Autora: Mari Dubois | Beta: Izzy -


Capítulo 1 - Do you wanna be my girlfriend?

- Cigarros. Depois dessa, eu realmente preciso de cigarros. - disse a mim. Ela só fumava quando estava muito nervosa e, nesse momento, ela estava.
Nós havíamos acabado de fazer uma prova de Física que cismou que havia ido mal. E esse era o motivo pela qual ela estava... agitada. Idioticice, eu sei. Mas sentia a necessidade de ir bem, e se ela achava que não havia ido bem, ficava nervosa, e se ficava nervosa, fumava como uma chaminé.
Sério, não fuma cigarros, ela os come.
É horrível.
- Nós já entendemos, . Agora cale a boca. - disse . Outra viciada, mas não em cigarros. adorava um porre. Por isso, nós a mantinhamos longe de qualquer festa regada a álcool.
Não que nós fôssemos em alguma, mas você entendeu.
- Calem a boca, vocês duas. - falou de saco cheio.
era uma das minhas; não fumava e odiava o cheiro de cigarro. Bebia? Diferentemente de , quase nunca, mas se oferecessem, aceitava e não queria nem saber do que se tratava.
e já iam rebater, mas eu as interrompi.
- , deixe-as discutirem; , fique quieta e , - parei, tirei o celular do bolso do casaco do uniforme, vi que o sinal para o intervalo já ia bater e esperei. Quando bateu, voltei-me para e continuei - fume logo a merda do seu cigarro.
Nós pegamos nossas mochilas e quando ainda estávamos na porta, já acendia seu cigarro. Ela tragou fundo e em seguida soprou toda a fumaça na cara de , que abanou o ar com as mãos e mostrou o dedo do meio a , que só riu e continuou a fumar.
Idiotas.
Revirei os olhos e continuei andando com as três em direção ao pátio.
A velha da nossa professora de Química passou por nós, fez uma cara feia e franziu o nariz para o cigarro que tinha em mãos, mas não disse nada.
Não pense que nesse colégio - purgatório, na verdade - pudéssemos fazer o que bem entendíamos.
Não mesmo.
Mas eu duvidava que algum professor diria algo a ou qualquer uma de nós três, que havíamos feito com que essa escola recebesse prêmios e participasse de estúpidos torneios.
Provavelmente, não.
Atravessamos a porta para os fundos da escola e chegamos a um lugar afastado, debaixo de uma árvore, onde nos sentávamos, longe daqueles idiotas fúteis que estudavam com a gente.
Puxei minha Pringles que estava denro da mochila e a abri. Quando coloquei uma batata na boca, engasguei, pois havia alguém em baixo da árvore. No nosso lugar!
E estavam lá, nada mais, nada menos do que os quatro queridinhos do colégio: , , e .
Os mais babacas de todos. Rotulados como os mais populares e pegadores dessa porcaria por darem as festas mais bacanas, ficarem com as loiras mais putas e oxigenadas e terem uma bandinha fajuta de garagem.
A música deles até podia ser considerada legal, mas... Droga! Você entendeu.
Eles ouviram nossos passos e se viraram para nós. Deram seus sorrisinhos sacanas e eu pude ver os olhos das minhas amigas brilharem. Patéticas.
Como elas poderiam se apaixonar por aqueles imbecis?
foi o primeiro a se pronunciar. Ele retirou o cigarro da boca e apagou na grama. E então disse:
- Olá, garotas. Como vai, ?
Não respondi suas pergunta, e ao invés disso falei seca:
- O que você está fazendo aqui, ?
- Nós só viemos conversar. O que há de errado nisso, ?
- Não me chame de , idiota. E tem que ter algo de errado nisso, . O que é? - cuspi. O que eles queriam, afinal?
- Relaxe, . Sente-se, primeiro. - ele apontou para a grama ao seu lado.
Dei uma risadinha cínica, mas mesmo assim, me sentei ao seu lado. Joguei minha mochila no chão e só então percebi que além de estarem fumando, eles também estavam bebendo; havia várias garrafas em frente aos quatro.
Meu Deus, não eram nem dez horas da manhã e provavelmente eles ficariam chapados em, pelo menos, trinta minutos.
- Ei, garotas. Sentem-se. - me arrancou dos meus pensamentos e eu olhei para as minhas amigas, que ainda estavam com cara de bobas no mesmo lugar há minutos. até havia deixado seu cigarro cair e ficara com a boca aberta.
Elas rapidamente se sentaram e formamos uma roda.
Era estranho nos ver assim, com cigarros e bebibas por perto, em silêncio. E ah, juntos.
Como se tivesse lido meus pensamentos, murmurou para mim.
- Incomum.
Eu olhei para seu rosto e assenti. Fiquei perdida em seus olhos, que eram tão intensos, que bom... Preste atenção, .
Desviei meu olhar dele e voltei a comer.
- Esse é um lugar legal, mas por que você não ficam no pátio como todo o resto? - disse, de repente.
- Por isso mesmo. Por causa de todos os outros. - justificou . Os garotos a olharam com caras de dúvida.
- É. São todos uns cretinos. - disse apoiada nas mãos. Eu pude notar que estava deitado ao seu lado e a olhava sem parar.
- Nem todos são tão cretinos. - falou olhando para , ficando totalmente vermelha a seguir.
Qual era o problema delas?
Depois de alguns minutos em silêncio, me lembrei do porquê de estarmos ali. Virei-me para e perguntei:
- O que você queria, ?
Ele pegou um Camel do bolso e acendeu. Me ofereceu, mas eu recusei um pouco impaciente já.
- Eu queria um favor seu. - ele respondeu tragando seu cigarro.
- Isso eu sei, . Mas o que é? - perguntei novamente. Eu queria muito saber e, no final, dizer "não" a ele e sair andando rindo.
Perfeito.
Ele olhou fundo nos meus olhos. Por um minuto, ele não parecia tão babaca quanto eu achava que era. Ele parecia diferente, não o estúpido que eu conhecia desde... sempre. Não era o que só pensava na sua merda de popularidade e que só olhava para o próprio umbigo. E sei lá, seus amigos também não pareciam os mesmos.
Afastei todos esses pensamentos e voltei a prestar atenção na resposta de .
Ele então se pronunciou:
- Você quer namorar comigo?

Capítulo 2 - A condition

O QUÊ?
- Meu Deus, . Você só pode estar brincando. - comecei a rir descontroladamente.
Gargalhar descontroladamente, na verdade. Olhei para as minhas amigas e elas pareciam não entender nada. Me virei para os garotos e para e eles estavam com a mesma cara de antes.
Me sentei ereta e disse enxugando olhos:
- Desculpe. Mas é que isso é tão engraçado, que... - falei, mas dei uma risadinha.
- Deixe-o explicar, . - disse para mim. Olhei para e ele falou:
- Meus pais - ele tragou ainda mais seu cigarro como se estivesse desconfortável com a situação - eles vêm para Londres passar suas férias aqui.
- Certo. Mas o que eles têm a ver com isso? - perguntei, levantando as sobrancelhas.
- Cale a sua boca, . Deixe-o terminar. - disse azeda. Mas eu sabia que além de estar tão curiosa quando eu, ela queria impressionar .
Olhei para ela zangada, mas fiz sinal para que continuasse.
- E então eles me fizeram uma "proposta". - ele riu sem humor algum - Eu preciso me tornar um bom garoto. Sem festas extravagantes, sem chegar bêbado em casa e - ele fez uma careta - sem "pegação". E para isso, eu preciso de uma namorada.
- E por que você vai obedecê-los? Você nunca foi desses, - falei.
Antes que ele pudesse responder, , que estava quase no colo de , se pronunciou pela primeira vez:
- Porque se ele não fizer isso, adeus McFLY, Londres e bem vindo, colégio interno francês. - ele sorriu em deboche.
- vai aprender moda lá. - os garotos começaram a zoar e minhas amigas seguravam o riso.
- Vão se foder. - respondeu a eles e se virou para mim - E então, ? - seus olhos suplicavam por um "sim".
Soltei um risinho e falei:
- Você é patético, . Como eu pensava: você só sabe olhar para o próprio umbigo. - e saí andando, mas ele foi mais rápido e segurou meu braço.
- , espere. - ele falou se levantando.
Tentei me desvencilhar, mas as mãos de seguravam fortemente meu braço.
Parei e esperei para ver o que ele tinha a dizer.
- Olha, . - ele estava tão perto que eu podia sentir sua respiração em meu rosto - Eu peciso da sua ajuda, eu te imploro. - ele suplicou.
- Por que você não pede pra alguma puta que você já comeu? Aposto que elas iam adorar. - falei entre dentes. Ele não podia simplesmente me deixar em paz?
passou as mãos pelos cabelos impacientemente e olhou para os amigos que estavam sentados no chão, assistindo atentamente a cena. Eles queriam saber, assim como eu, como a história iria se desenrolar. Estavam todos com os olhos arregalados.
E então, olhou para mim e disse:
- Porque não pode ser nenhuma delas. Deixe de ser cabeça-dura, ! Se eu estou pedindo a você, é porque tem que ser você! - ele parecia tão sério que vacilei por um momento.
Fiquei olhando para seu rosto durante vários segundos, até que ele me soltou e perguntou novamente:
- E então?
Pude ver que ele percebeu que eu ia dizer "não", e quando ele estava se virando, respondi um pouco alto demais:
- Eu aceito, está bem?
A próxima coisa que eu vi foi quase me pegando nos braços e me girando.
Quase, ok.
Mas mesmo assim, ele me abraçou. E a primeira coisa que eu fiz quando ele me soltou foi ficar vermelha.
E então eu vi seu sorriso de agradecimento.
E fiquei mais vermelha ainda.
Desviei meu olhar para minhas amigas e elas só me olharam surpresas. Voltei a reparar em , que ainda sorria, e tratei de esclarecer uma coisa:
- Mas existe uma condição, . E bom, não sei se você vai gostar dela. - ri baixinho.
- O que é? - ele perguntou desconfiado.
- Finja ser meu namorado para a minha mãe. - falei séria.
- E se eu não aceitar? - ele quis saber.
- Trato desfeito. - respondi com a mesma expressão de antes.
Pelo canto do olho, vi que nossos amigos estavam presos a tudo que estava acontecendo.
Ao contrário de mim, mal pensou na condição e respondeu rapidamente:
- Tudo bem.
Eu me senti aliviada por ele aceitar. O porquê disso, eu não sei.
- Então é isso. - falou, mas agora parecia pensativo - Eu finjo ser seu namorado para a sua mãe; você vai fingir ser minha namorada, aqui e fora da escola.
Opa.
- Espere aí. Não era pra fingir para os seus pais? - perguntei assustada. Como assim?
- Não. Meus pais têm como saber se eu estou mentindo ou não. - ele me respondeu calmo.
- Ótimo. - disse seca.
- , sua imbecil, aceite logo isso. - disse.
- Ah, não. Até você, ? - todos nos olharam curiosos, mas ela sabia do que eu falava. Até ela queria ficar perto dos babacas? Do babaca , na verdade.
Em resposta, ela somente deu de ombros.
- Perfeito, . E quando isso começa? - eu perguntei.
- Amanhã está bom. - ele me respondeu.
Mas quando eu ia retrucar, o sinal indicando que o intervalo terminara, bateu.
Ele saiu de lá junto com os amigos, mas antes, me deu um selinho estalado.
- Até mais! - ele gritou, já longe.
Babaca.
Lindo.
Foco, .

Capítulo 3 - The Games Begin

Acordei com o sol entrando pela janela do meu quarto.
Eu me espreguicei ainda deitada e fui abrindo os olhos. Parei e olhei para o despertador que estava em cima da cômoda.
Já eram 6h30!
- Droga, mãe! - gritei, esperando que ela ouvisse. Por que ela não me acordou? Eu tinha que estar no colégio em meia hora!
Joguei minhas cobertas para o lado, pegui minha toalha que estava na cadeira do computador e corri para o banheiro, que ficava no mesmo andar. Nem me dei ao trabalho de fechar a porta e já estava tirando minha roupa de dormir. Abri o chuveiro e tomei um banho só para acordar, correndo para o quarto em seguida. Peguei meu uniforme e pus. Ridículo. Uma camiseta branca, um casaco azul desbotado - com um pequeno St. Paul escrito em branco - e uma calça azul marinho.
Resolvi parar de me preocupar com a aparência, coloquei meu Nike, prendi meu cabelo e procurei a mochila. Quando achei, desci as escadas correndo, busquei meu celular que estava em cima da mesa, procurei no armário algo para comer e peguei uma barra de cereais. Quando fechava o armário, vi um post-it amarelo cair no chão. Me abaixei e li o que estava naquela folhinha:

Tive que sair mais cedo. Qualquer coisa me ligue no celular.
Mamãe.


Revirei os olhos e colei o bilhete de volta no armário. Abri a porta e depois a tranquei, fazendo o mesmo com o portão.
Já na calçada, apertei o passo, pois sabia que só chegaria na segunda aula naquele ritmo. Rasguei a embalagem da barra de cereais e a devorei.
Eu ainda queria saber o porquê da minha mãe não ter me acordado.
Ah, já sei. Por causa dos seus clientes.
Eu entendia o lado da minha mãe, às vezes. Além de trabalhar, ela tinha que cuidar da casa e prestar atenção em mim.
Ok, sem essa de prestar atenção em mim.
Mas eu achava que às vezes ela prestava mais atenção em seus clientes do que em mim.
Ah, e quando eu digo "clientes", não que ela seja prostituta ou algo do tipo.
Ainda bem.
Mamãe era advogada e cuidava das pessoas mais ferrradas que eu já vira. Até mais ferradas do que, sei lá, ?
Merda.
Eu havia me esquecido completamente dele. Como eu pude esquecer disso?!
Completamente ferrada. É isso.
"Amanhã está bom", era o que ele dissera e a única coisa que eu conseguia pensar até encontrar minhas amigas encostadas no portão da escola.
Com , e .
Ah, e ele, é claro.
Era impressionante como até com aqueles panos azuis ele ficava lindo. Ele estava com os braços cruzados em frente ao corpo e ria de alguma coisa.
Até a risada dele era linda.
Droga! Foco, , foco.
Respirei fundo e quando eu estava chegando perto deles, vi uma garota se esfregar em .
Stacey: sinônimo de puta.
Resolvi andar até lá como se nada estivesse acontecendo. Chegando lá, cumprimentei minhas amigas, que estavam com cara de nojo em direção à Stacey, e dei um "oi" para os garotos, que só conseguiam prestar atenção nos peitos dela.
Não cheguei nem a parar os olhos em , mas, mesmo assim, ele sorriu e foi se aproximando de mim, deixando todos curiosos e Stacey com cara de otária e me fulminando.
Cretina.
Por mais que eu estivesse gostando de rir da cara dela, tive que desviar o olhar e ver cada vez mais perto.
- Oi. - disse ele baixinho e me beijando.
Não é brincadeira. Ele me beijou!
Primeiro eu tentei afastá-lo de mim, mas então ele passou um braço pela minha cintura e juntou ainda mais nossos corpos.
Entrelacei minhas mãos em seus cabelos, fazendo-o sorrir com a minha atitude.
Deus! Como beijava bem!
Ele se afastou ainda com o sorriso estampado na cara e então eu percebi o que estava fazendo e praticamente gritei, tentando tirar seu braço de minha cintura:
- O que você pensa que está fazendo?
Ele riu e disse:
- Agora nós somos namorados, certo? E vamos agir como tais.
Desesperadamente, olhei para as minhas amigas e elas estavam boquiabertas.
Eu ia perguntar só uma coisinha para , mas Stacey resolveu falar, toda afetadinha:
- Do que você está falando, ? Namorado? Dela? - ela me olhou de cima a baixo, em sinal de reprovação. O que aquela vadia estava fazendo? Me analisando?
, em resposta, só segurou minha mão e deu de ombros.
- Eu ainda não acredito nisso. - disse ela, colocando as mãos na cintura.
Filha da mãe, ela estava insinuando que eu e não podíamos estar realmente juntos?
Tomei a fente da conversa e respondi à Stacey:
- Pois é. Acredite. Você não está vendo isso? - levantei minha mão e a de - Nós estamos namorando, entendeu? - perguntei ríspida.
Ela só bufou, mas coninuou no mesmo lugar.
- Vamos, . Vamos gente. Temos que pegar uma folha e lápis de cor para ela. - saí de lá em direção ao pátio da escola de mãos dasdas com e com os outros nos seguindo. Eu podia sentir vários olhares sobre nós oito e murmúrios como "O que eles estão fazendo com elas?" ou "Eles só podem estar chapados", mas resolvi ignorar todos.
Parei em fente à cantina onde não havia ninguém e me sentei em um dos bancos, sendo acompanhada por meus amigos, se é que eu podia chamar todos que estavam ali tão intimamente.
- , o que você pensa que está fazendo? Discutir com aquela vagabunda? - me repreendeu. a observava sem parar, agora eu não sabia se ele olhava seu rosto porque a achava bonita ou se olhava especificamente para a sua orelha, cheia de argolinhas.
Deitei a cabeça sobre a mesa, bem perto da de e não respondi.
- Mas todos nós temos que admitir que aquilo foi muito legal. - se pronunciou pela primeira vez.
Levantei a cabeça e olhei para todos. Eles assentiram concordando, até mesmo os garotos.
olhou para mim e sorriu, como uma boa amiga. Depois, ela olhou para baixo e deu um sorriso-quase-riso.
E então eu percebi que ainda estava de mãos dadas com .

Capítulo 4 - Fofocas

Depois da "discussão" que tive com Stacey e o "ocorrido" um pouco depois, meu dia foi normal.
Ou quase.
Quase porque no intervalo, nos sentamos com os McLosers. E eu digo "nos sentamos" porque minhas amigas pareceram desenvolver uma certa afinidade anormal com eles.
Ah, e quase devido às fofocas.
Enquanto eu andava com até a classe de e para irmos à cantina, várias pessoas apontavam para nós e cochichavam.
- Você está escutando, ? - perguntei a ela.
- Ignore esses imbecis, . Não vale a pena - me respondeu. Mas eu sabia que no fundo, no fundo, ela se importava, porque alguns desses comentários falavam dela.
Encontramos e em frente à sala de História e já reclamava.
- Por que demoraram tanto? - ela disse vindo em nossa direção - Eu estava com fome, sabiam?
- E por que não foi antes e encontrávamos você lá? - perguntou.
revirou os olhos e só disse um "Vamos".
Depois de esperarmos comprar seu estúpido hamburguer, saímos da fila e quando fomos para o pátio, alguém colocou a mão em frente ao meu rosto.
- Mas que mer...
- Por que vocês não sentam conosco hoje? - alguém perguntou e eu reconheci a voz de .
Tirei sua mão que estava em frente ao meu rosto e respondi:
- Porque depois que sentamos com vocês ontem, estão até dizendo que estamos grávidas. Quem sabe o que pode vir depois?
pareceu pensar por um momento e só disse:
- E?
- Você é um otário, - falei entredentes.
- Não se esqueça do acordo, . - murmurou no meu ouvido.
Olhei para ela implorando e levantou uma sobrancelha.
Era incrível como eu fazia tudo o que ela pedia.
- Onde, ? - perguntei.
- Eu sabia. - ele disse sorridente. Quando eu ia lhe dar um belo de um tapa, ele segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos - Vem.
Nós andamos até uma mesa onde estavam , , atraindo vários olhares. Quando os garotos nos viram, sorriram e cumprimentaram com apertos de mão.
Bem fortes, por sinal.
- Eu não aguento mais esses babacas nos olhando. - grunhiu , que já estava com um cigarro entre os dedos.
- Grávidas! Como nós podemos estar grávidas?! - falou tirando um pouco de ketchup dos dedos.
- Comendo desse jeito, você vai estar parecendo uma logo, logo. - eu disse torcendo o nariz - Coma direito.
- Vai se ferrar. - ela me respondeu, mostrando o dedo do meio.
Os garotos riram.
- Mas e vocês? - perguntou à eles.
- O quê? - perguntou tomando uma Coca-Cola. Pelo o que eu já havia visto dele, comia como . Repugnante.
- Aposto que não dizem nada sobre vocês. - esclareceu a eles.
- Bom, dizem que estamos fazendo parte de uma seita, estamos sendo subornados, ou - olhou para nós como se dissesse que era inocente e os outros concordaram - que vocês estão dando para nós.
começou a tossir e largou seu cigarro, só conseguia abrir e fechar a boca, correu para o banheiro - para vomitar, provavelmente - e eu arregalei os olhos.
Os garotos tentaram nos ajudar das formas mais diversas e idiotas possíveis. buscou um copo de água para , passou os braços pelos ombros dela e balançava a mão em frente ao seu rosto, correu atrás de e chamava meu nome e apertava minha mão.
Quem visse a cena depois dos boatos, devia achar que nós havíamos perdido nossos bebês.
Menos, .
Depois de "normalizada" a situação e ter voltado a mesa, nós quatro nos entreolhamos e, num movimento involuntário, encostei minha cabeça no ombro de .
- Se meu pai souber disso... - começou.
- Fodeu - completei.
- Mas por que vocês estão tão preocupadas? É só fofoca, que nem as outras histórias. - falou com os braços ainda envoltos nos ombros de .
- Porque teria como saber se nós estivéssemos grávidas. - passei a mão pela barriga e fiz uma careta - Além do mais, o que falta inventar? Já inventaram inúmeras histórias sobre nós e uma é pior que a outra. E não diga que eles irão esquecer tão fácil. Os quatro queridinhos do colégio andando com as nerds? Isso é fofoca pro ano inteiro.
- E por dinheiro. - pareceu falar sem querer que escutássemos mas a tentativa falhou e todos nós ouvimos. lhe deu um soco no braço e se levantou da mesa.
- Por dinheiro? - ela gritou e nós a puxamos de volta para a mesa, mas nessa hora, ela ficou tão branca que eu achei que ela fosse vomitar de novo.
- Calma, . - falou.
- Calma? Nós estamos sendo chamadas de prostitutas! - ela respondeu. Dramática.
Os garotos só observavam a situação, sem dizer uma palavra sequer sobre isso.
- . - chamei-a, levantando um pouco a cabeça.
- E é tudo sua culpa! - ela apontou para mim e todos se olharam surpresos - Se você não tivesse aceitado isso...
Certo, então é minha culpa se aqueles otários resolveram falar de nós. É claro.
- Não fale merda, . Ponha a culpa no resto da escola. - resolveu se pronunciar.
- Ela não tem nada a ver com isso, . - disse.
Espera. ?
Olhei para o seu rosto, mas ele encarava .
Um minuto de silêncio se instalou.
- Desculpa, . - resolveu quebrá-lo.
- Até parece. - falei - Foram esse cretinos.
- E eu aposto que sei quem foi a vadia que espalhou isso. - deixou a cabeça cair para o lado, na direção em que Stacey e outras putas prestavam atenção à nossa conversa.
Sorri para ela e busquei a mão de embaixo da mesa para depois levantá-la junto com a minha, em sinal de que estávamos juntos. Ela deu as costas e eu ri maliciosa, soltando a mão dele.
- Depois dessa e do beijo, ela vai te odiar para sempre. - falou e eu e ficamos igualmente vermelhos.
E por baixo da mesa, onde ninguém podia ver e eu não podia entender, entrelaçou nossos dedos.

Capítulo 5 - Sua sogra é um doce, acredite

Sábado, finalmente.
Acordei com o som de alguns pássaros piando, o sol entrando pela janela e minha mãe dizendo sorridente que o café estava na mesa.
Quem dera.
Ao invés disso, acordei com um bip do meu celular indicando uma nova mensagem, um vento gélido entrando pela fresta da janela e o barulho da minha mãe deixando algo cair na cozinha.
Ainda bem que era sábado.
Me espreguicei, esfreguei meus olhos e puxei as cobertas. Fui em direção à cômoda, peguei meu celular e vi que a mensagem era de .

1:15 p.m. Shopping. Todos vão. Se arruma biscate, haha

Eu ainda queria saber qual era o problema das minhas amigas.
Hoje era sábado! Seis dias da semana vendo e suas bibas? Simplesmente não dá.
Ok, "suas bibas" saiu muito infantil.
Mas então eu me lembrei do nosso acordo: teria que fingir ser meu namorado para a minha mãe, certo?
E por que não hoje?
Sorri com esse pensamento e olhei para o relógio. 12:00. Eu ainda tinha, pelo menos, uma hora e quinze para me arrumar.
Dobrei meus cobertores, arrumei minha cama, abri a porta e desci as escadas em direção à cozinha. No caminho, vi minha mãe sentada na sala, mas continuei andando.
Peguei um copo de suco que estava em cima da mesa e bebi, depois abri a geladeira, peguei um danone e fui em direção à sala. Chegando lá, vi que minha mãe assistia um noticiário e sentei no sofá ao seu lado.
- Bom dia, . - ela disse se virando para mim.
- Bom dia. - eu respondi colocando uma colher de danone na boca.
- Vai sair? - ela me perguntou.
- Vou no shopping com as meninas - e acrescentei baixinho - novos amigos e meu namorado.
- Leve sua chave, talvez eu saia hoje. - ela disse. Era disso que eu gostava em minha mãe. Em relação a sair com os amigos, ela não fazia objeções.
- Mãe, - resolvi perguntar - Você vai mesmo sair hoje? - mordi o canto da boca. Se ela saísse, não teria como apresentar a ela.
- Talvez, querida. Por quê? - ela arqueou as sobrancelhas.
- Mãe... É que eu prescisava te contar uma coisa. - comecei.
Ela me olhou assustada e já se endireitou no sofá.
- Não me diga que você está grávida, . - ela falou apavorada - Diga que não!
- Não! - eu gritei e depois revirei os olhos. Mas que droga. Mania idiota de acharem que todo mundo vai ter um filho - Não é isso.
Ela colocou a mão no peito e suspirou em alívio.
- Então o que é? - ela quis saber.
- Eu queria trazer uma pessoa aqui para você conhecer. - respondi vermelha.
- Quem? - agora ela já estava curiosa.
- Meu... Meu... Meu... - gaguejei. Merda, isso não estava nos meus planos.
- Seu? - minha mãe perguntou interessadíssima.
Saco.
- Namorado. - murmurei abaixando a cabeça.
- Seu o quê, ? - eu podia ver os olhos da minha mãe brilharem, mas ela queria me fazer sofrer.
- Droga, mãe. Não torne isso mais difícil. - reclamei - Ele é meu namorado.
Pronto, falei. Satisfeita?
- Meu Deus, ! Eu não acredito nisso! Por que você não me contou? - ela pulou do sofá e me abraçou toda sorridente. O sonho de toda mãe: ver sua filha de 17 anos, nerd, nada feminina e encalhada, namorando.
Iludida.
Tentei me desvencilhar do seu abraço e quando consegui, falei:
- Mãe, calma. Eu não contei porque é recente, ok?
- Mesmo assim, ! Mas diga, quem é ele? - ela perguntou sorrindo.
Eu tinha mesmo que dizer?
Respirei fundo e falei calma.
- .
- Mas eu pensei que vocês não gostassem um do outro. - ela falou confusa.
- Pois é. Mas nós vimos que temos coisas em comum. - enrolei, nervosa.
- Ah, filha! - minha mãe disse. Eu achei, sinceramente, que ela ia pular e dar gritinhos histéricos - E quando ele vem?
- Vou falar com ele hoje. Depois do shopping, talvez. - dei de ombros.
- Então vá, . Você já está atrasada. - olhei para o relógio da sala e vi que minha mãe estava certa. Eu tinha quarenta e cinco minutos para me arrumar e ir até o shopping.
Larguei o danone e a colher no chão e subi as escadas correndo, em direção ao banheiro.
Tirei minha roupa e me enfiei debaixo do chuveiro, deixando a água quente cair por um tempo. Me enrolei na toalha, fui para o quarto fechando a porta e abrindo o guarda roupa. Fiquei pelos menos mais dez minutos olhando minhas roupas para no final pegar uma calça jeans, uma moletom Hurley e um Adidas.
Me vesti correndo, peguei as chaves e o celular e quando ia me despedir da minha mãe, ela perguntou:
- O que ele gosta de comer, ?
Putas oxigenadas? Mas para não ser mal educada, falei:
- Não sei, mãe. - e quando eu estavame virando, ela me censurou:
- Como não sabe? Ele é seu namorado!
- Simples assim: eu não sei! - bufei - Agora eu tenho que ir. Tchau! - mas antes de fechar a porta totalmente, ainda pude escutar minha mãe reclamar:
- Nem parecem namorados!
Revirei os olhos e sai andando. Eu queria só ver a cara de quando conhecesse minha mãe.

Capítulo 6 - Sinceridade, não deboche

Eu havia acabado de descer do ônibus e estava indo em direção ao estacionamento do shopping quando vi e ela acenou. Apertei o passo e cheguei perto de onde todos estavam, me encostando em um Audi, ao lado de .
- Por que você demorou tanto? - perguntou para mim. Eu olhei para ela de cima a baixo, confusa, e depois olhei para as minhas amigas.
Era impressão minha ou elas estavam... diferentes?
Ignorei isso e respondi seca:
- Porque eu não tenho um carro, tive que pegar um ônibus - ah, e sentar minha bunda no banco gelado - além da minha casa não ser tão perto assim. Não sei, talvez seja isso.
- E por que você não pegou uma carona? - perguntou. Ele havia tirado seus Ray Ban e agora eu podia ver seus olhos. Percorri os meus desde seu cabelo levemente bagunçado, passando-os pela sua camisa, sua calça jeans folgada até seu All Star.
Eu já disse que ele estava lindo?
Mordi meu lábio inferior, mas me desviou dos meus pensamentos.
- , responde, merda. - logo que ela disse isso, percebi que todos me olhavam, principalmente e ele, muito provavelmente, viu que eu o analisava. Senti minhas bochechas esquentarem e resolvi falar qualquer coisa.
- Porque eu saí atrasada de casa. Eu vou lá saber?
- E por que você saiu atrasada de casa? - era vez de fazer o questionário, mas essa pergunta me lembrou de algo. Me virei para e falei:
- Hoje, depois do shopping, você vai para a minha casa. - era uma ordem, na verdade.
- Pra quê? - ele me olhou, curioso.
- É, pra quê? - repetiu a pergunta e todos ficaram interessados.
- Para conhecer minha mãe, idiota. - respondi com os braços cruzados.
- Logo hoje, ? - ele resmungou - Eu tenho coisas a fazer.
- Pode esquecer a sua festinha, . E é pra ir, senão, adeus ao nosso acordo. - cheguei perto dele e apontei o dedo em seu peito. Bem musculoso - Entendeu?
- E quem disse que ia a uma festa? - ele me desafiou. Burro. O que ele tinha entendido além de "festa"?
- E o que mais você sabe fazer além de ir à festas e ficar bêbado, ? - disse com nojo - Idiota.
- Imbecil.
- Cretino.
- Vadia.
- Filho de uma p...
- Porra! Calem a boca. - berrou. Ele era sempe tão quieto que eu nunca imaginei que ele faria isso. E não era só eu, pois todos o olharam curiosos - O que foi?
- Eu concordo com . - falou impaciente. Ela só queria impressioná-lo, eu sabia disso. Mas tudo bem, eu ainda gostava dela - Vamos logo.
Fiz uma careta para e quando íamos nos xingar novamente, as garotas me puxaram para dentro do shopping.
- Vamos, . - elas disseram em unissono.
- É, vamos, . - os garotos o chamaram.
- Desse jeito, ninguém vai acreditar que vocês são namorados. - me disse baixinho. Revirei os olhos para ela e fui para o lado de .
Nós andamos um pouco pelo shopping e, a cada dois segundos, , e entravam em alguma loja pois haviam visto alguma coisa para comprar. E lá íamos eu e os meninos à força.
Não me entenda mal. Eu gosto de comprar algo novo para usar e coisa do tipo, mas só não sinto a necessidade de gritar e correr para o shopping toda vez que há uma liquidação. Numa dessas lojas, eu estava com para escolhermos alguma roupa e ela me perguntou:
- Como eu estou? - e quando eu fiz cara de dúvida, ela apontou impaciente para o que ela vestia.
- Bem, tirando o fato de que eu nunca vi você de saia e maquiagem, você está normal. - falei simplesmente e dei de ombros.
- Será que o percebeu? - ela disse apreensiva.
- Desde quando você se preocupa com o que pensa? - perguntei divertida.
- Eu não estou... É só que... - ela se enrolou.
- Não tente me enganar, . Você está interessada nele. - ergui uma sobrancelha esperando uma objeção sua.
- Eu não sei. - ela disse, realmente parecendo estar em dúvida.
- Vai lá e se ele não se tocar, você sabe o que fazer. - eu disse.
- Me vingar? - ela perguntou, juntando as sobrancelhas.
- É uma possibilidade. - nós rimos - Agora vai.
Mas, antes de se virar, ela disse:
- Obrigada, .
Dei um pequeno sorriso de incentivo a ela e a vi se afastar para fora da loja, onde estava.
- Isso foi muito legal da sua parte, . - senti um arrepio ao ver que sua respiração estava na minha nuca. Me virei para encará-lo e falei, azeda:
- Isso não é da sua conta, .
- Quando se trata dos meus amigos é da minha conta. Mas não precisa ficar nervosa desse jeito, . Eu sei como você se sente quando me vê. - ele sorriu, debochado.
- Ha ha ha. Como você sabe disso, ? - falei, sarcástica - Não enche.
Ele se aproximou de mim e passou os braços pela minha cintura, me deixando colada a seu corpo.
- Certeza, ? - ele perguntou e seu hálito frio sorpou em meu rosto. Vacilei e ele deve ter percebido, pois deu uma risadinha e continuou - Tudo bem. Você não sabe como eu me sinto. - e quando ele estava prestes a roçar nossos lábios, nos chamou.
- Sem putaria. Vamos na loja de CDs aqui do lado, - e saiu.
Imediatamente, tirei seus braços da minha cintura e corri para fora da loja. Abri a porta dela e um sininho irritantemente chato tocou.
estava no fundo da loja vendo algum CD do Pink Floyd e eu fui para perto dela.
- Por que você está ofegante? - ela me encarou.
- Por nada. - respondi e nesse momento, escutei novamente os sininhos. Olhei para a porta e vi entrando. Me abaixei e fingi procurar alguma coisa na última prateleira. Por que me deixou ofegante?
- Você tem problemas. - , que observava tudo, disse e foi para o outro lado da loja. Respirei fundo e me levantei.
O que estava acontecendo comigo?
Às vezes, eu perguntava o preço de algum CD ou DVD ou ajudava alguém a escolher alguma coisa, mas sempre acabava trocando algum olhar com e, de vez em quando, nós nos esbarrávamos, mas nunca falávamos nada mais do que uma palavra monossilábica.
Eu estava com os fones de ouvido escutando "Anything" do The Calling quando senti uma mão em minha cintura. Tirei os fones e perguntei sem emoção alguma na voz:
- O que você quer, ?
- Nada. - ele pegou os fones da minha mão e encostou na sua orelha - The Calling? Não sabia desse seu lado, . - ele riu.
- Me devolve, . - falei, estendendo a mão.
- Não, só se você pedir com carinho. - ele deu seu estúpido sorriso sacana.
- Porra, . - fiquei na ponta dos pés, esticando o braço, mas mesmo assim ele era mais alto que eu. Grunhi e desisti de tentar pegar a merda do fone. Cruzei os braços.
- Não fique assim, . - ele sorriu malicioso e pôs novamente a mão na minha cintura. colocou o fone de volta no lugar e ficou me encarando.
- Me solta. - falei com os dentes cerrados.
- Ou? - ele me desafiou. Filho de uma égua.
- Você vai se arrepender. - resondi entredentes. Tentei soltar minha pernas e acertar bem ali, mas elas estavam enroscadas fortementes nas dele. Ele percebeu e deu outro risinho estúpido. Ele estava zombando de mim?
- Idiota. Me solta, senão eu vou gritar. - falei. Não era uma idéia tão ruim se você pensar bem.
- Se você não percebeu, , só estamos nós dois aqui. Aquele cara está chapado, não adianta. - ele apontou com a cabeça para o cara que estava dormindo no balcão, não parecendo que ia acordar tão cedo. Mas então eu percebi algo e me virei para .
- Onde estão os outros? - disse, curiosa.
- Foram comer alguma coisa - ele me respondeu, calmo.
- E você não me avisou? - e, olhando sua cara de dúvida, completei - São três e meia. - olhei no seu relógio - E eu estou com fome, idiota.
- , ... - ele riu.
- O que foi? - perguntei, curiosa.
- Nada. - ele parou de rir para falar.
- Vai se ferrar, . - me soltei de seus braços facilmente. Ergui as sobrancelhas.
Comecei a andar em direção à porta e quando vi, já estava ao meu lado, abrindo a porta para mim.
- Você não me escapa, . Na próxima. - seus olhos faiscaram e eu ri sarcástica.
- Nunca, . - respondi.
- Você vai ver, . Você vai estar apaixonada por mim em um piscar de olhos. - ele disse. Revirei os olhos e continuei andando.
Já perto da praça de alimentação, em um "parquinho" onde os pais deixavam suas crianças melequentas, parou e disse:
- Olha, uma criança bem ali. - e apontou para uma garotinha que andava em círculos, bem perdida.
- E daí? Tem, pelo menos, outras cinquenta crianças aqui. - falei como se fosse óvbio.
- Mas nem todas estão sozinhas. - ele sorriu.
- O que você está pensando em fazer, ? - perguntei com medo quando o vi andar em direção à menina.
- Venha, . - ele riu e pegou em minha mão, me arrastando até a garotinha.
Chegando lá, o idiota se abaixou até ficar na mesma altura que a menininha e perguntou a ela:
- Ei, qual é o seu nome?
Eu vi a garota mover os lábios, mas não parecia emitir som algum. Aparentemente, eu estava enganada, pois falou:
- Claire. E onde está sua mãe, Claire? - ele deu um sorriso tão encantador à menina que naquele momento eu senti vontade de ser a garotinha.
Era a segunda vez que eu via sinceridade em seu sorriso.
E nem um pingo de deboche.
A garotinha deu de ombros e perguntou:
E o que você acha de irmos procurá-la?
- Espera! Você é doido, ? Vão achar que estamos sequestrando a menina! - falei um pouco alto demais.
- Relaxa, . Não vai acontecer nada. - ele se virou para a garotinha - E então?
A menina balançou a cabeça afirmativamente e sorriu, pegando-a no colo.
Uau.
- . - eu o chamei enquanto ele ia sabe-se lá para onde.
- Cale a boca e venha, . - ele respondeu. Bufei e segui ao seu lado em silêncio, até que eu dei uma risadinha.
- O que foi? - ele quis saber.
- É que eu nunca pensei nesse seu lado, . - apontei para a sua figura, segurando uma criança.
Eu percebi que várias pessoas olhavam para nós e alguns até sorriam e cochichavam coisa como "Olha aquele casal!". Eu quase gritei que eu e não éramos um casal. Saco.
- Eu tenho uma irmã, sabia? - disse, de repente e divertido.
- Na verdade... não. - falei.
- Pois é. - ele riu novamente.
Rir. Era só o que ele sabia fazer. Parecia proposital.
- E por que ela não mora aqui? - perguntei, pensando no que ele havia dito.
- Comigo e mais três caras? - ele respondeu.
- Ah. - foi só o que eu consegui responder.
- Ela mora com os meus pais. - ele fez uma careta - Não sei como aguenta meu pai. - do jeito que falava, seu pai devia ser um monstro.
Chegamos à praça e alimentação e, de repente, escutei meu nome e o de .
- , ! O que vocês estavam fazendo? - chegou perto de nós e parou - Quem é ela? - apontou para a garota no colo de .
- Claire - me prontifiquei e falei - Ela está perdida.
- Vão levá-la para algum segurança, sei lá. - , que estava ao lado de , falou.
- Eu já vou levá-la. - disse.
- Vamos, então. - falei, dando de ombros.
- Você vai, ? - perguntou.
- Vou. - balancei a cabeça.
- Então vamos logo, daqui a puco ela vai dormir. - apontou para a menina. Era tão engraçado ver se "preocupar" com alguém além dele. Principalmente quando era um desconhecido.
- Claro. - murmurei. Nós demos meia volta e andamos até achar um segurança. Enquanto isso, eu observava e Claire.
- Ei, moça. - eu disse à Claire - O que você acha de andar um pouco? Vamos. - a colocou no chão e se espreguiçou.
- Obrigado. - ele disse.
- Fraco. Parecia que você ia morrer. - eu ri. Finalmente, eu havia visto um segurança em todo esse shopping. Ao seu lado, uma mulher parecia pedir ajuda.
- Você é a mãe de Claire? - perguntou quando chegamos mais perto.
- Sou sim. - a mulher respondeu - E vocês...?
- Encontramos sua filha. - sorri.
- Ah, sim! Obrigada! Eu me distraí por um momento e quando vi, ela não estava mais ao meu lado. - ela sorriu envergonhada. Que ótima mãe.
Brincadeira.
- Bom, agora deixem-me ir. - ela se aproximou de Claire e a colocou em seu colo - Obrigada, de verdade. Diga "tchau", Claire. - a menina apenas acenou com sua mãozinha, enquanto ela e a mãe iam para o caminho contrário ao nosso. Mas antes, a mulher se virou e disse - Ah, e vocês formam um ótimo casal - fechei a cara e não quis nem me virar para ver a de .
Acenei de leve e se virou para mim, sorrindo.
E por incrível que pareça, eu sorri de volta.

Capítulo 7 - And... he's my boyfriend

- Nos vemos amanhã, então. - falei para os outros.
- Até amanhã. - e o resto disseram, se despedindo de mim e de , que iria conhecer minha mãe.
Nossa.
- Não vá ficar grávida, ! - gritou para mim e eu mostrei o dedo do meio a ele. Ele riu e seguiu até seu carro com os outros.
- Vamos? - perguntou. Assenti e seguimos até seu Audi, em silêncio. acionou o alarme e eu fui para o lado do passageiro enquanto ele destrancava as portas. Entrei no carro e girou a chave na ignição, mas parou e ligou o rádio. Hey Jude tocava. Um clássico.
Sorri e comecei a cantarolar baixinho. me olhou de soslaio e disse:
- A cada dia você me surpreeende mais. - ele riu.
- Beatles é um clássico. - dei voz ao meu pensamento - Não há quem não goste.
saiu do estacionamento e olhou para os lados, entrando em seguida na avenida.
- Para onde? - ele perguntou.
- Até o final da avenida e vira à direita. - respondi. Um silêncio vergonhoso se instalou no carro até que disse:
- E seu pai? Vai estar em casa?
- Ele não mora com a gente. - respondi.
- Separados? - ele quis saber. olhava para frente, concentrado no trânsito, mas eu sabia que ele estava atento a cada palavra daquela conversa.
- Aham. - resondi com a garganta seca. Pigarreei - Vire à esquerda e depois à direita, mais uma vez.
- Por quê? - ele insistia na conversa. Merda. Prendi a respiração e falei rápido:
- Ele traiu minha mãe. Ela o expulsou de casa e a única coisa que ele fez foi correr pra amante. E sabe-se lá onde eles estão hoje. - soltei o ar.
- Ah. - foi o que ele respondeu.
Só se escutava o som do rádio, o que chegava a incomodar, até que eu disse:
- É aquela casa. - e apontei para um sobrado verde claro.
estacionou o carro e quando eu abria a porta do carro para sair, ele disse meu nome:
- Foi mal. - ele murmurou. Inclinei a cabeça para o lado e respondi, dando de ombros:
- Tudo bem. Você não sabia e a verdade é que eu não ligo para isso. - saí do carro e bati a porta. em seguida fez o mesmo e logo estava ao meu lado.
- Estou pronto. - ele encheu o peito e ar e eu ri. Abri a portão e depois abri a porta, procurando pela minha mãe.
- Na cozinha! - ela gritou. Olhei para e ele deu de ombros, segurando minha mão em seguida.
Nós tinhamos de fingir, certo?
Encostei a porta e fui para a cozinha com . Chegando lá, enconteri uma bagunça: panelas espalahadas na pia, farinha no chão e minha mãe sentada na mesa da cozinha, lendo provavelmente um livro de receitas.
- Mãe! - exclamei - Mas que sujeira é essa? - perguntei a ela.
- Bom, acho que teremos que pedir uma pizza. - ela disse. Pude ver sorrir ao meu lado e quando minha mãe o viu, seus olhos brilharam.
Antes de qualquer besteira que ela pudesse falar, eu a interrompi e disse:
- Mãe, esse é o . , essa é a minha mãe.
- É um prazer, sra. . - falou muito educado, o que é suspeito.
- O prazer é todo meu, querido. - minha mãe disse, se levantando da cadeira e indo abraçar . Ela piscou para mim e eu revirei os olhos.
- Então você é o novo namorado da ? - minha mãe perguntou, sorridente.
- Mãe... - comecei, mas ela me interrompeu.
- Cale a boca, .
Mania idiota.
riu e respondeu, com o mesmo sorriso estúpido:
- Sou sim.
- Sorte a dela. Você sabia que nunca namorou? Na idade ela, eu tinha namorados, ia a...
- Mãe. - a repreendi com os dentes cerrados. Ela e me ignoraram e ele disse:
- Na verdade, eu não sabia. - ele sorriu. Mentiroso, ele sabia. Idiota.
Minha mãe ia abrir a boca novamente, mas eu interrompi mais uma vez:
- E a pizza, mãe?
Ela me olhou como tivesse se lembrado de algo muito importante e correu para pegar o telefone, dizendo sem parar:
- Meu Deus! Eu me esqueci completamente! - ela correu de volta para a cozinha - , o telefone da pizzaria!
- Na agenda de telefone ao lado do telefone. - revirei os olhos. Ela voltou para a sala, pegando a agenda e procurando o telefone da pizzaria.
- Traga o para a sala, ! Não seja mal-educada. - ela gritou. Bufei e puxei até lá, me jogando no sofá em frente ao que ele havia se sentado. Peguei o controle e liguei a televisão. Friends passava.
Escutei minha mãe desligar o telefone e vir em nossa direção.
- , a pizza vai chegar em 30 minutos. - e se virou para - Pedi de calabresa, espero que não se importe. - ela disse, com a voz culpada.
- Por mim, tudo bem. - ele respondeu doce. Falso.
- Vou tomar banho, então. Comporte-se, . - ela disse. Levantei a cabeça inconformada, mas minha mãe só me repreendeu com o olhar. Bufei e deitei novamente.
Quando escutamos a porta do banheiro ser fechada, riu.
- Gostei da sua mãe. - foi o que ele disse.
- Não enche, . - reclamei e voltar a olhar para a televisão.
- Mas é verdade. - ele falou se sentando perto dos meus pés.
- Espera até ela te fazer mil perguntas. - eu ri.
- Duvido - ele disse.
E ele estava enganado. Minha mãe saiu do banho e quando viu e eu tão próximos, ela ficou tão feliz que eu achei que ela ia fotografar aquilo. Cinco minutos depois, a pizza chegou e estávamos nos servindo.
E minha mãe fez milhões de perguntas a ele.
"Há quanto tempo você conhece a ?", "Desde quando você gosta dela?", "Quando foi o primeiro beijo de vocês?"
Constrangedor, eu sei. E eu não sei como não começou a rir ali mesmo. Mas uma hora ele teria de rir. Senão, aquele não era o .
- , você se lembra quando você tinha sete anos e se vestiu de fada? - minha mãe perguntou, sorridente.
- Droga, mãe. Você não vai mostrar. - falei.
- Você quer ver, ? - ela quis saber dele.
- Claro. Por que não? - ele sorriu para mim.
- Já volto. - minha mãe se levantou e foi correndo para a sala.
- Cretino. Você me paga, . - falei entredentes.
- Acalme-se, . - ele riu - Eu não irei contar para ninguém. - ele chegou perto de mim e me deu um selinho, que eu retribui com cara de nojo.
- Eu te odeio, . - falei.
- Você sabe que eu não te odeio, não é? - ele riu malicioso e eue senti uma vontade enorme de lhe dar um soco. Só não dei porque minha mãe havia chegado à mesa com o álbum de fotos. Merda.
- Olhe. - ela virou o álbum para mim e para e sorriu - Foi no Halloween. Ela adorou a fantasia quando viu.
Eu estava vestida de fada! E com um vestido lilás, asas e, pra completar, uma varinha.
Como isso aconteceu?
Olhei para e ele olhava para a foto e ria.
- E tem outras. - minha mãe disse e eu fiquei com medo do que poderia vir a seguir - Essa é a na formatura, ela ganhando o prêmio de um concurso, na viagem para a Irlanda... - minha mãe virava as páginas rapidamente e apontava para as fotos, explicando-as a seguir.
- Não sabia que você já havia ido à Irlanda. - sorriu para mim.
- É só pegar um trem. - respondi, dando de ombros.
Depois da sessão de fotos, minha mãe finalmente guardou o álbum e fomos para a sala ver alguma coisa. Se eu te contar que somente Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças passava, você não iria acreditar.
Pois bem. Assistimos até a metade do filme, quando olhou no seu relógio e anunciou que teria de ir embora.
- Por que você não fica mais, ? - minha mãe perguntou - Já são onze e meia! Onde você vai a essa hora da noite?
- Não! - dei um pulo do sofá e minha mãe me olhou assustada - Não, na verdade, você tem que ir, não é, ? Você disse que estava cansado. - falei nervosa.
- Na verdade, não. - ele respondeu. Filho da mãe.
- Ótimo! - minha mãe falou toda feliz - Você está cansado e eu não vou deixar você dirigir agora a noite. Seria irresponsabilidade. - ela fez uma cara séria - Você pode dormir aqui se você quiser.
Eu entendi dieito?
Ou minha mãe estava muito feliz por sua filha ter conseguido um namorado e não raciocionava dieito ou ela estava se drogando.
Eu queria acreditar na segunda opção.
Rezei para que não aceitasse e fosse logo para casa e inventei qualquer desculpa para as minhas idéias se concretizarem.
- Mas não temos lugar para deixá-lo dormir e não vai dormir na sala. - falei.
- Você não se importa, não é, ? - minha mãe perguntou.
- Nem um pouco. - ele deu de ombros.
- Você não vai... - comecei.
- Então está certo. - minha mãe disse - Vou pegar um colchão e alguma coberta sua, . - ela começou a subir as escadas.
- Deixe que eu ajudo, sra. . - disse.
- Você tirou a sorte grande, . - minha mãe falou, me fazendo ficar roxa - Mas não precisa, querido.
Caí de costas no sofá e pus uma almofada na cara.
- Você está querendo me irritar, . - falei com a voz abafada.
- Imagine, . - ele respondeu.
- Se você vai ficar aqui, - tirei a almofada do rosto - fique longe de mim.
- Eu sei que você só está fazendo doce. - ele deu de ombros - Mas se você quiser fingir, fecha a porta do quarto. Ou você vai dormir aqui na sala também? - ele sorriu sacana.
- Vocês e suas piadas de quinta categoria. - ri sem humor algum - Vou trancar a porta. Ninguém sabe que tipo de maníaco sexual você é.
- Não duvide. - ele balançou a cabeça. Eu já ia responder, mas logo minha mãe apareceu na escada com um colchão e as cobertas, tentando se equilibrar.
- Eu pego, sra. . - voltou a ser o inocente e subiu a escadas pegando o colchão da minha mãe. Ela desceu as escadas e afastou os sofás e colou o colchão no chão, me deixando forrá-lo em seguida.
- Vou pegar o travesseiro. - minha mãe voltou para o quarto. Olhei para e perguntei:
- Você vai dormir assim? - ele ainda estava vestido como hoje de manhã e nem os tênis ele havia tirado.
- Quer me ver só de boxers, ? - ele quis saber.
- Vá se foder. - falei. Ele riu.
- Vou buscar uma camiseta no carro - ele disse.
- Você sempre carrega outra roupa no carro? - perguntei - Ah, já sei. É só por precaução, certo? Para quando você comer alguma puta e passar a noite na casa dela.
- E pelo visto, funcionou dessa vez. - ele sorriu.
- Não. - retruquei - Porque nada aconteceu e nada nunca vai acontecer entre nós, .
- Tem certeza? - ele perguntou, dando passos largos na minha direção.
- Total certeza. - falei - E se você tentar algo, eu grito mesmo. E dessa vez, alguém vai ouvir. - sorri cínica. Ele bufou.
- Vou pegar a camiseta - ele disse abrindo a porta. Dei de ombros e ele foi lá para fora.
- Onde está o ? - minha mãe apareceu com o travesseiro em mãos.
- Foi no carro pegar outra camiseta. - respondi.
- Vá ajudá-lo - ela disse.
- Ele só foi pegar uma camiseta! - falei inconformada.
- Não importa. Você está sendo uma péssima namorada.
Peguei as chaves e fui até a porta, batendo os pés. Girei a maçaneta e quando o fiz, um vento forte bateu em mim, me fazendo tremer da cabeça aos pés.
- Porra. - murmurei, me encolhendo e abaixando a cabeça. Quando já estava chegando no portão, esbarrei em alguma coisa e caí de bunda no chão.
- Ai. - gemi. levantei a cabeça e vi que só podia ser em que eu havia esbarrado - Por que você ainda não foi buscar a droga da camiseta? - perguntei.
- Porque o portão está fechado e eu estava voltando para pegar a chave. - ele falou como se fosse óbvio, me estendendo a mão. Peguei-a e me levantei, tirando a sujeira da minha calça. Andei até o portão e o destranquei.
passou por ele já acionando o alarme e abrindo a porta de trás do carro. Ele se enfiou lá dentro, procurando a camiseta. Bufei com a demora dele e ouvi o porta-malas se fechar.
- Pronto - apareceu, segurando a bosta da camiseta.
- Finalmente. - reclamei e esperei passar pelo portão. Tranquei-o e fiz o mesmo com a porta, quando entramos.
- Bom, - minha mãe disse quando entramos - já está tudo pronto aqui. Vou dormir, crianças. Boa noite e cuidado. - ela deu um beijo em nós dois e subiu para o quarto. Joguei as chaves por ali e voltei para o sofá, zapeando os canais.
- Onde tem um banheiro para eu me trocar, ? - perguntou ainda em pé. Virei-me para ele e disse:
- Vá para o corredor. A primeira porta é o banheiro.
Ele virou o corredor e eu só ouvi o barulho da porta se fechando.
Minha mãe acharia errado eu deixar um estranho que nunca viera em casa anda por lá desse jeito. Mas ela havia gostado desse estranho e ele era meu namorado, certo?
Aham.
Além do mais, minha mãe não estava em seu juízo perfeito. Como ela pôde deixá-lo dormir aqui?
Quase me arrependi de não querer que dormisse aqui quando ele voltou do banheiro só com a sua camiseta branca e sua boxer preta.
Ele colocou seu tênis e a camisa que estava vestindo no chão e se deitou no colchão.
- Não aguento mais ver filmes. - ele falou, me fazendo perceber que eu ainda o olhava. Pisquei várias vezes e respondi:
- Não reclame. Hoje nada que preste passa na televisão.
- Você tem videogame? - ele perguntou de repente.
- Tenho um Wii. - falei, sem entender.
- Vamos jogar, então. - ele falou se sentando.
- . - eu disse - Muito provavelmente já passou da meia-noite e você ainda tem pique para jogar videogame?
- É melhor do que ver filmes de 1930. - ele se virou para mim.
Pensei nisso por um tempo e levantei do sofá.
- Certo. Só vou trocar de roupa. - falei, indo para cima. Cheguei ao quarto e fechei a porta. Abri uma gaveta do guarda-roupa, procurando uma roupa que prestasse, mas não achei nada.
Espere. Por que eu estava me preocupando com um pijama? Era o que estava lá embaixo!
Revirei os olhos pela milésima vez e peguei uma camiseta cinza e uma calça de moletom. Tirei meu moletom e passei os braços pela camiseta. Joguei o tênis e a calça longe e coloquei a calça. Agora eu estava confortável. Abri a porta e desci as escadas.
- Cheguei. - falei e fiu ligar o videogame. Dei o controle para e começamos a jogar tênis. Juro que não sei como minha mãe não acordou, porque a cada dois segundos falava um palavrão.
- Cansei. - eu falei a . Olhei para o relógio e já eram duas e vinte e seis da manhã. Deitei no colchão e fechei os olhos. Escutei desligar o viedogame e a televisão.
- Eu estou morto. - disse e se aconchegou ao meu lado.
- Vou escovar os dentes. - levantei e me arrastei para o banheiro. Procurei minha escova de dentes e coloquei creme dental nela. Escovei os edntes por um minuto e voltei para o colchão. já estava fechando os olhos, mas eu vi que ele ainda se mantinha acordado.
- Vai dormir aqui? - ele perguntou.
- Estou com preguiça de ir até o quarto. - respondi embolado.
- Quer que eu te leve até lá? - ele se ofereceu.
- Não. - foi o que eu respondi.
Ele se virou e nossos rostos ficaram tão pertos que eu podia contar seus cílios.
- Boa noite, . - ele disse depois de um tempo.
- Boa noite, . - falei e fechei os olhos.
Adormeci ali mesmo. Junto de .

Capítulo 8 - Your secret, our secret

Abri os olhos devagar e praguejei quem havia feito tanto barulho com a porta. Um minuto.
Por que eu havia escutado o barulho da porta se fechando? Do meu quarto eu não podia escutar na...
Mas que merda.
Olhei em volta e vi que eu tava mesmo na sala. E havia dormido com .
Não dormido feito sexo, só dormido mesmo.
Eu estava com a cabeça em seu peito e seu braço envolvia minha cintura. Levantei a cabeça e esfreguei meus olhos, sem saber o que fazer. Acordar ou não acordar?
Acordei.
- Ei, . . - chamei e ele murmurou algo inaudível, voltando a ficar inconsciente - , droga. - comecei a sacudi-lo impaciente.
Ele passou a mão pela testa e abriu os olhos devagar, apertando-os.
- O que foi? - ele perguntou.
- Já são - virei a cabeça e olhei no relógio - 10h da manhã. Acorda.
Ele foi se levantando e eu fui saindo de cima dele até estarmos devidamente sentados. bocejou e passou a mão pelos cabelos, enquanto eu o observava.
- E a sua mãe? - ele se virou para mim e perguntou.
- Acho que saiu. - respondi e dei de ombros.
- E agora? O que vamos fazer?
- Não sei. Acho que vou comer alguma coisa. Estou morrendo de fome.
- Você sempre está com fome. - riu.
- Vai se ferrar. - eu disse, indo em direção à cozinha. Chegando lá, vi que havia uma mesa cheia de coisas que minha mãe nunca comprava quando estávamos somente nós duas.
Tudo isso pelo .
Puxei uma cadeira e apareceu na cozinha, se sentando em frente a mim. Comemos em silêncio até que ele perguntou:
- E o que nós vamos fazer hoje? - se recostou na cadeira.
- Nós? - perguntei e tomei um gole de suco.
- É. Eu não pretendo voltar para casa e ficar chapado hoje. - ele disse e eu ergui as sobrancelhas - Além do mais, você também não parece saber o que fazer.
Dei de ombros.
- Vou ficar em casa.
- Ótimo. - foi só o que ele respondeu.
Levantei da mesa, peguei os copos e os levei à pia. Abri a torneira e comecei a lavar a louça. apareceu do meu lado e começou a enxugar tudo com um pano de prato.
- Pode ir para a sala. Não preciso da sua ajuda aqui. - falei.
- Agradeça por eu estar ajudando. - ele riu e eu revirei os olhos.
- Então fique aí, vou tomar banho. - eu disse e olhei para . Ele deu de ombros e eu subi as escadas em direção ao banheiro, fechando a porta a seguir. Tirei a roupa e liguei o chuveiro, sentindo a água quente cair em mim. Tomei meu banho e me enrolei na toalha, indo para o quarto. Tranquei a porta e abri uma porta do guarda-roupa, pegando de lá um moletom e uma calça jeans. Me vesti e peguei um elástico, prendendo meu cabelo. Calcei meu Crocs e abri a porta, descendo as escadas e indo para a sala, dando de encontro com , que provavelmente saía do outro banheiro, vestindo sua calça jeans.
- Você está gostosa. - ele riu e se deitou no colchão que ainda estava no meio da sala. Eu podia sentir o sarcasmo em sua voz.
- Por que você tem que ser tão babaca? - falei.
- As pessoas gostam. - ele deu de ombros.
- Você quer dizer as garotas como Stacey, não é? - ri sem humor.
- Vai dizer que você não sente inveja dela, . Vai dizer que você não gostou do beijo? - ele perguntou.
- Não. - cuspi as palavras - Foi ridículo.
- Por que você é tão difícil, ? - ele jogou os braços para o alto - Eu sei que você gostou.
Gargalhei.
- Por que você não vai se foder?
- Já contou quantas vezes você disse isso? - ele se sentou - Estou começando a achar que você quer ir também.
- Otário. - virei os olhos - Você acha que você está sempre certo, mas com relação ao beijo, você errou. - falei.
- Ah, é? - ele perguntou, se aproximando de mim.
- É. - cruzei os braços em frente ao corpo. não me intimidava.
- Mentira. - seu hálito soprou na minha face. Ele me encurralou no braço do sofá e riu da minha tentativa de sair dali - Desista, . Eu sei que você se sente atraída por mim. - ele riu mais uma vez e encostou seus lábios nos meus. Senti sua língua pedindo passagem e, involuntariamente, separei meus lábios. Mas depois, com força, mordi seu lábio inferior e saí do sofá.
- Nunca mais tente fazer isso, entendeu? - eu disse e se deitou de costas no sofá e pois a mão nos seus lábios. Sangrava.
- Porra, . Eu sou adepto a um sadomasoquismo ou uma coisa assim, mas precisava ter mordido com tanta força? - ele gemeu.
- Isso é pra você aprender. - respondi e bati os pés em direção ao banheiro. Bati a porta e fiquei em frente ao espelho. Bufei e arrumei meu cabelo e minha blusa meio amassada.
Era estúpido quase ter me beijado. Mais estúpido era eu quase ter gostado.
Quase.
Abri a porta do banheiro e respirei fundo. Passei pela sala direto e fui para a cozinha para terminar a louça, mas chegando lá, não havia nada na pia.
não podia ter feito isso. Nem ferrando.
Grunhi e voltei para a sala. Liguei a televisão e me deitei no sofá em frente ao que estava. Ficamos em silêncio, só ouvindo o barulho da televisão, até que eu o quebrei.
- Está doendo muito? - perguntei e mordi meu lábio inferior de leve. Quase ri. Quase.
- Não. - ele respondeu, simplesmente.
- Desculpe. - murmurei, envergonhada.
- Tudo bem. - ele se virou para mim e tirou a mão da boca - Já está melhor, está vendo?
Olhei para sua boca e fiz uma careta, fazendo rir.
- Vamos sair? - ele perguntou, sério de repente.
- Para onde? - eu quis saber.
- Sei lá. Vamos andar por aí. Se veste. - ele disse, se levantando e pegando seus tênis. Subi as escadas e peguei uma meia e meu New Balance branco. Desci com os dois na mão.
- Terminou? - ele perguntou, de pé. só havia colocado seus tênis e, bom, ele já estava perfeito.
Eu não disse isso, ok?
- Pronto. - dei um laço no tênis e me levantei, indo até a porta com . Tranquei a porta, fazendo o mesmo com o portão, e saimos andando.
- Onde nós vamos? - perguntei, chutando uma pedrinha.
- Para o parque. - eu levantei a cabeça e ele sorriu. Andamos até o parque e sentamos em um banco de madeira, observando as pessoas que passavam por ali. Um vento frio passou por nós e eu tremi.
- Cacete. - gemi. olhou para mim e passou os braços pelos meus ombros, me aquecendo. Deixei a cabeça cair um pouco para o lado e bocejei - Obrigada.
- Disponha. - ele respondeu.
Era impessionante como em um minuto estávamos brigando e, no outro, estávamos assim.
Depois de alguns minutos, eu continuava observando as pessoas chegando até que eu percebi um casal ao longe, embaixo de uma árvore, rindo e abraçados. Eles não me eram estranhos.
Porra. Um casal?!
Arregalei os olhos e levantei a cabeça, me virando para .
- O que foi? - ele perguntou. Me virei para frente e seguiu meu olhar. Ele apertou os olhos e depois fez uma cara incrédula para as duas pessoas.
- e . - suspirei.
- Puta que pariu. Eu nunca pensei que os dois pudessem ficar... juntos. - escolheu as palavras com cuidado - Será que alguém sabe? - ele perguntou.
- Não. - respondi, segura.
- Será que eles vão contar pra alguém? - disse.
- Até parece. - bufei.
- Por quê? - ele perguntou, inocente.
- , - encarei-o - as pessoas já estão comentando porque eu e você estamos "namorando". - fiz aspas no ar - Agora imagine se eles descobrissem que mais dois estão juntos. Não ia prestar. - suspirei. Ele pareceu pensar por um tempo e assentiu - Agora vamos. Não é bom que nos vejam aqui. - levantei e fez o mesmo. Demos a volta no parque para que e não nos vissem. Quando já estávamos longe do parque, parou e perguntou:
- Mas nós vamos contar que os vimos? - ele pôs a mão em minha cintura e eu não a tirei de lá.
Inclinei a cabeça e respondi:
- Por enquanto, não. Vamos ver no que isso vai dar.
E que, por favor, isso tivesse algum resultado bom.


Capítulo 9 - Isso é apenas um jogo. Certo?

- Finalmente. - revirei os olhos e joguei meu material de Artes na mochila.
Artes. Por que nós aprendemos isso mesmo?
- Lixo. - reclamou e nós deixamos a sala, indo para o pátio para encontrarmos e - Da próxima vez, eu não faço aula.
- Pensando em cabular, não é? - apareceu do nada e deu um susto em e em mim - Achei que nerds não faziam isso.
Bufei e mudei de assunto.
- O que você está fazendo aqui? Você não tinha Educação Física agora?
- Diretoria. - ele respondeu - A diretora queria ter uma palavrinha comigo, se é que vocês me entendem. - ele sorriu, sacana.
- Você é nojento. - fez uma careta e riu.
- É brincadeira. - ele ficou sério - Ela perguntou se eu havia enchido as privadas com papel higiênico.
- Que infantil. - eu disse - Mas foi você? - ergui as sobrancelhas.
- É claro que não. - revirou os olhos - Até parece. - ele disse, mas já não parecia tão sério.
Avistamos os outros, que conversavam bem animadinhos, e fomos até eles. Prontifiquei-me ao lado de e lhei dei um olhar siginificativo. Imediatamente, nos viramos para e , que pareciam meio envergonhados.
Era verdade então.
Isso era muito estranho, sério.
- Vocês sabiam que entupiu os banheiros? - riu.
- Não acredito que foi você! - apontou para ele, acusatoriamente.
- Mas, ... - comecei, mas ela me interrompeu.
- Era o banheiro feminino! - ela gritou - Você não sabe o quão apertada eu estava!
Todos nós começamos a rir de , até que eu comentei:
- Opa. Você não tinha dito isso, .
- O que eu posso dizer? Culpado. - ele deu de ombros.
- Nós podemos ir? - perguntou - Eu estou morrendo de fome.
- Bicha. - disse e nós rimos.
Seguimos até a mesa mais afastada e nos sentamos. Peguei um pacote de bolacha na mochila e quando pus uma na boca, Chris, um popular cretino, metido a besta, se aproximou de onde estávamos.
Bem babaca, Chris era sempre visto bêbado ou cheirando algo. Só pela sua cara, eu diria que ele havia bebido um pouco a mais.
- E aí? - ele perguntou, sentando-se. As meninas e eu viramos os rostos para ele, enquanto , , e o cumprimentavam - Ei, cara. Me contem o que está acontecendo. - Chris suplicou.
- O quê? - se pronunciou.
- O que está acontecendo entre vocês e as...
- Nerds? - falei - Se você nos chamar assim, arrebento sua cara. - Chris arregalou os olhos e levantou as mãos.
- Certo, certo. Mas qual é a de vocês?
- Eu e estamos juntos. - respondeu.
- Mas e vocês? - Chris apontou para os outros - Também estão namorando?
- Não - interrompeu - Só eu e estamos juntos.
- Velho... Eu nunca imaginei isso. - Chris refletiu - Pensei que você gostasse de garotas como Stacey. - ele sorriu malicioso. Olhei para e já sabia sua resposta. Ele ainda preferia garotas como Stacey.
Mas eu não devia me preocupar, não é?
Só que ao invés disso, ele disse:
- Prefiro a . - mas ele tinha que falar merda - Enjoei da Stacey.
- Boa sorte com essa aí, então. - Chris se levantou e eu fiz uma careta - Mas só não esqueça que nós não somos tão parecidos assim. - ele disse e saiu andando.
- Cretino. - disse.
- E se preparem. - apontou para todos nós - Da boca de Chris Bates, só sai merda.
- Por enquanto, nós não precisamos nos preocupar. - falei. Peguei meu celular no bolso do meu moletom da Gap e sem querer o deixei cair. Abaixei para péga-lo e de repente parei.
Só podia ser brincadeira!

:

- Porra. - murmurei quando recebi um chute embaixo da mesa.
- O que foi? - perguntou, toda inocente, enquanto voltava a se sentar na mesa. Mas aquela carinha não me enganava. era má, muito má, e tinha algo muito errado - Agora meu celular está todo riscado. - ela disse indiferente. Então aquele sinal filho da puta tocou mais uma vez e eu dei um pulo de uns sessenta centímetros no banco.
- Educação Física. - murmurei para quando ele fez um sinal com a cabeça. A mesma aula de .
- Estamos indo. - disse e fez um sinal para que eu ficasse sentado onde eu estava. Eu fiquei, afinal, vai saber o que ela faria se eu não a obedecesse?
Viadinho.
- É. - eu concordei.
- Nos vemos na saída. - falou para e cada um foi para sua sala.
- Quando eu fui pegar meu celular, - começou a falar quando todos já haviam saído, sem nem mesmo eu perguntar - eu vi duas mãos brincando embaixo da mesa, fazendo, sei lá, cócegas.
- Tá. - eu murmurei, olhando bem para a cara dela - E daí?
- Meu Deus, . Eu sabia que você era burro, mas nem tanto. - ela revirou os olhos - Pensa. Quem nós vimos ontem? - ela perguntou e eu pensei por um instante. Respondi então, todo feliz pela minha conclusão:
- Quer dizer que virou um relacionamento sério? e ... - eu ri.
- Foi o que eu pensei, mas eles não estavam sentados ali. - levantei a cabeça e olhei com dúvida - É isso mesmo que você está pensando.
- Então quer dizer que... - eu comecei, mas ela me interrompeu.
- Eles estão levando isso a sério demais. - ela suspirou.
- Quem? - perguntei, todo curioso.
- e . - ela respondeu.
- Hm... Sério? - eu disse, porque isso era bem... do mal.
sacudiu a cabeça e perguntou:
- Contar a eles ou não contar? - ela mordeu o canto dos lábios - Eis a questão.
- Não. - eu dei de ombros - Se ficar sério demais, e se eles confiarem na gente, eles mesmos vão contar.
- dando uma de conselheiro amoroso? - perguntou e riu - Cada dia você me surpreende mais.
- Eu posso te surpreender ainda mais, docinho. - falei, todo sedutor para ela. O que não deu muito certo, eu acho.
Ela riu debilmente e eu fiz o mesmo. Era legal ficar com porque, sei lá, ela era diferente das outras garotas.
Bem diferente, se você pestar bem atenção nas roupas e no jeito dela, mas você entendeu o que eu quis dizer.
Ela era legal e não daria gritinhos de nojo se alguém arrotasse perto dela. era demais.
E que bom que ela não dava gritinhos.

:

riu. E era a risada mais linda que eu já havia visto.
E eu?
Parecia uma besta.
- Então não vamos falar nada. - eu disse, tentando desviar dos olhos de .
- Isso. Vamos esperar. - ele falou e depois ficamos sem saber o que dizer.
Um silêncio desagradável, até que eu gritei:
- A aula! - e peguei minha mochila, indo para o vestuário.
- . - chamou - Já se passou uma porrada de tempo, você ainda vai fazer Educação Física? - ele perguntou.
Pensei por um momento e respondi:
- Mas não podemos ficar aqui.
- Vamos para o outro pátio, então. - ele disse.
Seguimos até lá em silêncio, com cuidado para que ninguém da diretoria nos visse fora da aula. Chegando lá, colocamos nossas mochilas no chão e me deitei na grama gelada. se sentou ao meu lado.
- Minha mãe adorou você, sabia? - revirei os olhos. Depois que tinha dado uma "passadinha" em casa, ela só sabia falar dele. O quão bonito ele era, o quão educado, a sorte que eu tinha e quando ele ia voltar.
Aham, senta lá.
riu e respondeu:
- Eu também gostei dela. Diz pra ela que eu não vou demorar pra voltar. - ele parou por um segundo e continuou - Por que você não admite que gostou quando eu te beijei? - me olhou, com um sorrisinho no canto dos lábios.
- Porque eu não gostei. - falei. Eu me divertia vendo tentando me fazer mudar de idéia. Mas ele estava enganado se achava que isso ia acontecer.
- Escute o que eu vou te dizer, . Você vai estar aos meu pés log... - ele começou, mas eu o interrompi.
- Acho que já escutei isso antes, . E acredite: não vai acontecer. Agora, vamos mudar de assunto.
Ele pensou por um minuto e disse:
- Meus pais chegam no próximo fim de semana.
- E você não me avisou? - sentei-me num pulo. Filho da puta.
- Você me avisou no mesmo dia que eu ia conhecer sua mãe. Eu devia fazer o mesmo com você. - ele reclamou.
Bufei.
- Não seja infantil, .
- Eu não estou sendo. - ele retrucou, mas depois de alguns segundos, estupidamente, ele começou a rir.
- Você é idiota? - perguntei nervosa.
- Não, mas sabe o que isso parece? - ele disse, sentando-se na grama.
- O quê?
- Uma "discussão de relacionamento" - riu, escandalosamente.
Ele só podia estar tirando uma com a minha cara. Nem um casal de verdade nós éramos. Mas dadas as circunstâncias...
Ri um pouco da estupidez de e falei:
- Agora, chega. E o que eu vou ter que fazer para os seus pais? - suspirei. Isso estava ficando mais difícil do que eu pensava. Mas eu devia pensar na minha mãe, certo? E agora, também havia e .
Eu não podia fazer alguma merda que os deixasse em uma situação ruim, por mais que eles achassem que eu não tinha coração.
- Eles vão fazer um jantar em casa. Não vai ser nada de mais.
- Certo. - deitei-me ao seu lado.
- Ei. - disse de repente - Amanhã vamos ensaiar em casa. Você vai?
- Se eu for, vou levar as meninas. - avisei.
- Os viadinhos do e do provavelmente já devem ter as chamado para ir.
Ri.
- Quando sairmos daqui nós vamos, então. - ele disse.
Dei de ombros e vi que me olhava com aquele sorrisinho nojento no rosto.
- O que foi? - perguntei, achando que ele ia rir porque tinha alguma coisa no meu rosto ou algo do tipo, mais ele só foi chegando mais perto, como da última vez em que ele tentou me beijar.
- Nem tente, . - avisei. Eu já estava ficando muito puta com essas babaquices.
- Cale a boca só uma vez, . - ele ficou por cima de mim e eu fiquei presa entre seus braços.
Revirei os olhos.
- Se alguém chegar e ver essa cena vou te acusar de estupro. - eu disse.
- Você não teria coragem. - ele me desafiou.
Abri a boca e quando ia gritar sei lá para quem, selou nossos lábios.
Eu tinha que admitir que ele beijava bem, mas ele continuava a ser o estúpido , não é?
Ele mordeu meu lábio inferior e, por impulso, abri a boca e dei passagem à sua língua. Empurrei-o com as duas mãos, mas ele era mais forte e mal se levantou, até que nós escutamos o som estridente de saltos batendo no chão e nos levantamos. Peguei minha mochila do chão e, sem saber o que fazer, fiquei parada sem fazer nada, até que me puxou e corremos na direção contrária dos passos. Chegamos em frente ao vestiário feminino e ele exclamou ofegante:
- Foi por pouco.
Eu me virei para ele e gritei irritada:
- Realmente, foi por pouco. Imagine se nos vissem ali? Imagine se eu tivesse levado uma advertência! E tudo isso porque... você... tentou... me... beijar!
olhou para mim e disse, chegando mais perto:
- Você gostou, não minta, .
- , - falei entre dentes - desista dessa ideia, idiota. E sai. Não quero que as pessoas pensem que eu sou tão besta a ponto de me agarrar com você na escola.
- E fora da escola? - ele me perguntou - Ninguém precisa saber.
- Vai se foder. - e nessa hora, o sinal bateu e eu pude ver os corredores se enchendo. Vi , e correrem em direção ao vestiário para me esperarem.
Dei um risinho para e fui para o vestiário, só para ter certeza de que eu não tinha capim no nariz ou qualquer coisa do tipo. Saí e andei para perto das minhas amigas, mas antes me virei para e disse:
- Saia de perto do vestiário feminino, . Podem pensar que você estava comendo alguém. - e corri, ainda escutando-o xingar baixinho.
Que só não pensassem que ele havia mais do que me dado um beijo. E que beijo.
Ok, sem essa, .

Capítulo 10 - Sua casa, minha casa

25 minutos. Mais 25 minutos vendo Richard Gere e Julia Roberts na sua história de amor em "Uma Linda Mulher".
Esse filme era um clássico, desde 1950, pelo menos. Além do mais esse não era lá um filme muito educativo. Todos sabiam que a professora Gardner era meio pervertida, mas escolher um filme em que a Julia Roberts fazia uma prostituta era... Bom, pegou pesado.
Olhei no relógio e fiz a conta. Mais 23 minutos de Inglês.
Atrás de mim, batucava insistentemente na mesa, , que estava mais atrás, cochichava com e os outros conversavam ou simplesmente dormiam.
Maldita aula.
Vi um pedaço de folha de caderno cair sobre a minha mesa e olhei para , que estava ao meu lado, e ela fez um sinal para eu abri-lo.

Animada?

Era o que estava escrito.

Para quê?

Dobrei o papel e joguei para de volta. Ela abriu e leu, entregando-o para , que estava atrás dela. Ela revirou os olhos e escreveu algo, passando o papel para . Ela só leu e me entregou o papel. Abri-o e li.

Para conhecer a casa dos perdedores.

Perdedores pelos quais vocês estão apaixonadas, eu senti vontade de acrescentar. Ao invés disso, dobrei o papel até um quadradinho pequeno e falei para que só as minhas amigas ouvissem:
- Nem um pouco.
Todas elas reviraram os olhos para a minha falta de entusiasmo e eu só dei de ombros. Olhei para o relógio. Só mais alguns minutos.
Espreguicei-me e guardei meu estojo e meu caderno dentro da mochila. Olhei para , que estava dormindo na carteira, e dei um sorriso. Ele ficava tão bonitinho assim. Fiquei perdida em pensamentos até a professora Gardner desligar o vídeo e acender a luz, fazendo com que várias pessoas acordassem e, provavelmente, se perguntassem onde estavam. Inclusive .
- Até a próxima aula, classe. E não se esqueçam que eu farei perguntas sobre o filme. - a professora Gardner disse, saindo da sala.
- Cara... Eu estou cansado. - disse e bocejou.
- Você foi um dos que dormiram. - retrucou e todos nós rimos.
Ouvi a voz de Jennifer chamar por e eu me virei já com o intuito de arrancar seu cabelo estúpido fio por fio.
- Onde você vai hoje, ? - ela perguntou, passando a mão pela camiseta dele.
- Desculpe, Jenny hoje ele vai sair comigo. - puxei pelo braço tão bruscamente que eu pude sentir algo estralar - E ele não tem dinheiro para gastar com você. - sorri cínica.
Vadia.
- Ele gastou com você, por acaso? - Jennifer fez bico.
Continuei com o sorriso no rosto e respondi fria:
- Na verdade, não. Mas quer saber? Mesmo se tivesse gastado, teria sido com coisa melhor que você.
Ela rangeu os dentes e saiu rebolando para fora da sala com suas coleguinhas.
- Nossa, , você parece uma namorada ciumenta. - disse, franzindo o nariz.
Senti meu rosto esquentar e para desviar desse assunto, perguntei a :
- Quantas mais iguais a ela vão aparecer, ?
- Não se preocupe, . Você é a única. - ele me abraçou por trás.
- Você está me chamando de vagabunda? - perguntei, não sentindo a menor vontade de tirar os braços dele da minha cintura.
Hormônios cretinos.
- Ao contrário. - ele deu um meio-sorriso.
Todos começaram a falar coisas fofinhas e melosas, até que eu os interrompi.
- Calem a boca. Vamos logo.
Eles assentiram, mas continuaram com as brincadeirinhas até chegarmos ao portão da escola.
- Vocês vieram de carro, não vieram? - perguntou, olhando para os lados, procurando pelos carros.
- Na verdade... não. - respondeu, meio preocupado.
- Então, nós vamos andar doze quarteirões? - falei. Eram quarteirões para caramba.
- Vamos. Não são tantos. - falou, já caminhando.
- Aham. - disse, com sarcasmo. Uma hora ou outra, as meninas reclamvam e os meninos as mandavam parar de frescura. Mesmo assim, pegou a mochila de e a deixou sem nada para carregar.
- Chegamos. - falou, quando paramos em frente a uma casa branca bem grandinha, por sinal.
- Vocês moram aqui? - perguntou, olhando embasbacada a casa.
- Foda, né? - ele sorriu para ela. Eu e nos entreolhamos.
- É claro. É um zilhões de vezes maior que a minha. - ela respondeu e foi direto para a porta da casa. abriu a porta, já destrancada, e revelou um chiqueiro.
Isso mesmo. A casa estava um lixo.
Eu e as meninas torcemos o nariz para todas as latas de cerveja e as roupas que estavam espalhadas por todos os lugares. Eu não duvidava que se olhássemos em baixo dos sofás ou das camas, encontraríamos algumas prostitutas.
- Meu Deus, vocês nunca limpam isso, não é? - dei voz aos meus pensamentos e me sentei em um sofá lotado de roupas.
- Você diz isso porque nunca viu o quarto do . - riu e se sentou no chão, fazendo os outros imitarem-no sentando-se em vários lugares da sala.
- É bem melhor que o seu ou o do , imbecil. , muito viadinho, sempre deixa o quarto dele bem arrumadinho. - zombou.
- Eu só não quero uma cueca como travesseiro que nem vocês. - retrucou.
Eu e as garotas rimos e os meninos começaram a jogar as almofadas e as roupas que encontravam em , chamando-o de viadinho.
Será que eles faziam isso todos os dias?
Bem... Sei lá.
procurou o controle pelos buracos do sofá e ligou a TV, onde passava um clipe do Nirvana.
Nós ficamos sem fazer nada na sala, até que os garotos avisaram que iriam ensaiar e nós fomos juntos.
Subimos as escadas e abriu a porta de um quartinho tão pequeno que eu não sabia como aqueles instrumentos cabiam ali. Duas guitarras, um baixo e uma bateria, além de três microfones nos pedestais.
- Como vocês cabem aqui? - deu voz aos meus pensamentos. Olhei para os lados e vi que - ainda bem - havia uma janelinha à direita. O cheiro de suor de quatro garotos com hormônios à flor da pele não é lá muito legal.
- Você não sabe o quanto nós queremos aumentar isso. - disse, indo para o seu lugar.
- Mas nossos pais disseram que já gastaram dinheiro demais. - deu de ombros.
Meu Deus, é claro que eles já haviam gastado um bom dinheiro! Era só olhar o tamanho dessa casa! Eu só queria saber no que os pais deles trabalhavam para conseguir tanto dinheiro e onde os McLosers queriam enfiá-lo.
- Certo. Nós vamos começar. - disse, remexendo-se todo, parecendo nervoso.
Eu e as garotas nos apertamos no chão, em frente aos garotos, e esperamos.
suspirou nervosamente e assentiu para os outros. Eles começaram os acordes de That Girl, que eu já conhecia.
Além de já terem tocado essa música em um baile no ano passado, ela estava no MySpace deles.
Eu só havia visitado aquela porcaria de MySpace uma vez, está bem?!
Voltei a me concentrar na música e quando me virei para , pude ver que ele me olhava.
Sustentei seu olhar, achando que ele ia desviá-lo, mas ele só continuou olhando. Comecei a ficar incomodada e tentei me concentrar em qualquer coisa daquela sala, até que ouvi a última nota e vi que a música tinha acabado. Eles não deram nem um segundo e já começaram a tocar Memory Lane. Ficaram nesse ritmo por pelo menos uma hora, até que o cheiro de suor dos garotos preencheu a sala. Eles largaram os instrumentos e passaram a mão na testa, respirando fundo, pegou um maço do bolso e quando ele ia acender um cigarro, eu falei:
- , olhe para o tamanho dessa sala. Nós estamos em oito pessoas e eu ainda tenho que sentir o cheiro do seu suor. Se você acender esse cigarro, nós muito provavelmente iremos morrer.
- Podemos ficar só nós dois, se você quiser. - ele disse e riu.
Depois de todo o meu discurso, ele só havia entendido metade do que eu havia falado.
É, talvez ele fosse mesmo tão burro quanto eu pensava que era.
- Bom, eu não sei vocês, mas eu vou lá para fora. - disse e abriu a porta. As garotas desceram atrás dele e antes que eu pudesse ficar naquela sala sozinha com , levantei-me e desci com ele em meu encalço. Fomos para o fundo da casa, revelando uma churrasqueira e uma piscina. Sentamo-nos ao lado da piscina, e de repente surgiu com um sorriso no rosto e duas garrafas de uma vodka barata nas mãos.
Bom, pelo menos eu sabia um dos lugares onde eles enfiavam o dinheiro.
Ele e abriram as garrafas e deram um grande gole, passando-as para os outros. Depois de beber um pouco da vodka, me passou a garrafa e eu resolvi beber um pouco. Senti o líquido queimar minha garganta de tão ruim que era e pigarreei, dando a garrafa para . Ficamos nesse rodízio até que eu percebi que todos já começavam a rir sem motivo e já falavam embolado depois de quatro garrafas. Na minha vez, recusei a vodka e as meninas fizeram o mesmo.
- Nem mais um pouco? - perguntou.
Olhei para cima e já vi que estava escurecendo. Hora de sair dali.
- Para mim, não. Tenho que ir. - eu me levantei.
- Eu também. - , e falaram em uníssono.
- Já? - os meninos perguntaram.
- Aham. - eu respondi.
- Deixe que eu te leve, então. - se levantou todo cambaleante e colocou as mãos no bolso da calça, à procura das chaves.
- Eu vou de táxi. - respondi, entrando na casa e procurando minha mochila.
- Até parece. Vamos. - ele entrou junto, com as chaves em mãos já.
Suspirei. Era só uma carona. Além do mais, minha casa não ficava tão perto.
- Certo. - concordei - Mas e as garotas? - perguntei.
- e os outros irão levá-las. - ele respondeu. Óbvio.
Saímos da sala e fomos em direção à garagem, onde os outros já estavam. Despedi-me de cada um deles e entrei no carro de , saindo da garagem a seguir.
Fomos pelo mesmo caminho - que parecia ter decorado - em silêncio. Ele olhava atentamente o trânsito à sua frente e eu me recostei no banco, relaxando e fechando os olhos.
Eu estava botando minha vida nas mãos de um garoto de dezessete anos, então era melhor rezar.
Depois de alguns minutos, ouvi o som do motor sendo desligado e me chamando.
- Vamos. - ele disse e eu saí do carro num pulo.
Ele me acompanhou até o portão e eu o abri. Quando me virei para dizer pelo menos um "Obrigado, eu acho", minha boca colidiu com a de num selinho rápido e no mesmo instante eu me afastei. Ele sorriu calmamente e disse:
- Boa noite, .
- Boa noite, . - respondi e o vi entrar no carro e voltar pelo mesmo caminho.
Toquei meus lábios e sorri abobalhada enquanto fechava o portão.
As despedidas de estavam sempre sendo as boas partes.
Talvez, nem só as despedidas.

Capítulo 11 - I'm starting to fall in love...

- Você não gosta nem um pouquinho, um pouquinho dele, ? - me perguntou novamente, enquanto ela tentava se enfiar em uma calça jeans estilo olhe-para-a-minha-bunda-nessa-calça-super-apertadinha.
- Não - respondi pela milésima vez.
Inferno!
- Duvido. - falou se jogando na minha cama. - , eu te conheço desde a primeira série quando você ainda fazia xixi na calça com medo de filme de terror. Você não me engana. - ela olhou para mim.
- Nem a mim. - disse sentada no chão e arrumando o cabelo.
É, os McTrouxas mudaram minhas amigas.
Olhei para as três e respondi, dando de ombros:
- Talvez. - mas antes que elas pudessem falar qualquer coisa sobre eu estar loucamente apaixonada por , completei: - E falando nele, onde estão todos? Já são duas horas da tarde!
Eles só podiam ter ficado chapados e esquecido o paintball, que tinha sido marcado para 2 horas! Eu sabia que nós não devíamos confiar naqueles otários!
Mas alguém me escutou?
Ah, é isso mesmo. Paintball.
Eu não ia concordar quando veio como uma cadela no cio dizendo que havia achado um lugar para jogar paintball, mas então minhas amigas ficaram tão felizes e bestas que concordaram na primeira e me obrigaram a ir também. Agora, nós ainda estávamos no meu quarto esperando por eles.
E eu ainda tenho que ver minhas amigas se vestirem como vagabundas para impressionar três dos quatro babacas.
era um bom exemplo. Quando eu iria imaginar que ela trocaria se estilo punk-desleixado e suas argolinhas na orelha por um punk-arrumadinho e com gloss?
Mas alguém me escutou?!
Então, enquanto eu tentava colocar uma das minhas argolinhas de volta na orelha, escutamos duas buzinas do lado de fora e fomos para a janela ver se eram mesmos os babacas buzinando. Finalmente!
Peguei meu celular, dinheiro e todo o resto e corri para baixo, com as garotas junto. Peguei um papel deixei um recado para a minha mãe, por mais que eu já tivesse avisado para onde ia.
Fechei a porta e depois o portão, deparando-me com a imagem de um muito... arrumado.
Mas que merda, Deus! O que eu fiz de errado?!
Ele jogou o cigarro no chão, pisou com a sola de seu All Star nele e então sorriu. Desconfortável, olhei para as minhas amigas e elas estavam conversando freneticamente com os garotos.
Bufei.
- Desculpe interromper a troca de olhares aí, mas que tal nós irmos logo? - disse e se virou para e eu. Nós dois mostramos o dedo do meio a ele e eu revirei os olhos.
- Vamos. - dei de ombros e quando fui entrar no banco de trás do carro, foi para lá junto com e me apontou o banco da frente. Revirei os olhos pela centésima vez e me sentei no banco da frente ao lado de , enquanto gritava que ela e iam no outro carro com e . ligou o carro e foi em direção à avenida.
- Onde fica? - perguntei a ele, que desviou os olhos do trânsito e sorriu:
- Perto do parque. Do outro lado da cidade. - e continuou - O filho da puta do escolheu o mais longe.
- Cara, aquele é o melhor. - se apoiou no encosto do banco e replicou.
- Espero, porque você vai me pagar toda a gasolina que eu tô gastando com isso. Agora encosta nessa porra de banco porque eu não tô enxergando nada. - falou, olhando a esquerda e a direita do cruzamento e acelerando. O carro de trás buzinou e mostrou o dedo do meio pela janela e riu. O carro buzinou mais uma vez e eu e olhamos para trás, vendo que o carro atrás era o de .
Arruaceiros.
Inclinei-me no banco e liguei o rádio, caindo em uma estação em que tocava Green Day.
- And there's nothing wrong with me. - arrisquei "Jesus of Suburbia", quando vi que seus últimos acordes haviam sido tocados.
- This is how I'm supposed to be. - olhou para mim e sorriu.
Maldita voz, maldito sorriso!
- In a land of make believe. - cantou bem alto, fazendo todos rirem.
- Who don't believe in me? - nós quatro terminamos e suspiramos. Bandas como Green Day faziam falta.
Um pop bem ruinzinho que provavelmente era das babacas das Spice Girls começou a tocar e eu desliguei o rádio imediatamente. dirigiu por mais alguns minutos e então chegamos em um lugar que mais parecia um campo de batalha do que de paintball.
É sério.
Passamos pela cancela que havia ali e eu olhei pelo retrovisor, vendo que o carro de estava logo atrás. Estacionamos em uma das vagas perto da recepçãozinha que havia ali e eu desci do carro, batendo a porta com força. Encostei-me no porta-malas, esperando os outros descerem do outro carro e acionou o alarme, indo para a recepção. Nós os seguimos e esperamos até que um homenzinho saltitante num uniforme bem gayzinho apareceu e nos atendeu.
- Sessenta libras cada. - ele falou em um tom alegre, mas um pouco irônico também.
Babaca.
Os garotos tiraram as carteiras dos bolsos e eu e as garotas começamos a contar nosso dinheiro.
- Lá se vai minha mesada. - suspirou e pôs as notas em cima do balcão.
- Não se preocupe. - disse e ela sorriu.
- Nós iremos pagar. - completou e ele e os outros garotos colocaram suas notas no balcão e devolveram as das garotas, que só sabiam suspirar.
Um dos primeiros sinais de gentileza dos McGays. Inacreditável!
Como eu não sabia se alguém pagaria por mim, coloquei as sessenta libras em cima da mesa, mas as devolveu para mim e disse:
- Nós já não dissemos que vamos pagar?
- Não precisa. - dei de ombros.
- Já paguei. Vamos. - nós o seguimos até a porta da recepção e percebemos que nos dois lados haviam lugares para colocarmos aquelas roupas e todas as frecuras para aquelas bolas de tintas não nos acertarem em cheio e nos debilitarem.
Eu, , e seguimos para o lado direito e os garotos para o esquerdo para nos trocarmos.
- Legal da parte deles pagarem para a gente. - disse enquanto colocava por cima da roupa uma roupa que mais parecia vindo de um soldado.
- Foi ótimo, porque eu não tinha dinheiro suficiente. - riu.

- Estou pronta. - disse afofou sua roupa. - Vamos?

- Pronto. - terminei de amarrar meu tênis e nós fomos para fora, onde os garotos já nos esperavam.
- Segurem. - falou e nos deus aquelas armas nem tão falsas assim. - Elas já vêm com as balas. - ele ficou animado.
- Bolas. - eu corrigi e percebi que aquilo não havia soado como eu queria. - Balas, certo.
- Certo. - assentiu. - Vamos começar? - ele mirou sua arma em e sorriu. Ela ficou totalmente vermelha e eu revirei os olhos.
- Vamos mais para lá. - apontou para o campo de execução e nós todos fomos até lá, separando-nos a seguir.
- Já! - eu escutei gritar de algum lugar e percebi que aquela brincadeira machucaria para cacete.
Só sei que eu comecei a correr. Corri por entre os galhos e folhas e quase caí de cara no chão. Eu estava tentando entender como aquela arma funcionava, até que eu escutei algumas folhas sendo pisoteadas. O barulho foi ficando mais alto e, desesperadamente, eu tentei de todos os jeitos fazer a arma funcionar, até que o dono dos passos apareceu e eu me encolhi para ser acertada, mas nada aconteceu. Então eu percebi que estava fuçando a arma como eu estava e comecei a rir. Ela percebeu que eu estava ali, rindo do jeito que ela mexia naquela arma, e começou a rir também.
- Você sabe como isso funciona? - ela perguntou, mexendo em todos os lugares possíveis daquela coisa.
- Ainda não. - eu ri novamente e sem querer apertei o gatilho da arma, que antes não havia funcionado, e uma mancha amarela apareceu na grama à minha frente. Sorri para . - Aprendi.
Ela se enfiou por entre as árvores e eu mirei bem nas suas costas, acertando-a.
- Caralho, como dói! - ela gemeu e se virou para mim com cara de dor. - Otária. Não pense que vai ficar assim. - ela levantou a arma e mirou bem no meu braço, acertando-o e deixando com uma mancha vermelha. Eu nem queria saber como havia ficado meu braço por baixo de toda aquela roupa de soldado.
Quando eu fui acertar de novo, nós ouvimos alguém chegando mais perto e corremos na direção contrária. E acredite, foi assim o dia inteiro até que eu comcei a ficar cansada e gritei que estava desistindo do jogo, indo para o meio do campo. Eu já estava cheia de folhas no cabelo e minha roupa estava totalmente manchada de todas as cores possíveis. Sentei-me no chão, toda dolorida, e esperei alguém chegar. Nem um minuto depois, , pior do que eu, chegou e se largou no chão.
- Ai. – ela choramingou e pôs a mão em cima da barriga. - Doeu. Muito.
Concordei com a cabeça e, depois de um tempo, os outros foram chegando aos poucos, um mais sujo que o outro. , que havia acabado de chegar, tinha uma mancha verde na bochecha. Ai.
Então, depois de pelo menos quinze minutos em silêncio agradável, levantou a cabeça e disse:
- Quantas vocês ainda têm?
- Duas. - , que estava ao seu lado, respondeu.
- Quatro. - falei.
- Três. - falou e os outros concordaram. Tom se levantou e falou:
- Vamos terminar esses e vamos embora dessa merda logo.
Nós demos de ombros e nos levantamos, indo para direções contrárias.
- Já! - ele repetiu e o estúpido jogo recomeçou.
Dessa vez, ao invés de ficar parada, comecei a andar por entre as árvores. Eu podia até escutar alguém pisar nas folhas secas e algum palavrão vindo de alguém que estava sendo - mais uma vez - acertado.
Parei e me encostei em uma árvore. Escutei alguns passos e, não querendo chegar em casa com mais hematomas, levantei aquela arma idiota e esperei. De repente, um mais sujo que antes apareceu, olhou para mim e riu.
- Não se preocupe, eu não vou te acertar.
Soltei aquela arma e ele a pegou de mim, jogando-a no chão junto com a dele. Ergui as sobrancelhas.
Ele foi se aproximando e eu cruzei os braços em frente ao corpo, com a maior - penso eu - cara de assassina de todas.
- O que você pensa que está fazendo, ? - eu perguntei. Ele e suas tentativas já estavam me deixando muito irritada.
- Cale a boca, . - ele parou em frente a mim e me prensou contra a árvore. - Por um minuto. - beijou minha bochecha.
- Chega, . - eu tentei empurrá-lo, mas ele me apertou ainda mais contra a árvore. - Vai se foder. - xinguei e revirei os olhos.
- , por favor, fique quieta. - ele colocou uma mão na minha cintura e a outra apertou meu braço esquerdo. Ele chegou com o rosto bem perto do meu e eu podia sentir minha respiração se misturando com a dele. Eu aproximei nossos rostos até não haver mais nenhum espaço separando-os e, por impulso, fechei meus olhos. A próxima coisa que eu senti foi a boca de se encostando à minha e a língua dele tocando meu lábio inferior, pedindo passagem.
Meu sangue já fervia, minhas pernas doíam e eu não sabia o que fazer. E o pior era eu estava mesmo gostando.
Eu estava um pouco enojada e excitada. Não que eu quisesse rolar na cama com ele, mas eu estava gostando do que estava acontecendo.
E, aparentemente, também não tinha nenhuma objeção.
Era um sensação... legal. Eu não era um expert, PhD, em beijos e nunca pensei que um dia eu beijaria , mas já que aquilo estava acontecendo, eu iria me divertir.
Separei meus lábios e a língua de se encostou à minha. Ergui-me um pouco para ficar na altura dele e percebeu. Ele abaixou um pouco o rosto e nós ficamos do mesmo tamanho. Ele tirou a mão do meu braço e envolveu minha cintura, o que me fez sentir choques percorrem a minha espinha, erguendo-me um pouco, enquanto eu passava meus braços pelo seu pescoço, puxando-o cada vez mais para mim. Eu já não conseguia mais sentir meus lábios e o oxigênio parecia estar acabando, então eu soltei, lentamente, meus braços do seu pescoço e afastei nossos rostos. Balancei a cabeça e abri os olhos um pouco, vendo um sorrisinho sacana escapar dos lábios de .
Deus!
Ele abriu o sorriso ainda mais e então deu um beijo em minha bochecha, no meu maxilar, no meu pescoço...
E eu comecei a achar que ele estava sendo ousado demais. Só um pouco.
- Vamos... Parar por aqui. - eu disse, um pouco ofegante, e dei um empurrãozinho de leve em , não afastando-o completamente de mim.
jogou a cabeça para trás e respirou fundo, com os lábios vermelhos. Ele parecia tão confuso quanto eu. Afinal, o que estava acontecendo?! Eu havia acabado de beijar ! E havia gostado, porra!
Ele olhou para mim e, quando eu pensei que ele ia dizer "Mas que merda eu fiz, caralho?!", como sempre fazia, ele só abriu mais um sorriso sacana e juntou seus lábios nos meus novamente, puxando meu lábio inferior de leve para depois juntar nossas línguas novamente.
Ele era um riquinho mimado, um filho da puta!
E eu estava totalmente apaixonada por ele.


Capítulo 12 - Não pode ser você!

"Amanhã eu conheço os pais de . Amanhã eu conheço os pais de . Amanhã eu..."
Porra, era amanhã que eu conheceria os pais de !
Ai, meu Deus!
Por que eu tinha aceitado esse jantar em um domingo?! Por que eu tinha aceitado toda essa palhaçada?!
Ah, é. Pela minha mãe.
Eu só queria saber como o jantar iria se desenrolar. O que eu deveria fazer? Que roupa eu deveria usar? Como eu deveria me comportar?
Eu estava totalmente ferrada.
Revirei-me na cama pela décima vez e olhei o relógio que ficava ao lado, em cima da cômoda: 11:57 PM.
Remexi-me novamente, fechei os olhos e puxei a coberta até que cobrisse minha cabeça inteira.
Droga!

Esfreguei meus olhos e os abri com dificuldade por causa da luz que vinha da janela do meu quarto. Puxei o cobertor que me cobria e me sentei na cama, sentindo minha cabeça girar. Quando finalmente senti que estava tudo no lugar novamente, eu me abaixei e procurei meu Crocs, que devia estar embaixo da cama. Calcei-os e fui até a porta, completamente bêbada de sono. Quando eu estava descendo as escadas, escutei um barulho vindo do quarto da minha mãe e fui até lá. Abri a porta e vi que ela estava sentada na cama, arrumando uma papelada.
- Bom dia, filha. - ela disse, ao me ver encostada na porta.
- Oi. - eu murmurei e passei a mão pelo meu cabelo, mas desisti quando vi que meus dedos só desenroscariam dele se eu cortasse minha mão fora.
- O que foi? - minha mãe perguntou, ainda olhando os papéis. Suspirei.
Bom, o que eu não contava à minha mãe?
Não responda.
- Os pais de vão me fazer um "jantar" hoje à noite para nos conhecermos. - respondi, revirando os olhos. Tinha algo mais idiota que isso?
- E você está preocupada? - ela disse, sua pergunta soando mais como uma afirmação.
Dei de ombros.
- Não se preocupe. Eles vão gostar de você. É só você tirar esse cabelo da cara, já disse. - ela franziu o nariz na direção do meu cabelo.
- Certo. - eu revirei os olhos. Mas antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa, a campainha tocou. Olhei para minha mãe e ela deu de ombros. A campainha tocou novamente e eu desci as escadas correndo, quase mandando a pessoa tocar a camapainha daquele jeito no inferno. Cheguei até a porta e, sem melhor olhar pelo olho-mágico, abri-a e dei de cara com , e paradas ali, sorridentes.
- Entra. - mandou, antes mesmo de eu conseguir parar para pensar.
- O que vocês estão fazendo aqui? - perguntei, enquanto elas entravam.
- Viemos ajudar você a se arrumar para conhecer os pais de . - disse e sorriu.
concordou animada e só deu de ombros.
- Vocês já pararam pra pensar que eu só vou conhecê-los em, sei lá, umas noves horas? - eu disse, cética.
- É, mas até te deixarmos de um jeito... apresentável, - escolheu as palavras com cuidado e eu passei a mão pelo cabelo novamente, com uma cara feia - nós vamos demorar umas oito horas.
- Agora vamos. - disse, apressada, e me empurrou escada acima. Nós passamos pelo quarto da minha mãe e, antes que eu pudesse dizer a ela para ligar para a polícia, eu já estava dentro do meu quarto e encostava a porta.
As três foram até meu guarda-roupa e abriram todas as gavetas e portas possíveis, jogando minhas roupas em minhas direção, enquanto eu ficava sentada na cama com o rosto apoiado em uma das mãos.
- Você só tem lixo aqui. - falou, quase enfiando um moletom na minha cara.
- São as mesmas roupas que as suas. - respondi, seca, e me joguei na cama, fechando os olhos a seguir.
- Não sabia que você tinha sapatilhas. - disse, curiosa, despertando-me. Quando eu abri os olhos, ela estava com um par de sapatilhas em frente ao meu rosto.
Peguei-as de sua mão com força e bufei.
- Não servem mais. - eu disse.
- Mentirosa. É o seu número. - ela se afastou com as sapatilhas na mão e as colocou em cima de uma pilha de roupas que eu nunca havia usado.
E eu passei a manhã inteira assim, me sentindo como a idiota da Rapunzel e suas tranças de mel. E quase toda a tarde também...
- Certo. - se levantou e suspirou. E a tortura mal havia começado. - Agora você vai tomar banho. - obedeci a ela sem resmungar e, quando eu já estava na porta, ela completou: - E não esquece de lavar o cabelo.
Ri junto às minhas amigas e fui até o banheiro, trancando a porta quando entrei. Tirei a roupa que eu estava desde que acordei, entei no box e tomei o banho mais longo que já havia tomado. Só desliguei o chuveiro quando minha mãe disse que ia sair.
Enrolei-me na minha toalha, calcei meu Crocs e peguei outra para colocar na cabeça. Abri a porta do banheiro e fui em direção ao meu quarto, onde minhas amigas mexiam em um secador e nas roupas que estavam na cama.
- Sua mãe disse que queria uma foto. - riu, colocando alguma coisa em uma bolsa.
Quando eu fui perguntar o que ela estava colocando ali dentro, fez um sinal para que eu ficasse quieta e disse:
- Senta logo!
Sentei-me, virando os olhos, mas quando vi que ela carregava uma base minha que estava perdida há meses e um blush, eu me levantei num pulo.
- Não. - gemi. - Eu coloco a roupa que vocês quiserem, mas a base não. Vocês sabem que eu fico parecendo uma boneca de barro quando passo.
- Ótimo. - deu de ombros. - Os pais de vão te achar a garota mais feia do mundo, você vai foder com a vida dele, que vai foder com a sua, que vai foder com a da sua mãe, que vai ficar arrasada. É um ciclo vicioso. - ela me olhou, esperando que eu a contrariasse.
Grunhi. Ela estava me chantageando, colocando a felicidade da minha mãe em jogo! Mas que cretina!
- Tudo bem. - eu cedi, fuzilando-as com os olhos. - Mas não exagerem.
- Blá blá blá. - resmungou.
Eu estava parecendo uma Barbie na mão de três pestes de cinco anos. Mas essas pelo menos sabiam usar uma maquiagem. Ou quase isso.
Depois de algum tempo sendo usada e abusada, deu mais uma pincelada com o blush nas maçãs do meu rosto e sorriu satisfeita.
- Pronto. - ela me puxou pelo braço e me levou até o espelho.
A espinha que eu tinha no rosto havia sumido, junto com as acnes e todas essas coisas nojentas demais até para mim. Havia também um contorno preto bem fraquinho em meus olhos e em meus cílios. Minha boca, que antes tinha um tom arroxeado, agora tinha um certo brilho. E eu estava levemente corada.
Eu estava bonita, na verdade.
- Agora se troque. - disse, abrindo a porta, com e em seu encalço. - Nós estamos aqui em frente se você precisar de ajuda.
Sacudi a cabeça quando a porta se fechou e olhei para as roupas que estavam em cima da minha cama com cuidado. Suspirei, relutante, e desenrolei a tolha que envolvia meu corpo. Peguei a saia tulipa preta, que tinha pouquíssimas pregas e um laço fino, e a coloquei com cuidado para não deixá-la ainda mais amassada. Vesti uma blusinha branca de um tecido tão fino que eu pensei que pudesse ficar sem ela em um minuto. Além do mais, as alças finas não ajudavam muito.
Sentei-me na cama e peguei os peep toes pretos com um salto médio, e, antes de calçá-los, eu os olhei bem. Quando eu já totalmente vestida - até um colar de pérolas pequenas eu havia posto - eu gritei "Entrem!" para as minhas amigas, que ainda estavam no corredor. As expressões delas quando entraram eram um misto de susto e orgulho.
Revirei os olhos.
- Eu tenho que admitir. - me olhou de cima a baixo e sorriu. - Nós somos muito boas.
Eu ri e mostrei o dedo do meio a ela.
- Agora vamos arrumar esse nó na sua cabeça. - disse, e eu gemi, caindo na cama.

:

A merda do sapato social que eu usava não me deixava dirigir direito, a droga do cinto que eu tinha de usar "para a minha peça íntima não aparecer" estava começando a me irritar e a camisa social estúpida já devia estar se dissolvendo embaixo dos meus braços.
Eu não ficaria surpreso se eu começasse a sentir um vento gelado naquela região ali.
E tudo isso por culpa do burocrata hipócrita do meu pai, que só sabe foder com a vida de todo mundo!
Nessas horas eu me pergunto o que eu fiz de errado para merecer tudo isso. Tudo isso, sim. Porque a droga da minha reputação estava nas mãos de uma nerd diábolica que havia feito um trato comigo e que não pensaria duas vezes antes de acertar um chute nas minhas bolas!
Eu sou mesmo um cara de sorte.
E é porque eu sou um cara de sorte que eu estava dirigindo para a casa dessa nerd diábolica, para levá-la à casa dos meus pais, só para eles conhecem minha "namorada", darem uma nota de um a dois para ela, chutarem minha bunda porta afora e me deixarem com a minha vidinha de astro, minha bandinha e todos os benefícios que eu ganhava por ser assim tão legal.
Só para não dizer "foda".
Entrei com carro na rua de e diminui a velocidade, tentando me lembrar qual era a casa dela no meio de tantas outras iguais. Quando eu achei, parei com o carro em frente a ela e, antes de chamar , abri o porta-luvas e tirei de lá um maço de cigarros e um isqueiro. Acendi um cigarro e traguei fundo, esperando que isso me deixasse menos nervoso e fizesse com que a cachoeira embaixo do meu braço secasse de uma vez. Encostei a cabeça no encosto do banco e soprei a fumaça, enquanto eu fechava os olhos. E então eu me lembrei de e daquele estúpido jogo de paintball.
Nem para os caras eu havia contado o que havia acontecido. E desse jeito estava bom para mim.
Estava bom que ninguém soubesse de nada, porque eu estava gostando de ter só para mim, mesmo que ela não admitisse.
Abri um sorriso no canto dos lábios quando lembrei de tudo o que ela fizera naquela dia. Ela havia passado os braços pelo meu pescoço, havia me puxado para ela... E nem havia aberto a boca para reclamar! Só havia aberto para dar uma boa lubrificada na minha língua, mas isso eu preferia manter em segredo também.
Ah, ...
Balancei a cabeça quando vi que o meu nível de bichisse já estava alto demais e abaixei a janela do carro um pouco mais para jogar a bituca do cigarro fora. Sentei-me direito no banco e buzinei, esperando que se tocasse e percebesse que estavam buzinando para ela. Então a janela de um quarto se afastou um pouco e eu posso jurar que vi o rosto de alguma das amigas dela por um segundo.
Brianna, eu acho. Ou .
Tenho certeza de que era .
Uma faladeira surgiu de repente e algumas coisas como "Porra, cadê a porcaria da bolsa que estava aqui?!" e "Calma, cacete!" foram pronunciadas. A porta então se abriu...
... e, velho, eu comecei a ficar bem animado.
Eu não sabia quem era a garota vestida com aquela saia que deixava suas belas pernas à mostra porque ela olhava para trás, para dentro casa. Mas quando ela abaixou o rosto para olhar para os pés e eu pude ver mais ou menos como o que ela tinha dentro da blusa era bem interessante, eu sabia que eu estava no paraíso e não em frente à casa de .
Só que então alguém gritou meu nome e o som parecia vir de dentro daquela casa. E na mesma hora a garota levantou o rosto...
Meu queixo caiu. Eu juro.
Eu levei um puta susto! Atrapalhei-me todo e quase meti a mão na buzina de novo. Eu juro! É sério!
Aquela NÃO podia ser a . NÃO podia.
Mas então eu olhei de novo para a porta e vi , e acenando e empurrando para fora de casa.
E eu tinha certeza de que tinha algo muito errado.
Ela saiu de dentro de casa bem devagar, como se estivesse com medo de cair, e deu a volta no carro até parar do lado do passageiro. Devia estar caindo algum fio de baba da minha boca, porque ela olhou bem para o meu rosto e deu um tapa forte no vidro, chamando minha atenção. Destravei a porta e ela a abriu, entrando em seguida.
- Hm, e aí? - ela disse, como se eu fosse retardado. Balancei a cabeça, pus a chave na ignição e voltei a olhar para o rosto de . - Dá pra nós irmos logo com isso?! Ah, e minhas amigas me contaram que elas combinaram de fazer uma "festinha" na casa de vocês. Eu não sei como aquelas cretinas enrolaram minha mãe, mas eu só sei que eu não estou nem um pouquinho animada pra conhecer seus pais e muito menos pra participar de uma "festinha" na casa de vocês, McFlurrys. Não sei como eu vou fazer, já que se eu voltar para casa, minha mãe vai ficar enchendo o meu saco, perguntando porque eu não fiquei com você até mais tarde. Então, se essa "festinha" não valer a pena, eu vou fazer da sua vida um inferno, entendeu, Jones?! Aliás, você prestou atenção no que eu disse?! - quis saber, zangada. Ela estava com os braços cruzados sobre o peito e antes de responder eu dei uma olhada rápida ali e nela inteira, só para, sabe como é, ver se estava tudo no lugar e se era ela mesmo.
A quem eu estava tentando enganar?! Aquela era a e ela estava muito gostosa!
Mas eu não disse isso. Eu só respondi assim:
- Tá, tá. Dá pra você calar a boca? Porque eu não consigo me concentrar no trânsito com você falando tanto.
- Vai se foder. - ela respondeu, mas abriu um sorrisinho no canto dos lábios, sem motivo algum.
Revirei os olhos, tentando tirá-los das pernas de , e girei a chave na ignição, ligando carro e dando a partida. Buzinei para , e , que ainda estavam na porta e dirigi na direção da casa dos meus pais para uma noite divertidíssima.
Se dependesse de mim...

(12/12 às 19h21)
N/A:
Oi meninas!
Há quanto tempo eu não atualizava! G-G
Mas eu finalmente mandei o capítulo doze de WWYB? pra Bih e ele deve entrar em uma semana ou algo assim.
Enfim, o que vocês acharam desse capítulo? Eu reescrevi ele inteirinho e gostei no final das contas. Não gosto muito do começo, mas acho que ficou bom, principalmente o ponto de vista dele. Vocês disseram que iam gostar se tivessem mais pontos de vista masculino - ah, obrigado por responderem minha pergunta! - e eu tentei encaixar um nesse capítulo. Mas, enfim. Digam nos comentários o que vocês acharam do capítulo e desse ponto de vista do seu guy. A opinião de vocês vale MUITO.
Agora que as aulas já acabaram, eu vou ter mais tempo pra WWYB? Vou começar a reescrever e a scriptar os próximos capítulos que eu já tenho aqui no meu computador e assim que esse entrar, eu envio o capítulo treze.
Só que, infelizmente, eu vou ter que trocar de beta. A Bih vai se afastar por um tempo e vou ter que conversar com outra beta. Vai ser estranho não enviar um e-mail pra ela como sempre. Mas, de qualquer jeito, obrigado por betar doze capítulos de WWYB?, Bih, e por ter sido tão legal comigo desde março, de verdade <3
Bom, acho que eu não tenho muito o que falar nessa N/A. Só queria fazer uma pergunta: Alguém aqui gosta de All Time Low? HAHA
Eu vou no show deles aqui onde eu moro, São Paulo, e queria saber se alguém gosta também ou vai. De qualquer jeito, vou deixar essa pergunta no ar.
Vou ficar quieta agora e espero que vocês gostem da atualização!
xx
@_marif



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