Última atualização: 01/06/2020
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Prólogo

Julho, 2011
Rio de Janeiro

O ônibus tinha acabado de parar no ponto final e a garota saia atrapalhada com sua mochila pendurada em um ombro e uma mala pequena de carrinho na outra mão. Era final de período e, se ela não estivesse em 15 minutos na sala para fazer a prova de Mídias Globais, podia dar adeus ao seu CR e, consequentemente, a sua bolsa de estudos. Ninguém do setor de apoio aos estudantes bolsistas se compadeceria novamente de seus causos para manter a bolsa de 100% na PUC-Rio junto ao estágio, que mais parecia um trabalho de efetivo, na redação do telejornal carioca do Sbt, junto a alguns freelas ocasionais que ela fazia para complementar a renda. De fato, ela mais passava tempo na redação do que em casa estudando para as provas finais. Mas, não podia reclamar: afinal, era o estágio junto da pouca ajuda dos pais que mantinha o seu quarto e alimentação em uma república no Catete, para que sua locomoção ficasse um pouco melhor do que seria se continuasse na Zona Oeste do Rio.
Por isso, ela fez o possível para andar o mais rápido até a faculdade. Tinha acabado de voltar de uma reunião nos estúdios da emissora em São Paulo e não conseguira carona até a universidade ou tivera tempo de parar em casa para largar a mala. Ela só torcia para que as horas de estudo rasas no fim de semana tivessem sido o suficiente para garantir a passada para o penúltimo período. Apenas mais um ano e ela poderia dar o fora de toda aquela estrutura elitista da Puc. Por mais que aquele lugar também fosse a sua casa, ela estava louca para dar as costas para os portões da Gávea, que naquele momento pareciam muito assutadores, porque tinha apenas 7 minutos para chegar na sala.
O barulho dos seus sapatos e o das rodinhas batendo no chão enquanto ela corria era o que mais se ouvia por entre os corredores. Isso e os pedidos de desculpas que a garota soltava vez ou outra quando esbarrava em algum desavisado que não estava vendo o furacão que ela era ao passar por seu caminho. Por sorte, viu o número da sala aparecer em seu campo de visão e foi logo entrando, atrapalhando as últimas dicas que o professor dava para a turma e recebendo um olhar nada contente do mestre enquanto se sentava em uma das carteiras da frente que sobraram na sala lotada.
- , atrasada como sempre, né? - comentou o professor tirando os óculos e limpando despreocupadamente as lentes em sua camisa, que parecia caríssima.
- Desculpe, professor! Eu vim direto do Galeão para cá! Ou corria ou perdia sua prova! - explicou tirando suas anotações da mochila junto ao seu estojo e se endireitando na carteira para relaxar alguns segundos antes de despejar tudo o que sabia naquelas folhas de papel almaço na sua frente.
- Tudo bem, tudo bem! Mas que isso não se repita no próximo semestre, ! - ele disse olhando no fundo dos olhos da garota que sentia suas bochechas esquentarem e dava graças a Deus por sua pele negra ajudar a esconder o embaraço - Todos prontos? - ele agora se dirigia à turma - Vocês tem cerca de 1h40 para terminar a prova. Usem apenas suas anotações e boa sorte!
tentava manter a mão tranquila enquanto escrevia, mas se sentia suando frio. "Deve ter sido a corrida até aqui", pensava e torcia enquanto se concentrava em dizer cada palavra do que lembrava das aulas anteriores e, do que sua amiga Gabriela, que estava a algumas mesas de distância, tinha lhe passado dos dias que tinha faltado. Graças aos céus, aquele professor não cobrava presença e era empático com as questões pessoais dos alunos.
Ela olhava para o relógio preso ao seu pulso repetidas vezes, tentando espantar o nervosismo e o mal-estar que insistiam em crescer. Mas ela não podia dar ouvidos ao seu corpo agora. precisava concluir o semestre para que pouco lhe separasse da efetivação no Sbt. E foi com esse pensamento e respirando fundo a cada 10 segundos, que ela terminou de preencher o verso da última página de almaço que podia usar para fazer a prova. Olhando para os lados, ela podia ver que a sala estava quase vazia, tirando uns cinco alunos que tinham ficado por último e o professor. Ela podia ver, pelo vidro da porta, a cabeleira loira de Gabriela lhe esperando do lado de fora da sala. Então, faltando menos de 20 minutos para o fim da prova, ela se levantou com certa dificuldade da carteira, deixou a prova com o professor sem nem olhar direito para o homem e saiu da sala com sua bagagem pesada para encontrar a amiga que lhe olhava em expectativa.
Gabriela não teve tempo de lhe fazer perguntas sobre a prova. praticamente jogou a mochila e a mala aos pés da amiga e saiu correndo para o banheiro feminino mais próximo, que por sorte, ficava naquele mesmo corredor. Ela ainda colocava todo o café da manhã que mal tinha tomado no avião para fora quando Gabi chegou com dificuldade ao banheiro, sendo ajudada por Beatriz, outra amiga das duas.
As meninas falavam aos sussurros enquanto se despedia de todo o seu estômago, com o rosto quase colado ao vaso, agradecendo pelas serventes terem limpado aquele banheiro hoje mais cedo. O cheiro de desinfetante, que normalmente lhe fazia torcer o nariz, estava sendo um alívio sem tamanho.
Pareceram horas quando ela saiu da cabine do banheiro e encontrou as duas amigas com os braços cruzados e expressões preocupadas.
- Me diz que a sua menstruação não 'tá atrasada, ! - Gabriela disse sem rodeios, enquanto Beatriz lhe cutucava a cintura em um pedido mudo para que fosse mais sutil com a amiga.
apenas suspirou e se dirigiu até a pia para lavar seu rosto e tentar fazer alguma cor lhe voltar ao rosto. Ela não conseguia encarar as amigas, mas sentia seus olhares lhe perfurando através do espelho. Suspirou uma vez mais e sentiu a mão de Gabriela lhe apertar delicadamente o ombro. Foi quando a primeira lágrima caiu, seguida de outras tantas que ela se viu sendo abraçada por Bia e Gabi, em uma promessa silenciosa de que não lhe deixariam sozinha em nenhum passo a partir de agora.


Capítulo 1

Agosto, 2013
Rio de Janeiro

— Vocês só podem estar brincando — reclamou, quase chorando. estava sorrindo, contente com os desenhos que havia feito no rosto e nos braços da irmã, que também parecia feliz com o resultado.
Suspirando, ela se aproximou das meninas, tirando a canetinha das mãos de e colocando na parte mais alta do armário. Em seguida, pegou no colo e olhou para a outra filha, que rasgava as folhas de um dos cadernos que havia comprado para as duas desenharem.
— Vou limpar o rosto da sua irmã, não se mexa. – disse torcendo mentalmente para ser obedecida, mesmo sabendo que era uma batalha quase perdida.
Embora quisesse rir das duas, tentou permanecer séria até tirar o máximo de tinta possível do rosto de . Sentada na pia do banheiro, a menina tentava a todo custo mexer nas coisas ao redor, tornando o trabalho de ainda mais difícil. Ser mãe de primeira viagem já é uma tarefa árdua, de gêmeas então...
Mas ela estava dando conta, se saindo até melhor que muitas mães experientes por aí. Vez ou outra contava com a ajuda de Gabi e Bia, as madrinhas das gêmeas, ou de um familiar, mas quem nunca? Apesar do pai das meninas ser ausente - e extremamente babaca -, Marisa, a avó paterna, era um anjo na vida de e das gêmeas, sempre cuidando das meninas para que ela pudesse trabalhar, já que dona Sabrina, sua mãe, morava mais distante. Já havia cogitado deixar as meninas numa creche, mas era grande o receio de deixar suas filhas sob os cuidados de alguém novo.
Foram inúmeras vezes, tanto na gravidez quanto depois dela, que se pegou chorando pelos cantos, acreditando que não estava pronta para ser mãe. Se passaram dois anos desde que elas não passavam de enjoos matinais, dores nas costas e a sensação de que espirrar poderia fazê-la mijar nas calças. Olhando nos olhos de agora, ela não conseguia deixar de pensar que havia feito um bom trabalho com aquelas duas. Ninguém cuidaria tão bem de suas filhas quanto ela.
Terminou de limpar o rosto da menina, com álcool em gel e a levou novamente para o quarto. , por milagre, ainda estava sentada no mesmo lugar, fazendo bolas de papel.
— Agora olhem aqui. — chamou a atenção das duas. As canetinhas azul e vermelha em mãos — , você não pode rabiscar a sua irmã.
— Putê?
Ah, por um momento ela havia esquecido que um de seus bebês estava na fase dos "porquês", adorava questionar tudo, enquanto só falava quando necessário. Na maioria das vezes era fofo, outras apenas irritante.
— Porque a mamãe comprou esse caderno para vocês desenharem nele.
— Putê?
— Quem quer assistir Peppa Pig, hein? — desconversou e as duas pularam animadas, correndo para o sofá, dando a ela o tempo que precisava para arrumar a casa.

Dezembro, 2015
Rio de Janeiro

Encarando Ângelo, se perguntava em que momento ele havia se tornado um completo babaca, mas sabia que a realidade é que o pai de suas filhas sempre fora assim. Até mesmo quando ela o havia conhecido, ele era um irresponsável. Ela estava no quarto período da faculdade quando teve algumas aulas em conjunto com a turma de Ângelo. Foi na terceira semana de aula que eles começaram a sair, após rejeitá-lo duas vezes. No terceiro convite então, ela decidiu que era hora de dar uma chance ao rapaz, mesmo com suas amigas lhe alertando sobre ele.
E agora, ali estava ela, mais uma vez fingindo que o pai de suas duas filhas era um cara decente para poupar sua sogra de aborrecimentos. Ao contrário de Ângelo, a mãe dele não tinha complexo de superioridade e sempre fora uma pessoa decente tanto com quanto com as netas. Por isso, forçou um sorriso mais uma vez tentando aproveitar o momento e ficar feliz, suas filhas estavam completando mais um ano de vida e ela não poderia deixar Ângelo estragar o momento.
, querida — Marisa chamou a mãe das gêmeas que estava focada em distribuir gelatina para as crianças convidadas. Embora não houvesse muitas crianças na família, fez questão de convidar os amigos das filhas, que frequentavam a mesma creche das meninas. deu o último copinho de gelatina da bandeja para uma menina e foi até a ex-sogra. — Você está bem? Vi que parece chateada com algo.
— Não é nada, só estou um pouco cansada por conta dos preparativos. Até mesmo festas pequenas dão trabalho. — ela mentiu, colocando a bandeja na mesa mais próxima e pegando um copo de refrigerante para si.
— Se precisar de algo, sabe que pode contar comigo não é? — assentiu, sorrindo agradecida — Que bom, porque eu vou ficar para ajudar nessa bagunça.
Antes que a mais nova pudesse dizer algo, Ângelo se uniu as duas, ele havia escutado uma parte da conversa.
— A dá conta de tudo sozinha, ela não 'tá fazendo nada mesmo — ele disse, fazendo a mãe revirar os olhos e a mãe de suas filhas respirar fundo.
— Pra mim já deu. — ela respondeu se dando por vencida — Marisa, posso roubar seu filho por alguns minutos?
— É todo seu, querida.
E com a confirmação da ex-sogra, andou até o quarto, sendo acompanhada por Ângelo. Não deixando de reparar que Marisa aumentou o volume do rádio, o que tornava difícil de descobrirem caso ela tentasse matar Ângelo. Como não era o caso, assim que o homem entrou, ela trancou a porta atrás dos dois e o encarou.
— Qual é o seu problema? — ela começou e já sabendo que ele iria retrucar, levantou as mãos pedindo que ele permanecesse em silêncio — Você chega quase no fim da festa das suas filhas, não me ajuda em porcaria nenhuma e ainda quer fazer graça durante toda a comemoração? Eu juro por Deus, a minha maior vontade é entrar na justiça e arrumar um jeito de você nunca mais olhar na direção das duas.
— E elas vão viver sem um pai? — ele respondeu irritado, embora soubesse que não estava em posição de reclamar.
— Elas já fazem isso, seu idiota! — falou um pouco mais alto — Você é a porra de um pai ausente! Sua mãe busca as duas sempre e elas veem você uma vez na semana, isso quando você aparece em casa. Você esqueceu o aniversário delas, cara!
— Você não tem que me dar sermão, nós não temos nada.
— Eu estou cagando, Ângelo! — já andava de um lado para o outro, ela mordeu o lábio inferior e respirou fundo, olhando novamente para ele. — Olha, eu estou cansada de ver a sua mãe tentar compensar os seus erros. Está na hora de você sair debaixo da saia dela, entendeu? Nós temos duas filhas, não é algo que você pode ignorar. Se a partir de hoje você não se esforçar para ser o melhor pai que essas duas poderiam ter, acredite quando eu digo que dou um jeito de manter distância. E você sabe o quanto sua mãe te odiaria por isso, não sabe?
Sem esperar ele responder e nem mesmo saber se ele iria ter uma resposta, deixou o quarto aliviada. Fazia tempo que ela engolia as gracinhas do ex, mas quando o assunto era as gêmeas, o faria ouvir tudo o que ela esperou por anos para falar.

Janeiro, 2017
Rio de Janeiro

estava tentando há semanas manter a ansiedade controlada. Ela não aguentava mais checar seu e-mail de cinco em cinco minutos esperando por uma resposta que poderia mudar, não apenas a sua vida, mas a de suas filhas, que já estavam com cinco anos. Dona Marisa, sua ex-sogra e avó das pequenas, tinha lhe conseguido duas entrevistas que eram cruciais para a sua carreira até o momento. Pessoas ricas conheciam outras pessoas ricas e influentes que podiam dar momentos cruciais ao proletariado. "Se bem que qualquer coisa é crucial, em uma rotina que se baseia em cobrir notícia cotidiana do Rio de Janeiro pelo Sbt Rio", ela pensava suspirando enquanto cortava algumas frutas para o café da manhã de e . Era sábado, o único dia da semana que podia se dar ao luxo de passar o dia inteiro com as crianças, já que aos domingos elas sempre iam para a casa do pai, Ângelo.
A mulher já estava formada há 6 anos e continuava trabalhando no mesmo local em que fizera estágio durante a faculdade. Se sentia estagnada, sem perspectivas de melhora. Mas, pelo menos, o salário era o suficiente para garantir uma vida confortável para ela e as meninas em um apartamento mediano na Glória. Só que ela não estava fazendo o que queria dentro do jornalismo. queria focar em entretenimento. Desde pequena, sempre tivera o sonho de descobrir como era o tal "mundo dos famosos" por dentro. Queria ver se as pessoas eram tão perfeitas como aparentavam, saber quem odiava quem por baixo dos panos e ver as máscaras caírem. Sua mãe, dona Sabrina, dizia que ela adorava era ver o circo pegar fogo. E, bem, ela não estava tão errada assim. Mães sabem das coisas.
- Mamãe? – apareceu na sala coçando os olhinhos e com uma expressão de sono adorável – Você 'tá fazendo o quê? – ela perguntou escalando a cadeira que ficava de frente pra bancada que separava a cozinha estilo americana do espaço e se sentando.
- O café da manhã de vocês, é claro! – e, só nesse momento percebeu que estava cortando a mesma banana há uns bons 10 minutos. O que era para ser uma rodela mais parecia um purê de banana. Então, ela pegou outra fruta para começar a descascar – continua dormindo?
- Claro, mamãe! – disse em tom de obviedade – Aquela lá dorme mais que o sofá! – completou toda esperta e rindo da irmã.
- Mais que a cama, querida! – corrigiu sorrindo pra filha e se virando para deixar um beijo em sua testa – E onde a senhorita ouviu essa expressão, hein?
- Vovó Marisa que falou isso do papai e disse que a é igualzinha a ele! – ela deu de ombros enquanto observava a mãe terminar com as frutas e colocar um pratinho em sua frente com uma colher para que ela pudesse comer sozinha.
- Sua avó sabe o que fala! – concordou rindo – Mas eu vou lá acordar a Bela Adormecida antes que percamos o dia todo por aqui e está fazendo um sol lindo lá fora! – e foi se afastando para o quarto quando ouviu o telefone de casa tocar. Ela logo atendeu antes que o barulho acordasse , sabia que a filha tinha um péssimo humor logo pela manhã. "Realmente uma cópia do pai", pensou antes de tirar do gancho.
- Alô?
- Olá, será que eu poderia falar com a senhorita ? – uma mulher falou em inglês com um sotaque forte e o corpo de de repente paralisou. A pessoa teve que repetir mais umas duas vezes, sem saber se do outro lado da linha lhe entendiam.
- Cla.. Claro. – ela começou gaguejando e torcendo para que seus 7 anos de cursinho de inglês não falhassem agora – Sou eu! Me desculpe! Eu não estava esperando ligações internacionais ...
- Tudo bem, senhorita . – a mulher do outro lado foi compreensiva – Estou ligando para falar sobre a entrevista que você fez há dois meses conosco.
E, pelos 25 minutos seguintes, tudo o que pode fazer foi murmurar palavras meio desconexas de concordância e agradecer diversas vezes, se lembrando de manter a animação o mais contida possível. Ela pegara um papel para anotar as principais informações que a moça, que se identificou como Barbra Wilson, lhe dava. Naquele momento, formada há 6 anos, aos 26 de idade e com duas filhas de cinco, ela se sentiu indo para o caminho que sempre quis. Barbra Wilson ligava do escritório da Entertainment Weekly, em Los Angeles, Califórnia. E ela não estava lhe oferecendo apenas seu emprego dos sonhos como repórter da revista, mas a sua autoestima profissional de volta.


Capítulo 2

Morar em outro país é sempre um custo muito grande, principalmente com duas crianças pequenas. tinha considerado não aceitar a proposta de emprego, que lhe pagaria em dólares e quase o dobro do que ganhava hoje no Brasil, mas sua mãe e sua ex-sogra fizeram uma intervenção junto a Gabriela e Beatriz, suas amigas de faculdade e madrinhas das crianças. Se não fosse por bem, as quatro lhe dopariam para lhe enfiar em um avião rumo a Los Angeles. Depois de uma ameaça dessas, vinda de mulheres raivosas, tudo o que a jornalista pode fazer foi começar a procurar alugueis na cidade que ficassem próximos ao trabalho.
Com muito esforço, conseguiu encontrar um apartamento de dois quartos próximo ao escritório da EW em LA e ao Dalton Academy, a escola em que as meninas começariam a frequentar. Claro que o fato dela não precisar se preocupar em pagar um bom colégio para as gêmeas era um respiro enorme no orçamento de quem estava de mudança. Mesmo insistindo com Marisa que as escolas públicas americanas tinham um padrão de ensino muito bom, a avó paterna decidira se encarregar dessa parte, já que prezava por uma educação de qualidade para as netas e as matriculara em um colégio particular. E, querendo ou não, Ângelo dava uma boa pensão para as filhas e ainda se preocupava sempre em saber se elas precisavam de algo. Como namorado tinha sido péssimo, mas conseguia ser um bom pai na medida do possível. e eram loucas por ele!
E, isso poderia ter sido um problema, já que as três estavam se mudando para outro país. A choradeira que começou uma semana antes da mudança oficial para Los Angeles tinha acabado pouco antes do voo ser anunciado – se bem que, se contar com as lágrimas solitárias que teimavam escapar dos olhos de enquanto assistia ao sono das pequenas ao seu lado, essa tristeza ia continuar por bastante tempo. “Mas é um por um bom motivo”, pensou aliviada enquanto deixava um beijo na testa de cada filha e se voltava para o livro que levou para se distrair. Seriam longas 15 horas de voo até desembarcar em Los Angeles com as crianças e teria muito tempo para ler e dormir, antes que uma das duas pestinhas resolvesse acordar e zonear o avião que estava silencioso, ainda que fosse de tarde e o voo comportasse mais crianças – outras cinco além das gêmeas, pelo que contara.

[...]

O dia de deveria ter, no mínimo, 54 horas, ela implorava. Foram muitos minutos gastos entre esperar pelas roupas restantes chegarem a Los Angeles e alguns objetos, como as camas de e , além de seus brinquedos - que viriam por uma transportadora contratada ainda no Brasil - e conseguir arrumar tudo em seu devido lugar. E, ela ainda tinha a doce ilusão de que conseguiriam visitar o letreiro de Hollywood ou a Calçada da Fama. “Iludida mesmo”, praguejava ao guardar a vigésima peça de roupa de no lugar.
Por sorte, as crianças estavam entretidas com a televisão e lhe deixaram trabalhar em paz, com um pagode esperto tocando no celular. Calmaria melhor do que essa seria difícil de achar. Mas, estava prestes a acabar, porque precisavam sair para comer. O despertador do seu telefone lhe indicava que já passava das 13h e, se demorasse um pouco mais, sabia que seria engolida pelos furacões que chamava de filhas.
— Quem quer sair para comer? — disse chegando na sala e encontrando quase dormindo no colo da irmã. Nenhuma palavra precisou ser dita, porque os gritinhos animados de preencheram o lugar, acordando e fazendo com que as duas corressem para o banheiro a fim de se arrumarem.
, que já previa a bagunça, tinha deixado uma roupa para cada uma em cima de cada cama. Ela sabia que as filhas estavam na fase da independência e que não pediam mais ajuda para o banho, mas a mulher sempre ficava atenta pro caso de precisarem de alguma coisa. A única tarefa para a qual ainda pediam socorro era pentear os cabelos. Um toque de mãe é sempre mais útil na hora de desembaraçar os cachos que, em alguns dias, ficavam mais alvoroçados.
Depois de uns bons 40 minutos, as três conseguiram sair de casa. Foram mais vinte minutos até encontrar um restaurante com comida brasileira. Apesar de ser bom acostumar as meninas com a comida local, ela sabia que teria muito tempo para isso e ouvir ambas as filhas reclamarem e se recusarem a comer era a última coisa que a mulher queria em sua primeira semana longe do Brasil. Já havia passado por um episódio numa churrascaria, com as gêmeas chorando aos 2 anos, porque ambas se recusavam a comer, pois queriam mamar. Foi um caos, mas conseguiu driblar a situação.
O letreiro do restaurante era lindo e era apenas sorrisos. Ela observava as pessoas nas outras mesas, quando um garçom veio lhe atender.
— Boa tarde, bem-vinda ao Camila's. — ele disse em português, o que fez ficar ainda mais animada.
— Obrigada, eu gostaria de uma mesa e duas cadeiras infantis, pelo amor de Deus. — ela riu, fazendo o garçom rir junto. Ele olhou para as pequenas e sorriu.
— Eu não consigo imaginar essas duas gracinhas dando trabalho. — respondeu e sorriu. O garçom fez um gesto pedindo para que o acompanhasse, guiando-a até a mesa de número 13. — Eu estarei de volta com o cardápio em um minuto.
assentiu, agradecida demais pelo ótimo atendimento. Olhou para as gêmeas, ambas sentadas nas cadeiras infantis e pegou o celular para registrar um dos únicos momentos do dia em que as duas ficavam extremamente quietas.
O garçom voltou com o cardápio e a mulher fez os pedidos, agradecendo ao homem antes dele afastar-se novamente. pegou o celular e enviou a foto das meninas para um grupo no WhatsApp com a ex sogra e o pai das gêmeas. Logo em seguida postou a mesma no grupo da família, recebendo várias mensagens de sua mãe e tias, todas cheias de elogios.
Uma voz feminina se fez presente falando em português e tirou os olhos do celular, vendo uma mulher e uma criança que aparentava ter a idade de suas filhas.
— Me desculpe o incômodo, mas podemos nos sentar aqui? O resto do restaurante está cheio. — ela sorriu um pouco envergonhada e logo retribuiu o sorriso, deixando claro que não se importava nem um pouco.
— Fica a vontade, — respondeu e a loira ficou menos constrangida — é ótimo conhecer pessoas novas. Eu sou a , essas são e .
— Eu sou a Laura — a loira se apresentou e apontou para a mais nova — e essa é a Violet, minha filha.
— É um prazer! — respondeu simpática e sorriu para Violet, que parecia ser um pouco tímida. — Uau, que garotinha linda. - e a menina apenas retribuiu olhando para o chão envergonhada.
— Ela é um pouco tímida, mas vai se soltando aos poucos. — Laura riu ao sentir a filha apertar a mão que segurava. A mulher sentou e logo o garçom estava de volta, Laura aproveitou para pedir também uma cadeira infantil, que substituiu outra de imediato. — Obrigada novamente por nos deixar ficar.
— Não esquenta, é uma ótima oportunidade para uma nova amizade. — disse mais uma vez e, assentindo, Laura sorriu. — Você mora por aqui?
— Sim, claro. Na verdade, amanhã vai fazer cinco anos desde que cheguei aqui. — comentou com um sorriso, orgulhosa de onde havia conseguido chegar.
— Isso é maravilhoso. — respondeu antes de começar a organizar a mesa para as meninas não causarem uma cena. — É difícil?
— O quê?
— Você sabe… — apoiou os braços na mesa e apoiou o queixo sob as mãos. — A saudade. Eu cheguei faz pouco tempo e já estou com uma saudade absurda da família, dos amigos, e do calor que fazia no Rio.
A parte mais difícil para estava sendo deixar a família e os amigos, mas estava confiante de que faria novos e isso serviria de consolo para que não se sentisse só.
— Ah é difícil, mas com o tempo eu acostumei e ficou bem mais fácil quando eu tive a Violet.
Laura sorriu observando a filha, que já estava brincando com uma das gêmeas. O garçom voltou com os pedidos de , logo anotando o dela também. As meninas comeram sem nenhuma birra, o que deixou muito aliviada. A mulher pediu sorvetes para as três crianças, como uma recompensa por terem se comportado enquanto ela e Laura se conheciam melhor.
As mães se despediram quando o marido de Laura veio buscá-las, cumprimentando brevemente . Laura deu seu número a ela e agradeceu pelo almoço, mandando um beijo para as gêmeas e entrando no carro, que partiu em seguida. A mãe das meninas sorriu, feliz por ter feito sua primeira amizade naquele lugar que ainda era tão novo para ela. De mãos dadas com as filhas, ela voltou para casa.



Capítulo 3

nunca foi daquelas pessoas que se assusta por algo tão fácil. Depois do parto de e , a carioca sentia que podia fazer qualquer coisa. Mas, tinha que admitir que estar junto de sua nova equipe e, claramente estar sendo avaliada mentalmente por eles, não estava sendo uma tarefa fácil. Ela podia sentir seu estômago revirar de forma desconfortável enquanto os dois homens a sua frente encaravam todo o discurso que ela tinha sido instigada a fazer.
- Você precisa relaxar mais, ! - Daniel, o operador de câmera de seu time, disse depois dela ter concluído o que parecia o quinto ensaio daquela hora. - Tenta falar com mais naturalidade para câmera.
- Fazer uma entrevista em inglês é muito mais complicado do que vocês imaginam. - a brasileira bufou e arrumou o cabelo nervosa. - Se ela fosse brasileira, tudo estava resolvido!
- A vida não é um mar de rosas, meu bem. Você sabe disso. - John, o fotógrafo da equipe, ponderou. - Se fosse, eu já estaria casado com o Michael B. Jordan há muito tempo. - eles riram juntos.
- Eu sei, meninos. Mas essa é a primeira vez que eu vou entrevistar alguém desde que entrei aqui. Precisa sair perfeito, para que a Barbra não se arrependa de ter me oferecido a vaga e eu não tenha que voltar com duas crianças para o calor absurdo do Rio de Janeiro. - fez drama.
- Não surta, ! - Daniel bronqueou, mas logo abriu um sorriso. - Você é competente e mostrou isso nesse mês de trabalho aqui. A Barbra não te mandaria entrevistar alguém para o YouTube se você não estivesse pronta para isso. – incentivou. - Vamos tentar mais uma única vez e chega. - ele disse arrumando a câmera pela sexta vez e focando no rosto da mulher. - Vai!
- Olá, pessoal! Eu sou a e estamos aqui com Alessia Cara, que lançou no final do ano passado um clipe bem legal para a sua música Seventeen … - e ela seguiu o texto que tinha em mente.
A boa da verdade era que estava mesmo insegura quanto a sua permanência na Entertainment Weekly. 2017 ainda estava em março e ela acabara de completar um mês de revista, mas ainda tinha que passar por mais dois de experiência até que pudesse cobrir eventos maiores. Por enquanto ou ela acompanhava outros jornalistas a coletivas e pocket shows para ver como eles lidavam com os famosos, ou atualizava o site da revista com o que acontecia nas redes sociais.
Mas Barbra tinha visto o esforço da mulher em se encaixar na redação da EW. Por isso lhe colocara para entrevistar Alessia Cara para o canal do YouTube da revista. Alessia era um doce, estava em começo de carreira e ganhara mais visibilidade por gravar a música tema de Moana. Barbra tinha certeza de que daria conta e foi isso o que disse a ela, mesmo que a brasileira tenha surtado disfarçadamente com a notícia. Era sua hora de provar seu valor.

[...]

tinha treinado por mais alguns dias com a sua equipe, mas tinha que admitir que estava nervosa. O problema não era tanto o fato de entrevistar uma pessoa famosa do meio musical, mas o quanto ela se cobrava. Será que seu inglês seria compreensível para as pessoas? Será que seria julgada por ser brasileira? Ela não sabia, mas respirava fundo de dois em dois minutos dentro do carro a caminho do hotel onde rolaria a entrevista.
John e Daniel estavam ao seu lado quando ela entrou no Sheraton e isso lhe deixava minimamente mais tranquila. Quando os três chegaram com os equipamentos na cobertura para usar um pequeno salão do hotel, Alessia já esperava na porta com sua assessora de imprensa. As duas pareciam conversar animadas e comemorou pelo bom humor aparente da cantora.
- Olá! Sou a , trabalho na EW! Tudo bem? - achou melhor se apresentar logo, tentando deixar a timidez de lado e as mulheres a sua frente sorriram, enquanto os meninos se preocupavam em abrir o espaço e arrumar os equipamentos.
- Oi, ! Eu sou Alessia e essa aqui é a Jane, minha assessora que falou com vocês. Eu estou bem animada para essa entrevista, tenho que admitir. - a garota cumprimentou de volta.
As três mulheres começaram a conversar e , quando viu tudo pronto e teve o ok de Daniel, resolveu se posicionar em uma das cadeiras no centro da sala, levando a cantora com ela.
- Vamos fazer dessa entrevista uma conversa, tudo bem? - questionou a canadense que concordou e ela olhou para câmera, fazendo a chamada. - Olá, pessoal! Eu sou a e estamos aqui com a Alessia Cara, que lançou no final do ano passado um clipe bem legal para a sua música Seventeen e que está no meio da sua primeira turnê. Conta um pouco sobre como está sendo essa tour?
- Oi, galera! - ela cumprimentou para câmera e voltou seu olhar para . - Então, está sendo ótimo! Primeiro a gravação do single de Moana com o Lin-Manuel Miranda e agora a Know-It-All Tour está saindo do papel. É um sonho que virou realidade!
- E você pode adiantar alguma coisa para gente sobre o show daqui de Los Angeles? - perguntou a jornalista em expectativa.
- Muito pouco. - a cantora riu. - Mas, ainda que seja em um espaço pequeno, o show dessa semana terá uma grande surpresa! Só indo para conferir! - Alessia deixou no ar e deu uma piscadela esperta para a câmera.
A entrevista durou por mais 10 minutos e já parecia bem mais à vontade frente às câmeras. Ela ainda se divertiu com Alessia, fazendo um quiz com a cantora sobre qual princesa da Disney ela seria. Alessia acabou sendo Pocahontas e até cantou um pedacinho de Colors of the Wind para comemorar.
Logo depois as duas tiraram uma foto juntas e a canadense deu para cada um da equipe dois ingressos para o show de Los Angeles. Por sorte, Ângelo estava vindo para a cidade, querendo passar um tempo com as filhas. Talvez ela pudesse convidar Laura, já que as duas tinham se aproximado bastante no último mês.
, então, tratou de ligar para a nova amiga quando eles deram o expediente por encerrado.
- Laurinha, meu bem! - a jornalista saudou ao telefone em português, enquanto entrava no carro com sua equipe para lhe deixarem em casa. - Você vai fazer alguma coisa nessa sexta?
- Onde vamos, ? - a amiga questionou e soltou uma risadinha animada.
- Gosto assim! Tenho ingressos para o show da Alessia Cara no Pantages Theatre e vai ser incrível!
- Eu não tenho ideia de quem ela seja, mas por uma noite de folga, eu estou aceitando. - Laura comentou. - Vou marcar logo horário para nós duas na minha cabeleireira. Temos que ir maravilhosas. Conhecer vários famosos.
- Não viaja, Lau! Vamos só curtir umas músicas desconhecidas legais e de graça.
- Já é o suficiente para mim, querida. - ela disse e logo se despediu enquanto ouvia a voz de Violet ao fundo chamando pela mãe.
Em alguns minutos, Daniel estacionou o carro em frente ao prédio da brasileira e ela finalmente conseguiu chegar em casa. Tinha pouco mais de uma hora até que e chegassem em casa do colégio junto com a moça da Dalton Academy que era responsável pelo carro escolar.
Por isso, ela se pôs a tomar um banho relaxante e respirar um pouquinho, pensando no quanto tinha evoluído naquele mês em L.A.. sabia que ia precisar de muito mais para ser considerada fundamental pela E.W., mas se sentia seguindo um bom caminho. O pessoal da revista era bem legal e sua equipe ainda melhor. Daniel e John tinham sido dois anjinhos que caíram em sua vida. Anjos na Cidade dos Anjos. Bem clichê mesmo.
Laura também tinha sido um achado. A loira era mais do que apenas uma amiga ou uma conexão com o Brasil. Sentia que já a conhecia de outros tempos, mesmo sem saber bem. Só tinha essa sensação.
ficou mais algum tempo no chuveiro aproveitando a água morna em seu corpo quando ouviu seu despertador tocar. Ela sempre mantinha o alarme para uma meia hora antes das filhas chegarem, assim tinha tempo de preparar alguma coisa mais reforçada para elas. As duas já estavam sofrendo para se adaptar a falta de um almoço completo, já que nos EUA eles não tinham esse costume. Então, a jornalista se esforçava para montar um jantar mais farto, equilibrando a fome dos dois mini furacões.
Por isso, ela saiu rápido do banho, colocou a primeira roupa que encontrou e partiu para a cozinha. Ainda bem que deixei janta pronta, pensou enquanto abria a geladeira e pegava a lasanha que já tinha congelado no dia anterior para colocá-la no forno, além de alface e alguns tomates para uma salada. O tempo de cozimento fora o suficiente para que finalizasse a salada, desligasse o forno e ouvisse o interfone tocar com o porteiro avisando que as crianças chegavam.
e estavam esperando junto a Melanie, a moça contratada pela escola para levar algumas das crianças em casa. As gêmeas eram as primeiras a serem entregues, já que o prédio ficava próximo a Dalton Academy. Elas ainda conversavam com as outras crianças, em um inglês precário que fez se derreter por dentro quando chegou na porta para pegá-las.
Quando viram a mãe, as duas se despediram correndo e saíram apressadas ao encontro dela. O caminho até o apartamento foi cheio de novidades das meninas para , mas ela logo mandou as duas para o chuveiro, assim poderiam jantar.
- E o que vocês aprenderam hoje na escola? - perguntou quando as duas estavam devidamente vestidas com seus pijaminhas e já comendo sentadas à bancada. A mulher gostava sempre de saber o que acontecia na escola, já que a turma das filhas era própria para os filhos dos imigrantes brasileiros.
- Hoje a professora fez a gente contar, em inglês, a história de um amiguinho da sala depois de ouvir ele contar, né ? - comentou enquanto a irmã só assentiu, mais interessada na lasanha. - Mas ela não deixou a gente fazer juntas, porque já nos conhecemos demais.
- E com quem vocês fizeram o trabalho?
- Eu fiz com a Emily, mas a fez com o chato do Ronald! - disse com voz de acusação para irmã.
- Ei, o Ron não é chato! - a outra defendeu o amiguinho enquanto imitava sua frase com a voz mais fina, em pura birra.
- , não é para imitar a sua irmã! - ralhou , mas continuou a conversa. - Mas por que você acha isso desse menino?
- É porque ele não quis brincar com ela! - mostrou a língua para sua gêmea e teve que dar uma pequena bronca nela também.
- Meninas, sem brigas, por favor! - disse com a voz mais firme. - Fale, ! Por que acha ele chato?
- Ele jogou bolinhas de papel em mim, mamãe. - a pequena cruzou os braços. - Mas trata a superbem! - completou contrariada.
- E você falou com a professora? - questionou.
- Ela já falou com ele e ele disse que não ia fazer mais, mãe. - respondeu pela irmã e voltou a comer. - Você tem que saber perdoar, ! - declarou antes de colocar mais um pedaço de lasanha na boca, deixando boquiaberta com a frase.
- Bem, e o que mais aprenderam hoje? - a jornalista pigarreou, tentando chamar a atenção das duas para si, buscando dissipar o momento ruim. Demorou um pouco, mas logo elas se lembraram de mais coisas que tinham feito ao longo do dia, deixando o clima pesado para trás.

[...]

A semana tinha sido proveitosa na EW. tinha dado pitacos na edição do vídeo da entrevista e a redação estava em polvorosa com a possível volta de Justin Bieber e Selena Gomez. Lidar com as nuances do casal, além de pensar em acompanhar os outros artistas significava trabalho dobrado, algumas vezes, triplicado para a jornalista.
Por sorte a sexta terminava e ela podia se encontrar com Laura na cabeleireira antes de irem ao show da Alessia Cara, que seria em algumas horas. Ângelo tinha chegado há dois dias e estava hospedado em seu sofá, já que queria ficar o mais próximo das filhas e as meninas não queriam dormir fora do apartamento. Era péssimo para ela, mas para ver suas crianças felizes, valia o esforço.
- Finalmente você chegou, mulher! Já estava quase mandando a polícia atrás de você! - Laura cumprimentou quando viu a amiga chegando na porta do pequeno salão de beleza.
- Você tem certeza de que não quer ser atriz de novela mexicana, Lau? Com esse drama todo, a Televisa está te perdendo! - disse irônica enquanto dava um abraço na loira.
- Há, muito engraçada! - ela lhe mostrou a língua como uma criança e riu. - Agora anda logo que a Mabel vai cuidar direitinho de você! - afirmou Laura empurrando a jornalista para dentro do salão e apresentando a cabeleireira Mabel e a manicure Karen, enquanto praticamente jogava a amiga na cadeira de frente ao espelho. - Ela é toda sua, Mabel!
- Olá, querida! - Mabel cumprimentou e já foi perguntando. - Tem alguma ideia do que fazer com esses cachos maravilhosos?
- Quem sabe pintar? - sugeriu em dúvida olhando a profissional pelo espelho. - Eu mudei há pouco tempo para L.A. e não fiz nada ainda.
- Sei exatamente o que podemos fazer! - Mabel sorriu e a brasileira ficou um pouco assustada. Pensou até em pedir ajuda para Laura, mas a mulher já estava entretida em uma conversa com Karen, que já fazia suas unhas. - Confia em mim?
apenas assentiu e se deixou levar pelas mãos experientes da mulher. Qualquer mudança que viesse seria super bem-vinda e ela ia abraçar, como fizera com Los Angeles depois que chegara aqui. Ela ainda tentou se manter de olhos fechados, mas ainda bem que não o fez. Pode ver o cuidado que a mulher teve com seu cabelo. Se tivesse ficado de olhos fechados teria perdido os vídeos que Laura fizera de sua transformação. E, além disso, teria deixado de ver a maravilhosa mulher preta iluminada que lhe encarava de volta no final do processo.





Continua...



Nota da autora: Sem nota.

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Nota da beta: Primeiro de tudo, que capa maravilhosa é essa, eu estou aqui babando nesse trabalho incrível da Carol. E que casting, meninas! Amei, amei e amei. Eu estou amando a história, você tem um jeito incrível de escrever. Ansiosa pela continuação! <3

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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