Secrets in your Atmosphere
Autora: Luw Castilio | Beta-Reader: Amy Moore




Para um relacionamento dar certo, o homem tem que gostar muito mais da mulher do que a mulher do homem.

“Fala, gato” atendeu o celular de um jeito divertido. Ela sabia quem era a única pessoa que ligava pra ela com freqüência naquela hora da madrugada.
“Amor, eu te amo tanto, sabia? Você é a mulher da minha vida!” a garota pode ouvir algumas risadas escandalosas vindas do outro lado da linha e logo matou a charada.
“Eles te embebedaram de novo, né?” Perguntou ainda com um tom de diversão, ouvindo uma risadinha abafada do namorado.
“Relaxa, não tem nenhuma vadia aqui comigo, eu sei me comportar até bêbado!” riu outra vez, fazendo rir do jeito que ele falou.
“Vou ter uma conversa com aqueles maus elementos! Onde já se viu, só por que eles não têm as namoradas deles, têm que ficar levando o namorado dos outros pro mau caminho?” Ouviu um ‘ORRAA’ vindo da boca de enquanto as risadas do outro lado da linha cessaram, depois de alguns segundos uma voz conhecida começou a gritar em seu ouvido.
“Olha aqui senhora ‘tenho um namorado e uma vida sexual ativa’ eu só não tenho namorada porque eu não quero, ouviu bem? E eu não embebedei seu namorado, foi tudo culpa do e do ! Eu também fui uma vitima deles!” Se não soubesse muito bem o quanto a voz de mudava quando ele estava bêbado, não teria entendido uma só palavra que ele tinha pronunciado em sua defesa.
“Ok, anjinho, amanhã eu me resolvo com os outros dois maus elementos, agora passa o telefone pro meu namorado de vida sexual ativa, vamos!”
“Ta bom, . Te amo, gata” falou por ultimo e logo pegou o celular de novo.
“Dá onde ele tirou ‘vida sexual ativa’?” o garoto perguntou fazendo a namorada soltar uma gargalhada, o que o fez rir sozinho, mais do que riria se estivesse sóbrio.
“Amor, agora eu tenho que dormir, to morrendo de sono.”
“Ta legal, amanhã eu te vejo?”
“Amanhã a gente vê isso, eu te ligo assim que eu acordar.”
“Sem falta?”
“Sem falta!”
“Te amo muito, gata!”
‘‘Também te amo, gato!”




Cap 1. Hold on to whatever you find, Babe;

“Senhores passageiros, apertem os cintos. O avião irá decolar em alguns instantes”
ouvia aquele barulho insuportável do avião.
Há exatamente 11 horas 27 minutos e 45 segundos ela entrava no mesmo com a promessa de uma vida completamente diferente.
Naquele instante ela conseguia ver uma boa parte da grande extensão de Londres, o que a fez fechar os olhos com força e tapar os ouvidos devido ao barulho mais alto enquanto o avião pousava.
Em menos de 10 minutos, ela saiu pelo portão de desembarque procurando por algum rosto conhecido.
“Idiota, idiota, idiota. É lógico que ele não vem te buscar”. A garota se auto-elogiava sentindo algumas lágrimas querendo escapar de seus olhos. Ela se sentou em uma das poltronas do aeroporto tentando se recuperar da grande dose de desilusão que a atingiu em cheio. Alguma coisa dentro dela esperava que ele fosse buscá-la, mas ela precisava entender que quando um namoro termina, o mais certo a se fazer é ir cada um para um lado, certo?
As pessoas caminhavam apressadas de um lado para o outro para seus devidos vôos, e ela ainda estava ali, sentada, como quem ainda esperava alguma coisa, algum tempo depois de acordar o pouco de juízo que restava em sua cabeça, ela decidiu ir atrás de um táxi. Quando o ar gélido de Londres bateu levemente contra seu corpo, a garota apertou o casaco contra si. Ela estava sem malas, pois aquela viagem foi mais rápida do que ela imaginava que seria. Céus, como odiava viagens de trabalho.
Ela tremia um pouco, andando devagar sem se preocupar com nada. Quando chegasse em casa algumas lembranças desagradáveis tomariam grande parte de sua cabeça. Pensou várias vezes em acordar , sua melhor amiga, mas ela não podia ser tão cruel assim com a pessoa que mais odeia ser acordada de madrugada.
“Vamos, uma hora ou outra eu vou ter que entrar em casa... péra! E se eu fosse pra casa dos meus pais? Meu quarto ainda está intocado... não, mas aí eu teria que ouvir o sermão dos meus pais de que eu não posso ficar trocando de namorado o tempo inteiro, pois eu sujaria o nome da família, da empresa, e de mais algumas outras coisas. Como se isso mudasse o fato de que ele continuaria recebendo sua fortuna mensal. Mas pais são pais aqui e no Japão, sempre aumentando todo e qualquer tipo de problema... É, uma hora eu terei que entrar em casa. Não tem saída”.
Se encostou em uma pilastra escolhendo, o mais devagar possível, o taxista que a levaria pra casa. Como ela chegou de madrugada o movimento não era tão grande como o de outros horários. Era engraçado como ela podia fazer tantas escolhas certas, e a única escolha difícil que ela teve que fazer foi seu maior arrependimento. Quando ela sentiu que ia começar a pensar na maldita escolha, uma voz grossa e ao mesmo tempo um tanto quando alegre a tirou de seus pensamentos masoquistas.
- Cadê a princesinha da mamãe?
Como ela pode se esquecer daquela voz?
Por que diabos ela não pensou em ligar pra ele?
Mais algumas lágrimas queriam cair agora, mas essas ela não podia segurar.
Essas lágrimas eram de culpa.
Como ela pode se esquecer daquela voz?
- ! – falou ao mesmo tempo em que se agarrou no pescoço do rapaz com força. E sim, muitas e muitas lágrimas caiam de seus olhos.
- Hey, Hey, Hey! Se eu soubesse que ia ter essa recepção eu nem tinha vindo de buscar, pirralha.
- Não! Não é sua culpa. Ainda bem que você apareceu, eu tava tendo um ataque aqui sozinha! – ela falava entre soluços olhando para os olhos confusos de , que logo ficaram mais objetivos.
- Já sei. Ele te esqueceu aqui, né? Tenho tanta vontade de arrebentar a cara desse seu namorado, porque você que não deixa logo. Onde já se viu te deixar aqui sozinha no aeroporto tendo um ataque? – ele falava furioso como se quisesse mesmo ‘arrebentar a cara’ do namorado de .
- Ele não me esqueceu aqui, a gente terminou – a garota abaixou a cabeça limpando o rimel escorrido.
- Erm... Sério isso? – perguntou sério mexendo insistentemente nas mãos em ato de nervosismo. Sempre que terminava com o namorado, não dava muita atenção a isso, ela sabia que uma hora ou outra Jesse viria correndo atrás dela de novo. O garoto estranhou essa reação triste da amiga. – , não precisa ficar assim... Vocês voltam rápido, você ta até acostumada, lembra?
- Ele terminou comigo, . Dessa vez não fui eu... Ele ta com outra – pronto, começou a chorar outra vez, um pouco mais forte do que de costume.
ficou desolado ao ver a sua garota naquele estado. Se ele estava bravo com Jesse porque tinha a esquecido ali, agora ele estava furioso por fazê-la chorar daquela maneira. Poucas vezes ele tinha a visto chorar.
fazia o tipo durona pra chorar, mas não vivia sem seus amigos para quem contava todos seus problemas. Eles sempre estavam ali para ajudá-la no que quer que fosse. e em especial, os três cresceram juntos devido à sociedade e a amizade de seus pais.
- Eu odeio te ver desse jeito, . Vem vamos pra casa.

O caminho inteiro foi silencioso, limpando as lágrimas disfarçadamente enquanto amaldiçoava Jesse em pensamentos. Estava inconformado de como um cara podia ter uma mulher como nas mãos e trocá-la por outra qualquer. Ele faria qualquer coisa para não ter que vê-la naquele estado.
- O que você quer que eu faça pra você ficar melhor? – ele parou o carro de frente ao prédio onde ela morava.
- Qualquer coisa? – fez sua melhor cara de cachorro sem dono e soltou uma risada.
- Depende do que você quer! – ele tinha um certo medo quando ela usava aquela expressão, ele não nunca falava não pra ela, foram poucas as vezes que ele conseguiu.
- Dorme aqui hoje? – pediu da forma mais fofa que conseguiu. Ela não cogitava a hipótese de passar a noite sozinha, chorando em seu quarto.
- Tá bom, mas só porque amanhã é sábado!

- O que você quis dizer com ‘só porque amanhã é sábado’? – abriu a porta e os dois entraram no apartamento grande e espaçoso – quer dizer que se amanhã fosse terça você teria me deixado aqui sozinha? Eu poderia cometer suicídio, meu bem!
- Exagerada! – reclamou se sentando em um dos banquinhos da bancada da cozinha onde havia acabado de entrar e pegado uma maçã – falando em exagero, você é tão pequenininha pra morar sozinha nesse apartamento gigante, não acha? - a garota olhou em sua volta e percebeu que ele tinha razão. Não era acostumada a ficar sozinha ali. havia ganhado o apartamento de seu pai em seu aniversário de 18 anos, e com essa idade, já era namorada de Jesse, então, automaticamente, não era nem um pouco acostumada a ficar sozinha ali. Mas ela não podia voltar a pensar sobre isso, estava ali com ela, não estava?
- Meu bem, exagero é um marmanjo de 20 anos que ainda mora com os pais! – falou divertida arrancando uma gargalhada alta e espontânea do rapaz.
- , você sabe que eu não fico nem dois dias longe da minha mãe! – ele justificou fazendo um biquinho de dar pena.
- Que coisa mais gay! – ela falou se sentando na bancada de modo com que ele ficasse entre suas pernas.
- Por um acaso, você me chamou aqui pra ficar me zoando a noite inteira, pirralha? – levantou a cabeça prendendo seus olhos fixos nos da garota.
- Não. Eu te chamei aqui porque você me faz bem... E faz muito tempo que a gente não dorme juntos!
- É lógico que eu não dormia mais aqui, você tava namorando aquele idiota – ele fez uma cara engraçada e logo deitou sua cabeça no colo da menina.
- Pois agora se acostume, você vai dormir aqui com uma certa freqüência! – se levantou e jogou o resto da maçã no lixo.
- E por que a senhorita não dorme lá em casa? Minha mãe ia adorar! – girou na cadeira a observando subir as escadas rindo de algum pensamento bobo.
- Querido, eu durmo até na rua se você estiver comigo! – ao ouvir aquilo, o garoto soltou um sorriso aliviado. Então a sua garota tinha mesmo voltado? – Oh, vou tomar uma ducha e a casa é sua!


estava deitado na enorme cama de casal apenas de boxer, já que ele mesmo havia ligado o aquecedor. Na TV passava algum filme que tanto lhe prendia a atenção, que ele nem percebeu sair do banheiro.
Ao abrir a porta do banheiro, a garota ficou estática.
Que diabos aconteceu ali? Ela nunca havia reparado no amigo daquele jeito, mas ele parecia tão... Diferente. Seu corpo definido, a falta de roupa...
- ? – ele sorria de forma surpresa vendo que o olhar dela estava preso em seu abdômen – algum problema?
- Que? Na! Não! Lógico que não! – falava rápido como se fosse culpada de um crime sendo pega em flagrante – problema nenhum, . Eu só tava pensando – pigarreou baixinho e tentou disfarçar o rosto levemente corado do pequeno susto.
- Pensando no que? – o rapaz perguntou e ainda permanecia estática.
- Ah... Sei lá. Pensando em como a gente mudou e... Ah, sei lá... Sabe? – a garota piscava mais do que deveria “se quer disfarçar, disfarça direito, porra. Quer saber? Ele é meu amigo, que mal tem saber de algumas verdades?”.
- Não sei, não. E você ta me assustando, !
- É que eu tava tentando descobrir em que fase das nossas vidas você deixou de ser magricela e ficou, tipo, gostoso desse jeito... Porque, na moral, você ta uma delicia! – ela se deitou ao lado do rapaz e ele logo a abraçou fortemente pela cintura, automaticamente entrelaçando suas pernas.
- Mas é muito safada mesmo! – riu e a garota inalou todo perfume que tinha em seu pescoço – mas é muito bom saber que você ta de volta. Eu senti saudades!
- Eu já falei que você tem o dom de me deixar bem em qualquer hora ou em qualquer lugar? Sabe, você me deixa tão bem que eu tenho até medo do que pode acontecer se você não estiver perto...
- Como assim? – o garoto levantou a cabeça olhando fundo nos olhos dela pela segunda vez na noite.
- Eu não tenho medo de nada quando eu to com você, mas e quando você for entrar em turnê de novo? Eu e o Jesse freqüentamos os mesmos lugares, o pai dele é cliente do meu pai, então ele ta lá na empresa dia e noite, e... Vai ser difícil pra mim. Uma hora ou outra eu vou ter que conhecer essa tal namoradinha dele, e eu não tenho mais motivos pra pensar que a gente possa voltar.
- Você vai ter que ser forte. Todo mundo vai te ajudar, mas você também vai ter que se ajudar. Você vai encontrar muitas coisas que não quer ver, e eu sei muito bem o quanto você não está acostumada com isso. Eu já passei por essa situação. Se você fizer a coisa certa, sai dessa logo, logo. Eu confio em você – ficaram em silencio por alguns instantes enquanto absorvia todas as informações passadas pelo rapaz.
Ela não estava mesmo acostumada a perder qualquer coisa, Jesse foi muito cruel deixando seu orgulho ferido.
- Você foi tão adulto agora – ela quebrou o silencio com sua conhecida voz divertida – foi tão sexy que eu vou ter que abusar de você hoje!
- Ah, eu ia adorar – ele falou pulando em cima dela e fazendo a maldita sessão de cócegas.



Cap 2 – I still don’t have the reasons, and you don’t have the time.

"Meu bem, aconteceu um imprevisto e eu tive que sair correndo. Ligue-me assim que acordar. Te amo xx"

escreveu um bilhete e saiu correndo do apartamento.
, sua prima, havia sido internada em um dos caros hospitais de Londres pela madrugada, fazendo com que o telefone do rapaz não parasse de tocar por toda manhã.
- Hey, bonitão. Desculpe te tirar da cama tão cedo em pleno sábado... Eu avisei pra todo mundo que não era nada grave, mas quem disse que alguém nessa família me escuta?
Encanada, fazia o tipo "alérgica a tudo e todos", e pensando nisso por todo caminho, nem precisou ouvir da enfermeira sobre uma suposta intoxicação alimentar para constatar o fato por si próprio.
- Relaxa, eu fiquei muito preocupado e ficaria um tanto quando puto se soubesse que você deu entrada no hospital e eu não fui avisado! – falou o garoto, se sentando ao lado da prima e dando uma olhada em todo quarto pra ter certeza de que não tinha ninguém ali. – Espera aí. Cadê seu namoradinho? – perguntou alegre, fazendo a expressão da prima mudar de pena para raiva.
- -não-é-meu-namorado-merda!
- Número um: quem colocou o no meio dessa história foi você; número dois: não faça cara de brava enquanto está doente, você parece fraca, então não funciona!
Pouco antes do almoço, e chegaram ao hospital, e como sempre, estava histérica.
- ? O que fizeram com você, amiga? Eu sabia, eu sabia! – Ela andava de um lado para o outro, repetindo seu mantra convencional de todos os dias: "eu sabia".
- Sabia do que, criatura? – Como estava deitada, não podia acertar nada na cabeça da amiga para que ela desmaiasse de uma vez, então teve que se contentar em ouvir a mesma história de todas as vezes que ia lhe visitar em alguns outros hospitais da cidade.
- O que foi dessa vez? Tão te alimentando direito aqui? Ah, mas eu vou ter uma conversa com a sua enfermeira. – Dando a louca, a garota saiu do quarto, sendo seguida pelos olhos assustados de e .
- Alguém, por favor, dá um calmante pra essa menina? – pediu , apontando para a porta.

Eram quase duas horas da tarde quando se sentou na sala de espera.
arrastou para casa e havia acabado de chegar. Completamente interessado em todas as pessoas que passavam por ele, tentava descobrir o problema de cada um, então isso logo virou seu passatempo. Ficar na recepção de uma emergência não parecia tão sádico agora; podia até ser divertido enquanto não havia fraturas expostas ou qualquer rastro de sangue. Quando seus olhos pararam sobre uma cadeira de rodas que apoiava uma mulher, que ele deduziu estar em trabalho de parto, seu celular vibrou no bolso, fazendo-o se lembrar de outro problema.
- Oi. – Sua voz saiu mais rouca do que o esperado.
- Acordei. – parecia sonolenta do outro lado da linha. – Por que você não está aqui? – perguntou ela, enquanto pensava em uma desculpa rápida; afinal de contas, já estava bem, não estava?
- Nada demais. Não tem com o que se preocupar, meu bem!
- Você mente pra mim como se não soubesse que eu te conheço até quando eu estou coberta se sono.
- Digamos que tenha acontecido um probleminha... – ele escolhia cada palavra na cabeça para não deixá-la muito preocupada –, mas já foi resolvido, então não se preocupe!
- Foi resolvido mesmo? Ninguém precisa da minha ajuda?
- Tá tudo bem, amor! Vai sair hoje?
- Não, vou morgar o dia inteiro vendo TV...
- Ok, eu vou aí depois que eu passar em casa e tomar um banho.
- Tá... Você vai dormir aqui de novo, né?
sempre fora positivamente dependente de , e ele gostava disso. Pra ela, ele era o único que fazia tudo o que ela precisava sem ela ao menos lhe pedir.
Simplesmente fazia.
Muitas vezes havia se pegado pensando na diferença entra sua amizade com e da sua amizade com . era impaciente, hiper-ativa, preocupada demais e sempre parecia ser mais velha do que realmente era, o tipo de garota que ele nunca namoraria. Já a outra era sensível, palhaça, carismática e tinha uma fragilidade que só ele enxergava. Namorar uma garota como ela seria muito fácil, pois em sua visão, ela podia ser facilmente quebrada e ele nunca cometeria tal crime.
- Ok, eu durmo.

Ao anoitecer, recebeu alta e foi levada para casa por e , e alguns minutos depois, uma completamente assustada apareceu com em seu encalço.
- O que aconteceu com você? Eu só ouvi o recado da secretaria eletrônica agora, foi muito grave? Você vai ter que tomar remédio? Por que você está de pé, ? Vai se deitar AGORA! – parecia mais engraçada do que algumas horas antes.
- HEY! EU NÃO MORRI, OK? SÓ COMI UMA DROGA DE CAMARÃO SEM QUERER! SÓ ISSO! – falou , completamente irritada, fazendo com que baixasse a guarda.
- Desculpa... É que eu fiquei muito preocupada...
- Tá, , eu sei que você só queria ajud-
- ! O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO DE PÉ? VÁ SE DEITAR AGORA! – entrou gritando em casa, fazendo , e entrarem em crise de riso e entortar mais ainda o rosto. – Anda, vai! Vou fazer um mingau pra você!
- Gente, cadê a e o namoradinho? Tá, eu sei que ela quase nunca está junto com a gente, mas poxa, a estava no hospital! – falou, irritado, chamando toda a atenção pra si.
- Bom, alguém conseguiu falar com ela hoje? Por que e não consegui! – respondeu a própria pergunta.
- Eu mandei vários torpedos avisando da e ela não respondeu nenhum! – foi a vez de se pronunciar.
- Eu dormi com ela essa noite – falou e recebeu olhares incrédulos dos amigos, pois todos sabiam que Jesse odiava tudo o que tinha a ver com . – Jesse terminou com ela.
- Normal pra mim. – deu de ombros enquanto ajudava subir as escadas.
- Não, vocês não entenderam. Eu disse que o Jesse terminou com ela não ela com ele! – Ouvindo direito tais palavras, desceu os dois degraus da escada, boquiaberto.
- Como ela está? Ela deve estar horrível... – parou de mexer no fogão.
- É, ela está mesmo. Eu vou ficar com ela hoje de novo, e gostaria muito que vocês fossem compreensivos.
- Tá... Nossa, me sinto horrível. – coçou a cabeça, meio sem graça. – Coitada da . Fala que eu mandei um abraço apertado.
- Falo sim.
- É, fala que todo mundo mandou! – , que agora ajudava subir as escadas, falou, vendo todo mundo concordar com a cabeça.
- Aí, . Vai fazer um mingau pra , vai! – falou , vendo todo mundo segurar o riso diante da cara de brava de .

, que estava dentro do elevador, subia inquieto para o apartamento de , e como já era muito conhecido por lá, nem precisou ser anunciado. Tentou o caminho inteiro falar com a garota sem nenhum sucesso.
"Ela não ficaria o dia inteiro em casa morgando e assistindo TV?"
A Porta do elevador se abriu e ele se deparou com a porta do apartamento entreaberta, o que por incrível que pareça, conseguiu o deixar ainda mais preocupado.
- ? – Ele empurrou a porta com cuidado observando cada parte que seus olhos alcançavam. – ? Você está aí?
As janelas estavam abertas e o aquecedor desligado, deixando o ambiente mais frio do que de costume. Tirando os cacos de vidro no chão, o apartamento parecia intocado e se sentiu um pouco aliviado.
- Aqui. – Sentada no canto do sofá que ficava de costas para a porta, a garota levantou o braço sem olhar pra traz. – Eu estou aqui.
O garoto engoliu seco, tentando descobrir o que tinha acontecido ali.
"Jesse", era a única palavra que ecoava na cabeça dele.
- O que aconteceu aqui? – perguntou na mesma hora em que se agachou na frente dela, segurando forte suas mãos, quase tão geladas quanto o vento que entrava pela janela. Os olhos vermelhos e as manchas escuras embaixo dos mesmos entregavam que ela havia chorado.
- A que horas ele veio? O que ele veio fazer aqui, ? O-que-exatamente-ele-fez-com-você? – O garoto sentia a cabeça latejando de raiva por vê-la naquele estado em que só uma pessoa conseguiu deixar.
- A última mensagem da secretária eletrônica. – Secou algumas lágrimas, apontando para o telefone, fazendo com que soltasse suas mãos e parasse de frente para o mesmo apertando o botão da caixa de mensagem, então uma voz conhecida começou:

"Oi, Gracinha. Espero que você não tenha mudado o número, porque nós ainda temos algumas pendências a serem executadas... Então, lembra aquele colar de rubis que eu te dei no seu aniversário? É, eu sei o quanto você gosta dele, mas quem sabe ele não encontra uma nova dona que mereça mais do que você? Olha, estou passando aí daqui algumas horas e espero do fundo do meu coração que você não o tenha vendido, se não, alguém terá problemas... Tchau."

O garoto sentiu o punho se fechando a cada palavra pronunciada por Jesse. Que Deus o protegesse quando o encontrasse na rua ou em qualquer outro lugar.
- Ele veio? – Ea concordou com a cabeça. – Você devolveu o colar? – Ela concordou novamente. – Acertou o vaso nele? – Dessa vez ela negou.


Cap 3 – You really got me bad.

acordou com o braço dormente por todo peso que era comprimido sobre ele.
Olhou o relógio que estava em cima da mesinha do telefone e viu que ainda era meia noite e sete. estava em seu colo, dormindo profundamente. Sorriu, passando a mão levemente pelos seus cabelos, e quando ela suspirou, se mexendo desconfortavelmente, ele se levantou com ela ainda em seu colo e foi em direção ao quarto. Sentiu-se extremamente bem quando a garota o abraçou pelo pescoço e afundou seu rosto no mesmo; há tempos não se sentia tão à vontade naquele apartamento por causa do ex-namorado dela.
A relação de e Jesse não era das melhores por conta da amizade entre e . Jesse era do tipo ciumento de mais, daqueles que nunca acreditou em amizades entre o sexo oposto. Sempre achou que os dois escondiam alguma coisa.
Quando percebeu essa desconfiança, resolveu, já que amava o namorado, se afastar de todos os amigos para que as brigas pelo menos diminuíssem, porém não tendo nenhum sucesso nessa decisão, já que sempre que eles discutiam era colocado no meio.
E Jesse nunca havia valido a pena em sua atual opinião.
Chegando no quarto, a deitou delicadamente na cama, ouvindo sua respiração leve. Perguntou-se varia vezes porque se sentia tão bem em apenas olhá-la dormindo daquele jeito.
- Bonitão, tira logo essa roupa e deita aqui. Eu tô com frio! – o surpreendeu, puxando sua camiseta e rindo de um jeito bobo. – O que foi? Te assustei? – perguntou e ele logo negou com a cabeça tirando a camiseta. Ela olhava para todos os lados do quarto menos para ele, com medo de ser pega no flagra pela segunda noite consecutiva.
- Relaxa, você não fica pra trás – se deitou ao lado dela, cobrindo os dois o rosto no até a altura dos ombros afundando pescoço dela dessa vez.
- Não fico pra trás no quê?
- Você tá muito gostosa também – falou abafado, sem desgrudar do pescoço dela.
- Cachorro!

No outro dia, estava sozinho no quarto quando acordou, o que já era normal. Levantou-se, fez sua higiene matinal e desceu as escadas em direção à cozinha.
- Bom dia. – o recebeu ‘alegrinha’ ligando o forno. – Fiz cookie pra nós, sabe, aquele que a sua mãe me ensinou – falou, batendo palminhas.
- É muito engraçado o quanto você fica besta de manhã – mandou um dedo e logo mudou de assunto, rindo. – Preciso ligar pra . Já volto.

"ALÔ."
- Quem tá falando?
", ."
- Você dormiu aí?
"Sim, algum problema?"
- Não... é que, sei lá, ela acabou de sair do hospital – falou, rindo.
"Hey, só porque eu dormi aqui não quer dizer que agente tenha-"
- Okay, . Eu conheço vocês dois o suficiente pra saber o que vocês fizeram sozinhos nesse apartamento!
"Tá bom, . Você venceu! Quer falar com a ? Ela tá dormindo, ainda."
- Não, só queria saber se ela tava melhor, mas já vi que ela tá ótima. – deu ênfase à última palavra. – Qualquer coisa me liga no celular, beleza?
"Tá, tá bom. Beijo, bonitão!" desligou o celular.
- O problema de ontem foi com a ? – perguntou, se sentando na poltrona de frente para o sofá onde ele sentava.
- Era, mas eu não disse que já tava resolvido? O já dormiu lá essa noite! – o garoto falou, meio puto e não-puto ao mesmo tempo.
- Faz muito tempo que eu não falo com eles... com todos eles.
- Eles te mandaram abraços... Todos eles!
- Você já contou a novidade? – perguntou, mexendo nas unhas de forma nervosa.
- O quê? Que a mulher mais cobiçada da Inglaterra está solteira? É lógico que contei! – brincou, ficando sério pouco tempo depois. – Não podia?
- Lógico que podia, eles ainda são meus amigos! – ela falou, não muito segura, ainda olhando para as mãos.
- Então por que você ficou desse jeito agora?
- Que jeito? Eu não tô de jeito nenhum! – falou rápido, tentando fazer com que ele percebesse que ela definitivamente "não estava de jeito nenhum".
- Palhaça, você não consegue me enganar!
- Aff, não é nada de mais, só uma frescurinha à toa!
- Você sabe que eu me preocupo com você até quando você tem uma frescurinha à toa!
repensou tudo o que estava acontecendo nos últimos tempos, esperando que aquele sentimento de ter abandonado os amigos sumisse de acordo com que ela pensasse.
- Ah, é que eu tô vivendo dentro de um arrependimento, sabe? Tipo, eu abandonei todos vocês quando eu tava feliz com o Jesse e agora que agente terminou eu volto a falar com vocês como se eu nunca tivesse feito nada... tipo, eu sou uma vaca!
- Hey, que besteira se preocupar com isso, ! Você sabe que ninguém liga pra isso! Eles mesmos fazem isso o tempo inteiro! Principalmente o e a . – riu, imaginando arrancando a cabeça dele só por descobrir que ele fez esse comentário.
- Ela pode arrancar a sua cabeça se descobrir que você fez esse comentário!
- Pensei nisso agora, mas é a verdade. – concordou com a cabeça. – Enfim, para de pensar bobagens, porque ninguém está chateado com você... Quero dizer, o sim, mas se você der um chocolate pra ele o problema tá resolvido!

- Como assim, Vila McFLY? – perguntou, entrando na sala com uma travessa de cookie, uma das muitas que já haviam passado pela grande sala do apartamento.
Todos resolveram aparecer no apartamento de depois do almoço pra dar uma "levantada no clima". Palavras de .
- Nós vamos comprar umas casas perto uma da outra e vamos fingir que moramos numa vila. SÓ O MCFLY! – provocou , que fez bico, olhando pra como se esperasse que ele a defendesse.
- Eu achei muito legal a ideia – a garota retrucou pra .
- Já tem muito marmanjo morando na casa dos pais ainda! – Provocou .
- Hey, quem tá te enchendo é o , não eu! – levantou a cabeça do colo de para começar uma discussão. – Eu não quero a entrada liberada para a naquela vila, se não eu me recuso a morar lá!
- Já tá arranjando desculpa pra não sair da casa dos pais, ? – , que estava deitado no tapete entre as pernas de , ajudou , soltando uma gargalhada escandalosa.
- Coitadinho do , pessoal – falou, com uma das mãos tapando a boca de , que ria contra a mesma. – Mudando rápido de assunto... AU, cachorro! – a garota gritou, dando um tapa no ombro de , que mordeu sua mão.
- Desculpa, é que eu tava ficando sem ar! – Todos riram da cara de coitado do rapaz.
- Continuando, o que a gente vai fazer hoje a noite?
- Não sei... Alguém se habilita a dar uma opinião? – perguntou, brincando com os cabelos de .
- Ah, vamos cair na night sem planos – se habilitou.
- Okay, então eu vou pra casa me arrumar – se levantou.
- Ah, vamos todo mundo, que tal? – também se levantou.
- Gente, eu tô sem carro, alguém vai ter que vir me buscar e...
- COMIGO NÃO MORREU! – .
- Comigo não morreu! -
- Comigo não morreu! -
- Nem comigo! – .
- Comigo Nope. – .
- Comigo não morreu. – .
- , te espero lá embaixo às nove! – falou, mandando um beijinho. – Ah, não me olha assim, ninguém mandou ser lento!
- Tá bom, tá bom. Eu venho te buscar!
- Ele fala como se tivesse alternativa! – deu um "pedala" em enquanto esperavam o elevador.
Todos foram embora e ficou sozinha no meio da bagunça dos cookies, e ali mesmo ela percebeu que momentos como aquele não podiam ser trocados por nada.
- Por nada.

Se olhava no espelho pela quinquagésima vez em menos de 20 minutos. não estava mais acostumada a "cair na night sem planos". Não sabia ao menos que roupa vestir.
Será que havia perdido o jeito?
Desceu inquieta no elevador logo que ligou avisando que estava quase chegando no prédio.
- Muito bonita, – Gary, o porteiro do prédio, falou, arrancando um sorriso aberto de .
Reparou em um rapaz que havia acabado de passar pela portaria. Ele parecia um tanto quando simpático conversando com Gary sobre os últimos jogos de futebol.
Conclusão: ele morava no prédio e ela nunca o tinha visto. Fato.
Vestia uma bermuda preta, normal praquele dia de calor, uma camiseta branca e um All Atar surrado.
"Adoro."
Estava perdida em vários pensamentos quando buzinou uma musiquinha engraçada, fazendo-a gargalhar antes de entrar no carro.
- Nossa! – falou, negando com a cabeça.
- Que foi? – perguntou, assustada, olhando no retrovisor pra ver se a cara de tinha a ver com alguma maquiagem fora do lugar.
- Nada de errado com você, gatinha. É que você perdeu o cara do seu prédio quase quebrando o pescoço pra olhar pra você. E à propósito, você tá incrível – ele falou, com aquele sorrisinho típico e não aguentou.
, depois de , era a pessoa que ela mais tinha afinidade. Ele tinha um jeito engraçado de ouvir suas magoas e dar conselhos, e ela adorava isso nele.
- , eu... – começou, mas foi interrompida.
- Shh! Eu quero falar uma coisa. – Como já havia ligado o carro, o rapaz girou a chave novamente desligando-o. – Eu senti muito a sua falta no começo, e depois eu comecei a ficar com raiva de você. Eu não queria te ver longe do jeito que você tava e... Ver você e aquele merda brigando o tempo todo me fazia querer ficar o mais longe de você possível. Mas agora que parece que não tem volta, eu tô do seu lado, gatinha. Pode contar comigo pra o que você precisar, okay? – ele falou rápido e a garota teve uma súbita vontade de rir. – Ah, você não vai rir, né? Eu ia falar alguns palavrões, mas aí eu fiquei uma hora na frente do espelho decorando isso!
- Okay, . Desculpa qualquer trabalho que eu tenha te dado... – deu um beijinho na mão de e então seguiram felizes até o destino.

- Saudade desse barulho infernal? – gritou no ouvido de , que estava parada na porta do banheiro.
- Talvez sim – a garota falou, meio mole por conta de todos o drinks diferentes que já havia experimentado.
- Você sabe que não pode beber desse jeito, né? – usou o tom autoritário de sempre.
- Talvez sim – a garota respondeu, antes de tentar segurar o riso e soltar uma gargalhada sem motivo.
- O que há de errado com você agora, menina? Por que não tá lá na mesa com todo mundo?
- Eu... Eu só... Eu não consigo sair do lugar! – riu de novo, se escorando em , que cambaleou um pouco pro lado, não contendo o riso também.
- Ai, ... Você me mete em cada uma. – A garota encostou a amiga, completamente bêbada, em uma das bancadas e percebeu uma súbita mudança de humor.
Típico da situação.
- Alguém sentiu minha falta? – ela perguntou.
- Falta? Quando?
- Agora, que eu sumi, porque eu tô aqui, . Eu não tô lá na mesa com vocês – falou, como se tivesse acabado de descobrir a América.
- Eu sei que você tá aqui, e eu só vim te chamar porque o desgrudou a boca da e pediu pra eu desgrudar a minha boca do meu namorado e vir atrás de você. Feliz agora?
- Não... E o ?
- Que tem o ? já foi embora!
- Embora? Por que o foi embora? – se virou pro espelho, jogando água no rosto.
- Porque ele arranjou uma gatinha fácil. À essa hora eles devem estar se atracando em algum lugar mais... reservado respondeu, limpando a maquiagem borrada e piscou forte umas três vezes, encostando a cabeça na pia mais tonta do que alguns segundos antes. – ?
- HUUM?
- Ah, pensei que tinha morrido ou algo próximo disso. Vem, levanta e deixa o álcool te guiar até a mesa.
- Não, eu não quero a mesa, eu quero a pista. – Ela jogou mais água no rosto e quando se sentiu menos afetada, saiu do banheiro junto com .


Cap 4 – Can't seem to hold you like I want to;

estava dirigindo pra casa e o dia estava quase claro. Àquela hora o álcool já não lhe fazia mais tanto efeito, levando em conta que havia feito muitas coisas com o álcool no sangue naquela noite.
"Kathlin, Katherine... Samantha? Qual 'raios' é o nome da garota gostosa?" Não se lembrava muito bem nem do rosto da coitada, mas com aquela bela bunda quem se lembraria, não é mesmo?
Sentiu-se completamente canalha aquela noite, e até que não estava tão mal por isso. Riu sozinho quando estacionou seu Maybach na garagem e logo já estava deitado e babando em sua cama.
Acordou (poucas) horas mais tarde com o barulho insuportável do celular vibrando contra o criado-mudo.
- Fala – atendeu com a voz rouca e com os olhos fechados de novo.
"Esteja aqui em uma hora" falou do outro lado da linha e ouviu umas risadinhas agudas.
- Aqui aonde?
"Aqui na ; está todo mundo aqui. Vem logo que eu to morrendo de saudades!"
- Tá, tô indo – o garoto se levantou e entrou rápido no banheiro. – ?
"Eu."
- Para de ser bicha. Tchau.
ligou o chuveiro, ainda vestido e sem muita vontade de entrar embaixo do mesmo por conta do frio que fazia em Londres. Desligou-o e encostou-se na parede, pensando no que faria pra adiar aquele banho um pouco mais. Escovou os dentes. Quando finalmente religou o chuveiro, o celular tocou novamente, mas era o toque de mensagens, então resolveu encarar logo o chuveiro e fazer quem quer que fosse esperar e ter a mensagem lida mais tarde.

- Bom dia, pessoalzinho do mal. – chegou na casa de e logo se jogou no sofá.
- Bom dia – falou antes de sair correndo e abraçar o rapaz.
- Ai, meu deus, eu não tenho que ver isso uma hora dessas da manhã. , sai daí, vai! – puxou o garoto.
- Então, depois do ataque excitante do , eu pergunto: por que eu tinha que estar aqui a essa hora? Planos pra hoje?
- Sim, a gente tá indo olhar as futuras casas do McFLY agora! – falou esfregando as mãos. – Não vejo a hora de sair daquele apartamento logo.
- Ok, quem vai levar o encosto aqui? – apontou pra si mesma. – SE BEM – a garota interrompeu , que ia falar alguma coisa – que eu não quero ficar de vela nos outros carros, então... – Ela jogou um olhar sugestivo a , que logo riu e a puxou pelo braço.
- Eu levo o encosto! – Todos riram.
- Vem cá – se pronunciou assim que entraram no elevador. – Onde ficam essas casas? Porque eu ainda não sei de nada!
- Verdade! O tá fazendo o jogo do silêncio comigo... – Foi a vez de reclamar.
- Ah, eu só não falo muita coisa porque eu também não sei nada... A única coisa que eu sei é que fica em Camden.
- Mas o quê? Vocês vão sair de Kentish pra ir para Camden Town? E eu pensando que vocês iam pro outro lado de Londres! - falou, incrédula.
- E por um acaso você acha que eu ia conseguir ficar mais de dois quilômetros longe de você, bebezinho? – perguntou, fazendo tatibitate e todo mundo riu enquanto os dois se agarravam no elevador.
- Chega de melação os dois e me sigam – falou, indo à direção de seu carro com , assim como todos os outros casais.
- Cuidado, . – alertou. – Você se lembra o que aconteceu quando nós te seguimos da última vez, né? – colocou a cabeça pra fora pra gargalhar idiotamente na cara de , e aí entrou no carro, vendo com cara de interrogação. – A gente foi parar numa boate gay.
Todos deram partida no carro e ainda ria sem parar, e quando a graça finalmente passou um estranho clima pesado se instalou na atmosfera. não sabia o real motivo de não "estar a fim" de olhar pra . De certa forma a saída repentina do rapaz da boate no dia anterior não tinha parecido normal.
"Ele não poderia ter avisado?
Não.
Ele não precisava ter avisado... Ele sabe muito bem o que faz da vida.
Não.
Ele que me acostumou mal, ele que avisasse. Era o mínimo que ele tinha que fazer.
Droga, mas que merda tá acontecendo comigo?
"
- Erm... Como foi sua noite ontem? – perguntou normal, como se não sentisse o clima.
- Tirando que eu não me lembro de muita coisa, foi ótima – respondeu, ainda sem encará-lo. – E a sua? Você sumiu do nada. – Deu ênfase às ultimas palavras.
- Você também sumiu uma hor...
- E você nem se preocupou comigo! – a garota falou, mais alto do que esperava.
- Já entendi tudo – falou, calmo.
- Entendeu o quê? – falou, ainda emburrada.
- O que você tem. – Ele olhou pra ela e depois pra rua segurando o riso.
- O que eu tenho? – desafiou, cruzando os braços.
- Ciúmes.
- Mas HEIN? – O susto foi tão grande que bateu a mão na janela do carro sem querer.
- Isso, você tá com ciúmes porque eu saí acompanhado da boate ontem – falou, rindo, e fez o bico da garota aumentar. – Relaxa, eu passei a noite com uma mulher ontem, tá beleza, mas eu sempre volto pra você! – Ele passou dedo levemente na bochecha dela, o que a deixou ainda mais brava.
Mas não com ele.
- Você sabe que não devia dar corda pros meus ataques, né? – ela perguntou, roendo as unhas e com os olhos fechados, como se tivesse cometido um crime imperdoável. Mas era quase a mesma coisa.
- Eu gosto das suas demonstrações de desespero – ele zombou, parando o carro no sinal fechado.
- Por quê? É tão engraçado assim? – e voltou a ficar emburrada.
- Não, é que você fica linda fazendo bico. – olhou-a, sério, e ela pensou em mil coisas como resposta, não conseguindo falar nenhuma delas diante daquela provocação.
- Você não presta mesmo. – Depois de alguns segundos, a sua voz saiu mais normal do que pensava, e muito típico, gargalhou voltando a dar partida no carro.
- Pra você ver como eu me sentia com você e com seu merd... ex-namorado. – Agora sim ele falou sério.
- Isso era diferente, . Além do mais...
- "Além do mais" nada. Era bem pior, na verdade.
- Tudo bem, eu fui uma retardada. A gente já pode mudar de assunto? – pediu, impaciente.
- Como a donzela quiser – ele brincou e tomou um tapinha em resposta.
Depois de mais algumas voltas seguindo os quatro carros entraram em um condomínio grande onde haviam vários prédios luxuosos e algumas casas grandes.
- Uau! Humildade zero pra você, falou, descendo do carro parado em frente à uma casa branca com alguns detalhes em dourado.
- Eu disse que era magnífica, não disse? – falou, mexendo nos cabelos.
- Não, você disse que não sabia nada daqui! – contrapôs e todos entraram na primeira casa.

- Não creio que eu vou morar do lado do ! – falou, olhando a vista pela janela. – Digo, do lado da casa do !
- Ah, vai ser divertido pra vocês! – falou ao seu lado. – Sem contar que essa casa é incrível... Melhor que o meu apartamento.
- Mas você ainda não viu nada! – se queixou.
- Mas eu já vi três iguais a essa só hoje. Ou você acha que o , o e o iam me deixar sair da 'futura Vila McFLY' sem conhecer tudo?
- Tá, então é minha vez agora. – saiu puxando a garota escada acima.
Tudo naquela casa, na visão de , era muito mais atrativo do que a casa dos outros garotos. Já estava toda decorada, assim como as outras, mas tinha muito a cara de .
Os meninos combinaram de fechar negócio com o proprietário na manhã seguinte, já que todos ficaram muito empolgados com suas devidas casas.
- Algum plano pra almoço? – perguntou, enquanto todos se dirigiam de volta aos carros.
- Eu preciso ir na casa dos meus pais e provavelmente vou almoçar por lá. Vou avisar que ainda vivo e levar alguns documentos pro meu pai. – se virou para encarar . – Você vai comigo?
- Vou sim, vamos? – Os dois se despediram dos outros e tomaram o rumo da casa dos .

- Merda!
- Que foi, boquinha suja? – perguntou, assustado, à .
- O carro do Jesse tá estacionado em frente à casa dos meus pais. E para de agir como se você nunca tivesse falado um palavrão – falou, quando virou a esquina.
- Esse menino é muito cara de pau pro meu gosto... – Estacionaram o carro e logo desceu com medo do que poderia estar acontecendo dentro da casa, mas quando abriram a porta se deparam com o pai de sentado em uma poltrona e Jesse com a maior cara lavada sentado no sofá.
- Boa tarde, crianças. – Brad, o pai de , cumprimentou os que haviam acabado de chegar. – Filha, pensei que você tinha se mudado para o Iêmen sem avisar! – falou, enquanto a garota o abraçava.
- Desculpa, pai, eu tava meio ocupada esses dias...
ficou com uma súbita vontade de vomitar quando Jesse pigarreou alto.
- Oi, – disse com a mesma cara lavada de antes.
- Ahn, oi. – Ela deu um tchauzinho de longe, mas Jesse se levantou e a abraçou forte. Sem resposta.
- Oi, . – Jesse apertou a mão do rapaz, mas logo se arrependeu do feito, visto que o fazia tão forte que poderia deslocar algum osso de sua mão. – Bom, Brad, já tá na minha hora. Preciso ir antes que minha namorada me ligue de novo, sabe como é, né? Ciúme de ex é um problema sério.
cerrou os olhos e um forte clima tenso se instalou antes do pai da garota se pronunciar:
- Os documentos estão aqui, Jesse. – Brad os pegou da mão da filha. – Pode ir... e avisa sua namorada que ela não tem nada que se preocupar, minha filha tem uma ótima criação e é uma pessoa honesta – ele falou, abrindo a porta para que Jesse saísse o mais rápido possível.
- Eu sei que a não tem nenhum problema, eu tô falando por mim mesmo... Boa tarde, .
- Boa tarde – Brad respondeu, seco, e o garoto saiu.
ocupava o lugar que antes era ocupado por Jesse e estava sentada ao seu lado quando Sr. voltou a sala. A garota sabia que devia explicações ao pai, então começou:
- Pai, eu...
- Não, querida, não precisa se explicar... esse menino anda muito abusado pro meu gosto. O pai só tem reclamado dele e eu acho bom você ficar longe mesmo. – e se entreolharam e logo Brad mudou de assunto. – Então, me conte sobre sua viagem.

Pouco tempo depois do incidente constrangedor, Justinni, a mãe de chegou do mercado com os ingredientes do almoço de domingo e fez uma careta de nojo quando soube que Jesse havia saído a pouco e uma cara de alívio ao saber que ele não namorava mais sua filha.
- Eu nunca gostei desse garoto, não sei o que você viu nele, – ela falava enquanto mãe e filha estavam jogadas na grande cama de casal no velho quarto de . – Ele é bonito? Sim, muito, mas nunca prestou... Coitados dos pais, são tão boa gente...
- É, se tem uma coisa que ele nunca foi é 'boa gente'. Só agora eu me dei conta de que eu gosto mais da mãe dele do que dele.
O almoço não demorou a sair e e Brad continuavam a falar sobre carros. Já Justinni, lançava olhares furtivos a e , sorrindo. percebeu o feito, mas sua mãe sempre fora louca com a ideia de um possível namoro entre os dois, então ela apenas relacionou os fatos.
- GANHEI! – abriu a porta do quarto de depressa e se jogou na cama, ofegante.
- Não, você me segurou lá embaixo e isso não vale! – a garota falou, indignada por ter perdido a corrida escada acima.
- , eu te segurei lá embaixo, você bem poderia ter se recuperado! – ele se justificou, rindo enquanto ela deitava, cansada.
- Eu vou querer uma revanche, pode apostar!
- Pra falar a verdade, eu acho que a gente podia parar de discutir sobre essa corrida, afinal de contas, nós somos dois adultos agora. – gargalhou da forma espontânea que falava.
O silêncio se instalou no cômodo e a única coisa que tinha na cabeça era a visita de Jesse e o ódio repentino que seus pais sentiam pelo garoto.
- O que será que o idiota máster quis dizer hoje cedo, hein? – ela perguntou e fez uma cara emburrada.
- , esquece isso. Você não lembra daquele ditado que diz 'uma vez merda, sempre merda'? – ele respondeu rápido, abraçando-a com aqueles braços enormes.
- Não, na verdade eu nunca ouvi esse ditado.
- É, eu acabei de inventar mesmo – os dois riram e terminou a gargalhada com um suspiro.
- Mas o problema não é esse... Ah, deixa pra lá – ela estava se levantando quando a puxou de volta. - Não é nada importante, vai, me solta...
- , fala agora!
- Mas que merda... Não sei direito o que aconteceu, mas ontem eu tava olhando os casaizinhos fofos na boate e fiquei querendo um namorado. – , que ainda a segurava pelo braço, ficou meio confuso.
- , você tá solteira não faz nem uma semana direito – falou, assustado.
- Viu? Eu disse que você não ia entender – afundou o rosto no travesseiro. – Jesse nunca foi um bom namorado, nunca foi legal comigo igual o é com a , igual o é com a , igual o é com a , e eles nem são namorados... Sabe, ele nunca foi legal comigo igual você sempre foi.
ficou perplexo e calado diante da confissão de . Ela sempre parecia feliz quando o assunto era seu namorado. Certo, havia muitas brigas e durante o namoro eles terminavam e voltavam sempre, mas a garota em questão era . Como alguém poderia não ser legal com ela?
- Por incrível que pareça ele é muito mais idiota do que eu pensava. – conseguiu falar alguma coisa devido à vergonha que podia estar sentindo. E funcionou, pois a garota levantou a cabeça e o encarou.
- Eu ainda estou muito mal com isso tudo. Parece que nada que eu fiz teve algum valor sentimental pra ele. E olha que eu me esforcei bastante pra manter aquela droga de relacionamento. Agora que tudo acabou eu me sinto bem mal... Com vergonha mesmo, sabe?
Os dois ficaram deitados por mais alguns minutos ainda em silêncio. queria parecer forte diante de toda aquela confusão sentimental que crescia dentro dela, queria não parecer fraca ou com vergonha, sem sucesso.
- Você não aguenta mais ouvir sobre isso, né? Desculpa... – ela deitou de barriga pra cima encarando o teto.
- Na verdade, eu tava pensando em te levar pra jantar amanhã... sei lá, eu posso te fazer esquecer esse merda rapidinho – falou e engoliu seco. – Não, não assim, tipo, não quis dizer...
- Tá bom, – ela o interrompeu, rindo. – A gente sai pra jantar amanhã, mas se eu não esquecer aquele merda, você vai se ver comigo!

dirigia de volta pra casa quando o toque de mensagem soou novamente. Agora estava sozinho, já que decidira dormir na casa dos pais. Percebeu que ainda não havia lido a mensagem daquela manhã, e de quebra também não tinha lido uma que havia recebido sábado à noite, e pelos seus cálculos, no horário em que a mensagem chegou, ele já havia saído da boate.
A mensagem nº 3, era de um numero que não conhecia e dizia:

', eu sei que pode parecer brincadeira, mas eu preciso mesmo dessa bolsa. Bjs, Janine'.

A mensagem nº 2 era do mesmo numero da anterior:

'Bom dia, . Não sei se você percebeu, mas a minha bolsa ficou no seu carro ontem à noite... Sabe como é, né? A pressa e tudo mais rsrs – então, me liga nesse numero quando receber essa mensagem. Beijos, Janine'.
Bingo, Janine era o nome da gostosa. olhou pra trás e se deparou com a pequena bolsa no banco de trás. Logo ligou pra moça e logo a bolsa estava entregue, com uma pitada de jogadinha de charme pra cima dele, pois não é sempre que você combina de ir à casa de alguém e esse alguém te espera com apenas uma toalha enrolada no corpo. Bem, também pensou nisso.
Chegou em casa cansado e imaginando milhares de motivos pra ligar pra e dizer que não ia ao ensaio na manhã seguinte até se lembrar de que estava de férias. Quando estava subindo pra seu quarto, se lembrou que ainda tinha uma mensagem não lida e por alguma razão desconhecida seu estômago revirou quando leu '' no visor.

'Te odeio por ter me abandonado no meio desses casais melosos em pleno sábado à noite. Bjs, te amo rsrs.'
Sorriu sozinho, jogando o celular em cima da cama, imaginando como conseguir ser muito mais atrativa de roupa do que qualquer garota enrolada numa toalha branca.


Cap 5 – I am in repair;

A TV estava ligada em algum canal sem graça quando acordou pela madrugada com uma dor de cabeça insuportável, dando graças a Deus ao perceber que o que acabara de acontecer tinha sido apenas um sonho ruim. Pensou em tomar um analgésico qualquer, mas logo desistiu da ideia, já que nunca sofrera de dores de cabeça antes e não sabia qual analgésico resolveria aquilo.

Flashback

não parava de falar um segundo deixando muito mais irritada do que estava antes de lhe contar o tão misterioso segredo.
- Cara, cala a boca. – ralhou, impaciente, com a mão na cabeça, devido a forte dor que sentia.
- , você tem ideia do que acabou de me dizer? Você acha que está gostando... Eu não... Justo ele? – A cara que fazia era um misto de confusão e pena, e entendia tudo o que a amiga estava querendo dizer sobre aquela situação. Afinal de contas, era muito esperta pra uma adolescente de 14 anos. – Ele começou a namorar não faz nem uma semana. Será que não é por isso? Você não está com medo de perder a amizade dele? Só pode ser isso.
- Eu não sei o que é, ok? – gritou. – E pare de me irritar! Deve ser isso aí mesmo que você disse – falou a última frase num tom mais baixo.
As duas estavam sentadas no gramado da frente da casa de , o sol estava forte naquele dia... estava na TPM. Sentia como se o mundo estivesse conspirando contra ela. Primeiro uma péssima nota em Química, depois furou seu par de meias predileto ao atravessar a rua apenas calçada com a mesma para fazer uma visitinha a , e por último e não menos importante: estava namorando.
- Olha só, espera aqui que eu vou pegar um suco lá dentro. Muito quente isso aqui, pelo amor. – saiu correndo sem esperar a resposta da amiga e concluiu que o plano da conspiração era mesmo verdade, quando apareceu no quintal de e se sentou de frente pra ela.
- Boa tarde – falou com um ar todo alegre. Alegre de mais pra quem estava prestes a ser enterrado vivo.
- Boa tarde – ela respondeu, com o olhar fixo na janela do próprio quarto, desejando intimamente não olhar pra pra não demonstrar toda sua raiva.
- Opa, vou pegar mais um copo. – , que havia dado o ar de sua graça na porta da grande casa com 2 copos de suco ia dando meia volta quando lhe chamou a atenção:
- , não! Eu só passei aqui pra dar um oi, mas aí eu reparei no bico enorme da nossa amiga aqui e fiquei um tanto quanto curioso, mas como é só TPM... – o garoto sentiu lhe fuzilar com os olhos.
- Sai daqui agora, , se você tem um pingo de amor a sua vida – ela falou, com os olhos fechados.
- Ok, depois a gente se fala, então – falou, se levantando rapidamente e dando um beijo na testa de , que lhe deu um tapa na perna, sussurrando um sujo “filho da puta”.
A cena ficou intacta até tomar certa distância da casa de , então começou a chorar compulsivamente e murmurar coisas inaudíveis, dentre essas coisas, podia reconhecer alguns rugidos e palavrões feios.
- ...? – A amiga dava risadas nervosas com os olhos arregalados.
- Eu odeio esse imbecil – dava socos na grama e gargalhava em sua frente. – Para de rir, ! Que merda.
- Eu só paro de rir se você me disser porque você odeia o imbecil! Ele não te fez nada! Presta atenção, , coloca a sua cabeça de vento no lugar! – falou e se deitou, cobrindo os olhos.
- Isso é uma bosta mesmo – disse, antes de tomar o copo de suco da mão da amiga e tentar, de maneira frustrada, tomar o suco ainda deitada.

/flashback

Sentiu o chão gelado sob seus pés e resolveu calçar uma meia, o frio estava ainda pior na madrugada, de maneira que nem o aquecedor estava ajudando muito. desceu até a cozinha em busca de um copo de água e encontrou sua mãe sentada na bancada lendo um livro qualquer que ela não fez questão de descobrir qual era.
- Insônia? – Justinni olhou pra filha por cima dos óculos.
- Pesadelo – viu a filha responder, pegando um copo de água e se sentando á sua frente.
- Não vai me dizer que foi com o Jesse – naquele momento, reparou em como era engraçada a semelhança entre e sua mãe, aquele mesmo olhar cordial de gente que sabe muito mais sobre a vida dela do que ela mesma, então respondeu sorrindo:
- Não, mãe, na verdade, eu não me lembro direito, mas não tinha nenhum ex-namorado. E você? Tá lendo o quê?
- Hm, algum livro chato que eu não tô dando a mínima atenção – a mãe de respondeu, com os olhos fixados em alguma página e logo continuou ao sentir o olhar confuso de sobre si. – Seu pai saiu pra resolver alguma coisa no trabalho e eu não consigo pregar o olho enquanto ele não volta.
Sentiu vontade de perguntar a mãe se quando ela era jovem e solteira ela sabia, ou até mesmo sentia, que algum dia ela fosse encontrar alguém que realmente amasse a ponto de se casar e ter filhos, mas pensou que seria uma pergunta tola.
- Vamos, me diz porque está com essa cara de quem quer fazer uma pergunta idiota – Justinni a surpreendeu e se engasgou com o pouco de água que havia tomado.
- Mãe! Nada a ver... – tentou dizer em meio à tosse, mas Justinni ainda insistia silenciosamente. - Bom, na verdade, eu quero fazer uma pergunta idiota, mas eu não quero parecer idiota, na verdade.
- Nossa, perdi a conta de quantas vezes eu já ouvi essa frase sair da sua boca, querida, e eu nunca te achei idiota por nada.
- Você é minha mãe, não pode me achar idiota. E eu vou perguntar, só espera eu formular direitinho... Erm... É que eu queria saber quando é que a gente sabe que encontrou o cara certo? – finalmente perguntou. Estava “entretida” fazendo uma brincadeira qualquer com o copo em sua mão. Com certeza olhar para o copo era mais fácil do que encarar o olhar que ela sabia que a mãe estava lhe lançando do outro lado da bancada.
Mesmo sem querer, a relação que tinha com sempre ficava solta nos pensamentos de . era a pessoa mais difícil que ela conhecia, era uma ótima amiga, mas às vezes suas preocupações soavam exageradamente inúteis. Mas estava sempre ali pra o que ela quisesse. Já e tiveram um péssimo começo: fora o motivo do rompimento de com uma namorada de infância e o que para os outros pode parecer uma bela história, para os dois (mais para ) aquela foi uma época muito difícil, visto que ela sofria ameaças constantes por telefone e às vezes até por cartas. Mas e hoje? Eles estão felizes, não estão? e ainda não eram oficialmente namorados, mas ainda assim sabiam aproveitar o tempo quando se encontravam, se é que ficou claro o entendimento.
Justinni parecia assustada com a pergunta, mas tinha a resposta na ponta da língua. E como a boa mãe que era, ela sabia que queria ouvi-la:
- . é o seu cara. – Despejou em cima da filha aquilo que sempre quis falar e deixou o queixo cair completamente, mas antes de conseguir falar qualquer coisa que lhe viesse à mente, escutou a porta da garagem sendo aberta do lado de fora. – Por favor, não diga ao seu pai que eu estava preocupada... Ele fica “se achando” toda vez que eu faço isso – Justinni falou, se levantando rapidamente do banquinho que estava sentada e subiu correndo escada acima.
estava completamente assustada. O copo, que era de vidro, estava quase sendo amassado pela força com que era segurado. Não, não podia ser o seu “cara”, quero dizer, como ele poderia ser se ela nunca havia percebido antes? Ela se lembrou de alguns anos antes quando aparecera com sua primeira namorada. O choque havia sido tão grande que ela pensou que pudesse perder sua amizade, pois todos seus amigos que começaram a namorar naquela época não conseguiam conciliar o namoro a outras atividades... Mas não se esqueceu dela, não desapareceu e nem fingia que não a conhecia quando a namorada estava perto como os outros faziam, então ela esqueceu aquela bobeira de momento e seguiu a vida normalmente... Claro que não seguiu a vida normalmente.
- Oi, querida. Fazendo o que acordada uma hora dessas? – A garota deu um pulo de susto ao encontrar o olhar confuso do pai.
- T-tava subindo já, só queria um pouco de água e você? Onde tava? – se fez de desentendida enquanto se recuperava do susto.
- Fui resolver um probleminha na empresa, mas já está tudo certo. Me diz, sua mãe esteve aqui? – Brad perguntou, olhando pro nada.
- Não... Acho que não, por quê?
- Não sei, to sentindo o perfume dela, mas deve ser besteira. Bem, querida, vou dormir, amanhã tenho que estar cedo no trabalho. Dorme bem, hein? – Brad deu um beijo no topo da cabeça da filha e seguiu para seu quarto.
Meu pai simplesmente reconhece o perfume da minha mãe... Não acredito, só pode ser brincadeira!
Desacreditada no que tinha acabado de escutar, voltou para seu quarto e agora o frio já nem lhe incomodava tanto. Com a TV ainda ligada, ela retomou o fio de pensamento que estava tendo antes de ser interrompida por seu pai.

Flashback

- Quem vai nessa festa? – estava grudada ao telefone havia alguns minutos.
- Não é “nessa festa”, gata, é a festa do . – lhe dava a bronca diária. – Vai todo mund...
- A namorada vai estar lá? – A menina interrompeu mal educadamente.
- Óbvio que a Audrya vai estar lá, ela é namorada dele... Espera aí que eu entendi tudo! ... – falou pausadamente com a voz baixa, o que em alguns momentos era mais assustador do que se ela estivesse berrando. – Você está mesmo doente esse tempo todo ou isso não passa de uma historia tosca que você inventou porque não conseguiu superar essa historia do ? – Ao ouvir a pergunta, vários palavrões sussurrados saíram pela boca de , que desligou o telefone e correu para a janela. Pouco tempo depois uma demoníaca saiu de dentro de sua casa e atravessou a rua correndo.
Agora eu morro... Que eu faço? Corro? Chamo minha mãe? Drooooga! Não tem ninguém em casa.” A porta da frente fora aberta com força e com a mesma força subia as escadas.
- , abre-essa-porta-agora! - a garota gritava e batia na porta ao mesmo tempo, mas não havia resposta - , é sério abre aqui, agente precisa conversar! Eu não acredito que você preferiu inventar essa palhaçada toda ao invés de me contar que ainda não tinha superado, eu sou a sua melhor amiga!
- Você nunca vai entender, . Você tá aí me dando bronca agora e quando eu fui te contar da primeira vez você fez a mesma coisa. - conhecia bem a voz embargada de .
- Eu pensava que fosse coisa do momento, você sabe que eu sou assim, mas isso não vem mais ao caso. - tentou abrir a maçaneta, sem sucesso. - Você... você ainda tá gostando dele? - Um silêncio profundo se instalou até a porta ser bruscamente aberta e praticamente pular nos braços da amiga aos prantos.
- Gosto, gosto, gosto, gosto, gosto muito.

/flashback

A manhã estava tranquila em Londres e o inverno começava a colocar as garras de fora. O frio ainda era intenso e todos sabiam que o clima ia durar por um tempo. não queria ficar em casa chorando mágoas naquela segunda-feira melancólica e logo decidiu ir para o trabalho com seu pai, não para trabalhar, mas sim para observar, já que no futuro aquela seria a sua empresa e o trabalho de seu pai se tornaria o seu trabalho. Ela adorava andar de carro, principalmente àquela hora da manhã quando as pessoas pareciam apressadas demais para ir para o trabalho. A cidade cinzenta só fazia aumentar a vontade que ela tinha de começar a planejar sua vida e sabia que estava na hora de se libertar de toda “herança” que Jesse havia lhe deixado, afinal de contas, o garoto não tinha tanta moral assim.
Ou ela tentava acreditar que ele não tinha tanta moral assim.
- Bom dia, senhorita Colen – disse à secretaria simpática logo que a porta do elevador se abriu.
- Bom dia, . Pensei que nunca mais viesse nos visitar. Vivo dizendo pro seu pai parar de te mandar nessas viagens loucas de última hora, mas eu percebi que você as adora, né? Nunca recusa uma! – A mulher brincou e as duas ficaram uns bons minutos conversando sobre as ultimas viagens que fazia a pedido do pai. E era sempre assim, pois Brad sabia que seria uma ótima herdeira. Ela amava aquela empresa e tudo mais o que tinha a ver com ela. Desde pequena adorava saber como o pai comandava reuniões, como controlava custos, como tratava seus funcionários e como fechava negócios importantes. Seu pai acreditava que, com toda sua inteligência, seria uma ótima executiva.
O dia passou rápido, considerando que a maioria dos funcionários paparicavam de todos os jeitos. E também, para a garota, nada era mais engraçado do que presenciar as conversas hilárias entre seu pai, Sr. e Sr. Davis, o pai de . Eles eram tão “entrosados” que o trabalho até parecia mais fácil, então, logo imaginou se tudo continuaria assim quando os 3 herdeiros tomassem a frente dos negócios. Assim que Brad avisou que estava indo embora, quase 8 da noite, sentiu o celular vibrando no bolso da jaqueta.
- Boa noite, a que devo a honra de sua ligação? – Atendeu alegre assim que leu “” no visor. Nada como falar com depois de um dia daqueles.
“Boa noite, presumo que a senhorita tenha se esquecido de nosso jantar de hoje à noite. Estou errado?” respondeu e deu um tapa na própria testa.
- É, o senhor está certo – ela ainda se batia. – Desculpa, gatinho. – Se jogou na cadeira do pai sentindo a cabeça voltar a doer assim como na madrugada.
“Considerando esse tapa certeiro que você deu na própria testa agora, acho que você se esqueceu mesmo e não tá querendo me dar o bolo. Então, desce aí que eu tô estacionado de frente o prédio.” – Ficou fácil assim curar dor de cabeça? pensou, já de pé.
- Como você sabe que eu tô no prédio? – ela perguntou, catando seus pertences espalhados pela sala do pai.
“Liguei na sua casa antes. Sabia que você ia se esquecer de nós assim que sua mãe disse que você tava com seu pai na empresa.” – fez sua melhor voz de drama e conseguiu convencer.
- Estou a caminho, amor. Não precisa chorar, vamos jantar juntos hoje.
Juntou rapidamente suas coisas e saiu quase correndo em direção ao elevador. Não parava de se perguntar o que estaria planejando aquela noite, pois se havia uma coisa que ele sabia muito bem, era surpreender suas vítimas. Conforme entrou no elevador e desceu alguns andares, já se perguntava o que ele estava planejando pra tudo de ali em diante, afinal, “posso te fazer esquecer aquele merda rapidinho” foi o que ele disse. E essa frase poderia significar muitas coisas e nada ao mesmo tempo, ela sabia que sempre fora um ótimo amigo antes de tudo.
Frio, frio e frio. Foi tudo que ela conseguiu pensar ao sair do prédio. Não estava ventando nem chovendo – o que ela achou quase um milagre – então, como de costume, apenas apertou o sobre-tudo preto contra o corpo com muita força ao avistar o carro do amigo.
- Desculpa de novo! – abraçou quando entrou no carro. – É que eu me empolgo quando estou aqui.
- Meu plano saiu do jeito que eu queria, fica tranquila – arrancou o carro e o olhou estranho. – Eu não vou te sequestrar.
Andaram por um bom tempo conversando sobre nada e tudo. Enquanto atravessavam as ruas de Londres dentro do carro do pai de , recebeu uma ligação de sua mãe dizendo que Jesse ia deixar o carro da garota em seu prédio no dia seguinte.
Porque Jesse tinha de ser tão intrometido, a ponto de se meter até naquela situação? A boa notícia é que seu carro estaria entregue, sem nenhum problema em motor algum.
Aos poucos, foi reconhecendo os lugares por onde passavam. Lembrava-se desde o conjunto de prédios até o shopping do outro lado da rua. Tudo parecia igual há alguns anos atrás.
- A gente não está indo onde eu acho que a gente tá lindo, né? – A garota quase pulou no banco observando toda a paisagem que não via a um bom tempo. – , você não tá fazendo isso, certo? – O sorriso que ela mantinha nos lábios, sem querer, fez sorrir também.
- Ponto final, madame – ele falou, estacionando o carro e observando a garota com as mãos tapando a boca. – Espero que você esteja feliz, .
- Eu... Simplesmente não tenho palavras. – desceu do carro o mais rápido que pode. – Vem, , anda! – Chamou-o, impaciente.
Onde eles estavam não era lindo e muito menos romântico. Quando pequenos, , e faziam pirraça quase todo fim de semana só pra poder passar horas, juntos em uma daquelas mesas. Não falo de nenhum parque ao ar livre ou de alguma montanha bonita, estou falando do Burger King Waterloo Station. É, nada especial mesmo.
- , sabe quanto tempo faz que eu não entro aqui? – tentava disfarçar a empolgação por conta de alguns clientes que já a olhavam estranho.
- Sei, por isso nós estamos aqui. Aproveite a vista, nós só vamos pegar o lanche e vamos comer em outro lugar. – deu o veredicto pouco antes de ser atendido pela funcionaria do mês.

- Eu sabia que viríamos aqui na mesma hora que você disse que a gente ia comer em outro lugar – falou, tomando o resto de seu refrigerante.
- Não vai ficar achando que eu sou previsível demais, hein, , só queria, sei lá, fazer alguma coisa diferente – falou, se encostando no banco.
- E você sabe que eu adoro o rio Tamisa. – deitou sua cabeça nos ombros de .
O silêncio e o frio, para o rapaz, se tornou um incômodo, mas não pelo fato de estar frio e silencioso, apenas não entendia o motivo de estar ali fazendo aquilo tudo por . Não se sentia mais à vontade ao se lembrar das coisas de havia dito a ela no dia anterior. Sentia-se no dever de fazê-la se esquecer de Jesse e de tudo que ele a tinha feito passar. Ele sabia que seria uma tarefa fácil, só que já não tinha mais certeza se estava fazendo isso por ela.
- Terminei bem o seu dia? – perguntou com o olhar vago e sentiu segurar sua mão.
- Uhum – ela respondeu, limpando o rosto com a outra mão e logo ficou tenso.
- Você não tá chorando, né? – perguntou, vendo-a negar com a cabeça. – Tá, sim. – segurou-a pelos pulsos, fazendo-a olhar direto em seu rosto. – Por quê?
- Já disse que não tô chorando! – quase gritou soltando um riso nervoso e outra lágrima caiu.
- Por que, ?
- Não sei, deve ser TPM – ela disse, tentando se soltar, sem sucesso algum, sob o olhar fixo dele. – Não quero e não vou te encher a paciência com os meus problemas, . Não insista. – não soltou.
- Como você espera que eu vá me sentir depois de ter feito isso tudo pra te deixar feliz e do nada você começa a chorar? Claro que eu quero uma explicação. Você nunca foi assim, nunca me regulou um de seus problemas. – deu um pequeno sorriso de compreensão.
- Eu acho que tô irritando demais já. Não quero ficar toda hora falando dos meus problemas; só queria esquecê-los. – Depois de finalmente soltar os braços dela, cruzou os seus e virou-se completamente para .
- Continua.
- Parece que eu tô esperando uma ligação do Jesse implorando pra voltarmos, mas eu não estou esperando, entende? É como se eu tivesse deixado que ele ocupasse metade da minha vida e agora eu tô sem chão. Não, não, não pensa que eu sinto falta dele, pelo amor de deus. Ele é um idiota, egoísta, grosso e eu não sinto mais nada por ele – falou esganiçada e rapidamente, parando apenas pra tomar fôlego e dizer a última frase. - No fim isso não tem nada a ver com ele, o problema sou eu.
- Desabafou? Vai parar de chorar? – perguntou, sério, mas com a aparência de quem se esforçava para segurar uma risada.
- Tô bem melhor agora.
- Porque, assim, você não disse nada com coisa alguma e ainda estragou nosso clima de casal apaixonado – ele fingia decepção.
- Idiota – bagunçou seus cabelos. – Juro que essa foi a última vez que falo disso com você, eu vou melhorar. – Se jogou nos braços dele. – Obrigada, obrigada, obrigada por hoje, você foi o melhor amigo desse mundo.
“Merda.” pensou enquanto beijava o topo da cabeça dela.
- Te deixo na casa dos seus pais ou no seu apartamento? – ele perguntou, assim que entraram no carro.
- Me deixa no prédio, preciso estar em casa amanhã o dia inteiro – respondeu, ligando o aquecedor e o rádio.
- Por quê? Alguma coisa importante? – deu partida, xingando mentalmente quando começou a tocar ‘Is This Love’ do Whitesnake.
- Jesse vai deixar meu carro lá amanhã, e ele pode aparecer a qualquer hora.
- Sempre esse merda. Posso dar uma surra nele? Juro que tento não deixar marcas, só pra dar um susto mesmo – ele pediu, assim que o carro parou no sinal fechado.
- Pode sim, mas só se você gravar e pôr no YouTube depois – a garota respondeu, rindo, e deu um beijo no ombro de . – Você quer que eu esqueça o Jesse e me apaixone por você, né? – perguntou e riu de leve.
- Eu to sentindo um clima entre a gente, você não tá? – ele brincou, dando partida novamente e ela logo retrucou.
- Um clima entre nós dois? NUNCA!
- Como assim? Claro que rola um clima entre a gente. – falou, fazendo-a gargalhar. – Que foi?
- Lembrei de uma coisa que minha mãe vive me dizendo. Ela fala que a gente combina, digo, que nós faríamos um casal bonito – ela falou e logo ficou séria quando se lembrou de “ é o seu cara”.
- Não, isso não vale. Eu combino com todas as garotas do mundo. – justificou e começou a levar a brincadeira a sério.
- Eu não acho que você combine com a – falou, olhando para a rua.
- Você acha que eu combino com você? – ele perguntou, levando a brincadeira tão a sério quanto ela.
- Acho sim. Sempre achei – respondeu e parou o carro.
- Está entregue, madame – ele falou e se assustou ao dar de cara com seu prédio.
- Ok. Agradeço de novo a noite encantadora de casal apaixonado e qualquer coisa, me ligue. – Ela ia descendo do carro quando segurou sua mão, fazendo-a voltar e se sentar de novo.
- Eu não quero que você esqueça o Jesse e se apaixone por mim... se você não quiser. – Ficaram um tempo se encarando até os dois digerirem o que havia acabado de dizer e, num impulso quase que imediato, se curvou encostando seus lábios nos do amigo.
- Agradeço de novo a noite encantadora de casal apaixonado e qualquer coisa, me ligue – repetiu e finalmente saiu do carro sentindo o coração querer sair pela boca.

“Mentira! Ele disse isso mesmo?” parecia desacreditada enquanto explicava – com detalhes – o que aconteceu na noite anterior.
- Não, eu tô inventando tudo e tirando uma com a sua cara. Claro que disse, né, ! – Segurava o telefone, tão desacreditada quanto a amiga.
“Mas, mas, mas... e você? O que acha disso?” O tom da voz de ainda não havia mudado e se perguntava se tinha sido uma boa ideia ter contado aquilo a ela.
- Eu estou normal, sei que ele só disse isso porque quer me libertar do Jesse. E você sabe o que aconteceu da última vez que eu me apaixonei por ele. Então, vou ignorar.
Ela não queria ignorar, queria ter perguntado a qual era o significado daquelas palavras, na mesma hora em que ele as disse, mas a surpresa e a falta de coragem falaram mais alto.
, vocês praticamente se beijaram.” A voz quase sussurrada de contrastou com o toque quase ensurdecedor do bip do celular dela avisando que havia outra chamada.
- , segura seu raciocínio que eu já te dou um toque – a garota pediu e atendeu a outra ligação. – Oi?
“Já tô aqui embaixo com seu carro, não demora.” Escutou a voz sarcástica de Jesse e sentiu vontade de perguntar se o “embaixo” significava algo próximo do inferno.
Mas ele desligou o celular antes.
- Oi – voltou a falar com . – Depois eu te ligo, vou pegar meu carro. O traste já tá lá embaixo – ela falou, já no hall do elevador. – Ah, e só pra que não reste duvidas, foi só um selinho de amigo, beijos. – Desligou o celular depois de escutar uma risada abafada do outro lado e desceu no elevador, respirando fundo para ter tranquilidade de sobra pra não perder a linha com seu ex. Ao sair do prédio e dar de cara com o frio – Mentira? –, caminhou rapidamente em direção ao seu carro assim que o avistou. Jesse tinha feito questão de parar em um lugar proibido naquele horário.
- Obrigada por tudo, agora, você poderia sair do meu carro e me entregar as chaves? – pediu da janela do carona sem querer muito contato físico ou até visual com Jesse.
- Calma lá! Entra aí, vamos conversar um pouco – o rapaz falou, destravando a porta e logo ela observou a chave na ignição.
- Nunca. Anda, Jesse, dá licença. Tenho muita coisa pra fazer ainda. – pediu, ainda muito educada.
- Percebendo que a sua confiança está abaixo de zero em relação a mim, eu tiro a chave da ignição – ele falou, quando percebeu o olhar dela fixado na chave. – Entra agora? Não vou te sequestrar.
“Opa. Deja-vu?”
A garota se deu por vencida e finalmente entrou no carro.
- Pode falar.
- Não quero falar nada, quero saber como você está e como anda sua vida. – Sarcasmo, sarcasmo e mais sarcasmo. Até os olhos dele eram sarcásticos.
- Vou muito bem, obrigada – respondeu, seca, sem olhá-lo. Mantinha a posição tensa para qualquer gracinha que ele pudesse tentar.
- O casal mais lindo e perfeito do mundo já se assumiu publicamente? – Ela sabia de quem ele estava falando, mas preferiu entrar no seu jogo.
- Quem? Eu e sua mãe? – falou rapidamente e percebeu que o comentário fora a gota d’água para destruir a falsa calma que se instalou dentro do carro.
- Olha aqui, – Jesse falou, enquanto tentava enfiar a chave na ignição novamente, sem sucesso, visto que a garota foi mais rápida e a tomou de sua mão.
- Olha aqui você. – Ela lhe apontou o dedo, olhando diretamente em seus olhos. – Some-da-minha-vida. Por favor, finja que eu não existo ou finja que você não me conhece. Eu não quero mais contato com você, tá entendendo? – falou baixo, porém forte o suficiente pra que Jesse se calasse.
- Não sabia que você tinha aprendido a ser forte porq...
- CALA A BOCA! Sai do carro agora! – gritou e ele finalmente se deu por vencido.
- Eu não vou ficar longe por muito tempo, você ainda vai me ouvir, . – O rapaz saiu do carro a contragosto e fez o mesmo, logo entrando no prédio.
Acreditava no que havia acabado de acontecer, afinal de contas, aquilo já era esperado. E também sabia que todas as vezes que encontrasse com Jesse ia ser daquele jeito, porém naquela hora, ela se assustou com tamanha raiva que sentia. Parecia estar fora de seu corpo e lágrimas de raiva não paravam de cair enquanto subia novamente pra seu apartamento.
- Erm... oi, aconteceu algum problema? Você precisa de ajuda? – Ouviu uma voz desconhecida perguntar e se deu conta de que não estava sozinha no elevador.
- Não, tá tudo bem. – Soltou seu melhor sorriso falso. – Não precisa se preocupar.
- Tudo bem, então – o homem respondeu, simpático, e o reconheceu. Era o rapaz que conversava com Gary há alguns dias atrás. – Com licença – ele falou quando o elevador parou em seu andar e saiu, deixando-a sozinha e perdida dos acontecimentos recentes.
Entrou no apartamento na mesma hora em que telefone começou a tocar.
- Que foi, ?
- Por que você demorou tanto? – perguntou a amiga, preocupada. – E por que essa voz trêmula e esganiçada? – perguntou alto. – O que ele fez, ? – perguntou, determinada.
- Dá pra ser uma coisa de cada vez? Ele me fez raiva, foi só isso. Olha, depois eu te ligo, pode ser? Vou levar o carro num mecânico aqui perto e...
- Mas o traste não acabou de trazer seu carro do mecânico? – nunca parava de perguntar.
- Eu não confio no traste, gata.
- Beleza, não saia de casa. Tô indo pra aí agora, você não pode dirigir nesse estado de nervos. – também nunca parava de se preocupar.
- Te dou dez minutos, tchau – assim que desligou o telefone, foi até a sacada pra ver de Jesse ainda estava por perto, porém, outra pessoa lhe chamou a atenção.


Cap 6 - It is just time for me to rest my head;

Naquele dia faziam três semanas completas da nova turnê do McFLY pela Europa. estava se virando bem sem a companhia dos amigos, já que a empresa do pai lhe tomava boa parte dos dias da semana.
O som da televisão já parecia vir de algum lugar fora de órbita, considerando os pensamentos que o tédio momentâneo lhe provocava. Andou até a sacada e o carro de seu vizinho bonitão estava estacionado no mesmo lugar que algumas semanas antes. Observava os grandes prédios, tentando se distrair de qualquer forma, e já passava das 23 horas quando decidiu colocar uma quantidade boa de roupas e ir esperar na rua mesmo, afinal de contas, respirar o ar da cidade grande fazia muito bem a ela em qualquer hora.
Sentou-se em uma das muretas que separava o jardim do prédio e depois de mais uns bons minutos pensando, alguém lhe chamou a atenção.
- Você costuma pensar muito, né? – Uma voz naturalmente rouca fez com que subisse seu olhar rapidamente e arregalasse os olhos antes de responder.
- Sim. Não. Talvez.
- É, você pensa muito mesmo. Tá esperando alguém ou eu posso me sentar? – O dono daquela voz era sua nova obsessão. Sempre que podia, ficava na sacada de seu apartamento calculando as horas de saída e de chegada daquele ser tão maravilhoso. Ela sabia que ele morava no décimo andar e que tinha, pelo menos, dois carros, já que um ficava estacionado do lado de fora. E agora ela sabia que ele tinha um ótimo gosto para perfumes.
- Claro que pode se sentar – foda-se .
- Prazer; meu nome é Adam. – Ele se apresentou, estendendo a mão, e perdeu o foco em seus lindos olhos verdes, mas logo se conteve, apertando a mão do rapaz.
Hm, mãos firmes. Para, , Para!
- Prazer; . – Conseguiu sorrir delicadamente.
- Desculpe a curiosidade, mas o que você faz aqui embaixo numa sexta-feira à noite? – Ele parecia realmente interessado naquela resposta, já que os olhos se mantinham firmes no rosto da garota.
- Eu gosto do frio. – Ela deu ombros e logo se arrependeu da resposta idiota. – Digo, hoje o meu dia não foi tão agitado e eu não consigo lidar com isso. – Arrancou um belo sorriso do rapaz. Ponto pra ela. – E você?
- Digamos que nós estamos empatados. Eu só desci pra pegar uma coisa no carro e subir rápido. – Adam balançou um papel em uma das mãos e se perguntou quando ele havia passado por ela e ela não tinha percebido. – Você parecia tão distraída que eu nem queria chamar sua atenção, mas eu odeio ficar curioso... e você parece ser bem interessante.
Adam estava flertando e tinha vontade de sair pulando de alegria, afinal de contas, aquele homem era um sonho. Moreno, alto, olhos verdes, cheiroso e ainda tinha um sorriso de desconcertar até a modelo internacional mais bem paga do mundo.
- Obrigada pelo elogio, mas não posso garantir que seja verdade.
Quando já se sentia à vontade o suficiente, conversando com aquele deus grego, seu celular tocou, indicando que já estava chegando.
- Com licença – falou antes de atender, recebendo uma afirmação de Adam. – Oi. Tá aonde?
“Tô na portaria e to te vendo; quer mais alguns minutos?” , compreensiva como sempre, fez soltar uma risada pelo nariz e uma luzinha vermelha idiota dentro de sua cabeça a fez negar o favor da amiga.
- Não precisa, pode entrar. – Desligou o celular e se virou pro rapaz sentado ao seu lado. – Então, eu meio que menti. – Deu um sorriso sem graça. – Eu estava esperando uma amiga, que acabou de chegar. Erm, mas eu só fiz isso porque te achei bem interessante também. – Os dois se levantaram e enfiou as mãos nervosas no bolso da blusa de frio.
- Então, quando você estiver entediada, liga nesse número. – Ele entregou um cartão a ela. – Quem sabe a gente não descobre se somos mesmo interessantes? – O rapaz sorriu de uma maneira que não sabia identificar, era um sorriso meio... Safado?

- Aí tá frio? , você ta agasalhado, né? Me deixa falar com o . – falava impaciente. – , vocês tão bem mesmo?
“Vem cá, você não confia na palavra do seu namorado, é isso?” o rapaz falou, rindo, do outro lado da linha.
- Confio sim, mas ele mente pra mim. Ele tá muito mal? – roia as unhas.
“Não, , a gente já levou ele no hospital e ele só tem que tomar alguns remédios e ficar de repouso, mas ele tá consciente, pelo menos.” brincou e a amiga apertou ainda mais o celular contra o ouvido.
- Me deixa falar com ele de novo. – Um chiado estranho ecoou pelo celular e logo a voz de pode ser ouvida.
“Oi, . Eu não devia ter te avisado de nada.”
- Bebê, só promete que você vai ficar mesmo de repouso, pelo menos até o show de depois de amanhã – falou, manhosa, e rolou os olhos depois da palavra “bebê”.
“Prometo, , agora esquece isso, ok? Tenho que desligar agora; a comida chegou”
- Tá bom, te amo.
“Te amo muito, tchau.”
- Que droga, , eu sabia que tinha que ter ido... – A garota se sentou no sofá do lado de . – Ele teve um princípio de pneumonia – falou, assustando-a um pouco, já que nunca fora de ficar doente, mas a vontade de tranquilizar a amiga falou mais alto.
- , ele já tá bem, não tá? E a Lady tá com eles, a diferença entre vocês duas é mínima. Ele será bem cuidado.
Apesar de achar a situação um pouco engraçada, sabia que aquilo era o mínimo pra tirar, pelo menos, algumas horas do sono de , e como a amiga ia passar um tempo em sua casa, manter distraída ia ser uma tarefa difícil.
- Ok, eu vou me controlar... Mas só porque eu quero muito saber quem é aquele cara que tava falando com você lá embaixo. – cruzou os braços e, de acordo com seu comportamento “semibipolar”, concluiu que o assunto ‘ doente’ havia se esvaído do ambiente.
- Meu vizinho bonitão – ela falou, empolgada, mas logo baixou a guarda. – Digo, Adam.
- ‘Pera, aquele vizinho bonitão? Não acredito! Como você falou com ele? – falou, mais empolgada do que estivera segundos atrás.
- Ele que veio falar comigo e disse até que me achou interessante!
- Como assim? Pode me contar tudo, !

Ficaram um bom tempo comendo besteira enquanto contava o que havia acontecido horas antes. Não podia negar que, naquele momento, estava muito interessada naquele rapaz, pois ele devia ser o sonho de consumo de várias mulheres por aí.
- Vocês estavam flertando na primeira conversa? Sexo. – falou naturalmente e riu.
- Você viaja.
- Não viajo, não. Tá na hora de você voltar a ser aquela moderna, sabe? Tá na cara que o lance de vocês vai acabar em sexo. E se pintar uma oportunidade aceite, hein!
- Moderna? Como assim? – perguntou, bêbada de sono.
- Sexo sem compromisso. Se esse cara for mesmo tudo o que você ta dizendo, ele deve ser muito cobiçado, e se o lance de vocês aconteceu mesmo do jeito que você contou, ele quer uma noite selvagem, . Se prepare. – ainda mantinha o ar natural e não achou uma ma ideia.
- Você previu isso tudo só porque eu disse que o cara me achou interessante? – Agora o assunto tinha ido para um lado bom.
- Pensa comigo, . Ninguém interrompe a solidão de outra pessoa se não tem um interesse no meio. Confie em mim.
Droga de cabeça que não parava de pensar nos olhos verdes. Seus olhos buscaram o papelzinho em cima da mesa e um leve sorriso de formou em seus lábios. Ela precisava ter aqueles olhos verdes e a culpa era de .
Ou talvez não...

A noite fora tranquila, sem muitos sonhos, muito menos pesadelos. estava atirada de qualquer jeito ao seu lado na cama e a TV estava ligada. Cuidou de sua higiene matinal e foi fazer a única coisa que lhe parecia comestível naquela manhã fria: cookies de chocolate. Amarrou os cabelos num coque frouxo e quando o delicioso cheiro de chocolate invadiu suas narinas; logo se lembrou de . As coisas não tinham mudado muito depois do quase beijo no carro, e os dois agiam como se nada tivesse acontecido, o que só fez esfriar os sentimentos que foram superaquecidos depois do ocorrido. Cogitar a hipótese de que alguma coisa poderia dar certo entre os dois era como dar murro em ponta de facas, levando em consideram todos os beijos já trocados por eles.
Vamos lá, Adam, sirva para alguma coisa. pensou, com a testa encostada na parede da cozinha, antes do barulho insuportável do interfone quase estourar seu tímpano.
- Pronto – atendeu, impaciente.
“Tomei a liberdade de descobrir o numero do seu apartamento.” quase não acreditou quando a mesma voz rouca do dia anterior arrepiou seus cabelos da nuca. “O que não foi muito difícil, levando em consideração que é um apartamento por andar e você mora no último.” A garota deixou uma risada escapar e logo respondeu:
- Bom dia, vizinho. Desculpe por ter te dado todo esse trabalho pra adivinhar onde eu moro. – Dessa vez foi ele quem riu. Mais um ponto pra ela.
“Imagine, foi um prazer... ahn, mudando de assunto ,antes que você pense que eu vivo flertando com as pessoas, eu queria saber se você vai fazer alguma coisa hoje à noite.” levou alguns segundos para digerir toda a frase, do começo ao fim. Suas mãos começaram a suar e vários pensamentos lhe tomaram a cabeça durante um milésimo de segundo.
- N-não – falhou de primeira. – Não vou fazer nada hoje. – Silencio total da parte dela.
“Então, você gostaria de descer aqui mais tarde? A gente podia, sei lá, jantar...”
Descer-aqui-mais-tarde? Na casa dele? Não, não, no inferno. Mais milhões de pensamentos lhe tomaram a mente antes da grande decisão ser, finalmente, tomada. Era pra ser moderna, não era?
- Tudo bem... que horas? – respirou fundo, mas baixo o suficiente pra que ele não a ouvisse do outro lado da linha.
“Oito e meia tá bom pra você?”
- Tá ótimo... e eu levo o vinho – se apressou em dizer, e pelo barulho que ela ouviu, ele podia estar sorrindo.
“Perfeito; te espero, então. Tchau.”
O coração de parecia querer sair pela boca por vários motivos. Adam era um cara intimidador. Parecia, no mínimo, uns quatro anos mais velho que ela. Tinha um porte físico de dar inveja em qualquer homem e tinha mãos firmes, mas dormia com o mesmo homem havia 2 anos. Não que pudesse reclamar de Jesse, mas voltando ao ponto de partida, Adam era um cara intimidador. Percebeu que ainda mantinha o interfone preso ao ouvido e agradeceu o fato de estar escutando o “tutututu” avisando que estava desligado do outro lado. Quando finalmente desligou o interfone e se virou pra trás, tomou um grande susto ao encontrar com o sorriso mais irônico do mundo.
- “Você viaja” – imitou, ridiculamente, a voz de e completou: – Pode fazer uns abdominais caso você tenha perdido o jeito.
- Vá se foder, . – não segurou nem a gargalhada e nem o dedo.
As duas saíram logo depois do café da manhã, alegando a presença insuportável do tédio naquele apartamento. Almoçaram em um restaurante vegetariano (porque não queria ganhar nenhum quilo até a noite) e logo foram para o supermercado escolher o melhor vinho com maior teor de álcool.
- Eu acho uma sacanagem você me deixar sozinha no seu apartamento. – brincou, fazendo rolar os olhos.
- Isso tudo é culpa sua, otária. Você que o atraiu com a lei da atração – riu da própria frase idiota.
- Se eu tivesse mesmo o atraído, eu ia atrair pra mim, não pra você – respondeu, segurando a caixa de um vinho que logo rejeitou.
- Só não se esquece que você tem um namorado doente te esperando do outro lado da Europa. – cutucou a onça e recebeu um dedo do meio como resposta.
- Sem graça; eu tinha esquecido que ele tava doente. – roeu as unhas. – Viu? Eu fiquei tão empolgada com você que até me esqueci da minha razão de viver.
- É, até rima você faz pra ele. Vem; já achei o vinho. – saiu puxando a amiga pelo supermercado.

Oito e meia em ponto.
pretendia chegar com 5 minutos de atraso. No mínimo. Olhou-se no espelho pela enésima vez, até ver que não tinha nada fora do lugar. Nada de maquiagem forte e nada de salto, pois não queria passar uma impressão errada. Queria parecer “de boa”, já que eles nem iam sair do prédio. A ansiedade falou mais alto quando já eram oito e trinta e três, e então ela desceu pra sala, encontrando uma super-concentrada olhando pra TV.
- , tá tudo bem? – perguntou, olhando estranho.
- Tá, eu só tô tentando assistir esse filme inteiro. Quero descobrir porque o gosta tanto de Star Wars – a amiga respondeu, sem tirar os olhos da TV. – Bom jantar, e não esquece o vinho.
- Ok, me espere acordada.
Chamar o elevador nunca tinha sido tão difícil. Fazia todos os movimentos o mais devagar possível. Apertou o botão do 10º andar e então a porta de fechou. Incomodou-se com a lentidão do elevador e 7 andares abaixo, lá estava a porta. Tocou a campainha e quando os passos foram ficando altos demais, a porta se abriu.
- Boa noite, vizinha. – Adam sorriu maravilhosamente. – Pode entrar. – Ele vestia um jeans escuro e, como o aquecedor estava ligado, uma camiseta roxa apertada o suficiente para deixar a mostra, pelo menos, seus bíceps definidos.
- Com licença. – também sorria. – Belo apartamento, vizinho – falou, enquanto Adam olhava concentrado para o vinho em sua mão. – Ah, esse é o que eu mais gosto; se você não gostar eu posso pegar outro lá em cima.
- Não, eu tô olhando porque eu também adoro esse vinho. Já temos uma coisa em comum. – O sorriso que Adam mantinha agora não era benigno, disso ela tinha certeza, então ele se virou e foi buscar alguma coisa na cozinha.
A decoração do apartamento era de um bom gosto irreconhecível, e observava tudo sem preocupação, os quadros, a pintura e até a posição dos móveis.
- Isso é obra da minha mãe; não vá achando que eu tenho bom gosto. – Ela se assustou com a aparição repentina do rapaz atrás de si e só teve tempo de soltar uma risada abafada.
- Que pena; pensei mesmo que você tinha bom gosto. – brincou e Adam lhe entregou uma taça de vinho.
O jantar havia sido um sucesso, não faltava assunto (lê-se: flerte) entre os dois e no fim da sobremesa já se sentia meio “alegrinha”.
- Eu ficava mesmo te olhando da sacada. – Adam confessou, sorrindo, quando os dois estavam sentados no sofá.
- Como eu nunca percebi antes? – perguntou, dando mais um gole no vinho.
- Não sei. Faz muito tempo que eu te observo. – Adam colocou sua taça sobre a mesinha de centro.
- Sério? – Ela não pretendia dizer que ela também o fazia; queria ter certeza onde estava pisando antes. – Eu me lembro de você conversando com o Gary uma vez, te achei super gato, mas foi só essa vez mesmo. – O álcool definitivamente não lhe ajudava na hora de dar desculpas esfarrapadas.
- Se foi um dia que você estava usando um vestido azul, eu me lembro. – Adam sorriu de modo engraçado e pode imaginar o álcool fazendo os mesmos efeitos nele. – E desculpa a sinceridade; você tava muito gostosa – a resposta repentina fez com que ela se sentisse um pouco tonta antes de soltar uma gargalhada.
- Sério? – perguntou, de novo, antes de Adam lhe tomar a taça de vinho e colocar ao lado da dele na mesinha. “Droga, é agora.” Ele ficou subitamente sério enquanto se aproximava rapidamente dela.
- Posso? – ele perguntou, enquanto colocava uma mecha dos cabelos dela atrás da orelha.
- Só se você não pensar que eu costumo fazer isso com todos os outros caras. – Sinceramente, ela nunca mais ia beber depois dessa. Se bem que quando Adam a chamou de gostosa, o susto foi tão grande que metade do efeito que o álcool lhe causava tinha ido embora.
- Prometo.
- Pode.
O beijo começou tão suave quanto um avião em turbulência, e aproveitava o pouco espaço que tinha atrás de si para se encostar a alguma coisa. Suas mãos apertavam os ombros de Adam enquanto ele apertava tudo o que estava ao seu alcance. Quando finalmente conseguiu se ajeitar deitada no meio daquele beijo louco, , automaticamente, arrancou a camisa do rapaz, que sorriu rapidamente antes de selar seus lábios de novo. Não demorou muito para que sua blusa estivesse no chão também, mas parecia que Adam estava fazendo algum tipo de jogo para deixá-la louca (ou era seu subconsciente gritando o quanto ela sentia falta daquilo, afinal, faziam quase dois meses de sua última vez com Jesse). Tentando imaginar a cena de fora, e aos poucos voltando à sanidade, teve certeza de que a dor de cabeça que o vinho lhe causaria no dia seguinte valeria à pena, não só por causa das mãos firmes de Adam, afinal, ela havia acabado de descobrir que não eram apenas as mãos dele que eram firmes.

Eram quase 6 horas da manhã quando destrancou a porta de seu apartamento e deu um pulo do sofá.
- Porra, que susto!
- Desculpa por ter te acordado desse jeito, mas eu não mandei você me esperar acordada?
- MANDOU, AGORA ME CONTA TUDO! – já parecia completamente sem sono. – Vai, , eu quero saber tudo! Olhe as horas, vocês ficaram...
- Calma, , eu vou te contar, é só você elaborar uma pergunta decente – falou, impaciente se sentando no sofá.
- O que vocês comeram? – perguntou, como uma criança de 5 anos de idade ganhando um pirulito.
- Sério que você vai perguntar isso? – rolava os olhos.
- Vou por fases; primeiro eu pergunto do jantar.
- Massa.
- Ele gostou do vinho?
- Sim.
- Que cor era a blusa dele?
- Roxa...? – respondeu, olhando o mais estranho possível para a amiga.
- Sobremesa?
- Um doce de chocolate que eu não faço ideia de qual seja o nome... , vai logo, eu to cansada! – Reclamou, vendo o dia querendo clarear.
- Tá bom, tá bom... ele... é... bom? – perguntou com cara de “animação contida” e riu com desdém.
- Bom? O cara é uma máquina! – Prestando atenção ao próprio vocabulário chulo, chegou a conclusão que o efeito de todos os outros vinhos que eles tinham tomado no decorrer da noite ainda não tinha passado.
- Uau, ! Eu não acredito que eu fiquei aqui assistindo esse filme enquanto você se dava bem. Juro que sua pele já ta maravilhosa. – bufou. – Amanhã eu vou passar o dia inteiro pendurada no telefone, você vai ver.
tomou um banho rápido e as duas dormiram do mesmo jeito que o dia anterior. Eram 4 da tarde quando acordou naquele domingo cinza e pelo barulho que vinha da cozinha, já estava de pé. Sua cabeça não doía, o que foi motivo suficiente para agradecer pelo resto do dia. Lembrou-se de sua noite e um sorriso teimoso apareceu em seus lábios. Ela conhecia a fama de caras como Adam, e ela não ia se deixar levar por ele. Ele que ligasse de novo. Por favor.
- Bom dia, linda. – falou de mau humor. – Não consigo ligar pra Madrid. Parece que essa joça tá de mal comigo hoje. – jogou o celular em cima da bancada antes de preparar uma panqueca para .
- Relaxa... quer fazer alguma coisa hoje? – perguntou de boca cheia.
- Não, queria ficar em casa... Vem cá, essa semana você vai trabalhar? A gente podia passar um tempo juntas, né? Fazendo coisas de garota – pediu, voltando a mexer no celular.
- Ok, eu vou esquecer a empresa e você vai esquecer o .
- Combinado. – jogou o celular na bancada de novo.

Blusa, sapatos, brinco, blusa, pulseira, sapato, pulseira, calça, vestido, bota e mais um monde disso. O resumo da semana era prático e simples. Gastaram todos os dias da semana dentro de shoppings ou lojas famosas em Londres e o combinado saiu melhor do que o esperado, a não ser pelas horas que passava pendurada ao telefone, escondida de . O clima em Londres parecia esquentar cada vez mais e aquilo agradava. Sexta-feira à noite e estava esparramada no sofá da sala, usando um vestido, o que pra ela parecia ser um sonho impossível. tinha ido em casa buscar algumas peças de roupas e levar outras pra lavar, mas sabia que ela estava no telefone. Riu sozinha de imaginar respondendo a metralhadora de perguntas que, com certeza, ele estava recebendo. Deixou a televisão da sala ligada em FRIENDS enquanto procurava a receita de uma lasanha deliciosa que sua mãe havia lhe dado. Andou ate a cozinha separando os ingredientes e deu um pulo quando seu celular tocou em uma altura descomunal.
- Alô.
“Vou fazer uma pergunta e você tem três chances pra me convencer de que é uma boa amiga.” sorriu tanto que parecia que seu rosto não era o suficiente para agüentar. “Quando você pretendia me ligar?”
- ! Há quanto tempo eu não ouço a sua voz... – falou, como se estivesse se desculpando.
“Então você concorda com meu aborrecimento?”
- Descuuuuuulpa! É que a me distrai muito. – gargalhou do outro lado da linha. – Você sabe que ela tá passando um tempo aqui comigo, né? É tudo culpa dela!
“Eu sei, sim, só liguei pra ouvir sua voz e saber de tá tudo bem. Já preciso desligar.”
- Me sinto péssima e a culpa é sua. – fez uma voz chorosa, mas ainda estava rindo.
“Isso é pra você aprender a não me abandonar! , tenho mesmo que ir agora. Beijos e te amo.”
- Tchau... – falou, depois que ele já havia desligado o telefone e se sentiu péssima mesmo. Encostou a cabeça na bancada e ficou tentando adivinhar porque ela se sentia tão culpada em relação a . Talvez não propriamente em relação a , mas sim em relação ao que ela sentia por . Mas o que ela sentia por ? Por que aquela droga de voz a tinha feito sentir a pessoa mais feliz do mundo? Realmente, ela precisava de um tempo. Ficou naquela posição nada confortável até voltar poucos minutos depois.
- , , – a amiga gritava, enquanto a procurava pelo apartamento.
- Na cozinha, gritou, impaciente.
- , , estava ofegante. – Eu preciso de você. – segurou nas mãos da amiga como se precisasse da coisa mais importante do mundo.
- O que eu posso fazer por você? – perguntou, desconfiada.
- Hoje, provavelmente nesse momento, os meninos estão chegando em Berlim. – rolou os olhos, prevendo o fim da conversa. – Eu já separei nossas passagens. Ainda não paguei, mas elas podem ser nossas.
- , como você me apronta uma dessas? – tapou o rosto com as mãos.
- Vamos, , toda imprensa não para de falar no meu bebê doente. – se chacoalhava de maneira engraçada. – Vaaaaai, a Lady e a tão lá. Vai ser tão legal, vamos, vamos, vamos, por f...
- TÁ BOM! Quando sai o vôo? – bufou antes de perguntar.
- Daqui a quatro horas. – sorriu, sem graça.
- Vadia – falou, a caminho de seu quarto.
O tão sonhado tempo pra pensar teria que esperar mais um fim de semana.

- Você vai ter que me comprar uma coisa bem legal – reclamava, enquanto babava nas vitrines luxuosas de Berlim já fechadas.
O vôo havia sido perfeito, visto que não eram nem 2 horas da manhã e elas já estavam dentro de um dos carros da produção da tour indo para o hotel. Como eram integrantes de uma banda muito famosa por lá, os meninos nem chegaram a cogitar a hipótese de buscar as amigas no aeroporto, e o máximo que eles conseguiram de última hora, foi hospedar a todos no mesmo andar, o que não foi difícil, já que os únicos que iam ficar em quartos separados eram e .
Quando o carro estacionou em frente ao grande hotel as duas desceram rapidamente, por conta do cansaço (ou não), e logo viram algumas groupies paradas do outro lado da rua.
- É mole? – perguntou, enquanto as duas se dirigiam a recepção. – Com licença – falou em inglês e a moça pareceu confusa, mas logo sua expressão mudou e ela respondeu num inglês quase perfeito.
- Sim, no que posso ajudá-las?
- Nós temos amigos hospedados aqui e eles nos disseram que fizeram nossa reserva há algumas horas atrás.
- Sim, alguma de vocês duas é a Srtª. ? – a mulher simpática perguntou e logo de pronunciou.
- Sou eu.
- Poderia checar seus documentos, por favor? – então fez todos os procedimentos cabíveis e logo as duas subiram para o 19º andar.
- Eu já fiquei hospedada aqui uma vez – falava, encarando as unhas dentro do elevador. Já não sabia se era só a saudade que estava lhe deixando tão nervosa a ponto de arrancar a própria cutícula com as unhas.
- Eu não, mas esse hotel parece fantástico – respondeu, pouco antes da porta se abrir e as duas darem de cara com um e uma sorridentes.
- AMORES! – gritou exagerada antes de abraçá-las bem forte.
- Oi, , que saudade dessas suas explosões. . – abraçou o amigo tão sorridente quanto a namorada.
- Oi, meninas – respondeu, rápido, cumprimentando . – Vamos pro quarto? Os meninos tão morrendo de saudade. Parece que faz um ano que o não faz sexo. – e riram enquanto beliscava o braço do rapaz.
- BEBÊ! – saiu correndo numa velocidade incrível e em poucos milésimos já estava enroscada a que lhe abraçada na mesma intensidade. – Que saudade, caramba. – Ela beijava todas as partes possíveis do rosto do rapaz.
- BEBÊ! – brincou, imitando os mesmos gestos exagerados de , só que com . – Ai, que saudade – falou, enquanto a levantava do chão num super abraço.
- UAU, só agora eu percebi que eu tava com uma saudade monstra de você; fiquei mega feliz quando soube que você ia assistir um show meu de novo. – sorriu, sincero, de um jeito que fazia se sentir derretendo.
- Ok, agora que os namoradinhos já receberam todo carinho possível, alguém pode se lembrar da minha existência? – pediu, engraçado, e lhe deu um abraço.
- Só não pense que a vai largar o namorado dela pra te abraçar – falou, rindo, enquanto se virava pra . – Bebê que tem convenio com todos os hospitais do mundo, que saudade de você também. – Brincou com a amiga, enquanto pode ler seus lábios sussurrando “preciso te contar uma coisa depois”, sorrindo.
Colocaram todos assuntos em dia, enquanto todos zombavam da cara de por ser o único solteiro da banda, se tornando, automaticamente, o alvo mais fácil das groupies lá no térreo.
- Ai, gente, fala sério, o não é o tipo de garoto que fica pegando essas meninas que não se valorizam – começou um discurso enquanto todos, incluindo , riram de uma maneira que deixou um tanto quando incomodada.
- Desculpa te desapontar, , mas ele é sim. – jogou um pedaço de papel amassado na cabeça da amiga, que soltou uma careta.
- Gente, preciso tomar um banho e dormir. Essa viagem surpresa acabou comigo. – lançou um olhar mortal pra , que anda mantinha a careta de antes. – Meu quarto é o 716, alguém sabe me dizer pra que lado fica?
- Fica de frente pro meu. – de levantou do meio da rodinha. – Vamos andando, agente também precisa DORMIR. – Lançou um olhar sugestivo pra todos os casais da sala os fazendo rir. – Vamos? – Estendeu a mão para que segurasse e ela o fez.
- Então, muito cansado? – perguntou, enquanto estavam de frente pro quarto 505.
- Muito, muito, muito mesmo. – “Claro, pegando groupies todos os dias, até eu ficaria.”
- Eu imagino... – disfarçou. – Mas você está com uma cara ótima, nem parece tão cansado assim. – Se xingou de tudo quanto era nome quando passou o braço por seus ombros e ela se arrepiou.
- É que nós esgotamos vários shows, então está sendo um cansaço bem prazeroso. – explicou, sério, parecendo um pouco tenso. O corredor com os quartos 700 havia chegado e um silêncio tenso, não para , se instalou.
- E seu encontro com Adam, como foi? – Ok, agora ela estava tensa. se sentiu gelar da cabeça aos pés com aquela pergunta repentina. Nota mental: matar no dia seguinte.
- Como você sabe disso? – perguntou, quando os dois estavam entre os quartos 715 e 716.
- O ligou pra no sábado e ela disse que você tinha a abandonado no seu apartamento. – Ele fez uma pequena (lê-se: longa até demais pra ela) pausa e depois continuou: – Aí ela contou a história. Coincidentemente, eu estava junto com ele escutei. Viva voz, sabe? – ainda estava presa na palavra “coincidentemente”. Será ela significava alguma coisa? – Só que não briga com ela depois, ela não sabia que eu tava no quarto dele. E eu só perguntei por curiosidade mesmo, tipo, quem é ele, o que ele faz, como ele faz pra passar o tempo, o tipo de música que ele gosta, o sobrenome dele... essas coisas básicas. – já gargalhava quando ele parou de falar, mas logo parou pra pensar em uma coisa que lhe passou pela cabeça. Qual era o sobrenome de Adam?
- , ele é um cara normal, sei lá. A gente se encontrou uma vez só – respondeu, indiferente.
- Fico feliz em saber que ele é um cara normal. – ironizou e não aguentou.
- É, e o que dizer sobre as suas groupies lá embaixo? – Alfinetou, vendo-o mudar o semblante do rosto na mesma hora, de irônico a assustado.
- Ah, , você sabe que é da sua cama que eu gosto, mesmo, de dormir, né? – ele respondeu com a cara mais lavada, tentando abraçá-la a qualquer custo.
- Ah, é? Pois saiba – lhe deu um tapa no braço – que hoje você não entra aqui. – falou engraçada e seguia firme (firme mesmo) na tentativa do abraço.
- Pois saiba que amanhã você não me escapa – o rapaz falou, ao mesmo tempo que cedeu aos seus braços fortes.


Cap 7 – I wanted water, but i’ll walk through the fire;

- ! – gritou, enquanto segurava a amiga pelo braço. – Ontem você me disse que tinha alguma coisa pra contar, o que é?
- Hm, é mesmo. A tem ótimas novidades pra nós, digo, pra ela mesma, né, ? – , que andava pouco mais à frente ao lado de , voltou alguns passos parando de frente pra amiga.
Como os meninos teriam um longo dia de ensaios e pequenos ajustes técnicos do show, , , e resolveram passar o dia vagando sem destino pelas ruas movimentadas do centro de Berlim.
- Conta logo que eu to morrendo de curiosidade, vai – pediu e assentiu com a cabeça.
- Ai, gente, nem é nada demais... É só que o finalmente me pediu em namoro – falou, roendo as unhas, enquanto o queixo de caía.
- Meu Deus, que notícia ótima. – abraçou a amiga que parara de roer a unha.
- Nossa, eu nem sei o que dizer, amiga – fez o mesmo que .
- Bom, nosso relacionamento não mudou muito depois do pedido, sabe? Mas, sei lá, é diferente de não ter compromisso. Parece que agora eu to completa – falou, enquanto elas voltavam a andar.
- E aqui está a minha amiga no começo de um namoro – falava em tom de brincadeira. – Eu adoro começos de namoro; tudo é tão mais lindo. O sol é mais lindo, o céu é mais lindo, as ruas são mais lindas, as estrelas são mais lindas, os pássaros são ma...
- Ok, , todas nós já entendemos a sua mensagem – interrompeu, sentando-se em uma cadeira do Café Milagro e sendo seguida pelas outras. – Só que se você não toma cuidado, seu conto de fadas pode acabar num instante.
- ! – advertiu a garota. – Isso não é uma informação que se dê sobre o início de um namoro, ainda mais pra alguém que ta começando um.
- É, gente, eu já namorei antes, já sei como funciona...
se sentia completamente paralela a aquele tipo de conversa. Ela adorava inícios de namoro tanto quanto qualquer outra pessoa, e o seu namoro com Jesse, por mais conturbado que havia sido, teve um ótimo começo. Um começo tão bom que dava até pena de ter terminado daquela forma.
- Se bem que eu conheço o há um bom tempo, ele não seria capaz de fazer isso – falava energicamente, enquanto e rolavam os olhos.
- Fazer o quê? – tentou fazer parte do assunto.
- Ê, , enquanto você viajava dentro da própria cabeça, a inventava milhares de motivos pra ninguém nunca manter um namoro por mais de seis meses ou se casar – respondeu, com a pior cara de tédio que conseguia e desdenhou.
- ? Aquela que não larga o pé do nem pra ele trabalhar em paz? – zombou e recebeu um olhar mortal da amiga. – Vai, , você não tem argumentos contra a minha frase. E eu nem sei do que você ta reclamando aí, seu namorado é um amor. – cruzou os braços e olhou para como se dissesse “olha o meu caso” e a amiga se calou com o clima tenso que se instalava. Na verdade, todas se calaram por alguns segundos. – Desculpa se eu fui chata – recomeçou a falar. – É que eu ainda estou meio abalada por estar sozinha e a minha cabeça não me deixa parar de pensar nisso um segundo sequer. – Apoiou a cabeça em um dos braços, mas ainda olhando fixamente para o rosto de cada uma daquelas pessoas que faziam tanta diferença em sua vida. – , eu to tão feliz por você que eu nem sei o que dizer. – Pegou na mão da amiga. – é um rapaz ótimo e eu tenho certeza que ele não te trairia com um dançarino espanhol. – Lançou um olhar divertido à , que abafou um risinho. – Senhorita , eu sei que o seu namoro com o teve um começo muito difícil, mas não assuste a nossa pobre criancinha aqui – Indicou com a cabeça. – e senhorita ... Sua vida é perfeita, se mata. – riu e e concordaram, jogando bolinhas de guardanapo em .

O resto do dia fora tranquilo; as meninas compraram algumas besteiras, jogaram muita conversa fora, tiraram algumas fotos com um pequeno grupo de fãs que as reconheceram e assim a tarde voou.
- Me empresta sua mão. – pediu assim que, com muita dificuldade, conseguiu falar com no backstage. Todas as pessoas do mundo pareciam estar correndo naquele lugar. Produtores, assessores, fotógrafos, câmeras, técnicos de luz e som, amigos de produtores, amigos de assessores, amigos de fotógrafos, amigos de câmeras, amigos de técnicos de luz e som e mais um monte de outras pessoas.
- Caramba! – exclamou assim que levou sua mão até o peito, mas precisamente na altura do coração. – Esse negócio vai explodir, hein!
Faltava pouco menos de meia hora antes do show e estavam todos concentrados em uma sala bem movimentada. conseguia enxergar fazendo massagem em , e abraçados (há um bom tempo, diga-se de passagem) e rindo de alguma besteira que falava. Voltou seu olhar pra e percebeu que sua mão ainda estava no mesmo lugar.
- Fica calmo, até eu to ficando nervosa – pediu, séria, e sorriu antes de respirar fundo.
- Tem muita gente lá fora. Preferia estar deitado debaixo do meu cobertor – o garoto falou feito uma criança de 12 anos e não pode deixar de rir.
- Fala sério, metade das meninas que estão lá fora voltariam pra casa frustradas se você não aparecesse com toda sua sensualidade – ela falou brincando, e alguma coisa de seu subconsciente fez com que ela o abraçasse forte. – Eu tenho tanto orgulho de você, gato. – Sentiu-o abraçá-la com a mesma intensidade.
- Eu não sei qual é a sua, mas uma hora você me deixa totalmente agitado e depois você parece um tranquilizante. – riu, ainda abraçado a ela – deve ser seu perfume.
- Hey, eu não uso perfume. – levantou a cabeça de modo com que olhasse no rosto dele.
- Eu sei disso – respondeu, sério. – Quando eu disse “perfume” eu quis dizer “cheiro”.
gelou. Franziu o cenho e arregalou os olhos diversas vezes tentando processar a informação. Ok, desde quando alguma coisa vinda de causava aquela reação?
- Isso... Isso foi uma cantada? Você ta me cantando? – perguntou, forçando uma normalidade inexistente.
- Não, to falando sério. Se eu pudesse, eu misturava todos esses cremes hidratantes que você usa só pra tentar sentir seu perfume quando eu sinto muito a sua falta, mas nunca da certo – falou, transparecendo uma normalidade existente. Falou naturalmente, como se não tivesse idéia do que aquelas palavras podiam causar na pequena pessoa abraçada a ele no momento.
- Dá pra parar de me deixar sem graça? – ela pediu e logo escutou pigarreando.
- Já pode beijar, né? – ele falou assim que os dois olharam assustados. Não só , mas , , , e os olhavam como se esperassem alguma coisa – todos nós ganhamos nosso beijo de “bom show”, , é a vez do . – falou, cruzando os braços e ninguém desgrudou os olhos de . Ela não sabia o que havia deixado-a mais boquiaberta, se foram as palavras que saíram da boca de , se foram os olhares fixados nos dois abraçados, ou se foi a forma com que voltou a encará-la antes de proferir a seguinte frase:
- Ele tem razão, .
Encara numa boa, encara numa boa, são seus amigos, ele é seu amigo, nada mudou, nada mudou, ele é só teu amigo, você já fez isso ante, vamos lá, dê a porra do beijo.” pensava enquanto segurava o riso. Bom, se ela sentiu vontade de rir é porque o mantra, além de ter funcionado, fez com que a tranqüilidade voltasse a reinar dentro dela, afinal de contas, eles eram só amigos. Amigos de longuíssima data.
- Ok, gato – falou antes de encostar seus lábios num selinho demorado, e foi um selinho, dois selinhos, três, quatro, cinco, até que Bradley, um dos produtores do evento, entrasse na sala, acabando com a diversão de todos.
- Vamos, meninas, o camarote de vocês já ta liberado.
- Tudo bem – falou por todas, dando um abraço rápido em . – Bom show, gente – mandou beijos e saiu da sala. Quando decidiu segui-la, a puxou de volta e afundou o rosto em seu pescoço. A garota levou um tempo pra entender o que ele estava fazendo até que ele inspirou uma grande quantia do perfume dela, fazendo-a se arrepiar dos pés a cabeça.
- Agora você pode ir – avisou, sério, e riu, mas sem vontade nenhuma de fazê-lo.

- Não, não, não, agora é sério – tentava chamar a atenção de todos no quarto, mas diante da situação de “todos”, ele seria contrariado.
Depois de finalizarem o show da noite (que por sinal havia sido perfeito), os meninos decidiram passar o resto da noite no hotel mesmo, sem nenhum fotógrafo não desejado para incomodá-los, assim como aconteceria em qualquer outro lugar. O dia seguinte era de folga, pois aquele já era o quinto show consecutivo na Alemanha, então, com a desculpa de festejar a passagem de e pela tour, todos resolveram encher a cara.
- Gente, por favor. – ainda implorava a atenção.
- , cala a boca – ordenou, entre risos. – Você acabou de dizer que a raiz quadrada de quarenta e nove é nove!
- É doido. Você foi muuuuuuuuito burro. – fez uma circunferência com o dedo indicador enquanto pronunciava a palavra muito. – Pode virar o shot.
- Mas... Mas...
- Mas nada, amorzinho! Errou, virou! – avisou, deitada no chão ao lado da cama e uma gargalhada aguda pode ser escutada até 5 andares abaixo.
- Olha, gente, a rimou. – gritava, entre risos.
virou o 12º shot de tequila de olhos fechados e quando os abriu, chegou até a pensar que o que via naquele quarto fosse algum tipo de miragem. , como já mencionado antes, estava deitada quase embaixo da cama, e de vez em quando podiam ouvi-la até falando sozinha. estava sentado ao lado da namorada, com a cabeça pousada na cama e assim como , de vez em quando soltava algumas exclamações paralelas à conversa. e estavam sentados na cama de casal junto com , que, algumas vezes, os enchiam de beijos pelo rosto dizendo que os amava muito. estava sentado em uma cadeira que estava posicionada bem de frente pra . E ... Bem, estava no colo de . Alegre e de pijama sexy. Mas no estado em que se encontrava, estava pouco se fodendo se ela estava alegre.
- Vai; é a vez do responder! – apontou o dedo pro rosto de e quase tocou seu nariz ao fazê-lo. Então, para fugir do 17º shot de tequila, ele desconversou.
- Não, eu tenho uma coisa importante pra falar! – Depois de dar um soco na mesa, ele se levantou. – Acabei de compor o nosso próximo single. – , que há poucos segundos tentava, de qualquer jeito, dar um selinho em , olhou para o namorado desacreditada e orgulhosa.
- Vai amor, canta! – Agora ela batia palminhas.
- Essa canção é especialmente para os meus amigos e . – jogou a cabeça levemente pra trás rindo, e logo pensou que se ela não saísse imediatamente de seu colo, o clima ia ficar pesado. – Vou cantar, hein. – fez uma cara engraçada e logo começou a cantar com voz de ópera – dois namoradinhos, vão casar cedinho – a risada que soltara depois da musica, conseguiu aliviar um pouco a tensão que circulava em seu corpo e, como num passe de mágicas, todos se levantaram correndo e começaram a cantar junto com . Todos menos , que tentou se levantar duas vezes, mas não conseguiu.
- Dois namoradinhos vão casar cedinho. – pulava e apontava para os dois – MAS TEM QUE TER BEIJO ANTES! – gritou e no mesmo instante cessou sua gargalhada tão desesperadamente, que até soltou um soluço.
- Mas eu já beijei hoje – falou, indignada, chacoalhando pelos ombros como se esperasse alguma reação.
- Não, aquilo foi só selinho. – , que estava de pé ao lado de , falou ameaçando empurrar pra cima de . – Agora tem que ser um beijo de verdade, daqueles que vocês davam na escola, lembra?
- Lembro, sim. – assentiu e se voltou pra . – Diz alguma coisa!
- Ué, eles querem beijo e não vão sossegar até a gente dar – falou normalmente e olhava pra ele e para os amigos esperando que alguém a salvasse.
- Mas assim, na frente de todo mundo?
- Não, não, ali no canto, ninguém aqui quer ver mesmo. – gritou do outro lado do quarto.
- Ai, mas que saco! – reclamou e logo se virou pra . Os dois já estavam bem próximos devido à posição favorável, então ela fechou os olhos na mesma hora. Quando estava perto o suficiente para sentir o nariz dele encostando-se ao seu, desviou e enterrou o rosto no pescoço do rapaz.
- AAAAAAAAAAH – todos protestaram em uníssono.
- Vai logo, sua gay. – deu uma “toalhada” nas pernas da garota.
Ela podia sentir o coração batendo freneticamente contra o peito, e a falta de reação de a incomodava. Sacudiu-o pelos ombros mais uma vez procurando alguma reação que a confortasse e quando ela finalmente chegou, foi em melhor do que o esperado.
- , pelo amor de Deus, me dê logo esse beijo antes que eu dê por nós dois – ele falou tão baixo que ela chegou a duvidar que os outros tivessem escutado. Sem pensar duas vezes, ela deu um pequeno impulso pra frente, encostando seus lábios, ainda fechados, nos dele. , por sua vez, segurou o rosto da garota fortemente contra o seu e abriu a boca, aprofundando o beijo de uma maneira que nem ele esperava e sentiu apertar o braço em volta de seu pescoço. Sem esperar muito, passou um dos braços em volta da cintura da amiga e agradeceu mentalmente o fato de ela estar em seu colo, o que facilitava muito qualquer tipo de movimentação que ele quisesse fazer. Quase um minuto se passou e já não conseguia mais pensar em nada, estava completamente entregue àquele momento e só depois de soltar um pequeno gemido e escutar uma risadinha de , ela se deu conta de que alguns bons minutos haviam se passado e os amigos permaneciam em silencio. Separou-se rapidamente de e quando abriu os olhos e encarou a todos, riu e tapou a boca ao mesmo tempo. Ela estava completamente envergonhada. , e estavam boquiabertos e segurando o riso, estava com o rosto apoiado nas mãos e os olhava como se aquela fosse a cena mais linda do mundo. tapava a boca com as duas mãos enquanto mantinha o dedo apontado para os dois sem fazer expressão nenhuma.
- Vocês querem privacidade? – gritou e uma explosão de risos tomou, completamente, o ar constrangedor que cercava e , mas quando fez menção de se levantar, o constrangimento voltou com força total para a garota.
- Não – disse , enquanto a puxava de volta. – Espera só mais um minuto. – Riu, divertido, enquanto a amiga arregalava os olhos. – Não me olha com essa cara; a culpa foi sua! – ele falou, indignado, e agradeceu ao fato de seus amigos já estarem bem entretidos com qualquer outra coisa.
Depois de mais alguns shot virados e mais beijos trocados por todos os casais (incluindo e ) todos decidiram ir para seus respectivos quartos.
- Não, ! – pedia enquanto tentava, com muita, muita, muita dificuldade, abrir a porta de seu quarto. – Eu tomei doze shots e você tomou dezenove; não seria legal nós dois no mesmo quarto.
- Mas eu juro que me comporto. – Ele fazia o biquinho que ele só fazia em duas ocasiões: para convencer a fazer alguma coisa ou quando estava completamente bêbado. Aquele bico valia para as duas opções, então.
- Presta atenção. – se virou e segurou-o pela gola da camiseta. – Se você não se comportar, eu vou te cortar em 15 partes. – Tentou fazer sua melhor cara séria, mas pela risada contida no rosto de , não havia funcionado nem metade do esperado.
- Ta bom, vem – dito isso, ele segurou-a pelo braço até, finalmente, passar o cartão na forma certa para abrir o quarto e depois que entraram e fecharam a porta, lá estavam os dois atracados novamente.

Boca seca, cabeça doendo, corpo pesado e... Amnésia. preferia ter acordado dentro da jaula de um urso, contanto que estivesse são. Ao seu lado não havia ninguém, mas a julgar pela bagunça dos lençóis, alguém esteve ali. Levantou-se sem vontade nenhuma de fazê-lo e só melhorou quando a água quente do chuveiro bateu fortemente contra suas costas. Fechou os olhos com força tentando se apegar à primeira lembrança que aparecesse, mas nem pequenos flashes o ajudaram. A última lembrança perfeita que tinha, era de chegando do bar do hotel com algumas – muitas – garrafas de tequila, depois disso, só algumas imagens vagas e aleatórias. Com vontade ou sem vontade, ele tinha informações o suficiente para deduzir o que pôde ter acontecido, mas só deus sabe como ele queria que seus pensamentos estivessem errados. Terminou seu banho com uma decisão tomada: precisava falar com o mais rápido possível. Desligou o chuveiro e descobriu que a pasta de dentes alemã parecia ainda mais amarga na ressaca. Com a toalha enrolada na cintura, quase deu um pulo ao sair do banheiro e se deparar com sentada em sua cama, e pelos seus cabelos molhados, soube que ela havia acordado há pouco tempo.
- Eu... é... , eu... Preciso te fazer... Uma pergunta – ela falava nervosamente, mas não sabia se era por causa da situação ou se era por causa da visão de seminu.
- Ok – o rapaz respondeu com um olhar estranho e a sua dedução de poucas horas atrás parecia o paraíso perto da hipótese em que pensava agora.
- Não vá ficar bravo, porque você sabe que eu sou fraca pra álcool e aquela ideia estúpida de ontem partiu de vocês homens – falou rápido, mas baixo o suficiente para que a dor de cabeça dos dois não gritasse. – Então – Coçou a cabeça. –, eu queria saber – Começou a roer as unhas. – se... Você sabe – Cruzou as pernas em cima da cama. – Ai, meu Deus... , eu queria saber se a gente fez alguma coisa ontem... não to falando de todos nós, to falando de nós dois bêbados em cima dessa cama. – gesticulava exageradamente a cada palavra proferida.
- Uou! – levou as mãos aos cabelos molhados e o achou extremamente sexy. – , você toma pílulas anticoncepcionais? – perguntou tão rápida e diretamente que até os seus olhos arregalaram.
- Por quê? – Aflita, levou as mãos ao rosto e manteve os olhos fechados.
- Só me responde: sim ou não? – pediu e ela assentiu com a cabeça antes de falar:
- Tomo, tomo sim.
- Menos mal... – respondeu com a cabeça encostada no porta do banheiro, não havia dado nem um passo desde que vira .
- POR QUÊ? – ela perguntou ainda aflita.
- Porque, , eu não faço a mínima ideia do que aconteceu aqui ontem à noite.
Depois disso o clima que se instalou no quarto foi, de longe, o mais estranho que os dois haviam sentido. Não era tenso demais nem tranquilo demais, era, apenas, estranhíssimo. tirou as mãos do rosto e olhava pra como se ele tivesse falado algo em japonês, de tão estranho que sua ultima frase soara. Já segurava um riso que não tinha certeza se queria sair.
- C-como assim você não lembra de nada? – Bom, encarar depois de sua resposta era muito mais fácil do que há minutos atrás. temia não se lembrar de alguma coisa “a mais” que pudesse ter acontecido ali, mas ela precisava de uma resposta. Aquele clima estranho só estava ali, porque ela havia se preparado apenas para duas respostas: sim e não, a que dera, não havia nem passado por sua cabeça.
- Ué, do mesmo jeito que você não lembra – ele brincou e, finalmente, a risada saiu.
- Caramba, nunca pensei que fosse passar por uma situação dessas, quem dirá com você falou, sincera e o rapaz assentiu. Poderia discutir e dizer que era “tão homem quanto os outros homens”, mas ele havia entendido o recado. E estava certa.
- Nós precisamos tomar mais cuidado da próxima vez – ele falou a dessa vez que afirmava com a cabeça.
- Bom, diante dessa situação cômica e irritante, eu vou me trocar pra gente poder descer e tomar café... Ainda são 9 da manhã – arregalou os olhos quando a amiga falou. – Então, todo mundo deve estar dormindo.
- Caraca, batemos o recorde mundial de acordar cedo e... Nossa, eu ainda to de toalha.
– Relaxa, gato – gargalhou. – Eu já to indo nessa; passo aqui em cinco minutos.
- Eu sei que você vai demorar vinte – ela riu outra vez e saiu do quarto.
Aquela era a hora perfeita de encostar-se à porta do quarto de igual aquelas atrizes de Hollywood fazem no meio de seus romances perfeitos. logo pensou nisso quando fez menção de fazê-lo e percebeu que seria idiotice. Elas só faziam isso porque estavam apaixonadas e ela não entrava nesse grupo. Ela não podia entrar nesse grupo. Sempre soube que romances perfeitos não se encaixavam em sua vida, ela tinha uma ótima família, ótimos amigos, ótimo trabalho e uma péssima sorte no amor, então sua cabeça só trabalhava para as coisas ótimas. Depois do estrago de Jesse, o amor teria que esperar mais um tempo.
Só que não era igual a Jesse.
era doce, atencioso, companheiro, engraçado, lindo, maravilhoso e muito, muito sexy. Até onde suas lembranças da noite anterior a levavam, tinha que concordar que era o cara mais sexy que conhecia. E que pegada ele tinha, uh.
- Merda, merda, merda – sussurrou logo depois de se dar conta de que (não sabia porque raios) estava encostada à porta do quarto do melhor amigo.

- , promete que nunca vai me largar? – perguntou simplesmente enquanto os dois desciam sozinhos dentro do elevador.
- Prometer o quê? – brincou fazendo cara de quem não estava a fim de prometer nada.
- É sério, moleque, promete que não vai me deixar nem se eu me envolver com drogas! – ela abraçou o amigo pela cintura e ele passou os dois braços por seus ombros.
- Você ta doidinha...
- Para de me julgar e promete!
- Eu não vou te abandonar por nada desse mundo, !
- Tem que prometer, , eu to falando de drogas pesadas.
- , só pra garantir o meu sono: você não ta envolvida com drogas, né? – perguntou divertido quando os dois saíram do elevador e foram direto para o restaurante com aquecedor. O frio conseguia ultrapassar os milhares de casacos que os dois vestiam.
- Claro que não to... Assim, ainda não. Vai saber se daqui uma ou duas semanas, um mês, dois meses, um ano, dois, quinze anos eu não esteja envolvida? Preciso de uma garantia. Me dê a sua palavra – ela pediu, e assim que entraram no restaurante do hotel, vários olhares se viraram para os dois.
- Prometo gata, prometo – riu beijando a mão de e logo, eles encontraram e sentados numa mesa mais afastada.
- Olha só o casal que odeia chamar atenção – falou se sentando no meio dos dois.
- Bom, pelo menos nós não fomos os únicos a madrugar – falou, dando um gole em seu café.
- Pode crer, oito e meia da manhã eu já estava elétrica. Tem alguma coisa nessa tequila alemã que eu não sei o que é – falou com os olhos arregalados e parecendo mesmo estar elétrica. – Eu nem to com dor de cabeça, gente – bateu palmas ao concluir o raciocínio.
– E vocês dois, hein, casal “fogo e gasolina”? – perguntou e desatou a rir sem parar.
- Fogo e gasolina? – e dispararam na mesma hora.
- Bem, esse foi o apelido que o colocou em vocês quando a pegação ficou forte – o rapaz respondeu, sério e logo seu olhar ficou confuso. – Espera aí, vocês dois não lembram? Não é possível! – Soltou quando os dois negaram com a cabeça. – Seus safadinhos. Assim, no quarto que a gente bebeu não rolou nada, mas depois que nós fomos cada um pro seu quarto eu já não posso garantir muita coisa... – deu uma piscada marota pra e logo pediu desculpas silenciosas quando se lembrou que era prima do amigo.
- É , pelo visto a tequila alemã só foi ruim pra nós dois – falou enquanto os outros riam.

O frio não estava muito diferente do clima de Londres quando os todos acabaram de almoçar e decidiram o destino da tarde. Os quatro casais se separaram quando usou a chantagem emocional de ter que se despedir de de “maneira com que eles se enjoassem um do outro”. Não foi preciso muito raciocínio pra entender a mensagem.
e estavam sentados em um dos bancos no movimentado Tiergarten e a garota observava tudo à sua volta, desde os pombos comento qualquer porcaria no chão, até as crianças que, mesmo por conta do frio, faziam pirraça querendo sorvete.
- , como vai você? – chamou sua atenção e ela soltou um riso abafado pelo nariz.
- Você sabe como eu to, engraçadinho.
- É sério, vamos conversar – segurava o riso. – O que você anda fazendo da vida? E todo mundo, meus pais, seus pais? Sabe, eu falo com a minha mãe todos os dias, mas ela pode ter esquecido de me contar alguma coisa, sei lá... só quero conversar – ele falou rápido demais e sorriu de forma doce. Às vezes o clima pesado entre os dois fazia seu amigo parecer um garoto de 15 anos.
- Bom, eu to indo trabalhar com meu pai todos os dias, digo, até semana passada eu estava indo quase todos os dias. anda tomando muito do meu tempo - ela se lembrou de todas as vezes que escutara a amiga sussurrando no telefone para que não descobrisse que ela estava desrespeitando o trato – enfim, nossos pais são bem engraçados quando querem. É incrível como em menos de 5 segundos eles vão do “sério” ao “oi, eu sou um adolescente que ama contar piadas” – sorria de maneira divertida, e só quando parou de contar a história, percebeu o rapaz brincava com seu anel. As mãos dele estavam geladas e ela sentia a sua se esquentar. Pensou em puxar sua mão antes que tivesse vontade de tirar o casaco ou coisa do tipo. O único momento em que tinha certeza que seus sentimentos por passavam da amizade, era quando ele parecia ter 15 anos. Vários pensamentos do passado eram trazidos à tona nesses momentos... e sentimentos também.
- Não sabia que você gostava de borboletas – ela brincou e logo se arrependeu quando os olhos azuis subiram rapidamente em direção aos seus.
- Você tem esse anel há muito tempo, né? – assentiu voltando a olhar pra frente – eu me lembro dele... só não sei de onde. – olhava fixamente para a borboleta metálica.
- Esse é o anel da confusão, . – A amiga o olhou, desacreditada. – Como você pode esquecer isso?

Flashback

A chuva caía fracamente enquanto os dois iam seguindo a multidão. Era a primeira vez que ia a um show no Wembley.
- Nós tomamos um bolo, mas foi bem divertido. – riu com os dois ingressos na mão. Eles não tinham “tomado um bolo” no sentido real da expressão, seus amigos cancelaram os encontro, quase que, ao mesmo tempo uma semana antes da data.
- Coitados, eles estavam bem mal – respondeu e segurou sua mão.
- Só pra nós não nos perdermos. – Ele logo explicou quando ela o olhou meio assustada.
O show era de Alanis Morissette, e o aguardava por um bom tempo. e não puderam ir por conta das notas vermelhas nos respectivos boletins. Já não foi por causa de sua cirurgia de desvio de septo nasal e ia passar o fim de semana na casa dos pais de Megan, sua namorada até então.
- Nossa, vem aqui – puxou para cima da calçada, onde uma senhora vendia bijuterias. – Moça, quanto é esse anel? – ela apontou pra uma borboleta prateada.
- 30 libras, mas você deu sorte. Esse é o último, então eu faço por 20 – a mulher sorriu simpática e, antes de pegar o anel, foi repreendida por um grito quase ensurdecedor.
- AMOR! Eu quero esse aqui – uma garota com aproximadamente a sua idade pegou o anel antes que ela piscasse os olhos.
- Hey, nós chagamos aqui primeiro. – avisou a menina que parecia arrependida.
- Com licença – um garoto, que deduziu ser o namorado da desavisada se virou para a senhora. – Quanto é esse anel?
- Trinta – ela respondeu seca.
- Eu pago quarenta – o rapaz falou e riu, incrédulo.
- Eu pago cinquenta – ele respondeu, intimidador.
- , deixa pra lá. – tentou puxá-lo para a rua de novo, mas ele desviou.
- Não, , esse anel é seu.
- Eu pago setenta – o rapaz tirou a carteira do bolso e sua namorada já devolvia o anel. – Não, não. Pega o anel – ele mandou e quando viu que a namorada não ia fazê-lo ele mesmo tentou pegar, mas não deixou.
- Eu pago cem.
O rapaz, que parecia ser mais velho que se assustou quando ele segurou a manga de sua blusa de frio. Apesar da diferença de idade estampar o rosto dos dois, eles eram do mesmo tamanho e era tão forte quanto o outro, por isso não se intimidou.
Quando o rapaz fez menção de empurrar , sua namorada o puxou pelo braço. a agradecia pelo olhar.
- Desculpa, gente – a garota falou, sincera. – Ele é meio estressado mesmo. – Então os dois saíram, mas ainda conseguia ouvir a garota dando bronca em seu namorado. – Eu disse que não era pra você beber, ele pode ser menor de idade, Rian!
- Bom, agora que já acabou o momento tenso, o anel é de vocês – a senhora permanecia simpática. – Que namorado protetor você arranjou, né? – olhou divertida pra . – Ah, e eu só quero 20 libras, mesmo – ela falou e os dois riram.
- Você não ia pagar cem libras nesse anel, né? – a garota perguntou assim que eles voltaram para o meio da multidão.
- Claro que ia. – brincava com o anel em suas mãos. – Seria como um anel de noivado – ele puxou a amiga pelo braço e os dois parar de andar. – Quer casar comigo, ? – segurava sua mão direita e ia colocando o anel lentamente em seu dedo.
- Af, cala a boca – ela colocou o anel de uma vez e saiu puxando , que ria, descontrolado.

Fim flashback

- Era nosso anel de noivado. – reclamou quando parou de rir.
- Desculpa, eu devia ter me lembrado mesmo. Vai, desculpa, desculpa, desculpa – ele beijava a mão da amiga sem parar.
- TÁ BOM, TÁ BOM! Eu te perdoo.
Alguns pombos voaram quando um cachorro se soltou de seu dono e saiu correndo pelo parque. suspirou quando percebeu que se passaram alguns minutos sem que nenhum dos dois proferisse uma palavra sequer.
- Eu to uma merda – falou parecendo perceber a mesma coisa que ela.
- Por quê? – ela perguntou, enfiando as mãos no bolso e o encarou.
- Pelo simples falo de que nós dois podemos ter transado na noite passada.
As palavras saíram rapidamente, e pela simplicidade com que foram proferidas, pesou que pudesse não entender o significado delas. Afinal, o que tem de tão errado naquilo?
- Que foi? – o rapaz perguntou ao notar o comportamento de mudar bruscamente.
- Nada – ela olhou para outra direção na esperança de secar as lagrimas que se formavam do canto de seus olhos. – Eu acho que a gente tem que voltar pro hotel – falou, se levantando, mas segurou seu braço antes.
- Ai, meu Deus, o que foi agora? – ele perguntou impaciente e então ela respondeu sua pergunta:
- Quem mal tem a gente ter transado na noite passada? Qual é o problema nisso? – ela perguntou, tão irritada que surpreendeu a si mesma.
- Erm... o quê? , eu... Espera, você entendeu errado! – ele tentou se explicar com certa dificuldade.
- Ah é? Então explica que eu quero te ouvir – cruzou os braços, impaciente.
coçou a cabeça e tentava escolher as palavras certas para não fazer como minutos antes. Olhava para todos os lados buscando alguma saída para a situação embaraçosa.
- , presta bem atenção. – Ele gesticulava com as mãos. – Eu não to chateado, muito menos irritado com o “ato”, entendeu? – A amiga assentiu e ele continuou: – Eu to puto, porque eu queria que, se um dia isso acontecesse entre nós dois... – ele falava lentamente ainda escolhendo as melhores palavras. – Eu queria me lembrar depois.
Ok, por essa ela não esperava. sentiu como se o chão do mundo inteiro tivesse sumido por um segundo e sua mão voltou a esquentar em meio ao frio. Depois de controlar o choro e a raiva, ela encostou sua testa no peito de que a abraçou.
- Não aconteceu nada ontem – ela falou, segura.
- Como você sabe?
- Eu acordei de pijamas.
- Ta, e daí? – levantou seu rosto para que pudesse entender cada mínimo detalhe da possibilidade.
- , considerando o estado alcoólico que nós nos encontrávamos, se tivesse mesmo acontecido alguma coisa, eu não teria me vestido depois. – respondeu, séria, e sentiu suas bochechas ficando vermelhas.
- Ah, sim... – assentiu assimilando a informação.
- Aliviado? – perguntou cínica e viu o amigo rolar os olhos.
- Tosca.

- , você sabe que pode ficar, né? – tentava convencer a amiga que não cedia.
- Não, nós vamos juntas pro México, , esqueceu? – respondeu agarrada ao pescoço de .
Faltavam duas horas para a volta das duas para Londres e o táxi já as esperavam no saguão do hotel. Aquela era a hora da despedida conjunta.
- Eu vou te perguntar outra vez: você sabe que pode ficar, não sabe?
- , para! Vamos logo, nós viemos juntas e vamos voltar juntas – quase gritava enquanto fazia um “ownt”. – Hey, você vai ficar bem, não vai? – ela perguntou ao namorado que assentiu, sorrindo de leve. – Então vamos, lindinha! – saiu chamando com a mão. – Tchau, gente! – Como todos já haviam se abraçado, gritou da porta.
- Tchau de novo, pessoal. Se cuidem. – fazia o mesmo caminho que a amiga havia feito segundos antes e se surpreendeu quando segurou sua mão, puxando um objeto que deslizou facilmente pelo seu dedo.
- Pra dar sorte – ele falou, enquanto exibia a borboleta prateada, recém adquirida.
E com um sorriso maior do que o próprio rosto, seguiu em direção ao elevador.


Cap 8 – That’s not how things were supposed to be;

Londres.

Roupas, mais roupas e mais roupas.
Depois de chegar consideravelmente exausta de Berlim, mal teve tempo de se aconchegar em seu apartamento e lá estava ela arrumando as malas para sua próxima viagem. Seu pai estava a ponto de fechar um negócio importante com alguns fornecedores mexicanos e em um dia ele, e estariam em outro país.
Quando deixou todas as malas prontas, por volta das 6 da manhã, decidiu que não ia dormir. Tentou secar o cabelo – que pela volta do frio em Londres, ainda não havia secado desde que saiu do banho –, mas considerando a hora, não seria uma boa ideia. O sono estava quase insuportável quando fez um café extra forte e foi tirar o pijama, vestindo as várias primeiras peças de roupa que encontrou, decidida a guardar, pelo menos, a maior mala no carro. Como ainda faltava um dia para a viagem e estava cansada demais, ela decidiu ir para a casa dos pais. Esperou o relógio marcar 7 horas da manhã e saiu de casa, carregando sua bolsa e uma pequena, porém compacta, bagagem de mão.
- ! – Escutou seu apelido sair de forma encantadora da boca de alguém e abriu os olhos no meio do cochilo do elevador.
- Adam! – ela respondeu, com a mesma empolgação e logo correspondeu o abraço que ele deu.
- Você sumiu. Tentei falar com você no fim de semana, mas não consegui – Adam falava e só conseguia pensar no quanto ele ficava lindo com cara de sono.
Suas roupas eras esportivas. Uma calça de moletom em azul marinho e uma blusa também de moletom, só que mais clara.
Passou um bom tempo olhando para o rosto do rapaz tentando arrancar alguma informação sobre o assunto que ele queria falar com ela, mas logo desistiu.
- Me procurou esse fim de semana? – pergunta idiota, .
- Procurei, sim... Queria te ver – ele respondeu, dando ombros e, de repente, sentiu uma onda de calor subir dos pés a cabeça.
Então algo estranho aconteceu. Ele parecia realmente tímido enquanto falava com ela e ela não tinha a menor ideia do que falar ou perguntar.
- Eu sei que ainda ta longe, mas você vai fazer alguma coisa nesse fim de semana? – Adam quebrou o silêncio e se sentiu ainda pior.
- Ai, eu to indo pro México amanhã à noite e só volto na próxima quinta – respondeu, receosa e Adam assentiu.
- Me liga quando voltar? – ele perguntou, já saindo do elevador.
- Claro que ligo. – O clima ficou extremamente leve depois que ela percebeu que ele não tina ficado chateado ou alguma coisa parecida.
- Bom, boa viagem – Adam falou, dando tchauzinho no ar e respondeu.

Alemanha.

- Doce e fria Alemanha! – concluiu algum pensamento que estava processando desde o termino do show daquela noite.
- Gente, gente! Como a me passou a lista sobre o que eu posso deixar o fazer e entre as atividades consta o item “sair para beber, mas não em lugares muito movimentados.” Que tal agente sair pra beber em um lugar não muito movimentado? – , que já estava sentada ao lado de perguntou, fazendo todos darem boas risadas da cara de confusão que fazia.
- É sério isso? Ela deixou uma lista com você? – ele perguntou, assustado, mas ninguém parava de rir.
- Claro que não, né? Só tava só brincando! – a garota respondeu, tomando fôlego. - Mas agora, falando sério, vamos?
- Por mim, tudo ótimo – gritou do corredor do backstage e concordava com a cabeça encostada em seus ombros. – Vish, espera um segundo aí que o Trevor ta vindo. Lá vem problema!
Trevor Benson era um dos principais organizadores da tour do McFLY pela Alemanha e em cinco dias de show, ele conseguiu fazer a proeza de levar quase todos os membros de sua família – os que eram menores de 18 anos – para “conhecer o McFLY”. Os meninos não enxergavam problema nenhum nisso, mas tendo em vista que Trevor não os avisava dessas “visitas”, aquilo acabou se tornando um incomodo.
- Oi, meninos – ele falava, enérgico como sempre –, hoje eu não trouxe nenhuma adolescente pra sair daqui traumatizada. – Trevor riu da própria piada e nem se incomodou ao ver que ninguém mais o havia feito.
A palavra “traumatizada” foi muito bem encaixada na frase por conta de quatro dias antes, quando Trevor levou umas 6 meninas, que aparentavam não ter mais que 15 anos, e pegou os garotos tão desprevenidos, que elas flagraram com apenas uma toalha enrolada na cintura.
- Bom, então estamos liberados? – Harry, que estava deitado em um dos sofás brancos da grande sala, perguntou, parecendo aliviado.
- Ainda não, só mais cinco minutos. – Trevor olhava insistentemente para o relógio em seu pulso. – Eu disse que não trouxe nenhuma adolescente – ele frisou a última palavra –, mas eu tenho umas amigas que gostariam muito de conhecer vocês – ele terminou de falar e todos, sem exceções, rolaram os olhos impacientemente.
- Porra – sussurrou pra com uma cara de “que cara sem noção” e ele segurou o riso.
- Aqui! – Trevor gritou pra alguém do lado de fora da sala e vozes femininas podiam ser escutadas num volume bem baixo por culpa do acústico instalado no lugar. – Meninas, McFLY – ele apresentou assim que duas mulheres entraram na sala.
- Ok, qual a parte de “você é um produto” eu não entendi? – cutucou que parecia ter entrado em algum tipo de transe hipnótico.
Sem entender a reação do amigo, finalmente encarou as duas garotas e nem foi preciso muito tempo para que ele entendesse. trocava olhares cúmplices e assustados com , que devolvia na mesma intensidade, e quando olhou para o namorado, este entrelaçou seus dedos dos dela no mesmo instante como se dissesse pra ela ficar tranquila.
- Oi – foi o primeiro a falar, estendendo a mão para a que estava mais próxima.
- Oi, muito prazer em conhecer vocês – a mulher falou com uma voz adorável, querendo esconder a animação. – Meu nome é Meredith e eu sou fã de vocês há muito tempo. – Então, ela se virou na direção de , que sorria mais do que a boca. Então ela o abraçou.
- Uou! – brincou, enquanto ela pedia desculpas pelo ato impulsivo e espontâneo. – Não... tem problema – ele respondeu, lançando um olhar sugestivo para .
Não demorou muito tempo, e a conversa havia ficado interessante naquela sala. Todos descobriram que Meredith e Hannah – a outra mulher que entrara com ela – eram primas, porém, Hannah não fazia ideia do que estava fazendo ali, já que Meredith a havia arrastado para o show. e se mantinham “na defensiva” em relação as duas, visto que apenas as cumprimentaram com sorrisos não muito grandes e se mantinham paralelas à qualquer conversa acontecendo ali.
- Nossa, que gostosas! – sussurrou pra do outro lado da sala depois de se certificar de que ninguém mais o olhava. Mas sacou.
- Tsc, tsc – ela fez o barulho, negando com a cabeça e não deixou barato.
- Mas elas são mesmo – sussurrou de volta.
- Fala isso pra tua namorada ciumenta e você ta morto – ela sussurrou no mesmo tom e, de repente, falou, tediosa.
- Então, pessoal – ela começou e suspirou o alívio. – Eu não queria estragar a conversa, mas a gente tem que ir, né? – ela perguntou, lançando seu olhar para , pois sabia que ele concordaria com ela.
- É mesmo, vamos? – ele falou e todos se despediram com acenos.

A música estava num volume pouco mais alto que o ambiente quando os seis se sentaram na área mais escondida do pub. A casa estava cheia, mas como fazer parte de uma banda famosa tinha lá suas regalias, a mesa havia sido reservada minutos antes.
- Cara, uma delas tinha uma aliança de compromisso enorme no dedo e a outra tava dando muito em cima do , agora dá pra parar de ciuminho bobo? – perguntou, segurando o rosto de entre as mãos, mas ela permanecia de cara fechada.
- Eu não to de ciuminho bobo, você não tinha nada que saber da existência de anel de compromisso nenhum no dedo de ninguém e não me chama de “cara” – ela falou, seca. – Tenho meus motivos pra estar assim, ok?
- Ok, me dê um motivo e eu te deixo em paz – o namorado respondeu, sério.
Todos os outros que estavam fora da discussão, tentavam ignorar o clima chato entre os casais – sim, também sentiu o desgosto de quando deu os parabéns por ter conseguido o telefone de Meredith – e tentar entrar em qual quer assunto. Era em épocas como aquela que dava graças ao poder divino por estar solteiro e poder secar qualquer mulher na hora que ele quisesse. E como ele havia secado Meredith aquela noite.
- Um motivo? Você quer um motivo? – falava, esganiçada. – Vou te dar o primeiro da lista que eu to fazendo mentalmente desde a hora que nós saímos daquela casa de show – ela levantou o dedo indicador. – Até o , que está sem a , se saiu bem melhor do que você diante daquela situação. E porra, eu tava do seu lado!
passou a mão nos cabelos olhando pra todos os amigos em busca de uma resposta simples e direta para aquela acusação, mas todos permaneceram em silêncio profundo.
- Quer saber? – o garoto falou alto, chamando atenção de todos. – Eu olhei MESMO! Ela é gostosa MESMO! – Todos abriram a boca, chocados.
Ele nunca ia se safar dessa.
abriu a boca depois de todos, parecia tentar processar aquela confissão, palavra por palavra, mas continuou:
- Mas eu tenho você, . Eu não te trocaria por ela, pela prima dela ou até pelas duas juntas. Nunca! – ele falou mais baixo e os três outros rapazes se entreolharam, segurando o riso. O rapaz não tirava os olhos da namorada, que mantinha o olhar fixo em qualquer outro ponto que não estivesse na direção de . De repente, sua posição tensa se tornou mais relaxada, então ela deixou a cabeça virar de leve para o rapaz que a olhava.
havia se safado.
- É meu filho, sorte que eu já me acostumei com seu jeito e te conheço o suficiente pra saber que você nunca faria uma coisa dessas comigo, porque, olha... – respondeu o olhando, séria e ele mantinha um sorriso enorme de criança que acabara de se livrar de um castigo.
- Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo – ele falava, entre selinhos e ela quase sorria.
- Vou no banheiro – se levantou rapidamente, apertando seu casaco contra o corpo.
- Também vou – a amiga se levantou e as duas seguiram, deixando os quatro sozinhos na mesa.
- Vocês tão fodidos – riu abertamente observando os outros com seus sorrisos menores.
- Pelo menos com a a gente sabe que já acabou, agora, nós nunca vimos a irritada – falou enquanto era a vez de enfiar os dedos por entre os cabelos.
- Essa brincadeirinha vai me render umas duas horas de conversa mais tarde e aí ela vai ficar cansada de me ver negar qualquer coisa que ela alegar e vai... Dormir. Sem deixar a menor chance de aliviar minhas tensões, se é que vocês me entendem – os três amigos gargalharam e todos ficaram alguns segundos em silêncio.
- Mas falando sério, muito gostosas – se pronunciou como se guardasse o comentário há muito tempo.
- Seu filho da puta – jogou um papelzinho nele. – É praticamente sua culpa essa situação! – concordou, incrédulo pela opinião do amigo.
- MAS TAMBÉM, NÉ – ria e gritava ao mesmo tempo. – Vocês secam as gostosas sem dó nem piedade na frente das NAMORADAS de vocês. São burros ou o quê? Têm que aprender a disfarçar, caralho!
- É, cara, vocês tão mais fodidos do que eu pensava – falou divertido e recebeu várias bolinhas de guardanapo na cabeça antes de se dar conta de um detalhe importante: Hannah e Meredith estavam ali.
- Que foi agora? – perguntou no mesmo instante em que abriu um leve sorriso.
- Olha ali – ele respondeu, indicando o bar com um aceno de cabeça.
- Ah, não, mais problema – respondeu, assim que e deixaram o banheiro e seguiam em direção a mesa. – , sai logo daqui e vai falar com ela antes que as duas cheguem e...
- AH, NÃO – falou mexendo o indicador no melhor estilo barraqueira e ganhou um chute por baixo da mesa por deixar uma risada escapar.

***

- Espera um minuto – pediu, colocando açúcar em seu café. – A Meredith mora em Londres? – ele perguntou, olhando, confuso.
- Mora, isso não é ótimo? – respondeu, feliz. Na verdade, não sabia o real motivo, mas se sentia feliz com a descoberta da noite anterior.
- Claro que é... Não é? Eu só não to entendendo porque você acordou tão cedo, tipo, vocês ficaram ontem? – finalmente perguntou.
- Na verdade, não. Eu não quis – falou, fazendo o amigo quase cuspir o café que havia acabado de tomar.
- C-como assim, ? – perguntou, meio engasgado.
- Sei lá... Só achei que ela não é mulher dessas coisas. Hora nenhuma ela jogou indiretas ou falou frases de duplo sentido. – estava sendo sincero, Meredith havia mexido mesmo com ele. – E, pelo que parece, ela ainda me vê como um ídolo. Seria bem estranho pra mim se tivesse rolado alguma coisa ontem.
- Olha, ta difícil encontrar mulheres bonitas e solteiras nos dias de hoje...
- Nossa, podia jurar que você incorporou sua namorada dizendo essas palavras. – riu abertamente antes de chegar e se sentar à mesa.
- Bom dia. – Ela deu um beijinho na cabeça de cada um. – Que dia é hoje?
- Quinta, por quê?
- Porque eu to meio perdida no tempo. Não sei como vocês conseguem passar tanto tempo nesse ritmo, já to ficando louca.
- Por que você acha que a detesta turnês? – cruzou o braço em cima da mesa.
- É, agora faz sentido. Vem cá, alguém já falou com alguma das duas desde que elas foram embora? – perguntou, se servindo de café.
- Já, a me ligou ontem. Elas estão no México com o pai da .
Logo, colocou as mãos dentro do bolso de seu casado xadrez, o mesmo que vestia quando se despediu de e , e achou o anel que havia “roubado” da amiga, dias antes.

México.

Aquela semana havia passado rapidamente, mas não rápida o suficiente para ser ignorada. O clima quente, as pessoas hospitaleiras e a companhia da melhor amiga o tempo todo puderam fazer com que colocasse em prática todos os pensamentos e vontades que Berlim plantou dentro dela. Ela sorriu, gargalhou, comeu, bebeu, chorou, reclamou, pensou em tudo, pensou em todos, pensou na vida, pensou em seu anel roubado, pensou em . Mas o fez na medida certa. Não podia negar que nos primeiros dois dias ela havia pensado muito em Adam e no jeito com que fora abordada pelo rapaz no elevador. Nada era capaz de quebrar aquela paz que emanava de enquanto ela estava bem, por isso, naquele momento, se considerava uma garota de sorte. Estava ali sentada em uma das muitas poltronas do aeroporto esperando a ultima chamada de seu vôo de volta pra Londres. De um lado seu pai lia atentamente um jornal qualquer, sorria e fechava a cara constantemente e do outro lado tagarelava com no celular. Pensava que não poderia ter momento mais oportuno do que aquele para agradecer a tudo que tinha e cada vez mais sentia sua vida voltando ao normal.
- Ta viajando, lindinha? – Não percebeu quando desligou o celular e passou o braço por seus ombros. – Pensando em quê?
- Nada demais... Já disse que te amo hoje? – falou e deu um beijo estalado na bochecha da amiga. – Você foi contra todos os seus princípios ignorando o fato de estar doente e ter vindo pra cá comigo. – Ela agradecia do jeito mais sincero que podia transparecer.
- Você sabe que eu faria qualquer coisa por você, né? Qualquer coisa – a amiga respondeu, apertando o abraço.
- Meninas, hora de ir. – Brad levantou-se rapidamente, se espreguiçando. – Vocês duas estavam tão entretidas no momento romântico que nem ouviram a vozinha sexy chamando.
Os três seguiram pala a fila do embarque e em menos de uma hora o avião já decolava.
- Alguma novidade sobre os meninos? – perguntou, tirando os fones de ouvido de .
- Nada de mais. Hey, que dia é hoje? – a amiga perguntou, com uma expressão confusa no rosto.
- Quarta-feira... Ou quinta, sei lá. Já passou da meia-noite. – deu de ombros depois de olhar no relógio.
- Eles chegam em Londres sábado. disse que estão todos mortos de cansaço e pedindo penico – falou, rindo e fez o mesmo.
Passou mais um tempo ouvindo músicas e com uma facilidade extrema, pegou no sono.

Londres.

- Bom dia, casa! Bom dia, vida! – entrou em casa gritando e logo sua mãe apareceu na sala.
- Meus amores! – Justinni abraçou a filha. – Morri de saudade de vocês, como foi a viagem? Nossa, essa casa fica tão vazia sem vocês. – Agora ela já abraçava Brad. – Vocês nem tomaram café ainda, né?
- Não, mãe, mas eu to tão cansada que vou subir, tomar um banho e dormir. – já seguia em direção a escada. Ela sabia que Brad falaria muito mais sobre a viagem do que ela naquele momento.
Estranhou sua mãe não ter dado bronca por ela ter ficado sem comer a viagem toda e ir dormir de barriga vazia, mas agradeceu, ela estava mesmo muito cansada. Havia pegado no sono muitas vezes durante o voo, mas acordava com muita frequência.
Tomou um banho consideravelmente demorado em relação ao cansaço e logo vestiu seu melhor pijama de frio e fechou as cortinas do quarto. Aquilo significava que ela poderia dormir o dia inteiro e acordar só durante a madrugada. Deitou-se em sua cama macia, mas o sono parecia ter ido embora. Rolava de um lado para o outro e não conseguia dormir. Bom, era quinta-feira e o relógio marcava 9:30 da manhã, Adam já devia estar acordado. Buscou rapidamente o celular na bolsa e voltou a deitar, discando o numero do rapaz.
- Dia! – ele atendeu, simpático, com sua melhor voz sexy rouca misturada com cansaço e sorriu sozinha do outro lado da linha.
- Bom dia, tudo bem com você? – Ela estava tentando soar tão simpática quanto ele.
- Olha, sem querer parecer um clichê ou algo do tipo, mas meu dia melhorou noventa e cinco por cento agora. – Escutou soltar uma risada leve.
- Não pareceu clichê, fica tranquilo. Eu causo isso nas pessoas mesmo, já to até acostumada. – Por quê raios até a voz dele a fazia se sentir tão segura, mesmo? – Mas então, deixando as brincadeirinhas legais de lado... er, você pediu pra que eu te ligasse assim que eu chegasse, lembra? – Jogou um verde pra cima do rapaz, como uma profissional e riu ao se imaginar contando aquilo pra .
- Claro que lembro. – Ele falava tão tranquilo que o imaginou no seu escritório sentado e com os pés cruzados em cima de sua mesa. – Como foi de viagem?
- Fui bem. México é um lugar muito quente. – Ela poderia passar horas no telefone conversando com Adam, mas o plano era muito diferente. – Hey, você ta no trabalho, né? Quer que eu te ligue outra hora?
- Não, não precisa – Adam falou rapidamente. – Mas o que eu queria saber mesmo é se você pode, e quer, sair comigo no sábado.
Score!
- Quero, sim. – sentiu como se o mundo tivesse saído de suas costas, afinal, nada como uma noite com o adorável Adam. – Então, a gente vai combinando tudo certo até lá, pode ser?
- Claro. Eu te ligo durante a semana. Agora eu vou antes que eu incomode alguém com minha folga momentânea. Até mais, . – Como ela queria que a felicidade instantânea na voz do homem não fosse só coisa da cabeça dela.
Depois de desligar o celular, o sono veio tão rápido que ela nem precisou ficar muito tempo se martirizando ao pensar em que roupa ia usar no tão esperado sábado e quando despertou, o relógio do criado já marcava seis da tarde.
- Bom dia, bela adormecida. – Justinni brincou deitada no sofá da sala de televisão.
- Boa noite, mãe. – sentou-se no outro sofá. – Cadê o pai?
- Foi resolver algumas coisas na empresa. Saiu agora mesmo – sua mãe respondeu, com os olhos fixos na TV. – Mas então, me conte sobre sua viagem. – De repente Justinni já estava sentada olhando para a filha com o olhar de uma adolescente de 15 anos.
- Bom, mãe, o México é muito quente e...
- Nãããão, to falando de Berlim e dos meninos!
- Ah, sim... ué, foi boa.
- Boa, ? Boa quanto? Me conte as novidades! - Justinni gesticulava impaciente.
- Não tem o que contar.
- Tem, sim. – Justinni cutucou a filha com o pé e se dando por vencida, levantou bufando.
- Quer saber o quê? – Cruzou os braços, escondendo um sorriso difícil de segurar.
- Quero saber o motivo desse seu sorriso escondido. – Ela odiava o quanto sua mãe a conhecia tão bem.
- Ah, foram só uns beijinhos. – deu de ombros e Justinni arregalou os olhos.
- Não vai me dizer que arranjou um namorado alemão, né?
- Claro que não! To falando do . – Ela explicou e logo se arrependeu.
- O quê? Espera. Repete? – Aa mãe da garota parecia quase explodir em gargalhadas. – Você beijou o ?
Coitada de Justinni se soubesse o que QUASE aconteceu naquela viagem e não gostava nem de se imaginar contando o fato pra sua mãe.
- Você poderia parar de rir? Assim, só um pouco ta ótimo.
- , você sabe que eu adoro essa coisa toda de você e o juntos. – Sua mãe parecia tão sincera que e lembrou-se de seu encontro no sábado.
- Ta, ta bom. – Deitou-se no sofá outra vez.
- Hey – Justinni sussurrou, chamando atenção da filha.
- Caraca, que foi?
- Você nunca pensou em namorar com ele?
- MÃE! – quase gritou. – Que pergunta mais doida!
Mas a resposta era óbvia.
Depois de todos aqueles anos lado a lado, depois de todo aquele companheirismo sem limites, depois de todos aqueles filmes de terror na madrugada e do sono perdido no mesmo dia. Depois de todas as promessas feitas um para o outro e depois de todas as mesmas cumpridas. Depois de todos aqueles sentimentos envolvidos e de todos os conselhos dados. Depois de todas as apostas idiotas e de todos os apelidos idiotas. Depois de todos os anos de amizade e depois de um pacto de proteção feito por ambos. Depois de todos os banhos de chuva e depois de todos os tombos. Depois, até mesmo, de um pedido de casamento!
É claro que ela havia pensado em namorar . É claro que sim!
- Hein, dona , responde! – Justinni fazia cara de quem tentava descobrir até o último fio de pensamento em que se afogara segundos atrás.
- É claro que não, mãe. – E virou-se para a TV outra vez.

- Bom dia! – atendeu o celular com um bom humor irreconhecível para a hora.
- Que energia positiva é essa? – brincou do outro lado da linha.
- Sei lá, era pra eu estar te xingando loucamente, mas to com muita preguiça pra isso – respondeu, enfiando a cabeça no travesseiro e arrancando uma risada da amiga. – A que devo a honra dessa ligação?
- Olha só, os meninos acabaram de chegar e já foram direto pra casa do . – falava tão rápido que podia imaginar a amiga calçando os sapatos com o celular preso entre a cabeça e o ombro. – To indo pra lá agora, quer que eu passe aí?
Oh, mas é claro. O motivo da felicidade repentina era evidente. Era sábado! Mas como ela podia não se lembrar que era sábado?
- Claro. – Levantou-se o mais rápido que pode e pensou em, mais tarde, rir de si mesma por estar na mesma situação que imaginara (e condenara) a amiga minutos antes.
Depois do banho rápido, prendeu o cabelo num rabo desleixado e olhou-se no espelho pela ultima vez antes de sair correndo escada abaixo.
- Cadê a ? – perguntou a sua mãe, roubando um cookie consideravelmente grande da mesa do café da manhã.
- Foi em casa, ela esqueceu o celular. E senta pra comer, . – Justinni pediu e sua filha rolou os olhos. – Ta muito frio pra você sair só com isso.
- To com três calças, três pares de meias e tem um casaco meu no carro da . – Justificou e escutou a buzina do carro da amiga. – Beijo, mãe. – Saiu, depois de roubar mais um biscoito.

- Galerinha, ta tudo muito bom, ta tudo muito bem, mas nós ainda não decidimos onde vamos comemorar a nossa volta. – chamou atenção de todos. – E temos de decidir logo, to louco pra ir pra casa e dormir o dia todo.
- Boa, essa gente que mal chega, não conta como foi a viagem e agora fica de exigência. – reclamou e logo foi puxada pelos braços forte que ela tanto amava.
- A viagem foi ótima, , ainda mais pro . – sorriu, maroto, olhando sugestivamente para o amigo.
- Ah, é? – olhou no rosto de cada um dos amigos que estava fora e não se sentiu muito bem quando e assentiram sem sorrir.
- Ah, é? – A garota repetiu a pergunta da amiga, afastando-se de suficientemente para que enxergasse seu rosto. – Alguma coisa da qual eu precise saber, ?
- Nada, é besteira deles. – O rapaz falava, sério, enquanto os meninos soltavam risinhos baixos. – É que eles são irritantes pra caralho, você conhece.
- É, sei, sim. De qualquer forma, você não me deve satisfações da sua vida, né? – Ela deu dois tapinhas de leve no rosto do rapaz e ele riu.
- Interrompendo a DR, nós precisamos decidir, todos nós estamos morrendo de cansaço. – soltou um bocejo antes de completar a frase.
- Eu acho melhor nós descansarmos antes de decidir qualquer coisa, não consigo nem pensar direito. – , que estava deitado no sofá menor deu a ideia e todos concordaram com a cabeça.
- Então, vamos? – pegou na mão de e os dois estavam quase na porta quando de pronunciou.
- Acho que hoje eu não vou poder sair com vocês.
- Por quê? – perguntou, com um tom quase contrariado.
- Porque eu tenho um compromisso marcado pra hoje.
- Tem um encontro, ? Com quem? – voltou a usar seu sorriso maroto, só que agora, era o alvo.
- O gostosão do prédio dela – falou espontaneamente e teve certeza que a amiga havia entendido seus sinais silenciosos.
, que antes a apertava num abraço, cedia o braço cada vez mais até se sentir desconfortável a ponto de se virar e parar ao lado dele, sem nenhum contado físico. De um segundo para o outro ela tomava uma postura tensa, como se não soubesse onde estava pisando.
- Então, gente, falando sério, preciso descansar. – , que estava bem longe da porta, saiu antes até do que o casal que já estava quase do lado de fora do apartamento e depois que o fez, todos saíram atrás.
- Aproveite o gostosão, . – fez uma voz afetada e deu uma piscadinha.
- É, porque a gente rouba, né, amiga? – jogou os cabelos e riu como quem dizia “pode deixar”.
- Bom, como eu não quero ser a vela estraga prazeres, , posso pegar teu carro emprestado? – pediu, fazendo gargalhar e a amiga assentir com a cabeça.
- Sempre que precisar, . – fez um “joinha” e logo já estava dentro do carro.
Ligou o rádio e, sem demora, John Mayer começou a cantar Another Kind of Green, e antes mesmo do refrão, seu celular tocou num volume extremamente alto.
- Oi – falou, manhosa, na mesma hora que viu o nome piscar no visor.
- Você não me deve satisfações – escutou a voz cansada e um risinho impaciente acompanhar a conversa.
- Desculpe não poder sair com vocês, se eu soubesse que vocês iam marcar alguma coisa eu teria adiado o outro compromisso antes. – Era a mais pura verdade, como ela poderia cancelar com Adam aquela altura do campeonato?
- Eu já disse que você não me deve satisfações hoje?
- Para. – riu nervosamente.
- Isso é pra você aprender a não me trocar por nenhum gostosão.
- , seu idiota, eu não vou trocar um gostosão que já é meu por um gostosão que ainda não é meu. – escutou uma gargalhada do outro lado da linha e sorriu junto.
- Foi bom ter te visto hoje, tava com saudades – falou, sincero.
- Eu também tava – falou, mais sincera ainda. Como ela sentira a falta dele...
- Preciso dormir, já to até babando.
- Vou ignorar o nojo que eu senti e te desejar um bom sono.
- Te amo.
- Te amo.


Cap 9 – So hard to be so far out living our separate lives;

- Tem como repetir a informação, por que assim, eu não to acreditando.
estava no escritório de seu pai enquanto os outros saíram para uma reunião de emergência. Do outro lado da linha telefônica, lhe dava a notícia tão inacreditável. Ironicamente, parecia ter ficado mais frio e a aparência triste do dia parecia piorar com o passar dos segundos. Por mais que o gelo tivesse tomado conta de seu espaço, suas mãos suavam constantemente devido à força com que segurava o telefone.
- É isso mesmo, , o ta namorando – a amiga repetiu a informação bem devagar, como se fosse uma criança do pré-escolar.
- Nossa, mas como isso foi acontecer? – tentava manter a voz mais indiferente possível.
- No sábado que eles chegaram, as meninas me contaram uma história de uma tal de Meredith. Ela tava na Alemanha, mas mora aqui... ou o contrário, sei lá. – soltou um pigarro, como sempre fazia quando ia dar um conselho. – Eu sei como você fica quando ele namora e...
- Não vem com essa, por favor. – interrompeu. – As coisas mudaram muito depois da última vez que ele arranjou uma namorada.
- Não vejo uma diferença tão grande. Ele ainda é ele, você ainda é você e o mais importante: vocês ainda são vocês. – Um silêncio dramático tomou conta da ligação.
- Que porra, , o que eu faço agora? – abriu o jogo.
- Me diz o que te incomoda e eu te digo as palavras certas – a amiga respondeu e sabia que ela diria as palavras certas.
- Eu não sei. To chateada por que a gente se fala no telefone todos os dias desde que eles chegaram na semana retrasada, e ele nem mencionou o nome dela! – o tom indiferente tinha evaporado e agora era possível perceber o tom agudo, que sempre aparecia quando ela estava nervosa.
- É só isso mesmo?
- É.
- Ok, então fala com ele, oras! – aconselhou, mas com aquela voz desafiadora, como se soubesse que não era só aquilo. E ela estava mais do que certa.
- Mas hein, vamos ver no que vai dar, né? Tomara que ela seja boa o bastante... ou eu acabo com ela – falou, depois de quase um minuto inteiro de puro silêncio e riu.
- E aí ela teria duas inimigas, lindinha. Preciso desligar agora, deixei uma lasanha no forno.
- Nossa, que milagre você cozinhando. Vou até deixar você desligar o telefone – gargalhou sozinha da própria piada e depois de um xingamento de , as duas desligaram seus telefones.
Sem muita vontade de ficar sozinha com seus pensamentos, logo tratou de pegar o telefone e ligar para a causa dos problemas.
- Boa tarde – ele atendeu, alegre. Ah, se ele soubesse o que estava por vir.
- Eu não acredito que eu fiquei sabendo pela que você ta namorando, – ela despejou de uma vez, e ele reconheceu sua voz indignada.
- Eu ia te contar – falou calmo, e ela sabia que ele estava com aquele sorriso de criança que apronta e sabe que vai ficar de castigo.
- Como assim? A gente se fala todos os dias e nada!
- É que eu não queria te deixar com ciúmes – ele brincou, e bufou.
- Me esconder uma coisa dessas me faz sentir algo muito pior que ciúmes. Algo beirando a vontade de te matar – gargalhou do outro lado da linha.
- Você gostaria de conhecê-la essa noite, ou tem algum compromisso?
- Ironias à parte, seu idiota, hoje não vai dar. To indo pra casa, deitar. Preciso descansar um pouco – falou a verdade, mas omitiu a parte do mal estar provocado pela notícia – Mas ela não vai escapar do meu julgamento, ta? – brincou e escutou um sorrisinho abafado.
- Coitada... Pega leve, . E desculpa não ter avisado antes, eu nem sei por que fiz isso.
- É claro que sabe. Você não queria me deixar com ciúmes.
- Nossa, eu tinha me esquecido o quanto você é hilária.
- Tchau, lindinho – falou entre risadas, e ambos desligaram.
Ok, aquilo não podia ser tão ruim quanto pensava, o único problema era que ela não sabia como agir diante da situação.

- Quem era? – perguntou, vendo o amigo desligar o telefone.
- falou simplesmente, cruzando as pernas em cima da mesa de centro da sala de TV.
- O que ela queria?
- Posso ter um pouco de privacidade?
- Mas é claro que não, nós somos da mesma banda.
- E daí?
- E daí que se a sua vida pessoal não estiver 100% normal, a sua vida profissional vai por água abaixo... e bye bye McFLY – explicou pausadamente e ria sem acreditar na capacidade do amigo de inventar mentiras para justificar sua curiosidade.
- Você é um idiota completo. E ela não queria nada de mais.
- Ela sabe que você ta namorando a Meredith?
- Sabe.
- Eu gosto dela.
- Da ?
- Também, otário, mas eu to falando da Meredith.
- Ah, eu também gosto dela – riu da cara que fazia de “lógico que tem que gostar, ela é sua namorada!” e os dois escutaram a porta da frente da casa de se abrindo e depois sendo batida com força.
- Pra que campainhas, né? – berrou assim que se jogou no sofá ao seu lado.
- , nós somos da mesma banda, eu tenho total liberdade até pra quebrar sua casa se eu quiser – respondeu, mudando o canal da TV sem parar.
- Uau, não sabia que fazer parte da banda de vocês me custaria a privacidade e essa casa, que não foi nem um pouco barata – falou enquanto dava uma almofadada em , que não parava de rir.
- Hey – chamou sua atenção –, a sabe que você ta namorando a Meredith?
- PORRA! – gritou, encostando a cabeça no sofá. – Vocês dois combinaram ou algo do tipo? acabou de me fazer essa pergunta.
- É que, sei lá, não vai ser meio estranho?
- É, não vai ser meio estranho? – repetiu a pergunta de .
- Estranho por quê? – parecia interessado na resposta.
- Porque, sei lá, agora que ela ta solteira você vai e arranja uma namorada. E nós, bem, nós pensávamos que vocês fossem ficar juntos – parara de mudar os canais e encarou o amigo ao seu lado.
- Vocês o quê? Ta falando sério? – perguntou boquiaberto.
- Ah, não sei - ele respondeu enquanto só observava. – Aquele beijo que vocês deram em Berlim foi, no mínimo, interessante.
- Ok, mas foi só um beijo... eu e a , acho que não tem jeito, sabe?
- Sei.
- Sei.
- Agora que eu to com a Meredith, façam o favor de esquecer essa história – pediu, muito certo do que estava falando, mas sem muita certeza de que ele esqueceria a história.

tomou um banho demorado na intenção de esquecer um pouco da história de . O caminho do escritório até em casa fora torturante, treinou frases, conversas e até piadas para não fazer feio na frente da nova namorada de seu melhor amigo. Pensou em milhares situações que teria de enfrentar dali pra frente e percebeu que seria difícil se acostumar com a idéia. Não conseguia ficar em uma sala por mais de dois minutos com sem estar pendurada em seu pescoço, e teria que parar de fazer piadas sobre os dois ficarem juntos. Ele não voltaria a dormir em seu apartamento enquanto estivesse com ela e não a levaria ao Burger King sempre que quisesse. Mas todos esses sacrifícios ele fez por ela, ela só não sabia que podia ter sido difícil desse jeito. Tudo bem que ele reclamava muito das privações, mas sempre acatava no final.
Saiu do banheiro já vestida com seu moletom velho e correu para ligar o aquecedor antes de atender seu celular que tocava insistentemente.
- Oi, coisa linda – atendeu quando leu o nome de piscando no visor.
- Oi, gata. Liguei lá no escritório e me disseram que você tinha ido pra casa. Ta tudo bem? – perguntou preocupada, riu da ironia da situação. Todos estavam tão preocupados com o tempo todo, que era quase impossível ela estar preocupada com alguém.
- Cansaço, isso que aconteceu – respondeu, bocejando.
- Então, to aqui perto da sua casa com duas pizzas congeladas. São três da tarde, mas eu ainda acho que elas cairiam muito bem – falou, rindo.
- Pois então pode vir direto pra cá com essas pizzas!
Pouco tempo depois, chegou, e logo as pizzas estavam no forno.
- E aí, , como você ta? Faz tanto tempo que a gente não conversa – ela reclamou e as duas sentaram de frente pra grande bancada da cozinha de .
- To legal e você? – a amiga respondeu, parecendo bem mais cansada que o normal.
- To legal também. Erm... você ta sabendo do , né? – perguntou, já sabendo a resposta, e só assentiu.
- Foi antes de nós irmos pra lá ou foi depois?
- Foi depois. Quer que eu te conte tudo de uma vez? – assentiu outra vez – ela foi ao camarim e se mostrou uma grande fã do -
- Mas o não fica com fãs – foi interrompida e a indignação de foi visível.
- Eu sei disso, por isso fiquei assustada também.
- Continua... – se fez interessar pela história.
- Depois do camarim, nós fomos pra um PUB, e ela apareceu por lá. Os dois conversaram um tempão, e ele descobriu que ela é daqui. Eles devem ter trocado contatos, porque faz duas semanas que os meninos voltaram de lá, e eles já saíram algumas vezes.
- Entendi – respondeu, sem engolir o fato de ter omitido aquilo – bom né, só me resta dizer o mesmo que eu disse à : vamos ver no que vai dar, né? Mas hein, ela parece ser legal?
- Olha, , parece sim, mas rolou uma péssima primeira impressão.
Naquela tarde, além de esclarecerem o mistério do romance de com uma fã, ou uma ‘admiradora’ como preferiu dizer, as duas fofocaram sobre qualquer assunto e se empanturraram de pizza. abriu todos os acontecimentos entre ela e para a amiga, alegando que e Letícia, por serem duas desesperadas, nunca iriam entender suas inseguranças, e , tranquila como sempre fora, não tardou a tranquilizá-la. Apesar de parecer uma garota bem segura de si, por vir de uma família tradicional e por ter um emprego ótimo, enxergava em uma pessoa frágil, daquelas que até um pequeno comentário poderia fazê-la se sentir mal por muito tempo. Acostumada a não dar nem um passo em falso e pensar mil vezes antes de dar sua opinião, para não magoar quem quer que fosse, às vezes ela preferia ficar sozinha.
Em todos os sentidos.
sabia muito bem o quanto era louco por ela e nunca faria nada para magoá-la (não propositalmente) e também sabia que se deixasse seu perfil ‘calculista’ à mostra, poderia causar problemas em seu relacionamento. Assim que contou a conversa que eles tiveram em Berlim, que ao contrário da conversa de Letícia e , fora totalmente séria, concluiu que a amiga tinha muito medo de perder , mas que o rapaz tinha o dobro do medo dela.
- Nós fomos o primeiro casal a ir pro quarto aquele dia – disse – todos acharam que ia ficar tudo bem depois que Letícia e se resolvesse, mas eu sabia que não... o próprio sabia que não. Quando chegamos ao quarto, eu comecei a tirar os brincos, o colar, a maquiagem, e ele ficou estático sentado na cama, me olhando enquanto eu fazia isso tudo. Como se me esperasse falar alguma coisa pra começar uma DR, sabe? – brincou distraidamente com um fio solto de sua legging.
- E aí? – perguntou, quase batendo nela.
- E aí, eu pedi desculpas... Desculpas por ter ficado daquele jeito, sabe? Tipo, tudo bem que ele deu uma boa secada nela, mas ele não fez nenhum comentário idiota... Pelo menos não enquanto eu estava perto. Aí, eu fecho a cara totalmente e fico imaginando milhões de probabilidades de ele pensar em terminar comigo por gostar de outra garota e-
- , calma! – chamou a atenção da amiga, rindo – você pediu desculpas e ele fez o quê? – perguntou como uma adolescente esperando o último episódio de sua série favorita.
- Aí ele levantou e me abraçou – segurava um riso no canto dos lábios enquanto deixava o queixo cair – e disse ‘eu te conheço há muito tempo pra saber exatamente o que se passa na sua cabeça’. Mais ou menos isso, sabe? – concordou, incapaz de proferir uma só palavra diante da atitude de .

Mesmo na manhã seguinte, ainda sentia alguns reflexos da conversa com na tarde anterior, chegou a desejar profundamente ter escolhido não ir para o México com o pai e e sim ter permanecido em Berlim. Mas como ela poderia imaginar que isso fosse acarretar em uma de suas mais complexas crises existenciais naquela altura do campeonato? O escritório nunca fora tão tedioso quanto naquela manhã e desejou com todas as forças poder sair dali sem ser questionada sobre seus motivos. Como se alguém tivesse ouvido seu pedido silencioso, a porta da sala fora aberta bruscamente por , que vinha rindo de alguma piada que Steve, seu sogro, devia ter acabado de contar.
- Olha só, que honra receber em nosso escritório logo cedo – sr. levantou-se de sua mesa para cumprimentar com um abraço carinhoso – saudade de você, moleque, não vai mais lá em casa por quê?
- Sabe como funciona, né? Sou um astro do rock agora – o garoto brincou e os outros riram enquanto rolava os olhos.
- Até parece que não conhece esses meninos com a agenda lotada – Brad fez o mesmo que o amigo acabara de fazer – Como vai, garotão?
- Moleque e garotão são dois adjetivos perfeitos pra descrever a pessoa em evidência – , que se sentia muito mais leve depois da surpresa da manhã, piscou para – A que devemos a honra de sua visita, ? – ela perguntou, já de pé ao lado do amigo.
- Vim te buscar pro almoço, vamos? – respondeu assim que os outros começavam a se afastar para suas respectivas mesas/salas.
- Só se for agora.
Os dois desceram rapidamente, rindo de qualquer coisa engraçada que viam no trajeto entre o elevador e o prédio. , muito parecido com , era o amigo bobo, daquele tipo que fazia uma piada sem graça e conseguia arrancar boas risadas com isso. sentia-se extremamente leve com aquele jeito “foda-se” que ele mostrava ter. Como já citado antes, fazia o estilo ‘paciência sem fim’, procurava entender o lado de todos, e todos precisavam dele para manter o equilíbrio entre tanta bipolaridade.
- E aí, como você ta? – perguntou antes de ligar o carro.
- Porra, chegou atrasado – falou, demonstrando seu descontentamento – Você é a enésima pessoa a me perguntar isso – sorriu forçada.
- Desculpa, foi força do hábito – ele pediu sincero e logo ela se arrependeu da grosseria.
- Perdão – a garota pediu, encarando suas mãos em seu colo – Você sabe como eu to, né?
- Aérea? – o amigo perguntou, dando partida no carro – Sem saber o que pensar? Digerindo a situação? Pensando em como vai lidar com o fato de não poder se pendurar no pescoço do ? Se for assim, eu sei como você está.
- Caramba, a te deu quantas aulas sobre o mim? – ria, abismada com as ‘adivinhações’ de .
- Bem, tirando a ultima parte, todos nós estamos meio assim, a diferença é que com você a intensidade se multiplica, né?
- É bem isso mesmo. MAS, não vamos pensar nisso por enquanto, quero saber onde a gente ta indo – ficou de lado, encarando com cara de criança que foi salva do castigo.
- Então... – começou coçando a cabeça – ta ligada que amanhã eu faço 4 anos de namoro, né? – falou devagar e pode ver um sorriso de zoação se formando no canto dos lábios da amiga.
- Você ainda não comprou nada, e ainda por cima forja um almoço pra que eu te ajude? Lindo, , esplêndido – ria enquanto ele estacionava o carro no shopping.
- – agarrando-se despretensiosamente ao seu amigo, falou meio manhosa demais.
- Fala, .
- Como ela é? Digo, ela é bonitinha, bonita ou bonitona?
- Bem, levando em consideração que bonitinha é uma feia ajeitada, bonita é uma mulher bem apessoada e bonitona é uma coroa gostosa, ela não é nenhuma dessas três características – respondeu, divertindo-se com a própria inteligência que o fazia formar respostas como aquelas, mas ainda queria mais – Ela é muito bonita, .
- Hm, sim. Muito bem apessoada, é? – foi o máximo de piada que ela conseguiu depois de ouvir o que menos queria.
- Muito engraçada, senhorita, agora podemos deixar seus problemas de lado e nos focar somente nos meus problemas? – sacudiu-a pelos ombros como quem implora algo, e logo o obedeceu.
- Olha só esse brinco, acho que ela vai gostar – a garota apontou uma vitrine coberta de brincos.
- A tem mais jóias do que roupas, . E coincidência ou não, eu dei a metade – riu enquanto os dois circulavam de braço dado – queria dar alguma coisa diferente, sabe? Algo surpreendente.
- Certo. Ela comentou de algum livro, algum filme ou alguma série com você?
- Não, ela só... – interrompeu a própria fala e olhava fixamente para um ponto atrás de .
- Que foi? – perguntou antes de virar a cabeça e dar de cara com uma mulher que acenava alegremente pra seu amigo – Quem é? – ela perguntou quando a pessoa em questão andava em direção aos dois.
- , erm... – não deu tempo de finalizar sua fala e puxou para seu lado.
De longe, sabia de algum jeito que ela e estavam no lugar errado e na hora errada. A garota que há poucos acenava de maneira angelical para andava parecendo uma daquelas modelos perfeitas da Victoria’s Secret, e sentia uma ponta de inveja por isso. Quem quer que fosse a tal figura perfeita, ela se incomodava com toda aquela graciosidade. Talvez nem fosse inveja ou sequer vontade de ter um pouco daquele ‘quê’ que a mulher tinha, mas sim a certeza de que suas perguntas feitas para seu amigo poucos minutos antes, acabavam de ser respondidas.
- ! – o anjo loiro abraçou com empolgação enquanto ainda olhava confusa, desejando até seu último fio de cabelo que aquele ser não fosse quem ela achava que era.
- M-Meredith – respondeu ainda abraçado com ela e pode ver fechando os olhos e respirando fundo.
- E aí, tudo bem? Que coincidência te encontrar aqui – ela falava com uma voz tão doce que sentiu sua cabeça latejando.
- Tudo sim e você? – coçava a cabeça enquanto Meredith olhava sugestivamente para – Ah, essa aqui é a .
- O que? Ai, meu Deus! – a mulher deixou o queixo cair – , ? A do ?
‘Não’
- Sim – respondeu rapidamente quando viu a amiga tomar fôlego para negar – é a tão falada .
- Nossa, é um prazer imenso conhecer você – deu um abraço menos espalhafatoso em . Parecia que havia sentido a energia ruim que emanava da mesma naquela situação.
- O prazer é todo meu – sorriu meio forçada.
- Sério, o fala muito de você.
‘Engraçado que de você ele não fala nada. Aliás, eu descobri pela boca dos outros que vocês tavam de namorico.’
- É, eu também já ouvi falar muito de você – sorriu um pouco mais sincera, insistindo a si mesma a encontrar algum resquício de simpatia em seu coraçãozinho aflito.
- Gente, gostaria muito de ficar horas conversando com vocês, mas preciso ir, tenho uma entrevista de emprego em uma hora do outro lado da cidade – Meredith se desculpava sorrindo – Foi um prazer, – sorriso – Tchau, , a gente se vê – e depois de mais um sorriso, ela foi embora.
Tentar não roer as unhas era a menor preocupação que rondava a cabeça confusa de ao observar o motivo de seu maior problema seguindo em direção a uma das portas de saída do imenso shopping.
- Eu não acredito no que acabou de acontecer – sorria, boquiaberto.
- Sabe quando parece que você sai do seu corpo e observa a situação toda de fora? – respondeu do mesmo jeito.
- E aí, o que achou? – o homem perguntou no momento em que os dois voltavam a andar.
- Eu achei que você foi bem sutil quando disse que ela é ‘muito bonita’.

Depois de dar milhões de voltas pelo enorme shopping tentando ajudar a encontrar o presente perfeito para a namorada, chegou em casa consideravelmente exausta e logo se jogou em seu sofá, catando o controle remoto e colocando em qualquer canal só pra não sentir tão sozinha naquela condição desesperadora. Afinal, a quem recorrer naquela hora se a única pessoa que estava disponível ela acabara de perder pra Miss Universo?
- Ah, quer saber? Que se foda – falou pra si mesma, agarrando o telefone logo em seguida.
“Fala comigo” atendeu depois de 3 chamadas.
- Tudo bom?
“Digamos que sim”
- Por que “digamos”?
“Porque eu tava tentando fazer um macarrão e deixei queimar” – o rapaz respondeu manhoso, e abafou uma risada.
- Como alguém consegue deixar o macarrão queimar?
“Não sei, acho que peguei no sono”
- Tenso, né – soltou mais uma risada antes de um silêncio total se instalar – Encontrei com sua namorada hoje – falou tranquila e com uma voz calculadamente doce, de modo com que não percebesse o teor de insegurança instalada ali.
“É, ela me contou... E como foi? Ela não entrou em detalhes”
- Foi ótimo, mas eu percebi um defeito no relacionamento de vocês.
sentiu um gelo instantâneo na hora e quase arranjou uma desculpa para desligar o telefone ali mesmo.
“O quê?” perguntou, tentando manter a voz divertida. A última coisa que queria era dando um de seus ataques contra outra namorada sua.
- Ela é muito bonita pra você, querido – ela respondeu rindo e quase chorou de alivio.
“Você achou, é?”
- Ta brincando? Quase perguntei o que ela fazia com um cara como você enquanto ela poderia estar, sei lá, com o príncipe Willian – gargalhou.
“Gata, preciso ir dar um jeito naquele cheiro de queimado péssimo que ta na minha cozinha. Mas depois a gente fala mais sobre essa paixão platônica que você alimentou pela minha namorada”
- Ok, pode ir, antes que você queime a casa. Aliás, to sentindo um cheiro de gás vazando vindo daí.
“Você podia fazer umas aulas de stand up comedy antes de sair dizendo essas merdas”
- Tchau, putinho.
“Até mais, Ben Stiller”
...
...
...
- Tchau, , desliga essa porra logo – ria descontroladamente, e riu ainda mais depois da resposta.
“Desliga você primeiro”
E então, ela desligou.

Capítulo betado por: Brunna Nobre



Continua...



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Nota da Beta: Comentem. Não demora, faz a autora feliz e evita possíveis sequestros - só um toque. Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise por email ou Twitter - LEMBRANDO QUE EU NÃO SOU A AUTORA E SIM A BETA. Obrigada. Amy Moore xx