
Por: Jane Azevedo e Izzy Altoé
Beta-reader: Abby
Prólogo
- Você fez um excelente trabalho, Sr. . Conseguimos tudo o que queríamos. Agora você é um Nível A. – Ele esboçou um sorriso frio e colocou em meu pescoço o crachá que eu sonhei toda a minha vida em ter, e que faria tudo pra conseguir – pelo menos até alguns meses atrás, antes de conhecer ela.
Todos que estavam presentes bateram palmas e sorriram falsamente, porque eu sabia que, na verdade, eles queriam era estar no meu lugar. Fiz um breve agradecimento e falei baixo perto do ouvido daquele homem tão conhecido, e, mesmo assim, tão estranho a mim.
- O que acontecerá com ela agora? – perguntei vacilante e com uma sensação horrível dentro de mim.
- Ela terá o que merece. O que você, querido filho, acha que é um castigo bom o bastante pra uma traidora?
- Mas ela não é uma traidora, o pai dela que sim. – minhas mãos tremiam e suava frio, meu coração batia dolorosamente rápido e minha cabeça girava. O medo e a culpa eram dois dos vários sentimentos que eu sentia.
- Mas o pai dela já está morto! Quem vai pagar por isso agora é ela. Uma morte bem torturante e dolorosa é o que ela vai ter. Não se preocupe, . Mandarei lembranças suas a ela e direi que ela deve isso tudo a você. Quem sabe ela te agradeça no inferno. – meu pai deu uma gargalhada sombria e virou as costas.
Eu já não sentia mais meu coração, a dor em meu peito me sufocava. A dor da culpa, da perda, da solidão, a dor do amor. Isso não podia ter acontecido. Eu fui um tolo e me apaixonei pela única garota que eu não podia. Deixei-a quebrar todas as barreiras que eu havia criado, me desvendar, me entender. Deixei que ela me amasse e me permiti amá-la também. Foi um erro, mas infelizmente não foi uma mentira como eu queria que fosse. Como eu esperava que fosse.
Agora essa garota, a pessoa mais incrível que eu tive a sorte de conhecer e conviver, iria morrer e era tudo culpa minha.
Capítulo 1
“That's what I go to school for
Even though it is a real bore
You can call me crazy”
15/09, segunda feira
08h38min
Joshua McBurton High School
.
Li aquelas duas palavras pela sétima vez para que não houvesse erros. Esse nome era toda a informação que eu tinha sobre ela até o momento, tudo o que o meu pai havia me informado. O resto eu era quem teria que descobrir.
Enfiei o papel no bolso e continuei andando, havia chegado dez minutos atrasado para minha primeira aula, e pra melhorar, não conseguia achar a sala de Química e não tinha nenhuma uma alma viva sequer pra me ajudar. Senti algo pesado esbarrar violentamente nas minhas costas, com tanta força que quase caí pra frente, e vários livros pesados caíram no meu pé. Meus punhos se fecharam em raiva. Isso só pode ter sido de propósito, tem que ser muito fodido pra conseguir fazer uma coisa dessas naturalmente.
- Meu Deus, perdão. Foi sem querer. – uma garota disse, ajoelhada no chão, catando os livros, de cabeça baixa. – Te machuquei? – ela perguntou, se levantando e olhando pra mim.
- Não, né, garota. Mas foi por pouco! Não olha por onde anda, não? – respondi com ignorância, não era porque foi uma menina que eu devia ser educado.
- Na verdade, eu olho sim, mas acho que você é tão insignificante que nem notei sua presença. – a atrevidinha me olhou de cima a baixo com cara de desprezo, virou de costas, jogando longos cabelos no meu rosto, e voltou a andar como se eu não estivesse lá.
Meu sangue pulsava de ódio, e eu tive que juntar todo o autocontrole pra não voar no pescoço daquela menina insolente. Quem ela pensava que era pra falar comigo daquele jeito?
Calma, . Se controla, não vai perder a cabeça por causa de uma qualquer, certo?
Certo, eu preciso me acalmar. Respirei fundo e corri atrás da menina pra pedir falsas desculpas e fazer falsa amizade com ela. Pelo menos ela serviria pra me mostrar minha sala.
- Hey, espera. – chamei mais perto dela, mas ela fingiu nem ouvir. E se tem coisa que eu detesto é ser ignorado. – Calma aí! – toquei no ombro dela, que se virou pra mim.
- O que você quer, agora? Fala logo, que eu tô atrasada. – analisei-a de cima a baixo. Ela até que era bem bonita, pelo menos de rosto. O corpo estava bem protegido por um casaco verde, um pouco grande pro tamanho dela na verdade, da Hurley. Daí não dava pra ver. – Hellooooo! – falou, estalando os dedos na minha cara.
- Ah, é que eu queria pedir desculpa por ter sido grosseiro. Eu ‘tava nervoso porque cheguei atrasado no meu primeiro dia de aula, e ainda não tô conseguindo achar minha sala. – disse, olhando nos olhos dela (eu sempre falo tudo olhando nos olhos, a maioria das pessoas tem a ilusão que é impossível mentir assim), e dei meu melhor sorriso (falso, é claro). Nenhuma garota resiste a esse sorriso.
- Só isso? Posso ir pra minha sala, agora? Ótimo! – virou e seguiu andando, jogando novamente os cabelos na minha cara. Como isso? Por que ela não se derreteu toda, feito uma manteiga no sol, e sorriu de volta? Qual o problema dela?
- Sério, desculpa mesmo. Não foi a minha intenção. – ela se virou pra mim de novo, parecendo entediada, e eu fiz cara de coitadinho. Sempre consigo tudo o que eu quero com essa cara. Ela apenas balançou a mão livre no ar e revirou os olhos.
- Er... Eu tô meio perdido, você pode me ajudar? Onde fica a sala de Química do 3º ano? – não desistiria fácil assim.
- Ah, eu não acredito nisso! É carma, só pode.
- Que foi? – a menina além de tudo falava sozinha, louca.
- Se eu te ajudar, promete que vai me deixar em paz?
- Prometo! – menti, sorrindo.
- Ótimo, então vem comigo. Eu também vou pra lá. – se virou jogando o cabelo de novo, devia ser uma mania, péssima mania, aliás. Só que dessa vez eu fui mais rápido e desviei. Segui a garota estranha em silêncio até a sala, desejando não ter que falar com ela de novo e planejando uma vingança pra quando eu sair daqui, não me esqueço das coisas fácil assim.
A garota me empurra, joga livro no meu pé, joga cabelos pesados no meu rosto 2 vezes, me despreza, ignora, resiste ao meu melhor sorriso e carinha de coitado e ainda fica entediada com a minha tentativa de aproximação. Isso tudo em menos de 5 minutos. Se ela pensa que vai sair ilesa depois disso tudo, está muito enganada.
* ’s POV*
Entrei no laboratório com o mala do meu novo ‘coleguinha’ no meu encalço. Não entendo o que fiz para merecer alguém tão arrogante como ele em plena segunda feira de manhã, como se segundas já não fossem péssimas por si só.
Pedi licença ao professor que já estava dentro de sala, fazendo anotações em seu diário, e olhei ao redor para localizar a habitual bancada em que sentava. Por azar, ela estava ocupada com duas cheerleaders peitudas, e por mais azar ainda, só havia uma bancada vaga, no fundo da sala, o que me fez perceber que teria que sentar com o garoto novo.
Rolei os olhos e fui direto para o lugar vago, como previsto, o novato se sentou ao meu lado e ficou me olhando de rabo de olho. Peguei meu material, enquanto o Sr. Jenks fazia a chamada.
- Aaron Jackson... Karly Williams... – As pessoas iam respondendo por seu respectivo nome, e eu impaciente para que aquela chamada terminasse logo. Ou melhor, aquela aula terminasse logo, assim me livraria da minha companhia ignorante que não ficava quieto, olhando todos ao seu redor.
- .
- Presente! – Respondi de imediato, e senti os olhos do garoto mais uma vez em mim. Oh, glória, o que fiz para merecer? Ele olhava tão assustado, com os olhos quase saltando das órbitas, que por um momento pensei que estivesse tendo algum tipo de ataque. Sua expressão era de aflição.
- Que foi? – Perguntei encarando o esquisitinho.
- Vo-você é ? – Ah, não! Não me diga que ele é algum parente meu...
- Óbvio, algum problema com isso? – Respondi com ignorância, revirando os olhos. Não tenho paciência com perguntas idiotas.
- Nada... nada, não. – Ele engoliu seco. – Bem, eu sou...
- ! – Gritou o Sr. Jenks.
- AQUI! – O garoto falou. – Bem, sou , mas pode me chamar de .
- É, percebi que você é... – Grande coisa, como se eu estivesse muito interessada em qualquer coisa que viesse dele.
O professor começou a passar a matéria, anotando inúmeras formulas no quadro, e continuava a me encarar. Na boa, isso já virou pessoal, qual o problema dele?
- Algum problema comigo, ? – Perguntei, já impaciente, depois de alguns minutos.
- Não, nenhum.
- Então poderia prestar mais atenção no quadro do que em mim? Obrigada.
Por incrível que parecesse, ele fez o que eu pedi, mas continuou a me encarar em intervalos de 5 minutos. Quando a aula acabou, eu já estava agradecendo todos os deuses e santos por poder me livrar do meu observador, mas minha alegria não durou muito.
- Você tem aula de que agora? – Me perguntou ele.
- Trigonometria... – Tentei andar o mais rápido que pude em direção a porta.
- Uau, que sorte! Também tenho essa aula, pelo visto ficaremos juntos por mais algum tempo. – Disse alegremente e com um sorriso de orelha a orelha no rosto.
- Ahn... Realmente, MUITA sorte. – Sussurrei sem acreditar no que acabara de ouvir.
É, o dia estava sendo realmente e.x.c.e.l.e.n.t.e., no sentido mais irônico possível.
Capítulo 2
“Promise I'll be kind,
But I won't stop until that girl is mine
Baby, you'll be famous
Chase you down until you love me
Papa-paparazzi”
*’s POV*
Ironia. Nada poderia descrever melhor esse momento. A única garota que eu queria distância - o que é muito difícil de eu querer, distância de garotas, eu digo - é justamente a que mais eu devo me aproximar e a mais arrogante de todas.
O dia passou normalmente. Todas, repito: TODAS as meninas do colégio deram em cima de mim. Aliás, todas menos a . Eu fazia de tudo pra me aproximar dela e falar com ela, mas ela só me dava patada. O que de tão grave eu tinha feito pra ela me tratar assim? Ou será que ela era assim com todo mundo?
No intervalo eu lanchei - tomei só uma coca, na verdade - com umas 7 garotas que me chamaram pra sentar com elas. Todas elas eram loiras, incrível. Esqueci o nome de todas no segundo seguinte que falaram. Só gravei o da Mandy, que era a mais gostosa. Ou será que o nome dela era Sandy? Candy? Landy? Pandy? Tandy? Ah, tanto faz! Pra isso que servem os apelidinhos carinhosos como: gatinha, lindinha, docinho, gostosinha, delicinha... Também não fiz questão de prestar atenção no assunto delas, só concordava e sorria de vez em quando. Acho que era alguma coisa sobre cabelo.
Passei o intervalo todo observando a tal da , discretamente, é claro. Percebi que ela se sentava numa mesa com mais 3 garotos. Só comeu uma maçã e bebeu uma lata de coca comum. Quase não falava nada, só se pronunciava quando era chamada e sempre pelo mesmo garoto de cabelo com duas cores. Passou o tempo todo lendo um livro, que percebi ser Percy Jackson e os Olimpianos, volume 4. E usava fones de ouvido. Anotei tudo mentalmente, seria útil na minha próxima tentativa de aproximação.
Se ela não for me dar uma brecha pra eu fazer “amizade” por bem, terei que forçá-la a isso. Virarei amigo dos amigos dela, ela vai ter que me aturar querendo ou não, e eu serei a pessoa mais encantadora possível. “Encantadora”, que coisa mais gay. Enfim, botarei o plano em prática amanhã. Hoje, vou só analisar o meu alvo.
Invadi o sistema de segurança de dados da escola pelo notebook facilmente, é muito raro encontrar alguém inteligente o suficiente pra mudar o código de acesso que vem de fábrica, hoje em dia! Copiei todos os dados da e dos três amiguinhos dela. Fui pra casa e os estudei. É, amanhã será um longo dia.
16/09, terça feira
09h00min
Joshua McBurton High School
- Hey, você pode me ajudar? Eu tô meio perdido! – Perguntei pro garoto com cabelo de duas cores, que descobri, pela a minha pesquisa, que se chamava James. Não, eu não estava perdido, mas se você quer fazer amizade com alguém, tem que arrumar um jeito de começar.
- Você é o aluno novo do 3º ano, certo?
- Sou, mas como sabe?
- As pessoas adoram uma carne fresca. – ele riu da própria piada, ri junto. – Mas então, o que precisa?
- Tenho educação física agora, não sei onde é a quadra!
- Não sabe onde é a quadra? Você tá perdido mesmo, então, hein? Vem comigo, eu também tenho educação física agora. A propósito, meu nome é James, mas pode me chamar de Jimmy, eu também sou do terceiro, mas até agora não tivemos nenhuma aula juntos, certo?
- Sou , mas me chama de , pelo amor de Deus. - Rimos e fomos conversando o resto do caminho.
No final do jogo eu já tinha conhecido os dois amigos do James, Matt e Charlie. Já sabia sobre a banda deles, que se chamava Busted, e fui até convidado para os ouvir tocarem qualquer dia. Eles eram bem legais, na verdade. O tipo de amigos que eu faria, se eu não estivesse aqui a trabalho, é claro. Trabalho é trabalho, vida social é vida social. Sempre soube diferenciar os dois muito bem, obrigado.
Menti pra eles sobre a minha vida e fui o mais legal possível. E o mais importante: fui convidado para almoçar com eles no intervalo. Sim, palmas para mim, eu sou um gênio. Eu devia ser ganhador do Oscar por melhor atuação de todos os tempos, certeza.
*’s POV*
16/09, terça feira
12h30min
Joshua McBurton High School
Os minutos se arrastaram durante as aulas, das quais a maioria eu tive com , mas agora chegaria o intervalo para o almoço e eu finalmente me livraria daquele garoto.
Como sempre fazia, fui em direção à mesa do refeitório em que me sentava com James, meu melhor amigo, e os amigos dele, Matt e Charlie. Os três eram relativamente populares, tudo por conta da banda que tinham. Eu me sentia deslocada na mesa com eles, mas Jimmy não permitia que eu me sentasse sozinha ou com os esquisitos do clube de xadrez.
Fui andando calmamente, cantarolando a música do The Killers que saia dos meus fones de ouvido, e me sentei à mesa, esperando os meninos chegarem, o que não demorou muito.
Assim que ouvi a conhecida voz de Jimmy, me virei, sorrindo, mas toda minha felicidade não durou nem dois segundos. Meu sorriso foi reprimido assim que vi a face de .
- O que ele tá fazendo aqui, Jimmy? – Perguntei sem me importar nem um pouco se estava sendo educada ou não.
- Vocês já se conhecem? – James perguntou, levantando a sobrancelha.
- Sim, eu e temos algumas aulas juntos. – respondeu.
- Mas isso é ótimo! – Jimmy falou animado. – Vou pegar meu almoço, você não vem, ?
- Ah não, perdi o apetite. – Disse bufando e rolando os olhos.
Enfiei as mãos no bolso do meu casaco e aumentei o volume da música, assim ninguém me atrapalharia. Mas como sempre, arrancou um dos fones do meu ouvido e começou a falar alegremente como se fossemos amigos há anos.
- , então, não é?
- Pra você é , mesmo. – Revirei os olhos. Será que ele não entendeu que sua companhia não me agrada?
- Ok, , você vai no ensaio do Busted semana que vem? – Hey, como ele sabe dos ensaios? Ah não, um dia eu ainda mato o Jimmy por ser tão simpático e sair convidando metade da população mundial pra ir a casa dele.
- É, vou. O Jimmy sempre insiste pra que eu vá. – O que realmente era verdade.
- Uau, vocês são amigos mesmo.
- É, somos. Olha, eles chegaram, fala com eles aí, tá. – Eu não costumava ser assim com as pessoas, mas esse menino tinha alguma coisa que me tirava do sério.
O intervalo correu pior do que eu imaginava. Os quatro conversavam tão naturalmente que nem pareciam amigos há apenas algumas horas. conseguira de fato virar amigo dos meninos, e também iria ao ensaio deles junto a mim no sábado que vem.
O sinal soou como o coral dos anjos para mim, e não como o som estridente que tinha. O nome disso é alivio.
Assim que todos se levantaram, fui direto a e o puxei pelo braço.
- Posso saber o que você quer comigo? – Falei, cerrando os olhos
- Eu? Nada. – Respondeu com um sorriso irônico.
- Isso já está parecendo perseguição. Primeiro, fica me encarando nas aulas, e agora vem passar o intervalo comigo?
- Eu acho que você é que tá imaginando demais. Isso é meio paranoico, sabia, ? – Ele disse presunçoso, lançando um sorriso de lado, e saiu andando.
- HEY, pra você é !!! – Revoltada e de boca aberta, acabei falando tarde demais, e ele já estava ao lado dos meninos.
Atrevido e repugnante. Era isso que definia .
Capitulo 3
“And when it rains
On this side of town
It touches everything”
27/09, sábado
15h24min
Caminho para a casa do James.
*’ POV*
- ! – fui completamente ignorado por ela novamente, já estava até me acostumando com isso. – !!
- Meu Deus, o que eu fiz pra merecer essa praga na minha vida?! Que você quer, infeliz?
- Boa tarde pra você também. Estou ótimo, obrigado, é um enorme prazer revê-la, sua educação é sempre comovente. - mesmo não podendo vê-la, porque a forte chuva atrapalhava, e seu rosto estava coberto com o capuz do casaco, eu tinha certeza que ela bufava e rolava os olhos. Incrível como em 12 dias de convivência – forçada e indesejada, por ela – eu já a conhecia tão bem. São os ossos do ofício, certeza.
- Eu estou na chuva, no frio, a pé e atrasada. Não já tá ruim o bastante, pra você vir me aborrecer com sua inconveniente e indesejada presença? – perguntou, parando e se virando pra mim.
- Eu estava justamente querendo te oferecer a solução pra 4 desses problemas. A minha presença, sempre tão bem vinda por você, é algo além da minha capacidade de solução, lamento.
- Ser direto é sempre bom, também.
- Vai uma carona até a casa do Jimmy?
- Ha, claro! Antes morrer afogada pela chuva do que aceitar alguma coisa vinda de você.
- Engraçado, eu sempre pensei que o James fosse importante pra você.
- Ele É importantíssimo pra mim, como ousa falar isso?
- É, realmente. Tanto que você deixa seu orgulho ridículo e essa sua implicância sem motivo comigo falar mais alto do que a importância que aqueles ensaios têm pra ele. – ela parou de andar abruptamente e ficou encarando o vazio à sua frente por uns 10 segundos. Se virou e entrou no carro, tirando o capuz da cabeça e batendo a porta brutalmente. – Ouch, o carro não tem culpa desse seu mau humor.
Chantagens emocionais sempre funcionam. Como meu “pai” sempre diz: “Quando você tem alguém que se importa o suficiente a ponto de abrir mão de coisas por ela, você já tem um ponto fraco. O amor deixa as pessoas vulneráveis. Quando você ama alguém, não é mais inatingível.” Mas eu infelizmente nunca consegui seguir isso à risca. Mas consegui restringir meus sentimentos bons a duas pessoas, mais ninguém.
- Cala a boca e dirige.
- De nada, querida.
O silêncio prevaleceu numa boa parte do caminho, até que começou a me incomodar. Estranho, nunca me incomodei com o silêncio, sempre o preferi, na verdade.
- Coloca alguma música, tem CD’s no porta luvas. – observei-a fazer o que pedi, arregalando os olhos de espanto enquanto via os CD’s.
- Gosh, você tem The Killers aqui. – ela me olhava, sorrindo tão verdadeiramente que seus olhinhos brilhavam mais que o normal. Não consegui controlar que um sorrisinho tímido se formasse. Ela nunca tinha sorrido assim pra mim, na verdade, ela nunca tinha sequer sorrido pra mim alguma vez. Devemos ter ficado uns 8 segundos nos encarando, até que eu percebi o quão patética aquela cena era e voltei a prestar atenção na estrada.
Passei o resto do caminho ouvindo The Killers, e a cantarolando as músicas baixinho. Devo admitir que o que aconteceu foi estranho, foi MUITO estranho. Eu estava perdendo o profissionalismo e isso não era bom. Aquilo não se repetiria de forma alguma e em momento algum, certeza.
27/09, sábado
15h35min
Carro do .
*’s POV*
O que eu estava fazendo lá? Era essa a pergunta que eu não parava de me fazer enquanto cantava The Killers no carro do . Claro, se lá fora não estivesse acontecendo o dilúvio e eu não estivesse sem um guarda chuva, eu teria ido a pé e feliz sem precisar respirar o mesmo ar que aquele garoto. Eu não tinha muitas explicações do porque eu odiava tanto o , eu só sabia que meu santo não batia com o dele e ponto.
Aos poucos pude ver o rascunho da casa do Jimmy se aproximando, então estacionou bem perto da entrada. Assim que eu abri a porta, pude sentir os grossos pingos caírem sobre mim e me deixarem mais molhada do que nunca. Corri até a porta e comecei a bater desesperadamente.
- OEEEE. Assim você derruba a porta, querida. – James abriu a porta, sorrindo com seu bom humor de sempre e eu o ignorei entrando na sala já tão conhecida por mim. – Hey, eu também to ótimo, ok?
- Desculpa, Jimmy, tô meio estressada. – Disse, tirando meu casaco ensopado. – E me arruma uma roupa, fazendo favor.
- Claro. – James falou, já subindo as escadas. – Entra aí e fica à vontade . A CASA É SUA. – Ele gritou assim que havia desaparecido.
levou à risca o que James falou e já foi se sentando e colocando os pés na mesa de centro. Rolei os olhos ao ver a cena; gente folgada é outra coisa.
James não demorou muito a chegar, trazendo nas mãos uma camisa preta com a estampa do Homer e uma boxer branca. O tipo de roupa que ele sempre me oferecia. Peguei, agradecendo com um sorriso, e fui ao banheiro tirar minhas roupas encharcadas e colocar as novas.
Em poucos minutos estava de volta a sala, secando meus cabelos com uma toalha. Demorei um pouco a notar que estava me encarando e prendendo o riso.
- Que foi, garoto? – Perguntei, já cansada dele.
- Nada. Você só tá muito engraçada. – Ele tentava não rir. Sem sucesso, devo confessar.
- Ah, cala boca, vai. – Olhei ao redor e dei falta de algo. – Cadê o Jimmy?
- Foi ligar pro Matt. Parece que o carro dele deu problema, algo assim. – Respondeu ele sem se importar muito.
Problema no carro do Matt? Hm?
- Pessoal, o carro do Matt estragou, e com essa chuva toda é impossível ele e o Charlie brotarem aqui agora. Vou ter que ir buscar os dois, ok? – James apareceu com um casaco enorme e segurando as chaves do carro. - Eu não devo demorar. Se comportem e não destruam minha casa. Ah... E , cuida da . – Ele completou dando uma piscadela.
- Pode deixar. – deu uma risada pelo nariz.
Era só o que me faltava. Se eu bem conhecia Londres em tempos de chuva, as ruas ficavam impossíveis de transitar, e até o Jimmy chegar à casa do Matt, que era longe, demoraria MUITO tempo. Isso é praga, só pode. Colocaram meu nome na boca do sapo, porque só azar não é capaz de me fazer passar uma tarde sozinha com o .
Me sentei no sofá, o mais longe possível do , e peguei o controle remoto. Já que não poderia fazer algo produtivo com o ele ao meu lado, eu pelo menos poderia ver TV.
Fui passando os canais até chegar a um Talk Show qualquer e me acomodei melhor para assistir. Vi a imagem do meu querido Adam Brody, que estava dando uma entrevista, ser substituída pela de um homem suado quicando uma bola de basquete.
O sangue subiu e eu senti meu rosto queimar de raiva. Como ele se atrevia.
- ! O que pensa que está fazendo?! Me devolve essa porra agora! – fechei os olhos para não ver o sorriso vencedor que eu tinha absoluta certeza que estava em sua face e respirei fundo.
- Eu também quero ver TV, ok? – Ele falou animado. – Não precisa ficar toda vermelhinha. E além do mais, o Jimmy disse que era pra EU cuidar de você. Me obedeça.
Ah não, ele só pode estar de brincadeira comigo. Não tive paciência parar ouvir o desaforo, e em um momento insano voei em sua direção estapeando todas as partes que estavam ao meu alcance. Rapidamente segurou meus pulsos, tentando controlar a situação.
- ME SOLTA, SEU ESTÚPIDO!! ARGH. – Eu me debatia loucamente, enquanto apertava meus pulsos com muita força. – ISSO TÁ DOENDO, MERDA!
soltou meus pulsos, mas passou os braços em volta de mim, para não deixar que eu lhe desse mais tapas. Eu tentava me soltar a todo custo, mas não colaborava. A única saída que tive foi me jogar para o lado, na tentativa de cair no chão propositalmente, mas ao fazer isso, veio junto comigo e nós dois caímos que nem duas jacas podres no chão.
Eu podia sentir sua respiração muito próxima da minha, devido ao fato que ele havia caído sobre mim. Eu fiquei presa ao seu olhar, e não senti a dor que deveria estar sentindo. Aquela sensação que eu havia sentido no carro estava de volta.
Capitulo 4
“Tell me why. Ain't nothin' but a heartache
Tell me why. Ain't nothin' but a mistake
Tell me why. I never wanna hear you say
I want it that way”
*’s POV*
Não tinha notado que eu havia deixado todo o meu peso em cima dela e que isso deveria estar doendo muito. Me levantei rapidamente e ajudei-a a sentar.
- Te machuquei? – a preocupação era notável em mim.
- Claro, seu imbecil, não tá vendo, não? - Ela respondeu rispidamente.
- Como se a culpa fosse minha, né, garota? – Toda a preocupação de segundos atrás se dissipou.
- Ah, sim, claro. Porque eu resolvi me jogar no chão e me machucar sozinha, né?! – Perguntou ironicamente, revirando os olhos.
- Foi você que se jogou em cima de mim como uma cadela no cio, e a culpa agora é minha?! – Respondi, já alterando o meu tom de voz.
- Como é que é, ? Você tá me comparando com uma cachorra? – Sua voz se tornou mais fina e se tornou claro a indignação.
- Se a carapuça serviu. – Disse, me levantando e virando de costas. No instante seguinte, senti algo pesado se chocando dolorosamente contra as minhas costas. Me virei, já consumido pela ira. Quem essa garotinha de merda pensava que era?
- VOCÊ FICOU LOUCA, SUA PUTA?
- DO QUE VOCÊ ME CHAMOU? – Disse, se levantando com os olhos vermelhos. Eu sabia que eu tinha que me controlar, mas a minha raiva falava mais forte que a razão. - Presta atenção, seu moleque, eu não sou igual as vadiazinhas que você costuma comer por aí. Comigo você não tem direito de falar assim, você não me conhece e me deve respeito. – Ela falava chegando cada vez mais perto de mim e finalizou apontando o dedo na minha cara e não conseguindo mais reprimir as lágrimas. Eu só não sabia se eram de ódio ou de dor.
Respirei fundo algumas vezes, fui em direção ao banheiro e fiquei algum tempo me olhando no espelho a fim de me acalmar. Eu precisava me controlar, não podia estragar outra missão. Não de novo.
Voltei à sala e não estava mais lá. Passei os olhos rapidamente pelo local e percebi a porta aberta. A filha da mãe tinha ido embora. Sai correndo porta afora, tinha que consertar aquilo de alguma forma.
A chuva continuava forte e eu não enxergava um palmo a minha frente. Isso era bom, afinal ela não poderia ter ido muito longe.
Alguns metros à frente, encontrei-a sentada no chão, embaixo de uma tapagem.
- ?! – Ajoelhei ao seu lado. – Não podemos ficar aqui. Tá chovendo muito, e se pegarmos um resfriado juntos, não vai ser legal.
- Eu não quero voltar com você. Vou esperar a chuva passar e ir pra casa.
- A chuva não v-vai parar tão cedo, se você não percebeu ainda. O mundo tá caindo, e você quer ficar fazendo birra? – A essa altura eu já gritava devido o barulho da chuva.
- Eu não to fazendo birra! – bufou como de costume. – Eu só não quero e não vou com você.
- Não vai por bem, é?! Ótimo. – A peguei no colo e andei o mais rápido que pude com ela se debatendo em meus braços.
*’s POV*
Aquele garoto estava me irritando como nunca. Me machuca, me xinga e ainda acha que tem o direito de me pegar no colo e me levar pra onde ele quer?!
- Pronto, já chegamos. Parou com o ataque? – Ele disse me colocando no chão
- Não, não parei, . Você pensa que TUDO tem que ser do jeito que VOCÊ quer, né?
- Basicamente. – não deu muita importância. Me soltei de seus braços e assim que começei a subir as escadas de entrada, escorreguei num degrau molhado e caí.
- Porra! – exclamei, observando o estrago que eu havia feito no meu joelho.
- O que houve?
- Meu joelho bateu na quina da escada.
- Sabe se tem algum kit de primeiros socorros aqui? A gente entra e limpa isso.
- No banheiro. – Disse enquanto entrava na sala com ajuda de .
- Deixa eu ver isso. Ah, foi só um cortezinho de nada. – Falou enquanto limpava o pequeno e dolorido corte com um algodão embebido de água oxigenada, e finalizando com um band-aid.
- E desde quando você entende algo sobre medicina?
- Eu já fui escoteiro, garota. – Foi a vez dele de rolar os olhos. – E vê se não fica mexendo esse joelho aí como louca.
- Eu não sou uma criancinha de quatro anos que precisa das suas ordens, . Eu já sou grande o suficiente para me cuidar sozinha. Quando eu precisar dos seus conselhos, eu mesma os pedirei. Obrigada. – Me virei fui à cozinha fazer um café.
Eu sabia que estava sendo infantil, mas minhas reações eram completamente impulsivas. Perto de , eu nunca sabia o que esperar. A maioria do tempo ele era irritante e ignorante, mas algumas vezes ficava uma pessoa simpática e prestativa, o problema era que de qualquer jeito ele conseguia me deixar com raiva.
É difícil lidar com pessoas que sempre mudam o humor, e eu estava tendo essa dificuldade com . Fazia pouco tempo que eu o conhecia, mas ele já estava me saindo um ótimo enigma, e eu tinha medo de desvendá-lo. Muitas vezes tentar “desvendar” as pessoas podia nos levar a caminhos obscuros. E eu sabia, não sei como, que desvendar seria divertido e perigoso.
-
27/09, sábado
17h15min
Casa do James
Já estava de saco cheio de ficar vendo TV. estava dormindo no sofá e Jimmy ainda não havia chegado. Estava realmente preocupada, mas com toda a chuva que estava caindo era provável que ele estivesse na casa do Matt.
Desliguei a TV e subi as escadas, indo para o quarto de James. No canto, encostado a uma poltrona, havia o antigo violão preto que Jimmy ganhou quando ainda era criança. O peguei com todo cuidado possível e me sentei na cama.
Arranhei algumas notas na tentativa de tocar, mas não era tão boa quanto antigamente. Por sorte eu não precisava usar os dedos enfaixados para segurar a palheta.
- When I was younger I saw my daddy cry in curse at the wind... – Comecei a cantar baixinho os primeiros versos de The Only Exception. – He broke his own heart and I watched as he tried to re-assemble it...
Aquela música realmente me agradava, apesar de ser bem romântica e eu não me identificar com ela. Quando toquei a última nota e pousei o violão no meu colo, ouvi alguém batendo palmas. Não me assustei quando vi a imagem de encostada ao portal.
- Isso foi muito bom. Parabéns. – Ele deu um sorriso tímido.
- Hm, obrigada.
- Apesar de ser Paramore... – Tava demorando para ele começar a querer se impor.
- Então que bom que quem tem gostar ou não da banda aqui sou eu. – Sorri amarelo.
Ele me olhou com desgosto e saiu porta a fora. De novo, estava sendo bipolar. Quero dizer, quando se tem uma briga com alguém, não é normal você voltar a falar com ela logo em seguida com tanta naturalidade. Era pra ele estar bravo comigo, afinal eu havia sido ignorante com ele. Isso não fazia sentido. Ele não fazia sentido.
*)’s POV*
- . – Ouvi uma voz familiar me chamar distante. – , acorda. – Abri os olhos lentamente e encontrei aquele par de olhos verdes me encarando.
- Você dorme muito, . Nem eu durmo tanto assim. – Disse dando a volta na cama e se jogando ao meu lado.
- É que eu tenho muito sono, o que eu posso fazer? – Me ajeitei sentando na cama do quarto de hóspedes e dei de ombros. – Por que me acordou, afinal? O James chegou?
- Chegou, não... E eu não posso só querer ficar na sua companhia, não? – Olhei pra ela com uma sobrancelha arqueada, e ela se segurava pra não rir. Não aguentei e comecei a rir e ela riu junto. Eu ria mais dela rindo do que da própria piada. Ela quicava, e sua risada era exageradamente escandalosa. Uma cena muito engraçada de se ver.
Cessando a sessão de risos, se instalou um silêncio desconfortável. Nós estávamos realmente nos divertindo juntos? Ou era só impressão minha?
Uma luz forte surgiu do lado de fora da janela, acompanhada de um barulho alto e de repente tudo ficou escuro. Ouvi um grito assustado do meu lado e braços cercarem meu corpo e me apertarem fortemente.
- , calma. Só faltou energia. – Eu tentava inutilmente fazer que ela se soltasse de mim.
- É que... Eu não sou muito fã de escuro.
- Ah não, não acredito que você tem medo de escuro, . MEDO DE ESCURO! - Gargalhei. – Quantos anos você tem? Sete?
- Cala boca, seu idiota. – Ela tentava me socar ainda abraçada em mim. – Eu não tenho medo, só não gosto muito.
- Tá bom, então, sete anos. Vou lá em baixo procurar uma lanterna e algumas velas. – Disse me soltando dela e andando em direção a porta.
- NÃO! – Senti um vulto segurar no meu braço. – Digo, acho melhor eu ir com você, pra você não correr risco de se perder, sabe.
- Ah, é verdade, até porque essa casa é TÃO grande. - Ri pelo nariz. A mão da desceu pelo meu braço, e ela entrelaçou seus dedos nos meus, o que me causou uma sensação digamos... estranha.
Apertei nossas mãos tentando lhe passar confiança. Seria bom se ela começasse a confiar em mim, facilitaria meu trabalho.
- Certo, o que a gente vai fazer agora? – perguntou sentando no sofá depositando a vela na mesinha de centro.
- Você eu não sei, eu vou embora. – Me inclinei pra pegar minhas chaves na mesinha, mas fui impedido pela que as pegou antes de mim.
-Ah, mas não vai, não!
- É claro que vou, você não espera que eu fique aqui a noite toda, né? – Estendi minhas mãos esperando que ela me devolvesse as chaves.
- Eu não posso sair daqui, o Jimmy pediu pra eu esperar ele chegar porque ele tá sem chave.
- Repetindo: EU vou embora. Fica aqui se quiser. – Estalei os dedos pra que ela se apressasse.
- Você não vai me deixar sozinha aqui MESMO.
- Me devolve essas chaves logo, garota. – Eu já estava impaciente, detesto esperar.
- Não. – Disse simplesmente, pendurando as chaves na boxer que vestia pelo lado de dentro e voltando a se sentar no sofá. Tive que apertar os olhos e respirar fundo pra não perder o controle. Eu era muito estressado e me descontrolava fácil demais, sempre fui assim, tinha plena consciência disso.
- , será que, por favor, você pode me devolver a minha chave pra eu ir pra casa? – Sorri forçado.
- Hm, essa é difícil, deixa eu pensar... Não? – Sorriu cinicamente e voltou sua atenção pra TV desligada.
Tentei me controlar e colocar os pensamentos em ordens. O que eu tava fazendo? Essa era uma excelente oportunidade pra arrancar coisas dela. Eu já estava começando a perder o foco do porquê de eu estar ali e eu tinha que mudar essa situação, rápido.
- Ok, eu fico, mas eu não vou ficar aqui só olhando pra sua cara, não. Vamos fazer algo de interessante. – Me sentei ao seu lado no sofá.
- Eu não vou dar pra você, . Esquece. – Disse revirando os olhos.
- Eu não tava querendo foder com você, idiota. Tava pensando em algum tipo de brincadeira.
- Você, , ME propondo uma brincadeira? – me olhava com suspeitas. Não posso culpá-la, era realmente algo bem difícil de imaginar.
- Sim. – Me sentei virado pra ela.
- O que você tem em mente? – Disse se virando pra mim com uma sobrancelha arqueada.
Me levantei com uma das lanternas que tínhamos pego de precaução e fui na cozinha pegar uma garrafa de Vodka e voltei pra sala correndo e me jogando no sofá.
- Jogo da verdade. – Levantei a garrafa na altura do rosto da vendo um sorriso maldoso se formar em seus lábios.
Capitulo 5
“I'm on a mission
And it involves some heavy touching, yeah
You've indicated your interest
I'm educated in sex, yes
Now I want it bad, want it bad
I love game, I love game”
*’s POV*
Desde o início eu sabia que aquilo não iria dar certo. Todo e qualquer tipo de jogo, por mais inocente que seja se colocar vodka no meio, é furada.
Sabia que a brincadeirinha de já estava indo longe demais, as perguntas estavam cada vez mais intimas e como a maioria das vezes eu tinha que responder, o álcool estava vindo todo pra mim.
- PRA VOCÊ DE NOVO, HAHAHAHA. – ria e eu ria junto, não me importava, tudo estava rodando mesmo. – Então, minha querida , é verdade que a Sra. Certinha participou do Ménage à trois que eu soube que rolou ano passado na casa do Phillip?
- NÃO, HAHAHA. – Parei um pouco. Qual tinha sido a pergunta mesmo? – NÃO, ESPERA. Eu não sei, acho que não!
- COMO VOCÊ NÃO SABE? – A essa altura se contorcia. Ele sabia como me deixar constrangida.
- PARA! PARA! PARA! NÃO QUERO MAIS ISSO. – Olhei para ele, que tomava o restinho de vodka e peguei a garrafa de sua mão virando tudo de uma vez. Em meu estado normal eu não faria isso.
Ele olhou pra mim, eu olhei pra ele e começamos a rir descontroladamente, como havíamos feito a noite toda.
Me levantei, com dificuldade, e apoiei no braço do sofá.
- Hey, onde você vai? – Perguntou , que estava praticamente deitado no sofá de dois lugares.
- Cozinha... Bebida... – Tudo girava. Girava MUITO. Eu via tudo multiplicado por quatro. – ... – Não restou muito tempo e eu cai em cima dele.
Dessa vez eu via não um, mas quatro pares de olhos me olhando com muita intensidade. Estávamos tão próximos que eu podia ver as sardas do seu rosto e todas suas linhas de expressão. Meu olhar chegou até sua boca e eu não me contive, o álcool estava controlando meu cérebro e eu não respondia mais por mim. Beijei como se minha vida dependesse daquilo. Era óbvio que se eu não faria isso se estivesse em sã consciência, mas eu não estava, então, quem se importava?
Quando minha língua encostou-se à de , senti todos os pelos da minha nuca se eriçarem e um arrepio percorrer a espinha. Ele correspondia ao beijo, que já estava ganhando mais intensidade a cada momento. Minhas mãos estavam agarrando seus cabelos, e as suas apertavam minha cintura. Ele soltava gemidos abafados à medida que eu ia puxando os fios de seu cabelo com força. Aos poucos, suas mãos foram descendo ao encontro de minha bunda. Eu não liguei, não me importava mais com nada, parecia que tudo tinha parado à nossa volta.
foi descendo os beijos para o meu colo e eu me foquei no seu pescoço, dando chupões e às vezes mordendo, o que com certeza causaria marcas.
Todo o frio que qualquer um sentiria já não existia para nós dois, pelo contrário, o calor era tanto que já estávamos suando. Não demorou muito até começar a levantar a blusa que eu estava usando. Em um ato insano EU arranquei sua blusa, ele percebendo que eu não o impediria, jogou a minha longe, arregalando os olhos ao ver que tinha por trás do sutiã. Eu já podia sentir o volume aumentando cada vez mais em baixo da sua calça, e em pouco tempo ambos estávamos sem estas. Sua mão passava por todo meu corpo, e já estávamos quase tirando as peças íntimas quando uma onda de náusea veio e eu não pude aguentar. Sai de cima dele e fui correndo em direção ao banheiro, estragando todo o momento.
Ajoelhei-me em frente ao vaso sanitário e me apoiei no próprio. O vômito veio tão rapidamente que não tive tempo nem para raciocinar direito. Pouco tempo depois senti uma mão gelada segurar minha testa e outra levantar meu cabelo.
arfava atrás de mim e eu não conseguia distinguir nada ao meu redor, apenas abaixei e continuei vomitando.
27/09, sábado
20h48min
Cozinha da casa do James
Estávamos na cozinha, eu havia tomado um rápido banho e agora , que apesar de não estar sóbrio, fazia café.
Ele ainda estava sem camisa, e eu observava suas costas, enquanto ele mexia em algo na cafeteira. Mesmo que minha cabeça latejasse como nunca, eu podia raciocinar sobre o que havia acontecido. Eu estava prestes a transar com , o garoto que mais me irrita em toda face da terra, e tudo isso por causa do álcool.
O que eu tinha em mente? Além de muita vodka é claro. Iria ser a minha primeira vez, qualquer um podia chegar lá e ver a cena toda, não tínhamos proteção, ele podia ter várias doenças, já que putas não lhe faltam e eu poderia engravidar! O que seria de mim se eu não tivesse passado mal? O que tinha acontecido com a que eu conhecia? Por que eu não conseguia permanecer sã perto do ?
Perguntas eram o que não me faltavam e as respostas eram poucas. Eu ficaria um bom tempo tentando encontrá-las se não fosse uma xícara de café aparecendo na minha frente.
- Obrigada. – Falei baixinho. Eu não estava com vergonha, eu estava com MUITA vergonha. Se pudesse cavaria um buraco ali mesmo, no meio da cozinha. – Er, por tudo.
- Não há de que. Amigos são pra isso. – Ele respondeu encarando seu café. Amigos... Amigos... aquela palavra não entrava de jeito nenhum na minha mente. Eu amiga de ? Impossível. Mas se contarmos o fato de que há pouco tempo eu estava agarrando ele no sofá, nada mais é impossível.
Ficamos em silêncio por muito tempo. Normalmente eu gostava de silêncio, era agradável e deixava tudo mais calmo, mas o silêncio que havia se instalado na cozinha não era esse do tipo ‘saudável’, era o mais constrangedor possível. Pelo menos para mim.
Eu queria falar algo, mas não conseguia. Em minha mente se passavam mais de mil frases, mas todas levavam ao mesmo ponto e tudo que eu menos queria agora ela voltar a falar sobre o que havia acontecido na sala. Aquele fato era o único que eu desejaria esquecer em toda minha vida! A única coisa da qual eu sabia que me arrependeria para sempre.
- ... Hm... – Tomei iniciativa. Precisava falar, precisava que ele compreendesse. – Olha, sobre o que aconteceu... Acho melhor não comentar e fingir que não aconteceu nada.
- Ok, tudo bem. É melhor mesmo. – Ele me fitava, seus olhos estavam opacos.
Estava muito aliviada. Não sabia se poderia confiar em dessa forma, mas esperava com todas as minhas forças que ele cumprisse com sua palavra.
03/10, sábado
10h20min
Um motel qualquer
* ’s POV*
Abri meus olhos devagar, minhas pálpebras pesavam mais do que o normal. Maldita ressaca. Encarei o teto estrelado do lugar onde eu estava, tentando me lembrar do dia anterior. Lentamente as imagens passaram pela minha mente em ordem de acontecimento. Tédio + Pub + Álcool + Loira gostosa + Motel + Sexo = Ressaca. É, fazia sentido. Virei minha cabeça para o lado encontrando a mulher de ontem esparramada na cama, dormindo pesadamente e completamente nua. Qual era o nome dela mesmo? Eu era realmente péssimo com nomes. Desisti de forçar a minha ainda alcoolizada mente tentando lembrar, não faria diferença nenhuma mesmo. Além do que, não era ela a pessoa que eu queria que estivesse do meu lado naquela cama. Alguma parte de mim sabia disso, mas eu não iria admitir tão cedo.
Afastei esses pensamentos, que já estavam fazendo minha cabeça doer ainda mais, e me levantei cambaleante em direção ao banheiro. Tomei um rápido banho para acordar e escovei meus dentes com o kit higiênico do motel. Vesti minhas roupas e saí sem deixar nem ao menos um bilhete. Paguei o que devia na recepção e peguei um táxi parando na Starbucks para tomar café.
Cheguei ao Flat com muitas coisas na cabeça. Já havia se passado tempo demais e eu não tinha nenhuma informação útil sobre ainda. A única coisa que eu sabia é que ela era órfã de pai e mãe, não tinha irmãos nem familiares próximos, morava sozinha e, é claro, era extremamente irritante. Precisava agir, e logo. Já sabia o que tinha que fazer.
03/10, sábado
12h22min
Casa da
Esperei 15min no carro até ver a porta da enorme casa branca ser aberta e sair por ela distraída. Ela vestia o mesmo moletom verde da Hurley, uma calça jeans e All Star de couro. Linda. Foco, , foco.
Assim que ela estava numa distancia segura, sai do carro em direção a casa. Passei pela porta sem dificuldades, já estava acostumado com, digamos, entrar em casas alheias sem permissão ou consentimento. A casa era grande e refinada. O hall de entrada era gigantesco e tinha um enorme lustre pendurado. No fim, havia uma escada que de mármore que dava para o andar superior. Analisei cada detalhe do andar inferior meticulosamente, tentando achar algo fora do normal. Nada. Já tinha perdido uma hora só ali. Não podia demorar tanto assim.
tinha ido almoçar na casa do James, calculei umas duas horas. Passei para o andar de cima para continuar. Contei 6 portas. É, ia demorar.
Tudo naquele lugar parecia ser realmente... caro. Uma das portas era um quarto “simples”, todo branco, com uma parede verde musgo. Imaginei que seria o de hospedes. Nada de relevante.
No outro cômodo, era um quarto exageradamente fino. Tudo lá transpirava dinheiro. Havia algumas fotos de um mesmo casal, tanto sozinhos, como com outras pessoas. Outras do casal com a mulher grávida. E por fim algumas só do homem com um bebê/criança/adolescente. A criança era obviamente a , e aqueles eram os pais dela. Ela era absurdamente idêntica á mãe, deduzi que esse era o quarto deles. Tudo parecia intocado. As roupas ainda estavam perfeitamente arrumadas, como se eles ainda estivessem lá. Mas além dela obviamente não ter superado a morte dos pais, nada fora do normal.
O outro era uma biblioteca gigantesca, com livros até o teto, um computador encostado na parede e um mesa circular no centro. Nada também.
Outro era um banheiro grande, limpo e com uma banheira que mais parecia uma piscina infantil pelo tamanho. Nada.
O próximo era meio que uma “Sala de Arte”, com vários instrumentos espalhados, esculturas e pinturas. Mais uma vez nada de estranho.
O ultimo era um quarto, claramente o da . Esse era um pouco menor que o do casal, e bem maior que o de hospedes. As paredes eram brancas, com exceção de uma que era vermelho sangue. Assim que entrei pude ver duas cadeiras vermelhas de acrílico, que eram pregadas no teto e davam de frente para uma enorme bancada que virara a parede, preenchida com vários aparelhos eletrônicos, uma estante com incontáveis vinis, CD’s e DVD’s. Ao lado dessas cadeiras, havia uma cama king size, mais alta que o normal, e repleta de travesseiros brancos e com mesinhas de cabeceira. Em frente a cama, estava uma janela enorme, que possuía uma vista magnífica para o jardim da casa, e abaixo um sofá embutido na parede. Na parede ao lado da cama, estava uma outra porta, onde eu julgava ser o closet e banheiro. O quarto era incrivelmente limpo e organizado, o único detalhe mais jovial era a enorme quantidade de pôsteres, de bandas e filmes, nas paredes e as portas estavam escritas com trechos de músicas e poesias.
Comecei a procurar algo que eu não sabia o que era. Me perdi um pouco nos CD’s e lendo as frases de musicas escritas na porta. Quando estava abrindo as pastas do computador, congelei ao ouvir passos. Estavam MUITO próximos. Virei à cabeça em direção a porta lentamente devido ao pânico, vendo a maçaneta ser girada e a minha farsa chegando ao fim.
03/10, sábado
14h40min
Minha casa
* ’s POV*
Enfim em casa!
Como quase todo sábado, fui almoçar com o James. Sim, sempre fazemos isso. Devido ao fato de morarmos sozinhos em Londres, virou tradição almoçarmos juntos nos domingos ou nos sábados, um na minha casa, outro na casa dele.
Eu nunca me incomodei de tal ato, mas nesse dia eu estava incrivelmente agoniada de estar lá. Obviamente devido ao fato de ser a primeira vez que eu voltava naquela casa depois do acontecimento de semana passada, e sempre Jimmy fazia algum comentário sobre ; a única pessoa que eu precisava e queria esquecer. Coisa que eu não estava fazendo acontecer com muito sucesso, porque desde sábado passado que eu só conseguia pensar no que eu estava prestes a fazer no sofá de James.
Eu estava me esforçando muito, mas a todo momento os flashes voltavam em minha mente e quando eu conseguia que isso não acontecesse, a imagem de sendo gentil comigo substituía a outra. Já estava ficando doentio, até mesmo porque durante a semana eu tive diversos sonhos que envolviam ele.
Havia me despedido de Jimmy alegando deveres de química para fazer, dos quais eu já tinha feito há muito tempo, era tudo para evitar pensar na criatura que me atormentava. Mas meus planos não iam da maneira como eu havia pensado, já que eu saí de lá para não pensar nele, mas estava pensando nele aqui, na minha própria casa.
Chacoalhei a cabeça tentando tirar todos esses pensamentos inúteis, e fui para meu quarto. Um banho era tudo que eu mais precisava agora.
Cheguei ao vasto corredor e fui andando até meu quarto, que estava com a porta fechada. Eu não havia lembrando de ter fechado, mas nada que me preocupasse.
Já estava com a mão na maçaneta quando me lembrei que eu tinha esquecido meu CD favorito do Blink 182 na biblioteca. Banho sem Blink? No way!
* ’s POV*
03/10, sábado
14h42min
Casa da
Alivio. Puro e total alivio foi o que eu senti quando a maçaneta parou de girar e eu ouvi aqueles mesmos passos se distanciando. Passado o choque, desliguei o computador rapidamente, indo em direção a janela. Abri-a com cuidado, subindo no parapeito da mesma, mas paralisei onde estava, como se algo tivesse me congelado. Por um insano momento, cogitei a possibilidade de me esconder no quarto para vê-la. Ela vinha me evitando a semana toda e eu queria, sei lá, ver ela mais perto.
Balancei a cabeça bruscamente tentando afastar esses pensamentos, mas não consegui impedir meu corpo de se inclinar e pegar uma foto que estava no criado mudo antes. Desci com facilidade, já estava acostumado com esse tipo de coisa, arranquei com o carro e voltei pro flat com minha cabeça rodando com pensamentos demais e com aquele porta retrato com uma foto da sorrindo na mão.
Capítulo 6
“Seus dentes e seus sorrisos
Mastigam meu corpo e juízo
Devoram os meus sentidos
Eu já não me importo comigo”
*’s POV*
04/10, domingo
15h55min
Hyde Park
Sol, árvores, ar fresco, silêncio e paz. Isso era tudo que eu precisava e tudo que havia do Hyde Park, um dos melhores lugares em Londres para relaxar, se é que isso era possível. Em meio ao caos da cidade estava aquele parque, onde tudo era mais calmo – tirando algumas crianças que corriam e gritavam – e feliz. Sempre que eu tinha tempo, eu me sentava em meio à sombra das arvores e lia um bom livro, o escolhido de hoje era um da minha coleção de Sherlock Holmes.
Apesar de estar no outono e Londres ser conhecida como uma cidade chuvosa e fria, o tempo hoje estava muito favorável. O sol brilhava no céu, em meio às costumeiras nuvens que pareciam ser feitas de algodão. Não fazia calor, porém o clima estava bastante agradável e a leve brisa que soprava só me permitia usar um fino casaco preto, e não meu moletom verde da Hurley.
Meus olhos não estavam mais fixos no livro, que eu já tinha lido no mínimo umas quatro vezes, eu estava atenta, observando um homem de uns trinta anos, que brincava de frisbee com um menininho que eu julgava ser seu filho. Aquela cena me lembrava minha infância, dos momentos em que meu pai me levava aos parques nos finais de semana e fazíamos piquenique e brincávamos com minha bola azul da Nike. Eram bons tempos e os mais preciosos que eu havia tido com único homem de minha vida, meu pai. Pai, há quanto tempo eu não sabia o que era ter um?
Meus olhos já estavam úmidos e não pretendia cair no choro no meio do parque. Engoli todos os sentimentos nostálgicos e procurei me focar no diálogo entre Sherlock e Watson. Já estava novamente dentro do meu mundo de mistérios com o meu detetive favorito, quando alguém parou na minha frente, de início pensei que era mais algum engraçadinho do parque, daqueles que sempre param para passar uma cantada de pedreiro, mas quando vi que o individuo continuava lá levantei os olhos. E para minha surpresa eu sabia quem era.
- O que você tá fazendo aqui?
O garoto que estava na minha frente usava tênis de corrida, shorts preto, uma regata branca apertada que estava excessivamente suada e deixava a mostra seu abdômen definido – devo admitir que gastei um pouco mais de tempo naquela região. Ele também usava um wayfarer preto e estava com o iPod preso no braço.
O garoto que estava na minha frente era , e estava incrivelmente gostoso. Deus, o que eu estava pensando? pigarreou e me recompus rapidamente.
- Te perseguindo. – Ele lançou aquele sorriso de lado, colocando as mãos na cintura. – Estava correndo como pode ver.
Ah, mas como eu realmente podia ver! Com muita luta voltei a ler meu livro e ignorei sua presença na minha frente.
- Você não poderia ao menos tentar ser simpática? – Disse ele se sentando ao meu lado no espaço vago do banco.
- E por que perderia meu tempo? – Levantei meus olhos e fitei sua face. Seus cabelos estavam grudados na testa devido ao suor, e os olhos absurdamente , agora a mostra, me encaravam como se quisesse ver minha alma.
- Não sei pra que ainda tento ser educado. – Seu tom de voz não era mais brincalhão. – Sabe , isso se chama medo. Medo de se prender as pessoas, igual você é presa ao Jimmy. Vulnerável é tudo que você não quer ser e por isso cria um muro de gelo a sua volta. Mas sabe, eu ainda vou derretê-lo.
- Você só pode estar de brincadeira. – O olhei incrédula diante das suas especulações absurdas, porém verdadeiras. – Você não é ninguém para falar da minha vida.
- Não? Eu sei muito mais sobre você do que você pensa. – Ele se aproximou e diminuiu o tom de voz. – E sim, sou alguém, afinal suponho que o que quase fizemos no sofá do Jimmy você não faz com qualquer um.
Filho da puta, miserável, desgraçado, estúpido, veado, covarde, infeliz, canalha e imbecil! Senti todo meu sangue subir para meu rosto num misto de raiva e vergonha.
- Você prometeu que iríamos esquecer esse fato. – Ralhei vendo rir de mim.
- Promessas foram feitas para serem quebradas. – Ele colocou seu mais lindo sorriso nos lábios, o que me deixou totalmente entorpecida por alguns segundos. Como ele podia ser tão lindo e irritante? – Mas isso é mais uma frase feita e outra, não estou a fim de brigar hoje. Enfim , quais os planos para essa noite? – Como é que é?
- Pra você continua sendo , e creio que irei dormir.
- Vou vir ao parque.
- E o foda-se?
- Você vai vir comigo. – Outro sorriso enviesado. Meu Deus, ele não acha que chega de tantos sorrisos?
- E o que te leva a pensar que vou com você?
- Eu não penso, você vai! Te pego ás sete em ponto. – Ele se inclinou e me deu um beijo no canto da boca. – A propósito, bonito colar. – Ele apontou parar meu antigo cordão, que meu pai havia me dado, e voltou a correr.
Eu só pensava em duas coisas:
1. queria de fato me matar do coração
2. Eu estava loucamente afim de correr atrás dele e beijá-lo decentemente.
04/10, domingo
18h54min
Casa da
Eu estava debaixo do meu cobertor assistindo FRIENDS e tendo um enorme conflito interno.
Ia ou não ia?
Desde que cheguei em casa não conseguia pensar em mais nada que não fosse . Por mais que eu tentasse preencher minha mente com outras atividades, como estava tentando fazer agora, não era possível deixar os vários sorrisos dele se apagarem. Embora meu corpo estivesse no quarto, minha mente vagava bem longe de lá, mais precisamente nos últimos minutos em que estivera no parque, mais precisamente ainda, no erro de seu beijo.
Eu sei que já tinha passado de mais que um beijo errante com , na verdade muito mais, porém, essa foi a maior aproximação que tivemos em estado sóbrio desde a ultima semana. E o que me deixava com raiva é que como eu estava consciente dos meus atos, eu deveria ter feito algo e eu não fiz nada mais que ficar olhando estática ele ir embora. Quero dizer, eu odeio , não odeio? Eu devia ter dado uns tabefes pelo seu abuso, não é?
Entre todos esses dilemas, sua proposta ainda ecoava na minha cabeça. Pensei que era apenas brincadeira, mas também cheguei a cogitar a possibilidade de ir, pensei com qual roupa iria, imaginei até o que faríamos, o que incluía sorvete e mãos dadas. Mas no final só cheguei a uma conclusão: Estava realmente maluca. Só estava com medo de ser maluca pelo .
Todos meus pensamentos foram cessados assim que ouvi a campainha tocar. Ele realmente tinha vindo.
Continua...
19/10/10 N/A: Hey gente! É a Izzy, estava até com saudade de escrever aqui haha O que estão achando da fic? Quando eu leio o que vocês comentam fico muuuito feliz, mas a gente podia melhorar isso né? Vocês lindas podiam divulgar pra suas amigas lindas também hehe saber o que todo mundo pensa e ter mais leitores é fundamental pra gente, e se quiserem dar sugestões é só falar! Esse capítulo apesar de curtinho é um dos meus favoritos, porque no dia que eu escrevi tava absurdamente inspirada, espero que vocês realmente gostem dele *-* Enfim, como vão vocês? Eu tô aqui doente, com uma puta inflamação na garganta, nem na escola tô indo (ê parte chata) masss eu prometo que vou escrever assim que terminar aqui, porque tá na minha vez hehe Então, até a próxima, lindas xoxo
Hey galerinha, como estão? Espero que tenham gostado da atualização, foi com muito carinho s2 IUEUHFUEUG Alguém ai já leu O Código da Vinci? To lendo agora e nunca imaginei que seria tão bom, SÉRIO! To ficando psicótica já! E a forma que ele mistura realidade com ficção é incrivel, quase nem dá pra perceber. *-* Mas enfim, espero que estejam gostando da nossa fic, é muito importante! Um beijo, até a próxima e comentem. Xoxo Jane Girl
@izzyaltoe
@janeazevedo
N/B: Erros? Enviem diretamente para mim em awfulhurricano@gmail.com. Não usem a caixa de comentários, ok? xx Abby