, mas um grito de estragou tudo.
- TE ACHEI! - ele parou onde eu estava, vendo e Ian que agora nos encaravam.
- Olha só o que temos aqui... - Ian cruzou os braços.
Senti leves gotas de água começarem a cair sobre minha pele, me arrepiando. Meu olhar se encontrou com o de , que estava com a boca entreaberta e o cenho franzido. Ian sorriu, se aproximando de nós.
- Eu não tô entendendo nada... - segurou meu pulso, fazendo eu ficar de frente pra ele. - Por que você fez aquilo?
- Aquilo o quê? - ouvi a voz fria de que ainda estava no meio da rua.
- , por que você apontou aquela arma pra mim? Por que fez aquilo? - ele olhava fundo nos meus olhos e eu não sabia o que fazer, não sabia pra onde olhar, não sabia mais no que acreditar.
Aquela cena era tão familiar... As gotas de chuva, e tão próximos... A tensão no ar!
Os sonhos, ou melhor, os pesadelos...

's POV

A chuva só ficava mais forte, assim como a vontade de que um carro passasse sobre mim naquele momento. estava perdida, seus olhos eram aflitos. Mas ela havia me feito de idiota, eu não tinha por que sentir pena dela.
- Que interessante... - Ian começou, me provocando uma tremenda raiva. Quem aquele idiota achava que era? Por que estava achando que tinha algum poder sobre mim? O que ele queria? - Ela sabe usar uma arma!
- Cala a boca! - gritou, desesperada e com lágrimas nos olhos. A chuva fazia com que minha visão ficasse meio turva. - Eu vou embora daqui, me deixem em paz!
- Opa, não vai não! - Ian entrou na frente dela, que era bem menor que ele. Ela tentou empurrá-lo, mas só conseguiu arrancar mais risadas do mesmo.
- Ian, o que você quer? - falei, perdendo a paciência e evitando olhar para ela.
- O que eu quero? - ele apontou para si próprio, balançando a cabeça negativamente. - É o que você quer...
- E o que eu quero? - continuei o desafiando.
Foi rápido demais, Ian tirou uma arma de dentro do paletó que usava e apontou para que automaticamente recuou para trás. arregalou os olhos e começou a implorar para que ele parasse com aquilo. Eu continuava imóvel, como se tudo aquilo fosse um sonho e eu tivesse total consciência disso. A chuva estava cada vez mais forte e todos nós já estávamos completamente ensopados.
Não consegui evitar de olhar para , ela estava olhando para o chão, pensativa.
- O sonho! - ela colocou as mãos na cabeça, dizendo aquilo mais para si mesma do que para qualquer um de nós.
- Ora, meu caro ... Não foi você que começou com isso de vir pra cá só pra matar o franguinho molhado ali? - ele apontou para . - Sequestrou até a belezinha da sua secretária, fazendo-a passar por coisas horríveis... - todas as imagens desde o dia que eu havia convidado para ir a minha casa tomaram conta da minha mente. - Não queira fingir que agora quer a bandeira branca... Você sabe o que quer de verdade! - ele mirou a arma de novo para , que não moveu um músculo. - Só depende de você! Vamos... Diga as palavras certas! - aquele filho da puta estava me pressionando, estava fazendo com que eu sentisse vontade de tomar aquela porra de arma de sua mão e atirar em todos ali, até em mim. - Diga que quer ele morto e eu, como seu segurança e ajudante, tornarei isso realidade...
- PORRA, PARA COM ISSO! - berrei, ouvindo um trovão e olhei para , ela estava chorando.
- É o que você quer, ! É o que você quer! - eu sentia que iria surtar a qualquer momento. Fechei meus olhos com força, com as mãos na cabeça, sentindo aquele sentimento de tantos anos se acumular e tomar conta de mim.
Era culpa do , todo o inferno que minha vida havia se tornado era culpa do miserável do pai dele.
Ele merecia pagar com a vida do próprio filho... Ele merecia...
- Atira!
- Não! - gritou, olhando com horror para mim. Ian foi para mais perto dela, olhando bem para seu rosto e o segurando com uma mão.

I got down on myself
Eu acabo comigo
Working too hard
Trabalhando muito
Driving myself to death
Me levando para a morte
Trying to beat up the faults in my head
Tentando vencer as faltas na minha cabeça
What a mess I've made
Que bagunça eu fiz
Sure we all make mistakes
Claro que todos nós cometemos erros
But they see me so large
Mas eles me veem tão grande
That they think I'm immune to the pain
Que acham que eu sou imune à dor

- Você se acha a defensora dos outros ou o que? – afastou-se dela, olhando sorridente para mim. Senti que meus pulmões explodiriam a qualquer momento, o ar começava a faltar. - Pode dizer de novo, chefe?
- ATIRA, PORRA! AGORA! - eu não controlava mais minha voz, cada célula do meu corpo agia impulsivamente.
Ele deu de ombros, fazendo um sinal positivo com a cabeça, mirando a arma para que engoliu em seco.
Eu tinha que estar bêbado demais, era a única explicação para conseguir ver aquela arma mudar de direção em questão de segundos...
Aquele barulho de tiro...
Não...

Flashback
Narração em terceira pessoa.

Ian estava esperando o elevador para ir ao saguão, até que viu uma silhueta feminina se aproximar dele com rapidez. Olhou pelo canto do olho e percebeu que se tratava da amiga de . Era .
- Você é Ian? - ela sorriu, e ele não conseguiu deixar de sorrir também. Apesar de ter ouvido coisas não muito boas daquela mulher, ele não podia negar que ela era, sem dúvidas, muito bonita e atraente.
- Sou! - ele disse sem graça, ignorando o elevador e encostando-se à parede, reparando em cada detalhe do rosto dela, que adquiriu uma expressão triste. - Algum problema, senhorita?
- Na verdade tem sim! - ele passou as mãos com certo nervosismo pelos cabelos longos e olhou para a porta do quarto onde e estavam. - Aquela secretária do , ela me bateu... - Ian podia jurar que logo a moça começaria a chorar. - E o defendeu ela! - chegou mais perto de Ian, o abraçando e colocando a cabeça sobre o ombro do rapaz, deixando que sua respiração batesse no pescoço dele. - Ian, você pode me ajudar? - sem saber o que dizer, ele engoliu em seco e concordou com a cabeça. segurou o colarinho da camisa dele com as duas mãos e de repente o olhar dela se transformou.
Passou a lembrar o de uma psicopata.
- Acabe com eles! - ela sorriu, causando arrepios nele. - Talvez aconteça algo comigo, se acontecer... Quero que você mate os dois! - ela não esperou ele falar nada, apenas selou seus lábios nos dele, começando um beijo selvagem e o empurrando para uma porta de um dos quartos vazios que estava aberta.
Terminando o beijo, ela o olhou profundamente nos olhos. Começando a abrir o zíper do vestido. Caminhou até a porta, batendo-a com força, empurrando Ian até a cama e ficando por cima dele.
- Você promete? - ela fez um bico, abrindo a camisa dele e começando a distribuir beijos pelo local. - Promete, Ian? - desceu a mão, acariciando seu membro sobre a calça. - Acredite, eu posso fazer da sua vida um inferno se recusar...
Ele se viu sem saída e por impulso concordou com a cabeça, fechando os olhos e sentindo começar a masturbá-lo.
- Eu aceito. Faço qualquer coisa...

/Flashback

Um grito ecoou por toda a rua, meus olhos se fecharam por reflexo. Assim que os abri de novo, percebi que estava com em seus braços, o horror estampado em seu rosto. Ian estava parado, ainda segurando a arma do mesmo jeito. Soltou uma risada, enquanto tudo estava em silêncio.
E então toda aquela tensão começou de novo.
- NÃO! - ouvi a voz de gritar e a puxou de novo, mas dessa vez a mira de Ian foi mais poderosa.
Cassie e Jared se aproximaram perplexos, sem coragem de se aproximar mais.
Eu... Eu não sabia o que estava sentindo.
estava estática, com as mãos perto das costelas, um pouco mais embaixo, como se estivesse tentando esconder algo. Ao tirar as mãos do lugar, suas pernas cederam e ela caiu de joelhos no chão. foi para perto dela, colocando a mão na boca. Senti meu estômago dar uma volta completa ao ver as mãos dela cobertas por sangue.
Ela havia levado um tiro.
Ian havia atirado nela.
Enquanto a água da chuva caía sobre ela e fazia o sangue escorrer por suas pernas, começou a gemer de dor, tombando como se fosse cair a qualquer momento. Eu não conseguia me mexer, era como se todo o meu corpo estivesse se paralisado no momento que eu vi a bala perfurar seu corpo.
- Que cavalheiro, ! Tentando salvar a pobre moça... - as mãos de Ian tremiam, ele estava fora de si. se levantou e ia avançar até ele, mas parou ao percebeu que a vida de todos ali ainda estava em jogo.
- Opa, cuidado! Eu posso atirar em todos vocês se eu quiser.
Uma adrenalina insuportável tomou conta de meu corpo e eu corri até Ian, rápido demais para ele poder fazer alguma coisa. A arma caiu no chão e eu me transformei em um monstro. Fiz com que ele se chocasse contra uma parede de tijolos perto de onde estávamos. Não pensei antes de começar a socar seu rosto e estômago com vontade, vendo o sangue surgir.
Sangue em minhas mãos.
- , pare! - ignorei a voz agoniada e chorosa de , sentindo cada músculo do meu corpo doer por saber que ela estava ferida, estava correndo risco de vida.
Dei mais um soco no rosto de Ian, deveria ter quebrado o nariz dele naquele momento. O olhei com fúria, observando o estrago que eu tinha causado em seu rosto.
- Por quê, hein? POR QUÊ? - gritei e então percebi que ele movimentou a mão, enfiando-a no bolso de seu paletó e tirando um papel dobrado. Estendeu-o, esperando que eu o pegasse. Senti receio, mas o tirei com força de suas mãos, o soltando e vendo-o cair no chão. Colocou as mãos sobre o rosto, gemendo baixo de dor.
Abri o papel. Reconheci a letra de cara, não acreditando no que estava lendo. Parecia que inúmeros socos estavam sendo distribuídos por todo o meu corpo.

"Espero que não se esqueça de mim, meu garotinho. Minha morte não significa que eu não posso acabar com a sua vida medíocre. Seu louco! hahaha" - ."

Mas que diabos... Ela tinha escrito daquele jeito, pois já sabia que ia morrer? Ian era seu fantoche?

- ! - Cassie berrou, chorando. preferia não olhar, com os olhos fechados. Jared estava horrorizado e Ian... Ian estava fugindo. Mesmo naquele estado, ele conseguiu se levantar e pegar a arma de volta. Cambaleou um pouco e a apontou para de novo, correndo em seguida. Sem que eu pudesse fazer nada... Minhas pernas não deixavam.
A era a responsável por aquilo... Vadia! Desejei com todas as minhas forças que, se o inferno existisse mesmo, que ela estivesse queimando lá.
No momento seguinte, eu senti como se minhas pernas tivessem se descolado do chão e em um impulso corri até , que já havia deitado sobre o chão, vi seu sangue pelo chão. Os olhos dela estavam começando a se fechar. Tirei meu paletó molhado, o colocando sobre seu corpo, na intenção de pelo menos protegê-la do frio. Sentindo o desespero crescer dentro de mim. Assim como a vontade de chorar.
- Não! Espera... Fala comigo! - minhas mãos tremiam e eu segurei o corpo dela, sentindo como ele estava frio e tremia. Minha camisa que já estava transparente foi se tingindo aos poucos com o sangue dela.
- PORRA, VÃO FICAR PARADOS OLHANDO? FAÇAM ALGUMA COISA! - não consegui terminar de dizer no tom que eu queria, pois já estava chorando.
Era culpa minha.
Abracei-a com a força que ainda restava em mim, vendo que o sangue não tinha fim.
Ela era tudo que eu tinha... Meu Deus...
- ANDA, FAÇAM ALGUMA COISA! - vi Cassie, Jared e saírem correndo, provavelmente atrás de um telefone. Várias pessoas já estavam a nossa volta, tão horrorizadas quanto eu.
Senti a mão de acariciar meu rosto, enquanto um leve sorriso escapava por seus lábios.
Eu a estava perdendo.
- Meu amor... Não... Fica comigo! - implorei, quase fundindo nossos corpos.
- Eu tentei... - ela não conseguiu terminar a frase.
Seus olhos se fecharam.

So uptight am I
Tão tensa eu sou
I'm praying for a miracle
Eu estou rezando por um milagre
But I won't hold my breath
Mas eu não vou prender minha respiração

I never said I was perfect
Eu nunca disse que era perfeita
But can you take me home?
Mas você pode me levar pra casa?

Deus, como eu a amava. Como eu amava aquele ser ferido e totalmente frágil desacordado em meus braços.

TWENTY
Música 1 e Música 2


Last chance to lose control...

Vi seu corpo ser colocado dentro daquela ambulância em câmera lenta. Eu permanecia estático ali, jogado no chão, ainda me perguntando como aquilo havia acontecido. Como eu deixei ter acontecido. Eu, o dono do controle, aquele que sempre dava as ordens, aquele que controlava tudo que acontecia ao seu redor. Porém não aquela vez...
Foi tão rápido...
Esperei que as forças para levantar dessem as caras, mas elas haviam me abandonado; assim como ela, que aos poucos ia sumindo do meu campo de visão. Um dos paramédicos fechou a porta da ambulância e a sirene foi ligada. Logo eu estava sozinho ali, sem ela. Olhei ao redor, vendo Cassie e Jared ainda chocados, congelados, com receio de dar um passo em minha direção, sentindo pena, talvez. estava um pouco longe de mim, encarava o chão, onde o sangue dela ainda permanecia, não sendo totalmente lavado pela chuva que diminuiu com o passar do tempo. Ele parecia estar se remoendo, talvez até se culpando pelos acontecimentos. Ele não conseguiria se sentir mais culpado do que eu naquele momento. Fiz um pouco de força, sentindo meus músculos lutarem contra minha ordens e consegui levantar, sentindo minhas pernas muito fracas e minha vista embaçada.
- Vamos para o hospital agora, não é? - ouvi a voz trêmula de Cassie, mas não esforcei em virar meu rosto para olhá-la e nem pensar em alguma resposta.
- Eu vou pegar o carro! - Jared disse nervoso, saindo de perto de nós, correndo mais do que conseguia. Minutos depois ele parou onde estávamos com o carro que trouxe àquela maldita festa. Cassie olhou para e parecia que ela ia perguntar algo a ele. E eu já sabia muito bem o que era.
- Você vem? - por impulso, parei na frente dos dois, lançando um olhar mortal para , que não moveu nenhum músculo, apenas levantou o olhar para mim, com as mãos fechadas em punhos.
- Nem pense... - ameacei, com a respiração forte, não reconhecendo a minha própria voz. Estava grave e grossa demais, como a de um monstro. O monstro que eu era.
- O que você vai fazer pra impedir, ? Vai me matar? Vai terminar o que mandou Ian fazer? - ele veio pra cima de mim, com os braços meio abertos e eu sentiria que se ele não parasse, ia acabar cometendo uma loucura. - Deixe de ser egocêntrico uma vez em sua inútil vida e aceite o que viu. Poderia ter sido bem pior. Eu tentei protegê-la, eu corri contra aquela maldita bala.
- Mas não protegeu. - apontei para o sangue no chão. - Você é um merda mesmo!
- MERDA É VOCÊ! - ele gritou e Jared se aproximou de nós, pronto para segurá-lo caso tentasse alguma coisa. - Você ficou congelado assistindo tudo como se fosse um filme. Eu tentei. - fechei os olhos com força e avancei ainda mais nele, que não se intimidou, esperou minha atitude.
- ! - a voz de Cassie gritou e ela caminhou rápido até nós dois. - Eu não sei por que diabos vocês estão brigando, eu não sei por que diabos meus olhos viram o que acabaram de ver, eu estou mais perdida que cego em tiroteio, mas de uma coisa eu tenho certeza. - ela deu um soco de leve em meu ombro, me empurrando um pouco para trás. - A está ferida, está indo para um hospital agora mesmo, está perdendo sangue, está perdendo a vida... - ela respirou fundo. - Eu não sei qual é o tipo de problema que você tem, pouco me importa se vai me mandar embora da empresa depois disso, mas QUE SE DANE! Entra logo naquela porra daquele carro! - a voz dela era forte, mas eu percebia que logo ela iria chorar. Olhei para , que me olhou de volta e abaixou a cabeça, encarando Cassie depois.
- Vocês estavam bebendo, eu dirijo. - disse, Jared deu a chave para ele. Caminhei sem perceber até o carro. Cassie foi para o banco do passageiro e eu fiquei no banco de trás, com Jared ao meu lado.

's POV

Eu tentava manter meu olhar fixo na estrada, prestando atenção em tudo ao meu redor, para que outro acidente não acabasse acontecendo. Era inevitável não encarar o rosto de pelo retrovisor de dentro do carro, era inevitável não sentir aquela raiva que eu estava sentindo. O rosto dele estava congelado, seu olhar se perdia, encarando a janela do carro que estava aberta. Havia muito sangue em sua camisa, o sangue dela. Deus sabe que eu tentei protegê-la, ele sabe que, apesar dela provavelmente me odiar, eu sentia algo por ela, essa era a única verdade por trás da mentira que eu estava vivendo.
Encarei a mulher loira que estava ao meu lado e percebi que ela retribuiu meu olhar, assustada e com lágrimas caindo pelos olhos. Eu sabia como chegar ao hospital que estavam levando , sabia o caminho. Pelo menos uma facilidade.
O silêncio no carro estava me deixando tenso, diversas vezes eu senti o olhar de sobre mim, eu conseguia sentir sua fúria, era quase algo que poderia ser tocado. Mas ele era o que menos importava naquele momento. Ela era importante, só ela.
Eu precisava vê-la de novo, eu precisava aceitar as coisas como estavam sendo... Eu só não sabia por quanto tempo minha aceitação duraria.
Percebi uma movimentação perto de onde estávamos, chamando a atenção de todos no carro, menos de , que permaneceu feito uma estátua. Um carro em alta velocidade passava pelos outros quase batendo contra eles, eu conseguia ouvir o barulho dos pneus contra o chão, chegava a ser um barulho insuportável de tão frenético. Minha visão avistou um caminhão se aproximar, estava indo em direção ao carro.
Foi tudo muito rápido, os dois se chocaram, o carro capotou duas ou três vezes e todos ao redor pararam para assistir.
- Aquele carro... - o tal Jared que estava no banco de trás disse, enquanto a loira tinha a mão na boca, chorando. - Pode parecer loucura, mas eu acho que o Ian estava naquele carro! - virou o rosto para olhá-lo.
- Tomara que seja, tomara que esteja morto agora. - aquelas palavras saíram com repulsa da boca dele e eu apenas continuei a encarar o acidente que acontecia na frente dos meus olhos. - Dá pra você ir logo, ? - ele se aproximou do banco onde eu estava, se controlando para não gritar.
Acelerei, passando pelos diversos carros parados no local. Senti arrepios pelo meu corpo ao avistar a polícia.

/'s POV

Saí do carro, sentindo todo o meu corpo protestar. Olhei para a fachada do enorme hospital que estava todo iluminado e movimentado. Milhares de coisas começaram a passar pela minha cabeça de novo. Eu era um fraco mesmo, nem a minha dor eu conseguia esconder dos outros, cada dia que passava eu enfraquecia mais, cada dia eu ia ficando mais parecido com o inocente que foi deixado pela mãe, perdendo totalmente o jeito "foda-se o mundo" que eu tentei durante tanto tempo manter intacto. A verdade era que toda a força que eu consegui construir durante todos aqueles anos simplesmente desmoronou em segundos quando eu vi o corpo de cair, quando eu vi a dor e o medo estampado em seus olhos. Eu nunca a tinha visto daquele jeito, nunca tinha conseguido imaginar ela em uma situação como aquela.
Era como se, pela primeira vez, eu realmente tivesse me tocado que ela era um ser humano, tão frágil quanto qualquer outro, tão frágil ao ponto de perder as forças, sangrar e... Não, eu precisava tirar aquela maldita palavra da minha cabeça, eu não podia pensar naquilo. Não aconteceria, não podia acontecer... Não iria.
Ela não iria morrer.
Não esperei os outros que estavam no carro e fui o mais rápido que consegui até a entrada do hospital, passando pela porta e dando de cara com aquele ambiente tão branco que fez meus olhos arderem. Olhei desesperado ao redor, procurando algum indício dela, mas tudo que consegui ver foi uma enfermeira. Era a que estava na ambulância.
Notando o sangue em seu uniforme branco, corri até ela, esbarrando em um homem que me xingou de algo que eu estava atordoado demais para entender, parando sem fôlego em sua frente. Ela olhou para o estado da minha camisa, adotando uma expressão triste.
- Cadê ela? - vi Jared e Cassie se aproximarem, aflitos. Não tinha a mínima ideia de onde estava.
- Vocês são o que dela? - a paciencia daquela mulher estava começando a me incomodar.
- Que diferença isso faz? - falei um pouco mais alto. - Eu quero saber se ela tá bem, só quero ver ela logo com os olhos abertos e dizendo que a dor passou! - por um momento, lembrei do meu estúpido desejo de infância de seguir a carreira de medicina, de ajudar pessoas doentes, curar feridas.
Será que se as coisas tivessem se tornado diferentes na minha vida e eu realmente fosse um médico naquele momento, estaria ali com um tiro, tão assustadoramente perto do coração e pulmões? Provavelmente não.
- Por favor, senhor, me responda, caso contrário eu não posso dar informações.
- Somos amigos dela! - Cassie apontou para si mesma e para Jared.
- Eu sou... - fechei os olhos, conseguindo enxergar praticamente tudo que havia acontecido entre mim e durante todo aquele tempo. Desde a ida dela a minha casa, com aquele vestido vermelho que me tirou o fôlego, até a sua última frase, antes de apagar.
Eu tentei...
- Eu sou o namorado dela! - soltei, vendo os olhares arregalados de Jared e Cassie sobre mim. Tinha sido uma resposta idiota, afinal, nós nem chegávamos perto de ser namorados, ela deveria me odiar depois de toda aquela merda que eu disse... Mas foi inevitável imaginar eu comprando um anel para ela, levando até uma praia e pedindo ela em casamento, sendo o cara mais meloso e ridículo do mundo.
Era assim que pessoas apaixonadas se comportavam.
- Certo. - ela procurou algo com os olhos e depois fez sinal com uma mão para que outra enfermeira se aproximasse. - Eu preciso de algum documento dela, ela tem familiares? - eu não sabia o que responder, senti vergonha ao lembrar que ela tinha uma família, imaginar o que a mãe dela faria quando soubesse que a filha estava em um hospital em Los Angeles baleada.
Simplesmente por um desejo perturbado de um cara.
Eu sabia que sua família morava na Suíça, sabia o quanto complicado seria para sua mãe viajar até onde a filha estava, saber o estado que a mesma se encontrava. Jared começou a procurar algo nos bolsos da calça.
- Onde estão as coisas dela? - ele me olhou com certeza de que eu sabia.
- Não me lembro bem, deve estar na mala, no quarto que ficávamos... - mais memórias insuportáveis e boas ao mesmo tempo. Então ele sumiu de vista, deixando Cassie parada atrás de mim.
- Ela vai ficar bem? - olhei para a enfermeira que tentava evitar meu olhar.
- Olhe, o ferimento causado pela bala não foi tão grave. Eu diria que foi de raspão. A região atingida poderia ter sido outra, outra pior. Ela perdeu muito sangue, mas teve sorte. - naquele momento eu procurei alguém com o olhar. estava sentado em uma das cadeiras em uma sala de espera a frente de onde eu estava, os cotovelos apoiados nas pernas, as mãos sobre a cabeça que estava abaixada. A mulher olhou para vários papéis que segurava. - Mas complicações podem surgir. - após dizer isso, ela saiu de perto de mim, caminhando para uma área com várias portas. Abri e fechei a boca algumas vezes, sentindo Cassie chegar mais perto de mim. Ela colocou a mão sobre o meu braço e eu me virei, sentindo ela me abraçar calmamente. Não aguentei por muito tempo e já senti as lágrimas em meus olhos de novo.
Mas que droga! A situação só piorava.
- Complicações podem surgir... - ouvi Cassie fungar, provavelmente tão abalada quanto eu.
- Por que eu não entendo o que aconteceu diante dos meus olhos, Sr. ? - eu não sabia responder aquela pergunta.
- Não sei, Cassie, não sei... A única coisa que sei é que ela não pode... - não consegui terminar a frase, me soltando dela e esfregando as mãos nos olhos.
- , ela não vai! - seu olhar era confiante. - Ela é uma pessoa teimosa... - um sorriso triste estava em seus lábios. - Você deve saber bem disso... – olhei-a, imaginando o que ela pensava que acontecia entre nós. Um namoro, sim, deveria ser isso.
- Se as coisas fossem como você imagina... Seria tão mais fácil!
- Mesmo que não sejam como eu imagino, dá pra ver, ou melhor, dá pra sentir o que vocês dois têm... É tão forte, sei lá, chega a dar arrepios! - ignorei tudo aquilo, achando uma tremenda idiotice e caminhei pelo hospital. Encostei-me a uma enorme parede branca que ficava em um corredor meio escuro e caí sentado, cobrindo meu rosto com as mãos.

Apertei meus olhos com força, sentindo aquela claridade horrível me irritar. Um vento forte passou por mim, e então eu percebi que estava em algum tipo de praia. A praia que eu havia levado na noite que se matou, a mesma praia que ela me levou dias depois. Quando tudo parecia estar bem.
Diferente daquelas duas vezes, o sol brilhava forte demais e o mar estava agitado, tão agitado quanto eu. Forcei um pouco minha vista, vendo uma silhueta feminina. A mulher tinha cabelos compridos que estavam soltos, me lembrando os de . No corpo eu conseguia ver um pano leve acompanhar o vento, era um vestido branco. Sem pensar duas vezes, fui correndo até onde ela estava, tendo a sensação de que quanto mais eu corria, mais longe ela ficava. Quando finalmente a alcancei, ela parecia ainda não ter percebido minha presença e olhava distraída para o mar, fechando os olhos quando o vento ficava mais forte, como se quisesse sentir ele melhor.
- Você... - comecei, vendo ela se virar na minha direção, os olhos um pouco surpresos por me ver. - Você está bem! - ela fez um sinal positivo com a cabeça, sorrindo fraco. Tentei me aproximar, mas ela fez um sinal com a mão para que eu parasse, ficando séria no mesmo instante.
- ... - sua voz estava diferente de como eu sempre escutava, era mais calma, quase inaudível. - Você realmente quer que eu esteja bem? – olhou-me em dúvida, cruzando os braços, fechando os olhos quando o cabelo acidentalmente se chocava contra seu rosto devido ao vento.
- É claro que eu quero! – aproximei-me dela, vendo ele recuar um passo. - Se você soubesse como eu me sinto culpado, eu... - estiquei minha mão para pegar o braço dela, mas levei um susto ao perceber que a mesma passou por seu braço como se nada estivesse ali, como se ela não estivesse ali. Uma expressão de pânico se formou no rosto de e ela se afastou ainda mais, ficando distante de mim.
- Não se preocupe, meu amor. - senti todo o meu corpo se arrepiar ao ouvir aquilo da boca dela. - Vai acontecer o que tiver que acontecer... - e a cada segundo ela estava mais longe de mim. - Caso aconteça algo ruim... - eu tinha que me esforçar para ouvir sua voz tão longe e baixa. - Saiba que eu nunca desisti de você, na verdade eu ainda não desisti do
, a pessoa que você realmente é.
Sua voz havia sumido, seu corpo, tudo... Eu estava sozinho naquela praia.


Levantei meu pescoço rápido, piscando os olhos diversas vezes, respirando fundo, sentindo uma forte dor na cabeça. Não tinha passado de um sonho. Percebi que eu estava sentado no chão do hospital, em um dos corredores que não estavam tão movimentados. Horas deveriam ter se passado.
- Pesadelo? - virei meu rosto na direção da voz e percebi que estava sentado do mesmo jeito que eu, exatamente na minha frente. Seu estado era parecido com o meu, mas eu estava pior. Encarei minha camisa com o sangue seco, e pensei para respondê-lo.
- Isso tudo já é um pesadelo, se você não percebeu!
- A diferença é que desse nós não vamos acordar. - balancei a cabeça, vendo Jared sentado com Cassie em algumas cadeiras em uma parte meio distante de onde eu estava. - Ele já trouxe as coisas dela, já entraram em contato com a mãe dela. Está vindo. Ela vai te matar.
- Cale a boca, antes que eu te mate! – olhei-o com fúria, desistindo segundos depois. Não valeria mais a pena.
De repente percebi que vários médicos corriam em nossa direção, seguravam alguns equipamentos nas mãos, as expressões aflitas no rosto. Todos que estavam por perto pararam para olhar, Cassie e Jared se levantaram, vindo até nós. Eu senti algo naquele momento, algo ruim. Minhas pernas se levantaram mesmo que sem vontade e eu corri na direção que eles estavam indo. veio atrás de mim e acho que o pânico estampou ambos os nossos rostos.
A porta estava aberta, eu estava assistindo tudo aquilo.
Uma médica respirava com dificuldade, seus olhos estavam tensos. Ela segurava algo que deveria ser um desfibrilador nas mãos, pedindo para que os outros três que estavam com ela ficassem preparados. O que mais chocava naquela cena era o barulho que preenchia meus ouvidos... Um som que avisava que os batimentos cardíacos de alguém pararam...
Ou talvez o que mais chocou era o fato do desfibrilador ter se chocado contra o peito dela.
. Sem batimentos cardíacos.
- Vamos de novo! De novo! - a médica gritava, segurando firme o aparelho e fazendo o corpo de subir e descer de um jeito agressivo. Aquele barulho não terminava, aquele pesadelo não acabava. Eu não estava conseguindo acordar.
Maldição, maldição.
Eu tentei entrar naquela sala, sentindo meu coração quase parando junto com o dela, mas me segurou com força, enquanto eu me debatia.
- Para, , para!
- Me solta, porra! - minha voz era puro desespero, eu não podia estar vendo aquilo.
- Não podemos perdê-la! Vai! Mais uma vez! - as lágrimas fizeram meus olhos arderem e eu me soltei de , caindo sentado no chão de novo, cobrindo os olhos com as mãos. Era demais pra mim, era mais do que eu jamais conseguiria aguentar. Eu desejei morrer, desejei apagar naquele exato momento. Sem ela nada mais teria sentido, meu coração não teria forças para bater se o dela não o fizesse.
Basta!

If you leave me... If you leave me...

Um barulho alto seguido por um insuportável zumbido em meus ouvidos cessou quando meus olhos se abriram e eu encarei um teto branco, uma luz forte. Eu estava morto? Mexi-me de leve, percebendo que estava deitado em uma cama. Era um dos quartos daquele hospital. Procurei por alguém e avistei Cassie, deitada no sofá a centímetros da cama que eu me encontrava. Meus músculos doíam, meu estômago estava enjoado, um peso incômodo em meu pescoço, mãos geladas. Fiz um som com a boca e logo Cassie se levantou, me olhando com surpresa.
- Você acordou, que bom! - coloquei a mão na testa, fechando os olhos com força.
- Cassie... – olhei-a, seus lábios formaram uma linha reta e ela balançou a cabeça de forma negativa. - Por favor, Cassie... Não me diga que... - sorriu e eu fiquei confuso.
- Ela não morreu, ! Eles conseguiram reanimá-la! - ela só faltou me abraçar. - E a sua pressão caiu muito, você desmaiou e te colocaram aqui, te medicaram e tudo o mais...
- Cadê ela? - era só nela que eu conseguia pensar, pouco me importava o que tinha acontecido comigo.
- Está desacordada, mas de acordo com a médica, o perigo já passou.
Fiz força para tentar me levantar, apesar de Cassie tentar me impedir. Saí da cama e fui até a porta, ainda um pouco tonto. Segurei na mesma e saí dali. Deveria ser madrugada, o movimento ali era bem menor do que antes.
Comecei a caminhar pelo enorme corredor com pouca iluminação, vendo algumas portas abertas e outras fechadas. Imaginei se estaria dentro de alguma delas. Senti uma nostalgia estranha ao trocar de corredor e perceber que em uma das portas que estavam abertas, um garoto estava parado em frente à cama onde um senhor todo entubado estava imóvel. Deveria ser o pai dele...
Percebi que uma médica vinha do outro lado do corredor. Ao me ver, ela diminui os passos, quase parando, chegou perto e olhou para o garoto e o senhor que eu continuei observando.
- O Andrew vem aqui todos os dias... - ela sorriu, cruzando os braços. - Pena que o pai nunca acorda para ver ele.
- Ele...
- Sim, ele está em coma. - ela respirou fundo, ajeitando os óculos. - Há dois meses.
Fiquei em silêncio, percebendo que o tal Andrew falava algo olhando para o pai, provavelmente achando que ele escutava, só não conseguia respondê-lo.
- Por que ele tá aqui a essa hora?
- Ele me contou que todos os sábados à noite ele e o pai costumavam se sentar no sofá e ficavam vendo filmes a noite toda, comendo doces e porcarias. - ela soltou uma risada fraca. - Então Andrew disse que não perderia essa tradição... Passaria as madrugadas de sábado com o pai de qualquer jeito.
Eu estava sentindo saudades do meu pai, mesmo que ele não merecesse. Quando eu era pequeno, nós dois éramos unidos também.
Ela ficou de frente pra mim, olhando triste para minha camisa.
- Você... Você deve estar deitado agora, rapaz. - me repreendeu com o olhar.
- Sim! – respondi-a de má vontade, não querendo ouvir o resto.
- Fui eu que cuidei dela, foi por pouco... - fechei os olhos, encostando-me a parede. - Ela era tão bonita... - ELA É BONITA! - berrei, me arrependendo em seguida ao ver o garoto perceber nossa presença e correr para fechar a porta do quarto. Senti minhas pernas fracas de novo e me lancei no chão, ficando sentado com as pernas esticadas. A médica me acompanhou, ficando do meu lado e sentando do mesmo jeito que eu.
- Eu perdi meu marido há dois anos... - não a encarei. - Ele saiu para comprar leite e não voltou mais... Atiraram nele! - continuei do mesmo jeito, tentando buscar alguma palavra, mas tudo que fiz foi cruzar minhas pernas. - Qual é o seu nome?
- .
- O meu é Maggie... Sabe, quando eu vi ela chegando aqui, eu senti que precisava salvar ela, precisava fazer alguma coisa... Ela estava tão bonita, digo, deveria estar tão bonita... E ao julgar pela sua roupa, vocês deveriam estar em alguma festa.
- Sim. - eu não conseguia responder de outro jeito a não ser com uma simples palavra.
- Faremos o possível, !
- Não – afastei-me um pouco dela, olhando em seus olhos. - Vocês vão fazer o possível e o impossível! - ela ficou em silêncio, olhando para o teto e depois para mim.
- As pessoas que nós amamos não nos deixam, . Nunca! Mesmo que elas sejam obrigadas a ir para longe. Acredito que o que mantém um sentimento aceso é a capacidade de imaginar, de sentir a presença do outro mesmo que ela não exista perto de você...
- Não me diga essas coisas, isso é ridículo.
- Bom, é você quem sabe. (n/a: coloque a música 1 para tocar!)

I was blown away.
Eu fui surpreendido.
What could I say?
O que eu poderia dizer?
It all seemed to make sense.
Tudo parecia fazer sentido.
You've taken away everything
Você levou tudo embora
And I can't deal with that.
E eu não posso lidar com isso.

Abri meus olhos, vendo com a visão embaçada que Jared estava do meu lado, segurando uma xícara de café. Olhei por uma pequena janela e o dia já começava a clarear.
- Cadê ela? - perguntei, levantando-me e vendo Cassie, que estava dormindo em um sofá perto de onde eu estava. Estávamos em uma sala pequena, porém vazia, logo percebi que uma porta com um tipo de janela de vidro ficava ao lado, onde algumas enfermeiras entraram e saíram algumas vezes. Avistei Maggie, que entrou naquela porta. Jared fez um sinal negativo com a cabeça, pedindo para que eu não fosse até a porta, mas meus pés já me guiavam até lá, sem que eu percebesse. Quando cheguei perto, Maggie saiu da sala, se assustando ao me ver.
- ... - ela ficou sem graça e começou a esfregar as mãos. - Tenho uma notícia boa e uma ruim.
- Fala logo, Maggie! - minha cabeça latejava e eu só queria saber se estava bem.
- A boa... - ela deu um meio sorriso. - É que conseguimos tirar a bala e felizmente não cansou dano nenhum... - respirou fundo. - A ruim... - ela olhou para aquela mesma porta, fazendo um sinal positivo para uma enfermeira que saía. - Ela teve uma parada cardíaca, ... Nós a perdemos por quase um minuto. E isso não deveria ter acontecido. Ela perdeu muito sangue, ela estava agitada demais? Estava tensa? Se esforçando e preocupando-se muito? Esses são fatores de risco.
Não queria ter tido aquela lembrança, me fazia muito mal.
Não queria ouvir mais nada, era como se ainda estivessem enfiando uma faca em meu peito, como se o meu corpo fosse se desmanchar. Eu a tinha perdido por quase um minuto... Um minuto e talvez ela não estivesse mais aqui, um minuto e aquele sonho se tornaria a cruel realidade. Sentindo minhas mãos tremerem, fui até a janela de vidro, imaginando que por ali eu conseguiria vê-la.
- Vá em frente, mas não pode entrar ainda... - ignorei o que ela disse e procurei com os olhos por dentro do quarto que o vidro tornava visível. E lá estava ela. Tão pálida, tão debilitada...
Seus olhos estavam fechados, em seu braço algumas agulhas por onde algo que deveria ser um remédio ou soro passavam. Doía vê-la daquela maneira. A mulher que sempre parecia tão viva, que conseguia me deixar louco, que parecia inatingível apesar de tudo...
Não consegui segurar as lágrimas mais uma vez ao imaginar o que eu faria se aquele um minuto tivesse se transformado na eternidade. Se eu nunca mais visse seus olhos se abrindo de novo, se eu nunca mais pudesse ouvir a voz dela dizendo que não desistiria de mim... Sentir o corpo dela junto ao meu, como se fôssemos um só. E a boca dela, eu não saberia mais como viver sem .
Olhei para seu rosto mais uma vez, desejando poder tocá-lo nem que fosse por poucos segundos. Senti a necessidade de sair dali, de ficar sozinho e pensar, como eu sempre fazia. E foi o que eu fiz.
Passei pela porta da sala que estava, dando de cara com um corredor vazio. Enquanto eu dava passos firmes, percebia que mais a frente uma criança estava sentada em um dos bancos que eram espalhados pelo local.
Era Andrew.
Depois de um tempo encarando o corredor branco, resolvi me aproximar dele. Sentei-me ao seu lado, percebendo que o garoto tinha uma folha apoiada em suas pernas e lápis coloridos nas mãos. Continuei a reparar quando ele afastou um pouco a cabeça, percebi o que ele estava desenhando: Uma lua sobre um mar. Senti meu coração bater mais forte e o garoto sorriu.
- Você gosta do meu desenho? - ele estava concentrado em pintar o resto do mar que ainda faltava.
- Gosto! - eu disse com a voz baixa. Depois de alguns minutos em silêncio, apenas ouvindo o barulho do lápis correndo sobre a folha, ele voltou a falar.
- Deixa eu adivinhar... A sua namorada tá aqui? - arregalei meus olhos, tentando pensar em uma resposta.
- Hm... Sim!
- Andrew, Andrew, seu pai acordou! Ele tá perguntando por você... Meu Deus, é um milagre! - vi uma senhora aparecer no corredor, sorridente.
- PAPAI! MEU PAPAI ACORDOU! - ele deu um pulo da cadeira, pegando suas coisas e indo na direção da porta. Mas deu meia volta e parou na minha frente, me olhando. - Toma! - ele estendeu a folha que desenhava, esperando que eu pegasse. - Sua namorada vai ficar bem! - dito isso, ele disparou a correr.

I try to see the good in life,
Eu tento ver o lado bom na vida,
But good things in life are hard to find.
Mas boas coisas na vida são difíceis de encontrar.
We'll blow it away, blow it away.
Eu superarei isso, superarei
Can we make this something good?
Nós podemos fazer disso algo bom?
Well, I'll try to do it right this time around.
Bem, vou tentar fazer o certo desta vez.

Horas depois...

Depois de olhar para aquele desenho várias e várias vezes, guardei-o dentro do bolso da minha calça. Troquei de camisa rapidamente, agradecendo mentalmente por Jared ter se lembrado de mim e ter trazido uma. Estava em um dos banheiros do hospital e encarei meu reflexo no espelho. Eu estava acabado, em um estado deplorável. Aquele ele era o resultado da ressaca, da falta de dormir, do choro... Quando acordasse ela se assustaria, eu tinha quase certeza disso. Abri a torneira, jogando água fria no meu rosto, tentando melhorar um pouco. Respirei fundo, aliviado pelo banheiro estar vazio àquela hora.
Saí do banheiro e vi Jared sentado em uma sala com televisão, ele estava com os olhos presos na mesma e Cassie estava deitada em seu colo.
Quando é que os dois... Ah, tanto faz.
Fui até lá, sentando do lado deles, percebendo que no canal em que a televisão estava ligada, um jornalista falava sobre um acidente na noite anterior. A imagem do carro, o caminhão parado logo à frente. Era o acidente de Ian, aquele desgraçado.
- Tinha mais de uma pessoa no carro. - Jared se mexeu com cuidado, para não acordar Cassie. - Só podia ser o James. - ele me olhou com cautela. - Traidores! - xinguei, tentando controlar a raiva que eu ainda sentia, sabendo que não adiantaria nada. Eles já estavam mortos, tudo que ainda importava era . E ela estava bem, não estava? Eu só não conseguia entender aquela parada cardíaca... Aquele quase um minuto em que ela quase partiu para sempre. Preferi tirar os pensamentos negativos da mente e olhei para Jared, dando um meio sorriso.
- Sabe, Jared... - olhei para baixo, decidindo que não me importaria mais com os outros e não dizer pelo menos algumas vezes palavras amigas só pioravam as coisas. - Obrigado, de verdade.
- Pelo quê? - ele me olhou confuso.
- Por tudo, na verdade, eu sempre fui um... Ignorante psicótico, não deveria ser fácil me aguentar. E você foi o único dos três que realmente me ajudou em alguma coisa que valia a pena, você não saiu do hospital um minuto sequer.
- Não precisa me agradecer, você sabe que eu nunca gostei da fazer o papel de alguém malvado, mas felizmente a apareceu e olha só... Mudou tudo! Parece que eu estou conversando com outra pessoa. Uma pessoa mais calma... - ele riu, e eu o acompanhei.
- Idiota, eu ainda posso ser muito mau se eu quiser. - mais risadas e logo Cassie fez uma cara feia, apertando a perna de Jared.
- Eu também posso ser má se vocês não me deixarem dormir. - revirei os olhos, voltando a prestar atenção na televisão. Mudei meu olhar de direção e percebi que Maggie estava entrando na sala, ela não estava sozinha.
A princípio, não reconheci aqueles dois rostos, mas bastou a mulher me olhar com uma expressão preocupada e eu prestar um pouco mais de atenção. Aquela só podia ser a mãe de , era tão parecida... Eu poderia dizer que era uma versão dela com mais idade.
- Essa é a senhora Sue, mãe da . - ela falou normalmente e eu tentava manter uma expressão calma, mas era difícil. Parecia que a mulher sabia plenamente o que havia acontecido e logo viria pra cima de mim. - E esse - ela apontou para um menino que deveria ter uns 15 anos, era uma versão masculina de . Nunca tinha visto uma família que se parecia tanto... - É Peter, irmão dela. Fiquem a vontade, assim que ela acordar nós avisaremos vocês. É apenas questão de tempo.
- Obrigado, Maggie. - eu disse com a voz baixa, percebendo que o menino se aproximou de mim e sentou ao meu lado no sofá.
- Você é o chefe dela, certo? - percebi um leve sotaque que deveria ser francês ou algo do tipo na voz dela. - ... Sim, eu me lembro dela falar de você no telefone. O que diabos faziam em Los Angeles? Ela trabalha e mora em Londres, qual é o problema...
- Me desculpe, senhora Sue! - lição de moral era o que eu menos queria ouvir naquele momento. Levantei-me, fazendo com que todos me olhassem e saí da sala, encontrando o corredor e andando mais a frente. E eu que pensei que ele nem estava mais aqui. Encaramos-nos, tensos.
- Pelo menos ela está bem agora. - ele disse, parando quando a distância entre nós era pouca.
- Sim, está. - conversar com alguém que você considera um inimigo não era algo muito saudável.
- Cara... - ele começou. - Não era o que você estava pensando...
- Do que está falando?
- Naquela festa... Eu que armei tudo, não foi culpa dela. - eu deveria ter imaginado, poderia ter evitado tanta coisa.
- Isso faz diferença agora? Não vai fazer com que o tempo volte, vai? - dei meia volta e deixei para trás. Continuei a vagar sem rumo pelo hospital, esperando alguma notícia. Tempo depois, encontrei com Maggie em um dos corredores, e ela sorriu ao me ver.

- , eu não deveria permitir isso, mas sim... Sei que você quer vê-la e eu vou deixar!
- Sério? - senti meu coração acelerar, imaginando como seria chegar perto dela de novo. - Agora?
- Sim, agora! - ela sorriu. - Ela não acordou ainda, mas não vejo problemas... - começou a andar pedindo para que eu a acompanhasse. Depois de pegar um elevador e subir dois andares, estávamos em um corredor muito iluminado, com várias portas, todas fechadas. A cada passo que eu dava era como se uma chama dentro de mim fosse aumentando. Eu poderia dizer que estava feliz, coisa que não acontecia há algum tempo. Ela acenou para um médico que estava em frente à porta e o mesmo nos deu passagem, ela girou a maçaneta da porta e no começo tudo que eu consegui ver foi a luz forte dentro do quarto e um barulho que deveria ser o medidor de batimentos cardíacos.
- Cuidado, , é só isso que eu peço. Volto logo! - ela deu um tapinha leve em meu ombro, e saiu do quarto, fechando a porta com cuidado. Virei meu rosto, sentindo o meu coração bater descompassado e meus pulmões lutarem por ar.
Eu estava com ela ao meu alcance.

Let's start over.
Vamos recomeçar.
I'll try to do it right this time around.
Eu tentarei fazer a coisa certa dessa vez.
It's not over.
Não está acabado.
'Cause a part of me is dead and in the ground.
Porque uma parte de mim está morta e no chão.
This love is killing me,
Este amor está me matando,
But you're the only one.
Mas você é a única.
It's not over.
Não está acabado.

Aproximei-me com cuidado, examinando cada detalhe do rosto dela que agora não estava mais tão pálido. Sua mão estava sobre a barriga e ela respirava calmamente. Os cabelos estava soltos e esparramados pelo travesseiro de cor clara. Sem pensar, coloquei minha mão sobre a dela e aproximei meu corpo, dando um beijo leve em sua bochecha. Fiquei parado, apenas refletindo sobre tudo e não tirando meus olhos do rosto dela, dos seus olhos... Desejando com todas as forças que eles se abrissem logo. Segurei sua mão um pouco gelada com um pouco mais de força.
- Você tem que acordar logo, ! Você tem noção de como me deixou? - fiz carinho em seus dedos. - Eu te amo. Eu te amo tanto que até dói, e às vezes eu não suporto essa dor. Mas eu sei que a dor de te perder seria muito, muito pior. Ela me mataria. - a cada segundo que se passava e ela não demonstrava sinal de consciência, eu só conseguia ficar mais agoniado. - Já está me matando! A cada maldito segundo que seus olhos continuam fechados.
De repente, senti um aperto em minha mão.
Ela se mexeu.
Arregalei meus olhos, aproximando um pouco o rosto e vendo as sobrancelhas dela mexerem-se e os olhos começaram a se abrir aos poucos. A mão dela segurou a minha com ainda mais força. Eu não sabia se sorria, chorava, saía correndo atrás de Maggie ou se simplesmente assistia tudo aquilo.
Ela não olhou pra mim de cara, virou um pouco o pescoço e encarou o quarto, fechando os olhos com força e abrindo de novo. Logo seus olhos se encontraram com os meus e tudo que eu consegui fazer foi sorrir feito um bobo. Ela fez uma cara de dor e eu soltei sua mão, ela levou a mesma até a região da costela e soltou um "Ai!"
- Tá tudo bem... - eu disse baixinho. - Você não sabe como é bom te ver acordada! - estava tão sonolenta que não conseguiria montar mais de uma palavra para me responder. Ela apenas balançou a cabeça positivamente e voltou a segurar minha mão. Percebi que um leve sorriso começava a se formar em seus lábios.

Taken all I could take,
Eu suportei tudo que posso suportar,
And I cannot wait.
E eu não posso esperar.
We're wasting too much time
Nós perdemos muito tempo
Being strong, holding on.
Ser forte, aguentar firme.
Can't let it bring us down.
Não pode deixar isso nos derrubar.

's POV

Confusão era o que me definia naquele momento. Vários flashes bagunçados e fora de ordem correndo por minha mente, a sensação estranha em meu corpo, a dor em algumas partes. O gosto amargo na boca, a cabeça que latejava, os olhos dele que me encaravam.
É, eu me lembrava de tudo.
- Foi... - comecei, a voz tão baixa que eu mesma quase não escutava. - Foi quase! - fechei os olhos, respirando profundamente.
- Não era pra ser! - ele disse de imediato, aproximando o rosto. - Eu não suportaria.
- Você é durão, tenho certeza que sim! - ri e parei ao perceber que aquilo fazia minha cabeça doer mais ainda. - Mas eu não podia te deixar, de qualquer jeito...
- Sabia que eu te amo? - tive que ficar em silêncio por algum tempo, tentando absorver aquelas palavras.
- O que você disse?

My life with you means everything,
Minha vida com você significa tudo,
So I won't give up that easily.
Então eu não desistirei tão facilmente.
I'll blow it away, blow it away.
Eu superarei isso, superarei.
Can we make this something good?
Nós podemos fazer disso algo bom?
'Cause it's all misunderstood.
Porque foi tudo mal-entendido.
Well, I'll try to do it right this time around.
Bem, vou tentar fazer o certo desta vez.

- Eu disse que te amo. Eu preciso de você... Eu preciso muito de você! - arregalei meus olhos, sentindo meu coração querer acelerar, mas ao mesmo tempo deveria estar um pouco fraco para aquilo. Tão intensas eram aquelas palavras e eu tentava manter minha respiração instável, tentava.
- Eu não acredito que você disse isso! - ele olhou pra mim, como se eu tivesse falado algo errado. - Sabe o quanto eu imaginei essa cena? Claro que nunca imaginei em um quarto de hospital, mas... Eu acho que meu coração vai parar de bater, tem um medidor ali, não tem? Nossa...
- Fique quieta, ! - ele disse alto e riu em seguida. - Como eu queria te pegar nos meus braços e matar toda a maldita saudade que eu senti. - ele queria me matar com aquelas palavras, meu Deus. - Sua mãe e seu irmão estão aqui, provavelmente eles vão querer te ver e...
- Minha mãe tá aqui? - eu disse alto, colocando uma mão na testa e a outra na região da costela, fazendo uma cara de dor. - Droga, tá doendo. - ele ficou bem perto e beijou minha testa.
- Eu prometo que nunca mais vou te machucar. - devolvi seu olhar e senti nossos lábios se grudarem.
- Prometa também que não vai sumir da minha vida. - eu disse suplicante, com uma mão em seu braço.
- E você acha que eu conseguiria? - a médica abriu a porta, dando um sorriso ao me ver. Chamou por alguns enfermeiros e pediu para que saísse um pouco do quarto.

We can't let this get away.
Nós não podemos deixar isso escapar.
Let it out, let it out.
Deixe sair, deixe sair.
Don't get caught up in yourself.
Não fique presa em você mesma.
Let it out.
Deixe sair.

Algumas horas se passaram, todos já haviam passado por meu quarto. Foi bom matar a saudade de minha mãe e Peter, eu não os via há quase dois anos. Minha mãe estava inconformada, não acreditava em tudo que tinha acontecido, mas eu tive que inventar algo, não podia dizer a verdade nua e crua, seria demais para ela.
Ouvi a porta se abrir de novo e pensei ser Maggie, ou algum outro médico, mas me enganei.
Era .
- Como se sente? - ele não chegou muito perto, ficou encostado na parede da porta.
- Mais ou menos. - respondi simplesmente, evitando olhá-lo.
- Que loucura, não?
- Nem me fale. – olhei-o, e nossos olhares se encontraram. - Eu não estou armada, não precisa ficar tão longe. - assim que eu disse isso, ele deu um leve sorriso e se sentou na cadeira ao lado de minha cama.
- Poderia ter sido bem mais grave, não é? Se não fosse por mim... - ah, então ele jogaria aquilo na minha cara?
- Obrigada, . Fico muito agradecida que tenha se arriscado a levar um tiro por mim... Vai se vangloriar a vida inteira?
- Não coloque palavras em minha boca, .
- Pode chamar minha mãe? Quero falar com ela.
- Tudo bem, eu já estou indo! - ele se levantou e antes que chegasse à porta, eu o chamei. - Sim?
- Você vai embora?
- Você quer que eu vá?
- Sinceramente? Quero sim!
- Então eu irei.

/'s POV

Aprender a lidar com certo fato era diferente de esquecê-lo. Aquela frase ficava sendo repetida em minha mente há horas. Eu nunca me esqueceria de tudo que aconteceu em minha vida, mas eu poderia lidar com aquilo. Eu era forte, eu era ... Eu faria o melhor de mim por ela, única e exclusivamente por ela. Guardando minhas forças para quando algo ou alguém do meu passado desejasse me cobrar alguma coisa. Isso me assustava.
- Adeus, . - ouvi a voz de , assim que ele saiu do quarto de . Respondi apenas com um aceno de cabeça, torcendo para que ele realmente sumisse da minha vida.
- Posso te pedir uma coisa? - perguntou.
- Peça.
- Cuide dela! Eu duvido que consiga, mas pelo menos tente...
- Vá para o inferno, ! - dei de ombros. Quem o idiota pensava que era pra falar daquela maneira?
- Nós com certeza nos encontraríamos lá depois de algum tempo!
- Agora me deixe em paz, está bem?
- Vou deixar. - ele deu um sorriso sem mostrar os dentes e colocou óculos escuros. - Torça para que o passado também deixe.

It's not over.

Dois meses depois.
Londres.

(n/a: coloque a música 2 para tocar!)

It's not a silly little moment
Isso não é um momentinho bobo
It's not the storm before the calm
Não é a tormenta antes da calmaria
This is the deep and dying breath
Isso é a profunda e ofegante respiração
Of this love that we've been working on
Deste amor no qual estávamos trabalhando

Ouvi a campainha tocar e mordi o lábio. Fui o mais rápido que pude até a porta, abrindo-a sem demoras e dando de cara com um sorriso. Um incrível sorriso de . Ela estava com os cabelos soltos, enrolados apenas nas pontas, levemente armados, do jeito que eu tanto gostava. Um sobretudo vermelho como o sangue cobria seu corpo, sapatos altos nos pés e uma meia-calça preta. Fiz um sinal com o olhar para que ela entrasse, e assim que fez isso, se postou ao meu lado, olhando meu rosto com curiosidade.
Eu tinha prometido uma surpresa.
E ela teria uma surpresa.
- E esse olhar misterioso, ? - ela riu de leve, envolvendo os braços nos meus ombros. Levantei uma sobrancelha e permaneci em silêncio, vendo-a me olhar em dúvida.
- Me acompanha até lá em cima? - apontei a escada com o olhar e ela concordou com a cabeça, seu olhar se tornou malicioso. Subi na frente dela, calmamente, mas com firmeza. No fundo eu sentia vontade de rir feito um idiota, expor todos os pensamentos que circulavam por minha mente, mas eu apenas me virei e lancei um olhar sério para ela. Chegamos à porta do quarto, e eu a abri, dando passagem para que entrasse primeiro. Ela se sentou na cama, olhando atenta para o quarto, que era iluminado apenas por algumas poucas velas. Abriu os botões do sobretudo e o tirou, depositando o mesmo no chão, revelando um vestido preto... Que era bem justo ao seu corpo.
Ela não deveria ter feito aquilo, não deveria. Ah...
Fechei a porta, trancando-a e jogando a chave em qualquer lugar. Sentei-me do lado dela e esperei que ela falasse algo.
- Eu estou muito curiosa, mas você já deve ter percebido isso! - eu encarava suas pernas, que apesar de cobertas pela meia, continuavam atraentes, atraentes ao ponto de me deixar tenso.
Peguei a caixinha de madeira que estava sobre a cama e a segurei com força, vendo o olhar dela se voltar para a mesma. Juntei toda a intensidade que meu corpo conseguiu e a olhei de novo, soltando o ar antes de começar a falar.
- Eu te devo uma coisa.
- Deve? - seu olhar estava começando a ficar sério demais. Eu estava assustando-a.
Ela me agradeceria depois.
- Devo. - me aproximei ainda mais, encostando minha boca em seu ouvido. Deixei que ela sentisse minha respiração por seu pescoço e então sussurrei. - E eu vou lhe pagar com todo o prazer do mundo. - percebi que ela fechou os olhos e consegui enxergar que seu pescoço estava arrepiado.
Abri a caixa e os olhos dela se arregalaram, tirei três objetos de dentro e levou a mão até a boca, não sabia se ria ou se ficava tensa, mais do que já estava. Levantei-me, não quebrando nosso contato visual. Por dentro eu sorria com malicia; por fora, meu olhar era firme e severo. Peguei o pequeno pano vermelho e a fiz levantar, puxei-a um pouco para longe da cama, ficando atrás dela. Encostei minha boca em seu pescoço, sentindo que ela levantou o braço, afagando meu cabelo. Coloquei uma de minhas mãos abaixo de seu busto, desenhando sua cintura. Parei em seu quadril e o puxei para trás. Se o movimento tivesse sido mais intenso, eu teria fundido nossos corpos. Ajeitei a venda cor de sangue e a posicionei na frente dos seus olhos.
- ... - sua voz era fraca. - Você não deveria...
- Sh! - voltei a pressioná-la contra meu corpo de novo, e prendi meus dedos nos cabelos de sua nuca, puxando-os com certa força. - A partir de agora, você é minha prisioneira. - um sorriso brotou em seus lábios, ela se lembrava bem daquelas palavras, muito bem.
Vendei , guiando-a até a cama. Fiz ela se sentar e peguei os outros dois objetos que estavam na caixa, esses reluziram sobre a luz fraca e eu fiz com que ela ouvisse o barulho.
- Provavelmente você já sabe o que eu estou segurando, não sabe? - ela mordeu o lábio e balançou a cabeça de forma positiva. - Mas antes de usar isso, eu preciso fazer uma coisa...
Fiz com que ela se deitasse na cama, totalmente em silêncio e permaneci a seu lado, não ficando por cima dela. Minhas mãos impulsivas foram logo para os botões que estavam perto do busto de seu vestido. Abri-os com cuidado, sendo torturado por conseguir sentir o toque dos seios dela. Depois de concluir aquilo, ela levantou os braços e me ajudou a tirar o vestido. Passei o tecido escuro por sua cintura, pelas pernas e finalmente ela estava apenas coberta por uma lingerie e aquela meia-calça. Sexy.
Tirei minha camisa, jogando-a no chão e me posicionei em cima dela, com uma perna de cada lado de seu corpo, com os joelhos forçando-se sobre o colchão. Observei a luz das velas refletir naquela pele, aproximei um pouco meu rosto e beijei seu colo, sentindo o cheiro dela. Não era do perfume, era o cheiro dela, o cheiro próprio. Melhor que qualquer perfume. Coloquei minhas duas mãos sobre seus seios, fechando-as um pouco, tentando de maneiras impossíveis controlar o tesão que já me dominava. Logo o sutiã também não estava mais em seu corpo, e eu continuava com as carícias por seus seios, massageando-os, apertando, sentindo os bicos rosados e eretos roçando contra a palma de minhas mãos quentes. Certo de que aquele era o momento, peguei os dois pares de algemas e soltei uma risada baixa, porém que fez se mexer de um jeito excitado. Voltei a ficar por cima dela de novo e segurei seu braço esquerdo, erguendo-o até a cabeceira da cama, prendendo uma algema em seu pulso e a outra em um dos detalhes abertos da cabeceira. Fiz o mesmo com o braço direito e logo ela estava com os dois levantados, presa, tentando se soltar.
- Você deve estar adorando o que vê! - ela não estava brava, mas parecia inconformada com a situação em que se encontrava.
- Adorando eu estou, mas adorar ainda é muito pouco, meu amor...
Vendada, presa, minha.
Com cuidado, abaixei meu tronco, sentindo os seios dela em meu peitoral. Encostei minha boca na sua, sorrindo ao perceber que ela estava desesperada por um beijo. E eu a neguei isso. Distribuí um caminho de beijos por seu rosto e pescoço, deixei que ela sentisse o calor do meu corpo se chocar contra o seu, provocante um incêndio interior. Seu coração batia embaixo do meu, eu conseguia sentir. Sentia os dois.
- Minha prisioneira. Prisioneira dessa luxúria que escorre por meus olhos vendo seu corpo já suado, acorrentado, acorrentado aos meus desejos. - desci minhas mãos até sua cintura, segurando-a firme. - , a vingança não é doce... Ela é quente. Ela faz com que pensamentos insanos dominem nossa mente. Ela faz com que instintos animalescos tomem conta do nosso corpo. - ela soltou um leve gemido, excitada apenas com palavras. Palavras que eu não sabia de onde vinham, mas era tudo que eu sentia no momento. - Queima, queima... Você faz com que esse quarto pegue fogo, você me leva até o inferno. Você me faz te desejar tanto que isso até me assusta, isso parece horrivelmente errado. Insano, mil vezes insano.
- ... - ele arqueou as costas, o suor já presente em seu corpo.
- Prisioneira das loucuras que farei com você, prisioneira da chama de prazer que percorre queimando nossos corpos. - segurei a barra se sua calcinha, junto com as meias e as levei abaixo em segundos, ouvindo seus sapatos caírem no chão. - Seja bem vinda a minha vingança.
Dei um chupão em seu pescoço, sem tirar minhas mãos firmes de sua cintura que se balançava, junto com os quadris. Eu estava conseguindo deixá-la louca, mas aquele era apenas o começo. Depois de trabalhar em seu colo, abocanhei um de seus seios, fazendo movimentos circulares com a língua sobre o mamilo, mordiscando o bico. Enquanto isso, o outro era massageado. Ela já gemia alto, tentava puxar os braços para baixo, fazendo com que a madeira da cama fizesse vários barulhos. Minha língua passeava por sua barriga, aquela barriga que me provocava tanto desejo. Deus, como eu a desejava, como aquilo me deixava fora de mim. Dei uma leve mordida na pele abaixo do umbigo, provocando um espasmo em . Deslizei minhas mãos por suas coxas, fixando minhas unhas curtas sobre as mesmas, arranhando-as. Puxei-as, uma para cada lado, abrindo suas pernas. Beijando o interior de suas coxas e sua virilha. Percebi que ela ficou louca quando minhas unhas arranhavam de leve o interior de sua coxa, e então eu continuei com aquela provocação.
Feliz por ter descoberto mais um ponto fraco dela.
Minha língua logo tocou sua intimidade molhada, passeando com pressa por seu clitóris. Suguei-a com vontade, contemplando a beleza de seu corpo que se balançava, rebolava, suplicava por mais. Não poupei nenhuma mínima parte da extensão de seu sexo, não perdoei nenhum daqueles gemidos altos que ela soltava, com a boca entreaberta, os cabelos totalmente bagunçados e espalhados pelo travesseiro. Senti seu gosto de novo, de novo, mais uma vez, outra... O sexo oral mais longo que ela já teria tido.
Ela arqueava as costas, o suor escorrendo por sua testa, os seios balançavam levemente.
Era a visão do paraíso.
- ... - me chamou de novo, arfando. Tentava controlar os sons altos que queriam sair por sua boca. - Eu estou... Estou queimando... - tirei a boca de sua vagina e passei a estimular ela com dois dedos frenéticos, a fim de aumentar e prolongar seu prazer.
- Esse é o meu inferno. Desfrute dele. - me senti malvado, perverso, qualquer outro nome... Mas ela estava naquela situação por minha causa, e a sensação não podia ser melhor. Só a sensação de um orgasmo superaria.
Sadomasoquismo? Que seja!
Fui rápido ao parar de tocá-la e tirei minha calça, levando a boxer junto. Meu membro latejava, implorava para estar dentro dela. Segurei suas pernas e as levantei um pouco, ficando entre ambas. Posicionei meu pênis em sua entrada, penetrando-a sem aviso prévio. Ela praticamente gritou quando a primeira investida foi dada, fora de si.
Movimentei-me com força, com rapidez, não parando para pensar se aquilo teria algum resultado ruim, se aquilo traria alguma dor a ela. Eu estava louco, desesperado por prazer, desesperado por cada contato que nossos corpos unidos proporcionavam um ao outro. Ela não aguentava mais estar presa, não poder enxergar o que acontecia ao seu redor. Urrou, de raiva e prazer ao mesmo tempo e eu só conseguia provocar mais.
- Grite, me xingue, me ameace... - meu coração batia com uma força sobrenatural em meio peito, meus gemidos eram duramente controlados por meus dentes que mordiam meu lábio com força, logo eu sentiria o gosto de sangue.
- Você quer... - ela gemeu antes de terminar, rebolando, tornando a penetração mais prazerosa do que já estava sendo. - Você quer minhas mãos percorrendo seu corpo. Você quer, não quer? - dei uma investida mais forte, mandando para o inferno o fato de que minhas pernas não aguentariam no dia seguinte. - Você quer me beijar, você tem que me beijar! - ela sentia tanta falta de nossas bocas coladas em um momento como aquele, que sua voz nunca havia sido tão suplicante. Apertei suas coxas e soltei um gemido incontrolável. Sentia o suor escorrer por meu abdômen, por minha testa, por meus braços. gemeu de novo, seu peito subia e descia, a respiração descompassada, palavras sem sentido saindo descontroladas por sua boca. Uma delas foi meu nome, de um jeito que fez todos os pêlos do meu corpo se arrepiarem. Seus dedos do pé se curvaram, sua barriga contraía-se, suas pernas ao meu redor ficaram tensas.
- Meu Deus... ! Oh, ... - saía de sua boca. Eu pensei que ela pediria para que eu parasse, pensei que não estava mais aguentando, pensei que estava doendo. Mas tudo que ela fez foi pedir por mais. Implorar por um pouco mais. A última investida, ela estava de um jeito que eu nunca tinha visto antes. Não aguentei e gozei dentro dela, sentindo meu corpo relaxar e arrepiar. Tentei fazer com que o ar chegasse a meus pulmões, o que estava sendo um desafio.
ainda parecia estar em êxtase, ainda estava com os músculos contraídos, ainda soltava gemidos abafados. Definitivamente, um orgasmo.
Saí de dentro dela, procurando forças e peguei, totalmente desnorteado, a chave no criado-mudo. Soltei-lhe um braço, depois o outro, ela rapidamente os envolveu em meu corpo, enquanto eu tirava sua venda lentamente, já com a respiração mais estável. Nossos olhares se encontraram, depois de separados por todo aquele tempo, eu não consegui fazer outra coisa a não ser sorrir e beijá-la com a força que ainda restava em meu ser. Nossas línguas quentes necessitadas uma pela outra, as mãos dela seguravam meu cabelo com força. Encerramos aquilo e nos encaramos de novo, ela ainda tremia um pouco. - Você é inacreditável. - sussurrou.
- Sou, mas só por sua causa.

My dear, we're slow dancing in a burning room.
Minha querida, estamos dançando lentamente em um quarto em chamas.


EPILOGUE

sentiu seus lábios tremerem ao abrir a porta de sua casa. Lá dentro, estavam sua mãe Sue e seu irmão Peter. Ambos decidiram passar um tempo com ela, depois dos acontecimentos que haviam se tornado apenas recordações ruins. Sorriu ao avistar o namorado, , do outro lado da rua, esperando-a. Ele estava tão diferente, parecia uma nova pessoa; parecia aquele que ela sempre desejou, aquele que finalmente era só dela. Beijaram-se, entrelaçando as mãos. O frio pouco importava. Ele a puxou pela cintura e eles começaram a caminhar pelas ruas cobertas por neve.
- Dá pra acreditar? - começou a dizer. - Olha como tudo acabou... - a mulher o cortou, colocando o dedo indicador em seus lábios. Trocaram um olhar carregado pelos mais diversos sentimentos e continuaram seu caminho. Alguns minutos de silêncio, e então resolveu falar:
- Chega a ser estranho estar aqui, com você. Usando minhas próprias roupas. - riram.
- Chega a ser estranho o modo como eu estou agradecido a você!
- Agradecido? - perguntou, confusa.
- Você me salvou, . Me salvou de mim mesmo.
Beijaram-se, parados no meio da rua. Estava nevando.
- Hm, então eu acho que posso pedir uma recompensa. Posso? - mordeu o lábio inferior, com um olhar sapeca.
- Pode pedir o que quiser.
- Não vou pedir, vou ordenar que você sempre seja o homem do sorriso mais enlouquecer da face da terra, ordeno que sua boca continue soltando frases que conseguem tirar o meu fôlego, ordeno que continue a ter o hábito de usar preto - empalmou as mãos no peitoral dele, olhando maliciosa para a camisa preta justa ao corpo por baixo do casaco que também era preto. – Porque minha nossa... - mordeu o lábio de novo e ele fez um olhar convencido.
- Entendi, minha mulher! - riram se abraçando. afundou seu rosto na curva do pescoço dela. - O que você quiser, eu sou seu! - deu um beijo em seu pescoço, subindo para o maxilar, as bochechas, olhos e desceu para a boca, provocando-a. - Mas eu também tenho uma ordem...
- Ah é? - ela o olhou curiosa. - E qual seria a ordem de ? - ele limpou a garganta e levantou uma sobrancelha, lançando aquele olhar sexy e mortal que ela tanto adorava.
- Quando nós nos casarmos... - o coração dela parou e voltou a bater várias vezes... O ar começou a faltar. Ele mordeu o lábio, provavelmente imaginando a lua de mel. Só poderia ser isso, devido ao olhar extremamente malicioso que lhe lançou. - O seu vestido vai ser vermelho! - apertou a cintura da mulher e puxou seu pescoço com a outra mão, grudando seus lábios. Começou um beijo calmo, porém quente, mas ela interrompeu aquele momento, não conseguindo segurar o riso.
- Vermelho? Por que vermelho? - arregalou os olhos, se imaginando com um vestido de noiva tão... Incomum.
- Vai me dizer que você se esqueceu da minha tara por... - tinha a impressão de já ter escutado aquela frase. - Por você vestida de vermelho? É o meu maior desejo, !
Então ele a puxou para outro beijo, enquanto sentia a neve cair sobre suas cabeças. Mas ali, nos braços de , o frio não importava a ela, pois tinha a total certeza de que nada poderia apagar o fogo dentro dela; o fogo dentro dele. O fogo que os tornou vivos como deveriam e mereciam ser, toda uma intensidade multiplicada a paixão que seus olhos transbordavam. O amor, ah, o amor estava correndo por cada célula de ambos os corpos. Inabalável.
Uma buzina de carro fez com que eles se soltassem, rindo e dando passagem para que o mesmo passasse. Os vidros escuros, sem pistas de quem estaria dentro. Não importava.

Run.

O veículo parou para um sinal vermelho. Dentro, três pessoas. Dois homens e uma mulher. A mulher lixava as unhas, o barulho preenchia o carro inteiro. Um dos homens, o que estava no banco do passageiro, tragava um cigarro, um sorriso repuxando-se pelos lábios. O outro homem, aquele que dirigia, tinha um olhar frustrado, que aos poucos se transformou em sedento... Sedento por vingança, talvez.
- Já passou da hora... - ele disse, entre dentes.
- A pressa não leva a nada, amigo. Vamos deixar o tempo passar. - o outro soltou a fumaça pela boca, totalmente despreocupado.
- Estamos falando de e... .
- Eu sei, meu caro. Mas você não acha mais interessante atacar quanto tudo parecer estar bem? Isso funciona na televisão! - soltou uma risada. Os três riram.
- Pode ser!
- Nunca pensei que poderia voltar ao colegial...
- Nem eu, Carter.

O sinal ficou verde; tanto para aquele carro, como para novos problemas que surgiriam. Ou talvez eles nem fossem tão novos assim...
Ah, a vida, sempre uma caixinha de surpresas.

THE END


Uma espiadinha em Secretary 2 - Runaway:

"- Me desculpa, eu sou uma idiota mesmo, eu deveria ter conversado com você, deveria ter esperado, eu estava insegura, eu... - sua voz alta me interrompeu.
- , você quer se casar comigo? - meu coração parou. O sangue havia parado de circular por minhas veias, meus pulmões não encontravam ar, senti que minha pele ficou gelada. E no instante seguinte, todos os meus sinais vitais voltaram mais fortes do que nunca. - Sabe que eu não aceito um não como resposta!"




N/A: Era uma vez uma garota comum, ela passava as tardes em frente a tela do computador. Vez ou outra costumava se arriscar e deixar que palavras formassem algo que martelava em sua mente. E assim foi... Um dia ela começou a escrever e não parou mais. A estória ganhou nome, ganhou personagens, ganhou enredo, ganhou fãs... Ganhou vida.
Desde o dia 11 de junho de 2010 eu vinha me perguntando o que escreveria quando Secretary chegasse ao fim. Todo dia uma frase diferente, um agradecimento diferente. Agora estou aqui, querendo falar muito, mas não conseguindo escrever nada.
Jamais passaria pela minha cabecinha problematica que eu chegaria onde cheguei com essa simples estória, com essa loucura produzida por uma mente insana. Não dúvido que muitos pararam de ler, muitos se perguntaram em algum momento What the fuck...? É, eu sei, às vezes parece confuso até para mim, a criadora disso tudo.
Não quero me despedir, não quero dizer que estou chorando, não quero que pensem que acabou. Isso não é um fim, minhas queridas leitoras; apenas uma pausa. Uma breve pausa, um até logo.
Peço desculpas por algo que não tenha agradado, peço desculpas porque no fundo acho que poderia ter me dedicado mais do que me dediquei a essa fic. Secretary foi e ainda é como uma filha para mim, sempre vai ser. Me trouxe amigas, me trouxe momentos incríveis, palavras que fizeram bem... Coisas que nunca vão ir embora. E eu espero que a parte 2 traga muito mais. \o
Não vou comentar nada sobre o capítulo, vou deixar que vocês julguem... Mas, por favor, tenham em mente que estou dando uma pausa na vida dos personagens, muitos coisas ainda serão resolvidas, esclarecidas e blábláblá.
Fiction do mês de setembro, top fics por duas vezes... Mais de 800 comentários, centenas de perguntas no formspring. Sem contar o apoio, carinho e estimúlo diário. Vocês são incríveis, e eu sempre irei repetir: Secretary só existe graças a vocês, sério mesmo. É claro que eu devo alguns agradecimentos especiais. (Sempre fiquei imaginando quando eu falaria isso em uma nota hahaha) Então vamos lá! Queria agradecer primeiramente ao Fanfic Obsession por ser essa segunda casa, como eu costumo chamar. Sem ele nada disso teria sido possível. Nafitalí Lima, Saionara Dias e Danielle Pereira: Obrigada por serem as melhores amigas que alguém pode ter, obrigada por aguentarem meus surtos, eu sei que amolei vocês mais do que deveria. Vanessa Simões, Paloma Reis, Camila Pádua, Gabriella Braga, Victória Mazza: As leitoras VIP que sempre me estimularam a não abandonar essa fic, obrigada mesmo! Verônica Osik: Acho que você foi a amizade mais rápida que eu já fiz! HAHAHA Só eu sei o quanto as suas palavras de apoio foram importantes para eu finalizar essa fic. Minha beta, muito diva e linda, a Lilá: Você tem uma grande importancia na existência de secretary, não é? Obrigada por ser paciente, sempre gentil e a melhor beta que alguém pode ter. Espero que você ainda me aguente por uns tempos! :D
Devo agradecer também a Danny Jones e Tom Fletcher por me emprestarem seus nomes (?) HAHAHA E, é claro, a você, que acompanhou Secretary até o fim! (J.K. Rowling feelings) HAHAHAHA Não resisti!
É hora de dar tchau, é hora de dar tchau... Mas só por um tempinho, vocês não se livrariam tão fácil assim de mim! :P Fiquem atentas nas atualizações do FFOBS, no twitter da fic e no meu pessoal. Sempre que possível estarei postando algumas coisinhas sobre a fic!
Au revoir...

Em Secretary você ouviu: Leighton Meester - Somebody To Love (Capítulo 2) The Veronicas - Nobody Wins (Capítulo 4) Lying Is The Most Fun A Girl Can Have... - Panic! At The Disco (Capítulo 5) Perfect Lover - Britney Spears; Everything But Mine - Backstreet Boys; Break Your Heart - Taio Cruz (Capítulo 8) Just Tonight - The Pretty Reckless (Capítulo 12) Love Hurts - Incubus (Capítulo 13) Undisclosed Desires - Muse (Capítulo 16) Goodnight Goodnight - Maroon 5 (Capítulo 17) All That I've Got - The Used (Capítulo 18) Drive You Home - Garbage (Capítulo 19) It's Not Over - Daughtry; Slow Dancing In a Burning Room - John Mayer (Capítulo 20).

twitter | Secretary 2

N/B: É claro que eu vou aguentar você por mais um tempo, mesmo por que eu tô super curiosa para ler a parte dois e “aguentar” não seria uma palavra muito adequada, porque betar Secretary (e as outras fics que você acabou tirando) foi um prazer e sempre será. Desde o começo eu dizia a você o quanto eu gostava dessa fic. Não se esqueça disso. Eu sou sua fã! Vou continuar recomendando a todo mundo!
Estou aguardando ansiosa pela parte dois!
Qualquer erro, mandem diretamente para mim, via e-mail ou twitter! xX – Lilá.


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