Autora: Ariana (Ary)
Beta-Reader: Mari Morgon (Até o capítulo 10) | Lara Scheffer (Capítulo 11 em diante)

“Sempre haverá algo para arruinar as nossas vidas. Tudo depende "de quê" ou "o quê" nos encontra primeiro. Você está sempre maduro e pronto para ser tomado.”
Charles Bukowski


Prólogo


Bati a porta do carro com um pouco mais de força que o necessário, eu não queria olhar pra trás porque sabia que, daquele momento em diante, tudo mudaria. Era como dar um giro de 360° na montanha russa, mas, dessa vez, sem o cinto de segurança. Aquele não era o lugar ao qual eu pertencia. Se é que realmente eu pertencia a algum lugar, afinal. Nada mais seria o mesmo. Mas, na realidade, eu já não era a mesma há muito tempo.


Capítulo 1 - Segredos enterrados
Capa


"Nossos maiores inimigos estão dentro de nós."
Augusto Cury


Era mais uma tarde fria de começo de novembro. As folhas amareladas que caiam das árvores cobriam as calçadas. Sentada em um dos bancos de uma das praças vazias da pequena cidade de Pontiac, Illinois, encontrava-se uma garota de cabelos castanho-escuros e olhos verde-esmeralda. Seu olhar receoso esquadrinhava a paisagem a sua frente como se procurasse por algo.
- Não devia ter contado a elas. – Um homem de expressão séria, que apareceu subitamente ao lado da garota, exclamou, fazendo com que ela virasse para encarar seu olhar frio.
- Você esperava que eu fizesse o quê?! – Retrucou a garota. – Eu não suporto mais tantas mentiras, sem ter nenhuma resposta.
- Tenha fé. – Respondeu ele, desviando o olhar para imitar o que a garota fazia segundos antes dele chegar.
- Eu tenho fé, só não tenho mais forças para suportar tudo isso. – A garota fitava as folhas que se remexiam no chão sem parar, com a brisa do outono. Seus olhos mostravam algo que a dominava por completo: dor.
- Você as colocou em risco ao contar o segredo. Sabe que não deveria.
- Elas sabem se cuidar. Eu tinha de falar a alguém, não sei mais o que fazer. E elas já desconfiavam de algo, eu não iria mentir para elas.
- Tem certeza de que são confiáveis? – Indagou o homem, virando-se para encarar a garota nos olhos.
- Sim. – continuou fitando as folhas. – Eu tenho perguntas. Você sabe que não vou desistir.
- Na hora certa, você saberá de tudo o que precisa. – Do mesmo jeito misterioso com o qual apareceu ao lado da garota, o homem desapareceu, sem deixar vestígios de que alguém havia estado ali com . A garota soltou um suspiro de pesar, levantou-se e começou a caminhar. Andaria sem rumo, precisava pensar e não havia coisa melhor do que seguir o caminho que seus próprios pés indicavam. Ela sabia que a dor que tinha no peito não cessaria. Só se agravaria à medida que ela seguisse em frente com a missão que lhe foi dada. Aquele era um risco que valia a pena ser corrido?

A cada passo que eu dava, a incerteza de não saber se estava fazendo a coisa certa me corroia mais e mais. Minha insegurança aumentava a cada dia, assim como o número de perguntas, que nunca eram respondidas. Eu não queria machucar ninguém. Eu não queria ferir os sentimentos de Anthony. Mas mentir não estava sendo a melhor saída para mim. Mais uma vez, senti uma pontada em meu peito. Era como se meu coração estivesse sendo dilacerado dentro de mim. Cada vez mais eu sentia que aquilo se tornava insuportável. Cada vez mais eu tinha certeza de que não era aquela vida que eu queria pra mim. Dali em diante, eu sabia que não suportaria por muito tempo.

- Por onde andou? – Um homem que aparentava ter por volta de cinquenta anos questionou, assim que adentrou na porta de casa.
- Fui dar uma caminhada pela praça e meus pés acabaram me levando até a cafeteria do Sr. Jeffrey. Acabei me esquecendo da hora, me desculpe. – A garota largou o molho de chaves em cima da mesinha do corredor e deu dois passos em direção ao mais velho.
- Tudo bem, . Eu só fiquei preocupado, mas não foi nada demais. – Anthony se aproximou e abraçou a garota de lado, enquanto andavam juntos em direção a sala. – Então, como está o velho Jeffrey? Nunca mais falei com aquele sacana.
- Ele está bem. Pediu para eu dizer para você aparecer por lá. – A garota concluiu, assim que sentaram-se no sofá da pequena sala.
- Eu vou fazer isso, qualquer hora dessas. Mas, agora, você vai ser uma boa garota e vai ficar aqui quietinha, pois eu tenho uns assuntos para resolver na cidade. – Falou o mais velho, levantando-se do sofá e dando um beijo na testa de . – Comporte-se. – A garota abriu um meio sorriso em resposta. A última coisa que escutou antes de dirigir-se às escadas fora a porta de entrada se fechando às suas costas. A casa de dois andares era espaçosa o suficiente para acomodar uma família de, pelo menos, cinco ou talvez seis pessoas. No andar de baixo ficava a sala com o antigo jogo de sofá caramelo e uma pequena mesinha de centro próximo a lareira, e a poltrona, único lugar na sala que tinha visão direta para a escada que levava ao andar superior, de Anthony ficava próxima à janela. A cozinha se interligava com a área de serviço e o corredor que dava acesso a porta da frente e a escada. No primeiro andar havia dois quartos, um quarto de hóspedes e a suíte de Anthony, um banheiro, a biblioteca e o sótão. Desde seus onze anos, havia optado por se mudar do seu antigo quarto, atual quarto de hóspedes, para o espaçoso sótão, ao qual o acesso era possível apenas por uma escada retrátil localizada no final do corredor do piso superior. A garota sempre fora muito independente e preferia muitas vezes estar só. A partir do seu décimo segundo aniversário, Anthony havia liberado a um tempo especial para um de seus maiores hobbies: caminhar, sozinha. O Senhor Lefebvre possuía uma saúde frágil, motivo pelo qual a garota evitava demorar-se muito em seus passeios solitários.
Boa parte do tempo de era dedicado a cuidar de Anthony e aos estudos. Muitas vezes em seu tempo livre a garota passava horas a fio na biblioteca, remexendo nas prateleiras apinhadas de volumes e mais volumes de clássicos da literatura.

Tranquei o alçapão e parei por um momento observando o ambiente ao meu redor. A luz fraca do sol entrava timidamente pela janela na parede da fachada da casa. A cama feita de ferro e pintada de branco, ficava logo abaixo do peitoral da janela, e ao lado da cama havia uma poltrona cinza na qual eu sentava para ler meus livros. Havia prateleiras na parede atrás da cama e um abajur ao lado da poltrona. Ao lado do alçapão, estava a minha penteadeira que, por muitas vezes, possuía balas de pistola, canivetes e facas ao invés do que todas as adolescentes possuíam em cima de uma penteadeira comum. Meu notebook estava fechado em uma das prateleiras de meu armário. Deitei sobre a colcha negra e observei o pentagrama desenhado no teto de meu quarto. A última viagem com Dereck e Greg me veio à mente. O exorcismo, a jovem mulher lutando para sobreviver. As caçadas estavam mexendo muito comigo ultimamente, chegaria uma hora que eu não conseguiria mais esconder tudo de Anthony. Eu precisava pensar. Colocar minha cabeça em ordem. Eu sabia que muitas provações estavam por vir, só não imaginava quão dolorosas elas seriam. Eu tinha de manter minha fé intacta, mas já não sabia por quanto tempo conseguiria suportar tantas mentiras e dor por algo que eu nem ao menos sabia o propósito. Escutei meu celular tocar, estiquei o braço em direção a poltrona para pegá-lo.

- ? – Perguntou uma voz feminina do outro lado da linha. Sobressaltei-me ao reconhecer quem estava falando e, em menos de um segundo, eu estava sentada na cama com os olhos arregalados.
- ! – Foi tudo o que consegui pronunciar.
- Sim, sou eu. Está tudo bem com você? – Continuou ela, agora mais tranqüila por saber que era eu mesma ao telefone.
- Mais ou menos, eu... – Pensei por um segundo no que responder. Ninguém poderia ajudar com o fardo que eu carregava, não tinha motivo fazer mais gente sofrer por minha causa. – Não importa. Como vocês estão? O que aconteceu? Você nunca liga a não ser que seja uma emergência ou algo muito importante.
- Eu e estamos bem, fique tranqüila. – Ouvi uma risada baixa, não pude conter o sorriso que insistia em se formar em meus lábios. – Precisamos que você avise aos Mackenzie que temos um trabalho para eles.
- Dereck e Greg? – Franzi a testa. – Que tipo de trabalho?
- Um Shtriga.
- Onde?
- Riverside, Wyoming. – Ouvi o barulho de papel sendo folheado. – Tem cinco crianças internadas no hospital local com sintomas de pneumonia.
- Vou avisá-los. – Levantei da cama e me dirigi ao alçapão. Destravei a tranca, arrumei a escada e desci rapidamente.
- Você vai junto com eles? – Questionou-me .
- Talvez. Depende de como Anthony vai estar e de quando eles forem.- Fechei a porta de entrada rapidamente, olhei para os lados e atravessei a rua. Sem demora, apertei a campainha. Exatos três minutos se passaram, em que eu havia ficado olhando para os lados para ver se tinha alguém na rua, desde que eu tocara a campainha para Dereck aparecer na porta.
- ! O que aconteceu? – Perguntou ele, sorrindo e, logo em seguida, me dando um beijo na testa e abraçando-me de lado, me fazendo entrar na casa. Avistei Greg sentado no sofá da sala limpando o cano de uma das várias armas que estavam em cima da mesinha de centro. Acenei de leve, tirando o celular do ouvido e colocando no viva-voz.
- e . Tem um trabalho pra vocês. - Sentei ao lado de Greg, que imitou o gesto de Dereck, esticando-se para me dar um beijo na testa, e coloquei o telefone na mesinha. – Pode falar, , eles estão ouvindo. – e explicaram toda a situação e o combinado foi que eles partiriam no dia seguinte, sexta-feira, e que eu iria junto com eles com a desculpa de que iriam me levar para conhecer Riverside. Como se eu já não conhecesse Riverside. Tive de rir com a idéia, mas era preciso. Não demorei muito na casa dos Mackenzie, logo logo Anthony voltaria e eu teria de estar em casa. Em menos de 5 minutos, eu havia voltado para casa e me instalado tranquilamente na cadeira de minha penteadeira para arrumar as malas para o passeio de fim de semana. Novamente, perguntas e mais perguntas me vieram à mente, fazendo com que meu estômago desse voltas. Não tive tempo para digerir minha dor, pude ouvir o carro de Anthony estacionando na garagem. Fiquei estática olhando para o fio de luz que entrava pela janela. O que eu estava fazendo comigo mesma?

- ? Querida você está aí em cima? – Escutei a voz de Anthony chamando por mim. Andei até o alçapão e o abri, fazendo com que eu ficasse visível. – Ah, você está aí, espertinha! – Sorri sem humor com a expressão usada por ele. Mal sabia ele que eu não era nada do que ele imaginava que fosse.
- Precisando de mim? – Perguntei, com a voz mais doce que pude.
- Não. Na verdade, estava só vendo onde você estava. Quer ir à casa dos Mackenzie?
- Na verdade... Bom... Dereck e Greg me convidaram pra ir até Riverside com eles. Tem algum problema? – Perguntei, franzindo a testa.
- Problema nenhum, querida. Mas você não vai faltar à aula, vai?
- Não. Eles vão amanhã à tarde e voltam no domingo à noite. É só um final de semana tranqüilo. – Eu espero.
- Então, o que está esperando? Vá arrumar suas coisas. – Anthony sorriu, e eu o acompanhei, logo ele virou as costas para ir ao seu quarto e eu me concentrei em fechar o alçapão e começar a arrumar minhas coisas. Enquanto colocava a mochila em cima de minha cama e colocava no bolso da mesma o canivete que estava em cima da penteadeira, eu dei espaço para que minhas dúvidas voltassem a assombrar meus pensamentos. Mas, dessa vez, não eram dúvidas quanto a minha fé. Ou pelo menos não inteiramente. Se meu destino estava traçado de acordo com meu sangue, minha família verdadeira era totalmente ligada a isso. Mas quem era a minha família de verdade?


Capítulo 2 - Uma chamada às armas
Capa


“Os afetos podem, às vezes, somar-se. Subtrair-se, nunca.”
Pitágoras


Fazendo divisa com o estado americano do Kansas localiza-se Oklahoma. E na pacata cidade de Tulsa, em um bar na beira da estrada, encontravam-se as irmãs Stryder, que estavam limpando as últimas mesas; fechariam o bar em poucos minutos. Três estridentes batidas na porta do estabelecimento fizeram as garotas se encararem de súbito. , a mais velha que estava atrás do balcão, pegou o revólver que estava no armário e o engatilhou, indo para junto da irmã, logo em seguida, com a arma em punho. abriu a porta lentamente, enquanto a irmã se posicionava atrás dela para atirar, se necessário. Mas quem elas avistaram quando a porta foi finalmente aberta estava totalmente fora de seus planos.
- Essa não foi a educação que eu te dei, . - Um Bobby sorridente falou, observando com a arma em punho. A garota sorriu acompanhada pela irmã mais nova.
- Realmente. Mas acho que o horário compensa a minha falta. - desengatilhou o revólver e o colocou em cima de uma das mesas próximas.
- Você cresceu muito desde a última vez que a vi. - Bobby observava , que lhe deu um longo abraço.
- Assim você me faz parecer ter sete anos de idade novamente, Bobby. - Repreendeu-o a garota.
- E você não mudou nada, , continua linda como sempre. - Bobby abriu os braços em direção a , que foi de encontro a ele.
- E mandona também. Nunca vi alguém mais irritante que ela. - Falou sarcasticamente, rindo quando terminou a frase.
- Talvez seja porque eu tenho a irmã mais teimosa e rebelde do mundo. - Retrucou , rindo, ainda abraçada de lado com Bobby, fazendo a irmã mostrar-lhe a língua.
- É, vocês não mudaram nada. - Falou Bobby, rindo-se das duas, e relembrando os tempos em que ambas eram apenas doces crianças.
- Mas que bons ventos o trazem aqui, Bobby? - Indagou .
- Antes fossem os bons ventos. – Bobby olhou de soslaio para os dois rapazes atrás de si. Só então as garotas perceberam que ele não estava sozinho. - Estes são Dean e Sam Winchester. São os filhos do John, acredito que vocês se lembram dele.
- Sim, nós nos lembramos dele. – Falou , baixando o tom de voz. As garotas passaram a encarar os Winchesters. Os olhares de Dean e se cruzaram, e, por algum tempo, os dois observaram, receosos, um ao outro. Até desviar o olhar, agora questionador, para Bobby. – Você não veio aqui só para matar as saudades, Bobby. – Afirmou a garota, dirigindo-se a uma das mesas e puxando uma das cadeiras, indicando para que Bobby sentasse.
- Temos um caso em mãos. Precisamos da ajuda de vocês. – Declarou o mais velho, assim que se acomodou na cadeira oferecida por , sendo seguidos pelos dois rapazes.
- Não é mais a nossa área, você sabe disso, Bobby. – Respondeu , enquanto pegava garrafas de cerveja atrás do balcão e as colocava na mesa.
- É um caso em Lincoln, Nebraska. – Anunciou Bobby, olhando para a garrafa a sua frente, fazendo parar, estática, o seu percurso de volta ao balcão. , que estava encostada no balcão, arregalou os olhos. Sam e Dean se entreolharam intrigados.
- O que há em Lincoln? – Perguntou , ainda parada no mesmo local.
- Três garotas mortas em uma semana. Todas na mesma faixa de idade, entre 17 e 20 anos, todas saudáveis e cursando a faculdade. E todas passaram pelo mesmo lugar. – Bobby fez uma pausa e olhou de soslaio para . – A antiga casa dos Blake. – girou rapidamente nos calcanhares, seu olhar trazia dor.
- Mais alguma informação? – Questionou ela sentando-se ao lado de Bobby, a expressão ainda séria.
- Não que eu tenha tido conhecimento. Mas ainda não verificamos os corpos. Vim falar com vocês assim que soube.
- . – Falou a garota, finalmente encarando Bobby. – Feche o bar, eu vou levar Bobby e os rapazes lá para dentro. – apenas assentiu indo fechar a porta, enquanto levantava-se e seguia para os fundos do bar com Bobby, Sam e Dean.

- Temos três quartos disponíveis. Só preciso que esperem por essa noite, de manhã bem cedo eu falarei com George. Saímos assim que o Sol nascer. Algum problema para vocês? – Concluiu , assim que chegaram ao corredor que levava ao andar de cima do estabelecimento. O local era estreito e cheirava a fumaça. As paredes, desbotadas pelo tempo, davam um ar críptico ao lugar. Haviam quatro portas ao longo do corredor, e no final do mesmo encontrava-se uma velha escada de metal em espiral.
- Problema nenhum. – Respondeu Bobby. – Boa noite, rapazes. – Terminou ele, entrando na porta indicada pela garota.
- Bem... Sam, não é? – Perguntou , virando-se para o rapaz.
- Sim, é isso mesmo.
- Esse é seu quarto. – A garota apontou para a porta que fazia frente com a do quarto de Bobby.
- Obrigado. – A garota sorriu em resposta. Assim que Sam fechou a porta, seguiu para a porta ao lado.
- Dean, este é seu quarto. – Anunciou a garota.
- E você e sua irmã, ficam onde? – Perguntou ele, galanteador, fazendo rir.
- Não se preocupe conosco, aposto que acho lugar melhor do que o seu quarto. – A garota riu sarcasticamente e caminhou novamente em direção ao bar, deixando Dean encostado no batente da porta, sorrindo.

- Vamos ter trabalho com esses dois. – Falou para a irmã, que limpava as mesas, assim que chegou ao bar.
- Achei que eles fossem bons rapazes! – Exclamou , surpresa, olhando para a irmã.
- Sam pode ser um cara legal, mas Dean...
- O que tem ele? – Perguntou a mais nova, com ar malicioso.
- A décima quinta cantada da noite foi dele. – Falou a mais velha, enquanto se posicionava atrás do balcão e começava a retirar as garrafas vazias de cima do mesmo.
- Ele me parece ser um cara legal. – Exclamou , enquanto se dirigia ao balcão e sentava em uma das banquetas, olhando para a irmã. – Você devia dar uma chance a ele. – Concluiu a mais nova, enquanto passava o pano úmido na superfície do balcão.
- Tá brincando?! Ele é só mais um conquistador barato como todos os outros que aparecem por aqui. A única diferença é que ele é filho do John.
- Você está julgando previamente, outra vez. – Repreendeu a mais nova, rolando os olhos e dando a volta no balcão para secar os copos que estava lavando.
- É... Talvez eu esteja. – Respondeu a moça, pensativa, olhando para o nada, enquanto disfarçava um sorriso maroto.

O Sol já dava os primeiros resquícios de que mais um longo dia estava por começar, quando subiu os degraus da escada no final do estreito corredor para falar com George. A garota vestia uma calça jeans desbotada, uma camisa na cor vinho e por baixo da mesma uma regata branca. Nos pés, os tênis desgastados pelo uso completavam o visual simples da caçadora. Seus cabelos castanho-escuros estavam soltos e os cachos pendiam uniformes na altura de seus ombros. Os olhos azuis como duas safiras chamavam a atenção naturalmente. Em menos de dez minutos, a garota estava de volta ao salão do bar e encontrou um Dean sonolento sentado em uma das banquetas ao lado do balcão.
- Acordou cedo! – Exclamou a garota, indo para detrás do balcão e começando a preparar um café.
- Não dormi muito bem, na realidade. – Respondeu o rapaz, esfregando os olhos.
- Preocupado com alguma coisa? – Questionou ela, colocando a jarra da cafeteira no lugar e levando o copo de café até Dean.
- Nada de importante. – Respondeu ele, evasivo. apoiou as duas mãos, uma de cada lado do corpo, no balcão e encarou o rapaz com uma das sobrancelhas arqueadas.
- Tudo bem, se precisar de alguém para conversar, eu não mordo. – A garota riu ao final da frase, logo sendo acompanhada por Dean.
- Vejo que já estão amigos. – Exclamou , que vinha em direção ao balcão, vestida com uma calça jeans de lavagem escura, uma blusa de manga três quartos na cor cinza e um all-star preto nos pés. Os cabelos castanho-claros presos em um rabo de cavalo frouxo davam um ar de colegial à garota. parou ao lado da irmã, sorrindo para ambos.
- Sua irmã é muito simpática. – Dean sorriu para e olhou de soslaio para , mudando o sorriso de canto para um sorriso maroto.
- É sim, mas só quando quer. Ela é muito irritante, às vezes. – sorriu, dando um beijo na bochecha da irmã, que sorria também. – Sou . – Apresentou-se a garota. – E você deve ser o famoso Dean Winchester.
- Quanto ao famoso, eu não sei, mas eu sou Dean Winchester. – Respondeu o rapaz, rindo.
- O Bobby fala muito de vocês. Quero dizer, de você e de seu irmão.
- Falando em Bobby, de onde exatamente vocês o conhecem? – Questionou Dean, intrigado, tomando um gole de seu café.
- Bobby nos criou. – Respondeu , arrumando os copos em cima do balcão. – Ele foi nosso pai por muitos anos. Moramos com ele até eu completar dezesseis anos e ir morar próximo a faculdade com a .
- Em Lincoln? – Perguntou o rapaz, atento às reações de . A garota, que estava de costas para Dean e , apoiou as mãos na pia e respirou fundo.
- É, em Lincoln. – analisava a irmã atentamente. Ela sabia que Lincoln traria muitas lembranças a , e a maioria delas não era agradável.
- Todo mundo pronto para a viagem? – Exclamou Bobby, que trazia Sam em seu encalço, vindo sentar-se ao lado de Dean. – olhou para a irmã e depois desviou a atenção para os Winchesters que sorriam.
- É. Todos prontos.


Capítulo 3 - Liguem os motores
Capa


“A arte de interrogar não é tão fácil como se pensa. É mais uma arte de mestres do que de discípulos; é preciso ter aprendido muitas coisas para saber perguntar o que não se sabe.”
Jean Jacques Rousseau


- e Sam vão comigo. Dean e , vocês vão juntos. Algum problema? – Perguntou Bobby, assim que saíram do bar em direção aos carros. Dean e se entreolharam.
- Não. Problema nenhum. – Respondeu .
- Ótimo. Vamos atravessar o Kansas, é o caminho mais curto até Lincoln. Daqui a quatrocentos quilômetros, nós paramos em uma lanchonete ou em um posto de gasolina, e aproveitamos para revezar a direção. Vamos ficar sempre próximos. Eu vou à frente para indicar o caminho a você Dean, mas, qualquer coisa, troque de lugar com a ou apenas pergunte o caminho a ela. conhece este caminho melhor do que eu. – Explicou Bobby, parando em frente ao Impala. – Tenham uma boa viagem, e cuidado para não matarem um ao outro. – Falou Bobby, fazendo e Sam rirem.
- Então, para Nebraska. – Falou Dean, assim que ele e fecharam as portas do carro. Pelo retrovisor do carro, ambos puderam observar o carro de Bobby ir em direção a estrada.
- Para Nebraska. – Repetiu a garota, sorrindo de canto para Dean.

- Carteiras falsas? – Perguntou , assim que saiu do banheiro do Hotel em Lincoln, vestindo uma camisa social branca com as mangas arregaçadas até os cotovelos, cujos dois primeiros botões permaneciam abertos revelando um pouco de seu sutiã preto, uma saia de cintura alta preta com meias-finas da mesma cor e um sapato social vermelho. Absolutamente sexy, sem deixar transparecer vulgaridade.
- Você queria o quê? Que usássemos as originais? – Questionou a mais velha, enquanto arrumava os cabelos em um coque frouxo.
- É que... Faz tanto tempo. Acho que perdi a prática. – Falou a garota, deixando-se sentar nos pés da cama e colocando a caixa com vários tipos de documentos falsos ao seu lado. se aproximou da irmã e passou a mão em seu rosto.
- Ei. É só por uns dias, ok? Você vai se sair bem. É como andar de bicicleta, lembra? – sorriu.
- E você? Está bem com tudo isso? – Questionou a mais nova, fazendo voltar sua atenção para a caixa ao lado da irmã.
- É só um caso mal-resolvido. Não há porque ter problemas. – Sua expressão estava séria, enquanto retirava um distintivo da caixa e o colocava no bolso interno de um blazer preto que estava em cima da cama.
- , você... – foi interrompida por duas batidas fortes na porta do quarto. rapidamente largou o casaco e foi atender a porta. Encostado no batente, estava Dean. Com seu terno preto o tornando extremamente charmoso, e encarando os próprios pés. Ao escutar a porta se abrindo, o rapaz levantou os olhos e não pode deixar de conter seu olhar no decote de .
- Perdeu alguma coisa? – Perguntou , encostando o cotovelo na maçaneta da porta.
- Não. Nada. – Falou o rapaz, sorrindo sacana, e se recompondo rapidamente para ajeitar a gravata e limpar a garganta. – O Bobby mandou avisar que já está tudo pronto. Ele já arrumou os telefones, caso o delegado queira telefonar perguntando algo sobre a investigação. Acho que podemos ir... Quer dizer, se você estiver pronta. – mordeu a língua de lado.
- Ahn, só vou pegar o casaco. – Dean avistou e acenou com a cabeça para a garota que sorriu em resposta. pegou o casaco e foi em direção a porta. – Podemos ir. – Os dois se dirigiram às escadas.
- Você está... Hum... Muito bonita. – Falou o rapaz, enquanto desciam as escadas lentamente. levantou a sobrancelha.
- Você não consegue ficar um dia sem cantar ninguém, não? – Perguntou a garota, rindo de lado e olhando para Dean, assim que chegaram ao térreo e se dirigiam para o carro.
- Na verdade, não. – Sorriu o rapaz, abrindo a porta do Impala para que entrasse.

- Bom dia, xerife Palmer. Eu sou a agente especial Page e este é meu marido, o agente especial Thompson. Será que nós poderíamos fazer algumas perguntas para o senhor? – O xerife, um homem de corpulento de estatura mediana, observou por trás das grossas lentes de seus óculos de grau. A sala impecavelmente arrumada, assim como o terno que ele vestia, mostrava que a cidade vivia na mais extrema quietude, pelo menos até a série de assassinatos terem início.
- Não. Nenhum problema, agente. Sentem-se, por favor. – Falou o homem, indicando as cadeiras a sua frente. Dean fez sinal para que se sentasse primeiro. Aquilo era uma farsa que tinha de ser executada com precisão milimétrica.
- O senhor conseguiu algum progresso com o caso das três jovens assassinadas? – Questionou Dean, encarando o delegado e logo depois olhando para .
- Não. Continuamos na estaca zero. – Confessou o xerife, com um tom de pesar. – As três eram garotas de família, estudavam, trabalhavam. Tinham uma vida perfeitamente normal. Sem inimigos. A cena do crime estava limpa. Sem armas, digitais ou outra coisa que pudesse ajudar na identificação do assassino.
- Elas tinham algum parentesco ou ligação? – Perguntou Dean, com o cenho franzido.
- Se conheciam de vista. Esta é uma cidade pequena, todo mundo conhece todo mundo. Mas não eram amigas ou algo do tipo. – Respondeu o xerife cruzando as mãos sobre a mesa.
- O senhor poderia nos deixar dar uma olhada nos corpos? – Perguntou , intrigada.
- Não vejo problema algum. MARGARETH! – Chamou o senhor, levantando-se. – Poderia levar estes dois agentes até o necrotério, por favor? – Uma mulher ruiva de estatura baixa e de volumosas curvas apareceu à porta e foi abordada pelo xerife.
- Claro senhor. – A ruiva fez sinal para que e Dean a seguissem, ambos apertaram a mão do xerife e seguiram pelo corredor atrás de Margareth.
- A senhora sabe nos informar quem fez a autópsia dos corpos? – Perguntou , se aproximando mais da policial.
- Eu mesma, senhorita...?
- Senhora. Page. Senhora Page, na verdade. – Respondeu , fazendo com que a ruiva olhasse para Dean. O rapaz estava contendo o riso. deu-lhe uma cotovelada nas costelas; o rapaz gemeu baixinho franzindo a testa como quem pergunta: “O que eu fiz?”. se limitou a fechar a cara.
- Muito bem, Senhora Page. Eu mesma fiz a autópsia dos corpos. Nosso legista está de férias, eu sou formada na área. E se a senhora me permite, não acontece muita coisa que necessite de um médico legista vinte e quatro horas por dia. É uma cidade pequena, pequenos furtos são comuns, mas assassinatos são raros. Muito raros. – A mulher abriu a porta do necrotério e foi direto para as três macas dispostas uniformemente no centro do ambiente. Rapidamente, a oficial retirou os lençóis que encobriam os corpos das três moças.
- Imagino que sim, oficial. – Interrompeu Dean. - O que a senhora pode nos dizer sobre a análise?
- As três garotas foram esfaqueadas. O maldito psicopata teve bastante precisão. Uma facada direto no coração e outra na região pélvica. Ele ou ela é um monstro, não se faz isso com pessoas neste estado. – Exclamou a ruiva, balançando a cabeça negativamente. , que analisava o corpo da maca central, sobressaltou-se.
- Se me permite a pergunta, em que estado, senhora? – Questionou a garota, desviando o olhar para a policial.
- As três estavam grávidas. A senhora não sabia? – Questionou a policial, observando . A garota apoiou as mãos na maca, Dean foi rapidamente para o lado da garota e perguntou baixinho: Tudo bem? - apenas assentiu.
- Não, senhora. Eu não sabia. Acho que terminamos por aqui. Obrigada.

- Ah, ótimo! – Exclamou , jogando o casaco sobre a cama.
- Vocês são um casal, meu bem, têm de agir com um. – Comentou Bobby, já com a mão na maçaneta da porta. – Vou deixar os pombinhos a sós. Qualquer coisa, estou no quarto 215. – deixou-se sentar na cama.
- Parece que vamos ter que nos aturar. – Falou Dean, sentando-se ao lado dela. - O que aconteceu hoje mais cedo? Você pareceu tão pálida, me deixou preocupado. - fitava o chão.
- Não foi nada. Eu só... Me senti meio tonta. Não foi nada demais. - A garota forçou um meio sorriso.

Lincoln, Nebraska. Seis Anos antes.

- Anda, , eu não posso ficar te olhando o dia todo. - Um rapaz de cabelos negros e olhos castanhos claros chamou a garota que estava sentada em uma balanço sorrindo alegremente. O rapaz sorriu de lado.
- Ah, qual é, Ben! Vamos nos divertir, nós somos adolescentes, temos que aproveitar a vida antes da fase adulta. - Gritou a garota, fazendo o moreno sorrir e balançar a cabeça negativamente.
- Você não tem jeito, mesmo. Tá parecendo uma criança de seis anos de idade! - Exclamou o garoto, indo para junto de .
- Criança, é?! - Perguntou ela, ironicamente, levantando-se e colocando os braços ao redor do pescoço de Ben.
- É. Uma linda e encantadora criança. - Falou ele, beijando-a em seguida.



- Desde quando você é caseiro? - Perguntou , intrigada, franzindo a testa e levantando as sobrancelhas.
- Desde quando nós casamos, amor. - Respondeu Dean, com um sorriso sacana, esticando-se sobre a cama. limitou-se a balançar a cabeça, negativamente. A garota pegou o celular e discou os números e esperou poucos segundos até ouvir a voz de sua irmã mais nova do outro lado da linha.

- , você tem falado com a ? - Perguntou , levantando-se rapidamente e andando de um lado para o outro do quarto, fazendo com que Dean acompanhasse seus movimentos minuciosamente.
- Não, ela não ligou mais e o celular dela só cai na caixa postal. O mesmo com o do Dereck e o do Greg. Você soube de algo? - Perguntou , intrigada, demonstrando uma pontada de preocupação na voz.
- Não, nada também. Estou começando a ficar preocupada, ela nunca passa muito tempo sem ligar. - caminhou até a janela e afastou um pouco a cortina para observar a rua, que estava silenciosa e agourenta. Típica situação de uma cidade pequena.
- Não se aflija. Ela vai ligar. Não pense besteiras, ela está bem. Sabe se cuidar e está com os Mackenzie, esqueceu?! Eles não vão deixar que nada de ruim aconteça a ela. - Tentou tranquilizá-la a mais nova.
- É. Deve ser só paranóia da minha parte. Está tudo bem por aí? - continuava a observar o vazio que se instalava na rua.
- Aham, tudo tranquilo. Nada fora do comum. Você está bem? Como estão as coisas por aí?
- Tudo bem, só estou sem sono, mas nada que um chá não resolva. Qualquer coisan me chame. - Lembrou a mais velha.
- Ok, qualquer coisa, eu chamarei. Boa noite. - Finalizou , desligando, fazendo com que se virasse para guardar aparelho celular na bolsa.

- ?! - Exclamou Dean, sentando-se na cama. - Esse nome não me é de todo estranho. - Comentou o rapaz. sentou-se na cama e olhou para Dean.
- Bobby deve ter comentado algo sobre ela. é uma garota cativante. - A garota sorriu, lembrando-se da última vez que tinha visto a garota.
- É... Talvez. - Concordou ele, coçando a testa. - O que ela é de tão importante, afinal?
- Uma amiga muito querida. - Respondeu , tirando os sapatos e colocando as pernas esticadas sobre a cama. - é apenas uma adolescente. Ela tem dezesseis anos e já passou por coisas que muita gente nem sonharia em vivenciar.
- Caçadora? - Questionou o rapaz olhando de soslaio para .
- Aham. Desde os nove anos. - Respondeu , com pesar na voz. - Ela foi abandonada na porta de uma igreja quando ainda era um bebê. Teve a sorte de encontrar alguém que a acolhesse. - sorriu. - Mas também não seria difícil.
- E por que não? - Perguntou o rapaz, imitando e ajeitando-se na cama ao lado da garota.
- tem um poder de persuasão que você nem pode imaginar. Ela pode conseguir o que quiser sem muito esforço. - Explicou , encarando o rapaz. - Provavelmente se Anthony não a tivesse pegado para criar outra pessoa o faria.
- Você fala dela com tanto carinho. Ela significa muito para você não é?
- Sim, ela significa. - Afirmou a garota, fitando os próprios pés. - Ela é como se fosse uma irmã mais nova para mim. Eu me sinto responsável por ela. Como se tivesse de protegê-la, assim como faço com a . - sorriu e virou-se para encarar os olhos verdes do rapaz ao seu lado. - Você me entende, não é? Quer dizer, eu sei que você protege muito o Sam.
- Sim, eu entendo. É como se fosse sua obrigação, sua responsabilidade cuidar dela. Ela deve ser uma boa garota.
- Ela é.


Capítulo 4 - Ajuste de contas
Capa


"Cada lágrima nos ensina uma verdade."
Ugo Fóscolo


- Alguma novidade sobre as vítimas? - Perguntou Bobby, seguido de perto por e Sam, assim que entrou no quarto de número 210. remexia na bolsa, à procura de algo, enquanto Dean encontrava-se sentado na mesa lendo os obituários que estavam espalhados sobre a mesma. Os dois se entreolharam e Dean fez sinal para que prosseguisse.
- O mesmo de sempre. As vítimas não têm nenhuma ligação específica. Não eram amigas, parentes ou algo do tipo. Exceto por... - A garota parou por um momento fitando o chão.
- Por? - Instigou o caçador.
- As três estavam grávidas. - Respondeu , olhando diretamente para Bobby. O silêncio no local era fúnebre. rapidamente colocou-se ao lado da irmã e Bobby estava paralisado próximo a porta com Sam em seu encalço.
- Oh, oh, oh. O que isso tem de tão importante além do fato dessa coisa ter sido um monstro pro matar grávidas? O que vocês estão escondendo de tão assustador? - Dean se sobressaltou, levantando-se da cadeira e olhando hora para Bobby, hora para as Stryder.
- Não estamos escondendo nada. É só um caso brutal, estamos assustados, isso é normal. - Tentou defender-se Bobby.
- Não, não é. Vocês estão apavorados demais. E, depois do que aconteceu ontem, eu não tenho dúvidas de que existe algo mais nessa história. ? - O rapaz chamou pela moça e a encarou.
- Ele tem razão. Não poderíamos esconder por muito tempo. - Confirmou a garota, fitando Bobby e logo depois passando a olhar Dean nos olhos. - O que há de estranho neste caso é que é o meu caso, Dean.
- Seu caso? Como assim? - Questionou o rapaz, se aproximando alguns passos da cama.
- Eu não fui sempre assim, tão fechada a tudo. Há nove anos, quando eu estava na faculdade, eu era uma garota totalmente normal, como todas as outras. Eu cursava direito, morava com a , trabalhava e tinha um namorado pelo qual eu era completamente apaixonada. Eu confiava plenamente nele, nunca imaginei o que ele faria. Nós já namorávamos havia mais de um ano, e um dia eu descobri que estava grávida. Hum, aquele foi o melhor dia da minha vida, ou pelo menos era o que eu achava que seria. Afinal, eu estava grávida do cara que eu amava e aquilo era... Ótimo. Então, eu contei a ele. Foi a pior coisa que eu fiz na vida. Ele disse pra eu abortar, e eu recusei. Eu fugi, mas ele me encontrou. Então, ele me jogou da escada da antiga casa onde os pais deles moravam. Uma solução simples e rápida para os problemas dele. Eu tive hemorragia interna e descolamento de placenta. Perdi o bebê. Eu fiquei semanas no hospital pensando em tudo o que havia acontecido. Todo o tempo em que eu achava que ele era confiável, e o dia em que ele me jogou da escada, o fato dele ter fugido. Então, eu e a resolvemos sair do Michigan. Nós falamos com o John e com o Bobby, e eles nos levaram para Tulsa. Ben tentou contato algumas vezes, mas não obteve sucesso. Um tempo depois, nós ficamos sabendo que ele havia se suicidado. - Lágrimas dançavam pelo rosto da garota.
- , eu... Sinto muito. - Exclamou Sam, ao ver que a garota estava terrivelmente abalada. A garota apenas concordou de leve com a cabeça.
- Tudo bem, isso tudo já passou. Eu e caçávamos havia anos, demos um tempo e fomos trabalhar no bar de George. Só o Bobby e o pai de vocês sabiam da história toda. Estávamos de "férias", até vocês aparecerem. - Terminou a garota, limpando as lágrimas. Dean balançava a cabeça negativamente, como se não quisesse acreditar no que acabara de escutar.
- O que você pretende fazer, agora? Acha que é ele mesmo que está assombrando a cidade? - Questionou Bobby, assim que a garota se recuperou do choque das lembranças.
- Você sabe que é bem provável que sim, Bobby. Ele se suicidou, é uma experiência traumática, pode ter causado isso a ele. - Afirmou a garota, respirando profundamente. - Eu vou a delegacia novamente ver se encontro mais alguma coisa que adiante o nosso lado. Vou dar uma olhada na antiga casa, ver o que aconteceu com ela. Se nada disso der certo, eu vou procurar Eunice Blake. - Concluiu a garota, levantando-se e pegando a bolsa que estava em cima da cama.
- Eu vou com você. - Falou Dean, apressando-se em segui-la.
- Não vai, não. Você vai ficar aqui com os outros. - Repreendeu-o a caçadora, parando de caminhar e virando-se para encará-lo. Os dois estavam a pouca distância.
- Não vou, não. Fomos juntos à delegacia da primeira vez e não vou deixar você ir sozinha a uma casa que pode estar assombrada. - Falou o rapaz, apressando-se em abrir a porta. - Podemos ir? - soltou o ar pesadamente e saiu porta a fora, sendo seguida por Dean.

- Você é a criatura mais teimosa e insuportável que eu já conheci, sabia?! - Exclamou a garota, assim que Dean arrancou com o carro.
- E você deveria agradecer por isso. O que Margareth ia pensar se você aparecesse sem seu marido por lá? E, além do mais, você não esperava ir sozinha na casa onde tudo aquilo aconteceu com você? - Foi a vez de Dean repreendê-la.
- Na verdade, eu esperava, sim. Era muito melhor do que ir lá com você. - Alterou-se a garota, passando a olhar pela janela.
- Ah, vamos, deixa de bobagem. Eu sei que não sou a melhor pessoa para se conviver, mas não deixaria você correndo perigo. - Terminou o rapaz, desviando o olhar para a estrada. deixou de encarar as casas de cerca branca que passavam rapidamente pela rua para olhar a expressão preocupada do rapaz. Ambos estavam se surpreendendo com o andamento da situação. Não só o caso em si, mas a situação entre os dois estava ficando cada vez mais próxima.
- Sra. Page! - Exclamou Margareth. - Não imaginei vê-la por aqui tão cedo. - suspirou e dirigiu-se para apertar a mão da oficial, sendo seguida por Dean.
- Parece que as circunstâncias me trazem para cá cada vez mais. A senhora se importa de nos responder algumas perguntas?
- De forma alguma. Porque não se sentam? - A mais velha indicou duas poltronas situadas na recepção e encostou-se na pequena mesa de mogno.
- A senhora conhecia as vítimas? - Perguntou Dean, olhando de soslaio pra .
- Ah, sim, uma delas era filha de uma amiga de infância minha. Uma garota ótima, nunca deu problemas aos pais. - Respondeu a oficial, ajeitando-se na mesa.
- E o pai do bebê? Era um rapaz confiável, de boa conduta? -Novamente, Dean questionou a policial.
- Sim. Um rapaz de família conhecida e não hesitou em pedi-lâ em casamento assim que soube da gravidez. As duas famílias estavam muito felizes, apesar de não estarem esperando que Sara engravidasse tão cedo. Ela só tinha vinte anos. Ainda tinha muito que aproveitar, mas aconteceu. Estão todos desolados, sem saber como isso aconteceu. - Margareth balançou a cabeça negativamente. - Foi uma brutalidade, mas achar o assassino não vai trazê-la de volta.
- A senhora tem razão. Isso não vai trazê-la de volta. Mas a senhora sabe informar onde ocorreram os acidentes? - Questionou , mexendo as mãos impacientemente.
- Ah sim. Todas elas moravam próximas a antiga casa dos Blake. - ficou estática assim que a oficial fez menção do sobrenome de Ben. Dean esticou o braço e segurou as mãos da garota, fazendo com que Margareth sorrisse. - Eunice deixou a casa logo após a morte do marido. Já fazem muitos anos. Pouco tempo depois, seu único filho, Ben, se suicidou. Pobre rapaz! Tinha acabado de perder a namorada. - apertou a mão de Dean, segurando as lágrimas.
- A senhora pode nos dizer onde mora essa senhora? Dona Eunice? É que Ben era nosso amigo. Queremos ver como ela está. - Questionou Dean, desviando os olhos de por um segundo para fitar a policial.
- Oh, sim, claro. Vou anotar o endereço para vocês. - Margareth deu a volta na mesa e pegou um bloco de papel e caneta para anotar as informações. levantou o olhar para Dean, seus olhos ainda marejados demonstravam medo e insegurança. Ela sabia o que deveria enfrentar daqui por diante.

- Vamos dar um tempo para você se recuperar, ok? Vamos para o hotel, e amanhã nós visitamos essa senhora. Você precisa de um tempo. Se quiser eu arranjo outro quarto para mim, até durmo no Impala se você preferir ficar sozinha. - estava encostada no capô do Impala e Dean estava em sua frente segurando ambas as mãos da garota.
- Não, está tudo bem. Você não precisa se preocupar. - Dean levantou a sobrancelha. - Mesmo. Eu tô bem, é sério. Eu não sei é que... Me parece tão diferente agora. Quer dizer, eu não sou mais aquela garota boba e apaixonada de alguns anos atrás. Eu quero fazer justiça, só isso. - A garota estava séria e sua expressão era confiante, muito diferente do que aparentava minutos antes. Cada vez mais se percebia que era uma mulher com muitas experiências difíceis, mas, mesmo assim, uma mulher que não deixava que o medo a dominasse.
- Ok, se você está bem, eu estou bem. - Dean beijou a testa da garota e deu a volta no Impala para irem de volta ao hotel. sorriu, desencostando-se do carro, abriu a porta e entrou no carro. De longe, Margareth observava-os sorrindo.

- Alguma novidade? - Perguntou , assim que os dois entraram no quarto do hotel, indo ao encontro da irmã mais velha.
- Sim. Parece que todas as vítimas moravam próximo a antiga casa dos Blake. Vamos falar com Eunice amanhã. - Anunciou , olhando nos olhos da irmã.
- Tem certeza disso, ? Ela vai te reconhecer, você não mudou muito desde que saímos daqui. - Perguntou a mais nova, em tom preocupado.
- Esta é a intenção. Eu quero que ela se lembre de mim e saiba exatamente o que Ben fez. - suspirou e sentou-se na poltrona próxima a janela ao lado de Bobby.
- Você parece decidida sobre o que fazer a respeito do caso! - Exclamou Bobby, com uma expressão admirada no rosto.
- É só um caso onde temos um fantasma atormentado. A única diferença é que isso significa justiça para mim. - Respondeu a garota, cruzando as mãos no colo. A decisão havia sido tomada, agora só faltavam os detalhes práticos.

- ? , você tá aí? - Dean estava entrando no quarto e chamava pela garota.
- Estou me vestindo, só um segundo! - Exclamou a garota, fazendo Dean sorrir. O rapaz deu três batidas na porta e a abriu devagar.
- Posso?
- Adianta eu dizer que não?! - Questionou a garota, ironicamente. Pelo espelho, seu reflexo podia ser visto claramente. A garota vestia apenas um conjunto de lingerie preta de renda. Dean entrou no banheiro e encostou-se no mármore da pia.
- Bonita roupa. - Falou o rapaz, rindo maliciosamente.
- Engraçadinho, você. - soltou um muxoxo, enquanto enxugava os cabelos. - O que você quer?
- Só queria saber se você está bem, mesmo. Você parecia transtornada ontem na delegacia, e agora você parece familiarizada com a situação. Como se fosse só um caso, e não o seu caso. - Dean estava com a testa franzida.
- Eu não posso ficar remexendo no passado e me amargurando por toda a vida. É claro que eu nunca mais fui a mesma depois do que aconteceu e eu não serei mais a mesma depois de tudo isso se resolver. Mas não vai adiantar de nada eu ficar lembrando o que passou. Eu só não quero mais cometer o mesmo erro, mas a vida continua.
- Você tem razão. Mas tanto a sua irmã quanto Bobby não parecem acreditar muito em você. - Instigou o rapaz, sorrindo de canto.
- Eles me conhecem muito bem, acham que eu estou escondendo meus sentimentos como em todas as outras vezes, mas... Agora, é diferente. - A garota dirigiu-se para o espelho, ficando bem próxima a Dean. Os dois estavam lado a lado.
- Diferente por quê? - Perguntou ele, virando a cabeça para observá-la.
- Porque eu não sou mais a idiota de nove anos atrás. - passou a encará-lo.
- E o que aconteceu com essa garota? - Questionou o rapaz, virando-se de frente para . Os dois estavam a centímetros de distância, ambas as respirações ofegantes.
- Ela cresceu. - Falou a garota, sorrindo. Dean colocou a mão esquerda na cintura da garota, aproximando os corpos, passou a ponta de seu nariz na bochecha da garota, fazendo-a fechar os olhos. Automaticamente, as mãos de seguraram os braços do rapaz, apertando-os fortemente. Então, delicadamente, Dean uniu os lábios aos dela, iniciando, assim, um beijo lento e carinhoso. A mão direita do rapaz estava agora na nuca de . O beijo causava arrepios a ambos, e sensações que não haviam experimentando com nenhuma outra pessoa antes. E, então, ouviram batidas na porta. Eles se separaram calmamente, enquanto Dean xingava baixinho.
- Vá atender, pode ser importante. - Falou , sorrindo, e, quando Dean estava próximo a porta, a garota o chamou de volta. - Me dê a sua camisa. - Falou a garota com convicção; o rapaz mostrava uma expressão de dúvida. - Apenas confie em mim. Acho que sei quem pode ser. - O rapaz retirou a camisa social vermelha, ficando apenas com a camiseta preta que trazia por baixo da mesma e saiu porta a fora. esperou não hesitou em vestí-la e encostar-se na porta do banheiro para confirmar o seu palpite.

- Oficial Margareth! - Dean franziu a testa. - Não esperava vê-la por aqui. Quero dizer, a senhora está no turno de trabalho, correto?
- Sim, Sr. Thompson, eu não esperava ter de vir vê-los também, mas eu soube de novidades no caso e achei melhor vir avisá-los. - Margareth trazia no rosto uma expressão séria.
- Amor, quem está... Margareth. Não esperava vê-la hoje. - estava parada no meio do quarto vestida com a camisa de Dean e com uma toalha nas mãos; a situação fez Margareth sorrir. Dean olhava para com um misto de surpresa e admiração. Sem dúvidas, o ato da garota extinguia as dúvidas de que ambos eram um casal. Pelo menos para quem os visse naquele momento. A garota apressou-se me ir cumprimentar a policial e postou-se ao lado de Dean. Enlaçou a cintura do rapaz com o baço direito, fazendo com que ele descansasse o braço esquerdo em seus ombros. Um casal perfeito.
- Me desculpem alguma coisa, eu não esperava ter de achá-los tão cedo. É que surgiram novidades nas investigações.
- Oh, não se preocupe. Somos todo ouvidos. Mas você me daria um segundo para mudar de roupa? - Perguntou , franzindo a testa e mordendo o lábio inferior ao apontar para si mesma.
- Sim, claro. Eu espero vocês no restaurante do hotel, tudo bem? - e Dean assentiram, e Margareth virou as costas para descer as escadas. O rapaz fechou a porta, e desvencilhou-se do abraço.
- De onde você tira essas idéias? - Perguntou o rapaz, visivelmente admirado.
- Depois de tudo isso, ninguém na cidade vai ter mais dúvidas de que somos um casal. - Respondeu a garota, enquanto abria os botões da camisa e se dirigia novamente ao banheiro, sendo seguida por Dean. Depois de retirar a mesma, jogou a camisa de volta para ele e ia fechar a porta do banheiro, quando Dean a impediu. O rapaz deixou a porta entreaberta com a segurando do outro lado e se aproximou da garota pela fresta deixada entre os dois.
- Nunca mais vai ser a mesma coisa usar essa camisa. - Falou o rapaz, dando um selinho demorado em e saindo para deixá-la se trocar.


Capítulo 5 - Uma visita inesperada
Capa


“Porque há o direito ao grito. Então, eu grito.”
Clarice Lispector


- O que você queria nos contar, Margareth? - Perguntou Dean, assim que ele e sentaram-se na mesa onde a oficial os esperava.
- Surgiram novas evidências no caso. Parece que as três garotas tiveram gravidezes indesejadas e nem tudo foram rosas para elas. Os três rapazes que eram pais dos bebês confessaram que pensaram na hipótese de aborto. Todos eles chegaram a sugerir isso às meninas.
- Isso nos leva a crer que eles não desejavam que as crianças nascessem. - Concluiu Dean, franzindo a testa.
- Sim. Eles disseram que um bebê só prejudicaria a vida deles. Que seria desnecessário. - A policial balançou a cabeça negativamente e murmurou baixinho: Onde esse mundo vai parar?
- Mais algumas coisa, Margareth? Eles têm antecedentes criminais ou algo do tipo? - Questionou , cruzando as mãos em cima da mesa.
- Não. Todos os três têm as fichas limpas. E é até irônico, mas... Todos eles são sobrinhos da Dona Eunice. - Dean e se entreolharam, surpresos.
- Todos eles? - Os dois perguntaram em uníssono.
- Todos eles.

- Ótimo. Agora, só temos mais um indício de que é mesmo Ben que está causando as mortes. - Exclamou , assim que eles entraram no quarto, jogando-se na cama.
- Além do óbvio, o que te faz ter tanta certeza disso? - Questionou Dean, sentando-se ao lado dela.
- Margareth falou que os três rapazes chegaram a sugerir um aborto, o que Ben havia feito comigo. Se ambas as garotas recusaram, ele sentiu-se na obrigação de acabar com o problema de seus primos, assim como fez comigo anos atrás. - Dean tentava seguir a linha de pensamento da garota.
- É, faz sentido. Se for mesmo ele, o que é bem provável depois de tantas evidências, ele não ia querer que a própria família sofresse, então, resolveu ajudar. Ou, pelo menos, pensou estar ajudando. - Completou Dean.
- Exato. Ele pensou estar se livrando de um problema. Aquele desgraçado, sem coração. - A garota cerrou as mãos em punho e não demorou muito para que Dean pegasse suas mãos e desse um beijo em cada uma delas.
- Eu entendo a sua raiva, mas ela não vai ajudar em nada agora. - Falou o rapaz, aproximando-se dela.
- Falou o senhor eu-sou-paciente. - riu, sarcasticamente.
- Eu não sou a pessoa mais paciente do mundo, mas, acredite, eu sei que é pior pra você. - O rapaz passou as costas da mão nas maçãs do rosto de .
- Hum, nós somos dois cabeças dura, isso é bem verdade. - Foi a vez de se aproximar, sempre encarando os olhos verdes de Dean, e selar seus lábios nos dele.

- Sabe, você conseguiu o que nenhuma outra garota jamais conseguiu. - Dean virou-se na imensa cama de casal para encarar as madeixas de que estavam espalhadas sobre o travesseiro. A garota virou-se para observar o rapaz, o que os deixou a centímetros de distância.
- Consegui? O quê, exatamente? - Perguntou , levantando as sobrancelhas.
- Conseguiu passar uma noite comigo sem que eu tentasse nada demais com você. Isso é um grande feito. Pode perguntar ao Sammy. - Dean estava sério, apenas encarando os olhos imensamente azuis da mulher a sua frente.
- Isso significa...? - Perguntou ela, se aproximando ainda mais seu corpo do dele.
- Significa que eu te respeito. Como caçadora e como mulher. - As respirações descompassadas, os olhares cúmplices, tudo era diferente quando os dois estavam juntos.
- Isso é bom. - Falou , sorrindo. Dean passou o braço por debaixo da cabeça da garota, fazendo-a deitar em seu peito.
- Isso é muito bom.

- É aqui. - Anunciou , assim que Dean estacionou o Impala em frente a uma casa azul com uma cerca de madeira branca e flores nas janelas.
- Tem certeza de que quer entrar? - Perguntou Dean, postando-se ao lado da garota. e Sam não tardaram a sair do carro. foi para o lado direito da irmã e Sam ficou logo atrás dela.
- Tenho. - Respondeu a garota, adiantando-se para abrir o pequeno portão de madeira. Três batidas na porta e um curto período de espera, até que uma senhora de cabelos grisalhos e aparência gentil aparecesse na porta. não precisou trocar uma palavra sequer com Eunice para que a mesma a reconhecesse.
- Acho que a senhora não se importa de que façamos algumas perguntas. - mantinha a expressão sem emoção, e Eunice ainda estava em choque quando deu passagem para o grupo adentrasse em sua casa.
- Faz muito tempo. - Murmurou a senhora, assim que fechou a porta.
- Sim faz. Parece que seu filho é quem me trouxe para cá. - respondeu, ríspida.
- Meu... Meu filho? - Gaguejou Eunice visivelmente apavorada.
- Sim. Está cidade não é tão grande a ponto da senhora não ter conhecimento das mortes que vêm ocorrendo. Ainda mais sendo todos ligados a sua família.
- Eu não sei do que você está falando. - Eunice respondeu de forma evasiva.
- Humph. A senhora vai fingir que nada está acontecendo como fez nove anos atrás?! - Questionou a morena, aumentando o tom de voz e fazendo com que Eunice a olhasse apavorada. - Sim, eu sei que a senhora sabe. Pode não saber os detalhes, mas sabe.
- Eu sinto muito. - Murmurou a senhora, encarando os próprios pés.
- Sentir muito não vai trazer meu filho de volta, mas pode salvar vidas inocentes. - Respondeu a garota, seca. - Onde Ben foi enterrado?
- E em que isso irá ajudar? Como ele pode ter alguma ligação com isso? - Questionou Eunice, aproximando-se de .
- A senhora sabe muito bem. Era uma das únicas pessoas na cidade que sabiam o que eu e fazíamos. Só diga onde. - repetiu, dando dois passos em direção a ex-sogra.
- No cemitério municipal. Você sabe onde era o túmulo de meu marido. Ben foi enterrado lá. - Eunice deu as costas ao grupo e foi para a cozinha. a seguiu.
- Existe mais algumas coisas que se liguem a ele? Alguma coisa a qual ele era muito apegado? - Perguntou a garota, sem dar muita atenção às evasivas de Eunice.
- Além de você? - Eunice perguntou, irônica.
- Mais alguma coisa? - cerrou os dentes.
- Nada. Tudo o que pertencia a ele foi queimado. - girou nos calcanhares e saiu porta a fora. Logo sendo seguida por Dean, e Sam.
- Amanhã vamos ao cemitério. - Anunciou a garota, entrando no Impala. O caminho até o hotel foi silencioso.

- Você está bem? - Perguntou , que havia entrado silenciosamente no quarto, enquanto arrumava as coisas para o dia seguinte.
- Ótima. - Respondeu a mais velha, sem emoção.
- , deixa de ser cabeça dura, você precisa desabafar. Conversar com alguém. Você vai explodir desse jeito. - Repreendeu , postando-se na frente de . A reação da mais velha foi abraçar a irmã. - Tudo bem. Tudo vai ficar bem.

- Dean, Sam. Tenho novidades para vocês. - Exclamou Bobby, entrando no quarto os dois rapazes.
- O que aconteceu, Bobby? - Questionou o caçula, deixando o notebook de lado.
- Eu estava pesquisando alguns registros de nascimento do Kansas e encontrei algo bem interessante. - Respondeu o caçador, aproximando-se da mesa e colocando sobre ela um registro de nascimento. Dean rapidamente o apanhou.
- Lawrence, Kansas. 15 de dezembro de 1992. Nome desconhecido. Pais desconhecidos. O que isso tem de interessante, Bobby? É só um registro antigo de alguma criança nascida em Lawrence! - Exclamou Dean, deixando o registro em cima da mesa e balançado a cabeça negativamente. Bobby mantinha o rosto sem expressão alguma.
- Bobby? O que tem nesse registro? - Questionou Sam, analisando o silêncio do caçador.
- Dê uma olhada no Diário de John. - Respondeu o caçador, indo sentar-se ao lado de e , ambas quietas sentadas na cama. Dean rapidamente apanhou o diário do pai dentro da sacola de viagem e folheou-o até parar em certa página. O rapaz ficou estático.
- Dean, o que foi? - Questionou o caçula, assustado com a quietude do irmão.
- 15 de dezembro de 1992, Lawrence, Kansas. - Respondeu o mais velho, desviando o olhar das páginas do diário e fitando o irmão boquiaberto.


Capítulo 6 - Uma questão de túmulo
Capa


"A maior coisa que você jamais vai aprender é simplesmente amar e ser amado em troca."
Moulin Rouge


- Bobby, o que isso significa? - Questionou Dean, observando o registro novamente.
- John havia me falado de uma criança há muito tempo. Pelo que tudo indica, essa criança é irmão de vocês. - Respondeu Bobby, fazendo Dean e Sam ficarem ainda mais surpresos.
- Um irmão? - Perguntou Sam.
- Irmã, na realidade. - Corrigiu Bobby, fazendo Dean conferir o sexo da criança do registro. Até ali todas as informações batiam.
- Isso é, no mínimo... Impressionante. - Exclamou Dean, admirado.
- De fato. Depois de resolvermos as coisas por aqui, eu vou investigar o paradeiro dessa criança. Bom, dessa garota. Pelos meus cálculos, ela deve ter uns dezesseis anos. - Falou Bobby, tranquilamente, levantando-se e caminhando na direção da saída.

- Você ainda sabe onde fica o túmulo? - Perguntou para a irmã mais velha assim que chegaram ao cemitério. O sol já estava se pondo no horizonte.
- Acredito que sim. Ainda me lembro bem do enterro do pai de Ben. Não foi muito tempo antes de sairmos daqui. - Respondeu a mais velha, enquanto analisava as inscrições das lápides.
- Então, vamos ficar atentos às inscrições dos túmulos. - Alertou Bobby, andando lentamente em torno das lápides.
- Não vai ser necessário. - estava parada na frente de um túmulo e indicava a inscrição da lápide. Bernard Blake. Havia uma árvore próxima ao túmulo. Morta.
- É hora de começar o trabalho! - Exclamou Dean, pegando a pá e indo em direção ao túmulo.

- Quer que eu faça? - Perguntou , assim que viu apanhar o sal e o aditivo na sacola.
- Não. Eu quero fazer. - Respondeu a garota, com a expressão fechada. O túmulo já estava aberto, os ossos a mostra. caminhou até a borda da cova, salgou os ossos e jogou o aditivo. - Adeus, Ben. - Murmurou a garota, riscando o fósforo e jogando-o sobre os ossos. Sem demora, o fogo se alastrou.
- Querendo se livrar de mim, querida? - se sobressaltou ao ouvir a voz grave que há anos assombrava seus pesadelos.
- Você se importaria muito, querido? - Perguntou a garota, ironicamente, girando nos calcanhares para encarar o fantasma de Ben. Dean estava do lado direito da garota, do lado esquerdo, e Sam e Bobby mais atrás.
- Eu já me acostumei, é isso que você faz sempre. - riu, sarcástica.
- Eu? Eu me lembro de você me jogando da escada depois de eu ter te falado que estava grávida e não o contrário. - As lágrimas se acumulavam nos olhos da garota. Ben passou a fitar a árvore morta.
- Aquilo foi um erro. Você deveria entender a minha situação, eu...
- Eu deveria entender? Entender que o cara que eu amava e pensava ser o homem da minha vida se tornou cruel o suficiente para matar o próprio filho?! Você só pode estar brincando. Acabou o tempo para suas mentiras, pois eu já tive o bastante delas por anos. Você sempre estava ao meu lado pronto para o que viesse. Mas quando eu mais precisei de você, a única coisa em que você pode pensar foi no seu maldito umbigo. Você deve achar que eu guardo ressentimentos de você. Mas você está errado. Se não fosse por tudo que você fez, eu não saberia o quanto sou capaz de agüentar e, por isso, quero dizer obrigada. Pois isso, me deixou muito mais forte, me fez trabalhar mais e deixou muito mais sábia. Me fez enxergar as coisas mais rápido, deixou minha pele um pouco mais espessa para aguentar todo o peso e as apunhaladas que fincariam sobre minhas costas. Mas, no fim, eu quero lhe agradecer porque você me fez muito mais forte. - A garota levantou a arma carregada com sal e atirou bem no peito do fantasma. Uma única lágrima desceu pelo rosto de .
- O que mais pode prendê-lo aqui? Nós acabamos de queimar os ossos dele? - Perguntou Sam, olhando ao redor. acompanhou o olhar do rapaz e parou assim que enxergou o Impala.
- A aliança. , você sabe onde está a aliança? - franziu a testa por um tempo e só então pareceu entender o que a irmã falava.
- Ela foi refundida, lembra? - A garota levantou o braço e apontou para uma fina pulseira de prata em volta de seu pulso.
- Queime. - Ordenou a mais velha. rapidamente arrancou a pulseira do braço e jogou-a dentro do túmulo, onde o fogo ainda não havia cessado. Finalmente, teria um pouco de paz. girou nos calcanhares e seguiu em direção ao carro.

- Como você se sente depois de tudo ter acabado? - Perguntou Dean, aproximando-se e encostando-se no capô do carro onde estava .
- Muito bem. Melhor do que eu imaginava, afinal. - Respondeu a garota, sorrindo verdadeiramente como não fazia há dias.
- Você vai ficar melhor ainda. É só deixar o tempo passar. - encostou a cabeça no ombro do rapaz, e ali eles ficaram quietos. Por um bom tempo.

- Nós vamos embora amanhã? - perguntou, assim que todos já estavam acomodados no quarto de hotel. Bobby e estavam na escrivaninha próxima a janela limpando as armas, Sam estava sentado na mesa mexendo em seu notebook, Dean folheava o Diário de John e estava sentada na cama com as pernas cruzadas em forma de um xis, arrumando alguns papéis.
- Acho melhor esperarmos mais um dia. Talvez não tenha dado certo, eu não acredito em Eunice. - Comentou , ainda com sua atenção voltada ao cano de uma 12.
- Tiveram algum progresso com o registro? - fitava Sam, agora. Ambos os Winchester estavam intrigados com a história de Bobby e a criança misteriosa do registro. Este era o novo assunto do grupo.
- Nada. A única coisa que sabemos é que a garota foi dada para adoção. Está perdida no sistema.
- Sam, dá uma olhada nisso! - Dean entregou o diário do pai ao irmão caçula.
- 15 de dezembro de 1998. Igreja de são Gabriel, Pontiac, Iliinois. - Leu o caçula em voz alta.
- Isso pode ser uma pista! - Exclamou Bobby, virando-se para observar os Winchesters. - John não escreveria nada que não fosse importante.
- Isso é bem verdade. Papai não teria escrito algo sem valor. - Concordou Dean, analisando, mais uma vez, o registro de nascimento.
- Igreja de São Gabriel. Quem passa o aniversário em uma igreja? - Questionou-se Sam, em voz alta.
- Existem famílias muito religiosas. Pontiac é uma cidade de muita fé. Se ela foi adotada por uma família de lá, é totalmente comum levarem as crianças para serem abençoadas no dia do aniversário - Explicou Bobby, aproximando-se para analisar o Diário de John.
- Você falou 15 de dezembro de 1998? - Perguntou , fitando as cortinas e logo depois se virando para encarar Sam ainda com uma pistola na mão.
- Sim. É o que está registrado aqui. - Respondeu o garoto, conferindo o diário na mão de Bobby.
- Pontiac, Illinois. Igreja de São Gabriel. - O caçula confirmou com um leve aceno de cabeça. - Isso não lembra nada a vocês? Bobby? ?
- Eu não me lembro de nada estranho nesse dia. - Respondeu Bobby, pensativo.
- Eu também não, na realidade, acho que nós... - De repente, a garota parou de falar, ficou estática.
- O que aconteceu, ? - Perguntou Sam, preocupado. limitou-se a fitar a irmã.
- . - Pronunciaram as duas, em uníssono.

- Como eu não pude me lembrar disto antes?! - Questionou-se Bobby, enquanto analisava o registro novamente.
- Esperem um pouco. Dá pra vocês explicarem isso direito? - Sam pronunciou-se, olhando aturdido para o Bobby.
- No dia 15 de dezembro de 1998, na Igreja de São Gabriel, que fica em Pontiac, Illinois, estávamos comemorando o 6° aniversário de . - Explicou , olhando para Dean, que mantinha a expressão de dúvida.
- Espere aí. Aquela ? - Perguntou o rapaz, levantando-se da cadeira. - A garota que você tinha me falado aquele dia?
- Sim, ela mesma. - Concordou , largando a pistola sobre a cômoda.
- Então, quer dizer que há uma possibilidade dessa garota ser quem procuramos? - Sam perguntou, com uma expressão confusa.
- Pelo que tudo indica, sim. - Confirmou Bobby, que caminhava de um lado para o outro.
- Mas nós precisamos ter certeza disso. Vou ligar pro Ash. - Anunciou , saindo do quarto.
- Achei que precisaríamos de mais tempo para achar essa criança. Parece impossível ser tão óbvio. - Murmurava Bobby, surpreso.
- Nós não podemos arriscar. tem uma vida normal, não podemos estragar todos esses anos que ela viveu chegando a Pontiac e anunciando que ela é filha de um caçador. - Alertou , levantando-se da cama e gesticulando com as mãos.
- A vida de não é tão normal assim. Mesmo sem saber suas origens seus instintos a fizeram uma ótima caçadora. - Lembrou Bobby, fitando .
- Caçadora?! - Disseram, em uníssono, Sam e Dean, totalmente apavorados.
- É. E você já sabia disso, Dean, eu comentei sobre ela com você. - estava de volta ao quarto e Dean franziu a testa, tentando lembrar-se da conversa referida.
- Ah, sim. Você tinha me falado. Mas é assustador. Ela é tão... Nova. - O rapaz fez uma careta de reprovação.
- E você começou a caçar com quantos anos? - Perguntou Bobby, ironicamente.
- É diferente. - Repreendeu Dean.
- Que seja. O que Ash falou? - Bobby deixou Dean de lado e passou a fitar . A garota estava próxima a cama guardando o aparelho celular na bolsa.
- Ash falou que vai tentar achar os registros da adoção de e vai ver se as informações do registro que você encontrou batem. Muita gente muda a data de nascimento da criança para a data da adoção. Isso pode ter acontecido com a . - Explicou a garota, sentando-se na cama.
- Isso é bem verdade. Até lá, vamos ter de esperar. - Bobby retirou-se do quarto, sendo seguido por , que deu um beijo na bochecha da irmã e acenou de leve para Dean e Sam.
- Isso é definitivamente perturbador. - Comentou Dean, que ainda estava sentado a mesa.
- Deve ser realmente assustador descobrir que tem uma irmã adolescente. - gargalhou.
- Não é o fato de ter uma irmã. É mais o fato de eu não acreditar que papai teria um filho com outra mulher. - Confessou Dean, cabisbaixo.
- Olhe, eu sei que John amava sua mãe e odeio admitir, mas existem mulheres que se aproveitam disso. Mas pode ter acontecido. E veja pelo lado bom, se vocês tiverem mesmo uma irmã e ela for mesmo a , um problema a menos. - A garota havia se levantado da cama e encontrava-se ao lado de Dean com as mãos em seus ombros.
- Como assim? - O rapaz franziu a testa.
- é um amor. Você vai ver.

- Você já parou pra pensar na vida que nós temos? - Perguntou para a irmã mais velha enquanto via a mesma fazer as malas.
- Depende. Qual delas você está falando? - A garota colocou a última muda de roupas na sacola.
- Estou falando da caça. Quer dizer. É tudo tão maluco. As coisas são tão...
- Sobrenaturais? - Concluiu , sentando-se ao lado da irmã caçula. A garota confirmou com a cabeça. - Já, eu já parei pra pensar sim. É tudo uma montanha russa. Mas eu gosto disso.
- Eu também só penso que, às vezes... A gente podia ter tido uma vida diferente. Sei lá, normal? - franziu o cenho. a abraçou com um braço e encostou a cabeça da irmã em seu ombro.
- É tudo uma questão de percepção. O que é normal pra mim pode não ser normal pra você. Tudo depende de como você se sente. - Explicou a mais velha, acariciando o ombro da irmã. - Você se sente bem caçando?
- Sim. - Respondeu simplesmente , depois de alguns segundos pensando.
- Então, isso é normal para você. Fomos criadas nisso. É a nossa vida. Mas não quer dizer que não seja normal. - Concluiu a mais velha. levantou a cabeça para poder encarar a irmã.
- É tudo uma questão de percepção. - As duas sorriram e voltaram a ficar abraçadas.


Capítulo 7 - O que aconteceu, aconteceu
Capa


"Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado."
Clarice Lispector


- Acho que podemos partir tranquilamente. Não houve nenhum indício de erros. - Bobby estava lendo, pela segunda vez, o jornal. Já tinham assistido ao noticiário e estavam todos ansiosos para seguir ao encontro de Ash.
- Tudo bem, você tem razão. Não temos mais porquê esperar. Eu só preciso fazer uma coisa antes. - Concordou , pegando a bolsa e dirigindo-se a porta.
- O que exatamente você vai fazer? - Perguntou , intrigada.
- Me despedir de Margareth. - A garota abriu um largo sorriso.

- Se importa? - Dean surpreendeu a garota quando a ela atravessava o saguão do hotel.
- Quer ir junto?
- Bom, acho que Margareth ainda acha que somos casados. - O rapaz sorriu irônico enquanto oferecia o braço para . A garota sorriu junto com ele, entrelaçando seu braço ao dele.

- Senhora Page! Senhor Thompson! Que prazer revê-los. - Exclamou Margareth, assim que os viu adentrar na delegacia.
- É sempre um prazer também, Margareth. - Falou , apertando a mão da oficial, assim como havia feito Dean. - Mas desta vez viemos para nos despedir.
- Mas já? Achei que ficariam mais um pouco. - Exclamou a policial.
- Precisam de nós na capital. Temos que ir. - Explicou Dean com uma expressão de pesar. Sua mão encontrava-se na cintura de .
- Entendo. Mas acho que não vamos precisar de tanto reforço também. As coisas ficaram calmas por aqui. Como eram antes. - Dean e se entreolharam.
- Isso é muito bom. Se me dão licença, eu vou dar uma palavrinha com o delegado. Com licença. - Anunciou , retirando-se da recepção e batendo na porta do delegado. Sem demora, ela adentrou na sala dele.
- Você e a Senhora Page estão casados há quanto tempo? - Margareth perguntou, enquanto observavam conversando com o Senhor Palmer.
- Há pouco tempo. Somos praticamente recém-casados. - Sorriu o rapaz.
- Vocês formam um casal belíssimo. Cuide bem da sua esposa. Ela parece valer ouro. - Alertou a policial, analisando a expressão de Dean. O rapaz mantinha os olhos fixos nos movimentos de .
- Ela vale.

- Então, vamos ao bar da Ellen e depois vamos a Pontiac? - Perguntou Sam assim que saíram do Hotel em direção a estrada.
- Se tudo der certo, sim. Vamos primeiro ter certeza se os registros batem, depois procuramos a . - Respondeu , enquanto colocava suas malas no banco de trás do Impala. - Conseguiu falar com a ? - Perguntou à irmã mais nova assim que fechou a porta do carro.
- Nada. Celular fora de área e Dereck e Greg não atendem as chamadas. Deixei milhares de recados na caixa postal. - inspirou fundo.
- Vamos ter de esperar pra ver. Bobby está tudo certo?
- Está tudo combinado. Vamos primeiro ao Bar da Estrada, depois vamos a Pontiac. - Concluiu Bobby, entrando no carro junto com Sam e . Dean e entraram no Impala e seguiram viagem.

- ! - Gritou Jo, assim que avistou a caçadora entrando no bar e correndo para abraçá-la.
- Jo! Que saudades, garota, quanto tempo. - Falou a mais velha, ainda abraçada com a loira.
- Vocês sumiram. Mamãe está quase louca por não saber de vocês. - Falou a garota, enquanto era abraçada por .
- Nós continuamos com a mesma vida monótona de sempre. - Falou , fazendo as três gargalharem. Logo Helen apareceu e sem demora foi de encontro as irmãs.
- Meu Deus, será que vocês já ouviram falar em um aparelho chamado telefone? Isso serve para tranquilizar as pessoas. - Helen abraçou cada uma das irmãs e quando se aproximou do mais velho dos Winchester deu-lhe um tapa no braço.
- Ai! - Exclamou o rapaz.
- Isso serve para vocês dois também. Bobby! - Exclamou a mulher, indo abraçar o caçador.

- Vocês não vieram aqui só para me deixar tranquila. A que devo a honra da ilustre visita? - Perguntou Helen, enquanto colocava cinco garrafas de cerveja sobre a mesa em que todos estavam sentados e apoiava as mãos sobre a mesma. Todos se entreolharam.
- Acho que temos um membro novo na família Winchester. - Falou Bobby calmamente, enquanto tomava um gole de sua cerveja. Helen ficou estática.
- Novo membro? Como assim? - Perguntou a mulher.
- Eu estava analisando alguns registros de nascimento de Lawrence e achei uma data conhecida. Uma data que aparece no Diário de John com certa frequência. Coincidentemente ele havia deixado escapar algo sobre uma criança há um tempo. E nós temos pistas. - Explicou o caçador.
- Uma criança?! - Exclamou Helen, assustada.
- Sim. Pelo que tudo indica, temos um terceiro membro na família. - Bobby parecia tranquilo.
- E como vocês vão achar esse garoto? - Questionou a mulher, se recompondo.
- Garota. - Helen franziu a testa. - Não é um garoto, é uma garota. - Bobby tirou o registro do bolso e entregou-o a Helen, que o leu atentamente.
- Mas aqui não tem nada que ajudem vocês a localizar essa criança. Bom, não mais, essa adolescente. - Concluiu a mulher, intrigada.
- Você deve se lembrar de , Helen. Dê uma olhada na data de nascimento novamente. - Alertou , apoiando as mãos na mesa. Helen fitou novamente o registro em suas mãos e sobressaltou-se: 15 de dezembro.
- É o dia do aniversário de . - Falou a mulher, fazendo com que Jo finalmente percebesse do que se tratava o espanto da mãe.
- 'Pera aí. Quer dizer que vocês acham que a pode ser uma Winchester? - Perguntou a garota, com o cenho franzido.
- Sim, por isso estamos aqui. - As duas mulheres demoraram poucos segundos para descobrir sobre o que Bobby falava. - Ash.
- Ahn? O quê? Tá na hora de fechar? - Ash levantou-se de súbito, assustado e olhando para os lados. O rapaz estava dormindo em cima da mesa de snooker. Assim que avistou a reunião de caçadores, Ash coçou a cabeça, saiu de cima da mesa e caminhou em direção a eles. - Sam, Dean, , e Bobby. Achei que só vocês duas viessem. - Falou o rapaz, apontando para as duas garotas.
- A irmã não é nossa. - Respondeu , irônica.
- Ahn, é mesmo. Tinha esquecido. - O rapaz franziu o cenho. - Dean, meu velho, daria tudo para ver como tu vai lidar com uma irmã adolescente. - O rapaz deu algumas batidas nas costas de Dean.
- Você confirmou tudo? - Perguntou Bobby, surpreso.
- A criança do registro de vocês foi adotada exatamente um mês depois de nascer. Por coincidência, também. As descrições batem, e adivinhem? O endereço é o mesmo. Está tudo certo. Pelo que eu pude fazer, os números todos batem. Agora é só vocês verem se ela é parecida com os dois caras aí. - Ash encostou-se no balcão e apontou para Sam e Dean.
- Acho que solucionamos o problema de vocês. - Concluiu , olhando para Sam.
- Agora só precisamos descobrir como falar isso a . - Adicionou Bobby, cruzando as mãos em cima da mesa. Todos se entreolharam, apreensivos, e o silêncio instalou-se.
- Bom, está tudo muito bem, confortável. Mas eu tô querendo saber como vocês vão resolver essa parada. A tá numa enrascada. - Ash interrompeu o silêncio, fazendo todos virarem para encará-lo.
- Enrascada? Como assim, do que você tá falando, Ash?! - Perguntou , apreensiva, fazendo com que Ash franzisse a testa, surpreso.
- 'Peraí. Vocês não sabem de nada? - Perguntou o rapaz, desencostando-se do balcão e indo até a mesa e apoiando as duas mãos nela. Todos negaram com a cabeça. - Tipo nada de nada? Nadinha mesmo?
- Ash, desembucha logo. - Forçou , fazendo o rapaz assustar-se.
- Tá bom, tá bom. A me ligou esses dias dizendo que precisava de um favor. Coisa da pesada. - O rapaz puxou uma cadeira da mesa ao lado e sentou com as costas da cadeira viradas para frente.
- O que ela pediu? - Novamente impunha uma resposta concreta.
- Uma lista de coisas pra um ritual. Magia antiga. São coisas difíceis de achar. Acho que eu ainda tenho a lista em algum lugar... - O rapaz começou a remexer nos bolsos até que pegou um papel amarelado e o estendeu para . - Aqui. - se aproximou da irmã para ler o conteúdo da lista e as duas se entreolharam. respirou fundo.
- O que está escrito? - Perguntou Bobby, preocupado com a expressão das Stryder. estendeu o papel a ele e Sam esticou-se para ler junto ao caçador.
- Isso é um ritual de invocação muito antigo. - Sam estava assustado. - Para que ela iria querer isso? - baixou a cabeça.
- Eu não sei. Mas, de qualquer forma, nós vamos ter que falar com ela para descobrir. Ash, quando foi exatamente que ela falou com você?
- Ahn... Acho que há uns dois dias. Mandei as coisas pra ela ontem. Ela parecia meio nervosa. Não é uma coisa que eu esperasse dela. - Conclui o rapaz, apoiando as mãos no encosto da cadeira.
- Dois dias. É o bastante pra me tranquilizar, por ora. Vou ligar para ela. - levantou-se e se dirigiu a uma parte mais distante do saloon. Todos pararam para observá-la. Minutos depois, a garota voltou com a expressão preocupada novamente. - Caixa Postal. - Anunciou, sentando-se novamente.
- Olhe. Por que vocês não passam a noite aqui e esfriam um pouco a cabeça? Amanhã de manhã, vocês vão atrás dela. Não vai adiantar em nada sair daqui com a cabeça quente, vocês vão acabar fazendo besteira. - Sugeriu Helen, enquanto recolhia as garrafas vazias junto com Jo.
- Tudo bem. Estamos todos cansados e imagino que e queiram passar em Tulsa primeiro para avisar George e pegar o carro delas. - As garotas assentiram. - Vamos aceitar seu convite, Helen.

- Aprendendo a jogar snooker? - estava debruçada na cerca que separava a mesa de snooker do saloon falou, fazendo Dean levantar os olhos para fitá-la. O rapaz riu olhando para os lados.
- Por quê? Quer aprender? - Rebateu o rapaz, encostando o taco de snooker no chão e apoiando-se nele.
- Não preciso de professor. - Respondeu a garota, rindo.
- Ah, é. Duvido que saiba jogar. - levantou uma das sobrancelhas.
- Isso é um desafio? - A garota subiu os dois degraus que levavam ao patamar superior e pegou um dos tacos dispostos próximos a mesa em uma prateleira.
- Se você vê como tal. - A garota estava passando atrás dele e Dean a acompanhava com o olhar. Ash se debruçou onde antes estava .
- Meu irmãozinho. Tem certeza que tu quê fazer isso? - O rapaz coçou o queixo com as mãos. Dean o fitou, desconfiado.
- Porque eu não faria?
- Por nada. Mas a engana com essa cara de anjo. - sorriu maliciosamente para Dean, assim que o rapaz a ficou desconfiado.
- Eu não tenho medo de mulher. - Ele falou, retribuindo da mesma maneira.
- Devia começar a ter, meu chapa. - Alertou Ash, observando a cena.
- Nós vamos jogar ou não? - Interrompeu , chamando a atenção de Dean e a de outros caçadores que estavam no local se aproximaram para ver o duelo. Helen e Jo, que estavam no balcão, se entreolharam, rindo. O rapaz fitou por um segundo e tirou uma nota de cinquenta dólares do bolso e o depositou em cima da mesa.
- Aposta? Se eu vencer, você passa a noite comigo, se você vencer... Você escolhe uma prenda. - Instigou o rapaz, sorrindo maliciosamente. tirou uma nota de mesmo valor no bolso e a colocou em cima da de Dean.
- Aposta. - Sorriu a garota, enquanto um moleque de mais ou menos dezesseis anos arrumava as bolas sobre mesa.
- Primeiro as damas. - Dean fez uma breve reverência. rolou os olhos e deu a primeira tacada. Uma bola vermelha na caçapa. riu irônica ao passar por Dean, que estava de cenho franzido, para jogar mais uma vez. A garota errou propositalmente, vendo o sorriso de Dean se alargar.
- Sorte de principiante. - Gabou-se Dean quando encaçapou uma das bolas vermelhas. Na segunda tentativa, o rapaz errou. O jogo começava a ficar embaraçado. Dean ficou parado próximo a um dos melhores ângulos para a próxima jogada. Sem dar o braço a torcer, dirigiu-se para o espaço mínimo à frente do rapaz e encaçapou mais uma bola vermelha. Dean suava frio, enquanto os caçadores gargalhavam apenas observando. virou-se para encará-lo.
- Nunca subestime uma garota que trabalha em um bar. - Avisou a garota, a centímetros de distância. Dean engoliu em seco, enquanto deu a volta à mesa e encaçapou a bola azul. Meia hora se passou e a última bola foi encaçapada por . Os caçadores, alguns já bêbados, explodiram de alegria, vendo a expressão de espanto de Dean. pegou as notas de cinquenta dólares de cima da mesa e se aproximou do rapaz, encarando, novamente, a centímetros de distância.
- Sua prenda vai ser me deixar em paz. Não vai conseguir chamar minha atenção assim. - A garota beijou o canto da boca de Dean, virou as costas e foi para os quartos que ficavam no fundo do saloon. Dean acompanhou com o olhar e logo em seguida Ash chamou sua atenção.
- Eu avisei, 'mermão. Aquilo ali é osso duro de roer.


Capítulo 8 - Através do espelho
Capa


“Quando eu me pergunto quem sou eu, sou o que pergunta ou o que não sabe a resposta?”
Geraldo Eustáquio


O dia estava dando os primeiros sinais de sua chegada e eu já me encontrava de pé ao lado de minha cama. Havia passado mais uma noite em claro pensando em tudo o que eu havia passado. Em tudo o que estava acontecendo em minha vida. Despertei de meu devaneio com o som do celular tocando. Estiquei o braço até minha bolsa, apanhei o aparelho e o aproximei do ouvido.

- ? Está tudo bem? - Escutei a voz grossa de Dereck no outro lado da linha transparecendo preocupação.
- Sim, estou. - O tom de minha voz denunciou meu estado crítico; escutei Dereck bufar do outro lado da linha.
- ! - Repreendeu-me ele em um tom beirando o paternalismo. Não dei tempo para que ele formulasse outra frase.
- Eu sei, eu sei. Mas você quer que eu faça o quê? Não posso fingir todos os momentos que estou ótima e feliz. - Suspirei de alívio por falar com alguém que sabia, em partes, sobre meu sofrimento.
- Quer vir para cá? - Perguntou-me ele em tom carinhoso e protetor.
- Ainda está cedo. Anthony não se levantou ainda. Assim que puder, eu vou pra aí. - Talvez as feridas se fechassem por um curto período de tempo se eu não me lembrasse que elas existiam e não as cutucasse a todo o momento.
- Estou esperando. - Pude ouvir Greg gritar um “estamos” e ri baixinho. Dereck o mandou calar a boca e logo depois o silêncio.
Eu tinha pelo menos mais uma ou duas horas para esperar. Virei-me na direção da penteadeira, onde minhas armas estavam dispostas minuciosamente, não havia nada para fazer ou arrumar. Eu teria de ficar quieta esperando, sem pensar em nada se fosse possível. Mas minha mente não obedecia meus comandos. Toda vez que eu me encontrava sozinha, meus pensamentos vagavam para meus questionamentos e dores. Mas, desta vez, eu só consegui me prender a uma coisa. Família. Eu não via nada mais aterrorizante naquela hora do que não saber quem era minha família. Se é que realmente eu tinha uma. Deitei-me novamente com os pés esticados sobre a cama. Olhei fixamente para o teto. Logo me lembrei de e . Gostaria de ter irmãs como elas. com toda a sua dureza e com toda a sua doçura. Apesar de sempre considerar Anthony como meu pai, mesmo não o chamando assim, Bobby estava muito mais próximo do que eu considerava ideal para um pai. Eu nunca soube realmente o porquê. Talvez estivesse em meu sangue. Levantei-me de súbito e me encaminhei à penteadeira. Sentei em frente a ela e mirei a imagem da estranha em minha frente. Toquei de leve meus cabelos. Castanho-escuros e ondulados que terminavam na metade de minhas costas. Passei as mãos pelas linhas de meu rosto e acabei me detendo em meus olhos. Não havia nada de extraordinário neles, mas, mesmo assim, eles eram o que eu mais gostava em mim mesma. Eram só olhos verdes, mas havia algo que eu nunca havia encontrado em outra pessoa. Nunca havia visto olhos parecidos com os meus. Talvez fosse só impressão minha, ou talvez fosse algo de família. Mas acho que eu realmente nunca descobriria.

- Seus olhos são únicos. São uma impressão da sua alma. - Sobressaltei-me ao ouvir a voz a voz grave do anjo que estava parado atrás de mim. Pelo espelho fitei seus olhos azuis.
- Infelizmente não se pode ver através do espelho. - Murmurei sem emoção prestando atenção em sua reação.
- Você não precisa ver através de nada. É só olhar para dentro de você e obterá respostas. - Ele continuava calmo e enigmático. Soltei o ar pesadamente e virei-me para encará-lo de frente.
- Qual é a ordem desta vez? - Minha voz sem emoção somente reforçava o que já o havia dito uma vez. Tentar fazer com que eu aceitasse tudo o que estava acontecendo não adiantaria em nada. Eu continuaria perguntado e continuaria sentindo toda a dor que já havia se tornado minha companheira fiel de jornada.
- O ritual foi feito? - Ele virou-se e caminhou até próximo a minha cama para fitar os raios de sol que adentravam pela janela.
- Está feito. - Murmurei baixinho, sabendo que ele escutaria, apertando a atadura em meu braço. Senti o corte arder sob o tecido amarrado para disfarçar o machucado. O sangue atravessou o fino tecido, deixando nele uma marca de cor vermelho vivo. Senti o olhar de Castiel sobre mim e levantei os olhos para encará-lo. Seus olhos estavam fixos em meu braço machucado.
- Eu sinto muito que tenha de passar por tudo isso. - Mesmo sabendo que ele não podia demonstrar emoções, eu sabia que seu pesar era verdadeiro. Soltei o ar pesadamente enquanto me virava para vasculhar a gaveta da penteadeira em busca de uma nova atadura.
- Você não tem culpa, Cas. São ordens que você tem de cumprir. - Retirei a atadura que cobria meu braço direito, que, pela fricção que eu havia feito, estava encharcada de sangue em alguns pontos, e rapidamente comecei a enrolar a nova atadura. Eu o ouvi lamentar baixinho. Castiel era um bom amigo. Sempre disposto a me ouvir, embora eu odiasse a sua irritante mania de sumir toda vez que eu lhe fizesse uma pergunta. Por isso os pontos de interrogação eram evitados quando ele estava presente, embora minhas dúvidas só aumentassem por ser ele quem me dava ordens. Não ordens realmente, mas missões a cumprir. Acordei de meu breve devaneio quando uma pontada em meu braço denunciou que eu havia apertado demais a atadura. Gemi em reprovação, o que fez Cas se aproximar, em fração de segundos, e tomar o tecido de minhas mãos. Em pouco tempo, o curativo estava pronto e em melhor estado do que se encontraria se eu o tivesse executado.
- Obrigada. - Murmurei, enquanto ele se afastava novamente em direção à janela.
- Não há de quê. - Desviei o olhar de Castiel para encarar meu reflexo novamente. Inspirei profundamente e apanhei a atadura suja de sangue em cima da cômoda. Levantei-me, caminhando em direção a meu armário, e apanhei uma vasilha de metal que se encontrava em uma das prateleiras. Coloquei a atadura dentro dela e adicionei uma quantidade considerável de álcool sobre a atadura. O cheiro do sangue se intensificou e, sem demora, eu apanhei a caixa de fósforos, que jazia sob uma pilha de livros no armário, risquei um deles e ateei fogo ao tecido. Com a vasilha em chamas nas mãos, dirigi-me novamente a penteadeira colocando-a sobre ela. Sentei-me e apoiei meus cotovelos na penteadeira e a cabeça em minhas mãos. Fiquei observando o fogo consumir a atadura suja com meu sangue lentamente. Não sei exatamente quanto tempo se passou enquanto eu estava nesse estado de transe, só despertei ao ouvir a voz de Anthony chamando pelo meu nome. Olhei para Castiel, que continuava imóvel no mesmo lugar de antes, ele apenas assentiu e voltou a observar o sol. Desviei meu olhar para o alçapão e logo depois voltei a olhar para a janela. Castiel não estava mais lá. Fui até o alçapão, o abri, e desci lentamente a escada. Encontrei Anthony encostado na parede com um sorriso paternal. Ele abriu os braços para me receber e eu caminhei na direção dele. Por mais irônico que pudesse parecer, eu já não me sentia tão segura nos braços dele como um dia havia sido.
- Dereck está lá embaixo praticamente exigindo que você vá para lá. - Anthony deu uma risada que me pareceu forçada. - Quer tomar café primeiro?
- Não. Estou bem. - Ele me deu um beijo na testa e fez sinal para que eu descesse. Segui em direção as escadas e vagarosamente desci os degraus para encontrar Dereck no corredor com os braços cruzados e a expressão séria.
- Você demorou. - Repreendeu-me ele, estendendo uma das mãos para que eu a pegasse.
- Você é que é apressado. - Murmurei assim que ele me puxou para um abraço e deu-me um beijo na testa.
- Ok, ok. Não vamos discutir se você é atrasada ou eu apressado. Vamos logo, Greg está reclamando que eu passo mais tempo com você do que ele. - Dereck rolou os olhos, e eu fui obrigada a soltar uma gargalhada. Eles pareciam duas crianças disputando um carrinho de controle remoto e eu me sentia mimada demais com isso. Seguimos em direção a casa em frente a passos lentos. Não pude nem enxergar direito a soleira da porta, pois fui recebida com um abraço de urso de Greg.
- Me deixe respirar. - Murmurei entre dentes para que ele me soltasse. Assim que ele o fez, eu rolei os olhos. - Até parece que não me vê há uma eternidade.
- Um dia é muito tempo, sabia?! - Me vi cercada por ambos os lados por dois brutamontes. Greg de meu lado esquerdo e Dereck de meu lado direito.
Não era exatamente algo muito discreto ter os Mackenzie ao seu redor. Na realidade, eu tinha certeza de que metade da população feminina da rua me fuzilaria com os olhos se tivessem esse poder. Gregory era um cara alto e musculoso, só de olhar para ele já se podia perceber que o negócio dele não envolve brincadeira. Seus olhos azuis e os cabelos, quase raspados, castanhos médio davam a ele um ar mais sério que ele fazia questão de quebrar com roupas despojadas. Eu sempre disse que Greg só assustava porque na realidade era um doce de pessoa. Dereck era um pouco mais baixo do que seu irmão e um pouco menos musculoso, o que não fazia menos garotas olharem para ele, com porte atlético e olhos tão azuis quanto os do mais velho e o mesmo tom de cabelo. Eu tinha total certeza de que noventa e nove por cento da população feminina da cidade se arrastaria se um dos dois estalasse os dedos.
Talvez por um tempo eu esquecesse meus problemas para me divertir um pouco. Era impossível não rir na presença dos Mackenzie. Pelo menos por algumas horas, eu pude me esquecer de tudo o que havia acontecido na noite anterior.
Voltei para casa às nove e quarenta. Fiz o almoço e subi para meu quarto com a desculpa de que não estava me sentindo bem. Anthony insistiu para que eu fosse ao hospital, mas consegui contornar a situação dizendo que algumas horas quieta em meu quarto seriam melhores do que algumas horas em uma maca de hospital.
Peguei a caixa de papelão negro que estava embaixo de minha cama e a depositei sobre a poltrona. Fui até meu armário e peguei o isqueiro. Sentei-me na cama e coloquei a caixa sobre o meu colo. Removi a tampa da mesma e apanhei um dos saquinhos negros que estavam dentro dela. Fiquei observando o pequeno pacotinho por alguns segundos e o deixei em cima de meu travesseiro, em seguida fechei a caixa e a coloquei onde era de praxe. Fitei o saquinho de bruxa por mais algum tempo e então acendi o isqueiro e ateei fogo a ele. Menos uma coisa para me preocupar. Ou mais uma, supondo-se que aquela era a minha proteção contra demônios. Suspirei fundo e me deitei fitando o teto sem realmente enxergar. Escutei meu telefone tocar pela segunda vez naquele dia e apanhei-o para ver quem era. . Era a décima quinta ligação dela que eu ignorava. Apertei o botão vermelho e desliguei o celular de uma vez por todas. Meus problemas já haviam trazido sofrimento suficiente para elas, não queria fazê-las passar por mais provações.
Continuei deitada por algumas horas até que me veio algo a mente. Se Anthony havia me adotado, ele provavelmente sabia onde eu havia nascido. Sentei-me de súbito e não pude conter a euforia pela simples possibilidade de conhecer minha cidade natal. Num rompante abri o alçapão e desci as escadas praticamente num pulo me dirigindo a biblioteca.
- Onde eu nasci? - Fiz eco a meus pensamentos e, sem introdução alguma, questionei a primeira coisa que me veio a mente. Anthony me olhou assustado, como se não compreendesse do que se tratava.
- Que pergunta, querida. Você nasceu aqui. - Ele retirou os óculos e os apoiou em cima de um livro sobre a escrivaninha.
- Não estou falando de onde fui criada. Eu falo de onde eu nasci realmente. A cidade a qual eu pertenço. Se você me adotou, provavelmente eles lhe disseram isso. - Eu estava praticamente impondo a verdade. Ele não teria escapatória, a não ser me falar o que sabia. Tudo o que sabia. Anthony soltou o ar pesadamente e abriu a primeira gaveta da escrivaninha retirando de lá uma caixinha de madeira.
- Eu não esperava que você me fizesse essa pergunta algum dia, mas resolvi me preparar para o caso de isso acontecer. - Ele fitou a caixa por um tempo e então me estendeu a mesma. Fiquei paralisada por alguns segundos e então me dirigi até a escrivaninha para pegar a caixinha.
- Tudo o que foi deixado com você na igreja onde a encontraram está guardado nesta caixa. Pode vê-la sozinha se quiser. Você conhece a história melhor do que ninguém. Acredito que as respostas que procura encontram-se aí. - Ele colocou os óculos novamente e a única coisa que eu consegui foi murmurar um obrigada. Saí em disparada na direção de meu quarto e não sei como consegui subir tão rápido as escadas. Sentei-me no chão em meio ao quarto e coloquei a caixinha em minha frente. Sorri sem humor para mim mesma ao pensar sobre como era irônico toda a minha história, pelo menos a parte que eu não conhecia, estar em algo tão pequeno. Destravei a pequena tranca da caixa e a abri. As duas primeiras coisas que avistei foram um colar de prata com um pingente em forma de cruz incrustado de pequeninas pedrinhas brilhantes e uma pulseira com todos os principais símbolos de proteção, também em prata. Peguei o colar e a pulseira e os observei pelo que acredito ter sido um longo período de tempo, pensando em quem havia sido o dono anterior daquelas peças. Eu os deixei a meu lado e passei a remover nos papéis que haviam dentro da caixinha. Não era muita coisa. Apenas minha certidão de nascimento, original, a certidão de adoção e um grosso envelope de aparência amarelada, lacrado. Por um segundo, tive medo do que pudesse conter naquele simples envelope. Não havia remetente, só havia escrito em uma caligrafia fina e contínua: Para . Suponho que o envelope permanecera do jeito que estava desde que havia sido escrito. Larguei as certidões e abri o envelope cuidadosamente. Dentro do envelope havia duas folhas do mesmo papel do envelope e uma pulseira de prata com os principais símbolos de proteção de que eu tinha conhecimento. Remexi o objeto em minhas mãos por algum tempo. Era algo delicado que provavelmente havia pertencido a uma mulher. Coloquei a pulseira de lado e desdobrei as folhas. Tratava-se de uma carta de um padre chamado Jim Murphy contando sobre meu nascimento. Abri a boca em sinal de espanto ao ler as palavras escritas naqueles pedaços amarelados de papel. Eu não podia acreditar que aquilo era verdade. Não podia ser. Não fazia sentido algum. O terror tomou conta de mim ao perceber que aquilo podia ser real. As circunstâncias não me permitiam outra saída senão investigar. Eu só não sabia como.


Capítulo 9 - Vire-se e enfrente o desconhecido
Capa


"A vida é uma grande pergunta em busca de grandes respostas."
Augusto Cury


- Eu odeio ter de admitir, mas você está me surpreendendo. - A viagem já durava algumas horas quando se pronunciou. A garota havia passado o caminho todo tentando ignorar Dean. Algo que vinha sendo impossível já que ele só a irritava mais e mais.
- Surpreendendo com o quê? Achava que eu não tinha capacidade de te irritar?! - O rapaz sorriu irônico, desviando os olhos da estrada por alguns segundos para observar . A garota sorriu e balançou a cabaça negativamente.
- Você irrita qualquer um. Estou falando sobre ter me enganado quanto a você ser um cara sem coração. - Dean franziu a testa.
- Quem disse pra você que eu tenho um coração? - riu novamente, olhando para a janela.
- O jeito que você trata o Sam, o Bobby, até mesmo a e... A mim. Você tem um coração e sou eu quem está dizendo isso. - A garota virou-se para encará-lo e Dean sorriu sinceramente. Quando ambos tornaram a fitar a estrada viram que o carro de Bobby estava parando no acostamento.
– O que aconteceu? – Perguntou o rapaz assim que ele e bateram as portas do Impala.
- Parece que tivemos um probleminha com . – Respondeu Bobby olhando para .
- O que houve com ela? – Instigou se aproximando da irmã, que por sua vez lhe estendeu o aparelho celular.

- ? – A garota ouviu uma voz fraca do outro lado da linha.
- , o que houve? – Perguntou a mais velha, encarando a irmã mais nova, Bobby, Sam e logo depois Dean, os dois últimos com uma expressão de confusão na face.
- Preciso da ajuda de vocês. - Murmurou , soltando o ar pesadamente.
- O que aconteceu ? - virou-se de costas para os outros passando a encarar a paisagem sem enxergar nada realmente.
- Anthony me deu uma caixa com coisas de quando ele havia me encontrado e dentre as várias coisas que havia lá tinha uma carta. Uma carta de um padre. - Explicou a garota pausadamente. franziu a testa.
- Um padre?! Que padre? - Dean e Sam se entreolharam com expressões curiosas.
- O nome dele é Jim. Jim Murphy. Você o conhece? - ficou estática. Se o próprio padre Jim havia escrito a carta a história que a mesma continha era verdadeira. começou a se preocupar com o silêncio da amiga. - ?
- Sim eu o conheço. Não saia da cidade, estamos indo pra aí. - Ordenou a mais velha desligando o aparelho e caminhando de volta ao grupo.

- Sabem o que encontrou? Uma carta do padre Jim. - Anunciou a garota fazendo todos a encararem perplexos.
- Jim!? Ele não escreveria para alguém que não tivesse importância. - Murmurou Bobby mais para si do que para o grupo.
- Anthony entregou a ela uma caixa com coisas de quando ele a encontrou, a carta estava entre elas. Ela ficou confusa, provavelmente sem saber o que fazer, então ligou. - soltou o ar pela boca passando as mãos pelos cabelos para jogá-los para trás. - Acho que não temos mais dúvidas de que a criança que procuramos é ela.
- Não. Com certeza, depois disso, não restam mais dúvidas. - Concordou Bobby com a expressão aliviada e ao mesmo tempo preocupada.
- Bom, temos de passar em Tulsa antes de seguir pra Pontiac. Querem seguir sem nós? - Perguntou , fitando Sam, Dean e Bobby. O mais velho fitou os Winchester que acenaram positivamente com a cabeça.
- É melhor continuarmos juntos. Além do mais, vai se sentir mais segura com vocês por perto. - Concluiu o caçador, fazendo sinal para que seguissem viagem. Sem demora, todos seguiram para seus respectivos lugares continuando o caminho para Tulsa.

- Tem certeza de que não se incomodam de irmos com vocês? - Questionou virando a cabeça, que se encontrava encostada no banco do Impala, para fitar Dean.
- De jeito nenhum. Por que nos incomodaríamos? - O rapaz rebateu com outra pergunta desviando os olhos por alguns segundos da estrada para analisar a expressão da garota. inspirou profundamente e olhou para o teto do carro.
- É uma questão de família, vocês podem querer resolver isso em família. - Respondeu a garota com a expressão mais séria. Uma das coisas que mais prezava era a família, por isso ela se preocupava com qualquer coisa relacionada a isso. Sendo com ela ou com qualquer outra pessoa.
- Nós não nos importamos de qualquer forma. E, de um jeito ou de outro, vocês já são da família. - se ajeitou no banco e virou-se para encará-lo com uma das sobrancelhas levantadas. Dean gargalhou.
- Eu havia pensado nesse meio também, mas neste momento estava falando sobre o Bobby ter criado vocês e sobre a considerar vocês como irmãs. - Tranquilizou-a Dean, ainda rindo. - Mas se você quiser podemos passar em Las Vegas e oficializar a sua hipótese. - Propôs o rapaz, gargalhando, fazendo fuzilá-lo com os olhos.
- Muito engraçado. Você não aguentaria nem dois dias casado comigo. - A garota encostou a cabeça no banco novamente e cruzou os braços sobre o abdômen, puxando mais o casaco de moletom para si. Dean manteve um leve sorriso no rosto.
- Então, você se casaria comigo! - Exclamou o rapaz. engoliu em seco.
- Eu não falei isso. - Tentou concertar a garota, rolando os olhos. Dean riu novamente.
- Mas deu a entender. - Provocou o rapaz, arrancando um rosnado de .
- Não adianta discutir com você. - Bufou a garota, fazendo-o rir ainda mais.

- Bobby, você tem certeza de que é aqui? - Questionou Dean, logo após bater a porta do Impala, fitando a casa do outro lado da rua.
- Eu tenho. - Interrompeu , colocando-se ao lado de Dean. - sempre morou aqui com o pai adotivo, Anthony . - Na calçada em frente a casa dos Mackenzie encontravam-se três carros: O Impala 67 de Dean, uma das caminhonetes de Bobby, o único carro disponível na sucata no dia em que saíram e um Chevrolet Chevelle 197, o xodó de . - Espero que ela esteja bem. - Murmurou a garota, seguindo em direção a casa de com Bobby em seu encalço.
- Ela se mete em muitas encrencas? - Questionou Sam, curioso.
- Não. Na realidade a encrenca é que se mete com ela. - Afirmou , seguindo Bobby e a irmã em direção ao outro lado da rua, logo sendo seguida pelos irmãos Winchester. Bobby tocou a campainha e logo a grossa porta de madeira foi aberta por um homem que aparentava ter mais ou menos cinquenta anos, cabelos grisalhos, olhos castanhos e expressão serena. Depois de observar cada uma das pessoas do grupo parado à porta, Anthony questionou:
- Em que posso ajudá-los?
- Nós procuramos a . - respondeu, prontamente. - Eu sou Stryder e essa é minha irmã . - Falou ela, apontando, respectivamente, para si e para que estava a seu lado. - Somos amigas dela e queríamos que ela conhecesse alguns amigos nossos.
- Ah, sim. - Exclamou o homem. - As irmãs Stryder. me falou sobre vocês. Ela está na escola, volta em algumas horas. Se vocês não se incomodarem em esperar, podem entrar. - Finalizou o homem, dando espaço para que eles entrassem na casa. olhou de relance para os outros e então falou:
- Obrigada, mas não queremos importunar o senhor...
- Não, não. Não vão me importunar. - Interrompeu, fazendo sinal para que o grupo entrasse. E assim foi feito. - Eu fico feliz que tenham vindo visitar , na realidade. Ela costuma ficar muito sozinha, não tem muitos amigos. Ela está sempre trancada estudando ou então está com os Mackenzie. Sentem-se e fiquem a vontade. - Anthony os guiou para a sala de estar, onde todos se acomodaram.
- Ela ainda passa muito tempo com eles, é? - Questionou , rindo. - Achei que ela já tivesse enjoado.
- Aqueles dois rapazes são impossíveis. Acho que ela nunca vai se cansar deles.
- Ah. Desculpe-me a falta de educação. Eu nem sequer apresentei nossos acompanhantes. - Interpôs , fingindo estar exasperada. - Estes são Sam e Dean e este é Bobby.
- Oh, muito prazer. E não precisa se preocupar, querida, eu também não me apresentei. Sou Anthony , pai adotivo de .
- Prazer. - Responderam Bobby, Dean e Sam em uníssono.
- Agora que todos estão devidamente apresentados... Como está a ? Nós andamos um pouco atarefadas demais nos últimos meses e acabamos não tem mais notícias dela. - Adiantou-se .
- Acredito que este seja o motivo da visita surpresa. - Instigou Anthony.
- Exato. É uma forma de compensá-la pelo nosso desleixo nos últimos meses. - Concluiu .
- Entendo. Ela não sai muito. Fica na escola na parte da manhã e a tarde geralmente se dedica aos estudos. Às vezes ela sai para caminhar sozinha, mas não é muito frequente. Ela passa várias tardes com o Derick e o Greg. - Anthony parecia maravilhado ao falar da filha adotiva. - Ela não é como as outras adolescentes, não desobedece e muito menos briga por alguma coisa. Na realidade eu acho que ela consegue o que quer só de olhar pras pessoas. - Dean olhou para , que estava sentada ao seu lado, como quem pedia uma explicação.
- Hum... sempre foi muito persuasiva. Com uma ou duas palavras ela já tem as pessoas em suas mãos. - Explicou .
- De fato, nunca tem problemas em conseguir convencer as pessoas. Mas nunca fez mau uso dessas habilidades. Ela é uma ótima garota. - Completou Anthony.

Onze e cinquenta e sete da manhã. Sala de aula do East High School

Faltavam poucos minutos para soar o sinal que indicava o horário de saída para os alunos, ansiosos, que estavam assistindo as aulas no East High School. girava o lápis entre os dedos ansiosamente, olhando periodicamente pela janela a seu lado. O céu começava a dar os primeiros sinais de que a chuva não tardaria a chegar. O tempo parecia não passar. Para a garota, o relógio parecia ter emperrado. Ela estava incomodada sem um aparente motivo. Nem ela mesma sabia o porquê de estar tão ansiosa para sair da escola. Não havia nada de especial por acontecer. Não que ela soubesse. À tarde, ela iria para a casa dos Mackenzie como fazia todas as semanas. Nada de especial. Finalmente o sinal soou, fazendo com que as centenas de alunos se aglomerassem nos corredores da pequena escola. Rapidamente jogou seu material na mochila e se dirigiu a passos largos à saída da escola. Enquanto caminhava em direção a oficina mecânica na rua posterior ao colégio, a garota pôde sentir algumas gotas de chuva brincarem em seu rosto. puxou o capuz do fino casaco que usava e o apertou mais contra seu corpo, junto com os livros que estavam em seus braços, a fim de afugentar um pouco o frio. Delicadamente, a garota desviou dos carros na rua e, enfim, chegou à oficina. A garota parou a alguns metros de um Mustang Cobra 1965, que estava a alguns metros acima do chão, sendo consertado por um senhor que aparentava estar no auge de seus quarenta e poucos anos. Não demorou muito para que o homem notasse a presença da garota.
- , querida. Não esperava vê-la tão cedo. - Exclamou o mais velho, limpando as mãos em uma flanela que estava em seu bolso e se dirigindo em direção a garota.
- É que eu... Não resisti em vir dar uma olhada. - A garota encarou os pés. - Quanto tempo mais?
- Algumas horas, minha querida. Nada de muito preocupante, só uns pequenos ajustes por precaução.
- Tudo bem. Segurança em primeiro lugar. - A garota sorriu. - Quando posso vir pegá-lo, Seu Joseph?
- Pode vir hoje mesmo. Qualquer hora depois das quatro.
- Tudo bem então. Eu volto mais tarde. Obrigada, Seu Joseph. - Pronunciou a garota em um tom mais alto caminhando em direção a saída, enquanto o senhor abanava a mão para ele e logo depois voltava ao serviço. continuou seu caminho despreocupadamente, até que algo chamou sua atenção, fazendo-a parar na calçada em frente a sua casa. Havia dois carros parados em frente à casa dos Mackenzie. Uma caminhonete, um Chevy Impala 1967 e um Chevrolet Chevelle 1970. A garota sabia que Derick e Greg não estavam em casa àquela hora. Aquilo era muito estranho. A garota dirigiu-se à porta e a abriu rapidamente, a chuva lá fora havia aumentado o suficiente para umedecer o fino casaco que ela usava. caminhou despreocupadamente pelo corredor que levava a sala e foi pega de surpresa. Anthony estava sentado em sua poltrona como era habitual, mas conversando com ela haviam mais cinco pessoas, imediatamente a garota reconheceu três dos rostos presentes. Não era comum vê-lo conversando com alguém que não fosse da vizinhança. A garota tentou sair sem ser notada para procurar pelas Stryder sem Anthony por perto, mas foi impedida por uma voz muito conhecida.
- Onde pensa que vai, mocinha? - Questionou Anthony, fitando as costas de que já havia subido dois degraus da escada. A garota não pôde conter uma careta. Quando Anthony falava assim, boa coisa não podia se esperar.
- Eu estava indo para o meu quarto para não incomodá-lo. - Respondeu a garota ainda de costas, mordendo os lábios em nervosismo.
- Não foi essa a educação que lhe dei, você deveria ter cumprimentado as visitas. Suas visitas, por sinal. - sentiu uma pontada de medo ao virar-se para encarar Anthony. Ele não sabia tanto de sua vida quanto imaginava. Na realidade, a garota não imaginava, e nem queria, a reação dele ao saber de suas "aventuras". Com passos decididos, caminhou até a sala e murmurou um "desculpe" para Anthony antes de virar-se para observar os outros cinco rostos presentes na sala, que se levantaram de imediato. Sua boca se moldou em um sorriso sincero, ao ver as duas garotas sentadas no sofá, também sorrindo. Seus olhos passaram rapidamente das irmãs Stryder para Bobby, que exibia um sorriso orgulhoso e logo após pousaram-nos outros dois rapazes que ela não reconheceu.
- ! - Exclamou , dirigindo-se para abraçar a garota. Quando a mais velha estava suficientemente convencida de que Anthony não poderia ouvir sussurrou: Finja que você não conhece o Bobby. Temos um assunto importante a falar com você. Encontre-nos na casa dos Mackenzie. - Logo após foi abraçada por . - , esses são três amigos nossos que queríamos que você conhecesse. Estes são Bobby, Dean e Sam. - Falou a mais velha, apontando para cada um respectivamente e lançando logo em seguida um olhar sugestivo para a garota.
- Muito prazer. - Apressou-se a responder, apertando a mão de cada um deles.
- Bom, vocês poderiam almoçar conosco? - Sugeriu Anthony, levantando-se da poltrona onde estava sentado e caminhando até , depositando-lhe um beijo na testa.
- Não, absolutamente. Nós não queremos incomodar. - Apressou-se , voltando para junto dos três homens acompanhada pela irmã.
- De jeito nenhum. Vocês não incomodam. Eu faço questão. - Afirmou Anthony.

havia ido para a cozinha preparar o almoço. Era ela quem cozinhava na casa, já que Anthony tinha problemas de saúde e a própria garota recusou a ajuda de uma cozinheira. A lasanha estava dourando no forno enquanto a garota preparava a mesa. Ela estava em frente ao armário que continha as louças, permanecia na ponta dos pés para conseguir alcançar os pratos da última prateleira, quando foi surpreendida por alguém que o fez antes dela.
- Quer ajuda? - Indagou Sam, colocando a pilha de pratos sobre a mesa.
- Obrigada. Acho que cresci menos do que Anthony esperava. - A garota sorriu, distribuindo os pratos na mesa, enquanto Sam encostou-se na bancada da pia, apenas observando-a. terminou de arrumar a mesa e retirou a lasanha do forno, logo em seguida foi chamar os outros para o almoço.

- Pra onde nós vamos? - Perguntou Dean, assim que viraram as costas à casa de .
- Mackenzie. vai passar lá depois. - Respondeu , atravessando a rua com os demais e tocando a campainha logo que chegou a varanda da casa.
- Greg, atende a porta. - Ouviram-se resmungos dentro da casa e logo depois o mais novo do Mackenzie apareceu a porta bufando. - Já... - Dereck ficou estático assim que via as duas garotas a sua frente. - Vou. - O rapaz piscou algumas vezes e logo depois, como se não acreditasse no que seus olhos viam, balbuciou: - ?! ?! O que fazem aqui?
- Obrigada pela hospitalidade. A gente também tava com saudades de você. - Falou ironicamente, rindo para o rapaz junto com .
- Desculpem, é que... Vocês sumiram. Fiquei surpreso. - Falou o rapaz, abraçando e , a última por um pouco mais de tempo.
- É, viemos visitar . Precisamos da ajuda de vocês. - O rapaz não desgrudava os olhos de que ficou envergonhada. riu sozinha e balançou a cabeça de leve.
- Bom, o Bobby você já conhece, estes são Sam e Dean Winchester. São amigos nossos, vieram resolver um problema de família. - Explicou a garota, fazendo Dereck sair do transe em que se encontrava. O rapaz acenou de leve para Bobby e olhou para a garota de testa franzida. Logo depois o rapaz fitou os Winchesters. - Winchester?
- Sim, Dereck. Estes são os filhos de John. - Afirmou Bobby, apontando para os dois rapazes.
- Ah sim, John. - Falou o rapaz, balançando a cabeça. - Entrem, fiquem à vontade. - O rapaz deu espaço para que o grupo entrasse e logo depois chamou pelo irmão, que gritou um "Já vou" em resposta. – Desculpa me intrometer, mas... O que um assunto familiar dos Winchester tem a ver com a ? - Questionou o rapaz, assim que se acomodaram no sofá. estava abrindo a boca para explicar quando Gregory apareceu no alto da escada. Assim que avistou a garota, o rapaz abriu um largo sorriso. Dean bufou de leve, fazendo Sam rir para si mesmo.
- ! ! Bobby! Que surpresa vê-los. - Exclamou o rapaz, descendo as escadas em segundos. Greg abraçou e logo depois Bobby. Demorou-se mais observando e arriscou-se em dar um beijo na bochecha da garota. - É bom vê-la. - Falou o rapaz, sorrindo para a garota, fazendo-a corar de leve. Bobby pigarreou, chamando a atenção do rapaz que ainda segurava as mãos de .
- Estes são Sam e Dean Winchester. - Explicou, apontando para os Winchesters. O rapaz sorriu e soltou as mãos de para se aproximar dos dois irmãos e apertar a mão de ambos. Dean ainda matinha a expressão fechada.
- Podemos ajudar? Vocês não iriam aparecer assim do nada. Isso não é só uma visita, é? - Questionou o rapaz, indo sentar-se ao lado de Dereck. O resto do grupo sentou-se também. Bobby fez sinal para que contasse o ocorrido.
- Bom, vocês não precisam saber como descobrimos nem nada, então eu não sei falar de outra forma. A é irmã dos Winchester. - Soltou , fazendo os Mackenzie se entreolharem atordoados.
- Eu o quê?! - havia entrado na casa sem ser notada. A garota mantinha uma expressão ao mesmo tempo confusa e assustada. olhou para Bobby com uma expressão que misturava culpa e medo. O silêncio tomou conta da sala por longos minutos. Havia tanto para ser dito, mas era tão difícil dar o primeiro passo.


Capítulo 10 - Tons de Cinza
Capa


"As pessoas entram em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem."
Lilian Tonet


Eu ainda não podia acreditar no que acabara de ouvir. Eu não sabia realmente se eu apenas não conseguia acreditar ou se não queria fazê-lo. Minha mente vagou para sonhos distantes em que eu imaginava como seria ter irmãos. Mas daí a dois caras que eu mal conheço baterem na minha porta dizendo que são meus irmãos tem uma enorme diferença. Não que eu não soubesse quem são os Winchester. Bobby sempre me falou deles. De John e dos dois filhos. E mesmo sem nunca ter tido contato maior do que um aperto de mão e poucas palavras trocadas com eles, eu podia sentir que eram pessoas confiáveis. Minha cabeça estava confusa e eu já não sabia se analisava a situação com o coração ou se racionalizava as coisas. Percebi a inquietude de Greg e Dereck, não pude deduzir de imediato o que eles estavam achando da situação, a única coisa que eu percebi é que eles estavam confusos.
- Por que... - nunca se atrapalhava com as palavras, e quando o fazia era porque realmente o assunto era delicado. Ela mordeu o lábio e indicou o espaço vago entre os Mackenzie. - Por que não se senta? Vamos explicar tudo. - Meus pés pareciam pesar toneladas. Reuni toda a força que eu consegui naquele momento para me arrastar até o sofá branco e jogar-me nele. e Bobby olharam significativamente para o mais baixo dos Winchester. Pelo que eu pude deduzir, deveria ser Dean. Só neste momento eu notei uma coisa que me deixou extremamente intrigada. Os olhos dele eram verdes. Mas não era qualquer tom de verde. Era o tom exato de verde que eu havia fitado por tanto tempo no espelho há dias. O tom exato dos meus olhos. olhou para Sam como se o tranquilizasse. Dereck se ajeitou no sofá e passou o braço por meus ombros. Olhei suplicante, para ele, como se quisesse um conselho ou uma saída para aquela situação toda. Ele apenas assentiu brevemente e afagou meu ombro. Greg logo apanhou minha outra mão prendendo-a entre as suas. Desviei minha atenção de Dereck e Greg e percebi que os Winchester me observavam. Eles pareciam tão surpresos e desnorteados quanto eu. Inspirei fundo e encarei Dean nos olhos.
- Bom... Eu não sei bem como dizer isso. Nós estávamos investigando um caso em Nebraska e acabamos descobrindo o registro de uma criança nascida no dia 15 de dezembro de 1992. Começamos a pesquisar e chegamos a você. Pelo que indica, você é nossa irmã. - Assim que ele terminou de falar, senti um frio repentino percorrer minha espinha. Parecia que havia algo bloqueando minha garganta, minha respiração falhou e senti como se meu coração fosse parar de bater. Aquilo era mesmo verdade? Eu tinha irmãos? Uma família? Não fosse por Bobby, e , eu desconfiaria e muito da veracidade dessa história, mas eu tinha plena certeza de que eles não me fariam sofrer. Involuntariamente apertei as mãos de ambos os Mackenzie, que prontamente viraram-se para me observar.
- Tudo bem, ? - Murmurou Dereck alto o suficiente para me acordar do susto que acabara de levar. Eu apenas assenti de leve sem desviar meus olhos da mesa de centro que separava os sofás. Pude ver, pela visão periférica, e se entreolharem apreensivas assim como os dois Winchesters. Bobby me fitava preocupado.
- Está tudo bem, eu só... Estou tentando absorver as informações. - Engoli em seco, sentindo minha garganta arranhar. - Co... Como vocês deduziram tudo isso?
- A carta de Jim. Ele era o único que sabia de todos os segredos de John. Se ele mandou uma carta para você, é porque o que está escrito é verdade. Você ainda a tem? - Questionou-me Bobby. Soltei a mão se Greg e apanhei o pedaço de papel amarelado que estava no bolso de minha jaqueta. Estendi-o a Bobby, que o leu atentamente.
- Com certeza é a letra de Jim. E eu não sei como, mas... - Bobby inspirou fundo, sua testa estava franzida. - A moça que ele diz ter entregado a era muito parecida com a Mary. Na realidade, ele parece descrever a Mary aqui. - e Dean se entreolharam e logo depois Sam olhou para o irmão mais velho. Mary? Eu estava ficando confusa.
- Deixe-me ver. - Bobby entregou a carta a , que balançou a cabeça negativamente.
- Tinha mais alguma coisa nessa caixa, ? - Questionou-me Bobby. Franzi o cenho. Novamente coloquei a mão em meu bolso e retirei os dois objetos de prata de estavam na caixa, peguei também minha certidão de nascimento e entreguei a Bobby. Ele piscou algumas vezes como se não acreditasse no que via. Ele remexeu em um dos bolsos do casaco, tirando de lá um papel com bordas amareladas e o entregando a Dean, que o analisou junto a certidão que eu havia entregado. Bobby observava intrigado a pulseira.
- Sem dúvida alguma isto era de Mary. John me falou que quando a conheceu ela usava uma pulseira exatamente igual a esta. Deve haver fotos dela com esta pulseira. O colar eu não conheço, mas parece ter algum tipo de magia de proteção. - Ele entregou a pulseira, que agora eu sabia ter sido de uma mulher chamada Mary, embora ainda não soubesse quem ela era, a mostrou o verso do pingente para ela. se esticou para observá-los. Está vendo estas marcas? - assentiu. - É magia de proteção, muito antiga. - Chacoalhei minha cabeça. Era muita informação de uma só vez. Eu estava muito mais confusa do que antes.
- Quem é Mary? - Foi a primeira coisa que me pareceu sensata para perguntar. Os cinco caçadores a minha frente desviaram a atenção do que estavam fazendo para me observar.
- Ela era nossa mãe. - Pela primeira vez desde que eu entrara, ouvi a voz de Sam. Pude ver Dean fechar a mão direita em punho, e Bobby demonstrar um resquício de tristeza. Ótimo, . Brilhante idéia a sua de perguntar sobre uma pessoa que está morta.
- Eu... Me desculpem. - Pedi envergonhada, fazendo os Winchester sorrirem de leve.
- Não se preocupe. Você não sabia de nada, não tem porque se desculpar. - Tranquilizou-me Dean. Inspirei fundo novamente.
- Bom. Sabemos que seu pai era John. Só precisamos descobrir quem é sua mãe. - Concluiu Bobby, devolvendo-me a pulseira, o colar, a certidão e a carta. - Eu sei que vai parecer loucura, e se não fosse tão impossível, eu arriscaria a dizer que é a própria Mary. - Dean e Sam olharam para Bobby, um pouco espantados. Pela expressão do mais velho pude perceber um pouco de irritação.
- Bobby, isso é impossível. - Falou ele simplesmente. - Nossa mão morreu muito antes da nascer.
- Eu sei, Dean, você não precisa em lembrar isso. Mas você tem alguma explicação para a descrição da moça que deixou na igreja ou para ela ter em mãos a pulseira que foi da sua mãe? - Bobby levantou o tom de voz, fazendo com que Dean se acalmasse um pouco. O silêncio predominou por um longo período de tempo. Eu só conseguia distinguir o som das sete respirações ao meu redor. Engoli em seco e passei a encarar o chão. Um vazio se instalou em meu peito. Meu coração parecia querer sair pela boca e o silêncio parecia me cortar mais ainda. Eu havia esperado tanto por respostas e quando elas estavam bem na minha frente eu não consegui sequer encará-las. Eu não sabia o que aconteceria daquele momento em diante. Minha vida tinha acabado de dar uma guinada. Encarei os Winchester novamente, com certo receio. Eles pareciam ser caras legais.
- Vamos fazer um teste de DNA para comprovar. Mesmo que eu ache desnecessário por conta de todas as evidências é melhor prevenir. - Falou Bobby, quebrando o silêncio mórbido que pairava no local.
- Tem uma clínica vinte e quatro horas aqui perto. Podemos ir agora se vocês quiserem. - Eu ainda encarava o chão, mas pude ver que Dereck falava com Dean.
- Vamos quando a quiser. - Levantei meus olhos para observar Dean novamente, ele demonstrava algo como preocupação. Sorri de leve e concordei com a cabeça.
- Podemos ir. Quanto mais cedo resolvermos isso, melhor. - Os dois apenas concordaram com a cabeça. - Mas antes eu tenho que avisar Anthony.
- , acho melhor você não falar nada disso para ele ainda. Pode ser um alarme falso, não adiantaria alarmá-lo. - Avisou-me Bobby. Eu concordei com a cabeça e me levantei devagar. Dereck me acompanhou até a porta e deu um beijo em minha testa. Atravessei a rua como um flash sem ao menos ver o que estava conhecendo ao meu redor. Abri a porta num rompante e não demorei mais de um segundo até encontrar Anthony sentado em sua poltrona lendo um jornal silenciosamente. Assim que me viu, ele baixou o jornal e abriu um sorriso, senti mais uma pontada em meu peito. Eu odiava mentir, mas era preciso. Ossos do ofício.
- Anthony, as garotas pediram para conhecer a cidade. Você se importa se eu for com elas? - Perguntei sem pausas para respirar, me aproximando da poltrona onde ele estava. Anthony se limitou a sorrir.
- É claro que não, querida. Só não volte tarde, ok? - Sorri de leve, aproximando-me para dar-lhe um beijo no rosto. Subi as escadas num rompante e em menos de um minuto estava no meu quarto jogando o que eu julgava necessário dentro da minha bolsa. Havia algo que eu queria mostrar aos Mackenzie, então peguei meu notebook e o coloquei dentro da bolsa. Novamente desci as escadas e me limitei a gritar um "Já estou indo" para Anthony antes de desaparecer porta afora. Não precisei entrar novamente na casa dos Mackenzie já que os Winchester, Bobby, , e os rapazes estavam em fila na frente dos três carros. Parei na lateral do capô, do lado do motorista, de um Impala que eu julguei ser de um dos Winchester. Bobby provavelmente estava com a caminhonete e o Chevelle era de .
- Já avisei Anthony. Podemos ir. - Anunciei depois de alguns minutos de silêncio onde eu encarei vividamente meus pés.
- Se importa de ir com os Winchester? Acho que vocês têm bastante para conversar. - Questionou-me Bobby, receoso. Pisquei algumas vezes, não tanto por nervosismo, mas realmente por não saber de que assunto falar com eles.
- Não, tudo bem. - Respondi um pouco receosa. Olhei para os dois rapazes parados ao lado do Impala. Senti meu estômago revirar e o ar parecia não chegar aos meus pulmões. Por muitos anos eu havia escondido o meu desejo de conhecer minha verdadeira família e agora ela estava ali na minha frente. E eu estava com medo. Medo do que estava por vir, do que eu descobriria e principalmente medo de mim mesma. Sam sorriu tímido, para mim sendo acompanhado por Dean.
- Prefere ir no banco da frente? - Questionou-me ele, se aproximando do carro e abrindo a porta do carona a fim de me deixar entrar. Dei de ombros enquanto contornava o carro, que era um de meus modelos preferidos por sinal, e me instalando no banco traseiro do veículo. Eu me recordava bem de uma vez que um cliente havia trazido um carro idêntico a este, exceto pela cor, à oficina de Joseph. Dei, quase literalmente, pulos de alegria quando Sr. Joseph me pediu para consertar o carro. E agora que finalmente estava dentro de um, me sentia um tanto quanto presa. Dean e Sam entraram no carro batendo ambas as portas ao mesmo tempo, o que me fez rir baixinho. Dean me fitou, com um sorriso nos lábios, pelo retrovisor do carro. Retribuí o sorriso timidamente enquanto seguíamos a caminhonete de Bobby e o Chevelle de . Coloquei minhas mãos, que não paravam de suar por causa do nervosismo, sobre meu colo e passei a fitar a paisagem que passava rapidamente pela janela do Impala.
- Ahn... As garotas disseram que você passa muito tempo com os Mackenzie. Conhece eles há muito tempo? - Sam se atrapalhou um pouco com a pergunta. Achei a atitude normal da parte deles, afinal, se tudo fosse comprovado pelo exame de DNA, eu seria a irmã caçula da família. Até aquele momento, eu não tinha interpretado as mudanças que ocorreram após a descoberta de minha, até que se provasse o contrário, nova família dessa forma. Eu me concentrei em formular uma resposta para a pergunta de Sam, deixando para pensar na questão "irmã caçula" quando estivesse segura no sótão.
- Faz muito tempo. Conheço eles desde que comecei a caçar. - Minha história de vida não era das mais interessantes ou emocionantes, seria é claro bem apavorante para qualquer pessoa com um pouco de juízo na cabeça, o que não era o meu caso e muito menos o dos Winchester. Ambos pareceram interessados no assunto.
- E isso foi quando? - Dean me fitou brevemente pelo espelho retrovisor e voltou os olhos para estrada a sua frente.
- Bom, é uma longa história. - Passei as mãos por meus cabelos enquanto organizava a ordem cronológica dos acontecimentos em minha cabeça. - Eu conheci e quando eu tinha cinco anos. Eu estava perto de uma antiga casa abandonada e elas estavam caçando um fantasma. Eu acabei me intrometendo aonde não devia e elas me salvaram. Foi... Engraçado. Elas achavam que eu iria ficar apavorada e eu disse que não tinha nada demais matar um fantasma. - Sam riu junto comigo enquanto Dean sorria, balançando a cabeça negativamente.
- Você não tinha comentado que era maluquinha desde pequena. - Brincou ele.
- Achei que já tinham prevenido vocês. Eu sempre gostei de ficar sozinha. Passava a maior parte do tempo naquela praça, às vezes eu ficava por horas a fio no sótão do casarão abandonado, ou em cima de uma árvore. Anthony quase enlouquecia me procurando. Algumas semanas depois do caso do fantasma, e voltaram para me visitar e trouxeram Bobby junto com elas. Nos tornamos amigos e Bobby virou um pai pra mim.
- Pensei que você considerasse o Anthony seu pai. - Interrompeu-me Dean com a testa franzida. Pisquei algumas vezes pra digerir a pergunta.
- Eu tenho muita consideração por ele, e tenho consciência de que se ele não tivesse me acolhido eu provavelmente estaria em um orfanato. Mas, de qualquer forma, o mais próximo que eu tenho de um pai é o Bobby. Antes de conhecê-lo, eu ficava imaginando como seria ter alguém que me entendesse de verdade. Alguém que eu pudesse falar de tudo o que eu sentia medo e que me ajudaria a superá-los. Não consigo ver outra pessoa nesse posto senão o Bobby. - De fato era verdade. Por mais que eu tivesse tentado por muitos e muitos anos considerar o Anthony como meu verdadeiro pai, eu não conseguia encaixá-lo nesse lugar.
- Chegamos. - Anunciou Sam e pude ver os dois carros a nossa frente estacionando em frente à clínica. Dean estacionou o Impala logo atrás do Chevelle de . Minhas mãos começaram a suar frio assim que coloquei os pés para fora do carro. Nos dirigimos, os seis, para a entrada do estabelecimento em completo silêncio. Mantive os braços entrelaçados em frente a meu peito segurando firmemente a jaqueta. Uma lufada de ar fez com que meus cabelos se emaranhassem e atrapalhassem minha visão. Rapidamente coloquei os fios no atrás das orelhas.
- Boa tarde. Queríamos saber se vocês procedem exames de DNA. - A moça atrás do balcão, uma loira alta que aparentava ter uns vinte e poucos anos, desviou os olhos da tela do computador para fitar Bobby.
- Boa tarde, senhor. Sim, nós fazemos exames de DNA. - A recepcionista passou os olhos por todo o grupo e franziu as sobrancelhas. - Quem seriam os requerentes?
- Ahn, queremos uma comprovação de que estes três são irmãos. - Esclareceu Bobby, apontando para os Winchester e em seguida para mim.
- Pai falecido? - Deduziu a loira.
- Sim. - Confirmou Bobby, que logo em seguida me empurrou para mais perto dos rapazes. A recepcionista demorou-se algum tempo fitando-nos.
- Qual dos três precisa da definição de paternidade? - Perguntou ela, enquanto abria uma das gavetas e tirava algumas folhas de papel e uma máquina fotográfica. Bobby acenou para que eu me pronunciasse.
- Sou eu. - Sussurrei alto o suficiente para a recepcionista escutar ao mesmo tempo em que me aproximava do balcão. Ela acenou com a cabeça e colocou uma folha de papel sobre o balcão.
- Se há certeza de que os dois são irmãos não é necessário fazer a coleta dos três. Basta retirar o DNA de um deles e da senhorita. - Explicou ela, enquanto arrumava a câmera fotográfica. - Qual dos dois vai fazer o teste? - Dean e Sam se entreolharam por um momento e Sam acenou de leve, como quem concedia a decisão ao irmão mais velho.
- Eu posso fazer. - Respondeu Dean, caminhando para mais perto de onde eu estava. Ele passou o braço por meus ombros e, por mais estranho que pudesse parecer, eu me senti mais segura. Olhei para ele, que parecia preocupado com minha reação, e sorri de leve, fazendo com que Dean relaxasse.
- É só preencher o formulário e... Você é menor de idade? - Questionou-me a loira.
- Tenho dezessete.
- Tudo bem, você pode assinar sem problemas, neste caso. Preciso dos documentos de identificação e depois tiramos uma foto para registro no banco de dados. É a política da empresa. - Explicou ela enquanto entregávamos nossos documentos e eu Dean se ocupava em preencher o dito formulário. Depois disso, fomos, separadamente, guiados até uma parede branca próxima ao balcão da recepção e uma foto foi tirada. - Podem me seguir, por favor? - Pediu ela enquanto se dirigia a uma porta totalmente branca que possuía uma placa onde estava escrito com letras suficientemente grandes para qualquer um dentro da recepção poder ler as palavras: Somente pessoal autorizado. Coleta de DNA. Quando colocou a mão na maçaneta metálica, ela parou e virou-se para trás encarando Bobby, Sam, e atrás de nós. - Somente os dois, por favor. Desculpem-me, mas é questão de protocolo. - Lamentou-se ela enquanto Bobby murmurava um "Não tem problema" e eles se dirigiam as poltronas desconfortáveis da sala de espera. Olhei de soslaio para Dean que apenas assentiu e disse para eu ficar tranquila. Àquela altura do campeonato, eu já não sabia mais o que pensar. Seguimos a recepcionista até uma sala de tamanho médio que possuía outra daquelas placas com letras garrafais dizendo: Sala de coleta. Aquele lugar me lembrava um hospital. Na realidade tudo ali fazia parecer que estávamos em um, e eu não me sentia nada confortável com isso. Anthony sempre dissera para mim que nos dias em que ele marcava consultas eu daria um jeito de fugir. Era praticamente uma guerra me levar a um consultório médico. Outra coisa para a qual não tinha explicação. Na sala de coleta havia outra mulher, que aparentava ter também uns vinte e poucos anos, ruiva e vestida de branco. As duas trocaram algumas palavras em um tom baixo as quais eu não me dei o trabalho de tentar entender e então a loira nos avisou que o processo seria feito pela enfermeira ruiva, Isabella, era esse o nome dela, e voltou à passos rápidos para a recepção.
- Quem quer começar? - Perguntou Isabella enquanto preparava as duas cadeiras de coleta de sangue presentes na sala e logo depois colocava as luvas de látex. Dean e eu seguimos para as mesmas sentando-nos lado a lado separados apenas por um estreito balcão onde se podia observar um vidro com álcool, um pote com algodão, dois elásticos, uma caixa de luvas cirúrgicas, um suporte com tubos de ensaio entre outros equipamentos do tipo.
- Não temos preferência. - Respondeu Dean depois de eu ter acenado com a cabeça.
- Muito bem, vamos começar pelo rapaz. Vejo que nossa mocinha tem um machucado na mão. Vou ter de dar uma olhada primeiro. - Até aquele momento, a atadura em minha mão direita tinha passado despercebida, ou pelo menos era o que eu acreditava. Mas eu devia imaginar que não seria assim tão fácil. Fitei minha mão e sorri sem os dentes.
- É isso que dá tentar cortar uma maçã na mão. - Tentei parecer descontraída, mas percebi que, enquanto a enfermeira ria de meu "descuido", Dean franzia a testa e me encarava com seus profundos olhos verdes. Um frio percorreu toda a minha espinha quando pensei na, mesmo mísera, possibilidade deles descobrirem a verdade sobre o corte em minha mão. Balancei a cabeça de leve de modo que meus pensamentos pudessem ser reorganizados. Ocupei-me em observar Dean tirar a jaqueta e dobar a camisa até um pouco acima do cotovelo e Isabella passar um chumaço de algodão embebido em álcool no local onde seria retirado o sangue. Ela procurou pela veia dele e pegou uma seringa que estava em cima do balcão ao meu lado. E, segundos depois, pude ver o líquido espesso e avermelhado preenchendo a seringa. Isabella colocou um algodão em cima do furinho mínimo no braço de Dean e ocupou-se em encher dois tubos de ensaio de tamanho médio e etiquetá-los, colocando-os no suporte logo depois.
- Podemos dar uma olhada na sua mão, mocinha? - Perguntou-me ela um tanto divertida. A história da maçã tinha surtido efeito em pelo menos alguém naquela sala. Dean estava vestindo em pé a meu lado a jaqueta enquanto Isabella retirava a faixa de tecido de minha mão. Nas últimas voltas já se podia ver a pequena mancha de sangue que havia se formado no tecido branco. O cheiro de meu próprio sangue invadiu minhas narinas fazendo com que a mesma sensação estranha de dias atrás percorrer todo o meu corpo. A ruiva passou os dedos gélidos pelo corte na palma de minha mão e involuntariamente eu a fechei. - Está tudo bem. Eu vou colocar a atadura novamente. É um corte superficial, não tem problema. Está tudo bem. - Tranquilizou-me ela enquanto pingava algumas gotas de mercúrio no corte e recolocava a atadura. Dean continuava com a expressão pensativa de quando eu fiz a piadinha sobre a maçã. Desviei meu olhar para o chão enquanto tirava minha jaqueta e levantava a manga de minha camisa xadrez até o cotovelo. Isabella baixou o braço da cadeira e apoiou o meu antebraço na almofada do mesmo. A ruiva pegou o frasco de álcool e molhou uma bolinha de algodão com o líquido, passando-o logo em seguida em minha pele. Ela pegou outra seringa na gaveta, colocando a agulha na ponta da mesma. Amarrou o elástico dois dedos acima de meu cotovelo e em poucos segundos encontrou a veia que procurava. Senti a agulha perfurando minha pele rapidamente, e o sangue começou a preencher a seringa. Fiquei observando as pequenas bolhas de ar que se formavam enquanto Isabella segurava o êmbolo da seringa e meu sangue era coletado. Segundos depois ela repetiu o procedimento de colocar um algodão no local da picada e encher dois tubos de ensaio, dessa vez com o meu sangue. Ajeitei minha camisa e recoloquei a jaqueta levantando-me para ficar em pé ao lado de Dean novamente. Pude ver a ruiva apertando uma pequena campainha que estava na gaveta e pouco tempo depois apareceram dois caras vestidos com jalecos brancos na porta. Ela pegou um dos tubos com o sangue de Dean e outro com o meu e entregou para um deles e fez o mesmo entregando dessa vez para o outro rapaz. Era parte do protocolo eu presumi.
- Estão liberados. O resultado fica pronto daqui a uma semana. - Sorriu ela, retirando as luvas e jogando-as no lixo e em seguida entregando um papelzinho a Dean. Nós dois sorrimos em resposta enquanto Dean colocava o braço em volta de meus ombros novamente e seguíamos em total silêncio para a saída. Encontramos Bobby, , e Sam impacientes na sala de espera. Bobby já havia acertado tudo na recepção. A recepcionista sorriu quando passamos por ela em comitiva de volta para os carros. Ao contrário de antes, o caminho de volta foi silencioso. Desta vez me sentei mais próximo a janela do lado direito e me entreti em fitar a paisagem sem realmente enxergar alguma coisa. Quando chegamos, estacionamos em frente a casa dos Mackenzie eles nos aguardavam sentados na escada da varanda, impacientes. Consegui me esquivar das inúmeras perguntas e voltar para casa em pouco tempo. Dei um beijo em Anthony, o qual continuava sentado em sua poltrona lendo, e subi voando as escadas em direção ao alçapão. Joguei-me na cama e sem ao menos saber o motivo senti as lágrimas escorrendo por meu rosto sem poder conter o impulso de chorar. Provavelmente eu me sentiria um trapo no outro dia pela manhã. Mas naquele momento não importava o que aconteceria amanhã. Eu só me preocupava com o que estava acontecendo agora. Minha mente estava uma bagunça, eu sequer conseguia colocar os fatos em ordem para poder entender o que aconteceu nas últimas horas. A única coisa de que me lembro antes de adormecer, além dos grossos pingos de chuva batendo no telhado, foi um par de olhos azuis me observando.

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Capítulo 11 - Eu quero você
Capa


"A vida não é quantas vezes você respira, e sim os momentos que te tiram o folêgo."
A vida não é quantas vezes você respira, e sim os momentos que te tiram o folêgo.



Música Sugerida:Ready For LoveBad Company – Tema de e Dean (DownloadYoutubeTradução)


Depois de um dia atribulado, Bobby, as irmãs Stryder e os dois Winchester seguiram para um hotel, depois de muito esforço por parte dos Mackenzie para que eles passassem a noite na casa deles. Desde que haviam deixado em casa e seguido para o hotel, Dean estava com a expressão fechada. Não havia falado nada e nem ao menos fez algum comentário sobre o que havia acontecido nas últimas horas. Sam estranhou a atitude do irmão mais velho, mas sabia que ele não falaria nada se o perguntassem. Todos entraram em um consenso de que seria melhor continuarem com o mesmo esquema que haviam adotado para o caso em Lincoln. Margareth, a oficial da delegacia, havia se interessado muito por e, se ao acaso resolvesse ligar para o telefone que haviam deixado, o do celular de Dean, seria mais fácil manter as aparências. Bobby ficou em um quarto sozinho, e Sam em outro, assim como e Dean. Reuniram-se todos no quarto de Bobby para decidir os próximos dias na cidade.
- Vamos ter de esperar o resultado do teste para poder tomar uma decisão definitiva. E, além do mais, não podemos fazer nada que não esteja de acordo. Ela tem o direito de escolher com quem quer ficar. - Bobby estava sentado na cama e ap seu lado encontravam-se expostas uma série de armas esperando para serem limpas e recarregadas. estava encostada na cômoda, observando o chão, e Dean estava próximo à janela enquanto e Sam estavam sentados próximos a Bobby. inspirou fundo.
- De fato. já tem dezessete anos. Pode fazer escolhas por si mesma. - Reforçou . O silêncio instalou-se no ambiente por um longo tempo até Bobby interrompê-lo:
- Quem vai ser o sortudo a sair pra comprar sal?
- Eu vou. - e Dean falaram juntos fazendo Bobby rir.
- Se eu soubesse, teria pedido antes. - Riu o caçador.
- Se importa de me levar junto? - Perguntou ao rapaz que estava um pouco mais descontraído agora.
- Não. Sem problemas. - Respondeu Dean, enquanto pegava a chave do carro e se dirigia a porta, onde ficou esperando por . A garota pegou sua jaqueta, a carteira e seu celular, que colocou no bolso, e murmurou um "Já voltamos" antes de sair porta afora com Dean em seu encalço. Assim que saíram, perceberam que várias nuvens escuras se aproximavam da cidade. Os dois se contentaram em trocar um olhar de preocupação e mantiveram o silêncio. Entraram no carro e seguiram para o mercado mais próximo. O silêncio se manteve firme até entrarem no mercado.
- Você pega o sal? - Perguntou . Dean assentiu enquanto a garota seguia para o lado oposto ao dele. O clima estava pesado entre os dois desde que haviam chegado a Pontiac. tentava entender o porquê disso tudo. Os dois se encontraram no caixa poucos minutos depois e perceberam que a chuva já caia forte lá fora.
- Vamos ter que correr até o carro. - Gritou Dean para enquanto estavam sob a marquise.
- Ok. - Os dois colocaram os casacos sobre as cabeças e correram em direção ao Impala. Mesmo tendo sido rápidos, a chuva estava forte demais e os dois ficaram ensopados.
- Droga! Precisava chover logo agora?! - Reclamou enquanto enxugava os olhos e jogava a sacola no banco detrás do carro. Dean bufou junto com ela e ligou o carro, dirigindo o mais devagar possível por causa da chuva.
- Vou tentar pegar um atalho. A chuva tá muito forte. - Avisou Dean, depois de ter dirigido uns duzentos metros.
- Vou ligar pro Bobby e ver como estão as coisas por lá. - discou o número de Bobby. O telefone tocou apenas uma vez e a garota pode ouvir a voz preocupada do caçador no outro lado da linha.
- ?
- Tá tudo bem, Bobby. Como vocês estão? A chuva começou de repente, estamos tentando pegar um atalho.
- Estamos todos bem. Tomem cuidado, a estrada aqui em frente está bem perigosa. Onde vocês estão? - passou os dedos sobre a janela do Impala a fim de conseguir enxergar alguma coisa.
- Eu não sei bem. Não está dando pra ver muita coisa. A chuva tá forte demais. - A garota olhou para Dean, que assentiu de leve.
- Acho melhor vocês acharem um lugar para estacionar e esperarem a chuva passar. É arriscado demais dirigir nessas condições.
- Eu vou falar com o Dean. Qualquer coisa nós ligamos. - A garota respirou fundo enquanto colocava o telefone em cima do painel do carro. - O Bobby acha melhor acharmos um lugar pra estacionar e esperarmos a chuva diminuir. Ele está preocupado.
- Eu tenho que concordar com ele. Está chovendo demais, é perigoso arriscar. - pegou novamente o aparelho celular e digitou uma mensagem rápida avisando que parariam pelo caminho. Relâmpagos cortaram o céu e a chuva tornou-se mais grossa. Dean dirigiu por mais alguns metros pela estrada deserta e parou próximo em frente a um bar abandonado. - Acho que tem algumas toalhas no banco de trás. Quer fazer as honras?
- E você? Quer pegar uma pneumonia? - Perguntou a garota enquanto, com dificuldade, passava para a parte de trás do carro.
- Não importa muito. - Falou o rapaz enquanto passava para o banco de trás, sentando-se ao lado de .
- Dean, o que está acontecendo? Você está estranho desde que chegamos aqui. - Perguntou a garota, olhando séria para ele.
- O que você e aquele tal de Greg tiveram? - Perguntou o rapaz, encarando-a com uma expressão furiosa.
- Ah não. Era só o que me faltava. Você está com ciúmes do Greg! Logo do Greg! - Bufou a garota enquanto retirava a jaqueta molhada e a jogava no banco da frente. Dean a olhou incrédulo.
- Vocês pareceram bem amiguinhos. - Comentou o rapaz, irônico.
- Olha, eu não devo satisfações pra você nem pra homem nenhum. Mas a título de curiosidade e pra te provar que a minha consciência está tranquila, o Greg foi meu primeiro namorado. Antes mesmo de eu conhecer o Ben. Mas isso foi há muito tempo. Eu não sinto mais nada por ele além de amizade. - estava visivelmente irritada com a atitude de Dean. A única coisa que ela não admitia era que tentassem controlá-la.
- Não me parece que ele queira ser só seu amigo. - Comentou Dean, tirando a jaqueta, o tom de voz aumentando gradativamente.
- Ah. Claro. O machismo tinha que prevalecer. É isso que você faz quando quer acabar com um relacionamento que está se alongando demais? Se você queria parar com isso, era só ter me dito. Poupava o seu trabalho de me aturar por essas semanas. - Foi o estopim para a raiva de Dean aumentar.
- Eu não queria acabar com isso. E para a sua informação, eu nunca tive algo sério com uma mulher. Você está sendo a primeira. - Dean jogou a jaqueta com força no banco da frente. - Você é tão... - tomou as rédeas da situação e aproveitou a deixa para se aproximar do rapaz, pegando-o de surpresa e o fazendo ficar perplexo apenas a observando enquanto ela sentava em seu colo, com uma perna de cada lado de seu corpo.
- Porque você não cala a boca? - Perguntou , sem dar tempo de Dean formular uma frase em resposta e selando seus lábios aos dele. O rapaz ficou sem ação. Com era tudo diferente, ele nunca sabia como agir. Não demorou muito para o clima do local esquentar. O rapaz segurou a cintura de com as duas mãos e a aproximou mais ainda de seu corpo enquanto a garota se ocupou em segurar os ombros dele com força. Dean colocou a mão por sob a regata branca da garota, tocando a pele gelada de suas costas devido a umidade da peça de roupa. O toque da mão do rapaz em sua pele fez se arrepiar e apertar com mais firmeza o braço dele. interrompeu o beijo para retirar a regata e aproveitou o momento para olhar nos olhos de Dean.
- Será que você consegue entender que eu não quero o Greg ou qualquer outro cara? Eu quero você! E isso é tudo. - O casal passou a se olhar intensamente e deslizou suas mãos por dentro da camisa do rapaz, fazendo-a escorregar pelos braços fortes do caçador. As respirações estavam pesadas, os vidros do carro estavam embaçados e a única coisa que era possível de se enxergar eram as gotas grossas da chuva que continuava a cair lá fora. Dean retirou seu colar e a camiseta preta que usava e os jogou no banco da frente, aproximando seu rosto do de e voltando a beijá-la intensamente. Ambos se tocavam com urgência, Dean deitou delicadamente a garota no banco e a ajudou a retirar os sapatos e as jeans, deixando-a apenas com uma lingerie preta. O caçador deslizou as mãos por toda a extensão das pernas de e logo depois iniciou uma série de beijos por seu abdômen. As mãos de apertaram os ombros do rapaz e o puxaram para um beijo cheio de urgência. A morena desceu suas mãos para o abdômen definido do rapaz, parando na barra da jeans que ele vestia e abrindo o cinto de couro, que foi jogado em qualquer canto do carro. Logo depois Dean se livrou dos sapatos e das jeans que tiveram o mesmo destino das outras peças de roupa, o banco da frente. inverteu as posições, pregando um susto no rapaz. A morena manteve as pernas uma de cada lado do tronco de Dean e apoiou suas mãos nos braços dele, inclinando-se para beijá-lo. O céu parecia estar caindo lá fora, mas naquele momento nada importava para os dois. Aquele momento era de grande importância para ambos. Dean nunca havia sentido algo tão forte por nenhuma mulher como estava sentindo por e a garota não se permitira gostar e muito menos se entregar para alguém depois do incidente em Lincoln. Havia muitas coisas a serem resolvidas, mas naquela noite a única coisa que importava era o suor dos corpos se misturando, os toques ansiosos, os gemidos de prazer em uma noite de amor.

- Será que algum dia eu vou parar de me surpreender com você? - estava deitada de lado, vestida com sua lingerie e a camisa de Dean, que estava somente de jeans e deitado de barriga para cima, com a perna direita por sobre as pernas do rapaz e a cabeça apoiada em seus ombros. Ela riu pelo nariz.
- Eu, sinceramente, espero que não. - O rapaz deslizou as mãos pelo braço da garota e inspirou profundamente.
- Então isso é um compromisso oficial agora, eu espero? - Perguntou ele, virando o rosto para encará-la.
- Não sou eu quem foge de relacionamentos aqui. - Respondeu a morena, rindo.
- Ha-ha. Muito engraçadinha você. - Retrucou o rapaz, irônico, logo depois se esticou e lhe roubou um selinho.
- Defina compromisso. - Pediu a garota, com um sorriso nos lábios. Dean apenas sorriu em resposta e uniu seus lábios aos dela mais uma vez.

Capítulo 12 - Eu quero você

"Não há sucesso sem grandes privações."
Sófocles


Na noite após o exame, a chuva resolveu dar as caras por aqui, para a minha felicidade. Não havia desculpa melhor para não sair de casa no final de semana. Eu passaria na oficina do Sr. Joseph e me desculparia por não ter ido no dia anterior, pegaria meu carro e o colocaria na garagem, diria a Anthony que estava indisposta para sair e me enfiaria pelos próximos dois dias no sótão para ouvir apenas o barulho da chuva caindo no telhado. Quando acordei, no meio da noite, não vi sinal de que Castiel havia estado por ali. Talvez o choro tivesse confundido minha mente e me pregado uma peça. Virei-me na cama, encostando bem as minhas costas no colchão, e passei a observar as gotas de chuva que caiam na janela. Analisando bem a situação em que a vida havia me colocado, no final das contas eu sairia bem. Sam e Dean pareciam ser dois caras legais e eu me lembrava bem de várias histórias da família Winchester das quais Bobby havia me contado. Pelo menos eu não teria de esconder o fato de eu ser uma caçadora se eles fossem realmente minha família. O peso em minhas costas diminuiria tanto. Mas eu não queria pensar em mais nada naquela noite, eu queria apenas dormir.

- Faz algum tempo que você não vem aqui. - Assustei-me com a voz de Castiel vinda da janela às minhas costas. Estava sentada no telhado com as pernas esticadas, o sol já dava sinais de que estava vindo para ficar. Não deviam ser mais de nove da manhã.
- Me assustou. - Exclamei seca, fazendo o anjo unir as sobrancelhas.
- Preciso falar com você. - Anunciou ele, sentando-se na minha cama, de costas para a janela.
- Precisa ou te mandaram aqui para fazer isso? - Perguntei, ainda fitando a estrada deserta. Olhei-o por sobre o ombro esquerdo sem expressão alguma. O anjo virou-se para me encarar. Sem Castiel perceber, apanhei a faca que havia usado anteriormente e que ainda estava em cima do telhado e passei a lâmina sobre a palma da minha mão esquerda. Então, virei-me para o símbolo desenhado na parede e fitei o anjo.
- Me desculpe, Castiel. Não é sua culpa. Me perdoe. - Pude perceber a expressão de espanto em seu rosto quando pressionei a mão ensanguentada no meio do símbolo. Fechei os olhos por um segundo a fim de evitar a luz e, no segundo seguinte, Castiel não estava mais lá. Entrei pela janela rapidamente, lavei minha mão machucada e enrolei mais uma atadura no ferimento. Peguei uma vasilha com água que eu havia trazido ao quarto e um pano para limpar a parede da casa. Castiel era o único que sabia onde eu estava, e não podia se aproximar enquanto eu estivesse com o saquinho de bruxa. Mesmo sabendo minha localização, ele não poderia falar. Foi um acordo selado com sangue, ele morreria se o fizesse. Naquela noite eu pensei em tudo o que a minha vida estava se tornando. Em todas as mentiras, em todas as missões, em todas as perguntas não respondidas, e enfim tomei minha decisão. Se o resultado do teste de DNA fosse positivo eu iria embora com os Winchester, caso contrário, eu o faria sozinha.

You can't tell me to heal! And it hurts remembering, how...

- ?! - Parei de cantarolar ao ouvir uma voz a qual não estava muito habituada. Abri o alçapão com um pouco de receio e avistei o rapaz alto, de ombros largos e olhos extremamente verdes parado, olhando para mim. Ele sorriu e eu o acompanhei timidamente. - Podemos conversar? - Dean parecia meio receoso. Na realidade, acho que todos nós estávamos. Você tende a ser mais cuidadoso quando não sabe em que terreno está pisando.
- Claro. Só... Um minuto. - Falei, levantando-me e correndo até a cama para pegar meu cardigan. Baixei a escada retrátil, desci devagar e depois arrumei a escada novamente. Virei-me, com cautela, para encarar Dean. Ele parecia tão confuso e sem jeito quanto eu. Estávamos no mesmo barco, afinal, para ambos, o outro era um total desconhecido. - Podemos ir à praça que tem aqui perto, se você não se importar. - Acenei de leve com a cabeça para a porta da biblioteca que estava entreaberta. Anthony estava lá há horas, só saiu para atender a porta.
- Tudo bem. - Respondeu ele. Segui em frente e dei três batidinhas de leve na porta entreaberta da biblioteca antes de abri-la. - Anthony, tem problema se eu for dar uma volta com o Dean? - Perguntei um tanto cautelosa ao observar Anthony me fitar por cima das grossas lentes dos óculos de descanso. Então, de repente, ele abriu um sorriso.
- Problema nenhum, querida, só não volte tarde. - Encostei a porta com cuidado e segui com Dean em meu encalço em direção à saída.
Andamos em silêncio a maior parte do percurso e, por mais incrível que pudesse parecer, a falta de diálogo não me incomodava. Com a saída do sol após a noite chuvosa, muitas famílias aproveitaram para ir ao parque. O vento já trazia algumas nuvens prometendo chuva novamente. Não estava totalmente frio, mas eu havia resolvido colocar um casaco fino por cima da minha blusa de malha branca por via das dúvidas, já que a calça jeans surrada e o all-star preto nunca me deixavam na mão.
Ainda em silêncio, nos sentamos em um banco, o mesmo no qual algumas semanas atrás eu conversava com Castiel. Passei a observar as crianças brincando no parque, respirei fundo e virei-me para encarar Dean.
- Você queria falar comigo, não é? - Questionei, mordendo o lábio inferior.
- Queria sim. Não é nada especial, é só... Fiquei preocupado. - Percebi que as palavras eram verdadeiras, porém ele estava relutante em dizê-las. Era perceptível que Dean não era o estilo de cara manteiga derretida. Ele tinha sentimentos mas preferia guardar para si, por isso vê-lo falando assim me fez sorrir. Ele franziu as sobrancelhas e eu voltei a observar o parque.
- Por quê? Você não precisa se preocupar comigo. Ainda. - Falei a última palavra mais para mim do que para ele, mas pude perceber que ele entendeu o que eu queria dizer. Para bom entendedor, meia palavra basta. O resultado do exame sairia na semana que vem.
- Não é uma questão de precisar ou não. Você deve estar confusa com toda essa informação de uma só vez. - Geralmente eu não gostava que se preocupassem comigo. Além do mais, eu não tinha um time de pessoas esperando para saber o que eu ia fazer. Eu só tinha o Anthony, a , a , o Bobby, Greg e Dereck, e nenhum deles sabia de tudo o que eu passava. Mas naquele momento eu não me sentia mal por saber que um estranho se preocupava comigo, eu me sentia bem. Eu me sentia querida. Sorri de leve, fazendo Dean sorrir junto comigo. Ele desviou o olhar para o grupo de crianças que estavam cantarolando uma cantiga de roda. Fitei meus próprios pés por algum tempo até que uma rajada de vento bagunçou meus cabelos. Coloquei as mechas rebeldes atrás da orelha, olhando na mesma direção que Dean.
- Deve ter sido difícil pra você e pro Sam crescerem caçando. - Dean baixou o olhar para o chão e eu passei a imaginar quais seriam as suas lembranças naquele momento.
- Não posso dizer que foi fácil. Mas não é como se melhorasse com o tempo. - Respondeu ele com a testa franzida, ainda olhando para frente.
- E não melhora. Nunca melhora. - Falei baixinho, encarando minhas mãos que estavam cruzadas sobre minhas pernas. Dean virou o pescoço para me fitar.
- Deve ser mais difícil pra você. - Concluiu ele depois de um tempo me observando. Dei um sorriso nasalado. Eu sabia que ele estava falando do fato de ser órfã, mas não era exatamente por esse motivo que minha vida era mais difícil.
- Às vezes. Mas eu gosto de ser... Solitária. Quer dizer, eu gosto de ficar sozinha às vezes. Faz você refletir sobre seus erros. Me faz aprender a não cometê-los de novo.

Uma semana depois...

- ! – Depois do berro estridente eu senti dois braços ao redor do meu pescoço e não pude deixar de rir. Carolyne, a garota alta, loira e de olhos castanhos que eu chamava de amiga, tinha essa mania de pular em cima de mim toda, ou na maioria das vezes em que me via.
- Carol, eu preciso respirar! – Murmurei, rindo junto com ela enquanto a mesma se afastava e começávamos a caminhar em direção aos armários. Era impossível não se sentir bem quando se estava com Carolyne. Sua energia era contagiante e hoje, mais do que em qualquer outro dia desde que nos conhecemos, eu precisa muito de sua energia animadora. Carolyne percebeu minha expressão fechada.
- O que aconteceu, ? Você não está assim à toa! – Falou, enquanto abria seu armário, sendo imitada por mim. Demorei um pouquinho formulando uma resposta, ou ao menos tentando. Por fim, mordi o lábio para depois murmurar baixinho sabendo que só ela escutaria.
- O resultado sai hoje. – Logo Carol percebeu do que se tratava e deu tapinhas em minhas costas.
- Vai dar tudo certo, você vai ver. – Fechei o armário e apertei os livros contra meu peito, encarando o alumínio verde por alguns segundos antes de me virar para Carolyne.
- Depende do que vai ser esse “tudo certo”. – Murmurei enquanto nos dirigíamos à sala de aula.
- Animada para a formatura? As aulas terminam semana que vem e o baile será na próxima, teremos que correr se quisermos comprar vestidos. – Perguntou-me ela, tentando mudar de assunto quando passamos pelo batente da porta. Joguei meu material em uma das últimas carteiras da fileira próxima a janela e Carolyne fez o mesmo, escolhendo a carteira vaga na minha frente.
- Eu não vou participar da formatura. – Respondi sem humor enquanto a loira me encarava com uma cara assustada.
- Se o resultado do exame der mesmo positivo eu não vou continuar aqui, Carol. – Sua testa se enrugou e Carolyne uniu as sobrancelhas sem entender.
- O que você quer dizer com isso? – Mesmo antes de tomar a decisão ela já pesava em meus ombros e fazia com que meu coração apertasse em meu peito.
- Que eu vou embora, Carolyne. Se eu for mesmo irmã dos Winchesters, eu vou embora com eles.

Capítulo betado por Sarah C.

Continua.


N/A (24/09/11):Hey hey little girls. Como vão vocês? Enfim, sorry a demora (nem foi tanto assim) e aproveitando o meu momento empolgação queria pedir algo muito muito importante pra vocês. Acho que a maioria aqui já ouviu falar de doação de sangue né. Pois bem, doar sangue é um ato de muita generosidade, apenas um bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas. Portanto, quem puder, doe. Sério gente, tem muitas pessoas que necessitam de sangue, e o tempo que você vai perder fazendo isso é mínimo comparado ao que significará para quem vai receber o sangue. Sem falar que em pouco tempo o seu organismo repõe a quantidade retirada. Se você mora em SC, uma nova lei permite que você doe sangue a partir dos 16 anos, pra quem é menor acompanhado dos responsáveis, claro. Eu tenho orgulho de dizer que agora sou doadora, dia 23 de agosto fiz minha primeira doação e não é nenhum bicho de sete cabeças. Portanto, se você pode e quer doar sangue, dirija-se até o hemocentro mais próximo, se você é de SC, novamente, esse é o site do HEMOSC, que é o órgão responsável pela captação e distribuição de sangue e derivados. Me senti muito útil, doarei mais vezes e espero encontrar, quem sabe, leitoras minhas doando sangue *brisa*. Enfim, voltando ao que de fato interessa, quero saber o que acharam desse capítulo e da nova personagem apresentada nele. Portanto, comentem ok **. Antes de eu calar meus dedinhos queria saber se vocês gostariam que eu começasse a responder aos comentários nas n/a's. Respondam nos coments, obrigado a todas e até a próxima.
Beijos, Ari.

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Outras Fanfics:

'Cause I'm Broken - Jonas Brothers/Finalizada
Nasty Naughty Boy - Mcfly/Finalizada
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Crítica All About Fics (04/12/2010)

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Nota da Beta: Qualquer erro nessa fanfic é meu, então me avise por email ou mesmo no twitter. Obrigada. Xx.