Capítulo 01: Adeus, ano velho. Feliz, ano novo. Que tudo se realize no ano que vai nascer ♪

Eu estava ansiosa para esse próximo ano, eu esperei por ele há muito tempo, parecia que tudo ia mudar. Tá, era só mais um ano como qualquer outro, mas eu tinha planos para ele.
Por exemplo, ajudar velhinhas atravessarem a rua... tá, eu já faço isso, mas seria bom continuar, não é? Eu poderia tentar raspar meu cabelo, ficar careca, com certeza iria conseguir um ibope alto!
Não. Acho que o máximo que ia acontecer seria todo mundo do colégio me chamando de estranha... mas isso já acontece. É, acho que ia ser um ano como outro qualquer, mas, pelo menos, eu o tinha, meu melhor amigo de todos os tempos, aquele que está do meu lado sempre, compartilhador não só de segredos, mas também de beijos.
Não me leve a mal, eu não sou pervertida, só tô falando com sinceridade sobre o meu mais lindo e único amigo: PINGO, meu cachorro. Não se iluda, ele é de pelúcia. Mamãe diz que eu tenho alergia a pêlo.
- ! – Papai gritou, arrumando uma câmera digital. Era o momento. Aquelas fotos de família que acabam parando em uma parede perto da entrada da sala para todo mundo ver. Essa é a hora que eu tenho que fazer bonito, ou pelo menos tentar.
Saí correndo para o lado da minha vó, onde ficavam todos os adultos, enquanto meus primos e primas pulavam no fundo e gritavam coisas que eu sempre ignorava. Eles estavam bêbados e eu nunca coloquei álcool na minha boca, essa é a diferença entre mim e eles. Ah, tem outras diferenças, mas não vem ao caso, agora.
- E aí, gatinha, pronta para se divertir esse ano? – Ouvi alguém falando no meu ouvido. Tão baixo, tão rouco, tão sedutor, tinha que ser o idiota do meu primo Phil. FLASH! Minha cara com certeza foi de tesão. Há, me fudi.
Sabe a pior parte? É que todo ano é a mesma coisa, ele sempre faz alguma gracinha básica para eu sair horrível, por isso, se você for na minha casa e ver várias bolinhas pretas nas fotos penduradas na parede... bom, sou eu!
Voltando ao fato do tesão, minha mãe diz que é normal se sentir “arrepiada” por algum menino. Sabe, tudo bem, deve ser mesmo, mas Phil era gay, então, acho que isso se torna estranho, mas não tenho culpa, ele é gostoso.
Ok, ignore uma frase que eu disse ali em cima: Pingo não é meu mais lindo e único amigo. Phil era ele, mas eu não podia deixar isso claro para ninguém. Eu sou a certa da família, a queridinha do papai e da mamãe, e não quero que eles pensem outra coisa de mim. De qualquer modo, Pingo ficava em segundo lugar, e isso é bom demais para um bichinho de pelúcia, ok?
- 10, 9, 8, 7 – começaram a contagem regressiva. – 6, 5, 4 – Champagne para todo mundo, sem álcool para mim, obrigada.
- 3, 2,1! – Ajudei no coral porque eu me divirto com coisas como contagem. – FELIZ ANO NOVO!
Rolhas de todos os formatos rodaram no alto, enquanto todo mundo enchia suas taças e se abraçavam fortemente.
- Olha, ! Que lindo! – Minha priminha gritou, apontando para o céu.
Tinha fogos de todas as cores, a parte mais linda do final de ano.
Aquela coisa colorida, barulhenta e que eu amava, muito.
- PRIMA GATA! – Phil chegou, me abraçando forte.
- FELIZ ANO NOVO PRA GENTE! – Gritei, erguendo minha taça para que ele não derrubasse.
- PHILLIP! – Minha tia chegou, o puxando para um abraço, enquanto meu pai preparava para agarrar nas minhas bochechas e apertá-las até acabar seu discurso básico de todo fim de ano.
- Eu e sua mãe te amamos muito, e que esse ano seja ótimo para todos nós! – Sorri feliz para ele. – Paz, saúde, sucesso, tudo de bom para você, filha. – Ele apertou mais minha bochecha. – Mais um ano de conquistas, de prêmios, mais um ano para a melhor filha e aluna de Signorelli... Temos orgulho de você.
É, e isso me assusta.

Capítulo 02: Primeiro dia de aula. Estava tentando levar com calma ♪

- Sai, sai, sai, sai! – Gritei, correndo para dentro da escola.
- Volta aqui, mocinha, deixa eu te mostrar para pessoas de verdade! – Phil corria atrás de mim feito uma gazela. Sabe, ele é doente... cada ano que passava ele queria mais e mais que eu conhecesse alguma pessoa que segundo ele era ‘normal’. Moral da história: ele é pop, me apresenta gente pop, eu viro pop, me apaixono por um menino pop, e minha família inteira vai ser pop. É... não, obrigada.
- O Pingo é gente! Mais gente que você, pelo menos. – Disse, fazendo bico, enquanto me escondia atrás de uma lata de lixo gigante.
Sentia que todo mundo me olhava, com certeza me achando a mais ridícula de todos, me achando a mais criança do mundo, mas não tinha culpa se eu estava no 2° colegial e meu companheiro de sala era – na maioria das aulas – um ursinho.
Pô, a quantidade de aluno na minha sala era sempre ímpar, fazendo, então, alguém ter que ficar sem par, sendo essa pessoa eu.
E o pior era que isso se repetia em todas as matérias.
- Tá, tá, desisto de você! – Phil – o gay – disse, erguendo as mãos para o alto e voltando para onde seus amigos estavam. Não, não, não desiste de mim, eu estava quase desistindo da minha idéia de ser anti-social, poxa. Tá, parei.
Saí de perto da lata de lixo, que, por incrível que pareça, – no primeiro dia –já estava fedendo demais, e fui para o meu armário lindo e que é praticamente no chão de tão baixo: .
Aham, eu coloquei o nome do meu armário de , mas isso porque também é o nome de um dos meninos mais cobiçados do colégio.
Fiz isso porque caso um dia alguém me pergunte – o que é muito difícil – aonde eu vou, simples: me encontrar com o . Patético, eu sei. Mas, pelo menos, eu não vou estar mentindo, certo?
- Hey, doida! – OMG, OMG, OMG, é a... – SAUDADE.
E, então, eu recebi um baque e morri. Tá, menos, foi só um abraço super sônico de um ser super retardado chamado , minha melhor amiga.
- Muitas! Você sumiu, dude! – Reclamei, me soltando dela e pegando um livro no meu armário.
- Não sumi, não, você sabe muito bem que eu fui visitar meus antigos amigos da minha antiga cidade. – Ela disse, pulando feito uma doida de um lado para o outro. – E tenho novidades!
Opa, primeiro dia de aula e uma novidade direto do forno.
- Qual? – Fechei o armário e tentei a fazer ficar quieta, porque, como de costume, todo mundo olhava feio pra gente.
- Lembra do ? Lembra? Lembra? Meu amigo, lembra? Que ele era meu vizinho na outra cidade? Lembra? – 5 vezes ‘lembra’, tenho que anotar, ela sempre fica repetindo as palavras.
- Aham, o que tem ele? – Perguntei com indiferença, quando ouvi uma menina perto de mim falando algo sobre ‘Que menino lindo’, e, então, sem pensar duas vezes, eu me virei para dar uma conferida. E, MEU DEUS, que menino lindo - dois votos.
- HEY! – gritou e saiu correndo na direção dele. DEUS! Essa menina é doente?
E, então, o menino abriu os braços e esmagou a minha pobre amiga.
Todo mundo olhava de mim para eles, como se eu tivesse TUDO a ver com isso sabe? Queria ser uma mosquinha para saber o que as pessoas estavam pensando naquela hora.

Tiffany Pov’s:
Aquela não é a cara de minhoca?

Matt Pov’s:
‘É, o tempo é uma coisa relativa. Se hoje fosse ontem, amanhã seria hoje.’ Taí, uma coisa para se pensar para o resto da vida. Qual será o filósofo que criou isso? E da onde eu tirei isso mesmo?

Pov’s:
Agora: aula de matemática na sala 10. Depois, Geografia... ou era Física? Que droga, eu tinha mesmo que perder o papel com os dias e horários das aulas?

Aly Pov’s:
Nossa Deus, aquela não é a... aquela lá, droga, esqueci o nome da menina. Anyway, O QUE ELA TÁ FAZENDO COM AQUELE MENINO HOT?

Pov’s:
- Eu pensei em fazer a festa esse final de semana, sabe... dar boas vindas para os novatos e tal. – Eu falava, enquanto o Max paquerava qualquer menina que passava do lado dele.
- Boa, cara! A gente já podia ir espalhando para todo mundo ir se preparando, né?
- É, isso, isso, 10 da noite, na minha casa, esse sábado, beleza?

Eddy Pov’s:
Geléia de maçã, geléia de uva, geléia de maçã ou de uva?

#EndPov’s

Depois de um tempo básico dos dois praticamente se fundindo em um só, eles vieram na minha direção. Legal, ela tinha um namorado e nem me contava nada, que vontade de matar uma amiga dessas viu!
- , esse é o meu amigo... o , aquele que eu te falei! – Ela disse super feliz. Amigo? Aham, deixa eu ser amiga dele também. – E, , essa é a que eu te falei.
E, então, ele me abraçou animado, como se sair abraçando as pessoas fosse natural como beber uma água, bater um cuspe, ou tomar um banho.
- Prazer! – – o feliz – disse, coçando a nuca DAQUELE jeito que encanta qualquer menina.
- Bom, tenho aula de História agora, e vocês?
- Matemática. – Respondi.
- Química. – disse, olhando para mim como se eu tivesse um alface no dente. Eu até cogitaria tal acontecimento, mas como não comi nada no café da manhã, com certeza, não tinha nada lá.
- Então, até o intervalo, sei lá! – Falei já incomodada e saí praticamente correndo de perto dos dois.
Muito contato com meninos bonitos era igual eu começar a bancar a retardada e falar merda. Tá, eu era assim, independente da pessoa ser feia ou bonita, mas ele estava me intimidando e eu nunca mais quero ver ele na minha vida. Tá, brincadeira.
Entrei na sala e sentei bem na frente, na carteira que eu sempre sentava nas aulas do senhor Finchy e, como de costume, coloquei o Pingo do meu lado, para eu me sentir mais... feliz, sei lá.
- , você poderia, por favor, tirar o seu “cachorrinho” daí e deixar seu amigo se sentar? – Finchy perguntou um pouco nervoso (pessoas mal comidas são assim no primeiro dia de aula), e só então reparei no menino gato com um óculos super estranho, porém fofo, do meu lado.
Ok, eu finalmente tinha um companheiro de classe humano.
- Ah, desculpe! – Disse, tirando o Pingo e o colocando do meu lado na cadeira.
- Não queria fazer você dividir a cadeira com o seu... companheiro, foi mal! – – o nerd – disse, colocando o material em cima da mesa.
- Não seja por isso... – Falei, colocando o Pingo no colo dele. – Sabe, ele prefere mil vezes o lado esquerdo.

Capítulo 03: Alegria, pra mim, é quando toca o sino ♪

Bateu o sinal e, então, eu saí correndo – como sempre fiz, desde a primeira série – para o pátio enorme, a procura da para contar para ela como foram as minhas primeiras aulas, já que a gente teve a sorte de não cair em nenhuma aula juntas. Mas, ao contrário, peguei todas com o , meu novo “amigo”. Ele não é muito falante, e também não é o menino mais legal do mundo, mas ganhava de 10000 a zero do Pingo.
Espero que o Pingo não fique bravo por isso.
E, quando eu finalmente achei minha amiga no meio de muitas pessoas, senti alguém me puxando, ou melhor... me arrastando para trás.
- ! – Oi, mino, nem morre mais.
- Oi, cara de boi. – Ele parecia 10 vezes mais feliz do que na sala. – Olá, cara de... babá.
Hey, mano, vai ficar rimando?
- Fala aí, cara de pipi. – Eu disse e, então, partiu um momento rapper sem fim. Tá, não foi sem fim, porque a apareceu.
- Oi, mina, como que tá sua rima? – Ele perguntou para ela, que, como normal de sua pessoa, soltou uma gargalhada super alta.
- Oi, mano, você... toca piano? – Ela perguntou, fazendo uma dança ridícula.
- Ah, gente, vamos comer cachorro quente? – Perguntei, feliz, tô sentindo que tenho dom para a coisa.
- Vamos, amiga... matar essa lombriga! – disse, rachando o bico.
- Quem chegar por último é a mulher do padre! – gritou. Mas, eei, isso nem rimou!
Ah tá, era pra ser uma corrida isso? Okay, já perdi.
- Ei, amigo, espera seu.... Ah, deixa pra lá. – Saí correndo atrás dos dois, que já estavam praticamente dentro da cantina. E, quando já podia pular em cima deles, senti alguém esbarrando em mim. AH, que ótimo! Senti meu corpo caindo no gelado, ou seja, no chão, e me segurei para não chorar. NÃO, eu não ia chorar porque doeu e sim pela vergonha, já que agora todo mundo me olhava, rindo.
- ? ? ? – Ouvi a voz da chegando cada vez mais perto e, antes que eu pudesse falar qualquer coisa para ela, ouvi outra voz – não muito comum – falando comigo.
- Desculpa, desculpa... por favor, foi sem querer! Você veio muito rápido e eu não consegui desviar. – Era , e não o meu armário. O , de verdade! Falando comigo... me pedindo desculpas. WOW.
- Não, não... tá tudo bem, não precisa se desculpar, eu que estava correndo. – Falei, disparada, morta de vergonha, enquanto ele me olhava com cara de cachorro abandonado. No bom sentido, ok?
- Er, eu posso fazer alguma coisa por você? – Ele perguntou. – Pagar um lanche? Eu não sei... qualquer coisa?
- Só me ajudar a levantar, sabe... a temperatura aqui embaixo nem é tão boa como eu pensava. – Falei, brincando, e ele me puxou, agora, com um sorrisinho mais despreocupado no rosto.
- E, então, como é seu nome? – Ele perguntou e eu podia sentir que a estaria suspirando ali por perto.
- , e o seu? – Perguntei, só para fingir que nem sabia nada dele, sabe... que nunca o vi ou coisa do tipo. Puro charme.
- ! – Ele falou, feliz, e passou o meu braço pelo pescoço dele, fazendo eu me apoiar em seu ombro. Eu não precisava disso, mas LÓGICO que eu não ia reclamar, né?

**

- Não, é melhor não, se alguém pegar a gente... meu, é muito perigoso! – Eu estava desesperada, ficando louca da vida, nunca essa idéia tinha passado na minha cabeça.
- Confia em mim, , muita gente faz isso, ninguém vai nos pegar, eu sou craque! – falava, praticamente me arrastando para a lateral da escola.
- Mas e o ? Ele vai ficar sozinho na sala... ele, ele não conhece ninguém! – Eu estava tentando achar mil desculpas, mas parecia que nada adiantava.
- Você vai matar uma aula só, relaxa! – Ele ria de mim, enquanto eu – com certeza – pagava de ridícula na frente dele.
- Mas... e se pegarem a gente aqui? O que acontece? – Fiz o meu maior bico e ele começou a gargalhar. Oi, mãe, eu sou o bozo.
- Calma, hm... Aquela não é sua amiga? – Ele apontou para uma menina que pulava pra lá e pra cá com mais dois meninos. Era . Eu sabia que era normal ela fazer isso; ao contrário de mim, era louca e não estava nem aí pra nada. Tinha muitos amigos doidos e a coisa mais difícil do mundo era vê-la triste.
- Não, nem conheço! – Falei, para ver se ele esquecia tal idéia e me deixava voltar pra minha linda sala, junto com o meu cachorro lindo e meu amigo mais lindo ainda.
- Certeza? Já vi vocês duas juntas por aqui... – Ele olhava dela pra mim. – Ela não é a ? Sua melhor amiga?
Impressão minha ou ele sabe da minha vida assim como eu sei da dele?
- Como você sabe? – Perguntei, olhando nos olhos dele e ele foi andando mais rápido. Dava para ver que tinha bastante gente agora, sério, por isso eu sempre estranhei a sala vazia e o intervalo tão cheio.
- Digamos que, às vezes, eu estou no mesmo lugar que você, mas você nunca reparou isso. – Ele falou, dando uma piscadinha.
Ah, nem saquei.
- Hey, ! – Ouvi a voz do meu primo, MEU PRIMO PHIL, o chamando. Claro, ele é amigo do meu primo, deve ter me visto na casa dele, ou, sei lá, faz sentido.
- Phillip, olha quem eu trouxe pra cá. – Ele apontou para mim e os dois deram risos perversos. AH, MANHÊ, que medo.
- Oi, amiga! – chegou, pulando em cima de mim, e, aí sim, eu repito: AH, MANHÊ, que medo.
Os três me olharam e sorriram, um sorriso do mau, diabólico até.
- Sério, vocês estão me assustando! – Falei, indo para trás e eles gargalharam.
- Para de ser boba, a gente só quer que você faça um favor! – Phil sorriu de lado e se ele não fosse meu primo, neném, eu ia fazer um comentário bem interessante sobre ele.
- Que tipo de favor? – Perguntei, meio suspeita.
- Pode entrar na sala dos professores e roubar uma prova? – perguntou em um tom de desafio. COMO ASSIM, DUDE? Como? Eles me chamam aqui no maior esquema para eu roubar uma prova? Eles querem arruinar minha vida!
- POR QUE EU?
- Porque você sabe muito bem que ninguém nunca desconfiaria de você. Você tem carta branca para passear por lá quando precisar e eles te amam! – Phil – lagartixa gay – respondeu, dando uma rodadinha no final da frase.
- Mas... – Fui tentar pela segunda vez no dia convencê-los a mudarem de idéia, mas os três falaram em coro:
- Por favor!
Daí é golpe baixo. Aqueles rostinhos, aqueles bicos, assim não dava para resistir.
- Eu, eu juro que te recompenso de algum jeito! – falou, chegando perto de mim e eu juro que quase morri. Nunca tinha chegado assim tão perto de um menino sem ser meu primo, eu sempre fui muito certa e isso realmente não estava nos meus planos. Recompensa? Seria ótimo. Mas eu sei muito bem o tipo de recompensa que era, e eu jurei para mim mesma que só beijaria o depois que eu aprendesse – e que ele quisesse. Sim, eu sou Bv. É, acredite ou não eu sou e... e agora, o que eu faço?
- Gente, melhor não, se eu for pega, meu pai e minha mãe me matam! Eles vão ficar decepcionados, por favor, não peçam isso! – Supliquei, praticamente ajoelhando, para eles tirarem essa idéia da cabeça.
- Vai, vai... vamos logo - me pegou no colo. É, DUDE, NO COLO! E começou a me levar em direção à diretoria.
- Não, por favor, por favor! , me ajuda! – Eu estava quase chorando. Sério, quando eu fico muito nervosa, tenho vontade de chorar, mas eu não podia passar mais esse ridículo.
- Desculpa, amiga, mas eu estou precisando disso! – Ela disse, balançando os ombros. Ok, fui abandonada.
- É a de matemática, do 2° C, não esquece. me soltou e deu um beijo na minha bochecha.
- Confiamos em você, Prima! – Phil disse e eles saíram correndo, me deixando ali, de frente para a sala dos professores e pensando em o que fazer.
Pegar a prova, ganhar recompensa e fazer meus amigos felizes ou não pegar a prova, sendo assim, não correndo nenhum risco e ter a minha consciência limpa para sempre?

Capítulo 04: Você sabe, eu não sou uma pessoa má ♪

Era isso, eu estava dentro da sala dos professores, já tinha decidido o que eu ia fazer. No primeiro dia de aula, sempre tinha as respostas das provas em uma gaveta super grande em um canto da sala. A minha escola era meio louca, porque elas só ficavam lá no primeiro dia - depois, os professores as levavam para casa. A prova era feita por algumas pessoas que trabalhavam na diretoria, e roubar uma prova talvez fosse a pior coisa que alguém poderia fazer. Mas, tá, eu tinha que me arriscar um pouco mais, sabia como a sempre se ferrava nas provas de matemática e eu tinha que ajudar minha amiga.
- ? O que você tá fazendo aqui? – Levei um susto ao ouvir alguém atrás de mim. Não reconhecia a voz, mas eu estava muito nervosa para ver quem era. Precisava de uma desculpa, e rápido... Senão, eu estaria ferrada para o resto da minha vida.
Contei até 10, enquanto pensava em algo para dizer, e, sem nem me virar, eu comecei:
- Sabe, eu estava com dor, e eu vim aqui pra pedir pra ligar pra minha mãe, eu realmente não estou agüentando.
- Dor? Eita. Dor do quê? Quer que eu chame a ? – ? WTF?
Virei pra ver quem era e lá estava o , amigo da , me olhando preocupado. Isso, menino, me assusta desse jeito, mesmo.
- Não, não, não estou com dor! – Eu falei, relaxando um pouco mais.
- Não? – Ele perguntou, erguendo uma sobrancelha.
- Não... eu... , assim, você não pode contar pra ninguém o que eu vou falar, ok? – Pedi e ele concordou com a cabeça. – Me pediram pra eu roubar uma prova, e eu vim aqui pra isso, então, você pode me ajudar? Sabe, só olhar se tem alguém vindo...
E, então, ele me encarou, assim como da primeira vez, me deixando intimidada de novo.
- Você olha, eu pego. Sabe onde fica? – Ele perguntou e eu fiquei mil vezes mais aliviada.
- Ali! – Apontei pro outro lado da sala. – É a de matemática, do 2° C.
- Tá, ok! – Ele respondeu e foi na direção que eu apontei, enquanto eu corri para a porta para vigiar.

**

- Obrigada, obrigada, mesmo, dude. Você foi tipo um... anjo que apareceu, cara! Eu tava morrendo de medo... – Acho que era a 81871871ª vez que eu agradecia ao . Todo mundo estava cabulando o resto da aula, e a maioria, animada, dizendo que eu havia mudado, e que tinha virado uma menina tipo . Se é que a pode ser considerada um tipo de classificação de pessoa.
- Tudo bem, já disse, pior seria você sozinha lá... Só fiz minha parte como amigo da sua melhor amiga! – Ele disse, sorrindo, enquanto meu primo e companhia pulavam na nossa frente, fazendo um tipo de dança de agradecimento, sei lá.
- Quer a recompensa quando, amor? – – a boba – perguntou, fazendo eu e o ficarmos vermelhos.
- Não precisa de recompensa, ... fiz isso pra ajudar! – Falei, sentindo meu rosto inteiro queimando de calor.
- Ah, não? – perguntou com um bico.
Sim, sim, sim!
- Er... você quem sabe, se... você quiser... – Falei, depois de respirar fundo muitas vezes. Ah, que medinho.
- Você quer o , mas não pode. Vai com o que ele te fode! – Umas meninas praticamente gritaram e eu senti que a indireta era pra mim.
- Ah, ela pode sim! – Ele falou alto e, em menos de segundos, já estava com o corpo perto – até demais – do meu.
- O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO AQUI? DIRETORIA, AGORA! – Ouvi o Holmes, inspetor, gritar com a gente, e dei um pulo pra trás.
Todo mundo saiu correndo e eu: arrastada como sempre.
- AQUI, AQUI, VEM! – Era gritando do meu lado. Ele que me puxava, me levando pro lado oposto de todo mundo.
- Aonde a gente tá indo? – Perguntei com medo, enquanto ele puxava minha mão.
- Calma, calma... – Ele parou por menos de 4 segundos e voltou a correr por outro corredor. Um corredor que nem eu tinha visto na minha vida. – Aqui deve ser...
Bateu o sinal.
- UFA! – Ele falou alto, jogando as mãos pra cima e eu ri disso.
- Por pouco! – Falei feliz e ele me abraçou.
- Você traz sorte, menina! – , agora, me puxava de volta para as salas.
- Você que traz, só aparece na hora certa poxa! – Disse, agradecida, e ele sorriu, convencido. – Agora, cadê a galera?
- Não sei, quer procurar eles ou prefere ir pra sala? – Ele perguntou. Pensei por um tempinho, enquanto ele me observava.
- Quero procurar!
Sério, acho que qualquer um que me olhasse ontem, e me comparasse com esse meu primeiro dia de aula, falaria que não era a mesma pessoa. Mas aquele estava sendo o dia mais divertido desde que eu entrei naquela escola. Nunca tinha vivido momentos doidos assim, nunca nem falei com , que sempre foi minha paixonite platônica. Eu sabia que isso era errado, eu sabia que dali pra frente, com aquele povo doido, eu poderia me dar muito mal, mas eu não ia exagerar. Eu ia continuar sendo aquela estudiosa, porém, abrir exceções, às vezes, não fazia mal pra ninguém!

Capítulo 05: Imagine o nerd sem cabelo ensebado, sem espinhas e sem colarinho abotoado. Sem o cinto social junto com tênis branco. Imagine o nerd com cinco milhões no banco! ♪

No dia seguinte, , , Phil e mais algumas pessoas que também estavam cabulando levaram suspensão, ou seja: eu estava “sozinha” na escola. E, para piorar as coisas, no meio de tanta correria, eles perderam a prova, ou seja: fiz todo aquele esquema secreto por besteira.
Mas, pelo menos, foi legal e não me arrependo disso, eu acho.
- Oi. – chegou na sala e se sentou ao meu lado. Por ironia do destino – ou não –, ele tinha todas as aulas junto comigo, o que era uma coisa difícil de acontecer.
- Dormiu bem? – Perguntei e ele fez que sim com a cabeça.
- Vai à festa do no sábado? – Ele perguntou, procurando algo em alguns cadernos.
- Acho que sim, não deixaria eu perder uma festa dessas por nada no mundo! – Falei mais baixo, quando vi o professor entrando na sala. – Você vai?
- Não, vou ficar estudando. – Ele abriu um largo sorriso como se isso fosse a coisa mais divertida em um final de semana.
- Ah, não, ! Vem com a gente, vai ser divertido... e você pode estudar no domingo! Você é o único que aceitaria ficar em uma festa conversando sobre lição ou coisa parecida. – Pedi.
- Eu... eu vou ver... – Ele disse, olhando pro chão e depois pra mim. – Não dá não.
Mas, ele não ia ver até 2 segundos atrás?
- E por quê? – Eu perguntei e ele ajeitou o óculos.
- Porque eu não posso, não deixam. – disse, baixo, acho que era mais pra ele do que pra mim e eu fiquei com uma tremenda dó.
Não falei mais nada, apenas virei para lousa e comecei a copiar algumas coisas que o professor estava escrevendo.

**

Bateu o sinal para o intervalo e o saiu correndo na minha frente. Eu esperava que ele ficasse comigo, como ontem, mas, que nada, o procurei por todo mundo e nenhum sinal dele pelo pátio. Fiquei pensando se foi por causa da nossa conversa ou algo parecido, mas eu realmente não entendia o porquê de ele não poder ir ao uma festa de sábado. Até meus pais, que eram super protetores, deixariam numa boa, espero.
Sentei em um banco num canto, com o meu livro super lindo que eu havia acabado de começar a ler e, assim que acabei de ler a primeira página, vi o se aproximando.
- Hey, dude! – Falei animada e ele me cumprimentou com um beijo no rosto.
- Fiquei sabendo dos seus três amigos... – Ele disse, mexendo uma mão na outra. – Ficou sozinha hoje?
- Não, fiquei com o , daí agora você tá aqui! – Sorri.
- E o , onde tá? – Ele perguntou, olhando em volta.
- Era o que eu queria saber também. – Respondi, dando uma última conferida nas pessoas da escola pra ver se tinha algum sinal dele por lá.
- Você quer ler, né? – Ele perguntou, olhando pro meu livro e, antes que eu pudesse falar algo, ele continuou: – É, eu também, posso ler junto?
Abri meu livro e encostei nele, pra ter como nós dois enxergarmos, e foi assim o meu intervalo super animado, sem nem sinal de fumaça do .

**

- É, , ele sumiu no intervalo e depois não apareceu mais em nenhuma aula. Acho que ele deve ter ficado mal, eu não sei. – Fazia uns 30 minutos que eu estava falando no telefone com a . Contando todo o meu dia sem ela na escola, enquanto ajeitava o meu quarto que tava parecendo um chiqueiro. E assim ficamos por mais meia hora, pensando em motivos do ter sumido super do nada e, então, desliguei o telefone pra poder estudar um pouco. Não estava na época de prova, já que era o segundo dia de aula, e também não tinha nenhum trabalho marcado. Mas era sempre assim quando eu não tinha o que fazer. Eu sentava na varanda e ficava estudando até entardecer.
O resto da semana ia passar como qualquer outro, estaria lá na minha sala dividindo uma cadeira com o Pingo de novo, meus intervalos seriam com ele, e . Às vezes, eu iria ver o Phil ou o , mas eu os evitaria o máximo possível, já que tinha medo de alguém lembrar sobre a minha pequena recompensa, que era o que eu mais queria, porém o que eu mais temia.

Capítulo 06: Cadê minha festeira, fes-festeira, festeira fes-festeira, galera festeira? ♪

Finalmente sábado! Não que eu vá revolucionar o mundo hoje, não que vá ter uma lua diferente no céu, não que eu vá fazer um tour pela cidade, ou coisa parecida. É só que hoje era dia de festa na casa do , e não é que eu goste disso, na verdade, eu nunca fui convidada, mas como dessa vez TODOS da escola foram, era meio impossível não chegar um convitinho do ar pra mim. E, bom, não é que eu goste muito de me enturmar com as pessoas da minha escola ou coisa parecida, era só que pela primeira vez na minha vida eu estava disposta a passar um dia diferente e, quem sabe, ganhar a minha recompensa, ou não.
Como eu não posso dirigir graças aos meus pais SUPER legais que me proíbem de tudo, onde carro, segundo eles, é: “para pessoas adultas e com um bom trabalho, caso aconteça algo que tenha que arrumar”, estou esperando minha linda amiga com seu companheiro - ‘super bonder’ já que não desgruda dela – .
Finalmente, depois de 45 minutos e 06 segundos depois do horário marcado [tenho um relógio que tem cronômetro, ok?], ouvi uma buzina e saí voando – não literalmente, porque eu ainda não pensei em nenhum método para sair voando feito um pássaro – para fora de casa, onde dois seres humanos estavam dentro de um carro LINDO, e muito bem arrumados. Nunca pensei que eles poderiam ser tão... charmosos. Não que eles não sejam, tem um charme natural surreal, mas hoje ele realmente queria matar alguém do coração.
- Boa noite! – Ele disse, e só então percebi que ele estava abrindo a porta de trás pra mim.
- Cavalheiro... – Fiz reverência e ouvi uma risada super cuspida de dentro do carro. É, eu tentando ser chique e bancando de louca, normal.
Sem falar mais nada, voltou pro seu lugar, a colocou o som no último volume e fomos a 100 km por hora pra casa do . Sim, eu reparo no painel do carro! Em exatamente 05 minutos, nós chegamos na rua, que estava totalmente lotada por carros e mais carros. Muitos que eu reconhecia em filmes. Isso que dá estudar em escola particular e morar em um lugar onde as pessoas vivem numa boa sem precisar dar pra isso.
Ignore.
Estacionamos o carro um pouco longe e pediu pra eu guardar a chave dele já que era a mais ajuizada dos três.
- Vocês vieram! – Phil - bixa – gritou, correndo na nossa direção e pulando no meu colo.
- Não, tô lá ó! – Apontei pra outra direção e levei um pedala por meu comportamento meio do mal.
- Posso pegar uma bebida pra você? – Um menino estranho perguntou pra minha amiga também estranha.
- Deve! – Ela respondeu, tipo curto e grossa. Viu, viu, ela não leva pedala por ser ignorante com as pessoas, nada justo esse mundo.
- Hey, bem vinda! – disse, chegando perto da gente e olhando pra mim. – Primeira festa minha que você vem, hein... tô me sentindo até poderoso agora!
Desde quando ele repara quando eu vou ou deixo de ir pros lugares?
- Pra tudo tem sua primeira vez. – Sorri.
- É o que dizem. Vamos entrar? – Ele perguntou, já me dando o braço pra apoiar.
- Claro! – Segurei no braço dele, enquanto meus amigos me mandavam piscadinhas e movimentos pervertidos por trás do . Pobre de mim, estou indo para um caminho ruim graças aos meus amigos.
Finge.
Assim que entramos, me levou para o meio da galera pra gente ir dançar um pouco. Tenso. Fato é que eu não danço por nada no mundo, sou péssima e morro de vergonha. Claro que naquela hora ninguém ia olhar pra mim, mas vai saber...
E quando eu ia pedir pro se a gente podia ir para outro lugar, vi no canto da sala, de cabeça baixa, olhando pros pés. Acho que fiquei um tempo reparando nele até que ele levantou e deu um sorriso, que logo percebi: totalmente forçado.
- Vamos beber algo? – perguntou, tirando toda a minha concentração de e eu fiquei perdida. Afinal: ir falar com meu amigo ou aproveitar a única chance que eu tinha de ficar com o menino por quem sempre tive uma queda?
Antes que eu pudesse responder algo, ele me puxou para cozinha.
- Água, refrigerante, suco... cerveja, vinho... bom, o que você quer? – perguntou todo fofo, não tinha como não resistir.
- Um refrigerante tá bom!
- Então... eu não esqueci da recompensa que tenho que te dar por roubar as provas pra gente. – Ele se sentou em um balcão, depois de dar meu refrigerante.
- Ah, claro, eu também não! – Eu parecia confiante, eu parecia ser experiente em sair beijando meninos por aí, mas eu estava tremendo mais que terremoto por dentro. Agora, eu não tinha mais tanta certeza do que fazer.
- PAREM, POR FAVOR! – Ouvi o grito da vindo da sala e olhei assustada pro , que saiu correndo pra ver o porquê dos barulhos, que, agora, pareciam uma guerra.
Fiquei uns segundos captando toda a informação e, então, resolvi ir ver o que estava acontecendo.


Capítulo 07: Tudo o que eu preciso é que ele seja meu namorado ♪

- , O QUE ACONTECEU? – Cheguei sem olhar pra ninguém, sem prestar atenção no que estava acontecendo a minha volta. Mas claro que aquilo não ia passar batido por tanto tempo, lá estava: uma completa briga. Um menino que eu já vi muitas vezes na escola batendo feio no meu novo amigo . – AJUDA!
Gritei, em vão, pra primeira pessoa que apareceu na minha frente.
- Amiga, amiga, eles não param! – veio com os olhos arregalados me abraçando e eu fiquei sem reação. Vi do outro lado tentando enxergar o que acontecia, e dei um grito, chamando o nome dele.
- AJUDA O ! – Gritei o mais forte que consegui e acho que ele entendeu o recado. Em menos de segundos, ele entrou no meio dos dois meninos dando um soco no que eu conhecia por Michel.
Era assustadora a força do , parecia que ele era especialista em brigas de escola. Quando o menino já estava no chão, alguns meninos o ajudaram a levantar, e quando olhei pro lado, vi saindo rápido pela porta, com a mão na cabeça. Sem pensar duas vezes dessa vez, fui atrás dele.
- Hey, dude... ! – Eu o chamei, quase correndo pra alcançá-lo.
- Ah, ei... – Ele parou um pouco longe de mim e dava pra ver que aquela briga deixou marcas nele. Não sabia ao certo o que falar nessa hora.
- Você tá... bem? – Perguntei e ele soltou um risinho de canto.
- Vou ficar, não se preocupe. – disse, chegando mais perto de mim, agora, o que me deixava aliviada, porque, depois de tempos, eu sentia que ele estava voltando a ser o que eu conheci no primeiro dia de aula.
- Oi, , ! – correu atrás da gente e, antes mesmo de ele chegar perto, acenou com a cabeça e foi correndo pra fora da casa.
Antes que eu pudesse correr atrás dele de novo, ou gritar algo pra ele ficar, já tinha prendido minha atenção, como sempre.
- Ele tá bem? – Parecia que estava realmente preocupado com .
- Segundo ele, vai ficar... – Sorri.
- Que bom! – Ele falou feliz e se aproximou de mim. Devagar, pude perceber sua mão na minha cintura, sua respiração perto da minha, seu cheiro, tudo que eu esperava. Podia imaginar como seria dali a alguns segundos, mas o pior era que: não podia fazer, não conseguia.
Qualquer um falaria que eu como merda, ou sei lá, mas a única coisa que consegui fazer quando senti seus lábios chegando perigosamente perto dos meus foi virar meu rosto. Senti congelar por um tempo e, então, me encarar, tentando entender o que tinha de errado. Mas o que eu ia fazer? Falar que estava nervosa o bastante já que era a primeira vez que eu ficava com alguém? Ok, eu não tinha culpa... mas era sempre assim, na hora que era pra acontecer, eu não deixava, algo maior que eu me prendia, e eu não entendia o porquê disso. Mas alguns segundos dele me encarando me fizeram ficar no pânico, eu precisava de uma desculpa, inventar alguma coisa, não podia ficar com uma imagem ruim pra .
- Eu... eu, não posso! – Eu me afastei um pouco dele e respirei fundo. – , eu namoro.
Vi seu olho praticamente pular pra fora. Ele sacudiu a cabeça algumas vezes, como se para afastar essa idéia da sua mente.
- Namora? E quem? – Perguntou, um pouco desafiador. E, agora, eu me ferrei bonito, eu não tinha ninguém pra entrar como cúmplice nessa estória, mas eu não podia demorar pra responder, senão, ele ia me achar besta, ou melhor... mais besta.
- ! – Vi passando pra lateral da casa e, então, sem querer, falei seu nome alto.
- O ? – Ele perguntou, surpreso.
É, seria um bom cúmplice.
- É, o . – Respirei fundo outra vez, não acredito que estava inventando uma desculpa enorme como essas só pelo meu medo. – Mas ninguém sabe... era pra ser uma coisa “secreta” de nós dois, então.. , por favor, não conte pra ninguém!
- Tudo bem, , mas... nossa! – Ele passou a mão no rosto e então eu me senti mal pela mentira. Eu não precisava inventar nem metade disso.
Era só eu tomar coragem, mas eu era fraca.
Talvez eu pudesse contornar a situação.
Refleti por alguns segundos, enquanto olhava pra e o abracei, tentando tomar coragem pra algo mais.
- EI, viram a ? – apareceu do nada e deu um pulo pra trás.
- Nem v... – Antes de eu completar o que ia falar, soltou uma coisa não tão legal assim:
- , a gente tava se abraçando, mas... como amigos, beleza, dude? – Ele perguntou e, então, fez uma cara de anta que deu vontade de matar. Ele bem que podia fingir que tava entendendo tudo, né?
- Tudo bem, , ele sabe! – Falei, dando uma piscadela pra ele, esperando uma reação inteligente dele. Totalmente inútil.
- Sabe... do quê? – A cara dele era de quem não estava entendendo nada, de verdade. Esse menino não serve pra fazer teatro, só isso.
- Do namoro de vocês. – disse, sorrindo forçado. Mas ele e sua grande boca também! Poxa, eu podia ter dormido sem essa. Eu tinha que fazer aceitar essa idéia e depois eu explicaria tudo. Antes de ele abrir a boca pra respirar, eu o abracei de lado.
- É, amor, ele sabe que a gente tá namorando, então, acho que nosso namoro não precisa ser mais tão secreto assim. Digo, pra que esconder, né? – Perguntei, apertando-o, pra ver se ele não soltava nada que me prejudicasse.
- É... amor? – A cara dele continuava confusa e a vontade de matar um ser humano desses era maior do que tudo, mas não pareceu notar esse comportamento todo estranho do .
- Então, bom... depois a gente se fala, vou deixar o casal sozinho! – Ele disse e saiu praticamente correndo pra dentro da casa.
- Er... então... amor! – Ele falou, rindo e me beliscando. – Posso ter uma aliança de compromisso, pelo menos?
- Se você pagar, por mim, tudo bem! – Sorri.
- Beleza, então... amor! – Ele riu mais alto como se ‘amor’ fosse MUITO engraçado. – Mas, falando sério, agora, não entendi porra nenhuma.
- Tudo bem, eu te explico, vamos pra lá! – Eu o puxei pra um banquinho que tinha na lateral do quintal e expliquei toda a trajetória da minha vida. Apesar de ter falado muita merda, me apoiou em tudo e eu descobri que ninguém seria melhor pra ser meu cúmplice do que ele. Sabia que amanhã era capaz de todo mundo da escola saber do meu tal namoro, e eu tinha que contar logo pra antes que ela tivesse um treco.
Com certeza seria estranho pra mim, nunca nem passou na minha cabeça namorar alguém, nem de mentira, e, de repente, eu já tinha um romance secreto e tudo. Já estava tarde, mas não queria que a perdesse o fim da festa, nem ... então, ficamos no mesmo lugar, esperando nossa amiga aparecer. E, por incrível que pareça, não falamos absolutamente nada um pro outro, ficamos apenas olhando pro nada, cada um perdido no seu pensamento, enquanto sua mão estava apoiada no meu ombro e a minha na sua cintura.

Capítulo 08: Cai fogo, cai fogo, fogo, esquenta esse lugar ♪

Já era quarta–feira, e, como eu imaginei, todo mundo já sabia sobre o meu “namoro” com o e ele já estava realmente providenciando uma aliança pra gente, nem que fosse uma que vem no chiclete. Problema seria esconder isso dos meus pais, mas eu tinha que dar um jeito. Todos os dias desde a festa eu imaginei que seria melhor eu “terminar” com , mas tanta gente estava feliz com isso que eu não sabia ao certo como agir.
? Você tinha que ver o que ela fez quando eu expliquei tudo. Ela – claro – riu MUITO a princípio, e depois... bom, riu mais um pouco por eu ser tão burra, às vezes. Disse que isso ia render boas histórias.
, depois da festa, tem agido como um amigo e tanto. Phil? Aquela bicha louca? Bom, ele resolveu ir viajar com alguns amigos, abandonando a escola por uma semana, o que era normal dele. E já estava bem melhor quanto às marcas no rosto, e, apesar de ser meu amigo, não sabia que eu e estávamos fingindo sobre o namoro. Mas era melhor assim... quanto menos gente soubesse era... melhor.
- Oi, pessoa nerd. – chegou e me deu um beijo na testa.
- Hey, dude! – Sorri pra ele.
- , ! – Ele acenou pros meus amigos que já estavam saindo de fininho, e virou pra me olhar. – Posso falar com você?
- Claro!
Quando eu pensei em levantar pra falar com o , meus amigos já tinham saído de perto.
- Então, ... eu queria te pedir... tá, é estranho isso. – Oi menino, para de me enrolar? – Se eu posso ficar com uma menina, sabe... a gente fica escondido, ninguém vai ficar sabendo. É só que... nosso namoro não é sério, então... posso?
- Pode sim, a boca é sua, dude. – Eu ri. Tava me sentindo a mãe do meu “namorado”, Deus!
- Obrigado, obrigado, valeu! – Ele disse, empolgado, e saiu correndo pelos corredores. Gritando. Isso que é vontade de pegar uma gatinha, eu hein.
- Por nada. – Respondi pra mim mesma e saí pra minha sala. e conversavam empolgados na minha mesa, então, eu passei reto, indo pra lateral da escola. Com certeza, ia encontrar lá.
Mas ele não estava lá. Mesmo assim, eu não queria voltar pra sala, então, como eu estava com meu material, abri meu caderno de matemática ali mesmo e comecei a estudar. Tipo... só eu pra fazer isso.
Comecei a ouvir gritos de longe, pessoas começaram a passar correndo por mim e eu imaginei se era algum rato gigante, uma cobra ou o bob esponja sem calça-quadrada.
- EI, EU TAVA TE PROCURANDO! – chegou gritando comigo e eu quase morri de susto.
- Eu tava aqui o tempo todo, não me mexi, juro. – Falei normal pra ver se acalmava a peste. – O que tá acontecendo?
- Fogo, em alguma sala... eu não sei direito também, está baixo, porém... é fogo! – Ele passava a mão no cabelo de nervoso.
- Calma, bicho, nem é o fim do mundo, ainda. – Eu ri, fechando meu caderno. – Cadê a ?
- Eu não sei, ela tava atrás de mim e, quando eu virei... não tava! – Ele falou, olhando pro nada, como se lembrasse da cena.
- Bom, mas é melhor a gente ir, vai que se espalha esse fogo e mata todo mundo... – Falei, fazendo uma voz sombria e os olhos dele se arregalaram. – ... tô brincando.
Entã,o ele respirou fundo.
- Mas, é sério, , vamos logo! – Ele me arrastou pra fora da escola, onde todo mundo conversava junto, enquanto a diretora tentava – segundo ela – “manter a calma”, mas era impossível, só a cara dela era de dar pânico.
- ACHEI VOCÊS! CARALHO, NUNCA, NUNCA, NUNCA, NUNCA MAIS SUMAM DE PERTO DE MIM! – chegou com atrás dela, gritando comigo feito louca.
- Mas eu nem estava perto de você. – Me defendi.
- PIOR AINDA, VOCÊS PODIAM TER MORRIDO, MORRIDO, SABE? SEM A MINHA PROTEÇÃO. – Ela estava muito séria, começando a me assustar. E o ? Dó dele, sabe, parecia que ele podia ter um infarto a qualquer momento.
- Tudo bem, acho que eles entenderam e nunca mais vão fazer isso. – a puxou pra trás. – Mas vamos embora daqui, antes que aquela ali – pausa para apontar pra diretora – comece um discurso sem fim.
- Por isso, ele é meu namorado. – Me gabei e a começou a rir. Enquanto ... bom, me olhava com cara de nojo.
- Que é? – Mostrei a língua pra ele, que devolveu feito criança mimada.
Então, nós quatro saímos correndo de perto da galera, indo a uma direção diferente da casa de qualquer um.
- Assim... só pra eu saber... onde estamos indo? – perguntou.
- Não sei, que tal o shopping? – deu a idéia e eu apoiei na hora.
- Mas fazer o que lá? – perguntou com desgosto.
- Compras! – gritou, levantando os braços, e, assim que passou um ônibus que nos levava pra onde queríamos ir, ela praticamente se jogou em cima dele. O motorista soltou algo como @$#$#, mas, mesmo assim, parou pra nós. Era nessa hora que o podia começar a ir pra escola de carro. Mesmo ela sendo a apenas 5 minutos da casa dele.
Depois de um caminho inteiro com a cantando músicas que os pais delas curtiam quando eram jovens, chegamos ao shopping.
- AH, MEU DEUS! – Ouvi alguém falando alto, tipo, muito perto de mim e quase morri de susto quando vi de quem se tratava. – VOCÊ NÃO MORREU!
Você não morreu. Será que isso era bom ou ruim? Tá, vindo de quem gritava, com certeza era uma boa coisa.

Capítulo 09: Eu me lembro de um grande amigo da minha infância ♪

- Você tá grande! – me apertou em um abraço e tentou me levantar, uma tentativa totalmente inútil, eu não sou fácil de ser levantada, digo... não gosto muito de sair do chão, então, prendo os meus pés nele o máximo que posso. – E pesada.
Ah, tá, valeu pela parte de: ‘Oi, você é uma gorda baleia’
- E você continua com a mesma cara de sempre... mesma carinha de bostinha. – Apertei a bochecha dele.
- Er, vou levar isso como um elogio – Ele sorriu. Aham, vai nessa, foi um super elogio, até porque eu amo ficar elogiando as pessoas que me chamam de gorda. Tá, parei.
- Bom, , essa é a . – Falei, apontando pra minha amiga que olhava com uma cara totalmente feliz. – Esse é o , e esse é o .
Apontei pros outros dois, que cumprimentaram meu amigo com uma cara suspeita. Como se ele fosse de algum contrabando ou coisa parecida.
E que, na verdade, eu também tenho minha dúvidas. Não se engane por ele me abraçando, ou falando coisas legais pra mim (não que me chamar de gorda seja legal), mas ele muitas vezes age como uma má pessoa, olha feio e encara todo mundo. E ele também fuma, fuma muito, o que me faz pensar se ele faz tráfico de cigarros, isso se o que ele fuma é mesmo um cigarro. Pode ser droga disfarçada, por que não? Isso explicaria o jeito dele agir, às vezes.
Tinha algo de errado com ele, ele nunca fora tão feliz assim, a ponto de sair me abraçando em público. era um amigo de infância, e bota infância nisso. Quando eu tinha uns 9 anos, minha mãe e a mãe dele nos obrigaram a começar a andar juntos. Elas achavam que seria melhor pra nós dois. Já que, naquele tempo, nós dois éramos dois sozinhos, abandonados por todos. Claro, que no caso do era por pura opção, muita gente da minha sala queria falar com ele, mas ele sempre ignorava todos. E no meu caso, bem, digamos que eu me fechava e ninguém ligava pra isso.
- Ei, mocinha. – Ouvi um estalo de dedos muito perto do meu rosto e acordei pra vida. – Estamos te chamando há maior tempo, dormiu, foi?
Ele soltou uma risadinha e, então, percebi que fazia realmente muito tempo que eu estava assim, presa nos meus pensamentos. E muito tempo que eu não abraçava ele. E foi o que eu fiz, eu o abracei, de novo, com muita força.
- Eu senti saudades! – Eu o apertei com mais força.
- Eu também! – Pude sentir que ele estava sorrindo feito um bobão. Causo isso nas pessoas sabe? Não.
- Er, então, né... – Pude ouvir a pigarrear e soltei meu amigo. Mas não completamente, só me afastei pra poder olhá-la. – Acho que a gente vai ir andando, pra vocês matarem a saudade.
E ela nos olhou com o olhar mais pervertido que eu já vi na minha vida toda. Medo dela.
- NÃO, , quero que vocês o conheçam, direito! – Puxei minha melhor amiga pelo braço, e o pelo outro. - Vamos?
Olhei pro e pro , que lançavam olhares curiosos pra mim.

**

- OH, DEUS! , como você é nojento! – Gritei, empurrando-o e rindo mais do que hiena bêbada em um show de piadas.
- Vem cá, poxa, deixa eu ver sua comida também! – Ele me puxava, enquanto falava de boca aberta, mostrando toda sua batata frita.
- Não quero, não! , me salva! – Gritei pra minha amiga, mas ela nem me deu atenção. Tava toda empolgada falando com o . Acho que se alguém peidasse na cara dela, ela nem perceberia. Mas, com certeza, sentiria.
Credo, eu pensando desse jeito fico mais nojenta que o .
- ? – Gritei pra ele, que tava sentado um pouco mais longe de mim. – Me salva, por favor?
- Ah, vamos lá, , deixe sua namorada em paz! – tacou a batata dele no cabelo do .
- Não, não deixo, ela é minha! – me abraçou e mostrou uma língua bem nojenta pra ele.
- Ei, vocês não me contaram que namoram! – reclamou, erguendo uma sobrancelha.
- Desculpa? – Sorri feito criança.
- Não, não, não. Poxa, eu contei a minha vida inteira pra vocês, e até mesmo da minha namorada, e vocês me escondendo isso? – Ele perguntou, parecendo realmente bravo. Eu me assustei. É estranho o jeito como o humor dele muda rápido.
- Ah, , nem é tão sério. – falou, tentando me salvar. Ou me afundar.
- Como? – Ele perguntou, confuso.
- Claro que é sério, eu vi você falando algo de aliança com a . – acusou e eu realmente tava quase fazendo uma pequena oração pro papai do céu me salvar dessa.
- É SÉRIO! – falou, como se tivesse recebido um choque. a encarou. Claro que ele não ia levar isso assim, na boa.
- ‘Pera, você fala que não é, depois volta... vocês realmente namoram? – Ele perguntou, com um olhar desafiador pra mim. Esse era o maior problema em ter amigos inteligentes. Por isso, eu preferia ter só a como amiga.
- Claro que sim, não é, ? – perguntou. Esse era o maior problema em ter amigos inocentes. Eu ia esconder quanto tempo pra ele, mesmo? E, afinal, por que eu tava com o ainda? já nem lembrava daquela recompensa.
- Aham, ele é meu amor. – Beijei a bochecha do , na tentativa de fazer o acreditar. Tentativa frustrada, se quer saber.
- Provem, então! – Ele sorriu.
- Pro-provar, como? – Eu tinha que gaguejar, bem nessa hora. Assim, todo mundo ia acreditar em você, , claro que iam. Esse namoro de vocês já parece bem real, mesmo, e você, com certeza, tá ajudando demais agindo desse jeito.
- Um beijo, ué. Como qualquer casal de namorados faz. – riu, com certeza, da minha cara de desentendida.
- É, eu nunca vi vocês dois se beijando. – falou, sorrindo. Ah, , bela hora de você querer bancar um de menino de verdade. Vai procurar uma conta de matemática e me deixe com meus problemas.
- Ah, a tem vergonha, né, pequena? – perguntou, mais afirmando do que perguntando e eu assenti com a cabeça.
- Há! – bateu na mesa e depois apontou pra mim. – Mentira.
- Por que você acha isso? – perguntou.
- Claro que é mentira, olhe pra vocês... desde que a gente tá nesse shopping, vocês não deram nenhum selinho, ou andaram juntos, nada parecido. Vocês não namoram, coisa nenhuma. – falou, com um sorriso vitorioso no rosto. Valeu aí, amigo, também adoro te ferrar.
E aconteceu o que eu não achava que iria acontecer. O me deu um selinho, e não que fosse ruim, mas não ajudou muito já que eu fiquei bem vermelha. Mas foi... legal!
- Pronto, provado! – O sorriu, enquanto lançava um olhar pra mim, parecido com um pedido de desculpas.
- Isso não é uma prova. – persistiu.
- Tá, eles não namoram. – falou, suspirando. E eu lancei um olhar de morte pra minha amiga SUPER inteligente. – Ah, amiga, desculpa, mas você não vai conseguir enganá-lo, mesmo.
- Então, você-ês não namoram? – perguntou, apontando de mim pro .
- É... não, . – , que antes tava com a mão na minha cintura, me soltou.
- E eu acho que vocês deviam parar de fingir, amiga, aquela história já passou. – disse, e eu concordei.
- Então, nós... não estamos mais juntos? – fez um bico.
- Acho que não tem por que... ou tem? – Olhei pra ele, enquanto ele fitava o nada.
- Oh, acho que perdi minha namorada. – Ele fingiu um choro e todo mundo riu.
- Agora, me expliquem isso, pelo amor de Deus! – levantou as duas mãos pra cima e soltou um riso abafado.
- Essa é a parte que eu mais gosto. – Ela disse e eu entendi tudo.
Estava ferrada. Eram mais dois sabendo da minha linda história, onde eu não conseguia beijar o meu príncipe.
Príncipe? Onde?

Capítulo 10: Se isso não é amor, o que mais pode ser? ♪

Pov’s:

Fazia uma semana desde que eu e a havíamos “terminado nosso namoro” oficialmente, espalhando pela escola inteira. Eu não precisava pedir mais quando queria ficar com alguma menina. Não passava o intervalo de mão dada com ela, e não precisávamos inventar histórias para mais ninguém. Estava tudo certo, tudo resolvido, o único problema era:
Por que porra eu tava me sentindo mal?
Ela estava andando muito com o na escola, eles tinham segredos. E eu estava começando a ficar com raiva disso. Não dos segredos, deles juntos.
E parecia que agora que eu estava livre pra ficar com geral, eu não queria mais. Sempre vinha a imagem dela de algum jeito, estava ficando irritante.
Eu pensei que ela havia mudado, porque, pelo que a falava dela, ela era uma santa em forma de gente. Mas, de repente, ela parou de cabular as aulas, e andar com , então, não fazia mais sentido pra mim fazer o mesmo. disse que foi apenas um deslize, que ela sempre foi muito “certa”.
Às vezes, eu queria ser da sala dela, sentar no lugar do , e ser certo como eles, talvez... eu me sentisse melhor.
Tá, o que eu tô falando?
- Pensando em que? – surgiu na minha frente, do nada, me assustando um pouco. Bem pouco, sou macho, pô.
- Em nada. – Sorri, disfarçando o meu momento ‘brisando na ’.
- Hm... sei. Anda, pode falar. – Ela deu o melhor sorriso de ‘confie em mim, amigo’ que deu até vontade de soltar tudo. Mas eu não podia. Afinal, soltar o quê? Que eu tô ficando louco? Melhor guardar isso pra mim.
- Não é nada, juro! – Coloquei meu material em cima da mesa, tentando me distrair com algo que não fosse a cara da , que parecia uma coisa mais ou menos assim: “CONTE TUDO PRA MIM, VAMOS, CONTE, POR FAVOR, EU TE DOU UM TROCADINHO SE VOCÊ FIZER ISSO”.
Credo, tô começando a ficar um ser humano ruim.
- Tudo bem, então. – Ela sentou na cadeira da frente e virou pra trás, praticamente me engolindo. Então, começou a falar baixo: – Acho que descobri uma coisa.
- O quê? – Perguntei, seguindo o mesmo tom de voz dela.
- Acho que o tá gostando da . – Ela bateu forte na mesa, com um sorriso enorme estampado no rosto. Não resisti, tinha que ser ruim. Afinal, por que ela tava me contando isso?
- E? – Dei de ombros.
- E que isso é legal. – Ela ainda estava sorrindo. Como uma palhaça, palhaça má, palhaça má.
- Super. – Usei meu tom mais irônico do mundo. O professor pigarreou pra nós dois, mas quem liga? Os professores da nossa escola não eram respeitados por quase ninguém. Só pelos ‘nerds’... o que me fez lembrar de dois, merda.
- Ah, , é legal, tá? Acho que ela também gosta dele, se você quer saber. – falou, coçando o queixo.
Mas eu não quero saber, porra.
- Hm... – Dei um sorriso falso e, na hora, toda aquela alegria dela sumiu.
- AH, NÃO! – Ela gritou, e depois falou bem baixo: – Ah, não!
Eu tenho uma amiga retardada, sério. Repare que primeiro ela grita e depois fala baixo como se eu não tivesse escutado da primeira vez e fosse, com certeza, ouvir da segunda, até porque na segunda ela tava falando bem mais alto.
- O quê? – Perguntei, enquanto ela olhava espantada pra mim.
- Você não ficou feliz, você tá irônico. E você tava pensando quando eu cheguei... – Ela falou cada palavrinha pausadamente, como se a mente dela fosse uma máquina e tivesse processando tudo na maior lerdeza possível. – !
E, de repente, ela grita de novo, palmas. Deus meu, eu mereço!
- Que foi, porra? – Já disse que às vezes eu me estresso rápido e tal?
- Você gosta dela! – Ela colocou a mão na boca.
- Eu não gosto dela! – Protestei. – Gosto?
Minha palavra final saiu quase um sussurro, foi mais pra mim do que pra , se você quer saber. Afinal, quem disse que eu gosto da ? Eu nunca disse isso pra sair por ai falando essas coisas. Eu só... penso nela sempre, fico feliz em vê-la, tenho um ciúme meio chato por ela, e agora estou meio possessivo e tal, minhas mãos formigam quando ela esta muito perto de mim, mas isso não é gostar, é?

Capítulo 11: Lava outra, lava uma mão ♪

- A décima sétima letra do alfabeto grego? – sorriu. Esperto, mas nem tanto.
- Csi! – Há, eu sou demais, sério.
- Não vale, você sabe o alfabeto inteiro? – Ele perguntou com desdém e eu senti a minha vitória cada vez mais perto. Era óbvio que eu era mais inteligente que ele.
- Alfa, Beta, Gama, Delta, Épsilon, Digama, Stigma, Zeta, Etá, Heta, Teta, Iota...
- Tá, já chega. – disse, tapando a minha boca com a mão.
- Hey, , você sabe onde tava essa mão? – chegou, feliz. Então, mais rápida que a luz eu tirei a mão dele. Não literalmente, sabe, não quero ninguém aleijado. Bom, vocês entenderam.
- Eu limpo minha mão, ok? – reclamou.
- Eu imagino. – sorriu e se virou pra mim: – Então, no final de semana, eu tava reunindo algumas pessoas pra ir ao parque aquático, e se você e o -eu-tenho-mão-limpa quiserem ir, bom, estão convidados.
Parque Aquático. Piscina, biquíni.
Meninas gostosas, meninos reparando.
Ér, não.
- Ok, eu vou pensar. – Sorri.
- Eu não curto muito. – disse, e arqueou a sobrancelha.
- Fala sério, é uma boa oportunidade para ficar com a . – Ele deu uma piscada. – Afinal, você está demorando demais, as pessoas já, já vão achar que você é gay. E os caras que vão estar lá, com certeza, vão querer fazer companhia pra ela.
Ele saiu com o mesmo sorriso idiota e eu me enfiei em um buraco.
Mentira, eu não, mas praticamente afundou no banco, ele estava vermelho, bem vermelho.
- Tudo bem, não precisa ligar pro que ele diz! – Passei a mão no cabelo dele. – Sabe, ele é o ...
Eu tinha me constrangido, mas não a ponto de parecer um catchup ambulante. Então, me olhou.
- Você acha que todo mundo pensa assim?
- Assim como? – perguntei não entendendo nada de... nada.
- Como o .
- Não, cada um tem um modo de pensar. – Eu cocei minha cabeça.
Aonde ele queria chegar, afinal?
- Ele disse coisas como se eu quisesse ficar com você. Será que mais alguém pensa assim? – Ele perguntou, olhando pro nada.
- Acho que não. – Tentei ver o que ele estava olhando. - Sabe... é só o , ele é meio pervertido.
Sinal. Silêncio.

**

- É, acho que mais uma vez, nem a , nem o , nem ninguém quis se misturar com a gente. – Respondi, me levantando pra ir pra sala.
- Talvez eles estejam aprontando algo. – disse, com indiferença.
- Mais um plano pra cabular aulas e mais aulas. – Dei de ombros.
- É a cara deles! – Ele riu.
- Ou eles estão se pegando escondido. – Eu falando do e imaginando coisas, que legal.
- É, ou isso. – Ele disse, meio aéreo, meio distante, meio pensativo.
Meio estranho.

Capítulo 12: Quando quiser, pode contar comigo ♪

- Preciso da sua ajuda, preciso da sua ajuda! – disse, entrando na minha casa e correndo pro meu quarto antes mesmo que eu pudesse abrir totalmente a porta.
Corri atrás dela.
- Bom, em que posso ajudar? – Sentei na minha cama, enquanto ela andava de um lado pro outro com a mão na nuca.
- Você tem que voltar a namorar o . – Ela disse, sem me olhar.
- Tenho? – Perguntei, surpresa.
- Tem? – Ela falou, baixinho. Viva a leitura labial.
- Ahn? – Levantei e segurei o ombro dela pra ela parar quieta. – Eu não estou entendendo nada, sério.
- Você tem que namorar o , igual a você fazia antes, só que, dessa vez, você tem que ficar com ele. Tem que ser tudo mais real, sabe? – Ela falou, rápido, e com um nervosismo na voz.
- E por quê?
- Porque, bem... porque... eu estou gostando dele. – Ela disse, em pânico, e aí que eu não entendi nada, mesmo.
Ela quer que eu namore um menino que ela gosta?
- Claro que não, por que eu faria isso? – Perguntei, incrédula. – Você é minha amiga, e eu nunca namoraria ou pensaria em ficar com um menino que você gosta, . Eu, hein.
- Não, , você tem que fazer isso... por mim! – Ela fez bico e juntou as mãos. – Por favor!
- , não entendi. Você não gosta dele? – Perguntei.
- Gosto, mas não quero gostar. Ele é meu melhor amigo e eu preciso esquecê–lo. Você fica com ele, vocês namoram de novo e eu o esqueço. – Ela disse como, se isso fosse fácil. Tipo: “E aí, gatinho, vem cá namorar comigo, eu te dou uns pegas e minha amiga esquece você”.
- Você é louca, e eu não vou fazer isso! – Falei, me sentando na cama de novo.
- POR QUE NÃO? – Ela literalmente gritou comigo, é, dude, medo.
- Primeiro: porque você gosta dele. Segundo: eu nunca fiquei com alguém, e se eu o namorei um dia, você sabe que foi pra fugir disso. Terceiro: Porque essa história não me convenceu.
Então, ela começou a chorar. Sério.
Levantei em um pulo e a abracei, ela não precisava chorar, se eu soubesse o grau da gravidade, eu teria aceitado, mas não me vinha na cabeça ficar com o , ainda mais sabendo que a minha melhor amiga gostava dele.
- , é muito importante pra mim que você fique com ele. – Ela disse, chorando mais alto.
Medo.
- Por que eu? – Perguntei, ainda a abraçando.
- Porque você é a única pessoa que eu acho que o merece. – Ela disse, limpando as lágrimas.
- Eu o mereço? Um galinha, que cabula aula, não respeita as professoras, que tira notas ruins, bebe até a morte e sabe se lá o que mais ele fez? – Nossa, quantos defeitos.
- É, o merece. Um menino legal, lindo, companheiro, fofo, simpático. – Ela disse, sorrindo. Quantas qualidades bonitas. Não.
- , eu não sei... – Sentei de novo. Sabe, estou muito cansada ultimamente.
- Por favor, por favor, por favor! – Ela deu um super sorriso e toda aquela choradeira acabou totalmente.
- Isso é muito ridículo, ok? – Disse, séria. – E eu não quero fazer isso.
- Tá, é ridículo, mas... sim? – Ela se ajoelhou na minha frente.
- Poxa, eu acabei de falar que não quero fazer isso e você ainda persiste? – Perguntei.
- É. Vai, , se você me ama!
Minha amiga é muito chata e não presta. Morri.
- Como eu vou fazer isso? – É, isso foi meio que um sim.
- AH, obrigada, obrigada! – Ela gritou, pulando em cima de mim. – E, quanto ao que fazer, bom, eu vou conversar com ele, mas, de qualquer jeito, você podia ir falar com ele!
- Ah, claro, vou pedir o em namoro. Doente! – Eu a empurrei de cima de mim.
- Ah, ok, eu vejo como vou fazer. Mas... obrigada, mesmo, amiga. – Então, ela começou a pular e dançar feito louca.
Juro que eu tento entender essas pessoas, mas é meio difícil quando elas agem dessa maneira.

Capítulo 13: I’m not boyfriend, baby ♪

- A tá bem feliz hoje. – chegou com o lanche, sentando ao meu lado.
Oi, futuro namorado, estou bem, que bom que perguntou.
- É, bastante. – Olhei pra minha amiga, que abraçava algumas pessoas e tinha um sorriso enorme no rosto.
- E o ? – Perguntou, enquanto olhava em volta.
- Banheiro. – Apontei pra uma porta que ficava no fim do pátio.
- Ah, legal.
Demais. Uhu, não.
- A falou com você? – Ele perguntou.
- Ah, falou, sim. – Tentei parecer o mais feliz que pude, sério. Mas aquela história de namorar o cara que minha amiga gosta não é legal.
Ele sorriu. E que sorriso lindo.
Sabe, eu entendo por que a gostava dele. Ela tinha algumas razões pra sentir algo por ele, porque, apesar dos defeitos horríveis, no fundo, lá no fundo, eu sei que ele é um cara bom.
Mas pra achar esse fundo precisarei de uma pá e de muita força.
- E você vai? – perguntou.
- Aonde? – Boiei, oi.
- falou ou não com você? – Ele perguntou, erguendo a sobrancelha.
- Ah, sobre? – Perguntei mais confusa e ele começou a rir.
- Você está bem?
Olha a educação aí. Demorou, mas chegou. Enfim...
- Estou, mas... do que você tá falando, dude?
- Do parque aquático que a e o programaram pro fim de semana. – Ele riu mais. – Do que você tá falando?
- Pensei que a tinha falado sobre a gente. – Dei de ombros.
- Sobre a gente? O que sobre a gente? – E ele ainda ria. Muito legal isso. era uma idiota e não tinha falado nada pro .
- Sei lá, sobre a gente ter... algo?
- Vocês têm algo? – sentou na minha frente. – Não sabia.
- Não, a gente não tem algo. – Olhei pro . Por que ele tinha que aparecer agora?
- Têm sim! – chegou, sentando entre mim e .
- É? – perguntou, ainda rindo.
Cara, ele não cansa?
- Claro. Quer dizer, ainda não... mas devem ter, ok? – sorriu. – Minha opinião.
- E por que eles teriam que ter algo? – perguntou, sério.
- Porque a gosta do . – encarou e depois me olhou, sorrindo.
Do que ela tá falando?
- Gosta? – perguntou, sério.
- Eu... – Enquanto tentava sair dessa armação da , ela me cortou.
- E o gosta dela.
Espera. Para tudo.
A só podia estar se drogando, ou estava levando aquela história sério demais. Entendia que ela queria esquecer o , mas aquilo estava ficando ridículo, sério. Ela podia simplesmente inventar uma coisa menos séria do que criar sentimentos onde não tem.

Sinal. Aulas. Salvação?

**

- , ei, espera. – Gritei, correndo atrás do meu amiguinho do coração que praticamente corria pra sala.
Mas ele continuou andando.
Corri mais um pouco até chegar ao lado dele, mas ele nem me olhava. E, sabe, eu não me lembro de ter dado nenhum motivo pra ele agir assim. Eu acho.
- O que eu fiz? – Perguntei.
- Para, você não sabe? – Ele perguntou. Sarcástico.
- Não, eu não sei. – Respondi. Seca – Se soubesse, não estaria perguntando.
Da próxima vez? Menos ignorância, .
Ele continuou andando pelos corredores, entrou na sala, e quando viu que não teria escapatória já que eu sento do lado dele e com certeza eu iria encher o saco dele até a morte, ele resolveu me responder. Dessa vez, uma resposta bem melhor.
- Por que você não me disse que gostava do ? – Ele perguntou, sério. – Você sempre me diz que sou seu melhor amigo, que confia em mim, mas você nunca me conta nada. Eu sou sempre o último a saber e isso não é legal. Eu sempre te conto tudo sobre minha vida. Custa muito pra você fazer o mesmo por mim?
- Não é nada do que você está pensando. E pra você ver como eu confio muito em você... Vai lá em casa hoje. Umas 15:00h, pode ser? Eu vou te contar tudo o que está acontecendo. – Sorri.
- É bom que conte, mesmo. – Ele sentou com os braços cruzados, e eu ri.
Esses amigos ainda me matarão um dia.


Capítulo 14: Lies, lies, lies ♪


Pov’s.

- ? Posso ir embora com você? – chegou perto de mim e eu afirmei com a cabeça. – Então, o que achou sobre o e a ?
- O que eu achei? Ah, eu não sei... – Olhei pra ela. – Digo, isso é sério, mesmo? Pensei que, sei lá... fosse uma brincadeira, de novo.
- Não, claro que não. Dessa vez, é sério, ele gosta dela, mesmo! – Ela sorriu de canto.
- Mas... ela não gosta dele, gosta? – Perguntei confuso. teria me falado se sentisse algo por alguém, certo?
- Na verdade, não. – riu divertida.
- Então... por que você disse aquilo pra ele? – Se no começo de tudo eu já estava meio perdido, agora, então, nem se fala.
- Pra que desse alguma coisa certo, ué, os dois tem que se gostar pra namorar... – Ela olhava pros pés, enquanto falava.
- Mas por que eles teriam que namorar? Se ela não gosta dele... não tem motivo, tem?
- Eu quero ajudar o a conquistar ela, não preciso de outros motivos além desse. – Ela deu de ombros.
- Se você diz... – Sorri com a idéia maluca dela. - Mas e você?
- O que tem eu? – perguntou, apontando pra ela mesma.
- Você esta gostando de alguém? Sei lá... – Coloquei as mãos nos bolsos. Tava começando a esfriar.
- Sim, quer dizer... não, sim. – Ela riu, atrapalhada – É, estou, sim.
Olhei pra ela e ela estava... vermelha.
- Tudo bem, pode me contar. Quem é o sortudo? – Disse animado. Não que saber de alguma “fofoca’’ me deixasse assim. Era só o fato de ela estar com vergonha que me deixava curioso.
- Deixa pra lá, . – Ela disse, enquanto tentava se esquentar. Foi então que eu lembrei que tinha uma blusa de frio na mochila.
- Ei, espera. – Disse, já colocando minha bolsa no chão. Peguei a blusa e taquei nela. Ela sorriu, animada.
- Não precisa.
- Não? – Perguntei, colocando a mochila nas costas de novo.
- Tá, precisa. Obrigada. – Ajudei-a a colocar a blusa, e, então, fomos conversando sobre assuntos idiotas até a casa dela.
Enquanto eu estava com a , tinha me esquecido totalmente que iria ver a e entender toda aquela história de hoje. Mas agora que eu estava sozinho, parecia que o relógio estava parado nas 14:00 horas pra sempre.

**

- ! É pra você. – A mãe dela atendeu a porta e me deixou do lado de fora, enquanto gritava pela quinta vez pra descer pra falar comigo.
Será que ela não via que estava mais frio que o normal naquele dia?
- Oh, desculpe, querido, estou meio perdida com tanto trabalho que me esqueci dos bons modos. – Ela me puxou pra dentro pelo braço e depois fechou a porta. – Aceita um chá? Café? Chocolate quente?
- Não, obrigado. – Sorri, enquanto me direcionava pro sofá que ficava bem perto da entrada, e, quando eu ia me sentar, ouvi alguns barulhos e, então, vi a na ponta da escada, de pijama.
- Hey, desculpa, eu estava... dormindo. – Ela deu um riso sem graça e gritou: – MÃE, FAZ CHOCOLATE QUENTE PRA GENTE?
- Claro, querida, já levo pra vocês. – A mãe dela gritou de algum lugar da casa.
- Então, a gente vai ficar... – Ia perguntando quando ela me cortou.
- No meu quarto, é melhor. – Ela subiu correndo, e eu fui atrás dela.

**

- Você é bem educada na sua casa. – Disse, rindo, enquanto tomávamos o chocolate que a mãe dela trouxe pra gente.
Aquele era, sem dúvidas, o melhor que eu já provei.
- É, às vezes eu esqueço que nem todo mundo é igual a . – Rimos juntos.
- Ela é bem... – Tentei achar a palavra certa.
- Bem à vontade? – Ela riu mais.
- É, podemos chamar assim também. – Sorri. – Então, pode começar com toda a história.
- Ah, é! – Ela coçou a cabeça. – Na verdade, nem tem tanto suspense assim.
Balancei a cabeça pra ela continuar.
- Bom, isso pode parecer bem estranho. – ela suspirou. – Mas a gosta do .
- Gosta? – Falei um pouco mais alto do que o normal. Mas isso era sério? A estava juntando eles, mas por que ela faria isso se gostasse dele?
- É, ela me contou. E, então, pediu pra eu “namorar” o outra vez, assim ela o esquecia mais rápido. – Ela deu de ombros.
- Mas, , ela vai sofrer se você ficar com o ! – Disse, sério.
- Foi o que eu pensei, mas ela insistiu tanto; eu fiquei confusa. Mas, agora, ela começou a inventar as coisas. De que EU gosto dele, e ELE de mim. – Ela bebeu todo o resto do chocolate.
- Mas... sobre o gostar de você, é verdade. – Falei, mesmo. Ela tinha que saber, né?
- Claro que não, , ela inventou aquela história que você ouviu. – Ela riu de mim.
- Mas eu falei com ela enquanto a gente tava indo pra casa, e ela disse que ele gosta de você, e que só esta fazendo isso pra vocês ficarem juntos. – Tava me sentindo O fofoqueiro.
- EU NÃO ACREDITO. – Ela bateu na cama – Ele gosta de mim; ela gosta dele.
- Será mesmo que gosta? – Perguntei.
- Lógico! Eu vi a cara dela, ela até chorou. Ela gosta mesmo dele. – Então, ela se levantou em um pulo. – Minha amiga deve estar péssima!
- Mas, , e se ela não gostar dele? – Tentei convencê-la. e eram uma coisa estranha de se imaginar.
- Claro que gosta, ! – Ela disse, séria. – Ela não mentiria pra mim.
Então, eu me lembrei da nossa conversa mais cedo. Ela gostava de alguém; ela estava com vergonha. Lógico que estava, gostava de um menino que gostava da sua amiga e estava os ajudando a ficar juntos, era confuso, mas isso era a cara da .
- Acho que você tem razão. – Respirei fundo – E agora? O que você vai fazer?
Ela olhou pra mim e depois fechou o olho. Ficou parada alguns segundos e depois um sorriso apareceu no seu rosto.
- Por que VOCÊ não me namora, ?
- Nunca imaginei que uma menina me pedisse em namoro. – Ri do que ela disse, da cara que ela fez e da história inteira.
- ! – cruzou os braços e olhou, me reprovando.
- Que é? Isso é sério? – Perguntei com medo do feedback que ia receber.
- É. – Ela bufou. – Só se você tiver outra idéia.
- Tá, tudo bem. – Respirei fundo – Meu neném!
- , bem menos. – Ela gargalhou, e eu taquei um ursinho nela.
- Sempre quis chamar uma namorada assim! – Dei de ombros, e, então, ela riu mais. Passamos a tarde inteira zoando um ao outro com apelidos idiotas e imaginando como seria amanhã na escola. Com certeza seria engraçado enganar as pessoas. Espero.


Capítulo 15: Cometendo erros e mais erros ♪

Era um lindo dia. Tava frio, o céu estava escuro, meu despertador estava gritando mais do que o normal (sim, ele grita, dude) e minha cabeça estava começando a doer. Mas não deixava de ser um lindo dia, porque as minhas intenções hoje eram as melhores. Iria fazer uma boa ação e ia fazer o ficar com a , eu acho.
O combinado era me buscar logo de manhã na minha casa. Ele estava realmente levando aquele assunto a sério, e é por isso que ele é meu amigo.
Aposto que fingir que estava namorando-o seria mais convincente do que com o .
Ouvi a campainha tocar e corri com a minha bolsa pra sala.
- Hey, amor da minha vida. – Disse, abraçando-o. Ele me deu um copo da Starbucks.
- Capuccino. – Ele deu de ombros, apontando pro copo.
- Isso é ainda melhor do que eu imaginei. – Ri, e, então, saímos andando à caminho da escola.

**

Pude ouvir cochichos, enquanto andava de mãos dadas com o .
- União dos Inteligentes. – Uma menina disse, olhando pra gente.
- Uma coisa que você nunca vai saber o que é. – respondeu, sorrindo.
Então, lá estavam eles. e , um ao lado do outro, conversando no pátio.
Eles deveriam ficar assim sempre. Sabe, juntos! Ainda acho.
Estava indo na direção deles, quando o me puxou pro outro lado.
- Deixe-os sozinhos, é melhor.
Fomos pra sala, tirei o Pingo da minha bolsa e coloquei do lado dele.
Sabe, ultimamente, com essas coisas acontecendo, eu fiquei meio do mal com o meu ursinho, mas, desde quando ele voltou da máquina de lavar, eu percebi que ele está diferente, não sei o que é, mas ele não é igual a antes.
Antes ele era animado, me ouvia sempre e costumava ser uma boa companhia!
- A culpa não é minha se você mudou, não me olhe assim. – Briguei com o Pingo, e riu de mim. – E, você, não ria, é sério.
- Você é louca. – Ele virou pro professor.
Até pensei em dar uma bronca nele por ele rir de mim, seria nossa primeira DR e isso era lindo. Tá, parei. Mas alguém estava batendo na porta, não seria um bom momento.
- Oi, posso falar com a ? – Era a .
Esperei a permissão do professor e, então, fui correndo pra fora da sala.

**

- O que ela queria? – perguntou, enquanto estávamos sentados em uma mesa na hora do intervalo.
- Disse que soube que a gente tava namorando. – Dei de ombros.
- Só isso? – Ele perguntou, derrubando um pouco de suco pelo queixo.
Pelo queixo? É, mais ou menos isso. Era quase uma babada, mas não era nojento, era engraçado. Mas eu não podia rir, meus lábios eram sagrados demais pra isso. Tá, nada a ver, enfim.
- Não, ela ficou meio brava porque eu tinha combinado de namorar o e não fiz isso. Mas, sabe, eu não podia fazer isso com ela, seria cruel. – Ia falando rápido, enquanto o me olhava meio estranho. O que ele queria, afinal? – E ela também não pode fazer isso com ela mesma! Onde já se viu? Pedir pra eu namorar o menino que ela gosta? QUE ELA GOSTA?
Repeti as últimas palavras mais altas que o normal, e os olhos do praticamente saiam dos buracos que ficavam. Ele esta passando bem?
- Mas, tudo bem. Agora, estamos juntos, felizes e contentes, e eles vão fazer o mesmo, certo? – Perguntei, e ele ainda me encarava, tenso. – Certo?
- ... – A cara dele simplesmente não mudava, e, então, resolvi continuar.
- Aposto como você concorda comigo! Mas é fato que se eu fizesse o que ela pedisse, seria o cúmulo da... da... sei lá do quê, mas seria o cumulo! – Falei, indignada. – Mas não é motivo pra ela ficar brava comigo. Ela gosta dele, e sei que vai conquistá-lo!
praticamente pulou pela mesa e tampou minha boca com a mão. Olhou pra trás de mim e, aos poucos, foi voltando pro lugar dele. Olhei pra trás, procurando algum sentido de tudo aquilo, e vi , um tanto quanto perto da gente. Mas ele estava indo pro caminho oposto, por que o tinha que fazer isso?
- Ele estava aqui. – Ele disse, sério. Então a ficha caiu. não estava sentindo nada, ele estava tentando me dar um sinal. Mas que sinal era aquele também? Sinal pra pessoas com problemas de dor de barriga ou sei lá? Os olhos dele pareciam mais uma bomba do que um sinal.
- , sério. Depois, conversaremos sobre como avisar pra uma pessoa calar a boca. – Disse, já levantando. – Você podia ter gritado, seria mais fácil.
Saí correndo atrás do . Afinal, quanto daquela conversa ele tinha ouvido?

**

- , espera! – Eu o chamei pela primeira vez e ele parou, .
- Eu! – Disse, sorrindo, e eu fiquei em dúvida se ele tinha ouvido algo mesmo ou se era ilusão do .
- Você... por que você não foi falar com a gente? – Perguntei, tentando achar algo que não desse na cara do que queria realmente saber. Seria tenso eu chegar falando: “Tudo o que você ouviu? Era uma mentira. Eu sabia que você estava lá e queria te enganar”, e, no fim, ele nem tivesse prestado atenção em nada.
- Eu fui. – Ele riu. – Mas vocês estavam ocupados conversando.
- E por que não se juntou com a gente? – Tava quase o atacando e fazendo-o me falar tudo o que tinha feito hoje de manhã, mas eu não era tão forte; seria mais fácil uma aranha atacá-lo e fazê-lo responder algo.
- Só você falava. – disse, agora sério. É, talvez não fosse uma ilusão.
- E você ouviu? – Perguntei, séria também.
- Não sei se ouvi tudo, mas ouvi. – Ele deu de ombros, e eu congelei por dentro.
- Ouviu quanto? – Ele continuava sério, olhando nos meus olhos.
- O suficiente. – Eu estava feito uma pedra. Desde sempre, o me intimidava, mas, hoje, cara, aquilo tava virando uma super intimação.
- Suficiente pra quê? – Perguntei, confusa.
- Para tirar uma satisfação com a . – Ele disse, e saiu andando rápido.
Quando eu finalmente entendi o que estava acontecendo, pulei pra alcançá-lo.
- Você não vai magoá-la, vai? – Eu perguntei, enquanto ele andava cada vez mais rápido.
- Não, não vou. – Ele disse, sério, e logo a frente vi parada, falando com algumas pessoas.
- Vai brigar? Xingar? – Tentei adivinhar o que ele faria. Não queria que ele fizesse nada de ruim pra ela.
Ele deu um risinho e correu na direção dela. Parei subitamente quando vi o quão perto ele estava da . Pude ouvir seu gritinho de susto e, então, uma coisa que nunca imaginaria que ele fizesse no momento: ele a beijou, e foi nessa hora que meu coração deu um giro de 360º graus.

Capítulo 16: E é pra isso que servem os amigos ♪

- , , ! – Gritei, correndo na direção dele. – Você não sabe o que aconteceu!
- Não, mesmo. – Ele riu. Provavelmente da minha cara: uma mistura de alegria, cansaço, surpresa e quem sabe mais o que eu parecia naquele momento.
- O , ! Ele beijou a ! – Eu praticamente gritava de emoção. Que é, dude? Era lindo saber que minha amiga ia ser feliz e todas aquelas coisas bonitas do coração que eu nunca liguei.
- Nossa. – Ele fez uma cara estranha, totalmente diferente da que ele estava antes. Uma cara triste? Era isso? Ele estava triste depois de TUDO que eu lutei?
Tá, eu não lutei; com certeza, perderia qualquer tipo de luta com alguém e eu também não tinha feito grande coisa, afinal, ele ouviu tudo sem querer, mas se eu não tivesse falado tudo aquilo, ele não teria tomado vergonha na cara e a não estaria se sentindo muito bem agora. No mínimo eu sou o máximo.
- Você é sem graça. – Empurrei o ombro dele e andei na direção do povo que estava indo pra sala de aula.
Ou talvez ele não fosse sem graça.
Virei pra trás e ele ainda estava parado no mesmo lugar, ele estava triste, olhando na minha direção. E, dessa vez, eu não precisava de nenhum sinal pra imaginar o que estava acontecendo.
- ... – Disse, baixinho, e corri na direção dele. Eu o abracei o mais forte que pude.
- Vamos pra sala. – Ele disse, colocando o braço em volta do meu ombro e caminhamos em silêncio.
Se tudo o que eu estava pensando fosse verdade, talvez eu não fosse uma boa lutadora.

**

Coloquei toda a pipoca em uma bacia, enquanto os chocolates esquentavam e a campainha tocou. Corri pra sala na velocidade da luz e abri a porta.
- Ei. – acenou com o mesmo desânimo que estava na escola e eu dei outro abraço nele.
- Eu fiz pipoca! – Disse, tentando animá-lo, enquanto o levava pra cozinha. – E chocolate quente.
- Parece bom. – Ele abriu um meio sorriso, e tudo aquilo estava começando a me deixar pra baixo também.
Peguei tudo e fomos pro meu quarto. Adorava meu quarto e sempre que uma ‘visita’ ia à minha casa, eu a levava pra lá, sabe, em minha opinião é um jeito da pessoa se sentir mais acomodada.
- Pode contar, . – Sorri, sentando igual a índio na minha cama, e ele sentou do meu lado. – Eu sei o que está acontecendo, mas quero ouvir da sua boca.
Ele me olhou estranho e riu.
- Não entendi. – Deu de ombros e encheu a boca de pipoca.
- Quando eu disse da e do , você ficou triste, por quê? – Eu o incentivei a falar tudo de uma vez.
- Porque gosto dela. – Ele disse, sério.
E era exatamente o que eu achava, rá! Sou expert em todos os assuntos!
- E por que não me disse antes, ? Cara, eu podia ter te ajudado com isso. Ao invés de fazê-la conquistar o , faria você conquistá-la. Poxa, cara, você não pensa? – Disse, dando bronca nele.
- Ué, porque eu não queria que ninguém soubesse. Não queria tentar nada também. – Ele disse, dando de ombros.
Que tipo de homem não quer tentar ficar com uma menina que gosta?
- Por quê? – Perguntei incrédula.
- Porque nunca daríamos certo. – Ele disse, e eu tive vontade de pegar a cabeça dele e tacar na parede.
Que tipo de homem desiste porque acha que não daria certo?
- Por que não?
- Porque eu sou muito... certo. Ela é toda doida, conhece todo mundo, só pensa em festa, bagunça, matar aula. Ela nunca olharia pra um menino que é contra tudo isso. Nunca o namoraria. – disse, e minha vontade de fazer algo com a cabeça dele era maior, agora.
- Mas ela te pegaria fácil. – Eu ri, e ele me olhou feio. Esqueci que era uma hora de drama. – Desculpa, mas até eu pegaria.
O que eu tava falando, mesmo?
- Tá, não era isso que eu queria falar. – Senti minhas bochechas queimando, enquanto ele ria de mim. – Sabe, você é bem legalzinho, mas... já calei minha boca.
- Legalzinho? – Ele perguntou, indignado.
- Legal? – Perguntei, sem graça.
- Legal? Poxa, , não tinha como me deixar pior, não? – Ele perguntou, tacando pipoca em mim.
- Na verdade, tinha, mas não queria fazer você chorar feito uma garota. – Ri da cara que ele fez, e acrescentei, antes que ele me matasse: – Brincadeira, !
- Brincadeira sem graça. – Ele disse, sério, e sentou mais perto de mim.
- Na verdade, eu até ri bastante. – Falei, provocando-o, mas ele já não ria mais. Na verdade, ele se aproximava de mim cada vez mais, olhando nos meus olhos. – ?
Ele colocou a bacia de pipoca pro lado e ficou de frente pra mim. Perto o bastante pra eu sentir um pouco de nervosismo.
- Então, eu sou legal, não é? – Ele disse baixo no meu ouvido, enquanto uma mão segurava minha nuca e a outra minha cintura.
- Para de ser besta, – Disse, tentando me afastar, mas de nada adiantou. Ele me puxou pra mais perto e olhou nos meus olhos outra vez.
- ? – Tentei empurrá-lo novamente, porém: nada. Cara, ele era forte e tava me assustando.
Senti a respiração dele se misturando com a minha e estava prestes a gritar, quando ele me soltou e começou a rir.
- Você tinha que ver a sua cara! – Ele disse e deu uma super gargalhada.
- SEM GRAÇA! – Gritei e bati no ombro dele enquanto, ele deitava na cama de tanto rir. – BESTA, BESTA, BESTA! VOCÊ ME ASSUSTOU.
Batia na barriga dele, enquanto ele ria de mim. Sentei no canto da cama e emburrei. Poxa, ele sabia que eu tinha medo disso e ainda vinha com brincadeiras do mal?
- ? – Ele imitava minha cara de pânico e voltava a rir; não agüentei e ri junto.
Eu estava mesmo achando que meu melhor amigo ia me beijar?
- Isso foi bem mau da sua parte. – Disse e peguei o balde de pipoca.
- Quem é o legal? – Ele perguntou, se sentando novamente, enquanto parava de rir aos poucos.
- Tudo bem, você é legal, lindo, sensual, inteligente e tudo de bom. Assim tá bom? – Perguntei e ele fez que sim com a cabeça. – Mas, no fundo, é bem idiota!
- Idiota? Idiota não! – Ele pegou a bacia da minha mão e encheu a boca de pipoca.
- Claro que é! Você podia seduzir a , não eu. – Dei de ombros e tomei o resto do meu chocolate quente.
- Já disse o que eu acho sobre eu e ela. – Ele falou.
- Mas eu ainda não disse. – Minha opinião conta muito, ok? – Eu acho que isso não tem nada a ver. Afinal, quem foi que disse que os opostos se atraem?
- Eu que não. – disse.
- Todo mundo fala, besta! – Peguei a bacia de volta. – E se eles se atraem mesmo, você vai fazer a te querer.
- E como? – Ele perguntou.
- Como eu ainda não sei... Mas sei onde! – Sorri, já tendo algumas idéias.
- Onde? – Ele perguntou, feliz.
- No parque aquático!
, eu não tinha nem noção de como fazer a gostar dele, ainda mais agora que o tinha a beijado e eu estava supostamente namorando o , mas algo dizia que ia acontecer alguma coisa interessante naquele fim de semana.

Capítulo 17: Apenas diga não ♪

Era sexta–feira e amanhã tudo iria mudar. Eu esperava, pelo menos!
Nessa semana, eu descobri que o gosta de mim, que a gosta do e o gosta da . Era engraçado ver o ‘trenzinho’ que tinha formado e era tenso saber que eu não gostava de ninguém, mas era muito bom. Gostar dá muito trabalho.
Sabe, uma vez eu gostei de um menino quando eu tava na 3ª série e era muito chato. Por quê? Bom, ele era uma peste na sala de aula, vivia fazendo gracinhas e, uma vez, colocou chiclete no meu cabelo. Eu inventei de dizer que queria namorá-lo pra minha suposta colega de sala e ela espalhou pra todo mundo. Ganhei meses de zoação, mas tudo bem. Quem é que lembra o nome dele agora? Eu que não.
Tá, ele se chamava Joe, eu lembro. Mas eu me esqueci dele completamente, tanto é que nem lembro mais onde fica a casa dele. Ok, eu lembro até hoje o caminho... mas isso é porque ele ainda estuda na minha escola e mora perto da minha casa. Mas, se querem saber, ele está bem feio agora. Não, ele não está feio, está mais lindo que o normal, mas quem liga?
Bom, eu não ligo. Isso porque eu não tenho o telefone dele... tá, parei.
- Filha, a está te esperando na porta. – Mamãe colocou a cabeça pra dentro do meu quarto.
Minha mãe era legal, sabe? Ela era meio besta e feliz, assim como a , mas o meu pai a estragava! Ele era sério, me forçava a ser a melhor sempre, e eles viviam brigando. A maioria das vezes era o motivo de eu estar saindo demais, estudando de menos, falando com más influencias ou o caramba a quatro.
- Terra chamando. – Ela disse, e eu sorri.
- Obrigada, mãe. – Saí correndo pelas escadas e encontrei a deitada no sofá, olhando o teto.
- Bom dia, ! – Cumprimentei, enquanto ajeitava algumas coisas na minha bolsa. – Tudo bem?
- O me beijou ontem. – Ela sentou, do nada, me olhando.
- E isso é bom, certo? – Disse, sorrindo. – Você gosta dele.
- É, é bom! Mas, por que ele fez isso, afinal? – Ela perguntou, e eu balancei os ombros.
- Não sei, por que não pergunta pra ele?
- Eu perguntei, e ele disse que sabia que eu gostava dele. – Ela disse, me encarando, como se eu tivesse contado pra ele. ‘Peraí, eu meio que contei... enfim.
- Eu não disse nada. – Coloquei a bolsa nas costas. – Não pra ele. Eu estava conversando com o sobre o absurdo que era você me pedir pra namorar o e que você gostava dele, entãon ele ouviu.
- E ele me beijou só por isso? – Ela perguntou, indignada.
- Vai vern ele quer uma chance pra que fique tudo bem. – Sentei ao lado dela. – Você não parece estar feliz com isso.
- Mas eu estou, sério! – Ela abriu um sorriso enorme.
- Não me convenceu. – Fiz bico e ela riu.
- EU ESTOU MUITO, MUITO FELIZ POR TER FICADO COM ELE! – Ela gritou pra me convencer e, então, ouvimos uma tosse baixinha.
Olhei pra trás e lá estava meu amigo-namorado-, que olhava pra gente meio sem graça.
- A porta tava aberta, e sua mãe me falou da última vez que eu vim aqui, que eu podia entrar direto. – Ele deu um meio sorriso.
- Tudo bem. – Beijei a bochecha dele. – Vamos, ?
Ela levantou e eu lembrei que o gostava dela e que eu precisava fazê-la ficar menos empolgada com , e não gritar que estava feliz.

**

- SAI, PHIL! – Eu gritava e ria, enquanto meu primo tentava me levar pro canto da escola. Aquele canto de pessoas doidas que fumam, bebem, e fazem mais mil coisas feias.
- Já disse pra você ficar social. – Ele disse, com aquele jeito gay. – E mesmo eu viajando, você não aproveitou pra me fazer uma surpresa, poxa!
- Já disse que gosto do jeito que eu sou. – Disse, cruzando os braços. – Tenho até um namorado, agora!
- Um namorado? Fiquei sabendo que vocês nunca se beijaram na escola. – Ele disse, rindo. – Não parece um namoro legal.
- Eu tenho vergonha de ficar na frente das pessoas... mas como você soube disso? – Perguntei, confusa.
- Todo mundo fala disso, se eu fosse você, eu pegava ele de jeito. – Phil disse, colocando a mão na cintura e fazendo uma careta totalmente... gay!
- Sai pra lá, primo. – Eu o empurrei de leve e tentei voltar pra perto do , mas ele me puxou de volta.
- Não, não. – Ele balançou a cabeça. – Hoje é a minha volta e você vai sair comigo da escola.
- Seu pai vai vir te buscar? – Disse, sorrindo. - Cara, a gente podia passear pela cidade igual nos velhos tempos.
Ele me olhou com a boca torta e começou a gargalhar.
- Não, prima, a gente vai fugir! – Ele disse, ainda rindo.
- Isso é sério? – Perguntei. – Você vai fugir da escola?
- Nós vamos! – apareceu do nada. – Eu, você... todos nós.
- Claro que não, gente! – Eu estava começando a ficar assustada. Parecia o dia que eu tinha roubado as provas.
- , por mim... eu sinto sua falta e vamos sair pra comemorar. – Ele disse, fazendo cara de cachorro abandonado. – Quero muito que você vá! E ninguém vai se ferrar nessa... eu prometo!
- Ninguém vai se ferrar? – Eu estava quase gritando de medo, dude. – Igual à última vez?
- , ninguém vai deixar que VOCÊ se ferre. – apareceu ao lado da . – E quanto a gente... ninguém liga!
concordou e todo mundo me olhou na mesma hora.
- Por favor! – Phil disse, e eu neguei com a cabeça. Tentei sair correndo, mas ele me segurou de novo.
- Não, vocês não vão me convencer igual à última vez! – Disse, brava, enquanto olhava pro meu primo e sua cara de dó.
- Prima, é o último favor que eu peço. Quero que você tenha aventuras na sua vida! E, cara, isso não vai dar em morte, nem em cadeia ou nada do tipo. – Ele disse, olhando pra mim. – Eu prometo!
- Tudo bem. – Eu disse, bufando. – Mas só se o quiser ir junto.
Nunca que ele ia querer, me dei bem nessa.
- Mas, , você sabe que ele não faz esse tipo de coisa. – disse, brava.
- Tentarei, e só irei se ele for! – Disse, por fim, e saí andando na direção do , que estava sentado em uma das mesas, sozinho.
Eu só iria falar a idéia pra ele uma vez, e, com certeza, a resposta seria a que eu queria ouvir.

**

tinha parado pra pensar por alguns minutos e eu já estava ficando nervosa. Por que ele estava demorando tanto pra dizer um não?
- Sabe... tudo bem! – Ele colocou o fim naquele silêncio, mas eu nunca quis tanto que ele ficasse quieto na minha vida.
- Tudo bem? Como assim “tudo bem”? E se pegarem a gente? – Perguntei, quase agarrando o pescoço dele e torcendo–o inteiro.
- Ué, você me perguntou se eu iria com você e eu disse que sim! – Ele riu. – Vai ser bom, eu nunca fiz isso antes, e lembra? Tenho que conquistar a .
Agora ele queria ser o “mala” do pedaço pra conquistar minha amiga? Pelo amor de Deus!
- Você tem que conquistá-la do jeito que VOCÊ é! – Disse, cruzando os braços. – E você não é assim.
- Mas eu vou fazer uma “loucura”, assim como ela. – Ele deu de ombros e se levantou da mesa. – E vou ver o que tem de divertido em não respeitar as regras. Ele saiu andando rápido na direção do povo da lateral e eu corri atrás dele.
- , quebrar as regras não é divertido! – Disse, tentando pará-lo, mas não consegui. Ele estava andando mais rápido ainda.
- É o que eu vou descobrir hoje. – Ele disse. Estávamos bem perto, e todo mundo estava olhando pra gente.
- Regras existem para serem seguidas, ! – Falei, brava.
- Não, , dizem que regras existem para serem quebradas. – Ele chegou perto do grupo de pessoas, e disse com um sorriso no rosto: – Nós vamos!
Todo mundo soltou um tipo de grito em comemoração e, no meio disso, a abraçou o , que deu uma piscada pra mim.
Talvez ele tenha razão.

Capítulo 18: Fico pensando no que vem em seguida ♪

O sinal tinha tocado fazia mais ou menos uma hora; era um dos dias que a gente tinha que ficar o dia todo na escola, por causa do laboratório e todas as coisas legais, então, um pouco antes do “segundo intervalo” acabar, nós passamos pra pegar nossas bolsas escondidos. Menos , ele foi atrás de um professor pra avisar que estava doente, sabia que ele não agüentaria fugir sem dar uma justificativa pelo sumiço e eu deveria fazer o mesmo, mas ele já tinha tido a melhor idéia.
Por que não pensei nisso antes?
Estávamos separados em grupos; tínhamos que esperar um tempo depois do intervalo pra fuga dar certo. Alguns amigos de Phil estavam no banheiro, outros, na lateral da escola, como sempre, enquanto eu, , , e Phil estávamos em um canto perto da sala de teatro. O combinado era o primeiro grupo sair e depois nós. Eu estava com muito medo, mas não queria mostrar isso. Olhei pra o e ele parecia confiante.
O lugar pra sair da escola era uma espécie de buraco em uma grade que tinha em um canto escondido. Um buraco feito pelos alunos mesmo, pra poder sair da escola e, então, depois: pular o muro!
Essa eu queria ver.
Olhei pelo meio do corredor, enquanto o “primeiro grupo” ia em direção da saída. Senti medo por eles, mas eles pareciam ratinhos de tão rápidos e, assim que estavam chegando perto daquele buraco escondido, eu ouvi um apito muito alto. Phil soltou um riso abafado e, então, a inspetora pegou os três moleques que tentavam passar, enquanto eles sorriam um para o outro.
Admirava-me em ver que as pessoas ficam felizes por isso.
Assim que ela saiu com os meninos a caminho da diretoria, vi se levantando atrás de mim e saindo correndo, puxando com ela. Na hora, e Phil me puxaram junto, e eu só via o buraco ficando mais e mais perto.
Meu coração tava saindo pela boca e, agora, uma coisa fazia sentido: o primeiro grupo era pego pra distrair a inspetora, não porque não tinham “sorte”. Sorri em saber que ninguém encontraria a gente quando ouvi uma voz.
- Muito bonito! – Era uma voz grossa, provavelmente de um professor. Eu já tinha passado pelo buraco, mas congelei. Phil ainda estava do lado de dentro e me empurrou pra um canto, me pedindo silêncio.
Ele estava na minha frente, mas o professor, com certeza, conseguia ver ele e o resto da galera. Já eu, não conseguia ver mais nada do que estava acontecendo, mas podia ouvir claramente.
- Pra diretoria comigo, agora! – Ele esbravejou e meu coração estava quase saindo do meu corpo. Inclinei um pouco a cabeça e vi Phil se levantando, entrando de volta e depois ouvi alguns passos. olhou pra mim, deu uma piscadinha e entrou também. foi o último e estava branco feito papel higiênico.
Apesar de quê, existe papel higiênico roxo. Enfim...
E o que eu faria? Entraria ou esperaria ali até que a morte chegasse?
Ouvi mais alguns passos se distanciando e me deu vontade de chorar. Sério, dude, eu estava preocupada com eles, o que aconteceria? Suspensão? Expulsão? De repente, eu não ouvia mais nada, olhei pra dentro da escola com cuidado e o “terceiro grupo” não tinha nem dado sinal de vida.
Ouvi passos correndo e um pingo de felicidade apareceu no meu rosto, então, o terceiro grupo passou por mim rindo e me chamou pra ir junto com eles. Claro que não iria, eu ia pra minha sala e não sairia de lá nunca mais.
Só faltava coragem pra me mexer. Eu os observei pularem o muro com uma facilidade incrível e fiquei feliz por eles.
Pelo menos alguém tinha se dado bem nessa.
E, assim que coloquei meu pé pra dentro do buraco, ouvi passos vindo na minha direção. Prendi a respiração e voltei pro lugar onde estava antes, quando um apareceu do meu lado rindo e me puxou pra direção do enorme muro da escola.
- Cadê o resto? – Perguntei, enquanto tremia inteira. Ele soltou um riso e apontou pro buraco de novo.
Uma vinha saltitando, enquanto Phil e corriam pra perto da gente.
colocou a mão, eu coloquei o pé em cima e com um impulso meu mais um empurrão dele, eu já estava em cima do muro. Fiquei com medo por um momento, um grande momento, até que o me deu uma bronca e eu pulei. Meu pé quase virou e doeu bastante, mas, tudo bem, eu tinha saído da escola, e graças ao : sem ninguém me ver. Vi mais quatro pessoas aparecendo do meu lado e, então, saímos correndo, enquanto a gritava animada. Foi uma saída e tanto, mas como eles tinham conseguido fugir?

**

- A gente fugiu de novo. – disse, rindo. – Assim que ele virou o corredor todo bravinho, nós demos uma volta e tanto.
- Nunca corri tanto na minha vida! – acrescentou, fazendo uma cara de dor.
- Tudo idéia do . – Phil falou, fino. – Ele sabe cada centímetro daquela escola, isso porque ele é novo lá. Muitas aulas cabuladas é igual a tour pela escola.
- O professor tentou correr atrás da gente, mas não deu certo. – disse, rindo. – Mas, amanhã, conheço pessoas que vão se ferrar.
- Wow, é mesmo, ele viu vocês! – Disse, com medo por eles.
- Mas foda–se. – Phil disse.
- é corajoso. – disse, sorrindo. – Nem parecia o que a gente conhece!
- Só eu que escapei bem dessa, que injusto. – Fiz um bico, e todo mundo sorriu.
- Eu disse que você não se ferraria. – deu uma piscada, e o “terceiro grupo” se juntou com a gente. Eram Mike, Billie, Masy e Josh
- E, AGORA, PODEMOS COMEMORAR! – Masy gritou, levantando um braço, enquanto Billie chamava o garçom.
Todos pediram algo pra beber, tudo álcool, mas eu pedi um refrigerante, sabe... tudo bem fugir da escola uma vez, mas álcool era demais pra minha mente. Não pra mente de , hoje, pra ele, estava valendo tudo.
Depois de uma hora de risadas e gritaria, a maioria deles estavam bêbados e era hilário. Phil e Mike, os dois gays da história então, eram mais engraçados ainda!
- E o seu namorado, hein, gatinha? – Meu primo chegou falando no meu ouvido.
- No banheiro. – Disse, e ele voltou pra dançar com a galera.
Tinha esquecido esse detalhe e de que e estavam ficando.
- Não quer experimentar? – apareceu, do nada, com um copo na mão. – Até que é bom.
- Não, obrigada. – Sorri, e ele riu.
- É água, . – Disse, dando uma piscada.
- Nada de álcool, hoje ? – Perguntei, rindo, e ele negou com a cabeça.
- Álcool já é demais! – Ele se sentou do meu lado.
- Vai dançar? – Perguntei, apontando pra onde dançava com o povo.
- Vou tentar. – Ele disse feliz e colocou o copo na mesa. – Vou tentar até conseguir.
Fiquei o vendo chegar perto da , e ela dançando com ele. Era bonito vê-los juntos. Mas onde estava o ?
Levantei e fui procurá-lo pelo bar. Ele estava sentado em um tipo de palco e olhava pras pessoas dançando. Sentei do seu lado.
- Ela é bem legal. – Ele disse, sorrindo, porém sem olhar pra mim. – Minha melhor amiga.
- Minha também. – Olhei pra ela, que dançava animada e era assim sempre. O mesmo sorriso contagiante independente da situação.
- também é bem legal. – Ele falou, ainda olhando pra frente. – Só não é meu melhor amigo.
- Mas é o meu melhor amigo. – Ri.
- E namorado também. – Ele acrescentou, e eu balancei a cabeça positivamente. - Mas você não gosta dele. – disse e me encarou.
- Claro que gosto. – Sorri, sem graça, e ele soltou um riso debochado.
- Se é o que você diz...
- Ele gosta da me olhou e olhou pros dois dançando.
- Então, por que você tá com ele? – Perguntou, incrédulo.
- Por que você tá com a ? – Sorri, e ele soltou uma gargalhada.
- Esperta. – Ele falou, com uma cara pensativa. – E se eu a deixasse ‘livre’ pro ?
- Seria uma boa. – Disse, sincera, e ele riu de novo.
- E se ela se magoar? – Ele perguntou, preocupado.
- Eu vou estar do lado dela . – Disse, suspirando.
- Não quero vê-la triste. – Ele disse, me olhando.
- Não vai ficar, é bem legal. – Sorri, e ele continuou me olhando.
- Você também é legal.
- Obrigada, . – Olhei pra baixo e depois pra ele.
- Mas acho melhor você parar de fingir que tem algo com o . – Ele disse, sorrindo. – Vai ficar mais fácil pra se interessar nele.
- Eu tenho algo com o . – Disse, brava.
- Assim como tinha comigo? – Ele perguntou, rindo.
- É, , assim como eu tinha com você.
Ele levantou e foi na direção da sorrindo, fiquei observando se afastar, enquanto ele chegava, e ri disso. Então, eu iria ajudar meu melhor amigo a conquistar minha melhor amiga, e amanhã teria o parque aquático. solteira, solteiro e uma cupido.

Capítulo 19: Mentiras, mentiras, mentiras ♪

Sábado de sol. Não tanto sol, mas estava bom pra um dia no parque aquático.
E era exatamente esse o planejado.
Já estava pronta, com o biquíni por baixo e tudo mais, só faltava a chegar para irmos juntas para a casa do .
A campainha tocou e eu corri a atender feliz, jurando ser minha amiga, mas assim que abro a porta, um aparece.
- Wow. – Foi a única coisa que consegui dizer. Por dois motivos: primeiro era porque eu não esperava por ele. Segundo porque ele estava muito mais lindo do que o normal.
- Obrigado, eu acho. – riu.
- E a ? – Perguntei, olhando em volta pra ver se ela não estava escondida.
- Disse pra eu vir aqui que logo mais ela chega. – Ele sorriu, e minha mãe apareceu atrás de mim.
- Não vai convidá-lo para entrar? – Ela perguntou, com um sorriso safado e ficou meio sem graça.
- Claro, entra. – Saí andando e empurrando minha mãe pra cozinha.
Sorte que meu pai quase nunca fica em casa.
- Nossa, o que são essas bolinhas pretas? – perguntou, rindo, enquanto apontava para algumas fotos perto da entrada.
- Sou eu. – Continuei, irônica. – Eu sou tão linda que minha mãe acha melhor me cobrir, para que ninguém babe no chão quando entrar na minha casa.
- Linda, mesmo. – Ele disse baixo, olhando pra uma foto de quando eu era pequena. A única que não tinha risco em cima, e, dessa vez, eu que fiquei sem graça.
O celular dele começou a tocar e ele correu atender, era impressão minha ou tava tocando ‘The lions sleep tonight’? Depois de uma conversa super estranha, ele desligou o telefone.
- A tá no . – Ele disse. – Falou pra gente ir pra lá.
- Nossa, ela não ia vir aqui? – Perguntei, e ele balançou os ombros.
- Vai entender... – Ele disse e olhou na direção da cozinha. – Tchau, mãe da .
Minha mãe gritou algo de volta e saímos correndo pro carro dele. Bom, pelo menos, ele tinha um carro.

**

- AMIGA! – gritou, enquanto me apertava, assim que chegamos ao .
- Sua fedida, por que não foi pra minha casa igual ao combinado? – Perguntei, me soltando dela.
- Porque pedi pro passar na minha e nós viemos a pé. – Ela disse, feliz. – Você não ia querer vir a pé, não é?
- Não, mesmo. – Afirmei e sorri.
já tinha ‘terminado’ com a (e eu não fiquei sabendo dos detalhes) e eu com , claro que ela sabia disso tudo, mas por que tanta felicidade?
- Ei, . – Disse, correndo pra cumprimentar ele e outras pessoas que estavam lá.
- VAMOS, GALERA! – gritou, abrindo a porta. – Quem vai no carro de quem?
- Eu vou com o , não tenho outra opção. – Disse alto, e todo mundo começou a rir.
- Aê, valeu. Agora, nem vai mais. – Ele disse, fazendo birra. – Vem, , ... quem mais? Menos você, .
Ei, não vale.
- Eu vou com vocês! – Masy disse feliz.
- Eu vou com quem? – Perguntei, enquanto todo mundo saia da casa.
- Pode vir comigo. – disse. – Só bati o carro três vezes.
- AH! - Cara, assustei. – , deixa eu ir com você!
- Tá, né, já que eu não tenho outra opção. – Ele piscou, e geral entrou nos carros.
Por algum motivo, razão ou circunstância, eu fui parar na frente junto com o , enquanto lá atrás estava a Masy, o e a .
Meus dois amiguinhos conversavam alegremente, enquanto a Masy gritava junto com a música.
- Tá dando certo. – disse baixo pra mim.
- O quê? – Perguntei.
- Olha os dois, claro que ele conquista a . – Ele sorriu. – Eles fazem um belo casal.
Olhei pra trás e estava na cara de que algo ia acontecer hoje.
Depois de um bom tempo só ouvindo música e olhando pela janela, nós chegamos ao bendito parque. Ele era enorme!
Eu fui a primeira a sair correndo do carro, meu primo estava no portão esperando a gente e eu fui abraçá-lo. Todos entraram no parque e arrumamos um lugar pra todo mundo perto da piscina.
Pedimos alguns sucos para beber, e os meninos correram pra tirar as camisas. Eu e a ficamos de biquíni e short.
Fomos conhecer um parquinho que tinha ali perto, pra crianças.
- AMO BALANÇOS! – Gritei, correndo pra uma. – Empurra, empurra.
- Calma, criança. – chegou rindo e me empurrou com muita força. veio perto e se sentou do meu lado, enquanto se dividia pra empurrar eu e ela.
- Incrível. Tá calor, tem água por todo o parque e vocês ficam brincando aqui? – apareceu rindo e ajudou , empurrando a .
Eles começaram a cantar músicas toscas, enquanto nos empurravam cada vez mais forte.
Lembrei de quando a disse... que o gostava de mim, e quando concordou, era tão estranho... ele nunca demonstrava nada.
Virei um pouco pro lado pra poder vê-lo, e percebi que ele me olhava.
Será que ele demonstrava e eu não percebia?
Depois de um bom tempo brincando na balança, Phil veio chamar a gente pra comer algumas coisas. Tinha chegado bem mais gente, pessoas da escola que eu nunca achei que veria em um lugar como aquele. Depois de meia hora, a me cutucou.
- Vamos naquele? – Perguntou, animada, apontando pra um Tobogã enorme, onde duas pessoas desciam em uma bóia, uma de frente pra outra.
- Wow, vamos! – Disse, animada, e nós ficamos só de biquínis. Avisamos aos meninos e corremos pra lá. Como tinha muita coisa pra fazer, quase não tinha filas, então, assim que eu vi, já era nossa vez.
- Eu vou de costas. – disse feliz e, com a ajuda do salva-vidas, sentou na bóia. Eu fui a próxima, sentando de frente pra ela.
- Prontas? – O carinha perguntou, e nós afirmamos.
- , eu menti pra você. – Minha amiga disse, eu senti um tranco e, em seguida, estávamos descendo aquilo na velocidade da luz. Eu não sabia o que pensar, então, eu gritava junto com ela. Ela tinha mentido pra mim? Sobre o quê?

Capítulo 20: Belisque–me, isso é real? ♪

Fundo, era onde eu estava.
Estava na piscina com a , ficamos lá tacando água uma na outra depois de descer pelo tobogã. Ela não tinha falado mais nada sobre a mentira, e eu não sabia se perguntava. Depois de um tempo, ela foi chamar os meninos pra ficarem lá com a gente.
Enquanto eu esperava, fiquei observando as pessoas perto da piscina, o jeito que elas riam e se divertiam, quando algo chamou minha atenção.
Era um menino que aparentava uns dez anos, ele caminhava perto da borda, olhava pra baixo como se tivesse medindo algo e depois começou a correr em volta da piscina. Ele parecia feliz, correndo sozinho, até que caiu dentro dela. Fiquei olhando, meio assustada, pois ela era funda e ele não subia mais, quando vi uma mão pra fora da água, andei até onde ele estava e gritei pedindo ajuda, parecia que ninguém me ouvia.
Quando vi que ele estava bem perto, puxei-o pra cima, e, no mesmo momento, ele me empurrou pra baixo. Ele se debatia, acho que estava bebendo muita água, e eu estava cada vez mais desesperada. Primeiro: ele estava se afogando, e segundo: estava me afogando junto.
Tentei levantar a cabeça, mas a força que ele fazia era bem maior, ele estava querendo sair dali a todo custo, acho que não estava nem vendo que eu naquele momento estava engolindo mais água que tudo.
Ele empurrava minha cabeça pra baixo pra se manter respirando e eu ouvi seu grito ali. Senti minha garganta se fechando e alguém pulando na piscina.

**

Estava tossindo muito e parecia que a água estava saindo por todos os lugares possíveis. segurava minha mão, e meus amigos perguntavam mil coisas, enquanto o salva vidas falava algo em um telefone e fazia algumas coisas pra me ajudar a cuspir a água. No fim, eu estava bem, me tiraram a tempo... e, bom, o menino também, ele parecia melhor que eu e me pediu muitas desculpas. Eu só queria sentar e me acalmar, porque a imagem daquilo ficava se repetindo toda hora na minha mente.
- Você quer alguma coisa? – perguntou, me ajudando a sentar na cadeira junto com a galera. Não que eu precisasse de ajuda.
- Não, obrigada... só quero ficar aqui. – Sorri de lado e olhei pra todos. – Quero que vocês vão lá nadar. Já, já eu vou também.
- Não, eu vou ficar aqui! – disse, colocando uma toalha por cima de mim.
- Eu também. – sentou do meu lado, e eu gritei, bem doida mesmo:
- TODO MUNDO VAI SE DIVERTIR, AGORA! NÃO QUERO NINGUÉM AQUI!
Quando vi que estava assustando-os, soltei um riso no final. Sabe, né... descontrair é bom.
- Como você é chata! – disse e saiu andando junto com todo mundo. E, enfim, estava eu, sozinha nesse mundo, abandonada por todos e rejeitada pela maioria da população. Tá, parei.
- Ow. – Ouvi uma voz atrás de mim. Mas, que saco, qual parte do ‘ninguém aqui’ que as pessoas não entenderam? – Eu vou ficar aqui, não importa o que você disser.
Virei pra trás e... tinha que ser o ! Sempre ele.
- É muito difícil me deixar sozinha, ? – Perguntei, indignada, e ele riu.
- É, bem difícil ficar longe de você. – Ele piscou, e eu, tipo, morri.
Sério, quem está pensando agora não sou eu, é minha cover, eu morri faz algum tempo, quando descobri que ainda existem meninos fofos, e enfim...
Senti minhas bochechas queimarem e eu não consegui responder. Qual é, , você costumava conseguir agir normalmente com os meninos.
Não com o .
- Eu fiquei sabendo de algumas coisas. – Ele disse, do nada. – Não sei se a falou com você.
- Acho que não... ela disse que mentiu, é isso? – Eu perguntei e ele fez que sim com a cabeça. – Você vai dizer?
- Não, ela vai. – Ele riu e olhou em volta. – Mas eu tenho que te dizer algumas coisas também.
Todo mundo dizendo coisas pra mim, vamos lá, gente, abra o coração pra : a menina que te escuta. Não.
- O quê? – Perguntei, e ele me olhou nos olhos. Ele estava vermelho e não abria a boca fazia cinco segundos. Poxa, ele queria me matar do coração?
- É que, eu nunca tive a oportunidade de falar isso antes. – Ele respirou fundo, enquanto eu segurava todo o meu ar. – Ou eu tive e não tive coragem, eu não sei.
Ri de nervoso. Não que ele fosse me revelar o segredo da rainha, ou me falar porque o Papa tem tanta importância no nosso mundo, mas algo me dizia que o que ele tinha pra falar era bem... interessante.
- Eu gosto de você. – Ele disse, me olhando. – E eu sei que a não gosta de mim. – Pausa para coçar a cabeça. – Não era pra eu ter falado isso, sou um boca aberta, mas depois ela explica. É só que eu gosto mesmo de você, e é bastante, sabe?
Oi, coração, está aí? Porque eu não estou te sentindo mais.
- E tá vendo? Gosto, gosto de você e parece que isso quer sair toda hora. – Ele riu, mas continuava me olhando. – Você podia falar algo. Tipo: , seu bobão, sai daqui, eu nunca daria bola pra você.
- Você me intimidava. – Eu disse, sem querer, ou querendo, anyway. – Eu não conseguia ficar perto de você.
- É, não era bem isso que eu estava falando, mas serve. – Ele deu de ombros, e eu ri.
- Não, não é isso! – Olhei em volta pra ver se ninguém estava olhando a gente. Vai saber, né? – É que... eu não sabia o que era, mas você me intimidava bastante.
- Então, vou tentar ver isso como um elogio. – Ele sorriu.
- É um elogio! – Quase gritei, e ele me olhou assustado.
Claro, até eu me assustaria. Mas eu só não queria que ele entendesse tudo errado.
- Eu acho que o que eu quero dizer é que... – Tentei fazer a famosa troca de ar, mas não estava funcionando muito. Minha garganta ainda doía por causa do acidente agora pouco e tinha um coração tentando sair por ela cada vez que o falava algo. – Eu só poderia te elogiar... você sempre me ajudou, sempre foi muito... MUITO comigo, sabe? E...
- E... – Ele levantou um pouco a sobrancelha, me olhando, sério.
- E eu acho que de um tempo pra cá, você tem andado muito pela minha cabeça. – Eu disse, e o olhar dele ficou mais... brilhante. – Sabe, não literalmente.
Tá, , ele com certeza entendeu o sentido.
riu e pegou na minha mão. Foi essa a hora que eu tentei pensar no que eu estava falando, mas não dava. Tudo saia por vontade própria.
- E se eu não estiver gostando de você, eu tenho uma doença chamada . – Ri, sem graça, e ele chegou mais perto de mim.
Claro. Era bem fácil eu dizer o que eu estava sentindo havia algum tempo, mostrar pra ele que ele não era o único que gostava de alguém ali, fácil olhar pra ele e falar o que eu pensava em falar todos os dias, fácil perto do meu medo, da minha vergonha, aquilo que eu nunca consegui fazer: um beijo.
- Espero que seja a primeira opção. – Ele disse, baixinho, perto o suficiente.
Eu o vi fechando os olhos, e era claro que eu sabia o que ia vir a seguir.
- . – Uma voz falou dentro da minha cabeça, acho que estou ficando louca. - Acho que agora você fecha os olhos também.
Tentei dar uma olhada em volta, se alguém tivesse me olhando seria estranho, e, então, quando lembrei da situação em que estava, os lábios dele encostaram nos meus. Foi um selinho um pouco demorado, mas eu não queria que terminasse, porque, depois do selinho, viria, então, um beijo de verdade.
Por que eu ainda estava de olho aberto, mesmo? Tentei fechá-los, mas não dava, eu precisava ver o que acontecia em volta.
Senti a boca dele abrindo, e por falta de palavras bonitas: a língua dele estava tentando entrar na minha boca. Fechei meus olhos finalmente e tentei fazer exatamente o que eu via nos filmes, ou em casais na rua.
Aquilo estava mais estranho do que eu imaginava, era molhado.
Claro que era, eu estava molhada... ele estava molhado... nós temos salivas.
Minha bochecha estava queimando, a mão dele estava na minha nuca e eu coloquei as minhas nas costas dele.
Não sabia onde colocá-las, eu estava inquieta.
Uma coisa é verdade: aquele negócio de borboletas no estômago. Parecem bichinhos voando dentro da barriga, mas eu não estava ouvindo fogos, ou sininhos, nem o barulho do trenó do Papai Noel, sei lá... Estava ouvindo o barulho das nossas línguas se misturando, e o de nossas bocas abrindo e fechando. Depois de um tempo, eu não sabia mais o que fazer.
Isso era um beijo, então?
Fui afastando meu rosto devagar, e, então, ele me encheu de selinhos, abriu um sorriso enorme e me abraçou.
Então, essa coisa estranha... era o que todo mundo diz ser muito bom? Ele me olhou e estava com uma cara de bobo alegre, então, eu ri. Era como se ele nunca tivesse beijado alguém antes, e eu fosse profissional.
- Ei, eu sou o dono da risada, e não deixei você usá-la sozinha. – Ele fingiu-se de bravo e eu sorri.
- Desculpe, senhor. – Debochei e dei um selinho nele.
Pelo menos, o selinho não era uma coisa tão estranha.
Tudo bem, com um pouco de prática, talvez seja ótimo. Sorri outra vez e o vi se aproximando, de novo.


Capítulo 21: Meu primeiro beijo ♪

Acho que vou fazer um livro sobre “Como foi o meu primeiro beijo”, porque não consigo explicar com poucas palavras... Na verdade, não sei nem quais palavras usar. Era uma mistura estranha de curiosidade, vergonha, e sei lá mais o quê, uma mistura e ponto final.
- Na verdade, meu pai é bem idiota e esta sempre fazendo graça com tudo. - dizia, enquanto brincava com os meus dedos. – Mas não acredito que seu pai seja tão ruim assim, acho que você está exagerando.
- Não, não estou! Ele é bravo e arrancaria a cabeça de todos que não “são certos” se pudesse. – Fiz uma voz de terror e ele riu.
- Aposto como não ia querer arrancar a minha, eu sou o cara mais simpático do mundo quando se trata de pais. – Ele disse, exibido.
Uma mistura de medos também... Por que eu não parava de pensar no meu beijo, mesmo?
- Só com os pais, né? – Falei, brincando, e ele me deu um pedala. – Ei!
- Eu sou muito simpático, com todo mundo... Oi, senhora. – Ele acenou pra uma moça que passava, e ela nem deu atenção. – As pessoas que não são simpáticas comigo.
- Você nem as conhece, não pode sair por aí falando com todos como se fosse... Deus, sei lá. – Dei de ombros, e ele levantou.
- Não teria tantas brigas se as pessoas conversassem com quem não conhece, todo mundo ia virar amigo no final. – me puxou pro lado dele.
- O que a gente vai fazer? – Perguntei, tentando achar meus amigos, mas não tinha nem sinal deles por ali.
- Vai... tenta cumprimentar as pessoas. – Ele sorriu, e apontou para algumas pessoas que passavam.
- Nem pensar, ! Eu não vou fazer isso. – Tentei me sentar de novo, mas ele me puxou pela mão.
- Não é ruim... você tem que ser simpática. – Ele riu, e entrelaçou seus dedos no meu. – Sorria e diga um oi.
- Oi, . – Disse, com o maior sorriso que consegui e ele riu.
- Tem que ser com alguém estranho. – Ele deu uma piscada.
- Então, você é estranho.
- Eu quis dizer desconhecido! Ah, você entendeu. – Ele riu e continuou andando em direção a um grupo de pessoas que estavam paradas tirando fotos.
- Ei, para... Você não vai... – Disse, tentando voltar pro meu lugar, mas ele era forte e não soltava minha mão por nada no mundo. Não vou cumprimentar ninguém, não, não e não, era totalmente fora da realidade fazer isso.
- Vai, , por favor. – Ele fez a cara mais fofa do mundo e eu tive vontade de atacar um tênis nele.
- Oi. pessoas, estou sendo simpática. – Disse pro grupo, e todos me olharam estranho.
- Désolé? (Desculpe?). – Uma mulher disse, e eu quase entrei em um buraco no chão. – Comprends pas leur langue (Não compreendo sua linguagem).
Olhei pro lado, e o estava gargalhando. Ok, isso não foi legal da parte dele. Eu o puxei pra longe dali na velocidade da luz.
- Sem graça! Você sabia que eles não eram daqui! – Disse, enquanto o enchia de beliscões.
- Eu... eu não achei que você falaria com eles. – Ele ainda ria de mim.
Insensível.
- Nunca mais vou ser simpática na minha vida. – Fiz um bico enorme, e o me abraçou.
- Só comigo, ok? – Ele disse e me deu um selinho.
- Só com você, seu idiota. – Falei, o apertando.
- Você é linda. – Ele falou, me encarando.
- E você é feio! – Disse, rindo, e ele mordeu minha bochecha. - Eu salvo a relação.
Relação? Que relação, ?
- É, com certeza VOCÊ salva a relação. – riu e se aproximou de mim, para mais uma mistura de sentimentos.

**

Pov’s.

Estávamos dentro da piscina fazendo brincadeiras bem toscas, rindo muito e todo mundo estava parecendo pintos molhados, era super engraçado.
Era a minha vez de mergulhar por debaixo das pernas da galera, e quando levantei da água vi uma e um parados na beirada da piscina, de mãos dadas! MÃOS DADAS, AH, NEM ACREDITO.
Ah, esses foram meus neurônios surtando!
Saí da água correndo e abracei minha amiga linda, comecei a pular que nem louca, e ela estava meio presa ao chão. Esqueci que ela tinha quase se afogado. Mas é muita felicidade!
Parei com minha felicidade instantânea e olhei pra ela rindo, ela estava com um sorrisão de quem ganhou na loteria.
Ficamos surtando um pouco, mesmo sem falar nada, enquanto ela estava com aquela cara de “Ah, meu Deus, eu beijei”. Mais ou menos isso.
- E aí, gatinha, me conte como é beijar o . – Disse, rindo, e pisquei sexymente pra ela.
- Beijar o ? Você sabe como é, boba. – Ela disse, rindo, e eu ri mais ainda.
– Ah, não precisava lembrar disso, né? Mas como é beijar pra você, então?
- É um pouco sem graça. – Ela disse, fazendo cara de quem não sabe o que diz.
- COMO ASSIM SEM GRAÇA? – Eu gritei, e os meninos olharam pra gente com as caras mais engraçadas do mundo.
- Calma, Calma. – Ela dizia, rindo e com as mãos nos meus ombros. – Não foi totalmente sem graça, na verdade só o primeiro foi, foi estranho. - Eu estava rindo demais. - Mas depois ficou bom.
- Sabia que ia ficar bom depois, danadinha! – Falei, fazendo minha cara sexy que ninguém resiste.
Ficamos rindo e falando sobre beijos, quando percebi que estava todo mundo distraído na piscina... Então, aproveitei e puxei a pela mão pra um canto.
- Senta aqui. – Eu disse, sentando perto de um gramadinho. – Agora eu vou te explicar o por que de eu mentir pra você.
Ela sentou do meu lado e, por um segundo, eu me aquietei e olhei pra ela.
Estava respirando fundo, porque eu ainda queria rir, mas tudo bem, vamos lá.
Comecei contando sobre como eu, esperteza pura e gatinha, percebi que o gostava dela, contei sobre minha idéia idiota de fazer ela ficar com ele.
- Sério, poxa, eu tive que chorar! – Eu dizia, enquanto nós duas ríamos que nem hienas bêbadas. – Você não queria aceitar de jeito nenhum, e você tinha... – Parecia uma piada, nós duas nos lembrando da cena. - Eu coloquei colírio antes de entrar. – E ríamos, ríamos.
Continuei contando sobre como tudo foi muito bem planejado pela minha pessoa, e até pelo .
- Até o ? – Ela disse, indignada. – Nossa, como vocês dois são... até pra isso vocês combinam. – Ela disse, e eu fiquei meio confusa sobre o sentido dessa frase. Mas isso não importava agora. Ou importava? Olhei pra piscina e o vi se divertindo com os outros garotos; sorri abobadamente e ela me cutucou.
- Acabou?
- Não, Não. Quando o terminou comigo aquele dia, ele não me explicou direito, sabe, mas não tinha porquê, eu sabia que era porque ele queria ficar com você, estava na cara dele. Ela ficou pensativa nesse momento. Ih, aí tem coisa.
- Que foi?
- Nada, nada, continua.
- Dai, eu topei na hora, né. – Contava totalmente empolgada sobre a mentira, que agora nem importava tanto. Estava tão feliz que tudo tinha dado certo, acho que me sentia mais feliz que ela. Tá, parei.
- Daí quando o vi voltando pra ficar com você, eu fiquei espiando, né...
- Você espiou? Que feio. – Ela disse, rindo e com cara de indignação.
- Só até ele chegar muito perto, daí eu não olhei mais, eu juro. – Fiz um “x” na boca com os dedos.
Entre sorrisos e risadas loucas, olhamos pro lado e vimos um bando de bichos molhados, com caras demoníacas olhando pra gente. Mentira.
Mas todos os meninos estavam de pé, nos olhando com aquela cara de “eu vou te jogar na piscina”. Tentamos levantar e correr, mas era tarde demais.
- Não. – Gritei, enquanto sentia o Phil me puxando pra baixo. Cai com tudo em cima dele, bem feito.
- Por favor, não! – Ouvi a gritando, enquanto um corria atrás dela, e, quando ele estava centímetros de alcançá-la, ele escorregou e caiu de bunda no chão.
Todos ali perto riram, enquanto a decidia entre rir ou ajudá-lo a levantar.
- Bem feito! – Gritei, fazendo o maior escândalo, nem ligo.
- Vocês são sem graças, está doendo, ok? – reclamou, enquanto tentava levantar sozinho.
- Isso é pra você aprender a não jogar os outros na piscina. – Phil disse como se fosse o Santo da história, besta.
- Isso é pra você aprender a andar com bóia, teria te protegido. – mandou um joinha.
- Nem pensar que eu vou andar com um patinho na minha cintura. – sentou na beira da piscina com cara de sofrimento.
- Qual o problema de usar um patinho na cintura? – A chegou perto, colocando uma bóia de golfinhos nela.
- Nenhum, comparado a esse troço que você tá usando. – fez uma careta engraçada e todos começamos a rir.
- Eu achei fofo. – , disse e todos demos um pedala nele.


Capítulo 22: Pan, pan, pan, pan. ♪

E essa sou eu tentando achar meus amigos enquanto parece que toda a escola resolveu se reunir em um lugar só. Não sei, era como se todo mundo tivesse combinado de se ver e não tivessem me avisado disso.
- Ali, ali. – Uma menina disse, apontando na minha direção e eu me assustei, não seria comigo, seria? Ela começou a correr com a amiga dela, e um pouco antes de chegar bem perto de mim ela desviou e continuou correndo. Olhei pra trás pra ver o que ela estava fazendo, e logo percebi que tinha uma briga ali perto.
As pessoas da minha escola eram estranhas, brigavam por tudo. Eu nunca briguei... uma vez eu bati na cabeça de um menino com a régua, mas era porque ele não queria devolver meu lápis de jeito nenhum.
Dei mais uma olhada em volta e depois resolvi me aproximar da briga pra tentar ver o que estava acontecendo.
- É o Flinks. – Ouvi uma menina gritando pra alguém – E o .
Era quem? Como?
Empurrei algumas pessoas pra tentar alcançar a briga e quando percebi já estava bem na frente de toda aquela multidão de alunos. E lá estava o e aquele outro menino no meio da roda, um acertando o outro da maneira mais agressiva que eu já vi. Era horrível ver isso, ainda mais sendo o ali... então, sem pensar em mais nada, eu saí correndo pro meio da roda, agarrando o e tentando tirá-lo dali.
- , não! – Ele gritou comigo e tentou soltar meus braços da cintura dele, mas eu não queria soltá-lo, não queria que aquilo continuasse.
Senti todo o peso dele contra mim, e todo o meu corpo cedeu, era como se eu tivesse caindo em câmera lenta, mas quando cheguei ao chão, a dor foi horrível, ainda mais com o me prensando. Dei um empurrãozinho nele pra ele se tocar de que estava me machucando, mas ele nem se mexia. De repente, todo mundo começou a se aproximar de uma vez, gritando algumas coisas que eu não conseguia entender, e depois ouvi um apito muito alto. Era a diretora.
- Todos pra sala! – Ela gritou já perto de mim, e eu continuava ali deitada. – Me ajudem aqui.
Dois professores apareceram correndo e tiraram o de cima de mim, então eu percebi o porquê dele não ter se levantado sozinho: ele estava desmaiado.
Meu coração começou a bater mais rápido do que já estava e eu me levantei correndo pra ver ele mais de perto.
- Se afasta. – A diretora disse com a mão na minha frente. – Levem-no pra enfermaria. E quanto a você... quero você na minha sala agora.
’Peraí, ela estava falando comigo? Mesmo? Olhei atrás de mim.
- Você mesma. – Ela disse, me olhando sério e saiu andando.

**

Estava uma hora sentada sozinha em frente à sala da diretora, esperando-a aparecer, ou pelo menos alguém passar por ali.
- Ei. – Ouvi a voz do baixinha e o vi do meu lado. – O que você está fazendo aqui?
- O estava brigando com um... Flinks, e eu tentei separar a briga, o desmaiou, e a diretora me mandou pra cá. – Disse rápido, e ele me olhou assustado.
- E cadê o ? – Ele perguntou, olhando pra porta da sala da diretora.
- Na enfermaria ainda. – Falei preocupada. Já era pra ele ter voltado, não era?
- Espero que ele esteja bem. – disse, com uma cara de compaixão. – Tenho que ir pra sala, ouvi alguém dizer que você estava na diretoria e corri pra cá... disse pro professor que estava no banheiro.

- Tudo bem. – Sorri pela preocupação dele. – Ah, tenta avisar a sobre o que aconteceu, por favor.
- Aviso sim. – Ele me deu um abraço forte. – Se cuida!
Eu o vi saindo correndo e desejei que ele não fosse embora, queria ele aqui comigo, aquele corredor estava um breu total, e isso estava me deixando mais preocupada. Fiquei cantarolando baixinho pra ver se o tempo passava mais rápido e vi um casal chegando.
- Aqui é a Diretoria? – A mulher perguntou.
- É sim, naquela porta. – Apontei. – Mas a Diretora ainda não chegou.
- Obrigada. – Ela sorriu simpática e sentou do meu lado, com o -provavelmente – marido.
- Então, o que você aprontou? – Ele disse, brincando e recebeu um tapa de leve da moça.
- Vou descobrir ainda. – Dei uma piscada, e ele fez uma careta engraçada.
- Sr. e Sra. ? – Ouvi a voz da diretora no final do corredor e meu coração acelerou. Eles eram os pais do ?
- Presente. – O Sr. disse, brincalhão, e a diretora deu um sorriso meio forçado.
- Podem me acompanhar até minha sala? – Ela disse em um tipo de pergunta retórica. – E você também... senhorita .
- Tudo bem. – Disse, enquanto os pais do me olhavam, como se tentassem descobrir o que tinha acontecido.
A diretora começou a caminhar em direção a sua sala, e nós três a seguimos.
- Sentem, por favor. – Ela disse, apontando para as quatro cadeiras que tinha em frente a sua mesa. Ah, se o chegasse, ia dar certinho: uma cadeira pra cada. Sentei ao lado da Sra. e sobrou uma cadeira do meu lado.
- Pedi para que os Senhores viessem, pois o estava envolvido em uma briga a pouco. – A diretora disse séria, e o Sr. interrompeu:
- Ele está bem?
Antes da Diretora responder, bateram na porta.
- Entre. – Ela disse.
Olhei pra trás pra ver quem era e preferia não ter olhado. Era meu pai, e ao lado dele estava uma enfermeira, o , o Flinks e uma mulher que devia ser a mãe dele, julgando pela aparência. Tudo bem, não queria estar aqui nesse momento, e muito menos que MEU pai estivesse.
A enfermeira saiu enquanto todos os outros entravam, eu levantei pra que meu pai pudesse sentar, e ele me olhou de um jeito ameaçador. Fiquei atrás dele, e o atrás dos seus pais. O tal do Flinks fez o mesmo, enquanto sua mãe se sentou no único lugar que sobrou.
- Você está bem? – Perguntei baixo pro , e ele acenou que sim com a cabeça.
- E você? – Ele perguntou, segurando em minha mão sem que ninguém visse.
- Aham. – Dei um suspiro um pouco alto. – Por enquanto.
Fechei meus olhos por segundos, querendo que tudo aquilo fosse um sonho. Esse não era um bom jeito do meu pai conhecer o , ou de eu conhecer os pais dele, não era um bom jeito de começar nada.
- Então, Sra. Morgan, o que aconteceu? – Meu pai perguntou em um tom irritado, e eu nunca desejei tanto a capa de invisibilidade do Harry Potter.

Continua.
Nota da Autora o/

Oi, como vai você?
Como sempre eu demorei, acho que vocês já estão se acostumando com isso (que feio) mas o importante é que eu to aqui agora (H)
UASUHUHSA ou não. MUIITO obrigada pelos comentários lindos cara's :'D e muito obrigada por continuarem aqui comigo, obrigada
por me fazerem querer continuar e continuar a escrever *-* pelo carinho, pela presença, por tudo!
Juro que vou tentar ser mais raápida que o Flash pra próxima att, e juro que faço de tudo pra que vocês gostem cada vez mais
de truth be told, i'm lying. BEEIJOS :)

- amiga da autora, enchendo um pouco o saco.

Oi gente linda desse Brasil lindo ensolarado, pelo menos aqui em Sampa ta um Sol muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito forte, to me
sentindo na Bahia (h) UHSUASHAUSHAHSASH Ai como sou super linda vim dar uma força aqui pra minha amiga trabalhadora e escritora
e que faz cadimia ;9 AUSHAUSHASH acho que só estou falando besteira, mas sabe são muitos anons sem fazer uma n/a N
Enfim, a fic é suuper linda, mesmo eu sendo muito suspeita a dizer isso, mas sou a fã numero 1 *O*
Beijos Beijos :D