Texas Hold’em
Por: Anne Borges | Beta: Marcela P.
Prólogo
Estava nisso fazia um tempo já e não sabia pronunciar a quantia que havia acumulado até agora. Sem contar, é claro, com a adrenalina que ela sentia percorrer seu corpo sempre que ia embora, deixando alguém dormindo, ou enquanto ele saia pra comprar um colar de brilhantes e descobria que seu cartão estava com o limite estourado. Já havia se acostumado a mentir, parecia cada vez mais fácil pra ela, e ninguém conseguia ler seus olhos ou sua expressão, muitas vezes, nem ela mesma. Respirou fundo, por que tirar o time de campo já que estavam ganhando? Deveriam continuar e ter uma carreira muito maior, e ironicamente ser muito menos conhecida.
A primeira parte do plano consistia em pesquisas. Era importante saber do que ele gostava, de como ele gostava e os lugares que costumava frequentar. Tinha que ter certeza que não tinha nenhum parente famoso, ou com poder suficiente para correr atrás dela, mas teria que ter dinheiro. Sentou-se em frente ao computador e começou a procurar por algumas coisas na internet, ela sabia que já havia sido escolhido alguém, mas já estava curiosa pra saber quem seria o próximo. Um clique e poderia descobrir todos as pessoas hospedas naquele hotel cinco estrelas. Não queria um feio, o melhor era se divertir ao longo de toda aquela história. Seria melhor ainda se fosse gostoso, mas bonito já bastava. O último quase fez com que se casassem, e não ia gostar muito disso. Riu pelo nariz quando bateram na porta.
Ela abriu e o viu encostado no batente da porta, com um sorriso malicioso nos lábios, e os olhos nas suas pernas. Devia ter vestido um short antes de abrir a porta e não ter ido lá só com aquela camisa larga, que por acaso era dele. Deu uma secada básica nele também, afinal, se ele podia, porque ela não? Antes que pudesse perguntar o que ele queria, sentiu as mãos dele em sua cintura e os lábios nervosos dele nos seus. Sorriu entre o beijo, adorava quando ele a agarrava assim. Fazia ela se sentir desejada. Sentiu as pernas baterem na cama e deixou com que seu corpo fosse levado pra trás, deitando naquela cama grande e macia. Mordeu o lábio inferior dele quando sentiu ele tirando sua calcinha e a provocando com as pontas dos dedos. Gemeu baixinho no ouvido dele, sabia muito bem o poder que seus gemidos tinham no corpo dele. Ele se levantou pra poder olhá-la e não gostou do que viu, aquela camisa estava estragando a visão. Tirou a camisa dela e a sua, aproveitando que já estava longe pra tirar a calça jeans também. Voltou a deitar sobre ela e deixou que ela se livrasse da sua boxer. Sentiu o corpo nu dela sob o seu e sentiu seu corpo se arrepiar. E eles se envolviam novamente, se tornando um só, até que um gemido rouco tomasse a garganta de ambos, os avisando do clímax.
- Acorda, vamos lá, , acorda. – Ele a balançava, mas já estava perdendo a paciência. Precisava entregar a ficha pra garota e ela simplesmente não acordava. Não podia culpá-la, afinal ele havia dado trabalho a ela antes que ambos dormissem. Ela resmungou algumas coisas que ele definitivamente não entendeu e abriu os olhos. Ele mostrou os papeis em sua mão e ela se sentou na cama, cobrindo os seios com o lençol. Ele riu levemente e ela lhe mostrou o dedo do meio como resposta. Levantou e pegou a calcinha dela, já que o sutiã ela já vestia. Só depois de vestida, ela começou a ler o que estava escrito nos papeis.
– Esse é o último, , depois dele nós nos aposentamos. – Ele disse se sentando atrás dela, fazendo com que ela ficasse entre suas pernas.
– O que tem tão de especial nesse, huh? – Perguntou e virou pra trás pra encarar o garoto.
– Ele é o único que merece isso tudo.
Capítulo 1
Chegou ao salão de festas principal e colocou os óculos escuros. Duas horas da tarde e o bar já estava lotado. Andou por algumas pessoas e sentou em um dos bancos em volta do balcão. Passou os olhos por todo o lugar e achou o que queria. Ele estava sentado em uma das mesas de dois lugares e, curiosamente, ele a olhava. Arrumou o tomara-que-caia que vestia, e depois depositou as mãos perto das cochas, devidamente cobertas por um Jeans skinny. Ele mordeu o lábio inferior quando percebeu que os olhos dela estavam parados em si.
Pensou um pouco antes de agir, tentando se lembrar do precisava fazer pra tê-lo em suas mãos. Jogue os cabelos quando achar que ele estiver te olhando, ele acha sexy. Quase podia ouvir a voz de na sua cabeça. Jogou os cabelos e ficou de costas pra ele, de frente pra um dos atendentes do bar que olhava pra ela, sorriu e pediu uma batida de frutas cítricas. Bundas. Ela se lembrou do que tinha lido na ficha dele, ele gostava de bunda, e ela deu uma risada pelo nariz, ajeitando o corpo sobre o balcão, deixando a ele uma visão privilegiada. Voltou ao normal assim que a bebida chegou e tomou um primeiro gole. Sentiu uma mão na sua cintura, deixou um sorriso malicioso escapar de seus lábios. Ele era completamente tarado, só podia, estava certo. Puta filhinho de papai bêbado e cheio de dinheiro. Do jeito que ela gostava.
- O que...? - quase perguntou, se fingindo de desentendida. Seus olhos pararam no sorriso dele.
- Te pago uma bebida. – Ele disse com uma voz levemente rouca.
- Hm, quem sabe outra hora? – ela disse pegando a bebida em cima do balcão e dando um gole.
- Quem sabe na festa de hoje à noite. – ele disse e ela sorriu. Deixou seu olhar correr pelo salão, deixando ele meio nervoso.
- Se eu não tiver nada pra fazer.
Saiu andando e fingiu não escutar ele rir pelo nariz. Ele era gostoso, pelo menos ela iria se divertir dessa vez. Sentiu uma mão no seu braço e deixou que ele a virasse de frente pra ele.
- A propósito, me chamo .
- Você sabe que eu não posso ficar aqui. – disse sentando na cama procurando sua calça jeans pelo quarto.
Eles estavam transando desde quando a garota chegou do mini-encontro, as vezes ele pensava que ela era tão maníaca quanto ele. Riu sozinho com isso, e tentou entender o que ela resmungava enquanto enrolava o lençol no corpo e se mexia na cama.
- Mas, a festa não é só à noite? – ela perguntou se ajoelhando atrás dele beijando seu pescoço lentamente. Sorriu quando percebeu que ele se arrepiava. Aquilo estava ficando cada vez melhor.
- Não posso correr o risco de encontrar com ele em algum corredor, quando tudo acontecer, ele vai ligar essa porra toda a mim, você sabe. – Vestiu a camisa e levantou da cama à procura dos tênis, achou um deles do outro lado da cama e tentou lembrar se tinha começado a tirar a roupa por lá.
- Isso é que dá jogar com quem você já conhece. No próximo eu... – sentiu a jogar contra a cama e se calou por um momento enquanto ele passava cada perna por um lado de seu corpo e deixava um espaço perigoso entre suas bocas.
- Presta atenção – ele disse visivelmente irritado. – não tem um próximo, esse é o último, nem pense em fazer gracinhas, você sabe como eu odeio isso. Sabe o que eu posso fazer com você, não sabe? – ele disse e depois mordeu o lábio inferior dela com um pouco mais de força do que devia. Esperou que ela assentisse com a cabeça. – FALA PORRA.
- Sim, eu sei. – a garota disse e sentiu as pernas meio fracas, ela gostava quando ele agia assim.
- Que bom, vê se faz as coisas direito agora. – deu um selinho nela e saiu calmamente como se nada tivesse acontecido. Assim que a porta bateu, deixou que um sorriso brincasse em seus lábios.
saiu do quarto de hotel e esperou alguns segundos pelo elevador. Chegou ao térreo e viu com outro cara. Eles conversavam animadamente e bateram as mãos em um ‘hi-five’. Riu. Parecia conhecer o outro, mas com certeza deveria ser outro idiota que andava com , nada fora da rotina, nada que atrapalhasse seus objetivos. Decidiu sair por outro lado antes que algum deles o visse, mas antes, pôde reconhecer quem era o segundo cara ali. Ele conhecia muito bem aquele rosto e se lembrou do plano inicial, onde muito mais gente se envolvia. Deixou um sorriso malicioso tomar conta do seu rosto e quase deu grito. Aquilo era muito mais que conveniente. Saiu andando na direção contrária a dos garotos e tirou o celular do bolso.
- , lembra quando você me disse alguma coisa sobre um ataque duplo?
- Ataque duplo? Acho que sim.
- Acho que você vai ter que descer mais uma vez, meu bem.
Capítulo 2
abriu os olhos lentamente sentindo a cabeça rodar. Parecia que tinham dado um nó no seu estômago e que tinham martelado a sua cabeça. Com um taco de beisebol. Desistiu de abrir os olhos quando percebeu que a claridade, que vinha de uma das partes que a cortina não cobria da janela, batia bem em seu rosto. Xingou quem colocou aquela cortina daquele jeito por alguns segundos e lembrou que a janela do seu quarto não era daquele lado. Porque aquele não era seu quarto. Céus, onde ela estava?
Sentiu o cheiro de bebida, suor e cigarro e se deixou sorrir. Estava na hora da festa. Ajeitou mais uma vez o seu vestido diante do espelho do corredor e percebeu que a cor vinho combinava perfeitamente com seu tom de pele. Mexia distraidamente no cabelo quando passou, pelo outro lado do salão, e cumprimentou outro cara. Sorriu. Aquilo seria no mínimo... divertido. Começou a andar e percebeu que seus sapatos faziam um barulho irritante. Olhou pra pista de dança improvisada bem no centro do salão de festas do Hotel, depois deixou os olhos correrem pelo bar, viu a área vip, um lugar mais afastado, que dava um pouco mais de privacidade para aqueles que não aguentariam esperar subir até o quarto.
Andou devagar até o bar, e encostou-se ao balcão. Estava a uma distancia de cinco ou quatro bancos de , e fingia não tê-lo visto ainda. Estava de costas pra ele, de novo. Esperava sentir a mão dele na cintura dela, mas ele a surpreendeu dando um beijo rápido em seu ombro. Virou o rosto pro lado e ele estava lá. Lindo. Lindo e cheiroso. Lindo, cheiroso e todo de preto. Ela adorava quando se vestiam todo de preto. Sorriu de lado, sem mostrar os dentes.
- Acho que estou te devendo uma bebida. – ele disse chegando mais perto, por causa da música alta. Colocou a mão na cintura dela e apertou mais um pouco.
- Porque não paga agora? – ela disse, com ele ainda muito próximo e ele se afastou pra fazer o pedido.
A festa. Ela tinha ido e tinha o encontrado lá, lembrava disso perfeitamente. Ela estava no quarto dele? Era isso? Abriu os olhos de uma vez. E se arrependeu por isso, a claridade a atingia em cheio agora. Passou a mão pelo rosto, e mexeu as pernas devagar sentindo só o lençol sobre seu corpo. Só o lençol? Sorriu. Levou a mão até o busto e segurou o lençol por ali, com um pouco de força e tontura levantou o corpo e se sentou na cama, passou os olhos pelo quarto e não viu nada. Até que sentiu uma mão em sua perna. Como tinha se esquecido de olhar pro outro lado da cama? Merda de ressaca.
Estavam dançando no meio da pista de dança. Ela não se lembrava mais quantos copos daquela bebida colorida de nome engraçado tinha bebido. Ele não se lembrava mais do seu próprio nome. Não conseguia tirar os olhos da garota na sua frente. Ele sabia que era bonito suficiente pra pegar a garota que quisesse, mas ainda não entendia como aquela garota estava com ele. Passou as mãos pela cintura dela, trazendo-a mais pra perto. Não conseguia pensar no que falar mais e tinha certeza de que se tentasse falar alguma coisa não conseguia, já tinha bebido muito e a garota estava perto demais. Subiu uma das mãos pelas costas dela sentindo o zíper do vestido, bem ali, pronto pra ser tirado. Tentador, pensou ele. Continuou subindo até que a mão encontrasse a nuca da garota. Apertou um pouco mais. A distância era quase nula.
Ele estava prestes a beijá-la. Ela sabia disso, mas tinha que escolher entre prolongar aquele momento ou beijar aqueles lábios levemente avermelhados ali. Que se foda essa história de prolongar.
levou as duas mãos até o pescoço dele e as deixou por lá. Com uma delas arranhou levemente o ombro dele. Ele gemeu baixinho e grudou seus lábios. O beijo estava cheio de desejo, e por incrível que pareça, vindo dos dois.
Olhou pra ele ali do seu lado, dormindo ainda, de bruços, as costas nuas. Passou as unhas bem devagar por toda aquela região. Mordeu o lábio inferior. Ele era gostoso. Muito. Mas era hora de continuar com o plano.
Levantou-se cuidadosamente, era melhor que ele não acordasse. Ainda com o lençol cobrindo seu corpo, procurou cada peça de roupa que se lembrava de ter vestido antes de ir à festa na noite passada. Calçou os sapatos e olhou no relógio, quatro da tarde? Sentiu vontade de rir, mas segurou o riso, não podia fazer muito barulho. Foi até banheiro e arrumou o cabelo, levantou mais um pouco o vestido e voltou ao quarto. Abriu algumas gavetas e achou uma caneta e um papel, anotou algo de qualquer jeito, andou calmamente até o garoto, levantou a sua mão e delicadamente colocou o papel ali. Agora vinha a parte mais chata de todas, esperar.
passou os dedos pelo rosto suado da garota nos seus braços. Era estranho vê-la assim, de uma maneira vulnerável. Tinha quase se acostumado com o sorriso sexy que ela o lançava o tempo todo. Selou seus lábios nos dela antes de pegar no sono.
esperou exatamente duas horas desde que o barulho havia cessado e invadiu o quarto, como o combinado. Entrou pela porta da frente, usando um dos cartões das camareiras. Andou até a cama e viu aninhada nos braços de . Sentiu vontade de vomitar, acompanhada com uma vontade ainda maior, bater nele até que ele não conseguisse nem gritar de dor mais. Andou pelo quarto procurando pela carteira de , não fazia a menor idéia onde estariam os cartões dele. Abriu a carteira e achou dois. Anotou as informações que precisava e devolveu.
Mas aquilo não era o suficiente, ele sabia que o garoto levava mais coisas consigo pra todas as viagens. Abriu o guarda-roupa e escutou um barulho, como reflexo, olhou pra cama e viu se mexer, trazendo pra mais perto. Filho da puta. sibilou enquanto ainda mexia nas coisas dele dentro do guarda-roupa. Viu uma maleta prateada, escondida atrás de uma mala e algumas roupas. Sorriu e a puxou pra si. Abriu devagar e parou de respirar quando ela fez um barulho agudo, algo como um ‘clic’, mas nada que acordasse alguém. Quase podia sentir seus lábios se rasgando em sorriso gigante, na maleta continha alguns euros e mais três cartões, todos no nome do pai de . Anotou outros dados e fechou a maleta, colocou de volta no mesmo lugar, jogando as roupas por cima e a mala logo em seguida. Fechou o guarda-roupa e antes de sair pela porta, olhou mais uma vez pra cama.
Abriu os olhos devagar e sorriu. Tinha bebido muito, mas ainda se lembrava muito bem da noite passada. Das curvas da garota, dos gemidos, dos sorrisos, e de como ela parecia se encaixar bem em seus braços. A cabeça doía, mas ele virou o corpo rápido, na esperança de ter acordado antes da garota. Não tinha ninguém na cama além dele, franziu as sobrancelhas em um olhar confuso.
Percebeu que tinha algo em uma das mãos, era um bilhete. Não ia ler um bilhete àquela hora, tinha acabado de acordar e tava com uma ressaca digna de um elefante. Levantou-se e foi ao banheiro, tomou um banho demorado, sentindo a água quente caindo nos ombros, aquela sim, era uma sensação boa. Enrolou a toalha na altura da cintura e foi até o quarto, abriu as cortinas e se arrependeu depois. Mas mesmo assim, não as fechou. Andou até o lado da cama em que tinha dormido na noite passada e pegou o papel, já amassado.
Você dorme demais.
n/a: Tá, eu demorei um pouquinho pra atualizar, mas a culpa não foi exatamente minha ok? Haha. Mais uma vez sem nota gigante, só quero pedir que deixem suas opiniões - fofinhas ou não-, ok?! As coisas vão ficar cada vez mais tensas por aqui, então, divirtam-se.