
PRIMEIRO CAPÍTULO - Gimme Some Room
Os raios solares penetrantes me forçaram a acordar. Insisti em continuar com os olhos fechados com a mínima esperança de voltar ao meu aconchegante e fantástico momento. Sem sucesso, abri os olhos, piscando várias vezes até me situar de onde estava. Mesmo estando ainda em outro planeta, pude perceber algo ligeiramente estranho me acompanhando. Esperei o efeito do sono passar e observei uma garota deitada no meu peito com uma feição de tranqüilidade, sorri levemente, mas meu sorriso foi embora quando percebi que a garota era ninguém mais, ninguém menos do que . Logo depois senti que estávamos nus. Tentei me lembrar do que havia acontecido, mas nada parecia me ajudar, só para constar, a dor de cabeça piorava bastante. Fiquei alguns minutos pensando na situação e só parei porque me deu um beijo na bochecha e logo em seguida acordou, fazendo uma cara de espanto.
- CACETE, NOSSA SENHORA DE MARIA JOSÉ! Se acalma minha filha! - coloquei a mão no peito depois que ela deu um gritinho fino no meu ouvido.
- , o que você tá fazendo na cama comigo? VOCÊ ME TROUXE A FORÇA, SEU TARADO! - começou a me estapear e eu a segurei pelos pulsos.
- Primeiro, eu não vim para a cama com você porque eu quis e segundo que eu não obrigaria ninguém a dormir comigo. - pausei e sorri de um jeito meio acabei-de-comer-Angelina-Jolie - O meu charme é natural, boneca, não preciso forçar ou pagar pra alguém gostar de mim. - disse agora como um cafetão Hollywoodiano dos anos 50 - E você sabe bem disso. - pisquei pra ela, que ficou vermelha de ódio.
- , eu acho que você me drogou. NA VERDADE, eu tenho certeza disso! Seu... seu estuprador!
- Ô MINHA FILHA, CALA A SUA BOCA AÍ! - boca que não pára é sinal de falta de pinto! - Eu não fiz NADA, ok? - ela bufou e se levantou com um pedaço do lençol na frente do corpo, pegando as roupas em seguida e se vestindo.
- Se contar para alguém que isso aconteceu, você é um homem morto, ! - ela apontou para mim e saiu do quarto. Coloquei a minha roupa (o melhor foi achar a minha boxer dentro da fronha do travesseiro) e desci dando de cara com o , o priminho feliz da , a.k.a. meu melhor amigo. Ai que gay.
- ! - ri ao vê-lo levar um susto.
- E aí, garanhão? Como foi ontem com a ?
- Não sei, só acordei hoje e me deparei com ela, então pra variar, nós brigamos. - bufei.
- Você não se lembra de nada mesmo, cara? - o olhei com cara de poucos amigos e ele resolveu contar - Dude, vocês dois tavam se comendo aqui embaixo. Até que o falou pra vocês arranjarem um quarto. E parece que vocês levaram a sério... Foi, tipo, assistir um filme pornô ao vivo. - os olhos dele brilhavam como se tivesse visto duas minas se pegando.
- Você é bicha, queima-rosca ou como quiser se assumir?
- Cara, você tava bêbado e começou a comer a , ela é hot, admita! Deveria estar feliz.
- Eu não vou admitir, até porque ela não é. E mesmo que fosse, ela é insuportável.
- Cara... - se sentou no sofá e fui atrás dele - Vocês precisam se entender, tá na cara que vocês se amam.
- DEUS ME LIVRE GOSTAR DAQUILO! - ele balançou a cabeça negativamente.
- Não é possível você odiar tanto uma pessoa. Vocês até que formam um casal bonitinho. - ele riu, me dando um tapinha nas costas. Cerrei os punhos e caminhei até a porta, batendo tão forte que não sei como não quebrou.
Fui caminhando um pouco sem rumo, pensando sobre os últimos acontecimentos. Eu realmente cansei de brigar o tempo todo com essa infeliz, mas é inevitável não me irritar com as coisas que ela diz, que ela faz. É como se ela fosse desse jeito apenas pra me irritar, e a cada dia ela parece piorar. Andei sem reparar para onde estava indo e acabei chegando no Moris, a lanchonete onde sempre vou com meus amigos e a . Pedi um milk-shake de chocolate como de costume e fiquei na tentativa inútil de me lembrar do que havia acontecido na noite anterior. Quando terminei aquela deliciosa bebida dos deuses, resolvi ir para minha casa. Abri a porta, já sabendo que meus pais não estariam lá, mas me enganei.
- , onde você passou a noite? - minha mãe perguntou e eu estranhei. Desde quando ela se importa?
- Na casa do , teve uma festa e acabei dormindo lá.
- O ligou pra cá perguntando de você há meia hora! - falou ríspida.
- Eu ligo pra ele. - saí de perto dela e fui o mais rápido para o meu quarto, único lugar dessa casa onde se tem paz. Peguei o telefone que estava em cima da minha mesa de cabeceira e disquei o número que meus dedos sabiam de cor.
- Cara, onde você tava? - ele disse sem ao menos ouvir minha voz.
- Oi pra você também!
- Eu tô falando sério.
- Eu fui dar uma volta, por que todo mundo tá chato hoje?
- Você não é muito confiável quando tá com tanta raiva. Ainda mais quando se trata da .
- Minha mãe sabe que é por causa dela?
- Não que eu saiba, por que?
- Ela ia dar um ataque achando que eu tinha feito pra "bonitinha filha dos ". - bufei e tentei controlar minha raiva, ao lembrar das coisas que ela me falou de manhã - Dude, eu realmente não quero ser grosso contigo. É melhor eu desligar.
- Beleza, só... não pensa muito nisso.
- Tchau, dude. - desliguei o telefone. Esse dia provavelmente seria longo.
Me perdi nos meus pensamentos emos e acabei dormindo. Acordei seis da tarde com meu despertador apitando e me aborrecendo por ter saído dos meus lindos sonhos de morte para no mínimo cinqüenta pessoas. Taquei meu despertador na parede, fazendo ele párar de apitar. Coloquei uma roupa qualquer e desci as escadas correndo. Em pouco tempo eu tava na porta da casa do , tocando a campainha várias vezes.
- , meu queriiiido! Faça parte da nossa festa, a Courtney tá aí! - deu uma piscadinha, voltando a se agarrar com a loira que abraçava-o pela cintura. Passei o olho por toda a sala, procurando a Courtney e as cervejas. Quem eu acho? Sim, a , que conversava animadamente com as amigas. Nesse momento, a raiva me subiu e eu fiquei com vontade de quebrar aquela casa inteira, mas eu ouvi uma voz baixa no meu ouvido me chamando pro canto.
- Courtney! Tá animada, hein? - disse com as mãos nas coxas da loira em minha frente, provavelmente ela teria gostado da última vez que tivemos juntos.
- Isso é só o começo . - ela ia falando lentamente, enquanto me puxava em direção ao quarto de hóspedes da casa de e, ao mesmo tempo, tirava minha blusa. Não sei porque, dessa vez eu estava menos animado, mas ainda assim aquele corpo me deixava louco. Ela terminou de tirar minha blusa, sussurando novamente algo em meu ouvido, mas fui impedido de prestar atenção, já que ela começava a passar suas mãos em partes que eu só digo o nome depois de meia noite. Fiz questão de deitar por cima dela, tirei sua roupa e logo estávamos... Ah, sabe né. Ao final de tudo, eu estava ofegante, como sempre, depois de passar cinco minutos com Courtney dentro de um quarto... Ou cozinha. Peguei no sono lá mesmo.
Algum (bom) tempo depois acordei com alguém abrindo a porta e dando um daqueles gritos lindos.
- PUTA QUE PARIU! - disse com os olhos arregalados e olhando aquela cena nada confortável na minha opinião.
- Er... surpresa? - envergonhado, pra falar a verdade.
- , sai daqui, essa é uma casa de respeito, porra! - casa de respeito e eu te comi ontem, né.
- Se manda, ! - cara, essa garota tem o dom de me irritar até nos meus melhores momentos! Saí de perto de Courtney, sem vontade de agüentar aquele lenga-lenga que ela provavelmente faria quando acordasse e me vesti. Fui até o andar de baixo e lá estavam
- E aí, selvagem? - falou dando um tapinha nas minhas costas e falando de um jeito meio gay.
- Selvagem? - bebe, , bebe.
- Tá pegando todas esses dias, hein?
- Ah, sabe como é né... Todas amam o aqui. - puxei a gola da minha camisa social e sorri galanteador, quando a , num gesto carinhoso, passou por mim me empurrando com o ombro - Er.. ? Não que sua prima seja uma santa, mas o que deu nela?
- Sei lá, tá assim desde hoje de manhã. - olhei para ele desconfiado, mas parei de pensar nela. Peguei uma cerveja e fiquei vendo futebol com o .
A semana passou sem muitos acontecimentos, assim como o mês. Saí algumas vezes com e a . Pra variar, brigávamos bastante, mas todos já haviam se acostumado. e me ligaram algumas vezes, dizendo que a viagem de família deles tava muito chata e tal. Eu praticamente estava morando na casa de e estava tentando aturar lá, já que seus pais estavam viajando e ela teve que ficar na casa dele.
- , passa essa cerveja, cara! - pedia, deitado no sofá e me obrigando a ficar no chão. Folgado! Taquei uma lata na cara dele, que logo resmungou um palavrão e pulou em cima de mim, começando assim uma luta no meio da sala.
- PAREM COM ISSO! - disse correndo pro banheiro com uma cara pior do que a dela natural.
- Hã? - eu e dissemos ao mesmo tempo. Depois de quase dez minutos trancada lá, a dona "parem com isso porque eu sou mais importante que vocês" saiu do banheiro.
- , você tá mais feia que de costume. - comecei a rir dela.
- Cala boca , eu não tô bem.
- Novidade! - revirei os olhos e íamos começar a discutir, quando se intrometeu.
- Calem a boca, idiotas! Vocês dois parecem crianças, que saco! - hey, idiota é a mãe, falou? - O que aconteceu, ?
- Tava enjoada, só isso.
- Quer um remédio?
- Já tomei uns três. - arqueou a sobrancelha.
- Desde quando você tá assim?
- Sei lá, faz uma semana mais ou menos. Deve ser alguma gripe.
- É só isso mesmo? - legal , faz interrogatório com sua prima, daí ela começa se fazer de coitada e sobra pra gente cuidar dela.
- Bem... - começou... - A minha... - ela até continuaria de falar, mas correu de novo pro banheiro. Quando voltou, cinco minutos depois, voltou a perguntar.
- A sua o que? - de novo com as sobrancelhas arqueadas.
- Minha menstruação não desceu essa semana. - ela corou. Por que é tão difícil as mulheres falarem sobre isso com os homens? A gente sabe que isso acontece todo mês, o que iria mudar se elas falassem sobre isso? a puxou pra fora de casa e eu consequentemente fui atrás. Atravessamos a rua e andamos um pouco, até chegarmos em uma farmácia e andar freneticamente por todos os lados.
- MAS QUE PORRA É ESSA, !? - gritei já nervoso com a situação.
- Nada , a gente já vai. - respondeu por ele. Que mania que as mulheres têm de fazer isso, caralho!
- Não te perguntei, ! - quando ela ia responder, uma velhinha começou a me bater com a bengala, pedindo silêncio. riu de mim e eu me envergonhei com a situação.
- ACHEI!
- Achou o que, ?
- Nada, depois eu falo.
- Tá, né. - curiosidade da porra. foi até o balcão e pagou a coisa misteriosa. parecia nervosa. Acho que ele comprou algum remédio forte pra ela ter uma overdose. Opa, tô sonhador demais esses dias, a vida não é tão boa assim. Voltamos para casa e tirou a caixinha do pacote de farmácia e me mostrou. Dei um surto de risadas e me deu uma tapa na cara. Nem preciso dizer que isso me irritou profundamente e que se ela não fosse mulher, eu teria revidado, né? Ela pegou o frasco que segurava e saiu de perto de nós, subindo as escadas e eu a perdi de vista. Eu e subimos para o meu quarto, ambos calados. Pouco tempo depois ela apareceu na porta nervosa, e se sentou do nosso lado. Eu e nos olhamos nervosos, e eu nem tinha motivo pra isso, acho que só queria estar por dentro da situação. Esperamos mais um minuto, um puta minuto que parecia não acabar. E logo o frasco que segurava mostrava um pequeno traço vermelho. Ela começou a ficar pálida e eu não entendia muito bem a situação.
- Que foi? - perguntei tentando ser um pouco sensível com ela, afinal, dessa vez eu não tinha motivos pra brigar. Ela não respondeu, já que já tinha feito isso por ela.
- Ela tá... Grávida, cara. - ele ia dizendo pausadamente.
- Gr-grávida? - beleza, morri. Os dois assentiram com a cabeça, mas ainda continuava a encarar o teste de gravidez, provavelmente na esperança que mudasse de cor.
- Mas cara, de quem? - dessa vez, que perguntou, na mesma tentativa minha de ser sensível.
- É, com quem você anda transando? - o clima estava pesado e eu tentei colocar humor lá. Tentativa idiota, pois logo me olhou com aquele olhar de desaprovação.
- Com ninguém, porra! - ela chorava.
- Quem foi da última vez? - perguntou encarando-a. Ela se virou pra mim ainda pálida e me fez entender a resposta.
- Fui eu. - falei com a cabeça abaixada, sustentada apenas pelas minhas mãos. Alguns minutos se passaram, eles pareciam horas. Que merda que eu fui fazer? Além de transar com ela eu ainda vou ter um filho dessa traste? Eu sempre devia ouvir aquela minha tia macumbeira que falava que nada é tão ruim que não possa piorar. - O que a gente vai fazer? - olhei pra ela, que me encarava com os olhos vermelhos, abraçando o . Okay, nessa hora eu tive vontade de pegar ela no colo e fazer todos os problemas dela sumirem, ela consegue se passar por fofa e indefesa quando quer.
- Eu sempre quis ter uma família, mas eu não esperava que fosse tão cedo. - ela dizia entre lágrimas e eu me sentia péssimo por fazer parte disso. Eu não sou um cara maduro, não maduro o suficiente pra ser pai, construir uma família, criar um filho e passar um bom exemplo pra ele, não mesmo. - ... você vai assumir, né? - ela olhava dentro dos meus olhos e aquilo me incomodava demais.
- E-eu não sei...
- Como assim? - tenho que admitir que me doía vê-la assim. Afinal, eu também havia participado da "fabricação" do bebê.
- Eu não posso, cara, não dá! - aumentei meu tom de voz e ela se assustou. Pude perceber os olhos dela vermelhos e sem vida.
- Mas você tem que assumir! - eu passava a mão pelos meus cabelos, puxando-os como se me ajudasse a pensar melhor.
- Isso tudo é muito novo pra mim...
- E você acha que é o que pra mim? Que eu sou uma coelha e já tive centenas de filhos e não tô nem um pouco abatida com isso? , vai à merda! - ela saiu batendo os pés, as portas e tudo que tinha pela frente.
- Você vai ter que assumir, você não vai deixar ela sozinha nessa, vai? - me olhava bravo e eu me joguei na cama, afogando minha cara no travesseiro.
- Cara, o que você quer que eu faça? Eu não posso ter um filho!
- E acha que ela pode? Ainda mais sozinha! - já estava vendo a hora que ele me bateria, nunca o tinha visto tão nervoso assim.
- Ela pode abortar... - okay, essa não era uma saída. Mas eu não sabia o que dizer, então isso me pareceu conveniente na hora.
- Você quer matar seu filho? - ele me encarou incrédulo.
- Cara... - dessa vez sim, eu fiquei sem fala.
- Você é um canalha, sabia?
- Infelizmente eu sei. - apertei o travesseiro contra meu rosto. Escutei a porta do quarto bater, provavelmente o devia ter ido ao quarto dela ver como ela tava. Dei um berro abafado pelo travesseiro pra me livrar de todo aquele sentimento horrível e estranho. E não é que ajudou? Mas meu estômago continuava embrulhado e as imagens dela chorando não saíam da minha cabeça. Como eu podia ser tão frio? Porque, tipo, é MEU filho também e eu não posso fazer ela abortar. Me diz de novo por que a vida tem que ser tão complicada? Alguns minutos depois tomei coragem e fui até o quarto dela, ao menos ela estava mais ou menos na mesma situação que eu, duas pessoas sofrendo juntas se dão mais ou menos bem, ao menos eu achava isso.
- Er... posso entrar? - abri um pouco a porta e vi abraçada com , provavelmente havia chorado.
- Eu vou deixar vocês a sós. - saiu do quarto, já prevendo a conversa.
- ... Olha, eu realmente não sei o que fazer. Quero dizer, isso tudo é novidade, eu nunca imaginei que seria pai assim tão cedo. - ela respirava fundo e eu procurava as palavras certas pra mostrar o que eu pensava, queria que ela entendesse o que eu queria passar. - Eu queria ser forte o suficiente pra te ajudar nisso, mas eu não sei nem o que falar pra mim mesmo agora.
- , é difícil pra mim e pra você, mas acho que temos que nos unir agora, o que a gente decidir tem que ser bom pra ambos. - eu ia dizer algo, mas ela colocou o indicador na minha boca, me fazendo esperar ela terminar de falar. - E aborto não é uma das alternativas... é? - não respondi, apenas abaixei a cabeça. Não queria que ela abortasse, mas cada vez isso parecia mais necessário pra mim. Senti que ela poderia chorar de novo e os minutos lá me pareciam intermináveis. Ficamos um tempo em silêncio e percebi que não iríamos chegar muito longe no assunto.
- Você vai contar pros seus pais?
- Não sei, . Provavelmente me matariam se soubessem. - ela apertou os olhos e deveria estar prevendo o que aconteceria. Tive pena, admito. - Sabe, eu acho que eles ficariam mais tranqüilos se soubessem que você é o pai, nossos pais se conhecem há um bom tempo e sempre quiseram que a gente tivesse um relacionamento saudável. - eu sorri por dentro. Minha mãe sempre falavam ‘A é tão bonitinha, por que vocês não tem um encontro? Ela é uma moça de família’, tô começando a achar que ela se encontrou com a minha tia pra fazer uma macumba brava.
- Mas a gente se odeia... Quero dizer, a gente briga demais e eles vão entender que foi um erro. Não teria como a gente ter... Você entendeu. - dei ênfase na palavra erro mas me arrependi de ter dito.
- Legal, sou um erro. Ótimo saber disso, ! - saiu da cama e desceu as escadas que davam para a sala de TV, ouvi passos fortes e corri atrás dela. Observei-a ao esbarrar em e ele reclamar algo como ‘O que deu em você?’. Ela saiu de casa e fui atrás dela, que andava com passos largos e firmes, me ignorando quando gritava seu nome. Quando consegui alcançá-la, segurei seus braços e ela se virou pra mim em um impulso. Nos olhamos por um grande tempo, mas logo ela se soltou e voltou a andar, ou melhor, agora corria. Desisti de tentar acompanhá-la e voltei para a casa de . Mais cedo ou mais tarde ela iria voltar pra lá.
- COMO VOCÊ FAZ ISSO, SEU INÚTIL?
- , vai à merda! Eu tô na mesma situação que ela, porra! - dei um soco na mesa e a cara do ficava cada vez mais vermelha de raiva.
- Dude, você é muito egocêntrico! Ela que vai sofrer com as consequências daquela noite e ainda corre o risco de ser mãe solteira! Agora me responde, você continua achando que você é o coitadinho? - é horrível quando as pessoas falam que é egocêntrico, o pior é quando você é. Eu acho que eu tô na pior, penso em não assumir, mas não vejo o lado dela, ela não tem escolha. - Se você não assumir essa merda, eu assumo!
- Vocês são primos, porra!
- Pelo menos a criança vai ter um pai melhor do que você, seu merda!
- Então quer saber? Assume essa criança! Não ligo. - embora ligasse um pouco.
- Você é um merda, ! - dessa vez que saiu de casa correndo. Subi as escadas e fui para o quarto de hóspedes, no qual eu estava dormindo esses dias. Deitei na cama e pressionei meu rosto no travesseiro, queria muito morrer asfixiado naquela hora. Peguei no sono e só acordei no dia seguinte. Saí da cama e procurei pela casa toda. Nem e nem estavam lá, ao menos pareciam não estar. Por ser meio-dia, fui até a cozinha, sentindo o estômago roncar e aquela vontade de comer aumentar ao ver alguns pedaços de pizza na geladeira. Abri uma cerveja, peguei minha comida e voltei para o meu quarto. Ouvi um barulho vindo do andar de baixo e fui ver o que era. Desci a escada e vi e chegando como se nada tivesse acontecido.
- Aonde vocês tavam? - fiquei na frente da , que queria subir a escada.
- Dá pra você me dar licença? - ela disse perdendo a paciência depois de um tempo.
- Ela precisa descansar, , dá um tempo.
- Eu quero saber aonde vocês tavam!
- Um lugar que você não estivesse, que não lembrasse você, ! Agora sai da minha frente! - apenas abaixei a cabeça e saí da frente dela. O foi atrás e eles entraram no quarto que ela dormia, ficando lá por um tempo. Me encostei no batente, já que estava de costas pra porta.
- ...
- Fala, gordinha.
- ... eu vou tirar...
- Tirar o que? - ele parecia confuso, eu também tava. Por mais que aquela não fosse a melhor situação, eu esperava que ela tivesse falando em tirar a roupa.
- O bebê...
- Você não vai tirar o bebê, eu não vou deixar! - ele tinha se levantado tamanho o susto.
- , isso vai destruir minha vida... Eu não quero passar pela humilhação de ser mãe solteira. - os olhos dela tavam fixos em um quadro dela e do quando pequenos na parede do quarto. Ele olhou pra direção da porta e eu JURO que vi fogo saindo do olhar dele.
- , eu vou assumir.
- , você tem noção do que isso vai causar?
- Não interessa, eu não vou deixar você matar seu filho, !
- Você é meu primo, você tá no meu sangue! O que você acha que os nossos pais vão fazer? Eu não duvido nada que eles contratem um assassino pra não sujar a honra da família.
- Eu sei que isso vai dar merda, só que vai ser pior você matar o seu filho. Na verdade... O filho de vocês.
- Cara... - merda , essa hora você tinha que sair correndo daí ou fingir um ataque cardíaco. Shit. - Não vai adiantar se o assumir, ele vai se ferrar, a também e talvez o nosso filho também. - isso, seu filho! Repete de novo isso que você leva um tiro do , da , mas dela vão ser dois, já que o bebê ainda não pode ser um assassino.
- Eu não tenho culpa que você é um merda e não tem coragem de assumir o filho que fez. Antes de você dar umas fudidinhas, vê se usa camisinha da próxima vez pra não engravidar mais uma. - eu não sabia o que responder de novo. Eu sei que eu tava errado, mas o meu orgulho não me deixava assumir esse filho. O me encarava, mas o que mais me doía nisso tudo é que a ainda não me olhava.
- , eu acho melhor você sair daqui. – eu tô avisando, vou virar emo. tava com a cabeça abaixada e chorava em silência, o que me doía por dentro. Não respondi nada, apenas fiz um som estranho com a boca, que nem eu mesmo sei identificar como uma palavra, e saí de lá. Comecei a andar sem rumo pela cidade. Passei pelo parque e vi um casal de adolescentes brincando com o bebê de uma mulher. Alguém lá em cima tava me pressionando ou é impressão minha? Ok, eu definitivamente precisava esfriar a cabeça e o parque e a casa do estavam fora de questão. Passei as mãos freneticamente por meus cabelos, com uma ridícula esperança de que isso fosse um sonho, e num passe de mágica eu iria acordar suado e mijado na minha cama. Andei até o outro lado do parque, até chegar na perfeita vista da London Eye. Sentia saudades das vezes que ia lá, que pra falar a verdade, não fora muitas. Sentei no meio-fio e fiquei observando a roda gigante. Passei horas lá e resolvi voltar pra casa do . Todos já deviam estar dormindo, já que tinha um silêncio perturbador. Subi até o quarto de hóspedes com cuidado pra não fazer nenhum barulho e ser obrigado a ouvir sermões. Entrei no meu quarto e me joguei na cama, adormecendo.
Quando acordei, os raios do sol cismavam em me enlouquecer e da última vez que fui acordado assim, eu engravidei alguém. Desci as escadas e me deparei com e sentados no sofá, abraçados e segurando alguns pacotes de lojas infantis. Sentei na poltrona próxima à eles e os encarei.
- Onde foi ontem de tarde? - perguntou, cerrando seus olhos.
- Fui dar uma volta, esfriar a cabeça.
- Hum. - levantou correndo e novamente foi até o banheiro, provavelmente estaria vomitando. Nos últimos dias ela não tava muito bem, nem fisicamente nem emocionalmente. Não a culpo.
- , você tá bem? - gritei. Sem receber resposta, me virei pro - Quando ela vai contar pros pais? - essa seria a pior parte, me sentia mal por isso, mas não podia estragar minha vida.
- Eles ligaram ontem de noite, disseram que vão chegar amanhã de manhã. Só não sei se ela conta amanhã ou vai esperar mais... - essa com certeza foi a primeira vez que eu vi o tão pálido, deveria estar com medo. Me encolhi e abracei os joelhos. Cortando o silêncio que estava no cômodo, chegou com uma cara nada boa e olhos vermelhos.
- Eu vou contar pra eles amanhã mesmo. - com certeza era melhor contar logo.
- Já sabe o que vai falar? Quero dizer, sua barriga já começou a crescer, se eles te virem, vão logo entender. - sábio
- Ela pode usar um moletom ou algo que disfarce um pouco... - eu tenho medo de dar conselho e receber murro. Nessa situação, o poderia me matar a qualquer segundo.
- Primeira coisa inteligente que você faz na vida. - muito simpático você, .
O dia seguinte chegou e foi horrível, quase não dormi de madrugada, acordava toda hora e juro ter ouvido chorar de noite. Saí do quarto e fui pro banheiro tomar banho, mas ela tava lá, provavelmente devia estar passando mal de novo. Já estava vendo a hora que ela iria vomitar o próprio filho de tanto que passava mal. Esperei ela sair para tomar um banho. Água gelada me tranqüilizava e era isso que eu precisava naquela hora. Um tempo depois, me sentindo uma mulher, saí do banheiro e voltei para o quarto para trocar de roupa.
- , você vai com a gente? - apareceu na porta.
- Vou, claro. - eu realmente estava com medo, poderia dar a louca em mim e eu contar que sou o pai, se isso acontecer minha vida definitivamente acabou.
- Certo, se arruma logo, eu e a já estamos lá embaixo. - ele bateu a porta. Terminei de me arrumar e fui até a sala ao encontro dos dois. Era difícil distinguir o que tinha o rosto mais pálido, mas com certeza, o mais triste era o rosto de .
- Vamos, .
- Tá bom. - cara, ela tava mal. Entramos no carro e seguimos até a casa dela, que não era muito longe de lá, mas estávamos tentando poupar o máximo de energia, principalmente dela. Chegamos. Entramos. Quase nos matamos. Ok, não foi assim, acho que foi pior. Chegamos, tocamos a campainha e a Senhora veio nos atender. Entramos lá, abraçou os pais e eles devem ter percebido a tristeza dela, mas ignoraram. Todos nós sentamos na mesa de jantar e comemos um lanche típico que a mãe dela preparava quando íamos lá, no fim resolveu se pronunciar.
- Mãe, pai, eu quero falar com vocês.
- Fale. - o pai dela disse, sempre frio. Ela encarava os pés e eu sentia que poderia vomitar as palavras a qualquer hora. - Fala, , não temos o dia todo! - seu pai é um amor, .
- Eutôgravida!
- Tá o que? - a mãe dela ficou com os olhos tão abertos que eu pensei que fossem pular até a garganta de e enforcá-la.
- Grávida! - dizia cada vez mais nervosa, aparentemente. Com as mãos apertando as mãos de que só estava com a cabeça baixa.
- Q-Quem é o pai?
- Sou eu, tia. - levantou a mão como se fosse uma chamada no jardim de infância, ainda olhando pra baixo. E eu querendo sair de lá o mais rápido possível.
- , SEU...
- CALMA PAI! - afastou o pai e ele virou um tapa estalado na cara dela - Sabe, eu sempre soube que você era covarde, mas não a esse ponto, pai. - ela disse entre dentes, enquanto sua cara era vermelha de ódio. Sua mãe tava com a boca aberta, escorada na parede, sem saber o que fazer. O pai, ao ouvir o que ela disse, levantou a mão para dar outro tapa, mas eu segurei o braço dele.
- , não se mete nisso. - eu sei, eu sei. Eu não devia nem estar lá, mas eu não podia deixar ele fazer aquilo, cara! Se eu não impedisse, garanto que não seria só outro tapão que ela ia levar.
- Tio, fica calmo!
- NÃO ME CHAMA DE TIO, ! - ele empurrou o , que bateu na parede. Nesse momento, puxei pra fora daquela casa. Ouvimos os gritos ao fundo e, pela primeira vez, a mãe dela tinha se pronunciado, tentando apartar a briga lá dentor. Ela me abraçou e fiquei sem reação. Senti um calor aquecer meu corpo como nunca havia sentido e a única coisa que pude fazer foi abraçá-la de volta. Ver aquilo doía muito, ver meu melhor amigo e a mãe do meu filho passarem por uma situação que eu não desejaria nem ao meu pior inimigo. No caso ela, hehe.
- , eu não devia ter deixado o assumir esse filho... - ela chorava, minha camisa tava inteira molhada, mas eu realmente não me importava. Beijei o topo da cabeça dela e mexi no seu cabelo lentamente, pra tentar deixá-la mais calma.
- Ele fez o que achou certo, fica calma, linda. - okay, eu não devia ter dito isso, me fudi. Nos abraçamos por mais alguns minutos, até sair da casa, puto da vida. Me senti culpado novamente.
- Tá tudo bem, dude?
- NÃO, ! Não tá tudo bem. Primeiro você engravida minha prima, depois não assume o bebê, depois eu que sou o suposto pai dele, levo um puta esporro, meus tios não confiam mais em mim e o SEU filho não vai saber quem é o próprio pai!
- , eu não devia ter deixado você assumir, me desculpa! - ela o abraçou, ainda chorando - Por favor, me perdoa !
- Calma. - ele passou a mão pelo rosto dela limpando suas lágrimas - Você não precisa se desculpar. - ele a soltou - VOCÊ PRECISA! - vinha em minha direção e eu andava pra trás estupidamente. Levei um soco e cai no chão, quando ele pulou em cima de mim e começou a me bater, eu retribuía cada tapa, soco e chute que levava.
- PAREM COM ISSO! - me afastei de , ambos com bocas e narizes sangrando e entrei no carro, sendo seguido por e o . Ele sentou no lugar do motorista e eu fui atrás com , não sei porque. Demoramos a sair de lá, e o silêncio no carro foi inevitável.
- Não vai adiantar nada a gente continuar assim. Quanto mais a gente fugir do assunto, mais a gente vai piorar. Que tal resolver, crianças? - falava como mãe. Acho que ela já tava treinando. Todo o choro dela se transformou em amargura, se você a visse agora, você não ia achar que ela esteve tão mal. Começamos a gritar ao mesmo tempo, jogando a culpa um no outro, quando ela deu um berro, daqueles berros ensurdecedores de menina. - Vocês dois tão piorando a situação, vocês podem párar de brigar por UM MINUTO?! - nós dois abaixamos a cabeça, sentindo culpa. Apesar de tal sentimento ser mais apropriado para mim naquele momento, sentia-se parte do problema.
- Então o que seus tios disseram, ?
- Que não iam sustentar a criança e nem ajudariam em nada. Fora isso, apenas tentativas frustradas de me matar ou deixar surdo de tantos berros.
- E o que a gente faz? - me olhou friamente quando disse "a gente".
- Não sei. - abaixou a cabeça - Trabalhar é a única coisa.
- Eu não sei fazer nada, cara. Sou uma zero à esquerda em tudo! Acho que vou me prostituir... - e eu olhamos feio pra ela, que sorriu sem graça, dizendo ser uma brincadeira. Não sei porque eu olhei feio, acho que no fundo eu senti um pouco de ciúmes. Eu continuava a olhando e ela ficava cada vez mais sem graça, dava pra ver que evitava me encarar. Observei meus pés que batiam no chão do carro, consequentemente inventando um ritmo legal, talvez desse pra fazer uma música com isso.
- Então, os dois papais vão ficar aí se comendo com os olhos ou a gente já pode ir pra casa?
- , cala a boca! - jogou a bolsa no rosto dele. Comecei a rir desesperadamente e ela cada vez mais vermelha com o comentário de .
- Ai, isso doeu! - ele ria com a cara vermelha devido a porrada. Eu tava meio envergonhado e nervoso, tanto faz. Chamaram a gente de papais, nós dois mais uma só criança, papais. NÓS DOIS! Acho que agora finalmente caiu a ficha. Eu sabia que tinha engravidado uma menina, sabia que não ia assumir, mas agora que fui olhar pro futuro e ver o meu filho com outro pai. Imaginando o , e o meu filho, brincando no parquinho, ou correndo atrás um do outro. Isso tudo é culpa dos meus pais que me mimaram, será que isso seria o primeiro problema que eu ia ter que encarar ou eu ia chamar o papai pra resolver de novo? Minha cabeça dava voltas e mais voltas. Eu já estava a ponto de me dar um tiro, mas talvez minha alma voltasse para a terra e ficasse perto de e , só observando o meu filho. Dessa vez o problema era muito mais do que se preocupar em pegar a garota mais gata do colégio, ou em ser o mais foda. Ultimamente minha cabeça tinha mudado um pouco e eu sabia quem era a responsável por isso. Infelizmente eu sabia.
- Vamos pra casa, , sua prima tem que descansar - talvez eu devesse ter ficado calado naquela hora.
- Tá bom, bicha. - disse e me olhou sorrindo sem graça.
Voltamos pra casa de , no caminho conversando sobre diversas coisas menos o assunto criança. Todos estávamos tentando entrar em um clima legal. e foram dormir, e eu, pra variar, fui beber. Não estava em um dos meus melhores momentos, tá?
SEGUNDO CAPÍTULO - Too Dirrty to Clean My Act Up
Dois meses e meio de gravidez. já estava com uma certa barriga, mas nada que lhe tirasse aquele perfeito corpo que possuía. E você finge que não leu isso. Ela dormia encolhida em um canto da cama e eu apenas a observava respirando calmamente, observava cada movimento e cada traço de seu rosto. Fui até a cama dela e sentei ao seu lado, fazendo carinho em seu rosto e esperando que ela não acordasse, mas não adiantou. abriu os olhos lentamente, ao mesmo tempo em que um sorriso se formava em seu rosto, um sorriso tão perfeito que me deixou hipnotizado. Logo ela voltou a fechar os olhos, me deixando imaginar o que ela estaria sonhando. Continuei fazendo carinho em seu rosto e o sorriso, graças a deus, não saía do seu rosto. O barulho da porta se abrindo me fez acordar do meu transe e tirar as mãos dela rapidamente.
- O que você tava fazendo, dude? - me olhou estranhando o meu nervosismo.
- Nada, nada. - sorri amarelo.
- Eu percebi que vocês dois não brigaram até agora, isso é um avanço. - ele sorria, visivelmente feliz por isso, observando-a, mas ela já não sorria mais, tinha apenas uma expressão calma, e linda. Apenas sorri e fui retribuído com um calmo, que me deixou sozinho com novamente. Adormeci por mais ou menos uma hora ao seu lado e quando me toquei, lá estava ela. Deitada pela segunda vez em meu peito, eu com as mãos em suas costas e pela primeira vez estava confortável com ela no mesmo quarto que eu. Era ela que gerava o meu filho, isso não saía da minha cabeça. Talvez eu estivesse ficando sentimental demais, mas a idéia de que daqui à poucos meses eu terei uma criança sendo uma mistura perfeita minha e da , correndo por uma casa, me alegrava tanto, que se não fosse pelo simples fato do pai, de um certo modo, não ser eu, eu estaria correndo por toda a cidade de Londres, gritando para o mundo que eu teria um filho perfeito. Pouco tempo depois acordou, sorrindo pra mim.
- , eu tenho que fazer alguns exames. - ela disse dessa vez séria, depois de um tempo.
- Ahn, quando você vai fazer? - eu já disse que eu sou péssimo? Eu não sei mostrar meu interesse pelas coisas, por mais que ele seja enorme.
- Hoje tem uma ultra-som, e depois de amanhã tem alguns exames de rotina.
- E você quer que eu vá contigo?
- Seria bom...
- Eu vou com você. - foi a minha vez de sorrir.
- Vai no ultra-som?
- Vou.
- E nos exames de rotina?
- Vou.
- E comprar roupa pra ele?
- ELE?
- Eu não sei ainda se é menino ou menina, por enquanto é só “ele”. - ela sorriu nervosa.
- Ah sim, vou, vou comprar tudo que ele quiser. - sorrimos juntos. Me levantei, puxando-a comigo. Ela foi em direção ao banheiro e colocou a mão no meu peito.
- Aqui você não entra. - ela riu, fechando a porta e me deixando com uma cara de merda. Desci pra fazer nosso café da manhã. Sabe, eu não sou um cara muito prendado nem nada, mas meu ovo mexido é o melhor. Subi as escadas pra acordar o .
- Dude, tu vai no exame da ? - chacoalhava ele, que ao ouvir a palavra exame deu um salto pra se arrumar. Saí do quarto, trombando com ela de toalha. Meus olhos brilhavam, tava quase babando e ela ficou sem graça.
- Ahn, ? - ela passou a mão pela frente dos meus olhos, me fazendo ficar vermelho por estar secando ela. Dei um sorriso sem graça.
- Se arruma logo que eu fiz ovos mexidos pro café. - desci as escadas dando socos em mim mesmo. Por que eu só penso com a cabeça debaixo? e apareceram na mesma hora e todos comemos em paz. Às vezes eu olhava para , que vestia uma calça jeans, all star roxo e uma blusa também roxa. Fico tentando imaginar como ela ficaria com aquele barrigão de nove meses. Linda, provavelmente.
- Sabe , tenho que admitir que você está melhorando nesses últimos tempos. - dizia enquanto bebia seu suco.
- Valeu. - foi apenas o que consegui dizer. Entramos em um silêncio daqueles que chegam a ser humilhantes. Terminamos de comer e seguimos para o carro. dirigia e eu fui no banco de trás com ela. Às vezes nos olhávamos e sorríamos envergonhados, parecendo aqueles filmes em que os guris de sete anos se gostam e têm vergonha, sabe? Pois é, sou patético, admito.
O carro se aproximava de um prédio grande branco e verde com algumas coisas escritas. Entramos e vimos várias mulheres grávidas e idosos. Sentamos em uns banquinhos e pegamos revistas pra ler. batia os pés, mostrando seu nervosismo. Segurei a mão dela e ela me olhou com um sorriso que era calmo, mas ao mesmo tempo demonstrava o quão nervosa ela estava. Ela tinha uma garrafinha de água na mão, na qual ela dava grandes goles seguidos.
- . - uma mulher chamava para fazer o exame. Levantamos os três juntos. Ao chegarmos lá, a mesma mulher nos parou.
- Quem é o pai? - ela olhava de mim para o e isso me revoltava.
- O pai s... - me interrompeu
- Sou eu. - o olhei confuso e ele tinha uma feição triste no rosto, entendi o recado. Entramos na sala, eu fiquei um pouco mais longe de do que . Eu a observava enquanto ela passava aquele gel na barriga de e pegava o aparelho. Um sorriso inexplicável apareceu em meu rosto quando naquela tela apareceu aquele ser pequeno que era gerado no útero daquela menina, que com certeza seria a melhor mãe do mundo. Meu coração apertava ao ver aquilo, eu sentia como se aquilo tivesse perto e, ao mesmo tempo, tão distante. Mas eu tava feliz, uma felicidade incrível que me tomou e, por um instante, eu não pensava nas coisas ruins que tavam acontecendo. Quando dei por mim, todos já estavam se levantando pra falar com o médico. estava com uma espécie de sorriso no rosto, ao menos parecia ser um sorriso. Eu não entendia. Ao mesmo tempo em que sua boca tinha uma posição positiva mostrando seus dentes brancos e certinhos, seus olhos demonstravam tristeza. Saímos da sala com a médica dando várias instruções para , dizendo que até o começo do terceiro mês de gravidez, seria bom tomar cuidado e tal. Daqui a duas semanas teríamos um novo ultra-som para ver qual seria o sexo do bebê.
- Então, papai, está feliz com seu bebezinho? - a médica perguntou se referindo à .
- Ah, só podia estar, né! - dava pra ver que o estava incomodado com a situação, mas forçou seu melhor sorriso, aparentemente convencendo a doutora.
Após a não-muito-agradável experiência no médico, voltamos pra casa. Conversa vai, conversa vem, imaginávamos o sexo, o nome e coisas que todos os pais imaginam. Finalmente a gente via um sorriso no rosto da . Dessa vez eu tinha certeza que era de felicidade. Chegamos em casa e continuamos a conversar sobre isso até cansar e assistirmos qualquer coisa na TV.
- Ai! - deu um grito abafado, não muito histérico, colocando a mão sobre a barriga. Nós dois olhamos preocupados e perguntamos o que havia acontecido. - Eu não sei, eu tô sentindo uma dor muito grande aqui. - ela passava a mão pela barriga, se encolhendo no sofá.
- Não acha melhor ir pro hospital? - perguntou .
- Não, eu to bem. - respondeu. - AAAAAAAAAH! - se assustou, e eu a peguei no colo, levamos para o carro. Ela se contorcia de dor no meu colo e apertando minhas mãos, enquanto dirigia em alta velocidade até o hospital. Quando chegamos, logo desci do carro, ainda com ela em meu colo, e foi estacionar. Entrei correndo na maternidade e uma médica me parou, que por acaso era a mesma que tinha nos atendido antes, Doutora Gilmme.
- O que houve?
- Se eu soubesse não estaria aqui desesperado. - respondi alterado.
- Ok, leve-a para a minha sala, já estou indo examiná-la. - corri para uma sala e deitei na maca que tinha lá. Fiquei fazendo carinho em seu rosto, tentando acalmá-la e logo a doutora entrou. - Bem , deixe-me ver como você está. - ela começou a passar a mão pela barriga dela, que gemia de dor. Sai de lá a pedido das duas, não sei porquê, mas tenho minhas idéias do que a médica iria examinar. Após cinco minutos as duas saíram de lá.
- Então, e...
- .
- ... e , por ela ser muito jovem, está com os hormônios um pouco alterados. Isso causa stress e pode lhe causa dores assim ao longo da gravidez. Sugiro que tente não se irritar muito, relaxe o máximo possível.
- Ah, ok. Brigada doutora Gilmme. - dissemos com um sorriso. Fomos para a recepção, assinamos a ficha de e nos encontramos com . Explicamos toda a situação e avistamos a médica novamente.
- Ah, ?
- Sim..?
- Acho melhor você ficar está noite em observação, só por precaução mesmo.
- Ah, tá bom.
- Eu vou buscar algumas coisas suas lá em casa, já volto, prima.
- Ok, . - ela sorriu. Fui caminhando com ela até seu quarto e, nos acomodamos rápido, ligando a televisão logo em seguida e dando risadas escandalosas com Tom e Jerry. Em pouco tempo, dormimos. Ela na cama e eu na cadeira ao seu lado, com o rosto apoiado em suas pernas. Acordei com uma puta dor no pescoço, provavelmente da posição que eu dormi. Cara, eu dormi na perna dela! E que perna! Me espreguiçei, levantando pra esticar as pernas direito, encontrando um bilhete em cima do balcão com uma mochila. Peguei o bilhete, voltando pra perto da cama.
- ! - a sacudi com cuidado e ela abriu os olhos aos poucos. - Tá melhor? - ela balançou a cabeça positivamente, sorrindo fraco pelo sono. Sorri de volta e entreguei o bilhete pra ela.
- Hum, por que ele não ficou?
- Não sei, acho que ele tava cansado, ou sei lá.
"Bem, passei aqui e vocês estavam dormindo. Precisava arrumar algumas coisas em casa, então se precisarem de mim é só ira lá pra casa da Dona Joana, que é o que minha casa está virando com vocês dois morando lá. Não tô reclamando, okay ? É bom ter você perto de mim, meu amor, é mais fácil da gente se ver no meio da noite, mas não conta nada pra sobre os nossos casinhos. Enfim, aqui tem duas roupas limpas, calcinha..." Cara, o mandou uma calcinha fio dental da , PUTA QUE PARIU! "...um sutiã..." Isso, de renda, . "...e tudo o que eu achei na gaveta da sua mesinha. Até amanhã!”. Era isso que dizia no bilhete. Ri ao ver que ela se envergonhou ao pegar a calcinha fio dental que seu primo havia colocado lá.
- Vou matar o - ela disse. Gargalhei.
- Relaxa minha cara, essa calcinha até que é linda. - ri malicioso. Ela me deu uma tapa no braço, gargalhei.
Passamos a tarde mofando no hospital. Às vezes a enfermeira chegava pra ver se tava tudo bem ou servir as comidas nojentas.
- Cara, eu não vou comer ISSO! - ela olhava com nojo pra comida e eu ri.
- Tu quer que eu pegue qualquer coisa na cantina?
- Você faria isso? - os olhos dela brilhavam e eu não consegui deixar de sorrir, balancei positivamente a cabeça e saí do quarto.
- Chegou a comida - disse abrindo a porta do quarto e mostrando-lhe o que havia comprado, vi seu rosto não tão feliz ao ver o sanduíche natural e o suco - Desculpa, não sabia se você podia comer tanta porcaria, quanto eu ia trazer. - ela sorriu e eu fiquei sem graça.
- Tudo bem, relaxa . - ela me deu um beijo na bochecha e inevitavelmente sorri. Ela abocanhava o sanduíche como se fizessem anos que ela não comia.
- Tá com fome, hein?
- , releve, eu estou comendo por dois! POR DOIS! - apontou pra barriga, enquanto terminava o sanduíche, eu apenas ria. Como ela podia ser tão adorável?
- ...
- Diga.
- Você quer que seja menino ou menina? - ela pareceu pensar e assim ficou por um bom tempo. - Eu adoraria receber uma resposta, sabe?
- Sabe, isso pode soar meio clichê, mas eu realmente não me importo com o sexo do bebê, eu só quero que ele nasça saudável. - okay, isso FOI clichê, definitivamente, mas foi tão adorável ver que ela mudou tanto nesses últimos meses. - E você?
- Eu também. - sorri de canto, me aproximando dela e dando um beijo em sua barriga. Okay, estava grande, mas ainda era uma barriga boa.
- Você não está ansioso pra ver o rosto do nosso filho? - ela me perguntou como se estivesse em um transe, já que não me encarava nos olhos.
- Pra falar a verdade, essa é uma das coisas que eu mais penso desde o último mês. - pausei, respirei fundo e continuei - Espero que seja parecido com você. - disse olhando pra baixo.
- Por que? - ela perguntou me parecendo desconfortável com meu comentário.
- Por que se for como a mãe, vai ser linda. - falei sorrindo, realmente envergonhado, e ela me abraçou.
- E se for como o pai, vai ser perfeito. - ela sussurrou no meu ouvido e, pode me chamar de bicha, baitola ou qualquer variação disso, mas eu me arrepiei. Nós dois ficamos abraçados por vários minutos, até que um barulho nos despertou. A porta estava aberta, e um sorridente apareceu.
- Ei, pombinhos!
- Oi , como tá?
- Tô bem, amor - ele deu um beijo na testa dela e me deu um tapinho no ombro. - Vejo mudanças...
- Ahn?
- É po, quem diria que um dia eu veria vocês dois abraçados! - ele tinha um sorriso totalmente idiota na cara, o que nos deixou com vergonha
- Enfim, , sabe se ela já pode voltar pra casa? - perguntei.
- A enfermeira disse que já, mas que é bom a gente ficar fazendo bastante exame de rotina e blá blá blá.
- Certo, tô louca pra ver minha casa... Quero dizer, sua casa. - eu ri ao ver a expressão dela de "anjo", tentando consertar a merda que tinha dito.
- Que seja, guria. Arruma aí tuas coisas, eu tô com fome, vou comer algo.
- Caraca, nem pra arrumar as coisas pra grávida indefesa, hein! Tô fudida com esses dois trastes. - ela resmungava ao ver que nós dois caminhávamos até a porta. Olhamos pra trás com um sorriso daqueles que tu dá pra tua mãe depois de fazer merda. - Voltando e catando minhas coisas, vamo lá!
- Já vi quem vai mandar na casa, ! - sussurrou e começou a rir.
- Eu ouvi isso, .
- Mas , você sabe que você é meio cabeça dura, né. - o disse, supostamente melhorando a situação.
- Claro que não sou cabeça dura! Pelo amor de Deus, , eu só tav..
- OLHA! Chega, okay? Vamos fazer o seguinte: Eu arrumo as coisas aqui, pega o carro e leva a até lá. Será que eu sou o único normal aqui?
- O único normal que brinca de power rangers com uma cueca na cabeça, . - ela ironizou e começou a rir da minha cara. - E você, , não tem motivo pra rir, não, anda! - deu um tapa na bunda dele, que saiu andando com medo.
Os dois saíram do quarto e eu comecei a arrumar a mala dela. Peguei todas as coisas espalhadas por lá e em pouco tempo eu estava no carro com os dois. , meu chauffeur particular, , reclamando pra variar, e eu lá, o que tenta ser normal.
- ... - ela mordia o lábio inferior de um jeito sexy - Pega comida no Mc pra mim?
- TÁ LOUCA? - ele começou a berrar enquanto dirigia. Eu me perguntava como ele conseguia prestar atenção no trânsito e na conversa. - VOCÊ NÃO VAI COMER MC DONALDS, VIU MOCINHA? - tinha uma cara de criança que tinha acabado de levar bronca dos pais por quebrar alguma coisa cara e velha.
Voltamos pra casa, e pra variar, fomos dormir. Ultimamente era só o que faziamos, talvez devêssemos ser mais responsáveis... Não.
Acordei no dia seguinte com do meu lado e uma lembrança me veio à cabeça. A última vez que acordei com alguém dormindo do meu lado, engravidei esse alguém e eu não tô afim de ser pai do filho do , não mesmo. Imagina uma criança com dois pintos? Argh.
- PORRA, ! Tá fazendo o que aqui?
- Pôneis cor-de-rosa, mamãe. Com leitinho, por favor.
- , CARALHO! - o sacudi, que acordou assustado e, pasmem, babado e, o que antes era meu amigo, agora era uma pereba espatifada no chão do quarto.
- Que foi, ? - ele perguntou puto da vida, mas ainda de olhos fechados - Detalhe para um lindo topete à la Elvis Presley na cabeça dele
- Que porra eu tô fazendo com VOCÊ na cama?
- Po, eu ouvi uns barulhos estranhos no quarto e fiquei com medo, aí eu vim dormir aqui. - e ele abriu um sorriso enorme. FREAK!
- Caro amigo, embora eu adore você... - eu não sou gay - eu ainda prefiro acordar com mulheres na minha cama, ou sozinho, já que toda vez que alguém amanhece do meu lado, acontece merda.
- CARA, SERÁ QUE EU VOU FICAR GRÁVIDO? - por incrível que pareça, ele se assustou mesmo e agora corria desesperadamente pelo quarto.
- Caro amigo parte 2, se você tem um útero, deve ficar preocupado. Caso contrário, você não foi abençoado em ter um filho meu.
- Mas cara, eu posso ficar grávido!
- Você é um traveco e não me contou?
- Não que eu saiba. - ele fazia cara de pensativo.
- Então se fode, mano!
- Não fala palavrão na frente do Júnior! - ele fazia uma cara brava enquanto acariciava a própria barriga. O olhei com cara de cu e saí do quarto em busca de comida. Comida-comida, não comida-mulher. Desci as escadas e estava na poltrona da sala, escrevendo algo em um caderno.
- Tá fazendo o que?
- Um diário.
- Você não tá meio grandinha pra ter um diário?
- É um diário de gravidez, seu idiota. - ela me bateu no mesmo braço que sempre bate, já tava até roxo.
- Certo, o que o meu braço te fez pra te causar essa fúria toda?
- O seu braço nada, você fez. - eu ri e ela me olhou sem entender - Qual a graça?
- É que eu não entendi.
- Hum, vejamos como eu posso explicar. - ela parecia pensar e eu fixei meus olhos nela. - Não foi o seu braço que me deixou grávida e sim a sua carola, entende?
- Minha o que?
- , você é homem e não sabe o que é carola?
- Você é mulher e sabe o que é carola?
- Então estamos trocando de papel?
- Hã?
- Ahh! Você é a mulher agora e eu sou o homem indelicado?
- Acho que sim. - eu a olhava com cara de interrogação.
- Certo, . - ela sorriu maliciosa - Durante um dia inteiro, você tem que se comportar como eu, ou seja, uma mulher. E eu serei você. Topa?
- Fechado. - apertamos as mãos - Ah, quem perder faz o que?
- Se você perder, você faz um strip pra mim.
- Ui, tá mostrando outro lado seu, .
- HAHA, mas e se eu perder?
- Ué, faz um strip e ainda dorme comigo, no bom sentido, claro.
- Então você dorme comigo também e de vestido! - pensei um pouco antes de aceitar, mas acabei cedendo. Me lembrei, tô com fome. Corre, , corre.
- Vou comer alguma coisa, já volto.
- Não tem mulher na geladeira, - eu já abria a geladeira e ela me zoava.
- Eu quero algo mais saudável, estou de dieta, querida - disse do meu jeito mais gay, já participando da aposta.
- Que isso mulher, você tá gostosa assim! E esses peitos, hein? - ela disse coçando o saco.
- Er, , não tá faltando algo pra coçar? - ela correu até o quarto e voltou com um volume nas pernas. - QUE PORRA É ESSA?
- Uma meia! - ela tirou a meia do meio das pernas, sorrindo que nem criança e botou de volta.
- Com se sente com isso? - olhei malicioso.
- É cheio demais, tô acostumada a ser vazia aqui.
- Ah, não me diga. - ironizei.
- Ok, ok, quer comer algo?
- Quero, por favor, uma vitamina de morango com canudinho PINK! - disse com as mãos semi-levantadas e sentei na mesa, cruzando as pernas. Até que apareceu na cozinha e viu a prima na cadeira coçando o suposto saco e eu agindo como uma biba.
- Meu Deus, o que aconteceu aqui? - perguntou com o olhar assustado.
- Que topete Elvis é esse, cara? - perguntou e eu gargalhei.
- Até você?
- Hã?
- Esquece. AI, AI, UMA BARATA! - comecei a pular e subi em cima da cadeira.
- , é um chocolate. - disse
- Ai, mas e se eu sujasse meus pés? Eu acabei de fazer as unhas!
- Dude, o que aconteceu aqui? - perguntou de novo.
- Aposta - nós dois dissemos.
- Ah sim. Cara, eu não consigo tirar esse treco da minha cabeça!
- É que eu gozei na sua cara de noite, . - disse e me olhou com as sobrancelhas arqueadas - Quer dizer, eu ejaculei no seu lindo cabelo sedoso e por isso ele ficou assim.
- AAH PORRA, VOU SER UM PAI GRÁVIDO COM TOPETÃÃÃO! - e ele começou a correr novamente. Dessa vez, em círculos.
- Dude, pára com essa porra! - fazia uns sinais de mano com as mãos e eu fingi que estava indignado. Ou seria indignada?
- Querido, não fala assim! É muito feio falar palavrões! - tampei a boca dela, que mordeu meu dedo, me puxando pela cintura como se eu realmente fosse a garota.
- Que dedinho, hein! Gostoso como você! - ela piscou e eu sorri safado, apertando a bunda dela. Ou dele.
- , pode parar por aí. - ela falou com cara de indignação e eu soltei sua parte traseira e em seguida ela que apertou as minhas bolas.
- UI ui, quer resolver isso?
- Er, só depois do jogo.
- TEM JOGO HOJE? - ela arqueou uma sobrancelha. - Quero dizer, tem jogo hoje, querido? - falei novamente com as mãos semi-levantadas.
- Tem, que tal você fazer umas compras e me deixar em paz?
- OH! Amor, isso não é coisa que se diga.. Quanto você tem aí?
- 50 libras.
- Fechado. , vem comigo, gatinho. - disse já puxando para fora de casa.
- , você tá esquecendo de umas coisas.
- O.. o que?
- Esqueceu de que você é mulher, hoje?
- Er...?
- Se vista como uma, dã!
- O QUE!? - começou a rir como hiena e eu queria socá-lo.
- DUDE, eu não posso sair de casa vestido de mulher!
- Então vai perder a aposta.
- Nada contra dormir com você. - ela corou - Mas isso de me vestir como mulher, afeta a minha masculinidade.
- E agir como uma é bem normal pra você, então?
- Ok, eu vou vestido de mulher, mas você vai ter que ir comigo, vestida de HOMEM! - sorri.
- Eu topo. - ela sorriu sexy,e eu me segurei pra não atacar ela. Subimos as escadas e decidimos ajudar um ao outro. Ela entrou no quarto dela, abrindo o armário e olhando dentro dele por um bom tempo.
- Querido, adorariiiia que você escolhesse mais rápido! - ela riu e tirou um jeans daqueles que te deixa com gosto de calça de tão justo, uma blusinha rosada adidas e um salto prateado.
- Eu vou ficar com inveja de você, isso em off, okay? - ela revirou os olhos, como se quisesse dizer 'é tão tudo', numa forma bem viada. Peguei a roupa e saí do quarto, indo escolher uma roupa bem fudida pra ela.
- Só um aviso: tu vai até criar um pinto depois da roupa que eu vou escolher.
- Ai, eu já tenho! - ela falou grosso, apertando a meia que tava no meio das pernas dela.
- Claro, claro. - abri o armário e peguei uma calça no mínimo três números maiores que eu, uma cueca samba-canção, uma camiseta vermelha e uma jaqueta.
- Eu não vou usar isso, - ela disse nervosa, colocando a calça na frente de seu corpo e vendo a diferença de tamanhos em comparação.
- Ah, vai sim. - empurrei ela para o banheiro, de onde ela saiu vestindo tudo isso, mas a calça tava realmente folgada.
- Tá uma diva - Gay, né? - só falta um tênis, e claro, homem que é homem não tem cabelo comprido.
- Que machista, !
- Ah, cala a boca e coloca isso. - entreguei um all star mais que surrado e ela me olhou de cara feia. - Vai logo.
- Argh.
- Agora prende o cabelo com o boné. - descemos as escadas e mais uma vez riu de nós. Já estava me enchendo isso. Saímos de casa e eu entrei no lado do motorista.
- Nananinanão! Você NÃO vai dirigir, quem dirige é o homem! - bufei e entreguei as chaves pra ela. No meio do caminho, ela colocou a mão na minha coxa e falou entre risos.
- Caralho, minha namorada é MUITO gostosa!
- Talvez porque ela se exercite muito de noit, com o namorado, né?- ela ficou tímida e eu comecei a gargalhar. nem estava vivo mais, já tinha morrido há três anos de tanto rir no banco de trás.
- , você tá bem? - ela mudou de assunto, é foda.
- Eu, HAHAHAHA, tô AHAHAHAHAHAHA, ótimo.
- Ok, chega disso, vai. - nos calamos e fomos até o Shopping em silêncio, rindo uma vez outra por nenhum motivo.
- Finalmente chegamos. Cara, tá todo mundo olhando pra gente. - falei, enquanto subíamos as escadas rolantes até o segundo piso, onde tinham as melhores lojas. Tô virando gay, fala sério!
- Eu sei, culpa de vocês dois.
- É. - riu.
- Gente, vou no banheiro, já volto. Me encontrem sei lá onde. Me liguem, é mais fácil.
- Tá, tá. Então dude, quer fazer algo?
- Depende, eu tenho que agir como mulher mesmo sem ela por perto? Isso tá me traumatizando. - riu
- Pode ficar normal, eu não conto pra ela.
- Ok, ah, eu tava pensando em comprar algumas coisas, vamos?
- Falou.
Andamos por mais de uma hora e nada de . Compramos várias coisas e, carregados de sacolas, resolvemos nos encontrar com a princesinha. Ok, isso é brega.
- Alô , ?
- Huh?
- Onde você tá?
- No Mc Donalds. E vocês?
- A gente tá indo aí.
- Okay, vejo vocês, beijos. - depois de andar pelo shopping inteiro, sendo o centro das atenções, nos aproximamos da mesa dela.
- NOSSA, QUE AVIÃO! - ela falava alto, gargalhando e, principalmente, me deixando sem graça.
- Eu tô me sentindo rídiculo assim. - fato.
- Engraçado, eu não. - ela ironizou e eu quase a soquei, mas lembrei que sou uma dama.
- Seria por quê a única diferença sua é que você tem um boné prendendo os cabelos?
- É, mas é bom ser o macho da relação.
- Que relação? - se intrometeu.
- Nenhuma. - dissemos juntos.
- Olha, vocês vão comer alguma coisa ou só vieram me irritar? - ela perguntou.
- Ah, sabe. A gente não tem mais nada pra fazer e resolvemos atormentar uma grávida! - falei um pouco alto e algumas pessoas a encararam.
- Precisava lembrar?
- Desculpa.
- Bom, acho que a gente não tem mais nada pra fazer ou vocês tem? - fizemos sinal negativo com a cabeça e nos levantamos. Coloquei meus braços em volta da cintura da , enquanto ela colocava os dela no meu ombro, mesmo ficando meio tortos por causa da diferença de altura.
- , esse freio de mão é duro demais!
- Achei que gostasse de coisas duras. - ironizei
- Gosto de uma mão fechada e dura na tua cara.
- CALEM A BOCA, PORRA! - gritou, eu virei pra encará-lo e fez o mesmo pelo retrovisor. Minutos depois, paramos em um sinal e um ônibus parou ao nosso lado.
- PSIU, GOSTOSA! - um dos caras gritou pra mim, ou pra . Diz que foi pra ela, diz que foi. É, não foi. se esticou um pouco, até aparecer pra eles. Tirou o boné, de forma que mostrasse que ela realmente era uma mulher - das bonitas, por sinal - e me beijou. Estranhei a reação dela, mas continuei o beijo. Os caras do ônibus tavam boquiabertos. Será que eles ainda acham que eu sou mulher? Chegamos em casa e eu me joguei no sofá.
- , mulher não faz isso.
- Você faz.
- Vai se foder!
- Você é muito boba!
- Nossa, me chamar de boba é o fim do mundo. - ela ironizou e eu a fuzilei com os olhos. Subi para o meu quarto e voltei apenas de boxers, roupas de mulher são quentes.
- Gata, hein?
- Pois é, Dougiezinho, quer alguma coisa hoje de noite?
- Hey, hoje a noite é minha, ! - se pronunciou.
- UI, tem aqui pra todo mundo.
- Na verdade, não é que eu te queira, mas sabe, a aposta é assim e você vai perder. - ela fazia uma cara falsa de tristeza, que eu ignorei, como o seu comentário. Olhei o relógio e eu percebi que o jogo devia estar pra começar. Liguei a TV, chamando o e a . Pedimos a pizza, que chegou no final do segundo tempo.
- Vai lá, ! - ela o empurrou do sofá com os olhos fixos no jogo.
Durante isso, o jogo acabou e eu sabia que a não ia deixar de alfinetar.
- Nossa hein, , que timinho! Meu Manchester ganhando de 2x0.
- SEU Manchester? Cai na real, menina! Tu só torce pra esse timinho porque tu acha aquele tal de Cristiano Ronaldo gato, tu não entende o que é futebol de verdade!
- Claro que não!
- Claro que sim!
- Não!
- Sim! - e isso continuou por um bom tempo, nós nem percebíamos que estávamos sendo observados pelo e o entregador de pizza.
- Não é querer ser chato, mas os dois perderam a aposta.
- O QUE? - nós gritamos ao mesmo tempo, prestes a atacar o .
- É, ué. , você não coçou o saco, nem fez nada que um macho faria e não se fingiu de viado, só ficou falando palavrão e quase atacando a guria. Ou seja, os dois perderam.
- , VAI TOMAR NO C..
- Cof cof - tossiu falsamente.
- É CU MESMO!
- COF COF!!!
- O QUE É, PORRA!?
- , você vai ter que fazer strip pra mim.
- Você que tem que fazer pra mim.
- Vocês vão fazer pra mim.
- QUE!?- gritamos juntos, prestes a dar uma voadora no .
- Eu não vou ficar pelado na tua frente, dude.
- Não quero ver teu bilau, . Não de novo. - ele falou de uma forma gay.
- Chega, bibas! Mas enfim, , eu não vou ficar pelada na tua frente.
- Vai sim. A aposta de vocês foi essa.
- MAS VOCÊ É MEU PRIMO.
- E o PAI do seu filho?
- Não de verdade. - eu disse com as mãos fechadas e cabeça baixa.
- Que seja, vamos acabar logo com isso. - falou nervosa. Dois minutos depois, saiu de casa, sem nos dizer absolutamente nada e nós ficamos lá, esperando no sofá.
- QUERIDA, CHEGUEI! - ele apareceu na porta com uma sacola vermelha.
- Er...?
- Relaxa, . Aqui são as roupas que vocês vão vestir pra mim.
- , eu já disse que NÃO vou ficar pelada na sua frente. Tipo, HELLO, eu sou sua prima! - ela fazia cara de nojo, de um jeito gay, pra variar.
- Ninguém mandou fazer essa aposta, . - ele ria.
- A aposta era com o , não contigo!
- De qualquer jeito, você prefere ficar pelada na frente do seu primo ou dele? Bom, cheeeeega de papo, eu vou mostrar suas roupinhas! - ele fez cara de criança que aprontou, tirando uma roupa de bombeira da sacola. - Essa é sua, . - nossos olhos estavam arregalados e ela mal conseguia falar. - eu sei, eu sei, vou um favorzinho pro nosso amigo . E pra mim. - ele riu, tirando uma roupa de King Kong da sacola - E essa é sua, !
Nós dois ficamos nos olhando com vergonha e paralisados, até que saímos do transe.
- Cara, por que tu ainda tá aqui? - perguntou, se virando para o entregador de pizza que ainda estava lá, mas agora, sentado na MINHA poltrona, comendo a MINHA pizza.
- Ah, eu quero ver o strip, guria gostosa, ué. - ele falou secando com os olhos e ela corou.
- Cara, tira o olho. - falei e todos me olharam assustados. - Isso não é jeito de se falar com uma mulher...
Enfim, depois de muita discussão, improvisamos um cenário para a putaria começar, e sim, o entregador ainda estava lá. Afastamos todos os móveis e subimos para nossos respectivos quartos, até voltarmos para a sala, cada um com seu "traje". vestia um minúsculo vestido de bombeiro, uma bota também vermelha e um daqueles chicotezinhos. E eu? Era apenas um gorila, gordo e peludo.
- Okay, eu tô morrendo de vergonha. - ela disse baixo, parando antes de descer as escadas que davam na sala, onde e o entregador-introsa tavam. Olhei ela de cima abaixo, demorando um pouco nas partes que mais me interessavam, quase todas.
- Você REALMENTE não tem do que ter vergonha. - ela ficou vermelha, encarando os sapatos.
- Eu não quero ficar pelada na frente de vocês.
- Você já ficou.
- Na sua frente e é diferente. A gente tava bêbado e a gente não lembra de nada. - ela apertava as mãos e eu quase aceitei fazer o strip sozinho. Eu disse quase. Meus hormônios não me deixariam não ver ela fazer um strip já que eu já perdi ela pelada da primeira vez. E algo me dizia que dessa vez seria aquela coisa que ficaria marcada na memória. Desci as escadas, com assoviando pra mim, ou pra , sei lá. E o senhor entregador, calado, ainda a secando.
- Então, né... - gaguejava.
- Comecem logo! - disse.
Eu apenas dançava feito... bem, um macaco. Mas , dançava igual aquelas dançarinas de boate, sabe? Descia até o chão, depois subia devagar. Eu parei de "dançar" e fiquei a observando, mas ela não percebia pois dançava de olhos fechados, provavelmente pra não ter que olhar nos nossos olhos. Eu tirei a parte de cima daquela fantasia e ela tirava as botas. Tirei a parte de baixo, seguido pelos "sapatos" e ela tirou o vestido, ficando apenas de lingerie. Ela ainda dançava e todos a observávamos. Quando abriu os olhos nos olhou com uma expressão assustada e tentou tapar um pouco do seu corpo. Olhei pros dois sentados no sofá, tinham a mesma expressão que eu, boquiabertos, babando, segurando o volume que tavam nas nossas calças. Ela cerrou os olhos com força, como se aquilo ajudasse a esquecer de que ela tava cercada de homens assistindo ela ficar pelada. Tirou a parte de cima da lingerie, mas ela logo cobriu com o braço, não dando pra aparecer nada.
- Tá bom por aqui, né? - ela colocou as roupas de volta e subiu, mas os nossos olhares continuavam fixos no lugar que ela tava antes.
- É.. , er..
- Ham? - ele disse com a mesma expressão que eu estava.
- Por quê o cara da pizza ainda tá aqui?
- Sei lá. Cara, vai embora. - ele disse, acordando do transe e expulsando o cara.
- Cara, a sua prima.. ai, meu deus.
- É...
- Se eu tiver uma filha e ela nascer com os dotes da mãe, eu vou ser o cara mais ciumento do mundo, fato.
- Ham? - ele arqueou uma sobrancelha
- Nada, momento idiotice mesmo.
- Ok, como quiser. Eu acho que vou no banheiro, isso me deixou... você sabe.
- Que nojo cara, me poupe de detalhes. - argh.
- Ok ok, até mais King Kong. - e lá se foi o próximo ganhador do concurso "Punheteiro do ano", se é que existe isso. Subi até o meu quarto e deitei um pouco na cama. Esperei alguns minutos e cai no sono e adivinha! Sim, eu tive um daqueles sonhos que tu acorda suado, como se tivesse mijado na cama, com um volume no meio das pernas. Sim, eu sonhei com o strip, e sabe, o final era ótimo, muito melhor do que o verdadeiro. Fui tomar banho, eu tava melado (de suor) e não seria legal eu aparecer assim. Cheguei na cozinha e a tava colocando uma panela de macarrão à parisiense na mesa e eu percebi que ela não nos olhava. Ok, se eu tivesse no lugar dela também não olharia. Silêncio durante o almoço, com apenas algumas tentativas frustradas pela minha parte e do de começar uma conversa. Eu disse frustradas.
- Então gente, quem dormiu bem? - perguntou, tirando uma cerveja da geladeira.
- Você? - respondeu seca.
- Nossa, parece que só você mesmo, .
- O que eu fiz?
- Tá grávido, cara. - falei irônico, mas o inteligente começou a correr pela cozinha como da última vez.
- EU NÃO POSSO TÁ GRÁVIDO, EU NÃO POSSO!
- , SE FODE! - a guria gritou e eu fiquei com medo.
- Que foi, mano? Olha, a gente entende que você deve estar com vergonha, mas não precisa ficar assim também. Eu já te vi sem roupa e o é seu primo, então o que isso afeta?
- Você fala isso porque não foi você que ficou pelado na frente de alguém que te odeia, do seu primo e de um maldito entregador de pizza!
- Alguém que te odeia?
- Ah, agora vai dizer que me ama!?
- Mas cara... - eu não tinha coragem de que talvez eu tenha mudado um pouco os meus sentimentos por ela.
- Não precisa responder, é melhor eu não ouvir mesmo. - ela saiu da mesa, indo pro quarto dela.
- Você não odeia ela, odeia?
- Não sei... - encarei meu prato, vazio porque eu tava com fome.
- Por que você não fala isso pra ela?
- Porque eu não tenho coragem, porra! - ele me olhou desaprovando e eu me levantei da mesa, indo atrás dela. Bati na porta.
- Sai, tô dormindo.
- Engraçado, quando eu durmo eu calo a boca.
- Sai, porra! - abri a porta, ignorando as almofadas que acidentalmente vieram para o meu rosto e sentei na beirada da cama dela - Que que você quer?
- Me desculpa, ok?
- Desculpar por..? - ela estava com o travesseiro no rosto, pro isso sua voz saía abafada.
- Por não ter coragem de te ajudar nisso, por tanta coisa, cara.
- Agora a culpa vem, né? Quando eu preciso de você, você nunca está comigo!
- CARA, TÔ PEDINDO DESCULPA!
- DESCULPAS NÃO VÃO MUDAR O FATO DE TER UMA VIDA CRESCENDO DENTRO DE MIM!? QUE ALIÁS, É CULPA SUA TAMBÉM!
- OLHA! Me desculpa, ok? Eu não tô afim de brigar contigo. - respirei fundo - , só me ouve um pouco, tá? - ela assentiu com a cabeça - Por mais que não pareça, eu tô tentando, ok? É claro que eu não me sinto bem vendo você assim, não me sinto bem sabendo que sua vida não vai ser a mesma e não me sinto bem sabendo que eu sou o culpado disso. - ela se sentou ao meu lado, mas com cabeça baixa. - E.. eu não te odeio - falei o mais baixo possível.
- Não?
- Não, cara. - ela sorriu.
- Consegui ver um sorriso no seu rosto, tô me achando o máximo agora. - ri e ela me abraçou.
Quando acordei, o relógio apontava 10 da manhã e eu simplesmente não conseguia mais voltar a dormir. Levantei e coloquei minha roupa tentando fazer o menor barulho possível. Saí de casa caminhando com um rumo certo.
- Senhora ? - a mãe da abriu a porta, com cara de quem chora há dias.
- Oi . - ela sorriu fraco, provavelmente por não estar em um ótimo humor desde aquele dia - O que você quer? Tá tudo bem com a ?
- Tá tudo bem sim. - sorri do mesmo jeito que ela havia sorrido - É que eu preciso contar uma coisa pra vocês.
- Meu marido não está em casa, mas você pode me dizer. - engasguei com o ar que eu respirava, tomando coragem pra falar o que eu precisava.
- É sobre a sua filha. - vi o rosto dela ficar cada vez mais sério, respirei fundo - O pai não é o , sou eu. - vi confusão no rosto dela e resolvi soltar tudo de uma vez. Pior não fica, fica? - Me desculpa não ter assumido antes, mas é que eu não tive coragem... O só assumiu porque não queria deixar ela sozinha nessa.
- Mas eu... eu achei que você e a não se dessem bem. - ela tava visivelmente chocada, mas não tanto quanto o dia em que achou o pai era o . - E a Kate e o Albert, o que acharam disso?
- Eles ainda não sabem. - cerrei os olhos e respirei fundo - Vou contar logo que sair daqui.
- Eu acho que vou ter que ligar pro meu marido agora e... Você vai mesmo contar agora para os seus pais, não vai? - assenti com a cabeça - Então traga-os aqui no fim de semana, creio que teremos muito o que conversar. - ela fechou os olhos e encostou a testa no batente - Vocês não entendem o quão importante é isso, né?
- Eu sei que é difícil, mas o que uma criança pode querer mais do que amor de um pai? - perguntei seguro.
- Uma família, ! Uma criança precisa de base familiar, como vocês tiveram. E talvez um pouco mais de limite. - ela sorriu de canto, como se aquilo fosse uma risada.
- E você quer dizer que...
- Que acho que o melhor a fazer seria um casamento.
- Casamento? - estava boquiaberto, com os olhos arregalados.
- Mas isso é só uma hipótese, temos que conversar ainda. Agora se me dá licença, eu tenho que ligar pro meu marido. - acenei com a cabeça e me virei pra ir embora, sentindo a porta bater atrás de mim. Saí daquela rua, andando lentamente. Formulava jeitos de contar pra eles, mas nada parecia bom o bastante. A conversa com a mãe da tinha sido fácil, mas eu não esperava que a com os meus pais fosse ser assim. E aliás, provavelmente pegar o resto das minhas roupas e me mudar de uma vez pra casa do , o único lugar em que eu sou livre pra andar de cueca e coçar o saco.
TERCEIRO CAPÍTULO - Secrets Aren't Healthy
Sabe o que é ser a ovelha negra da família? Pois é, eu nunca dou uma bola dentro, apesar de alguns anos atrás eu ter desistido de tentar. E mesmo que algo seja bom, nunca é bom o bastante quando se tem um irmão pegador e bem sucedido. Com certeza aparecer falando 'oi pai, você vai ser avô!' não vai ajudar muito a mudar a opinião dele. Bati na porta, que foi atendida pela empregada chinesa e estranha.
- meu querido! - ela me abraçou e eu fiquei pensando de onde ela tira a idéia de ser tão íntima de mim.
- Oi Pen Woo! - dei dois tapinhas nas costas dela e sorri forçado - Meus pais tão aí?
- Estão, na sala de jantar. - entrei na casa com as mãos no bolso, tentando achar que eles iriam aceitar numa boa. - Oi pai, oi mãe. - sorri fraco e eles apenas me olharam por cima dos óculos, sem expressão nenhuma. - Que vocês tão fazendo?
- Contas. - meu pai disse seco e eu sentei numa das cadeiras.
- Ahn, interessante. - fiquei batucando meus dedos na mesa, recebendo um olhar de desaprovação. - Sabe o que é? Eu tenho uma coisa MUITO importante pra falar com vocês.
- Diga.
- Vocês vão ser avós. - falei na lata!
- Como é? - minha mãe disse, finalmente tirando os olhos daqueles talões de cheques, me olhando friamente.
- Bem... Sabe quando você tem relações sexuais e um esperma fecunda um óvulo, daí a partir disso, começa a nascer um embrião, mais tarde chamado de feto, bebê e que vira uma criança...
- Já entendemos. - ela me cortou.
- Ah...
- , você sabe o que isso significa?
- Que vocês vão ser dois avós felizes? - sorri forçado. Se tivesse um prêmio pra "Pior sorriso do ano", seria meu.
- Você só traz decepção pra essa família. Olha o seu irmão, o Jake não tem problemas no trabalho, sempre namorou as mulheres de mais classe. E você vem me dizer agora que vai ser pai? Eu realmente espero que você não tenha esperanças que eu vou sustentar você e sua ninhada.
- Não precisa... - disse baixo.
- Aliás, quem é a menina? - minha mãe perguntou, cruzando as pernas e voltando a olhar as contas.
- É a .
- Que ? ? Filha da Lynn e do Jack? - ela disse, aparentemente muito chocada. Assenti com a cabeça e ela abriu a boca algumas vezes, tentando dizer algo. - Mas vocês...
- Eu sei, a gente não se gostava... Mas é que não era bem assim. - menti. É melhor que eles saberem que eu fiz isso bêbado, hihi.
- Tá vendo, Kate? Quem manda você ficar enxendo a cabeça do menino de minhocas, dizendo com quem ele deveria ficar? Só podia acabar em merda mesmo!
- Albert! - ela o cortou - Eu nunca achei que a filha da Lynn seria uma puta!
- NÃO FALA ASSIM DELA, PORRA!
- Não fale assim com sua mãe, !
- Que seja. - me levantei e subi até o meu quarto pra pegar algumas coisas, o que ocupou duas malas grandes, e desci novamente - Aliás, os querem que vocês dois vão lá na casa deles no fim de semana. - saí sem me despedir e voltei pra casa do , mas hesistei em entrar. Fiquei sentado na pequena escada, na frente da porta. Fiquei parado por um tempo, sentindo a chuva cair sob a minha pele, mas o meu momento foi quebrado por , que abriu a porta.
- , quem você acha que é pra sair de casa sem avisar ninguém, não levar o celular e só voltar AGORA? - ela berrava, se mostrando bastante preocupada.
- Ahn, vocês tão preocupados? Porque eu já sou grandinho, né!
- É CLARO QUE A GENTE TAVA PREOCUPADO! - ela me puxou pela orelha e me jogou sentado no sofá.
- Ok, fica calma e respira fundo. - segurei a mão dela e ela parecia se acalmar - Tenho boas notícias.
- Tá, fala logo. - batia o pé e estava com uma mão na cintura. Aquela cena era bem engraçada, devo dizer.
- Já pensou se todo mundo ficasse sabendo que eu vou ser pai? Já pensou se seus pais soubessem que o não te engravidou?
- Você bebeu?
- Cara, eu fui contar pros seus pais, contei pros meus e agora eu sou o homem mais feliz do mundo. Eu vou ser pai da criança mais linda do mundo e quero que todos saibam disso.
- , desculpa, mas... você não tava com medo?
- Medo nada.
- Tava sim. - ela riu.
- Ah, mas o que importa é que seus pais e os meus agora sabem. - sorri
- E eles vão ajudar com as despesas? - ela perguntou pulando, com um sorriso de orelha a orelha.
- Na verdade não. Mas seus pais querem se encontrar com o meu e vão conversar sobre o assunto.
- Pelo menos.
- Cade o ?
- Foi comprar um teste de gravidez. - ela rolou os olhos.
- Por que? Você tá bem? Aconteceu alguma coisa? - coloquei as mãos na barriga dela, já me desesperando.
- Não, é que ele tá com medo de estar grávido mesmo. - me levantei, abraçando-a pela cintura.
- Tá afim de fazer o que hoje, minha biscate?
- Mofar aqui em casa.
- Tem coisas melhores pra se fazer em casa, sabia?
- Quer me mostrar alguma delas? - ela sorriu pervertida e eu não me controlei, puxei ela pela bunda, fazendo-a ficar no meu colo.
- , quanto fogo no rabo, credo. Nem tô te reconhecendo.
- Então você me conhece como santinho? - sorri maroto e ela me deu um tapa no braço.
- É, você é tão santo que tá apertando minha bunda. - ela rolou os olhos novamente e eu ri.
- Vai dizer que não tá gostando? - falei baixo em seu ouvido
- Me diz você. - ela retribuiu o mesmo tom. Aproximamos nossos rostos e tocamos nossos lábios. A porta se abriu, revelando um filho da puta e fazendo pular do meu colo.
- , você voltou, cara! Onde se meteu?
- Ah, por aí, sabe... - meu coração tava batendo tão rápido que eu jurava que ele saíria pela minha boca, ou pelo meu cu, a qualquer hora.
- Hum, suspeito.
- Ah , você não precisa mais ser pai! - sorri grande
- VOCÊ ASSUMIU? - ele veio me abraçar e eu empurrei ele longe. Estou meio sensível a qualquer tipo de toque depois do que aconteceu há segundos atrás.
- Não toque, simplesmente, não toque.
- Que foi dude? - ele perguntou. olhou pra mim e começou a rir descontroladamente. Que ótimo, lá vou eu pro banheiro tirar o volume das calças
- Já volto. - e lá vou eu. Passei dois minutos no benheiro, tentando relaxar, o que era em vão. , TIRA AS REVISTAS DO BANHEIRO, PORRA!
- Voltei, gente. - eu andava devagar, um passo de cada vez, com cuidado. E pelo jeito, os dois perceberam, já que começaram a rir quando me viram.
- Qual a graça?
- Tá potente, né ? - me olhou maliciosa.
- Você não viu nada, querida.
- EI EI, chega de papo pornô por aqui, se quiserem se comer, é melhor esperar que eu não esteja aqui. MAS eu não vou sair agora. - bufei - Então , me explica aí!
- Explicar o que?
- Como você assumiu, anta.
- AAHH, eu acordei e pensei "ah, vou assumir meu filho", então fui pra casa da , assumi pros pais dela e depois fui pra minha falar pros meus. Aliás, eu trouxe minha mudança pra cá.
- Como é que é? - ele arqueou a sobrencelha
- Sabe que é, meu querido... minha casa não é o melhor lugar pra se viver.
- Tá, né. provavelmente vai ficar aqui também. O que acham da gente abrir uma pousada?
- Prefiro um puteiro - me bateu - OUTCH, que foi?
- Se você abrir um puteiro, eu vou trabalhar nele. - ela sorriu desafiadora e eu fechei a cara.
- Não! - eu e falamos juntos.
- Por que não? - ela se levantou e colocou as mãos na cintura.
- Porque você está gravida, ué. - improvisou.
- Eu posso ficar apenas de calcinha e sutiã servindo os clientes, sem dançar, ué.
- Não, é melhor você descansar, é muito cansativo.
- Conta outra, . Vocês tão com ciúmes porque vai ter um monte de caras olhando pra mim. - ela começou a dançar e passar a mão pelo corpo. Merda, sai volume, sai volume. Peguei uma almofada, colocando em um lugar estratégico, he.
- , você não tem pena da gente? - o falava com a voz esganiçada, cobrindo o rosto com as mãos, mas olhando entre os dedos.
- É, parece que quer matar os homens da sua vida. - dramatizei, ela riu.
- Simplesmente quero mostrar que eu estou certa. - ela disse com desdém. Ai deus.
- Ah claro, e fazendo nossas calças rasgarem é um bom jeito de mostrar a verdade? - perguntei.
- Tecnicamente... - ela sorriu maliciosa. - Mas , a sua verdade é bem grande. Já o eu não sei.
- EI, o meu Junior é maior do que o do .
- Duvido - falei, me achando o máximo. Sabe, eu fui abençoado. Não sei de onde saiu isso, porque meu pai deve ser broxa. Espero que eu não tenha herdado isso da minha mãe, dude. - ESPERA! VOCÊ DISSE QUE EU TENHO UMA VERDADE GRANDE?
- Err... disse?
- WOOOOOOOW, admitiu finalmente! - sinto que ela quer me socar.
- A gente não pode tentar fazer alguém feliz que a pessoa já acha que é verdade... Triste isso! - ela me dava tapas de consolo, fortes por sinal.
- Calma né, daqui a pouco vai abrir um rombo nas minhas costas. - tirei as mãos dela de cima de mim.
- É, , pra que fazer outro rombo nele se ele já tem outros na bunda? - falou e saiu correndo e eu atrás dele. Se escondeu atrás da . Covarde.
- SAI, COVARDE! Briga que nem homem!
- Ok, , HORA DA FIGHT! - ele saiu de perto dela, fazendo uma pose ninja, e eu fiz a pose da "águia" e começamos a nos dar tapas. apenas gargalhava em cima do sofá com a mão na barriga.
- UIÁÁÁÁ! vem -chan, me derrote se for capaz!
- AAAIÁÁÁ! PFFFFFFFF! - fiz aqueles barulhos de quando se está brincando com seus bonecos de ação.
- Crianças, crianças! Podem ir parando ou eu vou deixar vocês de castigo, hein. - ela ria, apoiada nos nossos ombros.
- Essa daí já tá se preparando pra ser mãe, pena que não obteve muito êxito.
- Eu sou uma mãe nata, meu querido !
- Quero ver você trocar uma fralda!
- É, uma fralda cheia de merda! - se empolgou, recebendo um olhar malígno (sexy) da .
- , você que vai trocar as fraldas. Eu vou dar a luz, já é esforço demais, meu caro.
- Eu não, você que é a mãe nata aqui, né?
- Mãe nata me lembra leite. - filosofou.
- Cara, se mata! - eu e ela dissemos juntos, rindo em seguida.
- Nossa, a criança vai ter pais muito legais, hein! - ele saiu frustrado da sala.
- CARA! - PORRA, QUE SUSTO!
- Que foi, sua louca?
- Eu... EU VOU FICAR COM UM CORPO HORRIVEL DEPOIS DA GRAVIDEZ! - ela tava realmente preocupada. Eu também.
- Vai nada, é só ir pra academia.
- ÓBVIO QUE NÃO! E todas as estrias, gorduras, pelancas que eu vou ter? - a cada palavra eu fazia uma careta, com medo.
- Ah, mas é só fazer regime, malhar e tudo mais.
- Eu vou ficar arrombada, só de rir já vou fazer xixi na calça. - ela fez cara de choro e me segurou pela minha camisa com cara de psicopata. - , EU NÃO QUERO FICAR ARROMBADA!
- Er.. é só fazer cesária.
- MAS E A CICATRIZ? MINHA VIDA ACABOU, NÃO É JUSTO, VOCÊ QUE TINHA QUE DAR A LUZ!
- Eu não acho que isso seja uma boa idéia. - olhei pro meu Junior, imaginando um bebê saindo dele. AAAAAI!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! MEUS PEITOS VÃO FICAR CAÍDOS! - ela agarrou os próprios peitos, os encarando com desespero.
- Quer que eu faça isso por você? - sorri pervertido.
- , é SÉRIO! Acho que vou abortar!
- AGORA QUE VOCÊ NÃO ABORTA! ME ESPERA CONTAR PRA TODO MUNDO PRA DECIDIR ABORTAR? NEM A PAU!
- Mas , eu não quero ficar toda ferrada. Não vou conseguir nenhum namorado feia do jeito que eu vou estar. - ela fez cara de choro e eu a abracei.
- Pra mim você vai ser sempre linda, ok?
- Mas eu não quero ficar toda caída.
- Com o tempo eu também vou cair, te faço companhia
- Mas eu vou cair antes, não é justo. - ela encarava os pés, sorri pra mim mesmo.
- Não, é só usar um sutiã bem apertado, ele não deixa nada cair.
- Mas vai doer. - ela fez bico.
- Desisto.
- Você tentou, pelo menos. Melhor você fazer muito dinheiro pra me pagar as zilhões de plásticas que eu vou precisar. - ela riu e voltou a sentar no sofá.
- Não se preocupe, meu futuro é garantido. - pisquei, deitando minha cabeça no colo dela.
- E o que vai te dar tanto dinheiro, posso saber? - agora eu estava ganhando cafuné.
- O meu puteiro, né. Com a garçonete mais bonita do mundo. - sorri galanteador e ela riu.
- Então vou poder trabalhar?
- Quem disser que era você?
- É CLARO QUE ERA EU!
- Convencida.
- Babaca.
- Caída.
- Broxa.
- Isso não é justo. Não tem nada pior que broxa.
- Eu sei. - falou rindo.
Acordei com barulho de vozes, e então percebi que ainda tava deitado no colo da e que eu não tinha dormido muito mais do que meia hora.
- Acordou, broxinha?
- Acordei, sua molenga!
- Molenga não, ainda tô durinha! - ela se apertava e eu a apertava também, levando um tapa - Você não pode! - ela levantou, deixando minha cabeça cair com força no sofá.
- Nossa, e precisa me causar um traumatismo craniano? - falei massageado minha cabeça.
- Ninguém manda você mexer onde não deve. - ela mostrou a lingua e eu me sentei.
- Você tem que dormir comigo. - falei olhando fixo no chão, percebi que ela parou e me olhou. Fixei meus olhos nos dela.
- Como é?
- Você perdeu a aposta.
- Você também. - ela arqueou a sobrancelha.
- Então, por isso temos que dormir juntos hoje. - sorri maroto.
- Eu durmo na cama, você dorme no chão.
- Não, a idéia é dormir JUNTOS. De preferência, você não usando roupas.
- Nossa, que graça. Eu durmo junto contigo, mas saiba que em dias de chuva eu dou chutes.
- Em dias de chuva?
- Foi o único que eu pensei. - ela riu sem graça.
- Ah, e você fique sabendo que em dias de chuva eu viro o Lobo Mau, muito mal, viu?
- Nossa, que medo. - ela fingiu estar apavorada
- O lobo gosta de comer menininhas inocentes.
- Que bom que eu já sou bem experiente, não é? - ela riu, concordei com a cabeça e me levantei indo até a cozinha.
- Quer cerveja?
- Já se tocou que eu tô grávida?
- E daí?
- Quer que seu filho nasça cambaleando por aí?
- Err, não. - sorri sem graça.
- Aliás, já pensou em um nome?
- A gente nem sabe o sexo!
- Mas tem que ter alternativas. Assim, se for menina, pode ser Emily, se for menino, Nicholas... Sabe, tem que ter essas opções.
- Hum, se fosse menino podia ser Junior e me...
- NÃO! JAMAIS! Coisas com Júnior são tããão last week! - ela fez uma cara de bicha afetada. O pior é que era natural.
- Então seria o que, pentelha?
- Sei lá, ué! Eu já dei minha opinião.
- Scott!
- Scott?
- É, vai, é legal!
- Lembra cachorro, ! A gente pode fazer uma lista, daí quando nascer, a gente vê o rostinho e diz o nome que mais combina.
- Tá, gostei da idéia. Mas ainda voto por Scott.
- SE CASA COM UM SCOTT DE UMA VEZ! - gargalhei.
- Cara, eu não posso dar uma sugestão de nome pro meu filho que você já faz isso.
- Aaaaaaaaaah, meu bebezinho! - ela apertou minhas bochechas, sentando no meu colo, com uma perna pra cada lado - Não fica tristinho, só que Scott é nome de cachorro!
- Então vou começar falar um monte de nome de cachorro, daí você sempre vai sentar no meu colo? - fiz aquela cara do gato do Shrek. Espero que como todas as mulheres, ela não resista.
- Eii! - ela bateu no meu braço.
- Tá legal, o que o meu braço te fez!? Você só sabe me bater, credo.
- Nossa, tadinho do - ela fez carinho na minha nuca e eu me arrepiei. Entrelacei minhas mãos nas costas dela, a puxando mais pra perto de mim.
- É, tadinho de mim. - forcei minha cara de coitado e ela riu.
- Olha, não é por nada não, mas ainda não acertamos a aposta.
- Ah é, bem lembrado. Você vai dormir comigo hoje, usando só uma boxer.
- , se você não percebeu, eu tenho peitos.
- Não se preocupe, eu percebi. - sorri, mais uma vez apanhando no mesmo braço.
- Então, eu preciso dormir de blusa!
- Sutiã.
- Blusa.
- Sutiã.
- Blusa!
- SUTIÃ OU NADA! - sorri vitorioso e ela cruzou os braços fazendo cara de emburrada.
- Mas não é justo eu dormir assim e você dormir normal!
- Claro que é!
- Não, não é! EU só não te faço usar calcinha porque é TOTAL broxaaante!
- Com certeza!
- Que tal pelado? - ela mordeu os lábios e minhas bochechas queimaram, mas eu não podia deixar ela me fazer sentir assim, eu tinha que revidar.
- Só se você que tirar minha roupa. - dei o meu melhor sorriso maroto e ela riu. Talvez devêssemos dormir os dois pelados, seria mais prático.
- Nem a pau. Durma de camisola então. - mano, nem fudendo que eu faço isso, ela deve estar louca mesmo.
- Nem fudendo, !
- Claro que sim, segundo a aposta, você tinha que dormir vestido de mulher e eu de homem. Você prefere calcinha ou camisola?
- Qual camisola?
- A de seda?
- Você tem camisola de seda e nunca me mostrou?
- Te mostrar pra que?
- Pra eu poder tirar, ué! - falei como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e cai entre nós, era!
- Hoje eu que vou tirar a sua. - ela sussurrou na minha orelha, me dando arrepios.
- É mesmo? Porque eu vou amar tirar sua roupa. - mordi sua orelha e senti ela me apertar.
- Gracinha! Muito gostosa você, moça! - ela riu, saindo do meu colo.
- Poxa, garanhão, volta pra cá!
- Não posso gatinha, tenho que manter minha imagem - ela disse, mostrando o seu "muque" que nem existia. Eu ri.
- Nossa, tá forte, hein bofe? - falei do meu jeito mais gay e nós dois caímos na gargalhada.
- , você tem que me tratar bem! - ela disse controlando o riso.
- Mas eu te trato bem, ué.
- É, mas eu tenho que ser mimada, afinal eu sou uma mulher grávida cheia de desejos involuntários.
- Ah, já entendi. O que você quer?
- Hum.. - ela pensou por um instante - Eu quero pizza de chocolate com pepino e suco de uva com laranja
- Você é doida?
- Não, só estou grávida.
- Onde eu vou arrumar isso, mulher? - arregalei os olhos.
- Eu sei que você dá um jeito... E se conseguir, eu garanto que você vai ser muito bem recompensado. - ela mordeu os lábios.
- É mesmo? Como? - sorri malicioso.
- Não tendo um filho com cara de pepino! - ela sorriu grande, saltitando em minha direção - POR FAVOOOOOOR! - ela fazia cara de anjinho, agarrando meu braço.
- Achei que ia receber uma coisa melhor. - bufei, virando o rosto.
- Mas ainda pode ter. - ela apertou minha bunda e subiu as escadas rebolando.
- Lá vou eu - falei sozinho, indo até a porta. Saí de casa e fui direto para a pizzaria que tinha perto de lá. Expliquei a situação pro atendente que estranhou o meu pedido, mas ao entender pelo que eu estava passando, aquele gordo e careca garçom me olhou com pena e trouxe o meu pedido, meia hora depois. Ah, o suco de laranja agora. Fui para o pub no centro. Por já ter ido muito lá, esperava que fizessem o tal suco de uva e laranja que queria. E, bem, fizeram. Claro que tive que pagar o dobro, mas fazer o que. Voltei pra casa, mais de uma hora depois, já que tinha ido andando, e ao entrar lá a sala estava vazia. A única luz que pude ver foi o quarto do com a TV alta e luz acesa.
- , a tá aí? - perguntei mas logo a avistei sentada ao lado dele na cama vendo Oprah. Quem ainda vê Oprah?
- Oi . - ela sorriu pra mim
- Olha, eu trouxe aqui o que você me pediu.
- Sabe que é.. eu comi uma maçã e eu não tô mais com fome...
- Não acredito que você tá fazendo isso. - eu realmente fiquei desapontado com ela, acho que dava pra ver pela minha cara, tanto que o sorriso dela murchou.
- Mas sabe, o come, né ? - ela cutucava ele, que não sabia nem do que se tratava.
- Como o que?
- A pizza!
- Como?
- COME! - ela jogou a caixa de pizza, me puxando pra fora do quarto.
- OW, EU NÃO GOSTO DE PEPINO, GENTE! - berrou, mas já havia me tirado daquele quarto e estávamos no dela agora.
- , desculpa, desculpa mesmo. - ela disse, mas eu ignorei - ! Me ouve, por favor! - novamente eu a ignorei - !!!! - ela tava com uma cara de choro e eu não me controlei.
- Por que você me fez ir até o cu do mundo, pra voltar aqui e você me dizer que não tava mais com fome? Você tem idéia de como foi conseguir achar tudo? - falei ríspido.
- Me perdoa, eu não me controlei. Mas eu tô te devendo a sua recompensa, né?
- Tá sim. - olhei pra ela com desdém - E eu sei que você vai dar qualquer desculpa pra escapar.
- Não vou não! É que você não entende...
- Não entendo, eu nunca entendo, é sempre assim! Não sabe inventar outra não?
- , PÁRA! - ela gritou, segurando meu braço, me fazendo olhar nos olhos dela. E então ela me beijou. Foi um beijo calmo, admito não ter tido muitos beijos assim durante a vida toda. Quando começamos a intensificar o beijo, eu a deitei na cama com delicadeza e ela mexia na minha nuca, me arrepiando cada vez mais. Puxei a blusa dela pra cima, mas ela segurou minha mão, rompendo o beijo.
- Não, , isso não. Não agora - ela arrumou sua roupa e seus cabelos e eu apenas a encarava.
- Você só quer me deixar na vontade. - falei com indiferença.
- Não, eu só não quero isso, me entende, por favor.
- Não, eu nunca te entendo, aí é que tá. Eu sempre sou o que está errado, você nunca tenta ME entender, né? - saí do quarto dela batendo a porta e gritando vários palavrões. Entrei no meu quarto, fechando a porta atrás de mim e deitando na cama com um travesseiro na cara.
- ... - ela abriu a porta - Desculpa por isso...
- Não, cara! Tô cansado de ir atrás de você e você só me cortar. Você quer que todos te queiram, mas você não quer ninguém!
- Não é assim, ! É que eu simplesmente bloquiei...
- Bloquiou o que?
- SEXO!
- C-como assim? - admito, agora ela me pegou.
- Cara, você tem idéia de como é ser mãe na minha idade?!
- Mas eu tô com você, e você sabe disso!
- Eu sei, . Mas o seu futuro não vai mudar tanto, quer dizer... Você vai assumir o filho, mas e daí? Sou eu que vai dar a luz, amamentar, dar banho, acordar no meio da noite com a criança chorando, sou eu que vou ser olhada torto quando sair com uma barriga enorme pela rua. Eu que vou ser chamada de puta, não você. Você só vai ter o seu sobrenome em uma criança.
- Você realmente acha que eu não faria nada pra te ajudar? - perguntei olhando pra baixo.
- Eu sei que me ajudaria, mas a maior responsabilidade vai vir pra mim, entende?
- Você não tem culpa da sociedade ser ignorante. E eu tenho CERTEZA de que você vai ser uma mãe perfeita. - ela sorriu - E que não vai precisar de plásticas depois. - ela me abraçou e eu a deitei do meu lado - Só pra constar, eu vou te apoiar, não importa o que aconteça.
- Brigada. - sorriu me beijando no rosto.
- De nada. - retribuí - É muito ruim estar grávida? - perguntei com receio.
- Se você gostar de ficar dois meses acordando toda noite pra vomitar e gostar de ficar enjoado, é bom sim. - rimos.
- Isso eu não posso fazer por você, mas de resto, eu ajudo.
- Troque as fraldas que eu já fico feliz.
- E quando nosso bebê crescer?
- Vai ter um monte de brinquedos e você vai trabalhar que nem louco pra trazer dinheiro pra mim e pra ele.
- HA HA HA - forcei uma risada, mas logo ri verdadeiramente.
- Não é uma piada, . Eu tô falando sério!
- Tá bom então. - fechei os olhos, apoiando minha testa na dela.
- ... - murmurei, fazendo-a prosseguir - O que você acha que eles vão falar?
- Eles quem?
- Nossos pais.
- Acho que tenho uma prévia do que eles vão decidir...
- ME CONTA! - ela me sacudia, me fazendo abrir os olhos.
- Não, eu não quero falar nada sem ter certeza. E acho que a decisão não vai agradar a nenhum de nós. Agora vamos dormir, adiantar a preocupação não vai ajudar em nada. - abracei ela pela cintura, puxando-a mais pra perto.
- Boa noite, . - ela beijou minha bochecha, eu apenas respondi o mesmo, sorrindo. Menos de dez minutos depois ela estava dormindo. Não tinhamos colocado as roupas da aposta, mas eu também não estava com vontade de acordá-la pra dizer isso, então na próxima nós nos vestimos à carater. Ela dormia no meu peito e eu a abraçava, fazendo carinho em sua cabeça e a observando dormir. Apesar do sono, eu não conseguia nem fechar os olhos se quer. Não liguei.
Levantei da cama com cuidado para não acordá-la e desci as escadas até a cozinha. Abri a geladeira e peguei um copo de leite, na esperança de que conseguisse dormir. Voltei para o quarto e me deitando na mesma posição que estava antes, observando-a por mais alguns minutos e finalmente caindo no sono.
Quando o dia do jantar dos nossos pais chegou, eles ligaram avisando que nós deveríamos ir. Meus pais nos buscaram em casa de carro e o caminho foi feito em completo silêncio, aquele tipo que machuca nossos ouvidos. Estacionamos o carro na frente da casa dos William e tocamos a campainha.
- Boa noite. - fomos atendidos com um "simpático" cumprimento. Não que fosse o tão simpático quanto se deve ser, mas devido a situação atual, podemos dizer que foi o bastante.
- Boa noite. - meus pais responderam secos. Afinal, a notícia era mais recente pra eles. E também, eles nunca foram simpáticos. Sentamos na mesa de jantar, que quase não esbanjava o dinheiro que eles tinham. O pesadelo deles era que eu engravidasse a filha da empregada. Ou até a empregada.
Depois de um tempo, eles começaram a discutir o que deveriam fazer com a gente. A mãe da deu a idéia do casamento e eles concordaram.
- Mas MÃE! Nós não precisamos casar, por favor, por favor, por favor! - suplicava inutilmente, apertando minha mão por debaixo da mesa.
- Mas nada, vocês dois foram totalmente irresponsáveis e merecem aprender uma lição diante disso tudo.
- , deixa eles - falei. Se ela forçasse demais, eles poderiam piorar o "castigo", era melhor parar pro ali.
- O está certo, . Nós já tomamos uma decisão e não mudaremos de idéia. - seu pai disse e ela apenas abaixou o olhar.
- Então, como vocês vão se manter? Porque nós não lhes ajudaremos nessa questão. - minha mãe disse, recebendo um 'apoio' do meu pai.
- Eu vou procurar um emprego e depois que o bebê nascer a também vai.
- Eu não acredito que vocês puderam fazer uma besteira dessas. - seu pai dizia ainda inconformado. , pra variar, retrucou o que o pai dela disse e acabaram discutindo de novo. Por volta das dez horas, nós fomos pra casa e contamos tudo pro , que não conseguia imaginar a gente casado. É, nem eu. Eu e subimos pro seu quarto e ela me abraçou.
- , eu não quero me casar. - ela apertava o rosto contra meu peito.
- Se casar comigo é tanto sacrificio assim? - sorri.
- Não, não é isso, você sabe. Eu só não tô pronta.
- Foi o que você disse quando descobriu que tava grávida.
- Talvez eu realmente não esteja. - ela abaixou a cabeça
- Claro que está, e além do mais, eu vou estar contigo, então relaxa.
- Eu não consigo.
- Então vamos propor um acordo?
- Que tipo de acordo? - perguntou, agora me encarando.
- Um casamento "aberto"?
- Aberto? Hã?
- É, tipo... você pode namorar, eu também, mas só fica entre a gente, sabe? Senão nossos pais vão enxer o saco e tal, o que tu acha?
- Acho válido.
- Acho válido. - a imitei - Fala sério, é PERFEITO!
- É, pelo menos eu vou poder fazer sexo com meninas que vão ter o corpo inteiro ainda. - eu ri, levando um tapa e tendo que sair correndo pra não apanhar mais.
No dia seguinte acordei com o despertador tocando. se levantou num pulo e saiu correndo pelo quarto que nem tarada.
- Que houve? - esfreguei meus olhos, tentando afastar o sono.
- Eu tenho que tomar banho e me arrumar, ! -
- E por que a essa hora da manhã?
- PORQUE EU TENHO QUE SAIR, CRIATURA!
- E VAI FAZER O QUEEEEEEEEE? - gritei, fazendo-a olhar pra mim.
- Eu tenho que ir na casa da minha mãe, satisfeito?
- Que que tu vai fazer lá?
- Eu vou olhar o álbum de casamento deles e ir decidindo como eu quero que vá ser. E ela vai me dar umas dicas da gravidez. - ela falou a última frase baixo, mostrando que odiava a idéia - AH! Não se preocupe, depois a gente passa isso pra sua mãe! - ela sorriu, entrando no banheiro pra tomar banho.
- Tá certo - falei, mas ela já havia ligado o chuveiro. Depois de um tempo, ela saiu de lá de toalha, que desenhava seu corpo perfeitamente. A barriga já havia aparecido, nisso ela estava com três meses de gravidez, mas ainda continuava sexy.
- Eu vou com você, tá? - falei, mais do que perguntei.
- Por que? - ela se virou arqueando a sobrancelha.
- , pensa só, eu também preciso aprender sobre bebês, e além do mais, eu quero sair de casa mesmo. - rimos e eu fui me vestir. Quando chegamos a sua casa, tocamos a campainha e a mãe dela nos mandou entrar, enquanto subia pra pegar as coisas. Ela voltou depois de alguns minutos com alguns álbuns e sacos com coisas de bebês. Vimos o álbum de casamento dos pais dela. E aliás, eu nunca tinha reparado o quão parecidas elas eram.
- Vocês já pensaram como vai ser a decoração do de vocês?
- Na verdade, mãe, a gente tinha pensado em casar só no cartório. - sorriu amarelo e a mãe dela ficou chocada.
- NO CARTÓRIO? Onde já se viu casar no cartório? Daqui a pouco vocês me dizem que querem se casar em Las Vegas!
- Não é má idéia... - eu falei baixo, recebendo um olhar de reprovação das duas.
- Mãe, você não tá entendendo, a gente NÃO quer se casar!
- Mas vocês vão!
- Contra nossa vontade.
- Porque fizeram besteira.
- Com a NOSSA vida.
- Que afeta a vida da FAMÍLIA. - rolou os olhos e mudou de assunto.
- Eu vou casar depois que o bebê nascer, né? Não tô afim de ser uma noiva gorda.
- E prefere ser uma noiva com tudo caído? - falei e comecei a rir desesperadamente, recebendo olhares de desaprovação.
- Eu acho que você deveria se casar no final da gravidez pra se lembrar do porque estar casando.
- Tá bem. - concordou sem animação.
- Vocês vão precisar comprar uma casa e arranjar um emprego.
- É, eu vou procurar um trabalho. - falei.
- E você está pensando em que? - a mãe de me perguntou.
- Não tenho muitas idéias ainda - falei envergonhado, eu não tinha idéias realmente. Eu sei que vou precisar arrumar emprego, mas até agora não tinha pensado QUE emprego.
- Você pode trabalhar na empresa do meu marido, acho que ele gostaria de ter um rapaz como você para ajudá-lo.
- Desculpa perguntar, mas no que ele trabalha?
- Numa empresa de publicidade, idiota. - ela bufou e riu depois - Você vai se dar bem, você é criativo. - ela sorriu sem graça.
- Espero. - torci a boca e ri - Vou pensar na possibilidade, mas obrigada, Lynn. - eu e sorrimos.
Continuamos conversando, gastando metade do nosso dia, mas precisamos sair porque tinha exames.
- Olá, doutora. - sorrimos e a cumprimentamos a mesma doutora de antes. Cara, essa mulher só sabe trabalhar?
- Você é a , certo? - ela perguntou sorrindo, fazendo carinho na barriga da , que concordou com a cabeça - Bem, vamos entrando?
- Claro. - falamos juntos entrando na mesma sala de antes.
- , pode se deitar aqui. - a doutora Gilmme disse, passando aquele gel transparente na barriga dela, que a contraiu, foi engraçado. Rimos juntos. - , agora eu te peço pra apoiar suas pernas nesses "pedais" aqui. - colocou os pés no tal dos pedais, ficando toda arregaçada, eu arregalei meus olhos.
- Que exame é esse, doutora?
- É uma amnioscopia, eu vou colocar o endoscópio... - cara, o bagulho parecia um pinto -... dentro da pra medir o líquido amniótico. Esse exame só é feito perto da hora de dar a luz, mas como é a primeira gravidez, ela é nova e teve aquele problema das cólicas, eu prefiro fazer ele pra evitar que algo dê errado. - ela sorriu, sem olhar na minha direção. tava corada e eu não conseguia fechar a minha boca. O BAGULHO ERA ENORME! Ela passou um gel e olhou pra . - Isso vai estar um pouquinho gelado, mas não dói nada.
- Beleza. - ela encarou a médica, que já não a olhava mais. Ela colocou aquele negócio em e eu arregalei mais meus olhos, ficando sem reação, mas apertou minha mão. Continuei sem reação, quer dizer, toda mulher já está acostumada com isso? Porque ela não fez um escândalo, e se fosse comigo, eu saíria correndo. Agora pode me chamar de bicha, porque ninguém enfiaria um negócio que deve ter uns 25 cm em mim. Ficou uns dois minutos naquele exame e quando acabou, o endoscópio foi retirado e ainda não me olhava, devia ser vergonha.
- Então, tá tudo bem com ela?
- Com ela está, mas precisamos fazer outros exames para ter certeza absoluta de que tanto o bebê quanto ela, estão em perfeito estado.
- Sem problemas. - falei naturalmente e continuava a não me encarar.
- Sabe, vocês podem fazer agora mesmo. Só precisamos medir a barriga dela e fazer um exame de sangue. Tudo bem por você, ? - ela afirmou com a cabeça e eu a olhei quando a doutora saiu da sala pra arrumar as coisas do exame.
- Você sabe que não precisa ter vergonha, né? - ela me olhou corada, o que eu achei fofo. GAY, eu sei. - Eu também ficaria no seu lugar, mas cara, eu admiro você por enfrentar aquele coiso enorme. Então pára de se sentir constrangida. - ela riu.
- Cara, aquela coisa era ENORME mesmo, me assustou! - ela gargalhou e a doutora entrou no quarto com algumas coisas.
- , pode ficar em pé, por favor? - ela se levantou e a doutora se aproximou com uma fita, envolvendo a barriga dela. - Tudo bem até aqui, 20 cm pra dois meses, o saudável. Agora eu vou chamar a enfermeira pra fazer a coleta do sangue. - e logo saiu da sala. Alguns minutos depois uma senhora de roupa branca entrou no quarto.
- Você é , certo? - falou simpática, dando aqueles sorrisos fofos de avó.
- Sim. - ela sorriu, estendendo o braço pra que a enfermeira procurasse a veia.
Depois do exame de sangue, a doutora Gilmme voltou pra sala e nos liberou depois de uma conversa com aquela coisa toda de cuidados com o bebê que precisava tomar. Voltamos pra casa e ficamos horas discutindo nomes de garotos, já que já sabíamos o sexo.
- , eu quero o meu nome no meu filho!
- Mas então eu quero colocar o meu nome também
- ? AH, é um nome lindo!
- Melhor que Junior.
- Não é melhor.
- Não é, mas os dois são horríveis! Vamos colocar um nome bom nele.
- é um nome Lindo.
- Cala a boca.
- Calei.
- JÁ SEEEEEI! - ela deu um pulo que me fez tremer nas bases. Qual é, ela me pegou despreparado!
- QUE FOI, PORRA?
- NÃO GRITA COMIGO, !
- Tá bom. - bufei, agarrando a almofada - Continue.
- Já sei que nome a gente pode dar. - ela sorriu de um jeito maníaco e eu temi que nome ela pudesse falar.
- Não, , o nosso filho não vai se chamar Cristiano Ronaldo ou Orlando Bloom.
- Não, idiota! - ela me deu um tapa ardido na testa, que provavelmente ficou vermelho. Acho que grávidas tem um instinto violento. - A gente pode botar o nome do bebê de , homenageando o meu primo.
- Até que não é má idéia... Mas por que ele seria homenageado?
- Precisa que eu fale? - ela fez uma cara de cu enooorme e eu sorri sem graça - De qualquer jeito, , vai ser esse o nome?
- Vai, . - rolei os olhos, pegando o controle que tava no meio das almofadas do sofá.
- , você prefere ver TV do que conversar comigo, seu puto. - ela bufou, revirando os olhos.
- Não, é que eu tenho necessidade de ver televisão, simplesmente.
- Você não acha que computadores são uma fusão de televisão com máquinas de escrever? - ela perguntou filosófica e eu tive um ataque de riso, só parei mesmo quando recebi a quarta almofadada na cara.
- Acha mesmo que isso faz sentido?
- Acho. Acho também que pênis são peitos genitais.
- Mas pênis são compridos...
- Eu sei, mas peitos de velhas também são...
- Você tem razão, - pior é que tinha - Vamo falar isso pro . Ele vai amar isso.
- Quando ele chegar a gente diz. Ei, tá passando Padrinhos Mágicos!
- Eu sei, por isso tô vendo TV. - ri
- Tá, também quero ver.
QUARTO CAPÍTULO - Jealousy
Eu virava uma garrafa de vodka, sentindo a minha garganta arder. Eu e estávamos mofando em casa porque o foi farrear com a nova 'namoradinha' dele, enquanto a gente não podia sair devido à gravidez e tal.
- Ai , me passa a garrafa! – ela puxava a tequila da minha mão e eu puxava para mim. Eu sabia que aquilo não era nada saudável pro bebê, só que dava pena alguém não poder beber. Como eu sobreviveria sendo mulher? Cambaleei na direção dela com uma garrafa de tequila na mão!
Vamos virar? - ela arrancou a garrafa da minha mão. - Quem virar primeiro é... foda! E sal e limão é pra maricas!
- Nem eu e nem você vamos virar, dá aqui – Peguei o que era meu por direito e voltei a me sentar
- Não dessa vez, . - ela riu e tentou puxar de volta. Fiz uma cara de poucos amigos e ela voltou para o seu lugar.
- Claro que não, não inventa! - ela bufou. Se aproximou do som, ligando no último volume uma daquelas músicas, tipo Fergie ou qualquer uma delas. Veio dançando em minha direção e eu não conseguia parar de encarar o peito dela. Cara, os peitos dela tavam maiores e dava vontade de apertar e balançar pra ver se fazia som de leite dentro, mas cara, pareciam dois melões! Puxei ela, fazendo-a sentar no meu colo e beijei como se o mundo fosse acabar a qualquer minuto, e ela retribuía na mesma intensidade. Enquanto o beijo se intensificava, me deitei no sofá por cima dela e ferozmente nos beijávamos com desejo que havia escondido lá há anos. Nossas línguas se amavam, nossos corpos se amavam. Alguns minutos depois, separei nossas bocas, precisando de ar, e a puxei pra mim, novamente, me levantando em seguida e tentando subir as escadas ainda aos beijos com ela. Entramos no meu quarto, fechei a porta e a joguei na cama, caindo por cima dela. Novamente um beijo longo. Necessitando respirar, cortei os beijos de novo e aproveitei pra tirar minha blusa, ela sorriu. Abri a gaveta, pegando uma camisinha que ficava sempre naquele lugar estratégico em casos como esse, que a gente não planeja a trepada, mas acaba levando o prêmio alto.
- Não tem problema com o bebê, né?
- Claro que não, ! Vai logo!
- Tem certeza? Porque eu não quero ser culpado pelo bebê ter um buraco na cabeça.
- VAI LOGO, PORRA! - sorri safado, abrindo a camisinha e colocando ela no Juddão.
- E AÍ, GALEEEEEEEERA! - olhamos pra porta com os olhos do tamanho de melancias e vimos um bêbado escancarar a porta bem na hora H - Ahn... Opa?
- D..? - gritou, saindo de baixo de mim e se cobrindo com o lençol.
- Oi pessoal, podem continuar aê, se eu precisar de vocês, eu grito. Tô lá no quarto fazendo o mesmo. Boa sorte. - ele falou completamente fora de si e eu olhei pra com os olhos ainda arregalados, no tamanho dos peitões dela.
- Se ele tivesse sóbrio, iria me matar. - ri.
- Para de falar e age mais. - sorriu malicosa e voltamos ao nosso serviço.
- O que ele quis dizer com 'se eu precisar de ajuda'?
- Queria surubão no quarto dele. Se tivesse mais mulher eu iria. HAHA - ri de novo e a beijei. Ela parou o beijo, colocando o dedo na minha boca.
- Uma coisinha, ...
- Hum...
- Você não vai precisar de viagra, né?
- NÃO, TÁ LOUCA? O Juddão trabalha muito bem, tanto que tá aí o resultado, né! - olhei ela de cima abaixo, mordendo o lábio. Ela rolou os olhos, tirando a calcinha e puxando o vestido. - O sutiã, . Tira ele também. - sorri safado e ela riu, abrindo o sutiã e me fazendo sonhar. Não tive tempo de apreciar muito a paisagem, começou a beijar meu pescoço enquanto nos movimentávamos em sincronia. Sentei na cama com ela por cima de mim, dessa vez eu beijando seu pescoço, e ela mordeu minha orelha, o que me arrepiou dos pés até o último fio de cabelo da minha cabeça. A cada movimento, cada suspiro, cada gemido, eu a desejava mais e me sentia cada vez melhor por tê-la em meus braços.
Acordei sentindo algo afundar no colchão. Hesitei a abrir meus olhos, mas foi inevitável ao ouvir a pessoa falando.
- DUDE, DUDE! EU ACORDEI E, CARA, TEM UMA PELADONA NA MINHA CAMA E, CARA, EU NÃO SEI O QUE FAZER! - ele fechava os olhos com força, provavelmente pensando que aquilo fosse um sonho. Seria meu caro amigo virgem? acordou com a voz nada alta do e me olhou desesperada. Acho que era porque ela tava pelada na minha cama. - DUDE, VOCÊ TÁ ME ESCUTANDO? - ele abriu os olhos pra me cutucar, ou o suposto eu, e viu sua prima pelada. Okay, até eu pude perceber que ele ficou sem reação, balbuciando palavras sem sentido, enquanto eu e sorríamos sem graça. - ? - , ou você é virgem, ou você é virgem. Quer dizer, depois de ontem essa afirmativa pode não ser mais tão real. Ela não respondeu, se cobriu com o lençol, deixando a mim e ao pelados e descobertos.
- , dá isso aqui! - puxei o lençol de volta para mim.
- NÃO! É meu! - estávamos em uma guerra em favor do lençol e não percebemos que acabamos levantados, pelados, em cima do -virgem-assustado/traumatizado.
- Er... .. Na boa, eu não tô afim de ver o teu bilau... - ao ouvir isso, correu para as minhas costas, se escondendo atrás de mim, e eu cobri o Juddão com as mãos - , você pode sair daí.
- VAI SE FUDER, IDIOTINHA! - ela puxou o lençol que tava caído no e mostrou o dedo do meio, pulando da cama, deixando um rindo e eu muito frustrado.
- , pode cobrir o seu amiguinho?
- Mas não tem lençol!
- DÁ UM JEITO, VOCÊ TEM MÃOS, USE-AS! - vi o senhor pegar no amiguinho dele, do jeito que nós pegamos um cabo de vassoura e o chutei.
- É PRA TAMPAR, NÃO SE MASTURBAR!
- Você disse pra usar as mãos!
- Use a cabeça agora!
- Tem certeza? - ele perguntou, rindo, fazendo aquelas caras de putos e com o dedinho na boca, começou a rir e eu mandei dedo.
- Garotos?
- Que é? - eu e o falamos ao mesmo tempo.
- Vocês vão ficar admirando o bráulio um do outro por quanto tempo? Porque tipo, aqui tem cueca! - colocava um robe, nos olhando com cara de superior.
- Okay, então se o sair daqui, eu posso me vestir em paz.
- Eu não posso voltar pro meu quarto. - ele falou em posição fetal, se mexendo pra frente e pra trás.
- Por quê?
- Porque tem uma loira pelada na minha cama!
- SÉRIO? E TU VEIO ME VER PELADO PORQUE NÃO QUER VER UMA LOIRA PELADA?
- Mas...
- , vai comer aquela garota, antes que eu corte o seu amiguinho!
- Vai você comer ela, eu... eu tô assustado!
- OLHA QUE EU VOU, HEIN!
- Ouse fazer isso, . - me olhou ameaçadora.
- E se eu fizer? - provoquei a fera.
- Eu... eu vou transar com o seu irmão!
- Ouse fazer isso, . - repeti a frase dela.
- E se eu fizer? - ela me imitou irônica, fazendo cara de deboche.
- Se você fizer, eu peço a Courtney em namoro. - falei em ar de superior e ela fechou a cara. As duas se odeiam, sempre foi assim. - Enfim, vai logo .
- Não, cara. Eu nem conheço ela.
- E tem que conhecer pra comer?
- , você é nojento! - jogou um travesseiro na minha cara e saiu com cara amarrada do quarto. Segundos depois ouvi gritos agudos.
- SAI DAQUI, VADIA! - gritava com a loirona peguete do . Tá se dando bem, hein colega.
- , PÁRA COM ISSO! - corri atrás dela, quando vi as duas se batendo e a loira logo sendo empurrada porta afora.
- , te amo! - descia as escadas, beijando o rosto todo da em forma de agradecimento.
- POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?
- POR QUE EU NÃO FARIA ISSO?
- SUA INVEJOSA!
- INVEJA DE QUE? DO PEITO FALSO DELA? Me poupe!
- É óbvio. - revirei os olhos - Só porque ela é mais bonita que você e, provavelmente, melhor de cama.
- Se eu sou tão ruim de cama assim, por que você fica correndo atrás de mim?
- Bem, infelizmente, não tem coisa melhor surgindo ultimamente.
- VAI TOMAR NO CU, !
- Eu não, você é mais chegada nisso. Aliás, MUITO mais. - comecei a rir, subindo às escadas pra voltar ao meu sono de beleza. Okay, isso soou meio gay.
- , quem você pensa que é? O que tu acha que o meu PRIMO vai pensar de mim? - ela gritava vindo na minha direção, se mostrando extremamente irritada devido à cor nada vermelha da sua cara.
- Não se preocupa, eu não ficaria com medo do , ele nem é uma pessoa direito. - ri, me virando pra dormir e me cobrindo com o lençol que antes servia de roupa.
- Não fala assim dele, ! - ela puxou minha coberta, encravando as unhas no meu braço.
- Desde quando você se importa tanto?
- Desde quando suas brincadeiras começaram a passar dos limites. - ela falou entre dentes.
- A infantil aqui é você, - falei começando a me irritar.
- Eu? Que tal uma linha do tempo das suas merdas só nessas férias? Bem, primeiro eu engravido, você não assume, depois fica cheio de frescura brigando comigo, eu levo uma bronca dos meus pais porque transei supostamente com o meu primo, daí agora você vem falar que eu tô com inveja de uma cópia de coelhinha da Playboy, me humilha na frente daquela vaca e me chama de infantil?
- Cala a boca!
- Viu! Mais um sinal da sua infantilidade! Aliás, você sabe o que isso significa?
- Cara, se você não fosse menina... - falei, cerrando os punhos e me controlando ao máximo.
- O que você faria? Me bateria? NOOOOSSA! Que medo! Até menina é mais forte que você, !
- Quer experimentar? - me levantei.
- Por que não? Se eu fosse homem você já teria me batido, não é? Isso é o que? Falta de argumentos?
- Isso é um sinal de que eu tô de saco cheio de você se fazendo de vítima toda hora! O MUNDO NÃO GIRA EM TORNO DE VOCÊ!
- EU NÃO SOU EGOÍSTA!
- É CLARO QUE É! - empurrei ela em um reflexo e percebi o que havia feito quando a vi caída sentada no chão com a mão na cabeça.
- Eu não acredito que você fez isso. - ela me olhou boquiaberta ainda com as mãos na cabeça.
- Você duvidou e você... Você me testou!
- Isso não te dá direito de me bater!
- M-me desculpa... - sussurrei.
- Desculpas não aceitas, ! - ela se levantou, dando um chute no Juddão. Fiquei com a mão ali, por mais de cinco minutos, o que deu tempo pra ela sair do quarto batendo a porta atrás de si e entrando, provavelmente, no dela. Quando recuperei as forças, fui até seu quarto, mas a porta estava fechada, fiquei escutando ela falar com , com a orelha colada a porta.
- Eu odeio o , , odeio TANTO esse garoto! - ela falava em meio à soluços.
- Eu não sei se vocês vão dar certo, mas ele tá diferente com você, como você também tá com ele.
- ELE não mudou, eu que achei que ele poderia ter mudado, mas não, ele continua o mesmo idiota.
- Esse é o , de volta às antigas. Achei até estranho ele mudar por alguém, mas me parece que ele é mesmo o idiota que eu pensava.
- E eu vou ter que conviver com ele até eu me tornar maior de idade, que saco! Por que eu fui ser tão fértil? - ela riu da última frase que disse, fazendo-o rir também.
- Eu vou tá aqui sempre, . - ouvi o riso choroso dela sair abafado, provavelmente ele tinha a abraçado. Bati na porta e ninguém veio abrir, sendo assim, entrei sem pedir licença e fez cara feia. apenas saiu de lá, deixando-nos olhando para os próprios pés, esperando alguém se pronunciar.
- , me desculpa...Eu sei que eu não dev..
- Cala a boca, não faça merda e depois venha pedir desculpas esperando que eu te perdoe, eu sempre te perdôo, eu sempre fico com coração mole e acabo cedendo e dessa vez não vai ser assim. Eu tô cansada disso. - ela falava aumentando o tom de voz. Okay, eu não tenho como me defender da realidade, infelizmente essa era a realidade. Em alguns dias nós voltaríamos às aulas e provavelmente a convivência seria cada vez mais insuportável. Saí do quarto com a cabeça baixa, me arrependendo cada vez mais por não ter consideração pelas pessoas que se importam comigo. Quem disse que idiotas não se machucam? Talvez quando as aulas voltarem, quando eu voltar a sofrer por estudos e tiver algo pra me distrair, as coisas melhorem um pouco, é uma das opções. Desci para a cozinha, pegando uma garrafa de cerveja da geladeira e subindo em seguida pro meu quarto. Passei a tarde assim, bebendo, olhando pro teto e me lamentando. Em pouco tempo a “liberdade” acabaría e essa foi a maneira que eu escolhi de aproveitar.
QUINTO CAPÍTULO - Could You Trust Me This Time?
Volta às aulas, acordar cedo depois de três meses acordando tarde com ressacas diárias.
- Acorda, ! - senti alguém me chacoalhando. Esfreguei os olhos, me espreguiçando e hesitando em levantar.
- Acordar pra que, ?
- Escola, seu retardado! Vamo, levanta! - afundei meu rosto no travesseiro, levantando em seguida. ei meu banho e me arrumei pra ir pro inferninho.
- , VEM LOGO! - o me apressava e eu ficava cada vez mais puto. Desci as escadas fazendo barulho.
Chegando no colégio, tinha a cara fechada e tentava cobrir a barriga com os braços.
- DUDES! - e , nossos amigos da banda, nos encontraram depois de passar as férias inteiras fora da cidade - Como vocês tão?
- Caras, saudades. A gente tá... bem, e vocês?
- Primeiro dia de aula, sabe como é... - falou, rindo.
- Sei, se desse, nem eu teria vindo. - fechei a cara olhando pro que me mandou dedo.
- , você tá diferente... Mais 'cheinha'. - disse, fazendo aspas com as mãos na última palavra. ignorou.
- É verdade... - concordou - Leve isso como uma crítica construtiva. - ele riu sem graça, percebendo que tinha falado merda. bufou.
- Cadê a Ashley, hein? - ela olhava impaciente para os lados.
- AQUIII! - Ashley deu um berro, abraçando que começavam a pular e depois se afastar.
- O que houve com ela? - a encarava de longe, com um tom preocupado.
- Nada. - eu e nos entreolhamos.
- Claro que tem, vocês três tão diferentes! - nos encarava duvidando do que falávamos.
- Depois a gente fala. - ouvimos o sinal tocar e fomos pras classes.
Entramos na sala de Biologia, como o típico momento 'revendo os amigos' de todo começo das aulas. Sentei com , com e com Ashley. A aula passou sem grandes acontecimentos, mas e já haviam percebido que estavamos escondendo algo e não paravam de perguntar o que era.
- Diz logo, dude! - insistiu pela milionésima vez.
- Não posso!
- DIIIIIIIZ!
- , eu já disse que não posso, que merda!
- ME FALA, DUDE! - ele me deu um soco amigável/forte no braço e eu fiquei puto, mas engoli em seco.
- , pela milésima...
- FALAAAAAAA, QUE MERDA! - outro soco, com mais força agora, foi depositado no meu braço e dessa vez eu não consegui segurar. Ele ia descobrir uma hora ou outra, não? O problema foi que saiu mais alto do que eu esperava.
- ELA TÁ GRÁVIDA, PORRA!
- Grávida? - repetiu, mas com a voz trêmula e não escandalosa, como a minha. A sala inteira se virou para nós e eu vi sair correndo da sala, recebendo olhares e comentários de todos.
- TÁ FELIZ AGORA, DUDE? - corri atrás dela e a vi sentada em um banco, apoiando o rosto nas mãos - Você tá bem, ?
- , agora não é a hora, por favor! - ela virou o rosto e eu teimei que ela olhasse pra mim, levantando o seu rosto com meu polegar.
- Olha pra mim, ... - ela olhou dentro dos meus olhos e eu estremeci - Não liga pro que eles falam, ok?
- Como que eu não vou ligar? Logo todo mundo vai descobrir que eu tô grávida e vão começar a me olhar torto, a falar mal de mim... E como você espera que eu me sinta? Como VOCÊ se sentiria no meu lugar?
- No seu lugar eu estaria fugindo de todo mundo, teria uma atitude infantil. E você optou por não abortar essa criança, você tá tendo responsabilidade, você vai ser uma ótima mãe. Confia em mim... - sentei do lado dela. - , acredite, você tá sendo uma mãe maravilhosa desde agora, poucas pessoas enfrentariam isso como você tá fazendo.
- Mas isso tá acabando com a minha vida.
- Não, isso tá iniciando sua vida. Imagina só você correndo atrás do nosso filho, a gente brincando com ele, vai ser bom.
- As pessoas vão ficar falando mal de mim... - ela encolheu as pernas e abaixou a cabeça.
- E quando elas começarem a falar, eu vou estar do seu lado. - ela sorriu, me dando um beijo na bochecha. A abracei pelo ombro e a senti apoiando a cabeça nos meus.
- Acredita que daqui a pouco tempo a gente vai tá casado? - ri, era mesmo inacreditável que um dia eu teria que me casar com ela. - Eu nunca imaginei que depois do que aconteceu a gente poderia voltar a se falar... E bem, vai acontecer mais do que isso, né! - ela soltou uma risada gostosa e eu apoiei meu queixo na sua cabeça, fechando os olhos. Sorri inconscientemente.
- ... - iniciei, olhando fixo pro chão.
- Hm.. - ela se virou pra mim.
- Me desculpa?
- Pelo que?
- Por ontem. Desculpa ter te empurrado... - eu queria sumir naquela hora, odeio pedir desculpas. Sempre que eu admito estar errado, a pessoa joga isso na minha cara, é pessimo.
- ... - a olhei com olhos que pediam piedade, que não me humilhasse - Não precisa pedir desculpas, é só... A gente esquecer isso. - ela sorriu fraco.
- Brigado por ser a única a não abusar da minha boa vontade. - ela riu, concordando com a cabeça.
- Aliás, devia ter aproveitado pra te zuar. Merda, minha cabeça só funciona bem às vezes. - ela deu um soquinho no ar e riu. Me fingi de bravo, caindo no riso depois. Nos abraçamos. É, cena de filmes adolescentes americanos. Pelo menos ela não é uma líder de torcida. Imagina ela com aquela sainha, andando por aí, sentando no colo de todo cara... Enfim, o sinal tocou e tivemos que voltar pra aula. Era Educação Fisica agora, teríamos que correr, jogar bola e depois suar feito porcos. Fomos até a quadra e lá já estavam e .
- E aí, dudes! - dei um tapinha nas costas dos dois e depois percebi a ausência de . - Cadê o ?
- E a Ashley? - completou.
- Sabe que é.. - começou, gaguejando e coçando a cabeça. Já entendi.
- Eles tão no vestiário. - por fim, falou. Esclarecido, os dois tão se engolindo lá. Cara, essa menina fica com o , e , até eu já peguei ela. me cutucou quando viu que ia em direção ao grupo de meninas.
- , quem é o pai?
- Pai de quem, ?
- Do filho da , dude! - ele me deu um pedala e eu hesitei em responder. - Fala, dude! Não me mata de curiosidade.
- Sou eu. - falei sussurrando.
- Fala alto que eu sou meio surdo.
- SOU EU! - gritei pra , já irritado.
- Sim, senhor , é você o capitão.
- VOCÊ? - ainda não entendia.
- É, SOU EU! - gritei mais alto, quase batendo no moleque e o professor veio até nós.
- Senhor , talvez queira dividir essa sua conversa com o time inteiro. Se é mais importante que a aula, creio que deva divulgar para todos nós. - tremi ao ouvir isso. Olhei pra , que estava com cara de quem suplicava pra não fazer besteira.
- Sabe que é, professor, eu fico feliz em ser o capitão. É uma honra, de verdade. - falei o mais convincente possível.
- É bom mesmo. - ufa - AGORA TODOS AQUI, JÁ! - ele gritou e a sala toda veio em uma fração de segundos. - e Davi escolhem os times. - Eu e Davi fomos pra frente e começamos a escolher.
- . - falei e ele foi para o meu lado.
- Mark - Davi escolheu.
- .
- Drake.
- Anne.
- .
- ? - eu, , e ela gritamos juntos.
- Algum problema, ? - ele perguntou. Ah, nenhum problema, a não ser que você considere que ela está grávida e fazer esportes é meio que considerado um esforço físico.
- Eu não posso fazer esforço, professor... - disse.
- Por que não?
- Bem, é que eu tô de licença médica, tô com um tratamento pra... sinosite.
- Oras, . É melhor você fazer. Vai por mim, você está precisando. - Sally, a fiel escudeira da Courtney, se intrometeu e todos riram dela. Vi o rosto de ficar vermelho de raiva.
- Vai fazer uma plástica nesse teu nariz de coxinha e colocar um silicone nesse vazio que tu tem no sutiã antes de falar dos outros, Sally! - intervim, recebendo olhares assustados de todos em volta. Vi Sally abrir a boca várias vezes, tentando emitir algum tipo de palavra que pudesse me ofender, mas o que eu posso fazer se eu sou perfeito?
- PAREM COM ESSE AUÊ E VÃO JOGAR, VOCÊS TODOS ESTÃO PENDURADOS EM NOTAS! - todos correram pros seus lugares. passou do meu lado e percebi que ela me agradeceu com o olhar. Ou ela tá sonhando em formas desumanas de matar a Sally.
O jogo ocorreu bem. Ao menos pra quem ganhou né. É, eu perdi. Sim, fez um gol em mim. Sim, eu tô me sentindo um loser, valeu. E bem, foi bom até. É engraçado ver as meninas correndo, cof.
- , eu sou mil vezes melhor que você! SE FERROU! - gritava, rebolando na minha frente, que visão, cara! Me sinto no paraíso vendo uma coisa dessas. Se for assim, vou perder todo jogo com ela.
Hora do almoço, uma das horas mais esperadas do dia, perdendo apenas pra hora de voltar pra casa.
- Ash, posso falar contigo a sós?
- Lógico. - Ashley olhou assustada e se levantou, caminhando pra fora da lanchonete. Depois de alguns minutos elas voltaram, não demorando muito pra Courtney passar e mandar um beijinho pra , começando e rir e cochichar com as amigas.
- Nossa, qual o problema delas?
- Não sei. Deve ter se visto no espelho e percebido que eu sou melhor que ela, tava demorando. - Ashley falou se achando. Rimos.
- E aí, galera! - finalmente apareceu e sentou e Ashley, deixando a primeira com metade da bunda pra fora.
- Porra, , não sei se percebeu, mas eu tô aqui. - pulava com os braços pra cima.
- Desculpa , eu achei que caberia. Pode sentar aqui.
- Não, tudo bem, fica aí. Eu sento na mesa do lado. - ela disse e pegou a bandeja, mudando de lugar.
- , se quiser sentar no meu colo... - líder de torcida não seria tão má idéia. Ela riu, fez cara de puta e se sentou no meu colo, recebendo olhares maliciosos de todos na mesa e um volume nas minhas calças.
Por mim aquele momento teria durado pra sempre, mas sempre tem um amanhã e, nesse caso, eu preferia que nunca chegasse.
Chegando ao colégio com e percebi que todos nos olhavam estranho.
- É impressão minha ou tá todo mundo olhando pra nós? - falou de canto, enquanto eu e concordávamos.
- Ei, ! - Courtney a chamava com um sorriso no rosto, um sorriso maléfico. Ok, a palavra 'maléfico' é patética. - Você tá percebendo alguma coisa diferente?
- Deveria?
- E como! Sabe, eu sinto muito pela situação que você tá passando e tudo mais... - estava pálida - Mas você realmente deveria aprender a não contar segredos em lugares públicos. - ela deu as costas, rindo, enquanto continuava na mesma.
- , você tá bem? - a puxou pela mão, levando-a pro canto onde estavam todos os outros.
- Tô ótima, ! - ela disse irônica - Mas é claro que não, que pergunta idiota! - ela gritava, ficando vermelha, tentando esconder a imensa vontade de chorar.
- Calma, , vai ficar tudo bem. - Ashley disse, tentando acalmá-la.
- Não, Ashley, não vai ficar tudo bem! - ela saiu pisando forte. Acompanhei-a com os olhos no corredor e a vi colocando as mãos no rosto. O sinal tocou e achei melhor ir pra sala, mais tarde falaria com ela. Quando tocou o sinal da outra aula, decidimos nos dividir pra procurar por ela.
Procuramos pelo colégio inteiro e não a achamos, o resto já tinha até voltado pra sala, mas eu continuava procurando. Mexi no bolso do meu casaco, sentindo meu celular. Liguei pro número dela, por sorte ela atenderia ou eu até escutaria o celular tocar e seguiria o som. Nada. Continuei andando, só que chamando por ela também. Parecia um daqueles loucos de filme que ficam procurando por seu amigo imaginário que some de vez em quando. Uma coisa que eu sempre quis saber. Se é da sua imaginação, como ele pode sumir? Voltando ao que importa, eu tava MUITO preocupado, eu não queria que ela fizesse nenhuma besteira, porque sabia que nesse estado ela poderia acabar fazendo.
- Onde eu me esconderia se fosse ela? - falei, mais como um pensamento do que como uma fala. Um lugar pulou a minha cabeça como se fosse um canguru. Comparação infeliz a minha, mas foi bem assim. Agora tinha que passar pelo portão dos fundos, onde funcionários jogavam o lixo na rua de trás. Peguei o meu carro e fui em direção a um parquinho, vazio naquele horário. E, sim, lá estava ela, sentada no balanço com a cabeça baixa. Caminhei até ela sem que fosse percebido. - Eu tenho boas lembranças desse lugar.
- Boas?
- Boas, ué.
- Eu não considero-as boas.
- Elas foram boas, o que veio depois não. - ela sorriu de canto, aquele sorriso de educação, sabe? - Mas você gostou daquela época... - falei em tom de dúvida, nunca tínhamos falado sobre isso, então eu tentava ser cuidadoso à respeito.
- ... - ela suspirou - Eu não quero falar sobre isso.
- ...
- , por favor, me deixa.
- Não, me ouve. Eu sei que a gente nunca conversou sobre isso, mas me desculpa. Sério.
- Desculpar por que? Ah, será porque você me traiu com a Courtney? PONTO PRA VOCÊ! Ela estragou minha vida duas vezes. E o engraçado é que você tá sempre ligado a essas coisas! - ela falou irônica, em tom alto.
- Foi um acidente...
- Tudo pra você é um acidente, incrível! Quando você vai começar a pensar antes de fazer?
- ...
- , me diz, eu fui um acidente pra você? - eu ia responder, quando ela me cortou - Porque, sabe? Eu gostava de você, muito! - ela corou nessa hora - E aquele tempo todo foi em vão, eu sei que não fui correspondida, mas você parece que gosta de continuar a me enganar. E agora com isso tudo que tá acontecendo, eu não consigo parar de lembrar o que você já fez pra mim. Então se você quer o melhor pra mim... Pra nós, vai embora, por favor! - eu preciso dizer que não sabia o que responder? É, realmente não preciso. Saí e olhei pra trás umas três vezes, e em todas as três, ela estava lá, com pernas encolhidas, cabeça baixa e chorando. Eu também queria chorar, mas não podia. Ou não queria mostrar que eu sou fraco. Quando voltei pro colégio, já era hora da saída. Os caras tavam me esperando no portão da frente com Ashley.
- E aí, cara? - bateu nas minhas costas.
- Achei ela...
- Então cadê? Você colocou dentro das suas calças? - me zoou.
- Não, esse é o volume natural dela - ri, mas logo fiquei sério - Ela tá no... Er, , posso falar com você?
- Tá, né! Dudes, vão na frente, eu vou com o daqui a pouco. - Todos sussuraram um 'okay' coletivo e foram embora.
- Fale.
- Bem, ela tá no parquinho... - falei devagar, temendo a reação dele.
- E..?
- A gente brigou... de novo.
- , o que você tem na cabeça? - ele falou alto, me olhando com raiva.
- Por favor, ... - ele respirou fundo e me deixou continuar - Eu vou te contar uma coisa que aconteceu há alguns anos atrás e foi, basicamente, o motivo da briga.
- Anos atrás? - ele me olhou confuso.
- 17 de setembro de 2006, ... - suspirei alto.
- Eu sou o único a não saber disso?
- Não, , mas que porra! Ninguém além de nós dois sabe, agora dá pra você escutar? - ele não imagina o quão difícil é ter que contar isso pra alguém.
- Desculpa.
- Nesse dia começou tudo. Nós dois começamos a "namorar" em segredo naquele mesmo parquinho e tava tudo indo bem, eu gostava muito de... estar com ela. - estava visivelmente chocado, mas não me interrompia - Lembra daquele vizinho que ela teve? Que por acaso era amigo do meu irmão... - ele sacudiu positivamente a cabeça - Então, ele ficava dando em cima dela e, apesar dela não fazer nada, ela não tentava fazer com que ele parasse, sabe? Ela dizia que ele tinha carinho 'fraternal' por ela, que eram coisas da minha cabeça, e eu ficava cada dia mais puto, com ela e com ele. Um dia eu tive que fazer um trabalho com a Courtney... - cerrou os olhos, imaginando o que viria a seguir - ...e ela disse que gostava muito de mim e, do nada, ela me beijou... E eu não fiz nada pra parar, a coisa foi adiante e...
- Não precisa terminar, . - eu o ignorei.
- E a descobriu e ficou muito puta comigo, e eu achava que tava certo, eu achava que ela tinha um caso com aquele cara lá... E foi assim que tudo começou.
- E vocês se odiavam por isso?
- Exatamente.
- Por que nenhum dos dois tentou pedir desculpas?
- Imagina o porquê.
- E... você gosta dela? - ela perguntou cauteloso e eu mordi o lábio inferior. Eu não ia responder e ele sabia disso. - Na boa, . Eu não acho que você a mereça. Você sabe muito bem que não é cara de uma menina só.
- Eu mudo. - ele riu irônico.
- Olha... Eu acho que você poderia sair com ela uma tarde e explicar tudo, faz uma surpresa pra ela, sabe? E o mais importante, agora que a escola toda já sabe, você tem que dar apoio pra ela. - eu sei, ele tá certo, mas é realmente dificil fazer isso.
- Eu não posso dizer pra todo mundo que eu sou o pai da criança...
- Mas vai. - disse visivelmente irritado, e eu assenti com a cabeça.
- E como?
- VOCÊ que tem que fazer uma surpresa, uma que idéia totalmente sua, uma que ela não tenha dúvida que foi você.
- Tá bom, tá bom. - fiquei a tarde inteira pensando no que fazer e demorei pra ter uma idéia realmente digna.
Sexta-feira. Baile de boas-vindas do colégio, baile das fofocas e a minha banda iria tocar. É tradição uma banda do último se apresentar nas festas do colégio e esse é o baile que todas as bandas querem tocar por ser o mais comentado.
- Faltam 15 minutos pro show, eu tô nervoso pra caralho! - disse , andando de um lado pro outro.
- Cara, a gente tá tão despreparado! Filha da puta da diretora que avisou a gente essa semana, não deu tempo de ensaiar nada!
- Mas a gente tem talento, , não se preocupa! - dava uma golada na minha cerveja, esparramado num sofázinho que tinha no nosso 'camarim'.
- Não entendo como você pode tá tão calmo, ! - dizia incrédulo. Alguns minutos depois, entrou uma mulherzinha da secretaria nos avisando pra entrar.
O show começou, as pessoas tavam gostando pra caramba, curtindo e pulando bastante. Fiz um sinal pros caras pararem ao final da música.
- Galera! Antes de começar a próxima música eu queria contar uma coisa pra vocês. - ajeitei o meu cabelo com as minhas mãos, sentindo meus olhos arderem pela luz que parecia querer me cegar. Cerrei os olhos e vi a escola inteira prestando atenção em mim, respirei fundo. - Há uns 3 meses atrás, um pouco mais até, minha vida mudou completamente. Tá bom, não vou tomar muito do tempo de vocês, mas eu só quero dizer o quanto eu tô orgulhoso de ser o pai do filho da . Então, a próxima música é pra você, ! - sorri ao perceber a cara de choque de todas as pessoas, principalmente dela. A gente tocou mais duas músicas e depois o DJ entrou. Fui até , que estava sentada em uma mesa, bebendo e me sentei do lado dela.
- Brigada. - ela me disse sorrindo. A abracei e beijei o topo de sua cabeça.
- É uma maneira de me desculpar por tudo.
- E você conseguiu. - ela beijou meu pescoço e eu roubei um beijo dela. Rimos e eu a abracei mais forte.
- Quer dançar? - dei a minha mão e ela segurou, sorrindo e se levantando atrás de mim. Levei-a pro meio da pista, estava tocando uma música lenta, uma do Elton John, não sei o nome. A gente dançava de um lado pro outro, pisando no pé algumas vezes, ríamos.
Depois de retornar à mesa, tomar mais (muitas) cervejas, cochichou no meu ouvido
- , a gente tem que ir pra casa.
- Por que?
- Amanhã a gente vai com as nossas mães decidir algumas coisas do casamento. - olhei pra ela, que tinha o rosto colado no meu por estar cochichando, mas não olhava na minha direção.
- O que você tá olhando?
- Ahn? - ela me olhou, meio vesguinha até, queria agarrar.
- O que você tava olhando?
- Ah nada... - ela riu sem graça, colocando uma mecha no cabelo atrás da orelha. Olhei pra ela com o olhar do tipo 'não vou desistir tão fácil, melhor você dizer'. - Tá bom, eu tava encarando a Courtney, ok? Ela não parava de olhar pra cá, tava me irritando! - eu ri, beijando a bochecha dela, ao mesmo tempo que meus braços envolviam a cintura dela.
- Vamo pra casa, temos um longo dia amanhã! - ela foi até a mesa pegar a bolsa dela e eu puxei o pelo colarinho, sussurrando na orelha dele - Aquela conversa... finge que não aconteceu. - pisquei pra ele e puxei pela cintura, saindo do salão.
Me espreguicei, passando o braço no outro lado da cama, que estava vazio. Abri os olhos procurando por ela. Encarei o relógio, que apontava quase oito da manhã, escutei a porta do banheiro estalar e sair de lá de toalha. Sim, ela não sabia que eu estava acordado, indo procurar uma roupa no armário e ficando de costas pra mim. Me levantei da cama silenciosamente, caminhando até ela.
- BÚ! - ela deu um berro agudo, daqueles de sempre.
- , O QUE VOCÊ TEM NESSA CABEÇA? - ela dava tapas no meu peito e braço, não percebendo sua toalha quase pendurada.
- Bate mais forte. - ri, fazendo ela ficar morta de vergonha - Não pára de bater, vai! - falei gemendo de uma maneira bem pornográfica e ela arrumou a toalha, percebendo a porcentagem de seu corpo que já estava exposta.
- , pára com isso, a gente tem que ir ver as coisas do casamento. - falou tentando mudar de assunto, mas continuava vermelha, parecendo aqueles bebês que você tem vontade de agarrar.
- Tá, vou pegar uma roupa. - abri o armário, peguei minha calça jeans, um tênis e uma blusa preta. Tirei a blusa, e troquei pela não-amassada, coloquei a calça, o tênis e estava pronto, esperando terminar de arrumar o cabelo, que na minha opinião estava bom, mas segundo ela, se não secasse iria ficar frizado. Até parece que eu sei o que é frizado.
- , vai logo, eu não aguento mais esperar.
- , ou você espera ou você não vai! - ela falou empaciente com a mão na cintura. Ri.
- Por que eu tenho que ir mesmo?
- Porque é o nosso casamento e, se eu vou dar a luz a um bebê de uns 40 centímetros, vou passar horas dentro de um hospital e vou ficar toda pelancuda depois disso tudo, o mínimo que você pode fazer é me ajudar com os preparativos do casamento.
- Tá bom, tá bom. - bufei, sentando na cama com a cabeça apoiada na mão, esperando a madame terminar de se embonecar. Mais.
- PROOOOONTO, LINDINHO! - ela veio na minha direção depois de uns 10 minutos de espera. Eu esperaria mais 10 minutos se fosse pra ela ir pelada. Ela me puxou pela mão quando ouviu o carro da minha mãe buzinar lá embaixo.
- Oi Sra. , oi mãe! - ela sorriu, enquanto eu dava um oi seco, não me mostrando nada animado por passar o dia vendo coisas de mulher.
- querido, pronto pra embarcar no mundo feminino? - minha mãe ria, acompanhada das duas outras, enquanto eu encarava as árvores que passavam rápido pela janela. Talvez não fosse tão irritante como eu achava, mas bem, vamos ver. Saímos do carro, depois de aguentar conversa de mulher sobre vestido, cerimônia, padrinhos, nome do filho, etc. Entramos na loja de vestidos e correu desesperadamente pra todos os lados. O vendedor gay veio correndo me puxar pro outro lado da loja, enquanto eu me debatia.
- O que é isso? - gritei nervoso. Porra, eu sei que sou gostoso, mas eu tô com a minha noiva aqui e sou assediado por um viado?
- Você não pode ver o vestido de noiva, nananinanão.
- Por que?
- Você nunca ouviu que dá azar ver a noiva antes do casamento?
- Mas eu vim aqui pra ajudar ela a escolher.
- Pois então trate de arrumar um terno pra você ou saia daqui. - a biba falou com a mão na cintura, num movimento erm.. gay.
- Tá bom, tá bom, pra que lado ficam os ternos?
- Garoooto, eu tenho uns que ficariam ótimos em você! - ele deu um gritinho de bicha, pegando no meu braço e me arrastando pra parte dos ternos - Qual desses dois você prefere? - ele segurava um terno preto em cada mão. Sinceramente, eu não via diferença nenhuma.
- Qual a diferença deles?
- HELLO! Olhe os detalhes, garoto! - ele estalou os dedos na frente dos meus olhos - Olha os botões, o corte, a cor, tudo! Faça-me o favor, experimente os dois e me mostre como fica. - peguei os ternos da mão dele e entrei na cabine.
- Cara, isso daqui tá muito apertado! - saí da cabine falando alto.
- Já pensou em párar de beber um pouco de cerveja?
- O QUE?
- É, você tá um pouco com barriga de... Como é a expressão que usam pra isso? - o encarei puto da vida, quando ele estala os dedos, mostrando que se lembrou da tal expressão - Barriga de chopp!
- Barriga de chopp é você, mermão!
- Olha aqui, garoto! Eu tô mais em forma que a Posh, ok? - rolei os olhos, entrando na cabine de novo pra experimentar o outro terno. Saí do provador com o segundo terno, menos apertado, é claro. O olhos da biba brilharam quando eu saí, até fiquei com medo de que eu tivesse que sair correndo de terno, sendo perseguido por uma bicha louca. Sei lá, imagina se pensarem que eu abandonei uma porra louca daquelas no altar.
- Olha, eu posso falar com a ?
- Não! - ele bateu as mãos e colocou na cintura. Porque os movimentos de gays são tão planejados? Eu teria que ensaiar dias até conseguir fazer isso. - Olha, desde que vocês não se vejam, pode falar.
- Sabe que é, eu tô acostumado a falar com as pessoas olhando nos olhos, só não faço isso pelo telefone e internet. - falei irônico, mas com medo da reação dele, dela, ou sei lá.
- Olha, faz assim, ela fica dentro do provador e você fora, um de costas pro outro, ok?
- Tá, tá, que seja. Posso tirar esse terno?
- Não vai querer mostrar para aquelas senhoras? - ele perguntou apontando pra minha mãe e de .
- Okay, depois eu tiro... Onde a tá?
- Naquele provador ali.
- Valeu. - saí correndo pro provador dela e bati na porta.
- Quem é?
- Sou eu...
- , você não pode me ver, eu tô de vestido.
- Tudo bem, é só não abrir a porta.
- Tá.
- Olha, vai logo por favor, eu to sendo assediado por uma bicha louca. - suspirei, ainda com medo daquele ser.
- Olha, eu já tô indo, mas preciso de outro vestido, esse tá muito curto. É vulgar, eu tô parecendo que tenho dois melões invés de peitos. - ela disse e eu sorri malicioso pra mim mesmo.
- Tá muito curto? - haha.
- Demais, é desconfortável isso.
- É melhor tirar, né? - falei e entrei rápido na cabine, apertando nossos corpos. Em um impulso, ela tampou os meus olhos com a mão e eu não consegui ver nada.
- , o que você tem na cabeça? - ela sussurrava, mas mesmo assim me dando uma bronca.
- Você nem vai levar esse vestido, vai?
- Bom, não, mas... - não deixei ela terminar a frase e a peguei no colo, encostando-a na parede e beijando ferozmente o seu pescoço.
- Você tem razão, seus peitos parecem melões. - olhei eles fixamente, depois olhando nos olhos dela com um sorriso maroto - Mas eu gosto.
- Gosta, é? - ela mordeu o lábio inferior e eu nem tinha mais noção do que era respiração. Beijava seu pescoço, descia até o colo, voltava, ia pra bochecha e ela passava as mãos pela minha nuca, me arrepiando toda hora. Levantei o vestido, que por sinal ia só até o meio da coxa. Segurei suas pernas, entrelaçando-as em volta da minha cintura. Nos beijamos ferozmente, com os lábios já doendo.
- Mas o que é isso? - a mãe da perguntou ao abrir a porta e dar de cara com a gente. Nos soltamos rápido, com as bocas vermelhas.
- Oi, mãe. - ela sorriu sem graça e eu temia o que a mãe dela ia fazer.
- Vocês dois estão impossíveis! - ela olhou pra trás, como se procurasse alguém - É o seguinte... Pior não fica, né? - ela suspirou - em mais cuidado da próxima vez, não sei o que vai acontecer se for a Kate que abrir. Eu sei, eu já tive a idade de vocês, eu até estive na mesma situação...
- MÃE, ME POUPE DOS DETALHES! - ela gritou, rindo.
- ... - ela adotou um tom sério - Vou com a sua mãe ver a seção de jogos de jantar e faqueiros, experimentem roupas bonitinhas, crianças! E não façam nada que eu não faria! Au revoir! - ela deu uma piscadela, rindo. Eu e nos entreolhamos e começamos a rir.
- HAHAHA... SUA...HAHAHA, SUA MÃE...HAHAHA - eu ria como uma hiena - Sua... - tentei começar de novo, respirando fundo - Sua mãe é safada, cara. Eu quero ela pra mim, vamos nos casar logo pra ela ser minha mãe também.
- Que interesseiro, . - ela riu e me deu um selinho.
- Não é interesse. - falei malicioso, puxando ela novamente pra mim. Voltamos ao beijo-sem-espaço-pra-respirar, com ela no meu colo, dessa vez os dois sentados, mas...
- AAH, AAAAAAAAH! - o atentende viado gritava, pulava a abanava o ar histérico, histérica, enfim.
- MAS QUE PORRA É ESSA? NÃO SE TEM MAIS PRIVACIDADE HOJE EM DIA? - fechei a porta na cara dele, já me irritando com tamanha interrupção. Não se pode nem comer uma mina no provador hoje em dia! Mundo cruel.
- Onde estávamos?
- Aqui. - ela sorriu e me beijou, tirando o meu terno e desabotoando minha blusa. Abaixei a alça do seu vestido, deixando quase seus seios a mostra e ouvimos batidas na porta.
- PUTA QUE...
- O que? - minha mãe perguntou.
- Er, o que foi, Sra. ? - falei com a voz mais fina possível. Retiro o que eu disse sobre ter que ensaiar pra parecer gay. Nesse momento, eu mesmo me comeria.
- , você tá morta aí?
- É, tô morta falando com você... Quer dizer, eu tô bem, só tá difícil pra tirar o vestido.
- Quer que eu te ajude?
- NÃÃÃÃO! Não precisa ajudar não, tô conseguindo já! Ahn, Sra. , você não tava com a minha mãe?
- Tava sim, mas eu tô ansiosa pra ver como você ficou no vestido. - merda! se arrumava rápido, ajeitando ao máximo os cabelos e abriu a porta da cabine, enquanto eu me escondia no canto.
- Tcharam! - elas riram - Hum, eu acho que tá um pouco curto demais. Não?
- Sim, eu ia dizer isso. Vamos ver outro! - ela puxou pela mão, enquanto a mesma me olhava desesperada, fazendo sinais pra que eu fosse embora o quanto antes. Saí correndo, meio agaixado, pelo salão de vestidos, tropeçando em algumas caixas de saltos que tavam no caminho.
- O que acha desse, ?
- Ah, esse tá ótimo. - ela disse, desviando o olhar na minha direção e mexendo as mãos pra eu sair da vista delas. Fiz sinal de ok e saí correndo, batendo de frente com o atendente. - Ah, meu deus, desculpa, foi mal, cara. Tá tudo bem?
- Eu pareço estar bem? EU PAREÇO? É claro que não estou bem, eu estou com uma unha quebrada e você sujou minha roupa!
- Eu só tenho culpa pela tua unha, quem sujou a roupa foi o chão. - falei, tentando ser engraçado, mas voltei a ficar sério após receber um fora de um gay e concluir que essa seria a humilhação do ano. Após alguns minutos depois, consegui fazer o cara calar a boca e me sentei numa poltrona.
- Vamos, ?
- Já escolheu o vestido?
- Já, mandei pra costureira e daqui a uma semana eu venho provar de novo. - sorriu, atrás dela estavam nossas mães.
- Ok, vamos, aonde paga?
- Paga quando vier pegar o vestido, .
- Ok, eu não sou retardado.
- Eu sei. - elas riram e eu emburrei, fazendo bico-cara-de-patinho-feio-com-espelho-na-mão.
- Mãe, você já viu as outras coisas?
- Já, filha. Só voltaremos semana que vem pra ver o resto das coisas que estavam em falta. - ela me olhava com vontade de rir e eu ficava cada vez mais vermelho. Sussurrei no ouvido de
- Pode pedir pra sua mãe parar de me fazer ficar envergonhado? - ela riu, pegando minha mão e entrelaçando. Chegamos no carro, abri a porta pra ela e sentei ao seu lado. Deitei meu rosto no ombro dela, recebendo cafuné em seguida. Se soubesse que era assim, teria feito isso todo dia. Ok, tem algo melhor que cafuné? Além de sexo. Eu tava delirando, quase dormindo, quando minha mãe dá uma daquelas freadas que faz você ir pro banco da frente e voltar.
- OLHA POR ONDE ANDA, SEU FILHO DA PUT...
- MÃE!
- QUE É?
- Só adolescentes podem falar palavrão, olha as palavras! - falei rindo e ela bufou. Aposto que queria me mandar tomar no cu, mas preferiu passar a idéia de que é legal.
Depois de passar em milhões de lojas vendo, praticamente, a mesma coisa, finalmente fomos pra casa. Quer dizer, minha mãe nos deixou na casa do .
- , acorda! - a chacoalhei de leve e ela deu um gemido.
- , seja cavalheiro! - minha mãe virou no banco de motorista, me dando uma bronca. Saí do carro, indo pelo outro pra lado pra pegar ela.
- Mãe, fecha a porta! - a levei até a porta, tendo problemas pra abrir. Depois de alguns segundos, a mãe da veio correndo, se equilibrando nos saltos, pra abrir a porta.
- ?
- Hm.
- Tô com sono. - a coloquei na cama, cobrindo com o lençol. Dei um beijo na testa dela, que sorriu de leve.
Deitei alguns minutos do seu lado e por pouco tempo mantive os olhos abertos.
SEXTO CAPÍTULO - Fofinho!
Acordei e olhei no relógio que batia sete em ponto. Saí correndo pra cozinha e preparei dois ovos, suco e levei pro quarto da .
- ? - a chacoalhei, fazendo-a acordar com aquela cara de ódio, mas desapareceu quando viu o café que eu havia feito - Tá com fome?
- Morrendo. - ela sorriu, já pegando o suco e comendo o ovo.
- Vai com calma pra não engasgar. - falei aquilo meio sem querer.
- AH NÃO! QUE FOFO, ! Tá treinando pra ser pai já? - ela apertava minhas bochechas como se eu fosse uma criança.
- Pára, . - falei envergonhado, tirando a mão dela da minha bochecha.
- AAAAAAAAAAAAH! - os olhos dela brilhavam - , você tirou o dia pra ser fofo? - ela me abraçou, dando um beijo demorado na minha bochecha.
- Vou ser fofo mais vezes.
- Fofura cansa com o tempo.
- Bom saber. - ri.
- Brincadeira, ! Nããão! - eu ria, arrependia de ter falado aquilo.
- De boa.. Erm...CALMA, CALMA! - berrei quando ela pulou em cima de mim pra apertar de novo minhas bochechas. Comecei a ficar vermelho e ela ria e me apertava mais a cada segundo. Cara, se quer arrancar minhas bochechas, diga. Ok, não diga ou eu saio correndo de você. - , quer parar de cutucar minha bochecha?
- Desculpa, é que você tá tão fofo hoje! - ela falou com os olhos brilhando e eu já sabia que o próximo movimento dela seria me agarrar novamente - Aliááás, como eu vim parar aqui? Porque... eu não me lembro de voltar pra casa. - ri.
- Eu te trouxe.
- AAAH ! - é, pulou em cima de mim. Se ela fosse gorda eu estaria fodido, fato.
- ...
- Diga, meu fofinho! - ela continuava me apertando.
- Ser chamado de fofo é um pouco broxante.
- Ahhh... - o rosto dela murchou - É que... Você tá muito fofo hoje e... - ela gaguejava, falando com uma voz fina - Me desculpa?
- Depende... - sorri safado.
- De...? - ela estreitou os olhos.
- Você vai fazer o que eu quiser por uma semana.
- Nem a pau. - ela riu.
- Por que não? - me fingi de chateado-com-cara-de-cachorro-sem-dono-e-com-coleira-que-pinica e ela ameaçou a pular em cima de mim de novo, mas segurei seus braços. - Ok, não precisa fazer nada, é só parar de pular em mim, vai.
- YEAAAAAAAAAAH! - ela me segurava, beijando minha bochecha infinitas vezes - Sabe, , você não devia me proibir de pular em você e coisas assim...
- Por que?
- São desejos de grávida! - ela ria.
- Não acho graça. - fechei a cara e ela voltou a pular em mim - Termina seu café aí, vai!
- Mas, mas... - ela me olhava com cara de alce sem chifre. Quer que eu te dê o seu chifre? HEHE, ok, parei.
- Olha, faz assim, você come aí e eu arrumo as coisas pra ir pro colégio. E ainda acordo o por você.
- Ok. - ela falou com desânimo e eu saí do quarto indo em direção ao quarto que mais fedia na casa - , acorda, porra! - eu balançava ele de um lado pro outro. Caralho, parece defunto. - , ACORDA, VIADO!!!! - pulei na cama e depois em cima dele e finalmente a peste acordou, berrando.
- SOCORRO, MÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃEEEEEEEEEEEEE! MÃE, ME AJUUUDA! ?
- Finalmente acordou!
- Você tá me assediando sexualmente...
- Eu tô? - levantei uma sobrancelha.
- Aham... ou você tá muito excitado com a minha bunda, ou sei lá... - ele falou com cara de espanto e eu olhei pra bunda dele. Eu sei, isso foi gay. Percebi que o controle da TV do quarto da criatura tava entre os meus orgãos genitais e seus glúteos. Gostou? Falei bonito agora.
- , tu é uma anta ou se faz de uma? - tirei o controle e lhe mostrei.
- Ah, tava tão gostoso...
- Cara, tô duvidando da sua masculinidade.
- Po, não fiz nada.
- Ah não! - disse ao ver aparecer na porta, sorrindo.
- ... - ela sentou na cama - Já viu como o tá fofo hoje? - ela apertou minhas bochechas, enquanto eu fixava no decote do pijama dela, como o .
- Já. - ele continuava olhando e babando.
- Quem é o Harryzinho fofinho da , quem é? - ela falava mais gemendo do que falando, apertando minha bochecha - Ah, , diz se ele não tá fofo, hoje?
- Ele tá lindo, , a coisa mais linda que eu já vi. - disse se referindo ao decote.
- QUEREM PARAR? - eu gritei, desesperado. Acho que tenho fofofobia, sabe, fobia de ser fofo, sei lá. - Eu não sou fofo coisa nenhuma, só quis deixar você feliz. - apontei pra ela - E o achou que eu tivesse comendo ele, mas era um controle enfiado na bunda dele. - apontei pra ele e os dois ficaram me olhando espantados. - Que é?
- Fofinho, por que você surtou do nada? - ela olhava atenciosa pra mim e eu senti meu sangue subir.
- FOFINHO NÃO!
- Ah, por que não? - ela fazia bico.
- É, por que não? - a imitava, segurando o riso.
- Vocês dois são insuportáveis! - peguei o travesseiro, tacando na cara do e tampando a boca da com as mãos. continuava falando, mesmo que não desse pra entender nada, e eu estava a ponto de explodir.
- Ok, eu vou indo pro colégio, a gente se encontra lá, tchau. - saí antes da resposta, que provavelmente seria 'tchau, fofinho'. Andei por meia hora até o colégio, onde se encontravam e Ashley.
- E aí? - os dois vieram ao meu encontro.
- Oi caras, cadê o ?
- Tá com a Heather por aí. - fez cara de safado e beijou Ashley.
- Oi . - dei um 'alô' pra ele que correu pra mim e me abraçou.
- CARA! É muito bom de te abraçar, você é fofo, sei lá. - filosofou e eu quase o esmurrei.
- É? - se intrometeu.
- Aham, aperta ele. - disse e e Ashley me apertaram.
- Verdade, ele é tão fofo, bom de apertar. - os dois falaram.
- SE MAIS ALGUÉM FALAR QUE EU SOU FOFO, EU ME MATO!
- E aí, fofinho? - Courtney chegou pro trás passando as mãos nos meus ombros. E eu a ignorei, saindo correndo pra sala de aula. Com a cara mais que vermelha de raiva e deixando alguns seres sem entender nada.
A classe estava vazia e eu dominava uma cadeira. Literalmente dominava, porque além de estar sentado nela, eu me espaçava inteiro na mesa.
- FOFINHOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! - chegou pulando nas minhas costas, por mais que eu estivesse sentado. Mergulhei o rosto na minha mochila, tentando achar que aquilo era um pesadelo. - Fofinho, você tá bem? - ela chegava perto da minha orelha, cochichando, provavelmente com medo de me acordar no caso de eu estar dormindo.
- , eu te juro que eu tô saindo do controle. - falei com os dentes cerrados.
- Calma, fofinho. - ela se sentou na mesa e eu ficava numa altura favorável - Não precisa ficar bravo. - ela me deu um beijo e esquimó e sorriu - FOFINHO!
- , PUTA QUE PARIU! DÁ PRA PARAR DE ME CHAMAR DE FOFINHO, FOFO E DERIVADOS? - comecei a berrar. Devia estar vermelho pela cara que ela fez.
- Desculpa. - ela fez cara de choro e abaixou a cabeça, se levantando da mesa.
- , eu não queria...
- Tudo bem, , eu vou lá falar com a Ashley. - ela voltou, me deu um beijo na bochecha e correu pra fora da sala. Abaixei minha cabeça de novo, com culpa dessa vez, e procurei dormir até a aula começar, mas cinco minutos depois acordei com um peteleco na orelha.
- ?
- O que você fez pra ?
- Ahhh... nada.
- Fala, .
- É que... eu meio que gritei com ela por ela ficar me chamando de fofinho. - sorri sem graça.
- , você é muito insensível!
- Ah, mulheres grávidas são muito sentimentais, ! A culpa não é minha. - ele balançou a cabeça, rindo.
- Eu sei, mas sei lá.. dava pra ser mais delicado. - engraçado ele não brigar comigo por isso.
- Tá todo mundo me chamando de fofo hoje, eu fui esmagado por ela. NÃO QUE ELA SEJA GORDA, mas enfim, quase te estuprei... me cutucaram trezentas vezes e até a Courtney me chamou de fofo, cara! ASSIM EU MORRO DO CORAÇÃO!
- Dude, eu não entendo porque você odeia tanto ser chamado de fofo.
- Porque é broxante, dude! - ele rolou os olhos - Vamo lá, vai. - deixei minha mala na carteira e fui pro pátio. Quando chegamos perto do grupo, abracei ela por trás e apoiei meu queixo no ombro dela, mordendo sua orelha. Senti ela se arrepiar e sorri com isso.
- Me desculpa? - beijei seu pescoço e ela riu fraco.
- Desculpo. Mas vai ter que deixar eu te chamar de fofo pelo menos.
- Então eu te chamo de gostosa.
- Não, isso é muito pornô. - riu
- Então vou te chamar de fofa também. - beijei a nuca dela, apertando mais sua cintura e ela se virou pra mim, me dando um selinho.
- Achem um quarto, por favor! - falou quando começamos a nos beijar. Rimos juntos e voltei a abraçá-la por trás.
O resto do dia foi aula normal, exceto na última aula, prestes a acabar, eu sinto uma bolinha de papel batendo no meu pescoço.
"O que você acha de ter um encontro comigo?" - procurei alguém que parecesse estar esperando minha resposta e vi Courtney mandando um beijinho pra mim. Virei pra frente e fiquei pensando no que fazer durante o resto da aula. Quando tocou o sinal, fui até ela.
- Eu aceito, te pego às 8 sexta? - ela me deu um selinho, com direito a um sorriso safado, e saiu com as amigas. Saí de lá recebendo olhares dos caras e das meninas que, por sinal, não foram bons. Eu sei que ainda tem a , mas não é como se a gente estivesse numa relação. E eu sou homem, cara! Nenhum homem recusaria uma transa, porque provavelmente transaria com a Courtney, em sã consciência!
- Então, eu tava pensando em sair na sexta, o que acham? - perguntou já sacando o que eu responderia.
- SIM! - todos gritaram felizes. Já fazia tempo que não saíamos todos juntos, então esse seria um bom dia.
- Eu não posso. - falei com desdém pra não chamar atenção, mas chamei.
- Por que, ? - colocou a mão na cintura fazendo cara feia, beeem feia.
- Eu vou sair com a Courtney...
- Ah, bom encontro... - ela sorriu e virou de costas. Estranho.
- ! - corri atrás dela, puxando-a pelo braço - Não tem problema pra você?
- Claro que não! Por que teria? - abri a boca pra responder, mas ela me cortou - Além do mais, a gente combinou em ter um casamento aberto. Mesmo que a gente ainda não esteja casado, em breve estaremos, então é bom começar desde já, não? - ela sorriu, dando tchau com a mão, indo junto com os outros pra casa. Senti uma mão no meu ombro me puxando.
- O-oi Courtney - sorri amarelo.
- Oi . Só quero ter certeza, você já tem alguma idéia de onde vamos na sexta? - ela perguntou de uma maneira meio fresca, com a mão na cintura.
- Na verdade não, eu não pensei nisso ainda.
- Ah, então podemos ir naquele restaurante novo, o que acha?
- Claro, pode ser... - sorri forçado - Olha, eu preciso ir, a gente se vê. - saí correndo de lá pensando em como me livrar daquele encontro. Ok, no fundo eu até gostava de ter um encontro com a Courtney, mas alguma coisa me fazia sentir um arrependimento por estar me divertindo enquanto a não podia. Ou até é outra coisa e eu uso isso como uma desculpa pra não encarar o verdadeiro motivo. Oi, você entendeu minha teoria? Não? Nem eu. EU realmente podia me divertir, EU podia. não e isso realmente mexeu comigo, mas arrependimento não dura muito comigo, então vamos nos divertir. Afinal, ela disse que não se importava. Andei até em casa e cheguei um pouco cansado.
- QUERIDA, CHEGUEI! - gritei imitando Fred Flintstone, pra variar. Ouvi um riso vindo do andar de cima e segui a voz. Eu sei, parece filme de terror. - Oi, cheguei - entrei no quarto dela sorrindo e sentei na cama.
- Tava demorando, .
- É, eu sei. - sorri fraco.
- Onde você tava? - ela tinha um tom animado na voz por estar assistindo aqueles desenhos engraçados que passam na TV na hora do almoço.
- No colégio...
- Hum... - ela voltou a atenção à TV, não demorando muito a começar a rir de novo. Fiquei algum tempo observando aquela cena, que me fazia sorrir por algum motivo.
- Então, o que quer almoçar? - perguntei e ela desviou novamente a atenção da TV pra mim com a sobrancelha arqueada.
- Você vai fazer o almoço? - perguntou descrente.
- Algum problema? Tô com alma boa hoje. - sorri - Diz logo antes que eu mude de idéia.
- Ok, eu quero hamburger com batata frita, uma pizza de chocolate pra sobremesa, depois pudim de leite e coca.
- Há quantos anos você não come? - me assustei ao pensar em fazer tudo isso. Eu com um bom espírito crendo que no máximo teria que fritar um ovo.
- É pra mim e pro nosso filho, ué.
- Pra você, nosso filho e pra população africana, né!
- Vai , faz logo. - ela disse, se fingindo de emburrada.
- Eu não vou fazer tudo isso. Aliás, eu nem sei fazer tudo isso e não quero ser o causador de uma intoxicação alimentar. Que tal miojo?
- Ah, não! Miojo me deixa enjoada! - ela torceu os lábios como se estivesse enjoada só de pensar.
- Tá bom, tá bom. Que tal pipoca?
- , onde já se viu almoçar pipoca? - ela rolou os olhos.
- Eu sei telefonar pra pizzaria, serve?
- Huum... Eu quero de mussarela, atum e frango com catupiry! - ela sorriu bem grande.
- Cadê o seu primo pra te alimentar, hein? Eu tenho que ser milionário pra pagar tudo o que você quer comer!
- Ele disse que ia almoçar com uma namoradinha no shopping. E vai logo pedir a pizza, !
- Tá, tá... - saí do quarto resmungando e fui pedir a tal pizza. É engraçado como os carinhas que atendem em pizzarias são lerdos. Segunda vez que eu tenho que explicar trezentas vezes pro mesmo cara entender. Incrível também como abusam da minha boa vontade. - A pizza chega em uma hora. - entrei no quarto avisando .
- UMA HORA? - ai meus tímpanos. - O QUE EU FAÇO EM UMA HORA?
- Bem, a gente pode... você sabe...- sorri malicioso.
- Em uma hora? Tá achando que eu sou o que, uma cachorra?
- UI, CACHORRA!
- UI, FOFINHO!
- Ok, não teve graça.
- Você tá na minha mão agora, ! - ela sorria vitoriosa.
- Vou te falar o que tá na sua mão. - sussurrei, mas ela escutou. Colocou a mão na minha coxa, aproximando cada vez mais da zona.
- Fofinho! - sussurrou no meu ouvido e se jogou na cama rindo.
- Se você não fosse mulher...
- O que? Iria me empurrar de novo?
- , por favor, chega disso.
- , você é um cachorrinho agora. - ela falou entre os dentes. Fiquei calado, com medo. Nunca achei que ela fosse assim. Mas ela começou a rir, vendo que eu tinha levado a brincadeira à sério. - Olha , relaxa, vamos só conversar, ok?
- Você se drogou hoje?
- Hoje não, por que? - ela riu mais ainda e eu tava ficando com medo de novo.
- VOCÊ SE DROGA?
- Não, mas se me drogasse, você não teria nada a ver com isso.
- Mas você tá grávida!
- Mas se não estivesse, você não teria nada a ver com isso - ela disse imitando a fala anterior e eu não soube o que responder, novamente. Ela estava certa.
- Mas eu me importo com você.
- Desde quando, Mr. ?
- Eu me importo, não interessa desde quando.
- É estranho ouvir VOCÊ falar isso pra MIM. - ela me olhava como se duvidasse do que eu falava.
- Você não sabe levar elogios sem ficar fazendo perguntas? Meu deus! - me levantei da cama - Vou pegar o dinheiro da pizza.
- Deixa que eu pago, .
- Não precisa, eu tenho que fazer algo durante esses nove meses. - eu ri.
- Que bom, porque eu não tinha dinheiro mesmo.
- E se eu deixasse você pagar?
- Eu não iria.
- Eu pagaria, mas aí você estaria me devendo.
- E eu não pagaria a dívida, porque não teria dinheiro.
- Mas poderia pagar de outro jeito.
- Você é inacreditável, ! - ela ria. Dei uma piscadinha e saí do quarto.
- Pizza, pizza. - avisei, entrando no quarto, depois de esperar aquele entregador lerdo por mais de meia hora. - Você pega os pratos.
- Mas por que eu? - perguntou indignada.
- Porque eu pedi a pizza, paguei e fui pegar.
- A gente pode comer com a mão.
- Achei que você achasse nojento - estranhei.
- Não acho. - falou, pegando um pedaço.
- O que a preguiça não faz.
- Você sabe bem disso, né ! - emburrei, comendo um pedaço de pizza.
- Sério, não entendo as grávidas. - ela me olhou com a boca cheia de pizza, como se perguntasse o porquê - Você tá constantemente mudando de opinião, tá super sentimental e tarada... Você não era assim, ! - falei, fingindo estar indignado - Aliás, a única parte boa é você estar tarada.
- ... - ela me olhou como se fosse chorar e logo caiu no riso. Fiquei olhando pra ela com cara de cu, sem entender nada daquela situação. - Ai ai, ... você precisa se conformar, de agora em diante eu serei sempre assim. Ou talvez pior.
- Se você ficar mais tarada, tudo bem. - sorri maroto e ela me mandou um beijo no ar.
- Quando nosso filho nascer, eu não vou ficar tarada.
- Por que não?
- Porque não, ué! - ela riu e me puxou pra um beijo. - É melhor aproveitar agora. - sorriu.
- Vou aproveitar, acredite. - puxei-a de novo pra um beijo que QUASE levou a algo mais.
- , tô com fome. - ela parecia confusa e eu ri.
- A gente continua isso depois, então. - sorri, mas ela pareceu envergonhada. Preferi não insistir. Comemos muito, muito. Sabe o que é muito? É, foi realmente muito. Eu já ia passar mal só de ver pizza.
- Não aguento comer mais nada. - falei, me jogando de costas na cama. Ela riu.
- Nada? - perguntou maliciosa.
- Algumas coisas sim... - entrei no jogo, já sabendo onde ia dar.
- É mesmo? - foi se aproximando de mim. Deitou do meu lado na cama, com metade do corpo por cima de meu e nossos rostos próximos. Não me movi, fitei sua boca e, lentamente, passei nossos lábios contra o outro. Ela começou a rir e eu ri sem graça, por ter acreditado. Ela logo torceu a boca, como se sentisse pena de mim.
- Ai , desculpa! É que... eu não tô no pique pra isso, sabe? Não é legal fazer isso depois de comer, sei lá. - sorri, deixando-a mais calma. Ainda com metade do corpo em cima do meu, ficamos nos encarando por alguns minutos, ou segundos, sei lá, e depois ela me beijou, do nada mesmo! Eu fiquei meio estranho, mas aproveitei. Ela acariciava meu cabelo e o nosso beijo era calmo, apoiei minhas mãos nas costas dela, acariciando com o meu polegar aquele pedaço em cima da bunda, sabe? Onde as pessoas tem covinha e tal. Ela sorriu durante o beijo e eu fiz o mesmo instantaneamente. Não consegui deixar de me sentir bem por isso. Uma das, se não a primeira vez que ela me beija sem ser pra me provocar. Levantei parte do corpo, me apoiando em meus cotovelos na cama, consequentemente fazendo-a se sentar no meu colo. Fitei seus olhos por alguns instantes e, fazendo carinho na bochecha dela, lhe dei um selinho. Uma coisa doce, na qual eu não estava acostumado a fazer. Ela sorriu pra mim e nesse instante, senti vontade de agarrar aquela menina.
- Eu te... - fechei os olhos, abraçando ela, mas quando dei por mim no que estava prestes a falar, arregalei os olhos no meu máximo e tentei enrolar o que viria a seguir, do tipo 'Eu te... disse que quero passear?'. Não que eu realmente ame ela, aliás, tá longe disso, mas o momento foi tão propício que quase saiu.
- Ah, aonde a gente pode ir? - ela sorria abertamente, com os braços apoiados no meu ombro e as mãos fechadas na minha nuca, mas ainda sentada no meu colo.
- Não sei, aonde você quer ir? - ela deitou a cabeça no meu ombro e a voz saía bem no meu ouvido, me causando arrepios.
- Praia? Parque? Não sei. - ela soltou um riso abafado e eu sorri.
- Você escolhe, ainda tem tempo pra pensar.
- Não tenho tempo. Quero aproveitar o dia. - ela falou meio sonhadora.
- Vamos na praia, parque e onde mais você quiser. - sorri, dando um beijo em sua bochecha.
- Sério? - seus olhos brilhavam. Assenti com a cabeça e sorri.
- Vamos primeiro na praia, ok? - ela concordou, saindo do meu colo em seguida. Nos levantamos e saímos de casa, encontrando o carro do . Não sei como ele foi se encontrar com a peguete sem o carro, mas pelo menos eu saí lucrando. Abri a porta do carro pra , que sorriu pra mim. Entrei logo em seguida e fomos o caminho todo conversando besteiras sobre o nome do bebê. Chegamos na praia que era fora da cidade, então levou um certo tempo até lá. Estacionei o carro e corri pra areia, sentindo aquele ar fresco que não sentia há anos. correu em minha direção pulando em seguida nas minhas costas.
- , o bebê!
- Ele tá bem, . - ela sorriu. Sentei na areia com ela do meu lado.
- Você gosta?
- De que?
- Não sei, deve ser estranho ter um bebê dentro da barriga... - falei meio sem jeito.
- É, mas é bom.
- Sua estranha. - abracei-a pela cintura, rindo. Ela encarava o mar e a brisa fazia seus cabelos voarem, bem aquela cena de clipe.
- ...
- Hum...
- Vamos entrar no mar?
- TÁ LOUCA?
- Na verdade...
- Não precisa responder, já sei a resposta. E você NÃO vai entrar no mar, tá frio e você vai pegar um resfriado!
- Mas ! - ela tinha a boca aberta, fingindo que estava indignada.
- Mas nada! - eu ri e ela correu até o mar, entrando em seguida. Corri atrás dela o mais desesperado possível.
- , pelo amor de tudo que eu amo, não dá uma de louca! O bebê...
- Shiu. - ela colocou o dedo indicador na minha boca, em sinal para que eu me calasse e assim fiz. Ela sorriu. - , eu mais do que ninguém sei que o nosso filho tá bem. Então acredita em mim, ok?
- Eu fico preocupado.
- Não precisa, tá tudo certo. - ela saiu correndo, rindo. Fui atrás dela tentando pegá-la. - Vai ser lerdo assim no Afeganistão, !
- Afeganistão? - ri, ainda correndo.
- Tava sem idéias. - ela falou com desdém e em seguida caiu na água, sendo surpreendida por mim.
- HAAAA! - agarrei-a pela cintura, girando-a no ar. Ela ria e eu a botei de novo no ‘chão’. Ficamos conversando e rindo por um bom tempo, saímos do mar e eu podia sentir meu amigo enrugado. Sentei na areia e eu a puxei pra sentar no meio das minhas pernas, deitando meu rosto no ombro dela, que encarava o nada.
- , que horas são?
- Quase onze e meia. - respondi meio sonolento.
- Você tá com o celular aí?
- Não, tá no carro.
- , o deve tá super preocupado em casa, você tá louco? - ela levantou em um salto, me dando um bronca e me puxando apressada até o carro. Procurei o maldito celular por todos os cantos possíveis e não achei. Olhei pra que, a essa altura, batia o pé, contando até dez e provavelmente imaginando que eu não achava o aparelho. - , você perdeu, não é?
- Ah, não é que eu perdi... eu só não sei onde está...
- E como você define perder?
- Hã?
- Hã o que?
- Eu tô confuso. - falei torcendo a boca.
- Okay, eu também. Mas enfim, você achou esse celular?
- Nã.. - ia terminar quando aquela porra começou a tocar e eu levei o maior susto da história. Fui er.. seguindo o som e vi o celular embaixo do acelerador. - ACHEI!
- Quem é que perde um celular num acelerador? - se perguntava indignada e eu ri.
- Ah, eu tava com pressa. - claro, claro.
- Ah, lógico.
- Então.. - me aproximei dela, segurando sua cintura com força e puxando-a para mim - Quer ficar um pouco no carro? Aqui tá meio frio, precisamos nos esquentar...
- , a gente tá numa praia em pleno verão. - ela falou debochando de mim, ri.
- Mesmo assim, preciso me esquentar. - falei roçando meus lábios aos dela. Ela sorriu e me beijou. Entre o beijo, eu tentei abrir a porta do carro e entrei, puxando-a para cima de mim.
- ... - ela interrompeu - O telefone.
- Deixa, não deve ser ninguém.. - desliguei o celular e voltei a beijá-la. Coloquei a mão na barra da blusa dela e fiz carinho em sua barriga. Senti quando ela se arrepiou e sorri. Fui levantando a minha mão e a blusa consequentemente veio junto, em pouco tempo já estava jogada no chão. Analisei o seu corpo centímetro por centímetro e ela percebeu, já que logo mordeu o lábio e suas bochechas coraram. Sorri comigo mesmo. - Relaxa, ok? Eu não faço nada que você não queira. - ela sorriu, me dando um selinho em seguida.
- Eu quero. - ela disse e me beijou com intensidade em seguida - Mas uma coisinha, o câmbio tá incomodando minhas costas. - me levantei, dando espaço pra ela pular os bancos e ir pra parte de trás do carro. Fiz o mesmo depois, deitando no banco, vendo ela sentar sobre mim.
- Decidiu ficar por cima dessa vez?
- O que eu posso fazer se eu gosto de controle? - ela gargalhou, pendendo a cabeça pra trás. Segurei sua cintura, subindo a mão pelas costas, empurrando de leve pra que eu pudesse beijá-la. Apertei sua cintura e ela soltou um gemido baixo. Coloquei minha mão até o laço do seu biquini, mas ela me impediu de abri-lo.
- Não, , eu não fico em desvantagem. - ela fez sinal de negação com o dedo e só depois entendi que eu precisava tirar uma peça de roupa também. Ri da filosofia dela e deixei que tirasse minha camisa. Dei um selinho demorado e mordi seu lábio em seguida, descendo para o seu pescoço e ombros, sentindo ela se arrepiar a cada toque. Ela colocou a mão nos cós da minha bermuda, mordendo o lábio inferior enquanto intercalava o olhar entre mim e minha bermuda.
- Pode, vai! - ela sorriu, ainda mordendo o lábio, e abaixou minha bermuda - Mas agora é minha vez. - pisquei pra ela, que riu. Por mais que a gente tivesse naquela lenga-lenga desde que estávamos em casa, eu não tava querendo fazer daquilo uma 'trepada animal'. Desfiz devagar o nó do shorts de praia dela, alargando ele, podendo puxar de uma vez. Ela sorriu em minha direção e eu não pude deixar de fazer o mesmo.
- Minha vez. - ela riu, apoiando as pernas em cada lado da minha perna, ficando com mais espaço pra tirar minha cueca. Ela puxou calmamente, mordendo o lábio de novo. Ri por dentro. Ela jogou a cueca no banco da frente, junto com todas as outras roupas, enquanto eu encarava o corpo dela. Mesmo que ela tivesse grávida, ela tinha um corpo 'escultural', apesar da barriguinha. Quando ela se virou pra mim, viu que eu a encarava e sorriu envergonhada. Ela continuava na mesma posição, eu puxei a parte debaixo do biquini dela e ela levantava uma perna de cada vez para que eu pudesse jogar longe, enquanto ela tentava abrir o pacote de camisinha.
- Eu vou com calma, pode ficar tranquila. - pisquei pra ela, que colocava a camisinha em mim, enquanto eu sentia um frio gostoso percorrer meu corpo. Encaixei ela na posição certa no meu colo e me sentei no banco. Fiquei com medo de causar algum dano no meu filho, mesmo sabendo que era meio dificil isso acontecer. Beijei seu pescoço enquanto aumentava o ritmo e ela gemia baixo no meu ouvido. Sorri quando ela começou a beijar minha orelha e riu baixo. Aumentei o ritmo sentindo estar perto do clímax e percebi que ela também. Me arrepiei a cada arranhão que eu levava nos ombros. E depositando minhas últimas forças, relativamente cansado, dei um selinho nela e caí pra trás com ela por cima de mim. Abracei-a pela cintura e beijei sua bochecha. Ela sorriu e fez carinho no meu rosto, puxando meus cabelos na nuca, delicadamente, para que eu a beijasse. Fui o mais delicado possível no beijo e tive a impressão de ser um daqueles clichês de beijos erm... apaixonados. Parti o beijo analisando seu rosto a cada milímetro, cada centímetro e cada detalhe que havia e tinha certeza que a cada dia ela me surpreenderia mais. Me senti feliz por estar com ela lá. Abracei forte e ela ficou com um choro leve no meu pescoço.
- Que foi? - passei o polegar no rosto dela, secando as lágrimas e ela respirava fundo, tentando párar de chorar - Que aconteceu? Eu te machuquei? Olha, desculpa... Eu não queria fazer isso...
- Nada demais, . - ela sorriu, dando um selinho.
- Ninguém chora algo 'nada demais'.
- É que... eu fiquei feliz...
- Por que?
- Nada, vai. - ela riu, mordendo minha bochecha, me fazendo rir, encostando a testa na testa dela.
- Não é nada mesmo? - perguntei afastando o meu rosto do dela.
- Não, eu só tô feliz, ok? - ela sorriu e eu concordei com a cabeça. Ela se pendurou no banco da frente pra pegar as roupas, se vestindo em seguida. Ela me entregou minhas roupas e eu fiz manha, fazendo ela rir. Coloquei minha roupa um pouco suado.
- Posso te morder? - perguntei com um olhar pensativo e perdido ao mesmo tempo. Ela gargalhou abertamente e assentiu. Mordi seu queixo, rindo. - Ok, afasta mais pra lá. - apontei para o último banco e ela foi para lá. Me deitei em seu colo e recebi um cafuné, daqueles que faz a gente dormir.
- ... - falei, quase dormindo. Pode crer que eu tava mais pra lá do que pra cá.
- O que? - ela me olhou carinhosa e eu sorri, virando a rosto.
Acordei com a cabeça no colo da , a vi dormindo com as mãos no meu cabelo e no meu braço, sorri. Olhei no meu celular que tava caído no banco do motorista. Eram 3 da manhã e tinham algumas chamadas perdidas do , seguidas duma mensagem "Dude, cadê vocês dois? Usem camisinha, haha. Beijão!" Carreguei a pro banco da frente, voltando pra casa. Estacionei o carro, peguei a bela adormecida no colo e toquei a campanhia, me vendo impossibilitado de abrir a porta com um ser no colo. apareceu sonolento e eu ri.
- Desculpa, a gente foi na praia e acabamos passando da hora.
- Passando da hora e dos limites, hein?
- Não aconteceu nada, .
- Nada mesmo?
- Ok ok, aconteceu. E foi, erm, ótimo. E eu não fui uma mula, né.
- Quem é você e o que fez com o ? - ele riu de mim e eu lhe mandei um dedo. Lógico que levando em conta a minha situação com ainda no colo, não ficou muito bom. - Leva ela pra cama e vamo tomar uma cerveja, o que acha?
- Acho digno, totalmente digno. - subi com até o meu quarto e a coloquei na cama, descendo em seguida e sentando no sofá com .
SÉTIMO CAPÍTULO - Fight for your Right
Não dormimos nem 15 minutos, esquecemos totalmente que tinhamos escola algumas horas depois. Corri pela casa feito um tarado sonolento fazendo tudo que eu faço todo dia só que em poucos minutos. Cheguei à cozinha e estranhei a mesa posta.
- Você fez isso tudo, ? - comia uma panqueca de boca aberta e aquilo me deixava enjoado.
- Não, foi a .
- E cadê ela? - procurei-a por todos os cantos da cozinha, mas ela não estava lá.
- Foi pro colégio, ué. Aliás, a gente vai chegar na segunda aula. - sorriu. Olhei no relógio e sentei pra comer.
No caminho pro colégio foi meio quieto, até o momento que o me lembrou do que eu não queria lembrar.
- E quando é seu encontro com a Courtney? - mordi o lábio e fechei os olhos, queria que aquilo fosse um pesadelo.
- Amanhã.
- UAU ! Você tá super animado! - ele ria com a própria ironia - Aonde vocês vão?
- Ela disse pra ir naquele restaurante novo lá, sabe?
- Não.
- Po, nem eu.
- Pergunta pra ela.
- Eu não, vai que ela esqueceu.
- No intervalo a gente vê se ela esqueceu ou não. - ele riu e eu fiquei desesperado. Seria uma boa me esconder no banheiro. Saí do carro desesperado, correndo que nem uma bicha louca e, se eu fosse mulher, meus peitos estariam pulando tanto que iriam tampar a minha visão. Entrei na sala no final da primeira aula e, pelo meu desespero, acho que a turma toda reparou em mim. Me sentei ao lado de cautelosamente e ela sorriu. Mandei um 'oi' pro e pro e "prestei atenção" na aula.
O sinal tocou e me levantei rápido da carteira, mas parei ao sentir segurando o meu braço.
- Que foi? - estranhei.
- Vai comigo até a sala de História, por favor? - perguntou com a boca torta - Vou, mas o que houve?
- As pessoas ainda tão me olhando estranho. Não que eu ligue, mas incomoda um pouco. - ela olhava pra baixo com as bochechas rosadas. Sorri e lhe dei um beijo no topo da cabeça, abraçando-a em seguida.
- Pode deixar. - seguimos para a sala de História e ela tinha razão, as pessoas ainda a olhavam e cochichavam, e se isso não a incomodasse, incomodaria a mim. Entrei na sala e me sentei novamente ao seu lado. Nessa aula seríamos só eu e ela, porém tinha a Courtney. Ainda com sono, deitei a cabeça no ombro de e adormeci, sendo acordado tempos depois com uma mãozada da Professora Martin na minha mesa. Olhei em volta e todos me olhavam rindo, inclusive . Me encolhi na mesa e passei o resto dessa aula assim.
Chegando o intervalo, eu e entramos na fila da cantina e pegamos nosso almoço.
- Hum, você come pouco no colégio, .
- É, né. - ela disse envergonhada, dando uma garfada no macarrão que escorregava pelo prato - ...
- Hum.
- Quando é seu encontro com a Courtney? - engoli em seco. A vi entrando na lanchonete e joguei meu guardanapo debaixo da mesa, me escondendo. - ? - abaixou pra poder me ver, fiz sinais pra que ela agisse normalmente.
- Erm, . - Courtney chegou na mesa - Cadê o ?
- Ahn... Não sei, por que?
- Porque eu vou sair com o pai do seu filho e quero saber se tá tudo certo mesmo. - ela deu uma piscadinha e saiu de perto da nossa mesa. Uma raiva subiu pela minha cabeça quando ela esfregou aquilo na cara da , quer dizer, quem ela acha que é pra fazer aquilo? Voltei ao meu lugar na mesa depois que Courtney se afastou consideravelmente de nós e estava com a cabeça baixa.
- Então, é amanhã, né? Ela já respondeu. - ela sorriu falsamente, por mais que não quisesse demonstrar.
- Pois é. - concordei sem jeito.
- Onde vocês vão?
- Naquele restaurante novo - entortei a boca.
- Ah, no Stocks? - ela falou de qualquer jeito e eu agradeci a todos os anjos por isso.
- É esse o nome do res.. ISSO, É NESSE MESMO! - ri - Mas então, nem é grande coisa e tal.
- Ah sim... - ela foi interrompida pelos caras que sentaram na mesa, todos comendo o mesmo macarrão nojento da cantina. Voltamos pra sala e o resto do dia foi o mesmo.
Por incrível que pareça eu não tava o mínimo animado pro encontro, geralmente eu estaria por terminar o dia trepando com alguém. A escola foi o de sempre, a tava estranha comigo, por mais que tivesse 'toda sorrisos' com todo mundo, principalmente comigo.
- , que roupa é essa? - entrei de terno no quarto da esperando elogios do tipo "Ai, você tá lindo", "Hoje você come!" ou qualquer coisa do gênero. Fiz cara de desentendido. - Você sabe que restaurante você tá indo?
- No Stocks. - ri irônico.
- E você sabe como é o Stocks, né?
- Ahn... não. - ela deu um risadinha, me puxando de volta pro meu quarto.
- querido, o Stocks é um restaurante de gente JOVEM, mas é um lugar mais arrumadinho. - ela mordeu o lábio, procurando alguma roupa que prestasse no meu armário. No fim ela pegou uma calça jeans e uma blusa pólo verde escura com um símbolo branco em cima. Torci a boca, deixando a roupa em cima da cama e tirando a roupa sem ao menos esperar ela sair do quarto. - Ei, eu tô aqui! - ri, colocando minha gravata nela. Ok, ela ficou hot. Me vesti rápido e saí de casa atrasado. Cheguei na casa da Courtney e esperei uns 15 minutos por ela. Ela entrou me dando um beijo longo, que por mais que fosse bom, não era que nem o da . Eu disse isso?
- Oi . - ela sorriu, olhando pra frente em seguida. Sorri de canto, não querendo puxar muito papo. Aquela noite ia ser longa e o que me interessava só ia acontecer no final. Chegamos no restaurante e pedimos a comida. Conversamos sobre algumas coisas, tudo futilidade, porque era só isso que ela sabia conversar. amos muita, mas muita bebida mesmo, saí de lá bem alterado. Fomos pra casa dela e não lembro mais de nada.
Acordei no dia seguinte sem roupas ao lado de um ser incrivelmente loiro e hot, beem hot, apoiada no meu peito. Me levantei com cuidado pra não acordá-la. Não gostava daqueles papos que ela tinha depois das trepadas. Eram sempre como 'oi meu amor, você gostou, né?', quem é que pergunta se eu gostei do sexo? Sexo é sempre bom, ué. Fui pra varanda do quarto dela já de boxers e tentei me lembrar da noite anterior. Apenas flashes de quando eu chegava à casa dela me vieram a cabeça e decidi esperar até que ela acordasse para ter um 'papinho'. Peguei um maço de cigarro que achei em um daqueles "tijolos soltos" e acendi. Sentindo aquela fumaça invadir minha garganta, me senti relaxado. Sentei em uma cadeira simples que havia junta a mesinha e cinco minutos depois ela apareceu na minha frente apenas de calcinha e sutiã. Babei por alguns segundos.
- , como foi a noite? - sabia, hehe.
- Ah, você sabe né. - falei de uma maneira galanteadora, que se eu fosse mulher, treparia comigo mesmo, sério.
- Que bom que gostou. - ela sentou em meu colo e eu pude sentir meu amiguinho comemorar. Encarei o relógio rosa do quarto dela e ele apontava 3 da tarde. Ok, o que você faria no MEU lugar? Continuaria com uma gostosa no teu colo ou iria sair correndo pra ver a mãe do seu filho? Fiquei mais uns 15 minutos com ela no meu colo, por mim eu ficaria até mais, maaaaas minha consciência tava me matando. Levantei dali, não deixando de tirar uma casquinha antes. Botei minha roupa e voltei pra casa com minhas cabeças latejando. Entrei em casa e não tava na sala. E nem na cozinha. E nem no banheiro. E nem no quarto dela. Muito menos menos no meu. cochilava no sofá com a TV ligada, cutuquei ele.
- Dude, cadê ela?
- Ela quem?
- A , quem tu achava que seria?
- Ahn... - ele coçou a cabeça - Saiu.
- Saiu? - estranhei - Com quem?
- Ahn, com o Jason.
- Jason? Quem é Jason?
- Aquele cara que sempre ficava atrás dela. Não lembra?
- Ahhh... tenho uma breve lembrança... - senti o sangue subir à cabeça e decidi ir pro meu quarto, me afogar em mim mesmo. Fazia meia hora que eu olhava o mesmo ponto fixo no teto. Pensativo, o que é dificil para mim, eu procurava algo bom para pensar, mas as cenas possíveis de um encontro entre e Jason invadiam minha cabeça rapidamente a cada tentativa frustante de sair daquele assunto. Cenas dos dois se beijando, rindo juntos, de mãos dadas, e até dele a levando para a cama me perturbavam. Não que ela seja fácil, mas ela o conhece há tempos e eu não me sinto à vontade em relação a ele. Me virei tentado achar uma posição confortável, talvez dormir para tentar tirar isso da cabeça. Não consegui. Fiquei por mais algumas horas naquela situação inconformável até que ouvi a porta do andar de baixo abrir. Ela fazia um som alto, daquelas portas velhas rangindo. Saí do quarto correndo e fiquei observando-os. estava com ele na porta e eu senti todo o meu sangue vir a cabeça de novo. A de cima, por favor.
- Não vai me convidar para entrar? - ele perguntava meio alegrão.
- Erm.. já tá ficando tarde, é melhor eu tomar um banho e descansar... - ela falava ainda abraçada nele. Emputeci.
- Eu posso te ajudar com o banho... - ele sorriu safado.
- É melhor não, tem gente aqui. - só podia ser eu, o já tinha voltado a dormir e quando ele dorme, a não ser que alguém peide em sua cara, ele não acorda.
- O ? - ela fez cara de desentendida e ele riu, ficando meio puto - Tudo bem que ele é o pai do seu filho, mas ele tá saindo com a Courtney. Então qual o problema de ele ver você comigo aí? Direitos iguais pros dois, não?
- É... - ela riu sem graça - Mas agora não, Jason. Sabe, eu não tô muito no clima pra isso, tipo, olha pra mim! - ela deu uma voltinha - Por que não espera alguns meses e...
- Tudo bem, tudo bem. - ele sorriu, beijando a testa dela. Ela sorriu de volta.
- Ei, Jason! - ela sorriu envergonhada vendo o sorriso quase tarado dele e o puxou pra um beijo. Se eu já tava puto, imagina agora! Eles ficaram se beijando lá e eu resolvi acabar com a festinha. Desci e parei na frente deles.
- Voltou, ? - falei com o sorriso mais falso que consegui fazer.
- Oi . - ela ficou tímida, olhava pra baixo, fofa, mas eu ainda estava com raiva dela.
- Oi, quando você e o seu namorado resolverem párar com o show, eu posso falar com você? - hehe, legal. Agora eu tinha que improvisar algo pra falar com ela.
- Ah, pode falar...
- Não, terminem primeiro. - eu falei e Jason resolveu se intrometer.
- Cara, não tá vendo que eu tô com ela? Que tal se ligar mais na sua vida e deixar a dos outros em paz? - ele falou de uma maneira meio metida e eu quase parti pra cima do gayzinho, mas (que eu não sei que hora acordou) me puxou.
- Ela sabe se defender, aliás, deixa ela se defender sozinha, por favor. - falei tentando ser calmo.
- , pára com isso. Vem aqui. - ela me puxou indo em direção à cozinha.
- E eu? Como fico? Vai me trocar por esse daí? - Jason berrou com os braços abertos, apontando para mim.
- Jason vai embora, a gente se fala amanhã, por favor... - e me levou pra cozinha, fechando a porta atrás de nós. A puxei para um beijo, mas a porta foi aberta em poucos segundos.
- Ah, pra isso você queria se livrar de mim? - Jason veio pra cima de mim, me empurrando. Me afastei dele, calmo. Senti uma força bem, erm.. grande no estômago e caí no chão.
- JASON, JÁ CHEGA! SAI POR FAVOR! - começou a gritar.
- VOCÊ SABE QUE EU GOSTO DE VOCÊ DESDE SEMPRE E É ISSO QUE VOCÊ FAZ COMIGO? - ele respirou fundo com lágrimas nos olhos - Você tá me tratando que nem ele te trata, você nunca foi assim... Você fica se lamentando das coisas que ele faz contigo pra mim, mas a verdade é que você é igual a ele! Mas olha aqui. - ele virou o rosto dela, segurando com força - enquanto você tá sofrendo por ele, ele tá comendo todas pela cidade. Encare o fato, você merece o que ele tá fazendo! - ele encarou o chão, sorrindo de tristeza e saiu batendo as portas. olhava a porta pela qual ele saiu, o rosto dela tava molhado e eu me levantei pra abraçá-la, mas ela esquivou e saiu andando direto pra escada.
- Tá vendo o que faz, ? - deu um soco na parede, me olhando com raiva. O olhei chateado e ele balançou a cabeça negativamente, correndo atrás da . Agora me responde, por que eu só faço merda? Eu juro que não sei porque tudo dá errado comigo. Na escola eu já não sou mais o foda, pelo menos eu acho que não. Aqui tem a e o nosso filho e eu não aguento mais isso. Eu adoraria subir lá e conversar com ela, mas tenho a impressão de que o não vai gostar muito e, nessas horas, ele que é o amigão dela, não eu.
Acordei com a buzina de um carro e levantei num pulo, minhas calças caíram e eu tropecei na barra dela. Corri até a janela e vi Jason apoiado no carro conversível e dar um selinho nele. Eles conversaram um pouco, depois se abraçaram e ela entrou no carro com a cabeça baixa. Saí correndo pela casa tentando alcançar a tempo eles antes que fossem embora. Cheguei na porta arfando, mas eles não tavam mais lá. Soquei a porta com força, até achei que ia quebrar.
- Que houve, ? - apareceu na porta da cozinha com uma rosquinha na boca e uma cara preocupada.
- Nada, , nada! - subi as escadas batendo o pé, a porta e tudo que tava no meu caminho. Peguei o celular na mesinha e gritei pro . - AONDE A FOI?
- PRO PARQUE, ! POR QUEEEE?
- NADA NÃO! - sorri pra mim mesmo e disquei pra Courtney - Courtney, tá afim de ir pro parque? - dei uma risadinha safada e ela concordou - Te pego daqui a meia hora. - desliguei sem dar tchau e fui tomar um banho. ia ter o que merecia. Peguei o carro correndo e em pouco tempo estava na casa da Courtney.
- E aí? - lhe dei um selinho.
- Oi Harryzinho. - ela disse, mas eu estava mesmo concentrado na roupa dela, era uma grande coisa. A roupa não, o que se via. Aquele decote, sabe? Aquela coisa que você não consegue tirar o olho. Ela percebeu e riu. Fingi uma tosse e liguei o carro, indo em direção ao parque. Passei o caminho olhando aquelas pernas. Puta merda, que pernas.
- Obrigada. - agradeceu, quando abri a porta do carro para ela ao chegarmos no parque. Sorri e fomos andando até a bilheteria. Peguei os tickets e fomos em direção ao carrinho de bate-bate. Se a minha memória não está falha, é o brinquedo preferido de . Entrei na fila, esperei uns minutos, que pareciam intermináveis. A parte do brinquedo era coberta, junto com a fila, por isso não podíamos ver direito quase nada do que estava lá dentro (a menos é claro, que você esteja lá, o que não era o meu caso, já que eu sou um sofredor na merda da fila). Dei meus ingressos pro cara cheio de dreads no cabelo e fui para um carrinho e a Courtney para outro. O jogo começou e eu comecei a correr, batendo em todo mundo que estava na minha frente. Ouvi um berro de Courtney e olhei para trás. havia batido nela. Ri. Fui atrás dela e bati em sua traseira. me olhou espantada e eu fingi a mesma reação. Tentei sorrir, mas por pouco tempo. Jason bateu na minha traseira (ok, isso ficou meio gay) e eu fui persegui-lo. Um idiota bateu no meu carrinho, mas eu mostrei o dedo do meio em parceria dos palavrões e nenhum mais se meteu no meio da minha perseguição ao Jason idiota. Quando eu tava chegando perto dele, o sinal tocou, fazendo todos os carrinhos pararem de funcionar. Xinguei baixo, dando um soco no volante e saí apressado em direção dele.
- Que coincidência te encontrar aqui! - dei um soco forte no braço deles, fingindo ser amigável. Ele deu um sorriso falso e de dor e eu sorri, andando atrás da Courtney e abracei ela por trás, mordendo seu pescoço. Lembrei do dia que eu fiz isso com e senti um arrepio na espinha. Chacoalhei a cabeça tentando esquecer e puxei Courtney pela mão pra fora do brinquedo, sentido olhares não-amigáveis pesarem em mim. Sorri comigo mesmo. Sentia uma satisfação no meu peito que havia sentido poucas vezes na minha vida. A primeira vez foi o primeiro ensaio da banda e a segunda vez foi quando eu e namorávamos pela primeira vez.
- Quer comer alguma coisa? - perguntei pra Courtney um pouco distraído.
- Ai Harryzinho, eu não posso engordar, estou de dieta. - ela não precisava, e todos sabem disso, mas achei melhor não contestar uma mulher loira preocupada com o corpo. Me sentei em um banco perto da roda-gigante e ela se sentou no meu colo. O papai gostou, é. Segurei suas pernas e a beijei. Beijo selvagem, como todos os que temos. Era mais desejo mesmo. Senti um empurrão no braço e me virei para o moço com uma criancinha no colo. Acho que era o pai dela, sei lá. Os observei e Courtney saiu do meu colo, me puxando para o lado oposto quando percebeu. Continuei olhando para os dois, ainda sendo puxado por ela e minha cabeça começou a dar voltas.
- Aonde a gente tava? - ela sorriu safada, virando meu rosto com o indicador.
- Ahn? - encarei ela com olhar vazio.
- Que houve, ?
- Nada não. - encarei os pés e sentei na mureta da fonte. Courtney sentou no meu colo e nós voltamos a fazer o que estávamos fazendo, mas minha cabeça ainda continuava dando voltas. Um tempo depois um menino de uns 12 anos veio em nossa direção nos empurrando dentro da fonte, saindo correndo e rindo. Courtney começou a berrar, saindo correndo em direção ao banheiro. Fiquei encarando o moleque, até uma hora que ela parou perto do Jason e ele lhe deu uma nota de 5 libras. Fiquei puto e andei batendo o pé até ele, o empurrando, que caiu no chão.
- QUAL É A TUA, JASON? - ele ficou no chão apoiado nos cotovelos, me encarando assustado. chegou correndo com um algodão doce gigante, provavelmente pra eles dividirem.
- , POR QUE VOCÊ FEZ ISSO? - me deu um tapa ardido na cara.
- Esse seu namoradinho pagou um menino pra empurrar eu e a Courtney dentro da fonte! Sabe por que? Porque eu tô com uma gostosa e ele não! - tampei minha boca depois que percebi o que tinha falado e ela me olhou chocada e com lágrima nos olhos. De repente ela sorriu triste e puxando ele pra longe. Fiquei vendo ela se afastar e Courtney voltou me abraçando, ignorei ela.
- Courtney, eu acho que vou voltar pra casa, não tô muito animado. - falei fitando o nada, seco.
- Por que, Harryzinho? - ela perguntou manhosa, passando a mão pelo meu peito. Me afastei.
- Pára de me chamar de Harryzinho, por favor. Eu só quero ir embora. Você quer que eu te leve pra casa ou vai ficar aí? - ela bufou e me seguiu até o carro. Entramos e ficamos cerca de quinze minutos calados, até eu ligar o rádio. Tocava Somebody to Love do Queen. Gosto dessa música, é profunda. Fazia ruídos no ritmo da música, mas o som foi desligado.
- Você tá assim pro causa daquelazinha?
- Não, não é nada. E não chame ela de "aquelazinha". - fiz aspas com os dedos e careta. Ficamos em silêncio novamente e eu voltei a ligar o rádio. Chegamos em sua casa e ela desceu do carro sem falar nada, fechando a porta com força em seguida. Segui para a casa do e estacionei o carro. Abri a porta e estava com uma garota lá, no sofá se beijando. Os dois me olharam assustados. Ignorei os dois e subi rápido, batendo a porta e me jogando na cama e tirando o meu tênis, jogando-o em qualquer canto do quarto. Cobri minha cabeça com um travesseiro e berrei até ficar sem ar. Ouvi cochichos no andar debaixo, provavelmente a namoradinha do perguntando se eu era louco perigoso e ele tentando se explicar. Peguei o telefone por impulso pra ver se tinha alguma ligação perdida, mensagem... Nada. Joguei o aparelho na parede e soquei minha barriga. Fui no banheiro do procurar por remédio e peguei o calmante. Fui até a cozinha e peguei um copo da água, retornando pro meu quarto. Encarei o copo e a caixinha de remédios. A virei na palma da minha mão, vendo alguns comprimidos caírem. Respirei fundo e joguei-os no fundo da minha boca, enchendo de água pra poder engolir. Coloquei o copo na cabeceira e me deitei na cama. Senti meu corpo ficar leve e logo apaguei. Cara, essa garota tá me matando.
Acordei no dia seguinte, sentindo uma puta dor de cabeça, que eu não sei por que, mas piorava a cada segundo. Desci com a mão na cabeça e a pior cara possível já feita por um ser humano em toda a face da terra. Deu pra sacar a dor. Me sentei na mesa do café e lá estava , mas a menina da noite anterior não tava mais lá.
- Cade a ?
- Não dormiu aqui hoje, deve ter ido pra casa do Jason. - respondeu com desdém. Bati na mesa com força e berrei.
- COMO VOCÊ DEIXA ELA DORMIR COM UM CARA NO PRIMEIRO ENCONTRO DELA?
- Desde quando você se importa com essas coisas de transar no primeiro encontro? - perguntou ainda no mesmo tom calmo.
- Eu não me importo! Só acho feio uma menina dormir com um cara assim, tão rápi... - parei de falar. Na verdade, ela tinha dormido comigo tão rápido quanto e eu ainda a engravidei, não tinha moral pra reclamar. Mas aquilo não saía da minha cabeça e aquele cara já tava me tirando do sério. - Nada, mas e se eles começarem a se gostar mesmo? Eu tenho que casar com ela. E o nosso filho, como fica?
- E a Courtney? - DROGA, ! Pára de fazer joguinho psicológico!
- Eu não gosto da Courtney... E nem vou gostar.
- Então por que sai com ela? Você tem a aí.
- Ela não gosta de mim... E é a Courtney, cara!
- E daí? É melhor ficar com quem você gosta.
- Gosto de quem?
- Da !
- Quem disse que eu gosto dela, ? - AAAAAAAAAAAAAAAAFF!
- Ahn, ninguém, mas parece... bastante.
- Cala a boca. - rolei os olhos, saindo com um pão na boca.
- You can run, you can hide but you cannot escape my loooooooove! (Você pode correr, pode se esconder, mas não pode escapar do meu amor) - ele começou a cantar aquela música do Enrique Iglesias e eu mandei o dedo do meio pra ele. Sentei no sofá, puto e comendo o meu pão. Olhei pro pão e, bem, descontei a minha raiva nele. Joguei na parede, saí correndo, peguei, joguei no chão, pisei e por pouco não enfiei goela abaixo no . É, eu sei, até onde vai a minha humilhação? Descontar a raiva em cima de um... pão. Não era dos mais belos, mas ainda era um pão inocente. Peguei o coitado do chão e me sentei no sofá, colocando-o na mesinha lateral. Liguei a TV e estava passando uns debates sobre o Paul McCartney atual ser ou não um alienígena no lugar do antigo. Não era a melhor coisa do mundo, mas fez meu tempo passar até que o relógio bateu meio dia e a porta foi aberta. entrou rindo e deu um beijo em Jason, até me ver e fechar a cara. Fiquei sério esperando aquele panaca sair de lá e fui falar com ela.
- , sobre ontem...
- ... - ela colocou a mão na minha cara, em sinal para que me calasse - Esquece isso, me deixa em paz, por favor.
- Esquecer isso? Olha o que você tá fazendo comigo! Eu não conseguia nem dor... - calei a boca antes que começasse a falar merda.
- Agora o que é? - ela me olhou com raiva. Na verdade, eu nunca tinha visto ela tão puta na vida - Meça suas palavras antes de acabar falando o que não é verdade! - ela subiu as escadas, me deixando... Sei lá, sem reação? Entrei na cozinha, sentando ao lado do que fazia o almoço.
- O que foi agora? - ele bufou e eu ri.
- Nada, nada. - subi as escadas, parte indo pro meu quarto, parte indo procurar ela. Passei pela frente do quarto dela e a porta tava entreabert, então fiquei olhando por um tempo. Ela tava deitada, enterrando o rosto no ursinho de pelúcia. Ok, eu tinha uma ótima vista da bunda dela. E que bunda. Mas não era aquilo que eu me importava agora. Eu queria entrar e agarrar ela, fazer ela só minha. Cara, o que eu tô falando? Parece até que eu gosto dela. HAHA. Ok, eu tô meio pirado esses dias, mas é muita pressão pra uma pessoa só. Imagina a mãe do seu filho saindo com um filho da puta? Eu sei que ninguém gostaria disso. Encostei as costas na parede ao lado da porta do quarto dela e deslizei até o chão. Estava dolorido, mas isso pouco me importava. Havia uma confusão hormonal e emocional dentro de mim e isso acabava comigo. Resolvi tentar de novo. Levantei e abri a porta. Sentei na cama e ela olhou pra mim, tirando a cara do ursinho.
- , saia do meu quarto AGORA! - ela berrava me batendo.
- Por favor me escuta. - bufei - Por favor... - aproximei meu rosto do dela e apertei seus pulsos pra que ela pudesse me ouvir. Com a respiração falha, ela se acalmou e se soltou de mim. - Olha, realmente, me desculpa. Eu não queria que as coisas ficassem assim. - comecei a me atrapalhar com as palavras e desculpas. Ela me interrompeu.
- , por favor, me deixa um pouco em paz, é só isso que eu tô pedindo. Aliás, lhe peço outra coisa. Deixa o Jason em paz, ele me contou as coisas que você fez pra ele... - ela falou desviando o olhar do meu rosto.
- O que eu fiz? - perguntei estranhando.
- Não se faz de idiota. , por favor me deixa em paz. - ela fechou os olhos com força e eu resolvi sair de lá. Com a cabeça baixa, fui pro meu quarto. Por que as garotas são tão complicadas? Fiquei pensando um bom tempo sobre o que eu poderia ter feito pro tal Jason idiota.
Acordei de tarde e saí do quarto pra pegar uma cerveja. Escutei vozes vindo do quarto da e resolvi parar pra escutar.
- Mas o que ele fez pro Jason?
- Pro Jason diretamente nada.
- Então o que é?
- Ahn, eu não sei se posso contar... ele pode escutar. - ela sussurrou, se inclinando pra frente. Eu me mexi e o chão instalou, me denunciando. - Melhor não, .
- Conta, ele deve estar descendo a escada. - falou naturalmente, mas achei que estivesse fingindo.
- Bem, ele er... - ela começou a fazer gestos como se estivesse comendo alguém. riu.
- Ele comeu...?
- Erm... a irmã do Jason - ela sorriu tímida
- Só isso? - arqueei uma sobrancelha.
- Não... Ela gostava dele e ele tratou ela como se fosse só uma aventura, sabe? - dessa vez ela parecia triste e tava tão fofa que eu... esquece.
- Mas o que você tem a ver com isso? Quer dizer, ele é assim...
- Eu sei, mas às vezes parece que ele tá mudando, sabe? - engoli em seco.
- ... ele nunca muda. - ele parecia triste por ela, que fez bico.
- É, né... - ela riu triste - Bom... Tenho que me dormir porque amanhã vai ser um longo dia.
- Vai?
- Ahn, nunca se sabe... - ela riu abertamente e eu meio que me alegrei por um momento - ... Vamo sair pra beber?
- VAMOS! E vamo deixar o amargurar sozinho! - ele fez bico seguindo ela. Fiz cara feia ao ouvir isso e saí correndo escada a baixo para que ninguém me pegasse espionando. Deitei no sofá e fiquei em uma posição mais ou menos que mostrasse que eu estava descansando, sei lá. apareceu no andar de baixo, abrindo a porta sem me olhar.
- Vai aonde?
- Desde quando é da sua conta?
- Só quero saber aonde vai.
- Vamos beber um pouco. - disse, me olhando com receio.
- A não pode beber. - entortei a boca e ela bufou.
- Por que não posso? - cruzou os braços e eu rolei os olhos.
- Sabe , a menos que você tenha esquecido, o que eu acho díficil, você tá grávida. E a menos também que você queira matar o meu FILHO, é melhor você não beber.
- Ah, então tudo bem. Só que a partir de agora você também não bebe.
- Você tá grávida, não eu.
- Mas você é o pai, tem que dar apoio em algo, já que não faz PORRA NENHUMA! - ela saiu e foi atrás dela.
- , você é irresponsável por deixar ela beber, ela tá grávida, merda! - corri até a porta, vendo me mostrar o dedo do meio.
- Eu tenho responsabilidade, muito mais do que você. E aliás, eu que tô dando uma de pai, enquanto você fica aí trepando com a Courtney. - ele saiu com o carro e logo ele sumiu na esquina.
Resolvi voltar pra minha casa, a minha mesmo, e passar um dia de fossa. Estava sem vontade de encontrar alguém, beber não me parecia agradável e sexo não me atraía... agora. Liguei a TV, fiz um chocolate quente, depois de ligar o ar condicionado para entrar literalmente no clima. Deitei no sofá e procurei um filme pra assistir. De Volta pro Futuro já sei as falas decoradas, ótimo filme para se ver em um dia como esse já que eu estaria ocupado demais reclamando da vida para prestar atenção nele e não perderia nada. Comecei a assistir. Deu vontade de pipoca. Saí correndo, fiz aquela deliciosa artimanha dos deuses e voltei para a minha desgraça, agora, com um lanche que se preze. Peguei o celular pra ver que horas eram. Onze da noite e eu ainda tava naquela fossa insuportável. Curiosidade: Nenhuma ligação perdida da , do ou da Coutney. Tô começando a perceber o quanto as pessoas se importam comigo. Continuei "assistindo" o filme, quando ouvi a porta de casa abrir.
- QUEM ÉÉÉÉÉ? - gritei.
- Ahn... Jake! Que tu tá fazendo em casa, ? - Jake apareceu aonde eu tava, me olhando estranho - Ah, já entendi... - ele sentou do meu lado roubando um pouco da minha pipoca - E como vai a minha lindinha?
- Que lindinha, Jake? - o encarei.
- A , , se liga! - ele me chacoalhou pelo braço, enfiando uma mão de pipoca na boca.
- Ah... vai bem, né. - encarei a TV - EI! Por que você quer saber dela?
- Po, ela é uma gracinha. - ele fez gestos obcenos que eu prefiro não falar quando é sobre a mãe do meu filho.
- Você não tem respeito, não?
- Por que eu teria? Vocês se odeiam mesmo.
- Ih, já vi que meu "irmãozão" tá fora das notícias. - ri com pipoca na boca.
- Vai dizer que tu tá namorando ela? - ele me olhou incrédulo e eu ri - AAAAH, bom garoto! Se importa de me emprestar ela?
- Não, não tô, idiota! - dei um pedala - Eu vou casar com ela em... alguns meses, sei lá. - dei um gole no chocolate já meio frio e ele continuava de boca aberta, me encarando.
- Ahn... Por que tu vai casar com ela? Tu tem 17 anos, sei lá! Tá tão apaixonado assim?
- Tô sendo obrigado, campeão.
- Vai dizer que engravidou?
- Não direi então. - eu ri de canto, olhando pra TV.
- Não acredito! - ele me olhava espantado, balançando a cabeça.
- Acredite.
- Pelo menos vai ter desculpa pra levar ela pra cama todo dia. - ele deu de ombros
- Por favor, eu não faria isso com ela...
- Então me empresta? Aquela eu pegava. Fala sério, , aquela garota é muito hot! Aproveita que pode comer todo dia. - ele falou com a mão no que seria um peito.
- Não fala assim dela, erm.. Ela tem namorado. - falei me lembrando de Jason. Não que eles estejam namorando, mas...
- Namorando? Mas você disse que iam casar...
- Vamos, mas acho que ela vai ficar com ele, sei lá. E mesmo assim, eu dou uns pegas na Courtney.
- Aquela Barbie?
- Ela mesma... - sorri de canto me lembrando de ontem no parque, os berros dela quando bateu em seu carrinho, ri de leve. Levantei com a caneca onde havia chocolate quente minutos atrás.
- , ... - ele balançava a cabeça negativamente, rindo.
- Que foi? - estranhei.
- Como pode? - ele ainda ria.
- PODE O QUE, PORRA?
- Você tem a maior gostosa contigo pro resto da vida e fica pegando uma Barbie... Quer que eu assuma o filho por você? - ele riu abertamente, pegando minha caneca com chocolate.
- Não exagera, a é boa, mas não mais que a Courtney.
- Idade ingênua a sua... - ele riu, afofando meu cabelo e comendo MINHA pipoca - Mas sério, me agita pra aí. - ele riu, vendo o filme. Fiquei pensando por um tempo no que ele tinha dito. Desliguei a TV e ele me olhou feio.
- Ei! O que te deu?
- O que a tem demais? - perguntei já sabendo a resposta.
- Cara, já viu alguma revista pornô? - PQP. Fiz que sim com a cabeça e ele riu. - Então, sabe aquelas moças bem peitudas, bundudas e magrelas? - concordei novamente - A não é assim. Ela tem peito, tem bunda e não é magrela, nem gorda, tudo no tamanho bom, então ela de corpo já é perfeita. De rosto as coisas melhoram. É claro que você é criança demais pra saber dessas coisas... - por favor, como acha que eu engravidei alguém se sou criança demais? Fiz xixi na calcinha dela?
- Mas... Mas se ela é perfeita desse jeito, por que a gente compra a revista com mulheres peitudas, bundudas e magrelas? - falei parecendo uma criança. Ele bateu na testa, respirando fundo.
- É o seguinte: mulheres de revista são boas pra olhar, mas tu já pensou em pegar num peito ou bunda, daquele tamanho? É bom, mas cansa. Depois de um tempo você enjoa do excesso, e é rápido. Acredite, experiência própria. Imagina sair na rua com uma mulher daquelas, parecendo atriz pornô e tal. Agora imagina sair na rua com uma que nem a , todos os caras babam e ficam morrendo de ódio de ti por ter ela. Agora entendeu, criança? - fiquei olhando que nem idiota pra ele. Por que eu nunca tinha pensado nisso? Chacoalhei a cabeça afirmativamente e ele riu. - Dê graças a deus que uma menina daquelas deu pra um cara do seu naipe.
- Calma aí, eu não a forcei a nada, ela deu porque quis. - falei esclarecendo alguns fatos - O papai aqui faz sucesso com as mulheres, por favor.
- Claro, . Mas por favor, se não conseguir pegar a , manda ela pra mim que eu reciclo. - ele falou com um olhar beeem malicioso e eu engoli seco. Tá, é bonita, mas TODOS os caras que eu conheço acham isso? Só falta meu pai entrar pela porta daqui a pouco querendo comer ela.
- , cade a sua namorada bonitinha? - minha tia desceu as escadas e perguntou. A fofoca corre solta na minha família. E erm, minha tia interessada na não era exatamente o que eu esperava, mas ok.
- Tá com o primo dela em casa. - falei de boa e ela sorriu pra mim.
- Espero que estejam bem. Tenho que ir, queridinho. - deu um beijo na minha cabeça e saiu conversando com a minha mãe atrás. Me voltei para Jake ainda que estava com uma cara de 'ahn?' e ri.
OITAVO CAPÍTULO – What a stupid idea!
Tinha ficado a noite inteira conversando com meu irmão, coisa que não fazia há anos. Os assuntos variavam entre , casamentos, sexo, revistas/filmes pornôs e vida. Dormi quando era mais ou menos 5 da manhã e acordei com a empregada me cutucando pra almoçar. Levantei parecendo um zumbi, escovei os dentes, fiz xixi e olhei o celular. Qual é, eles esqueceram da minha existência? Desci pra comer e, cara, como eu comi!
Depois de minutos insuportáveis enrolando na cama de tédio, tomei coragem pra ligar pra casa do .
- Alô?
- Oi , sou eu.
- Ah, oi .
- Como você tá?
- Tô bem, tô bem... E você?
- Naquelas, né... - encarei a janela. Pareciamos aqueles amigos que tavam brigado há meses. - E como foi ontem?
- Foi legal... Sabe como é, né...
- Aonde vocês foram?
- No Moris.
- Sério? Nossa, quanto tempo a gente não vai lá! - ri.
- Verdade... - ele riu fraco - Mas o velho ainda lembra da gente.
- Nossa, boa memória a dele. - ri - E...
- E...?
- Ahn...
- A não bebeu nada além de milk-shake, fica tranquilo. - respirei aliviado.
- Não ia perguntar isso mesmo. - ri.
- Aham, tá bom. - ele riu irônico.
- Ahn, era só isso mesmo...
- É, acho...
- Então tá bom...
- Você não volta pra cá?
- Volto sim, se não for incomodar vocês.
- Não vai.
- Então tá bom, tchau. - cortei o papo, eu tava ficando sem graça.
- Tchau.
Aproveitei pra jantar em casa, fazia tempos que não tinha uma comida que prestasse na mesa, tinha que aproveitar. Comi que nem um cavalo, mula, ou qualquer outro animal assim. Depois de comer e ficar parecendo uma grávida, sem querer ofender , fui para o meu quarto, aproveitei pra pegar algumas coisas pra me mudar de vez pro e voltei pra lá, andando com a sacola do papai noel nas costas. Não foi confortável. Toquei a campainha, a porta tava trancada e eu tinha deixado minha chave dentro. abriu a porta e me olhou de cima abaixo, estranhando o saco nas costas. “Ho ho ho mocinha, tem sido uma boa criança?”, “Sim, papai Noel, fiquei até grávida”
- Hum, você. - ela voltou a sentar no sofá com Jason, onde eles viam filme. Bufei ao ver eles se beijando e fui pro meu quarto. Joguei o saco em cima da cama, encarando-o por um tempo. Não tinha nada pra fazer, então resolvi arrumar as coisas. Depois de umas duas horas eu tava completamente morto, mas posso dizer que o meu quarto tava nos trinques. Me joguei na cama recém-arrumada, amarrotando um pouco o lençol. Mas quem se importa? Ouvi uma batida na porta e ela logo abriu.
- Hum, achei que você tava dormindo... - abaixou a cabeça, tentando disfarçar a vergonha. Encarei ela e sorri sem querer, me sentei na cama e ela levantou a cabeça. - Só pra você saber, o Jason já foi embora.
- Beleza. - respirei fundo - So... - ela bateu a porta do quarto. Aliás, eu não sei o que eu ia falar, acho que é só a necessidade de falar com ela. Abracei o meu travesseiro na falta de uma mulher. Fiquei com vontade de ligar pra Courtney e esfregar ela na cara da . Não literalmente, porque já pensou eu chegar, pegar a Courtney no colo e literalmente esfregar na cara da ? Não ia pegar bem. Se bem que... grupal, AEAEAE. Enfim, desci as escadas correndo, me jogando no sofá em que ela estava sentada. Deitei minha cabeça em seu colo, sorrindo, mas levantou, me fazendo bater a cabeça com uma baita duma força no sofá. Xinguei Deus e o mundo e depois levantei, indo em direção dela. A abracei pro trás, mordendo seu pescoço, sei como ela costumava se arrepiar com isso, e acertei. Senti ela estremecer com o meu toque e sorri. Ela se virou pra mim, consequente ficando muito próxima e eu a analisei. Seu rosto estava bem diferente, tava sem emoção e isso me quebrou por dentro. Eu sei que tô ficando muito meloso, mas é isso que as mulheres provocam em mim.
- , até quando você vai ficar assim comigo?
- Até eu morrer. - ela continuou com a mesma feição e eu ficava sem argumentos. Ela não tava errada, tava?
- A gente não pode ficar assim... A gente vai se casar!
- O casamento é aberto. - ela piscou, saindo de perto de mim. Puxei-a pelo braço com força, fazendo com que encostasse no meu peito, abracei ela forte, que pareceu ceder por alguns segundos, me empurrando fraco depois, como se fizesse aquilo por orgulho. Continuei abraçando-a por um bom tempo, até que ela me abraçou de volta, mergulhando o rosto no meu peito e começou a chorar.
- Que foi, ? - comecei a mexer nos cabelos dela.
- Por que você faz isso, ? - ela olhou pra mim com, como posso dizer? A cara mais doce, meiga e triste que eu já vi na vida.
- C-como assim? - gaguejei, sentindo minha consciência pesar.
- Você sabe. Por que sai com a Courtney, querendo mostrar que ela é melhor que eu? Porque você quer que eu me sinta mal a qualquer custo? - ela começou a chorar mais e eu a abracei com mais força.
- Não era a minha intenção... é coisa de momento... - suspirei - Desculpa. - ela olhou pra baixo. Levantei seu rosto e lhe dei um selinho. - Por favor, me desculpa.
- , eu não posso me casar com alguém que nem se quer gosta de mim. Não quero que você me ame, ou sei lá... Mas por que você não pode demonstrar um pouco de carinho? - ela falava rápido e, quanto mais palavras saíam da sua boca, mais meu mundo desmoronava.
- Mas ... - encarei ela triste.
- Mas o que, ? Se coloca no meu lugar um pouco! A minha vida piora cada segundo mais e... eu achei que eu ia ter você pra me ajudar. - ela chorava e soluçava. Como ela pode ser bonita até chorando?
- Eu tô aqui!
- Não, você não tá. Tudo bem, eu te entendo, não quero que você pare a sua vida só porque a minha tá uma merda porque eu tô grávida de um idiota. Eu devia ter abortado desde o começo pra que a gente não precisasse mais conviver, como a gente sempre fez.
- Não fala uma merda dessa, ! - olhei bravo e ela retribuiu com um olhar de desprezo.
- Merda?! Sabe o que é merda, ? É você acabar com a sua vida por causa de uma noite que, na verdade, eu nem lembro! É você ter todo mundo do seu colégio rindo de você e saber que o motivo disso é a vadia que sai com o pai do seu filho! Isso sim é merda, ! - ela começou a gritar e eu olhava pra baixo. Levantei o rosto, olhando fundo nos olhos dela. Me perdi por um tempo, não sabia o que falar ou pensar. Suspirei.
- , eu tô tentando. Eu já disse que tô tentando. Acredita em mim, porra!
- Acreditar em você? Por que eu faria isso? Me fala pelo menos um motivo! - fiquei quieto, não tinha o que responder. Ela riu irônica. - Pois é, agora vai me dizer que tá tentando? Pelo amor, né , cresce! - ela respirou fundo, engolindo o choro que viria e olhou no fundo dos meus olhos - E, por favor, NUNCA mais vem me beijar, abraçar e NEM falar, porque isso só faz as coisas piores. - eu podia ver nos olhos dela que ela tava triste e eu nao podia fazer nada, e eu fiquei com vontade de chorar. Chacoalhei a cabeça positivamente e ela subiu a escada. Fechei forte as mãos em punho, as minhas unhas começavam a cortar minha pele, mas a vontade de chorar era maior. Eu não podia chorar por uma menina, não podia! não chora por mulheres, NUNCA! Eu estava em um daqueles momentos, que você sente vontade de fumar, se drogar, acabar com tua vida, sabe? É, uma crise emo sim! Fui em direção a escada e o tava chegando com uma sacola de compras, deveria ter ido ao mercado.
- Hey, que pressa é essa, ? - ele perguntou, depois que eu o empurrei do caminho. Ele não tinha culpa de nada, mas eu não queria dar ouvidos à razão agora.
- Nada, só tô subindo. - falei seco, subindo as escadas. Ele veio atrás de mim, após deixar a sacola no sofá.
- O que houve? - colocou as mãos no meu ombro. Me virei pra ele com cara de que fosse óbvio. - , né? - concordei com a cabeça. Ele me abraçou. Embora isso fosse gay, eu me senti melhor, com isso. Sei lá, ele só dava razão a ela e eu ficava lá, sozinho. Era bom ter alguém do meu lado sem ser uma puta que só tá afim de dar pra mim.
- A verdade dói, . - abracei ele com força - E a verdade é que eu sou um merda... Eu sempre soube, mas sei lá.
- O feitiço virou contra o feiticeiro, ... Você sempre fazia ela chorar, agora você tá experimentando do próprio veneno.
- , tu não tá ajudando. - o olhei com raiva, entrando na cozinha e pegando uma garrafa de vodka. Virei ela, bebendo uma boa parte pra uma única golada. Fechei a garrafa e coloquei na geladeira. Subi pra pegar minha carteira e chave.
- Aonde você vai?
- Afogar as mágoas, . - peguei o carro pra ir até o bar. Eu sei que dirigir bêbado não é legal, mas vai que eu batesse o carro e morresse? Seria um favor pra todo mundo. O bar parecia aqueles de beira de estrada, mas pelo menos a bebida é mais barata. Os caras bigodudos me encaravam estranhos e eu sentei naqueles banquinhos altos na frente do balcão.
- Vodka. - falei seco e o cara logo me deu uma dose. Virei aquilo, sentindo minha garganta queimar. Uma baranga, que vestia uma blusinha rosa com um decote ENORME, shorts que parecia mais uma calcinha, botas vagabundas e cabelo enrolado ruivo, entrou no bar e olhou em minha direção. Ela veio rebolando e se apoiou no meu ombro, a olhei de canto me perguntando porque eu não tava na casa da Courtney comendo ela.
- Oi gracinha. - ela sorriu tentando ser sexy, meu estômago embrulhou e eu não respondi nada - Que você acha de ir lá pra casa?
- Pode ser outro dia? Eu não tô afim de dormir com alguém hoje. - falei seco. Ela começou a passar a mão pela minha perna, chegando onde normalmente Courtney chega. A olhei de canto e bufei. - Olha, por favor. Eu disse que não tô afim. - falei me levantando e sentando em outro banco, mas ainda no balcão. Ela foi atrás de mim.
- Não querido, você não escapa assim tão fácil. Deixa que eu te animo, vai. - falou no mesmo tom de perua mal comida na minha orelha.
- QUE SACO! - soquei o balcão com força e todos olharam pra mim. - EU FALEI QUE NÃO QUERO! SERÁ QUE DÁ PRA ME DEIXAR EM PAZ? - ela se virou e saiu de perto de mim, ainda com todos nos olhando. Se sentou com um grupo de homens, razoavelmente bêbados e acho que eles a reciclaram. Pedi outra rodada, mas dessa vez na garrafa. Misturei whisky com vodka e saiu mais forte do que eu imaginava. Bebi tanto que nenhum dia da minha vida eu já bebi tanto. Aquele ponto que você já não tem nem consciência das coisas, tudo parece um grande carnaval na sua cabeça. Um cara magro se aproximou de mim, sentando ao meu lado.
- Greg, traz uma vodka com um brinquedo para o nosso amigo nervoso. - falou pro cara do balcão e se virou pra mim. Mas que porra é "brinquedo"? - Então, rejeitou a Kristin? - me perguntou e eu fiz que sim com a cabeça, sem ligar muito. Ele riu. - Sabe, não são muitos que a recusam. Ela trabalha no bar. Se recusa ela, de um jeito ou de outro, você vai se ferrar depois. - ele gargalhou. O tal Greg chegou com a minha vodka. Bebi tudo em um gole e senti uma batalha dentro de mim.
- Obrigado. Só não estou afim de sexo hoje. - já estava alterado, se fosse pego dirigindo, provavelmente iria pra cadeia, não sei. Era melhor sair de lá. Me levantei e o cara magricela me puxou.
- Fica aqui, aproveita sua noite. - falou sério, concordei com a cabeça e voltei a me sentar. Bebi por mais um bom tempo.
- Eu... eu, acho que eu preciso ir. Não posso deixar minha patroa esperando muito, sabe como é que é. - levantei e e ele concordou comigo. Fui em direção a porta cambaleando e tropecei em um cara que tinha o triplo do meu tamanho.
- Olha por onde você anda, bichinha! - ele me empurrou.
- Desculpa, com você na frente eu não consegui enxergar nem o caminho. - disse e ele me encarou feio.
- O que você disse?
- Eu disse que você é gordo, foi isso que eu disse. - falei quase cospindo as palavras na cara dele. Senti uma força enorme na minha cabeça e despenquei no chão, sentindo chutes nas costas e nas costelas em seguida, quando alguém me puxou. Era a tal Kristin, ou sei lá, não vi direito. Me tirou de dentro do bar e me levou até o meu carro. No meu estado, entrei na traseira e senti-a mexendo na minha carteira. Ela entrou no carro e falou alguma coisa fora do alcance do meu raciocíonio e me levou para algum lugar.
Acordei no dia seguinte no sofá da casa do . estava dormindo no chão com as costas apoiadas no sofá. Me mexi, fazendo a almofada cair em sem querer. Ela acordou assustada, ajoelhando pra ver como eu estava.
- Você tá bem? - ela parecia preocupada. Eu até a responderia se a minha cabeça não doesse tanto. Coloquei uma almofada na minha cara e ouvi o barulho da se afastando. Depois de alguns segundos ela sentou na ponta do sofá, tirou a almofada da minha cara e me entregou um copo de água e um remédio. - a, vai melhorar. - ela sorriu docemente e eu peguei o copo da mão dela.
- Como eu vim parar aqui? - fechei os olhos, tentando párar aquela dor insuportável.
- Bom, uma mulher beeeeeem estranha te trouxe. Aonde você tava?
- Num bar... bem podre.
- Por que? Por que não foi num pub com a Courtney ou sei lá?
- A Courtney não liga pros meus sentimentos.
- MEU DEUS! VOCÊ TEM SENTIMENTOS? - ela riu irônica.
- Não vamos começar, , por favor... Não tô no meu melhor estado.
- Tudo bem, não gosto de falar sobre isso mesmo. - ela sorriu - Que bom que você já tá melhor. - se levantou, mas eu segurei a mão dela.
- Por favor, fica aqui comigo.
- . - ela disse como se quisesse ficar e não pudesse.
- Por favor! - supliquei e ela sentou de volta. Sorri sem soltar a mão dela.
- Hum... - ela puxou a mão, ficando sem graça - Mas e aí...
- E aí o que? - puxei a mão dela e ela soltou de novo.
- Melhorou a dor de cabeça?
- Se você me deixar segurar sua mão, melhora mais rápido. - sorri abertamente e ela riu, deixando. Fiquei fitando os olhos dela por um bom tempo já que ela não me encarava. - Er, então... como o meu filho tá?
- Nosso, . - ela riu. Era mania de falar 'meu'.
- É, nosso. - sorri - Como ele tá?
- Ah, normal...
- Você consegue sentir? - não conseguia imaginar como era ser grávida, okay?
- Mais ou menos. Eu não sinto ele se mexendo, mas eu sinto diferença no corpo, comparando a antes... - ela ficava tímida quando falavamos dessas coisas.
- Que bom que o tá bem. - fiz carinho na barriga dela - Não acha estranho a gente chamar ele de ? Não sei, fica parecendo que você engoliu o , sei lá. - gargalhei e ela me deu um soco no braço. - Ok ok, desculpa. - me recompus.
- ... Acho melhor a gente tomar banho e nos arrumarmos, a gente tem que encontrar nossa mãe pra escolher o resto das coisas do casamento.
- Nossa, é mesmo! Nem lembrava que era hoje... - cocei a cabeça e ela se levantou, me dando a mão pra me ajudar a levantar. Segurei a mão dela e fiquei encarando por um tempo, até me tocar que ela devia me achar um idiota. Sorri pra ela e nós fomos nos arrumar.
Depois de pronto, fui bater na porta do quarto dela.
- , já tá pronta? Já são duas e meia!
- Tô sim. - ela saiu apressada do quarto, dando de cara comigo. Ela sorriu sem graça e eu fiquei babando nela. Ela tava simples, de jeans, bata branca com um decote que realçava os peitos enormes por causa da gravidez e um all star branco, cabelos soltos e óculos escuros grandes, mas mesmo assim ela conseguia me tirar do sério. Fomos até a loja onde nossas mães nos esperavam.
- Que demora vocês dois! Vamos logo procurar as coisas. O que nós precisamos, Kate?
- As roupas a gente já comprou. Acho melhor falarmos com algum atendente pra não esquecermos nada. - o atendente gay que tinha nos atendido da outra vez nos atendeu essa vez de novo, bufei.
- Nossa, mas você engordou desde a última vez! - ele disse pra , que ficou boquiaberta, sem o que falar.
- Sabe como é, né... Esses doces que ela come... - as nossas mães deram uma desculpa e fechou a cara.
- Eu não tô gorda.
- Tá sim, querida, você comeu muitos doces da vovó. - a mãe dela sorriu forçada, quase batendo em .
- Será que não vai ter que mudar o vestido, não? - o atendente perguntou medindo ela. cruzou os braços e fez cara feia.
- É verdade, mas acho que vamos ter que comprar um vestido maior do que ela usa agora.
- Por que? Ela vai visitar a avó? Bota a menina numa academia! - ok, o atendente era um puta de um abusado. Segurei a mão da , que já apertava a minha.
- Ela tá boa assim. - falei entre dentes.
- Coragem, filho! - ele bateu no meu ombro e eu o olhei com raiva - Ela é bonita, mas tá parecendo uma grávida.
- É porque ela TÁ grávida, idiota! - saí andando, puxando ela pela mão. Nossas mães tavam envergonhadas tanto quanto ele, que pedia desculpas sem parar. Coloquei o braço em volta do ombro dela, que se virou sorrindo e me abraçou. Beijei o topo de sua cabeça e fomos até a costureira que ficava no fundo da loja.
- NÃO NÃO NÃO! , VOCÊ TEM QUE SAIR! SAI! - ela, nossas mães, a costureira e o atendente gay gritavam pra mim.
- Mas eu quero ver!
- Mas aqui só pode ficar mulheres, fofinho. - o atendente gay disse e eu o olhei desconfiado. Esperei fora da sala da costureira mais ou menos meia hora até o atendente gay sair e dizer que eu podia dar uma passeada porque ia demorar lá dentro. Comecei a andar pela loja vendo coisas aleatórias que me deixavam cada vez mais entediado. Resolvi voltar pra sala da costureira e esperar lá mesmo. Um tempo depois elas saíram e fomos ver a decoração.
- , o dia foi um porre. - falei, entrando no carro com ela.
- Todos os dias da semana vão ser iguais a esse. - ela sorriu e eu fechei a cara - Ah , vai ser divertido!
- Uh, tô tão ansioso! - levantei as mãos pra cima, fingindo felicidade. Ela riu de mim, balançando a cabeça negativamente. Lhe dei um beijo na bochecha e ela me olhou com uma interrogação na cara. Fiz cara de desdém e ficamos em silêncio um bom tempo. Chegamos em uma empresa de eventos e a mulher gordinha e loira veio nos atender.
- Pois não? - ela segurava uma prancheta marrom, já toda rabiscada e analisava a mim e . Era desconfortável isso, bem desconfortável.
- Vamos nos casar - apontei pra mim e pra , que estava envergonhada.
- Então, eles precisam checar todos os detalhes do casamento e da festa. - minha mãe se intrometeu - Mas como eles não têm responsabilidade, nós duas cuidaremos disso. e fiquem pensando em algumas idéias aqui, enquanto eu e a Lynn acertamos tudo. - ela praticamente me ordenou. Concordei e me sentei com .
- O que você quer que tenha?
- Queria algo simples... Se não vai ser um casameeeento, então pra que bolar algo tão grande, né?
- Verdade.
- Por mim, seria só a gente morar junto e pronto, mas duvido que elas deixem.
- Mas se é o único casamento que a gente vai poder casar na Igreja mesmo, acho melhor fazer ele bem foda pra se orgulhar depois, sei lá...
- Então por que a gente não faz só no cartório?
- Porque nossa família quer esse. E eu não quero que o nosso filho tenha pais separados, a criança sofre muito com isso.
- E você acha que não vai sofrer vendo os pais tendo casos fora do casamento? - ela arregalou os olhos - Não que eu esteja falando pra não ser e...
- Tudo bem. - sorri - Espero que nossas mães não fiquem sabendo, elas matariam a gente.
- Mas elas não precisam ficar por dentro da nossa vida sexual. Ou da falta dela. - lembrei do dia que a mãe dela nos pegou na cabine da loja, ri muito sozinho e ela não entendeu - Que foi?
- Nada, nada. - ficamos sem falar por um tempo e eu a cutuquei. Ela me olhou feio e eu sorri - Será que aqui tem provadores?
- Nem se tivesse, meu amigo. - me deus tapinhas no ombro, levantando.
- Aonde você vai?
- Procurar minha mãe e fugir de você. - a segui.
- Pra que fugir de mim? Tá com medo de alguma coisa? - fiz uma cara beeem safada, me colocando a sua frente.
- , aqui não, por favor. - ela tentou se afastar de mim - ! - começou a me bater. A prendi na parede, encostando nossos narizes e, com a respiração falha, a beijei. Sentia sua mão na minha nuca e isso me arrepiava. Maldito efeito que as mulheres têm sobre mim. Comecei a puxar a blusa dela para cima, com as mãos em suas costas, mas ela me interrompeu. - Aqui não. - sorri.
- Você não resiste ao meu charme. - brinquei, mostrando a lingua - Eu sei que você me ama. - zuei, mas achei melhor não continuar com aquilo - Onde acha que elas tão? - falei mudando de assunto, voltando a andar pelo corredor.
- Naquela sala ali. - disse, apontando para uma porta branca enorme e uma placa escrito 'Marshall', deveria ser o sobrenome da gordinha lá. bateu na porta e abriu.
- Que foi, ?
- A gente queria saber como vai ser o casamento, dar palpite, sei lá... - ela sorriu, dando ombrada em mim, me 'obrigando' a sorrir também - Então, o que vocês tão decidindo? - sentamos no sofá da sala e eu levantei pra pegar bolachinha que tava no lado da garrafa térmica de café - ! - sussurrou alto, chamando minha atenção.
- Que foi? - disse no mesmo tom.
- Você sabe se essa bolacha é pra comer?
- Você já viu bolacha pra outra coisa? - ela bufou.
- Eu quis dizer se você sabe se essa bolacha é pra VOCÊ comer. - ela bufou e eu sorri sem graça, enfiando a bolacha toda na boca. Elas continuavam falando sobre coisas da decoração e de vez em quando falava alguma coisa.
- Mas eu prefiro rosa branca, mãe!
- , fica mais bonito rosa vermelha!
- Mas eu não quero um buquê vermelho, caramba! - fazia bico e eu ria da discussão delas.
- Não é pro buquê, é pro corredor da Igreja!
- Ah... então tá bom. - ela sorriu sem graça e eu e minha mãe rimos, a mãe dela apenas rolou os olhos e se virou pra frente, continuando a falar com a gordinha. Eu apertei as bochechas dela e ela fechou a cara, segurei na mão dela e entrelacei os dedos. Ela encarou a mão e me encarou em seguida. - O que eu falei sobre esses contatos? - ela sussurrou vermelha. Soltou a mão da minha e começou a estalar os dedos, nervosa.
- Desculpa. - sussurrei no ouvido dela e ela se arrepiou. Ri. Tudo bem que eu não sou a melhor pessoa do mundo pra entender de 'casamento', mas o que eu tinha entendido pra mim estava ótimo. Nunca tinha parado pra pensar como seria o meu casamento ou quando iria casar e agora eu estava com a minha "noiva" arrumando os preparativos pro meu casamento, pois é. Deitei minha cabeça no ombro de e ela me olhou estranhando.
- Tô com sono - resmunguei já fechando os olhos. Ela riu.
- Tudo bem, pode dormir. - e deitou sua cabeça por cima da minha. Senti um tapa ardido no braço e levantei a cabeça rápido, levando um susto e fazendo levar também. A mãe dela começou a rir e a minha estava com os braços cruzados e o pé batendo irritantemente no chão.
- Eu te chamei mais de trinta vezes, !
- Desculpa. - falei assustado.
- Tudo bem, vamos, já decidimos tudo aqui. - ela foi saindo da sala com a mãe de atrás.
- ? - balancei o ombro dela, já que tinha voltado a dormir, sem dar importância para o que minha mãe falava.
- Hm.. - ela resmungou.
- Vem, a gente tem que ir. - beijei sua testa e a levantei do sofá. Ela andava mole atrás de mim, até chegarmos no carro e ela deitar em meu colo, voltando a dormir logo em seguida. Levei-a pra cama dela quando chegamos em casa. Cara, acho que ela tá muito acomodada! Anyway, quase dez da noite ela acorda e vem falar comigo.
- Hey ! - ela sorriu e deitou na cama de barriga pra baixo, apoiando o rosto nas mãos. Sorri pra ela e voltei a olhar pro teto. - A gente tem que decidir quem vão ser padrinhos e madrinhas. Essa parte não é "coisa de mulher". - rimos e ela ficou fuçando no meu celular que, antes, tava jogado no travesseiro do lado.
- Eu escolho os padrinhos e você as madrinhas?
- Acho que sim... Só se a gente quiser escolher em conjunto, não sei. - ela tava entretida no celular, mas continuava dentro do papo. Como ela consegue, cara?
- São quantos?
- Quantos você quiser... Quantos você acha melhor?
- Vamos fazer a conta das pessoas... ?
- Óbvio, idiota. - ela riu - e também. Mas e o seu irmão?
- Que que tem ele?
- Não vai ser padrinho também?
- Por que seria, ? Tá interessada nele? - estranhei.
- Não, é que ele é seu irmão e... Por que você não quer? Achei que vocês se dessem bem.
- A gente se dá, mas não a ponto dele ser meu padrinho. E além do mais é perigoso ele te atacar no altar.
- Atacar por que? Ele não gosta de mim? - ela ficou assustada.
- Gosta até demais, ele quer te roubar de mim.
- Hum, é tão sexy a esposa ter caso com o irmão do marido... - ela sorriu safada, rindo em seguida. Não achei a mínima graça.
- Não acho graça, .
- Por que você se importa tanto? O casamento é aberto. - ela parecia aquelas meninas más de escolas americanas.
- Pára de repetir isso.
- Qual o problema? Gente, você tá surtando. - ela rolou os olhos e eu fiquei com raiva.
- Vamos decidir logo as porras dos padrinhos e afins pra você parar de me encher? - ela ficou vermelha de raiva e eu ri por dentro.
- , , e seu irmão.
- EU JÁ DISSE QUE NÃO QUERO MEU IRMÃO! - surtei. Ela ficou assustada e bufou.
- E se eu quiser? Já pensou nisso, ? A gente tá decidindo isso JUNTO!
- MAS EU NÃO QUERO!
- SE NÃO FOR O SEU IRMÃO, VAI SER O JASON! - nós gritávamos. Graças a deus não tava em casa pra ficar enchendo o saco.
- AH É? ENTÃO A COURTNEY VAI SER MADRINHA E VAI USAR UM DECOTÃO, APARECENDO MAIS QUE VOCÊ!
- NÃO É MUITO DIFÍFICIL JÁ QUE ELA É MAIS GOSTOSA QUE EU, NÉ? VAI SE FUDER, ! - ela me deu um tapa ardido na cara, em seguida mostrando o dedo do meio e vazou do quarto que nem menstruação. Segui ela, puxando-a pelo braço.
- Não pense que eu quero a sua companhia agora, eu só quero terminar de decidir essa merda.
- Simples, . , e como padrinhos e Marissa, Hilary e Brittany.
- Você ainda lembra delas? - bufei.
- Diferente de você, eu me importo com as pessoas. - ela entrou no quarto e bateu a porta. Hilary e Brittany eram duas melhores amigas da que estudavam com a gente até alguns anos atrás, até que Hilary se mudou pra Nova Jersey e Brittany pra Manchester, de vez em quando elas visitam a . Duas nojentas, pra falar a verdade. Sério, ter as três juntas no meu casamento seria a coisa mais insuportável do mundo. Voltei pro meu quarto, a fim de achar onde tava o puto do . Liguei pro celular da bichona e ninguém atendeu, liguei de novo, de novo, de novo e de novo e nada. Mandei três mensagens e resolvi ir dormir. Se ele não tivesse morrido, uma hora me responderia. Sério, eu estava todo animado e feliz, babando no meu travesseiro, sonhando com a Pamela Anderson e Carmen Elektra, quando o celular começa a tocar em cima da mesinha. Peguei, olhei no visor e era uma mensagem. Era do "Cara, tô aqui no Moris com os caras, dá uma passada aqui daqui a pouco". Olhei pro teto. Faria algum mal sair de casa pra beber? Amanhã eles teriam aula, então não iriam virar a noite bebendo, provavelmente. Claro que eu, arrumando as coisas pro casamento, não iria essa semana pra aula, então poderia aproveitar e era isso que eu estava disposto a fazer todos os dias. Desci a escada correndo, passando pela sala e vendo deitada no sofá.
- , o acabou de me chamar pro Moris, e quer saber se você vai...
- Não, pode ir. Chama a Courtney. - ela falou de um modo arrogante. A ignorei e saí de casa, chegando lá e me deparando com um já bêbado com a Ashley no colo.
- E aí, caras? - acenei pra geral, recebendo um 'oi' em coro. Me sentei.
- O que vai querer? - Gary apareceu.
- Milkshake de chocolate. - falei normalmente e todo mundo me olhou assustado - Que foi?
- Desde quando você bebe só milkshake de chocolate? - perguntou.
- A não pode beber, então também não vou né... - dei de ombros e me deu um pedala - PORRA!
- Dude, ELA tá grávida, não você! Você pode beber!
- , esse é o comentário mais machista que você já fez. - falei sem olhar pra ele.
- Que seja. - deu de ombros - Só acho que você poderia aproveitar mais a sua vida de solteiro...
- Falando em solteiro... - foi a vez de surtar - Quando vai ser a sua despedida?
- Despedida?
- DE SOLTEIRO, ANTA! - e lá se vem outro pedala pra mim
- Ah sei lá, nem pensei nisso ainda.
- Trate de pensar. - assenti com a cabeça e comecei a beber o meu milkshake compulsivamente, que havia acabado de chegar. Dei o último gole, fazendo aquele barulho agoniante no final e olhei pros outros. e Ashley realmente não se soltavam. e tavam conversando e eu sobrando. Nada melhor que isso, até com os meus amigos eu sobro. Me levantei do banco, paguei pro Gary e andei em direção a porta.
- Onde você vai? - escutei perguntar.
- Pra casa, você vem? - me virei pra ele.
- Pode ir, eu durmo na casa do hoje. - saí de lá e voltei andando devagar pra casa. Não queria chegar, mas também não tinha vontade de ir para algum outro lugar. Abri a porta e , pra variar, estava dormindo no sofá. Peguei-a no colo e a levei para o quarto, cobrindo-a em seguida. Dei um beijo em sua testa, a vi se acomodar na cama e saí do quarto, indo tomar um banho e depois dormir. Caí no sono em pouco tempo, não tinha nada pra fazer, assim a cama me pareceu bem tentadora.
Depois que cheguei da escola, no dia seguinte, minha mãe me ligou pra informar sobre as coisas que elas já haviam visto do casamento. pegou a extensão pra poder participar da conversa.
- E aí, já tá tudo decidido? - perguntei esperançoso.
- , meu deus! - riu - Tem bastante coisa pra fazer: alugar o lugar da festa, agendar a Igreja e no cartório, fazer a lista dos convidados, os convites...
- E a lua de mel? - perguntei, achando estranho elas não terem mencionado.
- É besteira. E além do mais, vocês não podem perder tanta aula porque já vai ser difícil quando o bebê nascer. - fiz um muchocho e concordei com a cabeça.
- E precisamos comprar mobílias e achar uma casa também. - minha mãe disse, abrindo a porta do carro.
- QUE? - falamos juntos.
- E lógico, arrumar um trabalho pra vocês, mas isso é o mais fácil. - a mãe da berrou do outro lado.
- A gente vai trabalhar em que, mãe?
- Você pode trabalhar na empresa do meu pai, como a gente já tinha falado, .
- Mas e você, ?
- Eu sou amicíssima da dona daquela loja de biquíni, Sanders G... - minha mãe disse e começou a berrar.
- TÁ ZUANDO, NÉ? - ela parecia chocada.
- Não. - minha mãe estranhou e continuou a falar com medo - Então, ela me disse um dia desses que precisava de uma menina bonita pra trabalhar na loja, eu posso falar com ela se você quiser.
- Ah, você faria isso? - ela falava toda boba, os olhos dela provavelmente brilhavam.
- Se ela ofereceu, é porque faria. - debochei.
- Mas, mas... Depois da gravidez eu vou ficar flácida...
- Você é adolescente, não vai ficar. - minha mãe garantiu - E, sim, eu faço isso por você. - ela disse simpática. Acredite, é raro ela ser simpática. - Agora vou desligar, queridos. Temos que ir na Igreja. E amanhã vocês poderiam dar uma olhada em apartamentos... Eu já mandei uma lista de endereços pro seu e-mail ontem de noite. Me liguem qualquer coisa!
- Tá booom, mãe! Tchau! - desliguei antes dela responder, de mau humor por ter que ir ver apartamentos. Deixei o telefone na mesinha do centro e liguei a TV. Ficamos assistindo jornal até umas nove horas. O desceu as escadas com, praticamente, um saco de areia nos olhos.
- , que tal lavar o rosto depois que acordar?
- Preguiça, cara. - falou coçando a bunda e arrastando os pés até a cozinha - O que tem pra jantar?
- A gente já comeu miojo, faz alguma coisa aí. - falou e pegou o meu prato e o dela, levando pra cozinha. Fui atrás.
- Acho que vou dormir. - mandei um 'boa noite' geral, recebi um 'tchau' em coral e fui dormir au au.
Acordei no dia seguinte com o celular, eram seis da manhã. QUEM MANDA MENSAGEM DE SEIS DA MANHÃ? A Courtney. ", eu queria pedir desculpas por tudo, espero que a gente possa se encontrar de novo". Respondi um "tá desculpada" e coloquei o celular na mesa. Desci, fiz um café da manhã caprichado pra mim e pra e subi. Abri a porta do quarto, coloquei a bandeja na cama e sentei do lado de .
- Hey, acorda?
- Hum... - ela abriu os olhos devagar e sorriu - Bom dia.
- Bom dia... tá com fome?
- Eu e o estamos. - ela passou a mão na barriga.
- Que bom, fiz um café. - peguei a bandeja e coloquei no colo dela e a observei comendo.
- Isso já tá virando rotina. - fiz cara feia e ela riu - Mas me agrada, pode continuar assim! - começamos a comer e ela voltou a falar - Sabe , que bom que você tem memória fraca. - ela sorriu e eu não entendi - Você esqueceu de cobrar aquilo. - não entendi de novo e do nada veio uma luz na minha cabeça e eu ri.
- Mas pode ser agora.
- Nananinanão, você mesmo disse à noite. - ela piscou e continuou a comer. Fiz cara de triste e ela riu, colocando e bandeja de lado, deu um último gole no suco e me puxou pra um beijo. Tipo, do nada. Nos beijamos por um bom tempo, até que ela me empurrou e pegou a bandeja para levar na cozinha. Fiquei com cara de idiota e segui ela. Quando ela tava lavando a louça, me aproximei quieto e abracei ela por trás, beijando seu pescoço.
- Eu disse que não vale mais. - ela sorriu, botando a louça no escorredor. Se virou pra mim e sorriu, voltando pro quarto. Fui pro quarto também e ela se vestia pro colégio.
- Por que você tá fazendo isso mesmo?
- Isso o que? - ela se fez de inocente. Respirei fundo e deitei na cama dela.
- Nada, nada. - sorri, apoiando a cabeça na sua perna, enquanto ela botava as meias. - Vamos, , vai se arrumar! Nós vamos nos atrasar desse jeito! - ignorei. Eu queria bolar aula, sabe...
- Sabe, daqui debaixo seu peito parece maior do que realmente tá, mal dá pra ver sua cara. - ri e ela ficou vermelha - Não precisa ficar vermelha, isso é uma coisa boa. Você devia aproveitar que tá assim. - sorri.
- Chega, . - ela levantou, deixando minha cabeça cair na cama. Saí pra tomar banho e voltei só com a toalha amarrada na cintura. Ela me secou e eu sorri malicioso.
- ?
- Hum, oi. - ela disse meio desnorteada.
- Você tá bem? - fingi preocupação, indo abraçar ela. se arrepiou e eu ri por dentro, abraçando ela mais ainda.
- Pára de me provocar, , não vai dar certo. - ela me empurrou, saindo do quarto. Ri sozinho, indo colocar o uniforme.
- Vamos, ? - desci as escadas e a vi com a cara amarrada no sofá. Jogou a mala nas costas e saiu voando pela porta. Ela apoiou a mão no carro e colocou uma mão na testa, de olhos fechados.
- , o que você tem? - a olhei com o cenho enrugado. - Nada, só tô um pouco enjoada.. - falou respirando fundo.
- Quer ir pro hospital? - segurei a mão dela e ela apertou mais os olhos.
- Não, eu tô bem, é só um enjôo. Eu já acostumei com isso, fica frio, .
- Quantas vezes isso já aconteceu? - franzi a testa.
- Sei lá, umas quatro.
- Por que não me contou?
- Você não ligaria. - ela me olhou e eu abaixei a cabeça. O caminho pro colégio foi um silêncio total. E no dia, trocamos nada mais do que algumas palavras. Depois do colégio, fomos almoçar em casa, nos arrumamos e fomos ver as casas que a minha mãe havia anotado. A primeira era uma casa na Barker Street. Bonita, mas não fazia o nosso gosto. Por dentro ela não tinha aquele "toque" que dizia procurar. Fomos pra segunda, terceira, quarta, quinta casa e nada. A sexta era um apartamento. Nem muito grande e nem muito pequeno, o tamanho exato. E tinha o "toque" que queria. O pior é o que ela queria era simplesmente ter quatro quatros. Um para o meu filho, outro pra mim, outro pra ela e um de hóspedes, que segundo ela, seria muito usado. Fechamos com o corretor aquele apartamento por um preço razoavelmente bom e ficamos de acertar as papeladas depois do casamento e depois que nos mudássemos pra lá. Eram quatro horas e precisávamos ir procurar alguns móveis. Algumas coisas os nossos pais dariam, mas o básico ficaria por nossa conta. Achamos duas de casal que parecem agradar tanto a mim quanto a ela. Levamos uma para o quarto de hóspedes e deixamos o quarto do pra mais perto do nascimento. Compramos uma cozinha quase completa e um pouco de uma sala. O resto a gente se virava. Voltei pra casa totalmente, mortalmente, desesperadamente cansado.
Depois do colégio, resolvemos almoçar fora. Sabe, eu não aguentava mais comer miojo ou pizza!
- ... - ela murmurou e eu continuei a falar, não conseguindo não ficar vermelho - Eu até que tô ansioso pra esse casamento. - olhei pra ela, sorrindo sem graça e ela sorriu de volta.
- Por mais que eu saiba que o cara que eu vou casar não tá ansioso por minha causa... E acredite, eu não te culpo. Eu compartilho esses sentimentos. - ela riu abertamente junto comigo. Eram raros os momentos que a gente se dava tão bem, normalmente ela usaria o que eu disse contra mim. - ! - ela deu um berro do nada, sorrindo que nem uma tarada.
- Que foi? - perguntei assustado.
- Adivinha o que eu lembrei que tenho lá em casa? - ela batia as mãos, entrelaçando os dedos no final, esperando que eu a respondesse com tanta animação quanto ela.
- Ahn, não sei. - tentei imitar ela e sorri grande e falsamente, não pra zuar, mas pra tentar deixar ela animada. Fracasso.
- UM K-A-R-A-O-K-Ê! AAAAAAAAAAAAAAAAH! - ela gritava tão fino que eu mal conseguia entender. Depois de um tempo tentando captar a mensagem, sorri grande e me empolguei tanto quanto ela.
- SÉRIO? VAMO LÁ PEGAR, VAMO, VAMO! - eu implorava e ela tentava dar pulinhos no banco do carro.
- PÁRA NA MINHA CASA, EU TÔ COM A CHAVE! - ela berrava na janela, recebendo olhares estranhos dos outros motoristas. Depois de um minuto, mais ou menos, chegamos na casa dela e ela correu desajeitada até a porta, tentando, ao mesmo tempo, procurar a chave de casa na bolsa. Por fim, ela tirou um chaveiro que mais parecia um bolo colorido e peludo, enfiando na porta, tendo dificuldades com o sapinho rosa dela. Como eu sei? Conseguia ouvir ela xingando o pobre coitado sapo-gay. Depois de uns quinze minutos esperando, ela saiu de casa arrastando uma caixa enorme e rosa, com direito a brilhos e pêlos. Saí do carro estranhando e ri com a dificuldade dela.
- , que isso?
- Vem ajudar, tá pesada! - ela falava com dificuldade, ficando vermelha. Corri até ela e levei a caixa até o carro, deixando no banco de trás, dei uma bisbilhotada por cima. - Na-na. - ela fez um barulho com a boca, tampando os meus olhos quando viu que eu tava bisbilhotando - Você só vai ver quando a gente chegar no . - ela me virou e me deu um beijo estalado no nariz, segurando minhas bochechas. Sorri que nem uma criança. Por mais que estivesse curioso, eu queria passar mais tempo com ela assim.
- Hum, que tal tomar sorvete antes?
- Aaai , você me mata de colesterol alto um dia. - ela riu e entrou no carro, fiz o mesmo que ela e virei pra ela, lá dentro, e dei uma mega sorriso. Ela retribuiu estranhando, puxei-a pra um abraço e ela demorou um pouco até me abraçar de volta. Abracei ela o mais forte que pude sem machucá-la.
- Que houve, ? - ela parecia bem preocupada - Você não vai morrer em alguns dias, vai?
- Não. - sorri - É que... eu senti vontade. - fiquei vermelho e ela sorriu beem, beeem grande, me puxando e dando um beijo demorado na minha bochecha. Estufei a bochecha e ela riu. Me virei, ainda sorrindo, e liguei o carro. Chegamos a uma sorveteria que tinha duas quadras após sua casa.
- Vai querer de que? - perguntei abraçando-a por trás.
- Acho que de morango e você? - ela sorriu.
- Morango também. Quer dividir um comigo? - ela concordou. Dei um beijo em sua bochecha e fui para o balcão pedir. Peguei o sorvete: quatro bolas, cobertura de morango, MUITO morango e aqueles biscoitos que eu nunca decorei o nome. Comecei a olhar em volta, procurando-a e ela acenou pra mim. Coloquei o pote na mesa e me sentei ao seu lado, dando uma colherada na boca dela. me olhou rindo com um sorriso malicioso estampado em seus lábios. Fingi medo e ela me melou com sorvete. Passou em meus lábios e no meu nariz. Sorri.
- Limpa agora, né. - bufei e ela me deu um selinho - Ótimo jeito de limpar. - falei quando separamos nossas bocas. Ela riu e continuamos tomando o sorvete. Depois de uma discussão com ela sobre quem iria pagar, eu venci e paguei. Voltamos para o carro, indo em direção a casa do .
- Calma aí, madame! Mulheres grávidas não devem levantar peso. - puxei a caixa da mão dela e bufou. - Sabia que você fica linda quando tá bravinha? - ri e ela me mandou um dedo bem feio.
- , eu ainda posso carregar caixas, por favor, né. - ela batia o pé irritada.
- Você acha que eu quero algo de errado com meu filho?
- Eu sei que não, , mas...
- Mas nada, deixa que eu levo. - saí andando com a caixa em minhas mãos e ouvindo ela me xingar atrás. Ela correu na minha frente e abriu a porta para que eu pudesse passar segurando aquele trambolho. Coloquei a caixa no chão e ela abriu, tirando de lá o aparelho, com quatro microfones e alguns cds de dentro. Instalei aqueles milhões, bilhões, trilhões de cabos no aparelho e na TV, arrumei todas as configurações de músicas que alegava serem as músicas do momento. apareceu só de samba-canção na sala com cara de sono, pra variar.
- E aí, gente? - bocejou.
- Gosta de karaokê, ? - perguntou sentada no sofá com os pés apoiados na mesinha de centro.
- Gosto, ué.
- Surpresa! - exclamei, saindo da frente do aparelho.
- PORRA! Onde vocês compraram isso?
- Era meu. - levantou a mão. - Dá pra perceber que era meu, vai... - e dava, era bem... rosa. Cantamos naquela sala por mais de três horas. A ordem era , e eu. Estávamos sorteando as músicas que iríamos cantar. Ou seja, e sorteavam a minha, eu e o de e ela e eu a do . Tive que cantar algumas coisas como Toxic, Piece of me.. Parecia um show da Britney Spears, só que eu não tava careca e gordo.
Acordei no dia seguinte no chão da sala com no sofá e babando do meu lado. Já passava das sete da manhã, então tentei voltar a dormir. Sem sucesso, levantei e fui tomar café. Enquanto comia um pedaço de pizza congelada, comecei a anotar alguns nomes pra lista de convidados. ", minha família, a família da , , , Ashley..." Tinha em média de umas cem pessoas na minha lista suja com o óleo da pizza, que mesmo congelada ainda sujava a minha mão. Escutei passos, mas achei que era minha imaginação. Continuei comendo e tentando lembrar se faltava alguém. Minha cadeira era de costas pra porta da cozinha e logo senti uma boca mordendo minha orelha, gelei pensando que podia ser o , mas logo escutei a voz da .
- Oi . - ela sorriu, puxando uma cadeira no meu oposto da mesa e pegou um pedaço de pizza pra comer. Ela viu um papel na mesa que, por curiosidade, eu estava concentrado. - Que isso? - ela perguntou com a boca cheia. Puxou o papel e eu fiz cara feia. - Hum, lista de convidados. Você esqueceu algumas pessoas importantes, Harryzinho. - ela apertava minha bochecha com força, mostrando que tava meio puta.
- Quem?
- Brittany e Hilary, mas eu sei que foi sem querer, né? - ela riu forçado, me fazendo concordar, mesmo que fosse mentira. Ela pegou a caneta da minha mão e escreveu o nome das duas, colocando asterisco no lado de alguns nomes.
- Que são esses asteriscos? - me dobrei todo pra poder enxergar o papel.
- Os padrinhos, jegue. - ela tava super desagradável e eu não tava afim de aturar isso, me levantei, colocando a cadeira como tava antes e me virei pra ir embora. Ela percebeu e acho que ficou com raiva. - Hum, tá faltando o Jason também... - ela mordia a bunda da caneta, fingindo estar pensando e TENTANDO disfarçar um sorrisinho. A raiva me subiu à cabeça e eu me virei, garanto que vermelho como um tomate, e sorri BEEEM falso.
- Ah é, falta a Courtney também... Espero que o lugar da festa tenha um quarto, sabe como é... - eu ri e ela trincou os dentes. Ela riu, balançando a cabeça negativamente, apoiou as mãos na mesa e se levantou, olhando fixamente pra mim.
- Como se eu me importasse. - ela riu, saindo da cozinha. Puxei o papel e vi que ela tinha acrescentado os dois nomes. Ri pra mim mesmo, por que ela tava fazendo isso, afinal? É engraçado ver o Harryzão aqui nervoso? Voltei pra sala sentando do lado do que a essa altura já tinha acordado e estava vendo TV. Começou a passar alguns clipes na MTV de músicas que eu dizia ser árabe e o falava que era indiana. Afinal, qual a diferença?
- , isso é ÁRABE! - eu berrava socando ele.
- INDIAAAAAAAAAANA!
- O QUE FOI AGORA? - apareceu puta na porta
- , quer fazer o favor de dizer pro que essa música não é árabe e sim indiana?
- Que música? - ela olhou pra TV e viu Kiss Kiss, do Tarkan. Revirou os olhos e eu e o nos separamos. Sim, isso soou bem gay. - Ô duas antas! Isso é música turca! - ela bufou e eu e o nos entreolhamos.
- Como eu vou saber que é turca?
- Como você sabia que era árabe? - cruzou os braços me olhando desafiadora. Bufei e voltei a me sentar no sofá.
- Porque não tem diferença nenhuma entre árabe e turco, eles falam tudo a mesma língua.
- Fugiu do colégio forévis, ? A língua oficial da Turquia é turco, dã. - ela me deu um pedala e rolou os olhos. Joguei uma almofada nela quando ela subia a escada.
- , sua prima é insuportável. - bufei, apoiando a minha cabeça na parte de trás do sofá.
- Só com você, eu acho ela bem adorável. - mesmo que fosse pra me provocar, ele pareceu sincero. Cochilei vendo o filme e acordei na hora do almoço com me chamando pra comer. Pela primeira vez naquela casa tinha comida de verdade: lasanha caseira. Dei uma fungada no ar e sorri de imediato.
- Quem foi o santo que fez isso? - sentei na mesa, esperando ansioso pela lasanha.
- Fui eu. - sorriu superior e tirou o avental sujo de molho. A refeição foi quieta, acho que todo mundo tava apreciando a lasanha. - , a gente precisa ir na gráfica.
- Pra que? - estranhei.
- Fazer os convites. - ela rolou os olhos, enfiando o garfo com lasanha na boca - Vamos depois do almoço.
- Quem disse que eu posso?
- Não precisa dizer. Mesmo que você esteja ocupado, eu não ligo, você VAI na gráfica. - ela sorriu que nem aquele robôs assassinos e levou o prato pra pia, lavando - O resto da louça é de vocês. - ela deu um tchauzinho e saiu da cozinha.
- Vem, . - puxei ele da mesa, que ainda não havia acabado de comer.
- , eu não terminei! - falou e tentou voltar a comer e eu o puxei novamente. Ele bufou e colocou o avental rosa que usava antes.
- Você tá uma graça assim, sabia? - pisquei pra ele e ganhei um murro no braço. Rimos. Lavamos a louça rápido e ele voltou a almoçar, enquanto eu me arrumava pra sair. abriu a porta do meu quarto batendo os pés e de braços cruzados.
- , quer parar de se masturbar e termina logo isso? - ela berrou, já que eu estava no banheiro.
- Não tô brincando com o Juddão, só tô terminando de me vestir. - coloquei a cabeça pra fora do banheiro e a olhei de cima abaixo com a sobrancelha erguida. - Sabia que essa pose tá se tornando BEM frequente pra você?
- , vai a merda. - ela mostrou o dedo do meio - Aliás, termina de se arrumar e depois vai a merda. - ela bufou e saiu do quarto, me deixando puto. Me arrumei o mais rápido possível e desci, encontrando com ela e sentados na sala. - Vamos, princesa? - falei irônico.
- Eu quero branco com azul metálico - disse para a mulher da gráfica
- Branco e azul lembra a Argentina... - falei e ela colocou a mão no meu ombro, respirando fundo.
- , é azul metálico e não azul normal.
- Qual a diferença?
- É metálico!
- Então se eu quiser papel higiênico perfumado a partir de agora, você vai comprar?
- Que que tem a ver?
- Eu não quero mais papel comum, quero o perfumado. - rolei os olhos.
- Qual a diferença?
- É perfumado! - berrei imitando-a como segundos atrás. Ela cruzou os braços e voltou a falar com a mulher. No final, decidiram que seria o tal azul metálico com branco e o convite simples, acompanhado de um envelope branco também.
- Meu deeeus, esse casamento tá me cansando! - ela bufou se jogando no sofá. Sentei no lado dela, não amigavelmente, apenas porque eu queria ver TV. Não respondi e ela pareceu incomodada por ser ignorada. Começou a roer as unhas e olhou no relógio, subindo correndo pro quarto. Depois de uns 5 minutos, ela voltou com roupa de ginástica e saiu sem dizer nada. Estranhei.
- Ô DUDE! - berrei e deu um berro de volta - AONDE A FOI?
- SEI LÁ, PO! - emburrei por não saber das coisas que ela fazia, eu ODIAVA não saber das coisas. Mudava os canais sem saber que programas passavam, não me interessava, continuava pensando aonde ela tava.
Depois de umas duas horas, chegou suada e bem cansada, aparentemente. Ela subiu e depois de um tempo voltou de banho tomado.
- Aonde você foi?
- Que te interessa? Não era você que tava me ignorando? - ela me encarou e eu pisquei os olhos que nem um idiota, abrindo a boca sem conseguir dizer nada - Ah, foi o que pensei. - ela entrou na cozinha com um remédio e ficou lá por um tempo. Depois ela tornou a subir com o remédio e eu a chamei quando ela tava na metade da escada.
- Que remédio é esse?
- Ahn? - ela encarou a mão com o remédio - Ah nada, é da gravidez... pra aliviar a dor, sabe? - ela sorriu desconfortável e voltou a subir rápido, estranhei. Olhei pra escada, ainda pensando no assunto e resolvi subir. Entrei no quarto dela, abrindo a porta com força.
- , o que tá acontecendo? - ela, que mexia na gaveta ao lado da cama, parou o que estava fazendo e me olhou assustada.
- Nada , é só remédio. Pra G-R-A-V-I-D-E-Z, entende? Você quer um pouco, é isso? - debochou. Fui até ela e peguei o frasco, lendo o conteúdo.
- , isso é remédio pra emagrecer! - falei alto, já nervoso.
- Qual o problema? O que você tem a ver com a minha vida? - ela puxou o frasco de volta e guardou. Se levantou e saiu do quarto.
- , você tá tomando remédio pra emagrecer? - segurei seu braço firme. Fiquei olhando para os olhos dela por alguns segundos, bravo. - RESPONDE!
- Tô, caramba! O que tem demais? - ela tentava se soltar e eu a apertava mais.
- Você não pensa, garota? Não pensa que é o nosso filho que vai sofrer com isso? Quer dizer, se você não se importa, pensa que EU me importo. Eu tô confiando a vida do meu filho a você, mas se você não tem nenhuma noção de que você não é a ÚNICA nesse mundo, eu não posso fazer nada! - eu começava a atropelar as palavras e gritar cada vez mais. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela olhava pra baixo, recusando me encarar.
- Sabe , você nunca vai entender.
- , por favor. - revirei os olhos, bufando - PÁRA DE SE FAZER DE COITADINHA! - ela se desvencilhou de mim, apertando as mãos em forma de punho e apontou pra porta no mesmo segundo que ficava roxa de raiva.
- Quando eu precisar de opinião sobre a MINHA vida eu te peço. Agora, SAI DO MEU QUARTO! - a olhei com raiva - VAI EMBORA, SAI DAQUI! - ela, em qualquer dia, teria vontade de chorar numa hora dessas, mas, por mais supreendente que seja, ela não parecia ter a mínima vontade de chorar, ela tinha muita raiva, muita mesmo. Cheguei mais perto dela, também com raiva, e a encarei. Os olhos dela eram estreitos e cheios de ódio, os punhos ainda cerrados e ela não parecia ficar mais calma. Segurei com força no braço dela e disse entre dentes.
- Olha o que você tá fazendo ao nosso filho e a si mesma, você é patética. - ela se mantinha igual e eu ficava com mais raiva ainda pela insensibilidade momentânea dela.
- Tudo bem, já escutei o seu 'conselho'. - ela fez aspas no ar e riu irônica - Agora que já ouvi você, pode me dar licença? - a olhei com raiva e ela sorriu irônica, por mais que ali se escondesse tristeza. Bati a porta e chutei tudo que via pelo caminho. Entrei no quarto quase arrombando a porta e fiz a maior zona lá dentro, mais do que já era. Arranquei os cobertores da cama, jogando-os pro alto, joguei tudo que tinha em cima da escrivaninha e do criado-mudo no chão, fazendo um estardalhaço enorme. Tentei arrancar as cortinas, mas a incompetência me deixou com mais raiva e chutei tudo, socando a parede e comecei a chorar. De raiva. Apoiei a testa na parede e dei gritei muito alto, em uma tentativa sem sucesso de liberar parte da raiva, escorreguei pela parede pra me sentar no chão. Peguei um caderno que tava na minha frente, tinha parado lá durante o meu ataque. Era meu caderno de músicas, comecei a folheá-lo e logo joguei-o longe, fazendo ele bater na janela e cair despingolado no chão. Apoiei a cabeça na parede e funguei, tentando párar com aquele choro ridículo. Porra, eu NUNCA, na minha vida INTEIRA, havia chorado e agora essa menina me aparece e bota toda a minha vida, tudo o que eu conheço de pernas pro ar! Minha mão formava um punho apoiado no chão, tentava machucar minha palma com a unha pra ver se parava de lembrar daquela raiva idiota. O suor percorria o meu rosto, se misturando com as lágrimas, passando pela minha boca e por fim, caindo. Me senti tão miserável, chegando a um ponto que não me reconheci. Olhei em volta e vi o quão rídiculo havia sido o meu ataque. Levantei, me apoiando na parede, um pouco zonzo; sentei ao pé da cama, com as pernas cruzadas e apoiei minha cabeça entre minhas mãos. Chorei. De novo.
NONO CAPÍTULO - I wanna make love in this club
Segunda feira. Finalmente. Dois dias sem falar com , havia descoberto que ela havia tomado remédio e também mal falava com ela. Hoje eu iria para a escola. Já estava até sentindo falta de tudo. Me levantei, tomei banho, troquei de roupa e fui direto para o colégio. Não teria paciência para tomar café e ficar em um ambiente pesado com três pessoas se ignorando. Falta menos de um mês para o casamento e tudo o que eu tenho feito é ignorar minha própria "noiva".
- E aí, dude, já sabe aonde vai fazer a despedida de solteiro? - me perguntou com um sorriso safado, me dando ombradas de leve.
- Já tenho uma idéia. - sorri malicioso e ri, lembrando que quando nós éramos mais novos e a gente tava na época "5 contra 1" todo dia, a gente ficava falando que quando nos casássemos iríamos fazer a despedida de solteiro num bar de strip - Mas você ainda tá com a Ashley, ?
- Não, não. A gente resolveu dar um tempo na ficada. - tempo na ficada?
- Aham, sei. - eu e rimos porque sabíamos que aquilo não era verdade, bufou.
- Tá bom, tá bom, ela me pegou beijando uma loira outro dia.
- UUUUUUUUI PEGADOR! - começou a provocar o e eu ria.
- Né, queria eu tá na sua!
- Aff, pára com isso! - ele rolava os olhos, se encolhendo no banco.
- Ah , não seja humilde! - deu um tapinha nele.
- Ai , aaaaai ! - eu imitei uma menina gemendo e começou a rir super alto, deixando o mais sem graça. Ashley passou e rolou os olhos, parecendo muito puta. - Caras, caras! - sacudi eles dois, que me olharam assustados - Vocês querem ser meus padrinhos de casamento? - os olhos deles brilhavam e eu sorri, seria como a gente sempre quis. Eles afirmavam balançando a cabeça freneticamente, abracei eles, dando tapinha nas costas e tal. - Despedida de solteiro no estilo do McFLY.
O dia no geral passou rápido. havia ligado pra avisar Brittany, Hilary e Marissa que elas iam ser madrinhas, avisando que no fim de semana seria a despedida de solteira da . Elas teriam que vir no sexta feira pra combinar o que fariam exatamente. Não sei porque, mas acho que já tinha algo em mente. Seja lá o que fosse, eu ficaria sabendo depois pela Marissa, irmã da , que me conta todos os segredos dela.
Logo sexta feira chegou. A escola foi um saco, a expectativa pra minha despedida de solteiro aumentava cada vez mais e até pro casamento. Nos encontramos na casa do , os pais haviam viajado, então poderíamos combinar sem ninguém escutar e ficar chocado com a "juventudade perdida".
- Aonde a gente vai, então? - começou a falar no momento que abriu a porta pra ele. Ele sorria bastante, acho que era pela empolgação por um 'sonho' antigo ser realizado, é uma sensação única. Todos se vestiam bem, com calças jeans não mostrando o tanto da cueca quanto no dia-a-dia, camisas pólo e perfume demais pra atrair mais mulheres.
- No Metropolis Strip Club. - sorrimos.
- Mas...
- Mas o que, ? - bufei.
- Como a gente vai entrar? Esqueceu que a gente é menor de idade?
- Como se isso já tivesse impedido a gente... - sorri e ele não entendeu - Meu irmão deixou nosso nome na lista e explicou a situação, ele conhece o dono, a gente VAI entrar. - todos sorrimos e chequei o relógio. Eram quase onze da noite, hora de partir. Me levantei e eles levantaram um pouco depois. - Hora de ir, é sempre bom ficar um pouco 'animado' antes da diversão de verdade. - chequei meu bolso pra ver se tinha minha carteira, não vou aparecer num strip club sem dinheiro, né. Saímos e cerca de 15 minutos depois chegamos ao lugar. Um som alto saía do lugar e já pela porta dava pra sentir que a noite prometeria. E muito. Nos entreolhamos e tomei a iniciativa de chegar no segurança, sendo seguido por eles. - Hey! - cutuquei o grandão que me olhou mal-encarado.
- Nome? - hesitamos em falar, era uma energia muito forte rolando dentro de nós - Se não tiver nome na lista, é melhor entrar na fila. - ele virou o rosto e o cutuquei de novo.
- , , e . - o cara olhava a lista procurando os nomes, por fim riscando. Ele abriu passagem e entramos apressados. O lugar era escuro, bastante escuro, mas podia ver mulheres praticamente peladas dançando nos palcos circulares que se espalhavam pelo lugar, sendo rodeado por poucos banquinhos. Elas eram iluminadas por luzes vermelhas, que deixava tudo mais sexy. Rodavam e se penduravam nas barras, atiçando os homens em volta. Havia algumas delas andando pelos lugares, passando pelas mesinhas. O bar ficava no canto esquerdo e foi o primeiro lugar que passamos. Pegamos nossas bebidas e nos dirigimos aos banquinhos. Todos conversavam animados, relembrando os velhos tempos. Enquanto eu babava por uma loira que, agora, já estava sozinha no palco. As luzes, antes vermelhas, agora passaram para um azul turquesa, excitante, devo dizer. Uma música mais eletrônica começou a tocar e a mesma garota começou a dançar. Começou a subir na barra e descia lentamente, provocante. Ela veio em minha direção e nesse ponto, , e pararam de conversar e ficaram olhando-a. Se esquivou por duas mesas que haviam pelo caminho e se sentou no meu colo de frente, passando a mão pelo meu peito, enquanto todo mundo ainda nos olhava. A minha camiseta começou a ser levantada e ela pressionou o indicador contra os meus lábios. Pegou a minha mão e me levou para o quarto, onde se encontravam duas outras dançarinas. Na verdade, as que tinham dançado anteriormente. As duas dançavam agora no colo de outros dois homens. Havia uma porta ao fundo com uma placa escrita "Só funcionários". Estranhei, ela me levava para lá. Ela empurrou a porta delicadamente, entramos. Vi aquelas penteadeiras com espelhos de camarim que a gente vê em filme, cheio de luzes em volta, com muita maquiagem, perfume e tudo que tem direito, as cadeiras eram alcochoadas com um veludo vermelho e tachinhas cor de cobre. A decoração do lugar era meio estilo cabaré. No canto havia uma porta trancada, ela procurou a chave na gaveta de uma das penteadeiras. Abriu a porta e vi alguns sofás, poltronas e divãs, tudo no estilo antigo, havia algumas 'guloseimas' em uma bancada, que seriam usadas pra esse fim que você está pensando. Havia algumas poucas strippers lá dentro se agarrando com homens engravatados, provavelmente haviam saído do trabalho e ido direto pro strip club trair suas esposas. Fiquei parado na porta observando o lugar, tanto que ela percebeu e me puxou pra um dos sofás, trazendo um champagne na mão direita. Ela se sentou em mim sorrindo maliciosa, começou a beijar meu pescoço, minha boca, minha orelha, enquanto arrancava minha camisa, arranhando meu peito, costas e pernas, ainda cobertas pela calça. Tirei o sapato com os pés, chutando-os pra longe.
- Ah. - ela tinha a boca vermelha, tanto pela pressão quanto pelo batom borrado. Ela esfregou os braços na boca, diminuindo o tom avermelhado. - Não se preocupe com seus amigos, logo alguém vai pegá-los também. - ela sorriu e eu olhava que nem idiota, tava parecendo um virgem estúpido. Voltamos a nos beijar, nem percebendo que cada vez mais peças de roupa se juntavam ao carpete. Entornávamos a garrafa de champagne durante os intervalos dos beijos. A coisa rolou e você sabe como terminou. Continuei deitado, até que ela deu uma olhada no relógio e levantou num pulo. Vi ela se vestir rápido, tentando arrumar os cabelos.
- Aonde você vai? - perguntei confuso, me arrumando aos poucos.
- Ganhar meu dinheirinho. - ela sorriu sem graça e saiu apressada, voltando apenas pra dizer que a noite havia sido boa e que ela desejava boa sorte pro casamento. Olhei pro relógio e esfreguei o rosto, uma das dançarinas apareceu do meu lado.
- Ei, você pode voltar lá pra dentro, a noite ainda não acabou. - ela sorriu, seguindo a outra. Me ajeitei e saí daquela sala, vi algumas das dançarinas se arrumando nas penteadeiras e indo apressadas pro salão, aonde eu também ia.
Fim da noite, minha despedida de solteiro havia sido um sucesso, todos nós nos demos bem e ainda tivemos alguns servicinhos não-completos, enquanto bebíamos e nos divertíamos como nunca. Voltei pra casa cansado, mas podia jurar que durante a noite não tinha sentido o mínimo cansaço. Durante o caminho de volta fiquei pensando um jeito de descobrir como foi a despedida de solteira da pela irmã dela. Chegamos na casa do , conversamos sobre a noite e fomos dormir.
Acordei lá pelas 4 da tarde, me levantei pra ir comer algo e me lembrei da . Todas as meninas dormiam num quarto de hotel, provavelmente pra aproveitar mais a noite. Fritei um ovo e bacon e peguei o suco na geladeira. Coloquei o prato na mesinha da sala de TV e peguei meu celular. Fiquei apertando os botões aleatoriamente até ter coragem de ligar pra Marissa, ela sempre acordava cedo, mesmo depois da ressaca.
- Oi, . - ela bocejou. Ouvi alguns passos e uma porta batendo. - Já sei o que você quer. - rimos.
- Que bom, me poupou das palavras.
- Vou ser breve, não sei que horas elas vão acordar e não quero correr o risco de ser pega dando detalhes da noitada da noiva pro noivo. - ela riu e continuou - O seu irmão ajudou a a organizar a despedida dela, ele disse que como tinha feito pra ti, ele faria pra ela também. - nessa hora minha boca parou no chão - Só que ele voltou só de madrugada quando os strippers já tinham ido.
- Calma aí, strippers? - perguntei indignado.
- Qual o problema? - ela riu e voltou a cochichar - Então, você imagina o que teve durante, né? - concordei de má vontade - Aí quando o Jake voltou, ele puxou a pra um beijo e, bem, a coisa foi esquentando e eu e as meninas ficamos sem graças de ficar lá, aí a gente foi pro quarto de hotel das meninas e aqui estou! - ela parecia sorrir.
- A ficou com meu irmão?
- Creio que sim. - respirei fundo, não queria parecer chocado, apesar de realmente estar - Daqui a pouco as meninas acordam pra se arrumar, vamos almoçar fora, comemorar a ressaca. - rimos.
- Ah... acho que é só isso que queria saber... - mordi meu lábio inferior e encarei a janela - E você, Marissa, tá bem?
- Tô, tô. - o riso dela era abafado - E você, Harryzinho?
- Vou indo. - pelo entusiasmo na minha voz ela percebeu que eu não tinha gostado daquilo.
- O monstro dos olhos vermelhos apareceu, ?
- Ahn? - ela riu e eu não entendi.
- Nada, nada. Só isso então?
- É...
- Então tá bom, beijinhos! - ela desligou o telefone antes de eu poder responder. Fiquei rodando o celular na mão por um tempo pensando no que eu poderia fazer. Subi as escadas de dois em dois degraus, arfando um pouco quando cheguei no quarto.
- , acorda! - sussurrei, balançando ele, que acordou com uma cara péssima.
- Que é, porra?
- Preciso conversar. - entortei o lábio. Ele levantou e saímos do quarto rumo à cozinha.
- Desembucha, .
- O meu irmão transou com a ! - falei aquilo tão rápido que ele teve que esperar alguns segundos pra entender o que eu tinha falado, acho que a dor de cabeça ajudava.
- Como você sabe? - ele parecia sentir pena de mim.
- Liguei pra Marissa. - sorri sem graça e ele riu, colocando a mão na cabeça por causa da dor.
- Então tá explicado. Mas você tem certeza de que eles transaram? - eu tava sentado na bancada e o veio pegar um comprimido, encheu um copo de água e engoliu o remédio. Eu o olhava atento, mas não prestava realmente atenção nele.
- Não, mas deve ter. O que você acha que o Jake pegador faria sozinho num quarto de hotel depois de se pegar com a menina? - ele soltou um 'ah' mudo e ficou calado. Maldito irmão que eu tenho.
- E por que você se importa mesmo? - ele parecia ter vontade de rir, sorria de canto.
- Eu não me importo. - cruzei os braços e fechei a cara.
- E o que você pensa em fazer sobre isso? - agora ele enxia um copo com leite.
- Não sei... Chamar ele pra conversar? Eu tô com o celular aqui, você pode me ajudar.
- NÃO! - ele deu um berro quase cuspindo suco em mim - Não agora, ele deve tá com a . Melhor ligar mais tarde. - concordei com a cabeça e fiquei calado enquanto tomávamos café.
- Ela não pode gostar dele. - pensei alto e bufou.
- Pára de fingir que não se importa, . - soltou o copo e me olhou nos olhos - Eu sei que deve ser ruim saber que a sua noiva dormiu com o seu irmão, mas você dormiu com a Courtney muitas vezes e fora ontem que você pegou uma prosituta. AH! Não vamos nos esquecer de todas as vezes que você dormiu com a primeira que apareceu na sua frente, não é? - ele ia enumerando nos dedos tudo e eu me irritava a cada palavra.
- ! Chega, beleza? Eu não me importo, só não quero me casar com uma mulher que goste de outro cara.
- Achei que fosse um casamento aberto.
- E é.
- E o que vocês fariam se você ou ela se apaixonarem por outra pessoa? - ele perguntou com desdém. Parei e o encarei. Realmente, não havia pensado nisso ainda.
- Eu... eu não sei. - entortei a boca, cruzando os braços em seguida.
- Acharam que seria tudo tão fácil?
- Na verdade, sim.
- Vocês têm que pensar nas coisas ruins também. Se o casamento é aberto, tanto você quanto ela podem começar a gostar de alguém e não podem oficializar porque estão casados. Quando o filho de vocês acordar de duas horas da madrugada chorando, você quer que ela amamente e você continue dormindo? - na verdade, sim - Ou quando você chegar do trabalho, acha que ela, com uma criança pra cuidar, vai ter feito a sua comidinha como era na casa da mamãe? - ele me olhou e eu concordei. - , isso não é tão simples quanto você pensava.
- Eu sei , mas imagina, eu tenho dezessete anos! Acha que eu deveria estar casando agora? Eu achava que teríamos apenas que sermos um "casal" oficial, me entende? - ele fez sinal positivo com a cabeça e eu abaixei a minha, apoiando-a em minhas mãos. Me levantei, levando o copo e o prato na pia e enchendo ambos com água. Saí de lá ignorando a presença dos caras que já tinham acordado e estavam na sala jogando video-game. Antes de fechar a porta, peguei meu celular e dei um "bom dia" pra geral. Saí da casa do chutando pedrinhas na rua, bem cena de filme, devo dizer. Me sentei em um banco perto de lá e joguei a cabeça pra trás, fechando os olhos e respirando fundo. Tirei o celular do fundo e procurei na agenda o número da . Fiquei encarando aqueles números por mais de vinte minutos e resolvi ligar. Esperei em torno de trinta segundos e nada, por fim deu sinal de ocupado. Tentei novamente. Nada. De novo.
- Alô? - uma voz de sono atendeu. Gelei.
- J-Jake?
- Ah, erm.. Oi . - '?' ouvi uma voz no fundo falar.
- ? - atendeu
- Erm.. oi. - falei baixo. Ficamos em silêncio e eu conseguia ouvir a respiração alta dela.
- Então, erm.. você tá bem? - peguntei tomando a iniciativa.
- Sim e você?
- Também.
- Hum... Então, como foi sua noite? - perguntou baixo e devagar.
- Ah, boa. Nem preciso perguntar da sua né, já vi que foi boa.
- Erm.. pois é. - ela gaguejava e eu mordia os lábios do outro lado da linha.
- Quer fazer alguma coisa?
- Eu tenho que almoçar com as meninas. De noite a gente se vê...
- Ah, err... Tá bom, tchau. - e desliguei o telefone antes de ouvir a resposta. Voltei a encarar o aparelho e minha vontade era de jogá-lo no chão, pular nele. Queria ser gordo que nem os lutadores de sumô para apenas encostar o meu pé nele e já causar um estrago como uma bomba nuclear. Ou sei lá. Olhei em volta e a rua estava vazia, mais do que de costume. Considerando a hora e o dia era estranho. Considerando o meu estado físico/emocional, era ótimo. Me levantei e andei voltando para a casa do . Abri a porta e já tinham umas quatro cervejas jogadas pelo chão e uma caixa de pizza com menos da metade. Desviei daquela "selva" e sentei no sofá, do lado de .
- E aí, cara? Onde foi? - ele bateu no meu braço.
- Fui dar uma volta.
- Foi chorar pela . - debochou, sentado na poltrona, enquanto , no chão, ria.
- Não, eu realmente só fui tomar um ar. Será que tudo aqui tem que girar em torno da ?
- , a gente só tá brincando - exclamou - Aliás, por que você iria chorar pela ?
- Porque ela transou com o Jake e o ficou com ciúminho. - fez um bico aviadado e os outros dois começaram a rir. Taquei-lhes almofadas e eles se calaram, voltando a ver TV.
Na hora do almoço recebi um telefonema do Jake. Bufei, apertando tão forte que achei que fosse quebrar o telefone.
- Fala, Jake. - falei desanimado.
- O que tu queria comigo? - ele parecia normal, nem arrependido nem nada, só parecia ele.
- Conversar, fiquei sabendo que você organizou a despedida da . - ele fez um barulho permitindo que eu continuasse - Queria saber se você fez direito, sabe como é, ela é minha noiva. - ri e ele pareceu não se incomodar.
- Do que você tá falando, ? - ele parecia desconfiado.
- Quero saber como foi a despedida, ué, o que tem de errado? - dei uma pausa e ele continuou mudo - A gente sai pra almoçar e você me conta tudo. Te pego daqui a pouco, melhor você se arrumar. - desliguei na cara dele antes que ele pudesse recusar o 'convite'. Fui tomar um banho e coloquei qualquer roupa, peguei a chave do carro e deixei a carteira no devido lugar: perdida no quarto. Qual é, ele transa com a minha noiva e eu ainda tenho que pagar o almoço? Desci a escada normalmente, acenando com a cabeça pra eles. Acho que eles perceberam meu sorriso vingativo, aquele que eu tentava esconder, mas era impossível. Buzinei ao parar em frente a casa dos meus pais, ele saiu com a maior cara de sono e a roupa amassada. Nem nos olhamos, parti com o carro pra uma lanchonete, aquelas que você fica sentado no balcão. Pegamos o cardápio e pedimos o sanduíce mais gorduroso, com batata e milk shake.
- Eu pago. - meu irmão falou em desdém.
- Eu sei. - dei uma chupada no milk shake e ele me encarou, rindo como se fosse um absurdo. Silêncio, silêncio, silêncio.
- Então...
- Então?
- O que você queria saber?
- Nada, só me conta como foi a despedida da , Jake. - tentei parecer natural.
- Bem... - ele riu balançando a cabeça - Nós passamos a noite toda conversando. Nada demais. - bufou, dando um gole do milkshake.
- Só isso? - estreitei os olhos
- É. O que mais você queria? Strippers? - ri
- Por que você atendeu o telefone dela hoje de manhã? - perguntei sentindo um nó na garganta me impedir de xingá-lo.
- Eu estava no quarto, conversando com ela e o celular tava perto de mim, então eu o atendi. É um simples gesto de educação, sabe? - ele ironizou. Provavelmente havia percebido aonde eu queria chegar. Rolei os olhos suspirando alto. - E você? Como foi a sua festinha? - ele deu um sorriso falso e eu tive vontade de dar um nó no Junior dele.
- Foi boa. Fui na boate que você abriu passagem. Passei uma boa parte da noite lá e depois fomos a casa do .
- E pegou quantas?
- Uma.
- Uma?
- É, ué.
- Desde quando um pega UMA em despedidas de solteiro? - você também é , hein.
- Eu peguei uma, mas peguei bem, pelo menos. Mas ao contrário de você, eu peguei alguém, né. - falei provocando-o.
- Aí é que você se engana, meu caro. - ele riu aberto.
- Me engano?
- Sim. Eu nunca saio de algum lugar de mãos vazias, confie em mim. - Jake piscou pra mim e colocou uma nota de 20 libras na mesa, dando sua última chupada no milkshake e soltando um arroto em seguida. Nojento.
- Hum, quem você traçou? Brittany, Hilary ou Marissa? - ele sorriu de lado e eu fingi que não sabia de nada. Já disse que não sou um ator muito bom?
- Quer mesmo saber?
- Se não quisesse, não perguntaria. - sorri forçado, cerrando os dentes. Ele rolou os olhos e começou a batucar os dedos no balcão. Se virou bruscamente pra mim com um sorriso vitorioso nos lábios.
- Uma pessoa que eu sempre quis. - ele pausou como se quisesse que eu comentasse o grande feito dele. Como percebeu que eu não liguei, respirou fundo e continuou. - Jura não ficar bravo comigo?
- Juro. - levantei as mãos com o mesmo sorriso, ele tinha um sorrisinho irritante no rosto.
- Eu peguei a . - ele sorriu abertamente, fiquei sem ação. Por mais que eu já soubesse, tinha esperança de que nada tivesse acontecido.
- Ah, legal! - sorri, dando tapinhas nas costas dele - E como é pegar resto do seu irmão mais novo? - o sorriso dele murchou e o meu cresceu.
- Não consideraria isso resto, já que você vai casar com ela e você que terá um par de chifres.
- É aí que você se engana, Jake, o casamento é aberto. E eu não faço questão de ter ela inteira pra mim, seria um peso morto. - sorri e me levantei, pegando a chave no balcão - Vamos? - ele se levantou carrancudo e não nos falamos o resto do dia que passamos juntos.
Cheguei casa lá pelas oito horas e estava no sofá com Jason deitado em seu colo. Respirei fundo e caminhei em direção aos dois.
- Ora, olha quem está aqui... Nosso amigo preferido. - forcei um sorriso sarcástico e me fuzilou com o olhar. Ignorei.
- , você não tem uma vadia pra comer? - Jason revidou e eu ri abertamente.
- Jason, meu caro, não venha me falar das minhas vadias. - olhei pra , que estava encolhida e com a cabeça baixa - Aliás, por que você está aqui? - me sentei ao meio das duas criaturas.
- Ele é meu convidado, . - , até então calada, se pronunciou. Causando um sorriso de vitória no rosto daquele riquinho maravilha.
- A gente vai casar, você se esqueceu?
- O casamento não era aberto?
- Então eu posso chamar minhas vadias pra casa?
- O que tem a ver? - ela arqueou a sobrancelha.
- Ué, se você traz seu viadinho, eu trago minhas vadias. - pisquei, levando um tapa na cara.
- Cala a boca, . - , de olhos fechados, respirava fundo e contava até... um bilhão. A olhei assustado e engoli minhas palavras, ou a vontade delas, já que não tinha o que falar. Jason segurava a mão dela e, aparentemente, ela tentava quebrar os ossos dele, mas era só aparentemente. Segui pra escada e fiquei parado no primeiro degrau, onde tenho certeza que eles não perceberam minha presença.
- Tá tudo bem, ?
- Tá sim, Jay. - ela sorriu fraco e ele puxou ela pra um abraço, apoiando a cabeça dela no peito dele. Não sei porque aquilo me enxeu de raiva. Subi batendo os pés, esquecendo de que nem sabiam que eu tava lá. Bom, eu realmente não me importava com isso, só me importava em imaginar maneiras de torturar aquele Jason. Aliás, eu fiquei em dúvida de esquartejá-lo e cortar o Jasonzinho pra mandar pra pelo correio ou esquartejá-lo e dar uma vassourada naquele lugar antes de tudo. Ou os dois. Passei pelo quarto do e a porta tava trancada.
- Vai, , vaaaaaaaaaaaai! - alguma menina gritava de dentro do quarto e eu só ouvia alguns barulhos vindos deles dois. A cama batia na parede, fazendo um estrondo. - Mais forte, , mais forte, vaai! - ela berrava e eu ficava cada vez mais chocado. Quem diria, meu dando um trepadinha, que orgulho! Segui pro meu quarto, ouvindo a reclamar dos barulhos. Peguei o celular no bolso e disquei o número da Courtney.
- Courtney, e ai, como tu tá?
DÉCIMO CAPÍTULO - It ends tonight
Na noite anterior eu saí pra um pub com a Courtney, paramos num motel hihi e depois eu voltei pra casa. Passei pelo quarto da e ela já tava dormindo. Rolei pela cama por um bom tempo e quando dormi, eu tava meio despertado ainda. Se uma mosca passasse, o barulho das asas dela me acordaria. Escutei passos e isso me fez despertar completamente. Fiquei acordado um bom tempo, mas não sai da cama. Durante todo o tempo que eu fiquei acordado, essa pessoa foi mais de dez vezes no banheiro. Dei graças a deus de não ter jantado em casa, com certeza a comida deu caganeira.
O resto da semana eu não falei com a , não mais do que o necessário, tipo 'larga meu bife' ou 'foi você que acabou com o leite?'. Ela ia todos os dias pra academia e lá passava umas 2 horas. E toda noite aquela pessoa que teve o revertério no dia que eu saí com a Courtney ia ao banheiro excessivamente. O tempo de academia dobrou e ela não almoçava, alegando que ia comer com alguma amiga da academia. A janta era uma merreca e, logo depois, ela ia no banheiro. O até cogitou a idéia da ter algum distúrbio alimentar, mas nós rimos depois. A NUNCA teria distúrbio alimentar, ela era a garota que mais comia no mundo, só era gostosa porque era abençoada pelo deus Hugh Hefner, o criador da Playboy.
Sábado a noite, Courtney me ligou querendo sair.
- Courtney, acho melhor não...
- Ah, Harryzinho, é sua última noite solteiro, que mal tem nisso? - pensei por alguns segundos e nenhuma resposta me veio à mente.
- Ok, aonde a gente vai?
- Que tal eu ir aí? - sorri safado.
- Por mim, tudo bem.
- Hoje eu tenho uma surpresinha pra você, amor! Você vai gostar. - ela riu daquele jeito sexy que só ela ri e eu tentei imaginar o que seria a surpresa - Passo aí que horas?
- Por mim, pode passar agora. - ela riu de novo.
- 21:45 tá bom pra você? A gente precisa de um bom tempo pra aproveitar a sua última noite de solteiro.
- Eu vou tá casado, mas não impedido, Courtney.
- Eu sei, eu sei, mas isso torna tudo mais sexy, ! - ela falou com aquela voz esganiçada, mas não me irritava, não quando era sobre sexo.
- Tá bom, quinze pras 10 aqui, Courtney. Tô ansioso pra sua surpresa.
- Até daqui a pouco, amor. - ela falou de um jeito sexy e desligou sem me deixar responder.
DÉCIMO PRIMEIRO CAPÍTULO - Here comes the bride...
Acordei com uma batida chata na porta. Courtney me cutucava incessantemente e eu fingia não sentir e nem escutar.
- , acorda! - Courtney sussurrou no meu ouvido - É o dia do seu casamento! - meus olhos abriram mais rápido do que eu imaginava poder fazer depois de acordar. Levantei num pulo e fiquei correndo de um lado pro outro pensando no que fazer.
- O QUE EU FAÇO? - gritei desesperado.
- NÃO SEI! - Courtney berrava mais desesperada que eu.
- QUEM É QUE TÁ AÍ DENTRO, ? - minha mãe gritava do outro lado da porta.
- NINGUÉM, MÃE!
- QUER DIZER QUE EU SOU NINGUÉM, ? - Courtney me enxia de tapas e eu tentava desvencilhar deles.
- , EU ESTOU MANDANDO VOCÊ ME RESPONDER QUEM É!
- NINGUÉM, MÃE, JÁ DISSE!
- ! - Courtney me deu um tapa na cara e começou a procurar as roupas pelo quarto.
- Courtney, minha mãe não pode saber que eu tô com alguém além da minha esposa. - sussurrei pra ela e ela me olhou chocada.
- O QUE?
- Eu sou a outra, é isso?
- Não, Courtney!
- O QUE VOCÊ TÁ SUSSURRANDO AÍ DENTRO, ? EU VOU CHAMAR O SEU TIO JOE PRA ARROMBAR ESSA PORTA, MENINO!
- MÃE, CALA A BOCA! - surtei, caralho.
- O QUEEEEEEE?
- NADA, MÃE, DESCULPA! - Courtney procurava a saia e eu apontei ela embaixo da cama. Ela se abaixou pra pegar e eu aproveitei a visão, hihi.
- Por onde eu saio, ? - ela me olhava com uma cara de cu do caralho e eu apontei a janela - HAHA, eu não vou descer por aí!
- Não tem outra opção!
- Eu saio na frente da sua mãe, então. - ela cruzou os braços e isso aumentava o peito dela pelo decote. Parei pra admirar, mas ela me deu um toque no ombro, me fazendo voltar a realidade.
- , O QUE TÁ ACONTECENDO AÍ?
- NADA, MÃE! Seguinte, vou despistar minha mãe e você vai tentar sair sem deixar ninguém ver. Tá bom? - ela balançou os ombros em desdém e eu a puxei pra um beijo. Okay, era estranho beijar alguém no dia do seu casamento que não seja sua noiva. Abri a porta e minha mãe tinha uma cara furiosa que eu acho que nunca vou esquecer. Sorri sem graça e puxei ela pra cozinha, sentando no balcão. Vi um vulto passando e me senti aliviado.
- O que eu vou comer, mamãe querida?
- Nada, você tá atrasado e ainda nem tomou banho. - ela me puxou pela orelha até o banheiro, me empurrando dentro do box e ligando a água gelada, mesmo eu ainda estando vestido.
- EU TÔ COM FOME, MÃÃE! - gritei choroso, me despindo na frente dela.
- Problema seu, ninguém mandou acordar tarde. - ela olhou o relógio impaciente - Vou buscar o seu terno. O carro passa aqui às 18:45, vai te levar à Igreja. Algum dos meninos deve ir com você pra caso você precise de alguma ajuda, o que vai acontecer. - ela rolou os olhos. Enquanto eu passava shampoo, fingia ignorar ela. - Você ouviu o que eu disse?
- Só respondo depois da minha comida.
- , se você sabe o que é bom pra sua saúde, você vai fazer tudo o que eu disse DIREITINHO. - sacudi a cabeça freneticamente e ela saiu.
Depois de uns vinte minutos, alguém batia na porta do banheiro.
- MAS QUE É, PORRA? - saí do banheiro de toalha e o me olhava impaciente - Que foi? - perguntei em desdém.
- VOCÊ TÁ ATRASADO!
- E daí?
- Você NÃO VAI fazer minha prima esperar. - ele me arrastou pra fora do quarto e eu vi o terno estendido na cama - E trate de ficar decente pra . - ele saiu do quarto e eu peguei meu perfume, passando em todo lugar, até dentro da cueca. Qual é, meu professor falou que atrai mulheres! Procurei o maldito sapato por todo canto e não achava. Já estava de terno, cabelo penteado, perfume, dentes escovados, manga drobrada, gravata azul no pescoço, meia no pé e o sapato... No cu do mundo. Desci as escadas correndo e os três me olhavam com cara de poucos amigos.
- Qual é a da demora, ? - perguntou olhando no relógio, enquanto batia o pé, como a minha mãe fazia.
- Eu não acho o sapato - apontei para os meus pés, só de meia. bufou e apontou com a cabeça os sapatos ao lado do sofá. Sorri amarelo e calcei.
Entramos no carro correndo e dirigia à 90 km/h. Desde que eu havia brigado com Jason havia se passado uma semana e hoje seria o meu casamento. Batucava meus dedos na janela do carro, encarando o movimento. Na verdade, a minha cabeça tava muito longe dali. Imagens passavam na cabeça, cenas do dia em que eu engravidei a , das nossas brigas... Eu não ia conseguir fazer isso. - PÁRA O CARRO! - o carro deu uma freada brusca e logo eu era o centro das atenções daquele carro.
- Que houve, dude?
- E-eu não sei se consigo fazer isso.
- , a gente já falou sobre isso... Milhões de vezes!
- É, dude. Você vai ter um filho, pensa nele.
- Eu sei, , mas não consigo! - eu começava a suar e o começou a me abanar - PÁRA COM ESSA PORRA, DUDE!
- Você tá começando a suar, quer aparecer assim no seu casamento?
- Cara... Meu casamento! - eu arregalei os olhos e eles me olharam torto - Cara, eu vou me casar! - abri o teto solar e subi no banco, ficando com a cabeça pra fora - EU VOU ME CASAR, PORRA!
- , pára com isso! - me puxava me calça - Senta quieto que você já tá atrasado!
- E passa perfume! - me entregou o frasco daquele mesmo perfume que eu tinha passado, passei no pescoço e nos pulsos. Comecei a abrir o zíper da calça, mas o segurou minha mão - Aí não. - sorri sem graça. Cada vez chegávamos mais perto da Igreja e meu coração batia cada vez mais alto.
- Vai, , corre! - saí correndo até a Igreja e encontrei minha mãe, que me puxou pra um abraço.
- Ah meu Harryzinho, nunca achei que você fosse casar tão cedo! - ela me apertava e eu ficava cada vez mais constrangido - Agora vai pra frente do altar, daqui a pouco a chega. - ela me deu tapinhas na bunda pra que eu me apressasse. A cada passo que eu dava, pessoas que eu não via há anos me cumprimentavam. A imagem que eu via daquela igreja, era algo como naqueles sonhos em que quanto mais você tenta chegar a tal lugar, mais esse lugar se distancia. Depois de andar, suar e me desesperar a cada segundo, cheguei ao altar. Olhei em volta e todos me observavam. Passei as mãos pela minha calça, limpando um pouco do suor e esperei. Esperei dez minutos e a música começou a ser tocada pela banda. O som do órgão, gravemente belo, entupiu aquela igreja e a porta se abriu. Eu voltava a suar, quando apareceu no vestido branco, com o véu e braços dados com Jack. Linda. O vestido tinha uma alça caída sobre os ombros - que lhe deixava com o colo à mostra -, era solto abaixo dos seios, devido a sua barriga de seis meses. O véu cobria apenas seu rosto, mas deixava ver alguns traços do seu cabelo. Solto e com cachos nas pontas. A música, tocando em dó maior parou quando ela chegou até mim e Jack apertou minha mão, dando leves tapinhas nas costas em seguida. Sorrimos. Levantei o véu, olhando pela primeira vez em seus olhos naquele dia. Uma sensação estranha me invadiu e a questão de "será que eu conseguiria manter uma família?" me invadia a mente. Ela sorriu fraco, acho que aquilo tava sendo tão difícil pra ela quanto pra mim.
- Você tá linda. - sussurrei no ouvido dela e ela sorriu.
- Você também. - dei uma olhada nas pessoas que tavam lá na Igreja. Meu estômago deu giros enormes, mas eu me senti feliz. Quer dizer, aquelas pessoas todas tavam ali por nós e aquilo não tava sendo tão ruim quanto eu pensava. Nos viramos pro padre e eu puxei a mão dela que não segurava o buquê e segurei. Senti a mão dela tremer e dei um aperto mais forte. Ela sorriu sem olhar na minha direção. Pela primeira vez eu prestei atenção e meu coração parecia que ia pular pra fora do meu corpo. Cada vez mais o final se aproximava e nós finalmente seríamos um casal. Não que eu esperasse por esse momento ansiosamente, mas hoje era uma exceção de tudo que eu já fui na vida. Nos viramos de frente pro outro, segurei na mão dela e veio me entregar a caixinha com as alianças. Olhamos em direção ao padre.
- Senhora , você aceita como seu legítimo esposo?
- Aceito.
- Agora repita comigo: prometo amá-lo e respeitá-lo...
- Prometo amá-lo e respeitá-lo.
- Na saúde e na doença... - ela encaixava a aliança no meu dedo, sorrindo ao repetir as palavras, mas sua voz tava trêmula, como se estivesse prestes à chorar.
- Na saúde e na doença.
- Até que a morte vos separe.
- Até que a morte nos separe.
- Senhor , você aceita como sua legítima esposa?
- Aceito.
- Agora repita comigo: prometo amá-la e respeitá-la...
- Prometo amá-la e respeitá-la. - eu olhava dentro de seus olhos e ela me olhava sorrindo com os olhos.
- Na saúde e na doença...
- Na saúde e na doença. - colocava a aliança no dedo dela, mas sustentávamos o olhar.
- Até que a morte vos separe.
- Até que a morte nos separe.
- Eu os declaro marido e mulher, pode beijar a noiva. - o padre sorriu nos olhando por cima dos óculos e fechou a Bíblia que tava nas mãos dele. Eu e ficamos parados nos encarando.
- Qual é, eu não mordo. - sussurrei pra que apenas ela ouvisse, ela riu e eu me aproximei dela sorrindo. Fechamos os olhos e toquei os meus lábios nos dela, com calma. Pressionei meu rosto contra ela e, segurando sua cintura, fui intensificando o beijo. Logo, minha língua tocou a parte externa de sua boca, pedindo permissão para explorá-la. Entrelacei nossas línguas e nossas mãos, respectivamente, e nos afastamos um tempo depois, com todos ainda nos olhando. Segurei sua mão e saímos de lá sorrindo, indo para o carro que nos aguardava na parte exterior da Igreja. Era uma limusine preta e eu me perguntava de onde teria saído dinheiro para pagá-la. A beijei novamente ao pisarmos no primeiro degrau da longa escadaria. Já cobertos pelo arroz, que cismara em trazer, alegando que traria boa sorte para nós. Entramos no carro, cumprimentamos o motorista e fomos até o local da festa.
A festa foi super animada. Todos estavam muito bem, a música era boa, a comida melhor ainda e eu enchi a cara com a mistura de bebidas alcoólicas da festa. ficou com uma mísera taça de champagne a festa inteira, mas ela tinha consciência que não podia beber por causa da gravidez. O cara do cartório não tomou muito tempo da nossa festa, fizeram-nos repetir os votos, assinar os documentos e só. Os meus padrinhos se pegaram com as madrinhas e creio que aquela noite acabou num motel qualquer que tinha perto do salão de festa, consequentemente, eu e tivemos que passar o resto da festa sentados com nossas famílias. Eu até levei a pra dançar, mas ela não tava muito animada. E apesar de aquela ser a minha festa de casamento, algumas primas safadas de segundo grau davam em cima de mim.
Um Audi A8 preto alugado nos esperava na porta. Apesar de nós estarmos indo embora às 3:30 da manhã, a festa continuava lá dentro. se jogou dentro do carro e recostou a cabeça no encosto do banco, fechando os olhos. A encarei por um momento - ela era realmente linda e eu era um filho da puta de um sortudo! E eu odiava não falar com ela, eu odiava o fato de saber que ela me odiava. Ela levantou a cabeça e encarou o movimento na rua, praticamente inexistente. Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, chegamos ao prédio em que moraríamos a partir de agora. Desci do carro e corri até o outro lado na esperança de abrir a porta pra ela, mas o máximo que consegui foi estender a mão pra ajudá-la se levantar. Paramos na frente do portão e o porteiro veio confirmar se éramos os recém-casados, o que era meio óbvio já que eu tava de terno e ela de vestido de noiva. Quase perdi a paciência com a , que demorou horas pra subir as escadas da entrada por causa das camadas do vestido. Quando estávamos no elevador, eu até tentei dar uma de romântico e pegá-la no colo.
- Por que não, ?
- Porque eu não quero, que saco! - ficamos calados até o elevador chegar no nosso andar. abriu a porta e nos deparamos com o lugar todo cheio de caixas, plásticos e alguns móveis perdidos ali.
- Que merda é essa? Será que tem uma cama pelo menos? - adentrou o apartamento e olhou para os lados.
- Acho que sim... Olha, tá limpinho pelo menos e tem um colchão no quarto! - ela sorriu e se jogou nele após atirar os sapatos em um canto. Coloquei o terno na poltrona no canto do quarto e desfiz o nó da minha gravata. - , me ajuda aqui? - ela estava de costas pra mim e todo o seu cabelo estava pra frente. Puxei o zíper e ela sorriu agradecida.
- Não é estranho olhar um pro outro e pensar que estamos casados e que essa é a nossa casa? - perguntei já espatifado no colchão como minhoca morta. Ela riu fraco e concordou com a cabeça, sentando do outro lado.
- Eu acho que é mais estranho ainda se pensar que seremos uma família.
- Seremos uma boa família. - ela me olhou de um jeito estranho e eu desejei saber o que se passava naquela cabeça. Afastei os meus pensamentos e levantei rapidamente. - Que foi? - ela levou um susto.
- BANHEEEEIRO! - saí correndo, abrindo a calça e a abaixando.
- PUNHETEIRO! - ela berrou rindo e tacou uma almofada na porta já fechada do meu banheiro-fodástico-da-minha-suite-master. Já disse foda? - Lavou as mãos?
- Eu só fui mijar, . - fiz cara de punheteiro e ela riu alto – Mas sim, eu lavei a mão.
- , pega o cobertor.
- A gente tem cobertor?
- Acorda a gente PRECISA de um cobertor! - ela revirou os olhos.
- Acorda, a gente ta dormindo num colchão no chão. Nossa geladeira é uma caixa de isopor e a única bebida que nós temos é água da torneira. – Exagerei um pouco, mas era metade verdade. Dei uma reboladinha à la Sailor Moon e ela riu mais ainda. Cara, daqui a pouco a mulher mija na minha cama-colchão-dechão e a culpa vai ser minha.
- Que seja, pegue algo pra me cobrir.
- Serve eu? – sorri malicioso. Corre, , corre, delícia seminua.
- Na verdade não. PEGA LOGO A PORRA DESSE COBERTOR, HOMEM! - levantei e saí correndo atrás dessa merda de cobertor. Quando achei ela já estava dormindo então taquei por cima e deitei junto, levanto uns chutes durante a noite... Tudo normal.